MEMÓRIAS
■ DO
INSTITUTO BUTANTAN
1935
TOMO IX
São Paulo, Brasil
Caixa Postal 65
MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1935
TOMO IX
São Paulo, Brasil
Caixa Posial 65
índice
J’*r.
Noticiário '
J. LEMOS MONTEIRO — Tentativas de transmissão experimental da “typho exan-
thematico” de S. Panlo por percevejos (Omex lectnlariiu) 1
FLAVIO DA FONSECl — Notas de Acarcologia.
— X. Occorrencia, em S. Paulo, da acarianos transmissores de varias mída-
lidades de febre eianthemalica e suas possíveis relações com a Ricketlsio-
se neotropica paulista _ • • 2/
— XI. Validade da especie c cjxio evolutivo de Amblyomma atríatum KOCH,
18M (Acarina. Ixodidae) ■IS
(Notes d’AcaríolD|[ie. XI. Valldité de Pespíxe et cycle evolutif de PAm-
blyomma airiatnm KOCH, 1M4 (Acarina, ixodidae) õ3
— XII. Eulaelape ritxthnmi, sp. n. (Acarina, Laelaptidae) I>9
(.(careologische Notizen. XII. Enlaelapt vttzthuml. sp. n. (Acarina, I.*e-
laptidae)
— XIIL Nos-as cspecies sul-americanas de parasitos do gcncro Llponlsaua
KOLEN.\TI, I8á8 (Acarina. Uponlaaldae) 69
(Acareological Notes. XIIL New SJUlh-Amcrican species of the genus
Liponisana KOLEN.\TL 185« (Acarina. Liponiaaldae) 99
— XIV. Crratonyaana ioaqnimi. sp. n. (Acarina, Liponiaaldae) parasita de
Gloaaopbaaa aorleina (P.\LL.\S), de S. Paula ll"»
(Acareologischc Notizen. XIV. Ceratonyaana joaqaimi, sp. n. (Acarina,
Llponiaaidae) ein Parasit der Flederroaus Gloaaophaga aoricina (PAU.AS)
aos dem State S. Paulo
— XV. Occorrencia de sub-especic de Ixodca ricinia íL., I^SS) no Estado de
S. Panio (Acarina. Ixodidae). *91
— XVI. Ixodes anarali. sp. n. (Acarina. Ixodidae) 137
(.\careoIogicaI Notes. XVI. Ixodea amarali. sp. n. (Acarina. Ixodidae). . 141
— XVII. Localização, frequência, distribuição geographica e hospedadores
de Spetaeorhynchua Ialoa BANKS. 1917 (Acarina, Spelaeorhynchidae) . . 145
FLAVIO da FONSECA — Trypanosomas de peixes brasileiros. Descripção de uma
nova especie
FLAVIO da F0NSEC.\ — Occorrencia de formas anômalas na Lciahmanla braai-
llcnaia
FLAVIO OA FONSEC\ — Trypanoaoma niattogroaaenae, sp n 189
ALCIDES PRADO — Contribuições ao conhecimento dos cnlicidcos de S. Paulo
VI. Notas sobre os mosquitos originários das taquaras: Sabethoidea in-
termedias (LUTZ) c Megarhinns bambnaieola LLTZ Jc NEIV.\ . 193
AFRANIO do AMARAL — (jjntribuição ao conhecimento dos ophidios do Brasil.
VII. Novos generos c especies de Colnbridros opistboglyphos .... 203
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17 If
P«r.
AFRANIO IO AMARAL — Estados sobre ophidios neotropicos.
XXXII. .Apontamentos sobre a fanna da Colombia 209
XXXIII. Novas especies de ophidios da Colombia 219
.AFR.AXIO DO .AM.AR.AL — CoIIecta herpctologica no nordeste do Brasil (Contri-
buição II) 22Õ
AFRANIO DO .AM.AR.AL — Collecta herpetologica no centro do Brasil 233
.AFR.ANIO DO .AM.AR.AL — Estados sobre Lacertilios neotropicos.
II. Nos'o genero e especie de lagarto do Brasil 249
III. L’m novo genero e daas novas especies de Geckonideos e ama nova
raca de .Amphisbenideo, procedentes do Brasil Central 233
D. \-os KLOBÜSrrZKV — Estados biochimicos sobre os venenos das serpentes do
genero Bothropa.
1. Accão coagnlante e paríficação da secrecão da glandala s-enenosa da Bo-
throps jararaca ^9
W.ALDEM.AR 'PECKOLT — Ointribaição i matéria medica vegetal do Brasil.
V. Estado pharmacognostico do Carica papaya L. (Caricaceae) . 277
AVALDEMAR PECKOLT d: ALCIDES PRADO — ConUibnicão á matéria medica ve-
getal do BrasU.
VL Estado pharmacognostico e tberapentieo da Jacaranda deearrena
CH.AM. (Bignoniaceae) 301
.Artigos de collaboracão:
M. B.ARROS ERH.ART — .Arterbs coronárias cardiacas dos ophidios 319
(The coronary cardiac arteries of snakes) 335
C. DE MELLO-LEITAO — Trcs novas aranhas tetrapneumooes nas colleeções do
Instituto Butantan 353
C. DK MELLO-LEITAO — Dois generos raros de aranhas nas colleeções do Institu-
to Butantan 361
C. DE MELLO-LEIT.AO — .A proposito de alguns opiliões novos 367
NOTICIÁRIO
0 restabelecimento da normalidade financeira e administrativa de S. Paulo,
obsersada desde o começo do corrente anno, permittiu-nos dar á luz, antes de
encerrado o exercicio, o presente numero das “Memórias”, em que são conden-
sados 23 artigos originaes, relativos ás principaes pesquisas realizadas nas
secções technicas do Instituto. Nelle também inserimos um artigo de collabo-
ração do dr. Max B. Erhart (do Departamento de .\natomia da Faculdade de
Medicina de S. Paulo), sobre as artérias coronárias nos opbidios, o que repre-
senta sua primeira contribuição dentro das finalidades do Instituto. Surgem
igualmente tres trabalhos de collaboração do prof. C. de Mello Leitão (do Museu
Nacional do Rio de Janeiro), o qual vem fazendo uma revisão das collecções
arachnologicas do Butantan.
Ao ser distribuído este tomo IX, o Instituto Butantan Já se acha integrado
das secções technicas previstas cm seu Regulamento, com a installação dos de-
partamentos restantes de Chimica Experimental c Pharmacobiologia c de Cyto-
Flmbryologia c Genetica Experimental, para cuja direcção foram contractados
conhecidos especialistas na Europa Ontral. £ de esperar que, com essa orga-
nização, avulte ainda mais a contribuição do estabelecimento ao progresso das
sciencias biológicas em nosso meio, sendo proxnvcl que, muito cm breve, pos-
samos editar mais de um tomo por anno.
.\ctualmente, o pessoal superior encarregado de serviços technicos do Insti-
tuto Butantan é o seguinte:
Director ■ $uperintendenle — .\FnANio no .\MAnAi.. B. Se.A L., D. M., D. Hyg.
(Med. Trop., Harvard), Assistente-chefe, Dept.*
de Ophiologia c Zoologia Medica, Editor das
“Memórias do Instituto Butantan”.
Assistentes-chefes: José B. Arvxtes, Dipl. Phcia., D. M.
(Cbrfn de depirUmmtos) J. LeMOS MOXTEIBO, B. Sc. Jt L., D. M.
S. C\MARGO CU-AZANS, D. M.
DioxYsio voN Klobusitzky, d. M. (Pécs, Hungria).
Ex. Priv. Doc. Physico-chim., Univ. Pécs
(Hungria).
Thales Martins, D. M.
Waldemar Peckolt, B. Sc. Jfc L.. dipl. Phcia. <t
Chim., D. M.
Assistentes: B. Godixho. D. M.
( Enc&rrevado* de laboratorioe) JOAQCIM TR-VVASSOS, B. Sc. Sl L., D. M.
Cícero Neiva, B. Sc. & L., Med. Vet.
.\U:iDES PlLMH), B. Sc. & I... D. M.
Flavio da Fonseca, D. M.
Paulo de T. .\rtigas, B. Sc. & L., D. M.
Gertrud VON Ubisch. d. Sc. (Strassburg). Ex-Prof.
Botanica (Genetica), Univ. Heidclherg (Ale-
manha).
Karl H. Slotta. d. Phil. Chim. (Breslau). Ex-Priv.
Doc. Chimica, Univ. Breslau (.\lemanha).
Assistentes -auxiliares: Paul Kõnio, D. Phil. Chim. (Vienna).
Geriiard Szyszka, d. Phil. Chim. (Breslau). Ex-
.\ssist. Inst. Chim., Univ. Berlim.
JANDYRA PL.\NET, D. M.
São os seguintes os departamentos tcchnicos já organizados;
Ophiologia e Zoologia Medica; Immunologia Experimenta] e Sorotherapia
(sub-secçõos de Sorotherapia anti-venenosa, anti-toxica e anti-hacteriana);
Bacteriologia Experimental c Bacteriotherapia; Virus e Virustherapia; Physico-
chimica Experimental; Protozoologia c Parasitologia; Botanica Medica (Phar-
macognosia); Chimica Experimental e Pharmacobiologia; Physio-pathologia
Experimental (sub-secçòes de Physiologia, Endocrinologia e Histologia-patholo-
gica); Cyto-Emhryologia c Genetica Experimental.
Toda a correspondência scientifica, relatis'a ás “Memórias", deve ser diri-
gida ao
EDITOR, .MEMÓRIAS DO l.NSTITUTO BUTAXTAN
OiXA Postal, 65
SAO PAULO — BRASIL
TENTATIVAS DE TRANSMISSÃO EXPERIMENTAL DO
“TYPHO EXANTHEMATICO” DE S. PAULO POR PERCEVEJOS
(CIMEX LECTULARIUS)
POR
J. LEMOS MONTEIRO
cm
SciELO
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614^26:514.13 -r 6163681
TENTATIVAS DE TRANSMISSÃO EXPERIMENTAL DO
“TYPHO EXANTHEMATICO” DE S. PAULO POR PERCEVEJOS
{CIMEX LECTULARIUS)
POK
J. LEMOS MONTEIRO
O percevejo da cama (Cimex lectularius) não tem sido incriminado como
ororavel transmissor de qualquer das modalidades de febres exanthematicas ou
rickettsioses. Este modo de ver é baseado, sobretudo, na observação epide-
miologka-
Do ponto de \'ista experimental, porém, estão já registados os resultados
de algumas experiencias. Castaneda e Zinsser (1), trabalhando com o virus do
“tj-pho mexicano” (rickettsiose endemica), verificaram poder cUe persistir no
percevejo (CiWx lectularius), inoculado por via rectal, durante 10 dias; conse-
guiram infectar percevejos, fazendo-os alimentar cm ratos infectados c benzoli-
zados, porquanto a inoculação de organs desses percevejos, feita 9 dias após a
primeira e 5 após a ultima alimentação, provoca\’a a infecção da cobaia. Foram
negativas as experiencias de Gistancrla c Zinsser quanto á transmissão pela picada
dos percc%-ejos ou pelo esfregaço das fezes dos mesmos na pelle sã. Embora
não tenham completado o cjxio demons*ratÍTO da transmissão do “tj-pho me-
xicano” pelo perce\-cjo, nesse trabalho mostram acreditar na possibilidade de sua
interferenda no caso do homem, mais scnsivel do que os am'macs de c.xperi-
mentação.
Desconhecemos outro qualquer trabalho sj^stematico sobre as relações dos
percevejos com virus de outras rickettsioses, prindpalmente das do grupo da
“febre maculosa”, que mais nos imeressa. A esse respeito apenas podemos
registar algumas pesquisas feitas entre nós.
Relativamente ao “typho e.xanthemaíico” de S. Paulo (rickettsiose neotro-
pica), foram negativos os resultados obtidos cm Butantan (2), quanto á pesquisa
de percevejos naturalmente infectados e colhidos no leito c cm casas de doentes.
Não foram diversos os resultados das inoculações praticadas no Instituto Bacte-
riológico.
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Mais recentemente, porém, Moreira e Magalhães (3), estudando o "typho
exanthemaíico” de Minas Geraes, descres-eram uma serie de experiendas que
fizeram com percevejos (Citiscx leclularíus) e a cuja luz salientaram, embora
não tirassem conclusões definitivas, o papel possivelmente desempenhado por taes
insectos na transmissão natural da rickettsiose de Minas Geraes. Assim é que
assignalaram terem conseguido a infecção característica da cobaia com a inocula-
ção de percevejos colhidos em casas de onde, 2 e 10 dias antes, haviam sahido
doentes. Registaram, além disto, resultados positi%-os da infecção de cobaias, por
inoculação ou por picada, com percevejos criados no laboratorío e experimental-
mente infectados pela alimentação em animal doente e mesmo a transmissão con-
gênita do virus aos ovos e lar%-as (4). E>adas certas relações que Moreira e
Magalhães (4) verificaram entre o “typho exanthematico” de Minas Geraes e
o “t)-pho e-xanthematico” de S. Paulo, embora não os tivessem identificado, jul-
gamos de grande interesse pratico e sdentifico \-eri ficar a possibilidade de ser
o rírus do “tj-pho exanthematico” de S. Paulo transmitíido também pelo&
perwejos.
Os resultados experímentaes que obtivemos são registados neste trabalho.
iMaterial de estudo e orientação das experíencias
Fizemos até agora 3 series de experiendas: na primeira, foram usados per-
oc\-ejos adultos (Chtu-x Uctularius) colhidos numa casa no bairro de Pinhdros;
na segtinda, as experíencias foram feitas partindo de lar\as de desova processada
no laboratorío: na terceira, empregando-se adultos que foram creados c e\-olui-
ram na laboratorio.
1.* Serie — Um lote de 30 percevejos adultos, após vários dias san ali-
mentação, foi posto a sugar a cobaia Xo. 1965, no 1.’ dia de reacção febril c
3.® da inoailação. Sobre esta cobaia, infectada com o “n-pho exanthematico” de
S. Paulo (1 cc. dc sangue da colonia Xo. 1947) e correspondente á 17.* passagem
da amostra X)-mph. Llb (isolada de nj-mphas dc Atnblyomnui cajennatsc in-
fectadas), os percevejos permaneceram durante 3 dias, dc 6 a 9-VI 11-934, por
meio de um dispositivo especial. Xo fim deste tempo foram recolhidos 25 e.xcm-
plarcs bem cheios dc sangue, os quaes foram conservados num tubinho, na tem-
peratura dc 23® e cm boas condições de humidade. A infecção da cobaia ficou
confirmada pela inoculação de emulsão de cerebro na cobaia Xo. 1977.
Xo fim de 5 dias (14-VIII-934) os percevejos foram transferídos para novo
tubinho; as fezes accumuladas nesse prazo no primeiro tubo, foram emulsionadas
e inoculadas na cobaia Xo. 1996 ; 5 exemplares, após lavagem conveniente, foram
emulsionados c inoculados na cobaia Xo. 1997. Os exemplares restantes foram
divididos em 2 lotes : a) 9 percevejos foram postos a alimentar-se na cobaia nor-
SciELO,
4
Monteiro — Transmissão experimental do “T. exanthemalico” de S. Paulo õ
mal Xo. 1998 durante 4 dias sendo recolhidos; b) outros continuaram no tubinho
nas condições anteriores. Ocos encontrados no tubinho foram convenientemente
lax-ados, emulsionados e inoculados na cobaia No. 1999.
Xo fim de 11 dias, cm 20-VIII-934, as fezes acctunuladas no tubinho do
lote b), do 5.* ao 11.* dia, foram emulsionados e inoculadas na cobaia Xo. 2019;
os e.xemplares >-ivos deste lote, em numero de 4, foram postos a alimentar-se na
cobaia normal Xo. 2020 durante 4 dias, sendo recolhidos no fim deste prazo.
Xo fim de 15 dias, em 24-\’III-934, os exemplares do lote a) foram de
novo postos a alimentar-se na cobaia Xo. 2049, durante 3 dias, sendo recolhidos.
Xo fim de 20 dias após a alimentação infectante, em 29-V'III-934, os e.xcm-
plares vivos, em numero de 2, do lote b) foram postos a alimentar-se na cobaia
normal Xo. 2074 durante 34 horas, sendo, em 30-VIII-934, emulsionados e
inoculados na cobaia Xo. 2080.
X^o fim de 25 dias após a alimentação infectante, em 3-IX-934, o exemj^ar
vivo do lote a) foi posto a sugar na cobaia normal Xo. 2093, sendo 2 dias depois,
em 5-IX-934, juntamente com outros 4 exemplares do mesmo lote c encontrados
mortos no tubinho, emulsionados e inoculados na cobaia Xo. 2100.
2.* Sejue — Numerosas larvas, de creação feita no laboratorio, foram postas
a alimentar-se, em 28-VII1-934, no coelho Xo. 67, infectado com o nosso "virus”
L (correspondente á 208.* passagem), estando no 2.® dia de rcacção febril
(40“0) e 5.® da inoculação (1 cc. de sangue da cobaia Xo. 2015). -As laix^as, fa-
mintas, rapidamente começaram a sugar o sangue e, em pouco tempo, tomaram-sc
'XMTTielhinhas. Uma vez saciadas, desprenderam-se espontaneamente e foram re-
colhidas. O coelho Xo. 67, foi sacrificado no 12.® dia após a inoculação e, jjara
confirmação da infecção, emulsão de seu cerebro foi inoculada na coluia
Xo. 2095.
Outro lote de larvas nas mesmas condições foi alimentado, em 4-1X-934.
na cobaia Xo. 3077, infectada com a amostra Xj-mph. Llb do virus (1 cc. de san-
gue da cobaia Xo. 2050, correspondente á 22.® passagem), no 2.® dia da reacção
febril e 5.® da inoculação. Nesse dia. para confirmação da infecção, a cobaia No.
3077 foi sangrada c inoculada a cobaia Xo. 2097 com 1 cc. de sangue.
Assim infectadas as larsas, um lote de 20 excmpbres, após conveniente la-
vagem, foi immediatamente inoculado na cobaia Xo. 2096, afim de .se salicr si a
quantidade de sangue virulento ingerida fora sufficiente para infectar esfe animal.
As restantes das larvas foram recolhidas c conservadas cm tubinhos nas
condições conheddas.
Decorridos 2 dias, c.xcmplares no mesmo numero (30), já agora de côr
uiais escura pela modificação do sangue ingerido, processada nesse prazo, foram
retirados, lavados convenientemente (álcool e agua physiologica) emulsionados e
inoculados na cobaia Xo. 2081.
cm
SciELO
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Decorridos 8 dias da alimentação infectante, em 5-IX-9^, as lar\-as que se
haviam alimentado no coelho No. 67, foram postas a sugar novamente a cobaia
No. 2098, sendo, depois de cheias, separadas 20 que foram lavadas, emulsionadas
e inoculadas na cobaia No. 2099. Decorridos 16 dias, em I3-IX-934, larvas deste
mesmo lote, que já hasnam soffrido muda da pelle por 2 vezes, foram postas a
alimentar-se na cobaia No. 2139, sendo, depois de cheias, separadas 20 que foram
emulsionadas e inoculadas na cobaia No. 2140. Nesse mesmo prazo, em
20-1 X-9^, isto é, 16 dias, e após nova alimentação em cobaia normal (No.
2096), as lar\as infectadas na cobaia No. 2077 foram postas a sugar novamente
a cobaia No. 2177 e, depois de cheias, 12 exemplares foram emulsionados e ino-
culados na mesma cobaia.
No mesmo prazo, 16 dias, outros exemplares do lote infectado na cobaia No.
2077, cm numero de 12. foram postos a sugar novamente, porém agora a cobaia
infectada No. 2147 (no 2.® dia de reacção c 5.* da inoculação) e, no dia seguinte,
após, portanto, 24 horas, emulsionados e inoculados ita cobaia No. 2178.
Com a ultima experienda tinhamos em vista vw ficar si o virus havia resis-
tido por 24 horas no organismo das larvas, pois, em experienda acima exposta,
tinha sido verificada a avirulenda das lar%’as inoculadas após 48 horas da ali-
mentação infectante.
3.® Serie — As experiendas desta serie foram feitas com perce%cjos já adul-
tos que evoluiram no lalxiratorio. Ao serem iniciadas, cm 23-X-934, haviam de-
corridos 33 dias após a ultima alimentação dos exemplares usados. Antes de sua
alinKntação cm animal infectado, foram separados 6 que, após la^-agem conve-
niente, foram emulsionados e inoculados na cobaia No. 2279. Os exemplares
restantes foram postos a se alimentar na cobaia No. 2264, infectada (Icc. de
sangue da cobaia No. 2251, correspondente á 215*. passagem da amostra L do
virus) no 3®. dia da reacção febril c 6®. da inoculação. Como confirmação da
infecção, a cobaia, na vesiiera, havia sido sangrada, sendo inoculada com 1 cc.
de sangue, a cobaia No. 2276.
Decorridas 24 horas, em 24-X-934, os percevejos foram mudados e as fezes
accumuladas neste prazo no tubinho, emulsionadas e inoculadas, por via sub-
cutânea, na cobaia No. 2280 ; 5 exemplares foram lavados, emulsionados e também
inoculados, por Nna sub-cutanea, na cobaia No. 2281 ; 10 e.\cmplarcs foram postos
a alimentar-se na cobaia No. 2282. Este lote de 10, em tubo separado, repetiu a
alimentação na mesma cobaia, de tempos em tempos (de 2 em 2 ou 3 em 3 dias)
durante os primeiros 20 dias.
Decorridas 48 horas, em 25-X-934, as fezes accumuladas nesse prazo e, con-
junctamente com 5 exemplares, foram, nas mesmas condições, inoculados, respe-
etivamente, nas cobaias No. 2289 e No. 2290; taml)em 10 exemplares foram sepa-
rados e postos a alimentar-se na cobaia No. 2291, repetindo-se na mesma cotiaia as
alimentações succcssiva.* durante os primeiros 20 dias.
Monteiro — Transmissão experimental do “T. exanlhcmalico" de S. Paulo 7
Decorridas 72 horas, em 26-X-934, o mesmo se repetiu, sendo utilizadas,
respecti\-amente, as cobaias Nos. 2292, 2293 e 2294.
Finalmente, decorridos 13 dias, em 5-XI-934, foram emulsionados 5 exem-
plares e inoculados na cobaia No. 2319 e separados 10 que foram postos a ali-
mentar-se, desde então, e successivamcnte, na cobaia No. 2320.
Os resultados destas 3 series de experiencias, orientadas nas condições e.x-
postas, forneceriam ccrtamente elementos bastantes para esclarecer a possibilidade
de o percevejo poder transmittir, em condições experimenlaes, o M’rus da ri-
ckettsiose de S. Paulo e, portanto, sobre o papel por elle poixxntura desempenha-
do em condições naturaes.
Todos os animaes em e.xpcrimentação foram observados com rigor, a tem-
peratura rectal tomada diariamente, ás mesmas horas (12 horas). Os que mor-
reram foram necropsiados, sendo obseix-adas as lesões macroscópicas e feitos
outros e.xames para determinação da causa da morte assim como pesquisada a
rickettsia nas ccllulas da parede peritoneal .
Os que resistiram foram, em prazo differente, não inferior a 20 dias, con-
forme a experiencia cm curso e seus resultados, reinoculados com o virus activo
para prova ou verificação da immunidade.
Resultados das experiencias
Mostraremos estes resultados, separadamente, em cada uma das series de ex-
periencias, resumindo somente os dados registados com os animaes inoculados,
uma vez que já foram expostas a technica c as directrizes de cada uma.
1.* Serie — Cobaia No. 1965 ( (^ ) — Inoculada com o virus em 4-VIII-934.
Inicio de reacção febril no 3.* dia (39*8), quando os percevejos iniciaram a ali-
nientação, que perdurou 3 dias ; nos dias immcdiatos apresentou 4Cr0 e 40*5 ; no
6.* dia, parecendo mal, foi sacrificada, sendo retirados os percevejos. Para con-
firmação da infecção da cobaia cm que se alimentaram, emulsão de oerebro foi
inoculada na cobaia No. 1977 em 9-VHI-934. Esta. após incubação de 4 dias,
apresentou reacção característica (39“8: no 5.® dia; 40“2; 40“0; 40“2). nrorrendo
durante a noite de 16 para 17. No 3*. dia de reacção (400) foi sangrada e o
sangue inoculado na cobaia No. 2001. Esta, por sua vez, teve infecção caracteris-
iica (incubação de 3 dias, reacção febril por 4 dias) e morte na noite do 7.® para
o 8.® dia. Durante a reacção, com seu sangue foi feita nova passagem, repetida
succcssi^■amcnte para manutenção da amostra do rirus.
Experiencia 1 — Cobaia No. 1996 ( Ç ) — Inoculada em 14-VIII-934, por
via sub-cirtanea, com emulsão de excreta emittidos por perce^Tjo8 que, 5 dias
antes, se haviam alimentado na cobaia No. 1965, infectada. Não apresentou reacção
cm
SciELO
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
«
febril, pelo que, em 3-IX-934 (decorridos 20 dias), foi inoctilada com o virus
(emulsão de cerebro da cobaia No. 206t), apresentando, após incubação de 3 dias,
reacção febril característica (40T); •10“4; 40*0; 40*3; 40*0) e morrendo na noite
de 11 para 12-IX-934. Não se mostrou, portanto, immunizada.
Experiência 2 — Cobaia No. 1997 ( 9 ) — Inoculada em 14-VIII-934 com
emulsão de 5 percevejos que, 5 dias antes, se haviam alimentado na cobaia No.
1965, infectada. Não apresentou reacção febril, pelo que, em 3-IX-934 (decor-
ridos 20 dias), foi inoculada com o rírus (emulsão de cerebro da cobaia No. 2064),
apresentando, após incubação de 4 dias, reacção febril característica (40“4; 40“4:
40®4; 40^; 40®2) e morrendo em 13-IX-934.
Experiência 3 — Cobaia No. 1998 — Posta a ser sugada, de 14 a 18-VIII-934,
por 9 percevejos que se haviam alimentado, 5 dias antes, na cobaia No. 1965,
infectada. Não apresentou reacção febril, pelo que, em 3-IX-934 (decorridos 20
dias), foi inoculada com o virus (emulsão de cerebro da cobaia No. 2064). No
5*. dia inidou-se a reacção febril (39*8) ; a cobaia, porém, morreu na noite desse
dia, apresentando baço augmentado de volume. Não se mostrou, portanto, im-
munizada.
Experiência 4 — Cobaia No. 1999 — Inoculada em 14-VIII-934, por via
sub-cutanea, com emulsão de 10 ovos depositados por percevejos que, 5 dias antes
se haviam alimentado na cobaia No. 1965, infectada. Não apresentou reacção
febril, pelo que, em 3-IX-934 (decorridos 20 dias), foi inoculada com o virus
(emulsão de cerebro da cobaia No. 2064) , apresentando após incubação de 3 dias,
rcacpção febril característica (39“8; 40“5; 40»2; 40^; 40*6) e morrendo na noite
de 11 para 12-IX-934. Não houve, portanto, immunidade.
Como testemunha do virus das c.-eperiendas adma, sangue da cobaia No.
2064 (que o forneceu, em sangria praticada durante a reacção febril) foi inocula-
do. cm l-IX-934, nas cobaias Nos. 2082 c 2083, que tiveram infecção caracterís-
tica. sendo continuadas as passagens.
Experiência 5 — Cobaia No. 2019 — Inoculada cm 20-VI 11-934 com emul-
são de excreta emittidos por percevejos, desde o 5.® até o 11.* dia após a ali-
mentação infectante. Não apresentou reacção febril, pelo que, cm 12-IX-934
(decorridos 23 dias) foi inoculada com o vinis (sangue da cobaia No. 2111), apre-
sentando, após 2 dias de incubação, reacção febril característica (40“0; 40*0;
40“5; 40“5; 39*8) e morrendo na noite de 19 para 20-IX-934. Não houve, por-
tanto, immunidade.
Experiência 6 — Cobaia No. 2020 — Posta a ser alimentada, de 20 a
25-Vl 11-934, por 4 percevejos que, 11 dias antes, se haviam alimentado na cobaia
No. 1965, infectada. Não apresentou reacção febril, pelo que, cm 12-IX-934
(decorridos 23 dias), foi inoculada com o virus (sangue da cobaia No. 2111),
apresentando incubação de 3 dias. reacção febril característica (40“0; 40*5; 41*0;
S
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Monteiro — Transmissão experimental do "T. exanthemalico" de S. Paulo 9
■í0*7 ; 38®4), morrendo na iKMte de 20 para 21-IX-934. Xão houve, portanto, im-
munidade.
Como testemunha do vírus das experiencias 5 e 6, foi, na mesma occasião
inoculada com sangue da cobaia No. 2111, a cobaia No. 2137, que teve infecção
característica.
Experiência 7 — Cobaia No. 2(M9 — Posta a ser alimentada, de 24 a
28-VIII-934, por 8 percevejos que, 15 dias antes, se haviam alimentado na cobaia
No. 1956, infectada. Não apresentou reacçâo febril, porém amanheceu morta em
3-IX-934, não apresentando, na necropsia, qualquer lesão característica da in-
fecção.
Experiência 8 — Cobaia No. 2074 — Posta a ser alimentada, de 29 a
30-VIII-934, por 2 percevejos que, 20 dias antes, se ha\-iam alimentado na cobaia
No. 1965, infectada. Estes exemplares pertenciam ao lote que se alimentou pela
2*. vez após 11 dias (Experiência 6). Não apresentou reacção febril, pelo que,
cm 19-IX-934 (decorridos 21 dias), foi inoculada com o virus (sangue da cobaia
No. 2144), apresentando, após 2 dias de incubação, reacção febril característica
(39*8 ; 40^; 40“5; 40“8: 40^; 40“5; 40^) e morrendo na noite de 27 para
28-IX-934.
Com o mesmo virus (sangue da cobaia No. 2144) foi na mesma occasião
(19-IX-934) inoculada, como testemunha, a cobaia No. 2170, que teve infecção
característica com no\-as passagens do virus.
Experiência 9 — Cobaia No. 2080 — Inoculada cm 30-Vl 11-934, por via
sub-cutanea, com emulsão de 2 percevejos que, 21 dias antes se haviam alimenta-
do em cobaia infectada, c novamente cm cobaias normaes no fim de 1 1 (Experiên-
cia 6) e 20 dias (Experiência 8). Não apresentou reacção febril, porem amanhe-
ceu morta em 19-IX-934. A pesquiza de ríckcttsias nas cellulas da parede períto-
ncal foi negativa e para confirmação da sua não infecção, foi, com emulsão de
seu cerebro, inoculada a cobaia No. 2167.
.\ cobaia No. 2167, após 4 dias, apresentou reacção febril durante 3 dias
(40^; 40*0; 39*8), amanhecendo morta em 27-IX-934. Pela necropsia, verifi-
ca-sc derrame no pcrítonal ; cm esfregaços de raspagem da parede pcrítoneal, não
se encontram Rickettsias, porém a pesquisa foi positi%’a para Toxoplasma. Esta a
causa da reacção, podendo simular a reacção pdo virus. Ainda durante a reacção
íebril (40*0), cm 25-IX-934, a cobaia No. 2167 foi sangrada e com 1 cc. de sangue
inoculada a cobaia No. 2201 que, não apresentou reacção febril (máximo a 39*5),
tnorrendo porém em 3-X-934, por infecção intcrcorrcnte.
Experiência 10 — Cobaia No. 2093 ( o ) — Posta a ser alimentada, de 3 a
5-IX-934, por um pcrccTCjo que, 25 dias antes, se havia alimentado na cobaia
No. 1965, infectada. O exemplar pertencia ao lote que fez novas alimentações em
cobaias normaes no fim de 5 (Experienda 3) c 15 dias (Experienda 7). A
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
cobaia morreu, por infecção intercorrente no 6®. dia, não apresentando, pela
necropsia, qualquer lesão caracteristica (baço do tamanho e aspecto normal) .
Experiência 11 — Cobaia No. 2100 — Inoculada em 5-IX-934, por \-ia sub-
cutânea, com emulsão de percevejo da experiencia anterior, juntamente com ou-
tros 4 exemplares do mesmo lote, encontrados mortos nos tubinhos. Xão apre-
sentou reacção febril durante 18 dias, com excepção do 3®. (39®8) e 5®. dia (40®7),
sendo sangrada neste dia e com 1 cc. de símgue inoculada a cobaia No. 2119.
cobaia Xo. 2119 somente após 21 dias começou a ter certos períodos de reacção
febril irregular. X*um destes períodos (22®. dia da inoculação) feri sangrada e 1
cc. de sangue inoculado na cobaia Xo. 2222. A cobaia Xo. 2222 teve, após in-
cubação de 3 dias, reacção febril durante 5 dias, sendo sacrificada. O seu sangue
no 3*. dia de reacção (8-X-934) foi inoculado na cobaia Xo. 2239. Emulsão do
ccrebro foi, em lO-X-934 inoculada na cobaia Xo. 2247. A cobaia Xo. 2239 teve
reacção febril nos 3 dias s^fuintes; a semeadura do sangue permittiu a cultura
e isolamento de uma Salmonella. A cobaia Xo. 2247, teve também reacção febril
simulando a da infecção pelo virus; porém a cultura do sangue do coração mos-
trou-se também positi\-a, sendo isolada uma Salmonella.
X"estas condições, ficou patente ter sido a reacção febril, enAora atypica,
verificada nas cobaias desta experiencia, determinada por infecção secundaria de-
vida a uma salmonellose.
\'crifica-se pelos resultados das experiendas desta 1*. Serie, qtie o virus do
“lypho e.xantheinatico” de S. Paulo não poude ser transmittido, experimental-
mente e pela picada por percevejos adultos (Ciniex lectularius), decorridos 5
dias da picada até 25 dias após; excreta, accumulados até o 5®. dia c desde este
dia até 11*., não continham o virus com capacidade infectante ou mesmo capaz
de provocar immunidade ; o virus também se mostrou destruido ou incapaz de pro-
vocar, pelo menos, immunidade dos animaes, pela inoculação dos percevejos infe-
ctados, decorridos aquelles prazos; finalmentc, ficou patente que uma infecção
intercorrente em animaes inoculados pode ser verificada (toxoplasmose, salmonel-
losc), simulando a infecção pelo rirus, tomando-se necessárias pesquisas cuida-
dosa.<i (culturas do sangue do coração, etc.) antes de se chegar a conclusões de-
finitivas.
2.® Serie — Coelho No. 67 — Inoculado em 23-VIII-934 com 1 cc. de san-
gue da cobaia Xo. 2015 (correspondente a 207®. passagem da amostra L do nosso
rirus) . .^pós 4 dias de incubação, iniciou-se a reacção febril durante 7 dias
(40"0; 40"0; 40®0; 39®8; 40®2; 40“4; 40°0). Foi sacrificado no dia seguinte
(4-IX-934) e, para confirmação da infecção, emulsão efe cerebro foi inoculada
na cobaia No. 2095, que teve, após ancubação de 5 dias, reacção febril caracte-
ristica durante 4 dias, morrendo na noite de 15 para 16-IX-934. Xo 1®. dia da
reacção febril do coelho Xo. 67, em 2S-VII 1-934, numerosas lar\-as de percevejos.
MoNTEino — Transmissão experimental do “T. exanthematico" de S. Paulo 11
de postura obtida no laboratório, foram ndle alimentadas, enchendo-se rapida-
mente.
Cobaia Xo. 2077 — Inoculada em 30-VIII-934 com 1 cc. de sangue da co-
l«»a No. 2050 (correspondente á 21*. passagem da amostra Llb do \*irus, isolada
de njm^as de Avtblyotntna cajennensc infectadas) . Após incubação de 3 dias,
apresentou reacção fehril característica durante 5 dias, com reacção escrotal, mor-
rendo na noite de 8 para 9-IX-934. Para confirmação da sua infecção, no 2®.
dia da reacção febril (-10*2) em 4-IX-934 quando foi picada por numerosas
lar\-as também de postura effectuada no laboratorío e que se encheram imme-
diatamente. a cobaia foi sangrada sendo 1 cc. de sangue inoculado na cobaia No.
2097. Esta te>'e, por sua vtz, infecção característica (incubação de 3 dias, reaç-
ão febril durante 4 dias e morte), sendo continuadas as passagens successi^^as do
virus.
Experiência 12 — Cobaia Xo. 2096 — Inoculada em 4-IX-934, com emulsão
de 20 larvas de perwcjos (após conveniente lat^agem), que se haviam alimen-
lado na cobaia Xo. 2077, infectada. .Xpós incubação de 6 dias, iniciou-se a reacção
ícbríl característica (40®2; 40“5; 40®2), morrendo o animal na noite de 14 para
15-IX-934 com lesões t)T>icas. Xo 2.® dia da reacção febril (40®5) a cobaia foi
sangrada, sendo inoculada, em 12-IX-934 com lesões tjqiicas. No 2® dia da
reacção febril (40*5) a cobaia foi sangrada, sendo inoculada, em 12-IX-934;
a cobaia No. 2134, que teve infecção característica, sendo seu sangue cm 17-IX-934
(estando a cobaia com 40*5) passado para a cobaia No. 2163, continuando-sc a
scríe de passagem. .-V cobaia Xo. 2134 apresentou reacção escrotal com pheno-
tócnos hemorrhagicos, sendo positiva (-f— j — }*+) a pesquisa de Rickettsias nas
cdlulas mcsotheliacs da parede pcrítoneal.
G>mo se ve por esta cxperiencia, o virus contido em 20 lar%-as, inunodiata-
tóentc após terem sugado um cobaia infectada, é capaz de determinar a infecção
característica pela inoculação das mesmas.
Experiência 13 — Cobaia Xo. 2081 — Inoculada cm 30-VIII-934 com emul-
são de 20 lar%-as que, 48 horas antes, se haríam alimentado no coelho No. 67,
infectado. Não apresentou reacção febril, morrendo, porém, 16 dias depois, sem
niostrar qualquer lesão característica (baço de aspecto normal) .
Já em 48 horas, portanto, o "virus” conscr\-ado nas larvas mostrou-se in-
capaz de provocar a infecção característica pela inoculação das mesmas, ao con-
trario da Experiência 12. na qual foi esta provocada pela inoadação de igual nu-
mero de larvas, porém inoculadas immediatamente após terem sugado.
Experiência 14 — Cobaia No. 2098 — Posta a ser sugada, cm 5-IX-934,
por numerosas larvas (cerca de 100), que já haviam soffrido mudas e que, 8 dias
•tntes, se tinham alimentado no coelho No. 67. infectado. Não apresentou reacção
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cm
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febril, morrendo de infecção intercorrente 9 dias depois, sem lesões característi-
cas (baço de aspecto normal) .
Experiência 15 — Cobaia No. 2099 — Inoculada, em 5-IX-934, com emul-
são de 10 lar\-as (já tendo soffrído muda) que, 8 dias antes, se ha\'iam alimen-
tado no coelho Xo. 67, infectado. A cobaia não apresentou reacção caracterís-
tica; teve a temperatura de 39*7 no 14® dia, quando foi sangrada e 1 cc. de
sangue inoculado na cobaia No. 2168, e 39*8. 39*8 e 40*0, respectivamente nos
17.®, 19.® c 20.® dias; neste ultimo dia, em 25-IX-9.34, foi novamente sangrada
e 1 cc. de sangue inoculado na cobaia No. 2199. Mais tarde, em 19-X-934 (de-
corridos 44 dias) a cobaia No. 2099 foi inoculada com o virus (emulsão de
cerebro da cobaia No. 2252), apresentando, após incubação de 2 dias, reacção
febril característica durante 9 dias, morrendo em 30-X-934, com lesões typicas.
Este resultado negativo, confirmado pela pro\'a de immunidade, tev'e nova
confirmação com os resultados nas cobaias inoculadas com sangue da em expe-
riência. A cobaia No. 2199 não apresentou reacção, morrendo de infecção in-
tercorrente, sem lesões tj-picas á necropsia. A cobaia No. 2168, inoculada com
sangue de cobaia No. 2099, cm expcríenda, apresentou reacção febril at)‘pica,
irregular, sendo, num dos periodos de reacção, sangrada e 1 cc. de sangue ino-
culado na‘ cobaia No. 2221 que por sua vez não apresentou reacção febril. .-Xmbas.
cobaia No. 2168 c No. 2221, foram inoculadas, cm 19-X-934. com virus activo
(emulsão de cerebro da cobaia No. 2252), c tiveram infecção característica.
Experiência 16 — Cobaia No. 2139 — Posta a ser sugada em 13-IX-934
por cerca de 100 lar^•as (ja com duas mudas) que, 16 dias antes se haviam ali-
mentado no coelho No. 67, infectado. O mesmo lote alimentou-se novamente
na mesma cobaia cm 20-IX-934, após 7 dias da primeira alimentação. Não
apresentou reacção característica, porém a temperatura cle\’OU-se a 40® nos 12.®
e 13.® dias; neste ultimo dia, foi semeado sangue do coração e inoculada com
1 cc. do sangue a cobaia No. 2207. A cultura do sangue do coração foi po-
siti\'a; a cobaia No. 2207 teve também reacção mais precoce, simulando a in-
fecção pelo vinis, sendo semeado o seu sangue c inoculada a cobaia No. 2220.
A cultura do sangue foi também positiva c a cobaia No. 2220 morreu da mesma
infecção intercorrente em 3 dias. O exame das culturas feitas demonstrou
ter sido uma SalmoncUa a causa da reacção obsen-ada nas cobaias desta expe-
rícneia.
Experiência 17 — Cobaia No. 2140 — Inoculada em 17-IX-934 com emulsão
de 20 lan-as que, 16 dias antes, se haviam alimentado no coelho No. 67, infe-
ctado. Não apresentou reacção característica, porém alguns dias com reacção
após o 11.®. Como na experiência anterior foi feita cultura do sangue do co-
ração e passagens cm serie para a cobaia No. 2200 e desta para a cobaia No.
2246. Esta ultima, pela exaltação proravcl da infecção intercorrente, morreu
em 5 dias. O exame das culturas obtidas com estas varias cobaias mostrou
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scr a infecção intcrcorrentc uma Salmoncllosc, como nas da experienda an-
terior (•).
Experiência 18 — Cobaia A'o. 2177 — Posta a ser alunentada, em 20-IX-934,
pelas lan as que, 16 dias antes, se haviam alimentado na cobaia Xo. 2077. .\s
nicsmas larvas já se haviam anteriormente alimentado na cobaia Xo. 2096 (Expe-
rienda 12). Depois de chdas, 12 exemplares fonim la^-ados convenientemente,
inoctilados na mesma cobaia que acaba>‘am de picar, isto é, a cobaia Xo. 2177.
Esta não apresentou reacção caracteristica, porém morreu no 14.® dia, não mos-
trando, na necropsia, lesões typicas e sendo negatira a pesquisa de Rickettsia
no .peritoneo.
Experiência 19 — Cobaia No. 2178 — Inoculada em 21-IX-934 com emulsão
tic 12 larvas (do mesmo lote da e.xperienda anterior) que, 24 horas antes se
baviam alimentado na cobaia Xo. 2149 infectada (correspondia á 214a. passagem
da amostra L do virus) estando no 3.® dia de reacção febril c 5.® da ino-
culação do virus (1 cc. de sangue da cobaia Xo. 2123).
Esta experienda teve em vista completar o estudo do prazo em que o
^rus pode perdurar ainda virulento no organismo dos percevejos (E.xpcricn-
cias 12 e 13).
A cobaia não teve reacção caracteristica do virus, porem infecção por uma
Sahnonella, confirmada pela cultura e passagem de 1 cc. de sangue para a
cobaia Xo. 2245, que morreu em 24 horas.
Mesmo assim, após longo periodo cm que apresentou (devido proravel-
uiente á infecção intcrcorrentc) reacção febril, foi, em 5-XI-934, inoculada com
o drus (1 cc. de sangue da cobaia Xo. 23(M), morrendo na noite do 4.® para
o 5.® dia, tendo tido no 3.® dia 40®. .A infecção intercorrente prejudicou qual-
quer conclusão, sobre esta pros-a de immunidadc.
.Assim sendo, resumindo as experiencias da 2.® serie, podemos dizer que
0 drus do “t>-pho exanthematico” de S. Paulo, existente nas larras de per-
cevejos após se encherem de sangue de um coelho ou cobaia infectados (Expe-
riência 12), já não se mostrou activo após 48 horas (Experiência 13), não
provocando .siquer immunidadc do animal; o mesmo aconteceu após prazos
ntaiores.
3.® Serie — Xesta serie foram usadas njmphas e adultos creados no la-
boratorio. Os exemplares haviam sido utilizados cm experiencias da serie an-
terior, tendo já decorrido 33 dias após a ultima alimentação. .Alguns c.xempla-
res foram inoculados antes de serem novamente infectados para as experiencias
desta serie.
Todos os exemplares restantes foram infectados por alimentação cm cobaia
■nfcctada. Decorridas 24, 48 c 72 horas, assim como 13 dias, foram inocula- (*)
(*) Agradecemos a S. Calazans o auxilio prestado no estixio e idcntificacio das cul-
turas insuladas.
cm
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14 Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
das cobaias com emulsão de fezes accumuladas nos 3 primeiros prazos; da
mesma forma foi inoculada emulsão de percevejos decorridos os prazos referidos,
ao mesmo tempo que lotes separados foram alimentados em cobaias normaes,
sendo as alimentações dos respectivos lotes repetidas em dias successivos. Final-
mente, foram feitas provas de immunidade para confirmação dos resultados
obtidos.
Cobaia Xo. 2264 — Inoculada em 17-X-934 com 1 cc. de sangue da cobaia
No. 2251 (correspondente á 215a. passagem da amostra L do nosso vinis). Apre-
sentou após incubação de 3 dias, reacção febril caracteristica, desde o 4.** dia:
4CrO; 41*0 (sendo sangrada e inoctilada a cobaia No. 2276 para confirmação da
infecção) ; 40“5 (quando os percevejos desta serie foram nelia alimentados) ;
40°0; 40“0; 40*2; 40°0; 39°8; 39“ 1 ; 39“6; 38“8 e morte na noite de 31 para
l-XI-934. A cobaia No. 2276 teve infecção caracteristica com passagem e con-
sequente infecção tjqiica para a cobaia No. 2297; desta para a cobaia No. 2309,
sendo continuadas as passagens do virus. Os percevejos foram alimentados na
cobaia No. 2264, no 3.* dia de reacção febril (40“5) e 6.* da inoculação, em
23- X-934.
Experiência 20 — Cobaia No. 2279 — Inoculada em 23-X-934 com emulsão
de 6 percevejos (após conveniente lavagem em akool e agua phj-siologica) do
lote a ser usado nesta serie, antes da alimentação infectante. Não apresentou
qualquer reacção, porem amanheceu morta em 8-XI-934, sendo registada a pre-
sença de Toxoplastna em esf regaços da raspagem da parede peritoneal.
Experiência 21 — Cobaia No. 2280 ( 9 ) — Inoculada por via sub-cutanea,
em 24-X-934, com emulsão de excreta de 15 percevejos que, 24 horas antes
se haviam alimentado na cobaia No. 2264, infectada, e accumulados nesse prazo
no tubinho cm que se aciia\'am. Não apresentou qualquer reacção caracteris-
tica, pelo que, em 12-XI-934 (decorridos 20 dias), foi inoculada com o virus
(0,5 cc. de sangue desfibrinado das cobaias Nos. 2322 e 2323), apresentando,
após incubação de 4 dias, reacção febril durante 4 dias (40“5 ; 40“2 ; 40°0 ; 39*8) ,
resistindo porem e sendo suspensa da obserNação cm 24-XI-934.
Foi ncgati>a, portanto, a prova de immunidade, o que mostra a não exis-
tência do rirus nos excretas, nesse periodo, pelo menos em quantidade capaz
de provocar a immtmidadc do animal inoculado.
Experiência 22 — Cobaia No. 2281 ( Ç ) — Inoculada, em 24-X-934, por
via sub-cutanea, com emulsão de 5 percevejos que, 24 horas antes, se haviam
alimentado na cobaia No. 2264, infectada. Não apresentou qualquer reacção ca-
racteristica durante 20 dias de observação, pelo que, em 12-XI-934, foi ino-
ailada com o virus (0,5 cc. de sangue desfibrinado das cobaias Nos. 2322 e
2323) ; morreu, accidentalnwnte na noite deste dia, porem, pela necropsia, nenhu-
ma lesão apresentava (baço de aspecto normal).
Experiência 23 — Cobaia No. 2282 ( o* ) — Posta a ser alimentada, em
24- X-934, por 10 percevejos que, 24 horas antes se haviam alimentado na
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MoNTEino — Transmissão experimental do “T. exanthemalico" de S. Paulo 15
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
cobaia Xo. 2264, infectada. Os mesmos percevejos se alimentaram nella nova-
mente em dias diversos. Xão apresentou reacção fefril, pelo que, em 12-XI-934,
foi inoctdada com o vims (0.5 cc. de sangue desfibrinado das cobaias Xos.
2322 e 2323) que causou infecção característica. A mardia da experíencia,
a5sim como a consequente prova de inrmimidade estão resumidas no Graphico
1, anne-xo; seu resultado foi negativo.
Verí fica-se por estas 3 ultimas experiendas, que já em 24 horas o virus
é destruido no organismo do percevejo, não sendo encontrado activo nas fezes
e não sendo transmittido pela inoculação, dos exemplares ou pela picada dos
mesmos, o que levanta a duvida da Experiência 19. Portanto, parece certo que
a infecção só se dá, com a inoculação de percevejos, quando feita logo após a
alimentação infectante (Elxperíencia 12), o que já não oceorre decorridas 24
horas.
Experiência 24 — Cobaia \o. 2289 ( o' ) — Inoculada em 25-X-934 com
emulsão de excreta de 15 percervejos que 48 horas antes, se haviam alimentado
na cobaia No. 2264, infectada, accumulados nesse prazo. Xão apresentou reacção
febril, pelo que, em 12-XI-934 (decorridos 19 dias), foi inoctdada com o virus
(O.Scc. de sangue desfibrinado das cobaias X'os. 2322 e 2323). A marcha da
e.xperíencia e o resultado da prova de immunidade, que foi negativa, constam do
Graphico 2, annexo.
Experiência 25 — Cobaia No. 2290 ( 9 ) — Inoculada cm 25-X-934, por via
sub-cutanea, com emulsão de 5 percevejos que 48 horas antes, se haviam ali-
mentado na cobaia Xo. 2264, infectada. Xão apresentou reacção febril, pelo
que, em 12-XI-934 (decorridos 19 dias), foi inoculada com o virus (0.5cc. de
sangue desfibrinado das cobaias Xos. 2322 e 2323).
O Graphico 3, annexo, mostra o resultado da experienda e o resultado nega-
tivo da prova de immunidade.
Experiência 26 — Cobaia No. 2291 ( o ) — Posta a ser alimentada, pela
1.* vez em 25-X-934, por 10 percevejos que, 48 horas antes, se haviam alimen-
tado na cobaia Xo. 2264, infectada. .-V alimentação foi repetida pelos mesmos,
com intervallos, dentre os primeiros 18 dias. Xão apresentou reacção febril,
pelo que, cm 12-XI-934, foi inoculada com o virus (O.Scc. de sangue desfi-
brinado das cobaias Xos. 2322 c 2323) que causou infecção, com reacção febril
e morte, e lesões typicas. O Graphico 4, annexo, mostra este resultado, com
a prova de immunidade negativa.
Experiência 27 — Cobaia No. 2292 ( d* ) — Inoculada, cm 26-X-934, por
via sub-cutanea, com emulsão de excreta de 15 percevejos que, 72 horas ames.
se haviam alimentado na cobaia Xo. 2264, infectada, e accumulados nesse prazo.
Xão apresentou reacção febril, sendo inoculada, em 12-XI-934, com o virus
(O.Scc. de sangue desfibrinado das cobaias Xos. 2322 e 2323), que provocou
infecção característica. O resultado negativo da experíencia está exposto no
Graphico 5, annexo.
Monteiro — Transmissão experimentai do “T. exanthematico” de S. Paulo 17
18
Memórias do Instituto Bulanlan — Tomo IX
18
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I 11 12 13 14
Cobaia 2295 ^ Graphíco
MoxTEino — Transmissão experimental do “T. exanthematico” de S. Paulo 19
Experiência 28 — Cobaia No. 2293
( ^ ) — Inoculada, em 5-XI-934, por
via sub-cuíanea, com emulsão de 5 per-
ce^^jos que, 72 horas antes, se haviam
alimentado na cobaia No. 2264, infecta-
da. Não apresentou reacção febril e,
inoculada, em 12-XI-934, com o rirus
(O.Scc. de sangue desfibrinado das co-
liaias Nos. 2322 e 2323), teve infecção
caracleristica. Eiste resultado negativo
consta do Graphioo 6, annexo.
Experiência 29 — Cobaia No. 2294
( 9 ) — Posta a ser alimentada, pela
!.■ vez cm 26-X-934, por 10 perceve-
jos que, 72 horas antes, se haviam ali-
mentado na cobaia No. 2264, infectada.
A alimentação foi repetida pdos mes-
mos, com intervallos, dentre os primei-
ros 16 dias. Não apresentou reacção
febril, que, porém, foi determinada pelo
virus (O.Scc. de sangue desfibrinado das
cobaias Nos. 2322 e 2323) inoculado cm
12-XI-934, para pro\'a de immunidade.
Este resultado negativo está indicado no
Graphico 7, annexo.
G)mo testemunhas do virus usado
nas axperiendas precedentes, foi com o
mesmo inoculada, cm 12-XI-934, a co-
l)aia No. 2336, que tev’e infecção cara-
cteristica, com passagens positivas, con-
tinuadas cm serie. O Graphico 8, an-
nexo, mostra o resultado da inoculação
dessa testemunha e das duas primeiras
passagens sucoessivas, rcspectivamente,
nas cobaias Nos. 2349 c 2359.
Experiência 30 — Cobaia No. 2319
(o ) — Inoculada, cm 2Ó-X-934, por
sub-cutanea, com emulsão de 5 percevejos, que, 13 dias antes, se has-iam
alimentado na cobaia No. 2264, infectada. Não apresentou reacção; a]xmas 1
<lia verificou-se a temperatura de 40^. Foi sangrada no 12.* dia, em 17-XI-934,
* 1 cc. de sangue inoculado na cobaia No. 2346. Em 26-XI-934 (decorridos
10
cm
SciELO
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20
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
21 dias) foi inoculada com o virus (1 cc. de sangue da cobaia Xo. 2349), apre-
sentando infecção caracteristica. A cobaia Xo. 2346 não apresentou reacção ca-
racteristica, tendo tido alguns surtos febris, com cultura positiva do sangue do
W '"iT‘i4‘’ 15 16 17 18 19 íio fil 25
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41
40
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Cobaia ^359 ç
G ro>ph i CO 6
coração, o que os justificou. Seu sangue foi passado para a cobaia Xo. 2370
que, sacrificada no 6.® dia, com 39“6, não mostrou lesões, sendo negativa a pes-
quisa de Rickettsias no peritoneo. Foi, portanto, negativo o resultado da expe-
riencia e da prova de immunidade, resumidas no Graphico 9, annexo.
Monteiro — Transmissão experimental do "T. exanthematico” de S. Paulo 21
21
*>2
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Experiência 31 — Cobaia Xo. 2320 (q) — Posta a ser alimentada, pela
1.* vez em 5-XI-934, por 10 percevejos que, 13 dias antes, se ha^dam alimen-
tado na cobaia Xo. 2264, infectada. A alimentação dos mesmos foi reno\’ada,
com inter\‘allos, nos primeiros 20 dias. Xão apresentou reacção febril, pelo
que, em 26-XI-934 (decorridos 21 dias), foi inoculada com o rirus (1 cc. de
sangue da cobaia No. 2349), apresentando infecção caracteristica. O resultado
negativo da experiencia e da prova de immunidade figiaam no Graphico 10.
Como testemunha do virus (sangue da cobaia Xo. 2349), usado nestas 2
ultimas experiencias, foi com o mesmo inoculada, na occasião, a cobaia Xo. 2359,
que teve infecção caracteristica, como se viu no Graphico 8.
Os resultados desta 3.* serie de experiendas concordantes com os das
duas series anteriores, indicam que os percevejos alimentados em cobaia infe-
ctada com o “tv-pho exanthematico” de S. Paulo não transmittem o virus no.
fim de 1, 2, 3 e 13 dias, quer pela inoculação dos exemplares, quer pela picada
cm cobaia normal. O “virus” não foi também evidenciado nos excreta dos
percevejos accumulados no 1.®, 2.® e 3.® dias após a alimentação infectante.
.\lém disto, os animaes inoctilados ou alimentados pelos percevejos, decorridos
aquelles prazos, mesmo repetidas as picadas, não se nKKtrarani immunizados
em relação a uma inoculação posterior do virus activo.
DISCUSS.^O E RESUMO
As 3 series de pesquisas sobre a possibilidade da transmissão da infecção
e.xperimcntal pelo "typho exanthematico” de S. Paulo, por intermédio dos
percevejos (Cimex Icctularius), representando experiencias cm numero de 31,
deram, em ultima analj-se, resultados negativos.
V'cri ficámos que o virus, sangue infectante ingerido pelo percevejo, só-
mente causa a infecção da cobaia quanda o percevejo (larvas ou adultos), que
o contêm, é inoculado logo após a alimentação. Já em 24 horas, torna-se ne-
gativa a inoculação da cobaia, que nem siquer se mostra immune a uma inocula-
ção posterior do virus activo, de passagem, indicando não ter tido nem infecção
ligcêra ou inapparente. O mesmo se verifica com a inoculação das fezes elimi-
nadas nesíe prazo ou provocando a infecção por meio da picada dos percevejos;
as cobaias assim tratadas nem siquer apresentaram immunidade a uma inoculação
posterior do virus.
Resultados igualmentc negativos foram, com maior razão, obtidos em idên-
ticas condições experimentaes (inoculação de excreta emittidos, inoculação dos
e.\cnqdarcs triturados ou pela picada) cm prazos maiores, de 48 e 72 horas,
5, 10, 13 e jnais dias após a alimentação infectante dos percevejos.
Monteiro — Transmissão experimental do “T. exanthematico” de S. Paulo 23
Diante dos resultados citados de Castaneda e Zinsser (1) com o “tj-pho
tnexicano” e dos que obtivemos com o “typho exanthematico” de S. Paulo,
pode-se deduzir que o ‘Sirus” do primeiro apresenta uma certa resistenda (até
10 dias) no organismo do Citnex lectularius. o que não acontece com o do segun-
do, que já se mostrou inactivo decorridas apenas 24 horas.
Xestas condições, perguntamos: os resultados obtidos por Mordra e Maga-
lhães (3 e 4) não serão elementos pelos quaes seria possivel a filiação do "tj-pho”
de Minas ao "tj-pho mexicano” ou melhor ao "typho americano ou endemico”
(Rkkettsiose endemica), afastando-se do de S. Paulo, isto é, do grupo da
febre maculosa das Montanhas Rochosas”, ao qual este se filia? Ou então:
dado que esses auctorcs asrignalam até a transmissão congênita do virus pelo
percevejo, indicarão taes resultados a existenda, cm Minas, de uma nova mo-
dalidade de febre exanthematica, com este transmissor ou mesmo a de uma
outra doença?
•■V resposta a estas interrogações será de grande interesse pratico e epide-
uiiologico e esdarecer-nos-á sobre a provável existenda da rickettsiose endemica,
*ransmittida pelas pulgas, no nosso território, ou de outra modalidade. Somente
2 continuação das pesquisas, rigorosamente orientadas por estudos comparativos
dos differentes virus e repetidas as proras immunologicas, esclarecer-nos-ão sobre
importante problema da nossa nosoJogia.
COXCLUSOES
1. O virus do “tjTibo exanthematico” de S. Paulo (rickettsiose neotropica)
dotado de actividade quando no organismo de percevejos (Ctmex lectularíus),
inoculados immediatamente após a alimentação dos mesmos em animal infectado,
durante a reacção febril, já se mostra inactivo quando os percevejos são ino-
^lados decorridas apenas 24 horas após a alimentação.
2. Em prazos de 48 c 72 horas, 5, 10, 13, 16 e 25 dias foram negativas,
da mesma fórma, as experiencias para transmissão experimental do "ts^plio
*aanthcmatico” de S. Paulo por meio de percevejos, quer pela inoculação de
*^creta emittidos c de exemplares triturados, quer pela picada ou alimentação
tepetida em cobaias normacs.
3. A resistenda do rirus do "t)-pho exanthematico” de S. Paulo no orga-
nismo do pcrccwjo (Cimex lectularius) é muito reduzida, não persistindo sua
actiridade, nas condições experimentaes descriptas, siquer 48 e mesmo 24 horas,
*pós a alimentação infectante.
Ti
cm
SciELO
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24
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
ABSTRACT
A series ot 31 experiments made with bed-bugs to find out ií these insects
could carry the S. Paulo spotted fever has brought to light the following facís:
1. The \-irus of the S. Paulo spotted íever is active in the body oi bed-bugs
(Cwicx lectularius) only when these insects are inoculated immediately following
their feeding on an infected animal and during its febrile reaction; it proves,
however, to be inactive when the bed-bugs are inoculated 24 hours after their
feeding.
2. All the experiments were negative when the e.xperimental transmission
of that infection was attempted 48 and 72 hours or 5, 10, 13, 16 and 25 days
later, with bed-bugs, either by means of their sting and of their repeated
feeding on normal guinea-pigs.
3. The resistance of the S. Paulo virus in Cimex lectularius is very low,
its infective power not persisting even for 25 hours following an infecting
feeding of this bed-bug under the experimental conditions described in the 'ext.
BIBLIOGR.\PHIA
1. Castaneda. R. & Zinsseer, H. — Studies on typhus fever. III. Studies ot líce and bed-
bugs {Cimex lectularius) with Mexican typhus fever — J. Exper. Medicine LII
(S) :661.1930.
2. Monteiro, J. Lemos; Fonseca. F. da & Prado, A. — Pesquisas epidemiologicas sobre o
etyfko exanlhemaiico* Ao S. Paulo. VII. Pesquisa do virus em alguns arthropodos
sob condições naturaes — Brasi! Medico XÍ-VI(S) :169.1932: Mcm. Inst. Butan-
tan VI:137.1931.
3. Moreira, J, el. & Magalhães, O. — Typho exanthctnatico cm Minas Gcrars — Brasil
Medico XLVH(34):S99.1933.
4. Moreira, J. A. Sc .Magalhães, O. — Typho exanthematko cm Minas Geraes — Mem.
Inst. Oswaldo Crui XXVHI(2) -.225. 1934.
(Trab«lho da S«cçSode Viru» c Virutthcrapia do In»titQto Uu*
Untao, apresentado eto dexembro de 19S4. Dado à pablici-
daiSe em abril de 1995).
24
NOTAS DE ACAREOLOGIA
X. Occorrencia, em S. Paulo, de acarianos transmissores de varias mo-
dalidades de febre exanthematica e suas possíveis relações com a
Rickettsiose neotropíca paulista.
Xl. Validade da especie e cyclo evolutivo de AmbJyomma striatum
KOCH, 1844 (Acar/na, Ixodidae).
XII. Eulae/aps vitzthumi, sp. n. (Acarina, Laelaptidae).
XIII. Novas especíes sul-americanas de parasitos do genero Liponissus
KOLENATI, 1858 (Acarina, Liponissidac).
XIV. Ceratonyssus joaquiml, sp. n. (Acarina, Liponissidae) {taraiiia de
Glossophag-a soricina (PALLAS) de S. Paulo.
XV. Occorrencia de sub-especie deixodes ricinus (L., 1758 no Estado
de S. Paulo (Acarina, ixodidae).
XVI. ixodes amaraii, sp. n. (Acarina, ixodidae).
XVII. Localização, frequência, distribuição Keojcraphica e hospedadores de
Speiaeorhynchus latus BANKS, 1917 (Acarina, Speiaeorhyn-
chidae).
POR
FL.WIO DA FONSECA
27 grai-uras •w ttxto da serit
cm
SciELO,
LO 11 12 13 14 15 16
616.»6Sj:»81
NOTAS DE ACAREOLOGIA
Occorrencia, em S. Paulo, de acaríanos transmissores de va-
modalidades de febre exanthematica e suas possiveis relações
com a Rickettsiose neotropica paulista
POR
FLAVIO DA FONSECA
Nos trabalhos realizados no Instituto Butantan sobre a Rickettsiose nco-
tropica, coube-nos estudar, ao lado de outros problemas relacionados com a
iJ^smissão natural e experimental, a fauna de cetoparasitas hematophagos pas-
^•'■eis da suspeita de desempenharem papel como transmissores da temiv-el in-
fecção. Os resultados a que chegámos, em relação aos acarianos, foram inte-
*^santes, pois, ao lado da srrificação de parasitas de existência já conq>ro>-ada
^irc nós, cuja occorrencia na zona infectada, porém, não havia ainda sido
*^*nionstrada em alguns casos, nos foi dado encontrar alguns outros cuja presença
Brasil não havia ainda sido notificada, bem como certas espccics ainda
desconhecidas.
Os cetoparasitas comprovadamente transmissores de Rickettsias pathoge^
tiícas, até hoje conheddos, pertencem ás ordens Anoplura e Siphonaptera da
^^^se Insecta ou á ordem Acarina da classe Arachnida.
A’ primeira dessas ordens pertencem os piolhos humanos do genero Pedi-
Linn., sendo comprovadamente transmissores da Rickellsta prowasecki,
*€ente da Rickettsãose epidemica, o Pediculus huntanus, vac. corporis Dceger,
piolho do corpo, e o Pediculus humanus, var. hutnanus, Linn., ou piolho de
'*l>cça da raça branca, denominações estas adoptadas por Ewing, que distingue
^nda as variedades Pediculus humanus, var. niffritarum Fabridus, ou piolho de
^beça da raça negra e Pediculus huntanus, ^•ar. amerícanus Ewing, ou piolho
^ cabeça da raça vermelha, todos com ligeiras differenças morpliologicas que
justificam, a seu ver, a creaçâo das variedades dtadas, sendo que sobre a possi-
cm
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LO 11 12 13 14 15 16
28
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
oilidade de transmissão de Rickcttsias pelas duas ultimas variedades nada se
sabe. Além da genero Pediculus tem ainda importanda em epidemiologia, na
ordem Anoplura, o genero Polyplax Enderlein, cuja especie Polyplax spinulosa
(Burmeister) Mooser, Castaneda e Zinsser (1) demonstraram estar entre os
mais provavds transmissores, de rato a rato, da Rickettsia mooseri Monteiro,
1932, agente da Rickettsiose endemica.
Em 1931 obsesrs-aram D)'er, Rumreich e Badger (2) que também os repre-
sentantes da ordem Siphonaptera, as pulgas, podiam representar o papel de
sTctores de Rickcttsias, observação que foi logo confirmada por outros. Estu-
dando a Rickettsiose endemica na America do Norte, puderam esses pesquisa-
dores demonstrar que pulgas, colhidas em ratos e pertencentes ás especies
Xenopsylla cheopis e CcratophyUus fasciatus, provocavam infecção exanthema-
tica, quando trituradas e injectadas cm cobaias.
Todos esses ectoparasitas até agora citados occorrcm sabidamente em São
Paulo, inclusive na zona em que a nossa Rickettsiose se manifestou com maior
frequência e intensidade, embora os caracteres epidemiologicos da infecção depo-
nham todos contra a interferencia dclles na propagação da endemia. De facto,
só raramente tem sido observado mais de um caso cm uma mesma residenda,
o que muito contraria a hypothese de se tratar de transmissão por um pediculideo
ou pulicideo: no primeiro caso, seria de esperar que a pediculose, ao se alastrar,
como o faz, por contiguidade, acarretasse o apparedmento de vários doentes em
uma mesma residência; na hypothese de se tratar de transmissão por puliddeos,
seria <le esperar o mesmo phenomeno de multipliddade de casos em um pequeno
raio, desde que a transmissão se effectuasse, qtier por mdo da Pulex trrilans,
pulga parasita do homem, que teria nuior probabilidade de disseminar a infecção
no mesmo domicilio, passando directamente do doente ao individuo são, quer
por meio de uma das espedes parasitas electivas de roedores cventualmente
depositários de Rickettsia. Neste caso, depois de picar o homem, como o faz
acddcntalmente, a pulga procuraria de novo os roedores, que nunca se afastam
muito do local que habitam, continuando, si hou\'csse opportunidade, a trans-
mittir a infecção de preferencia na mesma residência ou em sua proximidade
immediata.
Curiosamente, mesmo os raros casos de oceorrenda de mais de um doente na
mesma residenda depõem, até certo ponto, contra a transmissão por pediculideo
ou mesmo puliddeo, pois, num domidlio em qiK oceorreram 4 casos, 3 adoe-
ceram no mesmo dia e um 2 dias depois, dando a impressão de que os transmis-
sores eram em numero elevado e a contaminação de todos os doentes teve logar
ao mesmo tempo, tal como si tivessem entrado em contacto com larvas recem-
cclodidas de acarianos, carrapatos ou outros. Si se tratasse de transmissão por
siphonapteros, anopluras ou cimicideos, os casos sobreviriam mais provavdmcntc
com intcivallos e não abruptamente, como succedeu na oceasião citada.
2 3
5 6 7
Ky J — I -1—1 \
11 12 13 14 15 16 17
4
F. DA Fonseca — Xotas de acareologia
29
Já, porém, a circunstancia de se tratar de infecto predominantemente rural
ou semi-rural contraria fortemente a hypothese da transmissão por pulicideos,
pois motivo algum se encontra para que neste caso não se alastrasse a epidemia
pela cidade, a menos que o pulicideo cm apreqo fosse de especie peculiar não a
um rato, mas a um mammifero sylvestre. hj-pothese nada provável, pois nunca
íoi demonstrado o parasitismo do homem por pulgas de especies sylwstres
l>rasileiras. A essa circunstancia vem alliar-se, para n^r qualquer valor ao
íjpo de transmissão que discutimos, a verificação, que fizemos com Alddcs
Prado (3), da extraordinária pobreza da faima pulicideana nos ratos da zona
uiais contaminada, bastando dizer que, enquanto capturavamos abimdantcs exem-
plares em ratos apanhados simultaneamente na cidade, apenas conseguimos 1
pulga capaz de parasitar o homem, um exemplar de Xenopsylla cheopis, em 128
^tos apanhados na zona rural infectada. Accresce ainda a circunstancia de
ternxK tido occasião. Lemos Monteiro, Alcides Prado e nós mesmo (4), de
inocular em animaes sensiveis grande numero de pulgas, inclusive de especie
Parasita do homem, a Pulex irriíans, colhidas até mesmo em camas de onde
tinham acabado de ser removidos doentes confirmados, sem o menor resultado
positivo.
Argxuncntos igualmente fortes contra a transmissão pelos pediculideos são
u da raridade do seu encontro nos doentes, segundo Piza, Mej-er e Gomes (5),
® o da predominância da infecção na zona rural. Nenhum motivo existe que
«xplique a razão por que se encontrariam piolhos infectados apenas nesta zona
« não cm outras com as quaes os moradores do bairro infectado tem igualmcnte
'untacto. Sem embargo dc todas as razões que militam contra a propagação
P^lus piolhos, o unico arthropodo até agoni encontrado na natureza infectado
(*) foi Pediculus hunumus, var. humanus Linn., o picriho da cabeça, que Mcj'cr
(6). neste anno, demonstrou conter em seu organismo o agente infectante,
Pois triturados e inoculados cm cobaias, transmittiram-lhcs a infecção, tendo
Sido observadas por esse auctor Rickettsias nas cellulas mesotheliaes do peritoneo
de todos os animaes, sem excepção, que serviram ás 16 passagens successivas
*l'ie já fizera com o virus na data cm que foi publicado o seu trabalho. Concluiu
^Icycr, prudentemente, que a infecção determinada nas cobaias cra devida ao
'irus existente apenas no sangue ingerido doB doentes e contido no apparelho
digestivo dos piolhos c que esse virus não tinha determinado rcalmeiite uma
•nfecção desses insectos. Parece-nos, porém, mais consentâneo com a cxjpcricn-
sobre o assumpto admittir que os piolhos se tivessem realmcnte infectado
^pós as refeições repetidas que tiveram certamente opportunidadc dc fazer no
doente sobre o qual foram capturados, do que acreditar que a pequena quantidade
de sangue existente no apparelho digestivo de poucos exemplares pudesse cx{Ji-
(•) Veja-se a nota ao pé da pg. 7.
cm
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30
Mornorias do Instituto Butantan
Tomo IX
*
car a infecção das cobaias. Além disso, a infecção de piolhos não seria para
admirar, mesmo que nada tenham a ver com a transmisão natural, “sabido como
é que Weigl (7) já conseguiu infectar experimentalmente piolhos com virus da
Rickettsiose endemica na America do Norte, o mesmo tendo sido conseguido
com Cimcx por Castaneda e Zinsser (8). Com a Rickcttsia da forma paulista
Lemos Monteiro, Prado e nós mesmo (9) infectámos: l.® o Ornithodoros
rostraius. carrapato que nem de longe poderá ser incriminado de transmittir esta
Rickettsiose, pois não existe nas redondezas da região infectada; 2.® o Boophilus
micro f>lus (10), que só raramente ataca o homem, factos estes que demonstram
a pequena electiridade das Rickettsias, capazes de infectar vários arthropodos,
mesnx) quando pertencentes a espedes distantes, sob o ponto de rista zoologico,
daquellas que habitrulmente parasitam.
No caso particular da infecção do piolho da cabeça pela Rickcttsia da forma
paulista, não parece haver relação entre esse facto e a transmissão natural, não
sendo, todavia, possivel excluir inteiramente a hjqxjthese de poderem os piolhos,
de um modo excepcional, transmittir a infecção, o que riria explicar mais facil-
mente o apparecimento, aliás raro, de mais de um caso no mesmo domicilio.
As mesmas razões que depõem contra a participação de pediculideos c
pulicideos são appbcaveis aos cimicideos. Embora seja sabido que, experimen-
talmente, é possivel a infecção de percevejos por meio de Rickettsias, tendo,
alem disso, sido suggerida ultimamente por Magalhães, em Bello Horizonte
(11) , a possibilidade da infecção natural de Cimcx lectularius pelo agente causal
da Rickettsiose observada naquella cidade, o representante deste grupo em São
Paulo, o Cimcx Iccluíaríus, colhido cm casas infectadas, não transmittiu a
infecção a colwias, quer por picada, quer após iiKxmlação, segundo observámos
com Lemos Monteiro e Prado (4).
Passada esta ligeira revista nos insectos até hoje aceusados da transmissão
das varias modalidades da infecção rickettsiana, vejamos em que pé se encontra
o problema em relação aos arachnideos.
Data já de muito tempo o conhecimento da transnussão cm condições natu-
raes das duas variedades de Febre maculosa das Montanhas Rochosas, a do
typo Oeste e a do typo Leste, hoje reconhecidas como Rickcttsioscs, transmittidas
ao homem por especies de carrapatos pertencentes ao genero Dcrmaccntor,
entretida a infecção entre roedores, principalmente pelos do genero Hacmaphi-
saJis, sendo de notar que o Dcrmaccntor andersoni, não só transmitte a infecção
á pjTole, como ainda, por copula, póde uma o ott cT transmittil-a ao outro sexo
(12) . Mais novo, de 1925, é o conhecimento da transnrissão do “heait-water”
(infecção causada pela Rickcttsia ruminantium Cowdr>') pelo Amblyomma hc~
bracutn, conforme o comprovaram as pesquisas de Cowdiy.
Noção ainda mais recentemente adquirida (1931) é a da transmissão da
Febre botonnosa, também infecção de natureza rickettsiana, pelo carrapato do
6
F. DA Fonseca — Xotas de acareologia
31
^o, o Rhipicephalus sançuineus, o qual feri em 1933 aceusado de transmittir,
dessa infecção, o T>*pho trojrical de Kenj-a, tendo sido encontrado natural-
”*nte infectado por J. Roberts e H. Jonldngs (13) ; foi também suspeitado o
Rftipicephalus pulchellus.
Sabe-se, além disso, ser possivel, experimentalmente, obter-se a infecção
outros carrapatos, além dos já atados, com o agente da Fdjre maculosa das
^íontanhas Rochosas; o mesmo oceorre em relação á Rickettsia do tj-pho ende-
^co norte-americano e varias espedes de carrapatos dos generos Dennacentor
c Ajnblyomma.
Baseado nos dados epidemiologicos, quasi todos favoráveis á portidpação
um arachnideo da ordem Acarina na transmissão da infecção e apoiado na
analogia com as infecções predtadas, transmittidas por carrapatos, orientámos
sentido as nossas pesquisas, chegando á conchisão de que a espccie que
apresenta maiores probabilidades de desempenhar o papd de transmissor é o
^»iblyomn\a cajennense, carrapato parasita de equideos, mas cujas phascs ini-
^laes de evolução se passam sobre toda uma serie de animacs, dos grandes mam-
nu feros até ás aves, sendo de todas as espedes brasileiras a que mais commum-
"'^e ataca o homem, o que sucoede mesmo com extraordinária frequência,
*^®*no é sabido por todos que tem certa experienda da vida cm nosso interior.
Ao contrario disso, é excepdonal o parasitismo do homem pelas restantes espe-
*^65 encontradas na zona infectada, taes como Boophilus mlcroplus, Rhipicephalus
^Kffutwus, Amhlyomma oi-ale e Amblyotnma strialum. o primeiro parasita de
^*®videos e os tres últimos do cão.
Os resultados de infecção experimental a que chegaram Lemos Montdro,
Alddes Prado c o auctor, demonstram não ser infundada essa hjqxrthcsc. pois
o Amblyomtna cajennense é fadimente infecíavd, transmitte a infecção por
P>cada e a sua prole nasce infectada.
Oepois do Amblyoinma cajennense seguent-se como espedes mais suspdtas
^bipicephalus sançuineus, Amblyomma oi'aIe c Antblyomma striaium. Embora
tenha sido siquer demonstrada a possibilidade de infecção c.xpcrinKntal
*l€ssas espedes com a nossa Rickettsiosc (•), não se deverá olvidar que a pri-
**>cira é sabidamente a transmissora de uma das Rkkettsioses mais próximas da
Paulista depois da Febre maculosa das Montanhas Rochosas, como se póde
'^>rehcndcr das pesquisas de Badger (14), e que as ultimas, também parasitas
(•) Por oceasiSo da apresentação deste trabalho TiSo eram ainda conhecidos os resuha*
4os das pesquisas de Luis Salles Gomes. Esses foram trazidos á mesma sessão do 2*
^^Kresso Medico Paulista, em Novembro de 19JJ e publicados no Brasil Medico XLVII
fS2) :9io.i933; versasam sobre o encontro de um Amblyomma oiale, naturalmente infecta-
pela Rickettsia brasUiensis e parasitando um cão. Segimdo dados de informação verbal
Alcides Prado, que identificou o Ixodideo em apreço como Amblyomma ovale de forma
^‘•iatum, acredito preferivel ligal-o á especie Amblyomma strialum Koch. 1844. distincta de
Amblyomma ofole Koch. 1844.
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
do cão, são de muito as mais frequentes sobre esses animaes em zonas ruraes,
sendo, além disso, especies próximas do Amblyomma cajentunse e, portanto,
possi\’elmente também infectáveis.
As ^-erificações que pudemos fazer com Lemos Monteiro e Alcides Prado
não nos auctorizam a emittir opinião sobre o papel destas especies do cão, pois,
embora negativos os resultados da inoculação cm animaes sensiveis, o numero
de exemplares com que trabalhámos, 17 ao tcxlo, é muito reduzido para pemrittir-
nos concluir dessas expericncias.
Uma outra especie que merece também a attenção dos pesquisadores da
infecção paulista é o Hacmaphisalis leporis-paltutris, especie cosmopolita, para-
sita de coelhos syhxstres. Foi a nossa attenção chamada para este ixodida após
0 estudo da fauna de roedores passíveis da susjeita de serem depositários
naturaes do tdrus. Demonstrando a epidemiologia, bem como os estudos expe-
rimentaes do comportamento do virus em animaes de laboratorio, existir grande
semelhança entre a infecção paulista e a Rickettsiose das Montanhas Rochosas,
cujo principal depositário na natureza é um coelho sylvestre, orientámos neste
sentido as nossas im-estigações, podendo agora assegurar ser frequente, nas
proximidades da zona infectada, o Sihilaffus ntinensis, o nosso coelho do matto
ou lebre, especie muito próxima da que serve de depositário ao virus norío-
americano. Este animal mostra-se entre nós frequentemente parasitado pelo
Hacmaphisalis leporis-palustrís que acabámos de citar, o qual é, na America do
Norte, responsawl pela disseminação do rirus entre os coelhos sylvcstres, sobre
elle encontrando-se também Atnblyomma cajennense. A e.xistcncia, entre nós,
de roedor de especie tão próxima do depositário do \-irus da Febre das Monta-
nhas Rochosas, especie que podemos adiantar ser sensível á infecção pela Ri-
ckellsia brasiliensis, segundo acabámos de verificar com Lemos Monteiro, bem
como a presença do carrapato transmissor daquella infecção entre esses roedores,
constitiicm uma verificação que devxrá ser levada em linha de conta cm estudos
futuros, aliás Já por nós iniciados cm collaboração com o precitado collega.
Para estarmos, sob o ponto de vista epidemiologico, em igualdade de condições
com a Febre das Montanhas Rochosas, apenas falta o transmissor intermediário
entre o roedor c o homem, isto é, o Dcrmacentor, genero de carrapato que não
oceorre entre nós, mas que poderá cventualmente ser substituído em seu papel
pelo Atnblyomma cajennense, que c senià\xl, não só á nossa Rickettsiose, como
também á das Montanhas Rochosas, sendo, além disso, parasita commum da
nossa lebre selvagem, segundo nos pudemos certificar pelo exame dos c-xempla-
res até agora capturados, o que, aliás, era de esperar, dada a pouca riectividade,
já referida, do Amblyomma cajennense.
O que se sabe, portanto, sobre a epidemiologia da nossa Rickettsiose, depõe
contra a transmissão por um insecto, falando mais a favor da \'ehiculação por
arachnidco, abstrahidos os raros casos oceorridos na cidade, onde é mais fre-
s
F. DA Fonseca — Sotas de acareologia
33
quente o encontro dos primeiros do qix: dos s^undos, que, aliás, também podem
ahi occorrer, não estando, além disso, ao que nos consta, perfeitamente provado
que sejam idênticos os virus urbano e rural, o que permitte a suspeita da exis-
tenda de uma outra forma de infecção, esta urbana, corroborada pelo isolamento
de um rirus de rato, diverso do da zona rural, obtido por Lemos Monteiro e
0 auctor (15).
O conjuncto de provas que vêm sendo accumuladas a favor da partidpação
dos arachnide«>s da ordem Acarina, ou dos acarianos, da Fam. Ixodidae, isto é,
os carrapatos em geral, com excepção dos Argasidae, e com espedalidade a
favor do Amblyomma cajennense, é já bem ponderável e não seriamos nós, que
lambem contribuímos para o estabelecimento de um certo numero dessas pro\’as,
que a negaríamos. Não póde, porém, deixar de chamar a attenção o facto de
^ sido, segundo os dados até agora publicados, tão raro o encontro de carrapatos
*ol>re os doentes, pois no trabalho de Piza, Meyer e Salles Gomes (5), entre
utais de 60 casos, apenas vemos referido um cxiso de encontro de carrapato cm
Parasitismo flagrante, tendo harido, segundo nos parece, mais uma observação
posterior de parasitismo por carrapato.
O encadeiamento de argiunentos que nos levam a culpar um Ixodideo paro-
<ua-nos á primeira vista soffrcr com esta restricção violenta solução de conti-
nuidade. Saindo, porém, que as larvas de Amblyomma cajennense parasitam
0 Iwspede por um lapso de 3 a 6 dias, as nymphas, de 5 a 7 dias c as femeas,
^nais ou menos 7 dias e que só os machos permanecem sobre o hospedeiro por
lapso de tempo muito maior, teremos esclarecido pelo menos parcialmentc
* objecçâo relativa á raridade do encontro do parasita nos doentes, pois, via de
*^Sra, já os carrapatos os terão abandonado quando os pacientes apresentarem
*yniptomas e, com maior razão, quando entrarem em observação hospitalar, o-
que está de aceordo com a verificação de Piza (16), que a^valiou o periodo de
Wcubação, em um caso com historia pregressa de carrapato, em 4-5 dias, tendo-
Sido de cerca de 7 dias o periodo de incubação que, em collaboração com Lemos
^lonteiro, obscj^'ámos experimentalmcnte lu cobaia, após picada por Amblyotmna
cajennense infectado.
A quem conhece a extrema frequência com que oceorre o Amblyomma
cajennense em nossos campos, mesmo em proximidade de cidades, conforme
•nccede na zona em que a infecção tem predominado e suas immediações, quan-
em certas épocas do anno, é impossivcl transitar pelos campos sem ter victima
*1® múltiplas picadas, a menos que sejam tomadas medidas radicaes de imme-
diata troca de roupas e captura sobre o corpo das larvas que já tenham podido-
^tavessal-as ; a quem sabe com que facilidade o Amblyomma cajennense adquire
^ infecção experimental quando posto sobre cobaia com Rickettsiose ; a quem.
ignora que a prole da fernea infectada já nasce infecíante; a quem sabe
^ne com Dermacetitor andersoni já tem sido obtida até mesmo infecção das-
9 .
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
femeas indemnes pela copula com machos infectados e ^•ice-versa, parecerá sem
duvida extranho que um Ixodideo tão frequente na região, atacando tão com-
mummente o homem e encontrando-se, segundo todas as probabilidades, infectado
cm proporção relativamente elevada, determine um munero tão reduzido de
casos de Rickettsiose. Pareceria mesmo á primeira vista que este argumento
entrazia em serio conflicto com a hypothese da transmissão por esta especie de
carrapato e que, ao contrario de buscar um transmissor tão frequente, seria
mais logico ir procural-o em um vehiculador mais raro na região e com menores
possibilidades de parasitar o homem. Não será, porém, ainda este o argumento
que derrubará a h>*pothese que discutimos, pois o facto de tnn transmissor,
constantemente encontrado e frequentemente infectado, só exoepcionalmente
determinar infecção, apesar de parasitar frequentemente o homem, tem seu
parallelo justamente na infecção mais semelhante á nossa, a Febre das Monta-
nhas Rochosas, na qual as cousas se passam do mesmo modo com o Dermacentor
andersoni. Não c mais um enigma completo, conliccendo-se já, de ha muito,
graças aos estudos de Spencer (17), em parte, a razão do facto: o carrapato
eiKontrado na natureza infectado só tem capacidade para transmittir a infecção
depois de uma sufficiente refeição sanguinea, talvez devido á multiplicação
intensa que soffrem então as Rickettsias, segtmdo o observaram Parker e Spen-
cer (18), de modo que, só si lhe fôr dada opportunidade de sugar durante um
lapso de tempo sufficientemente longo, adquirirá a capacidade de infectar a sua
victima. Ora, o que de regra succede é justamente o contrario, pois o incom-
modo produzido pela picada é. quasi todos nós o sabemos por expericnca,
tamanho, que a victima, na primeira opportunidade, procura desvencilhar-se de
tão molesto hospede, não dando tempo para que se comi^ete o cv-clo exigido,
salvando-a da infecção justamente o prurido que ella tanto maldiz. Por outro
lado, só muito cxccpcionalmente terá um carrapato opportunidade de completar
a sua refeição sanguinea no homem depois de ter sido forçado a interrompel-a
cm outro animal, de modo que estas duas circunstancias, verdadeiras para a
Febre das Montanhas Rochosas e, segundo todas as probalnlidadcs, também
para a nossa (pelo menos não se vê motivo para não acceital-as provisoriamente),
uma vez que se admitta a hypothesc da transmissão pelo Amblyomtna cajennense,
representam talvez os principaes factores da relativa raridade da infecção huma-
na em S. Paulo.
Nem todas as objecções que se possam fazer á hjqwthese da transmissão
por Aviblyomnxa cajennense são, porém, passiveis de facil elucidação; pelo
menos não nos oceorre, de momento, uma explicação, p. ex., para o facto de
limitar-se a infecção a uma zona relativanrente rcstricta, quando é verdade que
o vector presumptivo e.xiste ainda em maior abundancia em zonas limitrophes
detfta. Outro argumento que depõe contra a hypothese em estudo é o da au-
sência de informes por parte dos doentes quanto á picada por carrapato. -A
10
F. DA Foxseca — Xotas de acctreologia
35
Pícada é sempre incommoda e pruriginosa, em qualquer phase cm que se encon-
tre o parasita e, si é possivel admittir que em alguns casos passasse despercebida,
repugna crer que não tivesse sido observada pelos doentes na maioria dos casos,
•rrtsmo feita resalva para aquelles que tenham sido hospitalizados cm estado de
nao mais poderem responder ao interreçatorio. Além disso, a regra é serem
múltiplas as picadas, determinadas quasi sempre por -v-arios ou mesmo muitos
pmasitas, quando estes se encontram em jAase lan-ar. Na phase m-mphal e
mesmo um indi^nduo menos sensivel ao prurido não deixaria de notal-os,
<lados o engorgitamento do parasita pelo sangue ingerido e o volume a que
attinge ao cabo de potxro tempo.
Acreditamos ainda assim na viabilidade da hj-pothese em causa; alguma
explicação dere provarelmente haver para as objecções adma formuladas, con-
quanto com ella não atinássemos. Embora admittindo que o Amblyomma ca-
jennetise é o mais incriminavcl dos parasitas até agora estudados, julgando que,
si tião fôr o transmissor habitual ,apresenta pelo menos todos os requisitos para
ser considerado vxi\ possivel vehiculador; acreditando, embora, não haver duvida
Que transmittirá a infecção, desde que o acaso o collcque entre o depositário do
'^rus, que tudo indica e.xistir, c o homem sensivel, não dei,\aremos, entretanto,
encarar a hjTXjthesc da existência de um outro transmissor que venha elucidar
® ponto obscuro acima citado: a falta de uma historia pregressa de picada por
carrapato na anamnese da maioria dos doentes.
Tendo já ficado demonstrada a menor probalúlidade da h>'pothese da par-
*^pação de um insecto na transmissão, só nos resta procurar imt outro \’Cctor
•Jtie nos elucide sobre o ponto obscuro, entre os arachnidcos da própria ordem
dos carrapatos, os Acaritia. Nesta ordem tão numerosa que apresenta mais de
^00 familias, vamos eiKontrar, alem dos carrapatos, duas familias particular-
^^'Cnte interessantes, pois apresentam especies que, Occidental mente, como os
carrapatos, parasitam o homem: são as familias Liponissidae Vitzthum e Trom-
bidiidae Leach.
Dentre os representantes da primeira, lana espccie existe, Liponissus bacoti
(Hirst), contra a qual múltiplas aceusações de parasitismo do homem foram
levantadas, incriminando-se-lhe por fim a transmissão de infecção ricketísiana.
Já cm 1914 assignalava Hirst (19) que Liponissus bacoti fòra capturado
''^rias vezes na .\ustralia parasitando o homem. Em 1923 Bishopp (20) referia
*^x$os de invasão de edifkios inteiros em quarteirões commerdacs de cidades
Texas, encontrando-se os incommodos acarianos desde o !.• ate ás vezes o
lO* andar de um prédio. A infestação de ilomicilios era rara, observando-se
c nuis frequentemente em casas conunerciaes, cinemas, estações de estradas de
íerro, etc.. Sua presença tinha como consequência o parasitismo do homem,
terminando prurido e dor. Referiu casos de pessoas que, em consequenda
^le picadas de vários desses acarianos, sentiram-se doentes, apresentando febre
n
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
e mão estar geral, o que attribuju, sem grande razão, aliás, á excitabilidade des-
ses indivíduos. Como consequenda das picadas observavam-se prurido e pe-
tecliia.
Maxcy, em 1929 (21), externava a suspeita de serem airarianos possivds
vectores do “tjqjhus'' norte-americano.
Em 1931 Shclmire e Dove (22) colUgiam uma serie de obser\-ações de
parasitismo do homem pelo Liponissus bacoti, documentando com photographias
a consequenda dos distúrbios por elle causados, montando a mais de 200 os
casos de parasitismo humano observados. Lesões semelhantes á urticaria, pa-
pulas e vesículas de situação variavel, exigindo diagnostico differencial com
picadas de percevejos, piolhos do corpo e outros hematophagos, bem como com
escabiose, foram as lesões por elles verificadas, aggraradas, ás vezes, por infecção
secundaria. Foi comprervada a infestação de casas particulares, boteis, casas
de negodo, dnematographos, etc..
A simultaneidade do apparecimento da "rat miie dermatitis” e do typho
cxanthematico no Texas, bem como a existência comprovada do Liponissus ba~
coli em casas de doentes de “t}-phus”, le\'aram os auctores a crer na possibili-
dade de ser este acariano o transmissor da infecção ao homem.
Como consequência dessas suspeitas, le%'aram Dove e Shelmine a ef feito
uma serie de pesquisas cujos resultados, rdatados cm novembro de 1931 (23),
pro\’am a possibilidade de se infectar experimentalmente o Liponissus bacoti
com a Rickettsia da forma norte-americana do “tj-phus”, demonstrando não só
a presença de Rickettsias em cortes histologicos de Liponissus infectados, como
a transmissão da infecção a ratos e cobaias por picada de acarianos alimentados
alguns dias antes cm animaes infectados, verificações estas que emprestam con-
sidcra\Tl importância ao Liponissus em pathologia.
Finalmente, ainda em 1931, Netter incriminava Liponissus bacoti como inn
possível transmissor da moléstia de Brill ou typho endemico benigno.
Liponissus bacoti teve sua presença assignalada no Eg>'pto, Abyssinia, Aus-
trália e em varias localidades da America do Norte. Na America do Sul ape-
nas consta a sua existência na Argentina, onde foi capturado já cm 1912 (24) .
Em 1931 assignalou o grande acareologista hollandez Oudemans (25), pela
primeira \-ez na Europa, a presença deste acariano em Hamburgo, devendo a
sua importação na Europa ser muito recente, pois a fauna de acarianos da re-
gião é muito bem conhecida, ao contrario do que succede entre nós. Os aca-
rianos capturados appareciam já havia 2 annos periodicamente, picando pessoas
da casa, determinando apparecimento de papulas.
Estudando a fauna de acarianos da zona infectada, foi-nos dado observar
a presença deste parasita accidental do homem em S. Paulo. Capturámol-o pela
primeira vez sobre um CavHdae muito commum entre nós, que, aliás, tem sido
suspeitado de poder representar o papel de depositário natural do virus da Ri-
12
F. DA Fonseca — Xoías de acareologia
37
paulista, CazHa aperea, o preá, no qual é encontrado com grande fre-
^'icncia, 10 vezes em 13 preás examinados, e de regra em grande numero. Foi
^ seguida verificada a sua presença em parasitismo de ratos de especies do-
roesticas e sylvestres e também uma vez no homem.
Os trabalhos de Do^-e.e Shelmire não parecem ter sido muito concludentes
® foram combatidos na sessão da American Medicai Assodatíon cm que foram
apresentados, mas até hoje não tiveram contestação experimental, restando
*inda a suspeita da sua possivel \-eracidade, dc\Tndo ser, portanto, lembrados
Pdos que se oceuparem com pesquisas de transmissão da nossa Rickettsiose,
dada a existência do acariano em apreço na zona infectada.
Bem mais importantes do que Liponissus bacoti, porem, são os acarianos
^ Fam. Trotnbidiidae Leach, prindpalmentc os do genero Trombicula Ber-
De facto, c conhecido o papel preponderante que representam estes aca-
*^nos na transmissão de uma Rickettsiose hoje bem estudada, o Tsutsugamu-
japonês, no qual ficou demonstrado, cm uma sequencia admiravel de traba-
lhos, indo desde a meticulosa observação da epidemiologia até a verificação da
“ifecção natural das laivas, que o transmissor é a laiva de Trombicula akamushi
(Brumpt, 1910), que, não só vehicula o germe do depositário natural do virus,
<lue é prindpalmentc o Microtus monlebeUoi, ao homem, como também é a cul-
P^a da infecção desses roedores. Trombicula akamushi, como todos os repre-
sentantes da familia Trombidiidae, apenas parasita durante a phasc de larva,
continuando, porém, infectado nas phases não parasitas de nj-mpha c de adulto,
^*^smittindo-se a infecção congenitamente, de modo que as larvas, apesar de
*pcnas parasitarem um unico hospedeiro, podem, assim mesmo, transmittir a
infecção, entreíendo-sc a cndeim'a, não só pela infecção de larvas indemnes nos
'depositários, como também pela herança.
Segundou verificou Hatori, seria ainda a mesma cspecie, Trotnbicula aka-
*^^hi, que, em Formosa, transmitte o Tsutsugamushi, indo, provavelmente, info-
em roedores dos generos Apodemus, Pachyura, Rattus c outros.
Xâo só, porém, a Rickettsiose japonesa (incluida e da Ilha Formosa) tem
* transmissão assegurada por uma Trombiculinae; o Pscudotypho de Sumatra
e dado como transmittido por Trombicula delicnsis Walch, 1923, sendo susjjci-
de também fazel-o Trombicula keukenschrijveri c outra Trombiculinae de
genero proximo, a Schõngastia schüffneri. Ao aceusar Trotnbicula deliensis ali-
'^ha Walch uma serie de argumentos cm defesa de sua h)'pothese, entre os quaes
* estreita proximidade com Trombicula akamushi, sua distribuição gcographica,
0 parasitismo do rato e do homem, etc.
A’ mesma espede é ainda attribuida a transmissão do Tsutsugamushi nos
Estados Malaios, em trabalho de Fletcher, Lessler e Lcwthvvaite (26), que ba-
leiam sua crença cm observações epidemiologicas, nas quaes fazem o estudo da
f*una de roedores e de acarianos da r^ão.
13
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
No caso das Febres exanthematicas da China e do México, tem já sido
externada a suspeita de transmissão por Trmnbicula (27).
A respeito da existência de Trombiculas, quer na região infectada de S.
Paulo, quer no Estado, nenhum documento existia, não se sabendo si oceorriam
ou não. Oceupando-nos com este assumpto, foi-nos possível verificar serem
Trombiculas e.xtremamente frequentes em zona limitrophe com a infectada, em
Butantan, onde conseguimos captural-as a parasitarem uma serie grande de ani-
maes, inclusive os ratos domésticos e selvagens, a lebre sylvestre e o homem,
alem de numerosos passaros. Dessas Trombiculas varias constituem espedes
diversas das dnco até agora assignaladas para o Brasil, tendo sido algumas das
nossas descrip<;ões já entregues para pt^licação (28) . Saber si representam
ou não algum papel na transmissão da infecção em causa é matéria a ser ded-
dida por pesquisas futuras. Admittida, para argumentar, esta h\-pothese, fica-
ria esdarecido o ponto obscuro adma dtado da ausência de historia pregressa
de carrapatos na maioria dos doentes, pois a presença de Trombicula passará
quasi fatalmente despercebida a quem não a procurar com espirito prm-enido,
dadas as dimensões exiguas destas lar\’as, que apresentam em media 250 p de
comprimento. Além do mais, os mesmos argumentos ins-ocados para a incri-
minação de um carrapato como vehiculador da infecção, são applicavds ás
Trombiculas: predominanda rural da infecção, raridade de casos múltiplos na
mesma residenda, parasitismo de roedores c do homem, etc.. Entretanto o des-
conhecimento das Trombiculas, vulgarmcnte conheddas por “mucuins”, entre
os habitantes da região, demonstra que a trombidiosc humana não deve ser fre-
quente. Dizemos não deve ser frequente, porque os Trombiculas são quasi sem-
pre confundidos pelo povo com larvas de carrapato, não merecendo grande con-
fiança as informações prestadas a este respdto.
Num momento em que se discute o problema da Febre e.xanthematica de
S. Paulo, não de^ ser olvidada a existência da região de um grupo de para-
sitas entre os quaes se encontram transmissores provados de Rickettsioscs, afim
de que seja chamada a attençâo dos que se oceupam com a sua epidemiologia,
mormente porque esta não contraria a hypothese de uma possi^-el participação
de vehiculadores deste grupo na transmissão da infecção paulista.
ABSTR.\CT
The foilowing species of ticks and mites have bocn observed in the districts
in which the S. Paulo spotted fever is endemie: Ixodidae: Amblyomma
cajennensc, Atnbíyomttia ovale, Amblyomma striatum, Rhipkephalus sanguineus,
Boophilus microplus and Haemaphisalis leporis-palusiris; Liponissid.ae: Lipo-
nissus bacoli and Liponissiu sp. ; Trombidiidae: numerous species under investi-
gation and related to the genus Trombicula.
14
F. D.v Fonseca — Xotas de acareologia
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The epidemiological feature and the experimental charaaer of this infection
^h secm to justify the hj-pothesis of its transmission by a tick, akhough the
'^^ses in -whidi this type of carrier could be involved are rather rare. Atn-
^lyomma cajennense, among the specães of tkks found in the endemic region,
the most probable carrier due to its prevalence and readi ness both to become
^oerimentally infected and to attack persons and rodents. Likewise, Rhipice-
fhalus sanguincus, Amblyotnnva ovale and Amblyomma striatum deserve con-
SKÍeration, the first spedcs on account of its being one of the carriers of
*^’'^^her tj^pe of spotted fever and the seoond and the third sftecies because
3f their fnequency on dogs in the S. Paulo rural distríct.
Haemaphisalis Uporis-palustris is frequeníly foiuid on aãld hares. Since
•t is one of the carriers of the Rocky ^lountain spotted fe^■er, it aiso descrves
a special mention together with ks host, the common hare, Sylxnlagus tninensis,
^■hich belongs to a spedes very dose to one of the natural hosts of the R. M.
Spotted fever drus, inasmudi as Sylvilagus tninensis is susceptihle to the in-
^«ction by Rickettsia brasüiensis Monteiro, 1931.
Among the mátes found on persons there were Liponissus bacoti (Hirst,
1913), Liponissus sp. and numerous spedes of Trotnbicula, the rôle of which
•n the transmission of the S. P. spotted fever can neither bc denied nor affirmed
liefore a thorough investigation of Ais point, alAough the epidemiological feature
the S. P. spotted fever seems to agrec with the biolog>- of thesc mites.
SUMM.\RIO
Nas regiões em que oceorre a Rickettsiosc neotropica foi observada a oc-
^'^rrcncia das seguintes espedes de acarianos possiveis da suspeita de apresen-
**''em relações com a Rickettsia brasiliensis Monteiro, 1931 .
IxoDtDAE: Antblyomtna cajennense, Amblyomma ovale, Amblyomma stria-
lum, Rhipicephalus sanguincus, Boophilus microplus e Haemaphisalis leporis~
Mustris.
Liponissidae: Liponissus bacoti e Liponissus sp.
Tkombidiidae: Niunerosas espedes pertencentes ao genero Trotnbicula c
*inda em estudo.
Os caracteres epidemiolc^cos e o estudo experimental da infecção nws-
faroraveis á hj-pothose da sua transmissão por um carrapato, havendo
*pcnas a objectar a relativa raridade de casos cm que tem sido possível filiar a
infecção á picada dc um Ixodida.
Dos carrapatos existentes na região infectada o mais suspdto, devido a fre-
9uenda com que oceorre e com que parasita o homem e roedores e á facilidade
que se infecta expcrimcntalmente, c Amblyomma cajennense.
ts
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Rhipiccphalus sanguineus, Amblyotnma ovale e Ambtyomma striaium me-
recem attenção, o primeiro por ser transmissor provado de uma Rkkettsiose
próxima da paulista e os dois outros por occorrerem com grande frequenda em
cães da zona rural.
Hacmaphisalis leporis-palustris é encontrado com grande frequenda em
lebres selvagens. Como se trata de transmissor da Rickettsia determinante da
infecção que mais se approxima da de S. Paulo, merece ser assignalada sua
presença, bem como a do roedor que parasita, Syh’üagus minensis, a lebre, que
pertence a espede muito próxima da dos depositários naturaes da Febre das
Montanhas Rochosas, sendo, além disso, sensível á infecção rickettsiana.
O estudo da fauna de outros acarianos parasitas do homem demonstrou a
existência de Liponissus bacoti (Hirst, 1913), Liponissus sp. e de numerosas
espedes do gen. Trombicula. A hvqxrthese da partidpação destas na transmis-
são da infecção, si não pode ser affirmada, pois não existem estudos experi-
mentaes a respdto, também não pode, provisoriamente, ser rejeitada, pois o que
ate esta data se conhece sobre a epidemiologia da infecção está de aceordo com
a bio]c^'a destes acarianos, sendo os mesmos argumentos, até agora invocados
a favor da hj-pothese da transmissão por Ixodideos, applicaveis aos Trombi-
diideos.
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16
F. DA Fonseca
Xvtaj de acareologia
41
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20. Búhopp. F. C. — U. S. A. Dcpí. Agric, Dep. Crcular 294.1923.
21. iíaxcy. K. F. — U. S. A. PubL Health Rep. XLIII J079.1929; XLIV:S89, 173S.1929.
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Hirit. S. — Bnll. Ent. Res. V:119.1914.
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Sambon. L. — Ann. Trop. Med. & Parasit. XXII(l) :67.1928.
Pofíseca, F, da — Mcmorús <k> Instituto Butanun VII:147 c 151.1932.
(Trabalho da Secçlo dc Prolozoolopa e Paraaitoln^ do Intti-
( 0(0 Ba(aatan. apre»eo(ado ao 2.* Coo^rcaso Modico Pao*
lista e recebido em oorembro de 1994. Dado á pobtid-
dade em abril de 1905).
616.968^
NOTAS DE ACAREOLOGIA
Validade da especie e cyclo evolutivo de Amblyomma
striatum KOCH, 1844 (Acarina, Ixodidae)
poa
FLAVIO DA FONSECA
Após a observação da transmissão experimental da Rickettsia brasili^nsis
por Ixodideos (1^) e sobretiKlo depois qtie o Amblyomma striaium Koch, 1844
«ncontrado naturalmente infectado pelo agente da rickettsiose de S. Paulo (•)
(3). o interesse parasitologico desta espede augmentou a tal ponto que se im-
o estudo da sua biologia. Procurámos, pois, acompanhar o seu cj-clo evdu-
hvo, cujo conhecimento « indispensável á perfeita comprehensão da epidemio-
ainda muito obscura, daquella infecção, dado ser este carrapato um dos
prováveis transmissores da Rickettsia brasiliensis ao homem.
Ao trabalhar com esta espccie procurámos também verificar ate que ponto
validas as allegações de Robinson, externadas em sua excellente monogra-
P^ia sobne o genero Amblyomma (4), quando assegura que a especie Amblyom-
striatum Koch, 1844 c sjmonyma de Amblyomma ovale Koch, 1844, pelas
**Sumtes razões constantes da pag. 25 de sua monographia: 1.*, comparação de
Amblyomma striatum Koch, 1844 com o typo de Amblyomma ovale Koch, 1844;
contradicção parcial na descripção de Amblyomma striatum apresentada por
^och (1847), na qual este auctor, depois de ter assignalado e figurado a exis^
íçncia de um sulco marginal no escudo dorsal do macho, diz que tal sulco não c
*''hdo; 3.*, concorrência, num lote de machos colhidos sobre um mesmo hospe-
de e.xemplares, ora providos de sulco marginal, ora não o apresentando,
^**”1 como de formas intermediarias, assim como a existeiKia destas duas varie-
(com e sem sulco) cm um outro lote; todos estes factos o conduzem a
(*) Por conununicação verbal do Dr. Alcides Prada que identificou o carrapato en-
*^^rado, infectado em condições naturaes. por Salles Gomes, foi-nos possivel filiar o Ixo-
cm apreço á especie Amblyomma jtriaium.
19
cm
SciELO
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44
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
identificar as duas especies. Segundo Robinson, Amblyomtna striatum nada
mais seria do que uma forma menos chitinizada da especie Amblyomtna ovale,
esta apresentando duas formas: a forma striatum, sem sulco marginal no escudo
dorsal do macho; e a forma fossum, com sulco.
Tendo acompanhado o cyclo evolutivo de Amblyomtna striatum, di^pámos
a uma conclusão opposta á de Robinson, ou seja a da validade da especie Atnr
blyomma striatum Koch, 1844. Com ef feito, só obtivemos, na criação que le\-ár
mos a ef feito, machos (cerca de 20) sem sulco marginal no escudo dorsal, cara-
cter príndpal da especie striatum. Veiu este resultado confirmar a observação
por nós já feita num lote de 8 njmp4ias de igual desenvolvimento, capturadas
sobre um rato sylvestre, Euryzygotnatomys sfnnosus catellus, e criadas em rvosso
laboratorio, das quaes só obtivemos machos da especie Atnblyomtna striatum.
Depois de Amblyomtna cajennense (Fabr. 1787) e de Boophilus microplus
(Can., 1888), é Amblyomtna striatum Koch, 1844 a especie mais frequente na
zona em que a rickettsiose de S. Paulo lavra com maior intensidade. Captu-
ramol-o em Butantan, S. Paulo, sobre Canis familiaris e, na phase de njmpha,
sobre o rato sel^-agem Euryzygotnatomys sfnnosus catellus Thomas. Rohr e
Aragão (5, 6), dtam, além disso, como hospedeiros possiveis, as especies Canis
azarac e Equus caballus. Na região em que predomina a infecção exanthematica
em S. Paulo, nos bairros de Pinheiros e Butantan, encontram-se também, por
ordem de frequência: Atnblyomtna ovale Koch, 1844, cujo hospedeiro prindpal
é o cão; Hacmaphisalis leporís-palustris Packard, 1869, parasita da lebre Silvi~
lagus minensis; e Ixodes loricatus Neumann, 1899, parasita de Didelphys aurita.
Observando larvas bem fixadas cm nosso antebraço, pudemos determinar
ser Amblyomtna striatum especie capaz de, cm sua phase larvar, tal como na de
adulto, picar o homem.
O material de que nos servimos como ponto de partida em nossas e.xpe-
ríendas era representado por femeas repletas, capturadas sobre cães dos arre-
dores do Instituto Butantan, no mês de dezembro de 1933. Nos intervallos de
seus períodos de alimentação, os carrapatos foram consenadon em vidros ento-
molc^icos com terra húmida; para nos permittir a contagem dos ovos, as fê-
meas, durante a postura, foram mantidas em vidros sem terra.
Postura
O aspecto dos ovos recentemente postos lembra o de areia limpida, pelo
seu brilho c pela sua côr amarella clara; depois de alguns dias escurecem um
pouco, sem jamais, porém, apresentarem a cór carregada dos de outros Lxodi-
deos, com os quaes os pudemos comparar, como Amblyomtna cajennense, Am-
blyomtna dissimile, Atnblyomtna cooperi e Amblyomtna longirostre e ainda n>c-
F. DA Fonsecv — Xotas de acareologia
43
nos Ixodes loricaius ou Boophilus microplus. Sua forma é clliptíca e seu peso
oscjlla entre 0,1 e 0,05 mgm., isto é, 10 a 20 ovos por imlligramina.
A postura tem inicio de 8 a 11 dias apos a queda das $ $ repletas do hos-
pedeiro, tendo o prazo sido de 9 dias, 8 vezes sobre as 11 em que foi observada
* postura. A duração do período de postura vae de 16 a 26 dias, á temperatura
^ 24 a 25® C; á temperatura um pouco mais baixa do laboratorío, ella foi de
d4 dias.
21
I SciELO
46
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
A postura não obedece a rhs-thmo regular, apresentando o numero de ovos
postos pdas 9 9. em dias successhros, s-ariação limitada. A postura começa
geralmente por um numero elevado de ovos, nas primeiras 24 horas, augmen-
tando até o segundo ou terceiro dias ; a curva começa a oscillar nitidamente nas
24 horas seguintes, bai.vando regularmente, nos últimos dias (Graphico I). Va-
riações neste procedimento podem ser observadas: o máximo de ovos pode ser
posto nas primeiras 24 horas (Graphico II) ; uma segunda ascenção, mais ac-
GRAPHICO II
Postura de Amblyomma slriatum — Lote XIII
.\nnos 1933-4
Meses Dc 2 . Jan.
1400
1200
1000
800
600
400
200
?0
PI
??
Píi
Põ
P7
Pfl
Pf?
Píi
1
2
3
4
6
7
9
9
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12
A
1
A
— 1
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>
V
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r
\
1
1
>
T
ccntuada do que a primeira, é algumas \czes obserx^ada poucos dias após (Gra-
phico III). Outras vezes pode-se verificar a interrupção da postura por 2 ou
3 dias c sua continuação normal em seguida (Graphico II), ou ainda sua cessa-
ção após uma postura recente elevada (Graphico IV'^).
O maior numero de ovos attingiu a cifra de 2.236, postos no prazo de 24
horas, por uma femea que nos 12 dias seguintes ainda effectuou postura de
cerca de 8.000 ovos.
22
CRArilICO III
Postura dc ^hnblyoit»H<i strúUum — Lote XI
48
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
O numero total de ovos oscillou entre 5.800 e 11.200, podendo, esta va-
riação, certamente, ainda ser maior, pois o numero total apenas foi ^•eri{icado
em 8 femeas.
GILAPHICO IV
Relação alguma poude ser observada entre o numero total de ovos postoe
e a duração da postura, pois a femea que maior postum apresentou, foi justa-
mente uma das que pertenciam ao grupo em que a postura foi mais ra^nda.
Parece, todavia, existir uma relação entre o numero de o\-os c o peso das femeas.
Alguns dias após a postura, tornam-se os ovos mais escuros, apresentando,
pouco antes da eclosão, uma mancha branca, correspondente ao abdome das lar-
vas. Os ovos estéreis perdem o brilho e se encarquilham.
Larvas
A' temperatura de 24 a 25* C, o lapso de tempo necessário á eclosão variou
entre 50 e 52 dias. Durante a eclosão, a casca do ovo fende-« cm toda a ex-
tensão, libertando a forma hexápoda; esta recusa alimentar-se nos primeiros
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♦
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F. DA Fonseca — Xotas de acareologia
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dias de vida, fixando-se, porem, já no sexto dia. A fLxação da ian-a ao hos-
I*<leiro dura apenas 3 a 4 dias, tomando ellas, então, côr dnzenta carregada ou
*mda apresentando, mais raramente, côr amarella marfim ou de salmão.
Vimol-as fixarem-se facilmente sobre o cão, o coelho domestico e o homem,
*'ecusando, numa só tentativa feita, fixar-se sobre o rato Efnmys norvegiats.
O peso das larvas em jejum é de 0,1 mgm. e o das larvas repletas foi em
“*dia, de 0,53 mgm..
Após a queda do hospedeiro, conservam-se ellas ainda mo\TÍs durante cerca
de 8 dias, depois dos quaes se inunobilizam, para effcctuar a metamorphoee.
N>'mphas
O prazo para transformação das larvas em n>-mphas, á temperatura de 34
* 25.® C, variou de 18 a 26 dias, calculados do dia do abandono do hospedeiro
^ o apparedmento da primeira n\-mpha.
Ao iniciar-se a eclosão, a p)elle da larva apresenta duas estrias de dehisocn-
que, seguindo os bordos do corpo, são ao encontro do escudo dorsal, cujos
^rdos lateraes acompanham, reunindo-se na linha mediana, de modo que o es-
dorsal da pelle da lars-a fica adherente pelo gnathosoma á superficie ventral,
eom a qual se destaca.
O peso das njmphas, em jejum, é de 0,28 mgm. e o das n>Tnphas repletas,
13 mgm.. Repletas, ellas medem 4, 5 mgm. de comprimento por 2, 5 mgm.
largura.
Observámos a fixação das n>Tnphas no hospedeiro tres dias após sua edo-
o periodo de alimentação s*aria entre 5 e 7 dias, após os quaes abandonam
0 hospedeiro. Ao contrario das larvas, que procuravam sempre a extremidade
*'^Perior tamponada do ridro em que se encontravam encerradas, as nymphas,
effectuar a metamorphose, immobiliza^•am-se algtms dias após sua queda,
a própria terra existente nos vidros.
Nymphas mantidas em jejum sobre terra húmida, foram ainda encontradas
120 dias após a eclosão.
Adultos
A duração da metamorphose das njanphas em adultos foi de 31 a 36 dias,
* temperatura de 24 a 25* C. ; a ddtiscencia da pelle nj-mphal se faz da mesma
”t*tieira da das larvas, destacando-se frequentemente sua metade ventral com o
ficando sua porção dorsal posterior adherente ao adulto movei durante
^^ca de 2 dias.
Sob o envolucro da pelle nymphal, os machos apresentam o gnathosoma
ll<ctido, formando com a superficie central um angulo ligeiramente obtuso. As
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cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
patas estão flectidas de tal sorte, que os tres primeiros pares apresentam os ar-
ticules homologos, do mesmo lado, parallelos; o segundo articulo acompanha a
direcção da coxa ; o terceiro curva-se em angulo recto, perpendkularmente á su-
perficie ventral; o quarto também está cur\-ado em angulo recto, seguindo uma
direcção transversal e parallda á superfide ventral; o quinto se acha torddo
para trás e para baixo e os tarsos estão dirigidos tanto mais para baixo, para
diante e para fóra, quanto mais posteriores são. O quarto par de patas, ao con-
trario dos 3 anteriores, applica-se contra a superfide ventral, oocupando a por-
ção desta superfide limitada pela coxa IV e pelas placas estigmaticas, dirigin-
do-se para trás, depois para dentro e em seguida para fóra. Nas femeas, o
quarto segmento do terceiro par se dirige para trás, sendo ainda mais pronun-
dada a curvatura do quarto par.
Obtivemos a proporção approximada de um macho para cada 3 femeas.
Depois do nascimento, antes de terem sugado sangue, os machos, tal como
as femeas, eliminam, pelo orificio anal, uma quantidade bem apreda%'el de uma
massa esbranquiçada, constituida prindpalmente por concreções de guanina.
Os machos, tal como as femeas, recusam fixar-se nos dias que se seguem
immediatamente ao nasdmento. O periodo de fixação das femeas em cães é
de mais ou menos 11 dias, após o que abandonam o hospcddro, para procurar
um lugar apropriado á postura.
Depois de adquirido um certo desenvol%'imento, as femeas cm porasitismo
são procuradas pelos machos, que se fixam durante alguns dias á pelle do hos-
pedeiro, de modo que a superfide ventral entre em contacto com a das femeas.
Como jamais observámos copula fóra do hospedeiro, acreditamos que a fecim-
dação tenha logar durante este periodo de fixação dos machos proximo ás femeas.
As femeas em jejum têm um comprimento de 3,5 mm. e uma largura de 2
mm.. Repletas, suas dimensões attingem 18 mm. por 15 mm. de largura. O peso
das femeas em jejum é de cerca de 9 mgm. e o das repletas, é de 864 mgm. a
1.590 mgm..
E’ interessante assignalar que o peso das femeas após a postura c sensivel-
mente igual ; a differença de peso entre 4 exemplares, que era de 300 mgm., re-
duziu-se ao ma.ximo de 40 mgm. após a postura.
Os machos têm o comprimento de 2 mm. e largura de 1,3 mm. mais ou
menos. Seu peso é approcdmadamcnte de 5 mgm.; pesados antes e 10 dias
após sua fixação, não aceusaram differença aprecia\%l de peso.
As femeas não morrem immediatamente após a postura, corrservando-se
immoveis, mas vi\'as, durante 7 a 8 dias.
A duração total do cyclo é de mais ou menos 107 dias, calculados apenas
os dias uteis ao desenvolvimento e desprezados os dias de espera após o nasci-
mento das latxas, nymphas e adultos. O c>-clo completo durou 139 dias, ii>-
cluidos os 32 dias de espera, que aliás devem poder ser reduzidos de cerca da
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f •
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5 6 7
Ky J — I \
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F. DA Fonseca — Xotas de acareologia
51
®etade, o que demonstra a possibilidade de uma esrolução bi-annual completa.
EA*olução tri-aimual, theoricamente possiA^el, não pode haver, uma vez que o hos^
PCíleiro não se encontra sempre ao alcance das lanras, nj-mplias e adultos, os
^uaes deA-ern, ao contrario, perder muito tempo para encontral-os ; além disso,
* coincidência do inverno com uma ou mesmo varias p)hases da evolução toma
**^0 o atrazo do cyclo natural, que nenhuma prohahilidade terá de effectuar-se
't^ais de duas vezes por anno.
RESUMO
O Amblyomma stríaíum Koch, 1844, carrapato transmissor ao homem da
*^ckcttsiose de S. Paulo, á luz da prova da evolução a que foi suhmettido, deve
considerado especie distincta do Amblyomma ovale Koch, 1844 e não sim-
ples variação desta, como o quer Rohinson.
O c>-cIo completo, de ovo a ovo, foi percorrido em 139 dias, induidos 32
de espera entre a eclosão das larvas, nvTnphas e adultos c a fixação ao hos-
l*<Wro nessas differentes phases evolutivas.
O numero total de ovos postos pelas Ç 9 osdllou entre 5.800 e 11.200
tendo sido de 2.236 ovos a maior postura observada em 24 horas.
A postura começa de regra no 8.® dia após o abandono do hospedeiro pela
^ fcpleta, tendo durado de 16 a 26 dias á temperatura de 24 - 25® C.
O prazo de eclosão das larvas variou entre 50-52 dias a 24 - 25® C. ; as
^t^as ficam fixadas ao hospede durante 3-4 dias, findos os quaes o abondo-
levando mais 18-26 dias para se transformarem em nymphas. O periodo
^ »limentação destas dura cerca de 5 - 7 dias, abandonando dias o hospcddro
cabo deste prazo, durando o periodo de metamorphose em adultos 31-36 dias
* Ictnperatura de 24 - 35®.
Entre a eclosão das larvas, nymphas e adultos e a possibilidade de sua fixa-
do. medeia sempre um curto lapso de alguns dias. Foi observado parasitísmo
homem pelas larvas. postura diaria foi acompanhada em varias femeas.
^do sido determinado o peso medio nas differentes phases de evolução.
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616.9SS^
NOTES D’ACAREOLOGIE
Validité de Fespèce et c>'cle evolutif de V Amblyomma
striatum KOCH, 1844 (Acarína, Ixodidae).
PAK
FLAVIO DA FONSECA
Après Tobservation de !a transniission expérimcntale de la Rickeltsia bra-
■^«enju par (jçg Ixodidés (1,2) et surtotit des que V Amblyomma striatum (Koch,
fut rencontré infecté naturellcmcnt par Tagent de la rickettsiose de S.
Paulo (*) (3), rinterêt parasitologique de cette espcce s’est tellement accru,
^lue Tétude de sa biologie est rentré dans Tordre du jour. Nous avons donc es-
**yé de suívre son cycle cTOlutif, dont la connaissance est indispensable á la par-
^aitc comprchension de répidcmiologie, encore três obscure, de Tinfaction, étant
^onné que ce tique est un des plus probables transmetteurs de la /?. brasiliensis
* 1’honune.
En travaillant a\Tc cette espcce nous avons aussi tache de vériíier jusqu’à
•Juel pioint sont valables Ics allégations de Robinson, émises dans son excellente
"''^oçraphie sur le genre Amblyomma (4), quand il assure que Tespèce Atn-
^homma striatum Koch, 1844 est s>-nonyme de VAmblyomma ovale Koch, 1844.
^ ^ page 25 de sa monoçraphic Robinson accentuc: ler.) la con^raison de
^*nblyomtna striatum Koch, 1844, aw Ic typc de VAmblyomma ovale Koch,
2c.) b contradiction partielle dans la dcscription d'Amblyomma striatum
P*‘*sentce par Kodi (1847), dans laquclle cet auteur, après avoir signalc et fi-
en dessin Texistence d'un sillon marginal à Téctisson dorsal du mâle, dit
'l'*® ce sillon n’est pas net ; 3e.) Toccurrence d’un lot d’c.xemplarcs miles pour-
ou non de sillon marginal à Técusson dorsal et de formes intermédiaires sur
^ nicme hôte, ainsi que Texistence de oes deux varictes (sillonnéc et non sillon-
. f*) Par une cpmmunicatlon vcrbale de M. Alcides Prado, qui identifia la tique trouvée
*®*'e par M. Salles Gomes, il nous a été possiblc de la ramener â Tespece Amblyomma
^''Wum.
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Mcraorias do Instituto Butantan
Tomo IX
née) dans un autre lot, des faits que Robinson lui -mêine a pu constater et q
Tont conduit à identifier les deux espèoes. ITaprès Robinson, A. striaium,
serait qu’une forme moins chitinisée de Tespece d’Amblyomma ovale, cel!
posscdant deux formes: la forme striatum sans sillon marginal à Técusson dor
sal du mâlc et la forme fossum avec sillon.
Ayant suivi le cj-cle évcJutif de VAmblyomma striatum nous sommes arri
vé à une conclusion opposce à oelle de Robinson, c’est-à-dire, de la -validité d
Tespece A. striaium Koch, 1844. En effet, nous n’avons obtenu à notre élé
que des mâles (à peu près 20) sans sillon marginal à Técusson dorsal, prind
carartère de Tespecc striatum. Ce résultat est venu coníirmer Tobservation qu
nous avions déjà faite sur un lot de 8 nymphes également dèveloppées, capturées
sur un rat sauvage, Euryzygomatomys spinosus catellus, et élesées dans notre
laboratoire, desquelles nous n’avions obtenu que des mâles de Tespèce A. striatu
Après YAmblyomuia cajcnnense (Fabr., 1787) et le Boophilus micropl
(Can., 1888), c’est VAmblyomma striatum Koch, 1844 Tespecc la plus commtin
dans la zone oü la rickettsiose de S. Paulo sévit avec le plus d’intensité. Xous
Tavons capturé à Butantan, S. Paulo, sur Canis familiaris et à Tctat de nym-
phe sur le rat sauvage Euryzygomatomys spinosus catellus Thomas. Rohr et
Aragão (5, 6) citent en plus comme des hôtes possibles les espèces Canis azarae
et Equus caballus. Dans la région ou predomine Tinfection exanthématique à
S. Paulo on rencontre aussi, daprés Tondrc de leur frtquenre: Amblyomma
ovale Koch, 1844, dont ITiôte principal est le chien; Hacmaphisalis Icporís-palus-
tris Packard, 1869, parasite du lièsTc Silvilagus minensis; et Ixodes loricat
Neumann, 1899, parasite de Didelphys aurita,
En observant des larves bien attachées à notre avant-bras nous avons vérifif
que VAmblyomma striatum est une espèce capable, à sa phasc larvaire, de piqu'
ITionime.
Le materiel dont nous nous sommes sei^ns comme point de déport pour
cxpcrienccs ctait represente par des femelles gorgées capturées sur des chiens
des environs de Tlnstitut Butantan, au mois de Dccembre 1933. Aux intcr\’a!L-
de leurs periodes d’alimentation les tiques furent conscrvées dans des verr,..
entomologiques à large ouverture avec de la terre htimidc; pour nous pennett
de compter leurs oeufs, les femelles, les jours de la ponte, etaient conseiv'
dans des verres sans terre.
Oviposition
L’aspect des oeufs rccemment pondus rapellc cclui du sable limpide,
son éclat et sa coukur jaune pâle; après quclqucs jours les oeufs de%'iennen
plus sombres mais ne présentent jamais la couleur foncce d^ceux des autr
Ixodidcs (avec lesqucls nous avons pu les comparer) comme VAmblyomma ca
F. DA FONSEai — Xoles d’acaréologie
Õ5-
Jfnnense, Afnblyomma dissimile, Amblyomma cooperi et Amblyomma longirostrt
moins encore de ceux á'Ixodes loricatus ou Boophilus microplus. Leur forme
clliptique et leur poids oscille entre 0,1 et 0,05 mgm., c’est^à-dire, 10 et 20
oeufs par milligramme.
La ponte commence de 8 à 11 jours après la chute de leur hôte des $ 9
?orgées, son délai ayant été de 9 jours en 8 sur les 11 fois observées. La
durée de la période de ponte a \’aric de 16 à 26 joure à la tcmperature de 24.»
* 25.»; à la tcmperature un peu plus basse du laboratoire elle a été de 34 jours.
La ponte n’obéit point à lui rhj-thme régulier, le nonibre d’oeufs pondus p’.r
*^^uc femelle en des jours successifs présentant des variations linutées. La
commence généralement par un nombre élévé d’oeufs dans les premières
“4 heures, augmentant jusqu’au 2* ou 3* jour; la courbe commence à osdllcr
j^^ltement dans les 24 heures suivantes et baisse regulièrement aux demiers
jours (Graphique I). Des variations de ce procédé peuvent d’ailleurs avoir licu:
niaximum d’oeufs peut étre pondu dans les premières 24 heures (Graphique
11) ; une seconde ascension, plus accentuée que la première, est quelquefois
'^sorvée peu de jours après (Graphique III). Dautre fob on peut constater
• interruption de la ponte pendant 2 à 3 jours et sa reprise normale ensuite
(Graphique II), ou bien sa cessation après une ponte récentc élevée (Gra-
Phique IV’).
Le plus grand nombre d’oeufs atteignit le chiffre de 2.236, pondus dans
*0 délai de 24 heures par une femelle qui dans les 12 jours sui\’ants produisit
^‘'^ore à peu près 8.000 oeufs.
Le nombre total d’oeufs oscilla entre 5.800 et 11.200, oette variation
Pou^^ant ceitainement étre encore plus grande, puisque nous n’avons vérifié leur
®onibrc total que sur 8 femclles.
Ancunc relation entre le nombre total d'ocufs pondus et la durée de la ponte
*ut observée: la femelle appartcnant au groupc dont la ponte fut la plus
*^P>de, fut justement celle dont la ponte fut la plus abondante. Toute-fois, il
qu'unc relation doit exisíer entre le nombre d’oeufs et le poids des femclles.
Quclques jours après la ponte les oeufs deviennent plus sotnbres et pré-
*^t€nt, peu avant Téclosion, une tâchc blanche correspondant à Tabdomen des
Le oeufs steriles perdent Tcclat et se rccroquevillcnt.
Laises
A Ia temperature de 24 à 25.® de delai d'éclosion varie de 50 à 52 jours.
^^^”<íant Téclosion la coque des oeufs se fend sur toute son e.xtension, en libe-
la forme héxapode; cellc-ci refuse de se nourrir aux premiers jours de vic,
se fixe déjà le 6* jour. La fi.xation des larges à ITióte nc dune que 3-
31 <
I SciELO
56
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
à 4 jours; en général elles ont alors la couleur grise foncée, ou bien ivoire ou
saumon.
Nous les avons sni se fixer fadlement sur le chien, le lapin domestique et
ITiomme, mais elles ont refusé, dans une seule tentative, de se fixer sur le rat,
Epimys norvegicus.
Le poids des lar\-es à jeun est de 0,1 mgm. et celui des larves gorgées de
0,53 mgm. en moyenne,
Après leur chute de ITiôte elles se conservent encore mobiles à peu près
pendant 8 jours, après lesquels elles s’immobilisent pour se métamorphoscr.
Nymphes
Le dclai de la transformation des larves en nymphes à la temperature de
24 à 25® a été de 18 à 26 jours, calcules du jour de leur chute de ITiôte
jusqu’à leur transformation en des n)Tnphes.
Au moment de Téclosion la peau de la larv'e presente deux stries de dé-
hiscence qui suivent les bords du corps jusqu’à la rencontre de Tccusson dor-
sal, dont elles suivent les bords lateraux; puis elles se reunissent à la Hgne
médiane, Técusson dorsal de la peau de la larve restant adhérent par le gnatho-
some à la surface ventrale avec laquelle il se dctache.
Le poids des n>-mphes à jeun est de 0,28 mgm. et celui des nj-mjihes gor-
gées de 13 mgm.. Étant gorgees elles mésurent 4,5 mm long. x 2,5 mm larg.
Nous avons observe la fixation des njTnphes sur ITiôte 3 jours après leur
éclosion ; leur période d’alimentation varie entre 5 et 7 jours, après lesquels elles
quittent ITiôte. Au contraire des larves, qui chcrchaient toujours Textremité
supérieure bouchonnée du verre oú elles ctaient enfermées pour être observées,
les njTnphes sTmmobilisaicnt, pour effectuer leur métamorphose, quelques jours
après leur chute sur la terre dont les verres étaient remplis jusqu’au tiers.
Des n)-mphes maintenues à jeun sur de la terre humide ctaient encore
vivantes 120 jours après Téclosion.
Adultcs
Le dclai de la métamorphose des nj-mphes en adultes a été de 31 â 36
jours à la temperature de 24 à 25.*; la déhiscencc de la peau njtnphale suit la
manière de celle des larves, sa moitié ventrale se dctachant fréqucmment avec
récusson et sa portion dorsale postéricure restant adhérente à Tadulte mobile
pendant deux jours à peu près.
Sous Tenveloppe de la peau n>Tnphalc les mâles présentent leur gnathosome
fléchi, en formant, avec la surface ventrale, un angle légèrement obtus. Les
pattes sont fléchies d’une telle forme que les trois premières paires présentent
32
F. D\ Fonseca — Xotes d’acaréologie
57
segments homo!<3gues, du inènic cote, parallèles; le 2* segment suit la di-
-ection de la aiisse; le 3' est courbé en angle droit, perpendiciilaireioent à la
suríaoe ventrale; le 4* est aussi courbé en angle droit et suit une direction
trans\-ersale et parallèle à la surface* wntrale; le 5* est tordu en arrière et en
^ et les tarses sont dirigés d’auíant plus en Iras, en avant et en dehors, qu’ils
plus postérieurs. La 4* paire de paítes, au contraire des trois antérieurs,
Sâpplique contre Ia surface ventrale, occupe la portion de oette surface limitée
P®!’ la cuisse IV et le sillon des pbques stigmatiques, et se dirige en arrière,
en dedans et ensuite en dehors. Chez les femelles le 4* segment de la
paire est dirige en arrière et la courbé de la 4* paire est encore plus prononcée.
N’ous avons obtenu la proportion d’à pcu près un mâle pour trois femelles.
Après la naissance, a\'ant qu’ils aicnt succé du sang, les o o' # aussi bien
<lue les 9 9 . élirainent par leur orifice anal une quantité bien apréciable d’une
aiasse blanchâtre, constituée prinapalment par des concrétions de guanine.
Les , comme les 9 9» refusent de se fixer ks jours qui suiN^ent
^^^^lêdiatement leur naissance. La période de fixation des 9 9 sur des chiens
dà peu près 11 jours, après lesquels elles abandonnent rhôte pour chercher
un local aproprie à leur ponte.
Après avoir acquis un ccrtain développemcnt les 9 9 en parasitisme sont
^*^chées par les o* cí' • qui.se fixent pendant quelques jours à la peau de rhôte
d une telle façon que leur surface ventrale touche celle des femelles. Comme
n’avons jamais observ'c Taccouptement en dehors de ITiôte, nous croyons
la fécondation a lieu pendant cettc période d’attadicincnt des mãles tout
Ptcs des femelles; à notre avis Ia phasc de pénétration du rostre des mâles
d*ns la vulve des femelles probablement n’a pas lieu.
Les femelles »à jeun sont longues de 3 mm et larges de 2 mm; étant
^^•■gées, leurs diinensions sont de 15mm x 12mm à 18mm x 15mm. Le poids
femelles à jcim est d’à pcu près 9 mgm. et de celles gorgccs, de 864 mgm.
^ L590 mgm..
II est intéressant de signaler que le poids des femelles aprés la ponte
^st sensiblemcnt égal: la différence de poids entre quatre e.xcmplaires, qui était
'le 300 mgm., a été réduite àu maximum de 40 mgm. après leur ponte.
Les mâles sont longs de 2 mm et larges de 1,3 mm à peu près. Leur poids
da pcu près 5 mgm.; pesés avant et 10 jours après leur fi.xation, ils n’ont
Pnésenté aucune différence apréciable.
Les femelles ne meurent pas immédiatcment après leiu- ponte, se oonser-
'^nt inunobiles mais vi vantes pendant encore 7 à 8 jotu^s.
La durée totalc du c>'cle est da pcu près 107 jours, si Ton ne calailc
^Ue les jours utiles au développemcnt, et Ton cxduc les jours d’attentc après
^ naissance des larves, nj-miáies et adultes. Le cycle complet dura 139 jours,
J enclus les 32 jours d’attente, qui doivent d’ailleurs pouvoir étre réduits d'à
33
J. ^ SciELO
58
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
peu près moitié, ce qui demontre Ia possibilité d’une ésx)lution bi-annuelle com-
plète. II ne peut pas s’agir d’une évolution naturelle tri-annuelk, théorique-
ment possible, puisque ITiôte n'est pas toujours à la portée des larves, n\Tnphes
et adultes, qui doivent au contraire perdre beaucoup de temps à les attendre;
au surplus, la coincidence de ITiiver avec une ou même plusieurs phases de
révolution, rend certain le retard du c>'cle naturel, qui n’aura donc aucune chance
de s’aocomplir plus de deux fois par an.
BIBLIOGR-\PHIA — BIBLIOGRAPHIE
1. Monteiro, J. Lemos; Fonseca, F. da & Prado. A. — Brasil-Medico XLV(3) :49.1932.
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Janeiro: 204.1909.
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tato BuUntao, rec«b«do cm oorembro dc Dâdo A
pablíododc em abril de 1985).
616 ^ 68 ^
NOTAS DE ACAREOLOGIA
XII. Eulaelaps vitzthumí, sp. n. (Acarína, Laelaptidae)
POR
FLAVIO DA FONSECA
Sobre um rato selvagem dc espccie ainda não determinada (No. 314), captu-
em 1933, em Butantan, S. Paulo, encontrámos, ao lado de alguns exempla-
^ de interessante Staphylinidac, parasita de ratos, Amblyopinus sp., e de alguns
^Ponissus sp., 6 exemplares 9 9 de um no\’o luiclaptidM do genero Eulaelaps
1903.
Segundo a revisão gencrica de \'itzthum (in Zoologischen Jahrdücher, .\bt.
• Sjrstematik, ükologie und Gcographie der Ticr, Bd. 00, H. 3/4, S. 409-417,
consta o genero de dnco espccics, das quaes quatro oceorrem na Europa
* “tna, no Norte da China, nenhuma havendo ate agora attribuida ás .\mericas,
®*>l>ora, alem dessas, haja mais uma do Japão (ín Pearse, A. S. — An. zool. jap.
(1). 1930).
A espede por nós encontrada distingue-se das demais por •vários caracte-
entre os quaes asnilta o numero de cerdas existente na porção vcntral Ua
genito-ventral, ahi sendo encontradas 90 cerdas, quasi o dobro, portanto,
^ existentes na espede typo do genero, Eulaelaps siabularis (Koch, 1836),
é de todas a que maior numero de cerdas apresenta nessa placa.
Descripção da 9
Espede grande, a maior do genero, ukrapassando as dimensões da mesmo
** de Eulaelaps cricetuli Vitzthum, 1930; medindo 1660 p até o apioe dos
c 1290 p de comprimento só do idiosoma.
A cór das partes chitinizadas é amarella-queimada e o tegumento despro-
é branco amarellado. .\ pilosidade do escudo dorsal c tamanha, que
^^ra a das especies do genero Hacmogomasus.
35
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
60
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Face ventral (Fig. 1) — A placa estemal oceupa o intenrallo de parte das
coxas II e III, adaptando-se os bordos lateraes ao contorno dessas coxas, for-
mando por isso dois prolongamentos que se intercalam entre os intervallos das
coxas I e II e II e III ; apresenta um comprimento de 160 p na linha mediana c
uma largura de 276 p, incluídos os prolongamentos entre as coxas II e III.
A superfície apresenta um retículo de malhas largas que lhe dá um aspecto
Ealwlap* TiutbsMi. sp.
Fac« TcntrmL
Weibeb^n. Baucb— i*.».
escamoso c um pontilhado finíssimo, difficil de se distinguir, cxistitKlo dois poi^s
de poros em forma de fenda, um anterior, transversal, para trás e para dentro
das cerdas anteriores c um posterior, obliquo, a igual distancia das cerdas medias
e posteriores. Dos bordos, o anterior é nitido, ligeiramente concavo c dc aspecto
rugoso na frente dos poros anteriores; o bordo posterior, igualmcnte nitido, apre-
senta concavidade mais pronunciada; os bordos lateraes, divididos pelo proíon-
ganxnto entre as coxas II c III, são concavos e espessados na porção anterior
a esse prolongamento. Dos tres pares de cerdas, todos lisos e de comprimento
sub-igual, o anterior fica no bordo anterior e é o mais interno, ficando os dens
outros pares na posição habitual, porém para dentro das margens da placa
e dos ângulos posteriores. Adiante da placa esternal e desta bem delimitada,
vc-se uma pre-estemal transvcrsalmente estriada, que atinge a base do tritos-
temo, abraçando-a, de chitinização muito mais fraca do que qualquer outra
placa. A placa genito-ventral, desmesuradamente larga na porção ventral, como
é característico no genero, mede 552 p de comprimento na linha mediana, por
36
F. DA Fonseca ■ — Xolas de acareologia
Cl
maior largura de 515 [i. apresentando o contorno de um garrafão. O intcr-
existente entre o bordo posterior quasi recto desta {^ca e a anal é de
^ distancia que, embora maior do que a observada em Eulaelaps stabularis
(Koch), não deixa de ser bem pequena. superficie apresenta reticulo iden-
l*co ao da placa estemal, porém, de malhas mais largas. O numero de cerdas
<fcsta placa é ainda maior do que o das restantes especies conhecidas do genero,
•^^^^ndo-se 2 na porção genital e cerca de 90 cerdas na porção ventral, das quaes
pares são marginaes, tendo sido vista em um dos cotypos uma cerda supra-
®'“*'cniria ao nivel do par de cerdas da zona genital.
As cerdas desta, como das restantes placas, são lisas, finas, quasi rectas
* niedem cerca de 75 p de comprimento, excepto o par correspondente á porção
^nital da placa, que mede cerca de 90 p. Sua implantação coincide quasi sent-
com uma das linhas do reticulo ou mesmo frequentemente com a inter-
de duas linhas. A direcção destas cerdas varia com a situação: as da
Pwção genital e as marginaes da porção divergente anterior dos bordos lateraes
muito mais obliquas para dentro do que as da porção posterior convergente
mesmos bordos e as cerdas do meio da placa têm direcção posterior. Placa
íigeiramente mais larga do que longa, com 120 p de comprimento por 130 p
largura, de bordo anterior ligeiramente convexo e bordos lateraes lo\’e-
concavos ; anus com extremidade anterior muito proxima do bordo ; cerdas
>guacs, com 75 p de comprimento, ficando as pares ao ni\el do meio do anus,
* meia distancia entre este e as margens da placa, ultrapassando a impar, de
a extremidade posterior, oceupada pelo cribrutn. Placas inguinaes muito
"*cnvolvidas, como é typico no genero, triangulares, com ângulos arredonda-
medindo 110 p de comprimento por 74 p de maior largura, dc superficie
”^><lamcmc reticulada e sem cerdas. Além dessas placas existem, na super-
‘Oc ventral, mais dois pares de plaquetas: um longitudinalmcnte alongado, si-
para trás dos ângulos posteriores da placa csternal c para diante e para
‘^tro das cerdas metaesternaes, muito menor do que costumam ser as pla-
metaesternaes. fonemente chitinizado, interrompido do lado interno e cm
toda largura por estreita fenda transversal; o outro par é punctiforme e
‘•ftiado no tegumento nú um pouco para trás do par de cerdas da r^ão gmital.
^ ^■estante tegumento nú da face ventral apresenta, para fóra das placas, cerca
'0 cerdas esparsas que se distinguem das cerdas das placas, por serem encur-
'^das c apresentam um ceno numero de farpas na face conrexa.
Os estigmas ficam situados no intervallo entre as co.xas III e IV'. Peri-
visiveis até adiante da coxa I. Escudo do peritrema bem desenvolvido,
*P*‘cscntando esculptura c mancha circular clara na porção posterior (póro?),
P^^dendo ser acompanliado até proximo do gnathosoma.
Pacc dorsal (Fig. 2) — Escudo dorsal cobrindo quasi todo o corpo, me-
”*^0 1200 p de comprimento, mais ou menos, deixando desprotegida apenas
37
I SciELO
62
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
uma estreita faixa marginal que se alarga pre^essis-amente para trás, de fórma
elliptica bastante regular, com ligeiro achatamento no vertice posterior. Sua
superfide é densamente recoberta por cerca de 900 pelos curtos, apenas ligei-
ramente encurvados, apresentando entalhes no lado dorsal, com cerca de 52 p
de comprimento, e pelos marginaes um poiKO mais longos e mais encun-ados.
O par de cerdas verticaes é mais longo e mais forte. A superfície é fina-
Fic. 2
Eal«Up« TiUihaoii. «p.
PcTD«%« DorM.
WHbcfacQ. R0c)ceas«ít«.
mente reticulada e apresenta, na frente, esculptura formada por manchas claras,
existindo cerca de 12 pares de poros disseminados pelo escudo. A superficie
desprotegida apresenta cerdas mais longas, mais esparsas, mais incurvadas e mais
profundamente entalhadas do que as do escudo.
Patas: — I, com 1290 m II, com 960 p; III, com 995 p; IV, com 1380 p-
Coxas com duas cerdas, com excepção da coxa I que só tem uma. Tarsos coni
duas garras fracas e ambulacros.
Gnalhosotm — O tritostemo nasce sol) a forma de tronco que sc bifurca^
em dois grossos ramos, os quaes emittem collateraes e.xtemos relativamcirt*
grossos e espaçados. A gotteira da hypopharj-nge apresenta cerca de 11 car-
reiras de denticulos transversaes. Corniculi fortemente chitinizados. Das cerda*
do hypostomio as anteriores c as postero-intemas são mais longas. Mandibula*
(Fig. 3) ultrapassando o apice dos palpos quando totalmentc protrahidas, com
cerca de 420 p de comprimento, extremamente fortes, com todos os articulo*
grossos, com cerca de 106 p de largura na base. apresentando corôa de cerda*
atrás do digltus mobilis; dedos dos chclicerios fortemente chitinizados, incur-
38
F. DA Fonseca
Xotas de acareologia
63
vados na ponta, com dois dentes cada um e um pilus dcntillis com ^ p de com-
primento entre os dois dentes do digitus fixits. Orgão tibial difíial de ver.
com 38 p de comprimento. Palpos com 370 p de comprimento, com aiticulos
* comprimento decrescente da base para o apice. com excepqão do 4.«‘ articulo,
que é um pouco maior do que o 3.«. Epistoma íargo na base, com cerca de o
nmriiicaiiões longas, algumas das quaes emittindo prolongamentos, aiém dos
outros menores. Labrum piloso e afilado na ponta. Paralabrum piloso no
bordo anterior. Styli longos e encuni^ados para íóra.
Fl«. S.
CalvUp* TltxUivml,
MAttdibata da
Mandibtxlarxb^r*
ám Weibebens.
Pir. 4
EvlaUps TiUtIiaml, «p. n»
Orgio palpai da femea.
Palpenorsan d« Weibebena-
Xo lado interno do 1.® articulo dos palpos existe uma excayação de 58 p
^ comprimento, que oocupa mais do que a metade basilar do articulo (Fig. 4)
« que apresenta vários septos, lembrando de perto o aspecto do orgão de Hallcr
<3os Ixodidae, tratamlo-se apparentemcnte de um orgão sensorial, possivelmente
*^factivo, como aquelle.
Descripçâo, baseada em 6 cotypos 9 9 . capturados pelo auctor sobre um
rato sylvestrc de espede ainda não determinada (No. 314), em Butantan, Estado
^ s! Paulo, a 5. VII. 1933.
ç? e phases evoluti%'as — desconhecidos.
A espede é dedicada ao Conde Dr. Hermann Vitzthum. do Instituto de
Zoologia da Escola Superior de Agronomia de Berlim, a quem são devidas a
»<visào do genero Eulaehps e a descripçâo de duas de suas especics c a quem
c grato o auctor por \’aliosos ensinamentos recebidos.
RESUMO
Eulaelaps vilzthumi. sp. n.. é a maior especie do genero, UKdindo o seu
‘«bosoma 1290 p. sendo de 1660 p o comprimento total, ate o apicc dos palpos.
esternal (Fig. 1) de super fide reticulada, com 147 p de compnmcnto
39
cm
SciELO,
LO 11 12 13 14 15 16
64
Memórias do Institnto Butantan — Tomo IX
por 276 p de largura, incluídos os prolongamentos entre as coxas 11 e III. Pre-
éteternal fracamente diitinizada. Genito-ventral em forma de ga r r a fão, medindo
552 p de comprimento por 515 p de maior largura, apresentando duas cerdas
na porção genital e cerca de 90 cerdas lisas na porção ventral, das quaes 20
marginaes. A placa anal dista cerca de 38 p da margem posterior da placa
genito-ventral, mede 120 p de comprimento por 129 p de largura, das suas tres
cordas, as pares ficam ao nivel do meio do anus. Placas inguinaes muito des-
envolvidas, com 110 p de comprimento por 74 p de maior largura, reticuladas
e sem cerdas. Escudo dorsal (Fig. 2) cobrindo todo o corpo, exceptuando na
faLxa lateral que se alarga para trás, de forma elliptica, com ligeino achatamento
posterior, medindo 1200 p de comprimento, com cerca de 900 cerdas c»m enta-
lhes, ligeiramente incurvadas, além do par mais longo vertical. Mandíbulas
(Fig. 3) fortes, com 2 dentes em cada dedo, um pilus dentUis entre os dente.®
do digitus fixus, corôa de cerdas atrás do digilus mobilis e orgão tibial na base
do digilus fixus. Epistoma largo na base com cerca de 5 ramificações, algiunas
com prolongamentos. Labrum e paralabrum pilosos. Styli loi^;os e curvados
para fora. No lado interno do 1.® articulo dos polpos existe um orgão appa-
rentemcntc sensorial (Fig. 4), lembrando o orgão de Haller dos Ixodidae.
e phases evoluti\’as desconhecidos. Descri pção de 6 cotypos $ 9 ca*
pturados pelo auctor sobre rato especie ainda não determinada, em Butantan^
S. Paulo.
40
616 ^^
ACAREOLOGISCHE NOTIZEN
A II. Eulaelaps vitzthumi, sp. n. (Acarina^ Laelaptidae)
VON
FL.\VIO DA FOXSEC.\
Auf einer noch nkht dcterminicTten .\rt einer im Butantan, Staat S. Pauto-
wilden Ratte, habcn wir nebst cinigcn Excmplaren der interessanten
/‘Phylinidac, Amblyopimis sp. und einigen Liponissus sp., auch sechs Ç 9
neucn Laelaptidae der Gattung Eulaelaps Berlese, 1903, gefunden.
Graf Vitzthum stcllt in den Zool. Jahrb., .^bt. f. system. Ôk. und Georg. d.
Bd. 60, H. 3/4, S. 409-417, 1930, eine Revísion der Gattung Eulaelaps
vor, jn der nur fünf .Arten crkannt werden, von denen vier in Europa und
>*1 China vorkommcn. Pearse beschrcibt ausserdem noch eine aus Japan,
Ann. Zool. Jap. 13 (1). 1930.
ÍHc hier beschriebene Art wird leicht von den anderen .Ancn der Gattung
^^schieden und hauptsãchlich durch die grosse .Anzahl Haarc, wkhe auí dcir
Teil des Genito\^tralcn zu finden sind, gckennzcichnct. Es sind hier
^^fãhr 90 Haarc vorhanden, also fast doppeit so viel, wie die reichlichst
Art, Eulaelaps stabularis (Koch, 1836), aufwcist.
Beschreibung des Ç
handelt sich um die grõsste .Art der Gattung, da diesc grõseer ist ais
mVf/M/i 1’itslhum, 1930. Die Gcsamtlãnge betrãgt 1660 p. bis zum
^ c der Palpcn gemessen, von denen 1290 p für das Idiosoma. Die grõs.ste Brcitc,
dem 4-tcn Beimpaar, is von 956 p und die Brcite in der Hõhc des 4-ten
betrãgt 920 p. Die Farbe der dutinisierten Tcile ist dunkelbraun und
unbedeckten Tegtiments blass-gelblich. Die ausserordentlich rcichliche
^®*rung des Rückcnschildes erinncrt stark an Haemogamasus.
41 .
cm
SciELO
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66
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Baucltscilc (Fig. 1). — Das Stemale liegt nsTschen Coxae II und teihveise auch
z^vischen Coxae III, so dass seine Seitenkanten sich der Rundung dieser Coxae
anpassen und zwei Vorsprünge z^^^schen Coxae I u. II bzw. II u. III bilden. Die
Lãnge betrãgt 160 in der Mittellinie gemessen und die grõsste Breite 276 1*
die Verlãngerungen zwischen Coxae II und III miteingeredinet. Die Ober-
flãche ist fein punktiert und grob retikuliert, was der Platte eine schuppige
Strukíur verleiht, und zeigt zwei Paar spaltfõnnige Poren, von denen das vordeie
Paar transversal ist und das hintere in ciner Querstellung, in gleicher Entfemunf
von dem vorderen und dem hinteren Haarpaar, liegt. Die Vorderlcante ist deu-
tlidi, leicht konkav und hat vor den Vorderporen ein gerunzeltes Aussehen; die
Hintcrkante ist ebenfalls deutlich ausgebildet und ihre Konkavitãt ist noch ausge-
sprochener ; die Seitenkanten zeigen Vorsprünge zwischen den Coxae II und lH-
sind auch konkav und in ihren vorderen Hãlften verdkkt. Die drei Haarpaare
sind glatt, ungefãhr von der gleichen Lãnge; von ihnen sitzt das innerstliegendc
Vorderpoar in der Vorderlcante, die beiden anderen haben ihre gewõhnlicic
Lagc einwãrts der Scitenkante und der Ilinterecken. Ein quergcstreiftes deutli*
ches Prestemale geht bis zur Basis des Tritostemums. Das Genitos^enírale is*
entsprechend dem Charakter der Gattung von ausserordentlicher Breite, stellt die
Form eines runden Kolbens mh flachem Boden dar tmd hat eine Lãnge von 552
und eine grõsste Breite von 515 ju Der Abstand zudschen dem fast geradefl
Hiníerrand dieser Platte und dem Vorderrand des .■\nalen ist 38 p also grõsscf
ais bei Eulaelaps stabularis (Koch) . Die Oberfiãche hat ein grõberes Retiku-^
lum ais das des Stemalen. Die Zahl der Haare, die sich auí dieser Platte befin*
den ist ungefãhr 90, von denen 10 Paar marginal sind und ein Paar dem genitale®
Teil zugchõrt. Ein ausserordentliches Haar ist bei einem Cotj-pus neben deo
zwei Gcnitalhaaren bcobachtet worden. Die Haare dieser Platte, deren Zatí
grõsser ais bei irgend einer anderen .^.rt dieser Gattung ist, sind glatt und
ihre I-ãngc betrãgt 75 p mit der einzigcn Ausnahme des Genitalpaarcs, das eine
Lãnge von ca. 96 p hat. Die Ansatzstellen dieser Haare befinden sich fast im*
nicr in einer der Linien des Retikulums oder hâufig in der Intersektion zweief
Linien. Die Genitalhaare und die sich in den vorderen divcrgicrenden Tcilef
der Sdtenrãnder befindiichen Haare sind mehr schrãg und einwãrts gerichtet al*
die Haare des hinteren Teiles der Seitnrãnder ; alie anderen Haare der Platte sind
nach rückwârts gerichtet. Das Anale ist breiter ais lang, 120 p lang bei 130 i‘
Breite, mit Icicht konvexem Vorderrand und mit leicht konkaven Seitenrãndcm :
das N^^orderende des .\nus liegt dem Vorderrande sehr nahe ; die drei Haare sind
75 p lang, die Gepaarten sitzen in der Hòhe der Mitte des Anus, in gleicher En*"
femung von diesem und TOn den Seitenkanten der Platte. Die Inguinali*®
sind stark cntwickeit, wie es auch bei den anderen Arten dieser Gattung der FaÜ
ist; sie sind dreieckig, haben abgcrundetc Ecken und eine Lãnge von 110 p bO
einer grõsstcn Breite von 74 p. Sie tragen kcine Haare und ihre Oberfiãche i**
42
F. DA Fonseca — Acareologische Xo(izen
67
retikuüert wie die anderen Platten. Es gibt ausser diesen noch zwei andere
Paare von Plãttchen an der Bauchseite : ein Paar liegt hinter den Hinterecken des
Stemalen und vor - und emwãrts von den iletastemalhaaren ; es ist aus stark
^tinjsierten, kleinen, lãnger ais breiten Plãttchen gebildet, welche in dem in-
neren Teil fast ganz durch eine Spalte unterbroclten sind; das andere Paar ist
P*®ktfõrmig und liegt am unbedeckten T^ument hinter den Haaren der Geni-
**íg^cnd des Genitoventralen. Das úbrige unbedcckte Tegument zeigt aus-
''arts A-on den Platten ungefãhr 70 Haare, die sich wn denen der Platten da-
^ch unterscheiden, dass sie krumm sind und einige leichte Einkerbungen und
^ãdchen zeigen. Die Stigmata liegen zwischen Coxae III und IV. Die Pc-
^onata sind bis vor den Coxae I sichtbar. Die Peritrematalia sind gut ent-
''ickelt, fein skulpturiert, zeigen einen rundlichen, hellen Fleck hinter den Sti-
und kõnnen bis über das Gnathosoma verfolgt werden.
Rückcnseitc (Fig. 2) — Das Rückenschild ist ungefãhr 1200 ji lang und
^*^kt fast den eanzen Kõrper. nur seitlich bleibt ein rückvA-ãrts breiter wenien-
^ Streifen unbedeckt; scinc Form ist rcgelmãssig elliptisch, nur am Hintcr-
^nde ist es leicht abgeplattet. Sdnc Oberflâdie ist dicht mit ungefãhr 900
52 p langen, leicht gekrümmien und dorsal mehrmals eingekerbten
^^ren bedeck-t. Die Vcrtikalhaare sind lãnger und stãrker und die auf den
^^cnrãndern liegenden Haare sind lãnger und stãrker gebogen. Die ganze
^^^flàche ist fein retikuüert, trãgt ungerfãhr 24 gepaarte Porcn und zeigt vome
aus hellen Flecken gebildete Skulptur. Das unbedcckte Tegument zeigt
mehr gebogenc, tiefer cingekerbte Haare (ungefãhr 64 Paare) .
Beine. — Bein I 1920 [i, Bcin II 960 p, Bcin III 995 p und Bein IV 1380 p
Coxae, mit Ausnahme von Coxa IV, das nur ein distales Haar trãgt,
awci Haaren. Tarsi mit Haftlappcn und zwei schwachen Krallen.
Gnathosoma. — Das Tritostemum spaltct sich in zwei Teilc, die sich in
'"^^Itnismãssig dicken imd auscinanderliegcnden Z\A’eigen weiter teilen, ohne feine
^hninalc Bchaarung. Die Rima h)'pophar>'ngis zeigt ung. II Rcihcn von
^^nchen. Comiculi sehr stark chitinisiert . Von den Hypostomhaarcn sind
^'Ucríores und die postero-intema^ die Lãngercn. Die Mandibcl, (Fig. 3),
vollstãndig ausgcstrcckt. übcrragcn die Palpen und sind 420 p lang; sie
*'t’d ausserordentlich stark gebaut, haben an der Basis eine Breite von 106 p,
**‘^cn hinter dem digtíuj mobilis ein Pulvillum ; ihrc Fingcr sind stark
‘hnisicrt, mit gebogenen Endcn, und tragen jc 2 Záhne und einen 26 p langen
, ' tr dentilis zwischen den Zãhncn des Digilus fixus. Das tibiale Sinnesorgan
^|i lang und nur sclten zu sehen. Die Palpen sind 370 p lang und der
^^Penindex ist I. II, III, IV. V.
An der Innenscite des ersten Palpolgüedes bcfindet sich ein Organ (Fig. 4),
cinem in vcrschicdenc Kammcm getcilten, 58 p langen Hohlraum bcsteht,
^'•cher die ganze basale Hãlfte dieses Gliedes einnimmt, stark an das Hallcrschc
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Organ der Ixodidac erinnemd, das sicher etn Sinnesorgan, viclleicht wie diescr
auch ein Gerudisorgan, darstellt. An der Innenseite des ersten Palpalgliods ist
eine spomartige, schwach chitinisierte Bildung, vorhanden, die viclleicht ais ein
Anhãnger diescs Organs betrachter werden kann.
Das Episton ist am Hintcrende breh und zeigt am Vorderende ung. fünf
lange Aeste, von denen einige sidi wieder verzweigen. Das Labrura ist dicht
behaart und sein \’'orderende ist sehr dünn. Paralabrum ebenfalls behaart ani
\’'orderrand . Die Styli sind lang und nadi aussen gekrümmt.
Das Mãnnchen sowie die Jugendstadien sind unbekannt.
Die Art ist Herm Doktor Graf Hermann Vitzthum gewidmet, der eine Revi*
sion der Gattung Eulaclaps und die Beschreibung zweier neuer Arten ^■erõffen-
tlicht hat und dem der Verf. fúr zahlreichc Ratschlãge zu Danke vespflichtet ist-
í
'1
44
«16.968^:980
NOTAS DE ACAREOLOGIA
Novas especies sul-americanas de parasitos do genero
Liponissus KOLENATI, 1858 (Acarina, Liponissidae).
POR
FLAVIO DA FONSECA
í^epois que Ewnng limitem a diagnose do genero Liponissus Kolenati, creosi-
^ genero Ceraionyssus Ewing e revalidando os generos Ichoronyssus Kole-
(1) e Ophionyssus Mégnin, 1884 (2), o genero Liponissus, que ate então
^^portara muito maior numero de especies, ficou muito reduzido, pois só das
*spccies citadas por Hirst (3), como figiuando na collecqão do Museu Bri-
*^nico, a maior parte passou para os tres outros generos precitados, após a
•^isão de Ewing.
Procurando estudar as especies de Liponissus que oceorrem no Bra*il, cn-
°*^rámos cinco diversas das já assignaladas nesta região, as quaes dif ferem
*^l>em das restantes especies do genero até agora conhecidas, pelo que serão
'***^riptas como novas.
Antes de assignalarmos (in Memórias do Instituto Butantan VII: 139,
-)• a presença, em S. Paulo, de Liponissus hacoti (Hirst), a unica especie de
*^riano do genero Liponissus attribuida ao Brasil era Liponissus bursa Berlese,
'^^'ecido para.sita de gaiiinaceos.
Aquella espccie é cosmopolita, parasitando principalmcnte ratos, mas tam-
frequentemente o homem, como já tem sido observado em diversas regiões
‘‘'undo, e entre nós também Catna aperca, o preá, pequeno Cavidae que ás
Sc encontra parasitado por centenas de exemplares deste Liponissideo (4).
facto de ter sido attribuida a esta especie a transmissão ao homem do typho
'^'fcniico norte-americano contribuiu para augmcntar-lhe muito a importância
*^'itologica (5 e 6). A primeira- das espedes citadas, Liponissus bursa Berlese,
*'***’cialmcnte tropical e communissima no Brasil, c tcrrivel parasita de galli-
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
naceos, dos quaes se constituiu praga altamente nociva pelos prejuizos que acar-
reta á avicultura, tendo mesnx> sido accusada de transmittir o Trepomma an-
scrínum (= T. gallinarum) (7), encontrando-se também sobre outras aves, bem
como, accidentalmente, sobre o homem.
Os factos acima assignalados são suífidentes para demonstrar conside-
rável importância parasitologica destes ^cartM, todos hemaíophagos inventera-
dos, sendo de grande interesse o conhedmento das especics desse genero encon-
tradas entre nós, por ser quasi certo representarem algum papel na transmissão
de parasitoses entre os animaes que os hospedam.
Devemos acceníuar que o genero Liponissus Kolenati, tomado no sentido
restricto de Ewing, está a e-xigir redsão, a qual, porém, só de^^erá ser letada
a ef feito por um pesquisador que tenha á mão material abundante, representado
prindpalmente pelas especies descriptas pelos auctores mais antigos, das quaes
nós não dispomos. E’ esta a razão pela qual fomos forçado a induir no gêne-
ro Liponissus Kolenati a especie Liponissus wcmccki, sp. n., embora ella se afas-
te da diagnose apresentada por Ewing (o/>. cit.), tratando-se provavelmente de
uma fórma intermediaria entre este genero e o genero Ichoronyssus Kolenati,
pois apresenta notável encurtamento do tibia II e arqueamento dos hombroo
muito pronunciado, que são caracteristicos deste genero, existindo, alem diseo,
um espinho ventral na coxa I, o que c inteiramente excepcional.
Com Liponissus cruditus, sp. n. acontece o mesmo, pois também este apre-
senta encurtamento notável da tibia II, não attingindo o seu comprimento as di-
mensões exigidas da diagnose do gen. Liponissus formulada por Ewing; além
disso, não foi possivel nesta especie descobrir o espinho dorsal da coxa II, tão
característico do genero Liponissus. Por outro lado, ambas as novas espede»
citadas apresentam a tibia I bem maior do que o exigido para se enquadrarem na
diagnose de Ichoronyssus, sensu Ewing, approximando-se mais de Liponissus, vão
possuindo, tão pouco, espinhos ou cerdas espirifomies nos femures, tal como
neste genero.
.■\pczar desta falta de concordância, julgamos procedimento mais scientifico
conservar estas especics no genero Liponissus, dando a este uma accepção um
pouco mais lata, do que criar generos novos sem ter podido examinar a maiori*
das especics attribuidas aos já existentes, especies cuja descripção é, na maiori*
dos casos, insufficiente para um trabalho de revisão.
í
1
46
F. DA Fonseca — Xotas de acareologia 71
Os exemplares capturados pdo Dr. Wemeck eram 5 9 9, colhidos sobre
^^elphys sp., provavelmente Didelphys auriia, proveniente de Manguinhos,
^^ricto Federal. Logo a seguir, em 19. VIII. 933, tivemos nós mesmo oppor-
*®i!dade de colher a mesma especie sobre Didelphys aurita por nós capturado
Butantan, Estado de S. Paulo, tendo dessa data em diante colhido vários
^Tos lotes sobre o mesmo hospedeiro de igual proveniência, bem como sobre
ocemplar de Didelphys paraguayensis, de Careiras, S. Paulo.
Admittida a diagnose de Ewing {op. cit.) para os generos Liponissus e
^^^onyssus, necessário se faz concluir pela existenda de formas intermedia-
nas quaes sc observe um encurtamento da tibia, principalmente o do 2.® par,
^1® comprimento é de menos de uma vez e meia a dimensão da largura e nas
’^'***s « hombros sejam muito pronunciados, sendo, porém, a maioria dos cara-
^cres os de Liponissus. E’ este justamente o caso das 9 9 de Liponissus zccmecki,
tibia II é curta e cujos hombros são muito salientes, tal como no genero
^^^oronyssus, comportando- se, porém, como Liponissus em relação aos caracteres
^csiantes.
Descri pção da 9
(Figs. 1 e 2)
Especie de tamanho medio, medindo cerca de 625 a 700 p de comprimento
*''^1 e 475 a 685 p de comprimento do idiosoma nos cotypos, de corpo rclativa-
largo, com cerca de 290-370 p de largura ao nivcl da coxa IV, com con-
dos hombros muito arqueado, tal como no genero Ichoronyssus e e.xtrcmi-
posterior do corpo muito larga e frequentemente bilobada, tal como succcde
vezes a Liponissus bursa Berlese, com o qual apresenta, aliás, mais de um
de contacto. existência do espinho rentral na co.xa I é caracteristi-
'^^inguindo-a de todas as especie* do genero em todas as phases evolutivas,
«xcepção da larva.
^oce vcntral — Placa estemal muito mais langa do que longa, medindo ccr-
. 118 p de largura no bordo anterior e cerca de 110 p entre as cerdas poste-
por 31 p,5 de comprimento na linha mediana e 63 p de comprimento ao
dos bordos lateraes, com o bordo anterior ligeiramente convexo, bordos
conca\-os e bordo posterior fortemente ooncavo. Das cerdas desta
o par anterior é o mais interno e fica na margem anterior da placa, o medio,
^>ca mais proximo do par posterior do que do anterior, está implantado
®**mo dos bordos lateraes da placa; quanto ao par posterior, percebe-se, nos
^*P®rados mais nitidos, que está não propriamente nas ângulos posteriores e
****' iá fóra da placa, porém tão encostado a elle, que só difficilmente e em raros
***^^do5 se pode distinguir este facto. Não é impossivel que isto corra por
de uma chitinização mais fraca dos ângulos posteriores, aliás, pouco jiro-
^'‘^^dos da placa esternal, em alguns e.xemplares, razão pela qual conserv-amos
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
a espede, provisoriamente, no genero Liponissus, com o qual apresenta, aliás,
grande affinidade, em vez de a collocarmos no genero Neoliponissus Ewing.
cujas especies têm só 2 pares de cerdas na placa estemal, não apresentando, po*
rém, espinhos nas coxas. Os 3 pares de cerdas são iguaes. Os poros são
bem daiveis sob a forma de duas estrdtas fendas ; os anteriores são trans%ersaes í
ficam immediatamente por trás do par de cerdas anteriores e o par posteriof
é obliquo e fica immediatamente para frente e para dentro dos ângulos posterio-
res, que são, aliás, pouco pronunciados.
Fi*. I
Lipoaia*m« wtm«ckl. ip. n.
Fem«a. Fm Teatr»].
par habitual de cerdas, um pouco mais cuno que os da pbca estemal, fica
frente ao meio das coxas IV.
48
P. DA Fonseca — Xotas de acareologia
73
Placa anal — Nitidamente pnriforme, relativamente larga, medindo cerca de
100 ( 3 ^ comprimento por 65 p de largura e com os caracteres habituaes do gene-
O anus, alongado, com cerca de 38 p de comprimento, tem a extremidade an-
tenor muito próxima da margem anterior da placa, da qual dista cerca de 15 p
tres cerdas habituaes a impar é um pouco maior do que as pares, ficando
mais próximas da parte média do anus do que da sua extremidade posterior,
a situação dentro desses limites, e a meia distancia entre as margens
'lo anus e as da placa.
Fic. I
LipMÜHU wrraKki. ip. n.
Frmca. Fm« donal.
FrmaW. Donal ildc.
^1^ dessas placas, observam-se ainda na face \’cntral ararias plaquetas
pouco chitinizadas. Dois destes pares são commummente oliscrvados nos
^^l^^^ntantes do genero lateralmentc e um pouco para trás da parte media da
gcnito-\-entral, sendo o par mais posterior menos alongado e mais largo
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ifcmorias do Instituto Butantan — Tomo IX
do que nas especies de Liponissus em que o temos obser\ado. Dois outros pa-
res existem em frente ás coxas IV. Um outro minusculo um pouco para trás e
para fóra dos ângulos posteriores da placa estemal. Dois outros pares, os mais
posteriores, ficam numa mesma linha transsersal que passa um pouco para trás do
ponto da placa genito-ventral em que esta começa a afilar-se, parecendo o mais
externo representar a plaqueta inguinal.
Os estigmas ficam um pouco para trás do bordo anterior das coxas IV c
os peritremas passam, na altura do bordo posterior da coxa III, para o bordo
e em seguida para a face dorsal, terminando ao nivel do meio da coxa II, sendo,
portanto, demasiadamente curtos para um Lipot:issus. E’ de notar, todavia, que
os escudos dos peritremas parecem prolongar-se até o bordo da coxa I. As ccr-
das do tegiunento augmentam de numero e de comprimento á medida que ficam
mais para o bordo e-xtemo ou para a extremidade posterior, apresentando as cer-
das marginaes e sub-marginaes uma pequena farpa pouco visivel, que não existe
nas das placas e nas centraes do tegumento nu’. Toda a zona antero-lateral do
^■ent^e é nua. O par de oerdas metaestemaes é bem desenvolvido.
Face dorsal — O escudo dorsal que méde cerca de 500 p de comprimento, é
muito caraaeristico devido ao facto de poder ser dividido por tuna linha trans-
\'ersal mediana em duas partes mais ou menos s>Tnmetricas quanto ao contorno,
pois a porção afilada posterior é apenas ligeiramente mais longa do que a an-
terior. A c.xtremidade anterior alarga-se rapidamente, attingindo a largura ma-
xima ao nivel do III par. Os bordos seguem paralldos durante grande e.xten-
são, medindo o escudo nesse ponto cerca de 205 p de largura, convergindo cm
seguida rapidamente, formando ligeira concavidade externa e terminando em ex-
tremidade arredondada. Ha 38 cerdas no escudo. As verticaes ficam na extre-
midade anterior, cujo bordo interrompem; seguem-se um par submarginal e
10 pares margin-ics ou sub-marginaes, dos quaes os 5 anteriores mais longos,
menores, porém, do que as cerdas do tegumento dorsal. .A’ e.xtrcmidadc pos-
terior cabe apenas um par de cerdas relati\-amente curtas já incluidas entre as
marginaes, existindo immcdiatamentc para a frente delias 2 pares de marcas
cirailares, tal como em outras especies do genero, as quaes não apresentam,
porém, as cerdas minúsculas que se observam cm certas especies. As cerda*
sub-medianas são em munero de 8 pares, de comprimento decrescente para
trás; o 3.® e 5.® pares ficam mais afastados da linha mediana do que os res-
tantes. Ha airtda a assignalar, além dos dois pares da extremidade posterior,
mais 6 pares de marcas circtdaros, semelhando implantações de cerdas, mas que
devem ter outra significação (poros), pob não foram \-isías oerdas em exem-
plar algxun dos numerosos examinados; um par destas marcas fica pouco para
trás e para fora do 4.® par de cerdas sub-medianas; um par fica na altura dU"
6.® par de cerdas sub-medianas; um par entre o 6.® e o 7.® sub-medianos ; um
par submarginal ao nivel do 8.® sub-mediano e outro l<^o para trás deste. Um
50
F. DA Fonseca — Xotas de acareologia
to
P®' de poros sob a forma de fendas transversaes fica logo para trás das cerdas
verticaes.
O restante tegumento é nú, em estreita faixa antero-extema, nas proximi-
do escudo e na porção postero-mediana, apresentando na superficie restan-
cerca de 70 cerdas, longas em relação ás do resto do corpo, apresentando uma
no 1|3 distai. Logo para trás do escudo o tegumento forma,''em todos
quasi todos os exemplares, uma pr^a semi-lunar cuja concavidade abraça a
^tncnudade posterior do escudo.
Patas — Coxa I com um espinho ventral rhombo. muito característico,
P®’* do meio da stia superficie ventral, e não debaixo delle como se podería
*’’Ppnr, emerge uma cerda longa; este articulo apresenta ainda uma oerda dis-
Osxa II com espinho dorsal anterior longo e fino e 2 oerdas ventraes.
III com 2 cerdas e coxa IV com uma só cerda. Tibia I de comprimento
pouco maior do que 1 Ys vezes a sua lai^ra; tibia II com relação entre
® comprimento e a largura menor do que 1 Y (cerca de 47 de comprímento
^ de largura) . Femures sem espinhos ou cerdas espiniformes na superfi-
^ <lorsal.
(^nathosoma — Palpos obdecendo á formula: I. II, IV, III, V. 1.® arti-
dos palpos com forte espinho distai interno; 5.® articulo com cerda bifida.
'“^Kerios relativamente curtos; dedos fLxo e mo^-el ^em dentes. Tritostemo
Panado no ‘/s distai. Gotteira do h)*pophar 5 Tige com cerca de 8 espinhos,
do hj-postomio como no genero Liponissus, sendo os postero-intemos
iongos.
Descripção do o
IFírs. 3 e 4)
São encontrados em relativa abundanda e ás vezes em numero muito supe-
^ ao das 9 9.
dimensões menores do que a das 9 9 , osdllando entre ca. 540 p e 600 |i de
^*’*Pnmento total por ca. de 270 p de maior largura e contorno do corpo igual
^ 9 9 , apresentando como estas hombros salientes.
Poce ventral — Placas ventraes como de habito fundidas numa peça unica,
^^°rniada como na Fig. 3, apresentando 7 pores de cerdas e uma cerda im-
post-anal. Das cerdas pores, 2 pores cabem á região cstemal, ficando
um
ÍL
^ na margem anterior e dois pares nas margens lateraes, dos quaes um ao nivel
®>cio da coxa II e um ao ni\-el do bordo anterior da co.xa III ; tres pares
á região genito- ventral, dos quaes um, marginal, fica ao nn-el do meio da
^ ^V, um mais interno e para trás da coxa IV, um par marginal entre este e
®nus; uu] jQ uivei do meio do orifido anal e uma cerda impor post-anal.
^'^P^ionalmente vê-se uma cerda extranumeraria entre o 5.® e o 6.® pares. A
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cm
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76
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
extremidade posterior da placa anal fica próxima da extremidade posterior do
corpo. O orgão masculino faz saliência ao nivel do bordo anterior da placa
estcrnal . A zona descoberta da face ventral apresenta apenas raras cerdas lisas .
Os bordos apresentam cerdas maiores e com uma farpa curta.
Plaqueta inguinal presente. Estigmas ao nirel do bordo anterior da co.vâ
IV. Peritremas com aspecto pontilhado até ao meio da coxa III, seguindo-
se-lhe uma formação mais fina e homogenea que poude ser acompanhada até ao
meio da coxa II .
Face dorsal — Escudo dorsal cobrindo quasi toda a superficie do corpo, do
qual attinge a e.\tremidadc posterior, fracamente chitinizado, com superficie fina*
mente reticulada. Cerdas s-erticaes curtas e relativamente afastadas. Onze pO'
TCS de cerdas marginaes das quaes os seis anteriores râo até o nwl da coxa I^’
A extremidade posterior, muito larga, do escudo apenas tem um par de cerdafc
mais curtas do que as restantes marginaes. Oito pares de cerdas sub-medianafc'
mais curtas que as marginaes, das quaes o 3.” e o 5.” são os mais afastados.
Poros com aspecto de fendas t^ans^•crsacs para trás e para fóra das cerd»»
\’erticaes. A restante superficie do corpo apresenta cerdas mais largas e provida*
de unu farpa.
Fi(. s
LiponUMia wtrntcki. sp.
Umcho. F«c« TeatrmI.
Mate. Ventral si4e.
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ScíELOlIq
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13
14
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L
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Protonympha
(Figs. 5 c 6)
Comprimento total, incluindo os palpos, ca. 400 p; maior largura ca. de
200 p.
Face ventral — Placa esíemal, com ca. de 90 p, indo do meio da coxa
I ao bordo anterior da coxa IV, com 3 pares de cerdas iguaes, dos quaes o an-
terior fica no bordo anterior da placa, o medio ao nivel do meio da coxa II «
o posterior ao nivel do meio da coxa III. Placa anal com 43 p de compri*
mento por 25 p de maior largura, bordo anterior quasi certo, cerdas pares ao ni-
tcI do meio do anus e cerda posterior mais longa do que as pares. Além das
cerdas das placas apenas ha mais 6 pares, dos quaes o anterior, entre as coxas IV.
t.iponina* wnnnki. «p. n. wenieckt. »p. n.
ProtoQTmplM. Fac« vantral. ProUxiiTnph*. Fac« donal
Proloornipti. Vmtnü Protoormph. Doml ald*.
é O mais curto de todos, augmentando o comprimento das cerdas á medida Q**®
são mais posteriores até o ultimo par que fica no bordo posterior do corpo.
Estigmas ao niwl da coxa IV. Peritremas muito curtos, não aítingindo °
ll2 da coxa III, cncur\*ados na extremidade anterior, formando alça.
Face dorsal — Escudo do podocema com ca. 135 p de comprimento por O
95 p de maior largura, attingindo o nhel do meio das coxas IV, com seis pa^**
de cerdas marginacs, exclu.sivie as verticaes, e dois pares sub-medianos; a maf'
gem anterior deste escudo é recta e a posterior tem dupla concavidade ligeira*
O escudo p>*gidial, mais largo do que longo, com 65 p de maior largura, ap*^
senta 3 pores de cerdas, um no bordo anterior, relativamente curto, um par nraJ*
longo, proximo do bordo lateral e lun par posterior ainda mais longo, apresentas*
54
F. DA Fonseca — Xotas de acareologia
79
^ os dois posteriores farpa no terço distai. Xo t^umento dorsal vêem-sc ainda
^€ 2 e pares de cerdas, dos quaes os mais externos com farpa difficilmente risi-
e, entre o escudo anterior e o posterior, algumas plaquetas.
Os restantes caracteres pouco se distinguem dos da 9 . apresentando, p. cx.,
^ coxas exactamente as mesmas formações, exceptuando o espinho dorsal da coxa
que é muito menor.
Descripção da larva
(Figs. 7 e 8)
O idiosoma da larva, depois de montada, mediu 235 p 6 de comprimento
171 p de largura ao niwi do III par de patas, apresentando fôrma mais
menos ov<Mde e hombros já pronunciados.
Face ventral — Xesta face apenas foi vista, com nitidez relativa, a placa anal
^ contorno triangular, bordo anterior saliente na zona central e ângulos antero-
***^os também salientes, apresentando esta placa as tres cerdas que caracteri-
as das outras phases já em posição definitva. Da placa esternal não con-
'*Stiimos ver o menor vestigk), existindo, porém, os tres pares de cerdas na mes-
Fi«. S
LiponUau wcraecki, ip. n.
Lanra. Fae« rtotral (Ventral
side).
Fit. S
LI|Mai«mie wrmecki. fp. n.
Lnrrm. Fac« dorsal (Dorsal
stde).
posição, das da protonjmpha, com a di ff crença de estarem as medias um
^co mais afastadas taUez da linha mediana. Duas pequenas formações com
de plaquetas foram vistas dos lados da linha mediana para trás das cer-
^ «stemaes.
Das cerdas ventracs são já vistos os dois pares medunos existentes
P^^otonjmpha. Ainda do lado s-entral foram vistas, no bordo posterior, tres
65
I SciELO
80
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
pares de cerdas longas, lisas, dos quaes o mediano media 42 p. Não conseguimos
ver estigmas, apesar de os ter procurado cuidadosamente.
Facc dorsal — O escudo do podosoma pareceu-nos já existir, limitado an-
terior e lateralmente por duas fileiras dis^ergentes constituidas por quatro pares
de cerdas implantadas já para fóra do esctxlo. Dos lados da linha mediana
véem-se quatro pores de cerdas. dos quaes tres pares ainda dentro da zona onde
nos pareceu existir o escudo e tun par já para trás desta, apresentando estas
cerdas sub-medianas a mesma disposição na região correspondente do escudo
do podosoma da protonjmpha. Duas plaquetas situadas proximo do bordo pos-
terior do escudo, constituem as ultimas formações «siveis na face dorsal, não
nos tendo sido possivel ver qualquer esboço do escudo pygidial.
Paias — Coxas sem espinhos. No logar do espinho da coxa I, já existente
na protonjmpha, ha uma oerda além da cerda distai. Coxa II com 2 cerdas
e coxa III com uma só cerda. Pata I com 202 p e patas II e III com 192 p de
comprimento. Tarsos com ambulacros e 2 fortes garras.
Gnathosotna — Comprimento até o apice dos palpos 114 p. Tritostemo bí-
fido, largo, sem pelos distaes. Cerdas das maxillicoxae ausentes. Das cerdas
do hypostoma apenas existem o par anterior e o postero-extemo. Mandíbulas
muito pouco chitinizadas, com digilus fixus e digitus mobilis, sem dentes. Epis-
toma largo e truncado. Articulo I dos palpos sem cerda; articulo II com 1 só
cerda \entral externa. Articulo III com uma cerda ventral externa e 3 dor-
saes; articailo IV e V com limite diffidl de perceber-se. com cerca de 7 cerdas,
das quaes uma interna larga, correspondendo á cerda bifida habitual. Não nos
foi possivel distinguir espinho no articulo I dos palpos.
Ovo
Elliptico reguhir, de côr clara, transluddo, medindo 278 p de comprimento
por 168 p de largura, não cmhrjtxiado, com zona elliptica central bem deli-
mitada. medindo 184 ji de comprimento por 75 p de largura. Não apresenta
opercnlo.
Biologia
Duas 9 9 gravidas, com um ovo já visivel por transparenda, collocadas em
tubo de ensaio com tampão humedecido, á temperatura de cerca de 20®, effectua-
ram postura de um ovo cada uma, respectivamente, 24 e 72 horas depois, mor-
rendo cm seguida. 48 horas após a postura, o ovo apresenta um dos polos mais
escuro. 96 horas após a postura, via-se já um esboço de pernas. Cerca de
160 horas após a postura, já haviam edodido as larvas, tendo a temperatura os-
dllado entre 12 c 20“ centígrados. Cerca de 24 horas após o nasdmento da
larva, que não se alimentára, já se podia observar que esta, embora movei, apre-
56
F. DA Fonsecv — Xotas de acareologia
81
sob a pelle, a protonympha formada, estando o I\’ par de patas do-
no abdome.
Os desenhos da lan-a que apresentamos (Ftgs. 7 e 8 ) foram tomados de uma
k^o após a eclosão; possuímos, porém, preparado de uma phase em que
® «ariano ainda se moii-imentava com 3 patas, mas no qual, após clareamento,
vistas por transpaienda as do IV par, bem como a pelle da protonympha
todos os seus attributos. ®
Oescripxjão feita de vários cotypos 9 9 capturados pelo auctor a 27 .X.933,
Didclphys aiirita, exemplar Xo. 346. em Butantan, S. Paulo, Brasil, ileta-
9 9 de Didclphys sp. do Districto Federal e topotypos de Didclphys aurila
* didclphys paraguaycnsis de S. Paulo, na aálecção do auctor.
O faao de tratar-se de especie colhida sobre um marsupial camivoro, fez-
^ suppor, a principio, tratar-se de um parasita acddental . Como, porem, a en-
***> 6^0105 em 8 de 12 exemplares de Didclphys aurita, capturados em Butan-
bon como sobre Didclphys paraguaycnsis, e como por outro lado nunca
essa especie em numerosos exames de pequenos mamnnferos e
de igual proveniência, de que se costuma alimentar esse hospedador, cot.-
ser Didclphys aurita o hospedeiro typo. Sabendo-se actualmente serem
^delphyideos depositários naturaes do Trypanosoina crusi e conhecendo-se
**einpIo de possibilidade de transmissão do Trypanosoma por inn Liponissi-
( 8 ), será interessante verificar si esta espede de hematophago não desem-
algum papel semelhante.
Liponissus pereirai. sp. n.
(Figs. 9 e 10)
Do Dr. Oemente Pereira, assistente do Instituto Biologico de São Paulo c
kninthologista da Commissâo Technica de Piscicultura do Xordeste do Brasil,
para identifica<;ão dois lotes de acaríanos. colhidos no Xordeste
‘^'iJeir
iro e que nos forneceram a interessante especie que abai.xo descim'cmos.
„ lotes um foi colhido sobre um Caviidae, Kerodon spixi, o mocó. no
^**«10 do Rio Grande do Xorte, constando de um exemplar 9 e.xtraordinaria-
distendido peb grande quantidade de sangue ingerida; o outro foi captura-
^ *obre um rato ainda não identificado, conhecido pelo nome vulgar de Punaré,
Estado da Par^yba, constando este lote de um grande numero de e.xempla-
9 .
Esta especie lembra de perto, pelo a^iecto da jilaca esíemal, Liponysclla slcr-
(Hirst), da qual, aliás, se distingtie por muitos caracteres, tacs como a for-
^ própria placa estemal, a forma e o numero de oerdas <la placa genito-
a forma do escudo dorsal, etc. .
57
S2
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Descripção da O
Elspecte muito grande, com um comprimento total, inclusive palpos, variá-
vel com o grau de repleção do exemplar, oscillando entre cerca de 860 p c
1050 p attingindo mesmo 1150 p no exemplar parasita de Kerodon
riando o comprimento do idiosoma entre 755 e 950 p.
Faxe vcntral — Placa estemal situada entre as coxas II, ligeiramente con-
vexa anteriormente, côncava posteriormente ; bordos lateraes fortemente cônca-
vos na metade anterior, com ângulos anteriores truncados e posteriores arredoo-
LGiÉi j •« w «4.
Fiff. 0
Li^niAMt pereinil. tp. n.
Fcm«a. Fae« Trntrm!.
Fctnalf. V#ntnü tkle.
dados, medindo cerca de 145 p de largura no bordo anterior e 135-165 entre **
cerdas posteriores, por cerca de 63 p de comprimento na parte media. O <1'’*
desde logo chama a attenção nesta placa é a existência de duas largas forn***
ções situadas um pouco para trás das cerdas anteriores, de contorno o\'alar,
geando uma cavidade que se prolonga em infundibulo dirigido para os anguJ®*
anteriores da placa, não tendo sido observada aqui a estruetura desenhada
6S
F. DA Fonseca — Xohu de acareologia
83
Hi'st para a formação semelhante de Liponysclla stemalis (Hirst). Dois pa-
de poros sob a forma de pequenas fendas, os anteriores transversaes e os
P®*tcriores oblíquos, são também observados. A superfície da placa é esculpida
^ metade antero-extema, pontilhada na zona poaero-extema e lisa na zona me-
'^■posterior. Dos 3 pares de cerdas as anteriores ficam na margem anterior,
^ medias ficam um pouco para dentro da zona media dos bordos lateracs não
os posteriores terminaes, como é mais frequente no genero, ficando um
para frente dos ângulos posteriores. As cerdas medias são ligeirajnentc
longas.
Tig. 10
LlpMiiuaa panirml. ip. b.
FmMu rme* dorwl.
Fmult. Dona!
placa genital attenua-se pre^ressiATunente para a e.xtremidadc posterior,
^**^inando em ponta. Sua superfide fica dÍAndida por linhas que lhe dão
escamoso irregular, porem mais ou menos sjmmetrico, lembrando a
^ de Liponissus flavus Kolenati. As duas cerdas ficam no nivel do meio
IV. A placa mede cerca de 270 p de comprimento.
59
84
Memórias üo Instituto Bulantan
Tomo IX
A placa anal piriforme, along;ada com cerca de 150 p de comprimento po^
cerca de 70 p de maior largura. O orifício anal, elliptico, tem a e.-aermidadc
anterior próxima do bordo anterior da placa. As oerdas pares, pouco menores
do que a impar, ficam na altura do bordo posterior do orifido anal, a meia dis*
tancia entre este c as margens da placa. Além destas placas ha a notar mais
seguintes plaquetas: um par alongado, parallelo aos bordos da placa genital c
tres pares puncíiformes, um latesrai exíemo em relação á plaqueta alongada, nn*
pouco adiante desta e outro um pouco para trás dos angxilos postero-lateraes da
placa estemal. As plaquetas inguinaes apparecem sob a forma de pequenas ru-
gosidades.
Elstigmas situados na altura do inter^-allo das co.vas III e IV. Peritremas
passando para o bordo externo ao ni\'el da coxa II e terminando mais ou menos
ao nivel do bordo anterior da coxa I.
O tegumento desprotegido é recoberto, excepto na zona inguinal e suas pro-
ximidades, por grande numero de cerdas relati\'ainente longas, cujo comprimeo*
to é maior nas proximidades dos Ixirdos . .■Ks cerdas do tegumento são simples n3
zona central, apresentando, porém, as peripliericas uma farpa no */* distai. A*
oerdas das placas, bem como as metacstemaes. são simples.
Face dorsal — Escudo dorsal lembrando o do Liponissus bacoti (Hirst)*
porém menos estreitado na e.xtremidade posterior, com cerca de 620 p de com-
primento. Sua zona mais larga corresponde á altura da co.xa II, medindo
approximadamente 265 [i, estreitando-se progressi^mnente para trás. .\prescnta*
um total de 44 cerdas distribuídas aos pares, excluindo as verticaes. Dessas, 26
são marginacs ou submarginaes e 18 medianas ou submedianas, sendo que des-
tas, as que constituem os 4.® c 9.® pares são mais afastadas da litüia mediana-
.•\s cerdas marginacs. salvo talvez o par posterior, apresentam uma farpa loca-
lizada mais ou menos na altura da união do 1|2 distai com os 2[3 proximaes-
O grupo posterior é constituido por 3 pares, das quaes o posterior mais afastado
do penúltimo do que este do antepenúltimo, sendo o posterior talvez nwis fino-
Immediatamente para frcaite deste veem-se 2 pares de marcas puncti formes sem
cerdas. nem mesmo minúsculas. superfície do esctnlo dorsal c toda rctjctt-
lada, apresentando, além disso, na porção media da metade anterior uma zon»
mais clara central, limitada por linhas curvas symmetricamcnte dispostas.
ccl)em-sc, além das existentes na extremidade posterior, mais cerca de sete pare*
de marcas punctiformes distribuidas pelo escudo. Foram vistas algumas vere*
cerdas extranumerarias na zona media c posterior do escudo.
A superfide do tegumento desprotegido varia de extensão com o grau <1^
repleção do c.xcmplar, sendo densamente coberta de cerdas que apresentam um»
farixi no lj3 distai. A zona posterior, que é núa. apresenta logo para trás d’
extremidade posterior do escudo dorsal uma forte prega do tegumento.
60
F. DA Foxsec\ — Sotas de acareologia
83
inatas — Coxa I com 2 cerdas ; coxa II com 2 cerdas e um espinho dorsal e
longo; coxa III com uma cerdi distai anterior curva e um forte espinho
Poitenor agudo; coxa IV com uma um‘ca cerda. Bordo distai das coxas ás
fina e nitidamente denteado, prindpalmente na porção anterior da coxa I
® "a posterior da coxa IV. Trochanter I com cerda ctuta, porém forte na
dorsal. Cerdas dos femures I e II relativamente fortes. Tibias I e II
relação do comprimento; largura maior que 1 }^:1. Duas garras fortes
c encur\-adas em cada extremidade tarsal.
Cftathosoma — Mede cerca de 225 p da base do tritostemo ao apice dos
í®Ipos. Tritostemo bifurcado, pouco piloso na metade distai, longo, attingindo
° *pice dos esfMnhos do palpo. Gotteira da hvqwpharj-nge com cerca de 1 1 den-
As duas cerdas posteriores do hypostomio encontram-se nos bordos de
cspessamento chitinoso, que dá ás vezes a impressão da existência de um
ou espinho recurvado. Palpos com formula I, II, IV, III, V. Articulo
^ palpos com focte espinho de apice agtxio, ventral-intemo. Articulo V
cerda bifurcada distai interna. Chclicerios longos, com dedos fixos e movei
'^^Pcovidos de dentes, sendo o ramo fixo relativamente largo e o movei estreito
* tJtcurvado no apice.
o' desconhecido.
í^escripto de numerosos cot>pos Ç Ç capturados a 20.V.933 em Joozeiro,
lado da Parah>'ba. Brasil, pelo Dr. Clemente Pereira (a quem dedicamos a
**Pccie), sobre um rato sjdvestrc ainda não determinado, conhecido pelo nome
^Sar de “Punarc”. Mctatjqx) colhido a 5. VI .933 çni Curraes Xovos, Estado do
Grande do Norte, Brasil, sobre Kcrodon spixi, pelo dr. Oemente Pereira.
Liponissus eruditus, $p. n.
(Figs. 11 c 12)
cspecie de que nos vamos oocupar c descripta de um exemplar unico,
^''^^troílo vnvo sobre nossa mesa de trabalho, não sendo conhecido o hospcda-
dor
•labr
Gomo não houvesse em nosso laboratorio, nessa oceasião, animal algum
'li^lmentc parasitado por cspecie deste genero, presumimos tratar-se talvez
P®*'asita de morcego ou de andorinha, animacs que penetram ás vTzes nos La-
'írios do Instituto c sobre os quaes temos já encontrado protonjTnphas de
^'^issidac
Descripção da 9
^pecie grande, com 1008 p de comprimento total c cerca de 830 p de compri-
do idiosoma, de largura difficil de determinar por ter sido o holot>"po um
Achatado por oceasião da montagem, lembrando a conformação do corpo a
61
8G Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
do Liponisstts wernccki, por nós descriptos neste trabalho. Tal cx>mo nessa es-
pede, ^leriíica-se tanibem em Liponissus cruditus o mesmo facto de serem a*
tibias, prindpalraentc a tibia II, muito curtas, lembrando a das e^jedes de Icho-
ronyssus Kolenati, sctisu Ewing. Differe ainda a presente espede dos LiponiS'
sus em geral pda ausenda do espinho antero-dorsal da coxa II, pelo menos tal
espinho não foi dsto apezar de procurado com insistenda. Adoptado um crité-
rio rigido, não deveria, portanto, esta espede, bem como Liponissus locniech-
ser incluida no genero Liponissus. Entre a alternativa de crear um novo gen®'
ro para cada uma destas especies ou de adoptar um critério provisorio mais elas-
Fig. II
Lip«MiMa« «p. a.
Fcni«a. Fac€ T«atrm].
Fcmalc. Vcntrml »kl«.
62
F. DA Fonsec.\ — Sotas de acareologia
87
ri«. lí
LipaniM» (r«4ttm>. fp. a.
F«n<«. Fmc» donal.
F«uW. DotmI «Ma-
‘^^*°*T^saes e atrás das cerdas anteriores e poros posteriores oblíquos e para
das cerdas medias.
Placa genital oom a conformação triangular habitual no genero e com um
de cerdas marginaes á frente do meio. Superfide com estriação longi-
tudinal.
Placa anal piriforme, relati^^amente curta e larga, com 135 p de compri-
®®ito por 85 p de maior largura; anus afastado da margem anterior por dis-
mais ou menos igual á metade do seu comprimento. Cerdas pares um
P**» para trás do meio do anus, a igual distancia deste e das margens da
um pouco menores do que a impar, .^s cerdas desta placa apresentam
pequena farpa.
^ superfície ventral podem-se ainda ver 6 pares de plaquetas symmetricas :
^ P®’ maior para dentro das coxas IV ; um par punctiformc ao nivel do meio
genital c pouco para fora desta; um par alongado e curvo para trás do
I um par punctiforme para trás deste; dois pares punctiformcs a meia
entre o bordo externo e o meio do corpo na altura do intervallo entre
anal e genital.
^oimediatamente para trás do cribrum da extremidade posterior da placa
■ 'e-se lana prega do tegumento. A face ventral apresenta na sua parte me-
“Plíca
63 .
88
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
dia ccrdas pequenas c finas raras, é núa na zona externa, apresentando na zo^
postero-extema cerdas com uma farpa no terço distai.
Facc dorsal — O escudo tem conformação extremamente semelhante á <1^
Liponisstis ■zivrnccki, medindo 550 p de comprimento por 235 p de maiof
largura.
Além do par de cerdas wrticaes, que medem 30 p, encontra-se um par int*
mediatamente para trás das fendas dos poros e quatro pares de cerdas marg**
naes, medindo de 45 a 57 p, até pxnico atrás do pxmto mais largo do escudo-
Em todo o percurso das faces lateraes, dahi em deante, até pwoximo da e.vtr®'
midadc pxisterior apenas existe um par de cerdas marginaes, collocado um pX)OC0
para trás do meio do escudo; pwoximo da e.xtremidade pxKterior vêem-se
dois pares de tamanho medio e, entre estes, um par minusculo um pxwco níU*
interno. Xa extremidade pxjsterior ap>enas existe um par de cerdas longas, cotf
58 p de comprimento. Os pares sub-medianos são em numero de sete, mediO"
do 23-30 p, dos quaes o 3.® e o 5.® são os mais externos e o 2.® o mais n*"
temo. A disposição e numero de cerdas c, portanto, também muito semdhao**
á do Liponissus iccmecki, dif ferindo pjela existenda na ultima espiecie desigo^
da, de nois dois pares de cerdas marginaes immediatamente para trás do
do escudo e pala inexistência do por minusculo proximo da extremidade
rior. A supierficie do esaido é raticulada, apwesentando sete pares de marc^
pnmcti formes s\Tnmetricas semelhantes a impíantações de cerdas, além dos d<x*
pares sitiados logo para frente da cerda px»sterior do escudo c existente f^
quentemente nas espades do genero. A restante suporfide dorsal é recobeí**
de ccrdas rclaíii-anante longas, que, todas, apresentam farpa na união do
ço distai com os dois terços proximaes, facto raramente assignalado, mas tf*"
quente em espades do genero. Ha uma faixa externa sem cerdas, de largt***
impxKsivel de determinar devido á compressão soffrida polo imico exemp>lar e***
contrado.
Estigmas c peritrenuis — Estigmas situados ao nivel do IV par de cox^
Peritrcnias passando ao nivel do III par para o bordo lateral do corpx> e depo^
cm altura difficil de precisar devido ao achatamento do holotypxj, para a
dorsal, terminando ao nivd do bordo pasterior do I pxir.
Patas — Coxas sem outros espnnhos, além de um muito curto, dorsal
terior, ta coxa II. Coxa IV com uma e co.xas I, II e III, com duas cerd**";
I’emures sem ccrdas esp>ini formes. Comprimento do tibia I mais ou mciio* ^
dobro da sua maior largura; compwimenío do tibia II igiol á sia largura.
Gnathosoma — Compwimento 275 p. Palpas com 156 p, obedecendo á
mula I, II, IV, III, V, sem espinho interno no articulo I. Cheliccrios long*’*
sem dentes. Tritostemo ine.xistente no exemp>lar. Gotteira da hyp)op)har)’’’^
com 11 dentes.
F. DA Foxsec.\ — Xolas de acareologia
89
Liponissus iheringi, sp. n.
(Figs. 13 a 16)
O zoologo Dr. Rodolpho von Ihering, do Instituto Biologico de S. Paulo e
<^íe da Cominissão Technica de Piscicultura do Xordeste do Brasil, fomeccu-
para identificação um lote de acarianos capturados, a 1.IX.933, em ninho
um passaro commum no Xordeste Brasileiro, conhecido sob o nome vulgar
'Casaca de couro”, Donacobius atricapUIits Liim., e prweniente de Jatobá,
lemambuco. \'erificámos logo tratar-se de uma espede do genero Liponissus
^olenati ainda não descripta. O material constava de numerosos exempla-
9 9 e algumas protonj-mphas, não tendo sido encontrado cT algum. Em
|*^”’'cuagem ao doador do material propomos para a especie o nome de Liponissus
'^fringi^ sp. n..
Descripção da o
(Figs. 13 e 14)
Espede relativamente grande, de comprimento total, indusive os palpos,
'^''rilando entre 849 p e 1060 p. dos quaes 700-800 p para o idiosoma, quando
*^cta, lembrando pelas dimensões c conformação do corpo, liem como pelo
^Pccto da face ventral, Liponissus bacoti (Hirst), da qual, aliás, se distingue
^ muitos caracteres, taes como pela c.xistenda de um forte espinho no 1.®
^culo dos palpos, pela placa genital menos aguda, pela pequenez do espinho
^sal da coxa II, pela existenda de placas inguinacs, pela largpra do escudo
etc.. De Liponissus bursa (Berlese), que era a unica especie parasita
passa.'x>s até hoje conhcdda no Brasil, distingue-se também fadlnxmtc, não
Pda conformação do corpo, como pelo asp>ecto das placas ventracs e sobretu-
^ do
Pecie.
escudo dorsal, cujos pelos são muito mais longos do que naqudla es-
Pace ventral — Placa esíemal quadrangular, oocupondo quasi todo o intcr-
^tre as coxas II, medindo no bordo anterior 150 p, no posterior 120 p e
cotnprimcnto na linha media 55 p, com bordo anterior Ic\‘cmcntc conAexo,
^ posterior concaro, bordos latcraes leA^emente conca\x>s, ângulos anteriores
^^^^mejites. A superfii-ie desta placa é reticulada e finamente pontilhada.
^Sentando os dois pares habituaes de poros em forma de fenda. Dos tres
P»re$ de
cerdas, que são mais ou menos iguaes e longos, o anterior se acha pro-
Mu ..w.
uo bordo anterior e é mais interno, ficando o medio nos bordos latcraes,
fora de uma linha que une as cerdas anteriores ás posteriores; o posterior
■se nos ângulos posteriores da placa.
genital — Afilando-se gradaíivamente para trás e terminando cm pon-
^ '^hotnba, com um par de cerdas marginaes menores que as da placa csternal,
■ *Itura do meio das coxas IV.
65
^[etnorias do Instituto Bulantan
Tomo IX
90
Placa anal — Piriforme, alongada, com ca. 150 jx de comprimento po'
ca. 75 |i. de largura maxima, apresentando as cerdas pares im^antadas irrune-
diatamente para a frente de uma linha transversal que passa pelo bordo pos-
terior do anus. As cerdas desta placa apresentam uma pequena farpa ao ní-
vel do terço posterior. A placa termina quasi ao nível da extremidade postc-
Fl». IS T
Lipwiiaras ÜMrincl. »p. n.
Frm#». Fac* rnstral.
Ftmal*. Vratral tU*.
rior do corpo, formando o tegumento atrás delia uma prega transversal. ^
anus mede cerca de 40 ji de comprimento e acha-se a cerca de 24 p da marg****
anterior da placa anal.
Plaquetas inguinaes presentes. Dos lados da placa geníto-ventral véem-**
um par de plaquetas alongadas e finas, um par de plaquetas punctiformes adia*’**
destas, ao nivel do 1/2 das coxas IV, pouco abaixo das cerdas dessa placat *
mais cerca de 3 pores de plaquetas, dos quacs um maior, proximo dos bord*^
do corpo, e um par mais alongado dos lados da placa genital.
66
F. DA Fonseca — Solas de acareologia
91
O tegxiniento ventral nú é estriado e apresenta cerca de 15 pares de cer-
^ tanto longas quanto mais externas. Dessas cerdas as internas são nuas
* ^ externas farpeadas no 1/3 distai.
Estigmas ao nível do intervallo entre o III e o IV pares. Peritremas com
dilatação interna logo após seu inicio, terminando ao nivel do meio da
I. já do lado dorsal.
rig. i«
Lipcnbiw Uwrínsl. «p. d.
FnD«*. Fk* donal.
Frmslr. Dorm»! »ld«.
*»ado
dorsal — Escudo dorsal unico e longo, com ca. 620 a 650 p de com-
terminando quasi ao nivel da extremidade posterior do corpor, estrei-
progressivamente, notando-se pro.ximo da extremidade anterior dese-
formado por manchas claras sjmmetricas. Além das cerdas verticaes, apre-
pares de cerdas marginaes longas até pouco atrás do IV par de patas.
^ odo-se um espaço relativamentc grande sem cerdas e depois um grupo de
posteriores, bem afastados uns dos outros, dc comprimento tanto maior
67
92
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
quanto mais posteriores. As cerdas sub-medianas são menores do que as mar*
ginaes, delias existindo 7 pares, dos quaes o 3.® é o mais externo, ficando o*
4 posteriores a igtial distanda da linlia mediana. Todas as cerdas do escixl®
dorsal são farpeadas no 1/3 distai. Entre as cerda mais anterior e a media <1^
çrupo marginal posterior existe uma cerda minuscula. Entre a cerda postcrioí
e a mediana do mesmo grupo ha duas marcas punctiformes. A restante sup<^
ficie dorsal é recoberta por cerdas muito longas, todas ligeiramente cunas p^'*
trás e farpeadas.
Patas — Exceptuando o espinho dorsal da coxa II, aliás minusculo nes**
cspecie, todas as coxas são inermes, apresentando as coxas I, II e III duas cef
das e a coxa IV apenas uma. Femures sem espinhos. Tibias longos.
Gnaihosoma — Palpos obdecendo á formula I, II, IV, III, V.
articulo dos palpos com espinho distai forte, 1 cerda ventral e uma longa
dlar interna ; segtmdo articulo com unn cerda interna apicilar longa e uma
tema menor, ventraes e 3 cerdas dorsaes; terceiro articulo com uma
ventral interna e 4 dorsaes; quarto articulo com cerca de 10 cerdas; qui»’*'^
articulo com um tufo de cerdas apicilares e uma interna bifida. Chelicer»*
longos, finos sem dentes. Cerdas postero-extema do hj-postonuo muito lon^
Tritosterno bifido, longo, filamentoso na 1/2 distai. Gottdra da h)'p®'
pharj-nge com cerca de 10 denticulos.
1
Protonympha
(Fíg». 15 € 16)
O c.vemplar e.x^inado media 588 p, de comprimento, inclusive os palp’*’
Face ventral — Placa esternal alongada, medindo 142 p de comprimento
112 p de maior largura e attingindo quasi o nivcl do meio do IV par, com 3
dc cerdas subiguaes e 2 pares de poros cm forma da fenda. Placa anal cO**
bordo anterior achatado, cerdas pares um pouco para trás do meio do orif*^
anal ; cribrum prolongando-se em 2 fileiras dos lados da cerda impar ate adi***"
te desta. Plaquetas inguinaes presentes. Qiwtro pares dc cerdas no tcgun>^
to entre a margem posterior da coxa IV e a placa anal. dos quaes o par an**"
rior muito pequeno. Um par de cerdas longas com farpa no 1 /3 distai entre *
placa anal e o bordo lateral e outro par igual no bordo posterior. Estigi***!
ao nível do meio da co.\a IV. Peritremas terminando no bordo lateral <1^
ao nivel do meio da coxa III.
Face dorsal — Escudo do podosoma attingindo o nivel do meio das co^
IV, medindo 188 p de comprimento por 172 p de maior largura mais larg* **
nivel do meio da co.xa III, com cerdas verticaes longas e finas e cinco P^’
de longas cerdas marginaes lateraes farpeadas no terço distai; ha quatro
68
F. DA Fonseca
-Vo/a* de acareologia
93
<le
cerdas submedianas muito menores do que as marginaes, lisas, ficando o
P®^, a contar da frente, mais afastado da linha mediana do que os res-
Entre o 4.® e o 5.® pares marginaes ha uma marca punctiforme sem
Escudo pygidial terminal, de bordo anterior concavo, porém, com li-
proeminência mediana, apresentando um par de cerdas finas e curtas no
Fic. is
LlpMiiws* ÜMrinxl. «p. B.
ProtonjmpbA. rtntrml.
® anterior proximo dos ângulos, um par de cerdas longas e mais grossas,
ao nivd do meio do escudo e proximo dos bordos lateraes e um par
tnais longo c mais forte, também farpeado, no bordo posterior do escudo,
^ ®'*perficie apresenta ainda s^arios pares de marcas punctiformes, sem cer-
• dos quaes 3 pares proximos dos ângulos anteriores, dois proximos das
, posteriores e um entre as cerdas medias e o bordo anterior. Entre o
anterior e o posterior veem-se algumas pequenas plaquetas muna li-
®ntero-posteriar. O tegumento apresenta cerca de 15 pares de cerdas far-
^ das quaes as mais internas são menores. Os caracteres das patas e
;jj^^”*^^osoma coincidem com os das 9 9 . apenas havendo a assignalar a ine-
do espinho forte do 1.® articulo dos polpos.
‘^ém dos lotes capturados por Ihering sobre Donacobius atricapillus no
do Brasil, tivemos nós mesmo opportunidade de capturar, sobre dois
94
Memórias do Instituto Bulantan
Tomo IX
exemplares da preguiça Bradypus tridactyhts, proveniente de Cubatão e de Ip»*
nemo, S. Paulo, respectivamente, 6 9 9 e 1 protonjmpha e 1 9 de um Lip^
ttrssus, os qiKies, cuidadosamente comparados com os exemplares do Nordeste, >
elles se revelaram idênticos, difterença alguma tendo sido observada entre as 9 -
Fir- i(
LipMibMs ihtrínti. 9p. a.
ProtoQTmpbA. Fac« dorsal
e protonymphas comparadas, quer qtianto á forma, quer qiunto ás dimensôe*
dos elementos de valor especifico. Que se trata de um parasita verdadeit®
também de preguiça parece ficar demonstrado pelo facto de se encontrarei*
túrgidos de sangue todos os exemplares capturados. Fonxw, portanto, íorçad®
a identificar o material de Bradypus Iridactylus ao de Donacobius atricapdlft^
apesar da enorme differença de hospedeiros e da distancia das regiões de <1“*
provêm, este ultimo facto sendo talvez explicável pela semelhança zoogcogt*’
phica do Nordeste com o littoral de S. Paulo.
Liponissus hirsti, sp. n.
(Fig. 17, a, b, c, d, e, f)
Ü Dr. Fabio Wcrneck, do Instituto Oswaldo Cruz, remetteu-nos para idei»*
tificaç.ão vários lotes de acarianos capturados sobre um pequeno Caviidae syl''**'
tre, proveniente de Jujuy, Republica Argentina. Entre estes acarianos
70
F. DA Fonseca — Sotas de acareologia
93
dois exemplares 9 9 de um Liponissus, os quaes, embora em mau estado
couservação, puderam, ainda assim, ser apro%'eitados para co^-pos.
Descripção da 9
O mau estado dos exemplares não permittiu que fossem tomadas as me*
'^'das relativas ao comprimento e á largura, tratando-se, porém, de especie gran-
de, como se deduz do comprimento do escudo dorsal.
LiponiaMU liirvti, ap. p.
■) PUca «st«rnAl: b) s^Iacs vvnitml; c) placa anal; 4)
ynalboaoma ; «) 1 .* articulo pnlpal d« perfU ; f ) «acudo
dorvaL
a) Stcmal plato; b) cvaital plaU; c) anal platc; d)
ynatboaoma; •) Ist palpal art»cl« (profOc) ; f) dorsal
sbkld.
Pace venlral — Placa estcmal (a) mais larga do que longa, com dimensões
'P^ximadas de 45 p na linha media e 76 p ao nivel do bordo lateral por 129 p
de largura entre as cerdas posteriores, de super f ide reticulada, bordo anterior
ou menos recto e bordos posteriores e lateiaes concaA*os, ângulos ante-
^®fes prolongados. Cerdas anteriores na margem anterior cm posição mais in-
^^a do que os dos outros dois pares; cerdas medias mais próximas das pos-
71
96 Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
( .*
tenores do que das anteriores e cerdas posteriores nos ângulos posteriores, sen-
do os 3 pares de cerdas sub-iguaes, medindo cerca de 46 p. Dois pares de po-
ros na posição habitua], parecendo existir uma pre-estemal. Placa genital (b)
lembrando a do Liponissus cniditus, cora extremidade posterior afilada, medin-
do cerca de 220 p, estriada longitudinalmente na porção anterior, onde apre-
senta maior chitinização mediana, com um par de cerdas marginaes. Ha uma
plaqueta alongada próxima dos bordos lateraes desta placa, uma puncti forme
na frente desta e outra para fora e para trás da plaqueta alongada para-genital-
Plaquetas inguinaes presentes. Pbca anal (c) com a porção estreitada poste-
rior relativamente mais larga do que habitualmente e de margem mais espessada
do que a restante superficie, medindo 17 p de comprimento por 90 p de largura
em um dos exemplares e 152 p por 83 p no outro, anus com 45 p de maior
diâmetro, situado na metade anterior da placa, com a extremidade exterior a cerca
de 25 p da margem anterior. Cerdas pares um pouco adeante do nivel da ex-
tremidade posterior do anus, a igual distancia deste e das margens lateraes;
cerda impar de comprimento mais ou menos igual ao dos pares. Tres pares dc
cerdas submedianas entre a placa genital e a anal e numerosas outras na super-
fície (mais ou menos 30), sendo as mais externas com farpas na porção afilada
e as mais internas lisas como as das placas.
Estigmas mais ou menos ao nivel do intervallo entre os III e I\' pares-
Peritrema oom pequena dilatação logo após o seu inicio, passando para a super-
fide dorsal na porção final do trajecto, com escudo largo e nitido. terminando
ao nivel da coxa I, com pequena mancha clara atrás dos estigmas. Facc dorsal
— Escudo dorsal (f) muito longo e relativamente estreito, medindo cerca dc
700 p dc comprimento por 240 p de maior largura, lembrando a sua confor-
nwção muito de perto a do escudo dorsal dc LipotUssus bacoti (Hirst, 1913).
devido ao afilamento da extremidade posterior. A superfide do escudo é fina-
rr»cnlc retictJada em toda extensão e esculpida nos dois terços anteriores. Elxis^
tem no escudo, alem do par de cerdas verticacs que medem cerca dc 40 P
dnco pares marginaes ou sub-marginacs com cerca de 75 p na metade anterior
c oito pares sub-medianos um pouco menores, dos quacs o primeiro é o mais
approximado c o quarto o mais afastado da linha mediana. E.xistcm, além des-
tes. mais tres pares de cerdas longas marginaes, formando o grupo posterior e
um par dc cerdas minúsculas entre o anterior c o medio deste grupo. Todas
as cerdas do escudo, inclusive as \xrticaes, são providas dc pequena farpa. En-
tre o par de cerdas posterior e o que lhe fica immediatamcntc na frente ha duas
marcas punctiformes marginaes, sem cerdas, existindo ainda vários outros pares
de marcas semelhantes na superficie do escudo. Para trás c para fóra das ver-
ticaes ha um jxir de poros em forma dc fenda. A restante superficie dorsal
apresenta cerdas longas providas de farpas. Palas — Das coxas apenas a coxa
II apresenta espinho, dorsal e longo. Tibias I c II com os caracteres do genero.
F. DA Fonseca — Xotas de acareologia
97
^^urc 5 S€in espinhos ou cerdas espinifomies. Todos os artículos recobertos
> ^ cerdas ou pcllos, aquelles providos de farpa.
(>»athosoma (d) — Comprimento total cerca de 285 p até o apice dos
Palpos com cerca de 170 p. Articulo I dos palpos com esporão (d, e) ;
^*^imcnte incurvado para frente, o que logo distingue a especie do Liponissus
(Hirst), com a qual se poderia confundir de\-ido á conformação do escudo
Cerda bifida habitual na base do articulo V. Tritostemo longo, bifido,
^^‘Oado na porção distai. Gotteira da hypopharj-nge com nove denticulos.
de 2 cot}'pos 9 9 cm mau estado, capturados sobre Caviclla aus-
Tinogasta, Catamarca, Republica Argentina, e doados pelo Dr. Fabio
^'rneck.
RESUMO
Liponissus wernecki, sp. n.
.. í^specie de tamanho medio, Ç com cerca de 700 p de comprimento, fracamente
'«da. caracterizada essendalinentc pela existência de um espinho rhombo
^ na co.xa I, sobre o qual se implanta uma cerda, espinho presente no c
Iodas as phases do cyclo, e.xccpto na lar\'a. Tibia II curto, hombros ar-
Placa estemal com ângulos posteriores fracamente chitinizados, placa
^ ^ afilada no apice, placa anal relativamcnte larga, com oerdas pares quasi
do meio do anus, peritremas apenas attingindo o meio da coxa II.
^ ^-'cudo dorsal com metade anterior de conformação quasi igual á posterior,
^ * ligeiramente mais afilada, com 40 cerdas cunas, lembrando as de
í (Berlese). Mandíbulas normaes. 1.* articulo dos palpos com espinho
* '^entrai interno.
pt
Especie ovipara, transformando-se as larvas cm njmphas, sem necessidade
ç cerca de 24 horas após a sua eclosão. O o' . protonv-mpha, larva
também foram obseixudos e descriptos.
1 »
^ tHpedeiro tjq»: Didelphys o«ri/j, também tendo sido capturado sobre
f^ys paragitayensis. Localidade riq»: Butantan, S. Paulo, tendo sido tam-
**Pturado no Districto Federal c em Ca>eiras, S. Paulo.
Liponissus pereirai, sp. n.
Pecje com 860-1150 p, Ç caracterizada csscndalmcnte pela existência, na
óe duas formações semelhantes a orifidos, de contorno 0 %’alar,
iç^^das cm infundibulo em direcção aos ângulos anteriores da placa, lem-
** formações semelhantes de Liponisclla stemalis (Hirst), não apresen-
Porem, a mesma estriKtura das desta espede. O espinho posterior da
• 73
98
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
coxa III e o espinho ventral interno do 1.® articulo dos palpos são outros
característicos importantes da espede. ^ e phases evoIuti\:as desconhecidos.
Capturado e offereddo pelo Dr. Qemente Pereira; sobre um rato ainda ^
identificado, conhecido pelo nome vulgar de “Punaré”, em Joazeiro, Parahyí*
e sobre Kcrodon spixi, em Cunaes Novos, Rio Grande do Norte.
Liponissus eruditus, sp. n. ( 9 )
Espede grande com 1008 p de comprimento, sem espinhos nas coxas (®
espinho dorsal da coxa II também não foi visto) e no 1.® articulo dos pal?®^
caracterizada essendalmente pelo escudo dorsal, que lembra de perto a coof<>^
mação do de Liponissus wernecki, sp. n., sendo, porém, as cerdas mais curt**’
O escudo dorsal apresenta 5 pares de cerdas marginaes rdativamente loog*^
4 pares posteriores de comprimento crescente para trás, exceptuando o par
o mais anterior e o medio, que c de cerdas minusculas, 8 pares sub-media®*^
mais curtos e 1 par de cerdas verticaes.
O* e phases evolutivas desconhecidos. Hospedeiro desconhecido.
Liponissus iheringi, sp. n. ( 9 )
Comprimento total de 840 - 1060 p. Placa genhal com extremidade Vf"
terior rhomba. Cerdas pares da placa anal ao nivel da e.xtremidade postei
do anus. Escudo dorsal com 18 pares de cerdas, incluidas as verticaes; as
das sub-medianas são menores do que as marginaes, havendo um par minusc*^
na extremidade posterior. Das coxas apenas a coxa II apresenta espinho
sal anterior. 1.® segmento dos palpos com forte espinho ventral interno.
E’ descripta também a protonympha. O á* é desconhecido. Captu^
em ninho de Donacobius atricapillus Lin., passaro conheddo pelo nome
de “Casaca de couro”, pelo Dr. Rodolpho von Iheríng, no Nordeste do Brasfl *
sobre Bradypus tridactylus de S. Paulo.
Liponissus hirsti, sp. n. ( 9 )
Placas esternal e genital de conformação habitual, cerdas pares da jJaca ^
mais ou menos ao nivel da e.xtremidadc posterior, tal como em L. bacoli, ^
18 pares de cerdas, dos quaes uma diminuta na extremidade posterior. O
espinho das coxas é o dorsal anterior da co.xa II. O 1.® articulo palpai
espinho forte ventral interno.
(j* c phases evolutivas desconhecidos. Capturado sobre Cenria sp., de
Republica Argentina, pelo Dr. Fabio Werneck.
74
Q
616.9 S8^:9S0
ACAREOLOGICAL NOTES
^*11. New South-American species of the genus Liponissus
KOLENATI, 1858 iAcarina, Liponísstdae).
BY
FLAVIO DA FONSECA
The number of spedes of Liponissus has grcatly decreased since Ewing
^««ricted the genus Liponissus Kolcnati by creating the new genus CercUo-
^ytsus Ewing and by rcvalidating the genera Ichoronyssus Kolenati (1) and
^P^ionyssus Mégnin, 1884 (2). For this reason, most of the 26 species re-
*^ed to by Hirst (3) as prescnt in the Brítish Museum collection, fali now
any of thesc three genera.
Up to the time we reported the occurrence of Liponissus bacoti (Hirst)
S. Paulo (4) the only species of the genus Liponissus obscr\ed in Brazil
P~iponissus bursa Berlcse, a well known fowl parasite. The former spe-
^ cosmopolitan and {larasites espedally rats, although it has also frcqircntly
found on human beings and on Cavia aperea, a Brazilian wild rodcnt,
]^^h is sometimes infested by hurdreds of specimen of this mite. The fact
this species was conr.idered as one of the carriers of the North-Amcrican
***^^jc typhus (5,6) has contributed mtich to increa.«>e its parasitological in-
The latter species, Liponissus bursa Bcrlcse, b mainly tropical ; althoiigh
acddentally be found infesting human beings, it represents a serious
to poultry indtistry as it is considered as a conveyer of Treponcina
^‘^nitm (= Tr. gallwarum) (7). These facts sei^'e to emphasize the im-
of the spedes of this genus, all of which are hemalophagous.
^ Therefore, it would be of parasitological interest to know the species which
in thb country, inasmuch as it is \'cr)' likely for them to play an im-
ròle in conveying diseases to tbeir hosts.
In our scarch for representatives of the genus Liponissus in Brazil, we
^ found four species that differ not only from both bursa and bacoti, but
from the other species which we know to oceur in the world.
"5
1
100 Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
SoiiK ot thcse five species \ve are no^v describing we have decided to píact
in the genus Lipov.issus only tentatively, because we think that this genus. sens*
Ewing, needs a re^^sio^ and because some oí our species de not íit very well
diagnosis as presented by that worker. Such a revision, however, must bc
andertaken by someone else who have at his disposal a suíficient amount ot
material, particularly representing the older spedes.
In regard to two of our new species, should we accept Ewing’s diagnos»
as it stands now we would immediately íind, íor instance, in L. ivcmecki sotn^
points of agreement and disagreement with either Liponissus and I choronyss*s,
so that it may be considered a link between these two genera. Indeed it has
stouter tibia II and well marked shoulder regions and bears a short ventral
spine on ooxa I, this being an excepcional character íor the genus Liponiss*^'
Likewise, our new species L. eruditus bears tibia II stouter than any species of
Liponissus, sensu Ewing. Ho%vever, the longer size of tibia I and the absenc*
of dorsal spines or spine-like setae on femur I. seem to approximaíe both oí
these new species to the genus Liponissus. This fact has induced us to includo
them into this genus rather than to propose a new generic name for themi
that standing also seeming to us to be more in confornüty with the sdentif'^
procedure in the prescnt status of our knowledgc.
Liponissus wemecki. sp. n.
(Figs. 1 — 8)
Description of the Ç
(Figs. 1 — 2)
medium-sized and stout species. with a total length of 625-750 p
a length of idiosoma of 475-685 p in the cotypes. and a breadth of 290-370 l*
at the Icvcl of coxa III. with well marked shoulder regions. as in the genus
Ichoronyssus, but with a broad and frequently bilobed posterior body end a*
írequcntly bome by Liponissus bursa Berlese. The most striking feature oí
this species is the occurrence of a ventral spur on coxa I. a fact that reprcsents
an exception in this genus and characterizes this species through all its dovelop"
mental phases, cxcepting the lar\'al one.
Ventral side. — Stemal plate broader than long, about 31 p 5 long in the
middk-line and about 63 p in the lateral margins, 1 18 p wide in the anteriof
margin. which is slightly conwx and 1 10 p between the posterior setae ; lateral
margins concave and posterior margin strongly concave. The anterior setae ar*
the most internai lying just on the anterior margin; middle setae situated away
from the lateral margins, nearer the posterior than the anterior setae; the poste*
76
F. DA Foxsecv — Acareologicai Xctcs
101
sctae appear (although only in some slides) at a little distance from the pos-
^07 comers of the plate, a feature w-hich apxparently is due only to a weaker
*^inization of the posterior comers of some spedmens, and so it affords no
^íficient ground for placing this species in the genus Xeoliponisstts, which
** djaracterized by the presence of but nvo poirs of setac on the stemal plate.
stemal setae are equal. Stemal pores, slit-like, near the comers of the
the anterior ones just behind the anterior setae and the posterior ones
® ftont of and inside the posterior comers. Genital plate broad and with
parallel margins in front, becoming narrower jxKteriorly and ending
Its surface shows some A-eiy- fine transwrsal and longitudinal lines.
iwo usual setae, situated in front of coxa IV and sbghtly shorter than the
**-crnal ones. .Anal plate broad, piriform, about 100 p long and 65 p wide. .Anus
*^^cal, about 38 p long, with its anterior end at about 15 p from the anterior
j*^gin of the plate. Unpaired setae a little longer than the paired ones, and
nearer the middle than the posterior e.xtremity of the anus and nearer tl»e
^ lhan the lateral margins of the plate.
S«s5des these plates there are many paired platelets of weaker chitinization
^ fhe ventra! side. Two of these paired platelets seem to be constant in all
species of this and of allied genera; the posterior is not so elongated
^ is usually the case in species of Liponissus, whilst the anterior is minute
^ orcular, both being situated laterally as regards the genital plate and behind
Widdle. Two other pairs of platelets (metasternal plates) may be seen in
^ of coxae IV. .Another pair of minute platelets is situated behind and
the posterior comers of the stemal plate. The tkvo hindmost pairs are
^ '^cd on a transversal line drawn behind the p«nt in which the genital plate
to narrow, the mosl externai pair representing perhaps the inguinal
Stigmata situated a liule behind the Icvel of the anterior margin of coxae I\'.
j^tremata passing, at the levei of the posterior margin of co.xae III, to the
sides, thence to the dorsal one, reaching only as far as the middle of
ÍI; they are also \cry short for a true Liponissus species. The shields of
Poritremata seem, however, to reach the anterior margin of co.xa I.
The nunibcr and length of the setae in the integument increase at the
'rnal or posterior margins; the most marginal ones present, only risiblc
high magnification, a notch, which does not e.xist on the setae of the
^ and on the centra! ones. The antero-lateral surface of the alxlomen
setae. The metasternal setae are well developed.
^ OorsaJ side. — The dorsal shicld has aljout 500 p in length and is cha-
^«ic. for it may be divided by a transversal median line into two syni-
102
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
mctrically shaped parts, the posterior narrowed and being only slightly longtf
than the anterior. The margins are strongly divergent anteriorly, the
reaching its greatest dianieter at the levei oí coxa III. The margins becofl<
parallel, separated in a great extension by an interval of about 205 p converghí
to form the rounded posterior extremity, oí wliich the lateral margins are slightlf
concave. There are 38 setae on this shidd. The vertical ones are at the iroí^
margin and are followed backwards by a pair of submarginal setae and 10 p3“*
of marginal or submarginal ones, of which the anterior 5 are the longest, thouf^*
shorter than those of the dorsal integiunent. Of all these marginal or subma^'
ginal setae only a pair oí comparatively short ones belongs to the posterior
of the shield ; in front of this pair there are two pairs of circular marks (pores)
as in othcr spedes of this genus ; no minute setae as f requently obscrved in ^
pouissus ivere seen at this extremity. There are 8 pairs of submedian setae oO
this shield, their length decreasing backwards; the 3rd and 5th pairs are
nrost distant from the niedian line. Besides the two pairs oí marks in the P®*"
terior e.xtremity there are 7 pairs of circular marks, like implantations of seta*'
onc of these pairs lies in a transversal line draiiNTi by the 4th pair oí subnicdi**
setae; another pair is at the levei of the 6th submedian pair; the íollowing **
the levei between the 6th and the 7th submedian setae; another pair is siibmaí'
ginal and situated at the levei of the 8th submedian setae and the last .pair
marks immediatcly behind this. A pair of slit-like pores lies immediately behin<l
the vertical setae. The integument bears no setae in the amero-bteral zonc b***
its resting surfacc bears about 70 notched setae, which are longer than
otliers.
The posterior end of the dorsal plate is limited by a conca\-c. transvert*^
fold of the integument.
Lcgs. — Coxa I, whh a ventral, rounded, vcry characteristic spur, beariflí
a seta in the middie of its ventral surfacc and a distai seta; coxa II wth *
dorsal, anterior spine and 2 ventral setae; coxa TII with two setae and coS*
IV with only one seta. Tibia I more than one and a half times as long ^
broad; tibia II less than one and a half times as long as broad (about 47 p
length by 39 p in breadth). Fcmora without spines or spine-like setae.
GtuUhosotna. — Formula of palps: I, II, IV, III, V. Ist palpai segntc*^
with a strong, ventral, mtemal spur; 5th palpai segment with a bifurcated
Mandibulae comporati^xly short, without tecth on their fingers. About 8 nrinu**
teeth are visible in the rima h>-popharyngis. Tritostemum pectinated distaW
and difficult to sec. From the setae oí the hypostora the posteriores inter*^
arc the longer.
78
F. DA Fonseca — Acareological Xotes
103
Dcscription of cí
(Figs. 3 — 4)
Malts are comparatively abundant and found sometimes in higher minibcr
íonales ; they are smaller than the 9 9 measure about 5-10-600 ji
íength by about 270 of greaíest breadth. Their shoulders are wd!
^®®®ounced as in the case oí the íemales.
Central side. — The ventral plates are, as usual, folded in a unique picce,
as shown in Fig. 3 and bearing seven paired and one tutpaired setae.
^ paired setae 3 pairs belong to the sternal region, oí wdiich one lies at the
l^^^or and two at the lateral margin, one at the levei of the middle of coxa
^ 4ad one at the levei of the anterior margin of coxa III ; three pairs belong
gcnito-ventral region, one of which is marginal and lies at the kvel of the
k of coxa IV, a more internai one lies behind coxae IV, and the other,
niarginal, lies between this and the anus; another pair is situated at the
ind middle of the anus. The unpaired seta is the most posterior one
^ lies behind the anus. We have exoeptionally scen a supranuirxirary seta
the 5th and the 6lh pairs. The posterior extremity of the plate reaches
lhe posterior end of the body. The male copulatoiy organ b strongly
in the middle, anteriorly.
*pie setae of the ventral integtancnt are rare and simple. The setae on the
are longcr and show a short notdi.
inguinal platelet is present.
Stigmata at the levei of the anterior margin of coxa IV. Peritremata
^ S^antilous aspect up to the middle of coxa III whence they become homo-
up to the middle of coxa II.
. ^orjol side. — Dorsal shield covers almost the whole dorsal surfacc and
7^* posterior extremity; it is Aseaklv chhinized and its surface presents
* fine ■
teticulation. The vertical setae are short and comparatively removed
'l»ich
oue another. There are eleven pairs of marginal setae, of which tlie sbe
*utcrior ones are disposed in a way to reach the levei of co.xa IV. The
frior extremity of this shield is verj- broad and bcars only a pair of setae.
*re shorter than the marginal ones. There are eight pairs of submarginal
’ likcwise shorter than the marginal ones ; the 3rd and Sth pairs are the
^ distant from the median line. The pores are slit-like and lie just behind
- the vertical setae. The resting dorsal surfacc bcars longcr setae,
them with a barb.
^ ^*gs. — Coxa I bcars a rounded spur, the base of which bcars a short, fine
’ fltis segment bears also a posterior, distai seta; coxae II and III each
tvo distai setae, one anterior and one posterior; coxa II bcars also a
79
104
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
dorsal, anterior, strong spine; coxa IV bears only a fine one, at about ^
niiddle of the coxa. The fenwra show spine-Iike setae. The tibiae of
and II are broad and comparatively short.
Gnathosotna. — The formula of palps is: I, II, IV, III, V. The
segment bears a ventral spine-like seta; the second segment has a promin*^
wntral, externai tubercle, the top of which bears a short and strong spur
also a basal-extemal spine and two short dorsal and one internai, setae.
third segment bears one internai, one externai and three dorsal setae,
which are short. The fourth segment bears two ventral, three externai and -
dorsal setae. The fifth segment bears a half dozen short, apical setae and ^
bifurcated, apical, ventral, internai seta. The mandibulae are short, ""i^
longer, excarated, movaUe finger bearing a process in its middlc. TritostcrO^
short, filamentous distally. Rima h>*pophar)'ngis with 9 minute denticles.
Protonymph
(Figs. 5 — 6)
Total length, about 400 p palps induded ; greatest breadth about 200 t
y entrai side. — Stemal plate about 90 p, reaching the anterior margin of
I\', whh three pairs of cqual setae, of which the anterior ones are at th€
terior margin, the médium at the levei of coxa II and the posterior at the
of the middle of coxa III. .\nal plate 43 p long by 35 p as its greatest breadth
with an almost straight anterior margin; paired setae at the levei of the núdd^
of the anus and a longer posterior seta. The ventral integtunent bears
6 pairs of setae, the anterior, which are the shortest, between coxae I\',
length increasing towards the posterior margin. The stigmata are situated ^
the levei of co.xae IV'. The peritremata are verj- short, not reaching the niidd^
of co.xa III, and haring an incurved anterior extremity.
Dorsal side. — Shield of the podosoma with a length of about 135 p *
greatest breadth of about 95 p. readiing the kvel of coxae IV, with six
of marginal setae, the vertical e.xcluded, and two submedian pairs; the anteí^
margin of this shield is straight and the posterior has a slightly doublc
carity. The pygidial shield is wider than long, has a greatest breadth of
65 p and bears three pairs of setae ; a comparatively short one at the anteP*^
margin, a longer one near the lateral margin and the longest at the postef^
margin. There are on the dorsal integument thirteen pairs of setae ^
between the anterior and the posterior shields are found some platelets.
The remaining characters are those of the Ç Ç , with some little differen^
as, for instance, the length of the dorsal spine of coxa 11, which is shorter
in the Ç Ç.
83
F. DA Fonsecv — Acareological Soles
105
LarAa
(Figs. 7 — 8)
idiosoma of the larva, after mounting, is 235 (i long and 171 wide
^ Icvel oí coxae III ; shoulder regions well marked.
1 fntraJ side. — Only the anal plate was distinctly seen ; this plate is
*Í^gu!ar, with a salient anterior margin and also salient lateral edges; the
setae of this plate are in their definite situation. A stemal plate was
but three pairs of stemal setae oceupied almost the same situation
tn the protonjTnph. Two platelets were seen on both sides of the median
líchind the stemal setae. From the ventral setae of the protonj-mph, only
median ones are present. At the posterior margin there are three
of long, simple hairs, of which the median ones are 42 p long. Stigmata
seen.
the
the
ite
Dorsai side. — The shield of the podosoma seemed to exist and to be li-
p *** interiorly and laterally by two divergent rows of four pairs of setae.
other pairs of setae are seen on both sides of the median line, of which
posterior pair lies behind the shield. This submedian setae present
arrangement as their homologous of the protonjmph. Two platelets
^ *cen at the neighbourhood of the posterior margin of the shield. A shield
opisthosoma was not present.
Ijj ^*9^. — . Coxae without spurs. Coxae I and II with two setae and coxa
*ith only one seta. Leg I was 202 p and legs II and III 192 p long.
''ith ambulacra and two strong claws.
^**othosoma. — 114 p long. Tritostemum bifid, wide, without hairs
Xo setae at the maxillicoxae. From the setae at the hypostom only
^ interior and the postero-external pairs are present. Mandibulae very
y chitinized, with digitus fixus and digitus mobilis without teeth. Epis-
^'ide and tmneated.
"ere not able to decide whcther or not there was a sjxne at the l)ase
^ ^ first palpai segment. There are ahout seven setae, apically on the palps,
one, the homologous of the bifid of the other stages, is the widest.
Egg
is regularly clliptical, clear, Í78 p long by 168 p wide, with a well
clliptical central region that is 184 p long by 75 p wide. .After the
^*°*'tion it does not present an embiyo; no operculum was also seen.
^ T^wo gravid $ 9 in which an egg was Vidsible by transparcnc}*, were kept
^est tubc with suffident humidity and allowed to stand a temperature of
Respectively after 24 and 72 hours oviposition took place and the
81
106
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
9 9 <li€d. 48 hours following onposition one half of the egge had a darktf
colour. 96 hours following o^nposition the embrjo was des^eloped and ^
could be seen. The lai^^a abandoned the egg alx>ut 160 hours after o^npo®"
tion at a temperatura oscillating from 12 to 20® C. About 24 hours after >***
birth, the still moving larva, that had not taken any food, shows, after bc^í
mounted, the skin of the protonjmph, with kgs IV folded in the abdômen-
The description is based on several 9 9 , c? d* . protonj-mphs and larva**
collected by the author on Didelphys aurita Wied from Butantan, S. Pan^*
Metatj^pes were first sent to us in May 1933 by Dr. Fabio Wemeck, entom®"
logist at the Instituto Oswaldo Cruz (Manguinhos), in whose honour th*
species is named. Wemeck’s specimens were 5 females he had collected ^
a marsupial, Didelphys sp., probably Didelphys aurita Wied, captured at
guinhos. Rio de Janeiro. As this species was caught on a camivorous marsup*^
we first thought that it could be an acddental parasite of Didelphys aurita,
normal host being an animal upon which this marsupial usually preys. In vi<*'
however, of the fact that we have never found this species upon numerO^
birds and small mammals we have had the opportimity to examine and ft®*®
the same procedence and that we have found this species upon 8 out of
Didelphys aurita we have captured, we ate inclined to consider this marsupinl *•
its normal host . We also have collected this species ou Didelphys paraguay*^'
sis from Ca>eiras, S. Paulo.
This spedes also presents a particular interest because Didelphys spp. ^
known to be sometimes parasited with Trypanosoma crusi and because a
of transmission of a Trypanosoiiia by a Liponissidae has already Itcen repo***^
in the literature (8).
Liponissus pereirai, sp. n.
This species shows two oval tnarks in the stemal plate resembling those n*
Liponysella stemalis Hirst.
Description of the 9
(F«s. 9 — 10)
A very large species, the length of which, gnathosoma included, greatV
varies, aceording to the degree of repletion of the spedmen, between 860 ^
1050 p, of which 755-950 p for the idiosoma, reaching 1150 p in the specim**
caught on Kerodon spixi.
Ventral side. — The stemal plate lies between coxae II, is slightly con'"**
anteriorly and concave posteriorly; its lateral margins are strongly concave
82
F. DA Fonseca — Acareological Xotes
107
the anterior comers are truncated and tbe poíterior ones rounded; its
^'^<adth b o{ about 145 n in the anterior margin and 135-165 n betvA-een the pos-
sctae and its lengbt about 63 p at the middle-line. The most striking
of this spedes is the presence of two oval marks near the anterior cor-
of this plate, surrounding a conic excavation; no similar structure as that
_^'ed by Hirst in Liponysella stemalis has been found in the present spedes.
*0 pairs of slit-like pores are present in this plate, the surface of whidi is
^^Jptured antero-extemally, punctuated postcro-exetmally and smooth medio-
Of the three pairs of setae the anterior lies at the anterior margin;
middle. that is slightly longer, lies instde of the lateral margins ; the poste-
lies a little before the posterior comers.
^ genital plate becomes narrower at the posterior cxtremity and ends
‘*^y- Its surface presents some sjmmetric longitudinal and transA^rsal lines
up scale-like markins as figured by Hirst (/oc. d/.) in Lipottissus fla-
Kolenati. The plate has a length of 270 p and its setae are stuated at the
of the middle of coxae IV.
TV anal plate is elongated, piriform, about 150 p long and 70 p wide. Anus
with an anterior extremity near the anterior margin of the plate. The
setae are a little shorter than the unpaircd one and lie at the levei of
^ Posterior end of the rim of antis, halfwav bctwcn this and the margins of
plate.
^ides these plates therc are the following platelets: one pair of elongated
parallcl to the margins of the genital plate ; one i)air of minute, circular
^ ^titside the elongated ones ; one pair of pimctiform platelets in f ront of the
ones; one pair behind the posterior comers of the stemal plate.
^ligmata between coxae III and H'. Pcritremata possing to the externai
at the levei co.xa II, ending more or less at the levei of the anterior
of coxa I.
TV uncovered integument bcars. the inguinal region and its proximity
a» setae, longer at the margins. The central setae are simplc
of the plates, but the marginal ones have a notch at thcir distai third.
^ ^<»-sal sidc.
auri
>P»ri
Dorsal shicld verv' long, about 620 p by 265 p at is broa-
Point at the levei of co.xae II, becoming gradually narrower backwards.
' alíicld bears 44 paired setae, the vertical ones e.xcluded. Of these 18 are
^jajedian, the 4th and 9th pairs Ijing the farthest from the median line; 26
“^ginal or submarginal. The marginal setae perhaps with exception only
^ posterior are notched. The posterior group is made up of three pairs
i, *V posterior is weaker and more distant from the penultimate than
* Irom the front pair of the group. Immediately in íront of the last
seen two pairs of little, circular marks, but no minute setae. About
108
Memórias do In&tiluto Butantan — Tomo IX
sevcn other pairs oi such drcubr marks are sj-irunetricallv distributed
the plate, the surface of which is reticulated and presents in its anterior
a light middle zone limited by sjmmetrically arranged, curs’ed lines. Sup**"
numeraiy- setae are sometimes seen in the middle of the posterior end.
The uncovered integument is densely beset with setae, which ar* ^
notched in their distai third. The most posterior zone has no setae and
sents a fold immediately behind the dorsal shield.
Lcffs. — Còxa I with two setae; coxa II with two setae and one do^
anterior, acute spine; coxa III with a distai, anterior, cur\-ed seta and a stro®^
posterior spine ; c»xa IV with only one seta. Distai margin of the coxa
times finely denticulated. Trochanter I with a short, strong, dorsal ^
Fcmora I and II with comparatively strong setae. Tibiae I and II more ^
one and a half time as long as broad. Two strong daws on eveiy
Gíiathosoina. — Length of the distance from the base of the tritosten'^
to the tips of the palps — 255 p. Tristostemum forked, scarcely setou*
its distai half, reaching the tip of the spine of the !*• segment of polp- ^
two posterior setae of the hjTXJStom are situated at the margin of a chitio®^
thickening, that looks sometimes like a curved spur. Ritna hypopharl*f,
with about 11 denticles. Formula of palps I, II, IV, III, V. Scgm*^ ^
of the palps with a strong, acute, ventro-internal spine. Segment V
forked, distai, internai seta. Mandibulae long, without teeth, their mo\’able *■
being narrower and curvcd at the tip and their uiunovable one comparati^
broad.
unknown.
This description is based on numerous 9 9 cotj-pes caught on a wiW
comnKKily known as “Punaré”, at Joazeiro, State oi Parahyba, Brarií>
20.V.33 by Dr. Gemente Pereira, assistant at the Instituto Biologico de ^
Paulo and active helminthologist of the Commisíão Technka de Pisdcw*^
do Nordeste do Brasil. A 9 . metatype, was caught by the same collcct®*^
Curraes Sovos, State of Rio Grande do Norte, Brazil, on Kerodon spij^-
Liponíssus eruditus. sp. n.
Description of the 9
(Figs. 11 — 12)
A large specics with a total length of 1008 p and a length of the idios®^i
of about 830 p, shaped more or less like Liponíssus toemecki. The tibiae, J
dally tibia II, are veiy- short, as in the látter species and in those of IchorO^f'
sus, sensu Ewing.
84
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
F. DA Foxsecv — Acareological Soles
109
^niral sidc. — Length of the 'temal plate about 50 |i on the median line
^ l>readth about 100 n at the anterior margin and 136 ji between the posterior
• anterior margin sHghtly convex; lateral and posterior margins slightly
The anterior setae are more internai and lie at the anterior margin;
aiiddlc setae lie at the lateral margin, nearer the posterior than the ante-
<mcs; posterior setae lie at the postero-extemal comers. The anterior
are transversal and lie behind the anterior setae ; the posterior pores are
and situated behind the middle setae.
^^'tal plate shaped as usual in this genus and with a pair ot marginal
^hich lie in front of tlie middle of coxac IV. Its surface is striated
^^udinally.
Anal plate piriform, comparativcly short and broad; length about 135 p
^**ícst brcadth about 85 u; anus about half its distance from the anterior
«ar, ■
Ods
of
Pn of the plate. Paired setae at about the same distance from the mar-
the plate and of the rim of anus, a little behind the krvel of the midle
a little shorter than the unpaired one. .\11 setae of this plate l>car
* »«ch.
The ventral unprotected surface shows six pairs of symmetrical platelets:
*^^er one inside of coxae I\’; a punctiform one at the levei of tlie middle
^ genital plate; a narrower and curved one behind the latter; a punctiform
^hind this; two pairs of punctiform platelets halíway the lateral margins
^^te median line, at the levei of the space between the anal and genital plates.
íoimediatelv behind the cribrum of the anal plate is seen a fold of the
The middle ventral surface is scarcely sctou.s, the externai zone shows no
*nd the posterior zone shows longer setae, all of which with a notch in
distai third.
dorsal side. — Dorsal shiekl shaped as in Liponissus wcrnecki, 550 p long
235 p v,idc. Besides the vertical 30 p long ones, there are the íollowing
One pair immediately behind the pores ; four marginal pairs, 45-57 p long,
a little behind the widest point of the shield ; from this point backwards
, ^ *nother pair of marginal setae. lying a little behind the middle of the
sides; near the posterior end there are two pairs of marginal setae
^ **^ecn these a minute one; at the posterior end there is a pair of 58
^ *«ae. There are sewn submedian 23-30 p long pairs, of which the 3rd
^ oth aj.ç externai and the 2nd the more internai. The surface
shield is rctictilated and shows seven pairs of sj-mmetrical marks likc
^*^**^005 of setae. besides two other pairs of marks immediately in front
posterior pair of setae. that are commonly seen in other spccies of the
85
110
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
genus. The resting suríace is densely beset with comparatively long setac, ^
oi which bear a notch.
Stigimta and peritremata. — The stigniata are at the levei oí the
poir of coxae. Peritrenvita passing to the externai margin at the levei of cox**
III and then to the dorsal side, ending at the levei of the posterior
of coxa I.
Legs. — Coxae without other spurs besides the anterior, dorsal ooe
coxa II, that is ver>- short. Coxae IV with one seta and coxae I, II and »
with t^vo setae. Femora without spine-like setae. Length of tibia I nwre th**
one and a half times its breadth; tibia II about as long as broad.
Cnathosonui. — Length of the gnathosoma about 275 p . Length of
about 156 p. Palpai index I, II, IV, III, V; first segment of palps witb<J»
spiir. Mandíbula comparatively short and without teeth.
The tritostemum was not seen. The rima hj^popharjmgis bears 11 d**'
The description is based on a single 9 that was captured by the
on his microscope table in the Instituto Butantan, S. Paulo. The most P'
bable hots are bats or swallows, that are frequently seen in our laboratoO*^
Liponissus iberingi. sp.
(Figs. 13 - 16)
n.
Description of the 9
(Figi. 13 — 14)
of
A comparatively large spccics, with a length in engorged specimcns
&40-1060 p of which 700-800 p for the idiosoma. The shape of the body ^
of the ventral side remcmbers Liponissus batoti (Hirst) from which, hcn'"*
it diffcrs in numcrous characters, as the presence of a spur at the base *
first segment of the palps, the broadcr point of the genital plate, the sho<^
spine of coxa II, the broadcr dorsal shield, etc.. From Liponissus b»
(Bcricse), which was the only species of this genus that was known to
birds in Brazil, it is easily distinguishable by the shape of its body and
the ventral platcs and chicfly by its dorsal shield, the setae of which
miKh longer than those of L. bursa.
Ventral side. — The stemal plate lies bctween the coxae II, is about 1^^
wide at the anterior margin and 120 p at the posterior and has a length of
55 p on the middlc line. The anterior margin is slightly convex, the postef
is concave and the lateral are slightly concave; the anterior comers are
minent. The surface of this plate is rcticulated and finely pointed and 1^
88
F. DA Fonseca
Acareological Xoles
111
the tAAo pairs ot slit-like pores. Of the three pairs of subcqual setae,
anterior one is the most internai and lies in the neighbourhood of the ante-
nargin; the middle pair is situated at the lateral margins and the posterior
at the posterior corners of the plate.
The genital plate has a rounded end and bears a pair of marginal setae
are shorter than those of the síemal plate at the IcA^el of the middle of
CDxae IV.
The anal pbte is piriform, about 150 p long by 75 p of greatest width, bearing
^ Paired setae immediately before a transA’ersal line drawn by the posterior
**^^ty of the anus. The setae of this plate bcar a notch at the leA^el
the posterior third. Immediately behind the plate is seen a transversal fold
^ the integument. The anus is 40 p long and lies at 24 p from the anterior
of the plate.
There are two inguinal platelets. On the sides of the genital plate there
*te two elongated platelets and in front of these tvvo punctiform ones. Three
pairs of platelets, one of which is elongated, are seen in the vcntral side.
The ventral integument bears about 15 pairs of setae, of which the in-
Ones are simple and the externai bear a notch at their distai third.
The stigmata lie bctween the III and IV pairs. The peritremata have a
?htly internai swelling, ending on the dorsal side at the levei of the middle
^ coxa I.
dorsal side. — Dorsal shield about 620-650 p long, ending at the levd of
posterior e.xtremity of the body and sculptured anteriorly. Besides the ver-
j setae there are 6 pairs of long marginal ones, and a posterior gpnup of
^^P^rs. Tjjç subtnedian setae are shorter than the marginal; there are 7 pairs
submedian setae of Avhich the third is the most externai, the fouy posterior
being equidistant from the median line. All setae of this shield bear one
^0 notches at their distai third. BetMi^een the anterior and the median seta
posterior group there is a minute one. BctvA-een the posterior and the
^ ^ setae there are two punctiform marks. Tlie resting surface is covercd
S curved setae, all with a notch.
— There are no other spurs on the coxae besides the dorsal, ante-
^ ®ne of coxa II. Coxae I, II and III bear two setae and coxa IV only
bcniora without spines. Tibiae long.
rior
* «ron
^^hosotna. — Palpai intlex I, II, IV, III, V. 1** segment of palps with
apical
3r(j
^bout
S spur, one ventral and one apical setae; 2nd segment AA'ith one long,
*nd one externai seta on the ventral side and three on the dorsal side;
*cgincnt with a A-entral, internai and four dorsal setae; 4th segment with
Icn simple setae; 5th segment with an apical group of short setae and
87
112
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
one internai bifid seta. The inandibuiae are long, narrow and without tcrt**'
Posterior internai seta of the hypostom ver>- long.
The tritostemum is bifid, long and pectinated at its distai balí. RinuJ hyf*"
pharyngis with about 10 verj- short spines.
Protonymph
(Figs. 15 — 16)
Length, gnathosoma included, 588 p.
VnitraJ sidc. — The stemal plate is elongated, 142 p long and 112 p
reaching the middle oí coxa IV, with three pairs of subequal setae and
pairs of slit-like pores, -interior margin of anal plate straight and paired, ^
setae immediately behind a transversal line drawn by the middle of the
The cribruni of this plate is prolonged in two rows at both sides of the
seta. The inguinal platelets are present. There are four pairs of setae bet''<^
coxae and the anal plate. The stigmata lie at the levei of coxa IV, the
tremata ending almost at the levei of middle of coxa III.
Dorsal sidc. — .interior dorsal shield reaching the levei of the middle ®
coxa IV, 188 p long and 172 p wide at the levei of coxae III, with long vertif*
setae and five pairs of marginal setae bearing a notdi at their distai thi*^’
there are four pairs of submcdian simple setae, shorter than the marginal
oi which the third pair is the most distant from the median line. Bctwe**
the 4th and 5th pairs there is a punctifomt mark. Pygidial shield ternii>'*^
with a concave anterior margin that bears a short seta near each comer : *
pair of longer setae bearing a notch is present at the middle of this shield
the neighbourhood of the lateral margins, and a stronger pair, at the posteri*^
margin. Tlie surface of the shield shows about si.x pairs of punctiform marl'*’
Between the anterior and the posterior shield there are some minute platcle**"
The integument presents about 15 pairs of notched setae, of which the
temal ones are the shorter. The charactercs of the legs and of the
soma are like those of the 9 9. with the only difference of the absence ®
a spur on the !*• palpai segment.
We are indebted to Dr. Rodolpho von Ihering, of the Instituto BktloÇ^
de S. Paulo and Chicf of the Commissão Technica de Piscicultura do Xordc^
do Brasil, for ha%*ing secured for us a lot of this mite, in the nest of a
the comnion name of which is “Casaca de couro’’ (Dotiacobius atricapiUus Lino-^
at Jatobá, State Pernambuco.
We posses also two other lots of this species captured by us oo two
cimens of the sloth, Bradypus Iridactylus; they are respectively 6 9 9 *
protonymph from B. tridactylus reccived from Cubatão, S. Paulo, and a ^
8S
F. DA Fonsec\ — Acareological \oles
113
tridactylus received írom Ipanema, S. Paulo. The fact that the mites
^''odypus were all engorged wiíh blood, seemed to J>ro^'e that they were not
only upon the sloths. \Ve were unable to find any differences betwecn
^ “unierous specimens taken from the bird Donacobius atricapillus and from
*loth Bradypus tridactylus (99 as well as protonymphs). Therefore we
^ obligçtj to identify them, in spite of the wide differences of their hosts and
localities, a fact that may be explaincd on the ground of the zoogeogra-
^istrict in N. E. Brazil being about the same as some places in S. Paulo.
Liponissus hirsti. sp. n.
(Fig. 17 a, b, c, d, e, f)
^ The only nvo specimens were in so poor a condition of prcser\'ation that
description could not be made.
Description of the 9
(Figr. 17)
«ij ^^**lral side. — Length of the sternal plate 45 p on the median line and
on the lateral sides and breadth 129 p betwecn the posterior setae; posterior
slightly concave laterally and with a more pronounced concavity at the
The anterior setae are more internai and lie at the anterior margin;
^‘*»ddle setae lie inside of the lateral margins ; posterior setae lie at the poste-
‘ 'orners. The anterior pores are transversal and lie bchind the anterior
• 'be posterior pores are obliqúe and situated bchind the middle setae. The
^ of this plate is finely reticulated. It seems to exist a prestemal plate,
,, *'^on betwecn the sternal plate and the tritostemum is transvcrsely
^'^ital plate (b) shaped as usually in this genus, 220 p long, ending sharply,
p^^^bdinally striated, bcaring two setae at the levei of coxac Besides these
^ the following platclets of weakcr chinitization : an inguinal pair ;
tj^^**^’*'?ited para-gcnital pair; a punctifonn pair in front of the lattcr and ano-
V ®®fside and behind the para-genital ones. Anal plate (c) piriform, 178 p
^5 p (greatest breadth) ; anus elliptkal, 45 p long its anterior extremity
Irom the anterior margin of the plate; paired setae situated about halfwav
the rim of the anus and the lateral margins of the plate and slightly in
the posterior extremity of the anus. The setae of the integumeut are
^ts ^ number, of which three pairs lie betwecn the genital and the anal
^ The stigmata lie about halfway betwecn coxac III and IV. The peritre-
slightly internai ssvelling in front of the stigmata and the peritre-
**belds have a little rounded clear mark bchind the stigmata.
89
I
114
Memórias do Instituto Butanlan
Tomo IX
Dorsal side. — Dorsal shield (Fig. 17, f) becoming suddenly narro*^
more or kss as in Liponissvs bacoti, about 700 ;i long by a greatest breadtb
240 fi; its surface is reticulated and sculptured in the anterior half and
the following setae : a pair of -^-ertical setae about 40 p long ; f ive sub-niarfi^
pairs about 75 p long; eigth sub-niedian pairs a little shorter, of which the
is the most internai and the fourth is the most externai ; the posterior group ^
3 pairs of long setae. There are the following punctifonn marks on the
rior extremity of this shield : 2 pairs at the inter^-al between the posterior ^
the middle setae of the posterior group; one pair between the middle and
anterior setae of the same group, bearing a minute seta; one pair inside, ^
two in front, of the anterior seta. All the setae of this shield, the vertical
included, are notched at the tip. A pair of slit-like pores is also present
and outside the vertical setae.
Gnathosoma (fig. 17, d) — Length about 285 p. The rima hypophary*^
bears some denticles. Of the setae of the hypostom the posteriores-interna* *■
the longer ones. The palps are about 170 p long and the palpai índex is
IV, III, V. The first palpai segment bears a short, strong and sharp spu^
little in front of its middle (fig. 17 d, e).
Legs. — Legs I and IV are the longest. Only coxa II has a dorsal. ^
terior spine. Coxa I, II and III bear t\^’o setae and co.xa IV only one. Tib^
long. Femora without spines or spine-like setae. The setae of the kg*
notched.
The description was based on two 9 9 . kindly sent to us by Dr. Fabio
neck. of the Instituto Os^valdo Cruz; Dr. Wemeck collected them on a
of Caviella australis from Tinogasta, Catamarca, Argentine.
BIBLIOGRAPHI.V — REFEREXCES
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Hirst, S. — Proc ZooL Soc. London :769.1921.
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Shelmire, B. & Dcnt, M. — J. Am. Med. Assn. XCVI(8) :579.1931.
Dove, if. 8c. Shelmire, B. — J. Am. Med. Assn. XCVII(21) :1506.1931.
IFood, H. P. — U. S. Dept Agr., Dept. Crcular 79:7.1920.
3If. Fie, J. ly. S. & Thompson. J. G. — Rev. Appl. Ent, ser. B XVIII :23. 194®"
in Ker. AppL Ent XIX. ser. B.:110.1931.
(Trab*lbo da Ser^io de Protoxoolofna e ParaaitolotP*
litato BuUntan. recebido em oorembro de
pubUcidade em março de 1935).
616.96S^:9S1
NOTAS DE ACAREOLOGIA
• Ceratonyssus joaguimí, sp. n. {Acar/na, Liponissidae)
parasita de Glossophaga soricina (PALLAS) de S. Paulo.
POR
FLAVIO DA FONSECA
meu auxiliar, Sr. Joaquim Ca\-alheiro, foram colleccionados. sobre um
j, piar do morcego Gtossophaga soricina (Palias), pelo mesmo capturado a
em Butantan, S. Paulo, vários exemplares de um Liponissidae de um
ainda não assignalado no Brasil, o genero Ceratonyssus Ewing, 1^22, e
^'^^tes a uma espccie ainda não descripta.
Descrip^ão da ç
(Figs. 1 e 2)
K
'fiiti
«êo
° tnaterial apenas havia uma íemea, tomada para holotjqx), fortemente
e um tanto achatada pela laminula; mede llOp de comprimento
^ ® apice dos palpos, dos quaes 940 p cabem ao idiosoma, por 552 p de largura
**^rel do IV par de patas.
'“Tf vcníral — Placa estemal mais larga do que longa, com 133 p de lar-
*V) bordo posterior, situada entre as coxas do II par, com bordo anterior
^n***^'* pouco nitidos, continuando-se insensivelmente cm uma pre-cstcmal
{j. *'**^*^niente estriada que se prolonga até a base do tritostemo. A super-
"^da
estemal é também percorrida por linhas sinuosas transversaes. Dos tres
de cerdas o posterior é o mais longo, situado nos ângulos posteriores, o
^ Um pouco maior do que o anterior, fica mais proximo do par posterior
( anterior, estando implantado para dentro dos bordos lateraes da placa
Oj '/^‘^mente para fora de uma linha traçada do par anterior ao posterior,
pares habituaes de poros teem forma de fenda, são ambos transversaes.
91
116
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
ficando o par anterior para trás e para fóra da cerda anterior e o par pos**"
rior para trás de cerda media, já na zona espessada do bordo posterior da pl*^
Dos bordos o anterior é in^nsivel. continuando-se com a pre-esíemal, os
raes apresentam reintrancia atrás do par anterior das cerdas e o posterior é coo*
cavo e fortemente espessado, como em Ccraíonyssiis nyassac (Hirst, 1921),
lonyssus chiropteralis (Kolenati, 1859) Hirst, 1921 e Liponissus aethiopi^
Hirst. 1921.
Fl«. 1
tp. XL.
▼ratnK
Weibeh«Ti.
Placa genital com cerca de 210 p de comprimento, de bordos a principio 1**^
geiramente e no terço posterior fortemente convergentes, de superficie estriaíl*
longitudinalmente nos 2/3 anteriores, com um par de cerdas na altura do
cia coxa IV.
Placa anal com 140 p de comprimento por 118 p de maior largura, com bot*
do anterior achatado c com ligeira proeminência no centro. Anus elliptko, s*'
tuado na metade anterior da placa, com extremidade anterior muito próxima ào
bordo anterior da placa. Cerdas pares ao nivel do bordo posterior do anus, *
92
F. DA Fonseca — Xotas de acareologia
117
dbtancia entre este e o bordo externo da placa. Cerda impar um pouco
do que as pares.
f*laqueta puncti forme ao lado da placa genital, um pouco para trás das cer-
desta placa. Plaqueta inguinal pouco desenvolvida.
Superficie do tegumento estriado. Superficie wntral mediana e postero-
®*lcma com regular numero de cerdas lisas.
^ Estigmas na altura do meio da coxa I\*. Peritrema quasi attingindo o meio
^xa II. Por estar o holot)-po um pouco achatado não se pode dizer com
•frança si o peritrema é ventral ou lateral na sua porção mais anterior. Pla-
^ peritrema com ponto claro atrás dos estigmas.
Fie- 2
C*raUii;M> «p. n.
TmtÊL. Dono.
Woa>cfa«a. teacAesMit*.
Pace posterior — Escudo dorsal, como é característico no genero Ceratonys-
c, conservando a divisão da phase nymphal. Escudo do podosoma com
12 de comprimento por 240p de maior largura, pentagonal, com margens quasi
^*^**s, ângulos arredondados e superficie reticulada. Cerdas verticaes relativa-
fortes. Ha, além destas, cinco pares de cerdas sub-marginacs c.xtemas
cerca de 76p de conrprímento e dnoo pares de submedianas, dos quaes o
93
118
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
primeiro constituído por oerdas muito cunas, com cerda de 15 p, e o quarto
cerdas mais afastadas da linha mediana. Ha dois pares de marcas circuUt**
sem cerdas, tun entre o 1.® e o 2.® pares medianos e um atrás e para fóra do
par mediano. O escudo do opisthosoma lembra por seu contorno uma caheÇ*
de Lacertilio, mede 304 p de comprimento na linha mediana por 190 p de
largura. A extremidade anterior deste escudo é côncava e a posterior ternúD*
em ponta arrendondada. Os bordos lateraes são convexos na porqão anterior *
concavos na posterior. O escudo apresenta tres pares de cerdas submediaD**
longas, com cerca de 50 p de comprimento, afastadas umas das outras nos d^**
terços anteriores, um par de cerdas curtas approximadas dos bordos no i^r*^
da zona estreitada posterior e lun grupo de tres pares muito pequenos, dos qo^^
o mediano é o menor e mais interno, na extremidade posterior. Atrás de caá*
um dos pares de cerdas longas anteriores ha um par de marcas circulares
cerdas, havendo outro par marginal de marcas punctiformes logo para trás ^
3.® par dessas cerdas; na extremidade posterior entre o ultimo e o antcpenultii*'*
pares de cerdas foram vistas duas marcas circulares á direita e uma á esquerd*-
A superfície descoberta do tegumento dorsal é revestida de cerdas espessas, m»**
longas do que as dos escudos, lisas, sem farpas, como o são, aliás, todas as cef
das desta cspecic.
Paias — Coxas sem espinhos, não tendo sido visto nem mesmo espitd*®
dorsal na coxa II, o que talvez tenha sido devido á sua posição pouco fa^■o'*'
vel, pois existe no o e na protonj-mpha ; cada coxa com 2 cerdas, e.xcepto *
coxa I\’’ que apenas tem uma cerda. Cerdas finas nos demais segmentos,
havendo espinhos ou cerdas espini formes nos femures. As patas I e I\'
mais longas. Tibia I de comprimento igual ao dobro da largura e tibia II
comprimento ligeiramente maior do que a largura.
Gmthosoma — Mandíbulas fortes, com ramos fi,xo e movei sem dente*-
índice palpai I, II, IV, III, V. 1.® articulo dos palpos com forte esporão
tral-intcrno de ponta rhomba. com cerca de 26 p de comprimento. A cerda
fida encontrada na base do 5.® articulo dos Ltpanissidae pareceu-nos substi*
tuida por duas cerdas largas, o que todavia, não af firmamos com segura®'
ça. julgando mesmo ser este aspecto devido á posição do holotv-po. Dos
pares de cerdas do hyposíomio o postero-intemo é o mais longo. Gotteira ^
hvpophart-ngc com cerca de 7 dentes. Tritosterno bifido pectinoso na porç^*^
distai.
Descripção do
(Figs. 3 c 4)
Entre o material obtido existia também um exemplar q*, que foi toma*^*^
como allotypo. Mede 730 p de comprimento por 360 p ao nivel do IV par
patas.
04
F. DA Fonseca — Xotas de acareologia
119
^ ^oce anterior — Placas ventraes fundidas, formando uma peça unica com
1^ de comprimento, estriada transA^ersalmente na porção correspondente á pla-
«stcmal e formando superficie com desenho polygona! dahi até a placa anal
^ ® mais lisa. Eintre a porção anal e a Adentrai parece existir uma linha de
muito pouco nitida. Sobre a peça formada pela fusão das placas no-
3 cerdas pares correspondentes á pJaca estemal. um par na porção ge-
ri». *
c*ratoa}i«u jMvaiiBl. ap. n.
Macho. Fac* raetral.
Minncbra. Baoehsaita.
Oitjj ...
^ ’ *im j>ar na zona ventral e um na anal, existindo, além dessas, a cerda im-
posterior da placa anal e uma impar no lado direito da porção vcntral an-
’ O par estemal anterior é um pouco menor e fica no bordo anterior,
^ ® par posterior da mesma placa também marginal, bem como as cerdas
P^" genital. O par anal fica ao nivel do meio do anus, ligeiramente mais
deste do que dos bordos da placa. As cerdas metaestemaes ficam, tal
femea, directamente sobre o tegumento, não existindo placas metaester-
05 .
120
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
naes. Xotam-se ainda plaquetas inguinaes e dois pares de plaquetas punctit»*
mes situados^ proximo das margens das porqões genital e ventral. Xa
cie desprotegida \-entral notam-se cerca de 15 pares de cerdas, limitadas á
mais interna. O orgão masculino taz saliência no bordo anterior da placa ^
ternal, a qual apresenta os dois pares de póros habituaes.
Estigmas ao nivel da co.xa IV. Peritremas não attingindo o meio da co**
II. Escudo do peritrema com pequena mancha clara atrás dos estigmas.
FIc. 4
C^ratonrMU »p. b.
Macbo. Dono,
MAnnclMD. RflekciuviU.
Face dorsal — Escudo dorsal unico, ao contrario dos da Ç , com 510 ^
comprimento por 210 p de maior largura, estrehando-se gradati^^amente para
com larga extremidade posterior e curra anterior regular, de bordos lat<*^
rinuosos e supcrficie com desenho polygonal, apresentando um par de
com forma de fenda para fora das cerdas %’erticaes. Foram contadas 39 c<r“^
incluidas as vcrticaes e uma supra-numeraria. Ejcistem cerca de 7 pares de
90
F. DA Foxseck — Xotas de acareologia
121
circulares sem cerdas. Das cerdas sub-medianas, as A^erticaes e as do 2.*
«o as menores, bem como as dos 3 pares posteriores, que são muito pe-
especialmente as do penúltimo par. Cerdas ‘propriamente marginaes do
só existem duas, constituindo um par proximo da extremidade posterior,
cerdas do grupo antero-e.xtemo do escudo, em numero de dnco pares são
®*®res do que todas as restantes. Existem cerca de 46 cerdas na superfide
não coberta pelo escudo, as quaes, como todas as restantes cerdas desta
são lisas.
Patas — As patas I e IV são as mais longas. Das coxas apenas a coxa II
***'^^ta o espinho dorsal habitual. As cerdas são em numero de 2 pares para
coxa, excepto a co.xa IV que apenas tem um par. Não ha espinhos nem
espini formes nas patas. Tibia I de comprimento igual a quasi o dobro
^ *»rgura e tibia II imis ou menos tão longa quanto larga. Não ha cerdas
**I'^íonnes nos femures e tibias.
^nathosoma — Tritostemo biíido coni pelos nos ramos distaes. Palpos sem
® «spinho do articulo I que existe na 9 . com cerdas como nas figuras. Gotteira
^‘ypopharinge com cerca de 9 denticulos. Das cerdas do hypostomio o par
^*'^**^co-intemo é o mais longo.
Protonympha
(Figs. 5 c 6)
Poram capturados ao mesmo tempo que os adultos 2 protonjmplias das
uma ser\-iu á descripção, medindo 590 p de comprimento por 266 p de lar-
ao nivel do IV por de patas.
anterior — Placa estemal de superfide reticulada, com 1 14 p de com-
e 90 p de maior largura, de bordo anterior ligeiramente concavo, bor-
íateraes com saliência mediana. Os tres pares de cerdas desta placa são
*'‘^'8uacs e marginaes e dois pares de poros ficam o anterior atrás do pri-
******u par de cordas e o posterior para trás e para dento do par mediano, sendo
marginaes. .‘\ placa anal é relatÍA-amente larga, medindo 53 p de com-
^u^iro por 45 p de maior largura, tem bordo anterior recto e superfide lisa.
^ fica muito proximo do bordo anterior e as cerdas pares quasi na altura
j^*^remidade posterior do anus, ligdramente mais proximos desta do que dos
da placa. Entre a placa estemal e a anal ha 4 pares de cerdas no te-
e dahi para trás dois pares.
^tigmas ao nivel do bordo anterior da coxa IV. Peritrema incuix^ado e
ittingindo o meio da coxa III.
Pacc posterior — Escudo dorsal do podosoma medindo 160 p de compri-
por 152 p de maior largura, com bordo posterior quasi recto e bordos la-
97
122
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
teraes divergentes na frente e mais ou menos pareilelos atrás. Xo escudo exii^
um par de oerdas verticaes, seis pares sub-mai^nacs. dos quaes um posteTÍ<>f
e quatro pares sub-medianos, dos quaes o primeiro, o mais anterior, é formX^’
por cerdas muito curtas e é o mais approximado e o mais posterior, é fonna^
por cerdas mais afastadas.
Escudo pygidial com 60 p de comprimento por 90 p de largura, de marg<^
anterior ligeiramente côncava; apresenta 4 pares de cerdas, das quaes um ^
platado no bordo anterior, um na e.xtremidade posterior, outro, sub-margi»*^
Fis. s
C«ra(«nrBras tp. n,
rrotonxmpha. Fac« rentrmi.
rroto«i]rmx»l»€. lUuchaaita.
Fl«. C
tp. n.
rrotoemptiA. Dono,
rrototirxBph«. RflckmMÍtt.
mais proximo do par posterior c um ultimo, constituido por cerdas minuscuJ**
um jxjuco á frente do par posterior, dos lados da linha mediana. Perto do
de cerdas posteriores ha duas marcas punctiformes sem cerdas, havendo um
de marcas semelhantes para trás e para dentro do par anterior. Entre o esct>^
posterior c o anterior, mais proximos daquelle, dois grupos de plaquetas, ^
quaes o anterior c maior. Superficie descoberta com cerdas esparsas, as q»*®**
como todas as outras da proton\Tnpha e mesmo da especie, são lisas. /
São foi possível distinguir o tritostemo nos dois exemplares c-xaminati^
Os restantes caracteres coincidem muito approximadamente com os da
salvo quanto á c.xístenda do espinho dorsal da coxa II que foi encontrado na P^^
tonympha não tendo sido possível distinguil-o na 9- Para esta especie proP^
nho o nome de Ccra/onyssus joaquimi, sp. n., em homenagem ao meu auxü**^'
Sr. Joaquim Cavalheiro, a cujo interesse e diligencia dc^•o muito material
cioso de acarianos.
98
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
F. DA Fonseca — .Yo/os de acareologia
123
resumo
f^fratonyssus joaquhni, sp. n. Ç (Figs. 1 e 2). — Especie grande com
p de comprimento até o apice dos palpos, por 552 p de largura ao nivel do
' Placa estemal com espessamcnto no bordo posterior, de bordo anterior
®^®^tiando-se em uma pre-estemal; placa genital estriada longitudinalmente o
anal triangular com anus muito anterior e cerdas pares ao nivel da extre-
posterior do anus; peritrema mal attingindo o meio da coxa II. Ani-
I dos palpos com forte esporão ventral interno. Escudo do prodosoma pen-
***'®al. com 273 p de comprimento por 240 p de maior largiu^, com 12 pares de
incluidas as vcrticaes, sendo o 2.® par submediano muito pequeno. Es-
^**^0 do opistosoma em forma de cabe<;a de lacertilio, com 3 pares de cerdas
sub-medianas na porção larga e 4 pares de cerdas curtas sub-marginaes
<los quaes é minusculo, na extremidade posterior. São também descriptos
0 * • •
“Ca protonjTnpha. Capturados sobre o morcego Glossophaga soncxna
em Butantan, S. Paulo.
t
90
«
61C.9«8j:9Sl
ACAREOLOGISCHE NOTIZEN
■ Ceratonyssus Joaqu/mi, sp. n. {Acar/na, Líponiss/dae),
^^«rasit der Fledermaus G/ossopAa^a sorícína (PALLAS) aus
dem Staate S. Paulo.
VON’
FL.AVIO DA FONSECA
ç, Januar d. J. hat niein technischer Untcrbcamter einc Fledcrmaus,
^ °phaga sorícina (Palias), ín diesem Institut gcfangen, auí der cinige
eines Liponissidae gefundem wurden, dic nícht nur einer für Brasi-
*>och unbekannten Gattung. der Gattung Cfra/on^-jjití Ewing, 1922, angehõr-
^ *ondem auch eine noch unl^eschriebcne .Art representieren, díe wir, nach
^ ^'amen scines Entdeckers, Ceratonyssus joaquimi, sp. n., nennen wollen.
Beschrcibung des Ç
(Fig-jren 1 u. 2)
ilatcrial war ein einziges Wcibchen vorhandcn. das ais Holotypus be-
wurde und wekhcs vollgesogrn und ein wcnig \-om Deckglas abgeflacht
Seine Lãngc bis zur SpHze der Palpcn betrug 1 104 p und die des Idioso-
'*”Kcfãhr 940 p, seine Brcite (in der Hõhe des 4tcn Beinpoares) 552 p.
^°^hsciie (Fig. 1). — Das Stcmalc ist breiter ais lang, hat 133p Brcite
Hintcrkante. liegt ganz zwischen Coxac II, hat einc undcutlidic Vorder-
sich in cinem bis zum Tritostemum gehenden qucrgefeldcrten Prãs-
fortsctzt. .Auch die Obcrfiãche des Sternalen ist von wcllenfõrmigen
tpicrgcstreift. Von den Haaren dieser Platte ist das hinterste Paar das
sitzt an den Hinterecken, das núttlere Paar ist ctwas lãngcr ais das
h.- Der .Abstand zwischen dem mittleren und dem hinteren Paar ist
‘ derjenige zwischen dem mittleren und dem vorderen Paar. Die z^^•ci
^ ^>abcn dic übliche quere Stellung; das vordere Paar liegt seitwãrts und
101
12G
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
rückwãrts zu dem Vorderhaare und das hintere Paar beíindet sich hintcr ^
TV
mittleren Haare, in dem verdickten Strafen der Hinterkante der P.atte.
Seitenkanten sind hinter den Vorderhaaren eingebuchtet, die Hinterkante ist
eingebuchtet und stark verdickt, wie es bei Ceralonyssus nyassae (Hirst,
Ceraionyssits chiropteralis (Kolenati, 1859) Hirst, 1921 und Lipo«^
aethiopicus Hirst, 1921 auch der Fali ist.
Genitale ungefãhr 210 lang am Anfang mit leicht und am Ende
schwach kon\-ergíerenden Seitenkanten. Seine Oberfiãche ist am vorderen ^
lãngs gestreift; das einzige Haarpoar liegt in der Hõhe des 4-ten Beinpa»*^j
Anale: 140 n lang bei 118 {i grõsster Breite, mit abgeplatteter Vorderls^l
die in der Mitte einen kleinen \'orsprung zeigt. Der .^nus ist elliptiscb
liegt in der vorderen Hãlfte der Platte; sein hervorstehendster Teil liegt
nahe der Vorderkante. Die gepaartcn Haare licgcn an der Hõhe des hint^j
Randes des Anus mittehvegs zwischen diesen und den Seitenkanten der [
Das hintere Haar ist etwas lãnger ais die Gepaartcn.
Ein wem’g hinter den Haaren der Genitalplatte sieht man zwei sehr kk^ |
punktfõrmige Plãttchcn. Das Inguinalschild ist schwach entwickelt.
Das unbedeckte Tegument ist von teinen Linien durchzogen und |
behaart.
Die Stigmcn licgen an der Hõhe der Mitte von Coxac IV. Das Pcritt*^|
reicht íast bis zur Mitte der Co.va II. Da der Holotypus ein wcnig vom
abgeflacht ist, kann man nicht mit Sicherheit sagen ob sein \’ordcrteil
oder dorsal lãuft. Hinter den Stigmen sieht man in den Peritrcmatalicn
hellen punktfõrmigen Fleck.
Rückenseite (Fig. 2). — Dorsalschild wie es íür die Gattung Ccratony^
charakteristisch ist, d. h., die zwei Schilder der NjTnplialstadien kommen
zur Verschmelzung. Die .Ausmasse des Podosomatalschildes : Lãnge ^
grõsstc Breite 240 p. Es ist fõnfcckig, hat íast gerade Kanten. al>gcst uim^
Eckcn und seine 01>erflãche ist fein rctikuliert. Die Vertikalhaare sind
nismãssig stark. Abgesehen von diesen, gibt es noch füní Paar von
marginalon IHs 76 p langen und füní von sub-medianen Haaren ; von ^ j
Lctzteren ist das erste Paar aus sehr kurzen, ungefãhr 15 p langen und das
von mchr auseinanderliegenden Haaren gebildet. Zwei Paar rundlicher Flc^^^l
die wie die Ansatzstellen der Haare aussehen (Poren) sind zwischen den
und den zwcitcn sub-medianen Haaren und seitwãrts von dcni fõnften zu
Der Umriss des Opistosomatalschildes erinnert an den Kopf eines I^accrtu^j
hat eine Lãnge von 304 p und eine grõsste Breite von 190 p. Seine VordcrV^jl
ist eingebuchtet und sein Hinterende ist abgcnmdet. Drci submediane. ung*^ ■
50 p lange, von einander entfemter liegendc Haarpaare sind in dem vor
Zweidrittel zu sehen ; ausserdem noch eine Gruppc, von vier kurzen Haar
102
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
F. DA Fonseca — Acareologische Solizen
127
99ÍSt •
von denen das \*orderstc ain Anfang des schmahvcrdendea Hinterendes
^ Innerste, welches schon am Hinterende liegt, das Kleinste ist.
jedem langcn, vorderen Haar findet man cinen kleinen, punktfõrmigen
' *usser denen ist lúnter dem dritten Haarpaar noch en marginaler Fleck
Auch das Hinterende des Holot)-pen hat 3 so!che Flecken gezcigt,
sich 2 rechts und eines links befanden. Das unbedecktc Rückeníe-
zeigt zahlreiche Haare, die lãnger ais die des Schildes sind und welche,
die Schildhaare und überhaupt alie Haare diescr Art, absolut glatt sind.
— Beine I und IV sind die Lãngsten. Die Coxac zeigen keine
selbst der gewõhnlich an der Rückenseite der Coxae II vorhandenc
im Holotypus nicht zu bemerken, was sehr wahrschcinlich nur von
^'®8Ünstigen Lage des Tieres verursacht wiirde, denn jener war am Mãnnchen
^ >n der Protonymphc leicht zu sehen. Abgesehcn von Coxa IV zeigen alie
zwei Haare. Alie übrigen Glieder tragen feine Haare; Haare mit dom-
Qiarakter sind weder an den Fcmora noch an den Tibiae zu sehen.
^ >st zwei Ma! so lang wie breit und Tibia II ein wenig lãnger ais breit.
— Qjp Mandibulac sind verhãltnismãssig stark entwickelt und
Iseine Zãhne. Palpeninde.x I, 11. IV, III, V. Das erste Glied der Palpen
«inen starken, inneren, ventralen Dom mit abgerundeter Spitze, der ung.
ist. Das gcgabeltc Haar an der Basis des ínnftcn Gliedes der Palpen
^ ''on zwei Haaren ersetzt zu sein, was abcr nicht mit Sicherheit bchauptet
I^ann, nicht nur weil wir es niemals mit absoluter Klarheit zu sehen
“ten. sondem auch weil es beim Mãnnchen nomial ist und weil es ein
Charakter der Liponissidat und anderer Familien zu sein scheint.
'*ín drei Hj-postomhaaren ist das hintere, innere Paar das Lãngste. Das
''^trnum ist distai fein gefiedert.
Beschreibung des cT
(Figurtfl 3 u. 4)
p
N * ''^^r im Material auch ein Mãnnchen vorhandcn, das im Folgenden ais
%arírr1 T /.V) It cAirw» m
Hòhc
bcschrieben wird. Seine Lãnge war 730 ji imd seine Breite 360 ji an
des 4-tcn Beinpaares.
(Fig. 3). — Die Bauchplatte
kw die Fnrm eines fein skiilnturierten.
ten sind miteinander vcrwachscn
die Form eines fein skulpturierten, zweimal eingeschnürten Gebildes
fç^jJ***^*^ Lãnge von 440 p. Das \'entralc scheint von dem .-Xnalen durch eine
Stitura wie getrennt zu sein. Die Haare der Bauchplatten sind auf
'cise \xrteilt, dass drei Paare dem Stemalen, ein Paar dem Genitalen,
103
128
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
ein Paar ckm Ventralen und ein Paar dem Analen zukommen; ausserdein ^
cs noch ein unpaariges, hinteres Haar auf dem Analen und im .Allotypus aucb ^
ausserordentliches Haar auf der rechten Seite des Ventralen. Von dif^
ly
Haaren sind die vorderen des Stcmalen und die des Analen dic klemsteo.
gepaarten Analhaare liegen in der Hõhc der Mitte des Anus. Es sind íolg^
Plãttchen an dem Tegument zu sehen; ein Paar Submarginale und zwei
\íc
nahe den Seitenkanten des Genitalen imd des Ventralen. Es gibt kein •
tastemale. Ungeíãhr 15 Paar glatte Haare sind an der innersten und hintcíS**
Flãche der Bauchseite zu sehen.
Die Stigmen liegen in der Hõhe des 4-ten Beinpaares. Die PeritreO^
erreichen kaum die Mitte von Coxa II. Peritrematalia mit kleinem,
Fleck hinter den Stigmen.
Rückenseite (Fig. 4). — Das Rückenschild zeigt sich im Gegensaí* ^
dem des Ç einhcitiich, und es ist 510 |i lang bei 210 |i grõsster Breite, ^
hinten allmãhlich schmãler werdend, mit breitem Hinterende und regclmí*^
gebogcnem Vorderende, mit wellenfõrmigen Seitenkanten; die Oberflãcbc ^
fein aber deutlich skulpturiert und besitzt ein Paar querliegende Poren ^
wãrts von den vertikalen Haaren. Neununddrcissig Haare waren auf die^
Schild beim Holotypus gezãhlt, das vcrtikale und ein ausserordentliches
miteingercchnct. Von den submedianen Haaren siml die Vertikalen und die ^
2-ten Paares die Klcinsten, ebenso svie die drei Paare am Hinterende, ^
dencn das Vorletzte noch kürzer ist. Von allen diesen Haaren liegt nur
Paar direkt an den Seitenkanten und zsrar in der Nãhe des Hintcrcndes-
lãngsten Haare sind die fünf Paare der wrdercn ãussercn Gruppe. Unge‘*
sielwn Paar rundiiche Flecken, welche wie Ansatzstcllen von Haaren
ausschen, sind noch auf diesem Schild zu sdien. Dic vom Rückens»^
unbedcckne Oberflãchc trãgt ung. 46 Haare, die, wie alie anderen Haare di*^|
Art, vollstãndig glatt sind.
Bcine. — Erstes und \-iertes Beinpaar sind dic lãngsten. Ein Dor®
nur an der dorsalcn Seite von Coxa II zu sehen. Mit AusnahnK von Cox*
I'
iV I
dic nur ein Haar trãgt, habcn alie anderen Coxae zwei Haare. Tibia I '
doppclt so lang wie breit imd Tibia II ungcfãlir so lang wie breit. Es
kcine dornartigen Haare an den Feroora und Tibiae.
Gnathosoina. — Tritostemum mit gefiederten Laciniae. Palpcn ohn<
am Weibchen vorhandenen Dom am ersten Glicd. Mandibulx mit l)cwcgl>®^|
und unbeweglichem Arm und langem ausgchòhlten Spermalophorentrãger.
• — I
hypofharyngis mit ungefãhr neun Zãhnchen. Von den HypostomhaareO
das hintcrc. innere Paar das Lãngste.
104
u
cm
SciELO
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F. DA Fonseca — Acareologische Xoti:en
129
Beschreibung der Protonymphe
(Figuren 5 u. 6)
^ Voa dcn zwei in demsclben Material geíundenen Protonymphen ist eine
di€ Beschreibung benutzt worden. Sie war 590 jx lang und 266 jx breit
Hõhe des 4-ten Beinpaares.
. ^ouchseite (Fig. 5) — Das quergestreifte Stemale ist 114 p lang bei
grõssten Breite %-on 90 |x, seine Vorderkante ist schwach eingebuchtet und
Seitcnkanten reigen Vorsprünge im Verhãltnis mit den Enpflanzungcn
^ Haare. Die Hinterkante zeigt einen mittkren Vorsprung. Die Ansatz-
der Haare befindet sich dirclct in den Seitcnkanten, und die nvei
. *^paare liegen hinter dcn ersten und zsxThen Haarpaarcn. Das Analc
"whãltnismãssig breit, 53 p lang bei 45 p grõsster Breite, zeigt eine fast
Vorderkante und kcine Skulptur. Der Anus liegt sehr nahc der
/^derkante und die gepaartcn Haare stehcn in der Hõhe seines Hinterendes.
dem Analen und dem Stemalen sind vier Paar Haare zu sehen, die mit
zwei Paaren an dem Hintercnde die ganze Behaanmg der BatKhoberflãche
^ Stigmen liegen in der Hõhe von Coxae IV. Das Peritrema ist nach
*^****’ gekrümmt und crrcicht die Mitte von Coxa III.
^^ckenseite (Fig. 6) — Das Podosomatalschild hat eine Lãnge von
. l* bei grõsster Breite von 152 p; seine Hinterkante ist fast gerade und
Sehenkanten vcrlaufen zucrst dixTrgierend und spãtcr fast parallel. Von
^ Haarcn, die Vertikalhaare miteingerechnct, sind sieben Paar marginal, von
j'*''** cin Paar am Hintercnde und vier Paar submedian sitztcn. von denen
■** Vorderste aus ganz kurzcn, einander naheliegenden und das Hinterste aus
^ einander weiter entfemten Haarcn bcsteht.
. . Pj-gidialschild ist 60 p lang und 90 p breit, seine Vorderkante ist
eingebuchtet. Es trãgt vier Paar Haare, von denen cins in der Vorder-
eingepflanzt ist, eins am Hintercnde und eins marginal, scitlidi liegt;
^etztç Paar bcsteht aus winzig klcinen Haaren, die unmittelbar ror dem
p ‘♦fsten Paar liegen. In der Nãhe des hintersten Haarpaares gibt es zwei
tundiiche Flecken; ein solches Fleckenpaar ist auch in der Nãhe der
^^derkante zu sehen. Zwischen Propodosomatal-und Pygidialschild gibt cs
Gruppen von Plãttchcn von denen das vorderste etwas grõsser ist.
* '®I>edeckte Rückenflãche trãgt 28 Haare, w-eldie, ãhnlich allcr der Proto-
und sogar der .Art, glatt sind.
Tritostemum war bei keinem der Exemplare zu sehen.
105
130
Memorins do Instituto Butantan — Tomo IX
Die Alt wurde nach ir>€inem technischen Laboratoriiunsunterbeainten
quim Ca^’a]heiro benannt, da ich durch seinen Fkiss und sein Interesse
oítmals 2U wertvollem Acarinenmaterial gekommen bin.
(TrabAlbos da S<cçio tk Protozoologia e Parasitolo|(i*
titato Butantan, recebidos em oorembro de 19&4>
(pobUcidade em abril de 1935)
D^‘
1C6
5S5.4::981
NOTAS DE ACAREOLOGIA
• Occorrencia de sub-especie de Ixodes r/c/nus (L., 1758 )
no Estado de S. Paulo (Acarina, Ixodidae).
POR
FLAVIO DA FONSECA
^ 21.V.34 foi-nos dado capturar, fixado no couro de um Ccrvidae, Maza-
^''^Plicicomis, rcccm-abatido em Jaguaré, nas proximidades desta Capital, e
ao Instituto Butantan pelo sr. Dario Camargo, um lote de carrapatos
ao genero Ixodes Latreille, 1785.
jjj o lote de 8 Ç ç e 7 o' o'« tendo estes sido todos encontrados cm copula,
SC encontra referido por Nuttall e Warburton (m Nuttall. Warburton,
& Robinson — Monograph of the Ixodoidea pt. II scct. II :336. 1911).
^•X.34 collccciona\'amos novo lote da mesma espede, capturado também
^azatna simplickornis. proveniente de Barragem, Cotia, S. Paulo, locali-
P*'oxima á de que proveiu o primeiro lote.
Estudo do lote cm apreqo permittiu-nos identificar a esi)ccic como Ixodes
(Unneu, 1758), carrapato muito commum na Europa, onde já foi assi-
sua presença na maioria dos paises, parasitando, além do homem, gran-
de mammiferos, quer domésticos, como câo, boi, carneiro, cabra, ca-
’ nucr sel^-agens, entre os quaes se contam também Cervideos. Na África.
^t>mo na Asia, já tem sido notificada sua presença sobre varias cspccies
conhecendo-se do Japão também a sub-especie ova/its (Ncumann, 1899).
^•«nerica do Norte também oceorre com frequenda, quer sob a forma t>-pica,
* *ob a das sub-espedes scapularis (Say, 1821), e califomicus (Banks. 1904).
® America do Sul nunca tinha sido assignalada esta espede, o que fazemos
^ pela primeira vez.
rícinus (Linneu, 1758) constituc a espede t)^» do genero Ixodes
^^cdlr. 1795, genero este que é por sua vez o genero typo da família Ixodidae
3
132
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Murray, 1877. Além de parasita do homem, transmitte na Europa a babcsS^j
dos bovinos e o “looping ill” dos ovinos, tendo sido também accusado da
missão da piroplasmose dos cães europeus e da anaplasmose bovina, bein
da vehiculação mechanica de infecções bacterianas.
Xos lotes por nós encontrados, os caracteres de maior importanda
fica coinddem com os da forma tj*pica de Ixodes ricinus. Foi-nos, entreO^ 1
possivel. quer pela comparação com as figuras e descripções de Nuttall e
burton {op. cit., pg. 143-159), quer pela comparação com 2 i ç de Ixodes
da Escoda, provenientes da coliecção de Nuttall (No. 405) e bondosamente ^ I
dos para comparação pelo Dr. Beaurepaire Aragão, observar em nossos
piares differenças, quer em relação á forma tjqiica, quer em relação ás |
des já descriptas. Taes divergendas, a nosso ver, justificam a creação de
nova sub-especie, para a qual propusemos o nome de Ixodes ricinus, subsp.
Fl. da Fonseca, 1934, em homenagem a H. de Beaurepaire Aragão, a queiB |
devidos tão importantes estudos sobre Ixodidae brasileiros.
Descripção da ç fFigs. 1 e 2)
1 1
i' N
t/ '
M
r I I
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>ft
II
ttf
1 1
t 'n;'
V' .
l‘jl
Fi«. I
Dimensões e forma do corpo. Femeas em inido de repleção muito ^**^1
com idiosoma de lmm8 X lnim4; das femeas repletas, a maior media 4rt'‘*’
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
F. DA Foxseca — Xotas de acareõlogia
133
por 3min de maior largura do idiosoma, nos cot)-pos e 6mm por
lopotA-pos.
p
^ t'en/ra/. — Face ventral pilosa em toda a extensão. Vulra na altura
Cm genital ligeiramente divergente. Sulco pre-anal de ramos mais
^®>enos parallelos. Espiraculos arredondados, sittiados para trás e para fóra
®'^*as IV , coij, macula ligeiramente anterior (Fig. 1).
'fit 1 — Escudo pardo quasi negro, largo, medindo lmm3 a Immó
a Imm4 de maior largura, com pontilhado regularmente distribuído,
margens e mais raro proximo dos sulcos ccrvicaes, distinguindo-se do
de Ixodes ridnus, por serem as pontuações um pouco maiores e mais
®*das e os pelos mais curtos e em menor numero, sendo o contorno ás vezes
‘^fcular, menos largo na frente (Fig. 2). Ângulos escapularcs nitidos,
^ ’í><lo a altura das areas porosas. Dorso menos piloso do que na forma
***'*• Com sulco marginal nitido.
^'•othosoma — Medindo do lado ventral, da base do capitulo ao apice dos
P^pos com !.• articulo mais largo, bordo interno do 2.® articulo
^wdo-se mais bruscamente na base e 3.® articulo mais estreito no apice do
fonna typica. Hj-postomio mais lanceolado do que na forma typica, ter-
^ ^ no nivel do apice dos palpos, com dentes marginaes grandes e fileiras
de dentes de tamanho decrescente para dentro, de formula 5/5 no ter-
5
134
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
ço anterior, 4/4 no terço medio e 3/3 no terço posterior, começando as fi!
tanto mais para frente quanto mais internas. Areas porosas transvers
alongadas, mais estreitas do que na forma typica, ás vezes piriformes. Aur
muito pouco pronunciadas.
Patas — Coxa I com longo e pontudo espinho interno, recto, ultrap
o bordo anterior da coxa II e espinho externo muito curto; coxa II com
nho externo muito curto e largo; coxas II e IV com tuberosidade pouco
nundada. Tarso I com 2 tuberosidades pouco pronunciadas. Coxas menoí
losas do que na forma typica.
Descripção do o
Machos com Immó a ImmS de comprimento do idiosoma por Im®
largura, com gnathosoma de cerca de 440 p de comprimento, de côr
escura, encontrados sempre em copula, bastante regularmente ellipticos;
um pouco mais estreitados anteriormente.
Face vcntral. — Orifício genital na altura das coxas III, placa preg
quadrilatera, mais larga atrás; placa mediana de conformação semelhante.
com bordos lateraes ligeiramente convexos e bordo posterior geralmcnte did®^
cm tres porções rectas sjmmetricas, correspondendo ás placas anal e adanaes. ' ^
mais raramente, arredondada; placa anal de bordos ligeiramente divergent^
convexos, com o anus na extremidade anterior: placas adanaes um pouco
largas posteriormente, de bordo externo ligeiramente convexo e bordo
concavo. Todas as placas, principalmente a mediana, com pontilhado prof®^
e pilosidade moderada. Espiractdos oraes com macula ligeiramente anterior*
Face posterior — Escudo bastante regularmente elliptico, de extren®^'
posterior arredondada, de bordos lateraes rectos cm grande extensão,
pouco pronunciadas, pontuações numerosas, menores e menos profundas do
as da placa mediana, pilosidade esparsa, com sulco ceni-ical nitido, divet?*^
para trás e sulcos lateraes praticamente ausentes. Prega marginal começand®
nivel do bordo posterior do II par, de côr muito mais clara do que o
alargando-se para trás.
Gnathosoma — Base do capitulo trapezoide, mais larga atrás, sem »'
A porção me<lia da margem vcntral do capitulo forma um prolongamento
angulo agudo semelhando um espinho bastante forte, bem mais forte e agnd®^
que na fig. 140 de Nuttall (op. cit.) ; auriculae presentes, com desenvolvi®^
mais ou menos igual ao do espinho externo da coxa I, ao contrario de
ricinus. Hypostomio com 6 dentes marginais de comprimento crescente
trás. ligados por uma serrilha transversal. Palpos muito largos, com artictd®
6
F. DA Fonseca — Solas de acareólogia
13Ó
pouco mais largo do que longo e articulo III de comprimento mais ou menos
ã largura do articulo II.
Patas — Coxa I com espinho interno fino e agudo, ultrapassando o meio
■*ooxa II e espinho externo muito curto e agudo; coxa II com espinho externo
pouco maior e mais largo do que o homologo da coxa I e bordo interno sa-
^**’*': coxa III com espinho externo lun pouco menor do que o homologo da
fl e bordo interno igualmente saliente; coxa IV com espinho externo me-
^ do que o homologo da coxa III e bordo interno sem salienda. Tarso I com
^'^crosidade immediatamente á frente do orgão de Haller.
, _ I^escripto de A-arios cotypos capturados pelo auctor sobre o Cervidae, Mazama
^P^Kicornts, de Barragem, Cotia, S. Paulo, Brasil, a 5.X.934.
ABSTRACT
Ixodes rictnus aragãoi is described as a nc\A' subspccies found in Brazil and
from the other subspecies in the follownng points: males bearing larger
females showing on dorsal scutum wider and dceper punctuations and
and scarcer hair, 2nd scgmcnt of palpi broader at base, 3rd thinner at
4nd more lanceolated hvTXJStom.
(Tr*b«lho da Secçio d« Proioiooloicia e ParaMtotofcia do laa-
btoto Bataataa, poblkado, como *NoU Prcria** m Boi.
Bíot. roL II ( 2 ^^ N. S. Dei. 19M.)
7
S95.4:
NOTAS DE ACAREOLOGIA
XVI. Ixodes amarali, sp. n. (Acarina, Ixodidae)
POR
FLAVIO DA FONSECA
(com 4 gravuras no texto)
^ ^**”iinando em janeiro de 1935 o material parasitologico existente em
^ *®Ilec<;ão zoologica adquirida em parte pelo Instituto Butantan, encontrámos
. **P*cie de carrapato, pertencente ao genero Ixodes Latreille, 1795, que
Const,
3s no\'a.
B
o material de um lote de quatro Ç Ç , das quaes duas em perfeito
'®‘*servadas em álcool e colhidas cm Barro Alto, Estado de Minas Gc-
^>1, sobre um rato sylvestre de cspecie ainda não determinada, assigna-
^ tt)lleo;ão zoologica alludida com o numero 04 e capturado pelo sr.
®l4ser.
Ixodes amarali, sp. n.
Descripção da r (Fíp/. 1. 2. 3 e 4)
e forma do corpo. — O maior exemplar media 5mml de com-
por 2mm de largura e a menor 9 , em inido de repleção, 3mm5 de
por lmm6 de largura. O corpo, muito afilado na extremidade an-
*’*8nicnta gradativamente para trás, apresentando largura maxima im-
na frente do anus. cõr nos 3 exemplares menos repletos era
fçlU
Queimada e, na Ç mais cheia, côr de chocolate.
Central (Fig. 1) — Pilosa em toda a extensão. Vulva na altura do III
genital divergente, visivel até o inido dos bordos do corpo. Sulco pre-
f^nios parallelos ou muito ligciramcnte convergentes. Elspiraculos ar-
9
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
redondados com macula ligeiramente anterior, situados para trás e para
das coxas IV'.
Face dorsal (Fig. 2) — Escudo dorsal de côr amarella mais carregai
que a do corpo e mais escura nos bordos e nos pontos em que ha espessanie*^
Fi«. 1
Ix94e« amarali. 9p. n.
Tig. 2
no exemplar repleto a sua côr era, porém, carregada, como a do corpo. ^
mais longo do que largo, mede lmm4 por Omm/, apresentando {Kintilh**^^!
tamanho medio regularmente distribuido por toda a superficie, um pouco ■
raro na zona media da porgão anterior; não apresenta pelos. Ângulos
lares muito pouco pronunciados, cobertos pela porção dorsal da coxa I-
com pelos curtos, escuros, com sulcos marginal, mediano e lateracs niti^^ ,
escudo apresenta-se bastante estreito, deixando i)cqucna faixa lateral
mento descoberta e seus bordos caminham quasi parallelos antes de fom>a^ ,
tremidade posterior que é ligeiramente acuminada. Um dos caracterist**^
SciELO
F. DA Fokseca — Xotas de acareólogia
139
é apresentar ao bordo externo do escudo um espessamento limitado inter-
por uma crista, o qual, começando no bordo anterior do escudo, pode
^ *o>mpanhatlo até seu ponto de encontro com os ramos fortemente divergen-
^ <10 sulco cers-ical. Este espessamento constitue um prolongamento no escudo
^ cristas elevadas encontradas na face dorsal do capitulo. O sulco cer\’ical
^I*ofundo, limitando zonas mais elevadas no escudo e terminando nos bordos
quasi no ponto em que estes comeqam a convergir para formar a ex-
'dade posterior.
^*KUhosoma (Figs. 3 e 4) — Mede, do lado ventral, da base do capitulo ao
Qos palpos, 0mm8. Palpos, de Omm58 de comprimento, com articulo II
^ tttais longo do que o articulo III. Hjqxjstomio muito fino, terminando
ponta aguqada e apresentando apenas duas fileiras de dentes, das quaes a
de elementos maiores e situados já proximos do bordo. Auriculas bas-
*^icntes, a ponto de serem bem visiveis pelo lado dorsal. Áreas porosas
r, * ^gas do que largas e delimitadas lateralmente pelas elevações do capitulo.
^^Ptlulo, muito caracteristico, apresenta na face dorsal duas cristas lateraes
de bordo aguçado, continuando-se atrás nas elevações já dcscriptas no
'«•4^
Pi*. s
sp. a.
FIr. 4
Ixo4m aauirali* sp. a.
'Jorsal, as quaes. partindo um pouco para dentro dos ângulos posteriores
percorrem-no cm toda a extensão, convergindo ate a base do hy-
Vj I terminam do lado externo deste. Para fóra destas duas cristas,
^ ”0 externo da face superior do capitulo, pcrcebcm-se duas elevações me-
\o ***^*^”ciafias, indo da base do capitulo ate a base do !.• articulo dos palpos.
^*Cntro da face superior do capitulo, entre as areas porosas, também existe
^^S';ão linear mais ou menos pronunciada conforme os exemplares.
^ — Coxa I com bordo anterior bem risível pela face dorsal, trazen-
<í ^fdo posterior dois espinhos, dos quaes o interno ligeiramente mais curto
s»: fino do que o externo; co.xa II com espinho externo de tamanho e
*guaes ao do homologo da coxa I e espinho interno muito pequeno;
II
140
Memórias do Instituto Butantan — Tomo iX
coxa III com espinho externo um pouco menor do que os homologos das à^\
coxas mais anteriores e bordo saliente interno, não chegando a formar prop^l
mente um espinho; coxa IV com espinho externo menor do que o da coxa
sendo o unico de ponta afilada, sem espinho interno ou bordo saliente.
Descripção baseada em 2 cotj-pos, que se acham no Instituto Butantan, * I
Paulo, Brasil. O nome é dado em homenagem a .Afranio do .Amaral, já P^l
interesse demonstrado na acquisiçâo daquella importante collecção zoologic*» ^
por nos ter distribuído para estudo o material de ectoparasitas.
12
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
595.42
ACAREOLOGICAL NOTES
XVI. Ixodes amarali, sp. n. {Acarína, Ixodidae)
By
FLAVIO D.\ FONSECA
(ai/A 4 figures)
'''"hile «amining, in Januar}- 1935, the parasitological material of a zoolo-
^llection secured by the Instituto Butantan, we found a ne\v spedes of
to the genus Ixodes Latreille. 1795. The material was composcd of
.j. °f four Ç Ç , Uvo of which were in a pcrfect condition and kept in alcohol.
caught in Barro Alto, State of Minas Geraes, Brazil, on a wild rat
*)et undetermined species, captured by Mr. José Blaser and marked by him
^ number 04.
Description of the Ç (Figs. 1, 2, 3 and 4)
®0(fy tneasures and fonn — The largest specimen measured 5mm by 2mm
and the smallest 9 , in State of partial engorgement, was 3mm5 long
tttnC broad. Its body, verj* slender at the anterior extremity, incrcases
posterior part, with its greatest width immediately in front of
The colour of the 3 less engorged specimens was a deep yellow, and
lhe most engorged Ç , cliocolate colour.
1 fniraí side — Hair\- on the whole extension. Vul\-a at the levei of the
: genital groove diverging, visible up to the beginning of the body edges.
?roove with parallel or verj- slightly converging branches. Spiracles
with slightly anterior maailae, set backward and outward from co-
side — Dorsal shield a dceper vellow than the body and darker on
'>Ord,
and at the points where there is some thickening; in the engorged
13
1-12
Menioili^ do Instituto Butantan — Tomo IX
1 ^
ri
specimcn, however, its colour was deeper thxin that of the body. Much
tlaan wide, it tneasures lmm4 by 0mm7, showing a punctuation of median ^
regularly sprcad over the whole surface, someivhat scarcer at the median ^
rkfi
of lhe anterior portion ; there are no hairs. Scapular angles very little I
covered by the dorsal portion of coxa I. Dorsum with short, dark hairs
clearly outlined marginal, median and lateral grooves. The shield appears
narrow, Icaving a small lateral band of the tegument uncovered, and its edf**
run almost parallel before they form the posterior end, which is slightly í*'**^. [
ened. One of the characteristies of this species is that the externai edg*
the shield shows a thickening intemally limited by a crest, which begins *
anterior edges of the shield and can be followed up to the point where it enco*^ |
ers the strongly divergent branches of the cersical groove. This thicke*^
constitutes a prolongation in the shield of the high crests found on the <1^ ,
face of the capitulum. The cervical groove is deep, bordering more ele'"*^
zones in the shield and ending at the edges ^of same shield, almost at the |
where these begin to converge to form the posterior extremity.
Gnalhosoma — It measures 0mm8 at the ventral side, from the base o*
lit^
capitulum to the apex of the palps. Palps 0mm58 long with article ^ »
longer than article III. H)'postom verj' slender, ending in a sharp point
showing onlv two rows of teeth, the externai of which with larger elements
placed ver)* near the edgc. Auriculae rather prominent, so as to be quite
ble from the dorsal side. Porose areas longer than wide and bordered '
by the ele>’ations of the capitulum. The veiy- characteristic capitulum
its superior face, two lateral, eles'atcd crests, with a sharp edge, continuing
wards in the elevations described on the dorsal shield. whidi, starting ^
inwards from the posterior angles of the capitulum, run over the whole
sion and converge up to the base of the hjqxistom, where they end at the C'’®’
■.vf
nal side of the latter. Outside these two crests, on the externai edge of '
perior face of the capitulum, there appear two less pronounced elevations,
from the base of the capitulum to the base of the first article of the palps*
the center of the superior face of the capitulum, between the porose arcas.
is also sccn a linear elcvation more or less pronounced aceording
specimens.
Legs — Coxa I with the anterior edge wcll visible from the dorsal *
bcaring two spurs on the posterior edgc, the internai of which is slightly
and much slenderer tlian lhe externai one; coxa II with an externai sput
in size and width to that of the homologous one of coxa I, and with a very ■
internai spur; coxa III with an externai spur some^vhat smaller than the
logous ones of the two foremost co.xae and with a prominent internai
big cnough c.xactiy to form a spur; coxa IV with an externai spur smalle*^
14
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
F. DA Foxsecv — Xotas de acareólogia
143
^of
coxa III, which is the only one that has a sharp point, without intemal
prominent edge.
^^®*cnption based on the cotj-pes kept at the Instituto Butantan, S. Paulo,
The spedes is named alter dr. Afranio do Amaral, on account of his
1**^ in the acquisition of the aforesaid important zoological collection and of
charged us with the study of the material of ectoparasites.
(Tr^bAJbo <lâ S^c^âo dc Protoxoolofçia e Par&sitolo^a do Ins*
tituto BuUntao. recebido em nuio de 193S. Dado à pubti*
cidade em aetembro de 1935)
15
593 . 4 :
NOTAS DE ACAREOLOGIA
I
• Localização, frequência, distribuição geographica e hos-
P*dadores de Spelaeorhynchus latus Banks, 1917 (Acar/na,
Sp e/aeorhynch/da e).
POR
FLAVIO DA FONSECA
*tcratura até hoje existente é muito deficiente em dados sobre a distri-
Seographica e os hospedadores das espccies do genero Spelaeorhynchus
Este facto deve, a nosso ver, ser attribuido á pequena attenção
ã fauna de ectoparasitas dos Chiroptera neotropicos pelos parasitolo-
^ a superficialidade do exame a que são submettidos os hospedadores.
y* ^*^05 sobre a sua distribuição geographica cifram-se aos apresentados
em sua nota complementar de 1905 (1), referindo provir o seu
Pernambuco, Brasil, e aos de Banks, ao descrever Spelaeorhynchus
^nks, 1917 (2), encontrado cm Obispo, Zona do Canal. Panamá,
t referencias encontradas na literatura versam principalmente sobre
®ystcmatica destes interessantes acarianos. que Vitzthum (3) colloca
^*^**»lei (Arachnidae ainda não pertencentes á ordem Acarina) e os
incluindo-o na super-familia Ixodoidea, onde constituem os únicos
^^**ntcs da Familia Spelaeorhynchidae Oudemans, 1902.
P^r de não ter sido sua captura assignalada por pesquisador algum alem
*.» das duas espedes acima citadas, estamos convencido de que se tra-
4 r;.j. relativamcnte frequente, devendo a raridade do seu encontro ser
principalmcnte á extranha localização no ouvido externo do hospeda-
esta sempre obsersada, quer nos exemplares por nós capturados.
•»os
Que nos foram fornecidos para estudo.
primeiro exemplar que conseguimos, provinha do morcego Glossophaga
Q (Palias), que capturámos no Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil.
^ **S'indo e terceiro lotes tiveram como proveniência Angra dos Reis, Es-
de Janeiro, Brasil, tendo sido capturados a nosso pedido pelo prof.
^"^vassos, sendo o hospedador do terceiro lote o morcego Lonchoglossa
Wied.
17
146
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
l!'í'
■ '' I
o quarto lote provinha de Benjamin Constant, Estado de Minas Geraes,
tendo sido por nós colhido sobre moremos da especie Hemidcrma
Lin., capturados pelo dr. Emmanuel Dias, do Instituto Oswaldo Cruz e pof
examinados no laboratorio do prof. Lauro Travassos. Este lote apreseh
parasitado na proporção de mais de 20 % dos 18 exemplares examinados, ^
interessante notar que 30 exemplares de Molosstu obscurus Geof. capturado* **
mesma localidade e na mesma oceasião não apresentavam parasitismo por
orhynchus, estando parasitados na proporção de 95 ^ por Rhynchopsyllm
(Haller, 1880).
Todos os exemplares até hoje por nós conseguidos, em numero de oito. ^
9 9- De uma conseguimos obter, por dissecção, uma larva completamente
mada. A e.\istencia de ^ ^ não foi até hoje assignalada por pesquisado*
gum, não nos tendo sido também possivel encontral-os, apesar de os termos
curado com afinco.
Questão ainda aberta é a da unidade ou dualidade de especies do
Spclacorhynchus, que só poderá ser resohnda definitiramente pela redescflP^
ou comparação dos exemplares typicos de Xeumann e de Banks. Ewing ^
deixa transparecer a suspeita de ser Spclacorhynchus laius Banks, 1917» ^
sjTionjTno de Spclacorhynchus precursor Xeumann, 1902. As descripções ^
naes de Xeumann (5) e de Banks (2) não fornecem, porém, elementos bas*^
te convincentes para levar á synonymia a especie de Banks, dif ferindo, ao ^
trario, em pontos de importância suffidente para justificar a acceitação das ^1
especies, taes como o numero e situação das cerdas da placa cstemal, a I
de da face dorsal do corpo, a configuração da e.xtrcmidadc posterior, a
cia do cucíüus (epistoma de Xeumann) e as dimensões do escudo dorsal, da
cstemal e da placa estigmatica.
Elestas differenças, a configuração da extremidade posterior do co*!*®. M
pilosidade da face posterior não nos parecem ser contestáveis, pois não ^ .1
missivcl que os quatro exemplares de Xeumann, entre os quaes hada pelo I
uma 9 gravida, tivessem soffrido igual retracção, attribuivel ao fixado^* I
compressão, não se podendo também acreditar que tivesse passado despeí***^ |
a Banks a pilosidade curta dorsal. 1
Em nossos exemplares sempre obseixámos o aspecto assignalado por
de uma extremidade posterior mais larga e bilobada. não havendo tanibíi*^ I
losidade curta na face posterior, sendo as cerdas raras e rdatn-amente
muito SC assemelhando á descripção dc Banks, embora não perfeitamente
cidentes.
As differenças relativas ás dimensões do csaido dorsal, da placa
da placa estigmatica e á salienda do cuculus poderão, entretanto, ser discut^ I
Também não é de todo convincente a diversidade obseixada em relaÇ^^
numero e situação das cerdas da placa cstemal. Xeumann não assignala
figura, nem se refere no texto, ao par de cerdas minúsculas e muito cara'
cas que se encontra immediatamentc para trás do par de cerdas longas
is
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
9
F. DA Fonseca — Xolas de acareólogia
147
^ na
porção anterior do bordo lateral da placa. Banks, por seu lado, não de-
nem faz referenda no texto ao par encontrado no bordo anterior e ao
no bordo lateral proximo da extremidade posterior. Eini todos os nossos
***aipJares
vimos esses quatro pares de cerdas, succedendo, porém, ás vezes, es-
ora uns, ora outros, implantados um pouco para fóra do bordo da placa,
^ Ulvez explique a divergência das duas descripções.
^ algims casos differc a nossa observação da dos auctores das duas es-
E’ assim que Xeumann não refere a presença de espinhos nas coxas, ao
que Banks apenas assignala a presença desta formação na coxa I. Em
otemplares pudemos sempre reconhecer a presença de espinhos nas co-
e III, sendo o da coxa I o menor e o da coxa III o maior.
^*^cularidade não assignalada e que verificámos ser constante é a de exis-
*®gumento dorsal, em toda a volta do escudo e continuando-se immedia-
^ chitinização mais fraca do que a do escudo, porem
^■Qentcmente nitida para quasi ser confundida com o escudo dorsal, quer in
■ ‘l“«r cm material fixado ou clareado.
Tal como succedeu a Neumann, nenhum dos nossos exemplares apresentava
•'iio ^bulacros, ao passo que a lai^'a examinada tinha duas fortes garras.
porem, com Neumann, quando diz que isso talvez corra por
arrancamento, pois nossos exemplares apenas estavam seguros pelo ros
'•''clusive o exemplar vivo, cuja posição era praticamente perpendicular á
••rie de inserção, não alcançando as patas o tegumento do hospedeiro.
^ ^ Um exemplar que poude ser examinado vivo, verificámos que a transparen-
cuticula permitte reconhecer-se approximadamente a forma dos coecums, si-
lados do corpo, dotados de movimentos intensos que chegam a modi-
^ a forma c a situação, muito mais largos na extremidade posterior, onde
em alça, as>-mmetricos, tendo sido notada a presença de um diverti-
porção anterior do coecuni direito. Um pouco á direita da linha mediana
u *>3 zona mais posterior do corpo, um orgão sacciforme, pulsátil, cheio de
'^^tnclho, apresentando um prolongamento também sacciforme, porém
® tnais estreito para o lado esquerdo, para o qual passava cm parte o con-
^do orgão a cada contracção.
-mbora os exemplares que possuímos dif firam da descripção de Banks em
ás cerdas da placa estcmal e ás do dorso, bem como cm relação aos cs-
das coxas e á configuração do escudo dorsal, que apresenta a zona pos-
do bordo lateral mais côncava atrás do que na figura de Banks, preferi-
^ *^tifical-o a Spdaeorhynchus lalus Banks, 1917, até podermos fazer com-
dos nossos exemplares com o tsTK» de Banks.
tjT»
RESUMO
l^^^^orhynchus lalus Banks, 1917, foi encontrado parasitando os seguin-
’'°Ptera do Brasil; Glossophaga soricina (Palias), de S. Paulo, Estado
I»
148
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
de S. Paulo; Lonchoglossa ccaudota Wied. de Angra dos Reis, Estado ào
de Janeiro; Hcmiderma perspicillaia Lin., de Benjamin Constant, Estado de
nas Geraes.
Não foram encontrados q nem nj-mphas, tendo sido obtida por di>^
ção de 9 gravida uma larsa, que, ao contrario das ^ apresentara
ambulacros.
Não parece haver razão para pôr-se Spelaeorhynchus tatus Banks,
sjTionvTiiia de Spelaeorhynchus praccursor Neumann, 1902, antes de ser *'■
parado o material tsqx) das duas especies.
Os exemplares examinados, em numero de oito, apresentavam espinho* ^
coxas I, II e III e não só na coxa I, como refere Banks. Outra partic
notada e não assignalada pelos auctores das duas espedes é a de existir ent
de todo o escudo uma zona chitinizada muito apparente.
ABSTR.\CT
('l
Spelaeorhynchus latus Banks, 1917, was found parasiting the followu^
roptera of Brazil: Glossophaga soricina (Palias), from S. Paulo, State
Paulo ; Lonchoglossa ecaudata Wied, from Angra dos Reis, State of Rio d* -
neiro; Hermiderma perspicillata Lin., from Benjamin Constant, State of ^
Geraes.
Therc were found neither nor nj-mphs ; by dissectkm of a gra»’’^ ;
a larva was secured, which showed claws and ambulacres. contraia- to the »
lOt'
There seems to bc no reason for placing Spelaeorhynchus latus Banks, *
in the sjTionj-my of Spelaeorhynchus praecursor Neumann, 1902 before * jl
parison of the Uqies of both species is made. The eight spedmens
showed spines on coxa I, II and III and not on coxa I only, as referred J
Banks. .“Xnother particularity now noticed and not remarked by the aittb®** ^1
the two species is the prescncc of a ver>- evident chitinized zone arou®*^
whde scutum.
BIBLIOGRAPHIA
Neumann, G. — Archives de Parasilologie X:220.1905. Jl
Banks, N. — Ent. News a. Proc. oí the Enl. Sect. of the Acad. of Nat. Sc..
phia. XXVIII(S):197.t917.
yilsihum. Conde H. — 9. OrdnunK der Arachnida: Acari Milben in Handb. ^
Kückenthal, III (2—1) :18,140. 1931.
Etcing. H. — A tnanual of cxt. parasites (Bailliêre, Tindall & Cox. Londoo)
AVumann. G. — Archives de Parasitologie Vt31.1902.
rt.I^I
(Trabalho «ie S«cçIo d« Prolosoolocia e Para»iioí«*^^|yi
titalo Dataatan, rreabido em maio de 193&- Osd* ■
cidade cm «etembro de IS3S).
20
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
S9S.16:597:»S1
TRYPANOSOMAS DE PEIXES
^Í^ILEIROS. DESCRIPÇÃO DE UMA NOVA ESPECIE
POR
FLAVIO DA FONSECA
^nos de 1928 e 1929, publicámos, em collaboração com Zeferino Vaz,
notas com a descripção de novas espedes de Trj^panosomas de peixes,
^^^*^ria dos quaes não apresentámos desenhos; aproveitaremos a opportuni-
^ *Sora apparedda, para publicar a documentação graphica daquellas espe-
^‘^"'Panhada das respectivas descripções, alem da descripção de uma outra
**pccie de Trypanosotna parasita de peixe.
«studo da systematica dos Trj-panosomas jarasitas de peixes encontra-se
de atrazo que contrasta notavelmente cora o desenvolvimento já
estudo dos Tr>-panosomas de mammiferos, bastando, como
‘leste asserto, accentuar que o critério para a distineção especifica repousa
^^^^*Penas na diversidade do hospedeiro, quando c muito provável que Trj-pa-
^ . ‘1^ niesma especie. como o faz ver Wenjxjn (1), possam ter mais de
Pedador. Mais pro\avel ainda acreditamos nós ser a hjqwthese de um
V, l*®spedador apresentar-se parasitado por mais de uma espede de Trypa-
f’ foi-nos possivel, com a collaboração de Z. Vaz (2), observar ate
\ diversas de Trypanosoma cm um mesmo exemplar de hospedeiro,
^cia de polymorphismo accentuado cm Tiypahosomas de peixes cons-
**'^0 bem estabelecida e de adquisição já antiga ; quando, porem, este po-
SC apresenta em grau tão cle\-ado quanto o notado, p. ec., cm
^0 zungaroi Fonseca & Vaz, 1928, parasita do Pseudopimchdus cun-
V ^ cm que a morphologia differe, a ponto de variar o comprimento
P até 80 jt (sem o flagello livre) c a largura de 1 p 8 até 14 p 1, diver-
*‘*ta!mcntc o aspecto das formas extremas, ou ainda em Trypanosoma
rc-
^ j ‘*>seca & \'az, 1928, parasita do Plccoslomus regani R. v. Ihcring, cm
de 21 p alternam com outras de 53 p de comprimento, repugna ao
V ^ âdmittir, antes que disso se possam apresentar pro^^as convincentes, que
f um mero polymorphismo, oceorrente dentro de uma mesma especie.
* '"ista o que succede com os Trj-panosomas parasitas do ophidio Ophis
3
152
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
incrrcinii Wagler, do qual, com o nosso collega J. B. Arantes, tivemos
dade de descrever duas espedes de T rypanosoma de morphologia totalmeiií* ^
versa, Trypanosoma butantanensc Arantes & Fonseca (3) e Trypanosonf^ ^
pn-ac Arantes & Fonseca (4), o primeiro dos quaes é poh-morpho e o
monomorpho. Com estes dois Trjpanosomas oceorriam em estado de
cm exemplares differentes de ophidios, toi possivel dissociar as duas esp*^
si o aceaso, porém, determinasse o encontro das duas em um mesmo exeCf^
de hospedeiro, bastaria esta circumstancia para motivar que fosse a espeae ^
nomorpha considerada simples tjqx) da especie pohinorpha. Feita esta
e não obstante estar demonstrada a contingência do critério do hospedado*^’ ^
falta de um elemento differencial seguro obriga-nos a continuar obedeceíXÍ®
esta praxe, que se extende aliás também aos Tr>-panosomas de repteis e de
nos quaes igualmente se observa frequentemente pol)'morphismo muito
tuado.
O estudo dos Tn.qanosomas de peixes do Brasil teve inicio com os
lhos de Botelho que descreveu duas especies, Trypanosoma rhamdiae parasrt*
Rhamdia qucllcn, bagre de agua doce, e Trypanosoma macrodonis (5).
de Macrodon malabaricus, a trahira. Em 1910 Splendore descreveu o Try(^ |
soma hyposlomi (6), parasita de Plecostomus auroguttatus (Knor), red<^l
vendo Trypanosoma rhamdiae Botelho. Horta, em 1910 (7), descreveu ^^^1
nosoma chagasi Horta. 1910 e em 1911 (8), em collaboração com Astrogildu ‘ ^
chado, estudou minúcias da citologia deste parasita. Em 1928, em collal
boí*^|
com Zeferino Vaz, descrevemos Trypanosoma frandrochai (9), paras»**
Otocinclus frandrochai Ihering, c, pouco depois, (2) Trypanosoma
parasita de Pscudopimclodus sungaro (Hiunb.), Trypanosoma loricanat, P^l
sita de Lorícaria sp., T rypanosma piavae, parasita de uma espede de Cho^ ^ I
dac sp. (n. vulgar Piava), Trypanosoma ferrdrae, parasita de uma csi’í^’^1
fam. Charadnidae (n. %nilgar Solteira ou Peixe-ferreira), Trypanosoma
ticeps, parasita dc Plecostomus strígaíiceps Regan, Trypanosoma margard^i^l
parasita de Plecostomus margarítiferí Regan, Trypanosoma plecostomi,
de Plecostomus sp., Trypanosoma albopunctatum, parasita do Plecostoin*^ I
bopunctatus Regan, Trypanosoma regani, parasita de Plecostumus rega*'
ring e Trypanosoma dorbignyi, parasita de Rhinodoras dorbigny (Kroycr)- ^
1929 (10), descrevémos, ainda cm collaiwraqão com Zeferino Vaz, mais ^
guintes espedes: Trypanosoma chetostomi, parasita de Chetostomus sp-
panosoma piradeabae, parasita de Loncaria piradeabae Ihering e Trypa*^^
larai. parasita do Prochilodus sp.. _ ^
Tendo já sido publicados desenhos satisfactorios, algtuis mesmo
como os do Trypanosoma chagasi, de todas as espedes de Trjqjanosomas ^
xes brasileiros até hoje descriptas, com cxccpção dc algumas das cspeci«* ^
nós descriptas cm collaboração com Zeferino Vaz, reuniremos aqui as
ções dc todas, apenas apresentando, porém, desenhos das espedes até agof*
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
F. DA Fonseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
133
graphica, excepção feita para Trypanosotm francirochai Fonseca
e para alguns typos de outras especies. De Trypanosotna hypostomi
1910 daremos também desenhos dos U pos que cons^uimos estudar.
1. Trypanosoma rhamdiae Botelho, 1907
^ospedador: Rhamdia quellen, bagre de agua doce.
Tieté. S. Paulo.
^ ^^■'■amcnte raro, encontrado apenas duas vezes em quarenta exemplares
^ntdia quellen examinados. Muito movei, dotado de movimentos em sac-
. . ^ conservando-se vivo entre lamina e laminula por muito tempo. .As ten-
■*^de
cultura foram infrueti feras.
Dimensões em p :
Maxima
Síinima
Comprimento
48
40
Largura
1,5
_
Comprimento do blepharoplasta.
2.5
'°ioplastna — Corado pelos methodos de Romanowsky, Giemsa ou Leish-
’ *Prcsenta-se azul carregado, com vacuolos nitidos.
• *>cleo — Mais pro,ximo da e.xtrcmidade anterior, granuloso, de cor rosca
^ não tocando os bordos.
^*Pharoplasta — Sub-tcnninal, vermelho intenso.
^hrana ondulante — Muito estreita, contornando o corpo cm espiral.
^fllo Ihre — Invisivel.
^endore que observou esta especic cm Rhamdia quellen do rio Tieté. cn-
tres exemplares parasitados entre 20 examinados, apresentando as sc-
*^'nicnsões para este parasita (cm p ) :
^^primento
^'Sura
^^**tancia do bIcpharopbsU ã extrem. post
^**ancia do núcleo ao blepharoplasta
^^ello livre
blepharoplasta pequeno, envolto por halo claro.
*‘«njbrana ondulante muito estreita e pouco pregueada.
iíaxima Mtnima
2. Trypanosoma macrodonis Botelho, 1907.
Macrodon malabaricus, a trahira.
clho encontrou este Trypanosoma na proporção de 1 para 30 peixes.
Comprimento -W p
Largura 1 p
5
154
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Aspecto geral — I-ongo e estreito, com extremidades afiladas.
Protoplasma — De côr azul pallida, granuloso, ás vezes ^•acuoHzado.
Blcpharoplasta — Vermelho intenso, sub-terminal.
Membrana ondulante — Minto estreita.
Flagcllo livre — Invisivel.
3. Trypanosoma hypostomi Splexdore, 1910.
Hospcdador: Plecostomus auroguttatus (Knor).
Prov.: Rio Tieté. S. Paulo.
Encontrado por Splendore na proporção de 2 para 21 peixes exainii
sendo raro nos exemplares parasitados.
Dimensões em p, : \iaxima Minima
Comprimento 40 25
Largura 2JS 2
, f Comprimento .... 3 3
\ Largura 2 2
Distancia do núcleo á extrem. ant 12 10
Flagello livre 7 —
Aspecto geral — E.xtremidades afiladas, sendo a anterior mais longa-
Protoplasma — Q>rado em azul pelo Giemsa. finamente granuloso.
Núcleo — EUiptico, pobre em chromatina, cercado por halo mais claf*
tuado entre o terço medio e o anterior.
Bleplusropiasta — Sub-terminal, vermelho vivo, envolto por espaço c'**®
cuolar.
Membrana ondulante — Estreita, corada em rosco pallido.
Flagello Inre — Ora visivel, ora não.
Deste Trj-panosoma tivemos nós occasião de observar vários tvTX» a®
minarmos material de 3 exemplares de Plecostomus auroguttatus (Knor)'
vcnicntes do rio Mog)*-Guassú. no Estado de S. Paulo. G>mo nossos dado*
ferem cm vários pontos dos apresentados por Splendore, descreveremos ^
juncto os diversos typos por nós encontrados, cujos desenhos e micropbo**^|
phias se encontram nas Figs. 1-3 e 36-40.
Dimensões em p:
Comprimento
Largura
Núcleo / Comprimento . . . .
\ Largura
Distancia do niKteo á extrem. post.
Síaxima MtHmus
( Comprimento .... 1
Blepharopla«a |
Distancia do blcpharoplasta á extrem post
Flagello livre
50
22
4
1
4
3
4
1
30
11
1
Oi
07
0.4
1
0
20
0
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
F. D\ Fonseca — Trypanotomas de Peixes Brasileiros
155
^Pecto geral — Os exemplares por nós encontrados, ora eram longos, ora
ora pequenos, variando também a largura, sendo algims muito nitidos e
de contornos menos bem delineados.
^fotoplasma — Ora de aspecto homogeneo, ora finamente granuloso ou
***®'o com granulações volumosas, variando a côr do azul carregado ao roseo
**'^hado.
^^cleo — Geralmente elliptico, ora mais, ora menos intensamente corado.
^^Pharoplasta — Ora sub-terminal, ora terminal, elliptico, ás vezes dreun-
P®*" halo daro.
^^ftnbrana ondulante — As vezes muito nitida e, em outras, invisivd.
^ello livre — Algumas vezes longo e, em outras, inapparente.
4. Trypanosoma chagasi Horta, 1910.
^^^Pedador: Plecostomus punclatus Cuv. et Vai.
Ribeirão de Sant’Anna. Mendes. Estado do Rio de Janeiro (lo-
; Benjamin Constant (?), Juiz de Fóra (?), Estado de Minas
S. Paulo, Estado de S. Paulo (*).
niJanosomas de encontro frequente na espede de peixe que parasitam,
^^*hundantcs nos exemplares jovens do que nos adultos, sendo a infecção
**'ajs intensa no inverno do que no verão,
j» observados dois tjqws diversos, interpretados por Horta e Horta c
como dimorphismo sexual.
Typo I
Vi*
a fresco, apresentam-se os Tr>-panosomas alongados e finos, de c.x-
afiladas, com grande numero de dobras na membrana ondulante e
tij^^^^^vaddade de movimentos, apresentando ondas contracteis rapidas, per-
o corpo de uma á outra extremidade. O nudeo fica situado na zona
^ *pparece sob a forma de vesicula clara (*•). Aos rápidos movimentos
\T^são associam-se os movimentos de lateralidade também encrgicos.
apresenta-se a forma estreita mais longa de cerca de 1/3 do que a
'"^Sa, com protoplasma azul pailido, granuloso, mais alveolar, blcpharo-
h’io referindo Horta c Machado até que ponto foi levada a identificação doj
^ Vlinas e S. Paulo, não é possirel affinnar que »e trate da mesnu espede para-
^ 'trypanosoma chagasi.
a. t
Cjn outras especies de peixes por nós examinadas, o núcleo sempre se deskxava
limites amplos, de aceordo com a movimentação do parasita, apresentando-se glo-
* ftfrf
mgente.
156
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
plasta volumoso na extremidade posterior, flagello relatix^amente longo e
brana ondulante larga e muito sinuosa. O núcleo fica nas proximidades da
do 1/3 anterior com os 2/3 posteriores. O estudo do núcleo em repouso é dift^
lerar-se a ef feito, por se encontrarem os núcleos sempre em cinese. Em inioo
divisão, porém, o núcleo apresenta caiAosoma central volumoso e compacto,
chromatina mais condensada nos bordos. Xa zona do sueco nuclear ha -
cuias achromaticas. A membrana é espessa e de contornos nitidos. A di'*
do núcleo é minuciosamente descripta jwr Horta e Machado.
Deste typo, como do seguinte, não apresentaram os auctores precitado*
nhuma informação quanto ás dimensões.
Typo II
.\ fresco apresenta o mesmo aspecto de forma estreita, distinguindo-s* ^
nas pela maior largura.
Corado pelos derivados de Romanowsky, apresenta protoplasma de cof
escura do que o typo I, sem ^•acuolos, o blepharoplasta é posterior, a menU'^
ondulante é larga e mostra grande numero de dobras. Corado pelo Heide»^
apresenta-se o núcleo com massa achromatica central sobre a qual se disp^
bastonctes ou grânulos achromaticos. não havendo trabéculas achromatiO*
zona do sueco nuclear. Também desta forma é feito estudo minucioso da
.são nuclear, não tendo, entretanto, os auctores apresentado as medidas
pondentes.
5. Trypanosoma zungaroi Fonseca & Vaz, 1928.
Hospcdador: Pseudopimelodus zungaro (Humb.)
Prov.: Rio Mogy-Guassú, S. Paulo.
•Apresenta-se este Tiypanosoma com quatro typos bem diffcrcnciad-^^
Typo I
Foram medidos dois e.\emplarc5 que deram as seguintes medias cm
Comprimento (»«n ftagctlo livre) .
Media
25.5
Maxima
29
Mínima
22
Largura
325
iS
3
f Comprimento ....
2.5
3
2
l Largura
3J5
3j
3
Distancia do núcleo á extrem. post. .
11 j
14
9
f Comprimento
1
1.4
0.6
Blepharoplasta |
0.6
1.2
1
Distancia do blepharoplasta á extrem
post .
1 J5
2.5
1
S
F. DA Fonseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
157
^ ^Pecto geral — Pequenos e relativamente largos, afilando-se gradualmen-
ambas as extremidades, com a zona do núcleo mais larga do que as
^^cs.
. . ^^^ioplasma — Granuloso, corado em azul \noleta pallido pelo Giemsa c
descorado na extremidade posterior, ás vezes com grânulos vermelhos
— Pobre em chromatina. de limites pouco nitidos, tocando os bordos
^Ifpharoplasta — Relati\-amente volumoso, sub-terminal, fortemente corado
^^Iho vivo.
^^^brana ondulante — Xitida e relativamente larga.
^^ello livre — Invisivel.
Typo II (Fig. 4)
medidos dois exemplares que deram as médias ababco em p ;
Comprimento (sem flagello livre),
hargura
( Comprimento
\ Largura . .
I^istancia do núcleo á extrem. post.
Ntxleo
n, . í (Comprimento . .
BkpharopUsu | ....
Instancia do blepharopbsta á extrem. post
PTagello livre
Media
Maxima
Minima
24
24
24
1.9
2
1,8
2.1
2,2
2
1.5
2
1
11,5
12
11
OJ
OJ
OJ
0J5
1.2
07
0
0
0
20 (só foi medido em
um exemplar)
geral — Trypanosomas pequenos e finos, cujas extremidades se
^^ualmente.
p
tt,f^^^°Plastna — -Azul claro, pouco hontogeneo, (inamente granuloso, des-
*** extremidade posterior. Coloração Leishman.
-- Vermelho intenso, com limites nitidos, chromatina granulosa.
Vezes os bordos.
*P^oplasta — Terminal, ora redondo, ora alongado, vermelho snvo.
*^hrana ondulante — Invisivel.
^‘^eUo livre — Muito longo; ás vezes corado, outras não.
9
158
Memórias do Inslituto Butantan — Tomo IX
cm
Typo III (Figs. 5, 6 e 41)
Foram medidos cinco exemplares que forneceram as seguintes
Comprimento (sem fla^ello livre) .
Largura
Comprimento . . . .
Largura
Distancia do núcleo á extrem. post.
Comprimento
XtKleo
Media
Masima
Minima
452
48.5
40
3.1
4
22
3J
32
3
3.1
4
22
222
25
20
1.45
2
1
0.57
1
0.4
92
10
8
11
12
10
medio.
afilando-
se gradi
Blepharoplasta ^ Largue
Distancia do Ucpharoplasta á extrem. post.
Flagello livre
te para ambas as extremidades.
Protoplasma — Finalmente granuloso, azulado, com zonas mais claf**
temando com outras mais fortemente coradas, apresentando ás vezes
çõcs chromaticas esparsas e descorado na extremidade posterior. Col
Giemsa
Núcleo — Alongado, de limites nitidos, tocando os bordos, de
vemiellia intensa quando a chromatina não está esparsa e pouco corado
contrario.
Blepharoplasta — Sub-terminal, transversal, ás vezes badlliforme. *
mente corado.
Membrana ondulante — Larga, nitida, bem corada, fortemente
atravessando varias vezes o corpo do Tiv-panosoma.
Flagello livre — .•\’s vezes corado, porém com pequena intensidade-
Typo IV (Figs. 7. 8 c 42-14)
Foram medidos seis exemplares, donde resultaram as seguintes
cm p:
Comprímento (sem flagello livre). . . .
Largura
{ Comprimento
Largura
Distancia do blepharoplasta i extrem. post.
, f Comprimento . . .
Blepharoplasta | Largura
Distancia do núcleo á extrem. post. . . .
Media
Maxima
Minima
612
80
58
9
14
6
42
7
4
5.5
8
4
32
39
28
0.73
1
02
02
04
02
202
25
13
10
F. DA Fonseca — Trypanosomca de Peixes Brasileiros
159
^iPecto geral — Trj-panosomas extremamente grandes e largos, terminan-
ponta afilada em ambas as extremidades.
^^^^otoplasma — Cora-se com grande intensidade e homogeneidade em azul
^ P<Jo Leishman, inclusive nas extremidades; é bastante granuloso e fre-
^Qnente apresenta s-acuolos.
^ ^*cleo — De fôrma elliptica ou em faixa, de regra não tocando os bordos.
^ Protozoário, pobre em chromatina, corado em roxo pallido, de limites nitidos,
mais approximado da extremidade posterior do que nos restantes Tr>’-
de peixes; ás A'ezes é desAÕado da porção central e em outras é cir-
por halo mais claro.
^ ^Pharoplasta — Transversal, relatiyamente pequeno, com uma das dimen-
^ preponderando fortemente sobre as outras, fortemente corado em verme-
e de situação geralmente lateral.
ondulante — Ora corada, ora incolor, apparente em todos os
jjT/^res, bastante larga, atravessando o corpo do flagellado um numero vz-
^ de vezes.
^^ello livre — Relativamente curto, com pouca affinidade para os coran-
Hos
®rcmplares nos quaes é >-isivd.
6. Trypanosoma loricariae Fonseca * Vaz, 1928.
u
°*Pedador: Loricaria, sp.
Rio Mogy-Guassú. S. Paulo.
encontrados tres tj^pos facilmente distinguíveis.
Typo I (Figs. 9 e 45)
p
•j. medidos tres exemplares, que forneceram as seguintes medias
^°wprimento (setn {Ugello livre). . . .
N'ucleo í Comprimento
^hlancia do núcleo i extrem. post. • .
B«epharopU«a { ’ *
~>*tancia do blepharoplasta á extrem. post.
*^^ello Ihrre
Media
Ma.rima
Minima
20J
21
20
AJ
4
3
2.6
3
2
2J
3
2
IW
12
11
055
0,60
OJO
a55
0,60
0,50
0
0
0
12,6
14
12
^ *^*stant
geral — Trjpanosomas rclativamcntc pequenos e largos em rela-
tes t}'pos; coloração mais pallida do que a destes, afilando-se gra-
— -«vo llUUd \A\I al dilidJlU^
' para a extremidade posterior c bruscamente para a anterior.
ir
I
I
160 Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Protoplasma — Azul pallido com zonas coradas alternando com
descoradas: finamente granuloso e descorado no polo posterior.
Leishman.
Núcleo — Elliptico, ás vezes olongado no sentido transversal, não t
os bordos lateraes, de chromatina bem corada e accumulada na peripheria.
Blcpharoplasla — Terminal, redondo, intensamente corado.
Membram ondulante — Pouco visivel.
Flagcllo Urre — Curto e bem corado.
Typo II (Figs. 10 e 46)
Foram medidos tres exemplares, dos quaes se obtiveram as seguintes
dias em
Media
Maiima
Mininta
Comprimento
24,6
30
22
Largura
2.1
2j
2
( Comprimento
3J
4
3
{ Largura
25
3J
2
Distancia do núcleo á extrem. post. . .
14J
16
13
f Comprimento . . .
0,53
045
0.5
Blepharoplaau | ^ar^^^
0.53
0.6
OJ
Distancia do blepharoplasta á extrem. post.
1
1
1
Flagello Ihrre
14.6
15
14
Aspecto geral — Trj^panosomas pequenos, porem maiores do que
teriores, bem como mais finos que estes, afilando-sc gradualmente para
as e.xtremidadcs.
Protoplasma — Granuloso, azul pelo corante de Leishman um pouc®
intenso que o dos germens do tj-po precedente, com zonas mais int
coradas do que outras, apresentando as vezes granulações vermelhas, vd
dispersas, bem como raros vaculos.
Núcleo — Bem corado, as vezes com chormatina disposta na pe
tocando os bordos, redondo.
Blepharoplasta — Redondo, sub-terminal. tocando os bordos. Em
exemplares vistos (larccia terminal.
Membrana ondulante — Pouco visivel e muito estreita.
Flagello livre — Pequeno e bem corado.
Tvpo III (Figs. II e 47)
Forant medidos quatro exemplares, dos quaes se deduziram as medi»*
cm p :
iledia .1/ariiiM
Comprimento (sem flagello livre) . . . 22.7 25 21 i
Largura 17 2 l-S
t2
é
F. D.v Foxsec\ — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
161
f Comprimento
\ Largura
2.9
3
23
\J
2
13
f^staocia do núcleo á extrem. post. . . .
133
14
12
t», , f Comprimento . . .
BlepharopUsu |
032
037
0.70
0.60
0.60
0.50
Distancia do blepharoplasta á extrem. post.
030
030
0.50
Blagtlh) livre
127
14
12
7. Trypanosoina piavae Foxseca ft Vaz, 1928.
(Figs. 12 e 48)
^^^pedador: Characinidae, sp. (Piava).
Rio Mogj--Guassú. S. Paulo.
flagellado apenas foi obsen-ado um tjpo, do qual se mediram 3 exem-
’ nuc forneceram as seguintes medias em p :
^^prtmento (sem fUgello) ....
f-^rgura
''"ocieo /
\ Largura
^•tancia do imcleo á extrctn. post. . .
n, , r Comprimento . .
Bh*aropla*a { . .
f^iitancia do blepharoplasta á exlretn. pos*
Media
Maxima
Minima
43.6
44
43
23
23
2
43
5
4
23
23
2
253
26
25
0.46
0.6
03
0.46
03
03
1.66
2
13
geral — Trypanosomas delgados, afilando-se gradualmcnte para
p ''«idades. com a porção anterior mais fina do que a posterior.
— ''iolcu escuro, muito granuloso, vacuolado, com granula-
^''tiielhas c extremidade posterior descorada. Corante: Leishman.
■ — Elliptico, de regra bem corado, tocando os bordos.
^^''oplasta — S«'b-tcrminal. intensamente corado, redondo.
**nlrrana c flagello Ihre — Com attinidadc muito pequena para os co-
13
162
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
8. Trypanosoma ferrcirae Fonseca * Vaz, 1928.
Hospedador: Characinidae sp. (Solteira ou Peixe Ferreira)
Prov.: Rio Mog)’-Guas5Ú. S. PaiJo.
Apresenta-se este ílagellado com tres t>-pos nitidamente di{íerenciado#«
Typo I (Figs. 13 e 49)
Foram medidos oito exemplares, dos quaes se obtiveram as medias
tes em p :
Media Maxima Miaima
Gimprimento (sem flagello livre) . . . 58.8 62 50
Largura -t.l 53 3
{ Comprimento 4 5 3
Largura 3.8 5 3
Distancia do núcleo á extrem. posL . . . 283 36 24
f Comprimento . . . 0.47 0.60 0.40
Blepharoplasu | ^ar^^
Distancia do blepharoplasta á extrem. post. 336 430 230
Flagello livre 14 16 12
Aspecto geral — Tr\-panosomas grandes e relativamente largos, ^
tremidades se estreitam gradualmente, terminando a anterior em ponta
Protoplasma — Fortemente granuloso, corado em azul intenso pelo
man, apresentando-se corado na e.xtremidade posterior. ^
Núcleo — De limites nitidos, de regra tocando os bordos, as vezes
cm halo claro, gcralmente pailido, podendo, porém, apresentar-se rico d®
matina finamente granulosa. x
Blepharoplasta — Sub-terminal, relati\-amenie pequeno, de situação k
mente lateral c intensamente corado cm vermelho. ^
Membrana ondulante — Muito estreita, visivcl em toda a sua
atravessando por varias vezes o corpo do protozoário.
Flagello livre — Corado e relativamentc pequeno.
Typo II (Figs. 14 e 50)
As medidas tomadas em dois c.xcmplarcs, fomeceram-nos as medtas
xo cm p :
Comprimento (sem flagello livre)
Largura
Í Comprimento . . .
Urgura ....
Distancia do núcleo á extrem. post
r Comprimento
Blepharoplasta | Largura . .
Distancia do blepharoplasta á extrem. post.
Flagello livre
Media
Mttsima
Minima
44.5
47
42
Z6
3
22
3
3
3
26
3
22
27
28
26
1.15
13
03
075
030
030
5
6
4
8
8
8
14
F. DA Foxseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
163
•^tpeclo geral — Trj^panosonias de tanianho medio e relativamente largos,
gradualmente para ambas as extremiddaes, que são descoradas.
^^'otoplasina — Violeta claro, pelo corante de Leishman, finamente granu-
, *cleo — .Arredondado, de limites nitidos, bastante corado, tocando os
latcraes do protozoário ; chromatina granulosa e regularmente distribuída.
^^pharoplasla — Sub-terminal, transversalmente disposto e corado intensa-
em vermelho.
^^nnbrana ondulante — Bem corada, estreita, visivel em toda a extensão.
^^ello Ihre — Kclativamente curto e bem corado.
Typo III (Figs. 15 e 51)
dimensões dos tres exemplares medidos, deram as seguintes medias
li:
iíedia
J/oximo
Mínima
Comprimemo (s«n flagello livre) ....
30.15
31.50
29
2J
3
2
V. . f Oxnprimenlo
3S
4
3
2J
3
2
Histaocia do iracleo á extrem- post. .
17J
18
17
Bícpharoplasu |
OJ
0.6
07
07
07
Oi
Bistancia do blepharoplasta á extrem. post
5
4
9
10
8
^*Peclo geral — Trtpanosoma relativamcnte pequeno e estreito, cujo cor-
Alila gradati>'amentc para as extremidades, das c]uaes a anterior é mais fina.
^^'^°ioplasma — Azul claro, íinamente granuloso, com zonas claras alter-
outras melhor coradas; extremidade posterior descorada. Corante:
Y
— Redondo, tocando os bordos do ti^-panosoma. com limites niti-
^fomatina granulosa e bem corada.
^^Pfiaroflasta — Sub-terminal, arredondado, intensamente corado.
^*nbrana ondulante — Bem perceptível e rclathamcntc larga.
^fllo livre — Rclati\amentc curto e bem corado.
9. Trypanosoma strigaticeps Fonseca * Vaz, 1928.
^*Pcdador: Plecostomus strigaticeps Rcgan. •
Rio M(^--Guassú, S. Paulo.
*^T’*nosomas apresentando dois tj^ws de caracteres constantes.
15
164
Memórias do Instituto Butantan — Tomo JX
Typo I (Fig. 52)
Foram tomadas as medidas de seis exemplares, que deram as seguinte*
dias em p;
Media
Maxima
3/íníirW
Comprimento
(sem flagello livre). . . .
21,9
23
21
Largura . .
3.15
4
2,50
Kucleo
Comprimento
Z5
3
2
Largura
Zl
22
2
Distancia do
núcleo á extrem. post. . .
IZS
14
12
í Comprimento. . . .
0.55
aóo
OiO
BlcpharoptasU | Largara
055
a6o
OiO
Distancia do blepharoplasta á^extrem. post.
0
0
0
Flagello livre
12
12
12
Aspecto geral —
- Trj-panosomas pequenos
e de largura maior do que
typo seguinte; extremidade posterior afilando-se gradualmente e a anterior
\’ioleta pelo May-Grünwald-Giemsa, finamente gran’
camente.
Protoplasma — > — ^
com zonas claras, alternando com outras mais intensamente coradas; zon*
nha ao blepliaroplasta descorada. .
NucU ‘0 — De contorno elliptico ou circular, menos largo do que o * •
nosoma. chromatina abundante e de aspecto \ariavel.
Blepharoplasta — Terminal, e geralmente redondo. ^
Membrana ondulante — Pouco corada, estreita, cortando por varia* '
o corpo do Tiypanosoma.
Flagello Ikre — Bem visivel em todos os exemplares.
Typo II (Fig. 53)
Foram tomadas medidas de seis exemplares, sobre as quaes se ca
seguintes medias em p :
Media Maxima Minima
Comprimento (sem flagello livre). .
23j
25
22
Largura
2
2
2
r Comprimento ....
2A
3
2
Núcleo 1 La^„„
2
2
2
Distancia do núcleo á extrem. post. .
15
16
14
1 Comprimento. .
0.59
0.60
0,50
Blepharoplasta | ^a^^^
0.52
0.60
0,45
Distancia do blepharoplasta á extrem.
post.
0
0
0
Flagello livre
12
12
12
Ictií^
Aspecto geral — Trj-panosomas mais finos do que os do typo p
afilando-se gradualmente para a c.\trcmidade posterior e bruscamente
anterior, apresentando a zona do núcleo mais estreita do que o resto ^
16
F. DA Fonseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
165
^^otoplasma — Finamente granuloso, de coloração azul pallida e regular,
1 ,^
'^«nha do blepharoplasta corada. Corante: May-Gruenwald-Giemsa.
^ueleo — De regra mais ou menos elliptico, constituido geralmente por um
^>o«nogeneo de chromatina corada em vermelho; toca os bordos do Td'-
«osoma.
^ ^^*Pharoplasta — Ligeiramente elliptico, terminal, corado de vermelho
^^fmbrana ondulante — Pouco visivel e estreita.
^^ello livre — Bem corado.
10. Trypanosoma margaritiferi Fonseca 4 \ .\Z, 1928.
^^ospedador: Plecostomus ntargariíifcr Regan.
Rio Mog}’-Guassú, S. Paulo.
X
Trj'panosoma é possivel distinguirem-sc tres tj^pos muito caracte-
Typo I (Figs. 16 e 54)
^^®tam tomadas as dimensões de seis e.xemplares, que deram as seguintes
p:
CcunpriiiKTito (s«n flagello livre). . .
^rgura
f Comprimento
\ Largura
^itancia do núcleo á extrem. post. . .
r,, , r Comprimento. . .
Blepharoplasta | ....
Distancia do blepharoplasta á extrem. post
Bligello livre
Media
25
2J0S
2.75
2.1
13,8
0.46
0J6
0,17
13,2
Maxima
28
2.2
3.50
3
16
0.60
0.40
02
18
Mínima
22.5
2
2.50
lÃ
12
0,40
OJO
0,15
10
geral — T^Tanosomas pequenos e finos, estreitando-se gradual-
pata a e.\tremidade posterior e bruscamente para a anterior, terminando
^ ^ ponta fina.
\^^*°Plasma — .\zul-violeta intenso pck) corante de Lcishman, regular-
®®*ado, cxcepto na extremidade posterior, onde c descorado; c finamen-
*^oso.
**fleo . — Mais ou menos elliptico, toca os bordos do tDPanosoma e apre-
^toinatina sob a forma de grânulos de coloração pouco intensa.
6li
il,
*f^roplasta — Sub-terminal, elliptico, intensamente corado.
^/**^s’ana ondulante — Relativamente larga e visivd em toda a c.xtcnsão
‘^ello livre — Bem corado e de dimensões muito variaveis.
17
166
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Typo II
Deste typo foram tomadas as dimensões em tres exemplares, cujas
figuram abaixo em p :
Media Maxtma MiiUma
Compriincnto (sem flagello livre) .
Largura
{ Cxnprimento . . .
Largura ....
Distancia do núcleo á extrem. posL
^ (Comprimento.
Blepharoplasta
31
32
30
2J
3
ZZ
3.17
3j0
3
2L66
3
\zo
17.3
22
14
■a-tó
0.50
a40
0J6
0.40
0.30
0.8
l.l
OJ
18
(só poude ser
medido
cm tim
exetn-
piar)
Largura
Distancia do blepharoplasta á extrem. post.
Flagello IK-re
Aspecto geral — Trypanosomas de dimensões medias, mais largos c
res do que os do typo precedente, estreitando-se bruscamente para a extrefl^
de anterior e aos poucos para a posterior, terminando ambas em ponta afJ^^*^
Protoplasma — Granuloso, regularmente corado em \'ioleta pelo Lei*®**^
descorado na extremidade posterior.
Núcleo — Elliptico, tocando os bordos latcraes do Trypanosoma, ap'
tando abundante chromatina finamente granulosa. i
Blepharoplasta — Sub-tcrminal elliptico, intensamente corado e situ*^
distancia muito variavcl da extremidade posterior.
Membrana ondulante — Perccptivcl, porém, não corada. ^
Flagello Ikre — Só foi visto completo em um e.xemplar, sendo senipt*
corado.
Typo III
[>rí^
Foram medidos quatro exemplares, cujas medias são as seguintes eio p
Media Masima Minima
Comprimento (sem flagello livre) .
Largura
{ (Comprimento . . .
Urgura ....
Distancia do núcleo á extrem. post.
, f (Comprimento.
BIcpharopbsta (
Distancia do blepharoplasta á extrem. post.
Flagello livre
Aspecto geral — Exemplares longos e
para amiias as extremidades.
finos, estreitando-se grad"
18
F. DA Fonsec.\ — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
167
^ ^^otoplasma — Mais granuloso que o dos t>-pos precedentes, corado cm
^leta carregado pelo Leishman, ás vezes com zonas claras longitudinaes e
***^®*'’dade posterior descorada.
— .-Mongado, tocando ou não os bordos lateraes com diromatina fi-
granulosa e de coloração vermelha.
^^Pharoplasta — Sub-terminal, elliptico, intensamente corado.
^fembrana ondulante — A’s vezes bem %dsivel e larga.
^^ello livre — Nitido.
11. Trypanosoma plecostomi Fonseca 4 \'’az, 1928.
^ospedador: Plecosiomus sp.
Rio Mog}'-Guassú. S. Paulo.
^ ^TTttnosoma que se apresenta sob quatro tj-pos de caracteres nitidamente
•'^'adados.
Typo I (Figs. 17 e 55)
typo foram tomadas dimensões de dnco exemplares, calculando-se as
medias cm p:
Comprimento (sem flagello livre) .
^'*rgnra
I" Gxnprimento.
ííudeo
Largura
Estancia do núcleo á extrein. post . . .
t,, ( G»tnprnnenio. . . .
BlepharopU5tt | ^a^^^
^'ítancia do blepharoplasta á extran. post.
^gello livre
iíedia
iíaxima
iíinima
21.5
22j
20
2J
2.5
2
2S
3
2.5
2.06
Z5
2
12
IZS
11.5
0.55
0450
0.40
0.46
a50
0.40
0
0
0
14
15
12
ntc largos, com protoplasma
geral — Trypanosomas relativamentc largos, com
^ 'Icnso e mais homogêneo do que o das fôrmas seguintes:
X^^^°Ptastna — Finamcntc granuloso, de coloração violeta pelo corante de
^■'^nwald-Giemsa c arroxeado pelo de Leishman, com zonas de coloração
alternando com outras mais claras e extremidade posterior des-
.V
vizinhanças do blepharoplasta.
— Dc regra attinge os bordos do Trypanosoma, havendo, porém,
geralmente elliptico c de coloração pouco intensa.
‘^P^roplasla — Sempre terminal e arredondado, corado em vermelho in-
ife
^^rana ondulante
De regra perceptivcl, estreita, ás vezes sinuosa.
^ t o corpo do protozoário, e cm outras acompanhando sempre o mes-
9rllo Ihre — Bem corado.
19
168
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Typo II (Figs. 18 + 18 e 56)
Foram medidos seis exemplares, que nos deram as seguintes medias em
Media Maxima Mínima
Comprimento (sem flagcllo livre) ....
Largura
Comprimento
N-ucleo {
Distancia do núcleo ã extrem. post. . . .
{ Comprimento. . . .
Largura
Distancia do blepharoplasta á extrem. post.
Flagello livre
Aspecto geral — Tr>-panosomas relativamente finos, com largura maio^ ^
porção anterior, decrescendo aos poucos na posterior, não sendo, porém, *
ferença tão accentuada como no typo precedente.
Protoplasma — Coloração azul-violeta mais carregada que a do tvTJO
cedente; finamente granuloso.
Núcleo — Mais ou menos elliptico, de aspecto variavel, granuloso, verm*^
Blepharoplasta — Terminal, excepto em lun exemplar, no qual estava
da extremidade posterior; fôrma arredondada.
Membrana ondulante Pouco nitida, estreita, não tomando ás 'CiC*
corante.
Flagello Inre — Xitido e relativamente longo.
Typo III (Figs. 19 e 57)
23
25
22
2
2
2
2
3,5
—
1.9
2
13
14.7
15
123
0j3
0.60
OiO
0.41
0,4
04
0
0
0
14.2
15
12
tes em
am medidos tres exemplares, dos quaes
se obtiveram as
medias
Comprimento (sem flagello livre). .
Media
33
Maximú
35
Minima
30
Largura
2.7
32
2.5
r Comprímento ....
2.6
3
23
{ Urgura
22
23
13
Distancia do núcleo á extrem. post. .
19
22
173
. f Comprimento. .
0,63
OJO
030
llIepharopUsU |
0.53
0.70
0.40
Distancia do blepharoplasta á extrem.
post.
0
0
0
Flagello livre
—
16
—
Aspecto geral — Relativamente longos e largos, com o terço posterior ^
largo do que o anterior; a porção posterior estreita-se aos poucos terminando
ponta romba, ao passo que a posterior se afila bruscamente. ^
Protoplasma — Azul violeta pelo corante de May-Grünwald-Giemsa r
20
F. DA Fonseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
169
*^***‘^ pelo de Leishman, granuloso, apresentando ás vezes zonas mais inten
coradas; extremidade posterior descorada.
‘^•leleo — .■\rredondado, vermelho, de aspecto e dimensões variaveis.
^^Pharoplasta — Terminal, mais ou menos eiliptico, vermelho intenso.
^ffnibraiia ondulante — Pouco visivel.
^^gcUo Ihre — Bem visivel n’imi exemplar e in\’isivel nos restantes.
Typo IV (Figs. 20 e 58)
dimensões tomadas em dois exemplares, forneceram as seguintes mé-
em ti:
Comprimento (sem ila^Uo Kvre). . .
I^reura
Vucleo f Comprimento
\ Largura
Distancia do núcleo á extrem. post. . .
Dl . . f Comprimento. . .
Blepharoplasu ( ^a^^^ .
Distancia do blepharoplasta á extrem. post.
l^agello livre
Media
Maxima
Mínima
36
38
34
1.9
2
1.8
4
4
4
1.9
2
13
19
20
18
0.65
OJO
030
0.4S
0.50
0.40
0
0
10
18
(só foi medido em
I exemplar)
geral — Trvpanosomas relatiramente longos e finos, estreitando-se
j ^®*ltnentc para as extremidades, com a por«;ão anterior bem mais larga do que
**^ceior ; menos granulosos que os precedentes.
p
^otoplasma — .-^zul-violeta, granuloso, com pequenas zonas circidares des-
^ s<^clhança de vacuolos, e com a porção vizinha ao blepharoplasto des-
Coloração: Leishman e May-Grünwald-Giemsa.
jvW/ro — Elliptico, attingindo os bordos do Trvpanosoma, corado cm ver-
Pallido.
^^fpharoplasta — Arredondado, pequeno, vermelho intenso.
^^ftnbrana ondulante — Estreita e pouco corada.
^^gcllo Ihre — Perceptivcl num só exemplar.
12. Trypanosoma albopunctatum Fonseca * Vaz, 1928.
^^°tPedador: Plecostomus albopunctatos Regan.
Rio Mog)’-Guassú, S. Paulo
k:
* ®ste Trv-panosoma poderam ser distinguidos quatro t)-pos bem individua-
21
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
170
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Typo I (Figs. 21 e 59)
Deste t)-po foram medidos quatro exemplares, dos quaes se obtivcia* *
medias abaixo em p. :
Compriraento (sem flagello livre) .
Largura
Í Comprimento . . .
Largura ....
Distancia do núcleo á extrem. post.
Comprimento.
BIcpharoplasta
{
Largura
Distancia do blepharoplasta á extrem.
Flagello livre
posL
Media
Majrima
Minima
2i2
26
23
3, OS
4
2.5
3.7
4.5
2.5
2.8
4
2.5
14,7
16
14
0.6S
1
OjO
OJO
O.SO
OjO
0
0
0
14
16
12
Aspecto geral — Exemplares um pouco menores e muito mais largos do ^
os s^uintes; a porção posterior afila-se bruscamente.
Protoplasma — Mais granuloso do que é regra em formas pequeu*^
coloração azul clara, ás vezes um pouco mais carregada, homogenea, desí*)*^
ao nivel do blepharoplasta.
Xucleo — Apresenta-se sob a fórma de volumosas granulações in****^
mente coradas, sem limites nítidos.
Blepharoplasta — Terminal, de regra elliptico, podendo a largura ser ^
do que o comprimento.
Membrana ondulante — Pouco corada e estreita.
Flagello Ihre — (loravel.
Typo II (Figs. 22 e 60)
De sete exemplares medidos, conseguiram-se as seguintes medias ein J*:
Comprimento (sem flagello livre). . . .
Media
24.5
Maxima
26
23
Largura
2
2
2
f Comprimento
27
4
2
{ Largura
2
2
2
Distancia do núcleo á extrem. post. . . .
15.8
16
15
f Comprimento. . . .
0i6
0.8
OiO
Blepharopbsu | Urgura
0.51
0.80
0.40
Distancia do blepharoplasta á extrem. ;>ost.
0
0
0
Flagello thrre
16.5
18
14
Aspecto geral — Trv-panosomas pequenos e relativamente finos, r»*
do-sc gradualmente para a extremidade posterior e bruscamente para a afl*'
Protoplasma — Azul-violeta, mais ou menos homogeneo, descorado
do blepharoplasta e finamente granuloso.
22
F. DA Fokseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
171
•W/ío — Geralmente elliptico, tocando os bordos, com diromatina granu-
' corada em vermelho.
^^*Pharoplasta — Terminal, geralmente alongado, vermelho intenso.
^^ftHòrana ondulante — Pouco nitida e estreita.
^^ello livre — Com pequena affinidade para os corantes.
Typo III (Figs. 23 e 61)
I V
I oram medidos quatro exemplares, calculando-se as seguintes medias
" 1 »:
Comprimento (sem flagelto Kvre) ....
Largura . .
.. r Comprimento
1 Urgura
I^htancia do nocleo á extrem. post. . . .
: : :
Distancia do blepharopiasta á extrem. posL
^Líello livre 18J
f geral — Trypanosomas longos, finos, estreitando-se gradualmcn-
a extremidade posterior e bruscamente para a anterior.
I — Intensamcnte corado cm azul, homogeneo, finamente, gra-
^^eiramente descorado nas vizinhanças do blepharopiasta.
— Elliptico, limites nitidos, chromatina finamente granulosa, fo.te-
^rada; tocando os bordos lateraes do Tiypanosoma.
^Pr^oplasta — Terminal, circular, rclativamentc pequeno.
*^rana ondulante — Muito estreita, pouco visivel.
'^fllo Inre — Pouco corado.
Media
Maxima
Minima
38.5
41
37
2.7
3
Z5
3.2
4
3
Z3
3
2
23.7
27
22
0.57
OiO
OiO
0i7
OiO
OiO
0
0
0
18J
20
15
Typo IV (Figs. 24 e 62)
IW
t>’po apenas foi medido um e.xcmplar que apresenta>*a as seguintes
I eni p.
Media
Comprimento 3 &
Largura 1.S
í Largura li
. uc eo -j Comprimento 4
Distancia do nudeo á extrem. post. . . 28
, r Comprimento ... 0,6
. Blepharopiasta | 0 ^
Distancia do blepharopiasta i extrem. post 0
geral — ELxemplar longo e e.xtrcmamcntc fino, afilando-se gra-
* para ambas as extremidades.
23
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
172
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Protoplasma — Granuloso, homogeneamente corado em violeta, excepw ^
extremidade posterior onde é descorada.
Núcleo — Alongado, de limites nitidos, constituido por massa de chrt*^
tina situada no terço anterior do corpo.
Blcpharoplasta — Terminal, arredondado, intensamente corado em vci
Membrana ondulante e flagello Ihre — Invisiveis.
13. Trypanosoma regani Foxsec.\ 4 Vaz, 1928.
Hospedador: Plecostomus regani R. von Ihering.
Prov.: Rio Mog^•-Guassú, S. Paulo.
Este Ti^-panosoma se apresenta sob 8 diversos tj^põs, nitidamente d***
ciáveis :
Typo I (Figs. 25 c 63)
Medidas etíectuadas em 5 exemplares íomeceram as segm’ntcs
Media
Maxima
Mínima
Comprimento (sem flagello Kvre) . .
23j
26j
21
Largura
3
4
Z2
f Comprimento
2.14
2.50
2
Xudeo 1 La^g„^
1.9
2j
u
Distancia do núcleo á extrem. post. . . .
13.2
18
14
f Comprimento. . . .
0J9
0.40
0,30
Blepharoplasta | ^a^^^
0J9
0.40
OJO
Distaincia do blepharopbsta á extrem. post.
0
0
0
Flagello livre
15.4
18
12
Blcpharoplasta — Terminal, de regra redondo, intensamente corado*
Membrana ondulante — Pouco visivel, atravessando o corpo.
Flagello livre — Tem periucna affinidade para os corantes.
21
F. DA Fonseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
173
Typo II (Figs. 26 e 64)
Poram medidos 6 exemplares, que deram as seguintes medias em p :
Media
Maxima
Minima
Comprimento (sem flagello livre) . . .
23.1
26
22
Largura
1.9
2
1,7
.. f Comprimento
Núcleo ■{ ,
l. Largura
3
4
22
1.9
2
1.7
I^istancia do núcleo á extrem. post. . .
13 1
16
12
_ ( Comprimento. . . .
Blepharoplasu | La,g„„
0.48
0.43
0.60
aoo
OJO
030
Distancia do blepharoplasta á extrem. posi.
0
0
0
Plagello livre
12_>
13
12
geral — Elxcmplares pequenos, finos, estreitando-se gradualmente
â wl
^ «tremidade posterior e bruscamente para a anterior.
Q^^^^oplasma — Corado em azul snoleta carreado pelo corante de May-
. ^**ald-Giemsa, apresentando algiunas zonas claras, inclusÍA'e na extreniida-
J^erior.
* “^^^0 — Elliptico, de coloração pouco intensa, tocando os bordos lateraes.
^^Pharoplasta — Relativamcntc volumoso, circular, terminal, bem corado.
*^brana ondulante — Invisível.
^ello livre — Perceptível.
Tvpo III (Figs. 27 e 65)
medidas de 3 exemplares, calcularam-se as seguintes medias em p:
^®«nprin>«i:o ^stm fUgello livre) . .
^fgura
•Vudeo í
\ Largura
^^**tancia do núcleo á extrem. po»t. . .
; ;
^tancia do blcpharoplasta á extrem. po$t
*^^^Uo livre
Media Maxima Minima
25
25
25
2
2
2
2J
3
2
1.8
2
1.5
15J
16
15
a48
0.60
OJS
0.41
OJO
0J5
0 0 0
14 (%ò foi medido cm
um exemplar)
4spf
geral — Flagellados i)equenos. afilando-se gradualmcnte para a
^ ‘^e posterior e bruscamente para a anterior.
^^oplasma — .Azul-violeta claro quando corado pelo May-Grünwald-
^'namente granuloso e descorado na zona do blepharoplasto.
~~ coloração ora intensa, ora pallida. ás vezes envolto em um
Çeralmente tocando os bordos.
25
I
174
Memórias do Instituto Butantan
Tomo íX
Blcpharoplasta — Terminal, intensamente corado, ligeiramente ellipõ®’
Membrana ondulante — Com trajecto perceptivel, embora não corada-
FlagcUo Ihrc — Corado.
Typo IV (Figs. 28 e 66)
Foram medidos 6 e.xemplares, que deram as seguintes medias em }i:
Media
Maxima Minlnia
Comprimento (.sem flagello livre) .
. . 46.1
53
40
Largura
5
2
( Comprimento. . . .
. . 4.63
5
3.8
Núcleo I
. . 3.11
5
1.8
Distancia do núcleo á extrem. post .
. . 23J
28
20
í Comprimento.
. . 1.03
1.2
(X8
Blepharoplasu | Largura . . .
. . 0.86
1.40
060
Distancia do blepharoplasu á extrem
post 0
0
0
Flagello livre
. . 16.6
18
16
Aspecto geral — E.xemplares longos
e largos, afilando-se
gradt
[ualt*^
para a extremidade posterior, que termina em ponta romba, e bruscameirt* 1
a anterior, que é fina. ^
Protoplasma — De cõr azul-violeta corado pelo corante de May-Gf*®*^
Giemsa, apresenta zonas claras inclusive a do blepharoplasto.
Núcleo — Elliptico, tocando ou não os bordos, de limites nitidos, cn
tina granulosa e corada com pequena intensidade.
Blepharoplasta — Terminal e transs-ersalmente alongado. ^
Membrana ondulante — \'isivel. cortando por varias vezes o corpo do '
panosoma.
Flagello livre — Visivel em alguns exemplares.
chtí<
Typo V (Figs. 29 e 67)
Dos 4 exemjJares medidos obtiveram-sc as medias seguintes em p:
Gnuprimento (.setn fUgello livre)
Largura
í Comprimento. . .
Núcleo I Urgura ....
Distancia do núcleo á extrem. po»t
^ Comprimento.
Blepharoplasu
#
Largura
Distancia do blepharopiavta ã extrem. post.
FlagcUo livre
Aspecto geral — Exemplares longos e relativamcnte íinos de contot*^
guiar, afilando-se gradualmente para as extremidades.
26
F. DA Fonseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
175
^fotoplasma — Finamente granuloso, corado cm azul-noleta pelo May-
**®**íd-Giemsa, com extensas zonas mais claras ; extremidade posterior
— Alongado, de limites pouco nitidos, tocando os bordos, com cJiro-
^wamente granulosa e coloração pouco intensa.
^^^^J^PharopIasta — Terminal, trans^-ersalmentc alongado e inicnsamente
^fnnbrana ondulante — Estreita, nitida, \nsivel em toda a extensão.
^logello Ikre — Com pequena aífinidade para os corantes.
Typo VI (Figs. 30 e 68)
^ooiadas as dimensões de dois exemplares, obtiveram-se as seguintes me-
‘ím ^ .
^«nprinietito (.sem fbgelio livre)
birgura
'iacleo { Comprimento.
\ Largura ....
Oistancia do nudeo á extrem. post.
. { Comprimento,
lepharopbsu | . .
^^btaacia do blepharoplasta á extrem. post.
^Wello livre. — Invisível.
», ^^Pteto geral — Mais longo que os precedentes e com a porção posterior
mais estreita do que a anterior, afilando-se esta brxiscamentc.
r^^^ioplasfffd — coloração azul-riolcta pelo corante de May-Grünwald-
y * ^pccto mais ou menos homogêneo.
* '•rieo — _ Compacto, de coloração arroxeada, elliptico e tocando os bordos.
^P^roplasta — Elliptico, terminal e bem corado.
^f>rana ondulante e flagello adherente c Ihre — Xão corados.
Media
Maxima
Miuima
38,5
39
38
2.1
22
2
3i
4
3
Z1
22
2
21 25
2230
20
0,65
OJO
a60
OJS
035
035
0
0
0
Typo VII (Figs. 31 c 69)
« ^Peitas foi encontrado um e.xemplar, que apresentava as seguintes dimen-
|t:
Media
Comprimento 40
Largura 3
{ Comprimento 5
Largura 3
Distancia do núcleo á extrem. post. . . 21
{ Comprimento .... 0.6
Largura 0,6
Distancia do blepharoplasta á extrem. post. C
27
17C
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Aspecto geral — Trj-panosoma grande e largo, afilando-se bruscaB>*^j
para as extremidades.
Protoplasma — Intensamente corado em azul-violeta, salvo na extrciiD®
anterior e na posterior que eram descoradas; aspecto do protoplasma exc^j
mente granuloso. Corante: May-Grümvald-Giemsa.
Núcleo — Pallido, de limites nitidos, tocando os bordos.
Blepharoplasta — Redondo, terminal e intensamente corado.
Membrana ondulante — Não corada.
Flagello lizTe — Pouco nitido.
Tvpo VIII (Figs. 32 e 70)
Apenas foi visto um exemplar deste t)-po, que aliás é muito scin^*^|
ao anterior. Suas dimensões são as seguintes em p:
Media
Comprimento (sem {bgello tivre) ... 30
Largura 2.3
{ Comprimento 3
Largura 23
Distancia do núcleo á cxU'cm. post. . . 16
, f Comprimento. ... 0.4
Blepharoplasta |
Distancia do blepharoplasta á extrem. post. 1.3
Flagello livre 18
Aspecto geral — .\fila-se gradualmente para a extremidade
bruscamente para a anterior; a porção do corpo posterior ao núcleo é n****
treitada do que a anterior.
Protoplasma — Muito granuloso na porção anterior, a mais descora<í*j^|
menos na posterior, que apresenta côr azul-^noleta mais carregada pc*®
Grünwald-Giemsa.
Núcleo — Pallido, cm faixa, mais proximo da extremidade anteriof-
Blepharoplasta — Sul)-terminal e alongado transversalmcnte.
Membraiui ondulante — Invisivel.
Flagello Ihrc — Longo e pouco corado.
14. Trypanosoma dorbignyi Fonseca * Vaz, 1928.
Hospedador: Rhinodoras dorbigny (Kroycr)
Prov.: Rio Mogj-Guassú. S. Paulo.
Este flagellado apresenta dimorphismo. sendo os dois t>'pos bctn
risticos.
2S
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
F. DA Fonseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
177
Typo I (Figs. 33 e 71)
rorain medidos dois exemplares, que forneceram as seguintes medias
H :
Media Maxima Minima
Comprimento (sem flagello livre) . . .
1-argura
V. . r (Zomprimento
Nudeo i j
I Largura
f^Atancia do núcleo á extrem. post . . .
o, , f (Zomprimento. . . .
Blepharoplasta | La^^,
Distancia do blepharoplasta á extrem. post.
Blagello livre
^ ^Pecto geral — Trj-panosomas largos relativamcnte aos do tAqx) seguinte,
^femidade anterior se afila bruscamente.
p
^ *otopias,na — Corado em azul claro pelo May Grünwald-Gicmsa, for-
granuloso, vacuolado, apresentando as vezes granulaqões vermelhas.
— O vala r pobre em chromatina granulosa, corando-se em A-ermelho
arroxeado, com limites nitidos.
■^^^Pharoplasta — Sub-terminal, alongado no sentido longitudinal, intensa-
''"ado em vermelho, não tocando os bordos.
^ *^brana ondulante Pouco nitida. enuando varias vezes o corpo do
principalmente entre o núcleo e o blepharoplasto.
Ihre — Raras vezes perceptível e curto.
44
48
35
3.15
33
3
33
4
33
3,15
33
3
225
30
17
0,65
a70
Oj60
a45
0.50
0.4C
23
4
13
12 (só pode ser
medi-
do
em 1 exemplar)
Typo II (Figs. 34 e 72)
t)-po apenas foram vistos dois c-xemplares, que medidos deram as
niedias em p :
Comprimento ^2 44 40
Cargura 2,4 2.5 2J
U, í Comprimento. . . • 0,65 OJO 0.60
“•epharopUsU | Largura 030 0.50 030
Distancia do blepharoplasta á extrem post. 3.4 33 3
í/fra/ Trvpanosomas muito finos, prindpalmente na porqão pos-
^ ^ Wepharoplasta. diminuindo gradualnicntc de largura á medida que sc
dos polos.
arroxeado, com zonas mais intensamente coradas,
porem muito menos que os do tvpo precedente. Corante: May-
^-Giemsa.
29
178
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Núcleo — Não era perceptível nos exemplares encontrados, não tendo ^
possível, portanto, conhecer-lhe as dimensões.
Blepharoplasta — Sub-terminal e alongado no sentido longitudinal.
Membrana ondulante e flagello Ikre — Xão se deixaram corar nos
piares obsers^ados.
16. Tr>'panosoma chetostomi Fü.vseca a \'az, 1929.
llospedador: Chetoslomus sp.
Prov.: Rio Piracicaba, S. Paulo.
Foram vistos dois tjpos facilmente identificáveis, differindo pn
te pela largura.
30
F. DA Fonseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
179
Typo I
p
medidos 4 exemplares que forneceram as seguintes medias em p:
Cotapriniento (s«n flagello livre) .
Lirgura
V. . I Comprimento ....
I
Distancia do núcleo á cxtrem. post.
BlcphuopUsU { ■
l Largura . . .
Distancia do blepharoplasta á extrem. post.
geral — Trj-panosomas que se afilam bruscamente proximo á ex-
^ ^j^^^^^terior e gradualmente na posterior, terminando geralmente em pon-
p
^ ^'*^oplasma — Protoplasma granuloso, descorado em certos pontos, indu-
^ blepharoplasto, parecendo ás vezes apresentar vacuolos; corado
Media
Masima
Minima
29.6
35
27
225
25
2
3.1
32
3
22
22
22
162
18
14
a7
1
02
02
02
a4
15
17
14
**'**'Violcta pelo Leishmann.
•Va
m-
^ ^leo . — Descorado, roxo pallido. tocando os bordos, de limites pouco
^>«1
ondulante — Visivel cm todos os exemplares, tomando bem os
^*llo Ihre — Visivel, tomando, porem, mal os corantes.
^Plforoplasla — .Alongado, ora no sentido longitudinal, ora no transversal :
-mal nitido em alguns c duvidoso cm outros e.xemplares. Girado em
vivo.
Typo II
typo apenas foi possível encontrar um exemplar cujas dimensões são
em u :
Media
Comprimento
sem Hattoilo livre . . .
302
Larirura. .
4
Núcleo
Comprimento
32
Largura
32
Distancia do
núcleo & extrem post. . .
15
Blepharoplasta
f Comprimento . . .
02
\ Largura
a6
Distancia do blepharoplasta ã extrem. post.
03
Flagello livre
— (Impossível medir)
geral — Mais largo do que o typo precedente ; e.xtremidade postenor
afilada c posterior gradativamente.
31
180
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Protoplasma — Finamente granuloso, corado em azul-violeta pallido. ^
zonas descoradas, mais denso do que o tsqx) precedente. Zona do blepharofí*^
descorada.
Núcleo — Um pouco mais nitido do que o do tjq» precedente, de côr arto***^
da, com chromatina accumulada na p)eripheria. Não toca os bordos do
nosoma, tendo forma elliptica e orientaqão diagonal.
Blepharoplasta — Sub-terminal. vermelho intenso, alongado trani'"*^
mente, e de situação lateral.
Membrana ondulante — Visível negativamente sempre que atravessa o
FlagcUo livre — Visivel nos pontos em que não é coberto pelo corpo-
17 . Trypanosoma piracicabae Fonseca 4 V.az, 1929 .
Hospedador: Loricaria piracicabae Ihering
Prov.: Rio Piracicaba, S. Paulo.
.Apresenta-se com dois typos bem ditfercndados.
32
F. DA Fonseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
181
Typo II
as medias abaixo
em (1 :
Media
Maxima
Minima
38
40
36
24
2.4
2J
4
4
4
2J
2J
2J
26j
28
26
0,8
I
a6
ar
1
0.6
Comprimento (sem flagello livre)
Largura
f Comprimento.
I Largura ....
tüstancia do nudeo á extrem. post.
„ r Comprimento.
BlepharopUsta | ^ar^^^
'^^Peclo geral — Exemplares distinguindo-se dos do typo precedente prin-
por serem mais largos e apresentarem um blepharoplasta mais volu-
**'*'®’ regra afilando gradualmente para a extremidade posterior e brusca-
para a anterior.
^ ^''oloplasma — Finamente granuloso, com zonas de coloratjão mais intensa
Outras e de regra descorado na zona do blepharoplasta.
■■W/fo — Pouco intensamente corado, chromatina finamente granulosa, ho-
esparsa, tocando os bordos lateraes do Trj-panosoma. Em um
^**fmplares achava-se no ter<;o posterior do corpo, ao contrario do que se
nos restantes, que o apresentam no terço anterior.
^^^^Pharoplasta — Terminal, rclativamente grande, intensamente corado cm
vivo.
^^ffnbrana ondulante e flagello litre — Invisiveis.
18 . Trypanosoma larai Fonseca * Vaz, 1929 .
^^^Pedador: Proehilodus sp. (Corumbatá-uvú, n. vulg.).
Rio Piracicaba, S. Paulo.
' P*’cscnta-se este Tnp’panosoma com dois tjpos, dif ferindo principalmente
* **nianho.
Typo I
'nedidas correspondem a 3 exemplares
(em p):
Media Maxima
Minima
Comprimento ($em flagello livre) . . .
34.6
38
32
tritura
1.66
2
1.5
f Comprimento
1
17
4
2
4
1,5
^‘itancia do núcleo á extrem. post. . . .
21
22
20
Blepharoplasta | ^emprimento. . . .
087
0.66
1
0.7
07
0.6
distancia do blepharoplasta it extrem. post.
1,66
2
1.5
*^gtllo livre
16 (um
só exemplar
33
182
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Aspecto geral — Tr\-panosonias longos e muito finos, quer em relaÇ*®
comprimento, quer de modo absoluto, cujo corpo, de regra, se afila graduab®^
te na extremidade posterior e bruscamente na anterior.
te na extremidade posterior e bruscamente na anterior.
Protoplasma — Coloração irregular, ora homogenea. ora com zons
intensas; finamente granuloso, corado ora em azul-violeta, ora em arri
pelo Lcishman, com a zona do blepharoplasta sempre descorada.
Núcleo — Bem corado, de limites nitidos, de aspecto pouco hotnogci
cando os bordos do Trjqjanosoma.
Blepharoplasta — Redondo ou longitudinalmente alongado, sub-temu
tensamente corado.
Membrana ondulante — Invisivel. .
Flagcllo livre — De regra visivel.
Typo II
Só foi visto um e.xemplar com as dimensões abaixo em p ;
Media
47
1.5
4
1.5
23
0.9
0.6
Comprimento (sem fUgello livre)
Largura
Distancia do núcleo á extrem. post
Dento.
Distancia do blepharoplasta á extrem. post
Aspecto geral — Trjixmosoma relativamentc longo
dualmente para ambas as extremidades.
Protoplasma — Finamente granuloso, com zonas claras que [larcccnt
o trajecto da membrana ondulante; zona do blepharoplasta descorada; cot
azul-violeta pelo Lcishman.
Núcleo — .‘\longado. tocando os bordos latentes, constituído por
esparsos de chronutina.
Blepharoplasta — Suli-tcrminal, clliptico, com maior eixo no
gitudjpal.
Membrana ondulante e flagello livre — Invisíveis.
19. Trypanosoma iheringi, sp. n. (Fig. 35)
líospedador: Franciscodoras marmoratus Lutk..
Prov.: Rio S. Francisco.
Rodolpho von Ihering, a cujo interesse jk-Io estudo dos |>arasitas da
fauna fluvial do Brasil são devidos aos traltalhos {wr nós realizados em
34
F. DA Foxsec.\ — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
183
com Zeferino Vaz sobre Tn.’panosomas dc peixes, remetteu-nos, para es-
csfregaços de sangue de 19 exemplares de 10 differentes especies de peixes
Nordeste brasileiro, dos quaes apenas em uni exemplar foi encontrado o he-
abaixo descripto:
^tnensões em p:
Comprimento
Largura
{ Comprimento . .
Largur»
Distancia do núcleo á extrem. post.
Comprimento .
Largura. . .
Media
42
2
3
2
24
08
0.4
Blepharoplasta
TiA-panosoma fino c longo, de extremdiade anterior brus-
geral
afilada.
P
‘^^otoplasma — Irregularmente corado em roxo, ora vivo, ora pallido.
^ ^^rleo — De côr avennelhada, pallido, dif fuso, elliptico, tocando os bordos
**JT*^osoma.
^^^Pharoplasta — Quasi linear, sub-terminal. saliente, vermelho vivo.
^^c»ni>rana ondulante — Estreita, só pardalmente visivel. corada cm rôxo
"*bdo.
^^OtUo Ikrc — Invisivel.
.\BSTR.\CT
{ a revisionary study of tr>-panosomcs that liave liccn found in Brazilian
a new spedes is dcscribed and cighteen others are rcdescribed. The new
is Trypanosoma ihering! from thc fish Francisc odoras marmoratus Lutk..
*Pccics rcacscniied are: Trypanosoma rhamdiae Botelho, 1907, T. macro-
l^*®®tclho, 1907, T. hypostomi Splendorc, 1910, T. chagasi Horta. 1910; the
T' as descrilied by Fonseca and \’a 2 in 1928: T. zungaroi, T. loricaríae,
T. ferrcirac, T. strigaticeps, T. margaritiferi, T. plecoslomi, T. albo-
dorbignyi, T. francirochai; and. finally. the folloiving
also by Fonseca and V’’az but in 1929: T. chelostomi, T. piradeabae
tarai.
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J. B. & Finseca. F. da — Memórias do Instituto Butantan VI ;215-222.1931.
35
184
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
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10. Fonseca, F. da êr Vas. Z. — Boletim Biologico (15) :36-41.1929.
EXPLIC\ÇOES D.\S FIGUR.AS 1-35
Figs. 1-3
Figs. 4-8
Figs. 9-11
Fig. 12
Figs. 13-15
Fig. 16
Figs. 17. 18-f-
18, 19 e 20
Figs. 21-24
Figs. 25-32
Figs. 33-34
Fig. 35
Trypanosoma hypostomi Splendore. 1910 (typos II. III e VIII)
Trypanosoma sungaroi Fonseca & Vaz. 1928 (typos II. III -FUI IV-flV)
Trypanosoma loricariae Fonseca & Vaz, 1928 (typos I-III)
Trypanosoma fvnxie Fonseca & Vaz, 1928
Trypanosoma ferreirae Fonseca & Vaz. 1928 (t>-pos I-III)
Tryfanosoma margaritiferi Fonseca & Vaz, 1928 (typo I)
Trypanosoma plecostomi Fonseca & Vaz. 1928 (t>T>os I, Il-flI. III e IV>
Trypanosoma albofunctatum Fonseca & Vaz. 1928 (typos I-IV)
Trypanosoma regani Fonseca & Vaz, 1928 (typos I-VIIl)
Trypanosoma dorhignyi Fonseca & V'az, 1928 (tyxws I e II)
Trypanosoma iheringi, sp. n.
(Trabalho da Secclo dr Proloioologia e Parasiiologia do In«-
titato Butantan, recebido em Abril de 193S. Dado á publi-
cidade em lelembro de 19351.
36
Fuv
lO DA Foxsec.\
Trypanosomas de Peixes Brasileiros
Mrm. I mt. ButaDtan
Volamc IX — 19*5
I
y Fig. 36
'Tnanoioma hrpostani
Typo m
Fi*. S7
TrrpanoMsa
Trpo IV
Fi*. M
Ti7>« h— n hrpMlMi
Ttpo V
F»«. 99
Tommmbu hrpaiuiat
Typo VII
Fir. 4S
Trypanovoma innxaroi
Typo IV
• • •
Fi«. «•
TrypUioMaa nanrol
Typo IV
Fhr. u
Trypaoowaa Urkarta*
Typo I
Fir. «T
Trypaaotooia Uricario»
Typo III
Fár. «•
Trypaaomoa piaiaa
Uako typo
Fir. 4«
Tirpanonoma loricariaa
Typo II
da Fonseca — Trypanosomas de Peixes Brasileiros
itm. Inrt, BaUnUn
VoIbibc IX — I9U
Fi*. 49
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Typo 111
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Trrpanoüoma alhoponcUtom
Trpo 1
DA Fonsec.^ — TrifpanasomQs de Peixes fírasileiros
Um. liMt. ÜuUoUn
Volume IX
I
Fi*. 62
TrTpanoMmm albopnnctatnm
Trpo IV
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Typo II
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Typo VI
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Typo VII
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1 »U
OCCORRENCIA
DE FORMAS ANÔMALAS NA LEISHMAMA ImASIUE^SIS
POR
FLAVIO da FONSECA
(com 22 coloridas)
S»3.IC:»8I
OCCORRENCIA
DE FORMAS ANOMAUS NA LEISHMAMA BRASILIENSIS
POR
FLA\aO DA FONSECA
O exame de abundante material humano dc leishmaniose, constante de
numerosos est regaços de ulcerações detemiinatlas pela I^cishtnania brasiUensis
Vianna, 1911, deu-nos opportunidade de ol>servar certas njinudas de morpbolo-
gia dag formas em parasitismo, umas insufficientemente c outras mesmo ainda
não descriptas na espccie brasileira, sendo, |X)r isso, dignas dc registo.
Entre as variações morphologicas que pode a|)resentar a Leishmania brasili-
ensts cm parasitismo, logo cliamam a attenção as fjuc dizem resjieito ao contorno,
variações essas bem estudadas iwr Wenyon on 1911, cm casos «le infecção por
l^eishmauia tropica.
Como nesta ultima espccie, tamljcm i>ode a l.cishmatm brasiUensis apre-
scntar-sc com forma arcular (Figs. 1 e 2). ou elliptica (big, 3) ou ainda oval
(Figs. 4 c 5), ou mesmo mais alongada (Figs. 6 e 7),
Curioso c que, cm geral, ãs variações do contorno cellular c»>iTesi>ondcm
'•ariações de aspecto do nuclco e do cinctoidasta, jwis, ao jsisso que os cxetnida-
res de contorno circular ou elliptico apresentam núcleo .k textura gcralmmtc
frouxo, dc coloração menos carregada, quando corados iwr um methodo deriva-
<lo do dc Romanowski, c cinetoplasta frequentemente largo e até. ás v-ezes, dr-
cular ou com tendenda á forma redonda, (Figs. 1. 8. 9 e 10), os cxcmpbrcs dc
contorno oval têm, dc regra, um núcleo comi>acto, inten.samente corado c dncto-
Plasta de forma linear (Figs. 7, 11 c 12), ou pelo numos com tendenda a apre-
sentar esta forma.
Embora os methodos dc coloração utilizados cm nosso nutcrial não fos.seni
os aconselháveis para estudo de minúcias da didsão cellular. po.s o fim vi.sado
cra apenas o de estabelecer diagnostico, foi entretanto, possível verificar que a
30
188
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
divisão do rhizoplasta precede á do cinetoplasta e a do nudeo, quer nas formas
redondas, quer nas alongadas (Figs. 13, 14, 15, 16 e 17).
Não nos foi possivel lobrigar forma alguma com flagello externo nitido
entre muitas centenas examinadas; apenas em algumas (Figs. 14, 15, 18, 19 e
20) pareda que o flagdlo interno ou rhizoplasta, elemento constante nas formas
em parasitismo, se prolongava além do limite externo da membrana cellular, não
sendo possivel, porém, garantir que não se tratasse de um filamento de outra
natureza.
A membrana cellular, tal como descrevem Parrot e Lestoquard na L. tro-
pka, foi também por nós vista em vários preparados de L. brasiliensis.
Por duas vezes foi-nos dado encontrar formas, indiscutivelmente de Lei-
shmania, aberrantes da morphologia habitual, tratando-se em ambos os casos de
elementos anomalos em divisão. Em um caso, o protozoário apresentava dois
nudeos de tamanho descommunal, relativamente ao tamanho da cellula, e um va-
cuolo em um dos polos (Fig. 21). Em outro caso (Fig. 22) a divisão do nudeo
era múltipla, apresentando-se os nudeos filhos, em numero de dnco, dispostos
ao lado uns dos outros, num mesmo alinhamento. Em ambos os casos o cine-
toplasta, como é frequente, estava occulto sob a massa nuclear muito volumosa,
podendo, entretanto, a natureza do parasita ser reconhecida, quer pelos caracte-
res tinctoriaes e jicla ausência de outros germes nos esfregaqos em apreqo, quer
pelo critério que confere a pratica do reconhecimento de taes parasitas, que só
um inexperiente poderá confundir com levedos ou detrictos cellulares.
ABSTR.^CT
A careful examination of slides of lesions caused by Leishmania brasiíien-
sis has disclosed many morphological variations of this parasite, which are com-
parable to those found in Leishmania tropiea by Wenyon in 1911. The shape
of the former spedes like the latter’s may appear drcular, elliptic, ovoid or
even clongated; the shape of both the nucleus and the kinetoplast usually fol-
lows these \ariations. A few examples of L. brasiliensis may sometimes present
a distinct cell membrane ; others may bear a quite anomalous morphologj- : in one
case. a cell is shown with two enormous nuclei and a vacuole in onc of its poles,
in another case, the division of the nucleus appears multiple.
(Trabalho da Ste^ío de PttMoxoolofpa e Parasitolc^ci^ do Ins-
tituto Botaatan, recebido etn abril de 193S. Dado á publi-
cidade em setembro de 1S35X.
AO
TRYPA^OSOMA MATTOGROSSE\SE, SP. N.
POK
FLA\'IO DA FO.NSECA
Icom ] figura)
TRYPANOSO.MA MATTOGROSSE.\SE, SP. N.
POR
FL-WIO DA FONSECA
Por gentileza dos drs. J. C. Nogueira Penido c prof. Oljinpio da Fonseca,
filho, obtivemos laminas de sangue de um ophidio capturado em 1925 enj Porto
Esperança, Estado de Matto Grosso, e pro%-avelmcnte pertencente ã espede Cy-
clagras gigas (Dm. & Bibr.), nas quaes eram obsenados numerosos exemplares
de um Trypanosoma que abaixo descrc\’emos.
Comprimento, cxcluitdo o flauello lirre .
Largura
.. , f Comprimento
. uc eo I
Distancia do núcleo á extretn. post. . . .
, í Comprimento
Blepharoplasta |
Distancia do blepiiaropIa»ta á cxirem. post.
Flagello livre
Aspecto geral — Tr>panosomas longos e rdativantente finos, com a e.xtrc-
niidade posterior sempre mais ou menos enrodilhada, abumlanles nos esíregaços.
Protoplasma — Homogêneo, de coloração avermelhada.
Xucleo — Vermelho intenso, de contorno praticansente circular, tocando os
Iwrdos do tn« j)anosoma.
Blepharoplasta — De forma mais ou menos linear, bem afastado da extre-
*nidade posterior, vermelho intenso.
Membrana ondulante — Nitida, relatis-antentc larga, de bordo livre ondeado
c niarginado pelo flagello, de cor rosea.
iíedíi
ilasima
(rtn micra)
50
53
49J
2
2
2
2
2
2
2
2
2
27Ji
30
25
IJ
ts
08
0J6
0.4
OJ
5
3.4
I&6
1«>
14
43
192
Memórias do Instituto Butantan
Tomo ÍX
Flagello — Xitido em toda extensão, com pxjrção livre sempre visível.
A infecção por Trj-panosomas era relativamente intensa, achando-se além
disso o ophidio em apreço intensamente parasitado por uma hemogregarina. qu®
suppomos pertencer á mesma especie a ser descrip)ta do Cyclagras gigas por J. B-
Arantes (publicação a sahir na Rev. de Biol. e Hj-giene V (2). Dez. 1934.).
Nota — O desenho deste Trypanosoma encontra-se na mesma estampa quc
os do trabalho sobre "Occorrencia de formas anômalas na Lcishmama brast-
licnsis", publicado neste volume.
ABSTRACT
Trypanosoma mattogrosscnsc is described as a new species found in the blood
of a snake (probably the aglyphous Colubrid Cyclagras gigas Dm. & Bib*.)>
captured in S. W. Matto-Grosso, Brazil.
(Trabalho da S«<çSo de Prototoolocia e Paraiilolocia do !»*■
titulo Butantan. recebido em Abril de 193S. Dado â pob*^
em ««tftnbro 19SS).
¥
44
OA Foxsec.\
Formas anômalas de Leishmania hrasiliensis
Trypanosoma maltogrossense, sp. n.
Mem. Inst. Butiotan
VolaoM IX — 19S5
-r
CONTRIBUIÇÕES
AO CONHECIMENTO DOS CÜLICIDEOS DE SÃO PAULO
*• Notas sobre os mosquitos originários das taquaras: Sabe-
^^oides intermedius (Lutz) e Megarhirius hambusicola Lutz & Neiva
POR
ALCIDES PRADO
{com 6 figuras)
595.771:981
CONTRIBUIÇÕES
AO CONHECIMENTO DOS CUUCIDEOS DE SÃO PAULO
Notas sobre os mosquitos originários das taquaras: Sabe-
intermedius (Lutz) e Megarhinus bambusicola Lutz & Neiva
POR
ALCIDES PILADO
^ São bastante conhecidos, no seio da mata virgem, os criadouros naturaes
**'<>squitos. constituidos pelas aguas que se collectam nos entre-nós das ta-
*^'***^''- Os colmos verdes, apenas lateralmente furados, em um ou vários pon-
formam os focos mais ricos e variados. Estes furos, conforme observ»-
^ José Salcedo e Joaquim Ca\’alheiro, auxiliares deste Instituto, são feitos
Pelo
Pica-páu”, ave trepadora, zj^godáctyla, com o fim de obter sua provisão
*ar. Um entre-nó de taquara em taes condições, examinado isoladamen-
/ a configuração de uma flauta gigante, principalmente quando os furos
caprichosamente trabalhados e uniformemente espaçados; delle geralmente
sigua amareliada, onde pullulam larvas e mnnphas de Culicideos. Certa-
esta agua provém da chuva. Entretanto, as hastes verdes e muito novas
certa quantidade de um liquido citrino, o qual vae desapparecendo á
’da que a planta envelhece. Este Ikjuido que transuda do proprio tecido
seria necessário á formação da te.xtura do caule e compor-se-ia de al-
ina e peíjuena quantidade de KQ, elementos indispensáveis á criação de
j^^^inadas espeaes de mosquitos, que morreriam no laboratorio si fossem
. sferidas. em seus estádios larx-arios, para agua de outra procedência, em-
* Pura e clara.
^ ^a Serra da Cantareira, onde estas observações foram feitas, o dr. Walde-
^cckolt poude determinar as seguintes especies de taquaras: Chusquea
3
196
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
gaudichaudii Kunth ou, \-ulgannente, “taquarussú” e o Merostachys burchcU»
Munro ou, simplesmente, “taquara” ou “taquarj-”, gramineas próprias da mata
virgem.
Entre as espedes de mosquitos, criadas no laboratorio de larvas e n}"®*
phas colhidas nas aguas das taquaras, foram determinadas as seguintes: Orih!f
podoniyia aJbicosta (Lutz), Megarhinus bambusicola Lutz & Xei\'a,
nus trinidadensis D)-ar & Xnab e Sabcthoidcs intermedius (Lutz).
Entre os adultos capturados na clareira da mata. examinaram-se duas ^
pecies próprias das taquaras: Sabethoides purpureus Theobald e Trichoprosof^
compressum (Lutz).
Outras cspecics, provenientes talvez de fócos diversos, foram igxial®***
capturadas: Anopheles albitarsis Lynch-.^rribalzaga, dos arredores da
míí»’
Dendromyia confusa Lutz, bromelicola; Aides leuconxelas (Lutz), dendf’^^
seguir, tratarei pormenorizadamente das especies Sabethoides
dius e Megarhinus bambusicola, acinu citadas, em vista do desconheci®®^
que antes se tinha da lar\-a da primeira c da lan-a e h>TX>pygio da segunda*
4
A. pR-ux) — Calicideos de S. Paulo
197
A larva de S. inlcrnicdius, ora descripta, differe das larvas pertencentes ás
**Peaes do genero Sabcthoides, principalmente daquellas qiie se acham inclui-
no grupo auresccns-undosus, as quaes trazem dois ganchos dorso-posterio-
^ no sétimo segmento (Fig. 3). A lan^a e o respectivo h>'popygio de M. bam-
^^cola, agora di\Tilgados, divergem pouco dentre as espedes do genero Mc-
9ofhinus.
Costa Lima, em seu trabalho “Sobre as espedes dos generos Sabcthcs e
^<^€thoides” , publicado nas Mem. Inst. O. Cruz XXV(l) :61.1931, acaba por
'^nsidcrar, como ora faço, S. albiprivatus como s}Tion)-mo de X. intcrmcdius;
opinião encontra apoio na de Edwards, conforme se verifica in “Genera In-
**^orum, Diptera, Fam. Culiddae”, 1932.
Sabcthoides intermcdius (LvTZ)
Sabclhinus intermcdius Lutz — in Bourroul, Alosq. do Brasil :52. 1904.
Sabcthinus albiprivatus Lutz — in Theobald, Mon. Culic. IV:620.1907.
Sabethinus albiprivatus Lutz in Theobald, Mon. Culic. I\’':620. 1907.
^abcthes melanonytnphe D)'ar, Insec. Insdt. Mens. XII :100. 1924.
Femea — Probosdda curta e forte, parda, com reflexos de cor violeta;
levemente dilatada. Palpos curtos e da mesma cor da proboscida. Oed-
inteiramente revestido de escamas chatas, imbricadas, de cor azul celeste,
'^>2adas em vermelho; nos lados, tonalidades douradas. Mesonoto todo coberto
escamas chatas, algumas das quaes de cor azul edeste, outras de cor azul
Metanoto pardo-escuro, com uma fai.xa longitudinal mais clara ao centro,
em sua parte sub-apidlar existe um feixe de 5 pelos longos. Balandns
^^in-escuros. Pleuras e co.xas com escamas prateadas. Abdome ornado de
chatas, imbricadas, azues celeste, azues escura e violaceas; ventre com
branco-nacaradas. Pernas pardo-escuras, com reflexos violáceos. .Azas
**^Postas de escamas escuras, largas e truncadas na ponta, com irizações em
c vermelho.
diacho — Colorido semelhante ao da femea. O h)-popj‘gio c referido por
^'*'^ald, Bonne-Wepster & Bonne e Costa Lima.
Larz'a (Figs. 1 e 2) — Cabeça moderada, redonda na frente; cerdas supe-
^ da cabeça múltiplas, cm numero de seis; cerdas inferiores também mul-
> on nümero de dnco; tufo ante-antcnnal com duas cerdas. .Antenna del-
não ultrapassa ás escoras buccaes. Maxillas com um longo chifre terminal
seis pequenos dentes interiores, dispostos cm ordem decrescente. Tufos
do abdome, em geral, múltiplos. Pente lateral do 8® segmento, com
onze espinhos longos, retorcidos alguns e implantados cm uma linha
cur>a. Tubo aereo (sj-phâo respiratório), regularmente afilado, de com-
5
198
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
*
primento igual a 7 1/2 x. a largura basilar, espinhoso na sua metade proximal e
com uma serie dupla de espinhos mais fortes na metade distai. Segmento
com uma placa chitinosa que envolve quasi os lados; duas longas cerdas em cad*
um dos lados do angulo dorsal; uma em cada um dos lados do angulo lateral,
dois tufos subventraes de duas cerdas cada um. Branchias anaes de tamanho
moderado, pouco sinuosas e ligeiramente afiladas.
Alegarhinus bambusicola Lurz & Neiva
Megarhinus bambusicola Lutz & Xeiva, Mem. Inst. O. Cruz. V:136.l9l3-
Megarhinus aldríchanus Bonne-Wepster & Bonne, Ins. Ins. Mens.
Macho — Proboscida longa, curva e fina, revestida de escamas de cor
leta-escura. Qypeo largo, escuro e velludoso, com tonalidade cor de pr***"
Occipicio coberto de escamas chatas, imbricadas, com reflexos cor de cobre e
vio-
leta-metallico. Lobos prothoradcos com escamas chatas, azues brilhantes.
noto pardo, entremeado de escamas de cor azul celeste e azul clara,
mente nos lados. Metanoto pardo-escuro, glabro. Pleuras e coxas com dc®*^
grupos de escamas branco-prateadas. Abdome com o revestimento de esm*’’**
6
A. Pr.\do — Culicideos de S. Paulo
199
^wdes na sua porção basilar e violeta-escuras aleni. Pernas escuras, com re-
flexos violáceos; femores dourados em baixo. Axas com escamas escuras iri-
*idas em %-ioleta.
Hypopygio (Fig. 6) — Peça lateral cônica, pontuda, com pelos grosseiros
lado interno, dos quaes quatro mais longos se destacam; lobo basilar curto,
*P®lmente conico, com pelos finos; dois pelos mais fortes na extremidade. Pin-
^ (clasper) longo e afilado, com um longo espinho terminal, que tem 1/4 do
®°®primento total da pinça. Dedmos estemitos conicos na base, cur\-os; ponta
com uma saliência lateral; intemamente tres pequenas cerdas. Nonos
*®^los acuminados, dispondo de onze a doze cerdas finas e irregulares. Meso-
bulboso na base, attenuado ao meio, com suas placas finas e erectas.
Larva (Figs. 4 e 5) — Cabeça, quadrangular, pouco e.xcavada na frente;
®^das da cabeça múltiplas. .Antennas muito delgadas, leves. Placa lateral do
®***''o segmento grande, com duas grosseiras cerdas de cada lado. Tubo aereo
í*)'phão respiratório), quasi duas vezes mais longo do que largo, algum tanto
*f«nilado; um tufo de múltiplas cerdas proximo da base, de cada lado. Segmen-
^ anal sensivelmente mais largo do que longo e quasi todo tomado pela placa
*f*ffinosa; uma fileira franjada de espinhos curtos na borda posterior; tufo dor-
com longas e múltiplas cerdas; cerda lateral, uma de cada lado, simples e
Posseira; tufo ventral com longas e grosseiras cerdas. Branchias anaes muito
sob a forma de brotos.
RESUMO
O “pica-páu”, ave trepadora. z>’godáctyla, perfurando os colmos ainda ver-
^ das taquaras, prepara, no seio da mata virgem, importantes fócos lar\’arios
Culicideos.
Sabcthmdes intennedius (Lutz) e Mcgarhtnus bambusicola Lutz & Nei\-a,
as espccies que se originam das taquaras, são aqui estudados, cm vista do
^*^®uhccimcnto que antes se tinha das larvas de ambas e do h\'popvgio da se-
*^a.
ABSTRACT
"The wood-peckcr prepares in bamboos the seat for important larval foci of
^icidae by perforating with its bill the tender stem of that plant between nodes.
Ainong the sxirious bambusicolous species of mosquitoes, Sabelhoides inler-
(Lutz) and Megarhinus bambusicola Lutz & Nci\’a are considered be-
the characters of the laix-ae of either and the terminalia of the lattcr had
)'ct been dcscribed.
(Trabalho da Secçlo de Protoioolofcia e Parasitolofcia do Ins
titoto BolanUn, recebido rm 1^33. Dado á publicidade etn
tetetnbrode l9aSL .Vofo: A» “Cootríbulçfte»" aoterfore», fo
ram poblicadaa oas Mem. Inat. Datantan VI c VIIU 1901 c
1933.1994).
7
CONTRIBUIÇÃO
AO CONHECIMENTO DOS OPHIDIOS DO BRASIL
Vll.
Novos generos e especies de Colubrídeos opisthoglyphos
AFRAXIO Do AMARAL
(fow 2 figuras)
59S. 121:591.981
CONTRIBUIÇÃO
AO CONHECIMENTO DOS OPHIDIOS DO BRASIL
Vll.
Novos generos e especies de Colubrídeos opisthoglyphos
POR
AFRAXIO do AMAR.AL
Entre os 27.037 exemplares vivos de ophídios, recebidos pelo Instituto
'®*ntan de vários pontos do Brasil e sobretudo da secção centro-meridional, no
'^•'so do anno de 1934, appareccu um, cujo estudo revelou tratar-se de repre-
*****^10 de um gencro e espccie novos para a sciencia.
CALAMODO.N, g. n.
>lo
^ffinição — Physionomia de Tomodon Dm. & Bibr., do qual se distingue
' ■''uito
'^'«nor diâmetro da região ccrxdcal e cephalica em relação ao do corpo, que
mais grosso. Corpo bruscamente attenuado para frente e para trás;
curta; cabeça curta e estreita; escamas dorsaes lisas com uma fosseta api-
c em 15 filas; anal inteira; subcaudaes cm 2 filas. Dentes maxillarcs
~ maiores, os anteriores augmentando gradualmcnte para trás; dentes man-
7, augmentando ligeiramente para trás e sendo o primeiro mais longo;
palatinos 3 c ptcrvgoideos 3.
^ ^ylogeneticamentc, o novo gencro Calamodon pode representar o extremo
^ ^^luçào decrescente do apparelho dentário entre as serpentes opisthogKqihas
^Po Dryophylax — Tachymcnis — Conophis — Tomodon, cuja seriação
** ser representada do s^uinte modo:
3
204
^[en 10 ^ias do Instituto Butantan
Tomo IX
Generos :
Dryofkyljx Wacles
Manclefis Cope
Tachymenis WiegMaxx
Hemirhagtrrhis Boettces
Conofhis Peteks
Tomodon Dm. * Bibk.
Calamodon, g. n.
Dentes maxillaresi
13—18+2
15+2 grandes
10 — 15+2 grandes
9—10+2 >
10+2 muito grandes
5 — 8+2 enormes
5-r2 muito grandes
Dentes mandibularesi
subiguaes
anteriores
>
>
>
>
>
mais longos
muito mais longo*
bem mais longos
muito mais longo*
um pouco roais Icct*-
muito mais longo*
Typo:
Calamodon paucidens, sp. n. (Fig. 1)
Dcscrípção — Olho antes pct]ueno. cerca de 1/3 do comprimento do
cinho. Rostral um pouco mais larga do que alta, bem tdsivel de cima;
nasaes pouco mais curtas do que as prefrontaes; frontal pentagonal, cerca ^
1 '4 mais longa do que larga e mais curta do que as parietaes. Frenal pcqu^
pouco mais alta do que longa; oculares 1 -f 2, a preocular attingindo a arc^
cantai e bem separada da frontal; temporaes 1+2; mentaes anteriores
largas e um pouco mais longas do que as posteriores ; as anteriores contigu** *
4 infralabiaes; guiares apenas em 2 filas. Escamas dorsaes em 15 filas,
escamas com uma fosseta apicilar; anal inteira; subcaudaes em 32 pares.
• Ay
Coloração — Dorso pardo com manchas negras a formarem, no mcio
corpo, 5 filas obliquas de lado a lado, reduzindo-sc a 2 na região cerv’>c*^
dcsappareccndo perto da região anal; face dorsal da cauda pardo acinzenta^’
cabeça parda, na face superior, com leve mancha escura sobre as parietaes c> ***
face inferior, de côr creme acinzentada; ventre creme acinzentado, com a bo^
livre das escamas tarjadas irregulamicnte de negro.
Dimensões — Comprimento total 360 mm.; cauda 50 mm..
Holotypo — No. 8847, ç , na collecção do Instituto Butantan, colhida
em S. Simão, Rio Grande do Sul, pelo sr. Oswaldo M. Freitas e reccbiiJ*
19-XI-1934.
2. Na revisão dos ophidios incorporados, nestes últimos annos, á
ção do Instituto Butantan, encontrei 4 e.\emplares classificados como
cen-inus. Comparando-os, porem, com os e.\emplares desta especie, exist^®***
na collecção, cheguei á conclusão de se tratar de representantes de novo
e especie, que passo a descre^'er:
CALLOPISTRIA, g. n.
Definição — Physionomia de Siphlophis Fitzinger e RhinobolhCP^
Wacler, dos quaes se distingue, logo á primeira vista, pela curteza do
Dentes maxillares 16, medianos maiores, diminuindo de tamanho para diaf'^
4
A. DO Amaral — Ophidios do Brasil
205
trás e seguidos, após curto diastema, por 2 presas situadas ao nivel das
l*®stocularcs ; dentes mandibulares maiores adiante. Cabeça antes pequena. Olho
tanunho medio, pupilla vertical. Focinho curto e arredondado; corpo e
^da longos, delgados e subcjlindricos ; ventraes ligeiramente anguladas lateral-
®®tte; subcaudaes em 2 filas. Escamas dorsaes lisas com ligeiras tossetas api-
'^es, em 19 filas.
^ypo :
Callopistria rubrovcrtebralis, sp. n. (Fig. 2)
I^escripção — Rostral mais larga do que alta, bem visivel de cima; inter-
subellipticas ; prefrontaes pentagonaes, com um angulo agudo infero-exter-
2 vezes tão long^as quanto as intemasacs, frontal 1 vez e 1/3 tão longa
larga, tão longa quanto sua distancia do focinho e mais curta do que as
^ctacs; nasal di\’idida; f renal 1 1/2 vez a 2 vezes tão longa quanto larga;
^'ttlares 1 -f 2, a anterior attingindo o canthus ; temjwraes 2 + 3 ; supralabiacs
’ e 5.* contiguas á orbita; 4 (excepcionalmente 5) infralabiaes contiguas ás
****t>tacs anteriores que são maiores do que as posteriores; guiares pouco nume-
apenas em 3 filas longitudinaes. Escamas dorsaes em 19 filas. \'en-
230 — 241 ( z o 230 — 241 ; 9 9 232 — 240) ; anal inteira, subcaudaes
^ " 114 ( cT d* 107 — 114; 9 9 90 — 99).
Coloração — Em vida, dorso amarello com uma serie de manchas subdr-
ou poh’gonaes negras, oppostas e algumas vezes ligadas, pelo apice, ás
outro lado e com manchas irregulares negras menores, extendidas até a borda
^ ''cntraes e collocadas no interA'allo das precedentes, das quaes são separadas
1''^ coloração amarella do fundo em zigue-zague irregular; linha vertebral de
*'**'*^ão vermelho inglês, extendida, de um lado, até a borda das prefrontaes
outro lado, até a ponta da cauda ; cabeça manchada de negro principalmentc
o focinho e as têmporas; face ventral amarellada, quasi immaculada até o
c pintada de negro sob a cauda.
^ ^ypo — Exemplar adulto o • 9109 na collecção do Instituto Butantan.
*^hido vivo de Morro Azul, Estado do Rio de Janeiro.
Clitnonsões — Comprimento total 750 mm.; cauda 190 mm..
p Coiypos — a) E.xemplar adulto 9 • 5568 na collecção do Instituto
procedente de Jaraguá. Estado de Santa Catharina.
Clitncnsões — Comprimento total 820 mm.; cauda 167 mm..
b) Exemplar adulto 9 • 5587 na collecção do Instituto
procedente de Morretes, Estado do Paraná.
Clintensões — Comprimento total 720 mm.; cauda 165 mm.,
k c) Exemplar adulto ^ 5(^9 na collecção do Instituto
procedente de Morretes. Estado do Paraná.
5
20C
Memórias do Instilulo Butantan
Tomo IX
I
Dimensões — Comprimento total 540 mm.; cauda 130 mm..
Nota: Xo decurso deste estudo, fui levado a rever o genero Siphlof^
Fitzinger, tendo confirmado minha conclusão anterior (ín Mem. Inst. ButantaB
IV:97-98. 1929) quanto á fusão das 2 formas constantes do Catalogo de BouleO"
ger em 1 só especie com 2 raças : ceninus ccrznnus e cennnus geminatus. Desta*»
c. cerviiius caracteriza-se pela maior extensão do ventre, pelo maior numero ^
ventraes, pela tendencia a ter mais de 8 supralabiaes e pelo colorido variegado o®
recticulado; c. geminatus separa-se pelo ventre mais curto, pelo menor nunKt®
de ventraes, pela relativa íLxidez das supralabiaes (8) e pela coloração niai*
regular.
Quanto á sua chorologia. acho necessário modificar o que escrevi alhut**
(in Mem. Inst. Butantan IV:202. 1929), pois a forma ttqiica c. cen-inus é to***
equatorial, oceorrendo no Brasil Occidental e septentrional, no Paraguay e Bo^
via. Alto Amazonas, Colombia, Panamá, Venezuela, Trindade e Guianas, f®*
quanto c. geminatus apparece de preferencia no nordeste, centro e sul do Brasfl*
ABSTR-\CT
Calamodon (t)-pe C. paucidens, sp. n.) is described as a new genus
opisthogl)-ph snakes closest to Tomodon, from which it may be easily disto*"
guished by the dentition and pholidosis; A. paucidens comes from the St**^
of Rio Grande do Sul. Calhpislria (tj-pe; C. rubrovertebraíis, sp. n.) is
described as a new genus of opisthoglyph snakes, dose to Siphhphis and Rhi^
bothryum, from both of which it differs in bearing a ver}- short snout; C. rubrtt"
vertebralis comes from the States of Rio de Janeiro, Paraná and Sta. Cathari®*"
(Trabalho da ScrçSo de (>phioloKÍa e Zoolofia .Mediea d« ^
tilalo Batantan. reeebido em maio de 1935 Dado * P*
cidade em «etembro de 1593)
6
Amar\l — Xovos getieros e especies de serpentes do Brasil
Mnn. lost. BuUntan
Volume IX — 1933
Fir. I
Celemodon paactdrn*. r. «p. n.
Inst. Butantan No. ^947 (-r 21
Fir 2
Callopistría nibrvvrrt«4»rali*. r n*. »p. n.
luft. ButaotJin No. 9109 <4- 2)
ESTUDOS SOBRE OPHIDIOS NEOTROPICOS
XXXII. Apontamentos sobre a fauna da Colombía
AFRANIO DO AMARAL
SciELO
15
598. 13:591. 9S6
ESTUDOS SOBRE OPHIDIOS NEOTROPICOS
XXXII. Apontamentos sobre a fauna da Colombia
POR
AFR-ANIO DO .\MARAL
Remettidos pelos meus distinctos correspondentes, Re\-* Xiceforo Maria,
Instituto de La Sallc, Bogotá, e Rev® Daniel, do Collegio Departamental
^ San José, .-\ntioquia, chegaram-me ultimamente para estudo diversos e.xem-
de ophidios, colhidos cm rarias localidades da Colombia. .\lguns desses
**®nplares são deveras interessantes, porque representam especies ainda não
^'gnaladas naquelle país. Porisso, passo a oceupar-me delles, ligando as ini-
I. L. S. aos procedente do Instituto de La Sallc e C. D. aos recebidos
^ Collegio Departamental.
As localidades de sua origem são as seguintes: Bello (.-\ntioquia) : Bucara-
(Santander) ; Fusagasugá (sul dc Bogotá) ; Istmina (Chocó) ; I.a Pedra
^^til de Caquetá: fronteira colombo-brasilcira) ; Muzo, Tunja (norte de Bogotá) ;
^*tnplona (San Gil: fronteira colombo-vcnezuclana) ; Puerto Colombia (litoral
**^tico) ; Puerto Boy (Rio Caquetá: fronteira colombo-brasilcira); Rio Xe-
(Antioquia) : Rio Putumayo (.Amazonas: fronteira colombo-brasilcira): Rio
Juan (Chocó) ; San Pedro (.Antioquia) ; Sasaima (noroeste de Bogotá) :
^'I^atc (sul de Bogotá) ; Viliavicenzio. Meta (leste de Bogotá) ; Yarumal
^•■^ntioquia).
Fam. LEÍ»TOTYF»HLOF>IDAE
F.epfoTyphlops macrolepis (Peters)
L. microlepis-. .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:139.1929.
Xo. 127 (1. L. S.), procedente de Rio San Juan. Exemplar t\-pico. Xo.
^188 na collecção do Instituto Butantan.
9
21U
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Fam. COLUBRIDAE
Subfam. COLüBRINAE
(series aglj-pha)
Helicops polylepis Günther
t H. polylepis: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:149.1929.
Espede ainda não registada na Colombia.
• No. 118 (I. L. S.), procedente de Rio Putumayo. Exemplar jovem Ç.
8904 na collecção do Instituto Butantan: Spl. 9/9; D. 24 (23); V. 126; A-
Subc. 100 p..
Nota: O exame comparativo deste exemplar com outros de H. polylff*^
e de H. scalaris indica a possibilidade da fusão destas 2 especies, ficando
polylepis com 2 raqas: polylepis polylepis, para a bada do Amazonas e polylft^
* scalaris, para a bada do Orenoco, Magdalena, etc.
Dendrophidion bivittatum (Dm. & Bibr.)
Drymobius bhittatus: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:154.1929.
Dendrophidion bkditaius: Stuart — O. P. Mus. Zool. Univ. Midú?*®
236:6.1932.
No. 2 (C. d.), procedente de Rio N^o. Exemplar adulto Ç , No. 91^^
na collecçâo do Instituto Butantan: Spl. 9/9; D. 17; V. 155; A. 2; Sbc. lH P""
No. 7 (C. D.), procedente de Yartmial. Exemplar adulto çj", No. 91^
na collecção do Instituto Butantan: Spl. 9/9; D. 17; V. 146; A. 2; Sbc. lOS P^
Leptophis occidentaiis nigromarginatus (Güktiier)
L. 0 . nigroniarffinatus: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:162.1929.
No. 124 (I. L. S.), procedente de La Pedra. E.xemplar adulto 9>
9196 na collecção do Instituto Butantan: Spl. 9/9; D. 15; V. 169; A-
Sbc. 152 p..
Nota: O colorido dorsal, plumbeo-azulado (em formol), com a garga®**
esbranquiçada e o ventre dnza azulado, corresponde ao que apresentam os
piares de occidentaiis occidentaiis procedentes do districto de Guayaquil» ^
Equador.
10
A. DO — Ophidios neotropicos
211
Leimadophis epinephelus (Cope)
•Í-. epinephelus: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV;165.1929.
No. 1 (C. D.), procedente de San Pedro. Exemplar adulto 9, No. 9174
coUec^o do Instituto Butantan: Spl. 8/8; D. 17; V. 141; A. 2; Sbc. 50 p..
Leimadophis reginae (L.)
L. reginae: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV':167.1929.
No. 130 (I. L. S.), procedente de La Pedrera. Elxemplar jovem Ç. No.
na collecção do Instituto Butantan: Spl. 8; D. 17; V. 145; A. 2; Sbc. 58 p..
No. 133 (I. L. S.), procedente de Puerto Boy. Exemplar jovem Spl. 8;
17; V. 144; A. 2; Sbc. 73 p..
Leimadophis typhius (L.)
•L. typhius: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:168.1929.
No. 71 (I. L. S.), procedente de Villavicenzio. Elxemplar jovem ç , No.
na colleccão do Instituto Butantan: Spl. 8/8; D. 19; V. 153; 2;
54 p..
No. 134 (I. L. S.), procedente de Puerto Boy. Exemplar jovem q: Spl.
D. 19; V. 158; A. 2; Sbc. 60 p..
hlola: Colorido dos 2 exemplares: dorso pardo acinzentado com mancha
*'*^1 em V, s^uida de N^arias estrias negras, obliquas para baLxo e para trás;
c lábios claros.
Lygophis tacniurus albiventris (JanJ
L. /. albiventris: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:170.1929.
No 135 (I. L. S.), procedente de Rio San Juan. Exemplar adulto Ç : Spl.
D. 17; V. 140; A. 2; Sbc. 39 p. + "•; f renal em posição normal.
Lygophis tacniurus bipraeocularis (Boclencer)
L. t. bipraeocularis: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:170.1929.
No. 115 (I. L. S.), procedente de Muzo. Exemplar adulto 9. No. 8901
collecção do Instituto Butantan: Spl. 8; D. 17; V. 134; A. 2; Sbc. 54 p..
11
212
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
/
Xo. 129 (I. L. S.), procedente de Fusagasugá. Exemplar jovem o •
9193 na collecção do Instituto Butantan: 2 preoculares; Spl. 7, '8; D. 17 ; V.
.A. 2; Sbc. 65 p..
Xo. 5 (C. D.), procedente de Yarumal. Exemplar adulto O, Xo. 917S 3*
collecção do Instituto Butantan: Spl. 8; D. 17; V. 154; A. 2; Sbc. 53 P-
Urotheca elapoides euryzona (Cope)
U. c. euryzona: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:177.1929.
Xo. 8 (C. D.), procedente de Yarumal. Exemplar jovem Xo. 9181 ^
collecção do Instituto Butantan: T. 1 t 2; Spl. 8; D. 17; V. 139; A- "
Sbc. 102 p..
Xola : Colorido n^o com aneis roseos esbranquiçados mais largos no
tre: um anel interrompido sobre as têmporas.
Urotheca lateristriga (BekthoU))
U. lateristriga: .Amaral — Alem. Inst. Butantan IV;178.1929.
Xo. 119 (I. L. S.), procedente de Bucaramanga. Exemplar jovem c •
8905 na collecção do Instituto Butantan: Spl. 8/8; D. 17; V. 134; A-
Sbc. 110 p-
Kota : Colorido t>-pico ; coroa cephalica esbranquiçada ; nuca com uma
transver.sal amarellada. terminando sobre a faixa negra postocular.
Xo. 121 (I. L. S.), procedente de Muzo. Exemplar adulto o , Xo.
na collecção do Instituto Butantan; Spl. 8; D. 17; 156; ,A. 1 ; Sbc. 76 p-
Colorido t>’pico.
Hydrops triangularis triangularis (Wacler)
H. t. triangularis : .Amaral — Alem. Inst. Butantan I\':179. 1929.
Espccie ainda não registada na Colombia.
Xo. 132 (I. L. S.), procedente de La Pedrera. Elxemplar adulto ^ : Spl-
D. 15; V. 166; A. 2; Sbc. 61 p..
Nota: Visivelmente esta raça se extende até a r^'ão do Caquetá.
12
A. DO Amar.\l — Ophidios neolropicot
213
Lampropeltis micropholis Cope
L. micropholis: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:180.1929.
Xo. 3 (C. D.), procedente de Bello. Exemplar adulto $ , Xo. 9176 na
do Instituto Butantan : T. 2 — 3 ; Spl. 7; D. 21 ; V. 230 ; A. 1 ;
47 p..
^ota: Colorido: corpo vermelho com 16 pares de ancis pretos com a
das escamas negras nos aneis amarellos intermediários; cauda com 5 aneis
***^*■05 mais u’a mancha dorsal negra.
•
.Atractus latifrons (Güntüek)
^4- latifrons: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:187.1929.
Especie ainda não registada na Colombia.
Xo. 123 (I. L. S.), procedente de La Pedrera. Exemplar adulto g*. Xo.
^ collecçâo do Instituto Butantan: Spl. 7; D. 15; V. 146; A. 1; Sbc. 22 p..
na collecção do Instituto Butantan: Spl. 6; D. 17; V. 146; .A. 1 ; Sbc. 42 p..
Xoía: Colorido vermelho manchado de negro no dorso, com 14 aneis du-
plo* t
^ negros mais estreitos no ventre; um anel amarello, manchado de negro
^ *lorso, mais largo no ventre, ao meio de cada par de aneis negros ; cabc<;a negra,
'^picio, têmporas e bases dos lábios com uma faixa branca extendida até a
^^ta; ponta do labio superior branca; ponta do labio inferior negra.
Atractus loveridgei .Amaral
*4. nicefori: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:I88.1929.
Xo. 120 (I. L. S.), procedente de Sasaima. Exemplar jovem q , Xo. 9038
*** *t>Ilec<;ão do Instituto Butantan: Spl. 7/7; D. 17; V. 160; .A. 1; Sbc. 30 p.?
^ota: Exemplar resseceado. de identificação duvidosa.
Atractus nicefori .Amaral
•4. lofcridgci: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:187. 1929.
Xo. 128 (I. L. S.), procedente de Sibatc. Exemplar medio d*. Xo. 9189
A o/a: Colorido pardo escuro com uma faixa vertebral negra e manchas
e amarellas sobre os flancos; coroa cephalica negra; estria paraventral
^'Ila pintada de escuro; ventre plúmbeo com manchas negras.
13
214
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Sibon sibon (L.)
S". sibon: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV 1929.
No. 117 (I. L. S.), procedente de Sasaima. Exemplar jovem 9í
na collecção do Instituto Butantan: Spl. 7/7; D. 15; V'. 179; A. 1; Sbc. 76 P”
3 pares de mentaes.
Nota: Faixas negras dorsaes approximadas.
No. 136 (I. L. S.), procedente de Rio San Juan. Exemplar jovem 9>
f
7; D. 15; V. 175; A. 1 ; Sbc. 80 p..
Nota: Faixas negras dorsaes espaqadas.
Subiam. DIPSADINAE
Sibynomorphus pavoninus (ScBLEGEl.)
5'. pavoninus: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:199. 1929.
Elspecie ainda não registada na Colombia.
No. 143 (I. L. S.), procedente de La Pedrera. Exemplar jovem Ç-
9195 na collecção do Instituto Butantan: Spl. 9/9; D. 14; V. 196;
Sbc. 112 p..
unu
da cal«^
Nota: Colorido tj-pico, cabc^ negra com uma estria branca e unu
branca, atravessadas, respectivamente, sobre o focinho e sobre o meio da
Dipsas indica Laurentics
D. indica: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:200.1929.
No. 138 (I. L. S.), procedente de La Pedrera. Exemplar adulto o*
D. 13; V. 204; A. 1; Sbc. 114 p..
Subfam. BOIQINAE
(series opisthoglypha)
Pseudoboa petola (L.)
P. petola: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:207.1929.
No. 9 tC. D.), procedente de Yarumal. Exemplar adulto 9 •
9l>
SS?'
na collec<;ão do Instituto Butantan: Spl. 8/8; D. 19; V. 214; .A. 1; Sbc.
14
A. DO Amaral — Ophidios neotropicos
215
A'o/a: Colorido: dorso vermelho claro pintado de escuro, com cerca de 28
®**nchas transversaes negras, algumas irr^xilares, sobre o dorso; cabeça n^ra.
^ faixa amarella atravessada sobre o occipido e as têmporas até a garganta que
**®hem é toda dara.
Erj-throlamprus aesculapii (L.)
E. aesculapii: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:216.1929.
A*o. 6 (C. D.), procedente de Yarumal. Exemplar adulto o i A’o. 9179
collecção do Instituto Butantan: Spl. 7; D. 15; V. 188; 2; Sbc. 58 p..
^ota: Colorido como cm Micrurus corallinus corailinus, com 16 aneis ne-
tarjados de daro, desde a nuca até a cauda; coroa cephalica negra; occipi-
c lábios manchados de amardlo.
Tantilla reticulata Cope
E. reticulata: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:221.1929.
Espede ainda não registada na Colombia.
A*o. 126 (I. L. S.), procedente de Rio San Juan. Exemplar jovem q, Xo.
na oüllecção do Instituto Butantan: Spl. 7/7; D. 15; V. 138; .A. 2;
62 p. ; mentaes anteriores majores do que as posteriores e contiguas á
*7>«Physal.
•Vo/o: Colorido tj^pico, linhas dorsaes pouco distinctas.
Fam. E L A P I D A E
(series proteroglypha)
Micrurus lemniscatus (L.)
lemniscatus: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:231.1929.
^’o. 137 (I. L. S.), procedente de Rio San Juan. Exemplar jovem o',
**^>la<lo: Spl. 7; D. 15; V. 256; .A. 2; Sbc. 33 p..
Ao/o: Colorido vermelho com 17 triadas de aneis negros, a primeira sobre
e nuca e a ultima sobre a cauda.
15
216
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Fam. CROTALIDAE
(series solenoglypha)
Subfain. LACHESINAE
Bothrops atrox (L.)
B. atrox: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:234.I929.
Xo. 140 (I. L. S.), procedente de La Pedrera. Exemplar semi-jovcm 5-
Spl. 7/7; D. 27; V. 197; A. 1; Sbc. 67 p..
Xo. 141 (I. L. S.), procedente de La Pedrera. Exemplar jovem o**
7/7; D. 25; V. 197; A. 1; Sbc. 70 p..
Xo. 4 (C. D.), procedente de Istmina. E.xemplar semi-jovem Ç, Xo. 91'^
na collecção do Instituto Butantan; Spl. 7/7; D. 27 ; V. 205; A. 1 ; Sbc. 65 P"
Sbc.91-
Bothrops casteinaudi Dm. & Bibr.
B. caslclnaudi: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:234.1929.
Especie ainda não registada na Colombia.
Xo. 139 (1. L. S.), procedente de La Pedrera. Exemplar adulto o
9198 na collecção do Instituto Butantan: Spl. 7/7 ; D. 27; 242; A. 1 ;
Xota: Colorido: dorso pardo roseo com faixas semi-transversacs, tof^
das de 4 manchas e alternadas (excepcionalmente oppostas) com as do ' ^
opposto, com os inter-espaços com pequenas manchas; ventre pardo, pintad®
amarello acinzentado no meio e manchado de amarello nos lados, extcndcixl®'**
estas manchas até os flancos.
9lí^
Bothrops schlegelii (Berthold)
B. schlegelii: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:240.1929.
Xo. 10 (C. D.), procedente de Yarumal. Elxemplar adulto Xo.
na collccção do Instituto Butantan: Spl. 7/8; D. 21; V. 138; A. 1; 5bc-
Xota: Colorido negro manchado e estriado de amarello esverdeado;
da cauda verde sulfuraceo, pintado de negro. ^
Xo. 11 (C. D.), procedente de Yarumal. Exemplar adulto 9»
na collecção do Instituto Butantan: Spl. 9/9; D. 25; V. 142; A. 1; 5bc-
Xota: Colorido idêntico ao do Xo. 9183.
4^
ABSTRACT
In a lot oi snakes recentlv rcceived from Colombia the following
I 't tf*"
new to that countrj- were found : Heltcops polylepis, Uydrops triangular** ^
angularis, Atractus latifrons, Sibynomorphus pavoninus, Tantilla reticulata
Bothrops eastelnaudi. ^
iTrabalho da Srcflo d« Ophiologia e Zoologia
tiluto BuUatan. recebido em maio de I935i Dado *
cidade em i^etembro de 193S).
16
SciELOjo
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
220
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
á região temporal posterior, canto da bocca e parte do labio superior das supr*"
labiaes), tomando-se roseo granadina para trás.
Holotypo — Jovem, o*. Xo. 9196 na collecção do Instituto Butantan.
Dimensões — Comprimento total 175 mm.; cauda 23 mm..
Atractus pamplonensis, sp. n. (Fig. 4)
6 e-xemplares (I. L. S.), procedentes de Pamplona.
Descripção — Focinho arredondado. Rostral tão alta quanto larga apc*’**
nsivel de cima; interaasaes pequenas; preírontaes grandes, mais longas do q***
largas, contiguas á orbita, frontal curta, algo mais larga de que longa,
tão longa quanto as parietaes; nasal dividida; f renal 2 vezes tão longa qua*’**’
alta, contigua á orbita ; oculares 0 -f- 2 (excepcionalmente 0 -f- 1 ) ; tempot*^
1 2; supralabiaes 7, 3a. e 4a. contiguas á orbita; 1 unico par de mental
contiguo a 3 ou 4 iníralabiaes ; infralabiaes, mentaes e guiares algo tuberculaí**
nos o 0 . Escamas dorsaes em 17 filas. Ventraes 174 — 184 ( c? d 174-1^’
9 9 172-184) ; anal inteira ; subcaudaes 23 — 30 pares ( cj" 28-30; 9 9 23-2‘*)'
Coloração — Dorso pardo acinzentado com pequenas manchas negras
tinctas de cada lado da columna vertebral ; indicio de estreita faixa transve*^
occipital ; lábios claros salpicados de n^ro ; face vcntral amarella com uma
de cada lado, fonnada por manchas grandes redondas sobre a e.xtremidade ^
tema das ventraes e tarjada para cima jwr uma linha clara a cobrir parte ^
1.* serie de escamas dorsaes.
Typo — .Adulto o , Xo. 9192, na collecção do Instituto Butantan.
Dimensões — Comprimento total 315 mm.; cauda 32 mm..
Cotypos — a) .Adulto 9 . 9190, na collecção do Instituto Butant*®"
Dimensões — Comprimento total 372 mm.; cauda 28 mm.
b) .Adulto c". 9191, na collecção do Instituto Butant***"
Dimensões — Comprimento total 325 mm.; cauda 32 mm..
c) .Adulto c. Xo. 9040. na collecção do Instituto Butant***"
Dimensões — Comprimento total 335 mm.; cauda 32 mm..
d) .Adulto 9 . ^«o. 9041, na collecção do Instituto ButaO^
Dimensões — Comprimento total 370 mm.; cauda 28 mm..
e) -Adulto 9 > 9042, na collecção do Instituto Butafl*-**'
Dimensões — Comprimento total 335 mm.; cauda 33mm..
J'ariações — O Xo. 9041 tem apenas 1 postocular de cada lado; o No.
tem 1 postocular á direita e 2 á esquerda.
20
A. DO Amaral — Ophidios neotropicos
221
Apostolepis niceforoi, sp. n. (Fíg. 5)
^■o. 131 (I. L. S.), procedente de La Pedrera.
Descripção — Focinho pouco saliente; olho pequeno, de dianietro mais curto
^ ^lue a distancia oculo-oral. Rostral tão alta quanto larga, porção visivel de
cerca de 1/2 de sua distanda da frontal; prefrontaes mais longas do que
frontal mais longa do que larga, tão longa quanto sua distancia do fo-
e 1/2 tão longa quanto as parietaes; nasal em contacto com a prcocular;
P*^ocuIar 1 ; temporal 1 (posterior) ; supralabiaes 6, 2a. e 3a. contiguas á orbita.
contigua á postocdar, 5a. contigua á parietal, 6a. contígua á temporal ; pri-
^ro par de infralabiaes contíguo atrás da sjTnphysal; 4 infralabiaes contiguas
nientaes anteriores que são um pouco mais longas e mais largas do que as
*‘'**tcrjores ; 5a. infralabial maior de todas. Escamas em 15 filas. Ventraes 248;
dividida; subcaudaes 23 pares.
Coloração — Dorso pardo amarellado, com 7 estrias longitudínaes pardo
*®^?radas: a la. sobre a 2a. serie de escamas; a 2a. sobre a 3a. e metade da
*• serie; a 3a. sobre metade da a.a e da 6a. series; a mediana ao longo da
Vertebral. Cabeça pardacenta, com tarjas escuras sobre todos os escudos
e borda externa das parietaes e supraoculares ; u’a mancha clara sobre
da 3a. e 4a. supralabiaes c sobre a 4a., 5a. e 6a. infralabiaes; infralabiaes
* >*»cntacs anteriores tarjadas de escuro, face ventral clara com uma leve estria
*^®Ptudinal desenhada ao longo do extremo da cauda.
Molotypo — Adulto Ç, X*. 9197 na collecção do Instituto Butantan.
^•nunsões — Comprimento total 365 mm.; cauda 26 mm..
Esta espede parece affim de A. coronata {^quinquclineata e Pymi)
' assttnilis e cearensis, das quaes se distingue pela proporção do corpo (ven-
em maior numero e subcaudaes em menor numero) ; pela proporção das
(anteriores maiores) e pelo colorido.
Alicrurus mimosus, sp. n. (Fig. 6)
X*. 116 (I. L. S. ), procedente de Rio Putumayo.
Clescrtpção — Olho pequeno de diâmetro igual á distancia oculo-oral. Ros-
2 vezes tão larga quanto alta; intemasaes e prefrontaes pequenas, penta-
ítniacs; frontal hexagonal, 2 vezes tão longa ({uanto larga, mais longa do que
distancia da extremidade do focinho, 1/3 mais larga do que a supra-ocular
. longa quanto as parietaes que são tão longas quanto sua distancia das
''**«rnasacs ; oculares 1 + 2 ; temporaes 1 + 1 ; anterior longa e baixa ; nasal
^*'^^ior contigua á preocular; supralabiaes 7, 3a. e 4a. contiguas á orbita.
21
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
6a. maior; primeiro par de intralabiaes contíguo; 4 infralabíaes contíguas
mentaes anteriores, que são um pouco menores do que as posteriores. Escamas
em 15 filas. Ventraes 223; anal disndida; subcaudaes 36 pares.
Coloração — Dorso pardo avermelhado com 34 fai-vas transversaes negra*-
tarjadas de branco, occupando a tarja branca transsersal apenas metade de um*
escama; coroa cephalica negra, focinho pardacento, labio superior e tempora* ^
até o ocdpicio amarcllados, tarjados de escuro; 5 faixas negro pardacení**
atravessadas sobre a cauda; face ventral toda amarella.
Holotypo — .-Vdulto 9 • 8902 na collecção do Instituto Butantan.
Dimensões — Comprimento total 312 mm.; cauda 27 mm..
Nota: Esta especie é aí fim de M. langsdorffü, da qual se distingue
proporção do comprimento do corpo em relação á cauda, e pelo colorido.
Bothrops hyoprora, sp. n. (Figs. 7-8)
Xo. 142 (I. L. S.), procedente de La Pedrera.
Descripção — Corpo curto e grosso; cabeça bem larga; focinho com *
extremidade lc>-antada; cauda curta, não prehensil. Canthus rosiralis 3go<^
formado, de cada lado, por 2 intemasaes. 2 canthaes e pelo angulo superior ^
preocular; rostral 2 vezes tão alta quanto larga, formando com as 4 in*^
nasaes (2 de cada lado) um appendice probosddi forme ; supraocular bem gr*®*^'
com a borda externa em aresta; escamas supracephalicas subcarinadas, em
ries entre as supraoculares ; supralabiaes 7, 2a. separada da fosseta lacni®*"
3a. maior. Escamas dorsaes em 23 filas, todas carinadas, e.xccpto a paraventt*^
carina curta e semi-erecta na ponta. Ventraes 127 ; anal 1 ; subcaudaes 44.
Coloração — Dorso pardo-roseo com manchas triangulares, de vertico ****
j)erior e com uma pinta negra em cada extremidade inferior, alternadas
oppostas) cont as do outro lado, á semelhança das manchas de B. alrox:
parda com uma estria clara desde o canto supero-posterior do olho ate o ^
da nuca, e limitada para baixo, na região temporal e post-nucal. por unia
pardo-escura; ventre pardacento, pintado de amarello no meio, e manchad®
amarello e pardo negro sobre os lados.
Holotypo — Semi-jovem (^, Xo. 9199 na collecção do Instituto Butan****"
Ditnensõcs — Comprimento total 240 mm.; cauda 34 mm..
Nota : Esta nova cspecie pertence ao grupo nasuta — lansbergti — opl*^
megas, sendo mais affim de nasuta (•). Desta distingue-se, porem, facil*®^^
pelo corpo mais curto e cauda mais longa; pela abertura buccal, mais curta i
estruetura da extremidade do focinho e pela coloração.
(•) Vide AaarmI, A. 4* — Buli. AnUmin Iiut. America IIl (1)
22
A. DO Amaral — Ophidios neotropicos
223
Com a addição desta nova especie, aquelle grupo pode ser reconhecido por
da seguinte.
Chave synoptica
Intemasaes duplas
1- Canthaes duplas; focinho probosddiforme ; ventraes
127- ; subcaudaes 44- hyoprora
^ (Distribuição: fronteira colombo-brasileira).
• Intemasaes simples
I- Canthaes simples; fodnhb proboscidiforme; ventraes
130-145; subcaudaes 24-35 nasuta
(Distribuição: terras baixas do oeste do Equador e da
Colombia e do leste da America Central).
2. Canthaes simples; focinho algo erecto; ventraes
14/-159; subcaudaes 28-41 lansbcrgii
(Distribuição: districtos semi-áridos do noroeste da
.America do Sul, através da .America Central até
o Sul do México).
2. Canthaes duplas; fodnho não erecto; ventraes 166-173;
subcaudaes 32-39 ophryomegas
(Distribuição: districtos áridos do oeste da .America
Central).
.ABSTRACT
Five new spedes of snakes are described for Colombia: Lepiocalamus limi-
Ifom La Pedrera, ncar thc Brazilian-Colombian boundan.*; Airaclus pam-
. "rij, from Pamplona, near the Vcnezuelan-Colombian boundarj’; Aposto-
^ *>iceforoi, also from La Pedrera; Micrurus mimosus, from the Putumayo
^ ^ district; Bothrops hyoprora, also from La Pedrera. B. hyoprora belongs
nasuta-lansbergü-ophryomrgas group, from which it niay bc easily distin-
'^'cd by the prescnce of double intemasals and shorter body and longer tail.
(Trahalbo da 5 ct(<o d« OphioloKia v Zoototpa Mrdica do taa-
ütoto Butantao. rvccbído rm maio de t93S. Dado A publi.
cidade em aelembro de I93S).
2S
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^OLLECTA herpetologica no nordeste do brasil
(Contribuição II)
POR
AFRAXIO DO AMARAL
598.1:981
COaECTA HERPETOLOGICA NO NORDESTE DO BRASIL
(Contribuição II)
POR
AFR.\NIO DO AMAR.\L
Em trabalho anterior, publicado no tomo VIII destas Memórias (1933-1934),
ensejo de arrolar os exemplares da primeira collecta herpctologica feita
“Commissão Technica de Piscicultura do Nordeste do Brasil”, sob a di-
do distincto zoologo, dr. Rodolpho von Ihering. Essa collecta cons-
de 12 ophidios e 65 lagartos, procedentes dos Estados de Pernambuco,
**^>•1x1 e Rio Grande do Norte e todos enviados a mim para identificação
* *ilterior incorporação ás collecções deste Instituto.
A segunda collecta obtida pela alludida "Commissão Technica” e a mim
'^^'Wtida para identificação, compõe-se de 18 exemplares de ophidios e 11
*^tmplares de lacertilios. Um destes corresponde a subespecie nova, cuja des-
^^ão se acha inclusa em trabalho a seguir.
OPHIDIOS
Fam. TYPHLOPIDAE
Leptotyphiops albifrons (Wac.ler, 1824)
Esta espccie que, na “Lista Remissiva dos Ophidios do Brasil”, publicada
^ forno IV destas Memórias (1929), registei como oceorrente nas regiões
e tropicaes, sobretudo nos valles do Paraguay e Amazonas, acha-se re-
^'*«itada na collecta da C. T. P. N. B. por um exemplar:
^o. 9058, Instituto Butantan. Immaturo, em bom estado, mas sem dado
a localidade onde foi colhido.
27
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Fam. COLUBRIDAE
Subfam. COLUBRINAE
(series aglypha)
Helicops leopardina (ScHLEGEL, 1837)
Espede de “cobra dagiu”, que, no alludido trabalho, já haria considerado
como abundante nos districtos nordestino, central e septentrional do Brasil-
Representada na presente collecção por 4 exemplares, todos procedente*
de Jatobá, Estado de Pernambuco, á margem do rio S. Francisco:
No. 9046, Instituto Butantan. Jovem 9. Spl. 8. T. 1 + 2, V.
A. 1, Sbc. 78 p..
No. 9(M7, Instituto Butantan. Jovem 9 > Spl. 8. T. 1 + 2. V.
A. 1, Sbc. 70 p..
Xota: O colorido do ventre destes dois jovens é roseo- pardo averme*
lhado. com barras negras ou manchas alternadas da mesma cõr.
No. 9048, Instituto Butantan. Adulto 9- Spl. 8, T. 1 -{- 2, V. 127,
1, Sbc. 41 p. -1- n..
No. 9(M9, Instituto Butantan. Adulto 9 . Spl. 8. T. 1 + 2. V. 128.
1, Sbc. 57 p..
Leimadophis poecilogyrus (WiEO, 1825)
Quatro exemplares:
No. 9052, Instituto Butantan. Adulto (J*, procedente de Campina Gra®'
de. Estado da Paraliyba. Spl. 8, V. 156, Sbc. 49 p..
No. 9055, Instituto Butantan. .-Kdulto a, procedente de S. José do Eg>’P*®’
Estado da Parahyba. Spl. 8, V. 156, A. 2, Sbc. 49 p..
No. 9056, Instituto Butantan. Jovem 9 . procedente de Campina Grand<*
Estado da Parahyba. Spl. 8, V. 155, A. 2, Sbc. 52 p..
No. 9057, Instituto Butantan. Jovem 9. procedente de Campina Grande*
Estado de Parahyba. Spl. 8, V. 151, A. 2, Sbc. 50 p..
Nome amigar local: “Piraguá”.
Xenodon merremii agler, 1824),
No. 9059, Instituto Butantan. .Adulto 9 . colhido em Campina Gran«R’
Estado da Parahyba: Sjá. 7, T. 1 -j- 1/1 + 2. V. 151, A. 2, Sbc. 33 p..
A^ota: — .Alem dos nomes vulgares jwr mim registados para esta espc<^
na citada “Lista Remissiva”, oceorre ainda o de Juracussú-tipiti, cm Scrg>P*
e Alagoas.
28
A. DO Amar.\l — Collecta herpetologica
229
Subfam. BOIQINAE
(series oposthoglypha)
Leptodeira annulata (L., 1758)
Dois exemplares, colhidos ambos cm Campina Grande, Estado da Parahyba:
Xo. 9053, Instituto Butantan. Adulto Ç : Spl. 8, T. 1 + 2, V. 200, A. 2,
Sbc. 80 p..
Xo. 9054, Instituto Butantan. Jovem Ç : Spl. 8, T. 1 + 2, V. 185, 2,
75 p..
O colorido deste exemplar é o tv^pico da idade.
Pseudoboa cloelia (Dacdin, 1803)
Xo. 9060, Instituto Butantan. .Adulto 9 . procedente de Campina Grande,
^tado da Parahyba: Spl. 7, T. 2 + 3, V. 237, .A. 1, Sbc. 69 p..
Pseudoboa ncuwiedii (Dm. & Bibr., 1854)
Xo. 9051, Instituto Butantan. .Adulto ç, procedente de Campina Grande,
^tado da Parahyba: Spl. 9/8, T. 2 -f- 3, V. 212, .A. 1, Sbc. 83.
Philodryas nattereri Steindachner, 1870
Xo. 9013, Instituto Butantan. Immaturo Ç , sem rotulo de localidade: Spl. 8,
2 -f- 3, V. ?, A. 1 (indivisa), Sbc. 121 p..
Exemplar mutilado c semi-putrefeito, cujo colorido corresponde ao do No.
^12, assignalado na 1* “Collecta”, de sorte a justificar o futuro reconheci-
'''^to de uma subespccic nordestina.
Apostolepis assimilis (Reinharot, 1861)
Xa “Lista Remissiva” cu assignalara esta especic apenas para a zona
^tral e suboccidental do Brasil. Agora, procedente do nordeste, apparecc o
*^ttnplar
Xo. 9050, Instituto Butantan. .Adulto 9 . colhido cm Campina Grande, Es-
**do da Parahyba: Spl. 6 (5a. contigua á parietal), V. 238, .A. 2, Sbc. 24 p..
Xome vulgar local: “Cobra rainha”.
29
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230
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Fam. CROTALIDAE
Subfam. LACHESINAE
(series solenogljpha)
Bothrops er>’thromeIas Amaral, 1926
Especie ]á por mim assignalada na Bahia, Rio Grande do Xorte e Cear*’
ora representada por dois exemplares:
Xo. 9044, Instituto Butantan. Adulto 9 , procedente da divisa dos Estado*
de Pernambuco e Parahyba, perto de Serra Branca: Spl. 7/8, D. 19, V.
A. 1, Sbc. 37 p..
Xo. 9045, Instituto Butantan. Adulto cf , procedente de Campina Gra***^’
Estado da Parahyba: Spl. 8, D. 21, V. 147, A. 1, Sbc. 42 p..
LACERTILIOS
Fam. QECKONIDAE
Gymnodactylus conspicuus (.Amaral, 1932)
Xo. 550, Instituto Butantan. 1 exemplar, procedente de Custodia, no ^
tão de Pernambuco, portanto de localidade não muito distante de Villa Xo^
Estado da Bahia, onde foram colhidos o holot>-po e os parat>-pos da csp^‘
Fam. I G U A N I D A E
Iguana iguana (L., 1758)
Xos. 540 e 541, Instituto Butantan. 2 exemplares procedentes de Jati’**
Estado de Pernambuco.
Tropidurus torquatus torquatus (Wied, 1820)
Xo. 549, Instituto Butantan. 1 exemplar ç , procedente de Custodia.
tão de Pernambuco. Encontrada em terra húmida, sob uma pedra, ao la^ ^
4 ovos meio enterrados no solo, de um dos quaes sahiu um filhote jã
no momento em que o colleccionador o abriu.
30
A. DO AMAR.U. — Collecta herpelologica
231
Fara. T E I I D A E
Cnemidophorus lemniscatus lemniscatus (L., 1758)
Nos. 544 e 545, Instituto Butantan. 2 exemplares procedentes da margem
^ a<;ude Soledade, Estado da Parahyba.
Gymnophthaimus multiscutatus .Amaral, 1932
No. 543, Instituto Butantan. 1 exemplar O , procedente de Campina Gran-
Estado da Parahyba.
Xota: — Neste e.xemplar encontram-se as prefrontaes não contíguas entre
*'• de sorte que a fronto-nasal toca a frontal; 16 filas de escamas ao redor do
(12 dorsaes e 4 ventraes) e 36 filas do occipido á base da cauda; ausen-
de poros femoraes; 12 estrias longitudinaes no colorido dorsal. A separação
prefrontaes parece representar uma anomalia; as outras differenças entre
exemplar e o t\-po (d*) provavelmente estão ligadas a dimorphismo se.xual.
Fam. A M P H I S B A E N I D A E
Amphisbacna fuliginosa aiba (L., 1758)
No. 548, Instituto Butantan. 1 exemplar procedente dc .Alagoa do Mon-
^*■ 0 , Estado da Parahyba.
Xota: — Na revisão, que venho fazendo, de series dc e.xcmplares do grupo
f'*^*ginosa-alba, pareccm-mc indicados a fusão das duas formas e o rcconhed-
‘*'^to de duas raças cm A. fuliginosa: A. fuliginosa fuliginosa, distribuição
®®^e-ocddcntal, e A. fuliginosa alba, distribuição sul-oriental.
Amphisbacna pretrei (Dm. & Bibr., 1839)
No. 547, Instituto Butantan. 1 exemplar, procedente de Campina Grande,
^do da Parahyba.
Xota: — O presente exemplar apresenta 1 subocular ã direita c 2 á cs-
^üerda; 8 segmentos anaes; 247 anéis sobre o corpo e 32 sobre a cauda; ao
***^0 do corpo cada anel contem cerca dc 22 segmentos dorsaes e 22 ventraes.
Estudando ultimamentc series de e.xemplares de varias das especies, actual-
®*^tc acceitas, de Amphisbacna, tenho verificado enormes s^ariações no numero
' tta relação das escamas que circundam o olho. Segundo indico cm outro tra-
^^>0, publicado neste volume das Memórias, tenho a impressão dc representa-
meras anomalias ou variações individuaes: a presença ou ausência dc preo-
ou de subocular; a proporção c numero de occipitacs; o numero dc
*'*Pralabiacs contíguas á ocular; e a presença ou ausência da 4a. supralabial.
31
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
De referencia ao grupo pretrei — subocularis — IcucocepJiala — mertff^
— bcniensis e especies affins. mais recentemente descriptas, não será de estra-
nhar que futura revisão venha a concluir por sua sjTionsTnização (ou subdist*^
racial), restando valida apenas a especie A. pretrei Dm. & Bibr., 1839. A
pwsito, de\‘o notar que a especie pretrei já foi por mim registada no Estado ^
Parahyba (/« Mem. Inst. Butantan VIII :191), de sorte que a presença. ^
alludida zona, da esjjede subocularis, que é representante do mesmo grupo, t*^
a favor de sua invalidez.
Amphisbaena vermicularis Spix, 1824
Xo. 546, Instituto Butantan. 1 exemplar, procedente da margem do
Soledade, Estado da Parahyba.
Nota: — Este exemplar apresenta 245 aneis sobre o corpo e 32 sobre *
cauda; ao meio do corpo cada anel contém 22 segmentos dorsaes e 22 ventra^’
poros preanaes 4, segmentos anaes 6. Segundo mostro em outro trabalho
numero das Memórias, o presente exemplar parece corresponder a uma das
especies em que subdivido A. vermicularis.
Fam. S C I N C I D A E
Alabuya agilis agilis (Raddi, 1823)
No. 542, Instituto Butantan. 1 exemplar, procedente de Campina Gra®*^'
Estado da Parahyba.
Nota: — Segimdo indico cm outro trabalho neste numero das Menio^^
um estudo comparativo de exemplares de 3/. agilis com il. dorsknttata levou*****
á conclusão de serem idênticas estas especies, tendo aquclles nomes apenas
subespecifico: a raça agilis agilis ficaria restricta á zona tropical e
dorsivittata, á zona subtropical.
ABSTRACT
A list is given of 18 snakcs and 11 lizards contained in a sccond ^ !
lection made in N. E. Brazil (States of Pernambuco and Parahyba) by
Commissão Technica de Pisrícultura. Of the snakes only Apostolepis assii*^*^ ;
is new to that section, the lizards being all common, cxcepting Gymnodaiiy^
conspicuus, the holotypes and the paratvpcs of which carne from Bahia.
(Tratwlho tU de Ophiolof(ü e Zoolofcú Mrdk'* ** ^
tiloto BaUnUn rerebid* em maio de 1935. Dado * í**
cidade em aetembro de 1935).
32
COLLECTA HERPETOLOGICA NO CENTRO DO BRASIL
POR
AFRAXIO do AMARAL
398.1:981
COLLECTA HERPETOLOGICA NO CENTRO DO BRASIL
POR
AFRANIO DO AMARAL
O Instituto Butantan obteve ultimamente uma interessante collecção zoolo-
^ preparada no districto central do Brasil por oceasião de uma excursão
^ desde a foz do rio Pandeiro, affluente do rio S. Francisco em Minas
através da serra e do vão do Paranã, até o rio S. Domingos e o rio
Brava, subafíluentes do alto Tocantins cm pleno território de Goiás.
^’ão é preciso encarecer o \-alor zoo-geographico que estaria ligado aos
*^P®^nics ali colligidos, dado que o alludido districto, intermediário ás ba-
do Amazonas por intermédio do Tocantins e á bacia do S. Francisco por
*|***^cdio do Pandeiro, era virtualmente desconhecido do ponto de vista zoolo-
Sua flora é representada, de um lado, por typos caracteristicamcnte
'*^®Ph>ticos ou da zona dos campos (bacia do S. Francisco), a passarem
^^dativamente ás formas sub-xerophyticas (serra do Paranã), até as hygro-
ou das mattas de terra firme e mesmo alluviaes, comprehendidas na
^^'ficação de Engler, modificada por Sampaio.
O material herpetologico contido nessa collecção chamou-mc desde logo a
dado que nelle se me depararam ao primeiro exame algumas formas
^santes, cuja identificação e caracteres são os seguintes:
OPHIDIOS
Fam. B O I D A E
Subfam. BOINAE
Epicrates cenchria cenchria (L.)
c. cenchria: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:77.1929.
exemplares:
N'o. 9165, jovem o', procedente de Rio Pandeiro, Minas Gerats: Spl. 14;
■ V. 236; Sbc. 46.
35
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236
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Xo. 9166, jovem procedente de Rio Pandeiro, Minas Geraes: Spl-
D. 49; V. 235; Sbc. 45.
Xo. 9216, adulto (pelle), procedente de Canna Brava, Goiás: D-
V. 236; Sbc. 52.
Xo. 9217, adulto (p)elle), procedente de Canna Brava, Goiás: D-
V. 232; Sbc. 53 p..
Xota — A curteza relativa da cauda revela-se pelo baixo
subcaudaes nos 2 jovens o* o* e a relativa grossura do corpo é iti
alto numero de escamas dorsaes em uma das pelles. Trata-se talvez
nova raça, que se poderia chamar de E. cenchria polyhpis, subsp. n..
Eunectes murinus (L.)
E. t/iurínus: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV: 77.1929.
3 exemplares, procedentes de Canna Brava, Goiás.
Xo. 9247, jovem cf: Spl. 16/14; D. 54; V. 249; Sbc. 66.
Xo. 9148, jovem d*: Spl. 16/16; D. 58; V. 251; Sbc. 67.
Xo. 8211, adulto (pelle); D. 63; V. 253; Sbc. 61.
Constrictor conitrictor amarali Stull
C. c. atuara/i: Stull — O. P. Boston Soc. Xat. Hist. VHI:27.1932.
4 exemplares adultos (pelles secas), procedentes de Canna Brava.
Xo. 9212: D. 70; V. 220; Sbc. 43 -f n.
Xo. 9213: D. 65; V. 236; Sbc. 43.
Xo. 9214; D. 71 ; V. 235 ; Sbc. 48.
Xo. 9215: D. 74; V. 226; Sbc. 51.
Fam. COLUBRIDAE
Subfam, COLUBRINAE
(series aglypha)
Helicops angulata (L.)
H. annulata: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:80.1929.
Xo. 9149, adulto Ç , procedente de Canna Brava, Goiás : Spl
V. 124; A. 2; Sbc. 17 p. -j- n..
36
A. DO Amaral — CoUecta herpetologica
237
Eudryas bifossatus trisseriatus íAíÍaral)
£■ bifossatus: Stiiart — O. P. Mus. Zool. Univ. Michigan 236:5.1932.
^rymobius bifossatus trísscríatus: .Aniaral — Buli. .Antivenin Inst. .America
P'’(-l):86.1931.
2 exemplares, jovens, procedentes de Canna Brava, Goiás.
No. 9141, o': Spl. 8/8: D. 15: V. 173; .A. 2; Sbc. 103 p..
Colorido tjpico da raça, descripta por .Amaral.
No. 9146, 9 : Spl. 8/8; D. 15: V. 178; .A. 2; Sbc. 95 p..
Colorido t}-pico da raça, descripta por .Amaral.
Drymoluber brazili (Gomes)
^fymobius bracili: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:81.1929.
^fymoluber brazili: Stuart — O. P. Mus. Zool. Univ. Michigan 236:4.1932.
N'o. 9144, adulto 9. procedente de Canna Brava. Goiás: Spl. 8; D. 17;
■ -58; A. 1 : Sbc. 124 p..
Spilotes pullatus pullatus (L.)
p. pullatus: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV :83.277.fig. 1,1929.
I N’o. 9209, adulto (pclle), procedente de Canna Brava. Goiás: Spl. 7/8;
V. 237; Sbc. 109 p..
L N*o. 9210. adulto (pelle), procedente de Canna Brava. Goiás: Spl. 7/7;
■ V. 224; Sbc. 119 p..
Drymarchon corais corais (Boie)
c. corais: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:84, 325. fig. 1 . 1929.
It) ^203, adulto (pelle), procedente de Barra do Rio S. Domingos, Goiás:
■ V. 208; Sbc. 76 p..
b ^ 0 . 9204, adulto (pelle), procedente de Canna BraN-a. Goiás: D. 17; V. 202;
^ p-
ü N'o. 9205, adulto (pelle). procedente de Canna Brava, Goiás: D. 17; V. 205 ;
^ p. + n..
|y ^* 0 . 9206, adulto (pelle). procedente de Canna Bra%-a. Goiás: D. 17 ; V. 210;
' ^ ^'2 p. + n..
cm
SciELO
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238
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
’ Chironius carinatus (L.)
C. carinatus: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:84.1929.
No. 9168, adulto <^, procedente de Rio Pandeiro, Minas Geraes: SpL
D. 12; V. 141; A. 2; Sbc. 98 p. +
Leimadophis poecilogyrus (Wied)
L. poecilogyrus: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV’:86.1929.
2 e.xemplares, procedentes de Rio Pandeiro, Minas Geraes.
No. 9159, jovem Ç : Spl. 8; D. 19; V. 158; Sbc. 59 p.
No. 9160, jovem o': Spl. 8; D. 19; V. 160; Sbc. 55 p..
3 exemplares, procedentes da Barra do Rio S. Domingos, Goiás.
No. 9171, jovem ç : Spl. 8; D. 19; V. 164; Sbc. 58 p...
No. 9172, adulto o* : Spl. 8; D. 19; V. 158; Sbc. 54 p..
No. 9173, jovem 9: Spl. 8; D. 19; V*. 160; Sbc. 56 p..
Leimadophis reginae (L.)
L. reginae: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:86.1929.
4 e.xemplares, procedentes de Canna Brava, Goiás.
No. 9130, adulto 9 : Spl. 8; D. 17; V. 152; Sbc. 89 p..
No. 9131, adulto Spl. 8; D. 17; V. 158; Sbc. 87 p..
No. 9132, adulto ç : Spl. 8; D. 17; V. 154; Sbc. 70 p. + n..
No. 9133, adulto Spl. 8/8; D. 17; V. 156; Sbc 88 p..
Xota — Embora o colorido destes exemplares nada apresente de
dinario, o numero de ventraes (156 — 158 nos o' d* e 152 — 154 na* ■* ^
c o de subcaudaes (87 — 88 nos d* d* c até 89 em o ) parece justifica*’ ® __
conhedmento de uma raça local, a ser denominada Leimadophis reginae
soma, subsp. n..
Leimadophis typhius (L.)
L. typhius: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:86.1929. ;
No. 9169, adulto d* procedente de Rio Pandeiro, Minas Geraes:
D. 19; V. 164; Sbc. 54 p..
3S
A. DO Amar-vl — Collecta herpelologica
239
Lygophis lineatus (L.)
■í". lineatus : Amaral — Mem. Inst. Butantan IV :87 . 1929.
2 exemplares, procedentes do Rio Pandeiro, Minas Geraes.
No. 9156, adulto o*: Spl. 8/8; D. 19; V. 117; Sbc. 75 p. + n..
No. 9157, adulto cj*: Spl. 8/8; D. 19; V. 178; Sbc. 65 p..
Liophis genimaculatus (Boettges)
L. genhnaculatust Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:88.1929.
No. 9151, jovem procedente de Canna BraA^a, Goiás: Spl. 8; D. 17;
200; Sbc. 65 p..
No. 9158, adulto q, procedente de Rio Pandeiro, Minas Geraes: Spl. 8;
Í7; V. 201; Sbc. 63 p-
Xenodon merrcmii (Wagler)
Ophis ttierremii: .Amaral — Mem. Inst. Butantan I\':89.1929.
Xota — Hubbs mostrou rccentemcnte (in Copeia 1:26.1932) que o nome
****^co Ophis estava preoceupado com um peixe, O. tnaculala, cm trabalho
'‘'Turton, 1807.
No. 9142. adulto 9 , procedente de Canna Brava, Goiás : Spl. 7 ; D. 19 ;
• 156; A. 2; Sbc. 38 p..
^ exemplares, procedentes de Rio Pandeiro, Minas Geraes.
No. 9161, jovem q' Spl. 7/7; D. 19; V. 148; A. 1; Sbc. 49 p..
No. 9162, jovem Ç. Spl. 7/8; D. 19; V. 147; .A. 1; Sbc. 41 p..
No. 9207, adulto (pclle) : D. 19; V. 155; Sbc. 38 p..
No. 9208, adulto (pelle) ; D. 19; V. 145; Sbc. 44 p..
V
Subfam. BOIGINAE
(series opisthoglypha)
Siphiophis cervinus geminatus (Dii. & Bibr.)
y^^ycognathus ceninus geminatus: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV :98.
c. geminatus: Amara! — Mem. Inst. Butantan IV:202.1929.
y 9141 , adulto 9, procedente de Canna Brava, Goiás: Spl. 8^8; D. 19;
^3; A. 1; Sbc. 105 p..
30
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
240
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Colorido — Dorso roseo esbranquiçado, com grandes manchas pardo escura*
de cada lado, oppostas ou. mais geralmente, alternadas e ligadas ás do
opposto ao longo da linha vertebral, com os inters-allos occupados por nian
chas negras, formando, no sentido vertical, um reticulo irregular; cabeça P*®*
tada e manchada de negro: face ventral esbranquiçada com alugmas mancl^
escuras prolongadas no dorso, especialmente sob a cauda, onde formam a®®*"
Leptodeira annulata annulata (L.)
L. a. annulata: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:99.1929.
Xo. 9129, adulto $, procedente de Canna Bra^•a, Goiás: Spl. 8/8; D.
V. 191; A. 2; Sbc. 85 p..
Pseudoboa neuwiedii (Dm. & Bibr.)
P. ncuzdedii: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV: 100.1929.
3 e.xemplares procedentes de Canna Brava. Goiás.
Xo. 9134, adulto 9 : Spl. 8/8; T. 2 -f 3; D. 19; V. 202; A. 1 : Sbc.
Dorso claro, região vertebral parda, descorada, focinho negro, cabeça bra^
e nuca escura. Contém, no estomago, um exemplar de Iguanideo, semi- d\g^
Xo. 9135, scmi-jovem Ç : Spl. 8; T. 2 + 3; D. 19; V'. 215; .A.. 1 : Sbc.
Dorso claro, região vertebral pulverizada de pardo; focinho negro, cabr<*
branca, nuca negra.
Xo. 9136, semi-jovem Ç : Spl. 8/8; T. 2 -j- 3; D. 19; V’. 207;
Sbc. 100.
Dorso negro com algumas manchas transversaes brancas; focinho
cabeça branco pardacenta.
Xo. 9155, adulto o*, procedente do Rio Pandeiro, Minas Geraes: Spl- ^ ‘
T. 2 -f 2; D. 19; V. 203; .A. 1; Sbc. 99.
Dorso negro, com algumas manchas transversaes brancas.
I^seudoboa trigemina (Dm. & Bibr.)
P. trigemina: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:101.1929.
4 exemplares, procedentes de Canna Brava. (}oiás.
Xo. 9137, adulto cí: Spl. 8/8; D. 19; V. 185; A. 1; Sbc. 74 p.
Xo. 9138, adulto Ç : Spl. 8/9; D. 19; V. 216 A. 1; Sbc. 75 p..
No. 9139, adulto O Spl. 8/9; D. 19; V. 211 ; A. 1 ; Sbc. 69 p..
No. 9140, adulto Ç: Spl. 8/8; D. 19; V. 199; A. 1; Sbc. 60 p..
•10
A. DO Amak-vl — Collecla herpetologica
241
Dryophylax pallidus strigilis (Thuxberg)
p. strigilis: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:103.1929.
Xo. 9143, jovem procedente de Canna Brava, Goiás: Spl. 8; T. 2 +
Í9; V. 138; A. 2; Sbc. 79 p..
Xo. 9167, adulto 9> procedente de Rio Pandeiro, Minas Geraes: Spl, 8/9;
2 + 3; D. 19; V. 132; A. 2; Sbc. 70 p..
Philodryas nattereri Steixdachxer
Chlorosoma nattereri: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:105.1929.
Xota — Parker mostrou recentemente (in Apn. & Mag. Xat. Hist. IX:22.
”) que o nome generico Philodryas tem prioridade sobre Chlorosonta.
2 exemplares procedentes do Rio Pandeiro, Minas Geraes.
Xo. 9163, semi-jovem d*: Spl. 8/8; T. D. 21; V. 207; A. 1;
^ 125 p..
Xo. 9164, adulto 9 : Spl. 8/8; T. 3 + 4; D. 21 ; V. 208; A. 1; Sbc.
^ P-.
Philodryas olfersii (LicHT.)
Chlorosoma olfersii: -Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:105. 1929.
. Xo. 9150. adulto 9. procedente de Canna Brava. Goiás: Spl. 7; T. !-J4-
• 19; V. 191; -A. 2; Sbc. 111 p..
V 9170, jovem 9i procedente de Rio Pandeiro, Minas Geraes; Spl. 8/8;
• 1 + 2; D. 19; V. 201; A. 2; Sbc. 63 p. + n..
Apostolepis assimilis (Reinhardt)
assimilis: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:108.1929.
Xo. 9154, adulto 9. procedente de Canna Brava, Goiás: Spl. 6 (5a. -f* P*"!*
^); D. 15; V. ? (mutilado); .A. 2; Sbc. 28 p..
Fara. E L A P I D A E
(series proteroglypha)
.Micrurus frontalis (Dm. & Bibr.)
frontalis: .Amaral — Mem. Inst. Butantan IV :11 1.1929.
Xo. 9152, adulto d*, procedente de Canna Bra\'a, Goiás; Spl. 7; T. 1 -f 1 :
• ^5; V. 226, .A. 2; Sbc. 21 p..
^rpo com 12 triadas de aneis negros; cauda com 1 tríada.
41
cm
SciELO
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242
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Fam. CROTALIDAE
(series solenoglypha)
SuWam. LACHESINAE
Bothrops atrox (L.)
B. atrox: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV :1 13. 1929.
Xo. 9153, adulto 9- procedente de Canna Bra%'a, Goiás: Spl. 7: D.
V. 201 ; A. 1 ; Sbc. 51 p. -f 7.
Subiam. CROTALl.NAE
Crotalus terrificus terrificus (Laurentius)
C. t. terrificus: Amaral — Mem. Inst. Butantan IV:1I5.1929. •
No. 9201, adulto (pelle), procedente de Canna Brava, Goiás; D.
V. 182; Sbc. 22.
Xo. 9202, adulto (pelle), procedente de Barra do Rio S. Domingos,
Ed. 29; V. 184; Sbc. 23.
LACERTILIOS
Fam. G E C K O M D A E
Gymnodactylus amaral! Barbour
G. atuaraii: Barbour — Proc. Biol. Soc. Washington XXXVIII :101
Uma excellente serie, representada por 32 exemplares cm diffenmtes
desta “Lagartixa” ou “Briba” (“Vibora”), cujo typo íora colhido na local»*^
Engenheiro Dodt, no alto rio Parnahyba, Elstado de Piauhy. ^
Instituto Butantan — Xos. 563-567, 574, 601-607, 610-614, 619-626,
632, 633, 636, 662, 663, todos procedentes de Canna Brava, Goiás.
Gymnodactylus conspicuus .^mar-M.
G. conspicuus: .Amaral — Mem. Inst. Butantan VII :57. fig.9-10. 19^
G. conspicuus: Amaral — Mem. Inst. Butantan VIII :189. 1934. ^
Uma serie de 4 exemplares desta “Lagartixa” cujos holotypo e
procedem todos de Villa Xova, Bahia e que já foi por mim assi gnalR*^*
Santa Luzia. Estado da Parahyba.
42
A. DO Amaral — CoUtcla herpelologica
243
Instituto Butantan — Nos. 576-578. 649, procedentes de Canna Brava c
^ Barra do Rio S. Domingos, Goiás.
Nota — O exame comparativo desta serie com os 32 exemplares da serie
^^''cdente de G. amarali, parece indicar a necessidade de sua synonj-mização,
que o numero de filas longitudinaes de tubérculos dorsaes e de fileiras
^*®sversacs de escamas ventraes é \-ariavel. Assim sendo, voltaria a especie
^ geckoides Spix a ser a unica representante do genero no Brasil, dado que
■ "KUtogrosscnsis Berg provavelmente é invalidavel.
Phyllopezus poilicaris (Spix)
Thccadactylus poilicaris: Spix — Sp. Nov. Lacert. Brazil: 17.1825.
Phyllopezus poilicaris: Burt & Burt — Transact. .Acad. Sc. St. Louis
(1,2) .-9. 1933.
I-*ma serie, em optimo estado de conscr\ação, de 13 exemplares em varias
desta " Lagarti.xa”, já assignalada em Goiás e Matto Grosso.
Instituto Butantan — Nos. 562, 575, 579, 581-589, 664, procc<lentes' de
Pandeiro, Minas Geraes e de Canna Brava e Barra do Rio S. Domingos,
boiis.
Fam. IGUANIDAE
Anolis chrysolepis (Dm. ík Bibr.)
rl. chrysolcpis: Dm. & Bibb. — Erp. Gcn. IV 54. 1837.
2 exemplares deste falso "Camaleão”, liastantc commum no Brasil tropical,
lustituto Butantan — Nos. 647, 648, procedentes de Canna Brava. Goiás.
- • Iguana iguana (L.)
Lacerla iguana: Linnacus — Syst. Nat. (Ed. Xa.) :206. 1758.
iguana iguafui: .Amaral — Mem. Inst. Butantan VIII :189. 1934.
í exemplar jovem deste ” Sinimbu”, tão commum no Brasil tropical.
^ Instituto Butantan — No. 650, procedente de Barra do Rio S. Domingos,
^s.
Polychrus marmoratus acutirostris Spix
P- acutirostris: Spi.x — Sp. Nov. Lacert. Brazil; 15. 1825.
Y P- »Marwiorfl/a acutirostris: Burt & Burt — Transact. .Acad. Sc. St. Louis
■•'''111:41.1933.
43
cm
SciELO
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244
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
2 exemplares deste falso “Camaleão” ou “Papa-vento”, tão commuiu
todo o Brasil.
Instituto Butantan — Xos. 644, 645, procedente de Canna Bras^a,
Tropidurus torquatus torquatus (WiEO)
StelUo torquatus: Wied — Reise n. Brasilien 1:106.1820.
T. t. torquatus: Burt & Burt — Proc. U. S. Xat. Mus. LXXVIII :27-í^'^
T. t. torquatus: Amaral — Mem. Inst. Butantan VIII :190. 1934.
Uma serie de 10 exemplares, de \-arias idades, deste “Papa-vento",
mum no Brasil.
Instituto Butantan — Nos. 642, 652-658, 660, 661, procedentes do
Pandeiro, Minas Geraes e Canna Brava, Goiás.
Fam. A N G U I D A E
*
Ophiodes striatus (Sptx)
Pygopus striatus: Spix — Sp. Nov. Lacert Brazil: 25.1825.
O. striatus: Boulenger — Cat. Liz. Brit. Mus. 11:296.1825. .
1 exemplar desta “Cobra-sddro”, disseminada por todo o Brasil.
indevidamente temida como animal muito venenoso.
Instituto Butantan — No. 646, procedente de Canna Bras^a. Goiás.
Fam. T E I I D A E
Amei va amei va amei va (L.)
Lacerta ameh-a: Linnaeus — Syst. Nat. (Ed. Xa.) :202. 1758.
/í. o. atneiva: Barbour & Noble — BuU. Mus. Comp. Zool. LIX:462.Í^ *
A. a. amciva: Amaral — Mem. Inst. Butantan VIII :190. 1934. „
2 magnificos c.xemplares deste “Teiú” também chamado “Jacarc-p**'^
ou “Bico doce”.
Instituto Butantan — Nos, 640, 641, procedentes de Canna Bra^'a,
Micrablepharus maximiliani (R. & L.)
Gymuophtltalmus maximiliani: Reinhardt & Lütken — Vidensk.
Nat. Foren Kjõbenk. :211 .1861.
M. maximiliani: Boulenger — Cat. Liz. Brit. 3Ius. 11:426.1825.
44
A. DO Am.\ral — CoUecta herpetologica
245
1 serie de 5 exemplares bem typicos, procedentes de Canna Bra\’a, Goiás.
Instituto Butantan — Xos. 608, 615, 616, 618, 634.
-Vo/a — O exemplar Xo. 608 possue apenas 1 par de mentaes atrás da
anterior, enquanto os demais possuem 2 pares.
Fam. A ;M P H I S B A E N 1 D A E
15.
Amphisbaena aiba L.
-4. alba: Linnaeus — Syst. Xat. (Ed. Xa.) :229.1758.
•4. alba: Boulenger — Cat. Liz. Brit. AIus. 11:438.1825.
1 serie de 5 exemplares, procedentes de Canna Brava, Goiás.
Instituto Butantan — Xos. 551-555.
Xota — Esta serie apresenta as seguintes variações: a) aneis caudacs —
16 ou 17; b) sarnentos anacs 10 ou 12; c) poros pre-anaes 8, 9 ou 10.
anel ao meio do corpo contém cerca de 72 segmentos, sendo 34 dorsaes
* ^ ventraes. O colorido do dorso é roseo pardo manchado de escuro ; o do
^*ntre é esbranquiçado.
Leposternon boulengeri (Boettgf.r)
i-epidosternon boulengeri: Boettger — Zeitschr. f. Xatunvissensch. LVIII:
^. 1885 .
Leposternon boulengeri: Burt & Burt — Proc. U. S. Xat. Mus. LXX\’1II:
^>• 1930 .
^ 1 exemplar desta “Cobra de duas cabeças” até agora assignalada só no
^'^uay e Argentina.
Instituto Butantan — Xo. 580, procedente de Rio Pandeiro, Minas Geraes.
-No/a — Tenho a impressão de que imia revisão meticulosa deste genero irá
*'fUr que elle tem sido excessivamente subdividido em especies, baseadas antes
'ariações individuaes do que em caracteres realmente fixos.
Fam. S C I N C I D A E
Alabuya agilis agilis (Raddi)
Scineus agilis: Raddi — Mem. matem, e fisic. Soc. Ital. Modena XIX(18)
*^ 1823 .
^labuia agilis: Boulenger — Cat. Liz Brit. Mus. 111:190.1887.
’ exemplares: jovem c adulto.
4 .-;
cm
SciELO
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246
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Instituto Butantan — Xos. 643, 665, procedentes de Rio Pandeiro,
Geraes e Canna Brara, Goiás.
Xota — Elxaminando comparativamente series de exemplares de
agilis (Raddi) e de Mabuya dorsivittata Cope, verifiquei a existência de
cimes com caracteres intermediários ás 2 especies, no que toca ao numero ^
supraoculares (3 ou 4), comprimento relativo da cauda e coloração.
condições, parecer-me-ia justificada a sua fusão em uma só especie, que
2 raças : agilis agilis, distribuida pela zona tropical do Brasil e paises vizinho* ^
agilis dorsivittata, restricta á zona subtropical do Brasil, desde S. Paulo
Uruguay e o Paraguay.
ABSTRACT
A list is given of 62 snakes and 80 lizards, collected in the central sec*^
of Brazil bet\veen the S. Francisco river and the Tocantins river, froni
northermost part of Minas Geraes to the central-eastem district of Goiás.
the snakes, Epicrates cenchria is represented in that district by specimens bea^
a lower number of subcaudals and a higher number of dorsal scales,
probably representing a new race. Among the lizards a large series of Gy^
dactylus amarali and G. coiispicuus secms to warrant the conclusion that the>‘ ***
sjmonj-mous with cach other and with G. geckoidcs; likewise, Mabuya dorsh"*^^
seeins to bc but a race of A/, açilis.
(Trabalho da Secçlo dc Ophiotofcia c Zoologia
titoto BataoLiD, rccrbido fm maio dc 1935. Dad« * ^
cidade em aetembro de 1935).
46
59S. 11:591. SSl
ESTUDOS SOBRE LACERTILIOS NEOTROPICOS
II. Novo genero e especie de lagarto do Brasil
POR
AFR.^NIO DO AM.\RAL
Xo decurso da revisão que estou a faaer do material herpctologico contido
collecções do Instituto Butantan. encontrei um exemplar de laccrtilio, em
'^tllente estado de conserv^ação, cujos caracteres não coincidem com os de
**^huma forma até agora conhedda, parecendo corresponder a um novo genero.
^orisso, vae aqui descripto :
APATELUS, g. n
Definição — Genero de Teiideo, com lingua alongada c settiforme; dentes
^icos; cabe<;a com grandes escudos regulares: narina collocada entre a nasal
® ^ 1*. labial; olhos pequenos com palpebras desenvolvidas; abertura auricular
***scntc; corpo e cauda muito alongados, anguiformes; membros rudimentares:
**>teriorcs e posteriores inteiramente estyl i formes ; escamas dorsaes hexagonaes,
*^gadas e corrugadas longitudinalmente, ligeiramente imbricadas, formando
escama tres carinas, cuja mediana c mais alta c longa; escamas dispostas
^ransversalmente. de sorte a formarem aneis em volta do dorso e do ventre; es-
ventraes quadrangulares e lisas. Prefrontaes e fronto-parietaes ausentes;
separadas por um grande fronto-nasal.
Genero affim de Cophias Fitzinger (typo dorblgnyi), do qual, todavia,
^Itnente se distingue pela conformação dos membros, que são todos estylifor-
e pelas escamas dorsaes, que, embora hexagonaes, não são lisas. Distingue-
^ ainda mais facilmente do genero Chalcidcs Davdin (typo cophias), pela con-
'oririação dos quatro membros e pela forma das escamas dorsaes que não são,
quadrangulares, nem lisas.
•Voío: .A proposito deste grupo de lacertilios, parece-me que se devam se-
^•^ar em dois generos as especies incluidas por Boulenger (í/i Cat. Liz. British
tí)
cm
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250
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Mus., \'ol. 11:417.1885) sob o nome de Cophias: de um lado, as providas <1*
escamas dorsaes he.xagonaes e imbricadas, taes como dorbignyi e hcteroptn ®
que corresponderiam ao genero Cophias Fitzinger, para cujo t)-po Fitzing**^
(in Systema Reptilium :22.1843) escolheu a espede dorbignyi-, de outro
aquellas espccies cujas escamas dorsaes são quadrangulares e juxtapostas e q“*
corresponderiam ao genero Chalcidcs Daudix, para cujo tj-po Fitzinger
cit.) escolheu a espede schlegcli, que é s\-nomTna de tridactylus.
Typo:
Apatelus bresslaui, sp. n. (Figs. 1-3)
Descripção — 4 membros esU-liformcs. Elscamas dorsaes he.xagonaes, alg®
imbricadas e corrugadas longitudinalmente. Rostral grande e saliente; frontO"
nasal grande e quadrangular, quasi duas vezes tão larga atrás quanto adiante*
parietaes muito grandes; interparietal linear; 2 suboculares, posterior pequena; ^
infraorbitaria; supralabiaes 6, a !.• contigua á narina; sublabiaes 5; mentaes
1 mediana anterior e 2 pares posteriores, o anterior contiguo mesialmente;
camas em cerca de 42 series em redor do meio do corpo; guiares em 8 filas trans*
versacs, precedidas por 1 par de escudos grandes, encostados ao par posterior ^
mentaes; 1 par de escudos peitoraes algo desenvolvidos e seguidos por 1 par
escudos grandes, contiguos ao par peitoral. Poros preanaes indistinctos. Can<í*
com e.scamas he.xagonaes lanceoladas e corrugadas em toda a volta, forniand®
aneis.
Coloração — Pardacenta em dma, com uma faixa vertebral mais escura-
limitada de cada lado por uma estria negra, faixa e estrias e.xtendendo-se dcsd<
a ponta do focinho, onde são mais escuras, até a e.xtremidade da cauda; un>a
estria negra longitudinal em cada flanco, extendida, para diante, até o focinh®*
através da orbita, e. para trás, até a cauda; face inferior amarello-esbranquiç*^
Dimensões (em mm.) : total — 180; cabeça — 15 ; corpo — 60; cauda —
Holotypo — Exemplar adulto ( 9 ?). ^o. 525, na antiga collecçáo ^
Instituto Butantan, recebido do interior do Estado de S. Paulo.
Esta espede é dedicada á memória do eminente zoologo, prof. Eru**
Bresslau, do Instituto de Zoologia da Universidade de S. Paulo.
ABSTR.ACT
^dpatelus (tj^pc: bresslaui, sp. n.) is described as a new Teiid lizard cio**
to Cophias and Chalcides, from both of which it differs in bearing 4 stylifor®*
limbs and corrugated dorsal scales; A. bresslaui, sp. n. comes from the interi®*
of the State of São Paulo.
(Trabalho ila Str(io d« OphiolosU e Zooloina Medira do
titulo BaUnUn, recebido em maio de 1^3S>. Dado à
rtdade em aetembro de 1985).
50
59S.n:9SI
ESTUDOS SOBRE LACERTILIOS NEOTROPICOS
Um novo genero e duas novas especies de Qeckonideos e
•**^3 nova raça de Amphisbenideo, procedentes do Brasil Central
POR
AFR.\XIO DO AMARAL
Xo meio do material herpetologico obtido ultimamente pelo Instituto Butan-
^ e procedente do districto central do Brasil, comprehendido entre o noroeste
^linas Geraes e o centro nordeste de Goiás, entre a bacia do S. Francisco c
* 'Jo Tocantins, descobri algumas formas novas da Lacertilios que passo a
'^^^crcver :
BRIBA, g. n.
Definição — Genero de Gcckonideo, provido de digitos dilatados com as
^’^**^3ngcs distaes comprimidas; junta distai longa, livre, emergente de dentro
^ extremidade da expansão digital; placas iníradigitaes cm serie dupla; digitos
***ernos desprovidos de garra (unha). Supcrficie dorsal coberta dc escamas
^^ulares entremeadas de tubérculos carinados; super ficie ventral com escamas
'Woides imbricadas; pupilla vertical. M<achos com poros pre-anacs.
Genero aí fim e intermediário a Hemidactylus, do qual se distingue pela
*'^*encia da garra no digito interno c a Gehyra, de que se afasta i>cla pre-
de tubérculos dorsaes.
Typo:
Briba brasiliana, sp. n. (Figs. 4-7)
Descripção — Foanho apenas mais longo do que a distancia oculo-auricular
^ Vezes o diâmetro da orbita; região precephalica côncava; ouvido ovoide,
^*icno, vertical. Corpo c membros moderados. Digitos livres nitidamente
•^^dos c desenvolvidos ; 7 — 11 laminas sob os digitos internos não ungucados
53
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
254
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
e 7 — 13 sob os digitos medianos. Focinho coberto de pequenos granulo*
convexos; região retro-cephalica com grânulos diminutos entremeados de pe^l*^
nos tubérculos carinados arredondados, que augmentam gradativamente para tra*
até o meio da cauda, diminuindo depois até a ponta desta; rostral quadrangnl*^’
2 vezes tão longa quanto alta, com incisura superior; narina entre a rostral. *
la. labial e 4 nasaes; 8 — 10 supralabiaes, 7 — 8 infralabiaes ; mental gran<10'
triangular; 1 grande par de mentaes seguido de algumas pequenas placas coo*
tiguas ás infralabiaes e passando gradualmente a grânulos na garganta;
com escamas granulares entremeiadas de tubérculos carinados (Fig. 7) : veotf*
com escamas C}'cloides imbricadas; cauda cylindrica, subcomprimida. coberta
cima e em baixo por tubérculos formando 8 series longitudinaes. Macho ^
8 poros pre-anaes.
Coloração — Pardo acinzentado em cima, com uma estria clara desde
narina e através do olho até cada flanco; dorso com ligeiras pintas
face ventral roseo-esbranquiçada, pulverizada de negro; cauda bem .salpicada
escuro.
Typo — Instituto Butantan, Xo. 590, adulto J*, procedente de Rio
deiro, Minas Geraes.
Dimensões — Comprimento total 81 nim*
” da cabega 11 nuo-
Largura da cabeça 9 nuo.
Comprimento do corpo 32 nint-
” da cauda 38 nint-
. ;9l
Cotypos — Instituto Butantan. Xos. 592. 595, 597 e 599, todos $ 9 • '
(jovem). 593, 5S>4, 596, 598, todos 9 9 •
Procedência — Rio Pandeiro, Minas Geraes.
Homonota brachystoma, sp. n. (Fig. 8)
Descripção — Petjucno Geckonideo; cabeça curta, conve.xa; focinho
dondado, cerca de 2 vezes tão longo quanto o diâmetro da orbita e tão
quanto a distancia oculo-auricular ; ouvido diminuto e obliquo. Corpo 1'*’®
ligeiramcnte deprimido. Membros pouco longos, digitos curtos e grossos
l)eça colKrta com grânulos convexos, augmentando para o focinho;
Cr
roí^f^'
fir
subixrntagonal, mais larga do que alta. com incisura superior; narina j
rada entre a rostral, a la. supralalual e 2 escamas nasaes; 4 supralabia**^
infralabiaes; mental grande, sub-campanuli forme; mentaes pouco nitidas,
cadas de grânulos chatos e gradati\'amente imbricados para o lado do
Corpo coberto com escamas uniformes, lisas, cjxloides, imbricadas, maior<*
face ventral. Cauda cjlindrica, com pholidose semelhante á do corpo.
45
A. DO Amar.\l — Lacertilios neotropicos
Soo
Coloração — Pardacenta em cima, com 3 estrias longitudinaes negras: 1 ao
longo da linlia vertebral, desde a ponta da cauda até o pe§coqo. onde se bifurca,
Procurando cada ramo a r^ão supraocular; 1 sobre cada flanco, desde a ponta
*1^ cauda até a região postocular e separada da mediana, no pesco<;o e na cabe<;a,
Pof 1 faixa clara. Lábios e ventre claros, marchetados de castanho escuro.
^ypo — Instituto Butantan, Xo. 631, procedente de Canna Brava. Goiás.
Dimensões — Comprimento total 47 mm.
” da cabeca 6 mm.
Largura da cabeça 4 mm.
Comprimento rostro-anal 25 mm.
” membro anterior 6 mm.
posterior 7 mm.
” da cauda 22 mm.
Cotypos — Instituto Butantan, Xos. 568 — 573, 600, 609, 627 — 629, 635,
638 e 639 to<los procedentes de Canna Brava, Goiás.
AmphUbaena vermicularis centralis, subsp. n. (Fig. 9)
A leitura da bibliographia associada a um exame comparativo de grande
^*®r’crí) dc exemplares de espeaes de Amphisbaena não possuidoras de mais de
P®ros pre-anaes parece suggerir a necessidade de uma profunda modificação
^ nossas vistas actuaes sobre a separação especifica desse grupo. Observan-
te detidantente series de e.xemplares da mesma especie e da mesma distri-
*5^ geographica, encontram-se frequentemente variações tão profundas, que
invalidar a actual differenciação de taes espccies, baseada, como é ella,
^'**cipaln)entc no numero e relação dos escudos cephalicos, dos aneis caud.ies
segmentos anaes, caracteres que não me parecem absolutamente fixos.
t)cntro desse grupo, que tem a espccie vermicularis como forma principal,
^ se pudesse estabelecer imia distineção afanas subespecifica, juntando-se
formas outras que se encontram afastadas por mero accidente anatomico.
se poderiam reconhecer as formas .seguintes:
*) A. vermicularis vermicularis Spix, 1824, forma typica. oriunda da Ba-
^ do nordeste e norte do Brasil ; caracterizaxla pela presença de um ma.ximo
aneis sobre o corpo c 17 sobre a cauda. A esta forma se poderia fun-
250
"Ür . . . -
j ® espccie A. brasiliana Grey, 186a (forma apiiarentcmentc anômala, cujo
procede do Pará) e A. steindachnerí Strauch, 1881 (forma talvez anômala,
^ *>'po procede de Matto Grosso).
A. vermicularis darzAni Dm. & Bibr., 1839, cncontradiça no sul do Brasil,
Argentina, Paraguay e Bolma; caracterizada pela presença dc 224
sobre o corpo c 25 sobre a cauda. . A esta forma se poderiam fundir as
56
cm
SciELO
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256
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
formas apparentemente anômalas: A. albocingulata Boettger, 1885, cujo OT'’
procede do Paraguay; A. gracilis Strauch, 1881, cujo tj-po não tem procedenCJ*-
A. mildei Peters, 1878, cujo t>-po procede do Rio Grande do Sul e A.
Grey, 1872 (= angustifrons Cope, 1861), cujo t}-po procede de MendonA
Argentina.
c) A. vermiculans centralis, subsp. n., originaria do centro do Brasü ^
caracterizada do segmnte modo:
Descrípção — Corpo com 232 — 245 aneis; cauda com 31 — 34 ancJ--
segmentos anaes 8 (excepcionalmente 6) ; poros pre-anaes 4 (e.xcepcionalnieo**
5 ou 6).
Coloração — Dorso pardo dnereo, ventre branco amarellado com
estria escura atravessada sobre a extremidade proximal de cada anel.
Typo — Instituto Butantan, Xo. 556, procedente de Canna Brava, Go»**"
Dimensões máximos — Comprimento total do corpo . . . 345 nim-
” da cauda .... 50 mni.
Diâmetro do corpo 9 mm.
Cotypos — Instituto Butantan. Xos. 557 — 561 e 617 procedentes de Ca**®*
Brava, Goiás e 651 e 659 procedentes de Rio Pandeiro, Minas Geraes.
Nota — O Instituto Butantan possue 1 e.xemplar (Xo. 546) desta me^
raça, procedente do Estado da Parahyba.
ABSTR.\CT
The following forms are described:
a) Briba (t)!»: B. brasiliana, sp. n.), new genus of Gecko described
Brazil, dose to Hemidactylus, from which it differs in its inner digits bca^
no claw and to Gehyra. from which it differs in bearing dorsal tuberclcsí
tj-pe and cot>-pes of B. brasiliana come from Rio Pandeiro, Minas Geraes-
b) Homonota braehysioma, sp. n., characterized by the presence oí
4 supralabials and 3 infralabials, type and cotj-pes from Canna Brava,
c) Amphisbaena tertniciilaris centralis, subsp. n., characterized by a
tail, tjTx: from Canna Bra^•a, Goiás and cot>-pes from Rio Panddro,
Geraes. ^
The Amphisbaena group vermicularis — brasiliana — steindachntft
daneinii — albocingulata — gracilis — mildei — plúmbea is reviewed.
(Trabalho da S«cçio tSc Ophiolo^ia c Zoologia Mí< 1***
titalo Butantan. recebido em maio de 1935. *
cidade em aelembro de 1935).
56
' Aíi.vr.\l — \ovos generos e especies de Lacerlilios do lirasil
Mem. Inst. Butant«n
Volume IX — 1935
Fi«. 1
Fi*. 2
Apatrtuft bmAtaaí. k- n., sp. n.
Inst. Butanun No. S2S (X 3)
Fi«. 5
Fir.
Brih* brssilinna. «. n., sp. n.
Inst. BotnnUn No. SM <x S)
_t 'M**;*» J ♦♦•-ti ♦‘TV* •-•♦-íTK
iíf :iít ni nit:: rtn i : :t: :
H ^
brachystona. ap. n.
*• BuUnUn No. Ul (X <•
Fi«. 9
AMpbisbasna rermicalaria rantralia. subsp. n.
Inst. Butaotan No. SS9 (X I>
2 3
cm
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574.19:615.91:598,122
ESTUDOS BIOCHIMICOS SOBRE
Os VENENOS DAS SERPENTES DO GENERO BOTHROPS
Acção coagulante e purificação da secreção da ^landula
venenosa da Bothrops jararaca
POR
DIOXYSIO voN KLOBüSITZKY
Desde as conununicações de Brainard e de Martix (1), que descreveram
* Coagulação intravascular do sangue sob o eí feito dos venenos da cascavel e da
*crpcnte preta” australiana {Pscudcchis porphyriacus) , muitos auctores se
oceupado da acção hemostatica do veneno de certas serpentes. Recentemente
^olden (2), trabalhando com veneno de cobras australianas, tentou, porem sem
ccsultado satisfactorio, isolar, sob forma activa, por meio de adsorpção pelo
a substancia que provoca a coagulação. MacFarlake c Barnett (3)
****i>licaram algumas experiências sobre coagulação do sangue oriundo de pessoas
^'c^ítophilicas sob a acção do veneno de Vipera russeUii. Devemos também men-
'‘‘^r Peck (4) c Peck e Goldbercer (5), que, applicando o veneno, obtive-
bons resultados no tratamento da diathesc hemorrhagica e da hemorrhagia
utero. Finalmente. Barnett e MacFarlane (6), que fizeram um estudo
'®**’parativo do ef feito do veneno de varias colubrideas, viperideas e crotalideas
tratamento da hemophilia.
Consultando a bibliographia, verificámos que, apesar do grande numero de
'^hos, antigos e recentes, feitos a respeito, ha dois pontos em que os auctores
'^scordam: 1.* alguns auctores, como Artiius (7). Houssav, Sordelli e
^Cgrete suppõem que a acção coagulante ou hemoK-tica seja devida ao principio
*®*>co, attribuindo a este o caracter de fermento, enquanto outros, como Mora-
(8), Holoen (2) são de opinião que estas propriedades não tém relação
com o principio toxico; 2.®, o facto de a secreção da glandula venenosa
nicsma serpente produzir, ora hemolyse, ora coagulação, c explicado pela
^R*rla dos investigadores e espccialmente Artucs, Hocssay, Xoc (9) e Cal-
3
260
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
METTE (10) como devido a substancias da mesma natureza, ao passo que FaCSí
( 11) suppõe ser a hemolyse produzida pelo principio toxico e a coagulalação.
por um fermento.
Com respeito á acção coagulante ou hemohtica dos venenos do
Bothrops (nome antigo: Lachcsis), os trabalhos mais importantes são os ^
Lacerda (12), Arthus e collaboradores (13), Noc (9), Brazil e
Pestaxa (14), Sammartixo (15), Houss-W e Sordelli (16), Ra>'C^
Pestaxa (17) e Houssay e Negrete (18). As conclusões desses auctores s®'’
bastante divergentes : Lacerda e Brazil e Raxcel Pestax.v assignalam q^*^ °
sangue dos animaes de laboratorio fica liquido nos Acasos após injecções
veneno; Sammartixo af firma que o envenenamento pela B. allemata tem
consequência uma diminuição da coagulabilidade, ao contrario de .Arthcs.
indica o apparecimento de thrombose, quando a dose é pequena, e coagulâÇ^
elevada a principio e depois tendenda persistente á não coagulação, quaiwkJ *
dose empregada é grande. Houssay e collaboradores são de opinião que todi^
os venenos deste genero são anti-coagulantes e que a coagulação é causada P^‘
uma thrombina espedfica, existente na secreção da glandula venenosa de cet^
espedes. R.axgel Pestaxa attribue ás espedes de Bothrops apenas uma ac<?
hemoh-tica muito fraca, verificando que não ha relação entre esta propried*^
e a acção to.xica. Noc regista que o veneno destas serpentes fadlita a coagtd*^^^’
attribuindo este phenomeno á libertação da thrombina contida no plasma.
O fim de nossas pesquisas é contribuir, de algum modo, para o csclam^
mento dos motivos dessas discordâncias. Xo presente trabalho versaremos
o veneno da Bothrops jararaca. As experiencias foram realizadas : com o
no natural, isto é, com a secreção normal das glandulas venenosas; com solu*®*
preparados com o veneno sccco; finalmente, com o veneno purificado,
de proteinas, produetos de sua decomposição e substancias dialysaveis. Pof
nonua de espaço damos um resultado apenas de cada c.xperiencia.
Technica geral
Para determinação da acção coagulante foi usado quasi que exclusivame®**
o sangue o.xalatado de cavallo, sendo de 0,3% o teor de (COONa)».
Salvo onde houver indicação especial, usámos sempre 5 cc. de sangue c 1
do soluto oxalatado. Em tubos em serie juntámos o soluto a pesquisar, dilu**^
na maneira usada em z>mologia, isto é, sempre ao dobro. .As experiencias
executadas em tubos de ensaio, marcando-se o tempo de coagulação compl^
isto c, ate que o sangue não se movesse mais ao se inverter o tubo. O P’*'
to.xico do material foi verificado por meio de injecções intravenosas em
Conforme a technica usada na Secção de Immunologia do Instituto, conside** •
como dose minima letal (D. M. L.) a menor quantidade de veneno de B.
4
'■ON Klobusitzkv — Estudos biochiniicos sobre os venenos das serpentes 261
'^paz de matar, inoculada por via venosa, um pombo dentro de vinte minutos (♦).
^^o nas condições referidas não ha necessidade de se marcar o tempo de
*®8gulação com muito precisão e a influencia da temperatura deve ser despre-
as exjjeriencias foram feitas em temperatura ambiente, a qual variou
*ntre 23 e 25‘>C.
1. Experiências com a secreção natural
A secreção centrifugada, representando mistura proveniente de cerca de
^ jararacas, apresenta-se como um liquido transparente, de cõr amarello-clara,
'^**coso e ligeiramente addo (pH determinado pelo electrodo de platina e gas
*^11 = 5,46). Segundo as verificações de Brazil e Rangel Pestana (14),
* secreção natural contém 33% de substancias seceas, pelo que foi ella usada
diluição de 1 :32 com agua physiologica. Eis os resultados das experiências
coagulação :
QUADRO I
Sangue oxalatado de cavallo + veneno natural
,jyboj
1
2
3
S
6 i 7 ; 8 1
9 1 10 ' 11 12
l^hãção
heio
s«n
dil.
1:1
1:2
1:-»
1:8
1:16 J 1:32 ' 1:64 i
1 . i
1:128 ; 1:256 i l:512j 1:1024
Coagy.
I
2-
í ■ 1
1
! i
ini-
aotos
ficou
liquido
2*
2’S"
2’5'' ! 2'30” ' 3'40" '
1
!
— , i
10’ 12’15”j 13’ 14’
•A. secreção natural não diluida na mesma proporção também não coagulou:
contrario, após 2 horas, o sangue ficou lysado.
Xuma outra experienda foram usados 15 cc. de sangue humano, retirados
Veia cubital e collocados cm 3 tubos: no primdro (Xo. 1) -j- 1 cc. da sc-
^*Ção natural pura; no segundo (No. 2) 1 cc. da secreção natural diluida a
^•1920, isto é, de modo que seu teor em substandas seceas fosse 1 Voot no
‘«rceiro (No. 3), sem secreção, para senir de testemunha. O resultado foi o
*^Çüinte :
Xo. 1 — Hcmolyse dentro de 2 minutos.
No. 2 — Coagulação em 2 minutos.
Xo. 3 — Coagulação em 7 minutos.
^ QaA«Í todoc o» «ioMmmrato» formm feltot ttowo dUtioeto B. ArmntMa
<U S«vçio á* XmmuDolofia. a qum arrmdecffnMM a colUbonKio.
cm
SciELO
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262
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Verifica-se por estes dados que a secreção natural, na concentração de 5.55*’
causa hemolyse; na concentração de 0,02^ ou 0,01%, deixa o sangue liquido >
de 0,005% para baixo, provoca a coagulação do sangue.
2. Experiências com solutos de veneno.
Foi usado um soluto de l®/oo, sendo de 0,6 mgm. (•) a D. M. L. do vcncoo
dissohddo. Eis os resultados:
QUADRO II
Tubos
1
, 2 i 3 ■ 4 , 5
6 7
8
1 9 1 10 11 12_
U
Diluição
sem
dil.
1:1 1:2 j 1:4 ; 1:8
1 :16 1 JZ
1:64
1 :128 1 :2S6 i 1 :512 1 :1024
l20ti
Coagula-
i
]
8^
ção cm
minutos
2’20"
3’SS’ 4-30’’ 9'20" 10’15”
13'20" 19’2S"
56’
60’ 297’ , 409’ 675’
Xuma outra serie de experiencias foi determinada a influenda da conceo*
tração por meio dum soluto a 8.33%. Os resultados podem ser rcsundd^
como segue:
S cc. de sangue -i- 1 cc. de sol. de veneno
(concentração a 1.4
2 cc. de sangue -t- 2 cc de sol. de veneno
(concentração a 4.16%)
1 cc. de sangue + 2 cc de sol. de veneno
(concentração a 6,9%)
la. leitura
2a. leitura
3a. leit^_
1 h. depois
3 56 h. depois
19 h. depo»
liquido
liquido
hemoly**
liquido
hemolyse
liquido
hemolyse
Experiencias deste tj-po foram repetidas com sangue equino, tirado da
c directamente collocado nos tubos previamente preparados. O soluto de
no era a 2.78%.
5 cc. de sangtK
2 cc. de sangue
1 cc. de sangue
+ 1 cc. de sol. de veneno
(concentração a 0.49%)
-i- 2 cc de sol. de veneno
(concentração a U9 %)
•f 5 cc de sol. de veneno
(concentração a 2J %)
la. leitura
2a. leitura
1 h. depois
1 19 h. depois
liquido
hemolyse
liquido
hemolyse
começo de
hemolyse
hemolyse
(*) O rm^no m«co tinha inicialmenta a D.M.L. 69
tardado durante 1 aonoe, proraTehnrnte uma
auperficie, donde d««orre eeta dhniooiclo da actieidade.
0.2* mrni.. Depois de pulTerÍ»*^*^^j»
liaeira oxrdaçio, facilitada peU
6
TOn Kiobcsitzkt — Estudos biochimicos sobre os venenos das serpentes 263
Estas experiendas demonstram também, em relação, tanto ao sangue oxa-
**tado, quanto ao sangue natural, que a influencia da secreção da glandula
'^'nenosa depende de sua concentração. Em concentração inferior a 0,4% pro-
coagulação ; entre 0,4 e 4% impede a coagulação e adma de 4% causa hemo-
dentro de pouco tempo, sendo que as concentrações que impedem a coagula-
^ também causam hemolyse, mas só quando postas em contacto demorado com
® sangue.
Afim de obter a explicação destes ^-arios phenomenos, apparentemcnte cau-
pelo prindpio toxico, tentámos isolar da secreção a substanda venenosa.
3. Purificação para isolamento do principio toxico.
A secreção, além do prindpio toxico, contém protdnas de caracter albumi-
e globulinoso, peptonas, fermentos, substandas corantes e ^•arios saes inor-
^icos. Porisso, para a purificação, tivemos, em primeiro logar, de proceder
* stia desproteinização.
Baseados nas experiendas de Faust (19), fizemos a desproteinização por
do calor ou de hydroxydo de ferro colloidal. Ambos os methodos permit-
obter solutos isentos de protdnas typicas, mas tem a des\’antagem de permit-
que o precipitado acarrete também comsigo uma parte da substancia toxica,
P^da ine^-itavel. Assim, experimentámos o ^«naphtolsulfonato de Ca, que se
'^ende no commerdo sob o nome de asaprol, segimdo a formula de Riedel (20),
* fintámos a adsorpção pelo Ca»(PO«)j, conforme indicação de Willstaetter
^ 2l). Verificámos que o asaprol não pode ser usado, porque destroe comple-
•*nientc o veneno. Também a adsorpção pelo Cas(PO«)s não representa um
®**fhodo optimo, porque este sal só pode ser usado em solutos previamente
'^^roteinados. risto o adsorvente retirar também um pouco de proteina. Por
motivo, cm nossas experiendas foram firmados os dois methodos seguintes:
^fethodo /. Dissolvem-se 20 grammas da secreção secea (•) em 800 cc.
soluto de NaCl a 6%. •\ reacção deste soluto é apenas ligdramente acida
6,0), de sorte que, para fadiitar a coagulação, é necessário addidonar HCl
»5% até se attingir o pH 5,0, que se verifica rapidamente com papel de tomasol
fica distinctamente vermdho. Em seguida, aquece-se a 70®C o soluto cm
^^^oho maria, mexendo sempre, durante 10 minutos; assim se predpita a maior
P^tte das protdnas coaguláveis, .^pós um rápido resfriamento filtra-sc o soluto
' *justa-sc o pH com NaOH até 6,0 (**). Faz-se então a precipitação com-
das protdnas por meio de um soluto de ox)’do de ferro colloidal a 10%,
***»Tia proveta, juntando o reactivo gotta a gotta c mexendo sempre o soluto.
(*) Pmrm m parífkacSo asáox» ■ nhauncia Mcca pulrcrlnda. Undo como D.M.L. 0,< mm.
t**) Srnda • •abatancU toxica moita xoiuítxI á nocfio alcalina, d praciao exitar uluapaa-
•au pH.
cm
SciELO
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264
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Em intervallos convenientes interrompe-se a precipitação até o precipitado
depositado e retira-se uma pequena quantidade do liquido sobrenadante P*^
verificar si ainda dá precipitado pelo soluto de ferro. Terminada a precipitaç*°*
filtra-se o soluto no frigo e diminue-se o volume para 60 cc.. A concentraç*®
e feita pela ultrafiltração no frigo, usando-se como ultrafütro membrana de
lodio em addo acético gladal a 6 %, endurecida em agua. Para facilitar a ultr>'
filtração, é convem’ente mexer o soluto. Lava-se agora, numa proveta, o ÜQ®'
do concentrado em 20 cc. de agua destillada. O liquido contem ainda substand**
biuretas, principalmente peptonas, para cuja eliminação usa-se o acido metapb®^
phorico em soluto a 10%, conforme indicação de Faust. Elimina-se o
pitado assim formado pela filtração, devendo a prova de biureto com 3 g®*
destillada ser negativa no filtrado. Completa-se o volume deste para 200 cc- *
addiciona-se ao liquido igual volume de álcool absoluto, produzindo assim
turs-ação que pode ser eliminada pela centrifugação do soluto. -■\o liquido ci*^
junta-se mais álcool absoluto até não se formar mais predpitado, centrifugando-®
de novo. O precipitado contém o principio toxico e é collocado num sacco ^
pergaminho e dialysado no frigo em agua destillada — trocada 2 vezes por ^
— durante 2 dias. Termina-se a dialyse com uma electrodialj-se de S-10 hora*-
usando uma corrente de 110 Volts. O soluto assim purificado contém some®*^
o principio toxico e, para converter este em pó, predpita-se o soluto no\'ame*>**
com álcool absoluto. A seceagem deste predpitado é feita no vacuo sobre acj<^
sulfurico, numa estufa a 37*. Dentro de 2 dias pode o mesmo alcançar o p®**’
constante. Rendimento: ^ 8 %.
Methodo II. .^ddidonam-se ao soluto a 10% do veneno seceo, rcvol'"*®'
do-o fortemente com o mexedor dectrico, alternadamente 6 cc. de Na^ PO 4 a
e 3 cc. de CaClj a 15% até que se obtenha um soluto bem leitoso. Dci**'*^
depositar o precipitado e retira-se uma amostra do liquido sobrenadante, dil®*®*
do-a a 1 :25 e ddla juntando 1 cc. aos 5 cc. de sangue o.\alatado. Si dentro
de
15 minutos houver coagulação, continua-se a adsorpção pelos solutos mencionado*’
até que a prova de coagulação seja negativa. Centrifuga-se depois o prcdpiw*^
que é constituido pelo CaaíPO»)» e pelo principio toxico por elle adsorvido. *
dissolve-se em addo acético a 10%. Submcttendo-sc esta solução á dialy** ^
frigo durante 8 dias, obter-sc-á um soluto isento de Gi. As substancias biuret***
cujas quantidades são pequenas, eliminam-se pelas prcdpitações com hydrosj^
de ferro colloidal e addo metaphosphorico, seguindo-se depois o mesmo ^cocf^
de purificação usado no methodo I. Rendimento: muito variavel, no
mo 10,5%.
-•V substanda secea assim obtida apresenta-se sob a forma de um pó amorp^
de cõr amarello-esverdeada, que ao exame microscopico se revela como plaqu»®^
de formas irregulares, porém marginadas de linhas rectas, de cór amardl®j
canario pallida e estruetura ligeiramente marmorizada. Dá, com agua ou alc®^
8
TOn Klobcsitzky — Estudos biochimicos sobre os venenos das serpentes 265
* 50%, solutos colloidaes íortemente espumantes. Sua dose mínima letal é ile
mgm. As analyses qualitativas (•) mostram que ella não contém azoto.
*®xoíre ou phosphoro, nem halogeneos, mas é composta tão somente de C, H e O.
Também foi verificado que não se pode delia desdobrar, pela hydrolyse com
*®do mineral, nenhum hydrato de carbono com poder reductor. Tentativas de
**ystallização (resfriamento, precipitação pelos saes ,evaporação, precipitação por
substancias) não deram resultado.
• ■>
■
B«llir«poUi{fia
Xit% rtiM piTc.piUda. <D. M. L. =: O.OS mrm.)
Comparando as propriedades da substancia obtida com as da ophiotoxina e
*^t*lotoxln», preparadas por Favst, não pode haixr duvida de que aquclla
^^esponde ao principio activo, ate agora mais puro, do veneno de B. jararaca.
embora admittindo a possibilidade de mais tarde ser verificado que cila
é composta de dois ou mais elementos de propriedades toxicas, propomos
f'^a a mesma o nome de bothropotoxina (**).
Antes de relatar sobre a acção coagulante da bothropotoxina mencionaremos
*Was experiencias elucidativas da composição da secreção da glandula
'"'Oenosa (*•*).
Substancias azotadas. Pelo doseamento do nitrogênio na secreção secea por
de processo de Kjeldahl verificámos que 1 cc. dum soluto a 1% contém
mgm.; isto é, 9.704% de nitrogênio, de que 8,971% se originam das
^**^cinas coaguláveis. Por meio de fraccionamento pelo (XH 4 ) 2 S 04 observámos
protein a se compõe de albumina e globulina. Ao contrario de Faust, não
0« r«»ultado« dma anatyvn qoantitatirat ■«ráo obJ«cto da «nrunda parte deata investisa-
frita em tolUborayáo com noaao dbtiocto colleva. dr. Paulo KOoic.
) Oa foUiroa compoatoa. delia ia^adoa, dareriam aer dcaiffnadoa peUa variaa letxma do alpha*
<•
(•••
de
Oa examea foram feitoa numa amoatra oriunda da miatura dr errea de 100.000 rxtracfõea
cxempvarea de B. Jararaca.
cm
SciELO
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266
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
■encontrámos albumoses na secreção, de modo que, depois de eliminadas as
teinas coaguláveis, só poude ser verificada a presença das peptonas. A detcrnn
nação do nitrogênio mostra-nos que a maior parte, isto é, 56,06%, da secreça®
■secca é composta de proteinas coaguláveis.
Sustanctas extrahtveis pelo ethcr de petroleo. — Extrahimos algumas amo**
tras da substancia secca por ether de petroleo com ponto de ebullição acima df
50"C, methodo de Soxleth, e verificámos que a concentração total das substanciai
e.xtrahiveis perfaz 5,296%. O extracto ethereo, pelo simples aspecto,
ser mistura de duas substancias differentes. Uma parte é de côr castanho-cs^o**
e a outra amarello-cinzenta. Podem-se separar as duas partes pelo álcool, senó^
a substancia de côr castanha solúvel cm álcool ou em agua e não em benzol o®
chloroformio, enquanto a outra parte se dissolve em chloroformio. .\mbas **
substandas são isentas de cf feito toxico ou coagulante e ainda estão sendo obje^’’
•de pesquisas. Por ora só podemos dizer que a parte álcool - e hydro-soln^
não pode ser reduzida por HCl e Zn metallico e, quando ox)’dada por
toma-se de côr rosa, e castanha mais escura quando por HíS 04 e KMn04-
addição de sol. 4X de XaOH, fomia-se um predpitado de côr castanho-e®^®^
que pode fadlmente ser filtrado, dando um liquido incolor. Ao exame m>ci®*
eopico o precipitado apresenta-se sob fomia de crystaes grandes, irregulares e
côr amarello-clara.
Substancias mineraes. A substanda secca contém 4,437% de substanO^
•mineraes não voláteis, dos quacs 0,179% de chloro (methodo de Voliiard-S-'*
KOWSKi), não revelando a presença de ferro.
4. Acção coagulante da bothropotoxina
Estas c.xpcriencais foram feitas com um soluto, em agua physiologic*» ^
bothropotoxina a l®/oo. sob condições idênticas ás mendonadas na dcscripÇ^
tcchnica geral. Expomos no quadro abaLxo os resultados de uma das cxpcrieoõ**
QUADRO III
Sangue equino oxalatado -f- bothropotoxina
Sol. a l®/oo; D. M.
L. = 0,25 mgm
T ttbos
1 2
3
4
S
Diluição
não dll. 1 '-2
1:8
1:32
i-.i:»
Coagulação
em minutos
4TS’’ r
9’SO”
14’
43’
10
voN Klobusitzky — Estudos biochimicos sobre os venenos das serpentes 267
Para verificar a influencia da concentração fizemos experiencias com solutos
concentrações mais ele^•adas, até 10 %, e obser\'ámos que os solutos de con-
'^Wração superior a 1 % mantêm o sangue retirado da veia em estado liquido,
contrariamente ás experiencias feitas com sol. de veneno natural, nunca
^^ficámos hemolyse. Este facto nos suggeriu que provavelmente a acção
®®*gulante também não seja occasionada pelo veneno puro, mas por uma subs-
*>acia de natureza enz\Tnica, que ainda ficasse ligada ao principio toxico da
^hropotoxina. Tentámos, porisso, separar a acção toxica da coagulante, usan-
'■arios methodos, taes como: passagem de corrente electrica, ultrafiltração e
'l^^ccímento. Por todas estas maneiras ficou patenteada a impossibilidade de
separação destas duas acções, sendo que a bothropotoxina perde ou conserva
**®’pre na mesma escala a toxicidez e a acção coagulante. Para documentar
tentatix^as, e.xponhamos aqui alguns dados, referentes a:
à) Electrophorcse.
Sol. de bothropotoxina a IVoo- Corrente: 110 V'. Electrodos de cobre,
^%^âo da corrente por intermédio de solutos de CUSO 4 a 10 % e sol. saturado
KCl e tubos de agar-agar. Duração da experiência: 2 horas. Para deter-
a acção coagulante (a. c.) foi feita uma diluição de 1 :10 e usada a technica
para verificar a acção toxica (a. t.) foram injectados 0,7 cc. (diluição
^: 1 ) em pombos, por via intravenosa (♦).
Sol.
a) pH: 5,89
Eiquido tirado do polo positivo: a. c. — 8 ’; a. t. — mata em 16’.
negativo: a.’ c. — 7’; a. t. — mata cm 10’.
ff ff tf
Sol.
b) pH: 4,09
^aido tirado do polo positivo : a. c. — 11 ’,40" ; a. t. — sym|>tomas leves
” ” ” negativo: a. c. — 12’,45”; a. t. — ’ ”
c) pH: 8,89
^uido tirado do polo positivo: a. c. — 9’50”; a. t. — s>-mptoma;, graves.
negativo : a. c. — 22 ’ ; a. t. — nenhum symptoma.
tf ff tf
t*ara u rzp«ri«ncUs d« caUpbor9« o pH foi aiiutAdo com Umpom (acetato • phoaphato,
c. no liquido retiraû do appnrdho dc clectroi>boc«»e. foi ajuatado noeamcntt o
^Ul do aoluto, i«to é. a 5,9.
11
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
b) Ultrafiltração.
Como ultraíiltros foram usados vasos de porcellana de Bechhou>-Kõ>'**’
cobertos por uma membrana, preparada de algodão polvora a 4, 6 e SÇ?» ^
acido acético glacial, endurecida em agua. O tamanho dos poros foi determio**^
pelo methodo de sopro por ar segundo Barus (22) e Bechhold (23), seo^
usado, como duplos de liquido, o álcool isobut)lico saturado com agua e a
saturada com aquelle álcool (24). Para ultrafiltração usámos sempre solol***
de bothropotoxina a IVoo- As experiencias revelaram que. quando o dianX**®
dos poros máximos é inferior a 330 m ji., o liquido que atravessa a
não possue acção coagulante nem acção toxica, ao passo que membranas ^
porosidade mais grosseira deixam passar inalterado um liquido com acção ccafi®”
lante e toxica.
c) Aquecimento.
.\ bothropotoxina mostra-se bastante thermoestavcl, pois seu soluto ^
aquecido durante 5 min. a 80“C, sem a minima alteração no seu effeito co agulafl“
ou toxico. Seu aquecimento a 75® durante 15 min. traz por consequência
Sí'-’
retardamento da coagulação (8’ em vez de 4’) e uma diminuição do poder to-
(apenas phenomenos graves passageiros em logar de morte dentro de 8’)-
aquecimento a 85®C durante 15 min. determina coagulação do sangue so
30 min. e, em quantidade dobrada, não causa phenomeno algum no pombo. •
a influencia de temperatura ainda mais elevada podemo-nos orientar pelos o*
seguintes :
ap^
QUADRO IV
Sol. de bothropotoxina a IVooI D. M. L. = 0.5 cc. (*) ^
Acção coagulante: 5 cc. de sangue oxalatado -f 1 cc. do solut»^
bothropotoxina =
coagulação em 5
min. ^
1
AcfSo toxica
Aquecimento
.Acção coagulante
de 1 cc. de 2 cc. ^
90*C 10’
10’
nem symptomas le%'es ! 5 >Tnptomas B"
10O*C 10’
13’
> * .
ta
Cumpre mencionar que o exíracto do musculo da B. jararaca, aqu^-
glycerinado, ou adsorvido pelo Cas(P 04 ) 2 , também possue acção coa{í****^
(•)
O tolato foi d«po«itado dnrmnto mlfuti# <ÍU«: poriMO, boort uma diminuifão de lua
12
Tox Klobusitzky — Estudos biochimicos sobre os venenos das serpentes 269
forte sem ef feito toxico, pelo que pensámos numa identidade desta
‘'•Istancia coagulante com a supposta impureza da bothropotoxina. Ha, porém,
factores a contraporem-se a esta hypothese: primeiro, o extracto muscular
* ^hfrmolavel, perdendo completamente a acção coagulante quando aquecido a
^ durante 15 minutos; segundo, extractos efficazes só os obtivemos durante o
^frão e, desde que as noites se tomaram mais frescas (10“C), não mais conse-
*'*^os isolar a substancia coagulante.
De accordo com as experiências até agora relatadas, pode-se verificar que
* ^ão coagulante é causada, de facto, pela bothropotoxina, ou pelo menos por
composto fortemente ligado a ella, cujo isolamento, em estado de pureza, ainda
foi possivel. Quanto ao ef feito anticoagulante dos solutos concentrados da
^^fhropotoxim, somos de opinião que seja causado por uma impureza ainda
^^ida na bothropotoxina e cuja quantidade seja tão diminuta, que sua actividade
1“' possa entrar em jogo quando comparece em grande concentração. Esta opinião
* f>aseada no facto de a bothropotoxina só ter ef feito anticoagulante quando está
^'■Çsente no sangue numa concentração de 1 % ou mais, enquanto, para a secreção
=^ral. uma concentração de 0,01% e, para os solutos preparados da substancia
uma concentração de 0,4% já são sufficientes para impedir a coagulação.
.Mecanismo da acção coagulante da bothropotoxina
Afim de esclarecermos o mecanismo da acção coagulante, fizemos experien-
^ com sangue desfibrinado; com hematias quatro vezes lavadas com XaCl a
com solutos de fibrinc^enio (•) ; com solutos de fibrinoglobulina. Verifi-
que a bothropotoxina só pode coagular o sangue quando este contém
"'tinogenio e, portanto, prothrombina c thrombocinase ; assim, só é capas de
^^stituir o caldo. As experiendas que seguem evidenciam daramente esta
^'^riedade da bothropotoxina:
í)
30
30
cc.
Cc.
sol. de fibrinogenio -K 1 cc. sol. de l>othropotoxina = não ha coagulação
” ” -f 1 cc. sol. de CaCl a 2% + sol. de bothropoto-
xina = não ha coagulação
” -f 10 gottas de plasma oxalatado c bem centrifugado
-j- sol. de bothropotoxina = coagulação.
Em outra serie de c.xpericnfcias a coagulação do sangue foi retardada com
■ rtiCl c N'H«) 2 S 04 . sendo que. conforme foi demonstrado por Csapó e por
. (25), estes sacs, devido a sua acção estabilizadora sobre o fibrinogenio,
**’Pcdcm a coagulação durante 24 horas, quando presentes numa concentração
3 C/o, 35 e 0.30, respecti\'amente. O quadro abaixo contém dados compara-
em relação ao plasma oxalatado.
^ * Ot Bolato* d* fíbrinofreio foram prrparadoo polo mrthodo de HAMMARSTBN e HCUBXCR.
13
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
QUADRO V
Concentração percentiuil
da bothropotoxina
Tempo de coagulação
sangite com IXH 4 ) 2 SO 4
Tempo de
sangue
: coagulaçã®
oxalatado
2 .10-=
gm. ,
2’
30” i
2*
20 ”
1 .10-=
>
3’
50” ;
3’
55”
5.10-a
>
4’
50”
4’
30”
25.10-a
>
9’
30”
9’
20 ”
12 .10-»
>
15’
W’
10 ’
15”
6 .10-1
>
18’
13’
20 ”
3.10-*
>
AT
20 ’
1.5.10-1
>
, 160’
57’
7.8.10-5
>
470’
175’
3.9.10-5
>
1 660’
298’
\'erifica-se por estes dados que a acção coagulante da bothropotoxina,
concentração até 0,0025%, é igual para o sangue com e sem Ca.; em concentrai
menor, o sangue com cálcio, mas contendo fibrinogenio estabilizado, coagula bf***
mais lentamcnte do que o sangue destituido de Ca contendo fibrinogenio
ffli
estado normal. Baseado nestas experiencias, suppomos que a coagulação ^
guinea devida á bothropotoxina seja uma acção composta, contendo pelo nieo®*
dois factores, dos quaes o primeiro se manifesta na substituição do calcio e
segundo, na desestabilização do fibrinogenio. Não temos ainda elementos
comprehensão do mecanismo deste phenomeno. Quanto ao calcio, a
mais simples seria que a bothropotoxina liberta Ca do oxalato de calcio ; .
cámos, porém, que tal não acontece. Com respeito á desestabilização do
nogenio, dado que a bothropotoxina também é uma sulistancia colloidal, parece-ti®^
mais provável dar-se uma reacção colloidal entre amlas. Esta hNqiothese
objecto de pesquisa futura.
RESUMO
As experiencias sobre a acção coagulante do veneno da Bothrops
roct
sefl**
confirmaram os resultados obtidos {wr certos auctores com respeito ao
oxalatado, com a restricção de que o mesmo só causa coagulação quando pf^
numa concentração baixa (de 0,005% para baixo) ; em concentrações medu*
veneno (0,02 — 0,01%), o sangue conserva-se inalterado e, em concentrai^
mais elevadas, produz-se hemolyse.
Foram elaborados dois processos capazes de fornecer do veneno natural
substancia de triplo ef feito toxico e coagulante. Elsta substancia, chamada ^
C,
thropotoxina, é um pó de côr amarello-esverdeada, composto tão somente dc
14
'fox Klobisitzky — Estudos biochimicos sobre os venenos das serpentes 271
* O, não contendo grupo de hydrato dc carbono com poder reductor e dando,
agxia ou com álcool a 50%, solutos colloidaes fortemente espumantes. Ten-
**ti\-as de sua cr>-stallização não deram resultado.
Analyses do veneno natural secco revelaram que elle contém 9,70f% de
“•b-ogenio Kjeldahl, dos quaes 8,971% cabem ás proteínas coaguláveis e 0^33,
* outras substancias azotadas, prindpalmente peptonas; albumoses não foram
*®contradas. .\ quantidade do extracto ethereo obtido pelo methodo de Soxleth
P'*’fez 5,296%, sendo verificada neste extracto a presença duma substancia
'"^'^te álcool - e hydro-soluvel, de cór castanha, a qual, tratada pelo NaOH
^'•Ocentrado, se separou sob forma crystallina. .-V quantidade de substancias
^'^eraes não voláteis perfaz 4,437%, dos quaes, 0,179% eram constituídos por
*^ro.
Tentati^•as feitas para separar, na bothropotoxina, a acção toxica da coa-
*'*^te deram resultados negativos.
Foi verificado que, ao contrario da secreção natural, a bothropotoxina não
****1 effeito hemolytico.
A acção coogulante da bothropotoxina é considerada um phenomeno com-
resultante no minimo de dois factores, dos quaes um se manifesta na
*®^tituição do cálcio e o outro, na desestabilização do fibrinogenio.
O effeito anticoagulante dos solutos mais concentrados de bothropotoxina
^''^le ser considerado como resultante de tuna impureza da mesma.
ABSTRACT
Experiments on the coagulating action oi Bolhrops jararaca wnotn confirmed
fesults obtaincd by certain authors in regard to oxalatcd blood. Kevcrthc-
that venon causes coagulation only when present in a low concentration
^^.05% or less) ; in médium concentrations (0,02 — 0,01%), it kceps the blood
'*^tcrcd and, in higher concentrations, it causes hemolysis.
Two processes were devclopped with a view to c.xtracting a substance of
and coagulating effects from the venom in natura. This substance, called
^^'opotoxin, is a yclkm-grcenish po>»dcr composed only of C, H and O, and
no carbohydrate group with reducing power and forming highly foaming
^“^idal Solutions when cither water or 50% alcohol is added thereto.
Analyses of the dried venom showcd it to contain 9,704% of nitrogen, of
8,971% are represented by coagulable proteins and 0,733 by other
'^ogenous substances, chiefly peptones; albumoses wcre not found. The
***’''-’tint of ethercal extract obtained by the Soxleth inethod was 5,296%, the
^*sence of a staining brown-colourcd substance, alcohol - and hydro-soluble.
15
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272 Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
being disclosed, which treated by concentrated XaOH was separated in
line form. The amount of non-volatile mineral substances was 4,437Çt,
which 0,179^ was made up by chlorin.
Attempts made to separate the toxic írom the coagulating action o*
bothropotoxin yielded negative results. Opposite to the natural secrcíit®’
bothropotoxin bears no hemolytic power.
The coagulating action of bothropotoxin is considered a complex pbcn®"
menon, resulting at least froni two factors, one of which manifests itself i"
substitution of calcium and the other, in the destabilization of fibrinogen. ^
anti-coagulating action bome by the more concentrated Solutions of bothrof^
toxin may be due to some impurity of this substance.
1 .
2 .
3.
4.
6 .
/ .
8 .
9.
10 .
11 .
12 .
13.
14.
15.
16.
17.
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(Trabalho da Seccio de Pb>-sico.chiinica do lotütulo Bulan-
un, apresentado à Soc. de Biolo^pa de S. Paulo, em S-IV
1935. recebido em marco de 1935, e a ser publicado em
alemio in Arcli. (. exp. PalhoL u. Pharm.. Dado i publi-
cidade cm setembro de 1935).
17
cm
2 3 4 5 6 SCÍELO]_o 11 12 13 14 15 16
613.32:583.462
CONTRIBUIÇÃO Á MATÉRIA MEDICA VEGETAL DO BRASIL
Estudo pharmacognostico do Cartea, papaya L. (Caricaceae)
POR
WALDEMAR PECKOLT
Synonymia saENTiFiCA: — Papaya vulgarís Tocrn., D. C, Carica mo-
Desf., C. microcarpa Jacq., Carica papaya \'eix., Carica mamaya
^*ttribuindo-lhc sexos distinctos), Carica Correac Arr. Cam., C. hermaphrodita
Synonymia vulgar: — Mamoeiro, .An-ore do mamão (no Brasil). Pa-
(no Haiti), Ababai (nas Antilhas), Amba-paya (entre os aborígenes do
^^il), Papayer (na Fran<;a), Melonenbaum (na Alemanha), etc.
Seu frueto é vulgarmente chamado Mamão (no Brasil), Gonda ou Masr
filo Egj-pto e na Aíríca central), Kukudjc (entre os Fulbes), Bambus-masarbe
^Wos nativos Kanoiis), etc.
Patria: — S^undo alguns auctores, o Mamoeiro c originário das regiões
*^icaes da .•\fríca e da Asia, o que é evidentemente engano, pois está pro>'ado
^'er-se e.spalhado, assim como o milho, do oceidente para o oriente, ou antes,
America para a Asia e África.
Certo, comtudo, é ser originário da America tropical, acreditando-se actual-
ter tido como berço as Antilhas, passando para o México, espalhando-se
'^'Pois para outros pontos do continente sul-americano, inclusive o Brasil, onde
encontrado por oceasião de seu descobrimento, e dahi indo ter á .-Xsia e á
•^frica^ donde se espalhou, generalizando-se aos demais continentes.
Xa epoca actual, o Mamoeiro c considerado vegetal cosmopolita, attingindo
distribuição geographica quasi todos os países tropicaes e sub-tropicaes do
’*^verso.
Devemos consideral-o vegetal brasileiro, por ter sido encontrado cm estado
*^^'estre nas mattas do Brasil, como também, já em estado de pleno cultivo,
**** torno das palhoças aborígenes, por oceasião do descobrimento de nosso pais.
cm
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LO 11 12 13 14 15 16
278
>[emorias do Instituto Butantan
Tomo IX
C. de L’EcIuse, botânico francês, mais conhecido por Qusius, relata td"®
snsto abundantemente cultivado, em 1607, na Bahia, e Marcgraf, naturalista
mado que \najou pelo nosso território no largo período de 1637 a 1642, cita e®
seus trabalhos ter encontrado o Mamoeiro em estado sylvestre nas mattas
Brasil.
Sua area de dispersão é grande; na Jamaica, é conhecido e cultivado
1756, e na Ilha da Reunião, como também na Cochinchina, é esse vegetal la*^
gamente cultivado para a extracção de seu sueco leitoso que, naquella ilha, *
exportado em media de 15 a 16 toneladas annualmente.
íte
Alem do Brasil, o México, as Antilhas, a índia, a África (distríetos
Katsena e Niffi, ao sul de Kano, Pangóda, Gudjebi e Benoé, no Sudan),
em outras regiões, é o Mamoeiro bastante cultirado, quer pela excellencia de s®®
frueto, o Mamão, quer para o aproveitamento da droga, o latex papayae.
Historico
Xão ha em nosso pais quem desconheqa o Mamoeiro ou seu frueto, o ■
mão, assim denominado pelo aspecto de uma volumosa mamma. Sua vulíí*®
zaqão no Brasil data desde os mais remotos tempos precedentes ao seu des®^
brimento. Xa Europa, entretanto, somente em fins do século XVIII ou
do XIX foi o Carica papaya dado a conhecer, através de \'agos relatos de
Hughes, além dos já mendonados de Gusius e Marcgraf. Aquelle excur**®"
nista que viajou pelo pais lá para o anno de 1750 conta, cm seu relatório
viagem ao Brasil, que neste curioso pais existe um vegetal de abundante
do qual os indigenas usam folhas e fruetos com o fim de amaciar a carnf
suas caças e que se suppõe ser o Corico papaya L., ou Mamoeiro. Já cm ‘ ’
Endlicher c \'anquclin oceuparam-se mais detidamente do estudo desse vcjtc^
c de seu sueco lactcscente, até então conheddo empiricamente através dos rcl*®^
anteriores, já dtados. Aquelle latex foram attríbuidas propriedades digc**‘'^
e vcmii fugas, sendo essa a primeira citação conhecida das propriedades da
latex papayae. Posteriormente, em 1821, Descourtilz mendonou novameo*®
uso feito pelos aborígenes do Brasil de um vermifugo no qual entrax^am
tes do Carica papaya ; foi talvez essa a primeira notida do emprego therap®*®^
das sementes do Mamoeiro, embora ainda de um modo vago e empiríco.
modo foi crescendo a fama daquelle vegetal, ate que em 1868 Vinson,
da Reunião, positivou a acção de um supposto príndpio digestivo e
usado na teniasc hiunana, dizendo que des-ería existir no latex do
(Papayer) e denoniinando-o carietna, sem, comtudo, isolal-o. Foi este, -
duvida, o primeiro ensaio sobre o estudo sdentifico do Mamoeiro e sua
o latex papayae (Histoire du Papayer, M. \'inson, 1868, .\rch. de Medidn®
4
W. Peckolt — Matéria medica vegetal do Brasil
279
abrangendo conhecimentos empíricos e originaes sobre o Mamoeiro e o
^ látex, até então apenas conhecidos através de veladas notidas.
— Como vemos, cabe a V'inson a prioridade da denominação daquelle sup-
P®sío principio activo do Mamoeiro, ao qual denominara carícina, sem, comtudo,
**olal-o ou estudal-o, sob o jxjnto de vista chhnico.
Theodor Peckolt, no Rio de Janeiro, Brasil, que desde 1861 se occupava
estudo completo do referido vegetal, deu então publicidade aos resultados de
analyses, revelando ter obtido, do fructo verde, folhas, caule e laicx do
paf>aya L., um prindpio activo interessante, “parecendo ser um fermento
festivo”, dotado de grande poder reduetor sobre as substancias albuminoides,
transformava em peptonas, tal como a pepsina animal, conseguindo isolal-o
***> estado puro, o qual denominou papayotina (Carica papaya L., von Dr. Theo-
Peckolt, Zeitschrift des allgem. Ôsterr. Apotheker-Vereincs, 24-25, 1876).
Mais tarde, ainda esse chimico publicou novos trabalhos sobre o Mamoeiro,
papaya L. (“Melonenbaum”, von Dr. Th. Peckolt, Beriche der Deuts-
Pharm. Gesell., 1879), esclarecendo todos os princípios chimicos encontra-
anteriormente e re\'elando methodos aconselháveis para a e.xtracção da
^Poyotina pura, como para a colheita do Ialex. -Aconselhava igualmcnte a
**Plora<;ão commcrcial no pais daquella substancia como um succedaneo da pe-
animal ou do avestruz, droga de elc\-ado preço. Posteriormente A. \\’unz
^1879), Bonchut, Dujardin Beaumetz, Moncor\-o, Niobey e outros estudaram
^ucllc principio sob differentes aspectos, chimico, phamiacologico e therapeu-
emprestando diversas denominações, como papayna, papaina, papailiua,
^Psina vegetai, ao principio papayotina obtido por Th. Peckolt.
Cabe. portanto, a V'inson a prioridade dessas denominações com a carícina,
*^*'^jra não a positivasse chimicamente, ou a Theodor Peckolt com a de papaya-
cujo estudo chimico executou de modo completo e notável, razão por que
^«iios adoptal-a, pois que, alem de se adiar de aceordo com a Convenção de
qualifica a espede donde foi obtida dentre os differentes vegetaes do
Caríca que encerram prindpio semelhante. .Accresce ainda a circumstan-
de que Carícina foi também denominação de um genero da familia Cypcraccae,
l^tttlnientc considerado simonjinia de Carex (Index Kcw. Plant. Phanerog.,
’ ^ICMVT) ; dahi o adoptarmos para denominação daquelle principio o nome
^Poyolina. considerando os denuis como sj-nonjanias.
O nome genérico Caríca origina-sc da crença cm que estax^a Linneu de que
vegetaes proviessem da Karia (Karjs, Indo-China), creando o novo gc-
Caríca, nome latino de Kar)’s, s^undo nos diz Barboza Rodrigues cm seu
^^tus Fluminensis (Hort. Flum., Barb. Rodrig., 1884). Entretanto suppo-
e é facil de se acreditar, que Linneu talvez desejasse caracterizar o aspecto
fructo, semelhante rcalmente a um monstruoso figo {Ficus caríca L.), cuja
*^e dellc já recebera idêntica denominação pela sua proveniência de Karia,
cm
SciELO
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280
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
é verdade. Mas, quanto á sua proveniência, não podemos crer nessa versão f
por maiores razões suppomos que Linneu de%’eria tel-o recebido da America ®
não da Asia; embora não seja este um motivo imperioso, a semelhan<;a
Mamão a um formidável Figo, cuja especie já determinada carica por aqud^
mesmo botânico, pelo facto de provir de Kar>-s (pequeno districto da A®**
Menor), onde esse fructo é largamente cultivado, foi o que levou Linneu a crea*^
o novo genero Carica.
Rogers, m Hist. oi Agriculture and Prices in England. I, 632, 1866, reia®
a procedência do Ficus carica do petjueno districto Kar}s, fronteiro a Rbode^
onde é nativo e largamente cultivado para o preparo do fructo secco, então P
conheddo na Europa.
— O nome da especie foi-lhe dado para designar o fructo. que no
é sulgarmente chamado “Papaya”, facto este que reforça a nossa supposição ^
bre a origem do nome generico do Mamoeiro, fazendo crer que do Hawai cbc*
STjl*
pi-
gasse ás mãos de Linneu o vegetal que determinou, Carica papaya. Essa
garização também levou Toumefort a descrevel-o, creando o novo genero
paya, por julgar talvez tratar-se de outro vegetal ao qual Linneu incluira
dos ramos da familia Passifloraceae, classificação acceita por De Candollc
paya vulgaris D. C.), actualmente ambos, genero e especie, considerados
n>mias de CariVa papaya de Linneu.
O genero Carica pertenceu, anteriormente á revisão geral de systemat^
ás familias Papayaceae e Passifloraceae, incluidas na tribu das Passiflorae,
constituir nova familia pela revisão de Engler e Prantl (Die Natürlichen
zenfamilicn, Engl. & Prantl, Leipzig, 1878). Essa familia, denominada
caceae, abrange apenas dois generos, Carica e Jacaratia, e 27 especics, uh'®***
mente accrcscidas de uma dezena mais, distribuidas entre os dois generos cita*^^
parecendo-nos, comtudo, que ainda necessite nova revisão. Das 27 csp^^
e.xistcntcs, 22 cabiam ao Brasil ; é, como vemos, uma familia formada quasi ^
c.xclusivamente de v^etacs brasileiros, sendo os demais igualmente da
tropical.
O Mamoeiro, Carica papaya L. (Papay'a in Inde.x Kewensis), e o C.
vulgarmente Mamoeiro sylve.stre. M. do matto, Chamburú,
POEPP.,
muito frequente e conhecido em nosso país, tem sido objecto de confusóc*
■5
originam inveridicas lendas ; uma delias e a mais recente chama a nossa at
pelo completo desconhecimento de nosso pais e nossas cousas, julgadas atra
• • •
de descripções vagas de épocas remotas (Poeppig, cit. m Flora Brasiliensis- * ^
tius; "Carica digilala Poepp. 1838”), forçando-nos a desfazel-as, pelo ^*^*^**^.
nos assiste como brasileiros. Também na .África é o Mamoeiro (Papaycr)
tivado nas colonias francesas da Guiné, como nos diz o sr. J. S. de Gold
e.x-diretor do Jardim de Ensaios dessa colonia, o qual relata, em pleno
actual, o perigo da confusão e das relações entre os dois vegetaes, dizendo
6
W. Peckolt — Matéria medica vegetal do Brasil
281
*'almente do nosso Chamburú (C. digitata Poepp.), “vegetal á cuja sombra
**lonneccm para não mais acordar os naturacs do pois dos Mayas (Brasil)”, in
^ Presse Médicale, 19, 4. III. 934 (Le Caríca papaya in Jardim d’Essais de
^*'únée, J. S. de Goldfiem). Tal não passa de uma lenda compilada pelo auctor
relato de Poepping que. como aquelle. julgara ver em nosso país o território
•^lantido, babitado pelos Incas e pxjvoado pxlos "Ma\-as”; felizmente para os
^•^ileiros, a sombra do Cbamburú não abrigará tamanho absurdo. Finalmente
* por cumulo, este auctor apresenta desenhos p»uco fieis do Mamoeiro, alem
^ adulterar a paternidade das analyscs que apresenta. Desse modo o Mamoeiro
sido descripto dczeias de vezes.
Phytographia
O Mamoeiro, Cartea papaya L., ainda app)elIidado Cartea inatnaya e C.
fopaya par frei Mariano da Conceição Vellozo, que desse modo attribuia a esse
'*?etal dois se.xos distinctos, c na verdade monecico, muito embora seja consi-
"^do diedeo p>ela maioria dos auctores, que lhe emprestam a característica
^ sexos distinctos, ou seja a apresentação de flores unisexuadas em indivíduos
*^ffcrcntes.
O Cartea papaya L. é vegetal possível de apresentar rarietlades c variações
^ cultura, comtudo apresentando flores dos dois sexos em cada indiríduo,
que sua rariedade Corrcac Solms., .^rr. Cam. {Cartea Correcte Arr.
^*ííara), vulgarmente chamada “Mamoeiro femea”, apresenta predominância
^ Hores femininas sobre as do se-xo oppx)sto. (Fig. 1). Xão ha, pxirtanto, razão
n*. I
Iiif1or«»c«ncU t flores óo Caries pafsara L,, « d« sos forma
Carrear Solm».
se attribuir a esse vegetal sexos distinctos, denominando-o “Mamoeiro femea’’
^famociro macho”. Suas flores são completas (dyalipatalas), encerrando
^^Ueno ovário susceptível de ser fecundado pwr simples accidente de herma-
*^itismo, acto de que não participa siquer a flor de outro indivíduo, ou seja
cm
SciELO
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282
Memórias do Instituto Butantan
Tomo rX
•do “Mamoeiro macho”, M. de cordão, M. de vara, que, segundo nos parece»
•constitue a especie t>-pica da forma Correae Solms., do Caríca papava L.»
este occasionado por successis-as culturas. (Fig. 2).
Fte. 1
Fnieto* do Carka popoya L.. e aua forrea Coirta* S<diiu«
Quanto ao “Mamoeiro macho”, como é apellidado smigarmente, alefli
apresentar numerosas flores masculinas (gamopetalas) que predominam
as do se.xo opposto, apresenta também algumas flores hermaphroditas de coro®*
•quasi tubulosa.
Auctores ha, entretanto, que ainda consideram a variedade ou forma Corf^’
vulgarmente "Mamoeiro femea” como v«^etal exclusivantente feminino,
suindo, portanto, flores deste sexo capazes de operar a orulaqão e pollintf**^
espontânea, sem conjugação dos orgãos masculinos; são esses os adepto*
theoria da parthogcnese, ou seja a reproducção espontânea, sem fecundaÇ^
Trata-se verdadeiramente de um engano, no qual talvez incorrera tam®**'*
Vellozo, com o seu Carica tnamaya Vell., facto ainda não justificado,
■do-nos, todana, que o julgasse diedeo. O Carua papaya L., forma Co^
Solms., opera a fectmdação por simples acto de hemiaphroditismo, e a dif^'*^**^
morphologica observada no aspecto da infloresccnda entre os dois '‘^‘^**** 0 *
a seguinte: neste, \-ulgarmente “Mamoeiro femea”, acham-se situadas na
■das folhas, aos temos, as flores, que nascem ao mesmo tempo e das quaes
são caducas, conseivando-se uma da qual provem vigoroso frueto, em fom^*
mamma, porisso chamado Mamão. (Fig. 3).
As flores da espede tjqjica Carica papaya L., \-ulgarmente “Ma"’*’***^
macho”, são cm sua maioria de sexo masculino, algumas, porém, sendo
phroditas, de cálice pequeno, gamosepalo e corolla gamopetala ligeiramente ^
losa, quinquepartida, profundamente sulcada e tordda em espiral antes
florescenda desabrochar. As flores são presas a um longo pedunculo com*’’^
9
W. Peckolt — Matéria medica vegetal do Brasil 283
por vezes ramificado, partindo da axilia das folhas, pendente, ora ascendente,
voltado para dma. Os estames, em numero variavel de 5 a 10, são dispostos
duas ordens sobre o tubo da corolla, apresentando na parte interior pequeno
“'^io de forma oval, separado por longo estylete. Esse ovário, fecundado,
<lesen volve um frueto ovoide, pyriforme, de menor dimensão do que o da forma
^orreac, encerrando poucas sementes. (Fig. 2).
Os fruetos do “Mamoeiro femea” ou ^’ar. Correae acham-se presos ao caule
parte superior, logo abaixo da axilla rias folhas terminaes; gcralmente se
^nipam tão unidos entre si, que chegam a perder sua conformação natural
vn
PiC. s
Carica papara L., var Carrva* Solma. Florf» maaculiaa* c
fraiiiiinaa (maiorrt) a fnictoa.
'0
^ • Peckolt. A. A. Bras-,
Possuem curto pcdunculo, são volumosos.
1922)
e de fomu variavel segundo as variações, mais commummcnte do feitio
grande mamma ou de um figo colossal e por vezes á semelhança de
SciELO
284
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
voUmioso pião. Quando verdes ou inunaturos, possuem epiderme lisa, niacA
luzidia, de um verde intenso, passando ao amarello gemma pelo aina<l'*'
redmento.
Com excepção das flores e inílorescencia, dos íructos em dimensões e íonn**
são apparentemente iguaes os dois Mamoeiros. (Figs. 3 e 4). De ordinal®
ri«. 4
Car»e« papaya L. (TYc«taI tTPO> flor** doa doia aaxoa • fmetoa.
são despidos de galhos, uma ou duas ramificaqões por vezes; seu caule
conico. roliço, ôco, attinge 6 a 8 metros de altura, apresentando
dcatrizes das folhas caducas, palmadas, grandes, digitadas, largas, profundan»^
fendidas, alternas, longamcntc pecioladas; nenniras salientes na pagina
que tem côr amarellada, contrastando com o verde escuro e luzidio ài
superior. O pcciolo c longo. 30 a 40 cm. de extensão, roliço, liso, ôco.
e de côr verde pallida; por vezes rinosa em algumas variedade, tal a ôo
moeiro de talo roxo".
10
\V. Peckolt — Matéria medica vegetal do lirasH
285
Pharmacoeri^asia ou cultura
O Mamoeiro, sobretudo a forma A-ulgamiente chamada “M. femea”, é tão
**palhada no Brasil quanto é culth-ada; raros são os terreiros e quintaes, quer
mais humildes choupanas ruraes e sertanejas, sitios e fazendas, como os
pomares das residências abastadas onde falte aquelle util vegetal. Não é
^cnte devida á collecta da droga a reputação do Cartea papaya L., mas também
* excellenda de seus bellos, grandes e saborosos fruetos, regalo das mesas pobres
' ricas, os quaes podem ser preparados, verdes e maduros, de maneiras as mais
'^wsas, constituindo desde a hortaliça até a sobremesa, com grande apreço
^“•Oestico. Igtial reputação goza o látex, usado para amaciar (iniciando a
*^:cstâo) carnes e assados de qualquer especie.
A cultura jara o fim de colheita do latex, sua droga, da qual se extrahe
* Popayotina, é de largo emprego therapeutico e consumo universal, obedecendo
* certas regras dictadas pela pharmacoergasia : o frueto, quando completamentc
’*'*duro. é dividido longitudinamente em -varias fatias ou gomos, cada qual encer-
^'>do numerosas sementes dos dois sexos: estas fatias são deitadas em covas de
a 20 cm. de extensão e igual profundidade no máximo, o bastante para
''^ril-as. Devem-se plantar de preferencia fruetos da variedade Correae
^Ms., ou seja do “Mamoeiro femea”. devido a seu tamanho e grande pro-
^^''eçao de latex, como de fruetos, os quaes nos darão maioria de exemplares
■^es.
Dev e-se anteriormente preparar o so!o: adubar o terreno, revolvel-o com o
*^o. alinhal-o cm quadros e abrir cos-as. distanciadas 3 m cm todos os sentidos.
^ distancia indicada permitte o «lesenvolvimento rápido, o arejamento e inso-
suffidentes a um vegetal tão exigente quanto ás condições dcscriptas. O
^ des-erá ser humoso. granitico ou de massapé, para uma producção vantajosa :
^c-sc escolher um logar ao abrigo de fortes ventos, como. p. ex.. nas encostas
^ tnorros e face soalheira, isto é. voltada para o nascente.
^ O Mamoeiro é vegetal que cm nosso país pode ser admittido no inters-allo
cafeeiros, decorrendo dessa associação melhoria de situação economica para
Custeio e manutenção de ambas as culturas. O clcvarlo preço da flroga no
^cado e o extraordinário consumo de .seu principio chimico compensarão, sem
quacsquer tentativas nesse sentido, obedecidas as condições previstas.
Em nosso pais, o Mamoeiro fructifica após 8 a 10 meses do plantio, não
****do transplantado, pois prefere logar definitivo.
Tendo as sementes germinadas das fatias ou talhadas attingido 10 cm de
procede-se á escolha dos exemplares, reservando 2 ou 3 individuos dos
robustos dentre todos cm cada cova c sacrificando os demais. Meses após,
**^csenta-se a primeira fructificação; esta carga não deverá ser aproveitada
11
cm
SciELO
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286
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
ainda, mas, dahi por diante, irá augmentando progressivamente até a media àc
30 a 40 fructos annualmente.
Th. Peckolt aconselha fazer a primeira collecta da droga quando os frurt®*
tenham alcançado pleno desenvolvimento, geralmente entre 100 a 150 dias,
o qual também Hofstade indica como o de maior rendimento do principio chinuc®"
Aquelle auctor obteve a papayotina mais pura e rica de fructos verdes em dese®"
volvimento completo, na proporção de 5 % de latcx, e obteve este na media ^
5 a 7,0 gms. por frueto totalmente exgottado; isto indica u’a media de 210,0 R®**'
dc latcx por exemplar e de 10,0 gms. para a papayotina, o que é realme®*^
notável, em vista do elevado preço dessa diastase vegetal no commerdo.
Forçoso é dizer-se que esse rendimento varia com as condições do
atmosphericas e climáticas, bem como segundo as já apontadas. Como o
moeiro é vegetal dos tropicos, está previsto que nesses o rendimento em l<^^^ ‘
maior do que nas zonas sub-tropicaes.
No Brasil, onde ha differenças notáveis no clima, por vezes em reduí**^
areas ou perimetros de um mesmo Estado, aquelle rendimento c sempre
nas zonas quentes, porém menor nas tórridas do quadrante norte.
rda*
A uberd
*
do solo é outra condição capital para o rendimento da droga e produeçá®
fructos, o que toma quasi impossivcl a antecipação dc qualquer calculo sobre
rendimento.
Em nosso pois pode-se iniciar a collecta do latcx ao fim dc 1 anno do
quanto ao espaço de tempo util de e.xtracção da droga, é geralmcnte de 3 *
annos, findos os quaes os Mamoeiros poderão soffrer a operação conhec^
pelo nome de “capação”, pela qual supportarão por curto prazo ainda a coih^
do latcx, {lassando dahi por diante o rendimento a regredir proporcionali®®*^
ao avanço da idade. Esses fructos, de reduzido valor economico, terão 3l>r^
af»
utilidade domestica na arte culinaria. pela falta de mercado consumidor 1‘
o frueto cm cspecie, ou poderão scr\-ir para ajudar a engorda de suinos.
destinos a serem dados á passada cultura, e por mais alguns annos apenas-
Eurico Santos, illustrado technico em fructicultura no Brasil, cm sen
balho “O Mamoeiro e sua Cultura” (O Campo — V,5:46.1934, Rio de
nos diz que é possivel augmentar o numero dc fructos por arvore, sclccion^*^
individuos entre as variedades de grande producção. Citando Hofstade. ^
auctor refere-se ao rendimento observado por hectare, cm relação á dist^'*’ ,
mantida entre as co\-as ; a 4 X ni. elevou-se a 186 kgs. por hectare, ^
anos (625 e.xemplarcs p. he., dos quaes 10^ “machos”) ; a 3 X 3 ni.
300 kgs. (100 exemplares p. he.).
Quanto á adubação, aquelle au«or nos dá a seguinte fomiula conx) 2 *
vantajosa para o fim visado: estrume de curral 3 kgs.; escorias dc T®
250 gms.; salitre do Chile 150 gms.; sulfato de potássio 30 gms..
tr»'
im)*
12
cm
ISciELO
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W. Peckolt — Matéria medica vegeta! do Brasil
28T
Alem da adubaqão necessária, nos terrenos pobres é aconselhável, segundo-
diz ainda aquelle auctor, “cada 6 meses, no primeiro anno de fructificação,
'^-se a cada planta 500 gms. de estrume de curral bem cintido, pois a fertili-
do Mamoeiro não está ainda bem estudada e deve-se attender quer á
l*^ucqão de fructos, como á extracqão do latcx, cuja finalidade visará igual-
'*'*nte o augmento do teor em principio activo” (loc. cit.).
Dkoca: Latex, florac et scmen papayac.
Parte usada: Succo lactcscente que escorre das incisões no fructo verde,,
a extracqão do principio activo papayotina. Flores do vegetal typico e
do fructo maduro da especie ou variedades.
Colheita da droga: Latex papayae.
O succo leitoso ou latex do Mamoeiro é encontrado em diversas partes do>
'*8etal, porém no fructo verde é mais abundante do que no caule e nas folhas..
O processo usado para a extracção do latcx papayae é geralmente o se-
^ntc: com o auxilio de uma lamina de osso ou de aqo, fazem-se, cm sentido-
**^>cal, diversas incisões na superficie do fructo ainda verde, mas em pleno
^**<n volvimento. Essas incisões \'ariam de sentido e numero; sendo feitas lon-
^dinalmcntc, orçam entre 4 a 8, conforme as collcctas effectuadas. Para;
***'grar o fructo de uma só vez, usam-sc 8 ou mais incisões c, jara se pro-
a collcctas successivas, 2 a 4 effectuadas sobre os gomos do fructo, altcr-
'*tivamcnte em cada collccta, com inter\’allo de 3 dias. E’ preciso dizer-se
o fructo deverá continuar p>reso á at^ore e, nessas condições, supipwrtará
sangrias successivas, findas as quacs estará completamcnte cxgotado de
2-3
j O succo lactcscente que escorre das incisões praticadas será recolhido cm
de bocea larga, o qual previamente deve conter pequena |X)rção de gly-
^'na neutra ou pura. que ntantem a conservação do latex durante todo o tcnijK»-
collcctas, as quacs pwr vezes se cxtendcm a mais de uma- semana e, si
''*'cr necessidade de prolongar a e.xtracção, até completar a safra. cxtrac-
. tio latcx do Mamão é uma operação morosa, que requer paciência c habi-
^Ic. devido á lentidão com que escorre esse succo lactifero.
Hofstadc aconselha consci^'al-o cm chloroformio,. mas é preciso addicio-
ao latcx logo após a sangria.
^ W. Bebilioff, procedendo a estudos cytologicos deste vegetal, recebido das
**l*Pl>inas, reforça a asserção de Th. Peckolt, dizendo, que é sobretudo na
do fructo que se encontra maior quantidade de latex, px)rquc é a região
Vllc
rica em tubos lactiferos. Conseguindo separal-os dos tecidos adjacentes,.
auctor verificou o processo do escoamento do latex através dos vasos
■cados c obser\ou que, na primeira phase de escoamento, só escorre o-
'• permanecendo o plasma adhcrcntc ás paredes internas dos vasos. Após
*^travasamento do latcx, começa a apparccer nos bordos da incisão um li-
13
cm
SciELO
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
quido granuloso, que deve ser o plasma, a custa do qual cicatriza-se o corte-
Attribue este facto a uma determinada diastase coagulante existente no pias®*-
com o que concorda Hoístade, que, ensaiando juntar ao latex fresco pcqu^
porção de grumos do latex final, verificou que a gelatinização se processa rap*
damente. Este auctor ensaiou igualmente qual o melhor meio de se opcrare®
as incisões no fructo, concluindo que as facas de aço têm sobre as de bainl®
a vantajem de não ferir as cellulas chlorophyllianas, o que transmitte côr
deada ao latex.
Quanto ao modo de exgotamento do latex, julga ainda esse auctor ^
mais \-antajoso o systema de successivas colheitas, pela pratica de duas incisó®
longitudinaes espaçadas de 1 cm., partindo da base do fructo, e assim por dian**'
praticando-se 2 incisões parallelas cada 3 dias. até o e.xgotamento total, obti<l‘’
geralmente ao fim de 4 colheitas.
Deste modo, o rendimento em principio diastasico foi tres vezes supcí^
ao da sangria completa em uma só vez, motivo bastante para que seja acoo*^
lhado na colheita da droga.
Pharmacochimica
Theodor Peckolt, em 1876, no Rio de Janeiro, Brasil, procedendo á
lyse chimica do leite fresco (latex recentemente colhido) do fructo verde
Cartea fapaya L., encontrou cm 100,0 gms.:
Agua
74,971
gms.
Papavotina pura
5,503
*•
Substancia analoga a borracha
4,525
tf
Resina molle
0,110
tf
Glvcose
1.059
*•
Ácidos orgânicos, malico, etc
0,443
tf
Matéria cxtractivr.. pcctica. etc
1.283
tf
Saes inorgânicos
7.100
ff
A papayotina (Th. Peckolt, Zeitschrift des allgem. Osterr.
Vercines, 1876), ou caricina (Vinson, Hist. du Papayer. Arch. Méd. Nov.
tem como sjmonj-mias, desde que foi obtida, numerosos apellidos que lhe *
dados por successivos pesquisadores: Wurtz (1879), chamou-a papaina;
Beaumetz, Bonchut. Kühne (1880), denominaram-na papayna e papaitinal ' ^
corvo, Niobe>’ (1888) cognominaram-na pepsina vegetal ou papaina e.
maneira, espalhou-se o conhecimento daquellc principio do Mamoeiro
o universo até a actualidade.
14
cm
ISciELO
D 11 12 13 14 15 16
W. Peckolt — Matéria medica vegetal do Brasil
289
Papayotina é um fermento, enzjTna ou diastase, de aci,'ão proteohtica, que
approxima, por sua act;ão sobre as matérias albuminoides, de diastase por
^ühne chamada trypsina.
Deve digerir no minimo 100, e até 200, vezes o seu peso de fibrina, ou
gms. da albumina do ovo recentemente coagulada no espaço de 6 horas,
*^sformando-a em peptona assimilável, do mesmo modo como a pcpsina.
Caracterização do prinxipio diastasico: — Pó amorpho, branco, por
ligeiramente amarellado, le\'e, de aroma fraco e particular, sabor ligeira-
salino, um tanto estjqjtico.
E’ completamente solúvel na agua, dando um soluto limpido ou levemente
^Wcscente, o qual fortemente ^Tiscolejado produz espuma (como a saponina) ;
* *nsoIuvel no álcool, com o qual precipita em solução aquosa; insolúvel ainda
ether sulfurico e no de petroleo. Seu hydrosoluto precipita ainda pelos ácidos
*^*^hydrico, nitrico, metaphosphorico e picrico; porem não precipita pelos aci-
acético e orthophosphorico.
Conservação: — Em frascos bem fechados, ao abrigo do calor c da
Cidade.
Preparação da papayotina: — Theodor Peckolt, in líerichte' der Deutschen
Gesell., 1879, Cartea papaya L., aconselha o processo s^uinte jiara se
a papayotina do látex do Mamão verde : vascolcja-sc varias vezes e durante
minutos o latex colhido, misturando-o á agua dcstillada quente ; reunem-se
as soluções aquosas das diversas colheitas obtidas, filtrando-as cm papel
filtro. Ao filtrado junta-se álcool absoluto (96-98K^) ate que o liquido não
mais pelo álcool ; deixa-se cm repouso até depositar o precipitado fonnado,
•lual é então separado pelo filtro. Lava-sc esse precipitado ainda fxrlo álcool.
Seu completo exgotamcnto; purifica-sc a papayotina por diversas dissoluções
^ua e succcssi^-as precipitações pelo alcool.
O prcdpitado obtido é posto a secear cm campanula contendo cal virgem
^chlorcto de caldo anhydrido, até secear completamente. ‘O produeto então
^ 'do c a papayotina, que deve apresentar-se sob forma de pó engloliado, de
^ f>ranca. semelhante ao carbonato de magnésio.
Seguindo-se este methodo obtem-se 3,762% de papayotina pura.
Durante o processo de preparação do principio diastatsico, dcvc-sc evitar
Peratura cle^-ada da agiu (-f- 70°C). porque perderá aquella substancia a
Cor alva, como poderá diminuir sua actividade protcoljtica. Xão se deve
^I^Dientc scccal-a a calor na estufa, c sim do modo indicado, para evitar a
de sua actividade, bem como sua transformação cm massa cxtractiformc
. Rclatinosa. Deve-se ainda obedecer á condição de não permittir que o pre-
^^do de papayotina pemuneça na mistura alcooIica sinão o tempo suffi-
para separal-o pelo filtro, do contrario obter-se-á apenas um produeto
Wat
'noso, impossivcl de secear.
15
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
290
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Pode-sc ainda obter a papayotina dos fructos verdes colhidos, mas para ^
fim toma-se necessário separal-os das sementes. Ralados os fruaos, obton-s^
u a massa grosseira, a qual é le\-ada á prensa até exgotamento do sueco. ®
liquido resultante é então filtrado e e^-aporado a B. M. óíPC, até metade de í*®
volume; novamente filtrado para separal-o das substancias albuminosas, c ^
sen-ado algum tempo em repouso. Ao liquido filtrado e frio addiciona-se
álcool absoluto até não produzir predpitado; separado este pelo filtro c
ficado pelo mesmo processo anterior, é posto a secear de modo idêntico ^
descripto. Por esse methodo, G. Peckolt, in Revista Pharmaceutica I, 3,
obteve 0,117% apenas de papayotina.
Todas as partes do Mamoeiro, excepto o frueto maduro, encerram ^
prindpio activo, segundo Th. Peckolt. Esse auctor nos dá o seguinte proce**®
para obtel-o das folhas frescas:
E.XTRACÇÃO DA PAPAYOTiXA DAS FOLHAS DO Mamoeiko : — Certa qu»®*^
dade de folhas frescas da planta é reduzida a massa, em gral de mármore
porcellana, e submettida á prensa. O sueco expresso, de côr verde escura
de 33% do peso das folhas), é tratado pelo acetato neutro de chumbo liq**^
até não produzir precipitado; este, separado pelo filtro e bem lavado cm
com a qual é misturado em igual volume, é submettido a uma corrente d* ^
sulphydrico até não mais precipitar. Xo^tunente filtrado, e portanto sepa^**^
do chumbo, é o liquido incolor passado pelo papel de filtro para scparal-o
substandas albuminosas e, depois de frio, tratado pelo álcool absoluto, a*® ^
mais prcdpitar. Recolhido o predpitado pelo papel, é lavado e purificado
successivas disssoluções e predpitações, como nos processos anteriores.
mente, obtem-se a papayotina na proporção da 0,039% do peso das folhas-
Por outro methodo ainda, obtem-se esse prindpio das folhas frescas
zindo-as a sueco, que será directamente predpitado pelo álcool absoluto: ^
trado c recolhido o precipitado, é este purificado por diversas dissoluçóe*
agua e successi>’as precipitações pelo álcool; finalmcnte, posto a secear
processos anteriores, obtem-se a papayotina, com o aspecto de u’a massa
zenta ou escura, de pureza muito relativa, diffidl de ser melhorada.
Xa predpitação da papayotina pelo acetato de chumbo liquido, mesnw ^
obtido do frueto verde, não é conveniente deixar-se o predpitado permanece*^
liquido durante alguns dias, e nem tampouco deLxal-o na mistura alcoolica» '
transformar-se num produeto gelatinoso.
O acetato de chumbo ciystallizado não deve ser empregado para sua
pitação, porque o predpita incompletamente. ^
Além das condições dtadas, ultimamente se tem obtido industrialn**®^
seceagem da papayotina, no vacuo, pelo processo de Hofstade, que
sobretudo o rendimento dessa diastase, obtida do latcx conservado no
fomiio, na elevada proporção de 5%, como vimos.
\
16
W. Peckolt — Maleria medica vegetai do Brasil
291
Combinações chimicas da papayotina
^»o ser^nço da Secção de Botanica Medica do Instituto Butantan, obtivemos
latex do fructo verde preso á arvore a papayolina pura, pelo methodo dcs-
®^to, a qual se apresentou sob forma de um pó amorpho englobado, dc côr
^ca, muito leve, sem aroma, de sabor ligeiramente est}'ptico, não hygroscopico.
^•loluvel no ether sulfurico, no álcool adma de 40<r, no chloroíormio, no ether
^furico e de petroleo, nos oleos gordurosos e essendaes. Dissolve-se fadl-
***nte na glycerina e na agua morna a 50-60“C, apresentando espuma branca,
^***ndo agitada, de modo idêntico a uma solução de “saponina”.
A papayolina forma combinações com os sacs de caldo, mercúrio, cobre,
ferro, com o iodo, etc., constituindo papayotinatos ou papayonatos esta-
Obtivemos ongmalmente cm nosso laboratorio, na referida secção do
^ituto Butantan, taes combinações que se portaram de modo idêntico áqucllas
das com a peptona, ou sejam os peptonatos. Algumas dessas combinações,
|*<^tidas, taes como as do cálcio, cobre e mercúrio, por Gustavo Peckolt (1888),
* também por nós, com o tratamento da papayotina pelo chroleto de
crystallizado, o sulfato de cobre e o bichlorcto de hydrargyrio. .Aquellas,
^ diimico denominou-as papayonatos, sem. comtudo, descrever methodos de
^*P»raçâo, nem se referir aos saes empregados. Obtivemos mais combinações
^ a prata, com o ferro reduzido e com o iodo, ás quacs conservámos o
dos papayonatos (ou sejam papayotinatos) respectivos.
Obti vemos o papayonato de iodo dissolvendo a papayotina pura em agua
^^bllada a quente (60*C) e fazendo-a prcdpitar por uma solução saturada de
^ ttn álcool a 96*C. Em seguida, effectuada a combinação, sqiarado o pre-
'^'^do obtido pelo filtro, lascado em álcool fraco, para acarretar o excesso dc
foi o precipitado posto a secear em apparelho dissecador, sobre o chlorcto
^ ®*ldo anhydrido. Esse prcdpitado, sob a forma dc palhetas irregulares, de
^ Avermelhada, sabor e aroma do metalloide, é o papayonato ou papayolinato
''>do. Insolúvel na agua, no álcool abaixo de 70"C, na benzina, no ether
^^^oleo, no (diloroformio, no oleo mineral, nos ácidos acético c chlorhydrico ;
no álcool dc 80^ c no de 96^, na glycerina c no acido sulfurico com
^'^o parda, precipitando-se. Sua solução alcoolica c neutra ao tomasol.
^^íisaiado com os reagentes dos peptonatos e daquelle metalloide, offcrcccu
. *'cas reacções, acccntuadamcnte as do iodo, cuja proporção parece acarre-
^ grau maior do que o peptonato.
papayonato de cálcio foi por nós obtido partindo da solução aquosa da
^yoiitui^ em presença do chloreto de caldo crystallizado. .-Xpresentou-se sob
de um pó branco, amorpho, leve, insolúvel no álcool, no ether sulfurico
^ de petroleo; muito solúvel na agua destillada a frio, com ligeira fluores-
17
292
Memórias do Instituto Butantan — Tomo JX
cencia azulada, própria aos saes de caldo ein dissolução aquosa. Reacção
tomasol, alcalina; tratado pelos reagentes usuaes dos saes de caldo, mostro»*^
muito rico em caldo e sensivel, em diluições extremas, com todos os caract^
risticos dos saes calcicos. Essa solução a 1 % foi estável á temperatura àc
c 1(X>*C; injectada cm coelhos, na dose de 5 a 10 cc., por via venosa, niostroO"**
complctamcnte atoxica.
O papayonato de ferro, obtido, quer pelo perchloreto de ferro, quer
ferro reduzido, apresentou maior quantidade em ferro do que todos os saes
ricos ensaiados. Experimentando obtel-o directamente do ferro reduzido * P’
finissimo, fizemos actuar a solução aquosa da papayotina, em presença daqur^'^
metal, depois de tratal-o em meio aquoso, pelo acido chlorhydrico puro.
solubilização ; neutralizada a solução de chloreto ferrico pelo carbonato de
sio em solução, fizemos actuar as duas soluções filtradas, em presença do
a 96®C, que precipitou o papayonato de ferro, sob a forma de pó pesado.
xando a agua mãe de còr verde esmeralda. Separado desta, foi o precip**
posto a secear, dando-nos uma massa pastosa, pesada, de côr castanha cofli
flexos metallicos. Sua solução aquosa, de còr ferruginosa, manteve-se e***'
ás temperaturas de 80 e 100“C, apresentando as reacções caracteristicas dos -
ferricos.
Pelo perchloreto, obtivemos uma combinação de teor relativo cm metal
roso, dando seu hydro-soluto reacções desse sal ferroso.
O papayonato de prata foi obtido, pelo mesmo processo do iodo, com a P
,rat>
co«»
pura cm solução colloidal. Resultou numa substancia amorpha. pardo csaita*
brilho mctallico, solúvel em agua, então de còr castanho escura, que se
sita ao fim de algum tempo, portando-se, pelos reagentes empregados,
um sal de prata, rico cm metal.
Essas combinações assemelham-se bastante aos peptonatos, entretanto
cem ser mais ricas e de actfvidade mais evidente. Ensaios experimentaes - ^
sendo tentados; posteriormente nm-as verificações serão feitas nas sccçó**
Chimica e Pharmacobiologia deste Instituto.
Princípios chimicos das folhas e fruetas do Cãrícã papãyã ^
i'f íi^
A papayotina obtida das follias do Mamoeiro c um produeto «1 <í ‘ '
purificação e de teor minimo cm relação ao latcx do frueto verde preso á
ou mesmo depois de colhido, como já vimos.
Greshoff, chimico do Lab. Ph. Ch. do Jardim Botânico de Buitenzorg'
J»'*-
ensaiando extrahir a droga das folhas do Cartea papaya L., obteve, p>.
um alcaloide cr>’Stallizado, que denominou carpaina, de formula C“ H ‘ ^
ponto de fusão = 115*C, o qual, combinando-se com os ácidos,
crjstallizados.
18
W. Peckolt — Matéria medica vegetal do Brasil
293
Este principio foi considerado energico veneno cardiaco.
As raizes frescas do Mamoeiro forneceram ao chimico Gustavo Peckolt um
P^dpio volátil de aroma particular, que se assemelha muito á myrosina, da
**scnda de mostarda (Anthelminticos Brasileiros, G. Peckolt, A. A. Bras., 1922).
Theodor Peckolt, analysando fructos maduros do Caríca papaya L., em 3
'^tiedades ensaiadas, não logrou encontrar a papayotina, mesmo em quantidade
'*’*oima. Entretanto, encontrou-a cm quantidade diminuta nas flores masculinas
vegetal tjq» e de suas variedades. No caule, onde a presença do sueco
^escente é maior do que no pedolo das folhas novas, porém incomparavel-
**’^te menor do que no frueto verde, aqudle chimico verificou a presença do
*'*^*topio diastasico em relativa proporção (Caríca papaya L., von Dr. Th.
^«dcolt. Berichte der Deutschen Phami. Gescll., 1879). .Analysando a polpa
^*■^503 do Mamão maduro, esse chimico obteve por 100,0 gms., cm 3 variedades
**'^adas :
M. efemem M. tmachcn M. *metão>
gordurosa d« cõr amarella
^**ucar
tnolle de cõr amarella . . .
tartarico
dtrico
malico
^**tanciai albuminosas
^ãia. ...
v»,
‘tancias gommosas. matéria extractiva. etc
•norganicos
insolúvel, fibra.
85JS1
89.445
925200
—
—
0,020
3.238
4233
3,580
0.165
0,075
0.020
2232
0480
0.803
—
—
1.070
0.753
0200
1315
—
—
5i03
—
—
1239
—
— 1
3 091
2920
As sementes do Mamão maduro, analysadas por Gustavo Peckolt, rc\-elaram,
100,0 gms.: oleo pardo escuro da consistência do oleo de ricino 14,660; este
^ é de aroma dcsagradavel e de sabor particular, acre c nauscoso. Resina
inerte 0766. Addo gorduroso, ao qual denominou Acido carícinico 0,744,
tanto semelhante ao addo palmitinico. Acido papayotinico, de sal)or amargo
*crc 0,144. Resina mollc 0720. Substanda gordurosa com a consistência
Wta 0,4635{,.
N’o sers-iço de nossa secção no Instituto Butantan, tivemos oceasião de
'*»tJlar das sementes frescas do Mamão maduro (Caríca papaya L., var. Correae
^**s.), vulgamicnte “Mamão femea", um oleo acre, de linha côr amareüo ouro,
acompanlia o acido papayotinico, denominando-o papayol. Esse oleo foi
^•díj na proporção de 147% e constitue a substanda activa das sementes do
(droga: scincn papayac), no tratamento das verminoses intestinaes.
Empregando as sementes frescas, reduzidas a pó (em moinho colloidal),
^'ítamol -as pela agua destillada quente, que dissolveu a papayotina existente;
1 »
294
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
separada esta depois de completamente exgotada pelo álcool, novamente
e separada das substancias solúveis no álcool, foi o residuo posto a macerar
exgotamento completo, com ether sulfuríco. Filtrada a solução etherea, foi
porada a B. M., deixando livre o papayol que acarretara. Este oleo puro t*®*
a consistência dos oleos vegetaes, linda côr amarella de ouro velho, aroma ag^
davel semelhante ao do fructo maduro, sabor ardente e acre. Sua acção
“ÍAã
rapeutica nas verminoses intestinaes é devida a um acido resinoso, o
papayotinico, ou addo papaya, que acompanha o papayol.
A essas substancias devem as sementes do Carica papaya a sua reputai^
empirica até o presente e que. como adiante se vê, poude ser comprovada ***
Enterobiose intestinal.
Vitaminas
G. Yakowliff (.^nn. Glemboux, 8, 1932), estudando as dtaminas de al?®^
fructos, menciona a presença de apreciável quantidade de vitamina C e, rel^
\-amente menor, de ^•itamina no fructo do Carica papaya; igualmente a
mina B é relatada como a mais constante no Mamão e encontrada em noW
quantidade. Maschmann (Beitrãge zur Aktivierung pflanzlicher Protcin****^
Chem. Abt. G. Speyer, 228, 141-186. 1934), procedendo a estudos do ferru*®**’
proteolj^tico do Carica papaya (papaina, como o denominou), julga-o unia
tcina. acompanhada de acido ascorbico, responsável, pois, pela presença da
mina B®, antineuritica e fixadora do systema nervoso.
Esse auctor conclue ser a "papaina” semelhante á cromelina e á ccthtP^^
em relação á sua actividade proteinica.
Pharmacologia e emprego officinal
A papayotina, quando pura e secca. ao abrigo da humidade,
por muito tempo, o que não succede com a pepsina animal, que se drt
rapidamente.
Não se deve assodar á papayotina a pancreatina, prescrevendo-as
cooj®"'
ü-
etamente, ou reunil-a ao bicarbonato de sodio, sob a forma de capsulas
ceas ; isoladamente poderá ser prescripta nessa forma, desde que as capsulas
feitas á medida do consumo, pois, do contrario, transformar-se-á nunia
gelatinosa, susceptivel de perder a actividade e de contaminar-se com certos
mellos, prejudiciaes á saude.
sej*
ecí®-
A papayotina c prescripta sob a forma de elLxir ou de solução jf
Elssc fermento vegetal deie offidalmente digerir 100 vezes o seu ^
albumina de ovo recentemente coagulada, quando puro o produeto e,
20
W. Peckolt — Matéria medica vegetal do Brasil
295
•QiWdade proteolj^tica mais ele\'ada, deverá ser accrescido de amylo ou de lacto-
** em quantidade suffidente para possuir o titulo offidal.
Por este facto é que se encontra no mercado a papayotina associada ao
ou á lactosa, mas geralmente em quantidade tão diminuta, que não com-
o padrão official; necessária se toma, portanto, a verificação do teor em
f^^pio activo proteoljtico antes do uso, ou o prévio conhecimento dessa acti-
tidade, para evitar erros de posologia em relação ao producto puro.
Acthidade proteolytíca da papayotina: — Este principio possue a proprie-
**^6 de digerir rapidamente a fibrina, transformando-a em peptona assimilável
portanto, actuando directamente sobre os albuminoides, carne, ovo, leite, etc.
^ Wodo mais completo do que a pepsina animal.
Ringer, que estudou largamente a acção proteolj-tica desse fermento vegetal
relação á pepsina, concluiu que elle actua favoravelmente em meio neutro
de fraca reacção, dissolvendo 2000 vezes seu peso de fibrina, porém sem
*^Ptonizal-a. Ensaiando amostras recebidas de Ja\*a e Ceylão, sobre a fibrina e
^ *Ihumina do soro humano, verificou que, cm relação á pepsina, aquclla diastase
^Wal actua\'a do seguinte modo: em presença de pH 2,5, a actividade pro-
'*°>>tica, quanto á fibrina, foi de 1,0 gm. de papaina (como a designou) para
gtns. de pepsina por Voo de fibrina; sob o pH 6,7, foi aquella digestão
V)
'^ficada, na mesma proporção de fibrina 1,0:1, 8, entre ambos os produetos
‘ *^im também em presença do pH 11,3 a relação foi de 1,0 de papaina para
^ ^ de pepsina. Qvanto á albumina do soro humano Voo, eui pH 3,7, a relação
de 1,0:41,2 de pepsina.
Também esse auctor poude verificar que o fermento vegetal, quando seceo
'^acuo, possue acção proteolytica muito mais accentuada; a igual conclusão
|***S*ra Hofstade, seceando-a cm apparelho especialmente construido para esse
^ (Bailly — Buli. Mens. Rcnscign. Tech., Nov., 1933).
^ Ooseamento do teor proteolytico official: — (Pharmacopea dos EE. UU. do
]^d). Tome um ovo de gallinha, que tenha no minimo cinco e no ma.ximo
^ dias de postura, tendo sido conscr\-ado em logar fresco, c deite-o nagua
durante 15 minutos; dei.xe-o então resfriar, retire-lhe a clara coagulada,
^*^a num tamis n. III, r^eite as primeiras porções tamisadas, tome 0,40
das seguintes c dissolva-as em 15 cc. de um hydro-soluto de chlorcto de
a 1%. Dissolva então 1,0 gm. de papayotina, exactamente pesado, cm
* • de hydro-soluto ccntesimal de chi. de sodio, para obter 100 cc., agit.indo
^*tnentc; tome então 1 cc. do soluto de papayotina, junte-lhe mais 9 cc. do
^to de chloreto sodico e o soluto de albumina, leve a mistura immcdiatamentc
^ tinia estufa aquecida a 80®C e dei.xe-a ahi durante 15 minutos exactamente;
^^one então 0,5 cc. de acido acético c aqueça a lOOHT durante 10 minutos;
a albumina coagulada num filtro tarado, lave-a, sceque-a a 100-100“C e
Repita a operação, empregando, porem, um soluto de papayotina pre-
21
296
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
viamente aquecido a 100®C durante 15 minutos, para destruir o fermento: *
differença entre a quantidade de albumina achada aqui e a quantidade encontrad»
na primeira operação dará a quantidade de albumina digerida pelo fermento: f***
quantidade não deve ser inferior a 100 vezes o peso da papayotina emprega*^
Emprego officinal — Papayotina ou papaina; em elLxir ou solução
cerínada.
Latcx, recentemente colhido do fructo verde: em glycerina p. iguaes.
Flores (droga: florae papayae) : especies peitoracs, tinctura das flores
cas do Mamoeiro “macho” (Caríca papaya L.).
Sementes (droga: semen papayae): frescas, reduzidas a pó; tinctura
rea; oleo (papayol), em elixir ou associado a oleos neutros.
Propriedades, indicações therapeuticas e posologia
A papayotina ou papaina é um fermento proteoljlico dos albuminoiií**’
actuando como digestivo gastro-intestinal e indicado em todos os casos onde coc*^
trar appiicação a pepsina; é considerado digestivo intestinal pel^ facto óc •
mais activo em meio neutro ou alcalino, ao passo que a pepsina só actua cm
acido. Indicado nas dyspepsias dos convalescentes de moléstias graves c
nicas, quando o apparclho digestivo não está em condições de digerir os alb**®*
noides; na ulcera duodenal e nas entero-colites infantis. Nestas, foi usad*
Bonchut, cm doses macissas e succcssivas, nas formas chronicas como nas
sempre com a maior ef ficada, segtmdo allega esse auctor, igualmentc assc^f^
do não ter obser\ado caso algum de intoxicação e af firmando siw comf*^
inoaiidade sobre a mucosa intestinal.
. , . í
Papayotina ou papaina pura é prcscripta em doses de 0,05 a 0,25 cgn»- '
vez, aos adultos, e de 0,01 a 0,10 <^ms. ás crianças, a ser tomada prefcrivclm*^
ás refeições, sob a formula já indicada, de elixir ou solução glycerinada; algt*”
vezes cm papeis, associada á lactosa.
— O latex ou sueco leitoso fresco do Mamão foi aconselhado por t" ^
courtilz (Flora Medica das Antilhas, 1821) como vermífugo, para ser usa(W ^
mistura a um pouco de leite de vacea, nas doses de 4 a 8,0 gms. do latex
para crianças e de 8 a 16,0 gms. para os adultos, particularmentc como
Qiarpenticr e Fleming igualmente aconselham o latex colhido rcccnl^’’^
te, na verminose infantil, julgando ser sufficiente uma dose apenas, cni
casos, sem, comtudo, mencionar outros informes a respeito.
Crorer, Kosbach, Schacffer e Bonchut indicam o uso, quer do Latex
quer da papaina pura. no tratamento do lupus, da verrucosc, das veg***^
papillomatosas c ate mesmo na diphteria, cm applicaçõcs tópicas.
— As flores do Mamoeiro tj-pico {Cariea papaya L.), droga florae
22
W. Peckolt — Matéria medica vegetai do Brasil
297
®Mno espedes peitoraes, em xarope, cozimento; tem emprego na Pharmacopéa
^**^üeira como bechico e sedativo da torre.
Em nosso ser\'i<;o do Instituto Butantan, preparámos, com as flores frescas
’^uelle vegetal, uma tinctura alcoolica a 36*C e 1 :4, que empregámos larga-
®**nte na bronchite infantil, grippe, influenza e asthma, na dose diaria de 1,0 cc.
anno de idade. Observámos, assim, a sua aci;âo bechica e sedativa da tosse,
P»t1icularmcnte efficaz na primeira infanda, agindo e capaz de supplantar a
*•^0 therapeutica da Drosera. da Polygala e da GrindcUa e, ainda, talvez equi-
'^cnte á da Lobelia, das quaes podemos consideral-a verdadeiro succedanco. A
manifesta como sedativo da dyspnéa e da tosse que observámos nos fez
•creditar que aquella droga (florac papayac) possue acção directa sobre o pneu-
®*ogastrico, relaxando a contractibilidade dos musculos de Reisscssen. Toma-se,
portanto, indicada na asthma bronchica, nas tosses espasmódicas e convulsivas.
^>nistrámol-a cm dois casos de asthma bronchica, criança de 6 annos e ancião
65, cujos accessos foram rapidamente beneficiados, com a doses de 6 cc. pro
no primeiro e de 30 cc no segundo caso, usando-a de mistura com um {wuco
xarope ou simplesmente agua assucarada.
— As sementes frescas e rccentementc pulverizadas do Mamão maduro ou
*crdolcngo têm uso empirico, entre os naturaes c sertanejos do pais, no trata-
'**cnto das verminoses; também Descourilz (Flora Medica das .Xntilhas, 1821)
**cnciona esse uso naquelle pais e Assis \’ianna (1899) as prescrevia nos mesmos
associadas ao mel de abelhas ou sob fornia de macerato em agua fervente,
dose de 1,0 mg. diariamente, durante alguns dias.
Em nosso serviço já mendonado, expierimentámos, tanto o latex recente
Mamão verde, como o oleo obtido das sementes do Mamão anudurecido
^f'ipayol) no tratamento de diversas verminoses c pudemos verificar que ao
papayotinico ou o. papaya, que acompanha em diminuta propxirção o latex
como o oleo resinoso (papayol) sc deve a acção vennifuga do Mamoeiro,
acção manifestou-se efficaz sobretudo na Enterobiose intestinal, onde jus-
***hcntc o arsenal therapieutico carece de meios efficientcs para o tratamento de
l^ldc parasitose, hospiede habitual do recto e assás frequente na primeira
**^4nda.
Também expierimentánios, com a valiosa contribuição de .Meides Prado, na
de Parasitologia do Instituto Butantan, tanto o sueco lactescente do Mamão
como o papayol (oleo resinoso das sementes frescas do Mamão naduro)
‘ tratamento de diversas verminoses. De nossas obsenações concluimos que
fresco, usado em doses de 2 a 4,0 gms. com piequcna pxirção de glycerina
**'*tra, quer em crianças, quer cm adultos, em tres doses successixos, com inter-
de 3 dias, fez expiellir grande porção de Enterobius vcrmicularis (Oxyurus
^^Mstialis), seguindo-se a cura clinica, piois foi difficil pierccbcr nas fezes os
e lar\'as desse parasita, tomando falhos os resultados elucidativos piela
23 .
298
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
comprovação do laboratorio. Xas mesmas doses acima citadas, pequena fo* *
influencia daquella droga {látex paf>ayae) em outras parasitoses intestinaes.
Experimentando igualmente o papayol, associado a pequena porção de
cerina com a qual se emulsiona, em doses successi\'as de 1 gotta por anno ^
idade pro dose (0,02 a 0,(H cgms.), até o máximo de 3 gottas para criança*-
lográmos obter os mesmos favora%'eis resultados naquella parasitose.
Dahi se conclue que o papayol (oleo resinoso das sementes frescas do
mão maduro), em doses de 0,02 a O.W- cgms. pro dose, associado a peqn®®^
porção de oleo de ridno, poderá ser indicado, cada 3 dias, em jejum, tre*
quatro vezes successi%'amente, no tratamento da enterobiose intestinal.
(Trabalho da Seeçlo de Botanica Medica do Instituto
<«n , apresentado em junho de 1935 e dado â
tan, apresentado em junho
em setembro de 1935).
24
•?
cm
2 3 4
'/SCÍELO3 ;l1 12 13 14 15 16
CONTRIBUIÇÃO Á MATÉRIA MEDICA VEGETAL DO BRASIL
Estudo pharmacognostico e therapeutico da Jacaranda
decurrens Cham. {Bignoniaceae)
POR
WALDEMAR PECKOLT e ALCIDES PRADO
615.1:615.5:583.84
CONTRIBUIÇÃO Á MATÉRIA MEDICA VEGETAL DO BRASIL
Vl. Estudo pharmacognostico e therapeutico da Jacaranda
decurrens Cham. {Bignoniaceaé)
POR
WALDEMAR PECKOLT e ALCIDES PRADO
PARTE I
Komes vulgares: Carobinha, Carobinha do campo, Carobinha miúda, Caro-
^nha casco de cavallo, .■\rraia do campo, Arcunan (An-ore de Jacutinga).
Palria: Brasil.
Distribuição gcographica : Habita as rifões campestres dos Estados de
^latto Grosso, Minas Gcraes, São Paulo e Paraná, onde c conhecida pelas de-
nominações citadas. Vegeta de preferenda em terrenos seceos, sendo cncon-
era estado sylvestre, nas zonas elevadas das diversas regiões campestres
'^ses Estados,
Phytographia: Arvore ou arbusto, de bella apparencia, de folhagem Iwista
* *bundante ranugem; alcança, conforme a região habitada, 1,50 a 3 metros de
*^*tira. Raiz lenhosa e grossa, donde parte o caule, ramoso, pubcscentc quan<lo
**'^'■ 0 , dqwis glabro. Sua ramagem de côr verde escura, por vezes acinzentada,
*oma coloração rosea quando nova. Suas folhas jxiripinnadas possuem 8, 9 ou
ntais jugos de foliolos estreitos, glabros, lisos e lustrosos na pagina superior,
í'*‘luenos, lineares e decurrentes, de apice agudo, densamente reunidos e volta-
para cima, emprestando agradavel e bclb apparencia á phinta. A inflorcs-
'^da em radmos apresenta flores grandes, bellas, campanuladas, de côr violeta
ro.xa. O frueto, capsula lenhosa, sub-orbicular, rctuso no apice, arrc<lon-
na base, offerece alguma semelhança com o casco de cavallo, e dahi sua
^^**>ominação \'ulgar de "carobinha casco de carallo” no Estado de Matto Grosso,
c também chamada “Arcunan”, nome indigena que, em linguagem tupy,
**8’>ifica “.^ivore de jacutinga”, pelo facto de ser pouso predilecto dessas aves.
sementes são ellipticas, irregularmente crenuladas, aladas e de aba transpa-
^^tc e frágil (Figs. 1-2).
3
302
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
r
Tlg. 1
Carobinba do campo (cm plena
florcaccpcia)
a:
Fi«. t
Carobinha do campo (ranw.
inflorcaccocia c frocto)
Historie o : Até o presente, não se sabe qual o motivo por que Jussicu
a denominação tupy e vulgar “Jacarandá”, appiicada no pais a algumas l^S**
minosas, para designar um genero da família Bignoniaccae. “Jacarandá” ^
lavra composta e originaria do dialecto tupy, ““Ya-kaa-r-antan”, cujo sig"*^'
cado “arvore de madeira dura e firme” o genero Jacaranda da familia Biff^
niaccae absolutamente não possue. Essa designação caberia antes aos veget***
do genero Tccoma, da mesma familia, nol-o diz Theodor Peckolt no seu rcl**®
da familia Bignoniaccae in Berichte der Deutschen Gesellschaft, 1911. Po*”
motivo, grande confusão se estabeleceu no Brasil entre os vegetaes daq»!*^
genero e os da familia Legutninosac, \-ulgarmente conhecidos pela mesn» ^
nominação, os quaes pertencem em sua maioria ao genero Machacriutn, qi>® ^
nhuma relação tém com os da familia Bignoniaccae, vulgarmente chania^
"Caroba”, “Caa-roba” (nome aborígene, que significa “herva amargo**
Carobinha, Caroba miuda, C. da matta, C. do campo, etc..
— Os vegetaes do genero Jacaranda {Bignoniaccae) são em sua mai'
ion*
arbustos, graciosos e elegantes, de folhagem densa e composta de pequ'
cnos '
áo
numerosos foliolos, apresentando bclla florescência azul, violeta, ro.xa ou
melha (segundo as especies) e usados antes como ornamentaes e medicinacs.
que mesmo como madeiras de utilidade industríal. Seus fruetos são cap*
4
Peckolt <t Praix) — Matéria medica vegetal do Brasil
303
tinhosas, geralmente orbictilares, que \-ariam de tamanho e côr, ao passo que
fructos dos “Jacarandás” (do genero Machacríum) são Icgiunes geralmente
®niaIados. Sua inflorescenda em nada se assemellia ás outras; são geralmente
P*nicu!as com flores papillionaceas de côr amarella. Seu caule erecto, robusto
* elerado, offerece bôa madeira para taboado e outras applicações industriaes;
vemos, é extrema e notável a difíerença morphologica, para que se possa
*subelecer alguma confusão, creada apenas pela semelhanqa do nome com o do
K®icro creado por Jussieu.
— O uso da droga, isto é, o emprego medicinal das folhas e cascas das
^obas, na syphilis, escrophulas, ulceras e moléstias da pelle, empiricamente,
Wos aborígenes e sertanejos do Brasil, data do descobrimento do pais.
^orém, os primeiros estudos chimicos das Carobas foram e.xecutados no Brasil,
1865, por Th. Peckolt, que, analysando differentes espedes do genero
^ocorawJa, conseguiu insular uma glycosida crystallizada, a carabina, aprcsen-
**®do-a, com muitos outros productos, na Exposição Industrial do Brasil cm
na qual recebeu o grande prêmio e medalha de ouro. Essa rica collecção •
drogas de vegetacs brasileiros c seus prindpios chimicos, dq)OÍs de figurar na
^da Exposição, foi remcttida, por conta do governo do Brasil, na então
^*?cnda do Imperador Pedro II, para a Exposição de Paris, acompanhada de uin
®*demo, ou “catalogo geral da collccção pharmacognostica e chimica” dos produ-
expostos, induindo as “analyses de matéria medica vegetal brasileira”,
*^*^rado nas linguas portuguesa, francesa e alemã, sendo que lá desapparcceu
^ **ianuscripto em francês. Encerrada a Exposição de 1868, o auctor presenteou
idêntica collecçâo a Assodação dos Pharmaccuticos Austríacos, que fez
^‘'•^'licar o “catalogo em alemão”, editado pela casa Cari Gerold F®, de Vienna,
* Oa “Revista da Assodação dos Pharmaccuticos Austríacos” (Zdtschríft des
^cm. Õstcrr. Apothckcr-\'^ercines 30, 31, 1881). Esse “catalogo descríp-
foi, igualmente, transcripto nos .\nnaes do Pharmacol. Phann. e To.xicol.,
H. Bekmets, 137, 1883.
— Os primeiros estudos das “Carobas”, effectuados por Th. Peckolt cm
foram de Jacaranda proccra Spreng., postcríormente identificada por
^^Icr como Jacaranda viacrantha Cham., (Herbarium Pcckolti 166 e 511).
■^ntecc que, após o desapparccimento cm Paris do “catalogo cm francês”, ma-
^'**^pto que acompanhou o material que figurou na Exposição de 1868, —
^^ogo das drogas pharmacognosticas c chimicas c analyses de matéria medica
^ vegetaes brasileiros estudados por Th. Peckolt — surge cm Paris uma these
^ fcv. 1881, publicada pelo Dr. Charles Zaremba, sobre Jacaranda procera
^eng., na qual se apresenta o trabalho como original, nellc figurando como tal
^ analysc das folhas daquella planta brasildra, em 1866 considerada por
^*rícoIt como J. proccra, mas cm 1881 já identificada por Eichler como J. ina-
'^tha CuAM .; essa analyse era uma copia cxacta até a terceira dcdmal, isto
5
304
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
■é, quanto aos milligrammos. da analyse de Peckolt publicada em 1866, cooi o
nome de /. procera Spreng. (\"ide Pharm. Zentralhalle 25; 38, 1881). Curiós*
coinddencia essa que depois se repetiu no apparecimento successivo de outros
trabalhos sobre plantas do Brasil, por diversos auctores, cujas analyses, absolu®'
mente semelhantes, por vezes dif feriam apenas, quanto aos decimaes e em algu*’’**
denominações, das analyses effectuadas no Brasil por aquelle auctor e constaiil**
do referido manuscripto (Berichte der deutschen pharmazcutischen Gesellsd**^*
1911, Th. Peckolt). Posteriormente ainda, esse auctor estudou Jacarando
mosa Cham., /. micrantha Cham.; J. puberula Ciiam. c J. caroba Pyk. D- ^
todas de largo emprego medicinal empirico na lues, escrophula, sarna e molesõ**
da pelle ; algumas ainda como purgativas e diuréticas, encerrando, porém. p^ioO'
pios analogos, com extremas variantes quantitativas e por vezes qualitati''^* ^
relação ás substancias activas.
Segundo os naturaes, todas possuem aquelles usos; mas na clinica some®*'
/. caroba, J. copaia e /. puberula Ic^raram prescripção medica ; assim é que.
“boul)as” e irritações da pelle, no Pará se prescreviam pilulas com o ^
folhas e o extracto alcoolico das cascas fia raiz de J. puberula ChaM.
der deutsch. pharm. Gesellschaft 1911, Th. Peckolt). Com a publicação
estudos de Peckolt. chegou á Europa a fama da droga e já in Pharm. Zcn***
lhalle v. Hager u. Geissler, 342, 1882, se encontra a descripçào e desenho ^
folhas de J. copaia Don., pelo dr. J. Mõeller; mais tarde, outros trabalhos
apparccendo sobre as “Carobas”, J. brasiliana Pers.; /. caroba Pyr.
muito embora sua grande maioria, como sóe acontecer a quasi todos os veget***
do Brasil, não esteja ainda estudada experimental e chimicamente.
Foi esse o motivo que nos levou a estudar as demais Jacarandae (/•
rens, J. puberula, J. oxyphylla), cujo estudo ainda não tinha sido cffeet®**^
chimica c expcrimentalmente.
Droga: Folia et córtex Jacarandae.
Farte usada da planta: ^'olhas e entrecasca.
Estruetura tnicroscopica (Fig. 3) :
Folha, foliolo: Epiderme revcstifla de forte camada cuticular, apresen
ta*»*’
Abar
entre espaços regulares alguns pelos tectares curtos, conicos c uniccllulares. ^
xo da epiderme observa-se nitidamente o mcsophyllo asj-mmetrico, forma** ^
duas ordens de ccllulas paliçadiças cm toda a extensão do limbo, as qua^ ^
interrompidas cm espaços regulares por ordens successi\'as de fibras
no interior das quacs se observam os vasos do lil>er entre dois ou mais
lenhosos. Essa disposição c interrompida apenas na parte central, correspomr^
á ner\-ura mediana, que c côncava na pagina superior da folha c forma«i*^^
um macisso lenhoso, cellulas, fibras e vasos abaixo dos quaes se observ»
camada de liber, limitando duas ordens de fibras lenhosas com disposição
resguardando dois ou mais vasos liberianos de maior calibre; mais abaix®*
Peckolt &. Pn.\DO — Matéria medica vegetal do Brasil
305
***^<10 o parench)-ma secretor constituído por giandulas internas que commu-
com o exterior, formando uma fileira de pelos secretores, numerosos,
pedicellados e uniformes.
•“dos.
curto
Pharmacochimica: Dentre as numerosas espedes do genero J acarando, \'ul-
conhecidas pela denominação de Carobinha, Caroba míuda, Carobinha
^ campo, encontram-se /. macrantha Cham. (ex J. procera Spreng), vulgar-
\
\
Pis. S
Caroblnba do campo (catructara mlcroooo-
ptca) “FoUoIo", eortc tnoairtnal.
Caroba miuda, C. pequena, C. preta c Carobinha; J. pubcrula Cham.,
miuda, C. casca de carvalho; J. racemosa Pyr. D. C. e J. caroba Pyr.
. conhecidas como Caroba mirim, Camboita pequena, Muchoquinha, Caro-
y. oxyphylla Cham., Caroba do campo, Caroba paulistana, Carobinha, e
■ J^ CMrrcuj Cham., Carobinha miuda, C. casco de cavallo, Arraia do campo,
^'^>nha do campo; todas gozam das mesmas virtudes medidnaes empíricas
^••olcstias já citadas, como também contem maior ou menor quantidade de
^^ios chimicos analogos, s<^ndo as especies analysadas.
wJ^WKlor Peckolt, que em 1868 inidou a publicação de seus circunstanciados
sobre /. macrantha (/. proccra Spreng.), encontrou nas folhas dessa
por % gms.: carobina crv-stallizada 0,1620; addo carobico erv-st. 0,0516;
. balsamo 1,442; caroban 2,666; resina 3,333; matéria extractiva amarga
* jacaranda-tannoides 0,439. Xas cascas dessa mesma espede, aquclle chi-
“ão encontrou o addo carobico, o caroban c o carobo-balsamo, achando,
carobina 0,300; resina 0,500; addo resinoso O^X); jacaranda-tannoides
c matéria extractiva amarga 0,283 gms.
306
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Em J. racemosa esse mesmo auctor encontrou: resina 1,380; addo resino*'^ I
a 2,128; addo resinoso b 4,276; e matéria extracti\-a amarga 0,448, não
obtido, das folhas dessa especie, a carobina, o addo carobico e oleo gorduroso-
Em /. caroba achou, em 1000 gms. de folhas seccas: carobina 1,620;
carobico crysl. 0,040; aado oleo-carobico 1,000; resina balsamica (carob*®^^
26,666 ; resina inodora 33,334 ; matéria ceracea e chlorophylla 9,000 ;
extractiva balsamica 14,142; matéria extractiva amarga 2,880; matéria extraco^
inodora 10,550; saes mineraes, agua, cellulose, substandas amylacea, albuiu^j
gommosa 885,010.
I
Seguindo o mesmo proceder daquelle notável chimico, em nossos sersaÇO*
Instituto Butantan, obtivemos das folhas frescas de Jacaranda decurrens CS-'** |
por Voo gms.
Carobina
0,025
gms.
Addo carobico
2,500
ff
Carobo-balsamo
12.500
ff
Caroban (addo resinoso)
25,500
ff
Resina (sem sabor e sem aroma)
32,600
ff
Carobo-resina
12,700
ff
Matéria e.\traaiva amarga ....
14,000
ff
Jacaranda-tannoides
39,200
ff
Saes mineraes (dnzas)
86,400
ff
Substandas gommosas, cellulose, etc. .
35,275
ff
Agua
740.000
tf
Por essas analyses verifica-se que a presença da carobina, do addo
e do oleo gorduroso não foi notada nas folhas de /. racemosa, e em /.
aquclle chimico só obtc%’e pequena porção de addo orgânico carobico (0,05* ■
tendo, entretanto, obsei^Tido a presença de dois addos resinosos, que deno°*^
o e b, e dos quacs o primeiro é muito scmdliante ao caroban de J.
O carobo-balsamo foi encontrado nas folhas das duas espedes citadas «
obtivemos em muito maior quantidade das folhas de /. decurrens. ■,
oceorre que, possuindo todas as mesmas virtudes therapeuticas cnipin^*** ^
deveria ser a carobina ou o acido orgânico o prindpio therapeutico do
sim o carobo-balsamo, existente, aliás, em grande proporção nas folh*^
decurrens. E realmentc pudemos verifical-o, pelas experimentações
em nossos laboiatorios no Instituto Butantan, ficando por ellas demonstr**|® ^
o addo resinoso balsamico (carobo-balsamo), ao qual acompanha
carobina, ao ponto de se lhes tomar extremamente difficil a separação ^
qualquer elevação do calor do B. M. a decompõe em u’a matéria c.rtracl^
samica) tem particular eleição pelos nudeos dos protozoários ensaiados.
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
Peckolt & PnADO — Matéria medica vegetal do Brasil
307
— A carobina é uma gl 3 Cosida, que não nos toi possível obter cr)’stallizada,
*^0 amorpha. O addo carobico é de natureza organica, de poder oxydante e
^uctor, reagindo íortemente ao tomasol. O carobo-balsamo é uma resina
^uida, de reacção acida, consistência do balsamo do Perú quando em estado
^*<^te; secea, assemelha-se ao asphalto, é de aroma agradavel, um tanto seme-
®**ntc ao da cimiarina, mas de sabor algo amargo. O caroban é um acido resinoso
**Pccia!, completamente volátil ao calor, pó branco amarellado, de aroma da planta
^'^ndo secea e um tanto semelhante ao do carobo-balsamo; sabor acre bastante
***’*rgo- A carobo-resina é muito semelhante ao acido resinoso ; é solida, lustrosa,
côr castanha escura e sabor acre picante, aroma agradavel pelo aquecimento.
^ resina sem sabor, sem aroma, é semi-solida, queimando com chamma fuliginosa
* fumaça branca e aromatica. A matéria extractiva amarga e pastosa, dissol-
com facilidade no ether e na agtia destillada a quente.
O prindpio carobina encontrado nas folhas de Jacaranda dccurrens foi por
obtido no sersMÇo do Instituto Butantan, pelo seguinte proceder: maceram-se
álcool de 86*C e a 1/50 p. cento de seu peso de IFSO* as folhas pulverizadas ;
^ ‘lias após, expreme-se a mistura (coando por expressão) c macera-se no\'amente
**** álcool; côa-se por e.xpressão, ajunta-se aos líquidos hydrato de cal virgem
*** manifestar-se o apparedmcnto da reacção alcalina; deixa-se repousar 24
mexendo-se repetidas vezes. Findo esse prazo, filtra-se c ajunta-se acido
''^lurico lentamente, ate manifestar-se ligeira reacção acida. Dcstilla-se cm rc-
de vidro até desapparecimento completo do álcool. O residuo é então
*^do por 20 volumes de seu peso de agua destillada quente; filtra-se para
*'Parar a “resina balsamica insolúvel”, que é o caroban. A junta-se ao liquido
•^rad., acetato de chumbo tribasico, enquanto formar precipitado; separa-se o
Vido do precipitado formado c submette-se esse liquido á acção do hydrogenio
'•llurado (apparelho de Kipp), para separar todo o chumbo.
Filtra-se e evapora-se o residuo ate crystallizar, cm temperatura que não
a mais de 80"C. Scparam-sc os crystacs do liquido, scccam-se cm “dcsscc-
sobre chlorcto de cálcio anliydrico e purifica-se a carobina por diversas
^**oluções successivas em álcool fervente, que, esfriando e evaporado, deixa
^rar a carobina.
O liquido separado dos ciy stacs da primeira crj-stallização não dará mais
'^*taes de carobina e fonna, pela dissolução alcool-cthcr por dcstillação, a mate-
rxtractiia balsamtca.
A preparação da carobina das folhas c rcalmente difficil, porque qualquer
^^^ão do calor do B. M. a decompõe em materia extractiva balsamica.
O acido carobico foi obtido seceando-se com cautela o precipitado do ace-
de chumbo tribasico, que se obteve da preparação da carobina, extrahindo
*ciiJo pelo álcool anh}‘drido cm ebullição ; separa-se a solução alcoolica do
s. a., filtra-se c destilla-se, tratando-se o residuo pelo ether. Separa-se
9
308
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
o soluto ethereo e deixa-se cr)'stallizar no vacuo ; por filtração separa-se o
crystallizado do addo oleo-carobico que é uma decomposição do acido carobico-
Este se forma, quando a temperatura de eraporaçâo é superior a mais de
e principalmcnte si for tratado pelo álcool em ebullição. Esse acido olco-caro«t®
é fluido, balsamico e de reacção pronunciada.
O caroban distingue-se das resinas \-ulgares por ser volátil ao calor e ^
offerecer as reacções daquellas.
A matéria extractis-a, dissolvida a calor em agua destillada, dá reacçã®
amarellada ou parda, passando ao castanho quando tratada e predpitada por ^
soluto de chloreto de ouro; dá coloração verde azeitona com o addo
phomolybdico e, com o soluto de addo tannico, offerece abundante predp*®*^
de carobo-tannoides.
O jacaranda-tannoide ou acido carobo-tannico, é pó amorpho, de cor
azeitona, sabor fortemente adstringente e amargo.
— Tentando obter um sal solúvel de carobina, pelo HCl, conseguitoo* ^
sal crj-stallizado que se dissolve fadlmente em agua destillada, com co\ot*^
castanha clara, sabor amargo e algo adstringente, acre, porém cuja acção
rimental "ín vitro" não corresponde á actividade do principio em natureza,
forme mostraremos adiante, pelas expericndas parasitologicas effectuadas
tancamente com os diversos compostos orgânicos de vegetal, separadamente
rimentados no Instituto Butantan.
Phannacologia e emprego officinal:
Cocimenlo — folhas, 30:360 de agm fervente, ás chicaras 3 vezes oo
cascas e raizes 10:500 de agua fervente em igual dose. Exlracto
folhas e cascas, soluto a 2 e 5% em poção e xarope nas 24 horas a
em lavagens intestinaes. Tintura da planta fresca: Folhas c cascas, ^ . j,
doses de 1 a 2 gms. por dia e por anno de idade, em 2 ou 3 vezes, assoc»^
a agua ou cm poção e .xarope. Extracto alcooUco — cascas, folhas c
aos adultos em pilulas; 0,05 a 0,10 ctgm. duas a tres vezes ao dia.
Tt*'
Dentre todas as preparações pharmaceuticas, o Extracto aquoso ca
tura das folhas frescas nos deram mais rápidos e favoráveis resultados nos
obseixados. Nas provas experimentaes a que as submettémos, essas
ções rcvclaram-se completamcnte atoxicas para os diversos animaes dc lal)^^^
torio e para o homem, cm doses macissas, indicadas para uso nas 24 hot**
feitas cm uma só applicação. Em cães normaes, doses successivas de 2 a lO
• • *
dc uma so vez, por vja oral, occasionaram (apenas a ultima dose) ligeira c
anuria sem consequendas, occurencia talvez independente do uso da
c ligada á prisão em gaiola a que foi submettido o animal obseiX'ado.
aquoso cm soluto a 10^, na dose dc 2 cc. p. vez, via parcntcral venosa,
trou-sc completamcnte atoxica e de modo idêntico no mesmo animal.
10
/
Peckolt & Pa\DO — ilateria medica vegetal do Brasil
309
Em homem, doses de 30 a 40 gms. por dia (adulto de peso 75 kgs.) foram
*sadas sponte sua por um de nossos auxiliares, que, confiante, as tomou, quan-
^ accomettido de dysenteria amebica aguda (£. histolytica), no decurso de nos-
*** obser4'ações.
— Quanto ao uso therapeutico, as carobas e todas as espedes congeneres
até então usadas unicamente, sob o empirismo que attinge a maioria dos
^^etaes brasileiros, como um anti-luetico, em escrophulas, “boubas” e em algu-
mas dermatoses. Pelos ensaios e obsen-ações clinicas effectuadas em nossos
' iços no Instituto Butantan, podemos considerar a carobinha como cs])ecifica
protozooses intestinaes agudas e chronicas, com indicações nas diversas mani-
^^tações de Endamoeba coli e £. histolytica, Trichomonas hominis, Giardia intes-
‘^is, Chilomastix mesnili e nas flagelloses por Balantidium coli, nas quaes
****ibem a experimentámos, com satisfactorios resultados.
Xossas experiencias foram executadas com as diversas preparações offici-
; particularmente em nossas observações clinicas foi usada a tintura a 1 :4
planta fresca, folhas.
Pharmacoergasia: A carobina do campo vive espontaneamente em estado
^•'estre nas regiões campesinas dos Estados de Matto Grosso, Goiás, Paraná e
• Paulo, vegetando um terreno seceo, elevado e bem ventilado.
Cultivada por nós no Horto Oswaldo Cruz, dcpendencia actual da Secção
Botanica 3Icdica do Instituto Butantan, vegetou com facilidade em terreno
cansado e pobre, de solo argilloso, despontando seus primeiros cotyle-
’Vs
ao fim de /6 dias mais ou menos. Passados 30 dias, cresceu cerca de
* 5 cms. Em terreno seceo c mais rico, é possivcl que melhore suas con-
v^etativas, como acontece espontaneamente nessas r^iões. A epoca da
''^heita da droga apresenta-se somente depois de ter a planta completado dois
****k»s, isto c, após a sua primeira florescência. Essa epoca se observa geral-
^tc duas vezes no anno, em março e novembro. E’ necessário dizer-se que
*Poca dc colheita da droga tem importância capital, como soe acontecer a
vegetaes, porque, na maioria das vezes, o prindpio activo c nesse caso
|^^***l>stancias resinosas são elaborados pelo vegetal para a constituição de novos
;2^**^íos do frueto e da semente, e não como excrctos, como julgam alguns
;^orcs. Parece-nos, portanto, aconselhável recolher a droga (folhas), somente
[ ^^^casião próxima á floração, facto que nos foi demonstrado por pesiiuisas
^^*^imicas succcssivas, acompanhando todo o cvxlo evolutivo do vi^etal entre
floração. Por esses exames successivos, pudemos verificar que, constituido
^^cto, decresce sobremodo a projxjrçào dos principios resinosos, encontrados
^^'*>4lnientc na epoca dtada no mesmo vegetal.
11
310
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
PARTE II
Acção parasitícida “m vitro” das preparações officinaes e
compostos orgânicos de Jacaranda decurrens Cham..
As provas da acção parasitidda “in vitro” não devem ser relegadas
um segundo plano, porquanto delias, em idênticas circimstancias, fizeram
innumeros pesquisadores. Laveran, por exemplo, verificou “in vitro” que
soluto, mesmo fraco, de um sal de quinina em mistura com o sangue de
exercia grande influencia sobre os hematozoarios do impaludismo, cujas form**
de divisão se tomavam cadavéricas.
Fizemos primeiramente actuar o extracto aquoso, preparação officinal ise®**
de álcool, sobre formas vegetativas dvas de Trichomonas hominis. A mof^*
desses flagcllados, que eram em numero de 6 a 8 por campo, se deu immcdi*®*
mente. Este material foi-nos fornecido pelo nosso observado XXI, cujas
ainda em 2.® exame eram positivas para aquella flagellose. Igual exito
guimos, fazendo agir o extracto sobre formas vegetativas vivas e rnovets
Endamoeba histolytica, provenientes de fezes entregues no laboratorio.
O prof. E. Bnunpt e seu digno collaborador, dr. Irazabal, com o e.xtr**^
aquoso que lhes remettémos, obtiveram idênticos resultados sobre a C/ardio ^
camondongos, mesmo usando solutos muito diluidos. Sobre ciliados oper®®'
o mesmo facto: morte instantanca das formas vegetativas vivas do
coli, sob a acção dos preparados officinaes (extracto aquoso, c.xtracto flu>^
tintura). Com a tintura o resultado nada tem de e.\traordinario, porquaD*®
álcool a 22* que ella encerra, exerce sobre estes protozoários acção letal energ^
Com os compostos orgânicos extrahidos de Jacaranda decurrens, as fo*’’]**
vegetativas vivas de Palanttdium coli resistiram pouco cm presença dos s^í®****
tes solutos de:
Carobina
Chlorhydrato de carobina
Balsamo carobico, cm agua destillada a quente .
Balsamo carobico, em álcool a 20°
Acido carobico
Carobo-tannoide
< 3
> 10
minutos
ff
< 1
< 1
> 6
> 30
minuto
tf
minutos
ff
o material que serviu para estas ultimas e.xperiencias provinha de um
da clinica do dr. Gonzaga de Moura, cm cujas fezes abundavam formas
tativas vivas e moveis do Balantidium coli: 2.® caso registado em nosso
ratorio no espaço de um anno. Este doente, encerrado o cv'clo das nossas oo°^
SciELO
12
Peckolt Jt Pn.\DO — Matéria medica vegetal do Brasil
311
'^Ções clinicas, foi por seu medico assistente tratado pela tintura de /. decurrcns.
cura da referida protozoose foi rapida e segura, embora antes o doente tivesse
**®do, por via oral e subcutânea, numerosos productos aconselháveis nas dysen-
parasitarias. O doente examinado pela primeira vez em ll-IV-1935, foi
*^*do como curado em 6-\'-1935, depois de tres exames de fezes negativos, com
^•■«npto restabelecimento de sua saude, antes seriamente abalada, em consequen-
das descargas diarrheicas frequentes (10 a 12 vezes ao dia) e de sua idade
*^çada (70 annos).
Obscr>'ações clinicas:
Dos 56 casos obsen^ados, 31 foram considerados curados clinica e micros-
copicamente. Estes últimos constam das obsei^^ações seguintes;
I — T. de C, 4 annos, brasileira, preta, residente no Instituto Butantan.
^^o^te ha algum tempo, com fortes cólicas acompanhadas de dysenteria; fezes
'l^tosas. com muco e sangue. Ao exame, em 20-1 V- 1934, notavam-se tj-mpa-
C|^io abdominal, dor á pressão em todo o trajccto do colon, apyrcxia e aba-
****« 1:0 sensivel. Evacuações em numero de 10 ou mais por dia, mal satisfeitas,
^ceedidas e seguidas de puxos.
Exame de fezes: formas v<^etativas de Endamoeba histolytica; ovos de
^^foris. Tratamento: XLV gottas de tintura de J. decurrcns cm unta s<')
pela manhã, em jejum. Após o 2.* exame, ainda positivo, augmentou-sc
* ‘^ose medicamentosa para 5 gms. diarias, o que foi feito ate o final da cura.
4.® c 5.® exames foram positivos para a mesma protozoose. Afinal, o 6.*,
e 8.® exames, praticados, respecti\-amcntc, em lO-VIII-1934, 21-VIII-1934
* Í4-IX-1934 foram negativos. Teve alta, nesta data, curada.
E’ necessário observar que as doses da tintura inicialmentc empregadas
insufficientes e diminutas. Posteriormente, quando as experimentações
"'‘^ORicas nos revelaram atoxicas as dosagens e!c\'adas, procurámos ensaiar
*>ses maiores. Com os primeiros casos tratados, obscr\'ámos a acção scdatitTi
tjiçdicaçâo contra as dores (cólicas e puxos). Outro aspecto interessante da
'''^icação é produzido pela diminuição rapida no numero das dcjccçõcs, bem
pela melhoria da consistência das mesmas.
I H — A. C., 7 annos, brasileira, preta, residente no Instituto Butantan.
da anterior, queixava-se de fortes cólicas, as quacs se acompanhavam de
"^i^cções catarrhacs c sanguinolentas, em numero superior a 3 por dia. Ao
^e, em 3-\’III-1934 : figado e baço dolorosos á pressão profunda c augmen-
de volume. Exame das fezes: c)'5tos de Endamoeba histolytica; ovos de
^^oris, Trichuris e Ancyloslonia. Tratada pela tintura de /. decurrcns, em
proporcionaes, teve, logo a seguir, o 2.® exame microscopico negativo, ao
da primeira semana de tratamento. Continuando cm uso da mesma me-
e submettida a regime alimentar adequado, teve alternativas nos resul-
13
312
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
tados dos exames que se seguiram, para firmar-se a cura com tres exames neg*'
tivos, sendo o ultimo, o 7.®, realizado em 18-IX-1934.
III — A. F., 15 annos, brasileira, branca, residente no Instituto Butanta®-
Soffre de diarrhea, com cólicas e puxos, embora sem sangue nas fezes, ba trt*
meses; evacuações liquidas; inappetenda invendvel. Ao exame, em 7- VIIM93Í'
formas vegetativas de Endamoeba histolytica e de Giardia intestitialis. Trata*^
pela tintura de J. dccurrens, depois de numerosas alternativas nos resultado*
finacs, com suas melhoras dinicas accentuadas, obteve tres exames inicro*^
picos negativos e que foram o 9.*, em 27-X-1934, o 10.®, em 9-XI-195I f ^
11.®, em 16-XM934.
IV — A. C., 19 atmos, portuguesa, branca, residente á rua Xavier de
68. Doente ha 3 annos, sob o regime de injecções para o tratamento da í®*
dysenteria. Exame de fezes, em 30-VII-1934: formas vegetativas e cysticas
Endamoeba histolytica. Tratada pela tintura de /. decurrens, houve uma ph*^
negativa nos seus exames posteriores, o que coincidiu com uma pequena mdhot*
clinica no seu estado de saude. A seguir, deu-se o reapparedmento das fot®***
cj sticas, embora reduzidas. Finalmente, com a sua cura dinica, surgiram
de fezes negativos, respectivamente, em 25-X-1934, 20-XI-1934 e 17-XII*‘^
— A. C. da S., 5 annos, brasileiro, branco, residente á rua Euge®*®
Meddros, 84. Doente ha algum tempo, foi examinado em ll-IX-1934. r*l>
com seu lobo esquerdo augmentado e doloroso á pressão. Colite localizada
região do colon descendente. Exame de fezes: formas vegetativas dc
mastix mesnili e cystos de Giardia intestinalis; ovos de HymenoUpis. Tra***^
pda tintura de J. decurrens, alcançou seu primeiro resultado negativo para ai®"
bas as protozooscs com o 4® exame, em 8-X-1934. Com a sua cura
seguiram-se outros exames de fezes negativos e praticados em ló-X-*
23-X-1934 e 3-XI-1934.
Il9.
VI — C. V., 30 anrx)s, húngara, branca, residente á rua Hareson.
Tendo consultados outros médicos, apresentou-se-nos com perturbações
nacs que se acompanhavam dc cólicas e diarrhea muco-sanguinolenta. E-va®**
laboratorio, procedido na Bcneficcncia Portuguesa, revelara a presença dc ^
mocha histolytica. Examinada em lO-IX-1934, apresentava augmento do
esquerdo do figado, o qual era doloroso á palpação mesmo superficial. ^ ^
tamento iniciado a ll-IX-1934, com a tintura de J. decurrens c tintut»
Caapeba. nas doses indicadas, provocou rapida melhora na doente, com
exames de fezes negativos, respectivamente, a 18-IX-1934, 8-X-1934 e 26-X' ' ^
VII — V. de S., 7 annos, brasileiro, branco, residente á rua EugO®®
Medeiros, 73. Ha dois meses, com fortes cólicas e es-acuações frequentes c
quidas, teve os seus primeiros s)’mptomas dc dysenteria. Ao exanie.
29-VI 11-1934, notava-se a ponta do figado ligeiramente augmentada ^ j,.
á pressão. Baço igualmentc doloroso. Xo trajecto duodenal havia dor a P
14
Peckolt 4 Pn.ux) — Matéria medica vegetal do Brasil
313
*ão profunda. .•Kusencia de dor na altura do colon. Língua alguni tanto secca
parte mediana, húmida na ponta e limpa em toda extensão. Exame de fezes :
tystos de Giardia intesíinalis ; ovos de Ascaris, Trichuris e Hyntenolepis. .-Vpós
0 tratamento regular com a tintura de /. decurrens, teve exames positivos até
o 5.®, sendo os demais, do 6.® ao 9.®, negativos para a protozoose citada, o ultimo
oti data de lO-XII-1934.
\’III — K. P., 44 annos, brasileiro, branco, residente d rua do Carmo, 74.
Soffria ha 4 annos de dysenteria, repetindo-se de quando em vez evacuações
oiuoo-sanguinolentas.Aggravando-se ultimamente seus padecimentos e com exame
fezes, procedido no laboratorio Torres de Rezende, positivo para Enda-
*’>oeba histolytica, procurou-nos para o necessário tratamento. Ao exame, em
^l-VlII-1934, encontrava-se o figado augmentado de volume, porém não dolo-
*'oso d ptalpação. Baço levemente sensível d pressão. Badnetc direito doloroso
seu {xjlo anterior. Leve dor ao nivel do colon esquerdo, .-\usencia de gar-
?3rejo na fossa ilíaca. Ventre distendido, com espasmo da musculatura abdo-
*hinal. Obstipação chronica e habitual ; ausenda de tjTupanismo. Pulso rjthmico
* bradycardico. .‘\pós o tratamento com a tintura de /. decurrens, sempre nas
'^oses aconselháveis, teve a seguir uma serie negativa de exames de fezes, cm
^IX-1934, lO-IX-1934 c 21-IX-1934, ao mesmo tempo que apresentava francas
‘*>flhoras cm seu estado geral.
IX — G. de F., 35 annos, brasileiro, branco, residente d rua Santa Ephi-
K*nia. Doente lia 3 ou 4 annos, apresentando sympt ornas dysenteri formes. Usou
®**dicações varias. Ao exame, cm 3-VIII-1934, queixava-se de cólicas, com
***iissão de fezes pastosas; dores espontâneas ao nivel do lobo esquerdo do
^%ado. Exame de fezes: cystos dc Endamoeba histolytica. Tratado conve-
*^fcmcnte com a tintura dc J. decurrens, teve ainda positivos o 2.® c 3.® exa-
quando os demais, do 4.® ao 9.®, o foram negativos, datando o ultimo dc
*^X-1934. Com a cura microscópica, também se verificou a cura clinica do
**'>«nte.
X — J. F., 5 annos, brasileiro, branco, residente no Instituto Butantan.
7*3niinado, em 18-VII-1934: língua húmida c limpa: ausência dc dor, mesmo
' pressão profunda, do figado c baço. Fezes liquidas ou pastosas. Elxame
**^oscopico: c>'stos de Giardia intestinalis. Com o tratamento pela tintura
7. decurrens tc\c exames negativos do 2® ao 4®; no 5® appareceram cystos de
^yiatnocba coli, os quaes se mantiveram ainda no 6.*, em 6-IX-1934: dahi por
'^tc, os exames que se succcdcram, em numero de 3, tomaram-se negativos
^*■•1 ambas as protozooses. Teve alta em 5-X-1934, ao cabo dc 9 exames dc
com a sua sjTnptomalologia inicial modificada: emeuações regularizadas
^ ^pccto normal.
XI — M. N. S., 4 annos c meio, brasileira, branca, residente á .Avenida
Brazil, 9. .\ doente que ás vezes se queixa de cólicas e puxos, tem eva-
15
314
Memórias do Instituto Butanian
Tomo IX
cua«;ôcs frequentes, sendo suas fezes liquidas ou semi-solidas. Ao exame, cm
30-V'II-1934: figado e baço normaes. Exame microscopico das fezes: cysto*
de G tardia intestinalis. Submettida a tratamento pela tintura de /. decurre*Sf
teve ainda tres exames positivos para a mesma protozoose até o 5.® accrcsci-
dos alguns de cj'stos de Endamoeba coli; a partir do 6.®, em 13-IX-1934, tor-
naram-se os exames n^ativos para as duas protozooses. O ultimo (8®)i P^'
ticado em 23-X-1934, confirmava a cura, a qual coincidia com a normalidade
das evacuações, sendo solidas as fezes.
XII — C. A., 3 annos, brasileira, branca, residente no Instituto Butantan-
Apesar de não se queixar de cólicas, tem evacuações frequentes, diarrhcicas-
Ao exame, em 20-VIII-1934, nada apresenta digno de registo para os diverst^
orgãos. Exame de fezes: cj’stos de Giardia intestinalis e de Endamoeba cob-
.•\penas inidado o tratamento com a tintura de J. decurrens, os exames
revelando bai.xa numérica dos cystos de ambas as protozooses. Ao 4.® exame,
já elles haviam desapparecidos, com plena confirmação ao 5.® e 6.®, este ultm»®
em data de 17-IX-1934.
XIII — M. de M., 4 annos, brasileiro, branco, residente na Olaria, ^
Butantan. Doente ha tres meses, com a diarrhea e cólicas que o fazem chotat-
fezes liquidas com vestigios de sangue. .‘\o exame, em 19-VI-1934, nada de
maior interesse, alem da informação adma. E.xame de fezes: formas vegeta
tivas dc Chilomastix tnesnili; ovos de Trichuris. Com o tratamento pela
tura de J. decurrens, a partir do 3.® exame, os resultados foram negativos, settd®
o 5.® realizado em 6-\'III-1934. Qinicamente: evacuação diaria. em uma
vez; fezes deshydratadas, normaes. Desapparecimento das cólicas.
XIV — I. D., 41 annos, portuguesa, branca, residente á Villa Contes, ^
Butantan. Doente ha mais de um mês e em uso de outras medicações.
citações frequentes, com cólicas c puxos. Fezes catarrhaes e sanguinolen**^
.•\o exame, em 26-\*-1934: figado volumoso, sensivcl á pressão. Baço ’?****
mente augmentado. Exame de fezes: formas vegetativas dc Trichoi"^^*^
hominis. Em tratamento pela tintura de /. decurrens, apesar do 2.® exat*^
ter sido ainda positivo, teve os dentais negativos : o 3.®, cm 20-V’I-1934, o
em 28-VI.1934 e o 5.®, cm 6-VIIM934.
X\’ — J. G. de G., 2 annos, brasileiro, branco, residente na Olat**’
Butantan. Evacuações seguidas, em numero dc 10 ou mais ao dia; cólicas,
fezes liquidas mescladas de sangue, .^o exame, em 10-VI 1-1934, grande * ■
namia. Exame dc fezes: formas vcgetati\-as dc Endamoeba histolytica.
tado pela tintura de J. decurrens, teve, a seguir, negativos o 2.® e 3.® c-xa**’**’
praticados, respccti\'amentc, a 20-VII-1934 c 29-VII-1934.
XVI — I. S., 1 anno e meio, brasileiro, branco, residente á
queira Cesar. Doente desde 8 meses atrás. Soffria de cólicas; fezes píts| .
com laivos de sangue. E.xamc microscopico, cm 12-VI-1934: c)’stos dc 0*^
16
Peckolt Jt PiLXDO — Matéria medica vegetal do Brasil
315
''‘festinalis. Em tratamento pela tintura de J. dccurrens, teve os demais exames
fezes negativos: o 2.® praticado a 19-VI-1934 e o 3.® a 28-VI-1934, apre-
**ntando, nessa oceasião, evacuações normacs, ausência de cólicas e de sangue
fezes. Dorme e alimenta-se perfeitamente.
XVII — M. R., 22 annos, brasileira, branca, residente no bairro de Pi-
®^'ros. Doente ha meses, com diarrhea que se acompanhada de cólicas c de
'^^cuações muco-sanguinolentas; tonteira c inappetenda invendvel. E.xame de
*®2es, em 21-V-1934: c)‘stos de Giardia intcstinalis; ovos de Tacnia. Submet-
a tratamento pela tintura de /. dccurrens, teve já o 2.® exame de fezes, a
2S-V-1934, negativo para aquella protozoose; a s^uir, dois outros exames ne-
íMivos, a 2-VI-1934 e a ll-VI-1934, com accentuada melhora clinica no seu
**lado geral.
XVIII — M. de O., 1 anno e meio, brasileiro, preto, residente no Instituto
^utantan. Achad^a-se doente ha meses, com ed*acuaç5cs diarias múltiplas, cm
®uniero de 6 mais ou menos; catarrho nas fezes; cólicas. Fez uso de d-arias
®*cdicaçõcs, sem nenhum prod-eito. Ao exame, em 21-VIII-I934: dores loca-
lizadas no intestino delgado e figado, á palpação profunda. Exame de fezes:
l^nnas cd'sticas de Giardia intcstinalis. Em uso da tintura de J. dccurrens, foi
***Sativo o 2.® exame, em 5-X-1934, accrescido apenas de Blaslocystis hominis;
demais exames conservaram-se negatid-os, em 19-X-1934, 25-X-1934, 30-X-1934
' 20-XI-1934.
XIX — E. C., 16 annos, brasileira, branca, residente em Mogd’ das Cruzes.
1 anno soffria de dysenteria: cd^actiações frequentes, liquidas; sensação de
^'zl estar na região hcpatica, com dores espontâneas, espccialmcntc após a ingestão
'I' substancias gordurosas ou condimentadas, .‘\presentou-sc á consulta cm
^lX-1934, queixando-se de forte obstipação, seguida de uma phase de desar-
^jo (sic). Figado doloroso á pressão, na região vesicular c lobo superior.
á pressão profunda, dor surda soljrc a região do colon ascendente c
*’^svcrso, nas proximidades da região umbilical, lado esquerdo. Exame de fc-
***: formas vegetativas de Endamoeba coli. Submettida a tratamento pela
• dccurrens, em tintura, tese a s«^ir os demais exames negativos, cm 9-X-1934.
l^■X-1934 e 12-XI-1934, concomitantemente com sua cura clinica.
XX — M. P. F., 8 annos, brasileiro, branco, residente no Instituto Butan-
Evaaiaçõcs frequentes, 2 a 3 vezes ao dia, acompanhadas de catarrho;
^^'cas. Exame de fezes, em 17-IX-1934; cystos e formas vegetativas de
^'^datnocba coli. Tratado pelo tintura de /. dccurrens, a sua cura foi lenta e
^'^essira. Exame de fezes subsequentes: positivos do 2.® ao 8.®; negati-
9.®. cm 13-XII-1934 c o 10.®, em 24-XII-1934.
XXI — E. Z., 28 annos, brasileiro, branco, residente á rua Butantan, 220.
^ffria de dysenteria ha 1 anno e meio, a qual sempre se acompanha%'a de
^•cas e puxos; evacuações s^uidas. muco-sanguinolentas. Fez uso de varias
17
316
Memórias do InsUtulo Butantan
Tomo IX
nie<Iicações, especialmente por via hj-podermica. Com a intensificação
queües sj-mptomas, procurou-nos, em 22-X-1934. Figado augmentado de
lume em todos os seus diâmetros: largura 7,2 cms. ; ponta 8,2 cms., atting®'
do a linha para-estemal, a quatro dedos transversos abaixo do rebordo cosl^l.
ainda, doloroso á pressão. Baço normal. Intestino com vestigios de uma
tiga colite. Subicterida permanente: conjunctiva congesta e amarellada-
avermelhada com fundo amarellado, notando-se dsivelmente perturbações '"3^
motoras da pequena circulação. Tonteiras e nauseas. Pulso lento, rjthmsf®'
62 pulsações por minuto. Coração normal; bulhas abafadas. Exame de fez^s-
cjstos de Endamoeba histolytica e formas vegetativas abundantes e muito
veis de Trichomonas hominis. Tratado com a tintura de J. dccurrens, teve
exames positivos até á 16.* pesquisa, em 6-II-1935, quando, desappareddas
bas as protozooses, surgiu a helminthose determinada pelo Strongyloides
coralis. Suspensa a medicação em apreço, foi-lhe ministrado o oleo de Cheo^
podio. Seguiram-se mais dois exames de fezes negativos em geral, u”’
13-11-1935 e outro cm 20-11-1935, com a cura dinica concomitante.
XXII — M. C. M., 21 annos, brasileira, branca, residente cm Santos,
meçou com seus sj-mptomas dysenteriformes ha 1 anno: cólicas e evacuaÇ^
sanguinolentas. Grande asthenia que por vezes a obrigava a permanecer dei** ^
Elxaminada, em 8-XI-1934, notou-sc ausência de dores na região hepat*^
intestinal, á pressão. Exame de fezes: formas vegetativas e c)-sticas de
moeba coli. Com a tintura de J. decurrctis, teve um exame jKKsitivo, em 1^''
1934; os demais, praticados successi%'amcnte cm 26-XI-1934, ó-XII-l^-^^
15-XII-1934, foram negativos. Após esta cura, voltou a doente para as
de seu medico assistente, afim de continuar o tratamento da descalcificação
monar, a que antes se vinha submettendo.
196 .
XXIII — A. B., 8 annos, brasileiro, branco, residente á rua Butantan.
Doente ha meses: evacuações diarrheicas, com catarrho, sem sangue. Ao
em 9-XI-1934: t}’mpanismo, com distensão do ventre. Ligeiro augmento
wlumc do figado. Exame de fezes: cystos de Giardia {nlcstinalis e de
moeba coli. Tratado pela tintura de J. dccurrens, teve ainda 5 exames dc
positivos; 7.®, 8.* e 9.® exames motivos, sendo o ultimo em 25-11-1933.
XXIV — H. X., 7 annos, brasileiro, branco, residente á rua Olavo
106. Doente ha 1 anno: evacuações alvinas, muco-catarrhaes, sem
Cólicas. Exame de laboratorio. em 20-XI-1934: formas místicas dc í»'®
intestinalis. Em tratamento pela tintura de /. dccurrens, teve apenas niai> ^
exame de fezes positivo, para serem os demais negativos; estes, cm numc*^
3, foram feitos, respectivamente a 4-XII-1934, 12-XII-1934 e 24-Xll-l9^
XXV — L. M., 4 annos, brasileira, branca, residente no Instituto
Evacuações frequentes, liquidas ou pastosas; cólicas. Exame de feze^
23-X 1-1934: c>'stos de Giarlia inieslinalis. Tratamento pela tintura
dc J-
it***-
lí.
Peckolt Si PaADO — Matéria medica vegetai do Brasil
317
^*>erens. Controle microscopico : dois exames positivos, respectivamente, em
2/-XI-1934 e 3-XII-1934: exames negativos em lO-XII-1934, 17-XII-1934 e
“■^XI 1-1934. Cura clinica concomitante.
XXVI — P. M., 10 annos, brasileira, branca, residente no Instituto Bu-
**®tan. Irmã da anterior, apresentara leves perturbações intestinaes. Exame
lezes, em 23-XI-1934: cystos de Endamoeba coli. Tratamento pela /. de-
^^erens. Elxamcs microscopicos posteriores: 2.® e 3.® negativos; 4.® positivo; os
'estantes em numero de 4, foram negativos, sendo o ultimo em data de 7-11-1935.
XXV^II — O. M., 39 annos, brasileiro, branco, residente á rua Abilio
^'®res. Doente ha mxiis de 1 anno, com exames de fezes positivos para E. Itis~
procedidos no laboratorio Haberfeld, pouco tempo antes. Ao e.xame,
23-X1-1934: figado, extensão 15 cms. ; diâmetro mediano, 9 cms. ; diame-
da ponta. 9,5 cms.; lobo esquerdo, 6 cms.. Insufficiencia da aorta, com per-
*®*^laçõcs raso-motoras. Tratado pela tintura de J. dccurrcns, teve, a seguir,
exames de fezes negativos, estes realizados em 30-XI-1934, lO-XI-1934 e
•’-Xll-19^.
XXVIII — M. F., 12 annos, brasileiro; branco, residente á rua Amaro
^'■alheiro, 70. Soffria de dysenteria ha 8 meses, a qual se acompanhava de
^^es cólicas; evacuações frequentes liquidas e muco-catarrhaes. Ao e.\ame,
29-X1-1934: figado augmentado de volume e doloroso á palpação. Baço
"^roso, após qualquer esforço physico. Exame de fezes; formas ví^ctativas
* ®}‘sticas de Giardia iniestinalis e c>-sticas de Endamoeba coli; ovos de Ascaris.
^'atado pela tintura de /. dccurrcns, teve apenas nuis um exame positivo, em
*^XlI-1934; os demais foram negativos: 3.®, em 28-X11-1934 ; 4.®, cm 3-1-1935
' ® 5.®, em 15-1-1935. Cura clinica concomitante.
XXIX — G. A. F., 20 annos, brasileira, branca, residente cm Caçapava.
ha annos. Consultou vários especialistas c usou medicações indicadas,
de fezes, cm 18-X11-1934: formas vegetath^as, moveis de Trichomonas
cm numero de 3 por campo. Tratada pela tintura de J. dccurrcns,
a seguir ainda dois exames positivos para a mesma protozoose, jiara screnj
dcniais, cm numero de 3, negativos, sendo o ultimo cm data de 1-11-1935.
XXX — B. de M., 2 annos, brasileira, branca, residente na Olaria, cm Bu-
J***'^. Dtarrhea, com eracuações liquidas, muco-sanguinolentas. Exame de
cm lO-Xll-1934: formas vegetativas mo\’cis de Endamoeba hislolylica.
^^'anicnto {«Ia tintura de J. dccurrcns. Controle microscopico: 2.®, cm
‘^11-1934, negativo para Endamoeba c positivo para Giardia intestinaes, for-
^ vegetativas. Exames seguintes negativos: 3.", cm 28-Xl 1-1934, 4.®, cm
^^'1935, c 5.®, em 15-11-1935.
^ XXXI — M. de L. F., 18 annos, brasileira, branca, residente no Instituto
^'''^ntan. Diarrhca frequente, com e%acuaçõcs liquidas ou (tastosas, sem san-
Colicas. Exame de fezes, cm ll-X-1934: cvstos de Giardia iniestinalis.
19
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Memórias do Instituto Butantan
318
— Tomo IX
Tratamento pela tintura de /. decurrens, após o qual se succederam exames vfi-
gativos, sendo o 3.® da serie em data de 23-XII-1934. Neste tempo, houve
perfeita normalização dos phenomenos intestinaes adma apontados.
RESUMO
Depois de um longo estudo pharmacognostico e das experimentações
vitro” sobre protozoários das preparações officinaes e dos compostos orga®^
da Jacaranda decurrens Cham., Bignoniaceae, são discriminados, sob a fot®*
de obser\"ações clinicas, os casos de cura das seguintes protozooses: Endanto^
ba histolytica, 8; Endamoeba coli, 4; Giardia inlesttnalis, 7; Trichomonas
nis, 2 ; ChilotnasHx tnesnili, 1 ; Endamoeba histolytica e Giardia intestinahs, ’
Endamoeba coli e Giardia intestinalis, 5; Endamoeba histolytica e Trichotno^
hominis, 1.
ABSTRACT
Several clinicai cases o£ intestinal protozooses were rapidly cured by
per os use of tinctura of Jacaranda decurrens Cham., their clinicai cure bc**’^
controlled by three successive negative examinations of their faeces. The iu*^
tinal protozoa found were the following: Endamoeba histolytica — 8 cas^’
Giardia intestinalis — 7 cases; Trichomonas hominis — 2 cases; Chilot”'^^
mcsnili — 1 case; Endamoeba histolytica and Giardia intestinalis — 2
Chilomastix mcsnili and Giardia intestinalis — 1 case; Endamoeba .
Giardia intestinalis — 5 cases; Endamoeba histolytica and Trichomonas hoe^
— 1 case.
BIBLIOGR*\PHIA
1. Peckolt, II'. & Prado, A. — Contribuição ao tratamento das protozooses intestina^ ^
Jacaranda decurrens Cham. — Brasil Medico XLVIII(34) :34.1954 ct C*
Biologie C:XVH(33):719.19M.
(Trabalho das Secçftca Botanica Medica e de Proto- ^
Parasitoloitia do Instituto Butantan, recebido eo '
PQS. Dado á publicidade etn setescibro de
-li*;
20
2 3 4 5 6
SciELO'
cm
0 11 12 13 14 15 16
ARTÉRIAS CORONARIAS CARDÍACAS DOS OPHIDIOS
M. BARROS ERHART
j
391.41:SSS.13
ARTÉRIAS CORONÁRIAS CARDÍACAS DOS OPHIDIOS
POR
M. BARROS ERHART
Um estudo methodico das "Arteriae coronariae cordis” dos Ophidios pa-
ser plenamente justificado, antes de tudo, pela escassez de dados sobre o
'*stimpto. Justifica-se também pelo facto de ser, entre nós, relatix^amente facil
®^er-se, em óptimas condições, material abundante de rarias familias, generos
* cspecies de cobras, ao qual podem ser applicados as ^•arias technicas de cviden-
dos vasos cardiacos. Elste facto c particubmiente importante, porque as
P^uisas systematicas sobre as artérias do coração das cobras foram feitas cm
■^viduos de unia só espede.
Exceptuando-se o trabalho de Baxchi que estuda a morphologia das aa. co-
^^rias cardíacas de uma serie de vertebrados, incluindo os Ophidios, os outros
•^A. SC referem apenas passageiramente a estas aa., ao tratarem do systema cir-
*®^orio em geral.
Reproduzindo, com as palavras textuaes, os dados dos diversos A\. que
consultar, confirmo deste modo o que acima acabo de frizar:
Jacquart, cm 1855, descrcTCndo os orgãos drculatorios de uma “Python”,
’^’eriu que: “L'aorte droite, avant de se reunir à la gaúche, donne, dans soo
l.** les arteres coronaires droite et gaúche du cocur. un peu au-dessus des
^'^ulcs semilunaires, qui gamissent son origine. L’artcrc coronairc droite
’**^chc dans Ic siHon, qui separe rorcillettc droite du ventricule du mêmc cóté
la face supérieurc du cocur, et s’y ramifie. La gaúche contoume la naissan-
^ <lc laortc gaúche, se place dans le sillon antcro-postéricur, peu marque, de la
inférieure du coeur, et s’y distribue (Voy. 2.® 11, fig. 5, pl. 11). L’ar-
ccphalique du. . . ”
Hoffmaxx, em 1890, escreveu: ‘‘In ihren Verlauf bis zu der Vereinigung
der linken .-Vorta giebt sie folgende .Xeste ab. 1) Art. coronaria cordis dextra
^ sinistra. Die erstgenannte geht in der Furche zwischcn der rcchten Vor-
r***’^'^ und Herzkammer zur obercn Seite des Herzens und verbrcitet sich
die Sinistra geht um den Ursprung der .\orta sinistra zur unteren Seite
^ Herzens, wo sie sich veracstelt. 2) — ”
3
322
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Banchi, eni 1904, no curso das suas pesquisas sobre as aa. coronárias
geral, entre os Ophidios, utilizou somente a Tropidonotus natrix, da qual obte^
material abundante, referindo o s^uinte: " ed ho visto che le aa. coronarK
sono disposte in maniera assai símile al “Varanus”. Infatti esse nascono
faceia destra delia aorta destra presso che alia base di questa. Tuna indietro. 1*^
tra innanzi delia aorta sinistra ivi applicata contro la destra.
II ramo posteriore, o a. coronaria destra, scende alia base dei bulbo
rioso e si divide in due rami ; il piú esile e breve volge ventralmente, gira la ba**
dei bulbo, e riesce sul lato destro delia faceia ventrale dei ventricolo ove s» ^
pande e termina; il piú importante ramo volge dorsalmente e scende lungo
faceia posteriore dei ventricolo che esso irrora (fig. 37).
dei
II ramo posteriore o a. coronaria sinistra scende esso pure alia l>a5C
bulbo aortico, compreso tra questo e lauricola sinistra, poi uscendo fuori
il bulbo ed il sollevamemo sinistro delia base dei ventricolo si continua -
porzione sinistra delia faceia ventrale dello stesso ventricolo.
In questo modo si compreende come nd cuore, ad aa. coronarie inidta^'
noi vediamo (fig. 36) sulla faceia ventrale dei •ventricolo scendere due
che appariscono. Tuna a destra, Taltra a sinistra delia base dd bulbo aortico
O' Donoguue, em 1912, esttidando o systema circulatório da "Grass-sn>^^^
commum, ao tratar da aa. coronárias disse : “I. The left and right Coronar)
teries arise behind the two semi-lunar valves which guard the base of the
The right coronarv- arten.- runs in the groove between the auricle and vento
and is the chief supply of the dorsal surface of the hcart. The left
around the base of the pulnwnary arterv- and spreads out over the ventral i
of the heart. II. The primary carotid”...
Puis.vLix, cm 1922, oceupando-se do systema drculatorio das cobras ^
geral, limitou-se a mencionar simplesmente as artérias em aprego: "L’arc
tique droit, ou crosse droite de Taorte. qu'on aperçoit croisant le gaúche
le sillon inter-auriculairc de la face ventrale du coeur, donne les branches ^
vantes: Les arteres coronaires; La carótide primitive”...
Spalteholz, em 1908, si bem que, na enumeração do material por
lizado para o estudo das aa. coronárias dos Repteis, mendonasse um Ophid'®’
tc.xto não fez a respeito referenda alguma descriptiva.
.Material
O material que tive á minha disposição para esta jjesquisa sysicntatic*
aa. coronárias dos Ophidios foi todo elle conseguido no Instituto Butantan.
Dr. Afranio do Amaral, director do Instituto, expresso aqui os meus agta ^
mentos pela nimia gentileza que teve não sómente em dassificar as cobra* *1
4
Erhart — Arlerias coronários cardíacas dos ophidios
323
®J>str\ei, mas principalmente por ter posto, assim que lhe expus o assumpto da
pesquisa, a meu inteiro dispor o numero de especimes que fossem necessários
o estudo em vista:
O material, que tive occasião de estudar, compunha-se de 29 corações de
^^idios de 3 familias, assim discriminados:
Boidae — Boinae: —
Epicrates crassus (Cope) — 2; Eunectes murinus (L.) — 1; Consírictor
^^slrictor consirictor (L.) — 4.
Colubridae (serie agl>'pha) — Colubrinae: —
Drymobius bifossatus (Raddi)) — 2; Spilotcs piillalus (L.) — 2; Ophis
^rrcmii (Wagler) — 1.
(serie opistoglj-pha) — Boiginae: —
Erylhrolamprus aesculapii (L.) — 1.
Crotalidae — Lachesinae: —
Dothrops alternata (D. et B.) — 2; B. alrox (L.) — 3; B. jararaca (Wied)
4 ; B. jararacussu ( Lacerda) — 3.
Crotalinae: — CrotaJiis terrificus terrificus (Laurcnt.) — 4.
"^'chnica: —
Os corações eram retirados das cobras, logo após terem sido estas sacri-
^^das, e depois de uma lavagem com soluto physiologico através do s>'stema
**^cria! c das cavidades cardiacas, fazia uma verdadeira massagem sob leve pres-
para conseguir <lcste modo a expulsão de todo sangue do interior do cora-
do. que em algumas cobras, por cx.: B. alternata, tem tendência a uma rapida
®°®^lação; depois disto, os corações eram deixados em repouso, mergulhados
soluto physiologico, por um tempo que variava de 4 a 6 horas.
IXxorrido esse tempo, injectava através da A. aorta direita inn soluto
de gelatina a 10% em agua, corado com cinabrio; deste modo obtinha,
a continência habitualmentc perfeita das valvulas semilunares, a injccção
' aa. coronárias ; a massa que por ventura passasse para o interior da envida-
'entricular, depois da sua solidificação era facilmente retirada.
Antes da fi.xação da peça. geralmentc feita em álcool, as cavidades cardia-
^ foram distendidas, pela introducção desse mesmo liquido por um s^aso veno-
ou arterial, que em seguida era ligado.
Após a deshydratação, diaphanizava as peças pelo methodo de Spaltcholz,
permitte uma observação da distribuição das artérias, quer dos ramos ven-
^'^larcs. quer dos ramos atriaes, nos seus mininws pormenores.
^ O unico coração de Eunectes nwrinus de que dispus ( 9 . com mais de
' J*!- de conrprintento), não foi tratado pelo methodo de diaphanização e isto
^r elle muito volumoso; limitei-me depois da injecção a radiographal-o e
lor
^*»«caI-o,
em seguida, cuidadosamente.
5
324
>[emorias do Instituto Butantan
Tomo IX
O estudo e a descnpção das aa. cardiacas de todos os corações, namr*^'
mente deixando de lado este ultimo caso, foram feitos, estando a peça mcrg^J*
lhada no liquido diaphanizador preconizado no methodo (salicslato de methyl*
— benzoato de benzyla), e debaixo de microscopio binocular Leitz, prop^
para dissecção, com ocular 7x, e sobre fundo negro.
Xa descripção que segue e na tabella annexa, obseira-se que nem todo*
05 vasos apparecem com a mesma frequência; este facto deve ser atribuído J*
difficuldade technica de se obterem em todos os corações injecções taes que
fundam uniformemente a massa corante em todos os territórios. Apezar dis*®*
devo frizar que o material por mim empregado nas descripções, na grande
ria dos casos si não quasi na sua totalidade absoluta, se apresentava em
ções que permittiram, mesmo quando faço referencia aos vasos mais
observar os minimos pormenores, não somente do seu comportamento
e suas ramificações, como também da sua area topographica de distribuição.
Todos 05 A-\. descrevem duas aa. coronárias nos Ophidios, denomu**®
do-as (Jacqcart, Hoffmaxx, Donoghce) de aa. coronárias direita e esqu«*'
da; Banciii chama-as de “ramo posterior” ou “coronaria direita” e
anterior” ou “coronaria esquerda”.
Xo material que tive á minha disposição encontrei 2 AA. coronárias, -
zes e 1 unica artéria, 6 vezes; tomando por base este material, si bem qu* ^
muito numeroso, a proporção entre a presença de duas artérias e de unA
rcspecth-amente de 79,3 % c 20,7 Çó. ,
A A. coronaria direita tem um calibre rclativamente maior do que ^ ^
da; esta differença de calibre pode-se accentuar a tal ponto, que a A. coro
esquerda chega a ficar reduzida a um ramo minimo, não só quanto ao cali •
como tambcm quanto á sua area de irrigação. Este dispositivo seria con» Q
o termo de passagem para auseiKÍa completa da A. coronaria esquerda-
A presença de duas coronárias, a franca predominância da
ria direita c a falta da A. coronaria esquerda são dispositivos que
são encontrados e já foram mesmo descriptos por Hyrtl, Bancui, Sp ^
iiOLZ, cm outros Repteis (Chelonios, Saurios), nos quacs de facto tambcm
correm estas variações nunxiricas das A.-\. coronárias.
O comportamento das coronárias, quanto ao seu numero, nxido de
gem e ramos collatcraes. permitte separar os corações em tres grupos.
I) Coexistência de duas A.\. coronárias mais ou menos equivalentes q***
to ao calibre c território de ilistribuição.
II) Presença de duas -AA. coronárias, predominando, porém, franca"» ■
a coronaria direita.
III) Existência de uma artéria, sendo ella r**presentada pela coronan* ^
rcita. cujos ramos collatcraes se distrilHiem ao terrilorio da .A. corot*-^
esquerda.
SciELO
0
Erhart — Artérias coronários cardiacas dos ophidios
325
I. — A exislencia de duas AA. coronarias com calibre equivalente foi
®í>scnada em 20 exemplares (Fig. 1).
As aa. tiram a sua origem das paredes lateraes respectivas, direita e es-
•l^erda, da A. aorta direita, acima do nivel do bordo livre das valvulas semi-
^inares.
A A. coronarta direita (A. coronaria dextra), logo depois da sua emergcn-
^ desce appUcada á parede direita da A. aorta direita e, antes de attingir a ori-
gcm da aorta ou ao nivel delia, se bifurca em um ramo dorsal e outro ventral:
dorsalis dextra e a. vcntralis dextra, levando-se em conta para denominação
^lestes ramos os seus territórios de distribuição.
O tronco da A. coronaria direita, antes da sua bifurcação, emitte, em 9
^emplares, uma collateral; a. posttruncalis (Fig. 1, pl), a qual, com um trajecto
^rogrado, portanto em direcção caudocranial. se vem collocar em situação
dorsal á aorta direita, para se resolver em uma serie de ramos que se distribuem
^ pane media da face ventral dos dois átrios.
A a. posttruncalis, além de se originar do tronco, ainda indiriso, da A. co-
'onaria direita, pode ser ramo collateral de outros vasos; assim é que ella se
‘‘rigina da a. dorsalis (A. coronariac dextrae), 6 vezes; da a. vcntralis dextra,
^ vez; em 2 obsert-ações, da a. atrioventricularis sinistra, ramo da A. coro-
'*4ria esquerda.
Em 4 exemplares foi possivcl identificar um ramo que, partindo da a. post-
icuncalis, se vinha collocar na espessura da parede septal interatrial (Fig. 1 s),
Percorrendo-a com trajecto sinuoso, até attingir a parede dorsal dos átrios, onde
^ perde.
•A. situação desta artéria, assim como a sua arca de distribuição, dor.sal-
‘**cnte aos troncos arteriosos que partem do coração, faz jús á sua denominação
•le a. posttruncalis. Spalteuolz, porem, emprega este mesmo termo para re-
P*escntar o vaso que, nos casos de falta da A. coronaria esquerda, originando-se
•la A. coronaria direita, pa.ssa dorsahnente á origem do Truncus arteriosus c se-
para a esquerda, tendo sob a sua dependencia o território de distribuição
'la A. coronaria esquerda.
Xos exemplares de Chelonios e Saurios descriptos por Spalteuolz, quan-
<lo estão presentes as duas AA. coronarias e, portanto, ha uma disposição com-
Paravel áquella por mim descripta nos Ophidios, a o. posttruncalis “ist schr
*^wach entwickelt”, sendo o papel delia então preenchido pela A. coronaria
*^uerda.
Os ramos originados da bifurcação do trotico da A. coronaria direita são,
OJmo antcriomicnte referi: a. vcntralis e a. dorsalis.
1. — Ac. vcntralis dextra, logo depois da sua origem, applica-sc á parede
l^leral direita da A. aorta esquerda, contoma-a oblkjuamcnte, formando um arco
'^cavo para a esquerda, dq)endendo a maior ou menor accentuação de sua
32G
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
obliquidade da extensão do tronco da A. coronaria direita, que, como já dtss*'
pode ser, como tal, curto ou, então, extender-se até a origem dos grossos \ 3 SOS
da base do ventrículo; nesta ultima eventualidade, a a. ventralis dextra não c
mais obliqua, porém horizontal em relação á parte inicial da A. aorta esquerda-
A a. ventral direita, seguindo applicada á parede da aorta esquerda, alcança
a face ventral do ventrículo, onde segtie a margem direita do coração, não di-
rectamente applicada á mesma margem, mas a uma distancia, rariavel de
caso para outro, sendo que em algumas obserrações ella se extende mesmo ate
a ponta do coração.
No trajecto, a a. ventralis dextra íornece ramificações collateraes
íeus dois lados, destacando-se porém, entre elles, pela frequenda e situação
constante: a) um ramo para a parede ventral do átrio direito, encontrado em 9
observações, r. atrialis ivntralis dexter (Fig. 1, avd) ; b) um ramo que, cn»
8 observações, se resolvia na parede dos troncos arteríaes da base do ventnculo
(Fig. 1).
2. — O ramo dorsal da .\. coronaria direita, c. dorsalis dextra, .desce apP**'
cado á parede da -\. aorta direita até a origem desta artéria, para depois se coUo'
car na porção direiu do sulco atríoventrícular ; sempre neste sulco, portanto
rccol»erto pela porção livre do atrío direito, contorna a margem direita do cora-
ção, ícndo ahi situado profundamente á confluência da V. cava superior esqu**^
da com a \^ cava inferior, .\baixo destes vasos, a a. dorsalis dextra appar*^^
na face dorsal do ventrículo; a porção que se extende desde o sulco até o j>oct®
onde apparece livre na face dorsal do ventrículo é scmpiv sinuosa. .Attingid*
e.<;ta face, a mesma artéria segue em direcção da ponta, porém nunca a atting*
como tronco, pois se resolw sempre antes, em ramos collateraes, que irrigam ^
af’ex cordis c as porções limitrophes das margens.
a. dorsalis dextra, durante seu trajecto no sulco atríovrntricular, fornc*
ce dois ramos collateraes que vão irrigar os átrios: a) r. atrialis dorsalis deS'
ter (Fig. 2. add) que, logo após a sua origem, se applica á face ventral do atno
direito, c. uma vez attingida a sua margem livre inferior (caudal), a contorna
para se distribuir tui parede dorsal da cavidade atrial direita, justificando*
assim, a sua denominação pelo seu terrítorio de irrigação: em 10 observaçó^
este ramo estava bem individualizado, como trajecto e território de distribuiçã®*
b) r. dorsalis atriorum (Fig. 2, da), que nasce logo após o ranm precedente
e com trajecto idêntico, ganha a face dorsal do coração c. sem fornecer
lateraes, segue até o septo interatríal ; uma vez attingido este ponto, resolve-**
em dois ramos distinctos que, com trajecto caudocranial, se distribuem na P**
rede dorsal dos dois átrios, fornecendo, cada um de per si, inna serie de ramu**
culos. Também este vaso é identificado, com tal dispositivo, em 10 oI)servaçóe* *
porém, em 5 outros casos, elle se origina da a. transversalis dorsalis, que descre-
verei logo, e, em 2 outros, da a. posttruncalis.
8
Ekii.uit — Artérias coronários cardíacas dos ophidios
327
Xo monento em que o r. dorsalis A. coronariac dcxtrac apparece livre sobre
a face dorsal do ventrículo, isto é, abaixo da confluenda das YV. ca>'as, elle for-
nece pelo seu lado esquerdo uma calibrosa coUateral que. pelo seu trajecto, de-
nomino de a. transvcrsalis dorsalis (Fig. 2 td). Este vaso, em 15 observaqões,
dava mesmo a impressão, ao se originar, de que o r. dorsalis A. coronariac dcxlrac
soffra uma verdadeira bifurcação.
Ao se separar em angulo agudo da a. dorsalis dextra, a a. transvcrsalis dor-
falis cruza transversalmente a face dorsal do ventrículo, até attingir a margem
esquerda do coração; a sua porção terminal resoK-e-se em uma serie de ramos,
que tem sob a sua dependencia a metade superior da margem esquerda do ven-
trículo.
Xo percurso, a a. transvcrsalis dorsalis fornece também ramos collatcraes,
osccndentes c descendentes; os primeiros se extendem até os átrios, sendo que
o r. dorsalis atriorum que, como acima já annotei, é habiíualmente ramo dire-
cto da a. dorsalis dextra, em 5 casos corresponde a um destes ramos collatcraes
da o. transvcrsalis dorsalis; os segimdos descendentes se distribuem á face dor-
sal do \'entriculo.
Dentre os ramos colbtcracs, que esta artéria fornece, devo considerar de
modo csi)ecial, devido a sua frequência, pois o etKontrri em 11 exemplares, um
ramo que, logo após a sua origem, se inclina para o sulco atrioventriailar, jxira
collocar-se profundamente á V. ca\'a superior esquerda; este ramo tem sob sua
dependencia a irrigação do seio venoso, r. rimer zvnosi (Fig. 2, si') ; cm 3 ob-
ser\'açôcs cllc provinha directamente do tronco da a. dorsalis dextra.
A a. transvcrsalis dorsalis cm 5 obscr%'ações, alem das já mencionadas, nas-
ce a um nivcl mais alto; e, por este motivo, segue o sulco atriovcntricular cm
grande parte do seu trajecto; portanto, fica situada profundamente á V. cava
superior esquerda, apparecendo na face do ventrículo somente na sua porção
terminal. Apezar disso, tanto os seus ramos collatcraes atriacs, assim como os
Ventriculares não soffrem mudanças no seu comportamento, fazendo, porém, ex-
cepção, o ramo para o seio venoso, que falta, sendo neste caso pro\’avclmcntc
substituído por minimos ramúsculos, que se originam da artéria, no seu trajcc-
tu situado profundamente á V. cava superior esquerda.
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cm
SciELO
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Acho opportuno resumir num quadro sjTioptico a ramificação da A. coro*
naria direita:
a. poJltruníatis
r. atríaes direitos
r. atriaes esquerdos
r. septal interatríal
A. corooaria
direita
a. ffniralit
dextra
a. darsalis
dextra
r. atrialis ventralis dextcr
r. para a parede dos grossos vasos da base do coraç*®
rr. ventriculares, direitos e esquerdos
r. atrialis dorsalis dexter •
r. dorsalis atriorum
rr. ventriculares direitos e esquerdos
a. transversclis
dorsalis
r. sinus fenosi
rr. descendentes veniriculare»
rr. ascendentes atriaes
A. coronaria esquerda (A. coronaria sinistra). — Na dcscriísção da A- ^
ronaria esquerda acompanho os AA. que me precederam e considero o
calibre como critério para designar o vaso principal, e, portanto, represento »
artéria que apparece na face ventral tio ventriculo como o tronco.
A A. coronaria esquerda origina-sc da parede esquerda da A. aorta dir®***
e, logo após a sua emergencia. applica-se á parede lateral direita da A. puiu*®"
nar; sempre applicada a este vaso, contorna-o obliquamente ate attingir a st»
origem da base do ventrículo, para dahi em diante se collocar na porção esqu^*^'
da do sulco atriovenfricular ; logo cm seguida ganha a face ventral do vcntrict**®
c desce com trajecto sinuoso em direcção da ponta ou do quarto inferior ó*
margem esquerda do coração.
No percurso sobre a face ventral do ventriculo, emitte o vaso uma serie ^
collatcraes pelos seus dois lados, sendo, porem, os que se originam do lado ^
querdo mais numerosos c de calibre maior; á medida que a artéria .segue ^
seu trajecto jjara o apice do coração, os seus ramos collatcraes, que no in*^
são transversaes, vão gradativamente tomando uma direcção longitudinal,
tivamente ao eixo longitudinal do ventriculo.
Além desses collatcraes para a parede do ventriculo, fornece a A. coroo*
ria esquerda, no momento em que vae abandonar o sulco atrioventricular, óu»*
collatcraes :
1) o. atriozxntncularis sinistra (Fig. 1, avs). Esta segue pelo s®!®®
com um trajecto sinuoso, porem sempre applicada sobre a base do v’entricuJ®’
ate attingir a margem esquerda do coração; contoma-a e vae se perder na b*-**
10
Ebhabt — Artérias coronários cardiacas lios ophidios
329
* na porção mais alta da face dorsal do ventrículo, assim como na face dorsal
^ átrio esquerdo com uma serie de ramos de calibre minimo (Fig. 2, ovs).
Esta aneria fornece ramos á face ventral, tanto do v^ntriculo, como do
Mrio esquerdo; estes ramos, em numero variavel de 2-4, se originam em pon-
los diversos do seu percurso, porém não sufficientemente fbcos para permitti-
^«m uma methodiaação.
Fornece este ^-aso também: a) a o. postlruncalis (em 2 observações) que,
com trajecto recurrente, se vem collocar atrás dos troncos arteríaes do coração,
para dahi por deante apresentar a disposição, já antes descripta, para a a. post-
if^ncalis quando ramo da A. coronaría direita, b) um ramo, que, applicando-se
cntre a A. aorta esquerda e A. pulmonar, as acompanha e fornece ramos proprios
^ suas paredes (Fig. 1).
A origem da a. cUriovcntricularis sinistra pode variar, quanto ao seu ponto
‘íc emergenda da A. coronaría esquerda: assim c qtic, cm 9 obsciA-ações, se se-
Parava da .A. coronaría esquerda ao nivel do sulco atrioventrícular, como acabo
descrever; em 6 exemplares, ella se originava mais cedo, ainda qiuondo a co-
^'onaría estava applicada á A. pulmonar (Fig. 1) ; ou então, como se deu cm 4
®l>scrvações, a origem se fazia mais tarde, já depois que o tronco da A. coroná-
ria esquerda attingira a face do ventrículo,
2) Um ramo collateial, que appiicando-se á parede da .K, pulnxjnar justa-
®>cnte ao nivel da sua origem, se ^ae distribtur á parede deste \’a5>o e da .•\. aorta
esquerda (Fig. 1).
Examinando o comportamento da .■\. coronaría esquerda, quer nos casos de
equi\-alencb das duas corooarias, quer nos de predominanda da coronaría di-
reta, tenho a impressão de que a sua collateral, a a. atriovcntricularis sinistra,
*ssim chamada porque se vem collocar, cm quasi todo o seu trajecto, no sulco
•trioventricular, como acima descrevi, é que deveria ser considerada como a
eootinuação da A. coronaría esquerda, apesar de seu calibre reduzido, posto cm
eonfronto com a artéria que corre na face ventral do ventrículo.
A constanda do vaso cm apreço, a sua posição c a rcguhridadc do seu ter-
*^orio de distribuição, comparativameníe ao vaso ventral, fazem pensar que de
íacto seja a artéria que está situada no sulco atrio\entrícular, o verdadeiro
^onco da A. coronaría esquerda, e que a artéria ventral, devido a ter um terrí-
*®río de vascularização maior, se vem a desenvolver secundaríamente e acaba
predominar cm volume sobre a o. atriovcntricularis sinistra, cuja arca de
'trigação é muito menor.
Sómente pesquisas embrjok^cas seriam capazes de verificar qual dos va-
SC desenvolve primeiro c naturalmcnte esse c que devería ser considerado
artéria tronco príndpal.
II
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
330
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Como para a A. coronaria direita, parece util uma sjmopse graphica das ra-
mificações da A. coronaria esquerda:
A. ccronaria esquerda
o. afniK-íntrtatíiris sinislra
T. ã parede da A. pulmonar
rr. s-entriculares direitos e esquerdos.
rr. atnaes
rr. rentriculares
r. á parede da a®*®
direita e puUno®**^
II. — Presença de duas A.\. coronárias, predominando, porém, franc<f
mente a coronaria direita; esta disposição era bem tjTtica sómente em 3 caso*
(Fig. 3). .... ,0
Xestes casos, a A. coronaria direita se originas-a mais ou menos ao nics°
nivel que nos acima descriptos e logo se bifurcava nos seus dois ramos tertiM
naes: 1) a. ventralis dextra e 2) a. dorsalis dextra.
1. — O ramo ventral, a. ventralis dextra (Fig. 3, vd), contorna
ínente a A. aorta esquerda até atingir o sulco atriorvemricular e ganha a face
ventriculo, seguindo em direcção da ponta, onde se ramifica, enviando tanibci®
ramusctilos para as porções marginaes próximas.
Dos ranws collateraes, que ella, fornece no seu percurso, pelos seus
lados, os da direita segtiem direcção que tende para a longitudinal e ganham
margem respectiva do ventriculo: os ramos da esquerda tendem para a dim®'
ção transversal e procuram a margem esquerda, in\-adindo. portanto, toào
território da face ventral que pertence á coronaria esquerda, quando ha
valência das duas coronárias (Fig. 3, vd).
Os dois ramos collateraes desta a. ventral: a) r. atrialis ventralis
(Fig. 3. avd) e b) ramo que se distribuc á parede dos troncos arteriaes da
do ventriculo (Fig. 3) apparccem nos 3 casos e tem o seu comportamento
aos descriptos e considerados como constantes no grupo I precedente.
2. — .-V o. dorsalis dextra mantem a mesma disposição, trajecto e distrib®*
ção como nos casos em que as duas aa. coronárias têm mais ou menos o nic**'’^
calibre.
.\ A. coronaria esquerda, muito reduzida de calibre, emerge da parede 1^
tcral esquerda da .■\. aorta direita e Ic^o se applica á .-X. pulmonar, acompanha»
este vaso até a sua origem no ventriculo; abandonandoo, attingc a face
trai do ventriculo em I unico caso. Neste segix: com direcção francame»
transversal para o terço superior da margem esquerda ventricular do coraça®
além dos ramos collateraes ventriculares fornece ella, como no grupo I, a a-
vcntricularis sinistra, que se extende até a face dorsal do ventriculo e do atr> _
Nos outros 2 casos a -A. coronaria e^uerda está reduzida á a. atrioi'f
cularis sinistra que, nem por isso, tem um calibre mais volumoso (Fig. 3, ^
.12
ERHAnT — Artérias coronários cardiacas dos ophidios
331
III. — Existência de uma A. coronaria, representada peia A. coronário
direita: este dispositivo encontrei, na minha serie, em 6 corações (Fig. 4).
O tronco da A. coronaria direita, logo após a sua origem da A. aorta, portan-
antes da sua bifurcação nas suas artérias terminaes (a. fentralis dextra c a.
dorsalis dextra), fornece uma artéria que é relativamente calibrosa em 3 obscr-
'■ações e reduzida a um ramo de pequeno calibre nas 3 outras.
Este vaso collateral segue com trajecto caudocranial no inicio e, depois,
lorma uma cur\'a concara para baixo, sendo situado dorsalmente a A. aorta di-
gita, A-indo assim tomar a posição da A. coronaria esquerda; no restante do seu
*^jecto, o vaso tem comportamento correspondente ao desta artéria, respectiva-
®>ente do grupo I ou do grupo II, segundo se trate do caso de calibre relativa-
^lente grande ou pequeno.
Este ^uso. levando-se cm conta o seu território de distribuição, correspon-
á A. coronaria esquerda; c a clle que Spalteuolz denomina de a. posttrun-
como já referi preccdcntcmente. Eu conservei esta denominação, como já
•^isse. unicamente para a artéria situada dorsalmente á A. aorta direita c que tem
*ob siia dependenda a irrigação da parte nxxlia da face vcntral dos átrios.
.\ a. posttruncalis (Fig. 4, pl) tira a sua origem deste v.aso que representa
* A. coronaria esquerda cm 5 casos e. no unico restante, do proprio tronco da A.
'oron.aria direita.
Os ramos terminaes da A. coronaria direita têm comportamento um tanto
diverso cm confronto com os grupos anteriormente descriptos. .Xssim é que a
X’entralis dextra (Fig. 4, tvf) tem o mesmo trajecto e comportamento que
casos reunidos no grupo II, onde a A. coronaria esquerda está reduzida á
atriofcntrícularis sinistra ; e os ramos da a. vcntral se distribuem ao territorio
**>1 que falta a irrigação da A. coronaria esquerda e dos seus ramos.
A o. dorsalis dextra tem o seu trajecto, comportamento geral c ramos col-
^cracs. como os encontrados nos dispositivos prcccdcntemcnte descriptos, quer
tome cm consideração o grupo I, quer o grupo II.
\'anio 3 agora ver como se distribuem os 3 tj-pos, ou as diversas nxxlalida-
dc comportamento, não sómente dos troncos das AA. coronariae cordis, como
'^tnlxim dos seus ramos ou do respectivo territorio de distribuição nas differen-
familias de Ophidios por mim examinados (Quadro I).
O comportamento das .AA. coronárias nas 3 familias dc Ophidios, que tive
'^fcasião de descrescr, não soffrc variações evidentes de modo que se torna
•••tpossivcl, como já era de supp<)r. uma distineção entre uma c outra familia pelo
*'njpíes dispositi %'0 das .AA. coronárias, ou por outra, o aspecto c tal, que a des-
'^'pçào não foge aos typos indicados conx) padrões.
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Nas Boidac, a disposição e comportamento das aa. troncos c de seus rafflO*
soífrem variações tão poucos evidentes, que podem ser considerados conw
damentalmente iguaes entre si ; dentre ellas se destaca o gen. Constrictor, para o
qual c possis-el af firmar que occorre sempre uma disposição idêntica ou qu^
idêntica nos diversos corações examinados.
Dentre as Colubridac chama logo a attenção o gen. Drymobius, representa*
do com 2 corações, que apresentam rariações no numero das coronárias, um
exemplar possuindo luna unica A. coronaria e o outro as duas ; porém, neste ul*
timo (Fig. 5), a A. coronaria esquerda é tão rudimentar, que está reduzida a
atricroentricularis sinistra; por esta razão, toma-se possivel, não só pela dispo*
sição da A. coronaria direita, como também pelo comportamento geral e distn*
buição dos seus collateraes, comparar facilmente os territórios de irrigação óc
um coração com o outro.
Os outros generos de Colubridac e.xaminados, mesmo levando em conta EO"
throlamprus que é da subfamilia Boiginac, e não Coluhrinac como os restantes*
permittem uma comparação, sendo o tj-po de distribuição sempre o mesmo.
Xas Crotalidae, cujo material é nuis abundante (16 corações), cnconti^
uma unica artéria (grupo III) 5 vezes; dos 3 exemplares do grupo II. 2
representados por corações pertencentes a Cobras dista familia: e os 9 restan-
tes estão compreheodidos no grupo I.
Porém, frizo aqui mais uma vez. e isto se deprehende facilmente das
cripções padrões, que, a não ser um ou outro vaso, a grande maioria dcll<^’
principalmente os que estão sob a dependencia da .A. coronaria direita, consfrs’
sempre a nresma disposição.
Faz excepçâo o coração de uma B. jararaca, que apresenta uma unica A- ^
ronaria; porém os ramos que delia se originam o fazem de tal modo que o
do do trajecto desses vasos se toma necessariamente diverso, mas, apesar diss<^
conserva, no todo, a disposição mais ou menos t)-pica dos casos correspondente
em que existe sómente a A. coronaria direita.
Tendo em vista a di^•ersidade de origem destes vasos, o caso merece «leí
mo uma referencia especial (Figs. 7 c 8). A coronaria direita fornece, an*
da sua bifurcação em aa. z-entralis dextra e dorsedis dextra, 2 ramos:
c) o primeiro destes segue para a esquerda e dorsalmentc á A. aorU ó’**’
ta. bifurca-se em um vaso ventral e outro dorsal: — I) o vaso vcotral segt^
trajecto da A. coronaria esquerda, isto é, cruza a face lateral esquerda da A.
monar, porém a nivel relativamente mais alto do que de habito ; e, applic3‘^”
atrio esquerdo, segue junto a este, indina-sc em direcção do ventriculo até attif^
gir 0 sulco atrioventricular, para dahi cm diante se comportar como a n-
zrnlncularis sinistra; é provável que, desde o seu inicio, este vaso já tenlm
significação, quer pelo trajecto, quer pelos seus ramos atriaes e
Ao cruzar a face lateral da A. pulmonar, a a. atriofcntricularis sinistra da
14
Erhabt — Artérias coronários cardiacas dos ophidios
333
collateral que, com trajecto recurrente no inicio e caudocranial logo a seguir, se
vem collocar atrás dos grossos vasos da base, para se comportar como a a. posl-
truncaJis, ennando, portanto, seus ramos á parte media da face ventral dos
átrios. Elste v^so collateral tem a mesma disposição que o encontrado naquel-
les casos em que se origina da A. coronaria esquerda. — 2) O vaso dorsal segue
para a direita, applicado ao sulco atrioventricular. contorna a margem direita e.
situado profundamente ao seio zrnoso, portanto sempre no dito sulco, comporta-
se, tanto no trajecto, como nos collateraes que fornece, como a a. transversalis
dorsalis, collateral da a. dorsalis dextra que falta, como tal, neste caso.
b) O segundo ramo collateral do tronco da A. coronaria unica (direita),
applica-se á face lateral direita da A. aorta esquerda; contoma-a e apparece na
face ventral do ventriculo; ahi segue com direcção transversal, pjara se distribuir
na parede do ventriculo, em território que, de habito, está sob a dependencia do
ramo ventral da A. coronaria esquerda; este ramo não fornece colbteraes atriacs
e. como se ramifica na porção esquerda da face ventral do ventriculo, pode ser
homologavel á porção descendente da A. coronaria esquerda que falta neste caso.
Os ramos de bifurcação da A. coronaria direita, aa. dorsaJis dextra e tr»;-
iralis dextra, tem o trajecto, direcção e distribuição que não fogem ao padrão;
naturalmente excepção feita para a a. transz-ersalis dorsalis que, como acima re-
feri, consíitue o ramo dorsal da primeira collateral, que se origina do proprio
tronco da A. coronaria direita.
Tomando como ba:< a descripção e as Figs. 7-8, nota-sc que, apesar desta
aparente diwrsidade, no conjunao, as aa., ainda neste caso, conseiATun os mes-
mos caracteres c territórios de distribuição que nos casos em que falta a A. co-
ronaria esquerda.
Da descripção que precede, levando em conta tanto os t\-pos considerados
eomo padrões, como o comportamento dos troncos e ramos arteriaes nas ditxr-
*as Familias, vc-se que a face ventral do ventriculo e dos átrios tem irrigação
<lup!a, isto c, recebe ramos das duas AA. coronárias, liavendo mesmo um certo
equilíbrio nos territórios de distribuição; c inútil frizar que, nos casos de pre-
tlominancia da A. coronaria direita ou falta da A. coronaria esquerda, o ventri-
eulo quasi que é unicamente irrigado na sua porção ventral pela A. coronaria di-
reita ; a o. atrioventricularis sinistra, unico ramo da .-V. coronaria esquerda ou re-
presentante mesmo da própria A. coronaria esquerda, no caso de falta deste vaso.
Se distribue á face ventral do atrio esquerdo c á parte mais alta da face e da ba.se
ventriculo.
.■\ face dorsal do ventriculo, assim como a dos átrios, c irrigada prevalente-
mente pela a. dorsalis dextra, ramo da .-V. coronaria direita, correndo sómente
*tma minima faixa da porção esquerda da base do ventriculo c porção mais la-
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
teral do atrio esquerdo por conta das terminações da a. atríoi-cntricularis
Ira, irrigação esta que sempre pertence a este vaso, mesmo nos casos em
falta a A. coronaria esquerda ou esta está muito reduzida, porque como já Ico**
brei, a o. airiovfntrícularis sinistra parece sempre estar presente.
Quanto ás anastomoses entre as ramificações arteriaes cardiacas, que Sf-^'
TEiioLZ achou frequentes e numerosas nos corações de Saurios e Chelonios, n'*'
nlia opinião, apesar de eu ter conseguido injecções óptimas, pois que todos o*
\-aso3, mesmo os de calibre muito reduzido, como os aíriaes, estavam repl«*®*’
é que ellas, a julgar pelo meu material, se apresentam relativamente escassas «
que as anastomoses são effectivamente raras.
De facto, as poucas vezes que observei anastomoses, estas se da%-am cntr<
os ramos ventraes ventriculares das duas ooronarias e situadas l(^o abaixo da*
origens da A. aorta esquerda e pulmonar. E, ainda mais, sempre as marge»*
dos vcntriculos apresentam uma zona de irrigaição muito escassa.
.\ porção inicial das a. ventraes ventriculares e a da o. dorsalis
sempre se apresentam sinuosas, correndo talvez este facto por conta da p-^*
exercida no momento da injecçào e motivada pela difficuldade que tem a ma***
em se dif fundir pela systema vasal, tomando as artérias este aspecto tão
cteristico. No restante do trajecto as sinuosidades que as artérias apresentam*
não são mais constituidas por curvas longas, mas por \-erdadciras mixlan^
bruscas de direcção, correspondendo estas na maioria das vezes á emissão
uma collatcral; obedecem, portanto, ás leis dc Roux.
.-Vs artérias mais volumosas são sempre superfidaes e, dada a espessura
lativamcnte pequena das paredes, aquellas que estão na espessura do myocardio
dão também a impressão, por se tratar de peças diapham'zadas, de estarem na *“'
pcrficie da parede do coração.
No coração da Eunectes murinus, cujas partdcs são muito espessas, os
sos maiores mantêm-se na superficie; quanto ao vasos menores que se colloca*®
nas camadas profundas, assim como nas trabéculas cameas, muito nunKrosa*
salientes no coração dos OpWdios, não me foi possivel identifical-os.
(Trabalho de collaboraçlo. do Drpartameolo de Analo®**^ ^
rripora da Faculdade de Medicina dc S. Taolo*
drrcccâo do Prol- .\- Borero; recebido em ootobeo de
e dado à publicidade em ianetro de l99Al.
I
I
16
THE CORONARY CARDIAC ARTERIES OF SNAKES
BY
M. BARROS ERHART
A methodical síudy of thr “Arteriae coronariae cordis” of snakes sccms
to bc fully justified, firstly, by th« scarcity of data on the subject; secondly, by
the fact that it is relatiwly easy for us here to obtain, in first class condition, an
abundant supply of -various families, gcnera and specics of snakes, to which we
oan apply the different technical processes for demonstrai ion of the cardiac
'■«ssels. This fact is particularly important because systematic stiidy of the co-
ronarj- arteries of snakes has been made on specimens of one specics only.
With the exception of Banchi^s monograph, which dcals with lhe mor-
pholog)- of the coronaiy cardiac arteries of a s<ries of Vertebrates including
*t»akcs, the othcr papers mcrely make refcríticc to these arteries in treating of
the general circulatory system.
By quoting cxactly the terms found in the different papers I have beca
*b!c to consult I can prove as hereby follows what I have said above:
Jacqcart, in 1855, describing the circulatory organs of a Pjthon, statedt
‘Laorte droite, avant de se reunir â la gaúche, donne, dans son trajet, 1* les-
*rtèrcs coronaires droite et gaúche du coeur, un peu au-dessus des valvules sc-
•ttilunaircs, qui gamissent son origine. L’artère coronairc droite marche dans
^ sillon, qui separe roreillette droite du vcntriculc du meme côté sur ia face
*'tpcrieurc du coeur, et s’y ramifie. La gaúche contoume la naissance de Taorte
Kluche, se place dans Ic sillon antero-posterieur, peu marque, de la face inférieure
du coeur, et s’y distribue (Voy. No. 11, fig. 5, pl. 11). 2® L’artcre céphaliquc
du . . . ”
Hoffm.ann’, in 1890, wrote: “In ihren Verlauf bis zu der Vereinigung
'•tit der linken .Aorta giebt sic folgende .Aeste ab. 1) .Art. coronaria cordis dex-
und sinistra. Dic erstgcnannte geht in der Furche rwischen der reditea
^orkammer und Herzkammer zur oberen Seite des Herzens und verbreitet sich
dic Sinistra geht um den Ursprung der .Aorta sinistra zur unteren Seite
Herzens, wo sic sich wracstelt. 2)...”.
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Baxchi, in 190+, during his researches upon the c»ronar}' arteries in gf
neral of snakes, used only the Tropidonotus natrix of whidi he obtained abundant
material, making the following observation : . . . ‘‘ed ho visto che le aa. coronane
sono disposte in maniera assai simile al “Varanus”. Infattl esse nascono suU*
faceia destra delia aorta destra presso che alia base di questa. Tuna indietro, 1
tra innanzi delia aorta sinistra ivi applicata contro la destra.
II ramo posteriore. o a. coronaria destra, scende alia base dei bulbo
rioso e si divide in due rami: il piú esile e bre\-e volge ventralmente, gira
base dei bulbo, e riesce sul lato destro delia faceia ventrale dei ventricolo
si espande e termina; il piíi importante ramo volge dorsalmente e scende lungo
la faceia posteriore dei ventricolo che esso irrora (fig. 37).
II ramo posteriore, o a. coronaria sinistra scende esso pure alia base
bulbo aortico, compreso tra questo e Tauricola sinistra, ooi uscendo fuori ^ra
il bulbo ed il solle^•ame^to sinistro delia base dei ventricolo si continua suHa
zione sinistra delia faceia ventrale dello stesso ventricolo.
In questo modo si comprende come nel cuore ,ad aa. coronarie iniettate, n®*
vediamo (fig. 36) sulla faceia ventrale dei ventricolo scendere due arterie, cbf
appariscono. Tuna a destra, Taltra a sinistra delia base dei bulbo aortico”- ••
0’Donoghce, in 1912, in his studies on the circulatorj- system of the co»*
mon Grass-snake and dealing with the coronaiy arteries, stated:
“I. The left and right coronarA- arteries arise behind the two semi-lu*'^^
valves which guard the base of the aorta. The right coronaiy- artery runs
the groove between the auricle and ventricle, and is the chief supply
dorsal surface of the heart. The left passes around the base of the pulmonaO
artery and spreads out over the ventral side of the heart. II. The prira®*'
carotid”.
Phisalix, in 1922, describing the circulatory system of snakes in
confined herself to mentioning only the arteries in question: "Uarc aortiq**^
droit, ou crosse droite de Taorte, qu’on aperçoit croisant le gaúche dans le si'^®**
inter-auriculaire de la face A-entrale du coeur, donne les branches suivantes:
arteres coronaire; La carótide primitive”
Spalteholz, in 1908, although mentioning a snake, in listing the
used in his study of the coronary arteries of Reptiles, did not refer, in
text. to it in any descriptive way.
tK
.Material
The material which I had at my disposal for this systematie rcscard>
the coronary arteries of the Ophidians was obtained exclusively at the
tuto Butantan. To Dr. .-^franio do -Amaral, the director of the
hereby express my thanks for his extreme courtesy, not only m classifying ^
snakes which I studied. but principally for having placed entirely at my di?!’^^
IS
Ehhart — The coronary cardiac arleries of snakes
337
immediately on my expJaining the subjcct ot my rcscarches, the necessarj- spe-
cimens for the investigation in quesíion.
The material which 1 had the opportunity to study was composed of 29
snake hearts belonging to 3 íamilies, classified as tollovvs:
Boidae — Boinaes: —
Epicrates crassus (Cope) — 2: Euncctcs muriuus (L) — 1: Constriclor
constriclor constriclor (L.) — 4.
Colubridae (series aglypha) — Colubrinae: —
Drymobius bifossatus (Raddi) — 2; Spilotes pullatus (L.) — 2; Ophis
nerretnii (Waglcr) — 1.
(series opistogK-pha) — Boiginae: —
Erylhrolamprus aesculapii (L.) — 1.
Crotalidae — Ijcbesinae: —
Bothrops altemata (D. et B.) — 2; B. airox (L.) — 3; B. jararaca (Wied)
— • 4; B. jcraracussu (Lacerda) — 3.
Crotalinae: — Crotalus terrificus tcrrificus (Laurent.) — 4.
Technic:
The hearts were takcn from the snakes immediately after these had been
Ifilled : after a washing out of the arterial swtern and the cavities of the hearts
"ith salt solution, these were gi%-cn a throrough massage under light pressure,
in such a way as to expcl the Wood entirely from the interior of the heart
(which in some snakes, such as B. altemata, has a tcndcnc>- to rapid coagulation),
whereupon the hearts were kft in salt solution for 4 to 6 hours.
At the end of this period I used to injcct through the right aorta hot-10 %
solution of gelatine in water, stained with dnnabar ; in this way I used to obtain,
presupposing the normal continence of the semilunar valws, the rcplction of the
coronar)’ arteries; any dcix>sit which by chance might pass into the interior
of the ventricular cavity after solidification was casily withdrawn.
Before fbcating the specimen, which was usually donc in alcohol, the heart-
cavities were distended by the introduction of this same liquid through a venous
or arterial vessel which was then ligatured.
After dehydration I used to render the pieces transparent by Spalteholz’s
niethod, which allows the observation of the distribution of both the ventricular
brandies and the atrial ones, in their smallest details.
The only Eunectes murinus heart at my disposal (from a 9 specimen
tnorc than 6 m. long) was not treated by the diaphanizing method because it
''•as so voluminous that I contented myself, after injecting it, with radiograi)hing
it and then carefully dissecting it.
The study and the description of the cardiac aa. of all hearts, of course
Icaving out the last case referred to, were made while the part was inunersed in
the diaphanizing liquid used in the method (methyl salicylate-benzyl benzoate).
ig
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
the microscope being a Leitz binoctilar onc, specially for dissection, eyepiece /*»
black back-ground.
In the descriptkm which follows and in the eticlosed table, it may be observ"
cd that not all the vessei» appear the same number of times; thi^ fact is to bc
attributed to the technical difficulty in the w-ay of obtaining in all the hearts
such injections as may diffuse the colouring matter unifomily throughout evcry
part of the organ. In spite of this, I must lay emphasis oo the fact that t^
material used by me in my description, in the great majority of cases, if not
absolutely all of them, was in a condition to permit, even when I refer to t e
most delicate vessels, the obsenation of the smailest details of their general dJ5'
tribution and their branches, and of their topograjjhical area.
All the authorities describe tw-o coronaiy- arteries in snakes, and call them
right and left coronaries (Jacqcart, Hoffmaxn, Doxogiil-e) . Baxchi cal^^
them "posterior branch” or “right coronar>-” and "anterior” or "left
In the material which I had at my disposal I found two coronaries 23 ti ^
and only one arter}- 6 times; taking this material as a basis for argumcnt,
though it may not have been \Tr\' large in quantit)’, the proportion betsveen
prcsence of two arteries to that of one only, is respectively 79.3 ^ to 307 fe • _
The right coronaiy- has a diamcter relatively larger than the left; this d»
ference in bore may be so e.xaggeratcd that the left coronarj- artery comes
be reduced to an exceedingly fine branch, not mcrely as far as its diamcter b
also in its irrigation arca. This arrangcmcnt would be the passage írom
sencc to complete absencc of the left coronarj" artery.
The prescncc of two coronaries, the clear predominancc of the right co|^
naiy and the complete absencc of the left coronaiy corrcspond to cases "hi
are also mct and which have been described in other reptilcs (Chclonians an
Saurians) by Hvrtl, Baxchi, Spalteholz, whcre thcsc numcrical variatio«*
of the coronary arteries actually do oceur as wcll.
The bchaviour of the coronaries as to their number, method of origin ann
their collateral branches alloivs of the hearts being sq»ratcd into three group?-
I) Co-existence of two coronaries more or less equi\-alent as far as tb«‘'
caliber and arca of distribution.
II) Presence of two coronaries, the right one, however, being clcarly
dominant.
III) Existence of onc arteiy, this one being represented by the right
naiy ; its collateral branches are distributed also to the r<^on of the left coronatí"
I. — ■ The existence of two coronaiy arteries of equal caliber was found ***
20 spccimens (Fig. 1). ^
The aa. have their origin in the respective lateral walls, right and Ic^b
the right aorta, above the levei of the free edge of the semilunar valves.
•X
Erhart — The coronary cardiac arleries of snakes
330
The right coronary artery (A. coronaria dextra), imniediately after its
cniergciicc. deseends along the right wall of the right aorta and before rcaching
the source of the aorta, or, at its le\-d, bifurcates into a dorsal branch and a
ventral one, a. dorsalis dextra and a. fciitralis dextra, taking their distribution
areas as the basis for their nomenclature.
Before its bifurcation the trunk of the right coronar>' eniits, in 9 specimens,
a collateral: a. posttruncalis (Fig. 1, />/), which, in a back\\’ard dircction and,
therefore, a postcranial one, n:ns in a position dorsal to the right aorta, there
brcaking up into a series of branches which are distributed to the middle part of
the ventral side of the two atria.
The posttruncal arterj-, beyond originating from the trunk, as yet entire, of
the right coronarj-, niay also be a collateral branch of other vesscls; thus it
«nerges from the a. dorsalis (right coronarj*) 6 times: from the a. zentrahs
dextra once: an<l in two cases, from the a. alrioivntricularis sinistra, branch
of the left coronarj*.
In 4 specimens it is possible to identifj* a branch which. starting from the
0. posttruncalis. runs to imbed itself in the thickness of the interatrial septal
Wall (Fig. 1. j), follows it in a sinuous trajcctorv until it attains the «lorsal
âtrial wall where it disi 4 >pcars.
The situation of this arterj*. likc its distribution. dorsal to the arterial trunks
''hich start from the beart, justifies its name of a. posttruncalis. Spalteiiolz,
howevcr, cmploys this same temi to rcprcsent the vesscl w*hich, in the cases of
obsence of the left coroiuiry, originating from the right coronarj*, passes dorsally
to the origin of the Truncus arteríosus and runs to tlie left, the area of distri-
bution of the left coronarj* forming part of its territorj*.
In tlie siiecimcns of Chcloaians and Saurians dcscribed bj* Sp.vlteholz,
t'hcn the two coronaries are present, and there is. therefore, an arrangement
"hich maj* be compared to that described in Ophidians, the a. posttruncalis
“ist sehr schwach entwickclt", its task lieing thcn jicrforaied bj* the left coro-
ttarj*.
The branches originating from the bifurcation of the trunk of the right
coronarj* are those to hich I have already referred as the a. i-cnlralis and
0. dorsalis.
1. — The a. z-entralis dextra appiies itself immediatclj* to the right lateral
''all of the left aorta and tums obHquelj* to the left, fomiing a concave arc,
the greater or lesser aceentuation of its obliquitj* depending upon the e.xtcnsion
of the trunk of lhe right coronarj* which. as I have alreadj* stated, maj* be. as
*tKh. short. or maj* extend to the origin of the large vesscls at the base of _thc
'cntricle: in the latter case the ii. ventralis dextra is no longcr obliqúe, but
horizontal with regard to the first portion of the left aorta.
The right ventral arterj*, following closdj* the wall of the left aorta, reaches
the ventral face of the ventricle, where it follows the right border of the hean.
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
not directly applied to this margin, but at a vamng distance in diííerent cas^^-
In some cases it even extcnds as far as the apex of the heait.
In its course, the a. zentralis dextra gi\TS off collateral branches on both
sides, standing out among these, hovvever, owing to their frequency and iix»!
situation: a) a branch to the lower wall ot the right atrium, found in 9 casc*
observed, r. atrialis ventralis dextcr (Fig. 1, avd) ; b) a branch which, in ^
cases obsened, dmdes in the wall of the arterial trunks from the base of
ventricle (Fig. 1).
2. — The dorsal branch of the right coronary, a. dorsalis dextra, descend*
dose to the wall of the right aorta as far as the root of this arteiy, and then
enters the right division of the atrioventricular groovc; still in this groovc, but
no\v os^erhung by the free part of the right atrium, it winds round the right
margin of the heart, there being placed bencath the junction of the left V. ca'"*
superior with the cava inferior. Below these vessels, the o. dorsalis dext^
appears in the dorsal face of the ventricle; the part which extends from the
groove to the point where it emerges free on lhe dorsal face of the ventride
is entirely sinuous. Haring reached this face, the same artery continues tO"
wards the apex, but nes-er reaches it as a trunk artery, since it always did^**
before this into collateral branches, which irrigate the apex cordis and the
furthest portions of the margins.
The o. dorsalis dextra gives off, during its course along the atrio-ven
tricular furrow, two collateral branches which go to irrigate the atria;
o) r. atrialis dorsalis dexter (Fig. 2, add) which immediately after tt*
origin goes to the ventral face of the right atrium, and, as soon as it attains it*
lowcr (caudal) free ntargin, winds round it to ramify in the dorsal wall of tl^
right atrial cavity, thus justifying its name through its irrigation arca: in *
spedmens observed this tiranch was quite individualized, both in its trajectoO
and its distribution area.
b) r. dorsalis atriorurn (Fig. 2, da), which arises immediately, behin^
the preceding branch and has an idcntical path, reaches the dorsal face of ^he
heart and, without emitting collaterals, continues to the interatrial septum; ^
soon as it reaches this point, it disúdes into two distinct branches which. wiih *
caudal-cranial direction, distribute themselves in the dorsal wall of the two atrr»»
each one supplring a series of small branches. This \-essel was also verifi®^’
with the preceding arrangement, in 10 cases obsciwed; in 5 others, howcveff
originates from the a. transfersalis dorsalis which I shall describe at once,
in two others, from the o. posttruncalis.
At the instant at which the r. dorsalis a. coronariae dcxtrac appears
on the dor.sal face of the ventricle, that is, below the confluence of the VA’, ca'"*^'
it supplies from its left side a large collateral, which, from its direction. I
the a. transversalis dorsalis (Fig. 2 td). In 15 obseivations this vcssel
OO
Ebhart — The coronary cardiac arteries of snakes
341
üie impression. at its origin, that the r. dorsalis a. coromriac dcxtrac under-
goes a true biturcation.
On separating at an acute angle from the o. dorsalis dextra, the a. transfcr-
salis dorsalis crosses transversely the dorsal face of the vcntricle util it attains
the !eft border of the heart; its terminal part divides into a series of branches,
which supplies the upper half of the left margin of the ventricle.
In its course, the a. transfcrsaUs dorsalis also supplies collateral bran-
ches. both ascending and desccnditig ; the former extend to the atria, the case
being that the r. dorsalis atriorum which, as I have already noted above, is
habitually a direct offshoot from the a. dorsalis dextra, in 5 cases corresponds
to one of these collateral branches of the a. transversalis dorsalis; the latter
branches are distributed to the dorsal face of the vcntricle.
Among the collateral branches emerging from this arterj- I must cspecially
consider, owing to its frequency, since I have encountered it in 11 sjicciníens, a
branch which, immcdiately after its origin. dips to the atrio-ventricular groove
and goes bencath the left V. cava superior; this branch serves the irrigation of
the venous sinus r. sinus venosi (Fig. 2, sz-) : in 3 specimens it arises di-
rcctly from the trunk of the a. dorsalis dextra.
The a. transversalis dorsalis in 5 specimens, bcyond thosc already men-
tioned, arises at a higher levei; for this reason. it follows the atrioventricular
furrow for a large part of its path; it, however, is situatcd bclow the left V.
cava superior, appearing in the face of the vcntricle only in its terminal jxirtion.
In ^ite of this, both its collateral atrial branches, and the ventricular ones, do
aot undergo any change in thíir behaviour, with the excciAion, howc\-er, of the
branch to the venous sinus, which is missing, its placc probably being takcn in
this case by tiny ramusclcs. which originate from the artery, this in its course
being situatcd bcncath the left V. cava superior.
I find it suitable to summarizc in a synoptic tablc the ramification of the
right coronarj’ anery:
right atrul branches
a. fartlruucatis left atrial branches
interatrial septal branch
-4. coronário
dextra
a. ixniralis dextra
a. dorsalis dextra
r. airialis fCntralis dexter
branches to the walls of the left aorta and pul-
monary artery
. ventricular right and left branches
r. atrialis dorsalis dexter
r. dorsalis atriorum
ventricular right and left branches
0. tramszersalis
dorsalis
r. stnus venosi
desceiMing ventricular branches
ascending atrial branches
2.T
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342
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Lcft coronary artery (A. coronário sinistra). — In the description ot tbe
leít coronan.* arterj- I follow the authors which have preceded me and I
considcr the largest caliber to l>e the criterion to designate the principal vessel
and for this reason I represent the arten.- which appears in the ventral face ot
the vcntricle as the irunk artery.
The left coronan.' arter>' arises from the left wall of the right aorta. and.
immcdiately after its exit. joins itself to the right lateral wall of the pulnt<^
nar>' artery; still running together with this vessel, it rounds it obliqnely unO
it reaches its origin at the base of the ventrkle, from there on to jdace itsel*
in the left parí of the atrio-vcntricular groove. immediatdy after it reaches the
lower face of the vcntricle and descends in a sinuous path towards the apex or
lower qiiarter of the left margin of the heart.
In its path along the ventral face of the s-entricle, the vessel enhts a sene*
of collaterals on both sides, those that arise from the leít side being more nunier*
ous and of larger diameter ; as the arters' continues in its path to^vards tbe apex
of the heart. its collateral branches. which at first are transversal, gradually takc
on a longitudinal dircction in relation to the longitudinal axis of the ventricle.
As wcll as these collaterals to the ventricle wall. tlie leít coronarj- gives oft-
at the instam in which it Icaves the atrioventricular furrow, two collateral» •
1) a. atriofcntricularís sinistra (Fig. 1, ai's). This proceeds througb
the furrow in a sinuous path. still. howcver, applied to the base of the ventricle.
until it rcaclics tlie left margin of the heart; it circles it and goes on to bur?
itself in the base and in the highest part of the <lorsal face of the ventricle. tt*
wcll as, in the dorsal face of the left atrium in a series of branches of smalies*
diameter (Fig. 2, ofj). ^
This artery supplics branches to the ventral faces, both of the vcntne*e
and of the left atrium; these branches. in number van.'ing from 2-4. origii»**
at diífcrcnt points of its jxith. but are not sufficicntly íixed (in their situatio"
to allow of a methodica! classification.
This vessel also gives off: a) the a. posttruncalis (in 2 sijccimef''
which, with a rccurring course, runs to place itself bdiind the arterial trunks
the hean, and thence íorward presents the arrangement alrcady givcn for
a. posttruncalis whcn it is a branch of the right coronary.
bf a branch which, placed between tbi left aorta and the pulmonar)'
tery, accomi>anics tbem and cipits branches to their walls (Fig. 1).
Tlie origin of the a. atriovcntricularis sinistra may vary as to its p®’'’’
of e.xit from the left coronary artery'; it is thus that in 9 spccimens it is isolatc-
from the left coronary arter)' at the levei of the atrioventricular furrow, a»
liavc just described; in 6 specimens it originates earlicr, still while the coronaiT
is ap{)lied to the pulmonar)' arter)' (Fig. 1), or. if not, as is the case in 4 spe*^'
mens, the origin takes place later. after the trunk of thí left coronar)' reachf^
the face oi the ventricle.
24
Erhart
The coronary cardiac arteries of snakes
343
2) A coUateral branch. which, applying itself to the wall of the pulmonarj’
*rterv just at the kvd of its origin, runs to distribute itself to the wall of this
'^sel and to that of the left aorta (Fig. 1).
On examining the conduct of the Icft coronarj*, whethcr in the cases of
the equivalence of the two coronaries, or in those of the predominancc of the
right coronar)', it seemed to me that its collateral, the a. aínofenírícularis si-
nistra, so called because it runs throughout its whole coursc in the atrioventri-
cuhr sulcus, as I have already described, should be considered to be the con-
tinuation of the kft coronar>’ arteiy, in spite of its reducetl size, in comparison
with the arteiy- which runs in the ventral face of the ventricle.
The constanc>' of the vessel in question, its position and the rcgularity of
«ts distribution area, in comparison with the ventral vessel, make one suppose
that the arterj- situated in the atrioventricular groove may be the real trunk of
the left coronar)' artcr>', and that the ventral arterv', owing to ils possession of
a larger blood-supplj*ing area, develops secondarily and ends by predominating
in volume o^r the a. atrtofentrícularis sinistra whose irrigation arca is naich
«nallcr.
Only embiy-ological researches could verify which of the \*essels develops
first and naturally it is the one whkh does so that ought to Ix: considered the
principal trunk arterj*.
Just as in the case of the right coronarj- arterj- a graphical sj-nopsis of the
ramification of the left coronarj- appears to be of utility.
d. coronário
sinistra
a. airionxHtricularis sinistra
atrial braiKhes
ventricular branches
branebes to Ük wall» of tl>c riglit
aorta and pulnxwtary artery
branch to the wall of the palmonary artery
right ami left ventricular branches
II. — Prcscnce of two coronaries, the right coronary, howevcr, frankly
Predominating; this arrangement was only lypically marked in 3 casís (Fig. 3).
In thesc cases the right coronary arterv’ originates more or Icss at the
same levei as in the cases described above, and immediatcly bifurcates into its
íwo terminal branches; 1) o. ventralis dextra and 2) a. dorsalis dextra.
1. — The ventral branch a. ventralis dextra (Fig. 3, vd) follows oblique-
ly the left aortic artery until it rcaches the atrioventricular furrow and attains
lhe faoe of tlie ventricle, then procceding to the vertex, where it ramiíies, send-
ing also branches to the nearcst marginal jxirts.
Of the collateral branches which it emits in its course, on both sides, those
of the right proceed in a direction which tends to the longitudinal and reach
ll>c rcspective side of the ventricle: the branches of the left tend towards a
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3H
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
transversc direaion and go to the left side, invading, thercfore, all the arca oi
the ventral face which belongs to tlie Icít coronars- arters-, in case an equality
of the two coronaries exists (Fig. 3, vd).
The two collateral branches of this ventral arten,-: a) "r. atríalis z-entralt^
dextcr” (Fig. 3, avd) and b) a braiKh which is disíributed to the wall of
aneríal trunks of the base of the ventricle (Fig. 3), appear in the 3 cases and
behave just the same as those described and considered in the preccding group F
2. — The o. dorsalis dextra maintains the same arrangement, traject and
distribution as in the cases in which the two coronarv* arteries ha\*c the san<
diameter.
The left coronary artery, very small in diameter, emerges from the
lateral wall of the right aorta and at once applies itself to the pulmonarj' artety.
accompanying this vcssel as far as its origin in the ventricle ; leaving it, it reaches
the lower part of the ventricle face in one case only. In this one it foUow*
with a frankly transversal direction the uppjr third of the left ventricular skie
of the iKart; as well as the collateral ventricular branches it supplies as in group
I the a. atriovcnlricularis sinistra which extends to the dorsal face of the ven-
tricle and of the atrium.
In the othcr 2 cases the left coronary is reduced to the o. atrioventricularu
sinistra" which, however, has not, for this reason, a bigger diameter (I*'?'
3, az’s).
111. — Existence oi a coronarj- arterj-, represented by the right coronary’
I encountered this arrangement, in my series, in 6 hcarts (Fig. 4).
The trunk of the right coronary, immediatcly after its origin in the aorta
and, therefore, before its bifurcation into its two terminal anerier (u. ventralti
dextra and a. dorsalis dextra) emits an artery which is relativcly of lat?*
diameter in 3 specimens, and reduced to a branch of small diameter in 3 otbers-
This collateral vesscl proceeds in a caudocranial direction at first and then
forms a curve which is concave downwards, being situated dorsally to the right
aorta and thus passing to oceupj- the place of the left coronary; in the rcmaiO'
der of its path the vesscl proceeds in a similar way to that artery, cither the ooç
in group I or that in group II, depending upon whcthcr we refer to the case o*
large diameters or to that of small ones.
This vcssel, taking into consideration its area of distribution, correspo**^
to the left coronar}' arteiy- and it is to it that Spalteholz refers in speaking
the a. posttruncalis, as I have prc\‘iously stated. I have preserved this non<tt
clature, as I have already stated, solely for the artery which is situated dorsal
ly to the right aorta and which irrigates tlie middle part of the ventral face ”
the atria.
The o. posttruncalis (Fig. 4. pt) takes its origin from this vcssel wh:ch
represents the left coronary artety in 5 cases and. in the only- reinaining
from the trunk itself of the right coronary arterv.
Erhart — The coronary cardiac arleries of snakes
343
The terminal branchcs of the right coronarj- behave some^vhat diffcrent-
ly compared with the groups prcviously described.
Thus it is that the a. vcntralis dextra (Fig. 4, frf) presents the same
traject and procedure as in the cases dassified in group II. where the left coro-
nary arterj- is reduced to the a. atrioventricularis sinistra-, and the branches
01 the \-entral arter}- distribute themselvcs over the territorj’ in which the irriga-
tion of the coronary arterj' and its branches is lacking.
The a. dorsalis dextra present a traject, general procedure and branches
collaíeral as those cncountered in the data previously described, whether \ve
consider group I or group II.
Let us now see how the three types or the different standards of procedure
are distributed, not only those of the trunks of the AA. coronaríae cordis
fjut also of their branches or of tlieir respective areas of distribution in the dif-
ferent Ophidian families examined by me (Table I).
The procedure of the coronaries in the 3 families of snakes which I had
die opportimity of describing does not suffer obvious variations, so that a
distinction between one and the otbcr families by the mere arrangement of the
coronaries becomes impossible, as one would have supposed, and, on the other
hand, the aspect is such that the description does not depart from the t>-pes in-
dicated as standards.
In the Boidae the arrangement and procedure of the arterial trunks and of
dicir ramifications suffer \*ariations so littie evident, that the>’ nuy be consider-
cd to be fundamcntally equal among themseh-cs; and among them the genus
Constrictor stands out, of which it is possible to affirm that there always oceurs
an identical or nearly identical arrangement in the various hearts examined.
Among the Colubridae the genus Drymobius at once attraets our attention,
*ierc represented by 2 hearts, which show variations in the number of the coro-
^taries, one ^lecimen having only one coronarj- arter>’ and the other both ; howc-
'cr, in this last (Fig. 5) the left coronarj- artery is so rudimentarj' that it is re-
duced to the a. atriofcntricularis sinistra; for this reason it beconxts possible,
Ihrough the arrangement not only of the right coronan,’, but also of its col-
latcrals, to compare with ease the areas of irrigation of one lieart with the other.
The other genera of Calubridae e.xamined, even taking into consideration
lhe Erythrolamprus which belongs to the sub-family Boiginae and not Coliibriiuie
íike the otbers, allow of a comparison. the t)-pe of distribution being always the
»arne.
In the Crotalidae, whose material is more abundant (16 hearts) 1 found
®nc arterj' only (group III) 5 times; of the three specinicns of group II, 2 are
•■epresented by hearts bdonging to snakes of this family; and the remaining 9
*te included in group I.
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346
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Hmvever, I emphasize this point once more, and it is easily understood
from the sample descriptions, that cxcept for one or another vessel, the
majority of thcm, principally those which are under the influence of the right
coronaiy- arterj-, always preser%'e the same arrangement.
An exception is the heart of a B. jararaca, which presents one coronary
arteiy only, but the branches which originate from this vessel do it in such *
way, that the origin of the traject of these vesscls nccessarily becomes variabl^*
but in spite of that it presentes, on the whole, the more or less typical arrange*
ment of the coiresponding cases in which only the right coronaiy- artery exists.
Bcaring in mind the diversity of origin of these vessels, the case certainí^
merits a special reference (Figs. 7 and 8). The right coronaiy arteiy
off, before its bifurcation into aa. zviitralis dexlra and dorsalis dextra, -
branches :
a) the first of these goes to the left and dorsally to the right aorta:
bifurcatos into one ventral vessel and another dorsal one: — 1) the ventr^
vessel follows the traject of the left coronaiy arteiy, that is, it crosses the k**
lateral face of the pulmonaiy artery, but at a levei rclatrvely higher than is cus-
tomaiy, and attaching itself to the left atrium, proceeds with it, inclining
wards the ventricle until it attains the atrioventricular groove, thence to proc«^
like the a. atriotvnlricularts sinistra; it is probable that from its origin
vessel has already this meaning, both through its path and through its atrial an<l
ventricular branches. On croásing the lateral face of the pulmonaiy arteiy.
a. atriozvntricularis sinistra emits a collateral which, with a traject recurrent a’
first and caudocranial immediately after, takes up a position bchind the great ve*'
.seis of the base, to proceed like the o. posttnmcalis, that is, sending its branch^
to the middle part of the ventral face of the atria. This collateral vessel ptf
scnts the same arrangement, as that met with in those cases in whidi it origina'^
from the left coronaiy artcrj-, — 2) The dorsal branch goes to the right, app^^
to the atrioventricular groove, envelopes the right margin and, dceply situa!«<^
in the z’cnous sinus, therefore always in the groove reíerred to, proceeds,
in its traject and in the collaterals which it emits, like the o. Iranszvfs»^*^
dorsalis, the collateral of the o. dorsalis dextra which is absent, as sn^’
in this case.
b) The second collateral branch of the trunk of the onlv coronarv arteO
(right) applies itself to the right lateral face of the left aorta; it envelope*
and appears in the ventral face of the «ntricle; thence it procecifls in a trans*
versai direction, to ramify in the Avall of the ventricle, in the vegion which *-
usually under the influence of the ventral barnch of the left coronaiy arteO '
this branch does not furnish atrial collaterals and, as it ramifies in the
part of the ventral face of the ventricle, it may be homologized with the ventr**
braiKh of the left coronaiy arteiy which, in this case, is lacking.
2S
EnuART — The coronary cardiac arlcries of snaJ;es
347
The bifurcations of the right coronary arteiy-, aa. dorsaiis dextra and
veiiíralis dextra, have trajects, directions and distributions which do not
depart from the standard ones; naturally an exception is niade for the
a. transversalis dorsaüs whidi, as I made reference earlier, constitutes the
dorsal branch of the first collateral, which originates from the trunk proper
of the right coronarj* arter}*.
Taking as a basis the description and referring to Figs. 7-8, we note that^
>n spite of this apparent diffcrence, on the whole, the arteries even in this case,
preser\-e the same characteristies and areas of distribntion as in those cases in
which the left coronaiy arter}- is missing.
From the foregoing descripüon. boih of the t}T)es taken as standards and
fâking ioto account as well the procedure of arterial trunks and branches in the
different famiücs. we see that the t-entral faces of the ventricle and of the atria
have a double irrigation; that is, thcy receive branches from the ttvo coronar}*
arteries, there e!\-cn existing a certain equilibrium in the areas of distribntion;
is uscless to emphasize that, in the cases of prcdominancc of the right coro-
Oar}- artery or of abscnce of the icít coronar}- arter}-, the ventricle is irrigated
*lmost cntirely in its vcntral iwrtion by the right coronar}- arter}-; and the
O- atrioventricularís sinistra, the only branch of the left coronar}- artery or rc-
presentative even of the left coronar}- arter}- itsclí, in the case of absence of the
íatter vessel, is distributed to the ventral face of the left atriínn and to the higher
Part of the face and of the base of the ventricle.
. The dorsal face of the ventricle as well as that of the atria e irrigatetl
^rcely by the a. dorsalis dextra, a branch of the right coronar}- artery, only a
'liminutive fraction of the left fxirtion of the l)ase of the ventricle and a more
iterai fraction of the left atrium, falling to the share of the tenninations of
Ibe atriwentricularis sinistra; this irrigation always belongs to this \-csscl,
^'en in the cases in which the left coronary arter}- is lacking or is very redueed,
^•ccausc. as I have already recorded. the o. atrioivniricuiaris sinistra is always
pfesent.
As regards the anastomoses Ixítwccn the cardiac arterial ramifications. which
Spal-teholz found frequent and numerous in the Saurian and Chelonian hearts,
•or my own part, in spite of haring obtained cxcellent injections, since all the
'csscls, even those of very- small bore, such as the atrials, were fillcd, I find
•hat they, in viy tnaterial, were relatis-cly scarce.
In fact, the rare oceasions in which I obser\-ed anastomoses, these oc-
^rred among the vcntral «ntricular branches of the two coronaries and were
*tüated immediately bencath the origins of the left aorta and pulmonaiy- artery.
^od, still more, the margins of the \-tntricles alwa}-s presented a ver}- limited zonc
irrigation.
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
The initial part of the ventral ventricularis arteries as ‘.vell as of the rigM
dorsal arters- ahvays appears sinuous. this fact perhaps being due to the pressute
exerted at the moment of injection and also caused by the difficulty which the
niass finds in diffiising through the circulaíorj- system, these arteriai assunung
so characteristic an aj^iearance. During the remainder of the traject the sinu*
osities which the arteries show are no longer constituted of long curves but
of really sudden changes of direction, these corresponding in the majoritj’ of
cases to the emission of a collateral ; thus. confomiing to Roux’ laws.
The most voluminous arteries are aiways superfidal, and, given the relati*
vely small thickness of the myocardium, also give the impression, as the)' coO'
cem diaphanized parts, of being on the surface of the wall of the heart.
In the heart oí the Eiinectes viurintu, the walls of which are vcry thickt
the largest vessels keep to the surface ; as for the smaller vessels which are
ed within the deeper layers, as well as in the trabeculae cordis, veiy nunicf'
ous and eviden: in the Ophidian heart, it was not possible for me to idcntJ*y
them.
Krom the I>epertm«'ni of l>r»rripUTe Aiuitocny of the
Medicai Faeofty. tiodcr l*rof. A. Bovero)
5. fa***
BIBLIOGRAPHIA
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und sein: theoretischen Bedingongen.
Zweite erw. .Auíl. Leipzig, 1914.
30
Erhart — The coronary cardiac arleries of snakes
349
EXPLICAÇÃO DAS FIGURAS
Indicações communs
EXPLAXATION OF THE FIGURES
Common indications
V. (1. — a. Tcntralis dextra
d. d. — t. dorsalis dextra
V. d. — ■ r. atrialis vcntralis dexter
0. t — a. posttruncalii
s. — r. septal interatríal
*• V. s. — a. atrioventricularis sinistra
V. s. — a. ventralis sinistra
a. d. d. — r. atrialis dorsalis dexter
d. a. — r. dorsalis atriorum
t. d. — X transrersalis dorsalis
s. r. — r sinus veoosi
V. d. — X ventralis dextra
d. d. — X dorsalis dextra
a. V. d. — r. atrialis ventralis dexter
p. t — a. posttruncalis
s. — interatríal seixal branch
X V. s. — X atríoventricularis sinistra
V. s. — a. ventralis sinistra
X d. d. — r. atrialis dorsalis dexter
d. X — r. dorsalis atriorum
t. d- — X transversalis dorsalis
s. V. — r. sinus venosi.
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QUADRO I
Tabella da disposi<;ão da? “AA. coronariae cordis” e do modo de origem de seus ramos em ditterentes especics de Serpentes.
Table ot the arrangement of the “AA. coronariae cordis” and of the mode of their branches in differcnt species of SerpKnts.
Boidae
Q>Itá)r>dae
Boinae
Colubrinae
Boiginae
Crotalidae
Lacbesinae
CrotaHnae
1
1
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1
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3 1
a- 1
C. t. terrificu
1
1
1
i
1
Arthues
— . a, coronaria :
2 Aa. cor. presentes
+
1
i
1
i
+i
1
T
1
1
T
+
1
+
I
I
I
+
+
4-
1
i
i
■f
4-
4-
1
+
4-
4-
4-
i
4-
— a. coronaria :
2 .*\a. cor. present
a. cor. dir, predooiin.
i
1
-t-
■f
4-
1
_L
a. cor. dextr. predom.
I
Só a. ccr. direiu j
1
1-
+
4-
-j-
■f
■f
only right cor. art.
— a. posttnnK. orig. da:
a. cor. dir.
+
+
+
+
+
+
4-
4-
4-
4-
— a. posttrunc. orig. from:
a. cor. dextra
a. dors. dextra
1
!
+
+
+
4-
+
4-
a. dors. dextra
a. ventr. dextra
+
i
i
1
— t
a ventr. dextra
a. cor. esq.
i
•
• ;
•
1
1
•
•
a. cor. sinistra
a. atrioventr. sin.
1
í
i
+
+
a. atrioventr. sin.
r. atrial. ventr. dext. orig. da:
a. s-entr. dextra
1
-r
+
+
+
1
+
+
4-
-f
4-
t
1
4-
4-
4-
4-
— r. atrial. ventr. dexter orig from:
a. ventr. dextra
3 . posttruncal.
+
+
4.
4-
a. posttruncalis
a. dors. dextra
+
+
-f
"i
a. dors. dextra
•
— r. dorsal, dors. dext. orig. da:
a. dors. dextra
,
+
+
+
+
-f
4-
+
+
-r
4-
4-
4-
— r. atrial. dors. dexter orig. from:
a. dors. dextra
r. dors. atriorum
+
4-
4-
r. dors. atriorum
a. ventr. dextra
—
r
4-
a. ventr. dextra
a. posttruncal.
—
1
4-
1 a. posuruncat.
i ■ —
— r. dors. atriorinn orig. da:
a. dors. dextra
-N
+
i -
-u
+
+
+
+
+
i
1
_
+
4-
4-
i
t ■ ~
'
j — • r. dors. atrioium orig. from:
j a. dors. dextra
a. transv. dors.
1
*
+
+
r
4-
—
+
1+
i
i
1+
4-
a. transv. dors.
a. posttruncal.
i—
1
t
i
1
i
•
f
1
1
1
i
i4-
a. posttrunc.
— r. sinus venos. orig. da:
a. transs'. djrs.
. +
1
1
+
í
1+
|—
1
i
1
!
1
\
i
+
• •
t
i
1+
• •
t
••
1
» •
1
1
1
1
1
-f
!+
14-
K,
— r. sinus venosi orig. from :
a. transv. dors.
a. dors. dextra
“K
+
i
1
1
+
+
4-
jl.
1
♦
1
a, dors. dextra
— a. atrioventr. sin. orig. da a. cor.
esq. ao nis'el da:
pulmonar
t
♦ — —
+
i
1
-i—
+
i
!+
4.
r
4-
1
1
1
1
1
1
— a. atrioventr. sin. orig. from:
j a. cor. sin. at the levei of:
j .A. pulmonaris
íace ventr, ventric.
■ +
1
1
1
i
+
H-
4-
-i
ventr. vcntric. face
sulco atrioventr.
t
: +
i +
r"
1
i •••
4-
-f
-f
•
• •
—
•
• •
1 —
4-
•
• •
4-
L
»
1
1
sulciu atrioventr.
— rr. das paredes .^orta e Pulmon.
orig. da:
a. ventr. oextra
+
1
1
1
1
1
T
1
i
1
1
1
j
1
-f
+
+
4-
1
i
4-
■f
1
i
)
+
1
1
1
I
— rr. for walls of .\orta and Pul
mon. orig. from:
a. ventr. dextra
a. ventr. sinstr.
-i-
4*
+ -
T ■
1
+
-f
r
i
1
i
1
1
1
_U
a. ventr. sinistra
a. atrioventr. sin.
+ +
i— L
L±
+
-r
1—
1
1+
+
!
■
f
1 !
íl
H*
1
1
a. atrioventr. sin.
+ = presente
• = a. f<yíttrnnealis a originar-se do ramo cotiateral da a. coronaria di-
rcUa que representa a a. coronaria esquerda.
+ = present
• = the J. posltmncalis originaies from the collateral branch of the right
coronar>' that represcnts the a. coronarij sinistra.
•• = a própria a. transversalis dorsalis a caminhar no »ulco atrkn-entricular,
fornecendo mínimos ramúsculos ao seio venoso.
•* = the o. transz-írsalis darsalis proper that passes along the atrioventri-
cular groove and emits sery small branches to the venous sinus.
z=. a. coronaria esquerda reduzida ã o. airiofentricuJaris sinistra.
^ = lhe A. coronaria sinistra i$ reduccd to the a. atriofcntricularis si-
•• nistra.
cm
10 11 12 13 14 15 16
20 21 22 23 24 25 26 27 2í
29 30 31 32 33 34 35 36
Mfm. Inst. lUitantan
Erhaht
irlerias coronarias cardíacas dos ophidios
Vo. iX. 2935
SciELO
cm
Mrm. Inst. Dutantao
Artenas corominas cardíacas dos ophidios
hKHAnT
Vol. IX. 1035
SciELO
Coraçao de Dr^mebtns bífoaMtas:
face ventral
Coração de Drymolua* bifoMata»:
face doraal
Heart of Drymobias bifesaatos:
ireotral view
fleart of I^rynobina bifinf tm *
doraal «-{ew
X 2.40
X2.51
a. u.s.
v.i
Coração de B. Jaraiara:
face ventral
Coração de R. Ji
face dorval
Heart of R. jararaca:
vrntrai view
X 4.ft<
Heart of R. Jararaca:
doraal view
X 4.04
SciELO
Mem. Insf. Rutantan
Erhaut
Artérias coronários cardíacas dos ophidios
Vol. IX. 1935
a. u, s.
Ehhakt
Meni. Inst. Butantan
Arlerias coronários cardíacas dos ophidios
jararacaasu
of B. jararantAsa :
<k>r»aJ view
X 2.96
llrart of B.
iararacnua
Coração de C. t. terríficas
dor.«al face
Heart of C.
dorsal
t. terríficas
de Cratalas t. terríficss
face ventral
Coração de Epicrates crassas
face rentral
of Crotalas t. terríficas:
ventral eiew
X S,2ã
Heart of Epicrates crassas
Central riesr
TRES NOVAS ARANHAS TETRAPNEUMONES
NAS COUECÇÕES DO INSTITUTO BUTANTAN
POR
C. DE MELLO-LEITAO
5»5.44:9S1
TRES NOVAS ARANHAS TETRAPNEUMONES
NAS COLLECÇÕES DO INSTITUTO BUTANTAN
POR
C. DE MELLO-LEITAO
Familia DIPLURIDAE
Genero Trechona
Trechona uniformis, sp. n. (Fig. 1)
<3* — 28nim.
Cq)halothoracc — 13,5 X 11,5 mm. AMome — 12x6,5 mm. Fiandeiras
posteriores — 3,5 + 2,5 -f 3.5 = 9,5 mm. Palpos — 8 -}- 3,5 + 7 + 2,5 = 21 mm.
Bulbo do palpo — 6,5 mm.
Patas
Femur
Patella
Tíbia
Protarso
Tarso
Total
I
12
6
9
12
&5
47.5 mm.
II
11
5.5
8,5
10,5
8.5
44 mm.
III
10
4.5
7,5
lOj
40 mm.
IV
11,5
5
9.5
14
8.5
48.5 mm.
Cephalothoracc abai.xo, de fovea
thoracica profunda.
transversa.
com linhas
irradiantes
nuas e uma
orla marginal de curtos pelos.
Comoro
ocular bem
3
356
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
mais largo do que longo. Olhos anteriores iguaes, em fila fortemente procurva.
separados uns dos outros pouco mais de meio diâmetro. Olhos posteriores em
fila muito recurva, os médios contíguos á borda antero-intema dos lateraes e
tres vezes menores do que os mesmos. Olhos lateraes iguaes e subcontiguos.
Pe<;a labial bem mais larga do que longa, com quatro pequenas cúspides em uma
fila. .\ncas dos palpos com pequena area cupulosa densa. Lxra. do palpo se-
melhante á de T. fcnosa (LATR.) mas de base direita. Todos os tarsos cuni^os,
flexuosos e escopulados até a base. Abdome estreito, quasi duas vezes mais
longo do que largo; as quatro fiandeiras ao mesmo nivel, as externas menores
do que o abdome. Palpo de bulbo copulador globuloso (mais largo do que lon-
go), com longuissimo estilete apicilar, direito, quasi do comprimento da tibia.
Colorido uniforme, fulvo negro; esterno e ancas côr de mogno. No ce-
phalothorace, uma orla de curtos pelos côr de rato. .Abdome com longos pelos
avermelhados erectos.
Pelo colorido uniforme e pela forma do bulbo do palpo facilmente se dis-
tingue esta especie de T. venosa (L.ATR.) e T. adspersa BERT..
Hab.; S.Paulo.
Tjqx): No. 77, no Instituto Butantan.
Familia BARYCHELIDAE
Genero Heteromma, g. n.
Cephalothorace baixo, de fovea thoracica transi-ersal, profunda. Comoro
ocular de comprimento e largura iguaes. quasi regularmente circular. Olhos an-
teriores grandes, iguaes, equidistantes, em fila procur\-a. Olhos médios poste-
riores muito menores, sub-contiguos aos lateraes. largamente separados um do
outro, a fila posterior recur\-a. Cheliceras estreitas; o rastello formado de
numerosos espinhos curtos. Peqa labial mais larga do que longa, inerme. An-
cas com pequena arca cuspulosa. de cúspides dispostas em quatro filas. Esterno
mais longo do que largo, de sigilias marginaes conspicuas. Protarsos I e H *
todos os tarsos escopulados. Patas III e IV armadas de espinhos robustos c
numerosos. Fiandeiras superiores curtas, de segundo segmento maior do quf
o basilar e segmento apicilar hemispherico. Protarsos I do macho sem apo-
physcs.
Genero intermediário entre as Barychclcac e Leptopelmateac. Tjtx»:
Heteromma anômala, sp. n. (Figs. 2 a 4).
o* — 24 mm.
Cephalothorace — 14 X H mm. .Abdome — 10 X 8 mni.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
*
C. DE Mello Leitão — Sovas aranhas tetrapneumones do Instituto Butantan 357
Patas
Frmur
Patella
Tibia
Protarso
Tarso
Total
I
11
6
8j
9.5
5.5
40.5 mm.
II
10
5,5
8
9.5
5.5
38,5 mm
III
9
5
7
11
6
38 mm
IV
12
6
10.5
16
6.5
51 ram.
Cephalothorace mais longo do que largo, com um tufo de cerdas dirigidas
para diante, adiante do comoro ocular, e com profunda fovea thoracica. Co-
moro ocular alto, de diâmetros proximamente iguaes (Fig. 2). Olhos anteriores
iguaes, separados entre si dois terços de diâmetro. Olhos médios posteriores
tres vezes menores do que os outros olhos, que são iguaes (Fig. 2). Tibias e
protarsos I e II com 2-2-2 espinhos inferiores e 1-1-1 de cada lado. Patas III
Fi*. 2
HfteromMa anamala.
•p. n. Olboa
Fic. S
HaUromina anowala, ff. n., rp. n E>
p«^a Ubial t ancas do« palpo»
e IV com espinhos numerosos e robustos, lembrando o genero Eupaíacstrus.
Abdome menor do que o cephalothorace. Esterno com aspigillas marginacs,
augmentando regularmente das segundas para as posteriores e quasi circulares:
as sub-labiaes muito conspicuas, confluentes, tomando toda a largura anterior;
o esterno é visivelmente mais longo do que largo (Fig. 3). Peça labial penta-
gonal, le^•emente exeavada adiante, mutica. Cúspides das ancas dos palpos dis-
postas cm quatro filas.
Palpo robusto, de tibia pouco maior do que a patella e mutica; tarso de bul-
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
cm
338
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
bo basilar, grosso, com pequeno estilete apicilar (Fig. 4). Cheliceras armada^
de 9 dentes na margem interna e uma area aispulosa no fundo do sulco ungueal,
occupando a metade basilar.
tlrtcroa
4
AIIMBaU. ff. 9p,
Palp* <k>
Cephalothorace fulvo; patas com pelos negros e linhas nuas. fulvas, nas
patellas e tibias; esterno, ancas e pe^a labial fulvo-claras; abdome fulvo-negro
com abundantes pellos longos, de pontas róseas, sendo a região epigastrica ful-
vo-clara.
Hab.: Estado do Rio de Janeiro.
Ts-po: Xo. 34, no Instituto Butantan.
Família AVICULARI IDAE
Genero Butantania, g. n.
Cephalothorace baixo, de fovea thoracica procurva. Comoro ocular bem
mais largo do que longo. Olhos anteriores em fila procutA^a, os médios meno-
res. Olhos posteriores em fila recurt^a, os médios iguaes aos médios anteriores.
Olhos posteriores em fila rccur\-a, os médios iguaes aos médios anteriores. Es'
temo de largura quasi igtial ao comprimento, com pequenas sigillas separadas
da margem mais de um diâmetro. Patas pouco espinhosas. Peça labial e ancas
dos palpos com cúspides muito numerosas. Todos os tarsos com as escopulas
divididas, cm III e IV, por uma larga fai.xa. Tibia anterior do macho com duas
apophyses apicilares muito desiguaes, entre as quaes se dobra o protarso. P^“
labial mais longa do que larga.
Pertence este genero ao grupo das Ischnocoleas Sim.. Pela larga faixa de
cerdas que divide os tarsos posteriores, pertence ao grupo de Chactorrhombus
Auss e Adranochelia, Magulla e Tmesiphantes Sim.. Distingue-se de ChaAor-
rhombus, por ter a fovea thoracica procurva e as apophyses tibiaes do macho
muito desiguaes; de Adranochelia e MagvUa, por ter os tarsos I e II com as ca-
em
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
*
C DE Mello Leitão — \ovas aranhas tetrapneumones do Instituto Butantan 359
escopulas divididas; de Tmesiphantcs, do qual mais se approxima, por ter os
olhos médios posteriores iguaes aos anteriores e a peça labial mais longa do que
larga. T>-po :
Butantania hirsuta, sp. n. (Figs. 5 a 8).
Fi*. s
BotantaníA hirsvta. g.
■p. n. 01b<M
o — 22 mm.
Fix. (
BaUnUnU birMta, g. o., sp. n. £••
t*rno» p«c« UbUl • «Dcu 6o» palpo*
Cephalothorace — 10,5 X 9,5 mm. Abdome — 11X7 mm.
Patas
Femur
Patella
Tibia
Protarso
Tarso
Total
I
10
4
8.5
7.5
5
35 mm.
II
9
4
7
7.5
5
32.5 mm.
III
8,5
4
7
11
5
35,5 mm.
IV
9
4
8.5
13.5
6
41 mm.
Cephalothorace pouco mais longo do que largo. Comoro ocular quasi na
borda anterior (Fig. 5). Olhos anteriores em fila procutA’a, equidistantes,
separados um diâmetro dos médios, que são duas vezes menores do que os late-
raes. Olhos posteriores cm fila recur\a, os médios a igual distancia dos lateraes
posteriores e dos médios anteriores. Patas e abdome revestidos de longos pelos
frouxos. Protarsos anteriores com escopula no terço apicilar; protarsos II com
escopula no quarto apicilar; protarsos III e IV sem escopulas. Esterno plano,
quasi circular, com pequenas sigilias separadas da margem mais de um diâme-
tro (Fig. 6). Tibia dos palpos com 2-3-1 espinhos internos. Patas anteriores:
tibia com dois espinhos basilares inferiores e um interno no terço apicilar e com
duas apophyses apiedares (Fig. 7), a externa curva para dentro c a interna di-
reita, prolongada em um espinho; protarso levemente cur\' 0 , com um espinho
apicilar inferior. Patas II; tibia com 1-1 longos espinhos internos e dois apici-
lares inferiores curtos; protarsos com um robusto espinho anterior, um inferior
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
cm
360
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
no terço basilar e dois apicilares. Patas III: tibia com I-I espinhos lateraes c
1-2 inferiores; protarso com l-I anterior, I inferior, I posterior e 1 vcrticilo api-
cilar. Patas IV: tibia com I-I lateraes, 2-1-2 inferiores; protarsos com 15 es-
pinhos irregularmente dispostos. Cheliceras com quatorze dentes na borda in-
terna do sulco ungueal, o primeiro e o ultimo muito menores.
/•
na. 7
BaUnUata binaU. a. a., tp.
Tibia antaríor do q
J
FUr. ft
BataAtaaia hinata. g.
Palpo do
Cephalothoracc, cheliceras, palpos e patas de tom fulvo; esterno, ancas e
peça labial fulvo-claros; abdome pardo com os longos pelos mais claros.
Hab.: Itat>-aia, Estado do Rio de Janeiro.
Typo: No. 65, no Instituto Butantan.
.ABSTR.\CT
In the arachnological collection of the Instituto Butantan the following
iomis are represented which sceem to bc new to science: Trechona uniforvtis,
sp. n. (Dipluridac) from S. Paulo, Hetcromma anômala, g. n., sp. n. {Bary-
chelidac) from Rio de Janeiro and Bulaniania hirsuta, g. n., sp. n. (Aidcularidaf)
from Rio de Janeiro.
(Trâbftlbo d« colUboraçfto do Muwo Nadonol. Rio»
em maio de 19JS. Dado 1 publicidade em eelembro de 1935)
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
DOIS GENEROS RAROS DE
ARANHAS NAS COLLECÇÕES DO INSTITUTO BUTANTAN
POR
C. DE MELLO-LEITAO
595.44:931
DOIS GENEROS RAROS DE
ARANHAS NAS COLLECÇÕES DO INSTITUTO BUTANTAN
POR
C. DE MELLO-LEITAO
Xo material arachnologico obtido de Barro Alto (X'oroeste de Minas Ge-
raes) pelo Instituto Butantan e a mim enviado para estudo, encontrei duas es-
pecies no^’as de generos muito raros, sendo que a primeira pertence á familia
Hersüüdae, representada em toda a America Tropical apenas por seis especies, e
a outra, ao genero Lausus (Clubionidac — Corínninac), com uma só especie des-
cripta da Amazônia.
Familia HERSILIIDAE
Genero Tama
Tat)ta fachyura, sp. n. (Figs. 1 e 2).
9 — 6 mm. Com as fiandeiras — 9 mm.
Patas
Femur
Pattlla
Tibia
Protarso
Tarso
Total
I
4.5
0.7
3.8
5
a8
143 mm.
II
4,5
07
3.8
5
0.8
14.8 mm.
III
4.5
0.5
1
12
0.8
5,0 mm.
IV
3.8
07
2.8
4.7
0.8
12.8 mm.
Cephalothorace regularmente arredondado dos lados, bruscamente estrei-
tado adiante, sem sulco thoracico e de região cephalica muito elc^•ada. Olhos
posteriores iguaes, cm linha fortemente recurva, os medios separados um dia-
metro e a meio diâmetro dos lateraes. Olhos anteriores cm fila também forte-
mente recurva, os medios tres vezes maiores do que os lateraes (que são elli-
pticos e despigmentados, difficeis de ver), separados destes quasi tres diâmetros
e afastados um do outro diâmetro e meio. .Arca dos olhos medios mais alta
do que larga, parallela. os olhos anteriores menores do que os posteriores. Qy-
peo obliquo, mais alto do que a arca dos olhos metlios. Cheliceras verticaes,
iguaes á altura do clypeo, de sulco ungueal com a margem inferior indistincta,
mutica e a superior com quatro pequenos dentes, o basilar e o terceiro maiores.
n
SciELO
364 Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Pe<;a labial triangular, alcançando o meio das laminas maxillares. que são parai-
lelas e de pontas cortadas transversalmente. Esterno plano, largo e largamente
chanfrado atrás. Abdome de perímetro pentagonal, mais largo do que longo,
com tubérculo .-mal conspicuo. Fiandeiras superiores de segmento basilar curto
Fir. 1
Tama pachyvra. «p. a.
Tiz- 2
EpÍ*TT>o
« robusto, segmento medio maior e segmento apicilar igual á somma dos dois
outros, afilando rcgulanncnte da base para o apice. Patas I e II: patella com
um espinho apicilar; tibia com 1-1 espinhos dorsacs c protarsos cur%’os, inermes.
Tarsos com tres unhas, as superiores denteadas e a inferior fortemente gem-
oulada.
Ccphalothorace pardo, la\-ado de fusco, com estreita orla marginal negra.
Cheliceras pardas, de metade apicilar negra. Patas pardas, com anel negro.
.■\bdome fusco, marmorado de esbranquiçado, com uma faixa sinuosa negra na
metade basilar e uma grande mancha negra de cada lado. Toda a face ventr^
pardo testacea. Fiandeiras testaceas, com duas manchas fuscas dorsacs. Epi-
-g>-nio em C deitado e invertido ( O ).
cm
SciELO
C. DE Mello Leitão — Generos raros de aranhas do Instituto Butantan
36Õ
Hab.: Barro Alto, Estado de Minas Geraes.
Tj^po: No. 141, no Instituto Butantan.
Familia CLUBIOMDAE
Sub-familia Corinninae
Genero Lausus SIM.
Lausus sicarioidcs, sp. n. (Figs. 3 e 4).
d* — 7 mm.
Palas
Fêmur
Patella
Tíbia
Prolarso
Tarso
Total
I
4.5
1.5
3.5
2.7
U
13 nim
II
3
1.5
2.5
2,5
1
10.5 mm.
III
2.5
U
2
2J
1
9.1 mm
IV
3.5
1,5
3
3.5
1.3
12.8 mm.
Fi«. «
Laiivat fticmrWides. i^.
^ Fir. 4
Palpo do tí <Íc Laasvft •kari«i4«s. ap. o.
Cephalothorace chagriné, dc região cephalica elevada e sulco thoracico lon-
gitudinal profundo. Olhos posteriores igiues, em fila direita, os médios sepa-
rados entre si dois diâmetros e a dois e meio diâmetros dos lateracs. Olhos an-
13
3G6
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
teriores em fila le%'issimanieníe procuna, equidistantes, os médios duas vezes
maiores do que os lateraes. Area dos olhos médios quadrada. 0)7)00 levemen-
te exca\’ado, da altura dos olhos médios anteriores. Oieliceras muito robustas,
geniculadas, de sulco ungueal obliquo, a margem inferior com 6 dentes, dos quacs
o distai maior e o superior com tres, o medio bem mais forte. Peça labial tao
longa quão larga, alcançando o meio das laminas. Esterno chagríné, marginado,
a borda anterior de lados angulosos, e arredondado atrás. .Ancas posteriores
contiguas. .Alxlome o%'al. Patas e abdome revestidos de pelos bacilliformes se-
riados, semelhantes aos dos Sicarius. Patas I : tibias com 2-2-2-2-2 espinhos cur-
tos e protarsos com 2-2. Patas II: tibias com 1-2-2-2 espinhos inferiores e pro-
tarsos com 2-2. Patas III: tibias com 2-2-1 espinhos inferiores e 1-1 de cada
lado, e protarsos com 2-2 inferiores, 1 de cada lado e 1 verticilo apicilar. Patas
IV: tibias com 1-1 in fero-posteriores, 1 lateral posterior e 2 inferiores apicilares;
protarsos com 2-2-2 inferiores e 1 lateral (no typo os tarsos IV, de lun dos lados,
apresentavam um fasciculo de sustentação quasi nullo, e duas unhas longas, del-
gadas, com tres dentes medianos). Fiandeiras superiores e inferiores iguaes.
Palpos: femur cur%'o com dois curtos espinhos dorsaes; patella curta; tibia
dilatada no apice (mais larga do que longa), com uma apophyse apicilar externa
cuna, pontuda; tarso igual á patella mais a tibia. de bulbo alongado, piriforme.
oceupando quasi toda a face inferior, de estilete muito curto, recui^-o.
Cephalothorace, patas, cheliceras, peça labial, laminas maxillares, esterno c
|)alpos fulvos; abdome pardo- fulvescente, com pequena mancha basilar fuh^a;
ventre pardo.
Hab. Barro Alto, Estado de Minas Geraes.
T)-po: No. 140, no Instituto Butantan.
ABSTRACT
In a lot of spiders secured by the Instituto Butantan from Barro .Alto, N. •
State of Minas Geraes. there were represented tw-o rare genera with spedes ncw
to Science: Tanta (T. pachyura, sp. n. : Hcrstlüdae) and Lausus (L. sicarioidfs,
sp. n.: Clubionidae Corínnina^).
Fig.
1 —
Tanta
>
2 —
>
>
3 —
Imusus
>
4 — >
Índice das figuras:
pachyura ( Ç ) — vista dorsal.
> > — epigyno.
ticaríaUes ( cf ) — vista dorsal
> ( » ) — palpos.
(Tratwlho d« conabonvlo do Mo»ra SaciooaU I**j*^j.
em maio de isas. Dado i publicidade em aelembro e
14
cm
SciELO
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A PROPOSITO DE ALGUNS OPILIÕES NOVOS
POR
C. DE MELLO-LEITAO
(rrm 31 grai-uras no texto)
593.1
A PROPOSITO DE ALGUNS OPILIÕES NOVOS
POR
C. DE MELLO-LEITAO
Em suas collectas no Paraná e em Petropolis, o Prof. Othon H. Leonardos
e o Sr. Roger Arlé tiveram occasião de recolher os nomes vulgares para as Go-
nileptidas. Sendo esses opiliões de occurrencia commum, eu me admirava que
não tivessem chamado a attenção do povo, ficando nesse vago — bicho — de
nossa gente. Xa região do sul de S. Paulo e no Paraná, elles são conhecidos por
— bodúm, pelo cheiro muito desagradavel da secreção de suas glandulas cepha-
lo-thoradcas (segundo O. Leonardos). Em Petropolis, ouviu .Xrlé chamal-os
de aranhas-bodes, sendo temidos como animaes altamente peçonhentos.
Tendo estudado nestes últimos trcs meses abundante material de boduns e
outros opiliões, colligidos pelo Instituto Butantan, Museu Nacional e Faculdade
de Medicina de S. Paulo, reuno no presente trabalho a descripção de todas as
formas novas encontradas, publicando-o nas Memórias do Instituto Butantan.
por gentileza de seu respectivo editor.
Comprchende a presente memória, alem de outros conhecidos, 14 generos
novos e 30 nen-as especies, dos Estados de S. Paulo. Paraná, Matto Grosso,
Minas Geraes, Goiás e Rio de Janeiro, sendo 1 genero e 2 especies de Palpatorcs
(Familia Phalanffüdac) e 13 generos e 28 especies de I^niatores: 1 genero de
Phalangodidae, 1 de Cosmetidae e 1 1 de Gonyleptidac, sendo 4 de Pachylinac.
5 de Gonyleptinae e 2 de Coclopyginac.
Sub-ordem PALP.ATORES
Familia PHALANQIIDAE
Sub-fam'lia Gagreilinae
Genero Holcobunus Rwr.. 1910
1 — Holcobunus iguassuensis, sp. n. (Fig. 1).
Ç — 2.5mm.
17
370
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Femures: 6,5 — 12 — 7 — lOinni.
Borda anterior do cephalothorace com uma saliência mediana, armada de 4
denticulos. Comoro ocular tão alto quão lãrgo e mais alto do que longo, com
dupla fila long[itudinal de 7 denticulos pontudos, e uma depressão mediana. Ce-
phalothorace e escudo dorsal reticulados. Cheliceras lisas, com pequenas cerdas.
Fi*. 1
H^lcobaniu ÍcvAM«eiut«, ip. n.
Palpos: femur liso; patella com pequena apophyse apicilar interna rhomba, me-
nor do que a largura do segmento; tibia lisa; tarso com cerdas pequenas, espi-
niíormes, a unha denticulada.
Corpo negro, apresentando no escudo dorsal um largo U invertido ( ."1 )
branco-amarellado ; nesse U claro algumas linhas negras. Xa face ventral dois
triângulos branco-amarellados, de base posterior, sobre os tergitos livres. Che-
liceras tcstaceas. Palpos de femur. patella e base da tibia negros, o resto tes-
taceo.
Especie próxima de H. denlatus Rwr., da qual se distingue pelo bello dese-
nho do escudo dorsal.
Hab.: S. José (Margem do Rio Iguassú), Estado do Paraná.
Coll.: F. Lange de Morretes.
Typo: Xo. 42.435, no Museu Xacional.
Genero Jussara, g. n.
Comoro ocular tão alto quão largo, e mais alto do que longo, com um sul
CO mediano longitudinal e armado de dupla fila de denticulos. Corpo granulo-
so. Escudo dorsal inerme. Tubérculos marginaes das ancas das pernas muito
18
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C. DE Meux) Leitão — Opiliões novos
371
pequeninos. Pemas longas e delgadas. Femures I e I\' com 2 articulações
espúrias, II com 5 e III com 1.
Pela segmentação dos femures III c I\' logo se distingue este genero de
todos os outros.
Tjt»:
2 — Jussara obesa, sp. n. (Fig. 2).
ç — 5,5mm.
Fic. 2
Jai*ara abeva. g.
Femures: 10,5 — 20 — 10,5 — 13mm.
Comoro ocular liso no meio, tendo de cada lado, sobre os olhos, uma fila
longitudinal de 6 denticulos. Palpos: femur com uma fila vcntral de pequenos
espinhos; patella com curta apophyse apicilar e.xtcma rhomba; tibia com filas
de pequenos espinhos; unha dos tarsos com 4 dentes basacs.
Corpo marmorado de negro e castanho; cephalothorace com um desenho
testaceo adiante do comoro ocular. Abdome com duas filas medianas de pontos
claros e, de cada lado, uma fila marginal de pontos inaiores ; face ventral amarel-
lo-queimada, lavada dc fusco, as ancas com duas manchas brancas geminadas,
apicilares. Palpos de femur castanhos, patella e metade basilar da tibia negras;
metade apicilar da tibia e tarso testaceos. Patas castanho escuras, de patellas
quasi negras.
19
cm
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Memórias do Instituto Butantan
372
— Tomo !\
Hab. : Jussaral (350 m). Estado do Rio de Janeiro.
Coll.: J. Lins.
Tj^po: No. 42.426, no Museu Nacional.
Sub-ordem LANIATORES
Família PH AL.WGODIDAE
Sub>familia T ricommatinae
Genero Lussanvira, g. n.
Comoro coular em forma de grande cone ponteagudo, curvo para diante,
junto á borda anterior do cephalothorace. Escudo dorsal com 5 sulcos trans-
versaes, os dois primeiros unidos por um sulco longitudinal mediano. Todo
0 escudo dorsal e tergitos livres inermes. Qieliceras do macho fracas. Pernas
mcdiocres. Tarsos I e 5 segmentos, os outros de 6. Porção terminal dos tarsos
1 de tres segmentos.
Pela armadura de seu comoro ocular distingue-se das outras Tricoinviati-
nae de area I dividida.
T>-po:
3 — Lussam‘ira niannorata, sp. n. (Fig. 3).
9 — 4,5 mm.
i
i I
J
rig. s
LaManiirs marnurda, g.
Femures: 4,2 — 2 — 1,7 — 2 mm.
Borda anterior com um dente mediano e uma fila de 4 de cada lado. Co-
moro ocular com alto espinho curvo para diante. Cephalothorace com algunus
granulações settiferas atrás do comoro ocular. .Áreas I a IV inermes, a area I
20
cm
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C. DE Melxo Leitão — Opiliões novos
373
dividida por um sulco longitudinal, todas com pequenas granulações settiferas,
irregularmente esparsas. Areas lateraes com tres filas de grânulos. .\rea V
e tergitos e estemitos livres com granulações irregularmente dispostas, forman-
do quasi duas filas; no tergito III mais numerosas. Operculo anal com granula-
ções maiores. .■Xrea estigmatica e ancas muito granulosas. Patas granulosaS;
de granulações settiferas. Palpos: trochanter com um espinho; femur com uma
fila ventral de grânulos; piatella inerme; tibia com 3 espinhos de cada lado (I e
2!); tarso com 3 espinhos de cada lado, iguaes. Femures III e IV curvos em
S. Tarsos de 5 — 6 — 6 — 6 s^;mentos.
Corpo pardo, marmorado de escuro; patas anelladas.
Hab. : Lussanvira, Estado de Matto Grosso.
Tjqx»: Xo. 42.366, no Museu Nacional.
Família CÜS.METIDAE
Sub-familia Cynortinae M.-L., 1933
Genero Poecilaemula Rwr., 1912
4 — Poecilaemula punctilineata, sp. n. (Fig. 4).
9 — 4 mm.
rMcilaenala panctillneau, ip. n.
Femures: 3.2 — 7,2 — 5 — 6,5 mm.
Borda anterior do cephalothorace de ângulos lateraes arredondados, não
salientes. Comoro ocular com uma fila de granulações junto aos olhos. Ce-
phalothorace c escudo dorsal finamente granulosos, com granulações irrcgtilar-
mente esparsas. Tergitos e estemitos livres com uma fila de granulações. Area
21
1 SciELO
Memórias do Instituto Butantan
374
Tomo IX
estigmatid e ancas finamente granulosas. Tarsos de 7 — 13 — 8 — 8 seg-
mentos.
Patas mamioradas de pardo claro e negro, os tarsos fuscos. Dorso pardo-
olivaceo, lavado de negro, o sulco I com xuna linha branco-amarellada, dilatada
dos lados em desenho irregular, branco sujo. Espinhos da area III robustos
negros. Partem da linha clara anterior para a borda externa dos espinhos duas
linhas quasi parallelas, amarello-esbranquiçadas, com uma fila regular de pontos,
linhas levemente angulosas para dentro, atrás dos espinhos.
Hab.: Viçosa. Estado de Minas Geraes.
T>txj: Xo. 45. no Instituto Butantan.
Genero Poecilaema C. L. KOCH. 1839.
5 — Poecilaema coccinelloides, sp. n. (Fig. 5)
9 — 7 mm.
Fic. $
PwfiUcMa c«crin»llo:4«». ip. n. ( 9 )
Femures: 4 — 8,5 — 7 — 10 mm. Patas: 14 — 29 — 20,5 — 29 mm.
Ccphalothorace, comoro ocular, escudo dorsal, arca estigmatica e ancas fi-
namente granulosos. .•\rca I do escudo dorsal com 2 pequenos tubérculos e area
III com 2 altos espinhos ercctos. Tergitos c esternitos livres com uma fila de
granulações. Operculo anal granuloso. Chcliceras granulosas. Patas delgadas,
os tarsos com 7 — 12 — 8 — 9 segmentos.
Ccphalothorace pardo-castanho, com uma mancha irregular, esbranquiçada
junto á arca I do escudo dorsal. Escudo dorsal finamente marmorado e reticu-
lado de branco-amarellado c castanho-escuro. Tergitos livres I e II com es-
treita mancha clara de cada lado; o tergito livre III com uma orla posterior
amarellada. Patas pardo-esverdeadas, marmoradas de fusco.
cm
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C. DE Mello Leitão — Opiliõet novos
375
Hab. : Barro Alto, Estado de Minas Geraes.
Tj-po: Xo. 27, no Instituto Butantan. Cotypo: Xo. 42.474, no Museu
Xadonal.
presente especie, no grupo das de tergitos livres I e II manchados de
ainarellado, mais se approxima de P. bilunatum (Wood) e de P. c-insignituiu
Simon. distinguindo-se de amtjas pelo desenho da parte mediana do dor.so e
forma das manchas anteriores.
Genero Cynorta KOCH. 1832.
6 — Cynorta guttulosa, sp. n. (Fig. 6).
$ — 5.5 mm.
Fi«. «
Cynorta cattaleoa, «p. n.
Femures: 4,2 — 8.7 — 6 — 8.5. Patas: 13,5 — 30,5 — 18.5 — 26 mm.
Cephalothorace, comoro ocular c escudo dorsal finamente granulosos. Ter-
gitos e estemitos livres com uma fila de grânulos. .Arca I do escudo dorsal com
2 tubérculos pontudos; area III com 2 altos espinhos. Patas delgadas; os tar-
sos de 6 — 13 — 7 — 7 segmentos.
Colorido geral castanho queimado apresentando do lado intenso pontillia-
do amarello que se extende atrás dos espinhos até quasi a linha mediana, onde
persiste com a forma de uma linha que se continua no limite da porção man-
chada com a de colorido uniforme, formando um U sinuoso. Pernas de colo-
rido uniforme.
Hab.: Barro .Alto, Estado de Minas Geraes.
Tj-p: Xo. 48, no Instituto Butantan. Cotj-po: Xo. 42.473, no Museu
Xacional.
.A presente especie, do grupo das que não possuem V branco ou amarcllc
no sulco I e de ancas IA* sem manchas lateraes, approxima-se de C. circumbrosa
Rwr., distinguindo-se pelo desenho do escudo dorsal.
23
376
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Sub*familia Discosomaticinae Rwr.
Genero Bodunius, g. n.
Animaes pequenos, de corpo achatado. Patas curtas, III e IV mais robus-
tas do que I e II ; a porção basilar dos tarsos I dilatada no macho. Porção api-
cilar dos tarsos II de 3 segmentos. Tarsos I de 5 segmentos, II de mais de 6,
III e IV de 6; unhas dos tarsos III e IV com 3-í dentes basilares. Areas I,
III e IV do escudo dorsal com 2 espinhos, areas II e V do escudo dorsal, tergi-
tos livres e operculo anal inermes. Cheliceras fracas nos dois sexos.
Facilmente se distingue o genero Boduniiis das outras Discosomaticinae psu
segmentação dos tarsos e pela armadura da area IV do escudo dorsal.
T>tx):
7 — Bodunius bioccUalus, sp. n. (Fig. 7).
T\g. 7
BWanhis bi*cdUlB«, n*» tp.
9 — 4 mm.
Femures: 1,5 — 3,3 — 2,3 — 3 mm. Patas; 5,5 — 12,3 — 8,3 — 11 nini.
Comoro ocular, cephalothorace e escudo dorsal iiregularmente granulosos,
tlc tegumentos chagrines. Tergitos livres com uma fila de granulações maio-
res, pontudas; o operculo anal com grossas granulações, .\reas I, III e IV
com 2 espinhos pequenos, iguaes nas tres areas. Face ventral finamente gra-
nulosa. Tarsos de 5 — 9 — 6 — 6 segmentos, os dois segmentos basaes dos
tarsos I dilatados. Qicliceras fracas, granulosas. Patas III e IV mais robus-
tas do que as anteriores, de femures cursos cm S ; as ancas IV granulosas e com
uma apophyse apicilar rhomba. Colorido geral castanho-negro; a area I do es-
cudo dorsal conspiaiamente ornada de duas manchas quasi circulares, branco-
amarelladas, fora dos espinhos.
Hab. : Barro .-Mto, Estado de Minas Geracs.
24
cm
SciELO
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o
C. DE Mello Leitão — Opiliões novos
377
Tj^po: Xo. 49, no Instituto Butantan. Cotjpo: Xo. 42.363, no Museu
Xacional.
Familia OONYLEPTIDAE
Sub-familia Pachylinae
Genero Tabatinguera, g-. n.
Comoro oailar com 2 tubérculos. Áreas I a do escudo dorsal, tergitos II
c III e operculo anal inermes; tergito livre I com 3 espinhos medianos, sendo o
medio muito mais robusto ; areas lateraes com uma apophyse dorsal perto da aiea
III; area estigmatica com 2 pequenos apophyses atras dos estigmas. Tarsos I
de 6 segmentos, os outros de mais. Femur dos palpos sem espinho apicilar
interno. Formula Fe : Q'* ; i, i, i, i, i ; e*, i, i ; 6, n, n, n.
Distingue-se facilmente o presente genero de todas as outras Pachylinae de
escudo dorsal inerme pela armadura das areas lateraes; do primeiro tergito li-
vre c da area estigmatica.
Typo:
8 — Tabatingucra insignis, sp. n. (Figs. 8 e 8a).
0 — 9 mm.
Fi«. 8
TmUalInmi^ra ins ff*
Fiff. S-A
VUto p«U tmem posUrlor
25
378
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Patas: 11.5 — 20 — 15,5 — 21 mm. Femures: 3 — 5,5 — 4,5 — 5 mm.
Borda anterior lisa, com uma elevaqão mediana, armada de 2 altos espinhos,
e com 2 tubérculos pontudos na margem frontal, junto aos ângulos. Comoro ocu-
lar liso, com 2 pequenos tubérculos. Cephalothorace liso. .Vreas I a IV
inermes, com pequenas granulações esparsas, pouco numerosas, .^reas lateraes
com uma fila de granulações maiores e com robusta apophyse junto da arca UI-
.■\rca com uma fila de granulações. Tcrgito livre I com 3 espinhos medianos,
0 medio muito maior e com uma fila de grânulos. Tergitos livres II e III iner-
mes e com uma fila de grânulos. Operculo anal granuloso. Estemitos livres
com uma fila de pequenas granulações. .\rea estigmatica lisa, com uma apo-
physe de cada lado, adiante dos estigmas tracheaes. .\ncas IV lisas; ancas I.
II c III com uma fila de granulações.
Palpos: trochanter com um espinho inferior; femur com uma fila ventral
de 4 espinhos e de face interna inerme; patella inerme; tibia e tarso com 4 es-
pinhos de cada lado. Todos os femures curros. Tarsos com 6 — 9 — 7 — 7
segmentos.
Patas I\' do macho: anca lisa, com pequena apophyse mediana apicilar,
sem ajxiphyses e.\tcmas ou internas, na articulação; trochanter robusto, com pe-
queno espinho basilar dorsal e robustíssimo espinho apicilar anterior, dirigido
{«ra diante e para bai.xo. o resto apenas granuloso; patella e tibia serrilhadas.
Colorido geral fulvo negro.
Hab.: Tabatinguera, Estado de S. Paulo, e Matto Grosso.
Typo: Xo. 42.478, no Museu Xadonal (Tabatinguera).
Cotypos: Faculdade de Medicina de S. Paulo, Museu Nacional c Xo. 53 no
Instituto Butantan.
Genero Camarana. g. n.
Comoro ocular com um espinho ou alto tubérculo mediano. .■\rea I do es-
cudo alnlominal indivisa; arcas I, II. III e V do escudo dorsal, tergitos li\Tes e
operculo anal inermes; area I\' com alto espinho mediano. Femur dos palpos
com um espinho apicilar interno. Tarsos I, III c IV de 5 segmentos, II de mais
de 6. Formula: Fe; Ce; i. i, i. e, i: i, i, i ; 5, n, 5, 5.
Pela armadura singular da arca I\* do escudo dorsal e pela area I indivisa
logo se distingue este genero.
T>To:
9 — Camarana minor, sp. n. (Fig. 9).
< — 3 mm.
Femures: 2,3 — 4.5 — 3 — 8mm. Patas: 9 — 16,5 — 12.5 — 26mm.
Borda anterior granulosa com uma ele%ação mamillar mediana. Ccphalo-
thorace granuloso. Comoro ocular com um cone rhombo mediano alto. Arcas
1 a IV indivisas, com uma fila de granulações setti feras c algumas granulações
2ü
cm
SciELO
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C. DE Mello Leitão — Opiliôes novos
379
medianas adiante de cada fila; as areas I a III inermes, a area IV com altissimo
espinho mediano, curvo para trás. .\reas lateraes com duas filas de granula-
ções settiferas. Area V e tergitos livres inermes, com uma fila de granulações.
Operculo anal granuloso. Estemitos livres com uma fila de grânulos. .Area
estigmatica e ancas I a IV granulosas. Todos os femures direitos. Tarsos de
5, 8, 5, 5 segmentos; nos tarsos IV o articulo basilar maior do que os outros re-
unidos; pseudonychio pequeno.
minar, k- o*. «P- n*
Palpos: trochanter com um espinho; tcmur com 3 espinhos ventraes, em
fila e um espinho apicilar interno; patella inerme; tibia com 3 espinhos exter-
nos é 4 internos; tarso com 3 espinhos internos e 4 e.xtemos.
Patas IV do macho: anca granulosa com uma apophyse apicilar dorsal e
outra apicilar interna curta, curva; trochanter mais largo do que longo, com
uma apophyse basilar interna em U ; femur granuloso, serrilhado na porção
apicilar.
2T
1 SciELO
380
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Colorido geral pardo-queimado, uniforme.
Hab. : Jacarépaguá, Estado do Rio de Janeiro.
Coll.: C. Couceiro.
Typo: Xo. 42.475 no Museu Nacional.
Genero Iguassua, g. n.
Comoro ocular inerme, sem tubérculos ou espinhos. Areas I, II, IV e V
do escudo dorsal, tergitos livres e operculo anal inermes, a area III com 2 espi-
nhos. Femur dos palpos com 1 espinho apicilar interno. Tarsos I, III e I^
de 5 segmentos e tarsos II de 6. Genero muito proximo de Paraphalangodus
Rwr., do qual se distingue pela segmentação dos tarsos (5 — 6 — 5 — 5, em
vez de 6 em I e mais de 6 nos outros. Formula: Fi; Ci; i, i, e^, i, i; i, i.
5. n. 5. 5.
10 — Iguassua humilis, sp. n. (Fig. 10).
o' — 3,5 mm.
Femures: 1,5 — 2,5 — 17 — 3 mm. Patas: 5,5 — 8 — 6,2 — ll,5mm.
Borda anterior lisa, com uma elevação mediana. Comoro ocular inenne. coni
4 pequenas granulações. Cephalothorace liso. Area I do escudo dorsal com -
cm
SciELO
C. DE Melxo Leitão — Opiliões novos
381
grânulos; area II com algumas granulações esparsas; III com 2 espinhos baixos,
obliquos para trás e uma fila de grânulos; areas IV e V e tergitos livres I a III
com uma fila de granulações settiferas; areas lateraes com uma fila marginal de
grânulos maiores e outra de pequenas granulações settiferas.
Palpos: trochanter com um espinho inferior; femur com um espinho infe-
rior e um maior apicilar interno; patella inerme; tibia com 4 espinhos de cada
lado e tarso com 3. Todos os femures curvos. Patas I\': anca granulosa,
com uma apophyse apicilar externa curta e recurva e outra interna, quasi igual:
trochanter com 3 tubérculos e um espinho externo; femur com filas de dentes
e uma apophyse dorsal basilar.
Colorido geral castanho queimado, lavado de fusco, o cephalothorace mar-
morado.
Hab. : Cachoeirinha, Estado do Paraná.
Coll. : F. Lange (de Morretes).
Typo: Xo. 42.438, no Museu Nacional.
Genero D!scocyrtanus RWR., 1929
11 — Discocyrlanus nigrolinealus, sp. n. (Fig. 11).
cT — 5 mm.
Dis««c7rtanai aiirroliacalat. g. a., §p. n.
29
382
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Femures: 2.2 — 5 — 3,5 — 5 nim. Patas: 8 — 18 — 12 — 17.5 mm.
Borda anterior granulosa. Cephalothorace com algumas granulações espar-
sas e 2 tubérculos atrás do comoro ocular; este é alto, granuloso, com 2 altos es-
pinhos. Areas I a I\'’ irregularmente granulosas, I com 2 tubérculos e III com
2 altos espinhos. Areas I e IV divididas. Areas lateraes com 3 filas de gra-
nulações; area \' e tergitos livres com 2 e estemitos lisTes com 1. Operculo
anal granuloso. .-Krea estigmatica e ancas granulosas. Segmento basilar das
cheliceras com 3 tubérculos dorsaes. Palpos: trochanter com 2 tubérculos dor-
saes e um espinho ventral ; femur com um espinho basilar ventral, 2 pequenos
tubérculos ventraes e robusto espinho apicilar interno; patella com pequeno gra-
nulo inferior; tibia com 4 espinhos de cada lado e tarso com 3 internos e 4 ex-
ternos. Femures II a IV com um espinho apicilar. Patas IV: anca granulosa
com uma ajwphyse apicilar externa obliqua, espiniforme; trochanter mais longo
do que largo, com tubérculos; femur com filas de tubérculos e 2 espinhos api-
edares.
Colorido geral castanho-queimado, com as granulações amarellas e linhas
sobre os sulcos negras; espinhos da area III negros, de pontas claras.
Hab. : Jussaral (.^ngra dos Reis). Estado do Rio de Janeiro.
Coll.: J. Lins.
T\q;o: Xo. 42.428, no Museu Xacional.
Genero Huralvius, g. n.
Comoro ocular com um espinho mediano. Areas I. II, III e IV do escudo
abdominal com 2 tuberados; area \^ tergitos livres e operculo anal inermes.
Tarsos I, III e IV de 6 segmentos; tarsos II de mais de 6. Femur dos ixdpos
inerme.
Genero muito affim de Cearinus Rwr., do qual se distingue pela armadura
do comoro ocular (um espinho cm vez de 2) e segmentação dos tarsos III e IV
(de 0 segmentos, sendo cm Cearinus de mais de 6).
Typo:
12 — Huralvius inccrius, sp. n. (Fig. 12).
ç — 4,5 mm.
Patas: 6 — 9 — 7,5 — 9,5 mm. Femures: 1.5 — 22 — 2 — 2.5 mm.
Borda anterior com uma fila de grânulos. Comoro ocular com altissimo
espinho mediano. Cephalothorace liso. com 2 pcíjucnos tuliercuJos atrás do ct>-
inoro ocular. Areas I a III com uma fila de granulações maiores e algumas
menores. es{>arsas: arca I\' bipartida, com 2 tuljerculos hemisphcricos c unia
fila de granulações. Area Y e tergitos livres com uma fila de granulações gfo*'
seiras. .Arcas lateraes com 2 filas de granidos. Operculo anal granuloso. Es-
temitos livres com uma fila de pontos settiferos. Todos os femures cur%'os em
30
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
C. DE Meux) Leitão — OpUiões novos
383
S. Area estigmatica e ancas com pequenos pontos seititeros, numerosos. Tarsos
de 6 — 8 — 6 — 6 segmentos. Palpos: trochanter com um espinho inferior;
femur com um espinho basilar inferior; patella inerme; tibia com 4 espinhos in-
liaralTttu inccrlaa, 9 . n., tp. n.
temos e 3 externos ; tarso com 3 de cada lado. Ancas IV com pequena apophy-
se apicilar externa; trochanter, femur, patella e tibia granulosos.
Colorido geral castanho-queimado escuro, os palpos olivaccos, marmorados
de fusco.
Hab. : Caclwcirinha.
Coll.: F. I^nge de Morretes.
Typo: No. 42.440, no Museu Nacional.
Sub-familia Gonyleptinae
Genero Moojenia, g. n.
Comoro ocular com dois tubérculos. Arcas I, II e IV do escudo dorsal,
tergitos livres e operculo anal inermes; area III com 2 tubérculos. Femur dos
palpos com um espinho apicilar interno. Tarsos I de 6 segmentos, os outros
de mais.
Genero muito affim a AiioinaMcf>les, do qual differe jxrla presença de um
espinho apicilar interno nos palpos.
Typo:
.'1
Memórias do Instituto Butantan
384
— Temo IX
13 — Moojenia pcrlata, sp. n. (Fig. 13).
— 10 mni.
Patas: 19 — 39 — 28 — 38,5 mm. Femures: 5 — 11 — 9 — 11,5 mm.
Borda anterior do cephalothorace com 2 pequeninos espinhos. Comoro
ocular liso, com 2 tubérculos. Cephalothorace liso. .\reas I e II do escudo dor-
7
Tit. li
M*oJrn'a parlata. (.
i.
sal inermes e com uma fila de grânulos; area III com 2 tubérculos e 4 grânulos
de cada lado. Areas lateraes com uma fila de grânulos, os 2 posteriores bem
maiores. .\rca IV e tergitos livres com uma fila de granulaqões. Operculo
anal granuloso. Esternitos livres, area estigmatica e face ventral das ancas IV
lisos; anca III com pequenas granulações; ancas II e I com 2 filas. Femures I
e II direitos, III e IV curvos em S. Tarsos de 6 — 12 — 7 — 8 segmentos. Pai'
32
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
C. DE Meux) Leitão — Opiliões novos
385
pos: trochanter com um espinho inferior; fêmur com um espinho basilar ven-
tral e outro maior, apicilar interno; patella inerme; tibia com 4 espinhos de cada
lado e tarso com 3. Patas IV do macho: anca pouco granulosa, com robusta
apophyse apicilar externa transversa e recurva, ponteaguda e com uma apophy-
se apicilar interna curta e bifida; trochanter mais largo do que longo, com um
espinho basilar externo e outro apicilar interno, maior; femur com filas de es-
pinhos, uma apophyse basilar dorsal robusta, com 3 tubérculos. Corpo fusco,
o cephalothorace estriado de amarello atrás do comoro ocular. Escudo dorsal e
tergitos livres com manchas circulares amarellas em tomo dos grânulos e coir.
os grânulos maiores das areas lateraes amarello-.sulfureos. Patas posteriores ful-
vas, de apophyses quasi negras.
Hab. : Viçosa, Estado de Minas Geraes.
Coll.: J. Moojen.
Tjqx): No. 42.361, no Museu Nacional.
Genero Progonyleptoides Rwr., 1917.
14 —
d* —
Prvffonylcploidr* pastalMO». tp. b.
Progonyleptoides pustulosus, sp. n. (Fig. 14).
12,5 mm.
Patas: 27 — 61 — 31 — 67 mm. Femures: 7 — 17 — l5,5 — 20,5 mm.
3.3
Memórias do Instituto Butantan
38C
— Tomo IX
Borda anterior do cephalothorace com uma pequena granulação. Comoro
ocular liso com 2 jiequenos espinhos rhombos. Cephalothorace liso, com 2 tu-
bérculos atrás do comoro ocular. Area I do escudo dorsal com uma fila de
pequenas granulações junto ao sulco II. areas II e III lisas, a area III com 2
altissimos espinhos. Areas lateraes com uma fila de grânulos. Area V e ter-
gitos li\Tes com um ou dois grânulos de cada lado. Operculo anal liso. Elster-
nitos livres com uma fila de grânulos. Area estigmatica com pontos settiíeros.
Ancas granulosas. Palpos: trochanter com 2 espinhos; femur com uma fila de
granulações setti feras; patella inerme; tibia com 3 espinhos externos e 4 inter-
nos; tarsos com 2 espinhos de cada lado e alguns outros fracos settiformes. Pa-
tas I\' do macho: anca granulosa com um apojArse apicilar externa recur\'a,
ponteaguda e outra interna, bifida, dobrada para dentro; trochanter tão largo
quão longo, com um espinho apicilar interno; femur com filas de grânulos.
Tarsos de 6 — 13 — 7 — 8 segmentos.
Corpo castanho-queimado, o dorso com manchas circulares, amarellas, mui-
to numerosas, no escudo dorsal e dispostas em uma fila regular na area e em
cada tergito livre. Face vcntral marmorada. com um “lambda” negro na area
estigmatica.
Hab. : Jussaral Angra dos Reis. Estado do Rio de Janeiro.
Coll. : J. Lins.
Tyjw: No. 42.427, no Museu Nacional.
E’ esta a segunda especie do genero, distinguindo-se de P. spinifrons Rwr..
1917, por ter a borda anterior do cephalothorace com uma pequena granulação,
em vez dos robustos espinhos, os espinhos do comoro ocular muito mais fracos,
a disposição differente das granulações do escudo dorsal e pelas patas IV do
macho. Nas collecções do Instituto Butantan vi exemplares de Progonylcpioi-
des spinifrons Rwr.. do interior de S. Paulo.
Genero Weyhia Rwr., 1913.
13 — IPryhia nwntis. sp. n. (Fig. 15).
— 7 mm.
Patas: 9.5 — 19 — 14 — 20,5 mm. Femures: 2,4 — 5 — 4 — 5,5 mm.
Borda anterior com 2 espinhos medianos erectos e, de cada lado, uma gra-
nulação c 3 espinhos, sendo um mais forte, dorsal, c 2 dirigidos para diante,
junto aos ângulos. Comoro ocular com 2 pequenos grânulos anteriores e 2 for-
tes espinhos medianos. Cephalothorace com uma fila lateral de grânulos muito
jxxpieninos, perto da borda lateral anterior e 2 tubérculos atrás do comoro ocu-
lar. .*\rca I do esaido dorsal com 2 tubérculos c um granulo de cada lado; area
II com 2 tuberailos e algumas pequenas granulações; area III com 2 grandes
tubérculos ellipticos e o resto da area irregularmente ornado de pequenos tu-
34
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
C. DE Mello Leitão — Opiliões novos
387
berculos e granulações ellipticos e circulares. Areas lateraes com 3 filas de
granulações. Tergitos e estemitos livres com uma fila de granulações as dos
estemitos são seti feras. Area estigmatica e ancas densamente granulosas, de
pequenas granulações setti feras. Operculo anal granuloso. Femures I e II
direitos, os outros curvos em S. todos muito granulosos. Tarsos de 6 — 11 — 7
— 7 segmentos. Palpos: trochantcr com 2 grânulos inferiores; femur c patcl-
la inermes ; tibia com 2 espinhos internos e 3 externos ; tarso com 2 internos e 3
externos, além de alguns espinhos scttifomies. Patas I\’ do macho: anca gra-
nulosa, com curta apophyse apicilar externa rhomba e transversa; femur com
uma apophyse basilar dorsal rhomba c uma fila de espinhos internos, com um
bem maior no terço medio.
Colorido geral mogno-claro.
Hab. : Independência (Pctroixilis), Estado do Rio de Janeiro.
Coll.: R. Arié.
T)-po: No. 42.461, no Museu Nacional.
35
1 SciELO
Memórias do Instituto Butantan
388
— Tomo IX
IVeyhia nana, sp. n. (Fig. 16).
5,5 mm.
■< y WíThi*
Fir. l(
Femures: 2,3 — 5 — 4 — 6 mm. Patas: 12 — 18,5 — 13,5 — 21,5 mm.
Borda anterior com 4 espinhos erectos, 2 medianos e 1 de cada lado. Co-
moro ocular liso, com 2 pequenos espinhos. Cephalothorace liso, com 2 tubér-
culos atrás do comoro ocular. .■Krea I do escudo dorsal com 2 tubérculos e 2 gra-
nulat^ôes (uma adiante de cada tuberailo). .Areas II c III lisas, com 2 tubér-
culos. Area IV, tergitos e estemitos livres com uma fila de pequenos grânu-
los. .Arcas latcracs com 2 filas de grânulos. Opcrculo anal pouco granuloso.
.Arca cstigmatica lisa. .Ancas densamente granulosas, com granulações setti-
feras. Palpos: trochanter com 1 espinho, femur com 1 granulo basilar ventral;
patella inerme ; tibia com 4 espinhos de cada lado ; tarso com 5 espinhos e.xtemos
e 7 internos. Femures I e II direitos; III c IV cur%-os cm S. Tarsos de 6 — 12
— 7 — 7 — segmentos. Patas I\’ do macho; anca granulosa, com um espinho
apicilar interno e robusta apophyse apicilar e.xterna. obliqua, com pequeno ranto
posterior; trochanter tão longo quão largo, com pequeno espinho e.xtemo c 3
36
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
C. DE MelijO Leitão — Opiliões novos
389
cvrrUpinoM*. vp. d.
Patas: 18 — 35 — 26 — 36 mm. Femures: 5 — 9 — 7,5 — 10 mm.
9 — 13 mm.
menores, infero-intemos ; femur curs’o em S com filas de tubérculos e dentes
e com uma apophyse basilar ponteaguda, muito obliqua para trás.
Colorido geral amarello-queimado ; o cephalothorace fusco, os tubérculos
fulvo-escuros, as ancas e femures posteriores negros.
Hab. : Viçosa, Elstado de Minas Geraes.
Coll.: J. Moojen.
Ts-po: No. 42.554, no Museu Nacional.
Genero Nygoleptes M.-L.. 1932.
17 — Nygoleptes curvispinosus, sp. n. (Fig. 17).
o* — 11 mm.
37
390
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Patas: 21 — 40 — 31 — 40 nim. Feniures: 5,5 — 11 — 9 — 12,5 mm.
Borda anterior do chcphalothorace lisa, com 2 pequenos tubérculos media-
nos e 2 de cada lado. Cephalothorace liso, chagriné, com 2 tubérculos atrás
do comoro ocular. .\rea I com 2 tubérculos e 1 granulo de cada lado; area II
com 2 tubérculos e uma fila de granulações, area III com 2 tubérculos e 2 ou 3
grânulos de cada lado, fóra dos tubérculos. .Areas lateraes, area IV e tergitos
livres com uma fila de grânulos, os tergitos II e III com um espinho rhombo
mediano. Operculo anal dorsal pouco granuloso, o ventral liso. Estemitos
livres lisos, bem como a area estigmatica. .Ancas I\' com algumas granulações;
ancas III com 2 filas de dentes; ancas II e I com imia fila mediana de grânu-
los. Palpos: trochanter com um espinho; femur com uma fila ventral de grâ-
nulos settiferos, inerme; patella inerme; tibia com 4 espinhos externos (1 e 3!)
e 4 internos (1 e 4!) ; tarsos com 2 de cada lado e uma dupla fila ventral de es-
pinhos l)em mais fracos. Tarsos de 6 — 10 — 7 — 8 segmentos, a porção basi-
lar dos tarsos I dilatada no macho. Femures I e II direitos, III e IV curvos
cm S.
Patas IV do macho: anca granulosa, com robusta apophyse apicilar exter-
na transver.sal, recurva; trochanter mais largo do que longo, com pequena apo-
physe dorsal e um granulo interno, 2 espinhos inferiores e 3 posteriores; fe-
mur em S, com uma apophyse basilar bifida, uma fila de espinhos na borda su-
pero-interna, na borda inferior 3 grandes espinhos cur\os em gancho e na face
interna um espinho maior, no terço apicilar. Xa fernea a anca apresenta um
curto espinho apicilar e os outros segmentos são apenas granulosos.
Colorido geral castanho-escuro. Patas pardas, de articulações negras.
Hab. : I-agôa, Estado de Santa Catharina.
Tjt»: Xo. 30, no Instituto Butantan.
Cotypos: Xo. 30. no Instituto Butantan e 1 Xo. 42.480. no Museu
Xacional.
Differe de N. ornatus M.-L. pela armadura da borda anterior, pelos tu-
bérculos do cephalothorace, por ter o escudo dorsal muito poucos grânulos e
pelos caracteres das patas IV do macho.
Genero Bunowcyhia M.-L., 1935.
18 — Bunmiryhia lata, sp. n. (Fig. 18).
C — 11,5 mm. Largura nas ancas IV: 22 mm.
Femures : 7 — 14 — 11 — 13 mm.
Borda anterior do cephalothorace lisa, com uma elevação mediana com -
tubérculos e 1 de cada lado. Comoro ocular granuloso. Cephalothorace liso
com 2 tubérculos pontuados atrás do comoro ocular. Areas I e II irregtdar-
mente granulosas e com 2 tul)erculos altos, conicos: area III irregularmente gra*
I SciELO
39
C. DE Mello Leitão — Opiliões novos 391
nulosa, com 2 elevações medianas muito granulosas, .-\reas lateraes com uma
porção anterior irregularmente granulosa e outra posterior com 2 ou 3 filas.
Arca IV com uma fila de grossas granulações, entre as quaes ha pequenos grâ-
nulos irregulares. Tergitos I a III com uma fila de grânulos conicos e peque-
nas granulações intercaladas. Operado anal quasi liso. com uma fila margi-
nal de granidos. Estemitos livres com uma fila de grânulos. .Area estigma-
tica lisa, apenas com uma fila marginal posterior de granulações. .Vncas gra-
nulosas. Femures I e II direitos, III e 1\' curvos em S. Palpos: troclianter
com 1 espinho; femur com uma fila vcntral de granidos settiferos; patella iner-
me; tihia com 3 espinhos internos e 4 externos; tarso com 2 internos e 3 c.\-
temos. Pata I\’: anca granulosa, com 1 espinho apiedar interno cur\*o e 1 apo-
physe apiedar e.xtema robusta; trochanter mais largo do que longo, com 2 es-
pinhos e.xtemos e 1 interno; femur com uma fila de robustos dentes dorsaes
c ventraes; tibia quasi lisa.
Colorido castanho-queimado uniforme.
Hab. : Lussanvira, Estado de Matto Grosso.
Tj-po: No. 42.364, no Museu Nacional.
cm
SciELO
392
Memórias do Instituto Butantan
Tomo IX
Genero Adelphobunus, g. n.
Conioro ocular com 2 tubérculos. Areas I e II do escudo dorsal com 2 tu-
bérculos, area III com uma elevaqão, com 2 tubérculos geminados; area IV iner-
me. Tergitos livres I a III com um tubérculo mediano. Femur dos jialpos com
um espinho apicilar interno. Todos os tar.sos de mais de 6 segmentos.
O presente genero pertence ao mesmo grupo de Metagonyleptes Rwr.,
Lcptogonys e CostaJimarella M.-L., distinguindo-se de todos, por ter na area
III 2 tubérculos geminados em vez de espinhos separados, nos tergitos livres
um tubérculo em vez de espinho e por ter os tarsos I, como os outros, de mais
de 6 segmentos.
Typo:
19 — Adelphobunus singularis, sp. n. (Fig. 19).
0 — 8 mm.
Adtfl^ohanas «infQUrb, g. n.« >p. n.
iO
1 SciELO
C. DE Mello Leitão — Opiliões novos
393
Patas : 1 1,5 — 36 — 17.5 — 40 mm. Fenmres : 4,5 — 11 — 8,5 — 1 1,5 mm.
Borda anterior com 2 pequenos espinhos medianos dorsaes. Coinoro ocular
liso, com 2 pequenos tubérculos. Cephalothorace com algumas granulações es-
parsas e 2 pequenos tubérculos atrás do comoro ocular. Areas I a III com gra-
nulações irregularmente esparsas, area I com 2 tubérculos bem afastados, II
com 2 tubérculos mais approximados e III com os 2 tubérculos geminados, em
uma elevação mediana. Areas lateracs com 2 filas de granulações. Area IV
e tergitos livres com uma fila de grânulos, os tcrgitos li\Tes com um tubérculo
mediano. Operculo anal granuloso, de granulações settiferas. Estemitos li-
\Tes com uma fila de pequenos grânulos. Ancas e area estigmatica muito gra-
nulosas. Palpos relati\’amente delgados, do comprimento do corpo; trochanter
com um espinho ventral; femur com uma fila ventral de granulações e um es-
pinho apidlar interno; patella inerme; tibia com 3 espinhos externos e 4 inter-
nos ; tarsos com 3 de cada lado. Tarsos com 7 — 11 — 11 — 11 segmentos.
Patas IV : anca granulosa, com robusta apophyse apidlar externa quasi trans-
versa, com pequeno ramo posterior; trochanter mais largo do que longo, com
pequena apophyse basilar externa e outra maior, reair\-a, apidlar interna; fe-
mur levemente cur%-o em S, com uma fila de tuberailos e 2 grandes espinhos no
terço medio interno; patella e tibia serrilhadas.
Hab. : Ribeirão Pires. Elstado de S. Paulo.
Typo: No. 17, no Instituto Butantan.
20 — Adelphobunus pulcher, sp. n. (Fig. 20).
^ — 8 mm.
Patas: 17 — 40 — 30,5 — 4'lmm. Femures: 4,5 — 11,5 — 9 — 13,5mm.
Borda anterior com 2 espinhos medianos e 3 dorsaes de cada lado. Comoro
ocular com 2 espinhos. Cephalothorace irregularmcnte granuloso. Escudo dor-
sal irregularmerne granuloso; area I com os tubérculos muito afastados; II com
os tubérculos separados um diâmetro; em III contiguos, confluentes. Areas
lateracs com 2 filas de granulações. Area IV c tergitos li\Tes com luna fila
de grânulos. Estemitos Iíltcs com uma fila de pequenos grânulos settiferos.
Arca estigmatica lisa. Ancas granulosas. Palpos: trochanter com um granulo
espinifero; femur com 2 pequenos espinhos ventraes basaes e com um espinho
apicilar interno maior; patella inerme; tibia com 4 espinhos de cada lado; tarso
com 3 espinhos de cada lado e dupla fila ventral dc curtos espinhos sub-setti-
fonnes. Todos os femures direitos. Tarsos com 7 — 12 — 11 — 13 segmen-
tos. Patas IV do macho: anca granulosa, com longa apophyse transversal re-
cun-a; trochanter com um espinho basilar externo e outro apicilar interno; fe-
mur com curta apophyse incudiforme basilar dorsal, com uma fila de longos es-
pinhos externos e outra, interna, de espinhos ainda maiores; patella e tibia com
serrilhas apidlares.
41
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
394
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Colorido fulvo-claro, côr de mogno; cephalothorace com uma grande man-
cha amarella de cada lado do comoro ocular; area I do escudo dorsal com 2
manchas amarellas, quasi cirailares. area II com 2 manchas transversaes, estrei-
tas e area III com 2 manchas irregulares perto dos tubérculos; operculo anal
dorsal com grande mancha amarella; granulações negras.
Hab. : Porto Ricardo, Estado de Matto Grosso.
Coll. : Worontzow.
Tj-po: Xo. 42.362, no Museu Nacional.
cm
SciELO
C. DE Melxo Leitão — Opiliões novos
395
Genero Caxambusia, g. n.
Conioro ocular com 2 tuberailos. Áreas I e II do escudo dorsal com 2
tubérculos; area III com uma elevação mediana mamillar; area IV, tergito livre
I e operculo anal inermes; tergitos livres II e III com um tubérculo mediano.
Femur dos palpos com um espinho apicilar interno. Todos os tarsos de mais
de 6 segmentos.
Differe de todos os outros generos de Gonylcptinae pela armadura caracte-
rística do escudo dorsal, mais se approximando de Adclphobunus, do qual se
distingue por ter o tergito I inerme e um só tubérculo na area III do escudo
dorsal, e 2 tubérculos em vez de espinhos, no comoro ocular.
T>tx):
21 — Caxambusia variegala, sp. n. (Fig. 21).
cm
SciELO
Memórias do Instituto Butantan
396
— Tomo IX
Femures: 4,5 — 11,5 — 8 — 10 mm. Patas: 16 — 39 — 27,5 — 40 mm.
Borda anterior do cephalothorace lisa na parte mediana e com 3 espinhos
de cada lado. Comoro ocular liso, com 2 tubérculos. Cephalothorace irregu-
larmente granuloso. Areas do escudo dorsal com grossas granulações, I e II
com 2 tubérculos e III com uma elevação mamillar mediana. Areas lateraes
com 2 filas de granulações. Area IV, tergitos e estemitos li%Tes com uma fila
de grânulos; na area IV e tergitos II e III um tubérculo mediano. Area esti-
gmatica quasi lisa. Operculo anal granuloso. Ancas muito granulosas. Palpos:
trochanter com 2 tubérculos settiferos confluentes; fêmur com um espinho api-
cilar interno; patella inerme; tibia com 4 espinhos de cada lado e tarso com 3
e dupla fila ventral de espinhos menores. Femures I a III direitos; IV cur\os
em S. Tarsos de 7 — 14 — 11 — 13 segmentos. Patas IV: anca granulosa,
com robustíssima apophyse apicilar externa quasi transversal, recurva; trochan-
ter mais longo do que largo com um espinho basilar externo e outro apicilar in-
terno; femur com uma apophyse basilar dorsal, uma fila interna de robustíssi-
mos espinhos e outra externa; patella e tibia com serrilhas apicilares.
Colorido geral amarello-queimado, marmorado de fusco; patas fuK^as; tu-
bérculos negros, bem como a apophyse das ancas IV; palmos amarello claros,
marmorados de negro.
Hab. : Morro de Caxambu (Petropolis), Estado do Rio de Janeiro.
Coll.: R. Arlé.
Tjqx»: Xo. 41.997, no Museu Nacional.
Genero ürodiabunus, g. n.
Comoro ocular com 2 espinhos. Areas I e II do escudo dorsal com 2 tu-
bérculos, area III com 2 espinhos; area IV, tergitos livres I c III e operculo
anal inermes; tergito livre II com uma robusta apophyse dirigida para trás.
Femur dos palpos inerme. Tarsos I de 6 segmentos, os outros de mais.
Distingue-se dos outros generos com semelhante armadura no escudo dor-
sal, de 2 espinhos no comoro ocular, femur dos palpos inerme e igual segmenta-
ção nos tarsos (Corialia Rwr., Friburgoia M.-L. e Metagonyleptes Rwr.), por
ter só o tergito II armado (os tres inermes em Conalia, II e III armados em
Friburgoia e os tres armados em Metagonyleptes), com uma aphophyse singular.
T)po:
44
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
C. DE Mello Leitão — Opiliões novos
397
22 — Vrodiabunus arlei, sp. n. (Fig. 22).
0 — 7 mm.
Patas : 9,5 — 20 — 15 — 25 mm. Femures : .2.2 — 5,5 — 1,5 — 7,5 mm.
t
^•í
■4
f;í
Pír. 22
l*rod(aban«« arlei, g a., «p. o.
Margem anterior do cephalothorace com uma ele\'a<;ão mediana. 2 espinhos
erectos e 2 granulações de cada lado, e mais 3 espinhos dorsaes junto aos ângu-
los; a borda frontal dessa area marginal anterior apresenta um espinho mediano
e um em cada angulo. Comoro ocular granuloso, com 2 altos espinhos. Ce-
phalothorace finamente granuloso, com 2 tubérculos pouco atrás do comoro ocu-
lar. Escudo dorsal granuloso, as areas I e II divididas por um sulco mediano;
a area I com 2 grandes tubérculos hemisphcricos ; a arca II com 2 tubérculos
menores c mais afastados; area III com 2 espinhos conicos. .\reas lateraes com
3 filas de granulações. Area IV'’ e tergito livre I com uma fila de grânulos; o
45
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Memórias do Instituto Butantan
398
— Tomo IX
tergito II com 3 filas de grânulos e grande apophyse cônica, quasi horizonta’.
dirigida para trás; tergito livre III e operculo anal irregularmente granulosos,
com grossas granulaqões. Esternitos li\Tes com uma fila de grânulos. Area
estigmatica e ancas muito granulosas. Todos os femures levemente cun-os em
S. Tarsos de 6 — 11 — 7 — 7 segmentos. Palpos: trochanter com um es-
pinho inferior; femur com um granulo basilar inferior, o resto inerme; patella
inerme; tibia com 3 espinhos externos e 4 internos; tarso com 5 espinhos inter-
nos e 4 externos. Patas IV do macho: anca granulosa, com 2 apophyses apici-
larcs espiniformes, quasi iguaes; trochanter mais longo do que largo, com um
tul)erculo c.\temo e 4 internos; femur com filas de grânulos e um espinho api-
cilar interno; patella granulosa; tibia com pequena serrilha apicilar.
Hab. : Petropolis, Estado do Rio de Janeiro.
Coll.: R. Arlé.
Typo: No. 42.476, no Museu Nacional.
Genero Bunoleptes, g. n.
Comoro ocular com 2 espinhos. Areas I, II c do escudo dorsal com
2 tubérculos hemisphericos, area III com 2 tulxsrculos ellipsoides; tergitos livres
I e III com 2 tubérculos, tergito livre II com um tubérculo ou espinho mediano;
operculo anal inerme. Femur dos palpos inerme. Tarsos I de 6 segmentos, os
outros de mais,
Genero proximo de Ilhaia Rwr., do qual se distingue por ter 2 tul>erculos,
cm vez de iim espinho, no tergito livre III.
Tj-po:
23 — Bunoleptes annatus, sp. n. (Fig. 23).
o — 7 mm.
Patas: 10 — 21 — 14 — 20 mm. Femures: 2.5 — 5.5 — 4 — 5,5 mm.
Borda anterior com 2 tubérculos mamillares medianos dorsaes e com 2 es-
pinhos de cada lado, junto dos ângulos, sendo um dorsal e um anterior. Como-
ocular elevado, pouco granuloso, com 2 artissimos espinhos. Cephalo-thorace com
algumas pequenas granulaq<H;s latcracs c com 2 tulxrrculos atrás do comoro ocu-
lar. Escudo dorsal irregularmente granuloso; areas I e II com 2 tubérculos
hemisphericos, area III com 2 tubérculos muito maiores e bem mais ele\'ados,
ellipsoides. Areas lateraes com 2 filas de granulaqões. .\rea I\‘ e tergitos li-
vres com uma fila de granulaqões; a area IV e os tergitos livres I e III com 2
tubérculos, o tergito livre II com um espinho mediano. Operculo anal irregu-
larmcnte granuloso. Esternitos livres com uma fila de pequenas granulaqões.
46
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
C. DE Melxo Leitão — Opiliões novos
399
Area estigmatica e ancas I a IV muito granulosas. Palpos: trochanter com
um espinho ventral ; fêmur com um espinho basilar, e face interna inerme ; tibia
com 3 espinhos internos e 4 ex temos; tarso com 4 internos e 3 externos e du-
pla fila ventral de pequenos espinhos muito mais fracos. Tarsos de 6 — 11 —
, rir. 13
■ RanoIrpiM armalni,
ip. n.
■
; :% v:t
7 — 8 segmentos. Patas I\‘ do maclio: anca granulosa, com robusta ajxjphyse
apicilar externa transversal, recurva, coin pequeno ramo posterior e jiequcno es-
pinho apicilar interno; trochanter mais largo do que longo, com pequeno espinho
basilar externo; femur levemente sinuoso, apresentando na face dorsal altissima
apophyse ponteaguda, cni forma de sabre e mais um espinho, situado no limite
do terço basilar com o terço medio e outro no limite do terço medio com o terço
apicilar; face inferior com uma fila de dentes, sendo um maior no terço medio;
patella e tibia apenas granulosas, sem espinhos.
Colorido geral castanho-queimado, os palpos e cheliceras um pouco mais
claros, levemente marmorados.
Hab. : Jacarépaguá, Districto Federal.
Coll. : J. Couceiro.
47
cm
SciELO
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
Genero Gonyleptilus Rwr.. 1927.
24 — Gonyleptilus hamiferus, sp. n. (Fiç. 24).
ò — 8,5 mm.
Patas: 14 — 26,5 — 20 — 27 mm. Femures: 4 — 7 — 5,5 — 7 mm.
Borda anterior com uma fila de granulações e 2 pequenos espinhos media-
nos. Comoro ocular com 2 pequenos espinhos rhomlx)S. Cephalothorace gra-
nuloso, com 2 tubérculos atrás do comoro ocular. .Areas I a III do escudo dor-
sal irregularmcnte granulosas; arca I com 2 grânulos maiores entre os tubér-
culos, e III com 2 granulações semelhantes, fóra dos tul)crculos. Áreas lateraes
com 3 filas de grânulos, .^rea IV e tergitos livres com unu fila de grânulos e
uma eleNTição mediana rhomba. Operculo anal granuloso. Estemitos livres
cont uma fila de granulações. .Arca estigmatica e ancas granulosas. Palpos:
trochanter com pequeno espinho inferior; femur com uma fila ventral de grânulos
settiferos e um espinho apicilar interno; patella inerme; tibia com 3 espinhos in-
ternos e 4 externos ; tarso com 2 internos e 3 externos. Tarsos de 6 — 9 — 7 — 7
segmentos. Patas IV do macho: anca muito granulosa, com uma apophyse api-
cilar externa robusta; trochanter mais largo do que longo, com uma grande apõ-
em
SciELO
C. DE Mello Leitão — Opiliões novos
401
physe basilar externa; fêmur cur\’o em S, com robusta apophyse basilar dorsal
em forma de bigorna e com filâs externas internas de grandes dentes; patella
granulosa; tibia com 3 robustos dentes apicilares.
Colorido geral castanho-n^ro, uniforme.
Hab. : Cantareira, S. Paulo, Estado de S. Paulo.
Tj^po: No. 20, no Instituto Butantan.
Genero Ilhaia Rwr., 1913.
25 — Ilhaia intermedia, sp. n. (Fig. 25).
( 3 * 6,5 mm.
É
^ ■
h/
Fir. 25
Ilhaia inUriae^ia. fp. n.
vl
Patas: 10 — 21 — 14 — 21 mm. Femures: 2.5 — 5,5 1 — 6 mm.
Borda anterior com 2 espinhos medianos e 3 de cada lado. Comoro ocular
com 2 espinhos. Cephalothorace com pequenas granulações esparsas, pouco nu-
merosas e 2 tubérculos atrás do comoro ocular, .\reas I a III com pequenas
granulações irregularmente esparsas e 2 tubérculos. .*\rea IV e tergito livre I
40
cm
SciELO
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402
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
coni 2 tubérculos e 2 fias de granulações: tergitos livres II e III também com
2 filas de granulações mas com um cone mediano; em cada tergito, como na
area IV'. os grânulos da fila posterior são muito maiores. Areas lateraes com
3 filas de grânulos, os marginaes muito maiores. Operculo anal granuloso. Es-
ternitos livres com uma fila de granulações. Area estigmatica e ancas granu-
losas. Palpos: trochanter com luna granulação settifera inferior; femur gra-
nuloso, com uma fila de granulações maiores, inferiores, settiferas; patella iner-
me; tibia com 4 espinhos internos e 3 externos; tarso com 6 internos e 3 exter-
nos; tarsos de 6 — 11 — 7 — 7 segmentos. Patas IV: anca granulosa, com
uma apophyse apicilar externa curta, robusta, e pequeno espinho apicilar interno ;
trochanter com robusta apophyse rhomba e outra curta apidiar externa: femur
granuloso, com um espinho basilar dorsal e filas de espinhos inferiores internos.
Colorido geral pardo, lavado de fusco, as apophyses das f»alas posteriores
negras.
Hab. : Viçosa, Estado de Minas Geraes.
Typo: No. 46, no Instituto Butantan.
Sub-familia Qoniosominae
Os generos do grupo Goniosoma, por seus longos femures posteriores, seus
robustos palpos armados de fortes espinhos e. sobretudo, pela presença de du-
plo sulco em V invertido (A ) dividindo a area I em duas porções muito sepa-
radas, parecem-me formar uma subfamilia autonoma.
Gencro Leitaoius Rwr.. 1930.
26 — Leitaoius z-irídifrons, sp. n. (Fig. 26).
tí* — 8 mm.
Femures: 15 — 38 — 22 — 29 mm.
Borda anterior lisa, com pequena elevação mediana. Comoro ocular liso,
com 2 tubérculos. Cephalothorace liso. Escudo dorsal com poucas granula-
ções. as arcas I e II inermes; III com 2 pequenos espinhos. Areas lateraes,
area IV, tergitos e estemitos livres, operculo anal c area estigmatica lisos. .-Vn-
cas I a III com uma fila de granulações. Palpos: trochanter com um espinho
inferior; femur com 5 espinhos ventraes (o segundo e os dois apicilaress muito
pequenos) e robusto espinho apicilar interno; patella inerme; tibia com 4 cs-
SO
cm
SciELO
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C. DE Mello Leitão — Opiliões novos
403
pinhos de cada lado, dispostos de modo muito differente; tarso com 2 espinhos
internos e 4 externos. Tarsos de 10 — ? — 11 — 11 segmentos. Cheliceras
lisas, os dois últimos segmentos bem pilosos. Patas IV: anca pouco granulosa,
com piequeno espinho apicilar interno e uma apophyse apicilar externa obliqua,
ponteaguda; trochanter mais longo que largo, com uma apophyse basilar e.xter-
na e um espinho apicilar interno; femur com 2 filas internas de espinhos, os
ventraes maiores.
Corpo castanho-queimado, ennegrecendo nas apophyses das ancas IV, com
os sulcos amarellos e com uma linha esbranquiçada indo da area IV até o cepha-
lothorace. onde forma um V atrás do comoro ocular. Cheliceras e palpos ver-
de-esmeralda.
Hab.: ?
T\-po: Xo. 54, no Instituto Butantan (e.\emplar, q, sccco).
51
cm
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Memórias do Instituto Butantan
40-1
— Tomo IX
27 — Lcitaoius .ranthomus, sp. n. (Fig. 27).
(j* — 10 mm.
Femures: 10,5 — 24 — 18 — 24 mm.
Borda anterior inerme e lisa. Comoro ocular alto, com 2 espinhos. Ce-
phalothorace com 2 grupos lateraes de granulações. Area I do escudo dorsal
com 2 tubérculos e 2 grânulos de cada lado; areas II e III com poucas granu-
lações setti feras, a area III com 2 altos espinhos. Areas lateraes com 2 filas
52
cm
SciELO
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C. DE JIeux) Leitão — OpUiões novos
405
de granulações. Area IV e tergitos livres com uma fila de granulações e mn
espinho angular pequeno. Estemitos livres com uma fila de granulações. Oper-
culo anal gramdoso. Area estigmatica lisa. Anca IV com granulações espar-
sas; III com 2 filas de dentes marginaes e uma de grânulos medianos; II e I
com uma fila de grânulos. Palpos; trochanter com 2 espinhos; femur com
uma fila ventral de 7 granulações settiferas e um robusto espinho apidlar in-
terno; patella inerme; tibia com 7 espinhos externos e 5 internos; tarso com 5
externos e 3 internos. Tarsos de 9 — 18 — 10 — 10 s^;mentos. Patas IV:
anca granulosa, com 2 apophyses apiedares (interna e externa) pouco obliquas,
iguaes; trochanter mais longo do que largo, com uma apophyse basilar externa
e outra interna; femur granuloso, com pequenos espinhos apiedares.
Cephalothorace fulvo-escuro, bem como os appendices; escudo dorsal ful-
vo-claro. com os sulcos e grânulos amarello-queimados, bem como os espinhos
do comoro ocidar.
Hab. : Cantareira, S. Paido, Estado de S. Paulo.
Coll. : L. Travassos F*.
Tj-po: Xo. 42.330, no Museu Xacional. •
Sub-familia Coelopyginae
E’ uma subfamilia muito curiosa, cujas especies apresentam todas còres
mais alares (verde claro, amarello, verde oliva) com rico desenho e cujos há-
bitos são diversos dos dos outros Gonylcptidac, vivendo nas folhas, apparecendo
nas horas claras, e parecendo capazes de captar insectos.
Genero Heterarthrodes, g. n.
Comoro ocular com 2 tubérculos. Areas I c II do escudo dorsal com 2 tu-
bérculos; area III com 2 tubérculos ou espinhos. .\rea IV, tergitos livres c
operculo anal inermes. Femur dos palpos com um espinho apiedar interno.
Todos os tarsos de mais de 6 segmentos, a porção terminal dos tarsos II
com 4.
Genero affim a Arthrodes e Coelopygus Koch, dos quaes se distingue por
ter na area III 2 tubcrcidos ou espinhos baixos (2 altos espinhos em ambos os
sexos, desses generos) e a Deltigalus Rwr., de que se separa, por ter o femur
dos palpos armado a pela segmentação dos tarsos.
T)tx):
53
1 SciELO
40C Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
28 — Hctcrarthrodcs alviuil, sp. n. (Fig. 28).
Q / ,5 mm.
Patas: 20,5 — 51 — 31.5 — 44 mm. Femures: 6 — 14 — 10 — 13 mm.
Ç — 6,5 mm.
Borda anterior do cephalothorace com 2 espinhos medianos e uma fila de
granulações dorsaes. Comoro ocular com 2 tubérculos arredondados, separados
por um sulco longitudinal mediano. Cephalothorace liso adiante e muito gra-
Fi«. 2S
Ilcterarthro^e* ahimi, %. n., »p. d.
nuloso atras do comoro ocular. Escudo dorsal densa e irregularmente granu-
loso, as areas I e II com 2 tubérculos; a area III do macho também com 2 tu-
bérculos, a da fcmea com 2 curtos espinhos conicos, rhombos. Areas lateraes
cm
SciELO
C. DE Mello Leitão — Opiliões novos
407
com 3 ou 4 filas de grânulos, .^rea IV irregularmente granulosa, percebendo-se
duas filas mais destacadas. Tergitos livres com 1 fila de grânulos, havendo no
tergito I algumas granulações adiante da fila principal. Operculo anal liso.
Estemitos livres com uma fila de pequenos grânulos. Area estigmatica e ancas
granulosas. Palpos: trochanter com 2 grânulos apicilares; femur com 1 fila
de grânulos ventraes e com um espinho apicilar interno; patella inenne; tibia
com 4 espinhos internos e 3 externos ; tarso com 2 de cada lado e com dupla fila
de cerdas espiniformes na face ventral. Todos os femures direitos. Tarsos de
7 a 8 — 16 a 17 — 15 — 19 a 20 segmentos. Patas IV do macho: anca granu-
losa, com robusta apophyse apicilar externa, quasi transversal, recurv^a e com
pequeno espinho apicilar interno; trodianter mais largo do que longo, com pe-
quena apophyse basilar externa e algumas granulações internas ; femur com uma
fila externa de granulações maiores e uma fila infero-intema de espinhos seria-
dos. Patas IV da femea; anca granulo.sa com apophyse apicilar externa e pe-
quena. muito obliqua e sem espinho interno; do trochanter até a tibia apenas
granulosos.
Cephalothorace amarcllo-queimado ; escudo dorsal verde-oliva; as granula-
ções negras; nos sulcos II e III 2 manchas transversaes, de cada lado; tergitos
livres verde-oliva; operculo anal dorsal fusco, com 2 grandes manchas brancas,
irregulares; operculo anal ventral com 2 manchas bem menores c muito mais
afastadas. Patas marmoradas dc fusco; os tubérculos ou espinhos da area III
fulvos e as apophyscs das ancas fulvo-negras.
Hab. : Morro de Caxambu, Petropolis, Estado do Rio de Janeiro.
Coll.: R. Arlé.
Tjqx): No. 42.465, no Museu Nacional. Cotjqxis: na collecção R. Arlé e
No. 50 na do Instituto Butantan.
Genero Hetcrampheres. g. n.
Comoro octilar com 2 tubérculos separados. Areas I c II com 2 tubércu-
los, area III com 2 tubérculos (o) ou espinhos (Ç). Arca IV, tergitos livres
e operculo anal inermes. Todos os tarsos dc mais de 6 segmentos, a porção dis-
tai dos tarsos II de 4 segmentos e a porção basilar dos tarsos I normal nos 2
sexos. Femur dos palpos inerme.
Distinguc-sc de ilelarthrodcs, pela armação das arcas III e por ter no co-
moro ocular 2 tubérculos cm vez de espinhos.
Typo:
55
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
29 — Heterampheres varíabilis, sp. n. (Figs. 29 e 30).
9 — 6,5 mm.
Patas: 16 — 44 — 27,5 — 39 mm. Femures: 5 — 13 — 9,5 — 13 mm.
o — 6 mm.
Patas: 19,5 — 57 — 34 — 39 mm. Femures: 5 — 13 — 9,5 — 13 mm.
Fi«. Í9
ll»t«r»roph«re« TarUbilM <
Fir. M
HvtcnnphrTM TajrUbUis Ç , k- n., sp.
Borda anterior com uma cleração mediana, armada de 2 pequenos tubércu-
los e 2 ou 3 grânulos de cada lado. Comoro ocular transverso, com 2 pequenos
tubérculos quasi esphericos, muito separados, logo acima dos olhos. Cephalo-
thorace liso adiante e dos lados, com 2 grupos de 4 grossas granulações atrás do
comoro ocular, formando 2 YY deitados. Escudo dorsal com grossas granula-
ções muito escassas: arcas I e II com 2 tubérculos; area III do macho com 2
tubérculos mais elevados e, na femea. com 2 altos e robustos espinhos. Areas
latcracs com uma fila marginal de grossas granulações. Area I\'^ com uma fila
de grânulos, cm numero variavel, ás vezes reduzida á porção mediana. Tergitos
c esternitos livres lisos. Operculo anal liso. Segmento estigmatico liso. Areas
I a IV com uma fila de grossas granulações (muito obliqua nas ancas IV).
Palpos: trochanter com uma granulação inferior; femur e patella inermes; tí-
bia com 3 espinhos internos e 4 externos; tarsos com 2 fortes espinhos de cada
lado, na face inferior, uma dupla fila de espinhos curtos e fracos. Femures
cm
SciELO
C. DE Mello Leitão — Opiliões novos
409
delgados e direitos. Tarsos de 9 — 16 — 14 — 18 segmentos; a porção termi-
nal dos tarsos II de 4 segmentos e a basilar dos tarsos I da mesma espessura
que a apicilar em ambos os sexos. Unhas III e IV com uma dupla fila de 5
dentes. A anca IV da femea apresenta um pequeno espinho apicilar dorsal e o
trochanter pequena apophyse apicilar interna. Pata IV' do macho: anca com
uma apophyse apicilar dorsal muito recuiA^a, ponteaguda, dirigida para trás;
trodianter mais longo do que largo, com pequena apophyse basilar externa e
outra, robusta, espiniforme, cuna, apicilar interna; fêmur muito alongado, di-
reito, com 3 espinhos maiores, infero-intemos e uma fila de espinhos menores,
supero-intemos ; patella com alguns pequenos espinhos; tibia alongada, com
uma fila infero-intema de 14 ou 15 espinhos equidistantes.
Gilorido geral amarello (verde claro no vivo). Cephalothorace com a por-
ção mediana fulvescente. Grânulos e tulierculos negros; na femea os espinhos
da area III são fulvos. Cephalothorace com 2 manchas brancas pouco atrás do
comoro oailar. O escudo dorsal da femea apresenta 4 pares de manchas bran-
cas, um par nas areas I e II e 2 pares na area III ; no macho estas manchas fal-
tam ou ha apenas o par anterior. Operculo anal dorsal com 2 manchas bran-
cas; o ventral orlado de fusco e com 2 manchas brancas mais afastadas. Kos
flancos, sobre as ancas I\'^, ha uma faixa longitudinal fuh’a.
Hab. : Morro de Caxambu, Petropolis. Estado do Rio de Janeiro.
Coll.: R. Arlé.
Typo: No. 42.262, no Museu Nacional. Cotj-pos: No. 51 na collecção do
Instituto Butantan e na collecção R. Arlé.
Sub-familia Mitobatinae
Genero Batomites M.-L., 1932.
30 — Batomites intermedius, sp. n. (Fig. 31).
cj' e 9 — 5,5 mm.
Femures da Ç : 3.5 — 12 — 8 — 12,5 mm.
Fêmures do : 5,5 — 18 — 15 — 38 mm.
Borda anterior com 3 grânulos na elevação mediana. Comoro ocular com
algumas granulações esparsas c 2 espinhos divergentes. Cephalothorace liso
dos lados, com um grupo de granulações atrás do comoro ocular. .\rca I com
grossas granulações junto ao sulco mediano; area II com granulações seme-
lhantes, oceupando mais de 2 tarsos; arca III com granulações adiante e entre
os dois altos espinhos, .\rcas latcraes com 2 filas de grânulos. .-Vrea I\'^ com
uma fila de grânulos e 2 espinhos muito menores do que os da area III. Tcrgi-
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
410
Memórias do Instituto Butantan — Tomo IX
tos e estemitos livres com uma fila de grânulos. Area estigmaíica e ancas mui-
to granulosas. Palpos: trochanter com um espinho; femur com um espinho
basilar inferior e um apicilar interno; patella inerme; tibia com 4 espinhos de
cada lado; tarso com 4 internos e 3 externos. Tarsos com 6 — 11 a 15 — 8 a
9 — 8 a 9 segmentos. Ancas IV do macho com uma apophyse apidlar externa
recurva, com um ramo inferior.
Colorido geral amarello-qucimado com as granulações mais claras, os espi-
nhos da area III negros e os da area IV amarellos.
.\ femea differe do macho, por ter os espinhos do escudo dorsal mais ro-
bustos e a apophyse das ancas IV muito mais fraca.
Tit- st
Batomito* intermedias, sp. n.
Hab. : Minas do Iporanga, Estado de S. Paulo.
Coll. : Prof. Ruy da Lima c Silva.
T}'po: Xo. 41.998 no Museu Nacional, Cotypos: Xo. 52 na collecção do
Instituto Butantan.
cm
SciELO
C. DE Melix) Leitão — Opiliões novos
411
IXDICE DAS FIGURAS
Fic, 1 — HoUobunus {gtáussvensis
2 — Jussara obesa
3 — LMSsani-ira marmorata q
4 — Poecilaemula puuctüineata
5 — Poecilaema coccinelloides
6 — Cynoria guttulota
7 — Bodunius biocellalus
8 — Tabatinguera insignis ^
8a — > » o'
9 — Camarana minor q
10 — Iguassua humilis q'
11 — Discocyrianus nigrolineatus
12 — Xuraloius incertus O
13 — Moojenia perlata q
14 — ProgonyUptoides pustuhsuj
15 — Weyhia monlis ^
16 — > nana ^
17 — Nygoleptes cunispinosus q
18 — Bunotveyhia lata q
19 — Adtlphobunus singularis jj*
20 — > puUher
21 — Caxambusia variegata q
22 — Urodiabunus ariei ^
23 — Bunolepies armatus ^
24 — ' Gonyleptilus hamiferus q'
25 — llhaia intermedia q
26 — Leitaoius viridifrons ^
27 — > xanthomus ,-■*
28 — Heterarthrodes alfimi q*
29 — Heterampkeres variabilis -J*
30- , > O
31 — Batomites intermedias w'
PHALAXGIIDAE
>
PHALAXGODIDAE
COSMETIDAE
(vista posterior) J PACHYLINAE
GONYLEPTIXAE
GONIOSOMINAE
>
COELOPYGIXAE
MITOBATINAE
— 1
GO.WTEPTIXAE —
, ABSTRACrr
A rcvisionar>- study of the Phalangidea in the collcctions of the Instituto
Butantan and Faculdade de Medicina (in S. Paulo) and Museu Xacional (in
Rio) has disclosed the presencc of 1 new genus and 2 new species of Palpatores
and 13 new genera and 28 new species of Laniatores, all frotn the Southern,
south-eastem. south-westem and central section of Brazil.
(Trabalho de cotIaboraçSo do Mn«eu Nacional. Rio, recebido
para publícaçAo rm abril de I9S5. Dado á publicidade em
itctembro de I93S).
59
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
ScíELOiIq
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
Emprftft Graphica da
*'Rê%nsia dos Tribumai^
Rua Xavier de Toledo,77
Sãa Paulo • Brasil ^ 1935