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serie Zoologia
BL. ISSN 0073-4721
FALLAVENA, M.A.B. Composição e variação sazonal eespacial dos copé-
podes planctônicos (Crustacea, Copepoda) na Lagoa Negra, Munici-
pio de Viamão, Rio Grande do Sul, Brasil..............eccceseseeseeseres
LEMA, T. de. Melanismo em serpentes do gênero Lygophis Fitzinger, 1843
(Serpentes, Colubridae), no nordeste do Brasil ............uu0s442224 4.»
LANZER, R.M. & VEITENHEIMER-MENDES, |.L. Aspectos morfológicos
e biológicos de uma população de Gundlachia concentrica (Orbigny,
1835) (Mollusca, Ancylidae) de um acude no sul do Brasil ............
LEMA, T. de. Aspectos biolögicos de Elapomorphus (Phalotris) lemnisca-
tus Duméril, Bibron et Duméril, 1854 (Serpentes, Colubridae, Elapomor-
ESPN DB a SR en ee ee RE rar
GASTAL, H.A. de. O. Pentatomidae (Hemiptera) coletados nos municípios
de São Jerônimo e Butiá, Rio Grande do Sul, Brasil....................
PARMA de CROUX, M.J. & LORENZATTI, E. Estudios bioenergéticos en
peces del rio Paraná. |. Asimilación de la energia de los alimentos em
Pimelodus maculatus Lacépede, 1803 (Pisces, Pimelodidae) ..........
VOLKMER-RIBEIRO, C. & ROSA-BARBOSA, R. DE. Redescription of the
freshwater sponges Trochospongilla repens (Hinde, 1888) and Trochos-
pongilla amazonica (Weltner, 1895) with and account of the South Ame-
rican species of Trochospongilla (Porifera, Spongillidae) ..............-
PY-DANIEL, V. etalii. Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. IV. Des-
cricäo das larvas de Simulium (Psaroniocompsa) brevifurcatum Lutz,
1910; S. (P.) anamariae Vulcano, 1962; S. (Thyrsopelma) itaunense D'An-
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Museu de Ciências Naturais da
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
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Publicado com auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
IR
Processo: 40.6633/84
Selo postal
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FUNDAÇÃO ZOOBOTÄNICA DO RIO GRANDE DO SUL
BIBLIOTECA
Caixa Postal, 1188
90.000 PORTO ALEGRE, RS
BRASIL
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JUL 1 5 1988
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Queiram ter a gentileza de preencher o presente, devolvendo-o ao
Museu, a fim de que não haja interrupção na remessa do número seguinte
de IHERINGIA.
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can send you the next number of IHERINGIA.
1. Recebemos e agradecemos: IHERINGIA, Série Zoologia 65
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4. Nosso campo de interesse:
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Composição e variações sazonal e espacial dos copepodes planc-
tônicos (Crustacea, Copepoda) na Lagoa Negra; Municipio de Via-
mão, Rio Grande do Sul, Brasil*
Maria Alice Bello Fallavena**
RESUMO
Foi realizado pela primeira vez no Estado do Rio Grande do Sul, um estudo sobre Copepoda de
vida livre, em uma lagoa de águas negras.
Foram abordados aspectos relativos à composição, variação-sazonal, distribuição horizontal e
vertical do zooplâncton.
A Lagoa Negra encontra-se a 30º10'S., 51º00'W, no Município de Viamão, RS, ocupando um
vale de 1750 hectares no Parque Estadual de Itapuã.
Foram realizadas coletas superficiais mensais, no período de abril de 1979 a abril de 1980, com
filtragem de 100 litros de água por uma rede de zooplâncton de malha de 70 um.
Todos os grupos que tiveram ocorrência no zooplâncton foram quantificados, (Copepoda, Cla-
docera, Rotifera e Acarina) porém somente os copépodes foram determinados a nível específico.
Das 13 espécies determinadas, cinco são registros novos para o Estado. A espécie dominante
foi o copépode diaptomídeo Notodiaptomus incompositus (Brian, 1926), que apresentou dois picos de
abundância, no período das coletas. Este copépode foi o único componente do zooplâncton que apre-
sentou um número de indivíduos suficiente para possibilitar o estudo de distribuição horizontal e apre-
senta, na Lagoa Negra, overdispersion ou clumping.
Alguns elementos do zooplâncton evidenciaram movimentos verticais, em coletas de superfi-
cie, noturnas e diurnas.
ABSTRACT
A study of free-living Copepoda from a black water inner laggon was carried out for the first time
in Rio Grande do Sul State (RS), Brazil.
Lagoa Negra is located at 30º10'S, 51º00'W, Município de Viamão, RS, within a 1,750 hectare
area in Parque Estadual de Itapuã.
The zooplankton composition, seasonal variation, spacial horizontal and vertical distribution
were elements of study in the lagoon.
Superficial collects were made from April 1979 to April 1980 with a 70 Um planktonic net,
where 100 liters of water were filtered in order to study the zooplanktonic elements.
(*) Aceito para publicação em 05.X1.1984. Realizado com auxílio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Adaptado da Dis-
sertação de Mestrado em Biociências, Area de Zoologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em
convênio com a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, defendida em 14 de agosto de 1981
(**) Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Museu de Ciências Naturais da Fundação
Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, 90.000, Porto Alegre, RS, Brasil.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):3-30, 15 de outubro 1985
4 FALLAVENA, M.A.B.
Every zooplantonic group was quantitatively registered, but only copepods were specifically de-
termined. Among these thirteen species recorded, five of them are registered for the first time for the State.
The dominant species, Notodiaptomus incompositus (Brian, 1926), presented two peaks of abun-
dance within a year.
This was the only species that had an enough number of individuals to do possible a study of
horizontal distribution, and it appears in Lagoa Negra as overdispersion or clumping.
Through nocturnal and diurnal superficial collects some planktonic elements evidenced vertical
movements.
INTRODUÇÃO
No Rio Grande do Sul (RS) são poucos os estudos existentes sobre Copepo-
da de vida livre, em águas internas.
RICHARD (1897), estudando o material coletado por Ihering no sul do Brasil,
registrou a ocorrência, de seis espécies de ciclopóides, uma espécie de harpacticói-
de e descreveu a espécie Cyclops anceps.
KLEEREKOPER (1944) registrou a espécie calanóide Diaptomus incompositus
(Brian, 1926) pela primeira vez para o Brasil, Lagoa dos Quadros, RS, e, ainda, uma
espécie indeterminada de Cyclops.
LINDBERG (1954) citou Eucyclops ensifer Kiefer, 1936 para Porto Alegre.
BREHM (1965) citou três espécies de calanóides para Porto Alegre, com base
em material enviado por Kleerekoper.
BRANDORFF (1976) registrou três espécies de calanóides diaptomídeos para
o Estado, em revisão feita para a América do Sul.
Descrição da lagoa: a Lagoa Negra é uma lagoa interna, litorânea,
situada a 30º10'S, 51º00'W, no Município de Viamão, Estado do Rio Grande do Sul,
Brasil, ocupando um vale de 1750 hectares. Está situada a 2,80m acima da Lagoa
dos Patos (Rio Grande do Sul, 1975) com a qual faz divisa a sul e leste. As águas da
lagoa são negras, constituíndo característica única no litoral do Estado. Segundo DE-
LANEY (1965), a cor é devida ao removimento constante do fundo (litologia panta-
nosa) pelos ventos, o que turva a água. É uma lagoa rasa, cuja profundidade atinge
3,00m nos pontos centrais.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram estabelecidas dez estações de coleta de A a J (fig. 1) abrangendo o maior número de am-
bientes apresentados pela lagoa; duas estações centrais, correspondendo aos locais mais profundos e
oito próximas às margens, que possuem praias de areia, de junco, rochas ou banhados.
As coletas foram de superfície, mensais, de abril de 1979 a abril de 1980, com exceção dos meses
de novembro de 1979 e fevereiro de 1980. Em janeiro de 1980, apenas seis estações foram amostradas
devido a problemas técnicos.
Para as amostragens, foi utilizada uma rede cônica, de malha de 70 um , com 30cm de diäme-
tro de boca e 70cm de comprimento.
Foram realizadas amostragens quantitativas e qualitativas.
Para a análise quantitativa do material, foram filtrados 100 litros de água em cada estação de co-
leta, utilizando-se um balde com capacidade de dez litros. Esta metodologia pareceu ser a mais indicada
por fornecer um pequeno desvio do real, proporcionando diretamente o volume de água que está sendo
filtrado pela rede, sem o uso de fórmulas matemáticas.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):3-30, 15: de outubro 1985
Composição e variação sazonal e... 5
Em laboratório, o material pipetado foi colocado em uma placa de contagem seguindo, aproxi-
madamente, as indicações de ESTRADA (1970).
As amostras com pequena quantidade de indivíduos foram contadas integralmente e, das com
grande quantidade, foram retiradas subamostras de 10ml.
O cálculo de individuos/m? foi feito multiplicando-se por 10 o número obtido nas contagens dos
100 litros de água filtrada. ’
O estabelecimento da variação sazonal quantitativa foi feito considerando o somatório de indivi-
duos por estações de coleta, em cada mês.
Para a análise qualitativa, foi feito o arrasto da rede.
Para a identificação dos copépodes, foram feitas dissecções de exemplares e montagens de lä-
minas semi-permanentes, de acordo com ESTRADA (1970). As peças dissecadas foram montadas em
Meio de Farrants (GRAY, 1954).
Os desenhos foram feitos com um microscópio biológico LEITZ SM - Lux binocular equipado
com câmara clara.
Os demais grupos zooplanctônicos foram determinados somente a níveis superiores a gênero.
Para o estudo da overdispersion foi utilizado o método da binominal negativa, segundo CAS-
SIE (1962).
Para a determinação de movimentos de deslocamento vertical, foram realizados quatro coletas
de superfície em um ponto central da lagoa, às 18 e 22 horas do dia 24 e às 07 e 16 horas do dia 25 de
abril de 1980.
Todas as amostras foram fixadas com formol 4%, no local e acondicionadas em frascos de 500ml.
Amostras do material encontram-se depositadas na coleção Carcinológica do Museu de Ciências Natu-
rais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, sob os números 01334, 01335, 01336,
01337, 01338, 01339, 01340, 01341, 01342, 01343, 01344, 01345, 01346, 01347, 01348, 01349, 01350, 01351,
01352, 01353, 01354, 01355, 01356, 01357.
Composicäo especifica: foram encontradas, na Lagoa Negra,
apenas uma espécie de copépode calanóide, oito espécies de ciclopóides e quatro
espécies de harpacticóides.
Ordem CALANOIDA
Família DIAPTOMIDAE
Gênero Notodiaptomus Kiefer, 1936
Notodiaptomus incompositus (Brian, 1926)
(Figs. 1-3)
Distribuição geográfica: registrada até o presente apenas para
a América do Sul: Argentina, Uruguai e Brasil. Foi citada pela primeira vez para O
Rio Grande do Sul por KLEEREKOPER (1944), tendo ainda registros feitos por BREHM
(1965) e BRANDORFF (1976), para Porto Alegre (RS).
Brdem ENVIC ELO PO D’A
Família CYCLOPOIDAE
Subfamília EUCYCLOPINAE
Gênero Macrocyclops Claus, 1893.
Macrocyclops albidus (Jurine, 1820)
(Fig. 5)
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):3-30, 15 de outubro 1985
6 FALLAVENA, M.A.B.
Distribuição geográfica: espécie cosmopolita, citada para o Brasil
(Santa Catarina) por RICHARD (1897). E, pela primeira vez, citada para o Rio Gran-
de do Sul.
Macrocyclops ater (Herrick, 1882).
(Fig. 6)
Distribuição geográfica: citada para a América do Norte e Sul.
No Brasil, foi registrada para o Amazonas (KIEFER, 1934). E, no presente trabalho,
registrada pela primeira vez para o Estado do Rio Grande do Sul.
Gênero Eucyclops Claus, 1893
Eucyclops ensifer Kiefer, 1936
(Fig. 4)
Distribuição geográfica: registrada até o presente apenas para
a América do Sul: Argentina, Chile, Terra do Fogo e Brasil. No Brasil, foi citada por
ROCHA & MATSUMURA-TUNDISI (1976) para São Paulo, e por LINDBERG (1954),
para Porto Alegre, RS.
Gênero Tropocyclops Kiefer, 1927
Tropocyclops prasinus (Fischer, 1860)
(Figs. 7-11)
Distribuição geográfica: espécie cosmopolita, citada para o Brasil
(São Paulo) por JULIANO DE CARVALHO (1975) e para o Rio Grande do Sul por
RICHARD (1897).
Gênero Paracyclops Claus, 1893
Paracyclops fimbriatus (Fischer, 1853)
(Figs. 12, 13)
Distribuição geográfica: espécie cosmopolita, citada para São
Paulo por ROCHA & MATSUMURA-TUNDISI (1976) e para o Rio Grande do Sul por
RICHARD (1897).
Gênero Ectocyclops Brady, 1904
Ectocyclops phaleratus (Koch, 1838)
Distribuição geográfica: espécie cosmopolita, citada para o Rio
Grande do Sul por RICHARD (1897).
Subfamília CYCLOPINAE Kiefer, 1927
Gênero Mesocyclops Sars, 1914
Mesocyclops longisetus (Thiébaud, 1914)
(Figs. 14, 15)
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):3-30, 15.de outubro 1985
Composição e variação sazonal e... 7
Distribuição geográfica: atéo presente, registrada, apenas para
a América do Sul: Argentina, Paraguai, Chile, Colômbia e Brasil. No Brasil, foi regis-
trada para o Rio de Janeiro por OLIVEIRA (1954); para São Paulo por JULIANO DE
CARVALHO (1975) e ROCHA & MATSUMURA-TUNDISI (1976); para o Amazonas
por CIPOLLI & CARVALHO (1973); para o Rio Grande do Sul por RICHARD (1897).
Gênero Microcyclops Claus, 1893
Microcyclops anceps (Richard, 1897)
(Figs. 16-21)
Distribuição geográfica: segundo RINGUELET (1958) a espécie
é exclusiva das Américas: México, Paraguai, Uruguai, Peru, Panamá, Chile e Brasil.
No Brasil foi citada para São Paulo por ROCHA & MATSUMURA - TUNDISI (1976)
e para o Rio Grande do Sul por RICHARD (1897).
Ordem HARPACTICOIDA
Família PHYLLOGNATHOPODIDAE
Gênero Phyllognathopus Mrázek, 1893
Phyllognathopus viguieri (Maupas, 1892)
(Figs. 22-26)
Distribuição geográfica: cosmopolita, citada para a América
do Sul: Suriname e Brasil. Foi citada para o Panamá por JAKOBI (1970); por P. A.
Chappuis para o Recife, apud.; JAKOBI (1970). No presente trabalho, está sendo
citada, pela primeira vez, para o Rio Grande do Sul.
Família CANTHOCAMPTIDAE
Gênero Attheyella Brady, 1880
Attheyella furhmani (Thiébaud, 1914)
(Figs. 27-32)
Distribuição geográfica: registrada até o presente para a Argentina,
Colômbia e Brasil. No Brasil foi registrada para São Paulo, por ROCHA & MATSU-
MURA-TUNDISI (1976). Para o Rio Grande do Sul, está sendo registrada pela pri-
meira vez.
Gênero Elaphoidella Chappuis, 1928
Elaphoidella bidens coronata Chappuis, 1931
(Figs. 33-39)
Distribuicäo geogräfica: cosmopolita, citada no Brasil para Säo
Paulo por ROCHA & MATSUMURATUNDISI (1976). É citada, neste trabalho, pela
primeira vez para o Rio Grande do Sul.
Gênero Epactophanes Mrázek, 1893
Epactophanes richardi Mrázek, 1893
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):3-30, 15 de outubro 1985
8 FALLAVENA, M.A.B.
Distribuição geográfica: cosmopolita, citada, pela primeira vez,
para o Rio Grande do Sul.
Análise quantitativa: calanóide Notodiaptomus incompositus foi
o copépode mais frequente e abundante na Lagoa Negra. Apresentou os três está-
gios de desenvolvimento em todos os meses de coleta. O número máximo de adul-
tos foi de 1550 individuos/m3, na estação D, em abril de 1980 (tab. |). O número má-
ximo de copepoditos foi de 8800 ind. /m3, na estação H, em abril de 1980 (tab. Il).
Os náuplios apresentaram seu número máximo também em abril de 1980, na esta-
ção H, com 146490 ind. /m3 (tab. III).
O estágio mais abundante em número de indivíduos foi, na maioria das cole-
tas, o naupliar (fig. 40) predominando nos meses de julho, agosto, setembro e de-
zembro de 1979; janeiro, marco e abril de 1980.
Os ciclopöides apresentaram sempre um número reduzido de indivíduos.
Microcyclops anceps foi a espécie mais abundante, apresentando um total de
150 indivíduos em maio de 1979 (tab. IV). A estação de coleta que mais indivíduos
apresentou foi a estação E, com 70 ind./m3 em abril de 1980. Não apareceu em ou-
tubro de 1979, nas amostragens.
Paracyclops fimbriatus apresentou o seu número máximo em agosto de 1979,
com 60 ind. /m3, na estação F. Esteve ausente em junho e dezembro de 1979 e nos
meses de coleta em 1980.
Tropocyclops prasinus apresentou 50 ind. /m3 em abril e junho de 1979, nas es-
tações J e A, respectivamente. Esteve ausente em dezembro de 1979, janeiro e abril
de 1980.
Os ciclopóides Mesocyclops longisetus, Eucyclops ensifer e Macrocyclops al-
bidus apresentaram, como número máximo, apenas 10 ind. /m3 em cada estação de
coleta onde foram detectados.
Mesocyclops longisetus esteve presente nas estações F em abril de 1979; E
e H, em maio de 1979 e estação G, em abril de 1980.
Eucyclops ensifer não ocorreu nas amostras de julho, setembro e dezembro de
1979 e nos meses de coleta em 1980.
Macrocyclops albidus foi detectada em junho de 1979, na estação A. Apare-
ceu ainda em agosto e setembro, em estágio juvenil, nas estações E e C, respectiva-
mente.
Macrocyclops ater, apesar de detectada nas coletas qualitativas, não se apre-
sentou nas amostras quantitativas.
Ectocyclops phaleratus apareceu somente em estágio juvenil, em maio de 1979,
na estação J, embora tenha apresentado indivíduos adultos nas coletas qualitativas.
A pequena quantidade de indivíduos das espécies ciclopóides não deve estar
ligada ao fato destes serem, na maioria bênticos. As espécies dos gêneros Microcy-
clops, Mesocyclops e a espécie Tropocyclops prasinus são, segundo HUTCHINSON
(1967), espécies de hábitos planctônicos.
Os harpacticóides, visitantes ocasionais do zooplâncton, foram detectados du-
rante o ano todo.
Elaphoidella bidens coronata foi o harpacticóides mais frequente, com o,má-
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Composição e variação sazonal e... 9
ximo de 40 ind. /m3 em dezembro de 1979, na estação G, estando ausente em abril,
maio e julho de 1979 e janeiro e abril de 1980.
Phyllognathopus viguieri esteve presente em agosto de 1979, na estação G,
com sua densidade máxima de 30 ind. /m3. Ainda presente em abril, setembro, ou-
tubro de 1979 e janeiro de 1980, com apenas 10 ind. /m3 nas estações de coleta on-
de se apresentou.
Attheyella furhmani apresentou-se apenas em junho e dezembro de 1979, com
10 e 20 ind. /m3, nas estações A e F respectivamente.
De Epactophanes richardi ocorreram apenas duas fêmeas, na estação G, em
agosto de 1979.
Variação sazonal: a flutuação do zooplâncton foi bastante grande,
devendo-se, principalmente aos Copepoda (Calanoida), grupo mais frequente. Os
Cladoceras assim como os Copépodes, apresentaram variação quantitativa marcante;
os rotíferos mantiveram-se sempre com pequeno número e com pouca flutuação.
A ordem Calanoida, embora apresentando apenas a espécie Notodiaptomus
incompositus, foi a mais frequente e que maior flutuação apresentou. Esteve pre-
sente o ano todo.
Os dados que seguem podem ser acompanhados pelas tabelas |, Il, Ill e
figura 41.
Em abril de 1979, esta espécie, assim como os demais grupos zooplanctôni-
cos, apresentou-se em pequeno número, com uma leve predominância do estágio
copepodítico (1.220 ind.). Em maio e junho, predominaram os adultos, embora ain-
da com poucos indivíduos (1.420 e 1.510, respectivamente). Em julho, ainda com baixo
número, os náuplios sobrepuseram-se aos demais estágios de desenvolvimento (890).
Em agosto, os náuplios sofreram o primeiro aumento considerável (8.120), embora
restrito a algumas estações de coleta na lagoa. Houve aumento também dos adul-
tos e copepoditos. Em setembro, este aumento se fez sentir com maior intensidade
numérica e de espaço físico, elevando o número de náuplios a um total de 11.640
indivíduos. Os copepoditos totalizaram 1.730 indivíduos e os adultos, 530.
Os náuplios diminuíram, sensivelmente, em outubro (3.160), quando houve um
aumento significativo de copepoditos (5.990). Os adultos diminuíram novamente em
número, ficando em 350.
No mês de dezembro, os náuplios superaram em número os demais estágios
(5.760), sendo que os copepoditos baixaram em número (4.950).
Em janeiro de 1980, ainda em maior número, os náuplios aumentaram, assim
como os copepoditos e adultos. Os adultos apresentaram, nesse mês, seu número
máximo: 3.720 indivíduos.
Em marco, os náuplios continuam a aumentar em número e a manter a maior
frequência sobre os demais estágios (45.130), embora os copepoditos tenham atin-
gido seu valor máximo (18.620).
No mês de abril de 1980, os náuplios apresentaram novamente um pico de abun-
dância, bastante superior ao da primavera de 1979, atingindo o total de 220.900 indi-
víduos. O maior valor por estação de coleta foi de 146.490 ind. /mS3, na estação H.
Os adultos e copepoditos mantiveram-se em baixo número.
Os ciclopóides, com pequena frequência nas amostras, não apresentaram va-
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riações sazonais significativas, nem picos de abundância. MATSUMURA-TUNDISI
& TUNDISI (1976) encontraram em estudos realizados em São Paulo, na Represa
do Broa, uma variação sazonal relevante para os ciclopóides, que se ausentaram du-
rante o inverno.
Na Lagoa Negra, a ordem Cyclopoida esteve presente durante todo o ano, em-
bora nem todas as espécies tenham se apresentado em todos os meses de coleta.
Como os ciclopóides, os harpacticóides estiveram sempre presentes, embora
em pequeno número, não contribuindo para as flutuações apresentadas pelo
zooplâncton.
Distribuição Horizontal do Zooplâncton: a distribuição
espacial do zooplâncton está ligada a vários fatores, como as propriedades físicas
e químicas do meio ambiente ou a fatores biológicos de competição intra e inter-
específica, de acordo com MATSUMURA-TUNDISI et alii (1975). O tipo de distri-
buição mais frequente apresentado pelo zooplâncton é a chamada overdispersion,
segundo CASSIE (1962), o que significa um agrupamento de indivíduos em deter-
minadas áreas do meio aquático, deixando outras com poucos ou sem indivíduos.
Esta distribuição é caracterizada por apresentar variância (s2) maior que a média (x).
Observando as tabelas para Notodiaptomus incompositus (tabs. V, Vl e VII)
nota-se que, para os três estágios de desenvolvimento, os valores da variância exce-
dem os da média, assim como os valores de c e d são sempre superiores a zero.
Isto indica um caso de overdispersion.
Os adultos apresentaram, em maio de 1979 (tab. V), o valor mais baixo de over-
dispersion, com c=0,20. O valor mais alto foi atingido em abril de 1980, com c =2,57
e d=1,00, ou seja, a variância excedeu em 100% o valor esperado para uma distri-
buição ao acaso.
Os copepoditos (tab. VI) apresentaram o valor mais baixo em abril de 1979
(c=0,28), embora d tenha excedido em 97% o valor para a distribuição ao acaso.
O valor mais alto ocorreu em abril de 1980, com c=2,40 e d=1,00.
Os náuplios (tab. VII) apresentaram o valor mais baixo em abril de 1979, com
c=0,24. O valor mais alto ocorreu, como nos demais estágios, em abril de 1980, com
c=3,95 e d excedendo em 100% o valor esperado.
Microcyclops anceps foi o ciclopóide mais frequente nas amostragens na La-
goa Negra e o único que, aparentemente, oferecia condições de ter estudada sua
distribuição horizontal.
No entanto, os resultados obtidos (tab. VIII) não permitiram precisar o tipo de
distribuição da espécie, visto esta ter apresentado variações exageradas para o coe-
ficiente c. Conforme CASSIE (1959), o pequeno número de indivíduos nas amostras
torna impossível detectar o tipo de distribuição horizontal, a não ser que se tome um
número excessivamente grande de amostras. Considera-se, portanto, que o núme-
ro de indivíduos desta espécie, presentes nas amostras, não foi suficiente para o es-
tudo proposto.
Distribuição vertical: o zooplâncton, normalmente, realiza movi-
mentos de migração vertical, ou seja, deslocamentos verticais na coluna d'água, cujas
causas não estão ainda bem determinadas. Entre os fatores que podem influenciar
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este movimento, têm sido relacionados, mais comumente, a luz, alimentação e a tem-
peratura.
Nas amostragens de superfície da Lagoa Negra, foi notado um pequeno nú-
mero de indivíduos adultos da espécie N. incompositus, na maioria dos meses (tab. |).
O mesmo foi constatado por BURGIS (1969), que atribuiu o fato a uma possi-
vel grande mortalidade dos estágios larvais.
Considerando-se os resultados das contagens das amostras da Lagoa Negra,
onde verificou-se que os estágios larvais foram mais frequentes que os adultos em
superfície, formulou-se a hipótese de que os últimos estariam realizando movimen-
tos migratórios durante as horas de maior insolação, apesar da baixa transparência
das águas (4 e bem) e da pouca profundidade (média 1,50m).
Para testar esta hipótese, foram realizadas, no período de 24 horas, quatro co-
letas superficiais em um único ponto central com a profundidade máxima apresen-
tada pela lagoa (3,00m). As coletas foram realizadas às 18, 22, 7 e 16 horas.
Foi constatado (tab. IX) um aumento significativo de adultos às 22 horas, su-
perando o número de copepoditos e náuplios, em oposição ao resultado das horas
de iluminação. Os copepoditos e náuplios apresentaram os maiores valores em ho-
ras de luminosidade razoável (18 e 7 horas) e diminuíram nas horas de ausência com-
pleta de luz (22 horas) ou de muita luz (16 horas).
Estes resultados permitem supor que, na Lagoa Negra, os adultos desta espé-
cie realizem movimentos verticais diferentes daqueles dos demais estágios; no en-
tanto, acredita-se que estes dados preliminares não sejam suficientes para afirma-
ções conclusivas e que devem servir de base para futuros trabalhos.
O acompanhamento e execução de perfis de 24 horas permitirão a exata de-
terminação de movimentos dos estágios de desenvolvimento desta e das outras
espécies.
Pode-se apontar a luz como um fator relacionado ao movimento, apesar da
água apresentar-se sempre escura durante o período de 24 horas, com 4 ou 5 centi-
metros de transparência e muita matéria orgânica em suspensão, sugerindo pouca
penetração de luz.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
O mesoplâncton, na Lagoa Negra, mostrou-se constituído, no período de abril
de 1979 a abril de 1980, primordialmente por Copepoda (88,7%), seguida pelos Cla-
docera (10,7%), Rotifera (0,43%) e Arachnida (0,15%).
Foi constatada a presença de apenas uma espécie calanóide, dominante; oito
espécies ciclopóides e quatro harpacticóides.
Ocorreram dois picos de abundância no zooplâncton: um na primavera de 1979
e outro no outono de 1980. O primeiro pico deveu-se, exclusivamente, à espécie ca-
lanóide N. incompositus e seus estágios de desenvolvimento. O segundo pico
relacionou-se com os Copepoda, Cladocera e Rotifera. Este pico foi superior ao da
primavera e, após estes aumentos, não foi constatado um decréscimo de plancton-
tes, o que seria de se esperar, de acordo com WELCH (1952), HUTCHINSON (1967)
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122 FALLAVENA, M.A.B.
e PAGGI (1976). Estes autores citam depressões após os picos, provavelmente cau-
sadas por uma alta concentração de metabolitos nitrogenados e falta de alimentos.
Não foi detectada, com coletas aproximadamente mensais, uma sucessão de
estágios de desenvolvimento da espécie calanóide. O mesmo foi constatado por BUR-
GIS (1969), no lago tropical de pouca profundidade, Lake George, África e por JU-
LIANO DE CARVALHO (1975) na Represa Americana, São Paulo.
Houve predominância dos estágios larvais de N. incompositus, na maioria das
estações do ano e pontos de coleta (fig. 40).
N. incompositus distribuiu-se horizontalmente na lagoa, por overdispersion,
ou seja, agrupamentos em determinadas áreas do corpo d'água e ausência ou pe-
quena frequência em outras. Os valores mais altos ocorreram em abril de 1980, devi-
do à grande concentração do zooplâncton na estação H. As causas para justificar
este fato não foram encontradas nos dados físicos e químicos amostrados na ocasião.
Foram constatados movimentos verticais dos Copepoda (N. incompositus) e
Cladocera, apesar da baixa transparência e pouca profundidade da lagoa.
A Lagoa Negra, caracterizada por VOLKMER-RIBEIRO (1981) como lago tro-
pical de terceira ordem e incluída na série de águas negras proposta por Thieneman,
pelas suas condições limnológicas (grande quantidade de matéria orgânica em sus-
pensão e pH ácido), sugeria, a princípio, uma pequena quantidade de fauna planc-
tônica. Isto ocorreu nos primeiros meses de coleta, em todas as estações. No en-
tanto, um aumento crescente envolveu os Copepoda, Cladocera e Rotifera, em nú-
mero de ind. /m3, de setembro de 1979 até abril de 1980. O número de espécies não
apresentou modificações sazonais, mantendo-se sempre constante. Verificou-se, por-
tanto, que as águas negras da lagoa em estudo, apresentam condições favoráveis
para a vida planctônica, intimamente relacionadas às variações sazonais. Mostraram,
além da quantidade razoável de zooplâncton, um comportamento segundo os pa-
drões clássicos, considerando picos de abundância horizontal e vertical.
AGRADECIMENTOS
A Dra. Cecilia Volkmer Ribeiro, da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, pela orienta-
ção, incentivo, críticas e sugestões, no decorrer do trabalho; à Prof? Norma Luiza Würdig, da Universi-
dade Federal do Rio Grande do Sul, pela gentileza do empréstimo de material de coleta e bibliografia;
ao Dr. Gerd Oltmann Brandorff, do Max-Planc-Institut für Limnologie, Plön, Dr. Hans Jakobi, da Uni-
versidade Federal do Paraná e Dra. Monica Montú, pelo envio de bibliografia e sugestões na determina-
ção dos copépodes. Ao Dr. J.C. Paggi, do Instituto de Limnologia de Santa Fé, pela determinação dos
Cladocera; ao Prof. Francisco Jardim, Diretor do Instituto de Biociências da Pontifícia Universidade Ca-
tólica do Rio Grande do Sul e ao Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande
do Sul, pelo uso de material permanente e dependências; aos funcionários destas instituições, pelo au-
xílio nos trabalhos de campo e laboratório.
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Composição e variação sazonal e... 23
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Figs. 1-9. 1-3. Notodiaptomus incompositus: 1. quinta pata d ;2.quintapata P ;3. último segmento
torácico, abdômen e furca P ;4. Eucyclops ensifer - quinta pata P ;5. Macrocyclops albidus: quinto
e sexto pares de patas e abdômen d , copepodito. 6. Macrocyclops ater - quinta pata © ; 7-9. Tro-
pocyclops prasinus d ; 7. primeiro par de patas; 8. terceira pata; 9. quinta pata.
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Figs. 10-15. 10-11. Tropocyclops prasinus. & : 10. abdômen e furca, com o quinto e sexto pares de pa-
tas; 11. quarta pata. 12-13. Paracyclops fimbriatus 9 : 12. último segmento torácico com quinto par de
patas, abdômen, receptáculo seminal e furca; 13. quinta pata; 14-15. Mesocyclops longisetus P : 14.
vista ventral, sem apêndices, com receptáculo seminal; 15. quinto par de patas, abdômen e furca.
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Composição e variação sazonal e... 25
Figs. 16-26. 16-21. Microcyclops aneps 9 : 16. primeira pata; 17. segunda pata; 18. quinta pata; 19. ter-
ceira pata; 21. quarta pata; 20. abdômen, quinto e sexto pares de patas do & . 22-26. Phyllognathopus
viguieri © : 22. segunda pata; 23. primeira antena; 24. quarta pata; 25. quinta pata; 26. furca..
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):3-30, 15 de outubro 1985
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Figs. 27-39. 27-32. Attheyella furhmani P : 27. primeira pata; 28. segunda pata; 29. terceira pata; 30.
quarta pata; 31. quinta pata; 32. quinta pata d „33-39. Elaphoidella bidens coronata. 9 : 33. primeira
pata; 34. primeira antena; 35. furca; 36. terceira pata; 37. quarta pata; 38. segmento genital, receptácu-
lo seminal e sexto par de patas; 39. quinta pata.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):3-30, 15 de outubro 1985
Composição e variação sazonal e... 27,
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Fig. 40: Porcentagem dos estägios de desenvolvimento de N. incompositus, no periodo de abril de 1979
a abril de 1980.
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Fig. 41: Variação do número dos estágios de desenvolvimento do copépode N. incompositus e cladöce-
ros, no período de abril de 1979 a abril de 1980. Os valores estão representados em logaritmos.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):3-30, 15 de outubro 1985
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Fig. 42: Mapa esquemático da Lagoa Negra, com as estações e coleta assinaladas. De acordo com
VOLKMER-RIBEIRO, 1981.
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Fig. 43: Mapa esquemático do Estado do Rio Grande do Sul, indicando o Parque Estadual de Itapuã,
Viamão.
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Melanismo em serpentes do gênero Lygophis Fitzinger, 1843 (SER-
PENTES, COLUBRIDAE), no nordeste do Brasil *
Thales de Lema*
RESUMO
Descrevemos algumas serpentes melänicas de Lygophis lineatus dilepis Cope, 1862 e Lygo-
phis paucidens Cope, 1952, procedentes do nordeste do Brasil, encontradas em um trabalho de levanta-
mento de herpetofauna do Estado de Pernambuco e äreas vizinhas.
ABSTRACT
Descriptions of some snakes of Lygophis lineatus dilepis Cope, 1862 and Lygophis paucidens Hoge,
1952, collected in northeastern Brazil during an expedition in the Pernambuco State and adjacent areas,
are provided.
INTRODUÇÃO
Durante o segundo semestre de 1969 realizamos diversas excursões de coleta
ao nordeste do Brasil, interior e capital do Estado de Pernambuco, assim como a es-
tados vizinhos. Comentários dessas excursões de coleta encontram-se em LEMA
(1970). No material coletado de serpentes do gênero Lygophis Fitzinger, 1843, en-
contramos alguns exemplares melânicos de Lygophys lineatus dilepis Cope, 1862 e
Lygophis paucidens Hoge, 1952 (LEMA ms).
MATERIAL E MÉTODOS
Os exemplares descritos estão depositados na coleção de répteis do Museu de Ciências Naturais
da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN), Porto Alegre.
As medidas são apresentadas em milímetros aferidas com trena metálica e paquímetro de reló-
gio de precisão aproximadas em 0,05mm. Os exemplares encontram-se um pouco desidratados.
* Aceito para publicação em 28.X11.1984. Contribuição FZB nº 306.
** Pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotänica do Rio Grande do Sul (MCN) e Bolsista do Conselho Nacio-
nal de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processo 30-6090/83). Caixa Postal 1188, 90000 Porto Alegre, RS, Brasil.
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32 LEMA, T. de
Na descrição da folidose usamos as seguintes convenções para as estruturas: AN, anal; DO, es-
camas dorsais; FR, frontal; GU, gulares; IL, infralabiais; IN, internasaias; LO, loreal; MA, mentais ante-
riores; MM, mentais; MP, mentais posteriores; NA, nasais; OC, ocular; PA, parientais; PF, pré-frontais;
PRO, pré-oculares; PSO, pós-oculares; RO, rostral; SC, subcaudais; SI, sinfisal; SL, supralabiais; SOC,
supraoculares; TA, temporais anteriores; TE, terminal; TP, temporais posteriores; TT, temporais; VE, es-
cudos ventrais; D/E, estruturas pares. Os números romanos empregados indicam a posição dos fâne-
ros em questão. Os desenhos foram feitos pelo autor. Os exemplares de L. paucidens são descritos de-
talhadamente face à raridade da espécie. Os de L. lineatus dilepis são descritos nos aspectos variáveis
aos conhecidos (dados merísticos e de coloração).
Descrição dos esp&cimens de Lygophis lineatus dilepis.
MCN 5637 — Juazeiro do Norte, Ceará; fêmea, adulto (figs. 1-2). Lepidose:
LO estreito e alto à direita, pouco mais alto que longo à esquerda: IL 10/11; VE 1+182;
SC 72/72; TE (cortado). Coloração: cabeça escura dorsalmente, com SL amarela-
das, faces inferiores brancacentas; lado dorsal da cabeça, com estria mediana na lon-
gitudinal escura, evidente, apresentando o centro castanho anegrado e as margens
pretas em forma de linhas delimitantes, desde a ponta do focinho; tronco dorsalmente
melânico apresentando três estrias longitudinais nítidas, de cor castanha margina-
das de preto, as estrias laterais são de largura, cada uma, de 2/3+2+2/3 DO, as es-
trias estreitam-se para o fim do tronco ficando da largura de 2/3+1+2/3 DO cada;
os espaços entre elas são anegrados no pescoço e no primeiro terço do corpo, cla-
reando gradativamente para trás, cada DO dos interespaços entre estrias é margina-
do de branco o que realça a linha preta delimitante, lados inferiores sob estrias da
largura de 3+1/3 DO, sendo brancacentas, cada DO é escurecida centralmente por
fino pontuado preto; a cauda dorsalmente é muito mais clara que o resto do corpo
e as estrias longitudinais são castanho claras. A face ventral é branca até início do
tronco, escurecendo fortemente nas primeiras VE até cerca da XL VE, depois cla-
reando para trás até ficar branco imaculado até a ponta da cauda; o escurecimento
das VE é formado por fina pontuação preta que se condensa em manchas irregula-
res na base de cada VE. Dentes maxilares 15+2. Medidas: comprimento da cabeça
22, tronco 450, cauda 147, total 619; a cauda é cerca de 1/4 do total.
MCN 5638 — Juazeiro do Norte, Ceará; macho, adulto (figs. 16-17). Lepido-
se: LO mais alto que longo e inclinado para frente; IL 10/11, |W/|I-VI tocando MA (di-
visão do IV IL); VE 1+180; SC 80/80; TE longo e afilado. Coloração: lado dorsal da
cabeça claro amarelado, com estria mediana difusa no início devido à presença de
fino e irregular pontilhado preto, a estria torna-se evidente do meio da cabeça para
o corpo até a ponta da cauda, a estria vertebral é da largura de 3/4+3+3/4 DO ini-
cialmente, passando para 1/2+3+1/2 DO no meio do corpo e para 1/2+1+1/2 DO
posteriormente, estrias laterais da largura de 1/2+2+1/2 DO inicialmente passando
para 1/5+2/3+1+2/3+1/5 DO posteriormente. Na região anterior do corpo as es-
trias são anegradas logo tornando-se castanhas, posteriormente, onde as margens
tornam-se evidentes, interespaços entre estrias brancas, com as DO internamente
manchadas de preto no princípio do primeiro terço, passando para sombreadas in-
ternamente com margens brancas no meio do corpo; para trás os interespaços fi-
cam brancos, as estrias desaparecem no fim do tronco e cauda, restando apenas a
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):31-40, 15 de outubro 1985
Melanismo em serpentes do... 33
estria vertebral que aí é-clara, lados do tronco sob estrias da largura de 3,5 DO em
cada lado, cada DO é levemente escurecida por fino pontuado preto. Ventre imacu-
lado desde o mento até a ponta da cauda. Hemipênis pigmentados de preto em suas
faces internas e os pontos unem-se em estrias longitudinais. Dentes maxilares 15+2.
Medidas: comprimento da cabeça = tronco, 330, cauda 125, total 473; a cauda &
cerca de 1/4 do total.
MCN 5639 — Juazeiro do Norte, Ceará; fêmea, jovem. Lepidose: LO mais alto
que largo, inclinado para frente; IL 10/10; MA maiores que MP em largura e compri-
mento; MP fortemente divergentes entre si, formando a figura de “V”, cujo vértice
volta-se para trás; VE 14173; SC 68/68. Coloração: zona supracefälica com o início
da estria mediana difuso por pontuação, SL amarelados com as margens superiores
tarjadas de preto pela linha preta lateral, zona vertebral melânica clareando poste-
riormente; estria vertebral da largura de 1/2+3+1/2 DO no pescoço, passando para
1/3+3+1/3 DO no meio do tronco para trás, estrias laterais cada uma da largura de
3/4+2+3/4 DO na altura do pescoço, passando para 1/2+2+1/2 DO no meio do
tronco para trás, as estrias estreitam-se gradativamente para trás, desaparecendo as
laterais na cauda e passando, antes disso, ao aspecto de simples linhas escuras, in-
terespaços entre estrias com DO marginadas de branco e centro preto que, para trás,
clareiam, mas não só no último terço as DO ficam brancas, lados sob estrias bran-
cos inicialmente, mas logo escurecem para trás devido à condensação de fino pon-
tuado preto o qual apenas desaparece no último terço, voltando a serem brancos os
lados. Ventre inteiramente branco. Dentes maxilares 13+1/13+2. Medidas: compri-
mento da cabeça 14, tronco 212, cauda 65, total 291: a cauda é mais de 1/4 do total.
MCN 5640 — Juazeiro do Norte, Ceará; macho, adulto (partido ao meio). Le-
pidose: IL 10/10; VE 2+176; SC 76/75; TE (cortado). Coloração: face dorsal escura;
lado dorsal da cabeça melânico, com estria mediana nítida desde o focinho, como
no espécimen MCN 5637; estrias laterais castanho-anegradas com interespacos es-
curos; lados pleurais escuros. Ventralmente todo o animal é melânico, intensamente
manchado de fino pontuado preto, cujos pontos, quando superpostos, formam pe-
quenas manchas irregulares. Dentes maxilares 15+2. Medidas impossíveis de aferir.
Descrição dos espécimens de Lygophis paucidens.
MCN 5635 — Garanhuns, Pernambuco; fêmea, jovem (figs. 3-7, 14-15). Mor-
fologia: cabeça, tronco e cauda muito delgados e longos; cabeça estreita, focinho
projetado, longo, escudos supracefálicos maiores, muito longos e estreitos (FR, SOC,
PA), olhos grandes, aspecto geral de colubrídeo arborícola. Lepidose: PRO 1/1, am-
bos atingem a superfície supracefálica e ambos tocam FR, PSO 2/2, superior muito
maior que o inferior, TT 1-2/1-2, TA mais longo e mais baixo que TP, SL 8/8, IV-V
atingindo OC, IL 10/10, |-V tocam MA, MA quase do mesmo comprimento que MP
porém mais largos e completamente unidos entre si, enquanto os MP são estreitos,
curvos para fora, divergindo posteriormente, possuindo ápices acuminados, GU muito
longos e estreitos, dispostos em quatro filas de cada lado entre IL e primeiro VE, LO
pouco mais longo que alto, um tanto assimétrico em cada lado, demais escudos ce-
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):31-40, 15 de outubro 1985
34 LEMA, T. de
fálicos iguais ao holótipo (HOGE, 1952a), DO 17-17-15, alongadas, sendo as paraven-
trais as maiores, as DO vertebrais são muito longas e estreitas, todas as DO são lisas,
sem fossetas apicais, VE 14174, AN 1/1, SC 68/68, TE muito longo e afilado. Colo-
ração: cabeça amarelada, face dorsal tri-estriada longitudinalmente, as estrias são
castanhas e marginadas por linha preta que se continua da cabeça para todo o tron-
co e cauda; a estria vertebral surge nos IN e segue evidente até o pescoço enqua-
drando dentro de si o FR, as metades internas dos SOC e PA; as estrias laterais ini-
ciam no RO e seguem pelos lados do corpo, enquadrando os OC; o primeiro terço
dorsal é melânico e as estrias laterais ficam indistintas nessa área, enquanto que a
vertebral fica castanha e pouco distinta do fundo escuro; do meio do tronco para
trás a zona dorsal vai ficando mais clara e as estrias tornam-se evidentes gradativa-
mente: toda a zona vertebral é bem delimitada pelas linhas pretas externas das es-
trias laterais; as DO da zona vertebral melânica são marginadas de branco, exceto
as atingidas pela estria vertebral; as estrias laterais estreitam-se para trás até ficarem
linhas pretas somente, ficando o padrão de desenho nesse trecho semelhante ao de
L. lineatus lineatus; na parte final da cauda a cor dorsal é muito clara (pardo-
amarelada); os lados claros do corpo sob estrias são da largura de 3+1/2 DO em ca-
da lado, mas a IV fila escurece gradativamente com o aumento de pontos pretos di-
minutos que atingem as filas inferiores inicialmente terminando por sombrear todo
o lado; todas as faces inferiores são brancas. Dentes maxilares 11+2, presas gran-
des, lisas. Medidas: comprimento da cabeça 14, tronco 260, cauda 80, total 354, a
cauda é cerca de 1/4 do total.
MCN 5636 — Garanhuns, Pernambuco; macho, jovem (fig. 8-13). Morfologia:
exemplar mais robusto que a fêmea (MCN 5635), cabeça um pouco mais larga e es-
cudos supracefálicos largos em relação à fêmea. Lepidose: PRO 1/1, não tocam FR;
PSO 2/2; TT 1-2/1-2; SL 8/8, IV-V/IV-V tocam OC; IL 10/10, I-V/I-V tocam MA, que
säo semelhantes aos MP, mas estes divergem entre si posteriormente; DO 17-17-15;
VE 2+166; AM 1/1; SC 69/69; TE afilado. Coloração: semelhante ao espécimen MCN
5635, mas com lados pleurais escurecidos por fino pontuado preto, cujos pontos
dispöem-se irregularmente por quase todas as DO, condensando-se gradativamen-
te para trás do corpo e mais proximamente junto às estrias laterais, tornando as mar-
gens dessas indistintas; a zona vertebral não é tão escura como no espécimen MCN
5635 e logo passa para castanha do meio do corpo para trás; sobre a cabeça as es-
trias longitudinais surgem evidentes no RO se bem que estão entremeadas de pon-
tos pretos que escurecem a face supracefálica; a estria vertebral é castanho anegra-
da no primeiro terço do corpo, clareando para trás e estreitando-se; as estrias laterais
seguem nítidas até curto trecho do pescoço para logo ficarem indistintas na região
melânica anterior do tronco, onde a melanina condensa-se sob forma de linhas lon-
gitudinais medianas em cada DO, semelhando carenas; no fim do tronco as estrias
laterais reduzem-se a simples linhas pretas e, pouco antes do término da cauda, uma
das linhas bifurca-se originando estrias finas de fundo claro marginadas de preto; a
cauda é conspicuamente mais clara que o resto do corpo e as estrias longitudinais
são pardo-amareladas ao final. Dentes maxilares 10+2. Medidas: comprimento da
cabeça 12, do tronco 198, da cauda 63, total 273, sendo que a cauda representa cer-
ca de 1/4 do total.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):31-40, 15 de outubro 1985
Melanismo em serpentes do... 35
COMENTÄRIOS E CONCLUSÖES
Os espécimens que descrevemos aqui possuem elevada taxa de melanina que
se concentra mais na região anterior do corpo, exceto na face ventral, de um modo
geral. As estrias laterais são as mais escurecidas e os lados do corpo são sombrea-
dos por fino pontuado preto, mas, do meio do tronco para trás todos os espécimens
em mãos são claros. Isto é digno de nota porque se observa uma melanização par-
cial, e não de todo o corpo do exemplar, como sempre temos visto em exemplares
melänicos de escamados em geral. A nosso ver, isso pode ser uma modificação fe-
notípica regional.
No caso de L. lineatus dilepis vimos diversos exemplares do Ceará, Pernam-
buco e Paraíba. Todos mostravam a coloração dorsal primária branco-amarelada e
as estrias longitudinais anegradas com interespaços brancos. Isso é possível apreciar-
se na ilustração de VANZOLINI et al. (1980), de um exemplar vivo de Exú, extremo
NW de Pernambuco.
No caso de L. paucidens, observando o holótipo pela figura de HOGE (1952a),
notamos que a coloração primária dorsal é clara, com as estrias evidentes, e só a zo-
na vertebral é mais escurecida que as zonas pleurais sob estrias.
Segundo HOGE (1952b) o loreal em L. lineatus dilepis é mais ou menos isomé-
trico, porém, nos quatro exemplares descritos ele é mais alto que longo e inclinado
para diante. Quanto à L. paucidens, HOGE (1952a) afirma que os quatro primeiros
IL contatam com os MA, mas nos dois exemplares aqui descritos, são os cinco pri-
meiros que tocam os MA, como em L. lineatus dilepis. Não sabemos se HOGE viu
isso apenas no holótipo ou nos demais exemplares da descrição original (parátipos).
Se for apenas no espécimen-tipo poderá ser uma simples anomalia. O espécimen
MCN 5635 de L. paucidens possui os PRO tocando o FR o que deve ser uma ano-
malia, porque o exemplar MCN 5636 segue a descrição original. Por outro lado, essa
ocorrência pode baixar a confiabilidade no caráter.
L. paucidens é muito próxima de L. lineatus dilepis como de Lygophis linnea-
tus linneatus (Linnaeus, 1758). Por outro lado, examinando exemplares dos taxa me-
ridionais do mesmo gênero, notamos que todas as espécies do gênero são muito pró-
ximas entre si e uma revisão com base em exemplares de toda a área de ocorrência
do gênero, impõe-se, a fim de comprovação do status das subespécies e mesmo
das espécies.
AGRADECIMENTOS
Lembramos saudosos o Prof. Dr. Dárdano de Andrade Lima, ex-Chefe do Departamento de Eco-
logia do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Pernambuco que, pelo seu convite, propiciou-
nos conhecer a herpetofauna do nordeste do Brasil, como pela atenção que nos dispensou durante nossa
estada em Recife. Ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, na pessoa de seu ex-governador, Gene-
ral Walter Peracchi Barcellos, por nos ter dado apoio financeiro à viagem ao nordeste do Brasil.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):31-40, 15 de outubro 1985
36 LEMA, T. de
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):31-40, 15 de outubro 1985
Melanismo em serpentes do... 37
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Fig. 1-5. Lygophis paucidens Hoge, 1952, espécimen melânico (MCN 5635), 9 , Garanhuns,
Pernambuco, Brasil; 1. cabeça, vista dorsal; 2-5. aspecto esquemático do padrão cromático; 2. região
cervical; 3. região anterior do tronco; 4. região posterior do tronco; 5. região caudal.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):31-40, 15 de outubro 1985
LEMA, T. de
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Fig. 6-11. Lygophis paucidens Hoge, 1952, espécimen melänico (MCN 5636), d , Garanhuns,
Pernambuco, Brasil. 6. cabeça, vista dorsal; 7-11. aspecto esquemático da coloração dorsal; 7. região
cervical; 8. região anterior do tronco; 9. região média do tronco; 10. região posterior do tronco; 11. re-
gião entre tronco e cauda.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):31-40, 15 de outubro 1985
Melanismo em serpentes do... 39
Fig. 12-13. Lygophis lineatus dilepis Cope, 1862, espécimen melânico (MCN 5637), 9 , Juazei-
ro do Norte, Ceará, Brasil; 12-13. aspecto esquemático do padrão dorsal; 12. região cervical; 13. região
média do tronco.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):31-40, 15 de outubro 1985
LEMA, T. de
40
17
Fig. 14-17. 14-15. Lygophis paucidens Hoge, 1952, MCN 5635, 9 , melânico, Garanhuns, Per-
nambuco, Brasil; 14. cabeça, vista dorsal; 15. vista geral dorsal; 16-17. Lygophis lineatus dilepis Cope,
1862, espécimen melânico MCN 5638, & , Juazeiro do Norte, Ceará, Brasil; 16. cabeca, vista dorsal;
17. vista geral dorsal.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):31-40, 15 de outubro 1985
Aspectos morfológicos e biológicos de uma população de Gun-
dlachia concentrica (Orbigny, 1835) (Mollusca, Ancylidae) de um acu-
de do sul do Brasil*
Rosane Maria Lanzer**
Inga Ludmila Veitenheimer-Mendes***
RESUMO
O presente trabalho relata aspectos morfológicos e biológicos de uma população de Gundlachia
concentrica (Orbigny, 1835) de um açude localizado no Morro Santana, Porto Alegre, Rio Grande do
Sul, Brasil (30º03'45" e 30º03'50"'S e 51º08'06” e 51º08'15"W). O trabalho de campo foi realizado no
período compreendido entre setembro de 1977 a dezembro de 1978.
São abordados aspectos inéditos envolvendo relações espécie-ambiente, dados relativos à re-
produção e desenvolvimento, aspectos conquiliológicos e morfológicos da população, visando forne-
cer subsídios que auxiliem na definição da espécie.
Conclui-se sobre a importância do substrato na distribuição e abundância da espécie. Constata-
se uma correlação significativa entre comprimento total e altura da concha, bem como entre a largura
das regiões anterior e posterior da concha. Determina-se o número de ovos por cápsula ovígera e o res-
pectivo tempo de eclosão, em laboratório, durante a primavera.
ABSTRACT
Morphological and biological features of a population of Gundlachia concentrica (Orbigny, 1835)
from a dam located at Morro Santana, Porto Alegre, Rio Grande do Sul State, Brazil (30º03'45" and
30º03'50"'S and 51º08'06" and 51º08'15"'W) are provided. The work field was conducted from septem-
ber 1977 to december 1978.
New aspects are reported involving the species-environment relationships, information about re-
production and development, conchological and morphological aspects of the population in order to
provide data for the definition of the species.
It is pointed out the importance of the substract in the distribution and quantity of individuals
of the species. The correlation between the width of the anterior and posterior region of the shell was
found to be significant. The period from egg laying to hatching of the offsprings was determined under
laboratory conditions.
* Aceito para publicação em 31.V.1985. Contribuição FZB nº 311.
** Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, Proc. 111.0181/76) no Museu de Ciências
Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN), Caixa Postal 1188, Porto Alegre, RS, Brasil.
*** Pesquisadora e Bolsista do CNPq (Proc. 30.6082/76) no MCN.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
42 LANZER, R.M. & VEITENHEIMER-MENDES, I.L.
INTRODUÇÃO
ORBIGNY (1835) descreve Gundlachia concentrica dentro do gênero Ancylus
Muller, 1744. A diagnose, baseada em material procedente de Montevideo, Uruguai,
fornece medidas e caracteriza a concha referindo-se às finíssimas estrias radiais que
ornamentam sua parte anterior.
HUBENDICK (1964), utilizando exemplares procedentes da Venezuela e Brasil
(Nova Teutonia, Brazil [sic]), descreve a concha e as partes moles de Ucancylus con-
centricus. Discute, também, a validade e a prioridade do gênero Gundlachia Pfeif-
fer, 1849 em relação a Hebetancylus Pilsbry, 1914, Ucancylus Pilsbry, 1914 e Anisancy-
lus Pilsbry, 1924, acreditando que as diferenças existentes entre os quatro táxons se-
riam mais de valor específico do que genérico. Conclui que, por prioridade, Gundla-
chia deve ser o nome utilizado ficando os outros três em sua sinonímia.
HUBENDICK (1967) define o form-group G. concentrica com base em ca-
racteres conquiliológicos fornecendo a seguinte distribuição geográfica: norte da Cos-
ta Rica, Venezuela, Equador, Colombia, Peru, Brasil (Bahia; Pedro Leopoldo, Minas
Gerais; Nova Teutonia, Santa Catarina; rio Camayuam [sic]), Chile, Argentina e Uru-
guai. WURTZ (1951) menciona esta espécie para Porto Rico e Patagônia, citando para
o Paraguai Hebetancylus culicoides Orbigny, 1835, que é considerada por HUBEN-
DICK (1967) sinônimo de G. concentrica. Outras citações para o Paraguai são forne-
cidas por SCHADE (1965), FERNANDEZ (1981) e QUINTANA (1982). HYLTON-
SCOTT (1963) refere como um dos limites meridionais na Argentina a latitude de 46º.
Registros desta espécie para o Rio Grande do Sul são dados por KLEEREKO-
PER (1944, 1955), BURCH (1974) e LANZER (1983), para a região costeira do Estado.
LOPES-PITONI et alli (1984) citam G. concentrica associada à Salvinia auriculata,
no açude, local do presente trabalho.
Referências quanto ao substrato, habitat e fauna associada a G. concentrica
são encontradas em ORBIGNY (1835), BOURGUIGNAT (1853), KLEEREKOPER
(1944, 1955), FIGUEIRAS (1964), SCHADE (1965), FERNANDEZ (1981), LANZER
(1983), LANZER & SCHAFER (1984), LOPES-PITONI et alii (1984).
O presente trabalho objetiva fornecer dados sobre a conquiliologia, morfolo-
gia, rádula e aspectos inéditos da reprodução, desenvolvimento, habitat e hábito de
G. concentrica, ocorrente em um açude localizado em área urbana, como subsídios
para a definição taxonômica da espécie.
MATERIAL E MÉTODOS
O material é procedente de um açude localizado no Morro Santana (30º03'45" e 30º03'50"'S e
91º08'06” e 51º08'15'""W), área urbana de Porto Alegre. As coletas foram realizadas mensalmente no pe-
riodo de setembro de 1977 a dezembro de 1978 (exceto o mês de agosto).
Amostras qualitativas dos ancilídeos foram obtidas através do exame da vegetação aquática, de
folhas e galhos caídos das árvores marginais, e de sedimento previamente passado por peneira de ma-
lha fina (0,8mm de diâmetro).
Exemplares, bem como posturas, foram mantidos em aquários com água do açude para obser-
vações de cópula, posturas e eclosão das mesmas.
A conquiliometria foi feita ao estereomicroscópio com auxílio de ocular micrométrica, sendo uti-
lizados exemplares (n=192) coletados no período compreendido entre setembro/77 e outubro/78 (des-
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
Aspectos morfológicos e biológicos de... 42
u —
prezados exemplares de comprimento inferior a2mm). As medidas estäo expressas em milimetros (mm).
Aplicou-se o cálculo de Correlação Linear Produto-Momento de Pearson entre o comprimento total e
altura, e entre a largura anterior e largura posterior da concha. A largura posterior foi aferida logo após
o ápice, e a anterior na porção mais larga da concha. Para a obtenção dos índices adaptou-se o método
citado por VEITENHEIMER (1973):
IAC = índice da altura da concha pelo comprimento total.
ILP=indice da largura posterior em relação à largura anterior.
Os desenhos basearam-se em espécimes vivos, anestesiados com mentol, e espécimes fixados
em álcool 70%.
A rádula, extraída do saco radular, foi separada dos restos orgânicos com auxílio de KOH con-
centrado até que ficasse totalmente limpa, sendo lavada em água, distendida e montada em Bálsamo
do Canadá, não tendo sido utilizado corante. Foram examinadas seis rádulas, em aumentos de 400 x (ocular
10x e objetiva 40x) e 1000x (ocular 10x e objetiva 100x).
Foi feita a análise granulométrica do sedimento marginal.
As medidas físicas e químicas, que acompanharam as coletas foram: profundidade, temperatu-
ra da água, oxigênio dissolvido (método de Winkler — mg/I de 05), matéria orgânica (consumo de oxi-
gênio por permanganato de potássio em meio ácido — mg/| de 05), pH (aparelho Digi-Sense Cole Par-
mer), teor de Cálcio na água (método complexométrico com EDTA — mg/| Ca), determinação do con-
teúdo bacteriano total (CBT pelo método de contagem em gelose agar — Org./ml) e coliformes (teste
presuntivo por caldo lactosado em caldo verde brilhante — org. /100ml). As amostras de água foram co-
letadas mensalmente no período da manhã a 20cm de profundidade. A determinação do conteúdo bac-
teriano e do teor de cálcio foi obtida a partir de março e a dos coliformes totais foi realizada a cada três
meses (março, junho, setembro e dezembro). Analisaram-se, ainda, os tipos de substrato preferido por
G. concentrica.
Os exemplares utilizados no presente trabalho, estão incluídos na coleção malocológica do Mu-
seu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN) sob os lotes: 5201,
5360, 5408, 5550, 5621, 5623, 5625, 5634, 5617, 5701, 5800, 5803, 5848, 7096, 1336.
As características morfométricas do açude foram obtidas através do mapa da Grande Porto Ale-
gre (CONSELHO METROPOLITANA DE MUNICÍPIOS, 1972).
RESULTADOS
Área de estudo (fig. 1): o açude, localizado no Morro Santana, encontra-
se a uma altitude de 95m. Apresenta forma triangular com uma superfície de 5km2.
A profundidade máxima registrada foi 4,3m, verificada junto à área de captação de
água para abastecimento de moradores locais. O açude recebe dois tributários, a nor-
deste e a leste. Na margem noroeste, localiza-se o vertedouro o qual torna-se total-
mente seco durante os períodos de estiagem como ocorreu durante o período de
janeiro a maio de 1978. Seu volume hídrico depende do balanceamento entre a pre-
cipitação e evaporação.
As mácrofitas encontradas no açude durante o ano de 1978 foram Salvinia au-
riculata Aublet, cuja cobertura variou ao longo do ano, e em menor abundância Sal-
vinia rotundifolia Willd e Nymphoides humboldtianus O. Ktze. O sedimento margi-
nal está constituído de cascalho (seixo e grânulo) e areia (muito grossa a muito fina).
Concha (fig. 1): pateliforme, geralmente fina e translücida. Abertura oval,
com a região anterior mais larga que a posterior (fig. 4), entretanto em alguns exem-
plares esta diferença é muito pequena e a abertura tende a um formato elíptico (fig.
3, 5), concordando com HUBENDICK (1967). ILP variou entre 0,33 a 0,9.
A coloração varia do amarelo claro ao castanho escuro, com uma pigmenta-
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
1A LANZER, R.M. & VEITENHEIMER-MENDES, I.L.
Giro =
cäo irregular, em forma de pontos castanhos avermelhados ou pretos. Dos exem-
plares coletados no mês de setembro, 23,7% apresentaram-se totalmente
esbranquiçados.
O ápice agudo, recurvado para baixo e com uma pequena área dorsal achata-
da, está localizado à direita da linha mediana, no terço posterior da concha. Entre-
tanto, poucos exemplares foram encontrados com ápice perfeito, geralmente o mes-
mo apresentava-se desgastado. A projeção vertical do ápice pode não alcançar a borda
da concha (conchas elípticas, fig. 5), sobrepor-se a ela (fig. 3) ou mesmo ultrapassá-
la (conchas ovais, fig. 4).
A ornamentação está caracterizada pela presença de uma fina esculturação
concêntrica e por uma escultura radiada, aparecendo esta, principalmente, na região
anterior e posterior esquerda (fig. 5). Entretanto, há exemplares em que estas estrias
radiadas chegam a recobrir toda a superfície da concha. Exemplares coletados nos
meses de setembro e outubro de 1978 (MCN 5800, 5803) apresentam sobre a escul-
tura radiada, diminutos pêlos (fig. 6) que, segundo HUBENDICK (1967:39), se origi-
nam do perióstraco.
O exemplar de maior tamanho, coletado em setembro de 1978, apresenta
7,6mm de comprimento x 4,5mm de largura x 2,9mm de altura. O IAC variou entre
0,21 e 0,60. Os valores médios com relação as medidas da concha estão representa-
dos na Tabela |.
O coeficiente de correlação entre o comprimento total e altura é de r=0,82,
significativo para « =0,05 (fig. 10).
O coeficiente de correlação entre a largura das regiões anterior e posterior é
de r=0,85, significativo para « =0,05 (fig. 11).
A equação da reta de regressão, estimada para a relação comprimento e altu-
ra, é de: Y=0,19+0,31x (P = 0,001) (fig. 10).
A equação da reta de regressão estima para a relação entre a largura da região
anterior e largura da região posterior (fig. 11) é: Y=0,27+0,59x (P ==0,001).
Morfologia externa (figs. 7-8): corpo esbranquiçado apresentando
pequeninas pontuações concentradas, principalmente na cabeça, entre os tentácu-
los, e na porção anterior do pé.
Os tentáculos pigmentados possuem as extremidades redondas e, em corte
transversal, apresentam-se circulares tal como citam MARCUS & MARCUS (1962)
na descrição de Ucancylus ticagus.
O manto reveste todo o interior da concha e apresenta uma pigmentação irre-
gular, esparsa, formando manchas de coloração escura e cuja intensidade varia de
espécime para espécime. Essa pigmentação é mais densa junto ao limite superior da
borda do manto, tomando o aspecto de uma linha e em alguns exemplares se torna
mais densa também no extremo posterior direito, logo abaixo do ápice. Na borda en-
tumecida do manto não há pigmentação. Dorsalmente, observam-se três músculos
adutores: dois anteriores, dispostos transversalmente, e um posterior, menor, à es-
querda. O músculo anterior direito é, em geral, mais estreito e mais longo que o es-
querdo; o posterior é arredondado. Em alguns exemplares, os músculos anteriores
parecem estar unidos, no entanto, através de exames histológicos constata-se a exis-
tência de dois músculos anteriores individualizados.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
Aspectos morfológicos e biológicos de... 45
A cavidade paleal é reduzida e situa-se no lado esquerdo do animal. Há duas
pseudobrânquias, em forma de lâminas triangulares, originadas da parede do cor-
po. A pseudobrânquia ventral é nitidamente maior que a dorsal. Ambas são forte-
mente sulcadas apresentando uma base comum. Junto às pseudobrânquias
encontram-se o poro genital e o ânus.
O pé, ventral, estende-se ao longo de toda a massa visceral e apresenta-se afi-
lado na região posterior. Na região anterior separa-se distintamente da cabeça por
um sulco.
Mandíbula: de coloração castanho-avermelhada é formada por uma sé-
rie de escamas que se dispõem ao redor da boca, tomando o.aspecto de ferradura.
Apresenta escamas laterais recurvadas e escamas centrais maiores e retas.
Rádula (fig. 9): a fórmula radular apresenta variações: 19-1-19, 21-1-21, 23-1-23.
Nos dentes centrais da rádula observam-se, nitidamente, duas cúspides centrais, sen-
do a esquerda ligeiramente maior que a direita. De cada lado, destas cúspides cen-
trais, existe uma cúspide bem menor, somente visível num aumento de 1000x. Os
primeiros dentes laterais apresentam três cúspides bastante conspícuas podendo ain-
da ser observada uma cúspide menor de cada lado, nem sempre visível, concordan-
do com a descrição de HUBENDICK (1964) para U. concentricus. A partir do 7º ou
8º dente lateral observa-se um aumento no tamanho das cúspides; a partir do 12º
ou 13º dente lateral ocorre um aumento no número de cúspides.
Reprodução e postura: a cópula entre os ancilídeos ocorre com
um animal colocando-se sobre o outro. O ancilídeo que se encontra em cima funcio-
na como macho e, geralmente, é menor. Durante a cópula os animais apresentaram
reação de fotofobia. No habitat natural, observou-se a cópula entre 3 e 4 espécimens,
ficando os indivíduos posicionados um em cima do outro. Este tipo de cópula é de-
nominada por GELDIAY (1956) de cadeia copulatória (chain copulation).
G. concentrica coloca os ovos em pequenas cápsulas arredondadas e esbran-
quiçadas, de aproximadamente 2,4mm de diâmetro, que ficam dispostas em gran-
de quantidade sobre folhas, galhos, latas, sacos plásticos, concha e opérculo de Am-
pullaria canaliculata Lamarck, 1801, e sobre as próprias conchas de ancilídeos. Den-
tro da cápsula, transparente, os ovos estão dispostos radialmente em número que
variou de 2 a 11. O desenvolvimento dos ovos foi controlado em aquário, na tempe-
ratura ambiente, durante os meses de outubro a dezembro de 1978, tendo a eclosão
se efetuado num período de 9 a 11 dias após a postura. Os jovens nasceram com um
diâmetro aproximado de 0,5mm, apresentando concha hialina e muito frágil. A ge-
ração progenitora sobreviveu, em aquário, pouco mais de um mês após a postura.
Encontraram-se posturas ao longo de todo o ano, excetuando-se os meses de
junho e julho, sendo que em junho também nenhum exemplar foi encontrado, pro-
vavelmente devido a fortes chuvas ocorridas em dias anteriores à coleta. No mês de
agosto não houve coleta.
Nos meses de setembro e outubro de 1978 constatou-se um aumento da po-
pulação, constituída aparentemente, em sua maioria, de espécimes adultos.
Habitat e relações com outros organismos: G. concentrica,
coletada junto às margens, numa profundidade média de 0,24m, foi encontrada so-
bre o sedimento, pedras, vegetação aquática, galhos e folhas de eucalipto (Eucalyp-
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
46 LANZER, R.M. & VEITENHEIMER-MENDES, I.L.
tus robusta SM), sendo estes dois últimos seu substrato preferencial. Denota-se, ainda
uma preferência a folhas e galhos escurecidos pelo envelhecimento, pois além de for-
necerem perfeita camuflagem, pela semelhança da cor da concha com este subs-
trato, constituem fonte de alimento por acharem-se cobertos por algas perifíticas.
Maior abundância e ocorrência deste molusco ocorreu junto à taipa. Durante
grande parte do ano as águas, neste local, apresentaram-se encobertas por S. auri-
culata a qual eventualmente serviu de substrato aos ancilídeos. O sedimento mostrou-
se totalmente encoberto por espessa quantidade de lodo, restos orgânicos em de-
composição, folhas de E. robusta e galhos.
Junto ao vertedouro, cujas águas apresentaram-se, em der bastante movi-
mentadas, G. concentrica foi também encontrada sobre folhas e galhos. Entretan-
to, em pedras existentes neste local, os ancilídeos encontravam-se, geralmente, ao
abrigo da correnteza. Nos meses chuvosos (junho e julho) o vertedouro apresentou
forte correnteza e nenhum exemplar foi aí encontrado.
Na margem direita do açude, localizada à sombra da mata (fig. 1), G. concen-
trica foi pouco frequente. Ainda nesta margem verifica-se um pequeno trecho que,
embora não sofrendo influência da sombra da mata, apresenta o sedimento enco-
berto por lage e ausência de folhas ou galhos. Nesta área G. concentrica não foi en-
contrada.
Na margem esquerda, junto a um dos tributários do açude, G. concentrica foi
coletada durante todo o ano, porém sempre em pequeno número, na superfície ventral
das folhas flutuantes de N. humboldtianus.
Os fatores abióticos, do açude, aferidos por ocasião das coletadas, encontram-
se discriminados na Tabela Il.
Examinando-se o conteúdo estomacal de G. concentrica constatou-se gran-
de quantidade de diatomáceas, entre as quais foram identificadas Eunotia sp., Cymbel-
la sp., Pinnularia sp. e Gomphonema spp.. Encontraram-se, ainda, a desmidiacea Cos-
marium sp. e a crisoficea Dinobryon sp..
Em laboratório observou-se, por diversas vezes, a planária Dugesia tigrina (Gi-
rard) alimentando-se de G. concentrica. Um ou vários exemplares de D. tigrina ata-
caram o ancilídeo quando este se encontrava em posição ventral, deixando o corpo
desprotegido, e através da faringe protátil, o conteúdo do corpo foi sugado pela pla-
nária em poucos segundos. Conforme o Dr. Joseph Hauser (comunicação verbal,
1979) D. tigrina é encontrada em qualquer tipo de água e é comum nutrir-se de mo-
luscos. Observou-se, também, em laboratório, a barata d'água (Belostoma sp.)
nutrindo-se de G. concentrica.
A concha de G. concentrica oferece excelente substrato a pequenos animais
e vegetais. Além das diferentes espécies de algas, observaram-se aderidas à concha
hidras verdes e a forma colonial de protozoários do gênero Carchesium.
Constatou-se, ainda, a associação com Chaetogaster. Encontraram-se até 25
destes vermes em um só exemplar de ancilídeo.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
Aspectos morfológicos e biológicos de... 47
DISCUSSÃO
ORBIGNY (1835), na descrição de G. concentrica, atribui cor branca à concha
e, em 1837, parda almiscarada. Embora tenha sido esta última coloração a mais co-
mumente encontrada nos espécimes do açude, 23,7% do material coletado no mês
de setembro, apresentou concha totalmente esbranquiçada.
A presença de estrias radiais na região anterior e posterior esquerda da con-
cha, concorda com as observações de ORBIGNY (1835), entretanto, diversos exem-
plares apresentaram a concha toda coberta por estas estrias. Foi constatada, tam-
bém, a presença dos pêlos periostracais (periostracal hairs), referida por HUBEN-
DICK (1967), sobre as estrias radiais. HUBENDICK (op. cit.) afirma serem estas es-
truturas exclusivas do form group G. concentrica. Acreditamos que estes pêlos pe-
riostracais possam vir a ser um bom caráter diagnóstico para a espécie, pois até o
momento não encontramos estas estruturas em nenhuma das outras espécies do
gênero Gundlachia por nós coletadas no Rio Grande do Sul.
O tamanho médio dos 192 exemplares examinados foi de 4,38mm de compri-
mento x 2,73mm de largura anterior x1,54mm de altura (Tabela |), sendo que o maior
exemplar encontrado no açude apresentou, respectivamente, 7,6mm x 4,5mm x
2,9mm. HUBENDICK (1967) fornece as medidas de dois espécimens normais [sic]
8,3mm x 5,6mm x 2,9mm e 6,/mm x 4,3mm x1,9mm. As medidas dos exemplares
analisados por HUBENDICK (1967) näo se enquadram na amplitude de variacäo das
medidas apresentadas pela população do açude. O tamanho máximo para a espécie
citado na literatura é de 12mm x /mm x 4mm (ORBIGNY, 1835). Entretanto, um exem-
plar do lote MCN 1336 (Serraria, rio Guaíba, Porto Alegre, RS), identificado pelo Dr.
Hubendick como G. concentrica mede 13mm x 7mm x 4,5mm, é o maior registro até
o momento.
Constatou-se uma correlação significativa (r=0,82) entre as medidas de com-
primento total da concha e a altura, e também (r=0,85) entre a largura da região an-
terior e posterior, demonstrando uma relação constante entre estas proporções. Os
índices das medidas por nós calculados, do comprimento e altura do exemplar cita-
do por ORBIGNY (1835) é de 0,33 e dos citados por HUBENDICK (1967), são de 0,28
e 0,35 situando-se dentro do intervalo de 0,21 a 0,60 apresentado pela população de
G. Concentrica do açude. Para se poder concluir sobre a validade dos índices como
caráter específico há necessidade de se fazer um estudo semelhante com outras po-
pulações de G. concentrica e compará-los a outras espécies do gênero. Portanto, trata-
se no momento apenas de um registro que mais tarde poderá ser confirmado ou não
como elemento diagnóstico para a espécie em questão.
A pigmentação do manto dos exemplares do açude, concorda com a descri-
ção de HUBENDICK (1967), confirmando um padrão característico para o grupo no
que se refere a presença de uma rica pigmentação.
Quanto à morfologia dos dentes, a rádula assemelha-se à descrição fornecida
por HUBENDICK (1964) para U. concentricus. A partir do desenho da metade de uma
fileira de dentes da rádula de U. concentricus, apresentado por HUBENDICK (op.
cit), constatou-se a seguinte fórmula 25-1-25. Nenhum outro autor menciona fór-
mula radular para G. concentrica. A variação da fórmula radular demonstra a não
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
48 LANZER, R.M. & VEITENHEIMER-MENDES, I.L.
importância taxonômica deste caráter a nível específico. Comparando-se com os da-
dos fornecidos por autores para diferentes espécies de Ancylidae verificam-se coin-
cidências que demonstram esta afirmativa, tais como a fórmula radular 21-1-21 for-
necida por PILSBRY (1924) e FIGUEIRAS (1964) para Anisancylus obliquus Pilsbry,
1924; e o intervalo de 18-1-18 a 23-1-23 para o gênero Burnupia Walker, 1912, registra-
do por HUBENDICK (1964).
A cópula em Ancylidae é mencionada por GELDIAY (1956) e MARCUS & MAR-
CUS (1962) respectivamente para A. fluviatilis, Müller, 1774 e U. ticagus. Sendo que
GELDIAY (1956) descreve a ocorrência de cadeias copulatörias compostas de até sete
indivíduos, enquanto que para G. concentrica observaram-se cadeias copulatórias
de até quatro indivíduos.
MARCUS & MARCUS (1962) citam para U. ticagus posturas contendo 12 a
14 ovos. BONETTO & DRAGO (1966) constataram que G. moricandi apresenta pos-
turas com um diâmetro de 2,4mm, contendo um número variável de 3 a 10 ovos que,
durante os meses de maio e junho, eclodiram em 13 dias. Para G. concentrica verificou-
se que o diâmetro aproximado das cápsulas ovigeras foi de 2,0mm. As cápsulas apre-
sentaram 2 a 11 ovos que, durante os meses de outubro a dezembro, eclodiram num
período que variou de 9 a 11 dias, em laboratório, sob temperatura ambiente. Quan-
to à postura e desenvolvimento dos ovos, G. concentrica assemelha-se com as ob-
servações feitas por BONETTO & DRAGO (1966) para G. moricandi. Observações,
constatadas em laboratório, com relação à sobrevivência da geração progenitora de
G. concentrica concordam com as afirmações feitas por HUNTER (1953), GELDIAY
(1956) e SÖDERGREN (1977) de que a geração paterna tende a desaparecer com o
surgimento da nova geração.
A distribuição e abundância de G. concentrica no açude está relacionada a pre-
senca de substrato, e ao abrigo da correnteza, pois, junto à taipa, onde há maior con-
centração de folhas e galhos e pcuca ou nenhuma correnteza, esta espécie foi en-
contrada em grande quantidade. Coincidindo com a observação de SCHADE (1965)
que menciona, para U. concentricus, um habitat semelhante, isto é, vive em lagoas
sobre plantas aquáticas, madeiras e galhos secos. LANZER (1983) fornece a distri-
buicäo de G. concentrica ao longo das lagoas costeiras sul-rio-grandenses, associa-
da à macrófitas e em locais de águas calmas, comprovando, mais uma vez, a impor-
tância do substrato e da preferência da espécie por águas abrigadas da correnteza.
Para MACAN (1961) é óbvio que o substrato deva proporcionar refúgio em relação
aos predadores, além de apresentar vantagens sob o ponto de vista alimentar. No
açude, folhas e galhos escurecidos possibilitam a G. concentrica uma perfeita ca-
muflagem, além de apresentarem a flora microscópica indispensável à alimentação
destes ancilídeos o que vem justificar a preferência por estes substratos. Na margem
direita do açude que está localizada à sombra da mata, G. concentrica foi pouco en-
contrada, pois além da escassez de substrato preferencial há, segundo comunica-
ção verbal de leti Ungaretti (1981), uma diminuição da flora microscópica, em virtu-
de da baixa luminosidade. Segundo GRAHAM (1955) e STREIT (1976), os Ancyli-
dae costumam alimentar-se da flora microscópica. Cabe mencionar, ainda, que
LOPES-PITONI et alii (1984), ao fornecerem a estrutura faunística associada às fo-
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
Aspectos morfológicos e biológicos de... 49
lhas submersas de S. auriculata, constataram G. concentrica associada a esta ma-
crófita nas quatro estações do ano, sendo em maior abundância no outono e inverno.
De acordo com HARMAN (1974), muitos autores afirmam que a presença e
distribuição das espécies de gastrópodes têm pouca ou nenhuma correlação com
fatores químicos, sendo o substrato o fator principal que condiciona a distribuição
e ocorrência de moluscos em diferentes habitats. LANZER (1983), entretanto, ob-
serva a preferência de G. concentrica por locais mais eutróficos. Na Tabela Il são for-
necidos os valores máximos e mínimos de alguns dados abióticos do açude encon-
trados durante o período de estudo. Este registro visa possibilitar a comparação com
dados a serem aferidos em futuros trabalhos que envolvam diferentes populações
desta espécie, a fim de se constatar a real importância ou não de fatores químicos
na ocorrência e abundância de G. concentrica.
Variações no volume hídrico do açude foram verificadas durante o ano, com
um período de estiagem muito intensa nos meses de verão. Entretanto, G. concen-
trica não apresentou reflexos de seca, quer pela redução no número de indivíduos,
quer pela forma de estivação, fenômeno comum em alguns Ancylidae, confirman-
do as observações feitas por NORDENSKIÖLD (1903), HYLTON SCOTT (1953) e RI-
CHARDOT (1974).
CONCLUSÕES
Com relação à população de G. concentrica do açude do Morro Santana, Porto
Alegre, pode-se afirmar que:
1. A cor predominante da concha é pardo-almiscarada, podendo ocorrer, even-
tualmente indivíduos de conchas totalmente esbranquicadas.
2. Aconcha apresenta estrias radiais, principalmente nas regiões anterior e pos-
terior esquerda, e sobre estas ocorrem pêlos periostracais. Estes pêlos, pro-
vavelmente, representem um bom caráter diagnóstico para a espécie.
3. O tamanho médio da população é de 4,38mm de comprimento x 2,/3mm
de largura x1,54mm de altura, portanto, pode ser considerada como uma
população constituída por indivíduos pequenos em relação aos da mesma
espécie citados na literatura.
4. O IAC varia entre 0,21 e 0,60; sendo que o coeficiente de correlação entre
o comprimento total e a altura é de r=0,82, significativo para a =0,05. O
ILP varia entre 0,33 e 0,93; sendo que o coeficiente de correlação entre a
largura das regiões anterior e posterior é de r=0,85, significativo
paraa =0,05.
5. A variação da fórmula radular, demonstra que não há importância taxonö-
mica deste caráter a nível específico.
6. A cápsula ovígera apresenta um diâmetro aproximado de 2,0mm, conten-
do de 2 a 11 ovos que levam, em laboratório à temperatura ambiente, na
primavera, de 9 a 11 dias para eclodirem.
7. A geração progenitora tende a desaparecer com o surgimento da nova
geração.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
50 LANZER, R.M. & VEITENHEIMER-MENDES, I.L.
8. A distribuição e a abundância de indivíduos está relacionada: à presença
de substrato preferencial representado por folhas e galhos envelhecidos e,
secundariamente, por pedras e macrófitas; e ao abrigo da correnteza, isto
é, preferência por ambientes calmos.
9. A população não apresentou alterações quanto ao número de indivíduos
ou ao surgimento de forma de estivação, comum em alguns Ancylidae, du-
rante os períodos de estiagem.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Mário Wagner, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pela orienta-
ção na análise estatística. Aos botânicos leti Ungaretti e Zulanira M. Rosa (MCN) pela identificação das
algas e Jorge Mariath (UFRGS) pela identificação das macrófitas. A geógrafa Helena F. Mello (MCN)
pela interpretação da localização geográfica do açude. À laboratorista Otília Gonçalves (MCN) e ao aca-
dêmico de Engenharia Química da UFRGS Rogério Lunghi pelas análises químicas e microbiológicas.
Ao Prof. Arno Antônio Lise (MCN) pelas fotografias e ao Prof. Casemiro G. Fernádez, da Pontifícia Uni-
versidade Católica do Rio Grande do Sul, pela micrografia. À desenhista Rejane Rosa (MCN) pela arte
final dos desenhos e gráficos. Ao Dr. Joseph Hauser, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, pela
identificação da planária.
Tabela I. Tamanho médio (mm) das conchas de 192 exemplares de Gundla-
chia concentrica (Orbigny, 1835), coletados em acude do Morro Santana (30º03'45"
e 30º03'50"'S e 51°08'06” e 51º08'15"W), Porto Alegre, Rio Grande do Sul, de
setembro/77 a dezembro/78. IAC = índice da altura da concha pelo comprimento total;
ILP= índice da largura posterior em relação à largura anterior.
MEDIDAS x
comprimentosttotalit 2. EIER RE 4,38
Alta. EL RB RR RO BEE TREE 1,54
largurarantenont NEED IRRE A SR)
larguiral posterior Kr ER ER. BISADE 1,87
REDE dor a a a AR Aero dor siri edad ca 0,68
LAG REN a IE A RASA a A a e 0,35
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
Aspectos morfológicos e biológicos de... 51
Tabela Il. Máximas e mínimas dos fatores abióticos, durante as coletas de Gun-
dlachia concentrica (Orbigny, 1835), no ano de 1978, no açude do Morro Santana
(30º03'45” e 30º03'50"'S e 51º08'06” e 51º08'15"W), Porto Alegre, Rio Grande do
Sul. DOO = demanda química de oxigênio; Ca=teor de cálcio; CBT= conteúdo bac-
teriano total; NMP = determinação dos coliformes totais.
FATORES ABIÓTICOS MINIMAS/MES MAXIMAS/MES
EEE: ER LO RE 5,9 (abril) 8,7 (outubro)
DOG). 7.34. 2:0 ERES tn 7,2 (fevereiro) 28,7 (outubro)
SAT 031%)... NR a 96,0 (marco) 148,5 (junho)
Temperatura da ägua (°C)........... 12,5 (maio) 28,5 (dezembro)
Gerne EN 1,0 (marco) 4,0 (setembro e
novembro)
CET lorgmsa ros Ice 45 (outubro) 460 (março)
NMP(org-/100mI) ee 790 (setembro) 11000 (março)
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IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
Aspectos morfológicos e biológicos de... 52
TWD ——T TT —— nn sa)
Figs. 1-5: 1. Acude do Morro Santana, Porto Alegre, RS, Brasil: vista geral, a partir dos arroios
tributärios, vendo-se ao fundo (seta) a taipa com Eucalyptus robusta SM. 2-5. Gundlachia concentrica
(Orbigny, 1835) 2. MCN 5800 concha, vista dorsal. 3-5. representação esquemática da concha de três
diferentes exemplares MCN 5800, em vista dorsal. 3. projeção do ápice sobrepondo-se à borda poste-
rior da concha. 4. projeção do ápice ultrapassando à borda posterior da concha; 5. projeção do ápice
não alcançando à borda posterior da concha.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
54 LANZER, R.M. & VEITENHEIMER-MENDES, I.L.
CO e pp as A O ==
Fig.9 9 um
Amm
Figs. 6-9. Gundlachia concentrica (Orbigny, 1835): 6. borda anterior direita da concha, mostran-
do os pêlos periostracais sobre a escultura radiada. 7-8. representação esquemática do animal, sem concha:
7. vista lateral esquerda; 8. vista dorsal; 9. dentes radulares.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
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Aspectos morfológicos e biológicos de...
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Figs. 10. Graficação das medidas de 192 conchas de Gundlachia concentrica (Orbigny, 1835);
correlação do comprimento total pela altura.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
56 LANZER, R.M. & VEITENHEIMER-MENDES, I.L.
Largura posterior (mm)
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|
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S8'0=
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(WW) JOH9JUD DINBIDT
Fig. 11. Graficação das medidas de 192 conchas de Gundlachia concentrica (Orbigny, 1835); cor-
relação da largura da região anterior pela largura da região posterior.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):41-56, 15 de outubro 1985
Aspectos biológicos de Elapomorphus (Phalotris) lemniscatus Dumé-
ril, Bibron et Duméril, 1854 (Serpentes, Colubridae, Elapomor-
phinae)*
Thales de Lema**
RESUMO
São descritos os ovos, hemipênis, tubérculos supra-anais e analisado o dimorfismo sexual de Ela-
pomorphus (Phalotris) lemniscatus Duméril, Bibron et Duméril, 1854.
ABSTRACT
Eggs, hemipenis, upper cloacal tubercles, and sexual dimorphism of Elapomorphus (Phalotris)
lemniscatus Duméril, Bibron et Duméril, 1854 are described and commented.
INTRODUÇÃO
As serpentes do gênero Elapomorphus Wiegmann, 1843 são pouco conheci-
das do ponto de vista biológico. Durante os estudos que vimos fazendo com essas
serpentes do ponto de vista da taxonomia e zoogeografia, tivemos oportunidade de
observar ocasionalmente alguns aspectos de sua biologia.
Elapomorphus (Phalotris) lemniscatus Duméril, Bibron et Duméril, 1854 ocor-
re no Brasil meridional e Uruguai (LEMA, 1984) e está representada por subespécies
que não foram consideradas neste artigo.
Geralmente há poucos espécimens colecionados nos museus da espécie aqui
tratada, provavelmente devido aos hábitos subterrâneos da espécie.
Sobre a reprodução dessas serpentes, VAZ-FERREIRA et al. (1970) encontra-
ram uma postura em formigueiro de Acromyrmex lobicornis (Emery, 1887) dentro de
um canal onde havia outra postura de Liophis obtusus (Cope, 1863); todos os ovos
estavam embrionados. Posteriormente, os mesmos autores (1973) relataram outros
encontros de ovos de Squamata em ninhos de Attini, totalizando 577 ninhos exami-
* Aceito para publicação em 26.V1.1985. Contribuição FZB nº 314.
** Pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Bolsista do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Proc. 30-6090/85. Caixa Postal 1188, 90000 Porto Alegre, RS, Brasil.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):57-64, 15 de outubro 1985
58 LEMA, T. de
nados no Uruguai, e apenas um com ovos de E. (P.) lemniscatus. Sendo esta uma
espécie relativamente comum naquele país, tudo indica que ela não prefira esse am-
biente para a desova. Quanto ao hemipênis, apenas foi descrito para o gênero, o de
E. (Elapomorphus) quinquelineatus (Raddi, 1820), sem ilustração (SAVITZKY, 1978).
MATERIAL E METODOS
Os exemplares são citados com a sigla da instituição a que pertencem: BMNH, British Museum
(Natural History), Londres, Inglaterra; IBSP, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil; MACN, Museo Ar-
gentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, Buenos Aires, Argentina; MCN, Museu de Ciências
Naturais (Fundação Zoobotânica), Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil; MHNM, Museo Nacional
de Historia Natural, Montevideo, Uruguai.
Os ovos foram medidos com paquímetro conforme VAZ-FERREIRA et al. (1970). Os hemipênis
foram observados em alguns exemplares, sendo que alguns forarn preparados com formol (evertidos)
e apenas dois dissecados (in situ). Os desenhos foram realizados pelo autor com o auxílio de um
microscópio-estereoscópico.
RESULTADOS
Dimorfismo sexual: os machos distinguem-se das fêmeas por possui-
rem a cauda mais longa, tronco mais curto, maior número de subcaudais e menor
de ventrais, e, também, pela presença de anomalias na escutelação ventral e sub-
ventral, as quais são raras nas fêmeas. A anomalia mais frequente ocorre nas sub-
caudais pela presença de escamas inteiras em vez de pares, geralmente no primeiro
terço da cauda. Outras anomalias observadas foram: ventrais divididas ao meio, for-
mando um par; presença de ázigos geralmente antes da cloaca ou na ventral ime-
diatamente anterior à anal; divisão de grupos de 4 a 7 ventrais, obliquamente entre
elas; presença do vestígio umbilical (3 a 8) no fim do último terço do tronco (ventrais
divididas); assimetria nas subcaudais (esquerda ou direita maior que a outra do par);
divisão transversal parcial de ventral ou subcaudal (2:1, ou vice-versa). A tabela | apre-
senta a variação do número de ventrais e subcaudais nos sexos.
Quanto ao porte, notou-se que as fêmeas são geralmente maiores que os ma-
chos. Foi feita uma amostra de exemplares adultos, arbitrariamente escolhidos, com
comprimento medindo acima de 290mm da ponta do focinho ao meio da anal,
obtendo-se:
MACHOS (n=39): variação = 291-583, intervalo=293, X=346,45, s=49,57,
s2=2457, 18.
FÊMEAS (n=94): variação =290-729, intervalo=440, X=452,33, s=107,26,
s2 =11504,71.
Pela anälise da variäncia pode-se concluır que hä diferenca significativa entre
as medidas de comprimento focinho-cloaca, entre as médias dos machos e as das
fêmeas, para um nível de ALFA igual a 5%.
Tubérculos supra-anais: observou-se que muitos exemplares
machos possuem tubérculos, bem como algumas fêmeas. Em 210 espécimens, 61
possuem tubérculos na região anal (29%), sendo 44 machos (20,9%) e 17 fêmeas
(8%).
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):57-64, 15 de outubro 1985
Aspectos biológicos de Elapomorphus... 59
Os tubérculos apresentam-se morfologicamente diferentes nos sexos: nos ma-
chos são geralmente grandes, salientes, incolores ou pigmentados de melanina, ocor-
rendo de dois a três por escudo perianal e dispostos em série na margem proximal
do escudo (figs. 1-2); nas fêmeas eles são circulares, de coloração mais clara que nos
machos, bem como da do escudo em que se situam, sendo geralmente rasos, acha-
tados e menores, e só ocorrendo nos escudos perianais; dispöem-se em série (uma)
em cada escudo, sob a margem do escudo anterior (fig. 3).
Nos machos os tubérculos podem ocorrer nos escudos ante e pós-fenda cloa-
cal, às vezes ocorrendo, também, nas escamas dorsais da região anal, principalmente
nas paraventrais e mesmo nas ventrais antes da cloacal, e/ou nas subcaudais logo
após a cloacal. Mais raramente foram vistos tubérculos nas dorsais pleurais do tron-
co e da cauda, em torno da região anal. Finalmente, em poucos espécimens,
encontraram-se tubérculos na zona vertebral, sobre a cloaca. Apenas um espécimen
(BMNH 85.2.3.23) apresentou tubérculos fora da região anal, e em grande quanti-
dade, tanto na face ventral e subventral, como pleural e vertebral, no último terço
do tronco, desde 16 ventrais antes da cloacal, formando três filas longitudinais de
tubérculos, até o XIII par de subcaudais, não ocorrendo nos lados da cauda. Os tu-
bérculos aumentam em número para a zona anal, onde são mais salientes, decres-
cendo em número e altura para trás.
Cada tubérculo situa-se na extremidade proximal de cada escama. Os locali-
zados no dorso são algo alongados (ovóides) longitudinalmente, enquanto que os
ventrais tendem à forma circular.
Da amostra usada (n=210), com 61 exemplares portadores de tubérculos,
observou-se a seguinte frequência qualitativa:
Machos APENA ae. 1032 Renata CAS tos Sonia 44 - 72,1%
machos com tubérculos grandes...............=-2244222000-- 41 - 67,2%
machos:com tubérculos rasos a. l=gsc)s. stem. pa. sislas 3- 49%
fêmeas nn. 2020 ed guntianuena aunlus. a a.schscdalen 1702427 ,8%
fêmeas com tubérculos grandes ............222422224222 00 3 - 49%
fêmeas com tubérculos rasoSs.......2222222@eeee nennen 14 - 22,9%
Dos machos, 36 possuem tubérculos no lado ventral e 8 nos flancos.
Além dos tubérculos anais, foram notados outros, bem menores e pouco evi-
dentes, situados nos escudos supracefálicos de alguns machos, com maior incidên-
cia no pré-frontal.
Considerando que, em geral, os caracteres sexuais secundários se manifestam
no período de maturação sexual, e que os tubérculos se evidenciariam nesse perio-
do, procurou-se relacionar a idade dos exemplares (amostra de 210 indivíduos) com
o número e tipo de tubérculo, usando-se a medida de comprimento como indicador
etário — porém não se encontrou correlação.
Ovos: fêmea jovem, capturada em Pelotas, Rio Grande do Sul (Brasil), pôs
apenas dois ovos, não embrionados. Exemplar de grande porte (MACN 7461), cap-
turado nas costas argentinas do rio Uruguai, Província de Entre Ríos, continha ovos
não embrionados (fig. 4) e, no estômago, um espécimen adulto de Amphisbaena
darwini trachura Cope, 1885, também de grande porte. Tanto os ovos desse exem-
plar como de outros, foram medidos (Tabela Il) e comparados com o ovo do exem-
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):57-64, 15 de outubro 1985
60 LEMA, T. de
plar MCN 6104, procedente de Tändil, Buenos Aires (Argentina), pertencente à es-
pécie E. (Phalotris) soegazzinii Boulenger, 1913.
O número de ovos encontrados foi: MCN 6101, 7; MCN 6102, 4; MCN 6103,
8; MCN 6104, | (supra citado); MACN 7461, 8. Os ovos de exemplares fixados há muito
tempo esfacelavam-se facilmente.
Com base nas observações de VAZ-FERREIRA et al. (1970) e nos ovos exami-
nados neste trabalho, pode-se dizer que os de E. (Phalotris) lemniscatus são de cor
muito branca, contrastando com os ovos de outras espécies de Colubridae da mes-
ma região. Apresentam casca muito lisa, macia e flexível; sua forma é elipsóide, muito
longa; dentro dos oviductos são facetados pela justaposição (fig. 5). As porções ovi-
geras dos oviductos iniciam-se após a última alça intestinal e atingem até pouco an-
tes do reto. Na postura os ovos estão soltos entre si, contrastando com a de outros
Colubridae da mesma área geográfica, nos quais eles se acham aglomerados, pre-
sos entre si. Comparados com os de Micrurus frontalis altirostris (Cope, 1860), sim-
pátrica com essa espécie, mostram-se muito semelhantes, mas algo menores e mais
curtos.
Comparando-se as medidas dos ovos retirados de oviductos com as apresen-
tadas por VAZ-FERREIRA et al. (1970) obteve-se a tabela Ill. O maior diâmetro ob-
servado nos ovos de exemplar do Uruguai em relação ao constatado por nós, deve
ser decorrente do fato de termos medido apenas ovos retirados de oviductos.
Hemipênis: são muito longos e estreitos, subcilíndricos e prismáticos
na porção distal, apresentando, pois, arestas. Correspondem a cerca de 14% do com-
primento total do animal. Invaginados dentro da cauda atingem quase a ponta da
mesma, ocupando cerca de 9/10 do comprimento caudal. Nesta circunstância
mostram-se prismáticos, um tanto aplanados, com arestas agudas e sua membrana
protetora pigmentada nas faces internas por pontos que se concentram na face dor-
sal, formando estria na aresta dorsal de cada um.
São monolobados e o sulcus spermaticus bifurca apenas no extremo distal,
antes do ápice, no centro da área espinulada. O ápice de cada hemipênis é prismäti-
co (fig. 6), quadrangular, até quase a metade do comprimento do órgão. A zona es-
pinhosa ocupa cerca de 1/4 do hemipênis, e a porção anterior é lisa, com algumas
pregas do tecido; os espinhos iniciam-se muito pequenos, estão dispostos em cris-
tas, e aumentam de tamanho gradativamente para o ápice, ficando muito juntos e
dispostos em linhas diagonais, como as escamas dorsais; um pouco antes dessa zona
diagonal, há uma zona estreita de espinhos dispostos em cintas anelares (fig. 7); an-
tes do ápice os espinhos tornam-se muito pequenos, desaparecendo totalmente no
ápice; toda a área espinulada ocupa cerca de 1/4 do órgão, apenas. Os espinhos têm
aspecto carnoso, pouco agudo, algo globoso (fig. 8) em relação aos dos hemipênis
de outros Colubridae.
Comparando-se os hemipênis de E. (P.) lemniscatus com os de E. (E.) quin-
quelineatus (SAVITZKY, 1978), há alguma semelhança porém, devido ao aspecto pris-
mático, afastam-se fortemente desta última.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):57-64, 15 de outubro 1985
Aspectos biológicos de Elapomorphus... 61
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LEMA, T. de 1984. Sobre o gênero Elapomorphus Wiegmann, 1843. (Serpentes, Colubridae, Elapo-
morphinae). Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre (64):53-86, 18fig.
SAVITZKY, A.H. 1978. The origin of the New World proteroglyphous snakes and its bearing
on the study of venom delivery in snakes. 387p., il. Dissertação (PH-Doctor) Univ. Kansas,
Lawrence, 1978. [não publicado).
VAZ-FERREIRA, R.; ZOLESSI, L.C.; ACHAVAL, F. 1970. Oviposiciön y desarollo de ofidios y lacertí-
leos en hormigueros de Acromyrmex. Physis, Buenos Aires, 29(79):431-59, 10fig.
1973. Oviposiciön y desarollo de ofídios y lacertíleos en hormigueros de Acromyrmex.
Il. In CONGRESO LATINOAMERICANO DE ZOOLOGIA, 5. Montevideo, Trabajos, Montevideo,
1973, v.1, p.232-44, 3fig.
Tabela |. Variação do número de escudos ventrais e subcaudais nos machos
e fêmeas de Elapomorphus (Phalotris) lemniscatus, sendo: V, a variação; Ve, ven-
trais; SC, subcaudais; d, a diferença, x, a média; n, o número de exemplares
examinados.
Escudos Sexo n V d x
Ve (6) 122 180-213 34 202,2
Ve Q 140 195-223 29 206,2
SE fo) 119 21-39 19 30,0
SC o 139 19-29 11 237
IHERINGIA. Serie Zoologia, Porto Alegre (65):57-64, 15 de outubro 1985
Tabela Il. Medidas (em milímetros) de ovos retirados de Elapomorphus (Pha-
lotris) lemniscatus e de um ovo de Elapomorphus (Phalotris) spegazzinii (MCN 6104),
totalizando 24 ovos examinados. DM, diâmetro maior; dm, diâmetro menor; O, o
quociente entre os diâmetros; AR, Argentina; RS, Rio Grande do Sul, Brasil.
Coleção/número DM dm Q Procedência
MCN 6101a 18,00 6,50 2,76 Caxias do Sul, RS
MCN 6101b 10,50 5,50 1,91 Caxias do Sul, RS
MCN 6101c 11,00 6,50 1,69 Caxias do Sul, RS
MCN 6101d 10,00 5,00 2,00 Caxias do Sul, RS
MCN 6101e 9,00 5,50 1,63 Caxias do Sul, RS
MCN 6102a 22,00 6,50 3,38 Säo Salvador do Sul, RS
MCN 6102b 22,00 6,30 3,49 São Salvador do Sul, RS
MCN 6103a 17,00 6,50 2,61 Garibaldi, RS
MCN 6103b 19,00 6,80 2,70 Garibaldi, RS
MCN 6103c 17,50 6,80 2,50 Garibaldi, RS .
MCN 6103d 19,50 7,00 2,70 Garibaldi, RS
MCN 6103e 17,00 6,60 2,50 Garibaldi, RS
MCN 6103f 16,30 7,00 2,30 Garibaldi, RS
MCN 6103g 17,90 6,00 2,90 Garibaldi, RS
MCN 6103h 18,50 6,80 2,60 Garibaldi, RS
MACN 7461a 14,50 4,50 3,20 Entre Ríos, AR
MACN 7461b 16,00 5,00 3,20 Entre Ríos, AR
MACN 7461c 15,00 6,00 2,50 Entre Ríos, AR
MACN 7461d 15,00 6,00 2,50 Entre Ríos, AR
MACN 7461e 12,00 5,50 2,20 Entre Ríos, AR
MACN 7461f 15,00 7,50 2,00 Entre Ríos, AR
MACN 7461g 14,50 7,00 2,10 Entre Ríos, AR
MACN 7461h 16,00 5,00 3,20 Entre Ríos, AR
MCN 6104 14,50 7,00 2,07 Tändil, Buenos Aires, AR
IHERINGIA. Serie Zoologia, Porto Alegre (65):57-64, 15 de outubro 1985
Aspectos biológicos de Elapomorphus...
1977
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IHERINGIA. Serie Zoologia, Porto Alegre (65):57-64, 15 de outubro 1985
64 LEMA, T. de
Figs. 1-8. Elapomorphus (Phalotris) lemniscatus Duméril, Bibron et Dumeril, 1854: 1. aspecto
da região anal do exemplar MCN 1774, macho, apresentando tubérculos sensoriais; 2. região anal do
exemplar MCN 1646, macho, mostrando apenas o lado esquerdo; 3. aspecto da região anal do exem-
plar IBSP 13588, fêmea, com tubérculos rasos; 4. série de oito ovos dentro do oviducto do exemplar
MACN 7461, mostrando a justaposição e facetamento dos ovos; 5. aspecto dos dois primeiros ovos do
exemplar MACN 7461; 6. aspecto da região anal do exemplar MHNM 1801, mostrando os hemipênis ever-
tidos.; 7. hemipênis direito dissecado do exemplar MCN 4417, vendo-se parte do mio retractor mag-
nus (mrm), o ápice do órgão (a), a zona de espinhos muito juntos (z), as cintas anelares de espinhos
(ce), os sulcus spermaticus (ss) e pregas do tecido hemipeniano (p); 8. aspecto ampliado dos espi-
nhos hemipenianos do exemplar IBSP 1175, dispostos em cristas no lado inferior da zona espinhosa em
sua face ventral.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):57-64, 15 de outubro 1985
Pentatomidae (Hemiptera) coletados nos municípios de São
Jerônimo e Butiá, Rio Grande do Sul, Brasil*
Hilda Alice de Oliveira Gastal**
RESUMO
Através de coletas manuais e com armadilhas luminosas foram encontradas 25 espécies de Pen-
tatomidae (Hemiptera) em São Jerônimo e Butiá, Rio Grande do Sul, Brasil. As espécies mais numero-
sas foram Loxa deducta Walker, 1867, Mormidea notulifera Stal, 1860, Nezara viridula (Linnaeus, 1758),
Oebalus sp. e Thyanta sp.
ABSTRACT
Twenty-five species of Pentatomidae (Hemiptera) were captured manually and with light traps
in São Jerônimo and Butiá, Rio Grande do Sul State, Brazil. Loxa deducta Walker, 1867, Mormidea no-
tulifera Stal, 1860, Nezara viridula (Linnaeus, 1758), Oebalus sp. and Thyanta sp. were the most nume-
rous species.
INTRODUÇÃO
Entre os Hemiptera, a família Pentatomidae apresenta grande importância por
conter tanto espécies pragas de agricultura, como por exemplo Nezara viridula (Lin-
naeus, 1758), Piezodorus guildinii (Westwood, 1837) e Oebalus poecilus (Dallas, 1851),
como espécies úteis (subfamília Asopinae) por serem predadores de insetos pragas.
Devido à importância dos representantes desta família na agricultura, vários
autores publicaram listagens de insetos pragas de culturas no Rio Grande do Sul (RS)
onde são incluídas espécies de Pentatomidae, mas alguns não mencionam a locali-
dade onde estes exemplares foram encontrados.
BUCKUP (1961) elaborou uma listagem dos Pentatomidae ocorrentes no Es-
tado, com base em consulta bibliográfica e exame de coleções, contendo 85 espé-
cies (incluídas neste número apenas as espécies que ainda pertencem à família Pen-
*
Aceito para publicação em 26.V1.1985. Contribuição FZB nº 315. Trabalho parcialmente subvencionado pela Financiadora de Estu-
dos e Projetos (FINEP), Rio de Janeiro (Convênio B/29/82/009/00/00).
Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotänica do Rio Grande do Sul (MCN), Caixa Pos-
tal 1188, 90000 Porto Alegre, RS, Brasil.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):65-68, 15 de outubro 1985
66 GASTAL, H.A. de O.
tatomidae); LOPES et alii (1974) arrolaram 16 espécies de pentatomídeos fitófagos
ocorrentes em Santa Maria, relacionando-as com suas plantas hospedeiras; COS-
TA & LINK (1974) registraram sete espécies ocorrendo em lavouras de soja em San-
ta Maria e nove espécies em São Sepé; GALILEO et alii (1977) realizaram um levan-
tamento dos Pentatomidae encontrados em soja no município de Guaíba, registran-
do P. guildinii, N. viridula, Edessa meditabunda (Fabricius, 1794), Dichelops spp.,
Acrosternum spp., O. poecilus, Oebalus ypsilongriseus (De Geer, 1773) e exempla-
res não identificados da subfamília Asopinae; GASTAL (1981) apresentou uma rela-
ção exclusivamente de pentatomídeos da subfamília Asopinae ocorrentes no RS, com
base em material depositado nas coleções do Museu de Ciências Naturais da Fun-
dação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (MCN) e do Instituto de Pes-
quisas Agronômicas da Secretaria de Agricultura, Porto Alegre (IPAGRO), listando
24 espécies distribuídas em 24 localidades (não foram incluídos nestes números os
exemplares não identificados ao nível de espécies pertencentes ao gênero Podisus
Herrich-Schaeffer, 1851); GASTAL et alii (1981), coletando durante um ano com ar-
madilha luminosa equipada com lâmpada ultravioleta, relacionaram 28 espécies pa-
ra Guaíba, 25 espécies para Viamão e 16 espécies para Porto Alegre; LINK & GRA-
ZIA (1983), também utilizando armadilha luminosa com lâmpada ultravioleta, mas
coletando durante três anos, listaram 30 espécies para Santa Maria.
Participando do projeto “Levantamento preliminar da flora e fauna na área de
influência do Complexo do Carvão no Rio Grande do Sul”, desenvolvido-pelo MCN
em convênio com a Financiadora de Estudos e Projetos, Rio de Janeiro (FINEP), teve-
se oportunidade de coletar exemplares de Pentatomidae nos municípios de São Je-
rônimo e Butiá, ampliando assim o conhecimento sobre a fauna de pentatomídeos
do RS.
MATERIAL E METODOS
Foram realizadas coletas diurnas manuais utilizando rede de bater (guarda-chuva entomolögico)
e rede de varredura, no período de 25/Ill a 19/X/1982, em alguns pontos da área em estudo abrangendo
os municípios de São Jerônimo e Butiá, RS. Estes pontos foram previamente escolhidos levando-se em
conta a preservação da cobertura vegetal e situam-se nas seguintes coordenadas:
COORDENADAS MUNICÍPIO
ZA SAS UN eae FALO, or SL se ara ERA Sopra ndo ES GE E Butiá
Sole fee led Po RE eo N Eta São Jerônimo
PAS NIE o PAR ARES VLS | À PRRZA AA VA OD 18 2 CRS SRTA Ra RO Da RA São Jerônimo
2 SA SO lies DO MDS VN EE SE E o SGA A RAR O E Butiá
2 9584150, SAH ARABIEN ta ee AR A Säo Jerönimo
DIEB 53. SE BANN se Säo Jerönimo
3000205275 IRA IRA III RER Butiá
SOS O2 A SESI G ENA a ao a pena ap cep RR São Jerônimo
Além destas coletas diurnas foram feitas coletas noturnas nos pontos 29º59'19"S 51º46'44"W,
situado na Fazenda Capão, em São Jerônimo, de 3/Vl a 11/X1/1982, e 30º00'08"'S 51º50'37"'W, situa-
do na Fazenda Santa Tereza, em Butiá, de 13/V a 10/1X/1982, utilizando armadilhas luminosas modelo
“Luiz de Queiroz” (SILVEIRA NETO & SILVEIRA, 1969) equipadas com lâmpadas fluorescentes ultra-
violeta de 15 watts e adaptadas com células fotoelétricas, conforme utilizado por GASTAL et alii (1981).
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):65-68, 15 de outubro 1985
Pentatomidae (Hemiptera) coletados nos... 67
A escolha dos locais para instalação das armadilhas esteve condicionada à existência de eletrici-
dade e permissão dos proprietários das áreas.
Para a coleta dos exemplares com armadilha luminosa foram adaptados tarros plásticos com ca-
pacidade para dois litros, contendo álcool 70%, junto ao término dos funis de captação das armadilhas,
como apresentado em GASTAL et alii (1981). Estes tarros eram trocados diariamente.
Os exemplares coletados foram incorporados à coleção entomológica do MCN.
RESULTADOS
Na Tabela | estão relacionadas as espécies coletadas em cada município, com
o número de indivíduos por sexo e o total por espécie. As espécies assinaladas com
* foram coletadas exclusivamente com armadilhas luminosas, as assinaladas com
+ foram exclusivas das coletas manuais e as assinaladas com 8 foram coletadas tanto
com armadilhas luminosas como manualmente.
Foram obtidos 121 exemplares, distribuídos em 25 espécies. Cada uma destas
espécies esteve representada por um pequeno número de exemplares que variou de
1a 17. As espécies mais numerosas (com no mínimo 10 exemplares) foram Loxa de-
ducta Walker, 1867, Mormidea notulifera Stal, 1860, Nezara viridula, Oebalus sp. e
Thyanta sp. Estas espécies concordam em parte com as encontradas por GASTAL
et alii (1981) que apontaram Oebalus sp., O. poecilus, Thyanta sp. e N. viridula co-
mo as espécies mais numerosas sem, no entanto, citar o número de exemplares. Con-
cordam também em parte com LINK & GRAZIA (1983) que obtiveram O. poecilus,
N. viridula e Mayrinia curvidens (Mayr, 1864) como as espécies mais numerosas (com
mais de 50 exemplares).
AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos proprietários das Fazendas Capão, General Erasmo Gonçalves de Souza, e Santa
Tereza, Sr. Carlos Paulo Walter, pela permissão para instalação das armadilhas luminosas naqueles locais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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tera - Pentatomidae). Iheringia. Ser. Zool., Porto Alegre (16):1-24.
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Rurais, Santa Maria, 4(4):397-400.
GALILEO, M.H.M.; GASTAL, H.A. de O.; GRAZIA, J. 1977. Levantamento populacional de Penta-
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do Sul. Revta. Bras. Biol., Rio de Janeiro, 37(1):111-20.
GASTAL, H.A. de O. 1981. Lista preliminar dos Asopinae do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil (In-
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GASTAL, H.A. de O.; LANZER-DE SOUZA, M.E.; GALILEO, M.H.M. 1981. Diversidade e similarida-
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Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Iheringia. Ser. Zool., Porto Alegre (59):5-12.
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12(1):123-5. (Comunicação científica).
LOPES, O.J.; LINK, D.; BASSO, LV. 1974. Pentatomídeos de Santa Maria - Lista preliminar de plan-
tas hospedeiras. Revista do Centro de Ciências Rurais, Santa Maria, 4(4):317-22.
SILVEIRA NETO, S. & SILVEIRA, A.C. 1969. Armadilha luminosa modêlo “Luiz de Queiroz”. Solo,
Piracicaba, 61(2):19-21.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):65-68, 15 de outubro 1985
68 GASTAL, H.A. de O.
Tabela |: Espécies e número de espécimes de Pentatomidae (Hemiptera) co-
letados em São Jerônimo e Butiá, RS, de 25/IIl a 11/X1/1982, separados por local
e por sexo e apresentando o total coletado de cada espécie (* espécies coletadas
exclusivamente com armadilhas luminosas; + espécies exclusivas das coletas ma-
nuais; 8 espécies coletadas tanto com armadilhas luminosas como manualmente).
LOCAIS | SÃO JERÔNIMO BUTIA TOTAL
ESRECIES fo) Q o) ?
8 Acrosternum sp. 1 3 — = 4
+ Arvelius albopunctatus
(De Geer, 1773) 2 2 1 — 5
+ Brachystethus geniculatus
(Fabricius, 1787) 1 1 1 =
+ Chlorocoris sp. — 1 = — 1
+ Chloropepla vigens
Stal, 1860 — — — 1 1
+ Dichelops furcatus
(Fabricius, 1775) — 1 3 2 6
+ Edessa meditabunda ;
(Fabricius, 1794) — — 2 — 2
+ Edessa sp. 2 1 — — 3
+ Euschistus cornutus
Dallas, 1851 1 — — = 1
+ Euschistus picticornis
Stal, 1872 — — — 1 1
8 Loxa deducta
Walker, 1867 7 7 1 2 17
* Loxa virescens
Amyot & Serville, 1843 1 1 - — 2:
* Loxa viridis
(Palisot de Beauvois, 1805) 22 1 = — 3
8 Mayrinia curvidens
(Mayr, 1864) 3 — 1 1 5
+ Mormidea notulifera
Stal, 1860 7 2 3 4 16
* Nezara viridula
(Linnaeus, 1758) 3 5 — 2 10
* Oebalus sp. 6 4 — — 10
+ Piezodorus guildinii
(Westwood, 1837) — — 2 = 2
+ Podisus sp. 1 — — 1 1 2
+ Podisus sp. 2 — 1 = — 1
+ Podisus sp. 3 1 1 1 1 4
+ Proxys albopunctulatus
(Palisot de Beauvois, 1805) — 2 1 — 3
* Stictochilus tripunctatus
Bergroth, 1918 1 1 — — 2
8 Tibilis sp. — 1 3 3 7
+ Thyanta sp. 1 2 2 5 10
Total de espécimes 39 37 22 23 121
TOTAL POR LOCA!S mo ço 18
ESPECIMES 76 45
IHERINGIA. Serie Zoologia, Porto Alegre (65):65-68, 15 de outubro 1985
Estudios bioenergéticos en peces del río Paraná. |. Asimilación
de la energia de los alimentos en Pimelodus maculatus Lacépede,
1803 (Pisces, Pimelodidae) *
Maria Julieta Parma de Croux**
Eduardo Lorenzatti***
RESUMEN
En este estudio el objetivo fue estimar la relación entre el consumo energético del alimento (a
diferentes raciones), la energia perdida o eliminada con las heces y la eficiencia de asimilación en el ba-
gre amarillo (Pimelodus maculatus) Lacépede, 1803.
Se efectuaron 12 ensayos con diferentes ejemplares (68-239g de peso) utilizando un alimento ba-
lanceado para peces, con aproximadamente 40% de proteína y 4100 calorias/g, el que se adaptó a las
características alimentarias de esta especie.
El porcentaje de materia fecal (F%), alcanzó cifras entre 13% y 23% (x=16%), habiéndose
hallado una relación exponencial entre su poder calórico y el del alimento ingerido.
La eficiencia de asimilación de la energia (A%) osciló entre 77% y 87% (x=84 valores que
pueden ser considerados altos, debito quizás, a que el alimento utilizado tendria un alto porcentaje de
digestibilidad aparente.
Se empleó un rango muy estrecho de raciones (0,7%-3,1%) razón por la cual no hubo correla-
ciones directas entre las proporciones de materia fecal y de asimilación con la cantidad de alimento su-
ministrado.
RESUMO
Neste estudo o objetivo foi estimar a relação entre o consumo energético do alimento (a diferen-
tes rações), a energia perdida ou eliminada com as fezes e a eficiência de assimilação no bagre amarelo
(Pimelodus maculatus Lacépede, 1803).
Foram efetuados 12 ensaios com diferentes exemplares (68-239g de peso), utilizando-se um ali-
mento balanceado para peixes, com aproximadamente 40% de proteína e 4100 cal/g, o qual se adaptou
às características alimentares desta espécie.
A porcentagem de matéria fecal (F%) alcançou cifras entre 13% e 23% (x=16%), tendo-se
achado uma relação exponencial entre seu valor calórico e o do alimento ingerido.
A eficiência de assimilação da energia (A%) oscilou entre 77% e 87% (x=84%), valores que
* Aceptado para publicaciön en 03.V11.1985.
** Carrera del Investigador Científico del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET). Instituto Nacional
de Limnologia (INALI). José Macia 1933 - 3016 Santo Tomé (Santa Fe). Argentina.
*** Técnico Adjunto del CONICET (INALI).
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):69-75, 15 de outubro 1985
70 PARMA DE CROUX, M.J. & LORENZATTI, E.
podem ser considerados altos, devido talvez, a que o alimento utilizado teria uma alta porcentagem de
disgestibilidade aparente.
Empregou-se uma amplitude muito estreita de rações (0,7%-3,1%), razão pela qual não houve
correlações diretas entre as proporções de matéria fecal e de assimilação com a quantidade de alimento
ministrado.
INTRODUCCION
La bioenergética es una rama de la fisiologia abocada al estudio de las conver-
saciones energéticas en los organismos vivos. Según FISCHER (1979) desde el pun-
to de vista ecológico este tipo de investigaciones puede efectuar-se a diferentes ni-
veles: individual; poblacional; de ecosistemas o en una combinación de niveles tró-
ficos. Un atributo característico es el hecho de que todos los datos son medidos en
términos energéticos o convertidos a energia para ser expresados en unidades com-
parables: calorias.
Cuando se efectuán estudios de crecimiento de peces en laboratorio, general-
mente se relaciona el consumo de alimento con los cambios en peso del cuerpo, pe-
ro es indudable que deberian tenerse en cuenta otras vias no menos importantes de
la energia consumida. El conocimiento de la cantidad y calidad de la ración; el esta-
do metabólico de los ejemplares; las demandas energéticas para mantenimiento y
otras actividades contribuíran a determinar las vías de utilización del alimento, el des-
tino de la energia ingerida y sus posibles interrelaciones.
Con mucha frecuencia se han mencionado varias categorias de uso y pérdida
de la energia del alimento (WARREN & DAVIS, 1967; ELLIOT, 1976; FISCHER, 1979).
La porción digerible es sometida al proceso de digestión y los residuos eliminados
como heces. Los materiales digeridos, considerados como asimilados, entran en el
metabolismo intermediario y los desechos excretados a través de los rinones, bran-
quias y piel. La energia metabolizable o fisiolögicamente útil es utilizada para distin-
tos procesos fisiológicos (acción dinámica específica; digestión, movimiento y de-
posición del alimento; metabolismo estándar y actividad) crecimiento y reprodución
(DAVIS & WARREN, 1968).
El objetivo del trabajo contempla el conocimiento de la bioenergia de los pe-
ces de mayor importancia económica del rio Paraná medio. En una primera etapa se
estimó la relación entre el consumo energético del alimento (a diferentes raciones),
la energia perdida o eliminada con las haces y la eficiencia de asimilación en el bagre
amarillo (Pimelodus maculatus Lacépede, 1803). En una segunda etapa se encarará
el estudio de los productos de excreción y sus posibles relaciones con otras vías de
la energia.
Pimelodus maculatus fue seleccionada para estas investigaciones por ser una
especie de interés económico, relativamente fácil de capturar y mantener en cautivi-
dad, a la vez que puede ser alimentada con balanceados secos (PARMA DE CROUX
& LORENZATTI, 1981; PARMA, en prensa).
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):69-75, 15 de outubro 1985
Estudios bioenergéticos em peces del... 71
MATERIAL Y METODOS
Las experiencias se realizaron en acuarios de 50 litros de capacidad provistos de aireadores indi-
viduales para asegurar el abastecimiento de oxígeno y calefactores para mantener la temperatura cons-
tante (22-23ºC).
Se efectuaron 12 ensayos con diferentes ejemplares cuyas longitudes estándar y pesos oscilaron
entre 164 y 246mm y 68 y 239g, respectivamente.
Los peces tuvieron un periodo de acostumbramiento al alimento artificial y a las condiciones ex-
perimentales, que variö entre siete y diez dias, aproximadamente. No recibieron alimentaciön 3 dias an-
tes de efectuar cada ensayo, con el objeto de vaciar totalmente sus tubos digestivos.
El alimento suministrado fue un balanceado para peces, fabricado por Nutrimentos S.A., conte-
niendo aproximadamente 40% de proteínas y 4100 calorias/g, el que se adecuó a las características ali-
mentarias de P maculatus. De acuerdo a observaciones previas, realizadas durante el período de acos-
tumbramiento y con el objeto de evitar los desperdicios, las raciones se determinaron teniendo en cuen-
ta la capacidad de cada uno de los ejemplares para ingerir alimento durante un lapso de aproximada-
mente 4 horas. De tal modo los porcentajes ingeridos oscilaron entre 0,7% y 3,1% (expresados como
porcentaje del peso de los peces).
Finalizada la alimentación, los ejemplares fueron trasladados a otro acuario, de características si-
milares, con agua limpia y convenientemente oxigenada, donde permanecieron por espacio de 24 h.
Este procedimiento se repitió a las 48 y 72 h.
Del alimento se analizó: grasa, proteína, fibra y ceniza, utilizando los métodos de la ASSOCIA-
TION OF OFFICIAL AGRICULTURAL CHEMISTS (1960). El valor energético se determinó por combus-
tión húmeda dirigiendo la muestra con dicromato de potasio en medio ácido sulfúrico como agente oxi-
dante (MACIOLEK, 1962). Los valores obtenidos se expresaron en cal/g de materia seca.
Las heces (F) fueron extraídas por sifonado a las 24, 48 y 72 h posteriores a la alimentación. La
totalidad de la muestra fue filtrada a través de un filtro Whatman GF/C que retiene partículas por encima
de 14. El material así obtenido fue secado y calculado como peso seco, determinándo-se en el sólido
el contenido calórico haciendo uso de la técnica de oxidaciön por via húmeda, de acuerdo a MACIOLEK
(1962). Los resultados se expresaron como cal/g.
La eficiencia de asimilaciön de la energia (A%) fue calculada según SOLOMON & BRAFIELD (1972).
RESULTADOS
El análisis del alimento balanceado utilizado reveló un 15% de humedad y un
poder calorífico de 3570 cal/g de materia seca.
Si bien la energia eliminada con las heces (F cal) varió en cada uno de los en-
sayos (Tabla |), cuando estas pérdidas fueron expresadas como porcentajes de la ener-
gia tomada (F%) no se hallaron diferencias significativas para los diferentes pesos
de los peces. Para el rango de pesos estudiado los valores de F% oscilaron entre 13%
y 23% con una media de 16%.
Es importante destacar que la mayor cantidad de materia fecal se produjo en
las primeras 24 h posteriores a la alimentación, alcanzando al 44% del total, siendo
de 37% y 19% en el segundo y tercer día, respectivamente. Al cuarto dia la cantidad
de materia fecal, se consideró despreciable.
Se comprobó la existencia de una relación exponencial entre las calorias inge-
ridas con la ración (R cal) y las eliminadas con las heces (F cal) (fig. 1) siendo:
loge F cal = loge — 2,105 + 1,031 loge R cal
con un coeficiente de correlación (r) de 0,81, significativo al nivel de 1%.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):69-75, 15 de outubro 1985
72 PARMA DE CROUX, M.J. & LORENZATTI, E.
La eficiencia de asimilaciön del alimento, expresada como porcentaje de la ener-
gia tomada (A%) varió entre 77% y 87% con una media de 84% (Tabla |).
No se hallaron correlaciones entre las raciones, expresadas en calorias (R cal)
o como porcentajes de peso del cuerpo de los ejemplares (R%), con los porcentajes
de materia fecal (F%) y eficiencia de asimilaciön (A%).
DISCUSION Y CONCLUSIONES
En aquellas investigaciones en donde se analiza el flujo de energia de una po-
blaciön u organismo, las heces constituyen la expulsiön de la energia no utilizada y
su cantidad está directamente relacionada con el tipo de alimentación, según los peces
sean herbívoros, omnivoros o carnívoros; la asimilación; el estado fisiológico de los
ejemplares y factores ambientales, entre otros.
Winberg (1956) apud ELLIOT (1976) propone para los peces un valor interme-
dio del 80% de la energia ingerida que queda disponible para crecimiento y metabo-
lismo, en tanto el 20% restante es eliminado con los productos de desecho (materia
fecal y excreta). :
Según ELLIOT (1976) es abundante la información sobre el porcentaje de la ener-
gia tomada, perdida en las heces, mencionando para peces carnívoros valores que
varian entre 2% y 28% . WISSING (1974) establece que en el white bass aproxima-
damente un 27% de la energia del alimento es eliminada como materia fecal en tan-
to el resto es asimilada para mantenimiento y crecimiento.
En nuestros ensayos el porcentaje de materia fecal (F%) alcanzó cifras entre
13% y 23%, estando su valor calórico (F cal) en relación directa con la energia del
alimento ingerido (R cal).
Algunos autores (SOLOMON & BRAFIELD, 1972; ELLIOT, 1976) mencionan
que el porcentaje de energia tomada, perdida con las heces, aumenta con el de la
ración y/o cuando disminuye la temperatura. En nuestros estudios, no hubo una re-
lación directa entre la proporción de materia fecal y la cantidad de alimento ingerido.
Este hecho podria explicarse debido a que, como se expresara, sólo se utilizó un ran-
go muy estrecho de raciones (0,7%-3,1%) que, de acuerdo a las observaciones pre-
vias realizadas, podrían estar encuadradas dentro de las mínimas y de mantenimien-
to para esta especie.
La eficiencia de asimilación de la energia (A%) está influenciada, entre otros
factores, por el grado de digestibilidad del alimento y por el estado fisiológico de los
peces. El menor grado de asimilación se da en los herbívoros, cuya alimentación, ba-
sada en vegetales, posee un alto contenido de celulosa. Segun FISCHER (1970), en
Ctenopharyngodon idella es muy baja, oscilando alrededor del 13%. WISSING (1976)
encontró para el white bass valores promedio del 67% en tanto que ELLIOT (1976)
y FISCHER (1979) citan para peces carnívoros, entre ellos la trucha, eficiencias de
asimilación entre 70 y 85%. En nuestras experiencias osciló entre 77 y 87%, valores
que pueden ser considerados relativamente elevados, debido quizás, a que el alimento
utilizado, rico en proteínas de origen animal, tendria un alto porcentaje de digestibili-
dad aparente.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):69-75, 15 de outubro 1985
Estudios bioenergéticos em peces del... 73
Tal como se observara con los porcentajes de materia fecal (F%) no se regis-
traron grandes variaciones en los de la eficiencia de asimilación (A %), atribuíbles a
las diferentes raciones utilizadas, manteniendose relativamente constantes. Simila-
res observaciones efectuaron Conover (1964) e Ivlev (1939) apud FISCHER (1970).
Los estudios realizados con P maculatus, si bien son considerados prelimina-
res, son los primeros llevados a cabo en laboratorio con peces de la zona de influen-
cia del Paraná medio. Toda otra investigación complementaria que se efectúe contri-
buirá, sin duda alguna, a ampliar el conocimiento bioenergético de esta especie a
fin de llegar a estimar el rol que desempefia en los diferentes cuerpos de agua como
generador y consumidor de energia.
AGRADECIMIENTOS
A las Prof. Clarice P. de Hassan y Elly C. de Yuan, por la revision critica del manuscrito. Al Sr.
Adlo Paira por la confección de la gráfica y la colaboraciön en tareas de laboratorio.
A la Pesquisadora Silvia Drügg Hahn del Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica
do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, por la traducción del resumen del trabajo al portugués.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
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IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):69-75, 15 de outubro 1985
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74
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):69-75, 15 de outubro 1985
Estudios bioenergéticos em peces del... 75
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Fig. 1. Relación exponencial entre las calorías ingeridas con el alimento (R cal) y las eliminadas
con las heces (F cal) en Pimelodus maculatus Lacépede, 1803.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):69-75, 15 de outubro 1985
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Redescription of the freshwater sponges Trochospongilla repens
(Hinde, 1888) and Trochospongilla amazonica (Weltner, 1895) with an
account of the South American species of Trochospongilla (Pori-
fera, Spongillidae) *
C. Volkmer-Ribeiro**
R. De Rosa-Barbosa***
Amplo estudo revisivo conclui pela manutenção do estatus de Trochospongilla repens (Hinde,
1888), em cuja sinonímia se inclui Uruguaya pigmaea Hinde, 1888, e Uruguaya ringueletti Bonetto & Ez-
curra de Drago, 1964. É mantido também o estatus específico de Trochospongilla amazonica (Weltner,
1895) em nova combinação. T. repens é redescrita sobre o estudo de ampla coleção e T. amazonica so-
bre o estudo do material-tipo, o qual é ilustrado pela primeira vez, designando-se ainda lectótipo para
a espécie. É acrescida a sinonimia do gênero Trochospongilla, onde se inclui o gênero Uruguayella Bo-
netto & Ezcurra de Drado, 1969 e parte do gênero Uruguaya sensu Hinde, 1888. É também fornecida
uma relação ilustrada das espécies do gênero Trochosponailla que tiveram ocorrência registrada, até o
presente, para o continente sul-americano. Destas apresentam-se ainda evidências que permitem adian-
tar a sinonimização de Trochospongilla tenuíssima Bonetto & Ezcurra de Drago, 1970 e Trochospongilla
horrida sensu Bonetto & Ezcurra de Drago, 1965, dentro de Trochospongilla minuta (Potts, 1887) e de
Trochospongilla leidyi sensu Bonetto & Ezcurra de Drago, 1965, dentro de T. repens.
ABSTRACT
The specific status of Trochospongilla repens (Hinde, 1888), is retained upon a careful revisive
study and its synonymy is enlargened with the inclusion of Uruguaya pigmea Hinde, 1888 and Uruguaya
ringueletti Bonetto & Ezcurra de Drago, 1964. The specific status of Trochospongilla amazonica (Welt-
ner, 1895), new combination, is also retained. Both species are redescribed, T. repens upon study of a
large collection and T. amazonica upon study of the syntype material, which is for the first time illustra-
ted. A lectotype is elected for T. amazonica. The synonymy of the genus Trochospongilla is enlargened
with the inclusion of genus Uruguayella Bonetto & Ezcurra de Drago, 1969 and part of the genus Uru-
guaya sensu Hinde, 1888. An illustrated account is also offered of those species of Trochospongilla re-
corded up to now for the South American continent.
Two other synonymies are proposed and preliminary discussed: that of Trochospongilla tenuissi-
ma Bonetto & Ezcurra de Drago, 1970 and Trochospongilla horrida sensu Bonetto & Ezcurra de Drago,
1965 with Trochospongilla minuta (Potts, 1887) and that of Trochospongilla leidyi sensu Bonetto & Ez-
curra de Drago, 1965 with T. repens.
* Aceito para publicação em 08.V11.1985. Contribuição FZB nº 316.
**Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN). Bolsista do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Proc. nº 30.6134/76. Caixa Postal 1188, 90000, Porto Alegre,
RS, Brasil.
*** Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais Fundação Zoobotänica do Rio Grande do Sul (MCN). Bolsista do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Proc. nº 30.1128/77. Caixa Postal 1188, 90000, Porto Ale-
gre, RS, Brasil.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
78 VOLKMER-RIBEIRO, C. & ROSA-BARBOSA, R. DE
INTRODUCTION
CARTER (1881) erected Uruguaya as a provisional genus to contain the spe-
cies U. corallioides (Bowerbank, 1863) described as having no gemmules.
HINDE (1888) assigned to genus Uruguaya three new species of gemmulife-
rous sponges which had birotulate gemmoscleres typical of those of the genus Tro-
chospongilla Vejdovsky, 1883 and assumed that such gemmules would be sooner
or later found in U. corallioides specimens.
Quite recently PENNEY & RACEK (1968), endorsed the selpeneniio definition
for Uruguaya as presented by HINDE (1888) and foresaw a future relegation of Tro-
chospongilla to the synonymy of Uruguaya.
BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1969) having described the true gem-
mules and the sausage like gemmoscleres of U. corallioides, invalidated the genus
Uruguaya, classed the species within Spongilla (Stratospongilla) Annandale, 1909
and erected the genus Uruguayella to receive those species of Uruguaya with biro-
tulate gemmoscleres, i.e. U. repens Hinde, 1888, U. macandrewi Hinde, 1888, U. pig-
mea Hinde, 1888, U. amazonica Weltner, 1895 and U. ringueletti Bonetto & Ezcurra
de Drago, 1964.
VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA (1978) after having carried out
an extensive study of several specimens referred to the genus Uruguaya sensu HIN-
DE, revalidated and redefined the genus Uruguaya as a monotipic genus to contain
the gemmulliferous species U. corallioides and transferred to the genus Trochospon-
gilla Vejdovsky, 1883, sensu PENNEY & RACEK 1968, those species possessing bi-
rotulate gemmoscleres which had been previously described in the genus Uruguaya
or lately placed in the genus Uruguayella by BONETTO & EZCURRA DE DRAGO
(1969). VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA (1978) also demonstrated that
Uruguaya macandrewi Hinde, 1888 was described upon an association of Uruguaya
corallioides (Bowerbank, 1863) and Trochospongilla repens (Hinde, 1888) and advan-
ced the hypothesis that U. pigmea, U. amazonica and U. ringueletti were synony-
mous with T. repens.
The present study of the type material of U. pigmea, U. ringueletti und U. ama-
zonica as well as of a large collection of specimens of T. repens recently gathered in
South America demonstrated that U. ringueletti should also be relegated in synonymy
with T. repens, that U. pigmea is a neotenic form of T. repens whilst U. amazonica
should have its specific status retained inside the genus Trochospongilla.
The above reasons convinced the authors of the necessity of producing a re-
description of T. repens and of T. amazonica. In this redescription the first illustra-
tions of type material of T. amazonica are offered. The two species are also compa-
red to the other species of Trochospongilla occurring in the South American continent.
The numbering of the specimens corresponds to the entries in the Porifera Ca-
talog of Museu de Ciências Naturais (MCN) of Fundação Zoobotânica do Rio Gran-
de do Sul. The abbreviation used for material from the British Museum (Natural His-
tory) is BM(NH) and from the United States National Museu, USNM.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
Redescription of the freshwater sponges... 79
Genus Trochospongilla Vejdowsky, 1883, sensu PENNEY
& RACEK, 1968.
Type species: Trochospongilla horrida Weltner, 1895.
Trochospongilla VEJDOWSKY, 1883, p.31; PENNEY & RACEK, 1968, p.133 (and synonymy).
Uruguaya Hinde, 1888, p.10 (part); WELTNER, 1895, p.130 (part); CORDERO, 1924, p.117 (part); GEE,
1932, p.44 (part); PENNEY, 1960, p.60 (part); PENNEY & RACEK, 1968, p.143 (part); BELEN, 1968,
p.285 (part). New synonymy.
Not Uruguaya CARTER, 1881, p.100; VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA, 1978, p.505 (and
synonymy).
Uruguayella BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1969, p.356. New synonymy.
Trochospongilla repens (Hinde, 1888),
(Figs. 1-3, 6d, 7, 20-24)
Uruguaya repens HINDE, 1888, p.130, 135; ANNANDALE, 1913, p.80; GEE, 1931, p.47; 1932, p.44; COR-
DERO, 1924, p.117; PENNEY, 1960, p.61; PENNEY & RACEK, 1968, p.146; BONETTO & EZCURRA
DE DRAGO, 1964, p.253; 1967, p.338; VOLKMER-RIBEIRO, 1969, p.119.
Uruguaya macandrewi HINDE, 1888, p.4 (part); WELTNER, 1895, p.130 (part); CORDERO, 1924, p.117
(part); BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1963, p.23 (part); 1964, p.256 (part); 1967, p.332 (part);
1969, p.351 (part); PENNEY & RACEK, 1968, p.287 (part); BELEN, 1968, p.287 (part). New
synonymy.
Uruguaya pigmea HINDE, 1888, p.8; WELTNER, 1895, p.130; ANNANDALE, 1913, p.80; CORDERO, 1924,
p.117; PENNEY, 1960, p.60; BELEN, 1968, p.289; VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA, 1978,
p.504. New synonymy.
Uruguaya ringueletti BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1963, p.23, 1967, p.338. New synonymy.
Trochospongilla leidyi, BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1965, p.97.
Uruguayella repens, BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1969, p.356.
Uruguayella macandrewi, BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1969, p.356 (part.).
Uruguayella pigmaea, BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1969, p.356.
Uruguayella ringueletti, BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1969, p.356.
Trochospongilla repens, VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA, 1978, p.507; VOLKMER-RIBEIRO
& GROSSER, 1981, p.177-180.
Material studied
Type material: holotype of Uruguaya repens BM(NH) URUGUAY, Uruguay River, Alex
R. Mackinnon leg.; holotype of Uruguaya macandrewi BM(NH) PARAGUAY, Mr. Mc. Andrew leg.; ho-
lotype of Uruguaya pigmea BM(NH) PARAGUAY, Mr. Mc. Andrew leg.; paratype of Uruguaya ringue-
letti, ARGENTINA, Corrientes, Paraná River, Passo de la Pátria, I. Ezcurra de Drago leg. Plesiotype of
Uruguaya repens, BRASIL, Rio Grande do Sul, Itaqui, São Francisco de Assis, Itu River, MCN 03, 18.11.1968,
CV. Ribeiro Leg.
Other material: BRASIL. Parä: Tocantins River downstream the Tucurui Dam, MCN 1154,
15.1X.1984, L.C.F. Alvarenga, W. Zwink leg.; São Paulo: Pontal, Pardo River, MCN 363, 03.V111.1975, Lé-
lio Favaretto leg.; Paraná: Paraná River at Foz do Iguaçú, near the Amizade bridge, MCN 1087, 12.X.1982,
Ana Maria Gehal leg.; Rio Grande do Sul: Arroio do Tigre, Jacuí River downstream the Itaúba Dam,
MCN 763, 880, 26.1V.1978, MCN 801, 886, 895, 898, 899, 12.1V.1978, MCN 853, 857, 875, 876, 883, 891,
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
80 VOLKMER-RIBEIRO, C. & ROSA-BARBOSA, R. DE
25.1V.1978, MCN 854, 861, 887, 02.1V.1978, MCN 888, 13.1V.1978, A.G. Pereira leg.; Jacuí River downs-
tream the Itaúba Dam, MCN 894, IV.1978, A.A. Lise leg.; Jaguari, Jaguari River, MCN 1027, IV.1982,
J. Cavaleski leg.; Santa Maria, Biriva Brook, Ibicuí-Mirim River MCN 1043, 14.V11.1982, R. De R. Bar-
bosa leg.; Ibicuí-Mirim River, upstream the Saturnino de Brito Dam, MCN 1046, 14.V11.1982, R. De R.
Barbosa leg.; Uruguaiana, Touro Passo Brook, Uruguay River, MCN 829, 830, 834, 837, 841, 842, 844,
845, 15.1.1974, M. Bombim leg.; Uruguai River, MCN 10, 29.X11.1969, M. Ribeiro leg.; General Cäma-
ra, Jacuí River, MCN 977, 981, 25.11.1982, M.C.D. Mansur, I.L.V. Mendes, C. Marros leg.; lagoa Santa-
rem, Jacuí River, MCN 994, 05.1V.1982, C. Marros leg.; São Jerônimo, Jacuí River, MCN 996, 997, 999,
1001, 1002, 1004, 1006, 1007, 1011, 1014. 05.1V.1982, CM. Ribeiro, R. De R. Barbosa, C. Marros, E.T. Car-
valho leg.; Jacuí River, MCN 982, 25.11.1982, M.C.D. Mansur, I.L.V. Mendes; C. Marros leg.; São Jerö-
nimo/Butiá, Conde Brook, Jacuí River, MCN 1025, 28.1V.1982, R. De R. Barbosa leg.; Porto Alegre,
saco do Arado, Guaiba River, MCN 325, 19.111.1975, S.M. Pauls leg.; saco do Arado, Guaiba River, MCN
337, 338, 339, 340, 341, 343, 344, 826, 827, 19.111.1975, R. De R. Barbosa leg.; ARGENTINA. Corrien-
tes, Paraná River, Passo de la Pátria, MCN 901, 902, 29.V111.1963. |. Ezcurra de Drago leg.; Santa Fé,
vuelta del Dorado, São Javier River (branch of the Paraná River), MCN 22, |. Ezcurra leg.; URUGUAY.
Uruguay River, Salto Grande, MCN 564, 565, 1-1979, L. Zolessi, E. Morrelli leg.; Negro River, MCN 1095,
27-31.111.1983. Grupo de Buceo de La Armada de La Republic Oriental del Uruguay leg.; Uruguay River,
Salto Spinillar, Federación, MCN 1126, 28.11.1965, Jose Olazarri leg.
Redescription: sponge forming thin, flat crusts strongly adhering to
stones or rocky bottoms. Growth is circular but larger sponges may spread as irregu-
lar patches. Surface quite smooth with minute palmate sculpturations, oscula incons-
picuous, irregularly distributed on the surface of the sponge and occupying the cen-
tre of the palmate sculpturations (figs. 21-22) or surface raised into conical eminen-
ces each bearing an oscular aperture (fig. 24). Dermal membrane more conspicuous
around border of the oscula. Skeleton consisting of fascicles of spicule fibers, the
fascicles being joined together by the extremities of the scleres. Spongin scarce. Con-
sistency of dry sponge hard. Color in life purplish black to black or lead gray. Sponge
whitish when adhering to the under surface of the substratum. Dry sponge dark to
light gray to a dirty white at the borders of the crusts. Found invariably in fast run-
ning waters.
Megascleres: usedfor the skeleton short, stout, slightly curved, smooth
amphistrongyla often bearing microgranulations at their tips. From this condition they
may sometimes pass to microspined or even spined amphistrongyla. Young megas-
cleres are strainght to slightly curved smooth amphioxea, bearing microgranulations
at their tips. Megascleres used for the capsules covering the gemmules are amphis-
trongyla identical to those used for the skeleton but considerably smaller. Lenght range
48-296 micrometers, width range 11-56 micrometers.
Microscleres: absent.
Gemmoscleres: minute, stout birotulates with short, smooth, thick
shafts that slightly project beyond both rotules as rounded eminences. Rotules equal,
small, circular, cup shaped with entire, strongly recurved thick margins, both rotules
turned in the same direction. The shaft may sometimes show a conical, bifid or splitted
projection in the outer rotule. Lenght of shafts: 9.5-13 micrometers. Width: 5 micro-
meters. Diameter of rotules: 14.5-16 micrometers.
IHERINGIA. Serie Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
Redescription of the freshwater sponges... 81
Gemmules: subspherical, diameter ranging from 210-440 micrometers.
Gemmules with one or two foraminal apertures. No foraminal tube present. Pneu-
matic coat a solid mass of spongin-not thicker than lenght of birotulates. Birotulates
single layered, side by side embedded in the pneumatic coat, rotules overlapping;
only the border of the outer rotule and the point of the shaft project from the pneu-
matic coat. Gemmules always attached to the substratum and enclosed in groups
of 2-6 in capsules built up of the smaller megascleres.
Remarks: allthe characteristics presented by the material studied justify
the inclusion of this material in the genus Trochospongilla sensu PENNEY & RA-
CEK, 1968: from the minute stout birotulate gemmoscleres with circular entire rotu-
les to the abundant gemmules encased in capsules of shorter megascleres. The only
aberrant character is the occurence of an smooth surface instead of an hispid surfa-
ce. However the “tubular projections of the surface” listed by PENNEY & RACEK
(1968) as a generic characteristic showed up in the specimens described under U.
ringueletti, now placed in the synonymy of T. repens.
The retention of the specific status of T. repens inside the genus is on the other
hand fully backed by the very distinctive characteristcs attributed to this species sin-
ce the original description. T. repens is the only species in the genus with stout, en-
curved amphistrongyla with microgranulations at the tips and also stout gemmos-
cleres with rotules equal and turned in the same direction.
T. repens is in a phyletic position close to T. minuta in what respects the shape
and size of the gemmoscleres. However in T. minuta the outer rotule is smaller and
both rotules are not so incurved and thick as in T. repens. Also in T. repens the point
of the shaft conspicuously projects beyond the outer rotule whilst in T. minuta it is
hidden inside the outer rotule (fig. 6).
T. repens has its occurrence presently extended from the Tocantins River to the
Paraguay River and from the Parana River to the Uruguay River besides all other ri-
vers with rocky bottom in South Brazil.
There seems to exist a same substratum preference between T. repens and U.
corallioides. This competition for substratum occupation has been resolved with a
vertical stratification, with U. corallioides usually growing over T. repens. T. repens
on account of its large production of gemmules is the first to occupy the favorable
faces of stones. The stratification in substratum occupation was the cause of the ta-
xonomical confusion that started after the description of U. macandrewi, an species
exhibiting the skeletal structure of U. corallioides and gemmules and gemmoscleres
of T. repens. When VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA (1978), demons-
trated that U. macandrewi was described upon an association of specimens of the
two species they placed part of U. macandrewi in the synonymy of U. corallioides
(shape and skeletal structure). The remaining part of U. macandrewi (gemmules and
gemmoscleres) is now placed in the synonymy of T. repens.
T. repens exhibits also capability for neotenic growth on the unfavorable si-
des of the substratum. Minute sponges, with one sole oscular orifice or two or three
oscules packed together at the central eminence (figs. 22-23), have gemmules with
malformed or minute gemmoscleres. Such tiny specimens found for the first time
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
82 VOLKMER-RIBEIRO, C. & ROSA-BARBOSA, R. DE
at the base of the holotype of U. macandrewi were described by HINDE (1888) as
Uruguaya pigmea, an species with spicular components identical in shape though
not in size to those of T. repens. U. pigmea was registered again by BELEN (1968)
for the Uruguay River. All such neotenic specimens studied in the present work oc-
curred on the same substratum with regular specimens of T. repens T. pigmea must
so be considered synonymous with T. repens.
BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1963, described U. ringueletti, an spe-
cies with the spicular components of T. repens and the surface elevated into conical
eminences each bearing on its summit an oscular aperture (fig. 24). Since in the pre-
sent study specimens were examined which graded from smooth surfaces with pal-
mate sculpturations and inconspicuous oscular apertures to surfaces showing rounded
conspicous oscular apertures at the centre of the palmate sculpturations or yet os-
cular apertures situated on top of low to high conical eminences but allways having
the spicular components of T. repens, U. ringueletti is here considered an ecomor-
phic variation of T. repens and for that reason placed into its synonymy.
Trochospongilla amazonica (Weltner, 1895), new combination.
(Figs. 4, 5, 6b, 16-19)
Uruguaya amazonica WELTNER, 1895, p.130, 144; ANNANDALE, 1913, p.80; CORDERO, 1924, p.117;
PENNEY, 1960, p.60; PENNEY & RACEK, 1968, p.144.
Uruguayella amazonica, BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1969, p.356.
Material: along search for the type and syntype material of T. amazonica, revealed that
the type specimens deposited in the Zoologisches Museum, Berlin, are lost and that the “several frag-
ments of the type material” reported by ANNANDALE (1913 p.80) as “represented in the collections of
the Indian Museum” could no longer be found. Fortunatelly Gee (see lectotype) secured one type slide
of gemmule and Belen photographed the type specimens and the type label when on loan to him seve-
ral years ago. Also deposited in the Zoologisches Museum remained some slides of megascleres of the
type material. All such remaining type material of T. amazonica was studied in the present work.
Lectotype: N. Gist Gee's slide nº 150369 (Amazon River, A.A. Dorly leg.) deposited in the
United States National Museum (USNM) Smithsonian Institution, Washington, is elected lectotype of
the species because Weltner's original description missed indication of an holotype.
Redescription: young sponge forming from thin to thick crusts of circu-
lar outline, the following stages of growth taking to branching from the basal crust
of short, stout, rounded eminences (fig. 19). Surface even. Oscula placed at the centre
of radiate sculpturations. Dry sponge recorded as drab yellow to brown, inner parts
of a lighter color.
Consistency hard. Skeleton a reticulum of circular meshes with few sponging
biding the extremities of the scleres.
Megascleres: long, slim, smooth, slightly curved amphistrongyla. Young
megascleres grade from amphioxea to slim amphistrongyla with constricted extre-
mities. Size ranges in table |.
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Redescription of the freshwater sponges... 83
Microscleres: absent.
Gemmoscleres: minute smooth amphidiscs with the border of the cir-
cular rotules turned to each other. Border of rotules entire but ondulated. Shaft slen-
der and straight but forming at each extremity numerous strong radial reinforcements
which meet the inner part of each rotule and produce the rayed aspect of the rotule
seen in situ in the gemmular wall. The rotules start to form from these reinforcements
on when a silicious, very thin web extends among them. Outer rotule slightly smal-
ler than inner or both rotules equal. Size ranges in table |.
Gemmules: rounded and encrusted with minute amphidiscs one layer
thick. Pneumatic coat very thin and granular. Rotules not overlapping. The only gem-
mule examined was a young one to judge from the large number of initially or incom-
pletely formed amphidiscs. No sign of gemmular cage or surrounding by smaller me-
gascleres could be perceived. No details of the foraminal aperture could either be
observed.
Distribution: Amazon River.
Remarks: WELTNER (1895) did not refer to the presence of oscula or
to the situation of the gemmules in the sponge body or the presence or not of gem-
mular enveloppes. According to Belén (1978, personal communication) the specimens
photographed had incrusted on leather peaces of an old shoe dumped in the water.
The study of the type slide in Gee's Collection, of the megasclere slides in the
Zoologisches Museum and of the photographs by Belén confirmed all details origi-
nally described by WELTNER (1895) and evinced that the specific status of T. ama-
zonica should be retained. A carefull evaluation of the characteristics presented by
the material studied recommended its inclusion in the genus Trochospongilla sensu
PENNEY & RACEK, 1968. Such are the minute smooth amphidiscs which fit into
the size range of gemmoscleres in that genus. Also the entire margins of the circular
rotules and the smaller size of the outer rotule are generic characteristics which could
be presently observed. T. amazonica seems to be in a phyletic position intermediate
to that of T. gregaria, VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA (1972) and T. re-
pens. T. amazonica shares with T. repens a hard skeleton and megascleres which are
amphistrongyla. T. gregaria and T. amazonica are the only species in the genus which
have rotules flat and turned to each other and a very slight difference in size between
the outer and inner rotule.
DISCUSSION
The present work completes a series of studies where the species of the ge-
nus Trochospongilla registered for the South American continent were revised by the
authors.
T. paulula (Bowerbank, 1863), T. gregaria (Bowerbank, 1863), T. delicata Bo-
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
84 VOLKMER-RIBEIRO, C. & ROSA-BARBOSA, R. DE
netto & Ezcurra de Drago, 1967, and T. lanzamirandai Bonetto & Ezcurra de Drago,
1964 had their specific status confirmed upon redescriptions by VOLKMER-RIBEIRO
& DE ROSA-BARBOSA (1972). T. minuta (Potts, 1887) was redescribed by
VOLKMER-RIBEIRO, 1973 and T. pennsylvanica (Potts, 1882) had its description en-
largened by VOLKMER-RIBEIRO & MACIEL, 1983 upon a first register of occurren-
ce in South America and in this same paper T. variabilis Bonetto & Ezcurra de Dra-
go, 1973 had its occurrence extended to amazonian waters. With the present redes-
cription of T. repens and T. amazonica the number of Trochospongilla species occu-
ring in South America amounts to nine.
BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1965), registered T. horrida (Weltner, 1893)
and T. leidyi (Bowerbank, 1863) at the falls of the Iguazú River (Parana River basin)
but the illustrations presented allow for the recognition of the spicular components
of respectively T. minuta and T. repens (including the shorter megascleres found
around the gemmules), both species with a widespread distribution in South Ame-
rica. Material recently collected from the Iguazú River Falls at the time of the closing
of the Itaipú Dam was studied and identified as T. repens in the present work.
BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1970) also described T. tenuissima from
the Iguazú River. Those authors considered the microspines covering the spines of
the megascleres as the most distinctive characteristic of the new species and com-
mented on the identity of the new species with T. minuta, described from the Beni
River, Bolivia and wich was never registered by them for argentinian waters. Howe-
ver VOLKMER-RIBEIRO & DE ROSA-BARBOSA (1972) demonstrated that T. deli-
cata was described upon an association of T. delicata and T. minuta in argentinian
waters. The study of T. minuta from different localities in South America evinced the
presence of microspines covering the spines of the megascleres in some specimens.
It must also be reminded that T. tenuissima was described on specimens provenient
from an habitat hitherto not registered for T. minuta as was the strong water current
of Iguazú River at the falls. Specimens of T. minuta (figs. 25-26) collected from fast
streams in Rio Grande do Sul, Brazil, displayed also the same growing features and
delicate skeleton described for T. tenuissima. T. tenuissima is thus an ecomorphic
variation of T. minuta.
The present authors thus consider T. horrida sensu BONETTO & EZCURRA
DE DRAGO (1965) and T. tenuissima BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1970)
synonymous whith T. minuta and T. leidyi sensu BONETTO & EZCURRA DE DRA-
GO (1965) synonymous with T. repens.
Two groups of species seem to integrate the genus Trochospongilla in South
America. The repens group with T. repens, T. gregaria, T. minuta and probably also
T. amazonica, sponges with short shafts of gemmoscleres, forming gemmules
strongly adhering to the substratum and protected by an extra — covering of shor-
ter megascleres which may or may not form a definite capsule. Sponges of this group
demonstrate a preference for encrusting bottom substrata.
The paulula group would be integrated by T. paulula, T. delicata, T. lanzami-
randai, T. pennsylvanica and T. variabilis. Those are sponges which have gemmos-
cleres with long shafts and rotules unequal, forming gemmules devoid of a capsular
protection and which have adapted to occupation of substrata placed upwards from
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
Redescription of the freshwater sponges... 85
the bottom. Such sponges usually encrust leaves and other parts of submersed ve-
getation, forming delicate crusts with an hispid surface and open meshed skeletons.
ACKNOWLEDGMENTS
The senior author gratefully acknowledges the personall assistence of Miss S.M.K. Stone with
the study of type specimens of U. repens, U. macandrewi and U. pygmea in the British Museum (Natu-
ral History) on December, 1978. The authors gratefully acknowledge the kind assistence of Dr. K. Ruetz-
ler, Smithsonian Institution, in obtaining loan-of the type slide of T. amazonica in Gee's Collection. They
are indebt to Dr. D. Kühlmann, Zoologisches Museum, Berlin for his interest in localization of the type
material of T. amazonica as well as for the loan of the type slides. The authors register their indebtness
to Dr. C. Berroa Belén, Montevideo, for personal information and gift of the photographs of the type
specimens of T. amazonica. The authors acknowledge the interest of Dr. T.D. Soota, Zoological Survey
of India in localization of material of T. amazonica in the Indian Museum. The final art to the drawings
was carried out by Miss Rejane Rosa of Museu de Ciências Naturais of Fundação Zoobotânica do Rio
Grande do Sul.
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Table I. — Trochospongilla amazonica (Weltner, 1895): Measures of the spi-
cular components (micrometers). The values presently obtained are compared to tho-
se presented by WELTNER (1895, p.144) in the original description of the species.
i Present Original
Spicular categorias measures measures
Lenght Max. 222 200
ne | Min. 137 160
mphistrongyla Width of Max 27 22
shaft Min. 13 20
Lenght Max. 185 260
pe Min. 131 130
map mit Width of Max. 13 8
shaft Min. 7 4
Lenght Max. 213 200
Fusif a Min. 178 180
usiform spicules Width of ME so 12
shaft Min. 8 10
Lenght Max. 15 12
Ge leres ae E i
mmoscler
ud Width of Max. 4 2
shaft Min. 2 2
Diameter of Max. 13 10
Gemmules Sue uu 5 >
Max. 462 480
Min. 430
IHERINGIA. Serie Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
Redescription of the freshwater sponges... 87
50 4m
Y
Figs. 1-4: Trochospongilla spp. 1-3. Spicules of different specimens of Trochospongilla repens
(Hinde, 1888) exhibiting extreme ecomorphic variations; 1. MCN 842; 2. MCN 344; 3. MCN 3. m — me-
gascleres, cm — capsular megascleres, g — gemmoscleres, gn — gemmostcleres at high magnification.
4. Variations in size and shape of megascleres (m), and gemmoscleres (g) of the syntype material of Tro-
chospongilla amazonica (Weltner, 1895), gn — gemmoscleres at high magnification.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
88 VOLKMER-RIBEIRO, C. & ROSA-BARBOSA, R. DE
Fig. 5. Gemmoscleres seen in the lectotype of Trochospongilla amazonica (Weltner, 1895), (N.G.
Gee n? 150369).
a — From top to bottom gemmoscleres from young to adult;
b and c — malformed gemmoscleres; d — upper rotules in profile;
e — lower rotule in profile.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
Redescription of the freshwater sponges... 89
= E
50 Mm
Did
Fig. 6. Gemmoscleres of Trochospongilla spp. recorded from South America. a — T. gregaria
(Bowerbank, 1863); b — T. amazonica (Weltner, 1895); c — T. minuta (Potts, 1887); d — T. repens (Hin-
de, 1888); e — T. delicata Bonetto & Ezcurra de Drago, 1967; f — T. lanzamirandai Bonetto & Ezcurra
de Drago, 1964; g — T. paulula (Bowerbank, 1863); h - T. variabilis Bonetto & Ezcurra de Drago, 1973;
i — T. pennsylvanica (Potts, 1882).
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
90 VOLKMER-RIBEIRO, C. & ROSA-BARBOSA, R. DE
Figs. 7-15. Gemmoscleres (g), capsular megascleres (cm) and megascleres (m) of the species
of Trochospongilla spp. recorded from South America. 7. T. repens (Hinde, 1888); 8. T. amazonica (Weltner,
1895); 9. T. gregaria (Bowerbank, 1863); 10. T.'minuta (Potts, 1887); 11. T. paulula (Bowerbank, 1863),
12. T. delicata Bonetto & Ezcurra de Drago, 1967); 13. T. lanzamirandai Bonetto & Ezcurra de Drago, 1964;
14. T. pennsylvanica (Potts, 1882); 15. T. variabilis Bonetto & Ezcurra de Drago, 1973.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
Redescription of the freshwater sponges... 91
Figs. 16-18. Spicules of Trochospongilla amazonica (Weltner, 1895) photographed from the lec-
totype (N.G. Gee nº 150369/ USNM); 16. Gemmoscleres, young and adult megascleres (x400); 17. Gem-
mular wall with gemmoscleres (x400); 18. Gemmoscleres in situ in gemmular wall (x1.000). Photographs
by K. Ruetzler.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
92 VOLKMER-RIBEIRO, C. & ROSA-BARBOSA, R. DE
Yéº 1 :KMMM[][][][][W[W[]W]W]WwWwWwWwWw—w—w—[WWWwWWw———— im
Figs. 19-20. 19. Type specimens of Trochospongilla amazonica (Weltner, 1895). (Photo by C. Berroa-
Belén). 20. Photograph of the spicular dissociation of a fragment from the paratype of Uruguaya ringue-
letti seen in fig. 24, showing the large megascleres, the smaller capsular megascleres, and the gemmos-
cleres of Trochospongilla repens (Hinde, 1888).
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
Redescription of the freshwater sponges... 93
Figs. 21-26. 21. Trochospongilla spp. Photograph of an specimen of T. repens (Hinde, 1888) exhi-
biting the surface palmate sculpturations typical of this species. 22. Large specimen (MCN 997) of T.
repens on the upper part of the substratum and some neotenic specimens of this sponge on the bottom.
23. Close-up of the same neotenic specimens seen in fig. 22; 24. Specimen of T. repens (MCN 502, pa-
ratype of Uruguaya ringueletti Bonetto & Ezcurra de Drago, 1963) displaying conspicuous oscular aper-
tures on the top of conical eminences; 25-26. Specimen of Trochospongilla minuta (Potts, 1887) (MCN
653) collected from a fast stream in South Brazil and displaying the morphological features described
for Trochospongilla tenuissima Bonetto & Ezcurra de Drago, 1970. Photographs by Arno A. Lise.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):77-93, 15 de outubro 1985
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. IV. Descrição das
larvas de Simulium (Psaroniocompsa) brevifurcatum Lutz, 1910; S. (P)
anamariae Vulcano, 1962; S. (Thyrsopelma) itaunense D'Andretta &
Dolores Gonzales, 1962*
V. Py-Daniel**
H.G. Konrad***
H.A.O. Gastal****
RESUMO
Säo descritas pela primeira vez as larvas de Simulium (Psaroniocompsa) brevifurcatum Lutz, 1910;
S. (P.) anamariae Vulcano, 1962 e S. (Thyrsopelma) itaunense D'Andretta & Dolores Gonzales, 1962.
E apresentada uma chave de diferenciação para as três espécies. Todo o material examinado foi coleta-
do no Estado do Rio Grande do Sul.
ABSTRACT
Larvae of Simulium (Psaroniocompsa) brevifurcatum Lutz, 1910; S. (P) anamariae Vulcano, 1962
and S. (Thyrsopelma) itaunense D'Andretta & Dolores Gonzales, 1962 are described for the first time.
A differential key is presented for these species. All the material was collected in Rio Grande do Sul Sta-
te, Brazil.
INTRODUÇÃO
Este trabalho é o resultado de um objetivo em conjunto entre o Museu de Zoo-
logia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (MZ/UNISINOS), o Serviço de Con-
trole de Vetores da Secretaria da Saúde e do Meio Ambiente do Estado do Rio Gran-
de do Sul (SSMA-SCV/RS), o Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotä-
nica do Rio Grande do Sul (MCN) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cien
tífico e Tecnológico (CNPa)/Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA
no estudo da biologia, taxonomia e controle dos simulídeos no Estado do Rio Gran
de do Sul.
* Aceito para publicação em: 19.V11.1985. As
** Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico/ Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (CNPq/INPA),
C. Postal 478, 69000, Manaus, AM. :
*** Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Museu de Zoologia, C. Postal 278, 93000, São Leopoldo, RS.
**** Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Museu de Ciências Naturais, C. Postal 1188, 90000, Porto Alegre, RS.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):95-102, 15 de outubro 1985
96 PY-DANIEL, V. et alii
LUTZ (1910) descreveu Simulium brevifurcatum procedente da Serra da Bo-
caina (São Paulo), exclusivamente baseado em pupas. VULCANO (1962) redescre-
veu a pupa apresentando também as descrições do macho e da fêmea, permane-
cendo a larva desconhecida.
VULCANO (op. cit.) descreve S. anamariae também procedente da Serra da
Bocaina (adicionalmente apresentou outras localidades de São Paulo e Tijuca, Rio
de Janeiro). A descrição desta espécie foi baseada apenas em pupa, macho e fêmea.
D'ANDRETTA & DOLORES GONZALES (1962) descreveram S. itaunense com
base em apenas 1 macho retirado da pupa, ficando desconhecidas até o presente
tanto a fêmea como a larva. O material que estudaram era procedente de Itatinga
(Fazenda Itaúna, São Paulo). Os autores agruparam, corretamente, esta espécie com
S. orbitale Lutz, 1910 e com S. pintoi D'Andretta & D'Andretta, 1945, pois todas per-
tencem ao subgênero Thyrsopelma Enderlein, 1934. As larvas deste subgênero são
facilmente diferenciáveis das demais encontradas no Brasil, por apresentarem as se-
guintes características:
a: Presença de grande número de escamas subpetalóides no abdome;
b. Os dentes intermediários (externos e medianos) do hipostômio apresentam
uma base alargada e o ápice direcionado para a região do dente central (nos
outros subgêneros esses dentes são sempre direcionados para a frente).
CHAVE DIFERENCIAL PARA AS LARVAS
1. — Abdome subcilíndrico com escamas subpetalóides e sem papilas ventrais posteriores; manchas
do apodema cefálico não visíveis; segundo segmento antenal mais que duas vezes o comprimento
do primeiro segmento; setas hipostomiais com número igual a 6+6; hipostômio sem serrilhas
laterais; mandíbula sem PLM; disco anal com mais de 100 fileiras de ganchos (133) e um número
deiganchosipoxtileiralsuperior an a1 (7-22) e A S. (T.) itaunense.
— Abdome subdividido com setas multiramificadas pequenas e com grandes papilas ventrais pos-
teriores; manchas do apodema cefálico presentes e positivas; segundo segmento antenal menor
ou igual ao primeiro segmento; setas hipostomiais igual a 4+4; hipostômio com serrilhas laterais
(5-6); mandíbula com PLM; disco anal com menos de 100 fileiras (66-68) de ganchos e um núme-
roidelganchosiporáfileiralinferionaniSi92) re cn RE 2
2. — Segmentos antenais I/II/IIl subiguais (1:0,94:0,93-0,99); mandíbula apresentandoapenas 1 PLM
subretilineo; ponte pré-gular mais longa que o hipostômio (1:0,68) ....... S. (P.) brevifurcatum.
— Segmento antenal || muito menor que os segmentos | e III (1:0,68:1,22); mandíbula apresentan-
do 2 PLM sinuosos; ponte pré-gular menos longa que o hipostômio (1:1,22) S. ..................
PERES E e CR o e, Sa A A ABR, A 24 SA a ze 1 (P.) anamariae.
DESCRICÄO DAS LARVAS
Simulium (Psaroniocompsa) brevifurcatum Lutz, 1910
(Figs. 1-11)
Larva: coloracäo geral acinzentada (material no älcool). Comprimento do
corpo 5,69mm. Máxima largura da cápsula cefálica 0,64mm. Contorno do corpo como
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):95-102, 15 de outubro 1985
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil... 97
na figura 1. Cutícula com setas multiramificadas pequenas (fig. 4). Apodema cefáli-
co (fig. 2) castanho com setas do tipo simples (fig. 3). Manchas da cabeça positi-
vas. Antenas ultrapassando os ápices das hastes dos leques cefálicos. Proporção entre
os segmentos antenais 1:11:11I=1:0,94:0,93-0,99 (fig. 6); as partes basilar e apical do
I? segmento e os 2/3 basilares do II? segmento apresentam, na porção interna, ape-
nas membrana (faltando a capa de quitina); o segmento Ill é mais escuro que os an-
teriores. Leques cefálicos normais, com 52-53 raios. Escleritos cervicais (fig. 2) mais
ou menos elipsóides, pequenos e livres na membrana. Hipostômio (fig. 11) com 4+4
setas laterais e 1+1 setas no disco. Dentes hipostomiais: 1+1 dentes pontas, 1 dente
central, 3+3 dentes intermediários, 1-2+1-2 dentes laterais e 5+5 serrilhas bem cons-
pícuas; os dentes pontas apresentam uma subprojeção basilar; os dentes central e
intermediários são em sua maior parte cobertos por uma projeção lamelar do hipos-
tômio. Fenda gular (fig. 8) profunda. Proporção entre a ponte pré-
gular/hipostômio =1:0,68. Mandíbula (fig. 7) com 2 dentes externos; 1 dente apical;
7 dentes pré-apicais (decrescendo de tamanho do I? para o IV?, sendo do IV? ao VII?
subiguais); 9-10 dentes internos; 2 dentes marginais (o primeiro muito maior que o
segundo); sem setas supra-marginais; com 1 PLM subretilíneo e com o ápice ultra-
passando a margem inferior da mandíbula. Esclerito labral segundo a figura 10. Api-
ce do esclerito lateral do pseudópodo como na figura 5. Abdome com 1+1 papilas
ventrais posteriores grandes. Esclerito anal como na figura 9. Disco anal com 68 filei-
ras de ganchos e com 10-12 ganchos por fileira. Brânquias anais compostas de três
ramos (não foi possível distinguir o número de lóbulos de cada ramo).
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Ronda Alta, Três Palmeiras, Granja
Tonello, Arroio do Foge, 1 pupa e 1 larva MZ/UNISINOS 91, 13.X1.1983, Vania M.T. Quadros leg.
Simulium (Psaroniocompsa) anamariae Vulcano, 1962
(Figs. 12-22)
Larva: coloração geral variando de cinza claro a esbranquiçado (material
no álcool). Comprimento do corpo 5,1-5,3mm. Máxima largura da cápsula cefálica
0,51-0,53mm. Contorno do corpo como na figura 12. Cutícula com setas multirami-
ficadas, pequenas (fig. 15). Apodema cefálico (fig. 13) castanho com setas do tipo
simples (fig. 14). Manchas da cabeça positivas. Antenas ultrapassando os ápices das
hastes dos leques cefálicos. Proporção entre os segmentos antenais 1:11:11I=1:0,68:1,22
(fig. 16); o terço superior do I? segmento e a metade basilar do II? segmento, pelo
lado interno, apresentam apenas membrana (faltando a capa de quitina); o segmen-
to Ill é mais escuro que os anteriores. Leques cefálicos normais, com 45-46 raios. Es-
cleritos cervicais (fig. 13) mais ou menos elipsóides, pequenos e livres na membra-
na. Hipostômio (fig. 22) com 4+4 setas laterais e 1+1 setas no disco. Dentes hipos-
tomiais: 1+1 dentes pontas, 1 dente central, 3+3 dentes intermediários (os 1+1 me-
dianos menores), 2+2 dentes laterais e 5-6 + 5-6 serrilhas bem conscpícuas; os den-
tes central, pontas e intermediários apresentam uma projeção basilar. Fenda gular
(fig. 19) profunda. Proporção entre a ponte pré-gular/hipostômio=1:1,22. Mandíbu-
la (fig. 18) com 2 dentes externos; 1 dente apical; 8 dentes pré-apicais (decrescendo
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):95-102, 15 de outubro 1985
98 _ PY-DANIEL, V. et alii
de tamanho do |º para o IV?, sendo do IV? ao VIII? subiguais); 7-9 dentes internos;
2 dentes marginais (o primeiro muito maior que o segundo); sem setas supra-
marginais; com 2 PLM sinuosos e com os ápices ultrapassando a margem inferior
da mandíbula. Esclerito labral segundo a figura 21. Ápice do esclerito lateral do pseu-
dópodo como na figura 17. Abdome com 1+1 papilas ventrais posteriores, grandes.
Esclerito anal como na figura 20. Disco anal com 66 fileiras de ganchos e com 9-12
ganchos por fileira. Brânquias anais compostas de três ramos, com 8-10 lóbulos em
cada um.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Dois Irmãos, Walachei, Arroio
S/Nome (a 10km da Br-116), 20 pupas e 20 larvas INPA 5995, 30.1X.1983, Hilda A.O. Gastal & SSMA-
SCV/RS & V.Py-Daniel leg.
Simulium (Thyrsopelma) itaunense D'Andreatta & Dolores Gonzales, 1962
(Figs. 23-34)
Larva: coloração geral variando de cinza claro a verde claro (material no
álcool). Comprimento do corpo 6,8mm. Máxima largura da cápsula cefálica 0,62mm.
Contorno do corpo como na figura 23. Cutícula com escamas subpetalóides escle-
rotizadas, grandes (fig. 27), concentradas na região posterior do abdome. Apodema
cefálico (fig. 24) castanho escuro com um pequeno escurecimento no ápice, e com
setas do tipo simples, muito pequenas. Manchas da cabeça não visíveis. Antenas
ultrapassando os ápices das hastes dos leques cefálicos. Proporção entre os segmen-
tos antenais |:||:111|=1:2,2:1,2 (figs. 25 e 29); a parte basilar, interna, do terço apical
do segundo segmento antenal com uma pequena área membranosa. Leques cefáli-
cos normais, com 47-48 raios. Escleritos cervicais (fig. 24) mais ou menos elipsói-
des, pequenos e livres na membrana. Hipostömio (figs. 26 e 32), com 6+6 setas la-
terais e 1+1 setas no disco. Dentes hipostomiais: 1+1 dentes pontas, 2 dentes cen-
trais (teratologia?), 3+3 dentes intermediários (os 1+1 dentes intermediários inter-
nos se assemelham aos dentes centrais, mas apresentam base alargada; os 2+2 den-
tes intermediários externos e medianos apresentam base alargada e os ápices dire-
“ cionados para a região dos dentes centrais); 1+1 dentes laterais; sem serrilhas. Fen-
da gular (fig. 31) profunda. Proporção entre a ponte pré-gular/hipostômio =1:1,28.
Mandibula (fig. 33) com 2 dentes externos; 1 dente apical; 7 dentes pré-apicais que
decrescem de tamanho no sentido antero-posterior (os dentes VI-VIl são subiguais);
4 dentes internos; sem setas supra-marginais; sem PLM. Esclerito labral segundo a
figura 34. Esclerito lateral do pseudópodo como na figura 28. Abdome sem papilas
ventrais posteriores. Esclerito anal como na figura 30. Disco anal com 133 fileiras de
ganchos e com 17-22 ganchos por fileira. Brânquias anais compostas de três ramos
(não foi possível distinguir o número de lóbulos em cada ramo).
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Divisa dos Municípios de Santo
Antonio da Patrulha e de Osório, Alto Cará, Arroio Cará, 1 pupa e 1 larva MZ/UNISINOS 69, 21.X.1983,
Hélio G. Konrad leg.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):95-102, 15 de outubro 1985
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil... 99
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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dae (Diptera, Nematocera). Mems Inst. Butantan, São Paulo, 30:103-116.
LUTZ, A. 1910. Segunda contribuição para o conhecimento das espécies brazileiras do gênero “Si-
mulium”. Mems Inst. Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2(2):213-267.
VULCANO, M.A. 1962. Simulídeos da Serra da Bocaina: Observações bionômicas, revalidação de Si-
mulium brevifurcatum Lutz e descrição de uma espécie nova, S. ana-mariae (Diptera, Simulii-
dae). Papéis avulsos Dep. Zool. S. Paulo, São Paulo, 15(19):239-272.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):95-102, 15 de outubro 1985
100 PY-DANIEL, V. et alii
Figs. 1-11: Simulium (Psaroniocompsa) brevifurcatum Lutz, 1910. 1. vista dorsal e lateral; 2. ca-
beca; 3. setas do apodema cefálico; 4. setas do abdome; 5. esclerito lateral do pseudópodo; 6. antena;
7. ápice da mandíbula; 8. fenda gular, ponte pré-gular e hipostômio; 9. esclerito anal; 10. esclerito la-
bral; 11. hipostômio.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):95-102, 15 de outubro 1985
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil... 101
Figs. 12-22: Simulium (Psaroniocompsa) anamariae Vulcano, 1962. 12. vista dorsal e lateral; 13.
cabeça; 14. setas do apodema cefálico; 15. setas do abdome; 16. antena; 17. ápice do esclerito lateral
do pseudópodo; 18. ápice da mandíbula; 19. fenda gular, ponte pré-gular e hipostômio; 20. esclerito anal;
21. esclerito labral; 22. hipostômio.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):95-102, 15 de outubro 1985
102 PY-DANIEL, V. et alii
Figs. 23-34: Simulium (Thyrsopelma) itaunense D'Andretta & Dolores Gonzales, 1962. 23. vista
lateral; 24. cabeça; 25. e 29. antenas; 26. hipostômio; 27. escamas subpetalóides do abdome; 28. escle-
rito lateral do pseudópodo; 30. esclerito anal; 31. fenda gular, ponte pré-gular e hipostômio; 32. ápice
hipostomial; 33. ápice da mandíbula; 34. esclerito labral.
IHERINGIA. Série Zoologia, Porto Alegre (65):95-102, 15 de outubro 1985
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USA
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Sist. de Repteis e Biogeografia de Vertebrados
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Carcinologia
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Fundaciön Lillo
Herpetologia
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Universidade Federal do Paraná
Entomologia
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Instituto Butantan
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Entomologia
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Instituto de Biociências da USP
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Herpetologia
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Malacologia
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volume (seguido de v.) ou então páginas consultadas ou número do volume consultado
(precedidos de p. e v. respectivamente).
Ex.: SANTOS, E. 1952. Da ema ao beija-flor. 2ed. rev. ampl. Rio de Janeiro, F. Briquiet
335p. E Sr E:
7. Desenhos, fotos, mapas e gráficos devem ser citados como fig. com numeração corrida em al-
garismos arábicos. O título bem como as legendas, se houver, devem vir em folha a parte. O
Editor distribuirá as figuras do modo mais econômico, sem prejudicar sua apresentação, respeitan-
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vegetal e, assim como as fotografias, nos tamanhos que permitam a redução para o máximo de
17cm x 11cm. As ilustrações a cores devem ser combinadas previamente e seu custo fica a cargo
do autor.
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tor(es); referências do artigo (data de aceitação para publicação, etc) e do autor, local de trabalho
e endereço ; resumos, introdução; material e métodos; resultados e/ou discussão; conclusões;
agradecimentos; bibliografia consultada ou referências bibliográficas.
10. Serão fornecidas gratuitamente 100 separatas de cada artigo independentemente do número de
autores. Aqueles que tiverem interesse em maior número de separatas deverão solicitá-las por
ocasião do encaminhamento dos originais ao Editor e arcar com as despesas correspondentes
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série Zoologia
YL
Tod
BL ISSN 0073-4705
BORDIN, G. Brachyura da plataforma continental do Estado do Rio
Grande do Sul, Brasil e areas adjacentes (Crustacea, Decapoda). p. 3
UBILLA, M. & Carlos A. Altuna Morfologia diferencial y dimorfismo
sexual en le pelvis de Ctenomis pearsoni Lessa & Langguth, 1983y
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CAZZANIGA, NJ Pomacea canaliculata (Lamarck, 1801) en
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catamarcensis Sowerby, 1874 (Gastropoda, Ampullariidae) ..... p. 43
AZPELICUETA, M. De Las M. & Jorge D. Willians & Eduardo Gudynas,
Osteologia y notas miológicas en la Cecilia Neotropical
Chthonerpeton indistinctum (Reinhardt & Lutken, 1861) con una
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RUHLAND, J. & Kay Saalfeld Ocorrência e distribuição de algumas
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ENG ASTOR END 2 een ds E mea apa dd e ee p. 83
MIGOTTO, A.E. & Fábio Lang da Silveira Hidróides (Cnidaria, Hydrozoa)
do litoral sudeste e sul do Brasil: Halacordylidae, Tubulariidae e
CINTA RINITE prata EE secas CRT É E io Sd a a ed o o ae p. 95
BISBAL, G.A. Nuevos hallazgos de decápodos (Crustacea) en la
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SÁ RÊGO, E.S. de Allorchestes chelonitis Oliveira, 1953, sinônimo de
Parhyale hawaiensis (Dana, 1853) (Crustacea, Amphipoda) .... p. 141
DRA EANES SI URB ee p. 149
Museu de Ciências Naturais da
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
Publicado com auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) e Financiadora de Estudos e Projetos
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Brachyura da plataforma continental do Estado do Rio
Grande do Sul, Brasil e áreas adjacentes (Crustacea,
Decapoda).*
Gilda Bordin**
RESUMO
O presente trabalho relata a pesquisa sistemática e oceanográfica dos Brachyura do
atlântico sudoeste, entre o Cabo Santa Marta (28º30'S), Santa Catarina, Brasil e Maldonado
(35º00'S), Uruguai. Os dados foram obtidos através de duas prospecções pesqueiras na
plataforma continental do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. A primeira do mês de abril de 1968
a março de 1969 e, a segunda, de janeiro a outubro-de 1972, onde 10224 Brachyura foram
coletados e determinados em 45 espécies. Registram-se 26 novas ocorrências para o Estado do
Rio Grande do Sul, entre as quais 11 são citadas pela primeira vez para a costa brasileira.
ABSTRACT
Sistematic and oceanographic data concerning specimeriís of Brachyura collected between
Cape Santa Marta (28º30'S), Santa Catarina, Brazil and Maldonado (35º00'S), Uruguay are herein
given. During two fishing surveys on the continental shelfof the State of Rio Grande do Sul (Brazil),
the first one from April, 1968 to March, 1969 and the second one from January to October of 1972,
10,224 specimens of Brachyura were Collected, representing 45 species. Twenty-six species are
new State of Rio Grande do Sul records. Of these, eleven are cited for the first time to the brazilian
coast.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho reúne os resultados relativos ao levantamento das
espécies de Brachyura de dois programas de prospecções pesqueiras do
navio “Prof. W. Besnard” da Fundação de Pesquisa do Instituto
Oceanográfico da Universidade de São Paulo (FIOUSP), durante o acordo
com o Grupo Executivo de Desenvolvimento da Indústria da Pesca do
Governo do Estado do Rio Grande do Sul (GEDIP), onde foram realizados dez
* Aceito para publicação em 07.X.1985. Contribuição FZB nº 321. Realizado com auxílio da Fundação de Amparo a Pesquisa
do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) Proc. 134/1971-73
** Professora à disposição do Museu de Ciências Naturais (MCN) da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa
Postal 1188, CEP. 90.000 Porto Alegre, RS. Brasil
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
4 BORDIN, G.
cruzeiros oceanográficos abrangendo a região compreendida entre os
pararelos do Cabo Santa Marta (28º30'S), Santa Catarina, Brasil até
Maldonado (35º00'S), Uruguai.
A primeira prospecção pesqueira (Programa Rio Grande do Sul PRGS |) foi
realizada nos meses de abril, junho, agosto, outubro, novembro e dezembro de
1968 e, em março de 1969, onde ocorreram 45 espécies de braquiúros em
137 das 225 estações amostradas, num totai de 9262 exemplares
examinados.
Na segunda prospecção pesqueira (Programa Rio Grande do Sul — PRGS
II) nos meses de janeiro, abril, agosto e outubro-novembro de 1972,
ocorreram 21 espécies, num total de 962 exemplares examinados em 98 das
218 estações amostradas.
Reunimos os dados dos dois programas com o objetivo de fornecer um
levantamento sistemático e as características ecológicas. A classificação
adotada seguiu BOWMANN & ABELE (1982).
Além do levantamento sistemático achamos importante relacionar
algumas características ecológicas, evidenciando o tipo de substrato
marinho que constitui uma variável ecológica que influi no ambiente marinho
da mesma forma que a profundidade, temperatura, salinidade e teor de
oxigênio.
VANNUCCI (1964) refere-se à ocorrência, sobre a plataforma da região
sulina, de espécies comuns à região temperada que aí vivem em virtude da
temperatura mais baixa quanto maior a profundidade. Em zoogeografia é bem
conhecida a relativa homogeneidade da fauna de águas quentes ao redor do
globo e, esta regra pode ser confirmada também, na região brasileira onde
encontramos um número considerável de espécies com distribuição
circumtropical.
Segundo TOMMASI et alii (1973b) os braquiúros foram o grupo com
maior número de espécies de macrocrustáceos coletados na plataforma
continental do Rio Grande do Sul. Estes organismos bentônicos ocorrem em
grande número no fundo do oceano e na camada de água próxima ao mesmo,
embora muitas espécies se dirijam à superfície durante a primavera e o verão.
Também estão sujeitos a zona de transição que abrange a costa do Rio
Grande do Sul com influência das correntes do Brasil e das Malvinas,
havendo ocorrência de espécies efetivas, migratórias e transitórias.
Descrição da área: oestudo abrange a plataforma
continental sul-brasileira, atingindo o Uruguai, até a isóbata de 200 metros.
Esta área sofre influência da Lagoa dos Patos, do rio de La Plata e apresenta a
convergência entre as massas de água das correntes do Brasil e das
Malvinas. à
Segundo MARTINS et alii (1972), essa zona é caracterizada, desde o
Cabo Frio até o Rio Grande do Sul e adjacências, por sua extensão e
desaparecimento da facies biogênica, dando lugar a um recobrimento
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental... 5
predominantemente terrígeno. Este é constituído por uma faixa de sedimentos
siltico-argilosos e areno-siltico-argilosos.
URIEN (1967), em relação aos sedimentos finos trazidos pelo rio de La
Plata, relata que estes representam uma descarga sólida de 100-200000
toneladas diárias, acumulada na zona costeira do Uruguai, estendendo-se
pela plataforma ccntinental uruguaia, vindo atingir o sul da brasileira.
MARTINS & URIEN (1969) revelam que os sedimentos que recobrem a
plataforma sul-brasileira e uruguaia são de quatro tipos característicos: areias
costeiras, sedimentos finos da borda da plataforma, areias da plataforma de
Buenos Aires e sedimentos finos transportados pelo rio de La Plata. As areias
que atingem 80-100 metros de profundidade representam sedimentos de
uma antiga planície costeira, recoberta por uma elevação do nível do mar
após a glaciação de Wisconsin.
MATERIAL E MÉTODOS
As estações oceanogräficas situaram-se entre 28º30'S a 35º00'S e 55º00'W a 48º00' W. As
profundidades estiveram entre 8m e 338m na isóbata de 200 metros da plataforma continental
sul-brasileira, atingindo o Uruguai.
Os 10224 exemplares de braquiúros foram coletados em 137 das 225 estações do Programa
Rio Grande do Sul | (PRGS |) e, em 98 das 218 estações do Programa Rio Grande do Sul lI(PRGS
II) em profundidade de 8 a 338 metros por meio de otter trawl com 10,8m de abertura e, bean
trawl com 2,0m de abertura.
Os braquiúros foram separados por espécies e colocados em formol a 10% e,
posteriormente em álcool 70%. A maioria das amostras pertencem à coleção do Museu de
Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) e, 3 amostras encontram-se no Museu de
Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN).
Com o conjunto de dados das duas prospecções pesqueiras, organizaram-se tabelas para
reunir os mesmos e estabeleceu-se um mapa para situar as áreas de coleta.
Foram estabelecidos parâmetros ambientais com os dados de coleta, considerando os
máximos e mínimos ocorridos nas estações oceanográficas. Foram os seguintes fatores e
intervalos estabelecidos:
50 - 100m = próximas a costa
Distância da costa: até 101 - 150m = afastadas da costa
a isóbata de 200m 151 = distantes da costa
08 - 50m = águas rasas
Profundidade: 8-338m 51 - 150m = águas pouco profundas
151 - 338m = águas profundas
09,50 - 14,40 = baixa
Temperatura: 9,77ºC - 24,60°C 14,41 - 19,50 = média
19,51 - 25.30 = alta
26,50 - 30,40 = baixa
Salinidade: 26,50 - 36,50º/ 30,41 - 33,50 = média
33,51 - 36,50 = alta
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
6 BORDIN, G.
3,00 - 4,10 = baixo teor
Oxigênio: 3,00 - 6,70ml/1 4,11 - 5,30 = médio teor
5,31 - 6,70 = alto teor
LISTA DAS ESPÉCIES
GlassemMInAs LA FC OPS RARA TENTA
Superordem 'E"ÜN CAS RTNDRA
Ordem DRESCIA- E OPDRA
SupondemiP. IME 03CY EIMBATINRA
Infraordem B RA AVARIA
Secca0o, Di RIO MULA CIESA
Süpertamilia, DER OMBRO IADRESA
Família DROMIIDAE
1 — Dromidia antillensis Stimpson, 1858.
Korea Nida aldie) = quibpRoNTonugaskMéxico):
Distribuição: Carolina do Norte (USA) ao golfo do México,
Bermudas e Brasil (RATHBUN, 1937); Santa Catarina, Brasil (COSTA, 1968).
O corrência: naalturade Mostardas (Rio Grande do Sul, Brasil)em
águas distantes da costa e profundas; temperatura média; salinidade alta; teor
médio de O> (Tabela |).
Mast en ba lona se po bm a Co MAUS SST
ObservacöÖ es: somente um espécime na área G do PRGS-I.
Parece ser espécie de grande profundidade e transitória como Tetragrapsus
jouyi, Cyrtograpsus altimanus e Cyrtograpsus angulatus que ocorreram na
mesma estação, durante o verão, distante da costa e, em fundo de areia fina
(Tabela Il). Nova ocorrência para a costa do Estado do Rio Grande do Sul.
SeccaoRATRNO Eee RM TURRA
Süpertamıllan hl ON GUETO DREJA
Familia HOMOLIDAE
2 — Thelxiope barbata (Fabricius, 1793).
Localidade-tip o: baía de Nápoles (Itälia).
Distribuicä o:sudestede Massachusetts (USA) ao Caribe; ilhas
dos Acores e Madeira, Portugal; Mediterräneo e sul da Äfrica (RATHBUN,
1937)
Ocorrência: entre Solidão e Conceição (Rio Grande do Sul, Brasil)
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental... 7
e Maldonado (Uruguai), distante da costa e, em águas pouco profundas;
temperatura de baixa a média; salinidade de média a alta; baixo a médio teor
de O: (Tabela |).
Material examinado MZUSP 3280, 3340, 3536, 3932 e 3987.
Observ.acöe s:emnümero de 3 espécimes no PRGS-Ie9no
PRGS-Il, com ocorrência relativa nas areas F e | (fig. 1), durante o inverno,
distantes da costa e, em fundo de areia fina e lodo (Tabela Il). Durante as 4
estações do ano foi mais frequente com Latreillia elegans. Nova ocorrência
para a costa brasileira.
Família LATREILLIDAE
3 — Latreillia elegans Roux, 1828.
E © oe a MI el Beer oF Scilantala):
Distribuição: Atlântico Norte, mar Mediterrâneo; mar Adriático;
Israel (WILLIAMS et alii, 1968); Rio Grande do Sul, Brasil, 33º06'S a 33°44'S
(DINCAO et alii, 1982).
Ocorrência: entre Solidão e Albardão (Rio Grande do Sul, Brasil)
em águas próximas a distantes da costa; profundidade variável; temperatura
média; salinidade alta; médio a alto teor de Oz
Material examinado: MZUSP3275, 3289,3295,3422, 3429, 3521,3524, 3525,
3528, 3529, 3532, 3534, 3543, 3570, 3571, 3833, 3834, 3835, 3966, 3967, 3991, 4027, 4028, 4029,
4030, 4031, 4107 e 4128.
Observações: em número de 149 espécimes no PRGS-| e 68 no
PRGS-Il, com acentuada ocorrência nas áreas F,G,Le N durante o verão;em
maior número (75) na área F (fig. 1)no PRGS-l e, 24na mesma áreano PRGS-
||. Bem definida a ocorrência nas áreas Fe N, afastadas da costa, em fundo de
areia fina e lodo no Programa | e Il. Nas 23 estações foi mais frequente com
Parthenope (Platylambrus) guerinii (Tabela Il).
Secção O X Nois T O MA TA
SuperfamíliaLEUCOSIOIDEA
Família CALAPPIDAE
Subfamília CALAPPINAE
4 — Acanthocarpus alexandri Stimpson, 1871.
Localidade-tip o: Quicksands, costa da Flórida (USA).
Distrib u ic & o: Massachusetts (USA) às ilhas Windward
(RATHBUN, 1937); golfo do México, Antilhas e Rio de Janeiro, Brasil
(COELHO & RAMOS, 1972); Rio Grande do Sul, Brasil, 33°06'S a 33º44'S
(DINCAO et alii, 1582).
Ocorrência:de Torres (Rio Grande do Sul, Brasil) a Maldonado
(Uruguai), em águas próximas a distantes da costa (pouco profundas a
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
8 BORDIN. G
profundas): temperatura variável; salinidade alta; médio a alto teor de O2
(Tabela |).
Material examinado: MZUSP 3352, 3357, 3438, 3509, 3916, 3972, 3976, 3977, 4047,
4048, 4049, 4050, 4051, 4052, 4062, 4108, 4109, 4188, 4189, 4190 e 4250.
Observações: emnúmero de 9 espécimes no PRGS-le 64no PRGS-
II, com significante ocorrência nas áreas G, Me N, em maior número (4) na
área Gno PRGS-l e, 15 na área G no PRGS-Il durante o outono (Tabela Il). Na
área G dos programas | e Il ocorreram distante da costa em fundo de areia-
lodo. Em 14 estações foi mais frequente com Leurocyclus tuberculosus e
Portunus (Achelous) spinicarpus (Tabela |).
Subfamília MATUTINAE
5 — Hepatus pudibundus Herbst, 1785.
Localidade: não designada.
Distribuição:leste USA, Antilhas, Guianas a Santa Catarina, Brasil
(COELHO & RAMOS, 1972); Rio Grande do Sul, Brasil ao Uruguai (JUANICO,
1978).
Ocorrência: de Solidão (Rio Grande do Sul, Brasil) a Maldonado
(Uruguai) em águas afastadas e distantes da costa, de rasas a pouco
profundas; temperatura variável; salinidade média a alta; O> variável (Tabela
|).
Material examinado: MZUSP 3339, 3364, 2365, 3490, 3491, 3492, 3495, 3496, 3497,
3499, 3500, 3502, 3503, 3505, 3506, 3542, 3617,3818, 3827, 3836, 3875, 3925, 3931, 3958, 3959,
3961, 3962, 3964 e 3965.
Observações:em número de 53 espécimes no PRGS-Ie 34no PRGS-
||: em maior número (7) na área X no PRGS-I, durante o verão e, com 12 na
area T no PRGS Il, durante o inverno (Tabela Il). Nos programas I e Il
predominou nas áreas S, T e Y, distantes da costa em fundo de areia-lodo e
argila-lodo. Em 27 estações a associação mais frequente foi com Persephona
punctata e Libinia spinosa (Tabela Il).
6 — Osachilla tuberosa Stimpson, 14871.
Localidade — tipo: Flórida (USA).
Distribuição: costa atlântica (USA), golfo do México e mar do Caribe
(MILNE-EDWARDS & BOUVIER, 1923); Carolina do Norte à Flórida, USA
(RATHBUN, 1937).
Ocorrência:entre Solidão e Mostardas (Rio Grande do Sul, Brasil), em
águas próximas da costa e profundas; temperatura média; salinidade alta;
médio teor de Oz (Tabela |).
Material examinado: MZUSP 3540, 3820, 3951, 4112 e 4113.
Observações:em número de 3espécimes no PRGS-le 7no PRGS-II:
em maior número (6) na area Fno PRGS-Il, durante o outono. Com ocorrência
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental g
somente na área F, no programa | e Il, em fundo de fragmentos de conchas-
corais e cascalho e, durante o outono. Há afinidades entre os gêneros
Osachila e Hepatus, GUINOT (1966). Nova ocorrência para a costa brasileira.
Família LEUCOSIIDAE
Subfamília PHILYRINAE
7- Miropsis quinquespinosa Stimpson, 1871.
Localidade -tipo: recifes de Tennesse e costa da Flórida (USA)
Distribuição: Massachusetts (USA)e Venezuela (RATHBUN. 1937).
Ocorrência:entre Solidão (Rio Grande do Sul. Brasil) e Maldonado
(Uruguai) em águas próximas e afastadas da costa; com profundidade e
temperatura variável; salinidade alta: médio teor de Os».
Materialexaminado:MZUSP 3274 3281.3282. 3432. 3968.3973. 3992:4095. 4096 e
4097.
Observações: emnúmero de 4espécimes no PRGS-le, 8no PRGSII
que ocorreram na área G (veräo)e | (inverno) em fundo de areia-lodo, sendo a
associação mais frequente com Persephona lichtensteini e Portunus
(Achelous) spinicarpus nas referidas áreas (Tabela Il) Não houve
significância quanto ao número de ocorrência por estação de coleta. Nova
ocorrência para a costa brasileira.
8 — Persephona punctata (Linnaeus, 1758).
Localidade - tipo: não designada
Distribuição: Antilhas. América Central, Guianas e Brasil (GUINOT,
1960); atinge São Paulo, Brasil (COELHO & RAMOS, 1972).
Ocorrência: próxima a Torres e, entre Sarita e Albardão (Rio Grande
do Sul, Brasil), em águas distantes da costa, rasas a pouco profundas;
salinidade alta; temperatura e teor de O: variável (Tabela |).
Material examinadoMZUSP3290,3291,3300, 3305, 3311,3336, 3348, 3494,
3498. 3501. 3516 3549. 4102. 4103. 4104 e 4105
Observações: os espécimes em número de 42 no PRGS-le 11 no
PRGS-Il: com ocorrência significante na área G. P. Te X; em maior número
(10) na área Xno PRGS-le. 5 na área Gno PRGS-Il (Tabela Il). No Programa |
e Il houve ocorrência na área T (verão), em águas distantes da costa, em
tundo de areia-conchas e argila-lodo. como também, na área G (outono e
inverno). em águas distantes da costa e. em fundo de areia-lodo. Foi mais
frequente com Hepatus pudibundus, Libinia spinosa e Leurocyclus
tuberculosus (Tabela |). Nova ocorrência para a costa do Estado do Rio
Grande do Sul.
9 — Persephona mediterranea (Herbst, 1782)
Localidade - tipo não designada
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
BORDIN. G
Distribuição: costa brasileira (GUINOT, 1960).
Ocorrência: entre Sarita e Chuí(Rio Grande do Sul. Brasil). em águas
distantes da costa. rasas a pouco profundas: temperatura de média a alta;
salinidade alta; O> de baixo a médio teor (Tabela |).
Material examinado MZUSP 3954 e 4100.
Observações: 1espécimeno PRGS- I.areaP,e2noPRGS-Il, área T
(Tabela ||). Há caracteres distintos que separam Persephona punctata de P.
mediterranea esclarecidas por GUINOT (1960).
10 — Persephona lichtensteini (Leach. 1817)
Localidade - tipo: não designada. Holótipo encontra-se no British Museun (Natural
History). Londres
Distribuição: Antilhas. Guianas e no Brasil. atingindo Santa Catarina
(SOEENORSTRAMOS 1.972)
Ocorrência: entre Rio Grande e Albardão (Rio Grande do Sul, Brasil)
em águas afastadas da costa, rasas e profundas; temperatura de média à alta;
salinidade alta: médio teor de Oz (Tabela |).
Material examinado: MZUSP 3446 e 3453.
Observações: em número de 4 espécimes no PRGS-I, nas áreasl,L,
Ne O (fig. 1), em águas afastadas da costa, em fundo de areia fina e areia-
lodo, associados com Miropsis quinquespinosa e Portunus (Achelous)
spinicarpus (Tabela Il). Nova ocorrência para a costa do Estado do Rio
Grande do Sul.
Secção OXY RHYNCHA
SuperfamíliaM AJOIDEA
Família MAJIDAE
11 — Libinia spinosa Milne-Edwards, 1834
Localidade - tipo: costa do Brasil
Distribuição: Rio de Janeiro à Terra do Fogo e costa chilena
(RATHBUN, 1937; BOSCHI, 1964); costa do Rio Grande do Sul, Brasil e
Uruguai (HOFFMANN, 1964).
Ocorrência: Solidão (Rio Grande do Sul, Brasil) a Moldonado
(Uruguai): em águas pouco profundas, próximas, afastadas e distantes da
costa: temperatura, salinidade e teor de O> variáveis (Tabela |).
Material examinado: MZUSP 3793, 3794, 3798. 3799. 3800. 3807. 3809, 3811, 3837,
3838, 3839, 3840, 3841, 3842, 3843, 3844, 3845, 3846, 3847. 3848, 3849, 3850. 3852, 3853, 3854.
3855, 3856, 3857, 3858, 3860, 3861. 3862, 3863, 3864. 3865, 3866. 3867, 3869, 3870, 3871,3872,
3909, 3910, 3911,3923, 3941,3942, 3944, 3945. 3946, 3948. 3949, 3950. 4076, 4078, 4079,4080.
4081, 4082, 4083, 4084, 4085, 4086, 4087, 4088, 4089. 4331. 4332. 4334, 4335, 4343, 4346,4354,
4356 e 4360.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental 11
Observações: em número de 1156 espécimes no PRGS- le 103 no
PRGS-Il: ocorreu em maior número (500) na área F no PRGS-I e. 52
espécimes na mesma area no PRGS-Il. durante o verão. Constitui uma
espécie de larga distribuição e abundância em todo o Brasil e frequente na
região de pesca do mar del Plata (BOSCHI. 1964). Com ocorrência no
Programa lellnas áreas F.L. O. P. T.V.YeZ(fig.1). Predominou em águas
rasas e durante o verão. Nas 85 estações de coleta foi mais frequente com
Hepatus pudibundus. Persephona punctata. Leurocyclus tuberculosus.
Portunus (Achelous) spinicarpus, Ovalipes punctatus e Cyrtoplax
spinidentata (Tabela | e Il) em tipos de fundos diversos. Possivelmente. as
características biológicas e morfológicas expliquem sua larga distribuição e
adaptação.
12 — Leurocyclus tuberculosus (Milne-Edwards & Lucas. 1842).
Localidade-tipo América meridional. Holótipo no Muséum National d Histoire
Naturelle. Paris
Distribuição: muito ampla. do Rio de Janeiro, Brasil (COELHO &
RAMOS, 1972) à costa Argentina (BOSCHI. 1964) e costa chilena
(RATHBUN. 1925).
Ocorrência: Cabo Santa Marta (Santa Catarina. Brasil) a Maldonado
(Uruguai) em águas próximas, afastadas e distantes da costa; profundidade
variável: temperatura, salinidade e teor de O» variável (Tabela |).
Materialexamina do MZUSP 2523. 3286. 3293. 3294. 3301. 3303. 3309. 3310, 3319.
3343. 3345. 3347. 3356. 3421. 3493. 3508. 3530. 3544. 3826. 3828. 3876. 38773915. 3928. 3929,
3988. 4055. 4056. 4057. 4058. 4194. 4198. 4336. 4338. 4342. 4347, 4350. 4353. 4359 e 4361
Observações: em número de 62 espécimes no PRGS- |e 76 no
PRGS-Il; em maior número (10) na area X de PRGS-| e 33 espécimes na área
H do PRGS-Il. Nas 37 estações foi mais frequente com Libinia spinosa em
tipos de fundos diversos. Espécie com larga distribuição na América do Sul,
provavelmente de fácil adaptação. Segundo GUINOT (1984), revisando o
material do “Calypso na America do Sulem 1961-62 (em 15 estações de 18a
115 m de profundidade na costa do Brasil, Uruguai e Argentina), foi verificado
que espécimes jovens é fêmeas que são menores que o macho, foram
identificadas como Leurocyclus gracilipes.
13 — Rochinia gracilipes Milne-Edwards, 1875.
Localidade -t ip o cabo Corrientes, Buenos Aires (Argentina).
Distribuição: Gabon, oeste da África (MONOD, 1956); Cabo Frio
(Brasil) a golfo de San Matias, Rio Negro, Chubut e sul do cabo Horn na
Argentina (BOSCHI, 1964).
Ocorrência: próxima e afastada da costa em águas rasas e pouco
profundas; temperatura de baixa à média; salinidade alta; médio a alto teor de
O. (Tabela |).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
12 BORDIN. G
ME'al terminais els almaiintali dio )MZUSPR ST. s731F41637er4l6d:
Observações: emnúmero de’ espécimes no PRGS-IE4no
PRGS-Il: em número mais representativo na area | e X no outono e
respectivamente com 6 no PRGS:| e 3 no PRGS-Il. Nas 4 estações
oceanográficas predominou em águas rasas e, em fundo de areia-lodo.
Segundo BOSCHI (1964) é espécie pouco móvel e com fraca ocorrência na
Argentina. Poderá ser espécie transitória.
14 — Stenorhynchus seticordis (Herbst, 1788).
Localidade -tip o Guadalupe (pequenas Antilhas)
Distribuição: daCarolina do Norte (USA) ao Rio de Janeiro
(Brasil). das ilhas Madeira e Canárias até Angola (Africa) e Bermudas
(WILLIAMS, 1965); ilha Margarida, Venezuela (TURKAI, 1967); ultrapassando
o Rio de Janeiro e atingindo Santa Catarina, Brasil (COELHO, 1971).
Ocorrência: próxima à costado Chuí(Rio Grande do Sul, Brasil)
em águas rasas; temperatura alta; salinidade de média a alta, teor médio de O»
(Tabela |).
Me e nad es em in eo MZUS> SS estan
Observações: emnúmero de1i3 espécimes no PRGS-|em uma
única estação, na área T, durante o verão. No nordeste é conhecida como
aranha-do-mar. Coletada em fundo de areia fina. poderá ser espécie
transitória ou em estabelecimento. Nova ocorrência para a costa do estado do
Rio Grande do Sul.
15 — Collodes rostratus Milne Edwards, 1878.
Localidade-tipo: golfo de San Matias, Argentina
Distribuição: CaborFrio (Brasil) a golfo de San Matias (Argentina)
e Patagônia (BOSCHI, 1965).
Ocorrência: entre Conceição e Rio Grande (Rio Grande do Sul.
Brasil) em águas rasas; temperatura de baixa a media; salinidade alta; médio
teor de O> (Tabela |).
Ninanirerianire arm) nar ao? NZUSPF3792,3795.3799E8380%
Observações: emnúmero de 23 espécimes somente no PRGS-I,
nas areas le L (fig. 1). Em duas estações, em fundo de lodo e durante a
primavera, apresentou um número considerável, podendo ser espécie
migratória.
16 — Podochela algicola (Stebbing, 1914).
EolcHal pilalam aero tiilproNcostaldoBrasillaml8/24:S ersMEBIM
Distribuição: Maranhão ao Rio de Janeiro (COELHO & RAMOS
1972).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental 13
Ocorrência: emRio Grande (Rio Grande do Sul, Brasil) e cabo
Polônio (Uruguai) afastada da costa em águas pouco profundas; temperatura
media; salinidade alta; teor médio de O: (Tabela |).
Mia tire apa e ram nta adro MZUSP2SS227E 3533
Observações: emnúmero de 2 espécimes no PRGS-I,nas areas
Fe oO, durante o verão (fig. 1). Nas duas estações ocorreu em fundo de areia
fina. Pode ser espécie transitória. Nova ocorrência para a costa do Estado do
Rio Grande do Sul.
17 — Stenocianops furcata (Olivier. 1791).
ee alt arar der ipro clamaica
Distribuição: Georgia (USA) a Bahia (Brasil) (RATHBUN, 1901);
costa brasileira do norte ao Rio de Janeiro (COELHO & RAMOS, 1972).
Ocorrência: entre Solidão e Mostardas e, na altura do Chuí (Rio
Grande do Sul, Brasil), bem como, em Maldonado (Uruguai) em águas pouco
profundas; temperatura média; salinidade alta; de baixo a médio teor de Os
(Tabela |).
Mezsine poitanio e xa im lan aro Por MZUSR'3873:8874 le s878
Observações: emnúmero de 7 espécimes na áreaF.NeO do
PRGS-I. É uma espécie conhecida como caranguejo-decorativo na Jamaica
pelo aspecto espinhento. Em 3 estações ocorreu no verão em fundo de lodo e
conchas. Possivelmente seja espécie transitória ou em estabelecimento.
Nova ocorrência para a costa do Estado do Rio Grande do Sul.
Sunenamliagse Ava EM GP O! DE A
Família PARTHENOPIDAE
18 — Parthenope (Platylambrus) guerinii (Brito & Carpelo, 1871).
oro api mapa de = Lipo” não cesigpagal
Distribuição: Caraíbas; Alagoas. Bahia, ilha Vitória e São Paulo
(Brasil) (COELHO & RAMOS, 1972).
O corrência:deTorres (Rio Grande do Sul, Brasil)a Cabo Polônio
(Uruguai) em águas próximas à costa; profundidade e temperatura variável;
salinidade alta; de baixo a médio teor de O: (Tabela |).
Mean ennulkan mer armen a dio? MENTI486
Qbservaçóes: emnúmero de 15no PRGS-Ie 1 espécime no
PRGS-Il; em 13 estações situaram-se mais ao sul de Rio Grande (Rio Grande
do Sul, Brasil). Houve ocorrência no Programa le ll na área F (fig. 1), em fundo
de argila e cascalho. Existem 3 espécies citadas para o Brasil, ou sejam, P.
serrata Milne-Edwards, 1834, P. guerinii Brito & Carpelo, 1831 e P. aylthoni
Righi, 1965, as quais diferem entre si pela distribuição de espinhos sobre a
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Ales: 2, (66):3-32, 30 de maio de 1987
14 BORDIN. G
1 [>>>
carapaça (RIGHI, 1966). Nova ocorrência para a costa do Estado do Rio
Grande do Sul.
19 — Mesorhoea sexpinosa Stimpson, 1871.
No e au dad e - tl po: baixios deillogoerhead USA:
Distribuição: Flórida (USA), golfo do México, Porto Rico
(RATHBUN, 1930); ilha dos Búzios, São Paulo (Brasil) (COELHO & RAMOS,
1972).
Ocorrência: emáguas rasas e distantes da costa na altura de
Sarita e Conceição (Rio Grande do Sul, Brasil) até Maldonado (Uruguai);
temperatura media; salinidade alta; médio teor de Oz.
Ni atimer an enX ae mr linar do NZUSEISEFISTERSSNG:
Ob sen v.eare oe sem múmero des’respeeimes eoletadosen?2
estações do PRGS-I, nas áreas P e Y (fig. 1). Houve ocorrência durante o
verão. Nova ocorrência para o Rio Grande do Sul. >
20 — Lambrus meridionalis Boschi, 1965.
Localidade-ti po: mar.del Plata (Argentina)
Distribuição: Uruguai (BOSCHI 1966) ilhas dos Aconrestelde
Cabo Verde, costa de Portugal: Pensilvânia (USA): mar Mediterrâneo e mar
Adriático; Israel (ZARIQUIEY, 1968).
Ocorrência: em águas profundas e afastadas da costa na altura
de Albardão (Rio Grande do Sul, Brasil); temperatura média; salinidade alta;
médio teor de O> (Tabela 1).
Mete cria! ex em IN. ra 8 MZUSP AR
Observacöes:emuma única estação ocorreram 2 espécimes na
area N (fig. 1) em fundo de areia grossa. Coletada durante a primavera. Nova
ocorrência para a costa brasileira.
SECCAO LOHN CR ImBRETA
süperlamillian A NTHe RO ED ERA
Família ATELECYCLIDAE
21 — Corystoides chilensis Milne-Edwards & Lucas, 1844.
Fo ealıe ac e tal pros SoSe ee valaarelso (Calle).
Distribuição: Uruguaie Buenos Aires (Argentina); Valparaiso até
Talcahuano (Chile) (COELHO & RAMOS, 1972).
Ocorrência: emáguasrasas e afastadas da costa entre Albardão
e Chuí (Rio Grande do Sul, Brasil); temperatura, salinidade e teor de O2médio
(Tabela |).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental 15
Near terra examinado MZUSP 3812 e 3814.
Obser vações: emduas estações ocorreu 1 exemplarnas áreas
Le V do PRGS-I (fig. 1) em fundo de lodo (Tabela Il). Segundo BOSCHI (1964)
é comum na pesca ao largo do mar del Plata, como também, na Patagônia.
Nova ocorrência para a costa brasileira.
22 — Peltarion spinulosum (White, 1843).
Localidade-tip o: águas próximas às ilhas Malvinas
Distribuição: estreito de Magalhães; costa do Chile, litoral da
Patagônia, ilhas Malvinas, Buenos Aires (Argentina) e Uruguai (BOSCHI,
1964).
Ocorrência: em águas afastadas da costa e pouco profundas
entre Conceição e Rio Grande (Rio Grande do Sul, Brasil) a Maldonado
(Uruguai); temperatura baixa; salinidade média; alto teor de Oz.
Material examinado: MZUSP 3359, 3816, 3913, 3914, 3934, 3935, 3946 e 3937
O bservações: emnúmero de 3especimesnaarealdoPRGS-Ie,
16 espécimes na área J do PRGS-Il. Sua ocorrência foi significativa nestas
duas áreas próximas e, nos dois programas. Segundo BOSCHI (1964) é
comum em águas patagônicas frias e, com influência das correntes das
Malvinas com temperatura de 4°C à 14ºC e salinidade de 32º/. Nova
ocorrência para a costa brasileira.
Selecao PB A CSM Y RMV NG TIA
Süpenamlar fh OR TU TUNOID,E,A
Família PORTUNIDAE
23 — Portunus (Achelous) spinicarpus (Stimpson, 1871).
E o esa Pina andre = tmp o: FloridauSA)
Distrilbuicçáàão: Carolina do Norte (USA) a São Paulo (Brasil)
(RATHBUN, 1930); leste USA, golfo do México, Antilhas, Guianas e Santa
Catarina (Brasil) (COELHO & RAMOS, 1972); em 30º30'S a 33º06'S, Rio
Grande do Sul (Brasil) (DINCAO et alii, 1982).
Ocorrência: cabo Santa Marta (Santa Catarina)e Rio Grande do
Sul (Brasil) a Maldonado (Uruguai) em águas próximas, afastadas e distantes
da costa; profundidade, temperatura, salinidade e teor de Oz variáveis (Tabela
|).
Ops e nv ic O es emnuúmerode747| especimes no PRGS-[e 181
no PRGS-Il; em 42 estações do PRGS-I foi de 4203 (área 2), 2010 (área T) e
1100 (área M) durante o verão e inverno; nas 21 estações do PRGS-Il os
espécimes predominaram nas duas estações do ano, na área M, em número
de 42 e 31 respectivamente, (Tabela le fig. 1). Em 63 estações do Programa!
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
16 BORDIN. G
e Il, a ocorrência foi bem definida nas áreas F,G,M,N,O,P. T.Y eZtanto
próximas, afastadas, como distantes da costa. Predominou em fundo de logo,
argila e areia média e, foi mais frequente com Libinia spinosa, Leurocyclus
tuberculosus, Cyrtoplax spinidentata e Chasmocarcinus rathbuni (Tabela Il).
Foi o braquiúro mais frecuente da costa do Rio Grande do Sul (Brasil),
atingindo o Uruguai em larga faixa de profundidade (10 a 205m). com
acentuada ocorrência nas áreas G,M, N, O,P, Te Y. O reconhecimento do
subgênero está bem detalhado em STEPHENSON & CAMPBELL (1959).
24 — Portunus (Achelous) spinimanus Latreille, 1819.
Localidade-tip o: águas americanas (Brasil)
Bis biimnre à o Porto Rico e Pono Real) AlagoasiBrasih)
(RATHBUN, 1901); golfo Stream (USA), golfo do México, Rio de Janeiro
(Brasil) e oeste da India (BOONE, 1934); leste USA, Antilhas, Guianas e Brasil
até Santa Catarina (WILLIAMS, 1965); norte ocidental da Flórida (WASS,
1955) >
Ocorr&ncia:emaäaguasafastadas da costa e rasas entre Chul (Rio
Grande do Sul, Brasil) e Maldonado (Uruguai); temperatura alta; salinidade de
média a alta; baixo a médio teor de O2 (Tabela |).
Miant lern am ex. a m in ande MZWUSPS572 85788581, 33a OE
Oo Sservacoes em número de 7 especimes corRG> Terme
PRGS-Il; o maior número foi de 3 espécimes na área X do PRGS-I (fig. 1). Nas
5 estações, durante o verão, predominou em fundo de areia média e lodo,
sendo mais frequente com Persephona punctata e Portunus (Achelous)
spinicarpus (Tabela Il). Nova ocorrência para a costa do Estado do Rio
Grande do Sul.
25 — Ovalipes punctatus (De Haan, 1833).
lRore anima falida e: Tipo os aquasidoniapao:
Distribuição: RioGrande do Sul (Brasil), Uruguai, Argentina (até
Chubut), Peru e Chile; África do Sul, Austrália e Nova Zelândia; Japão e China
(COSTA, 1968; GARTH & STEPHENSON, 1966).
Ocorrência: de Conceição ao Chuí(Rio Grande do Sul, Brasil) e
Maldonado (Uruguai) em águas próximas e afastadas da costa, rasas e pouco
profundas; temperatura, salinidade e teor de O2 variáveis (Tabela |).
Material examinado: MZUSP3308,3331,3335,3342, 3360, 3513, 3553, 3912,
3933, 3979 e 4172.
Observações: emnúmero de 14 espécimes no PRGS-| e 6 no
PRGS-Il, ocorrência relativa nas áreas O, U,X e Y; o maior número foi de 4na
área Y do PRGS-| e, 3 espécimes na area U do PRGS-II (fig. 1). Em 11
estações, durante o verão e inverno, predominou em fundo de areia e lodo,
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental ... 17
próximas à costa e, foi mais frequente com Libinia spinosa e Leurocyclus
tuberculosus (Tabela | e Il). Espécie comestível que se estende até o litoral
bonarense (BOSCHI, 1964). Para STEPHENSON (1959), esta é um exemplo
de distribuição bipolar, razão pela qual pode ser considerada como espécie
migratória.
26 — Callinectes sapidus Rathbum, 1896.
EorcranMiatamane = tr or Santa"Criz Brasil)
Distribuição: lesteUSA, golfo do México, América Central.
Antilhas, Brasil (Bahia até o sul) e Uruguai; Dinamarca à França: Mediterrâneo
(WILLIAMS, 1965).
O corr ên cia: em Conceição e Chui (Rio Grande do Sul, Brasil) e
Maldonado (Uruguai), em águas distantes da costa. rasas a pouco profundas:
temperatura e salinidade de média a alta; baixo a médio teor de O2 (Tabela|).
Material examinado: MZUSP 3577.3579. 3583. 3584. 3587 e 3590
Observações: emnúmero de 11 espécimes no PRGS-| e com
ocorrência nas áreas Y e Z (fig. 1); em 7 estações predominou em fundo de
areia média e lodo, sendo mais frequente com Persephona punctata, Hepatus
pudibundus, Libinia spinosa e Arenaeus cribarius (Tabela | e Il). É uma
espécie eurialina por penetrar em água doce. Segundo BOSCHI (1964), sua
distribuição geográfica se superpõe à de C. acutiens Rathbun, 1895 da qual
difere pelos dentes frontais que possui e, pelos laterais mais agudos e
espiniformes. São espécimes predadoras da região estuarina da Lagoa dos
Patos (BEMVENUTI, 1982).
27 — Arenaeus cribarius (Lamarck, 1818).
E oNcra Mi dra dee 10) pro” costa'doBrasil
BEST a o: estreito de Vineyard e Massachussetts (USA),
Jamaica, Porto Rico, Dominica, Santa Lucia (Antilhas), México, Honduras
Britânica, Nicarágua, Panamá, Curaçau, Bermudas, Colômbia e Brasil, até
Santa Catarina (COSTA, 1964): estende-se ao sul do Brasil, atingindo o
Uruguai (OLIVIER et alii, 1968); Barbados, Antilhas (JONES, 1968).
O corrência:emáguas afastadas da costa e rasas entre Chui (Rio
Grande do Sul, Brasil) e Maldonado (Uruguai); temperatura de média à alta;
salinidade de baixa a média; de baixo a médio teor de O2 (Tabela |).
Misal tre cnaisa) Jen aum Ion asd o; MZUSP:38383,8574,/8580; 398 1xE 406;
O bservações:emnúmero de 4 espécimes no PRGS-le 2 no
PRGS-Il; ocorrência significativa na area X (fig. 1). Em 5 estações, durante o
verão, predominou em fundo de areia média e, foi mais frequente com
Hepatus pudibundus, Libinia spinosa e Callinectes sapidus. São comuns em
coletas de rede de arrasto na costa do Rio Grande do Sul.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
18 BORDIN. G.
28 — Cronius ruber (Lamarck. 1818).
orekannikdkar dass ampNoriBrasil
Distribuição leste USA, Antilhas, norte da América do Sul,
Guianas, Brasil (ate Santa Catarina): Senegal e Angola (Africa); baixios da
Califórnia até o Peru (RATHBUN, 1930: COELHO & RAMOS. 1972).
O corrência:naalturade Albardao (Rio Grande do Sul, Brasil) em
águas distantes da costa e pouco profundas; temperaturas médias; salinidade
alta: médio teor de O2 (Tabela |).
Mia vê mg e De ent nm Erero MAS SE)
O bs ervaçôÔes: somente 1 espécime na area'P doiRRGSA:
coletada durante o verão em fundo de lodo. Nova ocorrência para a costa do
Estado do Rio Grande do Sul.
Supertamilia MAN 51702 DIET
Família GONEPLACIDAE
29 — Cyrtoplax spinidentata (Benedict, 1892).
Bone anima sasor e SS SiuiPproJamalca!
BDEESIEEINR unicraro amalicarPonto Rico e Trinidad (RATHBUN, 1907);
oeste da Índia; Baía de Broqueron e San Thomas (Antilhas); Porto Real,
Alagoas (Brasil) (RATHBUN, 1918).
O corrência:de Solidão a Albardão (Rio Grande do Sul, Brasil) e
Maldonado (Uruguai) em águas próximas, afastadas e distantes da cósta;
profundidade, temperatura e teor de O2 variável: salinidade de média a alta
(Tabela |).
Material examinado: MZUSP3265, 3266, 3283, 3285, 3292, 32973299, 3307,
3312, 3349, 3350, 3354, 3355, 3514, 3531, 3552, 3559, 3562, 3563, 3569, 3760 e 3761.
Observações: em número de 48 espécimes no PRGS-le 2 no
PRGS-Il; ocorrência significativa no PRGS-I nas áreas F,O,P, Te Y;o maior
número foi de 10 espécimes na área T e, de 7 na área X (fig. 1). Em 24
estações, predominou no inverno em fundo de lodo e argila e, sua ocorrência
foi mais frequente com Libinia spinosa, Leurocyclus tuberculosus Portunus
(Achelous) spinicarpus e Chasmocarcinus rathbuni (Tabela | e Il). Segundo
GUINOT (1969) constitui uma espécie congenérica com C. schmitti e
bastante difundida no continente americano. Nova ocorrência para a costa do
Estauo do Rio Grande do Sul.
30 — Chasmocarcynus rathbuni Bouvier, 1923.
Broneraninize akare ut ii poBRio Granderdosußrasil]:
Distribuicä o:Rio Grande do Sul, Brasil (MILNE-EDWARDS &
BOUVIER, 1923).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental 19
O corrência:emáguas afastadas e distantes da costa de Solidão
(Rio Grande do Sul, Brasil) a Maldonado (Uruguai); profundidade variável;
temperatura variável; salinidade de média a alta;teor de O2 variável (Tabela |).
Material examinado:MZUSP3296. 3304. 3316. 3320. 3321. 3323.3327. 3328,
3424. 3442. 3554, 3555. 3557. 3558. 3797. 3801. 3802. 3803. 3805. 4032. 4064. 4065. 4066. 4067,
4068. 4069. 4072. 4073. 4074. 4114. 4115. 4116. 4169. 4180. 4182. 4183. 4184. 4185 e 4187.
O bservações:emnúmero de 66 especimes no PRGS-Ie 330 no
PRGS-Il; o maior número foi de 9 na area N do PRGS-Ie 109 na area R do
PRGS-Il; a ocorrência foi significativa nas areasF,G.M.N,O,T,YeZ; em 34
estações dos Programas | e Il ocorreram nas áreas G, M,P,TeZ,
predominando em fundo de areia média, lodo e argila; foi mais frequente com
Libinia spinosa, Portunus (Achelous) spinicarpus e Cyrtoplax spinidentata
(Tabela I e II).
31 — Goneplax hirsuta Borradeile, 1910.
Localidade-tipçpo:Terra Nova (Canada).
Distribuição:Terra Nova, Canadá e Rio de Janeiro, Brasil
(RATHBUN, 1918).
O corrência:entre Solidão e Mostardas (Rio Grande do Sul, Brasil);
em águas afastadas da costa e pouco profundas; temperatura de média a alta;
salinidade alta; baixo a médio teor de O2 (Tabela |).
O bservações:emnúmero de 8 espécimes somente no PRGS-I,
nas áreas Fe R. Em 3 estações predominaram em fundo de lodo e argila e, a
espécie foi mais frequente com Leurocyclus tuberculosus e Cyrtoplax
spinidentata (Tabela | e Il). Nova ocorrência para a costa do Estado do Rio
Grande do Sul.
Família XANTHIDAE.
32 — Actaea acantha (Milne-Edwards, 1834).
Localidade-tipo: não designada. Espécime-tipo encontra-se no Museum National
d'Histoire Naturelle, Paris.
Distribuição: baixios da Flórida (USA), Antilhas e Fernando de
Noronha, Brasil (RATHBUN, 1930).
O corrência:deSolidão (Rio Grande do Sul, Brasil)a Cabo Polônio
(Uruguai) em águas afastadas da costa e com profundidade variável;
temperatura média; salinidade alta; de baixo a médio teor de O2 (Tabela |).
Material examina do:MZUSP3427, 3463, 3538, 3806, 3808 e 3813; MCN 1487.
Observac Öe s:emnumero de 7 espécimes no PRGS-| e com
ocorrência relativa nas áreas F e N (fig. 1); ocorreram em 6 estações nos
meses de inverno e, fundo de cascalho, fragmentos de conchas e corais
(Tabela Il): foi mais frequente com Latreillia elegans e Parthenope
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
20 BORDIN, G.
(Platylambrus) guerini (Tabela Il). Nova ocorrência para o Estado do Rio
Grande do Sul.
33 — Tetraxanthus bidentatus (Milne-Edwards, 1880).
E one palma mae iiomo Granada!
Distribuição: Carolina do Norte (USA), golfo do México a Cabo
Frio, Brasil (RATHBUN, 1930).
O corrência:desde Cabo Santa Marta (Santa Catarina, Brasil)a
Maldonado (Uruguai), de próximas a distante da costa e, em águas rasas a
profundas: temperatura de baixa a média, salinidade de média a alta; baixo e
alto teor de O» (Tabela |).
Material examinado: MZUSP3325,3329,3434,3437,3443,3448,3810, 3969,
4020. 4022. 4023. 4024, 4041. 4042. 4043, 4044. 4045. 4046. 4090, 4140, 4179 e 4191.
Observacö e s.emnümero.de 7noPRGS-I e 27 espécimes no
PRGS-Il; ocorrência significativa nas áreas A, F, G, le T; ocorreu em maior
número (5) na área T do PRGS-I| (fig. 1); em 20 estações ocorreram nas áreas
Fe G do Programa | e Il em meses de inverno e verão; predominaram em
fundo de lodo, conchas e argila e, foi mais frequente com Acanthocarpus
alexandri, Leurocyclus tuberculosus e Portunus (Achelous) spinicarpus
(Tabela Il). Nova ocorrência para a costa do Estado do Rio Grande do Sul.
34 — Platyxanthus crenulatus Milne-Edwards, 1879.
Borera dana e ul pro siPatagonia:
Distribuição:águascosteiras do Uruguaie Argentina (BOSCHI,
1964).
O corr ência:emáguas próximas da costa e rasas em Maldonado
(Uruguai); temperatura alta; salinidade média; médio teor de O2 (Tabela |).
Mia trend e a im nada oRIM ASPAS SO!
ObservacoöÖ e s:somente 1 espécime na área V do PRGS-I:
ocorrente no verão em fundo de areia média e lodo. Espécie transitória
também considerada por OLIVIER et alii (1968) para o Mar del Plata,
Argentina.
35 — Platyxanthus patagonicus Milne-Edwards, 1879.
Localidade-tip o: Patagônia (extremo sul da America do Sul).
Distribuicä o:abundante na Patagônia e, em águas profundas da
Argentina e Uruguai (BOSCHI, 1964).
Ocorrência:em águas distantes da costa e rasas entre Sarita e
Albardão (Rio Grande do Sul, Brasil); temperatura e salinidade média; teor de
O2 médio (Tabela |).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental 21
Material examinado: MZUSP 3504.
Observações: somente1 espécimena área P do PRGS-I (fig. 1);
ocorrente durante o verão em fundo de areia, lodo e conchas. Frequente em
redes de arrasto em Mar del Plata, juntamente com Övalipes punctatus e
Leurocyclus tuberculosus conforme BOSCHI (1964). Segundo OLIVIER et-alii
(1968) espécie de pouca ocorrência no Mar del Plata, desta forma,
possivelmente seja migratória ou transitória por afastamento da Patagônia.
Nova ocorrência para a costa brasileira.
36 — Panopeus herbisti Milne-Edwards, 1834.
More sa De dzaner er ner pro =cosia leste USA
Distribuic ä 0:Massachusetts (USA), golfo do México, Antilhas,
Bermudas, Bahamas, Guianas atingindo Santa Catarina, Brasil (RATHBUN,
1930).
O corrência:em Maldonado (Uruguai) em águas próximas a costa
e rasas; temperatura de média a alta; salinidade baixa; médio e alto teor de O2
(Tabela |).
Manrerial examinado MZUSP 3302 e 3318
ObservacöÖ es:emnümero de 2 espécimes na área Xe Y do
PRGS-I; ocorrente em 2 estações durante o inverno e, em fundo de areia fina e
lodo (Tabela Il). Segundo FURTADO-OGAWA (1972) constitui uma espécie
que predomina sobre as demais, sendo encontrada em formações rochosas
da praia Meireles de Fortaleza, Ceará (Brasil).
37 — Pilumnus reticulatus Stimpson, 1860.
Localidade-tip o San Thomas (Antilhas).
Distribuicäo:de Jamaica e Porto Rico (Antilhas) a Patagônia
(extremo sul da América do Sul); Panamá (RATHBUN, 1930), Pernambuco,
ilha Nogueira e Florianópolis (Santa Catarina, Brasil); Uruguai e Argentina
(BOSCHI, 1964).
O corrência:entre Saritae Albardão (Rio Grande do Sul, Brasil) em
águas afastadas da costa e pouco profundas; temperatura média; salinidade
alta; teor médio de O2 (Tabela |).
Nilari eim acho esx2a m à ni avdso :MZUSP:'3460
ObservacöÖes:somente 1 exemplarna áreaP no PRGS-I (fig. 1);
ocorrente durante o verão em fundo de areia fina e iodo. Pode ser espécie
transitória. Nova ocorrência para a costa do Rio Grande do Sul.
38 — Pilumnoides hassleri Milne-Edwards, 1880.
Localidade-tip o no Atläntico a 40°22'S e 60°%35W.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
22 BORDIN. G.
DI Scr OU o: Patagônia (Argentina) e Chile (RATHBUN, 1930);
Uruguai, Argentina até o estreito de Magalhães (BOSCHI, 1964).
O corrência:desSolidão a Conceição (Rio Grande do Sul, Brasil),
em águas próximas da costa e pouco profundas; temperatura variável;
salinidade de média a alta: teor variável de O2 (Tabela |).
Marte ar pes armiiinTamo omMZzUsPss6 eram!
Observações: emnúmero de 5 espécimesno PRGS-I nas áreas
costeiras próximas a Fe | (fig. 1); em duas estações em fundo de lodo.
Provavelmente espécie transitória ou em estabelecimento. Segundo OLIVIER
et alii (1968) é frequente em Mar del Plata em águas rasas com substrato de
pedras. Nova ocorrência para a costa brasileira.
Superfamília G R A PSI OI DERA
Família GRAPSIDAE
39 — Tetragrapsus jouyi (Rathbun, 1893). .
Boxer aan drarerer FuipprosGuianas:
Distribuicçáão:golfo do México a Guianas (RATHBUN, 1918).
O corrência:entre Solidão e Mostardas (Rio Grande do Sul, Brasil)
distante da costa e, em águas profundas, temperatura média; salinidade alta:
médio teor de O2 (Tabela |).
Meriti examinado: MZUSP 3435, 3436 e 3675, MON 1488.
O bservações:emnúmero de 7 espécimes no PRGS I,naáreaG
(fig. 1) e somente numa estação em fundo de areia média, lodo e conchas.
Aparentemente, constitui uma espécie transitória. Nova ocorrência para a
costa brasileira.
40 — Cyrtograpsus altimanus Rathbun, 1914.
Localidade ti p o:baia de San Matias, Patagônia (Argentina).
Distribuiçáão:Rio Grande do Sul (Brasil)e baia de San Matias e
Patagônia, Argentina (OLIVIER et alii, 1968).
O corrência:entre Solidão e Mostardas (Rio Grande do Sul, Brasil)
afastada da costa e, em águas profundas; temperatura media; salinidade alta;
médio teor de O2 (Tabela |).
Miamiie das! examinado: MZUSP 3430 e 3431.
O bservações:emnúmero de 6 espécimes no PRGS-I, na área G.
As mesmas considerações da espécie anterior, pois estas, de nº 39,40 e 41
ocorreram numa única estação no PRGS-I, distante da costa, talvez, em
trânsito ou migrando juntas.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental 28
41 — Cyrtograpsus angulatus Dana, 1852.
E olca le ade = ipro:Rio Negro (Argent):
Distribuição:Riode Janeiro, suldo Brasil, costa sul-americana e
Peru (BOSCHI, 1964).
BREI niS Tc a entre Solidão e Mostardas (Rio Grande do Sul, Brasil),
idem aos dados das duas espécies anteriores (39 e 40).
Meastwer rear esa mo na ano aNZzUSP34180
O bservações:emnúmero de2 espécimesno PRGS-I na área G.
As espécies 39, 40 e 41 ocorreram numa única estação, durante o verão e
afastadas da costa. Pertencem à mesma familia e, as duas últimas ao mesmo
gênero e, aparentam estar associadas entre si por condições ambientais.
Superfamília PINNOTHEROIDEA
Família PINNOTHERIDAE
42 — Pinnixa sayana Stimpson, 1860.
Localidade-tig o:Carolina do Norte (USA)
Distribuição: Massachusetts à Flórida (USA) e São Paulo, Brasil
(RIGHI, 1967); leste da USA, golfo do México e do Amapá.a São Paulo e Rio
Grande do Sul (COELHO & RAMOS, 1972).
O corr ência:Maldonado (Uruguai), próxima à costa em águas
rasas; temperatura baixa; salinidade alta; alto teor de O2 (Tabela |).
Name rar! examinad o:MZUSP 3564 e 3566
Observações: em número de 4 espécimes na área X do PRGS-I;em
uma única estação durante o inverno ocorreu em fundo de lodo e argila.
Poderá ser considerada espécie transitória.
43 — Pinnixa chaetopterana Stimpson, 1860.
Localidade - tipo: Carolina do Sul (USA).
Distribuição: Wellfleet, Massachusetts pi e Rio Grande do Sul,
Brasil (RATHBUN, 1918).
Ocorrência:entre Chuí (Rio Grande do Sul, Brasil) e Maldonado
(Uruguai) em águas rasas e afastadas da costa; temperatura de média a
baixa; salinidade de média a alta; médio a alto teor de O» (Tabela |).
Niasntresraiman ex alimBisnmandro” MZUSR:355]1956/7 83568;
Observações: em número de 10 espécimes, somente no PRGS-I, nas
áreas T, V e Y; em 3 estações, durante o inverno, em fundo de lodo e argila
(Tabela II).
Família CYMOPOLIIDAE
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
24 BORDIN. G.
44 — Cymopolia sica Milne-Edwards, 1880.
Localidade - tipo: mar do Caribe
Distribuição: golfo do México, baixios da Flórida e ilhas de Windward
(RATHBUN, 1918).
Ocorrência:doCabo Santa Marta (Santa Catarina, Brasil) a Albardão
(Rio Grande do Sul, Brasil) em águas afastadas da costa e profundas,
temperatura de baixa a média; salinidade alta; médio teor de Oz (Tabela |).
Material examinado: MZUSP 3423, 3425, 3426, 3440, 4124, 4173 e 4176.
Observações:emnúmero de 5 espécimes no PRGS-le 10no PRGS-
||: maior ocorrência nas áreas Fe N (fig. 1); em 5 estações ocorreu durante o
verão, e predominou em fundo de lodo, argila e conchas (Tabela Il). Nova
ocorrência para a costa brasileira.
45 — Cymopolia obesa Milne-Edwards, 1880.
Localidade - tipo: golfo de Bengala (Índia) ;
Distribuição: golfo do México (RATHBUN, 1918).
Ocorrência:entre Solidão e Conceição (Rio Grande do Sul, Brasil) em
águas afastadas da costa; profundidade variável, temperatura de média a alta;
salinidade variável: de médio a alto teor de Oz (Tabela |).
Material examinado: MZUSP 3324, 3339 e 3546.
Observações:emnúmero de 11 espécimes no PRGS-I nas áreas F e
L (fig. 1); ocorreu em 3 estações, durante o verão, em fundo de cascalho e
argila (Tabela Il). Nova ocorrência para a costa brasileira.
DISCUSSÃO
A fauna brasileira do litoral e da plataforma tem muita afinidade, no que se
refere ao nível específico, com a fauna das Antilhas, atingindo a Flórida ou, até
o cabo Hatteras (Carolina do Norte). Para EKMAN (1953) há possibilidade de
ser a latitude de Cabo Frio, o limite sul do litoral tropical americano no
Atlântico. Admite, também, ser a desembocadura do rio La Plata, o provável
limite norte do litoral frio temperado da província magelânica. Este autor
reconhece a necessidade de se criar uma região por ele chamada quente-
temperada entre Cabo Frio e Mar del Plata.
VANNUCCI (1964) refere-se à distribuição de espécies litorâneas e da
plataforma, onde um dos fatores ecológicos de importância para a fauna
bentônica é a temperatura. Sob este ponto de vista, não é importante somente
a média anual de temperatura mas, ainda mais, os extremos de temperatura
que podem ser alcançados durante o ano; desse modo, certas espécies que
viveram em ambientes em que a temperatura fosse a da média anual,
poderiam vir a ser eliminadas pela máxima do verão ou pela mínima de
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental . 25
inverno. À temperatura tende a decrescer bastante com a profundidade e, na
mesma latitude a fauna da zona intercontinental e litorânea de superfície
estará exposta à condições bastante diferentes daquelas da parte mais
profunda da plataforma continental ou insular.
Segundo GREEN (1961) os crustáceos, na maioria, preferem águas
quentes e, que em águas frias e muito profundas,seu desenvolvimento torna-
se mais lento. Eles possuem a propriedade de se adaptarem à salinidade do
meio em que se encontram, por regularem com o mesmo, através de osmose,
a concentração de sal em seu sangue.
Em TOMMASI et alii (1973b) os braquiúros estão sujeitos a
deslocamentos contínuos devido às alterações físicas, químicas e do
substrato do ambiente em que se encontram. A ressurgência que ocorre no
sudeste da costa brasileira tem repercussão na costa do Rio Grande do Sul,
sendo de importância biológica na produtividade e, pela grande variedade de
espécies; além disso, os ventos, as correntes, as desembocaduras de lagoas
e rios ocasionam vários deslocamentos. A ocorrência de macrocrustäceos.
como os braquiuros, é acentuada em substrato de areia com pequena
percentagem de silte.
Segundo TOMMASI et alii (1973a) a natureza da fauna varia de acordo
com o depósito e a variedade de biomassa por ma. A partir de 80m à 180m de
profundidade o depósito é mais favorável ao desenvolvimento das espécies,
como também, às alterações de temperatura e salinidade durante o ano.
Podemos constatar que existem várias espécies de Brachyura na
plataforma continental do Rio Grande do Sul (Brasil), embora ocorram muitas
outras aqui não citadas. Estas constituem populações efetivas restritas ao
litoral ou transitórias devido a zona de transição formada pelas correntes do
Brasil e Malvinas e desembocaduras da Lagoa dos Patos e do rio La Plata.
CONCLUSÃO
Atingindo um total de 10224 exemplares, o Programa Rio Grande do Sull
apresentou 45 espécies com 9262 exemplares e, o Programa Rio Grande do
Sul II com 22 espécies (entre as 45 acima) com 962 exemplares.
No PRGS-I e PRGS-Il as espécies com maior ocorrência constituem as
de número 23-Portunus (Achelous) spinicarpus (7652); 11-Libinia spinosa
(1259); 30-Chasmocarcinus rathbuni (396); 3-Latreillia elegans (217); 12-
Leurocyclus tuberculosus (138); 5-Hepatus pudibundus (87); 4-
Acanthocarpus alexandri (73) e 8-Persephona punctata com o total de 53
exemplares (Tabela |). Estas espécies foram coletadas em toda a costa, a
maioria em águas próximas e afastadas, exceto, 5-Hepatus pudibundus que
ocorreu distante da mesma mas, em äguas pouco profundas.
As espécies que tiveram ocorrência significativa nos dois programas e
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
26 BORDIN. G.
= ER a E PRINTER en En o,
nas mesmas áreas foram as acima citadas, com maior número de exemplares
acrescentando as seguintes: 2-Thelxiope barbata, 7-Miropsis
quinquespinosa, 18-Parthenope (Platylambrus) guerinii e 33-Tetraxanthus
bidentatus (Tabela |).
As áreas que apresentaram maior número de espécies (do total de 45)
nos programas le Il, foram as de letra F (21 espécies), G (14),1(14),L (15), N
(14), O(A PIA (5), X (15) Voe zZ (1 situadas entre Solidao!iRto
Grande do Sul, Brasil) e Maldonado, Uruguai (Tabela Ile fig. 1). As áreas com
maior número de exemplares estão entre as anteriores onde, poderemos
acrescentar área J e M entre Conceição e Albardão (Rio Grande do Sul,
Brasil). A variedade de espécies e o acentuado número de exemplares
caracterizam esta zona de transição que, além das correntes é influenciada
pelas desembocaduras da Lagoa dos Patos e do rio La Plata.
As agregacöes de braquiúros em lençóis de lodo, comonas áreas O,P,X
e Y, próximas ao escoamento da Lagoa dos Patos, favorecem migrações de
espécies de águas tempestuosas para mais calmas, onde a alta
produtividade se manifesta devido a concentração de nutrientes que torna
fértil a região.
Pelos deslocamentos contínuos, pudemos observar na costa do Rio
Grande do Sul uma distribuição casual e agregada.
No PRGS-I houve uma nítida predominância em número de espécies e
exemplares. A menor ocorrência de espécies e exemplares no PRGS-Il deve-
se a não realização de coletas nos meses de dezembro a março.
As espécies que ocorreram em maiores intervalos de profundidade,
temperatura, salinidade e teor de Oz, foram as de número 12-Leurocyclus
tuberculosus, 11-Libinia spinosa, 33-Tetraxanthus bidentatus e 23-Portunus
(Achelous) spinicarpus, que se deslocam devido às correntes, para a
reprodução ou alimentação, podendo serem espécies de fácil adaptação as
condições do meio, haja visto, que a espécie de número 11 ocorre com
frequência na beira das praias do Rio Grande do Sul.
Constatou-se no PRGS-I, onde ocorreu maior número de espécies e
exemplares, que a presença de machos e fêmeas foi relativamente
proporcional durante as coletas, exceto a de número 38-Pilumnoides hassleri
que teve somente 5 machos em uma estação. A maior evidência de
espécimes jovens registrou-se em Hepatus pudibundus durante os meses de
outubro-novembro.
“São 26 espécies com nova ocorrência na costa do Estado do Rio Grande
do Sul, quais sejam: 1-Dromidia antillensis, 2-Thelxiope barbata, 6-Osachila
tuberosa, 7-Miropsis quinquespinosa, 8-Persephona punctata, 10-
Persephona lichtensteini, 14-Stenorhynchus seticordis, 16-Podochela
algicola, 17-Stenocianops furcata, 18-Parthenope (Platylambrus) guerinii, 19-
Mesorhoea sexpinosa, 20-Lambrus meridionalis, 21-Corystoides chilensis,
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continental . 27
22-Peltarion spinulosum, 24-Portunus (Achelous) spinimanus, 28-Cronius
ruber, 29-Cyrtoplax spinidentata, 31-Goneplax hirsuta, 32-Actaea acantha,
33-Tetraxanthus bidentatus, 35-Platyxanthus patagonicus, 37-Pilumnus
reticulatus, 38-Pilumnoides hassleri, 39-Tetragrapsus jouyi, 44-Cymopolia
sica e 45-Cymopolia obesa. Para a costa brasileira temos 11 novas
ocorrências dentre as acima citadas, que são as de número 2, 6, 7,20,21,22,
35, 38, 39, 44 e 45 que predominam no Atlântico Norte (América Central e do
Norte) e na província magelânica (que abrange o Uruguai, Argentina e Chile).
Quantitativamente as espécies mais significativas no PRGS-I e Il, como
nova ocorrência para a costa brasileira, foram as de número 22-Peltarion
spinulosum (19) e 44-Cymopolia sica (15) e, para a costa do Estado do Rio
Grande do Sul, as de número 8-Persephona punctata (53), 29-Cyrtoplax
spinideniata (50) e 33-Tetraxanthus bidentatus com 34 exemplares (Tabela |).
AGRADECIMENTOS
Expressamos nossos agradecimentos a toda equipe de trabalho e
pesquisa do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo,
principalmente ao Dr. Luiz Roberto Tommasi pelo seu incessante
acompanhamento enquanto lá estivemos. Ao Dr. Gustavo A.S. de Melo do
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, que prontamente enviou
dados complementares dos espécimes do PRGS-Il que se encontram
depositados naquele museu.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto A .yre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
30 BORDIN, G.
Santa Catarina )
A 28º s
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Fig. 1. Mapa da plataforma continental do Rio Grande do Sul (Brasil) e Uruguai, subdivididas
em áreas que situam as estações de coleta de Brachyura em duas prospecções oceanográficas
e pesqueiras no Atlântico Sul, realizadas em 1968-69 e 1972.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
Brachyura da plataforma continenial ... 31
E SED E SRS
Tabela |. Parâmetros ambientais para os Brachyura coletados na
plataforma continental do Rio Grande do Sul, Brasil, e áreas adjacentes
durante o Programa | (1968-69) e Il (1972). Espécies numeradas de 1 a 45,
número de exemplares nas duas prospecções e dados ambientais de coleta
referentes a profundidade, temperatura, salinidade e Os.
Nº de exem-
plares
Pr: Profundi- Tempera- Salinidade Oxigênio
diria BERAE: un
1
1-Dromidia antillensis 207 14,58 35,73 4,40
2-Thelxiope barbata 57-158 11,78-16,54 30,81 -35,80 3,57-4,93
3-Latreillia elegans 20-294 14,29-21,55 34,21-35,98 4,00-5,70
4-Acanthocarpus alexandri 80-338 09,77-21,10 34. 32-36.15 4,30-5,89
5-Hepatus pudibundus 10-155 11,06-24,60 30,32-36,UU 3,06-6,35
6-Osachilla tuberosa 157-196 14,38-16,92 35,45-35,80 4,36-4,80
7-Miropsis quinquespinosa 8-207 10,12-24,75 33,25-35,97 4.27-5,89
8-Persephona punctata 10-116 12,22-24,58 32,85-36,10 3,06-5,54
9-Persephona mediterranea 20-84 15,78-23,14 33,56-35,77 3,70-5,08
10-Persephona lichtensteini 46-148 17,70-19,40 35,08-35,97 4,27-4,80
11-Libinia spinosa 10-185 10,78-24,95 27 ,49-36,09 3,06-6,20
12-Leurocyclus tuberculosus 10-338 09,77-25,33 27 ,12-36,56 3,06-6,63
13-Rochinia gracilipes 13-78 09,83-20,40 33,02-36,03 4,81-5,35
14-Stenorhynchus seticordis 44 22,36 33,33 5,07
15-Collodes rostratus 32-65 09,83-16,24 -33.56 5,10-5,35
16-Podochela algicola 144-155 15,52-16,94 35,64-35,88 4,00-4,37
17-Stenocianops furcata 122-165 15,75-16,96 35,69-35,98 3,99-4,84
18-Parthenope (Platylambrus) guerinii 16-294 14,38-24,60 31,94-36,49 3,95-4,84
19-Mesorhoea sexpinosa 50-57 16,66-17,68 34,79-35,18 4,00-5,05
20-Lambrus meridionalis 183 14,88 35,54 4,57
21-Corystoides chilensis 18 TAS) 31,19 4,48
22-Peltarion spinulosum 65-80 09,56-09,83 33,45-33,56 5,35-6,51
23-Portunus (Achelous) spinicarpus 10-205 09,83-23,03 26,54-36,49 3,21-6,73
24-Portunus (Achelous) spinimanis 15-58 21,73-24,22 32,85-35,07 3,95-4,85
25-Ovalipes punctatus 17-120 10,09-24,09 28,96-35,57 3,45-6,63
26-Callinectes sapidus 14-80 17,99-25,10 30,32-34,54 3,81-5,20
27-Arenaeus cribarius 14-19 17,60-24,58 28,96-32,93 4,36-5,19
28-Cronius ruber 72 15,44 35,23 410
29-Cyrtoplax spinidentata 21-148 09,56-22,20 32 83-36,16 321-6,51
30-Chasmocarcinus rathbuni - 14-190 11,54-24,30 31,54-36,13 3,46-6,20
31-Goneplax hirsuta 78-138 14,98-20,69 34,99-35,91 3,99-4,43
32-Actaea acantha 7 78-294 14,69-17,16 34,99-35,86 3,99-4,92
33-Tetraxanthus bidentatus 30-338 09,77-21,09 31,08-35,97 3,85-5,89
34-Platyxanthus crenulatus 19 24,28 32,54 5,26
35-Platyxanthus patagonicus 45 18,05 33,39 4,29
36-Panopeus herbisti 15-22 14,20-23,32 29,30-30,22 5,13-5,74
37-Pilumnus reticulatus 58 18,77 33,96 4,00
38-Pilumnoides hassleri 58-65 09,83-17,60 33,56-34,16 416-5,35
39-Tetragrapsus jouyi 207 14,58 85.18 440
40-Cyrtograpsus altimanus 207 14,58 SUS: 4,40
41-Cyrtograpsus angulatus 207 14,58 35,73 4,40
42-Pinnixa sayana 47 12,99 33,07 5,34
43-Pinnixa chaetopterana 22-57 13,00-17,22 32 86-33,63 4.28-5.62
44-Cymopolia sica 163-338 09,77-16,92 34,21-35,75 4,00-4,80
45-Cymopolia obesa 15-158 16,45-20,86 27 49-36.49 4,36-5.80
Intervalos de ocorrência:
= ORDONDG-Dm--N
=
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Aıegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
32
BORDIN, G.
LIU m nn
Tabela Il.
Ocorrência, associação das espécies de Brachyura
numeradas de 1 a 45, conforme tabela |, e tipo de fundo predominante nas
areas de A a Z da plataforma continental do Rio Grande do Sul, Brasil e
adjacências durante o Programa | (1968-69) e || (1972)
Programa Rio Grande do Sul |
1968—69
Programa Rio Grande do Sul II
11972
Espécies numeradas:
1-45
vrLmo»
>
4-12-32-33-44
4-8-12-23-30-33
[05]
Tipo
de fundo
predominante
areia fina
areia-lodo
argila
mIoOlOD
er N Eee
2-3-4-5-6-11-12-16-17
18-23-25-29-30-31-32
33-38-45
1-4-7-8-11-12-23-29 3-4-7-8-12-23-30
30-33-39-40-41 7 30 33 5 124
3-18-32 1 3
3 42
7-10-12-13-15-22-23-38
3-6-7-11-12-18-23
33-44
TIO
DER SED REDES caEE
5-7-8-10-11-12-13-15 Soll
4-7-23-30-33
21-23-25-26-33-45
8-10-11-17-18-20-23
N | 30-32-44 3-4275238530:33 6
3-7-10-11-16-17-23
O | 29-80 1171 | 5-8-11-12-23-25-33 7
se
RR RRIB=SI 1 6
S 2
5
5-7-8-11-12-14-23-26
T 29-30-43
U
V
5-8-12-18-23-24-25-26
27-29-36-42
2-5-8-11- 18-19-23-24-25 |
26-27-29-30-36-43
9-11 -23-24-25-26-27-29
Z 30 13
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11-12-23-30-33 Te
120
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):3-32, 30 de maio de 1987
calcáreo
lodo
areia fina
areia-lodo
cascalho
conchas
areia fina
areia-lodo
areia média
lodo-argila
areia fina
areia-argila
areia-lodo
lodo
cascalho
areia fina
lodo
areia fina
areia-lodo
areia fina
ateia fina
areia fina
areia-conchas
argila-lodo
areia média
areia média
lodo
areia fina
lodo
areia-lodo
argila-lodo
areia fina
argila-lodo
Morfologfa diferencial y dimorfismo sexual en la pelvis de
Ctenomys pearsoni Lessa & Langguth, 1983 y C. rionegrensis
Langguth & Abella, 1970 (Rodentia, Octodontidae).*
Martín Ubilla**
Carlos A. Altuna***
RESUMEN
Se estudió comparativamente la morfologia y el dimorfismo sexual en la pelvis de Ctenomys
ricnegrensis Langguth & Abella, 1970 y Ctenomys pearsoni Lessa & Langguth, 1983. En la
comparación interespecífica se establecen caracteres que permiten diferenciar las especies,
constituyendo nuevos elementos de diagnóstico para ser utilizados en la sistemática del género.
Existe dimorfismo sexual en ambas especies, éste se manifiesta en diferencias morfológicas.
cualnativas y biométricas. El ancho mínimo del pubis permite discriminar machos de hembras con
un alto nivel de significación estadistica (testt, P<0,001 ). Enambas especies la sínfisis púbica se
mantiene cerrada en machos y en hembras nulíparas, gestantes y paridas.
RESUMO
A morfologia e o dimorfismo sexual da pelvis de Ctenomys rionegrensis Langguth & Abella,
1970 e Ctenomys pearsoni Lessa & Langguth, 1983 foram estudados comparativamente. Na
comparação interespecífica estabelecem-se caracteres que possibilitam diferenciar as
espécies, constituindo novos elementos diagnósticos para serem utilizados na sistemática do
gênero. Existe dimorfismo sexual nas duas espécies, manifestando-se em diferenças
morfológicas qualitativas e biométricas. A largura mínima do púbis possibilita a separação entre
machos e fêmeas tendo um alto nível de significância estatística (test t, p < 0,001). Nas duas
espécies a sinfise púbica permanece fechada em machos e fêmeas. nulíparas, gestantes e
paridas.
INTRODUCCION
Las investigaciones sobre la morfologia de la pelvis en roedores se
realizan principalmente a los efectos de permitir la discriminación de especies
* Aceptado para publicaciön el 27.1.1986. Presentado en la XXVII Reunión de Comunicaciones de la Sociedad Zoológica del
Uruguay, Montevideo 14 de Diciembre de 1984.
* Departamento de Paleontologia, Facultad de Humanidades y Ciencias, Tristán Narvaja 1674, Montevideo, Uruguay.
** Departamento de Biologia y Etologia, Facultad de Humanidades y Ciencias, Tristán Narvaja 1674, Montevideo, Uruguay.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):33-42, 30 de maio de 1987
34 UBILLA, M. & Carlos A. Altuna
y de sexos en contenidos de egagrópilas y deyecciones de carnívoros. Son
varios los autores que han trabajado contribuyendo con estos objetivos:
GUILDAY (1951), BECKER (1954), DUNMIRE (1955); este último autor
establece los criterios estadísticos básicos para el estudio del dimorfismo
sexual sobre la base de varias especies de esciuromorfos y miomorfos.
SEVERINGHAUS (1981) desarrolla además criterios de estimación de edad
relativa y crecimiento en Microtus ochrogaster (Wagner, 1898). MIKES et al.
(1982) incluyen estudios de variación osteométrica intersexual en Spalax
leucodon Nordmann, 1840.
PEARSON et al. (1968) estudian el dimorfismo sexual y- utilizan
caracteres de la pelvis de las hembras como método de estimación del estado
reproductivo en Ctenomys talarum Thomas, 1898, de Argentina.
La mayoría de estos estudios se basan en especies de roedores
miomorfos y en algunos casos esciuromorfos (e.g. DUNMIRE, 1955; BROWN
& TWIGG, 1969; HERRERA & SORIGUER, 1974; BELLOCQ & KRAVETZ,
1983). Este trabajo pretende constituir un aporte para un mejor conocimiento
de los roedores histricognatos sudamericanos y tiene como objetivos el
estudio comparativo de la morfologia de la pelvis de Ctenomys rionegrensis,
Langguth & Abella, 1970 y Ctenomys pearsoni Lessa & Langguth, 1983, a los
efectos de detectar caracteres que permitan, por simple observacion,
diferenciar ambas especies. Evidenciar el dimorfismo sexual a traves de
caracteres morfológicos y biometricos y, finalmente, desarrollar “algunos
comentarios sobre el grado de fusión de la sínfists púbica de las hembras y su
relación con eventos reproductivos. Por otra parte, destacamos el interés de
este tipo de trabajos, los cuales, posibilitan la identificación de especies y de
sexos en material de colección con registro omitido y además la realización
de estudios comparativos respecto de restos fösiles, permitiendo la
discriminación sexual y una mayor precisión taxonómica. El análisis de la
morfologia pelviana brinda además importante información sobre
adaptaciones funcionales a diferentes modos de locomoción.
MATERIAL Y METODOS
Se estudiaron 25 pelvis de C. rionegrensis (9 SJ y 16 PP ) procedentes de Los Arrayanes
(18 ejemplares) y km 40 y 51 de la Ruta 24 (7). Departamento de Río Negro (aproximadamente
32°50'S;57°40'W); y 29 pelvis de C. pearsoni (123d y17$£P) procedentes de la Barra del Rio
Santa Lucia (7), del Autódromo Nacional (13), ambas localidades en el Departamento de San
José, y de la Estanzuela, Departamento de Colonia (9). Todo el material fue colectado por nuestro
equipo y se encuentra depositado en el Departamento de Zoologia Vertebrados de la Faculdad de
Humanidades y Ciencias de Montevideo, salvo 7 ejemplares de C. pearsoni, colectados por Julio
C. González, depositados en la colecciön de Mastozoologia del Museo Nacional de Historia
Natural de Montevideo.
Las muestras comprenden ejemplares subadultos y adultos. La discriminaciön de estas dos
clases se realizó siguiendo el criterio de LANGGUTH & ABELLA (1970), quienes consideran que
los individuos adultos están por encima de los 170mm de longitud cabeza-cuerpo.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):33-42, 30 de maio de 1987
Morfologia diferencial y ... 35
A los efectos del análisis, las muestras de localidades diferentes se consideraron en ambas
especies como pertenecientes a una misma población de medidas, al no existir diferencias
morfológicas entre ellas. En los diagramas utilizados se incluyen los intervalos de confianza
calculados como X ?t.05(n-1).Sx Los estadísticos calculados se brindan en las tablas de medidas
Il y IV. Se utilizó eltestt de diferencias entre medias en los casos de homogeneidad de varianza, y
el t's cuando F fue significativo (SOKAL & ROHLF, 1981), sus valores de significación fueron
consultados en las tablas de ROHLF & SOKAL (1981).
Las variables a (longitud del isquion), b (longitud del pubis) y p (ancho mínimo del pubis) se
registraron de acuerdo con DUNMIRE (1955), así como el índice b/a para la discriminación
sexual. La medición se realizó sobre pelvis izquierdas. Las observaciones sobre el estado dela
sinfisis púbica se efectuaron en ejemplares capturados entre 1981 y 1984.
RESULTADOS
D if ereniciasimorto!lógicasinrerespeciticias:
el análisis morfológico comparativo permitió detectar variación
interespecífica constante y compartida por ambos sexos en varios
caracteres, los que posibilitan por simple observación identificar las especies.
Estos caracteres diferenciales se aprecian en la profundidad relativa de las
fosas gluteal e ilíaca, en el grado de desarrollo de los procesos ilíacos, en la
prominencia de las tuberosidades isquiádicas y en la forma del foramen
obturador. En la tabla | se presentan los caracteres diferenciales entre ambas
especies, los que pueden observarse en la figura 1-2.
Duteneciasmortológicas:sintraespecíticas:
se relacionam con el sexo. Los caracteres dimórficos observables en las
dos especies esiudiauas se vincuian con la iorma del extremo sinfisal del
pubis, que en norma lateral se observa alargado en las hembras y truncado en
los machos, con el ancho relativo del pubis y la robustez general de la pelvis,
ambos mayores en los machos (fig. 2-3). Estos caracteres son observables
tanto en ejemplares adultos como en subadultos.
El dimorfismo sexual se evidencia también cuantitativamente en ambas
especies. El análisis biométrico dió como resultado que la separación de
sexos se vincula con un ancho mayor del pubis y un cociente b/a menor en
los machos, presentando las hembras pubis más largos y delgados. El
carácter ancho mínimo del pubis tiene mayor peso en la diferenciación de los
sexos (fig. 4). Los valores de significación estadística hallados en el estudio
comparativo de machos y hembras en cada especie se presentan en la tabla
Il.
Sobre la sinfisis pübi'ca:serealizaron observaciones
sobre el grado de fusiön de la sinfisis pübica de 62 hembras, incluyendo
nuliparas, gestantes y paridas con crías lactantes en C. pearsoni y en
hembras nuliparas y gestantes de C. rionegrensis discriminadas de la
siguiente manera:
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):33-42, 30 de maio de 1987
36 UBILLA, M. & Carlos A. Altuna
Grpearsoni" Autódromo Nacional e NE 13
KarEstamzuelar 7... ao alo a Ni DIR N aa a DR E ANDAR RE 9
Banra: RioyStas LUCIA iss na N Se N, EST TL
Formas del complejo pearsoni (sensu ALTUNA|& LESSA, 1985)
Maldonado». E N herren SO ob 7
Carrasco ae seele ann om PR o po kei ehe o a ee a 10
G. Tionegrensisa bos Arnayanes: an cai agia e fato foda (otiol aleran Dio o pola o fo a PN RES 12
Ruta:24 kmdO asso srs oia fa papas to fev olade ro paia nua fere SEA je 4
Los resultados obtenidos indican que en ningún caso la sínfisis púbica
permanece abierta, cualquiera sea el estado reproductivo de la hembra.
Todos los machos, asimismo, presentan sinfisis púbica cerrada.
DISCUSION Y CONCLUSIONES
El género Ctenomys comprende más de setenta formas vivientes, cuyó
verdadero rango sistemático es incierto, debido a que la mayoria han sido
fundados con criterios tipolögicos clásicos. Otra dificultad ya senalada por
REIG et al. (1966), es la falta de consenso para elestablecimiento de criterios
relevantes para su taxonomia. Los múltiples problemas sistemáticos del
género no han de resolverse en base a procedimientos convencionales, sino
con el desarrollo de nuevos criterios. Hasta el presente trabajo no se habian
realizado estudios comparativos de la morfologia pelviana en especies de
Ctenomys. Las diferencias detectadas a este nivel entre C. pearsoni y C.
rionegrensis permiten, por primera vez, identificar dos especies de tucu-tucus
en base a caracteres osteológicos postcraneanos. La morfologia de la pelvis
surge así como un nuevo instrumento para caracterizar y comparar especies
O grupos de especies.
Respecto a los Ctenomys de Uruguay, los caracteres pelvianos permiten
distinguir netamente dos conjuntos, diferenciando claramente a C.
rionegrensis del resto de las formas uruguayas.
La existencia de una profunda dicotomia en los Ctenomys de Uruguay ha
sido evidenciada con anterioridad en estudios de morfologia craneana
(LANGGUTH & ABELLA, 1970; LESSA & LANGGUTH, 1983), en el análisis de
caracteres penianos (LESSA & ALTUNA, 1983; ALTUNA & LESSA, 1985), y
de la morfologia de los espermatozoides (ALTUNA et al., en prensa).
Ctenomys pearsoni comparte caracteres morfológicos, a todos estos
niveles, con formas de la costa del Rio de la Plata y Océano Atlântico que
constituyen el complejo pearsoni (ALTUNA & LESSA, 1985). Todas estas
formas comparten caracteres, aunque en menor grado, con C. torquatus
Lichtenstein, 1830, especie del norte y centro del país.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):33-42, 30 de maio de 1987
Existen importantes diferencias entre los sexos en C. pearsoni y C.
rionegrensis en caracteres morfológicos aparentes y mensurables, fenómeno
compartido por un gran número de especies de roedores (e.g. DUNMIRE,
1955; BROWN & TWIGG, 1969). Los caracteres morfológicos observables en
forma directa están presentes tempranamente en las formas juveniles,
permitiendo diferenciarlos sexualmente.
Con respecto a la sínfisis pública, nuestros resultados confirman los
hallazgos de PEARSON (1959) en especies peruanas, y PEARSON et al.
(1968) en C. talarum Thomas, 1898. La pelvis permanece cerrada en hembras
nulíparas, gastantes y paridas, en contraposición con lo que ocurre en otros
mamíferos fosoriales. En éstos, debido a una particular disposiciön de los
elementos de la cintura resvecto a la columna vertebral, la capacidad de la
cavidad pelviana es reducida. La desaparición de la sínfisis púbica facilita, en
estos casos, el pasaje de las crias (CHAPMAN, 1919). En los Geomyidae, la
sínfisis es reabsorbida durante la pubertad (HANSEN, 1960); en Spalax
leucodon Nordmann, 1840 la separación interpúbica se presenta sólo en las
hembras y aumenta con la edad (MIKES el al., 1982). En las especies de
Ctenomys estudiadas, la sínfisis púbica se mantiene cerrada en estado
adulto, en ambos sexos.
AGRADECIMIENTOS
Enrique P. Lessa, G. Izquierdo, S. Monzón y F. D. Rilla (Area de Ciências Biológicas, Facultad
de Humanidades y Ciencias) participaron en la colecta y preparación del material utNizado. Julio
C González nos facilitö la consulta del material depositado en el Museo Naigjonal de Historia
Natural de Montevideo. Ruben Beltrame confeccionö las fotografías que ilustran eltrabajo. Daniel,
Perea (Dpto. Paleontologia, Facultad de Humanidades y Ciencias) realizó la lectura crítica del
manuscrito y aportó valiosas sugerencias para la versión final. A todos ellos nuestro más sincero
reconpcimiento.
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IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):33-42, 30 de maio de 1987
Morfologia diferencial y .. 39
Figs. 1-3: Fotografias de la cintura pélvica de Ctenomys pearsoni Lessa & Langguth, 1983 y
de Ctenomys rionegrensis Langguth & Abella, 1970. 1. vista dorsal de la pelvis de machos de C.
rionegrensis izquierda y C. pearsoni derecha; 2. vista lateral, C. pearsoni, superior y C.
rionegrensis, inferior; 3. vista lateral de hembra de C. rionegrensis. Escalas en cm. Fotografias: R.
Beltrame.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):33-42, 30 de maio de 1987
40 UBILLA, M. & Carlos A. Altuna
1.4 16. 18. 20
b/a
Fig.4: Diagrama de Dice-Leeras modificado. Diferencias biométricas entre sexos en
Ctenomys pearsoni Lessa & Langguth, 1983, (A)y C. rionegrensis Langguth & Abella, 1970, (B).
Las barras sólidas en torno de la media marcan los intervalos de confianza para P&0,05, los
extremos de las líneas indican el rango. p, ancho mínimo del pubis; b/a, longitud del
pubis /longitud del isquion.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):33-42, 30 de maio de 1987
Morfologia diferencial y ... 41
Tabla |. Caracteres pélvicos que permiten diferenciar Ctenomys
pearsoni Lessa & Langguih, 1983 de Ctenomys rionegrensis Langguth &
Abella, 1970.
C. pearsoni C. rionegrensis
tosa gluteal e ilíaca planas o casi planas fuertemente excavadas
procesos ilíacos poco desarrollados bien desarrollados
tuberosidades poco pronunciadas prominentes (mayormente
isquiádicas la póstero-inferior)
foramen obturador semicircular asimétrico a expensas
del borde isquiádico
Tabla Il. Valores de significaciön estadística hallados en el estudio
comparativo de pelvis de machos y hembras de Ctenomys rionegrensis
Langguth & Abella, 1970 y Ctenomys pearsoni Lessa & Langguth, 1983.
Variables: p: ancho mínimo del pubis; b/a: longitud del pubis/longitud del
isquion.
C. pearsoni C. rionegrensis
p ts = 4,39 p<0,001 ts = 5,89 p<0,001
b/a ts = 2,46 p<0,05 ts = 3,64 P<0,05
Tabla Ill. Medidas de pelvis de Ctenomys pearsoni Lessa & Langguth,
1983. Los valores correspondientes a los machos, se ordenan en las
columnas de la izquierda, separados por un guiön de los de las hembras, a la
derecha. Variables: p: ancho mínimo del pubis; a longitud del isquion; b,
longitud del pubis; b/a, longitud del pubis/longitud del isquion. N, tamano
muestral; X, media; S, desviación típica; Sx error típico; Rango: valores
mínimos y máximos.
Rango
N X S Sz min máx.
12-17. 209-1,46 0,3553-0,2206 0,1026-0,0535 1,4-11,0 26-18
12=17,,.987-8,72 1,3222-1,2390 0,3272-0,3007 7,6-4,6 2
2er 113,35-1924,,.1,6833-2.3932 0,4869-0,5808 11,6-8,71. 17,0-17,6
tar 4217 »1,56-1 75 0,0786-0,1937 0,0227-0,0470 1,4-1,5 1,66-2,11
eiliondWTe;)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):33-42, 30 de maio de 1987
42.
UBILLA, M. & Carlos A. Altuna
Tabla IV. Medidas de pelvis de Ctenomys rionegrensis Langguth &
Abella, 1970. Los valores correspondientes a los machos, se ordenan en las
columnas de la izquierda, separados por un guión de los de las hembras, a la
derecha. Variables: p, ancho mínimo del pubis; a, longitud del isquion; b,
longitud del pubis; b/a, longitud del pubis/longitud del isquion. N, tamano,
muestral; X, media; S, desviación típica; Sx, error típico; Rango: valores
mínimos y máximos.
N x S
p 9716 1,92-1,54 0,2166-0,2032
a 9-16 8,71-8,35 0,7606-0,6314
b 9-16 13,88-14,46 1,1417-1,1038
b/a 9-16 ESSA GUS) 0,1455-0,1152
Sx
0,0722-0,0508
0,2535-0,1578
0,3805-0,2759
0,0484-0,0288
Rango
min. máx.
1,6-1,4 22-21
8,3-7 10,6-9,6
2,0512205, 45116;2
1391 Simas o
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):33-42, 30 de maio de 1987
Pomacea canaliculata (Lamarck, 1801) en Catamarca
(Argentina) y un comentario sobre Ampullaria catamarcensis
Sowerby, 1874 (Gastropoda, Ampullariidae) *
Néstor J. Cazzaniga**
RESUMO
No presente trabalho registra-se pela primeira vez a ocorrência de Pomacea canaliculata
(Lamarck, 1801) na Província de Catamarca (Argentina). Amostras de diferentes populações da
espécie foram estudadas sob o ponto de vista anatômico, especialmente do aparelho reprodutor,
bem como da variabilidade da concha. Com base nos resultados faz-se uma avaliação crítica da
posição sistemática da espécie e se discute a validade da subespécie P. canaliculata chaquensis
Hylton Scott, 1948, descrita para o norte da Argentina. Registram-se também alguns parâmetros
físicos e biológicos dos locais de ocorrência da espécie. Finalmente, elabora-se um breve
comentário sobre Ampullaria catamarcensis Sowerby, 1874, elucidando-se sua verdadeira
localidade-tipo, cuja grafia foi erroneamente transcrita na descrição original.
ABSTRACT
In this paper the occurrence of Pomacea canaliculata (Lamarck, 1801) in the Province of
Catamarca (Argentina) is reported for the first time- Samples from different populations were
studied. Anatomical features, mainly of the reproductive system, are described, as well as the shell
variability. The systematic position of this species is critically evaluated, and the validity of the
subspecies P. canaliculata chaquensis Hylton Scott, 1948, described from northern Argentina, is
discussed. Some physical and biological features of the sample sites are recorded. Finally, a brief
commentary on Ampullaria catamarcensis Sowerby, 1874 is made, discussing its true
typelocality, the graphy of which was mistaken in the original description.
INTRODUCCION
No hay registros documentados de Ampullariidae para la Provincia de
Catamarca (Argentina).
* Aceptado para publicaciön el 25.11.86. Contribución nº 7 del Laboratorio de Ecologia Acuática (LEA), del Departamento de
Biologia (Universidad Nacional del Sur, Argentina)
** Investigador de la Comisión de Investigaciones Científicas de la Provincia de Buenos Aires. Departamento de Biologia,
Universidad Nacional del Sur. Perú 670, 8000 Bahia Blanca, Argentina
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
44 CAZZANIGA, N. J.
Esta familia está bien representada en América del Sur, en especialen las
cuencas del Amazonas (BAKER, 1913; PAIN, 1960) y del Plata (IHERING,
1919; CASTELLANOS & FERNANDEZ, 1976). Es frecuente en los países
andinos (BAKER, 1930; PAIN & ARIAS, 1958), y está presente en el sur de
Estados Unidos (CLENCH & TURNER, 1956), el Caribe y América Central
(BAKER, 1922; PILSBRY, 1927; PAIN, 1964).
En la Argentina, Pomacea canaliculata (Lamarck, 1801) es la especie de
más amplia distribución, alcanzando en la Provincia de Buenos Aires el límite
austral de la familia. Es un conspicuo representante de la fauna brasílica, pero
no se restringe a la Subregiön Guayano-Brasilena, en el sentido de
RINGUELET (1960), sino que hemos comprobado su penetración hacia
regiones de mayor aridez.
Casi todas las referencias a esta especie en la Argentina se refieren a
localidades del norte y centro-este del país, salvo algunos ejemplares citados
por HYLTON SCOTT (1957) de la Provincia de La Rioja. No hubo posteriores
registros en esa región, por lo cual el material obtenido por nosotros en
Catamarca viene a confirmar su presencia en el Dominio Central o
Subandino.
Este hallazgo da ocasión para comunicar varias observaciones, Sobre
todo referidas a la anatomia genital y variabilidad de las conchillas en estas
poblaciones relativamente aisladas, así como para discutir algunas de las
dificultades que todavia persisten en la sistemática de la família Ampullariidae
en America del Sur (PAIN, 1972; MILWARD DE ANDRADE et alii, 1978). Ental
sentido, algunos autores han optado por la descripción de numerosas
subspecies (BAKER, 1930) o especies (PAIN, 1960), con límites muchas
veces poco precisos. Por su parté, MARTIN (1984) consideró a P. canaliculata
y P. insularum (Orbigny, 1835) como coespecíficas, pero empleando una
nomenclatura trinomial para las correspondientes formas morfológicas o
ecológicas. En este trabajo se discute la conveniencia de considerar a
Pomacea canaliculata como una supraespecie, en el sentido de
GENERMONT & LAMOTTE (1980) y se analiza la validez de P. canaliculata
chaquensis Hylton Scott, 1948, descrita para el norte de la Argentina.
Por otra parte, Ampullaria catamarcensis Sowerby, 1874 es-una especie
poco conocida, cuyo nombre y localidad típica sugieren su procedencia de la
única localidad de América Ilamada Catamarca, en la Argentina. Al final de
este trabajo se discute y aclara su verdadera localidad típica.
MATERIAL Y METODOS
El material se obtuvo durante un viaje por las provincias del centro-oeste de la Argentina,
levado a cabo por el Dr. Carlos B. Villamil y el autor durante enero de 1984. Se recorrieron las
provincias de San Luis, San Juan, La Rioja, Catamarca, Tucumán, Santiago del Estero y Córdoba,
recolectando material hidrobiológico en numerosos ambientes lóticos y lénticos. En casi todas
esas provincias se obtuvieron Ampullariidae.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
Pomacea canaliculata ... 45
En esta oportunidad se estudiaron los lotes provenientes de Catamarca y Tucumán, asi
como ejemplares de diversas procedencias de las colecciones del Laboratorio de Ecologia
Acuática del Departamento de Biologia de la Universidad Nacional del Sur (LEA) y del Museo
Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia” (MACN), para comparaciön
Los ejemplares de Pomacea canaliculata que fueron colectados por nosotros fueron
depositados en el LEA y el MACN, según el siguiente detalle
Material estudiado: ARGENTINA. Provincia de Catamarca: Departamento
Santa Rosa, Dique Sumampa, en los banados de Ovanta, 18 ejemplares LEA y 10 ejemplares
MACN 6443, 11984, N.J. Cazzaniga, C.B. Villamil leg.; Departamento Capital, Rio del Valle Viejo,
próximo a la ciudad de San Fernando del Valle de Catamarca, 19 ejemplares LEA y 10 ejemplares
MACN 27419, 11984, N.J. Cazzaniga, C.B. Villamil leg.; Provincia de Tucumán: Departamento
Chicligasta, Ruta 157 km 1180, al sur de Simoca y entre Atahona y Monteagudo, 20 ejemplares
LEA y 10 ejemplares MACN 27418, |. 1984, N.J. Cazzaniga, C.B. Villamil leg.; Provincia de Buenos
Aires: Partido ae Baicarce, Arroyo Calaveras, próximo a la ciudad de Balcarce, 10 ejemplares
LEA, XI1.1983, N.J. Cazzaniga, R. Delhey leg.; Partido de Guaumini, Laguna Alsina, 214 ejemplares
LEA, X1.1984-1.1985, N.J. Cazzaniga, A. Estebenet, B. Rodríguez leg.; Partido de Patagones, J.
Pradere, de una población experimental en canales de drenaje, 6 ejemplares LEA, X1.1983, N.J.
Cazzaniga leg.
Como otro material de comparación se recurrió al siguiente:
Pomacea canaliculata (Lamarck, 1801). ARGENTINA. Provincia de Salta: Departamento de
Metâán, Rio Juramento, 40 ejemplares MACN 19396, X1.1930, E. Budin leg.; Departamento
Rivadavia, astero a un kilömetro del rio Teuquito, 87 ejemplares MACN 30229, |V.1967, A.
Martinez leg., determinados como Pomacea canaliculata chaquensis Hylton Scott, 1948.
Provincia de Tucumán: Departamento Buruyacú, El Timbo, 100 ejemplares MACN 23046, 1929,
R. Schreiter leg.; Departamento Leales, Estaciön Araoz, 25 ejemplares MACN 18315, Ill. 1929, R.
Schreiter leg.; Departamento Capital, San Miguel de Tucumán, alrededores de la ciudad, 10
ejemplares MACN 10273, X1.1919, R. Schreiter leg.: Provincia de Santiago del Estero: Rio Dulce,
80 ejemplares MACN 8805, 1907, E. de Carles leg.; Provincia de La Rioja; Departamento General
Belgrano, Iliar, 9 ejemplares MACN 18360, 111. 1929, M. Gómez leg.; M.l. Hylton Scott det. BOLIVIA.
Carandayti, 1 ejemplar MACN 14078, VI1.1917, C. Lizer, L. Deletang leg., Los Yacuses, 75
ejemplares MACN 14080. X.1917, Excursiön de C. Lizer leg.; M.l. Hylton Scott det.: Ampullaria
canaliculata chaquensis. BRASIL. N de Mato Grosso, Confluencia rios Muki y Gy-Paraná, 5
ejemplares MACN 2452, 1940, J. Vellard leg., M.l. Hylton Scott det.
Pomacea lineata (Spix ex Wagner, 1827). BRASIL. Rio Amazonas, 3 ejemplares MACN 7742,
s/f, s/col.; Ceará: 1 ejemplar MACN 9812, s/f, D. da Rocha leg.
Pomacea haustrum (Reeve, 1857). BRASIL. Rio Amazonas, 1 -ejemplar MACN 7737, s/t,
comprado a Sowerby & Fulton (London).
Parte del material de Catamarca y Tucumán pudo trasladarse vivo al laboratorio. Las
disecciones se hicieron sobre ejemplares recién muertos, o bien luego de induración en
acetoformol alcohólico. Los dibujos se realizaron bajo cámara clara. Las rádulas se observaron -
con microscopios óptico y electrónico de barrido. Las conchillas se midieron con calibre tipo
Vernier y se pesaron en balanza granataria con precisión 0,019.
RESULTADOS Y COMENTARIOS
Datos: ambientales: laslocalidades dela Província de
Catamarca correspondem a dos zonas bastante diferentes. El Dique
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
46 CAZZANIGA, N. J.
Sumampa está en el extremo sur de las pluviselvas o yungas, mientras queel
Valle de Catamarca corresponde a una de las “cuencas pequenas” de las
sierras peripampásicas (WURSCHMIDT, 1975), bajo condiciones de
semiaridez.
El Dique Sumampa embalsa al Rio de la Vifia y arroyos El Durazno y Los
Pintados; los tres bajan de la Sierra del Totoral. Elambiente revisado es de
aguas quietas, someras, sobre sedimentos finos. Los ejemplares de P.
canaliculata fueron obtenidos en su mayoria sobre Ludwigia sp.
(Onagraceae) y en una pradera de Chara sp. (Characeae). La vegetación
circundante es tipicamente de yungas (CABRERA, 1971). Puede senalarse
que la especie ya era conocida de ambientes acuáticos en zonas de selva
tucumano-oranense (ANCEY, 1897, HYLTON SCOTT, 1957).
El Río del Valle Viejo, en cambio, baja de los faldeos orientales de la Sierra
de Ambato. Su cuenca recibe anualmente unos 400m de precipitaciones y,
eventualmente, las crecientes que activan el río Paclín. Aun siendo el más
importante de la zona, dado el escaso aporte, el aprovechamiento de sus
aguas para riego ha reducido considerablemente su caudal. La vegetación
circundante es ecotonal entre la citada anteriormente y la del Monte, ya que
incluye numerosos ejemplares de Zizyphus mistol Griseb. (‘mistol':)
(Rhamnaceae) y de las Leguminosae Geottroea decorticans (Hook. & Arn.)
(“chafar”) y Prosopis spp. (“algarrobos”).
Este rio alberga poblaciones numerosas de P. canaliculata, pero
ubicadas principalmente en äreas marginales, con escaso movimiento de las
aguas. La mayor parte de los ejemplares obtenidos estaban sobre Eupatorium
sp. (Compositae) y vegetaciön muerta, en una zona de inundaciön. Tambien
aparecen huevos y ejemplares adultos en lugares con más corrientes (por
ejemplo, debajo del puente de ruta 38 km 1321, de entrada a la capital de
Catamarca).
Los ejemplares colectados cerca de Simoca (Tucumán) se hallaban en
charcas que bordean el camino a lo largo de varios kilömetros, sobre
gramíneas sumergidas y ciperáceas bajas. Este tipo de hábitat es muy
adecuado para el desarrolo de poblaciones de P. canaliculata, como se
observa frecuentemente en charcas similares de la Provincia de Buenos
Aires.
El Arroyo Calaveras es uno de los tributarios del río Quequén Grande, y
baja de las sierras de Tandilia. Corre próximo al límite que marca la isopleta de
O para el índice hídrico de Thornthwaite (BURGOS & VIDAL, 1951) entre los
climas húmedos y secos. Los ejemplares de P. canaliculata se obtuvieron allí
en fondos limosos sobre Scirpus californicus (C. Mey) Stend. (Cyperaceae).
La Laguna Alsina pertenece al sistema de Encadenadas del Oeste,
ubicado en la región semiárida bonaerense (GLAVE, 1975). Numerosos
ejemplares de P. canaliculata habitan tanto en la laguna como en charcas a
los lados del camino, especialmente en la zona de la alcantarilla que
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
Pomacea canaliculata ... 47
comunica esta laguna con la de Guamini.
En J. Pradere esta especie habita sobre praderas de Chara contraria A.
Braun ex Kutz (Characeae). Las condiciones ambientales de estos canales
fueron caracterizadas por CAZZANIGA (1981).
Pomacea canaliculata (Lamarck, 1801).
Conchilla: elmaterial estudiado es variable en cuanto atamano,
coloración, grosor y forma. Los 28 ejemplares del Dique Sumampa (figs. 1-4)
son los más homogéneos, de tamafio mayor y de conchilla más delgada (fig.
23). Sus tallas van de 31,5mm a 51,/mm, con una media de 43,4mm. Los
ejemplares mäs tipicos son de color cörneo claro, con bandas de color
castano que en general se transparentan hacia el interior de la abertura. El
material obtenido varia desde conchillas muy delicadas, casi translücidas y
con bandas tenues, gradualmente hasta un ejemplar de color castafio
uniforme, con periostraco más grueso y bandas marrones bien definidas.
Siete ejemplares presentan conchillas más sólidas, en las que las bandas no
son visibles desde el interior. En éstos el intus de la abertura es blanco,
mientras que en las conchillas más débiles carece de color propio (es córneo
brillante), o con diverso grado Ilegan hasta un tinte violäceo. Grosor y color
son independientes del tamafio.
El ápice permanece intacto, aún en los ejemplares en los que el
periostraco está erosionado; al menos ocho ejemplares presentan restos de
una nutrida bioderma algal. La sutura es canaliculada; en algunos ejemplares
se hace más superficial y la espira es más elevada. No se registran espiras
inmersas. Los ejemplares corresponden en su mayoría a la forma mas típica,
descrita y fotografiada por MERMOD (1952), sobre el material de Lamarck.El
ejemplar de la figura 4 responde entodo altipo de la especie, aunque la espira
es algo más elevada.
Los ejemplares de La Rioja (MACN 18360) incluyen algunas conchillas
delgadas, de espira medianamente elevada, que se asemejan a los que
acaban de ser descritos, pero sin llegar a su extrema delgadez. Tienen en
general una abertura más expandida.
Los ejemplares de Tucumán (próximos a Simoca) (30 ejemplares) (figs.
10-13) son más variados en cuanto a tamafios y hay una mayor proporción de
ejemplares pequefos. Las tallas van de 20,6mm a 57,2mm, con una media de
36,6mm. En general se trata de conchillas más gruesas, sobre todo las más
pequefias (fig. 23). El interior de la abertura es blanquecino a blanco en más
de la mitad de los ejemplares, córneo en ocho de ellos (aunque menos
translúcidos que los de Sumampa), y muy pocos tienen una tonalidad
violácea. Este carácter, que fue considerado a veces de valor sistemático, es
evidentemente poco o nada estable en esta especie y en otras.
En el resto de los caracteres los ejemplares tucumanos son similares a
los de las localidades anteriores y a los de la Provincia de Buenos Aires (fig. 9).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
48 CAZZANIGA, N. J.
MD
El ejemplar de la figura 13 es muy semejante a una variedad del Amazonas,
ilustrada por HUPE (1857) y que IHERING (1898) consideró erróneamente
que debia tratarse de Ampullaria gigas Spix in Wagner, 1827.
Algunos de nuestros ejemplares (figs. 10 y 12) son gruesos, muy claros
(de color córneo blanquecino), intus brillante y bandas irregulares,
recordando a los “albinos” que registrö SCHADE (1965) en el Paraguay.
Las conchillas pequefias de este lote son enteramente similares a otros
ejemplares de Tucumán (MACN 23046) y a algunas de Salta (MACN 19396),
así como los de Mato Grosso (MACN 2452). Ellote MACN 18315 (Tucumán)
está formado por ejemplares medianos e grandes, similares a las conchillas
mayores de Simoca. Las poblaciones de la provincia de Tucumán son, pues,
bastante variables, al punto de que el lote MACN 10273, actualmente
identificado como Pomacea canaliculata, lleva una etiqueta holögrafa de A.R..
Carcelles que lo identificaba como Ampullaria cornucopia Reeve, 1857
(especie descrita para Colombia).
Las conchas del Rio del Valle Viejo (figs. 5-8) son de menor tamano y
contienen una mayor proporción de ejemplares deteriorados. Sus tallas van
de 10,6mm a 45,2mm, con una media de 29,5mm. Junto a algunos ejemplares
más o menos típicos se destacan otros con espira elevada (fig. 7).
Estos ejemplares son afines con los lotes MACN 8805 (Santiago del
Estero) y MACN 14078 (Bolivia).
Todas las conchillas estudiadas son umbilicadas, pero en general el
ombligo es más estrecho en el material de la Provincia de Catamarca que en
el de Tucumán. Los ejemplares adultos presentan 5 1/2 a 6 vueltas. La
abertura no muestra diferencias locales generalizables. Es oval piriforme,
poco oblicua; en algunos casos tiende a una forma más elíptica.
Rá du la: a diferencia de la variabilidad externa, los caracteres
endosomáticos observados son uniformes. Las imágenes radulares no
aportan mayor novedad sobre lo conocido, máxime luego del reciente y
prolijo estudio de MORETTO & NAHABEDIAN (1983).
El diente central (fig. 14) tiene una gran -cúspide media, lanceolada y
aguda, y 3 (6 4) dentículos accesorios a ambos lados. En el ejemplar que se
ilustra el denticulo accesorio proximal es lanCeolado, pero no tan agudo como
el principal, el dentículo medio está dividido en dos pequefias cúspides y el
distal es ancho y romo.
El diente lateral es similar al que describen MORETTO & NAHABEDIAN
(1983), pero en nuestro material las cúspides tienen menor desarrollo. En la
figura 15, por la posición en que fue tomada la fotografia, no es posible
observar la cúspide accesoria proximal, pero sí el processo acanalado interno
(fig. 16), que también aparece en ejemplares colectados en Buenos Aires, y
que fue observado en Brasil por LOPES (1956a, 1956b) en Pomacea
canaliculata y Pomacea lineata.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
Pomacea canaliculata .. 49
Los dientes marginales (fig. 17) son enteramente típicos, el proximal más
curvado y con cúspides más agudas que el distal.
Porción terminal del aparato genital: coincide
en general con lo descrito para esta especie por HYLTON SCOTT (1957).
Utero y vagina (fig. 18) no muestran difereneias con lo ilustrado en dicha
monografia, si bien tamano y forma de la glândula albuminipara varian según
el grado de desarrollo sexual.
En el macho, la próstata (figs. 19-22) habia sido descrita someramente,
sin ilustración para ejemplares argentinos (HYLTON SCOTT, 1957), aunque
posiblemente tenga importancia sistemática (PAIN & ARIAS, 1958). Elancho
es uniforme en todo su trayecto. Luego de superar el pliegue paleal parietal,
corre próxima al recto y se acoda bruscamente hacia la izquierda, terminando
en un extremo agudo, que desemboca en la base del pene.
El saco del pene es alargado, algo reniforme, blanquecino en su extremo
(donde se observa el pene enrollado), y en su base presenta una coloración
rosada, que se pierde con la fijación.
La vaina del pene es rêlativamente delgada, pero fuerte, lisa, con surco
penífero estrecho. Puede presentar una ligera curva hacia la derecha o bien
una forma algo sigmoidea (figs. 19-20).
En la cara interna de la vaina generalmente se observan las tres áreas
glandulares habituales en esta especie y formas afines. La más voluminosa es
siempre la que se ubica en la base de la vaina, a la que HYLTON SCOTT
(1957) y MARTIN (1980) denominan “glândula propia de la vaina”. LOPES
(1955, 1956b), en cambio, la Ilama “glándula hipobranquial”, pero ANDREWS
(1965b) afirma que la verdadera glándula hipobranquial no habia sido
observada por autores anteriores y, al describir el aparato copulador de P.
canaliculata, esta autora llama a las formaciones glandulares de la vaina
simplemente “glândulas subepiteliales”, de secreción mucosa (ANDREWS,
1964). Las restantes dos glándulas se ubican en la parte media internay enel
extremo distal de la vaina, respectivamente. La primera de ellas es poco
visible y suele quedar escondida dentro del surco; la apical generalmente está
más desarrolada que ésta.
Sobre este modelo se registraron escasas variaciones, que afectan un
poco a la forma del saco del pene y el ángulo de flexiön de la próstata. En uno
solo de los ejemplares estudiados, ésta presentaba un extremo más
redondeado y su flexión era menos notable, recordando en cierto modo a lo
descrito e ilustrado por LOPES (1955) paraPomacea haustrum (Reeve, 1857)
de Brasil.
DISCUSION
1) 2. proa Ta DM DME, O uni 2200,08 0,0 Aa Ca DOS
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
50 CAZZANIGA, N. J.
Ampullariidae con opérculo córneo son un ejemplo de distribución
AfroBrasilena, y han sido considerados como “snails that have never, in any
region, been able to extend beyond a subtropical climate” (PILSBRY,
191). Sin embargo, la fauna brasílica tiene influencia real hacia el oeste
argentino, en condiciones de semiaridez o francamente áridas. Al respecto,
destacamos el reciente trabajo de MENNI et alii (1984), enel que se registran
cuatro especiaes de peces de abolengo brasílico al oeste de las Sierras
Grandes (Córdoba, Argentina).
La cuestión de la “línea subtropical” en la Argentina, are discutida por
RAPOPORT (1968), continúa recibiendo ajustes.
Salvo los nueve ejemplares de Pomacea canaliculata de La Rioja (MACN
18360), que habian sido estudiados previamente por HYLTON SCOTT (1957),
no habia registros de ampularias en el oeste argentino. Por lo tanto convenia
verificar su procedencia. Nuestro material confirma que dicha especie está
presente en esa región, hasta una cota aproximada de 500m sobre el nivel del
mar.
Las limitantes para la extensión de estos animales no son de índole
meramente climática. CAZZANIGA (1983) sefialó su supervivencia en
canales de drenaje próximos al Río Colorado, en una zona donde el déficit
hídrico anual supera los 300mm (BURGOS & VIDAL, 1951).
Por el contrario, la fisiografia fluvial es un factor importante. Sistemas
hidrográficos sencillos, con ríos aislados de lecho pedregoso, a veces
intermitentes, no favorecen la dispersión de los Ampullariidae. Pomacea
canaliculata habita preferentemente en ambientes lénticos, áreas anegables
y cursos de agua de Ilanura. Es interesante destacar que el limite occidental
de distribución que estamos comentando para esta especie coincide
bastante bien con el límite oriental de los ríos de régimen de deshielo dado
por CEPPI (1937).
Los ejemplares provenientes de fondos blandos y aguas quietas
alcanzan mayores tamanos, con conchillas más delgadas y lisas. En fondos
duros, de arroyos medianamente activos, se obtienen ejemplares menores,
de conchilla más gruesa y frecuentemente deteriorada. Esta observación no
hace más que reiterar los acertados comentarios de ORBIGNY (1839) y otros
autores.
Por su extrema variabilidad, en la medida en que no se toman en cuenta
datos ambientales, las distintas formas coquiliares inducen a errores
sistemáticos (MARTENS, 1857; STROBEL, 1874), y por lo tanto, desde el
punto de vista taxonómico estos organismos presentan infinidad de
problemas. PAIN (1972) y otros autores destacaron el escaso interés de los
coleccionistas por obtener estos gasterópodos de áreas pantanosas, por las
dificultades de recolecciön, fijación y transporte. A veces, ejemplares aislados
de una misma población pueden ser tenidos por especies diferentes, y
muchas de las “especies” descritas sobre materiales fraccionarios, provistos
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
Pomacea canaliculata ... 51
por viajeros y corresponsales, eran en realidad “formas de reacción” o
simples variaciones individuales (HAAS, 1951). El resultado es una historia
nomenclatural compleja y por momentos dificil de seguir, que intentaremos
sintetizar en un trabajo pröximo.
Es notable que Pomacea canaliculata rara vez fue mencionada como
única especie en un área más o menos extensa, sino que habitualmente se
han reconocido en las colecciones varias formas o especies semejantes de
una misma procedencia o de localidades muy próximas. HYLTON SCOTT
(1957) provee una nutrida sinonimia, pero aún persisten algunas
dificultades, ya que ésta no fue aceptada por algunos de los autores que
consideraron posteriormente estas especies, cuyos límites en muchos casos
no son claros.
Los ejemplares estudiados en esta oportunidad aportan algunos datos de
interés, ya que provienen de poblaciones marginales, alejadas de los que
pueden tenerse como centros de dispersión de especies (por ejemplo, el
Amazonas y la cuenca del Plata, donde fueron citadas y descritas muchas de
las formas más afines con P. canaliculata).
Al estudiar las variaciones de las conchillas obtenidas en la región
semiárida occidental argentina, no puede pensarse en poblaciones mixtas de
especies simpátridas u otros mecanismos evolutivos complejos, aunque
algunas morfologias semejen las de “especies” descritas para otras regiones.
Nos encontramos en realidad frente a la plasticidad de una especie muy
rústica, en poblaciones más o menos aisladas desde tiempos relativamente
recientes. Descartamos que haya habido antropocoria dado el elevado
número de localidades (publicadas e inéditas) de esa zona, de las que setiene
ahora material de la especie. La amplitud morfológica de este material
contribuye a verificar la identidad desalgunos materiales asignados a P.
canaliculata por otros autores.
Para intentar definir el área de distribución natural de esta especie, sería
necesario resolver previamente el confuso problema sistemático.
Una primera dificultad fue decidir cual era la localidad original de la
especie. LAMARCK (1801) la senãló para “rivieres de la Guadeloupe”,
sugiriendo un origen antillano. PHILIPPI (1851) asílo cree y, siguiendo a este
autor, IHERING (1898) cita a Ampullaria canaliculata Orbigny, 1835 en el sur
de Brasil, creyéndola tal vez distinta de A. canaliculata Lamarck, 1801. Bajo
este nombre REEVE (1857) ilustró una conchilla procedente de Cachemira
(India) y, al describir a Ampullaria dolioides Reeve, 1857 consignó como
procedencia “Bombay”, aunque en realidad habita en las Guayanas. Alcitar a
A. canaliculata desde Guayanas hasta el Río de la Plata, IHERING (1919)
incluye a 4. dolioides como sinónimo, comentando además que la localidad
dada por LAMARCK (1801) debia de ser errónea. Por su parte, SOWERBY
(1909a) denominada A. dolioides a las formas del Río de la Plata y mantenia
para A. canaliculata la localidad de “Guadeloupe”. Según los trabajos de
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
52 : \ CAZZANIGA, N. J.
MAZE (1883) y POINTER (1974), el ünico Ampullariidae que habita en la isla
de Guadalupe (Antillas Menores) es Pomacea (Effusa) glauca (Linnaeus,
1758). Las especies neotropicales de Ampullaria Lamarck, 1801 han pasado
al género Pomacea Perry, 1810, por las razones expuestas por PAIN (1972) y,
dentro de éste, P. canaliculata queda incluida en el subgénero Pomacea
(Pomacea), ausente de esa isla. ALDERSON (1925) abogó por un origen
austral para P. canaliculata, tal vez de la zona del Plata. Al ocuparse de este
asunto, PAIN (1946) confirmó que en Argentina habitan ejemplares típicos,
pero no-aclara el error original de localización. Fue HYLTON SCOTT (1957)
quien arribó finalmente a una explicación razonable, al considerar que la
localidad original debió ser la Laguna Guadalupe (Provincia de Santa Fe,
Argentina), donde esta especie es muy abundante. El error habria surgido al
interpretar “Guadeloupe” en tarjetas de colección como la isla-que forma
parte de las posesiones francesas en las Antillas.
Con esta aclaración, partimos de la base que Pomacea canaliculata es la
especie argentina sobre la que HYLTON SCOTT (1934) realizó su reconocido
trabajo embriológico y posteriormente (1957) estudió su anatomia,
comparando ejemplares topotípicos con abundante material de Argentina,
Uruguay, Brasil, Paraguay y Bolivia.
QUINTANA (1982) reitera como distribución de P. canaliculata desde
Guayanas hasta la Provincia de Buenos Aires, como lo hacen MARTENS
(1857) y IHERING (1919). Sin embargo, la cita de VERNHOUT (1914) de P.
canaliculata para Surinam fue rectificada por GEIJSKES & PAIN (1957), que
consideran a las formas delnorte de América del Sur como Pomacea
dolioides. En Brasil se citan (entre etras) principalmente dos especies de este
conjunto: P. lineata (Spix ex Wagner 1827) y P. haustrum (Reeve, 1857)
(LOPES, 1955, 1956a; FAUSTO FILHO, 1962; GUIMARAES, 1981a, 1981b).
Pero MILWARD DE ANDRADE et alii (1978) dicen: “Ao que parece, as
espécies brasileiras do gênero Pomacea (ou Ampullaria) ainda são
incompletamente conhecidas, carecendo também de melhores estudos
a validade de diferentes designações, algumas das quais utilizadas para
nomear uma mesma unidade taxonômica”.
MARTENS (1857) incluía en la sinonimia de Ampullaria canaliculata a
casi todas las formas neotropicales afines. A. gigas spix in Wagner, 1827,4A.
haustrum Reeve, 1857,A. insularum Orbigny, 1835 y 4. immersa Reeve, 1857.
Por su parte, ORBIGNY (1839) habia subordinado también a A. lineata Spix ex
Wagner, 1827 y A. figulina Spix in Wagner, 1827, criterio que fue aceptado por
RMETONT SCOM (957), FIGUEIRAS (1964) y CASTEREANOSE
FERNANDEZ (1976). STROBEL (1874), IHERING (1891, 1898, 1919) y otros
agruparon en mayor o menor medida los taxa descritos, e inclusive
SOWERBY (1909b), al final de su catálogo, reconoce a Ampullaria
dorbignyana Philippi, 1851 como la verdadera A. canaliculata Lamarck, 1801
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
Pomacea canaliculata ... 53
y, luego de estudiar el ejemplar típico de ésta, cree que deben subordinársele
varias de las especies que habia considerado como formas independientes
unas páginas antes.
Con este criterio, según el cual P. dolioides también sería una forma deP.
canaliculata, una sola especie de este conjunto de formas afines dentro del
género Pomacea cubriria toda el área subtropical de America del Sur. Se
oponen al mismo BAKER (1913), ALDERSON (1925), GEIJSKES & PAIN
(1957) y PAIN (1960).
Es interesante destacar que IHERING (1891, 1898, 1919) trató
alternativamente los distintos taxa como especies y como formas, a veces sin
poder formalizar sus relaciones.
En el estado actual de conocimientos, Pornacea canaliculata se
distribuye indudablemente desde la cuenca inferior del Amazonas y sur del
Brasil, por Paraguay, Bolivia y Uruguay, penetrando hacia regiones
semiáridas en el oeste argentino y en la Provincia de Buenos Aires. Su real
extensión podria ampliarse bastante hacia el norte, dependiendo de una
mejor definición de sus límites taxonómicos. El límite austral conocido se
ubicaba en Tandil, que es la localidad que da ORBIGNY (1839) para su
Ampullaria australis, hoy reconocida como sinónimo de P. canaliculata
(HYLTON SCOTT, 1957; CASTELLANOS & FERNANDEZ, 1976).
RINGUELET (1962) la menciona “hasta Dolores y Tapalqué,y probablemente
hasta más al sud-oeste, según un lote del Museo de La Plata proveniente de
Laguna de Guamini”. HYLTON SCOTT (1957) por error la menciona sólo
hasta el paralelo 36ºS, pese a haber estudiado material de Tandil y Balcarce.
Nuestro material de Laguna Alsina confirma su presencia en el sistema de
Encadenadas del Oeste y el del Arroyo Calaveras la verifica hasta los 38°S.
2)Problemas de identificación: lasimpreciones
taxonómicas que hemos comentado derivaron en vacilaciones y errores de
identificación. Hasta la década de 1950 las determinaciones de Ampullariidae
neotropicales se realizaron casi exclusivamente sobre conchillas,
recurriendo a lo sumo a la rádula, cuyo valor sistemático fue desestimado por
PAIN (1972). Todavia se conocen pocos datos sobre anatomia interna de la
mayor parte de las especies de Pomacea, entre las cuales P. canaliculata
constituye una excepción. Su anatomia se conoce con mucho detalle a partir
de los trabajos de HYLTON SCOTT (1957) y ANDREWS (1964, 1965a,
1965b), pero se carece de suficiente información comparativa. Para nuestra
determinación nos basamos en parte en la anatomia de la porción distal del
aparato genital, por ser el más definitorio para los autores más recientes
(LOPES, 1955, 1956a; PAIN & ARIAS, 1958).
Al cotejar la anatomia de formas afines se reconoce una gran
homogeneidad estructural. HYLTON SCOTT (1957) no pudo concretar
diferencias anatómicas entre P. canaliculata y P. insularum (Orbigny, 1835),
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
54 CAZZANIGA, N. J.
aunque ambas difieren bastante de P. scalaris (Orbigny, 1835). BACHMANN
(1960) sostiene que las dos primeras se diferencian entre si por la
consistencia del opérculo, por su microdistribuciön y por tener diferente ciclo
de vida. Sin embargo, MARTIN (1984), luego de estudiar su biologia.
reproductiva, las vuelve a considerar coespecíficas.
LOPES (1956b) estudió ejemplares determinados en Londres por el Dr. T.
Pain, en base a conchillas que le fueron remitidas en consulta. Pese a las
diferencias entre los lotes, todas las conchillas fueron identificadas como
Pomacea canaliculata, pero LOPES (1956b) no creia que pudieran
corresponder a la misma especie que, bajo ese nombre, estudió HYLTON
SCOTT (1934) sobre ejemplares de La Plata (Argentina). Creemos que debe
tratarse de la misma especie, y así lo consideró ANDREWS (1964), aunque tal
vez haya diferencias interpoblacionales que podrian merecer atención.
Las conchillas estudiadas por LOPES (1956b) también eran muy
variables, pero incluían algunos ejemplares típicos (cf. la figura 4 del presente
trabajo con la figura 10 del de LOPES). Las mayores diferencias con nuestro
material residen en que los ejemplares de Brasil muestran una sola glândula
de tamano variable en la vaina del pene, poseen un surco penifero mucho más
amplio y el extremo de la vaina es más ancho.
Pomacea canaliculata tiene gran afinidad con Pomacea haustrum, según
describe e ilustra LOPES (1955), con material identificado en Londres por
conchillas. Como diferencias, esta última especie posee el extremo de la
próstata grueso y romo, la vaina del pene muestra una flexión más marcada
(creemos que este carácter no es muy firme) y en el diente lateral de la rádula
no parece tener el proceso acanalado interno.
En P. lineata, LOPES (1956a) describe una vaina del pene similar a la de
nuestra P. canaliculata, aunque con una voluminosa glándula en la cara
externa; no detalla el extremo de la próstata, pero dibuja el proceso acanalado
interno del diente lateral de la rádula.
En todos estos trabajos el autor no intentó una discusión detallada de sus
resultados, sino que se limitó a describir la anatomía interna de especies
identificadas como distintas por un reconocido especialista.
Según GEIJSKES & PAIN (1957), Pomacea dolioides presentaria
diferencias anatömicas con P. lineata, basändose en una disección inédita de
Lopes. Sin embargo, no aclaran cuáles son esas diferencias.
Las especies conquiliológicamente menos afines también lo son desde
el punto de vista anatómico. Ya se mencionó el caso de P. scalaris, al que
podria agregarse el de P. falconensis Pain & Arias, 1958, que posee una
próstata bifurcada en su extremo y una rádula más fuerte.
Con tan pocos datos comparativos muchas identificaciones han sido
tentativas, y aun podría sospecharse una regionalización de nombres
científicos, contraria al criterio de uniformidad y estabilidad taxonómicas.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
Pomacea canaliculata ... 55
Todavia no se han sistematizado parámetros no morfológicos, salvo las
diferencias de hábitat que mencionan BACHMANN (1960) y otros autores
para las dos especies de la Argentina. MARTIN (com. pers.) continúa en el
Museo de La Plata sus trabajos sobre biologia reproductiva, cariologia y otros
que documentarän las relaciones entre las distintas formas del Rio de la Plata.
Las características de las puestas de huevos a veces han sido
consideradas como de valor específico. LOPES (1956b) asegura que
“Ampullaria canaliculata Orbigny, 1846, pelo aspeto da concha e pela côr
dos ovos (“belle teinte rouge vermillon”) corresponde ao que
consideramos Pomacea haustrum (Reeve) [...] A espécie estudada por
[HYLTON] SCOTT (1934) como Ampullaria canaliculata, pela descrição
da postura (“de fuerte color rosado”) não pode ser a mesma que
consideramos como P. canaliculata (Lamarck)”. Sin embargo, al criar sus
ejemplares describe que el color de los huevos es variable según la
procedencia y cambia a lo largo de las generaciones.
La descripción que hace BACHMANN (1960) de la puesta de Ampullaria
canaliculata de Buenos Aires, como de color “rojo vivo, traslúcido”, coincide
con la de ORBIGNY (1839). MARTIN (1984), sobre material de La Plata, indica
que las puestas varían en tamafio y color dentro de la misma población.
MILWARD DE ANDRADE et alli (1978) sefialan un color y variaciones
similares para P. haustrum. En consecuencia, las diferencias en la postura de
huevos de especies tan afines aún no han aportado datos concluyentes, que
puedan ser diagnósticos. Si bien una diferencia de color podria derivar de una
diferencia bioquímica en los pigmentos del albumen, los trabajos sobre esos
pigmentos hasta ahora han sido caracterizaciones primarias (COMFORT,
1947; CHEESMAN, 1958; VILLELA, 1956) y se realizaron sobre especies a
veces mal identificadas.
Concluimos que es poco probable que LOPES (1956b) estuviera en lo
cierto, pero en caso de que las formas de Brasil y del Río de la Plata fueran
diferentes, el nombre de canaliculata deberia corresponder a las formas
argentinas, por las razones expuestas en la primera parte de esta discusión.
Tenemos la certeza de que nuestro material de Catamarca y Tucumán
pertenece a la misma entidad taxonómica estudiada por HYLTON SCOTT
(1957) y ANDREWS (1964), ya que nuestro material contiene conchillas
típicas y su variabilidad coincide con la de Jotes de la colección del MACN
que son incuestionablemente Pomacea canaliculata.
a, Farmas de expresar lavarıabili,da dh Aelas
co nchillas: las variaciones de forma, color y grosor han sido
proliiamente consignadas en la bibliografia, con distinto criterio por los
diversos autores. En muchos casos se ha recurrido para ello a una
nomenclatura trinomial.
Dentro de Pomacea canaliculata, el peso de la conchilla fue utilizado por
HYLTON SCOTT (1948) para establecer la subespecie Pomacea
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
56 CAZZANIGA, N. J.
SE US DD un Lu a
canaliculata chaquensis, una forma de pared muy delgada de color claro, casi
transparente; los restantes caracteres son iguales a los de la forma típica.
Una parte de nuestro material presenta un ecofeno semejante (fig.23),
aunque tal vez no tan extremo como los del material tipo de la subespecie (que
no vimos). Sin embargo, parte del material del MACN que fue determinado por
Hylton Scott como P. c. chaquensis, posee conchillas más gruesas que las
obtenidas por nosotros en Catamarca y Tucumán (una parte depositada en
dicho Museo).
Queremos destacar con esto que en la misma localidad aparecen formas
extremas que podrían considerarse de subespecies diferentes según el.
criterio expresado, y que el área de distribución de la pretendida subespecie
es grande y se superpone ampliamente con la de la forma típica. En efecto,
luego de ser descrita del Chaco Salteão (en la Provincia de Formosa,
Argentina) (HYLTON SCOTT, 1948), fue registrada en Salta y Bolivia.
(HYLTON SCOTT, 1957) y en Paraguay (QUINTANA, 1982), y ahora aparece
en Catamarca y Tucumán, en lotes que muestran una gradaciön de
caracteres. Porlo tanto, P.c. chaquensis no caracteriza una porción exclusiva
del área de distribución de la especie y no constituye un conjunto
genéticamente distinto. En otras palabras, no es una subespecie.
Un caso similar de conchillas frágiles y traslúcidas se da en algunos
ejemplares de Asolene (Pomella) megastoma (Sowerby, 1825), del Rio
Uruguay (HYLTON SCOTT, 1943).
El empleo de trinomios en sistemática de Ampullariidae es habitual, pero
en general representan variaciones del tipo que estamos comentando. En
este caso estarían las nueve variedades de Pomacea glauca (Linnaeus,
1758) descritas por BAKER (1930), que no cubren todas las variaciones
conocidas (ARIAS, 1952), así como las cuatro formas de Pomacea flagellata
(Say, 1827) que rescata PAIN (1964) en su lucido trabajo sobre este complejo
específico de América Central.
La nomenclatura trinomial, y aun la idea de subespecies, han sido muy
discutidas. WILSON & BROWN (1953) presentaron una temprana oposición a
la descripción de subespecies, luego de su sanción por la Comisión
Internacional de Nomenclatura Zoológica. Expresaron que “the pool of
available trivial names, many of which may never prove assignable to
definite species, has been more firmly fixed at discouragingly vast
proportion by this action”. La descripción de tales subespecies (y aun
especies) ha contribuido a la incomprensión del grupo y no es más que una
muestra de que se ha puesto un gran esfuerzo por encasillar, estáticamente,
modelos dinámicos de N plástica de genotipos en ambientes
naturales.diversos.
El mapeo de variaciones etnelas asi como las consideraciones
ambientales y ecológicas, son elementos más útiles que los trinomios.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 80 de maio de 1987
WILSON & BROWN (1953) reclamaban una reconsideración seria de
este problema y eventualmente el abandono del trinomio subespecífico. En
muchos casos esos nombres representan sólo variaciones morfológicas
individuales y podrían reemplazarse con provecho por el uso explícito de una
unidad infrasubespecífica, como las interpreta BALECH (1971), que evitaria
algunas confusiones y reduciria los problemas de prioridad y fijeza de tales
nombres.
CONSIDERACIONES FINALES
El estado actual de la sistemática de los Ampullariidae neotropicales
todavia es deficiente y pueden esperarse cambios drásticos, como el ocurrido
con el “complejo flagellata de América Central, que PAIN (1964) redujo a una
única especie, con cuatro formas, incluyendo 45 nombres en su sinonimia (30
específicos y 15 subespecificos).
El conjunto de especies afines a Pomacea canaliculata consta
básicamente de siete nombres específicos que se repiten en la bibliografia y
que han recibido todas las combinaciones sinonímicas imaginables:
canaliculata, gigas, lineata, australis, insularum, haustrum, dolioides... Otros
nombres ya son aceptados como sinónimos o präcticamente sólo se citan en
forma nominal. El resultado es lo que PAIN (1960) llama “a state of hopeless
confusion”, dentro del cual la delimitación específica deberá hacerse pari
passu y sobre nuevas bases.
Es evidente que las conchillas por sí solas, o incluso con el aporte de
unos pocos caracteres internos, no brindarán una sofuciön satisfactoria al
problema. MARTIN (1984) menciona la posibilidad de tratar a P. canaliculata
como una superespecie, entendiendo que al menos una parte de las
poblaciones de Brasil serian subespecies de esta. Puede sospecharse que en
una extensión tan amplia como es prácticamente toda la Subregión Guayano-
Brasilefia, los Ampullariidae tengan distinto grado de aislamiento, zonas de
contacto e incluso híbridos naturales.
Muchas de las situaciones evolutivamente relevantes han recibido
designaciones propias, según el grado de discontinuidad (genética,
geográfica y/o ecológica) alcanzado, que condiciona la presencia o ausencia
de híbridos. No es conveniente por el momento reunir a estas especies como
“grupo de especies o “complejo de especies”, ya que en la terminologia de
BERNARDI (1980) estas designaciones implican supuestos filogenéticos
diferentes.
La superespecie de MAYR (1942) designa a un conjunto transitorio, que
reúne proespecies de distribuciön parapátrica (con zonas de superposición e
hibridaeiön), que no se mantienen durante períodos geológicos importantes.
Si las especies alcanzan luego simpatria, pueden ser considerados
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
58 CAZZANIGA. N. J.
“complejos” o “grupos” de especies, según que haya desaparecido
totalmente o no la capacidad de hibridación natural (DUBOIS, 1982). Estas
categorias adquieren real valor en grupos taxonömicamente bien conocidos,
que no es por ahora el caso presente.
GENERMONT & LAMOTTE (1980), en cambio, proponen una única
categoria, la supraespecie, que incluye a todas las categorias
supraespecíficas definidas por BERNARDI (1980). Es una entidad
taxonómica desprovista de un significado filogenético preciso y tiene una
finalidad principalmente “práctica”. DUBOIS (1982) no la acepta porque cree
que, al englobar bajo un nombre muchos procesos distintos, la supraespecie
podría significar una traba para los intentos de definir mejor las distintas
circunstancias evolutivas.
Sin embargo, creemos que considerar la supraespecie canaliculata, enel
sentido de GENERMONT & LAMOTTE (1980), será útil en varios sentidos. Al
carecer de supuestos filogenéticos fijos y definidos, sirve para enfatizar la
homogeneidad morfológica y ecológica de poblaciones alopátridas, cuando
se desconoce si son o no interfecundas. Puede interpretarse como un recurso
transitorio hasta que se obtenga verdadera información filogenética y per-
mite incluir informalmente a algunas poblaciones muy variables (morfoló-
gicamente poliespecíficas), o que no sean asignables claramente a,
una u otra especie de este conjunto por sus características intermedias (caso
bastante frecuente en estos gasterópodos). Es una forma de restar rigidez a
una discusión sistemática que en muchos casos resultó estéril. Eltratamiento
ambiguo que daba IHERING (1891) al referirse a algunas entidades como
especies y como formas de Ampullaria canaliculata (que es el nombre válido
más antiguo para una especie de este conjunto); aparentemente
preanunciaba un recurso de este tipo.
Por el momento, la identificaciön conquiliológica suele no ser absoluta.
Ecológicamente las distintas especies son similares o idénticas y desde el
punto de vista filogenetico no podemos adelantar opiniön. La consecuencia
directa de esto no está en la sistemática misma sino en otras áreas, como
destaca BERNARDI (1983), por ejemplo, en zoologia aplicada. Este hecho
resalta en el uso de ampularias para el control biológico de malezas
acuáticas, campo en el que se superponem esfuerzos con poblaciones de
distinto origen. OLIVEIRA e SILVA (1960) utilizó por primera vez un caracol
con ese fin, determinando que Pomacea canaliculata ejerce un control
efectivo de la vegetación sumergida. LEON-DANCEL (1970) menciona al
caracol empleado por OLIVEIRA e SILVA (1960) como Pomacea australis y
FERGUSON (1978) incluye como sinónimo de ésta a Pomacea haustrum.
Este es el nombre que citan casi todos los autores brasilefios (cf. nuestra
revisión: CAZZANIGA & ESTEBENET, ms). Pomacea australis (Orbigny,
1835), como ya se mencionó, es un sinónimo subjetivo menor de Pomacea
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
Pomacea canaliculata ... 59
canaliculata. Cabe perguntarse con cuántas especies se está trabajando en
realidad para intentar el control de malezas acuáticas y qué informaciones
biológicas y ecológicas son extrapolables a otros ensayos similares.
En definitiva, tanto el mantenimiento rígido de muchos de los nombres
establecidos en trabajos de gabinete del siglo pasado, como un
apresuramiento en dar una nomenclatura sólo aparentemente filogenética de
un grupo poco conocido, son actitudes que pueden resultar negativas parael
desarrollo de investigaciones aplicadas y aun para el esclarecimiento
taxonómico de la familia.
ADDENDUM
Comentario sobre Ampullaria catamarcensis Sowerby, 1874.
SOWERBY (1874) describió una conchilla sólida, imperforada, finamente
reticulada, afin a Ampullaria columellaris Gould, 1848 (especie tipo del
subgénero Pomacea (Limnopomus) Dall, 1904). La denominó Ampullaria
catamarcensis, por provenir de “Catamarca, on the Andes of Peru”.
Al revisar la toponimia se comprueba que no hay localidad de ese nombre
en el Perú, abriendo dos posibilidades: podria tratarse de una mala
transcripción de Cajamarca, que derivó un nombre específico poco
adecuado (aunque válido, según el artículo 32 del Código Internacional de
Nomenclatura), o bien de un error de ubicación geográfica de Catamarca,
que implicaria la presencia de una especie del subgénero antes mencionado
en la Argentina, inadvertido hasta el presente. El viaje emprendido por el Dr.
Carlos Villamil y el autor, en enero de 1984, por las provincias del centro-oeste
de la Argentina permitia indagar esta segunda posibilidad.
El nombre de Catamarca se aplicaba originalmente al valle que existe
entre las sierras de Ambato y de Ancasti (Argentina), donde se encuentra la
ciudad de San Fernando del Valle de Catamarca. De alli tomó el nombre la
correspondiente provincia. Como se detalló anteriormente, en dicha provincia
y especificamente en el Valle de Catamarca se encontraron únicamente
ejemplares de Pomacea (pomacea) canaliculata (Lamarck, 1801).
Nos inclinamos a creer que hubo una mala transcripción de la
procedencia del material tipo. Tales errores eran frecuentes en algunas
colecciones del siglo pasado, contändose la monografia de REEVE (1857)
entre los ejemplos más notorios: 48 de las 134 especies ilustradas y/o
descritas como nuevas carecen de todo dato de procedencia y varias otras
tienen errores evidentes (por ejemplo, Ampullaria canaliculata y A. dolioides).
Por otra parte, el subgénero Pomacea (Limnopomus) es frecuente en
Perú, Ecuador, Colombia y Venezuela (DALL, 1904). La especie más afín a P.
(L.) catamarcensis (Sowerby, 1874), por su peculiar ornamentación, es
Pomacea granulosa (Sowerby, 1894) de las Guayanas, según PAIN (1949),
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
60 | CAZZANIGA, N. J.
aunque al describir a esta última SOWERBY, (1894) dice: “the curious
granulation of the surface is such as | have not observed in any other
species of the genus”.
Un origen probable del error de transcripción de Cajamarca puede
inferirse al considerar históricamente su grafia.
Ese nombre deriva de voces nahuatl que incluyen un sonido prepalatal
fricativo sordo (is como el inglés sh enshame). Durante la Conquista (siglo
xv) ese sonido, que actualmente no existe en espanol, estaba representado
por el fonema x, dando la grafia Caxamarca. Progresivamente el sonido de la
x fue pasando hacia velar fricativo sordo (/Xx/, como la actual j espahola), con
lo que Caxamarca adquirió su pronunciación presente. En 1815 la Real
Academia Espanola consumó la modernizaciön de la lengua y fijó el empleo
de x y j (por entonces de uso indistinto), devolviendo a la primera su sonido
latino /Ks/. Oficialmente desde esa fecha pasó a escribirse Cajamarca,
aunque tal vez sólo en Espana o en documentos legales.
Esto no significa un cambio inmediato en todo el orbe-hispano. En
América Latina es frecuente el mantenimiento de arcaísmos, como en los
nombres geográficos México, Oaxaca, Xalapa, cuya x se pronuncia /j/
(LAPESA, 1980). La grafia oficial se refleja en la designación dada por
FISCHER & CROSSE (1890) a su variedad Ampullaria malleata var.
oajacensis (= Pomacea flagellata (Say, 1827), según PAIN, 1964). Pero con
cierto grado de verosimilitud puede decirse que un viajero no espafiol o un
coleccionista criollo, aun en pleno siglo XIX, habrian copiado ese nombre
como Caxamarca y es fácil que sobre una tarjeta manuscrita una X pudiera
leerse como una T.
Aparte de estas digresiones lingüisticas, concluímos que la distribuciön
del subgénero Pomacea (Limnopomus) no alcanza a la Argentina y que la
terra typica de Ampullaria catamarcensis debió ser la célebre ciudad
peruana de Cajamarca, en la que el último Inca, Atahualpa, fue asesinado en
1582
CONCLUSIONES
1) Pomacea canaliculata (Lamarck, 1801) esta presente en zonas
semiáridas del oeste argentino, en las lagunas Encadenadas del Oeste y
hasta el paralelo 38ºS en la Provincia de Buenos Aires. Su extensión al norte
del Amazonas inferior debe confirmarse, tal vez dependiendo de una mejor
definición de los límites taxonómicos con especies afines.
2) Pese a la gran variabilidad de las conchillas, la especie presenta una
uniformidad en la anatomia de la porción terminal del aparato genital y rádula.
Las pocas diferencias que existen entre el material de la Argentina y los
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
ejemplares estudiados en Brasil por LOPES (1956b) sugieren que habria
diferencias interpoblacionales que merecerian atención.
3) P. canaliculata chaquensis Hylton Scott, 1948 debe ser considerada
como una variación individual, de conchilla delgada, de aparición
relativamente frecuente en el norte de la Argentina, Bolivia y Paraguay. La
nomenclatura trinomial empleada para designar entidades subespecificas en
el género Pomacea Perry, 1810 se refiere en general a variaciones de este
tipo, contribuyendo a confundir su estado sistemático. Seria conveniente en
estos casos recurrir a designaciones infrasubespecificas, en el sentido de
BALECH (1971) y/o a consideraciones geográficas y ambientales, que no
afectan la prioridad y estabilidad nomenclatural.
4) Se propone considerar a Pomacea canaliculata como una
supraespecie, categoria parasistemática propuesta por GENERMONT &
LAMOTTE (1980), que no tiene connotaciones filogenéticas estrictas. Esta
puede usarse para destacar la homogeneidad morfológica y ecológica de
poblaciones alopátridas, de las que no se sabe si son interfecundas, y para
ubicar tentativamente a aquellos lotes intermedios entre especies nominales
o no claramente asignables a alguna de ellas. Por lo tanto, laaceptación dela
categoría “supraespecie”' puede aportar claridad al tratamiento de
“especies' muy afines, restando rigidez a designaciones establecidas sobre
material conquiliológico. Es un recurso transitorio hasta que se cuente con
verdadera información filogenética que fundamente el establecimiento de
“grupos” o “complejos” de especies. Tambien redundará en beneficio de la
aplicación de los conocimientos actuales en las aplicaciones prácticas de
estos organismos, por ejemplo, en el control biológico de malezas acuáticas.
5) Ampullaria catamarcensis Sowerby = Pomacea (Limnopomus)
catamarcensis no pertenece a la fauna argentina, como lo sugerían su
nombre y localidad tipo, sino que su procedencia original es Cajamarca
(Perú). El nombre específico deriva, con cierta verosimilitud, de un error de
transcripción de la antigua grafia Caxamarca, vigente hasta el siglo XIX.
AGRADECIMIENTOS
A los doctores Rolf Delhey y Eduardo J. Cáceres por su colaboración en
la lectura de la bibliografia en alemán. Al Dr. Walter Lambrecht, actualmente
en el Max-Planck Institut (Alemania) por el envio de bibliografia. A los colegas
que participaron en tareas de recolección del material: Dr. Carlos B. Villamil,
Dr. Rolf Delhey, Lic. Alejandra L. Estebenet y Srta. Beatriz T. Rodríguez. A la
Srae Maria Luisa Marin por las atenciones recibidas en el Museo Argentino de
Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”. Al Servicio de Microscopia
Electrónica del Centro Regional de Investigaciones Básicas y Aplicadas de
Bahia Blanca (CRIBABB), dependiente del CONICET, por el eficiente y cordial
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto A.-yre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
62 | CAZZANIGA, N. J.
DO OD q AZ IN: dr
procesamiento de las rádulas. El alumno Sergio Correge colaboró en la toma
de las fotografias.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
bh CAZZANIGA NJ
Figs. 1-17: Pomacea canaliculata (Lamarck. 1801): 1-4. conchillas provenientes del Dique
Sumampa (Catamarca): 5-8. conchillas provenientes del Rio del Valle (Catamarca): 9. conchilla
del Arroyo Calaveras (Buenos Aires): 10-13. conchillas provenientes ce Simoca (Tucumán); 14-
17. dientes de la radula: central (14). lateral (15 y 16) y marginales (17). La escala a representa
20mm y corresponde a las figs.1-13: las escalas delas figs.14-17 representanentodos los casos
100um.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
Pomacea canaliculata
Figs. 18-22: Pomacea canaliculata (Lamarck, 1801):18. porción distaldelgenital 9, branquia
y recto; 19. porción distal del genital, branquia y recto; 20. complejo sexual é que muestra mayor
desarrollo de la glândula mediana interna de la vaina del pene; el saco del pene fue abierto yel
pene extendido; 21. complejo sexual é en posición de reposo; 22. detalle del extremo de la
próstata, bolsa del pene y papila anal. ct =ctenidio, g =glândulas subepiteliales mucosas de la
vaina del pene. p= pene, pa = papila anal, pr=próstata, r = recto, rs= receptáculo seminal, s = saco
del pene. u= útero, v = vaina del pene, va = vagina
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
67
68 CAZZANIGA N. J
23
Dique Sumampa, en los
Banados de Ovanta.
Rio del Valle, cerca
de San Fernando del
Valle de Catamarca.
Ruta 157, 20 km al Ss
de Simoca. Charcas a
los lados del camino.
Valores dados por
Hylton Scott (1948)
para P, canaliculata
chaquensis,
Ra!
sl
1 15/313l2]2
I MEIA
Sumampa «28 ej.
Simoca e 27€:
Fig. 23: Relación entre el largo y el peso de la conchilla en ejemplares de Pomacea
canaliculata (Lamarck, 1801) de distintas procedencias y en P. canaliculata chaquensis Hylton
Scott, 1948. En los recusdros A, B y C se da un detalle de las tallas del material estudiado.
procedente del Rio del Valle Viejo (Catamarca), Dique Sumampa (Catamarca) y Simoca
(Tucumán) respectivamente.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):43-68, 30 de maio de 1987
Osteologia y notas miológicas en la Cecilia Neotropical
Chthonerpeton indistinctum (Reinhardt & Lutken, 1861), con
una diagnosis de la família Typhlonectidae (Amphibia,
Gymnophiona).*
M. De Las Mercedes Azpelicueta **
Jorge D. Williams ***
Eduardo Gudynas ****
ABSTRACT
The osteology of Chthonerpeton indistinctum (Reinhardt & Lutken, 1861) is described,
including skull and vertebral morphology, teeth counts and glossal skeleton. Main osteological
differences from other studied Typhlonectidae were the tentacular opening position, that is
entirely in the nasopremaxilla, the tentacular channel that crosses the maxillopalatine, and the
quadrate and the pterygoid completly fused. The glossal skeeleton presented ceratobranchials
well developed, and the 3rd and the 4th expanded and fused. Vertebrate morphology presented
regional variations. Myological notes were presented for some muscles related to jaw closing
mechanisms. Although considered primary aquatic, these caecilians are known also fossorial.
The osteological characters related to fossorial habits are discussed. Phylogenetic relationships
of the Typhlonectidae are briefly discussed and it is suggested that they share a most recent
ancestor with the Caeciliidae. It is also suggested that this ancestor was a viviparous and
unspecialized burrower. A diagnosis of the Typhlonectidae is presented for the first time.
RESUMO
Descreve-se a osteologia de Chthonerpeton indistinctum (Reinhardt & Lutken. 1861).
incluindo a morfologia do crânio e das vértebras. número de dentes e esqueleto hiolaringeo. As
principais diferenças osteológicas com outros Typhlonectidae estudados foram a posição da
fossa tentacular inteiramente na nasopremaxila. o canal tentacular que atravessa o maxilopalati-
no e o quadrado e pterigóide completamente unidos. O esqueleto hiolaringeo apresenta
* Aceito para publicação em 16. |V. 1986
» Carrera del Investigador del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) División Zoologia
Vertebrados. Facultad de Ciencias Naturales y Museo. Paseo del Bosque s/n. 1900 La Plata. Argentina
* Técnico del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET). División Zoologia Vertebrados
Facultad de Ciencias Naturales Y Museo. Paseo Gel Bosque s/n. 1900 La Plata. Argentina
-" Colaborauor Honorario. División Zoologia Experimental. Instituto de Investigaciones Biológicas Clemente Estable. Av. Italia
3318. Montevideo, Uruguay
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
70 AZPELICUETA. M. de Las M. et alii
ceratobranquiais bem desenvolvidos com os arcos 3 e 4 unidos e estendidos. A forma das
vértebras apresentou variações regionais. Apresentam-se dados miológicos com relação ao
mecanismo do movimento da mandíbula. Embora se tem considerado os Typhlonectidae como
aquáticos. sabe-se também que C. indistinctum tem hábitos fossoriais. Os caracteres osteológi-
cos que têm relação com esses hábitos são questionados. As relações filogenéticas dos
Typhlonectidae são discutidas brevemente e sugere-se qu&eles compartilhem um ancestral
comum mais recente com os Caecilidae. Sugere-se que esse ancestral teria sido um escavador
não especializado viviparo. Pela primeira vez apresenta-se uma diagnose da familia Typhlonecti-
dae.
INTRODUCCION
Las cecilias de la familia Typhlonectidae Taylor, 1968, son Anfibios
apodos de América del Sur, distribuyéndose disyuntamente por un ladoen las
tierras bajas del Caribe y la cuenca Amazönica, y por el otro, en lacuencadel
Rio de la Plata. En la primera regiön se encuentran los generos Typhlonectes
Peters, 1879, Potomotyphlus Taylor, 1968 y Nectocaecilia Taylor, 1968
(excepto N. fasciata Taylor, 1968), mientras que en la segunda region se
encuentra el género Chthonerpeton Peters, 1879(ylaenigmätica N. fasciata).
Esta situación determina la creciente importancia del estudio de C.
indistinctum (Reinhardt & Lutken, 1861), la que está presente en la cuenca del
Rio de la Plata, en las regiones subtropicales a templadas de Argentina,
Uruguai y Sur de Brasil, constituyéndose en el Typhlonectidae de distribución
más austral en el Neotropico. Recientemente se han estudiado diversos
aspectos morfológicos y anatómicos en esta especie: BARRIO (1969)
describe su reproducción y aparato genital; BARRIO et alii (1971) describen
el complemento cromósomico; DE CARLO (1980) y DE CARLO &
PELLERANO (1984) describen la anatomia microscópica del aparato
respiratorio y del esöfago y estômago respectivamente.
Sin embargo la osteologia de esta especie, así como la de otros
representantes del género, permanecian muy poco conocidas. Unicamente
se habia ilustrado someramente material craneal y vértebras de esta especie
por Peters (1879) y Wiedersheim (1879) citados por TAYLOR (1968). Por otro
lado, para la familia Typhlonectidae sólo se conocian descripciones
osteológicas para los géneros Typhlonectes y Potomotyphlus.
En este trabajo se describe y discute la osteologia craneana, dientes,
aparato hiolaringeo y vértebras de C. indistinctum, asi como breves
comentarios sobre caracteres relevantes de su miologia. Consecuentemente,
con la discusión de estas descripciones, y al ser esta especie el tipo de
género, se la compara con las de otros géneros de la familia, y se procede a
diagnosticar formalmente la familia Typhlonectidae. Este trabajo es parte de
un estudio sobre la morfologia y biologia de C. indistinctum (por resultados
preliminares vease GUDY NAS et alii, 1984, 1985).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
Osteologia y notas miológicas ... 74
MATERIAL Y METODOS
Para la descripción osteológica se estudiaron 15 ejemplares de C. indistinctum procedentes
de Pajas Blancas. Dpto. Montevideo, Uruguay, y de las costas del Dpto. Montevideo, Uruguay y
Punta Lara. Provincia de Buenos Aires, Argentina; estos últimos arribados transportados por
camalotes (Eichhornia azurea (Swartz. 1788) y E. crassipes (Mart. 1824): Farinosae: Pontederia-
ceae). Los ejemplares estudiados tenian longitudes totales de 120 a 387mm (X = 273.46mm),
siendo tanto adultos como juveniles. Estos fueron tehidos con azul alcián y alizarina, según la
técnica de HOLLISTER (1934). con modificaciones. y DINGERKUS & UHLER (1977). Los dibujos
se realizaron sobre un ejemplar de 300mm de longitud total (CHMLPA 620). La nomenclatura
osteológica sigue a NUSSBAUM (1977). En los conteos de diehtes y en las disecciones
miológicas también se examinaron ejemplares de varias localidades del Estado de Rio Grande do
Sul. RS, Brasil. La nomenclatura miológica sigue a NUSSBAUM (1983). Los ejemplares
estudiados se encuentran depositados en las colecciones del Museo de Ciencias Naturales de
La Plata (CHMLPA). La Plata. Argentina, Centro Educativo Don Orione. Montevideo, Uruguay. y
Museu de Ciências Naturais. Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN), Porto Alegre.
RS. Brasil.
RESULTADOS
Osteologia: enC.indistinctumlaboca es infera, elamplio hocico
está formado por la fusion de nasal y premaxilar; en la nasopremaxila se abren
el orifício tentacular y la narina. El canal tentacular está ubicado en el
maxilopalatino, el cual constituye la pared anterior y parte del techo de la
cavidad donde se aloja el ojo (figs. 1, 3). La septomaxila está ausente.
Escamoso y frontal retienen la articulación fronto-escamosa y están
separados por una angosta diastema caudalmente. Parietal, frontal y esca-
moso bordean la fosa temporal. Frontales derecho e izquierdo se encuentran
en la línea media unidos; también están suturados entre sí los parietales, los
cuales se unen al hueso basal en la faz dorsal del cráneo. Una aguzada
proyección anterior de la zona paraesfenoidea del hueso basal separa los
prevömeres en sus dos tercios posteriores (n= 7) o sóloen elúltimotercio (n=
6), y en dos ejemplares en toda la extensión del hueso. Ambos prevómeres se
extienden por delante de las coanas. El número de dientes es variable: para la
hilera externa (nasopremaxilares y maxilopalatinos — porción maxilar —) los
extremos resultaron 28 y 44, moda = 37, X = 33,9; y para la hilera interna
(prevomerinos y maxilopalatinos — porción palatina —) los extremos fueron
22 y 35, moda = 24, x=27/1 (n= 40). Datos más detallados sobre dentición se
presentaran en otro trabajo.
Pterigoides y cuadrado están totalmente fusionados. Un proceso pteri-
goideo articula sindesmódicamente con el proceso basipterigoideo del hueso
basal; desde esta articulación hacia adelante, los märgenes del hueso basal
son paralelos (fig. 2) o convergen levemente hacia eleje medio, descubriendo
parcialmente el esfenetmoides. El stapes no es perforado y está ligado al
proceso columelar del cuadrado.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
72 AZPELICUETA.M. de Las M. et alii
La mandíbula (figs. 4, 5), formada por pseudodentario y pseudoangular,
posee un proceso retroarticular curvado hacia eldorso en elque se insertan
músculos que intervienen en la apertura y cierre de la misma. Los dientes,
dispuestos en dos hileras en el pseudodentario son unicuspidados, curvados
hacia adentro y con alturas apenas variable, siendo más pequenos los que se
encuentran próximos al pseudoangular, de menor tamano son los dientes
espleniales. El número de dientes varió entre 24 y 36 para la hilera externa
(dentarios), moda = 26, x = 28,3, y entre 3 y 9 para la hilera interna
(espleniales), moda = 6, X = 6,4.
El esqueleto glosofaringeo (fig. 6) está compuesto por un basibranquial
unido a los ceratohiales y cuatro ceratobranquiales bien desarrolados,
fusionados el tercero y el cuarto en una lâmina ancha que rodea a los
cartilagos aritenoides.
El número de vertebras, en 14 ejemplares examinados, variö entre 82 y 86
(moda = 86; x = 84,5; desviación tipica = 1,4; coeficiente de variacion= 1,7). EI
número de vértebras no se correlacionó significativamente con la longitud
total de los ejemplares (coeficiente de correlación producto-momento r = -
0,193). Todas las vértebras poseen costillas, excepto el atlas y las tres o
cuatro últimas vértebras; las cinco o seis anteriores a éstas tienen rudimentos
de costillas. En el atlas (fig. 7) no hay quilla ventral ni dorsal; lo longitud del
centro vertebral y del arco neural es menor que aquella observada en las
restantes vértebras. En la segunda vértebra (fig. 8) están presentes procesos
transversos y postzigapöfisis; las parapófisis y diapófisis son pequenas; quilla
nucal bien desarrollada y ventral reducida. En la tercera vértebra (fig. 9) las
quillas son más largas y profundas; crecen en longitud tanto el centro como el
arco y los procesos acompanantes tienen mayor tamano.
La cresta nucal gradualmente pierde altura desde la vértebra 20 hacia
atrás; desaparece en las últimas diez vértebras en ejemplares juveniles y sólo
en la quinta o sexta antes de finalizar el cuerpo en adultos.
Las diapófisis están muy desarrolladas hasta la vigésima vértebra (fig.
11), se mantienen más o menos constantes hasta la quincuagésima (fig. 12)y
progresivamente disminuyen de tamafio hacia atrás. La altura de las
vértebras decrece paulatinamente a partir de la octava a la décima vértebra
(figs. 7-10). Aproximadamente, entre la vértebra cuarenta y cinco y la número
cincuenta, la longitud del centro vertebral es menor y desde allíhacia atrás se
reduce; las siete u ocho vértebras terminales son cilíndricas. -
Notas miológicas: se estudióla región mandibular y los
músculos que participan en el cierre y apertura de la mandíbula. El músculo
interhioideo posterior se inserta, por un lado, en el tejido conectivo sobre los
músculos deltronco, y lateralmente se dirige hacia adelante a insertarse en el
proceso retroarticular ascendente de la mandíbula; el músculo es voluminoso
y se distinguen dos fascículos principales, y en tercero, muy pequeno, que se
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
Osteologia y notas miológicas 73
dirige hacia adelante (fig. 13). El músculo depresor de la mandíbul” se inserta
en el parietal y escamoso, cubriendo el orifício superior de la fosa temporal,
insertandose por el otro extremo enel proceso retroarticular ascendente de la
mandíbula; es un músculo de amplia inserción parietal y mucho más reducida
sobre el extremo mandibular (fig. 13). El músculo aductor de la mandíbula se
inserta en la fosa temporal, en el parietal y en la región esfenoidea del hueso
basal, y de allí se inserta en la mandíbula inferior, por delante de los otros dos
músculos y en la cara interna de la mandíbula, desde el extremo del
pseudodentario en su sutura con el pseudoangular (fig. 13).
DISCUSION
TAYLOR (1968) definió osteologicamente a la familia Typhlonectidae
basándose en cráneos de Typhlonectes compressicauda (Duméril & Bibron,
1841), T. natans (Fischer, 1879) y Potomotyphlus kauppi (Berthold, 1859). Las
caracteristicas de C. indistinctum coinciden en sumayoría con les caracteres
dados en la definisión de TAYLOR (1968), aunque deben destacarse las
diferencias en la posiciön de la abertura para el tentáculo que está ubicada en
la nasopremaxila, el canal tentacular que atraviesa el maxilopalatino y no está
totalmente cubierto por hueso, y la fusión total de cuadrado y pterigoides.
La articulación fronto-escamosa está desplazada a la región anterior de
ambos huesos, los que están separados caudalmente por un diastema
angosta. La separación que mantienen los prevomeres varía en los distintos
ejemplares, aunque esta es constante en la zona posterior. Una condición
similar reportó TAYLOR (1968) para Typhlonectes. El maxilopalatino está
separado posteriormente por una diastema angosta del hueso basal, que
TAYLOR (1968) senala que puede presentar cartilago o estar ausente en
Potomotyphlus. NUSSBAUM (1977) sefiala la fusión del pterigoides al
cuadrado o maxilopalatino para los typhlonectidos, lo que concuerda con las
presentes observaciones. En C. indistinctum el stapes está unido al proceso
columelar del cuadrado, y por este con el escamoso, permitiendo la
participación de estos en la recepción de vibraciones. WEVER (1975) en su
análisis de audición para dos Caeciliidae .senala que la piel de la región
posterolateral de la cabeza recibe vibraciones y las transmite, siendo un
sistema muy efectivo para los tonos bajos, aunque decrece la efectividad para
los más altos. WEVER (1975) indica que la unión del stapes con el cuadrado
puede servir para proteger el mecanismo osicular y el oído interno de
desplazamientos mecánicos.
Los dientes son cónicos, curvados hacia adentro y unicuspidados al
estereomicroscopio. Los recuentos realizados por GAGGERO (1934) y
TAYLOR (1968) coinciden con las observaciones de este trabajo.
La disposición de los elementos del esqueleto hioláringeo cartilaginoso
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
74 AZPELICUETA. M. de Las M. et alii
es similar al de otros typhlonectidos y cecilidos ilustrados por NUSSBAUM
(1977),.y distinto de los Rhinatrematidae, Ichthyophiidae y Scolecomorphidae.
El número de vértebras coincide con los extremos de TAYLOR (1968). Se
observaron variaciones en el ancho, alto y longitud según las diferentes
regiones del cuerpo, las que se producen gradualmente desde la cabeza
hacia el extremo posterior, variando también los procesos correspondientes.
Diferencias regionales en la morfologia de las vértebras fueron encontradas
por WAKE (1980) en Dermophis mexicanus (Duméril & Bibron, 1841)
(Caeciliidae), quien las compara con un Typhlonectido (T. compressicauda).
En C. indistinctum se destacan las variaciones en la cresta nucal, las que
tienen su altura máxima en las primeras 20 vértebras. Sólo las últimas 5-8
vértebras no tienen cresta nucal y son cilíndricas, sugiriendo que aún las
vértebras que las anteceden participan en las funciones locomotoras, lo que
coincide con los movimientos ondulatorios que reaiiza en sus desplazamien-
tos acuáticos (GUDYNAS & WILLIAMS, 1986). La morfologia vertebral de C.
indistinctum parece ser muy similar a la de T. compressicauda, comparândo-
las con las ilustraciones de WAKE (1980). i
Los elementos musculares estudiados, que participan en el cierre y la
apertura de la quijada inferior, son similares a aquellos referidos por
NUSSBAUM (1983) para los typhlonectidos, aunque este autor no ilustra esta
condición ni senala el material estudiado. En C. indistinctum el volume del
músculo interhioideo posterior es mayor que el del aductor mandibular. Las
fibras del primero se insertan en el proceso retroarticular y se extienden hacia
atrás. Esta condición de la cinesis es evolutivamente mas reciente, según
NUSSBAUM (1983), a aquella en que el músculo aductor de la mandíbula es
mayor o igual al músculo interhioideo posterior.
DISCUSION Y DIAGNOSIS DE LA FAMILIA TYPLHONECTIDAE
Di sie uns io 03 TAYXEORIOsS) al deliminda familiginbeva
Typhlonectidae, indica como primer punto el hecho de ser especies acuáti-
cas. C. indistinctum plantea un problema al respecto, ya que existe clara evi-
dencia de hábitos no sólo acuáticos sino también excavadores o fosoriales
(GLIESCH, 1928, GAGGERO, 1934; LIEBERMANN, 1939), y en la naturaleza
se observaron individuos pasando del componente fosorial del ambiente al
componente acuático (GUDYNAS & WILLIAMS, 1986).
Diversos caracteres morfológicos han sido considerados como adapta-
ciones a los hábitos acuáticos, incluyendo entre otros, aberturas nasales
grandes, narinas con válvulas musculares, lengua con obturadores para las
narinas, área cloacal del macho adaptada a asistir la copulación, y un símil de
aleta (TAYLOR, 1968; WAKE, 1978). Sin embargo, algunos de los caracteres
osteológicos descritos en este estudio también pueden relacionarse con
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
Osteologia y notas miológicas zB
hábitos fosoriales. Es posible actualmente realizar comparaciones ventajosas
con otros grupos de vertebrados excavadores, sin miembros. y en especial
contra los Reptiles Amphisbaenidae estudiados por GANS (1973, 1974), tal
como sefialan BEMIS et alii (1983). GANS (1974) destaca las siguientes
especializaciones para los hábitos fosoriales: una unidad excavadora forma-
da por la porción facial del craneo anterior a la cápsula nasal, reduciendo la
deformidad de las zonas sensoras; el encéfalo se encuentra entre la zona
excavadora y el extremo posterior del occipital, encapsulado en una caja
fuerte, aunque estrecha; los detectores de vibraciones se han desplazado
hacia la cara; mientras que la recepción de las vibraciones para la detección
lejana plantea compromisos en la reducción o en la deformación del cráneo
frente a la optimización sensorial.
Una situación similar se observa en C. indistinctum. Los huesos
anteriores del rostro se han fusionado en una nasopremaxila, y otros se han
perdido; el encéfalo se encuentra en una caja ósea fuerte y estrecha. El
sensor de vibraciones se ha mantenido en una posición más o menos
constante (por ejemplo, al compararlo con los primitivos Rhinatrematidae;
NUSSBAUM, 1977). Aparentemente en la percepción vibratoria participa la
piel de la región posterolateral de la cabeza. Los gymnofiones también poseen
un receptor característico, el tentáculo, de funciones aún no conocidas con
precisión. NUSSBAUM «(1977) discute sus diferentes posiciones, indicando
para los estados más avanzados un desplazamiento anterior hasta las
adyacencias de la narina. La posición del tentáculo en referencia al orifício
nasal es variable en C. indistinctum, y aunque los estados reconocidos por
NUSSBAUM (1977) son discutibles, coincidimos con su razonamiento. C.
indistinctum presenta entonces, ese caracter avanzado.
Es así que C. indistinctum presenta caracteres que pueden considerarse
tanto adaptaciones a la vida acuática como fosorial. NUSSBAUM (1977) ensu
filogenia deriva a los Typhlonectidae de un grupo excavador especializado
(senalando entre otros caracteres, las quijadas reducidas, musculatura
mandibular, número reducido de huesos del cráneo, tentáculo anterior, y
escamas vestigiales), con un ancestro común compartido con los Caeciliidae.
Los Typhlonectidae poseen un craneo con la fosa temporal abierta, que
aunque es un caracter avanzado, es plesiomórfico con respecto a la
stegokrotaficia de otros grupos (NUSSBAUM, 1983; WAKE & HANKEN, 1982),
mientras que son zygokrotaficos algunos Ichthyophiidae, Rhinatrematidae, y
los géneros Geotrypetes Peters, 1880 (Caeciliidae) y Scolecomorphus
Boulenger, 1883 (Scolecomorphidae) (DE VILLIERS, 1938; NUSSBAUM,
1983). NUSSBAUM (1977) para sostener la relación más cercana a los
Caeciliidae, que son casi todos stegokrotaficos, supone que la zygokrotaficia
de los Typhlonectidae es una derivación secundaria, posiblemente debido a
paedomorfosis. Sin embargo, creemos más correcto y parsimonioso que este
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
76 AZPELICUETA. M. de Las M. et alii
caracter en los typhlonectidos sólo indica un estado plesiomórfico, y no es
necesario recurrir a otros mecanismos para su justificación. Los Typhlonecti-
dae y Caecilidae comparten varios caracteres apomorficos como para
permitir sustentar un antepasado común (por ejemplo, nasopremaxilas
fusionadas, septomaxilas ausentes, postfrontales ausentes, escamosal y
frontal en contacto, etc.; vease NUSSBAUM, 1979). Estos datos sí sugieren un
ancestro comun fosorial, pero más probablemente, no especializado, y
seguramente viviparo.
Desde el punto de vista de la biologia de C. indistinctum debe
jerarquizarse la información que se está acumulando sobre sus hábitos
fosoriales, para revalorar las adaptaciones osteológicas que hemos descrito.
Estas adaptaciones no son unicamente, o necesariamente, evidencia de una
relación ancestral, sino que también son parte de la biologia actual de la
especie.
Al describir la fâmilia Typhlonectidae como nueva, TAYLOR (1968) no
realizó una diagnosis, ni tampoco más tarde (TAYLOR, 1969)..Al presentar la
osteologia de una nueva especie, tipo de un género hasta ahora no estudiado
en este aspecto, y considerando los datos de la revisión morfológica (algunos
resultados preliminares fueron adelantados por GUDYNAS et alii, 1984,
1985), y la información disponible para otros géneros en la bibliografia, se
procede a presentar una diagnosis. Aún resta por conocer la osteologia de
varias especies y de un género, por lo que esta diagnosis es preliminar y
exigirá de nuevos estudios. Por motivos de orden y para facilitar comparacio-
nes seguimos en líneas generales los caracteres de NUSSBAUM (1979).
Diagnosis: los Typhlonectidae con gymnofiones fosoriales a
acuáticos, caracterizados por la ausencia de anillos secundarios y cola; boca
subterminal; nasepremaxilas fusionadas; septomaxila ausente; prefrontales y
postfrontales ausentes; frontales apenas separados por un proceso anterior
del parietal; escamosal y frontal en contacto; prevomeres siempre separados
en su tercio posterior; el proceso paraesfenoidal del hueso basal converge
anteriormente; fosa temporal presente; pterigoides parcialmente a totalmente
fusionado al cuadrado; proceso basipterygoideo del hueso basal grande y
sobresaliente; stapes presente e imperforado; cuadrado y maxilopalatino no
en contacto: aberturas de las coanas grandes; dientes prevomerianos
palatinos sin diastema; proceso retroarticular de la mandíbula inferior largo y
curvado dorsalmente; dientes espleniales presentes; esqueleto hiolaríngeo,
con ceratobranquiales 3 y 4 fusionados y expandidos; músculo interhioideo
posterior en dos grandes fascículos principales orientados longitudinalmente;
músculo elevador de la mandíbula pequeho y no contacta con elcontralateral:
músculo depresor de la mandíbula con orientación oblicua a longitudinal; ojos
desarrollados y en una cavidad orbitaria; phalodeum sin espinas; forma de la
cloaca longitudinal a circular; símil de “abrazadera” cloacal en el macho;
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
Osteologia y notas miolögicas .. 77
lengua con obturadores para las coanas; ambos pulmones desarrollados;
viviparos y con desarrollo directo.
N oft as Belitomwgeneticas: lasdos especiesihasta ahora
estudiadas citogeneticamente presentan reducciön del número de
cromossomas y ausencia de microcromossomas en comparación a los
demás gymnofiones (BARRIO et alii, 1971; WAKE et alii, 1980).
AGRADECIMIENTOS
Al Prof. Pedro C. Braun (Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande
do Sul) por el préstamo de los ejemplares bajo su cuidado, y al Prof. R.M. Capocasale (Instituto de
Investigaciones Biológicas C. Estable) por la revisión del manuscrito.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
Osteologia.y notas miológicas 79
Figs. 1-2. Cráneo de Chthonerpeton indistinctum: 1. vista dorsal; 2. vista ventral. Las
abreviaturas son: NPM, nasopremaxila; MP, maxilopalatino; F, frontal; ES, escamoso; P, parietal; C,
cuadrado; ST, stapes; HB, hueso basal; PV, prevomer. La escala representa Imm.
IHERINGIA. Ser. Zool., Portc 'egre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
80 AZPELICUETA, M. de Las M. et alii
Figs. 3-5. Craneo de C. indistinctum: 3. vista lateral; 4. vista lateral de la mandíbula; 5. vista
dorsal de la mandíbula. PA, pseudoangular; PD, pseudodentario; otras abreviaciones como en las
Figs. 1-2. La escala representa Imm.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
Osteologia y notas miológicas 81
a
CB3 +CB4
MAM MIP
Figs. 6-13. 6. Aparato |hiolaringeo; abreviaturas: BB1, basibranquial 1; CH, ceratohial; CB
(1,2,3 y 4), ceratobranquial; CA, cartilago aritenoides. 7-12. vistas laterales izquierdas de las
siguientes vértebras: 7, atlas; 8, segunda vértebra; 9, tercera vértebra; 10, décima vértebra; 11,
vigésima vértebra; 12, quincuagésima vértebra. 13. representación esquemática de los músculos
que participan en la apertura y cierre de la mandíbula, en vista lateral. Abreviaciones: MDM,
músculo depresor de la mandíbula; MIP, músculo interhioideo posterior (fascículos principales)
MAM, músculo aductor de la mandíbula. Se representa la disposición y áreas de inserción del
MAM, no visibles, en punteado. Para todas las figuras las escalas representan Imm.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):69-81, 30 de maio de 1987
a
E
AG o
Ocorrência e distribuição de algumas espécies de moluscos
marinhos da Ilha de Santa Catarina, SC, Brasil (Gastropoda,
Bivalvia)*.
Joris Ruhland**
Kay Saalfeld***
RESUMO
O trabalho tenta fechar uma lacuna no conhecimento da malacofauna marinha da costa
sulbrasileira. Foram visitados 43 locais na Ilha de Santa Catarina (SC, Brasil), sendo coletadas 81
espécies de bivalves e 58 de gastrópodes, perfazendo 1675 lotes. Destas espécies, 22 não eram
registradas para o Estado de Santa Catarina. Analisa-se a distribuição dos moluscos e
comentam-se alguns fatores abióticos relacionados. O quociente de stmilaridade de Sgrensen foi
utilizado para avaliar a relação entre as faunas locais.
ABSTRACT
In this study we try to filla gap in the knowledge of the South-Brazilian Coastal Malacofauna.
We visited 43 localities in the Ilha de Santa Catarina (SC, Brasil), and obtained a total of 81 bivalves
and 58 gastropods species, in 1675 collection lots. Of these species, 22 had not previously been
recorded for the State of Santa Catarina. The distribution of the mollusks-is analized, and
comments are made on some related abiotic factors. Sßrensen's similarity quotients were
calculated and utilized in the comparison of localities faunas.
INTRODUÇÃO
Poucos estudos registram a malacofauna marinha do Estado de Santa
Catarina e é escasso o material colecionado. A única coleção apreciável
existente no Estado, antes do presente trabalho, pertence ao Dr. C.N. Gofferjé
(Blumenau). A malacofauna marinha dos estados próximos já foi descrita,
devendo-se citar GOFFERJÉ (1950), para o Paraná, e RIOS (1966, 1975), para
* Aceito para publicação em 19.V.1986.
** Bacharel em Ciências Biológicas, trabalho de conclusão do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de
Santa Catarina — UFSC.
*** Prof. do Depto. de Biologia da Universidade Federal de Santa Catarina — UFSC. Caixa Postal 5106, Ag. Cidade
Universitária, 88041, Florianópolis-SC, Brasil.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):83-94, 30 de maio de 1987
84 RUHLAND. J. & Kay Saalfeld
[IE ENDE In EEE ENTE sen a DE DIEESE SE SER NER Le ee te s
o Rio Grande do Sul. REICHHOLF & REICHHOLF-RIEHM (1975) consideram
que a malacofauna do Estado é pobre em quantidade de indivíduos, se
comparada com a das regiões tropicais, tendo porém uma boa quantidade de
espécies.
Ao analisar a malacofauna marinha de Santa Catarina deve-se levar em
conta a localização do Estado. WOODWARD (1856) apud DANCE (1974) o
inclui na Província zoogeográfica marinha Patagônica, caracterizada por
muitas espécies adaptadas a ambientes de baixas temperaturas. No entanto,
estando a Ilha a cerca de 27ºS, a malacofauna marinha de Santa Catarina
deve sofrer influência também da Região Tropical, tornando este Estado
particularmente interessante quanto a sua composição faunística. RIOS
(1975) inclui-o na distribuição geográfica de 386 espécies de moluscos
marinhos, destas, porém, 110 espécies ainda não confirmadas. Em coletas
preliminares, feitas desde 1980, foram encontradas 19 espécies não registra-
das para o Estado, sendo 16 destas encontradas anteriormente apenas ao
norte, uma encontrada anteriormente somente ao sul, e as. restantes, duas
são das 110 citadas acima.
Procurando minorar o desconhecimento da malacofauna marinha em
Santa Catarina, abrindo campo para estudos ecológicos e evolutivos, o
presente trabalho tem como objetivo verificar sua distribuição ao longo da
costa da Ilha de Santa Catarina, observando diferenças de habitats e
possíveis associações. Faunas dos diversos locais de amostragem são
comparadas, estabelecendo-se o grau de similaridade entre elas. Espécies
policrômicas receberão especial atenção em estudos posteriores.
MATERIAL E MÉTODOS
Os levantamentos foram realizados durante o período de abril de 1982 a novembro de 1983
e constaram de coletas manuais ao longo das diversas praias e costões rochosos da Ilha de
Santa Catarina, em períodos de maré baixa, totalizando 43 locais de coleta. Devido a mistura de
amostras as praias de Canasvieiras e Jurerê foram consideradas como sendo um só local de
coleta (fig. 1).
Foram coletados principalmente espécimes mortos (uns poucos vivos), de modo que os
dados obtidos têm apenas valor relativo.
O material coletadó foi determinado por caracteres morfológicos da concha segundo
ABBOTT (1974) e RIOS (1975), sendo incluído posteriormente na coleção malacológica do
Departamento de Biologia da Universidade Federal de Santa Catarina — UFSC.
A distribuição de cada espécie foi estabelecida pela ocorrência nos locais de coleta. As
faunas dos diversos locais de amostragem foram comparadas, estabelecendo-se o quociente de
similaridade de Sgrensen (SOUTHWOOD, 1966).
Consideram-se faunas similares a partir de QS 2 50.
O lado leste da ilha, da Ponta do Rapa até Naufragados, caracteriza-se por praias de mar
aberto: forte impacto de ondas, acentuada inclinação mar adentro e areia fina. Ao contrário, o lado
oeste, caracteriza-se por mar relativamente calmo e de pouca profundidade, sendo que as praias
que vão da Barra do Sul, em direção ao norte até Santo Antônio de Lisboa são areno-lodosas,
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):83-94, 30 de maio de 1987
Ocorrência e distribuição de ... 85
interrompidas por algumas praias arenosas. Mais ao norte, da Praia da Daniela até a Praia do
Rapa, as praias são arenosas.
RESULTADOS
Foram coletadas 139 espécies de moluscos marinhos, 81 bivalves e 58
gastrópodes (tab. |), perfazendo 1675 lotes. Destas, 22 espécies não eram
registradas para o Estado de Santa Catarina, sendo 11 destas encontradas
anteriormente apenas em locais ao norte: Serpulorbis decussatus (Gmelin,
1791) (Vermetidae), Seila adamsi (H. C. Lea, 1845) (Cerithiidae), Calyptraea
centralis (Conrad, 1841) (Calyptraeidae), Nassarius vibex (Say, 1822)
(Nassariidae), Oliva reticularis Lamarck, 1811 (Olividae), Trimusculus goes!
Hubendick, 1946 (Trimusculidae) entre os gastrópodes e, Lima scabra (Born,
1778) (Limidae), Papyridea soleniformis (Bruguiere, 1789) (Cardiidae), Marte-
sia cuneiformis (Say, 1822), Barnea truncata (Say, 1822) (Pholadidae) e
Bankia gouldi (Bartsch, 1908) (Teredinidae), entre os bivalves; uma encontra-
da somente ao sul: o bivalve Mactra patagonica Orbigny, 1846 (Mactridae), e
as dez restantes ao norte e ao sul, mas näo em Santa Catarina: Diodora
cayenensis (Lamarck, 1822) (Fissurellidae), Calliostoma militaris Ihêring,
1907 (Trochidae), Architectonica nobilis Roding, 1798 (Architectonicidae),
Dorsanum moniliferum (Valenciennes, 1834) (Buccinidae), Conus clenchi
Martins, 1943 (Conidae) entre os gaströpodes e Brachidontes exutus
(Linnaeus, 1758) (Mytilidae), Leptopecten bavayi (Dautzenberg, 1900) (Pecti-
nidae), Anomia ephippiun Linnaeus, 1758 (Anomiidae), Diplodonta patagoni-
ca (Orbigny, 1842) (Ungulinidae), Cyrtopleura lanceolata (Orbigny, 1846)
(Pholadidae) entre os bivalves.
Entre as espécies policrömicas salientam-se: Donax hanleyanus Philippi,
1842 (Donacidae) com distribuição na costa leste da Ilha, Neritina virginea
(Linnaeus, 1758) (Neritidae) encontrada ao longo da costa oeste e Pitar
fulminatus (Menke, 1828) (Veneridae) com distribuição em toda a Ilha.
Foram constatadas diversas espécies com presença em um grande
número de praias e ampla distribuição ao longo da costa da Ilha de Santa
Catarina. Dentre os gastrópodes destacam-se: Diodora patagonica (Orbigny,
1847) e Fissurella rosea (Gmelin, 1791) (Fissurellidae), Acmaea subrugosa
Orbigny, 1846 (Acmaeidae), Petaloconchus varians (Orbigny, 1841)
(Vermetidae), Cerithium atratum (Born, 1778) (Cerithiidae), Crepidula
aculeata (Gmelin, 1791) (Calyptraeidae), Cymatium parthenopeum (von Salis,
1793) (Cymatiidae), Thais haemastoma floridana (Conrad, 1837) (Thaididae),
Littorina Spp. (Littorinidae), todos habitantes de substrato rochoso e
Olivancillaria vesica (Gmelin, 1791) (Olividae), habitante de substrato
arenoso. Dentre os bivalves temos: Anomalocardia brasiliana (Gmelin, 1791)
(Veneridae), Trachycardium muricatum (Linnaeus, 1758) (Cardiidae),
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):83-94, 30 de maio de 1987
86 RUHLAND, J. & Kay Saalfeld
O A A TG I LINE Sa see ep ra te en
Lunarca ovalis (Bruguiere, 1789) (Arcidae), Pitar fulminatus (Menke, 1828)
(Veneridae), Macoma constricta (Bruguiere, 1792) (Tellinidae), Dosinia
concentrica (Born, 1778) (Veneridae), Lucina pectinata (Gmelin, 1791)
(Lucinidae), Macrocallista maculata (Linnaeus, 1758) (Veneridae), todos
habitantes de substratos arenoso e/ou lodosos e Perna perna (Linnaeus,
1767) (Mytilidae), que vive em substrato rochoso.
Certas espécies apresentaram uma distribuição mais restrita:
Calliostoma militaris, Neritina virginea, Strombus pugilis Linnaeus, 1758
(Strombidae), Nassarius vibex, Siratus senegalensis (Gmelin, 1791) e
Urosalpix hanet (Petit, 1856) (Muricidae) dentre os gaströpodes e Noetia
bisulcata (Lamarck 1819) (Noetiidae). Modiolus carvalhoi Klappenbach, 1966
(Mytilidae), Pitar circinatus (Born, 1778) (Veneridae), Martesia. striata
(Linnaeus, 1758) (Pholadidae), Protothaca antigua (King, 1832) e Cyclinella
tenuis (Récluz, 1852) (Veneridae), Mactra fragilis Gmelin 1791 (Mactridae),
Thracia similis Couthouy, 1839 (Thraciidae) e Cyrtopleura costata
(Linnaeus, 1758) (Pholadidae) dentre os bivalves, foram encontrados em
diversas praias somente na costa oeste.
Com a presença circunscrita à costa leste destacamos: Zidona dufresnei
(Donovan, 1823) e Odontocymbiola americana (Reeve, 1856) (Volutidae)
entre os gastrópodes e, Pinctada imbricata Roding, 1798 (Pteriidae),
Papyridae soleniformis, Mactra janeiroensis E. A. Smith, 1915, e Mactra petiti
Orbigny, 1846 (Mactridae) e Strigilla pisiformis (Linnaeus, 1758) (Tellinidae)
entre os bivalves.
O número de espécies, por praia, apresenta-se muito variável (fig.2). De
| Uma maneira geral, praias arenosas apresentam maior diversidade do que as
demais, destacando-se Canasvieiras, Ponta das Canas, Ingleses,
Moçambique, Joaquina, Campeche, Armação e Naufragados (praias da parte
norte, leste e sul da região de mar aberto). Dentre as praias da região oeste
destacam-se as da baia sul: Caeira da Barra do Sul |, IV, V, VI, Tapera,
Caiacangaçu e Ribeirão da Ilha Il, III, IV e V. As praias de Daniela e Joaquina
apresentaram, respectivamente, o maior número de gastrópodes (25) e
bivalves (47). Dentre as praias mais pobres em malacofauna temos: Barra da
Lagoa (prainha), Tapera, Cacupé e Santo Antônio de Lisboa.
O Quociente de Similaridade entre as faunas dos diversos locais foram
dispostos na tabela Il. Encontramos valores máximo e mínimo de 77 e zero
respectivamente. Delineam-se na tabela duas regiões com grande número de
valores de QS > 50.A primeira, da praia da Galheta à praia da Solidão e, a
segunda, da Barra do Sul Il até Ribeirão da Ilha IV. Aglomerados menos
densos ocorrem da praia de Canasvieiras à de Moçambique e de Ribeirão V
até Cacupé ll. O aglomerado da ponta norte (Canasvieiras até Moçambique) é
muito similar à primeira região de alta similaridade. Nota-se também que as
praias de Ponta do Sambaqui a Canasvieiras apresentam altos índices de
similaridade com a segunda região de alta densidade de QS > 50. A primeira
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):83-94, 30 de maio de 1987
Beuenseldenknteaaigen. | | __ 0.8
região de altos índices de QS >50 apresenta pouca similaridade com
relação à segunda.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES,
Levando-se em conta que as espécies não citadas para o Estado, por
RIOS (1975) em sua maioria, não são raras e que muitas delas apresentaram
um bom número de exemplares coletados, tais como: Dorsanum moniliferum
e Nassarius vibex entre os gastrópodes e Diplodonta patagonica, Martesia
cuneiformis e Bankia gouldi entre os bivalves, constata-se, até o presente
momento, um grande desconhecimento sobre a malacofauna de Santa
Catarina.
PETERSON (1976) demonstrou que há diferenças significativas na
abundância relativa de moluscos vivos e mortos em duas lagoas
californianas. Segundo ele, três são os fatores responsáveis: 1) transporte
post-morten que mistura elementos de diversas comunidades; 2) taxas
diferenciais de distribuição ou fragmentação das conchas e 3) a natureza
acumulativa do tempo.
Verificou-se, no presente estudo, que realmente certas espécies podem
estar subamostradas pois espécimes de pequeno porte muitas vezes são de
difícil localização, além de possivelmente se dissolverem com relativa
rapidez. Já em espécimes de grande porte foi constatado que geralmente
estavam fragmentados, principalmente, nas praias de mar aberto. Já no lado
oeste a dissolução parece ser um fator importante, pois muitos exemplares
nos ambientes lodosos apresentavam-se muito corroidos. Como não foram
realizadas dragagens, as conclusões, baseando-se em espécimes mortos,
são de carácter preliminar.
Os índices de similaridade (QS) apresentam uma graduação de valores
ao longo da costa, sendo raro grandes diferenças entre praias vizinhas.
Considerando os resultados obtidos pode-se dividir a costa da ilha, de acordo
com a malacofauna marinha, em três grandes regiões. A primeira, região |,
compreendendo as praias de Ponta do Sambaqui, pelo norte e leste, à praia de
Naufragados. A segunda, região Il, da Barra do Sul, em direção ao norte à
praia da Tapera do Caicanga. E a terceira, região Ill, da Costeira do Pirajubaé,
continuando ao norte até a Praia de Santo Antônio de Lisboa.
Há uma ordem decrescente quanto ao número de espécies da primeira à
terceira região, sendo que a primeira região como umtodo apresenta um QS =
69 com a região Il (76 espécies em comum) e um QS = 49 comaregião III (43
espécies em comum). Por sua vez, a região Il com a região Ill apresenta um
QS = 70. Como se pode ver na tabela Il, com exceção de uma espécie, a
região Ill não apresenta nenhuma outra espécie não encontrada nas outras.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):83-94, 30 de maio de 1987
88 RUHLAND, J. & Kay Saalfeld
Portanto, ela se caracteriza pela pobreza de espécies e a diferença em
relação as duas outras regiões baseia-se na falta das espécies encontradas
naquelas.
A região | apresentou praticamente todos os moluscos encontrados na
ilha com exceção dos bivalves Modiolus carvalhoi e Martesia striata
(Linnaeus, 1758), salientando-se que esta última tem hábito perfurante, vive
em madeiras flutuantes e, portanto, pode ser encontrada ocasionalmente em
qualquer praia.
Conclusões mais precisas acerca das diferenças entre as grandes
regiões quanto a ocorrência de espécies poderiam ser obtidas a partir de
dados de frequência de espécimes vivos.
A praia de Naufragados constitui-se na zona limitrofe entre as regiões le
||, apresentando maior similaridade com a primeira (QS = 55). O limite entre as
regiões Il e Ill é dado pela praia da Tapera do Caiacanga que apresenta maior
similaridade com a região || (QS = 42), sendo a praia de Santo Antônio de
Lisboa o limite entre as regiões Ill e |, sendo mais similar à primeira.
Das 58 espécies de gastrópodes encontradas neste estudo, 100,00%
existem na região |, 53,45% na região Il e 34,48% na região Ill, sendo que
24,56% do total são comuns a toda a costa e algumas ocorrem em duas
regiões. Encontrou-se na malacofauna bem mais bivalves: 81 espécies das
quais 97,53% na região |, 56,/9% :na região Il e 30,86% na região Ill com
24,89% do total em toda a ilha. O Estado de Santa Catarina constitui o limite
austral para 41,38% dos gastrópodes e 44,44% dos bivalves. Uma grande
porcentagem de moluscos são encontrados tanto ao norte quanto ao sul do
Estado: 58,62% dos gastrópodes e 54,32% dos bivalves. Apenas 1,24%,
Mactra patagonica, tem no Estado de Santa Catarina o seu limite setentrional,
não havendo nenhum gastrópode com este limite de distribuição. Quanto a
distribuição geográfica na Ilha de Santa Catarina, temos nove espécies de
gastrópodes e cinco de bivalves restritas à zona norte, dez e seis
respectivamente restritas a zona leste, apenas duas espécies de bivalves
restritas à zona sul e uma espécie de bivalve e uma de gastrópode exclusivas
da zona oeste. Várias espécies não apresentam especificidade quanto a
região: 42 espécies de gastrópodes e 73 de bivalves.
Os dados acima referidos mostram que a malacofauna marinha da Ilha
de Santa Catarina apresenta mais elementos das-faunas dos estados ao norte
do que ao sul.
No que se refere a padrões de distribuição da malacofauna ao longo da
costa da Ilha de Santa Catarina, certos moluscos encontram-se ao longo de
todo o litoral, principalmente os habitantes de substratos rochosos, o que
indica que este tipo de ambiente apresenta condições similares ao longo de
toda a costa. Uma distribuição mais restrita é encontrada entre os
gastrópodes habitantes de substratos arenoso, areno-lodoso ou lodoso. Entre
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):83-94, 30 de maio de 1987
Ocorrência e distribuição de .. 89
os habitantes do lado oeste da ilha, de fundo predominantemente lodoso ou
arenolodoso, salientam-se os herbívoros Neritina virginea, Strombus pugilis e
Bulla striata Bruguiere, 1792 (Bullidae) na região Ile Cerithium atratum nas
regiões Il e Ill. Entre os carnívoros, Polinices hepaticus (Roding, 1798)
(Naticidae), Fusinus frenguelli (Carcelles, 1953) (Frasciolariidae) são
encontrados mais frequentemente nas regiões || e Ill. Ja no lado leste
salientam-se Dorsanum moniliferum e Agaronia travassosi Morretes, 1938
(Olividae) espécie relativamente rara que além de habitar fundos arenosos só
o faz a mais de vinte metros de profundidade (RIOS, 1975).
Também entre os bivalves algumas espécies mostram particularidades.
Por exemplo, Adrana janeiroensis (E.A. Smith, 1915) (Nuculanidae), Anatina
anatina Spengler, 1802 e Raeta plicatella (Lamarck, 1818) (Mactridae), Donax
hanleyanus e as três espécies do gênero Tivela Link, 1807: T. mactroides
(Born, 1778), T. ventricosa (Gray, 1838) e|T. isabelleana (Orbigny, 1846) são
espécies de habitat arenoso e ocorrem exclusiva ou predominantemente na
costa leste. Na família Cardiidae encontramos a seguinte distribuição:
Trachycardium muricatum habita preferencialmente as praias areno-lodosas
do lado oeste da ilha, já Papyridea soleniformis ocorre apenas nas praias
arenosas do leste e Laevicardium laevigatum (Linnaeus, 1758) ocorre em
ambos os lados. Divisão similar encontramos na família Tellinidae (gênero
Tellina Linnaeus, 1758 e Strigilla Turton, 1822), Mactridae (gênero Mactra
Linnaeus, 1767) e Pholadidae (gênero Cyrtopleura Tryon, 1862 e Pholas
Linnaeus, 1758). As duas espécies do gênero Protothaca Dall, 1902, P.
antigua e P. pectorina (Lamarck, 1818), vivem principalmente nas areias
lodosas do lado oeste, como também as duas espécies da subclasse
Anomalodesmata: Periploma ovata Orbigny, 1846 (Periplomatidae) em
Naufragados e Thracia similis em Naufragados e praias do sudoeste da ilha.
Por fim, duas espécies vivem associadas.a gorgônias (octocorais) (KAY,
1979) e devem ter sua distribuição determinada por estas: o bivalve Pinctada
imbricata e o gastrópode Cyphoma intermedium (Sowerby, 1828) (Ovulidae).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABBOTT, R.T. 1974. American Seashells. 2ed. New York, Van Nostrand Reinhold, 663p.
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KAY, EA. 1979. Hawaiian marine shells. Honolulu, Bishop Museum Press. XVII + 653p.
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Mar, Museu Oceanográfico. 331p. 91pl.
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NAUFRAGADOS 18-º
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Fig. 1: Mapa da Ilha de Santa Catarina (SC, Brasil), indicando o5 locais de coleta (período de
abril/1982 a novembro /1983) 1. Jurerê-Canasvieiras; 2. Ponta das Canas; 3. Praia do Rapa: 4.
Praia Brava; 5. Ingleses; 6. Santinho; 7. Moçambique; 8. Barra da Lagoa; 9. Galheta; 10. Praia Mole;
11. Joaquina; 12. Campeche; 13. Armação, 14. Matadeiro; 15. Lagoinha do Leste, 16. Pântano do
Sul; 17. Solidão; 18. Naufragados; 19. Caeira da Barra do Sul |;20. Caeira daB. do Sul Il; 21. Caeira
da B. do Sul Ill; 22. Caeira da B. da Sul IV; 23. Caeira da B. da Sul V; 24. Caeira da B. do Sul VI: 25.
Praia da Tapera; 26. Caiacangaçu; 27. Ribeirão da Ilha |; 28. R. da Ilha Il;29.R. da Ilha IIl;30. R. da
Ilha IV; 31. R. da Ilha V. 32. Tapera do Caiacanga; 33. Costeira do Pirajubae; 34. Saco da Lama; 35.
Praia do Mendes; 36. Cacupé |: 37. Cacapé Il; 38. Cacupé Ill; 39. Praia comprida: 40. Santo
Antônio de Lisboa: 41. Ponta do Sambaqui: 42. Daniela; 43. Praia do Forte.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):83-94, 30 de maio de 1987
GASTROPODA
PONTA DO SAMBAQUI
DANIELA
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| JURERÊ - CANASVIEIRAS
E PONTA DAS CANAS
\ PRAIA DO RAPA
PRAIA BRAVA
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4 BARRA DA LAGOA
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NAUFRAGADOS
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RIBEIRÃO DA ILHA IV
RIBEIRÃO DA ILHA V
TAPERA DO CAIACANGA
COSTEIRA DO PIRAJUBAÉ
SACO DA LAMA
PRAIA DO MENDES
CACUPÉ I
CACUPE II
CACUPE III
- | PRAIA COMPRIDA
SANTO ANTÔNIO DE LISBOA
- Tabela |: Espécies de
C, Brasil), no período de
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praias da |lha de Santa Catarina
Espécies de moluscos marinhos coletadas nas
No período de abril de 1982 a novembro de 1983.
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PRAIA COMPRIDA [E ae jr] ENE SASTROPODA
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Fig. 2: Número de espécies de moluscos marinhos coletados em praias da Ilha de Sante
Catarina (SC, Brasil) no período de abril de 1982 a novembro de 1983.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):83-94, 30 de maio de 1987
94
RUHLAND, J. & Kay Saalfeld
3
É
É
E
É
É
PONTA DO SAMBAQUI
DANIELA 44
PRAIA DO FORTE 42
JURERÊ - CANASVIEIRAS 44
PONTA DAS CANAS 36
PRAIA DO RAPA 42
PRAIA BRAVA 49
INGLESES 49
SANTINHO + 31
MOÇAMBIQUE 45
BARRA DA LAGOA 16
GALHETA 40
PRAIA MOLE 69
JOAQUINA 4
CAMPECHE 43
ARMAÇÃO 43
MATADEIRO 46
LAGOINHA DO LESTE 32
PANTANO DO SUL 47
SOLIDÃO 50
NAUFRAGADOS 37
CAEIRA DA BARRA DO SUL I 22
CAEIRA DAB. DOSUL II 49
CAEIRA DA B. DO SUL III 49
CAEIRA DA B. DO SUL IV 34
CAEIRA DAB. DOSUL V +41
CAEIRA DA B. DO SUL VI 50
PRAIA DA TAPERA 49
CATACANGAÇU 70
RIBEIRÃO DA ILHA 1 40
RIBEIRÃO DA ILHA II 61
RIBEIRÃO -DA ILHA III 63
RIBEIRÃO DA ILHA IV 66
RIBEIRÃO DA ILHA V 52
TAPERA DO CAIACANGA 20
COSTEIRA DO PIRAJUBAÉ 23
SACO DA LAMA 35
PRAIA DO MENDES 43
CACUPE I 38
CACUPE II 48
CACUPÉ III 21
PRAIA COMPRIDA 24
SEO. ANTÔNIO DE LISBOA 19
Tabela Il: Quocientes de Similaridade (QS) entre as malacofaunas marinhas das praias da
DANIELA
61
47
60
49
18
33
37
36
31
28
27
47
12
PRAIA DO FORTE
08
JURERÊ - CANASVIIIPAS
52
28
31
37
32
34
32
24
40
10
PONTA DAS CANAS
PRAIA DO RAPA
PRAIA BRAVA
INGLESES
36
23
56
29
62
16
32
37
53
55
56
36
53
48
43
42
20
29
32
41
46
49
33
23
44
26
42
62
18
24
34
33
27
21
19
43
07
30
21
42
29
72
28
36
42
32
36
20
25
34
39)
19
32
30
26
20
33
31
42
26
32
36
42
35
19
12
22
36
24
30
21
15
18
31
60
21
35
51
59
57
53
48
49
54
53
44
24
38
25
36
36
48
50
49
26
44
36
45
53
23
23
28
30
23
20
25
26
08
SANTINHO
MOGAMBIQUE
BARRA DA LAGOA
GALHETA
31
13
50
34
34
32
50
45
51
42
39
20
20
24
25
22
37
27
32
22
29
36
89
35
16
15
19
32
16
37
12
09
07
PRAIA MOLE
JOAQUINA
33
28
35
21
35
29
34
26
37
38
31
44
15
20
18
35
15
25
22
17
14
CAMPECHE
69
43
60
66
57
59
23
33
33
43
40
42
50
51
26
47
35
46
44
26
28
30
45
25
29
21
34
12
ARNAÇÃO
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MATADEIPO
54
65
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20
36
36
34
26
34
33
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29
30
42
36
36
17
22
20
28
28
39
31
14
24
LAGOINHA DO LESTE.
67
59
63
19
19
26
39
30
42
38
32
25
38
29
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33
31
30
32
32
24
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70
61
24
39
52
43
37
37
37
51
39
41
40
45
42
33
36
30
47
48
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26
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19
SOLIDÃO
55
21
34
30
36
30
33
34
41
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38
07
38
38
28
27
33
32
23
23
15
15
12
NAUFRAGADOS
08
CAEIRA DA BARRA DO SUL I
CAEIRA DA BARRA DO SUL II
CAEIRA DA B. DO SUL III
28
19
12
15
25
26
19
11
12
16
10
44
52 48
44 44
4u 44
36 39
60. 46
52002;
54 44
62 62
58 46
54 42
38 38
29 35
43 32
48 48
61 42
36 67
41 34
39 34
36 36
CAEIRA DA B. DO SUL IV
22
CAEIRA DA B. DO SUL V
61
59
51
36
60
44
55
52
30
42
59
43
43
43
33
55
17
CAEIRA DA B. DO SUL VI
PRAIA DA TAPERA
69
58
36
68
56
62
70
31
30
43
38
31
38
33
47
10
69
33
75
60
62
69
33
29
41
32
35
38
29
46
13
45
74
77
74
60
42
29
31
44
44
52
32
32
19
RIBEIRÃO DA ILHA I
45
55
43
38
37
41
31
50
50
57
50
28
35
PIBEIRÃO DA ILHA II
72
71
73
41
33
47
43
40
40
36
50
16
RIBEIRÃO DA ILHA TTI
66
66
39
37,
39
52
48
62
42
40
26
PIBEIPÃO DA ILHA IV
59
38
32
45
41
49
49
40
49
21
PIBEIRÄO DA ILHA V
42
68
49
41
41
33
31
46
21
TAPERA DO CATACANGA
COSTEIRA DO PIRAJUBAF
SACO DA LAMA
12
58 59
45 47
32 24
37 27
5157
30 26
PRAIA DO MENDES
CACUPÉ I
53
47
31
42
32
PRAIA COMPRIDA
CACLPE II
CACLPF III
40
46 46
47 26 47
42 32 40 15
Ilha de Santa Catarina (SC, Brasil), calculados a partir de amostras coletadas durante o período
de abril de 1982 a novembro de 1983.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):83-94, 30 de maio de 1987
ANTÔNIO DE LISBOA
t
sto
Hidróides (Cnidaria, Hydrozoa) do litoral sudeste e sul do
Brasil: Halocordylidae, Tubulariidae e Corymorphidae*.
Alvaro Esteves Migotto**
Fábio Lang da Silveira***
RESUMO
São estudadas seis espécies de hidróides atecados, das quais Halocordyle disticha
(Goldfuss, 1820), Ectopleura warreni (Ewer, 1953) combinação nova, Zyzzyzus solitarius (Warren,
1906) e Corymorpha sp. são ocorrências novas para a costa atlântica da América do Sul. H.
disticha, E. warreni e Z. solitarius são redescritas e ilustradas com base em muitos exemplares.
ABSTRACT
Six species of athecate hydroids are studied, of which Halocordyle disticha (Goldfuss, 1820),
Ectopleura warreni (Ewer, 1953) new combination. Zyzzyzus solitarius (Warren, 1906) and
Corymorpha sp. are new records for the Atlantic coast of South America. H. disticha, E. warreni
and Z. solitarius are redescribed.
INTRODUÇÃO
O conhecimento dos hidróides atecados da costa brasileira é ainda
bastante escasso, principalmente quanto à fase de pólipo. Até agora foram
estudados apenas poucos representantes de algumas familias: Clavidae,
Cordylophora lacustris Allman, 1844, (ROCH, 1924); Halocordylidae,
Halocordyle fragilis Vannucci, 1951, (VANNUCCI, 1950, 1951, 1951a. 1954):
Eudendriidae, Eudendrium carneum Clarke, 1882, (VANNUCCI. 1954).
Eudendrium rameum Pallas,.1766 e Eudendrium capillare Alder, 1857.
(MAYAL, 1973); Eutimidae, Eutima sapinhoa Narchi & Hebling, 1975.
(NARCHI & HEBLING, 1975); Corynidae, Dipurena reesi Vannucci, 1956,
(VANNUCCI, 1956; MOREIRA et alii, 1978); Tubulariidae, Ectopleura
* Aceito para publicação em 19. V. 1986
** Biólogo do Centro de Biologia Marinha (CEBIMar) da Universidade de São Paulo (USP), Caixa Postal 83, 11600, São
Sebastião (SP), Brasil.
** Professor Assistente do Departamento de Zoologia da USP, Caixa Postal 20250, 01000, São Paulo (SP), Brasil
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto An gre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
96 MIGOTTO, A.E. & Fábio L. da Silveira
dumortieri (Van Beneden, 1844) (VANNUCCI, 1957) e Serehyba
sanctisebastiani Silveira & Migotto, 1984, (SILVEIRA & MIGOTTO, 1984);
Hydractiniidae, Stylactis hooperi Sigerfoos, 1899, (MOREIRA, et alii, 1979);e
Solanderiidae. Solanderia gracilis Duchassaing & Michelin, 1846, (BELÉM et
alii, 1982).
Neste trabalho seis outras espécies de atecados são estudadas, das
quais Halocordyle disticha (Goldfuss, 1820), Ectopleura warreni (Ewer, 1953),
Zyzzyzus solitarius (Warren, 1906) e Corymorpha sp. constituem-se em
ocorrências novas para a costa atlântica da América do Sul. H. disticha e
Corymorpha sp. são de distribuição ampla, Z. solitarius tem distribuição
descontínua no Atlântico norte tropical e a leste e a oeste na África do Sul, e E.
warreni é endêmica da África do Sul (MILLARD, 1975, 1978).
MATERIAL E MÉTODOS
As observações e descrições realizadas durante os anos de 1982 a 1985, foram baseadas
tanto em animais vivos quanto em fixados. Os espécimes coletados foram anestesiados em
solução de MgC |2 7,5% e fixados em solução de formalina 4%. Os desenhos foram feitos com o
auxílio de câmara clara. Os cnidomas foram determinados através de preparações de tecidos
esmagados entre lâmina e lamínula. Os nematocistos foram melhor identificados quando se
encontravam explodidos e com os filamentos distendidos; as explosões foram provocadas com a
adição de água destilada ou saliva em preparações de tecidos frescos. A nomenclatura
empregada para os nematocistos é a de WEIL (1937) e de MILLARD (1975). Foram medidas
somente as cápsulas dos nematocistos não explodidos.
As médias das temperaturas médias e das salinidades médias das águas superficiais na
Ponta do Jarobá (23º 49'40"S; 45º25'24"0), São Sebastião, São Paulo (SP), foram: Verão (1980 a
1985) 26,5 (25,4-27,0)°C le 33,8 (31-35) 0/00; Inverno (1979 a 1984) 20,4 (19,5-23,8)°C e 31,8
(29-34) 0/00.
As siglas MCN e MNRJ correspondem às coleções de espécimes respectivamente, do
Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (RS),
Brasil e do Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brasil. A
sigla MS corresponde à coleção particular de Alvaro E. Migotto e Fábio L. da Silveira, Sãc
Sebastião (SP), Brasil.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Superfamília CORYNOIDEA Rees, 1957.
Família HALOCORDYLIDAE Stechow, 1921.
Colônias eretas e ramificadas, com perissarco bem desenvolvido.
Ramos pinados em um único plano e alternados em relação ao principal
Hidrocládios caracterizados como ramificações de primeira ordem com
curtos ramos de segunda ordem (pedículos) apenas na superfície adcaulinar.
Hidrantes na extremidade do ramo principal, nas extremidades dos
hidrocládios, e nas ramificações de segunda ordem. Cada hidrante com
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
Hidróides ... 97
coroa de tentáculos aborais filiformes e tentáculos orais capitados
distribuídos em verticilos ou ao acaso sobre o hipostômio. Gonóforos no
hipostômio acima dos tentáculos aborais.
Halocordyle Allman, 1872
Pennaria GOLFUSS, 1820:89.
Ver as características diagnósticas para família.
Espécie-tipo: Globiceps tiarella Ayres, 1854, designação original.
Halocordyle disticha (Goldfuss, 1820)
(Figs.1,2)
Sinonímia em HIROHITO (1977:2-3).
Material examinado: BRASIL São Paulo: São Sebastião, Ponta do Jarobá
(23º49'40"S; 45º25'24"0), 2 colônias sobre placa de recrutamento, 2,5m de profundidade, MNRJ
554,10. 1.1984, F.L. da Silveira leg.; 1 colônia sobre cabo de náilon, 6 colônias sobre placa de
recrutamento, 2m de profundidade, MS, 18. 1111984, F.L. da Silveira leg.; 12 colônias sobre placa
de recrutamento, 2m de profundidade, MS, 17.1V.1984, F.L. da Silveira leg.;Ponta do Baleeiro
(23º49'45"S; 45º25'30"0), 4 colônias sobre cracas, 1,5m de profundidade, MS, 18.111.1985. A.E.
Migotto leg.; Praia do Toque-Toque Grande (23º49'54"S; 45º30'54"0), 3 colônias sobre rochas,
2m de profundidade, MCN 25, 28.10.1985. A.E. Migotto leg.; 51 colônias sobre rochas, 2m de
profundidade, MS, 28.1V.1985, A.E. Migotto leg.
Descrição: colônias com hidrorrizas ramificadas e com ramos
principais castanho escuros, divididos por nós no perissarco, e estes com
número variável de anéis “transversais. Hidrocládios creme, alternados,
recurvos, formando duas séries em um mesmo plano, aqueles da metade do
ramo principal mais longo. Pedículos simples, eventualmente com anéis na
base. Hidrantes avermelhados na extremidade do ramo principal e nas
extremidades dos hidrocládios. Tentáculos aborais filformes e tentáculos
orais capitados, estes com tendência a uma disposição em 3 séries
alternadas, a mais oral de 4-5 tentáculos. Gonóforos desenvolvidos
diretamente sobre o hidrante, entre os tentáculos filoformes e os capitados, na
forma de eumedusöides elípticos e simétricos, cada um com 4 canais radiais
avermelhados e hipostômio quase tão longo quanto a umbrela. Dados sobre
as características de muitas colônias são apresentados na tabela |.
Nematocistos de 3 tipos, assim distribuídos:
Te ntá-cumo's- orais
— Estenotelo grande 46,2 — 33,0 X 29,0 — 23,14m. Numerosos.
— Estenotelo pequeno 15,8 — 6,6 X 12,5 — 3,3um. Numerosos.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
98 MIGOTTO, A.E. & Fábio L. da Silveira
— Microbásico mastigó- 15,8 — 13,9 X 7,3 — 5,94m. Poucos.
foro grande
— Microbásico mastigó-
foro pequeno 10,6 — 89 X 4,0 — 2,64Um. Poucos.
— Desmonemo 6,6 — 4,6 X 4,6 — 3,34m. Numerosos.
Meinrtkareiulrors albrearanies
— Estenotelo 92 — 7,3X 7,3 — 5,94m. Numerosos.
— Microbásico mastigó-
foro grande 15,5 — 13,9 X 7,3 — 5,9um. Numerosos.
— Microbásico mastigó-
foro pequeno 10,6 — 92 X 4,0 — 3,34m. Poucos.
— Desmonemo 6,6 — 4,6 X 4,6 — 2,6um. Numerosos.
Discussão: afamília Halocordylidae Stechow, 1921 é representada
por um único gênero válido, Halocordyle, segundo MAMMEN (1963) e
MILLARD (1975). O nome sinônimo Pennaria tem sido muito utilizado, apesar
do Parecer 417 (1956) da Comissão Internacional de Nomenclatura
Zoológica que recomendou a sua rejeição (HIROHITO, 1977).
HIROHITO (1977) reviu inúmeras descrições de espécimes de
Halocordyle disticha exaustivamente e comparou entre si exemplares do Mar
Vermelho, do Japão, da costa atlântica da América do Norte, e de Cuba.
Concluiu existir uma variabilidade muito grande quanto às dimensões gerais e
ao número de hidrantes das colônias, ao número e disposição dos anéis do
perissarco, e ao padrão de ramificação dos hidrocládios. Podem ocorrer
hidrocládios que apresentam desde uma única série de hidrantes em ramos
secundários e um único plano na superfície adcaulinar até duas séries de
hidrantes em ramos secundários e bifurcados, dispostos alternadamente em
dois planos divergentes na superfície adcaulinar.
Os exemplares de H. disticha por nós estudados se assemelham muito
com aqueles descritos por VERVOORT (1968) para o Caribe (Jamaica,
Barbados, Costa Rica, St. Thomas, Panamá e Venezuela), por MILLARD
(1975) para a costa leste da África do Sul, & por HIROHITO (1977) para o Golfo
de Agaba (Mar Vermelho), Baia de Santa Lucia (Cuba), e Miami (EUA). Os
tipos e a distribuição dos nematocistos coincidem com aqueles observados
em H. disticha da costa leste da África do Sul (MILLARD, 1975). As dimensões
dos estenotelos grandes dos tentáculos capitados aproximam-se àquelas de
H. disticha da costa australiana e do Pacífico sul (HIROHITO, 1977), e da
costa leste da África do Sul (MILLARD, 1975); tais dimensões reforçam a
constatação de que esses nematocistos são bem maiores nos exemplares do
hemisfério sul em relação aos de outras regiões (HIROHITO, 1977).
Halocordyle fragilis Vannucci, 1951 (= H. sp.Vannucci, 1950; = Pennaria
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
Hidröides ... 99
fragilis Vannucci, 1954) parece se enquadrar dentro da faixa de variabilidade
dos hidrantes de H. disticha exceto, como assinalou VANNUCCI (1950), pela
ramificação em espiral dos hidrocládios e pela fragilidade dos hidrocaules
dos exemplares dragados ao largo de Cabo Frio (Rio de Janeiro), São João da
Barra, e Ilha da Trindade, entre 15 e 57m de profundidade.
Segundo VANNUCCI (1954), H. fragilis era encontrada com frequência
na costa dos estados do Paraná e São Paulo como “tubos mortos, rolados na
praia, frequentemente bastante grandes, ou então trazida por redes de
arrasto”. Esta observação parece contradizer a característica de fragilidade
atribuída aos hidrocaules dessa espécie; suspeitamos, portanto, que os
exemplares de H. fragilis acima citados não correspondam aqueles da
descrição original, mas aos exemplares flexíveis e resistentes de H. disticha
de águas rasas.
Infelizmente, os exemplares tipo de Halocordyle fragilis estão perdidos.
Pudemos examinar somente 3 lâminas de montagens totais de hidrocládios
de colônias de H. fragilis procedentes de Cabo Frio, São João da Barra, e Ilha
da Trindade, pertencentes à coleção da Dra. M. Vannucci e cedidas pela Dra.
Denise N. Pereira (atualmente depositadas na coleção MNRJ 889-891).
Entretanto, o material não foi suficiente para melhor esclarecer as relações
entre. H. disticha e H. fragilis.
Distribuição: circumtropical, penetrando em águas subtropicais e
temperadas (VERVOORT, 1968; MILLARD, 1975). Nova ocorrência no litoral
do sudeste do Brasil.
Notas biológicas: sobre as hidrorrizas de exemplares de H. disticha,
provenientes das placas de recrutamento, observamos o desenvolvimento da
esponja vermelha do gênero Lissodendoryz (Fam. Myxillidae Topsent, 1928).
SuperfamiliaTUBULAROIDEA Rees, 1957
Familia TUBULARIIDAE Allman, 1864
Trofossomo solitário ou colonial, com perissarco bem desenvolvido.
Hidrante adulto com duas coroas de tentáculos filiformes. Gonóforos fixos ou
na forma de medusas livres. Medusa usualmente com bandas perradiais de
nematocistos na exumbrela.
Observações: asistemática dos hidróides da família Tubulariidae é
até certo ponto confusa (TARDENT, 1980) como ocorre em outros grupos de
hidróides cujos ciclos de vida incluem alternância entre pólipo e medusa. A
dificuldade, no caso, é aumentada devido à existência de espécies cujas
medusas são reduzidas (eumedusóides) e, inclusive, permanentemente
sésseis (criptomedusóides). Os gêneros de Tubulariidae com gonóforos fixos
são considerados, por alguns autores, distintos daqueles com medusas livres
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
100 MIGOTTO, A.E. & Fábio L. da Silveira
(REES, 1957; BRINCKMANN-VOSS, 1970; MILLARD, 1975). BRINCKMANN-
VOSS (1970) e MILLARD (1975) distinguem os gêneros com
criptomedusóides, Zyzzyzus Stechow, 1921 e Tubularia Linnaeus, 1758,
daqueles com medusas livres, Ectopleura L. Agassiz, 1862 e Hybocodon L.
Agassiz, 1862. WATSON (1980) descreveu um quinto gênero, Ralpharia, com
medusas reduzidas, livres, e sem bandas de nematocistos na exumbrela, o
que o distingue de Ectopleura. Entretanto, alguns outros autores têm
demonstrado que a redução da fase medusóide não pode ser utilizada como
caráter distintivo entre gêneros próximos (Levinsen, 1893 e Broch, 1915,
apud REES, 1957; KRAMP, 1949). Nós concordamos com PETERSEN (1979)
quanto à utilização do pólipo para distinguir os gêneros: Zyzzyzus, solitário,
com perissarco fino e hidrocaule largo e com hidrorrizas de fixação; Tubularia,
solitário, com perissarco firme, produzindo tanto medusas livres (Hybocodon
L. Agassiz, 1862) quanto criptomedusóides assimetricos; Ectopleura, colonial,
com perissarco firme, produzindo tanto medusas livres quanto
criptomedusóides simétricos. SILVEIRA & MIGOTTO (1984) acrescentaram
um quarto gênero, Serehyba, com perissarco firme e com gonossomos na
forma de cormídios (medusas simétricas reduzidas € nematöforos).
Ectopleura L. Agassiz, 1862
Tubularia LINNAEUS, 1758 (pars): 803.
Trofossomo colonial, com perissarco firme. Gonossomos com
ramificações de até terceira ordem, que podem formar longos cachos.
Gonóforos simétricos nas formas de medusas ou de criptomedusóides.
Medusa, quando presente, com 2 a 4 tentáculos simples e 8 bandas
longitudinais de nematocistos na exumbrela.
Espécie-tipo: Tubularia dumortieri Van Beneden, 1844, designação original
Ectopleura dumortieri (Von Beneden, 1844)
Tubularia dumortieri Van BENEDEN, 1844: 50, prancha 2.
Material examinado: BRASIL. São Paulo: São Sebastião, Ponta do Jarobá
(23°49'40"S; 45º25'24"0),|1 exemplar sobre placa de recrutamento, 2,5m de profundidade, MS
10.V1H.1984, E. Scernes leg.
Descrição: hidrocaule com 17mm de comprimento, com os diâmetros
de 0,7mm logo abaixo do hidrante, 0,5mm no terço distal, e 0,16mm no terço.
proximal. Vinte e seis tentáculos orais com 1,/mm de comprimento,
arranjados irregularmente ao redor da boca, e 26 aborais, com 4,4mm de
comprimento, em uma única série. Hidrante com 1,7mm de diâmetro ao nível
dos tentáculos aborais, e 22mm de comprimento da base ao ápice do
hipostômio. Sete gonossomos na parede do hipostômio entre as duas coroas
de tentáculos, com eixos principais a partir dos quais surgem ramos
secundários com gonóforos terminais. Medusas imaturas com cerca de
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
Hidróides ... 101
0,30mm de comprimento e 0,24mm de diâmetro, simétricas, com 8 bandas
radiais de nematocistos nas exumbrelas, com canais radiais e circulares e
com manúbrios tão longos quanto ou mais curtos que os comprimentos das
umbrelas.
Nematocistos de 4 tipos, assim distribuídos:
Ten'trácuilos Dias ,
— Estenotelo grande 7,3 — 9,9 X 6,6 — 9,9um. Numerosos.
— Estenotelo pequeno 4,0 — 8,0 X3,3 — 5,34m. Numerosos.
— Microbäsico mastigö-
foro 7,3 — 9,2 X 2,6 — 4,0Um. Numerosos.
— Desmonemo 2,6 — 4,6 X 2,6 — 4,0Hm. Poucos.
einer UM OS “a Do fais
— Estenotelo 4,6 — 6,6 X 3,3 — 5, 3Um. Numerosos.
— Microbásico mastigó-
foro 6,6 — 9,3 X 2,6 — 4,0Um. Numerosos.
— Heterótrico anisor-
riza 5,3 — 6,6, X 5,3 — 4,04m. Numerosos.
— Desmonemo 2,6 — 4,6 X 2,6 — 4, 04m. Poucos.
Gonossomos
— Estenotelo 40 — 6,6 X 3,3 — 5,3Xm. Numerosos.
— Microbásico mastigö-
foro 4,9 — 80 X 2,6 — 4,04m. Poucos.
— Desmonemo 26 — 4,6 X 2,6 — 4,04m. Poucos.
Discussão: Ectopleura dumortieri é uma espécie bem definida pela
presença de medusas características, mesmo quando ainda sésseis. Desse
modo, a ocorrência de trofossomo temporariamente solitário permite uma
identificação segura. O hábito colonial de E. dumortiérié menos desenvolvido
do que o de outras Ectopleura (BRINCKMANN-VOSS, 1970).
Distribuição: medusas cosmopolitas (KRAMP, 1961); pólipos no
Atlântico Norte (BRINCKMANN-VOSS, 1970), no Mediterrâneo (STECHOW,
1921,1924), e na região lagunar de Cananéia, São Paulo, Brasil (VANNUCCI,
1957).
Ectopleura warreni (Ewer, 1953), comp. nov.
(Fig. 3)
Tubularia warreni Ewer, 1953:351-357, figs.1 -4.
Material examinado:BRASIL, Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Praia da Urca (22º57'S;
43°10'0),| 1 colônia sobre madeira, MS, 06.11.1985, M.D. Correa leg.; São Paulo: São Sebastião,
Ponta do Jarobá (23º49'40"S; 45º25'24"0), várias colônias sobre placas de recrutamento, cabos
de náilon e pilastras, 0-2,5m de profundidade, MCN 23, 7.V11.1983, F.L. da Silveira & A.E. Migotto
leg.; MNRJ 882, 05.1X. 1984, F.L. da Silveira & A.E. Migotto leg.; MCN 27, 05.1X.1984, F.L. da Silveira
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
102 MIGOTTO, A.E. & Fábio L. da Silveira
& AE. Migotto leg.; MS, 30.V11.1983, 12 e 27 X1.1983, 7.XI1.1983, 10.1.1984, 17.1V.1984, 25.V.1984,
09 e 22.V1 1984, 10,25 e 28.VII1.1984, 11 e 28.X.1984, 10,11 e 15.1.1985, 24.VIlI.1985, F.L. da
Silveira & A.E. Migotto leg.; Ponta do Baleeiro (23º49'45"'S; 45º25'30"0), várias colônias sobre
rochas, 1,0m de profundidade, MS, 26.V111.1985, A.E. Migotto leg.; Rio Grande do Sul: Torres,
(29º20'S; 49º44'0), Praia da Cal, várias colônias sobre rochas, abaixo da região de Corallinaceae,
MS, 19.11.1985, F.L. da Silveira & A.E. Migotto leg.; Tramandaí, (30º00'S; 50º07'0), várias
colônias sobre pilastras de plataforma de pesca, abaixo de Mytilidae e Phragmatopoma sp.,
MNRJ 887, 18.11.1985, F.L. da Silveira & A.E. Migotto leg.; MCN 24, 18.VIl.1985, F.L. da Silveira &
A.E. Migotto leg.
Descrição: colônias dióicas, com hidrorrizas a partir das quais
crescem hidrocaules não ramificados, usualmente eretos, anelados, de
comprimentos muito variáveis (até cerca de 70mm) e com hidrantes
terminais. Hidrorrizas e hidrocaules de creme a castanho-claro, recobertos
por perissarco bem desenvolvido. Hidrante com tentáculos aborais em uma
única série e com tentáculos orais arranjados irregularmente ao redor da
boca. Hipostômio e disco aboral avermelhados. Gonossomos constituídos
por blastóstilos na parede do hipostômio, com ramificações de até terceira
ordem, e que dão origem a inúmeros criptomedusóides com espádices
avermelhados. Criptomedusóide feminino com 4 a 8 cristas de tamanhos
variáveis, comprimidas lateralmente, dispostas radialmente ao redor da
abertura terminal, com a extremidade do espádice se projetando para o
exterior. Nem todos os criptomedusóides com cristas, estas podendo faltar
completamente em um mesmo gonossomo ou entre gonossomos de um
trofossomo. Criptomedusóide masculino com a região de abertura terminal
obtusa e sem cristas. Actínulas recém liberadas com tentáculos aborais
capitados, dispostos alternadamente para cima e para baixo, e com
rudimentos de tentáculos orais. Dados sobre as características de muitos
trofossomos são apresentados na tabela Il.
Nematocistos de 4 tipos, assim distribuídos:
eim ta culos olmalis
— Estenotelo grande 92 — 11,2X 7,3 — 99um. Poucos.
— Estenotelo pequeno 4,6 — 7,3X 3,3 — 6,6Um. Numerosos.
— Heterótrico anisorriza 7,3 — 11,2 X 5,9 — 10,64m. Poucos.
— Basitrico isorriza 7,9 — 11,2 X 3,3 — 4,64m. Numerosos.
mein ta se U:Norsı abro man's
— Estenotelo 46 — 92 X 4,0 — 8,6llm. Numerosos.
— Heterotrico anissorriza 6,6 — 11,2 X 5,3 — 9,9Um. Poucos.
— Basitrico isorriza 7,9 — 10,6 X 3,3 — 5,34m. Poucos.
— Desmonemo 33 — 5,3 X 2,6 — 4,6Um. Numerosos.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
| Hidröides ... 103
G’onN 0%sS>s:olimo)S
— Estenotelo 46 — 92 X 33 — 7,)94m. Poucos.
— Basitrico isorriza 4,6 — 92 X 33 — 5 34m. Poucos.
— Desmonemo 4,0 — 5,9 X 2,6 — 5,94. m. Poucos.
Discussão: Ectopleura warreni se distingue das outras espécies,
portadoras de processos radiais achatados na abertura do criptomedusóide.
pelas particularidades dos nematocistos e das actínulas (EWER, 1953).
WATSON (1980) redescreveu Tubularia ralphi Bale, 1884, sinonimizando-a
com Tubularia warreni Ewer, 1953. A descrição original de T. ralphi foi feita
oralmente perante a “Microscopical Society of Victoria”, Austrália. WATSON
(1980) não encontrou os exemplares tipo, mas ampliou a diagnose de T. ralphi
a partir de espécimes coletados na localidade-tipo. Não concordamos com
esse procedimento por considerar que o material utilizado na redescrição de
T. ralphi pode não ser similar aquele da descrição original.
Distribuição: costa sul, leste e oeste da África do Sul (MILLARD,
1975). Novas ocorrências nas costas sudeste e sul do Brasil.
Notas biológicas: Ectopleura warreni é um dos organismos sésseis
e coloniais mais característicos de comunidades incrustantes em substrato
artificial no Canal de São Sebastião, SP, durante longos períodos do ano.
Apresenta uma capacidade de reprodução assexuada e sexuada que a
transforma em espécie dominante em algumas situações de recrutamento,
recobrindo densamente flutuadores, pilastras, cabos de náilon, e até
organismos que aí vivem. Observamos colônias produzindo actínulas entre os
períodos de setembro de 1983 a janeiro de 1984 e de agosto de 1984 a
janeiro de 1985. Entre o final de maio e meados de junho de 1984,
encontramos poucas colônias, raras férteis. Nos demais períodos, as colônias
desapareceram completamente.
Em Torres, RS, E. warreni foi encontrada fértil formando densos tapetes
sobre rochas expostas desde o médio até o infralitoral. Observamos o
soterramento com areia da porção basal do hidrocaule sobre superfícies
rochosas horizontais.
Serehyba Silveira & Migotto, 1984
Serehyba SILVEIRA & MIGOTTO, 1984:231-242, figs.1-12.
Trofossomo solitário ou colonial, sem hidrorrizas de ancoramento.
Hidrocaule com perissarco firme, com canais endodérmicos longitudinais
separados, e com o espaço central preenchido com parênquima. Construção
modular do gonossomo em cormídio, incluindo gonodendro e palpo
(nematóforo). Gonóforos liberados como medusas reduzidas livres. Medusa
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
104 MIGOTTO, A.E. & Fábio L. da Silveira
temem dita e
radialmente simétrica, com 4 canais radiais e canal circular, sem tentáculos
ou bulbos tentaculares e sem nematocistos na exumbrela.
Espécie-tipo: Serehyba sanctisebastiani Silveira & Migotto, 1984, designação original.
Serehyba sanctisebastiani Silveira & Migotto, 1984
Serehyba sanctisebastiani SILVEIRA & MIGOTTO, 1984:231-242: figs.1 -
12:
Materialexaminado: BRASIL. São Paulo: Ilha Bela, Ponta da Sela (23º53'S; 45º28'0), 2
pólipos sobre rocha, 18m de profundidade, MNRJ 883, 17.1.1985, F.L. da Silveira leg.; 2 pólipos
sobre rocha, 18m de profundidade, MON 26, 17.1.1985, F.L.da Silveiraleg.; 15 pólipos sobre rocha,
18m de profundidade, MS, 17.1.1985, F.L. da Silveira leg.
Distribuição: litoral sudeste do Brasil.
Notas biológicas: todo o materialempregado originalmente para a
descrição de S. sanctisebastiani estava em associação com Lophogorgia
punicea (Milne Edwards & Haime, 1857) (Anthozoa, Gorgonacea). Entretanto,
o atual demonstrou que essa associação não é obrigatória; os exemplares
são parte de uma extensa colônia que se desenvolvia sobre uma superfície
rochosa levemente inclinada, com hidrocaules muito desenvolvidos, os mais
longos com 11 a 13cm de comprimento. Quinze exemplares foram mantidos
em aquários por 6 meses, sendo alimentados com plancton vivo e náuplios de
Artemia sp. Durante esse período, os animais sofreram vários ciclos de
senectude, morte, regeneração e amadurecimento sexual. Os hidróides só
produziram medusas masculinas, que viveram por até 12 horas, liberando os
espermatozóides logo após o desprendimento. É importante ressaltar que no
desenvolvimento dos gonossomos sempre houve a formação inicial dos
nematóforos e posteriormente dos gonóforos, o que comprova a constância
desse caráter a níveis genérico e específico.
Zyzzyzus Stechow, 1921
Zyzzyzus STECHOW, 1921:30.
Trofossomo solitário, com hidrorrizas de fixação filamentosas ou
tuberosas na região proximal do hidrocaule. Hidrocaule com perissarco fino e
delicado. Gonossomos simples, com ramificações de primeira ordem.
Gonóforos na forma de criptomedusóides.
Espécie-tipo: Tubularia solitaria Warren, 1906, designação original.
Zyzzyzus solitarius (Warren, 1906)
(Figs. 4-5)
Tubularia solitaria WARREN, 1906: 83-96, pranchas X-XI: figs. 1-26.
Zyzzyzus solitarius: STECHOW, 1921:30
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
Hidróides ... 105
Material examinado: BRASIL. São Paulo: São Sebastião, Ponta do Jarobá
(23°49'40"S; 45º25'24"0) vários indivíduos sobre esponja em placa de recrutamento, 2,5m de
profundidade, MNRJ 888, 27.X1.1984, F.L. da Silveira leg.; MCN 28, 27.X1.1984, F.L. da Silveira leg.;
vários indivíduos sobre esponja em placa de recrutamento, 2,0m de profundidade, MS, 10 e
15.1.1985, A.E. Migotto leg.; vários indivíduos sobre esponja em fundo rochoso, 2,0m de
profundidade, MS, 03.V.1985, A.E. Migotto leg.; Ponta do Baleeiro (23°49'45"S; 45º25'30"0),
vários indivíduos crescendo sobre esponja em fundo rochoso, 0,5m de profundidade, MS,
27 NII11.1985, A.E. Migotto leg.
Descrição: trofossomos sempre em associação com esponjas.
Hidrocaules creme, capazes de flexões em todas as direções, com canais
longitudinais do cenossarco bem visíveis na porção mais distal. A parte do
hidrocaule crescendo para dentro dos tecidos da esponja é muito variável (de
1/3a2/3 do comprimento total do hidrocaule). Fixação dostrofossomos, nos
casos de associações com poríferos de esqueleto de espongina bem
desenvolvido, através do ancoramento por hidrorrizas; o esqueleto de
espongina recobre, eventualmente, a porção mais proximal do hidrocaule.
Hidrante com tentáculos creme, os aborais em uma única série, e os orais
arranjados irregularmente ao redor da boca. Hipostômio avermelhado.
Gonossomos femininos e masculinos em um mesmo trofossomo, brotando da
parede do hipostômio entre as duas coroas de tentáculos. Criptomedusóides
transparentes, com espádices longos e avermelhados, o mais desenvolvido,
geralmente o do ápice do gonossomo. Actínulas, quando liberadas, dotadas
apenas de tentáculos aborais levemente capitados, dispostos
alternadamente para cima e para baixo. Dados sobre as características de
muitos trofossomos são apresentados na tabela Ill.
Nematocistos de 4 tipos, assim distribuídos:
T Fem uticá: auto “26 Tais
Estenotelo grande 6,6 - 11,2x4,6 - 9,9um. Numerosos.
Estenotelo pequeno 4,6 - 6,6x3,3 - 59um. Numerosos.
Basitrico isorriza 3,3 - 6,6x1,3 - 2,64 m. Poucos.
Eremita é IRRE IR DBONFET 35
Estenotelo 39 0,0X9,9 - 9,9UM. Numerosos.
Basítrico isorriza 4,6 - 7,9x2,0 - 40um. Poucos.
Microbásico mastigóforo 7,3 - 11,2x4,0 - 60Um. Numerosos.
Desmonemo 2,6 - 4,6x2,6 - 464m. Numerosos.
= 0, .n..0. Monrkots
Estenotelo grande 9,9 - 12,5x7,9 - 11,9Um. Numerosos.
Estenotelo pequeno 5,3- 6,6x4,6 - 5,9um. Numerosos.
Disc u ss ä c: Zyzzyzus solitarius diferencia-se dos demais
tubulariideos pelo seu hábito e, também, pela sua condição monóica.
. WATSON (1979) transferiu para o gênero a espécie Tubularia spongicula von
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
106 MIGOTTO, AE. & Fábio L. da Silveira
Ledenfeld, 1884, da Austrália, pela presença de criptomedusóides
masculinos e femininos em um mesmo gonossomo.
Distribuição: África do Sul (WARREN, 1906: MILLARD, 1975,
1978). Ilhas Cabo Verde (RITCHIE, 1907). e Trinidad (MILLARD, 1975). Nova
ocorrência para o litoral sudeste do Brasil.
Notas biológicas: observamos, em alguns casos, o
brotamento de novo trofossomo a partir do hidrocaule de um trofossomo bem
desenvolvido (fig. 4).
Família CORYMORPHIDAE Allman, 1872
Trofossomo solitário, com perissarco gelatinoso. Região proximal do
hidrocaule com papilas e/ou longos filamentos de fixação. Medusa, quando
presente, com 1-4 tentáculos perradiais e sem bandas de nematocistos na
exumbrela.
O bs ervaçó es: asistemáticados hidróides da família
Corymorphidae é menos confusa que aquela dos Tubulariidae. As
características dos pólipos são suficientemente bem estabelecidas para
permitir a sua classificação. REES (1957), por exemplo, baseando-se apenas
nos pólipos dos Corymorphidae, reconheceu 4 subfamílias. Em Corymorpha
palma Torrey, 1902, as papilas do hidrocaule possuem estatocistos, uma
provável adaptação ao hábito de enterrar-se, parcialmente, em substrato
areno-lodoso (CAMPBELL, 1972).
Corymorpha M. Sars, 1835
Corymorpha M. SARS, 1835:6, prancha |, fig.3.
Steenstrupia FORBES, 1846: 287. Atribuído à fase de medusa.
Euphysora MAAS, 1905:6. Atribuído à fase de medusa.
Tentáculos filiformes, os orais dispostos em várias séries, e os aborais,
em um só círculo. Gonóforos fixos ou na forma de medusas livres. Medusa
com um tentáculo moniliforme, canal e processo apicais.
Espécie-tipo: Corymorpha nutans M. Sars, 1835, designação original.
Corymorpha sp.
Material examinado: BRASIL. São Paulo: Ubatuba, Ilha Anchieta, 1 pólipo,
arrasto de fundo (15-18m) com rede de coleta de camarão, no sentido Norte-Sul, entre a Ilha e o
continente (23º32'00"-23º33'20"S; 45º05'30"0), MS, 06.1X.1983, N.J. Hebling leg.
Descriçáão: hidrocaule com 50mm de comprimento, com os
diâmetros de 3,2mm logo abaixo do hidrante, 5,6mm no terço distal e 4,0mm
no terço proximal. Região mediana do hidrocaule com uma cavidade central
preenchida por “parênquima” frouxo, marginada com 26 cristas
endodérmicas longitudinais, algumas chegando a formar um canal
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
Hidróides ... 107
verdadeiro. Região proximal do hidrocaule com papilas, muitas das quais
danificadas ou partidas. 88 tentáculos aborais com 22mm de comprimento, e
cerca de 320 tentáculos orais com 2,5mm de comprimento. Hidrante com
9mm de diâmetro ao nível dos tentáculos aborais, e cerca de 12mm de
comprimento da base até o ápice do hipostômio. 52 gonossomos na parede
do hipostômio entre as duas coroas de tentáculos, com eixos principais a
partir dos quais surgem ramos secundários abaxiais com gonóforos
terminais. Gonóforo, aparentemente medusa imatura, com 0,4mm de
comprimento e 0,28mm de diâmetro, 4 canais radiais e canal circular,
processo apical, 4 bulbos tentaculares, e manúbrio tão longo quanto ou mais
curto do que o comprimento da umbrela.
Nematocistos de 4 tipos, assim distribuídos:
nes noi. ape til OS Olese ml S
Estenotelo grande “11,2 - 13,9x9,9 - 12,4um. Numerosos.
Estenotelo pequeno 7,3 - 9,9x4,6 - 7,3um. Numerosos.
Basítrico isorriza 59739826. aum: | Poticos:
Desmonemo 5,3 - 9,9x4,0 - 6,6um. Numerosos.
Re nm arerun ’ors- “ab otras
Estenotelo 6,6 - 11,9x5,3 - 10,64m. Numerosös.
Átrico isorriza 4,0 - 11,2x4,0 - 8/0um. Numerosos.
Basitrico isorriza (?) 13- 86x26 -- 3,3 nPoucos:
Desmonemo 4,6 - 8,0x4,0- 6,6Um. Poucos.
Etroiniso Sessions
Estenotelo grande 10,6 - 11,9x9.2 - 10,64m. Poucos.
Estenotelo pequeno 6,6 - 9,2x4,6 - 7,34m. Poucos.
Basitrico isorriza (?) 6,6 - 82x2,6 - 334m. Poucos.
Microbásico mastigóforo 22,4 - 41,0x2,6 - 4,6Ym. Poucos.
Discuss àão:ogênero Corymorpha é muito bem representado
considerando-se a sua ocorrência e distribuição. KRAMP (1961) fez uma
sinopse da ocorrência das medusas de Corymorpha (= Euphysora).
As espécies bem definidas estão reduzidas a três, Corymorpha nutans
M.Sars, 1835, Corymorpha bigelowi (Maas, 1905) e Corymorpha pendula L.
Agassiz, 1862, apesar de existirem várias formas, provavelmente sinônimas
ou insuficientemente descritas. Corymorpha sp. difere dessas três espécies
quanto aos tentáculos, gonossomos e cnidoma (tabela IV). Dada a grande
variabilidade morfológica dos Tubularoidea e ao fato de dispormos de apenas
um exemplar, decidimos, no momento, pela não descrição de uma nova
espécie. Talvez esse material corresponda, ainda, ao pólipo de alguma das
diversas medusas de Corymorpha (= Euphysora) já assinaladas para as
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
108 MIGOTTO, A.E. & Fábio L. da Silveira
águas subtropicais da costa atlântica da América do Sul (VANNUCCI, 1957;
RAMIREZ & ZAMPONI, 1981).
AGRADECIMENTOS
Aos Drs. Antônio Frederico Campaner, Erika Schlenz, Sérgio Antônio Vanin (Instituto de
Biociências da Universidade de São Paulo — IBUSP), e Mestre Maria Angélica Haddad
(Universidade Federal do Paraná), pelas revisões e sugestões. Aos Drs. Arno Antônio Lise (MCN),
Denise Navas Pereira (Companhia Estadual de Saneamento Ambiental), Eliana Scemes (IBUSP),
Nilton José Hebling (Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho), Mestre Maria Júlia da Costa
Belém (MNRJ) e Lic. Mônica D. Corrêa (Universidade Federal do Rio de Janeiro) pelo envio e
empréstimo de exemplares. Aos Mestres Beatriz Mothes de Moraes (MCN), pela identificação da
esponja e Horácio Higuchi (Museum of Comparative Zoology, Harvard University) pelo envio de
material bibliográfico. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pela
utilização dos equipamentos concedidos ao Centro de Biologia Marinha da Universidade de São
Paulo (CEBIMar) (Proc. 83/1633-0).
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):95-1 15, 30 de maio de 1987
Hidróides ...
111
rs ul
Figs. 1-5. 1 e 2. Halocordyle disticha (Goldfuss, 1820): 1. Região terminal de uma colônia,
material fixado. a. ramo principal; b. nó; c. internódio; d. hidrante terminal do ramo principal; e.
hidrocládio; f. hidrante terminal do hidrocládio: g. pedículo; h. hidrante secundário. (Escala: 5'mm.);
2. Hidrante secundário com gonöforos. a. pedículo; b. tentáculo filiforme; c. tentáculo capitado; d.
eumedusóides. (Escala: imm); 3. Ectopleura warreni (Ewer, 1953), hidrante com
criptomedusóides femininos bem desenvolvidos, material fixado. a. hidrocaule; b. tentáculo
aboral; c. tentáculo oral; d. criptomedusöide feminino. (Escala: imm.); 4 e 5. Zyzzyzys solitarius
(Warren, 1906): 4. Trofossomo com criptomedusóides bem desenvolvidos, material vivo. a.
hidrorriza tuberosa; b. hidrorriza filamentosa; c. hidrocaule; d. canais longitudinais do hidrocaule;
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Aleç.«., (66):95-115, 30 de maio de 1987
112 MIGOTTO, AE. & Fábio L. da Silveira
e. tentáculos aborais; f. tentáculos orais; g. criptomedusóide, provavelmente masculino: h..
criptomedusóide feminino com actínulas em formação. A porção do hidrocaule abaixo da seta
corresponde à região imersa na esponja. (Escala: Imm.); 5. Trofossomo sem gonossomos,
mostrando brotamento de um novo indivíduo. (Escala: imm.).
Tabela | — Variações de algumas características morfológicas de
Halocordyie disticha (Goldfuss, 1820) (Hydrozoa, Tubulariidae), baseadas em
30 colônias procedentes de São Sebastião, São Paulo, Brasil.
Valor
Médio Min. Máx.
HIDROCAULES
Ramos principais
comprimento (mm) 58 30 95
diâmetro (mm)
base 0,38 0,20 0,60
ápice 0,19 0,08 0,36)
nº de anéis 4 2 10
Hidrocládios
nº por ramo principal 24 14 40
comprimento dos maiores (mm) 9,30 5,00 18,00
diâmetro (mm) 0,19 0,16 0,20
distância entre as bases (mm) 3,20 AO 4,70
nº de anéis 3 1 6
HIDRANTES
Pedículos
comprimento (mm) 0,60 0,20 1,40
diâmetro (mm) 0,09 0,06 O2
n° de aneis 3 2 4
nº máximo p/hidrocládio 7 3 11
Comprimento (mm)* 1,0 0,40 2,00
Diâmetro (mm)** 0,32 0,20 0,40
Nº de tentáculos*** N
aborais 9 5 2
orais 16 7 23
EUMEDUSÖIDES
Comprimento (mm) 0,70 0,42 0,81
Diämetro (mm) 0,50 0,20 0,64
» da base do hidrante ao ápice do hipostômio
** ao nível dos tentáculos aborais
*** nos hidrantes das extremidades dos ramos principais e das
extremidades dos hidrocládios.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
Hidróides ... 113
Tabela II — Variações de algumas características morfológicas de
Ectopleura warreni (Ewer, 1953) (Hydrozoa, Tubulariidae) baseadas em 158
exemplares (39 masculinos, 51 femininos e 68 indeterminados) procedentes
de São Sebastião, São Paulo, Brasil. MACHOS = gonossomos com
criptomedusóides repletos de massa espermáticadbranco-leitósa. FÊMEAS =
gonossomos com criptomedusóides com embriões e/ou actínulas.
INDETERMINADOS = gonossomos com criptomedusóides rudimentares.
MACHOS FÊMEAS INDETERMINADOS
Valor Valor Valor
Médio Min. Max. Médio Min. Máx. Médio Min. Máx.
HIDROCAULE
Diâmetro (mm)
proximal 27 PO BrMOSA FOR 50,18 0,50) 0,27 108% 30/58
distal 0425 "0,267 0/60" 0405 0:29) 10/58" 0,32 07183 70,60
HIDRANTE
Diâmetro” (mm) 153790758 7250721622 0707 410) 70,94 0:36” Pao
Tentáculos
aboral
número 21 12 27 19 16 27 17 11 25
comprimento (mm) 410004 0/40 76/00) 328/63% 2100 26/00" 2:37 820467 73:40
oral
número 18 IA 20 17 11 30 — — —
comprimento (mm) 134, 20/40 1:90 7 1,507 40/60) 7 1,90, 090020: 1,90
GONOSSOMOS
Número — — — 11 6 1 — — —
Comprimento (mm) 2000 903722 14:80, 21708 2055 2370) 0622 0112 7150
CRIPTOMEDUSÖIDES
Comprimento (mm) 044) 027. 046 70,547 034 7 0,927 037 7 0,26 "0,48
Diâmetro (mm) 083" Vo 18 togB “0452 027 0,73 KO2sı) O139 7033
ACTINULAS**
Nº tent. aborais — — — 8 6 12 u — —
* ao nível dos tentáculos aborais
«* até 5 horas após a liberação
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Aiuyre, (66):95-115, 30 de maio de 1987
114 MIGOTTO, A.E. & Fábio L. da Silveira
Tabela Ill — Variações de algumas características morfológicas de
Zyzzyzus solitarius (Warren, 1906) (Hydrozoa, Tubulariidae) baseadas em 20
exemplares procedentes de São Sebastião, São Paulo, Brasil. ADULTOS =
Gonossomos com criptomedusóides repletos de massa espermática branco-
leitosa, embriões, ou actínulas. INDETERMINADOS = gonossomos com
criptomedusóides rudimentares.
ADULTOS INDETERMINADOS
Valor , Valor ;
Médio Min. Max. Médio Min. Máx.
HIDROCAULE
Comprimento (mm) 7,20%, 4,002 79:60 530 0,60 9,60
Diämetro (mm) Oto 0:60 1,008. 70.60 0,40 0,80
HIDRANTE
Tentáculos
aboral
número 22 18 24 22 16 26
comprimento (mm) 2.60 SO 4,00 2,20 0,60 3,20
oral
número 15 10 18 14° 09 18
comprimento (mm) 0,94 0,80 12020702 2,020 1,20
GONOSSOMOS
Número 6 3 8 6 S 9
CRIPTOMEDUSÓIDES
Comprimento (mm) 0,82 0,68 0,92 - - -
Diâmetro (mm) 016972052 0,88 - - :
ACTINULAS
Nº por criptomedusóide 3 2 4
Nº de tentáculos aborais - 10 14
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):95-1 15, 30 de maio de 1987
115
Hidróides ...
(8/61) SI3H 8 NVINVSSYS (9)
(€56L) TISSNH (4)
(0/61) SSOA-NNVINXONIHS (E)
(7161) NOTINOS (2)
(2981) ZISSVOV (1)
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Nuevos hallazgos de decápodos (Crustacea) en la provincia
de Misiones, Argentina.*
Gustavo A. Bishal**
RESUMO
Neste trabalho registra-se, pela primeira vez, a ocorrência de Aegla parana Schmitt, 1942
(Anomura, Aeglidae) na Argentina. Esta espécie não foi encontrada desde que seu autor
descreveu alguns espécimens recolhidos durante 1925 no Estado do Paraná (Brasil).
Apresentam-se características gerais deste novo material, junto com as medidas básicas e
dados biológicos. Ainda são feitas considerações de ordem ecológica e assinalam-se novas
localidades para outros crustáceos do Sistema do Rio Iguaçu, como Macrobrachium borellii
(Nobili, 1896) (Caridea, Palaemonidae) e um decápodo pouco conhecido, Trichodactylus
(Trichodactylus) petropolitanus (Göldi, 1886) (Brachyura, Trichodactylidae).
ABSTRACT
In this paper, the presence of Aegla parana Schmitt, 1942 (Anomura, Aeglidae) in Argentina is
reported for the first time. This species had never been found again since its author described
some specimes collected during 1925 at the State of Paraná (Brazil). The most important features
of this new material, including the basic measurements and biological data, are presented.
Ecological remarks and new localities at Misiones province, are commented for other
crustaceans of the Iguazú River System, such as Macrobrachium borellii (Nobili, 1896) (Caridea,
Palaemonidae) and a less Known decapod, Trichodactylus (Trichodactylus) petropolitanus
(Goldi, 1886) (Brachyura, Trichodactylidae).
INTRODUCCION
La presencia de decápodos en la provincia de Misiones (Argentina) sólo
está registrada para la zona sur y sudeoeste de la misma. Extranamente, enla
literatura carcinológica, no existen referencias sobre localidades de captura
ubicadas en el Rio Iguazú o alguno de sus afluentes, a pesar de ser una de las
cuencas más importantes dentro del sistema hidrográfico del nordeste
argentino.
* Aceptado para su publicación en 26.V1.1986
** linvestigador adscripto al Departamento de Ciencias Biológicas, Facultad de Ciencias Exactas y Naturales, Universidad de
Buenos Aires, Ciudad Universitaria, Pabellön Il, 4º piso, (1428) Buenos Aires, Argentina
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):117-128, 30 de maio de 1987
118 BISBAL, G.A.
En eltranscurso de campanas realizadas en el Parque Nacional Iguazú y
sus alrededores, durante enero y febrero de 1984 y febrero de 1985, se
procedió a la recolecciön de crustáceos en dicha región (fig.1). Como
resultado de ese muestreo se detectó, entre otras, la presencia de Aegla
parana Schmitt, 1942.
El objetivo de esta contribución es dar a conocer elmencionado hallazgo
que constituye la primera cita de esta especie para la Argentina, y el único
registro desde su descripciön original. Asimismo, se: mencionan nuevas
localidades y datos biológicos para Macrobrachium borellii (Nobili, 1896)
(Caridea, Palaemonidae) y Trichodactylus (Trichodactylus) petropolitanus
(Göldi, 1886) (Brachyura, Trichodactylidae).
MATERIAL Y METODOS
Las capturas fueron realizadas a mano y, en ocasiones, mediante el uso de una pequefia red
de malla fina. Las medidas y relaciones morfométricas de los aéglidos (tabla |) se registraron de
acuerdo ala metodologia sugerida por RINGUELET (1948a). En los palemónidos, se midió el largo
total (LT) desde el ápice del rostro hasta elextremo deltelson,y el largo delcaparazón (LC) desde
el seno orbitario hasta el extremo posterior del caparazón. Para esto se empleó un calibre, cuyo
error era de t O,imm, y ocular micrométrico para la lupa binocular.
Todos los ejemplares fueron depositados en la colección de crustáceos del Instituto de
Limnologia “Dr. Raúl A. Ringuelet” (ILPLA), y en la coleceiön general del Museo Argentino de
Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia” (MACN).
Como material adicional de estudio y comparación se contó con tres paratipos de A. parana,
colectados junto con el holotipo por Schmitt (1942), que se hallan depositados en el National
Museum of Natural History, Washington D.C. (USNM) bajo el número 169118. Un ejemplar de
igual procedencia, transferido por canje, se encuentra en el MACN bajo 'el número 25685. La
imposibilidad de contar con el holotipo (USNM Nº 80016) determinó que algunas de sus medidas
debieran ser logradas a partir de una fotografia del mismo, pese a los errores que este
procedimiento implica.
Familia AEGLIDAE Dana 1852
Género Aegla Leach, 1821
Aegla parana Schmitt, 1942
(Figs. 2-5)
Aegla parana SCHMITT, 1942:458-61; figs. 42 a-e, 43, lam. 25, A.
Aegla parana: RINGUELET, 1949c:113, 116; RINGUELET, 1949a:16; WILLIAMSON Y
MARTINEZ FONTES, 1955: cuadro 1 y mapa; RINGUELET, 1960:247; MANNING
Y HOBBS, 1977:159; RODRIGUEZ, 1981:47.
Material examinado: BRASIL. Parana:Rio Negro, é, 1PUSNM 169118, 12.X%.1925.1&
MACN 25685, 13. X. 1925, W.L. Schmitt leg., ARGENTINA. Misiones: Parque Nacional Iguazú
(Arroyo Ibicui, entre la ruta 101 y la desembocadura), 16 ILPLA 143,2$MACN 32601, 24.11.1985,
D. Somay y S. Gómez leg..
Diatos | bi Eulkorguievousard its itiriibruNneraloxlassiguientes
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):117-128, 30 de maio de 1987
Nuevos hallazgos de decápodos ... 119
generalizaciones morfológicas definen sólo algunas de las estructuras
observables en el material disponible. Con ellas se logra determinar
ejemplares de esta especie y enriquecer la descripción original. Cresta
superior del mero de los quelípedos con una hilera de fuertes espinas que
decrescen en tamano hacia el extremo proximal del artejo; margen ventral
externo con una espina aguda (1) cerca del extremo distal, seguida por dos, o
a veces tres, lóbulos menores, espinados o no; margen ventral externo con
una espina (2) justo en elextremo distal, seguida hacia atrás, por una segunda
(3).
En la armadura del margen ventral interno de los isquios de los
quelípedos están siempre presentes dos espinas de igual tamafio (4), una
proximaly otra distal, por lo general sin conos secundarios entre ambas. En un
é USNM 169118 se observan dos espinas de menor tamano, entre las dos
extremas, sobre el isquio del quelipedo izquierdo. En el derecho, hay sólo una
espina pequena en dicha posición. En el ejemplar MACN 25685 se aprecian
dos conos espinulados intermedios en el isquio del único quelípedo.
Las espinas numeradas de 1 a 4 son de tamafio semejante.
El borde dorsal de los meros del primer par de patas ambulatorias está
armado con una hilera de fuertes espinas que, a partir del extremo distal,
reducen su tamano hasta desaparecer antes de alcanzar el proximal; en el
segundo par de patas, la hilera es más breve y representada por espinas
relativamente más pequefias; en el tercer par, la reducción de la extensión y
altura de las espinas se acentúa aún más, o bien pueden estar ausentes.
El isquio del primer par de patas posee una espina distal sobre el extremo
ventral interno. Una espina de tamano similar se encuentra en cada ângulo
anterolateral del área esternal entre los quelipedos.
Los únicos ejemplares conocidos hasta el momento, fueron colectados
en el ano 1925, en Rio Negro, Estado do Paraná, Brasil (localidad típica)
(SCHMITT, 1942). Esta localidad se encuentra, aproximadamente, a 60km al
este del punto en el que el Rio Negro confluye con el Rio Iguazú. Desde
entonces, no volvió a mencionarse la aparición de esta especie.
Con el presente material procedente del arroyo Ibicui, que vierte sus
aguas en el Río Iguazú, dentro del Parque Nacional Iguazú, se extiende la
distribuciön conocida de este anomuro a la provincia de Misiones, Argentina
Mo. 1)
Los ejemplares fueron capturados a mano al remover las piedras
asentadas sobre un fondo de arena gruesa, a 30cm de profundidad, y
desprovisto de vegetación. Este ambiente, muy común en los cuerpos lóticos
de la región, se denomina “corredera” y está caracterizado por la escasa
profundidad y la elevada velocidad de corriente; el agua fluye en forma
torrentosa y adquiere gran transparencia y oxigenación. En horas del
mediodia, el registro de la temperatura en superficie alcanzó 24°C, y un pH de
ns.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):117-128, 30 de maio de 1987
120 BISBAL, G.A.
Discusión: en términos generales, el nuevo material responde con
buena aproximación a la descripción original. Por este motivo, sólo se ha
hecho mención de aquellas estructuras novedosas o muy destacadas. Sin
dudas, como lo sefiala SCHMITT (1942), la conspicua hilera de espinas del
borde dorsal de los meros ambulatorios en A. parana se convierte en una
particularidad inconfundible frente a otras especies. En cuanto a la
ornamentación de los quelípedos, la detección de cono secundarios
adicionales entre ambas espinas extremas del margen ventral interno de los
isquios, aclara la confusión que, sobre la existencia o no de los mismos, se
detecta en la obra de SCHMITT (1942). Uno de los ejemplares aqui descriptos
mide 37,6mm de longitud de caparazón, lo que coincide con la referencia
hecha sobre las grandes tallas observadas en individuos de esta especie. Los
valores para la relación AC/F (entodos los casos menores que 3) indican que
la frente es ancha; los valores SO/SEO hablan de senos extraorbitales \
anchos. La longitud del rostro (LC/R) parece ser la más variable ya que
permite observar rostros largos, medianos y aún cortos (RINGUELET, 1948a).
Con seguridad, un ulterior tratamiento estadístico, basado en un mayor
tamafio muestral, acotará los límites de variación de las distintas relaciones
morfométricas y permitirá su comparación con otras especies ya estudiadas.
Resulta evidente que al contar con nuevos ejemplares se observen
algunas pequefias diferencias que parece acertado considerar dentro del
rango de variación que puede presentar una estructura particular. En esta
oportunidad, por tratarse de un lote reducido, es escasa la información que se
puede aportar sobre la variabilidad de cada caracter:tampoco es abundante
en el trabajo de SCHMITT (1942), muy probablemente por céntico motivo.
Hasta el momento, el hallazgo de una nueva especie (A. singularis) en el
sudoeste de Misiones (RINGUELET, 1948b) y la extensión de la cistribución
conocida de A. platensis Schmitt, 1942 hasta elsur de lamisma (RINGUELET,
1959), constituían las únicas referencias sobre la presencia de aéglidos en
dicha provincia (fig. 1). Con esta nueva cita de A. parana, se torna interesante
destacar la proximidad geográfica de estas tres especies que, junto-con A.
uruguayana Schmitt, 1942, son consideradas las más primitivas entre las
especies conocidas hasta el momento y han sido propuestas como probable
origen de los distintos grupos evolutivos descriptos por RINGUELET (1949c)
al trazar el esquema filogenético del género. Este hecho puede resultar de
utilidad al considerar los posibles genocentros del grupo asf como las
probables vías de poblamiento seguidas durante su dispersión (ORTMANN,
1902; SCHMITT. 1942; RINGUELET & LOPRETTO, 1980).
De esta manera, A. parana es la tercera especie del género que se
menciona para la provincia de Misiones, en tanto que la lista para la Argentina
asciende a 11 especies y 2 subespecies.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):117-128, 30 de maio de 1987
Nuevos hallazgos de decápodos ... 121
Familia PALAEMONIDAE Rafinesque, 1815
Género Macrobrachium Bate, 1868
Macrobrachium borellii (Nobili, 1896)
Material examinado: ARGENTINA Misiones: Parque Nacional Iguazú (Arroyo
Arrechea, intersección con picada Macuco), 48,2 (ovigeras) MACN 32604, 11.11. 1984, D.
Somay y S. Gómez leg..
Distribucióny datos biológicos: este palemónido, de amplia
distribución en los ambientes de agua dulce de Paraguay, Uruguay y centroy
norte de la Argentina, es bien conocido y ha sido detalladamente abordado
por RINGUELET (1949b), HOLTHUIS (1952) y BOSCHI (1981) entre otros, en
cuanto a su morfologia, datos biológicos y distribución.
En esta oportunidad, los ejemplares se capturaron sumergiendo una red
de malla fina a 30cm de profundidad, en un punto de flujo correntoso y fondo
basáltico sin vegetar; profundidad máxima: 60cm. La temperatura del agua en
superficie, en horas del mediodia, alcanzó 24ºC, y su pH 7,2.
Entre los integrantes del lote, dos resultaron ser hembras en estado
ovígero, con la masa de huevos sujeta entre sus pleópodos. En una de ellas
(LT: 32,7mm, LC: 7,5mm) se contaron 20 huevos de tamano intermedio entre
1,96 y 2,27mm; en la otra (LT: 33mm, LC: 7,/mm) 22 huevos de tamano entre
2,16 y 2,47mm. En los cuatro ejemplares machos restantes (LT: 25,3mm, LC:
6,0mm; ET: 246mmo LC:’5;8mm; LT:.24,. mm; LG;:5;4mm;: LT::22,9mm, LG:
5,2mm), el escaso desarrollo del segundo par de pereiópodos, cuyos dedos
son de longitud semejante a la de las respectivas palmas, junto con la escasa
setaciön y espinulación de estos apéndices, indicaría que se trata de
individuos juveniles (HOLTHUIS, 1952).
Con respecto a la provincia de Misiones, el área de distribución de M.
borellii incluiria sólo su extremo sudoeste (BOSCHI, 1981). El presente
registro amplia dicho limite hasta las cercanias del área de Cataratas (fig. 1).
Familia TRICHODACTYLIDAE H. Milne Edwards, 1853
Género Trichodactylus Latreille, 1828
Trichodactylus (Trichodactylus) petropolitanus (Goldi, 1886)
(Figs. 6-9)
Sylviocarcinus petropolitanus GOLDI, 1886:33, T. 3, fig. 18-23.
Trichodactylus petropolitanus: MOREIRA, 1901:46, 108.
Trichodactylus (Trichodactylus) petropolitanus petropolitanus: BOTT,
1969:19, Taf. 2 Fig. 3a-b; Taf. 18 Fig. 36. Sinonimiy bibliografia completas
hasta 1969.
Trichodactylus (Trichodactylus) petropolitanus paranensis: BOTT, 1969: 20,
Taf. 2 Fig. 4a-B.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):117-128, 30 de maio de 1987
122 BISBAL, G.A.
Trichodactylus (Trichodactylus) petropolitanus petropolitanus: MANNING &
HOBBS, 1977:160.
Trichodactylus (Trichodactylus) petropolitanus paranensis: MANNING &
mMOBBS 19/10
Trichodactylus petropolitanus: RODRIGUEZ, 1981:48.
Material examinado: ARGENTINA. Misiones: Parque Nacional Iguazú (Arroyo
Mbocai, a ikm del cruce con la ruta 12), 38 y 1& MACN 32603, 05.11.1984, (Arroyo Yacuy,
intersección con la ruta 101), 28]ILPLA 100, 07.11.1984, (Arroyo Ibicui, entre la ruta 101 y la
desembocadura), 12 MACN 32602, 24.11.1985, D. Somay y S. Gómez leg..
Distribucióny datos biológicos: BOTT,(1969)y RODRIGUEZ
(1981), localizan a esta especie entre Rio de Janeiro y Santa Catarina (Brasil).
Para la Argentina, la primera y única mención de su hallazgo aún es inédita, y
corresponde a LOPRETTO(Ms) quien determinara material procedente de la
zona sur de Misiones.
En esta ocasión, todos los ejemplares provienen de arroyos de la zona
norte de dicha provincia (fig.1). Las capturas se realizaron arrastrando una red
de fondo en ambientes a la sombra, de aguas claras y torrentosas; la
temperatura en la superficie, en horas delmediodia, osciló entre 22 y24,5°C, y
el pH entre 7,2 y 7,5. En el Arroyo Yacuy, el muestreo se efectuó sobre un
fondo de cantos rodados, a 10cm de profundidad; en el Arroyo Mbocai, a una
profundidad de 150cm, el fondo era arenoso; en todos los casos sin
vegetación acuática flotante o arraigada.
Discusión: hay coincidencia entre diversos autores (LOPRETTO,
1976: RODRIGUEZ, 1981) en que la taxonomia de los Trichodactylidae es
imperfecta, probablemente por lo reducido de las muestras o lo impreciso de
las descripciones originales, basadas, por lo general, en caracteres
ectosomáticos de dudosa validez. De este modo, la sistemática del grupo ha
sido reiteradamente modificada por no contarse con un criterio uniforme para
la determinación. Así BOTT (1969), reconoce dos subespecies dentro de
Trichodactylus (Trichodactylus) petropolitanus — T. (T.) petropolitanus
petropolitanus y T. (T). petropolitanus paranensis — confesando sus dudas
sobre las diferencias reales entre ambas, ya que considera que su muestraes
sesgada. Estudios posteriores, empleando como caracter diferencial la
estructura de los pleöpodos sexuales masculinos, niegan la existencia de
esas y algunas otras subespecies y cuestionan, präcticamente, la sistemática
de toda la família (SMALLEY & RODRIGUEZ, 1972; LOPRETTO, 1976;
RODRIGUEZ ST FOPREIIOFMS)):
AGRADECIMIENTOS
El autor desea expresar su agradecimiento a la Dra. Estela C. Lopretto (ILPLA), por las
invalorables sugerencias aportadas, así como por la lectura crítica del manuscrito; al
Guardaparque Daniel Somay (Parque Nacional Iguazú) y al Lic. Sergio Gómez (Consejo Nacional
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):117-128, 30 de maio de 1987
Nuevos hallazgos de decápodos ... 123
de Investigaciones Científicas y Técnicas) por la recolección y entrega desinteresada del
material: al Lic. Eduardo Warman (Universidad de Buenos Aires) por el trabajo fotográfico.
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Nuevos hallazgos de decapodos 125
Fig. 1. Principales nallazgos de decapodos en el sistema hidrográfico de la provincia de
Misiones (Argentina) y. en detalle. del Parque Nacional Iguazu. 1. Aegla parana Schimitt, 1942; 2
Aegla singularis Ringuelet. 1948: 3. Aegla platensis Schmitt, 1942, 4. Trichodactylus
(Trichodactylus) petropolitanus (Goeldi. 1886): 5. Macrobrachium borellii (Nobili, 1896). La linea
de trazos indica el limite del Parque Nacional Iguazu
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):117-128, 30 de maio de 1987
\
126 BISBAL. G.A.
Figs. 2-5. Aegla parana Schmitt, 1942: 2.8 ILPLA 143, vista dorsal; 3. & ILPLA 143, vista
ventral; 4-5. 26 MACN 32601, vista dorsal. (Las escalas representam 10mm).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):11 728, 30 de maio de 1987
Nuevos hallazgos de decapodos 127
Figs. 6-9. Trichodactylus (Trichodactylus) petropolitanus (Goldi, 1886): 68 MACN 32602,
vista dorsal; 7 E MACN 32602 vista ventral; 8 £ ILPLA 100, vista dorsal;9. £ ILPLA 100, vista
ventral. (Las escalas representan 10mm)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Aic ye, (66):117-128, 30 de maio de 1987
BISBAL, G.A.
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128
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):117-128, 30 de maio de 1987
Ocorrência de poriferos na zona de maré da Ilha João da
Cunha, Porto Belo, Santa Catarina, Brasil (Porifera,
Demospongiae) |.*
Beatriz Mothes de Moraes**
RESUMO
Com o presente trabalho inicia-se o primeiro estudo com as esponjas coletadas no litoral
rochoso da Ilha João da Cunha (27 0830'S e 483230 W), em Porto Belo. Santa Catarina
Registrou-se a ocorrência de: Tethya diploderma Schmidt, 1870, Pseudaxinella lunaecharta
(Ridley & Dendy, 1866), Tedania vanhoeffeni Hentschel. 1914 e Aplysina fistularis fulva, Pallas,
1768.
As espécies referidas são citadas pela primeira vez para aquela área geográfica
ABSTRACT
The preliminary results of a first sponge survey at the rocky littoral of Joäo,da Cunha Island
(27º08'30"S; 48º32'30 W) Porto Belo Beach, Santa Catarina State. Brazil are reported. The
following species are registered and have some of their morphological aspects commented:
Tethya diploderma, Schmidt, 1870, Pseudaxinella lunaecharta (Ridley & Dendy. 1866). Tedania
vanhoeffeni, Hentschel, 1914 and Aplysina fistularis fulva, Pallas 1766
INTRODUÇÃO
As grandes expedições oceanográficas que se fizeram presentes na
costa brasileira, com o objetivo de amostrar a fauna bentônica, tiveram sua
atenção sempre voltada às regiões Norte, Leste e extremo Sul da costa
brasileira, já contígua ao litoral do Uruguai. Até o presente, a fauna de poriferos
de Santa Catarina pertinente a grandes profundidades resta praticamente
sem investigação científica.
Em relação à zona de maré do litoral catarinense, os primeiros estudos
sistemáticos com o grupo encontram-se em VOLKMER-RIBEIRO & MOTHES
* Aceito para publicação em 07 VI 1986 Contribuição FZB n 323
** Pesquisadora do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN). Bolsista do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Proc 30.652/77-0C-07 Caixa Postal 1188. 90000. Porto
Alegre. Rio Grande do Sul. RS. Brasil
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegı -, (66):129-139, 30 de maio de 1987
130 MOTHES DE MORAES, B.
DE MORAES (1975) onde foi registrada a ocorrência de Geodia glariosus
Sollas, 1886 para o infralitoral de Imbituba.
Em 1985, MOTHES DE MORAES cita a presença de Myriastra purpurea
Ridley, 1884 para o mesolitoral de Porto Belo.
A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande,do Sul (PUC) realizou
várias viagens de estudos a Porto Belo. Nestas ocasiões foram obtidos vários
espécimes de esponjas da zona de maré. As coletas efetuaram-se nas
formações rochosas da Ilha João da Cunha e da praia de Porto Belo.
As amostras deste material foram enviadas à Fundação Zoobotänica do
Rio Grande do Sul, Setor de Porifera, para estudos taxonômicos.
MATERIAL E METODOS
Os espécimes coletados na Ilha João da Cunha e na praia de Porto Belo (SC) (fig.1) estão
depositados na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e amostras daqueles
espécimes objetos do presente estudo integram a coleção de Porifera do NIDISEN de Ciências
Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
O metodo empregado para a observacäo espicular segue conforme MOTHES DE MORAES
(1978).
Siglas usadas: MCN: Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotänica do Rio Grande
do Sul, Brasil; CE: Ceará, Brasil; PE: Pernambuco, Brasil: SC: Santa Catarina, Brasil: RJ: Rio de
Janeiro, Brasil; SP: São Paulo; Brasil; ES: Espírito Santo, Brasil.
RESULTADOS
Sub-Classe TETRACTINOMORPHA
Ordem NA DR O IMEIRNDIA
Família TETAVIDÃE Gray) 11827
Tethya diploderma Schmidt, 1870
(Figs. 2-6)
Materialexaminado:BRASIL. Santa Catarina: Porto Belo, 0,5m de profundidade, MON
419,04.X1.1974, AA. Lise leg.; Porto Belo (Ilha João da Cunha), 1,5m de profundidade, MCN
555.28.X.1978, C. Nunes leg: 1,5m de profundidade, MCN 558,28.X.1978. C. Nunes leg.; 1,9m de
profundidade, MCN 821,28.X.1978. C. Nunes leg.; 0,5m de profundidade, MCN 1059,15.X.1982,
AA. Lise leg.
Descrição: esponja hemisférica, porção basal ampla. Superfície com
pequenos tubérculos. Em alguns espécimes observam-se na superfície
gêmulas esféricas fixas ao corpo da esponja por pedúnculos rígidos.
Consistência: compressível. Ósculo na porção superior da esponja, quase
totaımente obstruído por grãos de areia. Poros não perceptíveis. Coloração:
amarela ou alaranjada; material preservado branco sujo ou castanho escuro.
Dimensões: o maior exemplar com 2,5cm de diâmetro. Ectossoma: camada
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66):129-139, 30 de maio de 1987
Ocorrência de poriferos 131
compacta de tilásteres entre as quais observam-se estilos com extremidades
distais dispostas em feixes. Coanóssoma: feixes de estilos dispostos
radialmente e entre estes ocorrem esferästeres e oxiásteres, distribuídos
irregularmente.
Escleras: Estilo: reto, com uma das extremidades abruptamente
pontiaguda e a outra discretamente arredondada; comprimento: 73611m-
1665um; largura 8-241ım. Esferáster: com 12 ou mais eixos cônicos, lisos.
algumas vezes dicotômicos; diâmetro: 28um-59um. Oxiäster: com 6 a Beixos.
cônicos ou estrongiliformes, microespinhados; diâmetro: 20-261m. Tiläster:
com 8 ou mais eixos cônicos, microespinhadura na porção distal do eixo;
diâmetro: 9um-1 6um.
Distribuição: cosmopolita (LAUBENFELS, 1956). BRASIL: Praia da
Boa Viagem, Recife (PE) e Praia do Lamberto, próximo a Ubatuba (SP)
(LAUBENFELS, 1956).
Comentários: osespécimes foram identificados através da
descrição oferecida por HOSHINO (1981). Realizou-se um estudo
comparativo com as descrições de BURTON (1924) e SELENKA (1880) e
constatou-se que as diferenças específicas são tão pequenas e que mais se
assemelham a diferenças ecomórficas dentro de uma única espécie, o que
vem ao encontro da proposição dé Topsent (1918) in HOSHINO (1981) que
posiciona T. maza Selenka, 1880 como um dos sinônimos de T. diploderma.
A espécie, que, até o momento, era conhecida para as regiões Norte e
Leste tem no presente estudo seu registro ampliado para a região Sul do
Brasil; constatando-se desta forma uma total abrangência da espécie ao
longo da costa brasileira.
ele NES E IDA
Família AXINELLIDAE Ridley & Dendy, 1887
Pseudaxinella lunaecharta (Ridley & Dendy, 1866)
(Figs. 3-7)
Material examinado:BRASIL. Santa Catarina: Porto Belo (Ilha João da Cunha),
4m de profundidade, MCN 211, 20.1.1973, S.M. Pauls leg., 1,5m de profundidade, MCN 554,
28.X.1978, C. Nunes leg..
Descrição: esponjamaciça; superfície bastante porosa eirregular,
com elevações em forma de cones (1-4mm altura) em cujos ápices ocorrem
ósculos (1,5mm de diâmetro) de forma circular ou elíptica. Consistência:
compressivel (in situ) e bastante rija (material preservado). Coloração:
vermelha alaranjada; material preservado amarelo pardacento. Dimensões:
10cm de comprimento, 5cm de largura e 4cm de altura, o maior exemplar.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):129-139, 30 de maio de 1987
132 MOTHES DE MORAES. B.
Ectossoma não diferenciado. O esqueleto é constituído por oxeas e estilos
que se dispõem numa estrutura discretamente plumosa, perpendicular à
superfície. Próximo a esta, a estrutura torna-se plumosa e as escleras
dispöem-se em um plano quase tangencial.
Es c ler a s: Öxea: discretamente encurvada, extremidades
gradualmente aguçadas; comprimento: 229-3354um; largura: 9-19um. Estilo:
discretamente encurvado; comprimento 185um-319um; largura 1 4um-23um.
Distribuicä o:llha do Cabo Verde (RIDLEY & DENDY, 1887),
Bahamas, (WIEDENMAYER, 1977); Costa Africana Ocidental (LEVI, 1960).
BRASIL: Recife (PE) (HECHTEL, 1976); Guarapari (ES) (SOLE-CAVA et alii,
1981).
Comentários: quanto aos aspectos morfológicos e espiculares
nada há-a acrescentar ao que foi descrito por WEDENMAYER (1977). Em
relação à distribuição geográfica, tem seu registro ampliado na costa
brasileira para a região Sul e além deste aspecto, é citada pela primeira vez
para uma região de clima subtropical.
SUb-G@lasse nor EN RTAC IT EINTONNEO REGA
Cresce prrrors CE eder
Família TEDANIIDAE Ridley & Dendy, 1886.
Tedania vanhoeffeni Hentschel, 1914.
(Figs. 4-8)
Material examinad o:BRASIL. Santa Catarina: Porto Belo, MCN 459,
04.X1.1973, A.A.Lise Leg.;0,5m de profundidade, MCN 420, 04.X1.1974, A.A. Lise leg.; Porto Belo
(Ilha João da Cunha) 0,5m de profundidade, MCN 1060, 15.X1.1982, A.A. Lise leg..
Dies criaçao esponjalincrusitaniessuperticieicomielevações
mamiliformes, algumas encimadas por ósculos (1-2mm de diâmetro), que
também ocorrem lateralmente às formações mamiliformes. A superfície é
totalmente percorrida por reentrâncias que se assemelham .a canais.
Consistência: bastante esponjosa; material preservado firme, porém
compressível. Coloração: vermelha alaranjada; material preservado
amarelado. Dimensões: o maior exemplar com 5cm de comprimento, 3cm de
largura e 1 cm de altura. Ectossoma constituído por tilotos dispostos em feixes
perpendiculares à superfície e tangendo a esta observam-se oniquetas.
Coanossoma: com estilos dispostos numa estrutura plumosa para irregular e
oniquetas distribuídas desordenadamente.
Escleras: Estilo: reto ou discretamente encurvado; extremidades
abruptamente pontiagudas; comprimento 2061m-2631im; largura: 6Um-8um.
Titolo: reto, extremidades com microespinhaduras; comprimento 1854m
229um; largura: 2Hm-4Um. Oniqueta (a): reta, microespinhada; comprimento:
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre, (66)129-139, 30 de maio de 1987
Ocorrência de poriferos 133
148um-190lim. Oniqueta (b): reta. microespinhada: extremidade com
espinho: comprimento: 59um-78Um.
Distribuição: Antártica (KOLTUN. 1964: BOURY-ESNAULT &
BEVEREN. 1982). BRASIL: Rio de Janeiro (RJ) (BOURY-ESNAULT. 1973);
Ilha do Cabo Frio (RJ) (MOTHES DE MORAES. (1985)
Comentários: aformaincrustante dos espécimes estudados é
sem dúvida uma característica que vem ampliar a descrição da espécie. uma
vez que até o momento eram conhecidas somente formas maciças
Apesar de ser este o primeiro registro para o litoral catarinense. o
esperado é que sua distribuição geográfica se verifique por toda região Sul e
parte da Sudeste. uma vez que segundo BOURY-ESNAULT (1973) é uma
espécie de origem antártica e cujo limite Norte conhecido até o momento é
23°5.
Ordem Es REA DO Su
Família APLYSINIDAE Hyatt. 1877.
Aplysina fistularis fulva Pallas. 1766.
(Figs. 5-9)
Material examinado: BRASIL Santa Catarina: Porto Belo (Ilha João da Cunha)
3m de profundidade. MCN 383. SM Pauls leg: MCN 1034. 22X 1977. AA. Lise leg: 0.5m de
profundidade. MCN 1035. 06X11981 AA. Lise leg
Descricçáão-esponja ramificada. com ramos eretos, partindo de
uma base comum; a maior parte dos ramos apresenta-se dilatada na porção
terminal; raros com dicotomia. Superfície com pequenas bossas,
regularmente distribuidas. Em alguns ramos observa-se na porção terminal
um ósculo elíptico (2-4mm de diâmetro) e outros menores (1 mm de diâmetro)
cilindricos distribuídos nas regiões laterais. Consistência: bastante
compressivel. Coloração: amarelo ouro, tornando-se rapidamente roxo fora
da água. Dimensões: o maior espécime com 10cm de altura. Esqueleto:
constituído por golden pithed fibers que se dispõem em retículo formando
uma rede de malhas poligonais.
Dad esa aan ano Cosmopolita (WIEDENMAYER, 1977). BRASIL:
Fortaleza (CE) (JOHNSON. 1971): Guarapari (ES) (SOLE-CAVA et alii, 1981).
Comentário s: comparando-se os espécimes da costa
catarinense com os das ilustrações oferecidas por SOLÉ-CAVA et alii (1981)
observa-se que aquelas apresentam uma grande dicotomia nos ramos e nos
espécimes examinados esta dicotomia é rara e a porção terminal bastante
dilatada. o que talvez signifique que estejam em um estágio adiantado de
desenvolvimento conforme WIEDENMAYER (1977)... Most Branches are
erect, with swollen. knob like tips in old colonies...
IHERINGIA. Ser. Zool.. Porto Alegre, (66):129-139, 30 de maio de 1987
134 MOTHES DE MORAES. B
O registro da espécie para o litoral de Santa Catarina, vem ampliar sua
distribuição a nível de Costa Atlântica, uma vez que era conhecida do Golfo do
México até o litoral de São Paulo.
CONCLUSÕES
Na amostragem estudada T. diploderma foi a espécie mais abundante,
seguida por T. vanhoeffeni. Por sua vez as duas espécies citadas têm sua
distribuição registrada tanto para a Ilha João da Cunha como para a praia de
Porto Belo. o mesmo não ocorrendo com P. lunaecharta e Aphysina fistularis
fulva assinaladas apenas para a Ilha João da Cunha.
Em relação à costa brasileira T. vanhoeffeni de origem antártica
(BOURY-ESNAULT. 1973) é uma espécie representativamente bem
distribuída até a area de ressurgência. localizada em Cabo Frio (RJ)
(MOTHES DE MORAES. 1985). !
Ao contrário, as espécies: T. diploderma (Atläntico-Pacifico), P.
lunaecharta (Atlântico; África-América) e Aplysina fistularis fulva (Atlântico:
endêmica: Brasil-Golfo do México). todas de origem tropical (HECHTEL,
1976), ocorrem ao longo do litoral no sentido Norte-Sul, e no presente estudo
tiveram seus registros mais extremos conhecidos para o Hemisfério Sul.
AGRADECIMENTOS
Ao Instituto de Biociências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. em
especial ao Prof. Dr. Milton Menegotto e Prof. Dr. Arno Antonio Lise, pelo envio do material para
estudo.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):129-139, 30 de maio de 1987
136 MOTHES DE MORAES, B
ILHA JOÃO DA
CUNHA
Fig. 1. Mapa indicando os locais de coleta: Ilha João da Cunha e praia de Porto Belo, Santa
Catarina.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):129-139, 30 de maio de 1987
Ocorrência de poriferos 137
50Am
50/m
50%Am
IDEE
be a
E a b
|
Es Rá
b
a
Fig. 2. Componentes espiculares de Tethya diploderma Schmidt. 1870. a. estilo: b esferáster
c-c. oxiásteres; d-d'. tilásteres
Fig. 3. Componentes espiculares de Pseudaxinella lunaecharta (Ridley & Dendy, 1866). a.
estilo; b. oxea.
Fig. 4. Componentes espiculares de Tedania vanhoeffeni Hentschel, 1914. a. estilo; b. tiloto;
c. oniqueta (a); d. oniqueta (b).
Fig. 5. Secção histológica, observando-se o retículo esqueletal de Aplysina fistularis fulva
Pallas, 1766.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):129-139, 30 de maio de 1987
138 MOTHES DE MORAES. B
Figs. 6 e 7. 6. Tethya diploderma Schmidt, 1870. Espécime (MCN 558); vista da porção
superior; 7. Pseudaxinella lunaecharta (Ridley & Dendy, 1866). Especime (MCN 211), vista da
porção superior. (Fotos Arno A. Lise).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):129-139, 30 de maio de 1987
Ocorrência de poriferos 139
Figs.8€e 9. 8. Tedania vanhoeffeni Hentschel, 1914. Espécime (MCN 1060); vista da porção
superior; 9. Aplysina fistularis fulva Pallas, 1766. Espécime (MCN 1035): vista da porção superior.
(Fotos Arno A. Lise).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):129-139, 30 de maio de 1987
Pau
iu NV dd
Allorchestes chelonitis Oliveira, 1953, sinônimo de
Parhyale hawaiensis (Dana, 1853) (Crustacea,
Amphipoda)*.
Eduardo Sá de Sá Rêgo**
RESUMO
O presente trabalho coloca a espécie Allorchestes chelonitis Oliveira, 1953, na sinonímia de
Parhyale hawaiensis (Dana, 1853), baseado no exame de topótipos depositados no Museu
Nacional do Rio de Janeiro.
ABSTRACT
The present work places Allorchestes chelonitis Oliveira, 1953 as a synonymous of Parhyale
hawaiensis (Dana, 1853), based on topoty pes belonging to the Museu Nacional do Rio de Janeiro.
INTRODUÇÃO
A série-tipo, que se encontrava na Estação de Hidrobiologia do Instituto
Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, não mais existe. Com a desativação da
Estação perdeu-se muito material, incluindo-se o holötipo de AHorchestes
chelonitis Oliveira, 1953. Consequentemente foram examinados os topótipos
e comparados com a descrição original de OLIVEIRA, 1953.
Desde a primeira descrição até a presente data, não foi encontrada na
literatura qualquer referência a esta espécie.
* Aceito para publicação em 18.VIIl.1986
** Aluno do Curso de Pós-Graduação em Zoologia, da Pontifícia Universidade Católica do RioGrande do Sul (PUC-RS), Porto
Alegre, RS, Brasil
Estagiário do Setor de Carcinologia, Departämento de Invertebrados do Museu Nacional do Rio de Janeiro (MN) da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):141-147, 30 de maio de 1987
142 SÁ RÊGO. ES de
MATERIAL E MÉTODOS
Para exame do material foram dissecados um macho e uma fêmea. utilizados na montagem
de lâminas. Inicialmente procedeu-se à clarificação com Hidróxido de Potássio 10%. sendo
posteriormente corados com Vermelho Congo 1%. A dissecação foi feita somente em um dos
lados do animal, de onde foram retirados os apêndices cefálicos. torácicos e abdominais sendo
os mesmos ilustrados no presente trabalho com auxílio de câmara clara acoplada ao material
óptico utilizado.
Os exemplares de Parhyale hawaiensis do Instituto Oceanográfico foram utilizados para
comparação com os espécimes tratados no trabalho em questão
Devido a ausência de trabalhos anteriores. os desenhos aqui dispostos apresentam uma
análise pormenorizada dos aspectos morfológicos observados. procurando assim definir de
maneira conclusiva a situação sinonímica que agora se coloca
As siglas MN e IOUSP que aparecem no trabalho correspondem. respectivamente. ao
Museu Nacional do Rio de Janeiro e Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.
Material examinado: BRASIL Rio de Janeiro: Mangaratiba, Parada da Ribeira.
176 e 15% MN, 01.11.1959, AlceuLemos de Castro leg: São Paulo: Santos, (Ilha de Santo Amaro).
019 e 019 IOUSP.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Parhyale hawaiensis (Dana, 1853)
Allorchestes chelonitis DANA, 1853:900, pl.61, figs. 5a-h.
Hyale brevipes CHEVREUX, 1901:400, figs. 15-18.
Hyale hawaiensis: STEBBING, 1906:573; SCHELLENBERG, 1938:66, fig.34.
Hyale trifoliadens KUNKEL, 1910:72, fig:27.
Hyale inyacka BARNARD, 1916:223. pl. 28. fig.4.
Hyaloides dartvellei SCHELLENBERG, 1939:126, figs. 6-10.
Allorchestes chelonitis OLIVEIRA, 1953:353, est.20-21.n. syn.
Parhyale hawaiensis: SHOEMAKER, 1956:351, figs.3-4
Hyale chelonitis BARNARD, 1974:42
Os desenhos de OLIVEIRA (1953) assinalam a presença de um ramo
interno reduzido no uröpode Ill, o que já colocaria a espécie nos gêneros
Parhyale Stebbing, 1897 ou Parallorchestes Shoemaker, 1941. Entretanto,
segundo BARNARD (1962, 1969), no primeiro o palpo da maxila | (um) é
uniarticulado, enquanto que, no segundo, é biarticulado e apresenta também
o gnatópode |! do macho com um lobo, separando o quarto artículo do sexto.
Parallorchestes só tem sido referido para o Pacífico leste.
Nas ilustrações de OLIVEIRA (1953), não ha esquemas nem um
detalhamento no texto sobre o referido palpo. Comenta a existência de
apenas sete dentes na maxila | (Um), e não nove como ocorre em Parhyale.
Entretanto há outras características que confirmam a espécie em questão
neste gênero. No maxilipede, o terceiro artículo do palpo é alargado, com um
tufo de cerdas bem destacado, considerado por SHOEMAKER (1956), como
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):141-147, 30 de maio de 1987
Allorchestes chelonttis 143
uma característica do gênero. Além disto, os pereópodes possuem o dátilo
recurvo e no gnatópode Il há, na base, um lobo distal proeminente, ambas
características de espécies de Parhyale.
BARNARD (1969) cita que no gnatópode Il haveria um lobo no quinto
artículo, separando o quarto do sexto. SHOEMAKER (1956), assinala que tal
caráter só existe quando o individuo é jovem. BARNARD (1974) refere-se a
este fato posteriormente, comentando que tal processo também ocorre em
Hyale Rathke, 1837. e que o lobo iria regredindo com a sucessão de ecdises.
Examinando-se os exemplares do Museu Nacional (fig. 1). e
confrontando-se com os trabalhos de STEBBING (1906) e BARNARD (1969),
chegou-se ao gênero Parhyale.
TARARAM et alii (1978), examinando material proveniente da ilha de
Santo Amaro, São Paulo, acrescentaram alguns caracteres diagnósticos para
Parhyale hawaiensis. Tais caracteres foram observados e assinalados no
presente trabalho.
BARNARD (1979) comenta sobre diversas espécies de Parhyale.
Seguindo-se este trabalho, encontrou-se certa dificuldade na definição de
algumas espécies. A presença de espinhos posteriores no sexto artículo do
pereópode V seria um caráter pouco consistente, devido ao próprio
posicionamento deste artículo no pereópode. Os espinhos estariam em uma
posição dorsoposterior. Também o caráter de leve constricção no palpo da
maxila | (um), não se refere a Parhyale hawaiensis.
Em relação ao material de estudo, no pedúnculo da antena |l encontram-
se diversos espinhos dispostos irregularmente (fig.2). O flagelo da antena |
(um), apresenta nos seus artículos pequenas elevações portando cerdas e
estetos (fig. 3). Tais caracteres ocorrem tanto nos machos como nas fêmeas.
O ramo interno do maxilipede apresenta três dentes cônicos
acompanhados de cerdas bipectinadas no seu ápice. O segundo artículo do
palpo possui uma projeção interna onde se localiza um tufo de cerdas e no
terceiro artículo há, na base do dátilo, uma série de cerdas unipectinadas que
se destacam das demais, que são simples e mais longas (figs. 4,5).
A maxila | (um) apresenta nove dentes pectinados no ramo externo, ramo
interno portandoduas cerdas longas e bipectinadas, palpo uniarticulado, mais
curto que o ramo externo, com uma leve constricção mediana eportandouma
cerda bipectinada (figs. 6,7).
O gnatópode | (um) possui um par de espinhos definindo a extensão
palmar, sendo um próximo à extremidade do dátilo e o outro em posição mais
mediana. Estes espinhos limitam uma região marginal revestida de dentículos
(figs. 8,9).
O gnatópode Il não apresenta o lobo no quinto artículo separando o
quarto do sexto. Possuina base uma dilatação distal, tanto no macho como na
fêmea (figs. 10,11).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Ale. <, (66):141-147, 30 de maio de 1987
144 SÁ RÊGO. ES. de
Todos os pereópodes possuem o dátilo recurvo e o sexto artículo do
quinto pereópode apresenta espinhos dorsoposteriores (figs. 1213).
Os oostegitos possuem formatos variados (figs. 14-17), e nas suas
bordas existem cerdas peculiares, que apresentam a porção distal pregueada
(fig. 18).
Urópode | (um) apresentando um espinho distal situado lateralmente no
pedúnculo e dois espinhos dorsais no ramo externo, e urópode Il com um
espinho dorsal no ramo externo (fig. 19). Urópode Ill com ramo interno
reduzido, articulado e com espinhos apicais (fig. 20).
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Alceu Lemos de Castro. do Museu Nacional do Rio de Janeiro, pelo apoio e auxílio na
elaboração deste trabalho. À Dra. Yoko Wakabara, do Instituto Oceanográfico da Universidade de
São Paulo, pelo envio do material para comparação.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):141-147, 30 de maio de 1987
Allorchestes chelonitis 145
0,2mm
4
E
0,2mm
Figs. 1-5. Parhyale hawaiensis (Dana, 1853): 1. Animal inteiro, vista lateral; 2 Pedünculo da
antena: 3. Artículo do flagelo da antênula com um conjunto de cerdas e estetos, 4. Maxilipede; 5
Ramo interno do maxilipede.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Aıey.e, (66):141-147, 30 de maio de 1987
146 SÁ RÊGO, ES. de
Figs. 6-13. Parhyale hawaiensis (Dana, 1853):6. Maxila | do macho; 7. Ápice do ramo externo
da maxila |; 8. Região distal do gnatópode | do macho; 9. Denticulação marginal do própodo do
gnatópode |; 10. Gnatópode Il do macho: 11. Gnatópode Il da fêmea; 12. Pereópode 5 do macho;
13. Região distal do pereópode 5.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):141-147, 30 de maio de 1987
Allorchestes chelonitis 147
20
0
ne] ‚2mm
0,2mm
Figs. 14-20. Parhyale hawaiensis (Dana, 1853): 14-17. Oostegitos dos pereonitos 2-5; 18.
Cerdas marginais dos oostegitos; 19. Urossomitos do macho; 20. Uröpode 3 do macho.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre, (66):141-147, 30 de maio de 1987
Comunicações... 149
II ENCONTRO DE EDITORES DE REVISTAS CIENTÍFICAS
Promoção: CNPq e FINEP
São Paulo, SP, 27 e 28 de novembro de 1985
DOCUMENTO FINAL
A. Premissas
1.A política de divulgação científica e tecnológica é parte integrante da política global de
ciência e tecnologia do país e, por consequência, o financiamento desta atividade deverá
constar dos orçamentos e dos programas de Pesquisa e Desenvolvimento das agências
financiadoras e outras instituições
Para adequar os recursos as reais necessidades do setor, seriam necessários, no mínimo,
2% dos recursos efetivamente alocados à Pesquisa e Desenvolvimento pelas agências
financiadoras e pelas instituições de pesquisa.
2. O pesquisador brasileiro deve ser conscientizado de sua responsabilidade na publicação
ampla dos resultados de seu trabalho em revistas científicas nacionais.
3. Os progressos da pesquisa científica e tecnológica do país, estão exigindo um salto
qualitativo e quantitativo na informação científica e tecnológica.
4. Deve ser reconhecida a importância das revistas científicas como espelho da produção
científica nacional.
B. Recomendações às agências financiadoras e órgãos públicos
1. Que as agências financiadoras estudem mecanismos de pagamento de salários às equipes
de editoração científica, visando criar estruturas profissionais;
2. que o Ministério da Educação destine recursos às bibliotecas universitárias para assinatura
de revistas científicas nacionais de boa qualidade;
3. que as agências coordenadoras do Programa Setorial de Publicações em Ciência e
Tecnologia concedam — por tempo determinado — um adicional de 15% sobre o total de
recursos fornecidos a cada revista, para que a entidade responsável pela publicação envie
200 exemplares a bibliotecas, entidades e grupos de sua área de especialização localizados
no Brasile 100 exemplares para bibliotecas congêneres no exterior. Tais recursos adicionais
destinam-se a cobrir os custos com manipulação, embalagem e postagem dos exemplares.
Os editores proporão as entidades a serem contempladas, para referendo pela agência
financiadora:
4. que haja maior pontualidade na liberação dos recursos pelos órgãos financiadores. A
notificação da aprovação e 'valor do financiamento deve ser imediata, para fins de
planejamento;
5.que a avaliação de revistas científicas da mesma área por parte das agências financiadoras
seja feito em conjunto para melhor julgamento;
6. que as agências financiadoras criem mecanismos de estímulo à publicação, em revistas
científicas nacionais, dos resultados dos projetos de pesquisa por elas financiados. Tal
estímulo deve ser estendido à publicação de resumos e/ou artigos baseados em teses de
pós-graduação;
7. que a FINEP estimule as pequenas e médias empresas nacionais, por ela financiadas, a
veicular anúncios de seus produtos nas revistas científicas nacionais, e
8. que haja uma maior articulação entre as agências financiadoras.
Comunicações ...
C. Recomendações aos editores
1. que as revistas científicas procurem ter uma abrangência nacional;
2. que sejam obedecidos.certos padrões editoriais mínimos e normas técnicas, tais como:
títulos, legendas, resumos, palavras-chave em português e inglês, bibliografias com dados
completos, etc.
3. que a ABEC difunda as revistas científicas nacionais em eventos como feiras de livros,
congressos e reuniões;
4. que haja intercâmbio de anúncios padronizados entre as revistas nacionais, bem como com
as congêneres do exterior. A ABEC deve estudar a criação de um “pool” de publicidade;
5.que os referees ' recebam os pareceres de outros “referees” quando da apreciação de um
mesmo trabalho;
6. que haja uma maior promoção das revistas nacionais nos países do terceiro mundo,
particularmente nos países de lingua portuguesa e espanhola;
7.que se organize a administração das revistas e racionalize o trabalho de editoração, com a
progressiva profissionalização das equipes;
8.que as revistas publiquem o documento final do Il Encontro de Editores de Revistas
Científicas.
D. Recomendações às agências e aos editores
1. Estimular a existência de pelo menos uma revista científica de bom nível em cada área do
conhecimento;
2.maior agressividade e profissionalização na difusão das revistas;
3.no processo de avaliação de pesquisadores, técnicos e professores devem ser
consideradas em pé de igualdade suas contribuições em revistas nacionais de bom nível e
em revistas internacionais;
4.a regularidade das publicações é uma meta a ser atingida pelas revistas, para aumentar sua
credibilidade e possibilitar sua indexação nos órgãos nacionais e estrangeiros;
“5. para melhor adequação do percentual financiado pelas agências, os orçamentos devem
passar a incluir todos os custos, entre os quais a remuneração dos editores e equipes;
6.05 alunos de graduação e pós-graduação devem ser considerados como um público a ser
também atingido pela comunicação cientifica e tecnológica;
7.0 Il Encontro recomenda que seja constituída no prazo de 60 dias da data deste Encontro
uma comissão composta de representantes das agências financiadoras e da Associação
Brasileira de Editores Científicos, para elaborar um documento sobre política de publicação
técnico-científica no Brasil, a ser amplamente divulgado;
8. os participantes do Il Encontro apoiam o projeto de mensalização da Revista “Ciência Hoje”.
Co
municações ...
O SICTEX tem por objetivo as-
segurar a captação, no exterior,
de informações científicas e
tecnológicas — ICTs de interesse
para o Brasil, e promover sua di-
fusão entre os Órgãos integran-
tes do Sistema Nacional de De-
senvolvimento Científico e Tec-
nológico e outras entidades bra-
sileiras, públicas ou privadas, envolvidas na ciência e
tecnologia.
OBJETIVO
As ICTs:veiculadas pelo SICTEX são prioritariamente
informações ou documentos de circulação restrita ou
de difícil acesso tais como teses, publicações gover-
namentais, relatórios técnicos, relatórios de pes-
quisas, informações ou resumos de pesquisas em
andamento, informações ou descrição de projetos de
pesquisa, relatórios de síntese, informações sobre
eventos ou trabalhos resultantes dos mesmos, in-
formações diversas sobre entidades ou sobre pes-
quisadores, dados estatísticos e legislação relativa às
diversas áreas científicas, descrição de marcas e
patentes, etc.
As ICTs se apresentam quer sob forma de textos
elaborados pelo SICTEX, como é o caso da publicação
periódica setorial intitulada “INFORMATIVO SICTEX”,
quer sob a forma de originais impressos, microformas,
etc., que são encaminhadas aos usuários tal qual foram
coletadas no exterior.
Os servicos do SICTEX são oferecidos, via de regra,
gratuitamente. Entretanto, se o custo da ICT for
elevado, a prestação do serviço será feita mediante
reembolso.
O Ministério das Relações Exteriores não assume
responsabilidade pelas ICTs circuladas através do
SICTEX.
O SICTEX está estruturado da
seguinte forma:
|. Uma Unidade Central, que
funciona na Divisão de Ciência e
| Tecnologia — DCTEC do Minis-
tério das Relações Exteriores,
com o apoio do Instituto Bra -
. . CJ sileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia -IBICT do CNPa.
Il. Nove setores de Ciência e Tecnologia-SECTECs, que
operam junto às embaixadas do Brasil em Berna, Bonn,
Camberra, Londres, Nova Delhi, Ottawa, Paris, Tóquio
e Washington. Encontram-se em fase de instalação
cinco novos SECTECs nas embaixadas em Moscou,
Pequim, Roma, México e Buenos Aires.
Ill. Unidades Informacionais-Uls, que correspondem a
centros setoriais de documentação responsáveis, no
Brasil, pelo encaminhamento dos pedidos de ICTs
através do SICTEX e pelo armazenamento e disse-
minação dessas informações entre os usuários bra-
sileiros. A cada área do conhecimento corresponde
uma Ul, selecionada pelo IBICT, que tem sua sede em
determinado órgão ou instituição brasileira.
a) Os órgãos, entidades ou pes-
quisadores interessados na
obtenção de ICTs através do
SICTEX deverão formular seus
pedidos à Unidade Informacio-
nal — Ul, correspondente à área
de conhecimento de interesse.
b) Ao receber o pedido, a Ul o
m—) retransmitirä à Unidade Central
(DCTEC/MRE). Esta, por sua vez, encaminhará o
pedido aos SECTECs competentes das Embaixadas
brasileiras.
c) Os SECTECs, depois de obtida a ICT solicitada, a
enviarão, através da Unidade Central, à UI que deu
origem ao pedido.
d) A Ul em questão, além de atender o usuário que
formulou o pedido, armazenará a ICT recebida e,
eventualmente, a retransmitirá a outros órgãos,
entidades ou pesquisadores interessados.
O INFORMATIVO SICTEX
representa uma compilação de
informações sucintas, listagem
de eventos (Série Informativa)
ou trabalhos de fundo (Série
Monográfica), elaborados pelos
SECTECS a partir de dados atua-
lizados colhidos no exterior e
que possam ser de interesse
para a comunidade científica brasileira.
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153
ASSESSORIA CIENTÍFICA
Dr. ADÃO JOSÉ CARDOSO
Universidade Estadual de Campinas
Herpetologia
DR. ADOLFO H. BELTZER
Instituto Nacional de Limnologia da Argentina
Ornitologia
DR. ALCEU LEMOS DE CASTRO
Museu Nacional do Rio de Janeiro
Carcinologia
DR. ALFREDO LANGGUTH
Universidade Federal da Paraiba
Mastozoologia
DR. ALFREDO XIMENEZ
Universidade Federal de Santa Catarina
Mastozoologia
DRA. ANA TIMOTHEO DA COSTA
Museu Nacional do Rio de Janeiro
Aracnologia
DR. ARGENTINO BONETTO
Centro de Ecologia Aplicada del Litoral — Argentina
Malacologia
DR. ARNALDO C. DOS SANTOS COELHO
Museu Nacional do Rio de Janeiro
Malacologia
PROF. ELIÉZER CARVALHO RIOS
Museu Oceanográfico de Rio Grande
Melacologia
DR. JUAN ALBERTO SCHNACK
Instituto de Limnologia de la Plata — Argentina
Limnologia
DR. CARLOS HW. FLECHTMANN
Universidade de São Paulo
Acarologia
DR. ENRIQUE H. BUCHER
Centro de Zoologia Aplicada — Argentina
Ecologia — Aves
DRA. ERIKA SCHLENZ
Universidade de São Paulo
Cnidaria, Poritera
DR. FERNANDO DA COSTA NOVAES
Museu Paraense Emilio Goeldi
Ornitologia
DR. GILBERTO RIGHI
Universidade de São Paulo — SP
Annelida
DR. JOSÉ CÂNDIDO DE MELO CARVALHO
Museu Nacional do Rio de Janeiro
Entomologia
DR. JOSÉ FELIPE RIBEIRO AMARO
Instituto de Biologia — UFRRJ — RJ
Helmintologia
DR. JOSÉ HENRIQUE GUIMARÃES
Museu de Zoologia da USP
Entomologia
DR. JOSÉ LUIZ LEME
Museu de Zoologia da USP
Malacologia
DR. JOSÉ M. CEI
Portugal
He aetologia
DR. JULIO CESAR GARAVELLO
Universidade Federal de São Carlos
Ictioiogia
DR. JULIO RAFAEL CONTRERAS
Centro de Ecologia Aplicada del Litoral — Argentina
Herpetologia
DR. LUIZ DINO VIZOTTO
Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho
Anura — Chiroptera — Teratologia animal
DRA. MARIA ELENA GALIANO
Museu Argentino de Ciencias Natureles
Aracnologia
DRA. MIRIAM BECKER
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Entomologia
DR. NEWTON CASTAGNOLL!
Coordenadoria de Pesquisa de Recursos Naturais de São Paulo
Aquicultura
DR. OSMAR DOMANESCHI
Instituto de Biociências da USP
Malacologia
DR. PAUL MULLER
Universitát des Saarlandes
Sist. de Répteis e Biogeografia de Vertebrados
DR. SECCHIN YOUNG
IBBMA — Botucatu — SP
Carcinologia
DR. PETRÖNIO ALVES COELHO
Universidade Federal de Pernambuco
Carcinologia
DR. RAYMOND F. LAURENT
Fundaciön Lillo — Argentina
Herpetologia
DR. RENATO CONTIN MARINONI
Universidade Federal do Paraná
Entomologia
DRA. SÔNIA M. F. ZUIM
Universidade Estadual Paulista — Jaboticabal
Fisiologia de Peixes
DRA. SYLVIA M. LUCAS
Instituto Butantan
Aracnologia
DR. UBIRAJARA R. MARTINS
Museu de Zoologia da USP
Entomologia
DR. WALTER NARCHI
Instituto de Biociências da USP
Malacologia
DR. WERNER BOKERMANN
Fundação Parque Zoológico de São Paulo
Herpetologia
DR. WLADIMIR LOBATO PARAENSE
Instituto Osvaldo Cruz — Rio de Janeiro
Malacologia
154
IHERINGIA é o periódico de divulgação de trabalhos científicos inéditos do Museu de
Ciências Naturais, Jardim Botânico e Parque Zoológico da FZB. É publicado em quatro
séries: BOTÂNICA, ZOOLOGIA, ANTROPOLOGIA e GEOLOGIA.
Cada série é editada em fascículos com numeração corrida independente, podendo
conter um ou mais artigos.
O periódico em seu todo ou cada uma das séries individualmente é distribuído a
Instituições congêneres em regime de permuta. Mediante entendimento prévio pode
também ser enviado a cientistas e demais interessados.
IHERINGIA is the official scientific periodical of the “Museu de Ciências Naturais”. Its
aim is the publishing of reports elaborated by the scientific staff of the three joining
Instituts of “Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul”, the Museum of Natural
Sciences, the Botanical Garden and the Zoological Park.
IHERINGIA is issued in four series, Botany, Zoology, Anthropology and Geology. Each
series is issued in fascicles consecutively numbered and may contain one or more articles.
IHERINGIA as a whole or as a separate series, is distributed to similar scientific
Institutions on an exchanging basis and may also be available to scientists and other
interested parties on previours arrangements.
RECOMENDAÇÕES AOS AUTORES:
1. Os manuscritos devem ser encaminhados ao Editor, através de ofício, podendo ser aceitos a
critério da Comissão Redatorial, ficando sua publicação condicionada a autorização do Diretor
Superintendente da FZB.
2. Terão prioridade os artigos dos pesquisadores do Museu de Ciências Naturais, Jardim
Botânico e Parque Zoológico da FZB. A juízo, podem ser aceitos artigos de pesquisadores de
Instituições nacionais ou estrangeiras cujas investigações versem preferencialmente sobre
assuntos relacionados à flora, à fauna e os recursos naturais do Rio Grande do Sul.
3. Os artigos em língua portuguesa devem ter um resumo em língua estrangeira e os em língua
estrangeira (alemão, inglês, espanhol, italiano e latim) devem ter, obrigatoriamente um resumo
em português.
4. Os originais devem ser apresentados em 2 vias datilografadas em espaço dois, com margens
mínimas de 2 cm, sem emendas, em papel branco (tamanho oficial A-4:21x29,7 cm), utilizando-
se um só lado da folha.
5. Todas as folhas devem ser numeradas na margem superior direita, com numeração corrida e
rubricadas pelo autor ou ao menos por um dos autores.
6. Os nomes científicos e dos “taxa infragenéricos deverão ser sublinhados com um traço
ondulado.
7. O título geral do trabalho, o nome do autor, bem como as palavras latinas ou gregas usadas no
texto devem ser sublinhadas com um traço reto. Subtítulos serão escritos em caixa baixa e
espacejados.
8. Os nomes de autores que seguem os nomes genéricos, específicos, ou outros devem ser
escritos em caixa baixa e os que dizem respeito a referências bibliográficas em CAIXA ALTA.
9. As referências bibliográficas deverão estar dispostas em ordem alfabética e cronológica,
dentro das normas da NB-66 da ABNT, salvo a indicação do ano da publicação que deverá
seguir o nome do autor, obedecendo a seguinte ordem de elementos:
155
a) Para artigos de periódicos: sobrenome do autor seguido das iniciais do(s) prenome(s), ano do
Ex
trabalho, titulo do trabalho, nome do periódico (sublinhado com um traço reto e abreviado
de acordo com o “World List of Scientific Periodicals"), local, volume (em algarismos
arábicos e sublinhado), número ou fascículo (entreparênteses) seguido de dois pontos,
página inicial e final.
FRENGUELLI, J. 1925. Diatomeas de los arroyos del Durazno y en las Brusquitas en los
arredores de Miramar. Physis. Buenos Aires, 8(29)19-79 set. 2 est
b) Para livros: sobrenome do autor seguido das iniciais do(s) prenome(s), ano da edição, título do
Ex.
10.
ea
do
18.
14.
lo.
livro (sublinhado com um traço reto), edição (em número arábico, seguido de ponto e da
abreviatura no idioma da edição), local editora, número de páginas (seguida de p.), número
de volumes (seguida de v.) ou então, páginas consultadas ou número do volume consultado
(precedidos de p. e v. respectivamente)
SANTOS, E. “1952 Da ema ao beija-flor. 2 ed. rev. ampl. Rio de Janeiro, F. Briquiet. 335p.
Desenhos, fotos, mapas e gráficos devem ser citados como fig. com numeração corrida, em
algarismos arábicos. O editor distribuirá as figuras do modo mais econômico, sem prejudicar
sua apresentação, respeitando quanto possível as indicações do autor
. Todas as tabelas e figuras devem ter título claro, conciso e, se necessário, com explicações
breves que possibilitem seu entendimento sem consultas ao texto. Este título, bem como as
legendas, se houver, devem vir em folhas a parte
. Os desenhos gráficos e mapas devem ser feitos a nanquim preto, preferencialmente em papel
vegetal e as fotografias nos tamanhos que permitam a redução para o máximo de
17cmx11cm. As ilustrações a cores devem ser combinadas previamente e seu custo fica a
cargo do autor.
Os artigos sempre que possível, devem compreender os seguintes tópicos:Título Nome do
autor(es); Referências do artigo (data de aceitação para publicação, etc.) e do autor (local de
trabalho e endereço); Resumo (conforme item 3); Introdução; Material e Métodos; Resultados
e/ou Discussão; Conclusões; Agradecimentos; e Referências Bibliográficas.
A correção das provas tipográficas será, sempre que possível, de responsabilidade do autor
Serão fornecidas gratuitamente 100 separatas de cada artigo, independentemente do número
de autores. Aqueles que tiverem interesse em um maior número de separatas de seus artigos
deverão solicitá-las por ocasião do encaminhamento dos originais ao Editor e arcar com as
despesas correspondentes.
Arno Antonio Lise
EDITOR
ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA COMISSÃO REDATORIAL
(Mailing Address) Silvia Drügg Hahn
Museu de Ciências Naturais Maria C.D. Mansur
Caixa Postal 1188 Tânia H. de A. Arygoni
90610 Porto Alegre. RS
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Serviços gráficos executados pela
Gráfica da Universidade de Caxias do Sul
R. Francisco Getúlio Vargas, 1130 - c. Postal 1352
Fone (054) 2224133 - 95100 - Caxias do Sul - RS
com revisão do cliente
Impresso com autorização e sob responsabilidade do
Diretor Superintendente da FZB (alínea d)
art. 14, dos Estatutos — Decreto RS.
nº 22.683/73.
EL
3 Iheringia
serie Zoologia
BL ISSN 0073-4721
CLAPS, M.C. & Gustavo Carlos Rossi. Tardigrados de Argentina VI... p. 3
THOME, J.W. Recaracterização de Veronicella sloanei (Cuvier, 1817)
(Mollusca, Gastropoda, Veronicellidae) ........ 2... 22222200. o Pg O
PY-DANIEL, V., M.A.T. Souza & E.P. Caldas. Simuliidae (Diptera, Culi-
comorpha) no Brasil. Ill. Sobre o Simulium (Chrisostilbia) riogran-
dense sp. n. e revisão de Simulium (Chrisostilbia) distinctum Lutz,
RR RN Do ess ta SM e eia, Og a a AAA SIS Go ek 0.37
CARVALHO, G,S. & Albino Morimasa Sakakibaba. Redescrição de Deois
(Deois) correntina, Comb. n. (Homoptera, Cercopidae) .......... p. 59
VACCARO, O, A. Uriondo & A.M. Filipello. Microornamentaciones
de las células de Oberhäuchten en Tupinambis teguixin (Linné, 1758)
y Tupinambis rufescens (Günther, 1871) (Sauria, Teiidae) ........ p. 65
PY-DANIEL,V. & Gilson R.P. Moreira. Simuliidae (Diptera, Culicomor-
pha) no Brasil, VIl. Sobre Simulium (Chirostilbia) empascae sp. ....p. 77
MANSUR, M.C.D., Inga L. Veitenheimer-Mendes & Jane E.M. de Almeida-
Caon. Mollusca, Bivalvia de um trecho do curso inferior do Rio Ja-
RT ça ee RE PRO E e CR LAR ENDR QUR SRU ER RE GE p. 87
DE-ROSA-BARBOSA, R. Corvospongilla volkmeri sp. n. e registro de
Corvospongilla seckti Bonetto & Escurra de Drago, 1966 no Brasil
Coca RS EEE > Sn A ASR ARENS p. 109
PUJALS, M.A. Comentários sobre Allonais inaequalis (Stephenson, 1911)
y Aelosoma marcusi Van der Land, 1971 (Oligochaeta, Naididae y
NRO SE see LE E ED e na LA da e Ra 5.123
CLAPS, M.C. & Beatriz E. Modenutti, Ciliados dulceaquícolas de Argen-
TE I RARE RAR RR EAR 0 ee ato Apa ala or é Bo 127
Museu de Ciências Naturais da
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
Publicado com auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecno-
lógico (CNPq) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Processo 40.8090/86.
Qo
FR FUNDAÇÃO ZOOBOTÄNICA DO RIO GRANDE DO SUL
Entidade de direito privado, instituída pela Lei Estadual nº 6.497 de
ZOOBOTÂNICA 20/12/72 (Supervisionada pela Secretaria de Estado da Agricultura).
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A
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(País) — (Country)
Senhores:
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Queiram ter a gentileza de preencher o presente, devolvendo-o ao Museu,
a fim de que não haja interrupção na remessa do número seguinte de IHERINGIA.
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number of IHERINGIA. É
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City and date:
Assinatura? 3. 40. .00ee asneira gore RR 6 ee SCE
Signature:
Tardígrados de Argentina VI.*
*
Maria Cristina Claps*
«XX *
Gustavo Carlos Rossi
RESUMO
Amostras de musgos, líquens e plantas aquáticas procedentes das províncias de Misiones,
Corrientes e Entre Ríos (República Argentina) foram utilizadas para o estudo dos tardfgrados.
Foi constatada a ocorrência de 21 espécies. Echiniscus (E.) crasispinosus Murray, 1907,
E. (E.) dreyfusi Barros, 1942, E. (E.) manuelae Cunha & Nascimento Ribeiro, 1962 e Dorypho-
ribius evelinae (Marcus, 1928) são citadas pela primeira vez para a República Argentina. Pseudo-
biotus augusti (Murray, 1907) foi registrada na província de Buenos Aires sem descrição nem
ilustração (CLAPS, 1984).
ABSTRACT
Tardigrade fauna of moss, lichens and aquatic plants from some localities of Misiones,
Corrientes and Entre Ríos provinces is studied. Twenty one species belonging to eight genera
have bean foud. Echiniscus (E.) crassispinosus Murray, 1907, E. (E.) dreyfusi Barros, 1942,
E. (E.) manuelae Cunha & Nascimento Ribeiro, 1962 and Doryphoribius evelinae (Marcus,
1928) are new records for Argentina. Pseudobiotus augusti (Murray, 1907) has already been
recorded for the province of Buenos Aires, but without description nor illustration (CLAPS,
1984).
INTRODUCCION
Continuando con el estudio de la fauna de tardígrados de Argentina (ROSSI
& CLAPS, 1980; CLAPS & ROSSI, 1981; 1984) se relevan en esta contribución
las provincias de Misiones, Corrientes y Entre Ríos. Las zonas muestreadas se en-
cuentran en las provincias biogeogräficas Paranense, Chaquena, del Espinal y Pam-
peana (CABRERA & WILLINK, 1973).
El análisis de musgos, líquenes y plantas acuäticas diö como resultado el
hallazgo de 21 especies correspondientes a 8 géneros: Macrobiotus (7); Echiniscus,
* Aceptado para publicación em 08.X.1986.
** Miembro de la Carrera del Investigador, Consejo Nacional de Investigaciones Científicas
y Técnicas, Facultad de Ciencias Naturales, Universidad Nacional de La Plata, Paseo del
Bosque s/n, 1900 La Plata, Argentina.
**% Miembro de la Carrera del Técnico Profesional, Consejo Nacional de Investigaciones Cien-
tíficas y Técnicas, Centro de Estudios Parasitológicos y de Vectores, calle 2 Nº 584, 1900
La Plata, Argentina.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):3-11, 31 mar. 1988
4 CLAPS, M.C. &G.C. Rossi
Hypsibius (4); Isohypsibius (2); Doryphoribius, Pseudobiotus, Pseudechiniscus y
Milnesium (1).
Citanse 4 especies por primera vez para la República Argentina: Ecniniscus
(E). crassispinosus, E. (E.) dreyfusi, E. (E.) manuelae y Doryphoribius evelinae. Se
describe e ilustra a Pseudobiotus augusti (Murray, 1907) citada con anterioridad
para la provincia de Buenos Aires (CLAPS, 1984).
MATERIAL Y METODOS
Se ha colectado un total de 43 muestras, en 31 de las cuales (72% ) se obtuvieron ejem-
plares (Tabla I).
Se detallan las localidades, fecha de recolección, tipo de hábitat de las muestras, los que
responden a las abreviaturas: M.: Musgo; L.C.: Líquen Crustäceo; L.Fol.: Liquen Folioso; entre
parêntesis el número correspondiente a la muestra donde se hallaron ejemplares.
Provincia de Misiones:
Arroyo Torocuá, 12 km S Pto Esperanza, X.79, M. s/roca (1,2).
Parque Nacional Iguazú, X.81 y IX.84,M. s/roca (3), M. s/árbol en selva (4,5).
Wanda, X.79, M. s/roca (8).
Campo Viera, X.82, M. s/roca (11), L.C. s/árbol (12).
Azara, camino al puerto, 1.83, L.C. s/árbol (15).
Baflado Escuela. Gentilini, San José, 1.83, M. s/árbol (16).
Arroyo Uruguai, cercano a Wanda, 1.83, M. s/roca sumergida (17).
Capiovi, IX.84, M. s/árbol selva (18,19).
Teju Cuaré, Victoria, IX.84, M. suelo (20).
Provincia de Corrientes:
Lomas de Vallejo, X1.78, M. suelo ao borde de una charca (1).
Camino viejo a Santa Ana, X1.78, M. s/árbol (2), Se/aginella sp. en laguna (3).
Cerro Pajarito, Mercedes, X1.78, Chara sp. (5).
Estancia Abuelita Justa, Concepción, X 11.78, M. en suelo de conchilla y cemento (6).
Senda entre laguna La Brava y San Luis del Palmar, X1.78, Selaginella sp. en albardón (7).
Bella Vista, X.78 y X.81, Selaginella sp. en suelo (11,12), M. s/árbol caído (9), M. en
suelo (10).
Paraje Sombrerito, Empedrado, IV.85, L. Fol. s/poste alambrado (13,15), M. s/árbol caído (14).
Provincia de Entre Rios:
Parque General San Martín, 1.80, L.C. s/árbol (1).
Gualeguaychú, X1.83, L.C. s/árbol (2).
Parque Nacional El Palmar, IX.84,M. s/roca (3).
El método de extracción y montaje de ejemplares fue descripto por ROSSI & CLAPS
(1980). Para la identificación de los ejemplares hallados se ha seguido los esquemas propuestos
por SCHUSTER et alii. (1980), PILATO (1982) y RAMAZZOTTI & MAUCCI (1983).
El material se halla depositado en la colección de los autores.
Todas las medidas se expresan en micras por lo que se omite el símbolo correspon-
diente, las cifras colocadas entre parêntesis corresponden a las medidas mínimas y máximas.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (67):3-11, 31 mar. 1988
Tardígrados de Argentina VI. 5
RESULTADOS
Lista de especies:
Clase HETEROTARDIGRADA Marcus, 1927
Orden ECHINISCOIDEA Marcus, 1927
Género Echiniscus Schultze, 1840
Echiniscus (Echiniscus) bigranulatus Richters, 1907; E. (E.) crassispinosus Murray,
1907; E. (E.) dreyfusi Barros, 1942; E. (E.) manuelae Cunha & Nascimento Ribei-
ro, 1962.
Género Pseudechiniscus Thulin, 1911
Pseudechiniscus suillus (Ehrenberg, 1853)
Clase EUTARDIGRADA Marcus, 1927
Orden PARACHELA Schuster et alii, 1980
Género Macrobiotus Schultze, 1834
Macrobiotus acontistus Barros, 1942; M. areolatus Murray, 1907; M. harmsworthi
Murray, 1907; M. hufelandi Schultze, 1934; M. intermedius Plate, 1888; M. orca-
densis Murray, 1907; M. richtersi Murray, 1911.
Género Doryphoribius Pilato, 1969
Doryphoribius evelinae (Marcus, 1928)
Género Hypsibius Thulin, 1928
Hypsibius baumanni Ramazzotti, 1962; H. anomalus Ramazzotti, 1962; H. ober-
haeuseri (Doyere, 1840); Hypsibius sp.
Género /sohypsibius Thulin, 1928
Isohypsibius tetradactyloides (Richters, 1907); /sohypsibius sp. “grupo tubercu-
latus’'
Genero Pseudobiotus Schuster et alii, 1980
Pseudobiotus augusti (Murray, 1907)
Orden APOCHELA Schuster et alii, 1980
Género Milnesium Doyére, 1840
Milnesium tardigradum Doyére, 1840
Citas nuevas para la República Argentina:
Echiniscus (E.) crassispinosus Murray, 1907
(Fig. 1)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):3-11, 31 mar. 1988
6 CLAPS, M.C. & G.C. Rossi
Escultura de las placas constituida por un punteado grueso y otro más fino y
regular. Falta la placa mediana 3. Además del cirro A existen espinas C, D, E. Como
apéndice dorsal posee espina D4. Placa terminal sólo con las 2 hendiduras latero-
caudales.
E. (E. ) dreyfusi Barros, 1942
(Fig. 2)
Longitud aproximada de 150. Escultura compuesta por gränulos de tamafio
diferente, los más pequefios en la placa mediana 3 y en la parte rostral de la placa
mediana 2. La placa terminal con las hendiduras laterocaudales. Además del cirro
A espinas B,C, D, E. Espina D4 como único apéndice dorsal.
E. (E.) manuelae Cunha & Nascimento Ribeiro, 1962
(Fig. 3)
Con una longitud aproximada de 173. Escultura de las placas compuesta por
cavidades bastante separadas entre sí. Como apéndices laterales un cirro A corto y
espinas C, D, E. Esta última dentada. Espinas cd y D4 como apendices dorsales.
Piaca mediana 3 ausente.
Doryphoribius evelinae (Marcus, 1928)
(Fig. 5)
Ejemplares con una coloraciön rosada. Todas las patas con los tuberculos que
le son caracterfsticos. Tubo bucal con la barra de refuerzo. Bulbo faringeo oval con
apöfisis y 2 macroplaccides (el primero con estrangulamiento, como si fueran 2 ma-
croplacoides; el segundo con la mitad de la longitud del primero). Ufas tipo /sohyp-
sibius.
Esta especie fue hallada con anterioridad en Alemania, Polonia, Rumania. En
America fue citada para Mexico, Repüblica Dominicana y Brasil. En nuestro caso se
la ha hallado como terrestre en hepäticas.
Pseudobiotus augusti (Murray, 1907)
(Fig. 4)
Longitud promedio de 168,5 (101-230). Bulbo farfngeo ovalado con apöfisis
y 3 macroplacoides bastoniformes (el segundo más pequenio, siendo los otros 2 de
igual longitud).
Los especímenes de esta especie, probablemente cosmopolita, fueron hallados
sobre Chara sp.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):3-11, 31mar. 1988
Tardígrados de Argentina VI. 7
Observaciones: Los individuos colectados en la provincia de Buenos Aires son de
mayor tamafio y Ilevaban exuvias con huevos.
DISCUSION
El promedio de especies por muestra es de 2. El número de especies halladas
osciló entre 1 y 5 por muestra. En 10 oportunidades se obtuvieron muestras con
una sola especie y sólo una muestra con 5. Estos valores se corresponden con los
obtenidos por RAMAZZOTTI (1972) y MAUCCI (1980) ya que en los musgos es
poco frecuente hallar un gran número de especies reunidas.
Macrobiotus richtersi es la especie más abundante (192 individuos) y fre-
cuente (11 muestras).
Varias de las especies halladas son cosmopolitas o de amplia distribución mun-
dial: Macrobiotus areolatus, M. harmsworthi, M. hufelandi, M. intermedius, M.
richtersi, Hypsibius oberhaeuseri, Pseudobiotus augusti, Milnesium tardigradum y
Pseudechiniscus suillus.
Macrobiotus acontistus sölo fue hallado con anterioridad en Serra Negra, Bra-
sil (BARROS, 1942) y en el sur argentino (MIHELCIC, 1971-1972).
Entre los heterotardigrados Echiniscus (E.) crassispinosus fue hallado sólo en
Sudáfrica (Territorio del Cabo), E. (E.) dreyfusi en Brasil (Estado de São Paulo) y
E. (E.) manuelae en isla Madeira (localidad de Canico).
AGRADECIMIENTOS
Al Dr. Nauris V. Dangavs, Lic. Mónica López Ruf, Prof. Nuncia M. Tur, Dra. Maria C.
Vucetich y Sr. Jorge Williams de la Facultad de Ciencias Naturales de la Universidad Nacional
de La Piata y al Ing. Agr. M. Rafael Trujillo del Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria
con sede en Corrientes.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
BARROS, R. de. 1942. Tardigrados do Estado de São Paulo, Brasil. |. Revta. bras. Biol.,
Rio de Janeiro, 2 (3):257-69.
CABRERA, A. & WILLINK, A. 1973. Biogeograffa de América Latina. Washington, OEA
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3-11, 31 mar. 1988
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67)
10 CLAPS, M.C. &G.C. Rossi
Figs. 1-3. Vista dorsal. 1. Echiniscus (E.) crassispinosus Murray, 1907; 2. E. (E.) dreyfusi
Barros, 1942; 3. E. (E.) manuelae Cunha & Nascimento Ribeiro, 1962. A.: cirro A; espinas
laterales: B, C, D, E; espinas dorsales: C’ y D'; placas medianas: 1, 2, 3; abreviaturas: PE, placa
escapular; PT, placa terminal. ;
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):3-11, 31mar. 1988
Tardígrados de Argentina VI. 11
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10p
Figs. 4-5. Detalle de las ufias (1) del primero y cuarto par de patas (4) y del aparato
bucal. Abreviaturas: T, tubo bucal; R, refuerzo; A, apófisis; B, bulbo faríngeo; M, macropla-
coides. 4. Pseudobiotus augusti (Murray, 1907); 5. Doryphoribius evelinae (Marcus, 1928).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):3-11, 31 mar. 1988
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Recaracterização de Veronicella sloanei (Cuvier, 1817) (Mollusca,
Gastropoda, Veronicellidae).*
José Willibaldo Thome**
RESUMO
Apresenta-se a recaracterização de Veronicella sloanei (Cuvier, 1817), baseado em exame
do tipo e de diversos espécimes centro-americanos; discute-se a sinonímia.
ABSTRACT
A new characterization of Veronicella sloanei (Cuvier, 1817) is proposed, based on the
type and other Centeramerican specimens; its synonymy is discussed.
INTRODUÇÃO
A primeira espécie de Veronicellidae foi validamente nominada por CUVIER
(1817b) como Onchidium sloanei, baseado em ilustração e descrição de SLOANE
(1725). Alguns meses mais tarde, BLAINVILLE (1817) propõe a espécie Veroni-
cella laevis, também a figurando e descrevendo, baseado num espécime da coleção
do Museu Britânico de História Natural, BM(NH), Londres, referindo que o mesmo
era de procedência desconhecida. A seguir Férussac (1819/21) in FÉRUSSAC &
DESHAYES (1819/1851) primeiramente fala da espécie de Sloane, citando-a com
dúvidas como Onchidium vel Veronicellus sloanii, aduzindo que não a coloca
somente no gênero Veronicellus pela forma geral, mais larga na frente e afilada
para trás e sobretudo pelo orifício na metade posterior do pé, nítida na figura de
SLOANE (1725). Reporta-se também a Veronicellus laevis e acha que o espécime
visto por BLAINVILLE (1817) até poderia ser o mesmo de Sloane, porém desfi-
gurado pela longa permanência no álcool e que a concha referida por Blainville
poderia ter escapado à observação de Sloane e que estas espécies não poderiam
se confundir com as suas espécies (=Vaginulus taunayi e outras). Logo depois
* Aceito para publicação em 03.11.1987. Contribuição FZB nº 325. Apresentado no IX En-
contro Brasileiro de Malacologia, 03 a 07.07.85, São Paulo, SP.
** Presidente da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (FZB) Caixa Postal 1188,
90001, Porto Alegre, RS, Brasil; Professor Titular de Zoologia, da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul; Bolsista do CNPq — Conselho Nacional de Desenvolvimen-
to Científico e Tecnológico, Categoria Pesquisador I-A, Proc. nº 30.1590/79.
IHERINGIA. Sér.Zool!., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
14 THOMÉ, J.W.
FERUSSAC (1822) insere a espécie em um novo gênero, listando-a como Vagi-
nulus sloanii, acrescentando que seria difícil considerar a espécie no gênero Onchi-
dium ou Veronicellus, visto que o último se caracteriza pela posição do orifício
da cavidade pulmonar e do ânus, ambos posteriores, assim como a presença de
rudimento da concha no dorso. Lista, também Veronicellus laevis comentando
que talvez os Órgãos reprodutores fossem separados e que o orifício genital fe-
minino tivesse passado despercebido, restando para diferenciá-la dos vaginulos
a separação maior das aberturas respiratórias e do reto, alguma diferença na forma
da parte posterior do corpo e a presença de concha espiralada na couraça prote-
tora. Finalmente Férussac (1823) in FERUSSAC & DESHAYES (1819/1851) rela
ciona Vaginulus sloanii como sexta espécie deste seu novo gênero e Veronicellus
laevis como espécie única deste gênero, aduzindo o mesmo já referido em 1822.
BLAINVILLE (1825/7) aumenta a confusão, colocando Veronicella na si-
nonímia de Onchidium, mencionando O. laevis, mas informa também que a re-
ferida concha rudimentar interna não existia, tendo sido apenas uma aparência.
A seguir BLAINVILLE (1825/1828) informa que a V. laevis é igual à lesma
que Férussac recebeu do Brasil para propor o gênero Vaginulus (=V. taunayi).
KEFERSTEIN (1865) dá preferência ao gênero Veronicella, achando que é prio-
ritário ao Vaginulus e à forma feminina Vaginula, proposta por BERTHOLD
(1817). CUVIER (1868) publica uma reprodução da figura de BLAINVILLE
(1817), mostrando a face ventral de Veronicella laevis sob a legenda: “Vaginula
taunaissi Fér., animal contraído, mostrando o pé e a borda do manto”.
FISCHER (1871) reconhece a independência das espécies Vaginula sloanii
e Vaginula laevis. Da última informa que é o tipo do gênero Veronicella e que lhe
é característico o poro genital feminino localizado perto da extremidade posterior
do pé, e que também se notaria o mesmo na figura inexata de Lesson para V. /i-
mayana. Da Vaginula sloanii diz que tem exemplares no Museu de Paris proceden-
tes de Cuba e do Haiti, estes coletados por M.A. Sallé. Comenta que a figura de
Sloane seria ruim e feita sobre espécime conservado no álcool. Redescreve a espécie
e a figura do vivo, segundo desenho e notas de Morelet. Segundo CHEVALLIER
(1965) em seu catálogo das espécies de Férussac, há no Museu de Paris 3 exempla-
res procedentes do Haiti etiquetados como Vaginulus sloanei. Este lote eu pude exa-
minar e deve ter sido utuilizado por FISCHER (1871). Constatei não se tratar de
Veronicella sloanei e sim de uma espécie a ser descrita!
HEYNEMANN (1885a) informa que localizou no BM (NH) um espécime
rotulado como tipo de Veronicella laevis o qual se ajusta à figura reproduzida por
Férussac, 1819 (FERUSSAC & DESHAYES, 1819/1851: est. 7, fig. 6 e 7) com
exceção da errônea indicação do poro genital feminino; que junto ao espécime ha-
via uma etiqueta onde estava indicada a procedência: “Jamaica, Mus. Sloane’’;
que o espécime estava branco, desbotado; que contudo não pretende revalidar a
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
Redescrição de Veronicella sloanei ... 15
espécie e a propõe na sinonímia de V. occidentalis. No mesmo ano SEMPER (1885)
redescreve o que ele denomina de Vaginula sloanei (?), baseado em espécime de
Cuba (no Museu de Copenhague) e da Jamaica (leg. por Mörch) dando os primeiros
característicos anatômicos. Estes espécimes, contudo, nada tem a haver com o que
eu reconheço como V. s/oanei, tratando-se também de uma espécie a ser nominada.
COCKERELL & COLLINGE (1893) propõe que esta V. s/oanei de Semper seja
igual a V. dissimilis Cockerell, 1892, devido ao duplo músculo retrator do pênis.
PILSBRY (1890) descreve a espécie Vaginulus schivelyae, das Bermudas, só
pela morfologia externa, dando diversas dimensões dos 2 espécimes e afirmando que
não há nas localidades próximas uma vaginula tão grande e que a descrição não con-
fere com qualquer outra do mundo!
COCKERELL (1891) informa, também, que encontrou o tipo de Veronicella
laevis no BM (NH), proveniente da Jamaica e que pelos característicos do tipo e por
consequência da espécie-tipo fica caracterizado o gênero Veronicella, que seria dis-
tinto de Vaginula Férussac, cuja espécie-tipo seria V. taunayi.
COCKERELL (1893) informa ter recebido lesmas de Brokenhurst, Mande-
ville, Jamaica, pragas do cafeeiro, e que são semelhantes à Veronicella sloanii, cujo
tipo viu no BM (NH), e que este é de cor branca ou esbranquiçada. Assim conside-
ra as lesmas como uma var. coffeae visto terem 3 polegadas (8,25cm) de compri-
mento e cerca de 1 1/4 de polegada de largura (3,44 cm); noto de coloração marrom
escura e vagamente manchada de mais escuro e, em embaixo, brancas, mais ou me-
nos tingidas de amarelo; a sola muito mais estreita do que o corpo. Logo depois,
COCKERELL & COLLINGE (1893) ampliam os característicos da var. coffeae re-
petindo que o noto é marrom, não distintamente marmorado por desenhos mais
escuros e usualmente com uma listra mediana clara conspícua. O hiponoto seria
branco-amarelado sem pontuações. Acrescentam dados anatômicos, dizendo que a
glândula peniana tem 6mm de comprimento e possui mais de 15 túbulos; o sa-
co do pênis é cilíndrico e dobrado em V; o músculo retrator do pênis é longo e
único e que o pênis é cilíndrico com uma “cabeça” arredondada e abertura termi-
nal. Ainda no ano seguinte COCKERELL & LARKIN (1894) aduzem que a var.
coffeae o seria da Veronicella sloanii (=V. laevis), encontrada em altitudes mode-
radas na Jamaica, apresentando um colorido tão constante, que seria facilmente
reconhecível.
COCKERELL (1892) descreve a Veronicella virgata sobre 6 espécimes de
Porto Henderson, Jamaica, dando o hiponoto como unicalor, sem manchas e o
noto marmorado de cor enengrecida, com clara listra mediana longitudinal estan-
do mais ou menos claramente indicadas as duas bandas escuras subdorsais; o ânus
seria pequeno, em crescente, sob a região posterior da sola do pé; a glândula peniana
teria 9mm de comprimento com 20 túbulos; o pênis, segundo Simroth, seria acro-
caule. A seguir COCKERELL & COLLINGE (1893) põe em dúvida a validade de
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
16 THOME, J.W.
V. virgata achando que poderia ser uma variedade da V. s/oanii e idêntica com a
V. jamaicensis, que por sua vez não mais seria atribuída a V. krausii de SEMPER
(1885). Já COCKERELL & LARKIN (18944, b) confirmam que a V. virgata deve
ser, no máximo, uma variedade da Veronicella sloanii, baseados no exame de uma
série de 24 espécimes.
Na mesma época, COCKERELL & COLLINGE (1893) chegam a conclusão de
que V. s/oanei e V. laevis são sinônimos, dizendo-se surpresos com o fato e o justifi-
cando através de um histórico dos dois nomes, acrescentando uma descrição do
espécime-tipo, que se encontraria no BM (NH). Destacam particularmente o ânus
que, erroneamente, acham encontrar-se afastado do poro respiratório. Logo no ano
seguinte, COCKERELL & LARKIN (1894a, b) recaracterizam novamente a Vero-
nicella sloanii (=V. laevis), destacando 8 característicos e aduzindo à mesma duas
raças de colorido: coffeae e virgata. Estes e outros característicos são analisados so-
bre 24 espécimes provenientes da Jamaica, examinados e descritos individualmente
com minúcias. Dos 8 característicos são destacados 6, como segue: 1. face ventral
livre de manchas punctiformes (o que a diferenciaria de V. occidentalis); 2. sola do
pé nunca ultrapassa atrás o comprimento do corpo (o que a diferenciaria de uma ou
duas espécies continentais); 3. glândula peniana tem menos de 10mm de compri-
mento (o que a diferenciaria de V. dissimilis e V. floridana); 4. pênis longo, cilin-
drico, com a ponta intumescida e a abertura terminal (o que a diferenciaria da
V. portoricensis); 5. número de túbulos da glândula peniana sempre mais do que
10 (o que a diferenciaria de V. moerchi e V. dubia); 6. poro genital feminino
sempre post-mediano (o que a diferenciaria de V. nigra e espécies associadas). Pou-
co depois, VENDRYES (1899) aproveita a análise feita por Cockerell e Larkin so-
bre os 24 espécimes e propõe duas novas variedades: maculatus e subpallida, as quais
COCKERELL (1900) considera validas e relaciona às descrições de COCKERELL
& LARKIN (1894a, b), sendo que a primeira atribui ao espécime 24, letra F e a se-
gunda ao espécime 20, letra G. Ambos os nomes caem obviamente na sinonímia de
Veronicella sloanei.
HOFFMANN (1925), na extensa monografia sobre a família, volta a restabe-
lecer a confusão anterior, desprezando os interessantes trabalhos de Cockerell et
alii, não aceitando inicialmente o encontro do tipo de Veronicella laevis e nem a
sinonimização da mesma sob Veronicella sloanei, para atribuir à última os caracte-
rísticos que SEMPER (1885) propôs para este nome. A seguir, curiosamente, apesar
de atribuir à sua Belocaulus sloanei os característicos do espécime de SEMPER
(1885), sinonimiza sob a mesma a Veronicella laevis Heynemann (1885) e com
ponto de interrogação a ? Veronicella laevis Blainville, 1817.
BAKER (1925a) procura esclarecer as confusões taxonômicas na família Ve-
ronicellidae, analisando os “taxa” propostos, dando-lhes a sinonímia, propondo os
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
Redescrição de Veronicella sloanei ... 1
tipos e o verdadeiro “status” nomenclatural. Concorda com Cockerell sobre a vali-
dade de Veronicella sloanei e aceita como sinônimo a Veronicella laevis.
Na mesma data BAKER (1925b) consegue acertar apenas em parte, aceitando
a validade de Veronicella sloanei mas indicando-a como uma sub-espécie nominal
Veronicella sloanii sloanii a fim de revalidar como subespéscie o nome proposto por
PILSBRY (1890), sob a forma de Veronicella sloanii schivelyae. Apresenta por
primeira vez boas figuras da anatomia destas lesmas, justificando a separação por
particularidades que não podem ser consideradas.
Estabelece-se então uma polêmica entre HOFFMANN (1927a, 1927b, 1928)
e BAKER (1928, 1931, 1935), o primeiro querendo que a sua Angustipes (=Belo-
caulus) sloanei tenha os característicos propostos por SEMPER (1885) e que
Leidyula schivelyae tenha os característicos propostos por BAKER (1925b) e
incluindo Veronicella sloanei (=V. laevis) de Cockerell et alii na sinonímia da sua
L. schivelyae. O segundo (Baker) insistindo na validade do tipo de Veronicella iaevis
e a validade de Veronicella sloanei englobando a V. laevis e colocando a V. shivelyae
como uma variedade daquela. BAKER (1928) chega a propor que Onchidium
sloanii Cuvier seja considerado nomen nudum, tendo em vista a discordância entre
ele e Hoffmann sobre a espécie.
AGUAYO (1964) menciona a Veronicella laevis como espécie-tipo do gênero
Veronicella e AGUAYO (1965) afirma ser a espécie comum na Jamaica, rejeitando
o nome Onchidium sloanei.
THOME (1975a, b) informa que examinou o que considera tipo da Veroni-
cella laevis Blainville e acha que é diferente da Onchidium sloanei Cuvier. Propõe
a primeira no gênero revalidado Veronicella, como V. laevis e a segunda no gênero
revalidado Leidyula, como L. sloanei.
Finalmente, THOME (1979) recaracteriza a especie Veronicella laevis Blain-
ville, 1817 figurando por primeira vez a anatomia do espécime existente no BM
(NH) a qual considera e justifica ser o espécime-tipo da mesma e, por consequência,
Veronicella é o primeiro gênero proposto na família Veronicellidae, devendo ser o
gênero-tipo. Acrescenta novamente que V. s/oanei Cuvier deve ser considerada outra
espécie, o que ora não confirmo.
Veronicella sloanei (Cuvier, 1817)
“caracoles sin cáscara'” GÖMARA (1552:200), Cenu (Antilhas?).
“Limax nudus, cinereus terrestris” SLOANE (1725:190-1, est 233, f.2-3), Jamaica.
“Limacem nudam cineream terrestriam’’ SCHEUCHZER (1733: est. 544, fig. D) (reproduz as
figuras de Sloane).
“"Limax nudus cinereus terrestris’’ CUVIER (1817a: 14).
Onchid. sloanii CUVIER (1817b:411, rodapé).
Onchidium vel Veronicellus sloanii — Ferussac (1819: est.7, fig. 8-9; cópia das figs. de Sloane,
1725); (1820:81-83), (1821:V), in FÉRUSSAC & DESHAYES (1819-1851).
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
18 THOME, J.W.
Vaginulus sloanii — FERUSSAC (1822:14); Fórussac (1823:96x); Deshayes (1851:2) in FE-
RUSSAC & DESHAYES (1819-1851).
Veronicella laevis BLAINVILLE (1817:440-2, est. 2, fig. IV, 1-2); GRAY (1847:178); BAKER
(1928: 44,46); (1935: 84,88); AGUAYO (1964:550); (1965:27); THOME (1975a: 155,
158); (1975b:5, 33-34); (1979:138-41, figs. 4-9, 17; redescrição do holótipo).
Veronicellus laevis — Ferussac (1819: est. 7, fig. 6-7; cópia de Blainville, 1817); (1820:83-4);
(1821:V); (1823:96z); Deshayes (1851:2) in FERUSSAC & DESHAYES (1819-1851);
FERUSSAC (1822: 16).
Onchidium laevis BLAINVILLE (1825/1927:465, est. 41, fig. 7; cópia de Blainville, 1817).
Vaginula taunaissi — CUVIER (1868: 10, est. 4, fig. 7a; cópia de Blainville, 1817).
Vaginula sloanei — FISCHER (1871:166-8, 175, partim); (1875:54); Fischer & Crosse (1878)
in FISCHER & CROSSE (1870/1902, v.1:681, partim); HEYNEMANN (1885b:274,
partim); (1906: 70, partim); SIMROTH (1914:299, partim).
Vaginula laevis — FISCHER (1871:172-3); (1875:54); FISCHER & CROSSE (1870/1902,
v.1:681, v.11:727); HEYNEMANN (1906:66); SIMROTH (1914:299).
Vaginula occidentalis HEINEMANN (1885a: 15-6, pro tipo de Veronicellus laevis (Blainville),
Jamaica, Mus. Sloane ded, no BM (NH); (1885b:274-5, partim, Granada (?), Trinidad (?)).
Veronicella sloanii — COCKERELL & COLLINGE (1893: 194, 217-9); COCKERELL & LAR-
KIN (1894a: 23-30).
Vaginula sloanii — VENDRYES (1899: 601).
Belocaulus sloanei — HOFFMANN (1925:202-5, partim).
Veronicella sloanii (+ laevis) — BAKER (1925a:13-16).
Veronicella sloanii sloanii BAKER (1925b:157-8, 160-5, est.3, fig.5-6, partim), Jamaica,
EUA; DUNDEE et alii (1965: 192); (1971:131); (1974:7).
Angustipes sloanei — HOFFMANN (1927b: 2-3, 30-33, partim); (1928: 250, partim).
Onchidium sloanii — BAKER (1928:44).
Onchidium sloanei — THOME (1975a:155).
Leidyula sloanei — THOME (1975b: 18).
Vaginulus schivelyae PILSBRY (1890:296-9, est.5, fig.6-8, St. George, Bermudas); (1891:
39, est.2, fig.6-8, cópia da est.5 de 1890); THOME (19752: 160); BAKER (1963:193).
Veronicella schivelyae — COCKERELL (1891:218-9); COCKERELL & COLLINGE (1893:
194, 217); ROBBINS & COCKERELL (1909: 383-4).
Vaginula schivelyae — HEYNEMANN (1906: 70); THOME (1975b:34).
Cylindrocaulus floridanus — HOFFMANN (1925:1434, partim).
Veronicella sloanii schivelyae — BAKER (1925b:158, 160-3, 183, est. 3, figs. 1-4, Bermudas,
Jamaica).
Leidyula schivelyae — HOFFMANN (1927a: 210-5, fig. 1-3); (1927b:21-5, fig.9-10); (1928:244,
247-8, 250).
Veronicella laevis var. schivelyae — BAKER (1928:44); (1935:88).
Veronicella virgata COCKERELL (1892:96); COCKERELL & COLLINGE (1893:194,
219): THOMÉ (1975a: 160); (1975b: 34).
Veronicella sloanii var. virgata — COCKERELL & LARKIN (1894a: 24-6); (1894b:60).
Vaginula virgata — VENDRYES (1899:601); HEYNEMANN (1906:70); SIMROTH (1914:
299-300).
Cylindrocaulus olivaceus var. jamaicensis — HOFFMANN (1925: 153-5, partim).
Veronicella sloanii var. coffease — COCKERELL (1893:127); COCKERELL & COLLINGE
(1893:194, 218-9); COCKERELL & LARKIN (1894a: 25); SIMROTH (1914: 300).
Vaginula coffeae — HEYNEMANN (1906: 70).
Veronicella sloanei coffese — THOME (19753; 160).
Veronicella coffeae — THOME (1975b: 33-4).
Vaginula sloanei var. maculatus VENDRYES (1899:601); COCKERELL & LARKIN (1894a:
28, como letra “'F"", nº 24); COCKERELL (1900: 131).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
Redescrição de Veronicella sloanei ... 19
Vaginula sloanei var. subpallida VENDRYES (1899:601); COCKERELL & LARKIN (1894a:
28-9, como letra “'G"', nº 20); COCKERELL (1900:131).
Redescrição: noto de cor geral marrom-amarelada, com pigmentação escu-
ra em forma de pequenos pontos, de tamanho e distribuição irregulares, costumeira-
mente mais densos em duas bandas longitudinais, distanciadas entre si por uma
listra mais clara e dispostos a alguma distância dos perinotos. Hiponoto de cor
clara, sem pigmentação. Alça intestinal anterior atrás do primeiro lóbulo da glându-
la digestiva. O reto penetra junto e acima da vagina no tegumento. O comprimento
topográfico externo do esôfago+papo é sempre algo maior do que a metade do
comprimento do estômago+intestino (fig. 10-13; tab.2). (Comprimentos médios
aproximados: esôfago+papo: 28mm; estômago+intestino: 42 mm). Os nervos
pediosos nascem juntos e seguem juntos paralelos por cerca de 1/6 do seu com-
primento, quando divergem e seguem afastados, mas paralelos, até quase o final
da cavidade geral. A glândula pediosa é alongada, alargada na frente, estreitan-
do-se um pouco, para tornar-se de largura uniforme até a ponta; levemente acha-
tada, solta; apresenta tecido diferenciado na cor amarela internamente e claro
translúcido externamente; este em ambas as bordas longitudinais, mais ou menos
largo, circundando a ponta e delimitando para o meio o tecido de cor amarela;
este apresenta uma linha demarcada mediana como um fendilhamento longitudi-
nal, desde a abertura até próximo à ponta onde termina numa leve depressão arre-
dondada (figs. 14,18,22,26; tab. 3). A espermateca é globulóide e está assentada
sobre grosso e desenvolvido canal; o longo duto de ligação penetra na espermateca,
achando-se próximo à mesma concrescido com o canal; o duto de ligação é sem-
pre maior do que o vaso deferente posterior distal e em geral mais curto do que a
metade do comprimento do canal (figs. 15,19,23,27; tab. 3) (Comprimentos mé-
dios aproximados: duto de ligação: 5 mm; vaso deferente posterior distal: 3mm;
canal: 13mm). A glândula peniana tem uma papila cônica, afilada, pequena e tú-
bulos uniformes, em geral distinguindo-se um grupo externo e mais numeroso de tú-
bulos mais longos ao redor de um grupo de túbulos menos numerosos e mais cur-
tos, entre estes por vezes ocorre um túbulo bem curto (em média na proporção de
1:13:18 = 32 túbulos); o comprimento total da glândula peniana é semelhante ao
comprimento do pênis (Comprimentos médios aproximados: glândula peniana:
11mm; pênis: 12mm) (figs. 16,20, 24,28; tab. 3). O pênis é cilíndrico, alongado,
liso, com leve intumescimento na ponta onde ocorre extroversão de um tecido cre-
táceo, em cuja extremidade se abre o vaso deferente anterior (acrocaule). O compri-
mento do pênis é cerca de três vezes menor do que o comprimento do vaso defe-
rente livre anterior e quase igual ao comprimento do canal da espermateca (Com-
primentos médios aproximados: pênis: 12mm; vaso deferente anterior: 31mm;
canal da espermateca: 13mm) (figs. 17,21,25,29; tab. 3).
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
20 THOMÉ, J.W.
Localidade-tipo: Jamaica (Antilhas).
Distribuição geográfica: Jamaica; Bermudas; Barbados; Estados Unidos (Nantucke:
Mass.) introduzida?
Material examinado: Holótipo, BM (NH) 196852-W, JAMAICA, ded Museu Sloane,
também holótipo de Veronicella laevis Blainville, 1817; seis espécimes BM (NH) s/nº, Pine
Gardens, BARBADOS, 06.V11.1982. Seis espécimes, MCN-7539, St. Michael, BARBADOS,
V.1983, Joice Bell leg.; dez espécimes, MCN-7540, mesma procedência (da coleção do Museu
de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre). Um es-
pécime, ZMK s/nº, Spring Head, (cerca de 2km NNW de Hillaby), BARBADOS, 13.111.1976,
Chr. Frandsen & Knudsen leg. (da coleção do ''Zoologisk Museum” Copenhague). Um espé-
cime ANSP-A1437 (60964), Jardim Público, Saint George, BERMUDAS, 1888, Heilprin Exped.,
leg., holótipo de Vaginulus schivelyae Pilsbry (da coleção da “Academy of Natural Sciences of
Philadelphia”, E.U.A.). Seis espécimes MCN-9238, Kinston, JAMÁICA, 19-22.V.1986, M.
Yaseen leg.
Discussão: A controvérsia sobre a identidade e taxonomia da espécie é
longa e polêmica, tendo atingido seu impasse com a irreconciliável interpretação
divergente entre Hoffmann e Baker na década de 20 deste século.
A origem do problema é a publicação de dois nomes, quase simultaneamen-
te, para a primeira designação de uma espécie do que hoje corresponde às lesmas da
família Veronicellidae. Um deles (CUVIER, 1817b) é uma simples enunciação de
um nome para uma lesma descrita e representada por SLOANE (1725) e o outro
é a descrição e ilustração (algo errônea) de BLAINVILLE (1817) sobre um espé-
cime da coleção BM (NH), que ele examinara ocaisonalmente três anos antes. As
descrições não apresentam. característicos utilizáveis na identificação e as ilustra-
ções são precárias. As figuras de Sloane ainda foram publicadas com o clichê virado,
o que trouxe sérias conseqüencias de interpretação, pois o que foi interpretado
como ânus (para baixo) na realidade é a cavidade no manto devido a cabeça retraída
do animal fixado (cavidade pré-cefálica). Leva-nos a esta convicção a comparação
das figuras de SLOANE (1725), aqui reproduzidas (figs. 1-2), com as fotos (figs.
5-7) do espécime que se encontra no BM (NH), particularmente quanto à perfura-
ção no meio da sola do pé, na região anterior do animal, bem assinalada por Sloane
e que constatamos existir no espécime em exame. A perfuração é artificial e deve
ter sido praticada para fixar o anima! em exibição no Museu de Sloane. A inversão
da figura de SLOANE (1725) é confirmada pela reprodução feita por Férussac
(1819) in FÉRUSSAC & DESHAYES (1819/1851), quando Férussac (1820) in
op. cit. informa que a perfuração no meio da sola do pé seria posterior. Esta inver-
são do clichê pode também ser deduzida comparando o texto de SLOANE (1725)
onde diz que a figura 3 seria a face ventral, mas na realidade a face ventral está re-
presentada na figura 2, como consta da legenda. Para elucidação reproduzimos as
figuras de SLOANE (1725) (figs. 1-2; com a face ventral em posição corrigida), as
de BLAINVILLE (1817) (figs. 3-4) e as de THOME (1979) (figs. 5-7). Isto tam-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
Redescrição de Veronicella sloanei ... 21
bém explica o erro de atribuir a V. s/oanei um enorme ânus. A presença de um
grande ânus foi a principal justificativa de autores como FISCHER (1871), SEM-
PER (1885) e especialmente HOFFMANN (1925, 1927b) para a identificação do
que consideravam V. s/oanei e a diferenciação desta para com a V. laevis. Para
HOFFMANN (1927b) esta presença de um grande ânus em V. s/oanei também
era decisivo para que ele não reconhecesse a identidade da mesma com V. schive-
Iyae. Desse modo, chegamos a conclusão que o espécime nº BM (NH) 196852-W
é o mesmo que serviu à SLOANE para a ilustração de 1725 e por consequência é o
holótipo de Onchidium sloanei CUVIER (1817b). Ora, o mesmo espécime serviu à
descrição de Veronicella laevis por BLAINVILLE (1817) sendo pois também seu
holótipo o que torna a V. /aevis um sinônimo objetivo de Onchidium sloanei Cuvier
(1817). Infelizmente isto não foi percebido pelos próprios autores e nem pelos
pesquisadores posteriores, especialmente Férussac, Semper, Hoffmann e Baker,
conforme exposto na introdução e na longa sinonimização. Os únicos que verifica-
ram esta coincidência foram Cockerell et alii em fins do século passado, corrobora-
dos em parte por BAKER (1925b) sendo que este último ao revalidar V. schivelyae
como subespécie da V. s/oanei causou nova confusão, aproveitada por HOFFMANN
(1927a, b) para discordar no afã de validar o errôneo nome genérico Vaginula.
THOME (1975a, b e 1979) ainda não havia percebido a identidade de O. s/oanei e
V. laevis, confundido pelo exame de espécimes do Haiti atribuídos por FISCHER
(1871) à V. s/oanei e pela proposição de SEMPER (1885). Verifico hoje que os
espécimes de FISCHER (1871) e SEMPER (1885) são de outra espécie, o que de-
verá ser discutido em novo trabalho.
A inclusão na sinonímia da referência de GÓMARA (1552) já referido por
SLOANE (1725) é uma tentativa, por não ser identificável e ainda não conseguir
descobrir a localização precisa de Cenu, localidade das Índias Ocidentais.
A sinonimização de Vaginulus schivelyae PILSBRY, 1890 fica assegurada pelo
trabalho de BAKER (1925b), onde redescreve e ilustra a espécie, bem como pelo
exame do holótipo. As diferenças apontadas não justificam a separação feita por
BAKER (1925b) colocando-a como subespécie da Veronicella sloanei.
Os dados disponíveis para sinonimizar as espécies V. virgata Cockerell, 1892 e
V. coffeae Cockerell, 1893 são deduzíveis das recaracterizações de COCKERELL
& COLLINGE (1893) e COCKERELL & LARKIN (1894) os quais já naquela
época consideravam os nomes como atribuídos a simples variações de colorido.
As variedades de VENDRYES (1899) V. maculata e V. subpallida já foram
assim consideradas pelo próprio COCKERELL (1900) e são pois sinonimizáveis.
A presente recaracterização de Veronicella sloanei vai acompanhada de farta
ilustração, tanto do sistema genital como da glândula pediosa e do sistema diges-
tivo, donde extraímos os principais característicos descritivos. Também incluímos
tabelas com dados biométricos (tabs. 1-3), cujo valor caracterizante vem sendo pes-
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
22 THOME, J.W.
quisado por mim e meus alunos, tendo os dados preliminares sido elaborados em
trabalhos em publicação, em colaboração com R. Bertschinger (sistema genital) e
I. Brochier (sistema digestivo). Parece que várias medidas são correlacionáveis e pos-
sivelmente seus índices são caracterizantes. A finalidade primordial da publicação
destes dados preliminares é encorajar outros pesquisadores e: conjugarmos esforços
na elucidação da sistemática filogenética desta complexa família.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. N.J. Evans, Curador de moluscos do “British Museum (Natural History)”, Lon-
dres e ao Dr. J. Knudsen, Curador de moluscos do “'Zoologisk Museum‘’, Copenhague por
terem franquiado as coleções para estudo. A Dra. J. Bell, de Barbados, ao Dr. M. Yaseen,
de Curepe, Trinidad e ao Dr. G. Davis, de Philadelphia, pela remessa de material. Ao Prof.
Dr. K. J. Götting, de Giessen, pelas fotos da rádula. À desenhista Rejane Rosa e à secretá-
ria Tania Carvalho, pelos acabamentos dos desenhos e a datilografia do MS, respectivamente.
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Redescrição de Veronicella sloanei ... 25
Tabela 1. Dados biométricos (mm) e índices de Veronicella sloanei (Cuvier,
1817) (l. Holótipo, MN (NH) 196852-W, Jamaica, ded Museu Sloane; Il. espécime
do lote BM (NH) s/nº, Barbados; Ill. espécime do lote ZMK s/nº, Barbados;
IV-V II. espécimes do lote MCN 7539, Barbados; VIII. espécime do lote MCN 7540,
Barbados).
| BER IV: Vo VU las Vit oo
Comprimento noto 64,0 78,0 83,0 75,0 61,0 90,0 86,0 80,0/77,12
Largura noto 26,0 32,0 26,0 30,0 26,0 35,0 33,0 34,0/30,25
Altura noto 105.438, 19,07 120120 13,0" TIO TEST
Largura hiponoto direito 64 99 88 95. 86 95 92 105|905
Largura sola 69 55 84 63 65 62W62,18,6|1645
Distäncia poro
feminino, frente 275 32,5 44,6 30,0 29,3 30,2 29,0 35,01 32,26
Distäncia poro
feminino, aträs 20,5 24,5 32,5 26,0 19,0 29,3 280 27,0/25,85
Distância poro
feminino, sola _ 22 da 239421 20 12.20 261245
Índice comprimento/
largura 2,46 2,43 3,19 2,50 2,34 2,57 2,60 2,35] 2,55
Índice distância poro mr
feminino frente/aträs 1,34 71,32 1,37°91,15 1,52 1,08 1,03. 71,30] 1,24
Indice transverso
poro feminino 2,90 4,12 3,82 4,52 4,30 5,59 4,60 4,20] 4,21
Indice largura hiponoto/
sola 0,92: 1,80 1,04.1,50x 7,32: 1,5371,48 11,87 | 1:40
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
26 THOME, J:W.
Tabela 2. Dados biométricos (mm) do sistema digestivo de Veronicella sloanei
(Cuvier, 1817), referentes a 5 espécimes do lote MCN 7540, Barbados.
Topografia externa
Comprimento esôfago 5,5 5,5 6,0 4,0 6,5 5,5
Comprimento papo 26,0 22,0 21,5 20,0 22,0 22,3
Comprimento moela 6,5 6,0 5,0 5,5 4,5 5,5
Comprimento estômago + :
intestino 44,0 45,0 38,0 42,0 41,0 42,0
Topografia interna
Comprimento esôfago +
papo 27,0 26,0 28,5 25,0 27,0 26,7
Comprimento moela 5,5 5,5 3,5 4,5 4,5 4,7
Comprimento tiflossole
maior 12,0 10,0 10,0 11,0 10,0 10,6
Comprimento tiflossole
menor 3,5 3,5 3,5 2,0 2,0 2,9
Comprimento intestino 31,5 31,0 27,0 30,0 29,5 29,8
Comprimento estômago — 11,0 10,5 — — 10,7
Comprimento pós-estômago = 1,5 1,0 = — 12
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31mar. 1988
Redescrição de Veronicella sloanei ... 27
Tabela 3. Dados biométricos (mm) da glândula pediosa e do sistema genital
de Veronicella sloanei (Cuvier, 1817) (I-IV. espécimes do lote MCN 7539, Barba-
dos; V. espécime do lote MCN 7540, Barbados.
| I HI IV V x
Gländula pediosa
Comprimento natural 6,0 52 5.7 5 6,0 5,68
Comprimento distendida 6,5 5,3 6,0 6,2 6,0 6,00
Comprimento sulco mediano 55 4,0 4,5 3,7 45 4,44
Largura maior 2,0 1,3 1,5 1:7, 2,0 1,70
Sistema genital posterior
Diämetro espermateca 7,2 4,0 5,0 6,0 55 5,54
Comprimento canal
espermateca 11,0.0 12,0 12,0 17,0 14,0 13,20
Diâmetro canal espermateca 1,4 1,1 1,4 ta 1,2 1,26
Comprimento ducto ligação 3,6 4,5 6,5 4,5 6,0 5,02
Diâmetro ducto ligação 03 0,5 0,4 0,3 0,3 0,36
Comprimento deferente
medio 1,4 22 1,1 22 2,0 1,78
Diämetro deferente medio 0,2 0,4 0,4 0,3 0,3 0,32
Comprimento deferente
posterior distal 1,8 2,4 2,8 4,0 2,5 2,70
Diâmetro deferente
posterior distal 0,5 0,5 0,5 0,5 0,4 0,48
Comprimento próstata 6,5 8,0 10,0 10,0 9,5 8,80
Diâmetro próstata 3,0 2,8 37 4,0 4,0 3,50
Sistema genital anterior
Comprimento pênis 12,0 10,0 12,0 11,0 11,5 11,30
(=glande)
Comprimento äpice cretäceo 1,0 - tis 1,0 0,9 1,10
Diâmetro base do pênis 3 3 1,4 17 1,5 1,44
Diämetro äpice cretäceo 2:2 — 1,6 1,8 1,6 1,80
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
28 THOME, J.W.
Tabela 3. ... continuação.
Comprimento deferente
anterior 28,0 30,0 34,0 31,0 33,0:|:31:20
Diâmetro deferente anterior 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,40
Comprimento músculo
retrator do pênis 7,0 3,5 10,0 10,0 75 7,60
Comprimento papila 1.1 1,1 1,2 1,0 1,5 1,18
Diämetro base da papila 09 0,5 0,8 0,7 0,8 0,74
Comprimento tübulos
menores 2,5 3,5 — 4,0 RSS) 3,87
Comprimento túbulos |
medios 6-70 6,70. 790 680 67,5 6,95
Comprimentos túbulos
longos 9-10,0 9-11,0 10-12,0 9-10,0 85-10,0 9,85
Diämetro dos tübulos 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,30
Nümero dos tübulos 27 33 35 31 35 32
Número túbulos curtos/
médios/longos 1/9/17 1/12/20 0/15/20 1/15/15 1/15/19] 1/13/18
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 E 1988
Redescrição de Veronicella sloanei ... 29
Figs. 1-7: Veronicella sloanei (Cuvier, 1817): 1-2. vistas dorsal e ventral, reproduzidas de
SLOANE (1725); 3-4. vistas dorsal e ventral, reproduzidas de BLAINVILLE (1817): 5-7. ho-
lótipo BM (NH) 196852-W, reproduzidas de THOMÉ (1979): 5. vista dorsal; 6. vista lateral;
7. vista ventral. (AN, ânus; CPC, cavidade pré-cefálica; HD, hiponoto direito; PER, perfuração
artificial; PGF, poro genital feminino; SP, sola do pé).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
30 THOME, J.W.
Figs. 8-9: Veronicella sloanei (Cuvier, 1817): 8. parte da rádula, com filas de dentes
raquidianos e laterais (espécime MCN 7540b, foto de Gotting, em microscópio de varredu-
ra); 9. parte da rádula, com dois dentes raquidianos e outros laterais, maior aumento (foto
Gotting).
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
Redescrição de Veronicella sloanei ...
31
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Figs. 10-11: Veronicella sloanei (Cuvier, 1817): espécime MCN 7540c, 10. topografia
de parte do trato digestivo, em vista dorsal; 11. vista interna de parte do tubo digestivo, aber-
to longitudinalmente. (AA, abertura anterior da glândula digestiva: AP, abertura posterior da
glândula digestiva; ESO, esôfago; EST, estômago; IN, intestino; MO, moela; PAP, papo; RT,
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
32 THOMÉ, J.W.
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E
e
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77
Figs. 12-13: Veronicella sloanei (Cuvier, 1817): espécime MCN 7540e, 12. topografia de
parte do tratao digestivo, em vista dorsal; 13. vista interna de parte do trato digestivo, aberto
longitudinalmente. (AA, abertura anterior da glândula digestiva; AP, abertura posterior da glän-
dula digestiva; DI, tabique da nervura cárdica; ESO, esôfago; EST, estômago; IN, intestino;
MO, moela; NE, nervura cárdica; PAP, papo; RT, reto; TIG, tiflossole maior; TIP, tiflossole
menor; VP, válvula pilórica).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
Redescrição de Veronicella sloanei ... 33
Figs. 14-17: Veronicella sloanei (Cuvier, 1817): espécime ZMK s/nº, 14. glândula pe-
diosa, vista dorsal; 15. parte dos órgãos genitais posteriores; 16. glândula peniana; 17. pênis,
com parte do deferente anterior. (BA, bainha musculosa; CE, canal da espermateca; DA, vaso
deferente anterior; DL, duto de ligação; DM, vaso deferente médio; DPD, vaso deferente pos-
terior distal; DPP, vaso deferente posterior proximal; ES, espermateca; MR, músculos retra-
tores; OV, oviduto; PA, papila; PE, pênis; PR, próstata; RT, reto; TU, túbulos).
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
34 | THOME, J.W.
CS
A!
N
Figs. 18-21: Veronicella sloanei (Cuvier, 1817): espécime BM (NH) s/nº, 18. gländu-
la pediosa, vista dorsal; 19. parte dos órgãos genitais posteriores; 20. glândula peniana; 21. pê-
nis.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
Redescrição de Veronicella sloanei ... 35
Figs. 22-29: Veronicella sloanei (Cuvier, 1817): espécime MCN 7539a, 22. glândula
pediosa, vista dorsal; 23. órgãos genitais posteriores; 24. glândula peniana; 25. pênis com
vaso deferente anterior; espécime MCN 7539c, 26. glândula pediosa, vista dorsal; 27. parte
dos órgãos genitais posteriores; 28. glândula peniana, com músculos retratores; 29. pênis e
vaso deferente anterior. (AC, ápice do pênis de tecido cretáceo; BA, bainha musculosa; CE,
canal da espermateca; DA, vaso deferente anterior; DL, duto de ligação; DM, vaso deferente
médio; DPD, vaso deferente posterior distal; DPP, vaso deferente posterior proximal; DP,
distância ao pericárdio; EDV, espermiovuloduto; ES, espermateca; GH, glândula hermafrodi-
ta; MR, músculos retratores; OV, oviduto; PA, papila; PE, pênis; PR, próstata; RT, reto; TU
túbulos; VS, vesícula seminal).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):13-35, 31 mar. 1988
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Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. Ill. Sobre o Simulium
(Chirostilbia) riograndense sp.n. e revisão do Simulium (Chirostilbia)
distinctum Lutz, 1910.*
V. Py-Daniel*’
M. A. T. Souza**
E PiCaldas
RESUMO
Simulium riograndense sp.n. do subgênero Simulium (Chirostilbia) Enderlein é descri
ta, procedente do norte da Província Hidrogeológica do Paraná. Simulium distinctum Lutz,
1910 é apresentada como a espécie mais próxima de S. riograndense, sendo a mesma revisa-
da. S. distinctum até o presente apenas foi coletada na Província Hidrogeológica do Escudo
Oriental, subprovincia Sudeste.
ABSTRACT
Simulium riograndense, a new species of the subgenus Simulium (Chirostilbia) Enderlein
from the north of the Hydrogeological Province of Paraná is described. Simulium distinctum
Lutz, 1910, the most related species to S. riograndense is revised; up to now, it had beer
collected only at the Hydrogeological Province of the Oriental Shield, Southeast subprovince.
INTRODUÇÃO
Este trabalho é mais um resultado do “Programa Borrachudo” do Estado do
Rio Grande do Sul, no qual estão envolvidas as seguintes entidades: Museu de Zo-
ologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (MZ/UNISINOS), Serviço de Con-
trole de Vetores da Secretaria de Saúde e do Meio Ambiente (SCV/SSMA-RS), Mu-
seu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica (MCN/FZB-RS) e o Conselho
Nacional de Desenvolvimento-Científico e Tecnológico, Instituto Nacional de Pes-
quisas da Amazônia (CNPq/INPA). -
COSCARÓN (1981) descreveu S. prumirimense procedente dos estados de
São Paulo e Rio de Janeiro.
* Aceito para publicação em 03.11.1987.
** Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico/ Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (CNPq/INPA), Caixa Postal 478, 69000, Manaus, AM.
*4* Secretaria de Saúde e do Meio Ambiente/Serviço de Controle de Vetores (SSMA/SCV),
Rua dos Andradas 1438, 90020, Porto Alegre, RS.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
38 PY-DANIEL, V., M.A.T. Souza & E.P. Caldas
SHELLEY, LUNA DIAS & MAIA-HERZOG (1984) após examinarem os sin-
tipos de S. distinctum Lutz, 1910 e o material tipo de S. prumirimense Coscarón,
1981, colocaram esta última na sinonimia de S. distinctum.
RUAS NETO (1985) apresentou algumas PRSERUESEES sobre a biologia de
S. prumirimense (na realidade S. riograndense sp.n).
PY-DANIEL & MOREIRA (no prelo) evidenciaram que S. empascae e S.
distinctum formavam um grupo diferenciado dentro do subgênero Chirostilbia;
neste grupo inclue-se S. (C.) riograndense.
Simulium (Chirostilbia) riograndense sp.n.
(Figs. 1-55)
Simulium (Chirostilbia) prumirimense; RUAS NETO, 1985.
Fêmea. Coloração geral castanho-alaranjada. Comprimento do corpo:
3,3mm (espécimens no álcool). Comprimento da asa (da veia humeral até o ápice
da asa): 3,2-3,5mm. Cabeça acastanhada. Fronte e clípeo castanhos com prufna
branca. Peças bucais castanho-escuras. Antenas castanhas com pilosidade alvacenta,
curta. Antenas com 0,60-0,62mm de comprimento (fig.4). Triângulos fronto-ocu-
lares presentes (fig. 8). Fronte subisométrica (fig. 7). Indice Frontal: 0,97-1,02.
Cibário (fig. 9) sem dentes e com os braços laterais bem esclerotizados. Propor-
ção entre os segmentos Ill-V do palpo maxilar: 1:1,00-1,05:1,91-1,97 (fig. 5).
Vesícula sensorial (fig. 6) do terceiro segmento do palpo maxilar, alongada. Ma-
xila com 28-34 dentes (11-14/1/16-19). Mandíbula com 9-10 dentes na borda
externa e 31-34 dentes na borda interna. Mesonoto castanho-alaranjado, com a
luz incidindo frontalmente (fig. 1) aparecem 1+1 manchas dorsais, pruinosas,
äntero-laterais; com luz superior (fig. 2) estas manchas ficam com pruinosidade
mais esparsa e aparecem 1+1 manchas sub-retangulares (caracter de Chirostilbia)
dorsalmente; com luz posterior as manchas passam a ter uma cor preta. Mesonoto
quando visto posteriormente (fig. 3) apresenta geralmente uma mancha preta em
forma de W (cujos braços laterais são mais escurecidos). Úmeros castanhos com
pruinosidade alvacenta. Escutelo castanho com setas pretas ou amarelas (dependen-
do do ângulo de incidência da luz, ocorre a mudança de reflexão de cor) circun-
dando-o. Posnoto preto, com pruinosidade nacarada, glabro. Mesepisterno, catepis-
terno e mesepímero castanhos enegrecidos, com pruina nacarada esparsa. Sulco
mesepisternal bem evidente. Catepisterno mais largo que alto. Asas com as veias
de coloração castanha; Sc e Secção basilar de R com setas (fig. 10). Forma, pro-
porção e disposição da pigmentação das pernas (figs. 11,12,13). Coxa, trocanter,
fêmur e tíbia do primeiro par de pernas amarelos (a tíbia com o ápice enegrecido
e a região anterior com pruina alvacenta); tarsos pretos. Segundo par de pernas com
a coxa castanha enegrecida, com prufna alvacenta esparsa; trocanter, fêmur e tíbia
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. Ill. 39
amarelos (tíbia com o ápice levemente escurecido); tarso | com os 2/3 basilares ama-
relos escurecidos e o restante castanho-preto; os outros tarsos pretos. Terceiro par
de pernas com a coxa castanha-escurecida, com prufna alvacenta esparsa; trocan-
ter e fêmur amarelos; tíbia com os 2/3 apicais castanhos (amarelo-enegrecido) e o
1/3 basilar amarelo; basitarso com 1/3 a 1/2 apicalmente enegrecido; tarsos pretos.
Calcipala e pedisulco (fig. 15) bem desenvolvidos, calcipala tão longa quanto larga
ou mais longa que larga, não alcançando o pedisulco. Unhas das garras tarsais (fig.
14) de todas as pernas apresentando um dente sub-basilar. Fêmures e tíbias de to-
das as pernas apresentando escamas lanceoladas, finas, entremeadas com setas fili-
formes. Abdome com o tergito Il apresentando 1+1 manchas nacaradas. Os últi-
mos tergitos abdominais apresentam um brilho céreo. Oitavo esternito abdominal
(fig. 17) com 1+1 áreas com um número de setas variando entre 30-38. Gonapó-
fises (fig. 17) subtriangulares, glabras e esclerotizadas na margem interna. Para-
proctos e cercos (fig. 16). Forquilha genital com apódemas laterais conspícuos e
com processo mediano bem esclerotizado. Espermateca oval, com espículas internas
e com a base (pequena área semi-circular) e ducto espermático membranosos.
Macho. Coloração geral castanha-alaranjada. Comprimento do corpo: 3,4-
4,5mm (espécimens no álcool). Comprimento da asa (da veia humeral até o ápice
da asa): 2,8-3,/0mm. Cabeça acastanhada. Fronte e clípeo com pruinosidade alva-
centa. Peças bucais castanho-escuras. Antenas (fig. 20) castanho-escuras, antenas
com 0,62-0,68mm de comprimento. Proporção entre os segmentos IIl-IV do palpo
maxilar (fig. 22): 1:1,0-1,1:2,1-2,3; vesícula sensorial (figs. 21 e 23) do terceiro
segmento do palpo maxilar, subglobular, menor e com menos tubérculos que na
fêmea. Mesonoto castanho-alaranjado com setas amarelas esparsas ao longo do
mesmo. Mesonoto apresentando, em vista lateral (fig. 19), uma faixa de prufna
alvacenta, que o circunda (indo da região posterior até a dorso-anterior); com luz
frontal (fig. 18) apresenta 1+1 manchas pruinosas dorsais. Escutelo castanho com
setas laterais amarelas ou pretas (dependendo do ângulo de incidência da luz as
setas mudam de reflexão de cor). Posnoto preto, glabro e com pruína nacarada.
Mesepisterno, catepisterno e mesepímero castanhos-pretos com pruinosidade na-
carada esparsa. Sulco mesepisternal bem evidente. Catepisterno mais largo do que
alto. Asas com as veias Sc e Secção basilar de R com setas. Forma, proporção e
disposição da pigmentação das pernas (figs. 28, 29, 30). Coxa, trocanter, fêmur e
tíbia do primeiro par de pernas amarelos (tíbias com a porção distal escurecida
e a região anterior com pruína alvacenta); tarsos pretos. Segundo par de pernas
com a coxa castanha-enegrecida, com prufna alvacenta esparsa; trocanter, fêmur,
tíbia e 1/2 basilar do primeiro tarso amarelos, o 1/2 apical do primeiro e os outros
tarsos, pretos. Terceiro par de pernas com a coxa castanha-enegrecida, com prufna
alvacenta esparsa; trocanter e fêmur (fêmur coberto com setas no 1/2 apical)
IHERINGIA. Sér. Zoo!., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
40 PY-DANIEL, V., M.A. T. Souza & E.P. Caldas
amarelos; tíbia com o 1/3 basilar amarelo-branco e o restante preto; basitarso com
os 2/5 apicais pretos e os 3/5 basilares amarelo-branco; tarsos pretos. Calcipala
e pedisulco (fig. 26) bem desenvolvidos; calcipala não alcançando o pedisulco. Re-
lação comprimento/largura do basitarso posterior: 5,0-5,7. Fêmures e tíbias de
todas as pernas apresentando escamas lanceoladas, finas, entremeadas com setas
filiformes. Abdome preto, com as bordas dos segmentos castanhas; tergitos desde
o Il até o VIII com 1+1 áreas nacaradas laterais (no tergito Il estas áreas são gran-
des; do tergito Ill até o VIII estas áreas começam muito reduzidas e anteriores
(no tergito Ill) e vão aumentando de tamanho (por expansão lateral e posterior)
até o tergito VIII. Basímero mais longo que o distímero. Basímero mais largo que
longo. Distfmero (fig. 25) subquadrático e com um pequenissimo espinho afilado
(pouco esclerotizado) subapicalmente. Placa ventral (fig. 24). Esclerito mediano
(fig. 31) alargado na sua metade apical e com uma acentuada incisão mediana,
longitudinalmente. Endoparâmeros (fig. 27) com “dentes” bem conspfcuos.
Pupa. Comprimento do casulo, dorsal: 4,3-5,6mm/ventral (base): 4,8-
5,6mm/ventral (porção anterior): 1,9-2,8mm. Comprimento dos filamentos bran-
quiais: 1,99-2,95mm. Casulo em forma de “sapato” (figs. 32,33) com os 7/8 an-
teriores apresentando tiras, conspicuamente entremeadas, no 1/8 posterior trama
não visível (ou apenas pouco visível); região äntero-dorsal apresenta projeções das
tramas; na região mediana, entre as tiras, pode aparecer um acúmulo de detritos do
meio aquático. As brânquias, normalmente, estão dentro do casulo (na projeção
anterior); brânquias (fig. 34) de cor castanho-clara, compostas de 10 filamentos ter-
minais (da base comum partem 3 troncos principais curtos e relativamente grossos:
o ventral, menos grosso do que os outros; o tronco primário ventral bifurca-se dan-
do dois terminais que podem apresentar, comparativamente, um tamanho reduzi-
do; os troncos primários mediano e dorsal apresentam a mesma disposição de
ramificacões, ou seja, o tronco primário subdivide-se em um terminal e um secun-
dário extremamente curto; este secundário subdivide-se em mais um terminal e um
terciário; este terciário subdivide-se, mais acima, em dois troncos terminais; fig. 36).
Cabeça apresentando pequenos tubérculos (arredondados) apenas em 1+1 áreas
próximas às inserções das tricomas faciais (fig. 40). Estojos antenais (figs. 35, 42)
apresentando enrugamentos em cada área correspondente aos segmentos da antena
da forma adulta (uma fileira de enrugamentos por segmento). Estes enrugamentos
podem ou não apresentar projeções (quando presentes, são pequeninos espinhos;
com uma grande variação no número de espinhos por fileira). Tórax com tubérculos
pequenos, arredondados e/ou espiniformes, apenas em 1+1 áreas, reduzidas, na re-
gião póstero-dorsal (fig. 37a). Ornamentação do fronto-clípeo com 1+1 tricomas
faciais e 2+2 tricomas frontais, simples ou bífidos (tricomas frontais são menores
que os faciais). Tórax (fig. 37) com a quetotaxia sendo 5+5 tricomas centro-dorsais,
IHERINGIA. Sér 7ool., Portu alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. Ill, 41
bífidos, relativamente pequenos; 1+1 tricomas supra-laterais bifidos; 3+3 tricomas
laterais, simples ou bifidos (os 1+1 tricomas mais inferiores são espiniformes, curtos
e grossos (fig. 37b); os 2+2 tricomas superiores são filiformes). Tergitos abdominais
(fig. 39) apresentando uma diminuição de pigmentação castanha no sentido ântero-
posterior. Tergitos | e Il apresentando-se totalmente castanhos. Tergitos |, IIl-V
sem áreas anteriores com denticulos. Tergito Il podendo ou não apresentar dentí-
culos. Tergito | com 2+2 setas fronto-laterais (a externa curta e espiniforme; a in-
terna longa, filiforme, simples ou bífida) e 3+3 setas espiniformes, curtas e simples,
na região centro-anterior. Tergito Il com 5+5 setas espiniformes sendo: 4+4 setas,
grandes, com o ápice no sentido longitudinal do abdome e 1+1 setas, pequenas,
transversais, frontais ao espaço entre as duas setas mais externas, ou apenas fron-
tais à seta mais externa (esta última e as 1+1 setas transversais normalmente apre-
sentam-se menores e menos esclerotizadas que as outras); em conjunto com as
1+1 setas transversais aparecem sempre 1+1 setas, filiformes, longas, simples ou bifi-
das, pouco esclerotizadas. Tergitos IIl-IV com 4+4 ganchos simples na região pos-
terior e 1+1 setas, espiniformes, transversais, frontais ao espaço entre os dois gan-
chos mais externos. Tergitos VI-IX com 1+1 áreas anteriores apresentando denti-
culos (no tergito VI apenas dentículos do tipo pequeno, no tergito VII apenas do
tipo pequeno ou pequenos e grandes; nos tergitos VIII-IX sempre denticulos pe-
quenos e grandes). Tergitos V-VIl com 3+3 setas espiniformes, no terço posterior,
simples ou bífidas; o tergito VIII com 2+2 setas do mesmo tipo e localização.
Espinhos terminais do abdome pequenos. Ao longo do abdome, ao nível pleural,
existem 3+3 setas espiniformes por segmento. Esternitos IIl-VIIl (fig. 41) apre-
sentando, anteriormente, áreas com dentículos em forma de pente (nos segmen-
tos III-IV é uma faixa contínua). Segmento esternal Ill sem setas. Segmento ester-
nal IV com 2+2 setas simples, espiniformes, látero-externas à 2+2 ganchos simples.
Segmentos esternais V-VIll divididos medianamente por áreas membranosas estria-
das, longitudinais (no VIII as estrías são um pouco esclerotizadas). Placas esternais
do segmento V com 2+2 ganchos bifidos, muito próximos, e com 2+2 setas espini-
filiformes, látero-externas aos ganchos externos. Segmentos externais VI-VIl com
2+2 ganchos (no VI, os ganchos externos são simples ou bífidos, no VII, apenas
simples; os ganchos internos de ambos os segmentos são bífidos), com 3+3 setas
espini-filiformes (as 1+1 setas frontais aos ganchos externos; 1+1 setas entre os
ganchos externos e internos; 1+1 setas: no segmento VI, látero-externas aos gan-
chos mais externos, no segmento VII, frontais às setas inter-ganchos). Nas membra-
nas intersegmentares, tanto dos tergitos como dos esternitos existem 1+1 microse-
tas, espiniformes, translúcidas. As membranas intersegmentares, principalmente as
anteriores, apresentam estrias com áreas esclerotizadas, dispersas (fig. 38).
IHERINGIA. Sér.Zool!., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
42 PY-DANIEL, V., M.A.T. Souza & E.P. Caldas
Larva. Coloração geral cinza-clara com faixas escuras nos segmentos (mate-
rial no álcool). Comprimento do corpo: 9,7-10,4 mm. Máxima largura da cápsula
cefálica: 0,78-0,87 mm. Contorno do corpo (figs. 43, 44). Não foram observadas se-
tas cuticulares, abdominais. Apódema cefálico (fig. 45) castanho com setas simples,
muito pequenas. Manchas da cabeça positivas, englobadas por uma mancha sub-
triangular com intensidade de coloração podendo ser mais ou menos acentuada. An-
tenas ultrapassando (pouco) os ápices das hastes dos leques cefálicos. Proporção
entre os segmentos antenais (figs. 49, 50) |: Il: III = 1:1,81-2,30:0,89-1,14; o seg-
mento Il sempre maior que os segmentos | e Ill; o segmento Ill um pouco mais
escuro que os anteriores. Leques cefálicos normais, com 45-52 raios. Escleritos cer-
vicais (fig. 45) elipsóides, relativamente pequenos e livres na membrana. Hipostô-
mio (fig. 54) com 10-12+10-12 setas laterais e 1-3+1-3 setas no disco. Dentes hi-
postomiais: 1+1 dentes pontas, 1 dente central, 3+3 dentes intermediários (os
1+1 dentes medianos, menores), com 0-1+0-1 dentes laterais e 5-8+5-8 serrilhas
bem conspicuas; os dentes central, pontas e intermediários apresentam uma pro-
jeção basilar. Fenda gular (fig. 55) profunda e subtriangular. Proporção entre a
ponte pré-gular/hipostômio: 1:1,25-1,45. Esclerito labral (fig. 48). Mandíbula
(fig. 51) com 2 dentes externos, 1 dente apical (com 5-6 pequenos nódulos ânte-
ro-laterais); 7-9 dentes pré-apicais (o 2º dente é tão longo quanto o 1º, ou um
pouco menor), 5-7 dentes internos, 2 dentes marginais (o segundo pouco menor
que o primeiro, mas mais estreito); sem setas supramarginais; com 1 PLM (pro-
cesso látero-mandibular) simples, curvo e com o ápice ultrapassando a margem
inferior da mandíbula. Esclerito lateral do pseudópodo (fig. 52). Na fase final
do último estádio, o abdome apresenta na região posterior (figs. 46, 47), ventral-
mente, 5+5 áreas, pequenas, esclerotizadas (apenas entre as 1+1 áreas mais poste-
riores é que ocorre um aprofundamento da cutícula, sendo que nas outras 4+4 áreas
apenas aparecem as manchas esclerotizadas, sem invaginação). Esclerito anal (fig.
53). Disco anai com 144-167 fileiras de ganchos e com 17-24 ganchos por filei-
ras. Brânquias anais compostas de 3 ramos, com 9-11 lóbulos em cada um.
Etimologia. Simulium riograndense, sp.n., é uma homenagem ao Estado
do Rio Grande do Sul, pelo seu pioneirismo na implantação do projeto multi-insti-
tucional para estudos dos simulídeos no Brasil.
Bionomia. Nos criadouros de S. riograndense sp.n. foram observadas tem-
peraturas da água de 19,4 9C (no Arroio Morungava) a 20,5ºC (Morro da Agrono-
mia). Foi constatado um pH da água variando entre 5,5-6,0 no Arroio Morungava.
Não foram observadas fêmeas picando seres humanos durante as coletas. As larvas
e pupas de S. (C.) riograndense colonizam preferencialmente pedras, em áreas com
ou sem incidência direta de luz solar.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. Ill. 43
Esta espécie está intimamente associada, nas suas formas imaturas, com o
S. (C.) pertinax Kollar, 1832 (RUAS NETO, 1985).
Material examinado. BRASIL, Rio Grande do Sul: Viamão (Morro da Escola da
Agronomia e Veterinária, UFRGS, nascente de açude s/nome); 7 larvas, 10 exúvias pupais, em
álcool, INPA 6049, 14.V111.1977, V.Py-Daniel leg.; 2 larvas e 5 pupas, no álcool, INPA 6046,
21.X11.1979, V. Py-Daniel leg. Taquara/Gravataf (Sítio Curupira, nascente do Arroio Morunga-
va, afluente do rio Gravataí), grande quantidade de larvas e pupas, no álcool, uma larva em
lâmina, INPA 6057, 22.X11.1979, V.Py-Daniel leg.; grande quantidade de larvas e pupas, no
álcool, 1641? com as respectivas exúvias pupais em lâmina, 2 larvas em lâmina, INPA 6044,
25.1.1981, V. Py-Daniel & J.C. Silveira de Oliveira leg. Feliz (Arroio Alta Feliz), 3 larvas, no
álcool, 15 em alfinete com a respectiva exúvia pupal e casulo no álcool (5989-22/PARÁTIPO),
INPA 5989, 20.V1.1983, A.L. Ruas Neto leg.; grande quantidade de larvas e pupas, no álcool,
1d em lâmina (5996-1/PARÁTIPO), 5d em álcool (5996-2 a 59966/PARÄTIPOS), 2Yem
lâmina (5996-7 e 5996-8, respectivamente HOLÓTIPO e PARÁTIPO), 20 em lâmina (5996-9
e 5996-10/PARÁTIPOS), 4 larvas em lâmina, 3 lâminas com 10 exúvias pupais, INPA 5996,
28.1X. 1983, SSMA-SCV/RS & MCN-FZB/RS & INPA/CNPq/AM leg.
O Holótipo (INPA 5996-7) e o parátipo (INPA 5996-8) serão depositados no Museu de
Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Simulium (Chirostilbia) distinctum LUTZ, 1910
(Figs. 56-96)
S. distinctum LUTZ, 1910:241-243; D'ANDRETTA & D’ANDRETTA, 1950:197-198; D’AN-
DRETTA JR., 1954: 63-66; SHELLEY, LUNA DIAS, MAIA-HERZOG, 1984: 145.
S. prumirimense COSCARÖN, 1981:160-164; SHELLEY, LUNA DIAS, MAIA-HERZOG
1984:145, sin.
Fêmea. “Coloração geral enegrecida. Comprimento do corpo: 3,5mm. Fron-
te e clípeo com pruina de brilho prateado, muito claro e intenso... Peças bucais
parda-escuras. Antena com a base variando de cor ocraceo para ferruginoso e com
pubescencia esbranquiçada” (LUTZ, 1910). Comprimento da asa: 3,6 mm (D’AN-
DRETTA, 1954). Antenas (fig. 56) com 5,5-5,7 mm de comprimento. Triângulos
fronto-oculares presentes (fig. 62). Indice Frontal: 1,02-1,05, Fronte subisométri-
ca (fig. 59). Cibário (fig. 63) sem dentes e com os braços laterais bem esclerotizados.
Proporção entre os segmentos IIl-V do palpo maxilar: 1,0:0,79-0,84: 1,52-1,80
(fig. 57). Vesícula sensorial do terceiro segmento do palpo (fig. 58) alongada.
Maxila com 28-30 dentes (10-12/1/17-18). Mandíbula com 9 dentes na borda ex-
terna e 25-30 dentes na borda interna. Mesonoto (LUTZ, 1910): “côr de chumbo
escuro com brilho prateado, bem diante com estria transversal escura, sem brilho;
tres outras longitudinais: (uma mediana e duas laterais) da mesma côr são muitas
vezes pouco distintas, com exceção da parte anterior, e cobertas pelo tomento,
quando está bem conservado; este é formado por escamas piliformes lineares, de
tamanho médio e de côr dourada, sem agrupamento especial, que se tornam mais
compridas na parte posterior,... Pleuras, esterno, pro- e metatorax escuros com re-
flexo claro que, principalmente no torax e nas pleuras, pode assumir um brilho in-
IHERINGIA. Sér.Zool!., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
44 PY-DANIEL, V., M.A.T. Souza & E.P. Caldas
tenso e claro”. Sulco mesepisternal bem evidente. Asas com as veias Sc e Secção
basilar de R com setas. Pernas (LUTZ, 1910): ‘... no par anterior os pés são pretos,
o restante ocráceo com pó e escamas piriformes douradas; só a face anterior das ti-
bias apresenta pó e escamas piriformes brancas; também o metatarso do segundo
par tem a base até além do meio de amarelo-claro e as bases dos tarsos vizinhos
apresentam coloração igual; no terceiro par o fêmur é amarelo, às vezes com o ápi-
ce enegrecido; a base da tíbia até perto do meio é de ocráceo claro; o metatarso,
com exceção do quarto apical, é quase branco, mas revestido de escamas pirifor-
mes douradas; a base do tarso vizinho é amarelada e o resto pardo-escuro até pre-
to; ...”. Calcipala e pedisulco (fig. 64) bem desenvolvidos; calcipala mais larga que
longa, não alcançando o pedisulco. Unhas das garras tarsais (fig. 60) de todas as
pernas apresentando um dente sub-basilar. Fêmures e tíbias de todas as pernas
apresentando escamas lanceoladas, finas, entremeadas com setas filiformes. Abdo-
me (LUTZ, 1910): ”... em cima escuro, com numerosos pêlos miudos de côr escura
e brilho claro; na parte ventral e, muitas vezes, já dos lados, as margens posteriores
dos segmentos aparecem côr de cera amarela clara, com extensão variável, podendo
às vezes, ocupar quase toda a face ventral; há também uma canelação muito acu-
zada. No dorso do segundo segmento há de cada lado uma mancha brilhante de
prateado claro”. Oitavo esternito abdominal (fig. 65) com 1+1 áreas com um nú-
mero de setas variando entre 41-46. Gonapófises (fig. 65) subtriangulares, glabras
e esclerotizadas na margem interna. Paraproctos e cercos (fig. 61). Forquilha ge-
nital com o processo mediano bem esclerotizado e com os apódemas laterais cons-
pícuos. Espermateca oval, com espículas internas e com a base (pequena área semi-
circular) e ducto espermático membranosos.
Macho. “Coloração gera! (material retirado de pupa) castanha acinzentada.
Comprimento da asa: 2,4mm” (COSCARÖN, 1981). Antenas (fig. 66) com 0,58-
0,62mm de comprimento. Proporção entre os segmentos III-V do palpo maxilar:
1:1,04-1,15:2,1-2,4 (fig. 67). Vesícula sensorial (fig. 68) do terceiro segmento do
palpo maxilar, subglobular e menor que a da fêmea. Menosoto negro com abundan-
te pilosidade amarelo-esverdeada (COSCARÓN, 1981). Sulco mesepisternal bem
evidente. Asas com as veias Sc e Secção basilar de R com setas. Calcipala e pedi-
sulco (fig. 69) bem desenvolvidos; calcipala mais larga que longa, calcipala não al-
cançando o pedisulco. Relação comprimento/largura do basitarso posterior: 6. Fé-
mures e tíbias de todas as pernas apresentando escamas ianceoladas, finas, entre-
meadas com setas filiformes. Basímero mais largo que longo. Basímero mais longo
que o distímero (fig. 73). Basímero subquadrático e com um pequeníssimo espinho
afilado (pouco esclerotizado) subapicalmente. Placa ventral (fig. 70). Esclerito me-
diano (fig. 71) pouco alargado na sua metade apical e com uma acentuada incisão
mediana, longitudinalmente. Endoparâmetros (fig. 72) com “dentes” bem cons-
pícuos.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. Ill. 45
Pupa. Comprimento do casulo, dorsal: 4,3-4,9mm/ventral (base): 3,5-
4,4mm/ventral (porção anterior): 0,9-1,7mm. Comprimento máximo dos filamen-
tos branquiais: 1,58-1,80 mm. Casulo em forma de “sapato” (figs. 74,75) apresen-
tando-se com tiras conspicuamente tramadas (com a porção anterior apresentando
as tiras mais esparsas que o resto, ou seja, a trama é apenas mais diferenciada na
porção anterior; a região anterior, dorsal, é subanelar, ou seja, não apresenta prolon-
gamentos da trama). As brânquias estão dentro do casulo (na porção anterior);
brânquias (fig. 81) de cor castanha-clara, compostas de 10 filamentos terminais: da
base comum partem 3 troncos principais curtos e relativamente grossos (o ventral,
menos grosso do que os outros); o tronco primário ventral bifurca-se dando dois
troncos terminais; os troncos primários mediano e dorsal apresentam a mesma dis-
posição de ramificações, ou seja, o tronco primário subdivide-se em um terminal
e um secundário extremamente curto; este secundário subdivide-se em mais um
terminal e um terciário; este terciário, não muito longo, subdivide-se em dois tron-
cos terminais (fig. 76). Cabeça apresentando grande quantidade de tubérculos, rela-
tivamente grandes (subcirculares e com microelevações dorsais). Estojos antenais
(fig. 79) apresentando carenas em cada área correspondente aos segmentos da ante-
na da forma adulta. Estas carenas apresentam enrugamentos. Estes enrugamentos
apresentam espinhos, grandes e bem esclerotizados. Tórax com o mesmo tipo de tu-
bérculos da cabeça, em grande quantidade (os dorsais posteriores são pontiagudos)
e dispersos por toda a sua extensão. Ornamentação do fronto-clípeo (fig. 82) com
1+1 tricomas faciais e 2+2 tricomas frontais bifidos e/ou trifidos (tricomas frontais
menores que tricomas faciais); raramente podem aparecer tricomas simples. Tórax
(fig. 80) com quetotaxia sendo 5+5 tricomas centro-dorsais com 2-5 ramificações;
tricomas (1+1) supralaterais simples; 3+3 tricomas laterais simples (os 1+1 tri-
comas mais inferiores são mais robustos e com curvatura subapical (fig. 80a);
os 2+2 tricomas superiores são mais filiformes). Tergitos abdominais (fig. 78)
apresentando uma diminuicão de pigmentacão no sentido äntero-posterior.
Tergito | apresentando-se totalmente castanho. Tergitos |-V sem apresentar áreas
anteriores com dentículos; o tergito V pode ou não apresentar tais dentículos
(quando presentes, sempre em pequeno número). Tergito | com 2+2 setas fron-
to-laterais (a externa curta e espiniforme; a interna longa, filiforme e simples)
e 4+4 setas espiniformes, curtas e simples, na região centro-anterior. Tergito II
com 4+4 ganchos, pequenos, com o ápice no sentido longitudinal do abdome,
com 1+1 setas espiniformes, curtas e 1+1 setas filiformes, longas (localizadas
frontalmente ao espaco entre os dois ganchos mais externos; e mais 1+1 setas
espiniformes localizadas frontalmente ao espaco entre os ganchos internos). Ter-
gitos II-IV com 4+4 ganchos simples na região posterior; 1+1 setas espinifor-
mes, transversais, frontais ao espaço entre os dois ganchos mais externos, conjun-
tamente com 1+1 setas filiformes, pequenas. Tergitos VI-IX com 1+1 áreas ante-
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
46 PY-DANIEL, V.. M.A.T. Souza & E.P. Caldas
riores apresentando dentículos (nos tergitos VI-VIl apenas dentículos do tipo pe-
queno, nos tergitos VIII-IX sempre dentículos dos tipos grande e pequeno). Ter-
gitos V-VIl com 3+3 setas espiniformes, simples, no terço posterior; o tergito
VIII com 2+2 setas do mesmo tipo e localização. Espinhos terminais do abdome
(fig. 78) pequenos. As membranäs intersegmentares, principalmente as anteriores,
com as estrias apresentando pequenas áreas esclerotizadas, dispersas (em reduzido
número). Ao longo do abdome, ao nível pleural, existem 3+3 setas espiniformes,
por segmento. Esternitos III-VIll (fig. 77) apresentando, anteriormente, áreas com
denticulos em forma de pente (nos segmentos Ill e IV é uma faixa contínua). Seg-
mento esternal Ill sem setas. Segmento esternal |V com 2+2 setas simples, espini-
filiformes, látero-externas a 2+2 ganchos simples e/ou bifidos. Segmentos ester-
nais V-VIIl divididos medianamente por áreas membranosas estriadas, longitudi-
nais. Placas esternais do segmento V com 2+2 ganchos simples e/ou bifidos, muito
próximos e com 2+2 setas espini-filiformes, laterais aos ganchos externos. Segmen-
tos esternais VI-VII com 2+2 ganchos (os externos simples, os internos bifidos e/ou
trífidos) e 3+3 setas espini-filiformes (1+1 setas frontais aos ganchos externos;
1+1 setas: no segmento VI, látero-externas aos ganchos mais externos; no segmen-
to VII, frontais às setas interganchos). Nas membranas intersegmentares tanto dos
tergitos como dos esternitos existem 1+1 microsetas, espiniformes, translúcidas.
Larva. Coloração geral cinza-clara, sem manchas ou faixas segmentares mais
escuras (material no álcool). Comprimento do corpo: 7,3-8,2mm. Máxima largura
da cápsula cefálica: 0,67-0,75mm. Contorno do corpo (figs. 83, 84). Não foram
observadas setas cuticulares, abdominais. Apódema cefálico (fig. 85) castanho com
setas simples, muito pequenas. Manchas da cabeça positivas. Antenas ultrapassando
(pouco) os ápices das hastes dos leques cefálicos. Proporção entre os segmentos
antenais |: ll: |ll=1:1,61-2,10:0,92-1,12 (figs. 90, 91); o segmento antenal Il sem-
pre maior que os segmentos | e Ill; o segmento Ill um pouco mais escuro que os
anteriores. Leques cefálicos normais, com 49-50 raios. Escleritos cervicais (fig. 85)
elipsóides, relativamente pequenos e livres na membrana. Hipostômio (fig. 85) com
9-11+9-11 setas laterais e 2+2 setas no disco. Dentes hipostomiais: 1+1 dentes pon-
tas, 1 dente central, 3+3 dentes intermediários (os 1+1 dentes medianos, menores),
com 0-1+0-1 dentes laterais e 5-7 serrilhas; os dentes central, pontas e intermediá-
rios apresentam uma projeção basilar. Fenda gular (fig. 96) profunda e subtriangu-
lar. Proporção entre a ponte pré-gular/hipostômio: 1:1,00-1,64. Esclerito labral
(fig. 89). Mandfbula (figs. 93, 94) com 2 dentes externos; 1 dente apical (com 5-6
pequenos nódulos ântero-laterais); 7-9 dentes pré-apicais (o 2º sempre maior que
o 19); 3-5 dentes internos; 2 dentes marginais (o 2º pouco menor que o 19, mas
mais estreito); sem setas supramarginais; com 1 PLM (processo látero-mandibular)
simples, retilíneo ou curvo e com o ápice ultrapassando a margem inferior da man-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. I11. 47
Estao io dedo de RO go bd bt
díbula (fig. 94). Esclerito lateral do pseudópodo (fig. 88). Na fase final do último
estádio o abdome apresenta na região posterior, ventralmente, 5+5 áreas, pequenas,
esclerotizadas (figs. 86, 87), sendo que apenas entre as1+1 áreas posteriores é que
ocorre um aprofundamento da cutícula. Esclerito anal (fig. 95). Disco anal com
169-189 fileiras de ganchos e com 16-22 ganchos por fileira. Brânquias anais com-
postas de 3 ramos, com 7-10 lóbulos em cada um.
Bionomia. Nos criadouros de S. distinctum foram observadas temperaturas
da água de 15°C (Rio Preto, Tiam-Tiaim) a 20°C (cascatinha da Tijuca). Foram
coletadas larvas e pupas em altitudes variando entre 410 metros (Cascatinha da Ti-
juca) e 1370 metros (Rio Preto). Foi constatado um pH da água de 4,5 (Rio Preto)
e de 5 (Cascatinha da Tijuca). As larvas e pupas desta espécie colonizam preferen-
cialmente pedras, em áreas com ou sem incidência direta de luz solar.
Esta espécie está associada, em suas formas imaturas, com S. (C.) pertinax
Kollar, 1832.
Material examinado. BRASIL, São Paulo: (Serra da Bocaina), 29 em alfinetes,
FIOCRUZ 12.492, 39 em alfinetes, FIOCRUZ 12.508, 1.1912 (este material pertence a co-
leção LUTZ e está depositado no Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, provavelmente
LUTZ leg.). Rio de Janeiro.Rio de Janeiro (Parque Nacional da Tijuca, IBDF, Cascatinha da
Tijuca), grande quantidade de larvas e pupas, no álcool, 4 larvas em lâmina, INPA 6032, 06.
V111.1978, V.Py-Daneil & J.C. Vasconcelos leg.; grande quantidade de larvas e pupas, no
álcool, INPA 6033, 21.V.1979, V.Py-Daniel leg.; grande quantidade de larvas e pupas, no
álcool, 10 pupas em lâmina, 19 (6060-1) e a respectiva exúvia pupal em lâmina, 2d e 19 (6060-2)
com as respectivas exúvias pupais em lâmina, INPA 6060, 18.1.1980, V.Py-Daniel, L.H. Rapp
Py-Daniel & P.S. Rapp leg.; 11 larvas e 14 pupas, no álcool, INPA 5965, 26.X1.1982, V.Py-
Daniel leg. Minas Gerais: Bocaina de Minas (Pousada Tiam-Tiaim), cabeceira do Rio Preto (Di-
visa Estadual de Minas Gerais/Rio de Janeiro), 15 larvas e 3 pupas, no älcool, INPA 6045,
L.H. Rapp Py-Daniel & V.Py-Daniel leg.
DISCUSSÃO
Simulium riograndense, sp.n., diferencia-se nitidamente das espécies mais pró-
ximas (S. distinctum Lutz, 1910 e S. empascae Py-Daniel & Moreira, no prelo) por:
fêmea e macho de riograndense apresentando coloração geral castanho-alaranjada,
enquanto as outras duas espécies possuem uma coloração castanho-escuro a preto;
casulo pupal de riograndense apresenta expansões dorsais das tramas de tecido, en-
quanto isto não ocorre nas outras espécies; secundariamente, o casulo de riogran-
dense apresenta-se nitidamente maior (comprimento ventrak/altura da porção ante-
rior: riograndense = 4,85,6mm/ 1,99-2,95mm; distinctum = 3,54,/4mm/1,58-
1,80mm; empascae = 3,1-3,7 mm/1,35-3,18mm); riograndense com a cabeça pupal
apresentando tubérculos pequenos, apenas, em 1+1 áreas posteriores, circunvizinhos
aos 1+1 tricomas faciais, enquanto que S. distinctum apresenta grande quantidade de
tubérculos grandes em todo o fronto-clípeo, e em empascae ocorre a total ausência
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
48 PY-DANIEL, V., M.A.T. Souza & E.P. Caldas
de tubérculos; estojos antenais da cabeça da pupa, apresentando pequenos espinhos
em número reduzido em riograndense, grandes espinhos em número elevado em
distinctum e sem espinhos em empascae. O tergito abdominal | em riograndense
apresenta 3+3 setas espiniformes, em distinctum, 4+4 setas do mesmo tipo e em
empascae, 3+3 microsetas; disco anal da larva de riograndense com 144-167 fileiras
de ganchos, em distinctum 169-189 e em empascae com 201-204.
Comparando S. riograndense exclusivamente com distinctum, por serem as
únicas espécies do subgênero Chirostilbia que as pupas apresentam 10+10 filamen-
tos branquiais terminais, obtemos as seguintes diferenças adicionais: as brânquias
de riograndense são nitidamente maiores (riograndense: 1,99-2,95 mm; distinctum :
1,58-1,80 mm); tórax pupal de riograndense apenas com 1+1 áreas posteriores apre-
sentando tubérculos pequenos, enquanto que em distinctum aparece grande quanti-
dade de tubérculos grandes e por toda a extensão do tórax; larvas de riograndense
(9,74-10,40mm) com o comprimento maior que as de distinctum (7,3-8,2mm);
larvas de riograndense com nítidas faixas escuras por segmento, enquanto que em
distinctum não aparecem tais faixas; comprimento da antena do macho de riogran-
dense (0,62-0,68mm) relativamente maior que o de distinctum (0,58-0,62); oitavo
esternito do abdome da fêmea de riograndense apresentando 1+1 áreas com 30-38
setas enquanto que em distinctum o número de setas é pouco maior, 41-46; man-
díbula da fêmea de riograndense com um número de dentes internos variando entre
31-34 e em distinctum de 25-30; calcipala da fêmea de riograndense tão larga quanto
longa, enquanto que em distinctum é mais larga que longa.
CHAVE DIFERENCIAL PARA AS LARVAS DO GRUPO distinctum
1. Larvas sem faixas escuras nos segmentos abdominais; disco anal apresentando 169-189
fileiras de ganchos; (comprimento do último estádio:7,38,2mm) ...... Simulium
(C.) distinctum
Larvas com faixas escuras nos segmentos abdominais; disco anal apresentando número di-
ferenteide Tileirasideicanchos MN O o SEE 2
2. Disco anal com o número de fileiras de ganchos abaixo de 169 (144-167); brânquias anais
com o número de lóbulos variando entre 9-11; proporção entre o primeiro e o
segundo segmento antenal igual a 1:1,81-2,30; (segundo dente pré-apical da man-
díbula igual ou menor que o primeiro; comprimento do último estádio: 9,74-
1840 mim st o A O A PS PS Simulium (C.) riograndense
Disco anal com o número de fileiras de ganchos muito acima de 189 (201-204); brânquias
anais com o número de lóbulos variando entre 4-6; proporção entre o primeiro e o
segundo segmento antenal igual a 1: 1,23-1,34; (segundo dente pré-apical igual ou
maior que o primeiro; comprimento do último estádio: 8,11-11,80 mm) . .Simulium
(C.) empascae
CHAVE DIFERENCIAL PARA AS PUPAS DO GRUPO distinctum
1. Casulo com trama inclusa, ou seja, as tiras não estão evidenciadas; brânquias com 8+8 fila-
mentos terminais; cabeça sem tubérculos; tricomas faciais e frontais simples e curtos;
estojos antenais sem espinhos; tergito abdominal | com 3+3 microsetas; tergito
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. Il. 49
abdominal VIll apenas com denticulos do tipo pequeno; esternito abdominal Ill
com 2+2 setas; esternito abdominal IV com 3+3 setase 1+1 ganchos . .. Simulium
(C.) empascae
Casulo com trama exposta, ou seja, as tiras estão separadas, anteriormente; brânquias com
10+10 filamentos terminais; cabeça com tubérculos; tricomas faciais e frontais sim-
ples e/ou bífidos e/ou trífidos, sempre longos; estojos antenais com espinhos; tergito
abdominal | com setas espiniformes; tergito abdominal VIII com dentículos do
tipo grande e do tipo pequeno; esternito abdominal IV com 2+2 setas e 2+2 gan-
CIO S MPR ee PRE DE DO A so oi a Ee MD ee ee 2
2. Casulo com expansões dorsais da trama do tecido; cabeça com tubérculos pequenos, apenas,
em 1+1 áreas circunvizinhas aos tricomas faciais; comprimento máximo dos filamen-
tos branquiais: 1,99-2,95mm; estojos antenais sem carenas, com espinhos em peque-
no número e de tamanho reduzido; tórax com tubérculos pequenos, apenas em 1+1
áreas posteriores; tricoma lateral (inferior) do tórax curto e grosso; tergito abdomi-
nal | com 3+3 setas; (comprimento ventral do casulo: 4,8-5,6mm; altura ventral da
Porcao.antenior 1, 92 Bim RA . 2.222 Simulium (C.) riograndense
Casulo sem expansões dorsais e com um reforço äntero-dorsal; cabeça com tubérculos gran-
des em toda a extensão do fronto-clípeo; comprimento máximo dos filamentos bran-
quiais: 1,58-1,80 mm; estojos antenais com carenas segmentares, com muitos espinhos
grandes; tórax com tubérculos grandes em toda a sua extensão; tricoma lateral (in-
ferior) do tórax longo e subapicalmente curvo; tergito abdominal | com 4+4 setas;
(comprimento ventral do casulo: 3,5-4,4mm; altura ventral da porção anterior:
DOS) da e e rat O orais eo er: Simulium (C.)distinctum
REFERENCIAS BIBLIOGRÄFICAS
COSCARÖN, S. 1981. Notas sobre simulidos Neotropicales XI. Sobre el subgénero Simulium
(Chirostilbia) Enderlein, con la descripciön de dos especies nuevas del S.E. del Brasil
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Janeiro, 79 (2):143-61.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
50 PY-DANIEL, V., M.A. T. Souza & E.P. Caldas
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Figs. 1-17: FÊMEA. Simulium (Chirostilbia) riograndense sp.n.: 1. imesonoto com luz
frontal; 2. mesonoto com luz superior; 3. mesonoto posteriormente; 4. antena; 5. palpo maxi
lar; 6. vesícula sensorial do terceiro segmento do palpo maxilar; 7. fronte; 8. triângulo fronto-
ocular; 9. cibário; 10. Veias alares Costa, subcosta e Secção basilar do Radio; 11. perna ante-
rior; 12. perna mediana; 13. perna posterior; 14. unha da garra tarsal do terceiro par de per-
nas; 15. calcipala e pedisulco; 16. cerco e paraprocto; 17. oitavo esternito abdominal e gona-
pófises.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. Ill. 51
N
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Figs. 18-31: MACHO. Simulium (Chirostilbia) riograndense sp.n.: 18. mesonoto com
luz frontal; 19. mesonoto em vista lateral; 20. antena; 21 e 23. vesícula sensorial do terceiro
segmento do palpo maxilar; 22. palpo maxilar; 24. placa ventral; 25. distímero; 26. calcipala e
pedisulco; 27. endoparâmeros; 28. perna anterior; 29. perna mediana; 30. perna posterior;
31. esclerito mediano.
IHERINGIA. Sér.Zoo!., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
52 PY-DANIEL, V., M.A.T. Souza & E.P. Caldas
Figs. 32-42: PUPA. Simulium (Chirostilbia ) riograndense sp.n.: 32. casulo lateralmente;
33. casulo ventralmente; 34. brânquia; 35 e 42. estojo antenal; 36. base da brânquia; 37. tórax,
(a) tubérculos posteriores, (b) tricoma lateral inferior; 38. estrias intersegmentares abdominais,
com áreas esclerotizadas; 39. tergitos abdominais; 40. fronto-clípeo; 41. esternitos abdominais.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. Ill. 53
Figs. 43-55: LARVA. Simulium (Chirostilbia) riograndense sp.n.: 43 e 44. vista dorsal
e lateral respectivamente; 45. cabeça e escleritos cervicais; 46€e 47, vista lateral e ventral do
ápice posterior do abdome; 48. esclerito labral; 49 e 50. antenas; 51. ápice da mandíbula;
52. esclerito lateral do pseudópodo; 53. esclerito anal; 54. hipostômio; 55. fenda gular, hipos-
tômio e ponte pré-gular.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
PY-DANIEL, V., M.A. T. Souza & E.P. Caldas
Figs. 56-65: FÊMEA. Simulium (Chirostilbia) distinctum Lutz, 1910: 56. antena;
57. palpo maxilar; 58. vesícula sensorial do terceiro segmento do palpo maxilar: 59. fron-
te; 60. unha da garra tarsal do terceiro par de pernas; 61. cerco e paraprocto; 62. triângulo
fronto-ocular; 63. cibário; 64. calcipala e pedisulco; 65. oitavo esternito abdominal e gona-
pófises.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. |]. 55
Figs. 66-73: MACHO. Simulium (Chirostilbia) distinctum Lutz, 1910: 66. antena:
67. palpo maxilar; 68. vesícula sensorial do terceiro segmento do palpo maxilar; 69. calci-
pala e pedisulco; 70. placa ventral; 71. esclerito mediano; 72. endoparämeros; 73. distíme-
ro e basímero.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
56 PY-DANIEL, V., M.A.T. Souza & E.P. Caldas
Figs. 74-82: PUPA. Simulium (Chirostilbia) distinctum Lutz, 1910: 74.casulo lateral-
mente; 75. casulo dorsalmente; 76 e 81. brânquias; 77. esternitos abdominais; 78. tergitos
abdominais; 79. estojo antenal; 80. tórax, (a) tricoma lateral inferior; 82. fronto-clípeo.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. Ill. 57
Figs.83-96: LARVA. Simulium (Chirostilbia) distinctum Lutz, 1910: 83 e 84.vista
dorsal e lateral respectivamente; 85. cabeça e escleritos cervicais; 86 e 87. vista lateral e ven-
tral do ápice posterior do abdome; 88. esclerito lateral do pseudópodo; 89. esclerito labral;
90 e 91. antenas; 92. hipostômio; 93 e 94. äpices de mandíbulas; 95. esclerito anal; 96. fenda
gular, ponte pré-gular e hipostômio.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):37-57, 31 mar. 1988
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Redescrição de Deois (Deois) correntina, comb. n. (Homoptera, Cerco-
pidae).*
Gervasio Silva Carvalho*'
Albino Morimasa Sakakibara**'
RESUMO
Tomaspis correntina Berg, 1879, transferida para o gênero Deois, é redescrita cor
base no holötipo.
ABSTRACT
Tomaspis correntina Berg, 1979 is transferred to Deois and redescribed.
INTRODUCÄO
O gênero Deois Fennah, 1948, atualmente com 14 espécies descritas para o
Brasil, foi dividido por FENNAH (1953) em três subgêneros: Deois s. str., Pan-
dysia e Orodamnis. SAKAKIBARA (1979) acrescentou mais dois Acanthodeois e
Fennahia.
CARVALHO (1981) sugeriu a inclusão de Tomaspis correntina em Deois.
Espécies deste gênero caracterizam-se por apresentarem o posclípeo ovóide,
moderadamente inflado, com carena média pouco pronunciada; tégmina com a
margem apical arredondada, M e Cu unidas por uma pequena veia transversal, área
distal com 30 a 45 células nas espécies maiores e 9 a 23 nas menores; asas com a
veia Cu, alargada na base; machos com 2 dentes nas margens laterais do pigóforo,
placa subgenital côncava, curva para cima, bipartida e com as pontas divergentes, a
porção distal de cada parte fortemente recortada formando dois lobos, sendo o
interno pouco maior que o externo; parâmeros robustos, com espinho distal; edeago
simples; ovipositor com processos basais bem desenvolvidos, algumas vezes em for-
ma de colher, com a parte côncava voltada para dentro.
* Aceito para publicação em 03.11.1987.
** Professor Assistente de Zoologia, no Instituto de Biociências da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1429, 90001, Porto Alegre, RS, Brasil.
**+%* Professor Adjunto do Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná, Caixa
Postal 19020, 80000, Curitiba, PR, Brasil.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):59-64, 31 mar. 1988
60 CARVALHO, G.S. & A.M. Sakakibaba
MATERIAL E MÉTODOS
Foram examinados o holótipo macho, depositado no Museu de La Plata, Buenos Aires
(MLP), Argentina e duas fêmeas, uma da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e outra
do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
Para a preparação da genitália foi seguido o método usual clarificando-a com NaOH,
a frio, durante 24 horas. Os desenhos foram feitos com câmara clara. A fotografia do holö-
tipo foi elaborada do diapositivo. As medidas foram tomadas com ocular micrométrica e con-
vertidas em milímetros.
Deois (Deois) correntina (Berg, 1879) comb. n.
(Figs. 1-6)
Tomaspis correntina BERG, 1879:215, SCHMIDT, 1932:55; METCALF, 1961: 91.
Tomaspis (Tomaspis) correntina; LALLEMAND, 1912:92.
Diagnose. Coloração geral marrom-escura; cabeca tendendo ao negro;
tégminas com duas listras longitudinais amareladas, uma ao longo da margem cos-
tal, desde a base até o terço posterior onde se alarga levemente e outra no clavo
percorrendo-o medianamente e continuada no cório até o início do terço apical.
Tórax, abdômen e pernas, marrom-escuros. Ocelos mais próximos entre si do que
dos olhos e mais perto do tilo do que da margem posterior da cabeça. Antenas com
pedicelo cilíndrico, quase duas vezes mais longo do que largo visível por cima,
flagelo com corpo diminuto, subglobular, de largura aproximadamente igual à
metade do pedicelo, estilo fino e longo, arista pequena e de posição inferior ao es-
tilo. Rostro atingindo o meio das mesocoxas.
Redescrição (holótipo macho). Cabeça castanho-escura, tendendo a negro;
em vista dorsal subtriangular, quase duas vezes mais larga do que longa. Olhos ova-
lados, algo mais escuros. Vértice, com pilosidade semelhante a do pronoto elevado
longitudinalmente no meio, entre os ocelos; duas impressões glabras entre os olhos
e ocelos e um pouco mais para trás destes. Ocelos relativamente grandes, ligeira-
mente mais próximos um do outro do que da margem posterior da cabeça e do
tilo, situados logo à frente da linha imaginária que passa pelo centro dos olhos.
Antenas castanho-escuras; escapo em vista dorsal totalmente escondido pelo löbu-
lo supra antenal; pedicelo cilíndrico de comprimento quase duas vezes a sua largura,
parcialmente visível por cima; flagelo com corpo diminuto, subglobular, o estilo
fino e longo, a arista curta implantada inferiormente. Posclípeo ovóide, moderada-
mente intumescido; sulcos transversais distintos, carena média pouco pronunciada;
tilô delimitado, quadrangular, uma vez e meia mais largo do que longo; anteclipeo
de coloração mais clara que o posclípeo, subcônico. Rostro com artículo apical
menor que o precedente, atingindo o meio das mesocoxas.
Pronoto hexagonal, moderadamente convexo, carena mediana levemente
marcada, finamente puncturado principalmente na região posterior, anteriormente
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):59-64, 31 mar. 1988
Redescrição de Deois (Deois) correntina ... 61
E a O A A a 1 pf e OM
com duas fóveas bem marcadas; pilosidade fina e densa anteriormente, decumbente,
e com reflexos dourados; margem anterior quase reta, ântero-laterais retas, pós-
tero-laterais sinuosas e posterior emarginada. Escutelo triangular, mais longo que
sua largura basal, com uma fraca depressão central e igual pilosidade do pronoto.
Tégminas com colorido geral castanho-escuro, com duas listras longitudinais
amareladas: uma ao longo da margem costal, iniciando-se na base e estendendo-se
até o terço posterior onde se alarga levemente e outra no clavo percorrendo-o me-
dianamente e continuada no cório até o início do terço apical; com comprimento
igual a três vezes a sua largura máxima; venação distinta.
Asas transparentes; venação bem distinta, quatro células apicais; lóbulos
hamulíferos triangulares, três hâmulos; veia Cu, engrossada na porção basal e de-
pois abruptamente afilada.
Pernas de cor acastanhada. Tíbias posteriores com dois espinhos laterais, o
basal menor e 13 espinhos apicais.
Tórax a abdômen de cor castanho-escura.
Genitália (figs. 2-5). Pigóforo com dois dentes látero-posteriores pouco desen-
volvidos, sendo o inferior pouco maior. Placa subgenital bipartida, com as pontas
fortemente divergentes e a extremidade recortada formando dois lobos. Parâmeros
alongados, com dente ponteagudo na parte apical superior, virado para fora e ponta
voltada em direção posterior; elevação dorsal da base bem desenvolvida. Edeago ci-
líndrico, simples, delgado e curvo para cima.
Medidas (mm). Comprimento total: 9,86. Comprimento das tégminas: 8,03.
Largura máxima das tégminas: 2,68. Largura máxima da cabeça: 2,49. Distância
interorbital: 1,34. Largura do tilo: 0,65. Largura entre os ângulos umerais: 3,35.
Fêmea idêntica ao macho, apenas levemente maior. Processos basais do ovi-
positor em forma de colher, com a parte côncava voltada para dentro e afastados
um do outro. Os exemplares examinados (UFSM/IOC) têm as seguintes medidas
(mm): comprimento total, 9,87/2,92; comprimento das tégminas, 7,85/8,00, lar-
gura máxima das tégminas, 2,72/2,72; largura máxima da cabeça, 2,71/2,40; dis-
tância interorbital, 1,49/1,38; largura do tilo, 0,70/0,66; largura entre os ângulos
umerais, 3,45/3,16.
Discussão. Deois (Deois) correntina, pelo tamanho e colorido, aproxi-
ma-se de D. incompleta (Walker) e D. picklesi (China & Myers), porém as faixas
amarelas longitudinais, bem evidentes, junto da margem costal e no clavo, permi-
tem separá-las facilmente.
Material examinado. BRASIL, Mato Grosso: Bodoquena, 19 IOC, X1.1941; Ric
Grande do Sul: Santa Maria, 19 UFSM 054, 13.111.1977, R.P. Pinto, leg. ARGENTINA.
Corrientes: 1d holótipo MLP 1730.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):59-64, 31 mar. 1988
62 CARVALHO, G.S. & A.M. Sakakibaba
AGRADECIMENTOS
A Facultad de Ciencias Naturales y Museo de La Plata, Argentina, na pessoa do Dr.
R.A. Ronderos que nos cedeu o holótipo para estudo e ao Dr. E. Corseuil, da Faculdade de
Agronomia da UFRGS, que gentilmente nos trouxe o material.
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):59-64, 31 mar. 1988
Redescrição de Deois (Deois) correntina ... 63
Fig. 1: Deois (Deois) correntina (Berg) comb. n. Holötipo (MLP 1730), vista dorsal
(comp. total, 9,86 mm).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):59-64, 31 mar. 1988
64 CARVALHO, G.S. & A.M. Sakakibaba
Figs. 2-5: Deois (Deois) correntina (Berg) comb. n. Holótipo (MLP 1730). 2. pigóforo,
vista lateral; 3. pigóforo, vista ventral; 4. parämero; 5. edeago. Escala 1 mm.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):59-64, 31 mar. 1988
Microornamentaciones de las células de Oberhäutchen en Tupinambis
teguixin (Linné, 1758) y Typinambis rufescens (Günther, 1871) (Sau-
ria, Teiidae).*
O. Vaccaro**
A. Uriondo **
A.M. Filipello**
RESUMEN
Se estudia con microscopia electrónica de barrido la microornamentación de las es-
camas laterales del tegumento de Tupinambis teguixin (Linné, 1758) y Tupinambis rufes-
cens (Günther, 1871). Se describen las escamas y se analiza la superficie de las células de
Oberhäutchen con respecto a su forma, tamafio, imbricación, concavidad y configuración
de las microestructuras.
Los dermatoglifos analizados carecen, para estas especies, de importancia taxonómica
debido a la ausencia de diferenciación interespecífica de los caracteres antes mencionados.
ABSTRACT
The microornamentation of the lateral scales of the integument of Tupinambis teguixin
(Linné, 1758) and Tupinambis rufescens (Gunther, 1871) is studied by scanning electron mi-
croscopy. Scales are described and shape, size, overlapping, concavity and configuration of the
microstructures of the Oberhäutchen cells surface are analized.
Because of the absence of interspecific differentiation of the mentioned characters the
dermatoglyphs examined here, lack of taxonomic value for these species.
INTRODUCCION
Nemerosos trabajos de investigación se han realizado sobre el sistema epidér-
mico de los escamados poniendo en relieve la peculiaridad del mismo y diferen-
ciándolo del resto de los amniotas. Debido al crecimiento cíclico y al tipo de que-
ratinización en ofidios y lagartos se originan ciertas capas celulares con caracteris-
ticas histológicas exclusivas. Normalmente están presentes dos generaciones de
capas córneas en la epidermis: inmediatamente antes de la muda se observa sobre
el estrato germinativo un patrón doble, constituído por una generación epidérmica
externa y una generación epidérmica interna. La primera, completamente quera-
tinizada, está formada por dos tipos distintos de queratina; la más superficial com-
* Aceptado para su publicación en 03.11.1987.
** Docentes dei Laboratorio de Vertebrados. Facultad de Ciencias Exactas y Naturales. Uni-
versidad de Buenos Aires (FCEN-UBA). Pabellón Il. Ciudad Universitaria, 1428. Buenos
Aires. Argentina.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):65-75, 31 mar. 1988
66 VACCARO, O., A. Uriondo & A.M. Filipello
puesta por ß-queratina o queratina “tipo pluma” y una capa más interna de a-que-
ratina, semejante a la encontrada en el estrato córneo de mamíferos (BADEN
et al., 1966; RUDALL, 1947). Por debajo de la generación epidérmica externa
yace la generaciön epidérmica interna, constituída asimismo por capas de ß- y
a-queratina en la disposición antes mencionada, que descansan sobre un número
variable de capas de células vivas. La porción más externa de la capa ß está forma-
da por una capa de células queratinizadas denominada Oberhäutchen por Maurer
en 1892. Esta capa unicelular de no más de 1 um de espesor es la que lleva en su
superficie las microornamentaciones. Una descripción histológica detallada de la
epidermis de escamados puede encontrarse en BRYANT et al. (1967); MADER-
SON (1966); MADERSON & LICHT (1967); MADERSON et al. (1970, 1972);
ROTH & JONES (1967); SPEARMAN (1966).
BURSTEIN et al. (1974) resehan en su trabajo las investigaciones sobre
microornamentaciones de escamados lIlevadas a cabo por Leydig, quien en 1868
las describe por primera vez y en 1872-1873 asigna a dichas microestructuras
validez para la determinación taxonómica de lagartos y ofidios centroeuropeos.
PICADO (1931) reconoce en las microornamentaciones de varias especies
de crotalinos, una constancia a nivel específico. En forma similar HOGE & SAN-
TOS (1953) estudiando cinco géneros de boidos sudamericanos confirman el uso
de las microestructuras como carácter auxiliar en la sistemática. BURSTEIN et al.
(op. cit) realizan una exhaustiva descripción de las microornamentaciones en
cincuenta y una especies del género Sceloporus Wiegmann, 1828 y basändose en
la unidireccionalidad y estabilidad evolutiva de estas microestructuras determinan
los caracteres plesiomórficos y apomörficos para proponer una hipótesis filogené-
tica del género. Sostienen, sin embargo, que “los dermatoglifos no tienen valor
diagnóstico aparente para niveles taxonómicos superiores en el género Sceloporus,
pero pueden ser muy útiles en los niveles de subespecie, especie y grupo-especie”.
STEWART & DANIEL (1972; 1973) en sus trabajos sobre escamas de distintas
regiones del cuerpo de Gekko gecko (Linné, 1758) (Gekkonidae), Sceloporus
occidentalis Baird & Girard, 1852 (Iguanidae), Gerrhonotus multicarinatus Duméril
& Bibron, 1859 (Anguinidae) y Anniella pulchra Gray, 1852 (Anniellidae), sos-
tienen que la microarquitectura de la capa de Oberhäutchen “exhibe una conside-
rable plasticidad evolutiva y funcional”, sin embargo, aseguran que no se puede
aún determinar el valor taxonómico de las microornamentaciones. Los mismos
autores (1975) trabajando con once especies de seis famikas de lagartos y dos es-
pecies de crotálidos consideran que las microornamentaciones representan un
elemento taxonömico que podria evidenciar afinidades entre familias de lagartos,
si bien hasta el presente no se puede descartar la existencia de posibles conver-
gencias evolutivas.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):65-75, 31 mar. 1988
Microornamentaciones de las células ... 67
PETERSON (1984) y PETERSON & BEZY (1985) examinan la microar-
quitectura de las escamas de Sphenodon punctatus Gray, 1872 y de numerosas
especies de lagartos pertenecientes a las familias Lacertidae, Scincidae, Teiidae,
Xantusiidae, Gekkonidae y Cordylidae, estableciendo relaciones evolutivas entre
los patrones analizados.
Se han atribuído variadas funciones adaptativas a las microornamentaciones
de las células de Oberhäutchen: facilitar la ecdisis (MADERSON, 1966; MADER-
SON et al., 1972), transformar la energia radiante en calor (PORTER, 1967; RUI-
BAL, 1968), reducir la fricción entre el sustrato y el cuerpo (STEWART & DA-
NIEL, 1972, 1973; GANS & BAIC, 1976; FAHRENBACH & KNUTSON, 1975),
producción de iridiscencia (MONROE & MONROE, 1968; GANS & BAIC, 1976),
producción de sonido (Hiller según FAHRENBACH & KNUTSON, 1975).
En relación a lo antedicho y debido a la carencia de información al respecto,
en las vulgarmente Ilamadas ““iguanas argentinas”, se encaró este estudio sobre la
morfologia de las escamas y la ultraestructura de la superficie de las células de
Oberhäutchen del tegumento de las especies Tupinambis teguixin (Linné, 1758)
y Tupinambis rufescens (Gunther, 1871), discutiéndose además si las mismas tienen
validez taxonómica para contribuir a la determinación de las especies mencionadas.
MATERIALES Y METODOS
Se trabajó con 4 ejemplares adultos del género Tupinambis: de T. teguixin, un machc
y una hembra con 320mm y 362mm de longitud hocico-cloaca (Lhc) y de T. rufescens, un
macho y una hembra con 335mm e 250mm de Lhc respectivamente. Los ejemplares fueron
fijados y conservados in toto en formaldehído 10%.
Las muestras de escamas fueron tomadas de la región lateral correspondiente a la zona
media entre los miembros, que en coincidencia con lo observado por BURSTEIN et al. (1974)
está expuesta a un mínimo desgaste. La muestra así disecada incluye escamas dorsolaterales,
escamas transicionales y escamas ventrolaterales.
Se tuvo especial cuidado de manipular las escamas sólo por su base de manera de no
producir dafios en la superficie a observar y se procedió a separar la muda en aquellas zonas
donde la misma se presentaba naturalmente desprendida del material subyacente; de esta mane-
ra se logra la observación de microestrucutes no sujetas aún al desgaste producido por la fric-
ción contra el sustrato y se elimina el efecto producido por las impurezas adheridas a la super-
ficie que normalmente enmascaran a las microornamentaciones.
La remoción de la generación epidérmica externa y el análisis general de las escamas se
realizó con microscopio estereoscópico Wild M-5.
Para la observación de las microornamentaciones se procesó la muestra de la siguiente
manera: lavado en agua corriente durante 20-30 minutos; deshidratación lenta en soluciones
crecientes de alcohol etílico y de alcohol-acetona hasta llegar a acetona 100%. Con el fin de
remover cualquier impureza adherida a la superficie de la escama se trató el material con ultra-
sonido (3 minutos en acetona a 80 kHz en Bafio Ultrasónico Ladd). La desecación final se rea-
lizó según el método de punto crítico con CO,. Las piezas fueron metalizadas con oro-paladio
(200 À de espesor) en alto vacío.
El análisis del material se Ilevó a cabo mediante microscopio electrónico de barrido Jeol,
modelo JSM-35CF.SM.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):65-75, 31 mar. 1988
68 VACCARO, O., A. Uriondo & A.M. Filipello
DP DO E SE Narnia men
RESULTADOS
El exhaustivo análisis del material disponible no reveló diferencias conspicuas,
ni entre sexos ni entre especies, en los caracteres estudiados y por lo tanto se ofrece
una descripción conjunta de los mismos.
En la muestra de escamas laterales se distinguen desde la zona dorsal hacia la
ventral: escamas dorsolaterales principales (DLp), transicionales principales (Tp) y
ventrolaterales principales (V Lp), rodeada cada una de ellas, aproximadamente a
partir de su mitad posterior, por numerosas escamas pequenas, casi esféricas, que
se han denominado dorsolaterales secundarias (DL 2), transicionales secundarias
(T 2) y ventrolaterales secundarias (VL 2) respectivamente (fig. 1).
Las escamas DLp son granulares, ovoides, con su eje mayor paralelo al eje
longitudinal del cuerpo y dispuestas en hileras imbricadas en sentido anteroposte-
rior (fig. 2).
Hacia la zona ventral las escamas DLp contactan con escamas Tp, de super-
ficie más aplanada, que presentan una gradación en forma y tamano desde las
últimas DLp hasta las escamas más alargadas y trapezoidales semejantes a las VLp
(fig. 3). Las escamas VLp, son aplanadas, de forma rectangular con su eje mayor
paralelo al eje longitudinal del cuerpc, dispuestas en hileras imbricadas en sentido
anteroposterior.
La mayoria de las escamas DLp y algunas transicionales presentan en la zona
posterior una estructura visible a bajo aumento en forma de una depresión circular
con borde elevado que se ha denominado foseta terminal para diterenciarla de
aquella presente en las escamas de ofidios (fig. 1). Su ubicación es variable pudiendo
presentarse con frecuencia desplazada desde su posición mediana hacia los laterales.
Excepcionalmente puede observarse la presencia de dos fosetas terminales conti-
guas en una misma escama DLp.
Escamas dorsolaterales principales: presentan una clara regionaliza-
ción (fig. 4) distinguiéndose una zona central lisa en la que se pueden apreciar los
límites de las células de Oberhäutchen y una zona marginal caracterizada por la
presencia de elevaciones muy marcadas de la superficie costituyendo crestas. Estas
corren paralelas entre sí confluyendo en la zona media del borde posterior de la
escama. En la región de mayor curvatura del margen de la escama, las crestas se
anastomosan delimitando contornos poligonales irregulares.
En la zona central (fig. 5) se observan las células de Oberhäutchen, rectan-
gulares, con el eje mayor perpendicular al eje longitudinal del cuerpo, imbricadas
en sentido anteroposterior; su tamafio promedio es de, aproximadamente, 35 um
de ancho por 6 um de largo en Tupinambis teguixin y de 47 um de ancho por 8 um
de largo en Tupinambis rufescens.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):65-75, 31 mar. 1988
Microornamentaciones de las células ... 69
RSS N raca
Los bordes celulares son ondulados y más altos que la superficie de la célula
debido a una mayor queratinización de los mismos. La superficie general de la cé-
lula se muestra aplanada con un patrón de microornamentación definido, caracte-
rizado por un relieve semejante a lomas y valles que se orienten transversalmente
al eje mayor de la célula. Durante su recorrido las lomas se anastomosan entre sí
y se contactan por intermedio de lomas secundarias transversales a ellas. El patrón
está más acentuado en el borde anterior de la célula determinando oquedades dis-
tribuídas irregularmente en la misma. Avanzando hacia el borde posterior, el cual
imbrica a la célula siguiente, el patrón se va atenuando gradualmente hasta perderse
casi antes de Ilegar al límite celular (fig. 6).
En la transición hacia la zona marginal de la escama, empiezan a insinuarse las
crestas características de esta región (fig. 7) siendo evidentes sólo por la alineación
anteroposterior de ondulaciones más prominentes y engrosadas de los bordes celu-
lares posteriores.
En la región marginal (fig. 8) las células de Oberhäutchen mantienen la orien-
tación y forma anteriormente descripta para la región central. Los bordes celulares
son más ondulados y muestran un mayor engrosamiento. La imbricación celular es
más acentuada y la superficie es ligeramente cóncava. Las microornamentaciones se
desarrollan según un patrón complejo (fig. 9) conformando un trabeculado com-
puesto por barras principales que parten del borde anterior de la célula de Ober-
häutchen y se van anastomosando entre sí manteniendo una orientaciön perpendi-
cular al eje mayor de la célula y barras secundarias más pequefias relacionando
transversalmente a las anteriores. Al igual que en la zona central, el patrón se ve
más acentuado en el borde anterior, determinando en este caso, oquedades más
profundas y va desapareciendo hacia el borde posterior de la célula. Las crestas
corren sobre la superficie de la región sin interrumpirse en los límites celulares; el
trabeculado se continúa sobre ellas conservando su estructura aunque la altura del
relieve disminuye (fig. 9). En la zona de mayor curvatura de la escama, las crestas
pierden su orientación paralela para curvarse y anastomosarse entre sí conforman-
do polígonos irregulares de superficie deprimida (fig. 8). Acompanando a este cam-
bio en la disposición de las crestas, las células de Oberhdutchen invierten su orien-
tación, alteran su forma y adquieren un contorno irregular. En el borde propria-
mente dicho de la escama tienen forma poligonal y superficie cóncava, y el patrón
de microornamentación no presenta una orientación definida (fig. 8).
Escamas dorsolaterales secundarias: sobre toda la superficie de la es-
cama se observan las células de Oberhdutchen y las crestas (fig. 10). Las células de
Oberhäutchen son de forma poligonal, imbricadas en sentido anteroposterior, con
una leve concavidad en su superficie (fig. 11). El patrón de microornamentación
está conformado por numerosas y diminutas oquedades menores a 0,5 um de diäme-
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70 VACCARO, O., A. Uriondo & A.M. Filipello
tro, de forma circular a ovoide, dispuestas sin orientación definida. Las crestas forman
polígonos irregulares de tamano similar a las células de Oberhäutchen pero despla-
zadas y alternando su posición con respecto a ellas (fig. 11). Al igual que en las es-
camas DLp el patrón de microornamentación no se modifica sobre las crestas.
Escamas transicionales y ventrolaterales: las escamas VL 2 (fig. 12)
y T2 son similares a las DL 2. Las escamas VLp y las escamas Tp se semejan a las
DLp en cuanto a las características generales de las células de Oberhäutchen y su
patrón de microornamentación (fig. 13) pero se diferencian de aquellas por la au-
sencia total de crestas en la zona marginal.
Foseta terminal: se observa un cambio en la orientación de las células
de Oberhäutchen que se disponen con su eje mayor paralelo al eje longitudinal del
cuerpo (fig. 14). La superficie celular es aplanada y las células no se imbrican. El
patrón de microornamentaciön está constituído por oquedades ovoides distribu f-
das siguiendo una orientación definida paralela al eje mayor de la célula (fig. 15;
las líneas irregulares no son límites celulares sino que corresponden a fracturas de
la superficie).
DISCUSION
De los resultados se concluye que:
a — No existen diferencias entre sexos en cuanto a la forma de las escamas ni
al patrón de microornamentación de las células de Oberhäutchen para cada una de
las especies tratadas.
b — Considerando la misma región para un mismo tipo de escama, ambas es-
pecies presentan semejanzas tanto en su anatomia macroscópica como en la ultraes-
tructura de las células de Oberhäutchen siendo similares por la forma, imbricación,
orientación, concavidad de la superficie, altura de los bordes celulares y el patrón de
microornamentaciön. Si bien se observa que las células de la capa de Oberhäutchen
correspondientes a Tupinambis rufescens son de mayor tamano que las de Tupi-
nambis teguixin, dicha diferrencia sólo podria corroborarse en base al análisis de
una muestra que comprenda un rango más amplio de tallas.
c — Por lo mencionado anteriormente podria afirmarse que los dermatoglifos
no son de utilidad para contribuir a la determinación taxonómica de estas especies,
si bien no se excluye la posibilidad de que las microornamentaciones sean estructu-
ras características de niveles taxonómicos supragenéricos como lo plantearon
STEWART & DANIEL (1975) y PETERSON (1984). PETERSON (1984) agrupa
varias familias de lagartos según cuatro patrones de microornamentación, caracte-
rizando el cuarto tipo de patrón por la presencia de oquedades y surcos en la su-
perficie de las células de Oberhäutchen. Incluye en este grupo a los teidos en base
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Microornamentaciones de las células ... 71
a observaciones propias en escamas dorsales de Ameiva chrysolaema Cope, 1968
(Teiidae) (PETERSON, op. cit.) y aquellos realizados por STEWART & DANIEL
(1975) en escamas dorsales de la cola en Cnemidophorus tigris Baird & Girard,
1852 (Teiidae), cuyas microornamentaciones considera similares. El análisis de las
fotografias presentadas en los trabajos de los respectivos autores no permite inferir
tal similitud. En Cnemidophorus tigris la microornamentación está representada por
oquedades en toda la superficie, mientras que en Ameiva chrysolaema consiste en
lomas y valles. Confrontando los resultados de este trabajo con lo sefialado por
PETERSON (1984) se destaca que las escamas secundarias de las dos especies del
género Tupinambis Daudin, 1802 exhiben un patrón de microornamentación seme-
jante al que muestra Cnemidophorus tigris y que las escamas principales analizadas
aquí exhiben en la zona central un patrón afín al descripto para Ameiva chrysolae-
ma, mientras que la zona lateral (marginal) presenta una microornamentación muy
diferente, como fuera descripto previamente. Por consiguiente se puede concluir
que es de suma importancia especificar el tipo de escama analizado así como la zona
de la escama observada al estudiar los dermatoglifos con fines taxonómicos, dada la
existencia de una variación regional de la microarquitectura en las escamas princi-
pales y de un patrón de microornamentación diferente en las escamas principales
y secundarias. STEWART & DANIEL (1972, 1973, 1975) se refieren al desgaste
que sufren las escamas que contactan con el sustrato como un factor importante
que modifica el patrón de microornamentación de las células de Oberhäutchen. Co-
mo es de esperar que la microornamentación se vea afectada por la fricción, es reco-
mendable analizar zonas donde la epidermis esté mudando y por lo tanto la genera-
ción epidérmica externa no haya sufrido aún desgaste.
d — Las crestas observadas en la zona marginal de las escamas DLp y sobre
toda la superficie de los tres tipos de escamas secundarias analizadas, permitirían
establecer una correlación entre la presencia de dichas crestas y la forma convexa;
esto sugiere que las crestas podrian ejercer una función de refuerzo estructural de
la escama en las zonas de mayor convexidad de su superficie.
AGRADECIMIENTOS
A la Lic. Diana Echeverria por sus consejos y orientaciön; al Dr. José María Gallardo
por la Jectura crítica del manuscrito y al Sr. Jorge Hofmann, técnico del Servicio de Microsco-
pfa Electrónica dependiente del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas
(CONICETO).
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Microornamentaciones de las células ... 73
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Fig. 1: Esquema general de la muestra de escamas. a, escama dorsolateral principal (DLp);
b, escama dorsolateral secundaria (DL 2); c, escama transicional principal (Tp); d, escama tran-
sicional secundaria (T 2); e, escama ventrolateral principal (VLp); f, escama ventrolateral secun-
daria (VL 2); g, foseta terminal. Barra = 2mm. Orientación: A, anterior; D, dorsal.
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74 VACCARO, O., A. Uriondo & A.M. Filipello
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Figs. 2-7: Tupinambis teguixin d: 2. escama DLp y DL 2, vista general (x30), barra =
1000 um; 4. escama DLp, vista general (x 200), barra = 100 um (a, célula de Oberhäutchen;
b, crestas; c, escamas DL 2); 5. escama DLp, zona central, vista general de las células de Ober-
häutchen (x 1200), barra = 10 um; 6. escama DLp, zona central, detalle de la microornamenta-
ción de las células de Oberhäutchen, (x 6600), barra = 1 um (a, límite celular; b, loma secun-
dária transversal); 7. escama DLp, zona de iniciación de las crestas (x 1500), barra = 10 um
(a, borde celular engrossado, b, cresta). T. rufescens d: 3. escama Tp y T2, vista general (x 20),
barra = 1000 um. Orientación =A, anterior; D, dorsal. Y
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Microornamentaciones de las células ... 15
Fig. 8-15: Tupinambis rufescens 2: 8. escama DLp, zona marginal (x 1800), barra =
10 um (a, Ifmite celular; b, cresta); 10. escama DL 2, vista general (x780), barra 10 um; 11. es-
cama, DL 2, detalle de las células de Oberhäutchen (x3200), barra 10 um (a, Ifmite celular;
b, cresta). T. rufescens d: 12. escama VL2 detalle de las celulas de Oberhäutchen (x7800),
barra = 1 um; 14. foseta terminal vista general de las células de Oberhäutchen (x 1500), bar-
ra 10 um (las flechas indicam borde de la foseta, a); 15. foseta terminal, zona central, detalle
de la microornamentación (x 1500), barra 1 um. T. teguixin d: 9. escama DLp, zona marginal,
detalle de la microornamentación (x6000), barra = 1 um; 13. escama VLp, zona central, de-
talle de uma célula de Oberhäutchen (x 8600), barra = 1 um.
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Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil.
VII. Sobre o Simulium (Chirostilbia) empascae sp.n.*
V.Py-Daniel **
Gilson R.P. Moreira ***
RESUMO
Uma espécie nova, Simulium empascae, do subgênero Simulium (Chirostilbia) Enderlein
é descrita, procedente do município de Joinville, Santa Catarina (Província Hidrogeológica do
Escudo Oriental, subprovíncia Sudeste).
ABSTRACT
Simulium (Chirostilbia) empascae n.sp. is described. This species was collected in Join-
ville, Santa Catarina (Hydrogeological Province of Oriental Shield, Southeast subprovince).
INTRODUÇÃO
Este trabalho é o primeiro resultado de um estudo em conjunto entre a Em-
presa Catarinense de Pesquisa Agropecuária S.A. (EMPASC) e o Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPqg)/Instituto Nacional de Pesqui-
sas da Amazônia (INPA), para o conhecimento da simulidofauna no Estado de San-
ta Catarina.
Distímeros subquadráticos e ausência de qualquer tipo de espinho apical ou
subapical são características básicas dos machos do subgênero Simulium (Chiros-
tilbia) (D'ANDRETTA & D'ANDRETTA, 1950; PY-DANIEL & SHELLEY, 1980;
SHELLEY & PY-DANIEL, 1981; COSCARÓN, 1981). Entretanto, ao revisar os
machos de todas as espécies deste subgênero (exceto /aneportoi), constatamos que,
na realidade, os distímeros apresentam um pequenissimo espinho. Muitas vezes, de-
pendendo da montagem do material entre lâmina/lamínula, este espinho não é fa-
cilmente visualizável. Quando isto acontece, devemos procurar a inserção das setas,
na região subapical e observaremos que existe uma pequena área circular mais hia-
lina, onde está inserido o espinho.
Assim, o subgênero Simulium (Chirostilbia), quanto ao distímero, define-se
por: forma subquadrática, com pequeníssimo espinho subapical.
* Aceito para publicação em 03.11.1987.
** Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico/ Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (CNPq/INPA), Caixa Postal 478, 69000, Manaus, AM.
wah Eimpreea Catarinense de Pesquisa Agropecuária S.A. (EMPASC), Caixa Postal 277, 88300,
tajaí, SC.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):77-86, 31 mar. 1988
78 PY-DANIEL, V. & R.P. Moreira
Simulium (Chirostilbia) empascae sp.n.
(Figs. 1-49)
Tanto as fêmeas como os machos foram retirados das pupas, portanto, não
são conhecidos os caracteres cromäticos finais, comprimento do corpo, compri-
mento da asa e definição de algumas de suas veias.
Fêmeas. Coloração geral variando entre preto e castanho-escuro. Antena
(fig. 1). Triângulos fronto-oculares presentes (fig. 5). Fronte (fig. 4) pouco mais
alta que larga (quase isométrica); Indice Frontal = 1,15. Suturas infrafrontais au-
sentes. Cibário (fig. 7) sem dentes e com os braços laterais bem esclerotizados. Pro-
porção entre os segmentos III-V do palpo maxilar = 1:0,75-0,96:1,54-1,78 (fig. 3).
Vesícula sensorial (fig. 2) alongada. Maxila com 33-35 dentes (13/1/19-21). Mandí-
bula com 11-13 dentes na borda externa e 28-29 dentes na borda interna. Sulco
mesepisternal bem evidente. Veias Sc e seção basilar do radius com setas. Fêmures
e tíbias com escamas lanceoladas, finas, entremeadas com setas filiformes. Calci-
pala e pedisulco (fig. 10) bem desenvolvidos. Calcipala tão larga quanto longa.
Unhas tarsais (fig. 8), com dente sub-basilar. Oitavo esternito abdominal (fig. 9)
com 1+1 áreas com um número de setas variando entre 32-36. Gonapófises (fig. 9)
subtriangulares, glabras e esclerotizadas na margem interna. Paraproctos e cercos
(fig. 11). Forquilha genital (fig. 6) com o processo mediano bem esclerotizado. Es-
permateca oval, com espicuias internas e com a base (pequena área semicircular)
e ducto espermático membranosos.
Machos. Proporção entre os segmentos IIl-V do palpo maxilar = 1:0,95-
1,09:2,14-2,23 (fig. 13). Vesicula sensorial (fig. 16) subglobular, menor e com
menos tubérculos que a da fêmea. Antena (fig. 12). Asas com a veia Sc sem ou com
apenas 1 seta; seção basilar do radius com setas. Fêmures e tíbias com escamas
lanceoladas, finas, entremeadas com setas filiformes. Calcipala e pedisulco (fig. 14)
bem desenvolvidos. Basímero mais largo que longo e mais longo que o distímero
(fig. 20). Distimero subquadrático e com um pequenfssimo espinho (pouco escle-
rotizado) subapicalmente. Placa ventral (fig. 18). Esclerito mediano (fig. 15) alar-
gado na sua metade apical e com uma acentuada incisão mediana, longitudinal-
mente. Endoparämeros (fig. 19) com dentes bem conspfcuos.
Pupa. Comprimento do casulo, dorsal = 3,2-4,3mm/ventral (base) = 3,1-
3,7 mm/ventral (porção anterior) = 2,0-3,Imm. Comprimento máximo dos fila-
mentos branquiais = 1,35-2,18mm. Casulo em forma de “sapato” (figs. 21 a 23)
com a borda anterior dorsalmente reforçada e ventralmente apresentando uma
reentrância. A borda anterior normalmente convexa; tecido relativamente uniforme,
sendo que na região anterior pode ser visualizada uma trama de tiras grossas (inclu-
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):77-86, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. VII. 79
sas no tecido). As brânquias normalmente estão totalmente dentro do casulo (na
projeção anterior); brânquias (fig. 24) de cor castanho-clara, compostas de oito
filamentos terminais [da base comum curta e larga, partem dois troncos principais
largos e curtos: o dorsal se bifurca em secundários, um interno e outro externo,
com a mesma configuração até o final, ou seja, estes dois secundários se bifurcam
novamente, dando um ramo terciário ventral (que permanece simples) e um ramo
terciário dorsal (o comprimento deste varia muito) que se bifurca novamente em
dois quaternários (terminais); o ramo principal ventral se bifurca em dois termi-
nais (figs. 25 a 28)]. Cabeça sem tubérculos (fig. 29). Tórax com tubérculos, curtos
e agudos, apenas na região dorso-posterior, o restante sem tubérculos (fig. 30);
tórax apresentando pequenos enrugamentos esparsos na região sem tubérculos
(fig. 30). Ornamentação do fronto-clípeo (fig. 29) com 1+1 tricomas faciais e
2+2 tricomas frontais, todas simples e curtas (as tricomas frontais são menores que
as faciais). Tórax com quetotaxia (fig. 30) sendo 5+5 tricomas centro-dorsais cur-
tas e/ou longas, translúcidas e simples; 1+1 tricomas supralaterais, simples e/ou
bifidas, curtas e translúcidas; 3+3 tricomas laterais simples (as 1+1 tricomas supe-
riores sempre mais afastadas das inferiores; as 1+1 tricomas medianas, longas).
Tergitos abdominais (fig. 32) com pigmentação castanha diminuindo no sentido
äntero-posterior. Tergitos | e Il totalmente castanhos. Tergito | com 1+1 setas lon-
gas, filiformes, fronto-lateraise 3+3 microsetas, simples e/ou bífidas na região
centro-anterior. Tergitos |-V sem áreas anteriores com dentículos. Tergito Il com
5+5 setas espiniformes na região posterior (sendo 4+4 setas com o ápice no senti-
do longitudinal do abdome e 1+1 setas transversais látero-frontais às setas longitu-
dinais mais externas; estas últimas e as setas 1+1 transversais são menores e menos
esclerotizadas que as outras); em conjunto com as 1+1 setas transversais aparecem
sempre 1+1 setas filiformes pouco esclerotizadas. Tergitos IIl-IV com 4+4 ganchos
simples na região posterior e 1+1 setas, espiniformes, transversais, frontais aos gan-
chos mais externos e/ou ao espaço entre os dois ganchos mais externos. Tergito V
com 5+5 setas espiniformes, simples, no terço posterior. Tergitos VI-IX com 1+1
áreas anteriores apresentando, apenas, dentículos pequenos. Tergitos VI-VIl com
3+3 setas espiniformes, simples, no terço posterior e tergito VIII com 2+2 setas
do mesmo tipo e localização. Espinhos terminais do abdome (fig. 32) pequenos.
Ao longo do abdome, ao nível pleural, existem 3+3 setas espini-filiformes por
segmento. Esternitos IIl-VIIl (fig. 31) apresentando anteriormente áreas com den-
tículos em forma de pente (nos segmentos IIl-IV é uma faixa contínua). Segmen-
to esternal Ill com 2+2 setas, simples, espini-filiformes látero-anteriores. Segmen-
to esternal IV com 3+3 setas simples, espini-filiformes látero-externas à 1+1 gan-
chos simples (estes ganchos são menores, mais finos e menos esclerotizados que
os ganchos dos segmentos posteriores); as 1+1 setas mais externas podem estar
localizadas no limite entre a placa esternal e a região pleural. Segmentos esternais
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):77-86, 31 mar. 1988
80 PY-DANIEL, V. & R.P. Moreira
V-VIII divididos por áreas membranosas estriadas, longitudinais, medianamente
(no segmento VIII aparece esclerotização nas estrias). Placas esternais do segmento
V com 2+2 ganchos simples e/ou bifidos, muito próximos e com 2+2 setas espini-
filiformes látero-frontais aos ganchos mais externos. Segmentos esternais VI-VII
com 2+2 ganchos (os externos simples, os internos simples e/ou bífidos), com 3+3
setas espini-filiformes (1+1 setas fronto-laterais aos ganchos externos; 1+1 setas
entre os ganchos externos e internos; 1+1 setas: no segmento VI, látero-externas
aos ganchos mais externos e, no segmento VII, frontais às setas interganchos). Nas
membranas intersegmentares, tanto dos tergitos como dos esternitos, existem
1+1 setas pequenas, espiniformes, translúcidas.
Larva. Coloração geral variando de cinza claro à escura (material no ál-
cool). Comprimento do corpo: 8,1-11,8mm. Largura máxima da cápsula cefáli-
ca: 0,68-0,81 mm. Contorno do corpo (figs. 33 e 34). Não foram observadas setas
cuticulares abdominais. Apodema cefálico (fig. 37) castanho com setas simples,
pequenas. Manchas da cabeca positivas, englobadas por uma mancha subtriangular
com intensidade de coloração mais acentuada. Antenas ultrapassando os ápices das
hastes dos leques cefálicos, e com a região ventral menos esclerotizada que a dorsal.
Proporção entre os segmentos antenais I:ll:Ill = 1:1,23-1,34:1-1,25 (figs. 39 e 40);
o segmento || sempre maior que os segmentos | e Ill; o segmento Ill um pouco mais
escuro que os anteriores. Leques cefálicos normais, com 53-54 raios. Escleritos cer-
vicais (fig. 37) elipsöides, relativamente pequenos e livres na membrana. Hipostö-
mio (fig. 48) com 8-12+8-12 setas laterais e 1-2+1-2 setas no disco. Dentes hipos-
tomiais: 1+1 dentes pontas, 1 dente central, 3+3 dentes intermediários (os 1+1 den-
tes medianos, menores), com 1+1 dentes iaterais (podem faltar totalmente) e
6-9+6-9 serrilhas bem conspicuas; os dentes central, pontas e intermediários apre-
sentam uma projeção basilar. Fenda gular (fig. 42) profunda e subtriangular. Pro-
porção entre a ponte pré-gular/hipostômio = 1:1,2-1,3. Esclerito labral (fig. 43).
Mandibula (figs. 44-47, 49) com 2 dentes externos (podendo aparecer um 3º dente,
muito reduzido; fig. 46), 1 dente apical (com 6-9 pequenos nódulos ântero-laterais;
o segundo dente externo também pode apresentar, lateralmente, 4 nódulos; fig. 47),
6-8 dentes pré-apicais (o IIO dente normalmente maior que todos os outros, mas
pode ter o mesmo comprimento do I® dente), 5-7 dentes internos, uma fileira de
5-6 dentes inseridos entre os dentes pré-apicais e internos, 2 dentes marginais (o
primeiro muito maior que o segundo; pode aparecer apenas um dente marginal,
pequeno; fig. 45), sem setas supramarginais, com 1 PLM simples, curvo e com o
ápice ultrapassando a margem inferior da mandíbula (figs. 44 e 49). Esclerito late-
ral do pseudópodo (fig. 38). Abdome com a região posterior, ventralmente, cons-
picuamente esclerotizada (figs. 35-36) e com 1+1 estruturas longitudinais recorta-
das formadas pela própria membrana (vista lateral) e localizadas onde normalmen-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):77-86, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. VII, 81
te são encontradas as papilas (entre estas estruturas, o abdome apresenta-se cônca-
vo e trilobular). Estas estruturas recortadas estão mais aparentes em larvas que estão
no final do último estádio. Esclerito anal (fig. 41). Disco anal com 201-204 fileiras
de ganchos e com 19-26 ganchos por fileira. Brânquias anais compostas de 3 ramos,
com 4-6 lóbulos em cada um.
Discussão. Simulium empascae sp.n. diferencia-se de todas as outras espé-
cies do subgênero Chirostilbia (pertinax Kollar, 1832; spinibranchium Lutz, 1910;
distinctum Lutz, 1910; dekeyseri Shelley & Py-Daniel, 1981; serranus Coscarón,
1981) por apresentar a seguinte conjunção de caracteres: pupa com 8+8 filamentos
branquiais associados com um casulo “sapatiforme” que ostenta a região anterior
muito elevada; tórax com apenas 1+1 áreas posteriores apresentando tubérculos es-
piniformes e o resto sem tubérculos; ausência de tubérculos no fronto-clípeo; tri-
comas torácicas centro-dorsais translúcidas e simples; ausência de dentículos do tipo
“grande” nos tergitos abdominais VI-VII-VIll. Larva com mandíbula apresentando
dente apical com tubérculos muito conspícuos; disco anal com um número de fi-
leiras de ganchos acima de 200 (201-204); brânquias anais com um reduzido núme-
ro de lóbulos (4-6).
Não foram feitas comparações com S. (C.) /aneportoi Vargas, 1941, pois esta
espécie é apenas conhecida pela fêmea.
S. empascae sp.n. e S. distinctum formam um grupo nitidamente diferenciado
das demais espécies deste subgênero pelos seguintes caracteres: casulo pupal do tipo
“sapatiforme” (com a região anterior muito elevada); segmentos | e Ill da antena
larval iguais ou subiguais em comprimento; número de setas laterais do hipostômio
larval igual ou acima de 8, em cada lado; proporção entre o comprimento da ponte
pré-gular/hipostômio demonstrando uma proximidade destes; disco anal da larva
com um número de fileiras de ganchos acima de 150.
Bionomia. As larvas e pupas de Simulium (Chirostilbia) empascae foram
coletadas, unicamente, sobre pedras, em área sem incidência direta de luz solar, a
uma altitude de 750 metros. Não foram observadas fêmeas picando seres humanos,
durante a coleta.
Material examinado. BRASIL. Santa Catarina: Joinville (Serra da Dona Francisca,
Rodovia SC-21, Córrego sem nome, afluente do Rio Seco). HOLÓTIPO (EMPASC nº 157-8,
19 retirada da pupa e a respectiva exúvia, em lâmina; PARÁTIPOS (EMPASC n®$ 157-7,
16; 157-9, 16; 157-11, 16) todos retirados de pupas, em lâminas; PARÁTIPO (EMPASC
nº 157-10), 19, retirada da pupa, em lâmina; PARÁTIPOS (EMPASC nº 157-12 a 18) 799
ainda dentro do invólucro pupal, no álcool; PARÁTIPOS (EMPASC nºs 157-19 a 22), 4ddó
ainda dentro do invólucro pupal, no álcool; 10 lâminas de larvas, exúvias pupais e adultos retira-
dos de pupas; 24 pupas e 134 larvas, no álcool; 10.V.1985, Gilson R.P. Moreira & Mario Bernar-
di leg.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):77-86, 31 mar. 1988
82 PY-DANIEL, V. & R.P. Moreira
Os parätipos n®® 157-10,11,16 a 18, 21 e 22, mais algumas larvas e pupas estão deposi-
tados no INPA sob o número 6154, o resto do material, inclusive o holótipo, está depositado
na Coleção Entomológica da EMPASC, Itajaí, Santa Catarina.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COSCARÖN, S. 1981. Notas sobre Simulidos Neotropicales X. Sobre el subgénero Simulium
(Chirostilbia) Enderlein con la descripción de dos espécies nuevas del S.E. del Brasil (Dipte-
ra, Insecta). Revta. Soc. Ent. Argentina, Buenos Aires, 40 (14):157-64.
D'ANDRETTA JR., C. & D'ANDRETTA, M.A.V. 1950. Espécies neotropicais da família
Simuliidae Schiner, 1864 (Diptera, Nematocera) VI. Redescrição de Simulium pertinax
Kollar, 1832. Papéis avulsos Zool. S. Paulo, São Paulo, 9:193-213.
PY-DANIEL, V. & SHELLEY, A.J. 1980. Revisão do Simulium spinibranchium Lutz, 1910
(Diptera: Simuliidae), com a primeira descrição dos adultos e larva e redescrição da pupa.
Acta Amazonica, Manaus, 10(1):213-23.
SHELLEY, A.J. & PY-DANIEL, V. 1981. Simuliidae of Goiás State and The Federal District
(Brasília). |. A description of Simulium (Chirostilbia) dekeyseri, new species. Mems. Inst.
Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 76 (1):23-32.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):77-86, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. VII. 83
SR SH BAER LA pc AA tr
Figs. 1-11. Simulium (Chirostilbia) empascae sp.n, 2. 1. antena; 2. vesícula sensorial do
terceiro segmento do palpo maxilar; 3. palpo maxilar; 4. fronte; 5. triângulo fronto-ocular;
6. forquilha genital; 7. cibário; 8. unhas tarsais do terceiro par de pernas; 9. oitavo esternito
abdominal e gonapófises; 10. calcipala e pedisulco; 11. cerco e paraprocto.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):77-86, 31 mar. 1988
PY-DANIEL, V. & R.P. Moreira
Figs. 12-20. Simulium (Chirostilbia) empascae sp.n., d. 12. antena; 13. palpo maxilar;
14. calcipala e pedisulco; 15. esclerito mediano; 16. vesícula sensorial do terceiro segmento do
palpo maxilar; 17. ápices dos distímeros; 18. placa ventral; 19. endoparâmeros; 20. distímero
e basímero (ed, espinho subapical).
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):77-86, 31 mar. 1988
Simuliidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil. VII. 85
/ : % E y ee PRA
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Figs. 21-32. Simulium (Chirostilbia) empascae sp.n., pupa. 21, 22. vista lateral do casulo
pupal; 23. vista frontal do äpice superior do casulo; 24. bränquia; 25-28. bränquias, demons-
trando as variações de comprimento do ramo terciário; 29. fronto-clípeo, com uma ruptura;
30. tórax; 31. esternitos abdominais; 32. tergitos abdominais (ae, áreas enrugadas; tpa, tubér-
culos posteriores agudos; tt, tricomas torácicos).
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):77-86, 31 mar. 1988
86 PY-DANIEL, V. & R.P. Moreira
Figs. 33-49. Simulium (Chirostilbia) empascae sp.n., larva. 33,34. vista dorsal e lateral
respectivamente; 35, 36. vista ventral e lateral do ápice posterior do abdome; 37. cabeça e escle-
ritos cervicais; 38. esclerito lateral do pseudópodo; 39, 40. antenas; 41. esclerito anal; 42. fen-
da gular, ponte pré-gular e hipostômio; 43. esclerito labral; 44,49. ápice da mand bula; 45. den-
te marginal da mandíbula; 46,47. dentes externos e apical da mandíbula; 48. hipostômio (de,
dentes externos; dm, dente marginal; plm, processo látero-mandibular; t, tubérculos).
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):77-86, 31 mar. 1988
Mollusca, Bivalvia de um trecho do curso inferior do Rio Jacuí, Rio
Grande do Sul, Brasil.*
Maria Cristina Dreher Mansur **
Inga Ludmila Veitenheimer-Mendes* *
Jane Elisabete Marques de Almeida-Caon ***
RESUMO
O trabalho, realizado durante o período de março de 1982, a janeiro de 1983, compreen-
de um levantamento dos moluscos bivalves de água doce numa secção de 10km de extensão do
curso inferior do Rio Jacuí, incluindo dois arroios afluentes, no Estado do Rio Grande do Sul,
Brasil. Foram encontradas 5 espécies de Hyriidae, 5 de Mycetopodidae, 1 de Corbiculidae e 2
de Sphaeriidae. Pisidium sterkianum Pilsbry, 1897, até então conhecido para o Uruguai, é
registrado pela primeira vez para um rio da Bacia Atlântica Brasileira.
ABSTRACT
A bivalve mollusk survey of a 10km section in the lower Jacuí River, with two creeks,
in Rio Grande do Sul State, Brazil, was conducted from March 1982 to January 1983 and
yelded 5 species of Hyriidae, 5 of Mycetopodidae, one of Corbiculidae and 2 of Sphaeriidae.
Pisidium sterkianum Pilsbry, 1897, has its range extended from Uruguay to the extreme South
of Brazil.
INTRODUÇÃO
A área levantada (fig. 1) compreende um trecho de aproximadamente 10km
de extensão do curso inferior do Rio Jacuí, incluindo dois arroios afluentes, um
antigo meandro e dois canais secundários, a montante da cidade de São Jerônimo,
abrangendo parte dos municípios de General Câmara, São Jerônimo e Butiá, no Es-
tado do Rio Grande do Sul.
O Rio Jacuí pertence à Bacia do Sudeste do Estado, que integra as Bacias
do Atlântico Brasileiro, trecho sudeste (RECURSOS naturais hídricos, 1980/85).
Depois do Rio Uruguai é o segundo em extensão (aproximadamente 450km) e
volume de águas no Estado, drenando parte das regiões fisiográficas do Planalto
* Aceito para publicação em 20.V.1987. Contribuição FZB nº 332. Trabalho realizado com
auxílio da Financiadora de Estudos e Projetos, FINEP.
** Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do
Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1188, 90001, Porto Alegre, RS, Brasil. Bolsista do Con-
selho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPg), Proc. nº 30.5365/76
e 30.6082/76.
*** Bolsista do CNPq. Proc. nº 30.1180/82.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
88 MANSUR, M.C.D., 1.L.V. Mendes & J.E.M. de A. Caon
e da Depressão Central, com uma área de drenagem de 71.600km? (SEMA, 1984).
Desemboca no Guaíba, formando um grande delta (Delta do Jacuf) juntamente
com os rios Caí, Sinos e Gravataí. É o maior contribuinte do Guaiba com 84,6%
do volume total de águas. Por sua vez o Guaiba integra o sistema lagunar da La-
goa dos Patos. )
O Rio Jacuí é responsável por grande aporte de sedimentos arenosos. Apre-
senta água de boa qualidade, mole, turva e corada, pobre em sais minerais e plancton
(DMAE, 1973). Seu leito foi alterado pela construção de um canal de 30 a 40m de
largura, com eclusas e comportas para facilitar a navegação de embarcações com ca-
lado de até 2,5m. As drenagens e explosões de rochas do fundo do canal são fre-
quentes.
As áreas fluviais marginais conservam, em grande parte, uma faixa de vegeta-
ção arbustiva, nativa, de porte médio a alto. As áreas mais interiores apresentam
campos aproveitados para o pastoreio e agricultura.
MANSUR (1970) compilou da bibliografia todas as citações e descrições de
espécies de Hyriidae e Mycetopodidae existentes no Estado do Rio Grande do Sul,
reunindo 25 nomes para a bacia do Complexo Guaiba-Patos-Mirim, ao qual perten-
ce a bacia do Jacuí. BONETTO & DREHER-MANSUR (1970) registraram a ocor-
rência de 12 espécies de Hyriidae e Mycetopodidae para a bacia do Guaíba em geral.
Para o Rio Jacuí, propriamente dito, encontram-se citações e descrições de es-
pécies nas obras de MARTENS (1868), IHERING (1893), ORTMANN (1921) e
HAAS (1930, 1931b). Vários autores, com obras mais recentes, ainda citam espé-
cies para o Rio Jacuí, porém todos apoiaram-se nas observações dos quatro primei-
ros acima citados.
MARTENS (1868) citou as espécies Unio delodon Lam., Anodonta gigantea
Spix, A. exotica Lam., A. latimarginata Lea var. inflata [sic] e Leila Castelnaudii
Hupé [sic] para o Rio Jacuí sem mencionar uma localidade mais definida; listou,
além destas, outras espécies, generalizando-as todas para o Guaiba.
IHERING (1893) mencionou Dip/odon martensi, de sua autoria, para Santa
Cruz (= Santa Cruz do Sul, RS) sem citar a bacia hidrográfica. Esta cidade situa-se
próxima ao Rio Pardinho, afluente do Rio Pardo, contribuinte da margem esquerda
do Jacuí.
ORTMANN (1921) descreveu as espécies: Diplodon imitator e D. hildae de
Cachoeira do Sul às margens do Jacuí, e D. berthae do Rio Vacacal, volumoso
afluente da margem direita do mesmo rio. Citou também para Cachoeira (= Ca-
choeira do Sul, RS) as espécies: D. deceptus Simpson, 1914, Castalina martensi
lhering, 1893, Monocondylaea lentiformis Lea, 1866, M. minuana Orbigny, 1835,
M. minuana parchapi Orbigny, 1835 e Anodontites iheringi (Clessin, 1882) para
ambas localidades, como ainda 4. clessini (Fischer, 1890) apenas para o Rio Va-
cacai.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
Mollusca, Bivalvia de um ... 89
HAAS (1930) citou Diplodon (D.) charruanus (Orbigny, 1835) para o Rio do
Erval (= Arroio do Erval), afluente do Rio Jacui em Passo Fundo. HAAS (1931b)
citou Anodontites (A.) soleniformis (Orbigny, 1835) e A. (A.) mortonianus (Lea,
1834) para o Rio Pardinho em Santa Cruz.
Em relação aos Sphaerioidea existem citações das espécies Pisidium puncti-
ferum (Guppy, 1867) por MANSUR et alii (1985) para o Rio Caí e Eupera klappen-
bachi MANSUR & VEITENHEIMER (1975) para o Delta do Jacuí. VEITENHEI-
MER-MENDES (1981) citou a ocorrência de Corbicula manilensis (Philippi, 1844),
invasora de origem asiática, nas águas do Guaiba e Delta do Jacuí.
O presente trabalho objetiva fornecer informações sobre os moluscos bivalves
do Rio Jacur, especialmente da área que sofrerá, em futuro próximo, o impacto da
construção de um pólo carboquimico, com considerações sobre o habitat e os pro-
blemas taxonômicos mais relevantes das espécies coligidas.
MATERIAL E MÉTODO
Foram realizadas coletas qualitativas em 16 estações (fig. 1), no período de março de
1982 a janeiro de 1983, com exceção dos meses de julho, agosto, novembro e dezembro de
1982, devido às intensas precipitações que ocasionaram enchentes, impossibilitando os tra-
balhos de campo.
Para o acesso à maior parte das estações, utilizou-se lancha a motor. Em cada estação
foi examinado o substrato existente constituído na maior parte de areia. No entanto algumas
estações apresentaram ambientes mistos de areia e raízes de vegetação flutuante “aguapé”
ou areia e seixos.
Na presença do “aguapé': Eichhornia crassipes (Mart.) (Solms-Laubach) e E. azurea
(SW) Kunth, foram recolhidas aleatoriamente algumas amostras de raízes e examinadas em la-
boratório, retirando-se os moluscos.
Nos seixos imersos a pouca profundidade retirou-se os moluscos aderidos aos mesmos.
Nas praias arenosas, primeiramente foram recolhidas manualmente as conchas roladas.
Após percorreu-se as margens imersas recolhendo-se os animais localizados pelo tato dos pés e
das mãos. Em duas estações (8 e 13) foi possível percorrer a margem até a profundidade de
1,20m.
Na Estação 8, foi peneirado (malha de 0,8mm de abertura) o sedimento até aproxima-
damente 10cm de profundidade da água, sendo que nas demais estações não foi possível usar
esta técnica pela presença de vegetação, seixos ou devido a granulometria por demais grosseira
na orla marginal.
Todo o material coletado foi incorporado à coleção Malacológica (MOL) do Museu
de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN), sendo que os
dados de cada lote acham-se cadastrados no “Banco de Dados do Ambiente Natural" (BDA)
do MCN.
Foram aferidas algumas condições físico-químicas da água superficial das estações 8
(Rio Jacuí) e 13 (Arroio do Conde) em 5 de outubro de 1982 (tab. 2).
Das amostras colhidas, próximo a margem, foram analisadas em laboratório, com base
nas normas do STANDARD METHODS FOR THE EXAMINATION OF WATER AND WASTE-
WATER (1971), os seguintes dados: oxigênio dissolvido (OD — método de Winkler, expresso
por mg/l O,); saturação de oxigênio (determinado por cálculo, expressa o número de mg de
O, dissolvido em 1 litro de amostra, expresso em %); dureza (determinado por volumetria
complexométrica com EDTA e Negro de Eriocromo T, expressa em mg/l de CaCO3); cálcio
(complexometria EDTA e Murexida, expresso em mg/l); magnésio (determinado por cálculo
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31mar. 1988
90 MANSUR, M.C.D., 1.L.V. Mendes & J.E.M. de A. Caon
como a diferença, em equivalentes, entre dureza e o cálcio, expresso em mg/l); matéria orgä-
nica (consumo de O, por permanganato de potássio em meio ácido, expresso em mg/l O2).
A temperatura da água (termômetro de mercúrio, expressa em °C) e o pH (peagâmetro Digi-
sense Cole Parmer) foram medidos no local.
Estações de coleta (fig. 1) situadas entre as latitudes 29056'57"' a 29059'58"'S e
as longitudes 51050'45"' a 51044'08"'W:
ESTAÇÃO 1 — Margem esquerda do Rio Jacuí, na margem direita da ilha do Brandão,
Município de General Câmara.
ESTAÇÃO 2 — Margem esquerda do Rio Jacuf, no canal que forma a ilha do Brandão,
Município de General Câmara.
ESTAÇÃO 3 — Margem direita do Rio Jacuf, em frente à ilha do Mexerico, Município
de Butiá.
ESTAÇÃO 4 — Margem esquerda do Rio Jacuí, no canal que forma a ilha do Mexerico,
Município de General Câmara.
ESTAÇÃO 5 — Margem esquerda do Rio Jacuí, Lagoa Santarém, Municipio de General
Câmara. >
ESTAÇÃO 6 — Margem esquerda do Rio Jacuí, a jusante da Lagoa Santarém, Município
de General Câmara.
ESTAÇÃO 7 — Margem direita do Rio Jacuí, em frente à Lagoa Santarém, Município de
São Jerônimo.
ESTAÇÃO 8 — Margem esquerda do Rio Jacuí, na margem direita da Ilha das Flores,
Município de General Câmara.
ESTAÇÃO 9 — Margem direita do Rio Jacuf, em frente à Estação 8, Município de São
Jerônimo.
ESTAÇÃO 10 — Margem esquerda do Arroio do Conde, em frente à Fazenda Casa Bran-
ca, Município de Butiá.
ESTAÇÃO 11 — Margem direita do Arroio do Conde, Fazenda Casa Branca, Município
de São Jerônimo.
ESTAÇÃO 12 — Margem esquerda do Arroio do Conde, “braço morto’’, Municipio de
Butiá.
ESTAÇÃO 13 — Margem esquerda do Arroio do Conde, frente à Vila do Conde, Municí-
pio de Butiá.
ESTAÇÃO 14 — Margem direita do Arroio do Conde, em frente à Estação 13.
ESTAÇÃO 15 — Margem direita do Rio Jacuí, na desembocadura do Arroio do Conde,
Município de Butiá.
ESTAÇÃO 16 — Arroio da Porteira, Município de São Jerônimo.
Siglas das instituições: MCN, Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do
Rio Grande do Sul, Porto Alegre; MRCN, Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais, atual
MCN; SBFM, Senckenberg Museum, Frankfurt a. Main, Rep. Federal da Alemanha; ZMHU,
Zoologisches Museum der Humboldt Universitat, Berlim, Rep. Democrática Alemã.
RESULTADOS
Na tabela 1 registra-se o resultado das amostras coligadas nas 16 estações,
com indicação da ocorrência das espécies e do número de exemplares.
Observou-se que a presença dos moluscos e sua maior ou menor riqueza, tan-
to de indivíduos como de espécies, dependem de vários fatores ambientais a serem
considerados principalmente quanto ao volume e velocidade das águas e também
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
Mollusca, Bivalvia de um ... 91
quanto ao tipo e variedade de substratos. Assim reuniu-se as 16 estações em 9 am-
bientes distintos (tab. 1):
a. Margem íngreme do Jacuí, com forte correnteza da água e o substrato for-
mado artificialmente por seixos (estação 9). Ausência de bivalves vivos. Apenas
1 exemplar rolado de Corbicula.
b. Margem íngreme do Jacuí com forte correnteza e o substrato arenoso (es-
tacöes 1,3,6, 7). Esta areia é muito solta dando ao substrato uma consistência mui-
to macia. Presume-se que a constante erosão pela correnteza da água impeça a fixa-
ção dos moluscos. Não foram encontrados moluscos vivos. Apenas as valvas vazias
foram recolhidas da margem fora d'água. Supõe-se que estas valvas roladas tenham
sido trazidas pela correnteza em épocas de cheia, por aves, por ratões, ou pelo pró-
prio homem que na área utiliza as partes moles como isca de pesca. Haviam também
pequenos bancos de “aguapé” na estação 7, porém sem a presença de moluscos bi-
valves.
c. Margem do Rio Jacuí, junto a estação 8, apresenta trechos de praia areno-
sa com declive suave e seixos entremeados esparsamente. A área está protegida da
correnteza mais forte por montes de pedras deixados pela draga durante os traba-
lhos de aprofundamento do canal. Nesta estação, verificou-se abundância de exem-
plares e riqueza relativa de espécies. Aderidos aos seixos esparsos, coletou-se Eupera
klappenbachi e muitos exemplares jovens de Corbicula manilensis. Esta espécie
compete pelo mesmo substrato com Eupera, apresentando um filamento bissal
adesivo bem mais longo e distensível (o maior encontrado mediu 80mm) que o de
Eupera, que alcança no máximo 12mm. A medida que a Corbicula jovem se movi-
menta pelo substrato, o filamento é aderido à rocha ao longo do trajeto, formando
um rastro. Depois da fase jovem, os exemplares de Corbicula são encontrados livre-
mente no substrato arenoso entre os bivalves maiores das famílias Hyriidae e My-
cetopodidae. Peneirando-se o sedimento, encontrou-se alguns jovens de Corbicula
manilensis e apenas um exemplar do gênero Pisidium.
d. Nos canais secundários e braço morto do Rio Jacuí (estações 2, 4, 5) veri-
ficou-se a maior riqueza de espécies. Há uma gradação na diminuição da correnteza
do ambiente da estação 2, 4 e 5. Na primeira, o canal secundário é aberto, existindo
correnteza fraca da água e ausência de “aguapés”. No canal secundário que circun-
da a ilha do Mexerico (estação 4) a correnteza é só esporádica, ou seja, existe du-
rante as cheias e depois o canal se fecha por deposição a montante. A presença de
“aguapés” diversifica o substrato, possibilitando a presença de Eupera. A estação
5 não apresenta correnteza aparente na água. Situa-se no final da rede de 3 braços
mortos, formados provavelmente por antigos meandros do rio. O “aguapé” está
presente. Nestas três estações, as águas são mais rasas e mais escuras que a do Rio
Jacuí e provavelmente propiciam condições boas para a vida destes animais filtra-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
92 MANSUR, M.C.D., |.L.V. Mendes & J.E.M. de A. Caon
dores, uma vez que aí coletou-se exemplares gerônticos de Dip/odon deceptus cujo
nácar chegou a medir 1 cm de espessura.
e. Compreende as estações 10, 11 e 12 do Arroio do Conde. As duas primei-
ras estão situadas próximo a um banhado, onde o Arroio alarga-se e a estação 12
compreende um braço morto. A água é de cor mais negra que a do Rio Jacuí e o
fundo apresenta bastante lodo com alguns bancos de areia nas estações 10 e 11.
Não há correnteza aparente nem “aguapés”. A presença de conchas vazias foi
maior que de animais vivos.
f. A estação 13 situa-se na parte mais larga do Arroio do Conde. O substra-
to é arenoso e a água tão clara como a do Rio Jacuí. Nesta estação foi encontra-
do o maior número de exemplares, predominando a espécie D. deceptus.
g. A estação 14 do Arroio do Conde apresenta uma margem formada arti-
ficialmente por seixos. Entre os mesmos encontrou-se geralmente valvas vazias
e muito erodidas.
h. A estação 15 situa-se numa restinga de praia arenosa formada na confluên-
cia do Arroio do Conde com o Rio Jacuí. O local é inundado periodicamente e,
quando as águas baixam, permanecem diversas poças d'água onde foram encontra-
dos muitos exemplares jovens, principalmente dos gêneros Anodontites e Monocon-
dylaea.
i. O Arroio da Porteira, na estação 16, corre por dentro de uma mata de gale-
ria e apresenta fundo arenoso com trechos intercalados por corredeiras sobre sei-
xos rolados. Tem aspecto de córrego, raso com fundo arenoso e muito folhiço nas
margens.
As análises físico-químicas (tab. 2) das amostras das duas estações resultaram
em valores semelhantes, mostrando uma acidez, um teor de cálcio e magnésio um
pouco mais elevados no Rio Jacuí que no Arroio do Conde. A matéria orgânica
mostrou-se levemente mais elevada no Arroio do Conde.
Para a sequência sistemática a nível de ordem, adotou-se a de NEWELL
(1965) e para as superfamilias Unionoidea e Muteloidea a de PARODIZ & BO-
NETTO (1963) alterando-se a terminação “acea” para “oidea”” segundo recomen-
dações do INTERNATIONAL CODE OF ZOOLOGICAL NOMENCLATURE
(1985). De acordo com BAKER (1964) Sphaerioidea e Sphaeriidae tem priorida-
de sobre Corbiculidae e Pisidiidae.
Ordem UNIONOIDA
Superfamilia Unionoidea
Família Hyriidae
Diplodon deceptus Simpson, 1914 sensu Ortmann, 1921
(Figs. 2, 3)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31mar. 1988
Mollusca, Bivalvia de um ... 93
Esta espécie, a mais abundante na área estudada, integrou a sinonímia de es-
pécies afins, próprias das bacias do Rio Uruguai e do Paraná: D. (Rhipidodonta)
paranensis funebralis (Lea, 1860), segundo HAAS (1931a, 1969); D. rotundus gra-
tus (Lea, 1860) por MANSUR (1970) e D. (Diplodon) delodontus wymani por
BONETTO & DREHER-MANSUR (1970).
Para identificação dos espécimens seguiu-se ORTMANN (1921) que redes-
creveu a espécie, utilizando exemplares do Rio Jacuí. O material identificado por
MARTENS (1868), sob o nome de Unio delodon Lam. (ZMHU nº 13767), perten-
ce a esta espécie e assemelha-se aos exemplares de contorno mais arredondado e
com o näcar mais espesso ora encontrados nos canais secundários do Rio Jacuí.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: (Rio Jacuí), ZMHU 13767,
Hensel leg., Martens det. (com duas etiquetas onde se lê: D. rhombeus (Wagner) v. piger Lea
(ex. a) e D. delodontus Lam. var piger Lea (ex. b, c, d, e); General Câmara (Rio Jacuí, Est. 1),
4 ex. MCN 6687, 23.1V.1982, C. Marros leg.; (Est. 2), 16 ex. MCN 6805, 03.V1.1982, M.C.D.
Mansur leg.; 1 ex. MCN 6822, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; Butiá (Rio Jacuí, Est. 3), 2 ex.
MCN 6709, 27.V.1982. E. Buckup leg.; 6 ex. MCN 6922, 28.V.1982, J. Pinto leg.; General
Câmara (Rio Jacuí, Est. 4), 6 ex. MCN 6691, 28.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; 7 ex. MCN
6696, 28.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; 7 ex. MCN 6780, 03.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.;
(Est. 5) 9 ex. MCN 6633, 05.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; 2 ex. MCN 6645, 05.1V.1982,
C.V. Ribeiro leg.; (Est. 6), 2 ex. MCN 6647, 25.111.1982, V.L.L. Pitoni leg.; (Est. 8), 4 ex.
MCN 6591, 10.111.1982, C.V. Ribeiro leg.; 19 ex. MCN 6620, 10.111.1982, C.V. Ribeiro
leg.; 1 ex. MCN 6624, 25.111.1982, I.L.V. Mendes leg.; 31 ex. MCN 6639, 25.111.1982,
I.L.V. Mendes leg.; Butiá (Arroio do Conde, Est. 10), 4 ex. MCN 6592, 10.111.1982, C.V.
Ribeiro leg.; 15 ex. MCN 6704, 20.V.1982, M.C.D. Mansur leg.; (Est. 12), 11 ex. MCN
6803, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; 10 ex. MCN 6813, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur
leg.; (Est. 13), 33 ex. MCN 6449, 28.1V.1981, M.C.D. Mansur leg. (fig. 2 e 3); 3 ex. MCN
6619, 10.111.1982, C.V. Ribeiro leg.; 4 ex. MCN 6628, 25.111.1982, I.L.V. Mendes leg.;
12 ex. MCN 6629, 25.111.1982, |.L.V. Mendes leg.; 96 ex. MCN 6640, 25.111.1982, M.C.D.
Mansur leg.; 98 ex. MCN 6666, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN 6672, 13.1V.1982,
M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN 6678, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.; 5 ex. MCN 6799,
03.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.; (Rio Jacuí, Est. 15), 2 ex. MCN 6653, 25.111.1982, I.L.V.
Mendes leg.; São Jerônimo (Arroio do Conde, Est. 11), 2 ex. MCN 6641, 25.111.1982, I.L.V.
Mendes leg.; 6 ex. MCN 6700, 29.1V.1982, J. Pinto leg.; 19 ex. MCN 6703, 20.V.1982, M.C.D.
Mansur leg.; (Est. 14), 9 ex. MCN 6448, 28.1V.1981, M.C.D. Mansur leg.; 5 ex. MCN 6590,
10.111.1982, C.V. Ribeiro leg.; 14 ex. MCN 6625, 25.111.1982, |.L.V. Mendes leg.; 3 ex. MCN
6651, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN 6669, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.;
4 ex. MCN 6699, 25.111.1982, C.V. Ribeiro leg.; 15 ex. MCN 7897, 10.111.1982, C.V. Ribeiro
leg.; 1 ex. MCN 7887, 05.111.1982, M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN 8550, 08.V1.1982, M.C.D.
Mansur leg.; 1 ex. MCN 8551, 20.V.1982, M.C.D. Mansur leg.
Diplodon iheringi (Simpson, 1900)
(Figs. 4,5)
PARODIZ (1968) considerou-a impropriamente como nomen nudum. A con-
fusão se deve talvez por SIMPSON (1900) ter indicado a espécie e descrito poste-
riormente (SIMPSON, 1914), quando ressalta a impossibilidade de descobrir se a
mesma já havia sido descrita por Clessin (sem data). PARODIZ (1968) colocou-a
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
94 MANSUR, M.C.D., I.L.V. Mendes & J.E.M. de A. Caon
também na sinonímia de D. burroughianus (Lea, 1834) e MANSUR (1970) manteve
esta sinonímia. No momento, acredita-se ser uma espécie válida e muito afim a D.
burroughianus, distinguindo-se por apresentar uma escultura umbonal muitíssimo
reduzida.
Espécie pouco frequente e distingue-se de D. deceptus por apresentar a ares-
ta posterior terminando em ângulo no meio da altura da borda posterior e, a mar-
gem ventral, mais abaulada com um ângulo ventral no meio do comprimento. O
perióstraco e o nacar são mais brilhantes e a dentição pseudocardinal mais lamelar,
com ápice serreado, enquanto que em D. deceptus tende a uma dentição mais forte
e lascada.
Examinou-se dois espécimens da série sintípica também ilustrados por HAAS
(1930:186, figs. 6, 7). A espécie, descrita originalmente para o Guaíba com base em
exemplares muito pequenos, é ainda desconhecida quanto à larva e à anatomia.
Os exemplares coletados na área estudada atingiram dimensões maiores que
as da série sintípica, porém inferiores àquelas dos exemplares de D. deceptus.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul. (Rio Guaiba), Síntipos SBMF
11312 ex. a,b; General Câmara (Rio Jacuí, Est. 2), 1 ex. MCN 6821, 03.V1.1982, M.C.D.
Mansur leg.; (Est. 5), 5 ex. MCN 7880, 05.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; (Est. 8), 1 ex. MCN
6646, 25.111.1982, M.C.D. Mansur leg.; Butiá (Arroio do Conde, Est. 12), 4 ex. MCN 7889,
03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; (Est. 13), 1 ex. MCN 6670, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur
leg. (figs. 4,5); 1 ex. MCN 6671, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.; 6 ex. MCN 7878, 28.1V.1982,
M.C.D. Mansur leg.; 12 ex. MCN 7882, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.; 3 ex. MCN 7886,
25.111.1982, M.C.D. Mansur leg.; São Jerônimo (Arroio do Conde, Est. 14), 3 ex. MCN 7879,
25.111.1982, |.L.V. Mendes leg.; 1 ex. MCN 7890, 20.V.1982, M.C.D. Mansur leg.
Diplodon hildae Ortmann, 1921
(Figs. 6,7)
Exemplares pequenos e mais alongados em comparação às duas espécies acima
mencionadas. As características das conchas correspondem às das descrições origi-
nais e às dos parátipos examinados. Quando jovens são semelhantes aos espécimens
de D. iheringi, principalmente, quanto ao contorno da região anterior e pelo aspecto
da charneira.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Cachoeira do Sul (Rio Jacuí),
Parátipos ex. a,b, SBFM 4643; General Câmara (Rio Jacuí, Est. 4), 1 ex. MCN 7893, 28.IV.
1982, C.V. Ribeiro leg.; 5 ex. MCN 7894, 23.1V.1982, C.V. Ribeiro leg. (figs. 6,7); (Est. 5),
1 ex. MCN 7891, 05.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; (Est. 6), 1 ex. MCN 7892, 25.111.1982, V.L.L.
Pitoni leg.; Butiá (Rio Jacuí, Est. 3), 1 ex. MCN 8651, 27-28.V.1982, J. Pinto leg.; (Arroio do
Conde, Est. 12), 1 ex. MCN 7895, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; São Jerônimo (Arroio do
Conde, Est. 14), 4 ex. MCN 6681, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.; 6 ex. MCN 6705, 20.V.
1982, M.C.D. Mansur leg.; 2 ex. MCN 6810, 03.V1.1982; M.C.D. Mansur leg.; 4 ex. MCN
7896, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto-Alegre (67):87-108, 31mar. 1988
Mollusca, Bivalvia de um ... 95
Diplodon martensi (lhering, 1893)
(Figs. 8,9)
O único exemplar encontrado é semelhante aos exemplares coletados no Ar-
roio Bom Jardim e que serviram de base à redescrição da espécie por MANSUR
(1983). Esse arroio é um pequeno afluente do curso inferior do Rio Caí. A locali-
dade-tipo do holótipo é desconhecida, porém IHERING (1893) cita a existência de
dois parátipos de Santa Cruz no Rio Grande do Sul. Supõe-se que estes sejam oriun-
dos do Rio Pardinho, afluente do Rio Pardo, tributário do Jacuí.
Material examinado: BRASIL. “São Paulo? Rio Grande do Sul” (sic), holötipo,
SBMF 3929; Rio Grande do Sul: Montenegro (Arroio Bom Jardim, afluente do Rio Caí) 7 ex.,
MCN 5455, 20.X11.1977, A.G. Pereira leg.; São Jerônimo (Arroio da Porteira, Est. 16), 1 ex.
MCN 6679, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg. (figs. 8,9).
Castalia martensi (lhering, 1891)
(Figs. 10, 11)
Considerou-se esta espécie sem afinidade a C. undosa Martens (1885), discor-
dando de BONETTO (1956). As dimensões da concha, da escultura, da carena e da
região posterior são muito distintas em ambas espécies.
No Rio Grande do Sul esta espécie apresenta uma clinização de oeste para
leste. No Rio Uruguai e no Vacacai-Grande, afluente do Jacuí, aparecem indivíduos
com a aresta posterior muito alongada e a margem ventral mais reta, ou seja, apre-
sentam um contorno triangular. Na área estudada e no Guaíba predominam os indi-
víduos que apresentam o contorno quadrangular e um abaulamento na margem
ventral.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: General Câmara (Rio Jacuí, Est.
2), 3 ex. MCN 6806, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; (Est. 4), 2 ex. MCN 6693, 23.1V.1982,
C.V. Ribeiro leg.; 5 ex. MCN 6697, 28.1V.1982, C.V. Ribeiro leg. (figs. 10,11); Butiá (Rio Ja-
cuí, Est. 15), 2 ex. MCN 6654, 25.111.1982, L. Pinto leg.; São Gabriel (Rio Vacacaí-Grande),
7 ex. MCN 5775, 18.1.1978, O. Lippold leg.; Porto Alegre (Rio Guaíba) 11 ex. MCN 2780,
11.1X.1969, Alunos PUC leg.
URUGUAI: Artigas (Rio Uruguai) 2 ex. MCN 3510, 5.X1.1955, C. Fuques leg.
Superfamília MUTELOIDEA
Família MYCETOPODIDAE
Monocondylaea minuana Orbigny, 1835
(Figs. 12, 13)
Presença do sulco mediano no bico umbonal e periöstraco rugoso nos exem-
plares jovens são as características adotadas por BONETTO (1966), que serviram de
base para a identificação dos espécimens. MANSUR (1974) observou que os exem-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31mar. 1988
96 MANSUR, M.C.D., 1.L.V. Mendes & J.E.M. de A. Caon
plares coletados na bacia do Guaiba, maiores de 3cm de comprimento, geralmente
apresentam umbos baixos, concha menos inflada e uma tendência a um arredonda-
mento da margem ventral, em comparação aos exemplares da mesma espécie en-
contrados no Rio Uruguai. Esta mesma variação constatada nos exemplares prove-
nientes do Rio Jacuí levou ORTMANN (1921) a denominá-los de M. minuana
parchappi (Orbigny, 1835).
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: General Câmara (Rio Jacuf,
Est. 4), 1 ex. MCN 6820, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN 7881, 23-1V.1982,
C.V. Ribeiro leg.; (Est. 8), 2 ex. MCN 7593, 25.111.1982, M.C.D. Mansur leg.; Butiá (Arroio
do Conde, Est. 13), 1 ex. MCN 6626, 25.111.1982, M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN 6702, 13.IV.
1982, M.C.D. Mansur leg.; (Rio Jacuí, Est. 15), 7 ex. MCN 6656, 25.111.1982, J. Pinto leg.
(figs. 12,13).
Anodontites trapezeus (Spix, 1827)
(Figs. 14,15)
Espécie mais abundante do gênero na área. Foi identificada por MARTENS
(1868) como Anodonta latimarginata Lea [sic] que a descreveu como uma nova va-
riedade inflata.
Os exemplares jovens apresentam-se com o contorno mais arredondado, mar-
gem dorsal e posterior quase reta, muita altura em relação ao comprimento e tam-
bém com o mesmo aspecto fosco do perióstraco, assemelhando-se aos exemplares
provenientes de São Paulo. Deste Estado provém o lectótipo de Anodon rotundus
Spix, 1827, espécie sinônima de Anodontites trapezeus (HAAS, 1969), revisada e
ilustrada por FECHTER (1983). Os exemplares jovens provenientes do Rio Jacuí
são mais frágeis, apresentando o perióstraco com tonalidades mais claras e o nácar
de cor amarela a salmão-rosada em comparação aos jovens coletados em São Paulo
que apresentam externamente coloração verde-parda e internamente branco azula-
da.
Os exemplares com as dimensões mais avantajadas, que podem alcançar além
de 7 cm de comprimento, apresentam as valvas bastante sólidas, espessas e a cor va-
riando internamente do branco-esverdeado ao rosa-salmão. Geralmente apresentam
a região anterior proporcionalmente mais baixa que a dos exemplares jovens. Esta
diminuição de altura em alguns exemplares levou muitos autores a confundir a es-
pécie com Andodontites patagonicus, A. mortonianus e A. iheringi.
A camada prismática nos adultos e jovens é geralmente espessa, podendo apre-
sentar um desenvolvimento maior ainda na região ventral.
Material examinado: BRASIL. São Paulo: Rio Claro (Rio Ribeirão Claro), 2 ex.
MRCN 3687, 24.X.1973, N.J. Hebling leg. Rio Grande do Sul: (Rio Jacuí) ZMHU 16689, Hen-
sel leg. {Martens descreveu como nova var. A. latimarginata var. inflata); General Câmara (Rio
Jacuí, Est. 2), 5 ex. MCN 6807, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN 6823, 03.V1.1982,
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31mar. 1988
Mollusca, Bivalvia de um ... 97
M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN 7874, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; (Est. 4), 1 ex. MCN
6692, 23.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; 1 ex. MCN 6779, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; (Est.
5), 1 ex. MCN 6632, 05.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; 1 ex. MCN 7888 MCN, 05.1V.1982, C.V.
Ribeiro leg.; (Est. 8), 2 ex. MCN 7885, 25.111.1982, I.L.V. Mendes leg.; Butiá (Arroio do Con-
de, Est. 12), 1 ex. MCN 6802, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; 4 ex. MCN 6814, 03.V1.1982,
M.C.D. Mansur leg.; (Est. 13), 1 ex. MCN 6717, 25.111.1982, M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN
6797, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; 4 ex. MCN 7595, 25.111.1982, M.C.D. Mansur leg.;
8 ex. MCN 7658, 13.1V.1982, 1.L.V. Mendes leg.; 1 ex. MCN 7877, 28.1V.1981, M.C.D. Mansur
leg.; (Rio Jacuí, Est. 15), 1 ex. MCN 6642, 05.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.; 14 ex. MCN 7594,
25.111.1982, J. Pinto leg. (figs. 14,15).
Anodontites patagonicus (Lamarck, 1819)
(Figs. 16,17)
Por ter sido examinado apenas um exemplar, há dúvidas quanto a identifica-
ção desta espécie. Conforme HAAS (1931b, 1969) este exemplar seria A. mortonia-
nus (Lea, 1834). Porém, a cor clara do perióstraco e a grande largura da capa pris-
mática do exemplar coligido não conferem com os dados da descrição original de
A. mortonianus.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Santa Cruz do Sul (Rio Pardinho,
Vila Sinimbu), 4 ex. MCN 8497, 14.V11.1985, A. Hirsch leg.; General Câmara (Rio Jacuí,
Est. 4), 1 ex. MCN 7876, 23.1V.1982, C.V. Ribeiro leg. (figs. 16,17).
Anodontites trapesialis forbesianus (Lea, 1860)
(Figs. 18,19)
Para a identificação dos espécimens seguiu-se VEITENHEIMER-MENDES
(1937b).
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: (Rio Jacuí), 5 ex. ZMHU 13765,
Hensel leg. (Martens det A. gigantea Spix e A. exotica Lam.); General Cämara (Rio Jacui, Est.
2), 2 ex. MCN 6804, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; (Est. 5), 1 ex. MCN 7875, 05.1V.1982,
C.V. Ribeiro leg.; (Est. 8), 1 ex. MCN 6643, 25.111.1982, I.L.V. Mendes leg.; Butiá (Rio Jacuí,
Est. 3), 1 ex. MCN 6710, 27.V.1982, E. Buckup leg.; (Arroio do Conde, Est. 10), 1 ex. MCN
6701, 30.1V.1982, J. Pinto leg.; (Est. 12), 6 ex. MCN 6801, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.;
(Est. 13), 1 ex. MCN 6450, 28.1V.1981, M.C.D. Mansur leg. (figs. 18,19); 7 ex. MCN 6627,
25.111.1982, M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN 6667, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.; 3 ex.
MCN 6798, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; 1 ex. MCN 6708, 25.111.1982, M.C.D. Mansur
leg.; (Rio Jacuí, Est. 15), 2 ex. MCN 6655, 25.111.1982, J. Pinto leg.
Leila blainvilliana (Lea, 1834)
(Figs. 20,21)
Os 16 espécimens coletados caracterizam-se por: forma inequilateral com
um índice de altura em relação ao comprimento variando dentro dos parâmetros
da espécie (2,03 a 2,56; VEITENHEIMER, 1973a); posição do umbo anterior; a
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31mar. 1988
98 MANSUR, M.C.D., 1.L.V. Mendes & J.E.M. de A. Caon
cavidade umbonal rasa; “dente” rudimentar sempre presente situado na frente do
umbo.
MARTENS (1868) determinou material proveniente do Rio Jacuí como Leila
castelnaudii Hupé, atualmente sinônima de Leila esula (Orbigny, 1846). Examinan-
do as fotos deste material, verifica-se que houve uma identificação errônea pois, na
realidade, suas características enquadram-se perfeitamente nas de L. blainvilliana,
inclusive o índice da altura em relação ao comprimento que é de 2,22 e 2,27. Além
disto, constatou-se que as medidas de altura fornecidas por MARTENS (1868)
correspondem à altura da região posterior.
Encontrada apenas nas estações 5 e 13 a mais de 80cm de profundidade da
água.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: (Rio Jacuí), 1 ex. ZMHU 13764,
Hensel leg., (Martens det. Leila castelnauii Hupé [sic]); General Câmara (Rio Jacuí, Est. 5),
6 ex. MCN 6631, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg. (figs. 20, 21); Butiá (Arroio do Conde, Est.
13), 3 ex. MCN 6652, 25.111.1982, M.C.D. Mansur leg.; 7 ex. MCN 6668, 25.111.1982, M.C.D.
Mansur leg.
Ordem VENEROIDA
Superfamília SPHAERIOIDEA
Família CORBICULIDAE
Corbicula manilensis (Philippi, 1844)
(Fig. 24)
Espécie asiática introduzida nas águas do Guaíba e do Delta do Jacuí, prova-
velmente no início da década de 1970 (VEITENHEIMER-MENDES, 1981).
Com base em tabelas de idade (GARDNER et alii, 1976; VEITENHEIMER-
MENDES, 1981), 12 exemplares coletados apresentam medidas de comprimento
que variam de 29 a 35mm, ficando enquadrados numa faixa de idade igual e supe-
rior a 4 anos.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: General Câmara (Rio Jacuí,
Est. 1), 5 ex. MCN 6688, 23.1V.1982, C. Marros leg.; (Est. 2), 12 ex. MCN 6808, 03.V1.1982,
M.C.D. Mansur leg.; (Est. 4), 9 ex. MCN 6694, 23.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; 1 ex. MCN
6695, 28.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; 1 ex. MCN 8491, 03.V1.1982, M.C.D. Mansur leg.; (Est.
6), 1 ex. MCN 6648, 25.111.1982, V.L.L. Pitoni leg.; (Est. 8), 5 ex. MCN 6589, 10.111.1982,
I.L.V. Mendes leg.; 38 ex. MCN 6644, 25.111.1982, I.L.V. Mendes leg. (fig. 24); 22 ex. MCN
6795, 02.V1.1982, E. Carvalho leg.; São Jerônimo (Rio Jacuí, Est. 7), 2 ex. MCN 6716, 02.IV.
1982, C.V. Ribeiro leg.; (Est. 9), 1 ex. MCN 6698, 05.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; (Arroio do
Conde, Est. 14), 1 ex. MCN 6682, 13.1V.1982, M.C.D. Mansur leg.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):87-108; 31 mar. 1988
Mollusca, Bivalvia de um ... 99
Família SPHAERIIDAE
Pisidium sterkianum Pilsbry, 1897
(Figs. 22, 23)
Apenas um exemplar foi coletado, sendo identificado por comparação com
exemplares oriundos da bacia do Rio Uruguai e determinados por C. Meier-Brook.
Constitui a primeira citação da espécie em um rio da Bacia Atlântica Brasileira.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: General Câmara (Rio Jacuí,
Est. 8), 1 ex. MCN 6677, 25.111.1982, M.C.D. Mansur leg. (figs. 22,23); ARGENTINA: Entre
Rios, Federaciön (Rio Urubuai, “Caffada sin nombre”), 7 ex. MCN 8461, 12.111.1978, J.
Olazarri leg.
Eupera klappenbachi Mansur & Veitenheimer, 1975
(Fig. 25)
Entre os exemplares coletados no Rio Jacuf, muitos possuem contorno mais
ovalado e umbos mais baixos que os dos espécimes provenientes da localidade-tipo
(Saco do Ferraz, Delta do Jacuí), onde predominam águas mais trangüilas. Apre-
sentam região anterior bastante curta, baixa e arredondada, o que os distingue de
E. platensis e E. doellojuradoi. Além disto, foram encontrados tanto em raízes de
“aguapé” nos ambientes de água sem correnteza aparente, como aderidos aos seixos
nas margens do Jacuí, onde as águas são correntes.
É a primeira vez que se observa a presença de E. klappenbachi em substrato
diverso ao de raízes de macröfitas.
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Porto Alegre (Delta do Rio Ja-
cuf), Saco do Ferraz, 55 parátipos MCN 3892, 13.1X.1974, S.M. Pauls leg.; General Câmara
(Rio Jacuí, Est. 4), 13 ex. MCN 6811, 28.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; 1 ex. MCN 6818,
03.1V. 1982, M.C.D. Mansur leg.; (Est. 5), 6 ex. MCN 6686, 05.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.;
(Est. 8), 52 ex. MCN 6676, 25.111.1982, M.C.D. Mansur leg. (fig. 25); 13 ex. MCN 6711,
02.V1.1982, E. Carvalho leg.
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Foram coletados no total 858 exemplares de bivalves pertencentes a 5 espé-
cies de Hyriidae, 5 de Mycetopodidae, 2 de Sphaeriidae e 1 de Corbiculidae. Mais
da metade dos exemplares coligidos esteve representada por Diplodon depectus
(tab. 1)
Considerando os ambientes do Rio Jacuí e o Arroio do Conde (Estações 1 a
15), notou-se que as espécies são mais numerosas e mais diversificadas nas margens
com declive suave e nos ambientes onde predomina substrato arenoso e a corren-
teza da água fraca ou aparentemente ausente. São mais robustos ou atingem tama-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
100 MANSUR, M.C.D., |.L.V. Mendes & J.E.M. de A. Caon
nhos gerônticos nos canais secundários do Rio. Os jovens concentram-se em poças
d'água e em margens arenosas de pouca profundidade e pouca correnteza.
É de considerar que a diversidade de substrato aumenta o número de espé-
cies. Assim a presença de seixos e raízes de “aguapé” favorece a ocorrência de Cor-
bicula jovem e a de Eupera. No entanto, Eupera esteve ausente dos seixos em
águas sem correnteza (Estação 14) como também dos seixos (Estação 9) e “agua-
pés” frente a correnteza forte (Estação 7). Presume-se que Eupera tenha preferên-
cia por ambientes bem arejados e abertos com correnteza fraca e até sem corrente-
za, porém neste último caso somente na presença do “aguapé”. É provável que aí
encontre as condições ideais de temperatura, alimentação e de abrigo contra os pre-
dadores, pois sua cor é idêntica a das raízes, mimetizando com a mesma.
A ausência do “aguapé” nas estações de coleta do Arroio do Conde são certa-
mente a causa da falta de registros de Eupera nesta área.
Corbicula manilensis foi mais abundante na estação 8 onds incidiram muitos
jovens aderidos aos seixos pelo bisso, competindo pelo mesmo substrato com Eupe-
ra klappenchi. Já a população adulta de Corbicula convive com os jovens e aduldos
de Hyriidae e Mycetopodidae.
Diante da presença de muito lodo no substrato arenoso, o número de conchas
vazias foi maior que o de animais vivos, levando-se a crer que as espécies encontra-
das não tenham preferência por lodo.
A pobreza das águas do Rio Jacuí em plâncton e sais minerais (DMAE, 1973)
como também em nutrientes (tab. 2) é provavelmente uma das razões da concentra-
ção dos moluscos nos ambientes onde há menos correnteza, como nos remansos
e canais secundários. A diminuição da correnteza provoca deposição com uma con-
sequente concentração de matéria orgânica, plâncton e nutrientes.
Conforme HYNES (1978) a concentração mínima de cálcio deveria ser em
torno de 20mg/l e o pH mínimo suportável seria 5. As análises (tab. 2) demonstra-
ram condições extremamente escassas de cálcio e o pH próximo ao mínimo supor-
tável. O magnésio em baixos teores, segundo DUSSART (1979), não favorece a pre-
sença de bivalves, porém adquire uma importância relativa em águas enriquecidas
com matéria orgânica.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. José W. Thomé, pelo auxílio na obtenção do material-tipo junto aos Museus
da República Federal da Alemanha; ao Lic. José Olazarri, pelo envio de exemplares de Pisidium
sterkianum coletado no Rio Uruguai; ao Engº Rogério Karps Lunghi, pelas análises físicas e
químicas da água; às colegas Carla Schulz e Liana M.P. Garces, pelo auxílio na confecção de fi-
chas para introdução dos dados no Programa “Banco de Dados do Ambiente Natural do Rio
Grande do Sul’’ e aos demais colegas, pelo auxílio nas atividades de campo e laboratório.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31mar. 1988
Mollusca, Bivalvia de um ... 101
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
104 MANSUR, M.C.D., 1.L.V. Mendes & J.E.M. de A. Caon
Tabela 2. Dados físicos e químicos da água superficial do Rio Jacuí, Rio
Grande do Sul, Município de General Câmara (Estação 8) e do Arroio do Conde,
Município de Butiá (Estação 13), em 05 de outubro de 1982.
Estações de amostragem
Dados
físicos e químicos
Temperatura da água (0€) 21,0 20,0
Oxigênio dissolvido (mg/l 05) 6,5 6,8
Saturação oxigênio dissolvido (%) 73,0 74,0
Dureza (mg/l CaCo;) 38,0 32,0
Cálcio (mg/l) 6,8 5,8
Magnésio (Mg/1) 5,0 4,3
Matéria orgânica (mg/l O, CMAc) 5,6 5,7
pH 5,7 5,6
iIHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
Mollusca, Bivalvia de um ... 105
29º 59'58''g
54044'08"W
de/Söo vJerônimo
e
Município
âmara
de Gen.C
.
Municipio
31050'45"Ww
Municipio de Butiá
ESCALA
1000 300 O
Fig. 1: Secção do curso inferior do Rio Jacuí indicando as estações de coleta. (A), Ilha
do Brandão; (B), Ilha do Mexerico; (C), Ilha das Flores.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
106 MANSUR, M.C.D,, |.L.V. Mendes & J.E.M. de A. Caon
Figs. 2-11: À esquerda, vista externa das valvas esquerdas e, à direita, vista interna da val-
va direita das espécies de Hyriidae: 2, 3. Diplodon deceptus Simpson, 1914 sensu Ortmann,
1921; 4,5. Diplodon iheringi (Simpson, 1900); 6, 7. D. hildae Ortmann, 1921; 8, 9. D. martensi
(Ihering, 1893); 10, 11. Castalia martensi (lhering, 1891). Escala: tem.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
Mollusca, Bivalvia de um ... 107
Figs. 12-21: Vista externa das valvas esquerdas (nümeros pares) e vista interna das valvas
direitas (números ímpares) das espécies de Mycetopodidae: 12. 13. Monocondylaea minuana
Orbigny, 1835; 14, 15. Anodontites trapezeus (Spix, 1827); 16, 17.4. patagonicus (Lamarck,
1819); 4. trapesialis forbesianus (Lea, 1860); 20, 21. Leila blainvilliana (Lea, 1834). Esca-
la: 1cm.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
108 MANSUR, M.C.D., 1.L.V. Mendes & J.E.M. de A. Caon
Figs. 22-25: Espécies de Sphaerioidea: 22, 23. Pisidium sterkianum Pilsbry, 1897; 22. per-
fil da charneira; 23. vista interna das valvas esquerda (superior) e direita (inferior); 24. vista ex-
terna da valva esquerda e da charneira da valva direita de um exemplar jovem de Corbicula ma-
nilensis (Philippi, 1844); 25. vista interna da valva esquerda e da charneira da valva direita de
um exemplar adulto de Eupera klappenbachi Mansur & Veitenheimer, 1975. Escala: 2mm.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):87-108, 31 mar. 1988
Corvospongilla volkmeri sp.n. e registro de Corvospongilla seckti Bo-
netto & Ezcurra de Drago, 1966 no Brasil (Porifera, Spongillidae).*
*
Rosäria De-Rosa-Barbosa*
RESUMO
Descreve-se Corvospongilla volkmeri sp.n. procedente da Lagoa Redonda, Paraiba, Bra-
sil. Esta espécie apresenta megascleras de tornotas a anfistrôngilos espinhados; microscleras mi-
crobirrotuladas com eixo geralmente, reto, liso e provido nas extremidades de 4 a 8 ganchos
encurvados e dispostos irregularmente; gemoscleras anfioxeas com espinhos pequenos e esparsos
a anfistrôngilos fortemente espinhados. Também, registra-se a ocorrência de C. seckti Bonetto
& Ezcurra de Drago, 1966 no Rio Grande do Sul, conhecida, até antão, apenas na Argentina.
ABSTRACT
Corvospongilla volkmeri n.sp. is described from Lagoa Redonda, Paraíba, Brasil. The
species has spined tornotes to anfistrongila as megascleres, microscleres which are microbiro-
tulates with usually straight and smooth shafts bearing at the extremities four to eight short,
incurved, irregularly placed hooks and gemmoscleres which run from sparsely spined minute
anfioxea to strongly spined larger anfistrongyla. Also the occurrence of C. seckti is extended
from Argentina to the south of Brasil.
INTRODUÇÃO
Para a região Neärtica, POTTS (1887) descreveu Spongilla novaeterrae proce-
dente dos lagos de Newfoundland, Canadá. Posteriormente JEWELL (1952) transfe-
riu esta espécie para o gênero Corvospongilla (Annandale, 1911).
O primeiro registro de ocorrência do gênero Corvospongilla para a região Neo-
tropical foi feito por BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1966) com a descrição
de Corvospongilla seckti procedente de Corrientes (Argentina).
PENNEY & RACEK (1968), ao revisarem esponjas de água doce produtoras
de gêmulas, desconheciam os trabalhos de BONETTO & EZCURRA DE DRAGO
(1966) e de JEWELL (1952), considerando o conjunto espicular de Spongilla
novaeterrae como representado por um híbrido entre Corvomeyenia everetti
(Mills, 1884) e de uma espécie do gênero Eunapius ou Spongilla, afirmando que o
gênero Corvospongilla estaria restrito à África e à Índia.
aid Aceito para publicação em 20.V.1987. Contribuição FZB nº 333.
** Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotänica do
Rio Grande do Sul (MCN). Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
Fo da (CNPq), Proc. nº 30.1128/77. Caixa Postal 1188, 90001, Porto Alegre, RS,
rasil.
IHERINGIA. Sér.Zoo!., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
110 DE-ROSA-BARBOSA, R.
Em 1978, POIRRIER descreve Corvospongilla becki para Duck Lake, St.
Martin Parish, Lousiana, Estados Unidos.
CARVALHO (1969) citou a ocorrência de Corvospongilla novae terrae (Potts,
1887) na Lagoa Redonda, São Gonçalo, Souza, Paraíba, Brasil.
VOLKMER-RIBEIRO et alii (1975) registraram para o “rio” Guaiba, Rio
Grande do Sul, Brasil, Corvospongilla boehmi (Hilgendorf, 1883) e comentaram a
possibilidade de C. seckti BONETTO & EZCURRA DE DRAGO (1966) ser sino-
nima de C. boehmi sem contudo terem examinado material-tipo das duas espé-
cies.
A coleta de um número significativo de exemplares do gênero Corvospongilla
em diversos locais do Rio Grande do Sul e o recebimento de material procedente
de outras localidades brasileiras, possibilitou um estudo comparativo com o mate-
rial tipo de C. boehmi, C. seckti, C. becki e C. novaeterrae.
Verificou-se, preliminarmente, a necessidade de ser feita correção da identifi-
cação do material do “rio” Guaíba (RS) e da Lagoa Redonda (PB), deixando-se
para estudos posteriores o material procedente dos outros locais no Brasil.
MATERIAL E MÉTODOS
A metodologia empregada na análise dos espécimes foi a descrita por VOLKMER-RIBEI-
RO (1981).
Foi efetuado um estudo comparativo de lâminas do holótipo de C. boehmi (África), do
parátipo e do holótipo de C. seckti, do holótipo de C. becki e de fragmento de C. novaeterrae
da coleção POTTS com as preparações espiculares dos diversos espécimes provenientes de rios
do Rio Grande do Sul e dos espécimes da Lagoa Redonda-Paraiba.
As mensurações e os desenhos foram efetuados em microscópio biológico Leitz SM-
LUX binocular com câmara clara. As fotos de varredura foram realizadas em microscópio
CAMBRIDGE STEREOSCAN 600.
Siglas utilizadas: ANSP, Academy of Natural Sciences of Philadelphia, Philadelphia,
U.S.A.; MCN, Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul,
Porto Alegre, RS, Brasil; MNRJ, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ, Brasil; USNM, United
States National Museum, Washington, D.C., U.S.A.
Material examinado: Corvospongilla becki. ESTADOS UNIDOS. Louisiana: 10km
NW of Morgan City, St. Martins Parish, Duck Lake, lâmina do holötipo, USNM 24519; Corvos-
pongilla boehmi. ÄFRICA. Lämina do holötipo, USNM (Col. N. Gist. Gee 54202). Ghana, Lake
Volta, MCN 1133, 1150, IV.1972, G. Bretscho leg.; Corvospongilla novaeterrae. CANADÁ.
New Foundland: Lakes in Heart's Content, lâmina do paralectötipo, ANSP 4545, V111.1885,
A.H. Mackey leg.; Corvospongilla seckti. BRASIL. Rio Grande do Sul: Arroio do Tigre, Rio
Jacuí, barragem lItaúba, MCN 740, 767, 800, 802, 803, 804, 805, 806, 896, 897, 12.1V.1978,
A.G. Pereira leg.; MCN 762, 808, 809, 13.1V.1978, A.G. Pereira leg.; MCN 807, 816, 14.IV.
1978, A.G. Pereira leg.; MCN 811, 813, 814, 24.1V.1978, A.G. Pereira leg.; MCN 764, 765,
766, 768, 791, 812, 815, 850, 851, 877, 879, 25.1V.1978, A.G. Pereira leg.; MCN 890, IV.1978,
A.A. Lise leg.; General Câmara, Rio Jacuí, MCN 976, 983, 985, 987, 25.111.1982, M.C.D. Man-
sur, I.L.V. Mendes, C. Marros leg.; MCN 1024, 28.1V.1982, C.V. Ribeiro leg.; Guaíba, Praia da
Florida, “rio” Guaíba (margem direita), MCN 279, 13.1.1974, S.M. Pauls leg.; São Jerônimo,
Rio Jacuí, MCN 984, 25.111.1982, M.C.D. Mansur, |.L.V. Mendes, C. Marros leg.; MCN 1012,
05.1V.1982, R. De R. Barbosa leg.; Viamão, Lagoa Negra, MCN 862, 19.1.1978, C.V. Ribeiro
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
Corvospongilla volkmeri sp. n.... 111
leg.; MCN 863, 10.X1.1978, C.V. Ribeiro leg.; Porto Alegre, Rio Jacuí, Ilha das Flores, MCN
278, 14.V1.1974, S.M. Pauls leg.; Arroio Maria Conga, MCN 280, 05.1V.1972, S.M. Pauls leg.;
Belém Novo, Saco do Arado, MCN 324, 19.111.1975, S.M. Pauls leg.; MCN 828, R. De R. Bar-
bosa leg. ARGENTINA. Corrientes: Rio Paraná, Passo de la Patria, parátipo, MCN 23, 569,
29.V111.1963, |. Ezcurra de Drago leg.
RESULTADOS
Através da comparação entre espécimes do gênero Corvospongilla, proceden-
te do Rio Grande do Sul e da Lagoa Redonda, Paraíba com lâminas dos tipos de
S. boehmi, C. seckti, C. becki e C. novaeterrae, verificou-se a existência de duas
espécies: C. seckti procedente da Argentina e Rio Grande do Sul (novo registro) e
C. volkmeri, sp.n. que ocorre na Lagoa Redonda, Paraíba. O estudo comparativo
das lâminas do holótipo de C. boehmi da África e de C. seckti da Argentina com o
material coligido no Guaíba demonstrou que VOLKMER-RIBEIRO et alii (1975)
identificaram, erroneamente os espécimes do “rio” Guaiba como C. boehmi. Estes
exemplares apresentam caracteres morfológicos semelhantes à C. seckti, registrada
para a bacia do Paraná. O mesmo foi constatado em todos os espécimes procedentes
de outros locais do Ric Grande do Sul, além do “rio”” Guaíba, o que ora justifica
a identificação destes exemplares, coletados no Rio Grande do Sul, como C. seckti.
Pela análise das medidas dos elementos espiculares (tab. 1) de C. seckti, pro-
cedentes do Rio Grande do Sul e da Argentina, constata-se que o material do Rio
Grande do Sul apresenta maior amplitude em todas as categorias espiculares.
Os espécimes estudados, procedentes da Lagoa Redonda, Paraíba pertencem
ao mesmo lote dos coletados por Carvalho em 1961, e por ele citado como C. no-
vaeterrae (CARVALHO, 1969). Entretanto, a análise dos dados obtidos evidenciou
que estes exemplares apresentam características significativas que exigem a proposi-
ção de uma espécie nova, a seguir descrita.
Corvospongilla volkmeri sp.n.
(Figs. 1-9; 11-15; 17-19)
Corvospongilla novaeterrae; Carvalho, 1969:126 non Potts, 1887:206.
Material tipo: Holótipo, MNRJ (Lagoa Redonda), São Gonçalo, Souza, Paraíba,
Brasil, X11.1961., J.C.M. Carvalho leg.; parätipos, MCN 83, 84, 85, 86, 87 (Lagoa Redonda)
São Gonçalo, Souza, Paraíba, Brasil, X11.1961, J.C.M. Carvalho leg.
Localidade-tipo. Lagoa Redonda, São Gonçalo, Souza, Paraíba, Brasil.
Etimologia. O nome específico constitui uma homenagem à Dra. Cecília
Volkmer Ribeiro, pelo alto grau de contribuição e pela entusiástica e incansável de-
dicação ao estudo das esponjas de água doce.
Descrição. Incrustada em galhos de vegetação submersa ou pedras, forman-
do crostas de espessura variável (0,3-1,0cm), podendo atingir formas bulbosas. Es-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
112 DE-ROSA-BARBOSA, R.
pécimes com 5,0-20,0cm de comprimento. Esponja seca de cor cinza-escura na su-
perfície e bege-clara no interior.
Superfície marcada por sulcos meandriformes mais ou menos profundos e
atravessada pelos orifícios osculares, circulares, visíveis a olho nu, com diâmetro
de 0,1-0,5mm e distribuídos de maneira uniforme. Os ósculos estão ligados com o
interior da rede esqueletal através de largos canais. Alguns podem atingir a região
basal da esponja sem apresentar ramificações. Pinacoderme espessa, escura e cons-
pícua em certas porções da superfície.
Esqueleto compacto constituído por fibras espiculares muito delicadas e es-
paçadas, dispostas perpendicularmente. Estas são unidas por feixes transversais
ramificados e direcionados em vários sentidos, podendo formar em alguns pontos
malhas poligonais.
Gêmulas, extremamente abundantes e distribuídas da base até a superfície da
esponja.
Consistência da esponja friável.
Megascleras (fig. 1): de tornotas a anfistrôngilos, variam tanto em comprimen-
to como em largura; retas a levemente encurvadas; uniformemente microespinhadas.
Os anfistrôngilos apresentam dilatações ou um pequeno espinho nas extremidades.
Comprimento: 74,00-244,00 um; largura; 9,90-17,40 um.
Microscleras (figs. 2, 4): microbirrotuladas; tamanho variável; eixos delgados a
grossos, retos ou levemente encurvados; lisos, ocasionalmente podem ocorrer espi-
nhos ou saliências. Nas extremidades do eixo ocorrem rótulas, levemente umbona-
das com 4 a 8 ganchos curtos, delicados, com extremidades pontiagudas, levemente
curvados para o centro do eixo. Os ganchos dispöem-se de modo desordenado. As
duas rótulas da mesma espícula normalmente apresentam um formato diferente;
as microscleras alojam-se tanto na rede esqueletal como na pinacoderme. Compri-
mento: 17,64-34,00 um; largura: 2,64-4 41 um.
Gemoscleras (figs. 3, 5): variam de óxeas a anfiströngilos. Óxeas curtas a lon-
gas; retas a fortemente curvadas; delgadas a robustas; esparsa a densamente espinha-
das; extremidades abruptamente agucadas, algumas gradualmente lanceoladas ou
providas de pequeno ou vários espinhos. Espinhos variáveis em número e tamanho,
delicados a robustos, normalmente dispostos perpendicularmente ao eixo. Também
ocorrem óxeas com forma navicular que possuem dilatações na porção central e um
ou dois pequenos espinhos situados próximos a porção mediana. Esta forma de es-
pícula varia pouco em tamanho. Comprimento: 18,50-68,00 um; largura: 8,15-
13,70 um. Anfiströngilos delgados a robustos; curtos a longos; retos a levemente
curvados; sempre espinhados. Podem ocorrer espinhos pequenos, geralmente em
grande número e distribuídos ao longo de toda a espícula ou com reduzido núme-
ro de espinhos, grandes, agucados e concentrados em maior quantidade nas extre-
midades que podem ser dilatadas em forma de rótulas. Podem ocorrer, ainda, ge-
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
Corvospongilla volkmeri sp. n.... 118
moscleras com forma semelhante a esterästeres ovaladas, uniformemente espinha-
das ou escleras completamente lisas de pontas arredondadas com estrangulamento
na região central. Comprimento: 34,40-67,70 um; largura 12,20-13,69 um.
Gêmulas: esbranquiçadas, grandes e geralmente esféricas; membrana interna
grossa, delimitando uma proeminência foraminal, cônica, curta; camada pneumá-
tica espessa, com espaços aéreos esféricos, de largura que pode ultrapassar o cone
foraminal, gemoscleras embebidas tangencialmente de modo esparso e irregular na
superfície da camada pneumática; camada externa nítida, enrugada e acompanhan-
do a concavidade da camada pneumática na região formanimal, abertura foraminal
arredondada, situada no fundo desta concavidade. As gêmulas da base estão conti-
das em cápsulas individuais ou agrupadas, frequentemente formando camadas con-
tínuas e sobrepostas. Parede das cápsulas integrada por um aglomerado denso e
desordenado de todos os tipos de escleras, deixando livres apenas as regiões fora-
minais. No caso das camadas contínuas, as cápsulas soldam-se umas às outras de
modo a formar uma estrutura semelhante a de um favo. Os lóculos, assim cons-
tituídos, alojam individualmente as gêmulas. Logo acima destes estratos basais,
as gêmulas encontram-se, em grande quantidade, presas à rede esqueletal e inteira-
mente desprovidas de cápsulas. O diâmetro das gêmulas é de 441,60-920,00 um.
Diagnose. C. volkmeri sp.n.; apresenta características que a diferenciam de
C. seckti, única do gênero Corvospongilla até o presente registrada para a América
do Sul.
C. volkmeri sp.n., possui uma rede esqueletal mais espessa, enquanto C. seckti
limita-se a formar uma pequena crosta (fig. 10).
Verifica-se, a nível espicular, que C. volkmeri sp.n., possui uma rede esquele-
tal constituída por um número equivalente de tornotas e anfistrôngilos, enquanto
C. seckti apresenta um maior número de anfistrôngilos que são mais curtos, mais
grossos e com uma maior concentração de espinhos.
A diferença mais marcante de C. volkmeri sp.n. consiste na forma das mi-
croscleras que apresentam rótulas mais achatadas; os ganchos, em maior número
(4-8), estão dispostos de maneira desordenada, podendo ocorrer mais de um gan-
cho originado do mesmo ponto (fig. 15). Em C. seckti as microscleras apresentam
ganchos mais regulares quanto ao tamanho, número e disposição (fig. 16). Em C.
volkmeri sp.n., ocorrem oxeas gemulares em forma de navícula (fig. 5) com ou sem
espinhos; também, não existem percentuais diferentes de gemoscleras do tipo anfió-
xeas e anfistrôngilos, como mencionado para as gêmulas basais (fixas) e as livres de
C. seckti (BONETTO & EZCURRA DE DRAGO, 1966).
Constata-se, através das fotos feitas em microscópio de varredura, que os espi-
nhos das extremidades das megascleras em C. seckti dispöem-se mais próximos e de
modo intercalado (fig. 22) o que não ocorre em C. volkmeri sp.n.; comprova-se, de
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
114 DE-ROSA-BARBOSA, R.
forma mais evidente, que a cobertura dos espinhos das megascleras e gemescleras de
C. volkmeri sp.n. é menos densa do que em C. seckti, além dos espinhos serem me-
nores (figs. 17-21).
Nas Américas, até o momento, são registradas apenas quatro espécies do gê-
nero Corvospongilla: C. becki Poirrier, 1978 e C. novaeterrae (Potts, 1886) para a
região neärtica; C. seckti Bonetto & Ezcurra de Drago, 1966 e C. volkmeri sp.n.,
para a região neotropical.
C. volkmeri sp.n. com gemoscleras anfistrôngilos e anfioxeas distingue-se de
C. becki que apresenta gemoscleras somente do tipo anfistrôngilo; as microscleras
de C. becki são mais delicadas e apresentam predomínio de eixos encurvados em re-
lação à nova espécie. C. novaeterrae possui espiculas esqueletais e gemoscleras de re-
duzidas dimensões em relação às de C. volkmeri sp.n., C. boehmi mostra anfistrôn-
gilos com dilatações nas extremidades, além de apresentar microscleras com ganchos
muito pequenos, o que não ocorre em C. volkmeri sp.n.
Habitat. Os espécimes foram coletados, em grande quantidade, na Lagoa
Redonda situada na região da caatinga. Encontravam-se numa cerca de marmeleiro,
dentro d'água, revestindo praticamente todo o madeiramento e, também, fixas em
pedras existentes na beira e dentro da lagoa (CARVALHO, 1969).
AGRADECIMENTOS
A Dra. Cecília Volkmer Ribeiro, MCN pela obtenção por empréstimo do holótipo e
exemplares de Corvospongilla boehmi junto ao Dr. Klaus Ruetzler, USNM, e do material de
Corvospongilla novaeterrae da coleção de POTTS junto ao Dr. George M. Davis, ANSP; ao Dr.
José Candido de Melo Carvalho, MNRJ, pelo envio dos exemplares da Lagoa Redonda, Paraí-
ba; à Dra. Inês Ezcurra de Drago do Instituto Nacional de Limnologia pela doação de lâminas
do holótipo e do parátipo de Corvospongilla seckti; ao Dr. Arno Antonio Lise, MCN, pela
elaboração das fotografias dos espécimes; ao Eng? Francisco Kees da Faculdade de Enge-
nharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul pela realização das fotomicrografias
em microscópio eletrônico de varredura; à desenhista Rejane Rosa pela arte final dos desenhos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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esponjas argentinas. Physis, Buenos Aires, 26 (71):129-40.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
116
DE-ROSA-BARBOSA, R.
Tabela 1. Medidas (um) dos elementos espiculares dos espécimes de Corvos-
vongilla seckti Bonetto & Ezcurra de Drago, 1966, coligidos no Rio Grande do Sul,
Brasil e na Argentina.
Elemento Espicular
Megascleras
Gemoscleras: Anfistrôngilo
Anfioxea
Microscleras
Rio Grande do Sul
Comp. 68,08-172,00
Larg.
Comp.
Larg.
Comp.
Larg.
Comp.
Larg.
7,77-19,24
35,15-81,40
10,00-15,54
28,86-99,53
7,40-14,80
16,95-38,22
264441
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
Argentina
89,34-165,76
11,84-17,39
33,30-70,30
10,70-14,80
35,15-79,02
8,14-11,84
25,08-43,12
3,23-4,60
117
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
Corvospongilla volkmeri sp. n....
to espicular de Corvospongilla volkmeri sp.n.; 1. megascleras; 2. micros-
Conjun
3. gemoscleras.
Fig. 1-3
.
cleras
118 DE-ROSA-BARBOSA, R.
Fig. 4: Corvospongilla volkmeri sp.n.: variação em tamanho e forma das microscleras.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):109-1 22,31 mar. 1988
119
Corvospongilla volkmeri sp. n. ...
Fig. 5: Corvospongilla volkmeri sp.n.: variação em tamanho e forma das gemoscleras.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
120 DE-ROSA-BARBOSA, R.
Figs. 6-10: Corvospongilla volkmeri sp.n. (Parátipo MCN 85): 6. aspecto geral; 7. frag-
mentação da parte superior da esponja deixando à descoberto a camada de gêmulas basais
encapsuladas; 8. vista inferior do fragmento. 9. C. volkmeri sp.n., (holótipo), vista superior;
10. C. seckti (parátipo), vista superior. (Fotos Arno A. Lise)
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
Corvospongilla volkmeri sp. n.... 121
Figs. 11-16: C. vo/kmeri sp. n. (ao microscópio de varredura): 11. agrupamento de gê-
mulas basais revestidas da cápsula esqueletal; 12. detalhe da foto anterior, evidenciando-se
a gêmula contida dentro da cápsula esqueletal; 13. secção longitudinal da gêmula observan-
se: membrana interna, camada pneumática e membrana externa; 14. detalhe da região fora-
minal; 15. microscleras. 16. C. seckti, microscleras. (Micrografias Francisco Kees)
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):109-122, 31 mar. 1988
122 DE-ROSA-BARBOSA, R.
5
;
:
=
E
:
Figs. 17-22: C. volkmeri sp.n. ‚(ao microscópio de varredura): 17. conjunto de megas-
cleras e gemoscleras; 18. microscleras e detalhe das extremidades das megascleras; 19. con-
junto de gemosclera e microsclera. C. seckti: 20. conjunto de megasclera e gemoscleras; 21. de-
talhe da espinhadura das gemoscleras; 22. detalhe da espinhadura das extremidades das megas-
cleras. (Micrografias Francisco Kees)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):109-1 221 31 mar. 1988
Comentarios sobre A/lonais inaequalis (Stephenson, 1911) y 4eo/osoma
marcusi Van der Land, 1971 (Oligochaeta, Naididae y Aelosomatidae).*
*a
Maria Alejandra Pujals
RESUMEN
Del análisis de Oligoquetos dulceacuicolas provenientes de la localidad de Berisso (Pro-
vincia de Buenos Aires, Argentina), se redescriben dos especies pertenecientes a las familias
Naididae y Aeolosomatidae: A/lonais inaequalis (Stephenson, 1911) — primer registro para
Argentina — y Aeo/osoma marcusi Van del Land, 1971.
ABSTRACT
Two species of freshwater oligochaeta (Naididae and Aeolosomatidae) from Berisso
(Buenos Aires, Argentina) are here redescribed: A//onais inaequalis (Stephenson, 1911) first
record for Argentina and Aeo/osoma marcusi Van der Land, 1971.
INTRODUCCION
En cuerpos de agua cerrados de la localidade de Berisso, Provincia de Buenos
Aires, se realizan relevamientos periódicos tendientes ai conocimiento de aspectos
bioecológicos de problaciones de Oligoquetos limnícolas vinculados a la carpeta de
vegetación flotante. En el presente trabajo se tratan A//onais inaequalis (Stephen-
son, 1911) y Aeolosoma marcusi Van der Land, 1971, no reportadas para la pro-
vincia.
Los especimenes extraidos de la vegetaciön por lavado se observaron in vivo
y fijaron en formol comercial al 10%. El material observado a través del microsco-
pio electrónico de barrido (M.E.B.) se fijó en formol 10% y deshidrató en alcohol
960 y 1000 (dos banos). Los especimenes estan depositados en el Museo de La Pla-
ta, Argentina (MLP).
Allonais inaequalis (Stephenson, 1911)
Los ejemplares de A. inaequalis colectados en la localidad de Berisso, consti-
tuyen el primer registro de esta especie en Argentina. El género A/lonais se hallaba
* Aceptado para su publicación en 23.1V.1987.
** Investigador Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET). Fa-
cultad de Ciencias Naturales y Museo, Paseo del Bosque s/nº, 1900, La Plata, Argentina.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (67):123-126, 31 mar. 1988
124 PUJALS, M.A.
representado hasta el presente en nuestro pais por dos especies: A. /airdi Naidu,
1965 y A. paraguayensis Michaelsen, 1905.
SPERBER (1948-50) recompone al género Nais Müller, 1773 subdividéndolo
en Nais y Allonais Sperber, 1948 e incorpora en este último entre otros, y con
nuevo rango, a Nais pectinata var. inaequalis Stephenson, 1911, como Allonais
inaequalis. Así, las formas de Nais pectinata encontradas por STEPHENSON (1931)
en Paraguay, reconocidas en esta revision como A//onais inaequalis, constituyen la
ünica referencia, hasta el presente, para America del Sur.
Las quetas dorsales se inician a partir del segmento V-VI. Presentan una a dos
quetas capilares y una acicular por haz. Las capilares son lisas con longitudes entre
155 y 203 um.
Las quetas aciculares presentan una curvatura pronunciada en la porción me-
dia, su longitud varia entre 53 y 58 um. El extremo distal (observado con 1000 AU
al microscopio óptico) se bifurca siendo sus ramas de diferente longitud, de cada
una y hacia la escotadura nace un diente adicional pequefio. La altura de los dientes
laterales alcanza hasta 8,5 um. No se observa membrana interdentaria. Observada
con 4.800 y 5.400 aumentos se detecta un número mayor de dientes intermedios
variando de tres a cinco en un mismo ejemplar (figs. 1,2).
Los haces ventrales reunen de cuatro a seis quetas, bifurcadas y con nódulo
casi central con longitudes entre 55 y 62 um. La morfologia de las quetas se man-
tiene prácticamente sin variaciones en la totalidad de los haces, observándose en
aquellos ubicados en segmentos anteriores el nódulo de posición más proximal res-
pecto de los posteriores.
Longitud total: entre 2 y 3mm (material fijado). Número de segmentos: en-
tre 27 y 46.
Discusión. La estructura de la queta acicular ha sido característica funda-
mental en la definición de esta especie, permitiendo diferenciarla de las dos especies
más próximas: A//onais pectinata (Stephenson, 1910) y A. paraguayensis (Michael-
sen, 1905). De ahí la importancia de su observación detallada.
Si bien ia descripción de los especímenes de Berisso es asimilable a la senalada
por SPERBER (op. cit.) en la recomposición del género, en sus características más
relevantes se aproximan a la descripción proporcionada por STEPHENSON (op.
cit.) para Nais pectinata: longitud total de los individuos, número de segmentos,
número de quetas pcr haz y medidas de longitud de las mismas y caracteres de la
queta acicular, pudiendo asegurar la no existencia de membrana interdentaria.
Distribución geográfica. Africa, Asia, Europa y América del Sur con re-
gistros en Paraguay y ahora Argentina, provincia de Buenos Aires.
Material exáminado. ARGENTINA. Buenos Aires: Berisso, 15 especimenes inmadu-
ros, MLP, nº 9501, 10.11.1985.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):123-126, 31 mar. 1988
Comentários sobre Allonais inaequalis ... 125
Aeolosoma marcusi Van der Land, 1971
Individuos cuya longitud varia entre 2 y 3mm y el número de segmentos
suma 18; observändose en todos los casos cadenas de dos zooides.
Las quetas se implantan a partir del segundo segmento y todas son capilares.
Cada haz cuenta con seis a siete quetas de diferentes longitudes con rangos que
abarcan desde 129 a 339 um.
Los tabiques intersegmentarios son evidentes y en especial el segundo zooide,
obsevación coincidente con DI PERSIA (1980a). La dilatación del tubo digestivo
se sitúa entre los segmentos IV y VII.
Discusión. Las características tenidas en cuenta — a excepción de los dise-
pimentos — coinciden con aquellas descriptas para 4. headleyi Beddard, 1888 por
MARCUS (1944) y su variedad pointieri (Dioni, 1960).
MARCUS (1944) menciona la presencia de disepimentos en 4. headleyi como
única diferencia con la descripción original.
VAN DER LAND (1971) atribuye a esa presencia valor suficiente como para
considerar a los ejemplares de Marcus una nueva especie, creando así a Ae/osoma
marcusi.
La presencia de una cavidad celómica tabicada por disepimentos completos es
sin dudas de gran importancia funcional y es por tanto un caracter taxonómico de
envergadura que justifica la creación de una nueva entidad, curiosamente no tenido
en cuenta por Marcus.
Resulta importante destacar que en la recopilación de la familia Aeolosomati-
dae realizada por VAN DER LAND (1971) — 21 especies para el género Aeo/osoma
se precisa la presencia o ausencia de septos solo en el caso de 4. marcusi (des-
cripción original) anotändose su diferencia con A. headleyi.
Distribución geográfica. Brasil, Uruguay y Argentina (provincias de San-
ta Fé, Corrientes Córdoba y Buenos Aires).
Material examinado. ARGENTINA. Buenos Aires: Berisso, 25 ejemplares inmadu-'
ros, MLP, nº 9500, 20.X11.84.
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):123-126, 31 mar. 1988
126 PUJALS, M.A.
10 q
Fig. 1,2: Allonais inaequalis: queta acicular. 1, en microscopio electrónico de barrido;
2, en microscopio óptico.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):123-126, 31 mar. 1988
Ciliados dulceacuicolas de Argentina. IV. Suctorios del rio Lujän.*
María Cristina Claps”'
Beatriz Estela Modenutti*”
RESUMO
Foram constatadas para o rfo Luján (provincia de Buenos Aires, Argentina) sete espécies
pertencentes à ordem Suctorida. Acineta tuberosa Ehrenberg, 1833, Multifasciculatum elegans
Goodrich & Jahn, 1943, Tokophrya quadripartita (Claparêde & Lachmann) Bütschli, 1889 e
Discophrya elongata (Claparêde & Lachmann) Collin, 1911 são citações novas para a Argentina,
sendo redescritas e ilustradas. É analisada sua presença em amostras do plâncton e perifiton.
Também é apresentado um breve comentário referente a níveis sapróbicos das espécies.
ABSTRACT
The research carried out in the Lujän River (Province of Buenos Aires, Argentina) has
shown the presence of seven species of suctorians. Acineta tuberosa Ehrenberg, 1833, Multi-
fasciculatum elegans Goodrich & Jahn, 1943, Tokophrya quadripartita (Claparêde & Lachmann)
Bütschli, 1889 and Discophrya elongata (Claparêde & Lachmann) Collin, 1911 are new records
for Argentina. Redescriptions and illustrations are included. Their presence in periphyton and
plankton communities is analyzed. A brief comment of the saprobic levels of these species is
also included.
INTRODUCCION
Al realizarse un estudio sobre el zooplancton y zooperifiton de ambientes ló-
ticos pampäsicos ha Ilamado nuestra atención la variedad de suctorios presentes en
el rio Luján, así como también su persistencia en el tiempo.
Como se ha sefialado en una anterior contribución (MODENUTTI & CLAPS,
1984) el estudio del orden Suctorida en la Argentina ha recibido un tratamiento
muy escaso.
En este trabajo se redescriben e ilustran a Acineta tuberosa Ehrenberg, 1833,
Multifasciculatum elegans Goodrich & Jahn, 1943, Tokophrya quadripartita (Cla
parede & Lachmann) Bütschli, 1889 y Discophrya elongata (Claparêde & Lach-
mann) Collin, 1911, citas nuevas para la fauna de ciliados de la Argentina. Asi:
* Aceptado para su publicación en 25.V 1|l.1987. Subvencionado por la Comisión de Investi-
gaciones Científicas de la Provincia de Buenos Aires (Res. 7500-86).
Miembro de la Carrera del Investigador del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas
y Técnicas. Instituto de Limnologia “Dr. Raúl A. Ringuelet”, Paseo del Bosque s/nº, 1900,
La Plata, Argentina.
ax
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):127-136, 31 mar. 1988
128 CLAPS, M.C. & B.E. Modenutti
zz ze zz E
mismo, se analiza la presencia de estos organismos en ambas subcomunidades estu-
diadas.
AREA DE ESTUDIO
El rio Luján se encuentra al NE de la provincia de Buenos Aires y es afluente
del Estuario del Plata. Su curso se extinde en dirección SW al NE, atravesando zo-
nas urbanas, suburbanas y rurales. Su cuenca queda comprendida en la Pampa
Baja de acuerdo al criterio de FRENGUELLI (1950). Su pendiente media es de
0,44m/km (EASNE, 1973).
Se delimitaron dos estaciones de muestreo: la estación 1 ubicada sobre la ruta
nacional NO 6 (59002'S y 34031'W) y la estación 2 sobre la ruta nacional NO 9
(58052'S y 34018'W). En la estación 1 el rio tiene un ancho aproximado de 15m
y presenta orillas formadas por barrancas bajas (2m). La estación 2 se encuentra en
una zona de inundación cercana al nivel de base del río, por lo tanto, sus márgenes
son bajas y sin barrancas; aquí el rio posee un ancho de 10m.
MATERIAL Y METODOS
Se realizaron cuatro muestreos estacionales: setiembre/85, diciembre/85, abril/86 y
julio/86.
Para el estudio de los suctorios vinculados a hidrófitas se procedió a la extracción de tro-
zos de las mismas en cada estación de muestreo. Las plantas sustrato fueron: Potamogeton
striatus Ruiz & Pavón, Althernanthera philoxeroides (Martius) Grisebach, Polygonum sp y
Schoenoplectus californicus (Meyer) Soják. Parte de este material fue fijado con formol al
5% y el resto se conservó en agua para su examinación posterior en vivo. En el laboratorio, las
muestras fijadas fueron objeto de raspado, concentrado por centrifugación y obtención del
peso seco de la macrófita. El producto del raspado y centrifugado se redujo a volumen cons-
tante y fue contabilizado en una cámara tipo Sedgwick-Rafter de 0,3ml bajo microscopio bi-
nocular.
Asimismo, en cada estación de muestreo se extrajeron muestras de plancton. Se filtraron
1001 con una red de 30 um de abertura de malla. Posteriormente las muestras fueron formoli-
zadas al 4%. En el laboratorio se redujeron a volumen constante y se realizó el recuento con una
cámara tipo Sedgwick-Rafter de 1 ml bajo microscopio binocular,
También se registraron para cada estación de muestreo los siguientes parámetros: tempe-
ratura del agua, transparencia mediante el disco de Secchi, pH y conductividad.
Las muestras vivas fueron mantenidas en el laboratorio en acuarios durante quince días.
Para su observaciön se utilizó la metodologia empleada por LOPEZ-OCHOTERENA (1963) y
VUCETICH & ESCALANTE (1979).
Para la clasificación de los suctorios se sigue el esquema adoptado por el Comite sobre
Sistemática y Evoluciön de la Sociedad de Protozoólogos (LEVINE et alii, 1980).
Todas las medidas se expresan en micras por lo que se omite el símbolo, entre paréntesis
se colocan los mínimos y máximos registrados.
a
RESULTADOS
Con respecto a las características fisicoquimicas existieron leves diferencias
entre las dos estaciones de muestreo establecidas. La estación 1 presentó un pH
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (67):127-136, 31 mar. 1988
Ciliados dulceaquicolas de Argentina. IV.... 129
entre 7,5 y 7,9; una conductividad de 980 a 2300 umho/cm a 200C; una tempe-
ratura entre 14 y 250C y un Secchi entre 30 y 50cm. En la estación 2 el pH casi no
experimentó variaciones (7,5-7,6), la conductividad también presentó valores más
homogéneos que en la estación 1 (1500-1900 umho/cm), la temperatura osciló
entre 15 y 26,70C y el Secchi fue más bajo que en la estación 1 (entre 25 y 30cm).
Se hallaron siete especies correspondientes a cinco familias del orden Sucto-
rida (Tabla 1).
Acineta tuberosa, Multifasciculatum elegans, Tokophrya quadripartita y Dis-
cophrya elongata son citas nuevas para la microfauna argentina, las que a continua-
ción se describen:
Acineta tuberosa Ehrenberg, 1833
(Fig. 1)
Suctorio loricado con forma de pirámide invertida, achatado lateralmente.
Se han hallado también algunos ejemplares de contorno campaniforme. Tentáculos
capitados dispuestos en dos fascículos. Citoplasma con un macronúcleo esférico en
posición casi central y una vacuola pulsátil en el tercio superior del cuerpo.
Pedúnculo recto y estriado longitudinalmente.
Dimensiones. Zooide: longitud promedio 101 (94-107); ancho promedio 32
(24-47). Tentáculos: longitud promedio 69 (23-142). Pedúnculo: longitud promedio
90 (85-108); ancho promedio 9 (4-10).
Multifasciculatum elegans Goodrich & Jahn, 1943
(Fig. 2)
Suctorio de gran tamano. Zooides elongados y forma ovoide. Película corpo-
ral delgada. Tentáculos capitados y dispuestos en cuatro fascículos: uno apical, dos
mediano-laterales y uno basal. Citoplasma con numerosas vacuolas digestivas. Ma-
cronúcleo ovoide ubicado en el centro del cuerpo. Presenta tres vacuolas pulsátiles.
Pedúnculo largo, generalmente curvado y con estriación longitudinal.
Dimensiones. Zooide: longitud promedio 169 (103-204); ancho promedio
76 (45-103). Tentáculos: longitud promedio 45 (23-61). Pedúnculo: longitud pro-
medio 214 (65-388); ancho promedio 15 (10-23).
Tokophrya quadripartita (Claparêde & Lachmann) Bütschli, 1899
(Fig. 3)
Cuerpo en forma de pirämide invertida. Película corporal gruesa. Con cuatro
fascículos de tentáculos capitados dispuestos en cuatro tubérculos de la región
apical del zooide. Citoplasma con un macronúcleo ovoide central y dos vacuolas
pulsátiles ubicadas a ambos lados del tercio superior.
Pedúnculo de longitud variable, estriado longitudinalmente.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):127-136, 31 mar. 1988
130 CLAPS, M.C. & B.E. Modenutti
Dimensiones. Zooide: longitud promedio 48 (34-69); ancho promedio 39 (34-
46). Tentäculos: longitud promedio 55 (53-60). Pedúnculo: longitud promedio 157
101-197) ; ancho promedio 6 (5-7).
Discophrya elongata (Claparêde & Lachmann) Collin, 1911
(Fig. 4)
Zooides de gran tamafio, elongados y achatados dorso-ventralmente. Película
corporal gruesa. Tentáculos capitados distribuidos en tres fascículos: uno apical y .
Jos mediano-laterales. Citoplasma con un macronúcleo en forma de banda en senti-
Jo longitudinal al eje del cuerpo. Numerosas vacuolas pulsátiles, siendo más noto-
“jas dos en el tercio superior del cuerpo.
Pedúnculo corto, ancho, estriado longitudinalmente y con disco basal.
Dimensiones. Zooide: longitud promedio 124 (120-126); ancho promedio 50
(48-51). Tentáculos: longitud promedio 34 (24-37). Pedúnculo: longitud promedio
32 (30-33); ancho promedio 14 (12-15).
DISCUSION
El hallazgo de suctorios vinculados a macrófitas acuáticas fue constante en
todas las ocasiones de muestreo y en las dos estaciones estudiadas. La especie más
frecuente fue Tokophrya quadripartita presente en todos los muestreos. La apari-
ción más esporádica corresponde a una especie del género Trichophrya que se re-
gistró sólo en verano en la estación 2, a Podophrya fixa hallada en la misma esta-
cion en otofio y a Dscophrya elongata hallada en invierno en la estación 2; estos
suctorios presentaron un número muy bajo de individuos (Tabla 2).
Acineta tuberosa resultó ser la especie con mayor número de individuos
(Tabla 2) aunque sólo se la registró en los muestreos de verano y otono. Esta es-
pecie se fija a gran variedad de sustratos (CURDS, 1985a). Su mayor abundancia
coincide con las temperaturas máximas registradas y condiciones de aguas bajas
del rio. Se la halló vinculada a A/thernanthera philoxeroides en la estación 2,
donde el curso es más divagante posibilitando la existencia de pequenos reman-
sos donde proliferan las hidrófitas.
Multifasciculatum elegans fue hallada sobre 4. philoxeroides y Polygonum sp
y Discophrya elongata sobre 4. philoxeroides en la estación 2. Estos dos suctorios
han sido encontrados sobre diversos organismos (KEISER, 1921; GOODRICH &
JAHN, 1943; LOPEZ-OCHOTERENA, 1965; LOPEZ-OCHOTERENA & OCHOA
GASCA, 1971). En el rfo Lujän el mayor número de individuos de estas dos es-
pecies se registró en invierno.
Con respecto a la presencia de suctorios sobre las distintas hidrófitas sustrato
se debe destacar que A. philoxeroides resultó ser la que registra el mayor número
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):127-136, 31 mar. 1988
Ciliados dulceaquicolas de Argentina. IV.... 131
de especies. Por el contrario, Schoenoplectus californicus es la menos colonizada
por estos organismos, halländose sólo a T. quadripartita (Tabla 1). El escaso peri-
fiton que presenta esta hidrófita ha sido sefialado por ROSS (1983) como caracte-
rístico para las especies del género.
La presencia de suctorios en las muestras de plancton no fue constante re-
gisträndose un número bajo de individuos (1000-5000 indiv./m*). En la estaciön
1 se los hallö en todas las oportunidades, excepto en setiembre, siendo T. quadri-
partita la especie más abundante (4000 indiv./m?) apareciendo siempre adherida
a Carchesium sp (Peritricha, Vorticellidae). En la estación 2 el número de suctorios
fue bajo, registrändose a Multifasciculatum elegans.
Otra especie hallada en el plancton es Tokophrya fasciculata (López-Ocho-
terena), citado anteriormente en otros ambientes lóticos pampásicos (MODE-
NUTTI & CLAPS, 1984; MODENUTTI, en prensa).
Con respecto a la especie más frecuente, 7. quadripartita, ha sido citada como
epizoica de una gran variedad de organismos incluuendo peritricos, moluscos, crus-
táceos y tortugas (COLLIN, 1912; GOODRICH & JAHN, 1943; LOPEZ-OCHO-
TERENA, 1962; LOPEZ-OCHOTERENA & OCHOA GASCA, 1971; EVANS et
alii, 1979; 1981; CURDS, 1985b). La literatura examinada sugiere que prefiere
aguas someras, cálidas y eutróficas. Sin embargo, EVANS et alii (1979) le hallaron
sobre Limnocalanus macrurus (Copepoda, Calanoida) en el lago Michigan, demons-
trando que tolera aguas frias y poco productivas. Al registrar este suctorio como in-
tegrante del plancton en el rio Luján se amplían aún más sus rangos de tolerancia
ambiental.
La presencia de estos suctorios en el plancton debe relacionarse con dos cir-
cunstanciais; por un lado, pueden provenir de la vegetación riberefia como es común
en otros integrantes del potamoplancton (MARGALEF, 1983). Por otra parte, la
presencia de partículas en suspensión posibilita su fijaciön como es común en
ciliados peritricos (BICK, 1972b; CURDS, 1985a).
Con respecto al nivel sapróbico de las especies encontradas existen en la
literatura datos sobre algunas de ellas. T. quadripartita es considerada como ß
mesosapróbica (CURDS, 1969) y « mesosapróbica (SLADECEK, 1973). De acuer-
do a la revision de CURDS (1985a) Acineta foetida Maupas es sinónimo de A. tu-
berosa, por lo tanto le corresponde el nivel « mesosapröbico según SLADECEK
(1973). El mismo nivel sapróbico le corresponde a Discophrya elongata conforme
a SLADECEK (1973) y a Podophrya fixa (Müller) (LIEBMAN, 1962 in BICK,
1972a).
AGRADECIMIENTOS
A la Cátedra de Hidrogeologia de la Facultad de Ciencias Naturales de la Universidad
Nacional de La Plata por el aseroramiento brindado sobre aspectos geológicos del rio Lujän.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):127-136, 31 mar. 1988
132 CLAPS, M.C. & B.E. Modenutti
ESSE EEE
A la Prof. Nuncia M. Tur del Instituto de Limnologia “Dr. Raúl A. Ringuelet‘’ de la Facultad
de Ciencias Naturales de la Universidad Nacional de La Plata por la determinación de las hidró-
fitas.
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ceacuícolas de Argentina. |. (Ciliophora-Suctoria). Neotropica, La Plata, 30(83):121-4.
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):127-136, 31 mar. 1988
134 CLAPS, M.C. & B.E. Modenutti
Tabla 1. Presencia de suctorios en el plancton y perifiton del rio Lujän, Ar-
gentina. Hidrófitas sustrato: 1, A/thernanthera philoxeroides; 2, Polygonum sp.;
3, Potamogeton striatus; 4, Schoenoplectus californicus.
Plancton Perifiton
A
EXOGENINA
PODOPHRYIDA E
Podophrya fixa (Müller) RX
ENDOGENINA
ACINETIDAE -
Acineta tuberosa Ehrenberg KURS
Multifasciculatum elegans Goodrich & Jahn x RaxX
DENDROSOMATIDAE
Tokophrya fasciculata (López Ochoterena) x Ros a X
T. quadripartita (Claparêde & Lachmann) x x Kim X
TRICHOPHRYIDAE
Trichophrya sp x
EVAGINOGENINA
DISCOPHRYIDAE
Discophrya elongata (Claparêde & Lachmann) x x
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):127-136, 31 mar. 1988
Ciliados dulceaquicolas de Argentina. IV. ... 135
Tabla 2. Densidad de suctorios (nº de indiv./gr. peso seco hidrófita sustrato)
en el perifiton del rio Luján, Argentina. Suctorios: 1, Podophrya fixa; 2, Acineta
tuberosa; 3, Multifasciculatum elegans; 4, Tokophrya fasciculata; 5, T. quadripar-
tita; 6, Trichophrya sp; 7, Discophrya elongata (E, estação 1; E,, estação 2).
Setimbre/85
E, Potamogeton striatus 97
E, Schoenoplectus californicus 67
Diciembre/85
E, Althernanthera philoxeroides 62 62
E, 4. philoxeroides 4571 228 228
Abril/86
E, P. striatus 436 364 945
E, 4. philoxeroides 64 128 64
E, Polygonum sp 52 361 103 206
Julio/86
E, Polygonum sp 34
E, Polygonum sp 236 26
E, 4. philoxeroides 1439 78 38
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (67):127-136, 31 mar. 1988
136 CLAPS, M.C. & B.E. Modenutti
Figs. 14: Acineta tuberosa Ehrenberg; 2. Multifasciculatum elegans Goodrich & Jahn;
3. Tokophrya quadripartita (Claparêde & Lachmann); 4. Discophrya elongata (Claparêde &
Lachmann).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (67):127-136, 31 mar. 1988
IHERINGIA é o periódico de divulgação de trabalhos científicos inéditos do Museu de
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ções congêneres em regime de permuta. Mediante entendimento prévio pode também ser en-
viado a cientistas e demais interessados.
IHERINGIA is the official scientific periodical of the “Museu de Ciências Naturais”. Its
aim is the publishing of reports elaborated by the scientific staff of the three joining Instituts of
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nico e Parque Zoológico da FZB. A juízo, podem ser aceitos artigos de pesquisadores de
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ano do trabalho, título do trabalho, nome do periódico (sublinhado com um traço
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10.
11.
12.
13.
14.
15.
me (em algarismos arábicos e sublinhado), número ou fascículo (entreparênteses) se-
guido de dois pontos, página inicial e final.
Ex.: FRENGUELLI, J. 1925. Diatomeas de los arroyos del Durazno y en las Brusquitas
en los arredores de Miramar. Physis. Buenos Aires, 8(29):19-79. set. 2est.
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Universidade Estadual de Campinas
Herpetologia — Anura
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Ornitologia
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Carcinologia
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Mastozoologia
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Mastozoologia
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Aracnologia
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Centro de Ecologia Aplicada del Litoral
Argentina
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Museu Nacional do Rio de Janeiro
Malacologia
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Universidade de Säo Paulo
Acarologia
DR. EMILIO MAURY
Mus. Arg. C. N. Bernardino Rivadavia.
Scorpionida
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Universidade de São Paulo
Cnidaria
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Centro de Zoologia Aplicada — Argentina
Ecologia — Aves
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Malacologia
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Museu Paraense Emilio Goeldi
Ornitologia
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Annelida
DR. GUSTAVO A.S. DE MELO
Museu de Zoologia da USP
Carcinologia
DR. HERALDO A. BRITSKI
Museu de Zoologia da USP
Ictiologia
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Museu Nacional do Rio de Janeiro
Entomologia
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Helmintologia
DR. JOSÉ HENRIQUE GUIMARÃES
Museu de Zoologia da USP
Entomologia
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Museu de Zoologia da USP
Ictiologia
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Malacologia
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Portugal
Herpetologia
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Limnologia
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Ictiologia
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Herpetologia
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Helmintologia
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Anura — Chiroptera — Teratologia Animal
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Museu de Zoologia da USP
Ictiologia
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Museu Argentino de Ciencias Naturales
Aracnologia
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Entomologia
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Malacologia
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Carcinologia
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Herpetologia
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Entomologia
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Hiheringia
serie Zoologia
BL ISSN 0073-4721
+ LOURENÇO, W.R. & Vera Regina D. von Eickstedt. Considerações sobre a
sistemática de Tityus costatus (Karsch, 1879), provável espécie polimórfica
de escorpião da floresta atlântica do Brasil (Scorpiones, Buthidae)......... Da 343
PY-DANIEL, L.H.R. Hypostomus hoplonites sp. n. da bacia amazônica. Brasil,
(Pisces, Siluroidoi, Loricariidae)....cccccccossosescccococrcorecovscous Dor ia
THOMÉ, J.W. Redescrição dos tipos de Veronieillidae (Mollusca, Gastropoda)
Neotropicais: Espécies na “Academy of Natural Science”, Philadel-
Phases eDpona ca ccosu pos eres o soncrocs coro céco as BE.» é cilaço dare Ai Deo
ITUARTE, C.F. Características de la incubación branquial en Eupera platensis
Duello-Jurado, 1921 y Byssanodonta paranensis as 1846 (Pelecypoda,
N LE à 6. er
MARTORELLI, S.R. El ciclo biológico de Levinseniella cruzi Travassos, 1920
(Digena, Microphallidae) parasito de los ciegos de Rollandia rolland chilensis
(Aves, Podicipedidae) e Himantopus melanurus (Aves, Recurvirostridae)...... p. 49
SAMPÓNS, M.R. Zoobentos del rio Arrecifes (Buenos Aires, Argentina) y
RR OR BALA TIOS soccer esco css ocoscscencosscocé so ovo vo se abas Pe OS
VOLKMER-RIBEIRO, C., Rosária De-Rosa-Barbosa & Maria da Conceição M.
Tavares. Anheteromeyenia sheilae sp.n. e outras esponjas dulciaquícolas da
região costeira do Rio Grande do Sul (Porifera, Spongillidae)......... ER DO o! DE
MANSUR, M.C.D. & Liana Mercedes Maria Pares Garces. (Ocorrência e densi-
dade de Corbicula fluminea (Mueller, 1774) e Neocorbicula limosa (Maton,
1811) na Estação Ecológica do Taim e áreas adjacentes, Rio Grande do
Sul, Brasil (Mollusca, Bivalvia, Corbiculidae)....... das TRENS e nro é NA RN p. 99
ABRAHAMOVICH, A.H, & Armando C, Cicchino. Estudios bivecologicos, siste
maticos y filogeneticos de los malofagos parasitos de Guira guira Gmelin
(Aves, Cuculidae): III. Diferenciaciön de los estadios ninfales de Vernonie-
la bergi (Kellogg, 1906) (Phthiraptera, Philopteridae)..... Gis nad e To a aee Be Ra CR?
SPINELLI, G.R. Two new species of neotropical Alluaudomya Kieffer, 1913
(Insecta, Diptera, Ceratopogonidae).....cccocscccsccccssccerorscoronsoso Po 129
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Considerações sobre a sistemática de Tityus costatus (Karsch,
1879), provável espécie polimórfica de escorpião da floresta
atlântica do Brasil (Scorpiones, Buthidae).
Wilson R. Lourenço **
Vera Regina D. von Eickstedt ***
ABSTRACT
The comparative study of Tityus scorpions collected in the brazilian atlantic forest
from Minas Gerais and Espirito Santo to Rio Grande do Sul suggests that Tityus
costatus Karsch, 1879, described from Rio de Janeiro, is polymorphic in the body
color pattern, presenting a well define striped form and a stained one. This polymorphism
seems to be closely related to the altitude of the collecting stations, the temperature
probably being an important factor involved. Tityus dorsomaculatus Lutz & Mello, 1922
and T. novateutoniae Roewer, 1943 are synonyms of T. costatus and correspond to
the striped form of this species.
INTRODUÇÃO
São poucas as referências na literatura sobre ocorrência de polimorfismo
em escorpiões. STAHNKE (1971), estudando populações de Centruroides
sculpturatus, Ewing, 1928 dos Estados Unidos, constatou a existência de
variabilidade intraespecífica do padrão de colorido do tronco, tanto em indi-
víduos adultos de uma população como em ninhadas de fêmeas fecundadas
na natureza e mantidas em laboratório e concluiu que C. gertschi Stanke,
1949 corresponde a uma forma de sculputuratus. Williams (1980) mencionou
a existência de um dimorfismo de coloração e da envergadura de C. exilicauda
(Wood, 1863) coletados em populações distantes na região da Baixa Califor-
nia. LOURENCO (1982b) observou que Ananteris ashmolei Lourenço, 1981
apresenta um gradiente de variabilidade do comprimento total dos indivíduos
e da pigmentação, com formas intermediárias entre os dois extremos da
área de distribuição geográfica, que vai do Equador (localidade- tipo) à Costa
*
Aceito para publicação em 28.111.1988.
** Laboratoire de Zoologie (Arthropodes), Muséum National d'Histoire Naturelle, 75005, Paris,
França.
*** Seção de Artrópodos Peçonhentos, Instituto Butantan, CEP 05504, São Paulo, Brasil.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):3-11,20 dez. 1988
4 LOURENÇO, W. R. & Vera Regina D. von Eckstedt
Rica. Fato semelhante foi verificado também em certos caracteres morfomé-
tricos daquela e dos anéis da cauda, analizados em amostras de populações
de Tityus gasci Lourenço, 1981 procedentes desde a Guiana Francesa até
a Amazônia peruana.
A correta interpretação do status taxonömico das formas encontradas
nos exemplos citados depende da associação de parâmetros biogeográficos
e ecológicos assim como de resultados a serem obtidos na criação daquelas
espécies em cativeiro. Fica evidenciada, porém, a importância do estudo
da variabilidade dos caracteres taxonômicos tradicionalmente considerados
de valor diagnóstico, tanto durante o desenvolvimento ontogenético como
em indivíduos adultos provenientes de populações adequadamente amostradas.
A disponibilidade reduzida de espécimes aliada à falta de estudos compara-
tivos têm implicado numa multiplicação de espécies ou subespécies novas,
dependendo, em geral, apenas do grau de diferença entre as formas estudadas,
estimado a critério de cada especialista. >
Os argumentos expostos justificam a situação em que se encontra a
sistemática de Tityus costatus (Karsch, 1879) procedente do Rio de Janeiro
e que vive associada às formações vegetais da floresta Atlântica do Brasil.
Embora nominalmente bem conhecida, essa espécie encontra-se até o presente
mal caracterizada. A maioria dos autores que a mencionaram parece não
ter examinado espécimes, restringindo-se, em geral, aos dados fornecidos
por KARSCH (1879) na descrição original. O estudo realizado por LOU-
RENÇO (1980) com material de diversas localidades dos Estados do Rio
de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, complementado agora
pelo exame de novos exemplares coligidos em São Paulo, Paraná e Rio
Grande do Sul, demonstrou que não é fácil distinguir T. costatus de T.
dorsomaculatus Lutz & Mello, 1922. As duas espécies são simpátricas e
as principais diferenças conhecidas estão relacionadas à distribuição da pig-
mentação sobre o corpo: costatus com tronco irregularmente manchado e
dorsomacultus apresentando tronco ornamentado por faixas claras e escuras
intercaladas. A análise comparativa do material atualmente disponível, relati-
va ao padrão de colorido e certos caracteres merísticos tradicionalmente
usados no reconhecimento específico dos escorpiões, sugere que costatus
e dorsomaculatus são formas de uma espécie polimórfica que se apresenta
segundo dois modelos básicos (maculado e trifasciado), intercalados por
formas intermediárias. Este fato é que teria propiciado as divergências entre
os autores que mencionaram as duas espécies, conforme exposto a seguir.
KARSCH (1879) descreveu /sometrus costatus a partir de quatro exem-
plares (provavelmente fêmeas, segundo o autor), coletados no Rio de Janeiro
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):3-11,20 dez. 1988
Considerações sobre a sistemática de Tityus... 5
IE Sie Mte Zoo DO to ET ZT LE 0 0
e preservados a seco. Entre os caracteres morfológicos, KARSCH citou
16 dentes pectíneos para o exemplar que serviu de base à descrição e,
como único comentário, associou a nova espécie a /sometrus americanus
(Linné, 1758).
Na monografia de KRAEPELIN (1899), costatus é incluída no gênero-
Tityus, a T. trivittatus Kraepelin, 1898). Como não há menção do material
examinado, é provável que tenha se baseado nos espécimes-tipo depositados
no Museu de Berlim para a redescrição onde menciona 20-22 dentes pec-
tíneos.
LUTZ & MELLO (1922) descreveram T. dorsomaculatus com base em
um exemplar de Minas Gerais. MELLO-CAMPOS (1924) considerou as duas
espécies válidas, incluindo-as na chave de identificação das espécies brasilei-
ras de Tityus e, na ocasião, citou dois machos e duas fêmeas de costatus
coletados em Mont Serrat, Itatiaia (RJ), observando que eram muito macula-
dos e apresentavam 16 dentes nos pentes e não 22 como KRAEPELIN
(1899) havia indicado.
MELLO-LEITÃO assumiu posições diferentes em trabalhos sucessivos:
em 1931, considerou costatus como espécie válida e dorsomaculatus como
subespécie de T. intemedius, juntamente com T. intermedius iophorus, uma
subespécie nova descrita de Rodeio (RJ), incluindo-as num mesmo grupo
(bolivianus), mas ressalvando que, tendo em vista as opiniões divergentes
de KRAEPELIN (1899) e MELLO-CAMPOS (1924), ficava difícil estabele-
cer a correta posição de costatus nos grupos então propostos; em 1939,
relacionou dorsomaculatus no grupo e como subespécie de T. trivittatus
e costatus no grupo g junto com T. bahiensis e algumas espécies amazônicas,
referindo-se, com ponto de exclamação (p. 72, nota de rodapé) à citação
feita por PESSÖA (1935) de dois exemplares do Rio Doce (ES) identificados
como costatus, embora tivessem 22 dentes pectíneos e não 16; em 1945,
costatus e dorsomaculatus permaneceram em grupos à parte e na sinonímia
de T. trivittatus dorsomaculatus foram mencionadas T. bresslaui Werner,
1927 e T. intermedius iophorus Mello-leitão, 1931, embora anteriormente
MELLO-LEITÃO tivesse julgado que as formas da Serra do Mar (iophorus)
fosse distintas das de Minas Gerais (dorsomaculatus). Após a monografia
de MELLO-LEITÃO (1945), foram feitas apenas citações esporádicas sobre
T.costatus (Bücherl, 1959) e T. dorsomaculatus (Loureiro, 1971). LOU-
RENÇO (1980) estudou o complexo trivittatus mantendo dorsomaculatus
como subespécie de trivittatus. LOURENÇO (19824) elevou as quatro subes-
pécies desse complexo a nível específico, passando T. dorsomaculatus a
ser considerada espécie válida; porém, o péssimo estado de conservação
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):3-11,20 dez. 1988
6 LOURENÇO, W. R. & Vera Regina D. von Eickstedt
dos quatro exemplares-tipo de costatus e a falta de material comparativo,
não permitiram estabelecer, naquela ocasião, a afinidade existente entre cos-
tatus e dorsomaculatus, ora sinonimizadas.
Análise da variabilidade de caracteres
Número de dentes dos pentes. MELLO-LEITÃO (1945) indicou 19-20
dentes pectíneos para T. dorsomaculatus. Os dados obtidos por LOUREIRO
(1971) associados aos de LOURENÇO (1980) mostraram a existência de
uma variabilidade de 16 a 20 dentes nos pentes. Na descrição original de
T. costatus, KARSCH (1879) mencionou 16 dentes pectíneos. O exame dos
quatro exemplares-tipo revelou que eles possuem 17-?, 19-18, ?-18 e 19-?.
Não se pode afirmar que houve engano do autor ao citar 16 dentes porque
existe a possibildade desse valor corresponder a um dos pentes em mau
estado e também pelo fato de MELLO-CAMPOS (1924). ter encontrado
16 dentes nos exemplres coletados em Itatiaia. No material ora disponível
das formas trifasciada e maculada, proveniente do Espírito Santo ao Rio
Grande do Sul, os valores encontrados para o número de dentes dos pentes
sobrepöem-se e incluem os mencionados por KARSCH (16 dentes) e KRAE-
PELIN 20-22) para T. costatus, indicando ocorrência de ampla variação
intraespecífica desse caráter. Em T. fasciolatus Pessöa, 1935, outra espécie
do grupo trivittatus, LOURENÇO (1980) verificou fato semelhante: o exame
de 2 000 exemplares de fasciolatus permitiu constatar a existência de uma
variabilidade de 17 a 25 dentes pectíneos.
Número de séries de grânulos no dedo móvel do pedipalpo. Este caráter
é menos significativo que o precedente no reconhecimento das espécies de
Tityus, entretanto seu estudo é necessário tendo em vista a possibilidade
de ocorrência de teratologias que causam redução do número destas séries
(LOURENÇO, 1984), conforme demonstrado para T. fasciolatus. LOU-
RENÇO (1980) constatou variabilidade de 15-17 séries de Grânulos no dedo
móvel no pedipalpo de T. dorsomaculatus e que os tipos de costatus possuem
16-18 séries de grânulos. A análise da significativa amostragem atualmente
disponível das duas formas indicou variabilidade de 15-18, sugerindo que
os valores citados por MELLO-LEITÃO (1945) para T. costatus e por
LOUREIRO (1971) para T. dorsomaculatus (13 e 12-14, respectivamente)
devem ser de baixa incidência e devidos, provavelmente, a fenômenos terato-
lógicos.
Modelos de distribuição dos pigmentos. A utilização do padrão de colorido
do corpo sempre foi uma solução atraente para elucidar problemas relacio-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):3-11,20 dez. 1988
Considerações sobre a sistemática de Tityus... 7
nados à sistemática dos escorpiões. Até recentemente, porém, nenhum estudo
era disponível sobre a validade desse caráter. LOURENÇO (1980, 1983)
demonstrou que em T. fasciolatus € T. stigmurus (Thorell, 1877) o padrão
de máculas no corpo é característico e permanece constante desde o nasci-
mento até a fase adulta. Entrentanto, estudos relacionados a outros gêneros
de Buthidae, como Centruriodes (STAHNKE, 1971; WILLIAMS, 1980) e
Ananteris (LOURENCO, 1982b) evidenciaram a existência de variação
intraespecífica desse caráter, ficando constatado que em um mesmo gênero
certas espécies apresentam pigmentação invariável, enquanto em outras, mes-
mo afins, esse caráter é polimórfico.
No material examinado de T. constatus, proveniente de Minas Gerais
e Espírito Santo ao Rio Grande do Sul, verificou-se que a distribuição
da pigmentação do corpo varia (figs. 1-4) desde um padrão claro com três
faixas longitudinais escuras no tronco (trifasciado) até um padrão bem mais
escuro, em que as bandas do tronco são confluentes e mal discernidas (macu-
lado). Embora padrões intermediários tenham sido observados, pareceu-nos
conveniente estabelecer, no momento, apenas os dos modelos mencionados
e associá-los às localidades de captura dos exemplares em que eles se apre-
sentam bem definidos (fig. 5):
— Forma maculada. Serra do Mar, SP; Itatiaia (MELLO-CAMPOS,
1924), Serra dos Orgãos e Teresópolis, RJ; Esmeralda, Tenente Portela
e Vacaria, RS.
—— Forma trifasciada. Viçosa, MG; Colatina, ES; Maricá, Rio de Janeiro,
Mendes e Rodeio, RJ; Cananéia e Cruzeiro, SP; Castro, PR, Nova Teutonia,
SC; Lagoa Vermelha, RS.
Embora o número de localidades amostradas seja insuficiente para uma
interpretação precisa dos fatores relacionados à variabilidade observada na
pigmentação, algumas considerações podem ser feitas. O padrão de distribui-
ção das formas maculada e trifasciada é aparentemente do tipo mosaico
e não existe correlação entre a variabilidade da pigmentação e a latitude,
as duas formas podendo ser encontradas tanto no Rio Grande do Sul como
no Rio de Janeiro. Por outro lado, observou-se que exemplares coletados
ao nível do mar e em regiões de altitude média são mais claros (forma
trifasciada) que os provenientes de regiões serranas, que se apresentam
conforme o padrão mais escuro (forma maculada), sugerindo que a altitude
ou, mais provavelmente, os gradientes de temperatura das estações de coleta,
sejam fatores determinantes da variabilidade intraespecífica da pigmentação,
à semelhança do que foi mencionado por VANZOLINI (1970) para o lagarto
Amphisbaena alba.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):3-11,20 dez. 1988
8 LOURENÇO, W. R. & Vera Regina D. von Eickstedt
A comprovação dessas conclusões depende da disponibilidade de um nú-
mero maior de amostras e de dados precisos sobre parâmetros ambientais
das localidades de captura. Outro aspecto a ser verificado seria a hibridização
em laboratório entre as formas maculada e trifasciada o que, em princípio,
não deve constituir problema pois as técnicas de criação e manutenção de
escorpiões em cativeiro estão bem desenvolvidas.
MATERIAL EXAMINADO
Tipos. Tytyus costatus Karsch; Rio de Janeiro, 4 q (ZMB). Tityus intermedius iophorus
Mello-Leitäo; Rodeio, RJ,1 6 (MNRJ-11280).Tityus novateutoniae Roewer; Nova Teutonia,
SC, 1 9, Plaunnamnn leg. (FSF-6263, SC nº 42). Seg. Roewer (1943), 1 d (in error),
Os tipos de T. dorsomaculatus e T. bresslaui näo foram localizados, devendo estar
provavelmente perdidos.
BRASIL. Espírito Santo: Colatina, 1 9(MNRJ).Minas Gerais: Viçosa, 2 8,11 9,
2 imaturos, 20.XI.1968, M.C. Loureiro leg. (WL). Rio de Janeiro: Maricá, 16
18.V.1977, C.J. Becker leg. (MCN-0298); Mendes, 19 (MNRJ); Rio- de Janeiro, 19
(MNRJ); Teresópolis, 1 q (MNRJ). São Paulo: Cananeia 1 9,2 imaturos, 5.1X.1983,
D. Natal leg. (IBSC-1512); Cruzeiro, 1 9, 2.VI.1986, A.P. Santos leg. (IBSC-1514);
Miracatu, 1 imaturo, 3.XI.1983, M.C. Vilanova leg. (IBSC-1513). Paraná; Castro,
2 9, W. Bücherl leg. (MNHN;0864). Rio Grande do Sul: Esmeralda (Estação Biológica
Aracuri), 1 imaturo, 20.V.1983, C.J. Becker leg. (MCN-0422); Lagoa Vermelha, 1 9,
28.VII.1969, M. Brum leg. (MCN-0010), 5 9, 3 imaturos, 28.11.1969 (MCN-0390); Tenente
Portela, 1 imaturo, 14.VII.1982, M. Sobral leg. (MCN-0413); Vacaria, 2 q, 22.111.1975,
T. de Lema leg. (MCN-0281), 1 9, 6.IV.1974, A.A. Lise leg. (MCN-0283).
SIGLAS UTILIZADAS
IBSC (Instituto Butantan, coleção escorpiônica, São Paulo, SP, Brasil); FSF (Fors-
chungsinstitut Senckenberg, Frankfurt, Alemanha); MCN (Museu de Ciências Naturais,
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil); MNHN (Muséum
National d’Histoire Naturelle, Paris, França); MNRJ (Museu Nacional do Rio de Janeiro,
RJ, Brasil); WL (registro Wilson Lourenço).
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. M. Moritiz (ZMB) e à Dra. A. Timotheo da Costa (MNRJ) pelo empréstimo
de tipos; à E. Buckup (MCN) pela oportunidade de examinar exemplares de T. costatus
e a J. Rebiêre (MNHN) pela realização dos desenhos e fotos.
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IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):3-11,20 dez. 1988
10 LOURENÇO, W. R. & Vera Regina D. von Bckstedt
Figs. 1 a 4Tityus costatus Karsch. 1. imaturo (forma maculada), Serra do Mar, SP;
2. imaturo (forma maculada), Tenente Portela, RS; 3. fêmea (forma trifasciada), Viçosa,
MG; 4. fêmea (forma maculada), Vacaria, RS.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):3-11,20 dez. 1988
Considerações sobre a sistemática de Tityus... 11
PES A A ques o qo AM
Fig. 5. Tityus costatus Karsch. Distribuição geográfica das formas maculada (\/)
e trifasciada(e).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):3-11,20 dez. 1988
\ Mor. BR ME
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e IL a ST O a ld
Hypostomus hoplonites sp. n. da bacia amazônica, Brasil
(Pisces, Siluroidei, Loricariidae)*.
L.H. Rapp Py-Daniel **
ABSTRACT
Hypostomus hoplonites n. sp. is described from the Janauacá Lakes Complex, Solimões
River, Amazonas State, Brazil. The differences and similarities between H. Hoplonites
and the most related species: Hypostomus verres, Hypostomus watwata and Hypostomus
carinatus, are discussed. Hypostomus verres is considered now a synonim of Hypostomus
watwata.
INTRODUÇÃO
Dentro da família Locaricariidae, o gênero Hypostomus é o que comporta
o maior número de espécies nominais (116) (ISBRUCKER, 1980).
Descrito originalmente por LACÉPEDE, 1803, Hypostomus foi mantido,
por um longo período sinônimo de Plecostomus Gronovius, 1854. ISBRÜC-
KER (1980) cita que Hypostomus foi revalidado por Hoedeman (1954).
EIGENMANN & ALLEN (1942, entretanto, já utilizaram o nome Hypos-
tomus.
A espécie aqui descrita, H. hoplonites, está amplamente distribuída na
calha do Rio Solimões e afluêntes, entretanto foi utilizado material prove-
niente apenas do Complexo de lagos do Janauacá, Rio Solimões, Estado
do Amazonas, Brasil.
O Complexo de lagos do Janauacá não comporta nenhum lago propria-
mente dito, formação esta praticamente inexistente na Amazônia Central.
Todos os corpos d'água da região têm comunicação com um rio de grande
porte ou seus tributários. No caso do Complexo de lagos do Janauacá,
existem várias formações semelhantes a lagos. Estas formações entrentanto,
estão ligadas entre si e com o Rio Solimões durante 9 ou 10 meses por
ano, sendo que em secas pronunciadas é que podem ocorrer isolamentos
do canal de entrada principal (fig. 1).
* Aceito para publicação em 28.111.1988.
** Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Divisão de Sistemática de Peixes. Caixa Postal,
478. 69011, Manaus, Amazonas, Brasil.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
14 PY-DANIEL, L. H.R.
H. hoplonites, apesar de apropriada para consumo humano, não é muito
comercializada, provavelmente em decorrência de seu difícil manuseio, por
apresentar o corpo coberto de espinhos. Seu nome popular, como da maioria
das espécies da subfamília Hypostominae da região, é Acari-bodó.
H. hoplonites está intimamente relacionada com H. carinatus (Stei-
nachner, 1881), H. watwata Hancock, 1828 e H. verres Valenciennes, 1840.
As medições e contagens baseiam-se em BOESEMAN (1968), não tendo
sido considerados os comprimentos axial, abdominal e dos raios indivisos
das nadadeiras adiposa e caudal.
Hypostomus hoplonites sp. n.
(Figs. 2, 3)
Descrição. Corpo robusto; altura do corpo contida de 4 a 5 vezes no
comprimento padrão; comprimento da cabeça contido 3, 4 vezes no compri-
mento padrão; altura da cabeça contida de 4 a 5 vezes no comprimento
padrão. Focinho largo e afunilado, com uma pequena área nua na extremidade,
sendo o restante da superfície coberta de placas. Diâmetro orbital contido
de 6 a 8 vezes no comprimento da cabeça e 3,6 vezes na distância interorbital.
Margem superior da órbita elevada numa quilha que se inicia nas narinas
e continua na placa pós-temporal. Distância interorbital contida 2 vezes
no comprimento da cabeça. Supraoccipital com uma forte crista, limitado
posteriormente por uma placa mediana e, látero-posteriormente, por um
grupo de plaquinhas de forma irregular. Extremidade posterior do supraoc-
cipital com um curto prolongamento, terminando em ponta romba. Lábio
superior estreito e com papilas pouco nítidas na sua superfície interna;
lábio inferior bem desenvolvido, com papilas maiores numa faixa próxima
aos dentes e que vão diminuindo de tamanho a medida que se aproximam
da borda irregular do lábio, onde são quase imperceptíveis. Dentes muito
desenvolvidos, pouco numerosos, 12 a 23 no pré-maxilar e 17 a 21 no
dentário; apresentam a borda arredondada e são levemente cuspidados. Ramo
mandibular contido cerca de 4 vezes na distância interorbital. Superfície
abdominal coberta de placas. Todas as placas do corpo com carenas muito
espinhosas e alinhadas em 5 grandes quilhas longitudinais de cada lado do
corpo até a nadadeira caudal. A quilha mais superior, mais próxima da
nadadeira dorsal, começa no nível do 1º raio bifurcado da dorsal; a quilha
adjacente inicia-se na placa pós-temporal; a terceira quilha inicia-se na
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
Hypostomus hoplonites sp. n.... 15
2º ou 3º placa após a borda da placa pös-temporal; a quarta quilha inicia-se
na placa atrás do cleitro; a quinta quilha, menos nítida, inicia-se ao nível
da origem da nadadeira anal. O comprimento do pedúnculo caudal está contido
3,3 vezes no comprimento padrão; a altura do pedúnculo caudal está contida
2 a 3 vezes no seu comprimento e 1,7 vezes na distância interdorsal. Nadadeira
dorsal bem desenvolvida, sua base 1,6 vezes maior que a distância interdorsal.
Nadadeira dorsal, quando baixada, alcança a placa de apoio da adiposa.
Espinho das nadadeiras peitorais de comprimento menor que o comprimento
da cabeça e com fortes acúleos que aumentam de tamanho conforme se
aproximam da extremidade do mesmo. Nadadeiras peitorais, às vezes, alcan-
çam até a metade das nadadeiras ventrais. Nadadeira caudal fracamente
emarginada, em geral com 14 raios bifurcados, com pequenos espinhos em
todos os raios nos exemplares maiores. Um exemplar não apresentou adiposa
e outro tinha apenas 11 raios bifurcados na caudal.
Série lateral com 27 a 28 placas, ocasionalmente, 29; 6 a 7 placas entre
a dorsal e a adiposa; 13 a 14 placas entre a anal e a caudal, sendo as
3 ou 4 últimas, próximas a caudal, ímpares.
Dados morfométricos e merísticos (tabs. 1 e 2).
Coloração. Dorso uniformemente cinza-escuro, alguns exemplares com
manchas de tonalidade levemente castanha-escura. Superfície ventral casta-
nha-escura, alguns exemplares com uma pontuação negra. Lábios de coloração
cinza-escura. Nadadeiras cinza-escuras com um leve pontilhado negro. Em
exemplares recém-coletados, a cabeça apresenta uma coloração castanha-
clara com pontos e linhas sinuosas negras e uma faixa mais clara na região
interorbital e no espaço infraorbitário. Corpo de coloração castanha densa-
mente coberto com pontos ou manchas negras. Na região abdominal os
pontos são maiores e mais espaçados. Todas as nadadeiras com uma pontuação
negra sobre um fundo castanho- amarelado. Lobo superior da nadadeira caudal
com coloração predominantemente amarela, sendo toda a nadadeira também
pontilhada de negro.
Aparelho digestivo. Os rastros branquias são longos, flexíveis e numero-
sos, do tipo filtrador. Os dentes faríngeos são rudimentares, estando unifor-
memente distribuídos nas placas ósseas faríngeas. As placas faríngeas ventrais
são de difícil visualização. O estômago é grande, em forma de U, centralmente
situado na cavidade abdominal, de paredes transparentes e fortemente vascu-
larizado. Os estômagos analisados se encontravam totalmente vazios. O intes-
tino, enovelado, apresentava-se quase totalmente preenchido de alimento
e seu comprimento variou de 13 a 20 vezes o comprimento padrão.
Hábitos alimentares. Foi observada uma grande variedade de ítens alimen
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
16 PY-DANIEL,L.H. R.
tares de H. hoplonites havendo notada predominância de Chlorophyta-Con-
jugatophyceae, principalmente do gênero Desmidium (D. laticeps, D. siolii,
D. swartzi e outras), as quais chegavam a formar grandes novelos observáveis
a olho nu. Foi constatada ainda a presença de Chrysophyta- Bacillariophyceae,
principalmente dos gêneros Amphora, Gomphonema, Pinnularia e das espécies
Melosira granulata e M. granulata var. angustissima. Foram observados
pouco crustáceos (Conchostraca e efípios de Cladocera) e em maior número,
insetos (larvas e pupas de Cironomidae, Diptera e várias ninfas de Epheme-
roptera). Observou-se também a presença de vários esporângios cuja identifi-
cação não foi possível. |
Discussão. As espécies que mais se aproximam de H. hoplonites são
H. watwata, H. verres e H. carinatus. Todas apresentam em comum um
conjunto de plaquinhas irregulares limitando o supraoccipital.
Hypostomus watwata foi originalmente descrita por HANCOCK (1828)
para a Guiana Inglesa (atual Guiana). Decorrente da pobreza de informações
em sua descrição original, watwata foi considerada um nomen dubium por
um longo período.
BOESEMAN (1968) citou que Eigenmann (1912) revalidou o nome H.
watwata considerando-o como um sinônimo de H. verres sem dar explicações
para tal. BOESEMAN não só aceitou a revalidação do nome H. watwata
como também redescreveu a espécie e indicou um neótipo (depostado no
British Museum). BOESEMAN citou ainda que H. verres Valenciennes, 1840
foi descrita com base em material heterogêneo e que um dos tipos de Valencie-
nnes de MH. verres, proveniente de Caiena, era na realidade H. watwata
Hancock. BOESEMAN, entretanto, não comentou diferenças morfolóficas
entre H. verres e H. watwata, chamando a atenção apenas para a limitada
distribuição geográfica de cada, ou seja, H. watwata estaria limitada a
região costeira da Guiana Francesa até a Venezuela, enquanto H. verres
teria uma mais ampla interiorização.
Analisei parte do material-tipo de Valenciennes de H. verres,a saber:
MNHN A 9450, de Caiena, designado como lectótipo de H. verres por
BOESEMAN (1968); MNHN A 8919, o segundo tipo proveniente de Caiena,
o qual BOESEMAN considerou como pertencendo a H. watwata e MNHN
A 9570, do Suriname, considerado por BOESEMAN como H. watwata
sensu Eigenmann. Não observei diferenças relevantes entre estes indivíduos
que justificassem a separação em 2 espécies. O lectótipo de H. verres apre-
senta o corpo mais alongado (o que pode ser determinado pelo maior compri-
mento do indivíduo) e a nadadeira dorsal mais afastada da adiposa, ambas
relações insuficientes para uma denominação específica. Quanto à distribuição
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
Hypostomus hoplonitessp.n. .... 17
geogräfica, näo acredito que H. watwata seja täo restrita ä regiäo costeira.
Considero, portanto, inconsistente a diferenciação de BOESEMAN.
Não analisei, entretanto, o neótipo de H. watwata desginado por BOESE-
MAN e depositado no BMNH. Porém, pela total ausência de caracteres
diferenciais entre as espécies examinadas, considerarei H. verres como sinôni-
ma de H. watwata.
Tanto os exemplares de H. watwata como os anteriormente denominados
H. verres, quando comparados a H. hoplonites apresentam as seguintes dife-
renças: em H. hoplonites, o pedúnculo caudal é proporcionalmente mais
alto em relação à distância interdorsal e apresenta todas as placas do corpo
e nadaderas (até mesmo os raios bifurcados) com espinhos (ver tabela 3).
Hypostomus carinatus, originalmente descrita para o sistema do Rio Ne-
gro, apesar de próxima, também apresenta características que a diferenciam
prontamente de H. hoplonites e, inclusive, de H. watwata,tais como: maior
número de placas e espinho da nadadeira peitoral bem maior que o compri-
mento da cabeça H. carinatus difere de H. hoplonites também na ausência
de carenas espinhosas e no pedúnculo caudal mais alongado (comparação
esta feita entre indivíduos de comprimento padrão semelhante).
Através de análise de material de carinatus proveniente do Rio Negro
(INPA 469.1 a 7) e do Rio Trombetas INPA 1194.1 a 4 e INPA 1196.1
e 2) foi possível observar também que tanto H. watwata como H. carinatus
apresentam o corpo mais alongado e a distância interorbital menor do que
em H. hoplonites.
Espécies que como H. hoplonites, H. watwata e H. carinatus também
apresentam o supraoccipital limitado por um grupo de plaquinhas foram
citadas para a Bahia e região sudeste do Brasil (Hypostomus vaillanti, H.
luetkeni, H. vermicularis e H. brevicauda) (EIGENMANN & EIGENMANN,
1889). Tais espécies, entretanto, são muito distintas de H. hoplonites numa
série de outros caracteres
Etimologia: grego, Hoplon— armadura, escudo.
Material. BRASIL. Amazonas:(Rio Solimões, Complexo de lagos do Janauacá. 1
Q (Holótipo, 274 mm) 26-27.VIII.1980, L.H. Rapp Py-Daniel col. (INPA 109.2); 1
(Parátipo, 235 mm) 26-27.VIII.1980, L.H. Rapp Py-Daniel col. (MZSP 27258); 1
(Parätipo, 249 mm) 22.VI.1980, L.H.Rapp Py-Daniel col. (MPEG); 3 ex. (Parátipos,
165-287 mm), 22.VI.1980, L.H. Rapp Py-Daniel col. (INPA 507); 1 ex. (Parátipo,
140 mm) 7.VI.1980, L.Kassar Borges col. (INPA 103); 4 exs. (245-290 mm) 1977,
A. Brito col. (INPA 490); 38 exs., 1976-1977, Exped. Alpha Helix col. (INPA s/nº).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
18 PY-DANIEL,L.H.R.
Siglas: INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, AM Brasil;
MPEG, Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, PA, Brasil; MZSP, Museu de Zoologia
da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil; MNHN, Muséum National d’Histoire
Naturelle, Paris, França; BMNH, British Museum (Natural History), Londres, Inglaterra.
Abreviações: CP, comprimento padrão; c. cab., comprimento da cabeça; alt. cab.,
altura da cabeça; alt. corpo, altura do corpo; 1. corpo D, largura do corpo ao nível
da nadadeira Dorsal; pA, comprimento pós-anal; d. orb., diâmetro orbital; IO, distância
interorbital; c. foc., comprimento do focinho; r. mand., comprimento do ramo mandibular;
alt. p.c., altura do pedúnculo caudal; base D, comprimento da base da nadadeira Dorsal;
ID, distância interdorsal; esp. D, comprimento do espinho da nadadeira Dorsal; esp.
P, comprimento do espinho da nadadeira Peitoral; D, nadadeira Dorsal; P. nadadeira
Peitoral; A, nadadeira Anal; C, nadadeira Caudal; ad, nadadeira adiposa; N, número
de exemplares examinados; x, média; s, desvio padrão.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOESEMAN, M. 1968. The genus Hypostomus Lacépêde, 1803 and its Surinam represen-
tatives (Siluriformes, Loricariidae). Zool. Verh., Leiden, 99 :1-89, 18pl.
EIGENMANN, C.H. & ALLEN, W.R. 1942. Fishes of Western South America.
Lexington, Kentucky, University of Kentucky. 494p.
EIGENMANN, C.H. & EIGENMANN, R.S. 1889. Preliminary notes on South American
Nematognathi. II. Proc. Calif. Acad. Sci., San Francisco, %2):28-56.
HANCOCK, J. 1828. Notes on some species of fishes and reptiles, from Demerara,
presented to the Zoological Society by John Hancock, Esq., Corr. Memb. Zool.
Soc. In a letter addressed to the Secretary of the Society. Zool. J.,London, &240-7.
ISBRÜCKER, I.J.H. 1980. Classification and catalogue of the mailed Loricariidae
(Pisces, Siluriformes). Versl. techn. Gegevens, Asmsterdam, 22:1-181.
LACEPEDE, B.G.E. de. 1803. Historie naturale dos Poissons, dediêée, à Anne-ca=-
roline Lacepede, par le Citoyen la Cepede. Paris, P. Plassan. v5, pt1, 803p.,
21pl.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
Hypostomus hoplonites sp. n.... 19
Tab. 1. Dados merísticos de Hypostomus hoplonites sp. n.
N variação
raios ramificados da Caudal 49 13-14
placas laterais 49 27-29
placas dorsais (D-ad) 11 6-7
placas ventrais (A-C) 11 13-14
dentes no pr&-maxilar 49 12-23
dentes no dentärio 49 17-21
Tab. 2. Análise estatística das relações morfométricas de Hypostomus hoplo-
nites sp. n. (ítens expressos em relação ao CP, 2-6; ao c. cab., 7-9; ao
TIO, 1081; ao pÃ: 2;.aIDy;ci3%e 14.
N variação x S
1. CP 49 140-325
22 °C. cab, 48 2,8-3,4 3:2 0,11
3. alt. cab. 49 4,2-5,5 4,9 0,22
4. alt. corpo 49 4,2-5,9 5 0:32
5. 1. corpo D 49 3,5-4,1 Soil 0,14
6. pA 49)... 31 =3;7 3,3 0,17
7. d.orb. 11 6,7-8 2:3 0,38
8. IO 49 1,9- 2,3 2 0,08
Ge. Toc. 49 1,5-1,9 1,6 0,07
10. d. orb. 1 39-3,9 3,6 0,19
11. r. mand. 11 3,6-4,3 4,1 0,21
12, alt. p. c 49 22-32 2,8 0,19
13. alt. p. c. 11 1,5-2,1 1,7 0,15
14. base D 11 1,4-1,7 1,6 0,11
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
20 PY-DANIEL,L.H.R.
Tab. 3. Análise comparativa entre: A — H. watwata (todo o material listado
em BOESEMAN, 1968, inclusive o neótipo); B — H. watwata MNHN A
8919 e A 9570); C —H. watwata (ex- verres — tipo MNHN A 9450); D
— H. carinatuse E — H. hoplonites
€R
140-325
placas
laterais 27-29
placas
dorsais 6-7
placas
ventrais 13 13-14
alt.p.c./ID 2-2,35(2,17) 1,5-2,1
esp.D/base D| 1,2-1,5(1,2) 0,8-1,1
c.cab./esp.P | 0,9-1,35(0,91) 1,1-1,2
carenas com
espinhos NÃO SIM
distribuição
geográfica Suriname e Caiena e |Caiena Janauacá,
Guiana Suriname R.Trombetas | R.Solimões
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
Hypostomus hoplonitessp. n.... 21
Bes
ng,
s
ED SALE NE o Tago Caldeirão
APU —
Sn E. SIR:
s x
S Es DN COMPLEXO DE Lacos
> DO JANAUACA
Lago = —
Canabuoca- -
BOA vg
Lago Castanh
>
7 CAPOEIRINHA
ESCALA 1:|000 000
10 o 10
pass 4
Desenho-EVANDRO-INPA/87
Fig. 1. Mapa indicando a área de coleta.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
22 PY-DANIEL,L.H.R.
Ml DDD
b
Fig 2.Hypostomus hoplonites sp.n., holótipo Q (INPA 109.2): a — vista dorsal, b —
vista lateral (comprimento padrão = 274 mm).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
Hypostomus hoplonites sp. n.... 23
Fig. 3.Hypostomus hoplonites sp.n., holótipo Q (INPA 109.2): Detalhe da cabeça em
vista dorsal (SOC, supraoccipital; D, espinho na nadadeira Dorsal).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):13-23, 20 dez. 1988
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Redescrição dos tipos de Veronicellidae (Mollusca; Gastropoda)
Netropicais: XI. Espécies na “Academy of Natural Sciences”,
Philadelphia. (*)
José Willibaldo Thomé (**)
ABSTRACT
Based on the type material of the Academy of Natural Sciences, Philadelphia,
the following species are redescribed and figured: Vaginulus (Latipes) cnidicaulis Baker,
1926; Veronicella leptothali Baker, 1935; Vaginulus schivelyae, Pilsbry, 1890; Veronicella
(Tenacipes) tenax Baker, 1931 and Verinocella (Leidyula) kraussi trichroma Baker, 1935.
INTRODUÇÃO
Prosseguindo na descrição sistematizada das Veronicellidae, baseado
no exame dos tipos, quando disponíveis, apresento a recaracterização de
cinco espécies, cujo material tipo pertence à “Academy of Natural Scien-
ces”, Philadelphia, E.U.A. (ANSP).
A metodologia empregada é a mesma dos trabalhos anteriores (Thomé,
1969a, b, 1970a, b, 1971, 1972, 1973, 1979, 1985, Thomé & Lopes-Pitoni,
1976).
Vaginulus (Latipes) cnidicaulis Baker, 1926.
Vaginulus (Latipes) cnidicaulis Baker, 1926:29-31, est. 4, fig. 1-2; Thomé, 1975a:161.
Latipes cnidicaulis; Thomé,1975b:16.
Morfologia externa (figs. 18-20)
Espécime pequeno, levemente abaulado no dorso, mais longo do que
alto, quase reto. Noto liso, de cor marrom, com finos pontos de pigmentação
enegrecida, distribuídos irregularmente, formando figuras alveolares; sem
listra mediana longitudinal. Hiponotos semelhantes ao noto, com pontos
Contribuibuição FZB nº 340 Aceito para publicação em 05.V. 1988.
Ea e discutido no X Encontro Brasileiro de Malacologia, em São Paulo-SP, de
01 a 05.07.87.
(**) Presidente da Fundacäo Zoobotänica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188 - 90.610
PORTO ALEGRE/RS; Professor Titular de Zoologia da Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul; Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológi-
co-CNPq, Categoria de Pesquisador I-A, Processo nº 30.1590/79-ZO.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (69):25-40, 20 dez. 1988
26 THOME, J. W.
mais finos e esparsos. O perinoto destacado, de cor marrom-clara, sem
pigmentagäo enegrecida. Sola mais estreita que o hiponoto direito, clara,sem
listra mediana, näo atingindo o perinoto aträs. Poro genital feminino aträs
da metade do comprimento e bem junto ao sulco pedioso. Anus grande,
distendendo-se pelo hiponoto, com forte pigmentação negra ao redor, não
encoberto pela sola livre do pé. (Medidas do holótipo: comprimento 38mm,
largura 1Imm, altura 6mm, largura do hiponoto direito 3,9mm, largura da
sola 2,3mm, distância do poro genital feminino: do sulco 0,5mm, da frente
17mm, de trás 15mm)
Morfologia interna (figs. 9-11).
Alça intestinal anterior recoberta pelo lóbulo anterior da glândula digesti-
va. O reto penetra no tegumento junto e ao lado do oviduto (fig. 10).
Glândulas salivares e nervos pediosos destruídos.
Glândula pediosa achatada, solta, bem alongada, lanceolada; com forte
dupla curvatura na região mediana e a ponta reta. Zona clara- esbranquiçada
externa larga e bem definida em ambos os lados, reunindo-se na ponta;
zona amarelada mediana desde a frente até perto da ponta, estreitando- se
na região mediana, alargando-se no 1/3 terminal e apresentando um forte
fendilhamento mediano (fig. 11). (Medidas do holótipo: comprimento em
posição natural 10mm; distendida 12mm; largura sobre a abertura 1,8mm;
comprimento do fendilhamento 4mm).
Espermateca poronguiforme, recebe o canal na porção mais dilatada,
lateralmente. Canal liso, alongado, algo entumescido na base. Duto de ligação
curto penetra na espermateca pelo pólo menor, subterminalmente. Vaso defe-
rente médio curto e reto, bem assim o vaso deferente posterior distal. Oviduto
penetra no tegumento junto e à frente do canal (fig. 10).
Glândula peniana extraviada.
Pênis clíndrico, alongado, com soquete curto, liso, passando insensi-
velmente a uma glande algo mais grossa, não lisa, apresentando rugosidade
até a ponta. Abertura do deferente terminal (fig. 9). Medidas do holótipo:
comprimento 4mm; diâmetro maior 0,7mm, comprimento do soquete 1,5mm,
diâmetro do soquete 0,4mm).
Material examinado: Holótipo ANSP A7020 (ex A5927), Guiana, Kamakusa (5°54’N,
59º55ºW), 1.1923, H. Lang leg.
Localidade-tipo: Kamakusa, Guiana,
Observações: O espécime encontra-se em precária situação, com o noto
muito danificado, as vísceras soltas e em parte destruídas. No verso de
um dos rótulos anexos lê-se ‘“Specimen had been dried out — treated with
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
Redescrição dos tipos de Veronicellidae... 27
Tri-Sodian-Phosphate, upgraded to 70% ETOH”, o que deve ser a causa
das pequenas diferenças nas medidas, em relação às indicadas por Baker
(1926:30). Também deve ser a causa pela qual não mais se percebe os
espinhos no pênis, bem representados na figura de Baker (1926). O extravio
da glândula peniana pode ser compensado pelo bom desenho de Baker (1926)
e sua descrição refere que a mesma possuía 16 túbulos; com respeito aos
nervos pediosos, menciona que permaneciam juntos, paralelos até perto do
fim da hemocele.
Veronicella leptothali Baker, 1935
Veronicella leptothali Baker, 1935:83-84, est. 3, figs. 2-4; Baker, 1964:159; Thomé,
1975a:161.
Morfologia externa (figs. 21-23)
Animal pequeno, reto, extremidades truncadas, mais largo do que alto.
Noto levemente abaulado, de cor marrom, com manchas de pigmentação
enegrecida e um rendilhado de pontos negros esparsos, destacando-se clara
listra mediana longitudinal. Hiponotos mais claros, de cor marrom, com
pontilhado negro esparso junto ao perinoto. Este semelhante aos hiponotos,
também com alguns pontos negros. Sola clara, sem pigmentação, mais estreita
que o hiponoto direito, sem listra e não atingindo o perinoto atrás. Poro
genital feminino algo à frente da metade do comprimento e junto ao sulco
pedioso. Ânus grande, estende-se pelo hiponoto, e parcialmente encoberto
pela sola livre do pé. (Medidas do holótipo: comprimento 40mm, largura
17mm, altura 9mm, largura do hiponoto direito 8,3mm, largura da sola 5,7mm,
distância do poro genital feminino: da sola 2mm, da frente 18mm, de trás
20mm).
Morfologia interna (figs. 5-8)
Alça intestinal anterior recoberta pelo lóbulo anterior da glândula digesti-
va. Glândulas salivares com ácinos grandes, irregulares, mais ou menos frou-
xos. O reto penetra no tegumento bem junto e ao lado do oviduto (figs.
7a-b).
Nervos pediosos soltos, nascem juntos e seguem paralelos por um curto
trecho, para se afastarem um do outro em arco e seguirem novamente parale-
los, afastados, até o fim da cavidade geral. (Medidas do holótipo: compri-
mento paralelos 5mm, distanciados 25mm, afastamento máximo 4mm, a aorta
encontra os nervos a 1,5mm do gânglio pedioso na frente).
Glândula pediosa pequena, achatada, linguiforme, bem aderida ao bulbo
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
28 THOME, J. W.
bucal. Zona clara esbranquicada delgada, marginal, näo atinge a ponta. Zona
amarelada mediana, estreitando-se nos 3/4 posteriores, para ocupar toda
a ponta, onde se localiza grande cicatriz circular. A zona amarelada apresenta
geralmente um fendilhamento mediano longitudinal por 3/4 de seu compri-
mento (fig. 8). (Medidas do holötipo: comprimento 4,5mm, largura sobre
a abertura 2,5mm).
Espermateca glubolöide assentada sobre desenvolvido canal cilindrico,
liso, que apresenta junto à base uma bolsa acessória protraída. O duto
de ligação curto, penetra no canal logo acima da bolsa acessória. Vaso
deferente médio curto e reto, bem como o vaso deferente posterior distal.
O oviduto penetra no tegumento ao lado e à frente do canal (figs. 7a,
b).
Glândula peniana com papila delgada, longa e curvada, com túbulos curtos
medianos, rodeados por numerosos túbulos longos, os quais se originam
de poucos túbulos, que se bifurcam sucessivamente dando muitas pontas
(fig. 6). (No holótipo: 9 túbulos curtos, rodeados de 20 túbulos longos,
originados por bifurcação de 2 túbulos).
Pênis cilíndrico, alongado, liso com a extremidade intumescida formada
de tecido gredoso. Por vezes o pênis pode apresentar-se algo contraído
e então acha-se enrugado. O músculo retrator é muito longo (figs. 5a,
b). (Medidas do holótipo: comprimento 2,3mm, diâmetro maior na ponta
0,5mm, comprimento do ápice de tecido gredoso 0,6mm).
Material examinado: Holótipo ANSP A12219 (ex. 291339a), Jamaica, Somerset, H.B.
Baker leg; seis parátipos ANSP A12220 (ex. 291339b), mesmos dados do holótipo;
um parátipo MCN-9695, mesmos dados do holótipo.
Localidade-tipo; Somerset, Jamaica.
Observações: a espécie foi bem descrita por Baker (1935) apenas sistemati-
zamos os dados, acrescentando os que faltavam. Esta espécie é sinônimo
de Leidyula dissimilis (Cockerell, 1892:134).
Vaginulus schivelyae Pilsbry, 1890
Vaginulus schivelyae Pilsbry, 1890:297-9, est. 5, f.6-8; Baker, 1964:193; Thomé 1975a:160.
Veronicella sloanii schivelyae; Baker, 1925:158, 160-2, 183, est. 3, fig. 1-4.
Leidyula schivelyae; Hoffmann, 1927a:211-3, 215; 1927b:21, 23-4; 1928:247-8, 250.
Veronicella schivelyae; Thomé, 1975b:34.
Morfologia externa (figs. 30-32)
Animal de tamanho médio, quase reto, mais largo que alto. Noto desbota-
do, notando-se cor geral marrom e duas listras medianas mais escuras, forma-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
Redescrição dos tipos de Veronicellidae... 29
das de manchas pretas, algo afastadas entre si, unindo-se na região posterior
antes do perinoto. Hiponotos claros, sem pigmentação escura. Sola clara
com listra demarcada mediana longitudinal, alcança atrás o perinoto. Poro
genital feminino atrás do meio do comprimento e bem próximo do sulco
pedioso. Ânus grande, penetrando no hiponoto à direita, quase totalmente
encoberto pela sola livre posterior do pé. (Medidas do holótipo: comprimento
7imm, largura 24mm, altura 9mm, largura do hiponoto direito 8,2mm, largura
da sola 6,7mm, distância do poro genital feminino: da sola 2,Imm, da frente
35mm, de trás 23mm).
Morfologia interna (figs. 1-4)
Alça intestinal anterior recoberta pelo lóbulo anterior da glândula digesti-
va. Glândulas salivares com ácinos grandes, irregulares, compactados. O
reto penetra no tegumento junto e ao lado do oviduto (fig. 3).
Nervos pediosos nascem juntos, seguem curto trecho paralelos, afastan-
do-se entre si lentamente até um máximo, quando seguem paralelos até
o fim da cavidade geral. (Medidas do holótipo: comprimento juntos, paralelos
7mm, comprimento distanciados 32mm, afastamento máximo 2,5mm, a aorta
alcança os nervos a 4mm do gânglio pedioso).
Glândula pediosa longa, reta, solta, extremidade rombuda. Zona clara-es-
branquiçada formando faixa irregularmente larga ao longo das bordas e
na ponta. Zona amarelada mediana larga desde a abertura, estreitando-se
para a ponta, onde novamente se alarga circularmente, apresentando cicatriz
irregular mediana; no meio longitudinal da zona amarelada aparece do início
até a cicatriz um marcado fendilhamento (fig. 4). (Medidas do holótipo:
comprimento 7mm, largura sobre a abertura 2mm, comprimento fendilhado
5mm).
Espermateca globulöide, assentada sobre longo canal cilindrico, de pare-
des duras; o canal estä engrossado na regiäo distal, onde recebe o duto
de ligação, que é mais curto e mais fino que o canal. Vaso deferente médio
bem curto e reto, assim também o vaso deferente posterior distal. Oviduto
penetra no tegumento junto e ao lado do canal (fig. 3).
Glândula peniana com papila pequena, não mamilada, romba. Os túbulos
são numerosos, diferenciados em curtos medianos e longos. Não há bifurcados
(fig. 2). (Medidas do holótipo: comprimento da papila 0,8mm, maior diâmetro
da papila 0,6mm; diâmetro dos túbulos 0,3mm, comprimento dos túbulos
curtos até 6mm, comprimento dos túbulos longos até 10mm, número total
de túbulos 36, sendo 20 longos).
Pênis um tubo cilíndrico, liso, longo, levemente intumescido para a ponta,
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (69):25-40, 20 dez. 1988
30 THOME, J. W.
onde está protraído um tecido gredoso, apresentando a abertura do deferente
distalmente (fig. 1). (Medidas do holótipo: comprimento lImm, diâmetro
maior 1,6mm, diâmetro na base 1,4mm, comprimento do tecido gredoso
1,5mm).
Material examinado: Holótipo ANSP A1437 (ex. 60964), Bermudas, St. George (em
jardim público), 1888, Heilprind Expedition leg.
Localidade-tipo: Saint George, Bermudas.
Observações: o espécime estava inteiro, sendo dissecado como usual. A
espécie é um sinônimo de Veronicella sloanei (Cuvier, 1817:411).
Veronicella tenax Baker, 1931
Veronicella (Tenacipes) tenax Baker, 1931:131-4, est. 8, fig. 3-5; Thiele, 1929/1930:491;
Baker, 1964:160; Thomé, 1975a:161.
Veronicella tenax; Thomé, 1975b:33
Morfologia extera (figs. 27-29)
Animal de tamanho muito grande, quase reto, muito alargado. Noto des-
botado, marrom-oliváceo, com listra clara mediana, ladeada de manchas
pretas, esparsas, pouco numerosas e algumas pontuações brancas. Hiponoto
marrom-escuro, sem pigmentação negra. Perinoto marcante, sem pigmentação
negra. Sola clara, sem pigmentação e sem listra mediana, não atinge atrás
o perinoto. Poro genital feminino atrás da metade do comprimento, bem
das de manchas pretas, algo afastadas entre si, unindo-se na região posterior
antes do perinoto. Hiponotos claros, sem pigmentação escura. Sola clara
com listra demarcada mediana longitudinal, alcança atrás o perinoto. Poro
genital feminino atrás do meio do comprimento e bem próximo do sulco
pedioso. Ânus grande, penetrando no hiponoto à direita, quase totalmente
encoberto pela sola livre posterior do pé. (Medidas do holótipo: comprimento
7imm, largura 24mm, altura 9mm, largura do hiponoto direito 8,2mm, largura
da sola 6,7mm, distância do poro genital feminino: da sola 2,Imm, da frente
35mm, de trás 28mm).
Morfologia interna (figs. 1-4)
Alça intestinal anterior recoberta pelo lóbulo anterior da glândula digesti-
va. Glândulas salivares com ácinos grandes, irregulares, compactados. O
reto penetra no tegumento junto e ao lado do oviduto (fig. 3).
Nervos pediosos nascem juntos, seguem curto trecho paralelos, afastan-
do-se entre si lentamente até um máximo, quando seguem paralelos até
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
Redescrição dos tipos de Veronicellidae ... 31
o fim da cavidade geral. (Medidas do holótipo: comprimento juntos, paralelos
7mm, comprimento distanciados 32mm, afastamento máximo 2,5mm, a aorta
alcança os nervos a 4mm do gânglio pedioso).
Glândula pediosa longa, reta, solta, extremidade rombuda. Zona clara-es-
branquiçada formando faixa irregularmente larga ao longo das bordas e
na ponta. Zona amarelada mediana larga desde a abertura, estreitando-se
para a ponta, onde novamente se alarga circularmente, apresentando cicatriz
irregular mediana; no meio longitudinal da zona amarelada aparece do início
até a cicatriz um marcado fendilhamento (fig. 4). (Medidas do holótipo:
comprimento 7mm, largura sobre a abertura 2mm, comprimento fendilhado
5mm).
Espermateca globulöide, assentada sobre longo canal cilindrico, de pare-
des duras; o canal estä engrossado na regiäo distal, onde recebe o duto
de ligação, que é mais curto e mais fino que o canal. Vaso deferente médio
bem curto e reto, assim também o vaso deferente posterior distal. Oviduto
penetra no tegumento junto e ao lado do canal (fig. 3).
Glândula peniana com papila pequena, não mamilada, romba. Os túbulos
são numerosos, diferenciados em curtos medianos e longos. Não há bifurcados
(fig. 2). (Medidas do holótipo: comprimento da papila 0,8mm, maior diâmetro
da papila 0,6mm; diâmetro dos túbulos 0,3mm, comprimento dos túbulos
curtos até 6mm, comprimento dos túbulos longos até 10mm, número total
de túbulos 36, sendo 20 longos).
Pênis um tubo cilíndrico, liso, longo, levemente intumescido para a ponta,
onde está protraído um tecido gredoso, apresentando a abertura do deferente
distalmente (fig. 1). (Medidas do holótipo: comprimento 1Imm, diâmetro
maior 1,6mm, diâmetro na base 1,4mm, comprimento do tecido gredoso
1,5mm).
Material examinado: Holótipo ANSP A1437 (ex. 60964), Bermudas, St. George (em
jardim público), 1888, Heilprind Expedition leg.
Localidade-tipo: Saint George, Bermudas.
Observações: o espécime estava inteiro, sendo dissecado como usual. A
espécie é um sinônimo de Veronicella sloanei (Cuvier, 1817:411).
Veronicella tenax Baker, 1931
Veronicella (Tenacipes) tenax Baker, 1931:131-4, est. 8, fig. 3-5; Thiele, 1929/1930:491;
Baker, 1964:160; Thomé, 1975a:161.
Veronicella tenax; Thomé, 1975b:33
Morfologia extera (figs. 27-29)
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
32 THOME, J. W.
Animal de tamanho muito grande, quase reto, muito alargado. Noto des-
botado, marrom-oliváceo, com listra clara mediana, ladeada de manchas
pretas, esparsas, pouco numerosas e algumas pontuações brancas. Hiponoto
marrom- escuro, sem pigmentação negra. Perinoto marcante, sem pigmentação
negra. Sola clara, sem pigmentação e sem listra mediana, não atinge atrás
o perinoto. Poro genital feminino atrás da metade do comprimento, bem
próximo do sulco pedioso. Ânus grande, levemente penetrando no hiponoto,
encoberto pela sola livre posterior do pé. (Medidas do Holótipo e de um
parátipo: comprimento 115 e 125mm, largura 50 e 60mm, altura 22 e 15mm,
largura do hiponoto direito 18 e 16,5mm, largura da sola 18,5 e 13mm,
distância do poro genital feminino: da sola 5,0 e 3,5mm, da frente 52
e 48mm, de trás 42 e 45mm).
Morfologia interna (figs. 14-17)
Alça intestinal anterior recoberta pelo lóbulo anterior da glândula digesti-
va. Glândulas salivares com ácinos grandes, irregulares, soltos. O reto penetra
no tegumento bem junto ao ouviduto (fig. 16).
Nervos pediosos nascem juntos e seguem curto trecho paralelos, quando
se afastam suavemente um do outro até quase a largura da sola para seguirem
novamente paralelos até o fim da cavidade geral. (Medidas de um parátipo:
comprimento juntos, paralelos 13mm, comprimento distanciados 45mm, afas-
tamento máximo 12,5mm, a aorta alcança diretamente o gânglio pedioso).
Glândula pediosa mais ou menos reta, alongada. Zona clara- esbranquiçada
formando leve fimbria nas bordas. Toda constituída de zona amarelada,
com forte fendilhamento mediano longitudinal, que para a ponta se abre
em V, no meio do qual acha-se uma grande cicatriz (fig. 17a, b). (Medidas
de um parátipo: comprimento 7,5mm, comprimento distendida 8,5mm, largura
sobre a abertura 4mm).
Espermateca globulóide, assentada sobre grosso e forte canal. O duto
de ligação bem curto, penetra no canal na região proximal, perto da base.
O vaso deferente médio é algo mais longo que o duto de ligação. O vaso
deferente posterior distal é curto e reto. O oviduto penetra no tegumento
bem junto e à direita do canal (fig. 16).
Glândula peniana com papila grossa, acuminada, com numerosos túbulos
diferenciados em internos mais grossos e curtos e externos mais finos e
longos e menos numerosos. Não há bifurcados (figs. 15a, b). (Medidas do
holótipo: papila, comprimento 4mm, diâmetro na base 1,5mm; túbulos inter-
nos, comprimento até 17mm, diâmetro até 0,5mm; túbulos externos, compri-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
Redescrição dos tipos de Veronicellidae... 33
mento até 47mm, diâmetro até 0,4mm; número total de túbulos 87, sendo
32 externos longos).
Pênis grande e forte, constituído de um soquete cilíndrico, do qual se
desenvolve uma glande cônica como que assentada no mesmo e com borda
em 2/3 circular, com largas nervuras lamelares longitudinais num lado, que
terminam antes da ponta, onde surge um tecido gredoso, com a abertura
do deferente subterminal (figs. 14a-c). (Medidas do holótipo: comprimento
total, 9,5mm, maior diâmetro 2,5mm, comprimento do soquete 3,5mm, diâme-
tro do soquete, 1,7mm).
Material examinado: Holótipo ANSP A12221 (ex. 2913404), Cuba (Ensenada de San
Vicente, Cueva de Tiburón, Pinar del Rio), 1928, H. P. Pilsbry leg. Dois parätipos
ANSP A12222 (ex. 291340b), mesmos dados do holótipo.
Localidade-tipo: Cueva de Tiburón, baia de San Vicente, Pinar del Rio, Cuba.
Observações: A espécie foi bem caracterizada por Baker (1931). Sistemati-
zamos os dados e acrescentamos os que faltavam. Os parátipos são juvenis.
Thiele (1929/30) e Thomé (1975a, b) apenas citam a espécie.
Veronicella trichroma Baker, 1935
Veronicella (Leidyula) kraussi trichroma Baker, 1935:84,88; Thomé, 1975a;161.
Veronicella trichroma; Baker, 1964:160.
Leidyula trichroma; Thomé, 1975b:18.
Morfologia externa (figs. 24-26)
Animal de tamanho pequeno, algo curvado sobre o pé. Noto com 3
faixas transversais, a primeira ocupando o 1/4 anterior, pigmentada de pontos
escuros, não muito densos, o segundo 1/4 claro, quase sem pigmentação
negra e a metade posterior com forte pigmentação punctiforme negra, de
cor bem escura. Hiponotos semelhantes ao noto, com a pigmentação cinza,
alveolar e forte pigmentação negra ao redor do poro genital feminino. Perino-
to bem demarcado, sem pigmentação. Sola clara, sem pigmentação, sem
listra e não atinge o perinoto posterior. Poro genital feminino quase no
meio, levemente atrás da metade do comprimento e bem junto ao sulco
pedioso. Anus grande, penetrando no hiponoto, não coberto pela sola livre
do pé. (Medidas do lectótipo: comprimento 40mm, largura 20mm, altura
7mm, largura do hiponoto direito 6,5mm, largura da sola 5,5mm, distância
do poro genital feminino: da sola 1,4mm, da frente 15,5mm, de trás 15,0mm).
Morfologia interna (figs. 12, 13).
Alça intestinal atrás do primeiro lóbulo da glândula digestiva. Glândulas
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
34 THOME, J. W.
salivares com ácinos grandes, irregulares, compactados. O reto penetra no
tegumento junto ao oviduto.
Nervos pediosos nascem juntos e seguem curto trecho paralelos, logo
se afastam um do outro em ângulo forte para prosseguirem paralelos até
o fim da cavidade geral. (Medidas no lectótipo: comprimento paralelo 2mm,
comprimento afastados 23mm, afastamento máximo 1,5mm, a aorta vai direta
até o gânglio pedioso).
Glândula pediosa pequena, levemente curvada. Zona clara, esbranquiçada
externa, em faixas laterais longitudinais que se unem na ponta. Delimitam
para o meio a zona amarelada, que tem pequena cicatriz perto da ponta,
não se percebendo fendilhamento mediano (fig. 13). (Medidas do lectótipo:
comprimento 3,imm, largura sobre a abertura 2,Imm).
A região da espermateca ainda muito juvenil, nada identificável.
Glândula peniana extremamente juvenil, papila grossa, cônica, com nume-
rosos túbulos não contáveis, não diferenciados em longos externos e curtos
internos.
Pênis cilíndrico, afilado, de tecido liso, uniforme, acha-se torcido em
parafuso. Também muito juvenil para identificação. (figs. 12a, b).
Material examinado: Lectótipo (designação presente) ANSP A1058, Jamaica (Catadupa),
07.11.1933, H.B. Baker leg. Paralectótipo ANSP A12218 (ex. A1058b), mesmos dados
do lectötipo.
Localidade-tipo: Catadupa, Jamaica.
Observacöes: Baker (1935) sö apresentou dados da morfologia externa. Os
espécimes são bem juvenis, o que não permite caracterização completa da
espécie ou sua sinonimização. Classifiquei a espécie, tentativamente, no gêne-
To Leidyula, visto os característicos genéricos não estarem ainda desenvol-
vidos nestes espécimes juvenis. Backer (1964) e Thomé (1975a, b) apenas
listam a espécie.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. George M, Davis da ‘Academy of Natural Scieces””, Philadelphia, que autorizou
o envio por empréstimo dos tipos, ensejando o presente trabalho. À Rejane Rosa
e Tania Torres de Carvalho, pelo acabamento dos desenhos e do manuscrito, respec-
tivamente.
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IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
Redescrição dos tipos de Veronicellidae... 37
-
IN Ä
Figs. 1-13:1-4. Vaginulus schivelyae Pilsbry, 1890; Holótipo ANSP-A1437; 1. pênis;
2. glândula peniana; 3. parte dos órgãos genitais posteriores; 4. glândula pediosa;
5-8: Veronicella leptothali Baker, 1935; 5a-6-7a-8. Holótipo ANSP-A12219; 5a. pênis
(enrugado); 6. glândula peniana, com túbulos truncados; 7a. parte dos órgãos genitais
posteriores; 8. glândula pediosa; 5b-7b. parátipo ANSP-A12220; 5b. pênis; 7b. parte
dos órgãos genitais posteriores. 9-11: Vaginulus cnidicaulis Baker, 1926; Holótipo ANSP-
A7020; 9. pênis; 10. parte dos órgãos genitais posteriores; 11. glândula pediosa.
12-13: Veronicella trichroma Baker, 1935; Lectótipo ANSP-A1058; 12a-b. pênis em duas
posições; 13. glândula pediosa.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
THOME J. W.
pd
14C
Imm
Figs. 14-17: Veronicella tenax Baker, 1931; A, holötipo ANSP-A12221; B, parätipo
ANSP-A12222a; C, parätipo ANSP-A12222b; 14. penis; 15. gländula peniana; 16. parte
dos órgãos genitais posteriores; 17. glândula pediosa.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
Redescrição dos tipos de Veronicellidae...
DOCERIA
details!
tornemos!
Figs. 18-26: 18-20. Vaginulus cnidicaulis Baker, 1926; Holótipo ANSP-A 7020; 18.
vista dorsal; 19. vista lateral; 20. vista ventral. 21-23: Veronicella leptothali Baker,
1935; Holótipo ANSP-A12219; 21. vista dorsal; 22. vista lateral; 23. vista ventral.
24-26: Veronicella trichroma Baker, 1935; Lectötipo ANSP-A1058; 24. vista dorsal (notan-
do-se as 3 faixas transversais); 25. vista lateral; 26. vista ventral. (Escala em mm).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):25-40, 20 dez. 1988
40 THOME, J. W.
hola leds si)
Figs. 27-32: 27-29.Veronicella tenaxBaker, 1931; Holótipo ANSP-A12221; 27. vista
dorsal; 28. vista lateral; 29. vista ventral. 30-32: Vaginulus schivelyae Pilsbry, 1890;
Holótipo ANSP-A1437; 30. vista dorsal; 31. vista lateral; 32. vista ventral. (Escala
em mm).
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (69):25-40, 20 dez. 1988
Características de la incubación branquial en Eupera platensis
Doello-Jurado, 1921 y Byssanodonta paranensis d'Orbigny,
1846 (Pelecypoda Sphaeriidae).*
Cristián F. Ituarte**
ABSTRACT
In Eupera platensis Doello-jurado, 1921 and Byssanodonta paranensis d’Orbigny, 1846
the embryos are incubated freely in the suprabranchial chaber and between the inner
and outer lamellae of both inner demibranches. Each embryo is enveloped only by
the persistent vitelline membrane. The litter size increase with the increase in size
of the maternal individuals. The maximun litter size determined in E. platensis was
170 embryos and 62 in B. paranensis. The incubatory process is similar in both species
under study; this, the siphonal arrangement and the presence in adults of a functional
byssal gland describeb by other autors, determines the inclusion of Byssanodonta paranensis
in the subfamily Euperinae Heard, 1965.
INTRODUCCION
La familia Sphaeriidae está representada por tres subfamilias, Sphaeriinae
Baker, 1927; Pisidiinae Baker, 1927 y Euperinae Heard, 1965. Eupera platen-
sis Doello-Jurado, 1921 pertenece a esta última. En cuanto a Byssanodonta
paranensis d’Orbigny, 1846 no existián hasta el momento suficientes elemen-
tos referidos a la anatomía de partes blandas y características dela incubación
de embriones que permitieran su asignación a una de las tres subfamilias
(HEARD, 1965).
Eupera platensis y Byssanodonta paranensis son especies hermafrotitas
funcionales que incuban en ambas emibranquias internas un reducido número
de ovas de gran talla (250 micras de diámetro en E. platensis(ITUARTE,
ms.).
Aspectos morfológicos dela incubación de embriones an sido descriptos
con cierto detalle para otros Sphaeriidae (OKADA, 1935;HEARD, 1965,
1977; MACKIE, QUADRI & CLARKE, 1974). En cuanto al género Eupera
* Aceptado para su publicación: 23.V. 1988.
** Investigador del CONICET. Museo de La Plata, 1900 La Plata, Buenos Aires, Argentina.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):41-47, 20 dez. 1988
42 ITUARTE, C. F.
Bourguignat, HEARD (1965) caracteriza someramente la incubación en E.
cubensis (Prime, 1865); MANSUR & VEITENHEIMER (1975) describen
el órgano branquial de E. klappenbachi Mansur & Veitenheimer, 1975 sin
atender especialmente a su rol en la protección delas crías. Igualmente BO-
NETTO & EZCURRA (1964) detallan la morfología macroscópica dela bran-
quia de Byssanodonta paranensis agregando algunos datos sobre el número
de embriones alojados en cada marsupio.
La presencia, configuración y desarrollo delos fones! la presencia de
glándula del biso funcional en los adultos y las características con que
se presenta el fenómeno de incubación branquial de los embriones, resultan
los caracteres relevantes en la clasificación a nivel subfamiliar de los Sphae-
riidae (HEARD, 1965). El objetivo del presente trabajo es aclarar ciertas
particularidades del proceso incubatorio en el género Eupera y describir
las características con que éste se presenta en Byssanodonta al Orbigny género
de que se carecía de información al respecto.
MATERIAL Y METODOS
Los ejemplares de E. platensis provienen del arroyo Dona Flora, Ensenada, Buenos
Aires. El material de B. paranensis procede de las localidades de Itatí y Paso de
la Patria, Corrientes.
El material destinado a estudio histológico fue fijado en líquido de Zenker adicionado
con formol, incluido en parafina y las secciones tefiidas con hematoxilina-eosina o
tricrómico de Gomori.
El conteo de crfas en incubación fue efectuado mediante disección bajo microscopio
estereoscópico.
RESULTADOS Y DISCUSION
Como en otros Sphaeriidae, la incubación de los embriones tine lugar
en ambas hemibranquias internas. La protección de los embriones se prolonga
en el tiempo, lo que determina su eliminación en el estado de juveniles.
Los embriones en incubación ocupan la cámara subrabranquial determi-
nada por la lámina descendente de la hemibranquia interna y la pared de
la masa visceral. En E. platensis y B. paranensis esta câmara resulta particu-
larmente amplia debido a que la lámina ascendente de la hemibranquia interna
es mucho más corta que la lámina directa o descendente. Al reflejarse,
el borde libre de la lâmina ascendente toma contacto con la pared del saco
visceral muy ventralmente, a nível del surco que lo separa del pié, quedando
así delimitado un amplio espacio suprabranquial (fig. 1, 2). Las láminas
directa y reflejada, además, estan relacionadas por un escaso número de
uniones tisulares, restringidas especialmente a la porción ventral de la hemi-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):41-47, 20 dez. 1988
Características de la incubación branquial en ... 43
branquia. Se suma así a la amplitud de la cámara suprabranquial, el espacio
libre que resta entre ambas láminas de la hemibranquia interna (figs. 1,2).
La conformación descripta del órgano branquial incubador ya se observa
en individuos juveniles virginales, por lo que no resulta de la alteración
de la estructura branquial típica, inducida por la presencia de embriones
en incubación.
Las ovas fecundadas, de gran talla (200 a 250 micras) son alojadas
en ambas cámaras suprabranquiales y espacio interlamelar donde completan
su desarrollo a expensas del importante volúmen de vitelo almacenado. No
existe relación tisular alguna entre los tejidos branquiales del organismo
materno y las crias (figs. 3, 4, 5).
HEARD (1965) describe la incubación de crías em E. cubensis indicando
que los embriones se desarrollan livres entre las láminas branquiales de
la hemibranquia interna, aunque indica que cada embrión está rodeado por
una evoltura tisular esférica estrechamente adherida, a la que califica de
“spherical marsupial covering”. Al menos en el caso de E. platensis y
B. paranensis se demuestra claramente que tal envoltura no es derivada
de tejidos branquiales, como ocurre en otros Sphaeriidae, por lo que no
reviste carácter de envoltura incubatoria. Se trata en este caso de la membrana
vitelínica, particularmente evidente en las ovas de estas especies, que como
en el caso de otras formas lecitotróficas persiste hasta completarse el desarro-
llo de los embriones (figs. 5, 6).
La talla minima de individuos maternos a la que se registraron embriones
en incubaciön fue de 4,3 mm en E. platensis. En caso de B. paranensis,
habiéndose examinado sólo 9 ejemplares, la talla mínima de individuos porta-
dores resultó 4mm.
El número de embriones alojado en cada marsupio es por lo común
coincidente, aunque es frecuente la ocurrencia de diferencias importantes.
Esto tiene lugar especialmente en los casos en que las crias alojadas han
alcanzado estados de desarrollo avanzado, próximos a la expulsión. El fenó-
meno posiblemente se origina en expulsiones parciales de las crias contenidas
en una y otra hemibranquia.
Tanto en E. platensis como en B. paranensis resultó similar el estado
de desarrollo alcanzado por los embriones integrantes de una camada en
incubación, lo que indica que no existe superposición de generaciones durante
un periodo de incubación.
En cuanto al número de crias en desarrollo en cada individuo materno
existen referencias bibliográficas que indican entre 22 y 66 embriones para
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):41-47, 20 dez. 1988
de ITUARTE, C. F.
E. platensis; 25 y 35 en E. cubensis (HEARD, 1964); 24 y 62 para E.
klappenbachi (MANSUR & VEITENHEIMER, 1975).
Se determinö para E. platensis el nünero de embriones alojados en ambas
hemibranquias internas sobre un total de 45 ejemplares cuyo intervalo de
tallas estuvo comprendido entre 5 y 8,7mm. Se graficö el número de crias
por individuo materno discriminado segün la talla de estos (fig 7). Con
una discreta dispersiön en los valores de numerosidad correspondientes a
cada clase de talla, el nümero de embriones se incrementa con el aumento
en talla de los individuos portadores segün la relaciön exponencial y=0,0004
x62965 (donde y es el número de embriones, x la talla de los individuos
maternos).
La dispersiön de los valores de numerosidad dentro de cada clase de
talla puede ser explicada bien por cierto grado de variabilidad individual
o bien por haberse incluido en los censos a individuos portadores de embriones
en estado avanzado de desarrollo que hubieran comenzado su eliminaciön
o, finalmente, originar-se en eliminaciones abortivas de crias que habitual-
mente son motivadas por el “ stress’ de la colecta y acarreo de los ejemplares.
CONCLUSIONES
El processo de incubación branquial de embriones en E. platensis y
B. paranensis se presenta con iguales características.
Los embriones son incubados en la amplia cámara suprabranquial y espacio
interlamelar de ambas hemibranquias internas.
No se desarrollan estructuras incunbatorias especiales. Los embriones per-
manecen libres en el espacio branquial.
La única envoltura que rodea a los embriones en incubación es la mem-
brana vitelínica, que persiste hasta que se completa su desarrollo.
No existe superposición de diferentes generaciones de crias en incubación.
El grado de desarrollo de los embriones integrantes de una camada es similar.
El número máximo de crias fue de 170 en E. platensis y en B. paranensis.
La similitud en el proceso incubatorio en E. platensis y B. paranensis
aqui descripto, sumada a los datos referidos a la configuración y desarrollo
de los sifones (ambos sifones, branquial y anal, presentes y completamente
separados a la largo de toda su extensión) y de la glándula del biso (presente
y funcional en los adultos) aportados por BONETTO & EZCURRA (1964)
permiten la asignación del género Byssanodonta d’Orbigny a la subfamilia
Euperinae Heard, 1965.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):41-47, 20 dez. 1988
Características de la incubación branquial en ... 45
N NE ati u ml Ü L L nn
AGRADECIMIENTOS
A la Profesora Inés Ezcurra de Drago por la cesión del materal de Byssanodonta
paranensis.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):41-47, 20 dez. 1988
46 ITUARTE, C. F.
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embriones
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db. L. RTramowillos
5 6 7 8 Talla individuo
materno (mm)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):41-47, 20 dez. 1988
Características de la incubaciön branquial en... 47
«e E
podas BUS I
x
y
Figs. 1, 3, 4, 6: Eupera platansis; 1, secciön transversal de la masa visceral y
hemibranquias; 3, secciön transversal de la hemibranquia interna (ambas 100 X); 4,
secciön longitudinal de la hemibranquia interna (100 X); 6, detalle parcial de tres
embriones de avanzado desarrollo (400 X).
Figs. 2, 5:Byssanodonta paranensis; 2, secciön transversal de la masa visceral y hemibran-
quias; 5, grupo de embriones en incubaciön (ambas 100 X)
Abreviaturas: cs cämara suprabranquial; he, hemibranquia externa; hi, hemibraquina
interna; 1d, Ir,láminas directa y reflejada; m manto; mv, membrana vitelina; p, pie;
pr, periostraco; ui, uniön interlamelar.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):41-47, 20 dez. 1988
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Ei ciclo biológico de LLevinseniella cruzi Travassos, 1920
(Digenes, Microphallidae) Parásito de los ciegos cólicos de
Rollandia rolland chilensis (Aves, Podicipedidae) e Himantopus
melanurus (Aves, Recurvirostridae)*
Sergio Roberto Martorelli **
ABSTRACT
In this paper a fluke Levinseniella cruzi Travassos, 1920 (Digenea, Microphallidae)
Parasitizing the intestine of White-tufted Grebe Rollandia rolland chilenis Leson, 1828
(Aves, Podicipedidae) and South American Stilt Himantopus melanurus (Aves Recurviros-
tridae) is described.
Its larvae were studied and the life-history was observed in nature and confirmed
in the laboratory. This cycle envolved two intermediate host the first one are Heleobia
conexa Gaillard, 1974 and H. parchappei d’Orbigny, 1835 (Mollusca, Hidrobiidae) and
the other ones are freswhater shrimp Palaemonetes argentinus Nobili, 1901 (Crustacea,
Palaemonidae).
INTRODUCCION
Prosiguiendo con el studio de la biologia de los digeneos en biotopos
dulceacuicolas, se recolecto en tres ambientes lagunares de la provincia
de Buenos Aires (República Argentina) un parásito adulto en los ciegos
cólicos del macä común Rollandia rolland chilensis Lesson, 1828 (Aves,
Podicipedidae) y del tero real Himantopus melanurus Vieillot, 1817 (Aves,
Recurvirostridae). Las caracteristicas anatómicas del mismo permitieron ubi-
carlo dentro de la família MICROPHALLIDAE Travassos, 1920.
Al mismo tiempo se encontró una metacercaria perteneciente a la misma
familia parasitando al camarón de agua dulce Palaemonetes argentinus Nobi-
li, 1901 (Crustacea, Palaemonidae) y una xifidiocercaria que emergió de
los moluscos Heleobia conexa (Gaillard, 1974) y Heleobia parchappei
(d’Orbigny, 1835) (Mollusca, Hydrobiidae).
La presente contribuición tuvo como objetivo ubicar taxonomicamente
* Aceptado para publicar el 05.VII.1988. Contribuición Nro 152 del Centro de Estudios Parasitológicos
y Vectores (CEPAVE)
** Investigador del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET). Calle
2 Nro. 584 La Plata (1900) Buenos Aires, República Argentina.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
50 MARTORELLI,S.R.
al Paräsito hallado, dar a conocer su ciclo biolögico y ampliar su distribuciön
geogräfica y el nümero de hospedadores definitivos conocidos.
MATERIAL Y METODOS
Los hospedadores intermediarios y definitivos fueron capturados en tres ambientes
lênticos de la Provincia de Buenos Aires (laguna en la localidad de Los Talas (34º52ºS
y 57°05’O); laguna de Chascomüs (35º36'S y 58°00’O); albufera de Mar Chiquita (37º46'S
y 57°07’O).
Cercarias y esporocistos se obtuvieron a partir de ejemplares de A. conexa y
H. parchappei naturalmente infectados y se estudiaron “in vivo” entre porta y cubreobjetos.
Las metacercarias se recolectaron disecando al segundo hospedador intermediario
P. argentinus. Para su estudio se procedió a desenquistarlas realizandose dos procedi-
mentos distintos: Por presión entre porta y cubreobjetos, luego de un pasaje por
pepsina con unas gotas de ácido clorhidrico; o dejandolas en una cápsula con agua
destilada y restos de musculatura de los hospedadores de los que fueron recolectadas.
En estas últimas condiciones, a una temperatura de 18 a 20°C y un pH entre 6 y
7, al cabo de aproximadamente 2 horas, comenzaron a desenquistarse solas. Una vez
libres de la cápsula se estudiaron “in vivo” siendo además fijadas en alcohol 96,
coloreadas con carmin clorhidrico y montadas en bálsamo de Canada para su estudio
«in toto”,
Los ejemplares adultos obtenidos de la disección de las aves R. rolland chilenis
e H. melanurus se estudiaron montados “in toto” de igual manera que las metacercarias.
Para contar con ejemplares de P.argentinus sin infectar se procedió a criarlos en
el laboratorio. Para ello se recolectaron en los ambietes estudiados numerosas hembras
ovigeras y se colocaron en un acuario con abundante vejetación, oxigenado artificialmente
por medio de un aireador eléctrico. Una vez producida la eclosión, los ejemplares
adultos fueron retirados manteniéndose a las crías en los acuarios originales hasta
que contaron con un tamano adecuado para realizar las experiencias.
Las infectaciones experimentales en el segundo hos pedador intermediario se realizaron
en pequefios acuarios de 10 x 10 x 7 cm. En éstos se colocaron ejemplares de P.
argentinus sin parasitar junto con moluscos infectados de los cuales emegian cercarias
naturalmente.
Las medidas se dan en micrómetros y corresponden a la media aritmética. En
la descripción del adulto se indican los valores minimos y máximos entre parentesis.
RESULTADOS
Adulto de Levinseniella cruzi Travassos, 1920
(Figs. 1, 3 y 4)
Hospedador: R. rolland chilensis e H. melanurus.
Localización: ciegos cólicos.
Localidad: Los Talas, Chascomüs, Mar Chiquita, Provincia de Buenos Aires, Argentina,
Material estudiado: 30 individuos montados “in toto”,
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
El ciclo biologico de Levinseniella cruzi... 51
Cuerpo piriforme de 765 (512-1130) x 330 (208-460) cubierto de espinas
hasta el nivel de los testiculos. Ventosa oral sin auriculas laterales de 83
(60-102) de diämetro. El acetábulo de menor tamafio que la ventosa oral
mide 65 (52-84) y se ubica en el tercio posterior del cuerpo. La relación
de las ventosas es de 1.27 (VO/VV). Prefaringe de 69 (28-145) de largo
sin la presencia de esfincter prefaringeal. Faringe de 40 (30-48) x 34
(27-40). El esófago de 151 (80-261) de largo se divide en el tercio medio
del cuerpo originando dos ciegos intestinales diverfentes de 232 (180-330)
de largo. Los mismos se extienden hasta el borde posterior del acetábulo.
Testiculos ovalados, intercecales y post-acetabulares dispuestos simetri-
camente en el tercio posterior del cuerpo; el derecho mide 119 (99-150)
x 69 (48-80) y 112 (99-132) x 61 (48-76) el izquierdo. Conductos eferentes
dirigidos hacia la parte anterior, uniéndose à nivel del costado derecho
del acetábulo en un corto conducto deferente que se relaciona con la vesícula
seminal (Fig. 3g), libre en el parénquima. Esta última, de 89 (66-108) de
largo, se situa por debajo de la bifurcación intestinal anteriormente al acetá-
bulo y parcialmente sobre el lado derecho del mismo. Parte prostática bien
individualizada formada por un tubo alargado tapizado de numerosas papilas
de 5 de largo (Fig. 3f), y con abundantes células glandulares (Fig. 3e).
El conducto prostático se relaciona distalmente con la papila copulatriz
masculina que mede 19 (1-24) de largo y 18 (16-20) de ancho (Fig. 3d).
Atrio genital (Fig. 3b) situado a la izquierda del acetábulo presentando
en su costado externo un conjunto de 6 a 10 papilas de 17 (14-23) de
largo y 9 (8-10) de diámetro (Fig. 3c). Costado interno (acetabular) del
atrio genital sin la presencia de bolsa genital femenina.
Ovario pretesticular, situado a la derecha del acetábulo en el tercio
posterior del cuerpo, de 90 (72-99) de largo y 63 (40-84) de ancho. Oviduto
(Fig.4b) más o menos largo que recibe el canal del receptáculo seminal
(Fig. 4g), el viteloducto (fig. 4c) y origina el canal de Laurer (Fig. 4f).
Utero ventral (Fig.4d) describiendo numerosas ansas que ocupan el tercio
posterior del cuerpo, desembocando a travez del metratermos (Fig. 3a) en
el atrio genital, dorsalmente a la papila copulatriz. Huevos pequenos y nume-
rosos de 20 (18-24) x 10 (9-12).
Las glándulas del vitelo ocupan el tercio posterior del cuerpo formando
un conjunto de 10 a 12 foliculos de cada lado de la linea media longitudinal,
posteriormente a los testiculos.
Cercaria: (Figs.. 7y 9)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
52 MARTORELLI, S. R.
Hospedador; H. conexa y H. parchappei.
Localización: hepatopancreas y gonoda.
Localidad: Los Talas, Chascomús, Mar Chiquita, Provincia de Buenos Aires, Argentina.
Material estudiado: 20 individuos “in vivo»
El cuerpo ovoide de 125 x 45 está cubierto de espinas en toda su extensión
y se continúa posteriormente por una cola de 90 de largo y 9 de ancho.
Ventosa oral subterminal y ventral de 24 de diámetro. Acetábulo ausente.
En el extremo apical del cuerpo anteriormente a la ventosa oral se observa
un estilete de 16 de largo.
En la región ecuatorial del cuerpo se encuentran 4 pares de glándulas
de penetración, sus conductos se dirigen hacia adelante desembocando dorsal-
mente a ambos lados de la ventosa anterior.
Sistema digestivo ausente.
Sistema excretor formado por 16 protonefridios dispuestos según la fór-
mula : 2 [(2+2) + (2+2)] = 16. Vesicula excretora en forma de V con
sus brazos muy anchos.
Este estadio larval se forma dentro de esporocistos ubicados en la gonada
y hepatopancreas del molusco hospedador. Estos ültimos (Fig. 6) son alarga-
dos variando sus dimensiones de acuerdo al estado de desarrollo en que
se encuentren. EI extremo anterior del cuerpo es aguzado presentando dos
o mäs constricciones transversales. En su interior es posible distinguir nume-
rosas cercarias en formaciön.
Las cercarias emergen en elevado nümero del hospedador y comumente
nadan muy poco observandoselas Dt por el fondo de la cäpsula que
las contiene.
La cercaria estudiada presenta notables similitudes morfolögicas con Xip-
hidocercria sp. IV descripta por OSTROWSKY DE NUNES (1981) en Heleo-
bia piscium (d’Orbigny,1835) del Rio de la Plata y podria tratarse del mismo
estadio larval. Como es sabido dentro de la familia MICROPHALLIDAE
hay muy poca especificidad aún a nivel del primer hospedador intermediario.
En la tabla I se comparan las principales medidas de ambos estadios larvales.
Metacercaria: (Figs. 8, 10 y 11)
Hospedador: P. argentinus.
Localización: Musculatura, gonadas, conjuntivo.
Localidad: Los Talas, Chascomús, Mar Chiquita, Provincia de, Buenos Aires, Argentina.
Material estudiado: 20 individuos montados “in vivo”, 15 “im toto’’
Esta se encuentra encerrada dentro de una cápsula esférica de doble
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El ciclo biologico de Levinseniella cruzi... 53
pared cuyo diámetro varia de 273 a 364 de acuerdo con el estado de desarro-
llo. En su interior, la metacercaria con su cuerpo plegado realiza lentos
movimientos de rotación. El estudio de su anatomia interna solo se puede
realizar luego de su desenquistamiento. El cuerpo piriforme de 585 a 920
de largo y 247 a 352 de ancho, esta cubierto de espinas hasta el nivel
de los testiculos y sus medidas y demas caracteristicas morfologicas coinciden
con las observadas en los ejemplares adultos.
Diámetro de la VO 78-96; diametro de la VV 64-76; largo de la faringe
44-48; largo de la prefaringe 25-100; largo del intestino 264-320; ovario
(largo x ancho) 90-100 x 52-60; digitaciones atriales (N) 7-10; largo de
las digitaciones atriales 12-20; diametro de las digitaciones atriales 9-10;
largo del sofago 152-236; largo de la visicula seminal 102-140; testículos
(largo x ancho) 75-150 x 40-80; diametro “del quiste 263-364. (medidas
em um).
El sistema excretor esta formado por 16 protonefridios dispuestos de
acuerdo a la fórmula: 2 [(2+2) + (2+2)] = 16. La vesicula excretora tiene
forma de V.
Este estadio larval se halla por lo general asociado a otras dos metacer-
carias enquistadas en el mismo hospedador. Una de ellas pertence a la especie
Microphalus szidati (MARTORELLI, 1986) y la otra al género Phyllodis-
tomun Braun, 1899. Este hecho hace que sea muy dificultoso establecer
la prevalencia del parásito estudiado actualmente en el segundo hospedador
intermediario, ya que macroscopicamente es muy dificil distinguir un quiste
de otro.
El proceso de desequistamiento natural, que pudo ser observado “im
vivo”, es bastante corto (de 1 a 2 horas). Durante el mismo la metacercaria
rompe las paredes de la cápsula que la contiene, quedando libre el tercio
medio del cuerpo; luego libera el extremo posterior que se mueve continua-
mente en el medio liquido circundante y finalmente se desprende el extremo
anterior (Fig. 8).
‘cs
Infestaciones Experimentales: Figs. 2 y 10).
El objetivo de las mismas fue el de poder correlacionar la cercaria
hallada con la metacercaria correspondiente. Ejemplares sin infestar de P.
argentinus fueron expuestos a cercarias que emergian naturalmente. Al cabo
de 20 a 25 dias se observó en los camarones, por transperencia atravéz
del cuerpo, la presencia de numerosos quistes blanquecinos. La disecciön
posterior de estos hospedadores experimentales permitiö aislar las metacer-
carias para ser estudiadas y comparadas con las obtenidas a partir
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
54 MARTORELLI, S. R.
de infestaciones naturales. En todos los casos resultaron pertenecer a la
misma especie de parásito.
En lo referente a la correspondencia entre los ejemplares adultos y
la metacercaria hallada, además de las coincidencias en los distintos paráme-
tros corporales, la estructura del sistema genital no deja lugar a dudas.
La forma y tamafio del atrio genital y de la papila masculina, el número
y dimensiones de las digitaciones atriales y la ausencia de bolsa genital
femenina son entre otras, pruebas innegables de lo expresado. DEBLOCK,
CAPRON y BIQUET (1958) comentan al respecto que dada la gran variación
observada dentro de esto grupo de parásitos, solo las caracteristicas reativas
al aparato genital pueden servir de criterio válido para la diagnosis especifica.
DISCURSION Y CONCLUSIONES
Sistemática del parásito estudiado.
Las caracteristicas anatómicas del digeneo estudiado permitieron ubicarlo
en la familia MICROPHALLIDAE Travassos, 1920 y dentro de ella como
perteneciente al género Levinseniella Stiles & Hassal, 1901.
HEARD (1968) en un estudio crítico del género Levinseniella divide
al mismo en cuatro grupos: I) con pocas digitaciones atriales (cuatro o
menos) y bolsa femenina presente; II) pocas digitaciones atriales y bolsa
femenina ausente; III) numerosas digitaciones atriales (7 o más) y bolsa
feminina presente y IV) numerosas digitaciones atriales y bolsa femenina
ausente.
YAMAGUTY (1971) en la diagnosis del mencionado género no considera
la ausencia de bolsa femenina en el atrio genital; creando un nuevo genero,
Heardlevinseniella Yamaguty, 1971 caracterizado fundamentalmente por la
ausencia de la mencionada bolsa y por la presencia de un par de papilas
en la ventosa anterior y un anillo muscular pos-oral. En esa oportunidad
el autor pasó por alto un trabajo anterior, DEBLOCK & PEARSON (1970),
en el cual se divide al género Levinseniella de acuerdo con la presencia
o ausencia de la bolsa femenina en dos sub- generos: Levinseniella y Monarr-
henos respectivamente. |
OVERSTREET & PERRY (1972) consideron al genero Heardlevinse-
niella como sinönimo de Levinseniella, basandose en los escasos argumentos
esgrimidos por Yamaguti para su creaciön.
El digeneo estudiado actualmente presenta todas las caracteristicas tipicas
de la diagnosis del genero Leniseniella y la ausencia de bolsa femenina
en el atrio genital posibilitan su inclusión dentro del sub- genero Monarrhenos.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
El ciclo biologico de Levinseniella cruzi... 55
Ademas la presencia de 8 a 10 digitaciones atriales permiten compararlo
con las especies incluidas hasta el momento en el mencionado grupo IV
de Heard: L. (M.) Polydctyla Deblock & Rose, 1962: L. (M.) huteri Heard,
1968; L. (M.) sp. 2 Heard in Deblock & Person, 1970; L.(M.) sp. 3 Heard
in Deblock & Pearson 1970, L. (M.) capitanea Overstreet & Perri, 1972
y L. (M.) ophidea Nicol, Demarree & Wootton, 1985.
La especie estudiada actualmente se diferencia de L. hunteri por la
presencia de una papila masculina carnosa de gran talla y por la menor
dimensiön e los huevos y demäs parämetros corporales.
La presencia de series de ganchos evaginables en las digitaciones atriales
en L.(M.) sp 3 la separan perfectamente de la especie ahora estudiada.
Levinseniella (M.) sp. 2 difere del paräsito estudiado actualmente por
poseer un nümero maior de digitaciones atriales (8-14), y por presentar
un par de auriculas laterales a la ventosa oral y un anillo muscular postoral.
Levinseniella (M.) capitanea se separa de la especie descripta aqui por
sus dimensiones corporales (de dos a tr&s veces mayores), su elevado nümero
de digitaciones atriales (11-12) y la ausencia de faringe, esöfogo y ciegos
intestinales.
Levinseniella polydactyla se diferencia del paräsito estudiado por el
menor tamano del cuerpo, poseer de 10 a 12 digitaciones de menor longitud
(10-13) y por la menor dimensiön de los huevos.
Levinseniella (M.) ophidea difiere de el digeneo descripto por presentar
un mayor nümero de digitaciones atriales (9-15) y por la presencia en ellas
de estrucuturas esclerotizadas.
Con respecto a las especies del genero Levinseniella conocidas para
América del Sur solo fueron citadas hasta el presente: L. cruzi Travassos,
1920 en Anas bahamensis Linnaeus, 1876 (Aves, Anatidae) del Brasil:
L. anenteron (Szidat, 1964) Deblock, 1978 en Larus marinus dominicanus
Lichtenstein, 1823 (Aves, Laridae) de Argentina y L. venezuelensis Fischthal
& Nasir, 1974 en Ereunetes pusillus Linnaeus, 1766 (Aves, Scolopacidae)
de Venezuela.
Levinseniella venezuelensis difiere de la especie estudiada actualmente
por la presencia de una bolsa genital femenina en el atrio genital, por
tener un par de auriculas ventro-laterales en la ventosa oral, poseer 6
digitaciones atriales y por ser los huevos de mayor tamafio.
Levinseniella anenteron se diferencia del parásito estudiado por tener
el tubo digestivo vestigial o totalmente ausente, presentar solamente 4 digita-
ciones atriales de menores dimensiones y por poseer una papila genital mascu-
lina de aproximadamente el triple de tamafio.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
56 MARTORELLI,S.R.
En lo referente a la especie L. cruzi faltan en su descripciön original
detalles en cuanto a la anatomía de la genitalia terminal, tan importantes
en la sistemática de ésta familia. DEBLOCK (1972) al redescribirla aportó
varios datos al respecto. De la comparación entre esa especie y la aqui
estudiada surge que: las dimensiones generales del cuerpo; el diámetro de
las ventosas; el largo de la faringe, la vesicula seminal, y de los ciegos
intestinales; las dimensiones del ovario y de los huevos y el número y
medida de las digitaciones atriales caen dentro del rango de variación de
la especie estudiada en este momento. Todo lo anterior, además de la proximi-
dad geográfica permitió finalmente identificar a ésto último con la especie
L. cruzi.
Desarrollo del ciclo biol ógico. (Fig. 5)
El ciclo biológico del parásito estudiado permanecia hasta la actualidad
sin conocer. YOUNG (1938) citó a un helminto de Limosa fedoa Linnaeus,
1758 (Scolopacidae) y Catoptrophorus semipalmatus Gmelin, 1789 (Scolopa-
cidae), como posiblemente pertencientes a la especie L. cruzi describiendo
en esa oportunidad su ciclo biológico. Posteriormente el mismo autor (1948)
ubicó taxonomicamente al parásito estudiado en 1938 como pertenciente
a la especie Spelotrema nicolli Cable & Hunninen, 1940 (Microphallidae).
Las investigaciones realizadas permitieron comprobar que el ciclo de
vida de L. cruzi se cumple en los biotopos estudiados con tres hospedadores.
Estos corresponden a distintas especies de vertebrados e invertebrados de
acuerdo con el ambiente donde el ciclo se desarrolle.
Los gasterópodos H.conexay H. parchappei representan al Primer hospe-
dador intemediario. Dentro de él, en los esporocistos, se forman las cercarias
que al emerger del molusco penetran en el segundo hospedador intermediario;
el crustáceo P. argentinus. Los hospedadores definitivos hallados fueron
las aves R. r. chilensise H. melanurus, que al alimentarse con los camarones
infectados posibilitan el desenquistamiento de las metacercarias ysu ubicación
definitiva en los ciegos cólicos. En la Tabla III se indican los hospedadores
hallados en los tres biotopos estudiados.
SCHULDT etc. al (1981) refiriéndose a encapsulaciones halladas en P.
argentinus expresan, en sus conclusiones, que el hospedador mencionado
podria ser paraténico; basándose en la ausencia de productos cistógenos
en la estructura capsular y en la baja reacción producida por el parásito
en los tejidos del hospedador. La presente investigación permitió comprobar,
por el contrario, que el crustáceo mencionado se comporta como un verdadero
hospedador intermediario. En efecto, al ser P. argentinus una parte impor-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
El ciclo biologico de Levinseniella cruzi... 57
tante del espectro trófico de los hospedadores definitivos mencionados, el
parásito se asegura la culminación exitosa de su ciclo de vida en la naturaleza.
Ademas en numerosas oportunidades fueron citados crustáceos decápodos
como hospedadores intermediarios normales de distintas especies del género
Levinseniella.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
El ciclo biologico de Levinseniella cruzi... 59
Tabla I: Comparación entre la Xiphidiocercaria sp. IV descripta por (Ostrows-
ky de Nufies, 1981) y la cercaria de Levinseniella cruzi Travassos, 1920
(medidas em um)
|
| Xiphidiocercaria Cercaria de
sp. IV L. cruzi
RR q O Bl md cubo sansiis
Largo del cuerpo | 102-118 106-140
Ancho del cuerpo | 40-56 40-56
Largo del estilete | 16-18 13-18
Diametro de la |
ventosa oral à 24-27 25-31
Largo de la cola | 97-108 62-112
Ancho de la cola | 13-19 9-12
Tabla II: Hospedadores de Levinseniella cruzi en los biotipos estudiados
Biotopos Laguna de Laguna de Albufera de
Chascomüs Los Talas Mar Chiquita
Hospedador R. rolland R. rolland H. melanurus
Definitivo chilensis chilensis
ler. Hospeda-
dor Interme-
.,
diärio.
H. parchappei H. parchappei H. conexa
2do. Hospeda-
dor Interme-
m.
diärio.
P. argentinus P. argentinus P. argentinus
DO DS Er = A E ES E 7 E SR
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
60 MARTORELLI, S. R.
Fig. 1.4: Levinseniella cruzi Travassos, 1920: 1. adulto en vista ventral; 2. metacercaria
desenquistada en vista dorsal; 3. detalle de la genitalia terminal; a - metratermo,
b - atrio genital, c - digitaciones atriales, d - papila genital masculina, e - céculas
prostáticas, f - ducto prostático, g - vesícula seminal, h - acetábulo; 4. detalle
de los ductos genitales: a - acetábulo, b - oviducto, c - viteloducto, d - utero, e
- ootipo, f - canal de Laurer, g - receptáculo seminal.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
El ciclo biologico de Levinseniella cruzi... 61
8
op B 5 =
Fig. 5-8: Desarrollo del ciclo biológico: A - adulto, B - huevos, C - esporocistos
en el primer hospedador intermediario, D - cercaria, E - metacercarias en el segundo
hospeador intermediario; 6-8. Levinseniella cruzi Travassos, 1920. 6. esporocisto maduro
con cercarias en su interior; 7. cercaria; 8. Sequencia de desenquistamiento natural
de la metacercaria.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
62
MARTORELLI, S. R.
Fig. 9-11: Levinseniella cruzi Travassos, 1920. cercaria “in vivo”; 10. metacercaria
de obtención experimental “in vivo; 11. corte histológico de la metacercaria encapsulada
en Palaemonetes argentinus Nobili, 1901, hematoxilina-eosina.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):49-62, 20 dez. 1988
Zoobentos del rio Arrecifes (Buenos Aires, Argentina) y sus
principales tributarios. *
María Raquel Sampóns **
ABASTRACT
The research carried out in the lower part of the Arrecifes river basin (Province
of Buenos Aires, Argentina), was performed in order to know the composition of
the zoobenthos, their seasonal changes and to analyse faunistic similitudes between
the main channel and tributaries. By the examination of 160 samples, a total of
84 taxa were registered, 42 for the main channel and 77 for the tributaries. Ostracods
and nematods were the most representative in the main channel for their numerosity
and frequency, and oligochaets in the tributaries for its numerosity and specif richness.
Numerosity (ind/m?) especific richness (number of species) and specific diversity (H)
were greater in the tributaries than in the main channel. The specific diversity ranged
between 3,15-4,57 in the tributaries and between 1,01-3,25 in the main channel.
INTRODUCCION
En la República Argentina el estudio de la fauna bentónica de ambientes
lóticos, ha sido desarrollado principalmente en el río Paraná y tributarios
(VARELA et al, 1980; DI PERSIA et ali, et al, 1982; MARCHESE &
EZCURRA DE DRAGO, 1983; MARCHESE, 1984).
Los ríos y arroyos ubicados al Noreste de la Provincia de Buenos Aires
no han sido objeto, hasta el momento, de investigaciones biológicas, aún
cuando en sus márgenes se encuentran importantes asentamientos industriales
y humanos. Los limnótopos de la subcuenca Delta, sólo han sido relevados
desde el punto de vista geohidrológico (EASNE, 1973).
En esta contribuición, se dan a conoer la composición del zoobentos
en la porción inferior de la cuenca del río Arrecifes (subcuenta Delta),
las variaciones estacionales en esta comunidad y las similitudes faunísticas
entre el cauce principal y los tributarios más importantes.
* Aceptado para su publicación en 27.VII.1988.
**Becaria de Perfeccionamiento y Técnicas. Instituto de Limnologfa **Dr. Raúl A. Ringuelet’’,
Paseo del Bosque s/n, 1900 La Plata, Argentina.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
64 SAMPÓNS, M. R.
AREA DE ESTUDIO
La porción inferior de la cuenca del río Arrecifes está ubicada al
Noreste de la Provincia de Buenos Aires (Argentina), en la Pampa Baja
según el criterio de FRENGUELLI (1950).
El río Arrecifes tiene un recorrido de 70 km en dirección SW-NE y
desemboca en un brazo del río Paraná. La cuenca tiene una extensión de
1800 km? y la pendiente media es de 2,30 m/km (EASNE, loc. cit.).
De los numerosos afluentes temporarios y permanentes que recibe, se
seleccionaron dos cuya extensión y caudal los ubica como principales tributa-
rios: los arroyos Burgos y Luna.
Se delimitaron cuatro estaciones de muestreo: 1 y 2 en el cauce principal;
3 en el arroyo Burgos y 4 en el arroyo Luna (Fig. 1).
La estación 1 es cercana a la desembocadura del Arrecifes, y está ubicada
a 8 km de la ciudad de Baradero (33º49'S y 59°35’W). En este sector
el ancho del río es de 20 m y sua orillas están formadas por barrancas
altas (3m). La estación 2 se halla en la zona cercana a las nacientes del
rio Arrecifes, en las afueras de la ciudad homónima (34º05'S y 60°06’W).
El ancho del río es aqui de 15m y sus barrancas som más altas (4m). Las
dos estaciones del cauce principal carecen de hidrófitas.
La estación 3 está ubicada en el arroyo Burgos, a 13 km de su confluencia
con el Arrecifes (33°57’S y 59°51’W). El ancho del arroyo es de 4m y
sus orillas son bajas (0,50m). El espejo de agua está cubierto en gran
parte por hidrófitas: Althernanthera philoxeroides (Matius) Grisebach (AMA-
RANTHACEAE), Ceratophyllum demersum L. (CERATOPHYLLACEAE),
Hydrocotyle ranunculoides L. (APIACEAE), Potamogeton striatus Ruiz &
Pavon (PATAMOGETONACEAE) y Ludwigia sp. (ONAGRACEAE).
Lá estacion 4 está ubicada en el arroyo Luna, a un kilómetro de su
confluencia con el Arrecifes (34º06'S y 59°59’W). El ancho del arroyo
es de 2 m y sua márgenes están formadas por barrancas de 1 m de altura.
Las hidrófitas crecen en las orillas: A. philoxeroides, C. demersum e H.
ranunculoides. La estación 4 permanece umbría todo el afio por la presencia
de una “galería”” marginal de Gleditsia triacantha L. (FABACEAE; Acácia
negra).
MATERIAL Y METODOS
Se realizó un muestreo estacional del zoobentos en setiembre y diciembre de 1985,
y en abril y julio de 1986. Se tomaron 160 muestras al azar en sectores de la zona
litoral con remansos y/o vegetación acuática, a una profundidad de 0,50 m. Se extrajeron
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
Zoobentos del rio Arrecifes... 65
columnas de sedimento de 12 cm de altura con un dispositivo tubular tipo corer de
3 cm de diámetro, accionado a mano. Las muestras, fijadas en formol al 5%, se
lavaron bajo flujo contíno de agua a través de un tamiz de 200 micras de albertura
de malla. Cada unidad así procesada se llevó a un volumen de 100 ml y se efectuó
el recuento total de la fauna bajo microscopio estereoscópico.
Conjuntamente con el muestreo del bentos, se registraron los siguientes datos para
cada estación: temperatura del agua, transparencia (disco de Secchi), pH, conductividad
y naturaleza del sedimento. La velocidad de la corriente (superficial con flotadores)
y la profundidad en los sectores muestreados, fueron estimadas en forma relativa
por lo que se omiten las mediciones en la tabla correspondiente.
Las especies dominantes se establecieron según el índice de de abundancia de Kownacki
(KOWNACKI, 1971); la diversidad específica (H) se estimó por el índice de diversidad
de Shannon & Weaver (MARGALEF, 1974); la densidad se expresó como numerosidad
total de individuos por metro cuadrado.
Las similitudes faunísticas entre las estaciones de muestreo fueron establecidas
mediante un análisis de agrupamientos por el método de los grupos pares no ponderados
(UPGMA) aplicado sobre una matriz de similitud confeccionada a partir del índice
de comunidad de Jaccard (LEGENDRE & LEGENDRE, 1983). Para la determinación
de los taxa se siguió el criterio de varios autores: BRINKHURST & JAMIESON (1971)
— oligoquetos; REID (1985) — copépodos; SMIRNOV & TIMMS (1983) — Cladóceros;
RAMIREZ (1967) — ostrácodos; PENNAK (1978) — nematodes, moluscos, insectos.
RESULTADOS Y DISCUSION
Características fisicoquímicas: la conductividad de la
corriente presentaron valores más elevados en el cauce principal, observán-
dose una disminución de los mismos desde las nacientes hacia la desembo-
cadura (Tabla 1).
Los valores de pH y transparencia fueron más elevados en los tributarios.
La temperatura presentó valores mínimos en la estación 4 durante todo
el período de muestreo. En las estaciones 1, 2 y 3 los registros estacionales
de temperatura fueron similares.
Natureza de los sedimentos: en la estación 1 hay un pre-
dominio de arena y conchillas sobre el limo; en la estación 2 el sedimento
es limo-arcilloso muy compactado. En sectores cubiertos por hidrófitas de
las estaciones 3 y 4, hay una espesa capa de fango sapropélico con abundante
detrito vegetal. El lecho es de tosca.
Zoobentos: se identificarón 84 taxas, 42 en el cauce principal y
77 en los tributarios (Tabla II).
En las estaciones 1 y 2 fueron dominantes una especie del género Cyprideis
y una especie del género Tobrilus. En la estación 3 compartieron la dominancia
Pseudobiotus augusti (Murray) y Tobrilus sp., en la estación 4
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68)49-62, 20 dez. 1988
66 SAMPÖNS,M.R.
Limnodrilus hoffmeisteri Claparede y Tobrilus sp. (Tabla III)
Desde el punto de vista cuantitativo, los componentes mäs relevantes
del zoobentos fueron los osträcolos y los nematodes (Fig. 2). Entre los
osträcodos, que alcanzaron el 29% de representatividad, se destacaron por
su numerosidad y frecuencia de apariciön en las muestras dos especies corres-
pondientes respectivamente a los géneros Cyprideis (cauce principal) y Can-
donopsis (tributarios). Entre los nematodes (24%) la especie más represen-
tativa corresponde al género Tobrilus.
Los oligoquetos (14%) fueron los integrantes más diversificados de la
comunidad. Se registraron 24 espécies pertenecientes a 6 familias: AELOSO-
MATIDAE, NAIDIDAE, OPISTOCYSTIDAE, TUBIFICIDAE, ENCHY-
TRAEIDAE y HAPLOTAXIDAE. En los tributarios se registró el mayor
número de especies (Figs. 3 y 4). Los oligoquetos más conspícuos fueron
L. hoffmeisteri y una especie del género Stephensoniana; las demás entidades
específicas se registraron en bajos porcentajes relativos y su aparición en
las muestras fue ocasional.
Los copédopos (11%) y los cladócereos (6%) presentaron mayor riqueza
específica en los tributarios, donde fueron asimismo más numerosos. Entre
los copépodos, tanto en el cauce principal como en los tributarios, la especie
más frecuente fue Paracyclops fimbriatus (Fischer). Los cladóceros estuvie-
ron principalmente representados por los macrotícidos en el río Arrecifes
y por los quidóridos en los arroyos Burgos y Luna. Las espcies más relevantes
fueron Macrothrix laticomis (Jurine) y Alona rectangula Sars.
Los demás taxa registrados no fueron relevantes por su numerosidad.
Cabe senalar, no obstante que en el arroyo Burgos siempre se constató
un elevado número de ejempares de P. augusti.
Asimismo es de destacar la riqueza específica y la elevada frecuencia
de aparición — aunque a bajas densidades —, que presentaron los insectos
(en su mayoría estadios preimaginales) en los arroyos tributarios (Fig. 4).
La diversidad específica (H) fue más elevada en los tributarios, con
valores que oscilaron entre 3,15 y 4,57 durante el período de muestreo.
La diversidad máxima se registró en primavera, en la estación 4. En el
cauce principal, donde se observó una disminución de la diversidad desde
las nacientes hacia la desembocadura, los valores de H fluctuaron entre
1,01 y 3,25. El registro mínimo corresponde a la estación 1 (otono).
Las variaciones estacionales observadas en la densidad y abundancia
relativa de los taxocenos más relevantes fueron las siguientes:
Cauce principal (Fig, 5 A): los ostrácodos tuvieron un incre-
mento de primavera a verano, con un pico en máximo en otono. Durante
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
Zoobentos del rio Arrecifes... 67
esta época del ano, las poblaciones de Cyprideis sp., único taxoceno registra-
do, alcanzaron una densidad de 113.880 ind/m?. La numerosidad descendió
bruscamente en invierno (900 ind/m?).
Los oligoquetos presentaron un patrón semejante de variación. La densi-
dad máxima (16.150 ind/m?) se registró en otofio, época en que las poblaciones
de TUBIFICIDAE sp. 1 y L. hoffmeisteri alcanzaron su mayor representa-
tividad numérica.
Copépodos y cladóceros presentaron sus máximos valores porcentuales
en primavera, con densidades de 17.130 ind/m? y 5.580 ind/m? respectiva-
mente. Ambos grupos declinaron en verano. Durante el otonô los copépodos
estuvieron escasamente representados y no hubo registro de cladóceros.
Los nematodes se incrementaron de primavera a verano, y disminuyeron
bruscamente en otono. Coincidiendo con los registros mínimos de tempera-
tura, se alcanzó la mayor representatividad de este taxoceno en la comunidad
(50%), com una densidad de 39.000 ind/m?.
Tributarios (Fig. 5B): los oligoquetos presentaron su máxima
abundancia relatica en verano, registrándose densidades de 16.200 ind/m?
en la estaciön 3 y de 17.750 ind/m? en la 4. Durante el otono y el invierno,
se observó una declinación en la numerosidad y en la abundancia relativa
del grupo. La densidad mínima se registró en la estación 4 (1.880 ind/m?).
Los ostrácodos alcanzaron su máxima representatividad en la comunidad
durante la primavera. Los valores de densidad registrados respectivamente
en las estaciones 3 y 4 (11.200 ind/m? y 14.380 ind,/m?2) fueron alcanzados
por el aporte numérico similar de las especies de los géneros Chlamidotheca,
Candonopsis e Ilyocypris. Esta situación difiere de la observada en el
auce principal donde la máxima densidad está dada únicamente por la presen-
cia de Cyprideis sp. Durante el verano y el otono, los ostrácodos mostraron
una declinación hasta alcanzar el mínimo en invierno. La densidad promedio
registrada en esta época fue de 880 ind/m?.
Entre los copepodos se registró una disminución en la abundancia relativa
de primavera a otono, con una densidad mínima de 250 ind/m? en abril.
En invierno se produjo un notable incremento en la representatividad de
este taxoceno (del 3% al 20%), con una densidad máxima de 43.800 ind/m?
en la estación 3.
Los cladóceros tuvieron un patrón de variación semejante al de los copé-
podos. Sus porcentajes relativos disminuyeron de primavera a verano y
fueron nulos en otofio. Durante el invierno se produjo un incremento impor-
tante debido, principalmente, al aporte numérico de los quidóridos. La densi-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
68 SAMPÓNS, M. R.
dad registrada en esta época del ano fue de 28.130 ind/m? y está dada
en gran parte por la numerosidad de las poblaciones de A. rectangula y
M. laticornis.
Los nematodes se incrementaron de primavera a otono, manteniéndose
su representatividad en invierno. La densidad mäxima se registrö durante
el mes de abril (38.150 ind/m?).
Tanto en el cauce principal como en los tributarios del río Arrecifes,
se observa una correlaciön negativa significativa entre los valores porcen-
tuales de grupos detritívoros y microfiltradores. En el cauce principal los
valores de correlaciön hallados fueron: r = - 0,86 entre oligoquetos y cop&po-
dos; r = - 0,79 entre oligoquetos y cladóceros, r = - 0,99 entre osträcodos
y nematodes. En los tributarios fueron: r = 0,90 entre oligoquetos y copépo-
dos y r =0,69 entre oligoquetos y cladóceros.
Esta correlación inversa altamente significativa observada entre compo-
nentes detritívoros y microfiltradores de la cadena trófica en el zoobentos,
parece indicar una competencia por el alimento (MASTRANTUONO, 1986).
Las similitudes faunísticas entre las estaciones de muestreo fueron esta-
blecidas mediante un análisis de agrupamientos por el método de los grupos
pares no ponderados (UPGMA) aplicado sobre una matriz de similitud confe-
ccionada con los resultados obtenidos a partir de la aplicación del índice
de comunidad de Jaccard. Con los resultados del agrupamiento se efectuö
un fenograma, siendo el coeficiente de correlación cofenética de 0,97 (Fig.
6). Del análisis de dicho fenograma surge que las similitudes son siempre
inferiores al 50%. Se puede distinguir un único grupo formado por los
arroyos tributarios (estaciones 3 y 4) al que se unen en forma sucesiva
y a escasa similitud las estaciones 2 y 1 del cauce principal.
Las afinidades faunísticas halladas entre los tributarios se relacionan
con los factores ambientales y fisicoquímicos que caracterizan a estos cuerpos
de agua. La presencia de cursos meandrosos con zonas remansadas donde
proliferan las macrófitas acuáticas, el elevado contenido de detrito vegetal
en los sedimentos, la escasa profundidad y la corriente lenta, proveen variadas
fuentes de alimento, refugio y desplazamiento. Estas condiciones son propi-
cias para el desarrollo de una fauna béntica abundante y diversificada. Asi-
mismo, la escasa representatividad numérica de formas depredadoras tales
como hidroideos, ciertos ciclopoideos, odonatos y algunos quironómidos,
influye en la alta diversificación alcanzada en los tributários por los grupos
detritívoros y los microfiltradores (oligoquetos y microcrustáceos princi-
palmente).
La situación se manifiesta diferente en el cauce principal, donde no
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
Zoobentos del rio Arrecifes... 69
hay colonización de hidrófitas, el sustrato es arenoso, y tiene escaso detrito
vegetal, y, donde son mayores el caudal, la profundidad y la velocidad
de la corriente. Estas condiciones se relacionan con la menor diversidad
específica, con el menor número de especies y con la mayor representatividad
numérica de aquellos taxa adaptados netamente a la vida de fondo, tales
como L. hoffmeisteri, Cyprideis sp. Y Tobrilus sp.
AGRADECIMIENTOS
A la Dra. Marfa Cristina Claps del Instituto de Limnologfa “Dr. Daül A. Ringuelet”
de la Facultad de Ciencias Naturales de la Universidad Nacional de la Plata por
el asesoramiento brindado y por la determinación de los tardígraos, a la Prof. Nuncia
María Tur, de la misma Institución, por la determinaciön de las hidrófitas y al Lic.
Carlos Norberto Skorupka, de la misma Instituición, por el apoyo técnico ofrecido.
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
72 SAMPÖNS,M.R.
TABLAII
TAXA 1 2 3 4
HYDROIDA
Hydra sp 1 0 0
TURBELLARIA 1 1 1 1
NEMATODA
Tobrilus SP. 1 1 1
DORYLAIMIDAE 1 1 1
Monhystera SP. 0 1 0 0
OLIGOCHAETA
Aelosoma Sp. 0 | 0 0
Chaetogaster SP. 1 1 1 1
Amphichaeta sp 0 0 1 1
Nais elinguis Muller 0 1 1 1
Nais pardalis Piguet 0 0 1 0
Nais pseudobtusa Piguet 0 0 1 0
Nais comunis Piguet 0 1 0 0
Nais variabilis Piquet 0 0 0 1
Pristinella osborni (Walton) 0 0 0 1
Pristinella idrensis (Sperber) 1 0 0 0
Pristina americana Cern. 0 0 0 1
Pristina proboscidea Bedd. cfr. 0 0 1 0
Pristina synclites Steph. 0 1 1 0
Pristina aequiseta Bourne 0 0 0 1
Dero (Dero) obtusa Udek. 0) 0 1 1
Paranais Sp. 1 1 1 1
Stephensoniana sp. 1 1 1 1
Trieminentia corderoi (Harman) 0 0 0 1
Limnodrilus hoffmeisteri Clap. 1 1 1 1
Aulodrilus pigueti Kowaleski 0 0 1 1
TUBIFICIDAE sp. 1 1 0 0 1
TUBIFICIDAE sp. 2 0 0 0 1
Haplotaxis sp 0 0 1 0
ENCHYTRAEIDAE 0 0 1 1
HIRUDINEA
Helobdella sp. | 1 0 1 0
GASTROPODA
Gundlachia concentrica (d’Orb.) 0 0 (0) 1
Heleobia piscium (d’Orb.) 1 0 0 1
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
Zoobentos del rio Arrecifes... 73
TAXA 1 2 3 4
PLANORBIDAE 1 1 1 1
PELECYPODA
Pisidium sterkianum Pilsbry 0 1 1 1
CLADOCERA
Leydigia ciliata Gauthier 1 0 1 0
Leydigia leydigi (Shoedler) 0 0 1 0
Alona cambouei Guer. & Rich. 0 0 1 0
Alona rectangula Sars 0 0 1 1
Alona archeri Sars cfr. 0 0 1 1
Pleuroxus sp. 0 0 1 0
Simocephalus vetulus (Müller) 0 0 1 0
Macrothrix laticornis (Jurine) 1 1 1 1
Ilyocryptus agilis (Kurz) 1 1 1 1
COPEPODA
Paracyclops fimbriatus (Fischer) 1 1 1 1
Eucyclops serrulatus (Fischer) 1 0 1 1
Eucyclops neumanni (Pesta) 0 0 1 1
Macrocyclops albidus (Jurine) 1 0 1 1
Acanthocyclops robustus (Sars) 0 0 0 1
Metacyclops mendocinus (Wierz.) 0 0 1 1
HARPACTICOIDA 1 1 1 0
OSTRACODA
Darwinula sp. 0 0 0 1
Cyprideis sp. 1 1 0 1
Limnocythere sp. 0 1 0 0
LIMNOCYTHERIDAE 1 0 1 0
Chlamidotheca sp. 0 0 0 1
Cypridopsis ap. 0 1 0 1
Candonopsis sp. 0 1 1 1
CYPRINAE 0 0 1 1
Ilyocypris sp. 0 1 1 1
AMPHIPODA
Hyalella curvispina Shoemaker 0 0 0 1
ISOPODA
Fritzianira exül (Müller) 0 0 0 1
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
74 SAMPÓNS,M.R.
TABLAII
TAXA 1 2 3 4
COLLEMBOLA
ISOTOMIDAE 1 1 1 0
SMINTHURIDAE 0 0 1 0
EPHEMEROPTERA
Caenis sp. 0 1 1 1
BAETIDAE 0 0 1 0
ODONATA
LIBELLULIDAE 0 0 0 1
TRICHOPTERA
PSYCHOMIIDA E 1 O ud 0
LEPIDOPTERA
PYRALIDAE 0 0 0 1
DIPTERA
CHIRONOMIDAE sp.l 1 1 1 1
CHIRONOMIDAE sp.2 0 0 1 1
CERATOPOGONIDAE 0 0 1 1
COLEOPTERA
Berosus sp. 0 0 1 0
Cretinis sp. 0 1 0 0
HYDROPHYLIDAE 0 0 1 0
ELMIDAE 0 1 1 1
TARDIGRADA
Pseudobiotus augusti (Murray) 0 1 1 1
Dactylobiotus dispar (Murray) 0 0 0 1
ACARINA
PROSTIGMATA sp.l 0 1 1 0
PROSTIGMATA sp.2 0 1 1 0
PROSTIGMATA sp3 0 0 1 1
PROSTIGMATA sp.4 0 0 1 1
GALUMNIDAE 0 0 1 1
EREMAEIDAE 0 0 1 1
CRYPOSTIGMATA. 0 1 1 1
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
Zoobentos del rio Arrecifes... 75
TABLA III
TAXA 1 2 3 4
NEMATODA
Tobrilus sp. B A A A
DORYLAIMIDAE E B B
Monhystera sp. €
OLIGOCHAETA
Aelosoma Sp. o
Chaetogaster sp. D C
Amphichaeta sp.
Nais elinguis ©
Nais pardalis
Nais pseudobtusa
Nais comunis &
Nais variabilis
Pristinella osborni
Pristinella idrensis D
Pristina americana
Pristina proboscidea cfr.
Pristina synclites D
Pristina aequiseta
Dero (Dero) obtusa
Paranais sp. E B
Stephensoniana sp. D fo
Trieminentia corderoi
Limnodrilus hoffmeisteri B B B
Aulodrilus piqueti ec
TUBIFICIDAE sp.1 B
TUBIFICIDAE sp.2
Haplotaxis sp. (E
ENCHYTRAEIDAE B
puoiekene:)
o e o) DO A
OD
Mole
oo Zei cao
[99
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
76 SAMPÓNS,M. R.
TAXA 1 2 3 4
CLADOCERA
Leydigia ciliata D
Leydigia leydigi
Alona cambouei
Alona rectangula
Alona archeri cfr.
Pleuroxus sp.
Simocephalus vetulus
QUIOTO VE AR A
OO
Macrothrix laticornis C C C
Ilyocryptus agilis C @ D
COPEPODA
Paracyclops fimbriatus B B B B
Eucyclops serrulatus : D B C
Eucyclops neumanni D C
Macrocyclops albidus C C B
Acanthocyclops robustus D
Metacyclops mendocinus D D
HARPACTICOIDA C D @
OSTRACODA
Darwinula sp. B
Cyprideis sp. A A C
Limnocythere sp. €
LIMNOCYTHERIDAE D D
Chlamidotheca sp. C
Cypridopsis sp. C C
Candonopsis sp. Cc B B
CYPRINAE C C
Ilyocypris sp. B Cc B
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
Zoobentos del rio Arrecifes... 77
Fig. 1. Ubicación geográfica de las estaciones de muestreo.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
78 SAMPÖNS,M.R.
[ JosTRACODA [ND corEPODA
EE NEMATODA CLADOCERA
NES OLIGOCHAETA OTROS
Fig. 2. Abundancia relatica de los componentes del zoobentos en la porción inferior
de la cuenca del río Arrecifes (Buenos Aires, Argentina). 1: área total de muestreo
— estaciones 1, 2, 3, y 4-; 2: cauce principal — estaciones 1 y 2-; 3: tributarios
- estaciones 3 y 4-. Los taxa con porcentajes menores o iguales al 5% se inclyen
en el ítem “otros” que abarca hidroideos, turbelarios, hirudineos, gasterópodos, pelicípo-
dos, anfípodos, isópodos, insectos, tardígrados y ácaros.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
Zoobentos del rio Arrecifes... 79
12
[00]
especies
B
NA:
E Oligochaeta Cladocera EEH Mollusca
IM Ostracoda = Insecta fe} Otros
Copepoda 088% Acarina
Fig. 3. Riqueza especffica en la porciön inferior de la cuenca del rfo Arrecifes
(Buenos Aires, Argentina). Número de especies registradas para los taxocenos más
relevantes en el cauce principal. 1: estación 1; 2: estación 2. E ítem “otros” comprende
la totalidad de especies registradas para hidroideos, turbelarios, nematodes, anfípodos,
y tardígrados.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
80 SAMPÓNS,M. R.
16
especies _
NO
BE O ligochaeta Cladocera EE Mollusca
Ms Ostracoda ES Insecta L ] Otros
Z7) Copepoda KA Acarina
Fig. 4. Riqueza específica en la porción inferior de la cuenca del rfo Arrecifes
(Buenos Aires, Argentina). Nümero de especies registradas para los taxocenos mäs
relevantes en los arroyos tributarios. 3: estación 3, arroyo Burgos; 4: estación 4,
arroyo Luna. El ftem “otros comprende la totalidad de especies registradas para hidroi-
deos, turbelarios, nematodes, anfípodos, isópodos y tardígrados.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
Zoobentos del rio Arrecifes... 81
S
Re Nematoda Copepoda
kr] Ostracoda LL Cladocera
IM Oligochaeta ES Otros
Fig. 5. Variaciones estacionales en la abundancia relativa de los componentes del
zoobentos en el río Arrecifes (Buenos Aires, Argentina). A: cauce principal — estaciones
1 y 2; B: tributarios — estaciones 3 y 4 —. El ótem “otros” comprende hidroideos,
turbelarios, hirudfneos, gasteröpodos, pelecfpodos, anffpodos, isöpodos, insectos, tardf-
grados y äcaros.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
82 SAMPÓNS,M. R.
EC ai ssa ad
100
50
Fig. 5. Fenograma resultante del análisis de agrupamiento (técnica de modo Q) de
las 4 estaciones de muestreo, a partir de una matriz de similitud obtenida mediante
la aplicación del índice de comunidad de Jaccard (c.c.c.= 0,97). 1 y 2: estaciones
en el cauce principal; 3: estación en el arroyo Burgos; 4: estación en el arroyo Luna.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):63-82, 20 dez. 1988
Anheteromeyenia sheilae sp. n. e outras esponjas dulciaquicolas
da região costeira do Rio Grande do Sul. (Porifera,
Spongillidae)*
Cecília Volkmer- Ribeiro **
Rosária De-Rosa-Barbosa **
Maria da Conceição M. Tavares ***
ABSTRACT
The genus Anheteromeyenia Schröder, 1927 has it first register of occurrence in the
Neotropical Region made upon the description of Anheteromeyenia sheilae sp.n. from
a coastal area in he southern Brazil. The new species closely resembles A. ryderi
(Potts, 1882) from the Nearctic Region but yet differs in the larger dimensions of
its spicules and in some differences in the gemmoscleres shape. The occurrence of
Ephydatia facunda Weltner, 1895 as a dominant species in all the aquatic habitats
in the Taim Ecological Station, situated at the same coastal area, is also reported.
INTRODUÇÃO
O primeiro registro de esponjas de água doce para o ambiente costeiro
no Brasil foi feito por CARVALHO (1942) assinalando Radiospongilla crate-
riformis (Potts, 1882) para uma lagoa situada a margem do rio Ribeira
do Iguape, SP, em local não muito distante de sua foz.
VOLKMER-RIBEIRO et alii (1981) registraram para a Lagoa Negra,
em área costeira do Rio Grande do Sul, a ocorrência de Heteromeyenia
stepanowi (Dybowsky, 1884), Ephydatia facunda Weltner, 1895, Radiospon-
gilla crateriformis (Potts, 1882) e Corvospongilla boehmi (Hilgendorf, 1883).
DE-ROSA-BARBOSA (1984) registra Ephydatia facunda Weltner, 1895
para a Lagoa dos Patos, RS e para a Lagoa do Jacaré, esta na área da
* Aceito para publicação em 09.1X. 1988. Contribuição FZB nº 351.
** Pesquisadoras do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do
Sul (MCN) e bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Caixa Postal 1188 — 90.610 Porto Alegre, RS, Brasil
*** Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no mesmo
Museu
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre ((68):83-98, 20 dez. 1988
84 VOLKMER-RIBEIRO et alii
Estação Ecológica do Taim, RS; Eunapius fragilis (Leidy, 1851) para a
lagoa dos Quadros, RS e Heteromeyenia insignis Weltner, 1895 para pequena
lagoa temporária, entre as dunas, em Torres, RS. Ainda DE-ROSA-BAR-
BOSA (1988), ao estudar ampla coleção de espécimes de Corvospongilla,
recolhida no Rio Grande do Sul, reestuda e identifica o material da Lagoa
Negra como Corvospongilla secketi Bonetto & Ezcurra de Drago, 1966.
Renovados esforços de coleta na zona costeira do Rio Grande do Sul
produziram uma coleção cujo estudo se fazia imperioso. Em fevereiro de
1984 Sheila M. Pauls coletou de lagoinha muito rasa e temporária, próximo
à Lagoa do Peixe, município de Tavares (fig. 1) exemplares de uma esponja
muito pequena, mas que continha apreciável quantidade de gêmulas. Estas
permitiram identificação do material dentro do gênero Anheteromeyenia Sch-
röder, até então restrito a Região Neártica. Comparação com material tipo
de A. ryderi (Potts, 1822), espécie que se afigurava mais próxima, indicou
a necessidade de descrição de nova espécie.
Entre 1985 e 1986, por solicitação da Secretaria Especial do Meio Am-
biente do Governo da União (SEMA), as autoras colaboraram no levantamento
da fauna de invertebrados aquáticos da Estação Ecológica do Taim (figs.
1, 2) no pertinente às esponjas de água doce. O ambiente da Estação que
caracteriza um banhado de zona costeira se apresentava sumamente favorável
a manutenção de uma comunidade de esponjas. Por se tratar ainda de uma
área de preservação destinada a salvaguardar um ecossistema costeiro do
país, impunha-se a divulgação dos resultados obtidos nesse levantamento.
MÉTODO
Para o levantamento da comunidade de esponjas da Estação Ecológica do Taim,
procedeu-se primeiramente um reconhecimento a campo do ecossistema, visando detectar
suas sub-unidades em termos de ambientes aquáticos. Numa primeira abordagem prospec-
tiva foram então coletadas, com draga de Ekman, amostras de sedimentos do fundo
para exame do conteúdo eventual de espículas de esponjas. Aquelas sub-unidades cujos
sedimentos acusaram presença de espículas foram então elegidas para coletas repetitivas
com os métodos tradicionais. Estes consistiram, em retirarem-se da água, aleatoriamente,
as macrófitas e examinarem-se suas partes submersas à procura das esponjas. As
macrófitas constituem na Estação Ecológica do Taim o único substrato disponível. Elege-
ram-se como locais de amostragem repetitiva (fig. 2), as lagoas do Nicola, do Jacaré
e a porção norte da Lagos da Mangueira, os canais paralelos à BR-471 (que tangencia
a Estação de Norte a Sul e o banhado. Este foi amostrado em transecto curto que
abrangeu sua interface com a Lagoa do Jacaré. As coletas repetitivas procuraram
cobrir as épocas de inundação e de águas baixas no banhado, visando-se aliar aos
dados do levantamento outros de caráter biológico. Para época de inundação considerou-se
o nível máximo que permitia distinguir as sub-unidades selecionadas para amostragem,
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
Anheteromeyenia sheilae sp. n. e outras esponjas... 85
RU Ce O a aa DE ds asso O MM Das aa er
já que, no pico das inundações, diluem-se a maioria dos limites. Procurou-se, ainda,
amostrar, sempre que possível, locais limítrofes aos selecionados ou à própria área
da Estação.
Para estudo dos espécimes de Anheteromeyenia coletados no Município de Tavares,
RS, foi solicitado empréstimo a “Academy of Natural Sciences of Philadelphia”, U.S.A.
de material tipo de Anheteromeyenia ryderi (Potts, 1882). O material emprestado consistiu
num fragmento, com gêmulas, do lectótipo: ANSP-PO 4536, Indina Run, Cobb’s Creek,
Philadelphia, PA, U.S.A., E. Potts leg. 1881. O estudo comparado compreendeu, entre
outros itens, a análise ao microscópio eletrônico de varredura (Cambridge Stereoscan
600), dos componentes espiculares.
Coleções examinadas: MCN, Museu de Ciências Naturais da Fundação
Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil; MNRJ, Museu Nacional,
Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Anheteromeyenia sheilae sp.n.
(Figs. 3 - 12 e 18)
Material-tipo. Holótipo, MNRJ s/n, parátipo MCN 1128 (Lagoinha tempo-
rária à esquerda da estrada Tavares/Lagoa do Peixe) Tavares, Rio Grande do Sul,
Brasil, 12.11.1984, Sheila M. Pauls leg.
Localidade-tipo. Lagoinhas temporárias, próximas à Lagoa do Peixe, muni-
cípio de Tavares, Rio Grande do Sul, Brasil.
Etimologia. O nome específico é atribuído em reconhecimento a dedicação
com que a M.Sc. Sheila M. Pauls tem coletado espécimes de esponjas de água doce,
tanto no Rio Grande do Sul, quanto fora dele, espécimes todos doados à coleção
de Porífera do MCN.
Descrição. Esponja incrustrando nódulos endurecidos de areia e
argila ferruginosa. Forma manchas, de diminutas a pequenas (fig. 3) ou
crostas um pouco maiores e mais espessas. No primeiro caso um tênue
esqueleto de espículas dispostas confusamente engloba um amontoado de
gêmulas. No segundo caso um esqueleto em que se esboçam algumas fibras
muito delgadas e curtas, de distribuição também desordenada, engloba uma
quantidade muito grande de gêmulas e grãos de areia. Espongina escassa.
Esponja viva de cor branca. No material seco as manchas são de cor esbran-
quiçada, enquanto as crostas apresentam cor amarelo-parda. Poros grandes,
ósculos convergindo para orifícios cloacais conspícuos e pouco numerosos.
Superfície irregular. Textura da esponja seca, quebradiça.
Megascleras oxeas retas e levemente encurvadas, esparsamente espinha-
das, com extremidades lisas e gradualmente aguçadas; espinhos muito peque-
nos (figs. 5, 18), Megascleras jovens em abundância, preenchendo toda uma
gama de tamanhos e curvaturas ou sinuosidades até as formas adultas.
e
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
86 VOLKMER-RIBEIRO et alii
Microscleras ausentes
Gemoscleras birrotuladas, de duas classes distintas em forma e tamanho
(figs. 4, 9). A mais longa é menos numerosa e tem eixos robustos. cilíndricos
e providos em sua porção mediana de uma concentração de espinhos cônicos,
curtos e fortes; mais raramente tais espinhos distribuem-se ao longo do
eixo mas então de modo esparso; rótulas pequenas, lisas, grossas, contendo
saliência do eixo em forma de umbo; bordas das rótulas recortadas em
forma de ganchos curtos, grossos, com extremidades fortemente curvadas
em direção ao eixo e providas de pequenas garras (figs. 6, 9-11). A segunda
classe de gemoscleras e que predomina no revestimento das gêmulas é curta,
tem eixos delgados e levemente afilados na sua porção mediana; esta encon-
tra-se provida de um, dois ou poucos espinhos separados, de tamanhos
díspares, cônicos, retos, afilados, sendo um geralmente bastante mais longo
que os demais; algumas vezes o eixo apresenta-se completamente liso; rótulas
expandidas, achatadas, contendo também em sua parte mediana projeção
do eixo em forma de umbo; bordas das rótulas irregulares, microespinhadas,
de leve a profundamente recordatas, sugerindo margaridas (figs. 7-10, 12).
Gêmulas grandes esbranquiçadas, hemisféricas, abundantemente distribuí-
das da base à superfície da esponja; forâmen situado no centro da porção
côncava da gêmula e provido de colarinho curto com bordas encurvadas
para fora; camada pneumática de fina a muito grossa a ponto de sobrepujar
o colarinho do forâmen que fica situado então em depressão da camada
pneumática; gemoscleras radialmente embebidas na camada pneumática, com
as da classe mais longa protraindo suas rótulas além desta nos estágios
iniciais de espessamento.
Dimensões das espículas (Tabela 1).
Discusão. Ao redefinirem o gênero Anheteromeyena, PENNEY
& RACEK (1968) consideraram-no integrado por dois grupos de espécies,
o de A. argyrosperma (Potts, 1880), e o de A. ryderi (Potts, 1882), A.
pictouensis (Potts, 1885) e A. biceps (Lindenschmidt, 1950). No primeiro
grupo as gemoscleras integram duas classes distintas somente em tamanhos,
enquanto que no segundo a distinção opera-se pelos tamanhos mas sobretudo
pelas formas diversas. A sheilae, sp.n., insere-se nitidamente neste segundo
grupo e muito próxima a A. ryderi. Uma análise comparada ao microscópio
de varredura das espículas do holótipo de A. ryderi e do material da nova
espécie, além de revelar características até então não descritas para A. ryderi,
permitiu distinguir claramente duas espécies.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
Anheteromeyenia sheilaesp. n. e outras esponjas... 87
A. ryderi tem as gemoscleras da classe longa com mais espinhos, estes
distribuídos ao longo de todo o eixo (figs. 14-16) maiores e mais encurvados
do que os de A. sheilae, sp.n.; as rótulas desta mesma gemosclera são
recortadas profundamente em A. ryderi, os recortes atingindo quase o eixo
da gemosclera, além de serem os ganchos resultantes mais fortemente encur-
vados, alcançando esta curvatura ângulo de 90º em relação ao eixo da esclera
(fig. 12). As extremidades destes ganchos terminam geralmente em cruzetas
e não em garras como em A. sheilae, sp. n. Por sua vez, a classe das
gemoscleras curtas tem em A. ryderi eixos mais grossos e geralmente lisos,
portando, raramente, um espinho coberto por microespinhadura. As rótulas
destas gemoscleras são mais grossas em A. ryderi, enquanto a borda não
é recortada como em A. sheilae, mas serreada (fig. 15); ainda a projeção
do eixo no centro das rótulas é cônica em A. ryderi (não em domo) e
não ultrapassa a espessura da rótula como em A. sheilae (fig. 13).
Diagnos e. Anheteromeyenia sheilae s.p. n., pertence ao grupo de
A. ryderi, como proposto por PENNEY & RACEK (1968). Dentro deste
distingue-se das demais espécies pelas gemoscleras da classe longa com
rótulas não profundamente recortadas e conter os espinhos do eixo agrupados
na porção mediana; pelas rótulas das gemoscleras da classe menor com
profundos recortes o que lhes confere a forma de corolas de margaridas;
ainda os eixos destas gemoscleras são providos de espinhos grandes e de
tamanhos díspares.
Habitat. A. sheilae sp. n. foi encontrada em pequena lagoa temporá-
ria com profundidade máxima de 30cm à época da coleta. A água mostrava-se
de cor verde leitosa e o fundo, lodoso, com cobertura de algas. Em alguns
pontos desta lagoa distinguiam-se pequenos agrupamentos de rochas consti-
tuídas por nódulos endurecidos de areia e argila ferruginosa. A esponja
incrustava estas rochas em suas porções protegidas da luz direta e do depósito
de sedimento. Todos os espécimes, pequenos, continham gêmulas. A lagoa
situa-se à direita da estrada de terra que liga a vila de Tavares à Lagoa
do Peixe (fig. 1), deslocando-se no sentido continente/oceano e antes de
atingir-se a linha de dunas vegetadas que precede a Lagoa do Peixe.
A nova espécie está ainda representada por um espécime muito pequeno
(MCN 1030) e com gêmulas imaturas, coletado de banhado temporário próxi-
mo ao Forte de Santa Tecla, no município de Bagé, Estado do Rio Grande
do Sul. A coleta foi feita por R. De Rosa Barbosa, em 27 de janeiro
de 1981. Assim sendo, A. sheilae sp.n. não está restrita à zona costeira
do Estado, embora aí tenha aparecido com farta produção de gêmulas. Evi-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
88 VOLKMER-RIBEIRO et alii
dencia-se porém uma preferência por ambientes de águas rasas e temporárias.
ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO TAIM E CIRCUNJACENCIAS
Ephydatia facunda Weltner, 1895 |
(Fig. 19)
Material examinado: BRASIL. Rio Grande do Sul: Rio Grande, Sangradouro da Lagoa
das Flores, MCN 1343, 1344, 20.X1.1985, R. De R. Barbosa leg.; (Estação Ecológica
do Taim); Lagoa do Nicola, MCN 1297, 1299, 12.X1.1986, R. De R. Barbosa leg.
12.X1.1986, J. Pinto leg.; Canal da Lagoa do Jacaré, MCN 1195, 1196, 15.X.1985,
C.V.Ribeiro, R. De R. Barbosa leg.; MCN 1290, 1293, 1294, 13.X1.1986, C.V. Ribeiro
leg.; Canal da Sarita, MCN 1300 a 1304, 6.1.1987, R. De. R. Barbosa leg.; Arroio
dos Negreiros. MCN 1346, 1347, 1349, 20.X1.1985, R. De R.. Barbosa Leg.; Banhado
do Palmito, MCN 1348, 20.X1.1985, R. De. R. Barbosa leg.; MCN 1200;, 20.X1.1985,
I.L. Mendes leg.; Canal Lateral a leste da BR 471, MCN 1198, 19.X1.1985, R. De
R. Barbosa leg.; MCN 1305, 1307, 7.1.1987, R. De R. Barbosa leg.; MCN 1268,
6.1.1986, R. De R. Barbosa leg.; MCN 1286, 1288, 1289, 1292, 12.X1.1986, R. De
R. Barbosa leg.; MCN 1291, 1296, 12.X1.1986, J. Pinto leg.; MCN 1298, 12.X1.1986,
C.V. Ribeiro leg.; MCN 1305, 1307, 7.1.1987, R. De R. Barbosa leg.; Canal lateral
a oeste da BR 471; MCN 1295, 13.X1.1986, R. De R. Barbosa leg.; MCN 1306,
7.1.1987, R. De R. Barbosa leg.; Santa Vitória do Palmar, Banhado na Fazenda Caçapava,
MCN 1352, 8.1.1986, R. De R. Barbosa leg.; (Estação Ecológica do Taim) Lagoa Manguei-
ra, MCN 1351, 19.X1.1985, R. De R. Barbosa leg.
Heteromeyenia insignis Weltner, 1895.
Material examinado. BRASIL. Rio Grande do Sul: Rio Grande (Estação Ecológica
do Taim) Lagoa Nicola, MCN 1336, 1337, 1341, 1342, (Lâminas de sedimento), 15.X.1985,
C.V. Ribeiro leg.; Santa Vitória do Palmar, Banhado na Fazenda Caçapava, MCN 1203,
20.X1.1985, R. De R. Barbosa leg.
O levantamento da fauna espongológica na área da Estação Ecológica
do Taim revelou os seguintes fatos:
1. Ephydatia facunda WELTNER, 1895, mostrou-se dominante e em
todos os ambientes com águas livres na Estação.
2. Heteromeyenia insignis WELTNER, 1895, rara, foi detectada pela
presença de espículas no substrato do fundo da Lagoa do Nicola e por
um espécime com gêmulas jovens em banhado temporário na área da Fazenda
Caçapava.
3. Alguns espécimes de E. facunda mostraram gêmulas maduras, princi-
palmente naqueles coletados em novembro, quando também se obtiveram
espécimes mais desenvolvidos. Esta espécie foi sempre encontrada em raízes
submersas de macrófitas flutuantes, na seguinte ordem de frequência: Eich-
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
Anheteromeyenia sheilae sp. n. e outras esponjas... 89
hornia azurea, Kunth (fig. 19), Eichhornia crassispes (Mart.) Solms-Laub.,
Pistia stratiotes L. e Ceratophylum demersum L.
4. Na ärea do arroio do Taim, a oeste da BR 471 (tanto no canal
que ladeia a estrada quanto no trecho retificado do arroio e no seu trecho
não retificado junto à Lagoa Mirim, fig. 2) E. facunda é rara.
5. E. facunda tem ocorrência em áreas litorâneas palustres ou lagunares
do Rio Grande do Sul.
6. Supõe-se que a BR-471 está atuando como uma barreira na dispersão
de E. facunda do Banhado do Taim para a área palustre a oeste da estrada,
onde os aguapés são raros, e, quando presentes, não contém E. facunda.
Na verdade, o padrão de drenagem imposto ao Banhado do Taim faz
com que as águas escoem para o canal leste, passem pela comporta e
atinjam o canal oeste, o arroio do Taim e finalmente a Lagoa Mirim.
Na passagem pela comporta porém a maior parte da vegetação flutuante
fica retida e apodrece e com ela morre também a fauna séssil de esponjas
ancoradas nas suas raízes.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Francisco Kees da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, pela obtenção, ao microscópio eletrônico de varredura, das fotos
que ilustram o trabalho. A autora senior agradece ao Dr. George M. Davis, do
Departamento de Malacologia da Academia de Ciências Naturais de Philadelphia pelo
empréstimo de fragmentos do lectótipo de Anheteromeyenia ryderi.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ca do Sul. Boletim da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, Universidade
de São Paulo, São Paulo, 15:267-79.
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DE-ROSA-BARBOSA, R. 1984. Reavaliação da fauna espongológica continental do
Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, frente a novas coletas, Iheringia. Sér.
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- 1988. Corvospongilla volkmeri sp. n. e registro de Corvospongilla seckti Bonetto
e Ezcurra de Drago, 1966 no Brasil (Porifera, Spongillidae). Iheringia. Sér.
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Itapuã, Rio Grande do Sul. Iheringia. Ser. Zool., Porto Alegre, (59):13-24.
IHERIGNIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
90
VOLKMER-RIBEIRO et alii
TABELA 1 — Dimensões, em micrômetros, com máximas e mínimas, das
espículas e das gêmulas de A. ryderi e de A. sheilae sp.n.
Megascleras
Largura
Gemoscleras
longas
Gemoscleras
curtas
Gêmulas
IHERINGIA. Sér. Zool
Comprimento
Comprimento
Largas
Comprimento
Largura
Rótulas
Diâmetro
A. ryderi
296-431
12- 26
47- 92
5- 10
33- 49
3-8
252029
320-350
., Porto Alegre ((68):83-98, 20 dez. 1988
A. sheilae sp.n.
259-462
4- 17
370-543
Anheteromeyenia sheilae sp. n. e outras esponjas... 91
O SS e eg en nn I
PORDS: .
ALEGRE
Lagoc Negra
* Lagoa do Peixe
ESCALA
90 km
[m mm m cume eme m m
Fig. 1. Mapa da regiäo costeira do Rio Grande do Sul; Locais de coleta de esponjas
dulciagüfcolas. A linha achureada delimita a planfcie costeira do Rio Grande do Sul.
Adaptado de DELANEY (1965, fig. 26).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
92 VOLKMER-RIBEIRO et alii
Logoo
dos Flores
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Lagoo do
Nicola
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BANHADO DO
PALMITO
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ESTAÇÃO
ECOLOGICA DO TAIM
LEGENDA
N O Estição de coleta
ii — Limites do Estação
---- Linha de dunos
Esc.!:167.000
Ion 4ikm
me,
Fig. 2. Mapa da Estação Ecológica do Tafm, RS. Da SEMA, modificado por Centro
de Estudos Costeiros da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Fundação Zoobotä-
nica do Rio Grande do Sul.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
Anheteromeyenia sheilaesp. n. e outras esponjas... 93
Fig. 3. Anheteromeyenia sheilae, sp.n.: Holótipo fotografado “in situ”. Foto S.M. Pauls.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
PRETO
VOLKMER-RIBEIRO et alii
Figs. 4-8: Anheteromeyenia sheilae sp.n. fotomicrografia ao microscópio eletrônico de
varredura. 4: as duas classes de gemoscleras; 5: porção de uma megasclera; 6: gemosclera
da classe longa; 7: gemosclera da classe curta; 8: detalhes das rótulas das gemoscleras
da classe curta, em vista superior.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
9
Anheteromeyenia sheilaesp. n. e outras esponjas...
Figs. 9-12: Anheteromeyenia sheilae sp.n. fotomicrografia ao microscópio eletrônico
de varredura. 9: conjunto de rótulos da gemosclera da classe curta e uma gemosclera
da classe longa; 10: detalhes das rótulas das duas classes de gemoscleras em vista
superior, notar também espinhadura do eixo da gemosclera curta; 11: detalhe, a grande
aumento, da rótula da gemosclera da classe longa; 12: idem para a gemosclera da
classe curta. Fotos Dr. F. Kees.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
96 VOLKMER-RIBEIRO et alii
Figs. 13 — 17. Anheteromeyenia ryderi (Potts, 1882), fotomicrografia ao microscópio
eletrônico de varredura. 13: gemoscleras da classe curta e extremidade de uma megasclera;
14: gemosclera da classe longa; 15: grupo de gemoscleras da classe curta com vista
superior de duas rótulas; 16: gemosclera da classe longa ao lado da carapaça de
diatomácea; 17: detalhe, a grande aumento, da rótula de gemosclera da classe curta.
Fotos Dr. F. Kees.
IHERIGNIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
Anheteromeyenia sheilae sp. n. e outras esponjas... 97
ia e Ud o
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EEE O e
| À A ta
18
Fig. 18. Anheteromeyenia sheilae Sp.n., componentes espiculares (M: megascleras; Gc:
gemoscleras da classe curta; Gl: gemoscleras da classe longa; Rc: perfil das rótulas
de gemosclera da classe curta; RI: perfil das rótulas de gemosclera da classe longa).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre ((68):83-98, 20 dez. 1988
VOLKMER-RIBEIRO et alii
98
Fig. 19. Ephydatia facunda Weltner, 1895: espécimes vivos aderidos a raízes de Eichhornia
azurea (aguapé de baraço). Foto Dr. A.A. Lise.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):83-98, 20 dez. 1988
Ocorrência e densidade de Corbicula fluminea (Mueller, 1774) e
Neocorbicula limosa (Maton, 1811) na Estação Ecológica do
Taim e áreas adjacentes, Rio Grande do Sul, Brasil (Mollusca,
Bivalvia, Corbiculidae).*
Maria Cristina Dreher Mansur **
Liana Mercedes Maria Pares Garces ***
ABSTRACT
A survey for freshwater bivalves was carried out in the Taim Ecological Station
from October 1985 to January 1987. The asiatic clam Corbicula fluminea (Mueller,
1774) is reported for the first time for this area. One believes that it has been
introduced during the 1979-1980 years. It now reaces a maximal population density
of 5.195 i/m?, showing a marked preference for occupation of the drainage system
canals.
The native species Neocorbicula limosa (Maton, 1811) reaches a maximal population
density of 5.372 i/m? in the lakes, showing a marked preference for occupation of
the lakes and outlets of the drainage canals at the depths between 0,8 and 2m, where
a sandy bottom predominates and the macrophytes are few.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho documenta parte do resultado das coletas e do inven-
tário das espécies de moluscos bivalves de água doce realizados na região
dos banhados do Taim, no sul do Estado do Rio Grande do Sul, durante
o período de outubro de 1985 a janeiro de 1987.
OLAZARRI (1968) registra pela primeira vez a ocorrência de Neocor-
bicula limosa (Maton, 1811) para a bacia da lagoa Mirim.
Após levantamento preliminar dos moluscos da Estação Ecológica do
Taim realizado no ano de 1980, SCHAEFER & LANZER (1980) citam
a presença de Neocorbicula Fischer, 1887 para a lagoa do Jacaré.
Através das coletas realizadas nos verões de 1980 a 1982 em quase
* Aceito para publicação em 21.IX.1988. Contribuição FZB nº 353. Trabalho parcialmente subvencio-
nado pela SEMA (Secretaria Especial do Meio Ambiente). Apresentado no X Encontro Brasileiro
de Malacologia, São Paulo em 3.7.1987.
** Técnico Superior Pesquisador do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do
Rio Grande do Sul. Caixa postal 1188, 90001 Porto Alegre, RS, Brasil; bolsista do Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq. Proc. 30.5365/76 ZO.
*** Bolsista do CNPq. Proc. 14.2357/85 no Museu de Ciências Naturais.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
100 MANSUR, M.C. D. & Liana M. M. Pares Garces
todas as lagoas que compõem o rosário lacustre litorâneo do sul do Brasil,
desde a lagoa de Sombrio em Santa Catarina até a lagoa Mangueira no
Rio Grande do Sul, LANZER (1983) e LANZER & SCHAEFER (1984,
1985) constataram a ampla distribuição da espécie N. limosa em mais de
70% das lagoas. Citam a presença de Corbicula Megerle, 1811, nas lagoas
de Fortaleza, Barros e Rondinha situadas na região. nordeste do Estado.
Nesta última lagoa encontraram Corbicula em grande quantidade e nenhum
exemplar de N. limosa. Afirmam, no entanto, que existem registros anteriores
da presença desta espécie na mesma lagoa e, também comentam sobre a
rápida expansão do gênero Corbicula e sua pressão de competição sobre
a Neocorbicula.
Conforme revisão de PARODIZ & HENNINGS (1965), N. limosa integra
o gênero próprio da América do Sul que se caracteriza pela presença de
sifões longos e separados cuja musculatura basal deixa demarcado nas valvas
um pequeno sinus palial. As espécies deste gênero são hermafroditas e incu-
bam seus embriões por longos períodos. N. limosa é a única espécie do
gênero registrada até agora para o Rio Grande do Sul.
Corbicula é oriunda da Ásia e foi introduzida na América do Norte
(British Columbia, Canadá) no início deste século, com a coleta mais antiga
datada de 1924 (COUNTS III, 1985). O primeiro trabalho que identificou
e registrou a presença da espécie asiática nos Estados Unidos foi o de
BURCH (1944). A partir daí surgiram inúmeros trabalhos sobre a espécie
invasora e sua progressiva e rápida dispersão pelos Estados Unidos, a começar
pelos rios da costa oeste em direção leste, e para a América Central (McMA-
HON, 1982). GARDNER et alii (1976) e RODGERS et alii (1977) consta-
taram que a alta densidade das populações, que em poucos ano atingem
a quantidade de mais de 10000 indivíduos por m?, provoca drástico declínio
das populações de outros bivalves nativos. Foi considerada praga (McMA-
HON, 1982) e, apesar do grande interesse com que foi estudada, faltaram
trabalhos mais aprofundados sobre a sistemática e biologia da espécie. Esta
carência originou inúmeras confusões, a ponto da mesma espécie ter sido
denominada por vários nomes diferentes.
Em 1977 foi realizado nos Estados Unidos, o primeiro Simpósio sobre
Corbicula e ficou estabelecido para a maioria dos autores, tratar-se de uma
só espécie.
MORTON (1982) definiu a espécie invasora como sendo Corbicula flumi-
nea (Mueller, 1774), com base no estudo comparado de várias espécies
asiáticas. Estabeleceu que os caracteres ecológicos e biológicos, como repro-
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
Ocorrência e densidade de Corbicula fluminea... 101
dução e desenvolvimento, são diagnósticos. Acrescenta C. fluminea como
típica de ambientes dulcícolas (especialmente rios, suportando baixos índices
de salinidade, até 15%) e incuba seus embriões nas demibrânquias internas
até a fase de pediveliger apresentando dois períodos reprodutivos, um na
primavera e outro no fim do verão.
Conforme ISOM (1986), Corbicula foi espalhada pelo mundo através
do homem e dentro dos mananciais, passivamente, através das correntes
de água. Ainda segundo o mesmo autor, a densidade de Corbicula é conside-
rada como um potencial para danos tanto na canalização de águas quanto
para usinas hidroelétricas quando atinge quantidades superiores a 200 indiví-
duos por m?. Nos Estados Unidos são gastos mais de 1 bilhão de dólares
anuais em investimentos para equipamentos no controle da praga.
A primeira citação de Corbicula para a América do Sul é de ITUARE
(1981) que identificou com dúvidas a presença das espécies C. leana Prime,
1864 e C. fluminea Mueller, 1811 (sic.) para o Rio da Prata na costa argentina.
VEITENHEIMER-MENDES (1981) cita pela primeira vez a presença
de C. manilensis (Philippi, 1844) no Brasil, em especial, na Bacia do Guaíba,
Rio Grande do Sul, com o registro mais antigo de coleta, datado de 1978
e estima que a espécie tenha sido introduzida nesta área no início da década
de 1970.
VEITENHEIMER-MENDES & OLAZARRI (1983) citam a presença de
Corbicula no Rio Uruguai, registrando a primeira coleta para junho de
1979.
ITUARTE (1984a) descreve a biologia reprodutiva de C. largillierti (Phi-
lippi, 1844) e em 1985 estuda o crescimento de C. fluminea (Mueller, 1774),
ambas introduzidas no Rio do Prata, Argentina.
METERIAL E MÉTODO
A área de coleta compreende o sistema de lagoas interligadas por grandes banhados,
sangradouros naturais, arroios e carais artificiais da Estação Ecológica do Taim e
suas adjacências ro lado norte, como a lagoa das Flores e uma pequena parte da
margem norte da lagoa Mirim.
A Estação situa-se na faixa de terra entre o Oceano Atlântico e a lagoa Mirim,
com sua metade norte pertencente ao Município de Rio Grande e a parte sul pertencente
ao Município de Santa Vitória do Palmar.
Ao longo da Estação passa a estrada BR-471 em direção norte-sul, formando um
verdadeiro dique que divide as águas em dois setores, leste e oeste. Ao longo da
estrada correm dois grandes canais artificiais que drenam os dois setores. As águas
do canal Leste fluem em direção sul-norte, até junto da sede da Estação, onde existe
uma casa de comportas por onde toda a água passa velozmente dos setor leste para
o oeste. Após a comporta a água segue seu fluxo pelo canal Oeste em direção contrária
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
102 MANSUR, M.C. D. & Liana M. M. Pares Garces
até o canal do Taim. Enfim, todo o sistema drena em direção a este canal
e ao arroio do mesmo nome que correm paralelamente e muito próximos, em direção
à lagoa Mirim.
Toda a área sofre inundações de tempos em tempos, motivadas pelos ciclos irregulares
de chuvas que “tomba sofre formações amplamente impermeáveis” (TRICART et alii,
1984) e ainda por tratar-se de “uma razoável superfície de acumulação para uma
pequena calha de escoamento”” (SCHWARTZBOLD & SCHAEFER, 1984).
Quanto ao substrato e vegetação marginal que foram observados apenas junto às
estações de coleta, reunimos as lagoas em dois grupos: a) substrato de areia clara
e vegetação marginal representada predominantemente por juncos esparsos (Cyperaceae,
Scirpus californicus (Meyer) Steud), encontrados na margem leste da lagoa Mirim (estações
4 à 7) e margem sul da lagoa das Flores (estação 1); b) substrato escuro composto
de areia, lodo e restos de vegetais em decomposição, vegetação marginal de espadanas
em concentrações variáveis (Gramineae, Zizanopsis bonariensis (Bal & Poitr.) Speg.),
nas lagoas do Nicola, Jacaré (também com juncos, Myriophyllum brasiliensis Camb.
e Ceratophyllum demersum L.) e parte norte da lagoa Mangueira (estações de 10 a
13, de 24 a 26 e de 31 a 35).
Os canais do setor leste apresentam substrato de areia e lodo escuro com densa
vegetação flutuante que se concentra principalmente nas margens e às vezes sobre
toda a superfície dependendo da direção em que sopram os ventos. Já no setor oeste,
no canal principal, onde as águas correm com maior velocidade, o substrato é um
compacto de sedimentos finos e a vegetação marginal composta de gramíneas e menores
concentrações de vegetação flutuante. No arroio do Taim, propriamente dito, a velocidade
das águas é pouco perceptível devido aos inúmeros meandros e a vegetação e o tipo
de substrato são semelhantes aos dos canais do setor leste. A vegetação flutuante
está representada principalmente por Eichhornia azurea (Sw.) Kunth e E. crassipes (Mart.)
Solms-Laubach, respectivamente “aguapé de baraço” e “aguapé”.
Os canais apresentam profundidades que variam de 2m a 4m. As lagoas são relativa-
mente rasas. Segundo SCHWARTZBOLD & SCHAEFER (1984) as profundidades máximas
são: para a lagoa das Flores 2,5m; Nicola 1,5m; Jacaré 2,3m e Mangueira 4m. Não
foram encontrados dados de profundidade para a lagoa Mirim.
Foram realizados três tipos de coleta: qualitativa em 35 estações, quantitativas
em 15 estações e seletiva em 5 estações.
Para as coletas qualitativas, percorreu-se as margens das lagoas e canais recolhen-
do-se manualmente as conchas fora d'água. Dentro dágua os moluscos foram localizados
visualmente ou pelo tato dos pés e das mãos até aproximadamente Im de profundidade,
ou coletados com peneiras de 20cm de diâmetro e abertura de malha corres pondente
a 0,8mm.
Para a coleta quantitativa utilizou-se a draga de Ekman (15cm de lado), lançada
nas áreas mais centrais dos canais e lagoas e, nas margens, em locais de pouca
vegetação. A amostra só foi considerada válida, quando houve fechamento completo
do aparelho. O total de indivíduos obtidos em cada dragada foram apresentados em
dados absolutos e multiplicados por 44,4cm para a obtenção da quantidade de indivíduos
por m2,
A profundidade máxima amostrada na lagoa Mirim foi em torno de 2m.
As coletas seletivas com peneiras foram realizadas em algumas estações, onde
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
Ocorrência e densidade de Corbicula fluminea... 103
a vegetação semi ou submersa não permitiu o fechamento da draga. Foram feitas
15 peneiradas por amostragem, na profundidade de O a 60cm. O resultado desta coleta
foi expresso em índices de abundância relativa, ou seja, o número de indivíduos coletados
divididos pelo número de peneiradas: n/15.
Considerou-se como sexualmente maduro os exemplares de N. limosa com medidas
de comprimento iguais ou maiores que 8mm, uma vez constatado que, a partir deste
tamanho, já apresentam embriões em suas brânquias. Para a espécie C. fluminea conside-
rou-se, segundo MORTON (1982), sexualmente maduros os indivíduos maiores de 7mm
de comprimento.
Para calcular a idade dos indivíduos de C. fluminea, seguiu-se a tabela de GARDNER
et alii (1976).
Todo o material coletado foi incorporado à coleção de moluscos do Museu de Ciências
Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, num total de 53 lotes de
C. fluminea e 51 lotes de N. limosa. Os dados de cada lote foram cadastrados
no “Banco de Dados do Ambiente Natural do Rio Grande do Sul”.
Relações das estações de coleta na Estação Ecológica do Taim e áreas adjacentes:
— lagoa das Flores, margem sul
— canal da lagoa das Flores
— lagoa Mirim, Capilha, na praia arenosa
— lagoa Mirim, Capilha
lagoa Mirim, Capilha
— lagoa Mirim, Tigre
— lagoa Mirim, Tigre
— regatinho intermitente da lavoura junto à lagoa do Nicola, em frente à Sede
da Estação
— canal Leste, junto aos alagados da lagoa do Nicola
— canal Leste, margem direita do canal junto à lagoa do Nicola
— lagoa do Nicola, margem norte
— lagoa do Nicola, centro
— lagoa do Nicola, margem sudeste
canal Oeste, próximo à sede
— lagoa Mirim, junto à desembocadura do arroio do Taim
— arroio do Taim
— arroio dos Negreiros
— canal Leste, km 102,5 junto a BR 471
— canal Leste, próximo da balsa
canal Leste, junto à balsa
canal Oeste, km 105
22 — canal Leste, km 105, margem do canal, próximo à lagoa do Jacaré
23 — canal da lagoa do Jacaré
24 — canal de entrada da lagoa do Jacaré
25 — lagoa do Jacaré, margem
26 — lagoa do Jacaré, próximo ao centro
27 — canal Oeste, 10 km da sede para o sul
28 — canal Leste a 10 km da sede para o sul
29 — canal da Sarita
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
104 MANSUR, M.C. D. & Liana M. M. Pares Garces
30 — regatinho intermitente junto à margem da Lagoa Mangueira, na Fazenda Santa
Marta
31 — lagoa Mangueira, margem leste
32 — lagoa Mangueira, próximo à margem norte
33 — lagoa Mangueira a 100m da saída do canal
34 — lagoa Mangueira à esquerda do canal de entrada
35 — lagoa Mangueira afastado da margem norte ;
Estações de 1 à 29 no Município de Rio Grande, as demais no Mun. de Santa Vitória
do Palmar.
RESULTADOS
Através do resultado das coletas em geral, constatou-se a ocorrência
das espécies de Corbiculidae: Neocorbicula limosa e Corbicula fluminea.
Considerando a soma de 4224 exemplares coletados de Corbiculidae, frente
ao registro de 3148 exemplares de outras espécies de bivalves (MANSUR
et alii, no prelo), estima-se que os primeiros sejam realmente mais abundades
na área. Foram também registrados para a maior parte das estações de
coleta, que compreendem canais, arroios e lagoas. Não foram encontrados
em cinco estações como: os regatinhos intermitentes oriundos de lavouras
(estações 8 e 20); e arroio dos Negreiros também intermitente (estação
17) e nas margens ou alagados cobertos por densa vegetação marginal flu-
tuante ou submersa (estações 28 e 29). Nestas cinco estações, apesar da
ausência de Corbiculidae, ocorreram outras espécies de bivalves e também
gastrópodes. Na área mais central da lagoa do Jacaré, e também, no centro
do canal Oeste logo após a comporta, onde a correnteza é muito forte,
houve ausência de moluscos.
As coletas qualitativas (tabelas 1, 2) mostram que de uma maneira geral,
as duas espécies ocorrem em canais e lagoas, enquanto N. limosa esteve
mais representada nas lagoas, não sendo registrada para o arroio do Taim,
C. fluminea foi mais abundante nos canais.
As coletas quantitativas (tabelas 3, 4) revelam que N. limosa ocorre
na densidade de O (zero) a 5372 indivíduos por m?, enquanto C. fluminea
na densidade de O (zero) a 5191 indivíduos por m?. Notou-se também,
através destas amostragens, as mesmas preferências por canais ou lagoas
dependendo da espécie. N. limosa atingiu a densidade máxima na lagoa Mirim
(estação 6, profundidade de 2m), com 1643 indivíduos sexualmente imaturos
por m? e 3685 indivíduos sexualmente maduros por m?. Foram raras as
amostras oriundas dos canais que contivessem exemplares vivos de Neocorbi-
cula. Por sua vez Corbicula atingiu a densidade máxima no canal Leste
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
Ocorrência e densidade de Corbicula fluminea... 105
(estação 20, profundidade de 3,2m) com 1554 indivíduos imaturos por m?
e 3641 indivíduos maduros por m?.
Nas amostragens seletivas (tabela 5), feitas nas margens rasas das lagoas
e canais, predominaram os exemplares imaturos de Neocorbicula e ou maduros
de Corbicula com no máximo lcm de comprimento. Para N. limosa calcu-
lou-se os índices de abundância relativa de O (zero) a 0,4 nos canais de
4,6 na beira da lagoa Mirim, com predominância de exemplares mortos.
Para Corbicula encontrou-se os índices de 0,2 a 31,2 em canais e de 7,2
na beira da lagoa Mirim, com predominância de indivíduos vivos.
Em profundidades maiores que Im houve predominância, em geral, dos
indivíduos sexualmente maduros. N. limosa atingiu a maior concentração
de indivíduos maduros e vivos na profundidade de 2m na lagoa Mirim (estação
6) e Corbicula apresentou o maior número de indivíduos maduros e vivos
no canal Leste (estação 20) a 3,2m de profundidade. Nesta estação os exem-
plares atingiram em grande parte o comprimento superior a 25mm (idade
com mais de 4 anos).
Nas lagoas Nicola e Mangueira observou-se que nas áreas mais profundas
aparecem muitas valvas vazias de N, limosa e às vezes predominam nas
amostragens os exemplares mortos. Na lagoa do Jacaré observou-se o mesmo
fenômeno, além da ausência de moluscos na área mais central.
A coleta mais antiga de Corbicula na área do Taim, foi realizada na
Capilha, junto às margens da lagoa Mirim, no ano de 1984. Trata-se de
um exemplar (MCN-Mol 8367) com 23mm de comprimento, que teria a
idade de aproximadamente 3 anos.
Os maiores exemplares de Corbicula, medindo mais de 30mm (idade
calculada em torno de mais de 5 anos) foram encontrados em 1985 nas
lagoas Mirim e Nicola. As autoras calculam que no início da década de
1980, a espécie asiática já ocupva as margens das lagoas acima mencionadas,
tendo ultrapassado a comporta próxima à sede da Estação.
Os maiores exemplares de Neocorbicula limosa mediram 19mm e foram
encontrados na lagoa e no canal das Flores.
Com base nas observações sobre o tipo de substrato e vegetação marginal,
notou-se que nas lagoas do tipo “a” predominam os exemplares grandes
(maiores de 17mm) e na maioria vivos de N. limosa. A cor destes é amarela
bem clara, principalmente nos umbos. Na lagoa das Flores e canal respectivo
foram localizados na profundidade aproximada de Im e na Mirim, a 2m.
Nos canais e lagoas do tipo “b”” predominam os exemplares de N. limosa
mais escuros, principalmente nos umbos, não ultrapassando o comprimento
de 17mm, tendo sido observada uma incidência grande de indivíduos rolados.
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106 MANSUR, M.C. D. & Liana M. M. Pares Garces
DISCUSSÃO
Considerando a preferência de Corbicula por ambientes lóticos (MOR -
TON, 1982) acredita-se que esta tenha encontrado nos canais do Taim boas .
condições para seu desenvolvimento, uma vez que chegou a densidade alta,
com o máximo de mais de 5000 indivíduos por m?, em aproximadamente
5 anos. Densidade esta, provavelmente danosa às populações nativas em
geral, devido à competição por espaço e nutrientes. Certamente Corbicula
necessita de mais energia que as nativas devido ao seu rápido crescimento
e intensa multiplicação; por exemplo, C. fluminea incuba seus embriões
por curtos períodos, eliminando até 11000 pediveliger até duas vezes por
ano (MORTON, 1982), enquanto N. limosa incuba embriões por longos perío-
dos, eliminando de 20 a 25 jovens que medem Imm a 4,5mm, podendo
coexistir até duas gerações, sendo eliminados aos poucos durante o ano
(ITUARTE, 1984b). Através dos trabalhos de campo e laboratório, obser-
vou-se também que os jovens de N. limosa são lentos, pouco ativos e pouco
resistentes, morrendo com facilidade durante o transporte ao laboratório
ou quando permanecem de um dia para outro numa cuba com água, o que
não acontece com C. fluminea.
Durante a sequência dos trabalhos de campo, pode-se observar a invasão
progressiva da espécie asiática. Por exemplo, as coleta do ano de 1986,
no canal do Jacaré, não acusaram a presença de Corbicula (tabela 3). Um
ano depois apareceu a espécie em quantidade apreciável. Também é surpreen-
dente a coleta de Corbicula na estação 35 da lagoa Mangueira a 2m de
profundidade (tabela 4) na densidade de 1465 indivíduos por m2. É um
lote onde constam exemplares, na maioria vivos e sexualmente maduros,
porém com menos de 2 anos de idade.
A não ser nesta estação, não foi notado, no ambiente lagunar, um afasta-
mento das populações nativas, na mesma intensidade que nos canais. A
ocupação das lagoas por Corbicula demandaria certamente, um período
mais longo, uma vez que apresentam maior superfície que os canais.
Segundo McMAHON (1983) C. fluminea também ocorre em ambientes
lênticos, como lagoas e reservatórios, porém restringe-se às margens rasas
e aos sedimentos bem oxigenados.
As lagoas da Estação são rasas, sem estratificação térmica, como as
demais lagoas costeiras, com movimentação constante das águas pela ação
dos ventos e boa oxigenação. Estes seriam fatores positivos, portanto propí-
cios, à invasão de Corbicula.
Com relação à predominância de conchas roladas em áreas profundas
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
107
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Ocorrência e densidade de Corbicula fluminea...
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
108 MANSUR, M.C. D. & Liana M. M. Pares Garces
Tabela 3. Coleta quantitativa de Corbiculidae em canais da Estação Ecológica do Taim
e áreas adjacentes, municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar: número de
indivíduos coletados por dragada e quantidade de indivíduos calculados por m, I — Indivíduos
sexualmente imaturos; M — Indivíduos sexualmente maturos; ° — grande maioria dos exemplares
vivos; * — Parte dos exemplares com conchas vazias; ** — Todos os exemplares só
conchas. Localização das estações vide texto.
Ano 1985 1986 1987
Estação 20 20 20 10 24 9 20 20 23
Profundidade em m 1,0 1.5 3,2 1,0 2,0 4,0 3,5 3,5 2,0
Neocorbicula limosa + “e ag
nº 1/0,0225m? I 0 0 1 0 2 0 0 0 1
M 0 0 5 0 1 0 0 0 4
total 0 0 6 0 3 0 0 0 5
nº i/m? I 0 0 44 0 89 0 0 0 44
M 0 0 222 0 44 0 0 0 177
total 0 0 266 0 133 0 0 0 222
Corbicula fluminea
nº i/0.0225 m? I 2 15 35 0 0 0 0 0 2
M 3 5 82 1 0 25 69 108 31
total 5 20 117 1 0 25 69 108 33
nº i/m? I 89 666 1554 0 0 0 0 0 89
M 133 222 3641 44 0 1110 3064 4795 1365
total 222 888 5195 44 O 1110 3064 4795 1465
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
109
Ocorrência e densidade de Corbicula fluminea...
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sol O 0 0 0 142 142 142 0 66€
66€ 0 0 0 0 0 0 0 0 0
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IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
110 MANSUR,M.C.D. & Liana M. M. Pares Garces
Tabela 5. Coleta seletiva de Corbiculidae em canais e lagoa Mirim na Estação Ecológica do
Taim e áreas adjacentes, municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar: quantidade de
indivíduos obtidos em 15 peneiradas e os índices de abundância relativa. Relação das estações
vide texto. I — indivíduos sexualmente imaturos; M — Indivíduos maturos; ° — Maioria exemplares
coletados vivos; ** — Conchas vazias.
Estações de coleta, profundidade de 50 cm
Neocorbicula limosa
Indivíduo em 15
peneiradas (Maton, 1811)
Total
Corbicula fluminea I
(Mueller, 1774) M | 89 1 9
Total
Indice de abundân- Neocorbicula limosa
cia relativa n/15 (Maton, 1811)
Corbicula fluminea
Mueller, 1774)
1,2. 20,2 1.7. 631,2) ISS
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Ocorrência e densidade de Corbicula fluminea... 111
das lagoas Nicola e Mangueira e também pela ausência de moluscos no
centro da lagoa do Jacaré, convém mencionar que estas devem possuir padrões
próprios de circulação da água que são desconhecidos. É bem possível que
existam áreas ou pontos onde a circulação não é completa e o fundo seja
pouco oxigenado, inóspito à vida dos moluscos tanto nativos como exóticos,
e que aí podem se acumular as valvas vazias pela própria movimentação
mais fraca da água. É possível que a densa vegetação marginal emersa
e submersa da lagoa do Jacaré, que avança bastante em direção central
em algumas áreas, tenha alguma influência na diminuição da circulação da
água.
Não existe trabalho que registre detalhadamente as preferências ambien-
tais e a densidade populacional de Neocorbicula limosa. É citada para a
bacia do Prata e em especial para o curso inferior e desembocadura de
seus afluentes (OLAZARRI, 1966). No Estado do Rio Grande do Sul as
citações de N. limosa referem-se, principalmente, a lagoas costeiras (LAN-
ZER, 1983) e ao Guaíba (MARSHALL, 1927), classificado como lago por
OLIVEIRA (1979). A incidência marcante de exemplares mortos de N.
limosa em canais, tanto na presença como na ausência de Corbicula nos
leva a crer que, provavelmente, não sejam os ambientes mais favoráveis
ao desenvolvimento da espécie, a não ser nas áreas que se situam bem
junto às lagoas, como no caso das estações 2 e 10 (tabela 1).
Sabendo-se que a larva de Corbicula fluminea não é livre natante, porém
eliminada da concha mãe sob a forma de pediveliger, com o comprimento
em torno de 200 micrômetros, e, apesar de ser uma larva muita ativa e
resistente, não teria condições de enfrentar e transpor a correnteza em
sentido contrário do canal Oeste até atingir a lagoa Nicola. Acredita-se
que a ultrapassagem do canal e da comporta, junto à sede, em sentido
contrário à correnteza, possa ter acontecido em período de seca quando
o fluxo da água seria pequeno ou durante uma grande cheia, quando poderia
ter ocorrido o refluxo das águas em sentido contrário ao normal. Este fenôme-
no foi observado pelos habitantes da região durante a cheia de 1984. Segundo
informação verbal da SUDESUL (Superintendência do Desenvolvimento da
Região Sul) com sede regional em Pelotas, houve intensa seca no verão
de 1979 e cheia no inverno do mesmo ano. Suspeita-se que neste ano houve
realmente a introdução da espécie na Estação Ecológica, uma vez que os
maiores exemplares coletados em 1985 atingiram a idade de aproximadamente
5 anos.
Com base na informação do ISOM (1986) de que só existem dois meios
responsáveis pela dispersão da espécie asiática, como a correnteza da água
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
112 MANSUR, M.C. D. & Liana M. M. Pares Garces
e o homem, acredita-se que o surgimento de Corbicula na lagoa Mirim
possa ter ocorrido de duas maneiras: levada pelas correntes dos rios que
nascem na República Oriental do Uruguai e que desembocam nesta lagoa,
ou que tenha penetrado pelo lado norte através do canal de São Gonçalo.
Os registros de ITUARTE (1981) e de VEITENHEIMER-MENDES
(1981) mencionam a introdução da espécie praticamente ao mesmo tempo
(década de 1970) respectivamente na bacia do Prata, Argentina e na bacia
do Guaíba, Brasil. Os afluentes da Lagoa Mirim tem suas cabeceiras situadas
muito próximas da área do Prata, como por exemplo, o Rio Cebolatti que
percorre toda a extensão do Uruguai no sentido sul-norte. A bacia do Guaíba
deságua na Lagoa dos Patos que, por sua vez, comunica-se com a Mirim
através do canal de São Gonçalo. Apesar da Lagoa dos Patos apresentar
períodos de salinidade variável, sabe-se que Corbicula tem condições de
suportar níveis de até 15%, segundo MORTON (1982).
AGR ADECIMENTOS
Ao Sr. Aldino Rosa, administrador da Estação Ecológica do Taim, Rio Grande
do Sul; ao Dr. Arno Lise da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul; às colegas
da Malacologia e Porifera do Museu de Ciências Naturais pelos auxílios prestados
nos trabalhos de campo e às colegas da Botânica do Museu de Ciências Naturais
pela identificação dos vegetais.
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Ocorrência e densidade de Corbicula fluminea... 115
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[ & ECOLÓGICA DO TAIM
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LEGENDA
O Estação de coleto
— Limites da Estação
- Linho de dunas
Esc 1:167000
Yin 24 3 Km
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):99-115, 20 dez. 1988
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Estudios bioecologicos, sistematicos y filogeneticos de los
Malofagos Parasitos de Guira guira Gmelin (Aves, Cuculidae):
III. Diferenciacion de los estadio ninfales de Vernoniella bergi
(Kellogg, 1906) (Phthiraptera, Philopteridae).*
Alberto H. Abrahamovich **
Armando C. Cicchino ***
ABSTRACT
Four morphometrical measurements (head length, head width, total body length, ce phalic
index) and ten morphological characters (shape of the preantennal margin, presence
or absence of dorsal preantennal suture, number of posterior setae of pterothorax,
numbers of meso and metasternal setae, presence or absence of paratergal plates,
tergal plates and sternal plates, pigmentation of paratergal plates II-VIII, and tergal
plates VII-X are given for the nymphal instar of Vernoniella bergi (Kellog 1906).
The first nymphal instar is recognizable by means of all morphometrical characteres
cited above. The only confident morphometrical characters for separation of second
and third nymphal instars is the head length; the remaining, head width, total body
length and cephalic index offer a margin of error. The morphological characters useful
for separation of second and third nymphal instars are: the constant number of pterotoracic
posterior setae: two in nymph II and three in nymph III; the presence of tergal
and sternal plates more developed in nymph III al although these characters are difficult
to detect under the optical microspope because their de pigmentation, but easily discernible
by examen under the scanning electron microscope.
INTRODUCCION
Salvo un trabajo previo (CICCHINO & ABRAHAMOVICH, em prensa)
referido a morfometría y morfología, antenal, desarrollo de los sensilos
cefálicos y del sistema de captación hídrica, no hay otros aportes bibliográ-
ficos que contemplen distintos aspectos de los estadíos ninfales de alguna
de las cuatro especies incluidas en el género Vernoniella Guimarães, 1942.
Entre los antecedentes bibliográficos referidos a la morfologia de los
estadíos ninfales de especies pertenecientes a otros géneros de la familia
* Aceptado para publicación 17.X.1988. Parte de un proyecto de investigación anual subsidiado
por el CONICET.
** División Estomologfa, Faculdad de Ciencias Naturales y Museo La Plata, Paseo del Bosque
sin, 1900 La Plata, Buenos Aires, Argentina; Becario del CONICET, Argentina.
*** Museo de La Plata, Buenos Aires, Argentina.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):117-127,20 dez. 1988
118 ABRAHAMOVICH, A. H. & Armando C. Cicchino
Philopteridae, merecen citarse a los siguentes: CINCI (1956 a) y MARTIN
(1934) (Columbicola), WILSON (1936) y CONCI (1952) (Cuclotogaster),
CONCI (1956 b) (Goniodes).
Es nuestro objetivo proporcionar las características que permiten diferen-
ciar los tres estadíos ninfales, y sus diferencias con el estado adulto de
Vernoniella bergi (Kellogg, 1906). Consideramos este paso previo como indis-
pensable para un adecuado seguimiento de las variacipones demográficas
experimentales a lo largo del afio en concomitancia con el ciclo biológico
del hospedador, estudio que venimos realizando sistematicamente al presente.
MATERIAL Y METODOS
Empleamos material fresco colectado sobre Guira guira Gmelin (Aves, Cuculidae)
en distintas localidades de la Provincia de Buenos Aires (Argentina) y Departamento
de Artigas (Uruguay). Se utilizó microscopía óptica y microscopia -electrónica (MEB).
Para el primero se clarificó el material en Cloral-fenol-glucosa durante 72 horas,
posteriormente se montaron en líquido Gater y llevados a estufa a 48 °C durante
7 dias. Aquellas muestras destinadas al MEB se refijaron en formol 10% durante
24 horas, luego deshidratadas en acetonas de concentraciones crecientes, secados al
aire y metalizados con oropaladio.
Las medidas son absolutas, expresadas en micrómetros (um) y tomadas con microscópio
binocular mediante ocular calibrado, y al MEB tomando como referencia la escala
digital proporcionada por el mismo.
Mediante estos procedimientos, se analizaron 6 muestras de distintas localidades
totalizando 110 individuos.
Las siglas utilzadas en el texto y en las figuras son las siguientes: a, seta dorsal
anterior; s, sutura preantenal dorsal; C, cabeza; P, protorax; PT pterotorax; p, placa
dorsal; ps, setas pterotorácicas posterioes; ms, mesosterno; mt, metasterno; b, setas
mesosternales y metasternales; h, hemitergitos; pt, paratergitos; st, esternitos.
RESULTADOS
Analizamos independientemente tres características morfométricas, índice
cefálico y diez caracteres morfológicos y numéricos externos, obteniendo
los siguientes resultados:
Se evaluaron únicamente, por ser los más constantes, el largo de la
cabeza (HL), ancho máximo de la misma (OW), largo total del cuerpo (TL);
paralelamente se calculó el índice cefálico (IC=HL/OW) para cada uno de
los 110 indivduos de las distintas muestras analizadas. Estos se detallan
en la tabla I: HL, es el más constante de los tres caracteres morfométricos
considerados, debido a que varía dentro de limítes sumamente estrechos,
para cada estadío ninfal; OW, varía dentro de límites sumamente estrechos
para la ninfa I (NI) mientras que para las II y III (Nı1, NIII) adquieren
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):117-127, 20 dez. 1988
Estudios bioecologicos, sistematicos y filogeneticos de... 119
un rango mayor, solapándose parcialmente; TL, su variación es estrecha,
siendo su rango mayor en las ninfas II y III, que se solapan parcialmente.
IC, muestra el incremento gradual del largo sobre el ancho experimentado
por la cabeza en cada estadío ninfal.
En el diagrama de dispersión (fig. 25) de una población de ninfas de
un individuo hospedador tomado al azar, utilizando como parámetros HL
y TL, se evidencia que N] se aisla netamente del contexto formado por
NyI- NIII. y que estas últimas se superponen parcialmente en sus respectivas
dispersiones. Sucesivas comprobaciones en otras muestras poblacionales de
distintas localidades repiten estos resultados.
Del diagrama y del análisis anteriores surge que: HL es el caracter
morfométrico más seguro para separar los tres estadíos ninfales entre si.
OW, TL e IC ofrecen aproximadamente un 20% de error en la separación
de las ninfas II y III y el 100% de seguridad para la separación de la
ninfa 1.
Características morfológicas externas.
La sutura preantenal dorsal (s) se forma a partir de la ninfa II (fig.
2, 11), como consecuencia de ésto se delimita una placa anterior dorsal
(p) incompleta que se mantine en la ninfa III y adultos. El punto inferior
de la sutura preantenal dorsal coincide con la ubicación de la seta dorsal
anterior (a) (CLAY, 1951); CHICCHINO & ABRAHAMOVICH, en prensa)
(figs. 11, 12). La ninfa I, desprovista de placa anterior dorsal, mantiene
el borde preantenal parabólico (figs. 10, 13). En las ninfas II y III, así
como en los adultos la presencia de esta placa motiva un truncamineto
apical y todo el borde preantenal ofrece un contorno triangular truncado
(fios. 24 3 Os 65/11;.12,14,.15):
El número de setas pterotorácicas posteriores a cada lado (ps) es el
más constante de los caracteres morfológicos y muy distintivo para cada
estadío ninfal (figs. 16-18): 1, 2 y 3 respectivamente.
Lá formación de las placas mesosternales (ms) y metasternales (mt),
portando un par de setas (b) cada una se forman a partir de la ninfa II
y permanecen sin variación hasta el estado adulto (figs. 14, 15). La ninfa
I no posee placas ni setas (fig. 13).
Los hemitergitos abdominales (h), como es regla en todos los Ischnocera,
comienzan a formarse a partir de la ninfa II. En el mismo estadío ninfal
se aprecia con suma claridad la formación de los tergitos 1 + 2 que es
notoriamente mayor que los hemitergitos 3-9 (figs. 2, 8). estos últimos
adquieren un desarrollo notablemente mayor en NYII respecto de N]J (figs.
IHERINGIA. Sér. Zool., Porto Alegre (68):117-127,20 dez. 1988
120 ABRAHAMOVICH, A. H. & Armando C. Cicchino
3, 9, 21). La diferencia de NIy-NIII con el adulto radica en que en este
último cada hemitergito se fusiona con el paratergito (pt) correspondiente.
La pigmentación se inicia en el ninfa II sobre todo en las carenas margina-
les de la cabeza, apodemas torácicos, paratergitos y los últimos tergitos.
El patrön de pigmentación en las ninfas II y III es muy similar. Por el
contrario N aparece totalmente despigmentada (tab. II).
CONCLUSIONES
De la evaluación de todos los caracteres estudiados en forma comparativa
surge que:
El primer estadío ninfal (N1) de Vernoniella bergi se reconoce inequivo-
camente por la totalidad de los caracteres morfométricos (HL, OW y TL),
el índice céfalico (IC) y todos los caracteres morfológicos externos (forma
del margen de la región preantenal, sutura preantenal dorsal, número de
setas pterotorácicas posteriores e de setas meso y metasternales, presencia
o ausencia de paratergitos, hemitergitos y esternitos abdominales, pigmen-
tación de los paratergitos II-VIII y tergitos VII-X).
La morfometría correspondiente a los 90 ninfas (NjJ]J, NIII) de seis
muestras examindas indica que el 20% de ellos solapan las medidas referidas
al ancho máximo de la cabeza (OW), largo total del cuerpo (TL) y el índice
cefálico (IC). El valor del largo de la cabeza (HL) es el único parámetro
seguro para separar ninfas de segundo estadío (N]I) y ninfas del tercer
estadio (NJIJ).
Las diferencias morfolögicas fundamentales entre los estadios II y III
se reducen a: (1) nümero de setas pterotoräcicas, 2 y 3 acada lado respectiva-
mente; (2) presencia de hemitergitos y esternitos abdominales notablemente
más desarrollados en las ninfas III. Los esternitos abdominales son difíciles
de observar al microscopio óptico debido a su total despigmentaciön, apre-
ciändose con nitidez usando microscopia eletrönica de barrido (MEB).
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122 ABRAHAMOVICH, A. H. & Armando C. Cicchino
TABLA I: Tabla comparativa del largo de la cabeza (HL), ancho maximo de la misma
(OW), largo total del cuerpo (TL), e indice cefálico (IC). Las meidas (en um) constam
de rango y, entre paréntesis, promedio y desvío standard poblacional.
Caracteres
morfomé- NINFA I NINFA II NINFA III
tricos
HL 301-334 (318218) 417-468 (441215) 493-551 (530221)
OW 292-317 (303+10) 334-401 (363219) 392-484 (4384.28)
TL 969-1085(10442 52) 1252-1536(1388 1.99) 1520-1987(1778 2 184)
E IC 1,01-1,11(1,05*0,04) 1,18-1,28(1,22 0,03) 1,14-1,28(1,21£0,04)
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):117-127,20 dez. 1988
Estudios bioecologicos, sistematicos y filogeneticos de...
123
TABLA II: Caracteres utilizados en la separaciön de los tres estadíos ninfales y el estado
adulto en Vernoniella bergi (Kellogg 1906).
CARACTER
Forma del margen
de la región
preantenal
Sutura preantenal
dorsal
Nº de setas
pterotoracicas
posterioes a cada
lado.
Nº de setas
mesosternales
Nº de setas
metasternales
Paratergitos
abominales
Hemitergitos
abdominales
Esternitos
abdominales
Pigmentación en
los paratergitos
H-VIII
Pigmentación en
los tergitos
VII-X
NINFA I
Parabólica
Ausente
0
Ausentes
Ausentes
Ausentes
Ausentes
Ausentes
NINFA II
Subtriangular,
truncada
Presente
2
Presentes, libres
Presentes,
reducidos
Presentes
Presente apenas
en la franja
medial
VII-VIII casi
inperceptible;
IX-X
pigmentación más
marcada.
NINFA III
Subtriangular,
truncada
Presente, bien
marcada
2
Presentes, libres
Presentes, bien
desarrollados
Presentes, bien
desarrollados
Presentes apenas
en la franja
medial
VII-VIII apenas
pigmentados;
IX-X
pigmentaciön mäs
marcada
ADULTO
Subtriangular,
truncada
Presente, bien
marcada
2
Presentes,
soldados a los
hemitergitos
Presentes,
solados a los
hemitergitos
Presentes
Presente
Todos fuertemente
pigmentados
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):117-127,20 dez. 1988
124 ABRAHAMOVICH, A. H. & Armando C. Cicchino
Figs. 1-9: Micrograffas de los 3 estadfos ninfales de Vernoniella bergi (Kellogg,
1906). Escala = 100um. Vista dorsal: 1. Ny; 2. Nry; 3. Ni; 4. Vista ventral,
Ny a punto de mudar, conteniendo el farado de Nyy; 6. Vista ventral, Nyry; Vista
lateral: 7. Ny; 8. Nyx; 9. Nr. (h, hemitergitos; ps, setas pterotorácicas posteriores;
pt, paratergitos; s, sutura preantenal; st, esternitos).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):117-127,20 dez. 1988
Estudios bioecologicos, sistematicos y filogeneticos de... 125
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Figs. 10-18: Micrograffas de los 3 estadfos ninfales de Vernoniella bergi (Kellogg,
1906). Escala = 100um. Vista dorsal de la cabeza y torax: 10. Ng 11. Nyx; 12.
Nr; 13. Vista ventral de la cabeza y torax de Ny; 14. Vista ventral de la cabeza
y torax de Ny a punto de mudar, conteniendo el farado de NYyy; 15. Vista ventral
de la cabeza y torax de Njsi; Vista dorsal del pterotorax: 16. Ny; 17. Njp 18. Nıjr-
(a, seta dorsal anterior; b. setas mesosternales; ms, mesosterno; mt, metasterno;
p, placa dorsal; ps, setas pterotorácicas; s, sutura preantenal; C, Cabeza; P, protórax;
Pt, pterotórax).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):117-127, 20 dez. 1988
126
ABRAHAMOVICH, A. H. & Armando C. Cicchino
Figs. 19-20: Micrograffas del abdomen de los tres estadíos ninfales de Vernoniella
bergi (Kellogg, 1906). Escala = 100 um. Vista dorsal: 19. Ny; 20. Ny; 21. NTIII;
Vista ventral: 22. NY; 23. Ny a punto de mudar, conteniendo el farado de Nj7; 24.
Vista entral, NryI. (h, hemitergitos; pt, paratergitos; st, esternitos).
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):117-127,20 dez. 1988
Estudios bioecologicos, sistematicos y filogeneticos de... 127
SETE A ES re Ss ESA
1800
1600
I300
1000
Fig. 25: Diagrama de dispersión de una muestra poblacional de ninfas de Vernoniella
bergi Kellogg, 1906) parásitas de un indivíduo de Guira guira capturado el 15-1-86
en el Partido de Magdalena, provincia de Buenos Aires, Argentina. (HL, largo de
la cabeza; TL, largo total del cuerpo; N]-Nıpj, Ninfas I-IID.
IHERINGIA. Ser. Zool., Porto Alegre (68):117-127, 20 dez. 1988
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Nº 55 —
SÉRIE ZOOLOGIA
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(1985) — Com 08 artigos, 102p.:
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IHERINGIA: Ser. Zool., Porrto Alegre (68): 137-142, 20 dez. 1988
A IHERINGIA — SÉRIE ZOOLOGIA (ISZ), órgão do Museu de Ciên-
cias Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, destina-se
a publicar trabalhos originais em Zoologia, mantendo também seções destina-
das a notas prévias, resenhas bibliográficas e notícias de interesse.
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redigidos preferncialmente em português, inglês espanhol ou francês. A
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e Métodos; Resultados e/ou Discussão; Conclusões; Agradecimentos e
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genéricos e específicos que integram o título devem ser sublinhados com
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ca, 1987; (Fonseca, 1987), Fonseca (1987:54) ou (Fonseca, 1987:54). Na
elaboração das referências bibliográficas estas devem ser dispostas em
ordem alfabética e cronológica, segundo as normas da ABNT, salvo o
ano da publicação que deve seguir o nome do autor. As abreviaturas
dos nomes de periódicos devem obedecer as normas do “World List of
Scientific Periodicals”.
Ex: 1—- SANTOS, E 1952. Da ema ao beija-flor. 2.ed.rev.ampl. Rio
de Janeiro, F.Briguiet. 335p.
Ex: 2— BERTSCHINGER, R.B.E. & José Willibaldo Thomé. 1987.
Contribuição à recaracterização de Phyllocaulis soleiformis
(d’Orbigny, 1835) (Gastropoda, Veronicelidae) Revta.bras.
Zool., Säo Paulo 4(3);215-33. out.
6. As ilustrações devem ser feitas preferencialmente a traço, com nanquim,
em papel vegetal. Fotografias e tabelas devem permitir uma redução para
um máximo de llcm x 17cm. As ilustrações e mapas devem ser tratados
como figuras e numerados independentemente com números arábicos se-
güenciais. Ilustrações, tabelas e mapas não devem ser incluídos no meio
do texto. Devem ser montados em cartolina branca, proporcionais às
dimensões (1lem x 17cm), adotado o critério de rigorosa economia de
espaço. A Comissão Editorial reserva-se o direito de efetuar alterações
na montagem das pranchas ou solicitar nova montagem aos autores. As
legendas devem ser datilografadas em folha(s) a parte. Ilustrações a cores
devem ser combinadas previamente e seu custo fica a cargo do(s) autor(es).
7. A elaboração da listagem do material examinado deve dispor as localidades
do Norte para Sul e de Leste para Oeste, segundo o modelo abaixo:
Ex: — VENEZUELA: Sucre, San Antonio del Golfo, 5 OQ MNHN 2547,
08.V.1942, S. Karpinski leg... PANAMA: Chiriqui, Bugaba (Volcan de
Chiriqui), 3 8 1 q BMNH 1901. VI-274-7, 24.VI.1901, Champion leg..
BRASIL: Goiás, tai (Fazenda Aceiro), 3 6 2 o MZSP 4312, 15.X1.1915,
C. Bueno leg.; Paraná, Rio Negro, 1 o MNRJ 58425, 02.X11.1925, F.D.
Silveira leg., Rio Grande do Sul, Viamão, Itapuã (Morro da Grota), 5
q MCN 2147, 17.X1.1943, S. Carvalho leg.
8. A seleção dos manuscritos far-se-á pela Comissão Redatorial após parecer
de no mínimo dois referees. Alterações de pequena monta serão feitas
pela própria Comissão. Alterações mais substanciais serão solicitadas aos
autores, mediante a devolução dos originais, acompanhados das sugestões.
A correção das provas tipográficas será, sempre que possível, de responsa-
bilidade do(s) autor(es).
9. Para cada artigo será fornecido um número fixo de 100 separatas, sem
capa. Separatas acima deste número devem ser solicitadas por ocasião
do encaminhamento dos manuscritos e serão cobradas dos autores a preço
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Arno Antonio Lise
Editor
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Universidade Estadual de Campinas
Herpetologia — Anura
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da Argentina
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Mastozoologia
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Mastozzologia
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Museu Nacional — Rio de Janeiro
Aracnologia
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Argentina
Malacologia
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Museu Nacional — Rio de Janeiro
Malacologia
CARLOS H.W.FLECHTMANN
Universidade de São Paulo
Acarologia
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Herpetologia
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Filogenética
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Mus. Arg. C. N. Bernardino Rivadavia
Scorpionida
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Cnidaria
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Ornitologia
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Carcinologia
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Ecol. de micro-organismos marinhos
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Helmintologia
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Entomologia
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Hymenoptera
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Cnidaria
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Entomologia
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Ictiologia
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Herpetologia
PEDRO M, LINARDI
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Entomologia — Parasitologia
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Carcinologia
RENATO CONTIN MARINONI
Universidade Federal do Paranä
Entomologia
RUBENS ALVES DA CUNHA
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Taxonomia
SONIA M.F. ZUIM
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Fisiologia de Peixes
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Aracnologia
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Entomologia
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- Instituto de Biociência — USP
Malacologia
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Herpetologia — Anura
WILSON LOURENÇO
Museum National d’Histoire Naturelle —
Paris
Scorpionida
WLADIMIR LOBATO PARAENSE
Instituto Osvaldo Cruz — Rio de Janeiro
Malacologia
Dezembro 1988
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Rua Gen. Vitorino. 41— Porto Alegre— RS
Fones: 21-5566 e 25-8079
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série Zoologia
BL ISSN 0073-4721
BONATO, S. L. & Jocélia Grazia. Contribuição ao estudo do gênero Mor-
midea Amyot & Serville, 1843. |. M. speciosa Haglund, 1868 (Hete-
opera, Pentatomidas, Pantatômini) ...cusas Sil sois EO RS 1
AVELAR, W.E.P. & Isabel C. Boleti. Annual cycle of gametogenesis in
Brachidontes solisianus (Orbigny, 1846) (Mollusca, Bivalvia, Myti-
ti DRE ehe ca ae COR GU EA UR NERI e
ZAMPONI, M.O. & Claudia V. Girola. Variaciones morfológicas y estru-
turales de los juveniles de Olíndias sambaquiensis Müller, 1861 (Cni-
ana Linnoniacdulas, Olindidae] «Gl Du. cn enc ns E e © |
ZAMPONI, M.O. & Gabriel M. Genzano. Variaciones de algumas estru-
turas de valor taxonomico en la familia Geryonidae (Cnidaria, Trachy-
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ROSSI, L.M. Alimentaciön de larvas de Salminus maxilosus Val, 1840
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LEMA, T. de. Notas sobre a biologia de duas espécies de Elapomorphus
Wiegmann, 1843 (Serpentes, Colubridae, Elapomorphinae)........ p. 61
MARTINS, U.R. & Maria H.M. Galileo. Revisão das espécies sul-ameri-
canas do gênero Erana Bates, 1866 (Coleoptera, Cerambycidae, La-
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PY-DANIEL, V. & Gilson R.P. Moreira. Simulidae (Diptera, Culicomor-
pha) no Brasil. IX. Simulium (Inaequalium) nogueirai D' Andreatta
O ARNS a a Nee. Ce 2 RR ES RA p. 85
(Continua na 42 capa)
Museu de Ciências Naturais da
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
3 Publicado com o auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecno-
lógico (CNPq) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Processo 40.6051-88,7.
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CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DO GÊNERO MORMIDEA AMYOT
& SERVILLE, 1843. I. M. SPECIOSA HAGLUND, 1868 (HETEROP-
TERA, PENTATOMIDAE, PENTATOMINI).*
Sandro L. Bonatto **
Jocélia Grazia ***
ABSTRACT
Mormidea speciosa was described by HAGLUND (1868) based in one male of the
Amazonian region, that was the only specimen known until now. We discovered 4 other
specimens, 1 male and 3 females, of the Amazon and the redescriptions of the male and the
first description of the female are provided.
INTRODUÇÃO
Mormidea speciosa foi descrita em 1868 por HAG LUND através de único ma-
cho da região amazônica. ROLSTON (1978) na sua revisão do gênero Mormidea
Amyot & Serville, 1843, ampliou a descrição original e apresentou um desenho da
vista externa dorsal do pigóforo. Porém, ROLSTON (op. cit.) só examinou o holó-
tipo, sendo a fêmea ainda desconhecida.
Encontramos depositados no Museu de Zoologia de São Paulo e Belém, Mu-
seu Paraense Emilio Goeldi, 1 macho e 2 fêmeas provenientes da região amazôni-
ca brasileira. Assim, apresentamos a redescrição do macho e a descrição da fêmea
e da genitália de ambos os sexos.
* Aceito para publicação em 24.1.1989.
** CPG Entomologia, UFPR, Cx. Postal 3034, 80001 Curitiba, PR, Brasil; bolsista do CNPq.
*** Departamento de Zoologia, UFRGS, av. Paulo Gama s/nº, 90049 Porto Alegre, RS, Bra-
sil; bolsista do CNPq.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):3-8, 22 dez. 1989
4 BONATO, S.L. & JOCÉLIA GRAZIA
MATERIAL E MÉTODOS
O material examinado provém das seguintes coleções: Naturhistoriska Riksmuseet, Es-
tocolmo, Suécia (RK), Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZSP) e Museu Pa-
ranese Emílio Goeldi, Belém (MG).
A genitália foi macerada e difanizada com KOH a 10%, a quente e corada com verme-
lho-congo. A terminologia empregada é aquela proposta por DUPUIS (1970). As medidas es-
tão expressas em milímetros, correspondendo à média e entre parênteses a amplitude e foram
tomadas como segue: comprimento total da margem anterior do pronoto ao ápice do 7º seg-
mento; comprimento total da cabeça, da cabeça diante dos olhos, do escutelo e do pronoto, na
linha mediana longitudinal, tendo as margens anterior e posterior do pronoto no mesmo plano
focal; comprimento do cório desde a base até o ângulo posterior; comprimento dos artículos
antenais em vista dorsal; largura da cabeça — a distância entre as margens externas dos olhos;
distância interocular — a distância entre as margens internas dos olhos; a distância interocelar;
distância entre olho e ocelo; largura do pronoto na base, na altura dos ângulos ântero-laterais
do pronoto; largura do pronoto ao nível dos úmeros; largura do escutelo na base e largura do
abdome no 3º segmento.
Mormidea speciosa Haglund, 1868
(Figs. 1 a 9)
Mormidea speciosa HAGLUND, 1868: 155; STAL, 1872: 20 (chave); KIRKALDY, 1909: 61
(catálogo); ROLSTON, 1978: 178-180, fig. 16 (revisão Mormidea).
Material-tipo: Holótipo macho, examinado, RK.
Localidade-tipo: “Amazon”.
Fêmea (fig. 1). Coloração geral da superfície dorsal verde-metálica, a cabeça
e o terço anterior do pronoto testáceos.
Medidas: comprimento total 5,88 (5,40-6,18); comprimento da cabeça dian-
te dos olhos 0,82 (0,78-0,85); comprimento do pronoto 1,80 (1,71-1,90); compri-
mento do escutelo 1,69 (1,62-1,76); comprimento do cório 3,88 (3,78-3,96);
comprimento dos artículos antenais: I, 0,36 (0,35-0,38); Il, 0,61 (0,59-0,63);
Ill, 0,61 (0,61-0,63); IV, 1,27 (1,22-1,32); V, 1,35 (1,32-1,39); largura da cabe-
ça 1,79 (1,76-1,80); distância interocular 0,94 (0,92-1,0); distância interocelar
0,37 (0,35-0,38); distância entre olho e ocelo 0,17 (0,16--0,19); largura do pronoto
na base 1,76 (1,68-1,80); largura umeral 4,36 (4,26-4,50); largura do escutelo
2,76 (2,66-2,88) e largura do abdome 3,84 (3,78-3,96).
Cabeça, com pontuações negras; clípeo mais longo que as jugas, alargando-se
progressivamente em direção anterior, não pontuado, escurecido no ápice. Cabeça
estreitando-se anteriormente, margens laterais das jugas escuras; superfície ventral
da cabeça clara, com pontuações igualmente claras. Antenas: tubérculo antenal,
19, 2º e 30 artículos, 4º exceto um anel basal e metade posterior do 59 negros;
demais áreas testáceas.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):3-8, 22 dez. 1989
Contribuição ao estudo do gênero Mormidea.... 5
Pronoto com pontuações negras delimitando as cicatrizes, as demais escassas e
irregularmente distribuídas. Os dois terços posteriores verde-metálicos, densamente
pontuados. Margens ântero-laterais e estreita faixa das margens póstero-laterais tes-
táceas, calosas e destituídas de pontuação. Margens ântero-laterais levemente cônca-
vas. Espinhos umerais pequenos, subagudos, dirigidos lateralmente.
Escutelo, densamente pontuado; disco com pontuações anastomosadas for-
mando rugas; faixa testácea submarginal calosa ao longo da metade basal das mar-
gens laterais. Ápice do escutelo com mancha testácea cordiforme.
Hemiélitros densamente pontuados, com coloração mais escura que a do res-
to do dorso, exceto exocório. Terço basal da costa testáceo, caloso. Membrana es-
fumaçada. Conexivo estreitamente exposto, destituído de pontuações.
Superfície ventral testácea, brilhante; protórax com esparsas pontuações ne-
gras, meso e metatórax com pontuações concolores. Abdome liso, com pontuações
rasas concolores ao longo das margens laterais. Espiraculos concolores. Patas tes-
táceas com manchas negras regularmente distribuídas no fêmur e tíbia. De colora-
ção escura a extremidade distal dorsal do fêmur, tíbia e 1º artículo tarsal; 20 e
3º artículos tarsais totalmente escuros.
Genitália. Placas genitais (fig. 2) em vista póstero-ventral. Margem posterior
do 79 segmento em “U” aberto. Gonocoxitos 8 (gc8) triangulares, com as bordas
suturais não contíguas, deixando exposto a porção mediana das gonapófises 8 (98);
bordas posteriores levemente convexas. Laterotergitos 9 (la9) ultrapassando leve-
mente a banda que une ventralmente os laterotergitos 8 (la8). La8 com uma peque-
na projeção triangular e romba, com o ápice escuro. Gonocoxitos 9 (pseudo-ester-
nito, gc9) retangular, três vezes mais largo do que longo. Décimo segmento (x) qua-
drangular. Vias genitais ectodérmicas (fig. 3): gc9 fusionados medianamente, escle-
rotirizadas posteriormente, com dois braços laterais em direção anterior, que na sua
extremidade se articulam com o espessamento da íntima vaginal (eiv); região do
ductus receptaculi (dr) anterior à área vesicular aproximadamente 2 vezes maior
que a posterior; pars intermedialis (pi) com diâmetro pouco maior que o diâmetro
da porção posterior à área vesicular; capsula seminalis (cs) globosa, sem dentes, com
comprimento 2 vezes maior que o diâmetro; crista anular posterior (caa) situada na
região mediana da cs.
Macho. Menor que a fêmea; antenas totalmente negras; faixa lateral calosa do
hemiélitro maior; manchas negras no fêmur aumentando gradualmente em direção
ao ápice; tíbia e tarsos totalmente negros.
Medidas. Comprimento total 5,76 (5,4-6,12); comprimento da cabeça diante
dos olhos 0,74 (0,70-0,77); comprimento do pronoto 1,80 (1,69-1,92); compri-
mento do escutelo 1,66 (1,55-1,76); comprimento do cório 3,79 (3,66-3,90); com-
primento dos artículos antenais: |, 0,36 (0,35-0,38); II, 0,62 (0,61-0,63); Ill, 0,57
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):3-8, 22 dez. 1989
6 BONATO, S.L. & JOCÉLIA GRAZIA
(0,52-0,63); IV, 1,39 (1,29-1,46); V, 1,51 (1,48-1,55); largura da cabeça 1,58
(1,52-1,64); distância interocular 0,87 (0,82-0,91); distância interocelar 0,36 (0,35-
0,37); distância entre olho e ocelo 0,13 (0,11-0,14); largura do pronoto na base
1,57 (1,52-1,62); largura umeral 4,38 (4,08-4,68); largura do escutelo 2,60 (2, 50-
2,67) e largura do abdome 3,93 (3,66-4,2).
Genitália. Pigóforo (figs. 4,5) quadrangular, margem ventral côncova media-
namente, deixando exposto o ápice do décimo segmento, com protuberância na
superfície superior lateral. Borda dorsal (bd) em “U”” aberto. Décimo segmento es-
treito, com a metade anterior clara e a posterior escura. Parede lateral interna pos-
teriormente escavada e dorso-medianamente com tumescências pilosas escavadas in-
ternamente. Margem lateral medianamente truncada. Parämeros (fig. 6) curtos, com
porção distal flexionada em direção à tumescência da parede lateral, ápice expan-
dido, levemente bilobado. Parede externa com uma protuberância curta, arredon-
dada, com pêlos espessos na região entre esta e a porção apical. Phallus (figs. 7, 8)
placas basais (plb) em forma de ferradura; conetivos dorsais (cd) estreitos; processus
capitati (pc) arredondados, pequenos. Phalloteca (ph) globosa, muito curta, com
largura aproximadamente igual ao comprimento. Conjuntiva (Cj) apresentando-se
muito curta, com largura aproximadamente 4 vezes mais curta que larga; vésica (v)
muito desenvolvida, com mais de 2 vezes o comprimento da phalloteca, formada
por três valvas: um par ventro-lateral grande, um pouco inclinadas em direção ven-
tral e encapsulando a metade proximal do ductus seminis distalis (dsd); uma valva
dorsal espessada, com a metade do comprimento das valvas ventro-laterais. Gono-
poro secundário (gs) continuado por um processo que alcança a valva dorsal da vé-
sica. Curso do dsd (fig. 9).
Diagnose. M. speciosa é facilmente reconhecida pela sua coloração dorsal ver-
de-metálica, bem como pela morfologia do pigóforo e das placas genitais caracter is-
ticas da fêmea.
Distribuição geográfica. Brasil: Território do Amapá e Estado do Amazonas.
Material examinado. Holótipo macho, com as etiquetas: a) Amazon, b) Stevens, c) Type,
d) typus, e) 141/56, f) 419/75, g) 474/84, h) Riksmuseum/Stockholm.
BRASIL. Amapá: Porto Platon, 12, 19.1X.1957. J. lane leg. (MZSP); 19, 11.64, J.C.M.
Carvalho e Dyrce (MG). Amazonas: Tupuruquara, Rio Negro, 19, 25-27.X1.1962, J. Bechyné
col. (MZSP).
AGRADECIMENTOS
Aos responsáveis pelas coleções e pelos empréstimos do material, Dr. Ubirajara Martins
(MZSP), Dr. P. Lindskog (RK) e Dr. W. Overal (MG). Ao Conselho Nacional de Desenvolvimen-
to Científico e Tecnológico (CNPq) pela concessão de uma bolsa de Aperfeiçoamento ao pri-
meiro autor.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):3-8, 22 dez. 1989
Contribuição ao estudo do gênero Mormidea. .. 7
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):3-8, 22 dez. 1989
8 BONATO, S.L. & JOCÉLIA GRAZIA
Figs. 1-9: Mormidea speciosa Haglund, 1868. 1. macho, vista dorsal; 2. placa genital da
fêmea, vista ventral; 3. laterotergitos, gonocoxitos e gonapófises do 90 segmento e Receptacu-
lum seminis (caa=crista anular anterior, cap=crista anular posterior, cs=capsula seminalis,
dr=ductus receptaculi, eiv=espessamento da íntima vaginal, g8=gonapófises 8, gc®=gonoco-
xitos 8, gc?=gonocoxitos 9, laf=laterotergitos 8, la%=laterotergitos 9, pc=pars communis,
pi=pars intermedialis, VII=709 segmento, X=109 segmento, X1=119 segmento); 4. pigóforo,
dorsal; 5. pigóforo, ventral (bd=borda dorsal, mv=margem ventral, par=parâmetro; pro=proc-
tiger); 6. parâmetro direito, vista dorso-lateral interna; 7-9. phallus; 7. dorsal; 8. ventral; 9. la-
teral (cd=conetivo dorsal, cj=conjuntiva, dsd=ductus seminis distalis, pc=processus capitati,
plb=placas basais, prg=processo do gonóporo, v=vésica). (Valor das escalas em milímetros.)
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):3-8, 22 dez. 1989
ANNUAL CYCLE OF GAMETOGENESIS IN BRACH/DONTES SO-
LISIANUS (ORBIGNY, 1846) (MOLLUSCA, BIVALVIA, MYTILI-
DAE).*
Wagner E. Paiva Avelar **
Isabel C. Boleli **
ABSTRACT
The reproductive cycle of Brachidontes solisianus (Orbigny, 1846) was examined in
bivalves colleted at Cabelo Gordo de Dentro beach, 23048'07''S; 45º23'29"W São Paulo,
Brazil. The two sexes are separated and the only outer difference between a male and a female
lies in the colour of the reproductive structures of a mature specimen, those of a male being
milky-white and those of a female being brown. There is also a variation in the texture of the
ripe mantle. The processes of maturation and elimination of gametes are practically continuous.
There is no sexual rest. Follicular wipe occurs to a higher degree during the winter. The elimina-
tion of gametes may probabily be stimulated by a decrease in sea water temperature. The
highest rate of repletion occurs in automn for both sexes when the sea water temperature
declines.
INTRODUCTION
The study of the gametogenic cycle of bivalve mollusks started in Brazil with
LUNETTA (1969), who mainly analyzed Perna perna (Linnaeus, 1767), an edible
Mytilidae. Many other studies have been performed on the gametogenic cycles of
bivalves from the Brazilian coast since then NARCHI (1976); NASCIMENTO &
LUNETTA (1978); ASSIS (1979), AVELAR (1980), GROTTA & LUNETTA
(1980) and PERES (1981).
* Accepted for publication on 03.1V.1989.
** Departamento de Biologia, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo (USP), 14049 — Ribeirão Preto, SP, Brasil.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):9-18, 22 dez. 1989
10 AVELAR, W.E.P. & ISABEL C. BOLELI
WHITE (1937); COE & FOX (1942); YONG (1942, 1946); CHIPPERFIELD
(1953); LUBET (1959); WILSON & HODGKIN (1967) among others, have studied
the gametogenic cycles of pelecypode mollusks, mainly in the Northern Hemis-
phere.
CHIPPERFIELD (1953), when studying Mytilus edulis Linnaeus (1758),
proposed a diagram for macroscopic distinction of the different sexual stages,
which would roughly permit the identification of mantle characteristics during the
different stages of gametogenesis. LUBET (1959) and LUNETTA (1969) adopted
the classification of CHIPPERFIELD with some modifications.
The most important information about the gametogenic cycle is provided by
the study of gonadal histology during the sexual cycle. According to NARCHI
(1976), for an ideally complete study, the modifications of the biochemical com-
ponents and the physicochemical conditions of the environment should be investi-
gated. If for any reason this is not possible, at least gonadal histology should be
known, since it would supply the basic parameters for studies of the gametogenic
cycle. In the present investigation, we followed the methods proposed by the above
authors for, establishing reproduction time, but did not employ the cytochemical
technics used by LUBET (op. cit.) and LUNETTA (op. cit.).
The objective of the present investigation was to study the annual cycle of
gametogenesis in B. solisianus to obtain information about the reproductive cycle
and its rhythm, and to understand, among other biological aspects, the appearance
of larval forms in the plancton.
MATERIALS AND METHODS
All the specimens were collected at Cabelo Gordo de Dentro beach, in São Sebastião,
São Paulo (23º48'07'"'S, 45º23'29"W). A total of eighty animals were collected monthly,
from June, 1972 to May, 1973 and fixed in Bouin's or Navashin's solution. The mantle and a
part of the visceral mass of these animals were dehydrated, cleared, and embedded in paraffin.
Sections of 74m were made and stained with Harris hematoxylin and eosin for analysis of
gonadal development stages.
The methods used to distinguish the different stages of gametogenesis were those des-
cribed by CHIPPERFIELD (1953), LUBET (1959) and LUNETTA (1969). After the determi-
nation of the sexual stage of each sample, drawings of histological sections were made with a
camera lucida to measure the average size of the gonadal structures. Mantle colour and thick-
ness were also observed macroscopically to separate males (milky-white) from females (brown).
Seawater and air temperatures were measured at each collection site.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):9-18, 22 dez. 1989
Anual cycle of gametogenesis. .. 11
RESULTS
Histogenesis of the gonads of B. solisianus.
Oogenesis. The oogonia produced by the mother cell division are attached to
the follicular wall, the and measure about 12.65um in diameter. Oogenesis may be
divided into two phases: pre-viteilogenesis and vitellogenesis.
Pre-vitellogenesis. The oocytes remain attached to the follicular wall while
they begin to increase into the follicular acinus, eventually reaching an average
diameter of 24,25um, with a nuclear diameter of 13.12um.
Vitellogenesis. Due to intense growth, the oocytes reach 33.75 to 56.25um
in diameter. As previously described by NARCHI (1976), AVELAR (1980) and
PERES (1981), we also observed that pear-shaped oocytes are attached to the
follicular wall by means of a peduncular zone and that the nucleous is placed in the
more globous region of the cell, reaching 13.75 to 26-2bLm, in diameter.
Mature oocytes show a polygonal or ovoid shape and their nuclei have a
spherical or ellyptical shape, with an eccentric nucleolus. The cytoplasm and
nucleus may reach an average of 32.5jm and 18.5bum in diameter, respectively
(fig. 1).
Spermatogenesis. Spermatogonia as well as oogonia lie close to the follicular
wall and usually reach, 4.28um in diameter.
First and second-order spermatocytes may be distinguished by their different
size, i.e., 3.0 and 1.9um in diameter, respectivelly. Spermatids reach a diameter of
1.35um (fig. 2).
Characteristics of the cycle
The characteristics of each sexual stage have been established in studies of the
gametogenic cycles based on macroscopic and microscopic analysis of the mantle
and the visceral mass of bivalves. In the study of B. solicianus, we followed the
basic classification of CHIPPERFIELD (1953) with some modifications proposed
by LUNETTA (1969).
Stages O and | from Chipperfield's classification were not observed.
Stage Il. We noticed follicular development, active gametogenesis and the
presence of vitellinic nuclei (fig. 1).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):9-18, 22 dez. 1989
12 AVELAR, W.E.P. & ISABEL C. BOLELI
Stage Ill. This is the period of reproduction: (Ill Aq) female, there is a predo-
minance of oocytes in the process of vitellogenesis; male, the follicle contains as
many mature spermatozoa as spermatogonia; primary and secondary spermatocytes
and spermatids are present; (llla2) female, there are follicles with mature oocytes
and nuclei with scattered, diffuse chromatin; male, there are follicles full of sperma-
tozoa, a few spermatogonia, primary and secondary spermatocytes and spermatids;
(Illg) partial or total elimination of sexual cells in both males and females; (Ill)
Phase of follicle restoration occuring between two consecutive emissions both in
males and females; (Illp) follicular wipe.
Seasonal analysis of different sexual stages
In the winter, the stages of repletion (IllA), elimination (Illg) and wipe
(Illp) are continuous in females (fig.5) and about 15% of females are in the resto-
ration phase (Illç). The majority of males (50%) are in the repletion phase, only
3.71% begining the follicular wipe, 33% are in the restoration phase and 12% of the
remaining males emit gametes. Water temperature is about 22ºC (fig.3).
In the spring, the repletion phase for females increases to 33%, the elimina-
tion and wipe phases decline to 24% and 14%, respectively, and the restoration
phase increases to 27%. In males, the repletion phase is the same as in winter (50%).
The restoration and wipe phases decline to 27% and 1%, respectively, and elimina-
tion phase increases to 20.8%. Water temperature declines to 21.69C. In the
summer, when water temperature reaches 29ºC, a decline of the repletion, elimina-
tion and wipe phases occurs in females, with only the restoration phase increasing
to 37%. In males, the repletion phase is practically the same as in winter and spring,
i.e., about 48.7%. The elimination phase increases to 34.7% and the restoration
phase declines to 16.5%. The wipe phase is not observed.
In autumn, when water temperature declines to 26°C, there is a high rate of
repletion, i.e., 51.7% in females and 75% in males. The elimination and wipe
phases are observed only in females. The restoration phase is about 10.0% and
23.6% for females and males, respectively.
Figs. 4-6 show the percentages of the sexual stages for males and females as
well as the temperature curves from June 1972 to May 1973.
DISCUSSION
By comparing the sex cycle of B. solisianus with those of other Mytilidae
from other geographic regions, we note that B. solisianus presents a synchronism
between the different sexual stages, which is not as pronounced as in M. perna
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):9-18, 22 dez. 1989
Anual cycle of gametogenesis. . . 13
(LUNETTA, 1969) or B. darwinianus darwinianus (AVELAR, 1980) and does not
show a specific period for each stage as occurs with B. variabilis (Krauss, 1848),
Septifer biloculares Linnaues, 1758) and Amygdalum glaberrimum (Dunker,
1865) in Australia (WILSON & HODGKIN, 1967).
Throughout the year, it is possible to observe gametes in both sexes that are
mature or about to become mature (Stage Ill). For both males and females, the
highest maturation peak occurs in autumn — when the water temperature reaches
26°C.
WILSON & HODGKIN (1967), observed that B. variabilis and S. biloculares
become mature when temperature of the water is near its maximum value of 250
(January-March).
Females of B. solisianus laid eggs throughtout the year but no peak was
higher than 29%. Probably the absence of more pronunced emissions is due to the
continuity and uniformity of this process.
During autumn (April-June) males practically did not produced any gametes.
This was not the case with M. perna or with B. darwinianus darwinianus, which
present more pronounced emissions during this period. The absence of spawning
could be attributed to the pronounced elimination that occurs during summer.
However, other bivalves from tropical regions have two pronunced elimina-
tion peaks, one of them in the summer and the other during the spring. B. solisianus
showed only one peak for males at the end of summer. M. perna, B. darwinianus
darwinianus and Anomalocardia brasiliana have their peaks in the summer and
spring.
In May, we observed a decreasing rate of maturation as well as an increasing
restoration rate without corresponding elimination by males, and a discrete emission
by females. This fact led us to think about a possible spawning between the April
and May collections.
The role of temperature in stimulating spawning has already been pointed out
by many authors.
Except for the month of June, the highest percentages of spawning by 2.
solisianus females and males, correspond to those months when the temperature is
decreasing. Thus, a decrease in temperature may be a spawning stimulus in B, soli-
sianus.
CHIPPERFIELD (1953) observed that M. edulis began gamete elimination
when the temperature moved from 9.5°C to 11-12.5ºC. According to this author,
the observations already made with M. edulis suggest that when a little increase in
temperature occurs, the spawning period is expanded.
LUBET (1959) observed that M. edulis at Arcachon region lays December to
May and that abrupt temperature alterations influence directly mature individuals,
causing gamete emissions.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):9-18, 22 dez. 1989
14 AVELAR, W.E.P. & ISABEL C. BOLELI
In B. recurvus, spawning goes on from June to November (ALLEN, 1962)
with a peak in the elimination rate in summer and at the beginning of autumn
during this period the temperature varies from 17,79C to 11.69C.
Some species of pelecypode mollusks, especially those settled where the
seasonal variation in temperature is very pronounced, begin to spawn after a phase
of rest and may or may not lose their sexual characteristics completely.
According to WILSON & HODGKIN (1967), B. variabilis and S. biloculares
are in a neutral reproductive condition during winter, while M. edulis planulatus
(Lamarck, 1819) and X. pulex (Lamarck, 1819) have a period of rest during the
summer months.
At Arcachon, M. galloprovincialis (Lamarck, 1819) is in the sexual rest phase
from the beginning of June to the beginning of September, (LUBET, 1959) while
the same species at Ganzirri lake (Messina-ltaly) presents a rest phase from May to
the end of August (spring-summer) (COSTANZO, 1964).
According to LUBET (1959), at the Arcachon region, M. edulis is in sexual
rest from the befinning of May to the end of September and the duration of the
reproductive cycle of this species is longer since the populations are settled in
regions of lower latitude.
In M. perna and B. darwinianus darwinianus, the rest phase does not affect all
of the population. In the first species, it can occur in November or December, or in
May or June, while in B. darwinianus darwinianus this phase is more pronounced in
May, July and August.
In the present study, B. solisianus did not show a sexual rest, probably because
the temperature is always too high and no sharp limits occur between seasons in
the region where the specimens were collected.
Despite this absence of a clear rest period, B. solisianus shows a practically
continuous follicular wipe phase. In females this phase is more pronounced than in
males, reaching its highest peak in winter. According to LUNETTA (1969), during
this stage the storage of feeding material that will be utilized during the repro-
ductive period occurs. A part of this extra supply of food must come from the
gametogenic cells re-absortion process, accomplished by the amoebocytes. These
phagocytes appear in the follicles during the wipe phase, though it is possible to
observe them occasionally during other stages.
The presence of the “vitellinic nucleus” observed in B. solisianus probably
works together with the amoebocytes, providing egg-cells with a food supply and
may also explain the low degree of development of connective tissue in this species.
According to BALINSKY (1965), the vitellinic nucleus does not preserve its
original shape for a long time; it breaks up and spreads to the peripheral zone of the
cytoplasm. In 2. solisianus, the vitellinic nucleus may be present or not during the
pre-vitellogenesis, vitellogenesis or mature oocyte phases. The presence of this
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):9-18, 22 dez. 1989
Anual cycle of gametogenesis. .. 15
nucleus has not been mentioned for other Bivalves and will be the subject of future
research in our laboratory.
Because the animals occupy the intertidal zone, when they remain exposed
for a long time, the infestion of food is not continuous. Thus, one of the factors
that is probably intimately related to the gametogenic cycle is food availability.
CONCLUSIONS
1. Ingeneral B. solisianus presents the same gametogenic phenomena described
for other Mytilidae.
2. In B. solisianus the sexual maturation process is continuous.
3. Males present a very pronounced peak of gamete emission in March.
4. Females present a continous process of gamete elimination without pro-
nounced peaks.
5. The period of follicular wipe (HD) is practically continuous among fema-
les, and it occurs in a higher percentage during winter.
6. B. solisianus does not present a sexual rest period.
7. Reduction of water temperature may be a stimulating factor for B. soli-
sianus spawning.
AKNOWLEDGEMENTS
To Dr. Marcel Awad Herraiz and to Dr. David De Jong for reviewing the manuscript; to
Dra. Sônia Maria Fontes Zuin who collected most of the material on which the present study is
based.
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Anual cycle of gametogenesis. .. 17
Figs. 1-2: 1. Oogenesis: section of B. solisianus mantle (Stage Il). (c, cytoplasm; N,
nucleus; n, nucleolus; Vn, vitellinic nucleus; O, oocyte; o, oogonia; fw, follicular wall; ct,
connective tissue; v, oocyte during vitellogenesis.) 320X. 2. Spermatogenesis: section of B.
solisianus mantle (Stage IIIA). (a, amebocytes; S, spermatogonia; s, spermatid; sj, 1°t order
spermatocyte; s2, 2Nd order spermatocyte; fw, follicular wall; sp, spermatozoa) 300X.
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18 AVELAR, W.E.P. & ISABEL C. BOLELI
Win 1972 SPr 1973 Sum Aut
np a >
(ou (o) (e)
Sexual estages (%)
o
1973 Sum Aut Win 1972 SPr 1973 Sum Aut
Seasons
Win 1972 SPr
Sexual stage (%)
Sexual stages (%)
> [2] o S
o oo
o
To -| E O VIA 2 3 CH 5 6
Time (Months) 1972 1973
AUT EN OS RITO
Time (Months)
GUARA SO NRVI 2 2 Sanquais:
1972 1973 Time (Months)
Figs. 3-6: 3. Percentage of sexual stages for females and males of B. solisianus seasonal
variations in sea water and air temperatures; 4-5: Percentage of sexual stages of B. solisianus
from June 1972 to May 1973: 4. males; 5. females (o, the same percentage for stages IIIA,
HIB, IID; the same percentage for stages IIIB, IIIC; 6: Temperature variations from June
1972 to May 1973.
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VARIACIONES MORFOLÓGICAS Y ESTRUCTURALES DE LOS
JUVENILES DE OL/ND/IAS SAMBAQUIENSIS MÜLLER, 1861
(CNIDARIA, LIMNOMEDUSAE, OLINDIIDAE).*
Mauricio O. Zamponi**
Claudia V. Girola ***
ABSTRACT
Six growth stages found in Olindias sambaquiensis Müller, 1861 (Limnomedusae, Olin-
diidae) obtained of plankton collection from Bahia Blanca (Province of Buenos Aires, Argenti-
na) and coastal waters from Uruguay were known and described. It was established and hypo-
tetic sequence from first to last growth stages. This sequence was based on the morfology,
development of new structures and variation of that structures like centripetal canals, statocysts,
tentacles, marginal clubs, gonads and nematocyst. The results were compared and discussed
with available information for other species of Hydromedusae.
INTRODUCCION
Ante la posibilidad de contar con un lote de juveniles de O/indias sambaquien-
sis Müller, 1861, se pudo realizar un análisis anätomo-estructural, ya que los esta-
dios precedentes han estado basados en ejemplares adultos, con las únicas excepcio-
nes de un trabajo de VANNUCCI (1951; lám.2, fig.4) que incluye un dibujo de un
individuo juvenil con descripción de! mismo y de MIANZAN (1986) que basado en
juveniles y adultos establece la distribución de los mismos para un sector de la
Bahia Blanca (Buenos Aires, Argentina).
El lote permitió separar en distintos estadios, en base a los caracteres morfoló-
gicos y establecer una secuencia entre los juveniles y el adulto.
* Aceptado para su publicación 03.1V.1989.
** Investigador Científico del CONICET. Facultad de Ciencias Exactas y Naturales. Departa-
mento de Ciencias Marinas. Laboratorio de Bioecologia de Invertebrados Marinos. Funes
3250.7600 Mar del Plata, Argentina.
*** Becaria de la Comisión de Investigaciones Científicas de la Pcia. de Buenos Aires. Facultad
de Ciencias Exatas y Naturales. Departamento de Ciencias Marinas. Laboratorio de Bio-
ecologia de Invertebrados Marinos. Funes 3250.7600 Mar del Plata, Argentina.
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20 ZAMPONI, M.O. & CLAUDIA V. GIROLA
Si bien existe una discusión abierta sobre las especies Olíndias phosphorica
(Delle Chiaje, 1849), O. sambaquiensis Müller, 1861 y O. tenuis Browne, 1904, los
datos aquí aportados pueden contribuir al esclarecimiento de la validez de O. sam-
baquiensis para esta región del Atlântico sudoccidental.
MATERIAL Y METODOS
Se utilizó un lote de 23 juveniles de O/índias sambaquiensis Müller, 1861 (Limnome-
dusae, Olindiidae), obtenidos en la zona de la Bahía Blanca (Argentina) (estaciones 8, 11 y 12)
(fig. 2) y en aguas de la plataforma continental uruguaya (estaciones 37 y 38) (fig. 1).
Las muestras biológicas procedentes de la Bahia Blanca fueron extraídas con una red
bicónica (tipo Hensen) de 200;! de malla, longitud de 1.65m y boca de 50cm de diámetro. La
colecta fue realizada en barridos horizontales, con un tiempo de arrastre de 10 minutos, a una
velocidad de 2 nudos, a bordo de la lancha “Guarda Costa 75 Bahia Blanca” (Prefectura Naval
Argentina). En las estaciones 37 y 38, la captura fue efectuada a bordo del BIP/’’Dr. E. Holm-
berg’’ y se utilizó una red tipo Bongo de 300 y 5004 de malla, en barridos oblicuos con un
ángulo de 45º y 500, con un tiempo de arrastre de 2'22'"' y 3'01”' y velocidad de 2.5 nudos.
Los especimenes colectados fueron fijados en solución salina de formaldehido al 5% y
se utilizó colorante vital rosa de Bengala para aquellos casos donde el análisis estructural lo
requer ia.
Teniendo en cuenta los diferentes cambios morfológicos y estructurales que se presen-
taron, se ha convenido en discriminar los ejemplares encontrados en seis estadios posibles de
desarrollo, tomándose como referencia la altura y diámetro umbrelar, número de canales cen-
trípetos y de estatocistos, número de tentáculos primarios y secundarios, forma de la boca,
protuberancias claviformes, nematocistos y gónada. Cuando en un estadio se encontró más de
un ejemplar, se determinó el promedio de la altura y diámetro umbrelar.
Los datos de la colecta son presentados (tab.1) en base a los estadios identificados.
RESULTADOS
Variaciones morfológicas y estructurales
Estadio 1 (figs.3, 4): diâmetro promedio, 1.10mm y altura, 1.18 mm. Manu-
brio cónico con longitud de 0.47 mm. Boca circular y en algunos casos existen cua-
tro pequenos labios. Cuatro canales radiales de posición simétrica, pudiéndose
encontrar ejemplares con cinco canales, pero en forma excepcional.
La presencia de nematocistos distribuidos irregularmente sobre la superficie
exumbrelar, asi como también aquellos que se encuentran en los tentáculos pri-
marios formando anillos incompletos, son comunes a los restantes estadios. Margen
generalmente con 8 tentáculos primarios, longitudes entre 0.03 y 2.35mm, in-
cluyendo en este estadio un ejemplar con 10 tentáculos primarios con longitudes
que caen dentro del rango citado. Un estatocisto de 0.07 a 0.10mm de diámetro
en la base de cada tentáculo de posición interradial.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):19-30, 22 dez. 1989
Variaciones morfológicas y... 21
Estadio 2 (fig. 5): diámetro umbrelar promedio, 1.29mm y altura, 1.33 mm.
Manubrio cónico con longitud de 0.71 mm y boca con cuatro labios bien evidentes.
Cuatro canales radiales de posición simétrica, constante en el resto de los estadios.
Aparecen los canales centrípetos interradiales en número de 4, con una longitud de
0.21mm. Los nematocistos localizados en la exumbrela son más abundantes que en
el estadio anterior. Hay 8 tentáculos primarios de 0.26 a 1.80mm de longitud. Al
igual que en el estadio 1 hay 4 estatocistos de 0.10mm de diámetro.
Estadio 3 (fig.6): diámetro umbrelar, 2.10mm y altura, 2.44mm. Manubrio
alargado, longitud de 1.00mm y en el extremo se abre la boca con cuatro labios. Se
mantiene el número de canales centripetos interradiales y tentáculos primarios. Los
primeros están más desarrollados alcanzando una longitud de 0.75mm. Los tentá-
culos primarios más largos no pudieron ser medidos debido a estar aglutinados por
medio de las abrazaderas transversales (anillos incompletos), mientras que los más
cortos poseen una longitud entre 0.60 y 0.86mm. Aparecen 4 estatocistos de po-
sición perradial (0.10mm de diámetro) y 8 adradiales (0.07 mm de diámetro), man-
teniéndose el mismo número y diámetro de estatocistos interradiales.
Estadio 4 (fig.7): diámetro umbrelar promedio, 2.27 mm y altura, 2.44mm.
Manubrio dilatado transversalmente y llega a medir 0.55 mm de longitud promedio.
La boca con cuatro labios. Se mantiene el mismo número de canales centripetos
interradiales (0.84mm) y tentáculos primarios (0.42 a 1.76mm de longitud). Apa-
recen por primera vez los canales centrípetos adradiales en número de 4 con una
longitud de 0.32mm. Los estatocistos presentan el mismo número, disposición y
medidas que en el estadio anterior.
Estadio 5 (fig. 8): diámetro umbrelar, 15.00mm y altura, 10.00mm. Manu-
brio alargado con 3.60mm. La boca presenta cuatro labios. Los canales centrípetos
aumentan considerablemente, contabilizándose un total de 28. Al desarrollarse la
medusa, estos canales crecen en longitud, midiendo los interradiales 7.66 mm, los
adradiales 5.00mm y aparecen los de posición subradial en número de 16, longitud
de 2.35 mm y esbozos de otros canales. Se distinguen por primera vez los tentáculos
primarios de los secundarios. Los primeros se encuentran en número cercano a 36,
no pudiendo ser medidos debido al estado de deterioro del material analizado. Los
tentáculos secundarios, son aproximadamente 46 y con longitudes entre 0.50 y
0.83 mm. Se observan las estructuras claviformes, no presentes en los estadios ante-
riores, en número aproximado de 64 y ubicadas en el margen umbrelar entre los
tentáculos secundarios. Los estatocistos aumentan en número (72) y en diámetro
(0.17-0.20mm) disponiéndose en pares, uno a cada lado de los tentáculos prima-
ns. Aparece la gónada ocupando un tercio del canal radial.
Estadio 6 (fig. 9): diámetro umbrelar, 32.10mm y altura, 15.96mm. Manu-
brio semejante al del estadio 5, longitud 6.72mm. Se mantiene el mismo número de
canales centrípetos de posición interradial, adradial y subradial con longitudes de
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22 ZAMPONI, M.O. & CLAUDIA V. GIROLA
13.44mm, 11.34mm y 6.72mm respectivamente. Al aumentar el diámetro umbre-
lar hay también un incremento en el número de pequenos canales que miden entre
0.34mm y 3.53mm de longitud. Los tentáculos primarios se encuentran aproxima-
damente en número de 50, midiendo entre 6.30-11.76mm de longitud, mientras
que los secundarios próximos a los 60 con longitudes entre 1.68 y 5.88mm. Las
protuberancias claviformes se presentan en número cercano a 100. Se hallan alrede-
dor de 100 estatocistos con un diämetro entre 0.17 y 0.26mm y la gónada ha ocu-
pado todo el canal radial.
Para proporcionar una mejor visualización de los caracteres correspondientes
a cada estadio, los mismos se resumen en la tab. 2.
El crecimiento de los distintos estadios presenta una relación directamente
proporcional entre el diámetro y al altura de la umbrela, notándose que la altura es
mayor hasta el estadio 4. La relación entre ambos parámetros es estrecha en los esta-
dios 1 y 2, donde están representados por valores cercanos entre si. En los estadios
3 y 5 la altura se mantiene en los mismos valores (2.44mm) mientras que el diá-
metro se hace mayor del estadio 3 (2.10mm) al 4 (2.27 mm). A partir del estadio 4
la relación altura-diámetro se invierte, aumentando este último progresivamente
hasta llegar a valores cercanos a 32.10mm, mientras la altura alcanza aproximada-
mente 16.00mm (fig. 10).
Secuencia hipotética de los estadios
En base al estudio efectuado de los distintos estadios, es posible establecer
una secuencia de los mismos.
Las relaciones entre los estadios 1 a 6 están basadas principalmente en la apa-
rición de estructuras tales como estatocistos, canales centrípetos, tentáculos secun-
darios, protuberancias claviformes y desarollo de la gónada, las cuales van acom-
panadas de un incremento en el diámetro y altura umbrelar.
El estadio 1 carece de canales centripetos y aparecen en el estadio 2 en po-
sición interradial. Ambos cuentan con estatocistos interradiales en número de 4,
sumándo-se en el estadio 3 los de posición perradial y adradial en número de 4 y 8
respectivamente. El estadio 4 mantiene el mismo número y posición de estatocistos
que la forma anterior, pero aparecen 4 canales centripetos adradiales. En el estadio
5 surgen por primera vez los tentáculos secundarios, las protuberancias claviformes,
los canales centripetos subradiales y la gönada, incrementändose dichas estructuras
en el estadio 6 debido al aumento del diámetro de la campana (fig. 11).
La secuencia en la aparición y desarrollo de nuevas estructuras está correlacio-
nada con un aumento en el diámetro y altura umbrelar, que en el estadio 1 son de
1.10mm y 1.18mm respectivamente, alcanzando un diámetro de 32.10mm y altura
de 15.96mm en el último estadio.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):19-30, 22 dez. 1989
Variaciones morfológicas y... 23
Por lo expresado en párrafos precedentes, se establece una relación entre los
estadios hallados, que si bien reviste un carácter teórico, es probable que la misma
reflete cierta correlatividad entre ellos (fig. 12).
DISCUSION Y CONCLUSIONES
La relación observada entre el diámetro y la altura umbrelar en los estadios
1 a4 de Olindias sambaquiensis Müller, 1861, guardan similitud con otras especies,
como O. tenuis Browne, 1904 (Olindiidae), Eutima sapinhoa Narchi & Hebling,
1975 (Eutimidae) y Sphaerocoryne multitentaculata (Warren) (Corynidae), donde
el crecimiento está dado por un incremento en la proporción altura-diámetro. Tam-
bién hay un desarrollo del pedúnculo gástrico similar a lo observado por NAGAO
(1973) en una especie afin como Eperetmus typus Bigelow, 1915 (Olindiidae).
A partir del estadio 4 el crecimiento del diámetro umbrelar es sostenido,
mientras que el aumento en la altura de la campana no guarda la misma relación que
en los primeros estadios. Este hecho es similar al observado en los juveniles de otras
especies, tales como Proboscidactyla flavicirrata Brandt, 1835 (Proboscidactylidae)
donde REES (1979) advierte que la medusa liberada presenta en las primeras horas
una altura y diámetro umbrelar semejante, pero al transcurrir el tiempo el diámetro
es superior; MILLS & REES (1979), notan lo mismo pero en Bythotiara stilbosa
Mills & Rees, 1979 (Calycopsidae) donde el diámetro y la altura mantienen la
misma dimensión (1.4mm y 1.3mm respectivamente), pero al cabo de diez días
la campana es notablemente más ancha que alta.
Al igual que en otros miembros de la familia Olindiidae, la exumbrela se halla
recubierta por nematocistos desde los estadios tempranos.
La secuencia en la aparición de estructuras morfológicas en los distintos esta-
dios también se ve reflejada en el aumento de tamano de los nematocistos tipo mi-
crobásico mastigóforo y microbásico eurytele. En los estadios 5 y 6, la longitud de
los primeros se incrementa, alcanzando un máximo de 49.54 en el último estadio.
Es factible que las dimensiones de ambos tipos de nematocistos aumenten con el
crecimiento de la medusa, ya que en ejemplares adultos de O. sambaquiensis los ne-
matocistos microbásico mastigóforos de los tentáculos primarios oscilaron entre
44.0 y 52.84 de longitud y los eurytele entre 15.0 y 30.84 de longitud (ZAMPO-
NI & FACAL, en prensa). Esta sugerencia es apoyada por REES (1979), al analizar
el crecimiento de P. flavicirrata, donde observa un aumento del tamano de los ma-
crobásico euryteles con el desarrollo de la medusa.
Es posible que las disímiles tallas entre los nematócistos de los juveniles y
adultos de O. sambaquiensis indique un tipo alimentario distinto entre ambos, ya
que PARDY (1971) al estudiar la biologia alimentaria de Pennaria tiarella Mc Crady,
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24 ZAMPONI, M.O. & CLAUDIA V. GIROLA
1857 (Pennariidae), sugiere que los estenoteles grandes de los tentäculos capitados
inyectan más toxina y juegan un rol importante en la inmovilizaciön de la presa.
AGRADECIMIENTOS
Al Dr. Hermes W. Mianzan (Laboratorio de Zooplancton; Instituto Nacional de Investi-
gaciones y Desarrollo Pesquero) por haber cedido las muestras de las estaciones 8, 11 y 12 y al
Lic. Ramiro Sánchez (Laboratorio de Ictioplancton; Instituto Nacional de investigaciones y
Desarrollo Pesquero) por haber facilitado el material y datos oceanográficos correspondientes
a las estaciones 37 y 38.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
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IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):19-30, 22 dez. 1989
Variaciones morfológicas y... 25
Tabla 1. Datos concernientes a los estadios posibles de desarrollo (N = núme-
ro de ejemplares)
Estadios Estación Fecha TOC ST Nº
1 12 12.X1.82 17.4 32.277 8
1 8 16.X11.82 19.6 33.129 1
2 12 12.X1.82 17.4 32.277 5
2 11 12.X1.82 16.1 31.864 4
3 12 12.X1.82 17.4 32277 1
4 11 12.X1.82 16.1 31.864 2
5 37 26.V.85 16.5 26.218 1
6 38 26.V.85 _ — 1
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):19-30, 22 dez. 1989
ZAMPONI, M.O. & CLAUDIA V. GIROLA
26
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19-30, 22 dez. 1989
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69)
Variaciones morfológicas y... 27
URUGUAY
ARGENTINA
OCEANO
ATLANTICO
— Figs. 1-2: 1. Ubicacion de las estaciones de mustreo en el area estudiada; 2. detalhe de las
estaciones estabelecidas en la Bahia Blanca, Argentina.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):19-30, 22 dez. 1989
28 ZAMPONI M.O. & CLAUDIA V. GIROLA
Figs. 3-9: 3 e 4 estadio 1 de O. sambaquiensis; 4. estadio 2; 6. estadio 3; 7. estadio 4;
8. estadio 5; 9. estadio 6. cca-canal centripeto adrarial; cci-canal centripeto interradial; ccs-ca-
nal centripeto subradial; e-estatocisto; g-gónoda; pc-protuberancia claviforme; fp-tentáculo pri-
mário; ts-tentáculo secundário.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):19-30, 22 dez. 1989
Variaciones morfológicas y... 29
diametro
- - altura
6
Estadios
Fig. 10: Relación entre altura y diámetro umbrelar en los estadios 1 a 6 de O. samba-
quiensis.
4 5
Fig. 11: Esquema de desarrollo de los canales centrípetos por cuadrante en los estadios 1
a 6 de O. sambaquiensis. cca-canal centripeto adradial; cci-canal centripeto interradial; cr-canal
centripeto radial; ccs-canal centripeto subradial.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):19-30, 22 dez. 1989
ZAMPONI, M.O. & CLAUDIA V. GIROLA
30
Diagrama de la secuencia hipotética de los estadios de O. sambaquiensis.
Fig. 12
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):19-30, 22 dez. 1989
VARIACIONES DE ALGUNAS ESTRUCTURAS DE VALOR TA-
XONÖMICO EN LA FAMILIA GERYONIDAE (CNIDARIA; TRA-
CHYMMEDUSAE) Y SU RELACIÓN CON LA TEMPERATURA Y
SALINIDAD.*
Mauricio O Zamponi**
Gabriel N. Genzano ***
ABSTRACT
Morphological structure variations in the family Geryonidae (Trachymedusae) are
studied. The genus Geryonia Eschscholts, 1829 is characterized by six radial canals and six
gonads whereas Liriope Lesson, 1843 has only four radial canals and four gonads. These
main structures were found in different numbers through all sequence from Liriope tetraphy la
(Chamisso & Eysenhardt, 1821) to Geryonia proboscidales (Forskal, 1775) as well as more
perradial and interradial tentacles and statocysts than in the type species.
INTRODUCCION
La relación existente entre los factores abiöticos y componentes del zoo-
plancton, ha sido evidenciado en más de una oportunidad. En algunos grupos de
Hydromedusae, estos factores inflyen más en la distribución horizontal y vertical,
que en una alteración de sus características morfológicas. No obstante, ciertos au-
tores (KRAMP, 1959, UCHIDA & OKUDA, 1941; HAND, 1954; ZELIKAN, 1976
y REES, 1979), hacen mención de las variaciones morfológicas en Proboscidactyla
flavicirrata Brandt, 1835, en especial a nivel del diámetro umbrelar, número de
canales radiales primarios y gónadas. REES (op. cit.) establece que no son conoci-
das las causas de esta variabilidad, dependiendo posiblemente de un factor genético
o ambiental.
* Aceptado para su publicación 16.V.1989.
** Carrera del Investigador Científico del CONICET. Facultad de Ciencias Exactas y Natura-
les. Departamento de Ciencias Marinas. Laboratorio de Bioecologia de Invertebrados Ma-
rinos. 7600. Mar del Plata, Argentina.
*** . Becario de CIC. Facultad de Ciencias Exactas y Naturales. Departamento de Ciencias Ma-
rinas. Laboratorio de Bioecologia de Invertebrados Marinos. 7600. Mar del Plata, Argen-
tina. °
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
32 ZAMPONI M.O. & GABRIEL N. GENZANO
La similitud entre las especies-tipo Liriope tetraphylla (Chamisso & Eyse-
nhardt, 1821) y Geryonia proboscidalis (Förskal, 1775), llevö a THIEL (1936) ha
presumir que G. proboscidalis era una variedad de L. tetraphylla, pero debido a su
definida simetria establecida desde estadios tempranos, esto sería improbable, como
lo puntualiza el mismo autor. Según ZOPPI (1961), han surgido muchas discuciones
referentes a L. tetraphylla por sus distintas formas intermedias y una distribución
irregular, razón por la qual, al principio algunos autores establecieron distintas es-
pecies; no obstante VANNUCCI (1957) concidera que podria tratarse de una espe-
cie muy variada, pero que no está diferenciada en subespecies debido a sus caracte-
rísticas euritérmicas, eurihalinas y falta de barreras bien delimitadas.
Actualmente se establece que Geryonidae queda constituida por las únicas
dos especies citadas, siendo los caracteres diagnósticos que las diferencian, la sime-
tría y número gonadal.
El hecho de haber examinado una colección con más de 20 mil ejemplares,
permitió hallar nuevas y diversas formas, lo que Ilevó a efectuar una revisión de las
diferencias diagnósticas de los géneros y dicernir si los ejemplares que se hallan dis-
tanciados de las especies tipo, constituyen variaciones zonales o nuevos taxa.
MATERIALES Y METODOS
EI material estudiado proviene de las campanas Bahia Samborombón |-X realizadas por
el laboratorio de Ictioplancton del Instituto Nacional de Investigación y Desarrollo pesquero
(INIDEP) (Mar del Plata).
La zona estudiada corresponde al área delimitada entre 35030’ a 36000'S y 56º30' a
57000'W, conocida con el nombre de Bahia Samborombón (Provincia de Buenos Aires; Re-
pública Argentina). Dicha área fué analizada en el período compredido entre el 22.02.1983 al
25.01.1984, obteniendose muestras periódicos mediante barridos oblicuos entre O a 11m de
profundidad, para lo cual se utilizaron redes tipo Bongo (2004) y Hensen (2004). Simulta-
neamente a la obtención del material biológico, se registraron datos de temperatura y salinidad,
de fondo y superficie, como asi también el volumen de agua filtrada (m?). Si bien se separon
todos los ejemplares de Hydromedusae de la totalidad de las muestras, solo se procedió a anali-
zar los componentes de la familia Geryonidae, por ser la más abundante y además presentar ano-
malias estructurales de gran interés. No obstante el número de ejemplares hallados (N =21.363
de L. tetraphylla y N=45 de G. proboscidalis), se analizó la totalidad de los especimenes para
detectar la mayor cantidad de alteraciones morfológicas, observadas en las especies estudiadas.
En base a los datos recogidos se efectuaron histogramas de frecuencia en los cuales se
grafica la relación de las variaciones morfológicas con la temperatura y salinidad.
RESULTADOS
Diagnosis de las especies-tipo (basadas en KRAMP, 1959).
Liriope tetraphylla (Chamisso & Eysenhardt, 1821) (fig. 1). Cuerpo hemiesfé-
rico, 10-30mm de diámetro, estömago pequeno sobre un pedünculo de largo va-
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
Variaciones de algunas estructuras. .. 33
riable, boca con cuatro labios simples, cuatro canales radiales anchos, 1,3 o más ca-
nales centrípetos por cuadrante. Gónadas en forma y tamahfio variable. Posee cuatro
largos tentáculos perradiales huecos, con anillos de nematocistos. Hay ocho estato-
cistos.
Geryonia proboscidalis (Fórskal, 1775) (fig.2). Generalmente hemiesférica,
35-80mm de ancho. Estömago pequeno con un largo pedünculo cónico boca con
seis labios simples, seis canales radiales, canales centrípetos en número superior a
siete, ubicados entre los canales radiales. Gónadas en forma de corazón y anchas,
seis tentáculos perradiales, largos y huecos con anillos de nematocistos, seis tentá-
culos interradiales pequenos y sólidos con racimos de nematocistos adaxiales. Con
doce estatocistos.
Descripción de las variaciones estructurales halladas.
Las especies de Geryonidae presentan variaciones a nivel de número de ten-
táculos, estatocistos, canales radiales, gónadas y en la disposición de estas dos últi-
mas, evidenciando una clara diferencia entre las especies-tipo, Liriope tetraphylla
(Chamisso & Eysenhardt, 1821) y Geryonia proboscidalis (Förskal, 1775) y aquellas
que morfologicamente se han alejado de las especies mencionadas.
Es muy común encontrar variaciones estructurales que puedan alterar el plan
básico de organización morfológica; pero cuando esas alteraciones Ilegan a hacerse
notables y numerosas, debe estableecerse hasta que punto dichas variaciones dejan
de ser tales, para ser incorporadas como estructuras normales de un nuevo plan de
organización.
En base a las variaciones observadas, se considera conveniente establecer agru-
pamientos, a solo efecto de facilitar la descripción de las mismas, pero éstos deben
reflejar una gradual trasición desde las especies-tipo hasta las formas más complejas.
En consecuencia se establecen los siguientes cinco grupos: (1) de 4 canales radia-
les; (2) de 5 canales radiales; (3) de 6 canales radiales; (4) de 7 canales radiales;
(5) de 8 canales radiales.
Grupo de 4 canales radiales. (fig.3-7): responde al plan básico de L. tetra-
phyla, no obstante es observable ciertas alteraciones tales como bilobación gonadal,
aumento y ramificación tentacular, como así también aumento en el número de es-
tatocistos. Si bien L. tetraphylla posee cuatro tentáculos interradiales, puede pre-
sentar alteraciones como en el caso aqui observado (fig.3) donde suele aparecer un
incremento tentacular que está acompanado de su correspondiente estatocisto; hay
un caso similar (fig.4) pero a nivel de tentáculo perradial. Estos últimos tentáculos
también pueden ramificarse (fig. b). Los incrementos citados no alterar la simetria
tetraradial característica; sin embargo se han encontrado ejemplares en los cuales
esa simetria comienza a verse afectada debido a una bilobación en algunas de sus
gónadas. Dicha bilobación se origina a partir del borde anterior próximo al pedún-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
34 ZAMPONI M.O. & GABRIEL N. GENZANO
culo gástrico, acompanada de una bifurcaciön del extremo posterior del canal ra-
dial (fig.6) y a veces correspondida por un incremento en el número de tentáculos
perradiales y estatocisto (fig. 7).
Grupo de 5 canales radiales (fig. 8-25): incluye formas asimétricas y simétricas.
Si bien las primeras poseen inicialmente una simetria teträmera, se observa la apa-
riciön de un quinto canal que la altera, transformándola en un grupo pentämero
pero asimétrico. Dicho grupo está basicamente constituido por todos los elementos
conocidos en la especie L. tetraphylla, pero la incorporación de un nuevo canal ra-
dial trae aparejado la bilobación gonadal y la correspondiente incorporación de un
tentáculo perradial y estatocisto (fig. 8). También es observable la aparición de un
nuevo tentáculo interradial (fig.9) con lo cual se incrementa a diez el número de
tentáculos y sus correspondientes estatocistos. Separada la gónada, se observa que
hay una reubicación del canal radial hacia la mitad del cuadrante. Si bien existen ca-
sos donde el número y disposición tentacular corresponde a L. tetraphylla (fig. 10)
en la mayoria aparece el quinto estatocisto y el correspondiente tentáculo perradial
(fig. 11) y el quinto tentáculo interradial y su estatocisto (fig. 12). Es de destacar la
presencia de ejemplares con estatocistos dobles (fig. 13) triples (fig. 14) y tentáculos
dobles (fig. 15).
En el segundo sub-grupo, es evidente la simetria pentámera (fig. 16-25) ale-
jándose del plan estructural encontrado en L. tetraphylla. Si bien dicho plan conser-
va características de la especie-tipo, tales como número y distribución de tentácu-
los (fig. 16), la nueva organización está dada por la ubicación simétrica de los cinco
canales radiales y sus correspondientes tentáculos y estatocistos (fig. 17), estando a
veces incompleto (fig. 18) pues no ha desarrollado el nuevo tentáculo interradial,
pero si todos los radiales o perradiales. Ocurren anormalidades de tentáculo doble y
doble estatocisto (fig. 19,20) respectivamente.
La simetria pentämera comienza a ser alterada con la bilobación gonadal
(fig. 21) la cual está acompanada del sexto tentáculo perradial y su correspondiente
estatocisto (fig. 22, 23). La alteración es aun mayor (fig. 24) donde la bifurcación
del canal es acompanada por la aparición de dos nuevos estatocistos y también por
dos nuevos tentáculos perradiales (fig. 25).
Grupo de 6 canales radiales (fig. 26-28): incluye a G. proboscidalis, respon-
diendo a la simetria hexämera. También aquí la bilobación de la gónada (fig. 26)
tiene aparejada la aparición del séptimo tentáculo per e interradial con sus corres-
pondientes estatocistos. Un caso similar pero con una bilobación que afecta a dos
de sus gónadas (fig. 27), donde aún no aparecen los nuevos tentáculos interradiales,
en cambio si lo hacen los tentáculos perradiales que ya contabilizan un número de
ocho. Es de remarcar el caso (fig. 28) donde si bien la disposición de sus estructuras
es asimétricas, es incorporada a este grupo por poseer seis canales radiales.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
Variaciones de algunas estructuras... 35
Grupo de 7 canales radiales (fig. 29-31): con gónadas que se distribuyen sime-
tricamente, aunque a nivel de tentáculos su número puede ser incompleto (fig. 29).
Existen ejemplares donde los tentáculos interradiales adquieren su número definiti-
vo (7) completandose también de esta manera el número total de estatocistos (14),
(fig. 30). No obstante lo mencionado, se ha encontrado un solo ejemplar donde exis-
ten estatocistos dobles en la base de algunos tentáculos interradiales, haciendo va-
riar la relación normal de un tentáculo-un estatocisto (fig. 31).
Grupo de 8 canales radiales (fig. 32-35): al igual que el grupo anterior, existe
una simetria gonadal bien definida; sin embargo, hay diferencias entre los diversos
ejemplares hallados. Esas diferencias radican a nivel de estatocistos y número de
tentáculos. En relación a los primeros, es observable, estatocistos dobles en la base
del tentáculo perradial (fig.32); en cuanto a los tentáculos, numericamente pueden
ser similares a L. tetraphylla (fig.33). En algunos casos (fig. 34) el número de tentá-
culos y estatocistos se incrementa a cinco y diez respectivamente, pero mantiene
la relación de un tentáculo-un estatocisto. Por último se establece una estructura
caracterizada por una simetria gonadal octámera (fig. 35) donde existe una per-
fecta correspondencia radio-tentáculo-estatocisto, en número de 8-16-16 respecti-
vamente.
Relación de los factores ambientales con las variaciones estructurales.
La conformación estructural de una medusa, está dada por una serie de com-
ponentes, entre los cuales los canales radiales, gönadas y tentáculos adqueren par-
ticular importancia pues su distribución indica el tipo de simetria. En base a estos
componentes, se han analizado las variaciones que ellos presentan en función a la
temperatura y la salinidad, independientemente del grupo al cual pertenecen dichas
variaciones. A tales efectos se efectuaron estudios teniendo en cuenta: variaciones
del canal radial, variación gonadal y tentacular.
Variación del canal radial: las bifurcaciones de los canales radiales para finali-
zar en un nuevo canal, son más frecuentes de observar cuando la temperatura oscila
entre los 8º a 10°C. Dentro de este intervalo dichas estructuras presentan el mayor
porcentajes de variaciones (0.72% de la población total), mientras que en otros ran-
gos, si bien existen bifurcaciones están representados por porcentages menores
(fig. 36). Em relación a la salinidad, si bien ésto es de valores bajos (7 a 15%.) se
observa que el mayor porcentaje (0.17%) está dado entre 7 a 9%o (fig. 39).
Variación gonadal: cuando el incremento de la temperatura aumenta en el
rango de 16-229C es frecuente hallar a las gönadas en proceso de bilobaciön y pos-
terior separación para constituir una nueva gónada. Los mayores porcentajes encon-
trados suelen oscilar entre 0.13 a 2.1% (fig. 37) no obstante suele haber ejemplares
que poseen bilobaciones en otros rangos pero con porcentajes menores. En base a la
salinidad, suele observarse que los porcentajes mayores se encuentran entre 5 a 11%o
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
36 ZAMPONI M.O. & GABRIEL N. GENZANO
a a En O O en
(fig. 40) representando un 0.30 a 0.49%. Sin embargo, a diferencia de los canales
radiales, hay una mayor amplitud de rangos de salinidad, que se extiende hasta
17%o, con porcentajes, si bién menores, considerables, que van desde 0.9 a 0.15%.
Variación tentacular: si la temperatura aumenta entre los 18 a 269C es obser-
vable la formación de nuevos tentáculos perradiales e interradiales. Dentro de este
intervalo, lo más frecuente es observar que entre los 22 a 24º9C se da el mayor por-
centaje de formaciön tentacular, representado por un 0.32% (fig. 38). La relación
con la salinidad está dada en el rango de 11 a 17% (fig.41). Si bien en este interva-
lo existen porcentajes representativos, el de mayor consideración está dado por
0.47% en el rango de 11 a 13% de salinidad.
En base a las consideraciones mencionadas, es posible establecer una secuen-
cia entre la influencia de la temperatura y la salinidad, y el incremento de nuevas
estructuras (fig. 42). Si bien esta secuencia puede ser modificada con el aporte de
nuevos hallazgos, representa hasta el momento, no solo una posibilidad teórica, sino
también el reflejo de la influencia de los factores ambientales sobre el sistema bioló-
gico, observado a través del análisis de las muestras obtenidas.
Relación entre las formas halladas: criterio propuesto.
Los géneros monoespecíficos Geryonia Eschscholts, 1829 y Liriope Lesson,
1843, con sus respectivas especies G. proboscidalis (Förskal, 1775) y L. tetraphylia
(Chamisso & Eysenhardt, 1821), han sido motivo de discusión por diversos autores
como THIEL (1936), VANNUCCI (1957) y ZOPPI (1961), debido a su similitud
morfológica.
El criterio de simetría adoptado por THIEL (op. cit.) es mantenido posterior-
mente por KRAMP (1959) al establecer las diagnósis de los respectivos géneros,
indicando el número de canales radiales y gónadas de ambos.
Al analizar las muestras fueron hallados además de los ejemplares de L. tetra-
phylla y G. proboscidalis, aquellos que no responden a las diagnosis de ninguna de
las especies mencionadas. Se encontraron individuos con 5, 7 y 8 gónadas, con una
perfecta correspondencia entre éstas y los radios, tentáculos y estatocistos; pero
también se hallaron ejemplares donde no existia correspondencia alguna entre di-
chos caracteres, teniendo además, una marcada asimetria en la disposición de góna-
das y radios.
En base a la simetría bien definida para ambos géneros, y teniendo en cuenta
la amplia gama de variedades observadas que alteran el plan estructural básico, se ha
estipulado dicernir entre tres criterios probables; a fin de establecer la ubicación y
relaciones de las especies tipo y las variaciones halladas. Con este fin podrian plan-
tearse las siguientes alternativas: (1.a) Linea Liriope: la especie L. tetraphylla posee
variaciones que afectan el número de canales radiales, gónadas, tentáculos y estato-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
Variaciones de algunas estructuras. .. 37
cistos, hasta un estado de cinco gönadas pero asimétrico. A partir de este estado,
pero con disposición simétrica, considerar géneros y especies nuevas; (1.b) Línea
Geryonia: a partir del estado cinco gónadas asimétrico, la línea Liriope se deriva ha-
cia el género Geryonia, el cual presenta variaciones hasta conducir al estado ocho,
que debe considerarse género y especie nueva; (2) Considerar a la línea Liriope, sus
variaciones y especies nuevas, independientemente de la línea Geryonia, sus varia-
ciones y especies nuevas; (3) Debido a la gradual alteracion morfológica observada
en los ejemplares estudiados, considerar a éstos, como pertenecientes a la especie G.
proboscidalis, lo que implicaria anular, por Ley de Prioridad a la especie L. tetra-
phylla.
En base a las variaciones estructurales descriptas, es observable que existe una
correlación morfológica entre los individuos. Teniendo en cuenta dicha secuencia,
surge la posibilidad de construir un esquema que establece que la relación más lógi-
ca entre las unidades halladas, está dado por el primer criterio mencionado.
El esquema de relaciones (fig. 43), está construído solamente con los ejempla-
res encontrados, quedando abierta la posibilidad de incorporar nuevos organismos
intermedios a fin de completar o modificar dicha secuencia. El inicio de este esque-
ma está dado por un solo ejemplar, que se caracteriza por poseer las gónadas, cana-
les radiales, tentáculos per e interradiales en número de tres y en posición simétrica,
al igual que los seis estatocistos. Si bien este ejemplar es poco representativo para
ser introducido en dicho esquema, es lógica su ubicación si se tiene en cuenta la
secuencia posterior desde L. tetraphylla hasta la forma de cinco canales.
La secuencia mostrada (fig. 43) es claramente visible a partir de la forma típi-
ca de L. tetraphylla (a) en su transición hacia la forma de cinco gónadas asimétri-
cas (b), y la posterior reubicación de las estructuras, conduciría a la forma cinco
gónadas simétricas (c). Una secuencia similar pero con menor número de pruebas
morfológicas encontradas, conduce al fin de esta línea, que está representada por
la forma de siete gónadas (d).
La falta de estados intermedios obliga a adoptar dos posibles origenes para la
forma de seis canales asimétricos (e), ya sea a partir de L. tetraphyla con la biloba-
ción de dos de sus gónadas. A partir de la forma (e) se observa una tendencia hacia
una distribución simétrica de las estructuras analizadas. El incremento correspon-
diente de los tentáculos interradiales lleva a G. proboscidalis (f). A partir de esta
especie-tipo aparecen una serie de incremento gradual en sus estructuras, que con-
ducen a la forma de ocho gónadas (9).
El hallazgo de los diversos tipos morfológicos abre la posibilidad de adptar cri-
terios que establezan si las formas de siete y ocho gónadas deben ser consideradas
nuevos taxa.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
38 ZAMPONI M.O. & GABRIEL N. GENZANO
DISCUSION
La variedad morfológica observada en las especies estudiadas, especialmente
en L. tetraphylla, ha sido manifestada por BROWNE (1928), VANNUCCI (1957) y
ZOPPI (1961). BROWNE (op. cit.) considera que el género Liriope posee muchas
razas, las cuales pueden originar otras, por lo tanto todas las variaciones deben ser
consideradas dentro de los Iimites del género mencionado, ya que los caracteres del
mismo deben ser vistos como específicos y fijos. Pero hay que remarcar que dichos
autores centralizan la variabilidad hallada a nivel de forma y engrosamiento de la
umbrela, forma y posición de la gónada y número y desarrollo de los canales cen-
trípetos, forma y longitud del manubrio y tentáculos; pero ninguno hace mención a
variaciones como las citadas en el presente trabajo.
Considerando que el número y disposición simétrica de las gónadas y canales
radiales son caracteres genéricos que ha Ilevado a KRAMP (1959) a realizar la sepa-
ración entre los géneros Liriope y Geryonia; siguiendo este mismo criterio, las for-
mas halladas con 5, 7 y 8 gónadas simétricas, deben ser vistas como posibles géneros
nuevos, máxime si se tiene en cuenta que, en estas formas, también debe contabili-
zarse el incremento en el número de estatocistos (10, 14 y 16 respectivamente),
como así también el número de tentáculos perradiales e interradiales.
En relación a las formas intermedias se han considerado como etapas previas a
la estructuración de los casos citados, ya que éstas, reunen todas las estructuras
mencionadas sin definir una conformación estable.
En base a lo expuesto, se estima que el primer criterio explicitado es el más
ajustado para poder relacionar las distintas formas halladas; ya que si se considera a
las mismas como razas ecológicas, segun VANNUCCI et al. (1970), todas deber fan
ser incluidas por Ley de Prioridad dentro de G. proboscidalis inclusive la actual es-
pecie L. tetraphylla. Sin embargo se observa que G. proboscidalis, por su constitu-
cion conformaria un paso más en la secuencia establecida, lo que reafirma el criterio
adoptado.
En cuanto a la variación de sus estructuras con la temperatura y la salinidad,
es dable senalar que existe una relación entre la formaciön de nuevas estructuras y
el incremento de dichos parámetros (fig. 42) explicandose así la aparición de formas
de transición que relacionan las especies tipo con aquellas que se pueden considerar
nuevos taxa.
AGRADECIMIENTOS
Al Lic. Carlos Lasta (Laboratorio de Ictioplancton; INIDEP) el haber brindado las mues-
tras obtenidas en las campanas Samborombön I-X, al igual que los datos oceanogräficos de las
mismas, sin lo cual el trabajo realizado no hubiera sido posible.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
Variaciones de algunas estructuras.... 39
BIBLIOGRAFIA
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
40 ZAMPONI M.O. & GABRIEL N. GENZANO
—— UT
tentaculo perradıai
_—
tentaculo interradial
DR
102 estatocistos
canal radial
gónada
Figs. 1-7: 1-2. Diagrama de las especies-tipo. 1. Liriope tetraphylla; 2. Geryonia probosci-
nalis; 3-7. grupo de Cuatro canales radiales.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
41
Variaciones de algunas estructuras. ..
Figs. 8-15: Grupo de cinco canales radiales asimétrico.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
42 ZAMPONI M.O. & GABRIEL N. GENZANO
Figs. 16-25: Grupo de cinco canales radiales simétrico.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
Variaciones de algunas estructuras. .. 43
Figs. 26-35: 26-28. Grupo de seis canales radiales; 29-31. grupo de siete canales radia-
les; 32-35. Grupo de ocho canales radiales.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
44 ZAMPONI M.O. & GABRIEL N. GENZANO
021
0,15
0,13
004
0,02
Yo
0,32
38
0,07
0,02
0,01
17,9 99 219 23,9 25,9 Te
Figs. 36-38: Variaciones de las estructuras en relaciön a la temperatura. 36. canal radial;
37. gónada; 38. tentäculo.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
45
Variaciones de algunas estructuras. .
Yo
39
0,7
007
0,05
o
>
°
69 8,9 109 129 14,9 E
[o JR
049
0,30
41
0,15
012
no iso =.
Figs. 39-41: Variaciones de las estructuras en relaciön a la salinidad. 39. canal radial
40. gönada; 41. tentäculo.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
46 ZAMPONI M.O. & GABRIEL N. GENZANO
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Fig. 42: Diagrama de la secuencia de aparición de nuevas estructuras en relación a la tem-
peratura y salinidad.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
Variaciones de algunas estructuras. .. 47
7 gonadas (d)
N:2
8 goónadas (g)
N-2
LIRIOPE
LINEA GERYONIA
Ni
LINEA
N:1
Ft
N-1 N.29 N-85 N-1 N
ci (b) E (c)
5 gonadas
o
E (e)
2
N-45
9
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G.proboscidalis (f)
N:1
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N:21363 \
(a)
——__
L.tetra
=
FA
Fig. 43: Diagrama de relaciones entre las formas halladas.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):31-47, 22 dez. 1989
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ALIMENTACIÓN DE LARVAS DE SALMINUS MAXILLOSUS VAL,
1840 (PISCES CHARACIDAE).*
Liliana M. Rossi **
ABSTRACT
The stomach contents of 279 larval dorado (Salminus maxillosus Val., 1840) (12,5 to
29,0 mm in standard lenght) collected in lotic environments of the Middle Paraná river (30041'S
59040'W — 31935'S 60018'W) in december 1981 were studied. Larvae digestive tracts contained
predominantly fish and also zooplankton, benthic invertebrates and other organisms related to
the floating vegetation. Records of canibalism are also mentioned. The percentages of larvae
with food in their stomachs were higher at morning (10h — 10h30min) and afternoon (17h —
19h).
INTRODUCCION
El estudio de la alimentación de las larvas de pecas es indispensable para com-
prender su rol en la comunidad y posse significativa importância, ya que uno de los
períodos más críticos en la vida de um pez es aquel en el que comienza su alimen-
tación activa y depende de la presencia y disponibilidad del alimento adecuado
(HJORT, 1914; CIECHOMSKI & WEISS, 1974; KJELSON & JOHNSON; 1976).
No hay antecedentes sobre la alimentación de larvas de peces dulciacuicolas
en condiciones naturales en la República Argentina. En Brasil existem trabajos refe-
ridos al dorado (Sa/lminus maxillosus Val., 1841) del río Mogi Guassu (MORAIS FI-
LHO & SCHUBART, 1955; GODOY, 1975), que incluyen el estudio del desarrollo
y alimentación de las larvas. Teniendo en cuenta la importancia económica de esta
especie en el valle aluvial del rio Paraná y la carencia de información antedicha, se
* Aceptado para su publicación 16.V.1989.
Presentado en la 54º Reunión de Comunicaciones Científicas de la Associación de Ciencias
Naturales del Litoral. Santa Fe, octubre de 1986. Realizado durante una pasantia en el
Instituto Nacional de Limnologia (INALI-CONICET).
** Becaria del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET). Insti-
tuto Nacional de Limnologia. José Maciás 1933, Santo Tomé (3016) Santa Fe. Argentina.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):49-59, 22 dez. 1989
50 ROSSI, L.M.
fijó como objetivo del trabajo conocer los hábitos alimentarios, el espectro trófico
y tamano de las presas de larvas de S. maxillosus.
MATERIAL Y METODOS
El material pertenece a la colección del Instituto Nacional de Limnologia (INALI-CO-
NICET) y fue obtenido desde el 12 al 17 de diciembre de 1981 en ocho estaciones de mues-
treo en ambientes lóticos del valle aluvial del rio Paraná (rios: La Garza, San Javier, Cayastá,
Correntoso y Paraná), entre los 30041'S 59040'W y los 31035’S 60018’W (fig.1), durante un
período de aguas medias en creciente del rio Paraná (nivel del limnímetro del puerto de la
ciudad de Paraná: 2, 74-3,10m), según datos proporcionados por la Dirrección Nacional de
Construcciones Portuarias y Vias Navegables.
La recolección de las larvas se realizó por arrastre de una red de ictioplancton en forma
de cono con una boca de 30cm de diámetro y una malla de 1,5mm de abertura. Todas las
muestras fueron obtenidas en aguas superficiales (hasta 0,50m de profundidad) entre las 10h y
19h. Los ejemplares se fijaron en formal al 5% inmediatamente después de su captura.
Se analizaron 279 larvas con logitudes estándar comprendidas entre 12,5 y 29,0mm
(15,5 y 35,0mm de longitud total respectivamente). Los ejemplares se midieron con una pre-
cisión de 0,5mm.
Para el estudio de la dieta se extrajo el tubo digestivo y se analizó la ingesta bajo lupa y
microscopio. Los organismos fueron contados e identificados a diversos niveles taxonómicos.
En los peces ingeridos se midió su longitud total y se la estimó en los casos de digestión avan-
zada. Para cada ítem del contenido escamal, se estableció el porcentaje de frecuencia de occur-
rencia (% FO) y el numérico (% N) y su importancia relativa en la dieta se estimó por medio de
un índice (IRI) que es el producto de % FO por %N (LAROCHE, 1982; GOVONI el al., 1983).
Para conocer el espectro trófico se utilizaron los contenidos estomacales e intestinales;
los otros análisis de la dieta se basaron en el material estomacal.
Los ejemplares obtenidos en las distintas estaciones fueron considerados pertenecientes a
una muestra única y para diversos estudios se los agrupó en cuatro clases de longitud con un
intervalo de 4mm (tab. 1).
En el estudio de las variaciones diarias en la alimentación se consideraron tres momentos
de acuerdo a las horas de captura: mafiana (10h-10h30min); mediod ía (11h 30 min - 14h30min)
y tarde (17h - 19h).
RESULTADOS
Es espectro trófico estuvo integrado por ANNELIDA. Oligochaeta, Naididae.
CRUSTACEA. Calnoida: Diaptomidae (Diaptomus sp.); Cladocera: Sididae, Moini-
dae (Moina sp.), Dafnidae (Simosa sp.), Bosminidae (Bosmina sp., Bosminopsis sp.);
Decapoda: Palemonidae; Ostracoda; Brachiura: Argulidae (Argulus sp.). ARACHNI-
DA. Araneae; Ascarina. INSECTA. Ephemeroptera: (Campsurus sp.); Coleoptera:
Dytiscidae (Cybister sp.); Trichosptera: Hydropsichidae; Diptera: Ceratopogonidae;
Chironomidae, Chironominae (Chironomus sp. Glytotendipes sp., Polypedilum sp.,
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):49-59, 22 dez. 1989
Alimentaciön de larvas de Sa/minus... 51
Criptochironomus sp., Xenochironomus sp.; Micropsectra sp.); Tanypodinae (Ab/a-
besmaya sp.); Diamesinae; Culicidae, Culicinae. PISCES. Characiformes: Characidae
(Salminus maxillosus); Siluriformes.
Se hallaron sólo en el intestino y presentaron bajos porcentajes numéricos y
de ocurrencia (menores del 1%).
El 73% de los estómagos se encontró con alimento. Los peces, crustáceos e
insectos fueron los organismos más importantes tanto en número com en frecuencia
de ocurrencia, con un IRI de 6.636, 209 y 200 respectivamente (fig. 2). Dentro de
los crustáceos, fueron numéricamente importantes los cladóceros (42%) y copépo-
dos (52%) y entre los insectos, las larvas de dípteros (74%) com un predominio de
las de quironómidos. Dentro de los peces ingeridos fueron más abundantes los ca-
rácidos (92%) y entre ellos se hallaron ejemplares de Sa/minus maxillosus.
La importancia relativa de los componentes de la dieta varió según las distin-
tas clases de longitud, siendo los peces dominantes en todas ellas (fig. 3).
La mayor cantidad de presas halladas en un estómago fue de 11 (9 peces y 2
copépodos) en un ejemplar de 23,5mm de longitud estándar. El número promedio
de peces por estómago fue de 2 y 9 el máximo observado en tres larvas de 22,5;
23,5 y 23,5mm. La longitud de los peeces ingeridos osciló entre 4 y 25mm, siendo
los comprendidos entre 5 y 7 mm los más abundantes en los contenidos estomacales
de todas las clases de longitud (fig. 4).
En los casos de ingestión de individuos de la misma especie, la relación lon-
gitud estándar predador-longitud total presa fue de 69% para tres ejemplares de
26,0; 24,5 y 29,0mm; 78% (25,5mm); y 65% (21,0), encontrándose siempre una
pieza por estómago.
Respecto al ritmo diario de la alimentación, se registraron variaciones en la
cantidad de larvas con alimento en sus estómagos en los tres momentos estudiados,
presentändose los mayores niveles de ingestión por la manana y por la tarde,
excepto en la última clase (fig. 5).
DISCUSION Y CONSLUSIONES
La dieta de las larvas de S. maxillosus estuvo compuesta principalmente por
peces, crustáceos e insectos. Su análisis indica que tomaron su alimento de diver-
sas comunidades, registrándose organismos hallados por otros autores en el plancton,
bentos y asociados a la vegetación flotante (PAGGI, 1983; MARCHESE & EZ-
CURRADE-DRAGO, 1983; PAPORELLO-DE-AMSLER, 1987). Las larvas fuerón
básicamente ictiófagas, incluyendo casos de canibalismo, y predaron con preferen-
cia sobre carácidos (con longitudes entre 5 y 7 mm), que a su vez fueron los más
abundantes en el total capturado (Colección del INALI).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):49-59, 22 dez. 1989
52 ROSSI, L.M.
Los mayores porcentajes de larvas con alimento, se registraron a la manã y la
tarde, atribuyéndose la diferencia observada en los individuos de mayor longitud
obtenidos por la tarde, a la escasa cantidad de ejemplares.
Los resultados difieren a los presentados por otros autores, en relación a la
temprana ictiofagia y al canibalismo. MORAIS FILHO & SCHUBART, 1955 men-
cionan, para larvas de hasta 12mm de longitud total una dieta compuesta por algas,
cladóceros, copépodos y larvas de insectos; para ejemplares de 50mm: copépodos y
larvas de odonatos y quironómidos, y a partir de los 80mm: peces. GODOY (1975)
obtuvo resultados semejantes a los de estos autores, senalando la ingestión de peces
en individuos de 140mm de longitud total. En nuestro caso se registran peces a par-
tir de los 16mm. En cuanto al canibalismo se considera producido en condiciones
naturales y no como consecuencia de la permanencia de los ejemplares dentro de
la red, porque el arrastre duró solo cinco minutos y el grado de digestión de las
presas era avanzado, no obstante el cual pudieron ser identificadas. Diversos autores
han observado este comportamiento en larvas de dorado, pero ünicamente en cauti-
verio (MASTRARRIGO, 1949; MORAIS-FILHO & SCHUBART, 1955 y GODOY,
1975).
AGRADECIMIENTOS
A la Prof. Clarice Pignalberi de Hassan, Directora del INALI, por permitirme realizar este
trabalho en dicho instituto, a! Prof. Norberto Oldani por cederme el material analizado, a la
Prof. Olga Oliveros por su constante y valioso apoyo y la Prof. Elly Cordiviola de Yuan por la
lectura crítica del manuscrito. Agradezco además a las profesoras Inés Ezcurra de Drago y Mer-
cedes Marchese por la determinación de las larvas de dípteros y al Sr. Aldo Paira por la con-
fección de las gráficas.
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):49-59, 22 dez. 1989
54 ROSSI, L.M.
Tabla 1. Distribución de larvas de S. maxillosus en classe de longitud eständar
con intervalo de 4mm. Se consigna además, su distribución de acuerdo al momento.
de captura. N, cantidad de larvas estudiadas y ECA, estómagos con alimento.
Limites de las clase N 9% Manana Mediodia Tarde
de long. est. (mm) a N %ECA N %ECA N %ECA
12,5 — 16,5 49 17 — — 14 36 35 83
17,0 — 21,0 162 58 52º 79 36 47 74 76
21,5 — 25,5 63 23 35 86 Sr: \0) 23887,
26,0 — 30,0 5 2 1.100 2 50 2 50
Total 279 100 88 82 57 44 134 79
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):49-59, 22 dez. 1989
Alimentación de larvas de Sa/minus. .. 55
SANTA FEte e 31° 35° 5
Ad
7 9PARANA
Figura 1: Ubicación geográfica de las estaciones de muestreo de S. maxillosus. Ríos: 1:
La Garza (confluencia con el río San Javier); 2: San Javier (Cayastá); 3: Cayastá (confluencia
con el San Javier); 4: Correntoso (aguas arriba de La Paz) y Paraná; 5: (frente a La Paz);6: (fren-
te a Hernandarias); 7: (Norte de Islas del Chapetón).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):49-59, 22 dez. 1989
56 ROSSI, L.M.
100 N=, 27/9 (208)
N %
FO
Figura 2: Importancia relativa de los componentes de la dieta (IRI) de larvas de S. ma-
xillosus. (N%, porcentaje numérico; FO%, porcentaje de frecuencia de ocurrencia; N, número
de larvas examinadas, entre paréntesis larvas con contenido estomacal; P, peces, |, insectos;
C, crustáceos).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):49-59, 22 dez. 1989
Alimentaciön de larvas de Sa/minus. .. 57
Eee Zee O ORE
125-165 mm 17.0= 210 mm
100 N=49(34) 100 N = 162 (114)
=
FO %
245 = 25.54 26,0 - 30,0 mm
100 N =63 (52) 100 N.=5 (3)
100
Figura 3: Importancia relativa de los componentes de la dieta (IRI) de larvas de S. ma-
xillosus, según clases de longitud (N, número de larvas examinadas, entre paréntesis larvas con
contenido estomacal; P, peces; |, insectos; C, crustáceos y A, arácnideos).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):49-59, 22 dez. 1989
58 ROSSI, L.M.
EE ca ss mio
L. est. mm
70 [E] ses
z Ze
=
= 50 Z 260 300
7 G
30 _
Z
0 É =
G =
<45 5-7 275
Longitud presa (mm)
Figura 4: Porcentaje del número de presas (peces) según su tamafio en larvas de S. ma-
xillosus de diferentes longitudes.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):49-59, 22 dez. 1989
Alimentaciön de larvas de Sa/minus. .. 59
100 +
L.estmm
0125-165
+ 170-210
O 215-255
+ 260-300
e Total
Larvas con alimento (%)
LA
O. OTT+H +
"VS co
30
Mafiana Mediodia Tarde
Figura 5: Porcentaje de larvas de S. maxillosus con alimento, en tres momentos de captu-
IHERINGIA. Sér.Z0ol., Porto Alegre (69):49-59, 22 dez. 1989
Ad
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NOTAS SOBRE A BIOLOGIA DE DUAS ESPÉCIES DE ELAPOMOR-
PHUS WIEGMANN, 1843 (SERPENTES, COLUBRIDAE, ELAPO-
MORPHINAE).*
Thales de Lema **
ABSTRACT
Observations on the food and feeding habits, behaviour, habitat, frequency and ecologi-
cal distribution of Elapomorphus (Phalotris) lemniscatus Duméril, Bibron & Duméril, 1854 and
Elapomorphus (Phalotris) spegazzinii Boulenger, 1913 are done.
INTRODUÇÃO
As observações aqui apresentadas foram registradas durante estudo de revisão
feito com as serpentes E/apomorphus Wiegmann, 1843, principalmente com as espé-
cies, E. (Phalotris) lemniscatus Duméril, Bibron & Duméril, 1854 e E. (Phalotris)
spegazzinii Boulenger, 1913, sendo a primeira do Brasil meridional e a segunda da
Argentina. Elas complementam as observações anteriormente apresentadas (LEMA,
1985).
AMARAL (1929) afirma que as serpentes desse gênero são subterrâneas e,
posteriormente (1977), corrige para “semi-subterrâneas” podendo ser encontradas
sob folhas secas. KOSLOWSKY (1895) encontrou-as na superfície do solo. VAN-
ZOLINI (1948) observou-as em campos cerrados, dentro de galerias subterrâneas
formadas pelo apodrecimento de raízes. ABALOS et al. (1964) acrescentam que são
noturnas ou diurnas, mas para AMARAL (1977) são apenas noctivagas.
Sobre a alimentação, PRADO (1945) afirma que comem “vermículos”;
VANZOLINI (1948) dá uma dieta maior: larvas e adultos de insetos, oligoquetos,
moluscos, o que foi confirmado por ABALOS et al. (1964) e AMARAL (1977).
* Aceito para publicação em 19.1V.1989. Contribuição FZB nº 362.
** Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do RS. Caixa Postal 1188; 90001,
Porto Alegre Rio Grande do Sul, Brasil. Bolsista do CNPq, proc. 306090/76.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):61-69, 22 dez. 1989
62 LEMA, T. de
Sobre inimigos naturais, apenas ABALOS et al. (1964) citam que são preda-
das por serpentes Microrus Wagler, 1824, de hábitos semelhantes.
Segundo SERIÉ (1919), E. (P.) spegazzinii alimenta-se de sáurios; MERTI
(1959) de insetos e rãs, e habitam banhados. KOSLOWSKY (1895) observou
E. (P.) spegazzinii spegazzinii na barranca de um arroio em região árida. MERTENS
(1954) encontrou E. (P.) spegazzinii suspectus Amaral, 1924, sobre elevações pe-
dregosas coberta de escassa vegetação de gramíneas. SOCLARO & CEI (1979) en-
contraram E. (P.) spegazzinii suspectus dentro de ninhos de Attini (formigas que
constroem ninho com diminutos ramos vegetais), no litoral atlântico da Patagônia,
acrescentando que se enterram com rapidez e expelem odor fétido se capturadas. É
a ocorrência mais meridional do gênero.
Nas observações aqui relatadas procurou-se indicar sempre a subespécie, quan-
do isso era possível, objetivando detectar diferenças entre elas.
MATERIAL E MÉTODO
As observações ocorreram durante trabalho de campo e em laboratório, neste último
caso em viveiros improvisados usando-se cristalizadores ou aquários. Como essas serpentes ge-
ralmente não comem em cativeiro, foram sacrificadas e incorporadas à coleção.
Material examinado. são citados apenas os números dos exemplares tombados, os demais
estão indicados no texto acompanhados da procedência. Os nomes das coleções estão citados
por suas siglas BMNH, British Museum (Natural History), London; FHCM, Facultad de Humani-
dad y Ciencias, Montevideo; FMNH, Field Museum of Natural History, Chicago IBSP, Instituto
Butantan, SP; MACN, Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, Buenos
Aires; MCN, Museu de Ciências Naturais, Porto Alegre, RS; MHNM, Museo Nacional de Historia
Natural, Montevideo; ZSBS, Zoologische Sammlung des Bayerischen Staates, München..
Algumas regiões de procedência são citadas por siglas, assim: AR, Argentina; BR, Brasil;
RS, Rio Grande do Sul, BR; SC, Santa Catarina, BR; SP, São Paulo, BR; UR, Uruguai.
E. (P.) lemniscatus lemniscatus: FHCM 415 (Lavalleja, UR); FHCM 696 (Rocha, UR);
FHCM 932 (Lavalleja, UR); MCN 1823 (Pelotas, RS, BR); BMNH 84.2.23.19 (UR).
E. (P.) lemniscatus trilineatus Boulenger, 1889; FHCM 147 (Serro de Animais, Punta del
Este, UR); MCN 996 (Morro Santana, Porto Alegre, RS); FHCM 1893 (Punta del Este, UR);
MCN 2061 (Cassino, Rio Grande, RS); MCN 3147 (Itapuã, Porto Alegre, RS); MCN 4424 (Em-
boabas, Tramandaí, RS); MCN 4479 (Pelotas, RS); MCN 5931 (Atlântida, Capão da Canoa,
RS); FMNH 80122 (Emboabas, Tramandaí, RS).
E. (P.) lemniscatus iheringi Strauch, 1885: MCN 1773 (São Francisco de Paula, RS);
MCN 2886 (Montenegro, RS); MCN 4410 (Bento Gonçalves, RS); MCN 4418 (Caxias do Sul,
RS); MCN 4427 (Caxias do Sul, RS); MCN 6006 (Fortaleza dos Aparados, Cambará do Sul,
RS).
E. (P.) lemniscatus divittatus Lema, 1984: FHCM 348 (Serro de Animas, Punta del Este,
UR).
E. (P.) lemniscatus x I. trilineatus: FHCM 288 (Canelones, UR); MCN 1824 (Pelotas, RS).
E. (P.) lemniscatus trilineatus x I. lemniscatus: MCN 975 (Passo do Vigário, Viamão, RS);
MCN 1558 (Passo do Vigário, Viamão, RS); MCN 1804 (Pelotas, RS); MCN 4620 (Pelotas,
RS); MCN 6014 (Praia da Cal, Torres, RS).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):61-69, 22 dez. 1989
Notas sobre a biologia de... 63
| a
E. (P.) lemniscatus iheringi x I. lemniscatus: MACN 7461 (“Costas do rio Uruguai”, AR?).
E. (P.) spegazzinii spegazzinii: ZSBS 2126/0 (“Rosário de Santa Fé, AR” — Rosário ou
Santa Fé?); MACN 10988 (Buenos Aires, AR).
E. (P.) spegazzinii suspectus: MACN 21551 (Córdoba, AR).
E. (P.) spegazzinii suspectus x s. spegazzinii: FHCM 1818 (Artigas, UR); MACN 14692
(Manantiales, Corrientes, AR).
RESULTADOS
Alimentação.
E. (P.) lemniscatus — (1) Adulto, procedente de Pelotas, RS, viveu seis meses
em cativeiro, comendo regularmente minhocas (Pheretima sp.). O filhote de cobra-
de-lixo (Liophis poecilogyrus pictostriatus (Amaral, 1944) que Ihe foi oferecido foi
em seguida mordido no meio do tronco e, após o efeito da inoculação da peçonha, a
Elapomorphus soltou-o, abocanhando-o pelo focinho, engulindo-o rapidamente.
(2) BMNH 84.2.23.19, continha, no estômago, um espécime adulto de Amphisbae-
na drawini darwini Duméril & Bibron, 1839.
E. (P.) lemniscatus trilineatus — (1) MCN 996, adulto, após captura regurgi-
tou adulto de lesma (Phyllocaulis soleiformis (D'Orbigny, 1835). (2) FMNH 80122,
continha adulto de Amphisbaena darwini trachura Cope, 1885. (3) MCN 5931,
adulto, devorando 4. darwini trachura, de mesmo comprimento, à noite, após forte
chuva de verão. A serpente esforçava-se por engulir a cobra-cega, mas não conseguia;
de repente, ficou imóvel por algum tempo, após o que constatamos estar morta.
(4) Quatro espécimens adultos procedentes de Pelotas, RS, mantidos em cativeiro
por seis meses, comeram filhotes e jovens de cobra-d'água (Helicops carinicaudus in-
frataeniatus (Jan, 1865)) quinzenalmente. Em todas as vezes a serpente primeiro
mordia, esperando pela imobilidade da presa, para fazer a deglutição. (5) Adulto, de
Atlântida, Capão da Canoa, RS, mantido em viveiro, ao ser oferecido jovem de L.
poecilogyrus pictostriatus (da mesma procedência), mostrou-se indiferente. Tapou-
se o vidro frontal do viveiro e, no mesmo instante, ela atacou a cobra verde, mor-
dendo-a no meio do corpo e enovelando-a. A Liophis debateu-se um pouco, logo
imobilizou-se. As duas ficaram imóveis por mais de um minuto e, após, a Elapomor-
phus soltou-a abandonando-a. Retirou-se a cobra-verde que se recuperou algumas
horas depois, vivendo cerca de uma semana.
E. (P.) lemniscatus iheringi — MCN 6006, adulto, no quarto dia de cativeiro
foi oferecido quatro exemplares jovens de Amphisbaena darwini trachura que após
24 horas foram retiradas aparentemente normais, estando a serpente indiferente.
E. (P.) lemniscatus iheringi x I. lemniscatus: MACN 7461, adulto, contendo
no estômago um adulto de 4. darwini trachura, juntamente com a cabeça de solda-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):61-69, 22 dez. 1989
64 LEMA, T. de
do de térmita (Isoptera); na porção final do intestino, está a exúvia da anfisbena,
enrolada irregularmente, e o corpo da térmita.
E. (P.) spegazzinii spegazzinii — ZSBS 2126/0, fixado devorando adulto de
Leposternon sp. (fig. 1).
E. (P.) spegazzinii suspectus x s. spegazzinii — MACN 14692, contendo no
estômago um adulto de Leposternon microcephalum Wagler, 1824, envolto em
numerosos Nematoda.
Habitat e hábitos.
E. (P.) lemniscatus trilineatus — (1) adulto, procedente de Atlântida, Capão
da Canoa, RS, capturado em gramado de residência próxima ao mar, em tarde quen-
te com sol. Manteve-se, em cativeiro, enterrado na areia a maior parte do tempo e,
quando desenterrada, tornava a ocultar-se rapidamente descrevendo galerias em sua
passagem. Posta sobre piso de lajotas de cerâmica, tinha dificuldade para reptar;
o mesmo ocorria quando colocada sobre grama alta. Quando ameaçada, procurava
fugir descrevendo amplos movimentos semicirculares, mas quase permanecendo no
mesmo lugar. (2) Adulto capturado na base do Morro do Côco, Viamão, RS, encon-
trado sob rocha ovóide, de tamanho médio, semi-encravada em terreno inclinado e
encharcado, dentro de mata arbustiva limpa. Descoberta, logo enterrou-se em bura-
co de mesmo diâmetro que o dela e, segura nesse momento, exigiu algum esforço
para puxá-la. Posta em terrário com areia no fundo, passava todo o tempo enterra-
da. Não aceitou alimento por muito tempo (grilos, gafanhotos, minhocas, lesmas,
rãs, filhotes de Mus musculus ssp. albinos e um jovem de L. poecilogyrus pictostria-
tus. (3) Alguns exemplares vistos em galerias de tuco-tuco (Ctenomys sp.). (4) Adul-
to foi visto andando dentro de prédio em corredor pavimentado de lajotas lisas
(Campus da Universidade Federal de Pelotas, RS).
E. (P.) lemniscatus iheringi — (5) MCN 6006, vista pela manhã, com sol, pa-
rada ao lado de rodovia de terra em solo pedregoso, local de pouco tráfego. Ao nos
aproximarmos, fugiu velozmente, ocultando-se entre lascas irregulares de basalto.
No dia seguinte, à mesma hora, o ofídio estava no mesmo lugar e, ao perceber-nos
escondeu-se entre as pedras. O local foi escavado até cerca de um metro de profun-
didade e a serpente foi encontrada em terra fofa. Presa na mão procurava escapar
tentando morder, entreabrindo a boca de lado, como fazem as anfisbenas, geralmen-
te não conseguindo morder. (6) MCN 1773, encontrado imóvel sob lasca de rocha
em chão de mato de araucárias, de dia.
E. (P.) lemniscatus iheringi x I. lemniscatus. — Diversos espécimens encontra-
dos dentro de mato úmido e denso no Parque Zoológico de Sapucaia do Sul, RS,
margem esquerda do rio dos Sinos.
E. (P.) I. lemniscatus e E. (P.) I. lemniscatus x I. trilineatus — Diversos exem-
plares foram vistos em várias ocasiões na cidade de Pelotas, RS, habitando terrenos
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):61-69, 22 dez. 1989
Notas sobre a biologia de... 65
baldios entre prédios, com brejo, às vezes com restos de obras. Baltar (com. pes.) re-
lata que, à noite, em estação verão, via sair desses terrenos uma cabeça-preta (nome
local) e dirigir-se para um foco de luz (poste). Afirma que pareciam indiferentes às
pessoas ali reunidas e ficavam imóveis com a cabeça e pescoço erguidos na dire-
ção da luz. (2) Exemplar, em terrário com areia no fundo, onde vivia enterrada.
(3) Exemplar dentro de grande cristalizador com tampa e cheio de areia até meta-
de comportou-se como na observação anterior. Quando o ofídio encontrava o fun-
do da vasilha, descrevia curvas, talvez buscando aprofundar-se mais. (4) Outro es-
pécimen, de procedência próxima às anteriores (Rio Grande, RS), foi posto em vi-
veiro com areia no fundo e permaneceu oculta por vários dias. Ao remover-se a areia
foi encontrada contorcionada (ziguezague) e imóvel. Tocada, moveu-se bruscamen-
te, como o fazem as espécies do gênero Micrurus Wagler, 1824. (5) Ao desenter-
rar-se um pé grande de Eryngium sp. do campo, com raízes e terra junto, saiu um
adulto grande desta subespécie que logo enterrou-se. O local apresentava-se com
terra preta de mato e tem influência do nível freático do rio (Serraria, Porto Alegre,
RS). Escavou-se extensa e profundamente o local não se encontrando o ofídio.
(6) Intergradantes com E. (P.) I. trilineatus foram capturados sob lascas de rochas
em montes de folhas mortas no chão de mata de Eucalyptus spp. (7) Intergradante
visto sob o assoalho de plástico de barraca onde dormira uma pessoa.
E. (P.) s. spegazzinii — Vários exemplares encontrados em ocasiões diferentes
sob pedras ou andando em campos semi-áridos, local de vegetação rasteira e escassa,
solo rochoso ou saibroso, terreno plano ou suavemente inclinado (outeiro). (2) Es-
pécimen encontrado sob pilha de lenha cortada há muito tempo (Buenos Aires, AR).
E. (P.) spegazzinii suspectus — Espécimen visto sob lasca de rocha em campo
declive de montanha, vegetação escassa com poucas árvores, cerca de 2000m de
altitude (Villa Giardino, Córdoba, AR), às 15h, dia quente com sol. No viveiro
vivia oculta na areia e, se desenterrada, voltava rapidamente (fig.2). (2) Exempla-
res colecionados em Mendoza, AR, andando no campo, terreno argiloso e sem gra-
mineas, na região da pré-Cordilheira, pela tarde, com sol.
A síntese das ocorrências encontra-se na tabela 1.
CONCLUSÕES
E. (P.) lemniscatus iheringi e E. (P.) spegazzinii suspectus são próprias de re-
giões elevadas (Planalto Sul-brasileiro e pré-Cordilheira dos Andes, respectivamen-
te). E. (P.) spegazzinii suspectus ocorre em regiões semi-áridas. E. (P.) I. lemnisca-
tus e E. (P.) spegazzinii vivem na região pampeana, tanto seca como pantanosa.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):61-69, 22 dez. 1989
66 LEMA, T. de
E. (P.) lemniscatus iheringi e E. (P.) spegazzinii foram encontradas em terre-
nos rochosos com a superfície argilosa rica de rocha degradada (cascalho). E. (P.)
lemniscatus trilineatus e E. (P.) spegazzinii suspectus preferem solos arenosos.
E. (P.) lemniscatus iheringi vive em regiões florestadas, tanto de Araucárias
como da Mata Atlântica. E. (P.) I. lemniscatus e E. (P.) lemniscatus divittatus são
encontradas em matas do tipo capão ou mesmo em campos gramados, limpos ou
sujos.
Todas foram encontradas de dia sendo que E. (P.) lemniscatus também à noi-
te (exceto E. (P.) I. iheringi).
Quanto aos abrigos, não foi possível concluir-se a nível subespecífico, com
exceção do registro de SCOLARO & CEI (1979), mas que parece ter sido compulsó-
rio devido à aridez da região, amenizada apenas ao longo do litoral baixo.
Parecem sensíveis à luz solar permanecendo enterradas; indiferentes à chuva,
mas muito sensíveis ao frio, conforme registros nos catálogos de coleções. Não
vimos espécimens na via férrea. Um espécimen encontrado na foz do rio Mampi-
tuba (Torres, RS) de E. (P.) I. trilineatus estava totalmente enrolado por linha de
pesca junto com pequenos detritos fluviais.
Conforme LEMA (1976), o número de espécimens tombados em coleções de
todo o mundo é bastante baixo. Entretanto, após revisão (LEMA, 1984), consegui-
mos reunir um número razoável. Os autores, em geral, consideram essas serpentes
raras e, pelo que pudemos observar, isso decorre do tipo de habitat subterrâneo e
que elas vem pouco à superfície do solo.
Em cativeiro não observamos a ingestão de água por elas nem cópula.
Considerando o exposto e a morfologia dessas serpentes, pode-se concluir
que são espécies nitidamente subterrâneas.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Roberto Krebs Baltar, da Universidade Católica de Pelotas (RS), pela cessão
de espécimens e de observações. Ao Dr. José María Gallardo, Diretor do Museu Argentino de
Ciencias Naturales e ao Dr. Jorge A. Cranwell, curador da coleção herpetológica do mesmo mu-
seu, pelas atenções e franquia da coleção. Ao sempre lembrado Dr. Avelino Barrio, por sua ami-
zade e empréstimo de espécimens e de observações.
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):61-69, 22 dez. 1989
Notas sobre a biologia de... 67
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400, 9fig.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):61-69, 22 dez. 1989
68 LEMA, T. de
Tabela 1. Ocorrência de Elapomorphus (Phalotris) lemniscatus e Elapomor-
phus (Phalotris) spegazzinii por ambientes e atividades, sendo: 1. E. (P.) I. lemnis-
catus; 2. E. (P.) |. trileneatus; 3. E. (P.) I. divittatus; 4. E. (P.) I. iheringi; 5. E. (P.) s.
spegazzinii; 6. E. (P.) s. suspectus.
Regiões: planaltos x
serros x x x x
campos baixos semi-äridos
pampa seco x x
campos pantanosos x X
XxX XxX x
Solos: rochosos TUX X
arenosos X
argilosos x x x
xx
Matas: de Araucäria
Mata Atläntica
capões de mato
exóticas
xx
Savanas: suja
gramado
Atividade: diurna
noturna
XX XXX Xe
DS 0 COS CASE RAS
x
x
Abrigos: entre raízes
em galerias x
sob pedras x x
sob folhas mortas x
em ninhos de formigas x x
em barraca x
Comportamento: ativa com chuva x
ativa com sol x x x x
Ocorrência: em via férrea x
em focos de luz x
em residência x
em linha de pesca
xxx
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):61-69, 22 dez. 1989
Notas sobre a biologia de... 69
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Figs. 1e 2: 1. Elapomorphus (Phalotris) spegazzinii spegazzinii Boulenger, 1913 devoran-
do Leposternon sp., ambos adultos, fixados e assim tombados (ZSBS); 2. Elapomorphus (Pha-
lotris) spegazzinii suspectus Amaral, 1924 enterrando-se na areia em uma placa de Petri.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):61-69, 22 dez. 1989
Ars ehe sr
E SR Sa 0
a ar
esa a aan Bm A wie an erobnans!
REVISÃO DAS ESPÉCIES SUL-AMERICANAS DO GÊNERO ERA-
NA BATES, 1866 (COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE, LAMIINAE,
HEMILOPHINI).*
Ubirajara R Martins **
Maria Helena M. Galileo ***
ABSTRACT
Revision of the South American species of the genus Erana Bates, 1866 (Coleoptera,
Cerambycidae, Lamiinae, Hemilophini). South American species of the genus Erana Bates,
1866, are revised and keyed. Tyrinthia argentina Bruch, 1911 and T. longiscapus Bates,
1881 are transferred to Erana. New species described from Brazil: E. pallidula, sp.n. (Pará
and Mato Grosso); E. meyeri, sp.n. (São Paulo and Rio Grande do Sul); E. diana, sp.n. (Goiás),
and from Bolívia: E. humeralis, sp.n.
INTRODUÇÃO
A posição do gênero Erana Bates, 1866, bem como dos demais gêneros de
Hemilophini (= Amphionychini), cujas espécies não apresentam carenas laterais nos
élitros, tem sido controvertida.
Este grupo de gêneros é intermediário entre as tribos Aerenicini e Hemilophi-
ni, aquela com espécies dotadas de ““Elytres jamais carénées latéralement (LACOR-
DAIRE, 1872:897) e esta com “Elytres três-souvent carénées latéralement” (1.c.:
881).
No conceito de THOMSON (1860:63) a tribo era única, denominava-se
“Amphyonichitae” e reunia Aerenica e Hemilo phus, além de outros gêneros.
Aceito para publicação em 10.V11.1989.
** Museu de Zoologia, Caixa Postal 7172, 01051 São Paulo, SP, Brasil e Departamento de
Epidemiologia, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo; pesquisador do
CNPq.
*** Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal
1188, 90001 Porto Alegre, RS, Brasil; bolsista do CNPq.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):71-83, 22 dez. 1989
72 MARTINS, U.R. & MARIA H.M. GALILEO
BATES (1866:367) caracterizou os “Amphionychinae” como possuidores
de carenas elitrais e por isso inseriu Erana, cujos élitros não apresentam carenas, em
“Phytoeciinae’ (sinônima de Saperdini e sem representantes na Região Neotropi-
cal).
LACORDAIRE (1872:901) transferiu o gênero para Aerenicini, mas BATES
(1874:233) não concordou, afirmando: “The genus Erana, according to the typical
species, E. cincticornis, has the head retractile and the scape long and rather slen-
der; it is, therefore, wrongly defined by Lacordaire, who places it in the group Aere-
nicites, which have the head exserted”. Anos mais tarde, BATES (1881a:208) apro-
ximou Erana de Essosthruta, gênero de Hemilophini onde as espécies também são
desprovidas de carenas elitrais; no mesmo ano (1881b:301) coloca Erana em “Am-
phionychides” e a partir de então, tem sido considerado sempre entre os Hemilo-
phini (= Amphionychini), v.g., por AURIVILLIUS (1923) e por GILMOUR (1965).
Até que possamos rever todos os gêneros de Hemilophini cujas espécies não
apresentam carenas elitrais, vamos considerar Erana nesta tribo, principalmente pela
fórmula antenal e pilosidade dos antenômeros.
Erana foi estabelecido com base numa espécie amazônica, E. cincticornis Ba-
tes, 1866. Foram acrescentadas por BATES (1874, 1181a) nove espécies centro-
americanas que não serão abordadas nesta contribuição. Em 1938, FISHER publi-
cou a segunda espécie sul-americana, E. ciliata, originalmente descrita da Nova Teu-
tônia, Santa Catarina.
Julgamos conveniente transferir para Erana duas espécies descritas em Tyrin-
thia: T. longiscapus Bates, 1881 e T. argentina Bruch, 1911, que não apresentam
vestígio de carenas nos élitros e têm o mesmo padrão de pilosidade antenal. Descre-
vemos quatro novas espécies, perfazendo assim oito espécies no continente sul-ame-
ricano.
Sigla das coleções examinadas: AMNH, “American Museum of Natural His-
tory””, New York; IBSP, Instituto Biológico, Secretaria da Agricultura, São Paulo;
ICCM, “Carnegie Museum of Natural History”, Pittsburgh; MAPA, Museu Anchie-
ta, Porto Alegre; MNHN, “Muséum National d’Histoire Naturelle”, Paris; MZSP,
Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo; UF VI, Museu de Ento-
mologia, Universidade Federal de Viçosa.
Erana Bates, 1866
Erana BATES, 1866: 431; 1874:233; 1881a:208; 1881b:301; LACORDAIRE, 1872:901;
AURIVILLIUS, 1923:594 (cat.); GILMOUR, 1965:641 (cat.).
Mandíbulas com ápice agudo. Fronte abaulada (nos machos de E. /ongisca-
pus Bates, 1881, fig. 1, com tubérculo central diminuto logo acima do clipeo),
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Revisão das espécies Sul-americanas. .. 73
subquadrangular. Lobos oculares inferiores apenas mais longos do que as genas;
os superiores afastados, täo distantes entre si quanto o diämetro do escapo.
Antenas com onze articulos, ultrapassam ou atingem a extremidade elitral.
Escapo sem cicatriz, cilíndrico, atinge ou ultrapassa o meio do pronoto. Antenö-
mero Ill longo, com ca. dobro do comprimento do escapo, alcança o terço anterior
dos élitros, ligeiramente espessado em E. /ongiscapus. Antenômeros seguintes gra-
dualmente decrescentes em comprimento. Escapo e artículos basais do flagelo com
cílios longos em toda a superfície.
Protórax apenas mais largo do que longo, ligeiramente abaulado no meio dos
lados. Pronoto convexo. Élitros sem carenas laterais, desarmados nos ápices, com
lados paralelos ou ligeiramente expandidos no terço apical (E. /ongiscapus).
Metatrocânteres desarmados. Fêmures sublineares (metafêmures nos machos
de E. meyeri, sp.n. fig.3, com forte projeção triangular inferior). Dentes das garras
tarsais com comprimentos subiguais.
Espécie-tipo, Erana cincticornis Bates, 1866 (montipia).
Discussão. Dentre os gêneros de Hemilophini cujas espécies têm élitros des-
providos de carenas, Erana aproxima-se mais de Dadoychus Chevrolat, 1833. Em
Erana os pêlos longos do antenömero III distribuem-se em toda a superfície, sem
constituir uma franja compacta interna como ocorre em Dadoychus.
Chave para as espécies sul-americanas de Erana..
Le Élitros ligeiramente expandidos na metade apical (fig.4); pretos com larga área central
transversal amarelada até inteiramente pretos; fronte (d, fig. 1) com pequeno tubérculo
centro-inferior; escapo e antenômero Ill densamente ciliados, principalmente nas
fêmeas. Brasil (Minas Gerais, Rio de Janeiro) ....... 2.2.2... longiscapus (Bates)
Élitros com lados paralelos até a curvatura apical, quase sempre unicolores (podem apre-
sentar-se inteiramente pretos); fronte (S ) desarmada; cílios do escapo e do antenômero
Ill GRE CA CITIS re sima gire ss Eta. KÜHNE dg 2
2(1). Élitros com tegumento amarelado ou amarelo-alaranjado com no máximo a região circum-
escutelar. ejojterço; apical/escuras ss lee se aertos era net: 3
Élitros pretos ou castanho-escuros, exceto às vezes no friso sutural e nas margens que são
esbranquicadoS Hewi eye: tos é saedas sa sbstsets SECA 4 4
3(2). Antenômero Ill com um terço do comprimento do restante do flagelo; antenômero IV
castanho-escuro; élitros uniformemente amarelo-alaranjados com pontos grossos na me-
tade basal; pronoto com mancha escura no centro da base. Fig.6. Brasil (Pará, Mato
(Grosso) sas (= = Sis BECO TIS AERNTERSTRIE MM A SE pallidula, sp.n.
Antenömero Ill com metade do comprimento do restante do flagelo; antenömero IV ama-
relado com extremidade castanho-escura; élitros com área escura circum-escutelar e no
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terço apical providos de pontos grossos em toda superfície; pronoto com áreas escuras
nos lados. Fig.5. Argentina (Tucumán). . .. 2... 2 a2. 0.0. argentina (Bruch)
4(2). Elitros com margens e frequentemente o friso sutural esbranquicados; pronoto com man-
cha anterior alaranjada e recoberta por densa pubescência branca. Fig.7. Brasil (Paraná,
Santa'Catarina); Argentina (Misiones) Le 2 ciliata Fischer
Élitros uniformemente escuros, quando amarelados na margem o pronoto é densamente
pubescentelemitodara'supertif creme. SM EEE MBA e o o nao Re 5
5(4). Antenas e pernas pretas; metafêmures dos machos (fig.3) com manifesta projeção triangu-
lar no lado inferior. Fig.8. Brasil (São Paulo, Rio Grande do Sul) ..... meyeri, sp.n.
Antenas com as bases dos antenômeros anelados de claro ou com algum antenômero intei-
ramente branco; (metaf&mures dos machos sem projeções) . ...: : 2: 2222. 6
6G(5):FAntenomero?M branco! mn INEO DS AR Urna Ds ee SER 7
Antenômeros IIl-VIll com estreita orla basal anelada de tegumento claro; cabeça inteira-
mente pubescente de branco. Fig.9. Brasil (Goiás) ...... 2: 222.2. diana, sp.n.
7(6). Umeros e friso marginal dos élitros amarelados; antenômero IV com estreita orla basal
branca; antenômero VI branco no terço basal; pubescência branca e densa reveste todo
pronoto: RigMONBo!] Viale an o tr Dt SDR e To humeralis, sp.n.
Élitros pretos; metade apical do antenômero IV branca; pubescência branca do pronoto
reveste apenas os lados. Guiana Francesa; Brasil (Amazonas) ..... cincticornis bates
Erana longiscapus (Bates, 1881), comb. n.
(Figs. 1,4)
Tyrinthia longiscapus BATES, 1881b:294.
d. Tegumento castanho-escuro a preto; tegumento amarelado: fronte, genas,
gula, faixa oblíqua no lado interno dos lobos oculares supetiores até a orla posterior
da cabeça e prolongada pelos lados do pronoto; faixa transversal de limites irregula-
res no meio dos élitros, coxas, trocanteres e bases dos fêmures.
Pubescência acastanhada sobre as regiões escuras e amarelo-alaranjada sobre as
claras. Pilosidade longa, preta, densa, no escapo e nos antenömeros Il e Ill. Pontua-
ção grossa e afastada na cabeça e no pronoto; mais concentrada e irregular nos éli-
tros. Metepisternos pontuados.
Fronte (fig. 1) com pequeno tubérculo central localizado logo acima do cli-
peo. Antenômero Ill algo engrossado, aproximadamente tão longo quanto a soma
dos antenömeros IV-VIl. Metafêmures sem expansão inferior.
2. Fronte desarmada. Escapo, antenômeros II e Ill com pêlos pretos ainda
mais densos. Antenömero III também engrossado.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):71-83, 22 dez. 1989
Revisão das espécies Sul-americanas. .. 75
Variabilidade. Exemplares procedentes de Viçosa, MG, apresentam élitros in-
teiramente pretos. Em alguns espécimens o antenômero |V tem anel central de tegu-
mento mais claro, alaranjado.
Dimensões, em mm, respectivamente d e ?. Comprimento total, 7,1-7,2 e
7,5-9,1: comprimento do protórax, 1,1 e 1,1-1,4; maior largura do protörax, 1,2-
1,4 e 1,3-1,8; comprimento do élitro, 5,3 e 5,6-6,8; largura umeral, 1,6-1,8
e 1,9-2,3.
Material examinado. BRASIL. Minas Gerais: Passa Quatro (fazenda dos Campos), 1$,
12.X11.1915, J.F. Zikán col. (MZSP). Viçosa, 28, 19, X11.1944, Wygodzinsky col. (MZSP);
19, 10.X11.1982, Fiuza & Martins col. (UFVI). Rio de Janeiro: Itatiaia (800 m), 18, X11.1933,
H.S. Lopes & R. Cunha col. (MZSP); (Maromba, 1000m), 29, X11.1925, J.F. Zikán col.
(MZSP); 19, 4.1.1925, J.F. Zikän col. (MZSP).
Erana Pallidula, sp.n.
(Fig.6)
2. Tegumento amarelo-alaranjado com mancha acastanhada na região poste-
rior do disco pronotal que pode apresentar-se reduzida; metasterno mais escurecido.
Antenas, ápice das tíbias e tarsos, castanho-escuros.
Pubescência esbranquiçada ou branco-amarelada, densa, subuniforme. Pon-
tuação da cabeça, do pronoto (exceto sobre área escura) e dos élitros, profunda;
nestes organizada em fileiras longitudinais na metade anterior.
Dimensões, em mm, 2. Comprimento total, 6,1-6,5; comprimento do protö-
rax, 1,2; maior largura do protórax, 1,2-1,4; comprimento do élitro, 4,3-4,7; lar-
gura umeral, 1,6-1,7.
Material examinado. BRASIL. Pará: Santarém, 19, Acc. nº 2966 (ICCM, holótipo).
Mato Grosso: Chapada dos Guimarães, 19, Acc. nº 2966 (MZSP, parätipo).
Discussão. Pelo tegumento claro aproxima-se de E. argentina mas difere pelos
caracteres enumerados na chave acima.
Erana argentina (Bruch, 1911), comb. n.
(Fig. 5)
Tyrinthia argentina BRUCH, 1911:176, fig.
9. Cabeça amarelada com a região posterior aos olhos castanho-avermelhada.
Protórax amarelado com mancha acastanhada a cada lado. Elitros amarelados com
área circum-escutelar e mancha apical (que pode ou não envolver a margem), casta-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):71-83, 22 dez. 1989
76 MARTINS, U.R. & MARIA H.M. GALILEO
nho-avermelhadas. Fêmures amarelados. Tíbias, tarsos, esternos torácicos e abdô-
men, castanho-escuros. Antenas castanho-escuras, exceto antenômero IV que é ama-
relado nos três quartos basais; não atingem o ápice elitral.
Pubescência amarelada, entremeada por pélos longos. Pronoto com prontos
grossos e equidistantes. Élitros com pontuação evidente, organizada em fileiras lon-
gitudinais.
Dimensões, em mm, 2. Comprimento total, 4,7; comprimento do protórax,
0,8; maior largura do protórax, 0,9; comprimento do élitro, 3,3; largura umeral,
1.2.
Material examinado. ARGENTINA. Tucumán: Tucamän, 1? (cötipo), X1.1899, C.
Bruch, ex-Col. J. Melzer (MZSP).
BRUCH (1911:177) assinala ter fundamentado sua descrição em “algunos
ejemplares hembras, coleccionadas por el senor Dinelli en Tafi Viejo, provincia de
Tucumán”. O exemplar examinado, com rótulo de cótipo, não menciona na etique-
ta de procedência o nome da localidade-tipo nem o nome do coletor.
Erana ciliata Fisher, 1938
(Figs.2, 7)
Erana ciliata FISHER, 1938:152.
Tegumento preto ou castanho-avermelhado; tegumento amarelo-alaranjado:
cabeça (exceto região entre tubérculos anteniferos e atrás dos olhos); área triangu-
lar no terço anterior do pronoto; face inferior do escapo; lado interno do antenô-
mero Ill; bases dos antenômeros IV-VIll; fêmures; protíbias (exceto lado externo
dos dois terços apicais); lado interno das bases das mesotíbias e metatibias; friso
sutural e faixa lateral do úmero até quase a extremidade elitral.
Pubescência de maneira geral esbranquiçada, mais evidente na cabeça, na re-
gião centro-anterior do pronoto e nos frisos sutural e marginal dos élitros; pêlos
eretos por todo corpo, mais longos nas antenas. Pontuação da cabeça fina e espar-
sa; do pronoto e dos élitros mais densa; dos esternos torácicos concentrada nos epi-
meros, episternos e lados do metasterno; abdômen liso. Metafêmures dos machos
(fig. 2) sem expansão na face inferior.
Variabilidade. As regiões de tegumento amarelo-alaranjado da cabeça e do
pronoto podem estar reduzidas ou desaparecerem completamente. Por outro lado,
todo disco pronotal pode apresentar-se amarelo-alaranjado; friso sutural às vezes
concolor.
Dimensões, em mm, respectivamente d e 9. Comprimento total, 5,4-7,5 e
6,2-8,0; comprimento do protórax, 0,8-1,3 e 1,0-1,4; maior largura do protórax,
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):71-83, 22 dez. 1989
Revisão das espécies Sul-americanas. .. 77
1,0-1,5 e 1,0-1,7; comprimento do élitro, 3,9-5,5 e 4,5-5,6; largura umeral, 1,3-
1,9e 1,5-2,1.
Material examinado. BRASIL. Paraná: Curitiba, 12, 20.X1.1936, Col. Claretiano (MZSP);
1, X11.1936, Col. Claretiano (MZSP); 17, X1.1938, Col. Claretiano (MZSP); 1d, X11.1939, Col.
Claretiano (MZSP). Ponta Grossa, 19, P. Machado col. (MZSP); 12, 1941, P. Machado col.
(MZSP). Rio Negro, 16, 1.1924, M. Wittz col. (MZSP). Santa Catarina: Nova Teutônia, 15,
X.1935, F. Plaumann col. (MZSP); 29, 25.X1.1935, F. Plaumann col. (MZSP); 19, 18.X1.1936,
F. Plaumann col. (MZSP); 16, X.1939, Col. B. Pohl (MZSP); 16, 17, X11.1940, F. Plaumann
col. (MZSP); 19, 3.X11.1940, F. Plaumann col. (MZSP); 19, X11.1948, F. Plaumann col.
(AMNH); 15, X1.1966, F. Plaumann col. (MZSP). Rio Negrinho, 17, 1.1926, A. Maller col.
(MZSP). Rio Vermelho, 19, X11.1944, A. Maller col. (AMNH); 2$, 1.1953, Col. Dirings (MZSP).
ARGENTINA. Misiones: Salto Iguazü, 16, X1.1929, H. lani col. (MZSP).
Erana meyeri, sp.n.
(Figs.3, 8)
Sd. Tegumento preto, ligeiramente mais avermelhado nos élitros; tegumento
amarelo-alaranjado: metade inferior da cabeça, região central do vértice e duas fai-
xas longitudinais nos lados do pronoto convergentes para o vértice.
Puebscência branco-amarelada mais concentrada nos lados do pronoto; pu-
bescência castanho-avermelhada nos élitros, nos metepisternos e no abdômen. Pélos
eretos presentes em todo corpo, muito longos nas antenas. Cabeça, disco pronotal
(exceto gibosidade central) e metade basal dos élitros densa e profundamente pon-
tuados. Metafêmur (fig.3) com projeção triangular inferior manifesta. Metatibias ci-
líndricas e algo intumescidas.
2. Metafêmures sublineares.
Dimensões, em mm, respectivamente d e ?. Comprimento total, 5,5-6,2 e
7,0; comprimento do protórax, 1,1-1,2 e 1,4; maior largura do protórax, 1,1-1,3 e
1,4; comprimento do élitro, 4,0-4,3 e 5,1; largura umeral, 1,3-1,5 e 1,8.
Material examinado. BRASIL. São Paulo: Osasco, 19, 1955, M.A. Vulcano col. (MZSP,
holótipo); 15, X.1955, A. Martinez col. (MZSP). São Paulo (Jabaquara), 17, X11.1943, Col. J.
Guérin (IBSP). Rio Grande do Sul: Marcelino Ramos, 16, 1.X.1939 (MZSP). Parecy Novo,
13, 2.X1.1960, P. Buck col. (MAPA).
O nome específico é uma homenagem ao prezado amigo Fernando R. Meyer,
diretor do Museu Anchieta, Porto Alegre, que nos tem cedido material para estudo
em diversas oportunidades.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):71-83, 22 dez. 1989
78 MARTINS, U.R. & MARIA H.M. GALILEO
Erana diana, sp.n.
(Fig.9)
?. Tegumento castanho-avermelhado; tegumento amarelo-alaranjado: disco
pronotal (exceto região central), orla basal dos antenômeros III-VIll, profêmures
(exceto metade apical da face ventral), trocânteres, bases dos meso- e metafêmures.
Pubescência branco-amarelada, densa, sobre as áreas de tegumento amarelo-
alaranjado da cabeça e do pronoto; no restante do corpo pubescência branco-acin-
zentada, entremeada por pêlos eretos; nos antenômeros pêlos muito longos, espar-
sos. Disco pronotal pontuado; élitros com pontos grossos, organizados em fileiras
longitudinais. Mesepimeros, metepisternos e lados do metasterno pontuados. Ante-
nas atingem o ápice elitral na extremidade do antenômero VII.
Dimensões, em mm, 2. Comprimento total, 6,7; comprimento do protórax,
1,1; maior largura do protórax, 1,3; comprimento do élitro, 5,0; largura umeral, 1,6.
Material examinado. BRASIL. Goiás: Dianópolis, 1%, 16-22.1.1962, J. Bechyne col.
(MZSP, holótipo).
Discussão. E. diana separa-se de E. cincticornis: pelos antenômeros IV e V
pretos com apenas estreita orla basal amarelada; pelo escapo bicolor; pelos fêmures
com áreas pretas e pela presença de pubescência branco-amarelada densa em todo o
pronoto. Em E. cincticornis, segundo a descrição, o antenômero V e o ápice do an-
tenômero IV são brancos; os fêmures são inteiramente amarelados, o escapo é preto
e a pubescência clara e densa do pronoto recobre as partes laterais.
Erana humeralis, sp.n.
(Fig. 10)
(??). Tegumento quase preto; tegumento amarelo-alaranjado: metade inferior
da cabeça; lado interno da metade distal do escapo; bases dos antenömeros III, IV e
VI; antenômero V; pronoto (exceto área transversal na base); pro- e mesofêmures
(exceto face inferior e metade da face dorsal); úmeros e margem elitral da base ao
terço posterior.
Pubescência branca, densa no pronoto; acinzentada e mais esparsa na cabeça,
nos élitros e na face ventral. Antenas com longos cílios eretos e esparsos. Pontuação
inaparente na cabeça e no pronoto; nos élitros fina e suborganizada em fileiras lon-
gitudinais.
Dimensões, em mm, (2?). Comprimento total, 6,4; comprimento do protörax,
1,1; maior largura do protórax, 1,5; comprimento do élitro, 4,6; largura umeral, 1,9.
Material examinado. BOLÍVIA. (Santa Cruz?): Gutierrez (Nueva Moka), 1 (22), 111.1955,
Prosen col. (MZSP, holótipo).
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):71-83, 22 dez. 1989
Revisão das espécies Sul-americanas. .. 79
A etiqueta de procedência menciona “Nueva Moka (Gutierrez)”. Este topô-
nimo existe nas províncias de Santa Cruz e Chuquisaca. Parece-nos que o material
coligido por Prosen refere-se à província de Santa Cruz.
Discussão. Segundo exame do diapositivo do cótipo (MNHN) e da descrição,
E. cincticornis (não examinada) é próxima de E. humeralis que difere: pela ausência
de pubescência branca na fronte e atrás dos lobos oculares; pelo pronoto inteira-
mente pubescente; pelo escapo bicolor; por apresentar apenas o antenômero V
branco e pelos ümeros e margens elitrais amareladas. Em £. cincticornis: região en-
tre tubérculos anteníferos e atrás dos lobos oculares revestida de pubescência bran-
ca, densa; pronoto com pubescência branca apenas nos lados; escapo preto; antenô-
mero V e ápice do antenömero IV, brancos; élitros pretos.
Erana cincticornis Bates, 1866
Erana cincticornis BATES, 1866:431.
Originalmente descrita de Ega (hoje Tefé), Amazonas, Brasil. É a única espé-
cie do gênero que apresenta o antenömero V e o ápice do antenömero IV brancos, a
pubescência branca do pronoto situada nos lados, élitros escuros, unicolores e fêmu-
res amarelados. Examinou-se dois exemplares procedentes da Guiana Francesa com-
parados com o tipo por G. Tavakilian (Centro ORSTOM de Cayenne).
Material examinado. GUIANA FRANCESA, Kaw (route de Kaw, km 34), 19, 13.11.
1983, B. Geoffroy col. (armadilha luminosa); St. Laurant du Maroni (route d'Apatou, km 10),
19, 8.V1.1986, E. Riley & Rider col. (armadilha luminosa) (MNHN).
AGRADECIMENTOS
A Renato Contin Marinoni, Universidade Federal do Paraná, pelo empréstimo da coleção
de diapositivos de tipos feitos por J.S. Moure e a Sérvio T. Pires Amarante pela execução das
fotografias.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AURIVILLIUS, C. 1923. Coleopterorum Catalogus, pars 74, Cerambycidae, Lamiinae. Berlin,
W. Junk. p.323-704.
BATES, H.W. 1866. Contributions to an insect fauna of the Amazon Valley. Coleoptera:
Longicornes. Ann. Mag. Nat. Hist., London, 17(3):425-35.
——, 1874. Supplement to the longicorn Coleoptera of Chontales, Nicaragua. Trans.Ent.
Soc. London, London, 1874:219-35.
——. 1881a. Biologia Centrali-Americana. Insecta, Coleoptera 5. London. p.153-224, est.12-5.
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——.. 1881b. Notes on longicorn Coleoptera. Revision of the Aerenicides and Amphionychides
of Tropical Americana. Ann. Mag. Nat.Hist., London, 8(5):142-52; 196-204; 290-306.
BRUCH, C. 1911. Longicornios argentinos nuevos o poco conocidos. Il. Revta.Mus. La Piata,
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LACORDAIRE, J.T. 1872. Genera des Coléoptêres... Paris, Librairie Encyclopédique de
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THOMSON, J. 1860. Essai d'une classification de la Famille Cerambycidae... Paris. 404p.
3est.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):71-83, 22 dez. 1989
Revisão das espécies Sul-americanas. .. 81
Figs. 1-3: 1. Erana longiscapus (Bates), O, cabeça, lateral. Metafêmures, S; 2. E. ciliata
Fisher; 3. E. meyeri, sp.n. Escala = imm.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):71-83, 22 dez. 1989
82 MARTINS, U.R. & MARIA H.M. GALILEO
Figs 4-7: 4. Erana longiscapus (Bates), d (de Passa Quatro, Minas Gerais, Brasil); 5. E.
argentina (Bruch), ? (de Tucumán, Argentina); 6. E. pallidula, sp.n., parátipo ? (de Chapada
dos Guimarães, Mato Grosso, Brasil); 7. E. ciliata Fischer, d (de Nova Teutônia, Santa Catarina,
Brasil).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):71-83, 22 dez. 1989
Revisão das espécies Sul-americanas. .. 83
Figs. 8-10: 8. Erana meyeri, sp.n., parátipo O (de Parecy Novo, Rio Grande do Sul, Bra-
sil); 9. E. diana, sp.n., holótipo $ (de Dianópolis, Goiás, Brasil); 10. E. humeralis, sp.n., holóti-
po (2?) (de Nueva Moka, Bolívia).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):71-83, 22 dez. 1989
Fin Mi A, Eca longos Vuc),
a E, Sa ra or mreoipemriaaom
2 reg
a estala
SIMULIDAE (DIPTERA, CULICOMORPHA) NO BRASIL. IX. S/-
MULIUM (INAEQUALIUM) NOGUEIRA! D'ANDRETTA & GONZÁ-
LEZ, 1964.*
V. Py-Daniel**
Gilson R.P. Moreira ***
ABSTRACT
Adults and pupa of Simulium (Inaequalium) nogueirai D'Andretta & González, 1964 are
revised, and larva is described for the first time. This species, up to now, had been collected
only at the Hydrogeological Province of the Oriental Shield, Southeast subprovince.
INTRODUÇÃO
D'ANDRETTA & GONZÁLEZ (1964) descreveram S. nogueirai com mais
duas espécies (S. itaunensis e S. jundiaiensis).
O material-tipo de S. nogueirai não foi encontrado junto ao das outras duas
espécies (na coleção entomológica do Departamento de Parasitologia do Instituto
de Ciências Biomédicas, Universidade de São Paulo).
Esta revisão baseia-se unicamente na comparação do material coltado em San-
ta Catarina com a descrição original.
Não consideramos a série-tipo (holótipo: fêmea ex-pupa, nº 858; alótipo: ma-
cho ex-pupa, nº 859; fêmea nº 857) como perdida, mas apenas em lugar desco-
nhecido.
COSCARÓN & WYGODZINSKY (1984) ao descreverem o subgênero /nae-
qualium não colocaram S. nogueirai como inclusa no mesmo, no entanto COSCA-
RÓN (1987) o faz.
* Trabalho financiado, em parte, pelo CNPq, processo nº 400.336-88.0 (G.R.P.M.).
** INPA/MCT, C. Postal 478, 69000, Manaus, AM.
*** EMPASC, C. Postal 277, 88300, Itajaí, SC.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):85-95, 22 dez. 1989
86 PY-DANIEL, V. & GILSON R.P. MOREIRA
Observando os desenhos da descrição de S. nogueirai o que aparentemente po-
deria ser interpretado como erro de técnica (espinho apical do distímero fendido),
na realidade, após examinarmos este caracter para a grande maioria das espécies de
Inaequalium e Psaroniocompsa Enderlein, 1934, constatamos que é comum a estes
subgêneros e que serve como possível diagnóstico diferenciativo destes com os de-
mais subgêneros neotropicais.
A incisão apical do espinho do distímero muitas vezes, dependendo da posi-
ção do distímero na preparação lâmina/lamínula, torna-se pouco visível. Para me-
lhor visualização, o distímero deverá ser montado lateralmente e não ventral/dorsal
como de costume.
Além deste novo caracter, existem outros que devem passar a diagnose sub-
genérica de /naequalium: fêmeas com setas na veia alar Sc e machos sem setas na
Sc; segmentos I e Ill da antena larval mais escurecidos que o Il; 1 + 1 áreas escleroti-
zadas laterais ao esclerito anal com a região anterior (que envolve-os braços anterio-
res) mais larga que a posterior.
Simulium (Inaequalium) nogueirai D'ANDRETTA & GONZÁLEZ, 1964
Similium (Inaequalium) nogueirai D'ANDRETTA & GONZÁLEZ, 1964: 103-106, 111; VUL-
CANO, 1967: 17; COSCARÓN, 1987: 21.
Fêmea. Coloração geral preta. Comprimento do corpo, 1,63-1,76mm (espé-
cimens secos); comprimento da asa, 2,00mm.
Cabeça enegrecida. Fronte, clípeo e ocipício com pruinosidade cinza-esver-
deada. Peças bucais castanho-enegrecidas. Antenas (fig. 10) com escapo, pedicelo e
primeiro segmento do flagelo (e algumas vezes a metade basilar do segundo) casta-
nho-alaranjados, o resto do flagelo castanho-enegrecido; flagelo com pilosidade cur-
ta de cor amarela-esbranquiçado. Comprimento das antenas, 0,48-0,49mm. Triän-
gulo fronto-ocular (fig.6). Fronte (fig.4) desde tão larga quanto alta até pouco mais
alta, IF = 0,96-1,07. Áreas fronto-oculares subtriangulares (fig. 4) sem suturas infra-
frontais. Cibário (fig.5) com os braços laterais esclerotizados, com elevação da por-
ção mediana e dentes conspícuos. Segmento apical (V) do palpo maxilar maior ou
igual ao dobro do comprimento do segmento (IV) (fig.9). Vesícula sensorial (fig.8)
do palpo maxilar alongada e diâmetro igual a metade da largura do segmento Ill.
Maxilas e mandíbulas com dentes em ambas as bordas. Maxila com 26-27 dentes
(10/1/15-16); mandíbula com 6-7 dentes na borda externa e 27-30 na interna. Me-
sonoto preto (fig. 1), com pilosidade amarela por toda a sua extensão, com pruinosi-
dade acinzentada que muda de posição e forma dependendo da variação do ângulo
de incidência da luz (as áreas longitudinais apresentam-se fracamente evidentes e até
mesmo inaparentes; quando a maioria das setas caem, aparecem mais nitidamente:
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):85-95, 22 dez. 1989
Simulidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil... 87
com luz frontal (fig. 2), com luz ântero-transversa (fig. 3). Umeros castanhos-enegre-
cidos, com pruinosidade nacarada esparsa. Escutelo castanho-enegrecido, circunda-
do por setas amarelas ou pretas (dependendo do ângulo de incidência da luz, ocorre
a mudança de reflexão de cor). Posnoto preto, com pruinosidade nacarada, glabro.
Mesepisterno, catepisterno e mesepímero pretos, com pruinosidade acinzentada es-
parsa. Sulco mesepisternal evidente. Catepisterno mais largo que alto. Asas com as
veias castanho-claras; Sc com 14-16 setas; Ri com espinhos aparecendo apenas nos
3/4 apicais, o 1/4basilar apenas com setas; Rs com setas por toda a sua extensão;
seção basilar do radius com setas dispostas em apenas 1 fileira (fig. 11). Forma, pro-
porção e disposição da pigmentação das pernas (figs. 15-17). Coxa, trocanter e fêmur
do primeiro par de pernas (fig. 15) castanho-enegrecidos; tíbia anteriormente prui-
nosa-nacarada e posteriormente com os 4/5 basilares castanho-enegrecidos e o 1/5
apical preto; tarsos pretos. Coxa do par mediano (fig. 16) preta; trocanter e fêmur
castanhos; tíbia com 1/2 basilar branco-amarelados (dependendo do ângulo de inci-
dência de luz, pruinoso) e 1/2 apical castanho-preto; basitarso com os 3/4 basilares
branco-amarelados com pruina nacarada e o 1/4 apical preto; tarsos pretos. Coxa do
par posterior (fig. 17) preta, com pruinosidade nacarada esparsa; trocanter e fêmur
castanho-enegrecidos; tíbia com o 1/3 basilar branco-amarelado, com pruina nacara-
da e o 1/3 basilar preto; basitarso com os 3/4 basilares branco-amarelado com prui-
na nacarada e o 1/4 apical preto. Calcipala e pedisulco (fig. 13) bem desenvolvidos;
calcipala tão larga quanto longa, alcançando (e ultrapassando) o pedisulco. Unhas
das garras tarsais (fig. 7) com dente sub-basilar. Fêmures e tíbias de todas as pernas
com setas espatuliformes entremeadas com setas filiformes. Abdome negro, com
1+1 áreas nacaradas no tergito Il, tergito Ill aveludado, tergitos IV-VIII com bri-
lho céreo (predominantemente nas regiões das placas tergais). Oitavo esternito com
1+1 áreas com 34-35 setas, sendo que algumas delas podem aparecer inseridas na
base das gonapófises (fig. 14); gonapófises subtriangulares com abundantes micro-
tríquias e com a borda interna esclerotizada. Paraproctos e cercos (fig. 12). For-
quilha genital com o processo mediano bem esclerotizado. Espermateca oval, com
espículas internas, e com a base (pequena área semicircular) e o ducto espermático
membranosos.
Macho. Coloração geral preta. Comprimento do corpo: 1,56-1,70mm (espé-
cimens secos). Comprimento da asa: 1,88-1,93mm. Cabeça enegrecida. Fronte e cli-
peo com pruinosidade cinza esverdeada. Peças bucais castanho-escuras. Segmento
apical (V) do palpo maxilar (fig. 20) de comprimento menor que o dobro do seg-
mento IV; vesícula sensorial (fig. 22) subglobular, menor e com menos tubérculos
que na fêmea. Antena (fig.21) com escapo, pedicelo e primeiro segmento do flagelo
castanho-alaranjados, o resto do flagelo castanho-enegrecido; flagelo com pilosidade
curta e de cor amarelo-esbranquiçado; comprimento das antenas 0,47 mm. Mesono-
to preto apresentando, sob variações no ângulo de incidência da luz, áreas nacara-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):85-95, 22 dez. 1989
88 PY-DANIEL, V. & GILSON R.P. MOREIRA
das: com luz ântero-lateral transversa (fig. 19) aparecem 1+1 faixas laterais que se
unem posteriormente a uma faixa nacarada e anteriormente a 1+1 manchas naca-
radas dorsais; com luz incidindo lateralmente (fig. 18) aparecem as mesmas áreas
nacaradas, mas mais reduzidas; mesonoto com pilosidade amarela por toda a sua ex-
tensão. Umeros pretos com pruina nacarada. Escutelo castanho, circundado por se-
tas amarelas ou pretas (dependendo do ângulo de incidência da luz as setas mudam
de cor). Posnoto preto, com pruinosidade nacarada, glabro. Mesepisterno, catepis-
terno e mesepímero pretos com pruinosidade nacarada esparsa. Asas (fig.23):
Sc sem setas; R1 com espinhos (apenas 1 seta no ápice basilar); Rs apenas com
setas nos 2/3 distais; seção basilar do radius com uma única fileira de setas. Asas
com veias castanho-claras. Coxa, trocanter e fêmur do primeiro par de pernas (fig.
30) castanho-enegrecidos, tíbia anteriormente pruinosa-nacarada e posteriormente
com os 4/5 basilares castanho-enegrecidos e o 1/5 apical preto; tarsos pretos. Coxa
do par mediano (fig. 31) preta, trocanter e fêmur castanho-enegrecidos, tíbia com
1/2 basilar branco-amarelo (dependendo da incidência de luz, pruinoso) e 1/2 apical
castanho-enegrecido; basitarso com os 3/4 basilares branco-amarelo e o 1/4 apical
preto, o resto dos tarsos pretos. Coxa do par posterior (fig. 32) preta, com pruinosi-
dade nacarada esparsa; trocanter e fêmur castanho-enegrecidos; tíbia com o 1/3 ba-
silar branco-amarelado, com pruina nacarada e o restante castanho-preto; basitarso
com os 2/3 basilares branco-amarelados com pruina nacarada e o 1/3 apical preto.
Calcipala e pedisulco (fig. 24) bem desenvolvidos; calcipala tão larga quanto longa,
alcançando (e ultrapassando) o pedisulco. Relação comprimento/largura do basitar-
so posterior = 5,2-5,3,. Fêmures e tíbias de todas as pernas com setas espatulifor-
mes, entremeadas com setas filiformes. Abdome preto: tergitos Il e V-VIll com
1+1 áreas nacaradas laterais. Tergito IX totalmente coberto por pruina nacarada.
Esternitos esbranquiçados com pruina nacarada esparsa. Basímero tão largo quanto
longo (fig. 29) e mais longo que o distímero. Distímero mais longo que largo, sub-
retangular, com 1 espinho pré-apical (fig. 25) apresentando uma fissura no cume.
Placa ventral (fig. 26). Esclerito mediano apresentando uma pronunciada incisão me-
diana e com a porção central alargada (fig. 28). Dentes dos endoparâmeros cons-
pícuos (fig. 27).
Pupa. Comprimento do casulo, dorsal, 2,5-2,8mm; ventral, 2,9-3,4mm.
Comprimento máximo dos filamentos branquiais, 2,5-3,0mm. Proporção entre o
comprimento ventral do casulo/máximo comprimento dos filamentos branquiais
(CVC/MCFB), 1:0, 90-0,96. 2
Casulo em forma de “chinelo” (fig.33), com a borda anterior reforçada; te-
cido de coloração castanha e malhas bem evidentes. Brânquias cinza-claras, rendilha-
das, compostas de seis filamentos terminais (figs. 36, 40) finos e longos (da base co-
mum partem dois troncos principais curtos: o dorsal, mais curto que o ventral, se
bifurca, dando dois ramos secundários, que por sua vez também se bifurcam, num
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):85-95, 22 dez. 1989
Simulidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil... 89
SC A DA 4
total de 4 filamentos terminais (normalmente o secundário dorsal se bifurca mais
acima que a bifurcação do mediano, mas raramente pode bifurcar-se mais abaixo,
fig. 39); o ventral se bifurca dando mais 2 filamentos terminais. Tórax e cabeça com
tubérculos semicirculares. Ornamentação do frontoclípeo (fig. 35) com tubérculos,
com 1+1 tricomas faciais longas, bifidas e/ou trífidas e com 2+2 tricomas frontais,
longas, bífidas e/ou trífidas, sem tricomas epicraniais. Tórax (fig. 34) com quetota-
xia sendo 5+5 tricomas centro-dorsais de 3-7 ramos, 3+3 tricemas laterais simples
(as 1+1 tricomas mais superiores, muito pequenas) e 1+1 tricomas supralaterais
simples. Tergitos abdominais (fig. 37) membranosos; tergito | com 1+ 1 setas longas,
filiformes, fronto-laterais; tergitos |-V sem denticulos fronto-laterais; tergito II com
5+5 setas espiniformes, conspicuamente esclerotizadas, na região posterior (sendo
4+4 com o ápice no sentido longitudinal do abdome e 1+ 1 setas transversais e fron-
tais no espaço entre as setas longitudinais mais externas e a sua lateral); tergitos
H1-1IV com 4+4 ganchos simples na região posterior e 1+1 setas espiniformes,
transversais, frontais ao espaço interganchos externos; tergito V-VIl com 3+3 setas
espinifiliformes no terço posterior, tergito VIII com 2+2 setas; tergitos VI-IX com
1+ 1 áreas anteriores apresentando dentículos (pequenos e grandes). Espinhos termi-
nais do abdome pequenos, agudos. Esternitos IIl-VIIl (fig.38) com áreas anteriores
com espinhos em forma de pente, pequenos. Segmentos esternal Ill com 2+2 setas,
simples, espini-filiformes látero-anteriores. Segmento esternal IV com 3+3 setas
simples, espini-filiformes. Placas esternais do segmento V com 2+2 ganchos bífidos,
muito próximos, e com 2+2 setas espini-filiformes laterais aos ganchos mais exter-
nos. Segmentos esternais VI-VIl com 2+2 ganchos (os externos simples, os inter-
nos bífidos) e 3+3 setas espinifiliformes. Nas membranas intersegmentares (tanto
do tergitos como dos esternitos) aparecem 1+1 setas, muito pequenas, simples.
Aparecem áreas esclerotizadas nas estrias membranosas (intra e intersegmentos).
Larva. Coloração geral cinza-clara, com faixas segmentares mais escuras (ma-
terial no álcool). Comprimento do corpo, 4,3-5,0mm. Máxima largura da cásula ce-
fálica, 0,64-0,68mm.
Contorno do corpo (fig. 41). Não foram observadas setas cuticulares, abdomi-
nais. Apódema cefálico (fig. 46) castanho com setas (fig. 45) simples, pequenas.
Manchas da cabeça negativas; apódema apresentando, normalmente, um desenho
como na fig. 46 (mas podem aparecer variações onde os prolongamentos anteriores
são maiores). Antenas ultrapassando os ápices das hastes dos leques cefálicos. Pro-
porção entre os segmentos antenais |: Il: Ill = 1:0,89-0,95; 1,08-1,31 (figs.44, 47),
ou seja, Ill > I > Il, os segmentos |-Ill mais escuros que o segundo. Leques cefáli-
cos normais com 37-40 raios. Raios dos leques cefálicos com uma larga mancha
mais escurecida, na região basilar. Escleritos cervicais (fig. 46) elipsóides, pequenos e
livres na membrana. Hipostômio (fig.49) com 5+5 setas laterais e 2+2 setas no dis-
co. Dentes hipostomiais: 1+1 dentes pontas, 1 dente central, 3+3 dentes interme-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):85-95, 22 dez. 1989
90 PY-DANIEL, V. & GILSON R.P. MOREIRA
diários (os dentes medianos podem ser menores ou iguais aos externos/internos),
com 2+2 dentes laterais e 3-5 serrilhas; os dentes central, pontas e intermediários
apresentam uma projeção basilar. Fenda gular (fig, 48) profunda, mais longa que a
Ponte Pré-gular (proporção entre a Ponte Pré- -gular e Fenda Gular = 1:1,71-2,24) e
subtriangular. Proporção entre a Ponte Pré -Gular/Hipostömio = 1:2,25-2,4. Escleri-
to labral (fig.50). Mandíbula (fig.52) com 2 dentes externos; 1 dente apical (com
6-7 pequenos nódulos äntero-laterais); 56 dentes pré-apicais decrescentes no sen-
tido ântero-posterior; 3 fileiras de dentes internos (inferior, 9-10 dentes; mediana,
5-6 dentes; superior, 4 dentes); 2 dentes marginais (o segundo menor que o primei-
ro); sem setas supramarginais; com 1 PLM (processo látero-mandibular) simples, re-
tilíneo ou curvo/sinuoso com o ápice alcançando ou ultrapassando a margem infe-
rior da mandíbula. Esclerito lateral do pseudópodo (fig.51). Na fase final do últi-
mo estádio o abdome apresenta mais nitidamente 1+1 tubérculos Posteriores Late-
rais subtriangulares (menores) associados a 1+1 tubérculos Posteriores Ventrais
também subtriangulares, mas maiores (figs. 42, 43). Esclerito anal (fig. 54). Setas
peri-anais (fig.53) presentes, com forma desde simples até multicúspide. Disco
anal com 77-78 fileiras de ganchos e com 12-15 ganchos por fileira. Brânquias
anais compostas de 3 ramos com 3-4 (4/3/4) lóbulos em cada um.
Bionomia. As larvas de S. (/.) nogueirai foram coletadas em criadouros com
ou sem incidência de luz solar, em altitudes entre 100-300m. Não foram observadas
fêmeas picando seres humanos durante as coletas.
Material examinado. BRASIL. Santa Catarina: Joinville, (córrego Tromn, afluente do
Rio da Prata, 190m de altitude), EMPASC 101-3 (pupa no álcool/macho em lâmina), 101-8
(pupa no älcool/macho em alfinete), 101-13 (pupa no älcool/macho em lâmina), 101-17 (pupa
no álcool/macho em lâmina), 29.V111.1984, Moreira, G.R.P. & Sato, G. col.; 106-1 (pupa no
álcool/fêmea em alfinete), 106-2 (pupa no älcool/f&mea em alfinete), 12.1X.1984, Moreira &
Sato col.; (260m de altitude), 107-2 (pupa no älcool/f&mea alfinete), 107-4 (pupa/fêmea em lä-
mina), 107-7 (pupa no älcool/macho em alfinete), 107-9 (pupa no álcool/fêmea em alfinete),
12.1X.1984, Moreira & Sato col.; (190m de altitude), 112-36 (várias larvas no álcool), 03.X.
1984, Moreira & Sato col.; (270m de altitude), 113-8 (várias larvas no álcool), 03.X.1984, Mo-
reira & Sato col.; (260m de altitude), 119 (várias pupas no álcool), 119-1,2,3 (3 larvas em lämi-
na), 22.X1.1984, Moreira, G.R.P. & Sato, G. & Bernardi, M. col.; 147 (várias larvas e pupas no
álcool), 14.111.1985, Pegoraro, R. & Sato & Bernardi col.; 253 (várias pupas no álcool), 253-1,
2,3 (3 pupas em lâmina), 04.11.1988, Morejra & Pegoraro col.; 257 (várias exúvias pupais e ca-
sulos no álcool), 257-1,2,3,4 e 5 (5 pupas em lâmina), 19.11.1988, Moreira & Pegoraro col.
O material está depositado na Empresa Catarinense de Pesquisas Agropecuárias S.A.
(EMPASC), exceto os números EMPASC 101, 106-1, 107-9, 112-36 que passaram para a cole-
ção do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/ENTOMOLOGIA) sob os números
6197-1,2,3,4 respectivamente.
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Simulidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil... 91
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COSCARÓN, S. 1987. El género Simulium Latreille en la región neotropical: análisis de los
grupos supraespecíficos, espécies que los integran y distribuición geográfica (Simuliidae,
Diptera). Belém Museu Paraense Emílio Goeldi. 112p.
COSCARÓN, S. & WYGODZINSKY, P. 1984. Notas sobre simülidos neotropicais VII. Sobre
los subgéneros Psaroniocompsa Enderlein y /naequalium, subgen.nov. Arq.Zool., São Pau-
lo, 43(1-4):283-325.
D'ANDRETTA JR.,C. & GONZÁLEZ, D.B. 1964. Três novas espécies brasileiras de Simuliidae
(Diptera, Nematocera). Mem. Inst. Butantan, São Paulo, 30 (1060-2):103-16.
VULCANO, M.A. 1967. Family Simuliidae. São Paulo, Secret. da Agricultura, Departamento
de Zoologia. 44p. (A Catalogue of the Diptera of the Americas South of the United Sta-
tes, 16.)
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):85-95, 22 dez. 1989
92 PY-DANIEL, V. & GILSON R.P. MOREIRA
y
)
1.5)
j
135.
Arc
Figs.1-17: FÊMEA. Simulium (Inaequalium) nogueirai: 1. mesonato com luz lateral;
2. mesonoto com luz frontal; 3. mesonoto com luz äntero-transversa; 4. fronte e áreas fronto-
oculares; 5. cibário; 6. triângulo fronto-ocular; 7. unha da garra tarsal do terceiro par de per-
nas; 8. vesícula sensorial do segmento Ill do palpo maxilar; 9. palpo maxilar; 10. antena;
11. veias alares costa, subcosta e secção basilar do rádio; 12. cerco e paraprocto; 13. calcipala
e pedisulco; 14. oitavo esternito abdominal e gonapófises; 15. perna anterior; 16. perna media-
na; 17. perna posterior.
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Simulidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil... 93
Figs. 18-32: MACHO. Simulium (Inaequalium) nogueirai: 18. mesonoto com luz lateral;
19. mesonoto com luz ântero-lateral transversa; 20. palpo maxilar; 21. antena; 22. vesícula
sensorial do terceiro segmento do palpo maxilar; 23. veias alares costa, subcosta e secção ba-
silar do rádio; 24. calcipala e pedisulco; 25. distimero, a = espinho pré-apical; 26. placa ven-
tral; 27. endoparâmeros; 28. esclerito mediano: 29. basímero; 30. perna anterior; 31. perna
mediana; 32. perna posterior.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):85-95, 22 dez. 1989
94 PY-DANIEL, V. & GILSON R.P. MOREIRA
Figs. 33-40: PUPA. Simulium (Inaequalium) nogueirai: 33. casulo lateralmente; 34. tó-
rax com tubérculos e tricomas; 35. fronto-clípeo; 36. brânquia; 37. tergitos abdominais; 38. es-
ternitos abdominais; 39 e 40. bases de diferentes brânquias.
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):85-95, 22 dez. 1989
Simulidae (Diptera, Culicomorpha) no Brasil... 95
Figs. 41-54: LARVA. Simulium (Inaequalium) nogueirai: 41. vista lateral e dorsal; 42 e
43, vista lateral e ventral do ápice posterior do abdome, tv = tubérculos ventrais, t1 = tubércu-
los lateiras; 44, 47. antenas; 45. setas do apódema; 46. cabeça e escleritos cervicais; 48. hipos-
tômio, ponte pré-gular e fenda gular (= fg); 49. hipostômio; 50. esclerito labral; 51. esclerito
lateral do pseudópodo; 52. ápice da mandíbula; 53. setas peri-anais (=spa); 54. esclerito anal.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):85-95, 22 dez. 1989
1,
- BM virose iron
e e ii NEE ONE 1 110 uns ERTRAGEN corro more im lá via
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1
a,
REDESCRIPTION OF ANYPHAENA SIMONII BECKER, 1878 FROM
PECTOROSA GROUP (ARANEAE, ANYPHAENIDAE).*
Antonio Domingos Brescovit * *
Arno Antonio Lise***
ABSTRACT
The holotype of Anyphaena simonii Becker, 1878 is redescribed and illustrated. For the
presence of knobs on the coxae Il and spurs on the coxae Ill and IV, A. simonii is included
in the pectorosa group.
INTRODUCTION
The genus Anyphaena Sundevall, 1833 includes about 55 species and is
known by its holartic distribution. PLATNICK (1974) established four groups of
species: the celer, pectorosa, pacifica and accentuata group.
The pectorosa group includes the following species: A. pectorosa L. Koch,
1866, A. alachua Platnick, 1974, A. /acka Platnick, 1974, 4. fraterna (Banks, 1896).
A. simonii is included in the pectorosa group and here redescribed because of
the poor ilustration and the few diagnostic characters provided by BECKER (1878)
in the original description.
MATERIAL AND METHODS
Only the male holotype from the “Institut Royal des Sciences Naturelles de Belgique
(IRSN), Brussels was examined. All measurements provided are in millimeters.
* Accepted for publication on 01.1X.1989. FZB contribution nº 370.
** Pós-Graduação Zoologia, Universidade Federal do Paraná, Caixa Postal 19020, 80001,
Curitiba, Paraná, Brasil; Bolsista CNPq, Mestrado, proc. nº 830199/89-6.
*** Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal
1188, 90001, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):97-100, 22 dez. 1989
98 BRESCOVIT, A.D. & ARNO ANTONIO LISE
The format of the redescription follows that of PLATNICK & SHADAB (1975), with
few modifications.
Abbreviations: AME, anterior median eyes; ALE, anterior lateral eyes; PME, posterior
median eyes; PLE, posterior lateral eyes and MOO, median ocular quadrangle.
Anyphaena simonii Becker, 1878:
(Figs. 1-9)
Anyphaena simonii BECKER, 1878: 78-79, pl. Il, figs. 7-10, male holotype from Guanajuato,
Mexico, E. Dugés col. in the IRSN; BERTKAU, 1878: 329; ROEWER, 1954: 527.
Anyphaena simoni; PICKARD-CAMBRIDGE, 1900: 98; PETRUNKEVITCH, 1911: 447;
BONNET, 1955: 348.
Diagnosis. Anyphaena simonii is closest to A. pectorosa, A. alachua and
A. lacka but may be distinguished from them by the reduced curvature of the me-
dian apophysis, by its short lightly serrate tip and by the presence of a long up-
turned tibial apophysis on the palpus (figs.6-9). It is distinguished from 4. fraterna
by the presence of biphid spurs on the coxae III (figs. 4-5) and the greater width of
the median apophysis (figs. 8-9).
Description. Male (holotype): Nearly colorless but, according to the original
description, its color is almost alike to the ones found in the species of the pecto-
rosa group.
Total lenght 4.60. Carapace: 2.15 long, 1.70 wide and 0,82 thick. Clypeus:
0.09 high, equal to the diameter of the AME. Eyes: anterior ocular row recurved,
0,46 wide, posterior row procurved, 0.66 wide. Ocular diameters: AME 0.09,
ALE 0.11, PME 0.12 and PLE 0.12. Interdistances: AME-AME 0.05, AME-ALE
0.04, PME-PME 0.11, PME-PLE 0.08, ALE-PLE 0.06. MOO: anterior width 0.22,
posterior width 0.36, length 0.32.
Sternum: 1.05 long, 0.95 wide. Chelicerae straight, 0,70 long, with 7 denticles
on the retromargin and 4 teeth on the promargin. Endites with two notches on the
external margin, the posterior one deeper, and the labium notched on the anterior
margin.
Abdomen: 2.50 long, 1.65 wide. Tracheal spiracle recurved, almost in the
middle, 0.77 apart from the epigastric furrow and 0.80 from the base of the spinne-
rets.
Leg formula 1,4,2,3. Second coxae with blunt knobs, third with bifid spurs
and fouth with blunt hooklike spurs (figs. 4-5).
Palpus: as in figures 6-9.
Female: unknown.
Distribution: know only from the type-locality, Guanajuato, Mexico.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):97-100, 22 dez. 1989
Redescription of Anyphaena simonii... 99
Note. The holotype is damaged, missing all the legs so it is impossible to give
their measures and spination. BECKER (1878) gave the ‘following leg measures:
| 0.12, IV 0.10, Il 0.08, and Ill 0.05, all noted in millimeters. The legs’ length is
very short in relation to the body length (4.60). Therefore it is highly probable that
the measures published by becker are wrong.
ACKNOWLEDGMENT
To Dr. L. Baert (IRSN), for “the loan of the holotype; to Rainer Radtke for suggestions
and corrections of the English.
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):97-100, 22 dez. 1989
100 BRESCOVIT, A.D. & ARNO ANTONIO LISE
0,5 mm
Figs. 1-9. Anyphaena simoni Becker, 1878, male holotype: 1.Dorsal view; 2. ventral
view; 3. lateral view; 4-5. coxae: 4. Ill and IV, posterior view; 5. |I-IV, ventral view; 6-9. palpi:
6. ventral; 7. dorsal; 8. retrolateral; 9. prolateral. (Scale lines = 0,5mm)
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):97-100, 22 dez. 1989
DUAS NOVAS ESPÉCIES DE THERIDIIDAE (ARANEAE) DOS
GÊNEROS CEROCIDA E ECHINOTHERIDION DO AMAZONAS,
BRASIL.“
Maria Aparecida L. Marques * *
Erica Helena Buckup **
ABSTRACT
The Theridiidae spiders Cerocida ducke, sp.n. and Echinotheridion lirum, sp.n. from
Amazonas, Brazil are described and illustrated.
INTRODUÇÃO
SIMON (1894) estabelece o gênero Cerocida, monotípico, para Cerocida stri-
gosa, com base em fêmea procedente da Venezuela. LEVI & LEVI (1962) caracte-
rizam o gênero, ilustrando o palpo do macho e LEVI (1963b) redescreve a espé-
cie-tipo.
O gênero Echinotheridion, proposto por LEVI (19634), só para fêmeas, con-
tém quatro espécies: Echinotheridion cartum Levi, 1963 (espécie-tipo) do Paraguai
e sudeste do Brasil, E. otlum Levi, 1963 do Equador, E. utibile (Keyserling, 1884)
do Brasil (Amazonas) e £. elicolum Levi, 1963 da Venezuela. Posteriormente, LEVI
(1980) descreve o macho de E. cartum.
Estudando aranhas Theridiidae colecionadas na Reserva Ducke do Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia, encontramos espécie nova dos gêneros Ceroci-
da e Echinotheridion.
Abreviaturas usadas no texto: OMA, olhos médios anteriores; OLA, olhos
laterais anteriores; OMP, olhos médios posteriores; OLP, olhos laterais posteriores;
INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus; MCN, Museu de
Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
* Aceito para publicação em 01.1X.1989. Contribuinção FZB nº 369.
** Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotänica do Rio Grande do Sul; Caixa Postal
1188; 90610, Porto Alegre, RS, Brasil.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):101-107, 22 dez. 1989
102 MARQUES, M.A.L. & ERICA HELENA BUCKUP
Cerocida ducke, sp.n.
(Figs. 1-6)
Tipos. Holótipo d, INPA, (Reserva Ducke), Manaus, Amazonas, Brasil, 18.X11.1987, J.
Vidal leg. Parátipos: (todos da localidade-tipo e mesma data de coleta do holötipo) 2 9, INPA,
1 d, MCN 18245, J. Vidal leg.; 2 ?, MCN 17782, E.H. Buckup leg.
Etimologia. O nome específico em aposição é um substantivo em referência
ao topônimo Reserva Ducke, a localidade tipo.
Diagnose. Machos de Cerocida ducke distinguem-se dos de C. strigosa pelo
êmbolo de menor comprimento, emergindo mais abaixo, em percurso que não
atinge às margens do címbio (figs. 2-4). As fêmeas têm epígino com placa mais larga
e aberturas de fecundação mais afastadas (fig.5). Internamente, os ductos parecem
perfazer três voltas ao redor dos receptáculos seminais (fig. 6).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça, esterno, quelíceras, endites e lábio
castanho-claros; pernas amarelas, exceto coxas, trocanteres e patelas, amarelo-cla-
ros; palpo com fêmur amarelo-claro, patela e címbio amarelo-escuros; abdômen
branco com manchas, pigmentadas de preto-azulado, no dorso e no ventre, abaixo
da fenda epigástrica.
Carapaça (fig. 1) mais longa do que larga, suboval, largura maior junto às co-
xas Il, estreitando-se para a região posterior sob a forma de um pedúnculo rugoso.
Carapaça e esterno, com textura reticulada, fusionados entre as coxas e na região
peduncular; região torácica levemente elevada com fóvea reduzida, quase inconspi-
cua. Olhos heterogêneos, OMA escuros, os demais perolados. Em vista frontal, fila
anterior levemente recurva; em vista dorsal, fila posterior recurva. Olhos desiguais
em tamanho, OMA os menores. OMP os maiores; OMA circulares, OMP subovais e
olhos laterais subcirculares. Olhos muito próximos entre si. OMA separados um do
outro e dos OLA aproximadamente por um terço de seu diâmetro; OMP conti-
guos, separados dos OLP pela metade de seu menor diâmetro; olhos laterais conti-
guos. Quadrângulo dos olhos médios de largura anterior igual ao comprimento e
menor do que a posterior. Altura do clípeo três vezes o diâmetro dos OMA.
Queliceras, aparentemente, com dois dentes fracamente esclerotinizados na
promargem e nenhum na retromargem. Endites convergentes. Lábio sub-retangular,
mais largo do que longo fusionado ao esterno. Este convexo, com maior largura jun-
to às coxas Il e Ill. Pedicelo com anel esclerotinizado e lorum mediano dorsal.
Abdömen subcircular, mais alto do que longo, liso, com longas cerdas esparsas;
scutum aparentemente incompleto, apenas ventral, não atingindo o dorso do abdö-
men; anel levemente esclerotinizado ao redor das fiandeiras; colulus substituído por
duas cerdas. Pernas longas e delgadas. Palpo (figs.3-4) com patela globulosa, maior
do que a tíbia.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):101-107, 22 dez. 1989
Duas novas espécies de Theridiidae. .. 103
Medidas (mm). Comprimento total 1,52. Carapaça comprimento 0,82, maior
largura 0,44. Abdômen: comprimento 0,55, largura 0,51, altura 0,61. Pernas, 1,2,
4,3. Comprimento I/I1/IIl/IV: Fêmur 0,82/0,65/0,48/0,62; Patela 0,22/0,20/0,18/
0,19; Tíbia 0,62/0,45/0,30/0,48; Metatarso 0,50/0,38/0,28/0,35; Tarso 0,38/
0,35/0,28/0,30; Total 2,54/2.03/1,52/1,94.
Fêmea (parátipo MCN). Carapaça e pernas castanho-avermelhadas, mais es-
curas do que no macho; coxas, trocanteres e patelas amarelo-claros. Olhos desiguais
como no macho. OMA justapostos separados dos OLA por um terço de seu diâme-
tro; OMP contíguos, afastados dos OLP pela metade de seu diâmetro. Altura do
clípeo três vezes o diâmetro dos OMA. Quelíceras com 3 dentes na promargem e ne-
nhum na retromargem. Abdômen com duas placas esclerotinizadas, subovais, uma
de cada lado da região epigástrica. Demais aspectos semelhantes ao macho.
Medidas (mm). Comprimento total 1,82. Carapaça comprimento 0,90,
largura maior 0,48. Abdômen comprimento 0,70, largura 0,72, altura 0,75. Per-
nas 1,2,4,3. Comprimento 1/11/l11//V: Fêmur 0,78/0,65/0,46/0,61; Patela 0,22/
0,20/0,16/0,19; Tíbia 0,56/ 0,42/0,30/0,45; Metatarso 0,44/0,32/0,25/0,35; Tar-
so 0,38/0,35/0,28/0,31; Total 2,38/1,94/1,45/1,91.
Variação. Em quatro fêmeas examinadas, o comprimento da carapaça varia
de 0,82 a 0,90 e do fêmur | de 0,69 a 0,78. Em dois machos, o comprimento da
carapaça é de 0,82 e 0,84 e o fêmur | 0,82, em ambos os espécimes.
Nota. O número de dentes na promargem da quelicera ainda é questioná-
vel. LEVI & LEVI (1962), na caracterização do gênero, registram “provavelmente
sem dentes”. Posteriormente, LEVI (1963b) cita que C. strigosa aparentemente tem
um grande dente na margem anterior. Não foi possível realizar exame minucioso
no holötipo de C. ducke, sp.n., para não danificar o tipo, mas no parátipo foram
observados quatro dentes fracamente esclerotinizados na promargem e nenhum na
retromargem. Nas fêmeas, o número de dentes na margem anterior variou de 3 a 4.
Echinotheridion lirum, sp.n.
(Figs.7-12)
Tipos. Holótipo 9, INPA, parátipo 9, MCN 17781, da Reserva Ducke, Manaus, Amazo-
nas, Brasil, 04.V111.1987, J. Vidal leg.
Etimologia. O nome específico é uma combinação arbitrária de letras.
, Diagnose. A fêmea de E. /irum sp.n. distingue-se das de E. cartum, E. utibile
e E. otlum e assemelha-se a de E. elicolum pelo epígino protuberante, com área
posterior membranosa; separa-se desta espécie, pela placa transversal formando um
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):101-107, 22 dez. 1989
104 MARQUES, M.A.L. & ERICA HELENA BUCKUP
— [www
pequeno septo mediano, com as aberturas do epígino, uma de cada lado (figs. 10-
11). Os receptáculos seminais maiores e a forma dos ductos de fertilização são
diagnósticos (fig. 12). Macho desconhecido.
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça castanho-enegrecida, marcando pa-
dräo em V (fig. 7); estrias torácicas mais escuras. Esterno preto. Pernas pigmenta-
das de preto, exceto coxas, trocanteres e parte da face dorsal dos fêmures, patelas
e tíbias castanho-claros e metatarsos e tarsos castanho-avermelhados. Abdômen pre-
to, exceto, dorsalmente, cinza com alguns pontos brancos, numa estreita faixa me-
diana longitudinal que se alarga em duas barras transversais e em duas grandes áreas
laterais; região posterior com linha mediana longitudinal branca, do alto do abdö-
men até as fiandeiras (fig.8). Ventralmente, com duas pequenas manchas brancas,
uma de cada lado, abaixo da fenda epigástrica. Fiandeiras amarelo-claras.
Carapaça levemente mais longa do que larga, maior largura na coxa Ill, ele-
vando-se suavemente para trás dos olhos; fóvea torácica larga. Olhos anteriores dis-
postos em fila procurva, em vista frontal; olhos posteriores em fila levemente
recurva, em vista dorsal. Olhos subiguais no tamanho, OMA circulares levemente
maiores do que os demais. OMA separados um do outro por três quartos de diâme-
tro e afastados dos OLA por cerca de um quarto do seu diâmetro. Olhos posteriores
equidistantes, afastados entre si por cerca de seu diâmetro; olhos laterais contiguos,
em tubérculos. Quadrângulo dos olhos médios, de largura anterior maior do que o
comprimento e pouco menor do que a posterior. Clípeo proclive, altura cerca de
duas vezes o diâmetro dos OMA. Queliceras robustas, aparentemente sem nenhum
dente nas margens. Enditos convergentes. Lábio mais largo do que longo; sutura es-
ternal nítida. Esterno tão longo quanto largo, de ápice posterior obtuso, afastando
as quartas coxas. Coxas IV com espinho curvo na base mesial (fig.9). Abdômen
suboval, mais alto do que longo, com grandes cerdas esparsas e sem colulus.
Medidas (mm). Comprimento total 2,15. Carapaça comprimento 0,78, maior
largura 0,70. Abdômen comprimento 1,33, largura 1,35, altura 1,51. Pernas 1,4,2,
3. Comprimento 1/11/111/1V: Fêmur | 0,84/0,62/0,51/0,76; Patela 0,37/0,31/0,25/
0,35; Tíbia 0,47/0,36/0,28/0,46; Metatarso 0,64/0,46/0,31/0,49; Tarso 0,49/0,40/
0,36/0,41; Total 2,81/2,15/1,71/2,47.
Variação. Em duas fêmeas examinadas, o comprimento da carapaça é de
0,75 e 0,78e o do fêmur | 0,82 e 0,84.
AGRADECIMENTOS
Aos professores Dr. Victor Py-Daniel e Dr. José Albertino Rafael do Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia que proporcionaram a infra-estrutura indispensável à realização de
expedição de coleta à Reserva Ducke, onde foram coligidos os espécimens.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):101-107, 22 dez. 1989
Duas novas espécies de Theridiidae... 105
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106 MARQUES, M.A.L. & ERICA HELENA BUCKUP
Figs. 1-6. Cerocida ducke, sp.n.; 1-4. macho: 1. carapaça, dorsal; 2-4. palpo: 2. ventral,
3. prolateral, 4. retrolateral; 5-6. fêmea: 5. epígino, ventral, 6. genitália, dorsal (clarificada).
Escalas. 0,1 mm.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):101-107, 22 dez. 1989
Duas novas espécies de Theridiidae... 107
12
11
Figs. 7-12. Echinotheridion lirum sp.n., fömea: 7. carapaga, dorsal; 8. cefalotörax e abdö-
men, lateral; 9. cefalotörax, ventral; 10-11. epigino: 10. ventral, 11. lateral; 12. genitalia, dor-
sal (clarificada). Escalas. 0,1 mm, fig. 10-12; 0,2mm, fig.7,9; 0,5mm, fig.8.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):101-107, 22 dez. 1989
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ALIMENTACION DE PERCICHTHYS COLHUAPIENSIS (MAC DO-
NAGH, 1955) Y P. TRUCHA (GIRARD, 1854) (OSTEICHTHYES,
PERCICHTHYIDAE), EN EL EMBAISE RAMOS MEXIA, PROVIN-
CIA DEL NEUQUEN, ARGENTINA.*
Ricardo A. Ferriz **
ABSTRACT
A comparative study of the diet of largemouth perch — Percichthys colhuapiensis —
and smallmouth perch — P. trucha — in the Ramos Mexia reservoir, Neuquén Province, during
1982 and 1983 was made. The index of relative importance (I.R.l.) showed that the main food
item for adult largemouth perchs throughout the year were fisches, while dominant food small-
mouth perchs were chironomid larvae. On the other hand, diets were discriminated by age,,
showing an increase in the proportion of fishes and a decrease of microcrustaceans for the large-
mouth perch as they grow in size. Cannibalism was dominant for the year group X (ten) of
largemouth perch. For smallmouth perch, microcrustacean dominated the diet during the
first year but for the III (three) year group, chironomids were dominant, a condition that seems
to last for the whole life of this species. Overlap was detected only among the first year groups
of both species.
INTRODUCCION
Las especies del género Percichthys son percoideos característicos de agua
dulce, con una amplia distribución, abarcando ríos y lagos de Patagonia; Ilegando
hasta Mendoza, Argentina, y en Chile desde Valdivia hasta Tierra del Fuego, Argen-
tina y Chile (RINGUELET et al., 1976).
Se presenta un primer intento sistemático para conocer los hábitos tróficos de
estas especies; incluye análisis estacionales de la dieta, variación de la misma según
la talla y superposiciön de las dietas de percas boconas — Percichthys colhuapiensis
(Mac Donagh, 1955) — y percas de boca chica — P. trucha (Girardi, 1854) —, con-
* Aceptado para su publicación el 13.X.1989. Trabajo financiado por el convenio Museo Ar-
gentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia” — Hidronor S.A., Plan de Estudios
Ecológicos.
** Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”; Sección Limnologia. Av.
Angel Gallardo 470 — C.C. 220 — Sucursal 5; 1405 Buenos Aires Rep. Argentina.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):109-116, 22 dez. 1989
110 FERRIZ, R.A.
tribuyendo de esta forma al conocimiento de la biologia de estas especies, que tie-
nen un alto valor comercial pues ocupan un renglón de importancia en las pesque-
rias de agua dulce del área del Comahua (RINGUELET et al., 1976).
MATERIAL Y METODOS
Se analizaron los estómagos de 245 percas boconas y de 295 percas de boca chica, las
cuales fueron capturadas desde la primavera del ano 1982 hasta el invierno del siguiente ano.
Estas capturas se realizaron en tres localidades del embalse Ramos Mexia, Provincia del Neu-
quén. Este embalse fue Ilenado por el cierre del Rio Limay en el ano 1972, se encuentra ubi-
cado entre 39015'-39040' S y 68040'—69020’ W a una altitud de 381m. El clima de la re-
gión es árido mesotermal, temperatura media 120C y una precipitación anual de 200mm
(QUIROS & DRAGO, 1985). Este cuerpo de agua tiene una superficie de 816km? y un volu-
men de 20,2km?, un largo y un ancho máximo de 59,5km y 18,8km respectivamente, el de-
sarrollo de la línea de costa es de 346km. La profundid media es de 24,7m, siendo la máxima
de 60m (LAND-DE-CASTELLO, 1981).
Para la captura de adultos se utilizaron bater ías de redes de espera del tipo agallera, de
distintas aperturas de malla, comprendidas entre los 21 y 70mm de distancia entre nudo y
nudo; las cuales fueron caladas desde la costa hasta los 10m de profundidad. Para la captura de
juveniles se utilizó una red de 3m por 1m, sin copo y de 2mm de apertura de malla.
Se utilizö el índice de importancia relativa (l.R.l.) de PINKAS et al. (1971) para deter-
minar los principales componentes de la dieta, agrupadas por estaciön del ano. Se emplearon
pipetas graduadas para determinar el volumen por desplazamiento de cada uno de los compo-
nentes de la dieta (HYSLOP, 1980). Para calcular la superposición de las dietas de ambas percas
se utilizó el índice de MORISITA (1959) modificado por HORN (1966):
s
Dus x’ Yi
cry tnilsarao
s
2 2
xiii
1:1
donde x; e y; son las proporciones de cada item alimenticio de las muestras x e y. Este índice
varía entre 1 (cuando hay superposición) y O (cuando no hay superposición de dietas).
El material examinado, contenidos estomacales, se encuentra depositado en la Sección
Limnologia del Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, sin numera-
ción de entrada en colección.
RESULTADOS
Variación estacional de la dieta. Los resultados obtenidos fueron agrupados
por estación del ano (tab., |, Il). En la primavera la perca bocona consume princi-
palmente juveniles de percas, ostrácodos y larvas de tricópteros, seguidas de larvas
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):109-116, 22 dez. 1989
Alimentaciön de Percichthyes. .. 111
de quironömidos, cladöceros y puyenes (Galaxias maculatus, Jenyns, 1842; Gala-
xiidae). En percas de boca chica dominan las larvas de quironömidos y los osträ-
codos.
Durante el verano, los puyenes fueron los peces mäs capturados por las per-
cas boconas, siguiéndole en importancia ninfas de odonatos, pejerreyes (Patago-
nina hatcheri Eigenmann, 1909; Atherinidae) y Biomphalaria peregrina (d'Orbigny,
1835) (Planorbiidae). Nuevamente en boca chica dominan las larvas de quironómi-
dos, seguidas de ninfas de odonatos, ostrácodos y puyenes.
Durante los meses de otono el alimento de las percas boconas se tornó algo
más variado, dominando los peces: puyenes, pejerreyes y percas; también hubo
consumo de larvas de quironómidos. En las ingestas de las percas de boca chica se
repite la dominancia de larvas de quironómidos.
Durante el invierno las percas boconas se alimentan principalmente de peces,
dominando las percas y los puyenes, a los que le siguen en importancia los decá-
podos Aegla spp. (Aeglidae) y las larvas de quironömidos, en tanto que las percas
de boca chica se alimentan casi exclusivamente de quironómidos.
Variación de la dieta según la talla. La dieta fue agrupada (fig. 1) según las
tallas teóricas de cada una de las clases de edad (GUERRERO, 1984; DOMANICO,
com. pers.). Durante el primer ano de vida ambas especies consumen principalmen-
te microcrustáceos y estadíos preimaginales de insectos. A partir del tercer afio de
vida las percas boconas comienzan a capturar puyenes, mientras que en las percas
de boca chica dominan las larvas de quironómidos y de otros insectos.
A medida que aumenta la talla fueron en aumento, en percas boconas, las
ingestas de peces; hasta el séptimo ano dominan los puyenes pero a partir del octavo
ano son las percas el principal alimento de estos peces.
La dominância de larvas de quironómidos en las ingestas de las percas de
boca chica se mantiene en todas las clases de edad, mientras que los crustáceos de-
clinan a partir del cuarto ano de vida.
Sólo se registró superposiciön de dietas en individuos de un ano de vida, en
el resto de las edades se manifiesta una marcada diferencia en la alimentación de
ambas percas.
CONCLUSIONES
El regimen alimentario de la perca bocona se presenta de “tipo mixto’’ y
con distinta modalidad de obtención del alimento: de un pez bentófago, con
ingestiön del alimento por succiön, y de un pez carnívoro predador con tendencia
al canibalismo en edades avanzadas (ANGELESCU, 1979). El cambio de modalidad
IHERINGIA. Sér.Zoo!., Porto Alegre (69):109-116, 22 dez. 1989
112 FERRIZ, R.A.
trófica se observa a partir del VI ano de vida que coincide con la maduraciön sexual
de esta especie (GUERREIRO, com. pers.).
El alimento “básico'”” de esta perca está constituido por Percichthys sp.
puyen y pejerreyes. Las larvas de quironómidos, ostrácodos y Aegla spp. represen-
tan el alimento ''secundario”. Otras larvas de insectos (odonatos, tricópteros, efe-
merópteros), crustáceos y moluscos significan el alimento “accidental! (NILOLS-
KY, 1963).
La perca de boca chica se comporta en este embalse como un succionador de
fauna bentönica. Las larvas de quironómidos y los ostrácodos son el alimento “bá-
sico’'; los hirudineos, tricópteros, odonatos y puyen representan el alimento “'se-
cundario’’; las ingestas ‘’accidentales’’ están constituidas por moluscos, anfípodos,
efemerópteros y coleópteros.
La dieta de estas dos especies de percas sólo sufre superposición durante el
primer ano de vida, consumiendo principalmente ambos microcrustáceos y larvas de
insectos bentônicas, las capturas indicaron que no hay segregación de cardúmenes
de juveniles de ambas especies, que conviven en la zona litoral.
Al comparar la dieta de estas dos percas sudamericanas con otros percíctidos
de agua dulce se nota una marcada similitud en las características tróficas. LEACH
(1962 describe el comportamiento alimenticio de Morone americana (Gmelin,
1788) en el Lago Ontario, Canada, donde e! alimento son los oligoquetos, crustá-
ceos, quironômidos y peces; estos últimos representan el 35% del volumen ingerido
en ejemplares de 3-4 anos de vida y el 70% en ejemplares mayores de los cinco ahos
de vida. M. chrysops (Rafinesque, 1820) y M. saxatilis (Walbaum, 1792) presentan
también las mismas modalidades tróficas, las cuales coinciden con la de la perca bo-
cona aqui estudiada (SCOLT & CROSSMAN, 1973).
La alimentaciön de la perca de boca chica se asemeja a la de Macquaria aus-
tralasica Cuvier & Valenciennes, (CADWALLADER & EDEN, 1979) que consume
principalmente quironömidos, efemeröpteros y tricópteros; utilizando el método de
succión para la captura de su alimento.
AGRADECIMIENTOS
A los Lic. Aldo Torno y Jorge Mermoz por la lectura crítica del trabajo. A los integran-
tes del Plan de Estudios Ecológicos, especialmente a los Sres. Salvador Trubiano y Guillermo R.
López y al Lic. Carlos A. Guerrero por su inestimable colaboración prestada durante los mues-
treos. Al Sr. Enrique Villalba por la confección de la ilustración.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):109-116, 22 dez. 1989
Alimentación de Percichthyes. ... 113
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Fig. 1: Variaciön de la dieta según las tallas teóricas para cada clase de edad entre
Percichthys colhuapiensis y P. trucha. (Los porcentajes confrontados fueron los de volumen
acumulados de cada uno de los item alimenticios, CA, índice de superposiciön de dietas entre
cada una de las clases de edad; LT, largo total).
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):109-116, 22 dez. 1989
UMA ESPÉCIE NOVA DE PEUCETIA THORELL, 1869 DO BRASIL
(ARANEAE, OXYOPIDAE).*
Lucia Nascimento Garcia-Neto * *
ABSTRACT
A new Oxyopidae, Peucetia caldensis sp.n., from Poços de Caldas, Minas Gerais, Brazil
is described.
INTRODUÇÃO
O gênero Peucetia Thorell, 1869 é cosmopolita. Na Região Neotropical tem a
sua ocorrência assinalada desde o México até o Brasil.
Em 1877, KEYSERLING descreveu as primeiras espécies para o Brasil: P. fla-
va e P. similis. MELLO-LEITÃO (1922) descreveu P. tranquillini, de Campina Gran-
de, Paraíba e em 1929 ampliou o número de espécies ocorrentes no Brasil com a
descrição de: P. amazonica, P. heterochroma, P. macroglossa, P. meridionalis, P.
rubrigastra e P. villosa.. TOLEDO-PIZA (1938) descreveu P. maculipedes coletada
em Piracicaba, São Paulo. MELLO-LEITÃO (1940) descreveu P. trivittata proce-
dente de Colatina, Espírito Santo, baseando-se em uma fêmea jovem.
Descrevemos P. caldensis cujo material-tipo encontra-se depositado na coleção
do Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ); as ilustrações são de Paulo Roberto
Nascimento. As medidas são expressas em milímetros.
Peucetia caldensis sp.n.
(Fig. 1-4)
Fêmea. Comprimento total (da margem do clípeo até a parte final do abdô-
men) 9,0.
Cefalotórax amarelo. Esterno testáceo com mancha anterior marrom. Lâmi-
nas maxilares, lábio e quelíceras da cor do esterno; parte ventral das lâminas maxila-
res, lábio e ápice do segmento basal das queliceras escuros. Pernas testäceas; tíbias,
* Aceito para publicação em 12.X.1989.
** Museu Nacional do Rio de Janeiro, Departamento de Invertebrados, Quinta da Boa Vista,
20942, Rio de Janeiro, RJ.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):117-121, 22 dez. 1989
118 GARCIA-NETO, L.N.
metatarsos e tarsos mais escuros que os outros artículos. Palpos testáceos com
tarsos mais escuros. Abdômen amarelo, com duas faixas dorsais longitudinais bran-
cas, contínuas apenas no terço anterior, de cor igual a das pernas, revestido de p&-
los castanhos.
Cefalotórax convexo de lados arredondados, mais longo que largo (3,00:2,60),
menos espesso que o abdômen (1,22).
Região cefálica estreita (1,50) com uma cerda atrás de cada olho lateral pos-
terior. Olhos anteriores em fila bem recursva, os laterais quase três diâmetros maio-
res que os médios anteriores (0,40:0,13). Olhos médios afastados entre si por meio
diâmetro e dos laterais cerca de um diâmetro. Olhos posteriores em fila levemente
procurva, iguais entre si e equidistantes. Área ocular média bem mais longa que lar-
ga (0,83:0,60), bem mais estreita na região anterior (0,33).
Clípeo vertical com um par de cerdas quase na borda, no terço médio. Altura
do clipeo maior que a fila dos olhos médios anteriores (0,55:0,30) e pouco maior
que quatro diâmetros dos olhos médios anteriores.
Esterno pouco mais longo do que largo (1,50:1,27), revestido de pêlos espar-
sos, mais acentuados nas margens. Borda anterior quase reta, laterais recortadas e
parte posterior terminando em ponta acentuada.
Lâminas maxilares de comprimento mais de duas vezes maior que a largura
(1,06:0,44), de ápice arredondado e com pélos apicais na promargem. Lábio mais
longo do que largo (0,83:0,60), de ápice arredondado, ultrapassando o meio das lä-
minas maxilares. Quelíceras mais longas do que largas (1,22:0,83), com pêlos e
cerdas longas na face anterior.
Abdömen muito mais longo do que largo, mais espêsso na região anterior
(1,90), sem tubérculos e com pequenos pêlos próximos às fiandeiras. Epígino com
duas fossetas laterais em J. (fig. 2).
Pernas: | e Il maiores e mais robustas do que Ill e IV. Fêmur com 2-2-2 es-
pinhos dorsais curtos e eretos e 1-1 espinhos ventro-laterais curtos e eretos. Patela
com 1-1 espinhos dorsais, o primeiro longo e ereto e o posterior curto e ereto. Ti-
bia com 1-1 espinhos dorsais longos e de ápice curvo localizados um no terço mé-
dio, outro no terço posterior e 2-2-2 espinhos ventrais. Metatarso menos espesso
e de comprimento maior do que a tíbia, piloso, com 2-2-2 fortes espinhos dorsais,
2-2 fortes espinhos ventrais e um verticilo de cinco espinhos curtos. Pernas Ill e IV
com fêmur dotado de 2-2-2 espinhos dorsais curtos e eretos; patela, tíbia e meta-
tarso como em I; tarsos longos, pilosos e dilatados no ápice. Comprimento das per-
nas 1/11/111/1V: fêmur, 5, 83/5,22/4,55/4,55; patela, 1,38/1,38/0,66/0,60; tíbia,
4,66/4,05/3,72/3,61; metatarso, 5,00/4,33/3,61/3,33; tarso, 2,44/2,38/1,66/1,66;
total, 19,31/17,36/14,20/13,75.
Palpo: Fêmur de comprimento superior ao diâmetro (1,44:0,27). Patela de
comprimento duas vezes maior do que a largura (0,55:0,27), com 1 espinho dorsal
IHERINGIA. Sér.Zool., Porto Alegre (69):117-121, 22 dez. 1989
Uma espécie nova de Peucetia... 119
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quase na articulação com a tíbia. Tíbia de comprimento maior do que a largura
(1,27:0,44), com um espinho dorsal apical quase na articulação com o tarso e
2-2-1-1 longos espinhos dorso-laterais. Tarso mais longo que largo (0,80:0,20),
com dois longos espinhos ventrais posteriores e com muitos pêlos.
Macho. Comprimento total 7,00. Cefalotórax amarelo. Esterno testáceo uni-
forme. Lâminas maxilares, lábio e quelíceras da cor do esterno. Pernas testáceas
com manchas escuras no dorso; tíbias, metatarsos e tarsos mais escuros, como na
fêmea.
Abdömen com dorso amarelo e duas faixas longitudinais brancas pouco ní-
tidas; ventre amarelo-claro como na fêmea. Fiandeiras como na fêmea.
Cefalotórax convexo de lados arredondados, mais longo que largo (2,50:
2,22). Região cefálica estreita (0,90) com uma cerda atrás de cada olho lateral
posterior.
Olhos anteriores em fila bem recurva, os laterais três diâmetros maiores que
os médios anteriores (0,33:0,11). Olhos médios afastados entre si por meio diä-
metro (0,56) e dos laterais cerca de um diâmetro (0,11). Olhos posteriores em fila
levemente procurva, como na fémea. Área ocular média mais longa que larga (0,72:
0,44) mais estreita na região anterior (0,30).
Clípeo vertical de altura maior que a fila dos olhos médios anteriores (0,44:
0,27) e igual a dois diâmetros dos olhos médios anteriores. |
Esterno pouco mais longo que largo (1,33:1,11), como na fêmea.
Lâminas maxilares de comprimento mais de duas vezes maior que a largura
(0,90:0,33), como na fêmea. Lábio mais longo que largo (0,80:0,33). Queliceras
muito mais longas que largas (1,20:0,61), com pêlos e cerdas longas na face ante-
rior.
Abdômen mais longo que largo (4,44:1,50), sem tubérculos, de espessura
mais acentuada na parte anterior (1,05).
Pernas I e Il: fêmur com 2-2-2 espinhos dorsais curtos e eretos e 1-1 espinhos
ventro-laterais curtos e eretos. Patela com 1-1 espinhos dorsais. Tíbia com 1-1 es-
pinhos dorsais longos e de ápice curvo, e 2-2-2 espinhos ventrais como na fêmea.
Metatarso menos espesso que a tíbia, piloso, com 2-2 espinhos dorsais longos e
eretos, com 2-2 espinhos ventrais longos e eretos e um verticilo de cinco espinhos
apicais curtos e curvos no ápice. Tarso longo, piloso e mais dilatado no ápice. Com-
primento das pernas I/II/IlI/IV: fêmur, 4,4/4,4/4,1/4,0; patela, 1,1/1,0/0,8/0,8;
tibia, 4,3/4,2,/3,0/3,0; metatarso, 4,6/4,6/,3,6/3,6; tarso, 2, 2/2,2/1,5/1,5; total,
16, 6/16, 4/13, 0/13, O. Pernas Ill e IV como em I e Il.
Palpo: fêmur de comprimento superior ao diâmetro (1,10:0,40). Patela mais
longa que larga (0,50:0,40), com um longo e tortuoso espinho dorsal quase na ar-
ticulação com a tíbia e com longas cerdas espiniformes. Tíbia de comprimento
maior que a largura (0,60:0,33), com muitas cerdas e com tricobótrias dorsais, prin-
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):117-121, 22 dez. 1989
120 GARCIA-NETO, L.N.
cipalmente na margem prolateral; na face ventral há uma apófise apical com o ápice
voltado para a direita. Tarso bem mais longo do que largo (1,00:0,60). Cymbium
convexo com grossos pêlos na promargem e na retromargem. Tegulum convexo.
Embolus curto e curvo.
Discussão. Espécie bem distinta das demais; fêmeas facilmente separadas pela
genitália. Espécie mais próxima de P. tranguillini, da qual a fêmea difere pela pre-
sença de duas faixas brancas contínuas apenas no terço anterior do dorso do abdô-
men, pela ausencia de: linha longitudinal branca no meio do clípeo, manchas cir-
culares negras nas pernas e pontos castanhos atrás dos olhos posteriores. P. tran-
quillini difere pela presença de duas faixas dorsais brancas contínuas por todo o
abdômen, pela linha longitudinal branca no meio do clípeo, pelas manchas circu-
lares negras na face inferior dos fêmures e na base dos espinhos dos outros segmen-
tos das pernas.
Os machos de P. caldensis diferenciam-se de P. tranquillini por apresentarem
no bulbo uma apófise pontiaguda e pela tíbia do palpo que tem o comprimento
maior do que o tarso, enquanto que em P. tranguillini a apófise basal do buibo é
dilatada no ápice e o comprimento da tíbia do palpo é igual a do tarso.
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):117-121, 22 dez. 1989
Uma espécie nova de Peucetia. .. 121
Figs. 1-4: Peucetia caldensis sp.n. ?. 1. vista dorsal; 2. epígino. 34: Palpo esquerdo d:
3. vista ventral; 4. vista lateral.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):117-121, 22 dez. 1989
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ÇÃO DA FEMEA DE PHORONCIDIA MOYOBAMBA (ARANEAE).*
Erica Helena Buckup**
Maria Aparecida L. Marques**
ABSTRACT
Echinotheridion urarum sp. n. is described from Maracä Island at Uraricoera River,
Roraima, Brazil. The female of Phoroncidia moyobamba Levi is described for the firsttime and
new records are given,
INTRODUCÄO
Este trabalho foi realizado como parte do Projeto Maracá em 1987-88 (Ins-
tituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Royal Geographical Society, Secreta-
ria Especial do Meio Ambiente). A ilha de Maracá, delimitada pelo rio Uraricoera,
instituída em Estação Ecológica de Maracá pela Secretaria Especial do Meio Am-
biente, tem aproximadamente 100.000 hectares. O resultado preliminar do inventá-
rio das espécies de aranhas ocorrentes na mata da área leste da ilha encontra-se em
LISE et alii (1989). A mata pluvial de terra firme tem árvores de até 25-40m de
altura, mas as aranhas foram coletadas em extrato mais baixo, até 2m de altura.
Objetivamos complementar o inventário com as novidades encontradas nos
gêneros Echinotheridion Levi e Phoroncidia Westwood.
O gênero Echinotheridion compreende atualmente cinco espécies: E. utibile
(Keyserling), E. elicolum Levi, E. otlum Levi e E. /irum Marques & Buckup, assi-
naladas para o norte da América do Sul e E. cartum Levi para o Paraguai e Brasil
(Mato Grosso e Rio de Janeiro) (LEVI, 1963; MARQUES & BUCKUP, 1989).
Todas espécies foram fundamentadas em fêmeas. LEVI (1980) descreve o macho de
E. cartum.
* Aceito para publicação em 24.X1.1989. Contribuição FZB nº 372.
** Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN), Caixa
Postal 1188; CEP 90001, Porto Alegre, RS, Brasil.
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Echinotheridion urarum, sp.n. é descrita com base em único macho coligido
na Ilha de Maracá. Descreve-se ainda a fêmea de Phoroncidia moyobamba, espé-
cie conhecida apenas pelo holótipo macho procedente do Peru.
As aranhas colecionadas foram depositadas nas coleções do Instituto Nacio-
nal de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus e Museu de Ciências Naturais, Fun-
dação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCNZ), Porto Alegre.
Abreviaturas usadas no texto: OMA, olhos médios anteriores; OLA, olhos la-
terais anteriores; OMP, olhos médios posteriores; OLP, olhos laterais posteriores.
Echinotheridion urarum, sp.n.
(Figs. 1-3)
Tipo. Holótipo ©, MCN 19327, Ilha de Maracá (rio Uraricoera, 3015’-3035’ N e 61022'-
61º58'W), Roraima, Brasil, 24.111.1987, A.A. Lise leg.
Etimologia. O nome específico é uma combinação arbitrária de letras.
Diagnose. A presença de três grandes processos corneiformes no címbio do
palpo (figs. 2,3) diferencia os machos de Echinotheridion urarum dos de E. cartum.
Descrição. Carapaça amarelo-clara, levemente pigmentada de preto na região
mediana, formando padrão em “VW” invertido, com áreas claras atrás dos olhos
(fig. 1); palpo com fêmur, patela e tíbia amarelo-claros e címbio amarelo-escuro;
pernas amarelas, escurecidas, com exceção das coxas e trocanteres amarelo-claros;
esterno amarelo-claro com margem enegrecida e mancha mediana longitudinal cas-
tanho-clara, dorso do abdômen levemente rosado com pigmentação preta nos pon-
tos de inserção das cerdas e na região próxima às fiandeiras, marcando faixas trans-
versais na região posterior; alguns retículos brancos esparsos sobre o dorso, sem
padrão definido; faixa branca mediana, longitudinal posterior pouco visível; ventre
amarelo, levemente escurecido, com um par de manchas brancas entre o sulco epi-
gástrico e as fiandeiras. Carapaça subcircular, levemente mais longa do que larga,
mais elevada e estreita na região ocular; fóvea torácica em suave depressão. Fila
anterior dos olhos procurva, em vista frontal, e a posterior recurva, em vista dor-
sal; OMA circulares, os maiores; os laterais subcirculares, contíguos, em tubérculos e
OMP subtriangulares; OMA separados um do outro por pouco menos do que seu
diâmetro, quase atingindo os OLA; OMP equidistantes, afastados entre si e dos OLP
por quase seu diâmetro. Altura do clípeo cerca de duas vezes e meio diâmetros dos
OMA. Quelíceras pequenas, aparentemente sem dentes na margem anterior. Enditos
convergentes. Lábio sub-retangular, duas vezes e meia mais largo do que longo, fu-
sionado ao esterno. Este, levemente convexo. Abdömen suboval, pouco mais alto
do que longo, com cerdas esparsas sobre o dorso. Palpo direito, único, robusto,
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Aranhas Theridiidae da... 125
so mn mann on te e o
com artículos grossos, fêmur e patela com quase o dobro da espessura das pernas;
címbio muito desenvolvido e modificado, apresentando três grandes pontas (fig. 2).
Medidas (em mm). Comprimento total 1,36. Carapaça: comprimento 0,56,
largura maior 0,53. Abdômen: comprimento 0,78, largura 0,68, altura 0,81. Per-
nas, 1, 4, 2, 3. Comprimento 1/11/111/1V: fêmur 0,75/0,55/0,41/0,62; patela 0,25/
0,22/0,15/0,23; tíbia 0,52/0,35/0,22/0,36; metatarso 0,59/0,39/0,25/0,41; tarso
0,44/0,35/0,31/0,35. Total 2,55/1,86/1,34/1,97.
Phoroncidia moyobamba Levi
(Figs. 4-11)
Phoroncidia moyobamba LEVI, 1964:70, figs. 1-5 (holótipo O, Moyobamba, San Martin, Peru,
20.X11.1946, J.C. Pallister leg., no “American Museum of Natural History, New York”; exami-
nado). BRIGNOLI, 1983:409.
Diagnose. O padrão da forma das placas esclerotinizadas e das impressões do
dorso do abdômen (figs. 4,9) distinguem facilmente machos e fêmeas de P. moyo-
bamba de todas as demais espécies do gênero. Fêmeas de P. moyobamba separam-se
das de P. studo Levi, 1964, espécie próxima, pelas aberturas do epígino sobre pe-
quena projeção enegrecida, internamente, pelas espermatecas maiores e pelos ductos
que correm junto às laterais externas dos receptáculos seminais (figs. 7,8).. Nos ma-
chos, o êmbolo é curto em Pf. moyobamba (figs. 10, 11) e longo em ?. longiceps
(Keyserling, 1886). LEVI (1964) refere que P. studo pode ser a fêmea de P. /on-
giceps.
Comentário. Apesar do macho e das fêmeas de P. moyobamba terem sido co-
lecionados em épocas diferentes em Maracá, acreditamos que sejam a mesma espé-
cie. Essa associação também foi encontrada em macho e fêmea coligidos juntos na
Reserva Campina, Manaus, Amazonas. Ilustramos o palpo do holótipo de P. moyo-
bamba (fig. 10) onde se vê melhor seu ápice em relação ao condutor e címbio.
Descrição da fêmea (da Ilha de Maracá, Roraima, Brasil). Carapaça quase toda
encoberta pelo abdômen, castanha enegrecida, mais clara na elevação torácica. Que-
líceras, enditos e pernas castanhos; esterno pouco mais claro. Região cefálica lisa,
brilhante; esterno, clípeo e laterais da carapaça fortemente pontuados e algumas
pontuações na elevação torácica. Abdômen circular, de dorso convexo, pigmentado
de branco, dorso-ventralmente; dorsalmente, com 8 pares de placas, de diversos ta-
manhos, mais esclerotinizadas no centro do que na margem (fig. 4), além de nume-
rosas pontuações esparsas, mais abundantes na margem. Laterais e região posterior
do abdômen pregueadas, com placas alongadas. Toda a região epigástrica escleroti-
nizada. Ventre (fig. 5) com placas alongadas, subtriangulares e circulares nas late-
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126 BUCKUP, E.H. & MARIA A. L. MARQUES
rais; atrás da fenda epigástrica, pares de pequenas impressões disciformes e pontua-
ções esparsas sobre o ventre. Fiandeiras com anel esclerotinizado. OMA situados
numa projeção mediana, olhos laterais em tubérculos. OMA maiores do que os ou-
tros, afastados entre si por menos do que seu diâmetro. OMP separados um do ou-
tro por 1 1/3 de seu diâmetro.
Medidas (em mm). Comprimento total 2,42. Carapaça: comprimeinto 0,91
(não incluindo o cinturão posterior, atrás do pedicelo), largura 0,84. Abdômen:
comprimento 2,42, largura 2,38, altura 1,50 (sem as fiandeiras). Pernas 4, 1, 2,3.
Comprimento 1/11/111/1V: fêmur 0,45/0,42/0,39/0,59; patela 0,26/0,25/0,21/0,28;
tíbia 0,24/0,19/0,20/0,36; metatarso 0,22/0,20/0,20/0,31; tarso 0,29/0,29/0,29/
0,32. Total 1,46/1,35/1,29/1,86.
Variação. Fêmeas variam no comprimento, 1,95-2,42 (7 espécimens); em dois
machos respectivamente 1,72 e 1,80 (holótipo 1,6). A diferença de comprimento
nas fêmeas é devida ao maior ou menor desenvolvimento do abdômen. As fêmeas
de Manaus apresentam apenas parte da pigmentação branca do abdômen.
Distribuição. Peru e norte do Brasil (Roraima e Amazonas).
Material examinado. BRASIL. Roraima: Ilha de Maracá, 12, INPA, 12.111.1987, A.A. Li-
se leg.; 12, MCN 18241, 17.111.1987, A.A. Lise leg.; 10, INPA, 25.V11.1987, A.A. Lise leg.;
19, MCN 18242, 04.X11.1987, E.H. Buckup leg., 19, INPA, 07.X11.1987, E.H. Buckup leg.;
12, MCN 18243, 08.X11.1987, A.A. Lise leg. Amazonas: Manaus, Reserva Campina: 16, 19,
MCN 18484, 25.1V.1973, L.P. Albuquerque leg.; 19%, INPA, 22.1.1973, L.P. Albuquerque leg.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Angelo dos Santos (INPA), Coordenador do Projeto Maracä no Brasil, ao Dr.
Victor Py-Daniel e Dr. José Albertino Rafael (INPA) e Dr. Arno A. Lise (MCNZ) pela oportu-
nidade de participar do inventário da araneofauna da Ilha de Maracá. À Secretaria Especial do
Meio Ambiente (SEMA) pelo apoio logístico em Boa Vista. Ao Dr. John Hemming, Presidente
da Royal Geographical Society, pelo constante estímulo e interesse. Ao Dr. Norman |. Platnick,
Curador do American Museum of Natural History, pelo empréstimo de holótipo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRIGNOLI, P.M. 1983. A Catalogue of the Araneae described between 1940 and 1981. Man-
chester, Manchester University Press. 755p.
LEVI, H.W. 1963. American spiders of the genus Achaearanea and the new genus Echinothe-
ridion (Araneae, Theridiidae). Bull Mus. comp. Zool. Harv., Cambridge, Mass., 129(3):
187-240.
——. 1964. American spiders of the genus Phoroncidia (Araneae: Theridiidae). Bull. Mus.
comp. Zool. Harv., Cambridge, Mass., 131(3): 65-86.
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1980. The male of Echinotheridion (Araneae: Theridiidae). Psyche, Cambridge, Mass.,
87(3-4):177-9.
LISE, A.A.; BUCKUP, E.H.; MARQUES, M.A.L. 1989. Aranhas da ilha de Maracá — Roraima,
Brasil. In: RATTER, J.A. & MILLIKEN, W. Maracá Rainforest Project; Invertebrates
& Limnology; Preliminary Report. Edinburgh, INPA, RGS, SEMA. p.51-3. [Não publi-
cado ].
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gêneros Cerocida e Echinotheridion do Amazonas, Brasil. Iheringia, Ser. Zool., Porto Ale-
gre, (69): 101-7.
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Figs. 1-3: Echinotheridion urarum, sp.n., holótipo macho: 1. carapaça, dorsal; 2-3. pal-
po direito.
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Aranhas Theridiidae da... 129
0,5mm
Figs 4.11: Phoroncidia moyobamba. 4-8. Fêmea: 4. abdômen, dorsal; 5. abdômen, ven-
tral; 6. carapaça, dorsal; 7. epígino, ventral; 8. epígino, dorsal (clarificado). 9-11. Macho: 9. ab-
dêmen, dorsal; 10. palpo do holótipo; 11. palpo esquerdo, expandido (Maracá). (A, apófise
média; C, condutor; E, &mbolo, R, radix).
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PORCELLANIDAE (DECAPODA, ANOMURA) DE SANTA CATA-
RINA E RIO GRANDE DO SUL, BRASIL.*
Berenice Maria Gomes da Silva* *
Adriana da Costa Braga* **
Fernando D'Incao * **
ABSTRACT
Eight species of porcelain crabs from Santa Catarina and Rio Grande do Sul States, Bra-
zil, are redescribed and ilustrated; a key for identification is presented. Pachycheles chubuten-
sis Boschi, 1963 is reported for the first time for Brazil. Petrolisthes galathinus (Bosc, 1801) is
new record for Santa Catarina.
INTRODUCÄO
Os caranguejos porcelanídeos assemelham-se aos caranguejos verdadeiros, po-
rém as antenas muito desenvolvidas e o último par de pereiópodos, entre outras coi-
sas, os diferenciam dos Decapoda Brachyura. A família Porcellanidae é um grupo
que aparece em grande diversidade de habitats, desde sob pedras e algas no meso-
litoral até como comensais de algumas espécies de fundos duros (anêmonas) e moles
(estrelas do mar).
A família está amplamente distribuída em todo o litoral brasileiro. Dos gêne-
ros citados para o Brasil, apenas Pisidia e Megalobrachium não foram registrados pa-
ra os dois estados do sul do país (Coelho & Ramos, 1972).
Os gêneros abrangidos neste estudo foram propostos por STIMPSON (1858):
Petrolisthes, Pisosoma, Raphidopus, Pachycheles, Megalobrachium, Minyocerus,
Polyonix e Porcellana (sensu strictu) sendo reconhecido Porcelanella (White), todos
* Aceito para publicação em 24.X1.1989. Contribuição nº 6 do Laboratório de Carcinologia
do Departamento de Oceanografia, Fundação Universidade do Rio Grande (FURG).
** Departamento de Oceanografia — FURG, Caixa Postal 474, 96200, Rio Grande, RS, Bra-
sil; Bolsista do CNPq (Proc. 804801-86).
*** Departamento de Oceanografia — FURG, Caixa Postal 474, 96200, Rio Grande, RS, Bra-
sil.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
132 SILVA, B.M.G. da et alii
antes incluídos em Porcellana (Lamarck, 1801). RATHBUN (1900) e BOONE
(1930, 1931) contribuíram com dados diferentes à sinonímia, descrição e distribui-
ção geográfica de diversas espécies. HAIG (1956, 1960, 1966) estudou as espécies
do Pacífico Oriental, Atlântico Ocidental e Atlântico Sul. GORE (1970, 1974) e
GORE & ABELE (1976) estudaram as espécies da região do Caribe e costa pacífica
do Panamá. Deve-se ainda ressaltar os estudos de RICKNER (1975) WERDING
(1973, 1977, 1978, 1982, 1984) e LOCKINGTON (1978) concernentes às áreas da
costa leste do México, Santa Marta (Colômbia) e costa oeste da América do Norte,
respectivamente. Para o Brasil, RODRIGUES-DA-COSTA (1960, 1964) descreveu
várias espécies novas e relatou a ocorrência e distribuição dos Porcellanidae do lito-
ral brasileiro. COÉLHO (1963/4) publicou uma lista dos porcelanídeos do litoral de
Pernambuco e estados vizinhos, incluindo chave de identificação para gêneros e es-
pécies.
Com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre os Porcellanidae no Brasil,
registram-se as espécies que ocorrem no litoral de Santa Catarina e Rio Grande do
Sul e apresenta-se chave de identificação.
MATERIAL E MÉTODOS
O material examinado encontra-se na Coleção do Laboratório de Carcinologia, Departa-
mento de Oceanografia, Universidade do Rio Grande (FURG); Museu de Zoologia, Universidade
de São Paulo (MZSP).
O material da coleção (FURG) é proveniente de coletas particulares de alunos e colabo-
radores e, principalmente, de coletas realizadas pelo navio oceanogräfico “Atlântico Sul’’ duran-
te os seguintes projetos: Projeto Crustáceos — Bioecologia da Lagoa dos Patos; Projeto Crustá-
ceos; Avaliação dos Recursos Pelägicos Il; Pesca de Fundo e Projeto Talude.
As medidas de comprimento e largura da carapaça correspondem na sua porção maior,
sendo expressas em milímetros.
O material foi identificado com auxílio das chaves e descrições disponíveis na literatura.
Chave dos gêneros da Família PORCE LLANIDAE dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande
do Sul, Brasil.
1. Carapaça subquadrada, parede lateral da carapaça formada por várias peças (2 ou mais) sepa-
radas por espaços membranosos; fronte triangular ou transversa em vista dorsal; sem den-
tes projetados; frequentemente com um distinto tufo de cerdas; nunca distintamente
trilobado em vista dorsal; quelipodos robustos, de tamanho desigual ............
NE o a SUN a DV A a RO ão DEL AAA a SO a vá Pachycheles Stimpson, 1858.
Carapaça ovalada, subtriangular ou alongada; parede lateral da carapaça quase sempre intei-
ra; quando dividida em peças; a fronte é distintamente tridentada em vista dorsal; com
dentes projetados; sem tufos de cerdas; trilobado em vista dorsal; quelípodos de ta-
manho aproximadamentelig uai a O pra oc ooo re 2
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
Porcellanidae (Decapoda, Anomura) de... 133
2. Artículo basal da antena pequeno, não alcança a margem da carapaça; artículos antenais mó-
veis, com livre acesso à orbita; fronte triangular muito proeminente em vista dorsal; que-
lípodos comprimidos dorso-ventralmente, aproximadamente do mesmo tamanho, sem
esculturas conspícuas; carapaça sem espinhos mesobranquiais; télson geralmente com
à SE RE N. ba Petrolisthes Stimpson, 1858.
Articulo basal da antena fortemente pronunciado para a frente e em contato com a margem
da carapaça, impedindo que os artículos móveis entrem na órbita; fronte arredondada,
tridentada ou lobulada; quelípodos delicados, aproximadamente de mesmo tamanho;
telcon;comúiplacastqe eta. SD. EA RE RR I REGA 3
3. Dáctilo das pernas ambulatórias armado com fortes e finos espinhos; carapaça distintamente
mais larga do que longa; fronte arredondada; quelipodos não robustos e sem ornamenta-
BIO. A RR RR DS CI É DO A AE A Polyonix Stimpson, 1858.
Dáctilo das pernas ambulatórias com extremidade espiniforme e pequenos espinhos acessó-
rios móveis na margem inferior; fronte marcadamente tridentada em vista dorsal; carapa-
ça geralmente mais longa do que larga; quelípodos não muito robustos e sem esculturas
bu Coal HOSE ano PoE ee ee re se 4
4. Carapaça alongada, aproximadamente 1/4 mais longa do que larga; fronte fortemente tri-
dentada em vista dorsal, um forte espinho na margem lateral; (artículos móveis da antena
reduzidos, flagelo rudimentar, comprimento total subigual ou igual a largura dos olhos)
Sara ARS SR DERA USE E ha } SORERREHESRE RE Minyocerus Stimpson, 1858.
Carapaça ligeiramente mais longa do que larga; sem espinho na margem lateral, no máximo
com um lóbulo na margem lateral do ângulo epibranquial ....:. 22:2 2 nennen
Chave das espécies do gênero Pachycheles Stimpson, 1858.
1. Machos sem pleópodos. Carpo e palma com fileiras de grandes tubérculos achatados; espaço
entre eles preenchido por curta pubescência ........... P. monilifer Dana, 1852.
Machos com pleópodos. Carpo e palma sem fileiras de grandes tubérculos achatados; espaço
entre eles com curta pubescência; (quelipodos com granulação muito fina e pouco proe-
NNE 6) PERDE, EMBED = Ri 4 SNIS MOS TAB EEE fetal SAO Loca é VERA 2
2. Télson (machos e fêmeas) com 5 placas; granulagäo evidente na superfície dos quelipodos,
com fileiras irregulares de tubérculos, mais salientes no carpo .... 22.222200.
Spam e pd esa seno Ayla a = De P. haigae Rodrigues-da-Costa, 1960.
Télson (machos e fêmeas) com 5 ou 7 placas, as das fêmeas bem divididas, ou só as placas
látero-posteriores semi-divididas, superfície dos quelipodos com granulação menos evi-
dente e geralmente coberta de cerdas .......2.... P. chubutensis Boschi, 1963.
Pachycheles monilifer (Dana, 1852)
(Figs. 1,10)
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134 SILVA, B.M.G. da et alii
Redescrição. Fronte triangular, trilobulada em vista dorsal, com um lóbulo
mediano pronunciado. Fronte com tufo de pêlos. Artículo basal da antena grosseiro,
com tubérculo na margem anterior; 20, 30 artículos e flagelo lisos. Placa epimeral
constituída por uma peça grande anterior e outras posteriores menores. Quelípo-
dos desiguais, superfície áspera; palma e carpo com fileiras de tubérculos achatados,
curta pubescência entre eles; margem interna do carpo com 3 tubérculos; mero ru-
goso. Pernas ambulatórias cobertas por longos pêlos plumosos. Télson (machos
e fêmeas) composto por 5 placas. Ausência de pleópodos nos machos.
Distribuição. Atlântico ocidental: EUA (Flórida), México, Antilhas, Venezue-
la e Brasil (até Santa Catarina); Pacífico oriental: Equador.
Material examinado: BRASIL. Santa Catarina: Ilha do Arvoredo, 16, 4,20mm, 1%
3,70mm, 12, 3,15mm, 30.V.1984, F. D’Incao col., (FURG-661); Itapema, 19, 7,00mm,
11.1987, J. Felipe col., (FURG-387).
Pachycheles haigae Rodrigues-da-Costa, 1960
(Figs. 2,11)
Redescrição. Carapaca subquadrada, regiões não bem delimitadas. Fronte
triangular em vista dorsal, com tufo de pêlos. Órbitas rasas, ângulo orbital interno
arredondado. Artículo basal da antena com protuberância na margem anterior; 20
artículo levemente granulado na margem anterior; 3º artículo liso. Placa epimeral
composta por uma placa anterior maior, uma posterior menor e, às vezes, outras
menores. Quelípodos robustos, desiguais, glabros com granulação evidente; dedo
fixo do quelípodo maior podendo apresentar um tubérculo grande na região proxi-
mal, seguido de 2 a 5 tubérculos menores; dedo móvel do quelípodo maior podendo
apresentar um tubérculo grande na região proximal, seguido de 8 a 9 tubérculos
menores ou uma fileira de 10 a 12 tubérculos menores de mesmo tamanho, estando
o tubérculo maior ausente; presença de tufo de pélos na base do dedo fixo do que-
lípodo maior; carpo com fileiras irregulares de tubérculos, mais evidentes próximo
a borda inferior; margem interna do carpo lobular, com número variável de dentes
(2, 3 ou 4); margem interna do mero projetando-se em um lóbulo subtriangular
arredondado na extremidade. Pernas ambulatórias com estrias; 1 espinho na mar-
gem inferior do própodo, próximo à articulação com o dátilo. Dátilo espiniforme e
com fileira de espinhos na margem inferior; própodo com 4 espinhos na margem in-
ferior, 2 alinhados medianamente e 2 na margem que se articula com o dátilo, pêlos
dispersos por todos os artículos. Télson (machos e fêmeas) com 5 placas. Presença
de pleópodos nos machos.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
Porcellanidae (Decapoda, Anomura) de... 135
Distribuição. Atlântico ocidental: Brasil (de Pernambuco até Rio Grande do
Sul) Uruguai e Argentina. |
Material examinado. BRASIL. Santa Catarina: Ilha do Arvoredo, 3d, 2,80-6,20mm,
19, 3,65mm, 19 (ovígera), 4,10mm, 30.V.1984 F. D'Incao col., (FURG-664); Rio Grande do
Sul: Rio Grande (Molhe Oeste), 10, 6,40mm, 1? (ovigera), 6,90mm, 15.X1.1985, M. Maida
col. (FURG-354); (Canal Rio Grande; bóia nº 12), 116, 6,30-8,00mm, 169 (13 (ovígeras),
6,90-9,40mm, 1.1963, L. Barcellos col. (FURG-382); (Parcel do Carpinteiro, 32015’S,
51º47' W), 69, 3,90-12,30mm, 3? (ovígeras), 9,50-12,60mm, V.1986, Projeto Talude, (FURG-
417).
Pachycheles chubutensis Boschi, 1963
(Figs. 3, 4, 17-21)
Redescrição. Carapaça subquadrada, ligeiramente rugosa, com alguns tufos de
cerdas na região hepática. Fronte triangular em vista dorsal, com tufo de pêlos. Ór-
bitas bem marcadas. Artículo basal da antena com protuberância na margem ante-
rior, 2º artículo levemente granulado na margem anterior; 3º artículo liso. Placa
epimeral composta por uma placa anterior grande, uma posterior pequena e, às ve-
zes, outras pequenas. Quelípodos robustos, com granulação fina, pouco proeminen-
te, totalmente cobertos por tufos de cerdas plumosas e algumas não plumosas (a
densidade e distribuição dessas cerdas pode variar); dedos do quelípodo maior apre-
sentando variação no número, tamanho e disposição dos tubérculos; o dedo fixo
pode apresentar 1 tubérculo maior na porção proximal seguido de 3 a 6 tubérculos
menores, ou 1 tubérculo maior em posição mediana seguido de 3 a 6 tubérculos me-
nores, ou o tubérculo grande ausente e uma fileira de 8 a 15 tubérculos de mesmo
tamanho; o dedo móvel pode apresentar uma fileira de 8 a 14 tubérculos de mesmo
tamanho (o maior ausente), ou 1 tubérculo proximal desenvolvido seguido de 5 a
12 tubérculos menores; dedos do quelípodo menor com a margem cortante; mecha
de cerdas entre os dedos, margem interna do carpo com 2, 3 ou 4 lóbulos de tama-
nho variável; margem interna do mero projetando-se em um grande tubérculo serri-
lhado. Pernas ambulatórias cobertas por cerdas longas e plumosas. Dátilo terminado
em forte espinho, com fileira de espinhos na margem inferior; própodo com 4 espi-
nhos na margem inferior, 2 alinhados medianamente e 2 na margem que se articula
com o dátilo. Na descrição original (BOSCHI, 1963), consta 7 placas no télson dos
machos, 5 placas no das fêmeas e, em alguns exemplares fêmeas, duas placas peque-
nas posteriores parcialmente divididas. BREMEC & CAZZANIGA (1984) citam fe-
meas com 7 placas no télson. No material estudado, observou-se todos estes tipos de
télson e, em alguns exemplares machos, a presença de 5 placas.
(HERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
136 SILVA, B.M.G. da et alii
Distribuição. Atlântico ocidental: Brasil (Santa Catarina até Rio Grande do
Sul), primeira citação para o litoral brasileiro e Argentina. A espécie não foi citada
para o Uruguai.
Material examinado. BRASIL. Santa Catarina: Porto Belo, 4d, 6,60-9,80mm, 7 9 (6 ovi-
geras), 6,70-11,20mm, 1V.1974, F. D'Incao col., (FURG-381); Rio Grande do Sul: Rio Grande
(Parcel do Carpinteiro; 32015'S, 51947'W), 5d, 6,55-10,35mm, 69 (ovígeras), 5,35-13,35mm,
27.1.1984, P.C.-BELAP, (FURG-325); 3$, 3,00-10,60mm, 19, 13,20mm, V.1986, Projeto
Talude, (FURG-418); Albardão, 1$, 10,25mm, 19, 11,80mm, 19 (ovigera), 12,25mm, 19 (ovi-
gera), 12,80mm, barco pesqueiro col., (FURG-371); (32º00'S, 51º33' W), 69, 9,40-13,90mm,
59 (vígeras), 8,85-15,00mm, (FURG-370); (33054' S, 52038’ W), 35, 9,00-11,60mm, 4% (ovi-
geras), 9,80-12,70mm, V111.1968, Projeto GEDIP Est. 394, (MZSP-7194); 5, 6,80-11,10mm,
62, (5 ovigeras), 8,30-12,40mm, V111.1968, Projeto GEDIP, Est. 394, (MZSP-7193).
Chave das espécies do gênero Petrolisthes Stimpson, 1858
1. Carpo dos quelípodos armado com 3 dentes pontiagudos, inclinados e separados; carapaça
com rugas transversais não pilosas . ... 2. . 22 2 nennen P. armatus (Gibbes, 1850)
Carpo dos quelipodos com 4 dentes ou espinhos; carapaga com rugas transversais pilo-
SAS ae. 2 tee are Ba A qe Der Le. P. galathinus Bosc, 1801
Petrolisthes armatus (Gibbes, 1850)
(Figs. 5, 16)
Redescrição. Carapaça aproximadamente tão longa quanto larga, transversalmen-
te rugosa, rugas mais proeminentes nas regiões látero-branquiais. Fronte triangular
em vista dorsal. Margem lateral da carapaça terminando anteriormente em fino espi-
nho hepático, seguido de um espinho epibranquial. Olhos bem desenvolvidos. Placa
epimeral inteira. Quelípodos ligeiramente desiguais, amplos e achatados dorso-ven-
tralmente, cobertos por pequenas rugas em toda superfície; área interna da extremi-
dade cortante de ambos os dedos articuláveis e área basal dos dedos fixos, densa-
mente setosa, aveludada, não visível em vista externa dos quelípodos; carpo dos
quelípodos com 3 dentes agudos na margem interna e uma série de espinhos volta-
dos para a frente na margem externa; mero com margem interna em forma de espi-
nho e único e diminuto espinho na margem externa. Mero das pernas com 3 ou mais
espinhos na margem anterior; nos dois primeiros pares de pernas um espinho sub-
distal na margem látero-posterior; própodo com 4 espinhos na margem inferior,
2 alinhados medianamente e 2 na margem que se articula com o dátilo; dátilo com
3 espinhos na margem inferior. Télson composto por 7 placas (machos e fêmeas).
Machos com pleópodos.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):1 31-146, 22 dez. 1989
Porcellanidae (Decapoda, Anomura) de... 137
Distribuição. Atlântico ocidental: USA (desde Connecticut) até o Brasil (San-
ta Catarina); Atlântico oriental: desde o Senegal até Angola. Ilha da Ascensão; Pací-
fico oriental: USA (desde o Golfo da Califórnia) até o Peru, incluindo as Ilhas Galá-
pagos; Indo-Pacífico.
Material examinado. BRASIL. Santa Catarina: Porto Belo, 3d, 6,60-11,25mm, 1Y
8,90mm, 29.1V.1973, F. D'Incao col., (FURG-379).
Petrolisthes galathinus (Bosc, 1801)
(Figs. 6,15)
Redescrição. Carapaça convexa em ambas as direções, áspera, com rugas trans-
versais pilosas proeminentes e regiões bem definidas. Fronte triangular em vista dor-
sal, com sulco mediano preenchido por pubescência. Espinho supra-orbital presente
(não distinguível em exemplares grandes), ângulo pós-orbital projetado em peque-
nos dentes em forma de espinho; presença de espinho epibranquial. Olhos bem de-
senvolvidos. Artículo basal da antena lobulado, terminando em espinho; 20 e 30 ar-
tículos ligeiramente rugosos; flagelo liso. Placa epimeral inteira. Quelípodos gran-
des, ligeiramente desiguais, totalmente cobertos por fortes estrias pilosas que conti-
nuam até os dedos, onde se transformam em pequenas rugas; palma larga e achata-
da; margem interna entre os dedos com pubescência; margem interna do carpo com
4 a 6 fortes dentes serrilhados na extremidade, margem externa do carpo com fila
de espinhos e pêlos; mero com forte lóbulo serrilhado no ângulo distal interno e pe-
quenos espinhos no ângulo distal externo. Pernas rugosas e com pélos; mero do 1º
e 20 pares de pernas com 6 a 9 espinhos na margem anterior e 1 espinho póstero-
distal; mero do 3º par de pernas com 4 a 7 espinhos na margem anterior; dátilo es-
piniforme com 3 espinhos enfileirados na margem inferior; própodo com 3 espinhos
alinhados medianamente na margem inferior e 2 na margem que se articular com o
dátilo. Télson composto por 7 placas. Presença de pleópodos nos machos.
Distribuição. Atlântico ocidental: USA, Carolina do Norte (Cabo Hateras) até
o Brasil (Santa Catarina), nova ocorrência para este estado. Pacífico oriental: Canal
do Panamá, Costa Rica ao Equador.
Material examinado. BRASIL. Santa Catarina: Porto Belo (Bombinhas), 17, 8,30mm,
25.V.1986, (FURG-373); 18, 19,45mm, 11.1967, J. Felipe col., (FURG-372).
Polyonix gibbesi Haig, 1956
(Figs. 7,12)
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
138 SILVA, B.M.G. da et alii
Redescrição. Carapaça lisa, transversalmente oval, mais larga do que longa.
Fronte não proeminente em vista dorsal, margem ligeiramente sinuosa, seguida para-
lelamente de uma leve elevação. Olhos é órbitas pequenos. Antena delgada; artículo
basal liso e fortemente projetado para a frente; artículos móveis lisos, sem contato
com a órbita. Placa epimeral inteira. Quelípodos desiguais, longos e ““torcidos””;
margem externa aproximadamente reta; palma dos quelípodos com franja de pêlos
plumosos na margem externa; margem interna da palma convexa; dedos do quelipo-
do maior em forma de gancho, cruzados na porção terminal; dátilo falciforme, den-
te maior na porção proximal; dedo fixo com dente maior na região mediana, sendo
ambos os dedos cortantes; dedos do quelípodo menor, retos e cortantes, terminan-
do em forma de gancho. Carpo tão longo quanto a palma, margem interna em for-
“ma de crista. Mero subcúbico, finamente rugoso sob aumento. Pernas com pêlos es-
parsos; dátilo com 4 espinhos córneos na margem inferior e com espinhos menores
na parte distal do própodo; margem inferior do mero do 2º e 3º pares de pernas
com fileira de espinhos. Télson composto por 7 placas. Machos com pleópodos.
Distribuição. Atlântico ocidental: USA (Massachussetts até a Flórida), Brasil
(Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul) e Uruguai.
Material examinado. BRASIL. São Paulo: São Sebastião (P. Araçá), 16, 6,75mm, 19,
7,90mm, 5 ?(2 ovígeras), 3,15-12,60mm, 30.V 11.1965, J.C. Freitas col., (MZSP-6962).
Minyocerus angustus (Dana, 1852)
(Figs. 8, 14)
Redescrição. Carapaça mais longa que larga. Fronte tridentada em vista dorsal,
sendo o dente mediano igual ou um pouco maior que os laterais. Presença de forte
espinho epibranquial. Placa epimeral inteira. Quelípodos alongados, delgados. Car-
po provido de espinhos na margem interna. Mero com um grande e forte espinho no
ângulo superior interno. Carapaca com ligeira pubescência. Télson (machos e fe-
meas) formado por 7 placas.
Distribuição. Atlântico ocidental: desde Honduras (América Central) até o
Brasil (Santa Catarina, Florianópolis, Desterro).
Material examinado. BRASIL. Alagoas: Maceió, 16, 3,10mm, 19, 3,50mm, 1 £, 3,50mm,
1% (ovígera), 4,00mm, 18.111.1985, (MZSP-6749).
Porcellana sayana (Leach, 1820)
(Figs. 9, 13)
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
Porcellanidae (Decapoda, Anomura) de... 139
Redescrição. Carapaça geralmente um pouco mais longa que larga, comprimi-
da; parede lateral da carapaça com uma proeminência um pouco atrás da base da an-
tena; carapaça quase lisa, com delicadas dobras oblíquas nos lados; grupos de pêlos
dispersos; sem regiões bem definidas. Fronte tridentada. Olhos bem desenvolvidos.
Ranhura cervical levemente marcada, terminando ântero-lateralmente em recorte
denteado na extremidade da carapaça. Antena lisa, fina, artículo basal projetado pa-
ra a frente em projeção espiniforme; artículos móveis afastados da órbita. Placa epi-
meral inteira. Quelípodos achatados, delicadamente pregueados, com grupos de
pêlos esparsos; dedos curtos e curvados; margem externa dos quelípodos com longas
cerdas; ângulo ântero-distal do carpo em forma de espinho; espinho achatado na
margem interna do carpo; ângulo distal do mero em forma de espinho; carpo e mero
com pêlos dispersos na margem externa. Primeiros três pares de pernas com pélos
dispersos; dátilo terminando em forte espinho e com 3 espinhos enfileirados na mar-
gem inferior; própodo com 4 espinhos na sua margem inferior, 2 alinhados mediana-
mente e 2 na margem que se articula com o dátilo. Télson (machos e fêmeas) com-
posto por 7 placas. Machos com pleópodos.
Distribuição. Atlântico ocidental: USA (Carolina do Norte, Cabo Hateras),
Golfo do México, Antilhas e América do Sul, até o Rio Grande do Sul, Brasil.
Material examinado. BRASIL. Rio Grande do Sul: Albardäo, 17d, 3,40-7,50mm, 259 (4
ovígeras), 3,85-8,65mm, 20.V11.1979, barco pesqueiro col., (FURG-344); Sarita, 16, 5,10mm,
1d, 5,80mm, 12, 6,30mm, X1.1974, barco "Zeus" col., (FURG-672); Plataforma RS, (31º39's,
50º57'W), 1$, 5,70mm, 1$, 7,60mm, 3% (1 ovígera), 5,20-6,15mm, 23.1X.1981, P. Pesca de
Fundo, (FURG-343); (31º57'S, 51º09'W), 7d, 4,80-7,75mm, 129 (10 ovigeras), 5,30-
7,10mm, 16.1.1982, P. Pesca de Fundo, (FURG-330); (31º13'S, 52031'W), 106, 6,30-
9,45mm, 14% (11 ovígeras), 4,00-8,70mm, 14.1.1986, P. Pesca de Fundo, (FURG-326);
(32003'S, 51914'W), 16, 4,35mm, 16, 7,35mm, 49 (1 ovigera), 2,80-4,65mm, 26.111.1982,
Projeto Crustáceos, (FURG-340); (32007'S, 51º15'W), 10, 3,00mm, 49, 4,55-5,15mm,
03.V111.1983, Projeto Crustáceos, (FURG-580); (32910'S, 51912'W), 10, 3,35mm, 16,
7,15mm, 4% (1 ovígera), 2,65-7,00mm, 16.111.1982, Projeto Crustáceos, (FURG-342); Parcel
do Carpinteiro (32015’S, 51947'W), 18, 6,35mm, 27.1.1984, PC-BELAP, (FURG-356);
(32º26'S, 52000'W), 106, 3,30-6,75mm, 18%, 3,75-6,15mm, 23.1V.1981, P. Pesca de Fundo
(FURG-338); (32032 S, 51025’W), 80, 3,20-8,00mm, 129 (6 ovigeras), 2,80-7,00mm, 18.111.
1982, Projeto Crustáceos col., (FURG-341); (33946'S, 51º54'W), 10, 6,40mm, 1d', 6,70mm,
19 (ovigera), 8,00mm, 1%, 5,45mm, 28.1V.1981, P. Pesca de Fundo, (FURG-337); (33048’S,
52046’ W), 10d, 4,70-7,20mm, 209 (10 ovigeras), 3,50-7,00mm, 26.1V.1981, P. Pesca de Fun-
do, (FURG-329); (33º53'S, 53º02'W), 4d; 4,60-6,15mm, 39 (2 ovigeras), 4,80-6,15mm,
26.1V.1981, P. Pesca de Fundo, (FURG-336); (34º02' S), 52046'W), 330, 2,10-8,45mm,
209 (6 ovigeras), 2,5-9,8mm, 26.1V.1981, (FURG-334).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
140 SILVA, B.M.G. da et alii
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Gustavo Augusto Schmidt de Melo, do Museu de Zoologia da Universidade de
São Paulo, pelo empréstimo de exemplares, pelo incentivo e pela minuciosa revisão do manus-
crito. A laboratorista Lúcia Maria Gularte Lanau pela criteriosa colaboração no preparo do
material.
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
142 SILVA, B.M.G. da et alii
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Fig. 2
Figs. 1-2: 1. Pachycheles monilifer (Dana, 1852), macho, vista dorsal; 2. P. haigae Rodri-
gues-da-Costa, 1960, macho, vista dorsal.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
Porcellanidae (Decapoda, Anomura) de... 143
Fig. 4 en
Figs. 3-4: Pachycheles chubutensis Boschi, 1963. 3. macho, vista dorsal; 4. fêmea, vista
dorsal.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
144 SILVA, B.M.G. da et alii
Fig.6
Figs. 5-6: 5. Petrolisthes armatus (Gibbes, 1850), macho vista dorsal; 6. P. galathinus
(Bosc, 1801), macho, vista dorsal.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
Porcellanidae (Decapoda, Anomura) de... 145
Figs 7-8: 7. Polyonix gibbesi Haig, 1956, fêmea, vista dorsal; 8. Minyocerus angustus
(Dana, 1852), macho, vista dorsal.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
146 SILVA, B.M.G. da et alii
Figs. 9-21: 9. Porcellana sayana (Leach, 1820), fêmea, vista dorsal; 10-16. Télson, vista
externa. 10. Pachycheles monilifer; 11. P. haigae; 12. Polyonix gibbesi; 13. Porcellana sayana;
14. Minyocerus angustus; 15. Petrolisthes galathinus; 16. P. armatus; 17-21. Pachycheles chubu-
tensis. 17. macho com 5 placas; 18. macho com 7 placas; 19. fêmea com 5 placas (duas placas
látero-posteriores parcialmente divididas); 20. fêmea com 7 placas; 21, fêmea com 5 placas.
(Escalas, Imm).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):131-146, 22 dez. 1989
NOTA CIENTIFICA: DRULIA BROWN! (BOWERBANK, 1863)
(= SPONGILLA FRANCISCANA LUTZ & MACHADO, 1915, SYN.N.)
NA BACIA DO RIO SAO FRANCISCO, BAHIA, BRASIL (PORI-
FERA, METANIIDAE).*
Cecília Volkmer-Ribeiro* *
Solange Peixinho ***
O único registro de esponjas para a bacia do rio São Francisco é o de LUTZ
& MACHADO (1915), que observaram ocorrência abundante nos rios Carinhanha,
Grande e Paramirim, incrustando troncos, galhos e folhas da vegetação ribeirinha
atingida pelas águas altas. O material foi descrito como nova espécie, Spongilla fran-
ciscana, de modo impreciso, sem ilustrações das espículas, sem designação de ho-
lótipo ou declaração de depósito da série sintipica; incluiu-se uma foto de espécimes
coletados no rio Carinhanha. CORDERO (1924) identificou um destes exemplares
como Drulia batesi Bowerbank, 1863). Em contato com a Dra. Berta Lutz nos foi
dito que a coleção destes espécimes, inicialmente depositada no Instituto Oswaldo
Cruz, Rio de Janeiro, teria sido transferida para o Museu Nacional, Rio de Janeiro.
Nosso empenho em localizar este material em qualquer das duas instituições foi
infrutífero. Do British Museum of Natural History, Londres, recebemos um frag-
mento de espécime doado ao mesmo pela Dra. Berta Lutz e coletado por seu pai
“na boca do rio Santa Maria, Brasil, entre 1911 e 1912”. Identificamos como Dru-
lia browni Bowerbank, 1863), em cuja sinonímia MORAES (1983) inclui Drulia
batesi. Para solucionar definitivamente este problema realizamos expedição aos rios
Grande e Paramirim, de 20 a 23 de abril de 1988. Com o nível das águas baixo, atin-
gimos os mesmos locais descritos por LUTZ & MACHADO e constatamos a mesma
abundância de esponjas. Na margem esquerda do rio Grande, um tanto acima da
cidade de Barra, incrustavam da base do tronco às pontas dos galhos de uma vegeta-
ção conhecida como araçá. No local chamado Lagoa Grande do rio Paramirim, o su-
porte para as esponjas eram árvores conhecidas como mari, com casca grossa seme-
* Trabalho aceito para publicação em 10.V11.1989. Realizado com auxílio CNPq. nº
000409316-87.
** Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Cx. Postal
1188, 90001 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq.
*** Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia, Campus de Ondina 4000 Salvador,
Bahia.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):147-148, 22 dez. 1989
148
lhante a da corticeira. Em nenhum dos casos esta vegetação apresentava flores que
permitissem identificação por especialistas. Identificamos todo o material coletado
como Drulia browni “'sensu”" MORAES (1983). Assim sendo, S. franciscana é colo-
cada na sinonimia de D. browni já que as suas características conferem com as des-
ta última e, ainda, que as fotos apresentadas por LUTZ & MACHADO para as es-
ponjas então coletadas, ilustram espécimes de D. browni. Constatamos também que
no interior dos espécimes de D. browni coletados vivem outras esponjas menores,
pertencentes ao genero Trochospongilla: T. paulula (Bowerbank, 1863) e T. delicata
Bonetto & Ezcurra de Drago, 1967 “sensu” VOLKMER-RIBEIRO & DE-ROSA-
BARBOSA (1972). Não logramos coletar outras espécies dos afluentes do São Fran-
cisco visitados na presente expedição. Parte do material coletado está depositado na
coleção Porifera do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio
Grande do Sul, sob nºS 1548 e 1549 e a parte maior no Departamento de Zoologia
da Universidade Federal da Bahia, Campus de Ondina.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):147-148, 22 dez. 1989
NOTA CIENTIFICA: TMARUS COMELLINII NOM. NOV. PARA
TMARUS HIRSUTUS COMELLINI, 1955 (ARANEAE, THOMISI-
DAE, MISUMENINAE).*
Lucia Nascimento Garcia Neto**
COMELLINI (1955) estudando aracnídeos do Museu do Congo Belga, des-
creveu várias espécies de Tmarus Simon, 1875, entre as quais Tmarus hirsutus Co-
mellini, 1955. Este nome já havia sido utilizado por MELLO-LEITÃO (1929) para
designar outra espécie do gênero, procedente do Pará, Brasil.
Tmarus hirsutus Comellini, 1955 constitui, portanto, um homônimo júnior
primário, devendo ser rejeitado. Como não existe nenhum sinônimo disponível, pro-
põe-se um nomen novum para a espécie de Comellini de acordo com os artigos 53,
59 e 60b do INTERNATIONAL TRUST FOR ZOOLOGICAL NOMENCLATURE
(1985).
Tmarus comellinii, nom. nov.
Tmarus hirsutus COMELLINI, 1955 non T. hirsutus MELLO-LEITÃO, 1929.
Descrição. Segundo COMELLINI (1955: 120): “Coleur générale ivoire avec
des macules brun-clair; pente arriêre du céphalothorax brun foncé.
Dessus des chélicêres couvert d'épines; patella, tibia et tarse de la patte-mä-
choire avec, en dessus: des épines plus robustes que celles des chélicêres; fémur de
cette patte avec, en dessous, une quinzaine d'épines de diverses tailles. Avant du
sternum épineux; côtés bordés de crins de plus en plus fins en allant vers l’arriere.
Piêce labiale et lames maxiliaires couvertes d'épines. Bord antérieur du labre avec 8
crins spiniformes dirigés en avant. Tubercule abdominal três proéminent et assez
allonge. Taille 9mm. Epigyne (fig. 9). Il est três difficile de faire la différence entre
les crins spiniformes et les épines, car il y a sur cette espéce, toutes les tailles de
crins et d'épines et tous les intermédiaires. 1 ? holotype de Coquilhatville (Congo
Belge), coll. Musée Royal du Congo Belge., tube nº 20735..''
* Aceito para publicação 10.V11.1989.
** Museu Nacional do Rio de Janeiro, Departamento de Invertebrados, Quinta da Boa Vista,
Rio de Janeiro, RJ.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):149-150, 22 dez. 1989
150
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nal Union of Biological Sciences. 3.ed. London. 338p.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):149-1 50, 22 dez. 1989
NOTA CIENTÍFICA: A NEW RECORD OF S/BYNOMORPHUS TUR-
GIDUS (COPE, 1868) FROM SOUTHERN SOUTH AMERICA (SER-
PENTES, COLUBRIDAE).*
Märio R. Cabrera**
Hugo O. Merlini***
The colubrid snake Sibynomorphus turgidus has been considered ranged in
northern Paraguay, southeastern Bolivia and Mato Grosso, Brazil, by PETERS
(1960). Later, PETERS & OREJAS-MIRANDA (1970) repeated that distribution,
although OREJAS-MIRANDA (1958) had indicated its existence in Uruguay, as
was noted by LEMA & FABIAN-BEURMANN (1977). These authors furthermore
confirmed it with new material from that country.
In his recent up-to-date of the “Catalogue of Neotropical Squamata’’, VAN-
ZOLINI (1986) did not modified that distribution for the species.
Regarding to Argentina, some previous citations that included S. turgidus on
its fauna were mentined and commented by PETERS (1960). However, he did not
included them on this map of the genus (page 143), neglecting the museum speci-
mens from both Corrientes and Misiones states cited by BERG (1898), because that
provinces “| do not consider to be within the range of the species” (PETERS,
1960: 161). Also KOSLOWSKY (1898), simultaneously with BERG, had indicated
it for Paraguay, Bolivia and Brazil, and for the argentinian states Salta, Tucumán,
Gran Chaco [sic], Corrientes and Misiones. Later, SERIÉ (1936) would repeat the
provinces listed by both BERG (1898) and KOSLOWSKY (1898), adding Jujuy to
them.
ABALOS et al. (1964) extended the southern boundary of S. turgidus to San-
tiago del Estero province. They confirmed thus the presence of this species at Ar-
gentina, by collectiny one specimen from Colonia Dora (28036'S; 62057'W). Also
these authors extended its northern range, adding the Peru, but without comments.
However, and notoriously: in the checklist by ABALOS & MISCHIS (1975) this
snake was not include.
* Aceito para publicação em 10.V11.1989.
** Departamento de Zoologia, Universidade Nacional de Cordoba, C. Correo 395, 5000 Cor-
doba, Argentina.
*** | aboratorio de Animales Venenosos Brinkmann, Av. Latinoamerica, 634, 5149 Saldán,
Argentina.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):151-153, 22 dez. 1989
152
The southernmost citation of this species is due to GALLARDO (1982), who
listed it as a member of the herpetofauna from Colón, Entre Rios province, Argen-
tina.
In this paper we inform about the presence of S. turgidus in Córdoba provin-
ce, at central Argentina, documented by the capture of five specimes (one adult and
four juveniles; see data below) from Brinkmann (30052'S; 62002'W).
With this record we extend 260km straigh-line the southerncentral boundary
verified for the species (ABALOS et al., 1964) and about 400km to the northwest
its extreme southern boundary, as cited by GALLARDO (1982). Also in this con-
tribution we add a new province to the Argentinian Known records.
For southern South America, the older literature records do not clearly men-
tion which collected samples were revised by its authors. Not withstanding, the
specimen cited by ABALOS at al. (1964) an the ones appointed here do support to
the presence of S. turgidus in Argentina, and enlarge its reliable distribution to five
countries; Brazil, Bolivia, Paraguay, Uruguay and Argentina.
Material examined. ARGENTINA. Córdoba: San Justo (Brinkmann) 1%, 9.1V.1987,
LAVB — 026C, total size (TS) 535mm, “Laboratório de Animales Venenosos Brinkmann”, Ar-
gentina; 4 juveniles, unsexed AC-217 (TS: 164mm); AC-218 (TS: 167mm); AC-219 (TS:
163mm) AC-220 (TS: 155mm). Herpetological collection of Cátedra de Anatomia Comparada,
Universidad Nacional de Córdoba, Argentina.
OBS.: Both coloration pattern and scutellation characteristics do not differ from previous
descriptions (e.g. PETERS, 1960; ABALOS et al., 1964).
LITERATURE CITED
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IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):151-153, 22 dez. 1989
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LEMA, Te er Uri, Mg ne Lu
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NOTA CIENTIFICA: DISTRIBUCIÓN DE OL/ND/AS SAMBAQUIEN-
SiS MULLER, 1861 (HYDROZOA, LIMNOMEDUSAE) EN EL
ATLÂNTICO SUDOCCIDENTAL.*
Hermes W. Mianzan* *
Con el propösito de actualizar y ampliar la distribuciön geogräfica de Olindias
sambaquiensis Müller, 1861 en el oc&ano Atläntico sudoccidental, se han examina-
do ejemplares en las colecciones de los Museos de Ciencias Naturales Bernardino Ri-
vadavia (MACN) y de La Plata (MLPA) que incluyen material de celenterados cap-
turado desde Ushuaia (Argentina) hasta el estado de Paranä (Brasil). Ademäs se re-
colectö material en diferentes localidades costeras desde Florianópolis (Brasil) hasta
bahia San Blás, Argentina (material depositado en el Instituto Argentino de Oceano-
grafia, IADO, Bahia Blanca). Para el determinación taxinómica se utilizó el trabajo
de KRAMP (1961).
La especie ha sido citada para las costas de Brasil y Argentina (VANNUCCI,
1951; KRAMP, 1970; ZAMPONI & MIANZAN, 1985) y se la considera probable-
mente endémica de la costa atlântica templada de América del Sur ya que no atra-
viesa el estrecho de Magallanes. Su limite más austral es la mención de 2 ejemplares
procedentes de bahia San Blás (40030'S) y 1 ejemplar procedente de Isla del Obser-
vatorio (550S) (Este posee cordili y podria corresponder a la especie Staurophora
mertensi Brandt, 1838, aunque se halla bastante deteriorado). BARATTINI & URE-
TA (1960) aunque la Ilaman Olinda múilleri, la citan para Uruguay y más reciente-
mente, GOY (1979) basada en una colección procedente de Brasil y Uruguay am-
plia hacia el sur su zona de dispersión.
A partir de material proveniente de San Antonio Oeste (40940'S) y norte de
península de Valdez (41055'S) se amplía hacia el sur su distribución meridional co-
nocida. En latitudes superiores, hasta el momento, sólo se ha citado un ejemplar de
Olindias phosphorica (Delle Chiaje, 1841) en aguas de la corriente de Malvinas
(ZAMPONI, 1983). Esta distribución desde aproximadamente 23050'S (VAN-
NUCCI, 1951; GOY, 1979) hasta 4205 (fig. 1) ubicaria a Olindias sambaquiensis
* Trabalho aceito para publicação em 10.V11.1989. Realizado com auxílio CNPq 00040931 6-
86.
** Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Cx. Postal
- 1188, 90001 Porto Alegre, RS. Bolsista do CNPq.
*% Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia, Campus de Ondina 4000 Salva-
dor, Bahia.
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69):155-157, 22 dez. 1989
156
4
como especie común de la provincias Biogeográficas Argentina y Sudbrasilena ó
Paulista y Patagônica delimitadas por BA LECH (1954) y PALACIO (1982) respecti-
vamente.
Material examinado. BRASIL. Santa Catarina: Florianópolis, 2 ejemplares, Echevarria
col. URUGUAY. Rocha: La Paloma, 1 ejemplar, 1922, (MLPA); Pta. del Este, 1 ejemplar,
14.X1.1985, Olagüe col.; ARGENTINA. Buenos Aires: Mar del Plata, V1.1921, (MACN, nº
12202); 25.11.1914, (MACN, nº 9657); 27.1.1927, (MACN, nº 17146); 4 ejemplares, 17.11.
1985, Mianzan col. (IADO); Oriente: Monte Hermoso, Pehuencó, Pto. Rosales, Pto. Ing. White,
158 ejemplares, X11.1981/1V.1982, Mianzan col. (IADO); Pehuencó, s/fecha, (MACN, nº
30908); bahfa Blanca, 49 ejemplares juveniles, 1X.1982/V111.1983, Mianzan col. (IADO);
2 ejemplares juveniles, V1.1983/X11.1984; 216 ejemplares juveniles y adultos, X1.1982/XII.
1984, Mianzan col. (IADO); bahia San Blás, 6.V11.1932, (MACN, nº 11451); 9 ejemplares,
11.1941, (MLPA; 3 ejemplares, 20.V.1986, Mallo col. (IADO); Rio Negro: San Antonio Oeste,
1 ejemplar, s/fecha, (MLP); Chubut: (41055'S-62045'W), 1 ejemplar, 1.1V.1925, (MACN,
nº 15278).
Agradecimientos: a la Dra. O. Blanco (MLPA) y al Prof. Irigoyen (MACN) por haber fa-
cilitado las colecciones a su cargo. A la Lic. Claudia Girola por su ayuda en la identificación de
Staurophora mertensi Brandt, 1838.
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Fig. 1: Distribución conocida de Olindias sambaquiensis Müller, 1861 en el Océano
Atlántico Sudoccidental (en negro).
IHERINGIA. Ser.Zool., Porto Alegre (69): 155-157, 22 dez. 1989
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A IHERINGIA — SÉRIE ZOOLOGIA (ISZ), órgão do Museu de Ciências Naturais da
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Zoologia, mantendo também seções destinadas a notas prévias, resenhas bibliográficas e notícias
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gundo as normas da ABNT, salvo o ano da publicação que deve seguir o nome do autor.
As abreviaturas dos nomes de periódicos devem obedecer as normas do “World List of
Scientific Periodicals’'.
Ex.: 1-— SANTOS, E. 1952. Da ema ao beija-flor. 2.ed.rev.ampl. Rio de Janeiro, F.
Briguiet. 335p.
Ex.: 2 — BERTSCHINGER, R.B.E. & José Willibaldo Thomé. 1987. Contribuição à
recaracterização de Phyllocaulis soleiformis (d' Orbigny, 1835) (Gastro-
poda, Veronicelidae). Revta.bras.Zool., São Paulo, 4(3):215-33. out.
6. As ilustrações devem ser feitas preferencialmente a traço, com nanquim, em papel ve-
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dentemente com números arábicos sequências. Ilustrações, tabelas e mapas não devem
ser incluídos no meio do texto. Devem ser montados em cartolina branca, proporcio-
nais às dimensões (11cm x 17cm), adotado o critério de rigorosa economia de espaço.
A Comissão Editorial reserva-se o direito de efetuar alterações na montagem das pran-
chas ou solicitar nova montagem aos autores. As legendas devem ser datilografadas em
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folha(s) a parte. Ilustrações a cores devem ser combinadas previamente e seu custo fica
a cargo do(s) autor(es).
7. A elaboração da listagem do material examinado deve dispor as localidades do Norte para
Sul e de Leste para Oeste, segundo o modelo abaixo:
Ex.: — VENEZUELA: Sucre, San Antonio del Golfo, 5 ? MNHN 2547, 08.V.1942,
S. Karpinski leg. PANAMA: Chiriqui, Bugaba (Volcan de Chiriqui), 3 S 1 ? BMNH
1901. V1-274-7, 24.V1.1901, Champion leg. BRASIL: Goiás, Jataí (Fazenda Acei-
ro), 30 2 9 MZSP 4312, 15.X1.1915, C. Bueno leg.; Paraná, Rio Negro, 1 ? MNRJ
58425, 02.X11.1925, F.D. Silveira leg., Rio Grande do Sul, Viamão, Itapuã (Morro
da Grota), 5? MCN 2147, 17.X1.1943, S. Carvalho leg.
8 A seleção dos manuscritos far-se-á pela Comissão Redatorial após parecer de no mínimo
dois referees. Alterações de pequena monta serão feitas pela própria Comissão. Altera-
ções mais substanciais serão solicitadas aos autores, mediante a devolução dos originais,
acompanhados das sugestões. A correção das provas tipográficas será, sempre que possí-
vel, de responsabilidade do(s) autor(es).
9. Para cada artigo será fornecido um número fixo de 100 separatas, sem capa. Separatas
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tos e serão cobradas dos autores a preço de custo.
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acnologia
GENTINO BONETTO
ntro de Ecologia Aplicada del Litoral
gentina
lacologia
NALDO C. DOS SANTOS COELHO
seu Nacional — Rio de Janeiro
lacologia
RLOS H.W. FLECHTMANN
iversidade de São Paulo
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lacologia
OY G. CASTELLON
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ILIO MAURY
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RIQUE H. BUCHER
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RNANDO DA COSTA NOVAES
seu Paraense Emilio Goeldi
nitologia
GILBERTO RIGHI
Instituto de Biociências — USP
Annelida
GUSTAVO A.S. DE MELO
Museu de Zoologia — USP
Carcinologia
HELMUT SICK
Acad. Bras. Ciências — RJ
Ornitologia
HERALDO A. BRITSKI
Museu de Zoologia — USP
Ictiologia
HILDA DE S.L. MESQUITA
Instituto Oceanográfico — USP
Ecol. de micro-organismos marinhos
IVAN SAZIMA
Inst. Biol. — UNICAMP — SP
Ecologia de peixes e répteis
JOÃO M.F. CAMARGO
Fac. Fil. Ciênc. Letras — Ribeirão Preto
Hymenoptera
JOSÉ ALBERTINO RAFAEL
INPA — Manaus
Diptera
JOSÉ CÂNDIDO DE MELO CARVALHO
Museu Nacional — Rio de Janeiro
Entomologia
JOSÉ FELIPE RIBEIRO AMARO
Instituto de Biologia — U.F.R.R.J. — RJ
Helmintologia
JOSE HENRIQUE GUIMARÄES
Museu de Zoologia — USP
Entomologia
JOSE LIMA DE FIGUEIREDO
Museu de Zooloaıa — USP
Ictiologia
JOSÉ LUIZ LEME
Museu de Zoologia — USP
Malacologia
JOSÉ R.C. HAKIM
Universidade Fed. Viçosa — MG
Hymenoptera
JUAN ALBERTO SCHNACK
Instituto de Limnologia de La Plata — Argentina
Limnologia
JULIO CESAR GARAVELLO
Universidade Federal de São Carlos — SP
Ictiologia
LUIZ CARLOS C.B. FERRAZ
Esc. Sup. de Agric. Luiz de Queiróz
Helmintologia
LUIZ DINO VIZOTTO
Univ. Est. Paulista — Julio Mesquita Filho
Anura — Chiroptera — Teratologia Animal
MARIA ELENA GALIANO
Museu Argentino de Ciencias Naturales
Aracnologia
MARIA J. DA C. BELÉM
Museu Nacional — RJ
Cnidaria
MAURICIO O. ZAMPONI
Univ. Nac. Mar del Plata — Arg.
Cnidaria
MIRIAM BECKER
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Entomologia
NAERCIO MENEZES
Museu de Zoologia — USP
Ictiologia
NELSON PAPAVERO
Museu de Zoologia — USP
Filogenética — zoogeografia
OSMAR DOMANESCHI
Instituto de Biociências — USP
Malacologia
PEDRO A.F. JUNIOR
Instituto Butantan — SP
Herpetologia
PEDRO M. LINARDI
Univ. Fed. de Minas Gerais
Insecta — Parasitologia
PETRÔNIO ALVES COELHO
Universidade Federal de Pernambuco
Carcinologia
RENATO CONTIN MARINONI
Universidade Federal do Paraná
Entomologia
ROBERTO B. CAVALCANTI
Univ. Fed. Brasília
Ornitologia
RUBENS ALVES DA CUNHA
Univ. Est. Paulista — Rio Claro
Taxonomia
SIXTO COSCARÓN
Univ. Nac. de La Plata — Argentina
Entomologia
SONIA M.F. ZUIM
Univ. Est. Paulista — Jaboticabal
Fisiologia de Peixes
SYLVIA M. LUCAS
Instituto Butantan — SP
Aracnologia
UBIRAJARA R. MARTINS
Museu de Zoologia — USP
Entomologia
VICTOR PY-DANIEL
INPA — Manaus
Entomologia
WALTER NARCHI
Instituto de Biociências — USP
Malacologia
WERNER BOKERMANN
Fundação Parque Zoológico de São Paulo
Herpetologia — Anura
WILSON LOURENÇO
Museum National d'Histoire Naturelle — Paris
Scorpionida
WLADIMIR LOBATO PARAENSE
Instituto Osvaldo Cruz — Rio de Janeiro
Malacologia
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Composição e Arte Final:
Supernova Editora Ltda.
Porto Alegre - RS
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; HI — A new record of Sibynomorphus turgidus (Cope, 1868) a southern |
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CONTEÚDO (continuação) |
BRESCOVIT, A.D. & Arno Antonio Lise. Redescription of Anyphaena :
simonii Becker, 1878 from pectorosa group (Araneae, Anyphaenidae) p. 97 4
MARQUES, M.A. L. & Erica Helena Buckup. Duas novas espécies de }
Theridiidae (Araneae) dos generos Cerocida e Echinotheridion do I
Anac PR ANI ps RS N Coro ee are RR, pP. 101.
FERRIZ, R.A. Alimentacion de Percichthys colhuapiensis (Mac Denai j
1955) y P. trucha (Girardi, 1854) (Osteichthyes, Percichthydae) en el i
embalse Ramos Mexia, Provincia del Neuquen, Argentina......... p. 109 ;
'GARCIA-NETO, L.N. Uma espécie nova de Peucetia Thorell, 1869 do A
ERRO Pora i E RO Da ni PTOS A TRAD RI GD RP ee p. 117 E
BUCKUP, E.H. & Maria A. L. Marques. Aranhas Theridiidae da Ilha de
Maracá, Roraima, Brasil. |. Nova espécie de Echinotheridion e descri-
" ção da fêmea de Phoroncidia moyobamba (Araneae) ............ p. 123
SILVA, B.M.G. da, Adriana da Costa Braga & Fernando D’Incao Porcella-
nidae (Decapoda en de Santa Catarina e Rio Grande do Sul,
Brasil Do gone a a Baer ra dE TA TER REN p. 1313
NOTAS CIENTIFICAS
1 - Drulia browni (Bowerbank, 1863) (= Spongilla franciscana Lutz &M-
chado, 1915, syn.n.) na bacia do Rio São Francisco, Bahia, Brasil ra
“rifera, Metaniidae). VOLKMER-RIBEIRO, C. & Solange Peixinho .
u- _ “Tmarus comellinii nom. nov. para Tmarus hirsutua Comellini, 1955 EA
“(Araneae, Thomisidae, Misumeninse). GARCIA-NET E TENS
south America (Serpentes, Colubridae). CABRERA, MR. A
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