MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1932
TOMO VII
• T
São Paulo, Brasil
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MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1932
TOMO VII
São Paulo, Brasil
Caixa Postal 65
ÍNDICE
Pag.
Noticiário 1
D. vox KLOBUSITZKY c C. vos MAGYARY — Sobre a viscosidade
dos corpos albuminosos bicarbonatados 3
D. vox KLOBUSITZKY — Contribuição ao exame dos vidros para em-
polas 17
U. vox KLOBUSITZKY — Apparelho simples para produzir hydrogenio
ou oxygenio por electrolyse 27
J. LEMOS MONTEIRO e FLAVIO da FONSECA — Typho cxanthema-
tico de S. Paulo.
— XI. Novas experiencias sobre a transmissão experimental por
carrapatos (Boophilos microplus e Amblyomma cajennense). 33
— XII. Sobre um vinis isolado de ratos da zona urbana da cidade
e suas relações com o do typho dc S. Paulo 41
AFRANIO do AMARAL — Estudos sobre Lacertllios neotropicos.
— I. Novos generos e especles dc lagartos do Brasil .... 51
AFRANIO do AMARAL — Notas sobre chromatismo dc ophidios.
— I. Primeiro caso de crythrismo em serpente, observado no
Brasil '*>
— II. Casos dc variação de colorido dc certas serpentes . . 31
AFRANIO do AMARAL — Contribuição á biologia dos ophidios do
Brasil.
— III. Hábitos curiosos da espccie Tachymenl» braslllensU Go-
mes (Colnbridae, Boiginae) 89
— IV. Sobre um caso dc nccrophilia hcterologa na jararaca
(Bothrops jararaca) 93
AFRANIO do AMARAL — Contribuição ao conhecimento dos ophidios
do Brasil.
— V. Uma nova raça dc Bothropa neuwirdü 95
— VI. Uma nova espccie de Colubrideo opisthoglypho do gcncro
Chloroaoma Waglcr, 1830 99
AFRANIO no AMARAL — Estudos sobre ophidios neotropicos.
— XXIX. Novas notas sobre espccics da Colombia 103
FLAVIO da FONSECA — Notas dc acareologia.
— I. Papel dos acarianos do gencro Trombicola na transmissão
das Rickcttsias pathogcnicas e applicação dessa hypothcsc ã
Rlckrttsia bratillensU Monteiro, 1931 125
— II. Ichoronyssn* botantanensis, sp. n. (Acarina. Dcrmanys-
sldae) 135
— III. Parasitismo do homem c dc Caria aperra por Llponlsaus
bacoti (Hirst, 1913) (Acarina, Dermanyssidae) 139
— IV. Presença de Ophlonystui serprntium (Hirst, 1915) (Aca-
rina, Dermanyssidae) no serpentário do Instituto Butantan . 145
— V. Trombicola botantanensis, sp. n. (Acarina, Trombidildae) 147
— VI. Duas novas espccics de larvas do gcncro Trombicola:
Trombicola ophidica, sp. n. c Trombicola ewingi, sp. n. (Acari-
na. Trombidildae) ; nota sobre Trombicola botantanensis Fl. da
Fonseca. 1932 e sobre a inexistência da T. akamoshi (Brumpt.
1910) entre nós 151
ALCIDES PRADO e FLAVIO da FONSECA — Um gencro novo c al-
gumas espccics dc sarcophagas (Dlptera, Stephanostomatidae)
da cidade de S. Paulo. 159
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FLAVIO da FONSECA — Eimeria pintoensis, sp. n., parasita do coelho
sylvestre (Sylvilagus minensis) 173
AFRANIO do AMARAL e D. vox KLOBUS1TZKY — Hemagglutininas
naturaes no sangue de serpentes e de outros animaes pecilo-
thennicos 179
J. LEMOS MONTEIRO e J. TRAVASSOS — Estudos experimentaes so-
bre o bacillo de Friedmann 193
J. LEMOS MONTEIRO c J. TRAVASSOS — Sobre a duração da activi-
dade do antigeno para a reacção de fixação do complemento
na febre amarella 237
R. GOD1NHO e J. TRAVASSOS — Observações em torno do phenomeno
de Duran-Reynals 243
J. TRAVASSOS e R. GODINHO — Influencia dos estaphylococcos sobre
a actividade do vinis vaccinico 261
S. de CAMARGO CALAZANS e R. GODINHO — Possibilidade de con-
taminação da lympha vaccinica pelo vinis da febre aphtosa. 269
S. dc CAMARGO CALAZANS c B. RANGEL PESTANA — Emprego do
acido rosolico no isolamento e identificação dos bacillos do
grupo coli-typhico-dysenterico em meios solidos 283
FLAVIO da FONSECA — Modernas technicas dc preparo da antitoxina
tetanica 303
J. LEMOS MONTEIRO c R. GODINHO — Do emprego do soro vac-
cinico no tratamento da coqueluche 311
AFRANIO do AMARAL. J. BERNARDINO ARANTES e FLAVIO da FON-
SECA — Sobre a duração da actividade das antitoxinas c
antivenenos 321
AFRANIO do AMARAL c J. LEMOS MONTEIRO — Ensaio de classi-
ficação das Rickcttsioses á luz dos nossos actuacs conhe-
cimentos 313
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NOTICIÁRIO
Apesar da agitação que dominou no pais no terceiro trimestre de 1932, du-
rante o qual São Paulo esteve separado de qualquer contacto facil com o resto
do mundo e os technicos do Instituto Butantan com a sua actividade confi-
nada ao preparo de produetos biologicos, necessários á defesa da população
civil e das classes em armas, contra as endemias e epidemias que nessas occa-
siões costumam irromper com maior vigor, a producção scientifica do Insti-
tuto continuou a avolumar-se, permittindo a publicação, neste tomo VII das Me-
morias, de grande numero de trabalhos, de feição especulativa ou pratica, como
contribuição de suas Secções de Viras e Virustherapia; Ophiologia e Zoologia
Medica; Protozoologia c Parasitologia; Bacteriologia; Immunologia e Sorotherapia.
N'ão obstante o aggravamento da crise financeira ligada directamente a
essa agitação politica, a Secção de Physico-chimica continuou a installar-se,
tendo iniciado nova serie de pesquisas cujos resultados são também aqui pu-
blicados.
Durante o anno a Redacção das “Memórias” recebeu para publicação, do
Office International de Chimic, a seguinte circular sobre a organização inter-
nacional da documentação chimica :
“As questões relativas á documentação têm adquirido ultimamente
cada vez maior importância. Os documentos scientificos e technicos
multiplicam-se cm todos os paises cm tal numero que se torna cada
vez mais difficil tirar-se dcllcs a parte util á intenção dos pesqui-
sadores. Como muitas instituições se occupam, de um modo per-
manente, do registo, classificação e divulgação dessa documentação,
tornou-se necessária a coordenação de suas respectivas actividadcs
com um caracter internacional, para permittir-lhes o desempenho
do papel.
De referencia ao doininio da chimica, deu-se um passo á frente
em 1932. no plano scientifico e tcchnico, com a criação do “Office
International de Chimic”, por meio de convenção internacional c
com sóde em Paris. Seu primeiro acto consistiu na convocação de
uma Conferencia de Peritos, que reunisse as seguintes personalida-
des: P. Donker Duyvis, membro do “Conscil des Brevets”, Haya;
P. Dutoit, professor na “Université de Lausannc”; F. Haber, dircctor
do “Kaiser Wilhelm-InsUtut für Physikalischc Chcmic und Elektro-
chemic”, Berlim; E. ilauser. membro da "Academia de Ciências”,
Madrid; Ch. Marie, secretario geral do “Comité international des
Tables Annuelles de Constantes”, Paris; N. Parravano, acadêmico da
Italia, presidente do “Comitato Xazionalc di Chimica”, Roma; 0.
Peny, presidente da “Fédération des Industries Chimiqucs de Bel-
giqiic”, Bruxellas; J. C. Philip, professor no “Imperial Collcgc of
Science and Technology”, Londres.
Dos trabalhos dessa Conferencia de Peritos resultou a adopção
de certo numero de recommendações que fixam as 3 seguintes fi-
nalidades principaes do “Office”:
I. — Tornar accessivel a todos os interessados a documentação
preexistente accumulada nos diversos centros, depositos e collecções.
cm
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II. — Canalizar a documentação chimica em via de producçáo
por meios que facilitem seu registo, conserva e diffusão pelos me-
lhores methodos conhecidos.
III. — • Assegurar a coordenação entre a documentação relativa
á Chimica e á referente aos outros conhecimentos scientificos, no
campo da documentação universal.
Graças a estas diversas actividades, os manuseadores da do-
cumentação verão realizar-se no mundo, systematica e progressiva-
mente, uma organização pratica e racional dessa matéria, succepti-
vel de se lhes adaptar, de mais a mais, ás necessidades”.
Toda correspondência scientifica, relativa ás “Memórias”, deve ser di-
rigida ao
EDITOR, MEMÓRIAS INSTITUTO BUTANTAN
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SOBRE A VISCOSIDADE
DOS CORPOS ALBUMINOSOS BICARBONATADOS
D. von KLOBUSITZKY e C. von MAGYARY
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61 2.39S: 612.1 1S14
SOBRE A VISCOSIDADE
DOS CORPOS ALBUMINOSOS BICARBONATADOS
POR
D. voN KLOBUSITZKY e C. vox MAGYARY
Desde as pesquisas basicas de I^aqueur c Sackur (1), que procuraram co-
nhecer a influencia de diversas concentrações de soda caustica sobre a viscosidade
das caseínas, as mudanças de viscosidade dos colloidcs hydrophilos, cm diffcren-
tes meios, tomaram-sc um estudo especial. Os resultados obtidos até agora, cm
relação ás albuminas, podem ser resumidos do seguinte modo:
1) A viscosidade é independente do tamanho das partículas colloidaes.
2) A viscosidade eleva-se á medida que cresce a hydratação.
3) A viscosidade diminuc, com o augmento da temperatura, mais do que
a viscosidade da agua, c essa diminuição não representa uma funeção linear da
temperatura.
4) As lixívias cm concentrações moderadas elevam a viscosidade.
5) Nas experiências feitas sobre a acção dos sacs neutros na viscosidade,
os resultados são diversos, tanto sob o ponto de vista qualitativo, como quantita-
tivo c dependem dos aniões e catiõcs do sal usado.
6) A viscosidade augmenta com crescentes concentrações dos solutos dos
corpos albuminosos.
7) A pseudo-globulina possue uma viscosidade maior do que a scralbumina.
8) O repouso, assim como diversas acções mecanicas (agitação, movi-
mento, etc.), modifica a viscosidade.
— O ponto visado nestas expericncias consistiu cm esclarecer de que modo
o bicarbonato de sodio (XaHCOj), como componente que é do plasma do san-
gue e principalmente dotado de pequena dissociabilidadc (sendo tambem sob o
ponto de vista physiologico uma substancia extremamente importante), influc na
viscosidade dos corpos albuminosos : si se comporta como uma base ou como um
sal, e que relação existe entre sua acção e sua crescente dissociação. Nosso fito
foi sobretudo chegar o mais depressa possível ã determinação das differenças
existentes entre os diversos corpos albuminosos; porisso, fizemos nossas pesqui-
cm
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8 Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
sas com solutos de corpos albuminosos em concentrações iguaes (2% e 1 %) e
com o mesmo conteúdo de bicarbonato (N/10 e N/0,02), variando o grau de
dissociação do NaHCC>3 de accordo com a elevação de temperatura.
Material e methodo
Ovalbumina. — Empregámos a clara de 20 ovos que foram cuidadosamente
separadas das gemmas e diluídas em volumes iguaes de agua destillada. Sob
uma progressiva reducção da resistenda de protecção foram collocadas num appa-
relho electro-dialysador de Pauli, entre membranas de pergaminho. Em conse-
quência do phenomeno de camadas de Pauli, dividia-se a solução, na camara do
meio do electro-dialysador, em duas partes, das quaes a de cima era pobre em
albumina e, portanto, desprezada. Verificámos a conductividade da parte de
baixo, que na terminação da electro-dialyse correspondia a 1,20.1o -3 recipr. Ohm.
(*). Determinámos pela seccagem, em estufa electrica a 105“ C até obtenção
do peso constante, a concentração das albuminas assim preparadas, em solutos
quasi tão claros quanto a agua. A concentração da ovalbumina era de 2,27%.
Seralbumina e pseudo-globulina. — Cerca de 3 litros de soro desíibrina-
do de cavallo foram levados a meia saturação com uma solução saturada de
( N 1 1 4 ) 2SO4 , deixando-se, depois de bem misturados, durante 24 horas sob toluol,
sendo o precipitado separado c filtrado. O precipitado foi em seguida dissolvido
na menor quantidade possivel de agua e dialysado num sacco de pergaminho, sob
pressão. Ao mesmo processo foi submettida a solução de seralbumina. Depois de
4 ou 5 dias, foram as duas soluções collocadas no filtro de pergaminho e dialysa-
das até que a conductividade especifica das mesmas não baixasse a menos de
1 . IO -4 recipr. Ohm..
A dialysc durou cerca de 5 semanas, sendo então os solutos electro-dialysa-
dos e ccncentrados como a ovalbumina. Com o precipitado, que obtivemos por
meia saturação com (NIDJjSOs. formou-se um precipitado contendo cuglobu-
lina; este foi durante a electrodialyse separado da pseudo-globulina, continuan-
do-se ainda por 2 dias a electro-dialyse do soluto limpo de pseudo-globulina, á
qual se havia juntado (NHsjsSOs a 1/3 de saturação e que não demonstrara
turvação. A conductividade especifica do soluto de seralbumina era de 3.98.10 -6
recipr. Ohm. e sua concentração de 2,77% ; a pseudo-globulina tinha uma con-
ductividade especifica de 3,26.10® recipr. Ohm., sendo sua concentração também
dc 2,77 %.
Hemoglobina. — Como material usámos de inicio oxyhemoglobina crystal-
lizada, obtida do sangue dc cavallo, pelo processo de Hoppe-Seyler. A massa
crystallizada foi previamente dialysada com a pseudo-globulina e a seralbumina.
(•) Os resultados das conductividades especificas foram todos corrigidos de accordo
com a conductividade especifica da agua, mais ou menos 1.10" 7 reciproco q .
cm
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Klobusitzky * Magtary — Viscosidade das albuminas
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em seguida electro-dialysada até obtenção de conductividade especifica constante
e então concentrada por meio do phenomeno de camadas. A determinação do
residuo secco nos mostrou que o soluto era de 2,20 Çc. A conductividade espe-
cifica era de 2,97. lfr* recipr. Ohm..
O soluto de XaHCOj foi preparado com XaHCOj pro analysc Merck numa
concentração de X/l ; com esse soluto e com a agua de conductividade foram
feitas diluições proporcionaes aos solutos de albuminas usados para determinação
da viscosidade. Preparámos de cada albumina 4 solutos differentes: um com
2 % de albumina e X/10 de XaHCOj ; outro com 2 % de albumina e X/200
XaHCOj; outro com 1 % de albumina e X/10 de XaHCOj; finalmente, uma
com 1 % de albumina e X/200 de XaHCOj. Está subentendido que primeira-
mente foi verificada a viscosidade de X/10 XaHCOj e dos solutos de corpos
albuminosos a 2 e a 1%.
A viscosidade dos solutos foi determinada com o viscosimetro de Ostwald.
sendo cada determinação verificada com dois viscosimctros. A = viscosi-
o peso especifico do soluto de X/10 XaHCOj. ou o de 1 % de soluto
de corpos albuminosos, por 1,005, o de um soluto a 2 % ou a 1 % de
albumina misturado com X/10 XaHCOj. por 1.010 e a mistura de um soluto
a 2 % de albuminas com X/10 de XaHCOj, por 1,015. O peso especifico de
X/200 XaHCOj foi considerado igual ao da agua. Os valores thcoricos (cons-
tando nas tabcllas sob o titulo de calculados) foram computados pela formula de
Arrhenius, segundo a qual a viscosidade dos systemas formados por dois fluidos
é igual á somma dos logarithmos das viscosidades dos componentes ( log. r ( + r (1
X. log. r t + d- X) log. Tjl )
Visto ter o repouso prolongado influencia considerável sobre a viscosidade,
determinámos esta a 12.5" C immcdiatamcnte antes de iniciar a pesquisa, cffc-
ctuando, logo em seguida, as demais determinações, a temperaturas elevadas gra-
dativamente, da maneira mais rapida possivcl. O tempo foi medido com o re-
logio de parada de preciíão ate 0,1 de segundo.
Damos a seguir as tabellas apresentando o resultado de nossas experiências :
Parte experimental
I — Soluto X/10 de XaHCO,
12", 5
25".0
40°,0
45", 0
50", 0
1,028
1.025
1.023
1,020
1.017
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
COMMEXTARIOS
Consideremos em primeiro logar os resultados obtidos com solutos puros.
Conforme havíamos previsto, o soluto X/10 XaHCOj dava, com a elevação da
temperatura, uma progressiva diminuição de viscosidade. Essa diminuição não
c igual em todos os intervallos da temperatura; em geral, é menos accentuada
entre 12,5° e 25° do que entre 40° e 50°, sendo a curva de diminuição muito mais
baixa entre 25° e 50° ; entre 40° e 50" a diminuição é uma f uneção linear de tem-
peratura, de modo que se pode estabelecer uma constante, a qual corresponde, para
elevação de temperatura de 1°, a — 0,0006.
Pelos dados constantes das tabellas II e III verifica-se que a viscosidade re-
lativa das ovalbuminas também diminue com a elevação da temperatura e em
proporções desiguaes. A influencia da temperatura, tanto no soluto a 2 fé,
como no a 1 é relativamente menor entre 12,5° e 25° do que acima de 25°. A
diminuição da viscosidade com temperatura elevada representa, entre os dois
limites de temperatura (12,5° e 25° e 25° e 40°), uma funeção linear, sendo, po-
rém, estes coefficicntes variaveis. Para a temperatura comprehendida entre
12,5° c 25*. ambos os solutos têm, para 1°, o coefficiente de — 0,00016; para o
limite de 25° a 50°, o coefficiente é de — 0,0072 para o soluto a 2 e de 0,0080
para o a 1 %, incidindo estes valores bem dentro dos limites dos erros de expe-
riência. Podemos, pois, estabelecer que o coefficiente de temperatura da visco-
súlade da ovalbumina, nas concentrações pesquisadas, tem uma constante inde-
pendente dessas concentrações.
Com a seralbumina a viscosidade relativa mais baixa occorre a 40°C; acima
dessa temperatura, ella toma a augmentar, pelo que 40°C deve ser considerada
uma “temperatura critica” para a viscosidade da seralbumina. “Temperatura
critica” também é para a ionização da seralbumina: tem-se verificado que o aug-
mento da viscosidade acompanha o da ionização (2), devendo-sc, pois, suppor
que a ionização da seralbumina acima de 40° é tão pronunciada, que o resultante
augmento da viscosidade seja capaz de compensar de sobra o effeito opposto, isto
c, a diminuição da viscosidade devida á elevação da temperatura. Com esta al-
bumina não ha relação linear entre a temperatura e a viscosidade, de maneira que
não é possivel calcular-se um coefficiente applicavel a qualquer delias dentro dos
limites da temperatura.
Como com a ovalbumina, verificámos também com a pseudo-globulina que
a diminuição da viscosidade acompanha a elevação da temperatura. Xo soluto
a 2 % não observámos, até 40°, nenhum coefficiente fixo de temperatura; a
viscosidade calculada para 1” diminue muito mais entre 25° e 40° do que entre
12.5° c 25°; acima de 40° o coefficiente de temperatura é um valor definido:
0,0013 por 1°. Xo soluto a 1 % verificámos o mesmo coefficiente de tempera-
tura. com a differença de que este só é valido de 25° para cima.
cm
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Klobvsitzky í. Magyary — Viscosidade das albuminas
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Conforme se deduz das tabellas YIII e IX, a hemoglobina apresenta duas
temperaturas criticas. A primeira está a 40°. a outra a 45°. A 40“ a viscosida-
dade attinge seu menor valor, como acontece com a seralbumina. Entre 40" e
45° a viscosidade torna a augmentar, attingindo o segundo ponto culminante a
45° e dahi por diante começando novamente a baixar. Este comportamento da
hemoglobina explicamol-o da seguinte maneira: suppomos que seu máximo de
dissociação esteja em 45" e, passada essa temperatura, a ionização baixe de tal
modo, que perca a capacidade de compensar a diminuição da viscosidade produ-
zida pela temperatura. Comparando-se os resultados obtidos com a seralbumina
c com a hemoglobina, pode-se concluir o seguinte, quanto á ionização: com a se-
ralbumina a ionização é accelerada pela elevação da temperatura, enquanto
com a hemoglobina a ionização retrocede, ou. por outra, a acção da tempera-
tura íavoravel á ionização para acima de 45".
A influencia do XaHCOj consiste em geral em augmentar, de uma certa
temperatura em diante, a viscosidade das albuminas. Até agora só encontrá-
mos um desvio desse comportamento na pseudo-globulina ; por isso, daqui por
diante, deixaremos de considerar esta albumina c nos occuparcmos em pri-
meiro logar dos resultados obtidos com as demais albuminas bicarbonatadas.
Com o soluto a 2% da ovalbumina os valores encontrados c os calcula-
dos coincidem bem até 40". Acima dessa temperatura os valores encontrados
são muito mais elevados do que os calculados e este augmento da viscosidade,
isto é, a differença entre os valores encontrados c os calculados, augmenta
juntamente com a temperatura. O facto de ser o augmento da viscosidade
devido apenas ao cffeito alcalino produzido pela elevada dissociação do
XaHCOj é sobejamente comprovado pela circumstancia de a acção do X/10
XaHCOj ser muito mais forte do que a concentração normal de 0.02. Consi-
derando-se também os resultados obtidos com o soluto da ovalbumina a 1%,
encontrar-se-á mais um argumento a favor dc nossa opinião acima exposta,
sobre a acção do XaHCOj, pois, nesse caso, a 25 % já se notará o ef feito
alcalino do XaHCOj. Esta circumstancia é perfeitamente explicável: o so-
luto a 1 % fixa menos XaHCOj do que o a 2 seguindo-se dahi que no
soluto contendo menos albumina haverá inais XaHCOj dissociavel.
Em geral a seralbumina mostra o mesmo comportamento. TamJ>cm nesta
albumina os valores encontrados só acima de 40" ultrapassam os calculados.
Entretanto, podem-se verificar dois pontos de divergência:
1) a differença entre a viscosidade encontrada e a calculada é muito
menor;
2) a acção alcalina exercida pelo XaHCOj a 0,02 nonn. é quasi nulla.
A seralbumina mostrou-se, pois, mais resistente para com o XaHCOj do que
a ovalbumina, o que se explica provavelmente pelas diversas condições dc
dissociação destas albuminas. As investigações nesse sentido feitas por von
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14
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Klobusitzky e Pauli (3) demonstraram que a ovalbumina a 25°C apresenta
muito mais partículas ionizadas (ora iões de carga negativa, ora iões am-
photericos) do que a seralbumina, pois o primeiro corpo continha 51% de
partículas ionizadas em um soluto a 2%, enquanto o ultimo apresentava,
num soluto a 1.72%, 19,2% de partículas dissociadas. Pode-se afíirmar com
segurança que a dissociação dos corpos albuminosos é também favorecida
pela elevação da temperatura, sendo, naturalmente, essa influencia muito
maior quanto mais partículas não dissociadas contiver a respectiva albumi-
na. Essa explicação é ainda confirmada pelos resultados por nós obtidos com
as albuminas puras.
Quanto ás modificações da viscosidade, as hemoglobinas bicarbonatadas
approximam-se mais das seralbuminas bicarbonatadas. A elevação dos valo-
res encontrados sobre os calculados dá-se igualmente só acima de 40°, sen-
do também minima. A diíferença entre os efíeitos do XaHCOs a X/10 e o
normal a 0,02 é também muito pronunciada. A alta resistência da hemo-
globina para com o XaHCOs não pode, entretanto, ser explicada á luz da
theoria que estabelecemos em relação á seralbumina, por não serem iguaes
as condições de dissociação observadas pelos auctores relativamente á seral-
bumina e á hemoglobina. A hemoglobina compõe-se quasi que exclusivamen-
te de iões amphotericos, os quaes, nessa albumina, neutralizam pela porção
não dissociada.
O comportamento das pseudo-globulinas bicarbonatadas é complctamen-
te diverso do das outras albuminas bicarbonatadas, apparccendo também
nesta albumina consideráveis differenças entre os solutos a 1 e a 2%. É
curioso que o soluto bicarbonatado a 2% apresente uma viscosidade menor
do que o soluto puro e que essa diminuição da viscosidade (outro facto inte-
ressante) seja muito maior no soluto de XaHCOj a X/200 do que no a
X/10. Esses resultados, ainda extraordinários pelo facto de terem as pseudo-
globulinas a 1 %, tanto com X/10, quanto com X/0,02 XaHCOs, apresen-
tado um comportamento semelhante ao das hemoglobinas bicarbonatadas com
XaHCOs X/200, surprehenderam-nos a ponto de a principio os considerar-
mos errados ; porém, os verificámos em repetidas experiências, feitas com
solutos preparados por outros collegas, nas quaes sempre se conservaram
iguaes. Embora não possamos descobrir uma explicação satisfactoria para
esses factos, occorre-nos no momento a seguinte talvez plausível: a viscosi-
dade do pseudo-globulinato de Xa, por motivo desconhecido, seria menor do
que a da pseudo-globulina pura. Inclinamo-nos a esta supposição em vista
dos resultados, por diversas vezes referidos, que v. Klobusitzky e Pauli apre-
sentaram sobre as condições de dissociação das albuminas livres de clectró-
lytos, indicando um desvio no comportamento da pseudo-globulina também
nesse sentido. Xesta albumina a dissociação é maxima numa concentração de
3%, mais ou menos, e diminuta em qualquer concentração maior ou menor;
10
cm
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Klobusitzky £ Magyary — Viscosidade das albuminas
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no soluto a 2 % são dissociados approximadamente 70-75%, isto é, as condi-
ções são muito favoráveis á fixação de XaHCOj ; ao contrario, o soluto a
1% apresenta apenas cerca de 34% partes dissociadas, o que indica menor
capacidade de fixar XaHCOj. O comportamento anormal da pseudo-globu-
lina explicar-se-ia suppondo-se, como acima dissemos, que a viscosidade rela-
tiva do pseudo-globulinato de Xa seja menor do que a da pseudo-globuli-
na pura. Entretanto, reconhecemos os pontos falhos desta theoria e, longe
de consideral-a absolutamente acceitavel, achamos apenas que provisoria-
mente serve á interpretação dos factos estabelcidos cm relação á pseudo-
globulina.
Ao terminar estas considerações, não podemos deixar de nos referir ás veri-
ficações de Ettisch e Sachs sobre o assumpto. Em um de seus trabalhos recen-
tes (4) esses auctores escreveram o seguinte: “O ef feito do alcali sobre a
albumina é evidentemente uma funcção de tempo”. A’ luz dos resultados que
obtivemos, não podemos concordar com essa affirmação, pois somos de opinião
que a acção do alcali se manifesta num augmento da viscosidade das albuminas
e que o seu ef feito está em proporção directa ao grau de dissociação da albu-
mina e do alcali empregados. Entretanto, julgamos, com Ettisch c Sachs, que,
cm vista dos resultados das determinações da viscosidade, a scralbumina c a
pseudo-globulina devem ser consideradas substancias albuminosas absolutamente
distinctas, ratificando, assim, a opinião que no particular já foi por um de nós
emittida em outro trabalho (5).
RESUMO
Pelas j>esquisas realizadas sobre o attrito interno de solutos puros de oval-
bumina. scralbumina, pseudo-globulina e hemoglobina, assim como dos respecti-
vos solutos com XaHCOj, chegámos ás seguintes conclusões:
1) A viscosidade dos solutos puros de albumina diminuc cm geral com a
elevação da temperatura. A viscosidade minima da seralbumina c da hemoglo-
bina occorre a 40°C, ao passo que as demais albuminas apresentam uma cons-
tante diminuição a qualquer temperatura entre 12,5° e 50°C, diminuição essa
que, cm algumas albuminas c dentro de um certo limite de temperatura, c uma
funcção linear.
2) Acima de 40“C, XaHCOj produz um augmento da viscosidade relativa,
com exccpção da pseudo-globulina bicarbonatada a 2%. Este augmento é muito
mais pronunciado nos solutos contendo menor proporção de albumina e maior de bi-
carbonato do que em solutos nos quaes se encontra a albumina em maior, e o bi-
carbonato em menor, concentração. Esse ef feito do XaHCOj é attribuido á acção
do alcali.
3) A explicação desses phenomenos é tentada no texto; em parte, residiria
em que a viscosidade do pseudo-globulinato de sodio talvez seja, por motivo desco-
11
16
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
nhecido, menor do que a da própria pscudo-globulina pura, hypothese essa que
carece de verificação.
ZUSAMMEXFASSUNG
Die Untersuchungen der inneren Reibung von reinen Ovalbumin — Serum-
albumin — Pseudoglobulin — und Haemoglobulinlõsungen, sowie von aus denen
mii NaKCOa gebildeten Gemischen haben ergeben:
1) Die Viskositãt der reinen Eiweisslõsungen nimmt mit steigender Tem-
peratur im Allgemeinen ab. Das Serumalbumin und das Haemoglobin haben
ihre niedrigste relative Viskositãt bei 40° C, die anderen untersuchten Eiweis-
skõrper zeigen dagegen in dem ganzen Temperaturbereich (von 12,5 bis 50,0*0)
eine stãndige Abnahme. Diese Abnahme ist bei gewissen Eiweisskõrpem und in-
nerhalb eines gewissen Temperaturbereiches eine lineare Funktion.
2) Das XaHCOs hat — abgesehen von dem 2 %-igen Pseudoglobulin-
Bicarbonatgemisch — oberhalb der Temperatur von 40° eine Erhõhung der rei.
Viskositãt hervorgerufen. Dieser Effekt des XaHC 3 -es war in Lõsungen
mit nicdrigerem Eiweiss-und hõheren Bicarbonatgehalt stãrker, ais in Lõsungen
von hõhercr Eiweiss-und niedrigerer Bicarbonatkonzentration. Diese Wir-
kung des NaHCOj-es wird für einen Alkalietfekt aufgefasst.
3) Die Wirkung des XaHCOj-cs wird im allgemeinen mit den Disso-
ziationsverhãltnisscn der untersuchten Eiweisskõrper erklãrt. Es wird versucht
die Sonderstellung der 2% - igen Pseudoglobulinlòsung mit der Hypothese, dass
das Na-Pseudoglobulinat eine niedrigere Viskositãt, bcsitzt, ais das reine Pseudo-
globulin, plausibel zu machcn.
BIBLIOGRAPHIA
1. Laqueur, G. & Sackur. O. — Bcitrãge zur chem. Physiol. III :193. 1903.
2. Pauli, IP. Sr Palkô, E. — Elektrochemie der KoUoidc: 229-238. Edit J. Springer. Vien-
na, 1929.
3. íon Klobusitsky. D • & Pauli, IP. — Biochem. Zeitschr. (cm impressão).
4. Ettisch, G. Sr Sachs, //. — Biochem. Zekschr. CCXXX :1 1S.1931.
von Klobujilcky, D. — Kolloidchem. Beihefte XXXII :382. 1931.
(Experiências realizadas, primeiramente em agosto de 1930, no laboratorio de Chimica
Colloidal da Faculdade de Medicina da Universidade de Vienna. Áustria. Original em ale-
mão enviado para publicação in Biochem. Zeitschrift. em março de 1932).
(Trabilho da Secção de Phy*lco~Ch!mlca do Instituto
Butantan, recebido em março de 1932).
SciELO
11 12 13 14
12
CONTRIBUIÇÃO AO EXAME DOS VIDROS PARA EMPOLAS
POR
D. VON KLOBUSITZKY
512.235
CONTRIBUIÇÃO AO EXAME DOS VIDROS PARA EMPOLAS
POR
D. vos KLOBUSITZKY
A prova da resistência chimica de um vidro para empola limita-se em geral
á determinação da concentração dos iões de hydrogenio, isto é, da quantidade de
alcali que pode transmittir, em relação á agua. O vidro, como é sabido, consiste
principalmente em diversos silicatos, os quaes, conforme a constituição do mes-
mo, dão quantidades diífcrentcs de alcali, podendo, pois, modificar a reacção dos
solutos contidos nas empolas. Esta qualidade do vidro c sobretudo importante
quando se trata de empolas destinadas á conservação de solutos chimicos ou de
productos sericos ou biothcrapeuticos. Os saes dos alcaloides (morphina, estry-
chnina, etc.) são, p. ex., decompostos por influencia do alcali recebido do vidro c
suas bases livres, que geralmente não são solúveis na agua, separam-se cm crys-
taes: a actividadc das antitoxinas e dos corpos immunes é alterada pela reacção
do meio e, visto como taes productos são geralmentc conservados cm stock por
muito tempo, o conteúdo da empola (no caso de emprego de empolas cujo vidro
pode dar grande quantidade de alcali) passa a ter uma reacção completamentc
diversa, ccteris paribus, uma actividadc differente da que possuia na cpoca da
titulação c cmpolamento.
Segue-se dahi que na prova das empolas não nos interessa dircctamcnte a
quantidade total de alcali que pode dif fundir na cxpericncia, mas somente a
quantidade de alcali que cada empola pode transmittir ao seu conteúdo durante o
tempo de conservação. Essa verificação, entretanto, toma-sc bastante difficil
na pratica, porque deveriamos examinar o vidro com cada substancia separada-
mente, sendo, pois, alcançado o resultado somente depois de muito tempo. So-
mos, por este motivo, obrigados a empregar um processo que cm pouco tempo
nos oriente, pelo menos approximadamente, mas com a necessária exactidão, sobre
a quantidade de alcali transmittida pelo vidro.
Na escolha do methodo devemos cm primeiro logar ter em vista as theorias
explicativas do processo que se passa entre a empola c seu conteúdo. Podemos
encarar esse processo de dois modos, considerando-o, ou como um phenomeno
passageiro de adsorpção na superficie de contacto solido-liquido, ou como uma
reacção chimica que se dá num systema heterogeneo de duas phases.
3
20
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
Vejamos a primeira hypothese. Xeste caso devemos procurar determi-
nar ou a energia livre relativa á concentração de iões respectivamente de H
c de OH (no sentido do conceito de Helmholtz) ou o equilíbrio de adsorpção
do nosso systema.
A energia livre nos phenomenos de adsorpção de duas superíicies de con-
tacto diversas pode-se determinar, segundo as deducções de Lord Kelvin e G.
X. Lewis, da seguinte maneira: suppondo-se que a temperatura seja mantida
praticamente constante durante todo o tempo de conservação e que não haja mo-
dificação de concentração entre as duas superticies de contacto, a energia livre
do systema é indicada pelas seguintes equações:
üfl.
) indica o quociente da difíerencial parcial da tensão super-
I Z V \
o quociente da tensão pelo volume representado
nas quaes
S I’
ficial pela pressão e
pela superfície.
As formulas mostram-nos, pois, que a energia livre em taes condições, isto
é, em temperatura constante e sem reacção chimica, depende da pressão e da su-
perfície. Pela equação acima conclue-se immediatamente que a mesma depen-
de, no caso de pressão constante, da superfície e da temperatura e, quando pres-
são e temperatura não são modificadas, apenas da superfície.
O que nos interessa, entretanto, é, em primeiro logar, a modificação das
condições em consequência de uma reacção chimica. Xo systema empola-vidro
de empola ha sem duvida diversas reacções, mas, para simplificar o problema,
consideramos apenas a quantidade de iões de OH que o vidro pode transmittir e
suppomos que a temperatura e a pressão se conservem constantes. O que varia
é, pois, somente a quantidade de iões de OH, de sorte que podemos indicar a re-
lação existente entre as diversas variaveis por meio da formula de Gibbs:
na qual
representa o quociente de differencial parcial da tensão super-
ficial conforme o numero molecular dos iões de OH fornecidos e ? , como na
formula anterior, a medida da respectiva superfície. A energia livre resulta,
pois, novamente cm uma funeção de duas alternadas, uma das quaes (a tensão
superficial) desconhecemos e, por falta de um processo de determinação apro-
priado, não podemos avaliar e a outra (a quantidade fornecida de iões de OH)
estamos procurando.
Consideremos agora nosso problema sob o ponto de vista do equilíbrio de
adsorpção. Como é sabido, pode-se representar o equilíbrio de adsorpção dc
um systema qualquer por meios diíferentes, como, p. ex., pela chamada formula
geral de adsorpção de Gibbs, que é a seguinte:
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
D. von* KijObisitzky — Exame dos vidros para empolas
21
c d a Is
a = .
R. T d c
representando a o excesso de material calculado pela unidade de superfície, c
a concentração do mesmo. R a constante geral do gas, T a temperatura expressa
na escala de Kelvin e ak a tensão da superfide de contacto do corpo solido
com o liquido. Esta formula contem por sua vez a tensão da superfide de con-
tacto, a qual — como acima já dissemos — não se pode determinar experimen-
talmente.
A formula de Freundlidi, chamada formula isothermica de adsorpção. e
cuja temperatura se suppõe ser constante, exige o conhecimento exacto do ta-
manho da superfide, pois é organizada da seguinte maneira:
sendo x a quantidade adsorvida, na superfície q, da substancia que tem a
concentração final C, e a e ~ representando constantes. Considerando as
superfides do nosso systema, não devemos perder de vista que, cm consequência
de processos de dif fusão, a composição da camada de líquidos em contacto com
o vidro é alterada constantemente, de maneira a comportar-se para com o vidro
como uma superficie nova, enquanto não se estabelecer um equilíbrio entre o
vidro e seu conteúdo.
As equações de H. C. Schmidt c Sv. Arrhenius são realmcntc idênticas,
porque a primeira representa apenas a forma integrada da segunda. Em am-
bas é ncccssaria a determinação do máximo de adsorpção c a concentração da
substancia adsorvente, sendo, portanto, a consideração do processo da dif fusão
tão indispensável por essa formula quanto pela dc Freundlich.
Seguindo-se theoricamente uma reacção chimica de duas phases que trans-
correm cm systema heterogêneo, a primeira tarefa é estabelecer-se sua velocidade
de reacção. Tanto as considerações theoricas, como os resultados experimentaes
indicam que em temperatura constante são in fluidos principalmcntc por dois
factores: a superficie de contacto e a differença dc concentração do corpo que
ioffre alteração, podendo, porém, outras circumstancias de ordem secundaria
também representar um papel importante, de sorte que é impossivel cstabclc-
cer-se uma formula geral. Quando, porem, a velocidade de reacção não pode
ser formulada theoricamente. isto significa que na determinação experimental
de taes reacções se devem considerar todos aquelles factores que impedem uma
reducção a formula mathematica.
Para provar a cxactidão do que dissemos, consideremos a quantidade de
alcali que o vidro pode dar. Supponhamos que conhecemos as concentrações
00
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
de iões de OH do vidro e do conteúdo da empola e que a do primeiro seja pe-
queníssima em relação á da segunda (podemos períeitamente suppor isso, por-
que o conteúdo da empola é, na maioria dos casos, quasi neutro) ; a compensa-
ção dessa differença de concentração depende: 1) da extensão das superfícies
de contacto; 2) da constituição das phases reagentes; 3) da velocidade de
dif fusão dos iões de OH; 4) da temperatura do logar onde é conservada ; 5)
da maneira de conservação.
Conforme se vê, para se ter conhecimento da quantidade de alcali que o
vidro pode transmittir, é necessário que escolhamos methodos que 1) indi-
quem o conteúdo total de alcali livre do vidro e 2) tenham em conta a super-
fície total do systema. Essas duas condições são mais facilmente preenchidas
quando as determinações são feitas com suspensões por meio de vidro finamente
pulverizado.
Provavelmente é este o motivo de na Phannacopea Germanica (Deutsches
Arzneibuch) ser indicado como processo official e obrigatorio para o exame
dos vidros de empolas a determinação do pH de suas suspensões aquosas. Este
processo, porém, em virtude de abranger superfides de vidro que nunca estão
em contacto com o liquido, nos indica indubitavelmente quantidade de alcali
maior do que a realmente transmittida pela empola. Apesar de sua grande sen-
sibilidade, este methodo ou outro semelhante não constitue diíficuldade para o
profissional, quando conhece o fim a que se destinam as empolas para poder
então avaliar os resultados. E’ natural, no entanto, que na pratica fossem
procurados processos menos sensíveis. Assim, entre outros, foram propostos
os seguintes: 1) A empola, enchida com agua destillada contendo, por litro,
5 ec. de soluto alcoolico de phcnolphtalcina, é fundida e esterilizada durante
duas horas cm autoclava a 130". Considera-se aproveitável o vidro quando
não houver signaes de coloração rosea. 2) Enche-se a empola com soluto
de nitrato de estrychnina a 0,5%, esterilizando-se em seguida como no processo
anterior. O vidro é considerado bom quando na empola, após conservação em
temperatura ambiente durante 24 horas, não houver formação de crystaes (1).
Ambos os processos baseiam-se, pois, na modificação da reacção do conteúdo
da empola e dão resultado positivo com vidros que elevam o pH a mais de
9-9,5. A prova 1 é menos sensível do que a prova 2. Estas e outras provas
semelhantes são commumcnte empregadas mesmo na Alemanha, sustentando
seus partidários uma verdadeira campanha contra o acima referido processo
official (2).
Não ha razão, entretanto, para se rejeitar esse methodo, porque os resul-
tados experimentaes, quando correctamente avaliados, são praticamente iguaes
cm ambos os processos.
Preferimos os methodos nos quaes se utiliza o vidro puiverizado por ser
restricta a applicabilidade de processos menos precisos. Estes só podem ser
garantidos quando para a prova se tem á disposição o material todo, de sorte
cm
SciELO
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D. \on* Klobusitzky — Exame dos vidros para empolas
23
que as experiencias possam ser feitas com amostras escolhidas para o exam.- ;
nos casos, porém, em que são remettidas para exame apenas amostras avulsas,
é absolutamente necessário que estas sejam examinadas em estado de pulveriza-
ção. E’ logico que a pulverização é feita immediatamcnte antes da prova, de-
vendo-se recusar as amostras que forem enviadas reduzidas a pó. Com amos-
tras avulsas ou pulverizadas ha sempre a possibilidade de terem sido previamen-
te evaporadas com vapor dagua, pelo que a superficie interna do vidro ficou
artifidalmente libertada do alcali, comportando-se á prova como livre de alcali.
Foi exclusivamente esta circumstancia que nos tem induzido a effectuar as
experiencias com vidro pulverizado, por só nos serem entregues para exame ge-
ralmente amostras das partidas a serem compradas.
A determinação do pH na suspensão de agua e vidro c feita electrometri-
camente, sendo consideradas inaproveitaveis as amostras de vidro que elevaram
a reacção da mesma muito acima de 9,5. Tomou-se como limite máximo da
quantidade de alcali que pode ser transmittida o pH, cujo valor mais elevado
nos vidros especialmentc resistentes é de 8,5. Damos abaixo os resultados da
experiência, sendo que a agua com que se fizeram as suspensões tinha um pH
de 5,47 :
Material de exferiexcia
pH
Resultado da verificação
Vidro normal de Jcna 16.III
7.78
adequado
Vidro de Schott “ Phiolax”
7.83
II
Vidro Pyrex
8.42
>•
Vidro de procedência ignorada
9.68
+ **
Vidro de uma fabrica no Rio de Janeiro .
9.78
não adequado
Vidro de tuna fabrica cm São Paulo. . .
9.87
»» M
Vidro de uma fabrica em S. Paulo. . .
10.02
t» M
Vidro de procedência ignorada
10.26
t» II
Vidro italiano
10.31
tf **
Para nos certificar da exactidão desses resultados, fizemos algumas deter-
minações, cm parte com agua, cm parte com empolas N/1000 de HC1. As em-
polas eram nesse caso esterilizadas no autoclava a 130", durante períodos diffc-
rentes. ou conservadas por 16 dias em temperatura ambiente. Os resultados foram
os seguintes :
A N/1000 de HC1 teve pH de 3,20, tendo-se o mesmo alterado após 16 dias
de conservação (sem agitar) nas difícrcntes empolas da seguinte maneira:
Vidro Pyrex 3,31
Vidro de procedcnda ignorada (pH 9,68) . . . .3,51
Vidro de uma fabrica em S. Paulo (pH 9,87) . . . 4,04
A N/1000 HC1 teve um pH de 3,19, o qual, após meia hora de esterilização
nas diversas empolas, se modificou do seguinte modo:
7
24
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
Vidro de Jena 3,20
Vidro de procedência ignorada (pH 9,68) .... 3,38
Vidro de procedência ignorada (pH 10,26) .... 3,40
Verifica-se, pela comparação dos resultados obtidos por meio de esterilização
e conservação, a esterilização sendo de meia hora, que a quantidade de alcali trans-
mittida é menor do que após 16 dias de conservação.
Para se determinar exactamente a influencia da duração da esterilização,
deixámos, durante períodos differentes no autoclava, empolas com agua destil-
lada.
Eis os resultados:
Tempo de esterilização
1/2 hora
! hora
2 horas
Vidro normal de Jena
5.90
5.99
632
Vidro de uma fabrica em S. Paulo (pH 9,87) .
634
832
8.56
Vidro de procedência ignorada (pH 10,26) . .
6.63
8.21
9.18
pH
pH
pH
A influencia da previa evaporação era avaliada do seguinte modo: deter-
minámos o pH do vidro antes da evaporação em estado pulverizado e depois da
evaporação, durante meia hora, sendo, na primeira prova, após esterilização de
duas horas (1) e, na segunda, pelo processo da suspensão (2).
Os resultados se depreendem dos dados abaixo, sendo que o pH da agua dcs-
tillada era de 5,88:
Depois da evaporação
1 hora
2 horas
Vidro normal de Jena 16. III
733
5.87
738
Vidro de procedência ignorada
1036
7.56
9.90
Vidro italiano (pulverizado)
1031
6.10
COXCLUSOES
Pelos nossos estudos chegámos ao* seguintes resultados:
1) Para a determinação da resistência chimica dos vidros de empolas são
adaptados todos os processos que, para a indicação da quantidade de alcali, con-
sideram também a superfície.
2) Todo vidro que, suspenso em agua destillada, não elevar o pH muito
acima de 9,5, pode ser considerado aproveitável para empolas.
cm
SciELO
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D. vox Klobvsitzky — Exame dos vidros para empolas
3) Xa applicação do processo de autodava é necessário que as empolas
sejam conservadas no autodava durante 2 horas.
4) Deve-se preferir o processo supersensível da suspensão em todos os
casos em que são enviadas para prova apenas amostras avulsas.
ZUSAMMENFASSUXG
Es werden die theoretischen Grundlagen der Ampullenglãserprüfung hinsi-
chtlich auf ihr Alkaliabgabevermõgen besprochen und die Resultate derartiger,
mit verschiedenen Methoden durchgeführten Bestimmungen mitgeteilt.
Auf Grund der theoretischen Folgerungen und der Versuchsergebnisse,
werden die folgendcn Konklusionen geschlossen:
1) Für die Bestimmung der Wiederstandsfãhigkeit der Ampullenglãscr
eigncn sich alie diejcnigen Methoden, die bei der Alkaliabgabe dersell>en das
Ausmass der Oberflãchen bcrücksichtigen.
2) Alie diejenigen Glassorten. die in destilliertem Wasscr suspcndiert, das
pH dessen nicht bedeutend iilter 9,5 erhõhen für Ampullenzwccke ais ver-
wendbar zu beurteilcn sind.
3) Bei der Amvcndung der Autoklavmcthode müsscn die Ampullen 2
Stunden lang im Autoklav gehalten werden.
4) Die viel zu empfindliche Suspcnsionsmethode ist vorzuziehen in allcn
Kâllen, wo zwecks der Prüfung nur cinzclne Stücke cingescndct werden.
BIBLIOGRAPHIA
1. Frerichs. G., Arends, G. & Zõrnig, li. — Hboch der pharm. Praxis 1 :4Q2.1925. J. Sprin-
Rcr. Berlin.
2. Ubrig. E. — Pharmaz. Ztg. LXXVII J237.1932.
«Trabalho da Secçio de Ph> alco^hlmlca do Inatltulo
Bulantan, terminado em Julho de 1932; a aer publi-
cado também em alemão in Kollold-Zrltachrlft).
9
APPARELHO SIMPLES PARA
PRODUZIR HYDROGENIO OU OXYGENIO POR ELECTROLYSE
D. vox KLOBUSITZKY
( com 1 gravura no UjtIo )
SciELO
513.3:406.11 :546. 21
APPARELHO SIMPLES PARA
PRODUZIR HYDROGENIO OU OXYGENIO POR ELECTROLYSE
POR
D. vo.v KLOBUSITZKY
O desenho incluso representa um apparelho muito simples, de nossa cons-
trucção, capaz de fornecer por meio de clectrolyse uma corrente constante de
hydrogenio ou de oxygenio, sem que seja necessário vigiar seu funccionamento,
cujo principio está fundado no facto, bastante conhecido, de a agua alcalinizada,
r.o receber uma corrente electrica continua, produzir H c O, de accordo com a
seguinte formula :
+ 2 (OH) + H:0 — > 2 HsO + 0
2 XaOH + 3 H-O =
2Na + 2 H=0 — > 2 XaOH + H=.
A cuba do elcctrólyto tem o volume de 10 a 12 litros c é coberta de uma
placa de madeira com tres furos, sendo 2 de menor diâmetro c 1 maior. Neste
fixa-se uma garrafa, de bocca larga, de um litro de capacidade (p. ex.. uma gar-
rafa de leite) c desprovida de fundo; a bocca é tapada por uma rolha de cortiça
com dois furos: por um dcllcs transfixa-se o clectrodo interno e pelo outro faz-sc
passar um tubo recurvado c munido de uma torneira. Por um tios furos menores
da placa faz-se passar, bem justo, o segundo electrodo; no furo restante prende-sc
um tubo de cscapamento para o gas não utilizado. O gas utilizado é o produzido
ao nivel do electrodo interno, que, por isso, deve offcrcccr grande superfície
de contacto e ser collocado mais para o fundo da garrafa: para obter-se uma
uperficie metalica considerável empregam-se tres placas de 2x3 cm., ligadas
ás pontas de um tridente. O electrodo externo, fixado mais para cima, c cons-
truído, de preferencia, em forma de anel e circumdando a garrafa.
Ambos os electrodos devem ser fabricados de nickel puro. Todas as juntas
do apparelho devem ser tomadas hermeticamente por uma mistura de cera c
breu. A corrente usada é a continua commum. de 110 v.. cuja força se reduz par.i
menos de 2 Amp. por meio de uma resistência feita com lampadas de carvão,
em serie.
3
30
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Para obter-se hydrogenio,
deve-se, naturalmente, ligar o
electrodo interno ao polo ne-
gativo, ao passo que, para
obter-se oxygenio, se liga
esse mesmo electrodo ao polo
positivo.
O apparelho permitte des-
ligar automaticamente a cor-
rente, pelo facto de a pro-
ducção excessiva de gas, den-
tro da garrafa, comprimir o
electrolyto para baixo, inter-
rompendo, assim, o contacto
deste com o electrodo in-
terno.
Como electrolyto usa-se um
soluto de XaOH commercial
a 20 %, cuja composição se
conserva durante muito tem-
po, porquanto só uma terça
parte da agua é consumida.
Renova-se essa quantidade
de vez em quando. A dura-
ção dos electrodos depende
de seu maior ou menor uso.
Usando o nosso apparelho
cerca de 1 hora por dia. te-
mos observado que a forma-
ção de oxydo de nickel é
muito pequena.
E’ conveniente fazer borbulhar o hydrogenio formado por uma solução aci-
dulada de KMnO» e o oxygenio, por uma solução concentrada de KOH. afim
de laval-os.
RESUMO
Descreve-se um apparelho automático, electrolytico, de íacil construcção e
capaz de gerar uma corrente constante de H ou O.
SciELO
4
D. vox Klobisitzky — Hydrogenio ou oxygenio por electrolyse
31
ABSTRACT
A new electrolytic apparatus oí easy construction is described for the auto-
matic production oi hydrogen and oxygen.
(Trabalho da secção de Physico-Chlmlca do Instituto
Butantan, novembro de 1932, a ser publicado em
alemão in Blochem. Zeitschrift).
i)
TYPHO EXANTHEMATICO DE S. PAULO
POR
J. LEMOS MONTEIRO e FLAVIO da FONSECA
614.526
TYPHO EXANTHEMATICO DE S. PAULO
XI. Novas experiencias sobre a transmissão experimental por
carrapatos
(Boophilus microplus e Amblyomma cajennense)
roR
J. LEMOS MONTEIRO e FLAVIO da FONSECA
Em trabalho anterior (1) foi relatada uma serie de pesquisas sobre a possi-
bilidade dc transmissão experimental do typho cxanthematico de São Paulo por
Ixodidac. No presente artigo nos occuparcmos dc uma nova serie dc experiencias
com duas cspccics dc carrapatos, o Boophilus microplus c o Amblyomtna cajcn-
ticr.sc existentes na zona onde a infecção se tem mostrado sob forma endêmica.
Exemplares adultos destes carrapatos, colhidos cm animaes (bois c cavallos
do Instituto) c que não se mostraram naturalmcntc infectados, como ficou de-
monstrado pela inoculação dc vários dcllcs cm cobaias, foram postos a sugar
cobaias infectadas com o typho cxanthematico dc São Paulo, durante o periodo
dc pyrcxia. Os carrapatos permaneciam sobre o animal durante um ou mais dias,
sendo recolhidos quando se desprendiam c conservados cm tubos apropriados.
Decorrido certo numero dc dias, uns eram postos a sugar cobaias normaes, outros
eram lavados, triturados, emulsionados cm solução physiologica e inoculados,
ainda outros eram incluídos para cortes c outros, finalmcntc, eram conservados
com o fim de obter posturas, destinada a se verificar a infcctuosidadc dos ovos c
larvas dcllcs oriundos.
Experiencias com o Boophilus microplus (Can., 1888)
Cobaia 659, Cobaia 660, Cobaia 662, inoculadas em 23. III. 932 rcspcctiva-
mente com emulsão dc 2 Ç ,1 ç c 2 ; que haviam sugado cm 12.1 II. 932 a
cobaia 641, infectada. Resultado negativo, por não terem as cobaias apresentado
reacção febril c não se terem mostrado immunizadas ao ser ncllas praticada a
3
36
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
inoculação de vinis, com excepção da 660. que morreu accidentalmente, sem esta
segunda prova.
Cobaia 734 e Cobaia 737 , inoculadas em 20. IV. 932, respectivamente com 9
exemplares (mortos havia alguns dias), alimentados de 8 a 11. IV. 932 na cobaia
697 (de.de o l.° dia de reacção febril) e 2 Ç que haviam sugado cerca de 92 horas
(12 a 16. IV. 932) a cobaia 700 (do 2.® dia de reacção febril em diante). Resulta-
do negativo; ausência de reacção febril e de immunidade á inoculação de virus
activo.
Cobaia 744 c Cobaia 746a, — Submettidas em 19. IV. 932 á picada de. res-
pectivamente, 1 Ç que 11 dias antes havia sugado durante 17 horas a cobaia 673
infectada (3.® e 4.® dias de reacção febril) e 6 exemplares que 7 dias antes ha-
viam picado a cobaia 700, infectada, durante 92 horas. A 21 .IV o carrapato tinha
abandonado a primeira cobaia e na segunda somente um exemplar continuava
fixo.
Resultado negativo; ausência de reacção febril e de immunidade ao virus.
Das experiências com o Boophilus, a unica da serie de resultado positivo, foi
a seguinte:
Cobaia 733 — Inoculada em 20.IV.932 com 2 Ç que 13 dias antes (7 a
8. IV. 932) haviam picado durante cerca de 17 horas a cobaia 673, infectada, no
3.® dia de reacção febril (40°). A cobaia 733 não apresentou curva typica da
temperatura, porém reacção thermica acima da normal, attingindo 40“ no 5.® e
9.® dias, a contar do inicio da picada. Xo 6.® dia, com a temperatura de 39“,6, foi
sangrada e com seu sangue inoculada a cobaia 749.
Cobaia 749 — Inoculada em 26. IV. 932 com 2 cc. de sangue da cobaia 733.
Após incubação de 6 dias a temperatura attinge 40®, ahi se mantendo nos dias
seguintes, elcvando-sc a 40®,2 no 11.® e morrendo na manhã de 9.V.932. A pes-
quisa de Rickctlsia nas cellulas mesotheliaes da parede peritoneal foi positiva
( + -f- -f- -f- ) , sendo a infecção também confirmada pela inoculação do sangue
feita no 9.® dia na cobaia 765 e de emulsão de cerebro na cobaia 773. Estas ulti-
mas tiveram infecção característica, tendo sido feitas novas passagens do virus,
num total de 5. nas cobaias 780, 783 e 789.
Uma unica experiencia (cobaia 661) feita com inoculação de ovos postos
por um Boophilus, 11 dias após ter sugado uma cobaia infectada, foi negativa.
Experiências com o Amblyomma cajennense (Fabr., 1787)
Com esta especie de carrapato os resultados foram mais interessantes e de-
monstrativos do papel que possivelmente representa como transmissor natural do
typho exanthematico de S. Paulo.
SciELO
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4
Monteiro a Fonseca — Typho exanlhematico de S. Paulo 37
Das 5 experiencias realizadas, apenas uma deu resultado negativo; nas
outras, o vinis poude ser isolado em 3. dando a ultima prova de immunidade
positiva.
Resumiremos estas experiencias de inoculação (2), de picada (2) e de ino-
culação de ovos ( 1 ) :
Cobaia 735 — Inoculação em 20.IY.932 com 1 exemplar Ç que havia sugado
11 dias antes, durante cerca de 44 horas, a cobaia infectada 687, desde o l.° dia
de reacção febril. Xo 5* dia. a temperatura sobe a 40°, sendo de 39°,5 no dia
seguinte. Alguns dias depois volta á media normal, sendo reinoculada com virus
activo (emulsão de cerebro da cobaia 768) decorridos 21 dias da inoculação; não
reagiu com febre, mostrando-se immunizada (a cobaia 779A testemunha do virus,
apresentou infecção typica).
Cobaia 736 — Inoculada em 20.IY.932 com 1 $ que 9 dias antes havia su-
gado durante cerca de 26 horas, no 4.* dia de reacção febril (40° ,4), a cobaia
infectada 68/. Esta cobaia apresenta nos 4.® e 5.® dias reacção febril ligeira (39® ,6
c 59", 5), morrendo na manhã de 7.IY.932. Emulsão de seu cerebro foi inoculada
na cobaia 753. Esta apresenta reacção febril característica durante 4 dias, após 3
dias de incubação, morrendo na noite do 7.® para o 8.® dia. Durante a reacção, o
sangue foi inoculado na cobaia 759, que teve infecção característica com reacção
escrotal, sendo o virus (emulsão de cerebro), transferido para a cobaia 776 e
desta, em 5* passagem, para a cobaia 793. Em todas as passagens a infecção se
manifestou de modo característico, sendo Evidenciada a presença de rickcttsias
em esfregaços da parede peritoneal de varias das cobaias.
As experiencias por picada foram as seguintes:
Cobaia 745 — Submettida. de 19 a 22.IV' .932, á picada de um exemplar 9
que de 9 a 11 -IV .932 (cerca de 44 horas) havia sugado a cobaia infectada 687.
no 1.® dia de reacção febril. A cobaia não apresentou reacção febril c não se mos-
trou immunizada á inoculação virulenta feita em 11.V.932. Da serie, este foi o
unico resultado negativo.
Cobaia 746 — Submettida desde 19 a 21. IV. 932 (quando se desprendeu o
carrapato) á picada dc 1 exemplar de Amblyotuma que havia sugado de 11 a
13. IV .932 (cerca de 26 horas) a cobaia infectada 687. Em 26. IV'. 932 a tempe-
ratura da cobaia attingc 40®, quando foi sangrada e inoculada a cobaia 748, con-
tinuando elevada a temperatura dos dias seguintes (40® .0; 40“ .2; 40" ,0; d^.S;
39® ,8 e 38®,5), morrendo o animal durante a noite de 2 para 3.V.932. A cobaia
748, inoculada com sangue colhido no 1.® dia <lc febre, apresenta reacção febril
característica (4 dias de febre, acima de 40“,0 após 3 dias dc incubação), tendo
sido sacrificada nessa occasião para passagem do virus c sendo feitas 4 passagens
consecutivas com sangue ou emulsão de cerebro (cobaias 760, 781 e 795).
5
38
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Para verificação da iníectuosidade dos ovos de Amblyomma cajcnnense infe-
ctado, demonstrativa da transmissão “hereditária” do virus, foi feita uma expe-
riência, com 2 cobaias.
Cobaia 787 — Inoculada em 17. V. 932 com emulsão de cerca de 200 ovos de
14 dias, postos por uma femea que havia sido alimentada 24 dias antes da postura
na cobaia infectada 687. Em esfregaços de ovos, corados pelo Giemsa, foram vis-
tos raros microorganismos semelhantes a Rickcttsia (symbiontes?). A cobaia ino-
culada não apresentou reacção febril característica, amanhecendo, porém, morta
no 11.° dia, sendo inoculada emulsão do seu cerebro na cobaia 804. Esta apresenta
reacção febril, tendo sido a seguinte a evolução da temperatura: 38°, 6 (dia da
inoculação) ; 38°, 2 ; 38°,2 ; 38°, 5 ; 40° ; 39,2 ; 40°,5 ; 39", 5 ; 40° ; 38°,2, morrendo ás
12 horas de 7. VI. 932.
Em esfregaços da parede peritoneal foi verificada a presença de rickettsias
( -j- -f- -f- ) nas cellulas mcsotheliaes. Nova passagem do virus foi feita para a
cobaia 810.
A outra cobaia inoculada com cerca de 50 ovos de outro Amblyomma, co-
baia 788, não apresentou reacção febril, porém o resultado não é concludente, visto
não ter sido feita passagem com sangue, nem prova de immunidade, pelo facto
de a cobaia ter morrido accidentalmente e não ter sido possível aproveitar o ma-
terial.
DISCUSSÃO
*
Pelas experiencias assignaladas verifica-se que entre as especies de carrapa-
tos, encontradas na zona onde se têm manifestado de preferencia os casos de
typho cxantlumatico de S. Paulo, uma existe, o Boophilus microplus, que pode
ser um vchiculador do virus, permanecendo este cm seu organismo durante certo
numero de dias, podcndo-sc provocar infecção na cobaia inoculando-a com uma
emulsão do carrapato. Com o Amblyomma cajcnnense, outra especie commum na
zona infectada, a infecção, não só poude ser transmittida expcrimentalmentc por
esse mesmo mecanismo, como também, o que é muito mais interessante, pela pica-
da de um exemplar que havia anteriormente sugado uma cobaia infectada.
Xo Amblyomma o virus soffre seguramente evolução, também infectando os
ovos c sendo transmittido “ hereditariamente” pelo carrapato. Esta transmissão
aos ovos ficou demonstrada em experiencia feita em condições exccllentes para tal
conclusão e também pelo facto de se ter verificado a presença de microorganismo
semelhante a rickcttsia em esfregaços de ovos da mesma postura que se mostrou
infcctante pela inoculação, resalvada, todavia, a hypothesc de se tratar de micro-
organismo de outra natureza (Ixodisymbionte) , indistinguível morphologicamen-
te da Rickcttsia.
Outro facto que demonstra o papel do Amblyomma cajcnnense na trans-
missão da infecção experimental, e que será opportunamente objecto de estudo
6
Monteiro a Fonseca — Typho exanthematico de S. Paulo
39
inais pormenorizado, é que em cortes de exemplares infectados, corados pelo me-
thodo de Giemsa. pudemos pôr em evidencia a presença da Rickcttsia, dcscripfi
por um de nós como seu agente causador (2 e 3), em abundancia e com a mor-
phologia habitual dos microorganismos deste genero quando nos transmissores
intermediários.
Dos resultados de nossos estudos cxperimrntaes e pelo que se conhece de
outras modalidades do “typhus” transmittidas por diffcrentes carrapatos (febre
maculosa das Montanhas Rochosas, febre botonosa) é licito acreditar que o Am-
blyomma cajenncnse, no caso do typho de S. Paulo, além de poder representar o
papel de transmissor da infecção, poderia ser também um verdadeiro depositário
do viras na natureza, em virtude de ser este transmittido “hereditariamente” pelo
carrapato, explicando facilmente o caracter endemico da infecção desde que ficas-
se provado conscrvarcm-se os carrapatos infcctantcs durante todas as phascs do
seu cyclo evolutivo.
Em conclusão, os nossos resultados cxpcrimcntacs demonstram que, embora
outras cspccies possam ser vchiculadorcs do viras, o que talvez occorra com he-
matophagos diversos, o carrapato Amblyomma cajenncnse deve ser incriminado
como um dos mais prováveis transmissores do typho exanthematico de S. Paulo,
visto transmittir a infecção experimental por picada c por ser o viras transmit-
tido “hereditariamente” á sua prole.
RESUMO
Em nova serie de experiências foi investigada a transmissão experimental
do viras exanthematico de S. Paulo, por cspccies de carrapatos, o BoophUus ini-
croplus c o Amblyomma cajenncnse, existentes na zona onde a infecção se tem
manifestado de preferencia. Por cilas se pode concluir que, embora outras espé-
cies possam vehicular o viras, o carrapato Amblyomma cajenncnse deve ser in-
criminado como um dos mais prováveis transmissores do typho exanthematico
de S. Paulo, pelo facto de poder parasitar o homem, de transmittir a infecção
experimental pela picada c tambem por transmittir o viras “hereditariamente” ã
prole. Além disto, cm cortes de Amblyomma infectado verificou-se a presença,
cm grande abundancia cm certas localizações, de microorganismos cuja tnorpho-
iogia não se distingue da das rickettsias quando nos vcctores intermediários. Es-
tes microorganismos, no caso cm apreço, representam a Rickcttsia brasiliensis
nesse transmissor.
ABSTRACT
In this new series of experiments there lias becn investigatcd thc experiment-
al transmission of the viras of thc São Paulo typhus by certain spccies of ticks,
such as BoophUus microplus and Amblyomma cajenncnse, which are abundant
7
40
Memórias do Instituto Butantan
Tomo Vn
in the region where the infection is endemic. From the results obtained it scems
clear that, although other forms may serve as a “reservoir" to the vinis, the tick
Amblyotmna cajennensc must be considered as the most probable carrier of
the São Paulo typhus. because it is able to parasite man, transmit the experiment-
tal infection by sting and also transmit its vinis “hereditarily”. Moreover, in
sections of infected Amblyoinmata there has been veriíied the presence, someti-
mes abundant in certain sites, of a microorganism bearing the same morphology
as that of rickettsiae in the intermediate hosts. These microorganisms, in the
present case, represem the Rickellsia brasiliensis in that carrier.
BIBLIOGRAPHIA
1. Monteiro, J. Lemos; Fonseca, F. da & Prado, A. — Brasil-Medico XLVI (3) :49.1932.
2. Monteiro. J. Lemos — Brasil-Medico XLV (35) :805.1931 ; C. R. Soc. Biol- CVIII
(30) : 521. 1931.
3. Monteiro, J. Lemos — Brasil-Medico XLVI (17) :385.1932.
{Trabalho das Secções de Vírus r de Parasitologla do
Instituto Butantan, apresentado á Soc. Biologia
S. Paulo, S-VII-1932).
8
SciELO
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614.526
TYPHO EXANTHEMATICO DE S. PAULO
XII. Sobre um vírus isolado de ratos da zona urbana da cidade
e suas relações com o do typho de S. Paulo
POR
J. LEMOS MONTEIRO e FLAYTO da FONSECA
Os resultados das recentes pesquisas sobre infecções do grupo das febres
exanthematicas observadas ultimanientc cm diversas partes do mundo, têm já
contribuído com um contingente valio;o dc esclarecimentos sobre algumas del-
ias consideradas isoladamente. Encarado, porem, o problema cm seu conjuncto,
isto c, consideradas as relações reciprocas das diversas formas até hoje descober-
tas e, particularmcntc, as relações que apresentam essas diversas modalidades
com a infecção typo do grupo, o typho exanthcmatico do velho mundo, verifica-se
como c complexo este problema.
O typho epidêmico, clássico, do velho mundo, predominando no inverno, tem
como intermediários únicos os piolhos ( Pcàiculus huincnus, var. corporis Dccgcr,
piolho do corpo, c Pcdiculus ha manas, var. humanas Linncu, piolho da cabeça,
da raça branca, segundo a nomenclatura aconselhada por Euing), em cujo intes-
tino o vírus se multiplica. O typho endêmico, melhor estudado na America do
Norte (México c Estados Unidos), maniícstando-sc, porem, também cm outros
paizes, predomina no verão, sendo os transmissores mais incriminados certos puli-
cideos, cm virtude dos tralialhos dc Dyer. Rumreich c Badger (1) c Kcnip (2),
bem como o acaro Liponissus bacoti (Hirst), accusado por Dovc c Shclmire (3).
Ao passo que no typho exanthcmatico clássico o proprio homem c conside-
rado. até agora, como o unico depositário natural do vinis, explodindo a infecção
sob forma epidêmica desde que as condições de proliferação do transmissor sejam
favoráveis, no typho endêmico, ao contrario, o papel do depositário do virus na
natureza c representado pelos ratos, sendo excepcional a infecção humana, d can-
dente principalmcnte da fauna local de cctoparasitas murinos. O papel dos ratos
como depositários do virus na natureza foi demonstrado por Mooscr, Castaneda e
D
42
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Zinsser (4), inoculando, em cobaias, cerebros de ratos capturados na cidade do
México, e isolando assim um virus idêntico ao oriundo de casos humanos da infec-
ção, como o asseveraram á luz das provas experimentaes do comportamento do
virus em cobaias e das de immunização cruzada. O mesmo virus foi também isolado
de pulgas capturadas sobre ratos pelos auctores acima citados, sendo o caracter
mais typico da infecção experimental das cobaias pelo typho endemico americano,
além da reacção febril, a apparição da reacção inflammatoria escrotal com pre-
sença de Rickcttsia tnooserí Monteiro, 1932, nas cellulas mesotheliaes da túnica
raginalis.
Conhecidos estes factos e sabido, pelas experiencias de Mooser e Dummer
(5), que o piolho pode transmittir experimentalmente o typho endemico norte-
americano, seria talvez licito perguntar si. tal como succede no caso do typho
clássico do Velho Mundo, não poderá o proprio homem representar em determi-
nadas condições o papel de depositário do virus, prescindindo neste caso a infec-
ção da parte do cyclo representado pelo rato e pelas pulgas e adquirindo um cara-
cter epidemico, transmittido de homem a homem pelo piolho. Analogamente, não
seria talvez descabido emittir a hypothese da existência, no caso do typho exan-
thematico clássico, de outros depositários naturaes do virus além do homem (os
ratos, por exemplo) c de outros transmissores além dos piolhos, o que daria á
infecção um caracter endemico.
Embora a cpidemiologia conhecida das supracitadas infecções não pareça
corroborar as hypotheses emittidas (*), não devemos todavia esquecer que esta-
mos ainda no inicio das investigações desses assumptos e que o problema, já tão
complexo neste estado, assume ainda complexidade maior devido aos recentes
trabalhos de Mercandier c Pirot (6) em Toulon, c de Lepine (7 c 8) cm Athe-
nas c Bcyrouth, os quacs, inoculando ccrebro dos ratos dessas localidades cm co-
baias, isolaram um virus que apresenta os caracteres experimentaes do virus do
typho endemico americano ( reacção escrotal), bem como ao trabalho de Lepine, Ca-
minopetros e Pangalos (9), que isolaram o mesmo virus em pulgas dos ratos de
Athenas c do Pireo. Xas regiões estudadas existe, além da “febre botonosa” (trans-
mittida pelo carrapato do cão, o Rhipicephalus sanguineus e causada pela Rickct-
tsia conori Brumpt, 1932), uma outra febre cxanthematica, cujo virus, isolado de
casos humanos, determina experimentalmente uma infecção de symptomatologia
diversa da obtida com aquelle virus murino, não tendo ainda sido possível esta-
belecer com rigor as relações dessa infecção com o typho endemico americano e
com o typho exanthematico clássico.
(*) A dualidade das infecções (epidctnica c endêmica) defendida jã por um de nõ»
cm trabalho» anteriores (Brasil Medico XL\T(Ü6) :361. abril 1932; C. R. Soc. Biol.
CX(24) :838.juIho 1932. sessão de 8-IV-1932), foi reccntemcntc acceita c igualmentc jus-
tificada por Ch. Nkollc (Arch. Inst. Pasteur de Tunis XXI(l) :32. julho 1932), incon-
testável auctoridade no assumpto e. ha pouco, um dos maiores defensores da unicidade do
typhus.
10
JSciELO
Monteiro * Fonseca — Typho exanthemalico de S. Paulo
43
Verificações recentes devidas a Brumpt (10) vieram ainda uma vez compli-
car o problema, pois o sabio parasitologista francês isolou do cerebro de ratos
de Paris, onde não existe a infecção endemica, um virus que, experimentalmente,
também se approxima do virus do typho endêmico americano, apresentando,
segundo aífirma, os animaes inoculados a mesma reacção febril e a cobaia inflam-
mação escrotal, não tendo, porém, sido possível a Brumpt pôr em evidencia a pre-
sença de Rickcttsias nas cellulas mesotheliaes da túnica vaginalis. Procurando
estabelecer as relações entre o typho cxanthematico clássico c o typho endemico,
elle emittiu então a hvpothcsc de ser a affinidade analoga á existente entre a
varíola e a vaccina : conferem immunidade cruzada, mas sua identidade só poderia
ser provada por novas e numerosas pesquisas.
Mais recentemente ainda, concluc Lepine (11), baseado em provas de im-
munidade cruzada entre os virus dos typhos epidemico, endemico humano e mu-
rino (enzootico), que nas rickcttsioses, pelo menos no typho rnurino, devem exis-
tir raças pathogcnicas que mantenham relações de grupo, comportando-se, porém,
como infecções diversas.
Pela rapida resenha que fizemos dos principacs trai «lhos, todos muito recen-
tes, que têm vindo contribuir para o conhecimento das infecções deste grupo,
poder-se-á, cm rápido golpe de vista, ter uma idea da complexidade do problema
tal como se nos apresenta no momento, com falta de vários elos na cadeia que
deverão articular todas as observações citadas para formar então um todo mais
homogeneo c comprehcnsivcl.
— Xo actual trabalho apresentaremos mais alguns dados que, opportuna-
roente, quando já houver suíficicntc experiência accumulada, virão concorrer para
a intclligencia do assumpto.
Em trabalho anterior (12) relatámos as pesquisas levadas a cf feito com o
fim de salicr si os ratos poderiam representar algum papel como depositários do
virus do typho exanthematico de S. Paulo, tendo nessa occasião assignalado os
resultados obtidos, quer na zona rural ou suburbana da cidade, onde se mani-
festa de preferencia a infecção, quer na zona urbana, onde têm sitio raros os
casos. Em outro trabalho foram relatados (13) os resultados das pesquisas leva-
das a cf feito para o conhecimento da íauna de cctoparasitas desses roedores. Dos
ratos da zona rural, só exccpdonalmcnte parasitados por pulicidcos, não conse-
guimos isolar o virus em 128 exemplares examinados, apenas tendo ficado evi-
denciada a immunidade de cobaias inoculadas com 2 grupos de cerebros. Por este
e por outros motivos então assignalados, embora admittissemos o papel dos ratos
como depositários, adiavamos que outros animaes poderiam representar esse pa-
pel, o que também estava de accordo com resultados, não só de pesquisas anterio-
res (14) sobre a transmissão experimental do virus do typho de S. Paulo por
Ixodidac, principalmentc pelo Aniblyomtna cajcnncnsc, como de outras mais re-
centes e concludentes a respeito do papel deste carrapato (15).
44
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Tivemos, por outro lado, occasião de demonstrar a existência de um virus.
isolado de 2 grupos de ratos da zona urbana da cidade intensamente parasitados
por pulicideos. Aventámos nessa occasião a hypothese da dualidade da infecção,
com a) — uma modalidade rural, transmittida por Ixodidac ou outros acarianos
e com b) — uma modalidade urbana, transmittida por Pulicidac, hypothese esta
cuja confirmação estaria na dependencia de estudos ulteriores.
O presente trabalho versará sobre o comportamento experimental do virus
isolado do cerebro de ratos da zona urbana da cidade e das relações deste virus
com o isolado dos doentes provenientes da zona onde o mal se tem demonstrado
sob forma endemica, isto é, a zona rural ou suburbana da cidade.
COMPORTAMENTO EXPERIMENTAL
Virus A — Cobaia 529 — Inoculada a 30. XI. 931 com emulsão de cerebro*
dos ratos 132 e 133 ( Efimys noncgicus) capturados na rua Florida n.° 1, de
onde havia sahido um doente com diagnostico de typho exanthematico. Este
caso, um dos raros observados na zona urbana da cidade, revelou-se benigno, res-
tabclecendo-se o doente. A cobaia inoculada, cuja media de temperatura era de
3S®6, antes da inoculação e nos primeiros dias que a esta se seguiram, apresen-
tou depois de 12 dias reacção febril pouco accentuada, attingindo 39°4. X'csta
occasião, em 12. XII. 931, foi sangrada, sendo inoculada com seu sangue a cobaia
544. Xos dias que se seguiram, a temperatura manteve-se na mesma media, attin-
gindo ás vezes 39°8 ou mostrando-se em media normal. Em 4.1.932, depois dc
35 dias da inoculação, foi inoculada com o virus do typho exanthematico de S.
Paulo, vinis de passagem (emul. cerebro da cobaia 561), que determinou, após
4 dias, reacção de 40\ morrendo a cobaia na noite de 10 para 1 1 ou 7 dias após a
2.* inoculação.
Cobaia 514 — Inoculada cm 12. XII. 931 com 4 cc. de sangue da cobaia 529,
por via peritoncal. A temperatura mantcve-sc cm media nonnal (38’4-38 ? 8) du-
rante 12 dias; no 13.° dia apresenta 39®2; no 14.°, 40" 1 ; no 15.°, 40"; no 16.°,
39”5, sendo sangrada e inoculada a cobaia 559. Xos dias seguintes mantem-se
acima de 39°, apresentando ainda 40® por 2 dias. Em 4.1.932 foi reinoculada com
o virus do typho de São Paulo (emulsão cer. da cobaia 561), apresentou reacção
febril, depois dc incubação de 4 dias, resistindo, porém, á infecção.
Cobaia 559 — Inoculada em 28. XII. 931 com 4 cc. de sangue da cobaia 544.
A marcha da evolução da infecção desta cobaia foi a seguinte, relativamente á
temperatura: 1.® dia, inoculação, 38*4; 2.®, 38*5; 3.®, 38"8; 4.®, 39°5; 5.®, 39”4;
6.®, 39®4 ; 7.®, 39®9; 8". 39X); 9.®, 41'0; 10.®. 39"5; 11.®, 41"0. Xcste dia, 7.1.932
a cobaia foi sacrificada, para pesquisa de rickcttsia no peritoneo. Antes, com seu
sangue, foi inoculada a cobaia 573 e com emulsão de cerebro a cobaia 574.
12
cm
SciELO
D 11 12 13 14 15 16
Monteiro a Fonseca — Typho exanthemalico de S. Paulo
45
A pesquisa de rickettsia «oi negativa. Os resultados das passagens foi o
seguinte :
Cobaia 573 — Inoculada em 7.1.932 com 4 cc. de sangue de cobaia 5a9.
Depois de alguns dias. a temperatura elevou-se pouco acima da media normal,
ou manteve-se nessa media, somente attingindo 40° em 3. II. 932 ( 27 dias após a
inoculação). A cobaia amanheceu morta em 17.1 11.932. mostrando á necropsia
o baço bastante augmentado de volume. Emulsão do cerebro foi inoculada na
cobaia 647.
Cobaia 647 — Inoculada cm 17. II 1.932 com emulsão de cerebro da cobaia
573. Após somente 48 horas (em 19. II 1.932) a temperatura attingiu 405, sendo
nos dias seguintes de 403; 405; 405; 41°0; 403, a cobaia morrendo na tarde de
25. II 1.932. Com a temperatura de 41"0, cm 23. II 1.932, foi sangrada, sendo
inoculada a cobaia 656. A’ necropsia observou-se baço augmentado, com adhc-
rcncias e com exsudato fibrinoso.
Cobaia 574 — Inoculada em 7.1.932 com emulsão de cerebro da cobaia 559.
Apresentou mais ou menos a mesma evolução da cobaia 573. Somente depois de
26 dias, a temperatura attingiu 40°0, sendo nos dias seguintes de 40°5 c 40"0, em
4. II. 932, quando ioi sacrificada inoculando-sc com emulsão de seu cerebro a co-
lhia 600. Esta ultima apresentou, como a cobaia 647, evosução mais rapida da in-
fecção, attingindo a temperatura a 40"2 no 6.° dia, porem, jiela necropsia c exame
microscopico, verificou-se estar infectada com T oxoplasma caznae. (*)
Cobaia 656 — Inoculada cm 23. III. 932 com 3 cc. de sangue da cobaia 647.
Em 26, a temperatura attingiu a 40“3. sendo nos dias seguintes de 40“2; 39"6;
40*5; 40*1; 40"0 (quando foi sangrada c inoculada a cobaia 671); 39^6; 39*1),
morrendo na tarde de 3. IV. 932.
Cobaia 671 — Inoculada cm 31. III. 932 com 3 cc. de sangue da cobaia 656.
Após incubação de 4 dias, cm 4. IV. 32 a temperatura subiu a 40°5, sendo nos
(*) Grande cuidado c necessário era experimentações desta natureza ao attribuir as
rcacções verificadas nas cobaias á acçáo de um virus cxanthcmatico. fazendo-se mister
excluir, em primeiro logar. a hypothcse de outra infecção concomitante, possivel dc se obser-
var no decorrer de experiências demoradas, nas quaes são utilizadas muitas centenas dc
cobaias, animaes sujeitos a salmoneUoses e outras doenças. Tivemos opportunidadc dc
observar varias vezes infecções determinadas por um protozoário, o ToxofUisma cavtae.
surgindo no decurso dc experiências, exaltando-se a infecção latente por influencia da ino-
culação virulenta, podendo determinar o apparccimcnto dc sympíomas que pesquisadores
menos prevenidos poderiam attribuir á só influencia do virus inoculado. Trabalhando com
ratos, cujo material vai ser inoculado em cobaias, maiores ainda devem ser as precauções
tomadas ao interpretar as reacções dos últimos, ã vista da possibilidade dc correrem cilas
por conta dc infecções determinadas por agentes {Lefljs^ira ictfrohfniorrhagiijf. por exem-
plo) que nada tem que ver com o virus do typhus.
46
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
dias seguintes de 40°2; 4CK); 40°0 quando foi sacrificada, para diversas pesquisas
e outras passagens. Xa necropsia, observou-se o baço augmentado, com adheren-
cias e exsudato íibrinoso.
Esta ultima cobaia corresponde a 7.* passagem do virus. Foram continuadas
as passagens achando-se actualmente (outubro de 1932) o virus na sua 14* pas-
sagem.
Dos resultados acima assignalados, sem necessidade de citar os das passagens
que se seguiram, verificámos, em resumo, o seguinte: o virus isolado dos ratos
mostra-se pouco pathogenico para a cobaia, principalmente nas primeiras passa-
gens, quando a reacção febril determinada é pouco accentuada e longa a incuba-
ção. A* medida que as passagens se effcctuam, porém, a virulência do virus se
exalta, verificando-se diminuição do periodo de incubação e mais accentuada a
reacção febril. As cobaias não apresentaram nunca reacção inflammatoria ecro-
tal. Como lesão verificável á necropsia, apenas um augmento do baço, muitas
vezes adhercnte c coberto por exsudato íibrinoso.
As pesquisas de rickettsias nas cellulas da parede peritoneal nos animaes ino-
culados c sacrificados, assim como em outros inoculados com esse fim. foram
sempre negativas nas primeiras passagens, sendo positiva em raras cobaias cm
passagens subsequentes deste virus murino, como se verifica entre outras, na
observação seguinte: Cobaia 817 inoculada em 16. VI. 932 com virus murino A,
da 13.* passagem (cmul. de cer. da cobaia 811) : após incubação de 4 dias, apre-
sentou no 5" reacção de 39 n 8. morrendo durante a noite de 20 para 21. Pela
necropsia o baço apresentava-se augmentado de volume, com exsudato íibrinoso
c nos preparados feitos com raspagem da parede peritoneal foram observadas
numerosas cellulas contendo rickettsias.
Virus B — De outro grupo de ratos da rnestna procedência verificámos
outro virus de idêntico comportamento, com o qual foram realizadas 4 passagens
somente. Daremos abaixo a evolução da infecção em 2 cobaias, da 1* c 3.*
passagens.
Cobaia 539 — Inoculada em 11. XII. 931 com emulsão de cerebro dos ratos
138 a 139 (Epitnys norvcgicus e Mus sp.) provenientes da rua Florida 1. Depois
fie uma incubação de 14 dias, em 25. XII .931 a temperatura attingiu a 40°0, sendo
em 26, de 40"5; e, 27, 39"8; em 28, 40°5 (sangria e inoculação da cobaia 558) ;
29, de 39°8; 30, de 38°7 ; 31, de 40"0, cm 1 de 38°8, mantendo-se nesta media,
nos dias seguintes. Inoculada com o virus do typho exanthcmatico (virus rural)
em 4.1.932 (emulsão de cerebro da cobaia 561), amanheceu morta no dia 8.
sem ter tido elevação thermica. A cobaia 558 que foi inoculada com sangue da
539 em 28. XII. 931, morreu na manhã de 2.1.932, sem ter tido elevação thermi-
ca, talvez pelo facto de a morte ter sido rapida e devida a qualquer factor acciden-
1 1
cm
SciELO
D 11 12 13 14 15 16
Monteiro a Fonseca — Typho exanlhemalico de S. Paulo
17
tal. Mesmo assim, a emulsão do seu cerebro foi inoculada na cobaia 566, para
passagem do viras.
Cobaia 566 — Inoculada em 2.1.932 com emulsão do cerebro da cobaia 558.
Após incubação de 14 dias, cm 16.1.932 a temperatura subiu a 39°8, sendo nos
dias seguintes de 39*7; 40*5; 39*3 (sangria e inoculação na cobaia 5S4) ; 39*4;
39*5; 390; 39-0; 39*1 ; 41*0; 400; 39°5; 40*3; (sangria e inoculação da cobaia
591); 390, mantendo-se nesta media, pouco acima da normal (38*5 — 3S°8).
Em 2. II. 932 foi reinoculada com o viras do typho de S. Paulo (rural), tendo
tido reacção febril, um pouco atypica (com exacerbações), morrendo na tarde
de 16.111.932.
Relações do virus tu urino com o do typho cxantlicmatico de S. Paulo — As
relações entre o viras isolado dos ratos da zona urbana da cidade (viras inuri-
no) com o do typho exanthematico de S. Paulo, isolado de doentes provenientes
da zona rural e conservado por passagens successivas cm cobaias foram pesquisa-
das por provas de immunização cruzada.
Pelos resultados acima assignalados observa-se logo que as cobaias que resis-
tem á infecção pelo viras murino não se mostram immunizadas cm relação ao
vinis do typhus de S. Paulo.
Por outro lado, cobaias immunizadas com o viras deste typhus, reagem á
inoculação do viras murino. Dos vários ensaios feitos neste sentido, assignala-
remos apenas o que se segue, com a respectiva testemunha.
Cobaia 597 — Immunizada, após ter sido inoculada com o virus do typho
exanthematico de S. Paulo representado por emulsão de cerebro da cobaia 615,
cm 25.11.932; teve reacção febril característica, resistindo.
Após 41 dias, cm 6. IV. 932, foi inoculada com o virus murino, correspon-
dente ã 7.* passagem (2 cc. de sangue da cobaia 671). A evolução da tempe-
ratura da cobaia foi a seguinte: cm 6. IV. 932, dia da inoculação, 39*1 ; cm 7,
390; 8. 395 ; 9, 39-3; 10, 400: 11, 40*5; 12. 400; 13. 39*5; 14. 400; 15, 395;
16,39*5; amanhecendo morta no dia 17, apresentando baço augmentado de volume.
Cobaia 689, como testemunha da anterior, inoculada cm 6. IV. 932 com 2 cc.
de sangue da cobaia 671. A marcha da temperatura foi a seguinte: cm 6. IV. 932,
dia da inoculação. 380; cm 7. 38*8; 8. 38*3; 9. 390; 10, 400; 11, 39*5; 12.
400; 13, 399; 14, 400; 15. 39*5; 16, 39*5, mantendo nos dias seguintes
entre 38*5 a 39*3, morrendo na noite de 22 para 23.
Por estes resultados cxpcrimcnlaes, verifica-se que esses dois virus differem,
não somente pelo comportamento experimental em relação á cobaia, como pelas
provas de immunidade cruzada.
13
48
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
DISCUSSÃO
Deprehende-se dos resultados dos estudos experimentaes que acima ficam
expostos que os dois virus, o de origem humana, isolado de doentes de typho
exanthematico de S. Paulo, e o de origem murina ditferem á luz das seguintes
provas :
a) pela immunização cruzada;
b) por seu differente comportamento experimental ( reacção febril) nas
cobaias inoculadas;
c) pela ausência de reacção escrotal em cobaias inoculadas com o vinis
murino e sua relativa frequência nas injectadas com o virus humano;
d) pela maior facilidade de, no de origem humana, se descobrirem rickett-
sias nas cellulas mesotheliacs da parede peritoneal de cobaias inoculadas, a con-
trastar com a relativa difficuldade dessa verificação nas cobaias inoculadas com
material de origem murina e isto só depois de algumas passagens.
A’ luz dessas differenças e no estado actual de nossos conhecimentos parece
justificável a criação de uma designação aparte para a Rickcttsia encontrada nos
animaes inoculados com o virus de origem murina. Para isso propomos, proviso-
riamente, o nome de Rickcttsia tnuricolo, sp. n., forma que se poderia facilmente
identificar pelas propriedades biológicas acima registadas, que bastam, por si só. .
para distinguil-a das demais esjxrcies pathogenicas de Rickcttsia ate agora reco-
nhecidas, especialmcntc da Rickcttsia mooscri Monteiro, 1932, responsável pelo
typho endcmico. do qual, conforme vimos, o rato também é depositário.
De qualquer maneira, mais uma vez fica justificada a complexidade que
attribuimos no inicio deste trabalho ao problema das relações existentes entre os
diversos virus exanthcmaticos. mesmo porque o nosso virus murino também
apresenta caracteres divergentes dos virus de idêntica origem, isolados por Mer-
candier e Pirot (6), Lcpine (7 e 8), Brumpt (10), etc.. Com ef feito, os virus
isolados por estes pesquisadores apresentam todos elles affinidades com o typho
endcmico norte-americano, provocando reacção escrotal na cobaia, ao passo que
o virus por nós isolado de ratos mais se approxima. pelos caracteres da infecção
das cobaias, do typho clássico do Velho Mundo.
Xo pé em que se encontra o problema seria licito perguntar, como já o fize-
mos dc um modo mais geral no inicio deste trabalho, si, não occorrerá, entre nós,
uma outra modalidade de febre exanthematica, de origem murina c de cuja trans-
missão se poderiam incriminar os pulicideos. Esta hypothese, á qual somos le-
vados pelos resultados das pesquisas experimentaes do virus por nós isolado dos
ratos, é, até certo ponto, reforçada pela positividade, relativamente frequente, da
reacção dc Weil-Felix em indivíduos aqui residentes. Emittindo-a, fazemol-o sob
16
Monteiro * Fonseca — Typho exanlhenialico de S. Paulo
49
as reservas exigidas ainda pela falta de unia experimentação mais abundante, in-
cluidas as provas de immunidade cruzada entre o virus por nós isolado e os das
demais febres exanthematicas.
CONCLUSÕES
I. De ratos procedentes da zona urbana da cidade de S. Paulo foi isolado
um “\irus", sendo estudado o seu comportamento experimental em relação á
cobaia.
II. Pelo seu comportamento experimental e por provas de immunidade cru-
zada, fica patente que este virus murino diífere do isolado de doentes de typho
exanthematico de S. Paulo, infecção manifestada de preferencia em zonas subur-
banas e ruraes e cujo comportamento experimental foi já estudado por um de nós
em publicações anteriores. Esse virus deve corresponder a uma especie nova de
rickettsia que receberia o nome de Ricketlsia umricola, sp. n..
III. Somente novos estudos experimentaes, convenientemente encaminha-
dos, mostrarão as possíveis relações do virus de origem murina, existente entre
nós. com o das diversas formas do “typhus”, c tomarão, desse modo, possivel
a elucidação de importantes problemas relacionados com a epidemiologia das in-
fecções exanthematicas cm S. Paulo.
ABSTRACT
From rats capturcd in thc urban scction of São Paulo City therc lias bccn
isolatcd a “virus”, thc experimental behaviour of which, on inoculation into guinca
pigs and in cross immunity tests, has shown tliat it is distinct from thc "virus”
prcviously isolatcd from patients of thc São Paulo typhus. This “virus” niust
corrcspond to a new spccics of rickettsia to l>c named Rickettsia niuricola, sp. n.,
thc rclalionship of which with thosc found in various typcs of typhus fevers
dcpendir.g on furthcr investigations that niay also throw some light upon ccrtain
cpidcmiclogical features of thc São Paulo typhus.
17
50
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
BIBLIOGRAPHIA
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2. Kemp. H. A. — J. Amer. Med. Assn, XCVII(ll) :775. 1931.
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13. Fonseca, F. da & Prado. A. — Rcv. Med. Cir. Brasil XL(3) :65.1932.
14. Monteiro, J. Untos; Fonseca. F. da & Prado. A. — Brasil Medico XLVI (3) :49.1932.
15. Monteiro. J. Lemos & Fonseca, F. da — Com. Soc. Biol. S. Paulo 8.VII32 et Brasil
Medico XLVI (48) :993.1932.
(Trabalho das Secções de Vírus e de Parasltotogia do
Instituto Butantan, outubro de 1932).
18
ESTUDOS SOBRE LACERTILIOS NEOTROPICOS
por
AFRAXIO do AMARAL
(com 55 gravuras no texto)
398.11:391.9:981
ESTUDOS SOBRE LACERTILIOS NEOTROPICOS
I. Novos generos e especies de lagartos do Brasil
POR
AFRAXIO do AMARAL
I XTRODUCÇAO
Poucos grupos representativos da fauna neotropica ha que não estejam a
exigir uma revisão meticulosa, immediata. Dentre ellcs sobreleva, por sua indis-
cutível imponancia na phylogcnese geral, a sub-ordem dos Laccrtilios, cuja re-
presentação nesta região chorologica c das mais ricas c variadas. Ainda recente-
mente, C. E. Burt e M. D. Burt (m Buli. Amer. Mus. Xat. Hist. LXI, pg.
227, 1931) mostravam que, desde o apparccimcnto do Catalogo de Boulenger sobre
todos os lagartos da collccção do Museu Britannico (1885-1887), não se tem pu-
biicado outros estudos systcmaticos geraes sobre as formas sul-americanas desse
grupo, embora, desde aquclla qx>ca ate a presente, se tenlia realizado uma immcn-
sidade de pesquisas anal nicas cm varias collecções. Dessa analyse tem resultado
o reconhecimento de muitas formas, algumas das quaes, no opinar de Burt. sc
devem considerar invalidáveis.
Concorrendo com essa opinião, bancada no paciente estudo comparativo de
material existente nas principacs collecções norte-americanas c no exame critico
da extensissima bibliographia sobre o assumpto, adoptei no texto do presente
trabalho, que representa a primeira contribuição local ao conhecimento dos I-accr-
tilios do Brasil, as alterações nomenclaturaes e a ordem phylogcuctica seguidas
pelos dois referidos especialistas.
Cumpre-me assignalar que, ao estudo desse grupo de repteis fui levado pela
necessidade da exacta identificação de especies, assim hospedadoras de parasitas
de possivcl interesse cm pathologia, como talvez sujeitas a infecções por germes
capazes de contaminar o homem. Eíícctivamente, os hcmo-ílagellados, sobretudo,
representariam o interesse medico no primeiro caso, enquanto, na segunda instan-
cia. nos bacillos acido-resistcntes residiria o principal motivo de cogitação no
momento
3
2 3 4
5 6 7
^ v-' — i — i — i J — i w |
11 12 13 14 15 16
54
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Fam. AMPHISBAENIDAE
Gen. Amphisbaena Lixxeu
Confonne occorre com a generalidade de formas de hábitos subterrâneos, a
existência de mutações entre os Amphisbenideos é das mais frequentes, de sorte
que um exame critico desse grupo revela, para logo, a necessidade de uma revisão
meticulosa, capaz de separar as especies imperfeitamente definidas daquellas que
podem resistir á analyse comparativa. Dentre os caracteres usados nas descripções
parece que apenas o numero e proporção dos segmentos somáticos, a extensão
relativa da cauda e a disposição de certos escudos cephalicos têm valor realmcnte
especifico, não passando, muitas vezes, de meras variações raciaes ou mesmo indi-
viduaes o comprimento relativo das suturas e a integridade ou não de certos outros
escudos cephalicos. Assim, por exemplo, considerando-se a essa luz a chave syno-
ptica proposta por Boulenger (Cat. Liz. Brit. Mus. II, pg. 435-37, 1885), com-
parativamente com series de exemplares, classificáveis na secção B, I, a, logo re-
salta a insufficiencia dos caracteres apontados para a differenciaçáo de certas
especies c, com especialidade, de A. vermicularis Wagler, A. danvinii D. & B. e
A. plúmbea Gray. Estas seriam antes meras expressões raciaes de uma mesma
forma: A. vermicularis vermicularis (Wagler), própria aos districtos quentes c
.ub-aridos ao Xorte, Leste e Centro do Brasil, desde o Amazonas até Pernam-
buco, S. Paulo e Minas Gcracs (o typo de A. mitchclli Procter, 1923 seria ape-
nas uma variação individual desta subespecie) ; A. vermicularis danvinii (D. & B.)
distribuída pelos districtos temperados e húmidos do sul do Brasil, desde S. Paulo
e Matto Grosso até o Rio Grande do Sul e depois até ao Uruguay c o Xorte e
Leste da Argentina (A. dubia Müller, 1923 seria synonyma desta subespecie) ;
e A. vermicularis plúmbea (Gray), restricta á zona arida e elevada do Xorocste da
Argentina ate a Bolivia.
A presença de mutações seria sobremodo frequente na espccic A. brasiliana
(Gray) que, na chave de Boulenger, se encontra ligada a formas antilhenses, em-
bora pela morphologia geral se approximc de preferencia do grupo vermicularis ,
do qual sem duvida não se podem ajartar muitos exemplares portadores da fre-
quente variação dos escudos nasacs.
A acrcditar-se numa possível differenciaçáo da forma primitiva, porventura
representada pela raça hoje occorrente na zona tropical do Brasil, leriamos que
a subespecie danvinii, própria de zonas húmidas, se caracterizaria pelo numero
mais baixo de anneis sobre o corpo (corpo mais curto), enquanto a subespecie
plúmbea, oriunda de districtos áridos, se distinguiria pelo numero mais alto de
anneis somáticos (corpo mais comprido), occupando a raça typica uma posição
perfeitamente intermediaria.
I
A. do Amaral
Lagartos do Brasil
55
Ao estudar os exemplares de Amphisbenideos da collecção do Museu Paulis-
ta, comparaíivamente com os innumeros outros existentes na collecção do Insti-
tuto Butantan. fui levado, não somente a fazer as considerações que acabo de ex-
por a respeito da possibilidade de se virem a eííectuar novas fusões entre as es-
pccies tidas por muitos auctores como validas, mas também a considerar como
períeitamente caracterizaveis em especies á parte os dois exemplares que passo
a descrever :
Amphisbaena brachyura, sp. n.
(Figs. 1—3)
Definição ■ - Focinho largo, arredondado c algo truncado. Cauda muito cur-
ta. da grossura do corpo. Rostral moderada, sub-pcntagonal ; nasaes bastante gran-
des, formando uma longa sutura ; 1 par de pre-írontaes grandes, seguido de outro
par de frontaes estreitas e de 1 par de occipitacs mais largas do que as íron-
tacs (5:3) c seguidas de 1 serie de placas menores; olho distinguível sob a ocular
'■eguida de uma grande temporal ; 3 supralabiaes, mais ou menos sub-eguaes ; 3 in-
fra- labiacs, a posterior menor e a mediana maior; mental anterior quadrangular,
antes curta, seguida mcsialmente por 1 mental maior, sub-pcntagonal, contígua
posteriormente a 5 escamas separando entre si 1 par de mentaes postcro-lateracs.
230 ancis sobre o corpo c 8 sobre a cauda, os segmentos constitutivos bem mais
longos do que largos no dorso c lados, tomando-se gradualmcntc quadrados (cm
cada fila para-mediana) ate 1 yí vez mais largos do que longos nas 2 filas media-
nas ventraes; ao meio do corpo, cada anel contem 22 segmentos na poção dorsal
c 22-23 segmentos na poção vcntral. Linha lateral distincta. 8 escudos anacs;
6 poros pre-anaes, bem visíveis.
Colotação — Pardacenta cm cima c ligeiramente mais clara cm baixo.
Dimensões — Comprimento ate o anus 280 mm.
da cauda 10 mm.
Circunferência do corpo 21 mm.
Holotyjo — Xo. 1248. B. na collccção do Mu. cu Paulista, colhido cm 1913.
cm Maceió, Alagoas, Brasil, pelo dr. Bach.
Xota: Esta cspccic distingue-se de todas as demais c cspccialmcntc de .-I.
mertensii Strauch, de que parece affim, principalmcntc pela proporção dos escudos
occipitacs e pela curteza da cauda (reduzido numero de ancis caudacs).
Amphisbaena albissimn. sp. n.
(Figs. 4 — 6)
Definição — Focinho arredondado, algo truncado e levantado. Cauda muito
curta, mais fina do que o corpo. Rostral moderada, sub-pentagonal ; nasaes bas-
tante grandes, formando uma longa sutura; 1 par de prc-frontacs grandes, segui-
56
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
do de 1 par de frontaes antes estreitas e de 2 pares de occipitaes, dos quaes o an-
terior, maior, formado de 2 placas 2 vezes tão largas quanto as frontaes (6:3), o
posterior formado de 2 placas sub-quadrangulares, tão grandes quanto as frontaes
sub-triangulares e seguidas immediatamente de pequenas escamas semelhantes ás
do dorso ; olho distinguível sob a ocular seguida de uma grande temporal : 3 gran-
des supra-labiaes, a mediana algo menor; 3 iníra-labiaes, a posterior menor e a
mediana maior; mental anterior sub-quadrangular, antes alongada, seguida me-
sialmente por 1 mental maior, sub-pentagonal, contigua posteriormente a 3 esca-
mas separando entre si o par de mentaes post-lateraes. 237 aneis sobre o corpo e
9 sobre a cauda, os segmentos constitutivos bem mais longos do que largos no dor-
so e lados, tornando-se gradualmente quadrados (em cada fila para-mediana )
até 1 l A vez mais largos do que longos nas 2 filas medianas ventraes ; ao meio do
corpo, cada anel contem 22 segmentos na poção dorsal e 22 na poção ventral.
Linha lateral distincta. 10 escudos anaes ; 6 poros pre-anaes, bem visiveis.
Ccloração — Creme esbranquiçada em todo o corpo
Dimensões — Comprimento até o anus 310 mm.
da cauda 16 mm.
Circunferência do corpo 30 mm.
Holoiypo — Xo. 1260, na collecção do Museu Paulista, procedente dc Pira-
cicaba, São Paulo, Brasil.
Nota: Esta especie parece aí fim de A. brachyura Amaral e A. mertensii
Strauch, distinguindo-se da primeira pela conformação da cauda, numero de es-
cudos occipitaes e proporção de escamas medio- ventraes. e da segunda, pelo nu-
mero dc e cudos occipitaes e proporção das escamas medio-ventraes.
Fam. GECKOMDAE
Gen. Gonatodes Fitzixger
üonatodes spinulosus, sn. n
( Figs. 7 — 8)
Definição — Cabeça antes alongada; focinho obtusamente pontudo, tão lon-
go quanto a distancia oculo-auricular e duas vezes tão longo quanto o diâmetro
da orbita: fronte um tanto convexa, ouvido arredondado c muito pequeno. Corpo,
membros e cauda curtos, membro posterior, trazido á frente, attingindo a axilia.
Focinho coberto de grânulos sub-ovaes e diminuindo de tamanho para trás ; ros-
tral 2 Yi vezes tão larga quanto alta, com 1 incisura mediano-superior; narina
entre a rostral, a inter-nasal e 3 pequenas escamas post-nasaes; um dos grânulos
6
A. do Amaral — Lagartos do fírasil
57
supra-ciliare? medianos erecto, em íonm de espinho ponteagudo; 5 supra-labiaes.
3 infra-labiaes: mental grande, sub-triangular, contigua posteriormente com 3 es-
camas augmentadas e seguidas, para trás e para os lados, por grânulos gradual-
mente menores. Pescoço e dorso cobertos de grânulos erectos; pequenos tubér-
culos espiculi formes, formando ás vezes tufos, disseminados sobre os lados do
pescoço, a face dorsal do membro anterior, o dorso e os flancos. Ventre coberto
de escamas cycloides, inteiramente lisas; membros com grânulos erectos c a_ pe-
ros, na face dorsal e escamas lisas cycloides na ventral do membro posterior. Dí-
gitos delgados, phalange basal cylindrica, com 1 fila de escamas ligeiramente au-
gmentadas. phalange distai comprimida. Cauda conico-cylindrica, coberta cm cima
de escamas granulares até espinhosas, augmentando e passando gradualmcnte a
chatas, grandes e cycloides em baixo. Poros ausentes.
Coloração — Pardo-chocolate cm cima com uma lista clara de cada lado, desde
a ponta do focinho, passando pelo olho, até a base da cauda ; vermiculações claras
sobre a cabeça e manchas brancas sobre o dorso; tubérculos dorso-latcraes todos
brancos ; membros e cauda manchados de castanho c claro ; ventre e garganta cla-
ros apenas punctuados de pardo.
Ilolotypo — Xo. 661, na collecção do Museu Paulista, colhido cm 1902, na
região do Rio Juruá, Amazonas, Brasil, pelo sr. Ernesto Garbc.
Dimensões — Comprimento total 80 mm.; distancia rostro-anal 42 mm.;
cabeça 12X8 mm.; membro anterior 16 mm.; membro posterior 18 mm.;
cauda 38 mm,.
.\ota: G. sfinulosus é affim da cspccic indo-ccylonica G. kandianus Kc-
lacrt, dc que differe principalmentc pelo numero de labiacs (5, cm logar dc 7 a 8)
c pela presença dc escamas lisas sob o pescoço.
Gcn. Gymnodactylus Spix
Gymnodactylus conspicuus, sp. n.
(Fírs. 9-10)
Definição — Cabeça ligeiramente deprimida ; focinho tão largo quanto o diâ-
metro mter-orbitario c quanto a distancia oculo-auricular ; fronte um tanto con-
vexa ; narina entre a rostral, as 2 inter-nasacs c 1 ou 2 escamas post-nasacs ; ou-
vido oblongo até sub-triangular, cerca dc 1/4 do diâmetro do olho. Focinho coberto
dc grandes escamas redondas c granulares; rostral quasi 2 vezes tão larga quanto
alta, com uma incisura mediana superior ; escamas inter-nasacs um tanto augmen-
tadas, formando um par contiguo; 5 supra-labiaes; 5 infra-labiaes; mental gran-
de, arredondada posteriormente e contigua dc cada lado com uma pequena placa
cm contacto com a 1.* infra-labial ; escamas guiares cycloides e maiores para o lado
das infra-labiaes. Dorso coberto com minúsculos grânulos regularmente entremea-
58
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
dos de grandes tubérculos sub-triangulares e carinados. formando 12 fileiras lon-
gitudinaes; ventre coberto de escamas lisas arredondadas e imbricadas, dispostas
em 18-20 fileiras longitudinaes. Cauda sub-cylindrica, com escamas carinadas em
cima e lisas em baixo, serie mediana inferior augmentada transversalmente. Poros
pre-anaes ausentes; 3 escamas tuberculiformes presentes, em 1 fila obliqua, de
cada lado da região post-anal, como em Phyllofezus goyazensis Peters, 1877.
Cdoração — Cabeça pardo-acinzentada, têmporas e lábios manchados de ne-
gro ; dorso cinzento, manchado de castanho-anegrado, tubérculos claros ; membro;
manchados de escuro em cima; garganta e ventre claros, escamas pontilhada., de
castanho anegrado; cauda castanha acinzentada, com barras ou sub-aneis escuros,
margeados posteriormente de claro.
Holotypo — Xo. 40S, na collecção do Museu Paulista, colhido em Yilla Xova.
Bahia, Brasil, pelo sr. Ernesto Garbe.
Dimensões — Comprimento total 87 mm. ; distancia rostro-anal 42 mm. ; ca-
beça 10X9 mm.; membro anterior 13 mm.; membro posterior 16 mm.; cauda
45 mm..
Patatypos — Xos. 457, 457.A, 457.B, 658, 658.A e 665.A, na collecção do
Museu Paulista, todos colhidos na mesma localidade que o holotypo, pelo sr. E.
Garbe.
Variações : 4 ou 6 supra-labiaes ; 6 iníra-labiaes ; 18-20 fileiras longitudi-
naes de escamas ventraes. O exemplar 658 tem as me.mas dimensões que o typo ;
todos os mais são menores.
Xotas: Pequeno Geckonidco, conspicuamcnte tuberculado, diverso de G.
geckoides Spix, 1825, pela coloração e sobretudo pela presença de 12, em logar
de 14, fileiras longitudinaes de tubérculos carinados no dorso e 18-20, em logar
de 16, fileiras longitudinaes de escamas arredondadas no ventre; distincto igual-
mente de G. amarali Barbour (Proc. Biol. Soc. Washington XXXVIII: 101,
1925) pela coloração e pela presença de 12 regulares, cm logar de 15 irr .-guiares,
fileiras de tubérculos dorsaes c de 18-20, cm logar de 21, fileiras de escamas
ventraes.
Fam. IGUAMDAE
Gcn. Anolis Daudin
Anolis nasofrontalis, sp. n.
(Figs. 11 — 12)
Definição — Habitus delgado, corpo comprimido. Appendice guiar accen-
tuado. Cabeça quasi 2 vezes tão longa quanto larga (15:8) ; narina antero-supe-
rior. na extremidade do focinho; fronte côncava, sem arestas; rostral baixa, 3 ve-
em
SciELO
D 11 12 13 14 15 16
A. do Amaral — Lagartos do Brasil
59
zes tão larga quanto alta; escamas supra-cephalicas moderadas e lisas; círculos
supra -orbitarios formados de 8 escamas desenvolvidas, lisas, contíguas entre si c
com a ocdpital ; occipital pequena, pouco maior do que o ouvido ; supra-orbitarias
desenvolvidas e separadas das supra-ciliares por 2-5 series de grânulos; supra-
ciliares posteriores pequenas, granulares, 2 anteriores maiores; 2-3 series de fre-
naes supcrjx>stas ; 7/6 supra-labiaes ; 7 iníra-labiacs; mental com 1 incisura pos-
terior, em continuação do sulco guiar mediano, seguida, de cada lado, por 1 serie
de grandes escamas gradualmente decrescentes para trás; escamas guiares granu-
lares e li as. Escamas dorsaes juxta-postas, granulares, lisas, a fila para-vcrtebral
ligeiramente maior e separada da opposta por um sulco ou sutura vertebral ; vcn-
traes algo desenvolvidas, lisas e sub-imbiicadas. Membros cobertos de escamas
granulares até sub-imbricadas, algo maiores nas faces anteriores; o membro po>-
terior, trazido á frente, attingindo a axilla; expansões digitacs bem desenvolvidas,
20 laminulas sob as phalanges II e III do 4.’ digito posterior. Cauda conico-cylin-
drica, 2 vezes tão longa quanto o corpo, coberta de pequenas escamas juxta-postas.
tomando-se carinadas posteriormente.
Coloração — Verde acinzentado cm cima, com duplas marcas ou vcrmicula-
çoes descendentes obliquamente da nuca c da linha vertebral para os membros e
flancos; cauda c membros com pequenas faixas transversa es margeadas de escuro,
raixa dupla inter-orbital preta c pouco nitida; superfície vcntral mais clara, mar-
morada de pardo; sacco guiar com uma grande mancha anterior rosco-jxirda ou
alaranjada.
Holotypo — Xo. 440 ( ç I, na collccção do Museu Paulista, colhido no Esta-
do do Espirito Santo, Brasil, pelo sr. Ernesto Garbc, cm 1906.
Atlotyfo — X‘o. 440.A ( ' ), colhido na mesma localidade, pelo sr. Garbc, na
mesma occasiáo.
uimensocs cm mm.
Xo. 440
Xo. A
Comprimento total
147
■ 125
rostro-anal
45
38
da cabeça
15
12
Largura da cabeça
8
7
Comprimento do membro anterior
17
15
posterior
25
27
da tíbia
9
9
da cauda
87
75
Ao/u: Esta espccie parece affim de A. tigrinus Pcters, 1863, c A. tratis-
versalis Dumcril, 1851, distinguindo-sc da primeira pelo comprimento do focinho,
numero de laminulas sub-phalangicas do 4.° digito posterior c coloração c diffc-
rcnciando-se da segunda pela conformação da cabeça, posição das narinas c co-
loração.
CO
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Anolis pseudotigrinus, sp. n.
(Figs. 13-14)
Definição — Habitus delgado. Corpo algo comprimido. Cabeça 2 vezes tão
longa quanto larga e 1 vez tão longa quanto a tibia; fronte ligeiramente côn-
cava ; rostral diminuta e muito baixa ; narina lateral, situada em baixo de uma sa-
liência na extremidade do focinho como em A. trcnsiersalis Duméril, 1851 ; esca-
mas supra-cephalicas antes grandes, lisas, em cerca de 3-5 filas entre as canthaes ;
semi-circulos supra-orbitarios em contacto entre si e com a occipital e formados
de 5 escamas lisas e largas; occipital desenvolvida, cerca de 3 vezes tão grande
quanto o ouvido; cantho rostral arredondado e longo, formado de 6-7 escamas se-
guidas, para trás, por 1 supra-ciliar augmentada e carinada ; 9 supra-labiaes, 8 até
abaixo do meio da orbita; 9 inf ra-labiaes ; mental larga, com 1 incisura mediana
em toda extensão e seguida de uma fileira de placas contiguas ás iníra-labiaes e
transformando-se em escamas cada vez menores na região guiar; guiares granu-
lares e lisas ; appendice guiar pouco nitido. Corpo, membros e cauda cobertos, na
face dorsal c ventral, por escamas granulares, lisas e juxta-postas, dispostas em
filas mais regulares ao longo da linha vertebral e sob a cauda. Membro posterior,
trazido á frente, mal attingindo a axilla; expansões digitaes bem desenvolvidas.
18 laminulas sob as phalangcs II e III do 4.° digito posterior; escamas caudaes
tornando-se gradualmente carinadas para trás.
Coloração — Pardacento- ferrugineo em cima com manchas escuras obliquas
transversaes sobre o dorso e a cauda; face ventral mais clara.
Holotypo — Xo. 721. B ( Ç ), na collccção do Museu Paulista, colhido na re-
gião do rio Doce, Espirito Santo, Brasil, pelo sr. Ernesto Garbe, em 1906.
Dimensões —
136 mm. Comprimento rostro-anal 45 mm.
15 mm. ” membro anterior 16 mm.
7,5 mm. ” ” posterior 24 mm.
76 mm. ” tibia 10 mm.
Comprimento total
da cabeça
Largura
Comprimento da cauda
Xota: Por sua conformação geral, a presente especie é muito aí fim de A.
tiffrinus Peters, 1863, de que todavia se distingue pela presença de 4, em vez de
2. filas superpostas de frenaes, pelo maior tamanho da occipital e pela ausência
de fossetas marginaes nas escamas supra-cephalicas.
Anolis transfasciatus, sp. n.
(Figs. 15—16)
Definição — Habitus delgado. Corpo comprimido. Xarina lateral perto da
ponta do focinho. Cabeça cerca de 2 vezes tão longa quanto larga (22:12), mais
10
cm
SciELO
D 11 12 13 14 15 16
A. do Amaral — Lagartos do Brasil
61
longa do que a tibia (22:16) ; rostral baixa, de borda superior serrilhada; esca-
mas supra-cephalicas asperas, ás vezes irregularmente unicarinadas, pequenas so-
bre o fodnho e occipicio e augmentadas na fronte c entre as orbitas; supra-ocula-
res largas; circulo supra-ocular formado de escamas augmentadas (6-8), separa-
das entre si por 1 a 2 series de pequenas escamas; occipital pequena, metade do
tamanho do ouvido arredondado ; 6 canthaes e 1 supra-ciliar augmentadas e cari-
nadas, tomando agudo o rebordo do focinho; 6 filas de frenaes superpostas, segui-
das para trás de 1 fila de 5-6 sub-oculares augmentadas; 10 supra-labiaes, das
quacs 7-8 até abaixo do meio da orbita; 9 iníra-labiacs; mental larga e curta,
com uma incisura mediana posterior profunda, seguida para trás por series de
placas carinadas, tomando-se esquami forme; c granulares para o meio; escamas
guiares granulares c lisas. Appendicc guiar apenas perccptivel. Crista dorso-nucal
ausente. Escamas dorsaes juxta-postas. granulare -, asperas. augmentando de ta-
manho para o lado do ventre e ao lado da linha vertebral. 2 fileiras para-verte-
braes longitudinacs ligeiramente carinadas; ventraes jiequenas e sub-imbricadas
nos lados ate maiores c imbricadas ao longo da linha mediana. Membros cobertos
de pequenas escamas granulares, tomando-se maiores c carinadas anteriormente,
sobre o antebraço ate os dedos e sobre a coxa e perna até as liascs digitacs ; dígi-
tos dilatados, com laminulas simples c lisas, juntas distaes comprimidas c um
tanto erguidas sobre as basacs; 27 laminulas sob a II c III phalangcs do 4.* digito
posterior. Membro posterior, trazido á frente, attingindo o ouvido. Cauda conico-
cylindrica, algo comprimida, cerca de 2 l/i vezes tão longa quanto o corpo, coberta
na base com escamas pequenas c lisas, tomando-sc maiores c carinadas para a
face inferior e para a ponta.
Coloração — Cinzento- azulado (azul esverdeado cm vida?), com innumcras
faixas transversaes escuras, margeadas de negro sobre a nuca, o dorso, os mem-
bros e a cauda. Região inter-orbitaria com 2 listas transversaes negras, separadas
por 1 azulada; focinho c face vcntral salpicados ou punctuados de negro; região
post-orbitaria com unta faixa negra longitudinal encontrando-se na nuca com a do
lado op posto.
Uololyfo — X. 432 ( 9 ), na collecção do Museu Paulista, colhido no Estado
do Espiiito Santo, Brasil, pelo sr. Ernesto Garbc, cm 1906.
Dimensões —
Comprimento total
da cabeça
I-argura
Comprimento da cauda
260 mm. Comprimento do corpo 75 mm.
22 mm. " membro anterior 30 mm.
12 mm. ” ” posterior 49 mm.
185 mm. ” tibia 16 mm.
Xota: .-1. transfasciatus parece affim de .1. ftisco-auratus d'Orbigny. 1837,
da qual facilmente se diífcrencia pela proporção das phalangcs do 4* digito poste-
rior, pela pholido c das regiões canthal c vcntral c pela coloração.
62
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Anolis garbei, sp. n.
(Figs. U7 — 18)
Definição — Habitus delgado. Corpo comprimido. Cabeça menos de 2 vezes
tão longa quanto larga e um pouco mais curta do que a tibia; fronte côncava;
rostral diminuta c baixa; narina lateral, situada no centro e abaixo de uma saliên-
cia na extremidade do focinho; escamas supra-cephalicas pequenas, asperas ate
irregularmente carinadas, em cerca de 12 filas entre as canthaes; semi-circulos
supra-orbitarios formados de 6 escamas augmentadas, asperas, separadas entre
si por 2 series de escamas menores; supra-orbitarias bastante augmentadas para
dentro e reduzidas para fóra, todas asperas ou uni-carinadas ; occipital desenvol-
vida e do tamanho do ouvido, separadas dos círculos supra-orbitarios por duas
filas de escamas. 5 canthaes asperas, augmentando para trás, 2 supra-ciliares cari-
nadas, a anterior maior; 5 series superpostas de frenaes asperas; 2-3 series de
escamas sub-oculares. 10 supra-labiaes, 8 até abaixo do meio da orbita; 11/12 infra-
labiaes; mental curta e bem larga com uma incisura posterior, escamas mentaes
maiores e carinadas no lado e granulosas e asperas no centro ; guiares asperas e eri-
çadas, especialmente sob o appendice guiar distincto. Dorso, flancos e ventre com
escamas granulares, asperas. juxta-postas, mais nitidas e desenvolvidas ao longo das
linhas medianas dorsal e ventral; 2 escamas post-anaes desenvolvidas. Membro
posterior, trazido á frente, attingindo a ponta do focinho. Expansões digitaes
pouco desenvolvidas. 16 laminulas sob as phalangcs II e III do 4.® digito poste-
rior; membros cobertos de escamas carinadas, maiores na face anterior do braço
c da coxa; cauda conico-cylindrica, coberta de escamas granulares na base. tor-
nando-se sub-imbricadas e carinadas para a ponta.
Coloração — Cinzento pardacento em cima e regularmente manchado ou estria-
do sobre o dorso e membros ; faixa inter-orbitaria escura apparcnte ; 1 faixa escura
desde a região post-orbitaria pelos flancos até a base da cauda. Face ventral ama-
rellaJa, manchada de castanho sobre os lados.
Holotypo — X.® 706 a ) . na collccção do Museu Paulista, colhido cm Monte
Christo, região do rio Tapajoz, Pará, Brasil, em 1905, pelo sr. Ernesto Garbc, a
cuja memória a especie é dedicada.
Dimensões —
Comprimento total
” da cabeça
Largura
Comprimento da cauda
55 mm. +n
10 mm.
6 mm.
16 mm. -:-n
Comprimento rostro-anal 38 mm.
membro anterior 16 mm.
” posterior 35 mm.
tibia 1 1 mm.
Nota: A presente espccie parece muito próxima de A. Icptoscelis Boulengcr,
1885 (da região do Alto Amazonas), de que se pode distinguir pela maior conti-
12
A. do Amaral — Lagartos do Brasil
G3
guidade da occipital com as supra-orbitarias, pelo menor numero de frenaes e pela
pbolidose do dorso e do ventre.
Gen. Norops Wagler
Norops marmorata, sp. n.
(Fi&s. 19 — 20)
Definição — Habitus delgado. Corpo sub-cylindrico, ligeiramente compri-
mido. desprovido de dobra ou crista dorso-nucal. Cabeça antes pequena, quasi 2
vezes tão longa quanto larga (13:7,5), mais longa do que a tibia (13:10) ; fronte
côncava, arestas frontaes curtas; escamas supra-ccphalicas pequenas, uni- ate tri-
carinadas, estendendo-se até a ponta do focinho c o rebordo oral anterior (rostral
ausente) ; narina lateral, próxima á ponta do focinho ; semi-circulos supra-orbita-
rios formados por escamas augmentadas c uni-carinadas, contíguos, ou separado:»
entre si por uma fila de minúsculas escamas; escamas supra-orbitarias também
augmentadas em 2-3 fileiras c uni-carinadas, separadas por 2-3 fileiras de grânulos
ásperos, das supra-dliares, cm numero de 5 cm 2 filas ; occipital um pouco maior
do que o ouvido, separada das supra-orbitarias por uma fileira de escamas; ouvido
antes pequeno, obliquamente clliptico; cantho rostral accentuado, formado por 3
escamas carinadas; 5 fileiras frenaes, carinadas; 6 supra-labiacs, carinadas, 4 até
abaixo do centro da orbita; 6 infra-labiacs, carinadas; escamas guiares granulares
c aspera. , augmentando para o lado c tomando-sc cscutiformes c carinadas junto
ás infra-labiacs; appcndicc guiar distincto ( $ ). Escamas cm 100-102 series cm
redor do corpo, asperas ou carinadas ; medio-dorsaes sub-imbricadas c carinadas e
diminuindo jxira os lados ; latcraes granularc» c asperas, augmentando jiara o ven-
tre; ventraes arredondadas c imbricadas, carinadas até sub-mucronadas. Membros
delgados, o posterior, trazido á frente, attingindo o ouvido; expansões digitacs
fracas, a junta distai não elevada sobre a penúltima; 12 laminulns «oh as phalan-
ges II c III do 4.® digito posterior. Poros ausentes. Cauda delgada, conico-cylin-
drica, 1 Zi vez tão longa quanto o corpo, coberta de escamas carinadas c imbri-
cadas, ligeiramente augmentadas inferiormente.
Coloração — Pardo-amarcllado cm cima, algo marmorado ou manchado dc
cinzento negro; fronte e occipicio c garganta com manchas ou maculas negras,
amarcllado claro na face vcntral.
Dimensões —
Comprimento total
124 mm.
Comprimento membro anterior 22 mm.
da cabeça
13 mm.
tt
’’ posterior 36 mm.
Largura ” ”
7,5 mm.
H
tibia 10 mm.
Comprimento rostro-anal
50 mm.
ff
cauda 74 mm.
13
2 3 4
5 6 7
^ _1_ J — I _l_l 1
11 12 13 14 15 16
64
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Holotypo — X.° 737 ( $ ), na collecção do Museu Paulista, colhido em Ja-
i; uara, rio Grande, Minas Geraes. pelo sr. Mathias Wackett, em 1902.
Nota: N. marmorata é bastante affim de X. aurata Daudin, 1802 e de -V.
sladcniac Boulenger, 1903 (typo de Chapada, Matto Grosso, Brasil), difíerindo
de aurata pela pholidose da cabeça e do corpo e pela coloração, e de sladcniac pelo
menor numero de labiaes, maior numero de escamas em redor do corpo e pela
coloração.
Gen. Garbesaura, g. n.
Diagnose — Genero de Iguanideo, com dentes pre-maxillares conicos; dentes
maxillares lateraes tricuspidos; dentes pterygoideos presentes. Digitos pentada-
ctylos; laminulas infra-digitaes distinctamente carinadas. Cabeça alta, desprovida
de saliência posterior; placa ocdpital pequena. Dobra transversa e appendice guia-
res ausentes. Poros anaes e femoraes ausentes. Costcllas abdominaes ausentes. Cor-
po algo comprimido. Escamas dorsaes pequenas, granulares, asperas ou ligeiramen-
te carinadas, juxta-postas ; crista dorsal ausente; escamas caudaes augmentando
para a extremidade e para a tace ventral, ligeiramente carinadas, sub-imbricadas ;
escamas ventraes algo maiores, sub-quadradas, distinctamente carinadas, sul>-imbri-
cadas. Cauda sub-conico-cylindrica.
Genero affim de Liolaemus Wiegmann. 1835 e de Proctotrctus D. & B.,
1837, distinguindo-se do primeiro, por possuir corpo comprimido c escamas dorsaes
juxta-postas ; c do segundo, por esses mesmos caracteres e por lhe não formarem
as escamas da serie vertebral uma saliência cristiforme.
Garbesaura garbei, sp. n.
(Fig. 21)
Definição — Orbitas elevadas, vertice exeavado; escamas supra-cephalicas
pequenas, granulares, asperas ou carinadas. Tympano distincto, de contornos quasi
lisos; canthus e rebordo supra-orbitario salientes, formados por escamas carina-
das; narinas lateraes, próximas da ponta do focinho; 11 supra-labiaes pequenas;
10 infra-labiaes igualmente pequenas. Dobra pre-humcral presente, sem se esten-
der até a garganta. Membro posterior trazido á frente, attingindo j>erto da narina.
Cauda quasi duas vezes tão longa quanto o corpo, afinando gradualmcnte, sub-
conica. ligeiramente comprimida na base.
Coloração — Corpo acinzentado em cima, com manchas obliquas lateraes de
cór parda-chocolate c centro claro; cabeça amarello-pardacenta, com varias estrias
anegradas, das quaes 3 longitudinacs sob o occipicio e 1 transversal entre as orbitas
passando sobre os olhos e bifurcando-se para baixo e para trás ; face ventral ama-
rellada, manchada de escuro na região guiar ; cauda c membros com manchas cas-
tanhas, sobretudo nitidas na face dorsal.
14
A. do Amaral — Lagartos do Brasil
65
Vinicnsões —
Comprimento total 140 mm. Comprimento membro anterior 28 mm.
da cabeça
18 mm.
99
99
posterior 48 mm.
Largura ” ”
12 mm.
»»
tibia
15 mm.
Comprimento rostro-anal
50 mm.
99
cauda
90 mm.
Holotypo — X.« 705 ( . ), na collecção do Museu Paulista, colhido cm Monte
Chriito, Tapajoz, Para, Brasil, pelo eximio naturalista-viajante daquclle Museu,
sr. Ernesto Garbe, á cuja memória o presente genero e espccic são dedicados.
Gen. Tapinurus, g. n.
Diagnose — Genero de Iguanideo, de corpo bastante deprimido, sem signal
siquer de crista dorsal. Dentes lateraes tricuspidos ou bicuspidos, os anteriores
ligeiramente augmentados. Fontanclla cstemal grande. Costcllas abdominaes au-
sentes. Escamas dorsacs pequenas, uniformes, imbricadas c lisas: lateraes um
pouco menores e cspinulosas ; ventraes pequenas, um pouco maiores do que as dor-
sacs, imbricadas c lisas. Tympano distincto. Escamas supra-ccphalicas desenvolvi-
das e chatas ; occipital muito grande. Dobras ccrvico-humeral c dorso-lateral bem
nitidas: saco guiar ausente. Digitos comprimidos, com laminulas carinadas iníerior-
mente. Poros íemoraes ou pre-anacs ausentes. Cauda longa, bastante deprimida
na base, com escamas pequenas, lisas na face superior c inferior da base c toman-
do-se gradualmcntc granulosas ate cspino-serrulares para os lados e jura a extre-
midade da cauda.
Genero proximo a Tropidurus Wicd, 1825 c Strobilurus Wicgmann. 1834,
dos quacs se distingue principalmente pelo typo da pholidose dorsal c caudal.
Tapinurus scutipunctatus, sp. n.
(Figs. 22-25)
Definição — Foanho curto, narina pequena, no centro de uma nasal dorso-
lateral; escamas supra -cephalicas com pequenas depressões marginacs; uma serie
de cerca de 5 a 7 supra-oeulares transvcrsalmentc augmentadas, metade tão largas
quanto a região supra-ocular e separadas das supra-orbitarias por 3 ou 4 filas de
escamas e das do lado oposto por 2 series de escamas, alem de 2 outras series for-
mando os drculos supra-ocularcs; occipital quasi tão longa quanto larga c tão
grande quanto a região supra-ocular ; temporaes granulares e aspiras ; supra-orbita-
rias estreitas, alongadas e cortantes; 1 grande infra-orbitaria com uma borda sujie-
rior cortante; 5 supra-labiaes e 7 infra-labiacs ; ouvido tão grande quanto o olho,
com o rebordo anterior coberto por uma serie de escamas eriçadas. Dobra ccrvico-
humeral anterior estendida mais ou menos através da garganta, a posterior prolon-
gada para cima e para tris, em curva em volta da espadua e ao longo de cada
66
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
flanco, até a base do membro posterior. Membro posterior, trazido para a frente,
attingindo entre o olho e o ouvido. Membro anterior coberto de escamas carinadas
em cima; posterior com escamas granulosas até espinulosas em cima e prind-
pal mente nas vizinhanças dos digitos.
Coloração — Pardo-acinzentado no dorso, manchado de amarello e com uma
faixa cinzento-amarellada desde o fodnho, alargando-se e bifurcando-se perto da
base da cauda ; ventre branco-amarellado com marmorações cinzentas sob a cabeça
e o peito.
Holotypo — X.° 666 ( Ç ), na collecção do Museu Paulista, colhido em Villa
Nora, Bahia, Brasil, em 1908, pelo sr. Ernesto Garbe.
Paratypos — Todos obtidos na mesma localidade e epoca pelo mesmo collec-
donador: N.* 666. A ( d* ), N.° 666.B ( d* ), N. # 666.C ( 9 ), X." 666.D ( O ),
N.° 666.E (Ç ), N.° 413 ( 9 ), N* 413.A ( . ). Variações: 5-6 supra-labiaes ;
7-8 infra-labiaes.
Dimensões em mm. :
Compr.
total
Compr.
corpo
Compr.
cauda
Compr.
cabeça
Larg.
cabeça
Compr.
m.
anterior
Compr.
m.
posterior
N* 666 ... .
235
80
155
20
15
37
55
N.* 666. A. . .
130
45
85
12
9
22
31
N.° 666. B. . .
152
53
99
13
9,5
24
38
N* 666. C. . .
110 + n
53
mutilada
13
9.5
24
37
N.* 666. D. . .
190
70
120
17
12.5
34
51
N* 666. E. . .
120
39
81
11
7
20
29
N.* 413 ... .
152
55
97
14
10
24
39
N* 413. A. . .
178
60
118
15
11
27
40
Fam. TEIIDAE
Gcn. Arthroseps Boulenger
Baseado num exemplar procedente de Blumenau, Santa Catharina, Boulen-
ger, em 1898 (Proc. Zool. Soc. :920-921, pl. IV :3), descreveu um novo genero de
Teiidco, que denomina Arthroseps com a espede werneri. Esse genero ficara mo-
notypico até agora. Na collecção de saurios do Museu PaulLta, todavia, encontrei
um pequena lagarto que, pelos caracteres geraes. deve pertencer ao genero Arthro-
seps, distinguindo-se da especie tcenieri por certas importantes particularidades
da pholidose. Por isso, aqui vai descripto:
16
JSciELO
A. do Amaral. — Lagartos do Iirasil
67
Arthroseps fluminensis, sp. n.
(Figs. 26 - 30)
Definição — Pequeno Teiideo, com membros pentadactylos, ouvido exposto
e tympano superficial, papillas linguaes esquamiformes e imbricadas, palpebra
inferior com um disco transparente formado por 2 escamas, cauda conico-cylin-
drica, Fronto-nasal bem desenvolvida, separando as nasaes. Pre-frontaes duplas;
frontal alongada; fronto-parietaes duplas, pouco maiores do que as preírontacs;
mter-parietal e as 2 parietaes grandes e sub-iguaes ; occipitaes pequenas, dispostas
cm 1 par de cada lado e uma impar mediana; 4 supra-oeulares, as 3 posteriores
dispostas transversalmente, a anterior, longitudinalmcnte ; nasal inteira, com a
narina ao centro; 1 frenal e 1 freno-orbitaria; 6/7 supra-labiaes ; 5 infra-labiacs;
mentaes — 1 impar mediana, anterior, seguida de 3 pares, os 2 anteriores contí-
guos, o posterior separado por 1 par de placas guiares; escamas guiares cm 5
filas longitudinaes ; 5 collarcs em 1 fila, ligeiramente alongadas. Escamas dorsacs
hexagonacs, fortemente carinadas, dispostas apenas cm series transversaes, em 31
filas do occipicio ao sacro; latcracs semelhantes ás dorsacs, mas quasi lisas; ven-
tracs hexagonaes, lisas e dispostas cm 8 filas transvcrsalmentc c 20 longitudinal-
mente; 28 filas de escamas cm redor do meio do corpo; pre-anaes 3, muito alon-
gadas ; poros femoraes ou pre-anaes aurentes.
Coloração — Pardacento superiormente, com o centro de todas as escamas
mais claro; claro amarcllado. sem manchas, inferiormente.
Dimensões —
Comprimento total
da cabeça
Largura ” ”
Comprimento rostro-anal
83 mm. Comprimento membro anterior 6 mm.
7 mm. ” " posterior 8 mm.
3,5 mm. ” tibia 3 mm.
40 mm. ” cauda 43 mm.
Holotypo — N. # SOO, na collccção do Museu Paulista, colhido na Serra de
Macahé, estado do Rio de Janeiro, Brasil, cm fevereiro de 1900, pelo sr. Ernesto
Garbe.
Gen. Elaphrosaura, g. n.
Diarjnosc — Gcncro de Teiideo. com membros pentadactylos ; tympano visí-
vel (ouvido exposto) ; placas nasaes bem serradas pela fronto-nasal ; pre-fronta^s
duplas. Papillas linguaes esquamiformes c imbricadas. Cauda conico-cylindrica.
Escamas dorsaes grandes, quadrangularcs, carinadas, dispostas apenas em series
transversaes; escamas latcracs pequenas c irregulares; ventraes quadrangularcs,
lisas, dispostas em series longitudinaes c transversaes largas, as 2 medianas estrei-
tas. Dobra collar ausente. Poros femoraes ausentes (?).
17
2 3 4
5 6 7
_1_ J — I _l_l 1
11 12 13 14 15 16
68
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Genero affim de Euspondylus Tschudi. 1845 e Placosonui Tschudi. 1847, dos
quaes se distingue com facilidade, respectivamente, pela ausência de dobra collar e
pela disposição das placas ventraes.
Elaphrosaura spitzi, sp. n.
(Figs. 31— 35)
Definição — Habitus delgado ; corpo deprimido ; focinho alongado e saliente.
Rostral arredondada e larga; íronto-nasal mais longa do que larga; pre-frontaes
bem em contacto sobre a linha mediana ; frontal alongada, estreita ; fronto-parietaes
duplas, pequenas; inter-parietal grande, algo menor do que as parietaes: occipi-
taes duplas, grandes; supra-oculares 5, as 3 medianas bem desenvolvidas; nasal
alongada, com a narina na parte anterior; frenal alta; temporaes maiores em cima
do que em baixo ; 4/5 supra-labiaes ; 5 infra-labiaes ; mentaes grandes. 1 anterior
e 3 pares (+1 anômala), o ultimo par separado por escamas; guiares, primeiro
irregulares e, depois, em 9 filas dispostas longitudinalmente; escamas da fila collar
algo maiores. Dorsaes em 36 filas do occipicio á base da C3uda; ventraes em 8
filas transvcrsalmcnte (as 2 medianas mais estreitas), e em 24 filas longitudinal-
mente; 30 filas de escamas em volta do meio do corpo. Placas pre-anaes em 2
filas, 3 na anterior e 5 na posterior, a mediana da anterior e as 2 para-medianas
da posterior maiores. Cauda ligeiramente deprimida, coberta de escamas seme-
lhantes ás do corpo.
Coloração — Pardacenta com uma faixa escura em cada flanco e uma dorsal
mediana, descontinua, sobre a cauda ; cabeça manchada de escuro sobre as orbitas,
o occipicio c a nuca e com uma larga faixa post-orbitaria, margeada de branco,
cm baixo c fundida, para trás, com a faixa de cada flanco: face ventral amarcllada,
salpicada de castanho.
Dimensões —
Comprimento total
da cabeça
Largura
Comprimento rostro-anal
55 mm. + n Comprimento membro anterior 8 mm.
11 mm. ” ” posterior 11 mm.
4,5 mm. ” tibia 3 mm.
34 mm. ” cauda (mutilada)
Holotyfo — X.° 762 ( o )> na collecção do Museu Paulista, colhido em Alto
da Serra (serra de Cubatão), S. Paulo, Brasil, em março de 1925, pelo prepara-
dor daquelle Museu. sr. Roberto Spitz, a quem a especie é dedicada.
Gen. Anotosaura, g. n.
Diagnose — Genero de Teiideo desprovido de ouvido apparente ; narina bem
no centro de uma nasal inteira; palpebra inferior com um disco inteiro e trans-
18
A. do Amaral — Lagartos do Brasil
69
parente. Fronto-nasal e prefrontaes presentes; fronto-parietaes ausentes. Corpo c
cauda alongados, vcrmiíormes. Membros curtos, pentadactylos ; dígitos todos un-
gulados. Escamas dorsaes sub-hexagonacs. lisas, dispostas apenas em series trans-
versaes; ventraes quadranguhres, dispostas em series transversacs e longitudi-
nacs. Dobra collar presente. Poros femoraes e pre-anaes presentes.
Gencro aí fim de Scolecosaurus Boulenger, 1885 e Hcterodactylvs Spix, 1825.
dos quaes se distingue facilmente pelos caracteres digitaes e nasacs.
Anotosaura collaris, sp. n.
(Figs. 36 - 40)
Definição — Cabeça ligeiramente deprimida; fronto-nasal heptagonal, mais
brga do que longa; 1 par de pre-frontacs pequenas, contiguas entre si; frontal
heptagonal, mais longa do que larga, contigua ás supra-oculares cm numero dc 3,
a mais anterior contigua á prc-frontal c f renal ; intcr-parietal estreita, alongada,
de bordos lateracs curvos c muito menor do que as 2 parictacs; occipitacs ausen-
tes; nasal mais longa do que alta. com a narina no centro; frcnal mais alta do
que longa; 2 pequenas supra -orbitarias ; 2 iníra-orhitarias estreitas, contiguas ás
3.*, 4.* c 5* supra-labiaes ; temporaes desenvolvidas; 6 supra-labiaes ; 5 infra-
labiacs; mental anterior impar, heptagonal, seguida dc 3 pares, todos contíguos so-
bre a linha mediana, o 3* chegando ao labio, de cada lado, entre a 4* c a 5.* infra-
labiaes c seguido, para o meio, por 1 par de guiares desenvolvidas; placas guiares
um tanto augmentadas mcsialmcntc, cm 4 filas longitudinacs ; fila collar mais
longa; 23 series dc escamas cm redor do meio do corpo; dorsaes c lateracs sub-
hexagonacs c em 25 filas transversalmcnte ; ventraes sul>-quadradas cm 8 filas
longitudinalmcntc e IS transversalmcnte; 2 pares dc placas peitoraes distinctas;
9 placas pre-anaes, cm 2 fibs; 4 na anterior c 5 na posterior, a mediana menor
dc todas. 2 poros femoraes dc cada lado c 4 pre-anaes. Cauda conico-cylindrica,
terminada cm ponta, coberta por escamas com os caracteres das correspondentes
dorsaes c ventraes.
Coloração — Pardo-acinzentado cm rima levemente estrbdo dc castanho, com
uma faixa lateral mais escura, tarjada dc claro cm rima.
Dimensões —
Comprimento total 75 mm. Comprimento rostro-anal 37 mm.
da cabeça 6 mm. ” membro anterior 5 mm.
Largura ” " 4,5 mm. ” ” posterior 9 mm.
” cauda 38 mm.
Hololyfo — X.® 788, na collecção do Museu Paulista, colhido cm Villa Nova,
Bahia, Brasil, em 1908, pelo sr. Ernesto Garbc.
70
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Gcn. Colobodaetylus, g. n.
Diagnose — Genero de Teiideo, perfeitamente intermediário a Hcleroda-
ctylus Spix, 1825 e Colobosaura Boulenger, 1887 : narina situada entre a nasal
e a 1* supra-labial, ouvido exposto, digitos bem desenvolvidos, excepto o dedo
interno que é tubercular (mão tetradactyla), palpebras desenvolvidas, a infe-
rior com 1 disco inteiro trasparente ; escamas dorsaes hexagonacs e lanceola-
das, carinadas e imbricadas em series transversaes ; ventraes maiores, arredon-
dadas ou sub-quadradas, lisas e dispostas em series longitudinacs e transver-
saes. Dobra collar ausente. Cauda conico-cylindrica. Poros femoraes presentes
em ambos os sexos.
Colobodaetylus taunayi, sp. n.
(Figs. 41 — 45)
Definição — Fronto-nasal bem grande, hexagonal; prefrontaes ausentes;
frontal bem desenvolvida, sub-pentagonal ; fronto-parictaes pares, sub-hexago-
naes; parietaes irregularmente hexagonaes, tão grandes quanto a fronto-nasal e 2
vezes tão largas quanto a inter-parietal sub-hexagonal ; 2 pares de occipitaes dis-
postas transversalmente e separadas por um escudo azygo ; 3 supra-oculares, a me-
diana maior ; nasal 2 yí vezes tão longa, quando alta, com a narina na parte ante-
rior; frenal pequena, sub-trianguiar ; 2 temporaes desenvolvidas; 2 supra-orbita-
rias, 5 supra-labiaes e 5 infra-labiaes; mental anterior impar, heptagonal, seguida
de 2 pares contíguos de escudos mentaes e de 1 par mediano de grandes escamas
guiares; dobra guiar ausente, escamas guiares (inclusive serie collar) em 6 filas
de escamas dispostas transversalmente mais ou menos em 2 filas; escudos peito-
raes alongados, em 5 filas. Escamas dorsaes e caudaes estreitas, hexagonaes lan-
ccoladas, carinadas c imbricadas, formando series transversaes; dorsaes cm 31
filas transversalmente; ventraes arredondadas até sub-quadradas, imbricadas, lisas,
cm 21 filas transversaes c 4 tilas longitudinaes. Mão tetradactyla, dedo interno
reduzido a um simples tubérculo ; pé pentadactylo, digitos todos ungueados. 4 pre-
anacs, 1 anterior mediana c 3 posteriores; 8 poros femoraes ( c? ).
Coloração — Pardacento claro cm cima e escuro nos lados: 11 fileiras medio-
dorsaes amarelladas c 8 lateraes ou para-ventraes, de cada lado, de cor castanha,
salpicada de preto, estendendo-se pela região temporal e ocular até o lado do foci-
nho. Face ventral amarellada e clara, salpicada de preto.
Holotyfo — X.° 787 ( ' ), na collccção no Museu Paulista, procedente de
Iguapc, S. Paulo, Brasil.
Paratypos — N.° 793 ( o ). na collecção do Museu Paulista, oriundo da col-
lecção Bicego e colhido em S. Bernardo, S. Paulo, Brasil.
20
A. do Amaral — Lagartos do Brasil
71
X* 789. B ( I ), na collccção do Museu Paulista, colhido em Ypiranga, S
Paulo, Brasil, pelo sr. H. Luedcnvaldt, assistente daquellc museu.
X* 803 ( Ç ), na collecção do Museu Paulista, com a indicação de Brasil,
como procedência.
Estes 2 exemplares O O apresentam apenas 2 poros femoraes, collocados
distalmcnte. e o colorido menos intenso do que os £ q .
Dimensões —
X.® 787 — Compr. total .
205 mm.
Compr. membro anterior.
10 mm.
” rostro-anal
50 mm.
” membro posterior
18 mm.
” da cabeça.
1 1 mm.
” cauda ....
155 mm.
Largura da cabeça
7 mm.
X.® 793 — Compr. total . .
205 mm.
Compr. membro anterior.
10 mm.
” rostro-anal
50 mm.
” membro posterior
18 mm.
” da cabeça.
1 1 mm.
” cauda ....
155 mm.
largura da ca!>eça
7 mm.
X.® 789.B — Compr. total 150mm.-f-n.
Compr. membro anterior.
10 mm.
” rostral-anal
65 mm.
” membro posterior
1 7 mm.
da cabeça.
12 mm.
” cauda (reproduzida)
I -argura da cabeça
7,5 mm.
X.® 803 — Compr. total . .
120 mm.
Compr. membro anterior.
8 mm.
” rostro-anal
39 mm.
” membro posterior
12 mm.
” da cabeça.
7 mm.
” cauda ....
81 mm.
I -argura da cabeça
5 mm.
Nota: A presente cspecic c dedicada ao director do Museu Paulista, prol.
A. d'E. Taunay, que teve a gentileza de pòr á minha disposição, para estudo, a
collccçao de lacertilios daquellc estabelecimento.
Gen. Colobosaura Bolxenger
O gcncro Colobosaura Boulengcr, 1887 era, até agora, conhecido apenas pela
cspecic typica, C. modesta (R. & L.), cuja descripção no Catalogo do Museu Bri-
tannico (vol. II. pag. 423) sc baseara cm um unico exemplar Ç , precedente de
“Morro de Garza” (sic). Brasil.
A meu ver, os caracteres difíercnciaes attribuidos por seu auctor á cspecic
C, kraepelin (Wcmcr, 1910), baseada cm um exemplar o* » representam apenas
o dimorphismo sexual de C. modesta (R. & L.), dcvcndo-sc considerar o gcncro
monotypico até o presente.
21
2 3 4
5 6 7
^ _ 1 _ J 1 1
11 12 13 14 15 16
72
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
Colobosaura mentalis, sp. n.
(Figs. 46 — 50)
Definição — Corpo alongado e deprimido. Focinho sub-truncado. Palpebras
desenvolvidas, a inferior formada de uma escama transparente. Ouvido exposto,
tympano profundo. Fronto-nasal grande, 1 Yz vez tão larga quanto longa. Pre-
frontaes e fronto-parietaes duplas e pentagonaes. Inter-parietal sub-hexagonal e
estreita, tão longa quanto as parietaes largas. Algumas occipitaes ligeiramente
augmentadas; supra-oculares 3. mediana maior; nasal 2 vezes tão longa quanto
alta, com a narina próxima á borda inferior; f renal tão alta quanto longa; 3 supra-
orbitarias; temporaes superiores augmentadas; 3 infra-orbitarias separando a
orbita das 3 supra-labiaes medianas; 5 supra-labiaes e 5 infra-labiaes ; mental ante-
rior 2 vezes tão larga quanto longa ; 3 pares de mentaes posteriores contíguos e
seguidos, sobre a linha mediana, de 1 par de guiares grandes e de 1 par de peque-
nas e, em seguida, por 7 filas de escamas guiares augmentando para trás ; 5 colla-
res ; 5 peitoraes, a mediana pontuda posteriormente. Escamas nucaes algo desen-
volvidas, em 2. 1, ou 3 filas transversaes, todas lisas; 26 filas de escamas cm redor
do meio do corpo ; dorsaes e caudaes hexagonaes lanceoladas, ligeiramente carina-
das, imbricadas, dispostas em series transversaes ; lateraes sub-arredondadas, lisas ;
ventraes sub-quadradas. lisas, em 4 filas longitudinaes e 18 transversaes. Membros
pentadactylos : o anterior coberto de escamas lisas cm baixo do braço e de placas
também lisas em todo o resto; o posterior coberto de escamas na face supero-
posterior c de placas na face antero-inferior, as 2 ultimas filas de placas c de esca-
mas contíguas na aresta superior e carinadas; dedo anterior interno sem unha;
4 pre-anaes: 2 pequenas sobre a linha mediana e 2 grandes lateraes; 8 poros fe-
inoracs ( q ).
Coloração — Dorso pardo, pintado de preto e branco nos lados; cabeça e
nuca com uma faixa longitudinal pardacenta, tarjada de negro e gradualmente
dcsapparccendo na região dorsal; face inferior amarellada, com alguns pingos
pretos sobre a base das escamas.
Holotypo — N'.° 788. A (c*)« 113 collcçção do Museu Paulista, colhido em
Villa Nova, Bahia, Brasil, em 1908, pelo sr. Ernesto Garbe.
Allotyfo — N.° 788. B ( Ç ), na collecção do Museu Paulista, colhido igual-
mente em Villa Nova, pelo mesmo naturalista viajante.
O dimorphismo sexual é representado na femea pela ausenda de poros íemo-
racs, pela sub-divisão em 2 de cada uma das grandes placas pre-anaes lateraes
(ao todo 6), pelo maior numero de filas transversaes de placas abdominaes (21
em vez de 18) e pelo colorido mais daro, prinripalmente no ventre, que parece
desprovido de pingos pretos.
cm
SciELO
D 11 12 13 14 15 16
A. do Amaral — Lagartos do Brasil
73
Dimensões —
Holotyfo: Compr.
total
170 mm.
Compf. rostro-anal
51 mm.
99
cabeça
11 mm.
cauda
119 mm.
Largura
9*
17 mm.
membro anterior
10 mm.
posterior
18 mm.
Allotypo: Compr.
total
110 mm.
Compr. rostro-anal
59 mm.
>9
cabeça
11 mm.
cauda (reproduzida)
Largura
99
7 mm.
membro anterior
11 mm.
posterior
17 mm.
Xota: A especie C. mentaiis, baseada cm 1 e 1 ? , embora aííim dc
C. modesta (R. & L.), delia se distingue pelo numero de placas guiares, pela ir-
regularidade das nucaes c pelo colorido.
Gen. üymnophthalmus Merrkm
(iymnophthalmus multiscutatus, sp. n
(Figs. 51 - 55)
Definição — Pcqttcno Tciideo. dc aspecto semelhante a G. lineal us (L.).
Kronto-nasal grande, pentagonal, mais larga do que longa; prcfrontacs contíguas
entre si; frontal pequena c estreita, pentagonal; íronto-parictaes ausentes; pa-
rietaes grandes, mais largas do que longas; intcr-parictal grande c polygonal,
mais longa do que larga c do que as parictacs; 2 supra-ocularcs, anterior muito
grande, posterior transversal ; 3 supra-orbitarias, posterior pequena; nasal alon-
gada, com a narina bem ao centro; 1 í renal c 1 freno-orbitaria; 5 supra-labiacs c
5 iníra-labiaes; mental anterior impar, 2 vezes tão larga quanto longa; 3 pares
de mentaes posteriores, contíguas; escamas guiares em 10 filas, augmentando dc
tamanho para trás c para o meio. Escamas todas lisas, cm 15 iilas ao redor do
meio do corpo (11 dorsaes e 4 ventraes), cm 38 filas do occipicio á base da
cauda c 28 filas da região collar á prc-anal. 6 poros íemoraes dc cada lado.
Cauda conico-cylindrica, ponteaguda, coberta dc escamas polygonacs, lisas.
Coloração — Pardacenta em cima, com o centro das escamas linearmente
mais claro e formando 10 estrias longitudinaes ; amarcllo-csbranquiçada, unifor-
me, cm baixo.
Xota : Especie affim de C. lineatus ( Linneu. 1758), dc que se distingue
facilmente pela escutellação cephalica. numero dc poros femoraes c coloração.
Holotyfo — N* 448. A ( ), na collccção do Museu Paulista, colhido em
\ illa Nova, Bahia, Brasil, cm 1908, pelo sr. Entesto Garbc.
74
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Dimensões —
Compr. total 92 mm.
” rostro-anal 34 mm.
” cabeça 7 mm.
Larg. ” 4,5 mm.
Compr. m. anterior
” posterior
” cauda
6 mm.
11 mm.
58 mm.
ABSTRACT
In the course of a revisionary study of the lizards in the collection of the
Museu Paulista, São Paulo, Brazil, the following forms have been found which
deem to be ne\v to science :
Amphisbaena brachyura, sp. n.; A. albissima, sp. n. ; Gonatodcs spimtlosus,
sp. n. ; Gymnodactylus conspicuus, sp. n. ; Anolis nasofronlalis, sp. n. ; A. pseudo-
tigrinus, sp. n.; A. transfasciatus, sp. n.; A. garbei, sp. n. ; Norops marmorata,
sp. n.; Garbcsaura garbei, g. n., sp. n.; Tapinurus scutipunctatus, g. n., sp. n. ;
Arthroscps fluminensis, sp. n. ; Elaphrosaura spitzi, g. n., sp. n. ; Anotosaura col-
laris, g. n., sp. n. ; Colobodactylus taumyi, g. n., sp. n. ; Colobosaura mentalis, sp.
n. ; Gymnophthalmus multiscutatus, sp. n..
(Trabalho da Secção d© Ophiologia © Zoologia Medica
do Instituto Butantan, terminado em Junho de 1932).
24
cm
FljC». 1!. 12 — A««lii niMÍrMlati*. n.
Fisv IX H — Antlii pMadtliirinif, «p. n.
Fie*. IS, 16 — An«IU t ran«fa«riat n«. »p. n.
Fie». 17, IS — Arolif nrk«i, »p. n.
Mftn. In*t. BulanUuf
Vol. VII. V.'X2
A. do Amaral — Larjarlos do Rrasil
Fijt*. 19. 20 N or«p • mirmvnta. *p. n.
FljC- 21 — • Garbvtavn tarbti. pro. n-, ap. n.
Pipa. 22-2i — Tapinaraa ar>Ilp>atUlia, pao. n., »p. n.
A. do Amaral
Mrm. In»t. Hutantan
— Lajarlns do fíraül
VoJ. VII, 1932
cm
A. do Amabal
^ V*t»"
— Lagartos do fírasil
31-35
ArtHr»«*p«
Kliphmafli
itaminvfi«i«. ip. n.
■ apitai, pm. n.. *p. n.
Mrni. Inot. Butantan
VrfT VII. 1932
Hpv.
Flp*.
cm
A. bo Amarai. — l.Wjurlos do Rrcsil
Fl#v .V- |n — An«io«tara
Fim. II-IS — CaUbodarty
Mfm. Iiul. Ilutantati
Vol. VII, 1932
Km. n., »p. n.
taanatí. grti. n.. »p. n.
SciELQ
11 12 13
15 16
Mrm. In»f. Ilu!antan
A. do Amaral — Lagartos do fírasil
Vol. VII. 1032
Fl*u — C«l»b*«avra mrntalU. %p. n.
Fitv jl'*i — (ir»MpkUlMi« nilli«r«talii.
7 SCÍEL0, 1:l 12 13 14 15 16 17
NOTAS SOBRE CHROMATISMO DE OPHIDIOS
POR
AFRAXIO do AMARAL
( com 1 trickromís t 20 gravuras no texto)
2 3 4
5 6
11 12 13 14 15 16
S91.157 :59S.121
NOTAS SOBRE CHROMATISMO DE OPHIDIOS
I. Primeiro caso de erythrismo em serpente, observado no Brasil
POR
AFRANIO do AMARAL
Apesar do avultado numero de serpentes vivas que o Instituto Butantan re-
cebe de toda a região centro-meridional do Brasil c ás vezes da região septentrio-
nal, os casos de variação profunda de colorido dos exemplares são relativamentc
raros. Ainda no anno de 1931, o Instituto recebeu 22.310 exemplares vivos de
serpentes, o que constitue um novo rccord. por signal superior, cm quasi 4.000
cspccimcs, ao observado em 1929, o qual por si só já representava um resultado
sobrcnjancira apreciável da intensiva campanha anti-ophidica desenvolvida por
Butantan nas zonas raracs. Pois l>em. em 1931 apenas poucos exemplares chama-
vam a attenção pelo grau da variação chromatica. Alguns destes estão incluídos
no grupo corrcsjwndcnte a alterações no typo de manchas c versado na nota se-
guinte (II). O ultimo, objecto do presente estudo, corresponde a uma interessante
anomalia do pigmento cm cobra coral.
Sob o nome de “cobras coracs”. conforme já mostrei em publicação recen-
te (1), se definem no interior do Brasil as seguintes cspccics:
t — Familia dos AXILIDEOS:
a) Cobra rudimentar, de vida aquatica (coral dagua) :
1 . AitUius scylale Bacia do Amazonas
II — Familia dos COLUBRIDEOS:
A. Serie áglypha (sem presas inoculadoras)
a) Cobras não venenosas, de vida aquatica (coracs dagua):
2. Urothcca clapoidcs curyzona . Bacia do Amazonas
3. Hydrops triangularis martii . Bacia do Amazonas
3
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
b) Cobras não venenosas, de vida terrestre (coraes falsas) :
Lystrophis semicinctus
Lciosophis bicinctus .
Simophis rhinostoma .
Atractus elaps
Atractus latifrons
Matto Grosso
Bacia do Amazonas e
Paraguay
Zona centro-meridional
Zona equatorial
Zona equatorial
Serie opisthóglypha (com presas posteriores, rudimentares)
Cobras não venenosas, de vida terrestre
(coraes falsas) :
10.
Pscudoboa rhombifera .
Todo o país
9.
Pscudoboa trigemina . .
Zona meridional e <
tro-occidental
11.
Pscudoboa formosa formosa
Zona centro-oriental
12.
Erythrolamprus acsculapii .
Todo o país
13.
Elapomorphus tricolor .
Zona sul-occidental
cen-
III
Familia dos ELAPIDEOS
C.
a)
Serie proteróglypha (com presas anteriores, chanfradas)
Cobras venenosas, de vida terrestre (coraes verdadeiras) :
14.
Micrurus buckícyi
Amazônia
15.
Micrurus psychcs (= corallinus)
Todo o pais
16.
Micrurus decoratus .
Serra do Mar
17.
Micrurus fischcri ....
Serra da Bocaina
18.
Micrurus frontalis
Zona meridional
19.
Micrurus hcmprichii .
Amazônia
20.
Micrurus lemniscatus
Zona tropical cm geral
21.
Micrurus spixii ....
Amazônia
22.
Micrurus surinamensis .
Zona equatorial
23.
Micrurus filiformis .
Zona equatorial#
A’ luz das observações por mim até agora realizadas parece que a especie
Pscudoboa trigemina (D. & B.) é de todas as coraes a mais sujeita a variações
chromaticas. talvez por ser a mais commum e espalhada. Já estudei alhures (2) um
caso, talvez o primeiro registado em nossa literatura scientifica, de albinismo nesta
especie, mostrando que no exemplar correspondente não existia, nem mesmo nos
olhos, a melanina. que cm indivíduos normaes representa cerca de 1/5 do pigmen-
to total.
O exemplar agora estudado talvez seja ainda mais curioso, porque nelle não
se encontrava o minimo traço de xanthina, que normalmente constitue cerca de 2/5
da pigmentação da referida especie Pscudoboa trigemina.
cm
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D 11 12 13 14 15 16
A. do Amaral — Erythrismo em serpente 79
O exemplar incriminado de erythrismo e cuja gravura (Fig.) illustra esta
nota, é um * , Xo. 5890 na collccção do Instituto Butantan, capturado pelo sr.
Edgard de Mello Borges, na localidade Monte Azul, S. Paulo e recebido vivo em
Butantan no dia 8 de abril de 1931. Seus caracteres morphologicos principaes são
os seguintes: temporacs 2 -f- 3; supralabiacs 8. 4.* c 5.* contíguas á orbita; intra-
labiaes 5/4 contíguas ás mentaes anteriores; escamas dorsacs em 19 series; es-
cudos ventraes 199; anal inteira; subcaudacs 86 pares.
Seus caracteres chromaticos mais importantes consistem na ausência completa
dos anéis amarellados intermediários do dorso e sua completa substituição por
aneis vermelhos; na presença de 16 grupos dorsacs de ancis pretos triplos inter-
calados de outros vermelhos duplos c todos interrompidos no ventre, cujo colorido,
ao invés de ser amarcllo claro, é virtualmcntc todo vermelho.
A conservação do colorido desse exemplar após a morte tem sido sobremodo
difficultada pela extrema solubilidade do seu pigmento predominante (crythrina)
em quaesquer liquidos com base de glyccrina ou álcool.
Comprimento total 900 mm.; cauda 195 mm..
ABSTRACT
A very interesting case of erythrism is dcscribed as Inirne by a spccimcn oí
Pseudoboa trigen-.ina (D. & B.), its predominam pigment (crythrin) l>cing extre-
niely solublc in any presrrvativc solution conlaining cither glyccrin or cthyl al-
cohol.
BIBLIOGRAPHIA
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cm
SciELO
3 11 12 13 14 15 16
591.157:593.1X1-122
NOTAS SOBRE CHROMATISMO DE OPHIDIOS
II. Casos de variação de colorido de certas serpentes
POR
AFRAXIO do AMARAL
Em outra nota sobre erythrismo em coral, mostrei que. apesar do numero
avultado de ophidios vivos que recebe o Instituto Butantan. só muito raramente
conseguimos registar variações intensas entre os capturados em toda a região cen-
tro-meridional do Brasil. Esta raridade de variação indica talvez que. cm nosso ter-
ritório, a ordem dos ophidios é representada por formas mais ou menos estabiliza-
das ontogcneticamcnte c isto explicaria também a extrema raridade de al>crraçõcs
phylogencticas.
Naquclla nota mostrei que cm 1931, alem de um caso de erythrismo cm co-
bra coral, só recebémos alguns outros exemplares de coloração anómala. Addicio-
nando esses esjecimcs. recebidos em 1931, a outros recebidos cm outros annos,
conseguimos perfazer o total de 22 novos exemplos de anomalia do typo das
manchas dorsaes de serpentes brasileiras.
As espeeies portadoras dessas variações foram as seguintes:
a) Simophis r hinos toma (Scklegel)
Na ordem systcmatica, a primeira cspecic a ser assignalada como [>ort adora
de variação no colorido c esta representante das coracs não venenosas.
Exemplar recebido da região de Cotia. S. Paulo.
O colorido typico do dorso dessa cspecic consiste cm um fundo vermelho,
salpicado de preto (sobre a ponta das escamas), com algumas tríadas dc anéis
negros com os dois ancis intercalares da cor do fundo (vermelhos), nus l>cm
pintados de negro.
O exemplar ora registado apresenta sobre o dorso apenas tres tríadas dc
ancis perfeitos, duas tríadas de aneis imperfeitos c cinco manchas latcracs com
o colorido e formação dos aneis correspondentes (Fig. 1). á semelhança do que
82
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
occorre em certos indivíduos de Lampropcltis viicropholis Cope, procedentes da
região Occidental da Colombia e do Equador.
Os principaes caracteres desse exemplar são os seguintes: X. c 7532, adulto,
9 , SpL. S, E. dors. 15, V. TS3, SbC. 54 p. -f n.
b) Pscudoboa pctola (L.)
Exemplares — 2, ambos recebidos da região de Corumbá, Matto Grosso.
Conforme mostrei em trabalho anterior (1),- o colorido typico de exemplares
desta especie procedentes do sul de Matto Grosso consiste principalmente na pre-
sença de estreitas faixas ou manchas transversaes amarelladas, interrompidas ás
vezes sobre a linha vertebral e dispostas sobre o fundo do dorso que é de colorido
castanho anegrado.
Os dois exemplares ora assignalados, Xos. 6427 e 6435 coll. Inst. Butantan,
apresentam, ao invés disso, sobre o fundo pardo anegrado do dorso, numerosas
manchas annulares ou semi-annulares de intenso colorido vermelho, margeadas de
amarello e interrompidas de preto (pintas pretas correspondentes ás pontas das
escamas) e distribuídas pelos 2/3 posteriores do corpo; para a frente, o vermelho
desapparece gradualmente, sendo substituído pelo amarello que volta a constituir
aneis, interrompidos, como os posteriores, de preto; região occipital até a nuca
vermelha pintada de preto (Fig. 2).
Os presentes exemplares revelam os seguintes caracteres principaes:
Xo. 6427. adulto, Ç , SpL. 8. E. dors. 19, V. 225, SbC. 77 p..
Xo. 6435, adulto. Ç , SpL. 8. E. dors. 19, V. 219, SbC. 30 p. -J- n.
c) Crotalus tcrrificus terrificus (Laur.)
Exemplares — 3.
A respeito desta forma já tive occasião (2) de assignalar 3 indivíduos albinos
e 1 de colorido anomalo (3), sendo que todos esses exemplares procediam do in-
terior do Estado de S. Paulo.
1. Exemplar anomalo, recebido de Araçatuba, S. Paulo.
O presente especime. X.° 5252 coll. Inst. Butantan, é um jovem que apre-
senta de cada lado da linha vertebral uma estria pontilhada amarella (Fig. 3), cm
continuação da normalmente existente de cada lado da nuca e em substituição ás
manchas rhomboidaes escuras, de bordos amarellos, tão características da raça.
Seus caracteres principaes são os seguintes: jovem, ' , SpL. 15/13, E.
dors. 26, V. 172, SbC. 12 -f- 10 p..
A presente variação, já csteriotypada em parte no 4.® exemplar da serie an-
terior, jiarece corresponder ao cxaggero da tendencia que a variedade sul-brasi-
leira da raça cisandina da cascavel neotropica (4) costuma apresentar, divorcian-
do-se, assim, progressivamente da raça transandina e centro-americana, caracte-
rizada pela notável tendencia ao encurtamento do par de estrias nucaes e pre-
dorsaes.
cm
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A. do Amaral — Variação de colorido de serpentes
83
2. Exemplar Xo. 7777, recebido de Monte Christo, Minas Geraes.
Ao contrario do exemplar anterior em que se deu o alongamento nitido do
par de estrias longitudinacs da nuca, que passou a estcndcr-sc até bem alem do
meio do corpo, o presente exemplar apresenta as e-trias nucacs normaes c uma
notável dilatação transversal (Fig. 4) das manchas rhomboidaes, cujos extremos
lateraes passam a contundir-se com as manchas existentes ao longo da região ven-
tral. A primeira impressão que se tem ao ver-se este exemplar é que se trata dc
um representante da cspccie Crotalus molossus D. & B..
Seus caracteres principaes são os seguintes: adulto. ' , SpL. 15/13, E.
dors. 27, V. 168, SbC. 25 + 6 p..
3. Exemplar recebido de Ipaussú, S. Paulo. Este exemplar, X.° 7531 coll.
Inst. Butantan, é um albino adulto, que, á semelhança dos 3 primeiros indivíduos
por mim assignalados cm trabalho anterior (2), não apresenta siquer um mínimo
signal de suas estrias ou marcas dorsacs (Fig. 5) ; sua coloração no dorso c pardo-
acastanhada, tomando-se cada vez mais clara ã proximidade da face vcntral que
c inteiramente amarella clara.
Seus principaes caracteres geraes são os seguintes: adulto. 9, SpL. 13, E.
dors. 27, V. 173, SbC. 18 + 4p..
d) Botkrops jararaca (Wieo)
Exemplar recebido dc Paulo Frontin, Paraná.
Em tralialho anterior (5) eu registei a occorrencia. nas manchas dorsacs desta
cspccie, dc algumas variações, representadas por : constricção; divisão longitudi-
nal . (livi-ão transversa; rcducção transversa c expansão longitudinal; expansão
longitudinal c anastomosc ; constricção total ; expansão longitudinal c estreitamen-
to; íinalmentc, apagamento c confusão com o colorido do fundo.
O exemplar agora observado. Xo. 5253 coll. Inst. Butantan, apresenta, nos 2/3
anteriores do dorso e ao longo de cada flanco, uma faixa negra, margeada supe-
rior c infcriomicntc de branco (Fig. 6). Representa, pois, um caso dc expansão
longitudinal c anastomosc das manchas dorsacs sub-triangulares, encontradiça*
nos individuos normaes.
Caracteres principaes: adulto. . . SpL. 8. E. dors. 27, V. 194, SbC. 46 p..
c) Bothrofs allcrnata D. & B.
Exemplares — 3.
Mostrei alhures (6) que a nossa urutu c sujeita a duas modalidades dc va-
riação das manchas dorsacs: fusão transversal das maculas scmi-lunarcs ou sua
extensão longitudinal com anastomosc. Aquella fora por mim assignalada, pela
primeira vez, no exemplar Xo. 3005 coll. Inst. Butantan, oriunda dc Ponta Grossa,
Parana. A extensão longitudinal, que empresta ao systema dc manchas um cara-
cter linear ou semi-linear foi por mim registada no exemplar Xo. 3009 coll. Inst.
Butantan, procedente de Bagc, Rio Grande do Sul.
84
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
1. O novo caso de anomalia, observado no exemplar Xo. 6195 coll. Inst. Bu-
tantan, é representado igualmente por extensão longitudinal e anastomose de man-
chas dorsaes, de permeio com alguns semilunios subnormaes persistentes (Fig. 7).
Este exemplar e o de X.° 3009 apresentam, como variação individual, um colori-
do visivelmente idêntico ao que Magalhães (7) assignalara em especimes proce-
dentes da região de S. Lourenço, á margem da Lagoa dos Patos, também no Rio
Grande do Sul. e que lhe servira á descripção da sua Lachesis inaequalis. que eu
mostrei (6) ser synonyma de Bothrops alternata D. & B..
O exemplar X.° 6195 foi recebido da localidade Sertão. Estado do Rio Gran-
de do Sul e apresenta os seguintes caracteres principacs : adulto. 0 " . SpL. 9,
E. dors. 29, V. 168, SbC. 38 p..
2/3. Xota: A anomalia chromatica constante nesse exemplar de X.” 6195
e no de X.° 3009 parece não ser das mais raras, porquanto ainda recentemente
dois outros exemplares, recebidos no Instituto Butantan. a apresentavam bem ní-
tida: X.° 7865. procedente da localidade Carambehy. Estado de S. Paulo e X."
7866, oriundo da localidade Ponta Grossa, Paraná.
f) Bothrops cotiara (Gomes)
Exemplares — 2, aml>os recebidos de Santa Catharina.
Xo ultimo de meus trabalhos citados (pg. 53, tab. XII — fig. 5) registei um
exemplar, X.° 3004- coll. Inst. Butantan, cujas manchas dorsaes apresentavam no-
tável tendencia ao alongamento c coalescência.
1. A’ anomalia então registada corresponde perfeitamente a observada no
exemplar Xo. 5104 coll. Inst. Butantan, recebido de Herval, Santa Catharina, e
que, á semelhança do outro, retem ainda algumas manchas quasi normaes, princi-
palmente na parte posterior do corpo (Fig. 8).
Seus caracteres principaes são: adulto, Ç , SpL. 9/8. E. dors. 28. V. 168,
SbC. 39 p..
2. Em um outro indivíduo, X.'” 6732, recebido de Porto União, Santa Ca-
tharina, occorre uma anomalia ainda mais curiosa, por consistir na completa fusão
de cada mancha triangular paravertebral com o par correspondente paraventral. de
sorte a formar, ao longo de cada flanco, uma serie de marcas imitando perfeita-
mente um V de cabeça para baixo (Fig. 9) c simulando de algum modo os semi-
ocellos encontrados na cspecic B. alternata D. & B..
Seus caracteres principaes são: adulto. '. SpL. 8. E. dors. 27. V. 166,
SbC. 48 p..
g) Bothrops neuwiedii (Wagler)
Exemplares — 11.
Em monographia anterior (8) subdividi a jararaca pintada em varias raça'
geographicas, a que correspondem interessantes modalidades de colorido e de ty-
pos de marcas, conforme então figurei. ‘Essas raças são as seguintes: B. neuwiedii
10
A. do Amarai. — Variação de colorido de serpentes 85
netru-iedii, B. nemvicdii baltiensis. B. nemvicdii f>iauhyensis, B. ncutvicdii goya-
sensis, B. nmviedii minascnsis, B. nemvicdii faulocnsis, B. nemvicdii maUogros-
sensis , B. nemvicdii paranaensis c B. nemvicdii riograndcnsis.
Algumas vezes, todavia, as marcas dorsaes dessas raças apresentam grandes
anomalias, ao ponto de emprestarem aos exemplares uma feição inteiramente nova.
capazes de gerar lamentáveis confusões diagnosticas. E\ por exemplo, o que oc-
corre com a serie que tenho agora em mão e constituída pelos seguintes exem-
plares:
B. nemvicdii riograndcnsis Amaral
* s *-* 6876 coll. Inst. Butantan. recebido de Ijuhy, Rio Grande do Sul, apre-
senta uma intensa subdivisão e constricção das manchas paravertebraes (Fig. 10),
colorido que lhe empresta om aspecto semelhante ao cncontradiço cm certos exem-
plares da espccie ncarctica de cascavel. Crolalus trisscrialus (Waglcr).
Prinripaes caracteres: adulto. 9 . Spl- 8. K. dors. 27. V. 181. SbC. 41 p..
B. nemvicdii mallogrossensis Amaral
N* 6928 coll. Inst. Butantan. recebido de Nhccolandia. Matto Grosso, apre-
senta uma considerável rarefaeção tia mclanina c preponderância de arcas albi-
nisticas ao longo do dorso, o que lhe empresta ás manchas paravertebraes um re-
levo notável (Fig. 11).
1‘rincipaes caracteres: adulto. *, Spl.. 8. E. dors. 21, V. 173. Sl>C. 56 p..
B. nemviedii minascnsis Amaral
1. N* 7778 coll. Inst. Butantan, recebido de Yarginha, Minas Gcracs, apre-
senta o colorido do fundo do dorso vcrdc-olivacco com largas manchas paraver-
tebraes. bem distinctas e separadas dos occllos paraventraes (Fig. 12) de sorte
a simular o chromatismo normal dc B. coliara (Gomes).
Principacs caracteres: adulto. ' • Spl- 8, E. dors. 25. V. 176. SbC. 51 p..
2. N.* 6877 coll. Inst. Butantan. recebido dc Santa Rita da Extrema. Minas
Gcracs, apresenta um interessante augmento do numero c rcducção do tamanho
das manchas vertebraes que são pouco maiores do que os seus occllos intermediá-
rios c dc cada lado do pescoço, se encontram fundidas longitudinalmentc entre si
c com a mancha occipito-nuchal (Fig. 13) do lado correspondente. Neste exemplar
o colorido não poderia de modo algum contribuir para a identificação da espccie
cujo reconhecimento foi baseado no comportamento inlra-vitam, conformação c
physionomia do indivíduo, comprovados pelos seguintes caracteres anatômicos:
adulto. O , Spl- 8. E. dors. 27. V. 170, SbC. 44 p..
3. X* 5254 coll. Inst. Butantan. recebido de Carandahy. Minas Gcracs.
apresenta uma nitida tendenda ao arredondamento dos bordos das manchas pa-
ravertebraes e sua completa fusão com os occllos paraventracs (Fig. 14) sobre
um fundo amarello-olivaceo. de sorte a simular perfeitamente certos exemplares
11
86
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
de B. jararaca (Wied), dos quaes se pode distinguir, todavia, pelos caracteres ana-
tômicos, conformação, physionomia e colorido do ventre.
Caracteres principaes: adulto, S , SpL. 8, E. dors. 25, Y. 173, SbC. 42 p..
B. neuwudii fauloensis Amaral
1. X.® 6927 coll. Inst. Butantan, recebido de Visconde do Rio Claro, S. Pau-
lo, apresenta grande reducção do colorido escuro do fundo do dorso com prepon-
derância do branco que occorre em proporção exaggerada ao longo da região pa-
raventral e principalmente nas tarjas das manchas paravertebraes com uma regu-
laridade e nitidez notáveis (Fig. 15).
Caracteres principaes: adulto, .Ç , SpL. 8, E. dors. 24, V. 179, SbC. 4S p..
2. X’.® 6875 coll. Inst. Butantan, recebido de Joá, S. Paulo, apresenta um
completo apagamento dos caracteres das manchas negras paravertebraes, das quaes
apenas 4 se encontram isoladas, achando-se todas as demais fundidas em uma lon-
ga faixa longitudinal tarjada de branco superiormente, ao longo de cada flanco
até perto da base da cauda (Fig. 16). Essa anomalia chromatica já havia sido por
mim registada em relação ás especies B. jararaca, B. altcrnata e B. jararacussu.
Caracteres principaes: adulto, Ç , SpL. 8, E. dors. 25, V. 184, SbC. 39 p..
3. X.® 6929 coll. Inst. Butantan, recebido de Ezequiel Ramos (Avaré), S.
Paulo, apresenta uma distincta tendência á reducção e polymorphismo das man-
chas paravertebraes que. na parte anterior do dorso, não se podem distinguir dos
ocellos intermediários (Fig. 17).
Caracteres principaes: adulto, '.SpL. 8, E. dors. 25, V. 177, SbC. 8
+ 42 p..
4. X.® 5401 coll. Inst. Butantan, recebido de Cerrado, S. Paulo, apresenta
uma considerável reducção numérica (rarefacção) das manchas paravertebraes,
acompanhada de fusão dos ocellos paraventraes que occorrem como curtas estrias
longitudinaes (Fig. 18).
Caracteres principaes: adulto, c? , SpL. 8, E. dors. 21, Y. 175, SbC. 47 p..
5. X.® 5795 coll. Inst. Butantan, recebido de Santa Elisa, S. Paulo, apre-
senta um quasi completo desapparecimento das manchas paravertebraes que se
acham reduzidas a apenas 4 ao longo de todo o dorso e desapparição completa de
todos os ocellos paraventraes (Fig. 19), de sorte que a identificação especifica só
se pode basear no comportamento, conformação, physionomia e nos seguintes ca-
racteres morphologicos : adulto. 1 . SpL. 9/8, E. dors. 26, Y. 173, SbC. 46 p..
6. X.” 4758 coll. Inst. Butantan, recebido de Mococa, S. Paulo, apresenta,
íinalmcntc, um completo desapparecimento de todos os systemas de manchas dor-
saes, com preservação apenas de iudicios das manchas supracephalicas (Fig. 20).
Todavia, seus característicos physiologicos são inconfundíveis e acham-se confir-
mados pelos seguintes principaes caracteres anatômicos: adulto. , SpL. 8, E.
dors. 25, V. 172, SbC. 46 p..
12
cm
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A. do Amaral — Variação de colorido de serpentes
S7
ABSTRACT
Chromatic v^riations are a rather rarc occurrency among snakcs. However,
a scrutiny conducíed at the Instituto Butantan and bascd on thc abundam livc ma-
tei ial (over 20.000 specimens a year) it rectives from the central-southcm scction
oi Brazil has brough: to light 21 ocav exatnpks oi colour variation.
The species to which these cxamplcs belong are the foBowing: Sitnophis
rhinostoma, Pscudoboa petolc, Crotalus tcrrificus (race tcrrificus), Bothrops ja-
raraca, B. allcmata, B. cofiara. B. ntuwiedii and its raccs riograndcnsis, tnallo-
grosscnsis, minasensis and pauloensis.
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A. do Amaral — - Variação de colorido de serpentes
Mrni. In*t. Butantan
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X.» 5I(M coll. Imt. Butantan
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X.* f’732 coll. Imt. Butantan
Bothrop* roliara (COMES)
A. do Amaral — Variação de colorido de serpentes
Mrm. Inst. Butantan
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Bothrop» ncawitdli ríotr»ndm.i. AMARAI- X.* 6876 roll. Inst. Rutantan
Fir II
B*thr*ps ncawicdü AMARAI- N* C923 coll. Inst. Butantan
Rothrop» nfBwlfdii raina*rn»i« AMARAL
A. no Amarai. — Variação de colorido de serpentes
Mrm. Inst. Ilutantan
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cm
2 3 4
5 6
' >> — ' — -I ' -I — ' >— < '
3 11 12 13 14 15 16
Mom. Inst. Bulanlan
VoL VII, 1932
A. do Amaral. — Variação de colorido de serpentes
Pir- IS
eoU. Inst. Butantan
Bothrop* n.mriedii p.uIo.n.U AM.VUAL
cm
2 3 4 5 6 7 SClELO 2.1 12 13 14 15 16 17
CONTRIBUIÇÃO Á BIOLOGIA DOS OPHIDIOS DO BRASIL
POR
AFRANIO do AMARAL
(com 3 gravuras no texto)
591.52:598.121:981
CONTRIBUIÇÃO Á BIOLOGIA DOS OPHIDIOS DO BRASIL
UI. Hábitos curiosos da especie Tachymenis brasiliensis Gomes
(Colubrídae, Boiginae)
POR
AFRAXIO do AMARAL
Em 1918, Gomes descreveu esta interessante espccie, tendo assignalado que
°s respectivos exemplares foram capturados cm terreno pantanoso, durante um
serviço de drenagem feito nas vizinhanças do Instituto Butantan (1). Essa veri-
ficação foi depois por mim comprovada e completada com a observação de pos-
suir a especie alludida hábitos semi-subterraneos, tanto que seus representantes
costumam correr nas margens dos regatos e brejos com agua corrente, nas quacs se
abrigam, perfurando a lama com uma facilidade enorme c buscando minhocas c
insectos, de que sc alimentam.
Alem dessa particularidade possuc a alludida especie uma outra ainda mais
interessante e até agora singular entre os ophidios que occorrcm no Brasil. Essa
singularidade dos exemplares de Tachymenis brasilictisis consiste cm sua constan-
te tendencia em se contorcerem em vários sentidos e formarem afinal, quando mo-
lestados, verdadeiras espiracs muito regulares, conforme se vê da Fig. 1.
E’ verdade que o simples contorcimcnto do corpo costuma ser apresentado
pelas espccies de boideos, Epicratcs crassus Cope c E. ccnchría (L.), na região
neotropica e Chariiia boltac (Blainville), na região ncarctica (2), as quacs no en-
tanto se enrodilham irrcgularmente procurando esconder a cabeça c a cauda sem
jamais tentar formar uma perfeita espiral como no caso da especie ora assignalada.
ABSTRACT
Tachymenis brasiliensis Gomes is a burrowing species living usually in
ditches and brooks in the banks of which it seeks both sheltcr and íood. It also
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
92
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
bears the peculiar habit oi making a perfect series of winding twists whenever it
is held loosely.
BIBLIOGRAPHIA
1. Gomes, J. Florcncio — Descripção de 2 especies novas in Memórias do Instituto Butan-
tan 1(1) :79.1918.
2. Ditmars. R. L. — The reptile book (Doubleday. Page & C.°. New York) :2 12. 1908.
(Trabalho da Serei» de Ophlologla e Zoologia Medi-
ca do Instituto Butantan, deaembno de 1932).
4
391.56:598.122
CONTRIBUIÇÃO Á BIOLOGIA DOS OPHIDIOS DO BRASIL
IV. Sobre um caso de necrophilia heterologa na jararaca
(Bothrops jararaca)
POR
AFRAXIO do AMARAL
Em notas anteriores (1, 2), tratando da biologia dos ophidios do Brasil, eu
me occupei do habitat, hábitos c alimentação, c da reproducção da maioria de nos-
sas especies, á luz das observações por mim conduzidas, a partir dc 1919, nos co-
bris do Instituto Butantan.
Descrevendo a copula dos ophidios, assim mc exprimi :
“A copula que se dá em via dc regra entre agosto c outubro na
maioria das especies ou, exccpcionalmcnte, entre janeiro e março ou
em outras épocas cm algumas especies, c muito demorada, pois dura
no minimo 6 a 12 horas, levando, porém, algumas vezes, até mais de
24 horas.
Xa occasião do cio, o macho começa a cavalgar a ícinea, agitando
freneticamente o corpo, como se estivesse accionado por uma corren-
te eléctrica, c procurando entrelaçar a sua cauda á da ícmea.
Esta, conforme succcde com a de outras especies animaes, a prin-
cipio recusa e procura fugir á consumação do acto, mas ao cabo dc
certo tempo cede á pressão do macho c só então o acceita. entrelaçan-
do a cauda com a delle.”
Pode-se dizer que, salvantcs certas variações mais ou menos profundas de
accordo com as especies cm apreço, os actos successivos da copula normal dos
ophidios cabem dentro dessa descripção (Fig. 1).
A copula anormal delles, isto é, entre indivíduos vivos de especies differentes
obedece igualmente ao mesmo mecanismo, embora nesse caso os actos preparato-
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
94
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
rios sejam muito mais demorados, necessitando visivelmente de um exaggerado
grau de excitação sexual por parte de ambos os sexos.
Apesar do numero enorme de ophidios vivos conservados nos ophidiarios do
Instituto, nunca me havia sido dada a opportunidade de registar o phenomeno que
serve de objecto á presente nota e que, por não o ter eu ainda visto descripto na
literatura, vai aqui devidamente documentado com uma photographia tirada no
momento em que o mesmo se consumava (Fig. 2).
Conforme se depreende dessa photographia, trata-se da copula de um pe-
queno o' da jararaca, tíothrops jararaca (Wied), com tuna . , de tamanho me-
dio, da cascavel. Crotalus tcrrificus (Laur.), já morta e em estado de rigidez cada-
vérica. A copula, que provavelmente se havia iniciado á noite ou pela madrugada
do dia 1 1 de fevereiro, foi observada, durante algumas horas, na manhã desse dia.
Apesar das varias e repetidas manipulações que soffreu, o indivíduo d* só ulti-
mou o acto por volta das 11 horas, quando se retirou para o interior de um dos
cubículos do ophidiario em que tinha sido posto, não tendo, depois disso, sido
visto novamente a praticar actos dessa natureza.
O que, porém, torna sobremodo interessante o presente caso é que, alem
do heterologismo dos indivíduos copulantes e da necrophilia do ' actuante,
houve emissão de esperma, conforme ficou comprovado á necropsia da O .
ABSTRACT
Necrophilism among snakes is a ver)- rare occurrence as it seems never to
have bcen dealt with in the scientiíic litcrature. The present case of necrophilism
took place between a small adult of Bothrops jararaca and a dead medium-
sized O of Crotalus tcrrificus.
BIBLIOGRAPHIA
1. Amaral. A. do — Com. Soc. Mcd. & Cir. S. Paulo 1. IX. 1921 tt Collectanea dos Tra-
balhos do Inst. Butantan 11:175-181.1918-24
2. Amaral. A. do — Com. Soc. Mcd. & Cir. S. Paulo 15. X. 1921 rt Collectanea dos Tra-
balhos do Inst. Butantan 11:185-187.1918-24.
iTrabalbo «ta SecçJo de Ophiotogla e Zoologia Medi-
ca do In*t!tuto Butintan, dezembro de 1932)
cm
SciELO
D 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst
B itanUn
^ Secrophtha heterologa na Jararaca
A. DO
A MARAL
t Habito de Tachvracnis brasiliensis Gomes
VjI. VII, 1932
nc. i
Fi*. 2
Copula normal do Xcnodon
gucnthc ri ItLGR.
*»•»■ rm atitude de deteta
Fif. 3
Bathrops jararaca (\V USD)
Cav> de necrophilfa heteroln**
Crotalui terrífico* terrífico* • I.Al ll.)
cm
SciELO
398.122:981
CONTRIBUIÇÃO
AO CONHECIMENTO DOS OPHIDIOS DO BRASIL
V. Uma nova raça de Bothrops neuwiedii
POR
AFRANIO do AMARAL
Ha dois annos. descrevi (1), sob o nome de Bothrops ncuxciedii meridionalis
•1 subes])eci€ da jararaca pintada que occorre na região centro-scptcntrional da Ar-
gentina. Ficava, assim, elevado a 9 o numero de raças cm que subdividi essa espe-
c, e. sendo que as 8 primeiras, inclusive a typica. eu as havia assignalado (2)
em 1925.
Desejo, agora, occupar-me de uma outra raça de B. neuunedii, representada
Por vários exemplares que o Instituto Butantan tem ultimamente conseguido rece-
ber do extremo leste do Estado do Rio de Janeiro, na região próxima do Cab •
São Thomé. Esses exemplares distinguem-se facilmente dos representantes das
outras raças occorrentes no Brasil por seu systema de manchas l>cm característico,
tanto que, no momento de serem retirados vivos das caixas cm que são remetti-
dos. têm si lo logo reconhecidos e trazidos para estudos no lalwratorio.
Bothrops neuwiedii fluminensis, subsp. n.
Diagnose — Os indivíduos desta subespecic caracterizam-se facilmente em
v, da pelo seu colorido de fundo pardo-chocolate, mais claro dos lados, com occllos
Paravertebraes negros tarjados de branco c manchas transversaes alternadas ou
°Ppostas (confluentes sobre a linha vertebral), sub-triangulares. castanho-negras
lar jadas de branco; região paraventral com manchas negras sub-douradas ; ventre
bem manchado de castanho anegrado. manchas lateraes maiores, cabeça com di-
versas manchas negras também tarjadas de branco, sendo uma sub-redonda na
re gião preorbitaria. duas longitudinaes na região occipital-nucha! ( Fig. 1).
Xesta subespecie o dimorphismo sexual c representado pela seguinte formula
baseada nos exemplares actualmente existentes:
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
9S
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
cT — E. dors. 22-25 : V. 166-168; Sbc. 44-48.
$ Ç — E. dors. 25 ; V. 169-173 ; Slxr. 39-44.
conforme se verifica pela seguinte
Lista de exemplares de B. neuwiedü fluminensis, subsp. n.
N*
Proccdenda
Sexo
Sp. L.
Dors.
V.
Sb. C.
Observações
6154 .. .
Colomins. Rio
8/9
25
173
41 p.
6402 . . .
• • »•
Ç
8
25
169
39 p.
Fig. 1. ex-vivo
7424 . . .
»» *•
c
8
23
166
46 p.
7602 . . .
*
õ
8
25
166
44 p.
7603 .. .
*» M
d '
8
23
168
46 p.
7604 .. .
t» M
o
8
22
168
48 p.
7806 . . .
Barcellos. Rio
9
8
25
171
44 p.
Viva. Typo
Como se vê, os exemplares procedem de Colomins e de Barcellos, a leste de
Campos, Estado do Rio de Janeiro.
ABSTRACT
A new race oi Bcthrops neuuriedii is described (B. neutviedii fluminensis ) as
based on 7 specimens received from the eastermost section of the State oí Rio de
Janeiro, near the São Thomé Cape. This is the 10th race into which this spedes
has thus far been divided.
BIBLIOGRAPHIA
1. Amaral, A. do — Buli. Antivenin Inst. America IV (3) ; 65-67. 1 fig. 1930.
2. Amaral, A. do — Harvard Inst. Trop. Biol. & Med. Contrib. 11:56-62. Tabs. XIII —
XVI. 1925.
(Trabalho da Seec&o de Ophiologia e Zoologia Medi-
ca do Instituto Butantan, dezembro de 1932).
cm
SciELO
D 11 12 13 14 15 16
598 . 121:981
CONTRIBUIÇÃO
AC CONHECIMENTO DOS OPHIDIOS DO BRASIL
^ I. Uma nova especie de Colubrideo opisthoglypho. do genero
Chlorosoma Wagler, 1830
POR
AFRANIO do AMARAL
INTRODUCÇAO
Ha algum tempo, vínhamos notando, ao retirarmos, de seus respectivos cai-
* ot es. serpentes vivas recebidas do interior, que entre os exemplares ate então
c k^si ficados como Chlorosonui schottii, alguns havia cujo comportamento, phy-
«onomia e colorido nos faziam suspeitar se tratasse de alguma forma interessante.
EU se seu comportamento era sobremodo chocante, porque estavamos acostu-
^dos a lidar, em C. schottii, com exemplares bastante aggrcssivos c irritáveis,
Quanto, no caso dos individuos ora assignalados, jamais percebêramos a menor
a Sgressividade ou irritabilidade; pelo contrario, neste particular ethologico, os in-
dnriduos referidos antes pareciam representantes do gencro Psctidoboa Schncidcr,
1801.
Sua physionomia tomava-os igualmcntc distinguíveis de exemplares de C.
tf hottii , principalmcnte por possuírem aquclles cabeça relativamcnte mais curta,
f** larga e mais chata do que estes, alem de sua cauda parecer um tanto mais
lon ga.
Seu colorido afinal pareceu-nos consistentemente mais escuro do que cm C.
te hot tü ) cm virtude da existência de maior accumulo de melanina nas bordas das
Csc «tnias.
Reunidos durante algum tempo vários exemplares de;ea forma para compa-
ro com exemplares typicos de C. schottii, pudemos, ao examinal-os agora, che-
*“ àr á conclusão de se tratar de uma forma nova para a sciencia:
100
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Chlorosoma arnaldoi, sp. n.
Diagnose — Dentes maxillares 15+2, os 15 anteriores augmentando, ape-
nas em comprimento, para trás e os 2 posteriores collocados alem da vertical d3
borda posterior da orbita; dentes mandibulares 21, subeguaes. Cabeça (Fig. 2-3)
achatada, algo curta e larga ; focinho arredondado, curto e largo ; canthus rostralis
arredondado. Rostral bem mais larga do que alta; pre-frontaes bastante curtas e
largas; frontal curta e larga, apenas 1 Vs — 1 V« vez tão longa quanto larga; fre-
nal sempre mais longa do que alta ; prcocular 1 ; post-oculares 2 ou 3 ; temporaes
1+2 ou 1 + 1; occipitacs e post-temporaes sempre augmentadas; supra-labiaes 8
(4.* e 5.* contiguas á orbita) ; 5 (excepcionalmente 4) infra-labiaes contíguas ás
mentaes anteriores que são tão longas quanto as posteriores. Escamas dorsacs
em 19 filas, escamas com 1 fosseta apicilar. Ventraes 18+200; anal dividida; sub-
caudaes 105-136 pares. Formula;
, , V. 184-194 „ V. 190-200
"SbcT 105-136 ’ Sbc. 124-132
Coloração: olivacea amarellada principalmente na parte posterior do corpo
e na cauda; todas as escamas da cabeça, do dorso, do ventre e da cauda liem
tarjadas de preto, apenas a garganta mais clara e sem tarjas.
Hemipenis: bem dividido, não capitado, calyculado, calyces antes arredonda-
dos, sulco bifido, margeado de cada lado, externamente, de 1 serie divergente de
espinhos, porção sub-calycular da face vcntral margeada de 4 espinhos maiores
(Fig. 4. N." 2).
Lista de exemplares de Chlorosoma arnaldoi, sp. n.. na collecção do
Instituto Butantan
X* Procedcncia
8
*
Sp- L.
E. dor».
V*. j
SbC.
Comprimento
em mm.
total cauda
Notas
1784 Franca. S. Paulo
?
8
»
192
124 p.
973
435
2735 Dorizon. Paraná
cf
8
19
186
136 p.
608
314
3511 Loc. ign
d'
8
19
191
105 p.
656
280
4755 Porto União,
St.* Catharina. .
9
8
19
200 ,
132 p.
1.010
468
5997 União da Victo-
ria. Paraná . .
8
19
J
93 p+n
619+n
248+n
7021 S. Bento, St.*
Catharina . . .
9
8
19
190
128
725
346
7022 S. Bento. St.*
Catharina . . .
-
8
19
194
118
910
390
7807 S. Bento. St.*
Catharina . . .
8
19
195
107 -Fn
896+n
359+ n
Tyr
(i
A. do Amaral — Ophidios do Brasil
101
Diagnose differencial — Esta espede, que dedico a meu auxiliar technito,
sr - Arnaldo França, é muito próxima de C. schottii (Schlegel. 1837), da qual se
distingue pelos seguintes caracteres:
C SCHOTTII
C ASXALDOI
fontes maxillares . . .
11+2. augmentando. em com-
primento e grossura, para trás,
posteriores sob a vertical do
bordo trazeiro da orbita.
15+2. augmentando, apenas era
comprimento, para trás. poste-
riores além da vertical do bor-
do trazeiro da orbita.
mandibulares . .
15. augmentando até o meio e
diminuindo para trás.
21. subeguacs
Cabeça
elevada, alongada e estreita.
achatada, algo curta c larga.
Focinho
estreitado, algo comprido e
proeminente.
largo, curto c arredondado.
Canthu? rostralis . . .
saliente e nitido.
arredondado c imperceptível.
Frontal
1 */« — 2 vezes tão longa quan-
to larga.
1 l/ s — 1 tão longa quan-
to larga.
Frefrontacs
Crcipitaes e post-tempo-
rclativamentc longas.
ante» curta».
racs
pequena».
augmentadas
Cauda.
longa.
mais longa.
Fscanus . . .
pouco tarjadas de negro.
muito tarjadas de negro.
Retnipcnts
globuloso. mal dividido, não
capitado, com 5-6 espinhos
no bordo da face ventral; ca-
antes alongado, bem dividido,
com 4 espinhos no bordo da
face ventral; calyccs mais es-
— .
lyces largos (Fig. 4. N.* 1).
treitos (Fig. 4. N* 2).
ABSTRACT
A ncw spccies of Chlcrosoma (C. anialdoi) is described in thc light of a
c oniparative examination of 8 specimens, received from thc south-eastcrn section
°f Bra 2 il, with a large series of specimens of C. schottii, from which the former
are easily distinguishable by thcir dcntition. physiognomy, head shape and scu-
'cllation.
(Trabalho da Secção de Ophiologia e Zoologia Medica
do InitltuTo DuUntan, terminado em deiembro de
1932 ),
I
cm
Mera. Inst. Bulantan
ri*. 2 Flf. 2
(hloro.omj arnaldoi. »p. n.
N.* 1. IlmiipmU «Ir ChUrotoma irholtil «S(.IIL)
N.* 2 . llrmlprni» dr C'hloro*orna arnaldoi, »p. n.
A. r>o Amaral — Ophidios do Brasil (V, VI)
Vol. VII, 1932
Fií. I
ISciELO
3 11 12 13 14 15 16
ESTUDOS SOBRE OPHIDIOS NEOTROPICOS
POR
AFRAXIO do AMARAL
598.12:591.9:586
ESTUDOS SOBRE OPHIDIOS NEOTROPICOS
XXIX. Novas notas sobre especies da Colombia
roR
AFRANIO do AMARAL
Em diversos trabalhos anteriores (1-7) cu me tenho occupado da fauna
°phiologica da Colombia, mostrando as suas affinidades c a distribuição de suas
especies constitutivas pelos diversos districtos dessa interessante c pouco conhe-
cida secção da America do Sul. Por esses trabalhos se verifica a variedade das
especies ali occorrentes e cujo numero já mostrei attingir actualmcntc a mais
de 120. Essa variedade de formas representativas explica-se, sem duvida, j>ela
grande diversidade de climas, topographia e accidentcs geologicos característicos
do território colombiano.
Com cf feito, a Colombia, apesar de se encontrar perto da linha equatorial,
apresenta, neste particular, condições diversissimas. Percorrido longitudinalmentc
f*los Andes que, desde perto do extremo sul do pais, se trifurcam, formando
cadeias de que a principal se dirige ligeiramente para o nordeste cm demanda da
fronteira da Venezuela, penetrando ali por um dos seus ramos e os dois outros,
'erdadeiros contrafortes, se collocam parallclamcntc para o occidcnte, o território
colombiano offercce, porisso, alem desse triplo aspecto do districto andino, co-
berto de neve pelo menos cm parte do anno, quatro outras secções predomi-
n antemente baixas, mais ou menos quentes e de elevado indice pluviomctrico, a
^ber: a costa quente, colerta de florestas, adjacente ao Pacifico; os vallcs dos
rios Cauca e Magdalena, que para o norte se fundem ao centro da enorme ex-
tensão de terras baixas, de clima equatorial, comprehendida entre Uraba e Santa
Manha; finalmente, as terras orientaes. também quentes, cujas aguas são tribu-
tarias do Orenoco c do Amazonas e que, embora representem cerca de metade
area do pais, ainda se acham virtualmente inexploradas. Tcndo-se cm vista
esta diversidade, não é de admirar que a ophio- fauna local seja tão rica c mul-
tiforme, nella predominando curiosamente as especies do genero Airactus, que
Parece ter ali, sinão sua origem, pelo menos seu centro de dispersão.
3
106
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Todavia, as espccies até agora assignaladas se devem juntar mais algumas,
cuja descripção consta do presente artigo, em que me occupo particularmente de
mais duas collecções de ophidios colhidos ali e recebidos de meus distinctos cor-
respondentes, Rev°. Niceforo Maria, do Instituto de La Salle, de Bogotá, e Rev°.
Irmão Daniel, do Collegio Departamental de S. José, de Jerico. Os exempla-
res correspondentes a essas remessas acham-se no texto assignalados, respectiva-
mente, pelas notações I. L. S. (Instituto de La Salle) e C. D. (Collegio De-
partamental), de sorte a se tomarem facilmente identificáveis.
E’ de esperar, no entanto, que, apesar de já ser elevado, o numero de es-
pecies até o momento registadas para a Colombia venha a augmentar considera-
velmente com o estudo de material mais abundante e de novas collecções mais
intensivas. Tenho a impressão de que, assim, viremos algum dia a registar,
não só muitas outras fornias novas e interessantes, sinão também comprehender
vários phenomenos relativos á distribuição geographica e relações reciprocas de
elementos de diversos grupos, como especialmente os do genero Atraclus Wagler,
tão bem representado naquelle país.
As localidades em que foram colhidos os diversos exemplares ora regista-
dos são as seguintes:
Acacias (sul de Bogotá).
Cartagena (litoral do Mar das Antilhas).
Chita (sudeste de San Gil).
Chocó (perto de Quibdó, Quibdó).
Cúcuta (fronteira da Venezuela).
Espinal (sudoeste de Bogotá).
Florencia, intendência do Caquetá.
Fusagasuga (sul de Bogotá).
Jerico, Antioquia (sudoeste de Medellin).
Medellin, Medellin.
Medina, Meta (leste de Bogotá).
Muzo, Tunja (norte de Bogotá).
Paime, Cundinamarca (norte de Bogotá).
Pensilvania (sul de Medellin).
Putumayo, intendência do Amazonas.
Quibdó, Chocó.
Sampedro, Antioquia (norte de Medellin).
Sasaima (65 kms. ao noroeste de Bogotá).
Sonsón, Sonsón (sul de Medellin).
Sopetrán, Antioquia (norte de Medellin).
Villavicencio, Meta (leste de Bogotá).
I
A. do Amaral — Ophidiox neotropicos
107
A presente contribuição inclue. alem de muitas outras formas, 3 especies
novas (Atractus nigrivcntris. A. punctkentris e A. trívittatus) e 1 genero (Si-
bynophis) e 6 especies ainda não assignaladas na Colombia ( Sibynophis venustis-
simus, Helicops angulata, II. leopardina, Atractus gucnthcri, Micrurus narduccii
e M. surinamensis) .
Helminthophis anops Cope
II. anops Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:135.1929.
79 (I. L. S.), procedente de Paime.
Escamas 26. Olho invisível. Prefrontaes separadas entre si pela rostral
em contacto com a frontal. 3 supralabiaes.
Pardacenta, 16 series dorsaes de escamas com uma mancha negra ao centro :
cabeça e ponta da cauda claras.
Comprimento total 280 mm. ; cauda 3 mm..
Helminthophis emunctus (Garman)
II. emunctus Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:135.1929.
X T .° 80 (I. L. S.), procedente de Cartagcna.
Escamas 22. Supralabiaes 4. Preírontal separada da 2." >upralabial pela
preocular inferior e nasal; rostral cerca de metade da largura da cabeça; ocular
separada da 3.* supralabial pela subocular.
Pardacenta ; cabeça mais clara.
Comprimento total 270 mm.; cauda 5 mm..
Leptotyphlops macrolepis (Peters)
L. macrolepis Amaral — Mem. Inst. Butantan IV -.139.1929.
X.® 13 (C. D.), procedente de Jerico.
N* 81 (I. L. S.), procedente de San Gil.
Supraocular pequena; 2* supralabial maior do que a 1.‘ e mais baixa do
que o nivcl do olho.
Sibynophis venustissimus (Gcenther)
Henicognathus venustissimus Gucnther — Biol. C. A. Americana. Rept.:
144. tab. LI: C. 1891.
Sibynophis zeteki Dunn — Occ. Pap. Boston Soc. N’at. History V: 329-
330. 1930.
108
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
X.° 89 (I. L. S.) Adulto, $ , procedente de Muzo.
Supralabiaes 9 (4.*, 5.*, 6.*); infralabiaes 9/10; dorsaes 17; ventraes 149;
anal 2; subcaudaes 103 pares.
Coloração mais ou menos typica: focinho pardo; cauda com aneis negros
duplos intercallados de amarello.
Comprimento total 640 mm.; cauda 240 mm..
N'.° 96 (I. L. S.). Adulto, q , procedente de Muzo.
Supralabiaes 8/9 (4.*, 5.*/4.\ 5.*, 6.*); infralabiaes 8/9; dorsaes 17; ven-
traes 136; anal 2; subcaudaes 112 pares.
Coloração menos typica (ao centro do corpo, os aneis negros não se dis-
tinguem devido á putref acção parcial) : cauda com aneis negros duplos bem ní-
tidos, intercallados de amarello.
Comprimento total 620 mm.; cauda 276 mm..
Genero e especie ainda não registados na Colombia.
Xota : Dunn descreveu, para o Panamá, a especie X. cetcki, que conside-
rou diversa de S. vcnustissimus devido á presença naquella de focinho claro e
de aneis dorsaes negros contiguos á coloração vermelha do fundo.
Examinando comparativamente a sua descripção com a de Guenther á luz
da gravura por este publicada e em presença dos 2 exemplares que tenho cm
mão, não hesito em passar a especie zctcki para a synonymia de venustissimus.
Com ef feito, esses 2 exemplares recebidos da Colombia e indiscutivelmente per-
tencentes á especie S. vcnustissimus, apresentam varias modificações parciaes do
colorido typico descripto por Guenther, seja no focinho e na região supralabial,
seja na disposição dos aneis dorsaes, principalmente sobre a cauda, modificações
que os approximam, do ponto de vista chromatico. do exemplar examinado por
Dunn, o qual deve, portanto, ser considerado como mera variação de S. vcnus-
tissimus. Nestas condições, parece-me opportuno, á luz dos 5 exemplares ora
registados na literatura, apresentar a seguinte redescripção de S. vcnustissimus
Guenther :
Redescripção
Dentes maxillares — 43, subeguaes.
Rostral quasi 2 vezes tão larga quanto alta; internasaes e prefrontaes cur-
tas, mais largas do que longas; frontal cerca de 1 yí vez tão longa quanto larga
e um pouco mais curta do que as parietaes ; nasal dividida ; frenal pequena, mais
alta do que longa; preocular 1, attingindo a parte superior da cabeça; postocula-
res 2. contiguas á parietal ; temporaes 2+2 ; supralabiaes 9 ou 8 (4.*, 5.*, 6.*, ou
3.*, 4.*. 5.* ou 4.\ 5.* apenas, contiguas á orbita) ; infralabiaes 8 a 10; mentaes
anteriores mais longas e largas do que as posteriores e contiguas a 4 infralabiaes.
G
A. do Amaral — Ophidios neotropicos
109
Escamas dorsaes 17; ventraes 136 ( ' ) a 149 ( £* ) ; anal dividida; subcaudaes
103 a 112 pares.
Coloração : fodnho branco (Dunn) até pardacento claro (Amaral X.® 89)
ou escuro (Guenther e Amaral X.° 96) ; supralabiaes manchadas de negro prin-
cipalmente sob os olhos (X'.° 89) ou sob os olhos até a ponta (X.® 96) ; coroa
ne gra desde o nivel dos olhos até o ocdpicio; postoculares, temporaes e ultima
supralabial mais ou menos manchadas de negro.
Colorido do dorso de “serpente coral” e variavel como em Erythrolaniprus
vcsculapii, Lampropdtis annulata, L. micropholis, etc.: corpo vermelho coral com
2neis dorsaes negros: a) simples, tarjados de branco, como em Micrurus coral-
Hnus excepto posteriormente e sob a cauda em que os aneis são geralmeníe du-
Plos, conforme está indicado na própria gravura de Guenther, ou b) duplos in-
tercalados de amarello mesmo sobre quasi toda a porção anterior do corpo. Face
'entrai clara, ás vezes com manchas negras lateraes e com uma pinta negra em
cada placa subcaudal.
Distribuição: região neotropica, desde Xicaragua até Colombia.
Helicops angulata (L.)
H. angulata Amaral — Mcm. Inst. Butantan IV :14S. 1929.
X.® 92 (I. L. S.). Jovem. 9 , procedente de Sonsón.
Supralabiaes 8; dorsaes 19; ventraes 118; anal 2; caudacs 78 pares.
Comprimento total 195 mm.; cauda 56 mm..
X.® 100 (I. L. S.). Medio, , procedente de Acacias.
Supralabiaes 8; dorsaes 19; ventraes 115; anal 2; caudacs 74 pares.
Comprimento total 295 mm.; cauda 90 mm..
X.® 101 (I. L. S.). Jovem, 9, procedente de Acacias.
Supralabiaes 8; dorsaes 19; ventraes 115; anal 2; caudacs 58 pares.
Comprimento total 180 mm.; cauda 43 mm..
Especie ainda não registada na Colombia.
Helicops leopardina (Schlkoel)
H. leopardina Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:149.1929.
X.® 99 (I. L. S.). Jovem. 9 . procedente de Quibdó.
Supralabiaes 8 (4.*); temporaes 1 -f-3/1 ; dorsaes 19; ventraes 138;
ana l 2, subcaudaes 76 pares.
110
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Ventre e tace inferior da cauda com uma dupla serie de manchas semiluna-
res negras e com 3 linhas claras : 1 mediana e 1 de cada lado.
Comprimento total 262 mm.; cauda 70 mm..
Especie ainda não registada na Colombia.
Helicops scalaris Jax
H. scalans Amaral — Mem. Inst. Butantan IV :149. 1929.
X.° 88 (I. L. S.) Adulto, j , procedente de Cúcuta.
Supralabiaes 8 (4.*) ; temporaes 1 4-4/1— 3 ; dorsaes 21 ; ventraes 121 ; anal
2; caudaes 69 pares.
Ventre com 2 series longitudinaes de manchas cinzentas e 3 faixas amarel-
ladas: 1 mediana e 1 de cada lado.
Comprimento total 615 mm.; cauda 165 mm..
Ninia atrata atrata (Hallowell)
X. atrata atrata Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:151.1929.
N.° 59 (I. L. S.) Jovem, c* , procedente de Sasaíma.
Supralabiaes 7 (4.*); dorsaes 19; ventraes 149; anal 1; subcaudaes 59 pa-
res. 1 pequena preocular (subocular) sob a frenal; 4 infralabiacs contiguas ás
mentaes anteriores.
Escuro no dorso; claro no ventre; anel amarello na nuca.
Comprimento total 185 mm.; cauda 40 mm..
N. # 77 (I. L. S.). Adulto, Ç , procedente de Villavicencio.
Supralabiaes 7 (3.*, 4.*, 5.*); dorsaes 19; ventraes 149; anal 1; sulxraudacs
54 pares. 4 infralabiacs contiguas ás mentaes anteriores.
Pardo acinzentado no dorso; amarellado no ventre.
Comprimento total 351 mm.; cauda 71 mm..
Eudryas boddacrtii (Sentzen)
D. boddacrtii Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:154.1929.
X.® 5 (C. D.) Jovem, Ç , procedente de Jerico.
Supralabiaes 9; dorsaes 17; ventraes 164: anal 2; subcaudaes 97 pares.
Comprimento total 336 mm. ; cauda 82 mm..
X." 16 (C. D.). Jovem, $, procedente de Jericó.
Supralabiaes 9; dorsaes 17; ventraes 178; anal 2; subcaudaes 97 pares.
Comprimento total 389 mm.; cauda 109 mm..
8
A. do Amaral — Ophidios neotropicos
111
HO (I. L. S.). Adulto, Ç, procedente de Espinal.
Supralabiaes 9; dorsaes 17; ventraes 196; anal 2; caudaes 96 pares.
Chironius fuscus (L.)
C. fuscus Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:161.1929.
66 (I. L. S.). Adulto, <3*, procedente de Villavicendo.
Supralabiaes 9; dorsaes 10; ventraes 156; anal 1; subcaudaes 115 pares.
Comprimento total 1886 mm.; cauda 588 mm..
Leimadophis reginae (L.)
L. reginae Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:167.1929.
^•° 75 (I. L. S.). Adulto, z , procedente de Mcdina.
Supralabiaes 8; dorsaes 17; ventraes 142; anal 2; subcaudaes 72 pares.
Comprimento total 585 mm.; cauda 155 mm..
Lygophis taeniurus bipraeocularis (Blgr.)
L. taeniurus bipraeocularis Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:170.1929.
63 (I. L. S.). Adulto, o*, procedente de Paime.
Supralabiaes 8; preocularcs 2; dorsaes 17; ventraes 136; anal 2; subcaudaes
57 pares.
Ventre claro como cm L. t. albh-entris.
Nota : Este exemplar parece hybrido de bipraccularis c albiventris, con-
forme assignalci in Mem. Inst. Butantan IV:21.1929.
Comprimento total 485 mm.; cauda 117 mm..
Liophis cobclla alticolus Amaral
L. cobella alticolus Amaral — Buli. Antiv. Inst. America IV (4):87.1931
*C® 94 (I. L. S.). Adulto, Ç , procedente de Medellin.
Supralabiaes 8; dorsaes 17; ventraes 147; anal 2; subcaudaes 50 pares.
Coloração typica.
Comprimento total 490 mm.; cauda 97 mm..
9
112
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
N.° 2 (C. D.). Adulto, o , procedente de Jerico.
Supralabiaes 8; dorsaes 17; ventraes 144; anal 2; subcaudaes 48 pares.
Coloração typica, mas aneis obscurecidos.
Comprimento total 515 mm.; cauda 110 mm..
N.° 9 (C. D.). Jovem, 9 , procedente de Jerico.
Supralabiaes 8; dorsaes 17; ventraes 145; anal 2; subcaudaes 55 pares.
Coloração typica.
Comprimento total 187 mm.; cauda 38 mm..
X.® 10 (C. D.). Jovem, 9 » procedente de Jerico.
Supralabiaes 8; dorsaes 17; ventraes 147; anal 2; subcaudaes 46 pares.
Coloração typica.
Comprimento total 175 mm.; cauda 32 mm..
Urotheca elapoides euryzona (Cope)
U. elapoides euryzona Amaral — Mem. Inst. Butantan IV. 177. 1929.
N.° 58 (I. L. S.). Jovem, 9 » procedente de Pensilvania.
Supralabiaes 8; dorsaes 17; ventraes 140 (?); and 1; subcaudaes 104
pares.
Coloração typica. Ventre estragado.
Comprimento total 261 mm.; cauda 89 mm..
Urotheca latcristriga (Berthold)
U. lateristriga Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:178.1929.
X.® 78 (I. L. S.). Adulto, o', procedente dc Muzo.
Supralabiaes 8; dorsaes 17; ventraes 159; anal 2; subcaudaes 85 pares.
Comprimento total 480 mm.; cauda 157 mm..
Lampropeltis micropholis Cope
L. micropholis Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:180.1929.
N.° 64 (I. L. S.). Adulto, ' , procedente de Jericó.
Supralabiaes 7; dorsaes 21; ventraes 224; anal 1; subcaudaes 43 pares
+ n.
Comprimento total 1055 mm. ; cauda 145 mm..
10
A. do Amaral — Ophidios neotropicos
113
67 (I. L. S.). Adulto, , procedente de Florencia.
Supralabiaes 7 ; dorsaes 21 ; ventraes 227 ; anal 1 ; subcaudaes 49 pares.
Comprimento total 803 mm.; cauda 107 mm..
° 97 (I. L. S.). Jovem, f* , procedente de Pensilvania.
Supralabiaes 7; dorsaes 21; ventraes 218; anal 1; subcaudaes 51 pares.
Comprimento total 322 mm. ; cauda 48 mm..
113 (I. L. S.). Jovem, 9, procedente de Paime.
Supralabiaes 7; dorsaes 21; ventraes 217; anal 1; subcaudaes 44 pares.
Comprimento total 360 mm.; cauda 45 mm_
Atractus badius (Boie)
A. badius Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:185.1929.
N’.* 83 (I. L. S.). Adulto, , procedente de Chita.
Labiaes 7; dorsaes 17; ventraes 150; anal 1; subcaudaes 31 pares; 3 iníra-
labiaes contíguas ao par de mentaes.
Dorso castanho com pequenas manchas negras. Lados da nuca, lábios c gar-
ganta mais claros; ventre claro bem manchado de negro aos lados.
Comprimento total 291 mm.; cauda 35 mm..
83 A (I. L. S.). Jovem, g , procedente dc Chita.
Labiaes 7; dorsaes 17; ventraes 146; anal 1; subcaudaes 25 pares; 4/5 in-
fralabiacs contíguas ao par de mentaes.
Dorso castanho com manchinhas escuras; mancha nucho-temporal clara;
lábios, garganta e ventre claros salpicados de escuro.
Comprimento total 140 mm.; cauda 15 mm..
Atractus elaps tetrazonus Amaral
A. elaps tetrazonus Amaral — Buli. Antiv. Inst. America IV(4) :87. 1931.
68 (I. L. S.). Adulto, J*. procedente de?
Labiaes 6; dorsaes 15; ventraes 142; anal 1; subcaudaes 30 pares.
Coloração typica.
Comprimento total 337 mm. ; cauda 45 mm..
11
cm
SciELO
3 11 12 13 14 15 16
114
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Atractus guentheri (Wucherer)
A. guentheri Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:186.1929.
N.° 6 (C. D.). Adulto, o , procedente de Jerico.
Labiaes 8/7 (4.*, 5. a /3.\ 4/) ; 4 infralabiaes contíguas ás mentaes que são
granulosas ( ' ). Dorsaes 17; ventraes 161; anal 1; caudaes 27 pares.
Pardo com 2 series de manchas pequenas transversaes negras tarjadas de
claro, oppostas ou alternadas com as do outro lado; ventre manchado de negro
principalmente aos lados.
Comprimento total 280 mm.; cauda 37 mm..
X.° 107 (I. L. S.). Adulto, . , procedente de Jerico.
Labiaes 8/7 (4.*, 5. a /3.\ 4.*) ; dorsaes 17 ; ventraes 161 ; anal 1 ; subcau-
daes 18 pares; 4 infralabiaes contíguas ao par de mentaes.
Pardo com 2 series de pequenas manchas transversaes negras tarjadas de
claro oppostas ou alternadas com as do outro lado; ventre manchado de negro
especialmente aos lados.
Comprimento total 330 mm.; cauda 28 mm..
Especie ainda não registada na Colombia.
Atractus lasallci Amaral'
A. lasallei Amaral — Buli. Antiv. Inst. America IV(4) :87. 1931.
X.° 15 (C. D.). Adulto, o* . procedente de Jericó.
Labiaes 7; dorsaes 17; ventraes 166; anal 1; subcaudacs 22 pares.
Dorso anegrado. Lábios e garganta claros; face ventral negra, bem man-
chada de amarcllo aos lados e centro e principalmente sob a cauda.
Comprimento total 425 mm.; cauda 43 mm..
Atractus loveridgei Amaral
A. loveridgei Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:187.1929.
N.° 4 (C. D.). Adulto, Ç , procedente de Jericó.
Labiaes 7; dorsaes 17; ventraes 174; anal 1; caudaes 15 pares.
Castanho-anegrada com manchas irregulares c indícios de estria negra de
cada lado sobre a 4.* e 5.* filas; ventre negro, manchado de amarello ao meio
e de cada lado.
Comprimento total 508 mm. ; cauda 37 mm..
12
A. do Amaral — Ophidios ncotropicos
115
X.® 101 (I. L. S.). Adulto, $ , procedente de Jericó.
Labiaes 7; dorsaes 17; ventraes 171; anal 1; subcaudaes 17 pares.
Coloração como em X.® 11 A, garganta e ventre um pouco mais manchados
de amarello.
Comprimento total 275 mm.; cauda 19 mm..
X.® 3 (C. D.). Medio, q , procedente de ?
Labiaes 7; dorsaes 17; ventraes 157; anal 1; subcaudaes 25 pares.
Dorso castanho, com 1 linha negra tina sobre a 2.® fila; estria sobre a 4.®
e 5.* filas e sobre a 7.* e 8.* ; têmporas, lábios e garganta claros ; ventre claro
com manchas negras nos lados e no centro, mais claro nos lados.
Comprimento total 312 mm.; cauda 36 mm..
X.° 11 (C. D.). Jovem, $, procedente de Jericó.
Labiaes 8/7 (4.®, 5.®/3.*, 4.®) ; dorsaes 17 ; ventraes 162; anal 1 ; subcaudaes
19 pares.
Castanho com 1 linha sobre a 2.® fila ; estria sobre a 4.® e 5.® e sobre a 7.®
c 8.® filas; têmporas claras, ventre claro no centro c limite externo com man-
chas pardas do lado.
Comprimento total 150 mm.; cauda 8 mm..
X.® 11 A (C. D.). Adulto, Ç, procedente de Sampedro.
Labiaes 7; dorsaes 17; ventraes 170; anal 1; subcaudaes 15 pares.
Coloração como cm X.® 4 (C. D.), ventre quasi inteiramente negro, apenas
mais amarello sob a cauda.
Comprimento total 384 mm. ; cauda 25 mm..
Atractus nicefori Amaral
A. nicefori Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:18S.1929.
X.® 105 (I. L. S.). Jovem, Ç, procedente de Jericó.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 152; anal 1 ; subcaudaes 20 pares.
Dorso pardo com faixas escuras transversa es pouco perceptíveis ; ventre cas-
tanho profusamente manchado de claro.
Os caracteres anatômicos parecem corresponder aos do adulto, embora seja
bem diverso o colorido. Só serie maior resolverá esta duvida.
Comprimento total 155 mm.; cauda 13 mm..
13
1 1 G
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
Atractus nigriventris, sp. n.
X.° 82 (I. L. S.). Adulto. I . procedente de Chita.
Dcscripção — Focinho saliente. Cabeça estreita e alongada. Cauda cy-
lindrica e relativamente alongada. Rostral pequena, pouco mais larga do que
alta; intemasaes pequenas; prefrontaes um pouco mais largas do que longas;
frontal 1 vez e % mais larga do que longa e muito mais curta do que as parietaes;
nasal semi-dividida ; í renal 2 vezes e Y* tão longa quanto alta. separada da
orbita pela 3.* supralabial contígua á preírontal de cada lado; postoculares 2,
ambas em contacto com a temporal anterior; temporaes 1 -f- 2 ; supralabiaes 7
(3.® e 4.® contíguas á orbita) ; 3 pares de infralabiaes contíguos ao unico par de
mentaes, separado da symphysal pelo primeiro par infralabial. Escamas dorsaes
em 17 filas. Yentraes 175. Anal inteira. Subcaudaes 26 pares.
Coloração — Dorso castanho-acinzentado, com a base das escamas mancha-
da de negro; lábios e garganta claros manchados de cinzento escuro, a cor clara
estendendo-se para trás ao longo do ventre sob a forma de uma estria de cada
lado, margeando as ventraes que são inteiramente cinzento-anegradas em todo o
resto de sua extensão.
Typo — no Instituto Butantan.
Dimensões — Comprimento total 365 mm.; cauda 35 mm..
Nota — Esta especie parece próxima de A. bocourti Blgr., da qual se dis-
tingue pela conformação da frenal. curteza das mentaes e pela coloração.
Atractus obtusirostris Werner
A. obtusirostris Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:188.1929.
X.° 60 (I. L. S.). Jovem, Ç , procedente de Pensilvania.
Labiacs 7 (3.®. 4.*); 4 infralabiaes contiguas ao par de mentaes; dorsaes
17; ventraes 159; anal 1; subcaudaes 19 pares.
Dorso castanho com 1 serie paravcrtebral de manchas escuras sobre a 7.*
fila e 1 estria escura sobre a 3.® fila de cada lado (paraventral). Ventre es-
curo levemente salpicado de amarello e com 1 estria clara lateral (marginal á
1.® fila dorsal).
Comprimento total 235 mm.; cauda 20 mm..
N.° 70 (I. L. S.). Adulto, 9 , procedente de Pensilvania.
Supralabiaes 8: 4 infralabiaes em contacto com o par de mentaes; dorsae-
17; ventraes 160; anal 1; subcaudaes 17 pares.
14
cm
SciELO
D 11 12 13 14 15 16
A. do Amaral — Ophidios neolropicos
117
Pardo claro no dorso, com 1 estria negra sobre a 3.* fila e manchas negras
occupando 1 escama sobre a 7.* fila, formando 1 serie intercisa de cada lado, da
linha vertebral ; ventre quasi todo negro, com algumas manchas amarellas e limi -
tado de cada lado por 1 estria amarellada, marginal á 1* fila dorsal; mancha
temporal obliqua amarella tarjada de negro presente de cada lado.
Comprimento total 540 mm.; cauda 37 mm..
Atractus oculotemporalis Amaral
A. oculotemporalis Amaral — Buli. Antiv. Inst. America V(3) :67.1932.
N* 8 (C. D.). Adulto, o" . procedente de Jerico.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 142; anal 1; subcaudaes 28 pares; 4 infra-
labiaes contíguas ao par de mentaes.
Coloração typica.
Comprimento total 314 mm.; cauda 36 mm..
N.° 85 (I. L. S.). Adulto, o* ■ procedente de Jerico.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 147; anal 1 ; subcaudaes 31 pares; infra-
labiaes contíguas ao par de mentaes.
Coloração typica.
Comprimento total 315 mm.; cauda 37 mm..
85 A (I. L. S.). Adulto, . , procedente de Jerico.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 145; anal 1; subcaudaes 23 pares ; 4 in-
iralabiacs contíguas ao par de mentaes.
Dorso escuro cinza com manchas imperceptíveis.
Comprimento total 230 mm.; cauda 21 mm..
K* 108 (I. L. S.). Medio, o* . procedente de Jcricó.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 142; anal 1 ; subcaudaes 31 pares.
Coloração typica.
Comprimento total 205 mm.; cauda 24 mm..
106 (I. L. S.). Adulto, q , procedente de Jerico.
Labiaes 8 (4.*, 5.*) ; dorsaes 15; ventraes 147; anal 1 ; subcaudaes 27 pares;
V5 infralabiaes contíguas ao par de mentaes.
Coloração typica.
Comprimento total 355 mm.; cauda 40 mm..
Atractus punctiventris, sp. n.
102 (I. L. S.). Adulto, o* . procedente de ViUavicencio.
Descripção — Focinho arredondado. Cabeça algo alargada. Cauda cylin-
^ f ica e longa. Rostral pequena, mais larga do que alta; intemasaes pequenas:
15
cm
SciELO
3 11 12 13 14 15 16
118
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
prefrontaes tão largas quanto longas ; frontal tão longa quanto larga, mais curta
do que as parietaes ; nasal semi-dividida ; írenal 3 vezes tão longa quanto alta;
postoculares 2, ambas em contacto com a temporal anterior; temporaes 1+2,
a supero-posterior muito longa ; supralabiaes 7 (3* e 4.* contíguas á orbita) ; 3
pares de infralabiaes contíguas ao unico par de mentaes separado da symphysal
pelo l.° par infralabial. Escamas dorsaes em 15 filas. Ventraes 158. Anal in-
teira. Subcaudaes 33 pares.
Coloração — Dorso castanho-claro levemente manchado de negro sobre o
bordo das escamas e com uma serie paravertebral de manchas negras tarjadas
de claro, irregularmente dispostas e ás vezes fundidas com as do lado opposto;
cabeça manchada de negro, lábios e garganta esbranquiçados, superíicie ventral
também esbranquiçada com uma estria negra mediana constituida por uma man-
cha arredondada collocada bem sobre o centro de cada placa ventral das sub-
caudaes.
Typo — no Instituto Butantan.
Dimensões — Comprimento total 325 mm.; cauda 43 mm..
Nota — Esta especie parece próxima de A. rccticulatus (Blgr.), da qual
se distingue pelo comprimento da írenal, pela curteza das mentaes c pela co-
loração.
Atractus trivittatus, sp. n.
N.° 84 (I. L. S.). Medio, $ , procedente de Chita.
Descrípção — Focinho arredondado. Cabeça algo alargada. Rostral dimi-
nuta, tão larga quanto alta; intemasacs pequenas; prefrontaes um pouco mais
longas do que largas; frontal tão larga quanto longa, mais curta do que as pa-
rietaes; nasal subdividida; írenal 2 vezes e yí tão longa quanto alta, postoculares
2, ambas cm contacto com a temporal anterior; 8 supralabiaes (4.* e 5.* contí-
guas á orbita) ; 4 infralabiaes contíguas ao unico par de mentaes, separado pela
symphysal pelo l.° par infralabial. Escamas dorsaes em 17 filas. Ventraes 176-
Anal inteira. Subcaudaes 33 pares.
Coloração — Dorso castanho profundamente salpicado e manchado de
negro; cabeça negra menos nos lábios c na garganta que são brancos embora
bem manchados de negro; superfície ventral branca com innnmcras manchas
pardo-anegradas formando 3 estrias longitudinaes.
Typo — no Instituto Butantan.
Dimensões — Comprimento total 180 mm.; cauda 18 mm..
Nota — Esta especie parece próxima de A. major Blgr., da qual se distin-
gue facilmente pelo numero de supralabiaes, extensão da frenal e pela coloração
bastante conspicua.
16
cm
SciELO
D 11 12 13 14 15 16
A. do Amaral — Ophidios neotropicos
119
Sibon sibon (L.)
S. sibon Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:194.1929.
X.® 61 (I. L. S.)- Medio, ' , procedente de Sasaima.
Labiaes 7 (4.*, 5.*) ; dorsaes 15; ventraes 169; anal 1 ; caudaes 89 pares.
Comprimento total 330 mm.; cauda 82 mm..
N’.° 69 (I. L. S.). Adulto, c • procedente de ?
Supralabiaes 7; dorsaes 15; ventraes 187; anal 1; subcaudaes 90 pares.
Comprimento total 765 mm. ; cauda 205 mm..
X.° 91 (I. L. S.). Adulto, o* • procedente de Medellin.
Labiaes 7 (4.*, 5.*) ; dorsaes 15; ventraes 177; anal 1 ; caudaes 89 pares.
Comprimento total 574 mm.; cauda 148 mm..
111 (I. L. S.). Adulto, o , procedente de Quibdó.
Supralabiaes 7; dorsaes 15; ventraes 179; anal 1 ; subcaudaes 98 pares.
Comprimento total 600 mm.; cauda 150 mm..
^.° 112 (I. L. S.). Adulto, o . procedente de Paimc.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 184; anal 1 ; caudaes 87 pares.
Comprimento total 545 mm.; cauda 133 mm..
Sibynomorphus catesbyci (Sentzen)
S. catcsbyei Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:196.1929.
95 (I. L. S.). Adulto, 9 , procedente de ?
Labiaes 9/8 (5.*, 6.*/4.\ 5.*). Prcocularcs 2/2; dorsaes 13; ventraes 179;
an «il 1 ; caudaes 95 pares.
Comprimento total 320 mm.; cauda 85 mm..
Sibynomorphus sancti-joannis (Blgr.)
L. sancti-joannis Boulenger — Ann. & Mag. Xat. History ( 8 ) VII :24.191 1.
Em trabalho anterior ( 8 ) eu havia reunido esta forma e varias outras á
especie 5". mikanii (Schlegel) que desdobrei em 4 raças. Xesse trabalho também
considerei a forma L. sancti-joannis Blgr. como synonyma de 5". mikanii perua -
n *s (Boettger). Essa fusão foi-me dictada pela impossibilidade de encontrar
differenças muito nitidas entre os exemplares typos por mim examinados, aliás
geralmente em mau estado de conservação.
Todavia, em artigo mais recente (7. p. 67), achei prudente revalidar a cs-
Pcoie S. sancti-joannis (Blgr.), por lhe ter examinado um perfeito exemplar,
17
120
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
obtido em Pensilvania, Colombia, pelo Irmão Niceforo Maria. Cabe-me, agora,
confirmar essa revalidação á luz do presente espedme, também em boas condi-
ções de conservação e cujos caracteres coincidem com a descripção dada por Bou-
lenger para a sua especie.
Feita esta separação, torna-se necessária uma revisão das seguintes especies
aííins de X. mikanii, no intuito de se verificar a sua respectiva validez: X.
boettgeri (Warner, 1901), X. schunkii (Blgr., 1908), X. boliviana (Wemcr,
1909) e X. latifasciatus (Blgr., 1913).
N.° 62 (I. L. S.). Adulto, 9 . procedente de Pensilvania.
Labiaes 9 (4. a . 5.*, 6.*); preoculares 2; temporaes 2+2/2 -f 3; mentaes 3
pares. Dorsaes 15, serie vertebral fortemente augmentada; ventraes 200; anal
1 ; caudaes 89 pares.
Comprimento total 906 mm. ; cauda 206 mm..
Leptodeira annulata annulata (L.)
L. annulata annulata Amaral — Mem. Inst. Butantan IV :204.1929.
N.° 7 (C. D.). Adulto, 9 > procedente de Jericó.
Labiaes 8; subocular 1 ; dorsaes 21 ; ventraes 193; anal 2; caudaes 89 pare-.
Comprimento total 482 mm.; cauda 121 mm..
Pseiidoboa cloelia (Daldin)
P. cloelia Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:205.1929.
X. # 65 (I. L. S.). Jovem, 9 , procedente de Villaviccncio.
Labiaes 7/8 (3.*, 4. B /4.*. 5.*); temporaes 2+3; dorsaes 19; ventraes 233;
anal 1 ; caudaes 83 pares.
Roseo-pardo no dorso; nuca amarellada com mancha negra posterior; fo-
cinho negro; ventre claro.
Comprimento total 455 mm.; cauda 86 mm..
Pseudoboa petola (L.)
P. petola Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:207.1929.
N.° 76 (I. L. S.). Adulto, 9 . procedente de Villavicencio.
Labiaes 8; dorsaes 19; ventraes 210; anal 1 ; caudaes 55 pares + n.
Dorso pardo anegrado com vestígios de aneis.
Comprimento total 928 mm.; cauda 160 mm..
18
cm
SciELO
D 11 12 13 14 15 16
A. do Amaral — Ophidios neotropicos
121
Dryophylax pallidus pallidus i L.)
D. pallidus pallidus Amaral — Mem. Inst. Butantan IV :2 10. 1929.
93 (I. L. S.). Adulto, Ç , procedente de ?
Labiaes 8; dorsaes 17; ventraes 148; anal 1; caudaes 78 pares.
Coloração typica.
Comprimento total 325 mm.; cauda S3 mm..
Tantilla melanocephala (L.)
T. melanocephala Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:221.1929.
12 (C. D.). Adulto, o* , procedente de Jericó.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 149; anal 2; caudaes 61 pares.
Dorso castanho com 5 linhas negras longitudinaes ; manchas amarcllas. Su-
Ptalabiaes presentes, inclusive a grande posterior.
Comprimento total 413 mm.; cauda 100 mm..
Stenorhina degenhardtii (Bertmold)
•S. degenhardtii Amaral — Mem. Inst. Butantan IV 523.1929.
98 (I. L. S.). Jovem, o , procc<lentc de Quibdó.
Labiaes 7; temporacs 1+2; f renal fundida com a nasal; dorsaes 17; ven-
ces 147; anal 2; caudaes 49 pares.
Comprimento total 230 mm.; cauda 43 mm..
103 (I. L. S.). Jovem, <£ , procedente de Muzo.
Labiaes 7; temporãos 1 + 2; frcnal fundida com a nasal; dorsaes 17; ven-
,r aes 141; anal 2; caudaes 43 pares.
Comprimento total 205 mm. ; cauda 35 mm..
109 (I. L. S.). Adulto, cT , procedente de Muzo.
Labiaes 7; temporaes 1+2; frcnal fundida com a nasal; dorsaes 17; ven-
tr aes 143; anal 2; caudaes 42 pares.
Comprimento total 515 mm.; cauda 113 mm..
114 (I. L. S.). Adulto, Ç, procedente de Sasaima.
Labiaes 6 (L* fundida com a rostral, 2.*, 3.* + orbita); temporaes 1+2;
,r enal fundida com a nasal e com a preoctilar á direita c só com a nasal ã cs-
^Uerda; preocular fundida com a 2.* labial á esquerda. Postocular fundida com
a temporal anterior; dorsaes 17: ventraes 159; anal 2; caudaes 34 pares.
Comprimento total 465 mm.; cauda 70 mm..
19
122
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Micrurus corallinus dumerilii (Jax)
M. corallinus dumerilii Amaral — Man. Inst. Butantan IV:228.1929.
X.° 73 (I. L. S.). Adulto, Ç, procedente de Muzo.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 213; anal 2; caudaes 39 pares.
Corpo com 27 aneis negros; cauda com 6 aneis negros.
Comprimento total 637 mm. ; cauda 71 mm..
X.° 90 (I. L. S.). Adulto, ' , procedente de Fusagasuga.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 187; anal 2; caudaes 48 pares.
Corpo com 19 aneis negros ; cauda com 8 aneis negros.
Comprimento total 485 mm.; cauda 79 mm..
Micrurus mipartitus (D. Jt B.)
M. mipartitus Amaral — Mem. Inst. Butantan I V :23 1 . 1 929.
X.° 1 (C. D.). Adulto O, procedente de Jericó.
Labiaes 7 ; dorsaes 1 5 ; ventraes 295 ; anal 2 ; caudaes 26 pares.
65 aneis vermelhos no corpo e 6 na cauda.
Comprimento total 862 mm.; cauda 45 mm..
Micrurus narduccii (Jan)
3/. narduccii Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:231.1929.
X.° 72 (I. L. S.). Adulto. 9 , procedente de Putumayo.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 259; anal 2; caudaes 16 pares.
Colorido negro; ventre com 32 manchas amarelladas.
Comprimento total 400 mm.; cauda 17 mm..
Espccic ainda não registada na Còlombia.
Micrurus surinamensis (Cuvjer)
3/. surinamensis Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:232.1929.
X.° 74 (I. L. S.). Adulto, o* , procedente de Villavicencio.
Labiaes 7; dorsaes 15; ventraes 169; anal 2; caudaes 33 pares.
7 triadas de aneis negros no corpo e 1 na cauda.
Comprimento total 890 mm.; cauda 100 mm..
Espccic ainda não registada na Colombia.
20
A. do Amaral — Ophidios neotropicos
123
Bothrops atrox (L.)
B. atrox Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:234.1929.
^•° 86 (I. L. S.)- Jovem, O , procedente de Florencia.
Labiaes 7; dorsaes 25; ventraes 199; anal 1 ; caudacs 66 pares.
Comprimento total 475 mm. ; cauda 66 mm..
87 (I. L. S.). Adulto, ' , procedeirte de Chocó.
Labiaes 7; dorsaes 29; ventraes 196; anal 1 ; caudaes 68 pares ~ n.
Comprimento total 1300 mm. -f n. ; cauda 175 mm. -f- n.
Xota: N.° 87 A — Embryão.
Bothrops schlegelit (Bf.rthold)
B. schUgelii Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:240.1929.
14 (C. D.). Adulto, o* . procedente de Sampcdro.
Labiaes 9/8; dorsaes 21 ; ventraes 141 ; anal 1 ; caudaes 52 inteiras.
Comprimento total 357 mm.; cauda 60 mm..
BIBLIOGRAPHIA
L Amaral. A. do — Studlcs of Neotropical Ophidia. VII. An intcrcsting collcction of
snakcs from West Colombia. in Buli. Antiv. Inst. America 1(2) :44-47. 1927.
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fj - Amaral. A. do — Studics of Neotropical Ophidia. XXVI. Ophidia of Colombia. in
Buli. Antiv. Inst. America IV(4) :89-94.i931.
' • Amaral. A. do — Studics of Neotropical Ophidia. XXVII. On two small collcction
of snakcs from Central Cclombia. in Buli. Antiv. Inst. America V(3) : 66-68. 1932.
Amaral, A. do — Estudos sobre ophidios neotropicos. XVII. Valor systcmatico de
varias formas dc ophidios neotropicos, in Mem. Inst. Butantan IV:30-31 . 1929.
(Trabalho da Secção de OphloloaU e Zoologia Medica
do Instituto Butantan, terminado em dezembro de
1933 ).
21
NOTAS DE ACAREOLOGIA
POR
FLAYIO da FOXSECA
(com 6 gravuras no texto)
616.963.3
NOTAS DE ACAREOLOGIA
I* Papel dos acarianos do genero Trombicula na transmissão
das Rickettsias pathogenicas e applicação dessa hypothese á
Rickettsia brasf/fensís Monteiro, 1931.
POR
FLAVIO da FONSECA
Em nosso programma de trabalho incluímos, em meiados de 1931, o estudo
de certos aspectos da modalidade paulista da febre exanthematica, dirigindo sobre-
*udo novos esforços para o problema da transmissão da Rickctlsia brasiliensis,
tc ndo sobre tal assumpto publicado algumas notas em collaboração com J. Lemos
Monteiro e Alcides Prado, deste Instituto.
No decurso desses trabalhos fomos insensivelmente levados a aprofundar o
c »ludo da fauna indígena dos acarianos parasitas, até hoje relegado para plano sc-
^ndario, exccpto no que diz respeito ás csjxxics das Fam. Ixodidac c Aryosidac.
^haustivamente tratados, cm seu aspecto systematico. por Beaurcjxiirc Aragão e
átrios Rohr.
Entre os Acarina de importância cm nosologia. avultam, alem dos Ixodidac,
°s da Fam. Trombidiidac, de que apenas existem raras espccies descriptas para o
^fasil. A relevância do papel que representam na transmissão das rickettsias. o que
Procuraremos aqui salientar, determinou que, encarado este problema, emprehen-
dcssenios o estudo systematico das espccies do genero Trombicula encontradas
°csta região. Com ef feito, entre os vectores provados das varias modalidades de
r, ckettsioses cujo mechanismo da transmissão já é conhecido, sobresahem, ao lado
«os Pediculideos e Syphonapteros, os arachnideos da ordem Acarina, para a qual
te v oltou a attenção geral após os trabalhos realizados sobre a transmissão da Fc-
tias Montanhas Rochosas (que hoje se sabe com segurança ser uma rickettsio-
te) pelos Ixodidac dos generos Dcrmaccntor e Haemapltysalix.
Após longo intervallo, Cowdry, em 1925, verifica a transmissão da licarl-
'cater, devida á Rickctlsia ruminantium Cowdry. pelo Amblyomma bcbracum (1 e
cm
SciELO
3 11 12 13 14 15 16
128
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
2), com isto demonstrando a importância dos ixodidas na vehiculação de infecção
deste grupo.
Novo lapso transcorrido e eis que, em 1931 se demonstra na Europa que o
transmissor da Febre Botonosa é também um Ixodideo, o Rhipicephalus san-
guineus.
Além da transmissão experimental da Febre das Montanhas Rochosas por
outras especies afóra as já conhecidas e da mesma verificação de possibilidade
de transmissão do typho endemico norte-americano por especies dos generos
Denmcattor e Amblyomma (4), ficou patente ultimamente, por estudos realiza-
dos neste Instituto, que a Rickcltsia do typhus paulista é de facil transmissão
experimental pelo Amblyomma cajenncnsc, sendo, além disso, possível a infecção
experimental de Boophilus microplus e Ornithodoros rostratus (5, 6).
Não são, porém, os acarianos da Fam. Ixodidac os únicos representantes da
ordem A cari na que representam papel relevante na transmissão das rickettsioses.
Trabalhos recentes de Dove e Shelmire (7) accusam um representante da Fam.
Dermanyssidae, o Liponissus bacoti, de transmittir o typhus endemico norte-ame-
ricano, sendo portanto esta mais uma familia de acarianos para a qual se devem
voltar as vistas dos interessados em estudos de transmissão de rickettsias.
Bem mais importante do que estes, são entretanto, os Acarina da Fam.
T rombidiidac, sub-familia Trombiculinac, genero Trombicula. Com efíeito, a
observação meticulosa da epidemiologia do tsutsugamushi japonês demonstrou,
pela eliminação successiva de outros arthrópodos c pelo accumulo de provas cm
favor desta hypothesc (inclusive a transmissão a macacos sensiveis por larvao
creadas em laboratorio), que a febre fluvial do Japão, hoje reconhecida como
modalidade de febre cxanthcmatica, tendo como agente um microorganismo do
genero Rickcltsia, é transmittida por uma especie de Trombidiidac , a Trombicula
akamushi (Brumpt, 1910). Esta larva, segundo o demonstraram Miyajima e Oki-
mura (8), não só dissemina a infecção entre certos roedores, particularmentc
Microtus montebelloi. que se tornam outros tantos reservatórios naturaes do virus,
como também, completando o cyclo iníectuoso, transmitte ao homem as rickett-
sias, quer as tenham adquirido hereditariamente, como parece mais provável, quer
directamentc de um roedor infectado, embora este ultimo caso não pareça consti-
tuir a regra c sim mero facto esporádico, dado o habito de conservar-se o aca-
riano fixado ao mesmo hospedeiro durante toda a phasc larvar, unica phasc do
seu cyclo evolutivo em que é parasita.
Segundo verificou Hatori (9) seria ainda a mesma especie, Trombicula aka-
tnushi a que, em Formosa, transmitte o tsutsugamushi, indo provavelmente iníe-
ctar-sc sobre roedores dos generos Apodcmus, Pachyura, Rattus, etc.. Não só, po-
rém, a rickettsiosc japonesa, incluída a de Formosa, tem a sua transmissão assegu-
rada por uma Trombicula; o pseudotyphus de Sumatra é dado como transmittido
por Trombicula deliensis Walch, 1923, sendo suspeitadas de também fazel-o a
Trombicula kcukcnschrijvcri e outra Trombiculinac, de genero muito proximo
4
F. da Fonseca — Xotas de acareologia
129
de Trombicula, a Schõr.gastia schüffncri. Ao accusar Trombicula dcliensis alinha
^Valch (10) uma serie de argumentos em defesa de sua hypothese, entre as quaes
a proximidade desta especie de Trombicula akamushi, sua distribuição geogra-
pbica, parasitismo dos ratos e do homem, etc.. A mesma especie é ainda accusada
de transmittir o typhus tropical dos Estados Malayos, em trabalho de Fletcher,
Lesslar e Lewthwaite (11), os quaes baseam sua crença em observações epidemio-
l°gicas nas quaes estudam a fauna de acarianos e de roedores da região.
No caso das febres exanthematicas da China e do México, tem já sido exter-
na 'la a suspeita de transmissão por Trombicula (12).
Ao passo, porém, que o conhecimento scientifico do papel representado pelas
Irombiculas na vehiculação de infecções deste grupo foi sendo adquirido paulati-
ttamente, á custa do esforço de muitos investigadores, que baseavam suas pesquisas
09 analogia do que já estava estabelecido para a transmissão de outras infecções
Por arthropodos, a suspeita ou mesmo o conhecimento empirico deste papel era
ja do dominio das civilizações anteriores á Occidental.
Sambon (12), em trabalho notável, em que amenisa a aridez das dcscripções
s )stematicas com judiciosas considerações philosophicas e históricas sobre o papel
dos Trombidiidae em nosologia, refere que, tendo Hatori citado uma obra chinesa
do século XVI, intitulada Honzo Komoku (Systcma de Historia Natural), cm que
e faria referencia á transmissão de febre por um acariano, procurou consultai -a
tio Departamento Oriental do Museu Britannico. Ahi encontrou a obra procurada,
Pèu tsao Kang Mu, compilada por Li Shih-chên, da dynastia Ming. c de que
Honzo Komoku representa a versão japonesa, obra da qual cita tópicas que dei-
*ani pouca duvida, sobre o conhecimento das Trombicula c da infecção por cilas
determinada, por parte de quem escreve a obra e seus contemporâneos.
A proposito do "tabardillo” mexicano, que hoje se sabe ser também uma
>ebre exanthematica, chama Sambon (loc. cit) a attenção para a semelhança dos
n °nies indígenas: da moléstia ( matlalzahuatl ) e de um acariano do gcncro Trom-
^ulci, Trombicula irritans ( tlalzahuatl ), vendo nisto nem mais nem menos do
V** a associação da causa c do ef feito, descoberta empirica dos nativos. Justifica
ntodo de ver pelo que observou Koch no Leste da África, onde o, indigenas
designavam a inalaria e o mosquito transmissor pelo mesmo nome “mbu". c pela
Ve riíieação de Brumpt entre os Gallas, Abyssiníos e Somalis. onde a palavra
u
Qurud" indica ao mesmo tempo a febre recurrentc e o carrapato vcctor.
Embora a inteipretação de Sambon não tenha ainda recebido saneção scien-
híica, não deixa por isso de ser extremamente judiciosa, indicando aos pesquisa-
dores que ultimamente se têm occupado com a transmissão do typho endêmico
f, orte-amcricano uma nova idéa a explorar.
Deantc do exposto comprehender-se-a que todos os que se quiserem occupar
c °m o problema da transmissão das rickettsioscs deverão lançar suas vistas para
0 importante papel das trombiculas, investigando si, ao lado de outros vcctores,
5
130
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
não poderão esses acarianos ser incriminados. Foi o que nos decidimos a fazer
a proposito da rickettsiose paulista, embora nada até hoje constasse na literatura
scientiíica a respeito da existência de trombiculas na região em que se tem mani-
festado a infecção.
Além da simples analogia a que insensivelmente somos levados ao investigar
infecções de um mesmo grupo, razões outras, de ordem epidemiologica. condu-
ziram o auctor a alimentar a desconfiança de que o papel de vehiculador da Ri'
ckcltsia brasiliensis possa ser desempenhado por um acariano deste genero.
Estes argumentos podem ser resumidos nos seguintes factos:
1. °) a infecção é predominantemente rural;
2. °) só foi encontrado carrapato em 1 doente entre 60 observados no Hos-
pital do Isolamento;
3. °) existem varias especies de Trombicula na zona em que predomina a in*
fecção ;
4. °) a um exame summario passarão fatalmente despercebidas as Trombicula
porventura existentes sobre doentes;
5. °) são abundantes na zona infectada ratos e outros pequenas animaes pos-
síveis depositários do virus ;
6. °) são muito raras as pulgas de ratos na zona mais infectada.
Analysemos os argumentos adduzidos cm favor desta hypothcse.
1. °) A infecção é predominantemente rural.
Esta verificação, quasi por si só permitte excluir a hypothese da transmissão
por pcdiculideos. syphonapteros e cimicideos, pois não ha razão para que se ad-
mitia serem os primeiros e os últimos mais abundantes na zona rural tio que na
zona urbana, onde suas condições de proliferação são possivelmente melhores de-
vido á menor hygicne observada nas habitações collcctivas ou mesmo individuaci
de certos bairros. Tratando-se de parasitas adaptados ao homem, não ha tambefl®
motivo para se acreditar que os de zona rural estejam infectados, ao passo que o>
de zona urbana estejam indemnes. Quanto aos pulicideos. nossa cxperiencia, do-
cumentada em trabalho publicado em collaboração com Alcides Prado (13), proví
que são muito mais abundantes na zona urbana, onde a infecção é muito mais rara-
Além dnso, esses cctoparasitas. colhidos em condições óptimas, não se mostra-
ram infectados, segundo observaram Lemos Monteiro, Alcides Prado e o proprio
auctor (14). Além dos dipteros hcmatophagos e de raros outros cctoparasitas tK
animaes domésticos, até hoje ainda não accusados «la transmissão da infecção deste
grupo, só restam, portanto, como evidentemente suspeitos, os acarianos, ixodida*
ou outros.
2. °) Só em um doente até hoje foi encontrado um carrapato.
Entre mais de 60 doentes que deram entrada no Hospital do Isolamento
uma vez foi possivel observar fixado um carrapato, relatando um outro doente
0
F. da Fonseca — Xotas de ucareolugia
131
historia pregressa recente de picada por arthropodo que desconhecia e que inior-
niaram ser carrapato. Experiências por nós realizadas em collaboração com Lemos
•Morteiro e Alcides Prado (5,6) demonstraram que varias especies de carrapatos,
d°» generos Amblyomma, Boophilus c Ornithodoros são sensíveis ao virus do
*ypho exanthematico, principalmente o Amblyomma cajcnncnse, que pode adqui-
nr e transmittir a infecção a cobaias pela simples picada, infectando além disso
a sua prole.
A estas verificações experimentaes seguiram-se a observação, relatada no tra-
lho de Piza, Meyer e Salles Gomes (15). de um doente que trazia ainda fixado
a o braço um carrapato que os auctores identificam ao Amblyomma cajennensc
e uma outra observação dos mesmos auctores de uma doente que relatou historia
recente de picada por arthropodo que não conhecia e que infonnaram ser carra-
iato. Esses factos, alliados ao de ser esta especic de carrajatos commum na zona
mtectada, bem como as circumstancias de ordem morphologica, biologica e expe-
rimental, que demonstram estar o Amblyomma cajennense em melhores condições
de sugar o homem e de transmittir a infecção do que o Boophilus microplus,
•azem daquella especic o alvo das mais acccntuadas e justificadas suspeitas. Por
°utro lado, porem, não deixa de ser em extremo chocante o facto de só uma vez
*er sido capturado um carrapato em flagrante parasitismo, quando é sabido que os
°arraj>atos da familia Ixodidac, os únicos que occorrem na zona infectada,
permanecem por longo temjx) fixados a seus hosjiedeiros. Segundo as verificações
experimentaes emprehendidas neste Instituto, o lapso necessário á incubação do
v, rus ajxjs a picada infcctantc em cobaias é relativamente pequeno e permittiria,
Pelo menos em um numero regular de casos, fossem os carrapatos ainda colhidos
«n parasitismo, ajiós o apparecimento dos symptomas. Embora não estejamos
pensando em transportar intcgralmcntc para a especic humana o que sc verifica
naquelle animal de laboratorio, estes dados são os únicos que possuimos no assum-
pto cm causa, e a analogia com o periodo de incubação necessário ás infecções
nielhor conhecidas do grupo pennitte acreditar não seja longo esse periodo.
Estamos plenamente convencido, á vista dos resultados que obtivemos, de
que Amblyomma cajcnncnse é, sinão o vector resjx>nsavcl. pelo menos um dos
possíveis; sinão o transmissor habitual, pelo menos um factor accidental. mas
Períeitamente capaz de transmittir ao homem a Kickcttsia brasilicnsis, desde que
0 acaso o colloquc entre o depositário infectado, que a epidemiologia da infecção
demonstra existir, c o homem receptivcl.
Xão sabemos si, no caso citado de parasitismo de um doente por Amblyom-
,,,a cajcnncnse, ioram instituídas experiencias de picada e inoculação do caria-
pato encontrado, bem como as ncccssarias provas de immunidade das cobaias. A
probabilidade maior é. porém, que o citado carrapato estivesse infectado, sinão
anteriormente, pelo menos após a refeição sanguínea no doente, dada, segundo
observamos, a elevada percentagem de carrapatos desta espccie que sc infectam
ao alimentar-se nas cobaias.
132
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Não impede, todavia, essa crença a possibilidade da existência de um outro
vector, que explique o ponto obscuro acima citado : a raridade do encontro de car-
rapatos sobre os doentes. Este ponto seria cabalmente esclarecido caso se viesse
a demonstrar ser a transmissão eííectuada por acarianos de dimensões exiguas
como as trombiculas, que só um pesquisador prevenido poderá encontrar.
3. °) Existem varias especies do genero Trombicula na zona em que predo-
mina a infecção.
Em nota que opportunamente será publicada teremos occasião de demonstrar
ser frequente na zona infectada o encontro de varias novas especies de trombi-
culas, o que vem collocar o problema do ty pitus paulista em situação de grande
semelhança com o tsutsugamiishi japonês e o pseudotyphus de Java.
4. °) A um exame summario passarão íatalmente despercebida , os exem-
plares de Trombicula porventura existentes sobre os doentes.
Já nos referimos a este ponto, mas, para ainda uma vez reíorçal-o, esclarece-
remos que o comprimento máximo de um exemplar repleto de sangue só rara-
mente ultrapassa 500 micra, sendo em media de ca 250 micra. Além disso, sua
côr e a rcacçáo local provocada pelo parasitismo no homem serão facilmente mas-
caradas pela erupção pctechial dos doentes.
5. °) Por serem abundantes na zona infectada ratos e outros pequenos ani-
maes possíveis depositários do virus.
Demonstrando a epidemiologia a existência de um depositário e sendo sabido
que os exemplares de Trombicula se vão infectar em roedores, a existência destes
dois elementos demonstra a viabilidade da hypothese
6. *) As pulgas de ratos são muito raras na zona infectada.
Admittindo a hypothese de que os ratos sejam depositários do virus do typhus
paulista, o que não está demonstrado, pois o virus isolado de ratos por Monteiro
e Fonseca não c idêntico ao humano (16), ainda assim, como verificaram Prado
e Fonseca (13), o indice pulicideano dos ratos da zona mais infectada c tão baixo
que difficilmente explicaria a transmissão. Além disso, as raras pulgas existentes
não se mostraram infectadas. Sabido como é que as Trombiculas parasitam fre-
quentemente ratos, dcduz-sc, ainda uma vez, que a hypothese da infecção de taes
acarianos é plausível.
Fica deste modo justificada a origem e razão de ser das “Xotas de Acareo-
logia” que figuram neste volume, bem como das que porventura a estas se segui-
rem, como si para tal não bastasse o interesse scicntiíico puro de um grupo tão
curioso, o que no juizo de muitos poderia parecer insuf fiei ente.
SUMMARIO
De accordo com os dados epidemiologicos, a hypothese da transmissão da
Rickcttsia brasiliensis Monteiro, 1931 por um acariano do genero Trombicula de-
verá ser tomada cm consideração.
F. d.v Fonseca — Xotas de acareologia
133
ABSTRACT
J
In the light oí the epidemiological work on the S. Paulo typhus the rôle
played by a mite (gen. Trombicuh) in the transmission of this infection requires
lurther study.
BIBLIOGRAPHIA
’• 2 Cowdry, E. V. — J. Exp. Med. XLII :231. 253.1925.
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municação ã Soc. de Biol. de S. Paulo, sessão de 8.XI.1932.
9
616.068.5
NOTAS DE ACAREOLOGIA
D. Ichoronyssus butantanensis, sp. n. (Acarina, Dermanyssidac).
(XOTA PREVIA)
POR
FLAVIO da FONSECA
Em meiados de 1930 capturámos sobre um camondongo branco. Mus muscu-
lus, var. albiuus, da criação do bioterio da Faculdade de Medicina de S. Paulo,
secção da cadeira de Microbiologia. numerosos exemplares de um acariano perten-
cente á família Dermanyssidac, genero Ichoronyssus Kolenati.
Os representantes desta Familia são de regra parasitas dc roedores, aves. mor-
cegos, etc., numerosos existindo descriptos na literatura. Um dclles, Liponissus
bacoti (Hirst, 1913), parasita ratos c entre nós também os preás (Cavia a perca),
apresentando importância considerável, não só porque pode igualmente parasitar
o homem, determinando uma dennatose particular, segundo tem demonstrado vá-
rios observadores, como c principalmente por já ter sido accusado de transmittir
ao homem rickcttsias de varias modalidades do typho cxanthematico (Ycja-sc
adiante nota sobre o parasitismo do homem por Liponissus bacoti).
A especie que descrevemos no presente trabalho, distingue-se de todas as
outras do genero, como se deprehende da dcscripçáo da femea tomada como
typo.
Femea — Comprimento: 0nun.670. Largura: Oinm.330 ao nivel do IV par
de jatas. As variações, quer de largura, quer de comprimento, são ]>cqucnas. A
fórnia é elliptica bastante regular. A coloração é branca-amarellada. vista a olho
nú. O corpo é pouco piloso e o tegumento molle, finamente estriado.
Face ventral — Placa esternal: cerca dc cinco vezes mais larga do que longa,
situada entre as coxas do II par. fortemente ccncava no bordo posterior c suave-
nicnte ondulada no anterior; ângulos fortemente pronunciados, sendo os anterio-
res afilados; tres pares de cerdas iguacs situadas numa mesma linha antero-pos-
11
cm
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136 Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
terior; os anteriores implantados dircctamente no bordo anterior, são os mais
internos ; os médios um pouco afastados dos bordos lateraes ; os posteriores, situa-
dos nas projecções posteriores da placa esternal, são marginaes.
Placa genito-ventral —
apresenta largura notável,
relativamente ao seu com-
primento, principalmente
proximo á extremidade
posterior, sendo o ponto
mais estreito o que se en-
contra ao nivel da coxa
IV; extremidade posterior
arredondada, terminando
a considerável distancia
da placa anal ; um par de
cerdas sub-marginaes, de
comprimento igual ao das
esternaes, ao nivel do l>or-
do posterior da coxa IV.
Placa anal — Ligeira-
mente piri forme, com ori-
fício anal proximo da
margem anterior ; tres cer-
das, ficando o par ante-
rior, de cerdas menores,
immcdiatamcnte para trás
de uma linha traçada pelo
meio do orificio anal e no
meio do espaço compre-
hendido entre o rebordo
anal e as margens la-
teraes ; ccrda posterior
afastada da margem posterior do anus por distancia maior que seu comprimento ;
cerdas menores que as das outras placas.
Estigmas — Situados ao nivel do bordo posterior da coxa III.
Pcritrcmas — Visíveis desde o meio da coxa IV até o bordo anterior da
coxa I. Patas — IV e I pares são as mais longas. Coxa III com um forte
espinho, coxa II com espinho menor e coxa IV com espinho muito pequeno. Fe-
mures I e II com 2 cerdas spiniformes. Tibia I pouco mais longo do que largo
e tibia II tão longo quanto largo.
12
F. da Fonseca — Xotas de acareologia
137
Face dorsal — Escudo integro cobrindo grande parte do cephalothorax e
parte do abdome, de faces a principio parallelas, com ligeira depressão ao nivel do
III par de patas, convergindo desde atrás do IV par até a placa anal, ao nivel
de cujo meio termina em larga ponta rhomba. Pouco cerdoso, apresentando
cerca de doze cerdas sub-marginaes de cada lado.
Macho — Apesar de termos montado grande numero de paratypos, não nos
loi dado encontrar macho algum.
Habitat — Grande numero de exemplares (adultos e nymphas) capturados
sobre um me: mo especime de Mus tuuscu/us, var. albinus.
Patria — S. Paulo? Não nos é possível garantir tratar-se de especie de S.
Paulo ou mesmo do Brasil, pois a criação de camondongos em que foi encontrada
provinha do Rio de Janeiro, de onde foram trazidos alguns exemplares cerca de
Clr >co annos antes e para onde parece ter sido levada da Republica Argentina.
Aliás, em ratos escuros capturados em local proximo nunca observámos parasi-
; 'smo por esta especie. £’, aliás, mais provável que os exemplares capturados pa-
rasitassem accidentalmente o camondongo, não sendo este seu habitat natural.
Holotypo — Montado em lamina da collecção do Instituto Butantan e assi-
gnalado.
Paratypos — Na mesma collecção, montados c conservados cm álcool.
ABSTRACT
A nevv spccies is described of a dennanyssid mite, genus Ichoronyssus Kolk-
*ati, found on a heavily infested white mouse, Mus tnusculus, var. albinus.
The new spccies, I. butantenensis, may bc charactcrizcd as íollows :
DkSCJUITION OF THE O
Lenght, Omm.67; width, Omm.33 at the levei of leg IV. Shapc clliptical,
colour, by naked cyc, ycllowish white. Scarcely setous body, with striatcd soít
te gument.
V entrai side — Stcrnal plate about five times as broad as long, lying bc-
tween second coxae ; posterior margin deeply concave ; anglcs well pronouneed, an-
ter ior ones slender ; six paired setae in tvvo straight antero-posterior rows ; íirst
P a >r of stemal setae directly on front margin and next to median line; median pair
some distance írom lateral margins; posterior pair marginal, at posterior pio-
Jcctions of stcrnal plate.
Genito-vcntral plate — Very broad, especially at posterior end, narrower at
•cvel of coxae IV; posterior extremity broadly rounded at a considerablc distance
13
cm
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138
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
of anal plate: one pair of sub-marginal setae. as long as stemal one. at levei oi
coxae IV.
Anal plate — Piriform. anus near íront margin; paired setae smaller than
posterior one. a little behind middle of anal aperture, halfway between rim of
anus and lateral margins of anal plate; posterior seta a little over its lenght from
posterior margin oi anus; setae smaller than those of other plates.
Sligmala at levei of posterior margin of coxae III. Pcrítrcmata visible from
middle of coxae IV to iront margin of coxa I.
Lcgs I and IV longest. Coxa III with a stout spine, coxa II with a smaller
and coxa IV with a vcry small spine. Femora I and II with two spine-Iike
setae. Tibia I slightly longer than wide; tibia II as long as wide.
Dorsal sidc — Sliicld covering most of cephalothorax and part of abdômen,
with lateral margins parallel in front. with a depression at levei of III legs and
converging from behind leg IV to levei of middle of anal plate. with a broad
distai end ; scarcely setous, with al>out 24 sub-marginal setae.
Habitat — Found swarming on Mus musculus, var. albinus.
ralria — S. Paulo.
Holotypc and paratypes — All in thc collection of the Instituto Butantan.
61G.968.ri
NOTAS DE ACAREOLOGIA
Dl. Parasitismo do homem e de Cavia aperea por Liponissus
bacoti (Hirst, 1913) (Acarina, Dermanyssidae)
POR
FLAYIO da FOXSECA
Entre os acarianos da familia Dermanyssidae é sem duvida Liponissus bacoti
(Hitst. 1913), originalmente dcscripto no gencro Lciognathus Cancstrini, o que
maiores relações apresenta com a parasitologia humana.
O interesse por elle ultimamente despertado augmenta dia a dia com as obser-
vações repetidas de parasitismo do homem c com a presumpção de tratar-se dc
***** possivel vehiculador de certas modalidades do typho cxanthcinatico americano
e europeu, servindo dc intermediário entre o rato, reservatório natural provado
Rickcttsia que determina aquclla íonna da infecção, c o homem. Foi mesmo
demonstrado, nos últimos meses do anno findo, ser possivel a transmissão expe-
r *mental do “typhus" norte-americano por intermedio deste acariano.
Já cm 1914 assignalava Hirst (1) que Liponissus bacoti fõra capturado va-
,las vezes na Australia, parasitando o homem. Em 1923 Bishopp (2) refere casos
de invasão de edifícios inteiros cm quarteirões commerciacs de cidades do Texas,
encontrando-se os incommodos acarianos desde o l.° ate ás vezes o 10." andar dc
Un * prédio. A infestação de domicílios era rara. observando-se mais frequente-
mente em casas commerciacs, cinemas, estações de estradas de ferro, etc.. Sua pre-
scn< >a tinlia como consequência o parasitismo do homem, determinando prurido c
dor. Refere casos de pessoas que, cm consequência dc picadas dc vários a caria -
n ° s > sentiram-se doentes, apresentando febre e máo estar geral, o que attribue, sem
Çfande razão, aliás, á excitabilidade desses indivíduos. Como consequência das pica-
das observam-sc prurido e petechia.
Maxcy, em 1929 (3). externa a suspeita dc serem acarianos possíveis vecto-
fCs do “typhus” norte-americano.
Em 1931 Shelmire e Dove (4) colligem uma serie dc observações dc parasi-
hsnio do honrem pelo Liponissus bacoti, documentando com jihotographias a con-
cm
SciELO
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140
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
sequenaa dos distúrbios por elle causados, montando a mais de 200 os casos de
parasitismo humano observados. Lesões semelhantes á urticaria, papulas e vesicu-
las de situação variavel, exigindo diagnostico differencial com picadas de perceve-
jos, piolhos do corpo e outros hematophagos, bem como escabiose, são as lesões
por elles verificadas, aggravadas, ás vezes, por infecção secundaria. Foi com-
provada a infestação de casas particulares, hotéis, casas de negocio, cinemato-
graphos, etc.
A simultaneidade do apparecimento da " rat-mite dcnnatitis” e do typho exan-
thematico no Texas, bem como a existência comprovada do Liponissus bacoti
em casas de doentes de “typhus”, levaram os auctores a crer na possibilidade dc
ser este acariano o transmissor da infecção ao homem.
Como consequência dessas suspeitas, levaram Dove e Shelmire a cf feito uma
serie de pesquisas, cujos resultados, relatados em Novembro de 1931 (5), provam
a possibilidade de infectar experimentalmente o Liponissus bacoti com a Ricketl-
sia da fôrma norte-americana do “typhus”, demonstrando não só a presença de
Rickcttsia em cortes histologicos de Liponissus infectados, como a transmissão
da infecção a ratos e cobaias por picadas de acarianos alimentados alguns dias an-
tes em animaes infectados, verificações estas que emprestam considerável impor-
tância ao Liponissus em pathologia.
Finalmente, ainda em 1931, Netter (6) incrimina Liponissus bacoti como
um possivel transmissor da moléstia de Brill ou typho endemico benigno.
Liponissus bacoti teve sua presença assignalada no Egypto, Abyssinia, Aus-
trália e em varias localidades da America do Norte (4). Na America do Sul ape-
nas consta a sua existência na Argentina, onde foi capturado já em 1912 (7). (*)
Encontramol-o em S. Paulo cm Setembro do corrente anno, no decurso de
pesquisas emprehendidas em collaboração com os drs. Lemos Monteiro e Alcides
Prado, deste Instituto.
Nas primeiras vezes cm que nos foi dado observal-o, capturámos numerosos
exemplares parasitando intensamente um pequeno Cavidco muito commum cm
vários Estados do Brasil, o preá, Ccrcia aperca.
De nove exemplares de preás capturados nos arredores da cidade, seis se mos-
traram parasitados por Liponissus bacoti, que parece ter-se adaptado perfeita-
mente ao parasitismo dos preás, pois é encontrado em grande numero, estando
quasi todos os exemplares repletos dc sangue, que os distende c dá coloração
escura, de um negro avermelhado.
Contrasta com a frequência e abundancia nos preás e raridade de Liponissus
bacoti nos ratos por nós examinados, provenientes do mesmo local onde tinham
(*) Depois dc concluída e entregue á impressão esta nota, foi-nos dado conhecer °
trabalho de Oudctnans (9) em que este auctor ass iguala a presença inesperada de Liponissus
lacoti na Europa, tendo examinado material capturado em Hamburgo atacando o homem
c apparccendo periodicamente, mesmo no inverno.
F. da Fonseca — Solas de acareologia
Hl
sido capturados os preás. Em trabalho publicado com Alcides Prado já salientá-
11505 ter sido raro o encontro desse acariano em 1 18 ratos, cuja fauna de ectopara-
iitas foi cuidadosamente examinada.
O aspecto do acariano em parasitismo nos preás, augmentado de volume de-
v, do ao gráo de repleção, bem como a sua frequência nestes pequenos cavidcos,
em opposição á
sua raridade nos
ratos da mesma
zona, fez-nos a
principio suspei-
tar pudesse tra-
tar-se de uma
outra especic de
Liponissus.
Os caracteres
minuciosos d e
importância cs-
j>ccifica, porém,
coincidem plena-
mente cm todos
os casos com a
diagnose origi-
nal do Lipouis-
sus bacoti (9),
bem como com
os caracteres ad-
dicionacs poste-
riormente des-
criptos pelo au-
ctor da espe-
cic (1), tratan-
do-sc apenas de
um caso de
adaptação a um
novo hospedeiro,
o qual, prova-
'elmente, por defender-se menos do que ratos, é mais frequente e mais intensa-
inente parasitado.
Além dessas observações de parasitismo de preás e ratos, foi-nos dado tam-
pem observar, em collaboração com Lemos Monteiro e Alcides Prado, a presença
deste acariano no homem, tendo sido colhido um exemplar na cabeça de uma
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LJponUta* biroli <Hirst. 1913)
17
cm
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142 Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
criança parasitada tambein por Pediculus cafritis, observação de interesse tanto
maior, quanto acabára de ser diagnosticado um caso de typho exanthematico na
residência do pequeno portador.
Tivemos opportunidade de observar postura e eclosão de ovos dos exempla-
res capturados sobre preás, os quaes podem ser mantidos vivos durante alguns
dias íóra do hospedeiro.
Os ovos, de còr branco-amarellada, postos em agglomerados de cerca de
30-50, ficam agglutinados : conservados á temperatura ambiente (-r 18.°), inicia-
ram a eclosão tres dias depois de postos. As lanas sahem por um dos pólos, evol-
vendo para nvmphas ao cabo de poucas horas.
SUM MARIO
O auctor encarece a importância parasitologica do Lipouissus bacoti (Hirst,
1913) baseado em verificações de parasitismo do homem na transmissão expe-
rimental do “typhus” obtido na America do Norte.
Assignala a presença do Lipouissus bacoti em São Paulo, parasitando o ho-
mem, o preá e o rato.
ABSTRACT
Piponissus bacoti (Hirst, 1913) is reported from S. Paulo, Brazil, as a para-
site of C creia apcrca, a very common Brazilian rodent. Most of the spccimens o!
this Cavid caught in the suburbs of S. Paulo city have been found iníested by
that mite which seems to be well adapted to its new host. Rats ( Epimys ttorvci p-
cus, Mus rattus and M. musculus) from the same localities are infested rathcr
infrcquently. L. bacoti was found in the course of investigations aiming at the dis'
covcry of the natural vectors of endemic typhus in S. Paulo, a specimen of it hav-
ing been caught on a child in whose home a case of this discase had been reported
at that occasion.
Oviposition of females has also been observed and the hatching of their egg- 4
followed.
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F. da Fonseca — Xotas de acareologia
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616.968. 5
NOTAS DE ACAREOLOGIA
IV. Presença do Ophionyssus serpentium (Hirst, 1915)
(Acarina, Dermanyssidae) no serpentário do
Instituto Butantan
POR
FLAVIO da FOXSECA
F.iii meiados do anno passado, procurando capturar Ixodideos em ophidios
Crj n senados no serpentário do Instituto, observámos que grande numero destes
at Hmaes se apresentavam parasitados por acarianos.
Syndicando o facto, obtivemos do dircctor, dr. Aíranio do Amaral, a iníor-
n,a Ção de remontar a infestação do serpentário á cpoca (1929) em que o Instituto
f °i presenteado por um particular com um exemplar de pythão (Python reticula-
tkt ) de proveniência ignorada, infestado por acarianos.
Examinando exemplares clareados c montados pela technica u uai, verificá-
m °s tratar-se de um Dermanyssidae do genero Ophionyssus Mégnin, 1884, coin-
c, dindo a cspecie com a descripção do Ophionyssus serpentium (Hirst, 1915),
a prescntada por Ewing (1) cm seu trabalho sobre os Dermanyssidae norte-ameri-
^Dos, onde vem descripto no genero Serpcnticola Ewing, 1923, hoje synonymo de
Ophionyssus Mégnin, 1884 (2). Originalmente foi a cspecie descripta sob o nome
hhor onyssus serpentium Hirst, 1915 (3), também tendo sido collocado no genero
Liponissus.
Os dois escudos dorsaes existentes na femea. bem como a pequenez do
C5c udo posterior e a existência de apenas dois pares de cerdas na placa esternal,
^racterizam o genero, sendo a cspecie identificada pelo grande intervallo exis-
t^nte entre os dois escudos citados, numero de cerdas do escudo anterior e al-
Suns outros caracteres que o distinguem de Ophionyssus casti (Ewing, 1825) (4).
Ophionyssus serpentium parece não apresentar especificidade parasitaria,
Pois o temos capturado ultimamente sobre varias especies de ophidios brasi-
eir <>s mantidos no serpentário do Instituto.
21
cm
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146
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
ABSTRACT
The prescnce of Ophionyssus ser Pentium (Hirst, 1915) was recently dií'
closcd spccially on snakes confined in the show cages, at the Instituto Butantan.
which werc intensely parasited by that mite. The presence of this acarian i n
Brazil seems to bc entirely accidental as it was introduced into the Butantan snakc
garden with a specimen of Python rcticulatus from unknown origin, which wa*
offered to this Institute in 1929.
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22
616.968.5
NOTAS DE ACAREOLOGIA
Trombicu/a butantanensfs, sp. n. ( Acarina , Trombidiidae)
POR
FLAVIO da FOX SECA
Em Fevereiro do corrente anno. o assistente-chefe de tc Instituto, J. 15.
Arantes, no decurso de seus estudos sobre parasitas de serpentes, encontrou
^bre si uma larva de acariano desde logo reconhecida como pertencente á íam.
Trombidiidae, sub-familia Trombicvlime, pelas suas exiguas dimensões, cor ver-
melha característica e pela reacção intensa provocada pelos jwucos exemplares em
P^asitismo.
O exame minucioso, após clareamcnto, por mim realizado revelou tratar-se
uma larva pertencente ao genero Trombicula Belesc, a qual differc das des-
^Pções das outras especies brasileiras c sul-e norte-americanas.
DESCRI PÇAO
Larva de cõr vermelha, engorgitada, com 480 X 300 micra ao uivei do III
l' ar de patas.
Palpos — Dobrados em angulo recto. Articulo proximal (1+2) com 1
^rda com 3 ou 4 filamentos (1.* cerda palpai). O articulo seguinte (3. r ) tem
uma cerda núa (2.* cerda palpai). O penúltimo articulo (4.°) apresenta uma
Cer da basal pectinada com cerca de 2 filamentos c 2 cerdas apiedares nuas. O
ultimo articulo, ou appendicc (5.®), apresenta, aparentemente. 7 cerdas, das quaes
O • . . .
- sao lisas. Garra do palpo bifurcada, com ramo dorsal um pouco maior c mais
forte.
Cheliceras — Afilando-se bruscamente no apice onde apresentam um dente
'l°rsal e um pequenissimo ventral, no apice.
Collar rostral com um par de cerdas mias.
23
cm
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148 Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
Facc dorsal — Escudo dorsal finamente pontilhado, bem mais largo do
que longo, com um bordo anterior ligeiramente concavo e o posterior forte-
mente convexo, medindo de largura 92 e de comprimento 35 micra ao nivel das
faces lateraes e 55 micra na altura da cerda mediana. Apresenta 5 cerdas no
escudo, excluindo os organs pseudo-estigmaticos : as duas antero-externas si-
tuadas um pouco para trás do bordo anterior e para dentro do bordo lateral ; a
mediana acha-se afastada do bordo anterior tal como as antero-lateraes ; as pos-
tero-extemas se encontram nos ângulos agudos formados pelas faces lateraes e
posterior. Todas as cerdas são pectinadas.
Pseudo-estigmas a igual distancia das cerdas antero-lateral e postero-lateral
do lado respectivo, bem como da mediana. Órgãos pseudo-estigmaticos 1 com
cerdas longas, com cerca de 7 filamentos na 1/2 distai.
Os olhos anteriores situados na altura dos pseudo-estigmas; olhos posterio-
res não visíveis.
Cerdas dorsacs exclusive as do escudo 24, inclusive as humeraes.
Facc vcntral — Cerdas ventracs, inclusive os dois pares entre as coxas I c
III, 16, dispostas em 8 pares, naturalmcnte devido ao estado de repleção do exem-
plar capturado. Anus na frente do 7.® par de cerdas ventraes.
Membros — I — Coxa porosa com uma cerda filamentosa de situação pos-
terior. .Trochanter e basifemur com 1 cerda filamentosa cada um. Telofemur
com 5 cerdas filamentosas. Genual com 4 cerdas pillosas e 2 lisas. Tibia com
6 cerdas pillosas e 1 lisa. Tarso com mais ou menos 11 cerdas pillosas e 4 lisas
e 1 espinho forte.
II — Coxa porosa, com uma cerda filamentosa de situação posterior. Tro-
chanter com 1 cerda filamentosa, longa. Basifemur com 2 cerdas filamentosas.
Telofemur com 3 cerdas filamentosas. Genual com 3 cerdas filamentosas e 1
lisa. Tibia com 5 cerdas filamentosas e 2 lisas. Tarso com 7 cerdas filamen-
tosas e 2 lisas.
24
F. da Fonseca — Xotas de acareologia
140
III — Coxa porosa, com cerda filamentosa de situação anterior. Tro-
chanter com 1 cerda filamentosa longa. Basifemur com 1 cerda filamentosa.
Telofemur com 3 cerdas filamentosas. Genual com 2 cerdas filamentosas e 2
lisas. Tibia com 5 cerdas filamentosas e 1 lisa. Tarso com 8 cerdas filamen-
tosas e 1 lisa.
A descripção das cerdas dos 3 pares de patas e do 5.” articulo palpai é tão
approximada quanto permitte a delicadeza desses elementos.
Typo — Exemplar unico. repleto, colhido sobre Homo sapicns no Instituto
Butantan, S. Paulo, Brasil, em Fevereiro de 1932, conservado em lamina n;:
collecção do Instituto Butantan.
ABSTRACT
Last February, a larva of an Acarina was found attached to the skin of a
Pcrson. Upon examination that larva was easily identified as belonging to a
oiite of the sub-íamily Trombiculinac In view of its small size. characteristic red
oolour and the strong reaction it caused on the human host. Upon closer exa-
rnination after convenient clearing and mounting the lana provcd to belong in
the genus Trombicula, being, howerer, different írom all the South and Xorth
American species as already described.
Dcfinitioti — Red, engorged larva, 480 ji long and 300 ;i wide at levei of
III pair of legs.
Palpi angulatcd. First palpai seta with 3 or 4 barbs; sccond palpai seta
simple. Segment 4 bearing a basal seta with 2 barbs and 2 simplc apical setac.
Last segmmcnt of palpi with about 5 filamentous and 2 simplc sctac. Palpai claw
bifurcate, externai prong a little longer and stouter, Chcliccrac with a dorsal and
a ventral minute tooth. Dorsal plate porous, much broader than long. 35 |i long
laterally and 55 p centrally and 92 ;i wide along anterior margin. Dorsal plate
"ith 5 setae, pseudostigmatic organs cxcluded: antcro-extcmal lying at some
distancc from anterior and lateral sides; median-anterior seta at same levei pos-
tero-extcmal setae lying along posterior anglcs; all these setac filamentous.
Pseudostigmatic organs at some length both from anterior and posterior setae
°* same side and from median seta; long and bearing about 7 barbs at distai
half. Anterior eyes at levei of pseudo-stigmatic organs: posterior eycs in-
c onspicuous. Dorsal setae 28, humeral seta includcd (in engorged State
-:8:8:2:4:2:2). Ycntral setae, included the two j vai rs between coxae I and III.
R» in number. in 8 pairs in engorged spccimen. Anus in front of 7th pair.
Lcg I — Coxa porous, with a long filamentous seta ncarer posterior edge.
Trochanter and basifemur with onc seta. Telofemur, 5 filamentous setac. Genual.
4 filamentous and 2 simple setae. Tibia, 5 filamentous and 2 simplc setae. Tarsus.
a bout 1 1 filamentous and 6 simple setae.
cm
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lõO
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
II. Coxa porous, with a filamentous seta nearer posterior edge. Trochan-
ter, 1 filamentous, long seta. Basifemur, 2 filamentous setae. Telofemur, 3 fila-
mentous setae. Genual, 3 filamentous and 1 simple setae. Tibia. 5 filamentous
and 2 simple setae. Tarsus. 7 filamentous and 2 simple setae.
III. Coxa porous, with 1 anterior, filamentous seta. Trochanter, 1 long.
filamentous seta. Basifemur, 1 flamentous seta. Telofemur. 3 filamentous
setae. Genual 2 filamentous and 2 simple, setae. Tibia, 5 filamentous and 1
simple setae. Tarsus 8 filamentous, 1 long, simple setae.
Holotypc — Engorged specimen, collccted on Homo sa piais at the Instituto
Butantan, S. Paulo, Brazil, in February 1932, mounted on type slide, in the col-
lection of the Instituto Butantan.
(Trabalhos da secção de Protoioologia e Parasitologia
do Instltulo Butantan, tendo sido os de n. II, Ht
e IV apresentados á Semana de Laboratorio, Soe-
Med. .t Cirurgia, São Paulo, janeiro de 1933 *
os restantes, ultimados em março de 1932).
20
616.968.5
NOTAS DE ACAREOLOGIA
VI. Duas novas ■especies de larvas do genero Trombicula: Trom-
à/cula ophidica, sp. n. e Trombicula ewingi, sp. n. (Acarina,
Trombidiidae) ; nota sobre Trombicula butantanensis Fl. da
Fonseca. 1932 e sobre a inexistência de T. akamushi
(Brumpt, 1910) entre nós.
. FOR
FLAVIO da FOXSECA
Em consequência dc pesquisas systematicas em ophidios recebidos pelo Ins-
tituto Butantan, tivemos opportunidade de capturar muitos lotes dc larvas dc
Acarina do genero Trombicula, as quaes puderam ser determinadas como per-
tencentes a 3 especies perfeitamente definidas, sendo uma delias Trombicula
butantanensis Fl. da Fonseca, 1932, descripta neste volume das Memórias, c
novas as duas restantes.
Devido á facilidade de manejo, por tratar-se dc ophidio não venenoso, c ã
frequência com que c remettido para o Instituto, limitámos a pesquisa systema-
tica á especie Ophis merretnii Wagler, 1824, da qual examinámos, dc janeiro a
junho de 1932, cerca de 150 exemplares, dos quaes 50 de procedência ignorada
e 100 que se distribuíam, por ordem dc frequência, pelos Estados dc S. Paulo,
Paraná, Matto Grosso, Minas Gcraes, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa
Catharina, Goyaz e Districto Federal.
Dos 150 exemplares examinados foram encontrados exemplares dc Trom-
bicula em 20, o que demonstra a frequência do parasitismo na especie de ophidio
considerada, não tendo sido encontrados parasitas nos exemplares de ophidios
de Minas Gcraes, Rio dc Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catharina e Distric-
to Federal, o que provavelmente decorre do pequeno numero (+20) de indiví-
duos dessas proveniências que puderam ser examinados.
a) Descri pção de duas novas especies
Trombicula ophidica, sp. n.
Esta especie é bem mais rara. a julgar pelo pequeno numero de vezes em que
a encontrámos, do que a especie que descreveremos a seguir. Foi capturada cm
cm
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Memórias do Institulo Butantan
Tomo VII
exemplares de Opliis merreinii Wagler, 1824 provenientes das localidades de
Promissão e Mattão, no Estado de S. Paulo, encontrando-se menor numero de
exemplares em cada cobra do que no caso das outras 2 especies parasitas de ophi-
dios e por nós descriptas.
Côr em vida — Vermelha intensa.
Dimensões de exemplares repletos — Muito variavel, podendo attingir nos
exemplares montados 530 micra de comprimento e 320 micra e provavelmente
mais ao nivel do III par de patas.
Palpos — 1.* cerda palpai (art. 1+2) dorsal externa, basal, com 3-5 fila-
mentos. 2* cerda palpai (art. 3) dorsal externa, com cerca de 2-4 filamen-
tos mais ou menos medianos. 4.® articulo palpai com uma cerda ventral, basal,
com 1-2 filamentos e 2 cerdas núas apiedares, int. e ext. 5® articulo ou appendice
não attingindo o apice das garras do palpo, com cerca de 7 cerdas. das quaes
2 lisas. Garra dos palpos bifurcada, com ramos sub-eguaes.
Cheliceras com um dente dorsal e um ventral, menor, apiedar. Collar rostral
com 1 cerda núa.
Face dorsal — Escudo com largura pouco maior do que o comprimento
máximo, apresentando o bordo anterior duas ligeiras concavidades, os lwrdos
lateraes quasi rectos c o bordo posterior com forte convexidade mais ou menos
uniforme em toda extensão. A porosidade é rara atrás dos pseudo-estigmas c
quasi ausente em torno da cerda mediana anterior do escudo. A largura, me-
dida no bordo anterior, é um pouco maior do que o comprimento, medido na al-
tura da cerda mediana anterior. Das
cerdas são mais longas as posteriores,
seguindo-se as anteriores c por fim &
mediana; todas são providas de nu-
merosos filamentos muito curtos, que
lhes conferem aspecto de uma espiga
de trigo. Os pseudo-estigmas ficam
situados mais proximos das cerdas
posteriores e mais afastados da cerda
mediana. Os organs pseudo-estigma-
ticos apresentam na metade distai cer-
ca de 5 filamentos (Fig. 1).
Os olhos anteriores, bem visíveis, ficam na altura dos pseudo-estigmas.
Os olhos posteriores não são visiveis ou são pouco nitidos.
As cerdas dorsaes. incluidas as humeraes c excluídas as do escudo, são 22,
assim distribuídas: um par humeral, duas series de 6 dispostas em V invertido,
de braços bem abertos, um novo par, 4 em linha, formando um par mediano
c um externo e finalmente um par posterior, sendo, portanto, a formula —
da Fonseca — Xotas de acareologia
133
2:6 :6:2:4:2. As cerdas apresentam o mesmo aspecto descripto para as cerdas
do escudo, oscillando suas dimensões entre 20-35 mura mais ou menos, sendo
de um modo geral mais curtas do que as de Trombicula butantanensis.
Face v entrai — As cerdas ventraes são 20, incluídas as existentes entre o
I e o III pares de patas, dispondo-se aos pares. São mais curtas do que as
dorsaes e apresentam o mesmo aspecto.
Patas — 1 par. Coxa porosa com cerda filamentosa de situação posterior.
Trochantéres com 1 cerda filamentosa. Basiíemur, idem. Telofemur, 4, idem.
Genual, 4 filamentosas e 2-3 lisas. Tibia com 6-8 filamentosas e 2-3 lisas. Tarso
com -J- 15 filamentosas, 1-2 lisas e um forte espinho. II par. Coxa porosa
com cerda filamentosa de situação post. Trochanter com 1 cerda filamentosa. Ba-
sifemur com 2 cerdas filamentosas. Telofemur com 4 cerdas filamentosas. Ge-
nual com 3 cerdas filamentosas e 1 lisa. Tibia com 6 filamentosas e 2 lisas. Tarso
cont-f- 12 filamentosas e um espinho forte, mais curto que o do tarso I. III par.
Coxa porosa com cerda filamentosa anterior. Trochanter com 1 cerda fila-
mentosa. Basifemur com 1-2 cerdas filamentosas. Telofemur com 2-3 cerdas
filamentosas. Genual com 3 filamentosas e 1 lisa. Tibia com 6 filamentosas
c 1 lisa. Tarso com -f- 10-12 cerdas filamentosas.
Descripção baseada em 2 cotypos capturados a 19/ V/32 sobre um exem-
plar de Ophis merremii Waglcr, 1824 proveniente de Promissão, Estado de
S. Paulo, montados em laminas numeradas 38 c 39, na collccção do Instituto
Hutantan. Cotypos montados na mesma collccção. Mctatypos de Mattão, Esta-
do de S. Paulo, na mesma collecção.
Trombicula exvingi, sp. n.
Esta cspccie é, sem duvida, a encontrada com maior frequência parasitando
ophidios e também a mais abundante cm uma mesma cobra parasitada, pelo me-
nos entre nós.
Os primeiros exemplares capturados provmham de Correntes, Matto Grosso,
tendo sido verificado posteriormente occorrer com frequência na zona Noroeste
do Estado de S. Paulo, bem como nos estados do Paraná e Goyaz.
Trata-se de especic muito característica, dif ferindo totalmente de todas
a s restantes especies do genero conhecidas, pelo facto de as cerdas antero-lateraes
do escudo serem representadas por elementos extremamente curtos e desmesura-
damente largos, ligeiramente espatulados, nús e de extremidade livre franjada, o
Hue tonta a especie reconhecível á primeira vista.
Ao contrario da Trombicula butantanensis que pode parasitar o homem, esta
^pecie recusou fixar-se sobre o auctor em uma tentativa feita com o fim de
v eri ficar si poderia também parasitar o homem, sendo possivel que se trate
29
cm
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154
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
da especie adaptada ao parasitismo exclusivo de ophidios ou, pelo menos, de
animaes de sangue frio.
Dcscripçõo das larvas em estado de refleção:
Còr — Branca ligeiramente amarellada.
Dimensões das larvas repletas — Muito variaveis, podendo attingir até 600
micra de comprimento por 400 micra de largura ao nivel do III par de patas.
Palpos — 1.* cerda palpai (articulo l-j-2) dorsal externa, relativamente curta,
filamentosa desde a base, com cerca de 5 filamentos dispostos dos dois lados.
2* cerda palpai (articulo 3) dorsal mediana, núa. 4 o articulo com cerda ventral
externa, basilar, lisa e 2 cerdas apicilares, lisas, dorsal interna e dorsal externa,
esta menor. Appendice (articulo 5) não attingindo os ramos da garra do palpo,
com cerca de 7 cerdas, das quaes 2 são lisas. Garra do palpo trifurcada, com
ramos sub-eguaes.
Chelicera com dente dorsal e dente ventral, este muito menor c mais apicilar.
Collar rostral com cerda núa.
Face dorsal — Escudo dorsal mais largo do que longo, bordo anterior com
dupla concavidade nitida. bordos lateraes de concavidade pouco pronunciada e
bordo posterior fortemente convexo. Porosidade faltando ao nivel da cerda media
e rareando atrás dos pseudo-estigmas. Duas manchas alongadas no sentido trans-
versal, mais ou menos triangulares, entre as cerdas antero-lateraes e o bordo an-
terior. Cerdas antero-lateraes constituindo a formação mais característica da es-
pecie, truncadas, lisas, de extremidades franjadas, cujo comprimento c de cerca
de 14 micra por uma largura cerca de 3.5 micra, dirigidas para trás, com o
apice apenas alcançando os pseudo-estigmas, com implantação muito para
dentro dos bordos e do angulo antero-extemo. Cerdas
posteriores implantadas nos ângulos postero-externos,
longas, com cerca de 45 micra, com pillosidade curta
cm toda extensão. Cerda mediana anterior implanta-
da atrás do bordo anterior, com cerca de 38 micra, com
pillosidade curta em toda extensão. Organs pseudo-
estigmaticos longos, com 9 filamentos nos 2/3 distacs
(Fig- 2).
Olhos anteriores e posteriores invisíveis.
Cerdas dorsaes, inclusive as humeraes, em nume-
ro de 22, dispostas segundo a formula: 2:6:6:2:4:2,
sendo as duas series de 6 formadas por 2 ramos oblí-
quos para baixo, tal como as hastes de um V invertido
c a serie de 4 cm uma linha, formada por um par
mais ou menos mediano e um externo.
Face ventral — Cerdas ventraes 16, inclusive os dois pares entre as coxas
I e III, mais ou menos segundo a formula: 2 :2 :2 :4 :2 :2 :2 (em exemplares re-
pletos).
30
F. da Fonseca — Xotas de acareologia
135
Patas — I par — Coxa ponteaguda, porosa, com 1 cerda filamentosa de
situação distai e mediana. Trochanter com 1 cerda filamentosa. Basiíemur com
1 cerda filamentosa. Telofemur com 5 cerdas filamentosas. Genual com 4 cerdas
filamentosas e 3 lisas. Tibia com 8 cerdas filamentosas e 1 lisa. Tarso com
2 15 cerdas filamentosas, 1 nua e um grande espinho. II par — Coxa alongada,
de extremidade proximal arredondada, com cerda filamentosa distai e mediana.
Trochanter com 1 longa cerda filamentosa. Basifemur com 2 cerdas filamen-
sas. Telofemur com 5 cerdas filamentosas. Genual com 4 cerdas filamento-
sas. Tibia com 6 cerdas filamentosas e 2 lisas. Tarso com + 15 cerdas fi-
lamentosas e 1 espinho mais curto que o do tarso I. III par — Coxa porosa,
com cerda filamentosa de situação mais basilar e anterior. Trochanter com 1 cer-
da filamentosa. Basifemur com 2 cerdas filamentosas. Telofemur com 3 cerdas
filamentosas. Genual com 3 cerdas filamentosas e uma lisa. Tarso com -j- 15
cerdas filamentosas.
Descripção baseada em vários cotypos capturados pelo auctor sobre Ophis
»» crremii Wagler, 1824, ophidio conhecido vulgarmente por Boipeva, exemplares
cemettidos ao Instituto Butantan de Correntes, Estado de Matto Grosso. Co-
tvpos e topotypos na collecção do Instituto Butantan montados cm laminas ou
conservados em álcool. Metatypos de varias localidades: Pennapolis, Sylvania,
Promissão. Biriguy, Guatapará, Mattão e Jacaré, cm São Paulo; Morrinhos, cm
Goyaz; Rio Negro, no Paraná; de Quiteriozinho, em Matto Grosso, todos na
mesma collecção.
A espccie é dedicada ao notável acarcologista, H. E. Ewing. auctor de va-
liosos trabalhos sobre Trombiculitiac.
b) Nota sobre T rombicula butantcner.sis FL da Fonseca, 1932.
Em trabalho anterior descrevemos, em collaboração com J. B. Arantes, uma
especie de Trombicula que fôra por este capturada fixada á sua perna. Pro-
curando saber como adquiriu este parasitismo, deduzimos serem as larvas pro-
'avelmentc oriundas do serpentário do Instituto, pois sabíamos serem as Trom-
hicula também parasitas de ophidios e batrachios, animacs estes que frequente-
mente eram manipulados por aquclle nosso collcga. Por ser a Boipeva, Ophis
' nerremii Wagler, 1824 a serpente com que o nosso collcga mais frequentemente
lidava em suas pesquisas, foi para esta espccie que o auctor logo dirigiu a atten-
Ção, tendo visto confirmada sua previsão, capturando sobre esses ophidios nu-
merosos lotes de Trombicula, as quaes puderam ser dividas em 3 especics: Trom-
bicula ophidica, Trombicula czcingi e finalmentc Trombicula butantaueusis Fl. da
1‘onscca. Esta ultima espccie foi primeiro capturada sobre um exemplar de
Ophis merremii de proveniência incerta, de S. Paulo ou Rio Grande do Sul, c
mais tarde sobre Ophis merremii proveniente de Correntes, no Estado de Matto
Grosso.
31
cm
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15G
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
c) Xota sobre a inexistenda de Trombicula akamushi (Brunipt, 1910) en-
tre nós.
Estava escripto este trabalho quando verifiquei haver o dr. Amadeu Fialho
publicado, in Revista Medico-Cirurgica do Brasil XL(7), Julho 1932, em seu
relatorio sobre “Tifo exantemático de São Paulo”, que “o dr. Flavio da Fon-
seca acaba de identificar em São Paulo um exemplar de Trombicula akimiishi.
0 transmissor da febre fluvial do Japão, o Tsutsugamushi, etc.”. Rectificando o
engano do distincto collega, cumpre-me declarar que jamais me passou pela mente
filiar áquella espede o Trombiculineo que encontrámos parasitando o homem
entre nós. Efíectivamente, já em janeiro do corrente anno a especie em apreço
íóra descrinta como T. butantanensis, sp. n., resultando, pois, que o sobredito
engano, por parte de A. Fialho, provém de simples confusão dessa espede
com o genero, por lhe haver eu dado, verbalmentc, conhecimento do encontro
de uma Trombicula em nosso meio.
ABSTRACT
Trombicula ophidica and T. n cingi are described as species new to Science
and some remarks made on the host oi Trombicula butantanensis Fonseca et
Arantes. Trombicula ophidica, sp. n., may be characterizcd thus: Colour-
bright red. Sicc of engorged spccimcns — 530 micra X 320 micra and probably
more at the levei of the III pair of legs. Palpi — lst palpai seta (art. 1+2)
dorsal, externai, with 2-4 more or less median barbs: setae on 4th article one
ventral externai, basal, with 1-2 barbs and two simple, apical setae; 5th artide
not reaching the apex of palpai claws and bearing about 5 filamentous and 2
simple setae. Palpai claws bifurcatc with sub-egual prongs. Chelicerae with
one dorsal tooth and one ventral smaller and more apical. Seta on cheia simple.
Dorsum — Dorsal shield porous, a little wider than long; anterior margin with
a double concavity, lateral margins nearly straight and posterior margin strongly
and about uniformly convex. Posterior setae longest, anterior ones medium-sizcd,
median seta smallest. All setae provided with very short barbs. Pseudostigmata
nearer the posterior and the anterior setae than the median one. Pseudostigmatic
organs with 5 barbs at distai half (Fig. 1). Anterior eyes at the levei of
pseudostigmata ; posterior ones not visible. Dorsal setae 22, humeral included and
thosc of the dorsal shirid excluded; arranged in the following series 2:6:6:2:4:2.
Ventral setae 20. paired, including two pairs between coxae I and III. Lcgs —
1 pair: Coxa porous with a filamentous posterior seta. Trochanter and basifemur
with a filamentous seta. Tclofemur. 4 filamenteus setae. Genual, 4 filamentous
and 2-3 simple setae. Tibia, 6-8 filamentous and 2-3 simple setae. Tarsus with
- 15 filamentous and 1-2 simple setae and a strong spine. 11 pair: Coxa porous
with a filamentous posterior set. Trochanter, 1 filamentous seta. Basifemur, 2
filamentous setae. Telofemur, 4 filamentous and 2 simple setae. Tarsus with
F. da Fonseca — Xotas de acareologia
157
12 filamentous setae and a strong spine, shorter that of tarsus I. III pair:
Coxa porous, with a filamentous anterior seta. Basifemur, 1-2 filamentous setae.
Telofemur, 2-3 filamentous seta. Tibia. 6 filamentous and 1 simple setae. Tarsus
"’ith -f- 10-12 filamentous setae. Description based on 2 cotypes captured on
Opliis merremii Wagler, 1824 from Promissão, S. Paulo (X. 38 and 39 in
the collection of the I. Butantan. Cotypes mounted and in álcool in the same
collection. Metatypes from Mattão, State of S. Paulo, all in same collection.
Trombicula ewingi, sp. n.. may be characterized thus: Colour — yellowish
"hite. Sise of cngorged specimens — very variable, up to 600 micra of length
400 micra of width at the levei of pair III of legs. Palpi — lst palpai seta
(art. 1 -|- 2) dorsal externai, relatively short, filamentous from basis, with about
a lateral barbs; 2nd palpai seta (art. 3) dorsal median, simple; setae on 4th
art. all simple, one ventral externai, basal and two apical ; internai dorsal and
externai dorsal, the latter smaller. Art. 5 not reaching prongs of palpai claws
and bearing 5 filamentous and 2 simple setae. Palpai claws trifurcate with sub-
egual prongs. Chelicerae with one dorsal tooth and one ventral much smaller
and more apical. Seta on cheia simple. Dorsum — Shield porous, wider than
long; anterior margin with a double nitid concavity, lateral slightly concave and
Posterior strongly convex. Antero-lateral setae very characteristically rcduced to
~ naked, wavily margined distally, truncate setae, 14 micra long and 3.5 micra
"ide, tumed backwardly, apcx reaching but pscudostigmata. Mediam seta behind
anterior margin, about 38 micra long; postero-latcral setae at posterior corncrs,
about 45 micra long. Pseudostigmatic organs long, with 5 barbs at distai 2/3
(Fig. 2). Eyes, anterior and posterior, not visiblc. Dorsal setae 22, humerals
included, arranged in the following series: 2:6:6:2:4:2. Ventral setae 16, includ-
,n g 2 pairs between coxae I and III. Lcgs — I pair: Coxa porous, with a distai
^d median seta. Trochanter and basifemur, 1 filamentous seta. Telofemur, 5
filamentous setae. Genual, 4 filamentous and 3 simple setae. Tibia. 8 filamentous
an d 1 simple setae. Tarsus with + 15 filamentous and 1 simple setae and 1
' a rge spine. II pair: Coxa clongatcd, with a distai and median filamentous
s «a. Trochanter with 1 and basifemur with 2, filamentous setae. Telofemur,
a filamentous setae. Tarsus with + 15 filamentous setae and 1 spine shorter
than that of tarsus I. III pair: Coxa quadrangular. porous, with a rathcr basal
and anterior seta. Trochanter with 1 and basifemur with 2, filamentous setae.
Telofemur, 3 filamentous setae. Genual, 3 filamentous and 1 simple setae.
Tarsus with -f- 15 filamentous setae.
iDescription based on several cotypes captured by the author on many
specimens of the aglyph “Boipeva” snakc ( Ophis merremii), sent to the Instituto
Futantan from Correntes, State of Matto Grosso. Cotypes and topotypcs in the
C Butantan collection, all mounted on slides or preserved in alcohol. Metatypes
tr om several other localities such as Pennapolis, Sylvania, Promissão, Biriguy,
33
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158
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Mattão and Jacaré. State oi São Paulo; Morrinhos, State ot Goyaz; Rio Xegro.
State of Paraná; Quiteriozinho, State of Matto Grosso, all in the same collection.
The present species is named atter the distinguisted acareologist, H. E. Ewing,
author of importam papers on Trontbiculinae.
Xote: — T. ezeingi is certainly the commonest and the most abundant of
all species found on snakes in this region. It is a very characteristic species as
it differs very deeply from any of its genus in its shield, bearing antero-lateral
setae cxtremely short and wide. slightly spatulated and simple, their free end
being wavy.
Contrary to T. butantanensis that may parasite the man. T. ezvingi refused
to feed on the author at an attempt made to leam of its habits. It seems rather
to be adapted exdusively to feeding on snakes or at least on poecilothermic animais.
Trombicula butantanensis as described in collaboration with J. B. Arantes
elsewhere in this issue, was found on a man. Seeking an explanation for this
parasitism, the author foresaw the larvae might had come from some snake or
batrachian taken from the snake garden of the Instituto Butantan. Since Ophis
merretnii Wagler. 1824 was the snake most frequently handled by the parasited
person, it was the first species to be submitted to examination, numerous lots of
Trombicula. of the species descril>ed in this paper, having been obtained from
specimens of it. T. butatanensis was first found upon a “Boipeva” snake
probably from S. Paulo and afterwards upon another specimen of it from Corren-
tes. Matto Grosso.
In his report on (Tifo exantemático de S. Paulo), published in Rcv. Mcd.
Cirúrgica Brasil XL(7), July 1932, A. Fialho stated that I had found in S.
Paulo a specimen of T. akamushi, the carrier of Tsutsugamushi disease. This
mistake must be corrected as I ha ve never thought of identifying with that species
the cxample of Trombidiidae capturcd by us (J. B. Arantes and I) on a man.
As a matter of fact, the specimen in question had already liecn recognized as a
new species (T. butantanensis Fl. da Fonseca), so that Fialho’s Information may
only be interpreted as a confusion.
(Trabalho da Secção de Profo/oologia e Parasltologla do
Iostltato Butantan, setembro de 1933).
3t
UM GENERO NOVO
E ALGUMAS ESPECIES DE SARCOPHAGAS (DIPTERA,
STEPHANOSTOMATIDAE) DA CIDADE DE S. PAULO
ALCIDES PRADO e FLAVIO da FONSECA
(.com 8 grax-uras no texto )
2
11 12 13 14 15 16
595.772
UM GENERO NOVO
E ALGUMAS ESPECIES DE SARCOPHAGAS (DIPTERA,
STEPHANOSTOMATIDAE) DA CIDADE DE S. PAULO
POR
ALCIDES PRADO e FLAVIO da FOXSECA
Oxysarcodex/a amara li Prado & Fonseca
Macho. — Fronte mede Qmm09; parafrontaes c paraíaciaes amarello-
doiradas, densamente pollinosas, com pêlos curtos ao rebordo orbitario; fron-
tes em numero de onze, divergentes em cima, proximo ao vertice c em baixo,
á altura dos primeiros segmentos da antenna; interno-vcrticaes presentes; occl-
lares presentes; antennas negras, com a 3.® junta duas vezes c meia mais longa
do que a 2.*, attingindo a 4/5 da distancia das vibrissas ; aristas longo-plumosas
nos 2/3 basacs ; vibrissas pouco acima da margem oral ; proboscida c palpos
negros, estes últimos espatulados c ligeiramente cursos para cima; bochechas
amarello-doi radas com numerosos pêlos; parte posterior da cabeça com duas
íileiras de pêlos negros e pêlo; brancos e negros esparsos, abaixo.
Thorax cinzento, pollinoso, com tres faixa* negras longitudinaes ; acr. ant.
ausentes; dc. ant. pouco differenciadas; acr. post. uma; dc. post. duas ante-
riores reduzidas e duas posteriores bem desenvolvidas; stpl. duas, sendo uma
anterior e outra posterior; marg. duas; ap. uma; ap. uma.
Abdome cinzento, pollinoso, tesselado, com nitidas faixas negras longitudi-
naes; 1.®, 2.® e 3.° segmentos, cada um. com duas cerdas latcraes, sendo que
no ultimo se nota um par mediano e marginal; 4.® segmento com uma serie de
mais de dez cerdas marginaes ; 5.* estemito em forma de V, pouco visivel.
Hypopygio (fig. 1). — 1.® segmento amarello com finos pêlos c uma serie
de cerca de oito cerdas; 2.® segmento da mesma côr, globoso, com pêlos disse-
minados; fórceps amarellados na base, chitinizados no apice, onde se dilatam
em forma de cabeça de prego; placas accessorias amarelladas, um tanto qua-
cm
SciELO
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1G2
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
drangulares, com seu angulo anterior mais agudo e o posterior pouco nitido.
rombo; dasperes posteriores chitinizados, afilando-se e encurvando-se progres-
sivamente em angulo recto; clasperes anteriores mais largos do que os poste-
riores, menos chitinizados e fortemente escavados; penis claro e delgado na
parte basal, terminando por duas expansões apicilares arredondadas de aspecto
complicado, onde se percebe uma lamina denteada e uma placa em que se in-
serem espinhos curtos e fortes.
Pernas negras em geral; coxas e femores levemente acinzentados; femores
médios com um curto pente proximo ao apice; tibias posteriores sem villo-
sidades.
Azas hyalinas; espathicula (epaulet) negra; basicosta amarello-alaranjada ;
1.* nervura longitudinal núa; 3.* nervura longitudinal com dez cerdas basaes na
parte dorsal da aza e com um numero menor na parte ventral.
Feinca. — Fronte com 0mm20; colorido geral mais ou menos semelhante
ao do macho; abdome mais claro e mais largo; externo-verticaes e orbitaes
presentes.
Esta especie é affim de bakcri, de Aldrich.
Comprimento do macho e da íemea: 8mm50.
Holotypo e allotypo, macho e femea, na collecção do Instituto Butantan.
Paratypos em numero de sete. Hypopygio montado de um cotypo. Todos os
exemplares foram obtidos de uma só cultura.
O nome desta especie é dado em homenagem ao dr. Afranio do Amaral,
director do Instituto Butantan c que em nosso meio é um dos inccntores desses
estudos.
Ctenoprosballia florencíoi Prado & Fonseca
Macho. — Largura da fronte 0mm31 ; paraírontaes e parafaciaes amarel-
lo-doiradas, pollinosas, com uma fileira de pequenos pêlos ao rebordo orbitario;
frontacs em numero de doze, ligeiramente divergentes em cima, proximo ao
vcrtice, e em baixo, ao nivel dos primeiros .segmentos da antenna; intemo-ver-
ticaes presentes; ocellares presentes; vibrissas pouco acima da margem oral;
antennas negras. 3.* junta cerca de tres vezes mais longa do que a 2.®, attin-
gindo 4/5 da distancia das vibrissas; aristas longo-plumosas nos seus 2/3 basila-
res ; proboscida e palpos negros, estes últimos espatulados e levemente encurvados
para dentro; bochechas amarcllo-doiradas. pollinosas, revertidas de pêlos negros;
parte posterior da cabeça, com duas fileiras de pêlos negros e outras, mais abaixo,
contituidas de pêlos branco-amarellados.
Thorax amarello, pollinoso, com 3 faixas negras longitudinaes, sendo a me-
diana estreitada na frente; acr. ant. invisíveis; dc. ant. reduzidas; acr. post. uma;
t
Prado s. Fonseca — Sarcophagas de S. Paulo
1G3
dc. post. duas bem desenvolvidas e uma reduzida; stpl. duas anteriores e uma
posterior; marg. tres; sap. reduzidas; ap. uma.
Abdome cinza-amarellado, tesselado, com uma lista negra mediana e as la-
leraes interrompidas; l.°, 2.® e 3.® segmentos, cada um, com duas longas cerdas
kteraes, sendo que nesse ultimo se notam mais duas cerdas marginaes, medianas;
segmento com uma fileira de onze cerdas de tamanhos variaveis; 5.® estcmito
en > V, retrahido.
Hypopygio (fig. 2). — 1.® segmento amarello-alaranjado, com pêlos nu-
merosos ; 2.® segmento da mesma còr. globoso, também com pêlos negros, alguns
Ps quaes bem longos; fórceps chitinizados e terminados em ponta curva, notan-
do-se em sua borda superior pêlos innumeros e em sua borba inferior um pente
“"ti quatro espinhos longos e fortes; placas accessorias amarello-escuras, clavi-
formes ; clasperes posteriores cgualmente chitinizados, alongados e terminados em
Ponta; clasperes anteriores, digitiíormes; penis amarello-pallido, delgado na base.
e dilatado e semigloboso depois, para terminar com duas pontas delicadas.
Pernas negras ; íemores médios com um pente na porção apicilar ; tibias pos-
teriores sem villosidades. Azas hyalinas ; espathicula negra ; basicosta amarella ;
*-* nervura longitudinal núa; 3.* nervura longitudinal com nove ]>ê!os na parte
dorsal da aza e com seis na parte ventral.
Fcmca. — Fronte com 0mm41 ; colorido semelhante ao do macho; externo-
'crticaes c orbitaes presentes, estas ultimas em numero de tres.
Esta especie é afíim de parallela, de Aldrich.
Comprimento do macho c da femea: lOmm..
Molotypo e allotypo, macho e fcmca, na collccçáo do Instituto Butantan.
Pratypos em numero de sete. Hypopygio montado de um cotypo.
Todos os exemplares foram obtidos de uma só cultura.
O nome desta especie é dedicado á memória do dr. João Florencio Gomes,
saudoso assistente do Instituto Butantan e primeiro organizador da collccçáo
^tomologica do Instituto.
Sarcodexia butantani (Prado & Fonseca)
Macho. — Fronte mede Onrmlã; parafrontaes c parafaciaes amarcllas, pol-
posas, com reflexos prateados, e com uma orla de pêlos ao rebordo orbitario;
ífontaes em numero de onze, divergentes, em cima, proximo ao vertice. e em
Pi.xo, á altura da lunula ; intcrno-vcrticaes presentes ; ocellares presentes ; an-
* e nnas cinza-negras, 3.® junta cerca de duas vezes mais longa do que a 2.*, attin-
IPndo a 4/5 da distancia das vibrissas; aristas longo-plumosas nos seus 2/3
Asilares ; vibrissas ao nivel da margem oral ; proboscida c palpos negros, estes
átimos espatulados e encurvados para cima; l>ochechas amarello-pratcadas, com
n Umerosos pêlos curtos; parte posterior da cabeça amarellada, com duas distin-
cm
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164
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
ctas fileiras de pêlos negros e outras indistinctas, abaixo, constituídas por pêlos
branco- pallidos.
Thorax amarello-pallido. pollinoso, com tres conspícuas faixas negras lon-
gitudinaes, sendo a mediana sensivelmente estreitada anterionnente : acr. ant.
uma; dc. ant. tres; acr. post. uma; dc. post. tres; stpl. duas anteriores e uma
posterior: marg. duas; sap. uma; ap. uma.
Abdome amarello-acinzentado, tesselado. com uma faixa longitudinal negra
e mediana e duas outras da mesma cor, submedianas, sobre os tres primeiros
segmentos; leves faixas negro-transversaes á união do; segmentos; l.°, 2.® e 3.®
segmentos, cada um, com duas cerdas lateraes, sendo que no ultimo citado se
notam cerca de oito marginaes; 4.° segmento com onze cerdas marginaes; 5.®
estemito em forma de V’, pequeno, pouco visivel.
Hypopygio (fig. 3). — 1.* segmento pardo-amarellado com pêlos curtos e
raros ; 2.® segmento amarello-alaranjado, com pêlos longos ; fórceps amarellados,
pouco chitinizados, largos, com a extremidade dobrada em angulo recto e um
espinho terminal ; placas accessorias pequenas, rectangulares, implantando-se
nellas numerosos pêlos longos; clasperes posteriores chitinizados, digitiformes;
clasperes anteriores, menos chinitizados, finos e curvos; penis amarello-claro, cotn
sua porção mediana e terminal dilatada, de estructura complexa, onde sobre-
saem varias pontas curvas.
Pernas negras, com excepção das coxas e femores anteriores que têm a sua
parte externa cinza-clara; tibias medias com duas grandes cerdas externo-me-
dianas; tibias posteriores sem villosidades.
Azas hyalinas; cspathicula negra; basicosta branco-perola ; 1.* nervura lon-
gitudinal núa; 3.* nervura longitudinal com sete pêlos basilares na parte dorsal da
aza e apenas dois na parte ventral.
Femca. — Fronte com 0mm36; de colorido semelhante ao do macho, ape-
nas com o alnlom: mais largo c arredondado ; cxterno-vcrticaes presentes ; or-
bitaes também presentes.
Esta especie é afíim de rudis, de Aldrich.
Comprimento do macho: 9mm; da femea: lOmm.
Holotypo e allotypo, macho e femca, na collecção do Instituto Butantan.
I lypopygio montado de um cotypo. Paratypos em numero de tres. Todos os
exemplares foram obtidos de uma unica cultura.
Oxysarcodexia neotropica/is Prado & Fonseca
Macho. — Fronte mede 0mml3; parafrontaes e parafaciaes amarello-doi-
radas, pollinosas, com uma orla de pêlos curtos ao redor das orbitas; frontaes
em numero de dez, levemente divergentes em cima, ao vertice, e em baixo, á
Prado * Fonseca — Sarcophagas de S. Paulo
165
altura da 2.® junta antennal; interno-verticaes presentes: ocellares curtas; an-
tennas cinza-negras, com a 3.* junta quasi tres vezes mais longa do que a 2.*,
attingindo a 4/5 da distancia das vibrissas ; aristas longo-plumosas nos seus 2/3
basilares ; vibrissas pouco acima da margem oral ; proboscida e palpos negros, estes
cspatulados e curvos; bochechas amarello-doiradas, revestidas de pêlos negros;
Parte posterior da cabeça cinza com reflexos ecuros e com tres fileiras dis-
tinctas de pêlos negros e outras, indistinctas, de pêlos branco-pallidos, abaixo.
Thorax cinza-claro, com tres faixas negras, longitudinaes ; acr. ant. não
differenciadas ; dc. ant. reduzidas; acr. post. uma; dc. post. duas anteriores re-
duzidas e duas posteriores bem nitidas; stpl. duas anteriores e uma posterior;
tttarg. duas; sap. uma; ap. inconspicua.
Abdome cinza, pollinoso, tesselado, com tres faixas negras longitudinaes,
**ndo uma mediana e duas submedianas, estas ultimas sobre os tres primeiros
segmentos; 4.° segmento inteiramente amarello-doirado ; 1.®, 2.° e 3.° segmentos,
Ca da um. com duas cerdas lateraes. sendo que no 3.° se notam ainda duas me-
diano-marginaes ; 4.° segmento com numerosas cerdas marginaes; 5.® estemito
em forma de V, pouco visível.
Hypopygio (fig. 4). — 1.® segmento amarello-doirado, pollinoso. brilhante,
com uma serie de dez cerdas : 2.® segmento amarello-doirado, globoso, com muitos
Pêlos; fórceps amarellos, chitinizados na ponta, sendo a base muito larga e a
Ponta estreita e arredondada; jieças accessorias amarellas, quadrangularcs e todo
cheias de pêlos : claspercs posteriores curtos e estreitos, de margens parallclas com
forte reintrancia na extremidade; claspercs anteriores largos, com uma tubero-
■ idade na margem anterior e uma ponta na margem posterior; penis delgado
n a base e de estruetura bastante complicada no apicc, onde cm seu contorno se
fi ota uma denteação forte.
Pernas negras, com reflexos cinza na parte postero-iníerior dos femores;
hbias medias com numerosos pêlos ao lado interno e duas longas cerdas ao lado
externo; tibias posteriores sem villosidades.
Azas hyalinas; espathicula negra; basicosta branco-perola ; 1.® nervura lon-
gitudinal núa : 3.® nervura longitudinal com dez cerdas basilares no lado dorsal
tfa aza e cerca de quatro no lado v entrai.
F cinca. — Fronte mede 0mml3. Colorido semelhante ao do macho; cx-
ferno-verticaes presentes; orbitaes presentes.
Esta especie é affim de australis, de Aldrich.
Comprimento do macho: 8mm; da íemea: 9mm.
Holotypo e allotypo, macho e femea, pertencem á collecçáo do Instituto
fcutantan. Paratypos em numero de quatro. Hypopygio montado de um co-
t.vpo. Todos os exemplares foram obtidos de uma só cultura.
7
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
I(í6
Chrysostomomyia to wnsendi (Prado & Fonseca)
Macho. — Fronte mede Omm33; paraírontaes e parafaciaes amarello-doira-
das, pollinosas, ambas com duas fileiras de pêlos curtos ao redor das orbitas;
írontaes em numero de treze, ligeiramente divergentes em cima e em baixo;
intemo-verticaes presentes; ocellares reduzidas; antennas cinza-negras, com a 3.*
junta tres vezes mais longa do que a 2.*, attingindo a 4/5 da distancia das vi*
brissas ; aristas plumosas nos seus 2/3 basilares ; vibrissas pouco acima da margem
oral; proboscida e palpos negros, estes últimos espatulados e curvos; bochechas
amarello-doiradas, pollinosas, com numerosos pêlos amarellados; parte posterior
da cabeça amarello-doirada, com reflexos e curos, e com duas fileiras de pêlos
negros e outras, abaixo, constituídas por pêlos branco-amarellados.
Thorax cinza, com tres faixas negras, longitudinaes e outras duas amarei*
ladas, lateraes, do callo humeral ao callo prealar; acr. ant. e dc. ant. não desen-
volvidas; acr. post. uma; dc. post. duas; stpl. uma anterior e outra posterior;
marg. duas; sap. reduzidas; ap. uma.
Abdome cinza, tesselado, com uma faixa negra longitudinal e mediana, in-
terrompida ao nivel do 4.° segmento, e as submedianas um tanto irregulares e
indistinctas ; l.°, 2.® e 3.” segmentos, cada um, com duas cerdas lateraes, sendo
que nesse ultimo se notam duas marginaes, medianas, espaçadas; 4.° segmento
com uma serie de numerosas cerdas marginaes; 5.® estemito cm forma de V,
retrahido, pouco visivel.
Hypopygio (fig. 5) moderado, com o 1.® segmento amarello, pollinoso; 2.®
segmento amarello-avermelhado, vitreo, revestido de pêlos esparsos ; fórceps ne-
gros. fortemente chitinizados, em forma de bico de passaro, com pêlos eriçados,
curtos, cm sua parte dorsal; placas accessorias amarelladas c arredondadas;
claspcres posteriores pardo-escuros, chitinizados e curvos; clasperes anteriores
amarellos, largos voltados para baixo; penis amarello-claro, expandido, partindo
da sua porção superior dois filamentos em circulo, onde em sua parte interna
se nota uma disposição em serrilha; porção inferior do penis com duas placas
que terminam em gancho.
Pernas negras em geral, com a parte inferior dos femores anteriores acin-
zentada; femores médios c posteriores villosos em sua porção inferior.
Azas bvalinas ; espathicula negra; basicosta amarella; 1.* nervura longitu-
dinal núa ; 3.* nervura longitudinal com uma serie dc nove cerdas na parte dorsal
tia aza e de um numero mais ou menos egual na parte ventral.
Fcinea. — Fronte com OmrnSO; colorido mais ou menos semelhante ao do
macho, com o abdome mais arredondado e tufos de pêlos na sua parte terminal;
extemo-verticaes e orbitacs presentes.
Esta espccie é affim de chrysostoma, de Wiedemann.
Prado * Fonseca — Sarcophagas de S. Paulo
1C7
Comprimento do macho e da íemea: 16mm.
Holotypo e allotypo, macho e femea. existem na collecção do Instituto
^utantan. Paratypos em numero de sete. Hypopygio montado de um cotypo.
Todos os exemplares foram obtidos de uma única cultura.
O nome desta especie é dado em homenagem ao sabio entomologista Char-
le s H. T. Townsend.
TO WNSENDM YIA, gen. n.
Genotypo: T. argentea ( I’rai»o a Fonseca)
Toumscndmyia, gen. n., do qual T. argentea, é genotypo, distingue-se, se-
cundo Townsend, das espedes do genero Bcrcaeopsis TT., pela arista curto-
p!umosa apenas até á metade, inexistência do par mediano marginal de macro-
c hetas do 3.° segmento abdominal; diííere das cspecies do genero Hybopygia
Endl., pelas cerdas frontaes que descem aliaixo da base das antennas e, ainda.
Pela ausência de espinho costal.
Townsend my ia argentea (Prado & Fonseca)
Macho. — Fronte mede 0mm40; parafrontaes e parafaciaes prateadas, polli-
n °saí, com reflexos escuros c com uma fileira de pêlos curtos ao redor das or-
! J >tas, alem de outros, esparsos; frontaes cm numero de doze, muito divergen-
,e b cm baixo, ao nivel da 2.® junta antcnnal ; interno-verticaes presentes; ocel-
lar cs presentes, curtas; fa cio-orbitacs também presentes; antennas quasi negras,
junta duas vezes mais longa do que a 2.*, attingindo a 3/4 da distancia das
v 'l>rissas ; aristas longo-plumosas na sua metade basilar ; vibrissas um jxnico acima
*1* margem oral; proboscida c palpos negros, estes últimos cspatulados c curvos;
k°chcchas, cinza-prateadas, revestidas de pelos negros; parte posterior da cabeça
c, nza-prateada, com reflexos escuros, e com duas fileiras distinctas de pêlos
ne gros e outras inferiores, indistinctas, de pêlos esbranquiçados.
Thorax cinza, pollinoso, com tres accentuadas faixas negras, longitudinacs ;
ac r. ant. ausentes; dc. ant. indistinctas; acr. post. ausentes; dc. post. duas bem
I,I ddas e outras duas reduzidas; stpl. duas anteriores e dua. posteriores; marg.
'luas; sap. uma; ap. uma, muito longa.
Abdome cinza, pollinoso, tesselado, com uma faixa negra longitudinal, mc-
'llana, bem visível e faixas submedianas indistinctas; l.°, 2.® c 3.® segmentos,
^‘la um, com duas cerdas lateraes, sendo que neste ultimo se nota uma serie
'l ç outras cerdas marginaes; 4.® segmento também com uma serie de cerdas
^rginaes.
Hypopygio (fig. 6). — 1.® segmento quasi negro, com uma serie de dez
Ccr das; 2.® segmento amarello-alaranjado, globoso, com pêlos esparsos; fórceps,
cm
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168
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
amarellos na base e com o apice negro, apresentam uma forte excavação, em
gotteira, para terminar em ponta curva; placas accessorias, amarelladas e digi"
tiformes; dasperes posteriores, moderados, terminando em ponta curva c com
uma cerda longa em sua porção mediana; dasperes anteriores, também modera-
dos, terminando egualmente em ponta curva, porém, com um forte entalhe em
sua parte anterior; penis, recto em sua metade basilar, dobra-se em angulo na
outra metade, notando-se ainda, em sua parte anterior, um par de estyletes em
serrilha e um filamento chitinizado, curvo.
Pernas negras; tibias posteriores villosas em cima.
Azas hyalinas; espathicula amarello-alaranjada ; basicosta amarello-clara ; 1*
nervura longitudinal nua; 3* nervura longitudinal com uma serie de cerca de
quinze pêlos na parte dorsal da aza e apenas cinco na parte ventral.
Femea. — Fronte mede OrnmSO. Colorido semelhante ao do macho; ex-
temo-vcrticaes e orbitaes presentes.
Esta especie é affim de haemorrhoidalis, de Fallen.
Comprimento do macho e da femea: 13 mm..
Holotypo e allotypo, macho e femea, existem na collecção do Instituto
Butantan. Paratypos em numero de dezenove. Hypopygio montado de um co-
typo. Todos os exemplares foram obtidos de uma só cultura.
Euravinia belforti Prado & Fonseca
Mocho. — Fronte mede 0mm33; parafrontaes e paraíaciacs amarello-doira-
das, pollinosas, com reflexos cinzentos e com numerosos pêlos curtos, dispersos;
frontacs cm numero de doze, não divergentes em cima e ligeiramente divergentes
cm baixo; intemo-verticaes presentes; orbital uma; ocellares presentes; anten-
nas negras, 3.* junta cerca de duas vezes mais longa do que a 2.*, attingindo
a 3/4 da distancia das vibrissas; aristas longo plumosas em sua metade basilar:
vibrissas um pouco acima da margem oral; proboscida e palpos negros, estes
últimos cspatulados e curvos; bochechas amarello-doiradas e revestidas de pêlos
curtos; parte posterior da cabeça, amarello-prr.tcada, com duas fileiras de pêlos
negros e outras, mais abaixo, de pêlos pallido-esbranquiçados.
Thorax amarello-cinza, com tres distinctas faixas negras; acr. ant. indis-
tinctas; dc. ant. tres; acr. post. uma; dc. post. quatro, sendo as duas anteriores
reduzidas; stpl. tres, duas anteriores e uma posterior; marg. duas; sap. uni3;
ap. uma.
Abdome amarello-cinza, pollinoso, tesselado, com uma faixa negra longi'
tudinal e duas submedianas, estreitas e bem distinctas; l.°, 2.° e 3.° segmentos
com cerdas lateraes. sendo que no ultimo se observam varias medianas; 4.*
segmento com uma fileira de longas cerdas marginaes; 5.® estemito em forma
dc V', pouco visivel.
Prado a Fonseca
Sarcophagas de S. Paulo
1G9
Hypopygio (fig. 7). — l.° segmento amarello-doirado, pollinoso, com cinco
distinctas cerdas ; 2." segmento da mesma côr, com alguns pêlos esparsos ; fórceps
annrellos. chitinizados, com os lados rectos e pontudos; placas accessorias ama-
rellas, pilosas, quadrangulares ; clasperes posteriores amarello-escuros, chitiniza-
dos, curvos e com uma tul)erosidade em sua parte anterior; clasperes anteriores,
‘•niarellos, longos, curvos e com a extremidade arredondada ; penis amarello es-
curo, chitinizado, saliente, tendo na sua porção posterior uma placa com nume-
rosos espinhos.
Pernas negras; femores médios com uma longa serie de cerdas em sua
nietade apicilar; tibias medias com longas cerdas cm sua parte mediana, externa;
hbias posteriores sem villosidades.
Azas hyalinas ; cspathicula amarella; lwsicosta amarello-pallida ; 1.* nervura
longitudinal núa; 3.* nervura longitudinal com cerca de treze pêlo» basilares na
Parte dorsal da aza e apenas quatro ou cinco na parte ventral.
Femea. — Fronte com OmmSO. Colorido semelhante ao do macho; extcr-
no-verticacs e orbitaes presentes.
Esta espccie é aí fim de communis var. ochracca, de Aldrich.
Comprimento do macho: 12mm; da femea: 11 mm..
Holotypo c allotypo, macho c femea. na collecção do Instituto Butantan.
Paratypos em numero de nove. Hypopygio montado de um cotypo. Todos os
exemplares foram obtidos de uma só cultura.
O nome desta especie ê dado cm homenagem ao dr. Waldemar Bclíort
Mattos, auctor de um importante estudo sobre as Sarcophagas de S. Paulo.
Euboettcheria humeralis (Prado & Fonseca)
Macho. — Fronte mede 0mm21 ; jarafrontaes c parafaciaes amarello-doi-
radas, pollinosas, as primeiras com duas fileiras de pêlos negros não muito dis-
tinctas, as segundas apenas com uma fileira ao redor das orbitas; frontacs cm
numero de treze, um pouco divergentes em cima e cm baixo; intemo-verticacs
Presentes; ocellares reduzidas; antennas negras. 3.* junta duas vezes mais longa
do que a 2*. attingindo a 4/5 da distancia das vibrissas; aristas longo-plumosas
nos 2/3 basilares ; vibrissas pouco acima da margem oral ; proljoscida c palpos
negros, estes últimos espatulados e curvos; bochechas amarello-doi radas, polli-
nosas, com numerosos pêlos esparsos; parte posterior da cabeça, levemente doi-
rada com duas fileiras distinctas de pêlos negros c outras inferiores de pêlos
brancos.
Thorax cinza, com tres faixas negras longitudinaes ; duas manchas ama-
rcllo-doiradas lateraes: uma que se extende do callo humeral ao callo prcalar c
outra sobre a mesopleura; acr. ant. reduzidas; dc. ant. indistinctas ; acr. post.
11
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
uma; clc. post. duas anteriores indistinctas e duas posteriores bem distinctas;
stpl. uma anterior e outra posterior; marg. duas; sap. ausentes; ap. uma.
Abdome cinza, com reflexos amarellados, pollinoso, tesselado; l.°, 2.® e 3*
segmentos, cada um, com duas cerdas lateraes. sendo que neste ultimo se nota
um par mediano-marginal ; 4.° segmento com uma fileira de longas cerdas mar-
ginaes; 5.° estemito em forma de V, pouco visivel.
Hypopygio (fig. 8). — l.° segmento amarello-doirado, pollinoso, com al-
gumas cerdas; 2.° segmento amarello-alaranjado, globoso, com numerosos pêlos
esparsos: fórceps longos, amarello-escuros, com ponta negra, curvos, em forma
de cabeça de ganso, densamente revestidos de fortes espinhos; placas accesso-
rias amarello-pardas, pilosas, mais ou menos triangulares; clasperes posteriores
amarello-escuros, chitinizados, curtos, com a ponta em garra, trazendo em sua
extremidade unia longa cerda; clasperes anteriores amarello-pardos, também chi-
tinizados. largos, exeavados em gotteira e com a ponta curva ; penis amarello, chi-
tinizado, com a base forte, donde sae um longo filamento curvo, tendo ainda em
sua parte anterior dois estyletes, com uma especie de serrilha em cada ponta.
Pernas negras, em geral ; femores anteriores com manchas cinzentas ; tibias
medias e posteriores densamente villosas em cima.
Azas hyalinas; espathicula negra; basicosta amarello-alaranjada ; 1/ nervu-
ra longitudinal núa; 3.* nervura longitudinal com sete pelos basilares na parte
dorsal da aza e cerca de quatro ou cinco na parte ventral.
Fcmca. — Fronte mede Omm41. Colorido semelhante ao do macho; exter-
no-verticacs c orbitaes presentes.
Esta especie ê affim de cotylcdonca, de Aldrich.
Comprimento do macho e da femea: 13mm..
Holotypo e allotypo, macho e femea, na collecção do Instituto Butantan.
Cotypo cm numero de um, do qual foi montado o hypopygio. Todos os exem-
plares foram obtidos de uma cultura.
NOTA. Antes de redigirmos a descrijição desta especie, procuramos, sem
resultado, no Museu Paulista os paratypos de Sarcophagas estudados por
Townsend, para o devido confronto. Xo decurso da impressão deste trabalho
verificámos que H. de Souza Lopes (Boi. Biologico, 21 :45.1932) os havia des-
coberto, tendo verificado que a nossa E. hitmcralis deve caber na synonymia de
E. australis TT..
Desejamos, ao terminar, consignar aqui nossos agradecimentos ao distincto
entomologista Charles H. T. Townsend, pelo valioso auxilio que nos prestou n3
confecção deste trabalho e extendemos os mesmos ao proí. Flaminio Favero,
por nos haver cedido, para o necessário confronto, os cotypos de paulistanensis,
de B. Mattos e freirei, de B. Mattos e o holotypo de nrívai, de B. Mattos, exis-
12
Prado í Fonseca — Sarcophagas de S. Paulo
171
lentes todos no Museu do Instituto de Medicina Legal Oscar Freire da Facul-
dade de Medicina de S. Paulo.
ABSTRACT
A comparative examination of several forms of Stephanostomatid f lies.
obtained from culture, based on their general morphology and especially on the
characters of their terminalia has disclosed the following forins:
Oxysarcodexia amarali Prado & Fonseca; Ctcnoprosballia florcncioi P. &
P-; Sarcodcxia butaniani (P. & F.) ; Oxysarcodexia neotropicalis P. & F. :
Chrysoslomomyia tozensendi (P. & F.) ; Tozcnscndmyia, g. n., T. argêntea (P.
& F.) ; Euravinia bclforti P. & F. : Eubocttcheria humeralis (P. & F.).
(Trabalho da Secçio de Protoroologla e Parasltologla do
Instituto Butantan, apresentado á Semana do Ij-
boratorlo, Soe. Med. A Clr. S. Paulo, Janeiro de
1932 e publicado, como nota previa, In Hev. Medl-
co-CIruntlca Brasil XI (12): 33-39, 1932).
cm
* >,; ado Jt Fonseca — Sarcophagas de S. Paulo
Menu Inst. TiuLinL&n
Vol. VII, 1932
SciELO
Prado Jc Fonseca — Sarcophagas de S. Paulo
Mero. Insf. Butantan
Vol. VII. 1932
SciELO
EIMERIA PINTOENSIS, sp. n M PARASITA
DO COELHO
SYLVESTRE (SYLVILAGÜS MINENSIS)
POR
FLAVIO da FONSECA
(eont 2 gravuras no texto)
593.13
EIMERIA PINTOENSIS, sp. n., PARASITA
DO COELHO SYLVESTRE (SYLVILAGUS MINENSIS)
POR
FLAVIO da FONSECA
Em um exemplar de coelho do matto (Syhilagus mincnsis) capturado em
Hutantan, S. Paulo, encontrámos, ao exame das tezes, oocystos de uma Eimeri-
dea, cujo estudo permitte distinguil-a das restantes especies até hoje descriptas
como parasitas de coelhos, especies estas que são Eimcria st ida' (Lindcmann.
1865), a eimeridea do figado, Eimcria fcrforans (Leuckart, 1879), Eimcria
Htagna Pérard, 1925, Eimeria media Kesscl e Jankiewicz, 1931 c Eimcria irre-
sidua Kessel e Jankiewicz, 1931, todas do coelho domestico, bem como Eimeria
kporis Nieschulz, 1923, parasita do intestino da lebre curopca.
DESCRI PÇ AO
O parasita em questão foi encontrado após a necropsia de um exemplar
a dulto de Syhilagus mincnsis, achando-sc distribuido com irregularidade no
bolo fecal, ora mais frequente, ora muito raro, denotando, porem, sempre, in-
fecção discreta.
Os oocystos immaturos apresentam-se com forma ligeiramente oval, sendo
* I '3is estreito o polo em que se encontrará futuramente a micropyla. Esta é,
a bás, invisível no> exemplares immaturos. A coloração, vista com augmento
forte, a secco, é de ligeira pigmentação amarello-esvcrdeada. (Dimensões dos
oocystos immaturos: 23,5 micra por 15,5 micra no ponto mais largo, sendo
ç stas as medidas da grande maioria dos exemplares, encontrando-se, porem, al-
guns com minimo de 21,5 micra e outros com máximo de 25,5 micra, sendo.
Portanto, pequena a variação.
A maturação, que leva cerca de 48 horas a operar-se, dá logar a um
a ugmento dessas dimensões que passam a ser de 23-26,5 micra para o com-
primento e 15-16 micra para a maior largura.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
176
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
O oocysto maduro apresenta 4 csporocystos ovoides, com uma das ex-
tremidades muito fina, não se vendo corpo residual no oocysto. Os esporo-
cystos medem cerca de 12-14 micra de comprimento por por 5-7 micra de lar-
gura, vendo-se no interior de cada um 2 esporozoitos e um reliquat alongado.
Nos oocystos maduros distingue-se quasi sempre no polo mais fino um
esboço de micropyla, que aliás, nunca é muito nitido.
Pelas suas dimensões, muito se approxima este oocysto do de Eimcria pcr-
forans, a coccidea do intestino do coelho domestico, cujo oocysto apresenta o
comprimento medio de 22,7 micra c a largura de 14,2 micra, segundo o optimo
trabalho de Kessel e Jankiewicz (1). Distingue-se, porem, desta especie, a
unica com a qual é passível de confusão, pela íórma mais ovoide de E. pintocnsis.
pela ausência do reliquat do oocysto, que existe constantemente em E. pcrforans.
bem como pela maior visibilidade da micropyla na especie que descrevemos.
A’ necropsia apenas foram verificadas lesões intestinaes, ainda em estudo,
achando-sc o figado indemne.
A especie é dedicada ao notável parasitologista, Prof. Cesar Pinto, que
muito tem produzido cm seus estudos sobre este grupo.
ABSTRACT
Eimcria pintoensis is described as a parasite found in the íaeces of the
Brazilian wild rabbit, Sylvilagus minensis.
Immature oocysts are slightly ovoid in shape, with an average length of
23,5 micra (maximum 25,5 micra and minimum 21,5 micra) by 15,5 micra of
breadth. Maturation is complete in about 48 hours and is followed by an in-
crease in size: length — 23-26,5 micra; breadth — 15-16 micra. Mature oocysts
present four ovoid sporocysts, pointed on one end and are devoid of residual body.
Sporocysts are 12-14 micra in length by 5-7 micra in breadth and are formed
by 2 sporozoits and an elongated residual body. The micropyla, although not
very marked, is visible at the narrower end.
Absence of residual body and better visibility of the micropyla are the main
characters of differentiation of this species from E. pcrforans (Leuckart) of
the domestic rabbit.
4
612. 111. «:59S. 12:397. 8:598. 11
HEMAGGLUTININAS NATURAES NO SANGUE DE
SERPENTES E DE OUTROS ANIMAES PECILOTHERMICOS
POR
AFRANIO DO AMARAL e D. von KLORUSITZKY
IXTRODUCÇAO
Já ha muitos annos, Lacerda, em seus estudos fundamentacs sobre o vc-
nc no das serpentes (1 e 2), havia verificado que, postas em contacto com as
P^onhas, as hematias humanas se reuniam cm massa, collando-se umas ás outras
e começavam sem demora a perder sua forma normal. Esta verificação foi
lo go repetida por Mitchell e Reichcrt (3) e, mais tarde, reproduzida por Mitchcll
e Stewart (4) e por Flcxner e Xoguchi (5), parecendo ter sido, embora indi-
r ectamente, o ponto de origem de innumcras pesquisas que, a partir daquella
^P^ca, se fizeram sobre hemagglutininas. E' airioso, pois, que desde então os
n Wnerosos pesquisadores que cm todo o mundo se tem occupado com as he-
^gglutininas, as hajam pesquisado quasi exclusivamente no sangue de animacs
^°nieothermicos, tacs como o homem, o cavallo, o boi, o cão. o gato, o coelho, a
^baia, o rato e a gallinha. conforme se deprehende dos trabalhos originaes de
1-andsteiner (6), von Dungcrn (7), Brockmann (8), Pick (9), Morgcnroth c
^ r aun (10) e, mais reccntcmcnte, dos de Biancalana (11), Karshncr (12 e 13)
c Pischcr c Klinkhart (14), ficando, assim, inteiramente esquecidos os ophidios
c °s outros animacs pecilothermicos. Essa omissão tem contribuído incontes-
^'elmente para difficultar a interpretação verdadeira dos phenomenos intimos
^ hemagglutinação, sem duvida ligados a um biochimismo ainda pouco analysado.
Para elucidação desses phenomenos seria necessário que se investigasse pre-
Üininarmcnte a presença de agglutininas naturacs em todo o reino animal, afim
se averiguar o determinismo de seu apparecimento, desde os vertebrados até
0s typos de organização mais rudimentar, nos quaes talvez o phenomeno fosse
natureza menos complexa e, pois, mais facilmente comprehensivel. E’ bem
Vç rdade que, á medida que se aprofundam os nossos conhecimentos sobre a
cm
SciELO
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182
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
zoogénese, menos se acredita na theoria do apparecimento dos vários grupos de
animaes por mercê de transformações successivas, sinão em sua origem mais
ou menos independente, conforme Qark (15) ainda recentemente mostrou; m3S
não é menos certo que nas organizações menos complexas as reacções physiolo-
gicas e, portanto, os phenomenos immunologicos sejam de mais íacil interpre-
tação. Por isso, resolvémos estudar as agglutininas naturaes do sangue de certos
ophidios, batrachios e lacertidios, á espera de que outros pesquisadores possam
retomar o fio desses estudos, fazendo investigações nos demais grupos.
EXPERIMENTA ÇAO
Espécies animaes — Pesquisámos hemagglutininas naturaes nos seguintes
typos :
A. Ophidios
Giboia — Constrictor constrictor conslrictor (L.), fam. Boidac.
Cobra nova — Drymobius bifossalus (Raddi), fam. Colubridae.
Boipeva — Ophis merremii Waglcr, fam. Colubridae.
Jararaca — Bothrops jararaca (Wied), fam. Crotalidae.
Jararacussú — B. jararacussu Lacerda, fam. Crotalidae.
Urutu — B. alternata Dm. & Bibr., fam. Crotalidae.
Cotiara — B. cotiara (Gomes), fam. Crotalidae.
Cascavel — Crotalus tcrrificus terrificus (Laurentius), fam. Crotalidae.
B. Batrachios
Sapo cururú — Bufo tnarinus (L.), fam. Bufonidae.
Sapo itanha — Ceratophrys dorsata Wied, fam. Cystignathidac.
C. Lacertidios
Papavento — Polychrus acutirostris Spix, fam. Iguanidac.
Tcchnica — Para obtenção do material, os exemplares eram sangrados e o
sangue recolhido em tubos de ensaio com 0,5 cc. de soluto de citrato de sodio
a 20% ; o sangue era immediatamentc centrifugado e o plasma obtido, marcado
e conservado em tubo de ensaio, com fragmento de thymol, na geladeira. Os
4
Amaral a Klobcsitzky — Hemagglutininas em pecilothermicos
183
Globulos decantados eram lavados em soluto de chloreto de sodio a 0,6% e re-
petidamente centrifugados e lavados 3 ou mais vezes; em seguida eram sepa-
ra dos em tubo de ensaio convenientemente marcado, no qual se addicionava
1 cc. de soluto physiologico para cada 1 cc. de hematias, que eram em seguida
conservadas, com pequeno fragmento de thymol, na geladeira.
Ao se proceder á reacção, os plasmas eram indicados por algarismos arabi-
cos (1, 2, 3, etc.) de accordo com as especies correspondentes e as hematias
ceam indicadas por algarismos romanos (I, II, III, etc.), também segundo as
e pecies.
Reacção — l.° Marcava-se previamente uma lamina por uma notação de
*ypo fraccional, cujo numerador, em algarismo romano, indicava a qualidade das
hematias, e 0 denominador, em algarismo arabico, representava o plasma
empregado ;
2. ® colloca va-se, no centro dessa lamina, uma gotta de soluto physiologico
a 0.6% e, sobre cila, o conteúdo de uma alça de platina de hematias e outra
ne plasma, misturando-se os 3 elementos cuidadosamente no centro do pre-
parado ;
3. ° levava-se a lamina ao microscopio e pesquisava-se, com vagar, qual-
quer indicio de agglutinação.
Desde que se mostrassem positivas, isto c, desde que se encontrasse agglu-
hnação, as experiências eram repetidas cm maior escala, fazendo-se então a
Pcova macroscópica, do seguinte modo;
1. ® Marca va-se um tubo de ensaio pelo mesmo systema usado em relação
45 laminas;
2. ® collocava-sc nellc 1,5 cc do soluto physiologico, addicionando-sc-lhc
logo em seguida 0,1 cc. de hematias c 0.1 cc. de plasma;
3. ® agita va-sc bem a mistura que se deixava depois cm repouso por algum
uunutos, pcsquisando-sc então as agglutinações no seio do liquido.
Consideravam-se positivas somente as experiências em que a agglutinação
Corria pelos dois processos: cm lamina c cm tubo.
Conduzimos a investigação por etapas, pesquisando primeiramente a pre-
^nça de iso-hcmagglutininas e depois a de hetero-agglutininas, respectivamente.
^ ophidios, batrachios e laccrtidios.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
184
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
I. Pesquisa de iso-hemagglutininas em ophidios
(Quadro I)
Hematias Plasma Resultados
Giboia XXIV
Giboia 23
— (negativo)
Cobra nova XXV
" ” XXVI
Cobra nova 26
'* ” 25
— (negativo)
- ( ” )
Jararaca I
’* II
" III
" IV
" V
•• VI
” VII
•• VIII
” IX
Jararacas 2. 3. 4, 5. 6. 7. 8, 9
’’ 1. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9
1. 2. 4. 5. 6, 7. 8. 9
" 1. 2. 3. 5. 6. 7. 8. 9
" I. 2. 3. 4. 6, 7. 8. 9
1. 2. 3. 4. 5. 7. 8. 9
" 1. 2. 3. 4. 5, 6. 8. 9
” 1. Z 3. 4. 5. 6. 7. 9
1. Z 3. 4. 5. 6. 7. 8
— (todos negativos)
** »•
*• **
M ••
** M
Jararacussú XIII
” XIV
" XV
Jararacussús 14 e 15
” 14 e 15
14 e 15
— (ambos negativos)
>• ••
»• ••
Urutu XVI
” XVII
” XVIII
Urutus 17 e 18
” 16 e 18
” 16 e 17
— (ambos negativos)
** I*
) Cotiara XIX
” XX
Cotiaras 20 e 21
” 19 e 21
” 20 e 19
— (ambos negativo»)
*• H
II. Pesquisa de hetero-hcmagglutininas em ophidios
(Quadro II)
Hematias
Plasma
RESULTADOS
Giboia XXIV
Cobra nova 25
— (negativo)
Giboia XXIV
Jararacas 2. 4, 6. 8
— (todos negativos)
Giboia XXIV
Jararacussús 13. 14. 15
— (todos negativos)
Giboia XXIV
Urutus 16, 17. 18
— (todos negativos)
Giboia XXIV
Cotiaras 19. 20, 21
— (todos negativos)
Giboia XXIV
Cascavéis 10. U. 12
— (todos negativos)
, . . =s»
G
Amaral l Klobusitzky — Henwgglutininas em pecilothermicos
185
II. Pesquisa de hetero-hemagglutininas em ophidios (continuação)
(Quadro II)
Hematias
Plasma
—\
Resultados
1 i
__£bbra nova XXV
Giboias 23 e 24
— (ambos negativos)
Cobra nova XXV
Boipevas 27. 28. 29
— (todos negativos)
” XXVI
” 27. 28. 29
_Cobra nova XXV
Jararacas 2. 6, 8, 9
— (todos negativos)
Cobra n«a XXV
Jararacussós 13. 14. 15
— (todos negativos)
Cobra nova XXV
Urutus 16. 17. 18
— (todos negativos)
Cobra nova XXV
Cotiaras 19. 20, 21
— (todos negativos)
_Cobra nova XXV
Cascavéis 10. 11. 12
— (todos negativos)
^oipeva
XXVII
Giboias 23 e 24
— (ambos negativos)
**
XXVIII
" 23 e 24
t. M
II
XXIX
” 23 e 24
_
Bojpcva
XXVII
Cobras novas 13. 14. 15
— (todos negativos;
XXVIII
13. 14. 15
t» ft
•*
XXIX
M ” 13 14. 15
• t M
Hoipcva
XXVII
Cobras novas 25 c 26
— (ambos negativos)
*•
XXVIII
” ” 25 e 26
^ ’
XXIX
” " 25 e 26
^oipcva
XXVII
Jararacas 4. 5. 6. 7
— (todos negativos)
tt
XXVIII
” 4. 5. 6, 7
” **
• f
XXIX
” 4. 5. 6. 7
! - - -
Boipcva
XXVII
Urutus 16. 17, 18
— (todos negativos)
tt
XXVIII
" 16. 17. 18
tt tt
tt
XXIX
” 16. 17. 18
•* M
^o-pcva
XXVII
Cotiaras 19. 20. 21
— (todos negatn-os)
XXVIII
” 19. 20. 21
** M
tt
" __
XXIX
” 19. 20. 21
_ ”
^°ixva
XXVII
Cascavéis- 10. 11. 12
— (todos negativos)
XXVIII
" 10. 11. 12
— tt tt
tf
XXIX
” 10. 11. 12
_ »
Jararaca
I
Cascavéis 10. 11. 12
— (todos negativos)
»»
II
” 10. 11. 12
tt tt
tf
III
” 10. 11. 12
tt tt
tt
IV
” ia íi. 12
tt tt
»•
V
” 10. 11. 12
•* **
tt
VI
” ia íi. i2
tt tt
tt
VII
** 10. 11. 12
tt tt
tt
VIII
” 10. 11. 12
tt tt
tf
IX
” 10. 11, 12
tt ft
S
186
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
II. Pesquisa de hetero-hemagglutininas em ophidios (continuação)
(Quadro II)
Hf: MA TIAS
Plasma
RESULTADOS
Jararacussú XIII
" XIV
” XV
Jararacas 1. 4. 5. 7. 9
” 1. 4. 5. 7. 9
1. 4. 5. 7. 9
— (todos negativos)
»• M
Jararacussú XIII
XIV
’’ XV
Urutús 16, 17. 18
” 16. 17. 18
" 16. 17. 18
— (todos negativos)
»* ff
>* ff
Jararacussú XIII
” XIV
" XV
Cascareis 10. 11. 12
” 10. 11. 12
10. 11. 12
— (todos negativos)
ff ff
** •»
Urutú XVI
” XVII
" xvnI
Jararacas 2. 4. 6. 8, 9
2. 4. 6. 8. 9
” 2. 4. 6. 8. 9
— (todos negativos)
ff *»
>• ff
Urutú XVI
" XVI1
” XVIII
Jararacussús 13. 14. 15
” 13. 14. 15
” 13. 14, 15
— (todos negativos)
f • ff
Urutú XVI
” XVII
” XVIII
Cascareis 10. 11. 12
” 10. 11. 12
" 10. 11. 12
— (todos negativos)
». 99
Cotiara XIX
” XX
” XXI
Jararacas 2. 4. 6. 9 — (todos negativos)
2. 4. 6. 9 — "
2. 4. 6. 9 —
Cotiara XIX
” XX
" XXI
Jararacussús 13. 14. 15
" 13. 14. 15
- 13. 14. 15
— (todos negativos)
>• *•
Cotiara XIX
| " XX
” XXI
Urutús 16. 17, 18
” 16. 17. 18
” 16. 17. 18
— (todos negativos)
• • ••
*• 99
; Cotiara XIX Cascareis 10, 11, 12
XX ” 10. 11. 12
” XXI ” 10. 11. 12
— (todos negativos)
M *»
M II
Cascavel X Jararacas 1, 2. 3. 4. 5. 6, 7. 8. 9
XI " 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9
” XII " 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9
— (todos negativos)
__ ff ff
cm
7 SCÍELO) 2.1 12 13 14 15 16
Amaral a Klobusitzky — Hemagglutininas em pecilothermicos
187
III. Pesquisa de iso-hemagglutininas em batrachios
Hematias
Sapo cururú XXX
" XXXI
" XXXII
•• XXXIII
*' XXXIV
” XXXV
Sapo cururú XLI
” XLII
” XLIII
Sapo itanha I
*’ II
(Quadro III)
Plasma
Resultados
Sapos cururús 31, 32. 33. 34. 35
— (todos negativos)
" ” 30. 32. 33. 34. 35
• I •*
30. 31. 33. 34. 35
•* M
" ” 30. 31. 32. 34. 35
• • II
30. 3J. 32. 33. 35
*1 II
30. 31. 32. 33. 34
II »•
Sapos cururús 30, 31. 32. 33. 34.
42. 43
— (todos negativos)
” •• 3a 31. 32. 33. 34.
35. 41. 42
• • M
• ” 30. 31. 32, 33. 34.
41. 42
•* *»
Sapos itanhas 1, 2
— (ambos negativos)
.. 2
IV. Pesquisa de hetero-hemagKlutininas em batrachios
(Quadro IV)
V. Pesquisa dc hetero-agglutininas no plasma de serpentes em
relação a hematias dc batrachio
(Quadro V)
Hematias
Plasma
Resultados
Sapo cururú XXX
” XXXI
” XXXII
Boipevas 27. 28. 29
" 27. 28. 29
•* 27. 28. 29
— (todos negativos)
M II
I ••
S*Po cururú XXXIII
" XXXIV
^ ” XXXV
Boipevas 27. 28. 29
” 27. 28. 29
” 27. 28. 29
— (todos negativos)
• • II
5 »t>o cururú XXXIII
" XXXIV
’• XXXV
Cobras novas 25 e 26
” ” 25 e 26
*• ” 25 e 26
— (ambos negativos)
• • »•
- — - —
9
188
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
V. Pesquisa de hetero-agglutininas no plasma de serpentes em relação a
hematias de batrachio (continuação)
(Quadko V)
Hematias Plasma
RESULTADOS
Sapo cururú XXX
” XXXI
” ” XXXII
Cobras novas 25 e 26
” 25 e 26
” " 25 e 26
— (ambos negativos)
t* »*
*• »♦
Sapo cururú XXX
” XXXI
” XXXII
Cascavéis 10, '11. 12
” 10. 11. 12
" 10. 11. 12
— (todos negativos)
ít »•
»* »t
Sapo cururú XXXIII
" XXXIV
” ” XXXV
Cascavéis 10. 11. 12
” ia fll. 12
” ia dl. 12
— (todos negativos)
t» t»
** M
VI. Pesquisa de hetero-agglutininas em plasma de batrachio em
relação a hematias de serpentes
(Quadro VI)
HEMATIAS
PLASMA
Resultados
Boipeva XXVII
” XXVIII
” XXIX
Sapos cururús 30. 31. 32
” ” 30. 31. 32
*’ 30. 31. 32
— (Todos negativos)
•* lf
•• »»
Cobra nova XXV
” ” XXVI
Sapos cururús 30. 31. 32
” M 3tt 31. 32
— (Todos negativos)
•• »»
VII. Pesquisa de hetero-agglutininas no plasma de serpentes em
relação a hematias de cavallos
(Quadro VII)
HEMATIAS
Plasma
Resultados
Cavallo DC
’■ DCIII
” DCIV
” DCV
” DC\T
1 —
Giboia 23. Cobras novas 24, 25.
26. Boipeva? 27. 28. 29. Jarara-
cas 1, 2, 4. 6. 7. 9. Jararacas
10. 11. 12 Urutús 16, 17. 18.
Cotiaras 19. 20. 21. Cascavéis
10. 11, 12
— (Todos negativos)
-
10
Amaral a Klobvsitzky — Hemagglutininas em pecilothermicos
189
VIII. Pesquisa de hetero-agglutininas no plasma de cavallos em
relação a hematias de serpentes
(Quadro VIII)
Hematias
Plasma
Resultados
Jararacas I. II, III. IV.
V. VI. VII. VIII, IX
Cascavéis X. XI. XII
Jararacussús XIII. XIV.
XV
Crutús XVI. XVII.
xvii. xviii
Cotiaras XIX. XX. XXI
Giboias XXIII, XXIV
Cobras noras XXV,
XXVI
Boipevas XXVII.
XXVIII. XXIX
Cavallos 600. 603. 604. 603. 606
— (Todos negativos)
Incidentemente, procurámos verificar si nos plasmas equinos com que es-
távamos trabalhando existiriam hetero-agglutininas naturaes para as hematias
de alguns animacs domésticos (cabra e bode, ovelha c carneiro). Os resultados
dessa investigação, que foram todos negativos, encontram-se no quadro IX.
(Quadro IX)
Hematias
Plasma
Resultados
Cabra XLV
Cavallos 600. 603. 604.
605.
606
— (Todos negativo.)
Bode XLVI
t# M **
**
»•
»* M
Bode XLVII
** ** »* **
*•
*•
M M
Ovelha XLVIII
**
M #•
Ovelha XLIX
*•
H M
Carne:ro L
*• •• »• ••
*•
••
X. Pesquisa de hetero-agglutininas no plasma de serpentes c de um ba-
trachio, em relação a hematias do papavento (laccrtidio).
Esta pesquisa seria interessante, porque, sendo o sapo cururú ( Bufo iitari-
n us) omni-camivoro e alimentando-se incidentemente de pequenos lagartos, de
que ás vezes a jararaca e a cascavel também se nutrem, o genero de alimenta-
rão poderia influir de algum modo no apparecimcnto das hemagglutininas na-
turaes. Os resultados desta pesquisa, que se encontram no quadro X, mostram
11
cm
SciELO
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190
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
que o plaana de 4 jararacas possuía hemagglutininas naturaes para hematias de
pelo menos 2 papaventos; o de 2 cascavéis as possuía para as hematias do papa-
vento XXXIX e o de uma outra para as hematias do papavento XL; o plasma
de um dos sapos cururús as possuia para as hematias de 1 papavento.
(Quadro X)
Hematias
Plasma
Resultados
Papavento XLIV
Giboias 23. 24
— (ambos negativos)
»» »»
Cobras novas 25. 26
»» PP
M •»
Bolpevas 27. 23. 29
— (todos negativos)
M IP
Jararacas 1. 2. 4. 5. 6. 7. 9
— e + + + (positivo for-
te com o plasma 5 e,
negativo com os de-;
mais)
• 1 •»
Jararacussús 13. 14. 15
— (Todos negativos)
M » •
Urutus 16. 17. 18. 19. 20, 21
PP **
Cascavéis 10. 11. 12
*1 »•
” XXXIX
Jararacas 2. 4. 6
+ (positivos fracos)
M
Cascavéis 10. 11. 12
— c + + + (positivos
fortes com os plas-
mas 10 c 11)
*' XL
Jararacas 2. 4. 6
— c + (positivo fra-
co com os plasmas
2)
M *»
Cascavéis 10. 11. 12
— e+ + + (positivo for-'
te com o plasma 11)
Papavento XLIV
Sapos cururús 30. 31. 32. 36. 38,
42. 43
— c ++ (positivo me-
dio com o plasma 38
e negativos com os
demais)
XI. Pesquisa
de hctcro-ngglutininas em plasma de papavento
cm relação a hematias de cavallos
(Quadro XI)
HEMATIAS
Plasma
Resultados
Cavallo DC
Papavento 44
— (negativo)
” DCIII
»* *•
**
" DCIV
• * •»
«f
” DCV
•• •*
PP
” DCVI
tl »t
_
Amaral a Klobusitzky — Hemagglutininas em pecilothermicos
191
XII. Pesquisa de hetero-agglutininas naturaes no plasma de sapos cururús
e m relação a hematias de alguns animaes domésticos (cabra e bode, ovelha
e carneiro).
(Quadro XII)
Hematias
Plasma
" ' " ' ‘
Resultados
Cabra XLV
Sapos cururús 30, 31. 32. 33. 34. 35.
36. 38. 41. 42. 43
— (todos negativos)
Bode XLVI
Sapos cururús 30, 31. 32. 33. 34. 35.
36. 38. 41. 42. 43
»» M
Bode XLVII
Sapos cururús 30, 31. 32, 33. 34, 35,
36. 38, 41. 42. 43
_
Ovelha XLVIII
Sapos cururús 30, 31. 32. 33. 34. 35.
36. 38. 41. 42. 43
•* M
Ovelha XUX
Sapos cururús 30, 31. 32. 33. 34. 35.
36. 38. 41. 42. 43
*• M
Carneiro L
Sapos cururús 30, 31. 32. 33. 34. 35.
36. 38. 41. 42. 43
- " "
XIII. F , esquisa de hetero-agglutininas no plasma de sapos cururús em re-
lação a hematias de cavallos
Os resultados dessas pesquisas acham-se registados no
(Quadro XIII)
| Hematias
Plas.vlv
Resultados
Cavai Io DC
Sapos cururús 30. 31. 32, 33. 34. 35.
36. 38. 41. 42. 43
— . + c + + + (positivo
fraco com o plasma
35. forte com os
plasmas 36. 41, 42.
43 c negativos com
os demais).
- DCIII
Sapos cururús 30, 31. 32. 33. 34. 35.
36. 38. 41. 42. 43
— todos negativos)
” DCIV
Sapos cururús 30, 31. 32. 33. 34. 35.
36. 38. 41. 42. 43
— c + + + (positivos
fortes com os plas-
mas 35. 36. 41, 42,
43 c negativos com
os demais)
” DCV
Sapos cururús 30, 31. 32, 33. 34. 35.
36. 38. 41. 42. 43
— (todos negativos)
” DCV1
Sapos cururús 30, 31. 32. 33. 34. 35.
36. 38. 41. 42, 43
— (todos negativos)
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Xo quadro acima se vê que algumas vezes, por motivo de difíicil interpre-
tação á luz de nossos actuaes conhecimentos, no plasma do sapo se encontram
agglutininas naturaes para as hematias do cavallo. Seria, portanto, interessan-
te verificar si no plasma do cavallo também occorrem agglutininas naturaes para
as hematias do sapo cururú. Os resultados dessa prova encontram-se no
quadro XIV.
O resultado foi fortemente positivo em todas as provas, com excepção dos
plasmas equinos 604. G05 c 606, que não agglutinaram as hematias do sapo
cururú XLI.
Das diversas series de pesquisas feitas com varias especies de ophidios, duas
especies de batrachios e uma de lacertidio pudemos concluir o seguinte:
l.° — Xo plasma dos typos estudados não existem auto-hemagglutinina?-
iso-hemagglutininas ou hetero-hemagglutininas naturaes em relação a qualque f
desses typos;
(Quadro XIV)
Hematias
Plasma
Resultados
Sapo cururú XXXVI
Cavallos 600. 603. 604, 605. 606
+++ (positivo forte
cm todos os
plasmas)
*•
XXXVII
+ + + (positrvo forte
cm todos o*
plasmas)
XXXVIII
+ + + (positrvo forte
cm todos os
plasmas )
XLI
+ + + c — (positivo
forte no*
plasmas 600
c 603 c ne-
gativo no*
outros)
XLII
*•
+++ (positivo forte
XLIII
+ + + (positivo forte
cm todos os
plasmas)
cm todos os
plasmas)
COXCLUSÕES
lt
Amaral a Kloblsitzky — Hemagglutininas em pecilothermicos
193
2. ® — no plasma de certas serpentes e do sapo cururú ( Bufo marinus) en-
rtmtram-se algumas vezes agglutininas naturaes para as hematias do papa vento
( Polychrus acutiroslris), em cujo plasma não se encontraram hetero-agglutini-
°as para as hematias de cavallos;
3. ® — não existem tão pouco, no plasma das serpentes estudadas, hetero-
^glutininas para as hematias do cavallo, nem no plasma deste para as hematias
daquellas, ou para as de certos outros animaes domésticos (caprinos e ovinos) ;
4. ® — o plasma do sapo cururú ( Bufo marinus) não revelou hetero-agglu-
tininas para as hematias de certos animaes domésticos (caprinos c ovinos), mas
«presentou-as algumas vezes para as hematias de cavallos;
5. ® — o plasma da quasi totalidade dos cavallos estudados, por sua vez,
fevelou hetero-agglutininas para as hematias do sapo cururú.
ZUSAMMENFASSUNG
Aus den mit den Blutbcstandtcilen von acht Schlangenartcn, von zwci
Krõtenarten, von eincr Eidechsenart, von Pfcrdcn, Schafcn und Ziegcn crrcichtcn
Hesultaten lassen sich dic nachstchendcn Folgcrungcn zichen:
1) Die Plasmen der untersuchtcn Kaltblüter cnthalten weder Auto- noch
Isohãmagglutininc, und ebcnsowenig sind in diesen aufeinander wirksame He-
teroagglutininc vorhanden.
2) In den Plasmen gewisscr Schlangenartcn und der Bufo marinus kònncn
Wegentlich auf die Eidcchscncrythrozytcn wirksame Hctcroagglutininc vor-
^onimcn; in dem Plasma der letztgenannten sind aber kcinc auf Pfcrdeblut-
^òrperchen eingcstelltc Hctcroagglutininc vorhanden.
3) Ebensowcnig cxisticren in den Plasmen der untersuchtcn Schlangenar-
auf Pferdcblutkõrperchen wirksame oder in den Pferdcplasmcn auf Schlan-
Srticrythrozyten wirksame Hctcroagglutininc.
4) Das Plasma der Bufo marinus ruft keine Agglutination l>ci den Ziegen-
Un d Schafblutkürperchen hervor, aber cs agglutiniert in einigen Fãllcn die
^ f erdecrjthrozjtcn .
5) Fast alie die untersuchtcn Píerde habcn in ihrcn Plasmen auf dic
Erythrozyten der sãmtlichen Bufo manntu-Exemplare wirksame Heteroagglu-
tinine enthalten.
15
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194
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
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Chlmlca do Instituto Butantan. apresentado f0>
dezembro de 1933 e publicado em alemão in Zeitschr-
f. Immunitãtsf. LAXVII <3;4): 31S-326. 1932>.
1G
ESTUDOS
EXPERIMENTAES SOBRE O BACILLO DE FRIEDMANN
J. LEMOS MONTEIRO e J. TRAVASSOS
( com 6 gravuras no texto )
SciELO
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616.995:598.13
ESTUDOS
EXPERIMENTAES SOBRE O BACILLO DE FRIEDMANN
POR
J. LEMOS MONTEIRO e J. TRAVASSOS
INTRODUCÇÀO
I — Origem do bacillo de Friedmann. Argumentos de Friedmann e de seus partidários
sobre a origem humana do bacillo e da sua attenuação no organismo da tartaruga.
II — Argumentos contrários dos que não acreditam na origem humana do bacillo, nem em
uma possivel adaptação á tartaruga.
PARTE EXPERIMENTAL
I — O bacillo de Friedmann estudado: a) isolamento da nossa cultura; b) caracteres cul-
turaes, morphologicos e biologicos; c) pathogcnic idade para os animacs de sangue
quente; d) patbogcnicidade para os animacs de sangue frio; c) producção da tu-
berculina.
II — Relações com o bacillo da tuberculose humana: a) resultados das inoculações e pas-
sagens; b) comportamento dos animacs inoculados cora bacillos da tuberculose liuma-
mana, de Friedmann e B.C.G.. cm relação ás tubcrculinas do bacillo da tuberculose
humana e do bacillo de Friedmann; c) comportamento das cobaias inoculadas com
o bacillo de Friedmann cm relação á infecção tuberculosa experimental.
Hl — Discussão e Summario.
I' — Conclusão.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
ESTUDOS
EXPERIMENTAES SOBRE O BACILLO DE FRIEDMANN
POR
J. LEMOS MONTEIRO e J. TRAVASSOS
O chamado “remedio de Friedmann”, ultimamente apparecido entre nós e
destinado a prevenir e curar a tuberculose, motivou longas c acaloradas dis-
cussões, principalmente em seu paiz de origem, interessando um grande nume-
ro de experimentadores, muitos de reputado renome sdentiíico, que procuraram
C( >m os mais variados argumentos realçar ou desapprovar o seu valor.
Ha pouco mais de um anno a vaccina de Friedmann foi posta á venda cm
S. Paulo e noutras cidades do Brasil. No nosso paiz ainda não tinha sido rea-
lizado um e tudo experimental que confirmasse as asseverações de Friedmann e.
dados os resultados por vezes oppostos obtidos pelos vários experimentadores
rçue estudaram o bacillo, encetámos, em uma serie de pesquisas, um estudo ex-
perimental sobre o assumpto, afim de verificarmos si colheriamos dados capa-
is de justificar as bases que orientam e justificam o emprego de tal remedio.
São os resultados dessas experiencias que constituem o assumpto do pre-
ste trabalho, embora por si sós não sejam sufficientcs para a justificação de
Uf na conclusão definitiva, principalmcnte pelo facto de não se dever, cm ma-
teria de tuberculose, transportar com facilidade os resultados experimentaes cm
4 nimaes para o homem.
I NTRODUCÇAO
Origem do bacillo dc Friedmann — Argumentos de Friedmann c de
seus partidários sobre a origem humana do bacillo c sua atlenuação no
organismo da tartaruga.
Em junho de 1903, Friedmann publicou o seu primeiro trabalho sobre
cultura, biologia e virulência de um bacillo addo-resistente por clle encontrado
c isolado de nodulos caseosos do pulmão de uma tartaruga aífectada de tuber-
cm
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200 Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
culose espontânea. Por essa epoca já tinha examinado duas tartarugas maríti-
mas ( Chelone corticata) do aquario de Berlim. Uma havia morrido em 6 de
dezembro de 1902 e outra, em 3 de janeiro de 1903. A ultima permanecera de
2 a 3 annos no aquario, isolada da outra e com ella nunca havia tido contacto.
A primeira apresentava todo o pulmão direito afíectado, com uma grande ca-
verna; na segunda os dois pulmões estavam tuberculosos com muitos nodulos
miliares.
Esses animaes eram tratados por um guarda tuberculoso e dahi a supposi-
ção de Friedmann que elle os tivesse contaminado.
Desses animaes foram isolados dois bacillos acido-resistentes. Um delles,
segundo Friedmann, mantem um parentesco estreito com o bacillo da tuberculo-
se dos mammi feros, e com elle se confunde pelo desenvolvimento a 37°, pelo as-
pecto macroscopico das culturas e microscopico dos elementos cultivados e, ainda,
pelo papel pathogenico para as cobaias. Por esses motivos elle separou tal ba-
cillo dos demais acido-resistentes dos animaes de sangue frio, para os quaes, no
entanto, verificou ser pathogenico.
Esses interessantes característicos do germe encaminharam Friedmann á
supposição de ser o germe em apreço um bacillo da tuberculose humana atte-
nuado no organismo da tartaruga, tendo assim o acaso conseguido o que muitos
auctores não lograram obter experimentalmente, isto c, tornar um bacillo da
tuberculose dos mammi feros pathogenicos para os animaes de sangue frio.
Friedmann enveredou desde logo para o campo da immunologia. Em um
segundo trabalho, publicado em dezembro de 1903, mostrou os resultados de
suas primeiras experiências sobre a immunidade que uma inoculação desses
bacillos conferia á cobaia, observando que os animaes testemunhas apresenta-
vam o quadro clássico da tuberculose generalizada e os vaccinados. no ponto da
inoculação, um fóco de infiltração que se tornava casco-purulento, desappare-
cendo em seguida sem deixar vestígios; os gânglios da região reagiam, augmen-
tando de volume, mas voltavam logo depois ao normal ; os animaes posterior-
mente augmentavam de peso c seu estado geral se tornava excellente. Sacrifi-
cados no fim de 3 meses, apresentavam lesões insignificantes dos organs internos,
pequenos pontos esbranquiçados ou cinzentos, que, no opinar de Friedmann,
não eram verdadeiros tubérculos, mas filiáveis ás lesões observadas em animaes
refractarios á tuberculose ou immunizados por processos diversos, tal como haviam
encontrado Koch, Xcufeld e Bchring.
Baseado nessas experiências, Friedmann annunciou a sua próxima vaccina
inoííensiva e immunizante para animaes de sangue quente.
Em janeiro de 1904, respondendo a Mocller, expoz as razões pelas quaes
julgava que o lacillo do tuberculose da tartaruga possuia as condições de um
elemento vaccinante ideal, o que o fazia, neste particular, superior a todos os
outros bacillos acido-resistentes estudados. Uma vaccina ideal devia, segundo
F'riedmann, assemelhar-se o mais possível ao virus contra o qual se desejava
ti
Monteiro * Travassos — Bacillo de Friedmaiin
201
que ella actuasse, alem de dever ser absolutamente inoffensiva, tendo embora
softrido o mínimo de attenuação.
Todas estas propriedades acham-se, felizmente, combinadas no bacillo da
tuberculose da tartaruga. Realmente, elles crescem bem na temperatura am-
biente, mas dão ao mesmo tempo, a 37°, uma cultura muito abundante, asseme-
lhando-se completamente ás de tuberculose humana e bovina. O bacillo deter-
mina na cobaia uma lesão especifica, porém, ligeira, bem localizada e susceptível
de cura completa. Todos os mammiferos examinados (cobaia, coelho, camon-
dongo, rato, cão, cabra, burro, boi, carneiro, porco, cavallo) mostraram-se re-
fractarios, mesmo ás altas doses de culturas frescas do bacillo da tartaruga, e.
á necropsia, não se poude perceber o menor signal de bacillos, nem lesões que
lhes pudessem ser attribuidas. A propriedade de cultivar-se a 37°, longe de
trazer um certo perigo, como pensa Moeller, é. ao contrario, uma superioridade
sobre o bacillo de Moeller. Friedmann apoiou esta sua opinião sobre a se-
guinte observação: durante as suas pesquisas, teve occasião de isolar de uma
tartaruga um bacillo tuberculoso que se differençava do antigo jiela propriedade
de crescer apenas a 22°; os animaes vaccinados com esta nova raça de bacillo
manifestavam immunidade muito menos solida do que os preparados com a
taça cultivavcl a 37’. Nesse mesmo trabalho relata a historia de 2 cobaias ino-
culadas uma só vez com o seu primitivo germe e que supportaram bem in-
fecções peritoneaes de doses de bacillo tuberculoso (0,001 e 0,003 grs.) sufíi-
cientes para matar os testemunhas em 18 e 30 dias.
Continuando seus trabalhos, Friedmann, em novembro de 1904, expoz os
resultados de experiências de immunização contra a tuberculose bovina c os de
tratamento da tuberculose pelo soro-immune. Injectou nas veias de bovinos uma
emulsão de bacillos da tuberculose da tartaruga c conseguiu conferir-lhes uma
solida immunidade a tulierculose bovina. Do mesmo modo pretendeu poder
curar, pelo mesmo processo, lxjvinos já tuberculosos. Emfim, af firmou que o
soro dos animaes inoculados com o seu bacillo continha substancias espeei ficas
capazes de influenciar desfavoravelmente a evolução da tulierculose de um anima!
novo e recentemente inoculado.
Em 1912, Friedmann fez a sua primeira conununicação á Sociedade de
Medicina de Berlim e, logo depois, publicou o seu artigo “Hcil-und Schutzimptung
der menschlichen Tubcrkulose”, onde relatou os primeiros ensaios da applicação
da vaccina no homem.
Dessa data em diante, as publicações de Friedmann dizem respeito ás ques-
tões de tratamento da tuberculose do homem por meio da sua vaccina, trazendo
refutações aos innumcros opposicionistas do remedio. Não sendo o nosso in-
tuito estudar esta parte da questão, só occasionalmente citaremos um ou outro
dos seus trabalhos posteriores a essa phase.
As ideas de Friedmann foram acccitas por um não pequeno numero de ex-
perimentadores. Destes, avolumam-se os que estudaram o ef feito thcrapcutico
cm
SciELO
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202
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
do remedio em doentes com localizações tuberculosas diversas. Outros verifica-
ram o papel preventivo da vaccina, quer em animaes, quer no homem e um
pequeno grupo dedicou-se ás verificações da biologia do germe. Como todos
chegaram, em linhar geraes, aos resultados de Friedmann, julgamos desnecessá-
rio cital-as na integra, evitando, assim, alongar em demasia este capitulo.
II
Argumentos dos que não acreditam na origem humana do bacillo de
Friedmann, nem em possiz-el adaptação á tartaruga.
Os resultados de Friedmann foram largamente combatidos nos seus vários
pontos básicos.
A origem humana do bacillo, considerada de grande importância, tanto
pelo que diz respeito á sua nocividade para o homem, como pelo papel immuni-
zante que poderia possuir, foi alvo de acirrada critica.
Os partidários de Friedmann comparam o seu remedio com a vaccina de
Jcnner: o virus tuberculoso original do homem attenuado no organismo da tar-
taruga corresponderia ao virus da variola attenuado na vacca.
Estranhou-se inicialmente essa adaptação, pois as experiencias até então rea-
lizadas não permittiam uma conclu ão segura. Emquanto alguns auctores acre-
ditavam ter obtido uma adaptação do bacillo de Koch ao organismo de animaes
pecilothermicos, tão intima que perderia a virulência para a cobaia (Lubarsh,
Hcrzog, Ramon c Ravaud, Bataillon, Dubard e Tcrre), outros, além de encon-
trarem sómente lesões muito discretas, notaram, ao contrario, a conservação da
primitiva virulência (Nicolas e Lesieur, Auché e Hobbs, Bcrtarelli e Bocchia)-
Procurou-se verificar a questão. Tartarugas inoculadas com grandes doses
de bacillos do typo humano não apresentaram lesões generalizadas e a primi-
tiva virulência do germe não foi modificada (Sion, Gottstein e Moriya). Por
outro lado, em rãs inoculadas com bacillos mortos, verificaram-se formações gra-
nulosas, repletas de bacillos, idênticas áqucllas obtidas em rãs injectadas com
bacillos vivos (Auché e Hobbs). Este ultimo facto chamou a attenção dos
exjicrimentadores que procuraram verificar si normalmente nesses animaes exis-
tiriam bacillos acido-resistentes e sob que condições estes poderiam pullular.
Os estudos de Weber e collaboradores trouxeram luz á questão, expondo
em varias publicações do Serviço Sanitario Imperial da Alemanha os seguintes
resultados de suas investigações: nos animaes de sangue frio existem normal-
mente acido-resistentes, saprophytos, quasi sempre inoífensivos para os seus
hospedes, mas capazes de pullular em seus organismos sob certas condições. E'
de suppor que, em muitas das experiencias realizadas, se isolassem esses bacillos.
apathogenos para a cobaia, c se interpretasse como sendo os da tuberculose hu-
8
Montfiro Jt Travassos — Bacillo de Friedmann
203
mana attenuados. Os bacillos da tuberculose humana, injectados nos animaes
de sangue frio, podem permanecer durante muito tempo vivos, mas sempre vi-
rulentos para a cobaia.
Referindo-se em particular ao bacillo de Friedmann, Weber af firmou que
essa amostra nada tinha de extraordinário. Si esse bacillo apresenta a 37° ca-
racteres culturaes quasi indistinguíveis dos de uma raça de bacillo da tuber-
culose dos mammiferos, não se trata de um caso isolado. Tal facto elle verifi-
cou muitas vezes nas 36 amostras de bacillos acido-resistentcs de animaes de
sangue frio que conseguiu isolar. O bacillo de Friedmann era manifestamente
da mesma familia que os de Bataillon e Moeller. O apparecimento da tuber-
culose pulmonar nas tartarugas observadas era devido, não ao bacillo, mas ás
tartarugas; as raças isoladas por Weber também determinavam lesões pulmo-
nares nas tartarugas, lesões essas que também foram observadas nas rãs, porém
cm muito menor quantidade. Quando um animal de sangue frio morre com ba-
ciilos acido-resistentes nos seus organs, é preciso sempre procurar si não ha
parasitas de outras espedes e lesões. A morte só pode ser attribuida á infecção
por arido-resistentes quando é verificada enorme pullulação de bacillos, con-
forme foi descripta por Ledoux-Lcbard.
Os trabalhos de Weber tiveram grande repercussão, sendo suas idéas accei-
tas por vários experimentadores de nomeada (Calmcttc, L. Langc, Moeller) c
suas verificações confirmadas por outros (Tsukiyama, Iansco e Elfcr, Moriya).
Alguns auetores, entretanto, acreditam cm uma adaptação completa (Piorkowski),
que pode ser realizada lcntamente (Sorgo c Sucss), havendo talvez mesmo
uma relação phylogcnetica entre os bacillos da tuberculose dos mammiferos c
os acido-resistentes dos animaes de sangue frio (Klempercr).
Entre os argumentos em que se basea a hypothcse de Friedmann sobre a
origem humana do seu bacillo, alem do facto de terem ar, tartarugas sido tra-
tadas por um guarda tuberculoso, contam-sc o seu bom desenvolvimento a 37°
c ainda a semelhança das culturas com as do bacillo de Koch, o que não acon-
teceria geralmente com outros acido-resistentes isolados de animaes pccilother-
tuicos. Conhecem-se, entretanto, observações de cultivo a 37° c de culturas se-
tnelhantes ás do bacillo de Koch entre acido-resistentes de animaes de sangue
frio. Moeller, de uma tartaruga morta espontaneamente, isolou um acido-resis-
tente que se desenvolveu muito bem a 37°, logo após o seu isolamento. São
conhecida:-, neste particular, as observações de Weber e Taute com os acido-
resistentes das rãs c do musgo; as de Jakobitz, Kcyser e Schmitz com os ba-
cillos dos caracóes e as dos dois tuberculoides de Becks.
L. Lange julga existir uma grande differença de comportamento das cultu-
ras dos dois bacillos, differença essa que impõe á amostra de Friedmann um
Jogar entre os acido-resistentes saprophytas.
Entre outros argumentos levantados pelos auetores que não acccitam as
•déas de Friedmann, conta-se o seguinte: o grande numero de bacillos observa-
cm
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204
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
dos nas lesões pulmonares da tartaruga de onde foram isolados, approxima-os
dos acido-resistentes dos animaes de sangue frio, por isso que, com os badllos
da tuberculose dos mammiíeros, o contrario é o que se verifica, isto é, a viru-
lência está na razão inversa da vegetabilidade (Weber e Taute).
Do mesmo modo, a circumstancia de ser o bacillo pathogenico para os ani-
maes de sangue frio, desenvolvendo-se nelles com grande energia e invadindo
rapidamente todos os organs, constitue outro argumento contrario a Friedmann,
por isso que facto idêntico não se observa nos animaes inoculados com culturas
de badllos do typo humano, mesmo que se empreguem grandes dóses. Xeste
ponto ha um pormenor que tem sido levado em conta pelos partidários de
Friedmann para a prova de que o bacillo é de origem humana. Dizem elles que
nem todos os auctores têm conseguido infectar certos animaes de sangue frio,
principalmente tartarugas e sapos, pelo bacillo de Friedmann ( Rabinowitsch.
Schroeder, L. Lange). Todavia, o argumento não procede, pois é sabido que
os bacillos acido-resistentes diminuem de virulência á medida das passagens
pelos meios de cultura, conforme resalta de experiencias do proprio Friedmann,
que não conseguiu infectar uma tartaruga com culturas de vários repiques, 10
meses após o isolamento do seu bacillo.
L. Lange, em sua critica, julga que é muito inverosimil que a tartaruga de
Friedmann se contagiasse pelo guarda tuberculoso, não sendo possível que a*
tartarugas occupassem um logar de excepção entre os animaes de sangue frio.
A supposição original de ser o bacillo de Friedmann de procedência huma-
na fez receiar que no homem, por uma causa cxtranha, elle readquirisse a sua
primitiva virulência. Este receio estava de accordo com certas verificações ex-
perimentaes que demonstravam a capacidade do bacillo do typo humano de pro-
vocar a tuberculose generalizada da cobaia, mesmo após longa permanência no
organismo dos animaes de sangue frio.
As primeiras verificações realizadas (Libbertz e Ruppel, Orth e Rabi-
nowitsch, Rabinowitsch, Westenhoffer, Brauner, Meinicke), mostravam um certo
poder pathogenico do bacillo para a cobaia, o que causou celeuma entre os pes*
quisadores, acreditando mesmo alguns (Rabinowitsch, Calmette) que no remedio
de Friedmann se encontravam alguns bacillos do typo humano. Conseguiu-se
também a exaltação da virulência da amostra de Friedmann por passagens suc-
cessivas em cobaias (Schroeder, Kaufmann) e isto deu margem para se pensar
ser o bacillo uma forma de transição entre os acido-resistentes de sangue frio c
os da tuberculose dos mammi feros.
O que parece mais ou menos assentado actualmente é que o bacillo de
I- riedmann não é pathogenico para a cobaia (Piorkowski, Baumann, Ehrlich, I-
ll(
Monteiro * Travassos
Bacillo de Friedinann
205
Lange, Kruse, Xeufeld, Kolle e Schlossberger e outros). A sua acção sobre os
animaes de sangue quente é idêntica á dos demais acido-resistentes de sangue frio
(Xeufeld), podendo produzir nodulos que regridem em pouco tempo, tal como
se obtem por inoculação de certos corpos extranhos (Kruse e outros), donde
se conclue não ser possível a adaptação do bacillo ao organismo dos animaes de
sangue quente.
Procurou-se também verificar si no organismo humano havia probabilida-
des de augmentar de virulência a amostra de Friedmann (Barnes, Rabinowitsch,
Xeumann, Bischoíf e Schmitz, Fromme), não se tendo conseguido resultados
Positivos.
O bacillo de Friedmann também foi estudado no que diz respeito á acção
de sua tuberculina. Esse producto mostra-se muito menos activo para as co-
baias tuberculosas (L. Lange, Dietrich e outros) do que a tuberculina cxtrahída
dos bacillos de Koch, tal como acontece com as chamadas paratubcrculinas
(Loewenstein, Weber). Os animaes preparados com o bacillo de Friedmann,
do mesmo modo que os animaes preparados com outros acido-resistentes de san-
gue frio, reagem á tuberculina homologa, mas não á tuberculina preparada com
os bacillos do typo humano ou bovino (B. Lange, Furth, Meyer, Scltcr, Lust).
Essa ausência de cffeito allergico homologo para os animaes tul>erculosos é
argumento serio contra a hypothese da adaptação do bacillo humano ao orga-
nismo da tartaruga, não restando, pois, duvida de que o germe deve ser incluído
entre os acido-resistentes dos animaes de sangue frio, não passando, assim, de
um saprophyta para os animaes de sangue quente (Sclter, Lust).
As provas de protecção para a cobaia e outros animaes, expostas por
Friedmann em seus primeiros trabalhos, não são de tal grão e natureza que
permittam, por si sós, avaliar do valor preventivo da vaccina. As cobaias e
outros animaes vaccinados pelo remedio de Friedmann parecem apresentar di-
minuta resistência á inoculação do vinis (Libbertz e Ruppel, Uhlenhuth, L. Lange,
Schroeder, Kuchner, Xeufeld, etc.), o que também acontece com outros animaes
vaccinados pelos acido-resistentes de sangue frio (Xeufeld), morrendo todos,
finalmente, de tuberculose generalizada.
Xo que diz respeito ao valor curativo do remedio, pesquisas experimentaes
foram realizadas em cobaias tuberculosas, não tendo sido verificado ef feito fa-
voravel, parecendo mesmo que, em certos casos, as injecções repetidas de bacillo
da tartaruga activaram a marcha da tuberculose (Kolle e Schlossberger).
II
cm
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20C
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
PARTE EXPERIMENTAL
I — O baciüo de Friedmann estudado: a) isolamento da nossa cultura; b)
caracteres culturacs, morphologicos e biologicos; c) pothogcnicidadc para
os animacs dc sangue quente; d) pathogenicidade para os animacs de san-
gue frio; e) producção da tiiberculina.
a) Isolamento da nossa cultura — A amostra do bacillo de Friedmann
que estudámos foi isolada por semeadura, em meios apropriados (meio de ovo
de Dorsct, agar-glycerinado e batata-glycerinada), da vaccina preparada por
Friedmann e da qual foram enviadas ao Instituto algumas empolas.
Os tubos semeados foram mantidos na temperatura de 26°. Em 48 horas
já se notava o desenvolvimento de pequenas colonias na superfície dos meios.
A primeira sub-cultura foi feita decorridos 5 dias, e a segunda depois de 10 dias.
Os tubos da 3.* sub-cultura foram divididos em 2 grupos, sendo um conservado
na temperatura de 26° e outro na de 37°.
b) Caracteres culturacs, morphologicos c biologicos. — As culturas obti-
das, desde a semeadura original, mostraram-se puras e seu aspecto nos diífe-
rentes meios apresentou difíerença, conforme o desenvolvimento se dava a 26*.
ou a 37°. Xas culturas mantidas a 26°, é o seguinte:
Batata glyccrinada: Inicia-se o desenvolvimento em 3 a 4 dias. Xota-se
um indueto cremoso e ligeiramente rugoso, cobrindo toda a superficie do meio;
jíellicula na superficie do caldo collocado na parte inferior do tubo c que facil-
mente se destaca, cahindo no fundo do tubo (fig. 1, c). Depois de algumas
sub-culturas o aspecto é mais secco e rugoso, asscmelhando-sc mais com o bacillo
da tuberculose humana.
Meio ovo dc Dorset: Indueto cremoso e esbranquiçado, muito ligeiramen-
te rugoso (fig. 1).
Gclosc glyccrinada: Desenvolvimento abundante, dando um indueto es-
branquiçado, cremoso e rugoso por toda a superficie (fig. 1, b). As colonias
isoladas são arredondadas, rugosas, com o centro ligeiramente elevado e a peri-
pheria de contornos irregulares.
Gclosc commum: Desenvolvimento insignificante, quasi nullo no fim de
10 dias.
Gelosc-soro: Indueto ligeiro, de aspecto mais pastoso, não se observan-
do rugosidades.
Caldo commum: Xo fim de 10 dias, ligeira pellicula na superficie. ca-
hindo facilmente e depositando-se no fundo do tubo, sem turvar o meio.
12
Monteiro 4 Travassos — Bacillo de Friedmann
207
Caldo glycosado a 1%: Como no caldo commum. mas com maior desen-
volvimento.
Caldo glyccrinado a 5 % (em balões de larga superfície) : Já em 24 lis.
se observa uma pellicula fina occupando vasta zona da superfície do meio. O
desenvolvimento da pellicula se accentua. occupando em poucos dias toda a su-
perfície. A pellicula é frágil, com ligeira agitação se rompe, cahindo no fundo
do frasco. A substituição por nova pellicula logo se processa. O caldo per-
manece transparente (fig. 3). Esta cultura, após 40 dias, foi utilizada para
o preparo da tuberculina do bacillo de Friedmann.
As culturas desenvolvidas a 37° dif ferem um pouco do aspecto descripto.
Nas primeiras sub-culturas o desenvolvimento é um pouco mais lento; nas re-
picagens seguintes de culturas oriundas dessa temperatura, já é mais rápido.
As culturas têm o aspecto menos cremoso, são mais seccas e apresentam-se mais
rugosas nos meios solidos, taes como (fig. 2), batata e gelose glycerinadas, appro-
xirnando-se mais, na apparencia, das culturas do bacillo da tuberculose. Nos
meios líquidos, o aspecto é mais ou menos idêntico ao já descripto.
Morf>hologia do bacillo : A amostra estudada aprcscnta-sc como pequeno
bastonete alcool-acido-resistente e que, pela sua morphologia e propriedades
tinctoriaes (coloração de Ziehl-Niclscn) se confunde com as dos bacillos tuber-
culosos. Pelo methodo de Fontes, verifica-se a existência de granulações pe-
quenas no corpo bacillar. Os germes, nos esf regaços de culturas, se agrupam
cm massas, não se observando qualquer disposição característica.
Pathogenicidade
O estudo da pathogenicidade do bacillo de Friedmann foi realizado cm ani-
maes de sangue quente (cobaias c coelhos) c cm animacs de sangue frio (co-
bras, rãs, lagartos, sapos, tartarugas).
Os resultados obtidos pelas inoculações desses differentes animacs, empre-
gando-sc doses diversas, ás vezes enormes, do bacillo e por differentes vias,
dão bem uma kléa da virulência do germe. Mostraremos com algum pormenor
os resultados obtidos nos dois grupos de animacs, indicando ao mesmo tempo o
comportamento dos animaes injectados em relação á tuberculina preparada com
o proprio bacillo e com o bacillo da tuberculose humana e, a seguir, o compor-
tamento de uma serie de animacs inoculados cm relação á infecção tuberculosa
experimental.
Para o estudo da pathogenicidade do bacillo de Friedmann empregámos
culturas de 12 dias cm batata glycerinada. O indueto microbiano retirado da
superfície do tubo e collocado em papel de filtro esterilizado, era secco e pesado
ainda húmido, sendo as doses injectadas avaliadas quanto ao peso da cultura
13
cm
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208 Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
assim tratada, feitas as emulsões convenientes num mesmo volume de solução
physiologica.
c) Pathogenicidade para os animacs de sangue quente. — Numerosas fo-
ram as cobaias e coelhos inoculados por differentes vias (sub-cutanea, perito-
neal, venosa, testicular), com doses de bacillos de Friedmann desde 0,0001 ate
0,500. Muitos foram submettidos, tempos depois de inoculados, a differentes
provas em relação ás tuberculinas humana e do bacillo de Friedmann e á in-
fecção tuberculosa experimental. As desta ultima serie serão estudadas em ca-
pitulo aparte.
Cobaia X.° 81 — Inoculada em 23 de janeiro de 1930, por via peritoneal, com
0,500 mgrs. do bacillo de Friedmann.
Apesar de inoculada por via peritoneal, observou-se, depois de
5 dias, um pequeno nodulo sub-cutaneo, ao nivel do ponto de pene-
tração da agulha, e que desappareceu no fim de alguns dias.
Em 26 de fevereiro, foi submettida á prova da tubcrculina hu-
mana. Injectou-sc lcc. de tubcrculina bruta por via sub-cutanea, e
ao mesmo tempo que a cobaia tuberculosa n.° 365, e a cobaia normal
n.° 493, como testemunhas.
Como resultado da inoculação, as cobaias 81 c 493 nada de anor-
mal apresentaram, enquanto que a cobaia n.° 365, testemunha tu-
berculosa, morreu cm menos de 24 horas.
Em 28 de fevereiro (35 dias após a inoculação), foi sacrificada
e nccropsiada: gânglios inguinaes não augmentados de volume c dc
aspecto normal. Na cavidade peritoneal notou-se um nodulo epi-
ploico contendo pús cascoso. No figado observaram-se raros peque-
nos nodulos brancos, nas bordas do orgam e mesmo no parenchyma-
Baço augmentado de volume c adherente á parede. Pulmões ma-
croscopicamente normaes. Os esfregaços feitos com substancias do
nodulo epiploico mostraram a presença de bacillos acido-resistentcs
de aspecto normal e cm via de desintegração. Os esfregaços com
nodulos do figado mostraram também bacillos acido-resistentes em
desintegração.
A semeadura do pús do nodulo epiploico deu em resultado o
reisolamento do bacillo.
A curva de peso desta cobaia pode ser verificada no graphico
annexo (graphico 1, letra a).
Cobaia N.° 323 — Inoculada em 23 de janeiro de 1930 com 0,500 mgrs. de ba-
cillos de Friedmann, por via sub-cutanea.
II
Monteiro t Travassos — Bacillo de Friedmann
209
No ponto de inoculação formou-se um grande nodulo que, 5
dias depois, se abriu, dando sahida a pús caseoso. O exame micros-
cópico desse pús mostrou numerosos bacillos acido-resistentes, de
estructura granular, com notável tendencia a reunir-se em agglome-
rados. Esses germes foram também encontrados no interior dos
Ieucocytos.
Em 28 de janeiro, com esse pús, foi inoculada a cobaia 221, por
via sub-cutanea. Esta cobaia nada de anormal apresentou, nem
mesmo nodulo no ponto de inoculação e foi sacrificada em 29 de
maio (apôs 4 meses), á necropsia mostrando os organs de aspecto
normal. Os esíregaços não revelaram a presença de bacillos acido-
resistentes.
Em 12 de março, a cobaia 323 foi inoculada com lcc. da tuber-
culina concentrada preparada com o bacillo de Friedmann.
Nesse dia, á tarde, sua temperatura era de 38,8°. No dia se-
guinte a temperatura foi de 39,3° pela manliã e 39,5° á tarde; cm
14 de março a temperatura foi de 39,0° pela manhã e 38,4° á tarde.
Verificou-se, assim, uma ligeira reacção á tuberculina homologa, o
que não se verificou com a cobaia 250, testemunha normal, injcctada
nas mesmas condições.
Em 15 de março, isto é. 52 dias após a inoculação, a cobaia foi
sacrificada e necropsiada: verificou-se no ponto de inoculação uma
ulceração ainda não completamente cicatrisada c um empastamento
com maior adherencia da pelle.
Gânglios satcllites completamcntc normacs. Na cavidade abdo-
minal não se notou derrame, nem se viram gânglios augmentados de
volume. O figado, de apparcncia normal, mostrou apenas peque-
nas granulações esbranquiçadas. Baço nas mesmas condições. Pul-
mões de aspecto normal.
Os esfregaços feitos para a pesquisa de bacillos acido-resisten-
tes foram negativos, tanto com o material do tecido sub-cutanco do
ponto de inoculação, como com o material dos gânglios satellites,
polpa do figado, baço e pulmões.
A curva de peso dessa cobaia pode ser verificada no graphico
annexo (graphico 1, letra b).
Cobaia N.° 143 — Inoculada em 23 de janeiro com 0.100 mgrs. de bacillo de
Friedmann, por via peritoncal.
Nada de anormal apresentou, a não ser uma perda de peso nos
primeiros dias que se seguiram á inoculação, depois do que estacio-
nou mais ou menos, para começar a augmentar após o primeiro mez,
como se vê no graphico annexo (graphico 1, letra c). Foi sacrifica-
i;>
cm
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210
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
da e necropsiada em 15 de março (52 dias após a inoculação) : ne-
nhuma alteração poude ser verificada e os esfregaços não revelaram
bacillos.
Cobaia X.® 313 — Inoculada em 23 de janeiro de 1930 com 0,001 mgr. de ba-
cillo de Friedmann, por via testicular.
Xada de anormal apresentou. O peso iniciou a sua curva ascen-
dente depois do primeiro mês, como se vê no graphico annexo
(graphico 1, letra d).
Foi sacrificada em 18 de março (55 dias após a inoculação) e
necropsiada: o testículo inoculado mostrou-se ligeiramente augmen-
tado, os esfregaços feitos não revelaram bacillos; íigado com peque-
nos nodulos esbranquiçados, mas os esfregaços negativos; baço com
pequenas manchas esbranquiçadas contrastando com a côr vermelha
do parenchyma, esfregaços também negativos; pulmões de aspecto
normal, mostrando os esfregaços, cuidadosamente examinados, um
unico amontoado de bacillos; gânglios tracheo-bronchicos de aspecto
normal e negativa a pesquisa de bacillos.
Cobaia X.® 190 — Em 23 de janeiro recebeu 0,001 mgr. de bacillos, por via
pcritoneal.
Xada de anormal apresentou, mantendo-se inalterado o peso du-
rante as duas semanas e entrando depois em curva ascendente (gra-
phico 1, letra c). Foi sacrificada cm 20 de março (após 57 dias da
inoculação). A necropsia e a pesquisa de bacillos acido-resistentes
nos organs c gânglios foram completamente negativas.
Cobaia X.® 2 — Em 23 de janeiro recebeu, por via sub-cutanea, 0,0001 mgr-
de bacillos.
Xenhuma manifestação apresentou e o peso entra em curva
ascendente (graphico 1, letra f).
20 de maio — Foi submettida á prova intradermica da tuber-
culina, recebendo, do lado direito, a tuberculina humana e, do lado
esquerdo, a tuberculina preparada com o bacillo de Friedmann, não
reagindo a nenhuma.
Em 24 de junho (após 160 dias da inoculação) foi sacrificada-
sendo negativas a necropsia e pesquisa de bacillos nos esfregaços do?
difíerentes organs.
Cobaia N.® 480 — Inoculada em 23 de janeiro com 0,100 mgr. de bacillos, p° T
via sub-cutanea.
1C
212
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Após 5 dias, observou-se, no ponto de inoculação, um nodulo
que desappareceu no fim de alguns dias. O estado geral do animal
manteve-se normal e em ascenção a sua curva de peso (graphico 1.
letra g).
31 de março — Inoculada, por via sub-cutanea, com lcc. de tu-
berculina humana, não mostrando qualquer reacção febril.
Em 20 de maio foi submettida á prova intradermica das tuber-
culinas humana e do badllo de Friedmann, não reagindo a nenhuma.
Em 25 de julho foi sacrificada (após 151 dias da inoculação) e
necropsiada : nada de anormal se verificou para o lado dos organs.
sendo negativa a pesquisa de bacillos acido-resistentes.
Cobaia X.® 263 — Recebeu, em 23 de janeiro, por via testicular, 0,100 mgr-
de bacillos.
Xa primeira e segunda semanas se observou uma perda de peso
que depois se manteve e entrou em curva ascendente (graphico 1-
letra h).
Em 31 de março, foi inoculada por via sub-cutanea com lcc. da
tuberculina preparada com o bacillo de Friedmann.
Como consequência, notou-se uma ligeira reacção febril.
Em 20 de maio, foi submettida á prova intradermica, não rea-
gindo a nenhuma das tuberculinas.
Em 25 de agosto (após 212 dias da inoculação) foi sacrificada.
A’ necropsia viram-se gânglios c organs perfeitamente normaes. Os
esfregaços para a pesquisa de bacillos foram negativos.
Coelho X.° 336 — Inoculado em 23 de janeiro com 0,500 mgr., por via peri-
toneal.
Em 6 de fevereiro amanheceu morto, sendo necropsiado. Obser-
vou-se pequena quantidade de liquido no peritoneo; íigado congesto
com alguns nodulos esbranquiçados; baço de aspecto normal; pui*
mões apenas congestos; gânglios abdominaes e thoracicos de aspecto
normal.
A pesquisa de bacillos acido-resistentes nos esfregaços dos di-
versos organs foi negativa, revelando a presença de coccideos eitt
grande quantidade no figado.
As culturas para reisolamento do bacillo, feitas com o sangue
do coração, liquido peritoneal e nodulo hepático foram negativas.
Coelho X.® 420 — Inoculado em 23 de janeiro, por via venosa, 0,001 mgr. de
bacillos de Friedmann.
Monteiro 4 Travassos
Bacillo de Friedniunn
213
Xada de anormal foi observado, mantendo-se o coelho em curva
ascendente de peso.
Em 29 de maio foi sacrificado (após 128 dias), sendo negativa
a necropsia, assim como a pesquisa de bacillos acido-resistentes.
Destas inoculações experimentaes para a verificação da pathogcnicidade do
bacillo de Friedmann para as cobaias e coelhos, verifica-se. em resumo, que este
niicro-organismo é destituído de virulência para estes animaes, mesmo com o
emprego de dóses elevadas (0,500). O germe jx>de determinar apenas lesões
Passageiras localizadas no ponto de inoculação e, por via peritoneal, uma reacção
epiploica onde se eneysta e de onde é eliminado no fim de certo tempo, sem
Prejuízo para o estado geral do animal.
Xos animaes sacrificados antes de 35 dias, verifica-se a presença do germe,
que pode ser reisolado com facilidade do ponto onde se localiza, embora morpho-
logicamente se mostre já alterado. Após 52 dias da inoculação, já não se veri-
fica, a não ser raramente, a presença de bacillos nos animaes infectados; com
maior lapso de tempo esta pesquisa é sempre negativa.
Tem-se a impressão de que os germes inoculados, innocuos, se comportam
para esses animaes como corpos extranhos ou germes saprophytas que determi-
nam apenas uma reacção no ponto de inoculação, com eneystamento. e que são
a pouco e pouco destruídos, absorvidos ou eliminados, pelo organismo dos ani-
maes. Estas nossas observações confirmam as de muitos experimentadores que
estudaram o germe de Friedmann. Sobre o assumpto Collo assim se exprime:
‘E’ provável que a acção destes bacillos sobre as cobaias seja devida, não a uma
multiplicação nos tecidos, mas a uma simples irritação mecanica ou chimica (por
proteinas hetcrologas e lipoides) dos germes injcctados cm dóses massiças”.
d) Pathogenieidadc para os animaes de sangue frio. — Oriundo de um
animal de sangue frio, a tartaruga, o bacillo de Friedmann deveria manifestar
mais intensamente a sua acção pathogenica sobre estes animaes. Friedmann
assim o disse: o bacillo se desenvolve com grande energia no organismo dos ani-
maes de sangue frio, invadindo rapidamente todos os organs.
Sem discutir os resultados que a respeito obtiveram outros auctores, mostra-
rmos a seguir os das nossas verificações pessoacs. Para essas experiências usá-
mos cobras, lagartos, rãs, sapos e tartarugas do mar, sendo que as tartarugas
«os foram gentilmente fornecidas pelo distincto amigo Dr. Antonio C. Alves de
Lima, que, assim, mostrou uma alta comprehensão do valor de estudos experi-
mentaes dessa natureza.
Alguns protocollos que se seguem mostram os resultados :
I!)
cm
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214
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Giboia I -
(Conslrictor
conslriclor)
Giboia II
Giboia III
— Inoculada por via sub-cutanea com 0,500 mgr. de badllos de Fried-
mann, em 23 de janeiro de 1930.
Amanheceu morta em 13 de fevereiro de 1930, sendo necropsia*
da: observaram-se placas hemorrhagicas na folha parietal do perito-
neo, principalmente no terço posterior, observando-se por transpa-
rência granulações esbranquiçadas de tamanho variavel ; nodulos
branco-amarellados na face interna do peritoneo e disseminados por
toda a serosa, vendo-se em certos pontos massas maiores, contendo
substancia caseosa.
Gânglios mesentericos augmentados de volume e cheios de sub-
stancia caseosa. Xo tecido peri-tracheal notaram-se também placas
hemorrhagicas e gânglios augmentados de volume e caseosos. Pul-
mões fortemente congestos, principalmente no apice, onde existia
uma zona infarctada. Figado com pequenas granulações dissemina-
das por todo o orgam.
A pesquisa de bacillos acido-resistentes foi positiva nos cs f re-
gaços feitos com sangue do coração, figado, gânglios e pulmões.
Com os gânglios caseosos foi feita uma emulsão e inoculadas a
giboia IV (vide adeante) e a cobaia 477. Esta ultima não apresen-
tou, nos dias que succederam á inoculação, a menor manifestação pa-
thologica. Submettida posteriormente á prova intradermica com as
tuberculinas humana e do bacillo de Friedmann, não reagiu a nenhu-
ma. Sacrificada em 8 de novembro de 1930, nada foi observado á
necropsia.
A’ semeadura da massa caseosa de um gânglio da giboia I, eni
gelose glyccrinada e batata, rcisolou-se o bacillo em cultura pura.
Essas culturas foram posteriormente inoculadas na tartaruga V, no
lagarto I e no camaleão III, cujos protocollos serão indicados adeante.
— Em 23 de janeiro de 1930, recebeu 0,100 mgr. de bacillos d*
Friedmann.
Em 12 de março, foi inoculada com lcc. da tubcrcuiina concen-
trada preparada com o bacillo de Friedmann. A 15 de março nada
apresentou de anormal, sendo sacrificada e necropsiada: observarain-
se alguns gânglios augmentados de volume; organs de apparencia
normal. Esfregaços de gânglios mostraram grande numero de ba-
cillos acido-resistentes, raros nos organs.
— Inoculada por via peritoneal com 0,100 mgr. de bacillos cm 23
de janeiro.
Amanheceu morta em 8 de julho de 1930. A’ necropsia não
se notou grande alteração macroscópica dos organs, a não ser un>
20
Monteiro * Travassos
Bacillo de Friedmann
215
gânglio infiltrado e augmentado de volume, ao nivel do figado, pro-
ximo á vesicula biliar.
Esfregaços dos organs, pobres em bacillos acido-resistentes.
Giboia IV — Inoculada em 13 de fevereiro com 2cc. de emulsão de gânglios
mesentericos caseosos da giboia I, por via sub-cutanea.
Amanheceu morta em 17 de fevereiro, observando-se na ne-
cropsia edema hemorrhagico na zona do ponto de inoculação e vizi-
nhanças, onde se viu também uma massa amarellada de aspecto ca-
seoso; vários gânglios pouco augmcntados de volume na parte ter-
minal da trachéa e na base do coração; adherencia do peritoneo ás
vísceras no ponto de inoculação; no figado notaram-se numerosas
pctcchias disseminadas por todo o orgam; pulmão congestionado na
base, onde se notou edema gelatinoso; derrame sero-hemorrhagico do
pericárdio. Os esfregaços do figado e sangue do coração não mos-
travam bacillos acido-resistentes, observando-se bacillos bipolarcs e
coccos.
Boipeva I — Recebeu, por via sub-cutanca, 0,001 mgr. de bacillos de Friedmann,
(Ofhit
"itrremii )
em 23 de janeiro.
Amanheceu morta em 25 de fevereiro de 1930. Necropsia:
congestão da parte superior do pulmão, figado com pequenas granu-
lações esbranquiçadas disseminadas por todo o orgam, notando-se uma
grande, esbranquiçada, logo abaixo da vesicula biliar.
Esfregaços positivos.
Boipeva II — Recelieu. por via sub-cutanca, em 23 de janeiro, 0,100 mgr. de
bacillos.
Em 12 de março foi inoculada com Icc. de tubcrculina humana.
.Amanheceu morta em 14 de março e á necropsia encontrámos,
no peritoneo, pequenas granulações esbranquiçadas; os gânglios me-
sentericos mostravam-se augmcntados de volume c de aspecto casco-
so. No figado e pulmão nada de anormal macroscopicamente.
Os esfregaços dos gânglios mesentericos mostraram grande nu-
mero de bacillos acido-resistentes, formando grandes massas; o do
gânglio cardiaco mostrou também bacillos, porem em menor numero;
nos do figado lográmos encontrar raros bacillos acido-resistentes.
Êoipeva III — Inoculada por via peritoneal com 0,100 mgr. de bacillos de
Friedmann em 23 de janeiro de 1930.
21
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
216 Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
Amanheceu morta em 28 de janeiro. A’ necropsia não se obser-
varam lesões macroscópicas dignas de nota, a não ser um pequeno
augmento dos gânglios renaes.
Os esfregaços dos organs e gânglios deram resultado positivo.
A cultura do sangue do coração foi positiva.
Lagarto I — Em 23 de janeiro, foi inoculado por via sub-cutanea com 0,100
( Polychrus mgr. de bacillos. Morte na tarde de 24 de janeiro. A’ necropsia
ocutirostns) observavam-se alguns nodulos no peritoneo; organs apparentementc
normaes.
Esfregaços positivos. Cultura do sangue do coração positiva.
Lagarto II — Inoculado em 27 de março com 0,10 mgr. de bacillos reisolados
da giboia I, cultura em batata glycerinada.
Morte em 2 de abril de 1930. A’ necropsia não foram observa-
dos phenomenos anonnacs. Os esfregaços do figado, pulmão e san-
gue revelaram grande numero de bacillos.
Lagarto III — Inoculado cm 27 de março com 0,30 mgr. de bacillos reisolados
da giboia I.
Amanheceu morto em 4 de abril de 1930. A’ necropsia os
organs apresentavam-se de aspecto normal; os gânglios do mesente-
rio augmentados ligeiramente de volume.
Esfregaços positivos. Cultura do sangue do coração positiva.
RÃ I — Recebeu 0,500 mgr. de bacillos de Fricdmann em 23 de janeiro de
(Hyla 1930.
Amanheceu morta cm 25 de janeiro. A’ necropsia notou-se cx-
sudato pcritoneal ligeiramente hemorrhagico ; os organs, figado prin-
cipalmentc, recobertos por uma camada de fibrina, de aspecto ca*
seoso; no figado e pulmão, raras e pequenas granulações.
Os esfregaços dos organs e sangue do coração mostraram nu-
merosíssimos bacillos.
As culturas do sangue do coração e liquido peritoncal foram
positivas.
RÃ II — Em 25 de janeiro de 1930, foi inoculada com 0,001 de bacillos.
Amanheceu morta cm 7 de abril e á necropsia não foram obser-
vadas lesões macroscópicas.
Todos os esfregaços feitos com organs e sangue do coração fo-
ram positivos.
22
Monteiro & Travassos — Tiacillo de Friedmann
211
Rã III — Inoculada, por via peritoneal, com 0,001 mgr. de bacillos de Fried-
mann, em 23 de janeiro de 1930.
Em 12 de março, inoculada com lcc. de tuberculina de Friedmann.
Morte em 20 minutos após a inoculação da tuberculina.
A’ necropsia notou-se liquido na cavidade peritoneal, amarellado
e ligeiramente sanguinolento; pulmão congesto; fígado macroscopi-
camente normal.
Os esfregaços mostraram grande numero de bacillos.
Rã IV — Inoculada por via intra-muscular com 0,100 mgr. de bacillos em 23
de janeiro de 1930.
Morte na tarde de 24 de janeiro. A’ necropsia exsudato perito-
neal e phenomenos de peritonite com deposito de fibrina; organs de
aspecto normal.
Todos os esfregaços revelaram grande numero de bacillos.
Rã V — Em 23 de janeiro de 1930, recebeu 0,100 mgr. de bacillos.
Xa manhã de 28 de janeiro apresentou-se cm mão estado.
A pelle do dorso de amarcllo pallido passou a cnnegrecida com
manchas esbranquiçadas; no ventre observaram-se manchas averme-
lhadas, denotando inflammação.
Sacrificada, á necropsia notou-se adhcrcncia da pelle aos mús-
culos, com desaparecimento do sacco lymphatico cm certos pontos;
exsudato peritoneal presente; os organs não mostraram lesões ma-
croscópicas.
Os esfregaços dos organs, liquido peritoneal e sangue do cora-
ção foram positivos. Culturas do sangue do coração positivas.
Rã VI — Em 23 de janeiro de 1931, recebeu, por via peritoneal, 0,100 mgr. de
bacillos.
Amanheceu morta a 25 de janeiro. A’ necropsia não se obser-
varam lesões macroscópicas dignas de nota.
Os esfregaços dos organs e sangue do coração mostraram um
grande numero de bacillos acido-resistentes.
Rã VII — Inoculada por via peritoneal com 0,100 mgr. de bacillos, em 23 de ja-
neiro de 1930.
Amanheceu morta em 25 de janeiro. A’ necropsia notou-se cx-
sudato peritoneal sero-fibrinoso e os orgams de aspecto mais ou me-
nos normal, com deposito de fibrina na superfície.
Todos os esfregaços mostraram um grande numero de bacillos.
23
cm
SciELO
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218
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
RÃ VIII — Inoculada cm 25 de fevereiro de 1930 com 0,05 mgr. de badllos,
reisolados da giboia I.
Em 12 de março foi inoculada com 1 cc. de tuberculina de
Friedmann.
Morte em 30 minutos após a inoculação da tuberculina. A’ ne-
cropsia: cxsudato hemorrhagico na cavidade; no epiploon notaram-
se numerosas granulações amarelladas; pulmão congesto.
Todos os esfregaços mostraram numerosos bacillos acido-resis-
tentes.
Tartaruga V — Inoculada em 27 de março com 0,060 rngrs. de bacillos de
( Chtlone Friedmann, reisolados da giboia I (4.® repique em batata glycerinada)-
mydaj) Amanheceu morta em 21 de maio. A’ necropsia: derrame se-
roso na pleura esquerda, amarello citrino e um tanto viscoso; gân-
glios de aspecto normal ; no figado um pequeno nodulo esbranquiça-
do, maior que a cabeça de um alfinete. Pulmão com pequenos no*
dulos esbranquiçados.
Sómente os esfregaços com o nodulo do figado e com a polpa
deste orgam foram positivos.
Tartaruga VI — Inoculada por via muscular com 2 tubos de cultura de ba-
cillo de Friedmann em batata glycerinada, em 16 de agosto de 1930-
Amanheceu morta cm 23 de setembro. .V necropsia não se no-
taram lesões para o lado dos organs.
Os esfregaços com polpa do figado mostraram poucos bacillos
e os demais foram negativos.
Tartaruga VII — Em 16 de agosto foi inoculada com 2 tubos de cultura de
bacillo de Friedmann em batata glycerinada.
Amanheceu morta em 9 de outubro de 1930. A’ necropsia não
se notaram lesões para o lado dos organs; na folha parietal do pc n '
tonco, 2 pequenos nodulos.
Os esfregaços do figado. pulmão e do nodulo peritoneal mos-
traram bacillos acido-resistentes.
A pathogenicidade do bacillo de Friedmann para os animaes de sangue t n °
mostra-se um tanto irregular. Enquanto que nas rãs e lagartos se observou un>*
invasão inrmediata de todos os organs com desenvolvimento abundante de bJ'
cillos, nas tartarugas e em certas serpentes essa invasão mostrou-se muito meno*
intensa.
As lesões macroscópicas dos organs só foram encontradas na giboia I. ^' 3Í
tartarugas e em outros animaes houve quasi que completa ausência. A!gu° s
21
Monteiro i Travassos
Dacillo de Friedmann
219
cortes praticados com o fígado da giboia I mostraram zonas de necrose espalha-
is por todo o orgam e amontoados de bacillos acido-resistentes. Em cortes de
•'gado de outros animaes foram encontrados grupos de bacillos e, por vezes, as
ccllulas mais próximas em necrose.
Os factores tempo e dóse parece-nos que pouco influiram na formação de
lesões extensas e incompatíveis com a vida. As tartarugas c certas serpentes,
•noculadas com grandes dóses e resistindo á infecção por largo espaço de tempo,
n ão apresentaram á necropsia lesões apreciáveis.
Temos a impressão de que o factor individual muito concorre para esses re-
sultados, tal como pensam Weber e Taute; o factor especie também parece exer-
cer importante papel no caso. As nossas tartarugas não apresentaram lesões de
ex tensão tal que pudessem ser responsabilizadas pela morte desses animaes. As
condições anormaes de vida por que passaram no lal>oratorio explicam melhor o
desfecho lethal.
Para rãs e lagartos a pathogenicidade foi evidente, com a invasão de todos
°s organs e reproducção abundante do bacillo.
e) Producção da tuberculina. — Para o estudo da actividade da tuber-
culina preparada com o bacillo de Friedmann realizámos pesquisas comparativas
coni a tuberculina do typo humano, usando animaes de sangue quente e sangue
leio, e provas sub-cutanea e intra-dcrmica.
Para o preparo da tuberculina usámos cultura de -10 dias cm caldo glyccri-
•tado a 5 %, mantida a 26°. Concentrámos em banho-maria até reduzir de 10
v ezes o volume primitivo.
Para as provas por via sub-cutanea, a tuberculina foi usada cm natureza c
,n jectada na dóse de lcc. e para as provas por via intra-dcrmica foi diluida a
1/10 c inoculada na dóse de 0,1 cc..
Xesta parte do nosso estudo daremos sómente os resultados obtidos com a
'uberculina preparada com o bacillo de Friedmann e com o bacillo tuberculoso
do typo humano; cm capitulo aparte, estudaremos as provas cruzadas que rea-
lizámos.
Os quadros 1 e 2 resumem os resultados dessas pesquisas.
O estudo desses quadros mostra-nos que a tuberculina preparada com o ba-
cillo de Friedmann se revelou activa para as rãs previamente inoculadas, ma-
t^ndo-as em poucos minutos, enquanto que a rã testemunha supportou perfeita-
íílet Uc a acção toxica da tuberculina ; á necropsia, os esfregaços feitos com a
P°lpa dos organs das rãs III e VIII mostraram um grande numero de bacillos,
donde se explica a hyper-sensibilidade que apresentaram esses animaes. O mesmo
«ao sc verificou, ainda no grupo de animaes pecilothermicos, com a giboia II
< l u e, como a testemunha, resistiu á tuberculina, mas, á necropsia, os esfregaços
d°s organs revelaram poucos bacillos, embora os gânglios apresentassem um
ÉFande numero delles.
25
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
220
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Em animaes de sangue quente inoculados com o bacillo de Friedmann o
ef feito é pequeno, comparativamente com o que se costuma obter em animaes
inoculados com o b. de Koch e ensaiados com a tuberculina do typo humano.
Por via intra-dermica. por vezes, obtêm-se resultados mais accentuados, nos -
primeiros mezes em seguida á inoculação de bacillos. Do terceiro para o quarto
mês, as provas são todas negativas.
Dos animaes inoculados com o bacillo de Koch, um apresentou reacção írac3
e outro morreu em 18 horas, na prova por via sub-cutanea, enquanto que nas
provas por via intra-dermica os resultados foram na maioria negativos.
Mais adeante e comparativamente com os resultados das provas cruzada?,
estudaremos com maiores elementos a actividade da tuberculina preparada com
o bacillo de Friedmann para animaes inoculados com o bacillo da tuberculose
humana.
II — Relações do bacillo de Friedmann com o da tuberculose humana
Como justificativa para o emprego do bacillo de Friedmann como elemento
preventivo e curativo da tuberculose humana, indispensável seria a verificação
experimental de qualquer possível influencia deste micro-organismo na infecção
tuberculosa experimental ou a presença de propriedades pathogenicas, embota
attenuadas ou modificadas, mas que em todo caso auetorizassem acjuella conclusão-
Estão hoje estudadas as condições cm que se processa a immunidade na tu-
berculose. Certos processos pathogenicos precisam ser estabelecidos para qu c
se manifeste a resistência organica, que persistira a despeito da involução d3-
queiles processos, si outras condições também não influírem.
Diíferentes são, portanto, os meios de que se poderá lançar mão afim de
se verificar a possibilidade da existência de qualquer actividade antigenica cn'
relação á tuberculose. Entre esses meios poderemos recorrer á pesquisa da patho-
geniddade para animaes de laboratorio, onde a existência de lesões, embora de
natureza regressiva e attenuada, nos auetorize a pensar, não só na presença de
processos que indiquem uma possivel relação de causa c ef feito, mas ainda n*
evidencia de alguma acção immunizante contra a infecção. Também a verif*'
cação da acção cruzada ou não de tuberculinas nos pode dar indicações segur3- 4
sobre a existência daquelles processos que provocam a formação dos anticorpo»
tuberculosos, apesar de estas provas, como hoje se sabe, não indicarem verda-
deiramente uma immunidade. Finalmente, pode-se recorrer á prova de protecção
do antigeno em relação á infecção experimental que pretende influenciar. Es t3
ultima prova, no caso da tuberculose e em virtude da extrema sensibilidade d 3
cobaia não é decisiva, sómente o sendo quando praticada em determinadas con-
dições, mas que poderá mostrar qualquer influencia si se levar em conta o tenip°
26
Monteiro * Travassos
Bacillo de Frieilmaiin
221
-e sobrevivência dos animaes inoculados em relação ás testemunhas, nas mesmas
condições.
Foram estes os meios de que lançámos mão para verificarmos a possibilida-
de de qualquer relação do bacillo de Friedmann com a infecção tuberculosa.
As pesquisas de anticorpos »’» vitro (agglutininas, anticorpos, fixadores do
complemento) são desprovidas de valor para o nosso caso, pois é sabido que os
■^cido-resistentes para-tuberculosos soífrem a acção desses anticorpos, de idêntica
^laneira que os bacillos da tuberculose dos mammiferos (Valtis, Xobain e Fried,
^oquet c Xegre, Verge, etc.).
a) Resultado das inoculações e passagens. — O bacillo de Friedmann não
* mostrou pathogenico para os animaes de sangue quente ensaiados, mesmo com
0 emprego de dóses elevadas (0,500 mgrs.) As lesões passageiras observadas,
*cmpre localizadas, sem prejuízo algum para o estado geral do animal, lembram
0 Quadro symptomatologico dos animaes inoculados com outros acido-resistentes de
' a ngue frio, saprophytas e certos corpos extranhos que determinam apenas uma
r eacçào local, com eneystamento. Como estes, o bacillo de Friedmann é também
a pouco e pouco destruído, eliminado ou absorvido pelo organismo.
Um ou outro nodulo que sc possa formar num dos organs desses animaes,
r ^o parece, pelo menos por seu aspecto macroscopico, interessar grandemente o
terenchyma. Sua còr branco-acinzentada, brilhante, o seu destacamento íacil, os
*®is esfregaços mostrando grande accumulo de bacillos, indicam uma possivcl rc-
pfoducção in loco do germe, o que distingue esses nodulos das verdadeiras for-
^Ções tuberculosas. O facto de se observarem, em cortes histo-pathologicos,
c 'nas formações (cellulas gigantes) que lembram estes processos, não indica
^entidade, pois o mesmo se obtem, não só cm estados pathologicos de origem di-
' Cr -sa, como nos produzidos por outros acido-resistentes saprophytas e certos
^rpos extranhos.
A absorpção do bacillo ou a sua eliminação foi observada mais ou menos
*Pós 50 dias, observando-se, nesse período de tempo, uma grande phagocytose c
Gerações em lysc do bacillo, o que mostra a íacil reacção organica do animal, cujo
^ado geral não chega a ser abalado. Isto ainda mais se af firma com os resul-
*ados das provas de allergia, que. praticadas após 3 meses da inoculação, foram
c °fnpletamentc negativas á tubcrculina homologa, sabido como é hoje que cilas
ç stâo em relação estreita com o tecido tulierculoso.
Os ensaios de augmento de virulência do bacillo por passagens cm animaes
^ nos deram resultados positivos. As cobaias 221 c 452 foram inoculadas com
0 Pós repleto de bacillos dos abcessos locaes produzidos nas cobaias 323 e 53,
res pectivamente, e nenhuma alteração apresentaram, nem mesmo perda de peso.
^tante um longo periodo de observação, o que nos faz pensar que a desintegra-
e eliminação do bacillo continuaram a ser processadas no organismo dos novos
^°spedeiros, como vinha sendo feita no organismo dos anteriores.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
ooo
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
QUADRO N* 1
PROVA SUB-CUTANEA
com
a Tuberculina do B. de Friedmann
Animaes
BaciBos inoculados
Tuberculim
Resultados
Observações „
Dose
Via
Data
Dose
Data
/
Cobaia 325
0.500
sub-cut.
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ICC
+
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99
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LEGENDA
© = Negativo
+ = Reacçáo thermica não ultrapassando de 1 drao
+ = Morte
— — — — — — "
28
Monteiro a Travassos — Bacillo de Friedmann
QU ADOO ~ N' ü
223
PROVA INTRA-OERMICA
com
a Tubíroilina ao B. de Fr/pdniann
Aniraaes
Bacilos inoculados
Tuberrnliaa a
Resultados
Dose
Via
Data
Dose
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Cobaia
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LEGENDA
0 = Nettobv»
+ = Duvidou* ( líder» edema t Ejeira verme Ihkií* nu 24 hs.)
+ = Lijeiramente possbvo ( Iioeir# edema e bgetra vermelhidáa nu ia ks.)
+ + = Positiva ( vermelhidão f edema nas iz ks.)
+ + + = Francamente positivo I ede ma. vermelkidaê. e seara nu 96 ha.)
23
224
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
A ausência de papel pathogemco, pois, do bacillo de Friedmann para os ani-
inaes de sangue quente, á luz das nossas verificações, não pode ser posta em
duvida. A sua innocuidade é manifesta, não chegando a alterar o estado geral do
animal, o que deve estar ligado á sua avirulencia e atoxicidade. As lesões nodulo-
suppurativas, sempre semelhantes ás dos corpos extranhos mal reabsorvidos, pa-
recem ef feito de uma irritação mecanica devida á enorme massa de badllos
inoculados, ou de uma irritação chimica devida ás substancias proteicas e lipoidi*
cas dos corpos bacillares (Collo).
b) Comportamento dos animacs infectados com os bacillos da tuberculose
humana , com bacillos de Friedmann e com B. C. G., cm relação ás íubcrculinas do
bacillo da tuberculose humana c de Friedmann. — As nossas verificações foram
realizadas em 4 grupos de animaes: 1) animaes inoculados com o bacillo de
Friedmann; 2) animaes inoculados com o bacillo da tuberculose humana; 3)
animaes inoculados com o B. C. G. ; 4) animaes normaes. Cada um desses
grupos foi experimentado em reiação ás tuberculinas preparadas com o bacillo de
Friedmann e com o bacillo da tuberculose humana. Foram feitas experiencias
jior via sub-cutanea, injectando-se lcc. das tuberculinas concentradas, e usando-*-
por via intra-dermica, as tul)erculinas concentradas diluídas a 1/10 c na dose
de 0,1 cc..
Os quadros 3 e 4 resumem os resultados obtidos com essas provas.
Do estudo desses resultados, que confirmam as verificações de L. Lange-
Furth, Meyer, B. I-angc, Dietrich, Seltcr, etc., podem-se tirar as seguintes con-
clusões:
a) provas por via stib-cutanea: 1) os animaes de sangue frio inoculado»
com o bacillo de Friedmann reagem á tubcrculina de Friedmann; 2) os ani-
maes de sangue quente inoculados com o bacillo de Friedmann reagem fracamen-
te á tuberculina de Friedmann, mas não reagem á tubcrculina humana; 3) 05
animaes de sangue quente inoculados com o bacillo da tuberculose humana reagem
á tubcrculina de Friedmann ;
b) provas por via intra-dermica: 1) as cobaias inoculadas com o baciH 0
de Friedmann não reagem á tuberculina humana, mas reagem, em sua maior» 3
fracamente, á tuberculina de Friedmann; 2) as cobaias inoculadas com o baciU®
da tuberculose humana e com o B. C. G. reagem fortemente á tuberculina hum 3 '
na, mas não reagem, ou reagem fracamcnte, á tubcrculina de Friedmann.
A tuberculina preparada com o bacillo de Friedmann mostra-se para os ani*
maes inoculados com o bacillo de Koch menos activa do que a tuberculina prep 3 '
rada com o bacillo tuberculoso typo humano e bovino. Essa differença de acti*
vidade tem sido verificada por vários experimentadores (L. Lange e outros) e •
neste particular, o bacillo de Friedmann se identifica com outros acido-resistente*
de sangue frio, segundo as verificações que têm sido realizadas por Weberi
cm
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Loewenstein, Ramon e Ravaud, etc., afastando-se, assim, dos bacillos da tuber-
culose dos mammiferos. Xas nossas verificações, quando foram usadas grandes
dóses (prova por via sub-cutanea), os animaes inoculados com o bacillo de Koch
reagiram á tuberculina de Friedmann, mas os animaes inoculados com o bacillo
de Friedmann não reagiram á tuberculina humana. Xas provas por via intra-
dermica foram muito mais accentuadas essas diff crenças: enquanto que os ani-
tuaes inoculados com o bacillo da tuberculose humana reagem fortemente á tulier-
culina do typo Koch e quasi não reagem ou não reagem á tuberculina do bacillo
de Friedmann, os animaes inoculados com o bacillo da tuberculose da tartaruga
reagem fracamente á tuberculina homologa e não reagem á tuberculina hetcrologa.
Estas provas mostram-nos a difíerença frisante entre o bacillo de Friedmann e o
bacillo de Koch, e, ainda, o parentesco do B. C. G. a este ultimo germe. Si, como
quer Friedmann, o bacillo da tuberculose da tartaruga nada mais é que o bacillo
de Koch adaptado ao organismo da tartaruga, elle deveria dar um produeto tu-
bcrculinico que evidenciasse uma proximidade cabal desse germe ao de Koch
e é, justamente, o que se não verifica, pois: a) os animaes inoculados com
0 bacillo de Friedmann não reagem á tuberculina hetcrologa que. na hypothese,
e de eífeito muito mais toxico; b) os animaes inoculados com o l>acillo de
Koch só reagem ás grandes dóses da tuberculina hcterologa. tal como se dá com
chamadas para-tuberculinas ; c) a ausência do papel nosogcnico para ani-
les de sangue quente por adaptação ao organismo da tartaruga si revela per-
da de uma das propriedades do bacillo de Koch não c comtudo um argumento
a favor da hypothese da adaptação, pois o B. C. G. que também não é noso-
fcvnico responde francamente á tuberculina de Koch; d) si, ainda, o bacillo
de Friedmann provoca na cobaia, como diz o seu descobridor, lesões passagei-
ra s e regressivas semelhantes ás do bacillo de Koch (sendo aquclle bacillo nada
^is que o da tuberculose humana adaptado ao organismo da tartaruga) com
'Eaior razão deveria dar provas allcrgicas positivas em face á tuberculina huma-
na . pois esta é de cf feito sempre maior, tal como se verifica com o B. C. G.,
l u e também produz lesões passageiras e regressivas.
Estas provas cxpcrimcntacs, tão evidentes, afastam de uma maneira fri-
^nte o bacillo da tuberculose humana do bacillo da tuberculose da tarthruga,
° u - melhor, do bacillo estudado por Friedmann.
c) Comportamento das cobaias inoculadas com o bacillo de Friedmann
r, n relação á infecção tuberculosa experimental. — Friedmann, cm sua segun-
^ a publicação, refere resultados, por elle obtidos, de immunização de cobaias
Mo bacillo da tuberculose da tartaruga e submet tidas posterionnente á prova
infecção pelo bacillo da tuberculose humana (dóse infectantc de 0.001 grs.
e 0,003 grs., por via pcritoncal). Esses resultados não foram confirmados
outros experimentadores, acreditando alguns, entretanto, em uma maior
sobrevivência das cobaias vaccinadas cm relação ás testemunhas, tal como é
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228
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
obtido com animaes vaccinados com outros acido-resistentes de animaes de san-
gue frio. mas todos perecendo finalmente de tuberculose generalizada.
Neufeld, tratando desse ponto, assim se refere: “O que está verificado
com toda a segurança é que a amostra de Friedmann possúe sempre a mesma
virulência diminuta e sempre a mesma minima capacidade protectora em en-
saios de immunização, em condições perfeitamente eguaes ás de outros acido-
resistentes isolados de pecilothermicos ou de qualquer material. O cultivo arti-
ficial em nada lhe alterou as propriedades”.
E’ sabida a grande sensibilidade da cobaia para o bacillo da tuberculose
humana. As provas de immunização nesses animaes podem, em todo caso, ser
baseadas no tempo de sobrevivência em relação ás cobaias testemunhas. A- 5
dóses do bacillo iníectante devem, do mesmo modo, ser minimas e a via de
inoculação escolhida. Como era o nosso intuito o de revisão das experiencias
de Friedmann, procurámos nos approximar o mais possivel das condições em
que se collocou. E assim é que foram usados animaes vaccinados por uma
unica inoculação, em differcntes dóses, e a prova iníectante por via peritoneal
(0,0025) e por via sub-cutanea (0,0005). Concomitantemente procedemos 3
prova em animaes vaccinados pelo B. C. G., tambctn por uma unica inoculação-
Os quadros 5 e 6 resumem os resultados.
Xos animaes que succuml>em poucos dias após a inoculação iníectante. no-
tam-se lesões de pequena intensidade, o que não é para extranhar. Os q ue
resistem mais tempo morrem sempre com os organs e gânglios completamente
tomados.
Xo que diz respeito á maior sobrevivência dos vaccinados em relação aos
testemunhas, verificou-se, numa primeira serie de experiencias, que sómente
36.36% resistiram mais que aquelles, ao passo que 63.63% morreram no mc. ; -
mo espaço de tempo. Em uma segunda serie de experiencias, os animaes - e ‘
oebendo a dósc iníectante de 0,0005 grs. por via sub-cutanea. 3 meses após 3
dóse vaccinante. verificou-se que os animaes vaccinados morreram todos, en-
quanto que 33,33% apenas dos testemunhas pereceram no mesmo periodo.
O factor individual muito contribuc nessas demonstrações e não nos c h*
cito tirar dcducçõcs maiores sobre ef feitos de immunização quando a niai° f
parte dos animaes vaccinados perece em um periodo egual ás testemunhas. ; " 1
uma maior sobrevivência existe, ella, como diz Xeufcld, é minima. Alem dií'
so, esse pequeno ef feito protector constatado, é de pouca duração. Já no f* 111
de 3 meses elle desapparece inteiramente.
DISCUSSÃO E SUM MARIO
Friedmann. ao lançar a sua vaccina preventiva e curativa da tubérculos**
expoz vários argumentos que, no seu modo de pensar, justificavam, por si s 0 *'
o emprego.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
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Monteiro ± Travassos — Bacillo de Friedmann
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Partindo das ideas de Koch, que relacionou a immunidade tuberculosa ao
tecido tuberculoso, Friedmann acreditou que um bacillo por elle isolado de uma
tartaruga tuberculosa (?) encerrava todas as condições de uma vaccina ideal,
por isso que as suas propriedades eram as mais próximas possíveis das do ba-
cillo da tuberculose humana, produzindo, entretanto, lesões ligeiras na cobaia,
de caracter regressivo e sendo completamente atoxicos para esses animaes. Pri-
mitivamente do typo humano (?), o bacillo perdera as suas propriedades pa-
thogenica, nosogenica e toxica por adaptação ao organismo da tartaruga.
As ideas de Friedmann não puderam ser confirmadas e uma grande plêiade
de scientistas de renome se tem insurgido na Alemanha contra o remedio, no
qual não encontra bases scienti ficas que o recommendem.
Procurámos estudar experimentalmente alguns aspectos desta questão, hoje
tão em ordem do dia entre nós.
Preliminarmente, assignalámos os trabalhos de Friedmann e seus princi-
paes argumentos, como os argumentos que lhe têm sido oppostos por grande
numero de observadores, citando, a este respeito, a bibliographia dos mais im-
portantes trabalhos já realizados. Xa parte verdadeiramente experimental do
nosso trabalho, estudámos o bacillo de Friedmann que conseguimos isolar de
Uma empola de sua própria vaccina.
Sem qualquer prevenção a favor ou contra o emprego desse meio pro-
phylactico e curativo da tuberculose na pratica corrente, nos cingimos a assi-
gnalar os nossos resultados experimeníaes, procurando tirar dellcs os commcn-
tarios que fossem possiveis.
A nossa experimentação bascou*sc, primeiramente, no estudo do bacillo
isolado, seus caracteres morphologicos c biologicos, c, cm segundo logar, na
verificação das suas possiveis relações com o bacillo da tuberculose humana c
eom a infecção tuberculosa, baseando-nos nos resultados do comportamento dos
animaes com elle inoculados em relação ás tuberculinas homologa c a prepa-
rada com o bacillo da tuberculose humana, assim como sobre o comportamento
desses animaes cm relação á infecção tuberculosa experimental.
Quanto á primeira parte do problema, ficaram liem evidenciadas as diffe-
renças entre o bacillo de Friedmann c o Mycobadcríum tubereulosis. Estas dif-
ferenças dizem respeito aos caracteres culturaes, biologicos c pathogcnicos des-
tes micro-organismos, embora apresentem certos pontos de contacto proprios
a todos os do grupo dos acido- alcool-resistentes.
A verificação da pathogenicidade para os animaes de sangue quente e
frio, por si só, é sufficicnte para sej>aral-os biologicamente. A hypothese de
ter provindo do bacillo da tuberculose humana c que se tenha modificado em
sua biologia e propriedades pela passagem na tartaruga, não se poderá apoiar
pelos nossos resultados experimentaes. As lesões determinadas nos animaes de
sangue quente, não se approximam das devidas ao germe tuberculoso, mesmo
acceitando-se a hypothese invocada. Xão se trata de lesões de aspecto seme-
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
lhante ao que se verifica na tuberculose (capazes de determinar immunidade),
mesmo de caracter attenuado e regressivo; porém o germe de Friedmann pare-
ce comportar-se como um corpo extranho, que se localiza geralmente, provocan-
do reacções de defesa e que é, a pouco e pouco, destruído e eliminado pelo
organismo.
Para certos animaes de sangue frio (rãs, lagartos) a sua pathogenicidade
é evidente, havendo invasão do organismo e localização em certos organs; para
outros, este ef feito é pouco accentuado, como acontece para a própria tartaruga
do mar, de onde fòra primitivamente isolado, segundo Friedmann.
Em relação á segunda parte do problema, e sobre o comportamento dos
animaes inoculados com o bacillo de Friedmann em relação á tuberculina homo-
loga e á tuberculina preparada com o bacillo de Koch, não se evidenciaram, a
este respeito, resultados que auctorizassem a confirmação da hypothese de
Friedmann. O bacillo estudado se comportou como outros acido-resistentes,
sendo que os nossos resultados se approximaram dos já obtidos por Weber,
Loewenstein, Ramon e Revaud, L. Lange, Dietrich, Selter, etc.
Sobre, finalmente, o comportamento dos animaes inoculados com o bacillo
de Friedmann em relação á tuberculose experimental, ou, em outras palavras,
sobre o seu valor antigenico para a tu!>crcu!ose, os nossos resultados foram
também negativos.
Xo que diz respeito á tuberculose, esta verificação do poder protector deve
ser analysada sob reservas, com qualquer que seja o antigeno empregado, cm
virtude da extrema sensibilidade do animal de experimentação (cobaia) a
tuberculose c por ser difficil nos collocarmos muito proximos das condições na*
turaes da infecção.
Nas nossas experiencias não nos procurámos collocar nestas ultimas con-
dições, visto como apenas nos cingimos a repetir as experiencias do proprio
Friedmann. Este havia verificado que uma só dose do seu bacillo era capaz
de proteger as cobaias rcinoculadas com dóses de 0,001 a 0,003 grs. de bacillos
tuberculosos virulentos que determinavam a morte das testemunhas em 18 a 30
dias.
Lançámos mão de di ff crentes dóses, algumas elevadas, e diversas vias para
a introducção do bacillo de Friedmann. A titulo de comparação, foram toma-
das cobaias normaes, testemunhas e cobaias inoculadas, em doses geralmcnte
menores, com o B. C. G.. As doses infectantes do bacillo tuberculoso que em-
pregámos foram de 0,0025 e 0,0005 grs., esta ultima menor que a usada por
aquelle auctor.
Mesmo tomando-se como base para o indice de immunidade ou de pro-
tecção o tempo de sobrevivência em relação ás testemunhas, os nossos resul-
tados não foram favoráveis para a serie de animaes inoculados com o bacillo
de Friedmann.
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233
Xuma primeira serie de experiencias, com a dose iníectante de 0,0025 grs.
de bacillos tuberculosos o tempo de sobrevivência das cobaias testemunhas foi
em media de 30 dias, das inoculadas com o B. C. G. de 118 dias e de 71 dias das
inoculadas com o bacillo de Friedmann; na segunda serie, porém, com a dose
iníectante de 0,0005, a sobrevivência das testemunhas íoi em media de 118
dias, ao passo que as inoculadas com o bacillo de Friedmann foi de 94 dias
apenas.
Estudando, em relação ás testemunhas, os resultados destas duas series de
experiencias, verifica-se na 1.* serie (com 0,0025 grs. de bacillos infectantes) :
enquanto haviam morrido 100% das testemunhas num periodo de 60 dias, suc-
cumbiram 63,63% dos animaes inoculados com o bacillo de Friedmann e 42,85%
dos inoculados com o B. C. G. ; os restantes 36,36 % inoculados com o Friedmann
succumbiram e mais 28,56% dos animaes inoculados com o B. C. G. num pe-
riodo de 200 dias, permanecendo ainda vivos 28,56% dos B. C. G., que suc-
cumbiram, finalmente, num periodo de 260 dias. Xa 2.* serie (com 0.0005 de
bacillos infectantes), enquanto que 33,33% das testemunhas normaes haviam
succumbido num periodo de 130 dias, morreram 100% das inoculadas com o
bacillo de Friedmann ; as restantes 66,66 % das testemunhas succumbiram num
periodo de 160 dias. Os quadros publicados no texto dão melhor idéa e resu-
mem os resultados que obtivemos.
Embora, como já deixámos assignalado, esta prova, nas condições cm que
foi feita, não auetorize conclusão sobre o valor immunizantc do antigeno em-
pregado, os nossos resultados confirmam os obtidos [»r Libbertz e Ruppcl.
Uhlenhuth, Schroeder, Kuchner, Aronson, Xeufcld, etc., que verificaram que
os animaes vaccinados apresentam apenas uma diminuta c passageira resistên-
cia ao bacillo de Koch, tal como se observa nos animaes vaccinados com outros
acido-resistcntes de sangue frio.
COXCLUSAO
Os nossos estudos experimentaes sobre um micro-organismo acido-resistente
isolado da vaccina de Friedmann, encarado sob o ponto de vista de seus caracte-
res culturaes e biologicos, assim conto sob o de suas reacções allcrgicas e pro-
priedades immunizantcs, não nos auctorizam a acreditar na possibilidade de
exercer elle qualquer influencia própria, especialmente immunizantc, sobre a
infecção tuberculosa experimental.
ABSTRACT
In the course oi an experimental investigation made oi both the cultural
and biological characteristics, and the immunizing properties and allergenic
reactions of and acid-fast bactéria as isolated from Friedmann’s bacterin (anti-
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo MI
tuberculous vaccin) it has been íound that there is no ground on tvhich to justify
any possibility of such a germ bearing any especitic power on the experimental
tubercle iníection on which it also proved to be devoid of any immunizing
property.
1 .
2 ,
3.
5.
6 .
7.
8 .
9.
10 .
11 .
12 .
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20 .
21 .
22 .
23.
24.
25.
26.
27.
23.
29.
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40
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235
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IVeber Cr Dieterlen — Arb. a. d. Kaiscrl. Gcsundheitsamt XXV. 217. 1908.
(Trabalho da Sroçio de Vinis r de Immunologla do
Instituto Butantan. publicado como nota previa In
nrasll Medico XLV (II): 919.953. 1931).
41
cm
2 3 4 5 6 7 SCÍELO X1 12 13 14 15 16 17
Moxteiro Sí Travassos — Bacillo de Friedmaitn
Mcm. Inst. Rntantan
VoL VII, 1932
» b e
Fljc. I
a> aspecto em melo oro de Dorwl n temperatura «le 20
b) aspecto em Rrlose glycerítiada á temperatura «Ir 20
c) asprcto em batata glycrrinada, !.• sub-coltura. a temperatura de 20
hí. 2
Fljt. 3
Vsprctí» em caldo glyrerinadn, a temperatura de 26*
W>ectf» rni batata ftlycrrinada apôs
»ub-eultura, á trmperatura <l~ 37
SciELO
Moxteiho Jc Tkavassos
Bacillo de Friedmann
Mrm. Inst. Butantan
Vol. VII, 1932
Serpente (Constrictor constrictor > com lesões produzidas por inoculação do bacillo de Friedmann.
KU (HyU fabrr coai Idenlicas lesões
Tartaruga (Chelone mrdat) das usadis nas inoculações.
SOBRE A DURAÇÃO
DA ACTIVIDADE DO ANTIGENO PARA A REACÇÃO DE
FIXAÇÃO DO COMPLEMENTO NA FEBRE AMARELLA
J. LEMOS MONTEIRO e J. TRAVASSOS
614 . 541:616 076
SOBRE A DURAÇÃO
DA ACTIVIDADE DO ANTIGENO PARA A REACÇÃO DE
FIXAÇÃO DO COMPLEMENTO NA FEBRE AMARELLA
POR
J. LEMOS MONTEIRO e J. TRAVASSOS
Os resultados experimentaes já assignalados por diversos auctorcs sobre
a reacção de fixação do complemento na febre amarella são sufficientes para
mostrar o valor desta reacção para o diagnostico da infecção depois de certo
Periodo e na convalescença, assim como para a determinação retrospectiva de
antigos doentes, principalmentc os de formas frustras c inapparentes ou de in-
divíduos naturalmente immunizados, residentes cm zonas endémicas. A impor-
tância da reacção praticada por occasião de surtos epidêmicos mais se evidencia
quando se tem em vista que a immunidadc consequente á infecção amarillica
ê de longa duração, persistindo, segundo experiências de Hindlc (1), pelo
menos 24 annos.
Os resultados dos estudos experimentaes a respeito c a especificidade da
reacção já foram descriptos e estudados em diversos trabalhos, principalmente
por Frobishcr (2), Davis (3) c por nós (4).
Também já assignalamos que soros contendo anticorpos fixadores do com-
plemento são capazes de proteger o Mac a cus rhesus cm relação á infecção ex-
perimental, podendo a reacção substituir o processo da prova de protecção, muito
dispendioso e que nem sempre pode ser realizado, para o diagnostico da infecção.
Pudemos, ultimamente, mais uma vez, confirmar esse facto com soros, que
nos foram enviados para diagnostico pelo dr. Salvador Mazza. provenientes de
casos suspeitos manifestados em certas regiões ao norte da Argentina.
O antigeno mais commummente usado para a reacção é o preparado com
figado de Macacus rhesus infectado, tratado, sob varias technicas. pelo methodo
de extraeção descripto por Hindle (5). Melhores resultados obtivemos com
a technica apresentada em nosso trabalho citado. Mais recentemente, Hudson
(6) verificou que a mistura de soros de macacos infectados, colhidos cm reacção
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
240
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
febril, depois de congelada, submettida á seccagem por uma technica especial
e conservada em estado secco, pode ser utilizada com antigeno, mantendo du-
rante mais de um anno as suas propriedades. Este auctor verificou, por expe-
riências comparativas, ser elle um agente fixador mais efficaz que os antigenos
preparados com tecido hepático de macacos infectados.
Tendo-nos aquelle collega argentino, também, solicitado antigeno amarillico
para a pratica da reacção. resolvémos, antes de attendel-o, tornar a verificar os
nossos antigenos, conservados a 5 "C., em face de soros anteriormente já experi-
mentados e que conservamos empolados nas mesmas condições de temperatura-
Os resultados das reacções praticadas com 2 antigenos datando de quasi 2
annos (cerca de 1 anno e 9 mezes) são resumidos na presente nota, assim como
algumas considerações que julgamos necessárias e de interesse para sua execução
e interpretação dos resultados.
Os antigenos, 105A e 109A, preparados segundo a technica já descripw
(2.* nota: Mem. Inst. Butantan V. 1930), apresentaram um precipitado, sendo-
por isto, novamente filtrados em papel filtro fino. A dose usada foi de 0,2 c.c-
Os soros a examinar, depois de aquecidos durante 1/2 dora a 55°, foram
usados nas doses de 0,2 e 0.1 c. c. para cada tubo, sendo feito um tubo teste-
munha do soro para verificação do poder impediente ou anticomplementar. A
dose do complemento (soros de 3 cobaias normaes, pelo menos, diluido a 1/20)
a ser ajuntada é da maxima importância, devendo ser rigorosamente determi-
nada em face do antigeno. Esta dose é a que determina a hemolyse total,
accrescida de pequeno excesso somente (1.1 ou 0,05 c. c.). Para os casos de
soros anticomplementarcs somente é que lançamos mão de doses crescentes de
unidades complementares, segundo a technica anteriormente descripta (1.* Nota:
Mem. Inst. Butantan V. 1930). Na primeira phase da reacção, os tubos, depois
de completado o volume para 1,5 c.c., são mantidos em banho-maria a 3/’
durante 1 1/2-2 horas ; na segunda phase, ajunta-se 0,5 c.c. de hematias lavad3í
e sensibilizadas com 4 unidades hemolyticas, sendo a incubação continuada p° r
1/2 hora.
A leitura do resultado é feita no fim deste tempo ou antes, logo que se
verifique hemolyse total no tubo testemunha. O resultado definitivo é dado pd 3
nova leitura feita 24 horas depois, tendo os tubos permanecido na geladeira a 5*C-
O quadro annexo mostra os resultados obtidos com cerca de 20 soros, estando
registados os anteriormente obtidos e os das reacções agora praticadas, datando
os antigenos de quasi 2 annos. Foram examinados soros de convalescente e de
pessoas que haviam tido a infecção (não confirmada em um), sangradas poste-
riormente, soros de Mac. rhesus imnumizados e de algumas pessoas residente*
na Bahia, de resultado anterior positivo e ainda conservados em stock. Como tes-
temunhas foram tomados soros de animaes (cobaia, coelho e rhesus ) infectado*
com o tvpho exanthematico de S. Paulo.
Monteiro * Travassos — Complemento na febre amarella
241
SOROS EXAMINADOS
ANTIGENO N.* IMA, preparad
era 25/VII/930
*
ANTIGENO N.*
109A. preparado
em 4 VII! 930
Ríicçóti cm
Ji/VU/M e
U/Títt/iê
Reacções em
27/IV/12
Reacções era
27/1 V. 32
Leitora
ira me-
diata
Leitora
apó«
24 h.
Leitora
i ra me-
diata
Leitora
apôs
24 h.
Leitora
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diata
Leitora
após
24 h.
o a
0.1
0.2
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0.1
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o/s
0.1
0.2
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l\ F. N. convalescente febre
amarella
4
4
4
1
!
4 !
1
4
4
-
-
Rio, caso extr. (27/1/30) alo
confirmado
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0
0
0 1
0
0
0
0
0
0
Rio, caso 91 (14/11/30). . .
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2
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Rio. coso 81 (19/TI/30). . .
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Rto, cas o 62 (19/11/30). . .
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Rio, c»so 32 (29/1/30) . . .
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Rahia, caso -46
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Rahla, caso SI
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Rahla, caso 67 •
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Rhesus 101 (Il/VIHW . .
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Rhrsus 77 (13/XI/29I . . .
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Rhesus 112 (28/VI1I/30) . .
4
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• 1
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3
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Rhesus 57 (17/X/29). . . •
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Rhesus 32 (12/XI/29) . . .
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Rhesus 111 (18A-in/30) . .
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Rhesus 62 (6/VIII/29) . . .
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Rhesus 122 (21AHI/30) . .
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2
3
Cobaia 651 — Typho esanth.
-
-
-
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0
0
0
0
0
0
0
Coelho 23 — Typho exanth.
Rhesu» 9 — Typho exanth.
-
-
-
-
0 1
0
°
0
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0
0
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-
-
0 1
V
0
0
0
0
0
0
+ = +
3 = -f -4- 4- 0 = nrsativo
2 = 4-4- — = nâo foi feita a itacçio
1 = 4 • = com rate» soro» a» rracçôe* primitiva»
foram praticada» com o antigeno n.» 1Q2A
Pelo estudo comparativo dos resultados assignalados no quadro, verifica-se
c pie os antigenos conservaram estáveis suas propriedades fixadoras do comple-
mento em face dos soros especificos, mostrando-se até, cm alguns casos, mais
efficazes depois de decorrido aqucllc prazo de conservação a 5°C.
Por estes resultados, conclue-se que o antigeno amarillico preparado com
%ado de rhesus infectado, segundo technica anteriormente descripta, conserva
e $taveis e, talvez mesmo fortalecidas, suas propriedades fixadoras do comple-
mento por um tempo relativamente longo (verificação após quasi 2 annos), em
face de soros especificos.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
242
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
ABSTRACT
In a previous paper it was shown that the veriíication of both experimental
yellow fever and immunity of persons having had the natural infection and li-
ving in endemic zones can be based on the complement fixation reaction. This
reaction may take the placc of the proof of protection of rhestis monkeys by
means of immune serum, a process that is much more costly and trdious.
The result of those previous experiments has recently been confirmed in
rcgard to a few samples of sera secured in Bolivia and received from Argentina
for diagnosis, the antigen used having been prepared from the liver of infected
rhesus nearly two years ago (21 months).
Having thus retested sevcral samples of sera previously examined, the Au*
thors found that the complement fixation power of their yellow fever antigen in
the presence of immune sera has not changed for nearly two years and seetns
to have become somewhat strengthened.
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(Trabalho das Secçdes de Vírus e Immunologla 4 a
Instituto Butantan, terminado em Julho de 1933).
OBSERVAÇÕES
EM TORNO DO PHENOMENO DE DURAN-REYNALS
POR
R. GODIXHO e J. TRAVASSOS
(com 4 gravuras no texto)
614.321
OBSERVAÇÕES
EM TORNO DO PHENOMENO DE DURAN-REYNALS
POR
K. GODIXHO e J. TRAVASSOS
Numerosas investigações sobre o ef feito do cxtracto de certos organs em
relação ao poder iníectante de determinados viras chamados filtráveis e de algu-
mas bactérias vêm sendo realizadas por vários pesquisadores a partir de 1928,
depois que Duran-Reynals (1), dos laboratorios do Instituto Rockefeller, publi-
cou as primeiras observações sobre o assumpto. De seus estudos originaes sobre
o augmento do poder de infecção da neuro-vaccina sob a acção do extracto de
tecido testicular concluiu que as lesões cutaneas produzidas pela orchi-vaccina de
N*oguchi são influenciadas apenas ligeiramente por aquclla substancia, o mesmo
não acontecendo quando ella actúa conjunctamente com o viras commum do
cow-pox, determinando lesões consideravelmente augmentadas. Verificou tam-
bém, que, embora em grão muito ligeiro, o cxtracto de rim possue propriedades
idênticas ás de tecido testicular.
O resultado da parte essencial dessas experiencias foi, cm seguida, applicado
pelo A., com a collaboração de Sunner-Pi (2), sobre um germe de manifesta
affinidadc cutanea. com o fim de evidenciar toda a differença que, desse ponto
de vista, poderia existir entre uma bactéria e um viras filtravel. Foram injectados
em cobaias 2 a 3 c.c. de uma cultura de cstaphylococco cm caldo, datando de 24
Horas c addicionada de 1 a 3 c. c. do liquido sobrenadante do extracto fresco de
testículos de cobaia nova ; a uma serie de testemunhas foi dada a mesma dose da
cultura e completado o volume com solução salina. De modo nitido ficou de-
monstrado que o poder infectante do estaphylococco é praticamente sempre
augmentado pela acção de certas substancias contidas nos extractos salinos de
testículos normaes. Assim, do ponto de vista da exaltação da infecção pelo ex-
tracto testicular, não encontraram differença alguma apparente entre o viras
'accinico e o estaphylococco, ambos dotados de manifesta affinidade cutanea.
Posteriores estudos de Duran-Reynals (3), indicaram que o effcito do
extracto parece exercer-se antes sobre o terreno do que sobre o viras, porquanto
o virus injectado por via venosa se localizaria mais facilmente na arca da pclle
3
246
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
previamente injectada com o extracto testicular. Estudando o et feito dos ex-
tractos de rim, de cerebro e de figado, esse auctor concluiu que, á semelhança do
de testiculo, elles provocam também augmento das lesões, porém em grão menor.
Notou que os coelhos apresentavam symptomas geraes, com cerca de 25 % de
mortalidade, quando soí iriam a exaltação das lesões vaccinicas pelo extracto
testicular.
Sobre o processo das lesões visceraes consequentes á introducção da vaccina
neuro-testicular os estudos de Ledingham e sua assistente M. Barratt (4), do
Instituto Lister, confirmaram as observações de Douglas, Smith e Price, quant »
á hypothese da responsabilidade directa do virus por taes lesões e suggeriram a
probabilidade de alguma infecção bacteriana intervir no decurso da cachexia.
Pijoan (5), do Laboratorio de Pomona, em Califórnia, dando maior des-
envolvimento aos estudos de Duran-Reynals, verificou a acção do extracto de
diiferentes organs sobre vinte amostras de bactérias diversas, encontrando eni
alto grão uma exaltação da infecção excepto em relação ao extracto de baço que-
ás vezes, produz lesões ainda menores do que nos casos ordinários.
Com o virus hcrpctico, da estomatite dos cavallos, da moléstia de Borna e da
vaccina fez Hofímann (6), nos laboratorios do Instituto Rockefeller, interes-
santes verificações quanto á variavcl exaltação das lesões por influencia dos
extractos, conseguindo tomar virulentas amostras attenuadas dc virus do herpes
ou tomando iníectante para certas especies ou tecidos resistentes o virus da esto-
matite vesicular. Dahi concluiu este A. que o phenomeno de Reynals pode servir
de importante agente para o estudo dos virus filtráveis.
CONTRIBUIÇÃO PESSOAL
Procuramos, da nossa parte, fazer um estudo prévio de certas condições do
phenomeno de Duran-Reynals, especialmente no que se refere ã influencia do
aquecimento do extracto, da filtração e da quantidade do mesmo para melhor
orientar a sua applicação, relativamente tanto ao virus commum da polpa vacci-
nica do Instituto, como ao virus puro filtrado, ambos obtidos segundo a technica
descripta por um de nós e Lemos Monteiro (7). O extracto foi preparado coni
testículos normacs de vitcllo, não immunc á vaccina, retirados sob rigorosa asepsia
e, em seguida triturados no apparelho Felix e emulsionados cm Ringer na pro-
porção de 1.000 c. c. da solução para 200,0 grs. de tecido finamente triturado;
filtrada a emulsão, foi verificada a sua esterilidade pelos meios ordinários de
laboratorio.
A primeira verificação teve em mira confirmar a realidade do phenomeno
de Reynals e, para isto, dois coelhos foram inoculados por via intradermica, do
lado direito com 0,2 c. c. de polpa diluida a 1/50 e do lado esquerdo com 0,2 c. c *
Godinho * Travassos — Phenomeno de Duran-Reynals 247
de uma mistura, em partes iguaes de polpa e extracto testicular não filtrado,
sendo a diluição final da polpa ajustada igualmente a 1/50.
Falam em favor da realidade do augmento das lesões os resultados do quadro
abaixo e a photographia n.° 1.
I
VIRUS VACeiNICO E EXTRACTO TESTICULAR
(Sobre o factor de Duran-Reynals)
DATA DA INOCULAÇÃO —
9 — IV — 1931
Polpa
(1/50)
Polpa
e extracto
(1/50)
Datas
11 -IV -31
! 13 -IV -31
15 -IV -31
11 - IV - 31
13 -IV -31
15 -IV -31
Coelho
l,0xl,0
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0,5 x 0.5
3,5 x 2,0
2,0x2/>
2,0 X 2,0
n.* 113
1
I
I
I
i
Coelha
5.0XU
líxlá
1.0X1.0
3.5X2.5
2,0 X 2,0
2,5 X 2.0
n.* 127
I
I
I
I
I
I
Os algarismos arabicos indicam a medida tomada no maior diâmetro das pustulas;
os romanos, o numero de pustulas desenvolvidas.
Para demonstrar a influencia do calor sobre a actividadc do extracto tes-
ticular tomamos dois coelhos, que receberam, por via intradcrmica no lado direito,
0,2 c. c. de polpa vaccinica mais extracto testicular não aquecido e, do lado es-
querdo, 0,2 c.c. da mesma polpa mais extracto aquecido a 100° cm banho maria,
durante 15 minutos. A diluição final da polpa foi de 1/50.
II
VIRUS VACCINIGO E EXTRACTO TESTICULAR
(Influencia do calor sobre a actividade do extracto)
DATA DA INOCULAÇÃO — 11 — IV — 1931
Polpa mais extracto não aquecido
Polpa mala extracto aquecido
Datas
11 -IV -31
13 -IV -31 17 -IV -31
1 1 - IV - 31
13- IV- 51 17 -IV -31
Coelho
n.* 122
3,0 X 2,0
I
G i G
1 ,5X1,5
I
líxlí
I
l.Oxl.0
I
Coelho
n.* 128
2.0XU
I
1 ,4x1,4 1,4 X 1.4
1 1
0.3 X 0,5
I
0,5 x 0,3
I
0,5 x 0,3
I
G — indica generalização da pustula vaccinica; os demais algarismos têm a mesma
significação que no quadra n.’ I.
a
248
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
III
INFLUENCIA DA FILTRAÇÃO DO EXTRACTO ATRAVÉS
DE VELAS DIATOMACEAS
Os coelhos 126 e 144 recebem do lado direito 0,2 c.c. de polpa mais extracto
filtrado em partes iguaes e do lado direito 0,2 c. c. de polpa diluida a 1/50.
DATA DA INOCILAÇÀO — 9 — IV — 1931
Polpa mai» extracto filtrado PoIpjl dl|BÍd>
Diluição dc 1/30
Datas
13 -IV -31
15 - IV - 31
17 - IV - 31
13 -IV -31
15 -IV -31
17 -IV -31
Coelho
2,11x2,0
2,5 X 2.2
2,5X25
0,4 x 0.4
03x05
03x03
n.* 126
I
I
I
I
I
1
Coelho
2,0 X 2,0
G
G
15X14»
13x13
1,0x13
n.* 144
- ..
I
I
I
I
IV
INFLUENCIA DA QUANTIDADE DE EXTRACTO TESTICULAK
O extracto é diluido a 1/5, 1/50 e 1/500 e misturado em partes iguaes com
polpa diluida a 1/25, obtendo-sc assim diluição a 1/10. 1/100 c 1/1000 do ex-
tracto, ficando a polpa diluida a 1/50. Os coelhos 107 c 152 foram inoculados
com 0,2 c. c. do extracto puro c 0.2 c. c. das misturas acima.
i|
DATA DA INOCILAÇAO —
9 — IV — 1931
II
COELHO
NV 107
COELHO N.* 132
Datas
11 - IV - 31
13 -IV -31
15 - IV - 31
ll-IV-31
13 -IV -31
15 -IV -31
Extr. puro
3,0x3,0
I
20x23
I
G
33x2,0
I
G
G
Extr. 1/10
2,0x33
I
G
G
33x23
I
G
G
Extr. 1/100
13X1,0
13x13
1,0x13
2.0x20
25X20
33X20
1
1
I
*
I
I
Extr. 1/000
03x05
03x03
05x05
15x13
15x15
13x15
I
I
I
1
I
I
0
Godinho * Travassos — Phenomeno de Duran-Iieynals
240
Verificadas as condições do phenomeno e a influencia que sobre elle exercem
o aquecimento, a filtração e a quantidade do extracto, tratámos de observar a
sua acção sobre o virus puro, filtrado e sobre o virus vaccinico commum das pol-
pas do Instituto e, finalmente procurámos determinar o seu limite de actividade
afim de verificar si a influencia do extracto se exercia mais sobre o virus ou so-
bre o terreno.
Para a experienda com o virus filtrado utilizámos o de uma das partidas
preparadas no Instituto de n.° 4.707 (em 10-IV-1931), de actividade previamente
determinada pelo methodo de Gins e que, na diluição de 1/20.000, ainda se mos-
trava fortemente positivo. Partindo, pois, desse titulo, dois coelhos foram injecta-
dos por via intradermica, dando os resultados que se vêm no quadro n.° V.
V
DETERMINAÇÃO DO LIMITE DE ACTIVIDADE DO VIRUS
FILTRADO
COELHO N.* 234
DATA DA INOCULAÇÃO — 7
— V — 1931
Resultados
Com extracto
Sem extracto
1/20.000
G
13 X U
1/30.000
G
03 x 03
1/40.000
G
0,4 X 03
1/50.000
G
0.4 X 0,4
1/60.000
G
03 X 03
1/70.000
G
03 X 03
VI
COELHO NV 257
DATA DA INOCULAÇÃO — 15 — V — 1931
Titulou das diluições
Resultados
Com extracto
Sem extracto
1/ 50.000 1,0 X 13
1/ 75.000 G
1/100.000 (11)0,6 X 0.6
1/125.000 (II) 0.1 x 0,1
1/150.000 G
1/200.000 O
03 X 03
03 X 03
0,4 X 0,4
03 X 03
(111)0,6X0,1
0.1 X 0,1
/
250
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Com o mesmo fim e em idênticas condições inoculámos dois outros coelhos
com o virus ordinário da polpa vaccinica de n.° 4.632, que se mostrava activa,
em doseamento prévio, até na diluição de 1/75.000; partindo desse titulo, chegá-
mos a attingir o limite de 1/250.000 que em contacto com o extracto ainda deter-
minava lesões generalizadas.
VII
COELHO N.* :s7
DATA DA INOCfLAÇÃO — 7 — V — 1931
Resultados
Títulos das diluições
4
Com extracto
Sem extracto
1/ 75.000
G
1,6 X U
1/100.000
G
03 X 03
1/105.000
G
0,6 X 0,6
1/110.000
G
03 X 1,0
1/115.000
G
0,6 X 0.6
1/120.000
G
0,6 X 0,6
VIII
COELHO
.V 255
DATA DA INOCULAÇÃO— 15— V — 1931
Titulou das diluições
Resultados
Com
extracto
Sem extracto
1/100.000
G
03 X 03
1/125.000
G
0.7 X 0.7
1/150.000
G
1,0 X 13
1/175.000
G
03 X 0,4
1/200.000
G
03 X 03
1/250.000
G
03 X 03
LOCALIZAÇÃO DO VIRUS, PREVI AMEXTE IXOCULADO POR VIA
VENOSA, NA PELLE DE COELHOS. IXJECTADOS POR VIA DER'
MICA COM EXTRACTO TESTICULAR
Quatro coelhos recebem, em tres pontos da pellc depilada. 0.5 c. c. de extract 0
testicular puro, 0,5 c. c. de extracto diluido a 1/10 e 0,5 c. c. de extracto dilui^ 0
a 1/100; dois outros recebem em região não irritada (pelos cortados á tesoura) 1
Godinho * Travassos — Phenomeno de Duran-Reynalt
251
0.2 c. c. de extnxcto testicular 24 e 48 horas depois da inoculação de 2 c. c. do
vinis puro e 2 c.c. da polpa vaccinica na diluição 1/25, por via venosa, res-
pectivamente.
IX
N.* do
coelho
Material
inoculado
Data da inoc.
do extr.
Diluição do cxtracto
Observações
130
Virus puro
10. IV. 1931
Ext. puro
G.
Ext. 1/10
G.
Ext. 1/100
G.
Pclle depila-
da (irritada)
c cxtracto
inoculado ao
mesmo
tempo.
108
M
**
G G
G
129
Polpa 1/25
H
G
G
0
140
-
G
G
G
115
Virus puro
6JCI.1931
G
G
G
55
1
Polpa 1/25
1*
G
G
G
TESTEMUNHAS
I
N.* do
coelho
Data da inoc. do
riru* puro
Arca irritada
II
Arca não
irritada
Não Inoculada
com cxtracto
Inoculada c/
aalina
Inoculada c/
cxtracto
80
15. IV. 1931
G
G
“3“
119
" G
G
48
4. XI. 1931
G
G
-0-
67
V*
G
G
-o-
DUSCUSSAO E SUM MARIO
As experiencias descriptas nestes ensaios confirmam a realidade do phe-
nomeno de Duran-Reynals c mostram que o augmento da actividadc do virus
vaccinico, tanto em estado de pureza, como de mistura com os germes da polpa,
é exercido pela acção do cxtracto testicular e que esse augmento soffre eviden-
temente influencia quando o mesmo cxtracto é aquecido ou filtrado. Diminuc
9
252
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
também a sua acção á medida que se reduz a quantidade de mistura com o vinis
ou a polpa.
A possibilidade de ter á mão o vinis vaccinico puro filtrado favoreceu o
estudo isolado da influencia directa do extracto sobre o mesmo isento inteira-
mente de germes, que, sendo sensíveis, do mesmo modo á influencia do extracto,
poderiam invalidar, até certo ponto, a conclusão de que, pelo augmento das lesõe-
vaccinicas, só o respectivo virus devia ser responsabilizado.
Os resultados foram plenamente satisfactorios quanto á influencia directa
do extracto testicular sobre o virus, ocasionando augmento das lesões, quando
não a sua generalização com os característicos todos descriptos por Duran-
Reynals.
Procurando elucidar si a influencia do extracto se exerceria sobre o terreno
ou sobre o virus, realizámos algumas experiencias que nos demonstraram, clara-
mente, que tal acção se limita á dif fusão do virus no tecido. Com ef feito, os re-
sultados de determinação do limite de actividade do virus, de mistura com o
extracto testicular, comparativamente com o do virus diluido em salina, não
demonstraram uma multiplicação do virus, o que nos leva a crer, de preferencia,
na possibilidade de um processo de dif fusão deste no derma.
A Duran-Reynals não escapou a mesma indagação e para isto fez inocular
por via venosa o virus vaccinico e por via cutanea o extracto testicular, notando
que aqucllc se localizava de preferencia no ponto cm que este havia sido introdu-
zido. concluindo que só a influencia do extracto poderia detenninar o facto.
De nossa parte, repetindo a cxperiencia acompanhada do necessário teste*
munho, não lográmos confirmar tal experiencia. Xotámos que, só nas arcas q l!C
haviam soffrido irritações pela navalha ou mesmo pelo simples arrancamcnto do
pelo, havia localização do vints com generalização da lesão sob influencia do
extracto. Xas arcas, porem, não irritadas, isto é, preparada a pelle apenas com
cuidadoso corte á tesoura, sem ferir o derma. nenhuma manifestação foi obser-
vada. Por outro lado, tanto a inoculação do extracto testicular. como de salina
nas arcas irritadas determinou idêntico phenomeno comprovando as conhecidas
experiencias classicas de Calmette e Guerin (8), de localização do virus no derma.
ao nivcl das ligeiras erosões da pelle, quando clle é introduzido na circulação du-
rante as primeiras 24 horas; "Lorsqu'on fait pénétrer directement lc vaccin dan*
la circulation por voie intra-veineuse, on n’observe jamais chez le lapin d'eruption
spontanée sur les muque uses, commc M. Chauvcau cn a signalé sur lc cheval-
Mais, si, dans les premiares 24 heurs qui suhent Vintroduction du vaccin dans MS
V eines, on rase 1'aninutl sur les dos, on voit apparaitre lc 3e. jour, sur la rcg‘° H
rasce, une quantité dc pustulrs parfaitement caractcristiquc. Aucunc p ustule **
se forme dans d'autrcs regions ”.
10
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Godinho 4 Travassos — Phenomeno de Duran-Reynals
253
CONCLUSÕES
1. °) De accordo com os resultados dessas expericncias deixamos compro-
vada a realidade do phenomeno de Duran-Reynals.
2. ®) A exaltação das lesões determinada pelo extracto testicular é idêntica,
tanto sobre o virus commum da polpa vaccinica, como sobre o vinis puro filtrado.
3. ®) O aquecimento e a filtração do extracto exercem influencia sobre o
phenomeno; a intensidade das lesões é proporcional á quantidade do extracto.
4. ®) A previa penetração do virus vaccinico por via venosa não occasiona
localização na area do derma posterior ou concomitantemente inoculada com o
extracto e sim nos pontos irritados da pelle.
5. ®) O phenomeno de Duran-Reynals está mais relacionado a um processo
de dif fusão do virus no derma do que propriamente a uma acção directa do ex-
tracto sobre o virus.
ABSTRACT
Experiments carried on with a vicw to chccking up Duran-Reynals’ pheno-
ttienon in rclation with vaccine vinis showcd that thc increase in thc lesions as
brought about by tcsticlc cxtract is idcntical when cithcr the virus of vaccine
lymph or thc pure filtercd vinis be employcd. Hcating and filtering the cxtract
ire dctrimental to thc phenomenon; thc intensity of thc lesions is proportional
to the amount of thc cxtract used. A previous intravenous inoculation of the
vaccine virus does not cause this to localize in thc derma arca cither posteriorly
or simultancously inoculated with thc cxtract but in those points of thc skin
'vhich have suffcrcd an irritation. Thc Duran-Reynals’ phenomenon sccms to
1* more closely relatcd to a difíusion proccss of thc virus through thc derma
than to a direct action of the cxtract upon the virus.
BIBLIOGRAPHIA
L Duran-Reynals. F. — Exaltation dc 1'activitc du vinis vaccinal par les extraits dc ccr-
Uins organes. — CR. Soc. Biologie XCIX(19) :6. 1928.
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extraits tcstjcularcs. — CR. Soc. Biologie XCIX(38) :1908.f928.
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on thc infecting powcr of vaccine virus. — J. Exper. Mcd. L(3) :327. 1929.
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mental vaccinia in rahbits. — Lancct CCXVII(5532) :515.1929.
1!
Memórias do Instituto Butantan
254
Tomo Vn
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LII(l) =43.1931.
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1’Inst. Pasteur XV (3) :161 .1901.
(Trabalho da Secção de Vinis e Vlrustherapia do
Instituto Butantan, apresentado á Semana do Labo-
ratorio, Soc. Med. Cir. S. Paulo, janeiro de 13321-
12
2 3 4 5 6
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
INFLUENCIA DOS ESTAPHYLOCOCCOS
SOBRE A ACTIVIDADE DO VIRUS VACCINICO
POR
j. TRAVASSOS e R. GODIXHO
í, | SciELO
Caiacteristicos dos estapli} lococcos patliogenicos, da polpa vaccinica 6 da pelle de pessoas
normaes
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MALTOSE
GLYCOSE
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1
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LEGENDA:
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of = ouro forte
B = branco
L = côr de limão
A = acido
AC — acido e coagulação do meio
+_ = fracamente acido
K — alcalino
P = protcolyse
— = nenhuma alteração do meio
MANNITA
RAFFCÍOSE
SALYCINA
INULINA
GLYCERINA
1
2 5
10
1
2
5
10
1
2
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1
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28 SciELO 32
33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59
ESTAPHYLOCOCCOS ESTAPHYLOCOCCOS ESTAPHYLOCOCCOS
DA POLPA DA PELLE PATHOGENICOS
Caiacteristicos dos estaply\ lococcos patliogenicos, da polpa vaccinica 6 da pelle de pessoas
normaes
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LEGENDA:
O = ouro
of = ouro forte
B = branco
L = côr de limão
A = acido
AC -= acido e coagulação do meio
+_ = fracamentc acido
K — alcalino
P = proteolyse
— ■ =r nenhuma alteração do meio
PESQUISA DO VIRUS VACCINICO NA CELLULA
ESTAPH YLOCOCCICA
QUADRO N- 2
2 dias
4 dias
6 dia»
8 dias
10 dias
Prov» d«
immunid .
(Vira»
puro diluí-
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Staphyl. aureux
( Emulsão pura
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(Cobaia 50)
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( Emulsão pura
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(Cobaia 108)
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Staphyl. aurrus
(Emulsão pura
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+ +
+
+
+ + + +
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(Cobaia 26)
1 Dil. a 1 %
+ + +
+
+ + 4--f
Staphyl. albu*
(Emulsão pura
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(Cobaia 37)
( Dil. a 1 %
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(Emulsão pura
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+
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(Cobaia 43)
1 Dil. a 1 %
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2
Staphyl. albua
\ Emulsão pura
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(Cobaia 112)
' Dil. a 1 %
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TESTEMUNHAS
Staphyl. alho»
Emulsão pura
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(saprophyta pcllc)
(Cobaia 36)
Dil. a 1 %
Staphyl. aurrus
Emulsão pura
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+ + +
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+
+
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(pathogen.)
(Cobaia m>
Dil. a 1 %
+
— * ++ + + — differentes cráo* de rcacção
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
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Adsorpção do Virus Yaccinico pela Cellula Estaphylococcica
QUADRO N.° 3
+ a ++++ = Varias intensidades de lesões
Adsorpção do Virus Yaccinico pela Cellula Estaphylococcica
QUADRO N.° 3
CELLULAS
VIVAS
2
HORAS
DE CONTACTO 10 *
PROVA
DE IMMUMDADE
2
HORAS
DE CONTACTO 37
PROVA
DE IMMUMDADE
DIAS
2
3
! 1
7
8
10
15
2
5
7
8
10
15
2
3
5
7
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10
IS
2
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5
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15
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L. S.
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Polpa 4687
1/1.000
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1 cc. viras
L. S.
1/100
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1/1.000
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1/100
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Polpa 4619
1/1.000
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— •
• 1
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L.S. P /10 °
( 1/1.000
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= Liquido sobrensdante
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= N'rfiti'0
= Varia* intensidade* de
leaõea
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5$9 .95:61 i 521
INFLUENCIA DOS ESTAPHYLOCOCCOS
SOBRE A ACTIVIDADE DO VIRUS VACCINICO
POR
J. TRAVASSOS e R. GODIXHO
O papel do estaphylococco na formação da pustula vaccinica tem sido
objecto de numerosas pesquisas e discussões scienti ficas. Primitivamente res-
ponsabilizado pela etiologia do cow-po: x, esse germe passou, sobretudo depois dos
estudos sobre a filtrabilidade do virus, a ser encarado como elemento de infecção
secundaria; depois, das pesquisas de Ponndorf (1) nasceu a idéa de uma sym-
biose, emprestando-se ao estaphylococco o papel principal de portador do virus,
na localização ulterior deste nos tecidos ; e, ainda rcccntemcnte, Rivière e Patocka
(2), baseados em estudos realizados sobre o assumpto, estabeleceram a seguinte
formula: “Les staphylocoques ayant une action plus rapide (mcmc lorsqu’ils sont
três peu pathogènes) determinent des lesions des ccllulcs cutanées sur lesquellcs
se íixent alors les plus petites traces de virus. qui nc scraient pas clles-mêmes
capables de determiner une reacíion typique et intcnse”.
Visando a interpretação de certos pontos deste problema, que, encarado na
formuia acima estabelecida por Rivière e Patocka, vem, em parte, de encontro
ás verificações já feitas neste Instituto com o emprego do virus em estado de
pureza (3), encetámos uma serie de experiências, por signal grandemente facili-
tadas pelo uso do virus vaccinico puro (filtrado), material esse que, mais do que
nenhum outro, offerece condições adequadas a essa ordem de pesquisas.
Na primeira parte do nosso trabalho, estudámos bactcriologicamcntc vários
estaphylococcos isolados da polpa vaccinica, comparativamente com amostras de
estaphylococcos pathogenicos e estaphylococcos isolados da pelle de pessoas sãs
normaes; na segunda parte, procurámos verificar as possíveis relações existentes
entre a cellula estaphylococdca e o virus vaccinico, no que diz respeito á forma-
ção da pustula vaccinica.
Característicos dos estaphylococcos isolados da polpa vaccinica c da pelle de
pessoas normaes, estudados comparativamente aos de estaphylococcos pathoge-
nicos. — A differenciação dos estaphylococcos, baseada nos caracteres biologicos
cm
SciELO
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2C4
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
ou no grau de pathogenicidade, é assumpto que demanda estudo acurado. Ainda
não ha um methodo rigoroso baseado no qual se possam distribuir os vários
estaphylocoecos por grupos definidos; o conjuncto de característicos que separa
os estaphylocoecos saprophvtas dos pathogenicos apresenta numerosas excepções,
nem sempre sendo possivel filial-os acertadamente. Não sendo aqui apropriada
a discussão dessas falhas, limitamo-nos a assignalar os característicos biologicos
que approximam ou afastam entre si os estaphylocoecos da polpa vaccinica e os
pathogenicos para o homem, visando principalmente verificar a possivel patho-
genicidade dos mesmos.
O pigmento còr de ouro, a lique facção da gelatina, a reducção dos nitratos,
a coagulação do leite, a acidificação de certos assucares, a producção de uma
hemolysina e da estaphylocoagulase, são característicos que se encontram quasi
sempre nos estaphylocoecos pathogenicos. Esses característicos foram por nós
estudados nas amostras de estaphylocoecos que isolámos da polpa e da pelle de
pessoas normaes, comparativamente com varias amostras de estaphylocoecos pa-
thogenicos para o homem, da nossa collecção de culturas.
O Quadro n.° 1 resume os resultados obtidos. Como se poderá ver, esses
resultados foram mais constantes na pesquisa da estaphylocoagulase (prova de
Much), positiva na serie de estaphylocoecos pathogenicos e negativa na serie de
saprophvtas, mostrando os estaphylocoecos isolados da polpa fraco poder coagu-
lador do plasma. Com algumas dessas amostras procedémos á prova de patho-
genicidade, para o que recorrémos á technica de Dold (4). por mais se approximar
do fim que visavamos. As inoculações foram feitas em coelhos por via intradermica
e na dose de 0,05 c. c. de uma cultura em caldo de 24 horas.
De uma maneira geral, a pathogenicidade para o coelho correu a par com a
prova da estaphylocoagulase. Xa comea do coelho e cobaia, os resultados foram
idênticos.
Os estaphylocoecos da polpa mostraram-se mais fortes reduetores dos
nitratos.
No que diz respeito ao comportamento dos meios assucarados, verifica-se
que, por parte dos pathogenicos, ha uma certa regularidade no comportamento etn
maltose, glycose, saccharose. levulose e lactose que acidificam, e em raffinosc,
salicina e inulina que não atacam. Em mannita ha uma acidificação tardia e em
glyccrina c raffinose não ha regularidade na acidificação.
Os estaphylocoecos isolados da polpa vaccinica são acidificadores de maior
numero de assucares nos primeiros dias de incubação, mas segue-se logo a alcali-
nização em vários dellcs. A irregularidade é accentuada em maltose e lactose.
Podem ser dif ferenciados dos pathogenicos pela acidificação da raffinose e so-
bretudo da inulina, o que é mais constante.
Os estaphylocoecos isolados da pelle de pessoas normaes são de fraco poder
acidificador. A saccharose, bem como a mannita, só é atacada tardiamente.
I
Travassos a Godixho — Estaphylococcos e virus vaccinico
265
Difíerenciam-se mais accentuadamente dos pathogenicos pelo comportamento em
lactose, que a maioria das amostras não ataca.
Si não fossem as muitas excepções que apresentam, seria talvez possível
uma tentativa de seu agrupamento do seguinte modo:
A — Paihogctiicos — Acidificam abundantemente, e já nas 24 horas, mal-
tose, glycose, saccharose, levulose e lactose. A acção acidificadora é menos pro-
nunciada em mannita e ainda mais em glycerina. Xão têm acção sobre rafíinose.
salicina e inulina. São fortes productores de estaphylocoagulase, têm fraco poder
reductor sobre os nitratos e frequentemente produzem uma hemolysina.
B — Epideruiidis — Maus acidificadores. Atacam com mais regularidade
maltose, glycose, levulose e, tardiamente, saccharose e mannita. Xão têm acção
sobre lactose, raífinose, salicina e inulina. Acidificam irregularmente a glyce-
rina. Xão coagulam o plasma e têm fraco poder reductor sobre os nitratos.
C — Da polpa — Acidificam, com certa regularidade, maltose, glycose,
saccharose, levulose, lactose, inulina, rafíinose e glycerina. mas terminam por
alcalinizar os meios, sobretudo nos com maltose, raífinose e inulina. Agem irre-
gularmente em mannita e acidificam ligeiramente salicina. São fracos productores
de estaphylocoagulase e fortes reductores dos nitratos.
Do estudo que acabámos de fazer pode-se presumir, no limite do possível,
que: a) na pelle de pessoas nonnaes, commummente, não existem estaphylococcos
com característicos totalmentc comparáveis aos dos pathogenicos; b) os estaphy-
lococcos isolados da polga vaccinica apresentam característicos que os approximam
mais dos pathogenicos do que dos estaphylococcos commummente encontrados na
pelle.
Qual o papel desses estaphylococcos da polpa na formação da pusttila vac-
cinica?
Para o estudo desse problema tentámos varias experiencias, visando verificar
o seu papel como vehiculadorcs do virus, para o que principiámos por indagar si
os estaphylococcos isolados da polpa vaccinica contem o virus.
Experiência I — Uma alça de polpa vaccinica foi espalhada cm placa de
agar-sangue e collocada na estufa a 37“C, durante 18 horas. As colonias de esta-
phylococcos desenvolvidas eram então isoladas em tubos de agar e novamente
incubadas por 18 horas. Emulsionou-sc em salina c pesquisou-se a presença do
virus por escarificação da córnea do olho de cobaia. Annotavam-se as lesões
obtidas e. no fim de 20 dias, procedeu-se á prova de immunidade, usando-se o
virus puro. Eis os resultados (Quadro n.® 2) :
As lesões foram perfeitamente características das infecções estaphylococci-
cas, porquanto nas provas ulteriores de immunidade da comca ao virus observá-
mos lesões typicas. Em idênticas condições (permanência na estufa por 36 horas)
o virus puro e o da polpa revelaram-se activos para a comea da cobaia.
cm
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2G6
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Esta experiencia parece mostrar que o vírus vaccinico não se cultiva na
cellula estaphylococcica. Para corroborar estes resultados, fizemos algumas ten-
tativas de cultivo i« vitro do virus puro, tanto na cellula estaphylococcica, como
na estreptococcica e pneumococcica, usando a technica de Degkwitz (5), sem
tennos logrado resultados positivos.
Experiencia II — As cellulas estaphylococcicas adsorvem o virus vaccinico?
Usámos para estas experiendas o virus puro n.® 4659, que, diluido a 1 °/oo.
provocara opacificação completa da comea da cobaia.
A uma parte de uma emulsão de estaphylococco (cultura de 18 doras) addi-
cionámos uma parte do virus puro. Agitámos e deixámos em contacto durante
2 horas á temperatura de 10®C e á temperatura de 37®C. Centrifugámos, lavá-
mos em salina 4 vezes e reconstituímos o volume primitivo. Realizámos essas
experiendas. tanto com cellulas vivas, como com cellulas aqueddas a 65°C por
uma hora. Empregámos esíaphylococcos isolados da polpa vaccinica, saprophytas
da pelle e um pathogenico. Tanto o liquido sobrenadante, como os estaphylo-
coccos assim lavados, foram diluídos em salina a 1 % e a 1 °/oo e ensaiados na
córnea da cobaia. Testemunhámos com animaes inoculados com estaphylococcos
vivos e com o virus puro. Eis os resultados obtidos (Quadro n.® 3) :
Tanto com cellulas vivas, como com cellulas mortas, pode-se verificar que
os estaphylococcos adsorvem o virus, tal como se tem observado com outras
substancias capazes de adsorver partículas colloidaes (carvão animal, caolim,
hydroxido de aluminio, etc.). As lesões obtidas apresentaram os caracteres typi-
cos das lesões devidas ao virus vaccinico, bem como provocaram immunidade
ao virus.
Cumpre-nos agora acccntuar que, para a resolução da questão em estudo,
algumas observações já realizadas e outras por nós conduzidas nos trazem novas
contribuições a saber:
a) A inoculação do virus puro (filtrado), por escarificação da pelle,
tanto em animaes, como em crianças primo-vaccinadas, produz uma pustula
typica, perfeitamente comparável cm seus principacs característicos á pustula
obtida nas mesmas condições com a polpa vaccinica, dif ferindo, talvez, por um
maior periodo de evolução c. ccrtamentc, por uma menor rcacção inflamma-
toria (3).
b) Si de uma pustula provocada pela lympha vaccinica ordinaria e que
apresente regular reacção inflammatoria colhermos o material da vesicula com
todos os cuidados de asepsia externa e o semearmos em meios communs. obtere-
mos culturas de estaphylococcos, o que não é possível com o produeto das pús-
tulas produzidas pelo virus filtrado e nas de evolução normal obtidas pelas polpas
pobres cm germes. Uma dezena de verificações que realizámos permittiu-nos
esta conclusão.
G
Travassos * Godixho — Eslaphijlococcos e virus vaccinico
267
c) Além disso, o processo de cicatrização das pustulas vaccinicas, obtidas
com o vinis puro, evolve de maneira especial, deixando somente uma impercepti-
vcl mancha com tendencia franca ao completo apagamento (3).
d) E, como si não bastassem esses factos principaes para demonstrar a
localização do virus no tecido, independentemente da presença de estaphylococco
que apresente pelo menos certos característicos dos pathogenicos (os estaphylo-
coccos da pelle de pessoas normaes não revelam os característicos dos pathogeni-
cos e são totalmente desprovidos de acção para o derma e a coniea de coelhos e
cobaias), ainda, por varias vezes, obtivemos pustulas typicas em coelhos e em
primo-vaccinados, por inoculação intra-dermica do virus puro em diluições diver-
sas, tendo-se observado os maiores cuidados de asepsia externa e controlado todo
o material usado. A semeadura posterior do liquido das vesiculas assim obtidas,
colhido com todos os cuidados de asepsia, mostrou a sua completa esterilidade.
DISCUSSÃO
Neste estudo partimos de um virus puro obtido por filtração segundo a
technica usada neste Instituto, e dotado de grande actividade para a córnea da
cobaia. Com esse material obtivemos pustulas vaccinicas typicas, tanto por via
intradermica, como por cscarificação do derma. O liquido das vesiculas colhido
ascpticamente e semeado nos meios communs de laboratorio não deixou desen-
volver nenhum germe, o que também foi verificado cm pustulas vaccinicas de
evolução normal, obtidas á custa de polpa vaccinica (material com estaphylococco).
No processo cicatricial das pustulas obtidas com o virus puro, notámos certas
diífcrenças que se traduziam por uma mancha imperceptível com tendencia ao
completo apagamento.
Na operação vacei nante procurámos evitar a inoculação do estaphylococco
que, na opinião de vários auctores, é o elemento inicialmente necessário (Ponn-
dorf), irrítativo das ccllulas dos tecidos, preparador do terreno para localização
do virus, o qual, por si só, não seria capaz de determinar uma reacçâo typica e
intensa (Rivière e Patocka). A par de não termos obtido culturas de estaphy-
lococco do liquido das vesiculas, o que tambern aconteceu cm pustula provocada
por polpa vaccinica, verificámos preliminarmente que os estaphylococcos encon-
trados commummente na pelle de pessoas normaes não apresentam característicos
dos pathogenicos e, mesmo quando inoculados em quantidade considerável na
comea da cobaia ou na pelle do coelho (inoculação intradermica), não são capa-
zes de produzir lesão apparente. O contrario foi verificado com os estaphylo-
coccos da polpa que por seus característicos se approximam dos pathogenicos.
O problema é encarado também sob o ponto de vista das possíveis relações,
na polpa vaccinica, do estaphylococco com o virus. Neste particular, verificámos
que a cellula estaphylococcica, tanto viva, como mona (aquecida 65®C), tal como
cm
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2Ü8
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
acontece com o caolim ou carvão animal, é capaz de adsorver intimamente o virus
vaccinico, mas parece que não ha reproducção do virus na cellula estaphylo-
coccica.
E' provável que o estaphylococco da polpa tenha algúm papel inicial irritativo
das cellulas, desviando talvez a defesa organica e facihtando a localização do virus.
Esse facto talvez explique o apparecimento algo tardio da pustula provocada pelo
virus puro. Longe, porém, está tudo isso da aífirmativa de Rivière e Patocka,
de que o virus, por si só, não seria capaz de determinar uma reacção typica e
intensa. As lesões vaccinicas, obtidas neste Instituto, quer em animaes e por
differentes vias, quer no homem, demonstram farta e claramente que é possivel
obter lesões seguramente typicas e intensas por meio do virus puro, na ausência
do estaphylococco da polpa.
CONCLUSÕES
Os estaphylococcos da polpa não têm nenhum papel indispensável na for-
mação da pustula vaccinica. sendo, entretanto, provável que exerçam certa irrita-
ção sobre as cellulas do tecido, facilitando talvez a localização do virus.
ABSTRACT
The staphylococci found in the vaccine lymph does not play any indispen-
sable ròlc in the formation of the vaccine pustule although they are likely to exert
a certain irritation on the derma cells so as to facilitate the localization of the virus.
BIBLIOGRAPHIA
1. Ponndarf — Rcv. Intcm. Vaccin. IV : 1 14 . 1913.
2. Riviêre. R. D. & Paio. ta. F. — C.R. Soc. Biol. CIV:367.1930.
3. Monteiro. J. Lemos & Godinho, R. — Mcin. Inst. Butantan V :1 . 1930.
4. Uold, H. — Ccntralbl. f. Bakt. Originalc Cl 1:1. 1931.
5. Degkwils. R. — J. Inf. Dis. XI.1 :304.1927.
(Trabalho das Srcçóei de Virus e de Immunologia do
Instituto Butantan, terminado em julho de 19X1).
8
5S9. 95:614. 56:614. 521
POSSIBILIDADE DE CONTAMINAÇÃO DA
LYMPHA VACCINICA PELO VIRUS DA FEBRE APHTOSA
POR
S. de CAMARGO CALAZAXS e R. GODIXHO
Apesar de rara, por mais de uma vez tem sido verificada a associação do
virus aphtoso ao virus vaccinico ou do “cow-pox”.
Nada, porém, devemos estranhar neste facto, si considerarmos que a essas
duas infecções são extremamente sensiveis certos animaes como os bovinos, em-
pregados por quasi todos os institutos para a producção da vaccina animal.
Todos aquelles que lidam de perto com o problema do preparo da vaccina
antivariolica devem estar alertas contra o perigo do virus da febre aphtosa, mo-
léstia tão commum entre os nossos rebanhos c da qual podem vir contaminados
os vitcllos destinados á vaccinação.
O exame cuidadoso a que é submettido o animal antes de ser considerado
apto para soffrer a inoculação do virus vaccinico não sc satisfaz simplesmente
com a inspecção clinica feita na cavidade buccal e nos cascos do animal, partes
de predilecção para surto das ulcerações que precedem c acompanham as outras
manifestações da aphtosa.
Sempre após a colheita da polpa deve ser o animal sacrificado c cuidadosa-
mente necropsiado, para que possa ter logar o exame mais completo de qualquer
lesão de enfermidades, entre as quaes sobrepujam a tuberculose e a aphtosa, cuja
presença condemna o uso da polpa vaccinica dclle oriunda. Este é o methodo
correntemente adoptado pelo I-aboratorio Vaccinico do Butantan e cm voga nos
institutos vaccinicos mais acreditados.
Xa literatura medica são citados alguns casos cm que a associação dos dois
virus ficou perícitamentc comprovada, com dados experimentaes. Xão se conhece,
porém, até a presente data, apesar dos ataques innumeros sofí ridos jiela vaccina
em toda a parte, um caso siquer de febre aphtosa transmittida ao homem pela
vaccina variolica, em mais de um século de larga applicação desta incomparável
medida de prophylaxia. Sabe-se, no entanto, como o demonstrou Trautwein ulti-
mamente, que é possível a contaminação humana, mesmo através da pelle : trata-
va-se, no caso relatado por este pesquisador, de um homem sadio, que trabalhava
cm
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272 Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
na Secção de Aphtosa do Instituto de Pesquisas da ilha de Riems e que se ferira
com um estylete vaccinico no dedo indicador, quando auxiliava a inoculação ex-
perimental da aphtosa em um bovino. Sendo pequeno e superficial o ferimento
pouca importância lhe foi dada. Tres dias depois manifestou-se uma pequena
pustula no logar do ferimento, evolvendo em seguida a aphtosa typica com lesões
generalizadas, excepção feita das lesões da bocca e da elevação thermica. Ino-
culações em cobaias e leitões com o liquido crystallino, retirado de vesículas de
uma das mãos, produziu, na maioria dos animaes, lesões características da aphtosa.
O mesmo auctor conseguiu ainda, do ponto de vista da immunidade e da
pluralidade do virus aphtoso, obervar os mesmos phenomenos verificados na fe-
bre aphtosa dos animaes.
O tempo de incubação neste caso foi de 2 dias, tendo a moléstia evolvido em
15 dias.
Outros auctores conseguiram também verificar a possibilidade da transmis-
são da aphtosa ao homem.
Panccra. em 1922, demonstrou que a inoculação do material retirado de casos
humanos de stomatitis vesicularis, apparecidos na província de Como, ao mesmo
tempo que grassava a aphtosa entre os animaes, determinava o desenvolvimento
de lesões typicas desta doença em cobaias e vitellos.
Gerlach, em 1924, referiu um caso de aphtosa humana, no qual a infecção
teve origem pela ingestão de uma manteiga contaminada pelo virus, caso este
também confirmado pela inoculação em cobaias.
Xo nosso presente trabalho não foi possível estabelecer uma supposta asso-
ciação dos virus, pois as provas, feitas em grande numero de cobaias; foram
sempre negativas.
CASOS DE PELOTAS
Pouco tem])o antes de occorrer o surto epizootico da febre aphtosa em ani-
maes bovinos pertencentes ao Instituto de Hygiene de Pelotas, foram pedidas,
cm agosto de 1929, novas sementes de virus vaccinico aos Institutos Oswaldo*
Cruz c Butantan. As sementes então existentes no Instituto de Pelotas acha-
vam-se fracas, não tendo sido possível exaltal-as, apesar de 11 passagens em
coelhos. Recebidas as sementes dos Institutos acima referidos, foi vaccinada,
em setembro, uma terncira com a semente n." 55, proveniente do Instituto Oswal-
do Cruz, por ser de preparo mais recente.
A producção foi pequena e negativa a passagem cm coelhos. Possivelmente
a elevada temperatura a que foi submettida durante os dias de transporte do
Rio a Pelotas teria diminuído sua virulência.
Em outubro foi vaccinada a temeira n.° 13, utilizando-se então a semente
n.° 4.590 do Instituto Butantan. A não ser no que se refere á temperatura, que
4
Calazaxs 4 Godinho — Ltjmpha vaccinica t virus aphtoso
273
foi mais elevada do que a costumada, a vaccina evolveu normalmente, dando o
animal uma regular producção de polpa bruta.
Infelizmente, logo após a colheita da vaccina. verificou-se que, na temeira
vaccinada, se manifestara a febre aphtosa com suas lesões características.
/Diante do apparedmento deste caso de aphtosa, foi suspenso o serviço de
preparo de vaccina variolica e tomadas as providencias aconselhadas para evitar
a disseminação do mal, não só aos bovinos, de alto custo, importados e submetti-
dos á premunição contra a “tristeza”, mas, ainda, a outros animaes pertencentes
ao Instituto.
A temeira atacada pela aphtosa foi sacrificada immediatamente e desinfe-
ctados o local e todos os utensilios que com ella entraram em contacto com uma
solução de soda a 2 %.
Apesar das medidas rigorosas tomadas logo que se verificou o primeiro
caso do mal, não foi possivel evitar a contaminação dos bovinos importados c
alojados, por falta de installações adequadas, na cocheira destinada aos cavallos
productores de soros e situada a poucos metros de distancia do local onde se
achava a temeira vaccinada.
Tratando-se de uma moléstia de alto poder contagiante como a aphtosa, e
dispondo o Instituto apenas de dois tratadores de animaes, tomou-se impossível
evitar a disseminação.
Comtudo, graças ao estabelecimento de rigoroso cordão sanitario, prohibi-
ção de visitas ás cocheiras e uso de calçado c roupas especiaes para todos os
funccionarios que trabalhavam na secção de Veterinária, foi evitada a propaga-
ção da epizootia pelo interior do Município, tendo a aphtosa surgido c desappa-
recido no proprio Instituto.
Não foi possivel estabelecer claramente a origem da epizootia. A terneira
na qual a moléstia sc apresentou em primeiro logar já se achava no Instituto ha
mais de um mês e o período de incubação da aphtosa c, no máximo, de 21 dias.
Alem disso, o animal procedia de um campo contíguo ao Instituto, onde não havia
e nem posteriormente se observou a referida moléstia. Dotado, porém, de grande
resistência, podia o virus aphtoso ter sido transportado ao Instituto, pela alfafa,
por um animal trazido á consulta, pelo proprio veterinário ou ainda podia estar
associado ao virus vaccinico.
Sabe-se pelos trabalhos de Mohler c Roscnau e de outros pesquisadores que
é possivel esta associação do virus aphtoso ao vaccinico, conservando-se ambos
por longo tempo virulentos, quando mantidos a baixa temperatura, e dahi o ter
um de nós formulado a hypothcse de poder a semente n.° 4.590, procedente de
Butantan, ter sido a causa da epizootia.
Não foi, porém, feita verificação alguma no sentido de se apurar a veraci-
dade de tal hypothese, pois era necessário eliminar a aphtosa o mais rapidamente
possivel do Instituto.
cm
SciELO
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274
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Erradicada a aphtosa. iniciou-se novaniente a producção da vaccina jenne-
riana em janeiro de 1930.
Apesar de fraca, foi utilizada, em falta de outra, a semente n.° 55, proce-
dente de Manguinhos, vaccinando-se com ella duas terneiras, que produziram
pequena quantidade de polpa.
Feitas as provas de virulência da vaccina em pessoas não vaccinadas, obtive-
mos resultados negativos.
Recebida de Butantan a 2.* semente (n.° 4623) a 4 de março de 1930, foi no
dia seguinte por um de nós vaccinada a temeira n.° 18.
Evolução normal, vesículas de bom aspecto, rendendo a polpa 40 grammas.
Dias depois, quando a terneira já estava solta, tivemos aviso que o referido ani-
mal se achava com aphtosa.
Informada a Directoria do Instituto Butantan de taes factos, immediata-
mente teve o Instituto de Pelotas conhecimento, por meio de resposta telegra-
phica, de que as vaccinas nos. 4590 e 4623, segundo os exames aqui praticados,
estavam bastante puras e haviam sido empregadas na população com bom
resultado.
Attribuimos o novo apparecimento desta moléstia á possível existência de
portadores de virus entre os bovinos que se achavam no potreiro e que haviam
sido atacados pelo mal algum tempo antes, por occasião da epizootia de outubro.
Seria uma grande coincidência que duas sementes, uma n.® 4590 (colhida a
16-X-1928) e a outra n.® 4623 (colhida a 21-YIII-1929), ambas procedentes do
mesmo Instituto, cuja reputação se acha acima de qualquer suspeita, viessem a
apresentar a mesma contaminação, aliás não comprovada, como demonstraremos
no presente trabalho.
Assim pensando e para ganhar tempo c poder deixar um regular stock de
vaccina no Instituto, de cuja direcção um de nós pretendia afastar-se, definitiva-
mente, no fim de março, vaccinaram-se varias praças do Exercito Nacional per-
tencentes ao 9.® R. I. entre as quaes algumas iam ser inoculadas com a lympha
vaccinica pela primeira vez. Nestas ultimas a vaccina pegou na proporção de
cento por cento, com evolução bem normal, não tendo as pessoas vaccinadas apre-
sentado o mais leve signal da febre aphtosa. Em todo caso, com o proposito de
se verificar si a semente n.® 4623, que servira para vaccinar o animal n.® 18, se
achava contaminada com o virus da aphtosa. foi inoculada, sob os cuidados ne-
cessários, a 21 de março, a terneira n.® 19. Infelizmente, manifestou-se também
neste animal a febre aphtosa.
Apesar de não ser provável que o virus da aphtosa estivesse associado á
semente empregada, foi retirado material dos indivíduos vaccinados com a vac-
cina da terneira n.® 18. sendo inutilizada a vaccina extrahida da mesma.
O material retirado das pessoas vaccinadas e parte da polpa suspeita deve-
riam ser examinados, juntamente com a semente n.® 4623, no Instituto Butantan.
6
Calazaxs s. Godixho — Lympha vaccinica e vinis nphtoso 275
Tendo-se perdido no frigorifico de bordo o material destinado a exame no
Butantan, ficaram um tanto prejudicadas as nossas experiencias, pois algumas
faces interessantes do problema, como a verificação da presença do virus da
aphtosa na lympha retirada das pustulas dos individuos vaccinados com a vaccina
da terneira n.° 18 e ainda na própria polpa vaccinica da mesma terneira, não
puderam ser levadas adiante.
Verificação no Butantan — Uma das polpas suspeitas, utilizada como se-
mente, em Pelotas, a de n.° 4590, procedente da partida n.° 4541, por sua vez ori-
ginaria de uma semente vinda de coelho, não mais existia no stock do Laboratorio
Yaccinico, ao ter a Secção conhecimento da occorrencia de Pelotas.
Empregada como semente, havia sido totalmente aproveitada na obtenção
das seguintes partidas: Xos. 4610, 4611. 4612. 4613. 4614, 4615. 4616, 5617, 4619,
4620, 4622, 4623 e 4629. De accordo com o respectivo registo da Secção, tiveram
todas ellas evolução normal e typica, com bom aproveitamento, não accusando
nenhuma anormalidade os resultados das necropsias dos vitellos. feitas no Ma-
tadouro Municipal de S. Paulo, conforme os boletins recebidos e archivados.
Procurando o Instituto exercer especial controle sobre os resultados das
vaccinações e revaccinações feitas pelo Serviço Sanitario de S. Paulo com lympha
variolica das differentes partidas originarias dessa semente (4590), verificou,
até o momento presente, pelas cuidadosas observações que são periodicamente
enviadas pela Inspectoria de Moléstias Infecciosas, que num total de 246 pessoas
inoculadas não houve um só caso de qualquer manifestação clinica que desper-
tasse a suspeita de associação dos dois virus.
Polpa n.° 4623 — Como acima ficou assignalado, esta partida é originada
também da semente n.° 4590 e foi colhida em 26-VIII-1929, após normal evo-
lução, produzindo 152,0 grs. de polpa bruta num vitello que pesava 112 kilos.
Delia foram retiradas 20,0 grs. para seccar e 10,0 grs. para experiencias de fil-
tração do virus vaccinico sendo, posteriormente, enviados 60 c. c. ao Instituto de
Hygiene de Pelotas (pedido telegraphico do Dr. Calazans, de 2-II-1930), depois
do que foi recebida communicação de que naquellc Instituto sobreviera febre
aphtosa no vitello vaccinado com tal semente, em repetição do que succedera
entre os vaccinados com a de n.° 4590.
Logo a seguir, foi empregada aqui essa mesma semente n.° 4623 na vaccina*
ção do vitello n.° 3 de 1930, pesando 136 kilos, e que produziu, depois de desen-
volvimento normal, 246,0 grs. de polpa, o mesmo succedendo com relação ao
vitello n.° 9, vaccinado em 2-IY-1930, com 139 kilos, fornecendo 108.0 grs. de
polpa bruta. Ambos foram cuidadosamente examinados neste Instituto, sem que
nada apresentassem de anormal, segundo os respectivos protocollos da,s ne-
cropsias.
Xo intuito de bem esclarecer a suspeita de contaminação da polpa, apesar das
duas primeiras observações negativas, foi iniciada uma serie de provas outras.
cm
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I>7C>
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
uma vez que dispunha ainda o Laboratorio de quasi toda a quantidade inicial da
alludida polpa.
Novas provas cm viiellos, cobaias e coelhos — Escolhidos dois vitellos aqui
nascidos e jamais afastados das suas pastagens, ao abrigo de qualquer suspeita
de anterior infecção por aphtosa, depois de rigorosamente inspeccionados pela
Secção de Medicina Veterinária do Instituto, foram respectivamente identifica-
dos sob os nos. 27 e 2S do livro de registo do Laboratorio Yaccinico. O primeiro
foi inoculado no dia 9-YII-1930 e na mesma occasião injectados varias cobaias
e alguns coelhos. A evolução da vaccina nesse vitello foi perfeitamente normal,
produzindo 136,0 grs. de polpa. Entretanto, como um dos animaes, no 6.° dia
depois da vaccinação, apresentasse, nas gengivas e nos cascos posteriores, ligeiras
ulcerações, que podiam ser attribuidas á occasional natureza do capim secco com
que estava sendo alimentado, foi feito o transplante do produeto da raspagem das
referidas ulcerações. não só para outro vitello, o de n.° 28 e que era na mesma
occasião inoculado com a semente n.° 4623, como ainda para uma serie de cobaias
e alguns coelhos que receberam também por inoculação e escarificação a saliva
do mencionado vitello. Segundo veriiicámos mais tarde, em outros casos, essas
ulcerações provêm de auto-inoculação da vaccina acarretada ]>ela lingua dos vi-
tellos no acto de estes lamberem a região escarificada.
No 4.° dia de evolução da vaccina no vitello n.° 28, foi elle sangrado c o
sangue, tanto citratado, como desíibrinado, e ainda o respectivo soro fresco ino-
culados cm differentes regiões c por diferentes vias em outra serie de cobaias,
experiência esta de que se incumbiu o assistente do Instituto, dr. Cicero Neivn.
Todos os resultados experimentaes confirmaram a ausência de qualquer con-
taminação da polpa por virus aphtoso.
Finalmente, mais duas provas foram ainda realizadas em vitellos de tenra
idade, recebidos pelo Instituto do vizinho Município de Santo Amaro. Estes
dois animaes, cuidadosamente inspeccionados durante cerca de 30 dias, não re-
velaram o mais leve indicio de anterior contaminação por aphtosa e, inoculados
com a semente n.° 4623, o primeiro cm 25-IX-1930 e o outro cm 3-X-1930,
tiveram ambos jieríeita c normal evolução das pustulas, que foram colhidas c
aproveitadas; submettidos a especial observação posterior, nada revelaram em
favor da hypothcse de uma infecção pelo virus aphtoso. o que a necropsia con-
firmou plenamente.
DISCUSSÃO
Das observações e experiências que acima estão relatadas dois problemas
suscitam acurada investigação:
l.°) Haveria uma dualidade de virus nas duas polpas nos. 4590 e 4623.
em grau de actividade capaz de reproduzir, nos bovinos em Pelotas, a vaccina c
a febre aphtosa concomitantemente?
8
Calazans i. Godinho — Lympha vaceinica e vinis aphtoso 277
2.°) A febre aphtosa manifestada nos bovinos do Instituto sul-riogranden-
se teria sido originada da existência de portadores de virus ou pelo transporte
deste ao Instituto pelos alimentos ou por outros meios possíveis?
E’ facto fóra de qualquer duvida que numa mesma polpa vaccinica possam
coexistir os dois virus, vaccinico e aphtoso, sem que uma longa permanência em
baixa temperatura exerça sobre qualquer delles influencia nociva. Além dos tra-
balhos de Mohler e Rosenau e das experiencias de M. Belin sobre a conserva-
ção e exaltação da virulência do virus aphtoso. por culturas simultâneas com o
virus vaccinico, um estudo completo sobre o assumpto vem publicado nos
Annaes do Instituto Pasteur, por Hellsbergen, provando que os dois virus, man-
tidos em baixa temperatura, guardam integralmente as suas propriedades es-
peciaes. Ora, si o complexo vaccinico-aphtoso existia nas polpas sementes nos.
4590 e 4623 e em condições de determinar a manifestação da aphtosa em Pe-
lotas, não deveria este ter falhado aqui. por terem sido as polpas tantas vezes
empregadas em bovinos de varias procedências, sempre mantidas em óptimas con-
dições de conservação.
Igualmente falhou a inoculação nos demais animaes experimentados, não
obstante ser a cobaia muito sensivel á infecção. Não ha razão, pois, para se
concluir pela primeira hypothcse aventada que. assim eliminada, deixaria de pc
a segunda: introducção fortuita da infecção por meio de portadores de virus.
alimentos, ou outros meios de idêntica natureza.
RESUMO
E’ possível a subsistência do complexo vaccinico-aphtoso numa polpa
vaccinica.
Das verificações procedidas em relação ás polpas nos. 4590 e 4623 do Insti-
tuto Butantan, ficou demonstrada a inexistência nellas de tal complexo, sendo
afastada a sua responsabilidade na occorrcncia dos casos de febre aphtosa obser-
vados no Instituto de Hygiene dz Pelotas entre outubro de 1929 c março de 1930.
ABSTRACT
Vaccinc lymph may harbour the combination oí thc viruses oí vaccinia and
foot-and-mouth-disease under favourable circumstances. Howevcr, an experi-
mental study made of two batches (Xo. 4590 and No. 4623) of vaccinc lymph
as prepared at the Instituto Butantan proved this combination not to bc respon-
sible for the appearancc of cases of foot-and-mouth-disease among thc calves
inculated with them at the Pelotas Instituto de Hygiene between October 1929
and Marcli 1930.
cm
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278
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Quadro I
Fichas das sementes ns. 4590 e 4623.
X.* do
vitcllo
Anno
Peso
(ks.)
„ . , „ . Evolução
Data da Semente
, . . da vacei na
vaccinaçao empregada
no ritello
Quantidade
obtida
Data
Necropsia
do vitello
Resultado
N.* da
partida.
Observ.
76
1923
140
ll-X-1923 4361
Normal
173,0 grs.
16-X-1928
Negativo
4390
(semente)
30
1929
112
16-VIII-1922 4390
1
Normal
152,0 grs.
21 -VI 11-1929
Negativo
4623
(semente;
Quadro II
Resumo das experiencias realizadas no Instituto Butantan.
Inoculação da polpa-semente n.° 4623 em vitellos.
N.* do
ritello
Peso
(ks.)
Data da
raccl nação
Semente
empregada
Evolução
da vaccina
no vitello
Quantidade
obtida
Data
Necropsia
do vitello
Resultado
N.* da
partida.
Observ.
3
136
6-1 II- 1930
4623
Normal
246,0 grs.
11-111-1930
Negativo
4644
(semente)
139
2-IV-1930
4623
Normal
108,0 grs.
7-IV-1930
Negativo
4650
27
139
9-VI 1-1930
4623
Normal
136.0 grs.
14-VII-1930
Negativo
4668 *(a)
28
139
21-VII-1930
4623
Normal 120,0 grs.
26- V 11-1930
Negativo
1669 *(1>)
34
156
23-IX-1930
4623
Normal
90,0 grs.
30-IX-1930
Negativo
4675
40
90
3-X-1930
4623
Normal
70,0 grs.
S-X-1930
Negativo
4681
*(a) A saliva, o producto da raspagem das ulcerações da bocca e do casco deste vitcllo c
a polpa-scmcntc n.* 4623 foram inoculados em 12 cobaias c em 4 coelhos, apresen-
tando resultado negativo (Quadro n.* III).
*(b) Este vitcllo foi sangrado no 4.* dia depois da inoculação. Tanto o sôro fresco como
o sangue citratado e desfibrinado foram inoculados, por differentes vias, era 18
cobaias, pelo dr. Ciccro Nciva, que nada observou de positivo (Quadro n.* IV).
10
Calazans & Godinho — Lympha vaccinica e vinis aphloso
279
Quadro III
1.* serie de experiencias em cobaias e coelhos.
Data
X.* da
cobaia
Material asado
Meio de inoculação
Resultados e
observações
18-VII-1930
39
Saliva do vitello
X.* 27 (a)
Pata posterior es-
querda. Pata ante-
rior direita.
Negativo
T*
209
"
?*
26
"
»»
42
Material colhido da
ulceração das gen-
givas do vitello n.*
27 (b)
n
H
89
»
M
t*
M
162
M
»
•*
53
Material colhido da
ulceração do casco
do vitello n.* 27 (c)
t*
M
44
n
n
t*
99
M
H
-
r*
Polpa-semente n.*
4623 (d)
»•
-
w
7
-
rt
M
M
19
"
■ Z
»
COELHOS
85
Material (a)
Pata posterior esq.
Pata anterior direita
M
132
Material (b)
M
M
1
**
12
Material (c)
N
M
**
1'- -
14
Material (d)
M
11
cm
2 3
SciELO
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280
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Quadro IV
2.* serie de experiendas em cobaias.
Data
Jí.* da
cobaia
Material asado
Meio de inoculação
empregado
Resultados e
observações
25-VIM930
Ó5
Sangue citratado do
vitello n.* 28. Co-
lheita no 4.* dia.
0,2 cc. intra-dermica
Negativo
RS
0.3 cc. intra-peritoneal
99
**
99
0,1 cc. intra-cutanca
-
M
1
99
Escarificação nas pa-
tas c grngis-as
99
M
2
•*
99
99
M
3
•»
99
99
»♦
<5
Sangue desfibrinado
do vitello n.* 23.
Colheita no 4.* dia.
0,2 cc. intra-dermica
” J
78
tt
0,3 cc. intra-peritoneal
" J
n
87
9 *
0,1 cc. intra-cutanea
99
4
99
Escarificação nas pa-
tas e gengivas
5
-
99
99
I
-
6
M
-
*
23
Sôro fresco do vitcl-
lo n.* 28. Colheita
no 4.* dia.
0,2 cc. intra-dermica
99
99
101
99
0,3 cc. intra-peritoneal
99
*•
170
99
0.1 cc. intra-cutanca
99
7
99
Escarificação nas pa-
tas c gengisas
99
1
"
S
99
-
99
"
9
•9
99
12
Cala z AN s a Godinho — Ltjmpha vaccinica e vinis aphtoso
2S1
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1:390.
(Trabalho Iniciado no Instituto de liTRtene •• Borges de
Medeiros”, de Pelotas, terminado na Secção de
Virus e Virustherapla do Instituto Butantan e apre-
sentado à Semana do I^rboratorlo, Soc. Med. Clr.
S. Paulo, em Janeiro de 1932).
13
cm
SciELO
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EMPREGO DO ACIDO ROSOLICO
NO ISOLAMENTO E IDENTIFICAÇÃO DOS BACILLOS DO
GRUPO COLI-TYPHICO-DYSENTERICO EM MEIOS SOLIDOS
S. de CAMARGO CALAZAXS e B. RANGEL PESTANA
(com 2 trichromias no texto)
í, | SciELO
5S9.93: meio de cultnra
EMPREGO DO ACIDO ROSOLICO
NO ISOLAMENTO E IDENTIFICAÇÃO DOS BACILLOS DO
GRUPO COLI-TYPHICO-DYSENTERICO EM MEIOS SOLIDOS
POR
S. OE CAMARGO CALAZAXS e B. RAXGEL PESTANA
IXTRODUCÇAO
Constitue objecto de frequentes pesquisas dos bacteriologistas o estudo do
grande grupo de bactérias a que se deu o nome de coli-typhico-dysenterico. Mo-
tivou esse agrupamento o facto de apresentarem taes germes semelhanças bioló-
gicas e morphologicas que difficultam sua dií tcrenciação, donde o apparccimento
de vários methodos espcciaes destinados a caracterizal-os, o que bem demonstra
não se ter encontrado ainda um que sobrepujasse francamente os demais.
Entre os diversos methodos que temos para a differenciação destas bacté-
rias, aquelles baseados na acção impediente exercida por vários corantes, ou
então, ainda, nas propriedades biochimicas dos germes cm relação a diversos hy-
dratos de carbono c alcoocs. são de pratica corrente em bacteriologia. Tanto as
substancias inhibidoras, como as indicadoras da modificação da reacção dos meios
de cultura usados, apresentam, contudo, certos inconvenientes, resultantes, quer
da sua instabilidade, quer das grandes variações apresentadas pelas differentes
partidas dos mesmos produetos, que são, via de regra, substancias de constituição
chimica muito complexa, e, nem sempre, perfeitamente estabelecida.
Resulta dahi a necessidade de se examinar a acção inhibidora de cada par-
tida de alguns desses produetos, antes de serem utilizadas, como adiante veremos.
Poucos são os corantes que, addicionados aos meios de cultura, gozam da
propriedade de serem ao mesmo tempo indicadores c inhibidores, facto este que
representaria, sem duvida, uma grande vantagem, não só para a cfficiencia do
methodo, como ainda do ponto de vista cconomico.
cm
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28G
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Entre os meios mais em voga para se isolar os germes do grupo coli-typhico,
e que se baseou em taes propriedades de algumas substancias corantes, temos o
de Drigalski-Conradi (1) em cuja composição entra o Iitmus como indicador
e o crystal violeta como seleccionador. Apresenta este meio o inconveniente de
ser de difíicil preparo, exigindo, como acabamos de ver, a addição do Iitmus,
substancia de composição chimica não exactamente estabelecida e, além disso,
sensível á acção reduetora de muitos germes e outras substancias organicas que
a privam do seu oxygenio, descorando-a. Apresenta ainda o grande inconve-
niente de serem pouco accentuadas as suas mudanças de còr nas vizinhanças da
neutralidade (22). Xeste meio o crystal violeta é empregado para impedir o
crescimento de vários coccos e hacillos, deixando crescer os germes do grupo
coli-typhico. Esta acção impediente. porém, faz-se sentir, muitas vezes sobre os
bacillos dysentericos, motivo pelo qual o meio não é aconselhado para o isola-
mento desses germes.
Churchmann (2) e Churchmann e Michael (3) fizeram numerosas pesqui-
sas a respeito do poder impediente do crystal violeta, demonstrando que, mesmo
em grandes diluições (1/100.000), este corante impedia, com raras cxcepções,
o crescimento dos germes Gram-positivos, ao passo que deixava crescer livre-
mente os Gram-negativos. Estas pesquisas foram confirmadas por Krumwiede
e Pratt (4), os quaes demonstraram ainda que tal acção inhibidora não se fazia
sentir sobre os pneumococcos e estreptococcos, quando as diluições do corante
já actuavam sobre outros germes Gram-positivos. Hall e Tabor (5) verifica-
ram contudo que a regra estabelecida por Churchmann (2) em 1912, não era
perfeitamente exacta quando se tratava de alguns anaeróbios Gram-positivos.
Foi assim que. experimentando com 2 raças de C. tetani, 1 de C. welchii e 1 de
C. sporogenes, verificaram que as duas primeiras não cresceram, ao passo que
as duas ultimas cresceram.
Verificámos, como veremos mais adiante, no presente trabalho, que os es-
taphylococcos c os estreptococcos também crescem quando cultivados no meio de
Drigalski-Conradi, confirmando, pois, no que se refere ao estreptococco as pes-
quisas de outros auctores.
Outro meio de uso frequente entre os bacteriologistas e destinado ao iso-
lamento dos germes do mesmo grupo, é o de Endo (6) em cuja composição
entra a fuchsina descorada pelo sulfito de sodio. Sua reacção. quando o meio
é preparado de accordo com a technica original, pode ser muito alcalina, attin-
gindo ao pH 8.6. que o toma prejudicial á pesquisa dos bacillos dysentericos (7).
Deste meio ha varias modificações tendentes a corrigir os defeitos que o mesmo
apresenta e a simplificar a técnica do seu preparo. Entre ellas temos a de
Kendall e Day (8) e a de Robinson e Rettger (9) que. contudo, não trouxeram
grandes vantagens para o processo.
4
Calazans a Pestana — Emprego do acido rosolico
287
Xo meio de azul de methyleno-eosina-agar, de Halt-Harris e Teague (10)
as colonias dos bacillos do grupo typhico-dysenterico são transparentes e as do
b. coli escuras. E’ este um dos melhores meios até agora empregados.
Max Levine (11) em trabalho publicado em 1920, verificou, porém, ser este
meio accentuadamente inhibidor para o bacillo Shiga.
Além disso ha entre nós ainda a difficuldade em se obter no commercio a
eosina amarella necessária para confecção deste meio.
Krurmviede e Pratt (12), em 1914, prepararam também um meio no qual
ao agar era addicionado o verde brilhante (impedidor), como já o havia feito
Conradi (13); ambos, porém, apresentavam o inconveniente de não conter um
indicador que separasse os germes fermentadores da lactose daquelles que não
a fermentavam. Mais tarde, Krumwiede, Pratt e McWilliams (14) accrescenta-
ram a esse meio o indicador Andrade, facilitando deste modo o isolamento dos
bacillos typhicos e paratyphicos. O grande inconveniente apresentado por este
meio é que a quantidade de verde brilhante, a ser addicionada, varia com cada
partida de agar preparada.
Por esse motivo, Park (15), recommenda preparar-se grandes quantidades
de agar de cada vez. para diminuir o trabalho da padronização. E’ necessário
ainda empregar-se duas proporções differentes do corante; uma mais forte,
outra mais fraca, porque o poder selectivo do verde brilhante varia de accordo
com o material semeado e a composição do meio.
Este corante não impede somente o crescimento dos germes Gram-positivos,
mas ainda o de muitos Gram-negativos, como o b. coli e dyscntcrico, deixando,
porém, crescer os typhicos e paratyphicos.
O pH dos meios em que entra o verde brilhante deve ir de 6.4 ou mesmo de
6.2 a 7 como af firma Kliger (16), porque, com o pH 7.8 difficilmcntc serão en-
contrados os b. typhicos existentes em fezes de portadores.
EMPREGO DO ACEDO-ROSOl.ICO EM MEIOS CULTURA ES
O acido rosolico foi também empregado nos meios destinados ao isolamento
dos germes do grupo coli-typhico. Mandelbaum (17) em 1909 descreveu dois
meios novos para o isolamento e differenciação destes germes, baseado, como se
fazia com os meios de Drigalski-Conradi e de Endo, e outros, na acção de certas
bactérias sobre a lactose.
Com estes dois novos meios conseguia Mandelbaum não só verificar a alca-
linização ou a acidificaçâo dos terrenos culturaes pelas bactérias, mas ainda de-
monstrar a inhibição do crescimento dos germes do genero Prolcus c de todos
os coccos que se desenvolviam no meio de Drigalski-Conradi.
Anteriormente, porém, em 1892, Sommaruga (18) já se havia utilizado do
acido rosolico addicionado ao caldo simples para fazer a differenciação entre os
cm
SciELO
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
-88
bacillos coli e typhicos. Mandelbaum, porém, empregou para suas pesquisas
meios solidos com hydratos de carbono e alcooes, utilizando como indicador, em
um delles, o acido rosolico e, no outro, o sangue humano desfibrinado. Xo
meio em que addicionava sangue ao agar, para indicar a producção da hemolyse
ou a formação de pigmentos por alguns germes, não addicionava o acido rosolico.
Em 1910, Stahr (19), empregando o meio aconselhado por Mandelbaum,
verificou que o mesmo não era muito apropriado para o isolamento dos germes
do grupo coli-typhico, porque a acidiíicação produzida pelos bacillos coli se
dif fundia rapidamente pelo meio de cultura e assim mascarava certas colonias
que o alcalinizavam.
Em um segundo trabalho publicado por Mandelbaum (20), em 1902, con-
fessa este pesquisador ter verificado o mesmo inconveniente do meio, e, para
corrigil-o resolveu modificar a formula primitiva, substituindo-a pela seguinte:
Agar commum 100 c.c.
Lactose 3,0 grs.
Acido rosolico (sol. alcoolica a 1 /c ) .... 3 c.c.
Sangue humano desfibrinado 10 c.c.
Para Mandelbaum, a addição do sangue, além de corrigir os inconvenien-
tes da dif fusão da acidez produzida pelos b. coli, vinha diminuir a acção impe-
diente do acido rosolico (que julgara muito forte), bem como a de outras subs-
tancias selcccionadoras até então usadas. Conclue das suas experiências que
foi graças á addição do sangue ao meio que lhe foi possível isolar o bacillo de
Eberth das fezes de 4 doentes de febre typhoide, o que não tinha conseguido
empregando o meio de Drigalski-Conradi. Xo seu novo meio as colonias de
b. typhico appareciam com a còr vermelha e as do b. coli tinham uma cor verde-
pardacenta que podia chegar a ficar preta.
Pfeilschmidt (21), em 1915, por suggestão de Schmorl, verificou o valor
do meio de Mandelbaum (agar-sangue-lactosado-acido rosolico), não só estudan-
do as culturas do laboratorio, mas ainda realizando exames de fezes com o fim
de isolar o b. typhico. Seu proposito foi verificar si o novo meio era superior
aos já conhecidos de Drigalski-Conradi, de Endo e de verde de malachite, fa-
zendo para isso culturas cm todos elles c comparando os resultados. De suas
pesquisas concluiu que o meio de Mandelbaum tinha o mesmo valor que os de
Drigalski-Conradi e do de Endo, sendo, porém, inferior ao de verde de mala-
chitc para os exames de fezes.
Analysando os protocollos apresentados por Pfeilschmidt, verificámos que
cresceram no meio empregado bacillos typhicos, paratyphicos, coli, alcaligenes,
dysentericos, estreptococcos e cstaphylococcos.
Fischer (22), em um tratado publicado em 1912, aconselha o uso do meio
de Mandelbaum no qual as colonias se differenciam mais facilmente pela cõr.
C
Calazans 4 Pestana — Emprego do acido rosolico
289
achando ainda que era ura meio muito apropriado para o isolamento do bacillo
coli, mesmo quando existente em pequena quantidade.
Em 1918 Broníenbrenner (23), procurando verificar a concentração dos iões
de H nas culturas em meio liquido durante o período de crescimento dos germes,
empregou uma mistura de 2 indicadores — o azul da China e o acido rosolico,
de modo a poder fazer a leitura directa do pH mediante a comparação dos tubos
de cultura com uma serie padrão que tinha como indicador a mesma mistura azul
da China — acido rosolico.
De todos estes trabalhos publicados até 1918 não se tirou nenhuma conclu-
são definitiva sobre as propriedades impedientes do acido rosolico sobre os ger-
mes Gram-positivos, propriedades que poderiam então ser utilizadas para o iso-
lamento das bactérias G ram -negativas. Além disso, a addição do sangue ao meio
de Mandelbaum, veiu, naturalmente, modificar a acção seleccionadora do acido
rosolico, tornando-o menos activo e complicando inutilmente a technica do seu
preparo.
Com o decorrer do emprego deste indicador, cujo poder bactericida Bron-
fenbrenner pensava poder ser desprezado, em virtude do facto de se empregar
o corante em pequenas quantidades, foi verificado (24) que esta innocuidade exis-
tia somente para os germes Gram-negativos examinados, não acontecendo o mes-
mo com os vários germes Gram-positivos posteriormente experimentados. Para
essas verificações foram cultivadas, durante 4 dias, 78 raças differentes de ger-
mes Gram-positivos no seguinte meio:
Solução em agua dcstillada de peptona de Difco a 1 %
Chloreto de sodio a 0,5%
Solução alcoolica dos corantes (A. C. e R.) misturadas c separadamente e
em proporções differentes.
Das experiencias feitas concluiram Bronfenbrenner e collaboradorcs que a
acção bactericida do indicador C. R. era devida exclusivamente ao acido rosoli-
co, mas que este, mesmo em quantidade 25 vezes maior da que impedia o cresci-
mento dos germes Gram-positivos, não exercia acção inhibidora alguma sobre os
bacillos typhicos, paratyphicos, dyscntericos, coli e outros bacillos Gram-negativos.
Concluiram ainda mais que a apparentc acção selectiva do acido rosolico asso-
ciada ao facto de não impedir o crescimento dos bacillos dysentcricos, tornava este
corante particularmente aconselhado para o isolamento das bactérias intestinaes.
Foi suggestionados pelos trabalhos destes bacteriologistas que resolvémos
empregar o acido rosolico cm meios solidos, em fevereiro de 1923, depois de uma
serie de exames preliminares no Instituto Bacteriológico de São Paulo.
Consultando a literatura, depois de termos realizado todas as nossas pes-
quisas verificamos que, já cm 1920, Max Levine (11) aconselhava o uso da mis-
tura C. R. de Bronfenbrenner em meio solido, por ter observado também que
estes indicadores eram muito pouco nocivos aos b. dysentericos, tanto em cultu-
ras puras, como misturados ás fezes. O meio que recommendava era o seguinte :
cm
SciELO
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290 Memórias do Instituto Butantan — Tomo Ml
Agua destillada 1.000 c.c.
Agar 15 grs.
Peptona 10 grs.
Phosphato dipotassico 4 grs.
A 100 c.c. deste meio, fundido, addicionar:
Lactose 5 c.c. (1 gr.)
Glycose 1 c.c. (0,05 gr.)
Acido rosolico (sol. alcoolica a 1%) . 1 c.c. (0,01 gr.)
Azul da China (sol. em a 0,5%) . 1 c.c. (0,005 gr.)
pH 7,4 a 7,5
Como vemos na formula acima entram na composição deste meio dois
hydratos de carbono, a lactose e a glycose. Julgamos haver grande desvantagem
em se addicionar a glycose ao meio, devido á difíiculdade que dahi resultaria para
o isolamento dos bacillos do grupo typhico-dysenterico, pois sabe-se que todas
as bactérias dos generos Ebcrthclla, Salmonella, Shigellas e Eschcricliia, com
excepção da Esch. galactophüa, atacam tal hydrato de carbono.
METHODO DE ESTUDO
Empregámos o seguinte meio no qual o acido rosolico actua com o duplo
papel de seleccionador e indicador:
Agua destillada .
Gelose . .
Extracto de carne
Peptona
1 .000 grs.
30 ”
5 ”
10 ”
Ao meio assim preparado addiciona-se 2% de lactose e 1% da solução al-
coolica stock de acido rosolico (*).
O meio é preparado do seguinte modo:
Ajuntar a agua ao agar, reservando 10$í> (ou 100 grs. por kilo) para dis-
solver os outros componentes.
(*) A solução alcoolica de acido rosolico é preparada da seguinte maneira:
Acido rosolico de Merck
Akool absoluto . . .
Agiu destillada. . .
. . . 1 gr.
. . £0 c.c.
q.s.p. 100 c.c.
Calazans a Pestana — Emprego do acido rosolico
291
Dissolver o agar aquecendo na autoclava a 121°C durante 30 minutos. Dis-
solver a peptona. o extracto de carne, aquecendo ao banho-maria. Combinar as
duas partes e restabelecer o peso correspondente a todos os ingredientes.
Titular com uma solução ao vigésimo de carbonato de sodio e ajustar a
reacção entre o pH 7.4 e 7.6 (-0.1 a -0.2) com a solução normal de carbonato
de sodio (NVCO*). Aquecer na autoclava a 123“C durante 10 minutos e filtrar em
algodão. Esterilizar na autoclava a 121°C durante 30 minutos.
Addicionar a 100 c.c. do meio 10 c.c. da solução estcril de lactose a 20% e
1 c.c. da solução de acido rosolico a 1%. Agitar o meio e distribuir cm placas
de Petri.
TARTE EXPERIMENTAL
Antes de iniciarmos o emprego do novo methodo, repetimos as experiências
de Bronfenbremer e seus collaboradores (24). empregando, porém, um meio
solido.
Verificámos nesse meio solido a acção impediente do acido rosolico cm re-
lação aos germes do grupo coli-typhico-dyscntcrico c sobre vários germes Gram-
positivos existentes nas collccçõcs dos Institutos Bactcriologico e liutantan.
As nossas conclusões foram as mesmas que tiveram os pesquisadores aci-
ma referidos no que concerne á inhibição «lo crescimento da maioria, quasi que
absoluta, dos germes Gram-positivos examinados. Em nossas pesquisas empre-
gámos apenas o acido rosolico e não a mistura C. R. (azul da China e acido ro-
solico), porque só tínhamos cm vista o isolamento <k>> bacillos do grupo coli-
typhico-dysenterico.
.4 ff do do acido rosolico sobre os germes Gram-fosdwos c Gram-negalhos
— Para a verificação da acção do acido rosolico cm meio solido sobre o> ger-
mes Gram-positivos e Gram-negativos, semeámos, em placas de Petri com agar-
acido rosolico, os seguintes germes:
cm
SciELO
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292
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
QUADRO 1
GERMES
Numero de amostras
Resultados
Ebcrthclla typhi
20
cresceu
Salmonella parotyphi.
16
w
" schottmüllcri.
15
tt
Shigclla dyscnlcriac
n
»
var. Flcxner .
u
n
” ” Hiss . . .
12
rt
~ ” Harris . .
1
rt
Eschcrichia communior
21
rt
" communis
20
rt
Alcaligcncs faccalis
40
rt
| Bacillus prodigiosus
1
rt
Chromobactcrium violaccum . . .
4
rt
Pastcurclla pcstls
40
-
Pscudomonas acruginosa
3
rt
Coryncbactcrium dlphthcriae . . .
14
nâo cresceu
hoffmannil . . .
5
rt rt
" xcrosis ....
4
rt rt
Bacillus subtilis
3
rt rt
Staphylococcus aurcus
21
rt rt
albus
3
rt rt
! Strcptococcus scarlatinac
10
tt tt
cardioarthritidis. . .
3
rt rt
Klcbsiclla pncumoniac
2
rt tt
j Clostridium tctani.
3
rt r*
" wclchii
1
rt rt
II
sporogcncs
1
tt rt
Bacillus limothy
1
rt rt
anthracis
5
crcsccu
Verificámos no quadro acima que todos os bacillos Gram-negativos cresce-
ram no meio que continha acido rosolico na proporção de 0,01%, mas os germes
Gram-positivos, exceptuando apenas as 3 raças de Bacillus anthracis, não ve-
getaram no agar-rosolico.
Com o íim de confirmar ainda a acção impediente de certas substancias so-
bre os germes Gram-positivos, foram expostas ao ar durante 1 hora na mesma
occasião e no mesmo local tres placas de Petri, uma com agar rosolico, outra com
o meio de Drigalski-Conradi e a terceira com agar-commum.
Deste exame resultou o seguinte:
1) Placa com agar-rosolico: cresceram apenas 15 colonias de bacillos e di-
plococcos Gram-negativos: não cresceram germes Gram-positivos.
10
Calazaxs a Pestana — Emprego do acido rosolico
293
2) Placa com meio de Drigalski-Conradi: cresceram 55 colonias de bacil-
los com coccos Gram-positivos e negativos.
3) Placa com agar commum: cresceram 121 colonias de bacillos, coccos e
diplococcos Gram-negativos e positivos.
Em igualdade de condições, portanto, o acido rosolico impediu o crescimen-
to dos germes Gram-positivos do ar.
Confirmada a acção impediente do acido rosolico sobre os germes Gram-
positivos, tratámos de comparar essa acção com a dos meios de Endo e Drigalski-
Conradi, obtendo os seguintes resultados:
QUADRO 2
Germes semeado»
NV de
raças
Meios
Endo
Drigalski-Conradi
Acar-Acido
rosolico
1)E. typhi
1
Cresceu
Cresceu
Cresceu
2) S. paratyphi
i
-
n
M
3) S. schottmülleri
i
M
n
f
4) Sh. dysentcriae
i
t*
*•
**
5) Sh. paradys. var. Flcxner .
i
H
H
M
6) Sh. ” ” Hiss . .
i
**
H
H
7) Es. communis
i
M
M
; 8) Staphylococcus ....
i
t*
não cresceu
não cresceu
9) Strcplococcus
i
não cresceu
cresceu
M M
Verificação comparativa do poder impediente de alguns meios para bacillos
typhicos — Uma pesquisa de grande importância e que se impunha antes de se
aconselhar o uso de qualquer meio novo era, sem duvida, um estudo comparativo
entre elle e os outros mais commummente empregados para o isolamento dos
bacillos coli-typhicos. Para isso, semeámos 0,1 de c.c. de cultura, de 24 horas em
caldo simples, de varias raças de bacillos typhicos diluídas a 1/100.000, em pla-
cas de Petri com os seguintes meios: agar commum, agar-acido rosolico, Drigals-
ki-Conradi, Endo e verde brilhante em duas proporções differentes: 0 ,3% e
0,4% :
11
cm
SciELO
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294
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
QUADRO 3
Data
Raças de B. typhico
Meios
Numero de germes
em cada placa de Petri
n 10-1-27
Eb. typhi 301
Agar-commum
Incontável
W « »
**
Agar-A. rosolico
-
H » **
**
Drigalski-Conradi
**
• • M »•
**
Endo
38
******
**
Verde brilhante a 0,3
Incontas'el
******
**
Verde brilhante a 0,4 'c
**
10-1-27
Eb. typhi 141
Agar-commum
Incontável
******
•*
Agar-A. rosolico
•9
******
Drigalski-Conradi
rt
******
•*
Endo
H
•* *• **
n
Verde brilhante a 0,3 %
*•
******
*•
Verde brilhante a 0,4 'c
"
7 - IV - 27
El), typhi 3
Agar-commum
Incontável
******
Agar-A. rosolico
**
******
M
Drigalski-Conradi
**
******
**
Endo
n
*• •• *«
**
Verde brilhante a 0,3 %
322
******
Verde brilhante a 0,4 %
940
7 - IV - 27
Eb. typhi 661
Agar-commum
Incontável
******
*•
Agar-A. rosolico
** *•
*•
Drigalski-Conradi
*•
******
**
Endo
243
******
**
Verde brilhante a 0,3 %
Incontável
******
**
Verde brilhante a 0,4 %
- ■ ■ ■ ■ 1
Pelos resultados obtidos verificámos que houve inhibição do crescimento dos
germes apenas nos meios de Endo c de verbc brilhante. Desejando, porém, ap-
proximar as nossas experimentações o mais possível das condições naturaes, re-
solvémos cultivar fezes de doentes de febre typhoide, emulionadas em 10 cc. de
caldo commum, ao qual eram addicionadas quantidades differentes de culturas
de 24 horas em caldo simples dos seguintes germes: b. typhico, b. paratyphico A
e B, b. Shiga, b. Flexner, b. Y (Hiss), b. Strong, Staphylococcus e Strepto-
coccus.
Das emulsões preparadas semeava-se uma alça de platina cm placas de Pe-
tri contendo os meios de Endo, Drigalski-Conradi e agar-acido rosolico, sendo
identificados os germes do grupo typhico-dysenterico reisolados.
O quadro seguinte resume os resultados obtidos das semeaduras nas placas
com os meios de Endo, Drigalski-Conradi e agar-acido rosolico.
12
Calazans a Pestana — Emprego do acido rosolico
295
QUADRO 4
Germes semeados
X
r.
T3
es
&
E
X
X
fj
-
fca
&
*c
À
MEIOS
Endo
Drigalski-
Conradi
Agar-acido
rosolico
X
s
13
X
c
c S
t “
o
X
m
•c
JB
7
X
e
c S
«e V
O U
o
X
-
"C
«s
õ
*
*5
X 2
& &
o tx
J3
Eberth. tvphi
5
4
so %
100%
5
100%
Salm. paratyphi
5
o
40%
2
40%
3
60%
Salm. schottmüllcri
5
4
80%
2
10
2
40%
Shig. dyscnteriao
õ
0
0%
2
40%
3
60%;
Shig. paradys. var. Hiss
5
t
20 %
2
40%
3
60% !
Shig. paradys. var. Flexncr ....
3
0
0%
2
66%
2
66%
Shig. paradys. var. Strong ....
2
0
0%
0
0%
1
50%
TOTAL
36%
50%
63%
Em outra serie de expericncias fizemos o exame comparativo entre o meio
de verde brilhante a 0,3 e 0A% e o meio de acido rosolico. Xas placas assim
preparadas foram semeadas emulsões de fezes de pessoas portadoras de b. typhi-
co ás quaes addicionámos 0,1 de c.c. de uma cultura de bacillo de Eberth de 34
horas em caldo simples.
Os resultados foram os seguintes:
QUADRO 5
MEIOS
Verde brilhante a 0.3 %
Verde brilhante a 0.1 %
Agar-acido rosolico
¥!
CS
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n •»
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20
14 70 %
20
11
M %
20
,2
63%
13
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
296
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Pesquisas semelhantes foram feitas com o meio de Teague, agar-rosolico e
agar commum (testemunha), dando os seguintes resultados:
QUADRO 6
Raças
MEIOS
1
Agar
Agar rosolico
Teague — pH 8.0
Ebcrth. typhi — 8 raças ....
Incontável
Incontável
Incontável
Salm. paratyphi — 4 raças ....
ft
r*
M Salm. paratyphi — n.* 9S8 ....
w
1.052
M
| Salm. schottmülleri — 5 raças . . .
n
Incontável
V
Shig. dysentcriae — 13 raças . . .
-
ft
Shig. dysentcriae — n.* 168 . . .
**
4.048
2.896
Shig. dysentcriae — Butantan . . .
978
728
24 hs. 0; 4Shs. 538
Shig. dysentcriae — n.* 1238. . . .
300
200
220
i Shig. dysentcriae — n.* 1435. . . .
Incontável
39
90
Shig. dysentcriae — n.* 368 ....
120
o
38
Shig. dysentcriae — Paris ....
177
320
0
! Shig. dysentcriae — n.* 1762 . . .
Incontável
0
0
Shig. dysentcriae — n.* 303 ....
ft
Incontável
261
Shig. dysentcriae — n.* 429 ....
4
W
0
Shig. dysentcriae — n.* 29 ... .
Incontável
500
561
Shig. paradys. var. Flexner — 7 raças.
H
Incontável
Incontável
Shig. paradys. var. Flexner — n.* 37
12
150
55
Shig. paradys. var. Flexner — n.* 677 .
0
13
0
Shig. paradys. var. Flexner — R. . .
600
Incontável
Incontável
Shig. paradys. var. Flexner — n.* 1170
Incontável
*
80
Shig. paradys. var. Flexner — Paris .
300
21
30
Shig. paradys. var. Kiss — 1 1 raças .
Incontável
Incontável
Incontável
Shig. paradys. var. Harris — 9 raças.
r*
M
ft
Shig. paradys. var. Harris — n.* II .
243
200
100
Comparando-se os resultados obtidos, vemos que os bacillos typhicos, paraty-
phicos A e B dysentericos Y e Harris cresceram perfeitamente nos tres meios.
Quanto aos bacillos Shiga e Flexner, no meio de acido rosolico o crescimento foi
um pouco superior.
EXAMES DE HEMOCULTURAS EM CASOS DE INFECÇÕES
TYPHICAS
Foram praticadas de 5 de fevereiro de 1923 a 31 de dezembro de 1930,
8.524 hemoculturas em doentes suspeitos de febre typhoide ou paratyphoide.
14
Calazaxs í Pestana — Emprego do acido rosolico
297
Antes, porém, de se adotar na rotina a applicação do novo meio, fizemos a se-
meadura de um numero elevado (323) de hemoculturas em bile, nos meios de
Endo e acido rosolico com o fim de verificar se havia alguma differença entre
os resultados obtidos com um e outro meio. Xão se tendo observado discordân-
cia alguma, ficou desde aquella epoca em uso somente o meio de acido rosolico.
Das 8.524 hemoculturas praticadas, 2.315 foram positivas e 6.209 negati-
vas, sendo as positivas assim distribuídas:
Eb. typhi 2 243
S. paratyphi .... 63
S. shottmülleri .... 9
Durante o mesmo período foram realizadas ainda 8.063 exames bacterioló-
gicos de fezes, não só em convalescentes de febre typhoidc. mas ainda, em casos
de dysenteria, tendo sido isolados os seguintes germes:
Eb. typhi 355
S. paratyphi 50
S. shottmülleri 133
Sh. dyscnteriae 80
Sh. paradysenteriae var. Flexner 48
Sh. paradysenteriae var. Hiss 115
Sh. paradysenteriae var. Harris 15
S. morgani 10
Aspectos das colonias dos germes do grupo coli-typhico-dyscntcrico sobre
as placas de acido rosolico — Não se pode, pela simples inspccção das placas, se-
parar entre si as colonias dos bacillos que não fermentam a lactose, porque todas
se apresentam mais ou menos com o mesmo aspecto e coloração rosea. São.
porém, facilmente distinguíveis das colonias dos bacillos coli as quaes por sua vez
podem ser separadas em coli communis e cotntnunior.
As colonias dos primeiros são esbranquiçadas, ao passo que as dos segun-
do apresentam uma coloração amarella alaranjada. As colonias crescem, em
geral bem separadas, sendo facil seu isolamento, como vemos na Fig. no. 1.
Exame bacteriológico de aguas — As placas de agar lactosado com acido
rosolico constituem, a nosso vêr, um dos melhores meios para o isolamento dos
bacillos coli das aguas.
A technica por nós usada nos innumeros exames que o Instituto procedeu
nas aguas de São Paulo e de outras localidades do Estado, foi, em linhas geracs,
a seguinte:
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Colhida a amostra de agua em frascos esterilizados de 100 c.c. de accordo
com as recommendações usuaes, eram feitas semeaduras em placas de agar com-
mum para a contagem dos germes nas temperaturas de 37°C e 20“C, ao mesmo
tempo que semeavam em tubos com caldo lactosado (tubos de fermentação)
quantidades crescentes da agua a examinar para a pesquisa dos germes thermo-
philos e dos germes fermentadores da lactose.
Para a pesquisa do bacillo coli retiravamos, ao fim de 24 a 48 horas, uma
pequena quantidade da cultura do tubo que tivesse recebido a menor quantidade
de agua e que mostrasse desprendimento de gas. Semeadas uma ou duas gottas
cm uma placa de agar-acido rosolico-lactosado, distribuia-se a cultura pela placa
com um bastão de vidro em L. semeando-se em seguida mais duas placas de Petri
com o mesmo meio e sem ílambar o bastão. Xo dia seguinte verificava-se a
presença das colonias de coli que facilmente se reconheciam pelo seu aspecto ca-
racterístico.
Com alguma pratica do meio chega-se a reconhecer facilmente as colonias
do B. coli, podendo-se ainda differenciar as colonias do B. coli communis da do
B. coli communior, como já assignalámos.
A passagem das colonias de bacillos coli communis e communior pela serie
de Hiss sempre confirmou os exames prévios feitos nas placas. As colonias do
bacillo coli communior se apresentam com a còr amarella clara, còr de palha,
ao passo que as do coli communis são amarellas mais escuras, tirante ao ala-
ranjado.
Este aspecto, verificado, quer nos exames de agua, quer nos exames de
fezes, apresenta uma notável constância.
Outros germes Gram-positivos aerobios e anaeróbios da agua podem pro-
duzir o desprendimento de gas nos tul>os com agar-lactosado, mas estes germes,
que não tem nenhuma importância no ponto de vista hygienico, excepto o C.
uv/r/m que é anaerobio. transplantados para as placas de agar-rosolico, não se
desenvolvem. Em nenhum exame de agua encontrámos no meio com acido roso-
lico qualquer bacillo Gram-positivo.
Foram praticados 233 exames bacteriológicos de agua, dos quaes 186 re-
velaram a presença do B. coli.
Emprego do acido rosolico como indicador na serie dc Hiss e no triplice
assucar — Dados os conhecidos inconvenientes do litmus, que foi o primeiro in-
dicador empregado em bacteriologia, resolvemos tentar o emprego do acido roso-
lico na serie assucarada de Hiss. Este indicador apresenta, como o litmus, o
ponto de viragem ao redor do pH — 7 e, além disso, não possue nenhum dos
seus inconvenientes, não é alterado pelo calor nem pela luz (23), é de custo re-
lativamente barato e não tem poder inhibitivo sobre os germes que se tem em
vista estudar nestes meios.
1G
Caijvzans & Pestana — Emprego do acido rosolico
299
Os resultados foram os mais satisíactorios possíveis, sendo desde então o
unico indicador adoptado para o estudo da acção dos germes do grupo coli-ty-
phico-dysenterico sobre os hydratos de carbono, no Instituto Bacteriológico de
São Paulo.
Foram addicionados ao meio de Hiss (25), cuja formula damos abaixo, as
seguintes substancias, na proporção de 1%: dextrose, lactose, maltose, saccha-
rose, xylose e mannita.
Meio empregado (Hiss) :
Agua 500 c. c.
Gelose 4 grs.
Peptona 5 grs.
Extracto de carne 2 grs.
Chloreto de sodio 2 grs.
Gelatina 20 grs.
Acido rosolico (Merck) a l^c 5 c. c.
Depois de esterilizado addicionam-se ao meio os vários hydratos de carbono
(*) fazendo-se a distribuição em pequenos tubos de ensaio (tubos de Wasser-
mann) que são conservados no lal>oratorio. Nesses meios a acção dos germes
sobre os assucares se faz sentir com grande nitidez c rapidamente (6 a 8 horas).
O meio antes do crescimento dos bacillos tem uma coloração vermelha que se
transforma em amarelJo champanha quando se dá a producção de ácidos; estes
são cm geral ácidos voláteis (26) que se difíundcm rapidamente através do
meio de cultura. Do mesmo modo a formação dc gas pelos germes é notada sem
a menor difficuldade neste meio semi-solido, motivo pelo qual o preferimos aos
meios liquidos (Fig. n.° 2). Empregamos ainda com bom resultado o mesmo
indicador no meio de tríplice assucar em substituição ao indicador Andrade.
— A maioria dos serviços technicos deste trabalho foram executados pela
nossa distincta auxiliar senhorita Maria Arantes, e é com prazer que lhe apresen-
tamos aqui os nossos agradecimentos, assim como aos demais funccionarios do
Instituto que concorreram para as mesmas pesquisas.
CONCLUSÕES
1. Foi feito um resumo historico sobre o emprego do acido rosolico para
o estudo dos germes do grupo coli-typhico-dysenterico.
(*) ReCOfnmendaflJOs o emprego dos carbohydratos esterilizados pela filtração ou peio
aquecimento cm meio neutro.
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
2. Mandelbaum foi quem primeiro se utilizou deste corante em meios soli-
dos para taes estudos, empregando-o na proporção de 3 centigrammas por cento
(0,03%) : Bronfenbrcnner e seus collaboradores recommendam uma solução a
0,005% ; nós empregámos o corante na proporção de 1 centigramma para 100
de meio (0,01%).
3. Foram confirmados os achados de Bronfenbrenner e seus collaborado-
res no que diz respeito á acção impediente do acido rosolico sobre os germes
Gram-positivos, quer fossem elles recentemente isolados, quer se tratasse de
exemplares já existentes na collecção de culturas do Instituto.
4. O acido rosolico de Merck reune a dupla vantagem de seleccionador e
indicador para o estudo dos germes do grupo coli-typhico-dysenterico.
5. Empregado comparativamente com os meios de Endo, Drigalski-Conradi,
Tcague e verde brilhante, mostrou o meio com acido rosolico ser o que reune
as maiores vantagens para o isolamento dos germes do grupo coli-typhico-dysen-
tcrico. A facilidade do seu preparo, que não apresenta a menor complicação
para os que possuem technica de bacteriologia, sua estabilidade, seu baixo custo
e, principalmente, a constância dos resultados obtidos, verificados em milhares
de exames executados desde 1923, fazem deste meio um dos melhores actualmen-
te conhecidos para o isolamento c estudo dos germes do grupo coli-typhico-dy-
scnterico.
6. O meio com acido rosolico vem sendo usado no Instituto Bacteriológi-
co de São Paulo desde 5 de fevereiro de 1923 com vantagem sobre todos os
outros.
7. Em 323 hemoculturas feitas comparativamente no meio de Endo e no
de agar-acido rosolico-lactosado, houve perfeita concordância de resultados, sendo
depois disso abandonado o primeiro, ficando em uso, na rotina, somente o
segundo.
8. Pela inspccção das placas de Petri com agar lactosado-acido rosolico
faz-se rapidamente a difícrenciação do B. coli communior e B. coli contmunis e
dos B. aerogenes, de um lado, dos b. typhicos, paratyphicos, dysentericos e faeca-
lis alcaligcncs, do outro.
9. O agar lactosado-acido rosolico em placas de Petri constitue um excel-
lcntc meio para o exame bacteriológico da agua, em substituição ao de Endo e
outros empregados para o mesmo fim.
10. O addo rosolico é empregado na serie de Hiss e no meio de triplice
assucar com reacs vantagens sobre os demais indicadores.
18
Calazaxs * Pestana — Emprego do acido rosolico
301
RESUMO
O estudo feito dos meios mais commummente empregados para o isolamento
dos germes do grupo eoh-typhico-dysenterico comparativamente com o emprego
do acido rosolico nos mesmos demonstrou as vantagens da addição desta substan-
cia, por motivos de economia, facilidade do preparo e maior effidenria:
1) O acido rosolico de Merck reune as vantagens de ser ao mesmo temoo
seleccionador e indicador. *
2) Pela simples inspecção das placas de Petri com agar-lacto<ado-acido-
rosohco, é possível fazer-se a difíerendação dos b. coli communis. coli communior
e lactis aerogenes de um lado. dos b. typhicos. paratyphicos, dysentericos c f. al-
caligenes do outro.
3) O agar-lactosado acido rosolico constitue um excellente meio iara o
exame bactcriologico da agua em substituição ao de Endo c outros.
4) O addo rosolico foi empregado como indicador na serie de Hiss.
5) A fadlidade do seu preparo, que não apresenta a menor complicação
para os que possuem technica de bacteriologia, sua estabilidade, seu baixo custo
e, principalmente, a constância dos resultados obtidos, verificados cm milhares
de exames executados desde 1923, fazem deste meio um dos melhores actual-
mente conheddos para o isolamento e estudo dos germes do grupo coli-typhico-
dysenterico.
ABSTRACT
A study made with thc media usually employed in thc isolation oí germs
of the coli-typhoid-dyscntcry group shows thc advantage of adding rosolic-add
to those media for reasons of economy, casier preparation and greater effidcncy
Merck 's rosolic-add at thc same time plays the ròlc of selective and indica-
tor so tliat by simply looking at Petri plates with agar-lactosc-rosolic acid it is
possible to distinguish Escherichia coli, E. communior and Aerobactcr acro-
genes, on thc one liand. from Ebcrthella typhi, Salmonclla furatyphi and Salmo-
nella schottmullcri, thc diffcrcnt typcs of Shigclh dysenteriae and Atcaligincs
faecalis, on the other hand.
Agar-Iactose-rosolic add represents an cxccllcnt tnedium to takc the placc oi
Endos and others in the bactcriologic examination of -water.
As an indicator rosolic-add has bccn used in Hiss' series with succcss
Thousands of examinations made since 1923 liavc proved how easy and simple
the preparation of rosolic-media is in the hands of traincd bactcriologists ; thcv
also have shown how stable, uncostly and especially constam in their rcsults such
media are, thus becoming one of the best among those employed in both thc isolat-
ion and the study of the coli-typhoid-dysentcry group of bactéria.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
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20
Calazans ã Pestana — Emprego do acido rosolico
Mrni. last. Bulantan
VoJ. VII, 1932
Bacillo paratyphico A
Hacillo "Fltxncr”
BaciHo “Hiss •
Pl*. 2
Stric dc ni.« com indicador raoolico.
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6 17
612.393.8:616.834
MODERNAS
TECHNICAS DE PREPARO DA ANTITOXINA TETANICA
c) Influencia da vaccinação previa de cavallos sobre o ulterior
augmento do titulo antitoxico do soro
POR
FLAVIO da FONSECA
Interessado o serviço sob nossa direcção no fornecimento de antitoxinas de
alto poder neutralizante. vimos acompanhando de perto o progresso realizado ulti-
mamente neste capitulo da sorotherapia e tenros instituído uma serie de experiên-
cias tendentes a verificar, não só os resultados assignalados em trabalhos recentes,
como a possibilidade do emprego dos nossos methodos no serviço de producção
de antitoxina tetanica deste Instituto.
As tcchnicas de hyperimmunização de cavallos destinados á producção de
antitoxina tetanica têm sido, de facto, consideravelmente aperfeiçoadas nestes úl-
timos annos, verificando-se continua e notável elevação no poder antitoxico dos
soros obtidos em vários laboratorios. Uma rapida revista da literatura recente
permittirá concluir que a obtenção de soros de altos titulos antitoxicos está estrei-
tamente ligada á adopção das novas technicas, indicadas umas pela observação
casual e deduzidas outras de phenomenos occorridos no decurso da hyperimmu-
nização.
Não menor foi o progresso relativamente ao lapso de tempo necessário para
attingir-se o máximo de producção de anticorpos, pois esse prazo está hoje muito
reduzido graças ao emprego da anatoxina tetanica. Realmente, o uso deste anti-
geno nas primeiras phases da immunização dos productores do soro anti-tctanico,
determina, em um mês, immunidade sufficicnte para permittir o emprego de doses
iguaes a 50 e mesmo 100 c. c. de uma toxina de alto poder toxico.
Embora apresentando a grande vantagem de abreviar consideravelmente o
periodo de immunização, diminuindo alem disso os seus riscos, não consegue,
todavia, a anatoxina, mesmo quando inoculada em altas doses, elevar o titulo anti-
3
30C
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
toxico além do limite attingido com a toxina, salvo em casos excepcionaes. O
emprego associado da anatoxina e toxina não modifica tão pouco esses resultados,
como se deprehende da literatura; ainda recentemente Savino (1), baseado em
resultados obtidos com 131 cavallos immunizados, no inicio, com anatoxina e. em
seguida, com toxina, em doses de 20 até 700 c. c.. refere ter obtido media geral
de 257 u. (americanas), com menos de 100 u. em 36 animaes c máximo de 700-800
u. em apenas 4 animaes.
Conquista de valor para a sorologia tetanica constituiu a verificação de Ramon
e Descombcy (2) sobre a vantagem da addição do pó de tapioca esterilizado ao
antigeno tetânico, o que determinava uma producção maior de antitoxina por parte
dos cavallos assim immunizados. Esta technica foi applicada ao tétano por analogia
com o que se passa na producção dos soros anti-diphtericos, em que Ramon (3)
já havia observado o mesmo phenomeno. Serviu de ponto de partida ás suas expe-
riências a occorrencia de um titulo antitoxico. mais elevado do que o habitualmente
attingido, nos cavallos que, accidcntalmente. apresentavam um abcesso no ponto
da inoculação do antigeno. Reproduzindo experimentalmente essa condição, con-
cluiu Ramon que o pó de tapioca esterilizado e addidonado ao antigeno diphterico,
produz resultados idênticos, attribuidos por ellc e outros auctores ao edema
(af fluxo leucocytario). seguido da lenta absorpção do antigeno, phenomenos
estes semelhantes ás observadas nos abcessos naturaes.
A applicnçáo deste mcthodo permittiu, não só a Ramon e Descombcy, como
a Condrca (4), Glenny (5) e Feicrabcnd (6), a obtenção de optimos resultados
succcssivos. Outras substancias, além do pó de tapioca, foram ainda experi-
mentadas com exito na formação de um precipitado ao qual ficasse adsorvido o
antigeno; entre ellas estão o alume de potássio, que Glenny, Pope. Waddington
c Wallacc (7) observaram ter o mesmo cf feito adsorvente. o sulfato de alumínio
e o chloreto de cálcio, este ultimo com a vantagem de ser menos toxico.
Uma outra etapa de valor para o aperfeiçoamento da producção da anti-
toxina tetanica. é representada pela recente technica proposta {«las auctoridades
neste assumpto. Ramon e Lemétayer (8, 9. 10 e 11), que, em 1931, verificaram
que cavallos submettidos um anno antes á vaccinação contra o tétano pela technica
de Descombcy (12). i. é, que haviam recebido, com um mês de intervallo, 2 in-
jecções de 10 c. c. de anatoxina tetanica addicionada de tapioca, se revelavam
muito melhores produetores de antitoxina tetanica do que animaes não vaccinados,
ao serem submettidos á hyperimmunização com antigenos addicionados de subs-
tancias não especificas. Esta technica fora, aliás, precedida por uma semelhante,
devida a Glenny, Pope. Waddington c Wallace, que já em 1925 (13) tinham dado
a conhecer que um repouso de um mês, instituido logo após as primeiras inocula-
ções de toxina tetanica, permittia a elevação do titulo da antitoxina ao dobro, o
que a experiencia do nosso laboratorio veiu confirmar, como se verá em trabalho
anterior, escripto em collaboração com Lemos Monteiro (14).
4
F. da Fonseca — Antitoxina tetanica
307
Ramon, Lemétayer e Hamedy (15), referindo-se ao facto, apparentemcnte
paradoxal, de a vaccinação anti-tetanica. ao contrario da diphterica, conferir
essa propriedade, attribuem-no a que os cavallos, não apresentando ininninidade
natural ao tétano, adquirem pela vaccinação um estado de immunidade inicial
que pode ser .aperfeiçoada pela hyperimmunização, ao passo que, no caso da
diphteria, a immunidade natural nelles existente os colloca, em relação á immu-
nidade diphterica, no ponto que só vêm a attingir, em relação a immunidade
tetanica, depois de vaccinados.
Em trabalho anterior, collaborando com Lemos Monteiro (14), tivemos
opportunidade de expor os resultados conseguidos com o uso de antigenos pre-
cipitados pelo alume de potássio. Relataremos nesta nota os resultados obtidos
com as primeiras hyperimmunizações de cavallos vaccinados contra o tétano pela
administração de 2 injecções de anatoxina addicionada de alume de potássio,
vaccinações estas que resolvémos fazer systcmaticamente nos animaes do Insti-
tuto desde que nos foi entregue o serviço de tétano.
No trabalho citado (14), apresentámos um quadro demonstrativo do maior
titulo obtido antes e depois de serem os animaes submettidos á immunização por
toxina addicionada de 0,5 gr. de alume de potássio, verificando-se que a media
geral dos valores triplicou. E’ de notar, todavia, que os animaes utilizados nessa
verificação eram representados pelos melhores produetores, que vinham sendo
aos poucos seleccionados, devendo ser attribuidos a este iacto os titulos altos por
nós obtidos naquella verificação, os quaes estão em contradicção apparente com
os titulos relativamentc baixos alcançados em cavallos não vaccinados do quadro
II, que abaixo apresentamos, constituído por cavallos novos, ainda não experi-
mentados em immunização tetanica.
A presente nota compara os resultados obtidos após a hyperimmunização de
2 grupos de cavallos com anatoxina — toxina -J- alume de potássio. Os animaes
componentes do grupo I tinham soí f rido vaccinação anti-tetanica havia 6 meses
ou 1 anno. ao passo que os do grupo II não tinham sido vaccinados, tendo-lhes
sido, porém, concedido o repouso de 1 mês, preconisado por Glcnny, Tope,
Waddington e Wallace.
Grupo I. 6 cavallos vaccinados contra o tétano com 2 inoculações de ana-
toxina -f 0.5 gr. % de alume de potássio (1.* = 10 c. c., 2.* = 10 c. c., 20 c. c.
ou 50 c. c.) e por meio de anatoxina-toxina. ambas addicionadas de alume, se-
gundo o eschenta abaixo:
5
socivKJMVA sonv.vv:)
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
•í
C
cujo titulo foi bastante superior ao dos :t últimos, o que pode ter silo devido, tanto a mera coincidência, pois o numero de observa-
ções é multo reduzido para eliminar esta hypoUicsc, como ao facto do terem aquclles recebido a mais uma Injccçao do anatoxlna,
bem conto quantidade total maior deste antlgeno, que foi de 700c. c., ao passo que os .1 últimos receberam apenas 500 c.c.. Também
mio {■ impossível que a dlffrrcnça do titulo obtido como o soro dos 3 primeiros cavullos do grupo seju devida ao menor lapso de
tempo decorrido entre a vaccinaçâo e o inicio da hypcrlmmunliaçào.
Grupo II. Marcha da hyperimnumização dc 5 cavallos novos, não vacci-
nados, inoculados com toxinas da mesma prepararão ou com toxinas de valor
idêntico.
F. da Fonseca
Antitoxina tetanica
309
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
CONCLUSÃO
A comparação dos resultados obtidos pela hyperimmunização de 2 grupos de
cavallos, respectivamente, vaccinados contra tétano (por 2 injecções de anatoxina
tetanica addicionada de alume de potássio) e não vaccinados. sendo o l.° repre-
sentado por 6 animaes e o 2.° por 5, é tavoravel á utilização de animaes previamente
vaccinados para a producção de antitoxina tetanica: apesar do pequeno numero
de animaes empregados neste trabalho a ditterença parece bastante sensível para
permittir essa conclusão.
ABSTRACT
In the production work of tetanus antitoxin, the immunization ot 2 groups
oi horses oi which one had been previously “vaccinated" by means oí 2 inject-
ions of toxin plus potassium alum whilst the other had not thus been prepared,
has shown a marked diiference íavouring the application of that preparatory
“vaccination”.
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(Trabalho cia Secção de Imniunologia e Sorotherapia
antitostea do Instlruto Butantan. terminado em de-
xembro d? 1932 k
8
DO EMPREGO
DO SORO VACCINICO NO TRATAMENTO DA COQUELUCHE
POR
J. LEMOS MONTEIRO e R. GODIXHO
SciELO
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DO EMPREGO
DO SORO VACCINICO NO TRATAMENTO DA COQUELUCHE
POR
J. LEMOS MONTEIRO e R. GODIXHO
IXTRODUCÇÃO
A’ guisa de nota previa tivemos ensejo de levar ao conhecimento dos clínicos,
por intermédio da "Semana de Laboratorio” reunida nesta capital cm janeiro do
corrente anno, sob os auspícios da “Sociedade de Medicina e Cirurgia de S. Paulo",
alguns casos satisfactorios do emprego do soro de vitello vaccinado no tratamento
da coqueluche (1). E, sem intuito de discutir o problema, ainda aberto, do com-
bate a esta moléstia, frizamos, então, ser consenso unanime que nenhum processo
tem conseguido conquistar c manter, até aqui, logar de realce na therapeutica da
coqueluche. Em verdade, do esperançoso recurso da bacterina de que universal-
mente se tem lançado mão volvem desilludidos todos aquclles que mais de perto
enfrentam o grande problema. Proclamam o seu precário valor os pediatras de
toda a parte e o testemunho de um dos expoentes da especialidade entre nós. ainda
recentemente externando a sua descrença perante a Sociedade Brasileira de Pe-
diatria (2), accentuou que “os resultados favoráveis poderão variar com a idade
da creança, com o seu temperamento (neuropathia), cOm sua constituição (dia-
these exsudativa) , com o ambiente onde vive, com o estado nutritivo no inicio da
moléstia, com os tratamentos collateraes simultaneamente usados (dietotherapia,
hydrotherapia, psychotherapia, medicação symptomatica), com o genius epide-
micus, com a vaccina usada (modo de preparação, numero e raça dos germes,
vaedna pura ou mixta, technica de applicação, prazo e numero de injecções, etc.)”.
O seu bem documentado testemunho quanto ás restricções com que a bacterina tem
sido acceita pela escola alemã não soffre contradicta nas opiniões dos especialistas
norte-americanos, accordes em geral em assignalar o insuccesso que ella lhes tem
proporcionado ainda quando oriunda dos mais acreditados estabelecimentos indus-
triaes do país. Tanto assim é que nos últimos surtos epidêmicos ali verificados, o
3
SciELO
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6 17
314 Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
emprego, por via rectal, do ether de mistura com o oleo de olivas teve melhor
acceitação. embora como medicação não especifica, cujo uso se justificava pela
simplicidade da applicação, até ser encontrada melhor forma de tratamento.
Xa grande epidemia que sobreveiu na Argentina, em 1930, escassos resultados
foram também obtidos com as differentes bacterinas, segundo depõe Revnaldo
Agnello (3), do Hospital de Xinos de Buenos Aires.
Algumas observações dignas de apreço foram assignaladas, nesse pais e na
mesma epoca, por Generoso Schiavone (4), sobre a diminuição dos accessos e dos
vomitos em grande numero de casos, depois de praticada nos doentinhos a vacci-
nação varioüca. que o auctor applicara em virtude dos estudos de Martha Ehrlich
na Polonia, sobre a iniluencia das infecções no tratamento da coqueluche.
HISTORICO
Foi provavelmente induzido pela idéa antiga, consagrada pelo empirismo
popular, de que o vaccinado não tem coqueluche, que Stem (5) realizou expe-
riências sobre o emprego de soro de vitcllo vaccinado, esperando encontrar nos
anticorpos vaccinicos as substancias cajozes de agir de maneira benefica sobre os
elementos etio-pathogcnicos da coqueluche. De accordo com o trabalho publicado
por esse auctor. uma injecção de 20 c. c. de soro de vitello immunizado com a
lympha vaccinica, faz passar o accesso, sendo, porém, util uma nova injecção 7
dias depois.
Procurando trazer uma confirmação ás observações de Stem, vimos prepa-
rando desde 1928 um soro para experimentação clinica, obtido de vitellos usados
no serviço de vaccina animal deste Instituto e sangrados cm certo i>eriodo depois
da colheita da polpa, dotado, portanto, de propriedades virucidas, conforme veri-
ficações feitas.
Esse soro antivaccinico foi experimentado, inicialmente, em casos de coque-
luche eommummente observados em crcanças residentes em Butantan e seus arre-
dores. Verificámos sua acção benefica, bastando, muitas vezes, uma só injecção
de 5 a 20 c. c., conforme a natureza do caso, dada por via intramuscular, para
determinar uma diminuição do numero dos accessos e mesmo seu desappareci-
mento e, como consequência, uma melhora do estado geral do doentinho.
Posteriormente, o emprego deste soro foi ampliado, sendo empregado na
clinica pediátrica do Posto de Hygiene de Butantan, então a cargo do dr. C. A.
Espirito Santo, que poude reunir um certo numero de observações favoráveis: o
soro foi igualmente fornecido a diversos especialistas da Capital e a vários collegas
que nol-o têm solicitado. Desde então, o Hospital de Isolamento desta Capital vem
também lançando mão deste recurso therapeutico, com resultados favoráveis na
maioria dos casos, segundo depoimento de seu director, dr. J. A. Arantes.
4
Montfiro * Godiniio — Tratamento da coqueluche
31õ
O soro vaccinico foi igualmente empregado com resultado satisfactorio pelo
dr. Sebastião Calazans, quando na direcção do Instituto de Hygiene de Pelotas,
Rio Grande do Sul.
De nossa parte, temos á mão uma boa serie de observações em que o emprego
do soro vaccinico tem produzido resultado evidente, muitas vezes heroico, no tra-
tamento da coqueluche.
Recentemente, em agosto deste anno, tanto em Butantan, como nos seus
arredores, surgiram vários casos, entre os alumnos do Grupo Escolar do Instituto,
que, sem demora, nos foram encaminhados para as respectivas medidas de trata-
mento e de prophylaxia, no sentido de impedir a propagação da moléstia entre as
demais creanças do Grupo. Tratámos, ao mesmo tempo, de encaminhar para o
nosso Posto Medico as demais pessoas das famílias dos coqueluchosos arroladas
na anamnese dos doentes e, deste modo, foi-nos possível reunir mais um contin-
gente de observações cuidadosamente acompanhadas cm toda a sua evolução
clinica.
Estudando as observações clinicas, conseguimos scparal-as cm dois grupos
de accordo com o resultado do emprego do soro vaccinico, relacionado, indiscuti-
velmente, ao periodo evolutivo da moléstia. Alguns dos casos ajianhados ainda
nos primeiros dias dos accessos typicos e submcttidos ao tratamento pelo soro, che-
garam a manifestar surprchendente defervcseencia. em 24 horas, de todo aqucllc
quadro clinico, tão desagradavcl para a creança, quão confrangedor para a familia
e para o medico. Entretanto, quanto mais retardados eram trazidos á consulta —
o que constituía, a despeito de tudo, regra quasi geral e inevitável, tendo-se cm
conta o grão de precaria instrucção ainda reinante entre a população rural circun-
vizinha do Butantan — tanto menos sc fazia sentir o cf feito thcrapeutico do soro,
embora em muitos casos ainda conseguisse ellc modificar ou attenuar de certo
modo os accessos. Em resumo, o novo contingente de observações vem reforçar
a nossa convicção de que o soro vaccinico no tratamento da coqueluche é tanto
mais efficiente quanto mais cedo fòr empregado.
ACÇAO THERAPEUTICA
Do ponto de vista immunologico é provável que a acção do soro sc manifeste
mais promptamente nas creanças ainda não vaccinadas e que seja menos accen-
tuada naquellas cuja vaccinação variolica seja relativamente recente. Este facto
parece justificar a idéa antiga do dr. Mchnert (6), da Colonia do Cabo, que, já
em 1911. recommendava a vaccinação variolica no tratamento da coqueluche, che-
gando mesmo a aconselhar que. salvo no caso de epidemia imminente de variola.
se adiasse a vaccinação das creanças para o segundo anno de vida, quando são mais
sujeitas á tosse convulsa; desse modo. a vaccinação poderia ter um duplo cf feito
benefico.
o
316
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Sob o ponto de vista scientifico e no estado actual dos nossos conhecimentos
sobre a etiopathogenia da coqueluche, diificil será encontrar uma explicação satis-
íactoria para o mecanismo da acção do soro na marcha da evolução desta infecção.
Xão se trata apparentemente de uma proteinotherapia, pois neste caso o
simples soro normal (como outras substancias proteinicas) produziria effeito, o
que não acontece.
Será a sua acção devida aos anticorpos viruddas existentes no soro e que
agiriam, neste caso, não especificamente sobre o agente iníectuoso, mas sobre o
epithclio affectado na arvore respiratória, o qual tem a mesma origem embryona-
ria que os tecidos onde são talvez formados os anticorpos vaccinicos, estando a
acção curativa ligada a uma verdadeira immunidade tecituaria? Esta hypothese,
lembrada por A. do Amaral, e outras que poderiam ser aventadas não passam,
porem, de conjecturas a suscitar demonstração positiva, que poderá ser tentada por
um estudo mais aprofundado da acção cruzada no soro vacdnico nessa entidade
mórbida, comparativamente com o effeito do soro dos convalescentes e immuni-
zados da coquduche sobre o virus vacdnico. Isto seria tanto mais justificável
quanto ainda ha pouco a hypothese de ser a tosse convulsa devida a um virus
filtravel parece ter recebido nova confirmação com os estudos de McCordock (7),
que assignalou a presença de inclusões nucleares nas cellulas do epithelio pulmonar.
Qualquer que seja o resultado destas verificações, a nosso ver c indiscutível,
no tratamento da coqueluche, a acção favoravel do soro de vitello vaccinado,
quando applicado logo no inido da infecção e sempre antes de se manifestarem
as conhecidas complicações, determinadas por assodações microbianas diversas.
Por outro lado, mesmo que não désse resultado nitidamente favoravel, o soro
vacdnico nenhum inconveniente acarretaria, porque, sendo de origem bovina, não
sensibilizaria os indivíduos em relação a soros de origem equina (diphterico,
tetânico e outros) que poderiam ser um dia administrados.
OBSERVAÇÕES
Grupo A. Evolução clinica não excedente de 5 dias, a partir da data do
aparecimento dos primeiros accessos.
Obs. I. M. A. M., 13 annos, do Grupo Escolar do Butantan. Tomou em
l&-\ 1 11-932 10 c. c. de soro vacdnico. Diminuição gradativa dos accessos até o
dia 25-\ II 1-932, quando lhe foi administrada nova dose de 10 c. c. que determinou
a cura completa.
Obs. II. M. L., 7 annos, residente á rua Maria Cerqueira, do Grupo Escolar
do Butantan. Encaminhado pela Directoria do Grupo Escolar ao Posto Medico
do Instituto. Logo que foram notados os primeiros accessos tomou em 26- VII I-
932 10 c.c. de soro. Curado. Tre? irmãos deste doente só vários dias depois foram
6
Monturo a Godixho — Tratamento da coqueluche
317
trazidos ao Posto e tiveram a cura mais retardada, pelo que suas respectivas obser-
vações fazem parte do grupo B.
Obs. III. J. M., 4 annos. morador do Instituto. Tomou 5 c. c. c 6 dias
depois outra dose de 8 c. c.. Curado.
Obs. IV. J. B. T. f 6 annos, morador do Instituto. Tomou 10 c. c. de soro.
Curado.
Obs*. V, VI e VII. V. M., 2 annos, M. M., 12 annos e A. M„ 1 anno
(irmãos). Tomaram, respectivamente, 5. 8 e 3 c. c. de soro com resultado satis-
factorio immediato.
Obs. VIII. J. M., 4 annos, residente cm Rio Pequeno. Cura cimpleta e im-
mediato desapparecimento das quintas com a administração de 10 c. c. dc soro.
Obs. IX. M. C., 11 annos, residente em Rio Pequeno; do Grupo Escolar do
Butantan. Injectada, em 3-IX-32, com 10 c. c. de soro. Curada.
Obs. X. J. M„ 9 annos, residente á rua da Cotia; do Grupo Escolar do
Butantan. Forma clinica de media intensidade. Tomou, em 3-IX-32, 10 c. c. de
soro. Curada.
Obs. XI. I. I., 11 annos, residente em Pedreira; do Grupo Escolar do Bu-
tantan. Tomou 10 c. c. dc soro cm 3-IX-32. Cura completa.
Obs. XII. J. A., 6 annos, residente cm Pinheiros. Tomou, cm 21-IX-32,
8 c. c. de soro. Curado.
Obs. XII-A. M. L. R., 7 annos, residente cm Paraiso. Recebeu uma injcc-
ção de 10 c.c. de soro e, 12 dias depois, outra de 10 c.c.. Cura immedhta.
Obs. XII-B. M. H. R., 9 annos, residente em Paraiso. Recebeu uma injec-
ção dc 10 c.c. de soro e, 15 dias depois, outra dc 10 c.c.. Cura rapida.
Grupo B. Evolução clinica dc mais dc 5 dias, a contar do aparecimento dos
primeiros acccssos de tosse comndsiva:
Obs*. XIII, XIV e XV. Y. L., 9 meses, Y. L., 3 annos e C. L., 6 annos,
irmãos e residentes á rua Maria Cerqueira. Todos doentes ha cerca de 20 dias.
Tomaram, em 23-VIII-32, respectivamente, 5, 6, e 10 c. c. de soro. Pequena
modificação do estado clinico geral. Em 3-IX-32 novas injecções das mesmas
doses de soro. C. L. teve uma ligeira reacção serica com phenomenos de insufíi-
ciente eliminação renal, cedidos, todavia, com a administração dc chloreto de
cálcio por via oral. Estas 3 creanças ainda tinham raros accessos 30 dias depois
de administrada a ultima injecção.
Obs. XVI. C. M-, 8 annos, do Grupo Escolar do Instituto. Quando veiu
ao Posto já tinha um periodo de evolução da moléstia de cerca de 30 dias. Tomou
7
318
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
10 c. c. de soro em 1S-YIII-32. Em 25-YIII-32 mais 10 c. c.. Modificação quasi
nulla do estado geral.
Obs*. XVII e XVIII. E. C.. 6 annos, e Y. C, 3 annos, moradores de Bu-
tantan. Tomaram, respectivamente, 10 e 8 c. c. de soro em 27-IX-32. Curados
embora lentamente.
Obs. XIX. C. R., 2 annos, residente em Villa Butantan. Tomou 5 c. c.
em 26-1 X-32. Resultado pouco satisíactorio.
Obs. XX. I. P. M., 7 annos, residente á ima Pirajussara, 10; do Grupo
Escolar do Butantan. Tomou 10 c. c. de soro. Ligeira reacção serica. Curada
depois de alguns dias, não obstante recusa dos pais em fazer 3.* injccção.
Obs. XXL G. S. M., 16 annos, residente á Avenida Vital Brazil. Doente
ha 1 mês. Tomou, em 25-VIII-32, 10 c. c. de soro. Resultado pouco evidente nos
primeiros oito dias. Nova injecção de 10 c. c. em 4-1 X-32. Xão tivemos mais
informações desta doente.
Obs*. XXII a XXV. J. M. B„ 8 annos, A. M. B.. 6 annos, R. M. B.. 4
annos e H. M. B., 3 annos, irmãos, residentes em Rio Pequeno. Todos em periodo
de frequentes accessos de tosse convulsiva. Tomaram, respectivamente. 10 c.c. de
soro os dois primeiros, 8 e 6 c. c. os dois últimos. As mesmas doses foram repe-
tidas 10 dias depois. Apenas o ultimo dos 4 doentes teve melhora rapida.
Obs. XXVI. X. R. S.. 18 annos, residente em Belchior Pinto. Forma grave.
Depois de duas injecções de soro franca atenuação dos accessos.
Obs. XXVII. T. S., 2 Yi annos. residente á Avenida Vital Brazil. Tinha
tres irmãos ainda não contaminados. A nosso pedido informou a mãe da creança
uma semana depois que o seu estado geral melhorou depois da injecção de 10 c.c.
de soro e os demais irmãos continuam indemnes.
Obs. XXVIII. E. M., 7 annos. residente á Estrada do Butantan. Tomou
cm 23-IX-32 10 c. c. de soro c em 30-IX-32 mais 10 c. c.. Houve sensível ate-
nuação dos accessos.
Obs. XXIX. F. M., 2 annos, residente á Estrada de Butantan. Resultado
do tratamento, com duas injecções de soro de 5 c. c. cada. idêntico ao da doente
da obs. precedente, sua irmã.
Obs. XXX. A. X., 8 annos, residente á Avenida Vital Brazil ; do Grupo
Escolar do Butantan. Tomou em 5-IX-32 10 c. c. Desde 15 de outubro voltou a
frequentar a escola sem ter mais accessos.
Obs. XXXI. R. A.. 8 annos, residente em Rio Pequeno; do Grupo Escolar
do Butantan. Tomou em 13-IX-32 10 c. c.. Nova injecção em 23-IX-32. Ate-
nuação gradativa dos accessos, dos vomitos, etc. e. presentemente, curada.
8
Monteiro * Godinho — Tratamento da coqueluche
319
Obs. XXXII. A. L.. 8 annos, residente em Rio Pequeno; do Grupo Escolar
do Butantan. Tomou 10 c. c. de soro em 10-IX-32. Resultado do tratamento Iwm,
embora pouco lento.
Obs. XXXIII. J. A. C, 8 annos, residente em Estrada de Cotia; do Grupo
Escolar do Butantan. Tomou em 12-IX-32 10 c. c. de soro. Examinado cm
começo de outubro ainda tinha alguns accessos de tosse. Mesmo sem uma segunda
medicação desapparecem todas as manifestações tia moléstia antes do fim do mês
citado.
RESUMO ESTATÍSTICO
O estudo comparativo do resultado da applicação do soro vaccinico, nesses
dois grupos de casos, leva-nos a tirar as seguintes conclusões:
1 * Em 100 % dos casos recentes, a cura clinica foi rapida e, em sua quasi
totalidade, immcdiata.
2. * Entre os casos mais antigos, os resultados foram os seguintes:
a) cm cerca de 14%, a cura clinica foi rapida;
b) em cerca dc 38 %, a cura clinica foi lenta;
c) cm cerca dc 19%, a melhora foi lenta, mas indiscutível;
d) em cerca de 29 %, não se poude pcrcclicr melhora.
3 . * Dc um modo geral, entre os 35 casos até agora observados. houve cura
em 25 (cerca de 70 %), melhora em 4 (cerca dc 12 %) e cf feito nullo cm 6
(cerca de 18 %)•
ABSTRACT
The application oí vaccinia scrum (serum securcd from cal ves immunizcd
with vaccinia) in two groups of cases has yicldcd thc following rcsults :
1. In 100 % of the rccent cases: clinic cure, rapid and ncarly always im-
mediate.
2. Among older cases: a) rapid clinic cure — 14 % ; b) slow clinic cure —
3 s %; c) slow but clcar improvement — 19 %; d) no pcrceptiblc improve-
ment — 29 %.
3. As a whole cure took placc in al>out 70 % of thc cases, improvement in
12 % and no effect in 18 %.
9
320
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
BIBLIOGRAPHIA
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(Trabalho da Seccáo de Vírus e Virustherapia do Ins-
tituto Butantan, novembro de 1932).
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SOBRE A DURAÇÃO
DA ACTIVIDADE DAS ANTITOXINAS E ANTIVENENOS
AFRANIO DO amaral, j. berxardixo arantes
e FLAVIO da FONSECA
SciELO
11 12 13 14
«12 399.8 : «I2.3U.S1
SOBRE A DURAÇÃO
DA ACTIVIDADE DAS ANTITOXINAS E ANTIVENENOS
POR
AFRANIO do AMARAL. J. BERNARDINO ARANTES
e FLAVIO da FONSECA
INTRODUCÇAO
Um dos aspectos mais interessantes c de maior rclcvancia scientiíica e econô-
mica na pratica sorotherapica é. sem duvida, o que concerne á duração da activi-
dade especifica dos soros, cspccialmentc daquclles cuja aferição pode ser feita com
bastante rigor, isto é, os antitoxicos (antitoxinas) e os antipeçonhentos (antive-
nenos). O interesse dessa questão reside na attitude diametralmente opposta.
assumida aprioristicamcnte, de um lado. pelos clinicos c. do outro, pelos immuno-
logos, acreditando cm geral os primeiros que. para ter ef feito curativo, um soro
deve ser recente, enquanto os segundos eram levados, pelas noções geraes sobre
o comportamento das proteínas, a acreditar na possibilidade de conservação da
actividadc therapeutica de tal produeto por periodos relativamentc dilatados.
Todavia, guiados pela prudência que sempre tem orientado o preparo e applicação
de todas as substancias biológicas, os sorologistas adiaram, desde o começo, pre-
ferível restringir a um prazo relativamentc curto as indicações referentes ã con-
servação da espcdfiddade das antitoxinas c antivenenos entregues ao consumo.
Iníclizmente, essa attitude de prudência dos technicos, justificada pela neces-
sidade de uma observação mais demorada desse importante aspecto da sorothc-
rapia. foi sempre mal comprehendida pelos clinicos e pelos pharmaceuticos, os
quaes ainda agora costumam exaggcrar a sua repulsa ao emprego de soros menos
recentes sob a vaga allegação de inactividadc. Conforme veremos adiante, essa
repulsa que aos laboratorios produetores causa transtornos formidáveis e avul-
tadas perdas, não se justifica nem mesmo do ponto de vista immunologico, dahi
promanando o proprio interesse scientifico e economico do problema. Si é bem
verdade que a era sorotherapica foi iniciada ha pouco mais de 40 annos, não c
3
SciELO
11 12 13 14
324
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
menos certo que, si houvessem desde cedo comprehendido o enorme alcance da
exacta determinação da duração da actividade dos soros therapeuticos, os espe-
cialistas teriam provavelmente procurado ha mais tempo coordenar esforços no
intuito de elucidar as classes medica e pharmaceutica, sobre a conveniência de, em
certos casos, preferirem até productos antigos a outros de recente preparação.
Effectivamente, é curioso que, apezar de se haver publicado mais de uma
dezena de memórias technicas sobre o assumpto, todas concordes na demonstração
da perduradoura especificidade dos soros, ainda hoje os proprios médicos se
recusem a lançar mão de productos menos recentes. Que os collegas não têm razão
nesse modo de ver é facil demonstrar por uma analyse da literatura scientifica,
que poude ser agora vantajosamente completada pelo redoseamento, por nós effe-
ctuado, de antitoxinas e antivenenos de preparação bastante antiga e conservados,
em condições sem duvida desvantajosas, em mão dos consumidores.
RESENHA B I B LI OGRA PH I CA
A — Antitoxinas
1. A primeira referencia, existente na literatura sobre a conservação da
actividade das antitoxinas, parece ser a nota publicada em janeiro de 1902 pelo
Ministério do Interior da França, com a informação de que “o soro antidiphterico
não perde suas propriedades curativas pela conservação mesmo durante um anno”.
2. Em editorial publicado em maio de 1904, o Journal of the Royal Army
Medicai Corps vehiculou a informação de que “o soro antidiphterico conservado,
tanto na Inglaterra, como na índia, por mais de um anno, revela alguma perda
mas insufíicicnte para contraindicar sua utilização”.
3. Em 1905, Miller (1) examinou 82 partidas de soro antidiphterico e re-
doseou-as pelo methodo de Ehrlich, repetindo, assim, a technica que havia sido
empregada na determinação original. Verificou que apenas em 25 partidas, por-
tanto em cerca de 30 %, tinha havido alguma perda do poder antitoxico. Levando
em consideração que, no preparo das partidas, o laboratorio concedera uma mar-
gem de 6 a 25 Jc a mais da actividade marcada, verificou este pesquisador que,
ao cabo de 2 a 3 annos, a potência era mais ou menos igual á indicada no rotulo
das empolas, tirando de seu estudo as seguintes conclusões :
a) o soro antidiphterico perde sua actividade aos poucos, os mais fortes
um pouco mais rapidamente, mas nunca tão depressa quanto se suppõe ;
b) a indicação da actividade nas empolas, desde que inclua a margem dada
pelo laboratorio, garante a conservação do poder exacto por muitos annos ;
4
Amaral, Araxtes a Fonseca — Antitoxinas e antivenenos
325
c) a procura do soro fresco não se justifica, porquanto um soro velho pode
apresentar ainda uma potência exacta, sendo portanto utilizável até que se ob-
tenha outro.
4. Em 1907, Kinyoun e Hitchens (2) examinaram 100 partidas differentes
de soro antidiphterico, devolvidas ao laboratorio depois de terem estado no com-
mercio de 13 a 27 meses, tendo observado uma perda de 0 a 48,6 % na actividade
das mesmas. Verificaram ainda que a perda maior da actividade occorria nos
soros que haviam sido concentrados por simples evaporação, devendo-se a pro-
posito notar que naquelle tempo ainda não se empregava commumente, nem
mesmo nos Estados Unidos, o methodo de concentração por precipitação frac-
cionada das globulinas. De seu estudo, esses auctores concluiram naquella occasião
o seguinte: a depreciação (inactivação) é um factor variavel, independente do
tempo durante o qual um soro esteve exposto á venda; a perda media de 25 %,
correspondente a um periodo de 12 a 15 meses, deve ser coberta por uma margem
de 24 % para cada anno.
5. Em 1910, Anderson (3), trabalhando no Laboratorio de Hygiene de
Washington com 18 amostras de antitoxina diphterica que haviam sido conser-
vadas em differentes temperaturas e por períodos variaveis de 1 a 3 annos, ve-
rificou que:
a) a antitoxina, conservada em geladeira a cerca dc 5°C, perde em media
6 % de seu poder por anno ;
b) conservada a 15°C, sua perda c dc cerca de 10 por anno e dc 36 Çó
ao cabo de 3 annos;
c) mantida em temperatura ambiente, variavel entre cerca de 21®C no
inverno e 37°C no verão, a antitoxina soffrc uma inactivação media de 20 ao
anno e de 59 % em 3 annos, o que mostra a conveniência de se manterem os soros
em temperatura relativamente baixa.
6. Em 1912, MacConkey (4), desejando verificar o cffcito exercido, sobre
a actividade do soro antidiphterico, por temperatura próxima da do corpo humano,
tratou de estudar comparativamente a influencia de differentes modos de distri-
buição e conserva sobre o poder antitoxico dc 3 partidas, tendo concluído que :
a) distribuído em empolas e mantido a 36°C, o soro perde cerca de 36 %
de sua actividade em 6 meses e de 49 % em um anno ;
b) conservado em recipientes maiores (frascos de 250 cc.) na temperatura
de 36°C, sua inactivação attinge 60 ao cabo de 6 meses ;
c) sua conservação sob uma camada de parafina não reduz a perda;
d) conservado em empolas, o soro perde actividade a 36°C cerca de 6 vezes
mais depressa do que na temperatura da geladeira.
326
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
7. Em fim de 1916, este mesmo auctor (5) completou um trabalho de redo-
seamento de varias qualidades de soros e especialmente do antidiphterico, cuja
inactivação estudou em 31 amostras que haviam sido conservadas sem maiores
cuidados. Sua conclusão final foi que “os soros mantêm sua especifidade por um
período muito mais longo do que se acredita” e que a antitoxina diphterica perde
em media 23 % de seu poder no período máximo de verificação, correspondente
a 4 annos e meio.
8. Em 1916, Brazil (6). baseado em observação que fizera em 1896 na Hos-
pedaria de Immigrantes em S. Paulo, por occasião de um surto de diphteria então
registado e que cedera facilmente ao emprego de soro especifico comprado no
mercado e de preparação muito antiga, publicou uma monographia, em cuja pri-
meira parte referiu os resultados da redeterminação de actividade feita em amos-
tras de 10 partidas de antitoxina diphterica.
As conclusões dessa parte do trabalho são as seguintes:
“Esta verificação de dosagem feita em ampoulas de differentes partidas de
sòro devolvidas ao Instituto, depois de um periodo de 4 a 7 annos, de enfrasca-
mento, nos prova á saciedade quão exagerada é a ideia predominante sobre a alte-
rabilidade do poder anti-toxico dos sôros therapeuticos. Vemos, com ef feito, que
o sòro anti-diphterieo conservou de modo perfeito o seu valor anti-toxico dentro
do praso de 5 annos de entregue ao consumo. Os sôros de seis a 7 annos perderam
no máximo 13 %, perda essa insignificante que não autorisa a rejeição do pro-
ducto. Devemos ainda salientar que em relação aos sôros examinados, é razoavel
suppor que nem todos tivessem sido conservados em excellentes condições”.
“Por todas as razões expostas verificamos que não ha motivo algum justifi-
cável para a rejeição dos sôros antigos. Ao contrario, em igualdade de circums-
tancias, dando-se uma margem á pequena perda possivel do valor antitoxico, é
preferível o emprego do sòro velho. Guiado por orientação contraria, poderá o
clinico ser levado a preferir um sóro baixo de 200 unidades, por exemplo,
de recente preparo, a um outro de 800 ou 1.000 unidades, de preparo antigo. O
erro entretanto é palpavel, como passamos a demonstrar. Emquanto que do pri-
meiro serão precisos pelo menos de 30 a 40 centímetros cúbicos para ter-se de
6.000 a 8.000 unidades exigidas para o tratamento de um caso de diphteria de
media intensidade, do segundo, admittindo-se uma perda de 20 % serão necessá-
rios, no máximo, apenas 15 centímetros para obter-se o mesmo numero de uni-
dades. O critério que deve orientar o clinico no emprego dos sôros anti-toxicos
é a indicação da dosagem e a applicação de um certo numero de unidades de
accôrdo com a gravidade do caso e a edade do paciente.”
B — Anttvenenos
1. Em 1907, Calmette (7) mostrou que a redeterminação de actividade de
empolas de soro antivenenoso, devolvidas, ao cabo de 1 J4 e 2 annos, da índia e
G
Amaral, Arantes * Fonseca — Antiloxinas t antivenenos
327
da Indochina, no decurso de seus trabalhos íundamentaes sobre a sorotherapia
anti-ophidica, revelara o seguinte: "seu titulo não havia baixado sensivelmente.
O aspecto do liquido que ellas continham havia-se modificado apenas um pouco:
este estava descorado e em seu seio íluctuavam pequenos flocos brancos. Estes
flocos não indicam alteração: são constituídos por deposito de albumina pre-
cipitada”.
2. Em 1917, Brazil (6), na segunda parte de sua citada monographia, pu-
blicou os protocollos de redeterminação do poder neutralizante de 4 partidas de
soro anti-crotalico e 7 partidas de soro anti-ophidico (anti-crotalico e anti-bothro-
pioo), depois de um prazo variavel entre 26 e 47 meses de seu empolamento.
Eis suas conclusões no particular:
"Os soros anti-peçonhentos perdem muito mais do seu valor anti-toxico, do
que o sôro anti-diphterico, sendo de notar que sua perda foi extremamente va-
riavel, ficando subordinada ao limite máximo de 33 o que se verificou uma
unica vez. Uma das causas dessa variação c o modo tão vario pelo qual é conser-
vado o sóro. Este é enviado, com eí feito, j>ara as fazendas, onde algumas vezes c
tratado com o necessário carinho, sendo guardado em lugar fresco c ao abrigo
da luz. Na generalidade dos casos, porem, é atirado para cima de um movei qual-
quer. exposto á acção da luz c do calor, c, nestas condições resiste muito menos
do que quando e mantido com os necessários cuidados. De um modo geral, pódc-se
admittir uma perda de 30 % cm tres annos, o que não representa grande cousa,
tratando-se de soros muito anti-toxicos. E’ aconselhável, quando se tenha de em-
pregar um sôro antigo, injcctar-se uma dose de 30 % mais forte do que a do sôro
de recente fabricação. Esta pratica c muito mais razoavcl do que substituição
constante de provisão.
E’ um facto geralmentc admittido que os sóros depois de um certo tempo de
enfrascamento, são menos toxicos do que os sòros muito recentes, o que levou
alguns laboratorios a deixarem envelhecer os sòros antes de cntrcgal-os ac*
consumo.
O Instituto Pasteur de Paris, adoptou de ha muito tempo, essa pratica, no
laboratorio, antes de serem expedidos.”
"Depois de algum tempo de enfrascamento dos sòros, forma-se um precipi-
tado, que pelo repouso se deposita no fundo do frasco ou ampoula. Agitado tur-
va-se. tomando uma apparencia dcsagradavel. Este precipitado não indica uma
alteração do produeto, nem accarrcta a substancia anti-toxica, que permanece no
liquido. Este pelo repouso ficará limpido e poderá ser aspirado cautclosamentc,
afim de ser injectado sem a substancia precipitada.”
3. Em 1921, Houssay c Xegrette (8). pesquisando o poder neutralizante em
amostras de 7 partidas de soro anti-ophidico devolvidas do interior e que haviam
«ido conservadas durante 13 a 23 meses provavelmente sem precauções especiaes,
verificaram também que a inactivaçáo dos antivenenos se processa lentameutc.
7
328
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Observaram, porém, que sua perda havia sido proporcionalmente maior do que a
registada por Brazil no trabalho citado no paragrapho anterior. Essa diííerença
aquelles auctores a attribuiram á circunstancia de haverem trabalhado com anti-
venenos de valor antitoxico inicial mais elevado. Todavia, uma analyse dos pro-
tocollos publicados revela que, em relação ao poder anti-bothropico, a comparação
feita pelos dois auctores argentinos entre os seus resultados e os de Brazil não é
cabível, pelo facto de Brazil haver usado o veneno de Bothrops jararaca para
determinação do valor anti-bothropico, ao passo que Houssay e Xegrette usaram
para esse fim o veneno de Bothrops alternata.
Suas conclusões são as seguintes:
“Apezar de reputarmos as perdas reaes mais elevadas do que as calculadas
por Brazil, que notou ser o soro antiophidico um dos que mais se alteram, todavia
estamos de accordo com elle em que os soros ainda são activos depois de muito
tempo. Praticamente e na falta de soro fresco não se deve vadllar em empregar
um soro velho, o qual quasi seguramente produzirá ef feito.
Como corollario do que verificámos resulta que, si os soros fortes têm muita
acção e pequeno volume, o que é de grande vantagem, no entanto se inactivam
mais rapidamente do que os fracos, não sendo, pois, os mais economicos”.
4. Em 1922, Phisalix (9), em seu conhecido trabalho sobre animaes vene-
nosos, dedicou apenas poucas palavras ao soro anti-venenoso, limitando-se visi-
velmente a reproduzir a informação já antiquada de Calmette. Disse ella textual-
mente: “Este soro conserva durante cerca de 2 annos seu valor anti-toxico em
todos os climas; depois esse valor decresce pouco a pouco.”
5. Em 1925, Anderson e Caius (10) examinaram soros antivenenosos (an-
ti-cobraico e anti-viperico) preparados no Instituto Central de Pesquisas de Ka-
sauli, distribuídos em empolas de 40 cc. devolvidas ao laboratorio em prazos de 3,
6, 9 c 12 meses depois de terem sido conservados nas seguintes condições:
a) mantidas em um armario e protegidas pelo seu involucro natural, sem
qualquer precaução contra a luz;
b) mantidas do lado de fora sem involucro e expostas á luz directa;
c) mantidas em uma caixa fechada, dentro de geladeira e de todo protegi-
das contra a luz ;
d) mantidas na geladeira sem qualquer involucro e sem protecção contra
a luz;
e) mantidas em mesa do escriptorio sem qualquer involucro e expostas á luz
e á temperatura ambientes.
As conclusões de seu importante trabalho são as seguintes, em relação ao po-
der neutralizante para com o veneno de cobra de capello ( Naja naja ) :
8
Amaral, Arantes * Fonseca — Antitoxinas e anti venenos
329
a) o antiveneno, á semelhança de todos os outros soros, perde gradualmen
te actividade durante os primeiros 6 a 9 meses de sua conservação ;
b) em seguida a essa perda inicial, surge de súbito um reforço de activida-
de que chega a ultrapassar o limite apresentado originalmente pelo producto ; isto
occorre dentro dum período de 12 a 14 meses após o empolamento;
c) esse ganho da actividade não é devido ás partículas que geralmente se
depositam por meio da centrifugação;
d) a luz e o calor existentes ordinariamente nos tropicos (dentro de casa)
não exercem influencia apreciável sobre a potência do antiveneno.
6. Em 1927, Pawlowsky (11), em sua compilação sobre o mesmo assumpto,
seguiu os passos de Phisalix e Calmette, dizendo que o soro antivenenoso “não
perde sua actividade especifica no decurso de cerca de 2 annos”.
7. Em 1931, Maitra e Ahuja (12), tendo encontrado, no Instituto de Ka-
sauli, 19 amostras de antiveneno indiano de 2 J4 a 9 annos de preparo, trataram
de verificar si as mesmas ainda possuíam poder neutralizante em relação ao ve-
neno da cobra de capello. Eis textualmente a conclusão a que chegaram: "cerca
de 50% das amostras retiveram sua actividade original muito tempo depois do li-
mite admittido para sua applicação therapeutica que é de 2 annos a contar da
data do preparo. Cerca de 50% das amostras se haviam enfraquecido mas ainda
mantinham perto de metade do poder antitoxico inicial, o que demonstra ser ape-
nas quantitativa a deterioração produzida por uma conserva prolongada; o soro
antivenenoso, como o anti-diphterico, mantém sua especificidade, ou, por outra,
é ainda capaz de neutralizar in vitro o veneno da cobra durante um prazo muito
mais longo do que o admittido actualmentc.”
C — Conclusão geral bibliograpuica
Do estudo da literatura existente sobre o assumpto se podem, portanto, tirar,
parcialmente, varias conclusões, a saber:
a) Embora haja no pormenor alguma discordância entre os trabalhos dos
vários auctores, se tem verificado em geral que o soro antidiphterico pode ser
conservado sem precauções especiaes durante um periodo relativamente dilatado,
porquanto a maior perda verificada, no periodo máximo de 7 annos até agora
obser\ado, não é sufficiente para contraindicar o emprego do producto;
b) em igualdade de condições, os antivenenos, mesmo depois do periodo
máximo de observação, até agora assignalado, de 9 annos após o preparo, ainda
conservam bastante actividade para se justificar sua utilização para fins cura-
tivos ;
9
SciELO
11 12 13 14
330
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
c) a inactivação encontrada nas antitoxinas e antivenenos estudados está
sujeita a certas variações, observáveis de partida a partida; ella independe do
maior ou menor prazo de exposição, mas se processa sempre mais lentamente na
geladeira do que na temperatura ambiente.
CONTRIBUIÇÃO ACTUAL
Pelo exposto no capitulo anterior se deduz que o estudo da conservação do
poder neutralizante das antitoxinas e antivenenos tem sido feito até agora em
partidas não concentradas e cujo preparo datava no máximo, respectivamente, de
7 a 9 annos. Seria, pois, interessante verificarmos si a exposição de taes pro-
duetos, durante períodos mais dilatados, á temperatura ambiente, ou o facto de
terem sido concentrados por precipitação fraccionada, poderia contribuir para seu
maior ou mais rápido enfraquecimento. Essa pesquisa afigurava-se tanto mais
importante, quanto o Instituto Butantan estava, no particular, em situação espe-
cial para favorecer essa verificação e isto pelas seguintes razões:
1. *) ha mais de 20 annos este Instituto se dedica ao preparo simultâneo de
antivenenos e antitoxinas alem de outros produetos biologicos ;
2. *) ha perto de 15 annos vem produzindo antitoxinas e antivenenos con-
centrados, tendo portanto acompanhado os laboratorios norte-americanos e prece-
dido os institutos europeus e outros na pratica da refinação dos plasmas por pre-
cipitação fraccionada das globulinas;
3. *) ha quasi 20 annos vem recebendo empolas de soros antitoxicos e anti-
peçonhentos, devolvidas das fazendas do interior, onde são conservadas sem
maiores precauções e depois de haver decorrido muitos annos de sua distribuição.
Para esse fim, tratámos, preliminarmente, de aproveitar amostras de soros
muito antigos, alguns com cerca de 25 annos de preparo, procurando verificar
até que ponto havia chegado sua inactivação. As partidas examinadas correspon-
diam, de um lado, aos seguintes produetos:
a. Antitoxina diphterica
b. ” tetanica
c. Antiveneno crotalico
d. ” bothropico
e. ” ophidico.
Doutro lado, ellas eram representadas, em parte, por soro obtido por sangria
directa de cavallos immunizados e. em parte, por pseudo-globulina oriunda da pre-
cipitação fraccionada do plasma correspondente.
10
Amaral, Arantes a Fonseca
Antitoiinas e anlivenenos
331
a) Verificações sobre a antitoxina diphtcrica
Já havendo, conforme indicámos acima, outros auctores estudado a activida-
de de soros antidiphtericos de até 7 annos de preparo, procurámos fazer as nos-
sas determinações em partidas mais antigas. Para esse fim, aproveitámos empo-
las de partidas cuja distribuição datava de perto de 7 a 20 annos (entre 1925 e
1912), havendo, pois, ultrapassado de até 4 vezes o prazo máximo concedido an-
tigamente pelo Instituto para sua utilização therapeutica.
Outrosim, limitámo-nos em nossas pesquisas a verificar si as varias partidas
de soros antidiphtericos antigos de que dispúnhamos ainda retinham 50% de seu
poder antitoxico inicial e isto porque nos pareceu, a friori e á luz da bibliogra-
phia, que a inactivação raramente chegaria a ultrapassar metade da potência pri-
mitiva.
Tcchnica — Xa aferição do poder neutralizante empregámos o methodo clás-
sico de Ehrlich, usando antitoxina padrão fornecida pelo Laboratorio de Hygicne
de Washington e fazendo a inoculação das misturas em cobaias de 250 grs. de
peso medio. E’ bem verdade que, ha cerca de 20 annos, o Instituto, baseado aliás
em observação de Ehrlich, vem empregando, na determinação do poder neutrali-
zante da antitoxina diphterica, pombos adultos com peso medio de 300 grs.,
inoculando-os com as misturas por via intra-muscular na região peitoral, em vez
de cobaias, por via subcutânea e aferindo, de tempos a tempos, em cobaias de
peso padrão, os resultados observados em pombos (13). O volume da mistura
inoculada nos pombos é também de 4 cc. e. pois, igual ao que se emprega nas
cobaias segundo o methodo de Ehrlich, consistindo a unica differença nestcs.dois
processos em pequena alteração do limite de morte (L-f) da toxina, o qual, em
via de regra, é para os pombos cerca de 0,01 cc. maior do que para as cobaias.
Nas determinações feitas, resolvémos preliminarmente verificar si a activi-
dade da antitoxina contida em varias empolas numa mesma partida não apresen-
tara oscillação, tendo concluído, conforme se vê no protocollo abaixo, que essa
oscillação não occorre.
Em seguida, tratámos de tirar a limpo si o precipitado que, por decantação, se
forma no interior das empolas e que é constituído por pseudo-globulina, poderia
exercer qualquer influencia sobre o resultado do redoseamento. Para esse fim, o
conteúdo de cada empola foi separado em duas porções: uma, inteiramente límpi-
da e obtida por centrifugação do liquido; outra, representada pelo liquido em esta-
do natural, sem previa centrifugação.
Os resultados de nossas determinações acham-se indicados no quadro I.
11
334
Mem.orias do Instituto Butantan
Tomo VII
Conclusões — O redoseamento de antitoxinas diphtericas antigas, entregues
ao consumo entre cerca de 9 e 20 annos passados e devolvidas por suspeita de
inactividade, revelou que:
1. ° — em diversas empolas de uma mesma partida não havia variação da
porcentagem da perda do poder antitoxico:
2. ° — em cerca de 62% das partidas, essa perda não tinha siquer chegado a
50%, havendo attingido ou ultrapassado esse limite em apenas 38% dos casos;
3. ° — parece não haver perda progressiva do poder antitoxico em resultado
do envelhecimento; a inactivação occorre apparentemente nos primeiros tempos,
ficando depois o produeto mais ou menos estabilizado;
4. ° — o precipitado que se forma no seio do soro não exerce influencia al-
guma, ou pelo menos apreciável, sobre o poder antitoxico do mesmo;
5. ° — a concentração parece não exercer influencia sobre a duração da acti-
vidade.
b) Verificações sobre a antitoxina tetanica
No decurso de nossas pesquisas sobre a inactivação da antitoxina diphterica
pelo envelhecimento, verificámos que o precipitado que se forma nas empolas é
inteiramente inerte, não exercendo, pois, qualquer influencia sobre a actividade
do produeto. Por essa razão, resolvémos, de referencia á antitoxina tetanica, fa-
zer apenas o redoseamento do liquido tal qual se encontra nas empolas.
Guiados igualmente pelas indicações do comportamento da antitoxina diphte-
rica, fizemos com a tetanica apenas o redoseamento do poder antitoxico em relação
a 40%, 50% e 80%, respectivamente, da actividade primitiva das partidas.
Nossos estudos no particular versaram sobre 7 amostras de antitoxina teta-
nica entregues ao consumo entre 1915 e 1926, tendo, portanto, envelhecido cerca
de 5 a 16 annos.
Teclmica — Na aferição do poder neutralizante empregámos o methodo nor-
te-americano, estabelecido por Anderson e Rosenau, utilizando-nos de toxina e
antitoxina padrões fornecidas pelo Laboratorio de Hygiene de Washington. Cum-
pre-nos assignalar, a proposito, que esse processo tem sido o unico adoptado em
Butantan desde que foi aqui iniciado o preparo do soro antitetanico e que não se-
guimos o novo padrão, ultimamente estabelecido pelo Comité de Hygiene das Na-
ções e chamado de europeu ou mesmo internacional, cuja unidade é realmente me-
tade mais fraca do que a americana.
Os resultados de nossas verificações sobre a perda da actividade da toxina
tetanica estão condensados no quadro II.
lt
Amaral, Arantes a Fonseca — Antitoxinas e antivenenos
335
QUADRO II
REDOS EA MENTO DE ANTITOXINAS TETANTCAS ANTIGAS
Partida
Qualidade
Distribuirão
Potência
primitira presente
Perda
PH
actual
9
não concentrada
20-IX-1915
1000 u.a.
400 u.a.
60%
25
M N
16-IV-1917
500 ”
300 ”
40%
5.60
34
concentrada
ll-n-1918
2000 ”
800 ”
60%
35
*1
27-11-1918
2000 ”
1000 "
50%
76
99
20-IX-1923
300 "
200 ”
33%
79
H
19-X-1923
400 "
200 "
50%
5.45
123
99
24-IV-1926
300 "
150 ”
50 %
4.80
Conclusões
O redoseamcnto de antitoxinas tetanicas, entregues ao consumo ha cerca de
6 a 15 annos e devolvidas por suspeita de inactividade, revelou que:
1. ° — a perda do poder antitoxico attingiu apenas 33 a 40% em 2 das 7 par-
tidas examinadas, 50% em 3 outras, não ultrapassando 60% nas 2 restantes ;
2. ® — a inactivaçáo não depende do tempo de envelhecimento, pois cila oc-
corre nos primeiros annos, ficando depois a antitoxina mais ou menos estabili-
zada ;
3. ® — a concentração não exerce influencia apreciável sobre a duração da
actividade.
c-e) Verificações sobre os antivenenos : crotalico, bothrofico c ofhidico
Para o exame da inactivaçáo dos antivenenos (soros antipeçonhentos) lançá-
mos mão de empolas correspondentes a 51 partidas distribuídas entre 1907 c
1925, cujo envelhecimento havia attingido entre 6 e 25 annos, ficando, dessarte,
grandemente ampliadas as observações feitas a esse proposito por outros investi-
gadores.
Technica. — Xa determinação da actividade dos antivenenos, os laboratorios
têm usado vários processos, baseados em princípios os mais dispares, o que é tal-
vez devido á enorme diííerença observada, entre as espccies de serpentes, nos com-
15
336
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
plexos princípios toxicos e antigenicos dos respectivos venenos. Encarados em
conjuncto, os principaes processos podem ser discriminados em: in vitro, in vivo
e mixtos.
O mais importante dos processos de determinação in vitro é o de Calmette e
Massol (14), baseado no poder precipitante do soro anti-cobraico em relação á
peçonha. Este processo é sujeito a resultados desencontrados, pelo que pouco
tem sido utilizado.
O principal methodo in vivo, aliás baseado em idea de Lamb (15), é o de
Calmette (16), que consiste na determinação do poder preventivo exercido, sobre
coelhos de 2 kilos, pelo antiveneno especifico, em relação a 1 mgr. do veneno da
cobra de capello, injectado por via subcutânea 2 horas mais tarde. Esse processo
não tem sido adoptado geralmente em relação a outros antivenenos, porque apre-
senta grandes variações, alem de o poder preventivo nem sempre ser um bom
indice da actividade curativa.
O typo da technica mixta é a de Brazil (17), empregada ha mais de 25 annos
em Butantan e seguida neste trabalho. Consiste em: diluir com agua physiolo-
gica, em tubos separados, quantidades variaveis de veneno, até completar 1 cc. ;
juntar em cada tubo 1 cc. do soro a determinar e incubar a mistura a 37°C duran-
te 30 minutos a 60 minutos; injcctar então cada dose na veia axillar de um pombo
(300 grs. de peso medio), sendo o resultado indicado pela sobrevivência do ani-
mal. Desconhecendo provavelmente esses trabalhos feitos e publicados no Brasil,
Anderson (18), em data recente, acaba de descrever e Maitra e Mallick, de
adoptar (19), como sendo original, esse mesmo methodo no estalonamento de
antiveneno anti-viperico da índia.
E’ bem verdade que Acton e Knowles (20), baseados em que a neutralização
do veneno por meio de mistura in vitro com o antiveneno correspondente, seguida
de sua inoculação intra-venosa em pequenos animacs de laboratorio (coelhos no
caso em apreço), está longe de indicar a potência real de tal soro sob as condições
verificadas nas picadas, lembraram a conveniência de fazerem-se taes determina-
ções em especies mais aífins do homem, pelo que resolveram mais tarde (21)
fazer a verificação do poder curativo do antiveneno em macacos, primeiro ino-
culados, por via hypodermica, com a peçonha em estudo.
Outrosim, não é menos certo que, continuando o trabalho por um de nós (A.
do A.) iniciado no Antivenin Institute of America, Githens e Butz (22) veri-
ficaram que certos venenos contêm, alem de seus princípios toxicos siderantes,
outras substancias dotadas do poder de fixar os anticorpos, embora incapazes
de matar os pombos rapidamente. Dessa verificação decorreria, no opinar
destes investigadores, a necessidade de se usar, na aferição dos antivenenos, de
preferencia um methodo de leitura indirecta, baseado no estabelecimento pré-
vio do limite de morte (L~) dos venenos correspondentes.
De outro lado, tendo em vista a desigualdade de comportamento dos vários
venenos quando introduzidos por via hematica, um de nós (A. do A.) já
16
Amaral, Arantes * Fonseca — Antiloxinas e anlivenenos
337
procurou aferir a actividade de antivenenos pelo poder curativo por elles exer-
cido por via subcutânea sobre camondongos previamente inoculados pela mesma
via com a peçonha correspondente. Todavia, esse processo, por ser bastante
delicado, ainda não está convenientemente estalonado, de sorte que resolvémos,
neste trabalho, recorrer á antiga technica de determinação do poder neutrali-
zante em pombo, tanto mais quanto havia sido esta a usada em todas as deter-
minações feitas primitivamente sobre os que iamos redosear. Para esse fim,
empregámos o veneno de cascavel (C. terrificus ) na determinação do poder
do soro anti-crotalico e da fracção anti-crotalica do soro anti-ophidico e o de
jararaca (B. jararaca) no caso do soro anti-bothropico e da fracção bothropica
no soro anti-ophidico, preferindo sempre, em virtude das conhecidas variações
da actividade toxica das peçonhas, amostras de veneno que no particular se
approximassem dos chamados padrões: DML = 0 mgr. 001 no da cascavel e
0 mgr. 02 no da jararaca, para o pombo, por via venosa.
Os resultados de nossas verificações estão resumidos nos quadros III,
IV e V.
QUADRO III
Partida
Qualidade
Distribuição
Potência em
primitiva
mgr. por cc.
presente
Perda
PH
actuai
23
não concentrado
17-VII-1903
1.0
03
60 %
32
N N
15-VII-1911
0,5
03
60 %
7.96
3*
H *»
29-IX-1911
13
035
473%
7.78
44
H N
31-VII-1911
13
1.0
443 íi
47
-
3-V-1914
1.4
0.7
50 %
8.02
53
» *f
20-III-1915
1.6
03
43.9 c .í
7.23
59
M h
13-VII-191C
1.2
03
58,4 %
8.08
61
r*
22-IX-1916
03
0.4
56 %
7.72
63
concentrado
26-XII-1916
13
1.1
333 %
67
não concentrado
2-IV-1917
1.0
03
40 %
7.86
68
** n
23-VI-1917
03
0.4
56 %
7.98
83
concentrado
7-1-1922
03
0.6
25 %
92
18-1-1923
03
0.4
50 %
5.77
104
*t
24-X-192I
13
03
20 %
6.15
107
9*
27-III-1925
03
0.7
23 %
111
11-1-1926
13
03
25 %
-
17
338
Memórias do Instituio Butantan
Tomo Vil
QUADRO IV
REDOSEAMENTO DE ANTIVENENOS BOTHROPICOS ANTIGOS
a. Antivencnos bothropicos monovalentes: contra Bothrops jararaca.
Potência
em mgr.
PH
aetual
Partida
Qualidade
Distribuição
por
cc.
Perda
Notas
primitiva
presente
1
náo concentrado
29-XI-1920
1,6
1,4
12%
2
M »»
ll-XII-1920
1,6
V
19 %
3
12-VII-1921
2,4
u
50%
Em 1926 havia
já perdido 33%.
4
»» M
12-VII-1921
2,4
38%
» H M
5
** •*
13-VU-1921
2,4
1.4
42%
Ml»»
0
»* n
19-IX-1921
1,4
36 %
Em 1916 havia
já perdido 36%.
b. Antivencnos bothropicos polivalentes: contra B. jararaca. B. atrox, B. jararacusau,
B. alternata, B. ncuwiedii. B. eotlara e B. itapetiningae.
23
não concentrado
13-V-1911
3,0
50%
7.37
26
»• N
15-III-1912
2,7
2,1
22%
30
N H
4-XI-1912
1.4
U
14 %
32
H M
29-IV-1913
2.0
25%
7.59
33
M «
S-V1II-1913
1.0
54%
42
*• ff
3-11-1915
2.0
1.4
30%
6.89
44
tt ff
8-IX-1915
2,0
40 %
6.86
46
N ff
18-XI-1915
33%
47
rt ff
22-111-1916
1.1
39 %
7.67
ÓO
mixto
30-1X-1916
56%
.
Mistura
soro pseudo-
globulina.
58
não concentrado
23-X-1917
33%
96
concentrado
4-XII-1922
1,6
25%
100
ff
24-IV-1923
2,0
40%
113
ff
9-XI-1925
18%
5.56
18
Amaral, Arastes a Fonseca — Antiloxinas e anlivenenns
339
QUADRO V
REDOSEAMENTO DE ANTI VENENOS OPHIDICOS ANTIGOS
Antiveneno polyvalente contra Crotalus terrificus — Bothrops jararaca. B. atrox.
B. jararacussu, B. altcrnata, B. neuwiedii, B. cotiara c B. itapetiningae c cuja activi-
dade antitoxica é expressa em relação aos venenos de C. terriílena B. jararaca.
Partida
Qualidade
Distribuição
Potência em
primitiTa
mirr. por cc.
presente
Perda
pH
actual
23
não
concentrado
26-VIII-1907
OA X 0.6
0,15 X 0,9
50 X 33 %
7.72
41
n
30-VI-1908
0A X IA
0.125 x 0A
58 X 38 li
75
»*
I*
5-X-1910
0A X IA
5.15 X 1.1
50 X 8%
91
n
7-X-1911
0A5 X 2.7
0.15 x 1.8
51 X 33%
8.02
108
M
**
ll-XII-1912
0A X 2,4
0A X 1.6
33 X 33%
8.10
117
r*
16-Vm-1913
0A X 2.0
0.25 X IA
50 X 35%
136
r*
18-IV-191 1
0.4 X IA
0A2 X 0.9
45 X 50%
143
»•
t*
13-111-1915
0.4.X 2.0
0A4 X IA
40 x 35%
163
M
n
30-III-19I6
0A X 1.4
0.09 X 0A
70 X 64%
7.42
166
M
31-III-1916
OA X IA
0,11 X 0.6
63 X 40%
8.13
169
-
-
5-VI-1916
OA X 1.4
0.11 X 0A
45 X 64%
187
-
19-VII-1917
IA X 2.4
0.9 X 1.6
25 x 33%
197
H
M
2S-V-1J18
0.4 X 1,4
> 0A x OA
< 50 X 43%
7.44
233
concentrado
6-VM922
— Tg— Tgj-.a:
0,4 X 1.1
> 0A x 0A
< 50 x 27%
-
Conclusões — O redoscamcnto de antivenenos entregues ao consumo ha cerca
de 6 a 25 anos. isto é, entre 1907 e 1925. revelou que:
a) em relação ao antiveneno crotalico,
1. ° a perda do poder antivenenoso attingiu ou foi inferior a 50 cm
12 das 16 partidas examinadas (75 $>), tendo oscillado entre 56 a
60 % nas 4 restantes ;
2. ® a inactivação parece não estar ligada directamcnte ao tempo de en-
velhecimento, pois occorre desde os primeiros annos, parecendo
estacionar logo depois;
3. ® a concentração não exerce influencia apreciável sobre a duração da
actividade.
b) em relação ao antiveneno bothropico,
!9
340
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
1. ® a perda do poder antivenenoso attingiu ou foi inferior a 33 % em
10 das 20 partidas examinadas (50 %), oscillando entre 36 e 50 %
em 8 (40 %) ;
2. ° a inactivação parece não estar ligada directamente ao tempo de en-
velhecimento, pois occorre desde os primeiros annos, parecendo es-
tacionar logo depois;
3. ® a concentração não exerce influencia apreciável sobre a duração da
actividade.
c) em relação ao anti veneno ophidico,
1. ® a perda do poder anticrotalico attingiu ou foi inferior a 50 % em
10 das partidas examinadas (72 %), tendo variado entre 51 e 70 %
nas 4 restantes (28%) ; a perda do poder antibothropico nas mes-
mas empolas oscillou entre 8 e 50 % em 12 partidas (85,6 %), ha-
vendo sido de 64 % nas 2 restantes (14,4 c /o) ;
2. ® o poder anticrotalico (anti-neurotoxico) soffre relativamente com
maior frequência a inactivação do que o antibothropico (anti-cyto-
lytico) ;
3. ® a inactivação parece não estar ligada directamente ao tempo de en-
velhecimento, pois occorre desde os primeiros annos, parecendo es-
tacionar logo depois.
COXCLUSOES FIXAES
1. O precipitado que se forma no seio das antitoxinas e antivenenos e
constituído por pseudo-globulina, parece não exercer influencia alguma, ou pelo
menos apreciável, sobre a actividade dos mesmos.
2. A refinação dos plasmas por precipitação fraedonadas das globulinas
e a concentração de iões hydrogenio representada pelo pH encontrado no con-
teúdo das empolas também não parecem influenciar a inactivação, mesmo depois
de um longo periodo de envelhecimento dos produetos.
3. O envelhedmento não é causa apparente da inactivação, a qual occorre
nos primeiros tempos, parecendo depois ficar estadonaria.
4. Essa inactivação apenas attinge, mesmo dentro de 25 annos, 50 % do
valor primitivo, chegando raramente a 60 % (muito exccpcionalmente, a 70 %),
não havendo, portanto, razão absoluta para devolução das empolas por parte
dos consumidores aos laboratorios produetores que, em via de regra, ao indi-
carem a actividade de seus produetos, deixam uma razoavel margem para ga-
rantia de seu emprego por longo tempo.
Amaral, Arantes a Fonseca — Anlitoxinas e anlivenenos
341
ABSTRACT
In the retitration of many samples of antitoxins and antivenins that had
aged for a period sometimes as long as 25 years under ordinaiy conditions,
without spedal preservation precautions, in the consumers’ hands, many inter-
esting facts have been disdosed. These may be briefly summarized as follows:
1. The predpitate formed with the aging of antitoxins and antivenins and
represented by pseudoglobulin seems not to exert any marked influence upon
their activity.
2. Xeither the method of refination or concentration by fractionated
predpitation of globulins as employed at the Instituto Butantan in its routine
work since 1917, nor their final hydrogen ion concentration (pH) seems to con-
tribute towards their inactivation even after a long aging as proved by the
retesting of samples of batches concentrated as early as 1916 at the Instituto
Butantan.
3. Aging itself probably is not the cause of their inactivation as this
occurs during the years following their distribution, becoming more or lcss
stabilized afterwards. Their inactivation at first may reach 50 % of their
primitive titer of which the loss seldom represents GO °/o (exceptionally 70 %)
even after 25 years of aging.
5. Therefore, there is no definhe reason for aged antitoxins and antive-
nins to be entirdy discardcd írom consumption in as much as virtually all
producing laboratories leave a margin of safety in the titer bornc on the labei
of the ampulcs of each batch they prepare.
BIBLIOGRAPHIA
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342
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
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nea Inst. Butantan 1:121-123 et 197-229. 1901-1917); A defesa contra o ophidis-
mo :103.1911 (ed. Pocai & Weiss, S. Paulo); La défense contre l’ophidisme
245-246.1914 (ed. Pocai & Weiss. S. Paulo).
18. Anderson, L. A. P. — On the standardization of RussclTs viper antivenin — Indian J.
Med. Res. XX (1) :4. 1932.
19. Maitra G. C. & Malliek. S. M. K. — Observntions on detoxication of Daboia anti-
venin — Indian J. Med. Res. XX(1) =332.1932.
20. 21. Acton, H. W. Sr KnoxAes, R. — Indian J. Med- Res. 1(2) =326-335.1913 et III (2) :
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tionship — J. Immunology XVI(l) =71-80.1929; Buli. Antivenin Inst. America
11(4) =100-104.1929.
(Trabalho das Seccões de Ophlolo«la e Imnumologia do
Instituto Butantan, apresentado como nota previa
á Semana de Laboratorlo. Soc. Med. e Clr. São
Paulo. Janeiro de 1932).
22
ENSAIO DE CLASSIFICAÇÃO DAS RICKETTSIOSES
Á LUZ DOS NOSSOS ACTUAES CONHECIMENTOS
AFRANIO do AMARAL e J. LEMOS MONTEIRO
SciELO
11 12 13 14
61 4.526 : 61 6-0 1
ENSAIO DE CLASSIFICAÇÃO DAS RICKETTSIOSES
Á LUZ DOS NOSSOS ACTUAES CONHECIMENTOS
POR
AFRANIO do AMARAL e J. LEMOS MONTEIRO
1 XTROD UCÇAO
Na recapitulação que fez (1) dos seus diversos trabalhos experimcntacs
(2-6) sobre a modalidade clinica das “Febres cxanthematicas” registada, desde
1929, entre nós, onde recebeu o nome de “Typho exanthcmatico de S. Paulo’’
(7), o auctor junior (J. L. M.) já havia mostrado a necessidade de se tornar
pluralista o conceito desse importante grupo de infecções, justificando da se-
guinte maneira o seu pensamento a respeito: “O grupo de infecções re-
presentado pelas chamadas “febres typho-exanthcmaticas” ou “typhus” merece,
no estado actual dos nossos conhecimentos, ser desligado do das infecções cau-
sadas pelos verdadeiros virus, para constituir um grupo autonomo. Isto se jus-
tifica pelo facto de o virus do “typhus” (de um modo geral), quando no san-
gue ou nos organs (cerebro) dos doentes ou animaes infectados, não apresen-
tar, como vimos, todos os caracteres cssenciacs dos verdadeiros virus filtráveis,
dos quaes sem duvida dif ferem em muitos pontos os microorganismos do gcncro
Rkkvttsia, cujas relações etiologicas com varias infecções daquclle grupo são ge-
ralmente admittidas hoje em dia. Portanto, não se trataria, naquellc caso, dc
“virus”, porém da existência, no meio circulante e nos organs, do agente infe-
ctuoso sob uma forma, talvez granular, como alguns acreditam, e que represen-
taria uma phase da evolução das rickettsias, facilmente visíveis e encontradas em
outras condições.
Por outro lado, o facto de não ter sido possível cultivarem-se artificialmente
as rickettsias de um modo pratico, a não ser em meio de tecidos, o que não per-
mitte, por enquanto, sua utilização, segundo os processos bacteriológicos com-
muns, para o estudo da biologia, acção sobre hydrocarbonatos, etc., vem diffi-
3
346
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
cultando a diíferenciação biologica destes microorganismos e sua classificação de
accordo com a nomenclatura bacteriológica.
Enquanto isto não acontece, sua distincção systematica somente poderá ser
tentada pelo estudo do comportamento em relação aos animaes sensíveis, a syn-
drome clinica que determinam no homem, os meios de sua transmissão e con-
servação na natureza ou. melhor, pelo estudo epidemiologico das formas de in-
fecção pelas quaes são responsáveis.
Baseado nestes elementos, é já posúvel fazer-se uma distincção entre as
rickettsias responsáveis pelas varias infecções do grupo do “typhus”, embora
certas modalidades clinicas apresentem relações immunologicas e alguns caracte-
res communs. que indicam a mesma origem primitiva. E’ o que acontece com
o typho exanthematico clássico, do velho mundo, e o typho endemico na America
do Xorte (México e Estados Unidos), para os quaes a dualidade foi já admit-
tida por alguns e parece justificar-se pelo que se conhece dos estudos clássicos
sobre o typho do velho mundo e pelos dos auctores que trabalham na America
do Norte (Mooeer. Maxcy, Zinsser, Castaneda, etc.), sobre o typho endemico
no continente septentrional, no que diz respeito principalmente ao comportamen-
to experimental dos vinis, localização e frequência das rickettsiao e epidemiolo-
gia das infecções.
Julgamos que, mesmo assim, o conceito dualista em relação ás infecções do
grupo do “typhus” é ainda restricto. A este grupo pertencem, sem duvida, ou-
tras infecções que se devem distinguir, pelos elementos assignaladcxs e por ou-
tros, das duas modalidades mencionadas. E’ o que acontece com a febre ma-
culosa das Montanhas Rochosas, com a febre marselhesa, com a febre botonosa
de Tunis, com a tsutsugamushi e também com o typho exanthematico de São
Paulo. par3 somente citar algumas qu eapresentam distincções mais evidentes
quanto ao comportamento experimental, presença e localização de rickettsias e
aspecto epidemiologico.
Como nenhuma concepção é definitiva em biologia, na justa expressão de
Nicollc e Sparrow, parece-nos razoavel que se tome pluralista o conceito sobre
este grupo de infecções, que se convencionou chamar “typhus”, mas que melhor
se denominaria de “rickettsiosos", pois que a presença de formas dos microor-
ganismos primeiramente estudados por H. da Rocha Lima na infecção typo, o
typho exanthematico do velho mundo, constitue elemento de distincção já esta-
belecido em relação a algumas formas clinicas e que provavelmente ainda será
assignalado em outras infecções do mesmo grupo”.
Aspecto nomenclatural
Desde aquella data, sinão antes delia, já se rinha fazendo sentir no espirito
da maioria dos pesquisadores da matéria a necessidade de um estudo de con-
juncto que encarasse as diversas formas de Febres exanthematicas em suas rela-
Amaral & Mosteiro — Classificação das Rickettsioses 347
ções reciprocas e variações as mais curiosas por todo o mundo. Esse grupo de
infecções é mais geralmente conhecido pelo nome de Typho exanthematico, de-
nominação contra cuja impropriedade Burnet e Durand (8) e C. Xicolle ainda
ha pouco se revoltavam, tendo-se o ultimo manifestado nestes termos tex-
tuaes: (9)
“Je rapellerai. tout dabord, que le terme Fieires exanthêmati-
ques s’applique à Vensemble des maladies dont le Typhus exanthé-
matique du Vieux Monde est le type le plus anciennement connu et
qui comprend, en dehors de lui. pour no citer que des iníections dont
la signification est bien établie: le Typhus endémique ou bénin, mieux
Typhus murin, la Fièvre boutonneuse, la Fiè\Te pourprée des Mon-
tagnes Rocheuses et les Fièvres fluviales du Japon et d’Indochine.
Le terme, fièvre exanthématique, ne doit donc jamais être employé,
sous peine d’incohérence, pour designer l’une de ces maladies en
particulier”.
Xeste particular, o auctor junior já havia mostrado (1) que a enorme com-
plexidade e confusão reinantes na nomenclatura das Febres exanthematicas ou do
"Typho exanthematico” em geral, impunha uma revisão completa, de accordo com
os preceitos intemacionaes de nomenclatura e que “esse grupo de infecções me-
lhor se designaria pelo nome generico de Rickettsioses. adoptando-sc jiara o caso
da modalidade observada em S. Paulo o nome de Rickettsiose brasileira, con-
forme Afranio do Amaral e Cesar Pinto propuseram por occasião da discussão
deste assumpto numa das sessões da Sociedade de Medicina c Cirurgia de S
Paulo (Semana de Laboratorio, janeiro de 1932)”. Essa confusão de nomes
ainda mais se aggrava quando se tem em vista que. por um descuido linguísti-
co, infelizmente commum nos meios médicos e scientificos. se costuma abreviar
o nome original do Typho exanthematico, chamando-o simplesmente de Typho,
que passa, assim, a não ser discriminado da própria Febre typhoide. a qual. ]>or
outro abuso semelhante de linguagem. írequentissimamente entre nós se appellida
também de Typho. A proposito, não seria talvez inopportuno lembrarmos que,
na nomenclatura latina dos estados morbidos. a palavra Typhus, usada, seja em
sentido particular, acompanhada do especifico exant h c maticus, seja mesmo em sen-
tido generico. se applica. restrictiva e exclusivamente, á Febre exanthematica, de
transmissão pediculiana. e de caracter epidemico, conhecida no Velho Mundo pela
designação especifica de Typho exanthematico ; ao contrario, á dothienenteria se
deve reservar o nome de Febre typhoide, conforme expressão criada por Louis
e Chomel. a qual corresponde a Febris enteriea ou Typhus abdominalis da no-
menclatura latina. Abdominal typhus da alemã. Enteric-fevcr ou Typhoid ferver da
inglesa. Fièire typhoide da francesa. Tifo entérico da italiana, etc., designações
estas que se applicam á infecção que tem por germe o bacillo de Eberth ou
o
348
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Eberthclla typhi. [Consulte-se a proposito desta questão terminológica: Encycl.
Britannica Vol. XXVII, pp. 503 et 508. ed. XI, 1910-1911],
Delimitada, assim, a significação rigorosa dos termos Typho exanthematico
e Febre cxanthematiea, não seria inopportuno que se tratasse desde logo de uni-
ficar a nomenclatura dessas febres por meio de uma expressão curta, clara e pre-
cisa nos moldes das recommendações feitas pelas diversas commissões e congres-
sos nacionaes ou intemacionaes que se têm occupado da classificação das mo-
léstias. Sem duvida alguma, o numero de designações, já superior a 50, appen-
sas ás diversas modalidades clinicas das Febres exanthematicas, está a reclamar
uma unificação urgente que evite de vez a multiplicação de nomes pouco ex-
pressivos e que, por isso, só conseguem gerar maior confusão no dominio da
pathologia.
Estudando-se os critérios adoptados nas tentativas de classificação nosologi-
ca, verifica-se que, mesmo no caso das Febres exanthematicas, elles se circunscre-
vem principalmente aos seguintes factores: l. # symptomatologia clinica, como
Febre tibialgica, Febre cxanthematiea, etc.; 2.® indicações onomásticas, em ho-
menagem a clínicos ou investigadores, como Moléstia de Brill, Moléstia de Me-
gan', etc.; 3.® indicações puramente geographicas, taes como: Typho da Man-
churia. Febre exanthematica morselhesa, etc.; 4.® relações topographicas, taes
como: Febre das trincheiras, Febre fluvial, Typho náutico, etc.; 5.® importân-
cia epidemiologica, como Typhus major e Typhus minor; 6.® lesões histológicas,
como no caso de Endangcitc especifica infcctuosa; 7.® correlação com o trans-
missor ou hospedeiro, conforme se dá com Febre de carrapato da África, ou do
Colorado, Febre dos ratos da Australia, etc.; 8.® influencias sazonaes conforme
acontece com o Dcrmotypho estival; 9.®, finalmente, factores etiologicos, que ser-
viram de justificativa na denominação de Rickettsiose, termo generico que, por
ser curto, claro e preciso, é aqui adoptado.
A’ medida que, com os progressos da medicina experimental no dominio
das moléstias microbianas, se esclarece o papel ders incitantes, impropriamente cha-
mados agentes (com exclusão de outros factores concorrentes na causação des-
sas moléstias), mais e mais ganha terreno o critério etiologico para a classifi-
cação nosologica, desapparecendo da circulação ou cahindo na synonymia as di-
versas denominações baseadas nos restantes critérios acima indicados. Para com-
provar esta asserção bastaria lembrar a rapida generalização dos termos: Pas-
teurellosc, Salmoncllose, Babesiose, Blastomycose, Balantidiose, Leishmaniose,
Ancylostomose, e tantos outros, empregados em substituição a designações va-
gas e complexas e frequentemente impróprias ou inexpressivas. E’ bem verda-
de que, sob o ponto de vista philosophico, a classificação nosographica baseada
apenas no materialismo etiologico, embora mais pratica do que as demais, apresen-
ta o grave inconveniente de excluir a interferencia dos factores ligados ao pro-
prio “terreno morbigeno”. Todavia, acceitas como estão, em virtude de sua pre-
Amaral Jt Monteiro — Classificação das fíickettsioses
349
sença constante em todas as modalidades de Febres exanthematicas, as Ricket-
tsias como seu principal, sinão unico nexo ou elemento de ligação ou approxi-
mação, parece aconselhável basear-se nellas, como seu “incitador” commum, a
systematização taxonomica desse grupo, tanto mais quanto mesmo estabilidade o
termo Rickettsia parece tel-a assegurada por conformidade com as regras fun-
damentaes de prioridade nomenclatural.
Adoptado o termo Rickettsiose no sentido generico, devemos distinguir-lhe
as suas diversas modalidades clinicas, unidades especificas ou mesmo variedades
de accordo com a evolução mais ou menos completa e a differenciação mais ou
menos profunda das Rickettsias correspondentes.
Pluralidade versus unidade nosologica
O grande interesse que o problema das Rickettsioses vem despertando de-
corre, conforme já accentuou o auctor junior, do numero cada vez maior de
infecções que se tém descripto ultimamente nos mais distantes paises do mun-
do e que apresentam certos pontos de aífinidade com o Typho exanthematico,
do qual se apartam pelo aspecto clinico, pelo caracter epidemiologico, pela fei-
ção histo-pathologica, pelas rcacções immunologicas ou pelos dados de natureza
experimental. Consideradas englobadamente, apresentam affinidades tamanhas,
que o critério de sua differenciação deve ser naturalmentc múltiplo e baseado
cm provas variadas, porquanto nem um dado, tomado isoladamente, se tem mos-
trado sufficiente para estabelecer-lhes a distineção. Mesmo a proposito do va-
lor das psovas de immunidadc cruzada na separação dos typos de Febres exan-
thematicas, Xicolle e Laigret (10), ainda reccntemcnte, indicavam a necessidade
de serem ellas realizadas sob um critério quantitativo c fora do chamado "pc-
riodo de premunição” dc Ed. Sergent, sob pena de se chegar a conclusões apres-
sadas, capazes de complicar o estado de confusão, já reinante cm pathologia, por
todo este importante grupo de infecções.
Entre as formas de Febres exanthematicas, aquellas sobre cuja diífcrcncia-
ção mais se tem escripto são justamente o Typho exanthematico (ou Typho clás-
sico, epidêmico) e o chamado Typho americano (Typho mexicano, endêmico),
havendo Xicolle e Laigret, ainda ha alguns meses, mostrado que entre as pro-
vas experimentaes se deve incluir a da verificação da antiguidade e grau dc im-
munidade dos animaes receptivos, porquanto só dessa maneira puderam verifi-
car que os vinis dessas duas infecções, embora sejam bastante afíins entre si,
não são absolutamente idênticos. Mais reccntemcnte, Ricardo Jorge (11) se ex-
primiu, ainda com maior emphase, a este respeito:
“Ce serait une grave erreur, soit d’ordre doctrinal, soit d'ordre
pratique, dassimiler ces diverses espèces étiopathogéniquement et de
les rallier indissolublement aux avatars d’un virus unique — nom-
350
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
mément eelui du typhus exanthématique. Ici. comme ailleurs pour
d’autres groupements iníectieux, on doit se méfier des tendances
imicistes, si séduisantes qu’elles puissent être pour Tesprit”.
Tentativas de systematização
Resenha bibliographica
Em virtude do estado de chãos reinante neste capitulo da pathologia, vários
pesquisadores têm procurado systematizar o assumpto, á medida que surgem no-
vas verificações experimentaes e se esclarecem e se definem as affinidades por
ventura reinantes entre as diversas Febres exanthematicas.
1. Parece que os primeiros auctores que se occuparam da matéria, de uma
maneira precisa, foram Burnet e Durand (8) que. em seu trabalho sobre as
“Febres indeterminadas” mostraram que ellas têm tendencia a agrupar-se em re-
dor de dois polos ou duas entidades mórbidas definidas: o Typho exanthema-
íico, de um lado, e a Tsutsugamushi, de outro, indicando que ao l.° grupo se
deviam desde logo juntar a chamada Moléstia de Brill, o Typho americano e o
Typho tropical em suas diversas modalidades geographicas e incluindo-se no 2.®
grupo o Typho tropical por Trombicula; finalmente, pensaram que a Febre exan-
thematica marselhesa constituiria um 3.® polo ou entidade mórbida definida, tra-
zendo «ao seu lado a Febre botonosa.
2. Jorge (12), versando sobre o app«arecimento de uma Febre exanthe-
matica cm Portugal e de sua situação nosologica, propôs a criação de dois gru-
pos provisorios, baseados nos caracteres do exanthema: forma maculosa e for-
ma papulosa, a primeira das quacs se acompanharia de “rash” como unico sym-
ptoma exterior, visivel, e reacção positiva de Weil-Felix, enquanto a segunda
traria quasi sempre eschara e adenite c reacção negativa de Weil-Felix.
Xo 1.® grupo collocou as seguintes modalidades: Typho exanthematico (por
Pediculideos) ; Typhus minor ou Moléstia de Brill (por Pediculideos?) ; Febre
maculosa das Montanhas Rochosas (por Ixodideos — Dcrmacentor andersoni) ;
Pseudo-typhus tropical (em parte).
Xo 2.® grupo incluiu as seguintes modalidades: Febre exanthematica ou es-
charo-nodular (por Ixodideos?) ; a Tsutsugamushi (por Trombidiideos — Trom-
bicula akamiishi e outras spp.) ; “Tick-bite-fever” não recorrente (por Ixodideos
— Amblyomma hebraenm e outros).
3. Jewel e Cormack (13), estudando a Febre exanthematica que occorre
em Kenya, adoptaram uma attitude mais unicista, achando que as varias moda-
lidades clinicas desta infecção, até então descriptas em vários paises, talvez não
passassem de meras variações da infecção typo, o Typho exanthematico, c re-
sultantes da influencia diversificadora de climas e modots de transmissão.
Amaral & Monteiro — Classificação das Rickettsioses
351
4. Felix e Rhodes (14), investigando cuidadosamente o aspecto sorolo-
gico da questão, especialmente á luz das provas de agglutinação, admittiram as
seguintes modalidades clinicas do Typhus e infecções affins, que corresponde-
riam a differentes distribuições geographicas e vectores: Typhos epidemico e en-
dêmico; Tobardillo ou Typho mexicano; Typho epidemico ou Moléstia de Brill;
Tvpho endemico australiano; Typho endemico italiano; Febre maculosa das Mon-
tanhas Rochosas; Typho tropical, typo W; Typho tropical, typo K; Tsutsuga-
mushi malaia; Tsutsugamushi japonesa; Febre exanthematica da índia e Febre
exanthematica de Marselha.
5. Kraus (15) tratou da diíferenciaçáo biologica das “diversas varieda-
des do Typho exanthematico” mostrando que, sob esse critério, se podiam con-
siderar como affins ao Typho exanthematico clássico a Moléstia de Brill e o
Tobardillo mexicano, bem como a Febre botonosa da África, a Febre exanthe-
matica da Australia, transmittida por Trombicula [sic], e o Typho tropical da
Malasia com o camondongo por depositário. Considerou ainda affins as outras
Rickettsioses, taes como a Febre wolhynica, a Febre maculosa e certas infecções
de origem obscura, entre as quaes a Febre mediterrânea [sic], a Tsutsugamushi
e outras, lembrando, por fim, que o virus, adaptando-se ao hospedeiro, apresen-
taria modificações em seu poder pathogenico e caracteres antigcnicos.
6. O auctor junior (1), baseado principalmente no trabalho de Felix c Rho-
des (14) e em estudos subsequentes, organizou e publicou um quadro de clas-
sificação das varias febres exanthematicas de conformidade com o critério soro-
logico adoptado por esses auctores.
7. Jorge (11), mais recentemente, mostrou que,
“Le critcre de l’immunité croisée prouve que les deux virus
[typhus majeur et tnineur] sont de la même famille: l'un protege con-
tre 1’autre. Déduirc de là leur identité de nature absoluc, c’est bien
risque: le cowpox protege contre le smallpox et réciproquement, et
pourtant les deux maladies ne se confondent pas. Or, les deux ty-
phus 5’écartent justement par la doublc réaction rat-cobaye : sensibi-
lité du rat au virus majeur [sic] — électivité du virus mineur pour
la vaginale du cobaye. Donc, des virus distincts”.
Accentuou ainda que, em setembro do corrente anno, o l.° Congresso de
Hygicne Mediterrânea reunido em Marselha, fez a seguinte recommendação :
“que les médecins méditerranéens et le médecins des autres pays
portent leur attention sur tous les cas de Fièvrcs exanlhématiques,
de façon à arriver à une connaissance de plus en plus exacte de cha-
cune de ces fièvres et de leurs rapports entre elles. II engage les
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352
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
laboratoires à poursuivre la même étude avec les virus et il demande
aux diniciens et aux médecins de laboratoire de rester en contact et
d’entrer en relation avec les laboratoires compétents et les Services
d’Hygiène.
II estime que la dénomination de “Fièvre Boutonneuse”, déjà
employée, convient d’être retenue pour designer la maladie décrite
pour la première fois par Conor et Bruch, à Tunis, et retrouvée
en divers points du littoral méditerranéen, en particulier à Marseille
par Olmer, en Italie et dans d’autres pays. Le terme de “Fièvre
exanthématique” doit être reserve a 1’ensemble des maladies dont le
Typhus exanthématique est le type et dont fait partie la Fièvre
boutonneuse”.
Finalmente, depois de mostrar as diíferenças existentes entre o Typho
epidemico e o Typho endemico, encarou a Familia typho-exanthematica á luz
dos caracteres pathologicos, de um lado, e dos caracteres biologicos, de outro lado ;
entre os primeiros incluiu a forma do exanthema, que pode ser maculoso ou en-
tão papuloso, também chamado botonoso ou nodular e, neste caso. acompanhado
ou não de cschara e adenite de caracter secundário; entre os caracteres bio-
logicos juntou as reacções experimentaes, as especies vectoras e as especies pa-
rasitarias. A proposito, mostrou que a reacção de Weü-Felix, por si só, não
serve de meio de differenciação, porquanto varia segundo a amostra empre-
gada e segundo o periodo clinico da infecção; a experimentação se faz em ani-
maes reactivos como os camondongos e a cobaia e pela cultura virulenta na
camara anterior do olho (mcthodo de Xagayo) ; os transmissores são insectos
(pulgas e piolhos) c Ixodideos [O auctor omittiu os Trombidiideos] ; as es-
pecies parasitarias ou “agentes pathogenicos” seriam protozoários do genero
Rickcttsia [A maioria dos experimentadores consideram as Rickettsias como
bactérias], das quaes assignalou as mais importantes. A’ luz dos caracteres do
exanthema, maculoso ou papuloso, distinguiu dois grupos de infecção: o exan-
thematico e o botonoso, subdivindo-os do seguinte modo:
l. # grupo — Febre exanthematica de exanthema maculoso, sem papulas,
nem eschara, nem adenite. Reacção de Weil-Felix geralmente positiva :
Typhus major (historico). Vector pediculideo: Pcdiculus vestimenti. Rato
rcfractario, cobaia receptiva com lesões cerebraes.
Typhus minor (tnurino, Brill). Vector puliddeo: Xcnopsylla chcopis e
Ccralophyllus fasciatus. Enzootia murina, cobaia receptiva com lesões escrotaes.
Febre maculosa ( spotlcd fever ) das Montanhas Rochosas. Vector ixodi-
deo: Dcrmacentor andersoni.
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Amaral a Monteiro — Classificação das Rickettsioses
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2.° grupo — Febre exanthematica de exanthema papuloso ou nodoso, de es-
chara e adenite mais ou menos frequentes. Reacção de Weü-Felix geralmente
negativa ou pouco pronunciada e tardia:
Febre bolonosa. Vector ixodideo: Rhipicephalus sanguineus.
Febre tsutsugamushi. Vector acariano [aliás, trombidiideo] : Trombicula
akamushi e outros Trombicula.
Tick-bite fever não recorrente. Vector ixodideo: Amblyomma hebraeum
e outros carrapatos.
Phylogenia das febres exanthematicas
Antes de examinarmos as possiveis relações phylogeneticas das Rickettsias
em suas actuações como factores pathogenicos, devemos encapar a significação
do termo “causa” em pathologia e, depois, examinar a possibilidade das adapta-
ções daquelles germes.
Rickettsias como “ causadores ” — E’ verdadeiramente surprehendente a
unanimidade de vistas que parece reinar entre os microbiologistas quando, em seus
trabalhos sobre moléstias iníectuosas, se referem aos microbios, na accepção lata
do termo, como “causa” das mesmas, fazendo exclusão systematica, sinão pro-
posital, de todos os demais factores que interferem em sua etiopathogcnia. Em-
polgados pelas doutrinas meramente morphologicas que servem de substratum á
presente phase microbiana da pathologia, os investigadores modernos desprezam
frequentemente a influencia que os phenomenos physiologicos ou physico-chimi-
cos parecem exercer no processar das moléstias sob a influencia, quer de factores
internos, geneticos ou não, ou constitucionaes do proprio organismo, quer sob a
acção de agentes externos ou ambientes. E’ bem verdade que, de vez em quando,
se ouve uma voz ou outra dissonante a levantar-se no meio desta verdadeira sym-
phonia e a clamar pela necessidade de se deixarem de considerar os microbios como
"causas” exclusivas daquellas moléstias, mas sim como seus “incitantes” ou
"excitantes”. Guiados pelos modernos estudos biologicos, esses últimos auctores
e espccialmente Rõssle (16), Siemens (17), Bauer (18), Oertel (19), Lcnz (20),
Jennings (21) e Link (22) têm prindpalmente mostrado a influencia dos facto-
res geneticos e não geneticos na etiologia dos estados morbidos. A simples inter-
ferência dos microbios não pode explicar a razão de certos indivíduos ou espccies
ss mostrarem refractarios a determinadas infecções, nem o facto de, sob deter-
minadas condições climáticas, desappareccrem rapidamente os symptomas de
certas infecções parasitarias como, por exemplo, acontece com o impaludismo.
Tampouco, em relação ás Febres exanthematicas se podem considerar as Ri-
ckettsias como suas causas exclusivas, pois isto deixaria inexplicável, entre outros
phenomenos, o da resistência de certas especies de aniinaes á infecção expe-
rimental.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
Adaptações das Rickettsias — Quando se compulsa a literatura sobre as Ri-
ckettsioses em geral e se encara a maneira pela qual os vários auctores se ex-
primem, de um lado, a respeito da possível evolução que soffreram as Rickettsias
até se tomarem altamente pathogenicas e, de outro lado, se manifestam a cerca
da provável phylogenia das diversas modalidades clinicas destas infecções, não se
pode deixar de estranhar a nitida influencia que as theorias lamarckianas parece
terem exercido sobre o espirito dos investigadores deste capitulo. Xa verdade,
verifica-se frequentemente que, sem fazerem a minima resalva a proposito da
significação philosophica de seus postulados, os investigadores falam desembara-
çadamente de adaptações que as Rickettsias teriam apresentado, sob a influencia
de condições de terreno no organismo dos vários transmissores e depositários na
natureza, e de outros phenomenos de igual caracter.
A este proposito convem lembrar que no estado actual dos nossos conheci-
mentos se devem distinguir dois grupos de seres de accordo com o caracter das
transformações que sofírem no decorrer da sua evolução phylogenetica, ficando
num grupo as bactérias e as cyanophyceas e no outro a quasi totalidade das demais
formas, actualmente conhecidas.
Encarando-se particularmente esse 2.® grupo, reconhece-se que não ha es-
pecie baseado em um só caracter morphologico e que as chamadas “especies” di-
vergentes por um só caracter physiologico não passam de meras variedades, con-
forme Jacot (23) mostrou recentemente. De accordo com esta doutrina, qual-
quer especie se distingue das demais mesmo congenericas, por uma serie de ca-
racteres: morphologicos, physiologicos e ethologicos. Assim sendo, uma espccie
origina-se pela mudança, não de um só caracter, mas de vários ao mesmo tempo ;
essas mudanças correspondem a mutações ou alterações de origem germinal e não
a somações ou alterações de natureza somatica.
Quanto ás bactérias e cyanophyceas constitutivas do 1.® grupo, como orga-
nismos sem núcleo definido e ao contrario do que occorre mesmo com os proprios
cogumelos, cuja actuação para com o respectivo hospedador, poder de invasão e
virulência, podem ser condicionados, pelo menos em parte, por factores geneticos,
segundo se deprehende dos estudos de Fischer e Gãumann (24), de Kniep (25)
e de Goldschmidt (26). naquelle grupo os individuos se podem considerar como
portadores de um certo numero de geneos de uma só ou de varias qualidades, dis-
tribuídos irregularmente na massa cytoplasmica. Outrosim, as suas hypotheticas
unidades hereditárias não são de natureza chromosomica, de sorte que sua herança
não é de typo mendeliano, conforme ainda recentemente Wright (27) accentuava.
Seja qual for desses grupos o em que se venham de futuro incluir as Ri-
ckettsias, parece-nos indiscutível que sua presença, sob condições naturaes, em
determinadas formas animaes, com exclusão de outras, é o sufficiente para jus-
tificar o reconhecimento de especies autochtonas, mesmo na falta de diíferenças
por ventura morphologicas que a technica microbiologica ainda não conseguiu
trazer á luz.
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Amaral a Monteiro — Classificação das fíickeltsioses
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Conforme Robson (28) deixou bem claro, o habitat ou qualquer habito de
um grupo de indivíduos tem, em biologia geral, valor tão especifico quanto um
caracter estructural, porquanto se origina como unidade independente, coincide
com peculiaridades de caracteres morphologicos — embora demasiado finas para
se usarem como base de difíerenciação systematica — e, entre as formas nuclea-
das, obedece ás leis especiaes de transmissão e hereditariedade. A preferencia
que se dá actualmente, na difíerenciação das especies, aos caracteres morpholo-
gicos é de natureza bastante precaria, porquanto é devida apenas á facilidade que
os biologos (em sua maioria morphologos) sentem em ver, medir ou descrever
taes caracteres, o que não seria possível com os hábitos, que se perdem desde
que o individuo morre e que são por assim dizer intangiveis mesmo no indivíduo
vivo . . . Alem disso, dentro de um mesmo genero, a selecção natural parece
operar-se muito mais por meio de hábitos (factores ethologicos) e por preferen-
cias de habitat (factores ecologieos) do que através de estructuras superficiaes,
cujas differenças apparentemente só superam o valor daquelles factores, como
elementos selectivos, quando são tão accentuadas. que ultrapassam o limite mesmo
das espedes e adquirem a significação de caracteres genéricos ou familiaes.
Nessas condições, as constantes variações que se notam no comportamento
das Rickettsias e a relativa facilidade de sua adaptação, pelo menos apparcntc e
provisória (porque se trata de experimentações em decurso ainda muito limitado)
se podem explicar á luz de qualquer das duas doutrinas, lamarckiana ou mende-
liana: a) caso fossem anucleadas, como parece por estarem incluídas entre as
bactérias, as Rickettsias. de accordo com a explicação lamarckiana, adaptar-se-iam
facilmente e soffreriam modificações physiologicas importantes cm seu compor-
tamento consoante os transmissores ou depositários por cujo organismo tivessem
de transitar; b) si, porém, se viesse a demonstrar que são nucleadas, a simples
presença de um agrupamento de indivíduos de hábitos idênticos em seu compor-
tamento physiologico e dentro de um mesmo habitat pareceria sufficiente, dentro
do mais puro mendelismo, para caracterizar uma especie differenciada. Desse ou
daquelle modo, quando um investigador se defronta com um individuo ou grupo
de indivíduos que se apartam, por esses caracteres, de outros já conhecidos, sente
ellc para logo a necessidade de decidir si tem diante de si uma forma nova que
é preciso denominar e descrever para mais facilmente a distinguir das demais,
ou apenas uma variação de forma já denominada e descripta. Em qualquer dos
casos corre elle risco: no l.°, porque pode vir a descrever um ser já conhecido;
no 2.®, porque pode deixar ignorado um ser ainda desconhecido, o que é, sem
duvida, muito mais grave para o proprio progresso da sdencia. Assim sendo, é
prudente ou pelo menos indicado que o investigador applique uma denominação
distincta a cada ser difíerente que encontra dentro das condições acima referidas.
Devemos, entretanto, accentuar que. á luz do critério adoptado em bacterio-
logia, a distineção especifica entre os germes frequentemente se baseia na simples
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
fermentação de glycidas ou em outras divergendas de ordem physiologica ou phy-
sico-chimica, conforme se dá dentro dos generos Shigelh Castellani & Chalmers,
1919, SalmoneUa Lignières, 1900, Eberthella Buchanan, 1918, Eschcrichia C. &
C., 1919 e tantos outros. A proposito é curioso notar que os estudos mais re-
centes sobre dissociação microbiana vêm revelando, dentro das especies, a exis-
tência de variações culturaes correspondentes ás “variações dissociativas” da no-
menclatura de Winslow, (29) que, embora não sejam tão fixas quanto os ca-
racteres especificos, parecem ás vezes mais importantes do que elles. Todos estes
factos estão a demonstrar a necessidade de uma futura revisão, para poderem ser
devidamente interpretados perante os postulados, felizmente mutáveis e, por-
tanto, capazes de aperfeiçoamento, da philosophia biologica.
Feitas estas considerações que justificam a orientação que tomámos neste
trabalho, registando como novas algumas formas de Rickettsias que se distinguem
das já conhecidas por meio de caracteres de diversa significação, vejamos as
varias explicações que se têm ultimamente aventado para as modificações assi-
gnaladas no comportamento das Rickettsias e sua acquisição de virulência para o
organismo dos arthropodos, dos roedores, de outros animaes de experimentação
e do homem:
1. iSegundo Jewell e Cormack (13), a primitiva forma de Rickettsia,
entre as occor rentes nas Febres exanthematicas seria a do piolho humano (Ri-
ckettsia prmcazeki), causadora do typho exanthematico ou epidemico, o qual, a
seu ver, seria a infecção original ou “mother infection”.
2. Para Mooser (30) o typo murino ( Rickettsia mooseri Monteiro, 1931),
“causador” da Rickettsiose endêmica, constituiria a forma primitiva do germe,
enquanto o typo humano, insulado em casos epidêmicos (Typho exanthematico).
representaria a forma de adaptação secundaria ao cyclo piolho-homem.
3. No opinar de Nicolle (31), pelo contrario, o typo mais antigo seria o
virus historico (A’, prozvazeki) que teria, porem, uma origem commum com o
viras murino.
4. De seu lado, Kodama (32) mostra-se inclinado a acreditar que a Rickett-
sia primitiva é a da Moléstia de Brill ou Typho endemico. Segundo este auctor,
o typho teria sido a principio uma doença dos ratos, raramente transmittida ao
homem pela pulga e o viras, assim, teria infectado o homem e o respectivo piolho
e originado a forma epidemica da infecção. Esta, aliás, é a opinião de Mooser
anteriormente emittida.
5. Finalmente, para Fletcher (33) as Rickettsias teriam sido originalmen-
tc parasitas de plantas que ainda hoje servem de alimento a mucuins (Trombi-
diideos) adultos; as modalidades clinicas mais remotas da infecção teriam sido
as transmittidas por estes Arthropodos ou por Ixodideos; o Typho exanthema-
tico só teria apparecido quando o homem começou a vestir-se, de sorte que, auto-
maticamente, aquelles germes se adaptaram aos Pediculideos.
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Historia Natural das Rickettsioses
Admittindo-se a possibilidade dessas adaptações e transformações das Ri-
ckettsias, poder-se-ia pensar na seguinte evolução:
1* phase: Sendo originalmente phyto-parasitas, conforme suggeriu Flet-
cher, as Rickettsias teriam, de inicio, contaminado os Trombidiideos que ainda
hoje, em sua phase nymphal e adulta, se alimentam de suecos vegetaes; cm se-
guida os Trombidiideos teriam accidentalmente transmittido as Rickettsias a cer-
tos roedores que, com a evolução, lhes passaram a servir de hospedadores na-
turaes e, depois, ao homem, conforme se dá com a Rickett'siose oriental ou
T sutsugamush i no Japão, na Formosa, na Sumatra e talvez na Cochin-China ;
es/e seria o grupo I das Rickettsioses.
2* phase: Chegando ao organismo dos roedores, as Rickettsias teriam tal-
vez encontrado condições frequentes de facil disseminação e contaminado então,
em primeiro logar, entre os ecto-parasitas desses depositários roedores, os Ixo-
dideos, por cujo intermédio teriam infectado mais tarde o homem, e determina-
do então a Rickettsiose tropical com as formas assignaladas na Malasia, na ín-
dia, na Australia e na África: este seria o grupo II das Rickettsioses.
3* phase: Transformados os roedores em depositários constantes c infe-
ctados os Ixodideos, teria sido facil, desse modo, ás Rickettsias disseminar-se gra-
dativamente por diversas regiões do globo, acompanhando as migrações primiti-
vas das raças humanas, seja para a bacia do Mediterrâneo, onde surgiu a Febre
botonosa, seja para a região norte-americana, onde appareceu a Febre maculosa
nearctica em suas duas modalidades (typo Oeste e typo Leste) ou, então, para a
própria região meridional, onde já está assignalada a Febre maculosa neotropica
(“Typho exanthematico de S. Paulo”), sendo provável o registo de outras for-
mas afíins em regiões sul-americanas: este seria o grupo III das Rickettsioses.
4.* phase: Impossibilitadas talvez de chegar ao homem com frequência,
as Rickettsias ter-se-iam restringindo quasi exclusivamcnte aos roedores, entre
os quaes fariam hodiemamente passagens successivas c gcralmente pouco nocivas
a elles, por meio das pulgas respectivas, que teriam começado então a actuar como
vectores e por cuja picada os homens só occasionalmentc se poderiam conta-
minar, originando-se, assim e em l.° logar, a modalidade geralmente m urina ou
enzootica: Riekettsiose intermedia ou minor; teria por ventura sido igualmcnte
possivel ás Rickettsias, nesse estagio de sua phylogcnia, fazer passagens mais
frequentes pelo homem c pelos roedores e, nestas condições, determinar uma
nova modalidade: Rickettsiose endemica ou murina, geralmcnte confundida com
a forma intermedia ou minor; finalmente, havendo contaminado o homem
e tendo este, ao chegar a climas mais frios, sentido a necessidade de usar ves-
timentas, criando, assim, um facil abrigo a Pcdiculideos, as Rickettsias teriam
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35S
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
contaminado estes ecto-parasitas, occasionando uma infecção, já agora de ca-
racter epidemico, devido á facilidade da vehiculação do germe, podendo-se, dessa
maneira, explicar o apparecimento, primeiro da Rickettsiose wolhynica, geral-
mente benigna, e, mais tarde, ou então ao mesmo tempo, da Rickettsiose epidemica
ou major no homem, depositário definitivo e exclusivo do germe nesta phase:
este seria o grupo IV das Rickettsioses.
Esta possivel evolução, que se baseia em dados de natureza ethnologica e ar-
cheologica, associados ás prováveis migrações das raças humanas, e de natureza
etiopathogenica, immunologica, epidemiologica e zoogeographica, ligados á biolo-
gia das próprias Rickettsias, pode ser representada no seguinte diagramma:
I
Evolução histórica das Rickettsioses
DIAGRAMMA I
Grupo II
R. oriental (Japão)
R. oriental (Sumatra)
I
V
R. tropical (Malasia)
R. tropical (Australia)
R. tropical (índia)
R. tropical (África)
R. nearctica: Montanhas Rochosas
(America do Norte)
R. neotropica: S. Paulo
(America do Sul)
R. botonosa (Mediterrâneo)
Grupo III
R. intermedia 1
R. endemica |
R. wolhynica
R. epidemica j
Grupo IV
Embora baseada em mera hypothese, esta explicação da interíerencia dos
acarianos na iniciação da phylogenia das Rickettsioses, está em suas linhas geraes,
conforme, não somente com os vários factos de natureza immunologica regis-
tados sobretudo por Mooser, Nicole e Fletcher, sinão também com certos dados
ehronologicos ou históricos, taes como: 1.® o reconhecimento, entre os antigos
chineses, da relação entre a sua Febre exanthematica e um acariano ou Trombi-
diideo; 2.° a provável associação de ef feito e causa, por parte dos Aztecas, entre
a sua Febre exanthematica ou tobardillo (Matlalzahuatl) e um acariano (Tlal-
zahuatl) que, antigamente, lhe teria servido de transmissor. Estes dados histo-
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Amaral & Monteiro — Classificação das Ricketlsioses
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ricos, tirados do trabalho de Sambon (34), estão discutidos pelo nosso collega,
F. da Fonseca, em uma de suas “Xotas de Acareologia”, publicado em outra
parte desta Revista (35).
Xo decorrer dessa evolução pode ter acontecido que, ao invés de se terem
processado no inicio da 4.* phase, a interíerencia defintiva dos roedores na ma-
nutenção da pathogeniddade das Rickettsias na natureza e a passagens destas
ás pulgas tenham occorrido muito mais precocemente, isto é, logo após a acqui-
sição de pathogeniddade por parte desses microorganismos como resultado mesmo
de sua passagem pelo organismo dos Trombidiideos e, por intermédio destes,
pelo dos roedores. Xestas condições o grupo correspondente a esta phase pas-
saria a ser o 2.° e o diagramma da phylogenese acima modificar-se-ia de algum
modo, ficando assim organizado:
Baseados agora nos dados precedentes e dando especial attenção ás provas
de immunidade cruzada, conforme recommendaram Xicolle c Laigret (10) c á
especificidade do transmissor habitual, segundo estudos recentes, resolvemos sug-
gerir a distribuição das varias formas clinicas de Rickettsioses em grupos ou uni-
dades centraes. separáveis em diversas formas. Os grupos ou unidades cen-
traes seriam condicionados pelos respectivos typos de depositários naturaes e
pelas provas de immunidade cruzada, positivas entre as varias formas que,
por sua vez, obedeceriam á especificidade do transmissor habitual dentro da res-
pectiva distribuição zoogeographica e outros caracteres. Essa associação dos
DIAGRAMMA II
Planiasf
Rickettsias
Trombidiideos
9 o
3 c
Grupo II
R. tropical (Australia)
R. neoíropica: S. Paulo
(America do Sul)
R. botonosa (Mediterrâneo)
R. wolhynica
R. epidcmica
17
360
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
critérios etiopathogenico, immunoiogico, epidemiologico e chorologico, parece
sufficiente para justificar a criação dos seguintes grupos e respectivas modali-
dades clinicas, dentro da provável phylogenia das Rickettsioses :
SYSTEM ATIZAÇAO DAS RICKETTSIOSES:
Grupo I
Forma A. Rickettsiose oriental: typo do Japão (e Formosa e Cochinchina).
Synonymos: Febre fluvial do Japão; Shimamushi, Tsutsugamushi e Doen-
ça de Kedani.
.Hospedadores naturaes: Roedores, constantes.
Transmissor habitual: Trombicula akamushi.
Rickettsia: R. oricntalis Nagayo et al., 1930.
Forma B. Rickettsiose oriental : typo da Sumatra.
Synonymos : Tsutsugamushi; Doença de Kedani e Pseudo-typhoide r’a Su-
matra (Schüffner).
.Hospedadores naturaes: Roedores, constantes.
Transmissor habitual: Trombicula dclicnsis.
Rickettsia: R. oricntalis , var. schüffneri, var. n.
Xota: A immunidade cruzada é positiva entre os 2 typos.
Grupo II
Forma A. Rickettsiose tropical: typo da Malasia.
Synonymos: Typho tropical dos Estados Malaios (forma K ou rural):
Scrub typhus e Doença de Megaw.
Hospedadores naturaes: Roedores, constantes.
Transmissor habitual: Ixodideos. provavelmente.
Rickettsia: R. mcgazci, sp. n.
Forma B. Rickettsiose tropical: typo da índia.
Synonymos : Typho esporádico da índia (Sporadic typhus like-disease oí
índia) e Doença de Megaw.
Hospedadores naturaes: Roedores, constantes.
T ransmissor habitual : Ixodideos, provavelmente.
Rickettsia: R. megaivi, var. fletcheri, var. n.
Forma C. Rickettsiose tropical: typo da Australia.
Synonymos : Typho australiano de Queensland e Febre do litoral.
Hospedadores naturaes: Roedores, constantes.
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Amaral Jfc Monteiro — Classificação das Rickellsioses
361
Transmissor habitual: Ixodideos. provavelmente.
Rickettsia: R. mcgawi, var. breinli, var. n.
Forma D. Riekettsiose tropical: typo da África.
Synonymos : Febre de carrapato da África (Tick-bite-fever) e Doença de
Nuttall e Sant’Anna.
Hospedadores naturaes: Roedores, constantes.
Transmissor habitual: Ixodideos, provavelmente.
Rickettsia: R. mcgawi, var. pijpcri, var. n.
Xota: A immunidade cruzada é apparcntemente positiva entre os 4 typos.
Grupo III
Forma A. Riekettsiose botonosa: typo Mediterrâneo.
Synonymos: Febre botonosa de Tunis; Febre cxanthematica e Febre
eruptiva.
Hospedadores naturaes: Cão e, possivelmente, roedores; o proprio trans-
missor pode representar o papel de depositário na natureza.
Transmissor habitual: Ixodideo ( Rhipiccphalus sanguíneas ) .
Rickettsia: R. conori Brumpt, 1932.
Forma B. Riekettsiose maculosa nearctica: typo Oeste.
Synonymos: Febre maculosa das Montanhas Rochosas; Febre maculosa das
Montanhas Rochosas (typo oeste) e Endangeite especifica iníectuosa
(Wolbach).
Hospedadores naturaes: Roedores, constantes; o transmissor pode repre-
sentar o papel de depositário.
Transmissor habitual; Ixodideo ( Dcrmaccntor andersoni).
Rickettsia: R. rickcttsi (Wolbach, 1919).
Forma C. Riekettsiose maculosa nearctica: typo Este.
Synonymos: Febre maculosa das Montanhas Rochosas (typo leste); Febre
de carrapato do Colorado (Colorado tick-fever) e Febre maculosa de
Minnesota, etc.
Hospedadores naturaes: Roedores, constantes; o proprio transmissor pode
representar o papel de depositário.
Transmissor habitual: Ixodideo ( Dcrmaccntor variabilis).
Rickettsia: R. typhi (Wolbach et Todd, 1920)?
Forma D. Riekettsiose maculosa neotropica: typo de S. Paulo.
Synonymos : Typho exanthematico de S. Paulo; Typho endemico de S.
Paulo; Riekettsiose brasileira; Doença de Piza, Mcyer e Gomes e
Febre maculosa de S. Paulo.
19
362
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
Hospcdadores naturaes; Roedores, constantes; o proprio transmissor pode
, representar o papel de depositário.
Transmissor habitual: Ixodideo ( Amblyomma cajennense, provavelmente).
Rickettsia: R. brasiliensis Monteiro, 1931.
Xota: A immunidade cruzada é positiva entre os 4 typos.
Grcpo IV
Forma A. Rickettsiose intermedia ou minor.
Synonymos: Doença de Brill; Typho benigno; Febre exanthematica mar-
.selhesa ; Typho náutico; Typho marinho; Typho dos navios de guer-
ra; (iDoença dos ratos de Toowoombamouse disease) ; Febre eruptiva,
de Carducci e Dermotypho estival não diffusivel, de Pecori.
Hospedadores naturaes: Roedores, constantes.
Transmissor habitual: Puliddeos.
Rickettsia: R. tnuricola Monteiro et Fonseca, 1932.
Forma B. Rickettsiose endemica ou murina.
Synonymos: Typho americano; Typho mexicano (tobardillo) ; Typho dos
Estados do Sul dos E.E. U.U. ; Typho exanthematico do Xovo Mundo;
Doença de Brill ; Typho da Mandchuria ; Typho endemico ; Typho tropical
(forma urbana ou W ou Shop-typhus) dos Estados Malayos ; Typhus
like-fever (Australia) etc. e Typho exanthematico guatemalteco.
Hospedadores naturaes: Roedores, frequente -f- Homens, frequentes.
Transmissor habitual: Puliddeos.
Rickettsia: R. mooscri Monteiro, 1931.
Forma C. Rickettsiose wolhynica ou quintana.
Synonymos : Febre dos 5 dias; Febre quintana; Febre tibialgica; Febre
wolhynica e Febre das trincheiras.
Hospedador natural: Homem, constante.
Transmissor habitual: Pediculideo ( Pcdiailus humanus).
Rickettsia: R. pcdiculi Rocha Lima, 1916.
Forma D. Rickettsiose epidemica ou major.
Synonymos : Typho exanthematico: Typho exanthematico epidemico; Ty-
pho exanthematico dassico; Typho exanthematico do Velho Mundo;
Typho historico (Xicolle); Typho epidemico c Typhus major (Troi-
sier e Cattan).
Hospedador natural: Homem, constante.
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Amaral &. Monteiro — Classificação das Ilicketlsioses
363
Transmissor habitual: Pediculideo ( Pcdtculus huvtanus).
Rickettsia: R. prmoazeki Rocha Lima, 1916.
Xota: A immunidade cruzada é positiva entre os 4 typos.
Esperamos que esta classificação preliminar, baseada, em parte, em estudos
comparativos da Rickettsiose maculosa neotropica com os outros typos e, em parte,
na analyse dos trabalhos de muitos auctores citados na “Bibliographia geral”, a se-
guir, mereça a critica dos estudiosos, como uma pequena contribuição que é, de nossa
parte, ao esclarecimento das relações reciprocas c da validez das innumeras fe-
bres exanthematicas descriptas ultimamente. Enquanto não for adoptada com
as modificações que a experiencia ditar e dada a possibilidade de vir também
a ser rejeitada á luz de novas contribuições, continuaremos a usar a antiga
nomenclatura.
RESUMO
Todos os investigadores de questões ligadas ás Febres exanthematicas sen-
tem crescente necessidade de uma classificação que unifique a nomenclatura
destas moléstias á luz de um critério invariável, embora múltiplo, tomando, assim,
possível a systematização da matéria, de sorte a facilitar sua comprehensão-
Do ponto de vista puramente nomcnclatural, seria preferível que, encaran-
do-se primeiramente, de accordo com as modernas tendências nosographicas, o
“incitante” generico ou “factor etiologico” das Febres exanthematicas, se desse
ás mesmas a denominação de Rickcttsioses. A distineção de suas modalidades
clinicas ou unidades especificas ou mesmo de suas variedades deveria basear-se
no reconhecimento dos diversos typos de depositários naturaes e vedores habi-
tuaes, nas provas de immunidade cruzada e nos caraderes demiologicos e choro-
logicos respedivos, reacções sorologicas e comportamento experimental.
A systematização do assumpto deveria, de seu lado, fundar-se nos dados
fornecidos pela provável evolução histórica e phylogenia das Febres exanthema-
ticas, encarando, portanto, a possibilidade de haverem as Rickettsias, talvez ori-
ginalmente phyto-parasitas, contaminado primeiro certos Trombidiidcos que as
teriam transmittido a roedores e, depois, ao homem, causando, assim, nessa pro-
vável 1.* phase, a Rickettsiose oriental ou Tsutsugamushi, do Japão, Formosa,
Sumatra e mesmo da Indo-China ; a possibilidade de, espalhando-se por intermé-
dio dos roedores e contaminando depois outros Ácaros, terem as Rickettsias, em
21
361
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
uma 2.* phase. contribuído para o apparecimento da Rickettsiose tropical, as-
signalada na Malasía. na índia, na Austrália e na África; a possibilida-
de de, limitando-se mais tarde á transmissão por alguns Ixodideos e tendo os
roedores já como seus depositários constantes, haverem-se as Rickettsias, numa
3.* phase, disseminado por outras regiões do globo, acompanhando as primitivas
migrações das raças humanas, e formado, na bacia do Mediterrâneo a Rickettsiose
botonosa, na America do Xorte a Rickettsiose maculosa nearctica representada
pelos 2 typos conhecidos e, na America do Sul a Rickettsiose maculosa neotropica
correspondente ao “Typho exanthematico de S. Paulo”; finalmente, a possibili-
dade de, tendo-se talvez, em sua phase actual, limitado quasi exclusivamente ao
organismo dos roedores, terem as Rickettsias sua transmissão facilitada pelas
pulgas que só occasionalmente incitariam, como infecção humana, a Rickettsiose
intermedia, ou a Rickettsiose endemica quando suas passagens pelo homem fossem
mais frequentes ou. então, quando essas passagens se tivessem tornado exclusiva-
mente inter-humanas, o apparecimento posterior da Rickettsiose wolhynica e
também da Rickettsiose epidemica.
A cada phase destas corresponderia actualmente um grupo de modalidades
clinicas de Rickettsioses. possuidoras de caracteres communs, mas distinguíveis
entre si pela especificidade de seu transmissor habitual e por certos outros cara-
cteres. Nestas condições, nós tcriamos 4 grupos de Rickettsioses. a saber;
Grupo I. Rickettsiose oriental
1. Typo do Japão — Rickettsia orientalis Nagayo et al. 1931.
1 A. Tyjx) da Sumatra — Rickettsia orientalis, var. Schüffncri, var. n..
Grupo II. Rickettsiose tropical
1. Typo malaio — Rickettsia megawi, sp. n..
1 A. Typo australiano — Rickettsia megawi, var. Brcinli, var. n..
1 B. Typo indiano — Rickettsia megairi. var. Flctchcri, var. n..
1 C. Typo africano — Rickettsia megavi, var. Pijperi, var. n..
Grupo III
1. Rickettsiose botonosa. typo mediterrâneo — Rickettsia conori Brumpt,
1932.
2. Rickettsiose maculosa nearctica, typo oeste — Rickettsia rickettsi (Wol-
bach, 1919).
3. Rickettsiose maculosa nearctica. typo leste — Rickettsia typhi (Wolbach
et Todd, 1920).
4. Rickettsiose maculosa neotropica. typo de S. Paulo — Rickettsia bra-
silicnsis Monteiro, 1931.
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Amaral & Monteiro — Classificação das fíickettsioses
365
Grupo IV
1. Rickettsiose intermedia ou minor — Rickcltsia muricola Monteiro et
Fonseca. 1932.
2. Rickettsiose endemica ou murina — Rickctlsia mooscri Monteiro, 1931.
3. Rickettsiose wolhynica — Rickctlsia pcdiculi Rocha Lima. 1916.
4. Rickettsiose epidemica ou major — Rickctlsia prowazeki Rocha Lima.
1916-
ABSTRACT
Everyone who investigates any question conceming Exanthematic fevers re-
cognizes more and more the lack oi a classiíication that might unify the nomen-
clature of this group of diseases in the light of an invariable although multiplex
criterion thus rendering possible the systematization of the matter and casy its
comprehension.
On the one hand, from a purely nomenclatural standpoint it should be pre-
ferable in the light of the modem nosographic tendencies that the Exanthematic
fevers wcre all named Rickcttsioscs to emphasize their generic “incitant” or
“etiologic factor”. On the other hand. the distinction of their specific clinic
forms or even of their varieties should be based on the spedficity of the different
types of natural hosts to and usual vectors of their respective viruses as well as
on cross immunity tests, experimental demiologic and zoogcographic features and
serologic reactions.
Moreover. the systematization of this chapter should be based on data sup-
plied by the probable natural history and phylogeny of the Exanthematic fevers;
therefore, it should not overlook the following possibilities :
1. for the Rickcttsiac, perhaps originally plant parasites, to have at first
infected certain mites which might have carried them to rodents and afterwards
to human thus causing, in this probahle lst stage. Oriental rickcttsiosis or Tsu-
tsugamushi as found in Japan. Formosa, Sumatra and probably in Indo-China;
2. for the Rickcttsiac, upon having heen spread by rodents and having parasited
certain ticks, to have contributed. in a 2nd stage, towards the appcarance of Tro-
pical rickcttsiosis as found in Malasia, índia, Australia and África; 3. for the
Rickcttsiac, upon having become coníined to certain Ixodids as their usual carriers
and to certain rodents as their natural hosts, to have spread. in a 3rd stage, to
farther regions of the world following the primitive migrations of the human
races. so as to have appearcd in Xorth America as Xcarctic spottcd fczrr under
its two well known types, and in South America as Xcotropic spottcd fczrr re-
presented at present by the so-called “S. Paulo exanthematic typhus”; 4. finally,
for the Rickcttsiac, having perhaps become confined almost exclusively to rodents,
to have. in their latest stage. been transmitted by fleas from rodents to humans
23
366
Memórias do Instituto Butantan — Tomo VII
thus inciting either the I ntermediate rickettsiosis (when human iníection vas but
occasional) or the Endemic rickettsiosis (when human infection was more íre-
quent) or else the IVolhynic rickettsiosis as well as the Epidemic rickettsiosis (de-
pending on the exclusiveness of the inter-human transmission).
To every one of these stages there would correspond at present a definite
group of clinic forms of Rickettsioses all bearing certain features in common
but being distinguishable by the specificity of their natural carrier and by certain
other characters as well. Should this assumption prove correct. we would have
the following groups and clinic forms of Rickettsioses :
Group I. Oriental rickettsiosis
1. Type of Japan — Rickettsia orientalis Xagayo et al. 1931.
1 A. Type of Sumatra — Rickettsia orientalis, var. Schüffneri, var. n..
Group II. Tropical rickettsiosis
1. Type of Malay — Rickettsia megazvi, sp. n..
1 A. Type of Australia — Rickettsia rnegazei, var. Breinli, var. n..
1 B. Type of índia — Rickettsia megazvi, var. Flctchcri, var. n..
1 C. Type of África — Rickettsia megenvi, var. Pijperi, var. n..
Group III.
1. “Boutonneusc” rickettsiosis, type of the Mediterranean — Rickettsia
conori Brumpt, 1932.
2. Xearctic spotted rickettsiosis, type West — Rickettsia rickettsi (Wolbach
1919).
3. Xearctic spotted rickettsiosis, type East — Rickettsia typhi (Wolbach
et Todd, 1920).
4. Neotropic spotted rickettsiosis, type of S. Paulo — Rickettsia brasiliensis
Monteiro, 1931.
Group IV.
1- Intermediate or minor rickettsiosis — Rickettsia muricola Monteiro et
Fonseca, 1932.
2. Endemic or murin rickettsiosis — Rickettsia mooseri Monteiro, 1931.
3. Wolhynic rickettsiosis — Rickettsia pcdiculi Rocha Lima, 1916.
4. Epidemic or major rickettsiosis — Rickettsia prozeaseki Rocha Lima, 1916.
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Amaral & Monteiro — Classificação das Rickeltsioses
3G7
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25
30S
Memórias do Instituto Butantan
Tomo VII
BIBLIOGRAPHIA GERAL
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