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DRA RE
Iheringia
Série Zoologia
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BL ISSN 0073-4721
lheringia
Série Zoologia
A revista IHERINGIA, Sér. Zool. é editada pelo Museu de Ciências Naturais, órgão
da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, entidade de direito privado, instituída pela
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e destina-se à divulgação de trabalhos científicos originais, inéditos, mantendo seções
destinadas a notas prévias, resenhas bibliográficas e notícias de interesse resultantes de
pesquisa em Zoologia
Este número foi editado e impresso na gráfica Pallotti em setembro de 1993.
Tiragem 600 exemplares.
Endereço para doações, permutas e correspondência: Fundação Zoobotânica do Rio
Grande do Sul, Editoração, Cx. Postal 1188, CEP 90001-970 Porto Alegre, RS, BRASIL. Tel.
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Iheringia, Ser. Zoologia. v.1, 1957 -
Porto Alegre, RS - Brasil, Museu de Ciências Naturais
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
1957 -
Semestral
ISSN 0073-4721
1. Zoologia-Periódicos - Brasil.
2. Trabalhos científicos - Zoologia - Brasil. I. Museu de
Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande
do Sul
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Documentation Arachnologique, Entomological Abstracts, The Zoological Record.
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LA ASOCIACION DE LAEONEREIS ACUTA TREADWELL, 1923
(POLYCHAETA, NEREIDIDAE) EN LA BAHIA BLANCA, ARGENTINA !
Rodolfo Elias ?
Elena Ieno?
ABSTRACT
THE ASSEMBLAGE OF LAEONEREIS ACUTA TREADWELL, 1923 (POLYCHAETA,
NEREIDIDAE) IN THE BAHIA BLANCA, ARGENTINE. The structure, distribution and relationship with
environmental factors were described for the Laeonereis acuta association in the Bahía Blanca. The 22 stations
were sampled in spring. At each one, six 0.12 m? van Veen grabs were taken in tidal creeks at low tide. Cluster
analyses were performed to summarized associations, with quali and quantitative index in Q and R mode. Into
the inner bay, the characteristic species are L. acuta and Corophium sp., while in the outer are Neanthes sp. and
Priapulus tuberculatospinosus Baird, 1866. Heleobia australis is a preferent species in the association, with
major dominance into the inner bay than in the outer. The salinity and granulometric pattern agree with other
studies carried out on this association. The faunistic composition of the association change along the
geographical distribution from the brazilian to the Argentinean coast.
KEYWORDS. Argentina, Laeonereis acuta, Nereididae, Polychaeta.
INTRODUCCION
Diversos estudios bentónicos realizados en la Bahía Blanca, permitieron conocer
diferentes aspectos de sus comunidades infaunales. Un primer relevamiento de la infauna
bentónica de la Bahía Blanca describió la estructura espacial de las comunidades
intermareales (ELIAS, 1985). Posteriormente, se efectuó un amplio estudio de las
comunidades submareales, tanto en la bahía misma como en su zona externa (BREMEC,
1986, 1989, 1990), así como una comparación entre las mismas (ELIAS & BREMEC,
1986). Además de caracterizar las comunidades infaunales submareales, el estudio de la
Bahía Blanca permitió relacionar la estructura cuantitativa del bentos con la existencia de
enriquecimiento orgánico (ELIAS, 1992). Sin embargo, hasta el momento, no existen
datos cuantitativos sobre la asociación de Laeonereis acuta Treadwell, 1923 (sensu
ORENSANZ & GIANUCA, 1974) en la Bahía Blanca.
1. Contr. Cient. Dpto. Ciencias Marinas nº 84.
2. Departamento de Ciencias Marinas, Facultad de Ciencias Exactas y Naturales, Universidad Nacional de Mar del Plata. Dean Funes 3350 (7600)
Mar del Plata. Argentina.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 3-13, 30 set. 1993
4 ELIAS & IENO
L. acuta integra y domina numéricamente en asociaciones bentónicas de baja
diversidad específica desarrolladas en ambientes mixohalinos someros, desde Santos,
Brasil, hasta Golfo Nuevo, Argentina (ORENSANZ & GIANUCA, 1974). Varios autores
lo consideran un importante recurso alimentario de vertebrados e invertebrados
(ORENSANZ & ESTIVARIZ, 1971; MARCOVECCHIO et al., 1986).
Por tal motivo, se tiene por objetivo describir la estructura cuali-cuantitativa de esta
asociación, su distribución espacial en la Bahía Blanca y su relación con los factores
físico-químicos, asi como sefialar la variación cualitativa observada a lo largo de su
distribución geográfica.
Area de estudio. La Bahía Blanca, ubicada entre 38° 40' - 39° 25'S y 61° 30' - 62º
40' O, es un ambiente somero con tres canales principales y una intrincada red de canales
secundarios y de marea (fig. 1). El área cubierta por la bahía es de unos 2000 km?, de los
cuales unos 1100 son intermareales. Estas áreas corresponden a planicies de marea fango-
arenosas, y se hallan habitadas por la asociación Salicornia ambigua - Spartina spp. y/o
Chasmagnathus granulata Dana, 1851 (ELIAS, 1985). Elambiente orientado en dirección
NO-SE puede ser dividido en dos regiones: una interna, larga y angosta, desde la cabecera
hasta el Puerto de Ingeniero White (estación D), de unos 14 km? y aguas mixohalinas; y
otra externa, o bahía propiamente dicha, desde dicho puerto hasta mar abierto, de aguas
euhalianas (FREJJE et al., 1981).
La profundidad media es baja (> 20 m) y el régimen de mareas es semidiurno, de
amplitud mayor en la región interna (3,6 m) que en la externa (2,0 m). El principal aporte
de agua dulce lo realiza el Arroyo Sauce Chico, con un volumen medio anual de 10 m?/
s, el cual descarga sus aguas en la cabecera de la región interna. Debido a ello, la salinidad
se incrementa exponencialmente hasta el puerto de Ing. White desde 15 a 35 por mil,
mientras que, a partir de dicho puerto y en toda la región externa se mantiene entre 31 y
35 por mil. El rango anual de la temperatura superficial del agua varió entre 6y 22º C |
(Arango com. pers.).
MATERIAL Y METODOS
Fueron muestreadas 22 estaciones (fig. 1), tomando en cada una de ellas 6 dragas tipo van Veen de 0,12
mº, dos en el centro de los canales de marea y dos sobre cada costado. Diez estaciones se muestrearon durante
1982 (A - J; unidades de muestreo 1 - 60) y 12 durante 1983 (K - V; unidades de muestreo 100 - 172), todas
durante la primavera.
Las muestras fueron tamizadas abordo a través de trama de 2 mm y los organismos retenidos fueron
conservados en formaldehido neutralizado al 5%. En cada estación se obtuvieron muestras de agua superficial
para determinar la salinidad y la temperatura. De cada unidad de muestreo se obtuvo una submuestra para
análisis granulométrico, el cual fue realizado por tamizado en seco para las partículas mayores de 0,063 mm. El
fango (limo + arcilla) fue obtenido por diferencia entre peso inicial y peso despues del lavado.
El análisis faunístico se basó en matrices de similitud entre todos los posibles pares de unidades de
muestreo (modo Q) y entre especies (modo R). Los índices utilizados fueron MORISITA (1959) y SORENSEN
(1948) en el primer caso y DICE (1945) en el segundo. El agrupamiento jerärquico (““cluster””) se efectuó por
medio de uniones completas y se graficó en dendrogramas.
Sobre cada unidad de muestreo se calculó el índice biológico (IB) (SANDERS, 1960) a las cinco especies
más abundantes. El método original toma las 10 primeras especies, sin embargo, debido al bajo número de
especies en el presente trabajo, se tomaron sólo 5. Una adaptación similar fue realizada por CACHES (1980). Los
puntos obtenidos por cada una son sumados de todas las muestras que integran la asociación, dentro de la cual
estas son clasificadas según su IB decreciente, su frecuencia y su dominancia media. La frecuencia se calculó
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 3-13, 30 set. 1993
La asociación de Laeonereis acuta... 5
como el cociente entre las muestras con la especie sobre el total de muestras x 100; la dominacia es una expresión
de la proporción de la especie en la muestra (GUILLE, 1970).
Según los valores obtenidos, ias especies seran clasificadas como Características (=Exclusivas) de ler
orden, si están dentro de las diez primeras; de 2do orden, despues del 10mo puesto, y de 3er orden, sin valor de
IB; Preferentes, dentro de los diez primeros puestos, pero presentes también en otra asociación; Acompafiantes,
despues del puesto 19mo; Accesorias, sin IB, y Accidentales (GUILLE, 1970).
RESULTADOS
Ambos muestreos fueron faunísticamente similares, sin observarse diferencias
significativas ano a afio, por lo que fueron reunidos y analizados de conjunto. Sobre un
total de 132 unidades de muestreo, no presentaron macrofauna las unidades 3, 4, 39, 40,
51 (afio 1982), 103, 104, 116, 139, 140, 163, 164 y 165 (ano 1983).
En el análisis de agrupamiento en modo Q ambos índices discriminaron 14 grupos
independientes y una unidad de muestreo aislada (figs. 2, 3). En lineas generales, pueden
distinguirse 2 grandes conjuntos de muestras relacionadas con las dos regiones de la bahia.
El grupo de muestras externas (grupos cualitativos 9 a 12 y en menor medida el 13, 14y
15; y los grupos cuantitativos 7 a 14) cuya composición específica se basa en la presencia
del poliqueto Axiothella cf. antarctica Monro, 1930. Por otra parte, el grupo de muestras
proveniente de la región interna puede ser dividido en dos asociaciones. La primera,
desarrollada sobre la franja superior del infralitoral (grupos cualitativos 1 a 4; grupos
cuantitativos 1 a4), presentan en común al poliqueto L. acuta; en tanto que en las muestras
restantes se alternan en presencia/dominancia los poliquetos Thelepus plagiostoma
Schmarda, 1861, Nicolea cf. chilensis (Schmarda, 1861) y Scoloplos (Leodamas) sp.
(ELIAS, 1987).
En modo R (fig. 4), los grupos más representativos son los número 2, 4 y 6. Los dos
últimos constituyen los nucleos constitutivos de la asociación de Axiothella y de Thelepus
- Nicolea. El grupo 2 se halla constituido por L. acuta, Heleobia australis (d’Orb., 1835)
y Chasmagnathus granulata.
La asociación de L. acuta. En los grupos cualitativos 1,2 y 3,L. acuta es una especie
constante con una frecuencia de 60%, mientras que H. australis es de frecuencia común
(40%), presentando ambas elevados valores de IB y una dominancia de 35 y 21,
respectivamente. En el grupo 4, L. acuta resultó tercera según su IB y fue de frecuencia
común.
Los grupos cuantitativos representan facies de una asociación, entendida como la
preponderancia numérica de una o unas pocas especies (ZAIXSO & PASTOR, 1977). El
grupo 1 esta dominado numéricamente por Corophium sp.; el 2 por la abundancia de L.
acuta y H. australis, aunque ésta en menor frecuencia; el 3 por H. australis y el 4 por la
constancia de aparición de Buccinanops globulosum (Kiener, 1834) (tabla I). La especie
común a estos grupos es L. acuta.
Para la caracterización de la asociación se utilizaron los grupos determinados por
el índice de MORISITA (1959), por expresar sus resultados medidad de cantidad y
proporción entre especies. Considerando este conjunto de unidades de muestreo y de la
aplicación de la metodología biocenótica se obtuvo el ordenamiento y la clasificación de
las 14 especies que integran la asociaciön (tabla II).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 3-13, 30 set. 1993
6 ELIAS & IENO
Tabla I. Composición especifica de las unidades de muestreo agrupadas según el índice cuantitativo de
MORISITA (1959) en función de la presencia en común de L. acuta.
Unidades de muestreo
Especie 6 5 2 EOS EDS 105 102
Laeonereis acuta 0 0 1 072923553106 1 5
Syllidae 0 O l 0 0
Corophium sp. 42 Be 22 0 0
P. tuberculatospinosus 1 0
Heleobia australis 0 0 0 0 47 26 0 01,58
Chasmagnathus granulata 0 0 0 0 0 1 0 0 0
Unidades de muestreo
Especie 1017521247219 3718025 PIE 19 20 120
Laeonereis acuta 2 0 0 0 0 0 1 \ 0
Buccinanops globulosum 0 0 0 2 2 2 4 1 4
Olivella tehuelchana 0 0 0 4 10 0 0 0 0
P. tuberculatospinosus 0 1 1 0 0 0 0 0 5
Neanthes sp. 0 1 0 0 0 0 0 0 0
Chone sp. 0 0 0 0 1 0 0 0 0
Phylo felix 0 4 1 0 0 0 0 0 1
Ninoe brasiliensis 0 1 0 1 0 0 0 0 0
Heleobia australis 55 2 3 0 0 0 0 0 0
Glyceridae 0 1 0 0 0 0 0 0 0
Eteone sp. 1 0 0 0 0 0 0 0
Distribuciön espacial. L. acuta estuvo restringida a la región interna, donde alcanzó
densidades de hasta 1024 ind./m? en su parte media (estación L), disminuyendo hacia
ambos extremos. Su último registro corresponde a la estación D que marca el fin
aproximado de la región interna. De igual manera, Corophium sp., H. australis y Syllidae
se hallaron presentes en esta región. La primera fue exclusiva de la estación A, donde
alcanzó densidades de hasta 650 ind./m?, en tanto que las otras dos fueron halladas
también en la región externa. Las especies Preferentes, así como las Accidentales, se
distribuyeron principalmente en la región externa (fig. 5).
Todas las unidades de muestreo consideradas provienen de los márgenes de los
canales de marea, a una profundidad de entre 1 y 2 m en bajamar (franja superior del
infralitoral).
El sedimento de estas muestras estuvo constituido por fango (entre un 82 y un 93%),
más arenas finas y muy finas. Para el sector entre mareas, la proporción de fango en que
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 3-13, 30 set. 1993
La asociación de Laeonereis acuta... 7
Tabla II. Ordenaciön y clasificación biocenötica de la comunidad de L. acuta. IB: indice biológico (SANDERS,
1960); f (%): frecuencia; D. M.: Dominancia Media; Clas. Biocenótica: Classificación Biocenótica (GUILLE,
1970).
Especie IB f(%) D.M. Clas. Biocenötica
Laeonereis acuta 37 44 3353 Caracteristica ler Orden
Heleobia australis 28 43 30,0 Preferente
Buccinanops globulosum 27, 43 2 Preferente
Corophium sp. 20 28 2957 Característica ler Orden
P. tuberculatospinosus 17 28 1,1 Característica ler Orden
Phylo felix 11 21 0,9 Preferente
Olivella tehuelchana 10 14 1,9 Preferente
Syllidae 8 14 0,3 Preferente
Eteone sp. 6 14 0,4 Preferente
Ninoe brasiliensis 6 14 0,3 Accidental
Glyceridae 3 7 0,1 Accidental
Neanthes sp. 3 7 0,1 Caracteristica 2do Orden
Chone sp. 3 2 0,1 Accidental
Chasmagnathus granulata 0 7 0,1 Caracteristica 3er Orden
fue hallada L. acuta varió igualmente entre 80 y 92% (ELIAS, 1985). Por otra parte, en
la estación A, donde fue dominante Corophium sp., el sedimento estuvo constituido por
fango y arenas en partes iguales (44,8 y 44,2%) más gravas (10%).
La salinidad de las estaciones analizadas varió entre 22,2 y 31,9 por mil. En esta
última salinidad, correspondiente a la estación L, fue donde se registró la mayor
abundancia de L. acuta.
DISCUSION
El agrupamiento de muestras en 2 grupos mayores, responde a la división de la bahia
en dos regiones, una interna de salinidad variable (mixohalina) y otra externa, estable en
cuanto a la salinidad (euhalina). La distribución de L. acuta coincide con este patrón de
distribución, por cuanto se halló restringida a la región interna. Numerosos autores la
mencionan como especie estuarial, en aguas de entre O y 30 por mil de salinidad
(OLIVIER et al., 1972; CAPITOLLTI et al., 1978; BEMVENUTT etal., 1978; AMARAL,
1979; MARCOVECCHIO et al., 1986).
Durante el relevamiento mediolitoral, ELIAS (1985) halló altas densidades de L.
acuta (550 ind./m?) sobre la región externa, en las inmediaciones del Arroyo Parejas. La
presencia de esta especie es común frente a la desembocadura de cursos fluviales (L.
culveri Webster, 1880, según AMARAL, 1979), por lo que cabe hallarla en esta región
asociada a aguas con cierto porcentaje de mezcla.
Unrelevamiento bentónico efectuado en el Arroyo Sauce Chico, que desemboca en
laregión interna a la altura de las estaciones B y L, reveló la existencia de altas densidades
de L.acutay H. australis (Brizzola, com. pers.). Mientras que la primera disminuye hacia
la cabecera del arroyo (de 1200 a 900 ind./m?), la segunda aumenta (de 1070 a 7300 ind./
m?). Esta variaciön es atribuible tanto al gradiente salino (de 1,2 a 31 por mil), como al
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 3-13, 30 set. 1993
8 ELIAS & IENO
contenido de materia orgánica del sedimento, el cual varió de 23,9% enla cabecera a 8,6%
en la desembocadura.
La distribución vertical de L. acuta en la Bahía Blanca, desde el mediolitoral medio
hasta 1 m de profundidad, así como el tipo de sustrato en el que habita, concuerdan
igualmente con lo hallado por otros estudios similares (OLIVIER et al., 1972; CAPITOLLI
et al., 1978; BEMVENUTI et al., 1978).
Un análisis de la variación cuali-cuantitativa de esta comunidad permite verificar
un empobrecimiento desde la región interna hacia la externa y, paralelamente, un
reemplazo de especies características: L. acuta y Corophium sp. se hallaron exclusiva-
mente en la región interna, en tanto que Neanthes sp. y Priapulus tuberculatospinosus
Baird, 1866 fueron propias de la externa. H. australis especie Preferente de la asociación
fue hallada en grandes abundancias en la región interna, pero tambien estuvo presente en
la región externa. mos
L. acuta y la comunidad que caracteriza ha sido citada desde Santos, Brasil, hasta
Golfo Nuevo, Argentina (ORENSANZ & GIANUCA, 1974). La estructura comunitaria
parece ser la misma para estos ambientes, aunque la fauna acompafiante y sus abundancias
relativas difieren latitudinalmente. Así, en la playa de Saco da Rivera, las especies
acompafiantes más importantes son los poliquetos Hemipodus rotundus Quatrefagues,
1865, Diopatra cf. cuprea Kinberg, 1865, Neanthes sp. y Glycinde multidens Müller,
1858 (AMARAL, 1979). En Lagoa dos Patos, la comunidad presentó facies de Tagelus
plebeius (Solander, 1786) y elevada abundancia de A. australis, Kalliapseudes schubarti
Mane-Garzon, 1949 y Heteromastus similis Southern, 1921 (CAPITOLLI et al., 1978;
BEMVENUTI et al., 1978). En Mar Chiquita las facies fueron de Tagelus gibbus
(Splenger, 1794) y Cyrtograpsus angulatus Dana, 1851, más otras especies importantes
como Fl. australis, Neanthes succinea (Frey & Lanckart, 1847), H. similis y Nephtys
Jluviatilis Monro, 1937 (ORENSANZ & ESTIVARIZ, 1971; OLIVIER et al., 1972;
MARCOVECCHIO et al., 1986). En la Bahía Blanca L. acuta fue hallada sobre el sector
entre mareas y sobre la franja superior del infralitoral. En el sector entre mareas, la fauna
acompanante estuvo representada por MH. australis, Eteone sp., Cyrtograpsus altimanus
Dana, 1851, Scolecolepides sp. y P. tuberculatospinosus, (ELIAS, 1985). En el presente
estudio, considerando sólo la franja superior del infralitoral, la fauna acompafiante estuvo
representada principalmente por Corophium sp. y H. australis. En la bahia de San
Antonio, L. acuta aparece asociada a Malacoceros sp. (ESCOFET et al., 1978), en tanto
que en las playas de Puerto Madryn, en el extremo sur de su distribución, la asociación
se halló constituida por Darina solenoides (King, 1832) - Boccardia polybranchia
(Hasswell, 1885) - L. acuta, y ocupö la franja superior de la región entre mareas (Escofet,
com. pers.).
Agradecimientos. A colegas, amigos y autoridades del Instituto Argentino de Oceanografia (IADO,
Bahía Blanca) por su constante apoyo, así como al Dr. Mianzan, Dr. Bremec y Dr. Bastida (INIDEP, Mar del
Plata) por la lectura crítica de tantos manuscritos. Tambien deseo agradecer a dos árbitros anónimos y en
especial al Dr. Paulo Lana, por las críticas realizadas que ayudaron a mejorar este trabajo.
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Recebido em 13.03.1991 (1º versão) e em 8.09.1992 (2º versão); aceito em 24.05.1993.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 3-13, 30 set. 1993
10 ELIAS & IENO
Fig. 1. Ubicaciön geogräfica de la Bahia Blanca. Estaciones de muestreo de la comunidad de Laeonereis acuta.
A-J, estaciones 1982; K-V, estaciones 1983. Las äreas punteadas representan zonas intermareales.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 3-13, 30 set. 1993
La asociación de Laeonereis acuta... 11
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Figs. 2-3. Análisis de agrupamiento de la comunidad de L. acuta, en modo Q: 2. según el índice de SORENSEN
(1948); 3. según el índice de MORISITA (1959).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 3-13, 30 set. 1993
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Laeonereis acuta 2
Chasmagnathus granulata
Sphaenia sp.
Harmotoe Sp. 3
Halosydnella australis
Nicolea cf. chilensis
Thelepus plagiostoma
Cyrtograpsus altimanus
Lumbrineris aff. tetraura
Syllidae indet.1
Myxicola sp.
Poliqueto indet.1 4
Lyonsia patagonica
Cyrtograpsus angulatus
Stylatula darwini
Pitaria rostrata
Olivella tehuelchana
Pagurus Spp. 5
Chone cf. striata
Isopodo indet.1
Amphicteis gunneri
Anachis paessleri
Goniadidae indet.
Eteone sp.
Corbula patagonica
Axiothella cf. antarctica
Ninoe brasiliensis
Nereidae indet.
Terebellides sp.
Cirratulidae indet.l
Spionidae indet.
Priapulus tuberculatospinosus
Phylo felix
Neanthes sp.
Macoma uruguayensis
Nucula semiornata
Malletia cummingi
Nucula puelcha
Pinnixia patagonica 8
Periploma compressa
Leda patagonica
Glyceridae indet.
Sabellidae indet.
Nephtydae indet. 9
Isopodo indet.2
Pinnotheres maculatus
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Thracia sp.
Leda electa
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Fig. 4. Análisis de agrupamiento de la comunidad de L. acuta, en modo R, según el índice de DICE (1945).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 3-13, 30 set. 1993
La asociación de Laeonereis acuta... 13
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Fig. 5. Distribución espacial de las principales especies pertenecientes a la comunidad de Laeonereis acuta.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 3-13, 30 set. 1993
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ESPONJAS DO ARQUIPÉLAGO DE FERNANDO DE NORONHA, BRASIL
(PORIFERA, DEMOSPONGIAE)
Beatriz Mothes!
Maria Célia K. de A. Bastian?
ABSTRACT
SPONGES FROM THE FERNANDO DE NORONHA ARCHIPELAGO, BRAZIL (PORIFERA,
DEMOSPONGIAE). Thirteen species were identified out of sixty two specimens of sponges collected from
Fernando de Noronha Archipelago. Plakortis simplex Schulze, 1880, Erylus formosus Sollas, 1886, Cliona
carteri (Ridley, 1881), Chondrosia collectrix Schmidt, 1870, Ptilocaulis bistyla (Hechtel, 1983), Lissodendoryx
isodictyalis (Carter, 1822), Ircinia felix (Duchassaing & Michelotti, 1864) and Aplysina fulva (Pallas, 1776) are
recorded for the first time from Fernando de Noronha. Spirastrella coccinea (Duchassaing & Michelotti, 1864),
Tethya aurantium (Pallas, 1776), Chondrilla nucula Schmidt, 1862 and Xestospongia grayi (Hechtel, 1983)
are confirmed for this area. Plakinastrella onkodes Uliczka, 1929 is recorded for the first time from brazilian
waters.
KEYWORDS. Demospongiae, Brazil, oceanic island, distribution.
INTRODUÇÃO
Os primeiros registros de Demospongiae para o Arquipélago de Fernando de
Noronha foram os de HYATT (1877) descrevendo Spongelia cana (=Dysidea cana), S.
dubia (=D. dubia), Hippospongia equina, também citando Spongia vermiculata
Duchassaing & Michelotti, 1864 (=S. barbara Duchassaing & Michelotti, 1864), e S.
officinalis Linnaeus, 1758 (=S. obligua Duchassaing & Michelotti, 1864). RIDLEY &
DENDY (1887) citam a ocorrência de Suberites carnosus Johnston, 1842. CARTER
(1890) registra Chondrilla phyllodes Schmidt, 1870 (=Spirastrella coccinea (Duchassaing
& Michelotti, 1864); Donatia lyncurium (Linnaeus, 1767) (=Tethya aurantium (Pallas,
1776); Chondrilla nucula Schmidt, 1862; Hymeniacidon sanguinea (Grant, 1826)
1. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, CEP 90.001-970, Porto Alegre, RS, Brasil. (Bolsista
do CNPq).
2. Curso de Pós-Graduação em Biociências, área de Zoologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1429, CEP
90.619-900, Porto Alegre, RS, BRASIL.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
16 MOTHES & BASTIAN
(=H.perlevis Montagu, 1818); Chondropsis arenifera Carter, 1886; Craniella cranium
(Müller, 1776) e também Suberites massa Nardo, 1847 (=S. carnosus). BOURY-
ESNAULT (1973) descreveu Holoxea violacea, Raphidophlus basiarenacea e Aplysina
Janusi, citando ainda Agelas dispar Duchassaing & Michelotti, 1864; Spongia virgultosa
(Schmidt, 1868) (=Hyattella cavernosa (Pallas, 1766) e Dysidea fragilis (Montagu,
1818). HECHTEL (1983) descreveu Prianus grayi (=Xestospongia grayi). ESTON et al.
(1986) registraram os gêneros Callyspongia Duchassaing & Michelotti, 1864;
Chelonaplysilla Laubenfels, 1948; Igernella Topsent, 1905; Plakortis Schulze, 1880;
Ircinia Nardo, 1833 e Spongia Linnaeus, 1751.
Em 1978, 1985 e 1986 foram realizadas várias coletas no Arquipélago por
pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Centro de Biologia Marinha da
Universidade de São Paulo (CEBIMAR-USP) com objetivo de estudar as comunidades
bentônicas. Nessa ocasião, foram recolhidas 62 amostras de poríferos que ora são tratadas,
visando ampliar o conhecimento das Demospongiae do local.
MATERIAL E MÉTODOS
Os espécimes examinados foram coletados em vários locais do Arquipélago de Fernando de Noronha,
Pernambuco, Brasil (03°50’S-32°25’W) desde a zona de marés até 30 metros de profundidade (fig. 1).
As amostras estudadas encontram-se na coleção de Porifera do Museu de Ciências Naturais, Fundação
Zoobotânica do Rio Grande do Sul.
Examinou-se material depositado no “Muséum d’Histoire Naturelle, Genebra (MHNG), da Coleção de
O. Schmidt proveniente de “Landes- Museum Joanneum”, Graz (LMJG); “Zoölogisch Museum, Universiteit
van Amsterdam, Instituut voor Taxonomische Zoölogie”, Amsterdam (ZMA); “The Natural History Museum”,
Londres (BMNH); “Instituto de Investigaciones Marinas de Punta de Betín”, Santa Marta, Colômbia (INVEMAR)
e Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN).
O método usado nas preparações espiculares está de acordo com MOTHES-DE-MORAES (1978).
RESULTADOS
Reunindo-se as 13 espécies identificadas com as citadas na literatura, são registradas,
até o presente, 28 espécies de Demospongiae para o Arquipélago de Fernando de
Noronha. Todas, com exceção de X. grayi e C. carteri, apresentam ampla distribuição na
região norte da Província Caribeana (Golfo do México e Mar do Caribe).
As espécies P. simplex, E. formosus, C. carteri, P. bistyla, L. isodictyalis, I. felix e
A. fulva são registradas pela primeira vez para o Arquipélago. C. collectrix e P. onkodes
são citadas pela primeira vez para o Brasil. P. grayi é até o momento, endêmica para o
Arquipélago. T. aurantium, C. nucula e S. coccinea têm registro confirmado para esta
área.
HOMOSCLEROPHORIDA, PLAKINIDAE
Plakortis simplex Schulze, 1880 .
(Figs. 2,3,36)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha de Fernando
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
Esponjas do arquipélago de Fernando de Noronha... 17
de Noronha, Baía dos Golfinhos, 28.X. 1985, A. E. Migotto col., (MCN 1216); Canal da Ilha Cabeluda, 01. IX.
1985, A. E. Migotto col., (MCN 1281); Ponta da Sapata, 29. X. 1985, A. E. Migotto col., (MCN 1218).
Descrição. Esponjas maciças. Dimensões: maior exemplar, comprimento 5,3cm;
largura 3,8cm e altura 2,5cm. Superfície irregular, apresentando pequenos lobos. Ósculos
não numerosos, circulares a elípticos, alguns situados em pequenas elevações; maior
ósculo, diâmetro 0,5cm. Óstios distribuídos irregularmente por toda a superfície. Material
fixado de consistência dura ou firme, compressível; castanho-avermelhado externamen-
te, bege internamente. O ectossoma diferencia-se do coanossoma pela presença de
escleras que formam pequenos feixes. Coanossoma com escleras dispostas irregularmen-
te, próximo à superfície observa-se um certo alinhamento.
Escleras: micróxeas de contornos irregulares; ligeiramente curvas; frequentemente
infladas na região mediana; extremidades afiladas ou com pequena constrição; compri-
mento 111-222 um; largura 2,2-9,8 um. Microtríodos raros; eixos com extremidades
afiladas ou arredondadas, algumas vezes com constrição; eixo maior: comprimento 46,5-
71,7 um largura 2,4-6,3 um.
Comentários. A identificação foi realizada por comparação (lâmina BMNH
1948:8:6:54a) procedente das Bermudas. As amostras referidas por LAUBENFELS
(1950) apresentam forma incrustante, diferindo dos espécimes estudados. As dimensões
do conjunto espicular examinado são maiores do que as referidas por LAUBENFELS
(1950), BOURY-ESNAULT (1973)e PULITZER-FINALI (1986). A ocorrênciarara dos
microtríodos também foi referida por PULITZER-FINALI (1986) nas amostras de Porto
Rico. No Arquipélago, os exemplares foram coletados na zona de marés.
Distribuição geográfica. Bermudas (LAUBENFELS, 1950); República Dominicana,
Jamaica e Porto Rico (PULITZER-FINALI, 1986); Brasil: Pernambuco, Fernando de
Noronha, primeiro registro; Alagoas (BOURY-ESNAULT,1973).
Plakinastrella onkodes Uliczka, 1929
(Figs. 4-6,37)
Material examinado: BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha de Fernando
de Noronha, Baía dos Golfinhos, 28.X. 1985, A. E. Migotto col., (MCN 1209).
Descrição: Esponja incrustante. Dimensão: altura 1,0cm. Superfície irregular.
Óculos elípticos a ovais, circundados por discreto colar semi-transparente; maior ósculo,
diâmetro 0,2cm. Óstios distribuídos regularmente por toda a superfície. Material fixado
de consistência bastante firme; cinza-claro a escuro na superfície e na base, acinzentado.
Esqueleto denso, irregular, em algumas regiões há tendência a formar uma reticulação
subisodictial.
Escleras: diactinas discreta a pronunciadamente curvas; contornos bastante irregu-
lares; frequentemente infladas na região mediana; extremidades afiladas; comprimento
33, 3-140,6 um; largura 0,5-3,3 um. Triactinas com eixos afilados; alguns com discreta
curvatura; eixo maior: comprimento 20,0-70,6 um, largura 3, 0-6, 4 um. Caltrops com
quatro eixos retos afilados; alguns podem apresentar discreta curvatura; eixo maior:
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
18 MOTHES & BASTIAN
comprimento 19,6-58,4 um, largura 1, 5-6,0 um.
Comentários. Através do estudo comparativo com material (fragmento INVEMAR
0382) do Caribe colombiano, foi confirmada a identificação. No arquipélago, o espécime
foi coletado na zona de marés.
Distribuição geográfica. Ilhas Virgens (ULICZKA, 1929); Colômbia (ZEA, 1987);
Brasil: Pernambuco, Arquipélago de Fernando de Noronha, primeiro registro.
ASTROPHORIDA, GEODIIDAE
Erylus formosus Sollas, 1886
(Figs. 7-12,38)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha de Fernando
de Noronha, Baía do Sueste, 26. XII. 1978, A. A. Lise col., (MCN 2439).
Descrição. Esponja maciça. Dimensões: comprimento 9,0cm, largura 6,5cm e
altura 4,5cm. Superfície irregular com discretos processos mamiliformes. Osculos
numerosos, elípticos ou esféricos, encimados em processos digitiformes atrofiados;
maior ósculo, diâmetro 0,3cm. Material fixado de consistência endurecida na zona do
córtex e levemente macia no coanossoma; externamente rosado com pigmentações bege,
internamente, acinzentado. Córtex formado por camadas compactas de aspidásteres,
dispostos tangencialmente à superfície; camada mais externa com micróxeas. Coanossoma
com poucas ortotrienas, dispostas radialmente com seus cladomas tangenciando o córtex.
Nesta região, também se observa grande número de óxeas agrupadas em feixes radiais,
aspidásteres, quiásteres e oxiásteres dispostos irregularmente.
Escleras: óxeas leve a pronunciadamente curvas; extremidades gradualmente
aguçadas ou com pequena constrição; comprimento 368,0-828,0 um; largura 4,4-18,5
um. Aspidásteres alongados, superfície microespinhada; comprimeno 128,2-195,0 um;
largura 40,0-61,0 um. Ortotrienas com rabdomas curtos a longos; extremidades levemen-
te arredondadas a gradualmente afiladas, comprimento 148,0-444,0 um; largura 6,4-12,2
um; cladomas com extremidades gradualmente afiladas a levemente arredondadas,
algumas são bifurcadas; largura 122,1-352,6 um. Micróxeas raras, levemente curvas,
discretamente centrotilotes; comprimento 39,2-78 um; largura 1,0-3,4 um. Quiásteres
com 10 a 14 raios curtos, retos, cônicos microespinhados com extremidades lanceoladas,
diâmetro 12,2-23, 5 um. Oxiásteres com 5 a 8raiosretos, longos, cônicos microespinhados
com extremidades lanceoladas; diâmetro 28,4-42,0 um.
Comentários. O conjunto espicular e a disposição do esqueleto coincidem com
material (fragmento de esponja ZMA 4587) de Curaçao, Caribe e com material (lâmina
MCN 193) do Rio Grande do Sul, Brasil. Constatou-se que a espécie apresenta uma
variação morfológica de incrustante (ALCOLADO, 1985) a maciça (SOLLAS, 1888;
BOURY-ESNAULT, 1973; VOLKMER-RIBEIRO & MOTHES-DE-MORAES, 1975;
WIEDENMEYER, 1977 e SOLÉ-CAVA et al., 1981). Os oxiästeres apresentam extre-
midades lanceoladas diferindo dos descritos por (VOLKMER-RIBEIRO & MOTHES-
DE-MORAES, 1975) com extremidades aguçadas; os quiásteres apresentam extremida-
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
Esponjas do arquipélago de Fernando de Noronha... 19
des lanceoladas diferindo de truncadas (SOLLAS, 1888), infladas (BOURY-ESNAULT,
1973) e pontiagudas (VOLKMER-RIBEIRO & MOTHES-DE-MORAES, 1975). A
espécie tem uma distribuição batimétrica ampla na costa brasileira; de 1-2m no Arquipé-
lago de Fernando de Noronha até 165m na costa do Rio Grande do Sul, Brasil
(VOLKMER-RIBEIRO & MOTHES-DE-MORAES, 1975).
Distribuição geográfica. Bahamas (WIEDENMAYER, 1977); Cuba (ALCOLADO,
1985); Brasil: Pernambuco, Arquipélago de Fernando de Noronha, primeiro registro;
Paraíba (BOURY-ESNAULT, 1973); Bahia (SOLLAS, 1888); Espírito Santo (SOLÉ-
CAVA et al., 1981); Rio Grande do Sul (VOLKMER-RIBEIRO e MOTHES-DE-
MORAES, 1975)
HADROMERIDA, TETHYIDAE
Tethya auratium (Pallas, 1776)
(Figs. 13-16,39)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha de Fernando
de Noronha, Praia do Boldró, 08. VI. 1986, D. O. Pires e C. B. Castro col., (MCN 1734); Baía do Sueste, 11.VI.
1986, D.O. Pires e C. B. Castro col., (MCN 1353), 26. XII. 1978, A. A. Lise col., (MCN 750, 1404, 1413, 1419).
Descrição. Esponjas esféricas a hemisféricas. Dimensão, maior exemplar: diäme-
tro 2,5cm. Superfície inteiramente coberta de brotos pendunculados. Ósculos elipticos;
maior ósculo, diâmetro 0,2cm, situado na porção lateral da esponja. Material fixado de
consistência levemente rígida no córtex e maciano coanossoma; externamente acinzentado
e inteiramente bege, “in situ” alaranjado. Porção superior do córtex com tilásteres e na
zona inferior com esferásteres. Coanossoma com estrongilóxeas dispostas radialmente
em feixes, juntamente com micrásteres e esferásteres irregularmente distribuídos.
Escleras: estrongilóxeas robustas, retas com a extremidade distal levemente arre-
dondadas, comprimento 368,0-1500,0 um; largura 4,07-29,9 um.Esferásteres com raios
cônicos, alguns dicotônicos ou bifurcados; extremidades gradualmente aguçadas, algu-
mas com constrição; diâmetro 33,0-69,0 um. Micrásteres com centro pequeno ou ausente,
com 6 a 12 raios cônicos com extremidades lanceoladas ou estrongiliformes,
microespinhadura ao longo dos raios ou somente nas extremidades; diâmetro 5,7-15,3
um.
Comentários. Os caracteres das esponjas conferem com a descrição de SOLLAS
(1888) e PULITZER-FINALI (1986). Está espécie apresenta uma grande distribuição
batimétrica, de 1-805m (SARÁ, 1987). No Arquipélago, as amostras foram coletadas na
zona de marés.
Distribuição geográfica. Cuba (ALCOLADO, 1985); República Dominicana e
Porto Rico (PULITZER-FINALI. 1986); Curaçao (SOEST, 1981); Brasil: Pernambuco,
Arquipélago de Fernando de Noronha (CARTER, 1890).
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20 MOTHES & BASTIAN
SPIRASTRELLIDAE
Spirastrella coccinea (Duchassaing & Michelotti, 1864)
(Figs. 17,18,40)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Praia da Atalaia,
26.XIL.1987, A. A. Lise col. (MCN 741, 746, 753); Canal da Ilha Cabeluda, 01. XII. 1985, A. E. Migotto col.,
(MCN 1432).
Descrição. Esponjas incrustantes. Maior exemplar: altura 0,5cm. Superfície leve-
mente ondulada. Ósculos não observados. Material fixado de consistência coriácea,
levemente compressível, bege-claro a rosado. Córtex com espirásteres compactadas,
medindo 460,0 um de espessura. Coanossoma com tilóstilos dispostos de forma irregular
formando, algumas vezes, feixes ascendentes e espirásteres dispostos irregularmente.
Escleras: tilóstilos retos, com extremidade distal gradualmente afilada; cabeça
distinta, esférica ou ovalada, às vezes bilobada; dimensões: comprimento 368,0-687,2
um; largura 3,0-9,8 um; diâmetro das cabeças 5,9-16,7 um. Espirásteres contorcidos, com
raios cônicos, retos ou levemente curvos, abruptamente pontiagudos; dimensões: diâme-
tro 6,9-51,7 um.
Comentários. As amostras foram identificadas conforme DUCHASSAING &
MICHELOTTI (1864). Observou-se que as dimensões das escleras examinadas são
maiores do que as já citadas para esta espécie. Ocorre em águas rasas, o que confirmamos.
No Arquipélago, foi coletada entre 1-2m de profundidade.
Distribuição geográfica. Bermudas (LAUBENFELS, 1950); Bahamas
(WIEDENMAYER, 1977; PULITZER-FINALI, 1986); Dry Tortugas (LAUBENFELS,
1936); Cuba (ALCOLADO, 1985); República Dominicana (PULITZER-FINALI, 1986);
Jamaica (HECHTEL, 1965); Brasil: Pernambuco, Arquipélago de Fernando de Noronha
(CARTER, 1890).
CLIONIDAE
Cliona carteri (Ridley, 1881)
(Figs. 19-24,41)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha de Fernando
de Noronha, Baía do Sueste, 26. XII. 1978, A. A. Lise col., (MCN 1408).
Descrição. Esponja incrustante, perfurante em material calcário. Dimensão: altura
0,5cm. Superfície com discretas projeções mamiliformes. Ósculos espalhados irregular-
mente pela superfície. Material fixado de consistência compressível; bege com pigmen-
tação amarelada Coanossoma com tilóstilos discretamente ordenados em feixes, os quais
se abrem no ectossoma, próximo à superfície.
Escleras: tilóstilos leve a pronunciadamente curvos, alguns sinuosos, raros retos;
extremidades distais gradualmente aguçadas, algumas arredondadas, outras com cabeça
distinta, ovalada, bi- ou trilobada; comprimento 230,0-484,0 um; largura 1,4-9 um;
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
Esponjas do arquipélago de Fernando de Noronha... ai
diâmetro das cabeças 3,9-10,8 um. Espirästeres delgados com eixos longos, alguns
sinuosos, com espinhos ao longo dos eixos, formando tufos nas extremidades; espinhos
cônicos ou truncados; diâmetro 19,6-34,0 um. Espirásteres curtos com eixos grossos,
geralmente com espinhos somente nas extremidades; diâmetro 10,8-42,1 um.
Comentários. O espécime é semelhante ao descrito por RIDLEY (1881), diferindo
apenas na ocorrência de duas categorias de espirásteres no material estudado. A amostra
foi coletada no Arquipélago entre 1-2m de profundidade, enquanto que RIDLEY (1881)
faz referência a 72m.
Distribuição geográfica. Brasil: Pernambuco, Arquipélago de Fernando de Noronha,
primeiro registro; Espírito Santo (RIDLEY, 1881). Também registrada para o Mediter-
râneo (CRUZ & BACALLADO, 1983).
CHONDROSIIDAE
Chondrilla nucula Schmidt, 1862
(Figs. 25, 42)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha de Fernando
de Noronha, Praia da Caieira, 19. VI. 1986, C. B. Castro col., (MCN, 1322); Praia da Atalaia, 26. XII. 1978, A.
A. Lise col., (MCN 1414); Baía do Sueste, 26. XII. 1978, A. A. Lise col., (MCN 747, 1409, 1415).
Descrição. Esponjas maciças a incrustantes. Dimensões: maior exemplar, compri-
mento 14,0cm, largura 5,5cm e altura 1,5cm. Superfície lobada ou arredondada. Ósculos
pouco numerosos, 0,2cm de diâmetro. Material fixado de consistência firme, cartilaginosa,
bege com pigmentação marron-escura. Córtex e coanossoma com escleras distribuídas
irregularmente.
Escleras: esferásteres com raios cônicos abruptamente pontiagudos; alguns com
microespinhadura na extremidade distal; diâmetro 10,8-42,1 um.
Comentário. A identificação foi conferida por comparação (fragmento e lâmina de
material tipo LMJG 15678) e (fragmento ZMA 9639). Na costa brasileira esta espécie
apresenta uma variação batimétrica de 1-2m no Arquipélago e de 32m conforme
BOURY-ESNAULT (1973).
Distribuição geográfica. Bermudas (LAUBENFELS, 1950); Bahamas
(WIEDENMAYER, 1977; PULITZER-FINALI, 1986); Jamaica (HECHTEL, 1965;
PULITZER-FINALI, 1986); Porto Rico (PULITZER-FINALI, 1986); Brasil: Pernambuco,
Arquipélago de Fernando de Noronha (CARTER, 1890); Alagoas (B OURY-ESNAULT,
1973); Espirito Santo (SOLE-CAVA et al., 1981); Rio de Janeiro (PIRES, 1980). E
considerada cosmopolita por BOURY-ESNAULT (1973) e WIEDENMAYER (1977).
Chondrosia collectrix Schmidt, 1870
(Fig.43)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Baía do Sueste,
26. XII. 1978, A. A. Lise col., (MCN 1400, 1406).
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Descrição. Esponjas maciças. Dimensões: comprimento 4,5cm, largura 2,0cm,
altura 1,0cm. Superfície lisa. Ósculos elípticos a circulares e encimados em projeções
mamiliformes, situados na região superior da esponja, diâmetro 0,1-0,4cm. Material
fixado de consistência cartilaginosa, compressivel; preto na região superior e acinzentado
na região inferior. Ectossoma meandriforme e muito fino. Coanossoma cavernoso.
Comentários. O exemplar identifica-se com a descrição de WIEDENMA YER
(1977). A distribuição batimétrica no Arquipélago é de 1-2m. O material estudado por
WIEDENMAYER (1977) foi encontrado a 42m e a amostra de ALCOLADO (1985) em
raiz de mangue.
Distribuição geográfica. Bermudas (LAUBENFELS, 1950; PULITZER-FINALI,
1986); Cuba (ALCOLADO, 1985); Brasil: Pernambuco, Arquipélago de Fernando de
Noronha, primeiro registro.
HALICHONDRIDA, DESMOXYIDAE
Ptilocaulis bistyla (Hechtel, 1983)
(Figs. 26-28,44)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha de Fernando
de Noronha, Praia da Atalaia, 26. XII. 1978, A. A. Lise col., (MCN 743).
Descrição. Esponja arborescente. Dimensões: comprimento 3,0cm, largura 1,5cm,
altura 2,5cm. Superfície com sulcos meandriformes. Ósculos circulares situados sobre os
sulcos: diâmetro de 0,2-0,5cm. Material fixado de consistência compressível, acinzentado.
Esqueleto composto de fibras primárias multiespiculares, largura 37,0-129,5 um, forman-
do colunas ascendentes interligadas por fibras secundárias uni a triespiculares, largura
11,0-28,9 um.
Escleras: estilos robustos, discretamente encurvados; alguns com constrição próxi-
ma à região distal; extremidade distal gradualmente afilada e arredondada ou abruptamen-
te pontiaguda; comprimento 246,0-333,0 um, largura 9,8-16,0 um. Estilos delicados,
longos e discretamente encurvados; extremidade distal gradualmente afilada; às vezes
com constrição; comprimento 658,7-841,8 um, largura 3,9-6,3um.
Comentários. A identificação da esponja foi com base na descrição de HECHTEL
(1983) (= Stylaximella bistyla), diferindo apenas na morfologia externa, que segundo o
autor é microtuberculada com projeções digitiformes. A batimetria é de 1-2m no
Arquipélago, enquanto que os espécimes descritos por HECHTEL (1983) foram coletados
a 30m.
Distribuição geográfica. Brasil: Pernambuco, Arquipélago de Fernando de Noronha,
primeiro registro, Recife (HECHTEL, 1983).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
Esponjas do arquipélago de Fernando de Noronha... 23
POECILOSCLERIDA, MYXILLIDAE
Lissodendoryx isodictyalis (Carter, 1882)
(Figs. 29-34,45)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha de Fernando
de Noronha, Praia da Atalaia, 26.XII. 1978, A. A. Lise col., (MCN 1391); Baía do Sueste, 26. XII. 1978, A. A.
Lise col., (MCN 1420).
Descrição. Esponjas incrustantes. Dimensões: o maior exemplar, comprimento
8,0cm e altura 2,5cm. Superfície com circunvoluções pronunciadas; discretas elevações,
encimadas por um ósculo; diâmetro do maior ósculo 0,3cm. Nas paredes das elevações
observam-se sulcos acentuados semelhantes à “astrorrizas” do esqueleto calcário de
alguns membros de esclerospongias. Material fixado de consistência macia, compressível;
bege-rosado a marrom-acinzentado. Ectossoma com tilotos dispostos paralelamente à
superfície. Coanossoma constituído por uma rede esqueletal do tipo subisodictial de
tilotos e estilos, com espaços subdermais. Nesta região ocorrem também isoquelas e
sigmas distribuídas irregularmente.
Escleras: tilotos retos, com cabeças ovaladas, comprimento 148,0-205,7 um,
largura 1,5-4,8 um; diâmetro das cabeças 2,9-6,4 um. Estilosretos a discretamente curvos,
extremidade distal abruptamente pontiaguda a gradualmente afilada; comprimento 131,7-
173,9 um, largura 2,3-4,7 um. Sigmas em forma de “S” ou “C”, comprimento 13,5-29,4
um, espessura 0,1-0,4 um. Isoquelas arqueadas; comprimento 23,0-29,4 um, espessura
0,8-1,5 um.
Comentários. Identificação confirmada pela comparação com material procedente
de “Dry Tortugas” (lâmina BMNH 1936.7.8.62). Observou-se, no material estudado, um
gradiente de tamanho de sigmas e isoquelas, diferindo de SOEST (1984) que faz
referência a duas categorias destes dois tipos de escleras. A espécie pode apresentar uma
variação morfológica de maciça HECHTEL (1965), WIEDENMAYER (1977), SOEST
(1984) e LAUBENFELS (1950) a incrustante como no material examinado. Os espécimes
foram coletados no Arquipélago entre 1-2m.
Distribuição geográfica. Bermudas (VERRIL, 1907); Bahamas (WIEDENMAYER,
1977); Jamaica (HECHTEL, 1965); Curacao (SOEST, 1984); Colômbia (ZEA, 1987);
Brasil: Pernambuco, Arquipélago de Fernando de Noronha, primeiro registro; Recife
(LAUBENFELS, 1956). É considerada cosmopolita (HOSHINO, 1981).
HAPLOSCLERIDA, PETROSIIDAE
Xestospongia grayi (Hechtel, 1983)
(Figs. 35, 46)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha de Fernando
de Noronha, Ponta da Sapata, 11. VI. 1986, C. B. Castro e D. O. Pires col., (MCN 1327).
Descrição. Esponja maciça. Dimensões: comprimento 5,0cm, largura 4,5cm, altura
1,0cm. Superfície irregular, com discretos processos mamiliformes. Osculos pouco
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
24 MOTHES & BASTIAN
numerosos, diâmetro do maior ósculo 0,3cm. Material fixado de consistência levemente
compressível e friável; roxo-escuro. Esqueleto formado por feixes multiespiculares que
formam uma rede isodiamétrica; espongina escassa, concentrada principalmente nos
pontos de união dos feixes.
Escleras: estrôngilos leve a pronunciadamente curvos, raramente retos, compri-
mento 175,4-460,0 um, largura 5,0-13,2 um.
Comentários. O espécime apresenta as mesmas características descritas por
HECHTEL (1983). A batimetria da amostra é de 25m. Este é o primeiro registro de
profundidade para esta espécie.
Distribuição geográfica. Brasil: Pernambuco, Arquipélago de Fernando de Noronha
(HECHTEL, 1983).
DICTYOCERATIDA, THORECTIDAE
Ircinia felix (Duchassaing & Michelotti, 1864)
(Fig. 47)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha Rata, Buraco
do Inferno, 30.X. 1985, A. E. Mlgotto col., (MCN 1220).
Descrição. Esponja maciça, globular. Dimensões: comprimento 5,0cm, largura
3,5cm, altura 3,5cm. Superfície conulosa; cônulos com 1,5-2,0cm de altura. Osculos
situados em pequenas elevações; maior diâmetro 0,3cm. Material fixado de consistência
compressível, difícil de seccionar; marrom-claro na superfície, rosado na região basal, e
internamente, ao redor dos ósculos marrom-escuro. Ectossoma constituído por uma
derme orgânica. Coanossoma com fibras primárias ascendentes, dispostas em fascículos
e fibras secundárias transversais. Nas fibras ocorrem grãos de areia e fragmentos de
escleras. Coanossoma e ectossoma com grande quantidade de filamentos de colágeno;
fibras primárias, diâmetro 74,0-128,0 um; fibras secundárias, diâmetro 5,6-16,7 um;
filamentos de colágeno, diâmetro 2,0-4 An extremidade arredondada das fibras,
diämetro 9,8 um.
Comentários. O espécime foi comparado com material procedente de “St. Thomas”
(fragmento e lâmina ZMA 1854) e apresenta as características citadas por ZEA (1987).
A amostra foi coletada no Arquipélago entre 1-2m de profundidade.
Distribuição geográfica. Bermudas (LAUBENFELS, 1950); Estados Unidos:
Florida (STORR, 1964); Golfo do México (LITTLE, 1963); Bahamas (LAUBENFELS,
1949); Cuba (ALCOLADO, 1985); Jamaica (HECHTEL, 1965); Barbados, Curaçao e
Venezuela (SOEST, 1984). Brasil: Pernambuco, Arquipélago de Fernando de Noronha,
primeiro registro.
VERONGIDA, APLYSINIDAE
Aplysina fulva (Pallas, 1776)
(Fig. 48)
Material examinado. BRASIL. Pernambuco: Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha Rata, 12. XI.
1986, C. B. Castro e D. O. Pires Col., (MCN 1324).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
Esponjas do arquipélago de Fernando de Noronha... 25
Descrição. Esponja ramificada, ramos eretos, arredondados que partem de uma
base comum. Dimensões: comprimento do maior ramo 7cm, diâmetro 2cm. Superfície
conulosa. Ósculos elípticos a esféricos situados na região apical ou lateral dos ramos,
maior ósculo diâmetro 0,3cm. Material fixado de consistência bastante compressível;
roxa, “in situ” amarelo-ouro. Esqueleto constituído por fibras dispostas em retículo
formando uma rede de malhas poligonais. As fibras contém uma medula de colaração
amarela; fibras diâmetro 60,0-130,0 um; com 20-66% ocupada pela medula; rede 290,0-
800,0 um.
Comentários. A identificação do espécime foi confirmada por comparação com a
lâmina ZMA 3704 e o espécime e lâmina MCN 1034. A amostra foi coletada no
Arquipélago a 30m de profundidade.
Distribuição geográfica. Bahamas (WIEDENMAYER, 1977); Dry Tortugas
(LAUBENFELS, 1936); Cuba (ALCOLADO, 1985); Porto Rico (WILSON, 1902);
Barbados (SOEST, 1978); Colombia (WINTERMANN & KILIAN, 1983; ZEA, 1987);
Brasil: Pernambuco, Arquipélago de Fernando de Noronha, primeiro registro; Ceará
(JOHNSON, 1971); Pernambuco e Bahia (BOURY-ESNAULT, 1973); Espírito Santo
(SOLÉ-CAVA et al., 1981); Santa Catarina (MOTHES-DE-MORAES, 1987).
Agradecimentos. À Professora Dra. Cecília Volkmer Ribeiro (MCN) pelo incentivo, sugestões e
críticas. Ao Dr. Amo A. Lise (PUCRS), Dr. Álvaro E. Migotto (CEBIMAR-USP), Dra. Débora de Oliveira Pires
e Dr. €C. B. Castro (UFRJ) pelo material amostrado e doado ao MCN. Ao Dr. Rob van Soest (ZMA), Dra. Shirley
Stone (BMNH), Dra. Ruth Desqueyroux-Faundez (MNHG) e Dr. Zven Zea (INVEMAR) por terem proporci-
onado ce estudo do material depositado em suas Instituições.
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IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
Esponjas do arquipélago de Fernando de Noronha... 27
32°28' 32º26'W =
BURACO DO
INFERNO
ARQUIPÉLAGO
o DE FERNANDO DE NORONHA
BRASIL \
Dois irmãos O
q
oO
9 |. CABELUDA
BAIA DO SUESTE
Fig. 1. Arquipélago de Fernando de Noronha, Pernambuco, Brasil, com a indicação dos locais amostrados.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
MOTHES & BASTIAN
q
di
!
Figs. 2-35. Plakortis simplex: 2. microtríodo; 3. micróxea. Plakinastrella onkodes: 4. diactina; 5. caltrops; 6.
triactina. Erylus formosus: 7. ortotriena; 8. óxea; 9. aspidáster; 10. quiáster; 11. oxiáster; 12. micróxea. Tethya
auratium: 13. estrongilóxea; 14. esferáster; 15. micráster com extremidades lanceoladas; 16. micráster com
extremidades estrongiliformes. Spirastrella coccinea: 17. tilóstilo; 18. espiráster. Cliona carteri: 19. tilóstilo;
20. tilóstilo com cabeça bilobada; 21 tilóstilo com cabeça trilobada; 22. espiráster delgado e sinuoso; 23.
espiráster com eixo grosso; 24. espiráster curto com espinhos nas extremidades. Chondrilla nucula: 25.
esferäster. Ptilocaulis bistyla 26. estilo; 27. estilo com constrição; 28. estilo fino. Lissodendoryx isodictyalis:
29. estilo; 30. tiloto; 31. sigma em forma de “C”; 32. Sigma em forma de “S”, 33. isoquela vista de perfil; 34.
isoquela vista frontal. Xestospongia grayi: 35. estrôngilo. (Escala=50 um).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
Esponjas do arquipélago de Fernando de Noronha... 29
Figs. 36-39. Aspecto geral: 36. Plakortis simplex; 37. Plakinastrella onkodes: 38. Erylus formosus; 39 Tethya
aurantium. (Escala=10mm).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
30 MOTHES & BASTIAN
SE gua dO a a e PS A a e e e MO O O
RE
Figs. 40-44. Aspecto geral: 40. Spirastrella coccinea; 41. Cliona carteri; 42. Chondrilla nucula; 43.Chondrosia
collectrix; 44. Ptilocaulis bistyla. (Escala=10mm).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
Esponjas do arquipélago de Fernando de Noronha... 31
Figs. 45-48. Aspecto geral: 45. Lissodendoryx isodictyalis; 46. Xestospongia grayi; 47. Ircinia felix, 48.
Aplysina fulva. (Escala=10mm).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 15-31, 30 set. 1993
gr cal
Hure TA
ANALISIS MORFOLOGICO DE TRIOPS LONGICAUDATUS (LE CONTE)
(BRANCHIOPODA: NOTOSTRACA) EN ARGENTINA !
Inés I. Cesar ?
Emilia P. Hernández ?
Alejandra Rumi *
ABSTRACT
MORFOLOGICAL ANALYSIS OF TRIOPS LONGICAUDATUS (LE CONTE) (BRANCHIOPODA:
NOTOSTRACA) IN ARGENTINA. The variation of six ectosomatical characteristics of Triops longicaudatus
(Le Conte) was studied. The abdominal body rings without legs, telson spinulation pattern, carapace length and
the external morphology of the resting eggs presented the highest variability. T. pampeanus Ringuelet, 1944 is
considered a junior synonym of T. longicaudatus as demonstrated by multivariate analysis.
KEYWORDS. Notostraca, Triops longicaudatus, morphology, distribution.
INTRODUCCION
El género Triops (Schaeffer), de distribuciön cosmopolita, es de hábitos bentönicos
y puebla principalmente las aguas lénticas temporarias. LINDER (1952) en su importante
revisiön de los notostracos de Norteamérica, unifica em Triops longicaudatus (Le Conte,
1846) a todas las especies del género descriptas para esa región.
Los principios utilizados para la taxonomia de los Notostraca, han sido discutidos
por varios autores (BRAEM, 1893; GURNEY, 1923, 1924; BARNARD, 1929 y
GAUTHIER, 1934) y aplicados a las especies europeas, asiáticas y africanas. Seguiendo
a LINDER (1952), hemos tomado los caracteres por él recomendados y las variaciones
de la cápsula del huevo de resistencia que en muchos casos permite la identificación
1. Contribución Científica Nº 518 del Instituto de Limnologia “Dr. Raúl A. Ringuelet”.
2. Instituto de Limnología “Dr. Raúl A. Ringuelet”, Casilla Correo Nº 712, 1900 La Plata, Argentina. (Investigador CIC).
3. Departamento Zoologia Invertebrados, Museo La Plata, Paseo del Bosque s/nº, 1900 La Plata, Argentina.
4. Instituto de Limnología “Dr. Raúl A. Ringuelet”, Casila Correo nº 712, 1900 La Plata, Argentina. (Investigador CONICET).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
34 CESAR; HERNANDEZ & RUMI
específica (ALONSO & ALCARAZ, 1984).
Elestudio de estos crustáceos en la Argentina ha sido, en general, muy fragmentario,
principalmente en aspectos sistemáticos y de distribución; y se carece de información
acerca de su biologia y ecologia locales. Lo realizado hasta el momento data de varias
décadas atrás (THIELE, 1907; RINGUELET, 1944). Este trabajo es el primero que
intenta analizar conjuntamente los aspectos morfológicos y distributivos, en T.
longicaudatus.
Los objetivos son: (1) analizar el valor diagnóstico de los caracteres apuntados por
LINDER (1952) para T. longicaudatus y el de otros atributos tales como, el número
completo de apéndices abdominales y la morfología externa de la cápsula del huevo de
resistencia; (2) investigar el status de Triops pampeanus Ringuelet, 1944 y (3) dar a
conocer algunos aspectos de la distribución de T. longicaudatus en la Argentina.
MATERIAL Y METODOS
El material estudiado pertenece a la colección del Museo de La Plata (MLP). El cual está integrado por
lotes correspondientes a las seguientes provincias: Santiago del Estero, nº 1 (11 ejemplares) sin localidad más
específica; La Rioja, nº 2 (6 ejemplares) de Illia; Córdoba, nº 3 (5 ejemplares) de Pampa de San Luis; San Juan,
nº 4 (33 ejemplares) de Bermejo; Buenos Aires, nº 5 (21 ejemplares), Capital Federal, Bafiado de Flores;
Mendoza, nº 6 (17 ejemplares) sin localidad más específica y nº 7 (1 ejemplar) de su extremo sur; La Pampa, nº
8 (3 ejemplares: holotipo y dos paratipos de Triops pampeanus Ringuelet, 1944) de una laguna, de 10 hectáreas
de superficie, de General Acha; Buenos Aires, nº 9 (5 ejemplares) de General Lamadrid; Neuquén, nº 10 (17
ejemplares) de Arroyito y nº 11 (2 ejemplares) de Zapala; Rio Negro, nº 12 (57 ejemplares) y nº 13 (2 ejemplares)
de General Conesa.
Lote estudiado, con fines comparativos, MLP nº 14 (11 ejemplares) de Springville, Arizona, U.S.A..
Se analizaron un total de 6 características ectosomáticas y sus estados en 1779 individuos hembras. Los
caracteres considerados fueron: 1) longitud del escudo (tomada en la línea media, en sentido antero-posterior;
2) número total de apéndices abdominales, 3) número de anillos abdominales con y sin apéndices; 4) presencia
de anillos incompletos o medios anillos (i), que se hallaron entre el telson y el último anillo abdominal; 5)
morfología externa de la cápsula del huevo de resistencia, que fueron preparados según CESAR (1990) y
observados con el microscopio electrónico de barrido (MEB) JOEL JSM-T100 y 6); número y disposición de
las espinas dorsales del telson, que se diferencian en espinas bien desarroladas (sp) y menos desarroladas y
cortas (sp II).
No se consideró el número de anillos y apéndices torácicos ya que, éstos son siempre de once y once
pares respectivamente.
Análisis con empleo de técnicas numéricas: estas técnicas se implementaron para estimar el valor
diagnóstico de los caracteres arriba mencionados e investigar el status de T. pampeanus. Los datos obtenidos a
partir de su material tipo, fueron incluidos en la matriz básica de datos. El programa utilizado fue el NT-SYS
(Numerical Taxonomic System of Multivariate Statistical Program), disefiado por Rohlf, 1972 y siguiendo a
CRISCI & ARMENGOL (1983). Para estos análisis, a partir del total de individuos estudiados se conformó una
matriz básica de datos (MBD) de 66 OTU (individuos) x 13 atributos (6 cuantitativos y 7 cualitativos
codificados como presencia/ausencia (1 / O respectivamente) que se enumeran y describen en la tabla III. Los
atributos 9 a 12 se describen en resultados.
El coeficiente de similitud empleado fue el de distancia taxonómica, cuyos valöres oscilan entre O y ®,
siendo ® el que expressa la máxima similitud. A partir de éste se obtuvieron los fenogramas entre OTUs y
caracteres (según técnicas Q y R, respectivamente). El análisis de agrupamiento correspondió al UPGMA.
Por último, se efectuó un análisis de componentes principales, para analizar la contribución a la
variabilidad total de cada caracter.
RESULTADOS
1) Longitud del escudo: LINDER (1952) dió 14 a 19mm para los machos, no
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
Analisis morfologico de Triops longicaudatus... 35
Tabla I. Triops longicaudatus en la Argentina: medidas en mm y sus relaciones (A, ancho; L. longitud; n,
número de individuos por lote; R, rangos; x, medias).
LOTE L. ESCUDO L. TELSON A. TELSON L.ESCUDO A. TELSON
L. TELSON L. TELSON
l R=10,2-6,69 R=1,05-0,51 R=2,07-1,5 10,66 2,18
n=17 x=8,42 x=0,79 x=1,72
2. 7
n=1 8,94 1,02 1,98 8,76 1,94
3 R=12,72-5,7 R=1,08-0,45 R=2,64-0,93 10,99 2,03
n=57 x=8,35 x=0,76 x=1,54
+ R=15,1-12,72 R=1,33-1,26 R=2,94-2,46 10,69 2,80
n= x=13,90 x=1,30 x=2,70
3 R=11,1-5,85 R=1,11=0,69 R=2,25-1,35 10,21 za
n=17 x=8,88 x=0,87 x=1,84
6
n=1 16,56 1,41 Sl 11,74 2,49
% R=17,85-11,0 R=2,31-1,02 R=3,24-1,17 11,30 2,04
n=31 x=15,6 x=1,38 x=2,83
8 R=12,36-11,2 R=1,20-1,02 R=2,19-1,92 10,71 1,89
n= x=12,10 x=1,13 x=2,14
9 R=11,97-6,93 R=0,93-0,66 R=1,56-1,29 10,57 1,77
n= x=8,67 =0,82 x=1,45
10 R=17,5-13,83 R=1,59-1,20 R=2,88-2,34 11,27 1,89
n=11 x=15,89 x=1,41 x=2,67
11 R=13,53-10,3 R=1,41-1,02 R=2,37-2.017°3553 1979
n=5 x=11,63 x=1,22 x= 2,19
12 R=16,2-11,46 R=1,47-1,11 R=2,64-2,19 11,20 1,87
n=21 x=14,22 x=1,27 x=2,38
13 R=17,7-12,69 R= 1,65-1,26 R=3,57-2,31 10,87 2,09
n= x=15,96 x=1,47 x=3,07
encontrados en nuestro material. Los valores mäximos y minimos obtenidos para las
hembras (Tabla I) resultaron algo menores que los ya dados. Al comparar estos resultados
con las observaciones tomadas del lote de Arizona, no se apreciaron importantes
diferencias. Cabe sefialar, que al correlacionar la longitud del escudo con el número de
anillos abdominales sin apéndices, se obtuvo un r=-0,57, altamente significativo (n=179,
P > 0,01); lo que significa que existiría una tendencia a que disminuya el número de
anillos sin apéndices cuanto mayor es la longitud del escudo.
2) Apéndices abdominales: es muy poca la información existente acerca del número
total de apéndices abdominales, si bien LINDER (1952) cita para T. longicaudatus valores
entre 43 y 55 pares, o sea, con un rango de variación de 12. En ejemplares de Argentina,
hemos podido reconocer una gran variabilidad en el número de estos apéndices,
prácticamente duplicada el rango observado en las formas norteamericanas. En la tabla
I, puede apreciarse esta variación, el número máximo hallado corresponde a un ejemplar
del lote 1 (Santiago del Estero) con 60 pares y el mínimo a otro del lote 12 (Río Negro),
37 pares, con un rango de variación de 23.
Anillos corporales: según LINDER (1952) todas las especies descriptas de Triops,
se caracterizan por tener un mayor número de anillos corporales en comparación con el
género Lepidurus Leach, 1816. Dicho autor cita para T. longicaudatus, 34 +1-44, variando
dentro de esos límites los ejemplares de una misma muestra. En los de Argentina, el
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
36 CESAR; HERNANDEZ & RUMI
Tabla II. Triops longicaudatus en la Argentina: medidas en mm y sus relaciones (1, apéndices abdominales; 2,
anillos abdominales; 3, con apéndices; 4, sin apéndices; 5, número de individuos con medios anillos; n, número
de individuos; R, rangos; X, medias).
LOTE l 2 3) 4 5
l R=46-43 R=27-24 R=18-16 R=9-8 4
n=17 x=43 x=26 X 17 x=8
2 45 DS 19 8 0
nl
3 R=47-37 R=28-20 R=18-12 R=9-7 16
DS] x=44 Ely xl] x=8
4 R=47-46 R=28-27 R=21-19 R=8-7 0
02 x=46,5 EDS) x20 x=1.3
5 R=47-43 R=27-24 R=19-16 R=8-6 1
1==17/ x—48 sell selo x=8
6 43 DS 18 Y 0
nel
7 R=54-38 R=28-20 R=20-16 R=8-5 5
n=31 x=47 x=26 x=19 xl
8 R=53-46 R=27-25 R=21-19 R=6-5 0
n=6 x=48 x=26 x=20 x=6
9 R=44-40 R=27-24 R=20-18 R=7-6 1
n=5 4) xD x=19 x
10 R=60-45 R=27-24 R=22-19 R=6-5 0
mel x=9 x=26 xD x=5
11 x=50-39 R=25-23 R=19-17 R=6 2
= x=46 x=24 x=18 X=
2 R=47-43 R=28-23 R=22-17 R=7-5 3
= x=44 x—25 x=19 x=6
13 R=48-42 R=26 R=18 R=8 2,
ES) x=46 x=6 x=18 =
número de anillos corporales ha variado entre 31+1-39 y con las mismas características de
variabilidad que para los representantes norteamericanos de la especies.
3) Anillos abdominales con y sin apéndices: en nuestro material, el número total de
anillos abdominales varió entre 20 y 28, con promedios variables según los lotes de 24
a 27. Lo mismo ocurrió con los anillos abdominales con apéndices, en los que se halló un
rango de variación de 12 a 22 y con promedios variables entre 17 y 21. Los anillos
abdominales sin apéndices variaron de 5 a 9 y en general se ajustan a los patrones de
variabilidad para la forma norteamericana. 4
4) Anillos incompletos o medios anillos (1): su presencia, en general, fue variable
de acuerdo a los lotes y su frecuencia baja; en el lote 12, el 28% de los ejemplares los
presentaron; en los demás lotes, si bien se registraron, su frecuencia fue menor. No se
encontraron anillos en espiral, ni tampoco una relación con algún tipo particular de
modelos de telson.
5) Morfologia externa de la cápsula del huevo de resistencia: hemos encontrado dos
variedades principales en cuanto a la estructura de la corteza - a) lisos, representados en
la mayoria de los lotes examinados y mamelonados, los lotes de La Rioja (nº 2) y Buenos
Aires, General Lamadrid (nº 9) (correspondientes a los atributos 7 y 8 del análisis de
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
Analisis morfologico de Triops longicaudatus... 87
técnicas numéricas). El diámetro de los huevos de corteza lisa tuvo escasa variación, con
un rango entre 0,305mm y 0,357 mm. Lo mismo ocurre con los huevos de T. longicaudatus
de Springville (Arizona), cuyo diämetro promedio es de 0,340mm; en los especímenes
mejor conservados, la superficie capsular no tiene aspecto esponjoso; a 200 aumentos se
notan muy pocos poros (fig. 2), a más altas magnificaciones puede notarse gran número
de poros de diversos tamafios (figs. 3-5); b) mamelonados, presentaron corteza integrada
por estructuras en forma de mamelones o domos (fig. 6) que constituyen cámaras en la
capa alveolar (fig. 7); con altas magnificaciones, de los mamelones se elevan estructuras
de aspecto dentiforme (fig. 8), una o dos por mamelón, que terminan en punta roma o
bifurcada; estas midieron 21 um de altura en línea recta desde la zona de emergencia hacia
la punta. Este tipo de estructura es singular y hasta el momento no se ha mencionado para
el género. No se observaron poros. En los individuos que presentaron huevos mamelonados
tampoco se registraron medios anillos.
Espinas del telson: en el material examinado hemos encontrado que, como ocurre
en las poblaciones de Norteamérica de T. longicaudatus, no hay un patrón poblacional
constante en el número, tamafio y disposiciön de las espinas de la región dorsal del telson
y en su márgen porterior. Por ello, es necesario examinar un número alto de especímenes
para evaluar la variabilidad. LINDER (1952) considera que dos espinas en el márgen
dorsal del telson podrían ser características de T. longicaudatus, aunque aún en este
aspecto hay diferentes criterios. Dicho autor, cita unos 15 modelos diferentes de
disposiciön de espinas sp y spll.
En nuestro material, y de acuerdo con el modelo de telson básico con 3 sp
principales, una central y dos laterales, situadas dorsalmene y por encima o por debajo del
margen porterior, expresamos las cuatro variaciones que pudieron ser registradas en
nuestras poblaciones (fig. 1): telson 1 (MT 1), apartado del modelo básico con 2 spy varias
spII; telson 2 (MT 2), con modelo básico, 3 a 6 sp, sin sp II, se presentan 5 variedades;
telson 3 (MT 3), com modelo básico, 3 a 6 sp,con spII por arriba y por debajo dei borde
posterior del telson, 5 variedades; telson 4 (MT 4), con modelo básico, 4 sp, las 2 sp
laterales se encuentran por debajo del borde posterior del telson, con spII por arriba y/o
por debajo del borde posterior.
Algunos de los modelos arriba descriptos (fig.1), se repiten en los dados por
LINDER, por ejemplo: el modelo básico, MT 2,, MT 2,y MT 3, aunque, en nuestras
poblaciones, las spII por debajo del telson son más numerosas. La frecuencia relativa de
aparición de los modelos descriptos por nosotros, se estudiará al analizar los fenogramas.
Resultados del análises de técnicas numéricas: a partir de la interpretación del
primer fenograma (fig. 9), en la que se estima la relación entre caracteres: la longitud del
escudo y la longitud del telson (caracteres 1 y 2) y elnümero de anillos sin apéndices con
el modelo de telson 2 (caracteres 5 y 10), fueron los que demostraron estar más altamente
correlacionados.
Con respecto a la similitud entre individuos, en el fenograma obtenido (fig. 10) no
se formaron grupos claros. Sin embargo, se puedieron identificar dos grandes grupos más
un individuo aislado (OTU 53). Este último se caracterizó por ser único ejemplar con
modelo de telson 1. Elprimer grupo (G 1) que presentó huevos de resistencia mamelonados
puede dividir-se en dos subgrupos, de los cuales, uno de ellos con modelo de telson 4 (G
la), raro en su frecuencia de apariciön y el otro, modelo de telson 3 (G 1b), más frecuente.
En el segundo grupo (G 2), caracterizado por huevos de resistencia lisos, también
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
38 CESAR; HERNANDEZ & RUMI
pudieron reconocerse dos subgrupos, el primero (G 2a) con modelo de telson 3 y el
segundo (G 2b), con modelo de telson 2.
Con respecto a los ejemplares del lote que RINGUELET (1944) denominó Triops
pampeanus, no conformaron un grupo particular intercaländose sus individuos en uno de
los grupos más numerosos y de características más frecuentes (G 2b).
Como resultado del análisis de componentes principales (tabla III) se obtuvieron 3
factores que presentaron un porcentaje de variación acumulada de 42,40% para I, 22,65%
para II y 16,23% para III y una total de 81,28%. En el factor I los caracteres que más
contribuyeron a la variabilidad fueron el número de anillos abdominales sin apendices y
el modelo de telson 2. Para el factor II, los que más contribuyeron fueron los dos tipos de
huevos, lisos y mamelonados, y por último al factor III, contribuyó principalmente el
modelo de telson 3.
En el mapa (fig. 11) se puede observa la distribución geográfica del material
examinado.
Tratando de encontrar un gradiente de distribución, regido por las condiciones
climáticas, se analizó si los individuos de las localidades de los grupos resultantes y
descriptos en el fenograma (fig. 10), se correspondían con un tipo particular de clima. A
partir de aqui se obtuvo que el grupo 1 y 2 del fenograma, predominó en los climas árido
de las sierras y bolsones y templado pampeano.
En cuanto a los subgrupos, G 2a predominaron en orden decreciente del clima árido
de las sierras y bolsones al templado pampeano, serrano y semiárido y G 2b, se localizó
mayormente en clima semiárido y en mucha menor proporción en el árido de is sierras
y bolsones, árido patagónico y templado de transición.
Tabla III. Triops longicaudatus en la Argentina: aporte de variabilidad de cada caracter a los tres primeros
factores resultantes del análisis de componentes principales (I: con mayor aporte de los atributos 5 y 10; al II:
contribuyeron el 7 y 8y al III: el 11 y 10). Caracteres: 1) Longitud del escudo (en mm); 2) Longitud del telson
(en mm); 3) número de apéndices abdominales; 4) número de anillos abdominales con apéndices; 5) número
de anillos abdominales sin apéndices; presencia/ausencia de : 6) medios anillos; 7) huevos lisos; 8) huevos
mamelonados; 9) modelo de telson 1 (MT 1); 10) modelo de telson 2 (MT 2); 11) modelo de telson 3 (MT 3);
12) modelo de telson 4 (MT 4) y 13) número de espinas principales del tenson.
COMPONENTES
ATRIBUTOS
1 0555 -0,636 -0,402
2 0,599 -0,526 + -0,454
3 0,570 -0,377 -0,074
4 0,611 -0,331 0,236
5 -0,867 0,019 -0,179
6 0,035 0,109 -0,114
7! -0,594 -0,672 0,306
8 0,594 0,672 -0,306
9 -0,109 0,178 0,436
10 -0,763 -0,254 ° -0,514
11 OR 0,017 0,562
12 0237 0,562 -0,428
13 0,522 -0,062 -0,093
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
Analisis morfologico de Triops longicaudatus... 39
DISCUSION Y CONCLUSIONES
ALONSO & ALCARAZ (1984) han estudiado los huevos de resistencia con el
MEB en Lepidurus apus (Linné, 1758), Triops cancriformis simplex (Ghigi) y T.
cancriformis mauritanicus (Ghigi). En estas especies no se encuentran estructuras
ornamentales características o divisiones de la superficie capsular en celdillas, como sí
ocurre en varios anostracos y concostracos. Lepidurus apus presenta una corteza lisa y sin
poros. En las dos variedades de T. cancriformis el aspecto de la corteza es esponjoso; con
poros en 7. c. simplex y sin ellos en T. c. mauritanicus.
En la mayoría de los especímenes argentinos mejor conservados, la superficie
capsular no tiene aspecto esponjoso, como lo descripto para T. cancriformis, sino liso y
con poros bien definidos. En cuanto a los huevos de corteza mamelonada, hasta el
momento, este tipo característico de cápsula, no ha sido descripta para alguna otra especie
de Triops ni Lepidurus.
De acuerdo a lo observado en las características ectosomáticas del material
estudiado, se considera que es propia la adscripción del mismo a T. longicaudatus.
Además, dado que los ejemplares tipos de T. pampeanus no demostraron tener diferencias
relevantes, se considera que T. pampeanus Ringuelet, 1944 es sinónimo de T. longicaudatus.
El grupo que presenta huevos mamelonados (de La Rioja y General Lamadrid,
Buenos Aires), y sin variaciones de importancia en el resto de los caracteres estudiados,
podría adscribirse a otra categoría taxonómica, quizá inferior a la de especie. Pero, debido
a la escasez del material estudiado, se prefiere postergar dicha adscripción hasta que se
puedan realizar mayores colectas.
En general, la distribución geográfica de estos notostracos en la Argentina, se
encuadró en los climas semiárido, árido de las sierras y bolsones y templados serrano, de
transición y pampeano.
Agradecimientos. A la Dra. Analía Lanteri, Investigadora CONICET, por su colaboración y valiosas
sugerencias.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
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IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
Analisis morfologico de Triops longicaudatus... 41
Fig. 1. Triops longicaudatus: esquemas de los modelos de telson observados, de acuerdo al número y
disposición de espinas. BPT, borde posterior del telson; MBT, modelo de telson básico; Sp: espinas principales
y Spll: espinas accesorias. Los subíndices corresponden a las variedades que se presentaron en los modelos de
telson 2 y 3.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
42 CESAR; HERNANDEZ & RUMI
Mm
Figs. 2-5. Triops longicaudatus: huevos de resitencia de cápsula lisa. Escalas: 100um, 2, 3; 10um, 4; Ium, 5.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
Analisis morfologico de Triops longicaudatus... 43
Figs. 6-8. Triops longicaudatus: huevos de resistencia de cápsula mamelonada. 6. vista general; 7. corte de la
pared capsular; 8. detalle de las estructuras piramidales de las espinas de los mamelones capsulares. Escalas:
100um, 6 e 7; 10pm, 8.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
Mn CESAR; HERNANDEZ & RUMI
= PN
Sn a
(6) [63]
O ©
O
—— O
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O O) O
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161) 0 Q1 N N 67) N O [e)) SJ O
Fig. 9. Fenograma que estima la relación entre caracteres de Triops longicaudatus , a partir de la aplicación de
un análisis de agrupamientos y de un coeficiente de distancia. Los atributos fueron numerados de acuerdo a
como se presentan en la Tabla III.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
Analisis morfologico de Triops longicaudatus... 45
C.Cc.c. = 0.92
Fig. 10. Fenograma que estima el grado de similitud entre los individuos de Triops longicaudatus (G, grupos:
1, huevos mamelonados; 2, huevos lisos; a, modelos de telson 3; b, modelo de telson 2; corresponde a los
ejemplares de T. pampeanus.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
46 CESAR; HERNANDEZ & RUMI
= 2 00.2.0 200. gases.
YA,
d
Fig. 11. Distribución de Triops longicaudatus en Argentina. (1. Santiago del Estero; 2. La Rioja; 3. Córdoba;
4. San Juan; 5. Capital Federal; 6. Mendoza; 7. Mendoza Sur; 8. La Pampa; 9. Buenos Aires, General Lamadrid;
10. Neuguén, Arroyito; 11. Neuquen, Zapala; 12 y 13. Rio Negro, General Conesa).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 33-46, 30 set. 1993
ANEMONAS DE MAR DEL PLATA Y LOCALIDADES VECINAS.
IV. TRICNIDACTIS ERRANS PIRES, 1988 (ACTINIARIA,
HALIPLANELLIDAE)
Adriana C. Excoffon !
Mauricio O. Zamponi !?
ABSTRACT
THE SEA ANEMONES OF MAR DEL PLATA AND NEAR AREAS. IV. TRICNIDACTIS ERRANS
PIRES, 1988 (ACTINIARIA, HALIPLANELLIDAE). Tricnidactis errans Pires, 1988 is recorded for the first
time from intertidal of Mar del Plata (38º 05'S - 57º 32’W). Evaluation of the variability of morphological
features used as taxonomic characters is given in adition to general comments on the distribution and ecology
of this species.
KEYWORDS. Taxonomy, Acontiaria, Haliplanellidae, Morphology.
INTRODUCCION
En Mar del Plata, los actiniarios Acontiaria están representados por dos especies
(ZAMPONI, 1979): Ramirezia balsae Zamponi, 1979 (Ramireziidae) y Sagartianthus
fasciarum Zamponi, 1979 (Sagartiidae). En el intermareal marplatense fue hallada una
anémona acontiária, Tricnidactis errans Pires, 1988, que forma pequefias agregaciones
y generalmente es epizoica sobre una amplia variedad de organismos. Esta especie sólo
ha sido mencionada para la localidad tipo.
La finalidad de este trabajo es dar a conocer nuevos datos morfológicos de T. errans,
ampliando además el rango de distribución de la misma en el Atlántico Sudoccidental.
MATERIALES Y METODOS
Fueron estudiados 300 ejemplares de T. errans procedentes del intermareal de Punta Cantera (38º 05’S,
57º 32’W) y recolectados durante las máximas bajamares mensuales (0,20 m de altitud, aproximadamente) en
el período comprendido de Febrero/89 a Julio/91.
El material fue anestesiado con cristales de mentol, fijado en solución salina de formaldehido al 5%. Se
realizó la disección de 195 ejemplares para estudios de anatomía, observados bajo estereomicroscópio; se
1. Faculdad de Ciencias Exactas y Naturales (UNMdP). Departamento de Ciencias Marinas. Laboratorio de Biologia de Cnidarios. Funes 3250.
(7600) Mar del Plata, Argentina.
2. Carrera del Investigador Cientifico del CONICET.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 47-53, 30 set. 1993
48 EXCOFFON & ZAMPONI
efectuaron cortes transversales y longitudinales de 7 um de espesor, los cuales fueron tratados con la tinción
clásica de Hematoxilina - Eosina, para su observación en microscopio óptico.
Se analizaron los cnidae en ejemplares vivos y fijados, aplicando la terminologia de SCHMIDT
(1969,1972,1974); la media, el rango, y el número total de cnidae medidos (n), asi como también la relación
entre el número de ejemplares con determinado tipo de cnida y el número de ejemplares total examinado para
ese tipo de tejido (N), fueron analizados según DUNN (1982a); estos valores se comparan con los hallados por
PIRES (1988).
RESULTADOS
Aportes al conocimiento morfológico de T. errans. Basado en la descripción
original (PIRES, 1988), se mencionan sólo las características más conspicuas o aquéllas
en las cuales se registran variaciones.
Disco pedal: base adherente y delicada, circular con numerosas lobulaciones debido
a la reproducciön asexual por laceración pedal; diâmetro de 3,0 a 16,5 mm en material
fijado.
Columna (fig. 1) dividida en capitulum y scapus; lisa y uniforme en textura, salvo
por las cinclides, amenudo observables a 0jo desnudo; usualmente cilíndrica, hemisférica
o de cono truncado al estar contraída; en ejemplares pequefios, es translúcida al estar
extendida, por lo que las estructuras internas son visibles; altura de 3 a 16 mm.
Coincidente con PIRES (1988), la coloración del scapus es rosada intensa, pero
puede ser también verdosa. Las inserciones mesenteriales en ejemplares grandes sólo son
visibles en el capitulum que es conspicuo y blanco translúcido.
El número de cínclides, usualmente endocélicas, es variable ( generalmente 2 63,
pero hasta 4 ó 5 por endocel); están ubicadas en el tercio medio de la columna, justo debajo
del capitulum.
Como lo mencionara PIRES (1988), hay un esfinter mesogleal débil, ubicado bajo los
tentáculos marginales y más cercano al ectodermo que al endodermo. El ectodermo es muy
rico en nematocistos y la musculatura circular endodermal está bien desarrollada.
Disco oral de 3 a 12 mm; circular, plano y liso; diámetro equivalente al de la columna.
La boca presenta labios levemente anaranjados; los endoceles de los mesenterios del primer
orden son amarillos, si bien hay variaciones. Rodeando la base de los tentáculos y hacia la
boca, hay una mancha marrón en forma de V, característicatde la especie (PIRES, 1988); por
detrás de los tentáculos del primer ciclo se prolonga el color amarillo en el disco oral. En
algunos, sólo los endoceles de los mesenterios directivos y la mitad o el tercio de los
endoceles en los mesenterios restantes, son amarillos; el resto del disco oral es transparente.
Actinofaringe: con características similares a las descriptas originalmente; el
número de sifonoglifos varía de 1 a 3, siendo más comunes con dos sifonoglifos.
Tentáculos: lisos, delgados, en ocasiones bifurcados; los internos son más largos
que los externos; el número máximo observado fue de 158 tentáculos. Elcolores variable:
amarillo, castafio o verdoso, siendo más común el blanco. La musculatura longitudinal es
ectodérmica y el ectodermo es muy notorio por su desarrollo. |
No fue observada la formaciön de “catch tentacles” mencionada por PIRES (1988)
en algunos ejemplares brasilefios. Sin embargo, WILLIAMS (1991) indica que este tipo
de tentáculo no está siempre presente en todos los individuos, ya que la aparición de estas
estructuras de agresión es un fenómeno inducido; incluso pueden desaparecer y retornar
a las características normales transcurrido un tiempo, al no continuar los contactos
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 47-53, 30 set. 1993
Anemonas de Mar del Plata ... 49
ocasionales con individuos de otras especies o clones.
Mesenterios: PIRES (1988) indica 24 pares distribuídos hexamericamente en tres
órdenes, siendo el primer orden perfecto, y los otros dos imperfectos. Este es el esquema
mesenterial o “patrón” normal, que caracteriza a la mayoria de los ejemplares examina-
dos. Sin embargo, fueron encontrados individuos con tres y hasta nueve pares de
mesenterios perfectos (tabla I) y disposiciön asimétrica. En general, en ejemplares
grandes, la fórmula mesenterial varía según el número de pares de mesenterios perfectos,
ya que de éstos depende el número de mesenterios imperfectos según la relación n + n +
2n, siendo n el número de pares de mesenterios perfectos. En los ejemplares con 32 y 36
pares de mesenterios (figs. 2,3) dicha fórmula es 8 +8 + 16=32,y9+9+18=36,
respectivamente.
El músculo retractor de los mesenterios de primer y segundo orden, difuso a
circunscripto-difuso, está bien desarrollado; los retractores de los mesenterios directivos
son más fuertes.
Los acontia, similarmente a lo que sucede en Acontiophorum niveum Fautin,
Eppard & Mead, 1987, sólo son expulsados (uno por cínclide) cuando los ejemplares son
molestados persistentemente, ya que la respuesta inicial es la secreción de mucus
(FAUTIN et al., 1987).
La asimetria a ambos lados del axis directivo debe realcionarse, como indicaran
MANUEL (1981) y DUNN (1982b), a los mecanismos asexuales involucrados en la
formación de esos indivíduos.
Esta especie es dioica; fueron hallados ejemplares machos y hembras con las
gónadas ubicadas en el segundo y tercer ciclo de mesenterios, restringidas al tercio proximal
de la anémona.
Cnidoma: el tipo de cnidae hallado (tabla II) es coincidente con el descripto por PIRES
(1988).
Habitat: En Mar del Plata, es encontrada en sitios protegidos del embate directo del
oleaje pero de buena circulación de agua, y tal como lo indica PIRES (1988), en el
límite entre el nivel mesolitoral inferior e infralitoral superior. El material examinado se
encontró conviviendo con una amplia variedad de organismos, y muchas veces como
epizoica de Brachydontes rodriguezi (Orb.), Balanus sp., urocordados coloniales,
Hymeniacidon sanguinea Grant, 1827, Corallina sp. y Crepidula sp.
Distribuciön: Bahia da Guanabara, Rio de Janeiro, Brasil (PIRES, 1988). Nueva cita:
Mar del Plata (38° 05' S,57° 32’W), Argentina.
Observaciones ecologicas. T. errans, en Mar del Plata, como lo indicado por PIRES
(1988), presenta características similares a Haliplanella lineata (Verrill, 1869), que en
ocasiones se establece y forma pequenas agregaciones durante un tiempo, para luego
desaparecer por otro lapso.
Dentro del celenterón fueron hallados restos de Crustacea, Amphipoda (Caprellidae
y Gammaridea), y Decapoda, así como de insectos Hymenoptera y Diptera, por lo que se
estima no hay selectividad del alimento, sino que es una especie oportunista.
Frecuentemente fueron hallados en cercanías de los individuos de las agregaciones de
T. errans dos especies de nudibranquios, que posiblemente se alimenten de esta anémona.
Estos invertebrados han sido mencionados en numerosas oportunidades como uno de los
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 47-53, 30 set. 1993
50
EXCOFFON & ZAMPONI
principales depredadores de Actiniaria, junto a picnogónidos y asteroideos (OTTAWAY,
1972).
Tabla I: Variación del número de pares de mesenterios perfectos en T. errans.
Pares de mesenterios Número de
perfectos individuos
3 2
4 2
3 15
6 162
1 9
8 4
9 1
TOTAL 195
Tabla II: Anälisis comparativo entre los cnidae de T. errans de Mar del Plata, Argentina y de la bahia de
Guanabara, Rio de Janeiro, Brasil (obtenidos en Pires, 1988).
Tentäculo
espirocisto
b-rhabdoide
p-rhabdoide Blb
p-rhabdoide B2a
p-rhabdoide C
holotrico
coluna
b-rhabdoide
p-rhabdoide Blb
p-rhabdoide B2a
holotrico
actinofaringe
b-rhabdoide
p-rhabdoide B2a
filamento mesenterial
b-rhabdoide
p-rhabdoide Bla
p-rhabdoide Bla
p-rhabdoide Blb
p-rhabdoide B2a
acontia
b-rhabdoide
p-rhabdoide Blb
p-rhabdoide B2a
Mar del Plata
(um)
18,4 (12,8-26,4) x 3,3(1,6-4,4) n=92 N=6/6
15,3 (11,2-19,2) x 1,6(1,6-2,4) n=42 N=3/6
10,1 (8,0-11,2) x 2,7 (2,4-3,2) n= 19 N=2/6
27,5 (14,4-37,4) x 3,9 (2,4-5,5) n=98 N=6/6
no hallado
19,9 (16,5-22,0) x 3,0 (2,2-3,3) n=22 N=3/6
10,7 (8,0-12,8) x 2,0 (1,6-2,4) n=47 N=4/4
17,9 (14,4-23,2) x 3,0 (2,4-4,0) n=48 N=4/4
23,4 (17,6-33,0) x 3,9 (3,2-4,4) n=56 N=4/4
12,7 (11,2-14,4) x 3,1 (2,4-4,0) n=34 a
21,5 (13,6-27,2) x 2,2 (1,9-2,9) n=58 N4/5
23,4 (17,5-29,1) x 4,8 (3,9-5,8) n=78 N=5/5
15,7 (13,6-19,4) x 1,6 (1,5-2,3) n=41 N=3/3
14,0 (11,6-15,5) x 3,7 (1,9-4,9) n=52 N=3/3
no hallado
22,1 (17,5-27,2) x 3,3 (2,9-4,9) n=50 N=3/3
35,7 (27,2-38,8) x 6,2 (4,9-7,8) n=45 N=3/3
26,0 (19,2-35,2) x 2,1 (2,2-3,3) n=99 N=6/6
21,9 (15,4-34,1) x 4,1 (3,8-5,7) n=90 N=6/6
59,9 (46,2-73,1) x 5,8 (5,5-7,7) n=95 N=6/6
Bahia de Guanabara
(um)
16,0 (9,6-24,0) x 2,6(1,5-4,5)
13,3 (8,8-18,4) x 2,2(1,8-3,0)
11,1 (8,8-13,6) x 3,3 (2,0-4,0)
24,7 (15,2-32,8) x 3,5 (2,4-4,8)
34,6 (29,0-43,0) x 4,2 (3,0-6,4)
28,2 (14,4-40,0) x 2,6 (1,6-3,2)
10,1 (8,0-12,0) x 1,3 (1,0-2,0)
13,3 (12,0-15,0)x 3,7 (3,0-5,0)
19,2 (16,8-23,0) x 4,3 (3,0-5,0)
14,6 (11,2-18,4)x 3,1 (2,0-4,0)
15,2 (11,2-18,4)x 1,7 (0,9-2,0)
19,0 (15,2-22,4) x 3,5 (2,5-4,0)
12,5 (11,2-15,2)x 3,5 (2,8-4,3)
13,4 (11,2-15,2)x 3,5 (2,8-4,3)
17,6 (16,0-21,0) x 3,6 (3,0-4,0)
21,3 (18,0-25,5) x 3,6 (2,2-5,0)
31,1 (25,6-39,0) x 4,9 (4,0-6,0)
24,5 (12,8-32,0) x 2,8 (2,0-3,5)
24,1 (16,0-28,8) x 4,4 (4,0-5,0)
53,1 (41,6-68,0) x 6,9 (6,0-7,5)
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 47-53, 30 set. 1993
Anemonas de Mar del Plata ... 51
DISCUSION
Existe controversia respecto a la existencia y utilización de uno de los tipos de
nematocistos que caracteriza a la familia Haliplanellidae, los microbásicos amastigóforos
(o p - rhabdoides Blb, según SCHMIDT, 1969). Estos no son realmente amastigóforos ya
que presentan un filamento vestigial que generalmente queda dentro de la cápsula cuando
el nematocisto es disparado, pero claramente constituyen un tipo diferente de cnida. La
presencia de tres tipos de nematocistos en el acontia define a Haliplanellidae, y PIRES
(1988) muy criteriosamente mantiene la validez de este taxón al encontrar en la especie
T. errans de la bahia de Guanabara la existencia de b-rhabdoides, p-rhabdoides B Ib y B
2a; sugiere también que la supresión o inclusiön del p-rhabdoides B Ib (o amastigóforo)
en otra categoria preexistente de nematocistos podría sólo agravar aún más la ya confusa
sistemática de las anémonas Acontiaria.
Posteriormente, ENGLAND (1991) recomendó mantener el término amastigóforo
para incluir a los rhadboides que carecen de filamento o con uno delgado y relativamente
corto que no exceda más de tres veces la longitud del dardo.
El hecho de haber hallado en el acontia de los ejemplares estudiados nematocistos
p-rhabdoides B Ib, claramente diferenciados de los p-rhabdoides B 2a y b-rhabdoides,
confirma el criterio de PIRES (1988) de mantener la validez de la familia Haliplanellidae.
Los ejemplares encontrados en la costa de la ciudad de Mar del Plata presentan
ciertas diferencias con aquellos descriptos por PIRES (1988). Las variaciones anivel del
número de cínclides, de tentáculos, y del número de pares de mesenterios perfectos y total
deben relacionarse con el tamafio mayor hallado en los ejemplares, y no justifican la
creación de un nuevo taxón.
Asimismo, hay similitudes respecto a los cnidae, si bien con valores levemente
superiores a los mencionados para los ejemplares brasilefios.
Deben mencionarse además similitudes morfológicas y de habitat; en cuanto a las
primeras se pueden indicar la presencia de un esfínter mesogloeal débil y disposición de
los ciclos de mesenterios, y columna dividida en capitulum y scapus, si bien M.J. da C.
BELEM (com. pers.) no distingue histológicamente la existencia de estas zonas en los
ejemplares marplatenses.
En relación a la reprodución, PIRES (1988) menciona dos procesos asexuales
(fisión longitudinal y laceración pedal), mientras T. errans en las costas marplatenses
exhibió una activa laceración pedal, siendo los ejemplares fértiles, dioicos, con gónadas
ubicadas en el segundo y tercer ciclo de mesenterios.
Agradecimientos: A la Dra. Maria Julia da Costa Belém, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio
de Janeiro, Brasil, por la realización de fotomicrografias y dibujos, aportando además valiosas sugerencias; al
Dr. Haraldo E. Christiansen (Inst. Nac. de Invest. y Desarrollo Pesquero) por la ejecución de cortes histológicos
y a Marcela Tobio de la misma institución, por el material fotográfico.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
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IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 47-53, 30 set. 1993
Anemonas de Mar del Plata ... 53
Figs. 1-3: Tricnidactis errans: 1. ejemplares fotografiados en acuario (2,5 X); esquema de la disposición
mesenterial en un ejemplar: 2. con ocho pares de mesenterios perfectos y dos sifonoglifos, 3. con nueve pares
de mesenterios perfectos y tres sifonoglifos. (D, mesenterios directivos).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 47-53, 30 set. 1993
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MORFOLOGIA CRANEANA DE CHAETOPHRACTUS VILLOSUS
(DESMAREST, 1804) (MAMMALIA, DASYPODIDAE)
Silvia M. Squarcia !
Emma B. Casanave !
Guillermina R. Cirone !
ABSTRACT
CRANIAL MORPHOLOGY OF CHAETOPHRACTUS VILLOSUS (DESMAREST, 1804)
(MAMMALIA, DASYPODIDAE). The morphological features of the skull of Chaetophractus villosus
(Desmarest, 1804) are described. Fifteen morphometric characters were measured in 37 animals. Sexual
dimorphism was detected from a biometric point of vue. The skull of females are bigger than that of males.
KEYWORDS. Chaetophractus villosus, morphology, skull, anatomy.
INTRODUCCION
Los dasipódidos constituyen un grupo zoológico de gran interés científico, debido
a las características particulares de su anatomía, fisiología e historia evolutiva. Con
respecto a la craneomorfología, en textos clásicos (GRASSE, 1955; STARCK, 1967;
PIVETEAU, 1958) se encuentran referencias generales sobre los mismos. No obstante,
el conocimiento de las distintas especies es escaso incompleto. Particularmente con
respecto a Chaetophractus villosus (Desmarest, 1804), YEPES (1928) publicó valores
craneométricos de siete ejemplares de los que no indica el sexo y de tres ejemplares
machos. No hay estudios descriptivos ni morfométricos comparados entre sexos. Esta
especie fue propuesta como modelo experimental para investigaciones neurobiológicas
(AFFANNI & GARCIA-SAMARTINO, 1984; GARCIA-SAMARTINO et al., 1987).
El estudio de su anatomia craneana es, en consecuencia, información básica de gran
interés.
MATERIALES Y METODOS
Se utilizaron 20 hembras y 17 machos adultos de C. villosus procedentes del partido de Bahía Blanca,
Provincia de Buenos Aires, Argentina. Se midieron 15 caracteres morfométricos del cráneo. Las medidas están
expresadas en milimetros. Mediante el test de F se investigó la homogeneidad de varianzas para los distintos
caracteres en ambos sexos; se compararon los valores medios de machos y hembras empleando el test de t
(SOKAL & ROHLF, 1969).
1. Departamento de Biologia, Universidad Nacional del Sur. San Juan 670, (8000) Bahia Blanca, Argentina.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 55 - 61, 30 set. 1993
56 SQUARCIA; CASANAVE & CIRONE
RESULTADOS
Cráneo. Dorsal (fig. 1): borde lateral de los nasales articula en toda su extensión con
maxilares y premaxilares. Borde anterior de los nasales y premaxilares libre y redondeado.
Frontales con convexidades a nivel de los senos, descendiendo lateralmente para
articularse con el borde medial de la porción facial de los lagrimales. Posteriormente se
estrechan a nivel de la constricción postorbitaria, representando el ancho interorbitario,
ensanchándose luego hacia atrás. Parietales cuadrangulares, abovedados, articulan entre
sí en la línea media sin formar cresta sagital evidente. Ancho bicigomático corresponde
al nivel de la sutura témporo-yugal.
Ventral (fig. 2): agujero magno subcircular, con diámetro transverso ligeramente
mayor que el longitudinal. Si se traza una línea imaginaria que una los extremos internos
de los cóndilos, resulta dividido en dos porciones de tamafio similar, una ventral y otra
occipital. La primera de contorno triangular, con vértice en la línea media orientado hacia
adelante. Cóndilos subcuadrangulares. Por delante y hacia afuera de los mismos la bula
timpánica, hipertrofiada (ROIG, 1971), de tamafio aproximadamente el doble del
correspondiente a los cóndilos. En la zona pósterointerna de la bula, por delante del
agujero condilar, se encuentra el agujero rasgado posterior. A nivel ánterointerno, el
agujero rasgado medio. Anterior a este último, en el extremo proximal de la bula, sobre
el basiesfenoides, se abre el orificio de la trompa de Eustaquio. Sobre la base del
aliesfenoides se ubica el agujero oval; en la unión del aliesfenoides con el orbitoesfenoides
el agujero rasgado anterior (agujero esfenoidal) que incluye el agujero redondo. Un poco
más dorsal sobre el orbitoesfenoides el agujero óptico. Zona esfenoccipital plana,
trapezoidal, con longitud ánteroposterior mayor que el ancho; parte ánterolateral con
pterigoides en forma de lámina vertical. Basioccipital, basiesfenoides, aliesfenoides y
orbitoesfenoides íntimamente soldados. Por delante de la región orbitoesfenoidal una
prolongación laminar, probablemente el mesetmoides. Esta última, vómer y turbinales no
visibles exteriormente. Paladar un poco más de la mitad de la longitud total del cráneo
(57,7%). Sutura palatina transversa a la altura del borde posterior del sexto diente.
Fórmula dentaria 9/10. Homodoncia. Dientes molariformes, bicúspides, cilindricos y
aplanados lateralmente. Alvéolos subcirculares y diámetro ánteroposterior máximo a la
altura del quinto diente. Primer diente ubicado en el premaxilar, justo por delante de la
sutura entre este hueso y el maxilar. Series dentarias convergen hacia adelante. Agujeros
incisivos pequefios y alargados. Medialmente a los premaxilares, en el orifício nasal
externo, los huesos nariales en forma de dos pequefios cuernos.
Lateral (figs. 3, 4): agujero infraorbitario sobre la base de la apófisis piramidal del
maxilar, a la altura del sexto diente. Región posterior de la fosa témporo-orbital algo más
larga y estrecha que la anterior; sin separación entre ambas, solamente esbozos de los
procesos postorbitales superior (proceso yugal del frontal) e inferior (proceso frontal del
yugal). Arco cigomático conformado por el proceso cigomático del temporal; lateralmen-
te como una barra delgada casi horizontal, articulada al borde superior de la parte posterior
del yugal, a través de una sutura horizontal. Adelante el yugal se estrecha y desciende, sin
sobrepasar el plano que pasa por el extremo de las apófisis pterigoides; en seguida
asciende articulándose al proceso cigomático del maxilar y parte del contorno del
lagrimal. Zona posterior del yugal con aspecto de lámina vertical. Timpánico en forma de
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 55-61, 30 set. 1993
Morfologia craneana de Chaetophractus villosus... 57,
tubo, ventralmente soldado a la bula. Meato auditivo externo orientado hacia arriba.
Occipital (fig. 5): constituída principalmente por gran parte del hueso occipital
(supraoccipital y parte posterior de los cóndilos de los exoccipitales), de contorno
cuadrangular. Lateralmente se completa con la zona posterior de la porción petrosa del
temporal, donde se distingue el agujero mastoideo. No hay apófisis paraoccipital.
Dorsalmente, la cresta nucal, prominente como es característico en Euphractini (WETZEL,
1985), lateralmente convexa y en su parte central cóncava, configura una V abierta e
invertida. Ventralmente se dispone la porción posterior del agujero magno, de contorno
suave y redondeado.
Mandibula (figs. 6, 7): formada por dos huesos dentarios, derecho e izquierdo,
unidos en su extremo anterior por tejido fibroso. Cada dentario con una rama horizontal
y una ascendente. Esta última con proceso coronoides ánterosuperior, cóndilo articular
pósterosuperior y proceso angular redondeado. Borde superior de la porción horizontal
con diez dientes similares a los de la serie dentaria superior. Alvéolos subcirculares,
diámetro anteroposterior máximo a la altura del séptimo diente. Canal mandibular
comienza internamente por detrás, en el agujero dentario y termina por delante externa-
mente, en el agujero mentoniano.
Morfometría (tabla I): para todos los caracteres morfométricos considerados, los
dos sexos variaron en forma similar. Se detectaron diferencias en las longitudes: total,
cóndilobasal y basal; los anchos: cefálico e interorbitario siendo, en todos los casos,
mayores los valores correspondientes a las hembras.
TABLA I: Dimensiones generales del cráneo de Chaetophractus villosus (Desmarest, 1804). (X . media; s.,
desvío standard; Min. valor mínimo; Max. valor máximo; **. p<0,01; *. p<0,05.
SEXO MACHOS (n=17) HEMBRAS (n=20)
t
Dimensiones (mm) Min. Max. REES Min. Max. Es
Longitud total 86,3 92,8 89,8 + 1,7 89,0 96,4 94+1,9 AB
Longitud basal 73,4 79,7 MASI, 75,0 SAO TT dE 4,9 **
Longitud condilobasal 78,6 86,3 81,8 + 1,9 80,4 88,9 84,6+1,9 e
Longitud palatal Se 55,4 SEE? 49,6 Sl eia saio Hal
Longitud nasales 30,6 37,0 33,4 + 1,8 30,5 37,0 33,9+1,8 0,8
Longitud agujero magno 9,4 13,2 10,5 + 0,8 9,4 1252 OSSOS 0,0
Ancho bicigomatico Sal 62,3 58,3 42,4 52 63.4.1 59/7-62:0 1,9
Ancho rostral 11,2 14,8 IES ERRO 11,8 15.02 132&0'8 153
Ancho interorbitario 203 24,9 24,0 + 0,7 PDAS 26,22 24,6+0,9 2
Ancho cefalico 30,2 Sa 34,8 + 1,7 3003 38.4” “SIE 157 15
Ancho nasal 5,1 7,6 6,2+0,7 571 8,9 6,9+0,9 DE
Ancho palatal 11,0 14,5 2 9: 1,0 11,9 14,5 33303 153
Ancho agujero magno 12,5 1553 14,1 + 0,9 12,7 15,1 14,2 £ 0,6 0,4
Ancho extracondilar 26.1 29,9 276 110 26,8 313 288 E10 1,5
Altura maxima 29,1 333 31,4 +1,0 29,5 35,4 320214 5
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 55 - 61, 30 set. 1993
58 SQUARCIA; CASANAVE & CIRONE
DISCUSION
Como es característico en dasipódidos (FRECHKOP & YEPES, 1949;
ENGELMANN, 1985; GRASSÉ, 1955), hemos corroborado que en C. villosus los
lagrimales participan en la formación de los arcos cigomáticos, el agujero óptico se ubica
próximo al agujero rasgado anterior, no hay apófisis paraoccipital y el canal infraorbitario
es totalmente lateral al cuerpo del maxilar.
GRASSÉ (1955) menciona que en Dasypus (Linnaeus, 1758) los pterigoides
participan en una pequefia proporciön en la constitución del paladar öseo. En C. villosus
los pterigoides no forman parte de la constitución del mismo, contribuyendo sólo a la
formación de la pared lateral de las coanas. Articulan con la apófisis pterigoides del
maxilar siendo visibles lateralmente.
En relación al mesetmoides, en dos ejemplares juveniles de C. villosus hemos
constatado la presencia de una osificaciön que correspondería a ese hueso. La misma,
ubicada por delante de los orbitoesfenoides ya fusionados, está separada de estos últimos
por tejido cartilaginoso. Esta observación coincide con lo descripto por FERIGOLO
(1981), para Euphractus sexcinctus (Linnaeus, 1758). En los cráneos de ejemplares
adultos de C. villosus, el mesetmoides estaría fusionado con los huesos de la base
craneana.
Con respecto a la ubicación de los dientes, en Dasypus éstos se sitúan sobre la
mandíbula y sobre el maxilar, todos por delante del inicio del arco cigomático. En este
género no hay diente sobre el premaxilar (GRASSÉ, 1955). En C. villosus los dos últimos
dientes de la mandíbula se disponen por detrás del início del arco cigomätico, ocurriendo
lo mismo con los tres últimos dientes de la serie dentaria superior. Con respecto a esta
última, el primer diente se ubica sobre el extremo posterior del premaxilar y los ocho
restantes sobre el maxilar.
Conreferencia a la conformación del arco postorbitario, observamos queC. villosus
presenta rudimentos de los procesos postorbitales superior e inferior, necesitándose
estudio comparativo más profundo dado que la bibliografía al respecto es confusa. En
efecto según STARCK (1967), los Xenartros presentan ambos procesos sin reunirse, los
dasipódidos poseen solamente los procesos postorbitales inferiores y Dasypus sólo los
superiores.
Las diferencias determinadas en el cráneo de C. villosus para las longitudes total,
basal y cóndilobasal y para los anchos interorbitario y nasal, indican dimorfismo sexual
en esta especie, siendo en todos los casos los cräneos de las hembras de mayor tamafio
que los correspondientes a los machos. Hasta donde sabemos, no parece probable la
existencia de una relación ecofisiológica con las diferencias de tamafio craneano obser-
vadas.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 55-61, 30 set. 1993
Morfologia craneana de Chaetophractus villosus... 59
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IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 55 - 61, 30 set. 1993
60 SQUARCIA; CASANAVE & CIRONE
20 mm
Figs. 1-2. Chaetophractus villosus. Cráneo: 1. dorsal; 2. ventral. (ac. agujero condilar; ai, agujero incisivo; aior,
agujero infraorbitario; amg, agujero magno; ao, agurejo oval; ara, agujero rasgado anterior; arm, agurejo rasgado
medio; arp, agujero rasgado posterior; bo, basioccipital; bs, basiesfenoides; bt, bula timpánica; cn, cresta nucal;
co, cöndilo del occipital; f, frontal; 1, lacrimal; ma, meato auditivo externo; mx, maxilar; n, nasal; nr, narial; ote,
orificio de la trompa de Eustaquio; p. parietal; pa, palatino; pmx, premaxilar; pzt, proceso cigomático del
temporal; so, supraoccipital; t, temporal; y, yugal.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 55-61, 30 set. 1993
Morfologia craneana de Chaetophractus villosus... 61
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20 mm
Figs. 3-7. Chaetophractus villosus. Cräneo: 3. lateral; 4. lateral sin arco cigomätico; 5. occipital. Mandíbula: 6.
vista externa; 7. vista interna. (ad, agujero dentario; aior, agujero infraorbitario; als, aliesfenoides; am, agujero
mastoideo; ame, agujero mentoniano; amg, agujero magno; ao, agujero oval; aop, agujero óptico; ara, agujero
rasgado anterior; bt, bula timpänica; ca, cöndilo articular; cn, cresta nucal; co, cöndilo del occipital; eo,
exoccipital; f, frontal; ma, meato auditivo; mx, maxilar; n, nasal; or, orbitoesfenoides; p, parietal; pan, proceso
angular; pc, proceso coronoides; pmx, premaxilar; pt, pterigoides; pzmx, processo cigomätico del maxilar; pzt,
proceso cigomätico del temporal; so, supraocipital; t, temporal; ti, timpänico; y, yugal.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 55 - 61, 30 set. 1993
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REVISÃO DO GÊNERO ISCHNOLEA THOMSON, 1860 (COLEOPTERA,
CERAMBYCIDAE, LAMIINAE, DESMIPHORINI)
Maria Helena M. Galileo "°
Ubirajara R. Martins *º
ABSTRACT
REVISION OF THE GENUS ISCHNOLEA THOMSON, 1860 (COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE,
LAMIINAE, DESMIPHORIND. The genus /schnolea includes 13 species, 9 previously known and 5 new ones
herein described from Brazil: 7. oculata (Minas Gerais to Paraná); /. inexpectata (Espírito Santo); I. singularis
(Pará); 1. modesta (Goiás, São Paulo) and /. flavinota from Paraguay and Brazil (São Paulo). /schnolea
circunspecta Lane, 1973, is tranferred to Desmiphora A. -Serville, 1835. 7. obliquelineata Breuning, 1943 is
considered a synonym of 7. crinita Thomson, 1860. The genus Euchaestes Chevrolat, 1861 is considered a
Junior objetive synonym of Desmiphora A. -Serville, 1835.
KEYWORDS. Coleoptera, Cerambycidae, Lamiinae, Desmiphorini, /schnolea, taxonomy.
INTRODUÇÃO
A interpretação correta de Ischnolea Thomson, 1860, concretizou-se somente após
o trabalho de BREUNING (1963); entre 1860 e 1963 teve interpretações diferentes e/ou
equivocadas.
A origem dessas interpretações remonta aos catálogos de DEJEAN (1835, 1837)
onde apareceu o nome genérico Euchaetes. DEJEAN (Ed. 2, 1835: 340) arrola o gênero
Euchaetes Dejean, com única espécie, E. crinitus Dejean, e sua variedade hirtellus
(Dejean Ed. 3, 1837: 366) tem as mesmas citações. Todos esses nomes são nomina nuda.
THOMSON (1860: 347) estabeleceu Ischnolea com a seguinte anotação: “Syn.:
Euchaetes DEJ., Cat., 1837, p. 366. (Nom déja employé deux fois en zoologie)”. Esta
sinonimia, embora envolva um nomem nudum, foi a causa de grandes confusões e foi
posteriormente corrigida pelo próprio THOMSON (1868). A espécie-tipo de /schnolea,
por monotipia, é 7. crinita Thomson, 1860, publicada com a seguinte observação: (“DEJ.,
Cat., 1837, P. 366, Euchaetes”).
1. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, C.P. 1188, 90001-970 Porto Alegre RS, Brasil.
2. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, C.P. 7172, 01064-970 São Paulo SP, Brasil.
3. Pesquisador do CNPq.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
64 GALILEO & MARTINS
CHEVROLAT (1861) publicou sinonimias, correções e considerações sobre o
trabalho de THOMSON (1860); indicou (1. c., p. 251), corretamente, que a interpretação
de THOMSON (1860) sobre Euchaetes crinitus Dejean, estava equivocada: “Page 347.
- 197. Ischnolea crinita. Th, (nec Dejean)”. Portanto, concluímos que /schnolea crinita
Thomson, 1860 é espécie distinta de Euchaetes crinitus Dejean, 1835.
Na mesma página (CHEVROLAT, 1861: 251) aparece a descrição original, em
latim, de Ischnolea pallidipennis, proveniente do Brasil. Logo a seguir (1. c., p. 252)
aparece a descrição, em francês, de Euchaestes crinitus Dej. Cat. 3 éd., p. 366. Anotamos
que foi acrescentado um “s” ao nome original de Dejean. Esta nova grafia elimina a
homonímia com Euchaetes e, desde que, a espécie-tipo está formalmente descrita, a
autoria de Euchaestes é de Chevrolat, 1861.
Ao final do seu trabalho, CHEVROLAT (1. c. p. 254) publicou uma errata na qual
indica que /schnolea pallidipennis Chevrolat, 1861 e Euchaestes crinitus Dejean, 1837,
são sinönimas e que a descrição em francês de E. crinitus também corresponde a T.
pallidipennis. Esta errata passou despercebida a alguns autores (por exemplo
LACORDAIRE, 1872) enos permite observar: (1) A descrição de Ischnolea pallidipennis
poderia ter sido proposta para escapar à homonímia entre Ischnolea crinita Thomson,
1860 e /. crinita (Dejean), pois, nessa época, Ischnolea Thomson e Euchaetes Dejean
eram considerados sinônimos (THOMSON, 1860). (2) A descrição formal de Euchaestes
crinitus Dejean, valida o nome in Chevrolat (1861), muito embora seja sinônimo de
Ischnolea pallidipennis.
Portanto, concluímos que a espécie-tipo de Euchaestes Chevrolat, 1861, é, por
prioridade de página, Ischnolea pallidipennis Chevrolat, 1861, enão Euchaestes crinitus
Dejean in Chevrolat, 1861: 252.
THOMSON (1868: 107) ao descrever o gênero Therchaetes, indicou claramente
que interpretou erroneamente Euchaetes Dejean nos seus trabalhos anteriores.
(THOMSON, 1860; 1864): “G. THERCHAETES, Th., N. G. (...). - Euchaetes De)., Cat.,
1887, p. 366. nom préocc. (Nec Th., Ess., etc., p. 347, et Syst. Cer., p. 112, 399).”
Therchaetes foi criado para única espécie, Lamia intonsa Germar, 1824. As
referências que THOMSON (1868: 108) incluiu para esta espécie também indicam que
suas interpretações anteriores (THOMSON, 1860, 1864) sobre Euchaetes crinitus
Dejean, estavam equivocadas: “T. intonsa, Germar, Ins. Spec. (Lamia), p. 484, 641. - T.
pallidipennis, Chevrt., Journ. Ent., I. p. 251 (Ischnolea (par erreur), Euchaetes crinitus,
Dej., Cat., 1837, p. 366).”
Nesse trabalho parece claro que THOMSON (1868) demonstrou que os gêneros
Ischnolea Thomson, 1860 e Euchaetes Dejean eram completamente diversos; apesar
disso, as interpretações equivocadas tiveram curso.
LACORDAIRE (1872: 623,nota2) considerou sinônimos de Therchaetes Thomson,
1868: Euchaetes Dej., 1837 e Ischnolea Chevrolat, 1861. Esta nota de LACORDAIRE
atribui, impropriamente, a autoria de Ischnolea a Chevrolat e não a Thomson e não foi
observada a grafia Euchaestes (com “s”). A seguir, LACORDAIRE (1872, nota 3), indica
que a única espécie do gênero Therchaetes é T. intonsa (Germar, 1824), citada como
segue: “(3) Lam. intonsa, Germar, Ins. Spec. nov. p. 484 (Euchet. crinitus Dej., loc. cit.;
Isch. pallidipennis, Chevrol. loc. cit.). J'’emprunte cette synonymie aM. J. Thomson. M.
Chevrolat regard comme distincte son Ischn. pallidipennis de l’Euchaet. crinitus, qu'il
décrit également”.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
Revisão do gênero Ischnolea... 65
Constatamos, portanto, que LACORDAIRE (1972) não observou a errata do
trabalho de CHEVROLAT (1861) já discutida anteriormente.
Desde que /schnolea pallidipennis Chevrolat, 1861 (= Euchaestes crinitus Dejean
in Chevrolat, 1861), espécie-tipo de Euchaestes Chevrolat, foi considerada sinönima de
Therchaetes intonsa (Germar), automaticamente os nomes genéricos passam a ser
sinônimos e Euchaestes Chevrolat, 1861 tem prioridade sobre Therchaetes Thomson,
1868.
Anotamos ainda que /schnolea Thomson, 1860 e T. crinita Thomson, 1860, foram
omitidos na obra de LACORDAIRE (1872).
O catálogo de GEMMINGER & HAROLD (1875: 3107) restabeleceu, erronea-
mente, a identidade entre Euchaetes Dejean e Ischnolea Thomson, porque tanto Euchaetes
Dejean, como Therchaetes Thomson, 1868, foram considerados sinônimos de /schnolea
Thomson, 1860. Estão arroladas na sinonímia de T. intonsa: E. crinitus De). e 1.
pallidipennis Chevr. Observamos que nesta obra reapareceram Ischnolea Thomson, 1860
e I. crinita Thomson, 1860, omitidos por LACORDAIRE (1872), mas desapareceu
Euchaestes Chevrolat, 1861.
AURIVILLIUS (1921: 305) eliminou do seu catálogo os nomes propostos por
DEJEAN (1835, 1837), provavelmente por considerá-los, todos, nomina nuda. Como
em GEMMINGER & HAROLD (1875), Therchaetes Thomson, 1868, foi considerado,
impropriamente, sinônimo de /schnolea Thomson, 1860. Este gênero reunia então três
espécies: 7. bimaculata Chevrolat, 1861; /. crinita Thomson, 1860 e /. intonsa (Germar,
1824).17. pallidipennis Chevrolat, 1861, for inserida na sinonimia de 7. intonsa. Euchaestes
Chevrolat, 1861, não foi mencionado.
A inclusão de Lamia intonsa Germar, 1824, no gênero Ischnolea, desde
LACORDAIRE (1872, que o considerou sinônimo de Therchaetes), até AURIVILLIUS
(1921), fez com que os autores seguintes incorporassem ao gênero, espécies com ela
relacionadas (7. longipilis Fisher, 1926; I. decora Melzer, 1928; I. lenkoi Lane, 1959; 7.
niveocincta Lane, 1959), mas não congenéricas com /. crinita Thomson, 1860.
BREUNING (1963: 511), corretamente, passou Therchaetes Thomson, 1868, à
sinonimia de Desmiphora A. -Serville, 1835. Não mencionou Euchaestes Chevrolat,
1861, mas como Therchaetes e Euchaetes são sinônimos objetivos, este gênero também
deve, obrigatoriamente, passar à sinonímia de Desmiphora. Nesse catálogo (BREUNING,
1963), I. intonsa (Germar) e I. decora Melzer foram incluídas em Desmiphora, contudo,
I. longipilis Fisher, I. niveocincta Lane e T. lenkoi Lane, desapareceram, já que não foram
inseridas nem em Ischnolea (BREUNING, 1963: 510), nemem Desmiphora (1. c.,p.511),
nem no índice geral (BREUNING, 1969: 865).
Ainda nesse catálogo (BREUNING, 1963: 510), /schnolea Thomson, 1860, reúne,
além de 7. crinita Thomson, 1860, e 7. bimaculata Chevrolat, 1861, outras sete espécies
descritas por BREUNING (1942, 1943).
Em 1973, LANE, desconsiderando a catalogação correta de BREUNING (1963),
publicou a descrição de Ischnolea circunspecta, espécie semelhante a Desmiphora
intonsa (Germar), mas não congenérica com Ischnolea crinita. Portanto, I. circunspecta
deve ser transferida para Desmiphora.
Finalmente, em 1974, BREUNING publicou uma revisão do gênero Ischnolea
Thomson, 1860, onde tratou das nove espécies então conhecidas. Nossa identificação
dessas espécies tornou-se viável à luz do estudo dos diapositivos dos tipos (coleção do
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
66 GALILEO & MARTINS
Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná) e permitiu correções e
acréscimos ao trabalho revisivo de BREUNING (1974).
Em resumo, os nomes genéricos mencionados no histórico apresentado acima,
ficam assim organizados:
Ischnolea Thomson, 1860; espécie-tipo, 7. crinita Thomson, 1860, por monotipia.
Desmiphora A. -Serville, 1835; espécie-tipo, Saperda hirticollis Olivier, 1795,
indicação de THOMSON (1864: 105);
= Euchaestes Chevrolat, 1861; espécie-tipo, Ischnolea. pallidipenis Chevrolat,
1861 (= Euchaestes crinitus Dejean in Chevrolat, 1861; = Lamia intonsa Germar, 1824);
= Therchaetes Thomson, 1868; espécie-tipo, Lamia intonsa Germar, 1824, por
monotipia.
Comentários. Embora não pudessemos encontrar dentre o material estudado
algumas das espécies descritas por BREUNING, (1942, 1943), constatamos caracteres
nunca utilizados como, por exemplo, depressões e orifícios na face central dos metafêmures
dos machos. A função dos orifícios e depressões recobertos por densa e longa pilosidade
nos metafêmures dos machos não pode ser interpretada; é provável que estejam relacio-
nadas com a etologia da cópula e talvez sejam sensoriais.
Siglas adotadas. AMNH, American Museum of Natural History, New York;
BMNH, The Natural History Museum, Londres; CEPEC, Centro de Pesquisas do Cacau,
Itabuna; DZUP, Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba;
DZVU, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, Botucatu; MCNZ,
Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre;
MZSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo; MNRJ, Museu Nacional, Rio de
Janeiro; USMN, National Museum of Natural History, Washington.
Ischnolea Thomson, 1860
Ischnolea THOMSON, 1860: 347; BREUNING, 1963: 510 (cat.); 1974: 128.
Espécie-tipo, Ischnolea crinita Thomson, 1860 (monotipia).
Aspecto geral alongado. Comprimento corporal ao redor de 10mm. Colorido geral
acastanhado, sem ornamentação cromática viva.
Cabeça projetada, mais larga que o protórax. Fronte vertical, convexa. Mandíbulas
com ápice bífido e dimorfismo sexual: nos machos robustas, com acentuada elevação
longitudinal junto à margem dorsal externa. Tubérculos anteníferos projetados, separados
por depressão larga. Olhos profundamente emarginados, não divididos; comprimento dos
lobos inferiores variável em relação ao comprimento das genas; lobos oculares superiores
com 4 a 8 fileiras de omatídios; distância interocular dorsal variável.
Antenas geralmente mais longas que o corpo (mais curtas na q de 7. flavofemorata).
Escapo cilíndrico, atinge aproximadamente o meio do protórax, tão longo quanto o
antenômero III. Comprimento dos antenômeros III e IV subigual (3) ou II apenas mais
longo do que IV (9). Demais flagelômeros com comprimentos subiguais.
Protórax mais largo do que longo; lados com tubérculo agudo central. Pronoto
convexo, com duas gibosidades anteriores em algumas espécies. Processo prosternal
levemente convexo. Processo mesosternal sem tubérculo, tão largo quanto a região mais
estreita do processo prosternal.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
Revisão do gênero Ischnolea... 67
Base dos élitros com pontos simples ou tuberculados; ápice elitral desarmado ou
com espículo na margem externa.
Fêmures fusiformes. Face inferior dos metafêmures dos machos densamente pilosa
com sulco longitudinal profundo ou orifício, igualmente profundo, perto do meio.
Mesotíbias profundamente sulcadas na metade apical da margem externa.
Discussão. Dentre os gêneros de Desmiphorini aquele que mais se assemelha a
Ischnolea, pelo aspecto geral, é Ischnoleomimus Breuning, 1940, até o momento
representado pela espécie-tipo, 7. excavatus Breuning, 1940, originalmente descrita do
Peru. Em Ischnoleomimus o mesosterno é tuberculado e em /schnolea regularmente
convexo, sem tubérculo.
A presença de sulcos e depressões nos metafêmures dos machos ainda não foi
constatada nos outros gêneros de Desmiphorini.
Chave para as espécies de Ischnolea
e Élitros (figs. 1,3) com faixa de pubescência estreita, compacta, amarelada ou
3 esbranquiçada, oblíqua, dorsal, do ümero ao meio..................2220002020senneeeeeennnn %
Eliseosisemiessalaixa (fies. DO) PER RR A 4
2 (1). Região dorso-basal dos élitros com faixa oblíqua do escutelo em direção à margem
(fig. 2); ápice com espinho externo desenvolvido; mesepimeros pontuados.
Ecagi (cSQL nennen I. spinipennis Breuning
Elitros sem faixa obliqua na regiäo dorso-basal (figs. 1,3); äpices com espinho
curto
SMIEINOHMESEDIMMELOSUSOS. .. enueenonseeerenereentücsennsnnne OO nee enanneneen 3
3 (2). Presença de faixa de pubescência branca entre os tubérculos anteníferos; cabeça
esparsamente pubescente; mancha elitral lateral escura recoberta por
pubescência castanho-clara (fig. 1); pontos da região basal dos élitros simples;
metafêmures ($, fig. 15), sulcados ventralmente em toda extensão. Brasil
ARG So ee o ans annelusseln sank I. crinita Thomson
Toda região dorsal da cabeça com densa pubescência esbranquiçada; mancha
elitral lateral escura recoberta por pilosidade alaranjada (fig. 3); pontos da
região basal dos élitros tuberculados; metafêmures (3 ) com orificio no meio
da face ventral (como na fig. 14). Brasil (ES).................... I. inexpectata, sp.n.
E Exiremidades elitraíis desarmadas (figs. 4,5)...............nenneeeennneeeennnen 5
Extremidades elitrais com espículo externo (figs. 6-9).................ss is 8
5 (4). Pubescência branca dos élitros concentrada em pequenas manchas espalhadas por
kadlaralsupetticie. Brasil (RD)... I. longeantennata Breuning
Pubescência branca dos élitros com outros padrões de distribuicäo.................... 6
6 (4). Antenas (9) mais curtas que o corpo; coxas e fêmures amarelados; élitros com
pubescência acinzentada quase uniforme, exceto mancha castanho-escura
gentro-lateral-Brasil (ES) Hana ER I.flavofemorata Breuning
Antenas (9) mais longas que o corpo; coxas e fêmures vermelho-acastanhados, não
contrastantes com o restante do corpo; a pubescência clara dos élitros constitui
desenhoslentiteen nichts RR PRO ERES ERREI PETER PODRES RE 7
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
68 GALILEO & MARTINS
7(6). Lobos oculares superiores (fig. 13) grandes, tão distantes entre si quanto a lar-
gura de um lobo; fêmures com pontos contrastantes; pro- e mesofêmures
não pedunculados; face ventral dos metafêmures (6 ) com orifício (como na
fio: 14): Brasil(MG a PR). ss Les 2 ee PER RR T.oculata, sp.n.
Lobos oculares superiores (fig. 12), pequenos, tão distantes entre si quanto o
dobro da largura de um lobo; fêmures com pubescência uniforme, sem
pontos contrastantes; pro- e mesofêmures pedunculados; face ventral dos
metafêmures (6 ) com sulco profundo em toda extensão (como na fig. 15).
Brasil (PE a SC. er ra asa E NE I. indistincta Breuning
8(4). Elitros sem mancha lateral escura ao nível de meio, com máculas brancas
dispersas em toda a superfície (BREUNING, 1974). Brasil (SC)................
sa aeniobin je pad serien? ca N RD I. strandi Breuning
Élitros com banda ou mancha lateral escura ao nível do meio; a pubescência clara
com outros padrões de distribuicäo....... nee en ER g
9 (8). ' Escutelorecoberto por pubescência amarelada, contrastante com a da declividade
basal dos élitros; pronoto com faixa longitudinal central amarelada. Peru...
Sn O CURAR DÃO lab ON SR 55&echhannäähe I. peruana Breuning
Pubescência do escutelo não contrastante; quando amarelada, a pubescência do
pronoto/é uniforme e recobre toda aisuperkiciem re. 10
10 (9). " Mesepimerospontuados...........cnne nme ee RR NEE 11
Mesepimeros lisos...........:.2n2.. RER 12
11 (10). Pronoto com pubescência amarelada quase uniforme, recobre toda a super
fície; distância entre lobos oculares superiores igual à largura de um lobo;
pontos da base dos élitros não tuberculados. Brasil (SP), Paraguai.............
ELTERN Pa a UN O A RR RES SARA NR I. flavinota,sp.n.
Pronoto subglabro com faixa branca estreita, centro-longitudinal e, a cada
lado, com pequena mancha clara ao nível do meio; distância entre os lobos
oculares superiores maior do que o dobro da largura de um lobo; pontos da
base dos élitros tuberculados. Brasil (GO, MG a SC). Paraguai, Argentina
(Misiones) canas sa Lara e DC ern I. bimaculata Chevrolat
12 (10). Lobos oculares inferiores (fig. 11) mais longos do que as genas; bases dos élitros
com pontos tuberculados; centro do metasterno ($ ) com pêlos longos e
densos Brasil (PAM en Dita EE ane a ARER EN I. singularis, sp. n.
Lobos oculares inferiores (fig. 10) mais curtos do que as genas; base dos élitros
com pontos simples; pilosidade do centro do metasterno (6 ) não diferen-
cilada, Brasil (GO! SB) 5.2... goi a DU o AEE I. modesta, sp.n.
Ischnolea crinita Thomson, 1860
(Figs. 1, 15)
Ischnolea crinita THOMSON, 1860: 347; BREUNING, 1974: 129.
Ischnolea obliquelineata BREUNING, 1943: 47; 1974: 131. Syn. n.
Tegumento castanho-avermelhado. Pubescência castanho-amarelada levemente
iridescente; branco-acinzentada nos lados do pronoto e na região elitral à frente da banda
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
Revisão do gênero Ischnolea... 69
oblíqua anterior. Pubescência branco-amarelada: faixa transversal estreita entre os
tubérculos anteníferos; faixa longitudinal no meio do pronoto; faixa lateral no pronoto da
base ao meio; faixa oblíqua que se inicia no úmero e alcança a sutura pouco atrás do meio
(fig. 1). Faixa de pubescência esbranquiçada rala, oblíqua, ao nível do terço apical dos
élitros e pubescência branca perto do ápice elitral. Face ventral e pernas com pubescência
acinzentada uniforme.
Antenas atingem o ápice elitral aproximadamente na extremidade do antenômero
V(8) ou VIII (2). Bases dos antenömeros apicais com pubescência esbranquiçada. Lobos
oculares inferiores com o dobro do comprimento das genas; os superiores tão distantes
entre si quanto o dobro da largura de um lobo. Escapo, fêmures, tíbias e urosternitos com
pontos glabros contrastantes. Tubérculos pronotais não aparentes. Pontos da base dos
élitros não tuberculados. Extremidades elitrais com espinho externo curto. Mesepimeros
lisos. Lados do metasterno esparsamente pontuados. Metafêmures (6 ) fusiformes; face
ventral (fig. 15) com pêlos longos e depressão longitudinal em toda extensão.
Dimensões, em mm, respectivamente $/9. Comprimento total, 10,6-11, 4/8,1;
comprimento do protórax, 1,9-2,0/1,4; maior largura do protórax, 2,5-2,5/1,3; compri-
mento do élitro, 7,3-7,7/5,9; largura umeral, 3,1-3,2/2,2.
Tipos, localidade-tipo. /. crinita foi descrita com base numa fêmea procedente do
Brasil e fotografada por Moure no MNHN. /. obliquelineata fundamentou-se num macho
procedente do Brasil, Espírito Santo, fotografado por Moure no BMNH. No holótipo de
I. obliquelineata faltam a antena e perna anterior direitas; antena esquerda colada ao nível
do escapo; cabeça e protórax colados.
Material examinado. BRASIL. Espírito Santo: Alegre (Fazenda Jeruzalém) & , 20.X.1912,J. F. Zikán
col. (MZSP); Rio Itabapoana, & , 18.X1.1908, J. F. Zikán col. (MZSP). Minas Gerais: SSVIE 1925 Col E.
Moreira (MZSP).
Discussão. /. crinita, pela presença de faixa estreita oblíqua de pubescência branco-
amarelada na metade anterior dos élitros, assemelha-se mais a /. spinipennis e 1.
inexpectata que também apresentam essa faixa (figs. 1-3). As espécies distinguem-se
pelos caracteres mencionados na chave.
Ischnolea spinipennis Breuning, 1943
(Fig. 2)
Ischnolea spinipennis BREUNING, 1943: 48; 1974: 133, fig. 14.
O único exemplar que examinamos está muito danificado; faltam: cabeça, antenas,
protórax e pernas anteriores. A redescrição baseia-se no diapositivo do holótipo e nos
caracteres observáveis nesse exemplar danificado.
Tegumento castanho-avermelhado; flagelômeros basais mais avermelhados.
Pubescência castanho-amarelada; na metade basal dos élitros não oblitera o tegumento.
Pubescência branca: faixa longitudinal no meio do pronoto; faixa lateral no pronoto da
base ao meio; escutelo; faixa oblíqua estreita que se inicia no úmero e alcança a sutura um
pouco atrás do meio (fig. 2); curta faixa dorsal, oblíqua que se inicia perto do escutelo no
quinto anterior; duas faixas oblíquas, subparalelas, no quarto apical. Face ventral
(mesosterno, metasterno) com pubescência branco-amarelada uniforme.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
10 GALILEO & MARTINS
Antenas (6 ) atingem a extremidade elitral aproximadamente na base do antenômero
VII. Lobos oculares superiores tão distantes entre si quanto o dobro da largura de um lobo.
Lado interno do escapo, fêmures (médios e posteriores) e urosternitos com pontos glabros
contrastantes. Tubérculos pronotais visíveis. Bases dos élitros com pontos não tuberculados.
Extremidades elitrais com espinho longo no lado externo. Mesepimeros pontuados.
Lados do metasterno densamente pontuados.
Dimensões, em mm, 9. Comprimento do élitro, 6,1; largura umeral, 2,2.
Tipos, localidade-tipo. Holótipo 3, procedente do Brasil, Espírito Santo, original-
mente depositado na coleção Le Moult, hoje no MNHN, onde foi fotografado por Moure.
Material examinado. BRASIL. Santa Catarina: Corupá, 9, XI.1930, A. Maller col., ex-col. Melzer
(MZSP).
Discussão. Além dos caracteres mencionados na chave, 7. spinipennis distingue-se
de 1. crinita pela pubescência que recobre o corpo mais esparsa e pelas áreas mais nítidas
de pubescência branca no quarto apical dos élitros (figs. 1,2).
A espécie ilustrada por BREUNING (1974: 125, fig. 14) é, na realidade, 7.
spinipennis e não I. obliquelineata como consta da legenda e do texto (1. c., p. 131).
Ischnolea inexpectata, sp. n.
(Fig. 3)
Tegumento avermelhado, mais escuro na cabeça, no escapo, e em grande área
triangular comum aos élitros na metade basal (prolonga-se estreitamente para trás junto
da sutura até quase o ápice). Pubescência esbranquiçada: mais esparsa na fronte e
conspícua no dorso da cabeça; estreita faixa no centro do pronoto que emite ao nível do
meio dois ramos laterais e volta-se lateralmente em direção à base (o conjunto lembra uma
letra “M”); numa estreita faixa oblíqua do úmero até pouco além do meio dos élitros onde
termina em mancha irregular; faixa irregular, transversal, antes do ápice (fig. 3).
Lobos oculares inferiores mais longos do que as genas; lobos superiores com cinco
fileiras de omatídios, mais distantes entre si do que a largura de um lobo. Antenas atingem
o ápice elitral no meio do antenômero VI ($) ou do VII (2). Escapo robusto, sem pontos
nitidamente contrastantes. Pronoto densamente pontuado, sem gibosidades. Terço basal
dorsal dos élitros pontuado; pontos basais tuberculados. Extremidades elitrais transver-
salmente truncadas com espículo externo. Fêmures com pontos contrastantes; posteriores
(S), engrossados, fusiformes, com pêlos ventrais restritos à região central que recobrem
pequeno orifício circular (como na fig. 14); (2) alongados, mais lineares, sem pêlos na face
ventral. Mesepimeros lisos.
Dimensões, em mm ‚respectivamente ó /9. Comprimento total, 6,5/7,6-7,9; compri-
mento do protórax, 1,3/1,4-1,5; maior largura do protórax, 1,5/1,8-2,0; comprimento do
élitro, 4,5/5,4-5,5; largura umeral, 1,9/2,3-2,4.
Material-tipo. BRASIL. Espírito Santo: Linhares, parátipo 2, XI1.1973, B. Silva
col. (MZSP); holótipo S , parátipo o, X.1976, B. Silva col. (MNRJ); (Parque Sooretama),
parátipo 9, XII.1962, F. M. Oliveira col. (MNRJ).
Discussão. /. inexpectata assemelha-se mais al. crinita e 1. spinipennis pelo padrão
do colorido elitral com faixa estreita oblíqua de pubescência clara dos úmeros até perto
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
Revisão do gênero Ischnolea... 71
do meio (figs. 1-3). A distinção entre essas espécies encontra-se na chave.
Ischnolea longeantennata Breuning, 1942
Ischnolea longeantennata BREUNING, 1942: 158; 1974: 130.
BREUNING (1974) mencionou exemplares dos dois sexos e cita a localidade-tipo
(Brasil, Rio de Janeiro, Nova Friburgo) como única procedência da espécie. Examinamos
o diapositivo do holötipo q depositado no MNHN.
Pela redescrição (BREUNING (1974), verifica-se que os lobos oculares inferiores
têm mais do que o dobro do comprimento das genas. O diapositivo do holótipo, em vista
dorsal, nos permite acrescentar: lobos oculares superiores pouco mais distantes entre si
do que a largura de um lobo; escapo com pontos contrastantes; faixa longitudinal de
pubescência branca do meio do pronoto restrita à metade posterior; escutelo coberto por
pubescência branca; toda superfície elitral com pequenas manchas de pubescência
branca, aparentemente mais conspícuas na metade apical; ápices dos élitros obliquamente
truncados, arredondados no ângulo externo.
Discussão. Dentre as espécies do gênero com extremidades elitrais destituídas de
espículo, 7. longeantennata é a única que apresenta élitros salpicados de manchas brancas
em toda extensão. Esse padrão de colorido é semelhante ao de algumas espécies de Estola
Fairmaire & Germain, 1859.
Ischnolea flavofemorata Breuning, 1943
Ischnolea flavofemorata BREUNING, 1943: 47; 1974: 130.
O holótipo q, único exemplar conhecido da espécie, foi originalmente descrito do
Espírito Santo e depositado na coleção Le Moult, atualmente pertencente ao MNHN onde
foi fotografado por Moure em 1972.
Apesar de apresentar padrão de colorido geral semelhante ao da maioria das
espécies do gênero, com mancha acastanhada lateral nos élitros, /. flavofemorata tem
antenas curtas (o ápice alcança a declividade apical dos élitros). O escapo ultrapassa a
borda anterior do protórax, mas não atinge o meio. Faixa central do pronoto difusa.
Escutelo com pubescência branca. Pubescência elitral acinzentada, bem uniforme; áreas
laterais castanhas mais transversais. Ápices dos élitros arredondados e desarmados.
Fêmures, especialmente anteriores e médios, vermelho-amarelados, mais claros que a
face dorsal do corpo, sem pontos contrastantes.
Ischnolea oculata, sp. n.
(Figs. 4, 13)
Tegumento castanho escuro, mais avermelhado nos élitros. Pubescência corporal
de maneira geral amarelo-acinzentada. Pubescência esbranquiçada: faixa no centro do
disco do pronoto (não acentuadamente contrastante); nos élitros (fig. 4) numa faixa larga
que se inicia nos ombros e contorna interna e inteiramente a área acastanhada lateral; no
sexto apical dos élitros. Face ventral e pernas com pubescência branco-amarelada.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
7 GALILEO & MARTINS
Antenas atingem a ponta dos élitros na base ou no meio do antenômero VI ($) ou
na base do VIII (9). Escapo alcança ou ultrapassa o meio do protórax. Flagelômeros basais
com pêlos internos densos e mais longos do que a largura dos artículos. Lobos oculares
inferiores desenvolvidos com ca. dobro do comprimento das genas; os superiores (fig. 13)
tão distantes entre si quanto a largura de um lobo. Pronoto fina e densamente pontuado;
gibosidades anteriores apenas indicadas, pouco projetadas. Pontos da região centro-basal
dos élitros simples. Extremidades elitrais arredondadas, desarmadas. Mesepimeros com
pontos rasos, às vezes pouco visíveis. Metasterno, urostenitos e fêmures com pontos
contrastantes. Metafêmures (6), robustos, fusiformes, densamente pilosos na face ven-
tral; região centro-interior com orifício circular profundo; ou (9) esbeltos, sem pubescência
longa ou orifício na face ventral.
Dimensões, em mm, respectivamente 6 /?. Comprimento total, 8,4-10,4/9,5-12,6;
comprimento do protórax, 1,8-1,8/1,6-2,0; maior largura do protórax, 1,7-2,3/2,1-2,7;
comprimento do élitro, 5,9-7,3/6,7-9,2; largura umeral, 2,3-3,0/2,8-3,8.
Material-tipo. BRASIL. São Paulo: Itu (Fazenda Pau d'Alho), holótipo S, 5.XI.
1960, U. Martins col. (MZSP). Parátipos - BRASIL. Minas Gerais: Caldas, 2, I. 1915
(MZSP); Mar de Espanha,®, 16.X.1908,J. F. Zikán col. (MZSP);2, 17.X.1910,J.F. Zikan
col. (MZSP). Santa Bárbara (Serra do Caraça, 1380m), 2, XI.1961, Kloss, Lenko, Martins
& Silva col. (MZSP). Rio de Janeiro: Itatiaia (700m),& ,X.1925,J.F. Zikáncol. (MZSP).
São Paulo: Amparo, 9, Col. Navarro de Andrade (MZSP); Barueri, 6, 9, XII.1965, K.
Lenko col. (MZSP); 8, XII. 1965, K. Lenko col. (MCNZ). Botucatu, 2, 26.XI.1991, A.
Scivittaro col. (DZVU); Itu (Fazenda Pau d Alho), 6, 6.X1.1960, U. Martins col. (MZSP);
2, 15-20.X.1961, U. Martins col. (MZSP);9, 28-29.X.1965, Martins & Biasi col. (MZSP);
9, 29.X.1965, U. Martins col. (MZSP); 2, 18.XI.1978, Curso Ent. col. (MZSP); São
Carlos,9,27.X.1974,M.M. Dias col. (MZSP). Paraná: Cachoeirinha, 2, X. A. Maller col.
(MZSP).
Discussão. 7. oculata, sp. n., I. longeantennata, I. flavofemorata e I. indistincta
possuem extremidades elitrais desarmadas. /. oculata é mais semelhante a 7. indistincta
da qual difere pelos caracteres mencionados na chave. Nas outras espécies do gênero com
padrão de colorido semelhante, as extremidades elitrais apresentam espículo no lado
externo.
Ischnolea indistincta Breuning, 1942.
(Figs. 5,12)
Ischnolea indistincta BREUNING, 1942: 158; 1974: 132.
Tegumento castanho-avermelhado ou avermelhado. Pubescência castanho-amare-
lada mais concentrada no dorso da cabeça e na faixa longitudinal do centro do pronoto.
Pubescência branco-acinzentada no terço anterior dos élitros estendendo-se pela borda
interna da mancha castanha lateral (fig. 5); no quarto apical entremeada por áreas de
pilosidade castanha. Face ventral e pernas recobertas por pubescência castanho-amarela-
da, sem pontos contrastantes.
Antenas atingem o ápice dos élitros aproximadamente na extremidade do antenômero
VII (6) ou VII (9). Bases dos flagelômeros com pubescência esbranquiçada. Lobos
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
Revisão do gênero Ischnolea... 73
oculares inferiores tão ou pouco mais longos que a genas; os superiores (fig. 5) tão
distantes entre si quanto o dobro da largura de um lobo. Tubérculos pronotais indicados.
Pontos da base dos élitros não tuberculados. Extremidades elitrais obliquamente trunca-
das e desarmadas. Mesepimeros lisos. Lados do metasterno muito esparsamente pontu-
ados. Metafêmures (3) pedunculados e clavados; face ventral densamente pubescente
com depressão em toda extensão.
Dimensões, em mm, respectivamente ö /9. Comprimento total, 8,0-9,6/8,5; compri-
mento do protórax, 1,6-2,0/1,6; maior largura do protórax, 1,8-1,9/2,0; comprimento do
élitro, 5,3-6,3/5; largura umeral, 2,3-2,8/2,5.
Tipos, localidade-tipo. Embora BREUNING (1974) tenha mencionado material
dos dois sexos, a espécie foi originalmente descrita com base numa fêmea, fotografada por
Moure no MNHN e procedente da Serra de Comunati, Pernambuco, Brasil.
Material examinado. BRASIL. Bahia: 5, Bondar col. (MZSP); Camaça (Fazenda Santa Úrsula), 9,
11.11.1969, Ventocilla col. (CEPEC); Ilhéus, É, VI.1957, Dirings (MZSP); (Centro de Pesquisas do Cacau) 6,
1965 (MZSP). Espírito Santo: Alegre (Fazenda Jeruzalém), 2, 11.X,1913, J. F. Zikán col. (MZSP); Linhares,
9, XII.1973,B. Silva col., Col. Campos Seabra (MNRJ). Rio de Janeiro: Teresópolis (Fazenda Alpina, 1000m),
2,11.X1.1945, Wygodzinski col. (MZSP). São Paulo: São Paulo (Saúde), S, 1.X1.1916, J. Melzer col. (MZSP).
Santa Catarina: Corupá (=Hansa Humboldt), 2, X. 1930, A. Maller col. (MZSP); Rio Vermelho, 9,1. 1958,
Dirings (MZSP).
Ischnolea strandi Breuning, 1942
Ischnolea strandi BREUNING, 1942: 158; 1974: 132.
Examinamos esta espécie apenas pelo diapositivo do holötipo (9, metafêmures não
engrossados) feito por Moure no USNM (Coleção Tippmann). Segundo anotações de
Moure, o exemplar na coleção Tippmann tem o nome “Ischnolea albostictica”, mas
corresponde ao holótipo de /. strandi e provém de Mafra, Santa Catarina, a localidade-tipo
de acordo com a descrição original (BREUNING, 1942). Este exemplar corresponde
perfeitamente às descrições de BREUNING (1942, 1974). Segundo a redescrição
(BREUNING, 1974) os lobos oculares inferiores são pouco mais longos do que as genas.
No diapositivo os lobos oculares superiores são tão distantes entre si quanto a
largura de um lobo. As antenas atingem o ápice elitral no meio do antenômero VII. Faixa
branca do meio do pronoto algo difusa. As manchas brancas mencionadas em BREUNING
(1974) como dispersas nos élitros, parecem mais visíveis apenas no terço apical.
Extremidades dos élitros com espinho externo bem desenvolvido.
Ischnolea peruana Breuning, 1943
Ischnolea peruana BREUNING, 1943: 48; 1974; 130.
Não examinada, exceto pelo diapositivo do holótipo, que pelas antenas relativa-
mente curtas e metafêmures não espessados, deve ser uma fêmea. O holótipo pertence ao
USNM (ex-coleção Tippmann) e a espécie foi originalmente descrita de Aina, Peru.
Esta localidade-tipo é difícil de interpretar. Segundo STIGLICH (1922), existem
três localidades peruanas com essa denominação: (1) “Aina. - (Etim.: Florido). El cerro
más elevado del Dist. de Pampamarca, Prov. de Canchis” [Cuzco]. (2) “Aina. - Montana,
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
74 GALILEO & MARTINS
Dist. de Tambo, Prov. de La Mar. Regada por el rio del mismo nombre” [Ayacucho]. (3)
“Aina. - Cas., Prov. Huamanga, Dist. Quinua. Habs. 100” [Ayacucho]. Como os dois
primeiros nomes referem-se a elevações, é mais provável que a localidade-tipo seja esta
última.
A redescrição de BREUNING (1974) não menciona a relação de comprimento do
lobo ocular inferior com relação ao comprimento da gena. No diapositivo do holótipo os
lobos oculares superiores são mais distantes entre si do que o dobro da largura de um lobo.
As antenas alcançam as pontas dos élitros aproximadamente no ápice do antenômero VIII.
Padrão geral de colorido como em 7. bimaculata e I. singularis. Faixa clara central de
pubescência no pronoto estreito e nítida. Escutelo com pubescência clara. Mancha
castanha lateral dos élitros inicia-se perto do meio da margem. Extremidades elitrais com
espinho externo evidente. Fêmures aparentemente sem pontos contrastantes.
Ischnolea flavinota, sp. n.
(Fig. 6)
Tegumento castanho-avermelhado escuro. Pubescência amarelada mais compacta
na cabeça, na face ventral e no pronoto onde é quase uniforme e não constitui faixas. Face
ventral e pernas com pontos glabros contrastantes. Pubescência branco-acinzentada
difusa no dorso da base elitral e concentrada em faixa oblíqua dos úmeros à sutura ao nível
do meio; faixa diagonal no terço apical e manchas indistintas na região pré-apical.
Antenas ultrapassam a extremidade dos élitros a partir do meio de antenômeros VI
(S) ou do VIII (9). Lobos oculares inferiores tão longos quanto as genas; lobos superiores
tão distantes entre si quanto a largura de um lobo. Tubérculos pronotais visíveis. Pontos
da base dos élitros não tuberculados. Ápices elitrais com espinho manifesto no ângulo
externo. Mesepimeros e lados do metasterno pontuados. Metafêmures (S ) pedunculados
e clavados; face ventral pilosa com sulco longitudinal em toda extensão.
Dimensões, em mm, respectivamente $/9. Comprimento total, 8,5/10,1-10,2;
comprimento do protórax, 1,6/1,7-1,8; maior largura do protórax, 2,0/2,3-2,4; compri-
mento do élitro, 5,9/7,0-7,4; largura umeral, 2,4/2,9-3,1.
Material-tipo. PARAGUAI. Central: Aregua, holótipo 9, 17.11.1939, A. Schulze
col. (AMNH). Parátipos: 2, mesma procedência e coletor, 26.11.1939 (MZSP). BRASIL.
São Paulo: Marília, $, X1.1945, Nick col., ex-col. Dirings (MZSP).
Discussão. Esta espécie caracteriza-se pela pubescência pronotal muito uniforme
que reveste praticamente toda a superfície e pelo espinho desenvolvido nas extremidades
elitrais.
Ischnolea bimaculata Chevrolat, 1861
(Figs. 7, 10)
Ischnolea bimaculata CHEVROLAT, 1861: 252; BREUNING, 1974: 131.
Tegumento castanho-averinelhado. Pubescência castanho-amarelada mais com-
pacta na cabeça. Faixa centro-longitudinal do pronoto amarelo-esbranquiçada, estreita;
lados do pronoto com faixa delgada na metade basal. Mancha castanha lateral dos élitos
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
Revisão do gênero Ischnolea... 75
bordejada internamente por pubescência branca nítida (fig. 7); manchas irregulares de
pubescência branca no quarto apical e faixa oblíqua ante-apical nos élitros. Escapo,
fêmures e tíbias com pontos contrastantes. Mesepimeros, metasterno e urosternitos basais
densamente pontuados.
Antenas atingem o ápice dos élitros na extremidade do artículo VI ($) ou VIII (9).
Bases dos flagelômeros aneladas de pubescência branca. Lobos oculares inferiores (fig.
10) mais curtos que as genas; os superiores mais distantes entre si que o dobro da largura
de um lobo. Tubérculos pronotais indicados. Pontos da base dos élitros tuberculados.
Extremidades elitrais entalhadas com espículo externo. Metafêmures (S ) pendunculados;
face ventral pilosa, com orifício profundo ao nível do meio.
Dimensões, em mm, respectivamente é /9. Comprimento total, 5,8-9,6/8,0-10,0;
comprimento do protórax, 1,2-2,0/1,6-3,1; maior largura do protórax, 1,4-2,4/2,0-2,5;
comprimento do élitro 3,9-6,2/5,5-6,9; largura umeral, 1,5-2,9/2,3-3,0.
Tipos, localidade-tipo. Descrita com base em único exemplar, muito provavelmen-
te uma fêmea (metafêmures não engrossados), fotografado por Moure no BMNH.
Localidade-tipo, Brasil; exemplar da ex-Coleção Sommer.
Material examinado. BRASIL. Goiás: Campinas, 9, XII. 1935, Borgmeier & Lopes col. (MZSP). Minas
Gerais: Cambuquira, 9, 11.1931, A. Marques col. (MZSP); Sete Lagoas, S, III. 1963, F. Werner, U. Martins
& L. Silva col. (MZSP); Viçosa, 9, 16.XIL.1958, E. Amante col. (MZSP). Espírito Santo: Alegre (Fazenda
Jeruzalém), 6 , 29.V.1912,J. F. Zikán col. (MZSP); Guandu, G , 4.X11.1920, F. Hoffmann col. (MZSP); Santa
Leopoldina, 6, 9, 30.1.1965, H. Britski & I. Dias col. (MZSP). Rio de Janeiro: Angra dos Reis (Fazenda
Japuhyba), 2, XI. 1945, L. Travassos Filho col. (MZSP); Itatiaia (700m), 6, 6.V.1926, J. F. Zikán col. (MZSP);
km 47 rodovia Rio-São Paulo, G ‚II. 1943, Wygodzinsky col. (MZSP); 9 XII.1943, Wygodzisky col. (MZSP);
6 ‚9, 111.1945, Wygodzinsky col. (MZSP). São Paulo: Amparo,9, N. Andrade col. (MZSP); Botucatu, 6 , 9, II.
1974, A. Scivittaro col. (MZSP); Itapira, 2, E. Dente col. (MZSP); Itu (Fazenda Pau d'Alho), 8, VI.1956, U.
Martins col. (MZSP); 29,1. 1959, U. Martins col. (MZSP); Pirassununga (Cachoeira), S, IV.1945, Schubart col.
(MZSP); São Paulo (Jabaquara), 2, 11.1947, Nick col. (MZSP). Paraná. Rolandia, 2 6, II. 1946, Nick col.
(MZSP). Santa Catarina: Corupá, 6, II. 1954, Dirings (MZSP); Nova Teutônia, 9, VI. 1967, F. Plaumann col.
(MZSP); Rio Vermelho, 26, I. 1952, Dirings (MZSP); 9, II. 1952, Dirings (MZSP). PARAGUAI. Villeta
(Nueva Italia), 2, XI-XII.1963, Williner col. (MZSP). ARGENTINA. Misiones: Iguazú, 26 ‚II. 1976, Foerster
col. (MZSP).
Discussão. Machos de /. bimaculata diferem dos de T. singularis, sp. n., pelos
mesepimeros pontuados; pelos lobos oculares inferiores mais curtos que as genas; pelos
lados do metasterno e dos urosternitos grosseiramente pontuados; pela ausência de pêlos
longos no centro do metasterno e no processo intercoxal do urosternito 1.
Ischnolea singularis, sp. n.
(Figs. 8, 11)
8. Tegumento acastanhado mais claro principalmente na região centro-anterior dos
élitros. Pubescência castanho-amarelada uniforme, mais densa na cabeça. Centro do
pronoto com faixa longitudinal estreita de pubescência branco-amarelada. Escutelo com
pubescência esparsa, esbranquiçada. Pubescência esbranquiçada ao redor da mancha
castanha lateral dos élitros (fig. 8) e faixa oblíqua ante-apical. Pubescência da face ventral
branco-amarelada, mais longa no meio do metasterno e no processo intercoxal. Escapo,
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
76 GALILEO & MARTINS
fêmures, tíbias e lados dos urosternitos com pontos contrastantes. Mesepimeros lisos.
Lados do metasterno e dos urosternitos esparsamente pontuados.
Antenas atingem o ápice dos élitros na base do antenômero VII. Bases dos
flagelômeros com pubescência esbranquiçada. Lobos oculares inferiores (fig. 11) com o
dobro do comprimento das genas; os superiores apenas mais distantes entre si do que a
largura de um lobo. Tubérculos pronotais indicados. Élitros com alguns pontos tubercu-
lados pronotais indicados. Élitros com alguns pontos tuberculados na declividade basal;
extremidades levemente emarginadas com espículo externo. Metafêmures fusiformes,
robustos; face ventral com pêlos longos e orifícios ao nível do meio.
Dimensões, em mm, holótipo S . Comprimento total, 10,0; comprimento do protórax,
2,0; maior largura do protórax, 2,4; comprimento do élitro, 6,8; largura umeral, 2,9.
Material-tipo. BRASIL. Pará: Km 103 rodovia Transamazônica, holötipo 6,
20.1.1971, Bicelli col. (MZSP).
Discussão. Esta espécie é semelhante a /. peruana da qual difere, principalmente
pela ausência de pubescência amarelada sobre o escutelo e pelos espinhos marginais do
ápice elitral menos desenvolvidos. Vide também discussão em /. bimaculata.
Ischnolea modesta, sp. n.
(Figs. 9,14)
Tegumento castanho-avermelhado Pubescência castanho-amarelada uniforme.
Faixa centro-longitudinal do pronoto estreita e faixas laterais pouco distintas da base ao
meio onde terminam em mácula. Pubescência esbranquiçada sutil ao redor da mancha
acastanhada lateral dos élitros (fig. 9) e em pequenas máculas ante-apicais. Escapo,
fêmures, tíbias e lados dos urosternitos com pontos contrastantes. Mesepimeros lisos.
Lados do metasterno com alguns pontos profundos.
Antenas atingem o ápice alitral na base do antenömero VI (S) ou do VII (9). Bases
dos flagelômeros com pubescência esbranquiçada. Lobos oculares inferiores mais curtos
que as genas; os superiores tão distantes entre si quanto o triplo da largura de um lobo.
Elitros sem pontos tuberculados; extremidades obliquamente truncadas com espículo
externo. Metafêmures (6) fusiformes; face ventral pubescente, com orifício ao nível do
meio (fig. 14).
Dimensões, em mm, respectivamente 8/9. Comprimento total, 9,0-10,1/9,5-10,2;
comprimento do protórax, 1,7-1,9/1,8-1,9; maior largura do protörax, 1,9-2,3/2,1-2,4;
comprimento do élitro, 6,2-6,9/6,7-6,8; largura umeral, 1,9-2,9/2,6-3,0.
Material-tipo. BRASIL. São Paulo: Ribeirão Preto (Faculdade de Medicina),
holótipo é I. 1955, Barretto col. (MZSP). Parátipos - BRASIL. Goiás: Aruanã (Rio
Araguaia), 6, 2, V.1960, Dirings (MZSP); Campinas, 6, I. 1934, R. Spitz col. (MZSP);
Dianópolis, $, 11-14.1.1962, J. Bechyné col. (MZSP). São Paulo: Batatais, S, XII.1943,
F.S. Pereira col. (MZSP). Ibirá, 26, X. 1953, Dirings (MZSP, MCNZ). Itu (Fazenda Pau
d' Alho), 6, I. 1959, U. R. Martins col. (MZSP); 6, XII.1960, U. R. Martins col. (MZSP);
Ribeirão Preto, 8, VI[.1955, E. Rabello col. (MZSP); Rio Claro, 2, 18.1.1962, Reichardt
col. (MZSP); São Roque, 8, 2.1.1972, F. Lane col. (MZSP).
Discussão. /. modesta, sp. n., separa-se de 1. bimaculata pela ausência de pontos
tuberculados na base dos élitros; pelos mesepimeros lisos; pelos lados do metasterno e dos
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
Revisão do gênero Ischnolea... 77
urosternitos esparsamente pontuados.
Desmiphora circunspecta (Lane, 1973), comb. n.
Ischnolea circunspecta LANE, 1973: 383.
Impropriamente inserida por LANE (1973) em Ischnolea; vide introdução.
Agradecimentos. As colegas Dilma Solange Napp e Erica H. Buckup pelas correções e críticas ao
manuscrito. A Miguel A. Monné pelo empréstimo de material e a Renato C. Marinoni pelo empréstimo dos
diapositivos dos tipos.
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IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
78 GALILEO & MARTINS
Figs. 1-9. Élitro esquerdo: 1. Ischnolea crinita Thomson; 2.1. spinipennis Breuning; 3.]. inexpectata, Sp. 1.; 4.
I. oculata, sp. n.; 5.1. indistincta, sp. n.; 6. I. flavinota, sp. n.; 7. 1. bimaculata Chevrolat; 8. 1. singularis, sp. n.;
9. I. modesta, sp. n. Figs. 1, 8; 2, 5-7, 9; 3; 4, respectivamente na mesma escala. Barra = Imm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
Revisão do gênero Ischnolea...
13 14
Figs. 10-15. Cabeça lateral: 10. /schnolea bimaculata Chevrolat; 11. 1. singularis, sp. n. Cabeça, dorsal: 12.17.
indistincta Breuning; 13.1. oculata, sp. n. Metafêmur, G, ventral: 14.7. modesta, sp.n.; 15.17. crinita Thomson.
Figs. 10-13; 14, 15, respectivamente na mesma escala. Barra = Imm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 63-79, 30 set. 1993
sepdriragçto) ipi it
dd | due, uses m
DADOS MORFOLÓGICOS DE HELEOBIA PARCHAPPEI (ORBIGNY, 1835)
(PROSOBRANCHIA, HYDROBIIDAE, LITTORIDININAE)
Maria Cristina Pons da Silva!
ABSTRACT
MORPHOLOGICAL DATA OF HELEOBIA PARCHAPPEI (ORBIGNY, 1835) (PROSOBRANCHIA,
HYDROBIIDAE, LITTORIDININAE). The shell, radula and female and male reproductive systems are
presented for Heleobia parchappei (Orbigny, 1835) upon specimens from the Taim Ecological Station, Rio
Grande, Rio Grande do Sul, Brazil. It is the first record of this species to Brazil.
KEYWORDS. Heleobia parchappei, Littoridininae, Hydrobiidae, morphology, Brazil.
INTRODUÇÃO
A sucinta diagnose conquiliológica de ORBIGNY (1835) propõe Paludina parchapii
(sic) para a Argentina.
Posteriormente, ORBIGNY (1840) apresenta uma descrição mais detalhada da
concha, transferindo a espécie para o gênero Paludestrina Orbigny, 1840. SILVA &
DAVIS (1983) removem-na para Heleobia Stimpson, 1865 com base em DAVIS et. al.
(1982).
A concha de Heleobia parchappei também foi descrita por DOERING (1885),
FIGUEIRAS (1964), GAILLARD & CASTELLANOS (1976) e SILVA & DAVIS
(1983).
Além da descrição da concha e do pênis, GAILLARD & CASTELLANOS (1976)
apresentam ilustração da rádula.
Nenhuma outra estrutura morfológica de H. parchappei é, até o momento, conhe-
cida.
1. Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1188, 90.690-000, Porto Alegre, RS, Brasil. (Bolsista
da FAPERGS, Proc. nº 92.6047-4).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 81-87, 30 set. 1993
82 SILVA
A espécie foi registrada para a Argentina e Uruguai (ORBIGNY, 1835, 1840;
STROBEL, 1874; DOERING, 1881, 1885; PILSBRY, 1911; BARATTINI, 1951;
FIGUEIRAS, 1964; GAILLARD & CASTELLANOS, 1976; CAZZANIGA,1982).
Objetiva-se fornecer dados morfolögicos dos sistemas reprodutores feminino e
masculino de H. parchappei, comparar as características conquiliológicas e radulares dos
. espécimes procedentes da Estação Ecológica do Taim, Rio Grande do Sul, com aquelas
da literatura e de registrar nova ocorrência para a espécie.
MATERIAL E MÉTODO
O material estudado foi coletado seguindo VEITENHEIMER-MENDES et. al. (1992), na Estação
Ecológica do Taim (32°32' - 32º50' S e 52º23' - 52°32' W), município de Rio Grande, Rio Grande do Sul, e
incluído na coleção do Museu de Ciências Naturais (MCN), Fundação Zoobotância do Rio Grande do Sul,
recebendo a seguinte numeração: 8655, 8660, 8681, 9223-9230, 9278, 9279, 9317-9335, 9351-9356. Foram
examinados também lotes dos municípios de São Lourenço do Sul (MCN - 33130); Viamão, Praia da Pedreira,
(MCN-6328) e Torres, Colônia de São Pedro, (MCN-4451), todos no Rio Grande do Sul.
O perióstraco do espécime jovem (figs. 3,4) foi removido segundo HERSHLER & DAVIS (1980). As
conchas foram fotografadas ao estereomicroscópio Zeiss.
Nas dissecações empregou-se o método descrito em DAVIS (1967). Foram ee tanto individuos
vivos como conservados em álcool a 70%, previamente fixados em formol a 10%. A técnica utilizada na
preparação da rádula, para fotografia ao microscópio eletrônico de varredura, é a de HERSHLER & DAVIS
(1980).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Concha (figs. 1-4). A convexidade das voltas e a projeção da abertura para fora da
base da concha, acentua-se durante o crescimento. Em decorrência do afastamento
gradativo das voltas da concha em relação ao eixo central, na fase de crescimento, surge
a estreita depressão umbilical. Deste modo, quanto mais voltas a concha apresentar, mais
marcantes serão os caracteres que melhor definem a espécie: (1) aspecto turriforme; (2)
suturas marcadas; (3) lábio interno refletido; (4) estreita depressão umbilical e (5)
projeção da abertura para fora da base da concha. Estes caracteres foram assinalados para
a espécie por ORBIGNY (1835; 1840), DOERING (1885), FIGUEIRAS (1964),
GAILLARD & CASTELLANOS (1976) e SILVA & DAVIS (1983).
Na amostra de H.parchappei da Estação Ecológica do Taim, verifica-se que as
conchas em torno de 6 voltas ainda não apresentam a depressão umbilical estreita nem o
lábio refletido. Nestas conchas, inclusive, a convexidade das voltas, a linha de sutura e a
projeção da abertura para fora da base são bem mais sutís do que em formas maiores (figs.
1-4). Os dados conquiliométricos (tab. I) são compatíveis com aqueles fornecidos para a
espécie nas descrições dos autores citados.
DOERING (1885) apresenta a excepcional medida de 9mm de comprimento e 4mm
de largura da concha de H. parchappei, procedente do sul da Província de Buenos Aires,
Argentina. A maior medida assinalada para a espécie por GAILLARD & CASTELLANOS
(1976), com base em material procedente da Província de Entre Rios, Argentina, é de
8,/mm de comprimento e 3,9mm de largura. O maior exemplar, dentre os 934 amostrados
e medidos por CAZZANIGA (1982), procedentes da Província de Buenos Aires, mede
7,6mm de comprimento. A maior concha examinada, coletada na Praia da Pedreira, rio
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 81-87, 30 set. 1993
Dados morfológicos de Heleobia parchappei... 83
Tabela I. Conquiliometria de Heleobia parchappei (Orbigny, 1835) da Estação Ecológica
do Taim, Rio Grande, Rio Grande do Sul. X, média; s, desvio padrão; (medidas em mm).
Fêmeas (N=10) Machos (N=10)
ans Intervalo epa sas intervalo
Comprimento 5:67 210,62 4,55 - 7,05 joio) == (0/7) 4,95 - 7,10
Largura 28022 2,45 - 3,30 2,80 + 0,33 2,30 - 3,20
Comprimento da
volta do corpo 326 = 0/32 2,15 - 3,90 SUAS 2,75 - 3,80
Comprimento da
abertura 2,19 +0,21 1,80 - 2,60 2,23 + 0,26 1,85 - 2,56
Largura da
abertura 1,49 + 0,17 1,25 - 1,90 1,49 + 0,23 1,15 - 1,80
Nº de voltas 6,90 + 0,24 6,50 - 7,25 7,02 + 0,40 6,25 - 7,50
Guaíba, Viamão, mede 8,5mm de comprimento e 3,6mm de largura. Essas conchas de
tamanhos excepcionais tratam-se certamente de formas gerônticas.
Rádula. O dente raquidiano (fig. 5), com 4 cúspides ladeando a cúspide central e um
dentículo basal de cada lado, como assinalado por GAILLARD & CASTELLANOS
(1976). Porém, GAILLARD (Com. pes.) observou o surgimento de um dentículo
eventual ao lado do único dentículo basal, o que não foi observado nos exemplares
estudados.
O dente lateral tem de 7 a 8 cúspides, sendo respectivamente a terceira ou quarta
interna a mais proeminente.
Além da diferença do número de cúspides nos dentes da rádula, verificou-se que o
formato destas cúspides também distingue espécies em Heleobia. A cúspide central do
dente raquidiano, observado ao miscroscópio eletrônico de varredura, diferencia-se
consideravelmente daquela em outras espécies do gênero por apresentar a mesma largura
desde a base até a metade de seu comprimento e a partir daí afilar-se até a extremidade.
Referida cüspide, em H.davisi Silva & Thomé, 1985 e H. australis nana (Marcus &
Marcus, 1963) (fig. 6) afila-se progressivamente ao longo de seu comprimento.
Sistema reprodutor feminino. O ovário apresenta-se como em H. davisi, conforme
descrito por SILVA & THOMÉ (1985).
O início do duto do receptáculo seminal, justamente na união deste com o duto
espermático, é muito intumescido e curvado sobre si, formando um “S”, antes do seu
prolongamento posterior. Esta intumescência foi registrada para H. davisi por SILVA &
THOME (1985), os quais consideraram-na como sendo uma dilatação do duto espermático,
denominando-a câmara de fertilização. MARCUS & MARCUS (1963), ao descreverem
H. australis nana, ilustram o duto do receptáculo seminal originando-se diretamente da
bolsa copuladora, o que foi contestado por DAVIS et. al. (1982) e com os quais concordo
plenamente. Ao estudar a anatomia de H. australis australis (Orbigny, 1835) do Rio
Grande do Sul, constatou-se que o duto da bolsa é proporcionalmente mais curto do que
o observado nas outras Heleobia anatomicamente conhecidas.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 81-87, 30 set. 1993
BE a nn © rn
O oviduto, em seu percurso até o oviduto palial posterior, une-se por um curto
espermioduto, ao duto do receptáculo seminal, logo após sua curvatura intumescida.
Essa união em H.davisi ocorre justamente no intumescimento do duto do receptáculo
seminal (SILVA & THOME, 1985).
Nas espécies européias, H. dalmatica (= Semisalsa dalmatica Radoman, 1974) e
H. stagnorum (Gmelin, 1791), embora o duto do receptáculo seminal seja retilíneo e não
intumecido, o oviduto também se conecta a ele justamente no seu início, como é figurado
em CHUKHCHIN (1976) e GIUSTI & PEZZOLI (1984) respectivamente.
A bolsa copuladora saculiforme (figs. 7,8) não se apoia sobre o duto da bolsa como
em H. davisi, descrita e figurada em SILVA & THOME (1985).
Como as demais espécies do gênero, conhecidas anatômicamente, o duto espermático
comunica-se com o exterior através de uma abertura na parede posterior da cavidade do
manto, do lado direito do oviduto palial.
Ao longo do oviduto palial, distingue-se 3 ou 4 regiões com diferentes tonalidades,
do branco ao amarelo pardo. O oviduto palial posterior sempre apresenta tonalidade mais
clara, branca ou creme.
Sistema reprodutor masculino. O testículo e o vaso eferente apresentam-se como
descrito para H. davisi por SILVA & THOMÉ (1985).
A vesícula seminal inicia-se na extremidade anterior do vaso eferente, como uma
continuação deste, dilata-se e dobra-se imediatamente para trás. Ao atingir a terceira volta
da massa visceral gira 180º e, completamente enovelada, estende-se até a face ventral da
parte posterior do estômago. O vaso deferente posterior parte da vesícula seminal e segue
até a próstata (fig.9). A próstata mede aproximadamente 1 mm de comprimento e 0,5mm
de largura e encontra-se em posição látero-ventral direita, parte sobre a cavidade do manto
e parte atrás desta. O vaso deferente anterior deixa a próstata, passa pela base do músculo
columelar, percorre a região nucal e penetra no pênis.
O pênis (fig. 10) apresenta, em sua face convexa, 4 a 12 papilas pedunculadas, e em
sua face côncava, única papila de base mais alargada. GAILLARD & CASTELLANOS
(1976) mencionam a variação de 5 a 9 papilas na face convexa do pênis desta espécie.
Nova ocorrência e häbitat. Registra-se H. parchappei pela primeira vez para o
Brasil. A ocorrência em Torres, situada no extremo norte do litoral do Rio Grande do Sul,
trata-se do registro mais setentrional para a espécie.
Estes caracóis são encontrados em fundo arenoso ou na vegetação representada por
Eichhornia crassipes, E. azurea, Ceratophylum demersum e Lugwigia sp.
Agradecimentos. À FINEP pelo financiamento desse projeto. Ao CNPq pela Bolsa de Pesquisa
concedida. A RIOCEL pelas fotografias das rädulas ao microscópio eletrônico de varredura. Ao Cláudio
Ricardo Dentziem pela arte final dos desenhos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Dados morfológicos de Heleobia parchappei... 85
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Recebido em 14.01.1993; aceito em 31.05.1993
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 81-87, 30 set. 1993
86 SILVA
Figs. 1-6. Concha: 1-4. Heleobia parchappei (Orbigny, 1835), Rio Grande, Rio Grande do Sul (escala=Imm).
Adulto com 7,5 voltas: 1. vista frontal; 2. vista lateral. Jovem com 6,25 voltas: 3. vista frontal; 4. vista lateral.
Dente raquidiano da rádula: 5. H. parchappei: 6. H. australis nana.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 81-87, 30 set. 1993
Dados morfológicos de Heleobia parchappei... 87
Pa
dd
10
O,6mm
Figs. 7-10. Sistema reprodutor de Heleobia parchappei (Orbigny, 1835). Feminino: 7. Posigäo da bolsa
copuladora e do oviduto palial em relação à extremidade posterior da cavidade do manto; 8. Complexo da bolsa
copuladora com a porção posterior do oviduto palial removida. Masculino: 9. Posição da próstata em relação à
extremidade posterior da cavidade do manto e ao músculo columelar; 10. Pênis. BC, bolsa copuladora; DB, duto
da bolsa copuladora; DE, duto espermático; DRS, duto do receptáculo seminal; E, esôfago; EPCM, extremidade
posterior da cavidade do manto; MC, músculo columelar; Ov, oviduto; OP, oviduto palial; P, próstata; PA,
papila; RS, receptáculo seminal; VDA, vaso deferente anterior; VDP, vaso deferente posterior.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 81-87, 30 set. 1993
REVISÃO DO GÊNERO PANEGYRTES THOMSON, 1868 (COLEOPTERA,
CERAMBYCIDAE, LAMIINAE, DESMIPHORIN])
Maria Helena M. Galileo ȼ
Ubirajara R. Martins *º
ABSTRACT
REVISION OF THE GENUS PANEGYRTES THOMSON, 1868 (COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE,
LAMIINAE, DESMIPHORINT). The genus Panegyrtes Thomson, 1868 is revised and a key to the seven
species is presented. P. porosus, sp. n., is described from Colômbia (Magdalena).
KEYWORDS. Cerambycidae, Coleoptera, Desmiphorini, Lamiinae, Panegyrtes.
INTRODUÇÃO
THOMSON (1868: 133) estabeleceu Panegyrtes para única espécie, P. lactescens,
do Brasil; relacionou-o com Graminea Thomson, gênero cujas espécies apresentam
garras tarsais apendiculadas, hoje inserido em Calliini e, portanto, muito diferente de
Panegyrtes que apresenta garras tarsais inteiras e divaricadas.
LACORDAIRE (1872: 637) incluiu Panegyrtes em Estolini (= Desmiphorini),
entre os gêneros com escapo cilíndrico e alongado (Grupo A) e o separou de todos os
demais pela presença de cicatriz no escapo.
BREUNING (1940) incorporou ao gênero mais quatro espécies do Brasil (P.
varicornis, Amazonas; P. sparsepunctatus e P. striatopunctatus, Goiás; P. bifasciatus,
Rio de Janeiro). O mesmo autor (1974) publicou uma revisão do gênero e descreveu P.
pseudolactescens também do Brasil (São Paulo). Sinonimizou, indevidamente, P.
sparsepunctatus e P. lactescens, espécies muito distintas. MONNÉ & GIESBERT (no
prelo), revalidaram apropriadamente P. sparsepunctatus.
Exemplares das espécies deste gênero são muito raros em coleções. BREUNING
(1974) estudou poucos exemplares e o material, que tivemos à disposição, é extremamen-
te exíguo. Dentre os espécimens do “Canadian Museum of Nature”, Ottawa (CMNC),
1. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre, RS, Brasil.
2. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 7172, 01064-970 São Paulo, SP, Brasil.
3. Pesquisador do CNPq.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 89-96, 30 set. 1993
90 GALILEO & MARTINS
recebidos para identificação, detectamos uma nova espécie, P. porosus, proveniente do
extremo norte da Colômbia (Magdalena), o que amplia consideravelmente a distribuição
conhecida do gênero.
O exame da coleção de diapositivos de tipos pertencente ao Departamento de
Zoologia da Universidade Federal do Paraná (DZUP) nos permitiu reconhecer as espécies
com segurança; propusemo-nos então a rever o gênero para incluir caracteres morfológicos
ainda não avaliados e mencionar novos dados de ocorrência das espécies.
Outras siglas arroladas ao longo do texto são: MNHN “Muséum National d' Histoire
Naturelle”, Paris; MNRJ, Museu Nacional, Rio de Janeiro; MZSP, Museu de Zoologia,
Universidade de São Paulo; NHRS, “Naturhistoriska Riksmusset”, Estocolmo.
Panegyrtes Thomson, 1868
Panegyrtes THOMSON, 1868: 133; LACORDAIRE, 1872; 637, 639; BREUNING, 1974: 187 (revisão).
Espécie-tipo, Panegyrtes lactescens Thomson, 1868, monotipia.
Fronte levemente convexa, mais longa do que larga; sutura frontal evidente,
prolonga-se até o occipício. Tubérculos anteníferos projetados. Olhos grosseiramente
facetados; lobos inferiores com cerca do dobro do comprimento da gena; lobos superiores
com 5-7 fileiras de omatídios, geralmente tão distantes entre si quanto o dobro da largura
de um lobo. Antenas tão ou pouco mais longas que o corpo. Escapo (figs. 1, 2) cilíndrico
com cicatriz no lado externo do ápice, pouco mais curto que o antenômero III. Flagelômeros
com pêlos internos de comprimento variável. Antenômero III tão longo quanto o IV; do
V em diante com comprimentos decrescentes. Protórax mais largo do que longo; lados
arredondados ou com gibosidade central, sem espinho lateral. Pronoto convexo; gibosidades
dorsais, quando presentes, pouco manifestas (duas anteriores e uma central); de cada lado
do meio com um ponto glabro onde se insere apenas sensila alongada. Cavidades coxais
anteriores angulosas no lado externo e fechadas atrás. Prosterno muito mais curto que o
processo prosternal. Processo prosternal levemente arqueado entre as procoxas, com um
terço ou menos da largura de uma procoxa. Processo mesosternal com o dobro da largura
do processo prosternal, subplano (giboso em P. bifasciatus), transversalmente truncado
no ápice. Mesepimeros, metepisternos e lados do metasterno sem pontuação. Ultimo
urosternito levemente emarginado na borda apical. Élitros (figs. 3-5, 7-10) desarmados
no ápice, com pêlos de comprimento variável, na maioria das espécies com pontos
contrastantes (figs. 6, 11-13). Metafêmures levemente engrossados para o ápice ou
subclavados, nunca ultrapassam a extremidade do abdômen. Mesotíbias sulcadas no terço
apical. Primeiro metatarsômero tão longo quanto os dois seguintes reunidos.
Discussão. Panegyrtes separa-se dos demais gêneros de Desmiphorini pela presen-
ça de cicatriz no ápice do escapo. O aspecto geral das espécies é moderadamente alongado
eos élitros geralmente apresentam pontos ou manchas escuras abundantes e contrastantes.
Antenas curtas, alcançam ou apenas ultrapassam as extremidades elitrais.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 89-96, 30 set. 1993
Revisão do gênero Panegyrtes... 91
Chave para as espécies de Panegyrtes
Il. Pontos elitrais do dorso no terço mediano próximos e organizados em fileiras
longitudinais (fig. 3). Brasil (Minas Gerais, GoiäS)................2uuuer2snnne ernennen
dh a REISEN HEN ER EBERLE... P. striatopunctatus Breuning
Eeskersselitraisınao alinhadoser......=...........2..20 Ran Mal. 2
2(1). Elitros (fig. 4) com pubescência amarelo-esbranquicada, com uma faixa transversal
irregular no quinto apical e extremidades recobertas por pubescência castanha;
processo mesosternal giboso; urosternitos com manchas circulares castanhas
e pêlos pretos. Brasil (Minas Gerais, Rio de Janeiro)... P. bifasciatus Breuning.
Élitros (figs. 5, 7-10) sem faixas transversais castanhas, com extremidades da
mesma cor que orestante da superfície; processo mesosternal plano; urosternitos
Rembmanthase semipelos ca sapato Eu 3
3(2). Escapo (fig. 1) robusto com cicatriz projetada no lado externo do ápice; pêlos elitrais
(fig. 6) como triplo do comprimento do pedicelo; metatíbias com pêlos longos.
Erasili(São Paulo) 2......002%%:.5..J0Rl8eea P. pseudolactescens Breuning
Escapo (fig. 2) cilíndrico, alongado, com cicatriz não projetada; pêlos elitrais
aproximadamente tão longos quanto o pedicelo; metatíbias sem pêlos ou com
PRIOR CUTOS Lam + ernennen lee ae 4
4(3). Lados do protórax arredondados, sem gibosidade central; flagelömeros IV-XI com
anel basal de pubescência branca. Brasil (Amazonas).... P.varicornis Breuning.
Lados do protórax com gibosidade central; flagelômeros com pubescência
BERG DE Re. nn ea RR PR PR 5)
5(4). Pontos elitrais (fig. 11) circundados por área glabra; comprimento corporal, 6,0-6,4
mmaColômbia (Magdalena) ...... cessa se rusassrecapenveecer cesto P.porosus, sp. n.
Pontos elitrais não circundados por área glabra; comprimento corporal maior que
RS bo comerem ca ua ls soprar «QD era da ends aca es ease s doando omnes 6
6(5). Pontos elitrais (fig. 12) circundados por mancha circular de pubescência castanho-
escura; antenas (g ) tão longas quanto o corpo; pêlos do antenömero III mais
curtos que a largura de um artículo. Brasil (Goiás, São Paulo) .......................
EEE PR E P. sparsepunctatus Breuning
Pontos elitrais (fig. 13) não circundados por manchas; antenas (6 ) mais longas que
o corpo; pêlos do antenômero III mais longos que a largura de um artículo.
Brasikasiorde Janeiro)... ee P. lactescens Thomson
Panegyrtes striatopunctatus Breuning, 1940
(Fig. 3)
Panegyrtes striatopunctatus BREUNING, 1940: 179; 1974: 190.
Examinamos apenas o diapositivo do holötipo fotografado por Moure no MNHN
(Colegäo Gounelle), procedente de Jatai, Goiäs, Brasil.
Caracteriza-se por apresentar os pontos elitrais (fig. 3) castanhos organizados em
fileiras longitudinais, principalmente no dorso do terço central. Os pêlos elitrais são |
aproximadamente tão longos quanto o pedicelo.
Lobos oculares superiores tão distantes entre si quanto o dobro da largura de um
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 89-96, 30 set. 1993
92 GALILEO & MARTINS
lobo. Antenas atingem o ápice elitral aproximadamente na ponta do antenômero IX.
Escapo com cicatriz não projetada no ângulo apical externo. Pêlos da margem interna dos
flagelômeros tão longos quanto a largura de um artículo. Ápice elitral obliquamente
truncado com projeção externa curta.
Dimensões, em mm, segundo BREUNING (1974). Comprimento, 9,5-10; largura
umeral, 2,6.
Esta espécie foi assinalada por BREUNING (1974) para Minas Gerais: Sertão de
Diamantina.
Panegyrtes bifasciatus Breuning, 1940
(Fig. 4)
Panegyrtes bifasciatus BREUNING, 1940: 178; 1974: 190.
2. Tegumento vermelho-acastanhado. Cabeça com pubescência amarelo-
esbranquiçada. Lobos inferiores dos olhos com o dobro do comprimento da gena; os
superiores com cinco fileiras de omatídios, tão distantes entre si quanto a largura de um
lobo. Antenas atingem o ápice elitral na extremidade do antenômero IX. Escapo
cilíndrico; cicatriz apical não projetada para o lado externo. Flagelômeros III-IX com
pêlos escuros, esparsos no lado interior. Protórax com gibosidade lateral ao nível do meio;
pubescência amarelo-esbranquiçada entremeada por pontos castanhos, principalmente
nos lados. Pronoto com duas manchas de pubescência acastanhada nos lados do terço
anterior. Élitros (fig. 4) com pubescência amarelo-esbranquiçada e pontos pilíferos
circundados por pubescência castanha, não organizados em fileira longitudinais;
pubescência castanho-clara; mancha irregular ao nível do meio, faixa transversal de
bordas irregulares no quinto apical e extremidade elitrais. Ápices dos élitros de per si
estreitados com ponta arredondada. Pêlos elitrais castanhos com comprimento igual ao
dobro do comprimento do pedicelo. Processo mesosternal projetado, arredondado no
topo, com extremidade posterior transversalmente truncada. Metafêmures com clava
pouco engrossada. Lados dos urosternitos I-IV com setas escuras, esparsas, circundadas
por pubescência acastanhada, tão longas quanto os pêlos elitrais.
Dimensões, em mm, q. Comprimento total, 11,2; comprimento do protórax, 1,7;
maior largura do protórax, 2,5; comprimento do élitro, 8,6; largura umeral, 3,4.
Material examinado. BRASIL. Minas Gerais: Santa Bárbara (Peti), 9, 6.XII. 1986, A. Machado col.
(MZSP).
Discussão. P. bifasciatus caracteriza-se pela presença de faixas castanhas no quinto
apical dos élitros, pelas extremidades elitrais ocupadas por pubescência castanha, pelo
processo mesosternal acentuadamente intumescido e pela presença de manchas circulares
castanhas nos urosternitos basais.
Panegyrtes pseudolactescens Breuning, 1974
(Figs. 1, 5, 6)
Panegyrtes pseudolactescens BREUNING, 1974: 188.
9. Tegumento castanho; nas antenas e pernas mais avermelhado. Pubescência de
maneira geral amarelada. Lobos oculares inferiores com o dobro do comprimento das
genas; os superiores mais afastados entre si do que o dobro da largura de um lobo. Antenas
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 89-96, 30 set. 1993
Revisão do gênero Panegyrtes... 93
atingem o ápice elitral na extremidade do antenômero X. Escapo (fig. 1) robusto, com
cicatriz apical demarcada, projetada no lado externo do ápice. Flagelômeros abundante-
mente pilosos no lado interno. Protórax com gibosidade lateral arredondada ao nível do
meio; regiões látero-posteriores com alguns pontos acastanhados providos de pêlos
longos. Elitros (fig. 5) com pubescência amarelada, densamente salpicados de manchas
castanho-escuras; setas longas, pretas, circundadas por tegumento preto (fig. 6); pontos
da região mais basal dos élitros tuberculados. Extremidades elitrais obliquamente
truncadas. Processo mesosternal plano. Metafêmures com clava pouco pronunciada.
Tíbias e lados dos urosternitos com pêlos longos.
Dimensões, em mm, q. Comprimento total, 9,1; comprimento do protórax, 1,6;
maior largura do protórax, 2,1; comprimento do élitro, 6,7; largura umeral, 2,5.
Material examinado. BRASIL. São Paulo: São Roque, 2,25.X1.1971, F. Lane col. (MZSP).
Discussão. Esta espécie caracteriza-se pelo escapo (fig. 1) robusto, com cicatriz
projetada no lado externo da extremidade; pelos élitros (fig. 5) densamente salpicados de
manchas pretas em toda extensão e pelas tíbias com pêlos longos.
Panegyrtes varicornis Breuning, 1940
(Fig. 7)
Panegyrtes varicornis BREUNING, 1940: 430; 1974: 189.
Examinamos o diapositivo do holótipo (fotografado por Moure no NHRS), proce-
dente de Manaus, Amazonas, Brasil. A pubescência está mal conservada, principalmente
nos élitros.
Aspecto geral compacto, com comprimento elitral igual a 3,5 vezes a largura do
protórax. Pubescência de maneira geral branco-amarelada. Região dorsal da cabeça, entre
os lobos oculares com pequena mancha castanha. Élitros (fig. 7): extremidades obliqua-
mente truncadas com ângulo externo pouco projetado e arredondado.
Dimensões, em mm, segundo BREUNING (1974). Comprimento total, 9; largura
umeral, 3.
Discussão. P. varicornis é até o momento a única espécie registrada para a Hiléia
amazônica e apresenta aspecto geral compacto, com élitros (fig. 7) relativamente curtos.
Caracteriza-se principalmente pelas antenas com as bases dos flagelômeros aneladas de
pubescência clara. Os pontos dos élitros não são muito abundantes e, até onde se pode
observar pelo diapositivo do holótipo, não se apresentam circundados por manchas
castanhas ou glabras.
Panegyrtes porosus, sp. n.
(Figs. 8, 11)
9. Tegumento avermelhado. Pubescência de maneira geral branco-amarelada.
Lobos oculares inferiores mais longos que o dobro do comprimento das genas; os
superiores com sete fileiras de omatídios, pouco mais distantes entre si que a largura de
um lobo. Antenas atingem o ápice elitral na extremidade do antenômero VIII. Escapo
cilíndrico, esbelto, com cicatriz apical não projetada para o lado externo. Lado inferior dos
flagelômeros com pêlos longos, esparsos, pretos; pubescência dos flagelômeros unifor-
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 89-96, 30 set. 1993
94 GALILEO & MARTINS
me. Protórax constrito anterior e posteriormente com gibosidade látero-mediana volumo-
sa e pronunciada; pontos glabros, principalmente nos lados do protórax, com apenas uma
sensila. Élitros (fig. 8) salpicados de pontos glabros (fig. 11); pêlos tão longos quanto o
pedicelo, inseridos à frente dos pontos; extremidades obliquamente truncadas. Processo
mesosternal plano. Metafêmures fusiformes.
Dimensões, em mm, q. Comprimento total, 8,6-8,9; comprimento do protórax, 1,5-
1,6; maior largura do protórax, 2,3-2,4; comprimento do élitro, 6,0-6,4; largura umeral,
2,5-2,6.
Material-tipo. COLÔMBIA. Magdalena: Santa Marta (12 mi W), holótipo q,
15.V.1973, Howden & Campbell col. (CMNC); parätipo q, 17.V.1973, Howden &
Campbell col. (MZSP).
Discussão. Pelo aspecto geral compacto (comprimento elitral cerca de quatro vezes
o do protórax), P. porosus assemelha-se mais a P. varicornis que apresenta na base dos
flagelômeros anel de pubescência clara e número consideravelmente inferior de pontos
nos élitros. Além disso, a distribuição geográfica conhecida das duas espécies é muito
diversa.
Panegyrtes sparsepunctatus Breuning, 1940
(Figs. 9, 12)
Panegyrtes sparsepunctatus BREUNING, 1940: 179, MONNE & GIESBERT, 1992: 252, reval).
Panegyrtes lactescens; BREUNING, 1974: 163, fig. 20 non THOMSON, 1868.
BREUNING (1974: 189) considerou, equivocadamente, P. sparsepunctatus sinö-
nima de P. lactescens e ilustrou (l. c., p. 163, fig. 20) P. sparsepunctatus sob a
denominação de P. lactescens.
Tegumento preto-avermelhado; nos élitros avermelhado escuro. Pubescência ama-
relada, muito densa, inclusive na face ventral. Lobos oculares inferiores com mais do que
o dobro do comprimento das genas; os superiores com cinco fileiras de omatídios, mais
distantes entre si do que o dobro da largura de um lobo. Antenas (6 ) atingem o ápice elitral
na extremidade do antenômero XI. Escapo cilíndrico com cicatriz apical não projetada no
lado externo. Extremidade dos flagelômeros enegrecida em pequena extensão. Lado
inferior dos flagelômeros basais com pêlos pretos tão longos quanto a largura de um
artículo. Protórax com gibosidade látero-central moderadamente projetada; sensilas na
metade látero-basal circundadas por pubescência castanha. Pronoto com gibosidades
pouco pronunciadas. Elitros (fig. 9) densamente salpicados por manchas circulares de
pubescência castanha, com pêlos curtos (comprimento menor que o do pedicelo),
inseridos no centro (fig. 12). Extremidades elitrais obliquamente truncadas. Processo
mesosternal plano. Metafêmures subclavados. Urosternitos sem manchas castanhas.
Dimensões, em mm, é. Comprimento total, 13,2; comprimento do protórax, 2,2;
maior largura do protórax, 3,3; comprimento do élitro, 10,2; largura umeral, 3,9.
Material examinado. BRASIL. São Paulo: Igarapava (Ilhinhas), É, 31.X.1988, coletado à luz negra
(MZSP).
Discussão. As manchas escuras dos élitros (fig. 12) constituídas por pubescência,
são mais semelhantes às de P. lactescens (fig. 13). P. sparsepunctatus difere: pelas
antenas do macho tão longas quanto o corpo; pelos pêlos dos flagelômeros basais curtos,
tão longos quanto a largura dos artículos; pela ausência de pêlos longos nas metatíbias e
pela pubescência muito densa na face ventral. Vide discussão em P. lactescens.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 89-96, 30 set. 1993
Revisão do gênero Panegyrtes... 95
Panegyrtes lactescens Thomson, 1868
(Figs. 2, 10, 13)
Panegyrtes lactescens THOMSON, 1868: 133; LACORDAIRE, 1872: 639; BREUNING, 1974: 189.
A espécie ilustrada por BREUNING (1974: 163, fig. 20), sob a denominação de P.
lactescens é, na realidade, P. sparsepunctatus discutida anteriormente.
Tegumento avermelhado. Pubescência branco-amarelada na cabeça, pronoto e
bases dos élitros; restante dos élitros com pubescência branco-acinzentada e mancha
longitudinal, pouco contrastante, castanho-clara, lateral, ao nível do meio. Pubescência
da face ventral densa, branco-acinzentada. Lobos oculares inferiores com o triplo do
comprimento das genas; os superiores com seis fileiras de omatídios, apenas mais
distantes entre si do que a largura de um lobo. Antenas (6) atingem o ápice elitral na
extremidade do antenômero IX. Escapo (fig. 2) subcilíndrico com cicatriz apical não
projetada. Flagelômeros com pubescência uniforme; lado interno com pêlos mais longos
que a largura dos artículos. Protórax com gibosidade látero-central pronunciada; pêlos
longos nos lados da base não circundados por pubescência castanha. Pronoto com três
gibosidades pouco manifestas. Élitros (fig. 10) com pontos escuros e profundos
principalmente na metade anterior, não circundados por pubescência castanha; pêlos
elitrais curtos (comprimento menor que o do pedicelo, fig. 13); extremidades obliquamen-
te truncadas com ângulo externo projetado. Processo mesosternal plano. Urosternitos sem
pêlos longos. Metafêmures subclavados, atingem a borda posterior do urosternito III.
Dimensões, em mm, é. Comprimento total, 12,2: comprimento do protórax, 2,0;
maior largura do protórax, 3,1; comprimento do élitro, 9,0; largura umeral, 3,6.
Material examinado. BRASIL. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro (Corcovado), 6 , 8.X.1985, Alvarenga
& Seabra col. (MNRJ).
Discussão. Além dos caracteres mencionados na chave, P. lactescens difere de P.
sparsepunctatus: pubescência geral dos élitros não uniforme, com área indistinta mais
escura no meio dos lados (fig. 10); metafêmures mais longos, atingem a borda posterior
do urosternito III; extremidades elitrais fortemente oblíquas no lado interno; tegumento
de maneira geral mais claro, avermelhado; lobos oculares superiores com seis fileiras de
omatídios; regiões látero-posteriores do pronoto sem máculas castanhas.
Agradecimento. A Renato C. Marinoni pelo empréstimo dos diapositivos dos tipos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BREUNING, S. 1940. Novae species cerambycidarum. IX. Fol. Zool. Hydrobiol., Riga, 10: 115-214.
— . 1974. Revision des Rhodopinini Américains. Stud. Ent., Petrópolis, 17: 1-216.
LACORDAIRE, J. T. 1872. Genera des Coléoptêres... v. 9(2), Paris, Librairie Encyclopedique de Roret, p.
411-930.
MONNÉ, M. A. & GIESBERT, E. F. 1992. Nomenclatural notes on Western Hemisphere Cerambycidae
(Coleoptera). Insecta Mundi, Gainesville, 6 (1-2): 249-255.
THOMSON, J. 1868. Matériaux pour servir a une révision des Desmiphorites (Lamites, Cérambycides,
Coléoptêres). Physis Rec. Hist. Nat., Paris, 2 (6): 101-146.
Recebido em 16.03.1993; aceito em 28.05.1993.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 89-96, 30 set. 1993
96 GALILEO & MARTINS
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Figs. 1-13. Escapo: 1, Panegyrtes pseudolactescens Breuning; 2, P. lactescens Thomson. Esquemas do élitro
direito; 3, P. striatopunctatus Breuning (com base no diapositivo do holótipo); 4, P. bifasciatus Breuning (MG,
Santa Bärbara); 5, P. pseudolactescens Breuning (SP, Säo Roque); 7, P. varicornis Breuning (com base no
diapositivo do holötipo); 8, P. porosus, sp. n. (Colömbia, Magdalena); 9, P. sparsepunctatus Breuning (SP,
Igarapava); 10, P. lactescens Thomson (RJ, Rio de Janeiro). Detalhe da pubescência e da pontuação elitral: 6,
P. pseudolactescens; 11, P. porosus; 12, P. sparsepunctatus; 13, P. lactescens. Barra = 1 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 89-96, 30 set. 1993
DESCRIÇÃO DE GLABROGYRA SUBGEN. N,, RECARACTERIZAÇÃO DE
AUSTRODISCUS TWOMEYI (PARODIZ, 1954) E RECLASSIFICAÇÃO DAS
ESPÉCIES SULAMERICANAS DOS GÉNEROS AUSTRODISCUS PARODIZ,
1957, RADIOCONUS BAKER, 1927, RADIODOMUS BAKER, 1930 E
TROCHOGYRA WEYRAUCH, 1965 (CHAROPIDAE) E ZILCHOGYRA
WEYRAUCH, 1965 (HELICODISCIDAE) (GASTROPODA,
STYLOMMATOPHORA, ENDODONTOIDEA)!
Álvaro L. Müller da Fonseca >?
José W. Thomé **
ABSTRACT
THE DESCRIPTION OF GLABROGYRA SUBGEN. N., RECHARACTERIZATION OF
AUSTRODISCUS TWOMEYI(PARODIZ, 1954) AND RECLASSIFICATION OF THE SOUTH AMERICAN
SPECIES OF THE GENERA AUSTRODISCUS PARODIZ, 1957, RADIOCONUS BAKER, 1927,
RADIODOMUS BAKER, 1930 AND TROCHOGYRA WEYRAUCH, 1965 (CHAROPIDAE) AND
ZILCHOGYRA WEYRAUCH, 1965 (HELICODISCIDAE) (GASTROPODA, STYLOMMATOPHORA,
ENDODONTOIDEA) A new classification for the South American Endodontoids is proposed. Trochogyra
(Glabrogyra) subgen. n. is described. Austrodiscus twomeyi (Parodiz, 1954) is recharacterized. Species of
Austrodiscus, Radioconus, Radiodomus and Trochogyra are transferred to Charopidae and species of
Zilchogyra to Helicodiscidae.
KEYWORDS Glabrogyra subgen. n., reclassification, Charopidae, Helicodiscidae.
INTRODUÇÃO
Dentro do complexo endodontóide sulamericano, as espécies de Austrodiscus,
Radiodiscus Pilsbry & Ferris, 1906, Trochogyra e Zilchogyra têm sido classificadas em
Endodontidae; PILSBRY (1896/7, 1900, 1911,1921, 1946/48), BAKER (1927), THIELE
(1927), SCOTT (1948, 1957a, 1957b, 1963a, 1963b, 1964, 1970, 1972, 1980, 1981),
1. Trabalho apresentado e debatido em parte no “11th International Malacological Congress, Siena, Italia, com auxilios do CNPq, CAPES,
FAPERGS.
2. Laboratório de Malacologia, Instituto de Biociências da Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Av. Ipiranga, 6681, prédio 12,
BR-90619.900, Porto Alegre, RS, Brasil.
3. Bolsista de Mestrado da CAPES
4. Bolsista do CNPq.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 97-105, 30 set. 1993
98 FONSECA & THOMÉ
PARODIZ (1954, 1957), WEYRAUCH (1958, 1965a, 1965b, 1966), FERNANDEZ &
CASTELLANOS (1973), VAZ (1987a, 1987b, 1991), VALDOVINOS & STUARDO
(1989). Anteriormente, ORBIGNY (1835/46) e MORICAND (1846), classificavam-nas
em Helicidae.
Recentemente PARKINSON et. al. (1987) e ABBOTT (1989) classificaram
aqueles 4 gêneros em Helicodiscidae, embora sem qualquer justificativa; sendo que nesta
família, SOLEM (1975) incluiu somente os gêneros Helicodiscus Morse, 1864,
Polygyriscus Pilsbry, 1948 e Stenopylis Fulton, 1814. SOLEM (1975, 1976, 1977, 1983)
classificou os gêneros Radiodiscus, Amphidoxa Albers, 1850, Stephanoda Albers, 1860
e Flammulina Martens, 1873 em Charopidae. Zilchogyra era considerado subgênero de
Austrodiscus segundo SCOTT (1970), FERNANDEZ & CASTELLANOS (1973),
VALDOVINOS & STUARDO (1989), VAZ (1987a, 1987b, 1991) divergindo com as
afirmações de WEYRAUCH (1965a) e SCOTT (1980, 1981); Trochogyra era conside-
rado subgênero de Zilchogyra (WEYRAUCH, 1965a), mas propomos elevä-lo à catego-
ria de gênero.
SOLEM (1975, 1976, 1977, 1983) apresentou critérios para a classificação desses
gêneros, que envolvem característicos conquiliomorfológicos e de anatomia interna,
baseados nas descrições de BAKER (1927), Baker, 1930 apud e PILSBRY (1948),
SCOTT (1964, 1970) e VAZ (1991), os quais são comentados adiante. Os critérios
utilizados, até então, não permitiam uma classificação coerente. A descrição
conquiliomorfolögica de Austrodiscus era insuficiente para precisar a que família o
gênero pertencia, gerando a contestação de WEYRAUCH (1965) e SCOTT (1981), que
não o consideraram como Endodontidae e também não propuseram a sua inclusão em
nenhuma outra família. Baseado em novos critérios, propomos sua inclusão em Charopidae.
Os característicos conquiliomorfológicos, como esculturações e dimensões são
bastante peculiares entre os gêneros de Endodontoidea (SOLEM, 1976, 1983), permitin-
do também a distinção entre as famílias. SOLEM (1976) demonstrou que o diâmetro
máximo (D) da concha para os Endodontidae é de 12mm com até 5,5 voltas. Desta forma,
o gênero Austrodiscus, com D=15mm e 5,5 voltas, não se encaixaria na família, apesar
de satisfazer os demais parâmetros e relações de conquiliometria. Por motivo idêntico,
também não se enquadraria em Helicodiscidae, para a qual SOLEM (1975) atribui um D=
Smm, cujos exemplares raramente excedem 5 voltas. O exame do holótipo e parátipo da
espécie tipo de Austrodiscus (CMP, 43100) demonstrou que o gênero possui afinidades
com Stephanoda como observou PARODIZ (1954). Além do que, a esculturação da
protoconcha, apesar de não servir como característica determinante da família, apresenta
uma conformação padrão para cada gênero, bem como a esculturação das demais voltas.
A descrição conquiliomorfológica de PARODIZ (1954) para Austrodiscus é insuficiente
para uma correta caracterização do gênero. Apesar de afirmar que a protoconcha seria lisa,
o exame do holótipo indica que é esculturada por estriações.
Tais argumentos invalidam as considerações de VALDOVINOS & STUARDO
(1989), SCOTT (1970) e VAZ (1991), que propuzeram a manutenção de Austrodiscus em
Endodontidae, reforçando as afirmações de WEYRAUCH (1965) e SCOTT (1980,
1981), de que as dimensões e outros característicos conquiliomorfológicos de Austrodiscus
não se adequam a Endodontidae. Devido a isto WEYRAUCH (1965) estabeleceu o
gênero Zilchogyra para as espécies de protoconcha completamente lisa e de menor
diâmetro. Os característicos conquiliomorfológicos de Austrodiscus permitem a sua
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 97-105, 30 set. 1993
Descrição de Glabogyra subgen. n., recaracterização... 99
classificação em Charopidae, na subfamília Amphidoxinae, juntamente com Stephanoda
e Steophadiscus Scott, 1981.
Austrodiscus twomeyi, espécie tipo e monotípica do gênero, foi inicialmente
descrita em Araucania (PARODIZ, 1954), mas recebeu novo nome genérico (PARODIZ,
1957) por estar pré-ocupado por Araucania Pate, 1946 (Hymenoptera).
O gênero Radiodiscus inclui o maior número de espécies de endodontóides
americanos. Caracteriza-se por possuir concha de tamanho reduzido, em torno de 2mm,
espira baixa, mas destaca da última volta, protoconcha esculturada por finas estrias
espirais, voltas pós-embrionárias com densa costelação radial, composta de costelas
laminares baixas e de traçado sigmóide e estrias radiais e/ou espirais; umbílico aberto,
variando em torno de 1/4 do diâmetro máximo da concha, abertura reniforme. O gênero
Radioconus Baker, 1927 possui esculturação semelhante, mas as estrias da protoconcha
são mais espaçadas entre si e contínuas, enquanto que em Radiodiscus são muito juntas
e seriadas devido a sulcos transversais que aparecem a intervalos regulares. As costelas
de Radioconus são mais robustas, ripiformes ou laminares mais altas, afinadas e
inclinadas. O gênero Radiodomus Baker, 1927, possui esculturação típica, secção lateral
do contorno das voltas obliquamente deprimida, espira também deprimida, as costelas
mais curvadas do que sigmódes e o umbílico é menor, cerca de 1/6 do diâmetro máximo
da concha (BAKER, 1927; PILSBRY, 1948; SCOTT, 1957a).
BAKER (1927) e Baker, 1930 apud PILSBRY, 1948) apresentaram a anatomia
interna de Radiodiscus millecostatus, Radioconus bactricolus, Radiodomus abietum. Os
sistemas excretor e reprodutor são os mais significativos para a classificação (PILSBRY,
1948; SOLEM, 1975, 1976, 1983). BAKER (1927) mencionou que o uréter da espécie
tipo do gênero, Radiodiscus millecostatus, é curto, com sua porção ventral (basal)
formando uma curva (dobra), refletindo-se sobre a parte apical do rim (nefrídio) e
continuando num uréter secundário até a porção mediana do pulmão (parede da cavidade
palial), onde se abre um canal que segue até o pneumostömio. Segundo SOLEM (1976,
1983) esta seria uma típica condição dos Sigmurethra Aulacopoda e bastante caracterís-
tico de Charopidae. O ovariotestis (ovotestis, glândula hermafrodita) é mais larga do que
nos outros gêneros, com dois lobos dotados de ramos claviformes e acinosos. Esta
condição, ainda de acordo com SOLEM (1976, 1983), também seria característica de
Charopidae. O epifalo é fusiforme e dotado de um “botão” (ceco) apical, o qual é bastante
alargado abaixo de sua porção mediana. A papila faliana é baixa e rombuda. O falo é maior
do que o das outras duas espécies, cônico-alongado, de paredes muito grossas próximas
ao ápice. Esta complexidade da porção terminal do sistema reprodutor, aproximaria
Radiodiscus millecostatus de Charopidae e de Helicodiscidae (SOLEM, 1976, 1983), já
que em Endodontidae essa região do sistema reprodutor é estruturalmente bem mais
simples, sem papila faliana e ceco apical.
No gênero Radioconus, BAKER (1927) descreveu R. bactricolus, que apresenta
sistema excretor muito semelhante ao da espécie anterior. O sistema reprodutor possui
ovariotestis mais simples, mas igualmente bilobulado. O epifalo é bem mais longo que o
falo e destituído de papila faliana e ceco apical. Sua estrutura menos complexa assemelha-
se aquela de alguns poucos gêneros de Charopidae, como Ptychodon Ancey, 1888 e de
gêneros de Endodontidae.
Em Radiodomus, Baker, 1930 apud PILSBRY (1948) descreveu R. abietum, o qual
também apresenta sistema excretor típico, muito semelhante ao da espécie tipo do gênero.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 97-105, 30 set. 1993
100 FONSECA & THOMÉ
O ovariotestis é igualmente lobulado, com poucos lobos longos, largos e claviformes. O
epifalo é elipsóide, de parede grossa e glandular, dotado de papila faliana curta e cônica.
O falo é relativamente largo e grande, com dois apêndices apicais (“flagelos”). Esta
conformação também assemelha-se à condição observada em Charopopidae e
Helicodiscidae.
Estes dois últimos gêneros, Radioconus e Radiodomus, já eram tratados por
SOLEM (1976, 1983) como gêneros mas sem justificativas e sem determinar com
segurança sua inclusão em Charopidae.
No subgênero nominal de Trochogyra são incluídas aquelas espécies com concha
de diâmetro reduzido, em torno de 3mm, espira geralmente alta, protoconcha aparente-
mente lisa, mas dotada de microestrias finas e de difícil percepção, voltas pós-embrioná-
rias com costelas radiais robustas, espaçadas e estrias espirais e/ou radiais, periostraco
comumente apresentando bandas (faixas) escuras, umbílico aberto, profundo.
As únicas descrições anatômicas de espécies deste gênero são de SCOTT (1970),
para T. leptotera e VAZ (1991), para T. pleurophora. Conquiliomorfologicamente são
espécies muito semelhantes, contudo diferem muito na conformação do sistema reprodutor.
O falo e epifalo de T. leptotera são bem mais simples que os de T. pleurophora. O
ovariotestis bilobado e lobulado (VAZ, 1991, fig. 4) é peculiar à Charopidae (SOLEM,
1976, 1983). A conformação do sistema excretor de T. leptotera, assemelha-se muito à
dos Endodontidae, indicando que talvez esta espécie pertença excepcionalmente a esta
família. Fazem-se necessários estudos anatômicos mais detalhados para sua confirmação.
O gênero Trochogyra comporta ainda outro desdobramento e, portanto, é proposto
e descrito, Glabrogyra subgen. n.
O gênero Zilchogyra, conforme WEYRAUCH (1965), compreende espécies de
endodontóides que apresentam diâmetro máximo em torno de 3mm, protoconcha com-
pletamente lisa (sem qualquer estriação), voltas pós-embrionárias com costelação radial
e estriação radial e/ou espiral, espira baixa, mas bem destacada da última volta, umbílico
aberto.
Os característicos anatômicos fornecidos por SCOTT (1963a) para Zilchogyra
costellata são insuficientes para uma precisa determinação da família em que o gênero se
enquadraria. Os característicos conquiliomorfológicos e a complexidade da porção
terminal do sistema reprodutor (falo e epifalo) aproximam esta espécie de Charopidae e
Helicodiscidae. Entretanto, a ausência de dados acerca do tipo de ovariotestis e sistema
excretor impede a confirmação dessa premissa. Preferimos manter a classificação do
gênero em Helicodiscidae, conforme PARKINSON et al. (1987) e ABBOTT (1989),
juntamente com Lilloiconcha Weyrauch, 1965 e Hirtudiscus Scott, 1973.
Foram examinados exemplares de endodontóides de coleção malacológica do
Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (dezenas de
lotes) e material tipo: Endodonta amoenus Thiele, 1927 (BRASIL: 1 síntipo MNHB, sem
número), Endodonta goeldii Thiele, 1927 (BRASIL: 1 síntipo MNHB, sem número),
Endodontia clara Thiele, 1927 (BRASIL: 1 síntipo MNHB, sem número), Endodonta
superba Thiele, 1927 (BRASIL: Rio de Janeiro, Teresópolis, 1 síntipo MNHB, sem
número), Austrodiscus (Zilchogyra) paulistana Scott, 1973 (Brasil: Paraná, Cerro Azul.
3 parátipos MCNZ 2616), Radiodiscus thomei Weyrauch, 1965 (BRASIL: Rio Grande
do Sul, Cambará do Sul, Holótipo MCNZ 1073a e 2 parátipos MCNZ 1073b), Zilchogyra
cleliae Weyrauch, 1965 (BRASIL; Rio Grande do Sul, Gramado, 16 parätipos MCNZ
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 97-105, 30 set. 1993
Descrição de Glabogyra subgen. n., recaracterizagäo... 101
e SOUSA ti nn
1645), Endodonta jheringi Thiele, 1927 (BRASIL: Rio Grande do Sul, Rio Grande,
Bolacha, 1 síntipo MNHB, sem número), Endodonta gordurasensis Thiele, 1927 (BRA-
SIL: Minas Gerais, Gorduras, 1 síntipo MNHB, sem número), Radioconus pilsbryi Scott,
1957 (ARGENTINA: Misiones, Seandro Alem, 2 parátipos, MCNZ 2044), Austrodiscus
golbachi Scott, 1963 (ARGENTINA: Tucumán, Quebrada de la Caiza, 3 parátipos
MCNZ 2355, MCNZ 2045), Araucania twomeyi Parodiz, 1954 (CHILE: Aysen, Rio de
la Pascua, holötipo CMP 43100 e parätipo CMP sem nümero).
Os tipos das espécies de THIELE (1927) são designados como síntipos, apesar de
WEYRAUCH (1965a) indicar indevidamente holótipo e parátipo para Endodontia
superba. Para determinação dos lectótipos e parátipos é necessário examinar todas as
séries síntipicas, o que não foi possível.
As abreviaturas usadas correspondem: MCNZ, Museu de Ciências Naturais,
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre; CMP, Carnegie Museum of
Natural History, Pittsburgh; MNHB, Museum für Naturkunde der Humboldt - Universität,
Berlin.
Austrodiscus twomeyi (Parodiz, 1954)
(Figs. 1-3)
Araucania twomeyi PARODIZ, 1954: 17
Austrodiscus twomeyi; PARODIZ, 1957: 131
Austrodiscus (Austrodiscus) twomeyi; SCOTT, 1970: 286
Material-tipo. CHILE. Aysen: Rio de La Pascua. Holötipo (CMP 43100), parätipo
(CMP sem nümero), danificado.
Localidade-tipo. Rio de la Pascua, entre o Lago San Martín e o golfo de Pena (49°
lat. Sul), extremo sul da província de Aysén, próximo à Cerro Melligro Sur.
Diagnose. Gênero com espécie monotípica. Concha grande em relação às demais
espécies da família (figs. 1,3), com D= 14,2mm e até 5,5 voltas; periostraco fino,
semitransparente e brilhoso, ostraco e hipostraco opacos; com bandas escuras (ambarinas)
irregularmente distribuídas e sinuosas, recobrindo a superfície externa e contrastando
com a cor geral bege da concha; costelação radial ou espiral ausente; microestrias radiais
e espirais, onduladas, entrecruzadas por linhas de crescimento e estrias radiais, de aspecto
serpenteante devido às ondulações do periostraco; protoconcha com microestrias espirais
e radiais entrecruzadas. O limite entre a esculturação embrionária e a das voltas pós-
embrionárias não é nítido, contudo há uma calosidade bem marcada no final da segunda
volta da concha. Ondulações radiais mais salientes na protoconcha, menos salientes e
mais irregularmente dispostas nas voltas pós-embrionárias e praticamente desaparecem
na última volta. Umbílico muito aberto, pouco mais de 1/3 do diâmetro máximo da concha
e pouco profundo. Abertura da concha, mais circular do que reniforme, levemente
deprimida látero-dorsalmente, peristômio relativamente espesso, com borda palatal
ondulada e um calo parietal saliente.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 97-105, 30 set. 1993
102
n
A
A
FONSECA & THOME
Trochogyra (Glabrogyra), subgen. n.
(Figs. 1-3)
Espécie-tipo. Radiodiscus kuscheli Scott, 1957.
Diagnose. Diferencia-se do subgênero nominal especialmente pela falta de costelagäo
as voltas pós-embrionárias.
Caracterização. Concha pequena em relação às outras espécies do gênero, com
cerca de 3mm de diâmetro máximo e altura de 2mm, com até 4 voltas de crescimento
regular; espira proeminente; umbílico reduzido, estreito e perspectivo, entre 1/4 e 1/6 do
diâmetro máximo da concha; protoconcha com finas e tênues microestrias espirais
contínuas, apertadamente espaçadas ou esparsas, ausência de costelação radial ou espiral
nas voltas pós-embrionárias e presença de linhas de crescimento e pregas radiais salientes,
cruzadas por estrias espirais onduladas e paralelas.
ELENCO
Charopidae
Amphidoxinae
ustrodiscus Parodiz, 1957
.twomeyi (Parodiz, 1954)
Araucania twomeyi Parodiz, 1954,
Austrodiscus twomeyi; Parodiz, 1957,
Austrodiscus (Zilchogyra) twomeyi; Scott,
1970
Rotadiscinae
Radiodiscus Pilsbry & Ferris, 1906
DI
R.
R.
R
R
R
R
R
R
R
R
. magellanicus (Smith, 1881)
Helix (Patula) magellanica Smith, 1881
coppingeri (Smith, 1881)
. millecostatus Pilsbry & Ferris, 1906
corticaria (Philippi, 1855)
Helix corticaria Philippi, 1855
. muscicola (Philippi, 1855)
Helix muscicola Philippi, 1855
. bryophila (Philippi, 1855)
Helix bryophila Philippi, 1855
exigua (Philippi, 1855)
Helix exigua Philippi, 1855
hypholoea (Philippi, 1855)
Helix hypholoea Philippi, 1855
. mariae Pilsbry, 1921
. Jheringi (Thiele, 1927)
Endodonta jheringi Thiele, 1927
. peruvianus Pilsbry, 1944
. katiae Scott, 1948
. tenellus Scott, 1957
. titicacensis Scott, 1957
. thomei Weyrauch, 1965
. florezi Weyrauch, 1965
R. golbachi Weyrauch, 1965
R
. wygodzinskyi Weyrauch, 1965
Helix (Patula) coppingeri Smith, 1881
. hermanni Pfeiffer apud PILSBRY, 1921
. orizabensis Pilsbry apud PILSBRY, 1921
R. lateumbilicatus Weyrauch, 1966
R. pallidus Weyrauch apud WEYRAUCH, 1966
R. flamullata Scott, 1975
Radioconus Baker, 1927
R. bactricolus (Guppy, 1868)
Helix bactricola Guppy, 1868
R. ditzleri Baker, 1925
R. amoenus (Thiele, 1927)
Endodonta amoena Thiele, 1927
R. goeldii (Thiele, 1927)
Endodonta goeldii Thiele, 1927
R. riochicoensis Crawford, 1939
Pyramidula patagonica Suter, 1900 (partim)
Stephanoda patagonica, Pilsbry, 1900 (partim)
R. patagonicus; Pilsbry, 1911 (partim)
Zilchogyra patagonica; Weyrauch, 1965
R. andium Pilsbry, 1944
R. pilsbryi Scott, 1957
Radiodiscus. misionensis Scott, 1957
Zilchogyra cleliae Weyrauch, 1965
. costellifer Scott, 1957
. crenulatus Scott, 1963
. australis Scott, 1970
cobola Pilsbry apud BAKER, 1922
Radiodomus Baker, 1927
R. abietum Baker, 1930
R. stelzneri Döring, 1877
Trochogyra Weyrauch, 1965
T. (Trochogyra) pleurophora (Moricand, 1846) comb. n.
Helix pleurophora Moricand, 1846
Amphidoxa pleurophora; Suter, 1900
Stephanoda pleurophora; Pilsbry, 1900
T. (T.) leptotera (Rochebrunne & Mabille, 1882) comb. n
Patula leptotera Rochebrunne & Mabille, 1882
Helix leptotera; Pilsbry, 1892
Patula michaelseni Strebel, 1907
Stephanoda leptotera; Pilsbry, 1911
Radiodiscus microhelix Haas, 1951
EEE
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 97-105, 30 set. 1993
Descrição de Glabogyra subgen. n., recaracterização...
Austrodiscus leptotera; Scott, 1963
Zilchogyra microhelix; Weyrauch, 1965
Austrodiscus (Zilchogyra) leptotera; Scott, 1970
T.(T.) gordurasensis (Thiele, 1927) comb. n.
Endodonta gordurasensis Thiele, 1927
Amphidoxa gordurasensis; Jaeckel, 1952
Austrodiscus golbachi Scott, 1963
Zilchogyra golbachi, Weyrauch, 1965
T. (T.) giganteus (Weyrauch, 1958) comb. n.
Radiodiscus giganteus Weyrauch, 1958
Zilchogyra giganteus; Weyrauch, 1965
T. (T.) superba (Thiele, 1927) comb. n.
Endodonta superba Thiele, 1927
Amphidoxa superba; Jaeckel, 1952
Zilchogyra (Trochogyra) superba; Weyrauch,
1965
Glabrogyra subg. n.
T. (Glabrogyra) kuscheli (Scott, 1957) comb. n.
Radiodiscus kuscheli Scott, 1957
Austrodiscus (Zilchogyra) kuscheli; Scott, 1970
Radiodiscu kuscheli; Scott, 1970
T. (G.) coarctatus (Scott, 1979) comb. n.
Radiodiscus coarctatus Scott, 1979
Helicodiscidae
Zilchogyra Weyrauch, 1965
Z. costellata (Orbigny, 1835)
Helix costella Orbigny, 1835
Patula costellata; Döring, 1874
103
Amphidoxa (Stephanoda) costellata; Pilsbry,
1896/7
Austrodiscus costellatus; Scott, 1964
Z. deliciosa (Thiele, 1927)
Endodonta deliciosa Thiele, 1927
Z. clara (Thiele, 1927)
Endodonta clara Thiele, 1927
Z. peterseni Weyrauch, 1965
Radiodiscus millecostatus; Hass, 1933
(non PILSBRY & FERRIS, 1906)
Z. franzi Weyrauch, 1965
Z. hyltonscottae Weyrauch, 1965
Z. paulistana (Scott, 1973) comb. n.
Austrodiscus (Zilchogyra) paulistana Scott,
1973
Z. calchaqui (Scott, 1975) comb. n.
Austrodiscus (Zilchogyra) calchaqui Scott,
1975
Z. matteriae (Scott, 1975) comb. n.
Austrodiscus (Zilchogyra) matteriae Scott, 1975
Z. solemi (Valdovinos & Stuardo, 1989) comb. n.
Austrodiscus (Zilchogyra) solemi
Valdovinos & Stuardo, 1989
Z. descendens Weyrauch, 1965
Z. haywardi Weyrauch, 1965
Liloichoncha Weyrauch, 1965
L. tucumana (Scott, 1963)
Austrodiscus superbus tucumanus Scott, 1963
Hirtudiscus Scott, 1973
H. hirtus Scott, 1973
Agradecimentos. Ao Dr. J. J. Parodiz e Dr. J. E. Rawlins do “Carnegie Museum of Natural History”,
Pittsburgh; Dr. R. Kilias do “Museum für Naturkunde der Humboldt-Universität”, Berlim, pelo empréstimo de
material tipo, ao Dr. J. F. Vaz, do Museu de Zoologia, São Paulo, pelo material doado, e às professoras V. Lopes-
Pitoni e I. L. Veitenheimer-Mendes, do Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotância do Rio Grande do
Sul, Porto Alegre, pelo empréstimo do material.
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Recebido em 18.11.1992; aceito em 1° .06.1993.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 97-105, 30 set. 1993
Descrição de Glabogyra subgen. n., recaracterização... 105
Figs. 1-3: Austrodiscus twomeyi (Parodiz, 1954), holótipo, 1. dorsal, 2. ventral, 3. lateral. Escala em milímetros.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 97-105, 30 set. 1993
bed do ipod Ta] io we)
DENE
REDESCRIPCION DE GORDIUS AGASIZZI MONTGOMERY, 1898, DE
PSEUDOCHORDODES OCCIDENTALIS COMB. N. Y NUEVO REGISTRO
PARA P. BEDRIAGAE (CAMERANO, 1896) (GORDIOIDEA,
NEMATOMORPHA)
Delma A. B. de Miralles !
L. Cristina de Villalobos !
ABSTRACT
REDESCRIPTION OF GORDIUS AGASIZZI MONTGOMERY, 1898 AND PSEUDOCHORDODES
OCCIDENTALIS COMB. N. AND NEW RECORD FOR P?. BEDRIAGAE (CAMERANO, 1896)
(GORDIOIDEA, NEMATOMORPHA). Some specimens of Gordioidea housed in the Museum of Comparative
Zoology, Cambridge, were studied. Chordodes occidentalis Montgomery, 1898 is transferred to the genus
Pseudochordodes and redescribed; Pseudochordodes bedriagae (Camerano, 1896) and Gordius agasizzi
Montgomery, 1898 are also redescribed.
KEYWORDS. Gordioidea, Nematomorpha, Pseudochordodes, Gordius.
INTRODUCCION
Se analizo la colección de las especies Norteamericanas de gordiáceos estudiados
por MONTGOMERY (1898) de el Museum of Comparative Zoology, Harvard University,
Cambridge, Massachusetts (MCZ).
Chordodes occidentalis Montgomery, 1898 fue descrita en base a dos ejemplares
de distintas localidads. Sus características cuticulares corresponden al género
Pseudochordodes Carvalho, 1942; el holötipo permite una nueva combinación y el
paratipo es P. bedriagae (Camerano, 1896), el que amplia su distribución geográfica. La
diagnosis y la ilustración que MONTGOMERY (1898) presenta para Gordius agasizzi
muestran un ejemplar totalmente contraído en el que es difícil observar caracteres
morfológicos que permitan una clara definición. El objetivo de la presente contribución
es la de ubicar taxonömicamente las especies determinadas por MONTGOMERY (1898).
|. Facultad de Ciencias Naturales y Museo de La Plata. Catedra de Zoologia General, Paseo del Bosque s/nº. 1900 La Plata Argentina.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 107-111, 30 set. 1993
108 MIRALLES & VILLALOBOS
MATERIAL Y METODOS
La técnica empleada en el análisis de la cutícula de los ejemplares examinados es similar a la presentada
por MIRALLES (1989) y utilizamos para el estudio un microscopio Labor Lux con lentes de inmersión. Los
dibujos se realizaron con cámara clara y efectuamos las comparaciones correspondientes de los distintos
elementos de diagnóstico. Las medidas de las aréolas cuticulares se dan en micrómetros.
Pseudochordodes occidentalis (Montgomery, 1898), comb.n.
(Figs. 1,2)
Chordodes occidentalis MONTGOMERY, 1898:50, figs. 111-117 partim (Holótipo macho, San Francisco,
California, USA (MCZ 1469), non paratipo macho, Rio Gila, Arizona (MCZ 1481) = Pseudochordodes
bedriagae (Camerano, 1896), examinados.
Neochordodes occidentalis; POINAR & DOELMAN, 1974:327
Macho (holotipo). 255mm de largo y 1,5mm de ancho máximo.
Extremo anterior cónico de ápice redondeado, más delgado que el soma y boca
terminal. Mayor parte del cuerpo deprimido dorsoventralmente. Extremo posterior
cóncavo, ventralmente con borde distal semicircular. Centro de la superficie ventral con
surco longitudinal poco acentuado, que se extiende desde la cloaca hacia la región
anterior. Calota blanco amarillenta; soma, uniformemente castano. La cutícula presenta
dos tipos bien definidos de aréolas: unas poligonales, elevadas, oscuras (fig. 1, a) y
dispuestas en pares de tres o más, en series lineales irregulares separadas por estrechísimos
surcos y en sus puntos de unión es visible un poro con un diámetro de cuatro micrómetros.
Vistas de lado (fig. 2) el borde de las aréolas es levemente circular; en general son bajas
y elancho varía entre 11 y 23. Otras poliédricas o informes (fig. 1,b) más bajas y de menor
diámetro distribuídas entre las primeras, ocupando el resto de la cutícula. El surco
interareolar presenta sectores con numerosos poros.
Hospedador: Culex pipiens L.
Observaciones. Basándonos en el estudio de la cutícula, podemos establecer que
estos dos ejemplares pertenecen al género Pseudochordodes y difieren de las especies que
integran el género Chordodes Creplin, 1847 en que éstas tienen tres o más tipos de aréolas,
unas papilares prominentes, lisas o esculpidas con distintas estructuras en el ápice, otras
cónicas o semiesféricas, más bajas que las anteriores y en el surco interareolar se observan
espinas curvas, tubérculos, pelos, filamentos transparentes, cerdas u otros elementos de
diagnóstico y se diferencian de las especies de Neochordodes Carvalho, 1942 pues éstas
tienen un solo tipo de aréolas bajas y distantes entre sí. Los surcos que las separan no
evidencian estructuras particulares.
P.occidentalis comb.n. presenta las aréolas de mayor tamafio y con diferencias bien
marcadas entre los dos tipos observados. Las de P. bedriagae, son de menor tamafio y más
altas que las anteriores.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 107-111, 30 set. 1993
Redescripcion de Gordius agasizzi.... 109
Pseudochordodes bedriagae (Camerano, 1896)
(Figs. 3,4)
Chordodes bedriagae CAMERANO, 1896: 123 fig. 14, 14a TIPO. Localidad desconocida (Académie Impériale
des Sciences de St. Petersburgo. No examinado.
Pseudochordodes bedriagae; CARVALHO, 1942:216
Chordodes occidentalis MONTGOMERY, 1898:50, partim, paratipo macho, Rio Gila, Arizona, USA (MCZ
1481). Identificación errónea.
Macho. 223 mm de largo y 1 mm de ancho. Extremo anterior redondeado, la boca
terminal central. Región posterior cilíndrica, con el borde distal semicircular. Surco
medio ventral poco profundo con pliegues a ambos lados. La cutícula presenta dos tipos
de aréolas, pentagonales o hexagonales (fig. 3c) grandes, dispersas, distribuídas regular
o irregularmente sobre la superficie cuticular. El diâmetro varia entre 11 y 7; agrupadas
de a dos, tres o cuatro; en el espacio que las separa suele hallarse un poro de dos
micrómetros de diámetro. Vistas de lado, el borde libre es levemente circular, sobresaliendo,
en algunas de ellas, un tubérculo espiniforme desde una marcada depresión. Las aréolas
del segundo tipo (fig. 3d) son de menor diámetro, 3 a 4 micrómetros, más claras que las
anteriores, de forma poligonal o de contorno a veces indefinido. Se encuentran distribu-
ídas entre las primeras.
Observaciones. Esta especie descripta originalmente con localidad desconocida,
fue incluída en el género Pseudochordodes por CARVALHO (1942). El ejemplar fue
comparado con los ejemplares argentinos de distintas localidades estudiadas por
MIRALLES (1973).
Gordius agasizzi Montgomery, 1898
(Figs. 5, 6)
Gordius agasizzi MONTGOMERY, 1898:38, figs. 63-66, holotipo macho, Sandwich Islands, Hawai, USA
(MCZ 296), examinado.
Macho. holotipo de 158 mm de largo y 1,5 mm de ancho medio. El extremo anterior
se afina hacia el ápice, amarillo crema, limitada hacia atrás por el cläsico anillo oscuro.
La boca terminal y central. La mayor parte del soma, deprimido y uniformemente castafio.
Extremo posterior bilobulado, presenta lóbulos curvados, ventralmente cóncavos de 402
micrómetros de largo y 211 de ancho en la base de la bifurcación. Cloaca circular situada
en el centro de la región ventral a 96 micrómetros de la iniciación de la separaciön lobular.
La cutícula presenta numerosos planos romboidales, limitados por la intersección
de líneas musculares profundas. Examinando distintas áreas de la cutícula podemos
concluir que no presenta aréolas.
Observaciones. La compleja descripción original de Montgomery está referida a un
ejemplar totalmente contraído y deshidratado. Nuestra posterior observación nos permite
esclarecer los conceptos vertidos en su oportunidad y sefialar que la región anterior (fig.
5) vista al microscopio aparece como retraída dentro del soma, y el doblez, así formado,
fue considerado erröneamente como el cuello del ejemplar. En cuanto a la región posterior
(fig. 6) separamos los lóbulos caudales, pudiendo observarse la cloaca y la cresta post-
cloacal. Asimismo sefialamos la ausencia de aréolas elevadas sobre las líneas de los planos
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 107-111, 30 set. 1993
110 MIRALLES & VILLALOBOS
romboidales, que a pesar de la menciön no estän representadas en la lämina del trabajo
original.
Posiblemente, el aspecto que presentaba el ejemplar, segün fue descripto inicial-
mente, pudo deberse a que el mismo fue hallado seco o que haya adquirido ese aspecto,
por acción de algún líquido fijador.
Agradecimiento: A la Licenciada Ardis B. Jonsthon, Harvard University, Cambridge, por el préstamo
de los materiales estudiados.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
CAMERANO, L. 1896. Gordiens nouveaux ou peu connus du Musée zoologique de Lº Académie Impériale des
sciences de St. Petersbourg. Annuaire Mus. St. Petersb., 1896: 117-125.
CARVALHO, J. C. M. 1942. Studies on some Gordioidea of North and South America. J. Parasit. Illinois,
28 (3): 213-222.
MIRALLES, D.A.B. 1973. Sobre la presencia de Pseudochordodes bedriagae (Camerano) en Argentina.
(Gordioidea Chordodidae). Neotropica, La Plata 19 (59): 101-103.
— . 1989. Estructura cuticular de Chordodes carmelitanus Carv. y Feio, 1950. Nueva cita para la Argentina
(Nematomorpha, Chordodidae). Neotropica, La Plata, 35 (94): 95-99.
MONTGOMERY, T.H. 1898. The Gordiacea of certain American collections, with particular reference to the
North American fauna. I. Bull. Mus. Comp. Zool. Harv., Cambridge, Mass., 32 (3): 23-88.
POINAR, G. O. & J. J. DOELMAN. 1974. A reexamination of Neochordodes occidentalis (Montgomery)
comb.n. (Chordodidae, Gordioidea) larval penetration and defense reaction in Culex pipiens L. J. Parasit,
Illinois, 60 (2): 327-335.
Recebido em 4.01.1993; aceito em 4.06.1993.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 107-111, 30 set. 1993
Redescripcion de Gordius agasizzi.... 111
Figs. 1-2. Pseudochordodes occidentalis (Montgomery); cutícula: 1, vista general dorsal; 2, vista lateral.
Pseudochordodes bedriagae (Camerano), cutícula: 3, vista general; 4, vista lateral. Gordius agasizzi Montgomery,
macho: 5, extremo anterior; 6, extremo posterior. Figs. 1-4 escala = 0,0Inm; figs. 5, 6 escala = 0,05nm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 107-111, 30 set. 1993
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NOVAS ESPÉCIES DO GÊNERO MACROPHYES O. P. - CAMBRIDGE DA
REGIÃO NEOTROPICAL (ARANEAE, ANYPHAENIDAE)
Antonio D. Brescovit !?
ABSTRACT
NEW SPECIES OF GENUS MACROPHYES O.P.- CAMBRIDGE FROM NEOTROPICAL REGION
(ARANEAE, ANYPHAENIDAE). Two new species of Macrophyes O.P.-Cambridge are described: M.
jundiai from Brazil and Argentina and M. manati from Peru. A new record of M. elongata Chickering is
provided.
KEYWORDS. Macrophyes, Anyphaenidae, Araneae, new species, taxonomy.
INTRODUÇÃO
Após revisão do gênero Macrophyes O. P. - Cambridge (BRESCOVIT, 1992),
foram detectadas duas novas espécies e um novo registro de M. elongata Chickering. A
distribuição do gênero, até então, restrita à América Central e Peru, é ampliada com a
descrição de M. jundiai sp.n., para o sul do Brasil e norte da Argentina.
O material examinado pertence as seguintes coleções (curadores entre parênteses):
MACN, Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, Buenos Aires
(E. Maury): MCN, Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotänica do Rio Grande
do Sul (E.H. Buckup); MCP, Museu de Ciências, Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul, Porto Alegre (A.A. Lise); FSCA, “Florida Station Collection of
Arthropods”, Gainesville (G.B. Edwards).
Descrições e abreviaturas seguem BRESCOVIT (1992). Todas as medidas são em
milímetros. O epígino foi imerso em óleo de cravo, para estudo das estruturas internas
(LEVI, 1965).
Macrophyes elongata Chickering
Macrophyes elongata CHICKERING, 1937: 542, 547, figs. 3, 19, 20; BRESCOVIT, 1992: 103, figs. 4-7.
Registro novo. PANAMA. Bocas del Toro: Changinola, 15, 30.V11.1981, G.B.
Edwards col. (FSCA).
|. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, C. P. 1188, 90690-001, Porto Alegre, RS, Brasil.
2. Bolsista CAPES, Doutorado, Pós-Grad. Zoologia, Universidade Federal Paraná.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 113-116, 30 set. 1993
114 BRESCOVIT
Macrophyes jundiai, sp. n.
(Figs. 1-4)
Tipos. Holótipo macho, MCN 21585, Fazenda Monte Verde, Jundiaí do Sul,
Paraná, Brasil, 23.X1.1987, A.D. Brescovit col. Parátipos: ARGENTINA. Misiones:
Puerto Iguazú, Parque Nacional del Iguazú, lo, XI.1989, M. Ramirez col. (MACN 8993);
(Cataratas del Iguazú), 18 ,XI.1970, M.E. Galiano col. (MACN 8992): BRASIL. Paraná:
Jundiaí do Sul (Fazenda Monte Verde), 1 q, 9.11.1987, Equipe Profaupar col. (MCN
21586).
Etimologia. O nome específico é um substantivo referente à localidade-tipo.
Diagnose. Os machos de M. jundiai sp. n. diferem dos das demais espécies do
gênero pelo palpo apresentar êmbolo muito curto e apófise tibial retrolateral vestigial
(figs. 1,2). A fêmea difere da de M. manati sp. n. pelo epígino com átrio amplo
anteriormente e, internamente, com ductos sem alça mediana (figs. 3,4).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça e quelíceras alaranjadas. Região cefálica
laranja-escura. Lâminas maxilares e lábio amarelos. Esterno, abdômen e pernas
esbranquiçados.
Comprimento total 6,20. Carapaça: comprimento 2,30, largura 1,75. Clípeo: altura
0,06. Olhos: fila anterior 0,77; posterior 0,93. QOM: comprimento 0,31; largura anterior
0,25; largura posterior 0,47. Diâmetros: OMA 0,07; OLA 0,15; OMP 0,15; OLP 0,14.
Interdistâncias: OMA-OMA 0,07; OMA-OLA 0,10; OMP-OMP 0,20: OMP-OLP 0,16;
OLA-OLP 0,05. Quelíceras: 1,75 de comprimento, com 6 dentes na promargem e 8
dentículos, sobre uma projeção saliente e irregular, da retromargem. Abdômen: compri-
mento 4,10, largura 1,10. Espiráculo traqueal distando 1,25 do sulco epigástrico e 1,87 da
base das fiandeiras.
Pernas: I. fêmur 4,80; patela 1,00; tíbia 6,20; metatarso 5,40; tarso 1,80; total 19,20;
11.3,3020:9073,7073,50277,10:712,50712220207077.902 5070707: 007025
3,30; 4,10; 0,90; 12,80. Espinulação difere da fórmula geral nos artículos das pernas 1 -
II tíbia p0-1-0-1-0, r0-1-0-1-0, metatarso pl-1-0, rl-1-0; HI - IV tibia v2-2-2, p1-1-0,rl-
1-0, metatarso v2-2-2, p1-1-1,r1-1-1. Palpo com apófise média e êmbolo muito curtos.
Projeção tegular presente, retrolateral (fig. 1).
Fêmea (MCN 21586). Coloração como a do macho.
Comprimento total 6,80. Carapaça: comprimento 2,20, largura 1,60. Clípeo: altura
0,05. Olhos: fila anterior 0,62; posterior 0,76. QOM: comprimento 0,30; largura anterior
0,18; largura posterior 0,41. Diâmetros: OMA 0,06; OLA 0,14; OMP 0,14; OLP 0,13.
Interdistäncias: OMA-OMA 0,05; OMA-OLA 0,07; OMP-OMP 0,15; OMP-OLP 0,12;
OLA-OLP 0,06. Queliceras: 0,95 de comprimento, com 5 dentes na promargem e 9
denticulos na retromargem, sem projeção saliente. Abdômen: comprimento 4,50; largura
1,80. Espiráculo traqueal distando 1,40 do sulco epigástrico e 2,20 da base das fiandeiras.
Pernas: I. fêmur 3,70; patela 0,90; tíbia 4,70; metatarso 4,70; tarso 1,60; total 14,80;
II. 2,60; 0,70; 2,80; 2,70; 0,90; 9,70; II. 1,90; 0,60; 1,60; 2,00; 0,60; 6,70; IV. 3,00; 0,75;
2,15; 3,30; 0,70; 11,50. Espinulação: difere da fórmula geral apenas nos artículos das
pernas I-II metatarso p1-1-0,r1-1-0; MI tíbia v2-0-0, p1-1-0,r1-1-0, metatarso v2-2-2 ‚pl-
l-1, rl-1-1; IV tíbia p1-1-0, r1-1-0, metatarso v2-2-2, pl-1-1, rl-1-1. Ätrio do epigino
amplo anteriormente e de bordas laterais estreitas e curvadas (ie, 3). Internamente com
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 113-116, 30 set. 1993
nn
Novas espécies do gênero Macrophyes... 115
espermatecas circulares e ductos alongados (fig. 4).
Variação: comprimento (quatro machos): total 4,60-6,20; carapaça 1,70-2,30;
fêmur I 3,50-5,30; dentículos na retromargem 8-9; (quatro fêmeas): total 5,80-7,20;
carapaça 2,10-2,30; fêmur I 3,70-4,30; denticulos da retromargem 7-9.
Distribuição geográfica. Sul do Brasil (Paraná e Rio Grande do Sul) e norte da
Argentina (Misiones).
Material adicional. BRASIL. Paraná: Fênix, 19, 2.11.1987, Equipe Profaupar col. (MCN 21588);
Jundiaí do Sul (Fazenda Monte Verde), 1 É, 9.11.1987, Equipe Profaupar col. (MCN 21587); Rio Grande do
Sul: Triunfo, 16, 20.X.1977, E.H. Buckup col. (MCN 6970); 19, 28.X1.1977, H.A. Gastal col. (MCN 21589);
Porto Alegre (Morro Santana), 19, 15.XII.1979, A.A. Lise col. (MCN 21590); Viamão, 3 2, 08.XII.1992, A. A.
Lise col. (MCP 2781); Guaíba, 1 2, 29.XII.1991, A. B. Bonaldo col. (MCN 21886).
Macrophyes manati,sp. n.
(Figs. 5-6)
Tipo. Holótipo fêmea, FSCA, do Rio Manati, Loreto, Peru, 18.VII.1989, G.B.
Edwards col.
Etimologia. O nome específico é um substantivo referente à localidade-tipo.
Diagnose. M.manatisp.n. é próxima de M. elongata Chickering (vide BRESCOVTT,
1992: 103, figs. 4,5) da qual difere pelas bordas laterais do epígino sem sinuosidades
anteriores e espermatecas pequenas, globulares (figs. 5-6).
Descrição. Fêmea (holótipo). Cefalotórax amarelo, exceto as garras das quelíceras,
alaranjadas, e esterno esbranquiçado. Abdômen esbranquiçado. Pernas amarelas,
alaranjadas no ápice das tíbias e metatarsos.
Comprimento total 6,80. Carapaça: comprimento 1,80; largura 1,20. Clípeo: altura
0,05. Olhos: fila anterior 0,52: posterior 0,60. QOM: comprimento 0,25: largura anterior
0,16; largura posterior 0,31. Diâmetros: OMA 0,05; OLA 0,12; OMP 0,12; OLP 0,11.
Interdistâncias: OMA-OMA 0,05; OMA-OLA 0,05; OMP-OMP 0,07; OMP-OLP 0,05;
OLA-OLP 0,03. Quelíceras: 0,75 de comprimento, com 5 dentes na promargem e 6
dentículos, mais o proeminente dente na retromargem. Abdômen: comprimento 6,00;
largura 1,00. Espiráculo traqueal distando 0,90 do sulco epigástrico e 3,50 da base das
fiandeiras.
Pernas: I. fêmur 5,00; patela 0,80; tíbia 5,70; metatarso 5,30; tarso 1,70; total 18,50;
420: 0,70;4,40; 4,30; 1,30; 14,90; II. 2,70; 0,55: 2,15; 2,90; 0,80; 9,10; IV. 4,60; 0,70;
4,20; 5,40; 1,20; 16,10. Espinulação: difere da fórmula geral nos artículos das pernas HI
tíbia pl-1-0, r1-1-0, metatarso v2-1-2, pl-1-1,r1-1-1; IV tíbia p1-1-0, r1-1-0, metatarso
v2-0-2, p1-1-1,rl-1-1. Átrio do epígino pequeno e estreito, mais longo que largo (fig. 5).
Internamente com espermatecas pequenas e ductos longos, com alça mediana (fig. 6).
Macho desconhecido.
Distribuição geográfica. Peru (Loreto).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRESCOVIT, A.D. 1992. Revisão das aranhas do gênero Macrophyes O. P.-Cambridge, da Região
Neotropical (Araneae, Anyphaenidae). Revta bras. Ent., São Paulo, 36 (1): 101-106.
- CHICKERING, A.M. 1937. Anyphaenidae of barro Colorado Island, Panama Canal Zone. Pap. Mich. Acad.
Sci, New York, 22: 541-561.
| LEVI, HW. 1965. Techniques for the study of spider genitalia. Psyche, Cambridge, Mass., 72: 152-158.
| Recebido em 10.03.1993; aceito em 4.06.1993
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 113-116, 30 set. 1993
BRESCOVIT
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Figs. 1-6. Macrophyes jundiai sp. n., 1-2, macho: 1, palpo esquerdo, ventral; 2, retrolateral. 3-4, Epígino da
fêmea: 3, ventral; 4, dorsal. M. manati sp. n., fêmea: 5, epígino, ventral; 6, dorsal. Escalas: 0,25mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 113-116, 30 set. 1993
REVISÃO DA FAMÍLIA SEPSIDAE NA REGIÃO NEOTROPICAL. III. OS
GÉNEROS PALAEOSEPSIS DUDA, 1926, ARCHISEPSIS GEN.N. E
MICROSEPSIS GEN.N.; CHAVE PARA OS GENEROS NEOTROPICAIS
(DIPTERA, SCHIZOPHORA)!
Vera Cristina Silva ?
ABSTRACT
REVISION OF THE FAMILY SEPSIDAE OF THE NEOTROPICAL REGION . HI. THE GENERA
PALAEOSEPSIS DUDA, 1926, ARCHISEPSIS GEN.N., AND A MICROSEPSIS GEN. N.; KEY TO THE
NEOTROPICAL GENERA. A revision of the Neotropical genus Palaeosepsis Duda, 1926 is presented. The
genus was subdivided and two new genera are described: Archisepsis, type species Sepsis scabra Loew and
Microsepsis, type species Sepsis armillatta Melander & Spuler. Eigth new species are described: Archisepsis
hirsutissima (type locality: Serra do Navio, Amapá, Brazil), A. mirifica (type-locality: Belém, Pará, Brazil), A.
muricata (type locality: Belém, Pará, Brazil), A. priapus (type locality: Oriximiná, Pará, Brazil), Microsepsis
anomala (type locality: San José, Costa Rica), M. mystrion (type locality: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil),
M. stenoptera (type locality: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil), Palaeosepsis chauliobrechma (type
locality: Loja a Zamora, Equador). Palaeosepsis dentata var. maculata Duda is given species status. Five new
synonyms, nine new combinations and one new status are proposed. One lectotype and paralectotypes are
designated. A key to the Neotropical genera and keys to the species of Palaeosepsis, Archisepsis, gen.n. and
Microsepsis, gen.n. are furnished.
KEYWORDS. Diptera, Neotropical, Sepsidae, Palaeosepsis, new genera, new species.
INTRODUÇÃO
A familia Sepsidae possui distribuição mundial; STEYSKAL (1987) reconheceu-
a como composta por duas subfamílias, Ory gmatinae e Sepsinae. Na região Neotropical
apenas Sepsinae está representada pela tribo Sepsini. No catálogo dos sepsídeos
neotropicais, STEY SK AL (1968) relacionou os gêneros Meropliosepsis Duda, Nemopoda
Robineau-Desvoidy, Palaeosepsis Duda, Sepsis Fallén e Themira Robineau-Desvoidy.
|. Parte da dissertação de Mestrado apresentada no Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo e desenvolvida no Museu de Zoologia,
Universidade de São Paulo.
2. Depto. de Ciências Bilógicas, Faculdade de Ciências e Letras de Assis, UNESP, Av. Dom Antônio 2100; 19800-000 Assis SP, Brasil.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
118 SILVA
No início do século, no entanto, na revisão das espécies norte-americanas de Sepsidae,
MELANDER & SPULER (1917) mencionaram a ocorrência de Meroplius Rondani na
Argentina e SILVA (1990) confirmou a ocorrência do gênero na região Neotropical. Não
são reconhecíveis, a espécie descrita por MACQUART (1843) em Nemopoda, seis
espécies descritas por BIGOT (1857,1886) incluídas nos gêneros Nemopoda ( três
espécies), Palaeosepsis, Sepsis e Themira e uma espécie de SCHINER (1868) em Sepsis.
OZEROV (1992a) descreveu dois novos gêneros neotropicais.
Naregião Neotropical, a familia Sepsidae compõe-se de espécies morfologicamente
uniformes, dificultando a caracterização dos gêneros.
Palaeosepsis é o maior gênero da família na região Neotropical, não tendo sido
objeto de revisão taxonômica desde DUDA (1926 a,b), que o descreveu como subgênero
de Sepsis Fallén. HENDEL (1936) elevou-o à condição de gênero. HENNIG (1949)
sinonimizou os subgêneros de Sepsis - Dicranosepsis, Parapalaeosepsis,
Poecilopterosepsis - e o gênero Meropliosepsis com Palaeosepsis. STEYSKAL (1949)
e ZUSKA (1968;1970) trataram dos subgêneros de Sepsis não neotropicais; ZUSKA
(1968) indicou uma relação de parentesco maior entre Palaeosepsis e Sepsis do que do
primeiro com Parapalaeosepsis. STEYSKAL (1968) considerou Meropliosepsis um
gênero à parte de Sepsis e Palaeosepsis.
A distribuição de Palaeosepsis está limitada à região Neotropical, onde ele,
segundo ZUSKA (1968), parcialmente ocupa o lugar de Sepsis.
O gênero Palaeosepsis inclui espécies muito diferentes e, dentro de Sepsidae,
Sepsis e Toxopoda também são exemplos de grupos que necessitam de revisão, como
indicaram ZUSKA (1977) e ZUSKA & COLLESS (1984). Quem primeiro tentou
estabelecer uma classificação supraespecífica para o complexo Sepsis foi DUDA (1926a,b)
que dividiu o gênero em sete subgêneros. HENNIG (1949) sinonimizou vários dos
subgêneros de Sepsis com Palaeosepsis, tentando compor um grupo monofilético do qual
faziam parte táxons neotropicais, orientais e autralianos, mas isto não contribuiu para o
esclarecimento das relações internas do complexo Sepsis.
Nesta revisão, a classificação apresentada por STEYSKAL (1968) serviu como
base para a delimitação do gênero; mas a validade das idéias de HENDEL (1936), que
considerou Palaeosepsis subdividido em duas séries de espécies, foi levada em conside-
ração. Como resultado deste estudo, o gênero Palaeosepsis foi considerado composto por.
três grupos de espécies, aos quais se atribui o status genérico. OZEROV (1992a)
descreveu dois novos gêneros neotropicais monotipicos, Palaeosepsioides, da Venezue-
la, e Pseudopalaeosepsis do Panamá. Considerou-se Palaeosepsioides sinônimo de
Palaeosepsis e Pseudopalaeosepsis, sinônimo de Archisepsis. Entretanto, apenas estudos
futuros, com exame detalhado de exemplares das espécies de Ozerov e reavaliação, nas
outras espécies, dos caracteres utilizados por OZEROV (1992a) para caracterizar os
gêneros que descreveu, poderão determinar com maior exatidão a validade de
Palaeosepsioides e de Psedopalaeosepsis. Desse modo, Palaeosepsis. s. lat. foi subdivi-
do e algumas das suas espécies foram incluídas em três novos gêneros.
Não existem dados publicados sobre a biologia das espécies deste gênero. Há
evidências de que as larvas sejam coprófilas; alguns adultos foram coletados em fezes
humanas e de bovinos e, indivíduos isolados, capturados em gramíneas.
Em STEYSKAL (1968), estão listadas 18 espécies de Palaeosepsis para a região
Neotropical. Descrevem-se oito espécies novas, propõe-se a subdivisão do gênero, cinco |
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993 |
f
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Revisão da família Sepsidae... 119
sinonimias, nove combinacöes novas, um novo status, um lectötipo e paralectötipos säo
designados. A maioria das espécies previamente conhecidas não são redescritas aqui;
descrições adequadas estão disponíveis em DUDA (1926b). São redescritas apenas P.
insularis e P. pusio, por apresentarem problemas na caracterização e P. maculata, que foi
descrita originalmente como variedade de P. dentata Duda.
Este trabalho é parte de uma revisão geral da família na Região Neotropical.
Meroplius e Meropliosepsis foram tratados em SILVA (1990 e 1992, respectivamente).
MATERIAL E MÉTODOS
Examinou-se mais de 7600 espécimens pertencentes, em grande parte, à coleção do Museu de Zoologia
da Universidade de São Paulo (MZSP). As seguintes instituições (com os respectivos curadores) também
cederam material por empréstimo: Americam Museum of Natural History (AMNH), Dr. Randall T. Schuh
e Dr. David Grimaldi; The Natural History Museum (BMNH), Dr. Adrian C. Pont; Departamento de Zoologia
da Universidade Federal do Paraná (DZUP), Dr. Cláudio J. Barros Carvalho; Faculdade de Engenharia de Ilha
Solteira - UNESP (FEIS), Dr. Carlos A. H. Flechtmann; Természettudományi Múzeum Allattära (HNHM),
Dir. Ágnes Dely-Draskovitz; Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Dr. José A. Rafael; Museum
of Comparative Zoology (MCZC), Dr. David Furth; Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Dr. Inocêncio
Gorayeb; Museum National d'Históire Naturelle (MNHN), Dr. Léonide Teacas; Naturhistorisches Museum
Wien (NMW), Dr. R. Contreras-Lichtenberg. Na lista do material examinado, quando não houver indicação, o
espécimen pertence à coleção do MZSP.
Apenas algumas espécies tratadas neste estudo tiveram os tipos examinados. OZEROV (1992a,b)
contém parte de uma revisão ampla dos tipos de sepsídeos neotropicais, cobrindo 13 espécies; infelizmente,
sem fornecer a posição sistemática correta de cada uma dessas espécies e sem esclarecer a ocorrência de
Nemopoda e Sepsis na região Neotropical.
Para as descrições e caracterizações dos táxons utilizaram-se a terminologia e as abreviações sugeridas
por MCALPINE (1981). Para a descrição das modificações do fêmur anterior dos machos, considerou-se como:
(a) emarginação, o resultado de ligeiro espessamento da parte mediana ventral do fêmur, que se destaca pouco
da superficie do segmento (exemplo figs. 130,155); (b) tubérculo, o resultado de elevação simples digitiforme
ou semelhante, na região mediana ventral do articulo, sem outras modificações nas paredes do tubérculo,
podendo às vezes, portar cerdas e espinhos (exemplo figs. 9,22,114); (c) processo, tipo particular de tubérculo
na parede dorsal do fêmur que inclui outras projeções e ramificações secundárias das paredes do tubérculo,
como ganchos ou expansões e, eventualmente, pode possuir cerdas e espinhos (exemplo figs. 40,74).
Chave de identificação para os gêneros neotropicais de Sepsidae
1. Um par de fortes cerdas fronto-orbitais presente (fig. 1); abdome de ambos os sexos
SER SER TE RN E cia dd SAS OS e TR ls 2
2. Três pares (1+2) de cerdas dorso-centrais fortes e três pares de vibrissas; corpo mar-
rom-avermelhado; abdome com constricção entre segmentos 2 e 3; mancha ne-
gra entre a base da asa e célula subcostal e outra no ápice ao redor de R2+3 (Cos-
Enc a Guiana, Brastl).....-s.sc-ceceemcosanesecrcansossoaaneacansterecuanãas Meropliosepsis Duda
Apenas um par de cerdas dorso-centrais fortes e um par de vibrissas; corpo negro:
abdome sem constricção entre segmentos 2 e 3; R2+3 sem mancha negra apical
BEIN TO mUndial)............eesessseiseiasenesäaseäsenenneueunesesrensceen Meroplius Rondani
3. Tergitos abdominais rugosos, pêlos e cerdas normalmente bem desenvolvidos;
sintergito 1+2 sem elevação posterior, transversal larga (Estados Unidos: Texas;
México, Antilhas, até sul da Argentina Uruguai)...................... Archisepsis gen.n.
Tergitos abdominais polidos e brilhantes; pêlos e cerdas reduzidos; sintergitos 1+2
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
120 SILVA
com ima margem posteriorelevada (hp 4
4. Terminália do macho simétrica (se assimétrica, os outros caracteres não correspondem)
(figs. 12,38,56); veia CulB+1A com comprimento normal (figs. 49,57); fêmur
anterior do macho sempre com modificações elaboradas (fig. 22).......................
air ado BA ni Ga domo dn ME dd EIKE Palaeosepsis Dudas. str.;
Terminália do macho assimétrica (figs. 125, 141, 174); veia CulB+1 A extremamente
reduzida, menor do que o comprimento da célula cup (figs. 128,162,178); fêmur
anterior do macho com ou sem emarginações (figs. 130,155,180) (Antilhas até
sul do Brasil e' Paraguai) RAE A Microsepsis gen.n.
Palaeosepsis Duda
Sepsis (Palaeosepsis) DUDA, 1926a: 43. Espécie-tipo, Sepsis dentata Becker, 1919 (HENDEL, 1936:62).
Palaeosepsiöides OZEROV, 1992a:81. Espécie-tipo, Palaeosepsioides grimaldii Ozerov, 1992=Palaeosepsis
erythromyrma Silva, 1991. Syn.n.
Diagnose. Fêmur anterior do macho com algum tipo de modificação ventral, desde
protuberância simples até processo simples com espinhos. Asa com ou sem mancha
apical; veia medial não descrevendo uma curva antes do ápice; veia anal longa, quase
alcançando a margem. Abdome com superfície lisa, brilhante, geralmente com constricção
entre segmentos 2 e 3. Macho com esternito 4 simples ou com modificações na região
apical lateral; epândrio alongado ventralmente, geralmente simétrico (exeto P. dentata);
lobo basal do surstilo sempre presente, reduzido, pelo menos como uma emarginação
pequena.
Descrição. Cabeça: vértice, fronte e occipício entre negro e marrom-amarelado ou
avermelhado; face e gena negro e amarelo. Cerdação: ve dois terços de vi, fo presente e
diminuta ou ausente. Antena marrom a marrom-amarelada, primeiro flagelômero oval
arredondado ou alongado; arista nua, espessada na base.
Tórax: negro a amarelo-avermelhado, com pontuações; pleura com faixa longitu-
dinal pruinosa em prepst, prepm e kepst. Cerdação: 1 pprn,2 npl, 2 dc, pêlos acr podem
estar presentes, | anepst, 1 ap sctl forte, 1 subap sctl muito pequena.
Pernas (macho): fêmur anterior variável, podendo ter desde protuberâncias sim- |
ples, pequenas, ou protuberâncias duplas, com espinhos, até processos simples com
espinhos; tíbia anterior com forma variável, acompanhando o fêmur, podendo ser simples
ou possuir dobras ventrais, com ou sem espinhos medianos pequenos; tíbia média com
conjunto padrão de cerdas apicais, que podem modificar-se tornando-se longas e finas.
Asa: castanha translúcida, mancha apical pode estar ausente, ser muito clara ou estar
distintamente presente no ápice de R2+3; células sc bm e cup parcial ou totalmante sem
pubescência; M não descrevendo curva próximo ao ápice; lobo da álula total ou
parcialmente com pubescência; veia anal longa, quase alcançando a margem. Halteres
esbranquiçados ou amarelados.
Abdome: negro a castanho-amarelado, brilhante, liso, geralmente com constricção
entre segmentos 2 e 3; poucas cerdas, sendo maiores nas margens dos tergitos. Macho:
esternito 4 pode ser simples, sem modificações ou apresentar região lateral apical ou
subapical diferenciada, com muitas cerdas longas. Epândrio alongado ventralmente, em
geral simétrico (exceto P. dentata), lobo basal do surstilo reduzido, sempre presente, pelo
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 121
menos como uma pequena emarginação.
Comentários. Palaeosepsis s. str. é constituído por dois grupos, cujas diferenças
não foram consideradas sufucientes para a criação de novos gêneros: um com álula larga
e quarto esternito abdominal do macho não modificado (P. insularis, P. laticornis e P.
pusio) e outro com álula estreita e várias modificações no quarto esternito abdominal do
macho (P. chauliobrechma, P. dentata, P. dentatiformis, P. erythromyrma e P.
maculata). As características do primeiro grupo foram consideradas plesiomórficas, por
estarem presentes em Orygma Meigen (apontado por HENNIG (1965) como o gênero
mais basal na filogenia da família), em Saltella Robineau-Desvoidy (que também parece
ser outro gênero basal, segundo dados da autora, não publicados) e estão presentes
também, segundo HENNIG (1949), no grupo Sepsis. No grupo com álula larga e sem
modificações no esternito abdominal, encontram-se P. pusio (Schiner) e P. insularis
(Williston), que têm sido alvo de confusão taxonômica; muitos dados antigos de
distribuição devem ser considerados dúbios, uma vez que a diagnose de ambas não foi
bem feita. DUDA (1926b) considerou-as como P. pusioe STEYSKAL (1968) duas, o que
evidencia o problema. Nesta revisão foram examinados os tipos de ambas as espécies e
procurou-se estabelecer as diferenças entre os dois táxons. OZEROV (19924) descreveu
Palaeosepsioides para uma única espécie (P. grimaldii), distinguindo-o de Palaeosepsis
pela forte constricção no abdome depois do sintergito 1+2 e por modificações no esternito
4 do abdome dos machos. A constricção do abdome e a redução da álula, citada por
OZEROV (1992a) na caracterização de Palaeosepsioides, ocorrem em outras espécies de
Palaeosepsis (P. chauliobrechma, P. dentata, P. dentatiformis e P. maculata); as
modificações descritas no esternito 4 do abdome dos machos fazem parte de uma série de
transformação, observada nesse caráter dentro de Palaeosepsis, ocorrendo espécies com
pequenas expansões laterais, pouco diferenciadas do esternito 4 (P. chauliobrechma e P.
maculata), espécies com diferenciação maior de um pequeno lobo lateral (P. dentata e P.
dentatiformis) e P. erythromyrma, que possui uma extensão lateral longa no esternito 4.
Os outros caracteres utilizados por OZEROV (1992a), ausência de pêlos na caliptra
superior e ausência de ponte pós-coxal, necessitam ser revistos nas outras espécies para
determinar-se a extensão de sua ocorrência. O grupo de espécies de Palaeosepsis com
modificações na álula e esternito 4 do abdome dos machos pode vir a ser considerado
como um gênero a parte de Palaeosepsis e, nesse caso, o nome Palaeosepsioides poderá
ser utilizado; no entanto, essa decisão depende de mais estudos para que Palaeosepsis não
se torne um táxon merofilético.
Elenco das espécies: P. pusio (Schiner, 1868); P. insularis (Williston, 1896); P.
dentata (Becker, 1919); P. laticornis (Duda, 1926); P. dentatiformis (Duda, 1926); P.
maculata (Duda, 1926a) st.n.; P. erythromyrma Silva, 1991; P. chauliobrechma, sp.n.
Chave para as espécies neotropicais de Palaeosepsis
1. Alula mais larga que sua cerdação marginal; 4º esternito abdominal do macho não
ao nenn ee ni PA esasnsgchestörsenssännngene 2
- Alula estreita, subigual ou menor que sua cerdacäo marginal; 4° esternito abdominal
do macho modificado; corpo predominantemente negro......uueeeessenneneesennneeeeeennn 4
2. Pernas inteiramente amarelas; gena enegrecida, com mancha apical na asa (fig. 39)
(Equador, sul do Brasile Paraguaı..................... een. P.laticornis (Duda)
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
122 SILVA
No mínimo, uma das tíbias enegrecida; gena amarelada.........................0000000000000eeeeneeo 3
3. Pleura com ampla faixa transversal pruinosa, contínua. Macho: fêmur anterior com
acúleo mediano-ventral (fig. 31); tíbia média com cerdas apicais longas (fig. 35);
4º esternito abdominal alongado, aproximadamente retangular (fig. 36); epândrio
com surstilo alargado e com cerdas não muito longas (figs. 37,38) (Antilhas e
Aménicado Sul) arm ib ak A P.insularis (Williston)
- Pleura com faixa pruinosa interrompida. Macho: fêmur anterior com espinho
arredondado e com ápice encurvado, mediano-ventral (fig. 59); tíbia média com
cerdas (fig. 58); 4º esternito abdominal cordiforme (fig. 63); epândrio com surstilo
estreito e com cerdas longas na base do surstilo (figs. 61,62) (Panamá e Brasil)..
N Re RN Ar Ra Sa a APRE IN P. pusio (Schiner)
4. Corpo inteiramente amarelo-avermelhado; macho com esternito 4 do abdome com
apêndice lateral estreito e com numerosas cerdas longas no ápice (norte do Brasil)
dig Ri Aa a cad O a gs P.erythromyrma Silva
- Corpo predominantemente negro; macho com esternito 4 de outro modo.................. 5
5- Apice daasa com manchanegras cas e RR 6
Ápice da asa não manchado ou apenas ligeiramente esfumaçado abaixo do ápice
de R2A+3. ses isiansio ra da cla arde de Sagat ç à cala amena re a nee UR !
6. Mancha da asa ântero-posterior ao ápice de R?2+3; margem inferior da fronte projetan-
do-se, distintamente, sobre a região de inserção das antenas (fig. 4 ); macho: fêmur
anterior com dois tubérculos mediano-ventrais pequenos, com cerdas pequenas
(figs. 9,7); ápice da tíbia média com cerdas longas e finas (fig. 11) (Equa-
dont a ie Dean P.chauliobrechma, sp.n.
- Mancha da asa posterior ao ápice de R2+3 (fig. 49); margem inferior da fronte não
projetada; macho: fêmur anterior com tubérculo, com espinho curto e forte (figs.
50,51); ápice da tíbia média com conjunto padrão de cerdas (fig. 54) (Colômbia,
Equador Brasile Baraonai) en P.maculata (Duda), st.n.
7. Macho: fêmur anterior com muitas cerdas e tubérculo pequeno, com espinho forte,
ápice normal sem aba lateral (figs. 15,16); 4º esternito abdominal com região
lateral diferenciada, circular, com poucas cerdas longas (fig. 17); epândrio
assimétrico, lado direito modificado, semelhante a um gancho (figs. 18,20) (Vene-
aveia EquadorBoliia PermBrasil Re P. dentata (Becker)
- Macho: fêmur anterior com poucas cerdas e tubérculo grande projetando-se, com
espinho forte e curvo, região apical posterior com aba (figs. 22,23); 4º esternito
abdominal com região lateral diferenciada, com pedúnculo e apicalmente com
muitas cerdas longas (fig. 27); epândrio simétrico (figs. 28,29) ( Costa Rica,
Equador). AR DOR DROTNRITIUE © P. dentatiformis (Duda)
Palaeosepsis chauliobrechma, sp. n.
(Figs. 4-13)
Dimensões. Comprimento do corpo: 4,2mm(S), 4,4mm (9), Asa: 4,0 mm (6),
4,Imm (q).
Descrição. Cabeça: marrom-enegrecida, arredondada; vértice marrom-enegrecido,
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
A
Revisão da família Sepsidae... 123
fronte marrom, margem inferior muito projetada; face e gena marrom-enegrecidas, margem
inferior da face não projetada; occipício marrom-enegrecido, com pruinosidade na região
superior. Cerdação: fo ausente, | vib medianamente forte. Antena com escapo e pedicelo
negros, primeiro flagelômero marrom enegrecido, oval alongado (fig. 4).
Tórax: mesonoto e escutelo marrom-enegrecidos, com pruinosidade dourada, npl
com pruinosidade branco suave; pleura marrom-enegrecida, brilhante, faixa longitudinal
branco pruinosa - prepm, prepst, região dorsal do kepst. Cerdação: 1 pprm, 2 npl, 2
dc, 1 spal, 1 pal, 1 anepst, | ap sctl muito forte e longa, 1 subap sctl fraca e pequena.
Pernas: marrom, exeto coxa e tíbia anterior, regiões apical e basal do fêmur médio,
metade apical da tíbia média, terço basal e região apical do fêmur posterior, três primeiros
tarsômeros anteriores e médios, marrom-amarelados. Macho: fêmur anterior (figs. 7 e 9):
tíbia anterior afilada ( figs. 8,10); tíbia média com duas cerdas apicais ventro-posteriores
longas e finas (fig. 11). Fêmea: fêmur e tíbia anteriores sem modificações; tíbia média
com cerdas normais, não tão longas e finas.
Asa: castanha translúcida, veias marrons; com mancha apical, posterior ao ápice de
R2+3; base levemente escurecida, asa estreita, principalmente na base; veia anal muito
longa, quase tocando a margem da asa; incisão alular muito rasa; álula menor que sua
cerdação marginal, sem pubescência (fig. 5): halteres esbranquiçados, base enegrecida.
Abdome: marrom-enegrecido, liso, muito brilhante e polido; cerdas em pequeno
número e fracas; com constricção entre segmentos 2 e 3. Macho: esternito 4 com região
lateral mediana modificada, pedunculada, de forma aproximadamente circular, com
muitas e longas cerdas; esternito 5 reduzido a faixa estreita ( fig. 13); terminália marrom;
epändrio (figs. 6 e 12); surstilo com pequena expansão junto à ponta, com longa cerda na
base (fig. 12).
Etimologia. O epíteto deriva do grego chaulios, proeminente e brechma, fronte.
Material tipo: Holótipo $, parätipo 2, EQUADOR. Loja a Zamora, 1800 m., XI.
1970 (L.E. Pena) (MZSP); 2 parátipos S, Quito a Baeza, I. 1971 (L.E. Pefia) (MZSP).
Distribuição geográfica: Equador.
Palaeosepsis dentata (Becker)
(Figs. 14-20)
Sepsis dentata BECKER, 1919:207, pl.17, fig. 2. Localidade-tipo: Equador, Cuenca.
Palaeosepsis dentata; DUDA 1926b: 90; STEYSKAL, 1968:2.
Diagnose. Margem inferior da fronte ligeiramente projetada; 1 fo muito reduzida.
Fêmur e tíbia anteriores do macho (figs. 15 e 16). Asa sem mancha apical, veia anal quase
alcançando margem da asa; incisão alular pouco profunda, álula curta, não maior que sua
cerdação marginal (fig. 14). Macho com quarto esternito abdominal com região lateral
mediana modificada, em forma circular, com pedúnculo e muitas cerdas longas e finas;
região basal do esternito 4 e faixa central mais escuras; esternito 5 reduzido a duas placas
pequenas (fig.17). Epândrio alongado ventralmente, assimétrico, lado direito com lobo
basal formando estrutura semelhante a um gancho (figs. 18 e 20), lado esquerdo com lobo
pequeno na base do surstilo (figs. 18 e 19).
Material-tipo. Holótipo 6, EQUADOR. Cuenca, 1905 ( Dr. G. Rivet) (MNHN).
Material examinado. EQUADOR. Pichincha: Quito a S. Domingos d.l. Colorados, | 6. Azuay: Santa
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
124 SILVA
Isabel a Girón, 29. Loja: La Toma, I$; Loja a Zamora, 19. PERU. Machu Picchu, 26, 19. BRASIL. Minas
Gerais: Ouro Preto, 10.
Distribuição geográfica. Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Brasil (Minas Gerais).
Palaeosepsis dentatiformis (Duda)
(Figs. 3,21-29)
Sepsis dentatiformis DUDA, 1926a: 46, 1926b: 89. Localidade-tipo: Costa Rica, La Suiza de Turrialba.
Palaeosepsis dentatiformis; STEYSKAL, 1968: 2
Diagnose. Fêmur anterior do macho com protuberância ( figs. 22,23); tibia anterior
com base afilada e protuberäncia submediana (figs. 24,25); asa sem mancha apical, base
ligeiramente escurecida; incisão alular pouco profunda, álula menor que sua cerdação
marginal, totalmente coberta por pubescência; veia anal longa, quase alcançando margem
da asa (fig. 21). Esternito 4 do abdome do macho com apêndice lateral na margem apical,
formado por pedúnculo pequeno e na região apical globular; esternito 5 reduzido a faixa
estreita (fig. 27). Epândrio alongado ventralmente, simétrico (figs. 28,29).
Material examinado: EQUADOR. Pichincha: Quito a S. Domingo de 1. Colorados, 16. Zamora:
Zamora, 36, 10.
Distribuicäo geogräfica: Costa Rica, Equador.
Palaeosepsis erythromyrma Silva
Palaeosepsis erythromyrma SILVA, 1991:370, figs. 1-9. Localidade-tipo: Brasil, Parä.
Palaeosepsioides grimaldii OZEROV, 1992a:81, figs. 1-7. Localidade-tipo: Venezuela, Amazonas, Rio
Mavaca Camp. Syn.n.
Diagnose (figs. em SILVA, 1991:373,374). Face amarela, margem inferior não
projetada; 1 fo minúscula (fig. 4). Tórax castanho-amarelado com pruinosidade cúprea;
pleura amarela-alaranjada brilhante, com faixa longitudinal branca pruinosa em prepst,
prepm e lado dorsal de kepst. Pernas castanhas amareladas; macho com fêmur anterior
com duas pequenas protuberâncias, a mais distal com espinho forte (figs. 1, 2); tíbia
anterior com fileira de pequenos espinhos na borda póstero-ventral (fig. 5). Asa sem
mancha apical, ligeiramente escurecida na base; veia anal longa, quase alcançando
margem da asa; incisão alular muito rasa, álula estreita, mais curta que sua cerdação
marginal (figs. 3,6). Abdome castanho-avermelhado, muito liso e brilhante; sintergito 1-
2 estreito, com forte constricção entre segmentos 2 e 3; macho com esternito 4 com
apêndice na margem apical, esternito 5 reduzido (fig. 7). Epândrio alongado ventralmen-
te, lobos basais dos surstilos nus, delgados; surstilo longo e delgado, com muitas cerdas
curtas na ponta (figs. 8,9).
Material-tipo: Holótipo 6: Brasil. Pará: Estrada Belém-Bragança, Km 100, 13.
VII. 1965 (H. S. Lopes), (MZSP). Parátipos:Roraima: Pacaraima, 25.VI-5.VII.1988
(Eq.J. A. Rafael), 18 (INPA). Amapá: Rio Amapari, 17.1. 1939 (J. Lane), 19 (MZSP);
Rio Anicohi, 18.1V.1959 (J. Lane), 1 o (MZSP); Serra do Navio, 29-30.X.1957 (J.
LANE), 36,40 (MZSP). Pará. Estrada Belém-Bragança, Km 100, 13.VII.1965 (H. S.
Lopes), 18,10 (MZSP); Santarém, Faz. Taperinha, II. 1968 (Exp. Perm.AM), 146, 1q
((MZSP); 1d., X. 1970 (Exp. Perm. AM), 19 (MZSP); Belém, Mocambo, 1.VI1.1965 (H.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
=. Zeus —
Revisão da família Sepsidae... 125
S. Lopes & P. W. Miranda), 20 (MZSP). Rondônia: Ariquimes, Rio Ji-Paraná, 9º44'S-
61º52W, 28.1.1986 (J. A. Rafael), armadilha suspensa - 18m, ló (INPA).
Distribuição geográfica: Venezuela, Brasil.
Discussão: Apesar de não ter sido possível o estudo de material identificado de
Palaeosepsioides grimaldii, comparando-se a descricão e os desenhos encontrados em
OZEROV (1992a) com aqueles de SILVA (1991), pôde-se concluir que se trata da mesma
espécie descrita em SILVA (1991) como Palaeosepsis erythromyrma. A distribuição
geográfica das espécies também mostra concordância. Essa sinonímia também foi
observada pelo Dr. Ozerov ( com. pes.)
Palaeosepsis insularis (Williston)
(Figs. 30-38)
Sepsis insularis WILLISTON, 1896:431, pl. 14, fig. 159. Localidade-tipo: Índias Ocidentais, St. Vicent.
Sepsis bilobata BECKER, 1919:206, pl. 17, fig. 1. Localidade- tipo : Equador, Cuenca. Syn.n.
Palaeosepsis insularis; MELANDER & SPULER, 1917:19; STEYSKAL, 1968:2.
Dimensões, $/9 “Comprimento do corpo: 3,2/3,4mm (9). Asa: 2,2 / 2,4mm.
Redescrição: ( caracterização baseada no lectótipo macho e paralectótipo fêmea).
Cabeça: arredondada; vértice e parte superior da fronte marrom-enegrecida,
margem inferior marrom-amarelada, ligeiramente projetada; face e gena amarelas;
margem inferior da face ligeiramente projetada; occipício marrom-enegrecido, com
suave pruinosidade branca. Cerdas: ve e vi presentes, fo ausentes, 1 vib, subvib médias.
Antenas com escapo e pedicelo marrom-avermelhado; primeiro flagelômero marrom-
amarelado, oval alongado; arista nua, espessada na base
Tórax: marrom-enegrecido com pequenas pontuações; pprn até npl com
pruinosidade branca suave; pleura marrom-escura com faixa longitudinal branca pruinosa:
prepm, prepst, kepst; escutelo marrom-enegrecido com suave pruinosidade dourada.
Cerdas: 1 pprn, 2 npl,2 dc, 1 spal, 1 pal, 1 anepst, 1 ap sctlforte, 1 subap sctl diminuta.
Pernas amarelas, exceto coxas média e posterior, ápice do fêmur médio, base da
tíbia média, ápice do fêmur posterior e três últimos tarsômeros posteriores, marrom-
amarelados. Macho: fêmur anterior (figs. 31,33); tíbia anterior no terço basal com
tubérculo (figs. 32,34); tíbia média com conjunto padrão de cerdas apicais ( fig. 35).
Fêmea: cerdas no ápice da tíbia média mais fortes que as do macho. Asa: castanha
translúcida, veias amareladas, sem mancha apical, base ligeiramente escurecida; veia anal
longa; incisão alular profunda, álula maior que sua cerdação marginal (fig. 30); halteres
esbranquiçados, base marrom.
Abdome: marrom-enegrecido, brilhante, com pontuações pequenas, sem constricção
entre segmentos 2 e 3, poucas cerdas, maiores nas margens laterais dos tergitos.Macho:
esternito 4 sem modificação; esternito 5 reduzido a faixa estreita (fig. 36); terminália
marrom, com surstilo marrom-amarelado; epândrio ligeiramente alongado com lobos
basais dos surstilos nus, delgados e relativamente longos (figs. 37,38).
Material-tipo: St. Vicent, Índias Ocidentais, 1907 (H. H. Smith) lectótipo 6,
paralectótipo o (BMNH). EQUADOR. Cuenca, 1905 (Dr. G. Rivet), 18 (holótipo de P.
bilobata) (MNHN).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
126 SILVA
Material examinado: EQUADOR: Imbabura: Ibarra, 16 (MNHN). Pichincha: Quito, 1$ (MNHN).
BRASIL. Amazonas: I. Gde Soriano, 7 , Io Amapá: Porto Platon, 19. Pará: Boca do Figueiredo, rio
Nhamundá, 16,1 q ; Santarém, 27 É, 19: Itaituba, 2998, 1589 ; Lago de Terra Santa, 146, 59 ; Oriximinä,
216 , 69: Breves, 29; Benevides, PA-408, Km 6, 36 (MPEG). Goiás: Campinas, 16 . Mato Grosso do Sul: São
Luiz do Cáceres, 29 . Bahia: Salvador, 100 , Espirito Santo: Guarapari, 1456 , 349: Itaguaçu, 5 9; Itapina, 16.
Rio de Janeiro: Teresópolis, 19; Rio de janeiro, 16 .São Paulo: Guatapará, 36 ‚40 ; Ilha dos Búzios, 26, 19;
I. de Sto. Amaro, 26 ‚49; Cubatão, 3 É, 49; Eldorado Paulista, 16,1 9; Onda Verde, 1Ó . Paraná: Guaratuba,
16 (DZPR). Santa Catarina; Nova Teutônia,4 6 . BOLÍVIA. Santa Cruz: Buenavista, 1 Q. PARAGUAI
Distrito Federal: Assuncion, 19. ARGENTINA. Catamarca, Catamarca: 1 Ó, 1 q La Rioja: Miranda, 16,
19.
; Distribuição geográfica. Estados Unidos, St. Vicent até Argentina
Comentários: STEYSKAL (1968) considerou P. bilobata como espécie válida. O
tipo dessa espécie foi comparada com o tipo de P. insularis e verificou-se pertencerem à
mesma espécie. P. insularis tem sido alvo de confusão taxonômica junto com P. pusio
(Schiner), porque são semelhantes e a diagnose de ambas não foi bem feita quando
descritas. DUDA (1926a,b) considerou-as uma só espécie e STEYSKAL (1968) duas,
indicando o problema. Após exame dos tipos, pôde-se diferenciá-las com base nos
seguintes caracteres: pruinosidade na pleura (faixa longitudinal interrompida em P.
pusio); posição da nervura transversal posterior (no meio da asa em P. pusio); forma do
esternito 4 no macho e forma do fêmur anterior do macho.
Palaeosepsis laticornis (Duda)
(Figs. 39-48)
Sepsis laticornis DUDA, 1926a: 45, 1926b:86 fig. 74 (p. 106). Localidade-tipo: Colombia, San Lorenzo.
Palaeosepsis laticornis; STEYSKAL, 1968: 2.
Diagnose. Cabeça com margens inferiores da fronte e da face projetadas (fig. 45).
Pernas do macho: fêmur anterior (figs. 40,42); tibia anterior com emarginação (figs.
41,43); tíbia média com conjunto padrão de cerdas apicais (fig. 44). Asa com mancha
apical pequena, posterior ao ápice de R2+3; região basal ligeiramente escurecida; veia
anal longa; incisão alular mediamente profunda, álula maior que sua cerdação marginal,
coberta por pubescência (fig. 39). Abdome do macho com esternito 4 modificado, com
cerdas laterais fortes, esternito 5 reduzido a faixa escurecida estreita (fig. 46). Epândrio
(figs. 47,48).
Material examinado: EQUADOR. Imbabura: Otavalo, 19; Garrapata, 16 . Pichincha: Quito a San
Domingos d.l. Colorados, 69 0 ; 145 q; Quito a Baeza, 22 6 ,20Q. Azuay: Sta Isabel a Giron, 46 ,79. Cuenca,
1$. Loja: Sur de Saraguro, 29; Loja a Zamora, 136 , 39; Loja a Saraguro, 136,21 q; La Toma, 59. Zamora-
Chinchipe: Zamora a San Pedro, 5Ó , 99. BRASIL. Paraná: Curitiba, 16 (DZUP). PARAGUAI. Col. Piraretá,
204 6,630.
Distribuição geográfica. Colômbia, Equador, Brasil, Paraguai.
Palaeosepsis maculata (Duda), st. n.
(Figs. 49-56)
Sepsis (Palaeosepsis) dentata var. maculata DUDA, 1926a: 46 (chave). Localidade-tipo: Venezuela,
Bolivia,Brasil.
Dimensões. ö/o. Comprimento do corpo: 4,5/4,8mm. Asa 3,2/3,6mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 127
Redescrição. Cabeça: arredondada, de perfil região facial reta; vértice marrom-
enegrecido, lateralmente ao triângulo ocelar marrom; fronte marrom, exceto uma faixa
enegrecida ao longo dos olhos desde o vértice até metade da fronte, margem inferior
projetada; face amarela, margem inferior não projetada; região parafacial e gena amare-
las; pós-gena e occipício marrom-enegrecido, com pruinosidade branca suave. Cerdas: ve
dois terços de vi, 1 fo diminuta, 2 vib curtas, sub vib fracas. Antenas com escapo e
pedicelo marrom, primeiro flagelômero marrom-amarelado, oval alongado; arista nua,
espessada na base.
Tórax: mesonoto marrom-enegrecido, com leve pruinosidade cúprea, faixa com
pruinosidade branca suave na base de pprn e npl; pleura marrom-enegrecida, brilhante,
lisa, com faixa longitudinal pruinosa branca em prepst, prepm e região dorsal de kepst;
escutelo marrom-enegrecido com pruinosidade como no mesonoto. Cerdas: 1 pprn, 2
npl, 2 dc, 1 spal, 1 pal, 1 anepst, 1 ap sctl forte, 1 subap sctl fraca e diminuta.
Pernas: amarelas, exceto coxas média e posterior, faixa subapical e ápice dos
fêmures médio e posterior, base das tíbias média e posterior, todos os 4º e 5º tarsômeros
marrons. Macho: fêmur anterior com tubérculo (figs. 50 e 51); tíbia anterior no terço
médio com pequena projeção (figs. 52,53); tibia média com conjunto padrão de cerdas
apicais (fig. 54).
Asa: castanha translúcida, com mancha apical distinta, posterior ao ápice de R2+3,
região basal escurecida; incisão alular pouco profunda, álula estreita, menor que sua
cerdação marginal; veia anal longa, quase alcançando margem da asa (fig. 49). Halteres
esbranquiçados, base e pedicelo marrons.
Abdome: marrom-enegrecido, brilhante, superfície polida, com constricção entre
segmentos 2 e 3, cerdas fracas, maiores e mais fortes nas margens dos tergitos. Macho:
esternito 4 com região apical lateral diferenciada e esternito 5 reduzido a faixa muito
estreita (fig. 55); epândrio simétrico, cordiforme ventralmente (fig. 56).
Material examinado. BRASIL. Minas Gerais: Arceburgo, 1 Ó. Rio de Janeiro: Itatiaia, 1 q. São Paulo:
Salesópolis, 1 6 ; Franco da Rocha, 1 q: Barueri, 2 Q: São Paulo, 19. Santa Catarina: Nova Teutônia, 106,39.
Distribuição geográfica. Venezuela, Bolívia, Brasil.
Discussão. DUDA (1926b) descreveu S. maculata como uma variedade de S.
dentata Becker. STEYSKAL (1968) não a incluiu ( como espécie ou variedade) no
catálogo Neotropical, provavelmente por aceitar a posição de Duda. No entanto, P.
maculata difere de P. dentata por apresentar distinta mancha apical na asa, fêmur anterior
do macho com estrutura diferente e, principalmente, terminália do macho simétrica.
Levando-se em conta estas diferenças, optou-se por considerá-la uma espécie válida, à
parte de P. dentata.
Palaeosepsis pusio (Schiner)
(Figs. 57,63)
Sepsis pusio SCHINER, 1868: 262. Localidade-tipo: “South America” (i.e., Venezuela; cf. DUDA, 1926b: 39).
Palaeosepsis pusio; DUDA, 1926b: 87; HENDEL, 1936: 62; CURRAN, 1934: 437; STEYSKAL, 1968: 2
Dimensões. So. Comprimento do corpo: 2,9mm; asa 2,Imm.
Redescrição. Cabeça: arredondada; vértice e fronte marrom-enegrecidos, margem
“inferior da fronte amarela, não projetada; face e gena amarelas, margem inferior da face
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
128 SILVA
levemente projetada; occipício marrom-enegrecido com pruinosidade dourada suave.
Cerdas: ve dois terços de vi, fo ausentes, 1 vib forte, subvib curtas. Antena com escapo
e pedicelo marrons, primeiro flagelômero marrom-amarelado, oval; arista nua, espessada
na base.
Tórax: mesonoto marrom-enegrecido, brilhante, liso até próximo à margem ante-
rior do escutelo com pruinosidade dourada suave, faixa dorsal com suave pruinosidade
esbranquiçada em pprn e npl; pleura marrom-enegrecida, lisa, brilhante, com faixa
longitudinal pruinosa - prepst, prepm, faixa dorsal de kepst. Cerdas: 1 pprn, 2 npl,2 de,
l spal, 1 pal, 1 anepst, I ap sctl longa e forte, 1 subap sctl diminuta e fraca.
Pernas: amarelas, exceto coxa média, fêmur médio exceto sua base, tíbia média
exceto seu ápice, região mediana do fêmur posterior e todos dois últimos tarsômeros,
marrons. Macho: fêmur anterior no terço apical com dois tubérculos pequenos (fig. 59);
tíbia anterior com modificações (fig. 60); tibia média com conjunto padrão de cerdas
apicais (fig. 58).
Asa: castanha translúcida, sem mancha apical, base enegrecida; incisão alular
profunda, álula maior que sua cerdação marginal, coberta por pubescência; veia anal
longa, aproximando-se da margem da asa (fig. 57).
Abdome: marrom-enegrecido, brilhante, liso, polido, com ligeira constricção entre
segmentos 2 e 3, poucas cerdas, maiores nas margens laterais dos tergitos. Macho:
esternito 4 não modificado e esternito 5 reduzido a faixa estreita (fig. 63); epândrio
ovalado ventralmente, lobos basais do surstilo nus, longos e delgados (figs. 61,62).
Material-tipo: VENEZUELA. Lindig, 1864, 15 (lectótipo, aqui designado) (NMW).
Material examinado; PANAMÁ. Cerro Campana, 1 É. EQUADOR. Zamora, 3 6. BRASIL. Amazo-
nas: I. Gde. Soriano, 15 6. Pará: Santarém, 542 6,6 9; Itaituba, 142 É, 39; Lago de Terra Santa, 23 Ö;
Barreirinhas, 5 6; Oriximiná, 6 É; As Pedras, rio Cuminá-Miri, 66 ,49; Belém, 3 Ó ,6 9; Benevides, PA-408,
Km 6, 27 6 (MPEG). Pernambuco: Caruaru a Agrestina, 2 É: Agrestina, 26 ; Bahia: Salvador, 5 É. Goiás:
Jatai, 20 ‚19. Minas Gerais: Ouro Preto, 36 . Espírito Santo: Guarapari, 166 ; Itapina, 66 ; Itaguaçu, 36 .Rio
de Janeiro: Nova Friburgo, 4 9. São Paulo: Salesópolis, 63 É, 32 9; Osasco, 46, 2. 0: Porto Albano, 46, 69;
São Paulo, 46,4: Ilha da Vitória, 1 Q; Peruibe, 1 G, Bertioga, 1 É ;Cubatão, 1 É ;I. de Sto. Amaro, 16,29;
Onda Verde, 1 9; Guatapará, 1 6, 19; Juquiá, 1 Q; Araçatuba, 3 9; Ilha Solteira, 86,79 (FEIS); Bocaina, 16,
‚29; Barueri, 15,89 e 1 q em cópula. Santa Catarina: Florianópolis, 1 6; Nova Teutônia, 30 .
Distribuição Geográfica. Pananá, Costa Rica até Brasil.
Discussão: Esta espécie tem sido confundida com P. insularis (Williston). Muitas
das localidades citadas na literatura podem se referir à espécie de Williston e devem ser
consideradas dúbias. Os síntipos de Palaeosepsis pusio, com etiqueta “Type”, estão na
coleção do NMW. O macho com etiquetas “Venezuela, Lindig, 1864 / pusio, Alte
Sammlung / Type”, é aqui designado lectótipo e etiquetado como tal; os espécimens
remanescentes (cinco exemplares fêmeas) são designados e etiquetados como
paralectótipos.
Archisepsis, gen.n.
Palaeosepsis DUDA, 1926 (pars). Espécie-tipo, Sepsis armata Schiner, 1868.
Pseudopalaeosepsis OZEROV, 1992a: 83, figs. 8-16. Espécie-tipo, Pseudopalaeosepsis nigricoxa Ozerov,
1992a. Syn.n.
Diagnose. Cerdas fronto-orbitais ausentes. Fêmur anterior do macho com tubérculo
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 129
no terço apical; tíbia média pode apresentar modificações nas cerdas apicais. Asa com ou
sem mancha apical; veia medial descrevendo pequena curva antes do ápice; veia anal
quase alcançando a margem da asa. Abdome opaco, com estriações transversais nos
tergitos; sem constricção entre segmentos 2 e 3. Macho com esternito 4 simples ou com
modificações na parte lateral mediana ou basal. Epândrio geralmente alongado, simétrico;
podem estar presentes lobos basais no surstilo.
Descrição. Cabeça: arredondada, negra a marrom-enegrecida, face e gena variam
de gradação de cor entre marrom e amarelo; margem inferior da face ligeiramente
projetada em algumas espécies. Cerdas: ve dois terços de vi, fo ausentes, 1 ou 2 vib, sub
vib fracas. Antena com escapo e pedicelo marrom-claros a marrom-avermelhados,
primeiro flagelômero marrom-amarelado, oval alongado; arista nua, espessada na base.
Tórax: mesonoto entre negro e marrom-enegrecido, com pequenas pontuações;
pleura entre negra e marrom-enegrecida, com faixa dorsal pruinosa no catepisterno e às
vezes estendendo-se até o pré-episterno. Cerdas: 2 dc, 1 pprn (às vezes com pequenas
cerdas no lobo pós-pronotal), 2 npl, 1 spal, 1 pal, 1 anepst, 1 ap stcl, forte, | sbap sctl
fraca e menor.
Pernas: marrons, exceto coxa, tíbia anterior, ápice da tíbia média, base dos fêmures
médio e posterior, mais claros, entre marom-amarelados e amarelos. Macho: fêmur
anterior com tubérculo no terço apical, que pode possuir cerdas ou espinhos; tíbia anterior
com região aprofundada no terço basal acompanhando a forma do fêmur anterior; tíbia
media sem cerdas apicais modificadas.
Asa: castanha translúcida, mancha apical pode estar presente, base da asa enegre-
cida, com maior densidade de pêlos pequenos. Célula bm com pouca ou nenhuma
pubescência, célula cup geralmente coberta por pubescência; veia medial descrevendo
pequena curva antes do ápice; veia anal quase alcançando margem da asa; lobo alular total
ou parcialmente coberto por pubescência; halteres entre marrom e amarelo.
Abdome: negro ou marrom-avermelhado enegrecido, tergito com estriações trans-
versais, opaco, sem constricção entre segmentos 2 e 3, quantidade de cerdas variável, mais
longas nas margens apicais dos tergitos. Macho: esternito 4 pode ser simples, em forma
quase retangular, com maior concentração de cerdas na margem apical ou pode apresentar
modificações na parte lateral mediana; esternito 5 geralmente simples, reduzido a uma
faixa estreita (exceto no grupo de espécies com modificações no ápice da tíbia média);
terminália simétrica; epândrio geralmente alongado, lobos basais pequenos e delgados
podem estar presentes no surstilo; surstilo com cerdas na ponta.
Etimologia: o epíteto possui um prefixo archi, derivado do grego arche, significan-
do principal, que inicia; feminino.
Comentários. OZEROV (1992a) descreveu Pseudopalaeosepsis para uma única
espécie (P. nigricoxa), e o diferenciou de Palaeosepsis pela presença de ponte pós-coxal
estreita, álula moderada, esternito 4 do abdome dos machos extremamente curto e com
longos lobos laterais. Outras duas espécies, descritas aqui (Archisepsis mirifica e A.
muricata), enquadram-se nesse gênero; no entanto, OZEROV (1992a) tornou Archisepsis
um táxon merofilético, já que algumas das suas espécies podem ser mais proximamente
relacionadas às espécies de Pseudopalaeosepsis do que à Archisepsis. Apenas estudos
posteriores das relações internas de parentesco em Archisepsis poderão indicar a validade
de Pseudopalaeosepsis como um gênero à parte de Archisepsis e, por esse motivo, foi
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
130 SILVA
considerado sinônimo de Archisepsis. Nessas espécies (A. mirifica, sp.n., A. muricata,
sp.n. e A. nigricoxa) observam-se grandes modificações quanto à forma do quarto
esternito abdominal; na região látero-basal são encontradas expansões cilindriformes,
longas e delgadas, com cerdas em toda a sua extensão ou somente na ponta. Esses
apêndices abdominais possivelmente são utilizados na cópula, como acontece em
Themira (ver fig. 14, em HENNIG, 1949:7).
PONT (1979:8) citou a ocorrência de variações morfológicas intra-específicas e a
presença de exemplares “gigantes e anões”, em algumas espécies de Sepsis e em Saltella;
ZUSKA & COLLESS (1984) referem-se a variações em machos de Sepsis, Australosepsis
e Lasionemopoda. Em Archisepsis encontrou-se uma variação semelhante em 4. scabra:
alguns exemplares machos eram amarelados (PONT, 1979, cita exemplares com cor
vermelha mais forte), maiores e com cerdação mais forte e abundante. Observou-se,
também, uma pequena variação na ornamentação do fêmur anterior dos machos e no lobo
basal do surstilo. Estudos posteriores são necessários para precisar melhor a natureza
destas variações.
Elenco: A. seabra (Loew, 1861); A. armata (Schiner, 1868); A. excavata (Duda,
1926); A. nigricoxa (Ozerov, 1992); A. hirsutissima, sp.n.; A. priapus,sp.n.
Chave para as espécies de Archisepsis gen.n.
1. Margem posterior da tíbia posterior com pelo menos uma longa cerda sub-mediana
(fig.117) (Estados Unidos, México, Antilhas até Paraguai e Argentina)....................
RI DL A E RE ODE AO BEER RE A. scabra (Loew)
- Margem posterior da tíbia posterior nunca com cerdas.................22222200000nnnenneeeneeneneeen 2
2. Ápice da tíbia média ligeiramente dilatado e preto-brilhante, contrastando fortemente
com o anel quase branco imediatamente acima e com a base branca do tarso; pelo
menos três cerdas fortes, mais ou menos achatadas, semelhantes a espadas, de
- - cada lado do ápice... .....ecorsrsnsbadsnsasesaçodesasasaleda dano stgté da dba ear AR 3
- Apice da tíbia media não modificado..-....... nen a RR 5
3. Macho com processos do epândrio curtos e delgados, apêndice do 4º esternito abdo-
minal pequeno (figs. 92,93,94) (Panamá, Equador,norte do Brasil...................... 4
- Macho com processos do epândrio longos e delgados, apêndice do 4º esternito abdo-
minal longo e com cerdas (figs. 101,102,103) (norte do Brasil)...........................
adiando ao DERA LS N REN AN AIEA SERIEN A.muricata, sp.n.
4. Asa não escurecida no ápice (fig. 88); fêmur anterior com projeção do tubérculo
submediano larga, com ponta aproximadamente retangular; tíbia anterior no terço
basal com formação semelhante à ampla aba (figs. 89,90); epândrio com surstilo
fino, não extremamente longo, cerdas apicais reduzidas e em pequeno número
(Equadore morte do Brasil. 2 En a E A. mirifica, sp.n.
- Asa escurecida ao longo da veia costal entre R2+3 e M; fêmur anterior com projeção
do tubérculo submediano curva, com ponta afilada; tíbia anterior no terço basal
com formação semelhante à pequena aba; epândrio com surstilo largo, extrema-
mente longo, com muitas cerdas longas no ápice (Panamä).....A. nigricoxa (Ozerov)
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
a"
Revisão da família Sepsidae... 131
5. Sem mancha no ápice da asa (ou apenas levemente esfumaçado, ou então o epândrio
Baoeotilere);epandriodo macho sem imuntas cerdas......2. 2.2... 6
- Com uma mancha enegrecida no ápice de R2+3 (fig. 82); epândrio do macho com
muitas cerdas longas ( figs. 86,87) (norte e nordeste do Brasil)..................................-
6. Coxa anterior não enegrecida; macho com surstilo não muito longo.......................... Ei
- Coxa anterior enegrecida; macho com surtilo extremamente longo e afilado (figs.
E QNTO E Ra SR RSI an. ak ea. A.priapus,sp.n.
7. Fêmur anterior do macho com tubérculo bem pronunciado no terço apical (figs. 65,66)
Empniras: CostalRica até o Uriguai).s.........eeece.cicennoreronaaneraarosa namo A armata (Schiner)
- Fêmur anterior do macho com pequeno tubérculo no terço apical (figs. 74,75) (Pananá,
Eauiidor Brasile Paraguaio. amo en A. excavata (Duda).
Archisepsis armata (Schiner), comb. n.
(Figs. 64-72)
Sepsis armata SCHINER, 1868: 261. Localidade-tipo: “Brazil” (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, conf. exame da
etiqueta do tipo).
Palaeosepsis armata: DUDA, 1926b: 83; HENDEL, 1936: 62; CURRAN, 1934: 437; STEYSKAL, 1968: 2.
Sepsis hoplicnema MELANDER & SPULER, 1917: 17, fig 2 (p. 81). Localidade-tipo: “Haiti” (sinonimizado
por DUDA, 1926b: 83).
Dimensões, $. Comprimento do corpo: 4,2mm. Asa: 3,2mm.
Diagnose. Cabeça com parte inferior da fronte marrom, não projetada; face e gena
marrom-amareladas, margem inferior da face ligeiramente projetada. Cerdação: ve dois
terços de vi, fo ausentes. Antena com escapo e pedicelo marrom-enegrecidos, primeiro
flagelômero oval alongado. Tórax com borda superior pprn até npl com pruinosidade
branca suave; pleura negro-acastanhada com faixa longitudinal branca pruinosa em
prepst, prepm e região dorsal da kepst; escutelo negro-acastanhado, com pruinosidade
cúprea suave; 2 dc. Pernas marrom-enegrecidas, exceto coxa e tíbia anteriores, ápice da
tíbia média e região subapical do fêmur posterior, primeiro tarsômero anterior, 3
primeiros tarsômeros médios e posteriores amarelos, base e região subapical do fêmur
médio marrom-amareladas. Macho: fêmur anterior no terço apical com um tubérculo
ântero-ventral (figs. 65 e 67). Tíbia anterior no terço mediano ventral com duas pequenas
elevações; na região mediana ventral, apicalmente às elevações, uma aba com espinhos
pequenos e fortes (figs. 66, 68). Tíbia média com conjunto de cerdas apicais fortes (fig.
69). Asa translúcida, veias marrom-escuras, mancha apical entre ápice de R 2+3 e R 4+5;
base da asa enegrecida na região anterior; incisão alular profunda; álula coberta por
pubescência; veia anal longa, quase alcançando a margem da asa (fig. 64). Halteres
amarelados, base enegrecida. Abdome negro-acastanhado, com suaves estriações trans-
versais, brilhante, sem constricção entre 2 e 3 segmentos; no macho, esternito 4 com
forma de unha, sem expansão lateral e com fortes cerdas na margem apical lateral,
esternito 5 vestigial, reduzido a faixa estreita, com um apódema entre os esternitos 4 e 5
(fig. 70). Epândrio arredondado em vista ventral e estreito de perfil; surstilo longo e
delgado; lobo anterior do surstilo nu, delgado (figs. 71, 72).
Material-tipo: Holótipo é. BRASIL. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1857 (Novara
Reise) (NMW).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
182 SILVA
Material examinado: EQUADOR. Imbabura: Ibarra, 36 (MNHN). Pichincha. Quito, 26 (MNHN);
Banos, 1 6 (MNHN); Pichincha, 17 6. Loja: Cumbaratza, 4 6. Loja, 11 Ö; Saraguro, Iô. Zamora-
Chinchipe: Zamora, 16 6. BRASIL. Pará: Itaituba, 40 , Santarém, 2 Ó; Barreirinhas, 15 É; Capanema, 16;
Belém, 26: Benevides, PA-408, km 6,4 6 (MPEG). Pernambuco: Vicência, 1 É; Recife, 16.Bahia: 15 km
NE Porto Seguro, 1 É. Goiás: Cabeceira, | & . Minas Gerais: Ouro Preto, 2 É, Belo Horizonte, 46. Espírito
Santo: Baixo Guandu, 10 É; Santa Teresa, 1 É; Itaguaçu, 2 É. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, 136; Nova
Friburgo, 12 É; Itatiaia, 1 © ; Itaguai, 1 Ö , Angra dos Reis, 1 É. São Paulo: Castilho, 1 Ó; Poá, 1 Ó; Bertioga,
3 6: Caraguatatuba, 1 É; Itu, 26 ; Ilha dos Búzios, 1Ó ; Barueri, 13 Ó; Salesópolis, 12 É; Campos do Jordão,
46; Araçutaba, 3 É; Porto Albano, 4 G ; Franco da Rocha, 1 É: Embu, 1 Ó; Eldorado Paulista, 2 É ; Barão de
Antonina, 1 É; São Bento do Sapucaí, 3 6; N. Granada, 1 É; Ubatuba, 3 Ö ; Ilha de Santo Amaro, 1 É; São
Vicente, 1 É: São Paulo, 5 É . Paraná: Morretes, 16 (DZUP); Curitiba, 36 (DZUP); Terra Boa, 16 (DZUP);
Tij. do Sul, 16 (DZUP). Santa Catarina: Florianópolis, 1 Ó. PARAGUAI. Caaguazü: Caaguazú, 3 6. Alto
Paraná: Santo del Guaira, 12 6. Paraguari: Paraguari, 4 Ó . Villa Pastoreo, 129 6. Col Piraretá, 76.
Distribuição geográfica. Costa Rica, Haiti até Uruguai.
Archisepsis excavata (Duda), comb. n.
(Figs. 73-81)
Sepsis excavata DUDA, 1926b: 87 (n.nov. para incisa Becker, 1919).
Sepsis incisa BECKER, 1919:206, pl. 17, fig. 8 (pré-oc. STROBL, 1894). Localidade-tipo: Equador, Cuenca.
Palaeosepsis excavata: STEYSKAL, 1968:2 (como P. incisa).
Diagnose. Fêmur anterior do macho com pequeno tubérculo no terço apical, com
modificações (figs. 74 e 75); tíbia anterior com expansão ântero-ventral no terço basal,
distribuição das cerdas nas figs. 76, 77; tíbia média com ápice como na fig. 78. Asa sem
mancha apical, base enegrecida, com densa pubescência, incisão alular profunda, álula
maior que sua cerdação marginal, totalmente coberta por pubescência (fig. 73). Abdome
do macho com esternito 4 não modificado, com cerdas na margem apical; esternito 5
reduzido a uma faixa estreita, escurecido (fig. 79). Epândrio alongado ventralmente e
alargado de perfil; lobo anterior do surstilo nu, delgado; surstilo medianamente longo
(figs. 80, 81).
Material-tipo: lectótipo é, paralectótipo o, EQUADOR. Cuenca, 1905 (Dr. G.
Rivet) (MNHN).
Material examinado: PANAMÁ. Cerro Campana, 1 9. EQUADOR. Imbabura: Ibarra, 1 o (MNHN);
Embabura, 2 6. Pichincha: Sto Domingo d.l. Colorados, 16,1 o (MNHN). Azuay: Sta Isabel a Girón, 1 Ö,
Cuenca, 19 (MNHN). Zamora-Chinchipe: Zamora, 26 . BRASIL. Amazonas: Igarapé Belém, rio Solimões,
1. Amapá: rio Felício, 3 É; Serra do Navio, 26. Pará: Maloquinha, 3 É; Santarém, 6 6; rio Gurupi, 3 6;
Oriximiná, 126 ; Barreirinhas, 56 ; Santana, 3 É; Capanema, 16 ; Estr. Belém-Bragança, Km 100, 36 ; Belém,
14 6; Benevides, PA-408, Km 6, 4 6 (MPEG). Maranhão: Igarapé Gurupi-Uma, 86 6. Pernambuco:
Vicência, 1 Ó; Recife, 36. Bahia: 15 Km E Porto Seguro, 2 6. Goiás: Jatai- Jaú, 16. Minas Gerais: Belo
Horizonte, 10. Rio de Janeiro: Itatiaia, 1 É; Angra dos Reis, 16 ; Nova Frigurgo, 1 $. São Paulo: Eldorado
Paulista, 1 6; Campos do Jordão, 4 6 : Ilha Bela, 16; Iporanga, 1 É; São Bento do Sapucaí, 1 Ö ; Ilha de Sto.
Amaro, 926 ; Ubatuba, 26 ; Ilha Solteira, 19 (FEIS). Paraná: Morretes, 26 (DZUP); Guaratuba, 96 (DZUP).
Santa Catarina: Nova Teutônia, 8 É: Joinville, 16. PARAGUAL Villa Pastoreo, 16.
Distribuição geográfica. Panamá, Equador, Brasil, Paraguai.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 133
Archisepsis hirsutissima, Sp. n.
(Figs. 82-87)
Dimensões: 6 /o. Comprimento do corpo: 5,8/5,/mm. Asa: 3,4/3,9mm.
Descrição. Cabeça: vértice e parte lateral da fronte negro-acastanhados, parte
central da fronte amarelo-acastanhada; margem inferior da face e da fronte ligeiramente
projetada; face e gena amarelas; occipício negro-acastanhado, com suave pruinosidade
esbranquiçada. Cerdação: ve dois terços de vi, fo microscópicas, 1 vib, poucas sub vib
finas, 3 g finas. Antena com escapo e pedicelo marrom-amarelados, primeiro flagelômero
oval, marrom-amarelado, exceto linha ventral amarela; arista nua, espessada na base.
Tórax: mesonoto negro-acastanhado, opaco, com pontuações; pleura brilhante,
com pontuações, negro-acastanhadas, exceto lobo pós-pronotal, região de ligação entre
partes do anepst e kepm marrom-avermelhada; pleura com faixa longitudinal branca
pruinosa no prepst, prepm e estreita faixa dorsal do kepst até ponto de união entre
anespst, anepm e kepst; escutelo negro-acastanhado, com pontuações. Cerdação: 1
pprn, 2 npl.2 dc, 1 spal, 1 pal, | anepst, 1 fileira de cerdas pequenas na borda do anespt,
1 ap sctl forte e subap sctl muito pequena e fraca.
Pernas: marrons, exceto coxa e tibia anteriores, ápice da tíbia média, base do fêmur
posterior e todos os três primeiros tarsômeros, amarelados. Macho: fêmur anterior no
terço mediano mais espessado e com modificações (fig. 83); tíbia anterior (fig. 85); tíbia
média com 2 séries ventrais de cerdas, uma ântero-ventral e outra póstero-ventral,
conjunto de cerdas apicais normal (fig. 84); tíbia posterior com pubescência fina na região
dorsal. Fêmea: fêmur anterior não modificado; sem fileira ântero-ventral de cerdas natíbia
média, apenas 2 cerdas ântero-ventral e fileira póstero-ventral presente, conjunto apical
de cerdas normal.
Asa: castanha translúcida, com distinta mancha abaixo do ápice de R2+3, sem
alcançar R4+5; base da asa apenas com célula bc escurecida; veia anal quase alcançando
a margem da asa; incisão alular profunda, álula maior que sua cerdação marginal e coberta
por pubescência (fig. 82); halteres amarelados.
Abdome: negro-acastanhado, opaco, com suaves estriações transversais, com
muitas cerdas, maiores nas margens laterais dos tergitos, sem constricção entre segmentos
2 e 3. Macho: esternito 4 (fig. 86) com margem apical expandida lateralmente, margem
basal lateral com expansão circular coberta por cerdas longas; esternito 5 rudimentar;
terminália marrom-avermelhada; epândrio (figs. 86, 87), lobo basal do surstilo pequeno
e delgado; surstilo alargado, com cerdas longas e finas (fig. 86).
Etimologia: o epíteto deriva do latim hirsutus (piloso, com cerdas) e um sufixo
issimus, intensificador, uma referência ao aspecto da terminália do macho.
Material-tipo: Holótipo é, BRASIL. Amapá: Serra do Navio, 3.1X.1957 (J. Lane)
(MZSP). Parátipos: id., 26, 1q (MZSP). Pará: rio Gurupi, Aldeia Gurupi, 4.V.1963
(Exp. Perm. AM), 15 q (MZSP); Benevides, PA-408, km 6, 22.V1.1981 (T.Pimentel), 19,
(MPEG). Maranhão: Igarapé Gurupi-Uma, Aldeia Araçu, 50 Km E Canindé, V. 1963
(Malkin), 1 6, 6 q (MZSP).
Distribuição geográfica. Brasil (Amapá, Pará, Maranhão).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
134 SILVA
Archisepsis mirifica, sp.n.
(Figs. 88-94)
Dimensões. é. Comprimento do corpo: 5,1 mm. Asa: 3,1 mm.
Descrição. Cabeça: arredondada; vértice e fronte negro-acastanhados, exceto
margem inferior da fronte, marrom-amarelada; face e gena amarelas, exceto parte inferior
da face e margem oral marrons; margens inferiores da fronte e face não projetadas.
Cerdação fo ausentes, 2 vib, sub vib finas. Antenas com escapo e pedicelo marrom-
escuros, primeiro flagelômero alongado, amarelo; arista nua, espessada na base.
Tórax: negro-acastanhado com suave pruinosidade cúprea; pleura castanha, com
estreita faixa branca pruinosa em prepst, prepm, estreita faixa dorsal de kepst, interrom-
pendo-se antes da união de anepst, anepm e kepst e continuando-se na região dorso-
posterior de kepst; escutelo negro-acastanhado com suave pruinosidade cüprea. Cerdação:
l pprn, 2 npl, 2 dc, 1 spal, Ipal, 1 anepst, a ap sctl forte e longa, 1 subap sctl fraca e
curta (1/4 do normal).
Pernas: marrom, exceto tíbia anterior, região subapical ventral do fêmur médio,
região basal e subapical ventral do fêmur posterior e três primeiros tarsômeros, amarelos.
Fêmur anterior no terço apical com tubérculo semelhante a uma espátula, com ponta
aproximadamente retangular, com espinho e cerdas fortes (figs. 89, 90); tíbia anterior, no
terço basal, com pequeno tubérculo semelhante a ampla aba e cerdas mediano-ventrais
(fig. 90); tíbia média com ápice alargado, marrom-enegrecido, contrastando com estreita
faixa branca subapical, cerdas apicais mais fortes e com pontas alargadas, semelhantes a
espadas (fig. 91). |
Asa: castanha translücida, sem mancha apical, regiäo basal ligeiramente mais
escura, exceto célula be, marrom-escura; veia anal longa, quase alcançando margem da
asa; incisão alular medianamente profunda, álula maior que sua cerdação marginal (fig.
88). Halteres castanhos.
Abdome: negro-acastanhado, opaco, com muitas estriações transversais; constricção
fraca entre segmentos 2 e 3, apenas na região dorsal. Macho: esternito 4 alargado, com
cerdas apenas na região basal, que possui apêndice delgado, coberto por longas cerdas;
esternito 5 muito reduzido (fig. 92); terminália marrom, brilhante; epândrio alongado
ventralmente e alargado de perfil; lobo anterior do surstilo com pequenas cerdas; surstilo
fino, apenas com minúsculas cerdas na ponta (figs. 93, 94).
Etimologia: o epíteto deriva do latim mirificus, que causa admiração.
Material tipo: Holótipo é. BRASIL. Pará: Belém, Mocambo, VIII. 1969 (H.S.
Lopes). Parátipos: EQUADOR. Santo Domingo, 600m, VI. 1965 (L.E. Pefia), 16.
BRASIL. Amazonas: Borba, 31.X. - 4. X1.1975 (Exp. Perm. Amaz.), 16. Pará: Belém,
Mocambo, 1.VII.1965 (H.S.Lopes & P.W.Miranda), 1 S; Santarém, Faz. Taperinha, X-
X1.1970 (Exp. Perm. Amaz.), 3 6.
Distribuição geográfica: Equador, Brasil (Amazonas, Pará).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
e e ll
Revisão da família Sepsidae... 185
Archisepsis muricata, sp.n.
(Figs. 95-103)
Dimensões: é. Comprimento do corpo: 4,8mm. Asa: 3,2mm.
Descrição. Cabeça: vértice e metade superior da fronte negro-acastanhados, parte
inferior mais clara; margem inferior amarela; margem inferior da fronte não projetada;
face amarela, exceto metade inferior, marrom-enegrecida; margem inferior ligeiramente
projetada; gena amarela-esbranquiçada, contrastando com margem oral marrom; occipício
marrom com pruinosidade branca. Cerdação: ve dois terços de vi, fo ausente, 2 vib,
subvib finas. Antena marrom-enegrecida, exceto base do primeiro flagelômero amarelo-
acastanhada; primeiro flagelômero alongado; arista nua, espessada na base.
Tórax: mesonoto e escutelo negro-acastanhados, com pontuações e suave
pruinosidade cúprea; pleura negro-acastanhada, exceto prepst; região com pruinosidade
branca - prepst (exceto região ântero-dorsal), prepm e estreita faixa dorsal em kepst até
antes da região de contato de anepst, anepm e kepst, continuando-se na região póstero-
dorsal de kepst. Cerdação: 1 pprn, 2 npl, 2 dc, 1 spal, 1 pal, 1 anepst, 3 kepst pequenas
e finas (1/4 anepst) 1 ap sctl forte e longa, 1 subap sctl fraca e pequena.
Pernas: marrom-enegrecidas, exceto tíbia anterior amarela e região subapical dos
fêmures médio e posterior, marrom-amarelada; fêmur anterior do macho com modifica-
ções (figs. 96 e 97); tíbia anterior (figs. 98 e 99); ápice da tíbia média distintamente
enegrecido, contrastando com a faixa esbranquiçada mais basal e também com a base clara
do primeiro tarsômero, modificações (fig. 100).
Asa: castanha translúcida, sem mancha apical, região basal ligeiramente mais
escura, exceto célula bc e parte basal de c distintamente marrom; veia anal longa, quase
alcançando margem da asa; incisão alular medianamente profunda, álula maior que sua
cerdação marginal (fig. 95); halteres enegrecidos.
Abdome: negro-acastanhado, opaco, com muitas estriações transversais, muitas
cerdas, maiores e mais fortes nas margens dos tergitos, sem constricção entre segmentos
2 e 3. Macho: esternito 4 alargado, esternito 5 reduzido a faixa estreita (fig. 101);
terminália marrom-avermelhada, lisa, brilhante; epândrio e modificações do surstilo
(figs. 102, 103).
Etimologia: o epiteto deriva do latim muricatus, como um murex, espinhoso.
Material-tipo: Holótipo &, Parátipo ö, BRASIL. Pará: Belém, Mocambo,
1.VI1.1965,(H.S. Lopes & P.W. Miranda) (MZSP). Parátipo 6 : Estrada Belém-Bragança,
km 100, 13.V11.1965 (H.S. Lopes) (MZSP).
Distribuição geográfica. Brasil (Pará).
Archisepsis nigricoxa (Ozerov), comb. n.
Pseudopalaeosepsis nigricoxa OZEROV, 1992a: 83, figs. 8-16. Localidade-tipo: Panamá, Barro Colorado Nat.
Monm.
Diagnose (figuras em OZEROV, 19924). Cabeça arredondada. Cerdação: fo
ausente, 1-2 vib. Antena com escapo e pedicelo marrom-avermelhados, primeiro
flagelômero alongado, vermelho-escurecido na base; arista nua, negra. Pleura acastanha-
da com faixa branca pruinosa. Cerdação: Ipprn, 2 npl,2 dec, 1 spal, 1 pal. Fêmur anterior
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
136 SILVA
do macho com tubérculo no terço apical, com formação semelhante a uma espátula de
ponta curva, e espinho forte (figs. 8, 9, 10); tíbia anterior com pequeno tubérculo,
semelhante a pequena aba (figs. 8, 11, 12); tíbia média marrom-enegrecida no terço basal
e amarelo-clara no terço mediano, ápice negro, contrastando com estreita faixa branca
subapical, cerdas apicais mais fortes e longas que as outras. Asa escurecida ao longo da
veia costal entre R 2+3 e M, região basal ligeiramente mais escura; veia anal longa, quase
alcançando margem da asa; incisão alular medianamente profunda, álula maior que sua
cerdação marginal (fig. 13); halteres amarelo-claros. Abdome: negro, opaco, constricção
suave entre segmentos 2 e 3. Terminália do macho com esternito 4 extremamente curto,
com longos lobos laterais, delgados, com cerdas longas na metade apical; esternito 5
amplo, muito maior que esternito 4 (fig. 14). Epândrio com expansão surstilar alongada,
com longas cerdas na ponta (figs. 15, 16).
Distribuição geográfica. Panamá.
Archisepsis priapus, Sp.n.
(Figs. 104-112)
Dimensões: é. Comprimento do corpo: 4,0 mm. Asa: 2,/mm.
Descrição. Cabeça: vértice e fronte negro-acastanhados, exceto faixa próxima à
base das antenas, marrom-amarelada; margem inferior da fronte ligeiramente projetada;
face amarela, exceto metade inferior marrom-enegrecida; gena amarela, contrastando
com margem oral marrom-enegrecida; occipício negro-acastanhado, com pruinosidade
branca. Cerdação: ve dois terços de vi, fo ausente, 1 vib, subvib finas. Antena com escapo
e pedicelo enegrecidos; primeiro flagelômero oval, marrom-amarelado, exceto base
amarelo-acastanhada; arista nua, espessada na base.
Tórax: mesonoto e escutelo negro-acastanhados, com pontuações e pruinosidade
cúprea; pleura negro-acastanhada; faixa pruinosa branca - prepst, prepm e estreita faixa
dorsal em kepst até antes da região de anepst, anepm e kepst, continuando-se na região
póstero-dorsal de kepst. Cerdação: 1 pprn, 2 npl, 2 dc, 1 spal, 1 pal, 1 anepst, 4 kepst
médias e fracas, 1 ap sctl forte e longa, 1 subap sctl fraca e pequena.
Perna: marrom-enegrecida, exceto tíbia anterior, ápice da tíbia média, base do
fêmur posterior e todos os três primeiros tarsômeros, amarelos. Fêmur anterior do macho
(figs. 105, 106); tíbia anterior (figs. 107, 108); ápice da tíbia média com um grupo de
cerdas normais (fig. 111); ápice da tíbia posterior com um grupo de cerdas dorsais.
Asa: castanha translúcida, sem mancha apical, base da asa escurecida, região da
célula bc e base de c enegrecidas; veia anal quase alcançando margem da asa; incisão
alular pouco profunda, álula maior que sua cerdação marginal (fig. 104). Halteres
castanhos.
Abdome: negro-acastanhado, opaco, com estrias transversais, sem constricção
entre segmentos 2 e 3, com muitas cerdas, as maiores nas bordas dos tergitos. Macho:
terminália marrom-enegrecida, lisa e brilhante; esternito 4 não modificado; esternito 5
não reduzido, cordiforme (fig. 112). Epândrio sem lobo basal do surstilo; surstilo
extremamente longo, coberto por cerdas pequenas, com muitas cerdas longas na ponta
(figs. 109, 110).
Etimologia: o epíteto deriva do substantivo latino priapus, deus da reprodução,
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 137
representado com um grande pênis, também um nome para esse órgão.
Material-tipo: Holótipo d., BRASIL. Pará: Oriximiná, rio Trombetas, X. 1969
(Exp. Perm. AM) (MZSP). Parátipos: 1d., 66 (MZSP); Benevides, PA-408, km 6, flight
trap, 23.V1.1981 (I.S.Gorayeb), 1 o (MPEG). Maranhão: Igarapé Gurupi-Uma, Aldeia
Araçu, 50 km E Canindé, V. 1963 (Malkin), 1 (MZSP). Rio Paraguai, III. 1937 (sem
coletor), 1 é. (MZSP).
Distribuição geográfica. Brasil (Pará e Maranhão).
Archisepsis scabra (Loew), comb.n.
(Figs. 113-120)
Sepsis scabra LOEW, 1861: 42. Localidade-tipo: “Cuba”.
Palaeosepsis scabra: MELANDER & SPULER, 1917: 16 (como sin. de P. discolor Bigot); DUDA, 1926b: 81;
HENDEL, 1936: 61 (sobre P. haemorrhoidalis); STEYSKAL, 1968: 2.
Sepsis haemorrhoidalis SCHINER, 1868: 261. Localidade-tipo: “Brazil”, (sinonimizado por STEYSKAL,
1968:3)
Sepsis umbrifer SCHINER, 1868: 262. Localidade-tipo: “South America” (1.e, Venezuela; cf. DUDA, 1926b:
82, na sinon. de scabra). Syn.n.
Sepsis pleuralis COQUILLETT, 1904:35. Localidade-tipo: Estados Unidos, Texas, Brownsville (sinonimizado
por STEYSKAL, 1968: 3).
Diagnose. Fêmur anterior do macho, no terço apical, com tubérculo pequeno (figs.
114, 115); tíbia anterior do macho com duas pequenas elevações (figs. 114, 115); tíbia
média com fortes cerdas no ápice (fig. 116); tíbia posterior com pelo menos uma longa
cerda sub-mediana, na margem posterior (fig. 117). Asa sem mancha apical, região basal
escurecida; veia anal longa, aproximando-se da margem da asa; incisão alular profunda,
álula maior que sua cerdação marginal (fig. 113). Macho: esternito 4 sem modificações,
com cerdas em toda a margem apical; esternito 5 reduzido a faixa estreita (fig. 120).
Epândrio arredondado ventralmente, perfil alongado; lobo basal do surstilo delgado,
semelhante a uma foice; surstilo delgado com cerdas pequenas no ápice e com uma cerda
forte e longa medianamente (figs. 118, 119).
Material-tipo: CUBA, Loew coll., Type 13.330, lo (MCZC).
Material examinado: COSTA RICA. San José, 1 É. EQUADOR. Imbabura: Imbabura, 15 6.
Pichincha: Pichincha, 11 É; Sto. Domingo d.l. Colorados, 7 6 ; Quito a Baeza, 2 É . Zandoqui, 19 (MNHN).
Cotopaxi: N Latacunga, 1 6. Azuay: Azuay, 126 6; Cuenca, 8 SÉ. Loja: Loja a Saraguro, 1 6; Loja, 96.
Zamora-Chinchipe: Zamora, 3 G. Portete de Tarqui, 1 É. PERU. Machu Picchu, 3 É; Lima, 1 É; Loreto,
Neshuya, 3 $. GUYANA. Jakama, 16, 19 (BMNH). BRASIL. Amazonas: Urucurituba, 36 ; I. Gde Soriano,
16 Amapá: Serra do Navio, 2 É, rio Felício, 2 6. Pará: Barreirinhas, 7 Ö; Itaituba, 4 É; Santana, 2 6;
Oriximiná, 2 É; Santarém, 25 6 ; Aurä, 1 6; Capanema, 46; rio Gurupi, 16 ; Cach. Tronco, rio Cuminá, 16;
Benevides, PA-408, km 6, 196, 19 (MPEG); Belém, 1 q (MPEG); id, 786 . Maranhão: Igarapé Gurupi-Uma,
26 .Pernambuco: Caruaru a Agrestina, | É; Recife, 3 É . Bahia: Salvador, 1 É. Goiás: Goiânia, | É. Distrito
Federal: Guará, 3 É. Minas Gerais: Ouro Preto, 20 6 ; Belo Horizonte, 2 6; Araxá, 26 (DZUP). Espirito
Santo: Itapina, 2 6 ; Itaguaçu, 2 É; Baixo Guandu, 22 6. Rio de Janeiro: Nova Friburgo, 12 É; Petrópolis, 6
Ö ; Teresópolis, 2 6; Itatiaia, 1 É; Rio de Janeiro, 11 6 ; Angra dos Reis, 2 6; Sto Antonio Imbé, | 6 (DZUP);
Muriqui, 16 (DZUP). São Paulo: Araçatuba, 1 É; Botucatu, 1 É; Salesópolis, 2 É: Bocaina, 2 É; Cubatão,
1$; São Paulo, 146; Osasco, 1 $; Barueri, 116; Embu, 16; Juquiá, 16 ; Eldorado Paulista, 16 ; Itapetininga,
1$; Poá, 2 6; Onda Verde, 1 $; Ilha dos Búzios, 2 É: Porto Albano, 1 É; Ilha de Sto Amaro, 2 É: Ubatuba,
25 6; Cosmópolis, 16 (DZUP). Paraná: Castro, 1 É. Santa Catarina: Blumenau, 7 g; Joinvile, 46; Nova
Teutônia, 35 6. Rio Grande do Sul: Pelotas, 30 6 ; Gramado, 7 É; São Leopoldo, 8 Ö ; Erexim, 16 (DZUP);
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
138 SILVA
Barão do Cotegipe, 1166 (DZUP). PARAGUAI. Caaguazú: Caaguazú, 66. Alto Paraná: Salto del Guaira,
17 6. Paraguari: Paraguari, 11 6. Itapuá, Itapuá. 5 Ó . Itagua, 266. Villa Pastoreo, 7 É . Col. Piraretá, 136.
Distribuição geográfica. Estados Unidos (Texas), México até Paraguai e Argentina.
Microsepsis, gen. n.
Palaeosepsis Duda, 1926 (part). Espécie-tipo, Sepsis armillata Melander & Spuler, 1917.
Diagnose. Cerdas fo ausentes. Fêmur anterior do macho pode ser apenas espessado
ou possuir pequeno túberculo. Asa sem mancha apical (exceto em M. simplicula), veia
anal extremamente reduzida, menor do que a célula cup. Abdome com superfície muito
lisa e brilhante, com constricção entre segmentos 2 e 3. Macho com esternito 4 sem
apêndices laterais. Epândrio assimétrico, lobo basal do surstilo direito maior que o seu
correspondente esquerdo.
Descrição. Cabeça: marrom a marrom-avermelhada, pet arredondada ou ligeira-
mente ovalada; margem inferior da face não projetada (exceto em M. armillata, onde se
projeta ligeiramente). Cerdação: ve metade a dois terços de vi, fo ausente, 1 vib. Antena
marrom a marrom-amarelada, primeiro flagelômero ISamaaneıt circular a oval
alongado; arista nua, espessada na base.
Tórax: mesonoto marrom a marrom-avermelhado, com pontuações; pleura marrom
a marrom-amarelada, com faixa longitudinal pruinosa em kepst que pode, às vezes,
estender-se até prest e prepm. Cerdação: 2 dc, 1 pprn, 2 npl, acr ausentes, 1 ap sctl forte
e longa, 1 subap sctl muito pequena.
Pernas: macho com fêmur anterior variável, algumas espécies apenas com ligeiro
engrossamento mediano do segmento, outras com tubérculos pequenos, mas quando estes
não existem, então o fêmur possui cerdas fortes na região mediana ventral; tíbia anterior
acompanha a forma do fêmur, podendo ser delgada ou com engrossamentos na região
mediana, sempre com pequenos dentículos na região mediana ventral; tíbia média com
cerdas apicais fortes (normalmente 5, com algumas mais fortes alternando-se com as
normais): tíbia posterior sem osmetério.
Asa: castanha translúcida; mancha apical apenas em uma espécie (M. simplicula),
região basal escurecida; lobo da álula pequeno, incisão alular pouco profunda, álula
coberta por pubescência; maioria das espécies com quebra na base de CuA?; veia anal
extremamente reduzida, comprimento menor do que o da célula cup. Halteres
esbranquiçados ou amarelados.
Abdome: marrom-enegrecido, muito liso e brilhante, com constricção entre seg-
mentos 2 e 3; poucas cerdas, principalmente nas margens dos segmentos. Macho:
esternito 4 sem apêndices laterais, às vezes com regiões laterais ligeiramente endenteadas,
com mais cerdas, mais fortes; epândrio assimétrico, lobo basal do surstilo direito sempre
maior que o seu correspondente esquerdo.
Etimologia: o epíteto possui um prefixo grego micro (pequeno), uma referência ao
tamanho diminuto destes sepsídeos; feminino.
Elenco das espécies: M. armillata (Melander & Spuler, 1917);M. furcata (Melander
& Spuler, 1917); M. inflexa (Becker, 1919); M. mitis (Curran, 1927); M. simplicula
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 139
(Steyskal, 1968); M. anomala, sp. n.; M. mystrion, sp.n.; M. stenoptera, sp.n.
Comentários: Este gênero é facilmente identificável pelo comprimento muito
reduzido da veia anal. Apenas uma espécie (M. simplicula) apresenta mancha na asa e,
nesse caso, parece constituir-se uma autapomorfia, possuindo uma mancha difusa por
todo o ápice da asa, homóloga à mancha típica no ápice de R2+3 de outros gêneros
(Palaeosepsis e Archisepsis). Quanto às modificações no fêmur anterior dos machos, em
Microsepsis encontraram-se as formas mais simples, menos elaboradas das espécies
neotropicais; normalmente ocorrem apenas cerdas mais fortes na região mediana ventral
do fêmur. O quarto esternito abdominal possui forma simples, com ligeira modificação
lateral, na forma de reentrâncias na parede da região mediana, podendo ocorrer cerdas
longas nessas áreas. Neste gênero, apareceu uma novidade evolutivanotável - a assimetria
do epândrio dos machos - sinapomórfica para o gênero, mas relativamente constante entre
as espécies componentes, dificultando a identificação e a correta interpretação da série de
transformação do caráter. A presença de suturas nas bases dos surstilos, também parece
constituir-se em uma sinapomorfia para o gênero. Isto difere do que HENNIG (1949)
apresenta como ocorrendo no grupo Themira, que apresenta uma articulação entre
epândrio e o surstilo, que aparenta ser um artículo separado; para esse autor, isto seria um
caráter no estado plesiomörfico. A espécie Palaeosepsis simplicula Steyskal foi incluída
em Microsepsis por apresentar epândrio assimétrico (uma estrutura típica desse gênero),
contudo, a veia anal não é tão curta quanto nas outras espécies do gênero, embora não seja
tão longa quanto em Palaeosepsis s. lat.
Chave de identificação das espécies neotropicais de Microsepsis
RE pre Sombra media distintamente negro..........a neces coeso ansooonanoramaoaneoarenno bang aonesao eia ousa 2.
- Apice da tíbia média amarelado, podendo ser amarelo escurecido.....................u..0..0.- >
2. Fêmur anterior do macho, ventralmente, com projeções na parte mediana e uma cerda
SERA II A nn DS ER EP sapaeder see arneneee 3
- Fêmur anterior do macho sem projeção mediana ventral...............ueceeessseesessneessnnenennnen +
3. Pernas parcialmente amarelas; macho: fêmur anterior com pequena endenteação na
região mediana ventral (figs. 163, 165); tíbia média com cerdas apicais não
ultrapassando muito o ápice (fig. 164); esternito 4 do abdome com expansão
lateral na margem apical (fig. 168) (Brasil).................................. M. mystrionsp.n
- Pernas marrom a marrom-escuras; macho: fêmur anterior com projeção mediana ven-
tral sem endenteação (figs. 155, 157); tíbia média com conjunto padrão de cer-
das apicais, que ultrapassam muito o ápice (fig. 156); esternito 4 do abdome sem
modificações (fig. 158) (Colômbia, Equador)............................ M. mitis (Curran)
4. Pleura marrom; fêmur anterior (3) com região mediana aprofundada (figs. 129, 130);
tíbia anterior com fileira mediana de 5 espinhos pequenos (figs. 131, 132);
esternito 4 do abdome com região lateral diferenciada (fig. 133) (Antilhas até o
SAD e POR ASR Epa O ER E RP M. armillata (Melander & Spuler)
- Pleura amarela; fêmur anterior (3 ) como na fig. 180; tíbia anterior com fileira de cerca
de 23 pequenos. espinhos. ventrais; .esternito .4 do abdome não modificado (fig.
Ls UG READ ame (6 a Do A RR pa FR AAA LL o M. stenoptera sp. n.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
140 SILVA
5. Asa com mancha apical (fig. 170) (Porto Rico)..................... M. simplicula (Steyskal)
- Asasemimanechaäpieal...... rn. ee ee PSA AR REEIOEEIEEUERHENERNR 6
6. Veia anal curta, bem menor que o comprimento da célula cup, célula cup fechada (fig.
138); macho: abdome com esternito 4 não modificado (fig. 144); lobo basal direito
do surstilo muito largo, longo e parcialmente mais escuro (figs. 141, 143) (Costa
Rica até sul do Brasil e Paraguai).......................... M. furcata (Melander & Spuler)
- Veia anal não menor que a metade do comprimento da célula cup; macho: esternito
4 do abdome com alguma modificação; epândrio com lobo basal direito do surstilo
não escurecido.....iLccenpecms enirsaneronidasaanaad oia rena dv ds ao lr RE 7
7. Macho: fêmur e tíbia anteriores como nas figs. 146, 147 e 148; esternito 4 do abdome
com regiões basal e lateral com mancha escura (fig. 150) (Equador, Bra-
SU RR CR OA an a A REA nes M. inflexa (Becker)
- Macho: fêmur e tíbia anteriores como na fig. 123; esternito 4 do abdome com região
lateral modificada com 2 cerdas longas (fig. 124) (Costa Rica)..M. anomola sp. n.
Microsepsis anomala, sp.n.
(Figs. 2, 121-127)
Dimensões: dq. Comprimento do corpo: 3,6 mm. Asa: 2,6 mm.
Descrição. Cabeça: marrom-enegrecida, arredondada, perfil aproximadamente
pentagonal; fronte marrom-enegrecida, margem inferior projetando-se sobre a base das
antenas; face marrom-amarelada, margem inferior não projetada; região parafacial
marrom, gena amarela; occipício marrom-enegrecido com suave pruinosidade branca.
Cerdação: ve um terço de vi, fo ausentes, vib medianamente fraca, subvib fraca. Antena
com primeiro flagelômero marrom, oval; arista nua, espessada na base.
Tórax: marrom-escuro, mesonoto com pequenas pontuações com brilho cúpreo;
pleura brilhante, npl branco pruinoso, faixa longitudinal branco pruinosa em prepm,
região dorsal de kepst. Cerdação: 2 dc, 1 pprn, 2 npl, 1 spal, 1 pal reduzida, 1 anepst,
lap sctl forte e longa, 1 subap sctl muito pequena.
Pernas: amareladas, exceto coxas média e posterior, 2/3 apicais dos fêmures médio _
e posterior, região basal e apical das tíbias média e posterior, marrom. Macho: fêmur
anterior com pequena emarginação ventral (fig. 123); tíbia anterior com elevação ventral
moderada, com uma fileira de 6 espinhos anteriores pequenos, na metade ventral com
espinhos curtos. Fêmea: fêmur anterior com uma cerda ventral basal.
Asa: castanha translúcida; base enegrecida; célula cup aberta (Cu A? não alcançan-
doCuAl), veia anal curta, menor que o comprimento de célula cup; incisão do lobo alular
medianamente profundo, álula pouco maior que sua cerdação marginal (fig. 121); halteres
amarelados.
Abdome: marrom-enegrecido, liso (polido) e brilhante, com pequena constricção
entre segmentos 2 e 3, poucas cerdas nos tergitos. Macho: esternito 4 pouco modificado,
esternito 5 reduzido a larga faixa (1/2 da largura do esternito 4), com região basal
escurecida (fig. 124); epândrio com lobo anterior direito do surstilo largo e do lado
esquerdo delgado e pequeno; surstilo delgado e com poucas cerdas apicais pequenas; no
lado direito nota-se parcialmente a sutura do surstilo com o epândrio (figs. 125-127).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 141
Etimologia: o epíteto deriva do grego anomalos, anormal, incomum.
Material-tipo: Holótipo q, parátipos: 16,20. COSTA RICA, S. José, 1.1956 (R.
Zeledon) (MZSP).
Distribuição geográfica. Costa Rica.
Microsepsis armillata (Melander & Spuler), comb.n.
(Figs. 128-136)
Sepsis armillata MELANDER & SPULER, 1917:18, fig. 6 (p. 81, figura indicada erroneamente como de
furcata). Localidade-tipo: Haiti.
Palaeosepsis armillata; DUDA, 1926b: 94; STEYSKAL, 1968: 2.
Diagnose. Fêmur anterior do macho com emarginação (figs. 129, 130); tíbia
anterior com região basal encurvada, uma fileira de 5 cerdas ventrais pequenas e fortes
(figs. 131, 132). Asa com nervura transversal h pouco diferenciada; célula cup aberta
(CuA?2 não alcançando CuA 1), veia anal curta, menor que o comprimento de cup; incisão
alular pouco profunda, álula maior que sua cerdação marginal (fig. 128). Esternito 4 do
abdome do macho com expansão lateral mediana pequena, em forma semi-circular, com
algumas cerdas longas e fortes; esternito 5 reduzido a faixa estreita e pequena (fig. 133).
Epândrio com lobo basal do surstilo direito largo e do lado esquerdo delgado, com cerdas
na sua base; surstilo estreito, com muitas cerdas longas (figs. 134-136).
Material examinado: EQUADOR. Zamora, 2 É. BRASIL. Amapá: Serra do Navio, 7 6,3 q. Pará:
Barreirinhas, 3 É; Maloquinha, 2 6; Santarém, 13 6: Santana, 8 Ö; As Pedras, rio Cuminä-miri, 2 6;
Oriximinä, 16 ; Belém, 626 , 1 9: Capanema, 26 . Pernambuco: Vicência, 10 ; Recife, 46 . Bahia: Salvador,
1 g. Minas Gerais: Ouro Preto; 3 $, 2 0. Espírito Santo: Sta. Teresa, 1 &. Rio de Janeiro: Nova Friburgo,
16; Petrópolis, 5 6, 29; Rio de Janeiro, 346, 19; Itaguai, 21 É, 1 q. São Paulo: Barão de Antonina, 16;
Mairiporã, 1 É; São José dos Campos, 1 6; Iporanga, 1 É; Salesópolis, 36,49; São Paulo, 5 Ö ; Barueri, 4
6,309; São Vicente, 46. Paraná: Morretes, 1 É (DZUP). Santa Catarina: Nova Teutônia, 96.
Distribuição geográfica. Haiti, Equador até Brasil.
Microsepsis furcata (Melander & Spuler), comb. n.
(Figs. 137 - 144)
Sepsis furcata MELANDER & SPULER, 1917: 19, fig. 11 (p. 81, figura indicada erroneamente como de
armillata). Localidade-tipo: Jamaica.
Palaeosepsis furcata; DUDA, 1926b: 92; STEYSKAL, 1968: 2
Diagnose. Cabeça arredondada, de perfil mais larga do que alta; margem inferior
da fronte ligeiramente projetada; primeiro flagelômero oval (fig.137). Fêmur anterior do
macho com pequena protuberância na metade ventral (figs., 139, 140); tíbia anterior com
região mediana ventral ligeiramente engrossada, com fileira de cerdas pequenas e fortes
(figs. 139, 140); tíbia média com arranjo padrão de cerdas apicais. Asa sem mancha apical;
base escurecida; veia anal curta, aproximadamente a metade do comprimento da célula
cup; incisão alular medianamente profunda, álula aproximadamente do mesmo tamanho
de sua cerdação marginal (fig. 138). Abdome do macho com esternito 4 pouco reduzido,
estreito, sem expansões laterais, esternito 5 reduzido a faixa estreita, com apódema
visível, ligando-o ao esternito 4 (fig. 144); epândrio arredondado ventralmente; lobo basal
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
142 SILVA
do surstilo direito escurecido e alargado, com marca de sutura, no lado direito pequeno
e estreito; surstilo com cerdas pequenas na ponta (figs. 141-143).
Material examinado: BRASIL. Amapá: Serra do Navio, 16. Pará: Santarém, 552 6, 1226; Itaituba,
19 6, 15 9; Belém, 13 É, 33 q; Lago de Terra Santa, 2 9; Santana, 5 9; Capanema, 1 ©, 19; As Pedras, rio
Cuminá-Miri, 26,19; Barreirinhas, 26, 5 q; Benevides, Pa-408, km 6, 3 6 (MPEG). Bahia: Salvador, 26,
19. Mato Grosso: Cuiabá, 1 . Rio de Janeiro: Itaguai, 40 ; Itatiaia, 2 Ó ; Rio de Janeiro, 96, 19; Sto Antonio
Imbé, 26 (DZUP). São Paulo: Salesópolis, 11 Ö ; Caraguatatuba, 1 Ó, Guatapará, 2Ó; Barueri, 36, 19; São
Paulo, 1 Ö; Osasco, 6 É, 3 9; Ilha Solteira, 2 6, 1 q (FEIS). Santa Catarina: Nova Teutônia, 4 6,4 q;
Florianópolis, 3 Q.
Distribuição geográfica. Costa Rica até Brasil (do Amapá a Santa Catarina) e
Paraguai.
Microsepsis inflexa (Becker), comb. n.
(Figs. 145-153)
Sepsis inflexa BECKER, 1919: 205, pl. 17, fig. 9. Localidade-tipo: Equador: Cuenca; Tio-Loma, Mirador,
Yausai, El Angel, Casitagua.
Palaeosepsis inflexa; DUDA, 1926b: 85; STEYSKAL, 1968: 2.
Diagnose. Cabeça arredondada, margens inferiores da fronte e da face não proje-
tadas; primeiro flagelômero oval alongada. Fêmur anterior do macho com emarginação
(figs. 146, 147); tíbia anterior com base afilada (figs. 146, 148); tíbia média com conjunto
padrão de cerdas apicais (fig. 149); base da asa ligeiramente enegrecida; célula cup aberta
(CuA2 não alcançando CuA 1); veia anal curta, menor que o comprimento de cup; incisão
alular pouco profunda; álula pouco maior que sua cerdação marginal (fig. 145). Abdome
do macho com esternito 4 com reentrâncias laterais, que delimitam região com 2 cerdas
longas e fortes; esternito 5 ligeiramente reduzido, sem cerdas (fig. 115). Epândrio
arredondado ventralmente; lobo anterior do surstilo largo e achatado, com visível sutura
na sua base e com uma das bordas (dorsal) microscopicamente serrilhada, ligeiramente
alargado e menor; surstilos delgados, o direito com poucas cerdas pequenas na ponta, com
região de sutura bem visível, o esquerdo com muitas cerdas que se estendem até sua base
(es, 190, 192, 153).
Material examinado: EQUADOR. Zamora a San Pedro, 4 6; Cuenca, 1 6,109; Yausai, 1 9, BRASIL.
Pará: Belém, 16.
Distribuição geográfica. Equador, Brasil (Pará).
Microsepsis mitis (Curran), comb. n.
(Figs. 154 - 161)
Sepsis mitis CURRAN, 1927: 1, fig. 2. Localidade-tipo: Colômbia, San Lorenzo Mountains, Vista Nieve.
Palaeosepsis mitis; STEYSKAL, 1968:2
Diagnose. Cabeça arredondada, margens inferiores da fronte e da face ligeiramente
projetadas; primeiro flagelômero oval. Fêmur e tíbia anteriores do macho com modifica-
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 143
ções (figs. 155 e 157); tibia média com conjunto padrão de cerdas apicais, que ultrapassam
muito o ápice (fig. 156). Asa sem mancha apical, enegrecida na base; célula cup aberta
(veia CuA2 não alcançando CuAl), incisão alular rasa, álula menor que sua cerdação
marginal (fig. 154). Esternito abdominal 4 do macho não modificado; esternito 5 não
reduzido, sem cerdas, com região mais escura na margem basal, em forma de triângulo
invertido (fig. 159). Epândrio arredondado ventralmente , lobos basais dos surstilos não
simétricos, nus, lado direito largo e tão comprido quanto o surstilo, lado esquerdo delgado
e mais curto; surstilo direito com marca de sutura na base, quase sem cerdas na ponta;
surstilo esquerdo medianamente largo com cerda na ponta; grupo de cerdas nas bases dos
lobos basais dos surstilos (figs. 158, 160 e 161).
Material-tipo: Holótipo 6 , parátipoo, COLÔMBIA. San Lorenzo Mountains, Vista
Nieve, Dec. 22.1992 (H.L. Viereck) (acc 31 144)(AMNH).
Material examinado: EQUADOR. Zamora, 3 Ö ; Zamora a San Pedro, 2 6
Distribuição geográfica. Colômbia, Equador.
Comentário: Não foi possível observar um dos caracteres diagnósticos (coloração
do ápice da tíbia média) no holótipo: a perna média direita foi perdida e a esquerda está
com a parte da tíbia colada ao alfinete, o que impede a sua observação; no parátipo fêmea
a coloração do ápice da tíbia média não é distinta do terço apical, marrom-amarelado,
enquanto que os dois terços basais são marrons. Na sua descrição da espécie, CURRAN
(1927) indica a presença de um ápice enegrecido nessa perna “... base of middle tibia and
broad obscure apices of the femora and middle tibia, shining black or brown...”
Microsepsis mystrion, Sp.n.
(Figs. 162 - 169)
Dimensões: é. Comprimento do corpo: 2,9mm. Asa: 2,Imm.
Descrição. Cabeça: arredondada, vértice marrom; fronte e face marrom-claros,
margens inferiores projetando-se ligeiramente; região parafacial e gena amarelo-clara;
occipício marrom com pruinosidade amarelada. Cerdação: ve dois terços de vi, fo
ausentes, 1 vib mediamente forte, sub vib pequenas e abundantes. Antena com escapo
marrom, pedicelo e primeiro flagelômero marrom-amarelado, primeiro flagelômero oval
alongado; arista nua, espessada na base.
Tórax: mesonoto castanho-escuro com pruinosidade amarelada, estendendo-se por
pprn; npl com pruinosidade branca; pleura castanha; faixa longitudinal branco pruinosa
- área ântero-dorsal de kepst e prepm até dorso-posterior de kepst. Cerdação: 2 de, 1
pprn, 2 npl, lanepst, 1 spal, 1 pal, 1 ap sctl forte, 1 subap sctl diminuta e fraca.
Pernas: castanhas, exceto coxa anterior amarelo-esbranquiçado, fêmur anterior,
quarto basal dos fêmures médio e posterior, terço subapical da tíbia média e todos três
primeiros tarsômeros, amarelos. Macho: fêmur anterior com pequeno lóbulo em elevação
ventral, como ilustrado nas figs 163 e 165; tíbia anterior com duas pequenas elevações
ventrais (figs. 163, 165); tíbia média com ápice enegrecido, contrastando com região
subapical mais clara (fig. 164).
Asa: castanha translúcida, sem mancha apical, região basal enegrecida; célula cup
aberta (veia CuA2 não alcançando CuA 1); veia anal curta, menor que o comprimento de
cup; incisão alular pouco profunda, álula estreita, aproximadamente igual ao comprimen-
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
144 SILVA
to de sua cerdação marginal (fig. 162); halteres esbranquiçados.
Abdome: castanho-enegrecido, superfície extremamente brilhante, polida, poucas
cerdas, maiores nas margens apicais dos tergitos. Macho: esternitos 4 e 5 sem apêndices,
apenas região lateral do esternito 4 com modificações (fig. 167), esternito 5 reduzido a
faixa estreita; terminália castanho-clara, assimétrica; lobos basais dos surstilos nus, lado
direito largo, com pequena sutura, lado esquerdo curto; surstilo direito longo e estreito,
com cerdas e marca da sutura basal; esquerdo curto, com cerdas; base dos lobos com
cerdas (figs.166, 168, 169).
Etimologia: o epíteto deriva do grego mystrion, pequena colher, uma referência à
estrutura em forma de uma espátula no epândrio.
Material-tipo: Holótipo é. BRASIL. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Grajaú,
26.V11.1964 (H.S.Lopes) (MZSP); parätipos: id., 9. VI.1964 (H.S.Lopes), 1 é (MZSP).
Bahia: 15 Km NE Porto Seguro, E. Ecol. Pau-Brasil, mata atlântica primária, sweeping
isca fezes humanas, 19-27.11.1986 (V.C.S.& D.S. Amorim), 1 é (MZSP).
Distribuição geográfica. Sudeste Brasil.
Microsepsis simplicula (Steyskal), comb. n.
(Figs. 170-177)
Palaeosepsis simplicula STEYSKAL, 1968: 3 (n. nov. para simplex Curran). Localidade-tipo: Porto Rico,
Adjuntas.
Sepsis simplex CURRAN, 1928: 75 (pré-ocup.Goetgebuer & Bastin, 1925). Localidade-tipo: Porto Rico,Adjuntas.
Microsepsis simplicula; STEYSKAL, 1968:3.
Dimensões: So. Comprimento do corpo: 2,9mm. Asa: 2,2mm.
Diagnose. Cabeça com vértice e fronte marrons; margem inferior da fronte e da face
não projetadas; face e gena amarelas; occipício marrom com suave pruinosidade branca.
Cerdação: ve um terço de vi, fo extremamente diminutas, 1 vib média, sub vib fracas.
Antena marrom amarelada, primeiro flagelômero oval alongado; arista nua, espessada na
base. Mesonoto e escutelo marrom, com pruinosidade dourada suave; pprn e npl com
suave pruinosidade branca; pleura marrom com faixa longitudinal pruinosa - prepst,
prepm e faixa dorsal de kepst. Cerdação: 1 pprn, 2 npl,2 dc, 1 spal, 1 pal, 1 anepst,
l ap sctl forte e muito longa, 1 subap sctl fraca e pequena. Pernas marrons, exceto coxa,
fêmur e tíbia anteriores, região basal dos fêmures médio e posterior, região subapical da
tíbia média, ápice da tíbia posterior e todos três primeiros tarsômeros, amarelos. Macho
com fêmur anterior com emarginação no terço apical (figs. 171, 172); tíbia anterior com
região basal afilada (figs. 171, 172); tíbia média com cerda apical normal, ápice mais
escuro (fig. 173). Asa castanha translúcida, com mancha apical clara e ampla, na região
apical de R2+3, incluindo R4+5 até ápice de M1; região basal fortemente escurecida; álula
estreita, menor que sua cerdação marginal, incisão alular rasa; veia anal curta (fig. 170);
halteres esbranquiçados. Abdome liso, polido, brilhante, com constricção forte entre
segmentos 2 e 3, poucas cerdas, fracas, maiores nas margens apicais dos tergitos. Abdome
do macho com esternito 4 sem apêndices laterais, apenas região lateral mais diferenciada,
com cerdas longas (fig. 175); epândrio com surstilos assimétricos (fig. 174); esquerdo
com sutura, lobo basal curto e delgado formando com o surstilo estrutura semelhante a
uma pinça; surstilo esquerdo pouco maior que seu lobo basal, com muitas cerdas, maiores
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 145
na ponta (fig. 176); lobo basal direito largo e longo, surstilo direito longo e delgado, visível
sutura sub-basal, com poucas cerdas médias na ponta (fig. 177).
Material-tipo: Holótipo q e parátipo é: ESTADOS UNIDOS. Porto Rico: Adjun-
tas, 8-13.V1.1915 (sem coletor), (AMNH). Parátipos: id., 26.VI.1915 (sem coletor), 1 6
(AMNH); Naguato, 7-9.11[.1914 (sem coletor), lo (AMNH).
Observação: o holótipo indicado como macho é uma fêmea; o parátipo fêmea é um
macho.
Distribuição geográfica. Porto Rico.
Microsepsis stenoptera, sp.n.
(Figs. 178-184)
Dimensões:ó q. Comprimento do corpo: 2,8mm. Asa: 2,0mm.
Descrição. Cabeça: arredondada, marrom; fronte marrom-escura, exceto metade
inferior, amarelo-acastanhada, projetando-se ligeiramente; face amarelada, região
parafacial e gena amarelo-claras, occipício marrom, com pruinosidade amarela. Cerdação:
ve um terço de vi, fo ausente, 1 vib, sub vib tão fortes quanto vib, mas menores. Antena
com escapo e pedicelo amarelo-acastanhados, primeiro flagelômero oval alongado; arista
nua, espessada na base.
Tórax: mesonoto marrom, com pruinosidade amarela, pprn amarelo; pleura
amarelo-alaranjada, npl e faixa longitudinal com pruinosidade branca prepm, kepst
(larga faixa dorsal) e coxa média. Cerdação: 2 dc, 1 pprn, 2 npl, 1 spal, 1 anepst, 1 ap
sctl forte 1 subap sctl microscópica.
Pernas: marrons, exceto coxa anterior amarelo-clara,coxas média e posterior
amarelo-alaranjadas, fêmur e tíbia anteriores amarelo-acastanhados, três últimos tarsômeros
enegrecidos, parte apical dos fêmures médio e posterior mais claro e tíbia média com
região subapical mais clara, contrastando com o ápice enegrecido. Macho: fêmur anterior
sem emarginação ou tubérculo, região ventral um pouco dilatada (fig. 180); tíbia anterior
com fileira ventral de espinhos pequenos (fig. 180); tíbia média com uma cerda ventral
mediana e duas cerdas apicais ventrais fortes (fig. 179).
Asa: castanha translúcida, estreita, sem mancha apical, ligeiramente escurecida na
base; veia anal curta, menor que o comprimento da célula cup; incisão alular pouco
profunda, álula mais curta que sua cerdação marginal (fig. 178). Halteres esbranquiçados.
Abdome: marrom, tergitos muito lisos e brilhantes, poucas cerdas, com pequena
constricção entre segmentos 2 e 3, sintergito 1+2 muito estreito. Macho: terminália
marrom-alaranjada; esternito 4 não modificado, esternito 5 nu, pouco reduzido (fig. 181);
epândrio aproximadamente triangular, lobos basais dos surstilos assimétricos, do lado
direito largo, ponta com borda irregular, lado esquerdo largo e curto; surstilos assimétricos,
do lado direito mais largo, com ponta semelhante a um gancho, lado esquerdo delgado,
ambos com poucas cerdas longas na ponta ( figs. 182 a 184).
Etimologia: O epíteto stenoptera deriva do grego stenos, estreito e ptero, asa.
Material tipo: Holótipo é: BRASIL. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Manguinhos,
30.V. 1967 (L. P. Albuquerque) (MZSP). Parátipos: id., 16, 1o (MZSP); id., V.1967
(H. S. Lopes), 2 6 (MZSP); Itaguai, Univ. Rural, 15. VII. 1967 (H. S. Lopes), 1 9
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
146 SILVA
(MZSP).
Distribuição geográfica. Brasil (Rio de Janeiro).
Agradecimentos. Aos Dr. Nelson Papavero (IEA-USP) pela orientação, incentivo e críticas; Dr. A. L.
Ozerov (Moscou) por sugestões e troca de informações sobre tipos de sepsídeos neotropicais; Dr. Dalton de
Souza Amorim (USP-RP) pela leitura crítica da versão prévia deste manuscrito; Dra. Maria A. Morales
(UNESP-Assis) pelo auxílio na confecção das pranchas e Dr. Alfredo Langguth (UFPB) pelas traduções do
alemão. Aos curadores das diversas instituições citadas pelo empréstimo de material. Ao CNPq e à CAPES pelas
bolsas concedidas.
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Recebido em 15.04.1993: aceito em 24.06.1993
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
148 SILVA
m ——
Figs. 1-6: 1, Meroplius albuguerquei, Brasil, RJ, Petrópolis, cabeça, vista lateral; 2, Microsepsis anomala, sp.n.,
Costa Rica, San Jose, cabeça, vista lateral; 3, Palaeosepsis dentatiformis, Equador, Zamora, segmentos 1 a 3 do
abdome, vista lateral. Palaeosepsis chauliobrechma, sp. n., Equador, Quito: 4, cabeça, vista lateral; 5, asa direita;
6, terminália (Ö ), vista lateral esquerda. Escala: 0,2 mm.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 149
Figs. 7-13. Palaeosepsis chauliobrechma, sp. n., Equador, Quito: 7, fêmur anterior (Ö ), vista posterior; 8, tíbia
anterior (Ö ), vista posterior; 9, fêmur anterior (Ö ), vista anterior; 10, tíbia anterior (Ö ), vista anterior; 11, ápice
da tíbia média (Ö ), vista latero-ventral; 12, terminália (G ), vista póstero-ventral; 13, quarto e quinto esternitos
abdominais (G ), vista ventral. (Figs. 7-11; 12,13 respectivamente na mesma escala). Escala: 0,2 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
150 SILVA
Figs. 14-20. Palaeosepsis dentata, Equador, Quito: 14, asa esquerda; fêmur e tíbia anteriores (Ó ): 15. detalhe,
vista anterior; 16. vista posterior; 17, segmentos 4 e 5 do abdome (Ö ), vista látero-ventral; 18, terminália (3),
vista póstero-ventral; 19, terminália (G ), vista lateral esquerda; 20, terminália (Ó ), vista lateral direita. (Figs. 14;
15, 16; 17, 18; 19, 20; respectivamente na mesma escala). Escala: 0,2mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 151
Figs. 21-29. Palaeosepsis dentatiformis, Equador, Zamora: 21, asa direita; 22, fêmur anterior (Ö ), vista anterior;
23, fêmur anterior (Ö ), vista posterior; 24, tíbia anterior (Ö ), vista anterior; 25, tíbia anterior (Ö ), vista posterior;
26, tíbia média (Ö ), ápice; 27, quarto e quinto esternitos abdominais (Ö ), vista ventral; 28, terminália (G ), vista
póstero-ventral; 29, terminália (G ), vista lateral esquerda. (Figs. 22-26 na mesma escala). Escala: 0, Imm exceto
fig. 21= 0,5mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
152 SILVA
Figs. 30-38. Palaeosepsis insularis, Brasil, Brasil, ES, Guarapari: 30, asa direita; 31, fêmur anterior (Ö ), vista
anterior; 31, tíbia anterior (G ), vista anterior; 33, fêmur anterior (Ö ), vista posterior, com detalhe da região
mediana ventral; 34, tíbia anterior (Ö ), vista posterior, 35, tíbia média (Ö ); ápice; 36, quarto e quinto esternitos
abdominais (Ö ), vista ventral; 37, terminälia (Ö ), vista lateral direita, 38; (6 ), vista pöstero-ventral. (Figs. 30-
32, 35, 36; 33, 34; 37, 38 respectivamente na mesma escala). Escala: 0, Imm, exceto fig. 30=0,5mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
me o
Revisão da família Sepsidae... 153
Figs. 39-48. Palaeosepsis laticornis, Equador, Quito a Baeza: 39, asa esquerda; 40, fêmur anterior (Ö ), vista
anterior; 41, tíbia anterior (Ö ), vista anterior; 42, fêmur anterior (Ö ), vista posterior; 43, tíbia anterior (G ), vista
posterior; 44, tíbia média (G ), ápice; 45, cabeça, vista lateral; 46, quarto e quinto esternitos abdominais (G ), vista
ventral; 47, terminália (Ö ), vista póstero-ventral; 48, terminália (G ), vista lateral. (Figs. 39; 40-44, 46; 45; 47,
48 respectivamente na mesma escala). Escala: 0,1 mm, exceto fig. 39 = 0,5 mm.
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154 SILVA
Figs. 49-56. Palaeosepsis maculata, Brasil, SC. Nova Teutônia: 49, asa direita; 50, fêmur anterior (Ö ), vista
anterior; 51, fêmur anterior (Ö ), vista posterior; 52, tíbia anterior (Ö ), vista anterior; 53, tíbia anterior (Ö ), vista
posterior; 54, tíbia média (6 ), ápice; 55, quarto e quinto esternitos abdominais (Ö ), vista ventral; 56, terminália
(G ), vista póstero-ventral. (Figs. 49; 50-53; 54, 55; 56 respectivamente na mesma escala). Escala: 0,2mm, figs.
49-53; 0,Imm, figs. 54-56.
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Revisão da família Sepsidae... 155
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*
Figs 57-63. Palaeosepsis pusio, Brasil, PE, Caruaru: 57, asa esquerda; 58, tíbia média (G ), ápice; 59, fêmur
anterior (Ö ), vista anterior; 60, tíbia anterior (Ö ), vista anterior; 61, terminália (G ), vista pöstero-ventral; 62,
terminália (G ), vista lateral; 63, quarto e quinto esternitos abdominais (Ö ), vista ventral. Escala: 0, Imm, exceto
fig. 57 = 0,5mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
156 SILVA
Figs. 64-72, Archisepsis armata, Brasil, ES, Baixo Guandu: 64, asa direita; 65, fêmur anterior (© ), vista anterior;
66, tíbia anterior (© ), vista anterior; 67, fêmur anterior (Ö ), vista posterior; 68, tíbia anterior (Ö ), vista posterior;
69, tíbia média (Ó ), ápice; 70, quarto e quinto esternitos abdominais (© ), vista ventral; 71, terminália (O ), vista
póstero-ventral; 72, terminália (Ö ), vista lateral esquerda. (Todas as figs. na mesma escala, exceto fig. 64).
Escala: 0,2mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 157
Figs. 73-81. Archisepsis excavata, Brasil, SP. I. de Santo Amaro: 73, asa esquerda; 74, fêmur anterior (Ö ), vista
anterior, 75, fêmur anterior (Ö ), vista posterior; 76, tíbia anterior (Ö ), vista anterior; 77, tíbia anterior (Ö ), vista
posterior; 78, tíbia média (6 ), ápice; 79, quarto e quinto esternitos abdominais (Ö ), vista ventral; 80, terminália
(4), vista lateral esquerda; 81, terminälia (Ö), vista póstero-ventral. (Figs. 73; 74-77, 78; 79; 80, 81,
respectivamente na mesma escala). Escalas: 0,2mm figs. 73-78; 0,1 mm, figs. 79-81.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
SILVA
Figs. 82-87. Archisepsis hirsutissima, sp.n., Brasil, PA, Rio Gurupi: 82, asa esquerda; 83, fêmur anterior (6 ),
vista posterior; 84, tíbia média (Ö ), vista anterior, 85, tíbia anterior; (6), vista posterior; 86, quarto e quinto
esternitos abdominais e terminália (G ), vista póstero-ventral; 87, terminália (© ), vista lateral direita. (Figs. 82;
83, 85: 84; 86, 87; respectivamente na mesma escala). Escala: 0,2 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 159
94
Figs. 88-94. Archisepsis mirifica, sp. n., Brasil, PA, Santarém: 88, asa esquerda; 89, fêmur e tíbia anteriores (Ö ),
vista anterior; 90, fêmur e tíbia anteriores (Ö ), vista posterior; 91, tíbia média (G ), ápice; 92, quarto e quinto
esternitos abdominais (Ö ), vista ventral; 93, terminália (Ö ), vista póstero-ventral; 94, terminália (G ), vista lateral
direita (Figs. 88; 89, 90, 93, 94; 91; 92; respectivamente na mesma escala). Escala: 0,2 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
160 SILVA
Figs. 95-103. Archisepsis muricata, sp.n., Brasil, PA, Belém: 95, asa direita; 96, fêmur anterior (S), vista
anterior; 97, fêmur anterior (Ö ), vista posterior; 98, tíbia anterior (© ), vista anterior; 99, tíbia anterior (Ö ), vista
posterior; 100, tíbia média (G ), ápice, vista dorsal; 101, quarto e quinto esternitos abdominais (Ö ), vista ventral;
102, terminälia (Ö ), vista lateral esquerda; 103, terminália (Ö ), vista póstero-ventral. (Todas figs. na mesma
escala, exceto figs. 95 e 101). Escalas: 0,2 mm.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 161
Figs. 104-112. Archisepsis priapus, sp. n., Brasil, PA, Oriximinä: 104, asa direita; 105, fêmur anterior (G ), vista
anterior; 106, fêmur anterior (Ö ), vista posterior; 107, tíbia anterior (Ö ), vista anterior; 108, tíbia anterior (6),
vista posterior; 109, terminälia (Ö ), vista póstero-ventral; 110, terminália (G ), vista lateral direita; 111, tíbia
média (G ), ápice; 112, quarto e quinto esternitos abdominais (G ), vista ventral. (Todas as figs. na mesma escala,
exceto figs. 104 e 112). Escalas: 0,2 mm.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
162 SILVA
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— 4 —4º 4
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Figs. 113-120. Archisepsis scabra, Peru, Neshuya: 113, asa direita; 114, fêmur e tíbia anteriores (G ), vista
anterior; 115, fêmur e tíbia anteriores (G ), vista posterior; 116, tíbia média (G ), ápice, vista dorsal; 117, tíbia
posterior (Ö ), ápice, vista dorsal; 118, terminália (© ), vista póstero-ventral; 119, terminälia (© ), vista lateral
esquerda; 120, quarto e quinto esternitos abdominais (Ö ), vista ventral. Escalas: 0,2 mm, figs. 113-115; 0,1mm,
figs. 116-120.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 163
| Figs. 121-127. Microsepsis anomala, sp. n., Costa Rica, San Jose: 121, asa esquerda; 122, tíbia média (G ), ápice;
‚ 123, fêmur e tíbia anteriores (Ö ), vista anterior; 124, quarto e quinto esternitos abdominais (G ), vista ventral;
| 125,terminälia (Ö ), póstero-ventral; 126, terminália (Ö ), vista lateral esquerda; 127, terminália (Ö ), vista lateral
| direita. (Figs. 124, 126, 127 na mesma escala). Escala: 0,Imm, exceto fig. 121=0,2 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Em
164 SILVA
Figs. 128-136, Microsepsis armillata, Brasil, RJ, Rio de Janeiro: 128, asa direita; 129, fêmur anterior (G ), vista
posterior; 130, fêmur anterior (G ), vista anterior; 131, tíbia anterior (Ö ), vista posterior; 132, tíbia anterior (Ö ),
vista anterior; 133, quarto e quinto esternitos abdominais (Ö ), vista ventral; 134, terminália (Ö ), vista póstero-
ventral; 135, terminália (Ö ), vista lateral direita; 136, terminália (6 ), vista lateral esquerda. (Figs. 129; 130-132;
133, 134; 135, 136 respectivamente na mesma escala). Escala: 0,2 mm, figs. 128-132; 0,1 mm, figs. 133-136.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
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|,
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Revisäo da familia Sepsidae... 165
m ee en,
Figs. 137-144. Microsepsis furcata, Brasil, PA, Belém: 137, cabeça, vista lateral; 138, asa esquerda; 139, fêmur
e tíbia anteriores (Ö ), vista anterior; 140, fêmur e tíbia anteriores (Ö ), vista posterior; 141, terminália (Ö ), vista
pöstero-ventral; 142, terminália (Ö ), vista lateral esquerda; 143, terminália (GS ), vista lateral direita, com detalhe
da ponta do surstilo; 144, quarto e quinto esternitos abdominais (g ), vista ventral. (Figs. 139, 140; 142, 143
respectivamente na mesma escala). Escalas: 0,2mm, exceto figs. 142-144=0,Imm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
166 SILVA
Figs. 145-153. Microsepsis inflexa, Brasil, PA, Belém: 145, asa direita; 146, fêmur e tíbia anteriores (G ), vista
anterior; 147, fêmur anterior (G ), vista posterior, com detalhe da emarginação mediana ventral; 148, tíbia
anterior (Ö ), vista posterior, com detalhe das cerdas medianas; 149, tíbia media (G ), ápice; 150, terminália (Ö ),
vista póstero-ventral; 151, quarto e quinto esternitos abdominais (G ), vista ventral, com detalhe do ápice da
margem lateral do quarto esternito; 152, terminälia (G ), vista lateral esquerda; 153, vista lateral direita. (Figs.
145; 146-149; 150, 151; 152, 153; respectivamente na mesma escala). Escalas: 0,1 mm, exceto fig. 145 = 0,2
mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
Revisão da família Sepsidae... 167
Figs. 154 - 161, Microsepsis mitis, Equador, Zamora: 154, asa direita; 155, fêmur e tíbia anteriores (Ö ), vista
anterior, 156, tíbia média (Ö ), ápice; 157, fêmur e tíbia anteriores (Ö ), vista posterior; 158, terminália (Ö ), vista
póstero-ventral; 159, quarto e quinto esternitos abdominais (Ö ), vista ventral; 160, terminália (G ), vista lateral
| esquerda; 161, terminália (G), vista lateral direita (Figs. 155, 157; 158-161 na mesma escala). Escalas: 0,1 mm,
| exceto fig. 154= 0,2mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
168 SILVA
Figs. 162-169, Microsepsis mystrion, sp.n., Brasil, RJ, Rio de Janeiro: 162, asa direita; 163, fêmur e tíbia
anteriores (Ö ), vista anterior; 164, tíbia média (G ), ápice, vistas dorsal e ventral; 165, fêmur e tíbia anterior (Ö ),
vista posterior; 166, terminälia (Ö ), vista póstero-ventral; 167, quarto e quinto esternitos abdominais (Ö ), vista
ventral; 168, terminália (G ), vista lateral esquerda; 169, terminälia (Ö ), vista lateral direita. (Figs. 162; 163-
165,167; 166, 168, 169; na mesma escala). Escalas: 0,1 mm.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
|
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Revisão da família Sepsidae... 169
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Figs. 170-177. Microsepsis simplicula, Porto Rico, Adjuntas (parátipo (AMNH): 170, asa direita; 171, fêmur e
tíbia anteriores (Ö ), vista anterior, com detalhes das partes medianas ventrais dos segmentos; 172, fêmur e tíbia
anteriores (Ó ), vista posterior; 173, tíbia média (Ö ), ápice, vista ventral; 174, terminälia (Ö ), vista póstero-
ventral; 175, quarto e quinto esternitos abdominais (G ), vista ventral; 176, terminália (Ö ), vista lateral esquerda;
177, terminália (G ), vista lateral direita. (Figs. 170; 171,172; 173, 175; 174, 176, 177; na mesma escala). Escala:
0,2 mm, figs. 170-172; 0, Imm, figs. 173-177.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
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Figs. 178-184. Microsepsis stenoptera, sp. n., Brasil, RJ, Rio de Janeiro: 178, asa esquerda; 179, tibia media,
ápice; 180, fêmur e tíbia anteriores (Ö), vista anterior 181, quarto e quinto esternitos abdominais (Ö ), vista
ventral; 182 a 184 terminália (Ó ): 182, vista póstero-ventral; 183, vista lateral esquerda; 184, vista lateral direita
(Figs. 182-184 na mesma escala). Escala: 0,1 mm, exceto fig. 178=0,2mm.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 117-170, 30 set. 1993
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TAXONOMIA E DISTRIBUIÇÃO DA FAMÍLIA PORCELLANIDAE
(CRUSTACEA, DECAPODA, ANOMURA) NO LITORAL BRASILEIRO
Valéria Gomes Veloso !
Gustavo Augusto Schmidt de Melo ?
ABSTRACT
TAXONOMY AND DISTRIBUTION OF THE FAMILY PORCELLANIDAE (CRUSTACEA,
DECAPODA, ANOMURA) IN THE BRAZILIAN COAST. The setentrional and meridional boundaries to the
Brazilian coast and the geographic distributional patterns of 7 genera and 21 species belonging to the family
Porcellanidae are given. Megalobrachium walteri Rodrigues da Costa, 1968 and Porcellana paivacarvalhoi
Rodrigues da Costa, 1968 are placed as a junior synonym of M. soriatum (Say, 1818) and P. platycheles
(Pennant, 1777), respectively. The latter species is reported for the first time from the Brazilian coast.
KEYWORDS. Porcellanidae, Anomura, new records, distribution.
INTRODUCAO
A família Porcellanidae é composta, principalmente, por espécies litorâneas, sendo
Taros os registros em águas profundas. Ocupam uma variedade de habitats, vivendo,
principalmente, em substratos duros, como sistemas de grutas, recifes, sob pedras e em
fundos de algas calcárias.
Os espécimens de Porcellanidae da fauna do Atlântico ocidental receberam maior
atenção na última década, principalmente os da região sul do Caribe (GORE, 1970, 1974,
1982; GORE & ABELE, 1973, 1976; WERDING, 1977, 1978, 1982). Segundo
WERDING (1984), entre o Panamá e a região de Santa Marta, Colômbia, já foram
registradas 36 espécies, ou seja, mais de 80% da fauna tropical encontrada no litoral leste
das Américas.
Com relação ao litoral brasileiro, os primeiros registros surgiram com os trabalhos
de levantamentos faunísticos de DANA (1852, 1855), através do material coletado pela
United States Exploring Expedition; seguem-se os: trabalhos de MULLER (1862),
HELLER (1862, 1865), HENDERSON (1888), CANO (1889) e ORTMANN (1892).
RATHBUN (1900) estudando o material da Branner- Agassiz Expedition, 1899, propor-
cionou novas informações sobre a fauna da costa brasileira, aumentando os limites de
ocorrências e tornando conhecidas novas espécies de porcelanídeos.
1. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Biologia, Departamento de Zoologia, CCS, Bloco A, Lab. Fauna Psâmica, CEP. 21941, Rio
de Janeiro, RJ. Bolsista do CNPq.
2. Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, C.P. 7172 CEP 01064-970, São Paulo, SP. Bolsista do CNPq.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
172 VELOSO & MELO
Valiosas as contribuições realizadas por HAIG (1960) e COELHO (1963/64), para
a região norte e nordeste do litoral brasileiro incluindo também, os trabalhos de
levantamento faunístico de COELHO & RAMOS (1972) e Coelho et al. (1977/78).
RODRIGUES-DA-COSTA (1960, 1965, 1968) apresentou uma revisão desta família, na
costa brasileira, não concluída.
Desde então, Porcellanidae vem sendo citada apenas em trabalhos de levantamen-
tos regionais, que contribuem para ampliar os dados de distribuição geográfica. Entre
inúmeros trabalhos, os mais significativos foram os de FAUSTO-FILHO (1978), COE-
LHO & RAMOS-PORTO (1980), COELHO et al. (1983). Recentemente, SILVA et al.
(1989) estudaram os porcelanídeos dos Estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul,
Brasil, incluindo chaves de identificação.
Este trabalho apresenta uma revisão dos porcelanídeos no litoral do Brasil,
contribuindo, também, para o conhecimento zoogeográfico da família Porcellanidae no
Atlântico Ocidental.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi baseado na análise de exemplares depositados nas coleções do Departamento de
Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPe), da Universidade Federal da Paraíba (UFPb), da
Universidade Federal da Bahia (UFBa), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), do Museu Nacional
do Rio de Janeiro (MNRJ), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Museu de Zoologia da
Universidade de São Paulo (MZUSP), da Universidade Estadual de São Paulo, Campus de Rio Claro (UNESP),
do Centro de Biologia Marinha de Pontal do Sul (CBM) e da Allan Hancock Foundation, Los Angeles.
A ocorrência das espécies foi complementada por levantamento bibliográfico, material cedido por
diversos pesquisadores e através de coletas aleatórias realizadas nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro,
São Paulo e Paraná, no Brasil.
A cada espécie segue-se uma sinonímia restrita, fazendo referência à descrição original e, quando
necessário, ao trabalho que contém melhor descrição e/ou ilustração da espécie considerada.
No item material examinado citam-se no máximo três lotes de um mesmo Estado, evitando uma lista
muito extensa, apesar de termos examinado, na maioria dos casos, um número maior de exemplares em cada
área.
Chave para as espécies da família Porcellanidae do litoral brasileiro
Il. Segmento basal da antena curto, näo projetado para frente em diregäo a margem
da carapaça: segmentos móveis da antena com livre acesso à Orbita............. 2
1 Segmento basal da antena projetado para frente, totalmente em contato com a
margem anterior da carapaça; segmentos móveis da antena separados da órbi-
(E ARNO O ER EEE onooooaocecscosocasess 13
2 (1). Região posterior da parede lateral da carapaça constituída por placas separadas por
membranas..2.2...2 82... HERE o Sad Ao a UR = >
2; Região posterior da parede lateral da carapaça constituída por placaúnica............... 9
32). Eronte com tufo de pêlos; distintol ee. 4
3 Fronte desprovida de’tufo’de pelos......n......... ne 6
4 (3). Carpo e palma com 3 ou mais fileiras longitudinais de tubérculos largos e
achatados;imachosisemipleopodosm a Pachycheles monilifer
4 Carpo e palma sem fileiras longitudinais de tubérculos largos; machos com pleó-
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
ne ao comem ca
Taxonomia e distribuição da família Porcellanidae... 173
5 (4).
s
3.4):
8
10.49).
10
11.9‘).
11'
Carapaça e quelipodos cobertos por granulações finas, formando, no carpo, 2
fileiras longitudinais; cerdas esparsas sobre carpo e palma dos quelípodos
ns SE RCE E LAN Pachycheles haigae
Carapaça sem granulações e com estrias; quelípodo com superfície externa
coberta por cerdas curtas plumosas e algumas cerdas longas não plumosas;
marsemrextenna,dergquelipodo coberta com cerdas 2... nn...
cria ao DR AE A A JS E ae ee Pachycheles chubutensis
Superfície externa do quelípodo lisa; margem anterior do carpo do quelípodo
com lobo lamelar e margem posterior com sulco longitudinal bem marcado
cecaaasadds RE dE ER GO Sa dee NE NAN RD qe e NR Pachycheles riisei
Superfície externa dos quelípodos coberta com granulações finas, dispersas e
sem formar fileiras longitudinais; télson dividido em 7 placas ...............
RE SSB ae ANP DR Pachycheles greeleyi
Superfície externa dos quelípodos coberta por tubérculos geralmente formando
fileiras longitudinais bem marcadas; télson dividido em 5 placas........... 8
Quelípodo com tubérculos largos, pouco proeminentes, tendendo a formar fi-
leiras longitudinais; pólex'com um tubérculo muito proeminente; margem
anterior do carpo com 3-4 dentes largos............. Pachycheles ackleianus
Quelípodos com fileiras longitudinais de tubérculos proeminentes separados
por sulcos profundos; margem anterior do carpo do quelípodo com 3-4
demiesisernilhados unser... Bar nn Pachycheles rugimanus
Carapaça com estrias pilíferas transversais acentuadas................... ti. 10
Carapaça quase lisa ou com rugosidades, principalmente na região posterior da
aa NE esseiusaien a see ul
Um espinho epibranquial proeminente; margem externa da palma muito con-
vexa; hiato dos dedos dos quelipodos com pubescência ............................
EL o e AD Petrolisthes galathinus
Dois espinhos epibranquiais proeminentes; margem externa da palma reta, co-
berta com uma franja de cerdas; hiato dos dedos dos quelípodos sem pu-
E SCE GTA ee er cb psi dito quo aa cravo Petrolisthes rosariensis
Carpo do quelípodo com 2-3 dentes agudos na margem anterior ....................
omné soe 56 o POR S BO Cn 8 ap REF Petrolisthes armatus
12 (11). Margens laterais da carapaça com 1-3 espínulos; superfície do própodo do que-
A
1‘).
TUE o (o ISA vr tn sinn esecnseenenisanger Petrolisthes amoenus
Margens laterais da carapaça sem espinulos; própodo do quelípodo com crista
longitudinal proeminente.........nau-eeuerereesunenereecnnns Petrolisthes marginatus
Dátilo dos pereiópodos terminando em 2 ou mais largos espinhos fixos, com
espínulos ventrais móveis subiguais;carapaça marcadamente mais larga
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
174
13'
14 (13).
14
15 (149.
15)
16 (15).
16'
I7246)):
17
Sa):
18
IS (19):
19;
20 (18).
20'
VELOSO & MELO
que longa; fronte transversal em vista dorsal................... Polyonyx gibbesi
Dátilo dos pereiópodos terminando em único espinho, usualmente com espinulos
móveis na margem; posterior... ss ssa asas tolo E 14
Carapaça muito mais longa do que larga; fronte fortemente tridentada em vista
dorsal; antenas com segmentos móveis minúsculos e flagelo rudimentar;
carpo usualmente com 1-3 fortes espinhos na margem anterior ...............
Fe Re alii bre ee ee Minyocerus angustus
Carapaca mais larga do que longa ou ligeiramente mais longa do que larga; an-
antena com segmentos móveis de tamanhos normais e flagelo desenvolvi-
o À BRERBERGBBE SER OU RAR da nero id A de to GRAN an E Es do ds icioo oo soco asca 3000 16
Fronte muito inclinada, aparentemente arredondada ou ligeiramente trilobada
em vista dorsal, mas fortemente tridentada em vista frontal..................... 18
Margem lateral da carapaça com uma série de espinhos posteriores ao ângulo
epibranquial; dedos de um ou ambos os quelípodos torcidos, fora do plano
da.palmar nee O E a a aid Pisidia brasiliensis
Margem lateral da carapaça sem espinhos posteriores ao ângulo epibranquial;
dedos dosquelípodos semitorção: 2... 2... aa RR RE 10
Margem lateral da carapaça com profundo e estreito entalhe no sulco cervical;
ângulo epibranquial com espinho agudo; carpo do quelípodo com lobo
achatado terminando em espinho............................ Porcellana sigsbeiana
Margem lateral da carapaça sem entalhe no sulco cervical; ângulo epibranquial
com um lobo'arredondado....:..:.: 2. voa eo «RR EBEREEEE 18
Carapaça sem pubescência; hiato entre os dedos do quelípodo sem pêlos longos;
ângulo interno do carpo do quelípodo com lobo largo, sem espinhos no
ÁPICE ms SRA O O Rc a Porcellana sayana
Carapaça com pubescência; hiato entre os dedos do quelípodo com pelos lon-
gos; ângulo interno do carpo do quelípodo com lobo estreito, com espinhos
NO APICE: emas RR a Porcellana platycheles
Margem lateral da carapaça dentada; télson com 5 placas......................... ii...
Ene po ie ode Mv moça een: Megalobrachium soriatum
Margem lateral da carapaça lisa ou ligeiramente granulada; télson com 7 placas
Margem lateral da carapaça perlada; palma com cristas longitudinais granula-
das; carpo do quelípodo com nódulos granulares....Megalobrachium roseum
Região anterior da carapaça e quelípodos erodidos; palma sem cristas longitu-
dinais; terço proximal da margem dorsal do carpo do quelípodo com um
lóbulo prosminente ee Megalobrachium mortenseni
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
Taxonomia e distribuição da família Porcellanidae... 175
Megalobrachium mortenseni Haig, 1962
Megalobrachium mortenseni HAIG, 1962: 189, figs. 2-5.
Material examinado. BRASIL. Paraíba: “Projeto Algas”, Est. 59,6º52'S: 34º98 W,1Q (UFPB - 2930).
Pernambuco: Ponta de Pedras, 1 Q (UFPe); Porto de Galinhas, 1 0,1 S (jovem) (UFPe). Bahia: Abrolhos,
Vigilante, Recife da Lixa, 1 O, 2 Q (UFPb-2870); Abrolhos, Parcel das Paredes, 19 (UFPb - 2864); Prado, 15
(UFPb - 2907). Rio de Janeiro: Prainha, Arraial do Cabo, 4 C, 1 O (ovig.) (MZUSP - 9979). São Paulo: Praia
do Porto, São Sebastião, IQ (ovig.) (MZUSP-9531).
Distribuição. Atlântico ocidental: Antilhas, Panamá, e da Colômbia até o Brasil
(Pará até São Paulo). Pacífico oriental: Golfo da Califórnia ao Panamá.
Habitat. Esta espécie possui preferência por biótopo de pedras, raramente é vista
livre sobre o substrato. Até a profundidade de 30m.
Megalobrachium roseum (Rathbun, 1900)
Porcellana rosea RATHBUN, 1900: 148, pl. 8, fig. 3.
Megalobrachium roseum; HAIG, 1960: 225, 227.
Material examinado. BRASIL. Maranhão: Ponta do Guajuru, Guimarães, 1 on 29 (UFPb - 2962);
Oiteiro, Cedral, 16, 19 (UFPb - 3084). Ceará: Ponta Grossa, Aracati, 2 Q (ovíg.), 2 OS (UFPb - 3048); Ponta
do Mucuripe, Fortaleza, 1 O (UFPe - 3039). Rio Grande do Norte: Sul de Touros, Peroba, 7 O, 4Q (UFPb -
2811); Ponta do Mel, Areia Branca, 1 Q (UFPb - 2968). Paraíba: Praia de Camaçarí, Lucena, 1 © (UFPb -
2854); Cabo Branco, João Pessoa, 1 Q (UFPb - 4820). Pernambuco: Praia do Gaibu, Cabo, 1 O (UFPb - 2942);
Piedade, 1 O (UFPe). Alagoas: Praia do Francês, Marechal Deodoro, 3 ea OQ (UFPb - 2834). Bahia: Pedrão,
Ilha de Itaparica, 1 Q (ovíg.) (UFPb - 2849); Imbaçuaba, 1 OS (UFPb - 2996). Espírito Santo: Ilha do Frade,
Vitória, 2 O (UFES - 080993); Santa Cruz, Aracruz, 1 O (UFES - 08088). Rio de Janeiro: Prainha, Arraial do
Cabo, 1 S (UFRJ); Guaratiba, 1 O (MZUSP - 10656). São Paulo: Pedra do Morcego, Baía de Ubatuba, 2 C
(MZUSP - 11075); Praia do Segredo, São Sebastião, 1 O (MZUSP - 9497).
Distribuição. Atlântico ocidental: Panamá, Colômbia, Venezuela e Brasil (do
Maranhão até São Paulo). Pacífico oriental: Panamá.
Habitat. Em recifes de coral e sob pedras na região intertidal.
Megalobrachium soriatum (Say, 1818)
Porcellana soriata SAY, 1818: 456
Megalobrachium soriatum; HAIG, 1960: 229; WILLIAMS, 1965: 112, fig. 89; 1984: 240, fig. 175.
Megalobrachium walteri RODRIGUES-DA-COSTA, 1968: 406. Syn.n
Material examinado: PANAMÁ: Galeta Point Reef, Ilha Galeta, 2 O (AHF). COLÔMBIA: Burucuca,
20 (ovíg.) (AHF). BRASIL: Paraíba: Recife Quebra Quilha, Tambau, João Pessoa, 1 O (UFPb 1532).
Pernambuco: Forte Orange, 1 O (UFPe), Condepe/Suape, Est. 02, 8º21'S - 34°557'W, 40, 14 Q (6 ovíg.)
(UFPe). Alagoas: Praia do Francês, Marechal Deodoro, 1S' (UFPb - 2892). Bahia: Ilha Santa Bárbara,
Abrolhos, 1 © (UFPb - 2853). Rio de Janeiro: Praia do Pingo D'água, Angra dos Reis, 1 O (MZUSP - 6992).
São Paulo: Pedra do Morcego, Baía de Ubatuba, 1 S (UFRJ).
Distribuição. Atlântico ocidental: Carolina do Norte até a Flórida, Golfo do México,
Caribe, Panamá, Colômbia e Brasil (Ceará até São Paulo). Pacífico oriental: Califórnia e
Panamá.
|
| : 5 . 22: 2
| Habitat. Encontrada em corais, em esponjas e em algas calcárias. Até 54m.
|
|
E IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
ng —
176 VELOSO & MELO
Discussão. M. walteri descrita por RODRIGUES-DA-COSTA (1968) não teve
nenhum dos espécimens-tipos localizados, apesar de um esforço intenso neste sentido.
Contudo, baseando-se em sua descrição, conclui-se que M. walteri é extremamente
semelhante a M. soriatum, espécie que é encontrada tanto no nordeste como no sudeste
brasileiro. As possíveis diferenças encontradas por RODRIGUES-DA-COSTA (1968)
entre M. walterie M. soriatum, estão dentro do gradiente de variação desta última espécie.
Todos os exemplares de M. soriatum identificados neste estudo foram comparados com
exemplares de M. soriatum provenientes do Pacífico.
Minyocerus angustus (Dana, 1852)
Porcellana angusta DANA, 1852: 423; 1855, pl. 26 figs. 12a-c
Minyocerus angustus; STIMPSON, 1858: 229; HAIG, 1956: 30.
Material examinado. BRASIL. Pará: Foz do Tocantins, “Alm. Saldanha”, est. 1765, 2 O (UFPe); “Alm.
Saldanha”, est. 1774, (UFPe). Maranhão: Recife do Timbuba, Poço do Lumiar, 3 Sl OQ (UFPe); “Alm.
Saldanha” est. 1752,3Q (ovig), 2 O (UFPe). Ceará: Praia de Mucuripe, Fortaleza, 1 GS, (MNRJ - 1422). Rio
Grande do Norte: Ponta do Mel, 1 S (UFPb - 2933). Paraíba: Ilha de Restinga, Cabedelo, 1 Ol O) (ovíg)
(UFPb - 3015). Pernambuco: Vila Velha, Itamaracá, est. 05, 1 Q (ovig), 1 O (UFP). Alagoas: Maceió, 1 Q
(UFRJ). Bahia: Itacuruçá, 1 O (MZUSP - 9465); Itapagipe, 19 (MZUSP - 10674). Rio de Janeiro: Marambaia,
1& (UFRJ), Ilha Grande, 10,29 (MZUSP - 7173). São Paulo: Praia do Araça, São Sebastião, 26, 1 Q (ovig.)
(MZUSP - 9476); Ubatuba, 1 S (MZUSP - 9492). Paraná: Saco do Limoeiro, Pontal do Sul, 26,1 Q (CBM).
Distribuição: Atlântico ocidental: Honduras, Panamá, Venezuela, Suriname e
Brasil (Pará até Santa Catarina).
Habitat. A espécie é conhecida como comensal de Luidia senegalensis (Lamarck,
1816) (Echinodermata), (HAIG, 1956), sendo também encontrada em Tethyaster vestitus
(Say, 1825) e em Astropecten spp. (Echinodermata). Ocorre em fundos arenosos na região
intermareal.
Pachycheles ackleianus A. Milne-Edwards, 1880
Pachycheles ackleianus MILNE-EDWARDS, 1880: 36; WERDING, 1977: 174, 175, 188, fig. 10.
Material examinado. BRASIL. Maranhão: “Alm. Saldanha”, Est. 1743 A, 00°51'S: 43°41'W, 19
(UFPe); Proj. GEOMAR, est. 29, 00°38'N: 45º52'W, 1 © (UFPe). Ceará: Aracati, 2 (UFPe). Rio Grande do
Norte: Natal, 1 S (UFPe). Paraíba: Cabo Branco, João Pessoa, 1 Q (ovíg.) (UFPe). Pernambuco: Ponta de
Pedra, 1 © (ovig.) (UFPe); Candeias est. D7, 02°10'S: 39º50'W, 1 Q.
Distribuição. Atlântico ocidental: Flórida, norte do Golfo do México até a Península
de Yucatan, Cuba, Jamaica, St. Thomas, Barbados, Colômbia e Brasil (do Pará até a
Bahia).
Habitat. Encontrada em corais, algas calcárias e esponjas, principalmente as
silicosas. Até 82m.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
Taxonomia e distribuição da família Porcellanidae... 177
Pachycheles chubutensis Boschi, 1963
Pachycheles chubutensis BOSCHI, 1963: 35, figs. 2, 3a, e, g; SILVA et al. 1989: 32.
Material examinado. BRASIL. Rio Grande do Sul: Proj. Gedip: Est. 394, 33º54'S: 52º38W, 4 9, 3 6)
(MZUSP - 7194); Est. 394, 33º54'S: 52°38’W, 7 Q (6 ovig.), 3 O (MZUSP - 7193).
Distribuição. Atlântico ocidental: Brasil (Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e
Argentina.
Habitat. Em fundos arenosos.
Pachycheles greeleyi (Rathbun, 1900)
Pisosoma greeleyi RATHBUN, 1900: 147, pl. VIII, fig. 4.
Pachycheles greeleyi; HAIG, 1966: 352.
Material examinado. BRASIL. Pará: Ponta do Atalaia, Salnöpolis, 1 © (ovíg.) (UFPb - 3000).
Maranhão: Ponta do Guajarú, Guimarães, 2 O. 2 O (ovig.) (UFPb - 3061); Farol de São Marcos, São Luis 3 Q
(UFPe). Piauí: Ilha Grande, Santa Isabel, Parnaíba, 4 O, 2 OQ (ovíg.) (UFPb - 3074). Ceará: Ponta Grossa,
Aracati, 2 O, 2 O (1 ovíg.) (UFPb - 2919); Ponta do Paracurü, 5 O, 3 Q (2 ovíg.) (UFPb - 2805). Rio Grande
do Norte: Ponta do Mel, Areia Branca, 1 O (UFPb - 2818); Pirangi do Sul, Vista Floresta, 1 OS (UFP - 2840).
Paraíba: Ponta do Seixas, João Pessoa, 1 Q (ovíg.) (UFPb 2974). Pernambuco: Piedade, 1 Q (UFPe); Porto de
Galinhas, 1 Q, 1 & (UFPb); Catuama, Goiana, 1 Q (UFPb - 3081). Alagoas: Ponta Verde, Maceió, 10,1 Q
(ovíg.) (UFPb - 3036). Bahia: Ponta do Mutá, Santa Cruz de Cabralia, 1 S (UFPb - 3028); Pedrão, Ilha de
Itaparica, 1 Q (UFPb - 3051). Espírito Santo: Camburi, 49 (ovíg.), 6 O (MZUSP - 9866); Santa Cruz, Aracruz,
8 Q (7 ovig.), 6 O (UFES - 080103).
Distribuição. Atlântico ocidental: Brasil (do Pará até o Espírito Santo).
Habitat. Sob pedras, na região do entre-marés.
Pachycheles haigae Rodrigues-da-Costa, 1960
Pachycheles haigae RODRIGUES-DA-COSTA, 1960: 21, figs. 1-4.
Material examinado: BRASIL. Bahia: Abrolhos, 3 Q (1 ovíg.), | macho (MZUSP - 10594). Espírito
Santo: Ilha do Pacote, Vila Velha, 1 S (UFES - 081304). Rio de Janeiro: Gragoatá, 2 O (MZUSP - 10593);
Ilha de Búzios, Búzios, 3 Q (ovíg.), 1 © (MZUSP - 7172); Boa Viagem, Niterói, 2 O, 4Q (MNRJ - 168D). São
Paulo: Praia do Tenório, São Sebastião, 2 O, 1 (ovíg.) (MZUSP - 9867); Ubatuba (MZUSP - 7178). Santa
Catarina: Ilha de São Francisco, 3 O (ovíg.), 3 O (MZUSP - 9984); Praia Grande, São Francisco do Sul, 2 O)
2 O, 2 jovens (MZUSP - 9020). Rio Grande do Sul: Torres, 2 Q (1 ovig.), 4 O (MZUSP - 6950); Torres, 1 Q
(ovíg.), 1 S (MZUSP - 9017).
Distribuição. Atlântico Ocidental: Brasil (de Pernambuco até Rio Grande do Sul)
e Argentina (Mar del Plata e Miramar, 38º - 39º).
Habitat. Encontrada frequentemente entre pedras, tufos de algas e em regiões com
bancos de mexilhões, com muitas ondas, sem muita areia como substrato. Foi encontrado
grande número, em bóias de sinalização, junto com mexilhões, na Baía da Guanabara.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
178 VELOSO & MELO
Pachycheles monilifer (Dana, 1852)
Porcellana monilifer DANA, 1852: 413.
Pachycheles monilifer; RATHBUN, 1900: 148; HAIG, 1960: 160, p. 33, fig. 4.
Material examinado. BRASIL. Rio Grande do Norte: Ponta Cibauna, Tibau do Sul, 2 O (UFPb - 2977).
Pernambuco: Pau Amarelo, Paulista, 1 O (ovig.), 1 OS (UFPb - 2858); Piedade, 1 O (UFPe - 27105). Alagoas:
Praia do Francês, Marechal Deodoro, 20, 2& (UFPb - 3089). Bahia: Praia do Arembepe, Camaçari, I O (UFPb
- 2023); Ilha Siriba, Abrolhos, 1 Q (ovíg.), 1 OS (UFPb - 2882). Espírito Santo: Ilha do Boi, Vitária, IS (UFES
- 081079); Santa Cruz, Aracruz, 2 O (ovíg.) (UFES - 080100). Rio de Janeiro: Praia do Forno, Arraial do Cabo,
1Q (ovíg.) (MZUSP - 10605); Praia do Abraão, Ilha Grande IQ (ovig.) (MZUSP 9468). Sao Paulo: Ilha
Porchat, São Vicente, 1 Q (ovíg.), 2 O (MZUSP - 10708); Ilha Bela, São Sebastião, 1 © (MZUSP - 9535).
Paraná: Praia de Fora, Ilha do Mel, Paranaguá, 1 OS (MZUSP - 11076). Santa Catarina: Praia Grande, São
Francisco do Sul, 1 O (MZUSP - 9021); Ilha de São Francisco, 2 Q (ovíg.), 2 O (MZUSP - 9977).
Distribuição. Atlântico ocidental: costa leste da Flórida, Golfo do México, Antilhas,
Venezuela até o Brasil (Rio Grande do Norte até Santa Catarina). Pacífico oriental:
Equador.
Habitat. Encontrada sob pedras, na região do entre-marés.
Pachycheles riisei (Stimpson, 1858)
Pisosoma riisei STIMPSON, 1858; 228 (nomen nudum); 1859: 75.
Pachycheles riisei, HAIG, 1956: 12; HAIG, 1962: 182.
Material examinado. BRASIL. Paraíba: Recife Quebra-Quilha, Tambau, João Pessoa, 1 6,2 Q (ovíg.)
(UFPb - 1442). Pernambuco: Gaibü, 1 Q (UFPe); Itamaracá, Est. 28, 1 O Il OQ (UFPe). Alagoas: Praia do
Francês, Marechal Deodoro, 1 Q (ovig.) (UFPb - 2955).
Distribuição. Atlântico ocidental: Flórida, Porto Rico, St. Thomas, Ilhas Virgens,
Barbados, Colômbia e Brasil (Fernando de Noronha, Paraíba, [?] Espírito Santo e [?] São
Paulo.
Habitat. Vive sob pedras, em pedaços de corais, na região do entre-marés com
intenso movimento de água.
Observações. RODRIGUES-DA-COSTA (1965) cita 1 macho e 1 fêmea de
Pachycheles riisei para Guarapari, ES e 2 machos para São Sebastião, SP, na Praia do
Segredo. Entretanto, este material foi perdido, não sendo possível confirmar estas
ocorrências.
Pachycheles rugimanus A. Milne-Edwards, 1880
Pachycheles rugimanus MILNE-EDWARDS, 1880: 36; HAIG, 1956: 12; WILLIAMS, 1965: 108, fig. 8; 1984:
242, fig. 177.
Material examinado. BRASIL. Amapá: Cabo Orange, Projeto Geomar, Est. 208, 04º52'S: 50°31,5'W,
IQ (ovig.) (UFPe). Paraíba: Projeto Algas, Est. 54d., 06º57'S: 34º38 W, 1 O (UFPe-2945); Projeto Algas, Est.
43a., 06º33'S: 34°47'W, 2 O (UFPe-3082)
Distribuição. Atlântico ocidental: Carolina do Norte, Flórida, México até St.
Thomas e Brasil (Amapá e Paraíba).
Habitat. Encontrada em fundo de algas calcárias e recifes.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
Pe
Taxonomia e distribuição da família Porcellanidae... 179
Petrolisthes amoenus (Guérin, 1855)
Porcellana amoena GUERIN-MENEVILLE 1855, pl. 2, fig. 2.
Petrolisthes amoenus; SCHMITT, 1924:74; WERDING, 1977: 198, fig. 17.
Material examinado. BRASIL. Ceará: Fortaleza, 1 fêmea (UFPe). Paraíba: Projeto Algas, Est. 69b,
06º46'S: 34º37'W, 130,9 Q (3 ovíg.) (UFPb - 2837). Pernambuco: Piedade, 1 1.2) OQ (ovíg.) (UFPe - 27138).
Alagoas: Ponta Verde, Maceió, 1 OS (UFPb - 2897). Bahia: Itapoã, 2 Q (1 ovig.), 1 O (UFPe - 2733).
Distribuição. Atlântico ocidental: Flórida, Cuba, Porto Rico, Barbados, Curaçao,
Bonaire, Venezuela, Tobago, Ilhas Virgens, Santa Marta, Granada, Santa Lúcia, Antilhas
e Brasil (do Maranhão até a Bahia).
Habitat. Encontrada em corais, em algas calcárias e esponjas. Até 140m.
Petrolisthes armatus (Gibbes, 1850)
Porcellana armata GIBBES, 1850: 190.
Petrolisthes armatus; STIMPSON, 1858: 227; HAIG 1960: 50, pl. 19, fig. 2.
Material examinado. BRASIL. Maranhão: Oiteiro, Cedral, 2 6,7 Q (4 ovíg.) (UFPb - 3070). Ceará:
Ponta do Paracuru, 1 & (UFPb-2950); Ponta Grossa, Aracati, 1S (UFPb - 3047). Rio Grande do Norte: Ponta
do Cibauna, Timbau do Sul, 26,2 Q (ovíg.) (UFPb - 2807); Pirangi do Sul, 5 Sl OQ (UFPb - 2822). Paraíba:
Cabo Branco, João Pessoa, 2 O (UFPb - 2863); Tambau, João Pessoa, 1 S (UFPb - 3088). Pernambuco:
Catuama, Goiana, 2 O (UFPb - 3067); Praia do Gaibu, Cabo, 3 OQ (UFPe - 2982); Jaboatão, 1 O (UFP - 2899).
Alagoas: Praia do Francês, Marechal Deodoro, 1 ei O (UFPb - 2889). Bahia: Praia de Itapoã, Salvador (UFPb
- 2922); Coroa Vermelha, Mucuri, 2 O (UFRJ); Nova Viçosa, 2 (ep OQ (UFRJ). Espírito Santo: Santa Cruz,
Aracruz, 1 O (MZUSP - 10694); Guarapari, 1 O (ovíg.), 2 O (MZUSP - 9541). Rio de Janeiro: Prainha, Cabo
Frio, 2 O (UFRJ); Ponta do Pontilhão, Ilha de Marambaia, 2 Q( ovíg.),2 O (MZUSP - 10635). São Paulo: Praia
de São Vicente, São Vicente, 1 Q, 1 C' (MZUSP - 7154); Cananéia, 1 © (MZUSP - 7158); Praia do Araça, São
Sebastião, 2Q (1 ovíg.), 1 O (MZUSP - 10634). Paraná: Pontal do Sul, Paranaguá, 1 O (ovíg.) (MZUSP - 9616);
Praia do Encantado, Ilha do Mel, 7 Q, 11 O (MZUSP - 9023).
Distribuição. Atlântico ocidental: Carolina do Norte, Flórida, Golfo do México,
Cuba, Jamaica, Porto Rico, St. Thomas, Barbados, Panamá, até Brasil (do Maranhão até
Santa Catarina). Atlântico oriental: Senegal a Angola. Pacífico oriental: Golfo da
Califórnia, Costa Rica; Equador (Ilhas Galápagos), e Perú.
Habitat. Ocorre na região intermareal, em qualquer esconderijo, sob pedras, corais,
esponjas, bancos de mexilhão, e ostras. Espécie encontrada também em mangues, em
raízes de Rhizophora sp. e Avicenia sp. e em pequenas lagunas. Até 60m.
Petrolisthes galathinus (Bosc, 1801-1802)
Porcellana galathina BOSC, 1801-1802: 233, pl. 6, fig. 2.
Petrolisthes galathinus; HAY & SHORE, 1918: 404, pl. 29, fig. 1; HAIG, 1960: 36, pl. 19, fig. 4; WILLIAMS,
1984: 243, fig. 178.
| Material examinado. BRASIL. Pará: Praia do Maçarico, Salnópolis, 10,1 O (ovíg.) (UFPb - 2918); São
| João de Pirabas, Primavera, 2 Q (ovig.) (UFPb - 2924). Maranhão: Oiteiro, Cedral, 3 ELA OQ (ovig.) (UFPb -
| 2986); Praia do Olho D'água, Ilha de São Luiz, 60,4 O (UFPb - 3075). Piauí: Praia do Coqueiro, Luiz Correia,
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IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
180 VELOSO & MELO
36, 1 Q (UFPb - 3066). Ceará: Ponta do Paracuru, 1 S (UFPb - 2804); Mangue da Prainha, Fortaleza, 1 Q
(ovig.) (UFPb - 3008). Rio Grande do Norte: Enseada da Pititinga, 1 OS (UFPe - 2959); Ponta do Mel, Areia
Branca, 1 O (UFPb - 2950). Paraíba: Praia de Camaçari, Lorena, 19 (UFPb - 3017); Ponta do Seixas, Cabo
Branco, 1 Q (ovíg.) (UFPb - 3042). Pernambuco: Piedade, 1 Q (UFPe - 27104); Vila Velha, 3 S,3 OQ (1 ovíg.)
(UFPe); Forte Orange, Itamaracá, 1 O (UFPe). Alagoas: Porto, Maceió, 5 O, 2 Q (1 ovíg.) (UFPe); Praia do
Francês, Marechal Deodoro, 2& (UFRJ). Sergipe: São Cristóvão, Areia Branca, 86, 8Q (ovíg.) (UFPb - 2829).
Bahia: Santa Cruz de Cabrália, IS (UFPe - 3016); Recife das Lixas, Parcel das Paredes, Abrolhos, 1 O (UFPe
- 2939). Espírito Santo: Ilha das Gaitas, Vitória, IS (UFES - 081091). Rio de Janeiro: Gragoatá, Niterói, 2
Oil Q (MZUSP - 9470); Praia do Pontilhão, Ilha de Marambaia, 2 Gil O (MZUSP - 10668); Praia dos Anjos,
Arraial do Cabo, 2 O, 19 (ovíg.) (MZUSP - 8350). São Paulo: São Sebastião, 1 OQ (MZUSP - 947); Barra de
Santos, (MZUSP - 9855). Santa Catarina: Ponta das Canas, 1 O (MZUSP - 9567).
Distribuição. Atlântico ocidental: Bermuda, Flórida, Bahamas, Golfo do México,
Cuba, Jamaica, Porto Rico, St. Thomas, Curaçao, Panamá, Colômbia, Venezuela e Brasil
(do Pará até Rio Grande do Sul). Atlântico oriental: Costa oesta da Africa. Pacífico
oriental: Golfo da Califórnia, e da Costa Rica ao Perú.
Habitat. Na região intertidal, sob pedras, corais, colônias de anêmonas, esponjas e
ostras; entre raízes de Rhizophora sp. e pneumatóforos de Avicenia sp; em conglomerados
de Mytilus sp. e grupamentos de poliquetas.
Petrolisthes marginatus Stimpson, 1859
Petrolisthes marginatus STIMPSON, 1859: 74; GORE, 1983: 89; fig. 1.
Material examinado. COLÔMBIA. Buccoa Reef, Tobago, 1 (AHF); Burucuca, | O (AHF). BRASIL.
Pernambuco: Fernando de Noronha, 1 O (UFPe).
Distribuição. Atlântico ocidental: Flórida, Porto Rico, St. Thomas, Ilhas Virgens,
Barbados, Colômbia e Brasil (Fernando de Noronha). Atlântico oriental: Africa (Cabo
Verde e Anobbon).
Habitat. Em águas rasas, sob pedras.
Petrolisthes rosariensis Werding, 1978
Petrolisthes rosariensis Werding, 1978: 214.
Material examinado. BRASIL. Paraíba: Tambaú, João Pessoa, 6 O (4 ovig.), 3 SO (UFPb - 4833).
Pernambuco: Candeias, 1 O (UFPe). Alagoas: Ponta Verde, Maceió, 1 Q (ovíg.) (UFPb - 3025). Bahia: Recife
da Lixa, Parcel das Paredes, Abrolhos, 1 S (UFPb - 2855); Ilha de Santa Bárbara, Abrolhos, 1 OS dl O (ovig.)
(UFPb - 2913).
Distribuição. Atlântico ocidental: Panamá, Colômbia e Brasil (Paraíba até a Bahia).
Habitat. Encontrada em ambientes de corais e algas calcárias, raramente sob pedras.
Pisidia brasiliensis Haig, 1968
Pisidia brasiliensis HAIG in RODRIGUES-DA-COSTA 1968: 406.
Material examinado: BRASIL. Pará: Santinópolis, Ponta do Atalaia, 2 Cl O (UFPb 2999). Maranhão:
Cedral, Oiteiro, 146,1 Q (ovíg.) (UFPb - 3083); Ilha São Luiz, São José do Ribamar, 8 GS, 30 Q( ovig.), 1
jovem (UFPb - 3069). Ceará: Ponta Grossa, Aracati, 1 O (UFPb - 2902). Rio Grande do Norte: Peroba, 1 (O)
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Taxonomia e distribuição da família Porcellanidae... 181
(ovíg.) (UFPb - 2814); Areia Branca, Ponta do Mel, 76,6 Q (5 ovíg.) (UFPb - 2949). Paraíba: “Projeto Algas”,
Est. 67b, 6°46'S: 34º33'W, 16, = (ovig.) (UFPb - 3077). Pernambuco: Gaibú, 2 O (UFPe); Piedade, 1 GI
Q (1 ovíg.). Alagoas: Maceió, 2 O (UFRJ). Bahia: Ilha de Itaparica, Itaparica, 1 O (UFPb - 2850). Espírito
Santo: Camburi, 2 O (UFRJ). Rio de Janeiro: Praia do Pontilhão, Marambaia, 2 © (ovíg.), 3 O (MZUSP -
9484). São Paulo: Baía de Ubatuba, 13 Q (10 ovíg.), 8 O (MZUSP - 11073); Ilha Bela, 1 O (MZUSP - 9992).
Distribuição. Atlântico ocidental: Colômbia (Santa Marta e Ilha do Rosário) e
Brasil (do Pará até São Paulo).
Habitat. encontrada em fundo de areia e sob pedras.
Polyonyx gibbesi Haig, 1956
Porcellana macrocheles GIBBES, 1850: 191.
Polyonyx gibbesi HAIG, 1956: 28 nomen novum pro Porcellana macrocheles Gibbes, 1850, non P.
macrocheles Poeppig, 1836 (= Petrolisthes violaceus Guerin); WILLIAMS, 1965: 113, fig. 90; 1984: 244,
1121779.
Material examinado. BRASIL. Ceará: Fortaleza, 1 Q (ovig.) (UFPe - 27685). Pernambuco: Forte
Orange, Itamaracá, 1 Q (UFPe). Bahia: Baía de Aratú, 2 O (UFP). Espírito Santo: Vitória, 2 42 O (ovig.)
(UFES - 080110). Rio de Janeiro: Saco do Céu, Ilha Grande, 1 Q (ovig.) (MZUSP - 10643); Angra dos Reis,
1 9 (ovig.) (MZUSP - 6961). Sao Paulo: Valo Grande, Cananéia, 1 Si! Q (ovíg.) (MZUSP - 6778); São
Sebastião, 2 Q (ovíg.), 1 O (MZUSP - 9491).
Distribuição. Atlântico ocidental: Massachusetts, Carolina do Sul, Flórida, Porto
Rico, Venezuela, Brasil (Ceará ao Rio Grande do Sul) e Uruguai.
Habitat. Ocorre sob pedras, em areia fina e lama, do sublitoral até 15m. Esta espécie
é frequentemente encontradano interior do tubo de Chaetopterus variopedatus (Polichaeta).
Porcellana platycheles (Pennant, 1777)
Pisidia platycheles PENNANT, 1777: 52.
Porcellana platycheles; BOUVIER, 1940: 178, fig. 130.
Porcellana paivacarvalhoi RODRIGUES-DA-COSTA, 1968: 405. Syn.n.
Material examinado. BRASIL. São Paulo: Bairro São Francisco, São Sebastião, 1 O (MZUSP - 8951).
Distribuição. Atlântico ocidental: Brasil (São Paulo). Atlântico oriental: das Ilhas
Canárias até o Cabo Branco, e Mar Mediterrâneo.
Habitat. Espécie encontrada em biótopos de pedras, seixos, cascalho e areia grossa,
raramente vista sobre o substrato.
Discussão. RODRIGUES-DA-COSTA (1968) descreveu sumariamente cinco
novas espécies de Porcellanidae para a costa brasileira das quais duas atribuídas a Haig.
Contudo, suas descrições não se fizeram acompanhar nem das respectivas ilustrações nem
da designação dos tipos e onde estão depositados. P. carvalhoi foi descrita com base em
4 machos e 3 fêmeas procedentes de São Sebastião, SP; apenas foi encontrado um parátipo
no MZUSP (nº 8951). A análise deste exemplar não revelou diferenças morfológicas com
P.platycheles e, assim, não encontramos subsídios para manter a validade de P. carvalho.
A ocorrência de P. platycheles no litoral brasileiro, revela a existência de um padrão de
distribuição pouco comum, já que a mesma se distribui, também, no Atlântico oriental e
Mediterrâneo. Vale a pena ressaltar que, transcorridos 25 anos desde RODRIGUES-DA-
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
182 VELOSO & MELO
COSTA (1968) nenhum outro exemplar dessa espécie foi novamente coletado.
Porcellana sayana (Leach, 1820)
Pisidia sayana LEACH, 1820: 54.
Porcellana sayana; WHITE, 1847: 64; WILLIAMS, 1965: 110, figs. 87; 1984: 245, fig. 180.
Material examinado. BRASIL. Ceará: Fortaleza, 1 O (UFPe). Paraíba: Ponta do Tambaú, João Pessoa,
LS Il O (ovíg.) (UFPb - 3049). Pernambuco: Piedade, Recife, 1 O. Íl Q (ovig.) (UFPe - 27372). Alagoas:
Maceió, 1 © (UFPe). Bahia: Barra, Salvador, 2 O, 1 Q (UFBa); Ilha Siriba, Abrolhos, 1 O (UFPb - 2934).
Espírito Santo: Vitória, 2 O (UFES - 080932). Rio de Janeiro: Ilha Grande, 3 6,3 Q (1 ovíg.) (MZUSP -
9851); Arraial do Cabo, 1 O (MZUSP - 10683). São Paulo: Ubatuba, “Veliger III”, Est. 20, 5 eme Q (4 ovíg.)
(MZUSP - 8814), Ilha de São Francisco, IO (MZUSP - 7269).
Distribuição. Atlântico ocidental: Carolina do Norte, Carolina do Sul, Georgia,
Flórida, Bahamas, Golfo do México, Cuba, Pequenas Antilhas, Panamá, Colômbia,
Venezuela, Brasil (Amapá até Rio Grande do Sul) e Uruguai.
Habitat. Encontrada na região intertidal, fundos de lama, conchas e areia, e como
comensal dos pagurídeos Petrochirus, Dardanus, Paguristes, Pagurus e do gastropoda
Strombus gigas.
Porcellana sigsbeiana A. Milne Edwards, 1880
Porcellana sigsbeiana MILNE-EDWARDS, 1880: 35; WILLIAMS, 1965: 111, fig. 88.
Material examinado. BRASIL. Pará: “Almirante Saldanha”, est. 1926, 02°09'S: 48°15’W, 19 (ovíg.)
(UFPe). Maranhão: “Almirante Saldanha”, est. 1993, 01º10'S: 44º54'W, 1 © (UFPe).
Distribuição. Atlântico ocidental: Massachusetts até Golfo do México, Península
de Yucatan, Cuba, Ilhas Virgens, Colômbia e Brasil (Pará e Maranhão).
Habitat. Espécie euribata, ocorrendo de 27 a 393 metros. Uma fêmea foi encontrada
sobre Tethyaster vestitus (Echinodermata), como um aparente comensal (GORE, 1974).
DISCUSSÃO
Até o presente, não foram encontrados quaisquer exemplares que se assemelhem
a Petrolisthes costai Haig e Pisidia melloleitaoi Costa espécies descritas por
RODRIGUES-DA-COSTA (1968), e cujos tipos não puderam ser encontrados. Por este
motivo, essas espécies não foram tratadas no presente estudo.
Além das espécies discutidas, COELHO (1963/64) cita Megalobrachium poeyi
para a costa brasileira. Posteriormente, COELHO & RAMOS (1972: 175) tornam a se
referir ao mesmo material como Pisidia sp. Atualmente, este exemplar está identificado
como Pisidia brasiliensis.
COELHO & RAMOS-PORTO (1980) mencionam a possibilidade da existência de
3 espécies novas de Pisidia. Contudo, após o exame detalhado deste material, conclui-se
tratar de Pisidia brasiliensis.
As espécies da família Porcellanidae apresentam variações na forma e, às vezes,
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
Taxonomia e distribuição da família Porcellanidae... 183
também no número dos espinhos, dentes e granulações da carapaça e dos quelípodos,
entre indivíduos de uma mesma espécie. Esta variação intra-específica foi constatada em
Pachycheles haigae, P. greeley, Megalobrachium roseum e M. soriatum, as quais,
frequentemente, ocasionam identificações errôneas, em virtudes da dificuldade de se lidar
com estas variações.
Considerações Zoogeográficas. A região das Guianas tem sido citada por COELHO
(1967/69), COELHO-RAMOS (1972) e COELHO et al. (1977/78) como uma barreira
zoogeográfica importante entre os crustáceos decápodos do Atlântico Central e a fauna
tropical brasileira, devido às mudanças abióticas, como diminuição da salinidade e
mudanças no tipo de fundo, que passa de um substrato organogênico no Caribe, para um
predominantemente lamoso na região das Guianas.
Aproximadamente 40 espécies da família Porcellanidae ocorrem na região leste
dos Estados Unidos e Antilhas, das quais 177 apresentam seu limite meridional no litoral
brasileiro. São espécies, na sua maioria, tropicais e estenohalinas termófilas, encontradas
preferencialmente em substratos organogênicos e rochosos. Por conseguinte, a região das
Guianas exerce grande influência na distribuição dos porcelanídeos em direção ao
Atlântico Sul ocidental reduzindo gradativamente o número de espécies ao longo do
litoral brasileiro. Só a partir do sul do Pará e Maranhão, quando começam a reaparecer os
fundos coralígenos e de algas calcárias, que são abundantes na costa do nordeste até o
norte do Espírito Santo, é que retornam as condições propícias para a ocorrência dos
porcelanídeos. Como reforço a estas considerações, é justamente neste trecho do litoral
brasileiro onde se observa o maior número de espécies, 19 no total, excetuando-se, apenas,
Pachychelles chubutensis e Porcellana platycheles.
Na altura do Rio de Janeiro, os substratos organogênicos começam a diminuir até
seu total desaparecimento, devido, principalmente, às mudanças de temperaturas oriun-
das das correntes frias do sul (COELHO et al., 1977/78; MELO, 1985). As mudanças dos
fatores abióticos na região sudeste do litoral brasileiro refletem-se, novamente, na
distribuição dos porcelanídeos, onde as espécies apresentam seus limites meridional e
setentrional conforme sua tolerância térmica ao longo da costa e aos tipos de substratos
encontrados.
Desta forma, podemos caracterizar grupos de espécies conforme seus limites de
tolerâncias térmicas, seguindo os padrões de distribuição geográfica determinados por
MELO (1985).
O gênero Megalobrachium talvez seja um dos mais antigos da família, já que todas
as suas espécies americanas (M. mortenseni, M. soriatume M. roseum) se distribuem nos
dois lados das Américas. Este fato sugere que essas espécies, junto com Pachycheles
monilifer, sejam pré-pliocênicas, época em que ainda existia uma conexão setentrional
entre o Atlântico ocidental e Pacífico oriental.
Mais antigo ainda, parece ser o gênero Petrolisthes que apresenta 5 espécies, sendo
2 (P. galathinus e P. armatus) com distribuição circumtropical.
| Petrolisthes marginatus e Porcellana platycheles apresentam distribuição anfi-
atlântica.
| O maior número de espécies forma um padrão tropical contínuo, desde o Caribe até
| aregião sudeste-sul do Brasil. Fazem parte deste padrão distributivo: Pachychelles riisei,
| P. ackleianus, Petrolisthes rosariensis, P. amoenus, Minyocerus angustus e Pisidia
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
184 VELOSO & MELO
brasiliensis. Este conjunto de espécies chega a este tipo de distribuição aproveitando as
águas quentes da corrente do Brasil.
Porcellana sayana é uma espécie típica de águas temperadas-quentes da região das
Carolinas, e, como parece acontecer com todas as espécies carolinianas contínuas, alcança
o Rio Grande do Sul, podendo chegar ao Uruguai.
Polyonyx gibbesi é uma espécie de águas temperadas-frias da costa Virginiana,
ocorrendo, continuamente, até o Uruguai. Este tipo de distribuição permite prever o
encontro desta espécie no litoral argentino.
Porcellana sigsbeiana também ocorre no litoral da Virginia, mas em profundida-
des bem maiores (363m, segundo WILLIAMS, 1984), onde encontra, a exemplo de
Pachycheles rugimanus, as águas extremamente quentes da Corrente do Golfo. Este fato
talvez justifique o seu limite meridional ser no Maranhão, não ocorrendo nas águas mais
frias da região sudeste sul do Brasil.
A única espécie endêmica para o litoral brasileiro é Pachycheles greeleyi, com
ampla distribuição do Pará ao Espírito Santo.
Pachycheles haigae, embora ocorra, também, ao longo da costa brasileira, chega ao
Uruguai e Argentina, demonstrando ser uma espécie com alta valência ecológica.
Foi encontrada apenas uma espécie com origem em águas sub-antárticas
(Magelânica), Pachycheles chubutensis, que, aproveitando as águas frias das Correntes
das Malvinas, chega até Santa Catarina.
Agradecimentos. Ao Dr. Petrônio Alves Coelho do Dept. de Oceanografia Universidade Federal de
Pernambuco e Dr. Martin Christoffersen da Universidade Federal da Paraíba pelas sugestões, e por facilitar o
acesso às coleções. Ao Dr. Nilton Hebling da UNESP - Rio Claro, à Prof. Vera Abud e Profº. Maria Cristina
Ostrovski da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ao colega Hélio de Santos Sá, da Universidade Federal
do Espírito Santo, pelo empréstimo de material. À Dra. Janet Haig, da Allan Hancock Foundation, e ao Dr.
Bernd Werding do Institut für Allgemaine und Spezielle Zoologie, pelas proveitosas discussões.
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IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 171-186, 30 set. 1993
NOTA CIENTÍFICA
SPONGES FROM THE FLOODED SANDY BEACHES OF TWO
AMAZONIAN CLEAR WATER RIVERS (PORIFERA)
KEYWORDS. Porifera, freshwater sponges, amazonian aquatic habitats.
SIOLI (1956) studied in detail the characteristics of the seasonally flooded areas
along his proposed “clear water” type river 1n the Central Amazonia. He pointed out the
remarkable abundance of fresh-water sponges incrusting the peculiar vegetation of the
“igapós (= floodplain lakes, JUNK & FURCH, 1985), or that along the white-sand
beaches of those rivers. Rio Verde and Rio Tapajós are both clear water rivers (JUNK
& FURCH, 1985).
The junior author sampled sponges along a stretch of the white-sand beach at the
left margin of Rio Verde, close to its mouth in the Jamari River, Rondonia State, on
November, 1988. The sponges incrusted pieces of bark or logs and branches left on the
sand by the lowering waters as well as trunks of the trees along the forest/beach boundary .
The specimens were identified as: Trochospongilla pennsylvanica (Potts, 1882) (MCN
REG 51709, 1713, 2438, 2502, 2508; 2524, 2525, 2528, 2529, 2531, 2570, 2571,
2572, 2573, 2574); Metania fittkaui Volkmer-Ribeiro, 1979 (MCN 1612, 1613, 1616,
1617, 1619, 1678, 1699, 1704, 1706, 1707,1708,1710,1711,1712,2527,2530); Drulia
uruguayensis Bonetto & Ezcurra de Drago, 1968 (MCN 2569); Spongilla spoliata
Volkmer-Ribeiro & Maciel, 1983 (MCN 1620, 1701, 2423, 2526, 2676).
The senior author sampled sponges from the “Praia Vermelha” and from Lago
do Piranha, right margin of the Rio Tapajós at Alter do Chão, Pará State, on October 13,
1991. She also received specimens collected by Mr. Joaquim A. Andrade from Rio
Tapajós, at Praia do Araróa, Santarém, Pará State, on October 13, 1991. At Praia
Vermelha the sand takes on a red tint from the red-sandstone outcrop of Serie Barreiras
which limits the beach inner side. At Praia Vermelha the sponges heavily incrust the
branches and trunks of the sparse bushes and trees thriving on the sand (SIOLI, 1956, fig.
14 photographed this habitat). Some sponge crusts were also found on the outcrops of the
red-sandstone inside the river. At Lago do Piranha a few specimens incrusted the shallow
vegetation along the pond margins. The specimens from Praia da Areia Vermelha were
identified as Drulia cristata (Weltner, 1895) (MCN 2080, 2081, 2082, 2348, 2349, 2353,
2420); Corvospongilla seckti Bonetto & Ezcurra de Drago, 1966 (MCN 2350, 2351):
Trochospongilla paulula (Bowerbank, 1863) (MCN 2403, 2405, 2421, 2675); Drulia
uruguayensis Bonetto & Ezcurra de Drago, 1968 (MCN 2079, 2352, 2404, 2412, 2422,
2429,2575,2577). The specimens from Praia do Araroä were identified as Drulia cristata
(Weltner, 1895) (MCN 2400, 2401, 2417, 2418, 2419); Corvospongilla seckti Bonetto
& Ezcurra de Drago, 1966 (MCN 2576, 2579); Oncosclera spinifera (Bonetto & Ezcurra
de Drago, 1973) (MCN 2580); Drulia uruguayensis Bonetto & Ezcurra de Drago, 1968
(MCN 2425, 2428); Spongilla spoliata Volkmer - Ribeiro & Maciel, 1983 (MCN 2399,
2578, 2581). The specimens from Lago do Piranha were identified as Trochospongilla
paulula (Bowerbank, 1863) (MCN 2402).
All the sampled specimens are deposited in the Porifera Collection of Museu de
Ciências Naturais (MCN), Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Remarks: D. cristata remains as an endemic of the Rio Tapajós. This is the second
register of the occurrence of this species which appeared as a clear dominant in the
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (75): 187-188, 30 set. 1993
188 VOLKMER-RIBEIRO & TAVARES
sampled sites. M. fittkaui is registered for the first time for a river of the “clear water”
category. It had been originally recorded only from small tributaries of the Rio Negro (a
“black water” type river, JUNK & FURCH. 1985) close to its mouth in the Amazon. The
same statement applies to S. spoliata which is now seen to range east to west of the
Amazon Basin. On the other hand, D. uruguayensis, firstly registered from River Uruguay
and next (EZCURRA-DE-DRAGO, 1975) for rivers in the Suriname is now seen to range
from north to south of South America and from east to west of the Amazon Basin.
Ilustrations for the listed species can be found in BONETTO & EZCURRA-DE-
DRAGO (1966, 1968, 1973) for respectively, C. seckti, D. uruguayensis and O.
spinifera; DE ROSA-BARBOSA (1980) for D. cristata; VOLKMER-RIBEIRO &
COSTA (1992) for M. fittkaui, VOLKMER-RIBEIRO & DE-ROSA-BARBOSA (1985)
for T. paulula and VOLKMER-RIBEIRO & MACIEL (1983) for S. spoliata and T.
pennsylvanica.
Acknowledgements. To Dr. Edmundo A. T. Pereira, of Depto. de Estudos de Efeitos Ambientais of
Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (ELETRONORTE), Brasília, for the invitation to participate in the
Faunal Rescue operation at the closing of the Samuel Dam across River Jamari, when the facilities were
provided for a downstream expedition to River Verde.
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CECÍLIA VOLKMER-RIBEIRO! & MARIA DA CONCEICAO M.
TAVARES”. (1) Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotänica do Rio Grande do
Sul, C.P. 1188, 90001-970 Porto Alegre, RS, Brasil. (Pesquisador do CNPq); (2) Curso
de Pós-Graduação em Biociências, Zoologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul, C.P. 1459, 90610-970 Porto Alegre, RS, Brasil.
Recebido em 24.12.1992: aceito em 26.02.1993.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 187-188, 30 set. 1993
NOTA CIENTÍFICA
OBSERVAÇÕES SOBRE ALGUMAS AVES DO SUL DO BRASIL
KEYWORDS. Aves, Southern Brazil, new records.
A avifauna do sul do Brasil é uma das mais conhecidas no país, sobretudo graças
as obras abrangentes de BELTON (1984, 1985) para o Rio Grande do Sul (RS) e de SICK
et al. (1981) para Santa Catarina (SC). Nesta contribuição registra-se a ocorrência de
espécies raras ou pouco conhecidas para esses Estados.
Anas leucophrys Vieillot, 1816 - marreca-de-coleira. Em 10.XII.1989, observamos
um casal em um lago eutrófico, localizado Skm W de Capivari, Palmares do Sul, RS
(30º07'S - 50º30'W, alt.: 10m). Poucas observações sobre esta espécie foram publicadas
para o Rio Grande do Sul. BELTON (1984) menciona somente três registros neste século,
todos do Sudeste do Rio Grande do Sul, um dos quais realizado durante o verão austral.
E. P. Albuquerque (com. pessoal, 1992) registrou, em 11.VII.1976, um casal, na lagoa do
Nicola, Estação Ecológica do Taim, (32º33'S/52º31'W - 32º34'8/52º33' W, alt.: 2m).
Leucopternis polionota (Kaup, 1847) - gavião-pombo-grande. Em 31. V. 1991, um
exemplar foi observado no Morro da Igreja (28º07'S - 49º 27'W, alt.: 1806m), Parque
Nacional de São Joaquim, São Joaquim, SC. A ave caçava em campo, à distância de um
a dois quilômetros de uma mata. IHERING (1898, 1899) relatou a coleta de um exemplar
no Rio Grande do Sul e outro em Santa Catarina. Há regisros de mais três observações,
uma no Rio Grande do Sul (VOSS, 1982) e duas em Santa Catarina (SICK et al., 1981).
Embora seja considerada ave de floresta (SICK, 1985), sobrevoa o campo (VOSS, 1982).
Buteogallus urubitinga (Gmelin, 1788) - gavião-preto. No município de Bom
Jesus, RS, observamos espécimens voando sobre campo: um destes a 7/km W de Silveira,
RS (28º38'S - 49º58 W, alt.: 1100m), em 15.VII.1989, e outro a 3km W de São José dos
Ausentes, RS (28º 44'S - 50º05'W, alt.: 1200m), em 01.VI.1991. BELTON (1984)
constatou a presença desta espécie em alguns pontos do Estado, mas não no extremo do
Planalto, divisa com o Estado de Santa Catarina.
Hydropsalis brasiliana (Gmelin, 1789) - curiango-tesoura. Em 11.X.1991, locali-
zamos um macho numa clareira do bosque ao leste da sede da Estação Ecológica do Taim
(32°32'S - 52º32 W, alt.: Sm), Rio Grande, RS. O bosque é caracterizado pela presença
de Ficus organensis (Miguel) Miguele Erythrina cristagalli Linnaeus, mas parcialmente
alterado por pastoreio de gado. Trata-se de ave comum em diversas regiões do interior do
Rio Grande do Sul (BELTON, 1984). Com esta observação no Taim, confirma-se sua
ocorrência no litoral do extremo sul do Estado.
Pachyramphus validus (Lichtenstein, 1823) - caneleiro-de-crista. Uma fêmea,
identificada conforme descrição de DUNNING (1982) e NAROSKY & YZURIETA
(1987), foi observada em 25.X11.1989, na copa de uma árvore, no vale do Arroio Araçá
(29º09'S - 51º21'W, alt.: 200m), Progresso, RS. Esta espécie é um visitante estival;
raramente observada no Rio Grande do Sul, tendo sido registrada, até o momento, apenas
para as regiões do Planalto e da Serra do Sudeste (BELTON, 1985).
Dolichonyx oryzivorus (Linnaeus, 1758) - triste-pia. Em 15.XII.1989, três exem-
plares, com plumagem de descanso, foram observados 25km NW de São Rafael, Quaraí,
RS (30°18'S - 55°55'W, alt.: 200m), no oeste do Estado. Pousaram durante vários minutos
sobre um arbusto a 40m de distância do arroio Pai-passo e se dedicaram à limpeza da
plumagem, tendo sido identificados pelo desenho característico na cabeça. Esta ave
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 189-190, 30 set. 1993
190 RADTKE & WEBER
migratória da América do Norte passa o inverno boreal principalmente no norte da
Argentina, sendo comum nos pantanais de Corrientes e Entre Rios, Argentina (RIDGLEY
& TUDOR, 1989). Para o Rio Grande do Sul, há apenas uma observação realizada em
1914 (PINTO, 1944).
Habia rubica (Vieillot, 1817) - tiê-da-mata. Em 23 e 26.X11.1989, registramos a
presença de um par e de suas vocalizações no subbosque denso de mata próxima à
confluência do arroio Araçá com o rio Fão (29º09'S - 52º21 W, alt.: 200m), Progresso, RS.
Como esse Thraupidae, frequentemente, oculta-se no interior da mata, dificilmente é
observado. Até o momento, havia sido assinalado no RS apenas na mata do Parque
Florestal Estadual do Turvo (ALBUQUERQUE, 1981) e nas escarpas centro-leste
(BELTON, 1985). |
Saltator similis D'Orbigny & Lafresnaye, 1837 - trinca-ferro de-asa-verde. Em 24
e 25.X11.1989, observamos um indivíduo em arbustos na orla da mata no vale do arroio
Araçá (29º09'S - 52221 W, alt. - 200m), Progresso, RS; foi identificado pela garganta
branca, estria malar, e lista superciliar branca. Até o momento, foi constatada no nordeste
do Rio Grande do Sul, onde ocorre sobretudo nas escarpas e para o oeste do Estado,
especialmente na bacia do Rio Ibicuí (BELTON, 1985).
Agradecimentos. Ao Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD) pelos auxílios concedidos.
Trabalho realizado através do convênio da PUC/RS com a Universidade de Tübingen, Alemanha.
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der Morgenstelle 28, Tübingen, RF Alemanha.
Recebido em 4.11.1991 (1º versão) e 10.03.1993 (2: versão); aceito em 24.04.1993
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 189-190, 30 set. 1993
e —
191
O periódico IHERINGIA, SÉRIE ZOOLOGIA editado pelo Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica
do Rio Grande do Sul, destina-se a publicar trabalhos originais em Zoologia. E distribuído a Instituições congêneres em
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Scientific Periodicals”. Exemplos:
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claras explicações que permitam sua compreensão sem consultas ao texto. As figuras e tabelas não devem ser incluídas no
meio do texto e devem estar identificadas no verso.
6. A elaboração da listagem do material examinado deve dispor as localidades do Norte para o Sul e de Leste para
Oeste e as siglas das instituições compostas de 4 letras segundo o modelo abaixo:
Ex.: VENEZUELA. Sucre: San Antonio del Golfe, 5 Q 08.V.1942, S. Karpinski col., (MNHN, 2547). PANAMA.
Chiriqui: Bugaba (Volcan de Chiriqui), 3 6,3 Q, 24.V1.1901, Champion col. (BMNH, 1901). BRASIL. Goiás: Jataí,
(Fazenda Aceiro), 3 ©, 15.X1.1915, C. Bueno Col. (MZSP, 4312); Paraná: Curitiba, 1 2, 10.X11.1925, F. Silveira col.
(MNRJ); Rio Grande do Sul: Viamão, 5 ©. 17.X1.1943, S. Carvalho col. (MCNZ, 2147).
7. A seleção dos manuscritos far-se-á pela Comissão Redatorial após parecer de no mínimo dois referees.
Alterações de pequena monta serão feitas pela própria Comissão. Alterações mais substanciais serão solicitadas aos autores,
mediante a devolução dos originais, acompanhados das sugestões. As provas tipográficas não serão enviadas ao (s) autor (es),
exceto em caso excepcionais.
8. Para cada artigo será fornecido, gratuitamente, um número fixo de 50 separatas, sem capa.
Maria Helena M. Galileo
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192
CONSULTORES CIENTIFICOS
* Arno A. Lise, Instituto de Biociências, PUC-RS, Porto Alegre, RS.
e Abel Lavorenti, Departamento de Zootecnia, ESALQ, Piracicaba, SP
« Alfredo Langguth, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ
* Ana Maria Setúbal Vanin, Instituto Oceanogräfico, USP, São Paulo, SP.
« Ângelo B.M. Machado, Departamento de Zoologia, UFMG, Belo Horizonte, MG
e Arnaldo C. dos S. Coelho, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ
e Carlos Emílio Benvenuti, Departamento de Biologia-Bentos, Rio Grande, RS
e Carlos H. W. Flechtmann, Departamento de Biologia, ESALQ, Piracicaba, SP
e Carlos Ribeiro Vilela, Departamento de Biologia, USP, São Paulo, SP
« Carlos Roberto Brandão, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP
e Cleide Costa, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP
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* Dalton de Souza Amorim, FFCLRP, USP, Ribeirão Preto, SP
« Dante Martins Teixeira, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ
« Diethardt A. Jebram, Instituto de Biociências, PUC-RS, Porto Alegre, RS
* Dilma Solange Napp, Departamento de Zoologia, UFPR, Curitiba, PR
* Edmundo Ferraz Nonato, Instituto Oceanográfico USP, São Paulo, SP
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« Elenita G. Goldstein, Setor de Ensaios Biológicos, CETESB, São Paulo, SP
« Eleonora Trajano, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
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* Fernando da Costa Novaes, Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, PA
« Francisco M. de Souza Braga, Instituto de Biociências, UNESP, Rio Claro, SP
« Gilberto Righi, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
* Gustavo A. Schmidt de Melo, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP
* Heraldo A. Britski, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP
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* Jaime Loyola e Silva, Departamento de Zoologia, UFPR, Curitiba, PR
e Janira Martins Costa, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ
* João M.F. Camargo, FFCLRP, USP, Ribeirão Preto, SP
* João Oldair Menegheti, Museu de Ciências Naturais, FZB, Porto Alegre, RS
« Jocélia Grazia, Inst. de Biociências UFRGS, Porto Alegre, RS
« José Albertino Rafael, Coordenação de Pesq. em Entomologia, INPA, Manaus, AM
« José Cândido de Melo Carvalho, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ
e José Felipe R. Amato, Instituto de Biologia, UFRRJ, Seropédica, RJ
+ José Henrique Guimarães, Inst. de Ciências Biomédicas, USP, São Paulo, SP
« José Lima Figueiredo, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP
e José Luiz M. Leme, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP
« José Ricardo Cure, Departamento de Biologia, UFViçosa. MG
« José W. Thomé, Instituto de Biociências, PUC-RS, Porto Alegre, RS
« Julio Cesar Garavello, Depto. de Ciências Biológicas, UFSCar, São Carlos, SP
e Liliana Forneris, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
* Lindolpho Guimarães, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP
* Luiz Carlos B. Ferraz, ESALQ, Piracicaba, SP
* Luiz Octávio M. Machado, Depto. de Zoologia, UNICAMP, Campinas, SP.
* Luiz D. Vizotto, Instituto de Biociências, UNESP, São José do Rio Preto, SP
* Luiz Roberto Tommasi, Instituto Oceanográfico, USP, São Paulo, SP
« Maria Elena Galiano, Museu de C. Nat. “B. Rivadavia”, Buenos Aires, Argentina
« Maria Júlia da Costa Belém, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ
* Marlene Sofia Arcifa, Faculdade de Ciências, USP, Ribeirão Preto, SP
e Martin L. Christoffersen, Depto. de Sist. e Ecol., UFPB, João Pessoa, PB
* Massuka Yamane Narahara, Instituto de Pesca, São Paulo, SP
* Miriam Becker, Instituto de Biociências, UFRGS, Porto Alegre, RS
* Miguel A. Monné, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ
e Miguel T. U. Rodrigues, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
* Miguel Petrere Júnior, Instituto de Biociências UNESP, Rio Claro, SP
* Nilton José Hebling, Instituto de Biociências, UNESP, Rio Claro, SP
* Naércio Menezes, Museu de Zoologia, USP, São Paulo
* Nelson Papavero, Instituto de Estudos Avançados, USP, São Paulo, SP
* Osmar Domaneschi, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
* Paulo da Cunha Lana, Centro de Biologia Marinha, UFPR, Paranaguá, PR
* Pedro Marcos Linardi, Instituto de Ciências Biológicas, UFMG, Belo Horizonte, MG
* Petrônio Alves Coelho, Departamento de Oceanografia, UFPE, Joboatão, PE
* Reimar Schaden, CNPq, Brasília, DF
* Renato €. Marinoni, Departamento de Zoologia, UFPR, Curitiba, PR
* Roberto B. Cavalcanti, Departamento de Biologia Animal, UnB, Brasília, DF
* Roberto E. dos Reis, Museu de Ciências, PUC-RS, Porto Alegre, RS
* Roberto Sassi, Núcleo de Pesquisas de Recursos do Mar, UFPB, João Pessoa, PB |
* Raúl Ugarte Moreno, Universidad de Valparaiso, Chile |
* Rubens Alves Cunha, Depto. de Matemática e Estatística, UNESP, Rio Claro, SP
* Sérgio de Almeida Rodrigues, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
* Sérgio Antônio Vanin, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
* Sônia Maria L. Garcia, Instituto de Biologia, UFRGS, Porto Alegre, RS |
* Suzana B. Amato, Instituto de Biologia, UFRRJ, Seropédica, RJ |
* Sylvia M. Lucas, Instituto Butantan, São Paulo, SP |
* Ubirajara R. Martins de Souza, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP |
* Valdir A. Taddei, Instituto de Biociências, UNESP, São José do Rio Preto, SP. |
* Victor Py-Daniel, Coordenação de Pesquisas em Entomologia, INPA, Manaus, AM
* Walter Narchi, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP |
* Walter R. Terra, Instituto de Química, USP, São Paulo, SP |
* Werner Bokermann, Fundação Parque Zoológico de São Paulo, SP |
* Wladimir Lobato Paraense, Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ. |
* Woodruf W. Benson, Departamento de Zoologia, UNICAMP, Campinas, SP
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (75): 192, 30 set. 1993
un
Iheringia
Série Zoologia
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Lagoa Emboaba, Rio Grande do Sul, Brasil. (Characiformes, Curimatidae) ...uunnsneneennennennnnenn
NOTA CIENTÍFICA
“CLAPS, M.C. & SAMPÓNS, M.R. First record of Lagenophrys discoidea Kellicott (Ciliophora, Peritricha,
Lagenophryidae), ectocommensal of argentinian ostracods ..........csesisesseeseseserereeacenecerereracenerseanesareceneias
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167
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Série Zoologia
Sér. Zoologia | Porto Alegre p. 1-176 | 2 mar. 1994
A revista IHERINGIA, Sér. Zool. é editada pelo Museu de Ciências Naturais, órgão
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e destina-se à divulgação de trabalhos científicos originais, inéditos, resultantes de pesquisa
em Zoologia
Este número foi editado e impresso na gráfica Pallotti em fevereiro de 1994.
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Iheringia, Sér. Zoologia. v.1, 1957 -
Porto Alegre, RS - Brasil, Museu de Ciências Naturais
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1. Zoologia-Periódicos - Brasil.
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ORGANISMOS EPIZOICOS DE AMPHISBETIA OPERCULATA
(L.) (CNIDARIA, HYDROZOA)
Gabriel N. Genzano !
ABSTRACT
EPIZOIC ORGANISMS OF AMPHISBETIA OPERCULATA (L.) (CNIDARIA, HYDROZOA).
Colonies of Amphisbetia operculata (L.), found in the littoral of Mar del Plata, Argentine (38º 08° S-57° 31’
W) were analyzed and a check list of sessile epizoites of this hydroid is presented. The qualitative and quantitative
annual variation of the epizoites, specially hydroids and bryozoans was analyzed. The distribution and
concentration of the bryozoans Celleporella sp. and Osthimoshia sp. in distinct heights of hidrocaulus of
Amphisbetia were discussed.
KEYWORDS. Sertulariidae, Amphisbetia, sessile epizoites, distribution.
INTRODUCCION
Amphisbetia operculata (L.) (Sertulariidae) tiene distribuciön cosmopolita, y es
muy común en el Atlântico Sur. En la plataforma argentina es la forma hidroide más
frecuente, y fácil de encontrar en las orillas del mar formando densos manojos arrastrados
por las olas (BLANCO, 1963; 1976).
Enelinfralitoral de Mar del Plata puede hallarse fijada a sustratos duros generalmente
asociada a valvas de Mytilus platensis d'Orbigny, 1846 (Mollusca) (OLIVIER et al.,
1968).
Su gran tamafio de hasta 35 cm de altura (BLANCO, 1966), sumado a su profusa
ramificación y su permanencia en el sistema bentónico le permite albergar en sus caulos
un gran cantidad de epibiontes (GENZANO, 1990).
Se presenta aquí un listado sistemático de los epibiontes más comunes hallados
sobre los caulos de 4. operculata, analizando las epibiosis causadas por otros pólipos
hidrozoos y también la diversidad de los briozoos hallados, su abundancia en las distintas
alturas de las colonias del hidroide y su distribución a través del afio.
1. Facultad de Ciencias Exactas y Naturales. Departamento de Ciencias Marinas. Laboratorio de Biologia de Cnidarios. Funes 3250 (7600) Mar
del Plata. Argentina.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 3 - 8, 2 mar. 1994
4 GENZANO
MATERIALES Y METODOS
Los ejemplares de 4. operculata fueron recolectados en las playas del litoral de Mar del Plata (38º 08'
S - 57° 31' W) entre diciembre de 1988 y agosto de 1990.
El material fué fijado en solución de formaldehido al 5% y sus epibiontes fueron determinados hasta el
menor nivel taxonómico posible. En el listado de los mismos solamente se consideró los organismos fijos.
Debido a que el material provenia de la resaca los epibiontes móviles no fueron tenidos en cuenta.
Los estudios cuantitativos se realizaron en base a los muestreos mensuales correspondientes al período
enero - agosto de 1990. Solo para el estudio de la variación anual de los briozoos se utilizaron las recolectas del
ano 1989. Material recolectado en enero y junio de 1989 fué utilizado para completar un listado sistemático más
amplio de los epizoicos de 4. operculata.
Para confeccionar los gráficos de frecuencia de epibiontes fueron agrupados los muestreos según las
épocas de verano, otofio e invierno; el correspondiente al período primavera no se realizó debido al escaso
material colectado en ésta época.
De la colecta de enero de 1990, 30 colonias fueron divididas desde la base hasta el ápice a intervalos de
1,5cm de extensión a fin de contabilizar los caulos que albergaban Celleporella sp. y Osthimoshia sp. (Bryozoa).
Los zooides de estos briozoos también fueron contabilizados y la diferencia de concentración de los mismos en
las distintas alturas del pólipo se evaluaron mediante una análise de ANOVA. La homoscedasticidad de las
varianzas se comprobó mediante el test de Barlett (SOKAL & ROHLF, 1969).
RESULTADOS
El gran tamafio que alcanzan las colonias de A. operculata, sumado a su abundancia
y presencia constante en el sistema bentönico en las distintas épocas del ano, permite a éste
hidrozoo servir de sustrato a una gran diversidad de epibiontes (tabla I).
Los organismos epibiontes hallados con mas frecuencia en las distintas estaciones
del afio analizadas son los briozoos (fig. 1), en menor grado siguen los hidrozoos aunque
éstos carecen de importancia en invierno, aligual que el alga Pterosiphonia sp. (Rodophyta).
En otofio es mayor la frecuencia de ejemplares de Mytilus platensis cuyas valvas
jamas superan los 3 mm de largo.
En invierno la totalidad de los epibiosis son causadas por briozoos.
La abundancia de las distintas especies de briozoos a lo largo del afio (fig. 2)
muestra que en el período estival más del 90% de las colonias de 4. operculata pueden
haliarse colonizadas por briozoos y si bien ese porcentaje decrece a partir del otofio
siempre se mantiene en niveles altos.
En cuanto a la diversidad y dinámica de los briozoos Celleporella sp. es la especie
más abundante y aunque existe poco material en los períodos correspondiente a fines de
invierno y a la primavera las observaciones indicaron que ésta especie es la única
presente en este lapso.
Es importante destacar que Osthimoshia sp. es más frecuente en verano, donde
incluso supera en abundancia a Celleporella sp. (fig. 1). Los demás briozoos tienen una
importancia escasa e incostante a lo largo del afio.
Se ha observado que los porcentajes de hidrocaulos colonizados por briozoos son
mayores en las zonas basales (fig. 4). En las porciones distales de las colonias, la
presencia de Celleporella sp. disminuye notablemente y desaparece en alturas mayores
a 6cm. No se observa lo mismo para Osthimoshia sp., y esta especie comienza a
desaparecer a partir de alturas mayores de 7,5cm, donde es raro hallar algún epibionte.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 3 - 8, 2 mar. 1994.
Organismos epizoicos de Amphisbetia operculata... 5
TABLA I: Listado sistemático de los epibiontes hallados sobre Amphisbetia operculata (L.).
División Chrysophyta
Grammatophora sp.
Licmophora abreviata Agardh, 1831
Rhabdonema sp.
División Rodophyta
Ceramnium sp.
Pterosiphonia sp.
Phylum Ciliophora
Vorticella sp.
Phylum Cnidaria
Orden Anthomedusae
Familia Corynidae
Sarsia sarsii (Loven, 1836)
Familia Bougainvillidae
Bimeria vestita Wright, 1859
Orden Leptomedusae
Familia Campanulariidae
Campanularia hincksii Alder, 1856
C. subantartica Millard, 1971
Clytia gracilis (Sars, 1851)
Familia Haleciidae
Halecium delicatulum Coughtrey, 1876
Familia Plumulariidae
Plumularia setacea (Linnaeus, 1758)
P. pulchella Bale, 1882
Familia Sertulariidae
Sertularella striata Stechow, 1923
Phylum Entoprocta
Pedicellina sp.
Phylum Bryozoa
Aetea anguina (Linné, 1758)
Membranipora tuberculata (Bosc, 1802)
Exochella longirostris Jullien, 1888
Celleporella sp.
Osthimoshia sp.
Crisia patagonica d'Orbigny, 1847
Phylum Mollusca
Mytilus platensis d'Orbigny, 1846
Phylum Chordata
Subphylum Tunicata
Los promedios de zooides de éstos briozoos en los distintos niveles de las
colonias (fig. 3) presentan a Celleporella sp. con una abundancia mayor de zooides en
la base de los caulos de 4. operculata (p<0.01); en cambio no se observan diferencias
acentuadas en la concentración de zooides de Osthimoshia sp. en las distintas alturas de
los caulos (p>0.01).
La frecuencia de hidrozoos hallados sobre los caulos de 4. operculata muestra
que la mayoria de estas epibiosis se registran en verano (mäs de un 80% de las mismas),
merced a las características de oportunistas que poseen la gran mayoria de los hidroides
epibiontes, con una abundancia marcadamente estacional y una amplia capacidad de
colonizar sustratos (LLOBET et al., 1986).
A principios de otofio solo se registran algo menos del 20% de éstas epibiosis y
debidas exclusivamente a Clytia gracilis (Sars, 1851) y a Bimeria vestita Wright, 1859
(Cnidaria).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 3 - 8, 2 mar. 1994
6 GENZANO
DISCUSION
Los hidrozoos y los briozoos se destacan ya sea por su abundancia y constancia
como por su especificidad.
La importancia de 4. operculata como sustrato de otras especies de hidrozoos fué
destacada anteriormente (GENZANO, 1990). En el presente estudio se hallaron nueve
especies de hidrozoos. Si bien la mayoria de ellos son hallados usualmente en el litoral,
colonizando distintos sustratos vivos, otros como Sertularella striata Stechow, 1923 y
Plumularia pulchella Bale, 1882 (Cnidaria) se encuentran con mayor frecuencia y
abundancia sobre las colonias de 4. operculata más que sobre otro tipo de sustrato
(GENZANO, 1990). |
Las formas simples (estoloniales o reptantes) de pequenia talla y morfologia poco
compleja son las más frecuentes dentro de los procesos de epibiosis (LLOBET et al.,
1986) de alli que sean los Campanulariidae los hidrozoos más comunes de hallar sobre los
caulos de 4. operculata.
Estos hidrozoos epibiontes poseen en general crecimiento acelerado y se
comportan como oportunistas (LLOBET et al., 1986), lo que explica su gran frecuencia
en el período estival para decrecer y desaparecer en los períodos posteriores.
Es muy común hallar briozoos colonizando a A. operculata, alcanzando porcentajes
que pueden variar desde un 20-30% del total de las colonias , en invierno, hasta más de
un 90% en verano.
S1 bien se hallaron seis especies de briozoos epibiontes, cuatro son las que tienen
presencia más o menos constante a lo largo del afio: Celleporella sp.; Osthimoshia sp. y
en mucho menor grado Aetea anguina L., 1758 y Membranipora tuberculata (Bose,
1802) (Bryozoa).
HUGHES (1975) destacó que la distribución de ciertos briozoos sobre los caulos
del hidroide Nemertesia antennina (L) estaria relacionada con su tolerancias al depósito
de material. Es posible que Aetea anguina que crece en forma estolonial a lo largo de los
caulos de Amphisbetia operculata evite de ésta forma ser sepultada por los sedimentos.
Membranipora tuberculata, Osthimoshia sp. y Celleporella sp. son briozoos
incrustantes que a menudo cubren grandes secciones de caulos de 4. operculata, tapando
en forma total sus hidrantes e incluso las gonotecas, por lo que ésta relación no debe
simplificarse a una simple epibiosis ya que existiria también competencia por espacio y
alimento.
Tanto Membranipora tuberculata como Celleporella sp. usualmente crecen
también sobre el mismo sustrato (generalmente mitilidos) donde se fijan las colonias de
A. operculata y muchas veces extienden su crecimiento sobre los caulos de las colonias.
Debido a ésto, Celleporella sp. crece siempre en las zonas basales de las colonias y su
concentración de zooides es mucho mayor en los primeros centimetros de los caulos
(p<0.01). Osthimoshia sp. en cambio crece indistintamente en las distintas alturas
(p>0.01), y a diferencia de los briozoos anteriores, éste se fija directamente sobre los
caulos de las colonias del sertularido.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 3 - 8, 2 mar. 1994.
Organismos epizoicos de Amphisbetia operculata... 7
Agradecimientos: Al Dr. J. J. Lopez Gappa (Museo Bernardino Rivadavia, Buenos Aires) por la
determinación de los Bryozoa y al Dr M. Zamponi (Universidad Nacional de Mar del Plata), Dra. E. Schlenz
(Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, Brasil) y la Dra. M. J. da Costa Belém (Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, Brasil) por la lectura crítica del manuscrito y sus valiosas
sugerencias.
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Recebido em 20.04.1992; (1º versão) e 29.06.1993 (2º versão); aceito em 04.08.1993.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 3 - 8, 2 mar. 1994
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zooides
25
o Osthimoshia sp
O Celleporella sp
O caulos con briozoos (total)
“eee. O Caulos con Celleporella sp
EE pro À caulos con Osthimoshia sp
6
3 altura (cm.)
-
(e
=
=
--
S
"OooonooneseeneaQ. “ooo000000
altura (cm.)
Figs. 1-4. Amphisbetia operculata (L.). 1. Frecuencia relativa de las epibiontes; 2. Varaciön anual de la
colonizaciön por briozoos; 3. Promedios y desvios estandar de los zooides en las distintas alturas de los
hidrocaulos; 4. Variaciön en los porcentajes de hidrocaulos colonizados en las distintas alturas del hidrozoo.
(A, 4. anguina; C, Celleporella sp.; H, Hidrozoos; M, M. tuberculata; Mi, Mytilus platensis; O, Osthimoshia
sp.; Pt, Pterosiphonia sp.)
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 3 - 8, 2 mar. 1994.
UNA METODOLOGIA PARA ESTUDIOS CUANTITATIVOS DE LOS
CNIDOCISTOS (ACTINIARIA, ACTINIIDAE)
Mauricio O. Zamponi !?
Fabián H. Acuna !*
ABSTRACT
A METHODOLOGY FOR QUANTITATIVE STUDIES OF CNIDOCYSTS (ACTINIARIA,
ACTINIIDAE). The number of cnidocysts to be measured and how many individuals to be used in taxonomical
and morphological research are evaluated. Cnidocysts size is independent of the number of the specimens in the
three studied species; the mean size (X) of the cnidocysts do not differ. To measure a great amount of cnidocysts
from different specimens than work with 100 cnydocysts from only one individual is recommended. However
when the samples are limited it is also valid to measure a great amount of one specimen since the mean value is
similar.
KEYWORDS. Cnidaria, Actiniaria, cnidocysts, quantitative analysis.
INTRODUCCION
Los cnidocistos, también denominados células urticantes, han sido objeto de estudio
durante varias décadas. Sin embargo aún no existe un criterio definido sobre el número de
células que tiene que ser medido para su empleo en las diagnosis taxonömicas y para
cuantificar las variaciones de tamafio observadas entre indivíduos de una misma especie.
FAUTIN (1988) considera que, en la medida de lo posible, debe indicarse el número de
los enidocistos observados y de donde proceden los ejemplares estudiados, ya que existe
disparidad en las metodologias empleadas. Blanchard (in FAUTIN, 1988) analizó el
cnidoma del acontia en Diadumene cincta Stepehenson, 1925; midiendo 100 cnidocistos
de cada tipo, provenientes de 10 especimenes.
El objetivo es verificar si las tallas de los diversos cnidocistos varian con el número
de ejemplares empleados.
1. Facultad de Ciencias Exactas y Naturales. Departamento de Ciencias Marinas. Laboratorio de Biologia de Cnidarios. Funes 3250, 7600 Mar del
Plata. Argentina.
2. Carrera del Investigador Científico del CONICET.
3. Becario del CONICET.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 9 - 13, 2 mar. 1994
10 ZAMPONI & ACUNA
MATERIALES Y METODOS
El material estudiado procedió del piso mesolitoral (HMM-HMI) (terminologia según PERES, 1961)
del litoral marplatense (38º05'S - 57°32'W), y estuvo constituído por las especies Phymactis clematis Dana,
1849; Bunodactis reynaudi Milne-Edwards, 1857 y B. marplatensis Zamponi, 1977 (Actiniaria, Actiniidae).
Dicho material se halla depositado en el Departamento de Ciencias Marinas de la Facultad de Ciencias Exactas
y Naturales (UNMdP).
El material fue mantenido en acuarios con agua de mar aireada, para poder realizar los análisis
referentes al cnidoma de la corona tentacular y la columna (tab. I - III). A tal efecto se midieron 1525 cnidocistos.
Tabla I. Comparación de los cnidocistos de Phymactis clematis referente al cnidoma de la corona tentacular y
la columna.
Tentáculo Columna
espirocisto microbásico p- microbásico b-
mastigóforo mastigóforo
Nº de individuos 1 6 1 7 1 10
Nº de cnidocistos 100 60 100 70 100 100
Tabla II. Comparación de los cnidocistos de Bunodactis reynaudi referente al cnidoma de la corona tentacular
y la columna.
Tentáculo Columna
espirocisto microbásico b- microbásico b- atrichio
mastigóforo mastigóforo
Nº de individuos 1 3 1 2 1 3 13
Nº de cnidocistos 100 75 100 50 100 75 100 75
Tabla III. Comparaciön de los cnidocistos de Bunodactis marplatensis referente a la columna y los atrichio.
Columna
microbásico b- mastigóforo atrichio
Nº de individuos 1 3 1 3
Nº de cnidocistos 100 60 100 60
La metodologia empleada para el análisis de los cnidocistos fue la utilizada por HAND (1954) y el
reconocimiento de los mismos fue basado en el sistema de WEILL (1934) modificado por CARLGREN (1949).
El análisis estadístico estuvo centrado en la comparación de las tallas medias obtenidas, para lo cual se
aplicó el test de diferencia de medias de dos muestras cuyas varianzas son iguales y el test de diferencias de
medias de dos muestras cuyas varianzas son distintas. La homogeneidad de varianzas muestrales fue testeada
mediante el test F. Previo a este análisis estadístico fue realizado el ANOVA para verificar que los cnidocistos
tomados de varios indivíduos constituyeran un solo grupo estadisticamente. En todos los casos se empleó un
nivel de significación de 0,005 a fin de tener más probabilidades de aceptar la hipótesis nula de igualdad de
medias. Los test utilizados se basan en SOKAL & ROHLF (1969).
RESULTADOS
Phymactis clematis Dana, 1849.
Tentáculo. Los espirocistos de los seis indivíduos en base al ANOVA (F= 0,51) son
considerados como un único grupo. Las varianzas de los dos grupos constituídos por un
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 9 - 13, 2 mar. 1994
Una metodologia para estudios cuantitativos ... 11
ejemplar y seis ejemplares de acuerdo al test son estadisticamente iguales (F= 1,46). Las
medias de ambos conjuntos no presentan diferencias estadisticas (tab. IV).
Tabla IV. Talla comparada de los espirocistos en tentäculo de Phymactis clematis (n.s.= no significativo).
Nº de indivíduos “hl 6
Nº total de cnidocistos 100 60
x 15,28 um 14,59 um
o en, 1,46
t 1,89 n.s.
Columna. Los microbäsico p-mastigöforo de los siete individuos en base al
ANOVA son considerados un sölo grupo (F=0,92). Las varianzas de los dos grupos
constituídos por un ejemplar y siete ejemplares de acuerdo al test de Fisher son distintas
(F=2,48). Las medias de ambos conjuntos son estadisticamente iguales (tab. V). Los
microbásico b-mastigóforo de los diez indivíduos en base al ANOVA (F=2,85) son
considerados como único grupo. Las varianzas de los dos grupos constituídos por un
ejemplar y diez ejemplares de acuerdo al test F son iguales (F= 1,27). Las medias de
ambos conjuntos son estadisticamente iguales (tab. V).
Tabla V. Talla comparada de los microbäsico p- y b- mastigóforo de columna de Phymactis clematis (n.s.= no
significativo).
Nº de indivíduos 1 7 1 10
Nº total de cnidocistos 100 70 100 100
x 17,18um 16,85um 12,27um 12,77um
o 2,07 1852 1,57 1,40
t 0,37 n.s. 2,36 n.s.
Bunodactis reynaudi Milne-Edwards, 1857.
Tentáculo. Los espirocistos de los tres indivíduos en base al ANOVA son consi-
derados un grupo único (F= 5,69). Las varianzas de los dos grupos constituídos por un
ejemplar y tres ejemplares de acuerdo al test F son distintas (F= 4, 23). Las medias de
ambos conjuntos son estadísticamente iguales (tab. VI). Los microbásico b-mastigóforo
de los dos indivíduos en base al ANOVA son considerados un único grupo (F= 0,98).
Las varianzas de los dos grupos constituídos por un ejemplar y dos ejemplares de
acuerdo al test F son iguales (F=2,00). Las medias de ambos conjuntos son
estadisticamente iguales (tab. VII).
Tabla VI. Talla comparada de los espirocistos en tentáculo de Bunodactis reynaudi (n.s. = no significativo).
Nº de individuos 1 3
Nº total de cnidocistos 100 75
x 15,42um 16,02um
o 1,79 2,30
t 20 IS.
Columna. Los microbásico b-mastigóforo de los tres indivíduos en base al ANOVA
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 9 - 13, 2 mar. 1994
12 ZAMPONI & ACUNA
(F=2,14) son considerados como un único grupo. Las varianzas de los dos grupos
contituídos por un ejemplar y tres ejemplares de acuerdo al test F son iguales (F =
1,01). Las medias de ambos conjuntos no difieren estadisticamente (tab. VII). Los
atrichio de los tres indivíduos en base al ANOVA son considerados un sólo grupo
(F=3,99). Las varianzas de los grupos consituídos por un ejemplar y tres ejemplares de
acuerdo al test F son iguales (F= 1,83). Las medias de ambos conjuntos son
estadisticamente iguales (tab. VIII).
Tabla VII. Talla comparada de los microbásico b-mastigóforo de tentáculo y columna de Bunodactis reynaudi
(n.s. = no significativo).
Nº de indivíduos 1 22 1 3
Nº total de cnidocistos 100 50 100 15
X 16,74um 17,50um 14,32um 14,68um
o 1,12 1,58 1,94 1,93
t 2,81 n.s. 121 n.s.
Bunodactis marplatensis Zamponi, 1977.
Columna. Los microbásico b-mastigóforo de los tres indivíduos en base al ANOVA
(F=0,54) son considerados como un sólo grupo. Las varianzas de los dos grupos
constituídos por un ejemplar y tres ejemplares de acuerdo al test F son iguales (F=
1,69). Las medias de ambos conjuntos no difieren estadísticamente (tab. IX). Los
atrichio de los tres individuos de acuerdo al ANOVA son considerados un sólo grupo
(F= 4,00). Las varianzas de los dos grupos constituídos por un ejemplar y tres ejemplares
de acuerdo al test F son iguales (F= 1,27). Las medias de ambos conjuntos no difieren
estadísticamente (tab. IX).
Tabla VIII. Talla comparada de los atrichio de columna de Bunodactis reynaudi (n.s.= no significativo).
Nº de indivíduos 1 3
Nº total de cnidocistos 100 75
x 28,93um 28,37um
o 3,63 4,92
t 0,74 n.s.
Tabla IX. Talla comparada de los microbásico b-mastigóforo y atrichios de columna de Bunodactis marplatensis
(n.s. = no significativo).
Nº de indivíduos 1 2 1 3
Nº total de cnidocistos 100 60 100 60
x 15,62um 13,89um 25,82um 27,63um
o 1,14 0,99 4,12 3,66
t 1,47 n.s. 2,68 n.s.
DISCUSION Y CONCLUSIONES
Los resultados obtenidos permiten deducir que la talla de los cnidocistos estudiados
no varıa con el nümero de individuos utilizados, ya que las mismas no difieren
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 9 - 13, 2 mar. 1994
Una metodología para estudios cuantitativos ... 13
estadisticamente (tabs. IV-IX).
Este estudio permite establecer algunas sugerencias para optimizar el anälisis de
los cnidocistos. Los autores recomiendan que es preferible medir un número
estadisticamente grande de varios indivíduos, lo que permite contabilizar con mayor
certeza todas las tallas posibles, en lugar de un número grande de cnidocistos en un sólo
ejemplar. Sin embargo, cuando las muestras son escasas, en especial si se efectúan
estudios taxonómicos y/o ecológicos basados en colecciones, es válido medir muchos
cnidocistos en un sólo ejemplar, ya que el estudio presente demuestra que las tallas de
un ejemplar no difieren estadísticamente de las tallas de varios ejemplares consideradas
en conjunto. Esto también le permite al investigador minimizar el esfuerzo, pues con el
análisis de un sólo especímen se puede conecer el cnidoma de la especie con apreciable
precisión, teniendo los datos el mismo valor estadístico que si se tratara de varios
ejemplares.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
CARLGREN, O. 1949. A survey of the Ptychodactiaria, Corallimorpharia and Actiniaria. K. Svensk.
Vetens. Akad. Handl, Stockholm, 4 (1): 1-122.
FAUTIN, D. G. 1988. Importance of nematocysts to Actinian taxonomy. In: HESSINGER, D.A. “&
LENHOFF, H. M. ed. The biology of Nematocysts. London, Academic. p. 487-500.
HAND, C. 1954. The sea anemone of central California. Pt. I. The Corallimorpharia and Athenarian
Anemones. Wass. J. Biol., Lawrence, 12 (3): 345-75.
PERES, J. M. 1961. Oceanographie Biologique et Biologie Marine. I. La vie benthique. Paris, Presses
Universitaires. 541p.
SOKAL, R. R. & ROHLF, F.J. 1969. Biometry. San Francisco, W. H. Freeman. 776p.
WEILL, R. 1934. Contribution a I'etude des Cnidaires et des leur Nematocytsts. Trav. Sta. Zool. Wimereux,
Wimereux, 10 (11): 1-701.
Recebido em 22.06.1992; (1º versão) e 30.06.1993 (2º versão); aprovado em 12.07.1993.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 9 - 13,2 mar. 1994
PRE Mr
y
UNA NUEVA CERCARIA DE TIPO CYSTOPHOROUS (DIGENEA,
HEMIURIFORMES) EN POTAMOLITHUS AGAPETUS (MOLLUSCA,
HYDROBIIDAE): COMPORTAMIENTO DE ATRACCION DEL
HOSPEDADOR
Sergio R. Martorelli !
ABSTRACT
A NEW CYSTOPHOROUS CERCARIA (DIGENEA, HEMIURIFORMES) IN POTAMOLITHUS
AGAPETUS (MOLLUSCA, HYDROBIIDAE): BEHAVIOUR OF HOST ATTRACTION. A new cystophorous
cercaria parasitizing the freshwater mollusc Potamolithus agapetus Pilsbry, 1911 (Hydrobiidae) collected in
la Plata River (Buenos Aires, Argentina) is described and compared with Cercaria propulsovelera Nasir &
Diaz, 1973. The cercaria is able to move and swim by undulating its streamers and furcate apendage. With this
behavior the cercariae were rapidly seized by the copepods host.
KEYWORDS. Potamolithus agapetus, cystophorus cercariae, copepod infestation.
INTRODUCCION
Las cercarias cystophoras se caracterizan fundamentalmente por la presencia de
un quiste o câmara caudal en la cual el cuerpo puede retraerse. Segun PEARSON
(1992) tres tipos de cercarias presentan estas características: a) cystophorous sensu lato
(= Furcocystocercous) características de las famílias Bivesiculidae y Azygidae; b)
cystophorous sensu stricto típicas de las famílias Hemiuridae, Hirudinellidae y
Bathycoltylidae y c) cystocercous de la família Gorgoderidae.
En esta oportunidad se halló emergiendo naturalmente del molusco Potamolithus
agapetus Pilsbry, 1911 una cercaria que presentaba las características mencionadas. El
objetivo de este trabajo fue describir el estadio larval hallado y comentar algunos
aspectos de su comportamiento.
1. Centro de Estudios Parasitológicos y Vectores (CEPAVE). Calle 2 Nro. 584 (1900) La Plata, Argentina.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 15 - 19, 2 mar. 1994
16 MARTORELLI
MATERIAL Y METODOS
Los ejemplares de P. agapetus se recolectaron en el Rio de la Plata, balneario Anchorena (Partido de
San Isidro, Buenos Aires, Argentina). Las cercarias se estudiaron “in vivo” entre porta y cubreobjetos,
rompiendo el quiste caudal por presión para poder liberar el cuerpo de las mismas. Los copépodos utilizados
para realizar infestaciones experimentales se recolectaron en un estanque artificial y se revisaron, en portaobjetos
excavados, bajo microscopio para determinar que no estuvieram previamente parasitados.
RESULTADOS
Cercaria cystophora sp. (figs. 1-5).
Hospedador: Potamolithus agapetus Pilsbry, 1911.
Localización: glândula digestiva.
Material estudiado: 15 indivíduos “in vivo”.
Descripción. Este estadio larval se caracteriza por la presencia de un amplio
quiste (fig. 5) en el cual se encuentra el cuerpo replegado y un tubo protractil denomina-
do de parto o eyector. Presenta además un largo apêndice caudal furcado, un par de
prolongaciones laterales, traslúcidas, a manera de alas y un apêndice excretor incluido
dentro de una pequefia câmara de forma cönica (figs. 1, 4). El cuerpo ovoide presenta
abundantes células glandulares cuyas características no pudieron determinarse y solo
puede ser estudiado ejerciendo presión hasta romper la câmara caudal pues en ningún
momento sale naturalmente de la misma. Dada su gran opacidad no su pudo observar el
sistema excretor (fig. 2).
Medidas (em um). Câmara caudal 127 de diâmetro; apêndice caudal 284 de largo;
furcas 100 de largo; apéndices accesorios laterales 50 de ancho en la base y 100 de
largo; apéndice excretor 60 de largo; cuerpo 365 X 68; ventosa oral 37 de diâmetro;
faringe 19 de largo y acetábulo 47 de diâmetro.
Discusión. Las características morfológicas de cercaria cystophora sp. permiten
ubicarla dentro del grupo de las cystophorous sensu stricto (BROOKS et al., 1985,
1989; PEARSON, 1992). Estas cercarias son comunes en las famílias Hemiuridae,
Hirudinellidae y Bathycoltylidae; integrantes de Hemiuroidea, Hemiuriformes (BROOKS
et al., 1989).
La presencia en el estadio larval estudiado de un par de apéndices laterales en
forma de alas, de un apéndice caudal furcado y la característica de que el cuerpo
permanece siempre dentro de la câmara caudal, aun después de emerger, lo diferencian
de todos los descriptos anteriormente pertenecientes a la misma superfamília. Se asemeja
a Cercaria propulsovelera Nasir & Diaz, 1973, diferenciândose de la misma por la
presencia de un solo par de apéndices laterales en lugar de los dos pares presentes en C.
propulsovelera (NASIR & DIAZ, 1973) y por la ausencia del apéndice posterior en
forma de varilla.
Distribución. Rio de La Plata, Balneario anchorena, (Partido de San Isidro,
Buenos Aires, Argentina). Numerosas cercarias de este tipo ya han sido citadas con
anterioridad parasitando gasterópodos prosobranquios de agua dulce (DOLFUS, 1950).
Para la Argentina SZIDAT (1956) y MARTORELLI (1989) citan la cercaria de
Genarchella genarchella Travassos, 1928 (Hemiuridae) parasitando a Littoridina
parchappei (Orbigny, 1835) (Mollusca, Hydrobiidae).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 15 - 19, 2 mar. 1994.
Una nueva cercaria de tipo cystophorous... 17
Nee
Figs. 1-4. Cercaria cystophora sp.:1. tubo eyector evertido por presiön sobre la cämara caudal; 2. cuerpo
cercarial expulsado mecanicamente de la câmara caudal; 3. al emerger del quiste caudal; 4. esquema del típico
movimiento de vaivén de las cercarias emergidas. (a, apéndice excretor; b, tubo ejector; c, apéndices laterales;
d, apéndice caudal furcado; e, cuerpo cercarial dentro del quiste caudal). Escala 100 um.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 15 - 19, 2 mar. 1994
18 MARTORELLI
Comportamiento. Las cercarias luego después de emerger de P. agapetus se fijan
a distintos objetos del fondo del recipiente que las contiene a través de su apéndice
caudal. Luego por movimientos ondulantes de este último, combinados con otros de
abajo hacia arriba de los apéndices laterales, se produce un continuo vaivén (fig. 3).
Este movimiento constante se extendió alrededor de 24 horas en las condiciones de
laboratorio (25º C y fotoperiodo natural) y se pudo observar que atrae a los copépodos
no infestados que se colocaron en los recipientes que contenian cercarias recien emergidas
(fig. 6). RANKIN (1944) menciona la atracciön del hospedador producida por una
cercaria de este tipo, por movimientos únicamente del tubo eyector.
A las 24 horas de las infestaciones experimentales, las metacercarias se observaron
en el celoma de los crustáceos, permaneciendo sin enquistarce y realizando lentos
movimientos. En uno de los hospedadores infestados experimentalmente se observaban
aún los restos de la câmara caudal adheridos a la región anterior del cuerpo. KOIE (1979)
describió el proceso de penetración del hospedador para la cercaria de Derogenes varicus
Muller, 1784 (Hemiuridae). Alatrapar los copépodos a los estadios larvales por la câmara
caudal la presión sobre esta produce la eversión del tubo de parto y la posterior inyección
del cuerpo cercarial dentro del celoma del hospedador a través del mismo.
Figs. 5-6. Cercaria cystophora sp.:5. detalhe “in vivo” de la câmara caudal (escala 50 um); 6. hospedador
intermediario experimental con cercaria adherida en el extremo posterior (escala 250 um).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 15 - 19, 2 mar. 1994.
Una nueva cercaria de tipo cystophorous... 19
El comportamiento de cercaria cystophora sp. que atrae al hospedador
intermediario, aumenta la probabilidad de que esta pueda completar esta etapa de su
ciclo biológico. Además, de esta manera posiblemente se compense la baja producción
de cercarias constatadas en los moluscos infestados naturalmente, no mas de 10 a 15
individuos emergidos por día. Esto contrasta con lo que generalmente ocurre en otras
especies de digeneos. MARTORELLI (1984), cita emergencias de mas de 1000 cercari-
as por día para una furcocercaria de la família Schistosomatidae.
Agradecimentos. A la Dra. Maria F. Lopez Armengol por la determinación del hospedador.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
BROOKS D.R.; GRADY,R.T.O. &GLEND.R. 1985. Phylogenetic analysis of the Digenea (Platyhelminthes:
Cercomeria). Can. J. Zool, Ottawa, 63: 411-443.
BROOKS, D. R.; BANDONI, S. M.; MACDONALD, CH. A. & O'GRADY., R. T. 1989. Aspects of the
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DOLLFUS,R. PH. 1950. Hotes et distribution géographique des cercarias cystophores. Ann. Parasit., Paris, 25
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KOIE, M. 1979. On the morphology and life history of Derogenes varicus (Muller, 1784). Z. Parasitenkd.,
Berlin, 59: 67-78.
MARTORELLI, S. R. 1984. Sobre una cercaria de la família Schistosomatidae (Digenea) paräsita del Chilina
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MARTORELLI S. R. 1989. Estudios parasitolögicos en biotopos lénticos de la República Argentina. V.
Desarrollo del ciclo de vida monoxeno de la metacercaria progenética de Genarchella genarchella
Travassos, 1928 (Digenea, Hemiuridae) parasita de Littoridina parchappei (Mollusca, Hydrobiidae). Revta
Mus. La Plata Nueva Serie, Zool., La Plata, 14 (157): 109-117.
NASIR, P. & DIAZ, M. T. 1973. Freshwater Larval Trematodes. XXXII. Twenty new species of venezuelan
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PEARSON, J. C. 1992. On the position of the digenean family Heronimidae: an inquiry into a cladistic
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RANKIN, J. S. 1944. A review of the genus Halipegus Looss, 1899, with an account of the life history of A.
amherstensis n. sp. Trans. Amer. Micros. Soc., Lancaster, 63: 149-164.
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genarchella Travassos, 1928 (Trematoda, Hemiuridae) und die moglichkeit einer hormonalen beeinflussung
der parasiten durch ihre wirtstiere. Ztschrft. F. Tropenmed. Parasit, 7 (2): 132-153.
Recebido em 22.09.1992; aceito em 6.07.1993
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 15 - 19,2 mar. 1994
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ASPECTOS MORFOLÓGICOS DO INTESTINO DELGADO E PÂNCREAS
DE SETE ESPÉCIES DE TINAMIDAE (AVES, TINAMIFORMES)
Myrian Morato Duarte !
Germán Bohórquez Mahecha !
ABSTRACT
MORPHOLOGIC ASPECTS OF SMALL INTESTINE AND PANCREAS OF SEVEN TINAMIDAE
SPECIES (AVES, TINAMIFORMES). The anatomy and histology of the small intestine and pancreas of
Crypturellus obsoletus Temminck, 1815, C. noctivagus Wied, 1820, C. parvirostris Wagler, 1827, C. tataupa
Temminck, 1815, Nothura boraquira Spix, 1825, N. maculosa Temminck, 1815 and Rhynchotus rufescens
Temminck, 1815 have been studied. None of the intestinal loops in these species cross the body cavity
cranially, contrary all other birds. Stripes of adipose tissue over the intestinal loop have been observed. The
duodenal mucosa presents occasional globet cells. The pancreas has three lobes and two collector ducts. The
pancreatic and hepatic ducts open into separate papillae in the median region of the duodenum.
KEYWORDS. Tinamidae, intestinal loops, duodenum, small intestine, pancreas.
INTRODUÇÃO
A família Tinamidae possui semelhanças morfológicas e bionômicas com os
Ratites (GYSELS, 1970; McDOWELL, 1948; PARKERS & CLARK, 1966). Sua
semelhança com os Galliformes é apenas superficial. Reúne duas subfamílias: Tinaminae,
que ocorre principalmente em florestas e cerrados, e no Brasil está representada pelos
gêneros Tinamus Hermann, 1783 e Crypturellus (Brabourne & Chubb, 1914); Nothurinae,
que ocupa áreas abertas e, no Brasil, compreende os gêneros Rhynchotus Spix, 1825,
Nothura Wagler, 1827 e Taoniscus Gloger, 1842 (SICK, 1988).
Segundo GADOW (1889) as Aves apresentam sete padrões principais de organi-
zação das alças intestinais. Em todas elas a primeira alça intestinal é fechada (a parte
ascendente da alça encontra-se unida e paralela à parte descendente) e a parte terminal
cruza cranialmente para a esquerda. Os Tinamidae possuem três alças principais, paralelas
ao eixo do corpo, condição denominada ortocélica. As duas primeiras alças são fechadas e a
terceira é aberta (a parte ascendente não se relaciona com a parte descendente).
1. Departamento de Morfologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais CP 2486 Av.Antônio Carlos, 6627 -
CEP 31270-010 Belo Horizonte, MG.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 21 - 28, 2 mar. 1994
> DUARTE & MAHECHA
No duodeno existem apenas glândulas intestinais. A ausência de glândulas seme-
lhantes às glândulas de Brunner é compensada do ponto de vista funcional pela grande
quantidade de células secretoras de muco, principalmente na zona pilórica (MOON &
SKARTVEDT, 1954; AITKEN, 1958; MALEWITZ & CALHOUN, 1958; KOKAS et
al., 1967).
O pâncreas, glândula alongada, localizada entre os dois ramos da alça duodenal,
possui funções exócrinas e endócrinas. Sua superfície é lobulada e, em muitas aves,
apresenta os lobos dorsal, ventral e esplenial (SMITH, 1974). Os lóbulos pancreáticos
consistem principalmente de glândulas tübulo-acinosas compostas que formam a parte
exócrina do pâncreas. Os ductos pancreáticos variam de um a três, e sua distribuição é
variável conforme a espécie. As ilhotas pancreáticas não são separadas do tecido
exócrino por cápsulas de tecido conjuntivo (ZISWILER & FARNER, 1972).
Não há informações sobre a anatomia ou histologia do intestino delgado e
pâncreas de Tinamiformes. A maioria dos autores fornece dados sobre Galliformes
(DEMKE, 1954: MALEWITZ & CALHOUN, 1958: SMITH, 1974), Anseriformes
(BRAUN-BLANQUET, 1969) e Gruiformes (VARANGOT-DE-ESPINOLA &
GALLIUSSI, 1990).
Este trabalho pretende fornecer dados morfológicos do intestino delgado e pân-
creas de Tinamiformes, compreendendo espécies de Tinaminae e Nothurinae.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram examinados 78 exemplares, de diferentes idades, machos e fêmeas, pertencentes a 7 espécies de
Tinamideos: Crypturellus obsoletus Temminck, 1815 (15,29); C. noctivagus Wied, 1820 (159,19);€.
parvirostris Wagler, 1827 (143,59, 3 jovens, 1 filhote); C. tataupa Temminck, 1815 (19,19, filhote),
Nothura boraquira Spix, 1825 (18,22, 1 filhote), N. maculosa Temminck, 1815 (165,89,3 jovens, 7
filhotes), e Rhynchotus rufescens Temminck, 1815 (23 ,2%,5 filhotes).
Os exemplares foram coletados em diversas épocas do ano, em campos e matas do estado de Minas
Gerais, Brasil.
A determinação etária dos exemplares foi feita de acordo com o aspecto da plumagem, grau de
ossificação do crânio, aspecto do falo e desenvolvimento da bolsa cloacal. Os exemplares foram fixados em
formol 10% ou em líquido de Bouin. Dos animais fixados em líquidos de Bouin foram retirados fragmentos
das diferentes partes do trato intestinal, incluídos em parafina e submetidos a corte e coloração rotineira dos
métodos histológicos de hematoxilina e eosina (HUMASON, 1972). Metade das läminas de cortes de pâncreas
foi corada pelo azul de toluidina, para evidenciar mastócitos e células D (EPPLE, 1967), ou hematoxilina
crômica de Gomori, para demonstração de células A e B. As lâminas foram observadas e fotografadas em
microscópio óptico Carl Zeiss Jena Mod. H5 0200. Adotaram-se os critérios indicados por BAUMEL et al.,
(1979). Os exemplares e as lâminas com os cortes histológicos foram depositados no Laboratório de Morfologia
de Aves, Departamento de Morfologia, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas
Gerais.
RESULTADOS
Morfologia do intestino delgado.
Adultos. Apresentam 5 alças principais (fig. 1), localizadas, em grande parte,
caudal e dorsal à moela, na região direita da cavidade corporal; nenhuma das alças
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 21 - 28, 2 mar. 1994.
Aspectos morfológicos do intestino delgado e ... 23
intestinais atravessa cranialmente a linha mediana do corpo. A primeira alça é fechada e
as outras quatro alças são abertas. A primeira alça (duodenal) origina-se do lado direito
da moela, situando-se quase exclusivamente do lado direito do corpo; a parte descen-
dente dirige-se caudalmente e curva-se para a esquerda, contornando o extremo caudal
da moela, ultrapassando a linha mediana do corpo; a parte ascendente segue a direção
inversa, em posição dorsal à anterior. A segunda alça atravessa para o lado esquerdo do
corpo na região caudal; a parte descendente (início do jejuno) segue dorsal e caudal à
parte ascendente da alça duodenal; a parte ascendente, do lado esquerdo, dirige-se
cranialmente. A terceira alça inicia no lado esquerdo, inclina-se dorsalmente e acompa-
nha, em sentido inverso, a segunda alça. A quarta alça segue medial à terceira e dobra-
se de modo que a quinta alça se inicia ventral à parte ascendente da segunda. Após,
atravessar da esquerda para a direita o plano mediano do corpo, a quinta alça segue
entre a primeira e a segunda alças.
O reto inicia-se no final da quinta alça, cranialmente à direita, encurva-se para a
esquerda e segue dorsal acompanhando a linha mediana do corpo. Os dois cecos, cada um
do comprimento aproximado de uma alça intestinal, acompanham dorsalmente à segunda
e quinta alças. Em alguns exemplares, tanto machos quanto fêmeas, foram encontradas
faixas longitudinais de tecido adiposo entre as alças intestinais e os cecos.
As pregas da mucosa do duodeno apresentam disposição longitudinal em zigueza-
gue, padrão que se inicia a partir da região pilórica. Ao longo do comprimento do intestino,
as pregas tornam-se menores e diminuem em altura, mas conservam o padrão em
ziguezague até as proximidades do reto, onde adquirem o aspecto de papilas digitiformes.
Filhotes. Com três alças intestinais principais, mais curtas que as do adulto, sempre
situadas no lado direito do corpo (fig. 2).
Jovens. As partes caudais das alças intestinais iniciam inclinamento para a esquer-
da, sem atingir a porção cranial da cavidade corporal. Esta disposição é intermediária entre
o padrão dos filhotes e dos adultos.
Morfologia do pâncreas.
Os lobos dorsal (g) e ventral (h), que formam a maior parte da glândula, estão
dispostos entre as duas partes da alça duodenal (fig. 3). O lobo dorsal acompanha a parte
descendente da alça e o ventral a parte ascendente. O lobo esplenial (1) é um prolongamen-
to fino da extremidade cranial do lobo dorsal, fregüentemente envolvido por tecido
adiposo.
O lobo dorsal na maioria dos exemplares (machos e fêmeas das espécies estudadas)
encontra-se unido ao lobo ventral na região caudal (fig. 3). Cada um dos dois lobos possui
seu próprio ducto. Os ductos saem da região caudal de cada lobo e desembocam na região
média da parte ascendente do duodeno, próximos à desembocadura dos dois ductos
hepáticos. O local exato de origem dos ductos pancreáticos apresenta grande variação
individual, em todas as espécies estudadas, mas encontra-se sempre em algum ponto do
terço caudal de cada lobo pancreático.
O lobo ventral é alongado, de seção triangular, e não possui lobulações. O lobo
dorsal é mais longo que o ventral, de seção também triangular e apresenta grande variação
individual. Em muitos casos (40% dos indivíduos analisados) o lobo dorsal apresenta
expansões caudais (q) ou craniais (p) que sobrepõem as extremidades do lobo ventral (fig.
4). O lobo dorsal apresenta um sulco na borda voltada para a parte descendente da alça
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 21 - 28, 2 mar. 1994
DUARTE & MAHECHA
24
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Figs. 1-5: Disposição esquemática das alças intestinais de Crypturellus parvirostris, vista dorsal: 1. adultos; 2.
Jovens. 3. topografia da alça duodenal de Nothura maculosa, vista lateral esquerda: 4. parte ascendente da alça
duodenal de C. parvirostris, vista dorsal. 5. esquema dos aspectos histológicos da parte média do duodeno. (a,
linha mediana do corpo; b, duodeno; c, reto; d, divertículo vitelino; e, moela; f, fígado; g, lobo pancreático
dorsal; h, lobo pancreático ventral; i, lobo esplenial; j, baço; k, prega da mucosa intestinal; 1, papila dos ductos
hepáticos; m, ducto pancreático; n, ducto hepático; o, glândula intestinal; p, projeção cranial do lobo dorsal do
pâncreas; q, projeção caudal do lobo dorsal do pâncreas).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 21 - 28, 2 mar. 1994.
Aspectos morfológicos do intestino delgado e ... 25
oh.
FR En. >
PN, x Elm %
Figs. 6-10: 6. Duodeno de N. maculosa, coloração azul de toluidina; imagem negativa de células absortivas,
evidenciando ausência de células caliciformes; 7. duodeno de C. parvirostris, coloração HE, demonstrando
ausência de células caliciformes; 8. jejuno-íleo de C. parvirostris, coloração HE; 9. ilhotas pancreática de N.
maculosa, coloração hematoxilina crômica de Gomori; células A e B indicadas por setas; 10. ilhota pancreáti-
ca de €. parvirostris, coloração azul de toluidina; reação negativa para células D. (k, prega da mucosa; r, célula
caliciforme; s, adenômero tubulo-acinoso do pâncreas).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 21 - 28, 2 mar. 1994
26 DUARTE & MAHECHA
duodenal e suas lobulações variam em número e forma de indivíduo para indivíduo em
cada espécie. C. parvirostris apresentou de 3 a 6 lóbulos, e N. maculosa, de 4 a 9.
Histologia do intestino delgado.
O intestino delgado apresenta epitélio simples prismático com borda estriada.
As células deste epitélio são altas, com núcleo central (fig. 5), e citoplasma basal
basófilo. O citoplasma apical é claro e granular.
Linfócitos migrantes frequentemente são observados no epitélio, ao longo de todo
o intestino delgado. As células caliciformes (r) estão praticamente ausentes no duodeno
(figs. 6, 7), mas estão presentes em grande quantidade no jejuno e íleo (fig. 8).
As glândulas intestinais (o) são simples, tubulosas e extremamente baixas. O
citoplasma destas células apresenta maior basofilia que o epitélio das pregas da
mucosa (k).
A lâmina própria é extremamente delgada, com abundante tecido linfóide difuso
e poucos nódulos linfóides irregularmente distribuídos. A camada muscular da mucosa
é delgada e emite vários feixes que penetram nas pregas da mucosa.
A submucosa não é evidente. A túnica muscular apresenta duas camadas, uma
circular interna mais desenvolvida e uma longitudinal externa muito fina. A túnica
muscular é mais espessa na região pilórica. A túnica serosa é pouco visível.
O divertículo vitelino possui a superfície interna bastante pregueada. O epitélio
é do tipo prismático simples com borda estriada e núcleos centrais, com pequena
quantidade de células caliciformes. Entre o epitélio e a camada muscular da mucosa
há grande quantidade de tecido linfóide difuso e alguns nódulos linfóides.
Histologia do pâncreas.
O pâncreas possui uma fina cápsula de tecido conjuntivo, pouco visível e delica-
da. A porção exócrina é formada principalmente de adenômeros túbulo-acinosos (s),
constituídos por células prismáticas de citoplasma granuloso, núcleo e ergastoplasma
basais (figs. 9, 10).
As ilhotas pancreáticas são pequenas, irregulares e encontram-se imersas no
tecido exócrino, não sendo separadas por cápsula conjuntiva evidente (fig. 9). As
ilhotas são pouco numerosas, e algumas delas estão constituídas de células A e B,
enquanto outras praticamente só apresentam um tipo celular. Não foram identificadas
células D no pâncreas de nenhuma das espécies estudadas (fig. 10).
Os ductos pancreáticos apresentam epitélio simples prismático, sem borda estriada
e com núcleos basais. A túnica muscular dos ductos apresenta duas camadas, uma
circular interna mais desenvolvida e uma longitudinal externa muito fina.
As paredes dos ductos pancreáticos e hepáticos são muito semelhantes, e desem-
bocam separadamente em duas papilas na região média do duodeno, onde perdem sua
túnica muscular (fig. 5). Nas papilas foi observado grande número de mastócitos.
Não foram evidenciadas diferenças entre as espécies estudadas e entre os sexos.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 21 - 28, 2 mar. 1994.
Aspectos morfológicos do intestino delgado e ... DT,
DISCUSSAO
A condição ortocélica encontrada para os Tinamidae estudados coincidem com os
dados descritos por GADOW (1889) para este grupo de aves.
GADOW (1889) citou que em Tinamidae existem apenas três alças intestinais.
Provavelmente examinou indivíduos jovens que, como foi observado, apresentam três
alças e não cinco como os adultos. Este classificou a segunda alça como fechada e a
terceira como aberta, e não faz nenhuma referência a respeito dos Tinamidae não
obedecerem à regra geral encontrada para as outras aves, onde a alça duodenal cruza
cranialmente a cavidade abdominal. Pode-se notar que caso houvesse uma torção
acidental, durante o manuseio, da segunda alça dos filhotes juntamente com a parte
descendente da terceira alça para o lado esquerdo, não só a terceira alça do filhote se
tornaria aberta como a alça duodenal cruzaria cranialmente para a esquerda.
A disposição dos intestinos permite supor que os Tinamidae são o único grupo de
Aves estudado, até hoje, em relação a este aspecto onde, pelo menos nas espécies
estudadas, as alças intestinais do lado direito não atravessam cranialmente o corpo para
o lado oposto.
O padrão da superfície interna do intestino encontrado para todas as espécies
estudadas foi idêntico ao citado para R. rufescens (McLELLAND, 1979).
A presença de faixas de tecido adiposo sobre as alças intestinais pode ter como
provável função servir como uma reserva de energia durante períodos de pouca disponi-
bilidade de alimento, situações de stress, e período de choca, posto que o macho neste
período pouco se alimenta (MENEGHETI, 1988).
A disposição da desembocadura dos ductos hepáticos e pancreáticos são seme-
lhantes aos reportados por FEHÉR & FÁNCSI (1971) para Numida meleagris (L.)
(galinha d'angola). Este fato nos leva a atribuir uma semelhança apenas superficial com
Numididae.
Cada um dos autores consultados cita um número diferente de lobos e lóbulos
pancreáticos para indivíduos de uma mesma espécie (BATOJEVA & BATOJEV, 1972;
BRAUN - BLANQUET, 1969; FEHÉR & FÁNCSI, 1971; OAKBERG, 1949; SMITH,
1974). Entretanto, nenhuma citação coincide com os números encontrados para
Tinamiformes.
Estudos de BATOJEVA & BATOJEV (1972) para galinha doméstica (Gallus
gallus L.), peru (Meleagris gallopavo L.) e ganso (Anser anser L.) descrevem a
desembocadura dos ductos hepáticos e pancreáticos em uma única papila. Os Tinamidae
diferem destes grupos por apresentarem duas papilas separadas.
Os dados histológicos do pâncreas são muito semelhantes aos de outras Aves,
exceto pela ausência de células D. Entretanto, é provável que a metodologia utilizada no
presente trabalho não seja a mais adequada para evidenciar este tipo celular.
As glândulas intestinais dos Tinamidae são marcadamente diferentes das descri-
tas para galinha doméstica (AITKEN, 1958), peru (DEMKE, 1954: MALEWITZ &
CALHOUN, 1958) e Fulica armillata (Vieillot, 1817) (VARANGOT-DE-ESPINOLA
& GALLIUSSI, 1990), que são longas e podem mesmo apresentar-se ramificadas ou
enoveladas.
A ausência de células caliciformes no duodeno de Tinamidae deve ser confirma-
da, pois não existe outra célula ou glândula que possa substituir as secreções de muco-
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 21 - 28, 2 mar. 1994
28 DUARTE & MAHECHA
substâncias destas células nesta região do intestino; provavelmente os compartimentos
gástricos secretam grande quantidade destas substâncias.
Agradecimentos. Ao Sr. João de Matos pela preparação das lâminas histológicas.
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Recebido em 14.10.1992; aceito em 28.06.1993
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 21 - 28, 2 mar. 1994.
OBSERVAÇÕES SOBRE PIPILE JACUTINGA SPIX, 1825 (AVES,
CRACIDAE) NO PARQUE ESTADUAL DE CARLOS BOTELHO, SAO
PAULO, BRASIL!
Sandra Giselda Paccagnella?
Roberto Antonelli Filho”?
Aderlene Inês Lara?
Pedro Scherer Neto”
ABSTRACT
OBSERVATIONS ON THE PIPILE JACUTINGA SPIX, 1825 (AVES, CRACIDAE) IN CARLOS
BOTELHO STATE PARK, SÃO PAULO, BRAZIL. In Carlos Botelho State Park, São Paulo, 11 field trips in
1990 showed Pipile jacutinga prefers primary and modified primary forest. Most contacts were March-May,
corresponding to higher fruit abundance, while the species apparently migrated downslope in June- August. Five
fruit species were used. Pairs or small families are frequent, the male acting as sentinel and going first in
movements. They rest long periods, perhaps digesting fruit, and are relatively tame.
KEYWORDS. Cracidae, Pipile jacutinga, behavior, feeding.
INTRODUÇÃO
A família Cracidae compreende aves neotropicais distribuídas do México ao norte
da Argentina, apresentando mais de um terço de suas espécies em listas de aves ameaçadas
de extinção. Dentre estas encontra-se Pipile jacutinga Spix, 1825. A distribuição desta
espécie compreendendo o sudeste e sul do Brasil, (sul da Bahia ao Rio Grande do Sul) e
áreas adjacentes do sudeste do Paraguai e Argentina (Misiones e Corrientes) (DELACOUR
& AMADON, 1973), tem suas populações em franco declínio em virtude da forte pressão
antrópica ocorrente nas últimas décadas. Os trabalhos sobre este cracídeo são escassos,
limitados a dados de distribuição e aspectos da reprodução. Objetiva-se fornecer dados
sobre a biologia de P. jacutinga, os quais poderão servir de instrumento para medidas que
auxiliem sua conservação.
MATERIAL E MÉTODOS
As observações de P. jacutinga foram realizadas durante o ano de 1990, no Parque Estadual de Carlos
Botelho, sul do Estado de São Paulo (24°00' - 24º20' S e 47º44' - 48º10' W) numa área de 4200 ha, denominada
Perímetro São Miguel Arcanjo, ao norte do parque, no cimo da Serra de Paranapiacaba. Esta Unidade de
1. Apoio Financeiro: Wildlife Conservation International/ New York Zoological Society (WCI/NYZS).
2. Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, Rua Gutemberg, 345, 80420-030, Curitiba, PR.
3. Divisão de Museu de História Natural, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Rua Benedito Conceição, 407, 82810-080, Curitiba, PR.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 29-32,2 mar. 1994
30 PACCAGNELLA et al.
Conservação, com área totai de 37432,48 ha, apresenta altitudes que variam de 30 a 1003 metros. A vegetação
é típica de Floresta Pluvial Tropical, correspondendo à formação de Floresta Ombrófila Densa Submontana
Montana (VELOSO & GOES-FILHO, 1982), sendo quase 90% da área de estudo com cobertura vegetal
primitiva.
Constou de 11 fases de cinco dias cada, num esforço de 921 horas em campo percorrendo a pé trilhas e
estradas, procurando localizar os indivíduos de P. jacutinga. As observações comportamentais foram descritas
de forma cronológica e os dados referentes a formação e constituição dos bandos foram anotados. Coletaram-
se fezes e os frutos utilizados na alimentação, sendo os pontos de contato marcados com fita plástica. Os
indivíduos foram observados até o seu deslocamento e fuga do campo de visão do observador. Vistorias
posteriores ao ponto de contato foram realizadas para verificação do possível retorno dos indivíduos ao local,
obtendo-se êxito em alguns casos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Efetuaram-se 35 contatos com P. jacutinga, dos quais três foram por vocalização
não sendo incluídos nesta análise.
Distribuição. Os registros mais frequentes ocorreram na floresta primária nativa
(59%) ou na formação primária alterada (18%). Os contatos restantes foram obtidos
em ecótones onde um dos ambientes componentes era sempre uma formação florestal
(tab. I).
Tabela I. Registros de Pipile jacutinga Spix, em diferentes habitats, no Parque Estadual de Carlos
Botelho, São Paulo, Brasil. (FPN, Floresta Primária Nativa: fácie vegetacional original sem alterações; FPA,
Floresta Primária Alterada: fácie vegetacional original com mínima alteração; FS, Floresta Secundária:
remanescente de Floresta Primária de onde foram retirados indivíduos dos vários estratos; C, Capoeiräo:
vegetação subsequente à capoeira, de aspecto arbustivo com indivíduos arbóreos de até 5m de altura; Ca,
Capoeira: vegetação oriunda do abandono de local desmatado, com predominância de compostas e gramíneas,
aspecto arbustivo, com altura de até 3m.).
Habitat Nº de contatos % de contatos
FPN 19 59,4
FPA 6 18,8
Ecótone FPN X FPA 3 9,4
Ecótone FPN X FS 2 6,2
Ecótone FS X € 1 Sal
Ecótone FS X Ca 1 3
O período de maior frequência de indivíduos contatados (75%) foi entre março-
maio (outono), época de abundância de frutos e bagas, coincidindo com o término da
frutificação do palmito Euterpe edulis Martius (Palmae) e o auge da frutificação da erva-
de-anta Psychotria sp. (Rubiaceae). Já o período de menor fregiiência (1%) foi nos meses
de junho-agosto (inverno). Neste período, pesquisadores residentes no parque informa-
ram sobre contatos fregüentes com jacutingas na área sudeste do parque (Perímetro de
Sete Barras) onde o palmito ainda frutificava. Ao que tudo indica, parece ocorrer o
deslocamento dos bandos acompanhando a frutificação de seus alimentos preferenciais,
também citado por SICK (1985); e, somente com o prosseguimento dos estudos em áreas
de menor altitude, tal hipótese poderá ser confirmada.
| Constituição dos bandos. Os 32 contatos com P. jacutinga dizem respeito tanto a
indivíduos isolados quanto em grupos de até seis indivíduos, sendo grupos de dois
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 29-32, 2 mar. 1994
Observações sobre Pipile jacutinga... 31
exemplares o mais frequente com 12 registros (37%). Na seqiiência, os contatos mais
frequentes foram com indivíduos isolados (28%) os quais tiveram sua maior incidência
entre março-maio e setembro-novembro, coincidindo com a época em que se realizaram
contatos com pares isolados. Os grupos formados por quatro indivíduos, relativamente
comuns, corresponderam a sete dos contatos (21%). Destes, quatro foram efetuados com
grupos formados por dois adultos e dois imaturos. Os grupos formados por dois adultos
e um número variável de imaturos (1 a 3), denominados de grupos familiares, foram
encontrados de dezembro a maio. Grupos maiores, um com cinco indivíduos e outro com
seis, foram observados em maio.
Itens alimentares. SICK (1970) relata o consumo de Virola bicuiba Schott
(Myristicaceae), Lecythis pisonis Cambessedes (Lecythidaceae), Byrbicuiba sp.
(Myristicaceae) e Geonoma sp. (Palmae) por Crax blumenbachii Spix (Cracidae),
comentando que tambem säo apreciados por Penelope superciliaris Temminck (Cracidae)
e Pipile jacutinga.
TEIXEIRA & ANTAS (1981) relatam uma dieta para P. jacutinga composta por
frutos de Siparuna sp. (Monimiaceae), Myrceugenia sp. (Myrtaceae), Erythroxilum sp.
(Erythroxylaceae), Croton sp. (Euphorbiaceae) e Byrsonima sp. (Malpighiaceae).
Constatou-se a utilização de cinco 1tens alimentares por P. jacutinga: Eugenia sp.
(Myrtaceae) foi a mais frequente com 14 registros (60%) seguida por Euterpe edulis
(17%) e Psychotria sp. (13%) e, em análise de fezes, obtivemos sementes de duas espécies
não identificadas num total de 23 observações de forrageamento. Vigias do parque
apontam o consumo de Psidium sp. (Myrtaceae), Cecropia sp. (Moraceae), Ficus sp.
(Moraceae) e Campomanesia sp. (Myrtaceae).
Na época de frutificação do palmito, cujo auge na área estudada ocorre de dezembro
a janeiro, as jacutingas apresentam uma preferência a este alimento, embora existissem
outras plantas em frutificação como algumas espécies de Myrtaceae.
Comportamento alimentar. Observou-se que a espécie forrageia em locais onde
haja frutos em abundância, fregüentando o local até praticamente exaurir aquela fonte de
alimento, movimentando-se pela árvore aos saltos a procura de frutos preferencialmente
maduros. Quando em grupo familiar geralmente o macho posiciona-se, em pé, num
estrato superior ao grupo que se alimenta e, nessa posição, mantém postura de alerta. Após
a alimentação os indivíduos realizam a limpeza das penas (“preening”) ou repousam em
intervalos que podem variar de minutos a horas, quando então voltam a se alimentar. Este
repouso pode corresponder a um período para digerir o alimento. Enquanto forrageiam,
é comum vocalizarem, emitindo piados baixos e constantes - psiiu - que lembram a voz
de Crax fasciolata Spix (Cracidae).
Limpeza e repouso. As jacutingas intercalam períodos de repouso com forrageamento.
Um indivíduo isolado, observado por nove horas seguidas, dispendeu sete horas para o
repouso e limpeza das penas. O repouso pode ser em pé ou deitado sobre os tarsos. Quando
empoleirado, com o corpo apoiado sobre os tarsos fletidos, há pelo menos três posturas
diferentes: (1) corpo deitado sobre o tarso com a linha da cauda acompanhando o eixo
longitudinal do corpo; a cabeça e o pescoço em postura normal como quando em
movimento, não descansando sobre o dorso, - provavelmente em estado de vigília; (2)
corpo deitado sobre o tarso com a linha da cauda em posição flexionada para baixo,
formando ângulo com o eixo do corpo; o pescoço dobrado em “S” apoiado sobre o dorso
com a cabeça voltada para a frente - repouso em estado de atenção, numa atitude menos
rigorosa que a anterior; (3) corpo e cauda na mesma posição que a anterior, porém com
o pescoço dobrado para trás e apoiado sobre o dorso; a cabeça oculta pelas escapulares -
repouso.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 29-32, 2 mar. 1994
32 PACCAGNELLA et al.
Após o período de repouso observamos a limpeza das penas ou o cuidado com a
plumagem, em diversas ocasiões, estando a ave quase imóvel. A limpeza inicia-se pelo
peito, asas, flanco, axilas e alto dorso. Com o auxílio do bico ajusta a plumagem de si
mesma ou a de outros indivíduos, como pode ser observado em uma ocasião quando um
adulto realizou a limpeza em um filhote pousado ao seu lado (“allopreening”).
Movimentação. O vôo consiste de deslocamentos curtos, raramente longos, através
dos estratos superior e intermediário das florestas. Em uma oportunidade observamos a
movimentação de um grupo familiar em uma segiiência de vôos curtos, onde o macho
seguia sempre a frente, sendo acompanhado pela fêmea e imaturos que alternavam suas
respectivas posições entre sı. Observou-se também um grupo de cinco indivíduos que se
deslocavam em fila sem modificar suas posições, sendo que um só prosseguia adiante
quando o anterior abandonava seu posto, em movimento semelhante ao efetuado pelos
tucanos (Ramphastidae) (SICK, 1985). Em torno da fonte alimentar ou quando persegui-
da por outra ave, a jacutinga promove pequenos vôos de no máximo 20 m, entre um pouso
e outro. Quando na árvore em que forrageira, caminha pelos ramos ou locomove-se aos
saltos, podendo usar as asas para dar maior impulso.
A Jacutinga tem hábitos predominantemente arborícolas, o que não a impede de
descer ao solo quando em fuga ou para forragear, conforme foi observado em duas
oportunidades.
Algumas manifestações de inquietude em relação ao observador foram anotadas,
como o abrir e fechar das retrizes, o movimento rápido da cabeça para os lados ou a
ocultação entre a ramagem da árvore. Tais posturas ocorrem por curtos períodos, e
geralmente as jacutingas mostraram não se importar com a presença humana ou barulho.
Esta característica facilita sua caça e captura, que aliada à descaracterização e vulnerabilidade
dos ambientes preferenciais da espécie, comprometem sua preservação.
Agradecimentos. A Stuart Strahl (Wildlife Conservation International/ New York Zoological Society),
pelo auxílio financeiro para a execução deste estudo. Ao Instituto Florestal de São Paulo, pela oportunidade de
trabalho na área do parque. Ao Engº Agr. Bento Vieira de Moura Netto, diretor do P.E. de Carlos Botelho pelo
apoio a nossas atividades. A Sérgio D. Arruda, Karina L. Oliveira, Teresa C. Margarido, Sandra B. Mikich,
Alexandre B. Bonaldo e Osvaldo de Carvalho Jr. pela participação nas fases de campo. A Pedro Luis R. de Moraes
pelas informações fornecidas e aos revisores anônimos pela leitura crítica e sugestões ao manuscrito.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DELACOUR, J. & AMADON, D. 1973. Curassows and Related Birds. New York Am. Mus. Nat.
Hist. 247 p.
SICK, H. 1970. Notes on Brazilian Cracidae. Condor, Lawrence, 72: 106-108.
— . 1985. Ornitologia Brasileira. Uma introdução. Brasília, Universidade de Brasília. 827 p.
TEIXEIRA, D. M. & ANTAS, P. T.Z. 1981. Notes on endangered Brazilian Cracidae. In: MEMORIAS
PRIMER SIMPOSIO INTERNACIONAL DE LA FAMILIA CRACIDAE. Univ. Nac. Aut. de
México. Fac. de Med. Vet. y Zootec., Morelos., 176-186 p.
VELOSO, H. P. & GOES-FILHO, L. 1982. Fitogeografia Brasileira, classificação fisionômico-ecológica da
vegetação Neotropical. Boletim Técnico. Projeto RADAMBRASIL. Sér. Vegetação, Salvador, 1:1-80.
Recebido em 15.04.1993; aceito em 12.07.1993.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 29-32, 2 mar. 1994
THE GENUS EUCATOPS (COLEOPTERA, CHOLEVIDAE, EUCATOPINAE)
- DESCRIPTION OF NEW SPECIES AND SYSTEMATIC REMARKS
Pedro Gnaspini !
ABSTRACT
Two new species are described: Eucatops (Eucatops) obtusus, from Brazilian Amazonia, and Eucatops
(Sphaerocatops) ovalis, from Argentina. Male and female genitalia of Eucatops (Eucatops) formicetorum
(Bruch) are described for the first time. Female spermathecae and the highly modified male genitalia reinforce
the hypothesis that Eucatopini and Ptomaphagini should not be considered in the same subfamily, as traditionally
used. A key to the species of Eucatops is given.
KEYWORDS. Coleoptera, Cholevidae, Eucatopinae, taxonomy, new species.
INTRODUCTION
The genus Eucatops Portevin, 1903 has ten described species, recorded to South
America. The monotypic tribe Eucatopini is generally grouped with the Ptomaphagini
into the subfamily Eucatopinae (JEANNEL, 1936). The characters adopted to consider
these tribes in the same subfamily are: 1) presence of a comb of spines on the tibiae; 2)
aedeagus without tegmen, parameres directly inserted on the median lobe; 3) internal sac
with a strong flagellum. PERREAU (1989) considered as characteristic of Eucatopini
and Ptomaphagini one particular type of spermathecae, which he called “type 2”. In this
type, the spermduct is progressively wider, and its transition with the spermatheca is
difficult to ensure.
However, it is premature to consider, without a cladistic analysis, the presence of
a comb of spines on the tibiae as an apomorphy to Eucatopini plus Ptomaphagini, since
this feature occurs in the same or in different ways in several genera of the Staphylinoidea.
On the other hand, the aedeagus of Eucatops is too modified. Its features are quite
different from the other genera of Cholevidae and polarizations are not easy to ascertain.
Hence, reduction of the tegmen in Eucatopini and Ptomaphagini might be homoplasic.
This is reinforced by the fact that in Ptomaphagini the basal blade is absent, while in the
Eucatopini it is strongly developped.
1. Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, Cx. Postal 20520, 01452-990, São Paulo, SP, Brasil.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 33-42, 2 mar. 1994
34 GNASPINI
The Eucatopini and the Ptomaphagini were considered as separate subfamilies
only recently (NEWTON & THAYER, 1992).
Two new species of Eucatops are herein described; the spermathecae of E.
formicetorum (Bruch) and E. obtusus sp. n. are illustrated, in order to contribute to the
knowledge of the genus and to clarify its systematic position.
MATERIAL AND METHOD
The material was deposited in the “Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo” (MZSP);
“Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia” (INPA), and “Museo Argentino de Ciencias Naturales
Bernardino Rivadavia” (MACN).
To dissect the genitalia, the specimens were boiled in water for from five to ten minutes. Some pieces
with much adhered matter were maintained for a few minutes in hot KOH at 10%.
Eucatops (Eucatops) obtusus sp. n.
(Figs. 1-9)
Holotype, male (MZSP). Type locality and data: BRASIL. Amazonas, WWF-
INPA Reserve km 41 (90km NE from Manaus), 05.1.1991, A. Henderson & R. Pardini
leg., in inflorescences of Bactris acanthocarpa (sample 24b). 1 male and 2 female
paratypes (MZSP) and 1 female paratype (INPA) with same data.
Despription. Lenght: 2.1-2.4 mm; width: 1.1-1.3mm. Winged. Color dark brown.
Eyes large. Antennae normal (fig. 4), reaching base of elytra when laid back. Proportions
between lenght of each segment and that of the Istrespectivelly from 2ndto 11th: 0.8, 0.6,
0.45, 0.45, 0.4, 0.65, 0.25, 0.5, 0.5, 1.0. Proportions between lenght and width of each
segment of the club, from 7th to 11th, respectively: 1.0, 0.45, 0.7, 0.65, 1.35. Pronotum
(fig. 1) with shallow punctures closely distributed, not forming strigae, transverse, widest
at base, 1.75 times as wide as long; posterior angles acute, posterior margin sinuate. Elytra
(fig. 1) regularly rounded, together 1.15 times as long as wide; widest at 1/4 the lenght
from the base; with transverse strigae, densely punctate; apex rounded. Metathoracic
wings fully developed. Protibia margins subparallel, protibia slightly wider towards tip,
with a comb of spines in the inner margin (fig. 3). Male protarsi (fig. 3) expanded; Ist
segment 0.75 times as wide as the maximum width of tibia. Proportions between lenght
and width of each segment, from Ist to 5th, respectively: 1.4, 1.15, 1.4, 1.75, 5.1.
Mesotibia curved in both sexes. Metatibia straight in both sexes; male metafemur
unarmed. Aedeagus (figs. 5-6) short, subtriangular, apex obtuse with several punctures
along the apical margin; basal blade long and subparallel, rounded at base; flagellum
strong and somewhat indistinct within several strong acessory pieces. Parameres straight,
bearing 13 setae along ventral margin. Genital segment subcylindrical, 1.8 times as long
as wide, with several setae in the inner ventral margin (figs. 7-8). Female spermathecae
simple, globular (fig. 9).
Etymology. The name is derived from the shape of the aedeagus, which bears a blunt
tip, not acute as in the other species.
Remarks. The species is quite different from the others of the subgenus and easyly
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 33-42, 2 mar. 1994.
The genus Eucatops... 35
recognized by the rounded apical margin of elytra (subtruncate in the other species); male
protarsi somewhat slender, first four tarsomeres expanded, but not so expanded as in the
other species; apex of aedeagus blunt, not acute as in the other species. Besides, it is
winged, while the others are wingless.
Eucatops (Eucatops) formicetorum (Bruch, 1918)
(Figs. 10 -16)
Acanthocatops formicetorum BRUCH 1918: 194-195.
Eucatops (Eucatops) formicetorum; JEANNEL 1936: 50, 52.
Material examined. Lectotype male (here designated) (MACN); ARGENTINA.
Prov. Cordoba: Alta Gracia, from Camponotus (Myrmotrix) rufipes F.nests, C. Bruchleg.
4 males and 2 females paralectotypes, with same data.
This species was described by BRUCH (1918) and revised by JEANNEL (1936).
The male genitalia and female spermatheca are described and illustrated herein for the first
time.
Description of genitalia. Aedeagus (figs. 10-11) elongate, triangular, dorsal valve
with sinuate lateral margins, almost twice as long as the ventral valve; basal blade long
and subparallel, with base concavous; flagellum strong and shorter than the basal blade.
Parameres flattened and expanded posteriorly, bearing 8-11 small setae on the ventral
posterior surface (figs. 12-13). Genital segment (figs. 14-15) subcylindrical, narrowed
posteriorly, with several setae in the posterior margin of the lateral lobes; with two pairs
of strongly sclerotized carinae - one pair short, dorsally located at posterior half, and one
pair long located along ventral inner margin of the lateral lobes, and with an acute
projection at the posterior ending: with two lateral flat projections anteriorly. Female
spermathecae simple, globular, with a thickening on the wall opposite to the insertion of
the duct (fig. 16).
Eucatops (Sphaerocatops) ovalis sp. n.
(Figs. 17 - 23)
Holotype, male (MACN). Type locality and data: ARGENTINA, Loreto, Exp. St.,
Misiones, Dr. A. Ogloblin leg., from Pheidole nest.
Description. Lenght: 2.4mm; widht: 1.7mm. Winged. Convex. Color dark reddish
brown. Eyes large. Antennae normal (fig. 19), reaching base of elytra when laid back.
Proportions between lenght of each segment and that of the Ist respectivelly from 2nd to
Lith: 0.85, 0.75, 0.5, 0.55, 0.5, 0.7, 0.4, 0.65, 0.65, 1.5. Proportions between lenght and
width of each segment of the club, from 7 th to 11 th, respectively: 1.05, 0.45, 0.65, 0.6,
1.5. Pronotum (fig. 17) smooth, brilliant, transverse, widest at base, 2.2 times as wide as
long; posterior angles rounded. Elytra (fig. 17) regularly rounded, together as long as
wide; widest at 1/6 the lenght from the base; smooth and brilliant. Head, pronotum and
elytra densely covered by long setae, not forming strigae. Protibia margins subparallel,
protibia slightly wides towards tip, with a loose comb of spines in the inner margin (fig.
18). Male protarsi (fig. 18) expanded; Ist segment almost as wide as the maximum width
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 33-42, 2 mar. 1994
36 GNASPINI
of tibia. Proportions between lenght and width of each segment, from Ist to 5th,
respectively: 1.1, 1.1, 1.5, 1.6, 4.3. Mesotibia curved (fig. 17). Metatibia straight, with
apical spur longer than first tarsomere; metafemur unarmed. Aedeagus (fig. 20) triangu-
lar, somewhat longer than wide; basal blade long and subparallel, rounded at base;
flagellum strong. Parameres straight, bearing 12 setae along ventral margin (fig. 21).
Genital segment (figs. 22, 23) trapezoidal in lateral view, subparallel margins in dorsal
view slightly narrowing posteriorly; with several setae in the posterior margin of the
lateral lobes; with two lateral flat projections anteriorly.
Etymology. The name is derived from the oval body, much more pronounced than
in the other species of the subgenus.
Remarks. This species is much smaller than the others of the subgenus and has the
metatibial spur longer than first tarsomere, disagreeing with the original description of the
subgenus. However, the absence ofelytral strigae permits the inclusion of this new species
in the subgenus Sphaerocatops.
Key to the subgenera and species of Eucatops Portevin, 1903.
Modified from JEANNEL's key (1936), to include the species described by SZYMCZAKOWSKI (1961,
1963) and the new species. Data on previously described species were gathered from the literature.
je Elytra with dense punctures aligned and forming strigae (Eucatops s. str.).. 2
Elytra with dense punctures not forming strigae (Sphaerocatops Portevin,
) LUD a N RE ee Beer sn HelrbetscBöonsacnonaoacc: te ish 10
2 (AU): First metatarsomere shorter than second and third together. Metatibia straight
im both'sexes. (Argentina, Brasil Pera) ...................22 200 NEE 3)
First metatarsomere as long as second and third together. Metatibia curved in
males. (Bolivia, Pem).............e....u00enne nao sudo cad see EEE 7
3.2): Apical margin of elytra rounded. First protarsomere in males narrower than
tibial tip. Lenght 2.1-2.4mm. (Brasil/Amazonas) ..... E. (E.) obtusus sp. n.
Apical margin of elytra subtruncate. First protarsomere in males wider or as
wide as tibial tip ....u.....00000 Reese nnanenene san e 4
4 (3). Meso - and metatibiae with fine spines along external margin; tibiae not spiny.
Brownish brilliant, pubescense rare. Pronotum strongly campaniform,
narrower than elytra, which are very thick and very convex. Aedeagus
with basal blade well developped, very wide and very long; internal sac
shorter than basal blade, flagellum short and strong, acessory pieces
strong. Parameres slender, with four setae. Lenght 3.0mm. (Peru) ............
PER ea Dra a RE ob a cad E. (E.) oblongus Portevin, 1903
External margin of all tibiae with strong and erect spines; tibiae spiny. Sides of
pronotum rounded, pronotum as wide as elytra .................uuuessssnnenenennn- 5
5 (4). Male metafemora unarmed. Oblong, brown, dull; pubescence long and dense.
Aedeagus with basal blade wider at base, internal sac long as basal blade,
flagellum very long, flagelliform, acessory pieces strong. Lenght 2.5mm.
(Brasil/Santa Catarina) E. (E.) inermis Jeannel, 1936
Male metafemora armed with a long horizontal apophysis, perpendicularly
inserted in the median portion of the posterior margin ......................... 6
6 (5). Femoral apophysis wider at apex and slightly curved inwards. Globular,
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 33-42, 2 mar. 1994.
The genus Eucatops... 37,
brownish brilliant, pubescence long and dense. Elytra not attenuated to
apex, which is blunt. Aedeagus with basal blade narrow, internal sac as
long as basal blade, flagellum strong but elongate, bent; acessory pieces
somewhat developped. Parameres with seven setae at the ventral margin.
Lenght 1.8-2.4mm. (Brasil/Santa Catarina, São Paulo) ............................
BETHEREHLNEN EN. 8, NIEREN ir, E. (E.) glabricollis (Reitter, 1884)
Femoral apophysis attenuated at apex and curved outwards. Same general
shape as the former species, but with elytra more attenuated at apex.
Aedeagus with basal blade narrow and with base concavous. Parameres
laminate, with 8-11 small setae at the ventral surface. Genital segment with
two pairs of strongly sclerotized carinae. Lenght 2.5-2.7mm. (Argentina)
ee a RÃ E RR E. (E.) formicetorum (Bruch, 1918)
2). Meso - and metatibiae spiny, spines strong and erect. Metatibial spur longer
EDARBITSELArsOmer ea EN RER 8
Meso - and metatibia not spiny. Metatibial spur not longer than first tarsomere
BR BER IE el Habedd cad da ae ALERT de EURO 6 4 PERA RR PRP APESAR CO PRN A 9
8 (7). Black, pronotum as wide as elytra, strongly campaniform; elytra thick. 8th
antenomere as long as wide. Flagellum of internal sac indistinct within
strong acessory pieces. Parameres thin, with two long apical setae and four
setae on ventral margin. Lenght 4.0-4.2mm. (Bolivia) ..........................
sciccloba dó ER E. (E.) curvipes Portevin, 1903 (type species)
Brown, very convex, pronotum campaniform, narrower than elytra. 8th
antenomere twice as wide as long. Flagellum of internal sac very slender
andılone, tilitorm. Eenghe 2 ImmIBenu) sao. seneer aci sogess ocnbiopagonoccjeioo
EEE NM RR a en CA: E. (E.) filifer Szymczakowski, 1961.
IN): 8th antenomere twice as wide as long. Aedeagus with internal sac as long as
basal blade; flagellum distinct, very long and slender, acessory pieces well
developped. Parameres lamelate, bearing 5-6 setae at the ventral margin.
Lenght 2.8mm. (Bolivia) ....................... E. (E.) rufescens Portevin, 1903
8th antenomere almost as long as wide. Aedeagus similar to the former but
with flagellum thicker and acessory pieces stronger. Lenght 3.5mm.
(Bolivia) LR A o Sea Ra E doa la E. (E.) grouvellei Portevin, 1903
10 (1). Winged, oval, brilliant. Apical margin of elytra only slightly rounded.
Metatibial spur longer than first tarsomere. Lenght 2.4mm. (Argentina)
assa dói dd ER RE AS A CA RAR RAT EAAESERRENERE E. (S.) ovalis sp. n.
Wingless. Apical margin of elytra regularly rounded. Metatibial spur shorter
EnambiinstitarsomerekA ra. res 11
11 (10). Reddish brown brilliant, subglobular. Posterior margin of pronotum sinuate.
Elytra very convex. Aedeagus with parameres long, flatened at apex,
bearing a dozen of setae at ventral and apical margins. Lenght 4.0-4.2mm.
Bolvie) 22. .Baa Na E. (S.) haemorrhoidalis Portevin, 1903.
Dark brown, oval. Posterior margin of pronotum not sinuate. Elytra regularly
convex. Aedeagus with parameres short and slender, shorter than aedeagus,
not flatened at apex, bearing about sevem setae at the ventral apical mar-
eınsbenscht4 22mm: Brasil/Sao Paulo) ....csoecesrscesrerasevopasiodnsuenanconeococasiess
POR MO asi ecenasio E.(S.) brevistylis Szymczakowski, 1963
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 33-42, 2 mar. 1994
38 GNASPINI
Systematic Remarks
Female spermathecae (figs. 9, 16) of Eucatops (at least s. str.) is simple and
globular, which might be considered plesiomorphic. They could not be considered as
Perreau's “type 2”, because the insertion of the spermduct in the spermatheca is clear.
On the other hand, male genitalia of Eucatopini is apomorphic and strongly
modified when compared whith other cholevids, as already stated. The shape and
structure of the aedeagus, the parameres and the basal blade are quite different from that
of Ptomaphagini, and, hence, the absence of a tegmen in both tribes seems to be
homoplasic, and should not be used to group these tribes together. Hence, Eucatopini
should be considered a separate subfamily from the Ptomaphagini, as in NEWTON &
THAYER's (1992) catalog.
The Eucatopinae might be an ancient branch in the Cholevidae phylogeny, which
maintained a plesiomorphic female genitalia, while acquired a very modified male
genitalia, which is undoubtedly apomorphic. However, only a better knowledge of some
groups within the family, specially of the female and male genitalia, would improve the
knowledge of its phylogenetic relationships.
Checklist of Eucatops species with respective occurences.
Besides the type-locality, when another locality is given, the reference of the new locality is given
between parenthesis.
Eucatops Portevin, 1903
Eucatops (s. str.) Portevin, 1903 j
E. (E.) curvipes Portevin, 1903 (type species ) - Bolivia: Cochabamba.
E. (E.) filifer Szymczakowski, 1961 - Peru: Cuzco: Marcapata. (in the original
paper, it was described as Eocatops (Eocatops) filifer, clearly a
typographical error).
E.(E.) formicetorum (Bruch, 1918) (Acanthocatops) - Argentina: Cordoba: Alta
Gracia.
E.(E.) glabricollis (Reitter, 1884) (Dissochaetus) - Brasil: Santa Catarina: |
Blumenau; Brasil (= E. ater Portevin, 1903) (JEANNEL, 1936); Brasil:
São Paulo: São Paulo (SZYMCZAKOWSKI, 1963).
E. (E.) grouvellei Portevin, 1903 - Bolivia: Cochabamba: Cochabamba; Peru:
Cuzco: Marcapata.
E. (E.) inermis Jeannel, 1936 - Brasil: Santa Catarina: Blumenau.
E. (E.) oblongus Portevin, 1903 - Peru: Cuzco: Marcapata.
E. (E.) obtusus sp. n. - Brasil: Amazonas: Manaus.
E. (E.) rufescens Portevin, 1903 - Bolivia: Cochabamba: Cochabamba.
Sphaerocatops Portevin, 1907 (= Spathosternum Portevin, 1903 non
Spathosternum Krauss, 1877 - Orthoptera, Acridiidae)
E. (S.) brevistylis Szymczakowski, 1963 - Brasil: São Paulo: São Paulo.
E. (S.) haemorrhoidalis Portevin, 1903 (type species) - Bolivia: Cochabamba:
Cochabamba.
E. (S.) ovalis sp.n. - Argentina : Misiones: Loreto. |
|
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 33-42, 2 mar. 1994. |
The genus Eucatops... 39
Acknowledgments. To Dr. S.A. Vanin (IBUSP) for the critical review of the manuscript; R. Pardini
(IBUSP) and Dr. A.O. Bachman (MACN) for sending me material for study from their collections.
REFERENCES
BRUCH, C. 1918. Nuevos huéspedes de hormigas. Physis, Buenos Aires, 4: 193-195.
JEANNEL, R. 1936. Monographie des Catopidae. Mém. Mus. natl. Hist. nat., Paris, (n. s.), 1: 1-438.
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Recebido em 17.05. 1993; aceito em 12.08.1993
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 33-42, 2 mar. 1994
40 GNASPINI
5 6 7 8
Figs. 1-9. Eucatops (Eucatops) obtusus, 1-8, male. 1, habitus, dorsal view; 2, maxilary palp; 3, protarsus and
protibia, dorsal view; 4, antenna; aedeagus: 5, dorsal view, 6, right lateral view; genital segment: 7, ventral
view; 8, left lateral view; 9. female, spermatheca. Scale line A 0.5 mm, for fig. 1; scale line B 0.1 mm, for figs
2-8; scale line C 0.1 mm, for fig. 9.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 33-42, 2 mar. 1994.
The genus Eucatops... 41
Figs. 10 - 16. Eucatops (Eucatops) formicetorum, 10-15, male. 10, aedeagus, dorsal view, 11, same, left lateral
view; 12, paramere, dorsal view; 13. same, lateral view; 14, genital segment, ventral view; 15, same, right
lateral view; 16. female, spermatheca. Scale line 0.1 mm, for figs 10-15, and 0.05 mm, for fig. 16.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 33-42, 2 mar. 1994
42 GNASPINI
Figs. 17- 23. Eucatops (Sphaerocatops) ovalis, male. 17, habitus, dorsal view; 18, protarsus and protibia,
dorsal view; 19, antenna; 20, aedeagus, dorsal view, 21, paramere, lateral view; 22, genital segment, dorsal
view; 23, same, right lateral view. Scale line A 0.5 mm, for fig. 17; scale line B 0.1 mm, for figs 18-23.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 33-42, 2 mar. 1994.
DESCRIPTION OF LARVA AND PUPA OF XYLOPHILUS OTHOIDES
(FLEUTIAUX, 1899) (COLEOPTERA, EUCNEMIDAE, MELASINAE)
Edson Possidônio Teixeira !
Sônia A. Casari-Chen *?
ABSTRACT
Larva and pupa of Xylophilus othoides (Fleutiaux, 1899) (COLEOPTERA, EUCNEMIDAE,
MELASINAE) are described for the first time from material collected on decayed wood of Liriodendron
tulipifera L. (Magnoliaceae), heavily infested by Pantophthalmus pictus (Wiedemann, 1821) (Diptera,
Pantophthalmidae) at São Paulo, Brazil. The immature forms and the adult habitus, mandible and aedeagus are
figured. The immature forms of this species are compared with the descriptions of Dirrhagofarsus lewisi (Fleut.,
1901) and Fornax sp. Rhopalogaster sp. (Diptera, Asilidae) and Pteromalidae (Hymenoptera) are mentioned
as predators.
KEYWORDS. Host-plants, immature forms, predators, Xylophilus.
INTRODUCTION
The genus Xylophilus Mannerhein, 1823 contains nine species, distributed specially
in Neartic and Paleartic regions, with one Neotropical species. Xylophilus othoides
(Fleutiaux, 1899) from Brazil (Rio de Janeiro) was originally described in the genus
Xylobius Latreille, 1834. SCHENKLING (1928) and BLACKWELDER (1944) cata-
logued this species as X. orthoides. Among the American species of the family
Eucnemidae with described the immature forms only Dirrhagofarsus lewisi (Fleutiaux,
1901) and Fornax sp. are known.
MATERIAL AND METHODS
Larvae and pupa of Xylophilus othoides were collected at “Instituto Florestal de Säo Paulo”, Säo Paulo,
Brazil, on July 3rd, 1991, from a decayed trunk of Liriodendron tulipifera L. (Magnoliaceae), heavily infested
by Pantophthalmus pictus ( Wiedemann, 1821) (Diptera, Pantophthalmidae), one of its favored host. The
trunk was fresh and excessively moist, around a hundred per cent of humidity and had a characteristic
fermentation odor. The material was escated about 10 mm into the sapwood.
1. Instituto Florestal, Cx. Postal 1322; 01059-970 São Paulo SP, Brasil.
2. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Cx. Postal 7172, 01064-970 São Paulo SP, Brasil.
3. Bolsista do CNPq.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 43-47, 2 mar. 1994
44 TEIXEIRA & CASARI - CHEN
Samples of the sapwood, which size varied from 10 mm to 40 mm, were collected and kept in the wood
cages (40 cm X 40 cm X 70 cm) covered by nylon and humidified periodically. On July 9th, two larvae were
collected and fixed, another one had its location circumscribed with a magikink pen for observation of its
development and the sapwood was kept in the cage. This larva pupated on july 25th and was fixed on July
30th.
On August 12th, 1991, from the cage emerged twelve adults, five males and seven females. Two
couples were separated and put back on the same sapwood inside the glass container. The remainder adults
were kept inside of the wood cages, together with sapwood.
From the remainder trunk kept in the wood cages, larvae, pupae and one adult of (?) Rhopalogaster sp.
(Diptera, Asilidae) were collected and fixed. Besides the Asilidae, one specimen of an unidentified Hymenoptera
(Pteromalidae) was also collected. We believe that the Asilidae and the Pteromalidae were predating the
Eucnemidae larvae, considering that from the wood cages only Eucnemidae emerged.
The reared material is deposited in the collection of “Instituto Florestal de São Paulo” (CEIF) (9 males,
5 females, 2 larvae, 1 pupa).
Xylophilus othoides (Fleutiaux, 1899)
The adult of X. othoides ( fig. 4) 1s characterized specially by the third antennal
segment transverse, twice shorter than the second and wider than long; mandible and
aedeagus (figs. 13-16).
Mature larva (figs. 1-3, 7-12). Length: 13.5mm; width of prothorax: 1.0mm.
Orthosomatic (figs. 1, 2). General coloration cream. Body cylindrical and somewhat
depressed, apode, slightly sclerotized. Head and apex of abdomen brownish. Setae
present only on the apex of nineth segment. Head prognathous, depressed, slightly
embeded in the prothorax; ventral region (fig. 7) with a sclerotized lyre-shaped plate,
punctate on 3/4 basal with two, elongate darker areas near anterior margin and, medially,
a group of five small and rounded area; dorsally (fig. 8) with a sclerotized plate W-
shaped, punctate, with two elongate darker spots near anterior margin, and medially,
two small round areas. Anterior and lateroanterior margins serratulate; mouthparts not
exposed. Epicranial suture absent. Nasal transverse (fig. 5), subtrapezoidal with anteri-
or angles rounded; paranasal lobes well developed, slightly rounded. Mandibles (figs.
5, 6) stout, partially embeded in the cephalic capsule; lateral internal and basal margins
rounded; two lateral external rounded teeth. Maxillae absent. Labium reduced, labial
palp 2-segmented. Antennae (figs. 5,6) embeded in the head 2-segmented; first segment
very elongate, with a distal cupuliform sensorial appendix, almost as long as the second
segment and two distal small sensorial setae.
Prothorax (figs. 1,2) dorsally and ventrally with two rugous sclerotized lateral
plates, and a buff area between these sclerotizations, larger dorsally. Mesothorax
dorsally with a transversal buff area with two small elliptical rugous sclerotized area
fitted distally; ventrally presents three of these sclerotized rugous areas, being the
median one larger. Metathorax with a transversal buff area and a median elliptical
areole larger ventrally. Meso - and metathorax with a lateral pair of biforous spiracles
(figs. 11, 12); on the left side the meso - and metathorax spiracles are the same size and
smaller than the abdominal ones; on the right size the mesothoracic spiracles are bigger
than the metathoracic ones and slightly larger than the abdominal ones.
Abdominal segments I-VIII, each, with a buff band and an elliptical areola
dorsally and ventrally, and a lateroanterior pair of biforous spiracles. Segment IX (figs.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 43-47, 2. mar. 1994
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Description of larva and pupa of Xylophilus othoides... 45
9, 10) rounded with distal short setae; ventrally with a median small elliptical areola and
a vertical anal slit, surrounded by asperites as shown by fig. 9.
Pupa (fig. 3). Length: 6.0 mm; width of prothorax: 2.0mm. General coloration
cream. Head setous and partially visible from above. Prothorax setous, as long as wide
(including the hind angle). Anterior pterotheca with some setae. Abdominal segments
IN-VII, laterally with a tuff of setae; I-VIII with a longitudinal median ridge starting
near the proximal margin but not reaching the distal margin of each segment; one
proximal seta each side of ridge; VIII smaller than the others and with two distal
spiniform projections; I-VIII with a pair of small spiracles; the first one, dorsal and
larger than the others which are lateral.
DISCUSSION
Larvae of Xylophilus othoides were compared with Dirrhagofarsus lewisi (Fleu-
tiaux, 1901) and Fornax sp. both American species, described, respectively, by FORD
& SPILMAN (1979) and COSTA et al. (1988). The main differences observed were:
epicranial suture and maxillae absent in Xylophilus and Dirrhagofarsus and present in
Fornax; labial palp 3-segmented in Dirrhagofarsus and 2-segmented in the others;
distal region of first antennal segment with a cupuliform sensorial appendix almost as
long as the second segment and two small setae in Xylophilus, a cupuliform sensorial
appendix longer than the second segment and one small sensorium in Fornax and only a
thin sensorium in Dirrhagofarsus; the sclerotized plates on pro-, meso-and metathorax
are different in the three genera; spiracles present on meso-and metathorax in Xylophilus
and only in mesothorax in Dirrhagofarsus and Fornax.
The observation of the two couples revealed that during the day, the inactive
adults stayed hidden. The diurnal inactivity agrees with that observed by SPILMAN et
al. (1979).
Acknowledgements. To Carlos Campagner from Museu de Zoologia da Universidade de Säo Paulo
(MZSP) for helping the identification of the Asilidae and to Sergio Ide (MZSP) for reading the manuscript.
REFERENCES
BLACKWELDER, R.E. 1944. Checklist of the Coleopterorus insects of Mexico, Central America, The West
Indies and South America. Part 2. Bull. U.S. natn. Mus., Washington, 185: 275-280.
COSTA, C.; VANIN, S. A. & CASARI-CHEN, S. A. 1988. Larvas de Coleoptera do Brasil. São Paulo,
Museu de Zoologia da Universidade de Säo Paulo, 282p.
FLEUTIAUX, E. 1899. Eucnemidae de la collection Fry. Annls. Soc. ent. Belg., Bruxelles, 43: 220-249.
FORD, E. J. & SPILMAN, T. J. 1979. Biology and immature stages of Dirrhagofarsus lewisi, a species new
to the United States (Coleoptera, Eucnemidae). Coleopts Bull., Massachusetts, 33 (1): 75-83.
SCHENKLING, S. 1928. Coleopterorum Catalogus,.pars 96, Melasidae, v. 11, Berlim, W. Junk, 110p.
Recebido em 17.05.1993; aceito em 26.07.1993.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 43-47,2 mar. 1994
TEIXEIRA & CASARI - CHEN
NEE SEE a a ia
Figs. 1-6. Xylophylus othoides. Larva: 1, dorsal: 2, ventral; distal region of head: 5, dorsal; 6, ventral. Pupa: 3,
dorsal. Adult: 4, dorsal. Figs. 1, 2; 3, 4; 5, 6; respectively to the same scale.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 43-47, 2 mar. 1994
Description of larva and pupa of Xylophilus othoides...
47
Figs. 7-16. Xylophylus othoides. Larva: 7, 8, head (ventral, dorsal); 9, 10, VIII-IX abdominal segments (ventral,
dorsal); 11, 12, mesothoracic spiracle (dorsal, ventral). Adult: 13, 14, mandible (ventral, dorsal); 15, 16, aedeagus
(ventral, lateral). The figs. 7, 8; 9, 10; 11, 12; 13, 14; 15, 16 to the same scale.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 43-47, 2 mar. 1994
MIRÍDEOS NEOTROPICAIS, CCCXCII: NOVOS GÊNEROS E ESPÉCIES
DE GOIÁS, BRASIL (HEMIPTERA)
José C. M. Carvalho "?
Luiz A. A. Costa!
ABSTRACT
NEOTROPICAL MIRIDAE, CCCXCII: NEW GENERA AND SPECIES FROM GOIÁS, BRAZIL
(HEMIPTERA). Two new genera and species of Miridae, from Campinaçu, Goiás, Brazil are described:
Campinisca gen.n., C. goiana sp.n. (type species), Goianisca gen.n., G. genitalis sp.n. (type species). Drawings
of habitus and male genitalia are given.
KEYWORDS. Brazil, Herdoniini, Miridae, Mirini, new taxa.
INTRODUÇÃO
Dois gêneros e duas espécies novas das tribos Herdoniini e Mirini (Miridae,
Mirinae) são descritos a partir de material coletado por Olmiro Roppa, em Campinagu,
Goiás, Brasil. Os desenhos do habitus foram feitos por Maria Lilia Gomide da Silva e
Paulo Roberto Nascimento. O material estudado pertence à coleção do Museu Nacio-
nal, Rio de Janeiro (MNRJ) e coleção particular de J. C. M. Carvalho (JCMO).
Campinisca gen. n.
Espécie-tipo: Campinisca goiana sp. n.
Mirinae, Herdoniini. Corpo alongado, provido de cerdas em sua superfície, liso.
Cabeça curta e larga; olhos comprimidos, contiguos ao pronoto, verticalmente; loro
saliente; segmento I do rostro muito longo e grosso, igual a hipofaringe; segmento I da
antena mais ou menos com 12 cerdas erectas, tão longas ou mais longas que sua
grossura, segmentos II a IV com pêlos muito curtos; rostro atingindo as coxas posterio-
res. Pronoto com cerdas erectas, longas, colar presente, calos obsoletos, margem poste-
rior reentrante no meio; mesoscuto largamente exposto, escutelo saliente, arredondado,
deixando livre a base do escutelo, provido de cerdas longas. Hemiélitros também com
cerdas longas, mais estreitos no meio, membrana biareolar. Lado inferior normal,
femures com cerdas longas, tíbias com numerosos espinhos mais longos que largos,
tarsos curtos.
1. Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Quinta da Boa Vista; 20940-040 Rio de Janeiro RJ, Brasil.
2. Pesquisador do CNPq.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 49-53, 2 mar. 1994
50 CARVALHO & COSTA
Diagnose. Difere dos demais gêneros datribo (CARVALHO, 1974) pela pubescência
erecta, pela conformação do escutelo e pelos hemiélitros mais estreitados no meio.
Etimologia. O nome genérico é alusivo ao local de coleta, Campinaçu, Goiás.
Campinisca goiana sp. n.
(Figs. 1-6)
Tipos. Holótipo G, Parátipo 2, Campinaçu, Goiás, Brasil, X. 1992, Roppa col.,
(holötipo, MNRJ, parátipo JCMC).
Diagnose. Reconhecivel pelos pêlos do segmento I da antena, pela coloração e
pela morfologia da genitália do macho.
Descrição (medidas em mm). Corpo, comprimento 5,8; largura na porção mais
estreita dos hemielitros 1,6. Cabeça: comprimento 0,4; largura 1,2; vértice 0,4. Antena:
segmento I, comprimento 0,6; II, 2,8; III, 1,6; IV, 0,5. Pronoto: comprimento 0,8;
largura na base 1,7. Cúneo: comprimento 0,7; largura na base 0,44 (holótipo).
Coloração geral do corpo negro com áreas pálidas; cabeça clara malhada de
negro, segmento I da antena malhado de marrom e pálido, segmento II-IV negro com
anel basal pálido, clípeo pálido superiormente, jugo com mancha clara, mancha pálida
atrás dos olhos; rostro negro (parte terminal não examinada). Pronoto negro com
mancha clara mediana longitudinal, tendo no meio do disco faixa escura e pontos
negros (4); mesoscuto descoberto, negro, escutelo da mesma cor. Hemiélitro negro,
claro na base externa e base do cúneo, membrana fusca, manchada de claro com nervura
maior clara. Lado inferior do corpo negro, mancha do colar e fendas coxais marcadas de
claro, mesopleura com margem posterior pálida, últimos segmentos do abdome lateral-
mente e pigóforo com anel pálido, fêmures com ápice e tibias palidos na base.
Genitália: vésica (fig. 2) afilada para o ápice, com abertura genital secundária
característica (fig. 4), porção terminal (fig. 3). Parâmero esquerdo (fig. 5) curvo, do
lado dorsal na parte apical onde possui um espinho característico, pêlos curtos. Parâmero
direito (fig. 6) retorcido.
Fêmea: coloração do colar, pronoto e hemiélitros diferentes do macho, base e
ápice dos hemiélitros pálidos, entremeados de negro, com duas manchas laterais apicais
negras. Levemente maior que o macho.
Etimologia. O nome específico lembra o local e o Estado onde o material tipo foi
coletado.
Goianisca gen. n.
Espécie-tipo. Goianisca genitalis sp. n.
Mirinae, Mirini. Corpo liso, com dois tipos de pubescência: pêlos adpressos,
curtos e longos, erectos. Cabeça com olhos comprimidos, vértice estreito, com pêlos
longos, fronte arredondada, provida de pêlos, clípeo meio elevado, loro saliente, parte
anterior pequena; antena com segmento I cerca de metade do II, com pêlos erectos, II
com pêlos curtos, III longo, quase do comprimento do II, IV cerca de metade do II.
Pronoto com colar, calos baixos, duas setas anteriores e pêlos densos: mesoscuto
exposto, escutelo elevado. Hemiélitros com embólio largo, cúneo duas vezes mais
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 49-53, 2 mar. 1994
Mirídeos neotropicais... 3
longo que largo na base. Lado inferior do corpo com peritrema ostiolar bem definido,
femures III lisos, tibias III com espinhos quase tão longos quanto largos.
Diagnose. Difere dos outros gêneros da tribo por ter o corpo com dois tipos de
pubescência, escutelo alto, vértice estreito e olhos comprimidos.
Etimologia. O nome genérico é alusivo ao Estado de Goiás, Brasil.
Goianisca genitalis sp. n.
(Figs. 7-10)
Tipo. Holótipo S, Campinaçu, Goiás, Brasil, X. 1992, O. Roppa col., (MNRJ).
Diagnose. Caracteriza-se pela cor, elevação do escutelo e pela morfologia da
genitália do macho.
Descrição (medidas em mm). Corpo, comprimento 5,4; largura 1,8. Cabeça:
comprimento 0,4; largura 1,1; vértice 0,2. Antena: segmento I, comprimento 0,6; II,
1,8; HI, 1,1; IV, 0,6. Pronoto: comprimento 0,6; largura na base 1,7. Cúneo: compri-
mento 0,9; largura na base 0,5 (holótipo).
Coloração geral do corpo pardacento-escura, pronoto, escutelo e pernas com
numerosos pontos brancos; cabeça com olhos grandes, comprimidos, ocupando toda
região lateral da cabeça, vértice branco, fronte negra, clípeo com numerosos pontos
brancos, jugo e loro (este último com ponto branco no meio) brancos, gula curta, com
linha preta longitudinal; rostro claro, com linha longitudinal, epifaringe grande, atingin-
do o meio das primeiras coxas; antena I preta com 5 ou 6 pontos brancos, II a IV
unicolor, escura. Pronoto com colar branco no meio, tendo pontos também brancos de
cada lado, disco escuro com numerosos pontos claros, sobretudo na margem posterior,
mesoscuto com pontos claros de cada lado, escutelo escuro, com numerosos pontos
claros, ápice escuro tendo dois pontos brancos de cada lado. Hemielitros pardacentos,
embólio com pontos claros, ápice do cório internamente e cúneo (exceto margens)
esbranquiçados; membrana fusca. Lado inferior do corpo negro, com mancha branca no
clavo inferiormente, ápice da mesopleura e orifício ostiolar; coxas pálidas, negras na
base, fêmures brancos na base, com pontos negros no ápice, tendo minúsculas manchas
brancas, tíbias negras com dois anéis pálidos ou brancos.
Genitália: vésica (fig. 8) com uma fileira de dentes no ápice, gonóporo secundário
tipo Mirini, parâmero esquerdo (fig. 9) curvo, dilatado próximo do ápice, com uma
fileira de espinhos no lobo subasal, que é bem formado. Parâmero direito (fig. 10) curvo
na base, com três espinhos bem visíveis e uma fileira de dentes apicais.
Etimologia. O nome específico é alusivo à genitália do macho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARVALHO, J. C. M. 1974. Neotropical Miridae, CLXXVIII: Studies on the tribe Herdoniini Distant. BVI.
Key to the world genera (Hemiptera). Rev. Brasil. Biol., Rio de Janeiro, 33: 197-200 (Supl.).
Recebido em 19.05.1993; aceito em 28.07.1993.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 49-53, 2 mar. 1994
52 CARVALHO & COSTA
DO pn a pb De nenn nn nu. nn
Figs. 1-6. Campinisca goiana sp. n., holótipo S . 1. habitus; 2. vésica; 3. cabeça da vésica; 4. abertura do
gonopóro secundário; 5. parâmero esquerdo; 6. parâmero direito.
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IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 49-53, 2 mar. 1994
Mirídeos neotropicais... 53
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100 um
Figs. 7-10. Goianisca genitalis sp.n., holötipo S. 7. habitus; 8. vésica; 9. parâmero esquerdo; 10. parâmero
direito.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 49-53, 2 mar. 1994
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NEOTIBILIS, UM NOVO GÊNERO DE PENTATOMINI
(HETEROPTERA)!
Jocélia Grazia >?
Aline Barcellos >?
ABSTRACT
NEOTIBILIS, A NEW GENUS OF PENTATOMINI (HETEROPTERA). A new genus of Pentatomini
is proposed to include seven species formerly belonging to Tibilis Stal (one of them revalidated), as well as seven
new species. Neotibilis, gen. n., is divided in two subgenera - Neotibilis, s.str. and Laeviscutis, subg.n.. The first
subgenus includes N.(N.) biguttata (Walker,1868), revalidated, (comb.n.), N.(N.) costaricensis, sp.n., N.(N.)
fulvicornis (Walker,1867),(comb.n.,type species), N.(N.) mexicana, sp.n., N.(N.) panamensis, sp.n. and N.(N.)
parva (Distant,1893),(comb.n.). Laeviscutis includes N.(L.) boliviana, sp.n., N.(L.) compascens
(Bergroth,1914),(comb.n.), N.(L.) laeviventris (Bergroth,1914), (comb.n.), N.(L.) lata, sp.n., N.(L.) mourei,
sp.n., N.(L.) oculata (Breddin,1914), (comb.n.), N.(L.) peruana, sp.n., and N.(L.) piceola (Walker,1868),
(comb.n.). Illustrations, keys and maps of geographic distribution are provided.
KEYWORDS: Neotibilis; Heteroptera; new taxa; genitalia.
INTRODUÇÃO
Na revisão do gênero Tibilis Stal,1860 (BARCELLOS & GRAZIA,1993), foi
proposta a transferência das espécies T. fulvicornis (Walker,1867), T. parva
(Distant,1893), T. compascens Bergroth,1914, T. laeviventris Bergroth,1914, T. oculata
Breddin,1914 e T. piceola (Walker,1868) para um novo gênero, aqui descrito. O exame
de exemplares recebidos por empréstimo possibilitou a descrição de sete novas espéci-
es, distribuídas na América Central, região andina e norte da América do Sul, incluídas
em Neotibilis, gen. n.
Pelo padrão da morfologia da genitália de ambos os sexos, além da presença de
calos nos ângulos basais do escutelo, foi possível separar as espécies em dois subgêneros
- Neotibilis, s. str. e Laeviscutis, subg. n.
Neotibilis (N.) biguttata (Walker,1868) foi retirada da sinonimia de T. fulvicornis
(Walker,1867).
1. Parte da Dissertação de Mestrado da segunda autora, apresentada ao Curso de Pós-graduação em Ciências Biológicas, ênfase em Entomologia,
Universidade Federal do Paraná.
2. Bolsista do CNPq.
3. Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Av. Paulo Gama, s/nº, 90046-900. Porto Alegre, RS.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
56 GRAZIA & BARCELLOS
MATERIAL E MÉTODOS
Utilizou-se material das seguintes coleções: AMNH - American Museum of Natural History, New York;
BMNH - British Museum (Natural History), London; CASC - California Academy of Sciences, San Francisco;
CPCB - Centro de Pesquisas do Cacau, Belém; CPDC - Centro de Pesquisas do Cacau, Itabuna; DEIC - Institut
für Pflanzenschutzforschung der Akademie der Landwirtschaftswissenschaften der DDR, Eberswalde; DZRS
- Departamento de Zoologia, UFRGS, Porto Alegre; DZUP - Departamento de Zoologia, UFPR, Curitiba;
HDEC - Colegäo particular de H. Dodge Engleman, PSC Box 806, APO Miami, FL, 34005, USA; INPA -
Colecäo Sistemätica de Entomologia, Manaus; IZAV - Instituto de Zoologia Agricola, Maracay; LHRC -
Coleção particular de L.H. Rolston, Department of Entomology, Louisiana State University, Baton Rouge,
Louisiana, 70803 USA; MPEG - Museu Paraense Emilio Goeldi, Belém; MZSP - Museu de Zoologia, USP,
Säo Paulo; QBUM - Museu Nacional, Rio de Janeiro;
A metodologia adotada para exame, ilustragäo e descrigäo do material segue BARCELLOS & GRAZIA
(1993). Medidas em milimetros.
Neotibilis, gen. n.
Espécie-tipo: Rhaphigaster fulvicornis Walker, 1867.
Espécies de tamanho médio a grande. Corpo, na forma geral, ovalado a oval-
alargado, moderadamente convexo dorso-ventralmente. Coloração da superfície dorsal
de castanha a castanho-escura, quase negra; pontuações castanhas a negras, de tamanho,
densidade e distribuição variáveis. :
Cabeça com menos de 1,5 vezes o comprimento do pronoto; comprimento daregião
anteocular cerca de um quarto da largura da cabeça ao nível dos olhos. Largura da cabeça
ao nível dos olhos não ultrapassando a margem anterior do pronoto. Olhos salientes. Jugas
ultrapassando o clípeo, contíguas anteriormente e de margens sinuosas. Pontuações mais
frequentes nas jugas e em 1 + 1 faixas que envolvem os ocelos e se estendem em direção
ântero-lateral. Antenas com coloração uniforme em todos os artículos ou com áreas claras
e escuras; pontuações mais fregüentes nos dois primeiros artículos. Artículos antenais
aumentando em comprimento do 1º ao 5º; 1º artículo nitidamente ultrapassando o ápice
da cabeça. Búculas curtas, elevadas anteriormente, com o 1º artículo do rostro ultrapas-
sando-as. Rostro não atingindo a ultrapassando as coxas médias.
Pronoto trapezoidal; margens äntero-laterais lisas e retilíneas e margem anterior
moderadamente côncava. Ângulos umerais de contorno arredondado, pouco
salientes.Pontuações castanhas regular e grosseiramente distribuídas no disco do pronoto;
áreas de maior densidade de pontuações junto à margem anterior e às margens ântero-
laterais, lateralmente às cicatrizes. Margens ântero-laterais ocres ou avermelhadas com a
borda ocre. Escutelo triangular, com ápice mais ou menos agudo, atingindo cerca da
metade do 6º segmento abdominal. Ângulos ântero-laterais com ou sem 1 + 1 conspícuos
calos amarelados; uma espécie com um calo amarelado no ápice do escutelo. Pontuações
grosseiras regularmente distribuídas na superfície do escutelo. Angulo apical do cório
agudo, de extremidade arredondada e ultrapassando o ápice do escutelo. Pontuações
grosseiras e regularmente distribuídas. Manchas calosas de número e tamanho variáveis.
Membrana com 9 a 12 veias longitudinais.
Tórax ventral pontuado de castanho a negro; metasterno elevado em uma carena
hexagonal, plana a marcadamente sulcada, formando um perfil contínuo com a carena do
mesosterno, a qual se estende até entre as coxas anteriores. Margem posterior da carena
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 57
metasternal escavada, onde se encaixa o espinho ou tubérculo abdominal. Peritrema
ostiolar em ruga alongada, levemente curvada em direção anterior. Área evaporatória
ocupando o mesoepímero e o metaepisterno, exceto em pequena área calosa junto à
margem lateral externa do metaepisterno.
Pernas de coloração ocre, com pontuações mais fregiientes e conspícuas nos
fêmures. Pêlos mais concentrados nos tarsos; ventral e apicalmente nas tíbias. Tíbias com
sulcos dorsais rasos.
Abdome com coloração e densidade de pontuações variáveis. Tubérculo abdominal
agudo presente no meio do 3º segmento. Espiráculos negros, elípticos. Ângulos póstero-
laterais dos segmentos do conexivo pouco projetados, com pequeno espinho. Coloração
e pontuações dos segmentos do conexivo variáveis.
Genitália do macho: pigóforo quadrangular, rasa a amplamente aberto dorsalmente.
Bordo dorsal sinuoso; ângulos póstero-laterais mais ou menos alargados, conforme a
espécie, truncados ou arredondados apicalmente. X segmento ovalado, arredondado, ou
trapezoidal. Parâmeros com padrão mais ou menos definido dentro de cada subgênero,
com a face dorsal côncava. Bordo ventral dobrado medianamente recortado em “U” ou
“V”, mais ou menos abertos. Em um plano mais interno, o bordo ventral forma 1 + 1
folhetos (um folheto único em N. (L.) lata) em abas ou aurículas de dimensões variáveis.
Estes folhetos se continuam na superfície interna da parede ventral em pequenos
processos, cuja forma é também variável; tais processos podem ser visíveis dorsalmente
ou estar encobertos pelo X segmento.
Phallus (fig.26): aparelho articular: placa basal com dois pares de conectivos
dorsais - um par com processus capitati bem desenvolvidos em posição apical; outro par
de posição basal, um de cada lado da membranblase. Phallotheca globosa, com grau de
esclerotização e forma da margem dorso-apical variáveis entre os dois subgêneros.
Conjuntiva ausente. Vésica em geral do mesmo tamanho da phalloteca, fendida ou com
sulco mediano no ápice e curvada em direção póstero-dorsal. Presentes dois tipos de
processo na vésica: o processus vesicae 1, único e esclerotinizado, que porta o ductus
seminis distalis, e o processus vesicae 2, mais apical e membranoso, podendo ser único,
duplo ou até quádruplo (em N. (N.) panamensis).
Genitälia da fêmea: margem posterior do VII segmento retilínea a côncava na área
que recobre os gonocoxitos 8. Gonocoxitos 8 com bordos suturais paralelos ou divergen-
tes, justapostos ou não e bordos posteriores de forma variável. Laterotergitos 9 destituídos
de espinho apical, não ou pouco ultrapassando a banda transversal que une os laterotergitos
8. Espiräculos dos laterotergitos 8 não encobertos. Ängulos póstero-laterais do VII
segmento e ápices dos laterotergitos 8 com pequeno espinho.
Gonocoxitos 9 fusionados, formando uma peça única trapezoidal cujos ângulos
ântero-laterais se expandem em 1 + 1 braços de espessura, forma e comprimento
variáveis. Margem anterior do gonocoxito 9 também apresentando variação interespecífica.
Gonapófise 9 com espessamento da íntima vaginal de forma característica para cada
espécie, e 1 + 1 espessamentos secundários em forma de anéis. Orificium receptaculi
terminal ou subterminal. Ductus receptaculi variando em comprimento e espessura.
Pars intermedialis com áreas mais esclerotizadas em extensão variável; em algumas
espécies, apresenta uma porção globosa. Capsula seminalis com três projeções digitiformes
de comprimentos variáveis.
Distribuição: México (Chiapas), Costa Rica, Panamá (Panamá, Canal Zone, Chiriqui),
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
58 GRAZIA & BARCELLOS
Venezuela (Aragua, Bolívar), Guiana, Guiana Francesa, Colômbia (Magdalena), Brasil
(Amapá, Pará, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso), Peru (Huánuco, Loreto, Ucayali) e
Bolívia (Beni, Cochabamba).
Neotibilis é exclusivamente neotropical. O subgênero-tipo distribui-se da América
Central até a região amazônica, não havendo registros na região andina. Já Laeviscutis,
subg. n. não tem espécies registradas para a América Central e sua distribuição abrange
a região Guiano-brasileira e a região oriental da Cordilheira dos Andes (figs. 112, 113).
Sobrepondo-se os mapas de distribuição de Neotibilis com o de Tibilis Stal(BARCELLOS
& GRAZIA,1993), verifica-se que apenas a região andina é comum aos dois gêneros.
Entretanto, comparando-se a distribuição das espécies de Neotibilis, s. str. com a
distribuição das de Tibilis, observa-se que elas são totalmente disjuntas.
Diagnose diferencial: Neotibilis, gen. n. assemelha-se muito a Tibilis Stal,1860
diferindo deste, além do padrão da genitália, na forma da cabeça, com olhos salientes e
comprimento da região anteocular cerca de 1/4 da largura da cabeça ao nível dos olhos.
Em Tibilis, os olhos não são tão salientes e a região anteocular é cerca de 1/3 da largura
dacabeça. Ainda que algumas espécies de Neotibilis tenham sido descritas em Brachystethus
Laporte,1832 os dois gêneros diferem , tanto no padrão da genitália, especialmente na
masculina, como também no tamanho, forma geral do corpo e forma da carena do
metasterno. Em Brachystethus o tamanho é geralmente maior e o corpo mais alargado; a
carena metasternal, de forma bulbosa, contrasta com a carena plana a sulcada de
Neotibilis. Neotibilis distingue-se de Serdia Stal,1860, Paratibilis Ruckes,1960e Phalaecus
Stal,1862 pelos mesmos caracteres apontados em BARCELLOS & GRAZIA (1993) para
diferenciar Tibilis destes gêneros.
Chave para os machos das espécies de Neotibilis.
JE Com 1 + 1 calos amarelados nos ângulos ântero-laterais do escutelo. Ângulos
látero-apicais da phallotheca expandidos em 1 + 1 abas. Processus ve-
sicae 1 originando-se da base da vésica, junto ao ápice da phallotheca
subgênero (Neotibilis) 2.2.2.2. ME ER 2
1% Com calos inconspicuos ou ausentes nos ängulos äntero-laterais do escutelo.
Ängulos lätero-apicais da phallotheca näo expandidos. Processus ve-
sicae 1 originando-se na porção mediana da vésica......................... subgênero
(LaeviSCuiis) usas sanar 2 Lie Tas ESA as ASIA OUSAR SAS EEREEREEHER 7
DR Escutelo com conspícuo calo amarelado apical (fig.1).......................ee..e
alo at A e N.(N.)fulvicornis
2) Eseutelo’destiturdorde ealono apiee nn... use na E RR 3
I Bordo ventral do pigöforo destituído de folhetos (fig. 7) .............. N.(N.) parva
3 Bordo ventral do pigöforo com conspícuos folhetos ....................22uues een 4
4. Processos da parede ventral do pigóforo encobertos pelo X segmento, em vis-
tadonsal (ig rs) ar rn nn N.(N.) mexicana, sp. n.
4. Processos da parede ventral do pigóforo visíveis dorsalmente, não encobertos
pelo Xısegmento an an Ei IR A ENEIDA 5
> Porção digitiforme dos parâmeros curta, não destacando-se especialmente da
porção auricular (figs. 22-23). Processos da parede ventral do pigóforo
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 59
RE
UNE
12.
Ea e E ao ra eco e pr isa o dao N. (N.) panamensis, sp. n.
Porção digitiforme dos parâmeros alongada. Processos de parede ventral do
pisófororde formardiierente 1... En: 6
Processos da parede ventral do pigóforo de forma triangular, separados entre
SMS ER e ISA E a CNM SU A CSA N.(N.) costaricensis, sp. n.
Processos da parede ventral do pigóforo na forma de pequenas projeções
alares unidas basalmente (figa) rn. N.(N.) biguttata
Conexivo destituído de manchas claras; segmentos uniformemente escuros,
exceto em fina faixa externa correspondente aos esternitos ......................
condado poa BEE q NR END Ca RE Rh. RR a RE PR 2 N.(L.)piceola
Conexivo com manchas claras ocupando, em extensão variável, a porção me-
diamardeicadase ame. RER da SO Soa da ano a 8
Bordo ventral do pigöforo em "U" aberto. Folheto do bordo ventral do pigö-
foro em aba única (fig.62).Forma do corpo oval-alargada ........................
BRENNEN SEEN eines N.(L.) lata, sp.n.
Bordo ventral do pigóforo em "V”. Folhetos do bordo ventral inconspicuos ou
em 1 + 1 abas de forma e extensão variáveis. Forma do corpo ovalada
Processos da parede ventral do pigóforo bem visíveis dorsalmente, em cons-
pícuas projeções triangulares contíguas (fig.53) ............u00snennneeeneeenennn
Rn nd Vi UE E PER DE PR PR N.(L.) boliviana, sp.n.
Processos da parede ventral do pigóforo não visíveis dorsalmente, de forma
dnrerentedadescritaracimar ht 2ER sou «E Sd aa ea 10
Folhetos do bordo ventral do pigóforo em abas rasas (fig.61)........................-
OR RO A a ao aii N.(L.) compascens
Folhetos do bordo ventral do pigóforo em abas moderada a amplamente de-
senivio fic ais phases ra ie el el 11
Bordo ventral do pigöforo em "V" aberto (fig.65)......... N.(L.) peruana, sp.n.
Bordo ventral do pigóforo com estreito "V" mediano............................... 12
Folhetos do bordo ventral do pigóforo em abas de contorno triangular (fig.
64). Processos da parede ventral do pigóforo em 2 + 2 pequenas cristas
ER CHUR Be ve RAR ÃO e ROD UNR REPOR ES PRA O PRE N.(L.)oculata
Folhetos do bordo ventral do pigóforo em abas de contorno arredondado
(fig.63). Processos da parede ventral do pigóforo inconspicuos ...............
RE NE HERR, N. (L.) mourei, sp. n.
Chave para as fêmeas das espécies de Neotibilis
l.
ii.
Com 1+1 calos amarelados nos ângulos äntero-laterais do escutelo. Gonocoxitos
8 com maior comprimento nunca junto ao bordo sutural, ou comprimento
junto ao bordo sutural e comprimento mediano da placa equivalentes
E an q O CRER A dg TO bt cadê (subgênero Neotibilis) ....... 2
Escutelo destituído de calos amarelados nos ângulos ântero-laterais. Gonocoxitos
8 com maior comprimento ao nível do ângulo sutural .................. (subgênero
eU EDTA) E EIN DEN EEE EN INN NEN 6
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
60
Ip
GRAZIA & BARCELLOS
ib ae Mr Eee. nee FE Me N.(N.)fulvicornis
Escuteloidestituido de calojno ápice sa as. rece o 3
Comprimento do gonocoxito 8, ao nivel mediano e ao nivel do bordo sutural,
equivalentes (fig II ee N. (N.) biguttata
Maior comprimento do gonocoxito 8 nunca junto do bordo sutural ............ 4
Laterotergitos 9 ultrapassando a banda transversal que une os laterotergitos
SATO: AS EEE IE ee N. (N.) panamensis, sp.n.
Laterotergitos 9 näo ultrapassando a banda transversal que une os laterotergitos
Sen DER REN RL BE EN OEL EEE EEE 2 H20208000000600000000 5
Bordo posterior do gonocoxito 8 largamente arredondado no ápice (fig. 49)
A aa a A a É o 1 A RER N N nesce N.(N.) parva
Bordo posterior do gonocoxito 8 afilado apicalmente (fig. 47) .......................
ud AD dA e ER ER ee A N. (N.) mexicana, sp. n.
Segmentosidoiconexivo/emiáreas clarasn seres N.(L.) piceola
Segmentos do conexivo com áreas claras, formando faixa longitudinal contí
nua ou interrompida si a... ae 7
Abdome liso, com raríssimas pontuações. Áreas claras do conexivo forman-
do uma faixa contínua longitudinal, que ocupa quase a metade de cada
Sesmento.ke ie N.(L.) laeviventris
Abdome moderadamente pontuado de castanho. Areas claras do conexivo
ocupando, em extensão variável, a porção mediana de cada segmento
MER HIRL RR RER ER SE E DRE RIR ARTEN RER NA NEN E cc coco concocoonoscocd 8
Ängulos suturais dos gonocoxitos 8 rombos e escurecidos. Bordos posteriores
dos gonocoxitos 8 convexos após os ângulos suturais (fig. 102) ...............
BU TE REEL N RU SOnSonkeBoogde N.(L.) compascens
Diferentes combinacoesidesearacteies 2. EEE 9
Forma do corpo oval-alargada. Ängulos suturais dos gonocoxitos 8 aguda-
mente projetados formando um "bico", de extensão variável; bordos pos-
teriores convexos após os ângulos suturais (fig. 104) .............................
dean daN Aa Ta A RIRRTALEU EIERN N.(L.) lata, sp. n.
Forma do corpo ovalada. Ângulos suturais dos gonocoxitos 8 não aguda-
mente projetados; bordos posteriores retilíneos após os ângulos suturais
(Gisela ah iD E N.(L.)oculata
Subgênero Neotibilis, s. str.
Espécie-tipo: Rhaphigaster fulvicornis Walker, 1867
Forma geral do corpo ovalada, coloração da superfície dorsal castanha a
castanho-escura. Escutelo com 1 + 1 conspícuos calos amarelados nos ângulos ântero-
laterais. Em N. (N.) fulvicornis, também presente um calo amarelado apical. Carena
metasternal plana a marcadamente sulcada longitudinalmente. Segmentos do conexivo
com área clara ocupando a porção mediana, junto à margem lateral externa, de cada
segmento. Areas claras nunca formando uma faixa contínua longitudinal ao longo de cada
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 61
segmento. Abdome moderadamente pontuado de castanho-ferrugíneo a castanho-escuro.
Genitália do macho: pigóforo raso a amplamente aberto em vista dorsal; ângulos
póstero-laterais arredondados a truncados apicalmente, de largura variável. X segmento
ovalado, arredondado ou trapezoidal. Parâmeros com duas partes morfologicamente
distintas: uma basal, de forma auricular, e outra mais alongada e digitiforme, voltada para
o X segmento. O comprimento da porção digitiforme varia entre as espécies. Bordo
ventral em "U", cuja abertura varia nas diferentes espécies. Folhetos do bordo ventral
desde inconspícuos até formando amplas aurículas. Processos da superfície interna da
parede ventral do pigóforo de forma variável, visíveis desde o lado dorsal (exceto em N.
(N.) parva e N. (N.) mexicana).
Phallus: phallotheca fortemente esclerotizada, dificultando a visualização do
ejaculatory reservoir. Margem apical da phallotheca, em vista dorsal, apresentando-se
medianamente convexa, retilínea, rasa a profundamente escavada. Ângulos látero-
apicais da phallotheca expandidos em 1 + 1 abas. Processus vesicae 1, de extensão
variável, partindo da base da vésica, junto ao ápice da phallotheca. Processus vesicae 2
de forma, comprimento e grau de esclerotização variáveis interespecificamente, sendo
normalmente duplos (quádruplos em N. (N.) panamensis).
Genitália da fêmea: margem posterior do VII segmento ligeira a marcadamente
côncavana área que recobre a base dos gonocoxitos 8. Bordos posteriores dos gonocoxitos
8 marcadamente sinuosos; maior comprimento dos gonocoxitos 8 nunca junto ao bordo
sutural, com exceção de N. (N.) biguttata, onde os comprimentos mediano e ao nível do
ângulo sutural são equivalentes. Margem anterior do gonocoxito 9 convexa medianamente.
Braços do gonocoxito 9 mais ou menos espessados, divergentes ou convergentes
apicalmente. Espessamento da íntima vaginal e espessamentos secundários da gonapófise
9 de forma variável. Pars intermedialis sem uma porção marcadamente globosa.
Diagnose diferencial. O subgênero-tipo diferencia-se de Laeviscutis, subg. n. pela
presença de calos amarelados conspícuos nos ângulos ântero-laterais do escutelo, além do
padrão da genitália. Na genitália masculina, os ângulos látero-apicais da phallotheca
expandidos em 1 + 1 abas e a origem do processus vesicae 1, junto à base da vésica, no
subgênero-tipo, contrasta com a margem apical retilínea da phallotheca e a origem mais
apical do processus vesicae 1 em Laeviscutis. Na genitália da fêmea, o maior comprimen-
to dos gonocoxitos 8, em Laeviscutis, se dá ao nível do ângulo sutural, o que não ocorre
nas fêmeas do subgênero-tipo.
Neotibilis (Neotibilis) biguttata (Walker, 1868), comb. n.
(Figs.2,8,14,15,26,33,39,45)
Brachystethus biguttatus WALKER, 1868: 455-456; LETHIERRY & SEVERIN, 1893: 187.
Localidade-tipo: região amazônica, Brasil.
Holótipo: ©, com as etiquetas: a) Type; b) 62 57/ Braz; c) 8. Brachystethus
biguttatus (BMNH).
Coloração da superfície dorsal castanha. Antenas ocres, com pontuações castanho-
ferrugíneas quase inconspícuas nos dois primeiros artículos. Rostro atingindo ou não as
coxas médias. Margens ântero-laterais do pronoto ocres, bordeadas de castanho.
Escutelo destituído de calo apical.Tórax, ventralmente, regularmente pontuado de
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
62 GRAZIA & BARCELLOS
castanho a negro. Carena metasternal moderada a marcadamente sulcada. Pernas ocres a
ocre-avermelhadas, com pontuações castanhas a castanho-ferrugíneas nos fêmures.
Segmentos do conexivo com área clara ocupando de 1/3 à metade da área de cada
segmento, na região mediana, junto à margem lateral externa.
Macho. Medidas: comprimento total 12,44 (11,36 - 13,53) + 1,54; comprimento
da cabeça 1,83 (1,72 - 1,95) + 0,16; largura da cabeça 2,40 (2,26 - 2,53) * 0,19;
comprimento da região anteocular 0,58 (0,51 - 0,66) + 0,11; distância interocular 1,01
(0,97 - 1,05) + 0,05; largura do olho composto 0,70 (0,66 - 0,74) + 0,05; comprimento
dos artículos antenais I - 1,15 (1,05 - 1,25) £# 0,14, I - 1,17 (1,05 - 1,29) + 0,16, HI - 1,79
(1,52 - 2,07) + 0,39, IV - 3,12, V - faltando; comprimento do pronoto 2,84 (2,72 - 2,96)
+ 0,17; largura do pronoto 6,76 (6,40 - 7,12) + 0,51; comprimento do escutelo 5,24 (4,88
- 5.60) + 0,51; largura do escutelo 4,12 (3,92 - 4,32) + 0,28; largura abdominal 6,76(6,32
- 7,20) * 0,62. Número de exemplares medidos: 2.
Genitália: parâmeros com a porção digitiforme alongada (figs. 14,15). X segmento
ovalado. Folhetos do bordo ventral do pigóforo de forma semi-auricular; processos da
parede ventral em pequenas expansões alares, justapostas no 1/3 anterior (figs. 2,8).
Margem dorso-apical da phallotheca moderadamente côncava. Processus vesicae 1 fino
e alongado, em vista lateral ultrapassando nitidamente as abas da phallotheca e alcançan-
do o 1/3 basal da vésica. Processus vesicae 2 conspícuos, cônicos, contíguos basalmente
e divergentes apicalmente, onde se apresentam mais esclerotizados (figs 26,33, 39).
Fêmea. Medidas: comprimento total 13,19; comprimento da cabeça 2,07; largura '
da cabeça 2,65; comprimento da região anteocular 0,58; distância interocular 0,97;
largura do olho composto 0,86; comprimento dos artículos antenais I - 1,17, II - 1,33, III
- 1,91, IV - 3,00, V - 2,89; comprimento do pronoto 2,88; largura do pronoto 6,96;
comprimento do escutelo 5,60; largura do escutelo 4,24; largura abdominal 7,28. Número
de exemplares medidos: 1.
Genitália: gonocoxitos 8 com bordos suturais paralelos, divergindo apenas ao nível
dos ângulos suturais, agudamente projetados. Bordos posteriores dos gonocoxitos 8 não
marcadamente sinuosos, como nas demais espécies do subgênero, de maneira que os
comprimentos do gonocoxito 8, ao nível do ângulo sutural e ao nível mediano, se
equivalem. Laterotergitos 9 não ultrapassando a banda transversal que une os laterotergitos
8 (fig. 45). |
Distribuição. BRASIL: Amapá, Rondônia.
Material examinado. S - sem dados (AMNH). BRASIL: Amapá: &, Serra Lombard, Limão, 04-IX-
1961,J. & B. Bechyné (MPEG); Rondônia: 9, Jaru, 02-IX-1976, W. Benson (DZRS).
Diagnose diferencial. N. (N.) biguttata difere das demais espécies do subgênero
pela forma dos gonocoxitos 8, nas fêmeas, cujos comprimentos, ao nível mediano da placa
e ao nível do bordo sutural, são equivalentes. Nos machos, a forma dos processos da
parede ventral do pigóforo, em pequenas expansões alares, é distintiva em relação às
outras espécies do subgênero.
Observação. O exame dos tipos de N. (N.) fulvicornis e de N. (N.) biguttata,
comparados a séries de machos e fêmeas de ambas as espécies, permitiu a revalidação
desta última.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 63
Neotibilis (Neotibilis) costaricensis, sp. n.
(Figs. 3,9,16,17,27,34,40)
Localidade-tipo: Costa Rica.
Holótipo: 9, COSTA RICA, sem dados (AMNH), aqui designado.
Coloração da superfície dorsal castanha. Antenas com o seguinte padrão de
coloração: 1º, 2º e 3º artículos ocres com pontuações castanho-ferrugíneas que vão
diminuindo de tamanho do 1º ao 3º artículo; 4º artículo castanho, exceto em pequeno anel
basal, amarelado (5º artículo faltando no material examinado). Rostro alcançando as
coxas médias. Margens ântero-laterais do pronoto ocres, com fina borda castanha. Ápice
do escutelo destituído de calo. Tórax regularmente pontuado de castanho-escuro a negro
na superfície ventral. Carena metasternal quase plana. Pernas ocres, com pontuações
grosseiras castanho-ferrugíneas nos fêmures.
Macho. Medidas: comprimento total 12,19; comprimento da cabeça 1,75; largura
da cabeça 2,50; comprimento da região anteocular 0,51; distância interocular 1,05;
largura do olho composto 0,70; comprimento dos artículos antenais I - 0,97, II - 1,21, II
- 1,60, IV - 2,57, V - faltando; comprimento do pronoto 2,80; largura do pronoto 6,80;
comprimento do escutelo 5,20; largura do escutelo 4,16; largura abdominal 6,96. Número
de exemplares medidos: 1.
Genitália: parâmeros com a porção digitiforme um pouco mais curta que em N.
(N.) biguttata (figs. 16,17). X segmento arredondado. Folhetos do bordo ventral do
pigóforo semi-auriculares; processos da parede ventral triangulares e separados entre si
(figs. 3,9). Margem dorso-apical da phallotheca medianamente retilínea. Processus
vesicae 1 alargado na base, levemente sinuoso e muito longo, projetando-se entre os
processus vesicae 2; estes longos e membranosos, com ápices alongados e voltados em
direção à phallotheca (figs. 27,34,40).
Distribuição. COSTA RICA.
Diagnose diferencial. Os processos da parede ventral do pigóforo, triangulares e
separados entre sı, distinguem N. (N.) costaricensis das demais espécies do subgênero.
Neotibilis (Neotibilis) fulvicornis (Walker, 1867), comb. n.
(Figs. 1,4,10,18,19,28,29,35,41,46,50A,50B)
Rhaphigaster fulvicornis WALKER, 1867: 361-362; LETHIERRY & SEVERIN, 1893:200.
Brachystethus fulvicornis; DISTANT, 1900: 428; KIRKALDY, 1909: 152.
Tibilis fulvicornis; ROLSTON, 1976: 7.
Localidade-tipo: Ega, Parä, Brasil.
Holótipo: 9, com as etiquetas: a) Type; b) 57 125/ Ega; c) 38. Rhaphigaster
fulvicornis (BMNH).
Coloração da superfície dorsal castanha. Antenas ocres, com finas pontuações
castanho-ferrugíneas no 1º e 2º artículos. Rostro atingindo ou não as coxas médias.
Margens ântero-laterais do pronoto ocre-avermelhadas, com fina borda castanha. Escutelo
com conspícuo calo amarelado apical. Superfície ventral do tórax regularmente pontuada
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
64 GRAZIA & BARCELLOS
de castanho-escuro. Carena metasternal marcadamente sulcada.Pernas ocres, com raras
e pouco conspícuas pontuações ferrugíneas nos fêmures.
Macho. Medidas: comprimento total 12,89 (12,52 - 13,36) + 0,37 ; comprimento
da cabeça 1,79 (1,68 - 1,87) + 0,10; largura da cabeça 2,51 (2,46 - 2,57) + 0,05;
comprimento da região anteocular 0,56 (0,55 - 0,58) + 0,02; distância interocular 1,11
(1,09 - 1,13) + 0,02; largura do olho composto 0,70; comprimento dos artículos antenais
1=1,25 (1,13-1,33) 20/10/11 1340/2155 140) 0/11 = 2/16 /0/08 2 DE
IV - 3,39, V - 3,20; comprimento do pronoto 2,94 (2,72 - 3,04) + 0,15; largura do pronoto
6,98 (6,72 - 7,12) + 0,18; comprimento do escutelo 5,42 (5,20 - 5,60) + 0,18; largura do
escutelo 4,22 (4,16 - 4,32) + 0,10; largura abdominal 7,22 (6,80 - 7,52) + 0,31. Número
de exemplares medidos: 4.
Genitália: parâmeros com porção digitiforme alongada (figs. 18,19). X segmento
arredondado. Folhetos do bordo ventral do pigóforo bem desenvolvidos, em forma de
aurículas; processos da parede ventral em 1 + 1 lingüetas, separadas entre si e perpendi-
culares ao plano dorso-ventral (figs. 4, 10). Phallotheca apresentando uma notável
variação intra-específica. Em alguns exemplares, a superfície dorsal da phalloteca é
uniformemente convexa, a margem dorso-apical formando um "V” aberto; em outros, a
superfície dorsal apresenta-se longitudinalmente deprimida na região mediana e a
margem dorso-apical escavada em pequeno "U" mediano. Processus vesicae 1 curto,
não ultrapassando as abas da phallotheca. Processus vesicae 2 conspícuos, predomi-
nantemente membranosos, porém mais esclerotizados nos ápices, que são bifurcados e
voltados em direção à phallotheca; o comprimento destes processos também varia
ligeiramente dentro da espécie (figs. 28,29,35,41).
Fêmea. Medidas: comprimento total 13,19 (12,69 - 13,53) + 0,37 ; comprimento
da cabeça 1,79 (1,72 - 1,83) + 0,05; largura da cabeça 2,49 (2,42 - 2,53) + 0,04;
comprimento da região anteocular 0,58; distância interocular 1,10 (1,05 - 1,13) + 0,03;
largura do olho composto 0,71 (0,70 - 0,74) + 0,02; comprimento dos artículos antenais
1-1,19(1,09- 1,25) + 0,07, II - 1,29 (1,25 - 1,33) + 0,04, II - 2,07 (1,99 - 2,14) + 0,06,
IV -3,10 (2,85 - 3,16) # 0,17; V - 3,10 (2,96 - 3,24) £ 0,19; comprimento do pronoto 2,94
(2,72 - 3,12) + 0,15; largura do pronoto 7,04 (6,88 - 7,12) + 0,11; comprimento do
escutelo 5,57 (5,36 - 5,68) + 0,12; largura do escutelo 4,19 (4,08 - 4,32) + 0,10; largura
abdominal 7,46 (7,20 - 7,68) + 0,19. Número de exemplares medidos: 5.
Genitália: gonocoxitos 8 com bordos suturais contíguos, divergindo ligeiramente
no 1/3 apical. Ápice dos gonocoxitos 8 atingindo o laterotergito 9 ou o limite entre este
e o laterotergito 8. Laterotergitos 9 não a mal ultrapassando a banda transversal que une
os laterotergitos 8 (fig. 46). Margem anterior do gonocoxito 9 moderadamente convexa;
braços do gonocoxito 9 uniformemente espessados e de ápice arredondado, subparalelos
e de comprimento igual ao comprimento mediano da placa. Espessamento da íntima
vaginal alargado, truncado apicalmente; espessamentos secundários ovalados, separa-
dos entre si. Porção do ductus receptaculi posterior à área vesicular pouco menor que a
porção anterior à mesma área. Pars intermedialis com apenas um pequeno anel apical
mais esclerotizado (figs. 50A,50B).
Distribuição. BRASIL: Pará, Mato Grosso.
Material examinado. BRASIL: Pará: S, 2, Belém, Utinga, 09.11.1977, M.F. Torres (MPEG); 9,
Tucuruí, Rio Tocantins, 02.VII.1984, sem coletor (MPEG); 2 9, Tucuruí, 1.1979, M. Alvarenga (DZRS); 9,
Aldeia Araçu, Una, 50km E Canindé, V.1963, B. Malkin (MZSP); 4, Canindé, R. Gurupi, IV.1963, Idem; 9,
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 65
Guajará, Mu. Anandeua, 01.1.1965, Apol. Souza (MPEG); Mato Grosso: ?, Sinop, 12º 31'N, 55° 37W, X-
1975, M. Alvarenga (AMNH).
Diagnose diferencial. N. (N.) fulvicornis pode ser facilmente distinguida das
demais espécies do subgênero pela presenca de um conspícuo calo amarelado no ápice
do escutelo.
Neotibilis (Neotibilis) mexicana, sp. n.
(Figs. 5,11,20,21,30,36,42,47,51A,51B)
Localidade-tipo: Ruínas de Bonampak, Chiapas, México.
Holótipo: &S, MÉXICO, Chiapas, Ruínas de Bonampak, 03-1978, E. Barrera
(AMNH), aqui designado.
Superfície dorsal castanha. Antenas com os três primeiros artículos ocres, com finas
pontuações castanho-ferrugíneas; 4º e 5º artículos castanhos, exceto 1/3 basal e pequena
área apical do 5º artículo, ocre-amarelados. Rostro estendendo-se até as coxas médias.
Margens ântero-laterais do pronoto ocre-avermelhadas, com borda castanho-escura.
Escutelo destituído de calo apical, exceto em um exemplar, onde está presente um
pequeno calo amarelado. Superfície ventral do tórax regularmente pontuada de castanho-
ferrugíneo a negro. Carena metasternal moderadamente sulcada. Pernas com conspícuas
pontuações castanho-ferrugíneas nos fêmures.
Macho. Medidas: comprimento total 11,69; comprimento da cabeça 1,68; largura
da cabeça 2,34; comprimento da região anteocular 0,51; distância interocular 1,01;
largura do olho composto 0,70; comprimento dos artículos antenais - faltando; compri-
mento do pronoto 2,64; largura do pronoto 6,48; comprimento do escutelo 5,12; largura
do escutelo 4,00; largura abdominal 6,64. Número de exemplares medidos: 1.
Genitália: parâmeros com porção digitiforme curta, não destacando-se especial-
mente da porção auricular (figs. 20,21). X segmento ovalado. Folhetos do bordo ventral
em semi-aurículas; processos da parede ventral em minúscula aba bissinuada, encobertos
dorsalmente pelo X segmento (figs. 5,11). Margem dorso-apical da phalloteca convexa
medianamente. Processus vesicae 1 curto, mal ultrapassando as abas da phallotheca em
vista lateral. Processus vesicae 2 em 1 + 1 lobos membranosos, curtos e arredondados
(figs. 30,36,42).
Fêmea. Medidas: comprimento total 12,02 (11,52 - 12,52) + 0,70 ; comprimento
da cabeça 1,77 (1,75 - 1,79) + 0,03; largura da cabeça 2,34 (2,30 - 2,38) + 0,05;
comprimento da região anteocular 0,56 (0,51 - 0,62) + 0,08; distância interocular 1,07
(1,05 - 1,09) + 0,03; largura do olho composto 0,62 (0,58 - 0,66) + 0,05; comprimento
dos artículos antenais I- 1,11 (1,05 - 1,17) + 0,08, II - 1,13, II - 1,52, IV - 2,42, V - 2,53;
comprimento do pronoto 2,72 (2,64 - 2,80) + 0,11; largura do pronoto 6,52 (6,32 - 6,72)
+ 0,28; comprimento do escutelo 5,20 (5,04 - 5,36) + 0,22: largura do escutelo 4,00 (3,92
- 4,08) + 0,11; largura abdominal 6,68 (6,32 - 7,04) + 0,51. Número de exemplares
medidos: 2.
Genitälia: gonocoxitos 8 de bordos suturais paralelos; ápice dos gonocoxitos 8
atingindo os laterotergitos 8. Laterotergitos 9 não ultrapassando a banda transversal que
une os laterotergitos 8 (fig. 47). Porção mediana da margem anterior do gonocoxito 9
marcadamente convexa. Braços do gonocoxito 9 uniformemente espessados, apicalmente
arredondados e convergentes, de comprimento pouco menor que o comprimento mediano
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
66 GRAZIA & BARCELLOS
da placa. Espessamento da íntima vaginal digitiforme; espessamentos secundários
elípticos, unidos lätero-basalmente. Orificium receptaculi terminal. Ductus receptaculi
cerca de 1,5 x mais longo anteriormente que posteriormente à área vesicular. Pars
intermedialis com 1/3 apical mais esclerotizado (figs. SIA, 51B).
Distribuição. MÉXICO: Chiapas.
Material examinado. Parátipos: MEXICO, Chiapas: 9, Ruínas de Bonampak, 03-1978, E. Barrera
(MCNZ); ?, 3200, 11,6 mi. n. Ocozocuautla, 10-13-VI-1966, Black light, George E. Ball. D.R. Whitehead
collectors (AMNH).
Diagnose diferencial. Os minúsculos processos da parede ventral do pigóforo, em
combinação com a forma dos parämeros, de porção digitiforme curta e não destacada da
porção auricular, permitem diferenciar N. (N.) mexicana das outras espécies do subgênero.
Em relação às fêmeas, os gonoxitos 8 afilados apicalmente, em combinação com os
espessamentos secundários elípticos, distinguem N.(N.) mexicana das demais espécies
do subgênero-tipo.
Neotibilis (Neotibilis) panamensis, sp. n.
(Figs.6,12,22,23,31,37,43,48)
Localidade-tipo: Cerro Azul, Província do Panamá. Panamá.
Holótipo: S, PANAMA, Panamá: Cerro Azul, 29.V.1983,J. E. Wappes, (AMNH),
aqui designado. |
Superfície dorsal castanho-escura. Antenas com o seguinte padrão de coloração: 1º,
2° eo 1/4 basal do 3º artículo, ocres, com pontuações castanho-escuras; porção restante
do 3º e 4º artículo castanho-escuros, exceto pequeno anel basal, ocre, assim como o 1/3
basal do 5º artículo; porção apical do 5º artículo castanho-claro a castanho-escuro. Rostro
alcançando as coxas médias. Margens ântero-laterais do pronoto ocre-avermelhadas, com
ou sem borda castanha. Escutelo destituído de calo no ápice. Tórax regularmente
pontuado de castanho-escuro a negro na superfície ventral. Carena metasternal
marcadamente sulcada. Pernas ocres, com conspícuas pontuações castanho-escuras nos
fêmures.
Macho. Medidas: comprimento total 13,03; comprimento da cabeça 1,83; largura
da cabeça 2,57; comprimento da região anteocular 0,62; distância interocular 1,09;
largura do olho composto 0,70; comprimento dos artículos antenais I - 0,25, II - 1,21, III
- 2,14, IV 3,04, V - 3,08; comprimento do pronoto 2,88; largura do pronoto 6,96;
comprimento do escutelo 5,44; largura do escutelo 4,16; largura abdominal 7,52. Número
de exemplares medidos: 1.
Genitália: parâmeros com a porção digitiforme curta, não se destacando especial-
mente da porção auricular, à semelhança de N. (N.) mexicana (figs. 22, 23). X segmento
trapezoidal. Folhetos do bordo ventral do pigóforo bem desenvolvidos, auriculares.
Processos da parede ventral em 1 + 1 lingüetas, unidas na base (figs. 6, 12). Margem dorso-
apical da phallotheca retilínea. Processus vesicae 1 não ultrapassando as abas da
phallotheca. Processus vesicae 2 quádruplos: um par de processos mais afilados
apicalmente e mais esclerotizados, outro par membranoso. (figs. 31,37,43).
Fêmea. Medidas: comprimento total 13,69; comprimento da cabeça 1,83; largura
da cabeça 2,65; comprimento da região anteocular 0,62; distância interocular 1,09;
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 67
largura do olho composto 0,78; comprimento dos artículos antenais I - 1,29, II - 1,29, Hi
- 2,11, IV - 2,96, V - 3,04; comprimento do pronoto 3,04; largura do pronoto 7,20;
comprimento do escutelo 5,84; largura do escutelo 4,32; largura abdominal 7,52. Número
de exemplares medidos: 1.
Genitália: gonocoxitos 8 de bordos suturais paralelos, não justapostos, e espessa-
dos. Ápice dos gonocoxitos 8 atingindo os laterotergitos 9. Laterotergitos 9 pouco
ultrapassando a banda transversal que une os laterotergitos 8 (fig. 48).
Distribuição. PANAMÁ: Panamá.
Material examinado. Parátipo ?, com os mesmos dados do holótipo (MCNZ).
Diagnose diferencial. N. (N.) panamensis, como N. (N.) mexicana, possui os
parâmeros com a porção digitiforme curta, caráter que as distingue das demais espécies
do subgênero. Pode ser diferenciada de N. (N.) mexicana, nos machos, pelos processos da
parede ventral do pigóforo, em conspicuas lingüetas, unidas na base; nas fêmeas, os
laterotergitos 9 ultrapassando a banda transversal que une os gonocoxitos 8, juntamente
com a forma do bordo posterior dos gonoxitos 8, largamente arredondada no ápice,
distinguem estas duas espécies.
Neotibilis (Neotibilis) parva (Distant, 1893), comb. n.
(Figs. 7,13,24,25,32,38,44,49,52A,52B)
Brachystethus parvus DISTANT, 1893: 342; Tab.xxi, fig. 23; LETHIERRY & SEVERIN, 1893: 187.
Tibilis parva; RUCKES, 1960: 23-24; BECKER & GRAZIA-VIEIRA, 1971: 20; GRAZIA, 1984: 80.
Localidade-tipo: David, Chiriqui, Panamä
Lectötipo: S, com as etiquetas: a) Type; b) David, Chiriqui, Champion; c) B.C.A.
Hem. 1, Brachystethus parvus; d) Tibilis parvulus (Dist.) det. H. Ruckes, 1960 (BMNH).
Designado por Ruckes.
Coloração da superfície dorsal castanha a castanho-escura. Antenas com os três
primeiros artículos ocres, com pontuações castanhas; 4º artículo castanho, exceto peque-
no anel basal e o 1/4 apical, ocre amarelados; 5º artículo amarelado no 1/3 basal e em
pequena área apical, e castanho na porção restante. Rostro alcançando as coxas médias.
Margens ântero-laterais do pronoto totalmente amareladas ou avermelhadas internamen-
te e amareladas externamente, com ou sem borda externa castanha. Superfície torácica
ventral regularmente pontuada de castanho a negro. Carena metasternal plana arasamente
sulcada. Pernas ocres com conspícuas pontuações castanho-ferrugíneas nos fêmures.
Macho. Medidas: comprimento total 11,84 (11,36 - 12,69) + 0,35 ; comprimento
da cabeça 1,72 (1,56 - 1,87) + 0,08; largura da cabeça 2,41 (2,30 - 2,50) + 0,05;
comprimento da região anteocular 0,53 (0,47 - 0,62) + 0,03; distância interocular
1,01(0,94 - 1,13) + 0,04; largura do olho composto 0,71 (0,66 - 0,78) + 0,03; comprimen-
to dos artículos antenais I - 0,99 (0,66 - 1,13) + 0,10; II - 1,01 (0,90 - 1,13) + 0,06; III -
1,62 (1,48 - 1,79) + 0,07, TV - 2,49 (2,30 - 2,65) + 0,09, V - 2,50 (2,34 - 2,65) + 0,09,
comprimento do pronoto 2,58 (2,32 - 2,88) + 0,13; largura do pronoto 6,42 (6,00 - 6,80)
+ 0,18; comprimento do escutelo 5,02 (4,80 - 5,44) + 0,14; largura do escutelo 3,98 (3,76
- 4,32) + 0,12; largura abdominal 6,59 (6,16 - 7,04) + 0,20. Número de exemplares
medidos: 46.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
68 GRAZIA & BARCELLOS
Genitália: parämeros com porção digitiforme alongada (figs. 24, 25). X segmento
arredondado. Ângulos póstero-laterais do pigóforo bastante alargados; bordo ventral,
medianamente, em estreito "U". Folhetos do bordo ventral do pigóforo inconspícuos e
processos da parede ventral em minúscula aba bissinuada, encobertos pelo X segmento
em vista dorsal (figs. 7, 13). Margem dorso-apical da phalloteca convexa medianamente.
Processus vesicae 1 curto, mal ultrapassando as abas da phallotheca. Processus vesicae
2 em 1 + 1 cornos, mais esclerotizados que nas demais espécies do subgênero, contíguos
basalmente e de ápices voltados em direção à phalloteca (figs. 32,38, 44).
Fêmea. Medidas: comprimento total 12,19 (11,36 - 13,03) + 0,43 ; comprimento
da cabeça 1,73 (1,64 - 1,87) + 0,07; largura da cabeça 2,44 (2,34 - 2,57) + 0,05;
comprimento da região anteocular 0,54 (0,51 - 0,58) + 0,04; distância interocular 1,03
(0,94 - 1,09) + 0,03; largura do olho composto 0,70 (0,58 - 0,78) + 0,03; comprimento
dos artículos antenais I - 1,01 (0,74 - 1,17) + 0,08, II - 1,03 (0,94 - 1,13) + 0,05, III - 1,60
(1,40.-:1,72) + 0,07, IV - 2,46 (2,26 - 2,65) * 0,09; V - 2,48 (2,30 - 2,65) + 0,07;
comprimento do pronoto 2,63 (2,32 - 2,88) + 0,13; largura do pronoto 6,57 (6,16 - 6,88)
+ 0,21; comprimento do escutelo 5,15 (4,80 - 5,52) + 0,18; largura do escutelo 4,06
(3,76 - 4,40) + 0,15; largura abdominal 6,82 (6,40 - 7,20) + 0,20. Número de
exemplares medidos: 39.
Genitália: gonocoxitos 8 de bordos suturais paralelos a divergentes. Ápice dos
gonocoxitos 8 atingindo o limite entre os laterotergitos 8 e os laterotergitos 9; estes não
ultrapassando a banda que une os laterotergitos 8 (fig. 49). Margem anterior do gonocoxito
9 comleve convexidade mediana. Comprimento dos braços e comprimento mediano do
gonocoxito 9 subiguais. Braços do gonocoxito 9 delgados, de ápices afilados e divergen-
tes. Espessamento da íntima vaginal piriforme; espessamentos secundários em anéis de
paredes espessadas e separados entre si. Orificium receptaculi de posição terminal.
Ductus receptaculi, na porção posterior à área vesicular, pouco maior que o comprimento
da porção anterior à mesma área. Pars intermedialis mais esclerotizada nos 3/4 basais
(figs. 524, 52B).
Distribuição. PANAMÁ: Canal Zone, Chiriqui; VENEZUELA: Aragua; CO-
LÖMBIA: Magdalena; BRASIL: Pará. )
Material examinado. S, sem local, 1911, sem coletor, Distant Coll., 383 (BMNH); PANAMA. Canal
Zone: &, Albrook Forest Site, Fort Clayton, 16-17.V.1968, R. Hutton, “black light trap”, Lot nº 197 (LHRC);
2, Barro Colorado Isl., 20.1V.1953, A. M. Nadler (AMNH); 2 S, Idem, 25.1V.1962, H. Ruckes (AMNH); 3 6,
22, Idem, 01.V.1962, Idem; 3 5, Idem, 23.1V.1962, Idem, “colleted on NSF Grant G 9830” (AMNH); 115,10
2, Idem, 25.1V.1962, Idem; 3 6, 19, Idem, 27.1V.1962, Idem; 69, Idem, 28.IV.1962, Idem; 2, Idem; 29.1V.1962,
H. Ruckes, “colleted on NSF Grant G 9830” (AMNH); 2 £, Idem, 30.1V.1962, H. Ruckes (AMNH); £, Idem,
22.X.1962, Idem, “colleted on NSF Grant G 9830” (AMNH); 9, Idem, 16.11.1976, H. Wolda, “lights: Weir/SM-
LIMP (HDEC); S, Idem, 14.XTI.1976, D. Engleman, “It. trap” (HDEC); 2, Cardenas Village, 17-18.V.1980, E.
Riley e Le Doux (LHRC); S, Coco Solo Hosp., 10.V.1974, D. Engleman, “light trap” (HDEC); 6, Idem, 9º 21'N
79° 51'W, 16.V1.1972, Engleman (LHRC); &, Coco Solo Hosp., 04.V.1976, D. Engleman (HDEC); 9, 9, Ft.
Gulick, 06.V.1977, Al Thurman, “at lights” (HDEC); 9, Pipeline Road, 07.VII.1976, D.Engleman (HDEC); 2
9,39, Idem, 17.VII.1976, Idem, “canopy sample”, Luehea seemanii sp., nº G6M/YL (HDEC); 2 6, 29, Gatun,
Gatun Lake Lookout, 07.08.1V.1987, J. R. McDonald (LHRC); 2, S-9 Rd. 6 km SW of Gatun, 30.X11.1972, D.
Engleman, Thomas F. Halstead Collection (CASC); Chiriqui: 2, Caldera, 1200 ft., 1911, Champion, Distant
Coll., 383 (BMNH); 4 6, 1 9 Idem, sem data, Idem, B.C.A., Hem. I(BMNH); 6, Idem, sem data, Idem, Ex.
Godman & Salvin (AMNH); S - David, 1911, Champion, Distant Coll., 383 (BMNH); 26, 19, Idem, B.C.A.,
Hem. 1 (BMNH); 9, 2, Panamá (B. C. 1.), 23.V.1957, F. Schrader, A75 e A8B2G (AMNH); VENEZUELA:
Aragua: $, El Limon, 450m, 25.V.1966, F. Fernandez Y. (IZAV); COLÔMBIA: Magdalena: &, 11° 10'N, 76°
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 69
08'W, 800 m, IV.1973, M. Madison (LHRC); BRASIL: Pará: 2, Santarém, sem data, sem coletor, acc. 23739
(AMNH); 9, Tucuruí, rio Tocantins, 26-28.111.1984, Candal, armadilha Malaise (MPEG).
Diagnose diferencial. A forma do bordo ventral do pigóforo, em "U" fechado, e os
folhetos do bordo ventral, inconspícuos, permitem distinguir N. (N.) parva das demais
espécies do subgênero. As fêmeas de N.(N.) parva podem ser distinguidas das fêmeas das
outras espécies do subgênero pela seguinte combinação de caracteres: laterotergitos 9 não
ultrapassando a banda que une os laterotergitos 8, bordo posterior dos gonocoxitos 8
largamente arredondado apicalmente e espessamentos secundários da gonapófise 9 em
anéis de paredes espessadas, separados entre si.
Subgênero Laeviscutis, subg. n.
Espécie tipo: Tibilis oculata Breddin, 1914
Forma geral do corpo ovalada a oval-alargada; coloração geral castanha a castanho-
escura, quase negra. Escutelo destituído ou com 1 + 1 calos inconspícuos nos ângulos
äntero-laterais. Carena metasternal plana. Segmentos do conexivo com variado padrão de
coloração; em algumas espécies, as áreas claras formam uma faixa contínua longitudinal
ao longo da superfície lateral externa de cada segmento. Abdome quase liso, destituído
de pontuações a moderadamente pontuado de castanho.
Genitália do macho: pigóforo pouco aberto dorsalmente; ângulos póstero-laterais
apicalmente arredondados. X segmento ovalado a trapezoidal. Parâmeros com o bordo
apical alargado, arredondado a truncado, não formando um prolongamento digitiforme
como no subgênero Neotibilis. Bordo ventral em "U" ou "V” abertos. Folhetos do bordo
ventral em um lobo único, em 1 + 1 abas de extensão e forma variáveis, ou ainda
inconspícuos. Processos da superfície interna da parede ventral do pigóforo encobertos
pelo X segmento (exceto em N. (L.) boliviana eN. (L.) lata). Phallus: dimensões bastante
variáveis entre as espécies. Phallotheca menos esclerotizada que nas espécies do
subgênero Neotibilis; margem dorso-apical da phallotheca medianamente retilínea e
ângulos látero-apicais não expandidos. Em algumas espécies, presente um sulco que
percorre basalmente a superfície ventral da phallotheca. Vésica: processus vesicae 1,
apresentando grande variação interespecífica quanto à forma e comprimento; processus
vesicae 2 em lobos ou projeções membranosas, menos diagnósticos que no subgênero-
tipo.
Genitália da fêmea: margem posterior do VII segmento retilínea a côncava na área
que recobre a base dos gonocoxitos 8. Bordos posteriores dos gonocoxitos 8 sinuosos;
maior comprimento das placas sempre ao nível do ângulo sutural. Margem anterior do
gonocoxito 9 levemente a marcadamente côncava, ou convexa medianamente. Braços do
gonocoxito 9 divergentes apicalmente, com margens retilíneas a ligeiramente curvas.
Espessamento da íntima vaginal e espessamentos secundários da gonapófise 9 de forma
variável. Pars intermedialis, em algumas espécies, com uma porção globosa bem
definida.
Diagnose diferencial. As diferenças entre Laeviscutis subg. n. e o subgênero-tipo
foram apontadas na diagnose diferencial deste último.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
10 GRAZIA & BARCELLOS
Neotibilis (Laeviscutis) boliviana, sp. n.
(Figs. 53,60,67,68,81,88,95)
Localidade-tipo: Rio Mamoré, Beni, Bolívia.
Holótipo: &, BOLÍVIA, Beni, /IV Rio Mamoré, approx. 5 km NW mouth of Rio
Grande, 4-VIII-1965, sem coletor, (AMNH), aqui designado.
Forma geral ovalada; coloração da superfície dorsal castanho-escura. Antenas
ocres, com pontuações castanhas nos dois primeiros artículos. Rostro mal atingindo as
coxas médias. Margens ântero-laterais do pronoto ocre-avermelhadas, finamente bordeadas
de castanho. Tórax, na superfície ventral, regularmente pontuado de castanho-ferrugíneo
anegro. Pernas ocres, com pontuações castanho-ferrugineas mais fregüentes nos fêmures.
Superfície ventral do abdome moderadamente pontuada de castanho-ferrugíneo. Seg-
mentos do conexivo amarelados em pequena porção mediana, junto à margem lateral
externa.
Macho. Medidas: comprimento total 12,19; comprimento da cabeça 1,64; largura
da cabeça 2,42: comprimento da região anteocular 0,58; distância interocular 0,97;
largura do olho composto 0,70; comprimento dos artículos antenais I - 0,97, II - 1,09, HI
- 1,72, IV - 2,50, V - 2,61; comprimento do pronoto 2,64; largura do pronoto 6,56;
comprimento do escutelo 5,12; largura do escutelo 3,84; largura abdominal 6,88. Número
de exemplares medidos: 1.
Genitália: parâmeros figs. 67, 68. X segmento ovalado. Bordo ventral do pigóforo
em "V" aberto. Folhetos do bordo ventral em amplas abas cujos ápices se dobram em
direção dorsal. Processos da parede ventral do pigóforo em 1 + 1 conspícuas expansões
triangulares contíguas, visíveis em vista dorsal (figs. 53, 60). Phallotheca destituída de
sulco ventral. Processus vesicae 1, curto e digitiforme; processus vesicae 2 em 1 +1
lobos membranosos arredondados (figs. 81,88 e 95).
Distribuição. BOLÍVIA: Beni.
Diagnose diferencial. N. (L.) boliviana pode ser distinguida facilmente das demais
espécies do subgênero pelos conspícuos processos da parede ventral do pigóforo, na
forma de expansões triangulares contíguas.
Neotibilis (Laeviscutis) compascens (Bergroth, 1914), comb. n.
(Figs. 54,61,69,70,82,89,96,102,107A,107B)
Tibilis compascens BERGROTH, 1914:436; BECKER & GRAZIA-VIEIRA, 1977:62.
Localidade-tipo: Guiana Francesa.
Tipos: não localizados. Bergroth baseou sua descrição em dois exemplares, macho
e fêmea.
Corpo ovalado; coloração da superfície dorsal castanha a castanho-escura. Ante-
nas ocres a castanho-claras, com poucas pontuações castanho-ferrugíneas, mais frequen-
tes no 1º artículo. Rostro não ou mal atingindo as coxas médias. Margens äntero-laterais
do pronoto ocre-amareladas a ocre-avermelhadas. Superfície ventral do tórax uniforme
e grosseiramente pontuada de castanho-escuro. Pernas ocres, com poucas pontuações
castanho-ferrugíneas restritas aos fêmures. Abdome moderadamente pontuado na super-
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
ee —— — ——— — ZZ
Neotibilis, um novo gênero... 71
fície ventral; pontuações grosseiras castanho-ferrugíneas. Segmentos do conexivo com o
1/3 mediano ocre-amarelado, junto à margem lateral externa.
Macho. Medidas: comprimento total 11,27 (10,85 - 12,02) + 0,42 ; comprimento
da cabeça 1,58 (1,44 - 1,75) + 0,12; largura da cabeça 2,18 (2,11 - 2,26) + 0,07;
comprimento da região anteocular 0,53 (0,51 - 0,55) + 0,02; distância interocular 0,98
(0,94 - 1,01) + 0,03; largura do olho composto 0,60 (0,55 - 0,66) + 0,04, comprimento
dos artículos antenais I - 0,91 (0,82 - 1,01) + 0,07, II - 1,09 (1,01 - 1,17) + 0,07, HI- 1,72
(1,48 - 2,34) + 0,36; IV - 2,44 (2,26 - 2,61) + 0,18; V - 2, 53; comprimento do pronoto
2,50 (2, 32 - 2,64) + 0,12; largura do pronoto 6,18 (6,00 - 6,48) + 0,22; comprimento do
escutelo 4,88 (4,64 - 5,12) + 0,15; largura do escutelo 3,82 (3,68 - 4,00) + 0,12; largura
abdominal 5,92 (5,76 - 6, 16) + 0,16. Número de exemplares medidos: 6.
Genitália: parâmeros figs. 69,70. X segmento ovalado. Bordo ventral do pigóforo
em "V" aberto, com estreito sulco mediano. Folhetos do bordo ventral pouco desenvol-
vidos, em abas rasas. Processos da parede ventral do pigóforo encobertos pelo X
segmento, em 2 + 2 pequenas estrias (figs. 54, 61). Phalloteca bem maior que a vésica,
em vista lateral quase esférica, com diâmetro correspondendo ao dobro da largura da
vésica; sulco ventral da phalloteca ausente. Processus vesicae 1 curto e processus
vesicae 2 em 1 + 1 projeções membranosas divergentes (figs. 82,89, 96).
Fêmea. Medidas: comprimento total 11,89 (11,52 - 12, 36)+ 0,30 ; comprimento
da cabeça 1,63 (1,56 - 1,68) + 0,04; largura da cabeça 2,21 (2,11 - 2,30) + 0,07;
comprimento da região anteocular 0,50 (0,47 - 0,55) + 0,02; distância interocular 0,99
(0,94 - 1,01) + 0,03; largura do olho composto 0,62 (0,58 - 0,70) + 0,04; comprimento
dos artículos antenais I - 0,87 (0,78 - 0,94) + 0,05, II- 1,12 (1,05 - 1,17) + 0,03, WI - 1,46
56 164) E 010; IV -240(214-2,65) # 0,17; V - 2, 62 ( 2, 38 - 2,81) 0,16;
comprimento do pronoto 2,55 (2,40 - 2,80)+ 0,12; largura do pronoto 6,29 (6,08 -6,72)
+0,19; comprimento do escutelo 5,06 (4,88 - 5,36) + 0,15; largura do escutelo 3,82 (3,60
- 4,16)+ 0,15; largura abdominal 6,58 (6,40 - 6,88) + 0,18. Número de exemplares
medidos: 10.
Genitälia: bordo posterior do VII segmento retilineo na ärea que recobre a base dos
gonocoxitos 8. Gonocoxitos 8 de bordos suturais paralelos e bordos posteriores convexos
após os ângulos suturais. Ängulos suturais salientes, rombos e, na maioria dos exemplares
examinados, escurecidos. Laterotergitos 9 pouco ultrapassando a banda transversal que
une os laterotergitos 8 (fig. 102). Gonocoxito 9 com margem anterior marcadamente
côncava. Braços do gonocoxito 9 curvos e alongados, com cerca do triplo do comprimento
mediano da placa. Espessamento da íntima vaginal cônico; espessamentos secundários da
gonapófise 9 ovalados e unidos entre si. Orificium receptaculi terminal. Ductus
receptaculi cerca de 1,5x mais longo posteriormente que anteriormente à área vesicular.
Pars intermedialis fortemente globosa medianamente, com os 3/4 basais mais
esclerotizados (figs.107A, 107B).
Distribuição. GUIANA FRANCESA; BRASIL: Pará, Rondônia, Mato Grosso;
PERU: Huánuco; BOLÍVIA: Cochabamba.
Material examinado. BRASIL: &, “Chapada”, IX, sem coletor, Acc. No. 2966, (AMNH); Pará: 9, Serra
Norte, 28.1V.1984, Jarbas (MPEG); ?, Idem, Pojuca, 22.1.1985, P. Tadeu (MPEG); 2, Canindé, R. Gurupi,
IV.1963, Malkin, (DZUP); ?, Bragantina, sem data, sem coletor, 585 (CPCB): 9, sem dados, 586 (CPCB); 2 9,
sem dados (CPCB), Rondônia: I, Cacoal, V.1980, A.C. Mendes, 390 (CPCB); 2, Ji-Paraná, 12.VIII.1984, R.B.
Neto (MPEG); Mato Grosso: 29, Chapada dos Guimarães, 27.X1.1983, Exc. Dep. Zool. UFPR (DZUP). PERU:
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
72 GRAZIA & BARCELLOS
Huánuco: 2, Tingo Maria Huan, 23.X1.1946, Alt. 2200 ft., J. C. Pallister (AMNH); &, Pozuzo, sem data, sem
coletor, E. P. Van Duzee Collection (CASC). BOLIVIA: 5, sem local, 1904, J. Steinbach, 311 (BMNH);
Cochabamba: 9, Rio Cristal Mavu, 50 mi. NE Cochabamba, 06.X.1949, L. Pena (LHRC).
Diagnose diferencial. N. (L.) compascens lembra superficialmente N. (L.) boliviana
e N. (L.) oculata, podendo ser distinguida destas, entre outros caracteres, pelo menor
desenvolvimento das abas do bordo ventral do pigóforo, além do maior tamanho da
phallotheca em relação à vésica. As fêmeas desta espécie podem ser distinguidas das
fêmeas de N.(L.) oculata e N.(L.) boliviana pela forma dos gonocoxitos 8, com ângulos
suturais salientes, rombos,e, na maior parte dos exemplares, escurecidos.
Observação. A citação de T. compascens para o Rio Grande do Sul, Brasil (LINK
& GRAZIA, 1983; 1987) trata-se de erro.
Neotibilis (Laeviscutis) laeviventris (Bergroth, 1914), comb. n.
(Figs. 103,108)
Tibilis laeviventris BERGROTH, 1914:435; BECKER & GRAZIA-VIEIRA, 1971:20; GRAZIA, 1984:80.
Localidade-tipo: Guiana Francesa.
Holótipo: ©, não localizado.
Forma geral ovalada; coloração da superfície dorsal castanho-escura, quase negra.
Antenas com o 1º artículo negro ventralmente; lado dorsal do 1º e demais artículos
antenais ocres, com pontuações castanhas mais frequentes no 1º artículo. Rostro mal
atingindo as coxas médias. Margens äntero-laterais do pronoto, em um dos exemplares,
bordeadas de castanho. Superfície torácica ventral com pontuações castanho-ferrugíneas
a castanho-escuras. Pernas ocres, com pontuações inconspícuas. Abdome com superfície
ventral amarelada destituída ou com raríssimas pontuações. Conexivo com faixa clara
longitudinal contínua, ocupando cerca da metade lateral externa de cada segmento.
Fêmea. Medidas: comprimento total 13,03; comprimento da cabeça 1,83 (1,79 -
1,87) £ 0,05; largura da cabeça 2,44 (2,42 - 2,46) + 0,03; comprimento da região
anteocular 0,53 (0,47 - 0,58) + 0,08; distância interocular 1,03 (0,97 - 1,09) * 0,08;
largura do olho cornposto 0,68 (0,66- 0,70) + 0,03; comprimento dos artículos antenais
I- 1,09 (1,05 - 1,13) + 0,05, II - 1,19 (1,13 - 1,25) + 0,08, II - 1,79 (1,75 - 1,83) £ 0,05;
IV -2,69 (2,61 - 2,77) &0,11; V - 3,00 (2, 92 - 3,08)+.0,11; comprimento do pronoto 2,80
(2,72 -2,88)+0,11;largura do pronoto 6,96 (6,88 -7,04) + 0,11; comprimento do escutelo
5,52; largura do escutelo 4,24 (4,16 - 4,32)# 0,11; largura abdominal 6,92 (6,88 - 6,96)
+ 0,06. Número de exemplares medidos: 2.
Genitália: margem posterior do VII segmento retilínea na área que recobre a base
dos gonocoxitos 8, estes de bordos suturais justapostos, divergindo apicalmente. Bordos
posteriores dos gonocoxitos 8, levemente convexos após os ângulos suturais. Laterotergitos
9 mal ultrapassando a banda transversal que une os laterotergitos 8 (fig. 103). Margem
anterior do gonocoxito 9 com marcada convexidade mediana; braços do gonocoxito 9
retilíneos e alongados, com quase o dobro do comprimento mediano na placa. Espessamento
da íntima vaginal cônico; espessamentos secundários da gonapófise 9 ovalados, separa-
dos entre si, tendo sobre eles um terceiro espessamento, em forma de meia-lua. Orificium
receptaculi subterminal; ductus receptaculi pouco mais longo anteriormente que
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 73
posteriormente à área vesicular. Pars intermedialis sem uma porção globosa marcada e
com 2/3 basais mais esclerotizados. Capsula seminalis com duas, das três projeções
digitiformes, fusionadas basalmente (fig. 108).
Distribuição. GUIANA FRANCESA; VENEZUELA: Bolívar; BRASIL: Rondônia.
Material examinado. VENEZUELA: Bolívar: ?, Km 78, El Dorado, Santa Elena, 160m, 14.X1.1966, J.
& B. Bechyné, E. Osuna (IZAV); BRASIL: Rondônia: 9, Vilhena, 20.11.1961, J. & B. Bechyné (MPEG).
Diagnose diferencial. N. (L.) laeviventris distingue-se das demais espécies do
subgênero por apresentar o abdome liso, destituído ou com pouquíssimas pontuações,
bem como os segmentos do conexivo com uma faixa contínua amarelada, junto à margem
lateral externa, ocupando cerca da metade de cada segmento.
Neotibilis (Laeviscutis) lata, sp. n.
(Figs. 55,62,71,72,83,90,97,104, 109)
Localidade-tipo: Tefé, Amazonas, Brasil.
Holótipo: 9, BRASIL, Amazonas, Teffé (Ega) 2º Trimestre 1879; M. de Mathan,
Distant Coll. 1911-383, piceolus Walk. (BMNH), aqui designado.
Forma geral ovalada a oval-alargada; coloração da superfície dorsal castanha a
castanho-escura. Antenas ocres, o 1º e algumas vezes também o 2º artículo pontuados de
castanho-escuro. Rostro não atingindo as coxas médias. Pronoto com margens ântero-
laterais ocre-avermelhadas, em alguns exemplares, bordeadas de castanho. Tórax, na
superfície ventral, moderada e irregularmente pontuado de castanho-ferrugíneo a casta-
nho-escuro. Pernas ocres, com pontuações castanho-ferrugíneas nos fêmures. Abdome
moderadamente pontuado de castanho-ferrugíneo; tamanho das pontuações variável.
Segmentos do conexivo com áreas claras ocupando cerca de 1/3 mediano de cada
segmento, junto à margem lateral externa.
Macho. Medidas: comprimento total 13,58 (12,36 - 14,36) + 1,07; comprimento da
cabeça 1,73 (1,56- 1,83) + 0,15; largura da cabeça 2,46 (2,26 - 2,57) + 0,17; comprimento
da região anteocular 0,58 (0,55 - 0,62) + 0,04;distância interocular 1,00 (0,94 - 1,05) +
0,06; largura do olho composto 0,71 (0,66 - 0,74) + 0,04; comprimento dos artículos
antenais I - 1,00 (0,82 - 1,09) + 0,16, II - 1,21 (1,17 - 1,25) + 0,04, HI - 1,90 (1,79 - 2,03)
+ 0,12, IV - faltando, V - faltando; comprimento do pronoto 3,02 (2,64 - 3,28) + 0,34;
largura do pronoto 7,58 (6,48 - 8,24) + 0,95; comprimento do escutelo 5,74 (4,96 - 6,24)
+ 0,68; largura do escutelo 4,62 (4,00 - 5,04)+ 0,54; largura abdominal 7,34 (6,32 - 8,00)
+ 0,89. Número de exemplares medidos: 3.
Genitália: parämerosfigs. 71,72. X segmento trapezoidal, mais alargado apicalmente.
Bordo ventral do pigóforo em "U" aberto. Folhetos do bordo ventral em aba única.
Processos da parede ventral em 1+1 pequenos dentes, visíveis dorsalmente (figs. 55, 62).
Phallotheca destituída de sulco ventral. Processus vesicae 1 conspicuo, longo, mais
alargado na base e com ápice truncado. Processus vesicae 2 em 2 + 2 projeções
membranosas que convergem para o processus vesicae 1 (figs. 83,90,97).
Fêmea. Medidas: comprimento total 12,77 (12,52 - 13,03)+ 0,28; comprimento da
cabeça 1,77 (1,60- 1,91)+ 0,13; largura da cabeça 2,44 (2,22 -2,53)+ 0,14; comprimento
da região anteocular 0,59 (0,55 - 0,62) + 0,04; distância interocular 0,98 (0,94 - 1,05) +
0,06, largura do olho composto 0,72 (0,66 - 0,74) + 0,04; comprimento dos artículos
antenais I - 0,97 (0,90 - 1,05) + 0,06, II - 1,10 (1,01 - 1,21) + 0,08; III - 1,64 (1,48 - 1,79)
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
74 GRAZIA & BARCELLOS
+ 0,13, IV - 1,95 (1,72 - 2,18) + 0,33; V - faltando; comprimento do pronoto 3,02 (2,80
- 3,36) + 0,24; largura do pronoto 7,18 (6,88 - 7,60) + 0,30; comprimento do escutelo 5,48
(5,28 - 5,76) + 0,24; largura do escutelo 4,36 (4,24 - 4,48) + 0,10; largura abdominal 7,16
(6,64 - 7,44) + 0,36. Número de exemplares medidos: 4.
Genitália: margem posterior do VII segmento côncava na área que recobre a base
dos gonocoxitos 8. Bordos suturais dos gonocoxitos 8 paralelos a ligeiramente divergen-
tes; bordos posteriores dos gonocoxitos 8 ligeiramente convexos, quase retilíneos após
os ângulos suturais. Ângulos suturais agudamente projetados, em extensão variável.
Laterotergitos 9 não a mal ultrapassando a banda transversal que une os laterotergitos 8
(fig. 104). Gonocoxito 9 com margem anterior ligeiramente côncava e braços curvos
com cerca de 1,5x o comprimento mediano da placa. Espessamento da íntima vaginal
quadrangular; espessamentos secundários da gonapófise 9 em anéis irregulares, separa-
dos entre si, e de paredes espessadas. Orificium receptaculi terminal. Ductus receptaculi
mais espessado, com dupla parede no terço proximal da porção anterior à área vesicular.
Porção anterior à área vesicular 1,5x o comprimento da porção posterior à mesma área.
Pars intermedialis globosa medianamente e com os 2/3 basais mais esclerotizados (fig.
109).
Distribuição. BRASIL: Amazonas, Pará.
Material examinado. Parátipos: BRASIL 6,9, “Amaz”, sem data, sem coletor (BMNH); 2, “Braz”/6251,
sem data e sem coletor (AMNH); Amazonas: 9, Teffé (Ega), IX.X.1879M. de Mathan, Distant Coll. 1911-383;
(BMNH); Pará 9, Obidos, IX.1954, J. Brazilino, Coleção Campos Seabra (QBUM); 9, Santarém/5463, sem data
e sem coletor, Brachystethus piceolus Walker's Catal. (MCNZ).
Diagnose diferencial. N. (L.) lata pode ser distinguida das demais espécies do
subgênero pela forma geral do corpo, oval-alargada. Difere ainda das demais espécies
pelos folhetos do bordo ventral do pigóforo, em aba única, e pelos ângulos suturais dos
gonocoxitos 8, agudamente projetados.
Neotibilis (Laeviscutis) mourei, sp. n.
(Figs. 56,63,73,74,84,91,98)
Localidade-tipo: New River, Guiana.
Holótipo: C', GUIANA, New River, 750 ft., 25.1.20.111.1938, C. A. Hudson; Brit.
Mus. 1939-370 (BMNH), aqui designado.
Forma geral ovalada; coloração da superfície dorsal castanho-escura. Antenas
ocres; 1º artículo pontuado de castanho-escuro e 2º artículo com pontuações castanho-
ferrugíneas pouco conspícuas. Rostro atingindo as coxas médias. Margens ântero-laterais
do pronoto ocres, com fina borda castanha. Superfície ventral do tórax pontuada de
castanho-ferrugíneo a castanho-escuro; pontuação mais densa e grosseira no protórax.
Pernas ocres, fêmures com raras pontuações castanho-ferrugíneas. Superfície ventral do
abdome com poucas pontuações castanho-ferrugíneas. Segmentos do conexivo com o 1/
3 mediano junto à margem lateral externa, ocre, restante do segmento castanho-escuro.
Macho. Medidas: comprimento total 13,03; comprimento da cabeça 1,75; largura
da cabeça 2,46; comprimento da região anteocular 0,55; distância interocular 1,05;
largura do olho composto 0,70; comprimento dos artículos antenais I - 0,86, II - 1,21, HI
- 1,87, IV - 2,81, V - 2,92; comprimento do’ pronoto 2,80; largura do pronoto 7,04;
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 75
comprimento do escutelo 5,68; largura do escutelo 4,40; largura abdominal 7,20. Número
de exemplares medidos: 1.
Genitälia: parâmeros figs. 73 , 74. X segmento trapezoidal. Bordo ventral do
pigóforo em estreito”V” mediano. Folhetos do bordo ventral em abas de contorno
arredondado, contíguas medianamente; processos da parede ventral do pigóforo
inconspícuos (figs. 56, 63). Phallotheca destituída de sulco ventral. Processus vesicae
1 extraordinariamente desenvolvido, truncado no ápice e projetado paralelamente aos
processus vesicae 2 em 1 + 1 projeções membranosas digitiformes (figs. 84,91, 98).
- Distribuição. GUIANA.
Diagnose diferencial. N. (L.) mourei assemelha-se, pelo padrão de coloração do
conexivo, a N. (L.) boliviana, N. (L.) compascens e N. (L.) oculata, delas se distinguindo
pela forma das abas do bordo ventral do pigóforo, de contorno arredondado e contíguas
medianamente, bem como pelas maiores dimensões do phallus e especialmente pelo
extraordinário desenvolvimento do processus vesicae 1.
Observação. Esta espécie é dedicada ao Pe. Jesus Santiago Moure, pela sua grande
contribuição à Entomologia Brasileira.
Neotibilis (Laeviscutis) oculata (Breddin, 1914), comb. n.
(Figs. 57,64,75,76,85,92,99,105,110)
Tibilis oculata BREDDIN, 1914: 58.
Localidade-tipo: Marcapata, Peru.
Holótipo: Q, com as etiquetas: a) Peru, Marcapata; b) Tibilisoculatan. spec.; cc) coll.
Breddin; d) Holotypus; e) Dei Eberswalde (DEIC).
Forma geral ovalada; coloração da superfície dorsal castanha a castanho-escura.
Antenas ocres; com poucas e diminutas pontuações castanho-ferrugíneas, mais frequen-
tes no 1º artículo. Rostro atingindo as coxas médias. Pronoto com margens äntero-laterais
ocre-amareladas a ocre-avermelhadas. Superfície torácica ventral moderadamente pon-
tuada de castanho-escuro. Pernas ocres, com poucas pontuações castanho-ferrugíneas nos
femures. Superfície ventral do abdome com poucas pontuações castanho-ferrugíneas.
Area clara ocupando o 1/3 mediano, junto à margem lateral externa, de cada segmento
do conexivo.
Macho. Medidas: comprimento total 12,32 (11,36 - 13,53)+ 0,68; comprimento da
cabeça 1,70 (1,60 - 1,87)+ 0,10; largura da cabeça 2,41 (2,26 - 2,57)+ 0,09; comprimento
da região anteocular 0,52 (0,47 - 0,58) + 0,04; distância interocular 1,01 (0,90 - 1,05) +
0,05, largura do olho composto 0,69 (0,66 - 0,78) + 0,06; comprimento dos artículos
antenais I - 1,01 (0,94 - 1,13) + 0,07, II - 1,19 (1,05 - 1,25) + 0,07; III - 1,76 (1,52 - 1,99)
+ 0,12, IV - 2,83 (2,57 - 3,08) + 0,14, V- 2,89 (2,69 - 3,08) + 0,15; comprimento do
pronoto 2,63 (2,40 - 2,88)+ 0,15; largura do pronoto 6,67 (6,08 - 7,28) + 0,38;
comprimento do escutelo 5,30 (4,80 - 5,84)+ 0,31; largura do escutelo 4,11 (3,92 - 4,40)
* 0,19; largura abdominal 6,74 (5,92 - 7,52) + 0,61. Número de exemplares medidos: 10.
Genitália: parâmeros figs. 75, 76. X segmento ovalado. Bordo ventral do pigóforo
em estreito “V”, no meio. Folhetos do bordo ventral em amplas abas de contorno
triangular. Processos da parede ventral do pigóforo pouco conspícuos, em 2 + 2 pequenas
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
16 GRAZIA & BARCELLOS
cristas, ocultados pelo X segmento em vista dorsal (figs. 57, 64). Phallotheca sulcada
ventralmente. Processus vesicae 1 curto, com ápice truncado. Processus vesicae 2 em um
lobo membranoso sulcado medianamente (figs. 85, 92,99).
Fêmea. Medidas: comprimento total 12,88 (11,86 - 13,86)t 0,52; comprimento da
cabeça 1,71 (1,60- 1,83)+ 0,07; largura da cabeça 2,46 (2,34 - 2,53)+ 0,05; comprimento
da região anteocular 0,52 (0,47 - 0,58) + 0,03; distância interocular 1,02 (0,97 - 1,05) +
0,03, largura do olho composto 0,72 (0,66 - 0,78) + 0,03; comprimento dos artículos
antenais I - 0,96 (0,78 - 1,05) + 0,07, II - 1,20 (1,05 - 1,33) + 0,09; HI - 1,76 (1,48 - 2,26)
+ 0,20, IV - 2,80 (2,38 - 3,00) + 0,21.; V- 2,92 (2,81 - 3,12) + 0,12; comprimento do
pronoto 2,78 (2,72 - 2,88)+ 0,06; largura do pronoto 6,86 (6,48 - 7,36)+ 0,24; compri-
mento do escutelo 5,56 (5,12 - 5,92) + 0,26; largura do escutelo 4,19 (3,84 - 4,56)+ 0,18,
largura abdominal 7,26 (6,88 - 7,68) + 0,29; Número de exemplares medidos: 13.
Genitália: bordo posterior do VII segmento côncavo na área que recobre a base dos
gonocoxitos 8. Gonocoxitos 8 com bordos suturais paralelos a ligeiramente divergentes
e bordos posteriores retilíneos após os ângulos suturais; estes agudos apicalmente.
Laterotergitos 9 não a mal ultrapassando a banda transversal que une os laterotergitos 8
(fig. 105). Margem anterior do gonocoxito 9 levemente côncava. Braços do gonocoxito
9 curvos com um pouco mais de 1,5x o comprimento mediano da placa. Espessamento da
íntima vaginal digitiforme. Espessamentos secundários da gonapófise 9 ovalados, unidos
lateralmente. Orificium receptaculi subterminal. Porção do ductus receptaculi anterior
à área vesicular com aproximadamente a metade do comprimento da porção posterior à
mesma área. Pars intermedialis globosa apicalmente e com maior esclerotização nos 3/
4 basais (fig. 110).
Distribuição. GUIANA; BRASIL: Amazonas, Pará, Mato Grosso; PERU: Loreto.
Material examinado. GUIANA: 9, Essequibo R., 1° Falls, 14.X.1929, Oxf. Univ. Expedn, B. M., 1929-
485, 4035 (BMNH); Brasil: Pará: &, Serra Norte, Estrada do Manganês, 12-V-1984, Armadilha Suspensa nº 2
(2m), sem coletor (MPEG); 2, Obidos, 2º trimestre de 1878, M. de Mathan, Distant Coll., 1911-383 (BMNH);
Amazonas; 6, Reserva Ducke, 04.X11.1978, Jorge Arias (INPA);9, Idem, 14.VI.1979, Idem; 9, Idem, 26 km NE
Manaus, 06.X1.1978, J. Arias, N. Penny, armadilha de Malaise (INPA); &, Tapuruquara, Rio Negro, 26-
27.X1.1962,J. Bechyné (MZSP); S, Manaus, 24.V.1979,J. Arias (INPA); Mato Grosso: 26, 49, Sinop, II.1976,
M. Alvarenga (AMNH); 3 9, Idem, Lat. 12º 31'& Long. 55º 37', X.1974, Idem; 2, Idem, X.1975, Idem; 2, 10º
25'S 5928 W, 17-22.111.1977, 300m, D. Engleman (LHRC); 9, 2, Vila Vera, 55º 30' long., 12º 46'lat., X.1973,
M. Alvarenga (AMNH). Peru: 9, rio Santiago, 27.X1.1974, sem coletor, H. Bassler Collection, Acc. 33591
(AMNH); Loreto: 9, 20km from Ucayali on R. Calleria, Colonia Calleria, 10-30.1X.1961, Malkin (LHRC).
Diagnose diferencial. N. (L.) oculata pode ser distinguida das demais espécies do
subgênero, nas fêmeas, pela forma do bordo posterior dos gonocoxitos 8, retilíneo após
o ângulo sutural. Esta espécie lembra superficialmente N. (L.) compascens eN. (L.)
boliviana, diferindo destas, respectivamente, no maior desenvolvimento das abas do
bordo ventral do pigóforo e nos processos da parede ventral do pigóforo, inconspícuos.
Neotibilis (Laeviscutis) peruana, sp. n.
(Figs. 58,65,77,78,86,93, 100)
Localidade-tipo: Pucallpa, Ucayali, Peru.
Holótipo: Q, PERU, Ucayali, Pucallpa, Rio Ucayali (200 Mtr.), sem data, Dirings,
Coll. Dirings, 579. (MZSP), aqui designado.
Forma geral ovalada; coloracäo da superficie dorsal castanha. Antenas ocres, com
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 1a
pontuações castanho-ferrugineas mais concentradas no 1º artículo. Rostro atingindo as
coxas médias. Margens ântero-laterais do pronoto ocre-avermelhadas.Tórax grosseira-
mente pontuado de castanho na superfície ventral. Pernas ocres, com poucas pontuações
castanho-ferrugíneas nos fêmures. Abdome ventralmente pontuado de castanho-ferrugíneo.
Segmentos do conexivo com área clara formando uma faixa contínua e estreita junto à
margem lateral externa de cada segmento, alargando-se na região do 1/3 mediano.
Macho. Medidas: comprimento total 13,28 (13,19 - 13,36)+ 0,12; comprimento da
cabeça 1,75 (1,72 - 1,79)+ 0,05; largura da cabeça 2,42; comprimento da região
anteocular 0,58; distância interocular 1,03 (1,01 - 1,05) + 0,03, largura do olho composto
0,70; comprimento dos artículos antenais I - 1,03 (1,01 - 1,05) + 0,03, I - 1,25, III - 1,99,
IV - 3,20, V - faltando; comprimento do pronoto 2,88; largura do pronoto 7,24 (7,20 -
7,28) + 0,06; comprimento do escutelo 5,80 (5,76 - 5,84) + 0,06, largura do escutelo 4,52
(4,48 - 4,56)+ 0,06; largura abdominal 7,52. Número de exemplares medidos: 2.
Genitália: parâmeros figs. 77,78. X segmento alargado na base e cônico apicalmente.
Bordo ventral do pigóforo em “V” aberto. Folhetos do bordo ventral em abas moderada-
mente desenvolvidas; processos da parede ventral inconspícuos (figs. 58,65). Phallotheca
sulcada ventralmente. Processus vesicae 1 curto, alargado na base e apicalmente
truncado. Processus vesicae 2 em lobo único e membranoso (figs. 86,93, 100).
Distribuição. PERU: Ucayali.
Material examinado. Parátipo: S, Fronteira Peru-Brasil, 14.111. 1928, sem coletor, H. Bassler Collection,
Acc. 33591 (AMNH).
Diagnose diferencial. A forma do X segmento, alargado na base e cônico apicalmente,
permite diferenciar N. (L.) peruana das outras espécies do subgênero.
Neotibilis (Laeviscutis) piceola (Walker, 1868), comb. n.
(Figs. 59,66,79,80,87,94,101,106,111A,111B)
Brachystethus piceolus WALKER, 1868: 456; LETHIERRY & SEVERIN, 1893: 187; KIRKALDY, 1909: 152.
Tibilis piceola; ROLSTON, 1976: 7.
Localidade-tipo: Santar&m, Parä, Brasil.
Lectötipo: Q, aqui designado, com as etiquetas: a) Type; b) Braz/6257; c) 10.
Brachystethus piceolus (BMNH). Na descrição original, Walker baseia-se em dois
exemplares, mas na coleção de tipos do BMNH consta apenas um exemplar de N.
(L.)piceola.
Forma geral ovalada; coloração da superfície dorsal castanha. Antenas com o 1º
artículo negro ventralmente; superfície dorsal do 1º e demais artículos antenais ocres,
com conspícuas pontuações castanho-escuras a negras nos dois primeiros artículos.
Rostro não alcançando as coxas médias. Margens ântero-laterais do pronoto ocre-
avermelhadas.Superfície torácica ventral pontuada de castanho-ferrugíneo. Pernas ocres
com conspícuas pontuações castanho-escuras. Superfície ventral do abdome finamente
pontuada de castanho-ferrugineo. Segmentos do conexivo destituídos de manchas
claras, exceto em uma faixa muito fina junto à margem lateral externa, de cada
segmento.
Macho. Medidas: comprimento total 11,86; comprimento da cabeça 1,64; largura
da cabeça 2,38; comprimento da região anteocular 0,51; distância interocular 0,97;
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
18 GRAZIA & BARCELLOS
largura do olho composto 0,74; comprimento dos artículos antenais I - 0,97, II - 0,97, II
- 1,60, IV - faltando, V - faltando; comprimento do pronoto 2,64; largura do pronoto 6,48;
comprimento do escutelo 5,12; largura do escutelo 4,08; largura abdominal 6,56. Número
de exemplares medidos: 1.
Genitália: parâmeros figs. 79, 80. X segmento trapezoidal, mais estreito no ápice.
Bordo ventral do pigóforo em “V” aberto. Folhetos do bordo ventral e processos da parede
ventral inconspícuos (figs. 59, 66). Sulco ventral da phallotheca presente. Processus
vesicae 1 longo e sinuoso, apicalmente truncado. Processus vesicae 2 em um lobo
membranoso com reentrância mediana (figs. 87,94, 101).
Fêmea. Medidas: comprimento total 12,52 (12,36 - 12,69)+ 0,23; comprimento da
cabeça 1,65 (1,60 - 1,72)+ 0,06; largura da cabeça 2,34 (2,30 - 2,38) + 0,04, comprimento
da região anteocular 0,57 (0,55 - 0,58) + 0,02, distância interocular 0,99 (0,97 - 1,01) +
0,02; largura do olho composto 0,69 (0,66 - 0,70) + 0,02, comprimento dos artículos
antenais I - 0,95 (0,94 - 0,97) + 0,02, II - 0,96 (0,94 - 1,01) + 0,04, HI - 1,57 (1,52 - 1,64)
+ 0,06, IV - 2,20 (2,03 - 2,38) + 0,25; V - 2,53; comprimento do pronoto 2,66 (2,56 -
2,80)+ 0,12; largura do pronoto 6,72 (6,56 - 6,88) + 0,16; comprimento do escutelo 5,14
(4,88 - 5,36) + 0,24, largura do escutelo 4,10 (4,00 - 4,24) + 0,12; largura abdominal 6,84
(6,64 - 7,04) + 0,28. Número de exemplares medidos: 3.
Genitália: margem posterior do VII segmento côncava na área que recobre a base
dos gonocoxitos 8. Gonocoxitos 8 com bordos suturais justapostos, exceto no 1/3 apical.
Bordos posteriores dos gonocoxitos 8 levemente sinuosos após os ângulos suturais.
Laterotergitos 9 não ultrapassando a banda transversal que une os laterotergitos 8 (fig.
106). Margem anterior do gonocoxito 9 levemente côncava. Braços do gonocoxito 9
retilíneos, com quase o dobro do comprimento mediano da placa. Espessamento da íntima
vaginal em cone alargado; espessamentos secundários em anéis irregulares, de paredes
finas. Orificium receptaculi terminal. Ductus receptaculi cerca de 1,5x maior na porção
anterior que na posterior à área vesicular. Pars intermedialis mais alargada medianamente,
mas não formando uma porção globosa e com 2/3 basais mais esclerotizados (figs. 111A,
EB):
Distribuição. BRASIL: Pará, Mato Grosso.
Material examinado. GC‘, “Amazon.”, sem data, Bates (BMNH); BRASIL: Mato Grosso: 2 2, Sinop, II -
1976, M. Alvarenga (AMNH); 2, Vila Vera, 12º 46 'lat., 55º 30'long., X-1973, sem coletor (AMNH).
Diagnose diferencial. N. (L.) piceola pode ser facilmente distinguida das demais
espécies do subgênero pelo padrão de coloração dos segmentos do conexivo, os quais são
quase totalmente escuros, exceto em uma estreita faixa contínua junto à margem lateral
externa de cada segmento.
Agradecimentos. Aos curadores e/ou responsáveis pelas coleções - R. Schuh (AMNH), W. Dolling
(BMNH), P. Amaud (CASC), N. Menezes (CPDC), A. Taeger (DEIC), R. Cavichioli (DZUP), H.D. Engleman
(HDEC), E. Osuna (IZAV), L.H. Rolston (LHRC), W. Overal (MPEG), F. Val (MZSP), M. Monné (QBUM)
e curadores do CPCB e INPA - pelo empréstimo do material. Ao CNPq, pela concessão de bolsa às autoras.
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na Venezuela (Heteroptera). Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre (40): 3-26.
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Neotibilis, um novo gênero... 79
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National d’Histoire Naturelle. Annls Soc. ent. Fr., Paris, 13 (1): 53-67.
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— . 1900. Rhynchotal notes IV: Heteroptera: Pentatominae (part). Ann. Mag. Nat. Hist.,London, 5 (7): 420-
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Novit., New York (1996): 1-27.
WALKER, F. 1867. Catalogue of the specimens of Hemiptera-Heteroptera in the collection of the British
Museum. Part 2. London, British Museum, p. 241-417.
1868. Catalogue of the specimens of Hemiptera-Heteroptera in the collection of the British
Museum. Part 3. London, British Museum, p. 419-599.
Recebido em 28.05.1993; aceito em 9.08.1993.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
GRAZIA & BARCELLOS
Fig. 1. Neotibilis (Neotibilis) fulvicornis (Walker, 1867).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 81
Figs. 2-13. Pigöforo. Vista dorsal: 2, N.(N.) biguttata; 3, N.(N) costaricensis; 4, N.(N.) fulvicornis; 5, N.(N.)
mexicana; 6, N.(N.) panamensis; 7, N(N.) parva. Vista ventral: 8, N.(N.) biguttata; 9, N.(N.) costaricensis;
10, N.(N.) fulvicornis; 11, N.(N.) mexicana; 12, N.(N.) panamensis; 13, N.(N.) parva: (bd = bordo dorsal; bv
= bordo ventral; par = parâmero; x = X segmento).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
82 GRAZIA & BARCELLOS
lo
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do
22 23
imm
Figs. 14-25. Parämero esquerdo, vistas dorsal e lateral-externa, respectivamente. 14, 15, N.(N.) biguttata; 16,
17,N.(N.) costaricensis; 18, 19, N.(N.) fulvicornis; 20, 21, N.(N.) mexicana; 22, 23, N.(N.) panamensis; 24,
25, N.(N.) parva.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 83
N N /)
\
Figs. 26-38. Phallus. Vista dorsal: 26, N.(N.) biguttata; 27, N.(N.) costaricensis; 28,29, N.(N.) fulvicornis;
30, N.(N.) mexicana; 31, N.(N.) panamensis; 32, N.(N.) parva. Vista ventral: 33, N.(N.)biguttata; 34, N(N.)
costaricensis; 35, N.(N.) fulvicornis; 36, N.(N.) mexicana; 37, N.(N.) panamensis; 38, N.(N.) parva. (cdl =
conetivo dorsal 1; cd2 = conetivo dorsal 2; gs = gonoporo secundário; me = membranblase; pc = processus
capitati; ph = phallotheca; plb = placa basal; prv1 = processus vesicae 1; prv2 = processus vesicae 2; v =
vésica).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
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84
Imm
Figs. 39-44. Phallus, vista lateral: 39, N.(N.) biguttata; 40, N.(N.) costaricensis; 41, N.(N.) fulvicornis; 42,
N.(N.) mexicana; 43, N.(N.) panamensis; 44, N.(N.) parva.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
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ne
Figs. 45-49. Placas genitais, vista ventral. 45, N.(N.) biguttata; 46, N.(N.) fulvicornis; 47, N.(N.) mexicana;
48, N.(N.) panamensis; 49, N.(N.) parva. (gc8 = gonocoxito 8; gc9 = gonocoxito 9; la8 = laterotergito 8; la9
= laterotergito 9; VII = VII segmento; X = X segmento).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
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Figs. 50-52. Laterotergitos 9, gonocoxito 9, gonapófise 9 e vias genitais ectodérmicas, em vista ventral. 504,
N.(N.) fulvicornis; SIA, N.(N.) mexicana; 52A, N.(N.) parva. Porção final do ductus receptaculi, em vista
dorsal. SOB, N.(N.) fulvicornis; 51B, N.(N.) mexicana; 52B, N.(N.) parva. (caa = crista anular anterior; cap
= crista anular posterior; cs = capsula seminalis; dr = ductus receptaculi; eiv = espessamento da íntima
vaginal; es = espessamento secundário da gonapófise 9; g9 = gonapófise 9; gc9 = gonocoxito 9; la9 =
laterotergito 9; or = orificium receptaculi; pco = pars comunis; pi = pars intermedialis; x = X segmento).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 87
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Figs. 53-66. Pigöforo. Vista dorsal: 53, N.(L.) boliviana; 54, N.(L.) compascens; 55, N.(L.) lata; 56,
N.(L.) mourei; 57, N.(L.) oculata; 58, N.(L.) peruana; 59, N.(L.) piceola. Vista ventral: 60, N.(L.)
boliviana; 61, N.(L.) compascens; 62, N.(L.) lata; 63, N.(L.) mourei; 64, N.(L.) oculata; 65, N.(L.) peruana
66, N.(L.) piceola.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
88 GRAZIA & BARCELLOS
imm
Figs. 67-80. Parämero esquerdo, vistas dorsal e lateral-externa, respectivamente. 67,68, N.(L.) boliviana;
69,70, N.(L.) compascens; 71,72, N.(L.) lata; 73,74, N.(L.) mourei; 75,76, N.(L.) oculata; 77,78, N.(L.)
peruana; 79,80, N.(L.) piceola.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 89
dl 92
imm
Figs. 81-94. Phallus. Vista dorsal: 81, N.(L.) boliviana; 82, N.(L.) compascens; 83, N.(L.) lata; 84,
N.(L.) mourei; 85, N.(L.) oculata; 86, N.(L.) peruana; 87, N.(L.) piceola. Vista ventral: 88, N.(L.)
boliviana; 89, N.(L.) compascens; 90, N.(L.) lata; 91, N.(L.) mourei; 92, N.(L.) oculata; 93, N.(L.)
peruana; 94, N.(L.) piceola. (cdl = conetivo dorsal 1; cd2 = conetivo dorsal 2; gs = gonoporo
secundário; me = membranblase; pc = processus capitati; ph = phallotheca; plb = placa basal;
prvl = processus vesicae 1; prv2 = processus vesicae 2; v = vésica).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
90 GRAZIA & BARCELLOS
Figs. 95-101. Phallus, vista lateral. 95, N.(L.) boliviana; 96, N.(L.) compascens; 97, N.(L.) lata;
98, N.(L.) mourei; 99, N.(L.) oculata; 100, N.(L.) peruana; 101, N.(L.) piceola.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
Neotibilis, um novo gênero... 91
Figs. 102-106. Placas genitais, vista ventral. 102, N.(L.) compascens; 103, N.(L.) laeviventris; 104,
N.(L.) lata; 105, N.(L.) oculata; 106, N.(L.) piceola.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
GRAZIA & BARCELLOS
92
Figs. 107-109. Laterotergitos 9, gonocoxito 9, gonapófise 9 e vias genitais ectodérmicas, vista
ventral: 107A, N.(L.) compascens; 108, N.(L.) laeviventris; 109, N.(L.) lata. Porção final do ductus
receptaculi, vista dorsal: 107B, N.(L.) compascens.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
93
A
+, UM novo genero...
Neotibilis
Figs 110-111. Laterotergitos 9, gonocoxito 9, gonapófise 9 e vias genitais ectodérmicas, vista ventral: 110,
N.(L.) oculata; 111A,N.(L.) piceola. Porção final do ductus receptaculi, vista dorsal: 111B, N.(L.) piceola.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994
94 GRAZIA & BARCELLOS
* N. (N.) biguttata
) N. (N.) costaricensis sp. n.
AN. (N.) fulvicornis
ON. (N.) mexicana sp. n.
VN. (N.) panamensis sp. n.
“N. (N.) parva
À N. (L.) boliviana sp.
* N. (L.) compascens 30º
+ N. (L.) laeviventris
x N. (I. )elatalep. n.
n N. (L.) mourei sp. n.
BN. (L.) oculata
“N. (L.) peruana sp. n.
oN. (L.) piceola
70° so 113
Figs. 112-113 - Distribuição geográfica das espécies: 112, Neotibilis (Neotibilis); 113,Neotibilis (Laeviscutis).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 55-94, 2 mar. 1994.
FORMAS IMATURAS DE DORCACERUS BARBATUS (OLIVIER, 1790)
(COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE, CERAMBYCINAE, TRACHYDERINI
Luciano de A. Moura >?
ABSTRACT
THE IMMATURE STAGES OF DORCACERUS BARBATUS (OLIVIER, 1790) (COLEOPTERA,
CERAMBYCIDAE, CERAMBYCINAE, TRACHYDERIND. Egg, larva and pupa of Dorcacerus barbatus
(Olivier, 1790) are described and illustrated. Notes on host plants and habits of the species are added.
KEYWORDS. Cerambycidae, Dorcacerus barbatus, immature stages, morphology.
INTRODUÇÃO
São poucas as informações sobre as formas imaturas de Dorcacerus barbatus.
Apenas BONDAR (1912) fez uma caracterização sucinta da morfologia larval. Os
demais trabalhos (BOSQ, 1942; DUFFY, 1960; SILVA et al., 1968) limitaram-se à
citação de plantas-hospedeiras e de alguns dados referentes à biologia.
Ovo, larva e pupa de Dorcacerus barbatus são descritos, acrescentando-se novos
subsídios à morfologia e mencionando-se novas plantas-hospedeiras.
MATERIAL E MÉTODOS
O material estudado foi cedido por Ubirajara Ribeiro Martins, Museu de Zoologia da Universidade de
São Paulo (posturas) e Fernando Meyer, Museu Anchieta (larvas, pupas e adultos) e encontra-se depositado no
Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCNZ) e Museu Anchieta, Porto
Alegre (MAPA).
Os galhos infestados foram mantidos em laboratório, sendo parte das larvas e pupas fixadas em líquido
de Pumpel's e os adultos emergidos conservados em seco.
Asilustrações foram realizadas sob estereomicroscópio ZEISS equipado com câmara-clara. Mensurações
das larvas e pupas foram obtidas através de paquímetro marca MITUTOYO.
A terminologia adotada foi a utilizada por COSTA et al. (1988).
1. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre RS, Brasil.
2. Bolsista de Aperfeiçoamento, FAPERGS (Proc. nº 92/60532-0).
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IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 95-100, 2 mar. 1994
96 MOURA
RESULTADOS
Ovo e postura. Ovo cilíndrico; cório brilhante, finamente reticulado e branco-
leitoso homogêneo em toda superfície. Comprimento, 1,6mm e largura 0,9mm. As
fêmeas ovipositam 3-4 ovos contíguos; as posturas (Ubirajara R. Martins, com. pessoal)
são feitas sobre a casca da planta-hospedeira, cobertas e protegidas por fragmentos
corticais raspados e acomodados sobre os ovos. Tais fragmentos são obtidos através da
escova de pêlos radulares do urosternito VIII (MOURA & GALILEO, 1992).
Material examinado. BRASIL. São Paulo: Itu (Faz. Pau d'Alho), 4 posturas, X. 1956, U. Martins col.
(MCNZ).
Larva (figs. 1-11). Forma cilíndrica, ortossomática, com altura pouco maior que a
largura, exceto nos segmentos abdominais VIII e IX. Protórax e mesotórax os mais largos
dos segmentos; os demais gradualmente mais estreitos. Cabeça (fig. 3) prognata,
esclerotinizada, sub-retangular, margens laterais arredondadas, levemente deprimida e
retraída no protórax. Lateralmente, sob as articulações, tuberosidades de consistência
rígida. Um par de estemas. Genas pouco protuberantes. Sutura fronto-clipeal distinta.
Clípeo reduzido, transverso e membranoso. 4 cerdas epistomais presentes. Hastes
hipostomais (= sutura hipostomal , DUFFY, 1960; linha hipostomal, SVÁCHA &
DANILEVSKY, 1987) curvadas para a região central, atingindo o terço anterior;
hipóstoma sem rugosidades visíveis; metatentório (= ponte tentorial, DUFFY, 1960)
estreito, membranoso, com a porção central dirigida para o interior do crânio. Antenas
(fig. 2) tri-articuladas, sem processos suplementares; artículo basal longo, quase duas
vezes o comprimento do 2º e envolvido até o nível do meio pela membrana basal; artículo
médio mais longo que o apical, com duas cerdas laterais na porção distal; artículo apical
delgado, portando uma cerda na extremidade. Forâmen antenal aberto entre duas
tuberosidades. Peças bucais protraídas. Labro (fig. 11) pequeno, semi-circular, quase
totalmente revestido por numerosas cerdas brilhantes e de comprimento desigual.
Mandíbulas simétricas, robustas e fortemente esclerotinizadas, com o bordo cortante na
extremidade, arredondado como goiva; ventralmente, na margem interna próxima ao
ápice, uma região lisa e brilhante; um sulco desenvolvido no meio dividindo as porções
basal e apical; rugosidades generalizadas concentradas principalmente na região centro-
basal. Maxilas (fig. 4) membranosas, com fraca esclerotinização limitada à região do
estipe; mala (= lobo maxilar, DUFFY, 1960) com ápice arredondado e várias cerdas na
borda distal. Palpífero (= palpígero maxilar, SVÁCHA & DANILEVSKY, 1987) com
cerdas maiores na face externa e uma fileira de cerdas menores dispostas transversalmente
na região anterior da metade interna; palpos maxilares curtos, tri-articulados; artículos
basal e mediano com comprimentos subiguais e cerdas curtas nas áreas laterais; artículo
apical mais curto, com uma cerda na extremidade. Estipe transverso, com numerosas
cerdas concentradas principalmente na borda externa. Cardo bem desenvolvido,
subtrapezoidal. Lábio (fig. 5): mento transverso, com cerdas concentradas lateralmente
na região mediana; submento curto e largo, com aproximadamente o dobro da largura do
mento e um par de cerdas dispostas lateralmente; premento bilobado com cerdas próximo
a margem anterior; palpos labiais biarticulados; lígula arredondada e revestida por cerdas.
Protórax mais longo que o meso- e metatórax reunidos, com quatro manchas escuras
transversais na região anterior; pronoto com a porção anterior de superfície irregular,
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 95-100, 2 mar. 1994.
Formas imaturas de Dorcacerus barbatus... 97
dotado de cerdas esparsas; terço posterior glabro com rugas longitudinais; dobra posnotal
reduzida; prosterno com presterno pubescente fundido ao eusterno glabro; eusternelo
transversal, centralmente glabro, com as áreas laterais a partir das pernas protorácicas
pubescentes. Mesotórax com um par de espiráculos laterais elípticos, grandes e
esclerotinizados (fig. 1). Pernas (fig. 9) diminutas, subiguais e pouco esclerotinizadas,
com cerca de 1,4 X o comprimento da antena; coxa transversa, curta; trocanter muito
curto, com coroa de cerdas e comprimento cerca de 1/3 do fêmur; este subigual à tíbia, algo
mais largo e com cerdas na borda anterior; tarsúngulo alongado, agudo, com a porção
apical esclerotinizada. Abdômen com 10 segmentos visíveis dorsalmente, mais largos que
longos: segmentos I-VII com ampola em forma de duas globulosidades microgranuladas
(fig. 10), uma dorsal e uma ventral. Segmentos I-VIII (fig. 6) com um par de espiräculos
laterais, elípticos e esclerotinizados. Tubérculos pleurais pouco protuberantes. Segmen-
tos Ta X com cerdas dispostas principalmente próximas às regiões dorsal e ventral;
pleuras dos segmentos VIII e IX com pequena expansão lateral; segmento X com três
lobos distais. Abertura anal em forma de “Y” entre os três lobos.
Dimensões em mm. comprimento, 36, 6-39, 4; maior largura, 8,8-10,0.
Material examinado. BRASIL. Rio Grande do Sul: Porto Alegre, 5 exemplares, 11.X.1966, F. R. Meyer
col., obtidos em tronco de Chorisia speciosa, Bombacaceae (paineira) (MAPA).
Pupa (figs. 12-18). Cabeça com o vértice pouco visível dorsalmente. Tubérculos
anteníferos projetados, globosos (C', fig. 14) ou subtriangulares (9, fig. 12). Fronte
subquadrada, com uma depressão transversal junto à base das mandíbulas. Palpos labiais
e maxilares com as articulações não demarcadas. Antenas, nas fêmeas, estendem-se até
o 5º urotergito, onde se dobram ventralmente; o ápice atinge o nível do 1º urosternito; nos
machos, atinge o escapo. Protórax cerca de 1,6 vezes mais largo que longo; margens
laterais bituberculadas. Disco pronotal (fig. 15) convexo com dois tubérculos circulares
na metade anterior e rugosidades transversais próximas à margem anterior. Mesonoto
com estrias curtas transversais concentradas na linha mediana; escutelo com metade do
comprimento do pronoto, o ápice quase alcança a margem posterior do mesonoto.
Abdômen com os esternos glabros e inermes; urotergitos I-VI com numerosos espinhos
pequenos, alguns dotados de cerdas; urotergito VII com numerosos espinhos desenvol-
vidos direcionados para o centro do tergito; borda apical com uma fileira de espinhos
longos dotados de cerda, interrompida medialmente (fig. 13); acima desta fileira, localiza-
se um par de tubérculos paramedianos, cada um com um par de espinhos: um externo
Inteiro e outro interno bifido; tergito VIII com pequena quantidade de espículos direcionados
para a porção posterior; urosternito IX modificado e corrugado: nas fêmeas (fig. 17), no
terço basal, duas formações globulares que portam as estruturas que provavelmente irão
constituir os estilos e, nos machos (fig. 18), resumindo-se a uma formação membranosa.
Espiráculos abdominais nas regiões pleurais corrugadas dos segmentos I-VII.
Dimensões em mm. Comprimento total, 41,2 (5); 25,3-37,5 (2); maior largura
(torax), 10,5 (©); 8,5-12,5 (9).
Material examinado. BRASIL. Mato Grosso do Sul: Camapuã, | Se 792, 10.X.1967, F. Silberbauer col.,
obtidos em pau-pombo (Anacardiaceae) (MAPA).
Discussão taxonômica. Comparando-se com as formas imaturas de Trachyderes
descritas por DUFFY (1960), Dorcacerus barbatus difere: (1) na larva, pela ausência de
placa esclerotinizada nas ampolas ventrais dos segmentos IV-VI e pelos tubérculos
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 95-100, 2 mar. 1994
98 MOURA
pleurais pouco protuberantes; (2) na pupa, os espiráculos e a distribuição dos espinhos nos
tergitos abdominais VII e VIII apresentam padrão diferente.
Observações. São relativamente poucos os registros sobre a biologia desta espécie,
apesar da sua importância econômica. BONDAR (1912) mencionou que a larva se
desenvolve no interior da madeira das joboticabeiras (Myrcia jaboticaba, Myrtaceae),
broqueando os ramos e troncos em sentido longitudinal, fazendo de vez em quando
pequenos orifícios para expelir serragem; o comprimento das galerias pode atingir um
metro, causando muitas vezes a morte da árvore; quando a larva está desenvolvida,
empupa-se em uma câmara de 4 a5cm de comprimento, obstruindo o furo com serragem
e excrementos. BOSQ (1942) observou que “La larva ha sido encontrada talandro el
tronco y las ramas de guyabo (Psidium guajava) en Concordia, Prov. de Entre Ríos”,
Argentina. Além dos vegetais referidos acima, DUFFY (1960) citou, com base na
literatura, várias plantas-hospedeiras: Citrus aurantium (laranjeira-azeda, Rutaceae);
Prosopis nigra (Leguminosae); Myrciaria sp. (Myrtaceae) e Ficus carica (figueira,
Moraceae). São registrados dois novos hospedeiros: paineira (Chorisia speciosa,
Bombacaceae) e pau-pombo (provavelmente Tapirira sp., Anacardiaceae).
Agradecimentos. Ao Prof. Fernando R. Meyer (Museu Anchieta, Porto Alegre), pelo empréstimo do
material; ao Dr. Ubirajara R. Martins (Museu de Zoologia, USP) pela obtenção das posturas e pela leitura crítica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BONDAR, G. 1912. Combate as pragas de nossos pomares. Chac Quint., São Paulo, 5 (3): 7-10.
BOSQ, J. M. 1942. Segunda lista de Coleópteros de la Rep. Argentina danifios a la agricultura. Ing. Agron.,
Buenos Aires, 4: 49-63.
COSTA, C.; VANIN, S.A. & CASARI-CHEN, S, A. 1988. Larvas de Coleoptera do Brasil. São Paulo.
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. 282p.
DUFFY, E. A.J. 1960. A monograph of the immature stages of Neotropical timber beetles. London. British
Museum (Nat. Hist.). 327p.
MOURA, L. de A. & GALILEO, M. H. M. 1992. Genitália masculina e feminina de Dorcacerus barbatus
(Olivier, 1790) (Coleoptera, Cerambycidae, Cerambycinae, Trachyderini). Iheringia, Sér. Zool., Porto
Alegre (72): 135-139.
SILVA, A. G. D'ARAÚJO E et alii. 1968. Quarto Catálogo dos insetos que vivem nas plantas do Brasil;
seus parasitos e predadores. Rio de Janeiro, Ministério da Agricultura, Laboratório Central de Patologia
Vegetal. t.1, pt. 2, 622p.
SVÁCHA, P. & DANILEVSKY, M. L. 1987. Cerambycoid larvae of Europe and Soviet Union (Coleoptera,
Cerambycoidea). Part I. Acta Univ. Carol., Biol., Pragae, 30: 1-176.
Recebido em 04.06.1993; aceito em 16.08.1993.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 95-100, 2 mar. 1994.
Formas imaturas de Dorcacerus barbatus... 99
Figs. 1-11. Dorcacerus barbatus (Olivier, 1790), larva. 1, espiráculo mesotorácico; 2, antena; 3, cabeça,
ventral; 4, maxila; 5, lábio; 6, larva, lateral; mandíbula: 7, dorsal; 8, ventral; 9, perna mesotorácica; 10, ampola
do 3º tergo abdominal; 11, labro. Figs. 1,2,4,5,7-9,11; 3; 10, respectivamente na mesma escala, barra = Imm.
Fig. 6, barra = 2mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 95-100, 2 mar. 1994
Figs. 12-18. Dorcacerus barbatus (Olivier, 1790), pupa. 12, cabeça 9, frontal; 13, espinho da fileira localizada
na borda apical do urotergito VII; 14, cabeça d, frontal; 15, vista dorsal; 16, vista ventral; urosternito IX: 17,
9, 18, 0. Figs. 12; 14-16, na mesma escala, barra = 2mm. Figs. 13; 17-18, barra = Imm.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 95-100, 2 mar. 1994.
A SUBFAMÍLIA EUTICHURINAE NA REGIÃO NEOTROPICAL,
COM A REVISAO DO GENERO EUTICHURUS SIMON, 1896
(ARANEAE, MITURGIDAE)!
Alexandre B. Bonaldo ?
ABSTRACT
THE SUBFAMILY EUTICHURINAE IN THE NEOTROPICAL REGION, WITH THE REVISION
OF THE GENUS EUTICHURUS SIMON, 1896 (ARANEAE, MITURGIDAE). The subfamily Eutichurinae
is diagnosed and characterized. Eigth species of Eutichurus Simon, 1896 are redescribed: E. ferox Simon,
1896, type species; E. furcifer Kraus, 1955; E. lizeri Mello-Leitão, 1938; E. luridus Simon, 1896; E. ravidus
Simon, 1896; E. sigillatus Chickering, 1937; E. putus O. Pickard-Cambridge, 1898; and E. tropicus (L. Koch,
1866). Fiveteen new species are described: E. arnoi, E. brescoviti, E. marquesae, and E. valderramai, all from
Colombia; E. pallatanga from Ecuador; E. silvae from Ecuador and Peru; E. abiseo, E. cuzco, E. madre, E.
manu, E. saylapampa, E. yalen and E. zarate, all from Peru; E. ibiuna and E. itamaraju from Brazil.
Radulphius Keyserling, 1891 is characterized on the base of R. bicolor Keyserling, 1891, type species, and
R. camacan n. sp., both from Brazil. Ericaella new genus is proposed for Eutichurus longipes Chickering,
1937, type species from Panama, and Ericaella samirian. sp. from Peru. The male of Eutichurus putus and the
females of E. sigillatus, E. furcifer and Ericaella longipes, comb. n., are described for the first time. Lectotypes
and paralectotypes are designated for Eutichurus ferox, E. ravidus and E. luridus. Three specific names are
synonymyzed: Eutichurus birabeni Mello-Leitão, 1941 with E. lizeri Mello- Leitão, 1938; Eutichurus
ecuadorensis Schmidt, 1971 with E. putus O. Pickard-Cambridge, 1898; Philisca pallida Mello-Leitão, 1943
with Eutichurus ravidus Simon, 1896.
KEYWORDS. Eutichurus, Ericaella, Radulphius, Eutichurinae, Neotropical, Taxonomy.
INTRODUÇÃO
A família Miturgidae foi proposta por LEHTINEN (1967) para agrupar seis
subfamílias: Amaurobioidinae, Eutichurinae, Machadoniinae, Miturginae, Tengellinae
e Uliodoninae. PLATNICK (1974) incluiu Amaurobioididae na sinonímia de
Anyphaenidae. WOLFF (1978) argumentou em favor da validade da família Tengellidae
e GRISWOLD (1991) transferiu o gênero-tipo de Machadoniinae para a superfamília
Lycosoidea, em insertae sedis. Assim, Miturgidae restringe-se atualmente à Uliodoninae,
Miturginae e Eutichurinae.
1. Dissertação de Mestrado apresentada ao Curso de Pós-graduação em Ciências Biológicas, Zoologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba.
2. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, C. Postal 1188, CEP 90001-970, Porto Alegre, RS, Brasil. (Bolsista
CAPES, Mestrado).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
102 BONALDO
Uliodoninae ocorre nas regiões Etiópica, Oriental e Australiana e comporta, em
parte, aranhas cribeladas. Miturginae e Eutichurinae, ambas com representantes
neotropicais, são compostas exclusivamente por aranhas ecribeladas, cujo artículo distal
das fiandeiras posteriores é alongado. Nunca foram propostas diagnoses objetivas para
as subfamílias de Miturgidae. Entretanto, Teminius insularis (Lucas, 1857), da Região
Neotropical e Miturga agelenina Simon, 1909, da Região Australiana (Miturgidae,
Miturginae, examinados), apresentam um conjunto de caracteres não compartilhado
pelos integrantes de Eutichurinae: sulco torácico bem demarcado; ausência de tufos
subungueais; tarso do palpo da fêmea cônico; unhas dos tarsos das pernas pouco
pectinadas, com cerca de cinco dentes; e fiandeiras laterais anteriores separadas entre sí.
Estas características limitam a composição atual da subfamília Eutichurinae.
Aranhas do gênero Strotarchus Simon, 1888 (espécie-tipo, S. nebulosus Simon, 1888,
holótipo fêmea de Presídio, México, examinado), incluídas por LEHTINEN (1967) em
Eutichurinae, apresentam os caracteres arrolados acima, sendo aqui tentativamente
consideradas integrantes de Miturginae. A confirmação da diagnose de Miturginae e da
posição de Strotarchus, dependerão de estudos revisivos de táxons não neotropicais, tais
como o gênero australiano Miturga Thorell, 1870.
A subfamília Eutichurinae, estabelecida por LEHTINEN (1967), abrigava origi-
nalmente, além de Strotarchus, outros quatro gêneros neotropicais: Eutichurus Simon,
1896, Faratyle Simon, 1896, Philisca Simon, 1884 e Radulphius Keyserling, 1891.
BONALDO (1992) considerou Paratyle um sinônimo júnior objetivo de Teminius
Keyserling, 1887. O gênero Philisca é um integrante da família Anyphaenidae (J. A.
Kochalka, comunicação pessoal).
Radulphius, estabelecido por KEY SERLING (1891), comporta atualmente ape-
nas as espécies descritas por ocasião da proposição do gênero, R. bicolor, espécie-tipo e
R. laticeps, ambas conhecidas somente por fêmeas coligidas no Rio de Janeiro, Brasil.
O gênero Eutichurus foi proposto por SIMON (1896) para três espécies: E.
luridus, do Pará, Brasil; E. ravidus, do Rio de Janeiro, Brasil; e E. ferox, das Províncias
de Azuaz e Loja, Ecuador. SIMON (1897) designou E. ferox como espécie-tipo de
Eutichurus e transferiu para este gênero sete espécies anteriormente vinculadas a
Cheiracanthium L. Koch, 1839.
Nos catálogos de ROEWER (1954) e BRIGNOLI (1983) constam dezenove
nomes específicos em Eutichurus. Recentemente, BRESCOVIT & BONALDO (1992)
transferiram E. brevipes (Keyserling, 1891) para Clubionoides Edwards, 1958
(Clubionidae). BONALDO & BRESCOVIT (1992) sinonimizaram Eutichurus frontalis
Banks, 1909 com Cheiracanthium inclusum (Hentz, 1947) (Clubionidae) e transferiram
C. tropicum L. Koch, 1866 para Eutichurus.
Neste trabalho, a subfamília Eutichurinae é caracterizada com base em gêneros
neotropicais. Apresentam-se a revisão do gênero Eutichurus, com vinte e três espécies,
das quais quinze novas, a recaracterização do gênero Radulphius e a proposição de
Ericaella gênero novo.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
e
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 103
MATERIAL E MÉTODOS
O material examinado pertence às seguintes instituições, com as respectivas siglas utilizadas no texto
(nome dos curadores entre parênteses): AMNH, American Museum of Natural History, New York (N. I.
Platnick); BMNH, The Natural History Museum, London (P. D. Hillyard); CAS, Californian Academy of
Sciences, San Francisco (W. J. Pulawski); CPDC, Centro de Pesquisas do Cacau - CEPLAC, Itabuna (P. S.
Terra); CRB, Coleção particular de Renner Baptista, São Paulo (R. Baptista); CLP, Coleção Aracnológica da
Reserva Natural de La Planada, La Planada, (C. Valderrama A.); FMLT, Fundación Miguel Lillo, Instituto de
Zoologia, San Miguel de Tucumán (Z. Tomsic); IBSP, Instituto Butantan, São Paulo (V. Von Eickstedt);
IRSN, Institut Royal des Sciences Naturelles de Belgique, Bruxelles (L. Baert); MACN, Museo Argentino de
Ciencias Naturales Bernardino Rivadavia, Buenos Aires (E. Maury); MCN, Museu de Ciências Naturais,
Fundação Zoobotänica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (E. H. Buckup); MCZ, Museum of Comparative
Zoology, Cambridge, Mass. (H. W. Levi); MLP, Museo de La Plata, La Plata (R. Arrozpide); MNHN, Museum
National de Histoire Naturelle, Paris (C. Rollard); MNRJ, Museu Nacional do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
(A. T. Costa); MUCV, Museo de Biologia, Universidad Central de Venezuela, Caracas, (G. Pereira); MUSM,
Museo de Historia Natural, Universidad Nacional de San Marcos, Lima (D. Silva D.); MZSP, Museu de
Zoologia da Universidade de São Paulo, São Paulo (J. L. Leme); NHMW, Naturhistorisches Museum Wien,
Wien (J. Grüber); SMF, Forschungsinstitut Senckenberg, Frankfurt (M. Grasshoff); UEBS, Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Botucatü (H. Soares); ZMH, Universität Hamburg Zoologisches
Institut und Zoologisches Museum, Hamburg (G. Rack).
Mensurações. Todas as medidas são expressas em milímetros (mm). O comprimento total foi medido
em vista dorsal, da borda do clípeo ao ápice do tubérculo anal, não incluindo as quelíceras e as fiandeiras. O
comprimento e largura da carapaça e do abdômen representam os valores máximos no espécime. A altura do
clípeo foi tomada em vista frontal, a partir da margem anterior da carapaça até a margem anterior dos olhos
médios anteriores. A fila de olhos anteriores foi medida em vista dorsal e a dos posteriores, em vista frontal. O
comprimento do quadrângulo ocular médio representa a distância entre a borda anterior dos olhos médios
anteriores e a borda posterior dos olhos médios posteriores e foi mensurado em vista dorsal. As larguras
anterior e posterior do quadrângulo referem-se a distância entre os olhos médios de cada fila, incluído o
diâmetro destes olhos. A largura anterior foi mensurada em vista dorsal e a posterior em vista frontal. Os
diâmetros oculares foram tomados com os olhos posicionados de perfil e medida apenas a distância entre as
margens da córnea, excluindo a pigmentação escura circundante. As interdistâncias oculares foram tomadas
em posição dorsal para os olhos anteriores e frontal para os posteriores. A interdistância entre os olhos laterais
foi medida em vista dorsal. O comprimento das quelíceras foi mensurado em posição lateral e corresponde à
distância entre a base do côndilo basal e a margem apical da quelícera, excluindo a garra. O comprimento e a
largura do esterno representam os valores máximos no espécime. O comprimento dos artículos das pernas foi
medido em vista lateral, na linha dorsal de cada artículo. O comprimento dos artículos das fiandeiras laterais
posteriores foi tomado em posição lateral.
Espinulação. O número e disposição dos espinhos das pernas são expressos de acordo com a notação de
PETRUNKEVITCH (1925). Na descrição genérica de Eutichurus é fornecido o padrão de espinulação típico
para o gênero, sendo que nas descrições de espécies figura apenas a espinulação divergente deste padrão. Nas
descrições específicas de Ericaella e Radulphius, a espinulação é apresentada integralmente.
Genitália. O palpo do macho foi expandido por imersão em solução aquosa de Hidróxido de Potássio
(KOH) a 10%, em temperatura ambiente, por um período de 12 a 24 horas. Para exame das espermatecas, o
epígino foi destacado do abdômen e examinado imerso em óleo de cravo. A terminologia das estruturas
internas do epígino segue SIERWALD (1989). Nas ilustrações dos palpos e epíginos não foi representada a
cobertura de pêlos.
Abreviaturas utilizadas nas descrições: d, dorsal; FLP, fiandeiras laterais posteriores; OLA, olhos
laterais anteriores; OLP, olhos laterais posteriores; OMA, olhos médios anteriores; OMP, olhos médios
posteriores; p, prolateral; QOM, quadrângulo ocular médio; r, retrolateral; v, ventral.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
104 BONALDO
Subfamília Eutichurinae
Eutichurinae LEHTINEN, 1967: 321. Gênero-tipo, Eutichurus Simon, 1896. BRIGNOLI, 1983: 542.
Diagnose. Sulco torácico reduzido ou ausente; tarsos com duas unhas pectinadas,
com 10 a 15 dentes; tufos de pêlos subungueais densos; tarso do palpo da fêmea clavado;
fiandeiras médias e laterais posteriores sem as fúsulas das glândulas cilíndricas; fiandeiras
laterais anteriores contíguas; artículo distal das fiandeiras laterais posteriores cônico,
longo, de comprimento maior que o do artículo proximal.
Composição. Três gêneros na Região Neotropical: Eutichurus Simon, Radulphius
Keyserling e Ericaella gen. n..
Caracterização. Aranhas araneomorfas, enteléginas, ecribeladas, de porte variá-
vel, comprimento total (machos e fêmeas) 4,20 - 21,30. Carapaça oval, mais longa do
que larga, com estreitamento cefálico pouco acentuado (figs. 1, 6, 7); declive posterior
gradual (figs. 3, 5) ou abrupto (fig. 9); sulco torácico ausente ou reduzido a uma marca
supeficial; oito olhos heterogêneos, em duas filas de quatro, ocupando quase toda a
largura anterior da carapaça; fila dos olhos anteriores levemente procurva em vista
frontal, fila dos olhos posteriores reta ou levemente procurva em vista dorsal. Chilum
glabro e inteiro. Quelíceras maiores que a metade do comprimento da carapaça,
geniculadas ou não, com côndilo basal conspícuo, geralmente mais robustas nas fêmeas
(fig. 4, 9). Enditos paralelos ou levemente convergentes, mais longos que largos, de
comprimento maior que a metade do comprimento do esterno (fig. 2), promargem apical
densamente escopulada; sérrula com única fila de dentículos. Lábio livre, geralmente
maior que a metade do comprimento dos enditos, com constrição lateral subproximal e
ápice truncado (fig. 2). Esterno mais longo que largo ou tão longo quanto largo,
escutiforme, com três pares de sígilas submarginais.
Pernas prógradas, robustas (fig. 1) ou delgadas (fig. 5), todos os trocânteres
fortemente entalhados; tarsos e metatarsos com uma fila dorsal de tricobótrias, com ou
sem escópulas ventrais; tarsos das pernas com duas unhas, com 10 a 15 dentes delgados
e longos em cada unha; tufos de pêlos subungueais densos; tarso do palpo da fêmea
clavado, com uma unha, lisa ou pectinada.
Abdômen ovalado, mais longo que largo (figs. 1, 6), com um par de pulmões
foliáceos e um espiráculo traqueal contíguo às fiandeiras; cólulo reduzido a um aglome-
rado de cerdas; seis fiandeiras; fiandeiras laterais anteriores cônicas, contíguas na base,
segmento distal pequeno, truncado, com muitas fúsulas pequenas das glândulas piriformes,
e duas fúsulas maiores da glândula ampular principal, próximas à margem interna;
fiandeiras médias posteriores delgadas, com o mesmo comprimento das fiandeiras
laterais anteriores, tubulares, uniarticuladas, com várias fúsulas pequenas das glândulas
aciniformes e sem fúsulas das glândulas cilíndricas; fiandeiras laterais posteriores
alongadas, biarticuladas, com o artículo distal cônico, geralmente flexuoso, de compri-
mento maior que o do proximal (figs. 1, 2, 5, 6), com uma série de fúsulas das glândulas
aciniformes, dispostas na face ventral do artículo distal e sem fúsulas das glândulas
cilíndricas. Tubérculo anal bem desenvolvido.
Palpo do macho. Fêmur com uma leve curvatura prolateral, patela não modificada.
Tíbia com uma ou duas apófises; em Eutichurus, uma apófise tibial retrolateral (ATR)
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 105
simples (figs. 20, 38, 43, 56), bifida (figs. 32, 67, 76) ou trifida (figs. 86, 91); Radulphius
com ATR simples (fig. 103); em Ericaella, ATR com um prolongamento laminar no
äpice e apöfise tibial dorsal (ATD), subapical ou mediana, de orientagäo retrolateral
(figs. 94, 98). Cimbio ovalado, de äpice geralmente escopulado; base escavada
retrolateralmente em Eutichurus (figs. 34, 45) e Radulphius (fig. 103).
Divisão basal do bulbo: pecíolo (figs. 11-13, 15, P) subtriangular, ocupando cerca
de um quarto da área alveolar, fortemente esclerotinizado em Eutichurus e Radulphius.
Hematódoca basal (figs. 10, 15, HB) bem desenvolvida. Subtégulo (figs. 10-15, ST)
semicircular, largo prolateralmente, esclerotinizado, composto por dois anéis; Fundus
(figs. 11-14, F) amplo, embutido no subtegulo.
Divisão média do bulbo: hematódoca média (figs. 10, 14, HM) pouco desenvolvi-
da. Tégulo (figs. 10-15, T) amplo, ovóide. Reservatório (figs. 10, 13-15, RE), de curso
ao longo da parede do tégulo, penetrando no êmbolo em posição prolateral basal,
submediana (Eutichurus e Ericaella) ou subapical (Radulphius). Apófise média, (figs.
10, 12, 14, AM), quando presente, de posição retrolateral subapical, articulada com o
tégulo por uma membrana; em Eutichurus, AM curvada sobre si mesma, lisa (figs. 32,
65) ou esculpida (figs. 26, 29), simples (figs. 67, 86) ou com prolongamento na curvatura
apical (figs. 20, PAM, 49); em E. lizeri Mello-Leitão, PAM pequeno, formando uma
bifurcação com o ápice (fig. 40); em Radulphius, AM alongada, pouco curvada sobre si
mesma (fig. 105). Condutor (figs. 10, 12, 14, C), quando presente, laminar, hialino,
inserido apicalmente no tégulo (Eutichurus) ou de inserção retrolateral subapical
(Radulphius), apoiando o ápice do êmbolo no bulbo não expandido. As espécies de
Ericaella não apresentam apófise média e condutor. Em Radulphius, tégulo com uma
projeção apical, aqui denominada fulcrum (fig. 15, FL), cuja margem prolateral forma
uma calha que acolhe o êmbolo no bulbo não expandido (fig. 103).
Divisão apical do bulbo: ducto ejaculatório (fig. 12, DE), em Eutichurus, fregüen-
temente visível através da parede do êmbolo. Embolo (figs. 10-15, E) cônico (Eutichurus
e Ericaella, figs. 19, 48, 75, 94), achatado (Eutichurus, fig. 26, 65, 84) ou filiforme
(Radulphius, fig. 103); de inserção prolateral basal (Eutichurus e Ericaella, figs. 19, 48,
94), submediana (Eutichurus, fig. 22, 84) ou subapical (Radulphius, fig. 103); conecta-
se ao tégulo por uma membrana embolar (fig. 11, ME) pouco desenvolvida, com
exceção de Eutichurus abiseo sp. n., onde é fusionado ao tégulo (fig. 35). Algumas
espécies de Eutichurus apresentam processo embolar (fig. 12, PE, 39, 58). Neste gênero,
pode ocorrer uma pars pendula (fig. 12, PA), por onde passa o ducto ejaculatório,
ligando o processo embolar ao ápice do êmbolo.
Epígino. Margem anterior pouco demarcada (Eutichurus e Radulphius) ou distin-
ta (Ericaella). Átrio (fig. 16, A) amplo, livre (Eutichurus e Radulphius) ou semi-
encoberto por uma placa mediana (fig. 100, PM) (Ericaella); em Eutichurus, átrio
côncavo (fig. 21) ou plano (figs. 59, 68). Eutichurus apresenta um par de lobos látero-
anteriores (fig. 16, LA) subtriangulares, longos (figs. 21, 50) ou curtos (figs. 59, 68),
geralmente projetados sobre o átrio; Ericaella e Radulphius não apresentam lobos
látero-anteriores. Margem posterior do epígino, em Eutichurus, formada por um par de
placas posteriores (fig. 16, PP), convexas, contíguas, separadas (figs. 24, 52, 68) ou
parcialmente fusionadas (figs. 41, 92); em Radulphius, a margem posterior pode apre-
sentar-se projetada posteriormente (vide KEYSERLING, 1891: 47 pr. 1, fig. 21); em
Ericaella, a margem posterior é contínua, não projetada posteriormente. Aberturas de
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
106 BONALDO
fecundação (fig. 106, AF) provavelmente localizadas lateralmente, entre a margem
anterior das placas posteriores e o átrio (Eutichurus); entre a margem anterior do epígino
e o átrio (Ericaella); ou conspícuas, sobre o átrio, em posição lateral (Radulphius).
Espermatecas. Internamente com duas espermatecas, compostas pela base (figs.
17, 18, 107, BE), geralmente globular, haste (figs. 18, 107, HE), em geral alongada,
ápice (figs. 17, 18, 107, AE) frequentemente globular e ductos de fertilização (figs. 17,
18, 107, DF), inseridos na base da espermateca. Ductos copulatórios (fig. 107, DC)
aparentemente fusionados à haste (Eutichurus e Ericaella) ou conspícuos, conectados ao
ápice (Radulphius camacan sp. n.). Em Eutichurus, haste simples (figs. 69, 78) ou com
projeção (fig. 81) e ápice globular (fig. 42, 69) ou clavado (fig. 83, 88); em E. zarate sp.
n., espermatecas compactas, com haste e ápice reduzidos (fig. 55). Radulphius camacan
sp. n. apresenta ápice reduzido (fig. 107). Em Ericaella, espermatecas situadas anterior-
mente, com ápice ultrapassando a margem anterior do epígino, e ductos de fertilização
e haste alongados (figs. 97, 101).
História natural. Exemplares de Eutichurus ravidus Simon, 1896 foram coletados
em arbustos, a cerca de um metro do solo. Refúgios de espécimes imaturos de Eutichurus
foram encontrados na vegetação arbustiva, em Triunfo, Rio Grande do Sul, em abril de
1991. Cada refúgio consiste de uma folha seca, larga, com a face dorsal dobrada
longitudinal ou transversalmente sobre si mesma, revestida internamente por seda, com
abertura em uma das extremidades (M. A. L. Marques, comunicação pessoal). No
material examinado, várias fêmeas de Eutichurus e Radulphius apresentaram o epígino
tamponado por uma substância endurecida, escura. GRISWOLD (1991) e JOCQUE
(1991) relatam a presença de tampões similares em Machadonia Lehtinen, 1967
(Lycosoidea) e Zodariidae respectivamente, sugerindo que esta substância é produzida
pelo macho, após a cópula. Hábitos sinantrópicos são relatados em etiquetas do material
examinado. Eutichurus silvae sp. n. e E. valderramai sp. n. foram coletados em
habitações (Surco, Lima, Peru) e construções (La Planada, Narino, Colômbia), respec-
tivamente. Na etiqueta de um lote do MACN, contendo um macho adulto de Eutichurus
lizeri Mello-Leitão, coletado em habitação (Tanti, Córdoba, Argentina), consta “arafia
causante de picadura com flictenas, placa livedóide, necrosys y malestar general en
persona adulta”, sugerindo que o veneno desta espécie seja de ação proteolítica. SOUZA
(1967), ao estudar os predadores da cigarrinha da cana-de-açúcar no estado do Rio de
Janeiro, apresentou dados biológicos de espécimes identificados como Eutichurus
ravidus Simon. O exame dos exemplares em questão revelou tratar-se de representantes
da família Anyphaenidae.
Distribuição. O gênero Eutichurus ocorre em grande parte das Américas do Sul e
Central. De acordo com o material examinado, o limite setentrional deste gênero
localiza-se em El Salvador e o limite meridional na Província de Buenos Aires, Argen-
tina. Ericaella distribui-se do sul da América Central ao noroeste da América do Sul.
Radulphius, a julgar pelos registros disponíveis até o momento, ocorre na região da Serra
do Mar, Brasil.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 107
Chave para os gêneros neotropicais de Eutichurinae
1: Pernas robustas; comprimento do fêmur I ligeiramente maior que o compri-
mento da carapaça; bulbo do palpo do macho com condutor hialino e
apófise média (figs. 10, 14, 19, 103); epígino da fêmea sem placa mediana,
com ou sem lobos ântero-laterais (figs. 16, 68, 102, 106) ................... D:
Pernas delgadas; comprimento do fêmur I cerca de três vezes maior que o
comprimento da carapaça (fig. 5); bulbo do palpo do macho sem conductor
e sem apöfise média (figs. 13, 94, 98); epígino da fêmea com uma placa
mediana munida de projeções posteriores (figs. 96, 100) ..........................
ERR RR E A RR SRU DR RR iara bh Seia Ericaella gen. n
2 Bulbo do palpo do macho com fulcrum, êmbolo de inserção subapical (figs. 14,
15, 103); epígino da fêmea sem lobos ântero-laterais (figs. 102, 106)
Rosalia arcade EREERLESUESEEFROSBBEREGE LEE.) e Radulphius Keyserling
Bulbo do palpo do macho sem fulcrum, &mbolo de insergäo basal ou media-
na (figs. 10- 12, 19, 65); epigino da fêmea com um par de lobos äntero-
later a HESICHOEN IE AN ER RR AEI Eutichurus Simon
Eutichurus Simon
Eutichurus SIMON, 1896: 501; 1897: 88, 89 (descrição formal do gênero e designação da espécie-tipo, E.
ferox Simon, 1896); PETRUNKEVITCH, 1911: 481; ROEWER, 1954: 518; BONNET, 1956: 1844;
BRIGNOLI, 1983: 542; PLATNICK, 1989: 433.
Eutychurus; PETRUNKEVITCH, 1928: 171 (lapsus).
Diagnose. As espécies do gênero Eutichurus diferem das de Ericaella pelas pernas
robustas; comprimento do fêmur I ligeiramente maior que o comprimento da carapaça:
bulbo do palpo do macho com condutor hialino e apófise média (figs. 10, 12, 29, 38);
epígino da fêmea com átrio livre, sem placa mediana (fig. 16, 46, 53). Diferem de
Radulphius pelo palpo do macho sem fulcrum e êmbolo cônico ou achatado, de inserção
prolateral (figs. 10-12, 19, 89); epígino da fêmea com um par de lobos ântero-laterais e
um par de placas posteriores contíguas (figs. 16, 54, 68).
Descrição. Comprimento total (machos e fêmeas) 6,50 - 21,30. Carapaça convexa,
truncada na margem anterior, mais larga ao nível das coxas Ile III (fig. 1); região cefálica
pouco mais alta que a torácica, declive posterior gradual (figs. 3, 4); sulco torácico ausente
ou reduzido a uma marca superficial; clípeo com altura menor que um diâmetro dos OMA.
Olhos: fila anterior levemente procurva em vista frontal, fila posterior reta em vista dorsal;
QOM sub-retangular, mais largo que longo em vista dorsal, largura anterior ligeiramente
menor que a posterior; OMA circulares, maiores que os demais; OLA ovais; OMP
subcirculares, menores que os demais; OLP ovais; interdistâncias: OMA-OMA separa-
dos por seu diâmetro ou menos; OMA-OLA por um a dois diâmetros dos OMA; OMP-
OMP por aproximadamente seu diâmetro e meio; OMP-OLP por, no máximo, três
diâmetros dos OMP; OLA-OLP contíguos, em cômoro.
Quelíceras bem desenvolvidas, geniculadas, principalmente nas fêmeas, com
côndilo basal conspícuo (figs. 3, 4). Enditos paralelos ou levemente divergentes,
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
108 BONALDO
retromargem levemente côncava, ápice arredondado. Lábio mais longo que largo, de
comprimento maior que a metade do comprimento dos enditos. Esterno mais longo que
largo, de bordas pouco esclerotinizadas e de largura anterior menor que a largura mediana
(fig. 2).
Pernas robustas, pilosas, com pêlos castanhos longos e curtos; comprimento
relativo variável, geralmente I,II,IV IH ou LIV IL HI, raramente I,II=IV Mou I=IV LH;
metatarsos III e IV com tufos de cerdas negras ventro-distais; tarsos e metatarsos com
escópulas ventrais, geralmente densas; tarso do palpo da fêmea com uma unha pectinada;
espinulação padrão: I - fêmur dl-1, p0-1-1,r0, vO; tíbia dO, p0, r0, v2-2-2; metatarso dO,
p0, r0, v2-2-1. II - fêmur dl-1, p0-1-1, r0,vO; tíbia dO, p0, r0, v2-2-2; metatarso dO, p0,
TO, v2-2-1. II - fêmur dl-1, p0-1-1,r0-1-1, vO; tíbia dO, p1-1,r1-1, v2-2-2; metatarso do,
pl-1-2, rl-1-2, v2-2-1. IV - fêmur dl-1, p0-1-1, r0-0-1, vO; tíbia dO, pl-1, rl-1, v2-2-2;
metatarso dO, pl-1-2,r1-1-2, v2-2-1. Abdömen ovalado, densamente revestido por pêlos
curtos, claros, e pêlos longos, castanhos.
Palpo do macho com apófise tibial retrolateral subapical simples, bífida ou trífida;
bulbo com apófise média retrolateral subapical; condutor laminar hialino, inserido
apicalmente no tégulo; êmbolo de inserção prolateral basal ou mediana, cônico ou
achatado, com ou sem processo embolar. Epígino com átrio amplo, livre; um par de lobos
látero-anteriores sub-triangulares; margem posterior formada por um par de placas
convexas, contíguas.
Elenco. Vinte e três espécies, das quais quinze novas. Duas outras espécies,
Eutichurus paucalensis (KEYSERLING, 1879) (holótipo fêmea, “Polska Academy
Nauk”, não localizado, Prof. Dr. J. Proszynski, contato epistolar) e E. nigropilosus
MELLO-LEITÃO, 1941a (holótipo macho, MNRJ, não localizado) não foram identificadas
no material examinado e são aqui consideradas species inquirendae.
Espécies mal posicionadas. As seguintes espécies devem ser excluídas de Eutichurus:
E.monticola ROEWER, 1951 (holótipo macho, BMNH, não examinado) é provavelmen-
te um integrante do gênero Radulphius. E. keyserlingi SIMON, 1897 (holótipo macho,
BMNH, não examinado) é aparentemente um anifenídeo. E. auricomus (L. KOCH, 1866)
(síntipos, 2 machos, BMNH, examinados); E. meridianus (L. KOCH, 1866) (holótipo
macho, BMNH, examinado); e E. granadensis (KEY SERLING, 1891) (holótipo macho,
BMNH, examinado) são representantes da família Anyphaenidae.
Chave para as espécies de Eutichurus
1. Machos (exceto os de E.arnoi, E. madre, E. manu, E. marquesae, say-
lapampa, E. tropicus e E. zarate, desconhecidos) ..............................- 2
Fêmeas (exceto as de E. abiseo, E. brescoviti, E. cuzco, E. ibiuna, E. palla-
tanga e E: yalen, desconhecidas) 4... grass 2. 17
DACH)» Apófise tibial retrolateral simples, única (figs. 19, 29, 38, 48, 56, 64) ........ 3
Apöfise tibial retrolateral bífida ou trífida (figs. 34, 66, 76, 86, 91) ........... 1%
3 (2): Apófise tibial retrolateral tubercular, com uma pequena projeção apical (figs.
I ID ERHMD tee. Ar ae SIE E. furcifer Kraus
Apófise tibial retrolateral alongada ou curta e escavada (figs. 19, 29, 38, 48,
64). ae fa PR 4
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 109
4(3).
5(4).
6(4).
7(6).
8(7).
9(8).
10(8).
11(10).
120).
1312).
14(13).
15(14).
16(12).
Apófise tibial retrolateral curta, escavada (figs. 43, 48); apófise média com
uma carena laminar longitudinal mediana (figs. 45, 49) ....................... 5
Apófise tibial retrolateral longa, não escavada; apófise média sem carena
laminara(liesz1922.2629,35, 35 2)... mama ob Seelent 6
Embolo com um processo prolateral mediano (figs. 43-45)...
RR dt o pe an E a ae Ad E. valderramai sp. n.
Embolo, de ápice laminar, fusionado ao tégulo (figs. 35, 36) ........................
ensure IRRE RN ABEL... E. abiseo sp.n.
Embolo de ápice agudo, conectado ao tégulo por uma membrana embolar
(os DENT een ana 7
Embolo com um pequeno processo retrolateral subapical (figs. 62-64) ..
oo LARA PE PENEIRA RAS DE SE E. ibiuna sp. n.
Embolo sem processo (figs. 19, 22, 26) ou com um processo prolateral sub-
incoranoldigsas O SINE ni oa Eee 8
Embolo com um processo prolateral submediano (figs. 30, 39) ................. 9
Embolo sem processo (figs. 19,22, 26) ....uunisiisiisisaaeceenesenaesatsatasteareeo 10
Apófise média fortemente esculpida, de ápice não bifurcado (figs. 29-31)
Bo RER NEFFEN RP RT ER @U76OSPAnN!
Apófise média não esculpida, de ápice bifurcado (figs. 38 - 40) .....................
sonoras posicao sara ENS Ec E RN 2 E E. lizeri Mello-Leitão
Embolo achatado; apófise média com ranhuras transversais na margem pro-
arenas 2628 er 2 ER ehe. E. yalen sp. n.
Embolo cônico; apófise média sem ranhuras transversais (figs. 19, 22) ...... 11
Apófise tibial retrolateral afilando gradativamente desde a base; êmbolo de
mseteagıbasalllties. 0/20) a. was ainioo nnbideao nda E.ferox sp. n.
Apófise tibial retrolateral afilando abruptamente a partir do terço distal; êm-
bolo de mserção mediana (figs. 22, 23) ...ecacensssesnnaremueannoa E. silvae sp. n.
Apófise tibial retrolateral bífida (figs. 34, 67, 76) ............ 13
Apofisetibial’retrolateral tnfida (fies. 86, 91) ..unneecuecaseeenannensenenneenennen 16
Apófise tibial retrolateral fendida na metade apical; apófise média com um
prolongamento mediano (figs. 32, 34) ....................... E. pallatanga sp. n.
Apófise tibial retrolateral fendida próximo à base; apófise média sem pro-
lonsamento, mediane, (fies. 0/1, 72,776) u... een nee 14
Embolo COnico sem processo, (figs. 75, TO)erennensseneresnnneee E. luridus Simon
Embolo achatado, com processo prolateral (figs. 65, 70) ......................... 15
Processo embolar de ápice agudo; êmbolo de ápice orientado apicalmente
(ps, COF6))) pscetea EP dA A RE RR RN E. ravidus Simon
Processo embolar de ápice arredondado, êmbolo de ápice orientado prola-
feraimente la re E. itamaraju sp.n.
Apófise média de ápice alargado; êmbolo bífido (figs.. 89-91).......................
BERNER Ehe ei eninneninchnnenckinsckee E. putus O. Pickard-Cambridge
Apöfise média de ápice afilado; êmbolo trífido (figs. 84 - 86) .......................
ee see SE AR RAR E. sigillatus Chickering
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
110
QU):
18(17).
19(18).
20(19).
ZU
DON),
23022).
24(23).
25(24).
26(25).
22H)!
OD),
BONALDO
Placas posteriores fusionadas, com sutura mediana longitudinal (figs. 41, 82,
875792). HL ROLE EDER RI EEE 18
Placas posteriores não fusionadas (figs. 21, 46, 59, 68) ............2222222220eeee. 2)l
Lobos anteriores grandes; átrio mais longo que largo (figs. 41, 42)................
cool N ARE E E. lizeri Mello-Leitão
Lobos anteriores pequenos; átrio tão longo quanto largo ou mais largo que
longo (figs. 82,87, 12 rn I 19
Átrio mais largo que longo, com uma projeção mediana junto à sutura das placas
posteriores; margem anterior das placas posteriores em forma de “W”
(digs.87, 8 unhas ES da ÉS E. sigillatus Chickering
Átrio tão longo quanto largo, sem projeção; margem anterior das placas pos-
teriores reta ou levemente oblíqua (figs. 82, 92)... 20
Lobos anteriores projetados sobre o átrio; placas posteriores de margem ante-
prorlevemente obliqual(iigsa288) Mes E. manu sp. n.
Lobos anteriores não projetados sobre o átrio; placas posteriores de margem
anteriorrela dies 92, Deren E. putus O. Pickard-Cambridge
Lobos anteriores com cada margem interna escavada; placas posteriores
constritas lateralmente (figs. 54, 55) ...............0uuuneeeeee E. zarate sp. n.
Lobos anteriores com margem interna não escavada; placas posteriores não
constnitas (figs.-21,46,:68, 79) anne. >»
Lobos anteriores maiores ou pouco menores que as placas posteriores (figs.
21, 24, 46350, 52, DB)... Rn dana di sd PR 23
Lobos anteriores reduzidos, distintamente menores que as placas posteriores
(Tigs: 59; 68;73, 71,19 80)... a EEE 28
Lobos anteriores afilados, de ápice agudo (fig. 52) ...... E. saylapampa sp. n.
Lobos anteriores de outra forma (figs. 21, 24, 46, 50, 53) .............22220000000.- 24
Átrio subtriangular, proeminente entre os lobos anteriores (fig. 53) ...............
Doda a N SEE EEE E. arnoi sp.n.
Átrio de outra forma, não proeminente entre os lobos anteriores (figs. 21, 24,
46,50) en el ER 25
Átrio quadrangular, tão longo quanto largo; lobos anteriores truncados; (figs.
AGA Dio Vara O TO a A E. tropicus (L. Koch)
Átrio de outra forma, mais longo que largo; lobos anteriores arredondados
(fig8:21,24, 0). 12 LEERE E 26
Lobos anteriores de äpice rugoso, fortemente esclerotinizado (figs. 50, 51)
er o AEE U AD, E A E. valderramai sp. n.
Lobos anteriores de ápice liso (figs! PDA ee Zi)
Átrio plano anteriormente, com um sulco longitudinal posterior (figs. 24, 25)
Me RE rage ata ba A 3dcao000as0cc E. silvae sp. n.
ER a a ab O E. ferox sp. n.
Placas posteriores com uma escavação lateral posterior em cada placa (fig.
3% OO EA, ee E. furcifer Kraus
Placas posteriores sem escavações laterais posteriores (figs. 68, 77, 79, 80)
dúddavobues Cortaniosaianidotodes quiseasedecosom pra HERE EEE Se SRD Dip ada 29
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
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A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 111
228. Lobos anteriores projetados sobre o átrio (figs: 68, 73) »..............0222n0u 30
Lobos anteriores não projetados sobre o átrio (figs. 77, 79, 80) ................. 31
30 (29). Átrio tão longoiquanto largo (25108; 60) Fre er E. ravidus Simon
Átrio mais longo que largo (figs. 73, 74)... E. itamaraju sp. n.
31 (29). Lobos anteriores projetados sobre as áreas laterais do epígino (figs. 80, 81)
aco ava BEAN db dl SERA ne AP E ERR RS E. marquesae sp. n.
Lobos anteriores projetados sobre as placas posteriores (figs. 77, 79) ....... 32
RSI Lobos anteriores afilados (figs. 77; 78) u... E. luridus Simon
Iabosiamnieriorestmuncados (ig O cinema demo opsida sito aolago ne nedadoe E. madre sp. n.
Eutichurus ferox Simon
(Figs. 1-4, 19-21, 109)
Eutichurus ferox SIMON, 1896: 502, síntipos macho e fêmea MNHN 8333, duas localidades: Cuenca, Provincia
de Azuaz; Loja, Provincia de Loja, Equador, Gaujon col. (examinados, presente designação de lectótipo
macho e paralectótipo fêmea); 1897: 88, 89, figs. 79, 86; F. O. PICKARD-CAMBRIDGE, 1899: 86, pr. 6,
figs. 13, 13a-c, PETRUNKEVITCH, 1911: 481; BERLAND, 1913: 97; MELLO-LEITÃO, 1941b: 175;
ROEWER, 1954: 518; BONNET, 1956: 1845.
Diagnose. Machos de Eutichurus ferox diferem dos de E. silvae (figs. 22, 23) pelo
êmbolo de inserção basal (fig. 19) e apófise tibial afilando gradativamente desde a base
(fig. 20); fêmeas diferem de E. silvae (fig. 24) pelo átrio côncavo anteriormente, sem sulco
longitudinal, com uma protuberância transversal junto as placas posteriores e pelos lobos
anteriores mais longos que largos (fig. 21).
Descrição. Macho (lectótipo). Carapaça castanha, avermelhada na região cefálica;
quelíceras, enditos e lábio castanho-avermelhados; esterno e pernas castanho-claras;
abdômen amarelo, densamente piloso.
Comprimento total 20,00. Carapaça: comprimento 8,20, largura 6,40; clípeo, altura
0,22. Olhos: fila anterior 3,00, posterior, 2,70; QOM: comprimento 0,82, largura anterior
1,15, largura posterior 1,17; diâmetros: OMA 0,44, OLA 0,38, OMP 0,32, OLP 0,32;
interdistäncias: OMA-OMA 0,35, OMA-OLA 0,50, OMP-OMP 0,57, OMP-OLP 0,89,
OLA-OLP 0,22. Quelíceras: comprimento 4,00; retromargem com 4 dentes iguais;
promargem com 3, segundo maior. Esterno: comprimento 4,45, largura 3,10. Abdômen:
comprimento 9,60, largura 5,00. FLP: artículo proximal, comprimento 0,97; artículo
distal, comprimento 1,62.
Pernas: comprimento relativo I.II.IV.III; I - fêmur 8,60 / patela 4,00 / tíbia 8,30 /
metatarso 9,00 / tarso 3,40 / total 33,30; II - 8,30 / 3,90 / 7,70 / 7,90 / 3,30 / 31,10; III -
SUS 0 /5,70/6,00/2,50/ 24,60; IV - 8,40 / 3,50 / 7,20 / 8,30 / 3,30 / 30,70.
Espinulação: I- tíbia vlp-2-2; metatarso v2-0-1. II- tíbia vlp-2-2; metatarso v2-1p-
1. HI - tíbia vlp-2-2; IV - tíbia p0-1.
Palpo: comprimento da tíbia cerca de um terço do comprimento do címbio; apófise
tibial retrolateral simples, alongada; apófise média com prolongamento; êmbolo cônico,
delgado, sem processo. (figs. 19, 20).
Fêmea (paralectótipo). Coloração como no macho, abdômen piloso. Comprimento
total 21,30. Carapaça: comprimento 10,60, largura 7,70; clípeo, altura 0,27. Olhos: fila
anterior 3,40, posterior 3,70; QOM: comprimento 0,97, largura anterior 1,32, largura
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
112 BONALDO
posterior 1,37; diâmetros: OMA 0,42, OLA 0,40, OMP 0,37, OLP 0,32; interdistâncias:
OMA-OMA 0,47, OMA-OLA 0,75, OMP-OMP 0,77, OMP-OLP 1,10, OLA-OLP 0,30.
Quelíceras: comprimento 5,60; dentes como no macho. Esterno: comprimento 5,20,
largura 3,90. Abdômen: comprimento 11,30, largura 7,20. FLP: artículo proximal,
comprimento 1,05, artículo distal, comprimento 1,92.
Pernas: comprimento relativo I.II.TV.II; I - fêmur 9,10 / patela 5,00 / tíbia 8,40 /
metatarso 8,70 / tarso 3,50 / total 34,70; II - 8,80 / 4,60 / 8,10 / 7,80 / 3,20 / 32,50; III -
7,90 / 3,80 / 6,00 / 6,20 / 2,60 / 26,50; IV - 8,90 / 3,90 / 7,70 / 8,60 / 3,10 / 32,20.
Espinulagäo: I - tíbia vlp-2-Ip; metatarso vlr-o-1. II-tibia vlp-2-2; metatarso v2-Ip-
l. IIL- tibia pl-2, vlp-2-2. IV - tíbia p0-1.
Epigino: ätrio subpentagonal, mais longo que largo; lobos anteriores mais longos
que largos, de ápice arredondado; placas posteriores não fusionadas, sub-retangulares
(as, 21).
Distribuigäo geogräfica. Equador: Azuaz, Loja (fig. 109).
Eutichurus silvae sp. n.
Ceras O, MU O; 1722250)
Holótipo. Macho, Lima (habitações), Peru, 03.VIII.1988, G. Saravia col. (MUSM).
Etimologia. Homenagem a Diana Silva D., coletora de dois dos parátipos.
Diagnose. Machos de Eutichurus silvae diferem dos de E. ferox (figs. 19, 20)
pelo êmbolo de inserção mediana (fig. 22) e apófise tibial afilando abruptamente a
partir do terço distal (fig. 23). Fêmeas diferem das de E. ferox (fig. 21) pelo átrio plano
anteriormente, com um sulco longitudinal e pelas placas posteriores tão longas quanto
largas (fig. 24).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça castanho-avermelhada, mais escura na
região torácica; quelíceras, enditos e lábio castanho-escuros; esterno castanho-claro,
bordas mais escuras, pernas amarelas, metatarsos e tarsos castanhos; abdômen amarelo,
densamente piloso.
Comprimento total 15,20. Carapaça: comprimento 7,10, largura 5,40; clípeo,
altura 0,25. Olhos: fila anterior 2,45, posterior 2,75; QOM: comprimento 0,72, largura
anterior 1,12, largura posterior 1,12; diâmetros: OMA 0,45, OLA 0,35, OMP 0,27, OLP
0,30; interdistâncias: OMA-OMA 0,17, OMA-OLA 0,45, OMP-OMP 0,55, OMP-OLP
0,77, OLA-OLP 0,15. Quelíceras: comprimento 3,45; retromargem com 4 dentes
subiguais; promargem com 3, segundo maior. Esterno: comprimento 3,45, largura 2,70.
Abdômen: comprimento 8,50, largura 4,90. FLP: artículo proximal, comprimento 0,95;
artículo distal, comprimento 1,20.
“Pernas: comprimento relativo 1.II.IV.III; I - fêmur 7,20 / patela 3,20 / tíbia 6,70 /
metatarso 7,60 /tarso 2,80 / total 27,50; II - 6,80/3,20/6,30/6,90/2,70/25,90; HI
- 5,80 / 2,10 / 4,40 / 5,10 / 2,10 / 19,50; IV - 7,00 / 2,70 / 5,20 / 7,10 / 2,60 / 24,60.
Espinulação: I- tíbia p0-0-1, v1p-2-2. II- tíbia p0-0-1, v1p-2-2. III-tibia v1p-2-2. IV
- tíbia p0-1, v1p-2-2.
Palpo: comprimento da tíbia cerca de um terço do comprimento do címbio; apófise
tibial retrolateral simples, alongada; apófise média com prolongamento; êmbolo cônico,
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 113
delgado, sem processo (figs. 10, 11, 22, 23).
Fêmea (parátipo). Coloração como no macho. Comprimento total 16,30. Carapaça:
comprimento 6,70, largura 5,10; clípeo, altura 0,22. Olhos: fila anterior 2,50, posterior
2,80; QOM: comprimento 0,77, largura anterior 1,07, largura posterior 1,02; diâmetros:
OMA 0,40, OLA 0,37, OMP 0,30, OLP 0,32; interdistâncias: OMA-OMA 0,32, OMA-
OLA 0,42, OMP-OMP 0,47, OMP-OLP 0,77, OLA-OLP 0,17. Quelíceras: comprimento
3,35, dentes como no macho. Estero: comprimento 3,15, largura 2,65. Abdômen:
comprimento 9,30, largura 5,80. FLP: artículo proximal, comprimento 0,75, artículo
distal, comprimento 1,20.
Pernas: comprimento relativo I.IV.II.HI; I - fêmur 5,50 / patela 2,70 / tíbia 4,90 /
metatarso 5,20 /tarso 2,10 /total 20,40; I1-5,40/2,70/4,60/4,80/2,10/19,60; HI
- 4,30 / 2,20 / 3,20 / 3,70 / 1,70 / 15,10; IV - 5,60 / 2,50 / 4,40 / 5,30 / 2,00 / 19,80.
Espinulacäo: I - tíbia vlp-2-0. II - tíbia p0-1, v0-2-0. HI - tíbia v1p-2-0. IV - tíbia p0-
1, vlp-2-0.
Epígino: átrio subpentagonal, mais longo que largo; lobos anteriores tão longos
quanto largos, de ápice arredondado; placas posteriores não fusionadas, subquadradas;
espermatecas de base prolongada anteriormente, haste curta e ápice arredondado (figs. 16,
17, 24,25).
Variação. Comprimento: (10 machos) total 12,30 - 15,60; carapaça 5,40 - 7,70;
fêmur I 6,30 - 7,80; (10 fêmeas) total 13,10 - 19,20; carapaça 5,70 - 7,80; fêmur I 4,90
- 6,60. A coloração da carapaça e das pernas varia do castanho-escuro ao amarelo.
Retromargem das quelíceras com 3 ou 4 dentes. No epígino, a margem anterior das placas
posteriores varia de sub-reta à oblíqua.
Distribuição geográfica. Equador: Loja; Peru: Lambayeque, La Libertad, Lima (fig.
110).
Material-tipo. Parátipos: PERU. Lambayeque: Chiclayo (10km ao Sul), 1 2, 19.11.1951, Ross &
Michelbacher col. (CAS); Lima: Lima (Rio Chillón, corretura Anéon, km 26), 19, 07.IV.1984, D. Silva D. col.
(MUSM); (Rio Chillón, Puente Pedra), 13, 14.VII.1984, D. Silva D. col. (MUSM); (San Borja), 19,01.111.1989,
H. D. Macedo col. (MUSM); (Cidade Universitária), 19,03.VI.1982,R. Acero V. col.(MCN 22164, ex MUSM);
Surco (habitações), 1S,1IX.1985,D. Valencia col. (MCN 22163, ex MUSM); Isla Dom Martin, 19,19, VI. 1955,
M. Pena col. (CAS 078, Exline-Peck Collection).
Material adicional. EQUADOR: Loja: Landagui (30km ao Sul de Loja), 19 , 1 jovem, 12. VII.1978,
A. Roig col. (MACN); PERU. Hacienda Santa Elena (Rio Chunzon), 1 6, 22.X1.1955, W. Weyranch col. (CAS,
Exline-Peck colletion); Huinco, 1 S&, 16.1V.1977, A. M. Esquerra col. (IBSP 4175). La Libertad: Chicama
(Cartavio), 1 9, IX.1978, P. Hocking & G. Martinez col. (MUSM); Lima: Huacho, 1 9 (MNRJ); Callao, 15,
VI1.1893, H. Rehberg col. (ZMH); 1 9, X1.1893, H. Rehberg col. (ZMH); Lima, 1 9 (FMLT); 1 9 sub-adulta,
06.X1.1957 (FMLT 1471); 1 9, 1 jovem (FMLT 1412); 45,2 2,W. Weyranch col., (CAS, Exline-Peck
collection); 1 9, 25.X1.1987, C. Fox col. (MUSM); 1 9, 02.1.1987, R. Ramirez col. (MUSM); 1 9, 25.11.1954,
F. Blancas col. (MUSM); (Barranco, Jardins), 1 9, 12.VII.1989, Enrique & Bedos col. (MUSM); (Cidade
Universitária), 2 Q, 1 jovem, 03. IV.1982, R. Acero V. col. (MUSM); Surco (habitações), 19, IX.1985, D.
Valencia col. (MUSM); Miraflores, 19, 19,23.IV.1967, Meneses col. (IBSP 2576); Mala, 12, 1 jovem, IV.1964,
M. Guerovich col., (CAS 055, Exline-Peck collection); 1 9, IV.1964,M. Guerovich col., (CAS 048, Exline-Peck
collection).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
114 BONALDO
Eutichurus yalen sp. n.
(Figs. 26-28, 109)
Holótipo. Macho, Yalen, Departamento de La Liberdad, Peru (2850 m.),D. Silva
D. col. (MUSM).
Etimologia. O nome específico é um substantivo referente à localidade-tipo.
Diagnose. Machos de Eutichurus yalen diferem dos de E. cuzco (fig. 30) e E. lizeri
(fig. 39) pelo êmbolo sem processo (fig. 27) e dos de E. pallatanga (fig. 32) pela apófise
tibial simples, única (figs. 26, 28).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça amarela, mais escura na região cefálica;
quelíceras, enditos e lábio amarelo-escuros; esterno amarelo-claro, pernas amarelas,
metatarsos e tarsos mais escuros; abdômen acinzentado.
Comprimento total 11,40. Carapaça: comprimento 5,40, largura 4,30; clípeo, altura
0,17. Olhos: fila anterior 1,95, posterior 2,25; QOM: comprimento 0,65, largura anterior
0,77, largura posterior 0,87; diâmetros: OMA 0,27, OLA 0,32, OMP 0,22, OLP 0,27;
interdistâncias: OMA-OMA 0,30, OMA-OLA 0,35, OMP-OMP 0,47, OMP-OLP 0,55,
OLA-OLP 0,12. Quelíceras: comprimento 3,05; retromargem com 4 dentes subiguais;
promargem com 3, segundo maior. Esterno: comprimento 2,65, largura 2,25. Abdômen:
comprimento 6,00, largura 3,60. FLP: artículo proximal, comprimento 0,65; artículo
distal, comprimento 0,95.
Pernas: comprimento relativo I.IV.I.III; I - fêmur 4,90 / patela 2,40 / tíbia 4,50 /
metatarso 4,80 / tarso 2,10 /total 18,70; II - 4,70/2,30/3,90/4,40/1,90/17,20; III
- 4,20 / 1,90 / 3,00 / 3,50 / 1,50 / 14,10; IV - 5,20 / 2,10 / 4,20 / 4,90 / 1,90 / 18,30.
Espinulagäo: I- tíbia vlp-2-1p. II - tíbia vlp-1p-0. HI - tíbia v1p-2-0. IV - tíbia p0-1.
Palpo: tíbia pouco maior que o comprimento do címbio; apófise tibial retrolateral
simples, alongada, afilando-se abruptamente no terço distal; apófise média com prolon-
gamento de margem prolateral levemente ranhurada; êmbolo achatado, contíguo à parede
tegular, sem processo (figs. 26-28).
Variação. Comprimento: (parátipo) total 9,50; carapaça 5,00; fêmur I 4,55. No
parátipo, as ranhuras da apófise média apresentam-se pouco conspícuas.
Distribuição geográfica. Peru: La Liberdad (fig. 109).
Material-tipo. Parátipo: PERU. La Liberdad: Manachacui Valley (Lower Lake) (3650m.), 19, VI. 1986,
B. Roth col. (CAS).
Eutichurus cuzco sp. n.
(Figs. 29-31, 110)
Holótipo. Macho, arredores de Cuzco, Cuzco, Peru, N. Jara M. col. (MUSM).
Etimologia. O nome específico é um substantivo em referência à localidade-tipo.
Diagnose. Machos de Eutichurus cuzco diferem dos de E. lizeri (figs. 38, 40) pela
apófise média fortemente esculpida (figs. 29,31) e dos de E. yalen (fig. 27) pelo êmbolo
com um processo prolateral mediano (fig. 30).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça castanho-avermelhada, mais escura na
região cefálica; quelíceras, enditos e lábio castanho-escuros; esterno e pernas amarelo-
escuros, metatarsos e tarsos castanho-claros; abdômen amarelo-esbranquiçado.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 115
Comprimento total 14,70. Carapaça: comprimento 7,50, largura 5,80; clípeo,
altura 0,30. Olhos: fila anterior 2,52, posterior 2,92; QOM: comprimento 0,55, largura
anterior 0,97, largura posterior 1,07; diâmetros: OMA 0,37, OLA 0,37, OMP 0,27, OLP
0,30; interdistâncias: OMA-OMA 0,30, OMA-OLA 0,50, OMP-OMP 0,60, OMP-OLP
0,82, OLA-OLP 0,15. Quelíceras: comprimento 3,50; retromargem com 3 dentes
subiguais; promargem com 4, terceiro maior. Esterno: comprimento 3,60, largura 2,80.
Abdômen: comprimento 8,00, largura 5,20. FLP: artículo proximal, comprimento 0,60;
artículo distal, comprimento 0,75.
Pernas: comprimento relativo I.IV.ILIII; I - fêmur 6,50 / patela 3,20 / tíbia 6,30 /
metatarso 6,60 / tarso 2,60 / total 25,20; II - 6,40 / 3,20 / 5,70 / 6,00 / 2,30 / 23,60; HI -
5,40 / 2,70 / 4,10 / 4,60 / 1,90 / 18,70; IV - 6,80 / 3,00 / 5,60 / 6,50 / 2,20 / 24,10.
Espinulacäo: I- tíbia vlp-2-1p. I- tíbia vlp-lp-lp. III -tibia vlp-2-2. IV - tíbia pO-
1, v2-2-1p.
Palpo: comprimento da tíbia cerca de um terço do comprimento do cimbio; apófise
tibial retrolateral simples, alongada, de terço distal afilado e esclerotinizado; êmbolo
achatado, com um curto processo prolateral mediano (figs. 29-31).
Distribuição geográfica. Peru: Cuzco (fig. 110).
Eutichurus pallatanga sp. n.
(Figs. 32-34, 110)
Holótipo. Macho, Riobamba (Camino Pallatanga, 30 Km N. de Pallatanga),
Provincia Chimborazo, Equador, 24.1V.1982, A. Roig col. (MACN).
Etimologia. O nome específico é um substantivo em alusão à localidade-tipo..
Diagnose. Machos de Eutichurus pallatanga diferem dos de E. cuzco (fig. 30) e E.
lizeri (fig. 39) pelo êmbolo sem processo (fig. 33) e dos de E. yalen (fig. 28) pela apófise
tibial bífida (fig. 32). Diferem de outras espécies com apófise tibial retrolateral bífida pela
apófise média com prolongamento na curvatura apical (fig. 34).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça castanha; quelíceras castanho-escuras;
enditos e lábio castanhos, esterno amarelo-escuro, bordas areas pernas amarelas,
metatarsos e tarsos castanho claros; abdömen cinzento.
Comprimento total 14,00. Carapaga: comprimento 6,60, largura 5,30; clipeo, altura
0,32. Olhos: fila anterior 2,65, posterior 3,05; QOM: comprimento 0,70, largura anterior
1,02, largura posterior 1,15; diämetros: OMA 0,40, OLA 0,35, OMP 0,30, OLP 0,32;
interdistäncias: OMA-OMA 0,32, OMA-OLA 0,50, OMP-OMP 0,60, OMP-OLP 0,80,
OLA-OLP 0,17. Queliceras: comprimento 5,05; retromargem com 4 dentes iguais,
separados; promargem com 3, segundo maior; face frontal escavada. Esterno: compri-
mento 3,15, largura 2,75. Abdômen: comprimento 7,40, largura 4,40. FLP: artículo
proximal, comprimento 0,70; artículo distal, comprimento 1,10.
Pernas: comprimento relativo LIV ILIII; I - fêmur 6,00 / patela 2,80 / tíbia 5,80 /
metatarso 6,60 / tarso 2,60 / total 23,80; II- 5,70 / 2,20 / 5,40 / 5,90 / 2,40 / 21,60; III -
2072307 3,70 / 4,40:/ 1,90 / 17,10; IV - 6,10 / 2,60 / 5,00 / 5,90 / 2,10 / 21,70.
Espinulagäo: I- tíbia v1p-2-0; metatarso p0-1-0. II- tíbia p0-0-1, v0-1p-0. IH - tíbia
vlp-2-2.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
116 BONALDO
Palpo: tíbia maior que a metade do comprimento do címbio; apófise tibial retrolateral
bífida, de base alongada, fendida na metade apical; apófise média com prolongamento na
curvatura apical; êmbolo achatado, sem processo (figs. 32 - 34).
Variação. Comprimento: (3 machos) total 9,10 - 14,00; carapaça 4,30 - 6,60; fêmur
I 3,80 - 6,00. Em um dos parátipos, a escavação frontal das quelíceras é pouco
pronunciada.
Distribuição geográfica. Equador: Pichincha, Chimborazo (fig. 110).
Material-tipo. Parátipos: EQUADOR. Pichincha: Quito, Otovalo Road, 1 4, 22.1V.1942, Exline-Peck
collection (CAS); Chimborazo: Riobamba (camino Pallatanga, 30km N. de Pallatanga), 1 S, 24.1V.1982, A.
Roig col. (MCN 22165, ex MACN).
Eutichurus abiseo sp. n.
(Figs. 35-37, 109)
Holötipo. Macho, Parque Nacional Abiseo (3300 m), Puerta del Monte, San
Martin, Peru, 04.11.1988, D. Silva D. & A. Salirrosa col. (MUSM).
Etimologia. O nome específico é um substantivo e refere-se à localidade-tipo.
Diagnose. Machos de Eutichurus abiseo (fig. 37) diferem dos machos das demais
espécies pelo êmbolo de ápice lamelar e de base larga, fusionada ao tégulo (figs. 35, 36).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça amarela, levemente escurecida na região
ocular; quelíceras, enditos e lábio castanhos; esterno amarelo, bordas castanhas; pernas
amarelas, metatarsos mais escuros; abdômen cinza claro.
“Comprimento total 13,00. Carapaça: comprimento 5,30, largura 4,10; clípeo,
altura 0,17. Olhos: fila anterior 1,65, posterior 1,92; QOM: comprimento 0,57, largura
anterior 0,77, largura posterior 0,75; diâmetros: OMA 0,32, OLA 0,30, OMP 0,20, OLP
0,27; interdistâncias: OMA-OMA 0,20, OMA-OLA 0,22, OMP-OMP 0,35, OMP-OLP
0,50, OLA-OLP 0,10. Quelíceras: comprimento 2,70; retromargem com 4 dentes iguais;
promargem com 4, segundo maior.
Esterno: comprimento 2,55, largura 2,20. Abdômen: comprimento 7,10, largura
4,60. FLP: artículo proximal, comprimento 0,62; artículo distal, comprimento 0,85.
Pernas: comprimento relativo 1.II.IV.II; I - fêmur 6,10 / patela 2,30 / tíbia 5,60 /
metatarso 6,40 / tarso 2,50 / total 22,90; II - 6,00/2,30/5,40/6,10/2,30/22,10; III
- 5,20 / 1,90 / 4,00 / 4,80 / 2,00 / 17,90; IV - 6,10 / 2,00 / 5,10 / 6,30 / 2,20 / 21,70.
Espinulação: I- tíbia pl-1,r0-1; metatarso p0-1-0. I-- tíbia pl-1, r0-1; metatarso p0-1-0.
Palpo: comprimento da tibia maior que a metade do comprimento do cimbio;
apófise tibial retrolateral simples, única; apöfise média com prolongamento; êmbolo de
base amplamente fusionada ao tégulo e ápice lamelar, de orientação retrolateral (figs. 35
- 37).
Distribuição geográfica. Peru: San Martin (fig. 109).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 117
Eutichurus lizeri Mello-Leitão
(Figs. 38 - 42, 110)
Eutichurus lizeri MELLO-LEITÃO, 1938: 114, fig. 34, holótipo fêmea, Mendoza, Argentina, Lizer y Trelles
col. (MNRJ, examinado); 1941b: 176; ROEWER, 1954: 518; BONNET, 1956: 1845.
Eutichurus birabeni MELLO-LEITÃO, 1941b: 175, holótipo macho Cabana, Córdoba, Argentina, 1.1939, M.
Birabén col. (MLP 14935, examinado); ROEWER, 1954: 518; ARROZPIDE, 1986: 17. Syn. n.
Diagnose. Machos de Eutichurus lizeri diferem dos de E. pallatanga (fig. 34) pela
apófise tibial simples (fig. 40) e dos de E. yalen (fig. 27) pelo êmbolo com um processo
prolateral (fig. 39); diferem dos de E. cuzco (fig. 29) pela apófise média não esculpida,
de ápice bifurcado (figs. 38, 40); fêmeas diferem das de E. saylapampa (fig. 52), E.
valderramai (fig. 50) e E. arnoi (fig. 53) pelas placas posteriores fusionadas; diferem das
fêmeas das espécies com placas posteriores fusionadas, pelos lobos anteriores grandes e
pelo átrio estreito, mais longo que largo (fig. 41).
Descrição. Macho (Alto Padilha, Jujuy, Argentina). Carapaça amarelo-escura,
região cefálica mais escura; quelíceras, enditos e lábio castanho-avermelhados; esterno
amarelo, bordas escuras; pernas amarelas, metatarsos e tarsos castanhos; abdômen
amarelo.
Comprimento total 12,80. Carapaça: comprimento 5,70, largura 4,70; clípeo,
altura 0,22. Olhos: fila anterior 1,90, posterior 2,25; QOM: comprimento 0,65, largura
anterior 0,80, largura posterior 0,90; diâmetros: OMA 0,30, OLA 0,30, OMP 0,22, OLP
0,25; interdistâncias: OMA-OMA 0,27, OMA-OLA 0,32, OMP-OMP 0,40, OMP-OLP
0,60, OLA-OLP 0,15. Quelíceras: comprimento 2,75; retromargem com 3 dentes iguais;
promargem com 4, terceiro maior. Esterno: comprimento 3,00, largura 2,35. Abdômen:
comprimento 7,30, largura 4,30. FLP: artículo proximal, comprimento 0,80; artículo
distal, comprimento 1,20.
Pernas: comprimento relativo I.II.IV.II. I - fêmur 6,30 / patela 2,70 / tíbia 6,00 /
metatarso 6,80 / tarso 2,50 / total 24,30; II - 6,10 / 2,60 / 5,80 / 6,30 / 2,30 / 23,10; II -
5,10 / 2,30 / 4,00 / 4,90 / 1,90 / 18,20; TV - 6,30 / 2,40 / 5,20 / 6,20 / 2,10 / 22,20.
Espinulagäo: I - tíbia p0-0-1. II - tíbia p0-0-1.
Palpo: comprimento da tíbia cerca de um terço do comprimento do címbio; apófise
tibial simples, de ápice truncado, com um prolongamento retrodorsal; tégulo com um
prolongamento apical direcionado à bifurcação da apófise média; apófise média de base
alongada e prolongamento pequeno; êmbolo achatado, com processo prolateral mediano
(figs. 38-40).
Fêmea (holótipo). Coloração como no macho. Comprimento total 13,10. Carapa-
ça: comprimento 5,60, largura 4,40; clípeo, altura 0,20. Olhos: fila anterior 2,15,
posterior 2,50; QOM: comprimento 0,62, largura anterior 0,92, largura posterior 0,97;
diâmetros: OMA 0,35, OLA 0,27, OMP 0,22, OLP 0,27; interdistâncias: OMA-OMA
0,32, OMA-OLA 0,40, OMP-OMP 0,52, OMP-OLP 0,75, OLA-OLP 0,22. Quelíceras:
comprimento 3,20; retromargem com 4 dentes, segundo e terceiro maiores; promargem
como no macho. Esterno: comprimento 2,60, largura 2,20. Abdômen: comprimento
7,40, largura 4,70. FLP: artículo proximal, comprimento 0,85, artículo distal, compri-
mento 1,10.
Pernas: comprimento relativo I.IV.ILIII; I - fêmur 4,70 / patela 2,40 / tíbia 4,00 /
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
118 BONALDO
metatarso 4,80 / tarso 1,80 / total 17,70; II - 4,60 / 2,30 / 3,70 / 4,30 / 1,60 / 16,50; II -
3,30 / 2,007 2,607 3307/14107 1280: IV - 4,907 2307 3,80 7490716072230:
Espinulação: I-tibia p0-0-1,v1p-2-0. II-tibia v0-1p-0. IHI-tibia v1lp-1p-0. IV - tíbia
po-1, v1p-2-0.
Epígino: átrio estreito, mais longo que largo; lobos anteriores bem desenvolvidos;
placas posteriores fusionadas, com uma sutura mediana e de margem anterior angulosa
na linha da sutura; espermatecas com base e ápice pequenos, haste longa e sinuosa (figs.
41-42).
Variação. Comprimento: (10 machos) total 8,20 - 14,50; carapaça 4,40 - 6,10;
fêmur 14,20 - 6,40; (10 fêmeas) total 9,30 - 18,60; carapaça 4,40 - 7,20; fêmur I 3,40
- 5,80. A coloração da carapaça e das pernas varia do amarelo ao castanho-escuro.
Retromargem das quelíceras com 3 ou 4 dentes; promargem com 2 ou 3. O ápice da
apófise tibial varia de alongado e afilado à relativamente curto e truncado. Em algumas
fêmeas, as placas posteriores apresentam depressões paralelas à sutura; o ápice dos lobos
anteriores varia de truncado à arredondado.
Distribuição geográfica Bolívia: Chuquisaca; Argentina: Jujuy, Formosa, Salta,
Catamarca, Tucumán, La Rioja, Córdoba, San Luiz, Buenos Aires (fig. 110).
Material adicional. BOLÍVIA: Chuquisaca: Monteagudo (1600 m), 16, 192,21-24 XIL.1984,L. E.
Pena col. (AMNH); ARGENTINA. Jujuy: Tres Cruces (Caliegra, Ruta Provincial 83), 1 S', 29.1.1984, Lingua
col. (MACN); Yala, 292, X.1967, E. Maurí col. (MACN 6021); (Laguna), 3 9,5 jovens, 30.X1.1981, E. Maurí
col. (MACN); 5 9, 4 jovens, V.1983, Goloboff col. (MACN); 154,19, V.1983, Goloboff col. (MCN 22166, ex
MACN); Deon, 19, 1 jovem, M. Birabén col. (MLP 14906); Alto Padilha, 19,2 92, 1949, Prosen col. (MLP);
Banda de Los Perales, 19 , 1 jovem, M. Birabén col. (MLP); San Salvador de Jujuy, 1 9, 1.1966, E. Maurí col.
(MACN); (30 milhas ao sul), 1 9, 04.11.1951, Ross & Michelbacher col. (CAS); Formosa: Pilaga (Estancia
Guaymalen), 1 9, XI.1948, Martinez col. (MACN); Salta: Santa Maria, 1 2, VI.1947, Exc. A. G. Giai col.
(MACN 2252); Agueray, 1 9, 10. XII. 1946, M. Birabén col. (FMLT 333); El Rei (Parque Nacional El Rey);
19,1. 1981, Goloboff col. (MACN); 16 ,5-15.XI1.1987, S. & J. Peck col. (AMNH); Rosario de Lerma (Valle),
192, V.1939, J. B. Aguerre col. (MACN 33433); Rosario de La Frontera, 1 9, Vellard col. (FMLT 117);
Muraldol, 1 9, XI.1943, Golbach col. (FMLT 321); El Naranja, 1 4, 11.1944 (MLP); Talapampa, 1 9, 11.1949
(MACN); Catamarca: 1 9, 11.1958, M. E. Galiano col. (MACN); Cayajan (Los Angeles), 3 &, 11.1944, B.
Selaffer col. (MLP); Esquina Grande, 19, 1 jovem, 17.VII.1950, exc. Cranwell-Navás col. (MACN 3393); La
Vina, 1 9, 06.11.1986, Goloboff col. (MACN); (Entre La Vifia e La Cascata), 1 9, 7-11.1.1987, Goloboff-Samik
col. (MACN); La Brea (10km ao sul de Catamarca), 1 9, 28.1.1986, Goloboff-Samik col. (MACN); Tucumán:
Trancas (Tapia-Raco), 1 9, XI.1965, E. Bucher col. (FMLT 1281); San Miguel de Tucumán (Aconquija), 1 9,
18.VIII.1968, Wegraunt col. (FMLT); Taffi del Valle, 19, XI.1960, M. E. Galiano col. (MACN 5340); Horco
Molle, 1 3, 1 jovem, XI.1960, M. E. Galiano col. (MACN 5341); 29, 1 jovem, XI-XI[.1959, D. H. Lossis col.
(MACN); (Cerro San Javier), 1 9, 12. VII.1969, S. Tuck col. (FMLT 1354), 2 9, 11.1.1951, Ross &
Michelbacher col. (CAS); La Rioja: Aminogasta (Ascha), 19, 19, 1947, C. Freyre col. (MACN 2162,2181);
Professor Gomez, 1 9 (MACN 33431); Córdoba: El Sause, 1 2, 16.X.1970 (MACN); Santiago Temple, 1 9,
II.1943, exc. H. Bario - R. Mariglia col. (MACN 1238); Tanti, 1 S, XI.1967, Jorg col. (MACN); Argüelia, 29,
1 jovem, XI[.1943, J. A. de Carlo col. (MACN 1946); Busque Alegre, 1 4, 1 jovem, IX.1981, Goloboff col.
(MACN); Cabana, 1 6, 1 9, VII.1940, Birabén col. (MLP); Calamuchita, 1 9, XII.1940, J. M. Viana col.
(MACN); 19, XII.1941, J. M. Viana col. (MACN 1898-1899); Villa Nueva, 1 3, (MLP 14939); San Luiz:
Merlo, 2 9, 19, 1 jovem, XI.1985, Galiano-Miranda col. (MACN); Villa Elena, 3 9, 3 jovens, 10.X1.1982, E.
Maury col. (MACN); Buenos Aires: Caseros, 1 2, 03.X.1946, W. Patridge col. (MACN); 1 9, 03.XI1.1946
(MACN); 19, 1 9, X.1947, W. Patridge col. (MACN); 1 6, 11.X1.1947 (MACN 98); (Herbário), 1 9,
23.V TH. 1947, W. Patridge col. (MACN); (etiqueta com procedência ilegível), 1 2, H. O. Jadera col. (FMLT
320); (sem procedência), 25 (MLP); 1 5, (MLP 792). f
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 119
Eutichurus brescoviti sp. n.
(Figs. 43-45, 108)
Holótipo. Macho, Sasaima, Cundinamarca, Colômbia (MNRJ 263).
Etimologia. Homenagem ao aracnólogo Antônio Domingos Brescovit (MCN).
Diagnose. Machos de Eutichurus brescoviti diferem dos de E. abiseo (fig. 37) e E.
cuzco (fig. 31) pela apófise tibial curta, truncada e escavada (fig. 45); diferem dos de E.
valderramai (figs. 48, 49) pelo distinto processo embolar, prolateral, mediano, e ápice
do êmbolo afilando abruptamente a partir da metade distal (figs. 43, 44).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça escura, castanho-avermelhada; queliceras,
enditos e lábio castanho-escuros; esterno e pernas castanhos; abdômen amarelo.
Comprimento total 17,10. Carapaça: comprimento 8,30, largura 6,40; clípeo,
altura 0,30. Olhos: fila anterior 3,15, posterior 3,70; QOM: comprimento 0,90, largura
anterior 1,27, largura posterior 1,35; diâmetros: OMA 0,42, OLA 0,42, OMP 0,32,
OLP 0,37; interdistäncias: OMA-OMA 0,40, OMA-OLA 0,67, OMP-OMP 0,72, OMP-
OLP 1,07, OLA-OLP 0,22. Quelíceras: comprimento 5,00; retromargem com 3 dentes
grandes, iguais, separados; promargem com 3, segundo maior; fortemente geniculadas.
Esterno: comprimento 3,90, largura 3,20. Abdômen: comprimento 9,30, largura 6,50.
FLP: artículo proximal, comprimento 0,95; artículo distal, comprimento 1,80.
Pernas: comprimento relativo desconhecido. I - fêmur 7,10 /patela 3,50 /tíbia 6,60
/ metatarso 7,00 / tarso 2,80 / total 27,00; II- 6,60 / 3,20 / 6,00 / 6,50 / 2,60 / 24,90; III
- 5,80 / 2,90 / 4,50 / 5,10 / 2,20 / 20,50; IV - 6,80 / 3,00 / 5,80 / 6,90 / ? (perdido) / ?.
Espinulação: I- tíbia vlp-1p-0; metatarso v2-Ip-1. I - tíbia vlp-Ip-0. HI - tíbia rO-
1, v0-2-0; metatarso r0-1-2. IV - tíbia p0-1, vlp-2-0.
Palpo: comprimento da tíbia pouco menor que o comprimento do címbio; apófise
tibial retrolateral curta e escavada; tégulo esclerotinizado na região mediana; apófise
média de prolongamento com uma carena longitudinal mediana; êmbolo largo na base,
com processo prolateral mediano, escavado, e ápice afilado e achatado (figs. 43 - 45).
Distribuição geográfica. Colômbia: Cundinamarca (fig. 108).
Eutichurus tropicus (L. Koch)
(Figs. 46, 47, 108)
Cheiracanthium tropicum L. KOCH, 1866: 239, pr. X, fig. 155, sintipos, 2 fêmeas, Santa Fé de Bogotá,
Cundinamarca, Colômbia, BMNH (examinados); BERTKAU, 1870: 108; ROEWER, 1954:489; BONNET,
1956: 1063.
Eutichurus tropicus: BONALDO & BRESCOVIT, 1992: 738.
Diagnose. Fêmeas de Eutichurus tropicus (fig. 46) diferem das de E. lizeri (fig. 41)
pelas placas posteriores não fusionadas; diferem das de E. valderramai (fig. 50), E ferox
(fig. 21) e E. silvae (fig. 24) pelo átrio quadrangular, tão longo quanto largo e pelos lobos
anteriores truncados.
Descrição. Fêmea (síntipo). Carapaça castanho-avermelhado; quelíceras negras,
enditos e lábio castanho-avermelhados; esterno castanho-avermelhado, pernas amare-
las, tarsos e metatarsos castanho-avermelhados; abdômen amarelo.
Comprimento total 17,10. Carapaça: comprimento 8,80, largura 7,00; clípeo,
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
120 BONALDO
altura 0,25. Olhos: fila anterior 3,45, posterior, 4,00; QOM: comprimento 0,80, largura
anterior 1,05, largura posterior 1,35; diâmetros: OMA 0,45, OLA 0,35, OMP 0,30, OLP
0,35; interdistâncias: OMA-OMA 0,35, OMA-OLA 0,75, OMP-OMP 0,80, OMP-OLP
1,30, OLA-OLP 0,35. Quelíceras: comprimento 4,95; retromargem com 4 dentes iguais,
separados; promargem com 3, separados, segundo maior. Esterno: comprimento 4,00,
largura 3,10. Abdômen: comprimento 8,70, largura 6,80. FLP: artículo proximal, com-
primento 0,75; artículo distal, comprimento 0,80(?).
Pernas: comprimento relativo I.IV.IL.II; I - fêmur 6,70 / patela 3,60 / tíbia 5,80 /
metatarso 6,20 /tarso 2,70 /total 25,00; II - 6,60 / 3,50 / 5,60 / 5,90 / 2,60 / 24,20; HI
- 5,80 / 2,90 / 4,20 / 4,60 / 2,10 / 19,60; IV - 6,80 / 3,20 / 5,50 / 6,50 / 2,50 / 24,50.
Espinulação: I - tíbia v0-1p-0; metatarso v2-0-1. II - tíbia vO; metatarso v2-0-0. II -
tíbia p0-1, r0-1, vO-1p-0; IV - tíbia pO, r0-1, vO-1r-0.
Epígino: átrio amplo, quadrangular, côncavo; lobos anteriores truncados; placas
posteriores mais longas que largas, de margem anterior reta. Espermatecas com ductos
de fertilização largos, haste sinuosa e ápice pouco desenvolvido (figs. 46, 47).
Variação. Comprimento: (síntipo) total 15,80; carapaça 7,70; fêmur I 6,10.
Distribuição geográfica. Colômbia: Cundinamarca (fig. 108).
Eutichurus valderramai sp. n.
(Figs. 48-51, 109)
Holótipo. Macho, Vale de Medellín, Antíoquia, Colômbia, IX-X.1962, B. Schneble
col. (MCZ).
Etimologia. Homenagem ao Prof. Carlos Valderramai A., coletor dos parátipos.
Diagnose. Machos de Eutichurus valderramai diferem dos de E. silvae (fig. 23)
e E. cuzco (fig. 31) pela apófise tibial curta, truncada e escavada (fig. 49); diferem dos de
E. brescoviti (fig. 43) pelo êmbolo afilado, sem processo (fig. 48). Fêmeas diferem das
de outras espécies do gênero pelos lobos anteriores de ápice rugoso e fortemente
esclerotinizado (fig. 50).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça castanho-avermelhada, mais escura na
região ocular; quelíceras, enditos e lábio castanho-escuros; esterno castanho-avermelhado,
bordas castanho-escuras; pernas amarelo escuras; abdômen amarelo.
Comprimento total 15,10. Carapaça: comprimento 6,70, largura 5,40; clípeo,
altura 0,25. Olhos: fila anterior 1,30, posterior 2,90; QOM: comprimento 0,80, largura
anterior 1,22, largura posterior 1,20; diâmetros: OMA 0,45, OLA 0,40, OMP 0,35, OLP
0,37; interdistâncias: OMA-OMA 0,35, OMA-OLA 0,45, OMP-OMP 0,57, OMP-OLP
0,80, OLA-OLP 0,17. Quelíceras: comprimento 4,30; retromargem com 4 dentes
subiguais; promargem com 3, segundo maior. Esterno: comprimento 3,30, largura 2,70.
Abdômen: comprimento 8,40, largura 4,90. FLP: artículo proximal, comprimento 0,85;
artículo distal, comprimento 1,30.
Pernas: comprimento relativo I.IL.IV.II; I - fêmur 6,60 / patela 2,90 / tíbia 6,30 /
metatarso 7,20 / tarso 2,80 / total 25,80; II - 6,50 / 2,80 / 6,00 / 6,90 / 2,60 / 24,80; II -
5,90 / 2,40 / 4,40 / 5,30 / 2,10 / 19,70; IV - 6,70 / 2,70 / 5,50 / 7,00 / 2,40 / 24,30.
Espinulagäo: I - tíbia p0-0-1. II - tíbia p0-0-1.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 121
Palpo: comprimento da tíbia cerca de um terço do comprimento do címbio; apófise
tibial retrolateral curta, escavada; tégulo esclerotinizado na região mediana; apófise
média alongada, com prolongamento carenado; êmbolo delgado, sem processo (figs. 48,
49).
Fêmea (parátipo). Coloração como no macho. Comprimento total 13,40. Carapa-
ça: comprimento 6,00, largura 4,70; clípeo, altura 0,20. Olhos: fila anterior 1,15,
posterior 2,55; QOM: comprimento 0,65, largura anterior 1,05, largura posterior 1,05;
diâmetros: OMA 0,40, OLA 0,35, OMP 0,27, OLP 0,32; interdistâncias: OMA-OMA
0,30, OMA-OLA 0,37, OMP-OMP 0,50, OMP-OLP 0,65, OLA-OLP 0,15. Quelíceras:
comprimento 3,05; dentes como no macho. Esterno: comprimento 2,80, largura 2,55.
Abdômen: comprimento 8,20, largura 5,30. FLP: artículo proximal, comprimento 0,80,
artículo distal, comprimento 1,15.
Pernas: comprimento relativo I.I.IV.JI,; I - fêmur 5,80 / patela 2,90 / tíbia 5,00 /
metatarso 5,20 / tarso 2,20 / total 21,10; II - 5,60 / 2,90 / 4,70 / 5,00 / 2,10 / 20,30; III -
4,60 / 2,10 / 3,50 / 3,90 / 1,80 / 15,90; IV - 5,60 / 2,40 / 4,40 / 5,40 / 1,90 / 19,70.
Espinulação: I - tíbia v0-1p-0; metatarso v2-0-1. II - tíbia vO; metatarso v2-0-1. III -
tíbia vO. IV - tíbia pO-1, v0-2-0.
Epígino: átrio liso, mais longo que largo; lobos anteriores grandes, de ápice
esclerotinizado; placas posteriores separadas, escavadas, de margem anterior reta;
espermatecas de base reduzida e ápice desenvolvido, sobreposto à base (figs. 50, 51).
Variação. Comprimento: (3 machos) total 12,10 - 15,10; carapaça 6,10 - 6,70;
fêmur I 6,60 - 6,70; (2 fêmeas) total 13,40 - 14,60; carapaça 6,00 - 6,70; fêmur I 5,80
- 6,50.
Distribuição geográfica. Colômbia: Antioquia, Narino (fig. 109).
Material-tipo. Parátipos: COLÔMBIA. Narino: Ricaute (Reserva Nacional La Planada) (1750 m), 19,
29.11.1991, C. Valderrama A. col. (CLP); 19, 29.11.1991, C. Valderrama A. col. (CLP); 15, (em construções,
1750 m), 29.11.1991, C. Valderrama A. col. (MCN 24101); 1 9, (em construções, 1850m), 27.X1.1991, C.
Valderrama A. col. (MCN 24102).
Eutichurus saylapampa sp. n.
(Figs. 52, 110)
Holótipo. Fêmea, Paucartambo (Saylapampa) (3.800 m) (13° 25"S, 75° 40"0)
Cuzco, Peru, 23.1X.1987, D. Silva D. col. (MUSM).
Etimologia. O nome específico é um substantivo referente à localidade-tipo.
Diagnose. Fêmeas de Eutichurus saylapampa (fig. 52) diferem das de E. lizeri (fig.
41) pelas placas posteriores não fusionadas; diferem das de E. ferox (fig. 21), E. silvae
(fig. 24) e E. arnoi (fig. 53) pelos lobos anteriores afilados, de ápice agudo.
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça amarelo-escura, região ocular castanha;
quelíceras, enditos e lábio castanho-escuros; esterno e pernas amarelos, metatarsos e
tarsos castanho claros; abdômen amarelo-acinzentado.
Comprimento total 12,60. Carapaça: comprimento 5,50, largura 4,30; clípeo,
altura 0,17. Olhos: fila anterior 1,85, posterior 2,25; QOM: comprimento 0,60, largura
anterior 0,77, largura posterior 0,87; diâmetros: OMA 0,27, OLA 0,27, OMP 0,22, OLP
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
22 BONALDO
0,22: interdistâncias: OMA-OMA 0,32, OMA-OLA 0,35, OMP-OMP 0,42, OMP-OLP
0,62, OLA-OLP 0,17. Quelíceras: comprimento 2,70; retromargem com 3 dentes subiguais,
contíguos; promargem com 3, segundo maior. Esterno: comprimento 2,85, largura 2,20.
Abdômen: comprimento 6,90, largura 4,90. FLP: artículo proximal, comprimento 0,50;
artículo distal retraído.
Pernas: comprimento relativo IV.LII.II; I - fêmur 4,50 / patela 2,30 / tíbia 3,90 /
metatarso 4,10 / tarso 1,90 / total 16,70; II - 4,20 / 2,30 / 3,60 / 3,80 / 1,80 /15,70; HI -
3,90 /2,00/2,80/3,10/ 1,40 / 13,20; IV -4,70/2,30/4,00/4,70/1,70/17,40. Espinulação:
I - tíbia vlp-2-0. II - tíbia v0-1p-0. HI - tíbia v1p-2-0. IV - tíbia p0-1, v1p-2-0.
Epígino: átrio liso, subpentagonal; lobos anteriores grandes, de ápice agudo;
placas posteriores escavadas (fig. 52).
Distribuição Geográfica. Peru: Cuzco (fig. 110).
Eutichurus arnoi sp. n.
(Figs. 53, 108)
Holótipo. Fêmea, San Piedro de La Serra (2.300 m), Sierra Nevada de Santa Marta,
Santa Marta, Colômbia, XI.1974-1.1975, C.W.D. Gibson & R.J. Robins col. (MCZ
H5113).
Etimologia. Homenagem ao Prof. Dr. Amo Antonio Lise, pesquisador da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Diagnose. Fêmeas de Eutichurus arnoi (fig. 53) diferem das de E. lizeri (fig. 41)
pelas placas posteriores não fusionadas; das de E. saylapampa (fig. 52) e E. valderramai
(fig. 50) pelos lobos anteriores arredondados, de ápice liso e átrio subtriangular, proemi-
nente entre os lobos anteriores.
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça castanho-avermelhada; quelíceras casta-
nho-escuras; enditos e lábio castanho-avermelhados; esterno amarelo-escuro, bordas
castanhas; pernas amarelo-escuras; abdômen amarelo-acinzentado.
Comprimento total 15,60. Carapaça: comprimento 6,80, largura 5,30; clípeo,
altura 0,27. Olhos: fila anterior 2,55, posterior 2,90; QOM: comprimento 0,62, largura
anterior 1,05, largura posterior 1,12; diâmetros: OMA 0,40, OLA 0,40, OMP 0,30, OLP
0,35; interdistâncias: OMA-OMA 0,35, OMA-OLA 0,52, OMP-OMP 0,60, OMP-OLP
0,77, OLA-OLP 0,17. Quelíceras: comprimento 3,35; retromargem com 3 dentes iguais,
contíguos; promargem com 3, segundo maior. Esterno: comprimento 3,15, largura 2,70.
Abdômen: comprimento 9,10, largura 5,90. FLP: artículo proximal, comprimento 0,65;
artículo distal, comprimento 0,85.
Pernas: comprimento relativo I.II.IV.II; I - fêmur 5,70 / patela 2,70 / tíbia 5,10 /
metatarso 5,50 / tarso 2,10 / total 21,10; II - 5,40 / 2,70 / 4,70 / 5,00 / 2,00 / 19,80; IH -
4,60 / 2,30 / 3,40 / 3,90 / 1,70 / 15,90; IV - 5,50 / 2,50 / 4,50 / 5,10 / 1,80 / 19,40.
Espinulação: I- tíbia v0-1p-0; metatarso v2-0-1. II - tíbia vO; metatarso v2-1p-1. IH
- tíbia v0-1p-0. IV - tíbia p0-1, v0-2-0. É
Epígino: átrio subtriangular, com uma proeminência longitudinal mediana; lobos
anteriores grandes, subcirculares; placas posteriores não fusionadas, de margem anterior
oblíqua (fig. 53).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 123
Distribuição geográfica. Colômbia: Santa Marta (fig. 110).
Eutichurus zarate sp. n.
(Figs. 54, 55, 109)
Holótipo. Fêmea. Bosque de Zarate (Gigantón) (2860 m), Lima, Peru, 20.1V.1980,
I. Franke col. (MUSM VF5093).
Etimologia. O nome específico é um substantivo em referência à localidade-tipo.
Diagnose. Fêmeas de Eutichurus zarate (fig. 54) diferem das outras espécies do
gênero pelos lobos anteriores escavados na margem interna, de ápice digitiforme, e pelas
placas posteriores constritas lateralmente.
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça amarela, região cefálica castanha; quelíceras
e enditos castanhos; lábio castanho, mais claro no terço distal; esterno amarelo-claro,
bordas mais escuras; pernas e abdômen amarelos.
Comprimento total 10,80. Carapaça: comprimento 5,10, largura 3,90; clípeo,
altura 0,17. Olhos: fila anterior 1,60, posterior 1,92; QOM: comprimento 0,45, largura
anterior 0,67, largura posterior 0,72; diâmetros: OMA 0,25, OLA 0,25, OMP 0,20, OLP
0,22; interdistâncias: OMA-OMA 0,25, OMA-OLA 0,30, OMP-OMP 0,32, OMP-OLP
0,50, OLA-OLP 0,12. Quelíceras: comprimento 2,40; retromargem com 4 dentes,
primeiro menor; promargem com 3, segundo maior. Esterno: comprimento 2,50, largura
2,10. Abdômen: comprimento 6,20, largura 4,40. FLP: artículo proximal, comprimento
0,75; artículo distal, comprimento 0,80.
Pernas: comprimento relativo IV.L.I.II; I - fêmur 4,40 / patela 2,20 / tíbia 3,80 /
metatarso 3,90 / tarso 1,80 / total 16,10; II - 4,10 / 2,20 / 3,40 / 3,70 / 1,50 / 14,90; II -
3,60 / 1,70 / 2,70 / 3,00 / 1,40 / 12,40; TV - 4,80 / 2,00 / 3,80 / 4,60 / 1,70 / 16,90. Espinulacäo:
I- tíbia vlp-2-0. II- tíbia vO-1p-0. HI - tíbia vlp-2-0. IV - tíbia vlp-2-0.
Epigino: ätrio mais longo que largo, subpentagonal; lobos anteriores bem desen-
volvidos, com escavação mediana e ápice digitiforme; placas posteriores não fusionadas,
constritas lateralmente; espermatecas compactas, de haste e ápice reduzidos (figs. 54,55).
Variação. Comprimento: (parátipo) total 11,50; carapaça 5,50; fêmur I 4,70.
Distribuição geográfica. Peru: Lima (fig. 109).
Material-tipo. Parátipo: PERU. Lima: Bosque de Zarate (Gaturo) (2890m), 19 ,27.V11.1980, I. Franke
col. (MCN 22183, ex MUSM).
Eutichurus furcifer Kraus
(Figs. 56-61, 108)
Eutichurus furcifer KRAUS, 1955: 43, figs. 105-107, holótipo macho SMF 8667, Vulcan San Vicente, Finca
(El Carmen) (1300 m. alt.), El Salvador, 30.VII.1952, Schuster col. (examinado); BRIGNOLI, 1983: 542.
Diagnose. Machos de Eutichurus furcifer diferem dos de outras espécies de
Eutichurus pela apófise tibial retrolateral tubercular, com uma pequena projeção apical
(figs. 56, 57); fêmeas diferem das de E. ravidus (fig. 68) e E. itamaraju (fig. 73) por
apresentarem escavações laterais na face posterior das placas posteriores (figs. 59, 60).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça amarelo-escura, região cefálica castanha;
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
124 BONALDO
quelíceras, enditos e lábio castanho-escuros; esterno amarelo, bordas castanhas; pernas
amarelo-claras, tarsos e metatarsos mais escuros; abdômen amarelo-claro.
Comprimento total 12,50. Carapaça: comprimento 5,90, largura 4,40; clípeo, altura
0,20. Olhos: fila anterior 2,30, posterior, 2,50; QOM: comprimento 0,57, largura anterior
1,02, largura posterior 1,05; diâmetros: OMA 0,42, OLA 0,42, OMP 0,30, OLP 0,32;
interdistâncias: OMA-OMA 0,30, OMA-OLA 0,40, OMP-OMP 0,45, OMP-OLP 0,65,
OLA-OLP 0,10. Quelíceras: comprimento 3,10; retromargem com 4 dentes subiguais;
promargem com 4, terceiro maior, unido na base ao segundo. Esterno: comprimento 2,85,
.Fllargura 2,40. Abdômen: comprimento 7,10, largura 3,70. FLP: artículo proximal,
comprimento 0,75; artículo distal, comprimento 2,00.
Pernas: comprimento relativo I.IV.II.HI; I - fêmur 6,50 / patela 2,55 / tíbia 6,30 /
metatarso 7,50 / tarso 2,60 / total 25,45; II - 6,10 / 2,40 / 5,80 / 6,60 / 2,30 / 23,20; WI -
5,20 / 2,10 / 3,90 / 4,80 / 1,95 / 17,95; IV - 6,40 / 2,30 / 5,80 / 6,80 / 2,35 / 23,65.
Espinulação: I- tíbia vlp-2-lp. II- tíbia v0-2-0. III - tíbia vO. IV - tíbia vO-2-0.
Palpo: comprimento da tíbia cerca da metade do comprimento do címbio; apófise
tibial retrolateral tubercular; apófise média sem prolongamento; êmbolo achatado, com
um processo laminar prolateral subapical (figs. 56 - 58).
Fêmea (San José, Costa Rica). Coloração como no macho. Comprimento total
13,20. Carapaça: comprimento 5,60, largura 4,50; clípeo, altura 0,15. Olhos: fila anterior
2,52, posterior 2,75; QOM: comprimento 0,75, largura anterior 1,02, largura posterior
1,079); diâmetros: OMA 0,37, OLA 0,35, OMP 0,27, OLP 0,27; interdistäncias: OMA-
OMA 0,37, OMA-OLA 0,47, OMP-OMP 0,60(?) (OMP esquerdo teratolögico), OMP-
OLP 0,70, OLA-OLP 0,15. Quelíceras: comprimento 3,05; dentes como no macho.
Esterno: comprimento 2,70, largura 2,45. Abdômen: comprimento 8,10, largura 5,30.
FLP: artículo proximal, comprimento 0,85, artículo distal, comprimento 2,10.
Pernas: comprimento relativo 1.IV.IL.II; I - fêmur 5,00 / patela 2,30 / tíbia 4,50 /
metatarso 5,00 / tarso 1,85 / total 18,65; 11- 4,75 / 2,35 / 4,00 /4,70/1,75/ 17,55; HI -
3,95 / 2,00 / 2,90 / 3,45 / 1,50 / 13,80; IV - 4,85 / 2,15 / 4,00 / 5,05 / 1,75 / 17,80.
Espinulagäo: I- tíbia vlp-1p-0; metatarso v2-1p-1.II-tibia vO; metatarso v2-lp-1. IH
- tíbia p0-1, r0, vO; metatarso r0-1-2, v2-1p-1. IV - tíbia pO-1, r0-1, vO; metatarso p0-1-
2, 10-1-2.
Epígino: átrio liso, tão longo quanto largo; lobos anteriores reduzidos; placas
posteriores não fusionadas, com escavação lateral na face posterior; espermatecas com
base desenvolvida, rugosa, haste larga na região basal e ápice globular (figs. 59 - 61).
Variação. Comprimento: (1 macho) total 9,50; carapaça 4,15; fêmur I 4,40.
Distribuição geográfica.El Salvador: San Vicente; Costa Rica: Provincia de San
José (fig. 108).
Material adicional. COSTA RICA: San José: San Antonio de Escazu (1300m. alt.), 19,19, 1 jovem,
11.1981, W. Eberhard col. (MCZ).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 125
Eutichurus ibiuna sp. n.
(Figs. 62-64, 110)
Holótipo. Macho, Ibiúna (29°39' 20"S, 47º 13' 32"0), São Paulo, Brasil, [V.1975,
J. Talarico col. (IBSP 2750/16268).
Etimologia. O nome específico é um substantivo referente à localidade-tipo.
Diagnose. Machos de Eutichurus ibiuna diferem dos de E. luridus (figs. 75, 76) pela
apófise tibial retrolateral simples, (figs. 62, 64); diferem das outras espécies com apófise
tibial simples pelo êmbolo com um processo retrolateral subapical (fig. 63).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça amarelo-escura; quelíceras, enditos e lábio
castanhos; esterno amarelo; pernas amarelas, com os tarsos e terço distal dos metatarsos
escurecidos; abdômen acinzentado.
Comprimento total 11,05. Carapaça: comprimento 5,05, largura 3,85; clípeo, altura
0,15. Olhos: fila anterior 2,05, posterior, 2,25; QOM: comprimento 0,60, largura anterior
0,90, largura posterior 0,95; diâmetros: OMA 0,35, OLA 0,30, OMP 0,22, OLP 0,25;
interdistäncias: OMA-OMA 0,27, OMA-OLA 0,37, OMP-OMP 0,47, OMP-OLP 0,55,
OLA-OLP 0,05. Quelíceras: comprimento 3,10; retromargem com 3 dentes iguais,
separados; promargem com 4, terceiro maior. Esterno: comprimento 2,55, largura 1,95.
Abdômen: comprimento 6,00, largura 3,00. FLP: artículo proximal, comprimento 0,70;
artículo distal, comprimento 1,30.
Pernas: comprimento total I.II=IV.III; I - fêmur 4,90 / patela 2,20 / tíbia 4,60 /
metatarso 5,10 / tarso 2,10 / total 18,90; II - 4,80 / 2,10 / 4,20 / 4,70 / 1,90 / 17,70; III -
4,10 / 1,80 / 3,10 / 3,70 / 1,60 / 14,30; IV - 5,00 / 1,90 / 4,00 / 4,90 / 1,90 / 17,70.
Espinulação: I - tíbia p0-0-1; metatarso p0-0-1.
Palpo: tíbia tão longa quanto o címbio; apófise tibial retrolateral simples, de ápice
rombo; apófise média sem prolongamento; êmbolo com um pequeno processo retrolateral
subapical (figs. 62 - 64).
Distribuição geográfica. Brasil: São Paulo (fig. 110).
Eutichurus ravidus Simon
(Figs. 12, 18, 65-69, 110)
Eutichurus ravidus SIMON, 1896: 501, síntipos 3 machos, 1 fêmea, 1 jovem, MNHN 6958, Tijuca, Rio de
Janeiro, Brasil (examinados, presente designação de lectótipo macho e paralectótipos 2 machos, 1 fêmea,
1 jovem); 1897: 84; PETRUNKEVITCH, 1911: 482; MELLO-LEITÃO, 1926: 4, fig. 1; ROEWER, 1954:
521; BONNET, 1956: 1846.
Philisca pallida MELLO-LEITÃO, 1943: 219-220, fig. 46, holótipo jovem, MNRJ 42240, Rio Grande do Sul,
Brasil, B. Rambo col. (examinado); ROEWER, 1954: 521. Syn. n.
Diagnose. Machos de Eutichurus ravidus diferem dos de E. itamaraju (figs. 70,72)
pelo ramo dorsal da apófise tibial retrolateral alargado, pelo processo embolar de ápice
agudo e pela ponta do êmbolo orientada apicalmente (figs. 65, 67); fêmeas diferem das
de E. itamaraju (fig. 73) pelo átrio amplo, tão longo quanto largo e placas posteriores
arqueadas, com a margem anterior em forma de “U” (fig. 68).
Descrição. Macho (lectótipo). Carapaça amarela; quelíceras castanho-escuras;
enditos e lábio castanho-claros; esterno e pernas amarelos; abdômen amarelo-
esbranquiçado.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
126 BONALDO
Comprimento total 11,70. Carapaça: comprimento 5,25, largura 3,65; clipeo, altura
0,12. Olhos: fila anterior 1,90, posterior, 2,05; QOM: comprimento 0,70, largura anterior
0,90, largura posterior 1,00; diâmetros: OMA 0,32, OLA 0,30, OMP 0,27, OLP 0,30;
interdistäncias: OMA-OMA 0,30, OMA-OLA 0,30, OMP-OMP 0,48, OMP-OLP 0,42,
OLA-OLP 0,07. Quelíceras: comprimento 2,35; retromargem com 4 dentes iguais;
promargem com 4 dentes, terceiro maior. Esterno: comprimento 2,35, largura 1,95.
Abdômen: comprimento 6,60, largura 3,30. FLP: artículo proximal, comprimento 1,07;
artículo distal, comprimento 1,95.
Pernas: comprimento relativo LII.IV.III; I - fêmur 6,30 / patela 2,20 / tíbia 5,90 /
metatarso 7,00 / tarso 2,25 / total 23,65; II - 5,90 / 2,20 / 5,75 / 6,60 / 2,10 / 22,55; HI -
5,15 / 1,85 / 3,95 / 4,85 / 1,80 / 17,60; IV - 6,10 / 2,05 / 5,10 / 6,70 / 2,10 / 22,05.
Espinulação: I- tíbia p0-0-1, v2-2-1p. II - tíbia p0-1, v2-2-1p; metatarso p1-0, v2-1p-
1. HI - tíbia vlp-2-2.
Palpo: comprimento da tíbia pouco maior que o comprimemto do címbio; apófise
tibial retrolateral bífida, fendida próximo à base, ramo ventral de ápice agudo, ramo dorsal
de ápice arredondado; apófise média sem prolongamento; êmbolo achatado, com um
processo prolateral subapical, ligado ao ápice por uma pars pendula (figs. 12,65-67).
Fêmea (paralectótipo). Coloração como no macho. Comprimento total 13,20.
Carapaça: comprimento 5,25, largura 4,05; clípeo, altura 0,15. Olhos: fila anterior 2,35,
posterior 2,70; QOM: comprimento 0,70, largura anterior 0,95, largura posterior 1,05;
diâmetros: OMA 0,32, OLA 0,32, OMP 0,27, OLP 0,30; interdistâncias: OMA-OMA
0,32, OMA-OLA 0,40, OMP-OMP 0,57, OMP-OLP 0,55, OLA-OLP 0,10. Quelíceras:
comprimento 2,70; dentes como no macho. Esterno: comprimento 2,50, largura 2,05.
Abdômen: comprimento 8,00, largura 5,00. FLP: artículo proximal, comprimento 0,95,
artículo distal, comprimento 2,25.
Pernas: comprimento relativo L.ILIV.III; I - fêmur 4,85 / patela 2,25 / tíbia 4,24 /
metatarso 4,95 / tarso 1,65 / total 17,95; II - 4,95 / 2,20 / 4,15 / 4,65 / 1,50 / 17,45; II
- 3,95 / 1,80 / 2,80 / 3,30 / 1,35 / 13,20; IV - 4,75 / 1,95 / 3,85 / 5,05 / 1,60 / 17,20.
Espinulagäo: I - tíbia v0-1p-0; metatarso v2-1p-1. II - tíbia v0-1p-0; metatarso v2-Ip-
1. III - tíbia r0-1, v0-1p-0; IV - tíbia p0-1, vO-2-0.
Epígino: átrio grande, liso, tão longo quanto largo; lobos anteriores reduzidos,
placas posteriores arqueadas, não fusionadas; espermatecas de base mais desenvolvida
que o ápice, haste larga na região basal (figs. 18, 68, 69).
Variação. Comprimento: (10 machos) total 9,80 - 12,40; carapaça 4,40 - 5,45; fêmur
15,60 - 6,40; (10 fêmeas) total 11,30 - 16,30; carapaça 5,35 - 6,30; fêmur 1 4,75 - 5,50.
Retromargem das quelíceras com 4 ou 5 dentes. Em algumas fêmeas, o ápice dos lobos
anteriores do epígino apresenta-se esclerotinizado..
Distribuição geográfica. Brasil: Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Rio
Grande do Sul. Paraguai: San Bernardino. Argentina: Missiones (fig. 110).
Material adicional. BRASIL. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, 1 2, M. Rosa col. (MNRJ 58436); 19,
X11.1986, R. Baptista col. (CRB 1411); Mangaratiba (Ilha Grande), 1 S, XI[.1985,R. Baptista col. (CRB 1119);
Minas Gerais: Caxambu, 19 (MNRJ); São Paulo: Rio Claro, 19, XII.1942, Pe. F.S. Pereiracol. (MZSP 10776);
Amparo (Monte Alegre, Fazenda Santa Maria), 1S 19, 18-19.XI1.1942, B. Soares col. (MZSP 11800); Botucatu
(Fazenda Edgardia), 1 9, 01.X11.1987, LM.P. Rinaldi & L. C. Forti col. (UEBS 854); Mairiporã, 1 5, X1.1989,
L. Borimecico col. (IBSP 4768); São Paulo, 1 2, X.1983, L.S.D. Ferreira col. (IBSP 3758); Barueri, 1 6,
10.1X.1960, K. Lenko col. (MZSP 10726); São Bernardo do Campo, 1 9, 20.X11.1927, R. Spitz col. (MZSP
11090); Rubião Júnior, 1 2, 14.XII.1966, J. C. de Jesus col. (MZSP 11799); Santo Antônio da Posse (Ressaca),
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 11227]
19, 1948, Canera col. (MZSP 2969); Rio Grande do Sul: Canela, 19, 1 jovem, 03.VIII.1965, A. A. Lise col.
(MCN 0008); Novo Hamburgo; 1 9, 1 jovem, 27.VII.1982, C.J. Becker col. (MCN 11072); 1 9, 10.1X.1982,
C. J. Becker col. (MCN 10940); São Leopoldo, 1 4, 17.1X.1982, C.J. Becker col. (MCN 10964); Montenegro,
19,19, 29.IX.1977, A. A. Lise col. (MCN 6636); 1 5, 03.1X.1977, H. Bischoff col. (MCN 7190); Triunfo, 1
9,20.X.1977, A. A. Lise col. (MCN 6959); 1 9, 24.X.1989, M.A.L. Marques col. (MCN 18828); PARAGUAI.
San Bernardino: 19, 2 jovens, VII-IX.1908, Fiebreg col. (NHMW, Sammlung Reimoser); ARGENTINA.
Missiones: Eldorado, 1 9, 01.IX-15.X1.1964, A. Kovacs col. (AMNH); Manuel Belgrano, 1 9, X1.1954
(MACN); Refúgio Pinalito, 1 9, X1.1954 (MACN); Santa Maria, 1 9, X1.1954 (MACN).
Eutichurus itamaraju sp. n.
(Figs. 70-74, 109)
Holótipo. Macho, Fazenda Nossa Senhora das Neves, Itamaraju, Bahia, Brasil,
07.VII.1978, J.S. Santos col. (MCN 10649).
Etimologia. O nome específico é um substantivo em referência à localidade-tipo.
Diagnose. Machos de Eutichurus itamaraju diferem dos de E. ravidus (figs. 65,67)
pelo ramo dorsal da apófise tibial retrolateral pouco alargado, pelo processo embolar de
ápice arredondado e pela ponta do êmbolo orientada prolateralmente (figs. 70,72); fêmeas
diferem das de E. ravidus (fig. 68) pelo átrio menor, mais longo que largo e placas
posteriores obliquas, com margens internas em forma de “V” (fig. 73).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça amarela; quelíceras castanhas; enditos,
lábio e esterno castanho-claros; pernas amarelas; abdômen amarelo-claro.
Comprimento total 9,40. Carapaça: comprimento 4,50, largura 3,35; clípeo, altura
0,10. Olhos: fila anterior 1,75, posterior, 1,85; QOM: comprimento 0,57, largura anterior
0,85, largura posterior 0,92; diâmetros: OMA 0,32, OLA 0,30, OMP 0,27, OLP 0,27;
interdistâncias: OMA-OMA 0,25, OMA-OLA 0,25, OMP-OMP 0,37, OMP-OLP 0,37,
OLA-OLP 0,07. Quelíceras: comprimento 1,85; retromargem com 4 dentes iguais,
subcontíguos; promargem com 4, terceiro maior. Esterno: comprimento 2,05, largura
1,70. Abdômen: comprimento 4,85, largura 2,80. FLP: artículo proximal, comprimento
0,60; artículo distal, comprimento 1,15.
Pernas: comprimento relativo I.IL.IV.III; I - fêmur 5,60 / patela 2,00 / tíbia 5,60 /
metatarso 6,20 / tarso 1,90 / total 21,30; II - 5,60 / 1,90 / 5,30 / 6,10 / 1,90 / 20,80; III -
4,50 / 1,60 / 3,70 / 4,70 / 1,60 / 16,10; IV - 5,50 / 1,90 / 4,70 / 6,50 / 1,90 / 20,50.
Espinulação: I - tíbia p0-0-1. II - tíbia pl-1; metatarso p0-1-0. III - tíbia vlp-2-2.
Palpo: comprimento da tíbia pouco maior que o comprimento do címbio; apófise
tibial retrolateral bífida, fendida próximo à base, ramo ventral de ápice agudo, ramo dorsal
de ápice pouco alargado; apófise média sem prolongamento; êmbolo achatado, com um
processo prolateral subapical, ligado ao ápice por uma pars pendula (figs. 70 - 72).
Fêmea (parátipo). Coloração como no macho, exceto peças bucais castanho-
escuras. Comprimento total 13,20. Carapaça: comprimento 5,70, largura 4,20; clípeo,
altura 0,15. Olhos: fila anterior 2,50, posterior 2,70; QOM: comprimento 0,82, largura
anterior 1,10, largura posterior 1,22; diâmetros: OMA ,40, OLA 0,30, OMP 0,30, OLP
0,35; interdistâncias: OMA-OMA 0,37, OMA-OLA 0,47, OMP-OMP 0,62, OMP-OLP
0,67, OLA-OLP 0,20. Quelíceras: comprimento 3,20; dentes como no macho. Esterno:
comprimento 2,75, largura 2,30. Abdômen: comprimento 7,60, largura 4,70. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,95, artículo distal, comprimento 2,12.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
128 BONALDO
Pernas: comprimento relativo L.ILIV.III; I - fêmur 5,20 / patela 2,30 / tíbia 4,70 /
metatarso 5,20 / tarso 1,70 / total 19,10; II - 5,10/2,30/4,50/5,10/1,70/18,70; HI
- 4,10 / 1,90 / 3,10 / 3,70 / 1,50 / 14,30; IV - 5,10 / 2,10 / 4,10 / 5,40 / 1,70 / 18,40.
Espinulagäo: I - tíbia vlp-1p-0; metatarso v2-1p-1. II - tíbia vO-1p-0; metatarso v2-1p-
1. II - tíbia pl-1-1, vO-1p-0; IV - tíbia p0-1, v1-1-0.
Epígino: átrio pequeno, liso, mais longo que largo; lobos anteriores reduzidos;
placas posteriores obliquas, não fusionadas; espermatecas de base tão desenvolvida
quanto o ápice, ductos de fertilização longos e curvos (figs. 73, 74).
Variação. Comprimento: (5 machos) total 12,60 - 9,40; carapaça 4,40 - 5,00; fêmur
15,60 - 6,20; (3 fêmeas) total 13,20 - 10,50; carapaça 5,70 - 6,20; fêmur I 5,10 - 5,70.
Retromargem das quelíceras com 4 ou 5 dentes; promargem de 4 a 6.
Distribuição geográfica. Brasil: Bahia, Espírito Santo (fig. 109).
Material-tipo. Parátipos: BRASIL. Bahia: Porto Seguro (Fazenda São José), 2S , 28.X1.1970 (MNRJ);
Mucurí (Fazenda Martinica), 1 2, 12.X.1970 (MNRJ); (Fazenda Goiarema), 1 S, 14.1V.1979, A. C. Niella col.
(MCN 10128).
Material adicional: BRASIL. Bahia: Itamaraju, 1 S (MNRJ); Espírito Santo: Rio São José, 1 9,
13.1X.1942, B. Soares col. (MZSP 11687); Cariacica (Duas Bocas), 1 2, R. & A. Baptista col. (CRB 2658).
Eutichurus luridus Simon
(Figs. 75-78, 109)
Eutichurus luridus SIMON, 1896: 501. Síntipos 1 macho, 2 fêmeas, MNHN 6104, “Le Pará” (Belém do Pará),
Brasil (examinado, presente designação de lectótipo macho e paralectótipos 2 fêmeas); 1897: 84;
PETRUNKEVITCH, 1911: 482; ROEWER, 1954: 519; BONNET, 1956: 1845.
Diagnose. Machos de Eutichurus luridus diferem dos de E. ibiuna (fig. 64) pela
apófise tibial retrolateral bífida; dos de E. ravidus (figs. 65, 67) e E. itamaraju (figs. 70,
72) pelo ramo dorsal da apófise tibial reduzido e êmbolo simples, sem processo (figs. 75,
76); fêmeas diferem das de E. ravidus (fig. 68) e E. itamaraju (fig. 73) pelos lobos
anteriores projetados sobre as placas posteriores e átrio triangular, muito reduzido.
Separam-se das de E. madre (fig. 79) pelos lobos anteriores alongados e afilados. (fig. 77).
Descrição. Macho (lectótipo). Carapaça, quelíceras, enditos, lábio, esterno e pernas
amarelos; abdômen esbranquiçado.
Comprimento total 6,50. Carapaça: comprimento 2,35, largura 1,85; clípeo, altura
0,07. Olhos: fila anterior 0,95, posterior, 1,00; QOM: comprimento 0,45, largura
anterior 0,52, largura posterior 0,52; diâmetros: OMA 0,22, OLA 0,22, OMP 0,15, OLP
0,15; interdistâncias: OMA-OMA 0,17, OMA-OLA 0,12, OMP-OMP 0,22, OMP-OLP
0,20, OLA-OLP 0,05. Quelíceras: comprimento 1,22; retromargem com 4 dentes iguais;
promargem com 4, terceiro maior. Esterno: comprimento 1,32, largura 1,12. Abdômen:
comprimento 3,95, largura 1,85. FLP: artículo proximal, comprimento 0,44; artículo
distal, comprimento 0,92.
Pernas: comprimento relativo LII.IV.HI; I - fêmur 3,70 / patela 1,10 / tíbia 3,65 /
metatarso 4,00 / tarso 1,30 / total 13,75; II - 3,60 / 1,10 / 3,45 / 3,75 / 1,20 / 13,10; HI -
2,95 / 0,95 / 2,30 / 2,60%. 1,0511985: IV. = 3,607 /1120597. 310574 21.0722 OBA
Espinulação: I - tíbia p0-1; metatarso v2-2-1p. II - metatarso v2-2-1p. HI - tíbia vlp-
2-2. IV - tíbia vlp-2-2.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 129
Palpo: comprimento da tíbia pouco maior que a metade do comprimento do
címbio; apófise tibial retrolateral bífida, fendida próximo à base, ramo ventral longo,
ramo dorsal curto, de ápice agudo; apófise média sem prolongamento; êmbolo simples,
cônico, sem processo (figs. 75, 76).
Fêmea (paralectótipo). Carapaça amarela, levemente escurecida na região cefálica;
quelíceras, enditos e lábio castanhos; esterno amarelo, bordas castanhas; pernas amare-
las; abdômen esbranquiçado.
Comprimento total 10,60. Carapaça: comprimento 4,20, largura 3,10; clípeo,
altura 0,07. Olhos: fila anterior 1,85, posterior 2,15; QOM: comprimento 0,52, largura
anterior 0,80, largura posterior 0,87; diâmetros: OMA 0,30, OLA 0,27, OMP 0,22, OLP
0,22; interdistâncias: OMA-OMA 0,25, OMA-OLA 0,27, OMP-OMP 0,40, OMP-OLP
0,44, OLA-OLP 0,10. Quelíceras: comprimento 2,05; retromargem como no macho,
promargem com 5 dentes, quarto maior. Esterno: comprimento 1,90, largura 1,60.
Abdômen: comprimento 6,50, largura 4,20. FLP: artículo proximal, comprimento 0,70,
artículo distal, comprimento 1,30.
Pernas: comprimento relativo I.IV.IL.III, I - fêmur 3,85 / patela 1,65 / tíbia 3,60 /
metatarso 4,05 / tarso 1,35 / total 14,50; II - 3,85 / 1,65 / 3,40 / 3,70 / 1,30 / 13,90; III -
3,10 / 1,45 / 2,50 / 3,40 / 1,10 / 11,55; IV - 3,90 / 1,55 / 3,30 / 4,10 / 1,35 / 14,20.
Espinulação: I - tíbia v1p-2-0; metatarso v2-1p-1. II - tíbia v0-1p-0; metatarso v2-Ip-1.
IH - tíbia v1p-1p-0. IV - tíbia vlp-1p-0.
Epígino: átrio muito reduzido, triangular; lobos anteriores laminares, pequenos,
projetados sobre as placas posteriores; placas posteriores grandes, bojudas, tão longas
quanto largas; espermatecas de base e ápice de igual tamanho, haste longa e sinuosa
(figs. 77, 78).
Variação. Comprimento: (1 macho) total: 8,60; carapaça 3,60; fêmur I 4,90; (4
fêmeas) total 9,00 - 10,60; carapaça 4,10 - 4,35; fêmur I 3,85 - 4,10. Retromargem e
promargem das quelíceras com 4 ou 5 dentes.
Distribuição geográfica. Peru; Brasil: Pará; Bolívia: Beni (fig. 109).
Material adicional. PERU: Avispas, 1 I, 20-30.1X.1962, L. Pefia col. (IRSN 23077). BRASIL. Pará:
Carajás (Mata do Pojuca), 1 9, 2 jovens, VII.1988, LC.F. Alvarenga col. (MNRJ); BOLIVIA. Beni: Vila
indígena Chacobo (Rio Benicito) (66º W, 12º 30'S), 1 9, 20.VI.1960 (AMNH).
Eutichurus madre sp. n.
(Figs. 79, 110)
Holótipo. Fêmea, Zona Reservada Tambopata (Laguna Chica), Madre de Dios,
Peru (290 m. alt.) (12º 50’S 69º 17'0), 01.V1.1988, D. Silva D. col. (MUSM).
Etimologia. O nome específico é um substantivo e refere-se ao Departamento
Madre de Dios, onde se localiza a Zona Reservada Tambopata, a localidade-tipo.
Diagnose. Fêmeas de Eutichurus madre (fig. 79) diferem das de E. luridus (fig.
77) pelos lobos anteriores truncados e das de E. marquesae (fig. 80) e E. itamaraju (fig.
73) pelos lobos anteriores projetados sobre as placas posteriores.
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça amarela, região torácica castanha; quelíceras,
enditos e lábio castanho-escuros; esterno amarelo, bordas castanhas; pernas amarelas,
tarsos e região dostal dos metatarsos escurecidos, abdômen acinzentado.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
130 BONALDO
Comprimento total 13,70. Carapaça: comprimento 5,60, largura 4,00; clípeo, altura
0,15. Olhos: fila anterior 2,20, posterior, 2,52; QOM: comprimento 0,65, largura anterior
0,97, largura posterior 1,02; diâmetros: OMA 0,40, OLA 0,32, OMP 0,30, OLP 0,30;
interdistâncias: OMA-OMA 0,30, OMA-OLA 0,40, OMP-OMP 0,45, OMP-OLP 0,65,
OLA-OLP 0,07. Quelíceras: comprimento 3,05; esquerda, retromargem com 4 dentes
iguais, subcontíguos; promargem com 3, segundo maior; direita, retromargem com 3
dentes iguais, subcontíguos; promargem com 4, terceiro maior. Esterno: comprimento
2,55, largura 2,10. Abdômen: comprimento 7,90, largura 5,10. FLP: artículo proximal,
comprimento 0,70; artículo distal, comprimento 1,35.
Pernas: comprimento relativo I=IV.II.II; I - fêmur 4,60 / patela 2,20 / tíbia 4,05 /
metatarso 4,40 / tarso 1,80 / total 17,05; II - 4,50 / 2,20 / 3,80 / 4,30 / 1,70 / 16,50; HI -
3,70 / 1,90/2,80:/03,30//01,507/ 13,207 IM 4,70 722107380 / 272 0203:
Espinulação: I-tibia vlp-2-0; metatarso v2-0-1. II - tíbia v0-1p-0; metatarso v2-0-1.
HI - tíbia v0=1p-0. IV - tíbia p0-1, v1p-2-0.
Epígino: átrio triangular, muito reduzido; lobos anteriores projetados sobre as
placas posteriores, laminares na porção anterior, formando um semicírculo distinto;
placas posteriores pouco mais longas que largas (fig. 79).
Distribuição geográfica. Peru: Madre de Dios (fig. 110).
Eutichurus marquesae sp. n.
(Figs. 80, 81, 108)
Eutichurus auricomus; MELLO-LEITÃO, 1941a: 286 (identificação errônea).
Eutichurus meridianus; MELLO-LEITAO, 1941a: 286 (identificação errônea).
Holótipo. Fêmea, La Uvita, Santa Fé de Bogotá, Cundinamarca, Colômbia, I. N.
Maria col. (MNRJ 152).
Etimologia. Homenagem à Maria Aparecida de Leão Marques, aracnóloga do
MCN.
Diagnose. Fêmeas de E. marquesae (fig. 80) distinguem-se das de E. luridus (fig.
77) e E. madre (fig. 79) pelos lobos anteriores projetados sobre a área lateral do epígino
e pelas placas posteriores muito mais longas que largas.
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça castanho-avermelhada, mais escura na
região cefálica; quelíceras, enditos e lábio castanho-avermelhado-escuros; esterno casta-
nho-claro, de bordas escuras; pernas e abdômen amarelos.
Comprimento total 15,50. Carapaça: comprimento 7,10, largura 5,60; clípeo,
altura 0,25. Olhos: fila anterior 3,10, posterior 3,40; QOM: comprimento 0,70, largura
anterior 1,15, largura posterior 1,25; diâmetros: OMA 0,35, OLA 0,35, OMP 0,30, OLP
0,30; interdistâncias: OMA-OMA 0,45, OMA-OLA 0,75, OMP-OMP 0,70, OMP-OLP
0,97, OLA-OLP 0,20. Quelíceras: comprimento 4,40; retromargem com 4 dentes
subiguais, promargem com 5, quarto maior. Esterno: comprimento 3,50, largura 3,00.
Abdômen: comprimento 8,90, largura 6,00. FLP: artículo proximal, comprimento 0,95,
artículo distal, comprimento 1,20.
Pernas: comprimento relativo I=IV.IL. II; I - fêmur 5,40 / patela 2,80 / tíbia 4,80 /
metatarso 5,20 / tarso 2,10 / total 20,30; II - 5,30 / 2,80 / 4,50 / 5,00 / 2,00 / 19,60; III -
4,50 / 2,50 / 3,40 / 3,90 / 1,70 / 16,00; IV - 5,70 / 2,70 / 4,50 / 5,40 / 2,00 / 20,30.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 131
Espinulação: I - tíbia vlp-2-0; metatarso v2-0-1. II - tíbia v0-1p-0; metatarso v2-0-1. III
- tíbia v1p-2-0. IV - tíbia v2-2-0.
Epígino: átrio sub-retangular, duas vezes mais longo que largo; lobos anteriores
laminares na porção anterior, projetados sobre as áreas laterais do epígino; placas
posteriores mais longas que largas; espermatecas de haste com uma projeção mediana
(figs. 80, 81).
Variação. Comprimento: (parátipo) total 14,30; carapaça 5,60; fêmur I 4,80.
Distribuição geográfica. Colômbia: Cundinamarca (fig. 108).
Material-tipo. Parátipo. COLÔMBIA. Cundinamarca: Santa Fé de Bogotá, 1 2, LN. Maria col. (MCN
22404, Ex MNRJ).
Eutichurus manu sp. n.
(Figs. 82, 83, 109)
Holótipo. Fêmea, Parque Nacional Manu (Cocha Cashu), Madre de Dios, Peru,
VII-XI.1986, C. Mitchell col. (MUSM).
Etimologia. O nome específico é um substantivo e refere-se à localidade-tipo.
Diagnose. Fêmeas de Eutichurus manu (figs. 82, 83) diferem das de E. sigillatus
(fig. 87) pelo átrio liso, sem projeção posterior mediana e das de E. putus (fig. 92) pelos
lobos anteriores projetados sobre o átrio e pelas bordas internas das placas posteriores
levemente oblíquas.
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça amarela; quelíceras, enditos e lábio
castanho-claros; esterno e pernas amarelos; abdômen amarelo-acinzentado.
Comprimento total 12,50. Carapaça: comprimento 4,75, largura 3,65; clípeo,
altura 0,12. Olhos: fila anterior 2,05, posterior, 2,22; QOM: comprimento 0,67, largura
anterior 0,87, largura posterior 1,00; diâmetros: OMA 0,30, OLA 0,27, OMP 0,25, OLP
0,27; interdistâncias: OMA-OMA 0,35, OMA-OLA 0,40, OMP-OMP 0,52, OMP-OLP
0,52, OLA-OLP 0,10. Quelíceras: comprimento 2,55; retromargem com 5 dentes
subiguais; promargem com 6, quinto maior. Esterno: comprimento 2,20, largura 1,90.
Abdômen: comprimento 8,00, largura 5,00. FLP: artículo proximal, comprimento 0,75;
artículo distal, comprimento 1,70.
Pernas: comprimento relativo I.II.IV.III; I - fêmur 4,85 / patela 1,85 / tíbia 4,35 /
metatarso 4,55 /tarso 1,50 /total 17,10; 11-4,75/1,85/4,10/4,40/1,55/16,65; HI
091,95 /2,90 / 3,35 / 1,30 / 12,95; IV - 4,70 / 1,75 / 3,80 / 4,80 / 1,50 / 16,55.
Espinulação: I-tibia v1p-2-0; metatarso v2-1p-1. II - tíbia vO-1p-0; metatarso v2-1p-
1. HI - tíbia p0-0-1, r0-0-1, v1p-1p-0. IV - tíbia p0-0-1, r0-0-1, v1p-2-0.
Epígino: átrio tão longo quanto largo, lobos anteriores projetados sobre o átrio;
placas posteriores, de margem anterior levemente oblíqua, fusionadas, com uma sutura
mediana longitudinal; espermatecas com ápice clavado, muito desenvolvido (figs. 82, 83).
Variação. Comprimento: (3 fêmeas) total 11,80 - 13,80; carapaça 4,75 - 5,25;
fêmur I 4,75 - 4,85. Promargem das quelíceras com 5 ou 6 dentes.
Distribuição geográfica. Peru: Huanuco, Madre de Dios (fig. 109).
Material-tipo. Parátipos: PERU. Huanuco: Dantas - La molina, Quebrada Sapote (SO de Puerto Inca)
“(09º 38'S, 75º 00'0) (270m. alt.), 19, 27.V.1987, D. Silva D. col. (MCN 22187, ex MUSM); Divisória, 1 9, 3-
23.X.1946, F. Woytkowski col. (AMNH).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
182 BONALDO
Eutichurus sigillatus Chickering
(Figs. 84-88, 108)
Eutichurus sigillatus CHICKERING, 1937: 32, 33, figs. 40, 69, 70, holótipo macho, MCZ B0072, Barro
Colorado Island, Canal Zone, Panamá, 16.VI-15.VII.1934 (examinado); ROEWER, 1954: 519: BONNET,
1956: 1845.
Diagnose. Machos de Eutichurus sigillatus diferem dos de E. putus (fig. 89) pela
apófise média afilada apicalmente e pela ponta do êmbolo trífida (fig. 84); fêmeas diferem
das de E. putus (fig. 92) e E. manu (fig. 82) pela borda anterior das placas posteriores em
forma de “W” e pelo átrio com uma protuberância mediana posterior (fig. 87).
Descrição. Macho (Ilha de Barro Colorado, Panamá). Carapaça castanho-clara;
quelíceras, enditos e lábio castanhos; esterno amarelo, bordas castanhas; pernas casta-
nho-claras; abdômen amarelo.
Comprimento total 8,40. Carapaça: comprimento 3,80, largura 2,90; clípeo, altura
0,10. Olhos: fila anterior 1,52, posterior, 1,65; QOM: comprimento 0,50, largura anterior
0,77, largura posterior 0,80; diâmetros: OMA 0,30, OLA 0,22, OMP 0,25, OLP 0,25;
interdistâncias: OMA-OMA 0,22, OMA-OLA 0,22, OMP-OMP 0,32, OMP-OLP 0,32,
OLA-OLP 0,07. Quelíceras: comprimento 1,70; retromargem com 4 dentes subiguais,
contíguos; promargem com 4, segundo e terceiro maiores. Esterno: comprimento 1,90,
largura 1,55. Abdômen: comprimento 4,70, largura 2,30. FLP: artículo el compri-
mento 0,60; articulo distal, comprimento 1,45.
Pernas: comprimento relativo I.II.IV.II; I - fêmur 5,10 / patela 1,60 / tíbia 5,10 /
metatarso 5,70 /tarso 1,80 /total 19,30; II - 5,00 / 1,60 /4,70/5,50/1,70/ 18,50; III
- 4,20 / 1,50 / 3,40 / 4,20 / 1,40 / 14,70; IV - 5,10 / 1,60 / 4,30 / 5,70 / 1,60 / 18,30.
Espinulagäo: I- tíbia p0-0-1; metatarso p1-0. II- tíbia pl-1; metatarso p1-0. III - tíbia
vlp-2-2. IV - tíbia vlp-2-2.
Palpo: tíbia tão longa quanto o címbio; apófise tibial retrolateral trífida, ramo
mediano maior; apófise média, sem prolongamento, de ápice agudo; êmbolo achatado,
trífido (figs. 84 - 86).
Fêmea (Ilha de Barro Colorado, Panamá). Coloração como no macho. Comprimen-
to total 11,00. Carapaça: comprimento 5,00, largura 3,80; clípeo, altura 0,12. Olhos: fila
anterior 2,12, posterior 2,32; QOM: comprimento 0,55, largura anterior 0,92, largura
posterior 1,00; diâmetros: OMA 0,32, OLA 0,27, OMP 0,22, OLP 0,25; interdistâncias:
OMA-OMA 0,32, OMA-OLA 0,40, OMP-OMP 0,55, OMP-OLP 0,57, OLA-OLP 0,15.
Quelíceras: comprimento 2,40; retromargem com 5 dentes subiguais, promargem com 5,
quarto maior Esterno: comprimento 2,45, largura 2,05. Abdômen: comprimento 5,90,
largura 3,10. FLP: artículo proximal, comprimento 0,80, artículo distal, comprimento
LS:
"Pernas: comprimento relativo I.I=IV. III; I - fêmur 4,60 / patela 1,90 / tíbia 4,00 /
metatarso 4,30 / tarso 1,40 / total 16,20; II - 4,50 / 1,90 / 3,80 / 4,20 / 1,40 / 15,80; II -
3,70 / 1,60 / 2,70 / 3,40 / 1,20 / 12,60; IV - 4,50 / 1,70 / 3,60 / 4,70 / 1,30 / 15,80.
Espinulação: I- tíbia vlp-2-0; metatarso v2-1p-1. II-tibia v0-1p-0; metatarso v2-1p-
1. II -tibia v0-1p-0. IV - tíbia r1-0, v1p-2-0; metatarso p1-0-2, r0-1-2, v 1r-2-1.
Epígino: átrio pequeno, mais largo que longo; lobos anteriores pequenos; placas
posteriores mais largas que longas, fusionadas, com uma sutura mediana longitudinal;
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 133
espermatecas com äpice clavado, desenvolvido (figs. 87, 88).
Variação. Comprimento:(5 machos) total 7,80 -9,10; carapaça 3,60 - 3,80; fêmur
I 4,80 - 5,40; (4 fêmeas) total 8,60 - 11,60; carapaça 4,50 - 5,70; fêmur I 4,00 - 4,90.
Retromargem e promargem das quelíceras com 4 ou 5 dentes.
Distribuição geográfica. Panamá: Zona do Canal (fig. 108).
Material-tipo. Parátipo: PANAMÁ. Zona do canal: Ilha de Barro Colorado, 1 S, 16.VI-15.VII.1934, A.
M. Chickering col. (MCZ).
Material adicional: PANAMÁ. Zona do canal: Ilha de Barro Colorado, 19,19, 1 jovem, VI.1950
(MCZ); 2 6, V1.1950 (MCZ); 1 9, 07.VI1.1954 (MCZ); 1 5, 12.VH1.1954 (MCZ); 1 9, 06.11.1958 (MCZ); 1 6,
18.1V.1958 (MCZ) (todos coletados por A. M. Chickering).
Eutichurus putus O. Pickard-Cambridge
(Figs. 89-93, 109)
Eutichurus putus O. PICKARD-CAMBRIDGE, 1898: 237, prancha 34, figs. 3, 3a-d, holötipo fêmea, Veraguas,
Panamá, Boucard col. BMNH (examinado); F.O. PICKARD-CAMBRIDGE, 1899: 86; PETRUNKEVITCH,
1911: 482; 1925: 75; ROEWER, 1954: 519; BONNET, 1956: 1846.
Eutichurus ecuadorensis SCHMIDT, 1971: 409, 410, fig. 14, holótipo fêmea, SMF 25763, “mit bananen aus
Ekuador in Hamburg eingeschleppt” (examinado; epígino em lâmina de microscopia, não localizada, se-
gundo Dr. M. Grasshoff, contato epistolar); BRIGNOLI, 1983: 542. Syn. n.
Diagnose. Machos de Eutichurus putus diferem dos de E. sigillatus (fig. 84) pela
apófise media alargada apicalmente e pela ponta do êmbolo bífida (fig. 89); fêmeas
diferem das de E. sigillatus (fig. 87) pelo átrio liso, sem protuberância mediana posterior
e das de E. manu (fig. 82) pelos lobos anteriores não projetados sobre o átrio e pela borda
anterior das placas posteriores reta (figs. 92).
Descrição. Macho (Ilha de Maracá, Roraima, Brasil). Carapaça amarela; quelíceras,
enditos e lábio castanhos; esterno e pernas amarelos; abdômen amarelo-acinzentado.
Comprimento total 10,00. Carapaça: comprimento 4,45, largura 3,35; clípeo,
altura 0,07. Olhos: fila anterior 1,35, posterior 1,75; QOM: comprimento 0,50, largura
anterior 0,85, largura posterior 0,87; diâmetros: OMA 0,32, OLA 0,22, OMP 0,22, OLP
0,25; interdistâncias: OMA-OMA 0,25, OMA-OLA 0,25, OMP-OMP 0,40, OMP-OLP
0,40, OLA-OLP 0,10. Quelíceras: comprimento 1,85; retromargem com 5 dentes
subiguais; promargem com 3, segundo maior. Esterno: comprimento 2,10, largura 1,75.
Abdômen: comprimento 5,80, largura 2,80. FLP: artículo proximal, comprimento 0,65;
artículo distal, comprimento 1,50.
Pernas: comprimento relativo I.IV IL; I - fêmur 6,20 / patela 1,95 / tíbia 6,20 /
metatarso 7,40 /tarso 2,35 / total 24,10; II - 5,90 / 1,90 / 6,00 / 6,90 / 2,10 / 22,80; III
RW 70/420/5,25/1,70/17,85; IV - 6,30 / 1,80 / 5,30 / 7,40 / 2,10 / 22,90.
Espinulagäo: I- tíbia p0-0-1, v2-2-Ip. II - tíbia p0-0-1. III - tíbia vlp-2-2.
Paipo: tíbia tão longa quanto o címbio; apófise tibial retrolateral trífida, ramo
mediano maior; apófise média sem prolongamento, de ápice alargado; êmbolo achatado,
bifido (figs. 89 - 91).
Fêmea (Ilha de Barro Colorado, Panamá). Carapaça castanho-clara; quelíceras
castanho-escuras; enditos e lábio castanhos; pernas amarelo-escuras; abdômen amare-
lo-acinzentado.
Comprimento total 11,60. Carapaça: comprimento 5,10, largura 3,80; clípeo,
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
134 BONALDO
altura 0,15. Olhos: fila anterior 2,35, posterior 2,55; QOM: comprimento 0,72, largura
anterior 0,92, largura posterior 1,15; diâmetros: OMA 0,32, OLA 0,27, OMP 0,25,
OLP 0,27; interdistäncias: OMA-OMA 0,35, OMA-OLA 0,50, OMP-OMP 0,62, OMP-
OLP 0,65, OLA-OLP 0,15. Queliceras: comprimento 2,75; retromargem como no
macho, promargem com 5 dentes, quarto maior. Esterno: comprimento 2,50, largura
2,15. Abdömen: comprimento 6,30, largura 4,00. FLP: articulo proximal, comprimento
0,80, articulo distal, comprimento 1,75.
Pernas: I - fêmur 4,60 / patela 2,20 / tíbia 4,15 / metatarso 4,75 /tarso 1,65 / total
17,35; IM 4,507 2,157 3,83 /4.457 5537 16.502 1102375175 2 8070545288:
13,10; IV - 4,75 / 1,90 / 3,60 / 5,00 / 1,60 / 16,85. Espinulação: I - tíbia vlp-1p-0;
metatarso v2-1p-1.II- tíbia v0-1p-0; metatarso v2-1p-1. III - tíbia v0-1p-0. IV - tíbia
vlp-1p-0.
Epígino: átrio tão longo quanto largo, lobos anteriores pouco desenvolvidos,
placas posteriores mais largas que longas, fusionadas, com uma sutura mediana longitu-
dinal; espermatecas com ápice não diferenciado da haste (figs 92, 93).
Variação. Comprimento: (10 machos) total 7,60 - 10,40; carapaça 3,60 - 4,65;
fêmur 15,15 - 6,20; (5 fêmeas) total 11,20 - 14,10; carapaça 4,80 - 5,70; fêmur I 4,45 -
4,95. Retromargem das quelíceras com 4 ou 5 dentes; promargem com de 3 a 5. Em
alguns machos, o ramo dorsal da apófise média apresenta-se reduzido.
Distribuição geográfica. Panamá: Zona do Canal; Colômbia: Valle del Cauca;
Equador; Brasil: Roraima, Rondônia, Mato Grosso do Sul (fig. 109).
Material adicional. PANAMÁ. Zona do canal: Ilha de Barro Colorado, 1 &, 30. VIL.1936 (MCZ); 19,
1 jovem, 7-20.11.1950 (MCZ); 13, VII.1950 (MCZ) 19, 20.VII.1954 (MCZ); 19,20. VII.1954 (MCZ); Estrada
Chiva (Próximo a Pedro Miguel), 1, 23.VII.1954; 15, 1 2, 7-20.11.1950 (MCZ); 19,19, 16.VII. 1954 (MCZ),
19, 30.VII.1954 (MCZ) (todos coletados por A. M. Chickering); 1 &, sem procedência (MCZ); COLÔMBIA.
Valle del Cauca: Cali, 1 S, 27.11.1973, W. Eberhard & H. W. Levi col. (MCZ); BRASIL. Roraima: Estação
Ecológica de Maracá, Ilha de Maracä (Rio Uraricoera) 1 S, 13. V.1987, L. S. de Aquino col. (MCN 19316); 1
S, 1 jovem, 18-22.VII.1987, R. Gribel col. (MCN 19739). Rondônia: Mirante da Serra (Rio Ouro Preto), 19,
X1.1983 (MNRJ). Mato Grosso do Sul: 260km N de Xavantina (12º 49'S, 51º 46 W), 1 6, II-11.1969, Xavante-
Cachimbo Exp. (MCZ).
Ericaella gen. n.
Espécie tipo. Eutichurus longipes Chickering, 1937.
Etimologia. O nome genérico, feminino, presta homenagem à Erica H. Buckup
(MCN), em reconhecimento à sua contribuição ao desenvolvimento da aracnologia no
sul do Brasil.
Diagnose. Representantes de Ericaella ditinguem-se dos de Eutichurus e Radulphius
pela seguinte combinação de caracteres: pernas delgadas, muito longas em relação ao
corpo (comprimento do fêmur I cerca de três vezes o da carapaça) (fig. 5); tíbia do palpo
do macho com duas apófises, uma retrolateral, outra dorsal (figs. 95, 99); bulbo simples,
sem apófise média e sem condutor (figs. 13, 95, 99); epígino da fêmea de margem
anterior conspícua e átrio semi-encoberto por uma placa mediana munida de projeções
posteriores (figs. 96, 100).
Descrição. Comprimento total (machos e fêmeas): 4.20 - 6.00. Carapaça pouco
convexa, truncada na margem anterior, mais larga na região das coxas II (fig. 6); região
iIHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 135
cefálica pouco mais alta que a torácica, declive posterior gradual (fig. 5); sem sulco
torácico; região torácica com uma banda escura longitudinal de cada lado (fig. 6); clípeo
com altura menor que a metade do diâmetro dos OMA. Olhos: fila anterior levemente
procurva em vista frontal; fila posterior levemente procurva em vista dorsal; QOM mais
longo que largo, retangular; olhos sub-circulares, sub-iguais em tamanho, os anteriores
ligeiramente maiores; interdistâncias: OMA-OMA separados por até um diâmetro e
meio; OMA-OLA por aproximadamente um diâmetro dos OMA; OMP-OMP por até
pouco mais de um diâmetro; OMP-OLP por até um diâmetro e meio dos OMP; OLA-
OLP contíguos, em cômoro.
Quelíceras longas, não geniculadas tanto em machos como em fêmeas, com
côndilo basal conspícuo (fig. 5). Enditos paralelos, retromargem levemente côncava,
ápice subquadrado. Lábio mais longo que largo, de comprimento pouco maior que a
metade do comprimento dos enditos. Esterno tão largo quanto longo, de bordas pouco
esclerotinizadas e de largura anterior subigual à largura mediana.
Pernas longas e afiladas, com pêlos castanhos longos e curtos; comprimento
relativo LIV IL III; metatarso Ille IV com tufos de cerdas ventro-distais ralos; metatarsos
e tarsos sem escópulas ventrais; tarso do palpo da fêmea com uma unha não pectinada.
Abdômen ovalado, pouco piloso, com pêlos negros e castanhos esparsos; com um par de
faixas irregulares longitudinais dorso-laterais de pigmentação branca (figs. 5, 6).
Palpo do macho com duas apófises tibiais, uma retrolateral, com um prolonga-
mento laminar no ápice e outra dorsal, orientada retrolateralmente; bulbo sem apófise
média e sem condutor, com ductos largos e êmbolo cônico, longo e afilado, sem
processo, de inserção prolateral basal. Epígino com distinta margem anterior e átrio
parcialmente encoberto por uma placa mediana.
Elenco. Duas espécies: Ericaella longipes (Chickering) e E. samiria sp. n.
Ericaella longipes (Chickering) comb. n.
(Figs. 5, 6, 13, 94-97, 108)
Eutichurus sp.; BANKS, 1929: 62, fig. 77. Fêmea, MCZ, Ilha de Barro Colorado, Zona do Canal, Panamá,
04.V111.1924, N. Banks col. (examinado).
Eutichurus longipes CHICKERING, 1937: 30 - 32, figs. 39, 64, 67. Holótipo macho, MCZ B0071, Ilha de Barro
Colorado, Zona do Canal, Panamá, 16.VI-15.VI1.1934, A. M. Chickering col. (examinado); ROEWER,
1954: 518; BONNET, 1956: 1845.
Diagnose. Machos de Ericaella longipes diferem dos de E. samiria (fig. 98,99) pela
apófise tibial dorsal pequena, afilada e reta (fig. 94, 95); fêmeas diferem das de E. samiria
(fig. 100) pelo átrio mais largo que longo e placa mediana com um par de projeções látero-
posteriores pequenas, não ultrapassando a margem do átrio (fig. 96).
Descrição. Macho (Ilha de Barro Colorado, Panamá). Carapaça amarelo-clara,
bandas laterais castanhas; quelíceras amarelas; enditos amarelo-claros; lábio amarelo;
esterno e pernas amarelo-claros; abdômen acinzentado, com densa pigmentação branca.
Comprimento total 4,25. Carapaça: comprimento 1,75, largura 1,45; clípeo, altura
0,05. Olhos: fila anterior 0,82, posterior, 0,87; QOM: comprimento 0,23, largura anterior
0,40, largura posterior 0,41; diâmetros: OMA 0,12, OLA 0,12, OMP 0,12, OLP 0,12:
interdistâncias: OMA-OMA 0,18, OMA-OMP 0,13, OMP-OMP 0,17, OMP-OLP 0,16,
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
136 BONALDO
OLA-OLP 0,03. Quelíceras: comprimento 1,07; retromargem com 5 dentes subiguais,
separados; promargem com 3, o segundo maior. Esterno: comprimento 0,97, largura 0,97.
Abdômen: comprimento 2,55, largura 1,15. FLP: artículo proximal, comprimento 0,37;
artículo distal, comprimento 0,55.
Pernas: I- fêmur 5,60 / patela 0,80 / tíbia 6,00 / metatarso 6,90 / tarso 2,10 / total
21,4; II- 3,90/0,70/3,85/4,30/1,20/13,95; 11-2,55/0,60/2,30/2,85/0,85/9,15;
IV-3,80/0,65/3,70/4,95/1,15/14,25. Espinulação: I- fêmur dO, p0-1-0, r0, vO; tíbia
dO, p0-1-0, r0-1-0, v0-2-0; metatarso dO, p0-1-0, r0-1-0, v2-0-1. II - fêmur dO, p0-1-0,
TO, vO; tíbia dO, p0-1-0, r0-1-0, v0-2-0; metatarso dO, p0-1-0, r0-1-0, v2-2-1. IH - fêmur
dO, p0, rO, vO; tíbia dO, p0, r0, vO; metatarso dO, p0-1-2, r0-1-2, v2-2-1. IV - fêmur dO, p0,
TO, vO; tíbia dO, p0, rO, vO; metatarso dO, pl-1-2, rl-1-2, v2-2-1.
Palpo: tíbia ligeiramente mais longa que o címbio, apófise tibial retrolateral com
prolongamento laminar apical de orientação ventral, apófise tibial dorsal pequena e
afilada, de inserção subapical; êmbolo cônico e afilado (figs. 13, 94, 95).
Fêmea (mesma localidade). Coloração como no macho. Comprimento total 5,15.
Carapaça: comprimento 2,05, largura 1,55; clípeo, altura 0,06. Olhos: fila anterior 0,92,
posterior 0,97; QMO: comprimento 0,30, largura anterior 0,42, largura posterior 0,46;
diâmetro: OMA 0,15, OLA 0,15, OMP 0,13, OLP 0,13; interdistâncias: OMA-OMA
0,18, OMA-OLA 0,18, OMP-OMP 0,20, OMP-OLP 0,20, OLA-OLP 0,03. Quelíceras:
comprimento 1,07; dentes como no macho. Esterno: comprimento 1,07, largura 1,05.
Abdômen: comprimento 3,10, largura 1,70. FLP: artículo proximal, comprimento 0,55,
artículo distal, comprimento 0,85.
Pernas: I - fêmur 4,75 / patela 0,85 / tíbia 5,20 / metatarso 6,10 / tarso 1,90 / total
18,8; 11-3,15/0,70/3,00/3,40/1,00/11,25; III - 2,20 / 0,65 / 1,85 / 2,40 / 0,75/ 7,85;
IV - 3,10 /0,70 /2,75 / 3,80 / 0,95 / 11,30. Espinulação: I - fêmur dO, p0-1-0 r0, vO; tíbia
dO, p0, r0, vO-2-0; metatarso dO, pO, r0, v2-0-1. II - fêmur dO, p0, rO, vO; tíbia dO, p0, rO,
v0-2-0; metatarso dO, p0, r0-1-0, v2-1p-1. III - fêmur dO, p0, rO, vO; tíbia dO, p0, r0, vO;
metatarso dO, p0-1-2, r0-1-2, v2-2-1. IV - fêmur dO, p0, r0, vO; tíbia dO, p0, rO, vO;
metatarso dO, p0-1-2, r0-1-2, v2-2-1.
Epígino: átrio mais largo que longo; placa mediana sem sutura longitudinal, pouco
conspícua, com duas projeções; espermatecas próximas entre sí, de ápice globular,
distinto (figs. 96, 97).
Variação. Comprimento (10 machos) total 4,20 - 5,20; Carapaça 1,80 - 2,20;
fêmur I 5,50 - 6,20; (10 fêmeas) total 4,35 - 5,75; carapaça 1,70 - 2,30; fêmur I 3,80 -
5,45. A coloração do corpo varia do amarelo-claro a amarelo-escuro. As bandas laterais
da carapaça podem ser pouco conspícuas. A quantidade de pigmentação branca do
abdômen também varia. A margem anterior do epígino varia de subquadrada a semi-
circular.
Distribuição geográfica. Panamá: Zona do Canal (fig. 108).
Material adicional. PANAMÁ. Zona do Canal: Ilha de Barro Colorado, 1 &, 23-24.VIL.1936, (MCZ);
19,29,VI1.1936, (MCZ); 12,30-31.VI1.1936, (MCZ); 15,192, VII. 1936, (MCZ); 15,29,2. VHI.1936, (MCZ);
259, 14.VHI.1936, (MCZ); 19, 14.VII.1936, (MCZ); 25, 1 jovem, V1.1939, (MCZ); 15,19, VIL.1939, (MCZ);
19,19, VII.1939, (MCN 21882); 1 4, VI. 1950, (MCZ); 1 2, 11-20.VII.1950, (MCZ); 1 2, VIL.1950, (MCZ);
22,8.V11.1954, (MCZ) (todos coletados por A. M. Chickering); 19, 16.VII.1954, Drayton col., (MCZ); Anton
(El Valle), 1 5, VIL1936, A.M. Chickering col. (MCZ).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 137
Ericaella samiria sp. n.
(Figs. 98-101, 110)
Holótipo. Macho, Rio Samiria (05° 07'S, 75° 28'0), Departamento de Loreto,
Peru, 15.V.1990, D. Silva col. (MUSM).
Etimologia. O nome específico é um substantivo referente à localidade-tipo.
Diagnose. Machos de Ericaella samiria diferem dos de E. longipes (figs. 94, 95)
pela apófise tibial dorsal muito grande, de ápice curvado e dilatado (figs. 98, 99); fêmeas
diferem das de E. longipes (fig. 96) pelo átrio mais longo que largo e placa mediana com
dois pares de projeções posteriores, as do par anterior estendendo-se além das bordas
laterais do átrio (fig. 100).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça amarela, bandas laterais oliváceas;
quelíceras amarelas; enditos, lábio, esterno e pernas amarelo-claros; abdômen cinza-
amarelado, com pouca pigmentação branca.
Comprimento total 5,30. Carapaça: comprimento 2,25, largura 1,75; clípeo, altura
0,06. Olhos: fila anterior 1,03, posterior 1,05; QOM: comprimento 0,32, largura anterior
0,53, largura posterior 0,53; diâmetros OMA 0,20, OLA 0,20, OMP 0,18, OLP 0,18;
interdistâncias: OMA-OMA 0,16, OMA-OLA 0,17, OMP-OMP 0,17, OMP-OLP 0,18,
OLA-OLP 0,01. Quelíceras: comprimento 1,27; retromargem com 5 dentes subiguais,
primeiro e segundo separados, os demais contíguos; promargem com 3 dentes, o
mediano maior. Esterno: comprimento 1,12, largura 1,12. Abdômen: comprimento
3,05, largura 1,30. FLA: artículo proximal, comprimento 0,37; artículo distal, compri-
mento 1,07.
Pernas: I - fêmur 5,60 / patela 0,90 / tíbia 5,90 / metatarso ? (perdido) / tarso ?
(perdido) /total ?. II - 3,55 / 0,70 / 3,50 / 4,00 / 1,35 / 13,10. UI - 2,55 / 0,65 / 2,25 / 2,80
/0,95 / 9,20. IV - 3,40 / 0,80 / 3,10 /4,15 / 1,25 / 12,70. Espinulagäo: I - fêmur dO, pO-
1-0, rO, vO; tíbia dO, pO, rO, v0-2-0; metatarso dO, pO, rO, v2-0-0. II - fêmur dO, pO, rO, vO;
tíbia dO, pO, r0, v0-2-0; metatarso dO, pO, rO, v2-2-1. II - fêmur dO, pO, rO, vO; tíbia dO,
pO, rO, vO; metatarso dO, p0-1-2, r0-1-2, v2-2-1. IV - fêmur dO, pO, r0, vO; tíbia dO, pO, rO,
vO; metatarso dO, p0-1-2, r0-1-2, v2-2-1.
Palpo: tíbia mais curta que o cimbio, apófise tibial retrolateral com prolongamento
laminar apical de orientação prolateral, apófise tibial dorsal grande, de ápice curvado e
dilatado, de inserção mediana; êmbolo com uma constrição sub-basal (figs. 98, 99).
Fêmea (parátipo). Coloração como no macho. Comprimento total 6,00. Carapaça:
comprimento 2,35, largura 1,70; clípeo, altura 0,06. Olhos: fila anterior 1,12, posterior
1,13; QMO: comprimento 0,37, largura anterior 0,53, largura posterior 0,55; diâmetros:
OMA 0,20, OLA 0,20, OMP 0,17, OLP 0,18; interdistâncias: OMA-OMA 0,21, OMA-
OLA 0,18, OMP-OMP 0,23, OMP-OLP 0,23. OLA-OLP 0,02. Quelíceras: comprimen-
to 1,27; retromargem com 5 dentes subiguais, contíguos; promargem como no macho.
Esterno: comprimento 1,20, largura 1,20. Abdômen: comprimento 3,40, largura 2,05.
FLP: artículo proximal, comprimento 0,40; artículo distal, comprimento 1,20.
Pernas: comprimento I - fêmur 4,80 / patela 0,95 / tíbia 5,15 / metatarso 6,10 /tarso
2,35 / total 19,35. II - 3,15 / 0,85 / 3,05 / 3,55 / 1,30 / 11,90. III - 2,35 / 0,75 / 2,05 / 2,50
/ 1,00 / 8,65. IV - 3,05 / 0,90 / 2,70 / 3,70 / 1,20 / 11,55. Espinulação: I - fêmur dO, pO-1-
0, r0, vO; tíbia dO, pO, rO, v0-2-0; metatarso dO, p0, r0, v2-0-0. II - fêmur dO, pO, rO, vO;
tíbia dO, pO, rO, v0-2-0; metatarso dO, pO, rO, v2-2-1. IN - fêmur dO, pO, rO, vO; tíbia do,
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
138 BONALDO
pO, r0, vO; metatarso dO, p0-0-2, r0-0-2, v2-2-1. IV - fêmur dO, p0, rO, vO; tíbia dO, p0, r0,
vO; metatarso dO, p0-0-2, r0-0-2, v2-2-1.
Epígino: átrio mais longo que largo; placa mediana conspícua, com quatro proje-
ções e uma sutura longitudinal; espermatecas separadas entre sí, ápice pouco diferenci-
ado (figs. 100, 101).
Variação. Comprimento (2 machos) total 5,30 - 5,40; carapaça 2,25 - 2,30; (3
fêmeas) total 5,70 - 6,00; carapaça 2,30 - 2,40; fêmur 14,80 - 4,95. A coloração do corpo,
as bandas laterais da carapaça e a quantidade de pigmentação branca do abdômen variam
como na espécie precedente.
Distribuição geográfica. Peru: Loreto (fig. 110).
Material-tipo. Parátipos: mesma localidade do holötipo, 1 &, 15.V.1990, D. Silva col., (MCN 21883); 1
S, 15.V.1990, M. Torres col., (MUSM); 2 9, (05º 12'S, 75° 20'0), 12-13.V.1990, D. Silva col., (MCN 21884;
MUSM).
Radulphius Keyserling
Radulphius KEYSERLING, 1891: 47. SIMON, 1897: 131 (designação da espécie-tipo, R. bicolor Keyserling,
1891); PETRUNKEVITCH, 1911: 509; 1928: 176; ROEWER, 1954: 557; BONNET, 1956: 3846;
BRIGNOLI, 1983: 543; PLATNICK, 1989: 433.
Diagnose. As espécies do gênero Radulphius diferem das do gênero Ericaella por
apresentarem pernas robustas; comprimento do fêmur I pouco maior que o comprimento
da carapaça; bulbo do palpo do macho com condutor hialino e apófise média (figs. 14,
103); epígino da fêmea com átrio não encoberto por uma placa mediana (figs. 102, 106).
Diferem das espécies do gênero Eutichurus por apresentar o bulbo do palpo do macho
com fulcrum protegendo o &mbolo no palpo não expandido; êmbolo filiforme, de
inserção subapical (figs. 15, 103); epígino da fêmea sem lobos äntero-laterais e margem
posterior com uma invaginação mediana (figs. 102, 106).
Descrição. Comprimento total (R. bicolor e R. camacan, machos e fêmeas) 5,50 -
10,70. Carapaça convexa, truncada na margem anterior, com maior largura na região das
coxas II (fig. 7); região cefálica mais alta que a torácica, declive posterior abrupto,
principalmente nas fêmeas (figs. 8, 9); sulco torácico reduzido, evidenciado apenas pelo
colorido, mais conspícuo nos machos; clípeo com altura menor que um diâmetro dos
OMA. Olhos: fila anterior levemente procurva em vista frontal; fila posterior reta em
vista dorsal; QOM pouco mais largo que longo, retangular; olhos subcirculares, subiguais
em tamanho; interdistâncias: OMA-OMA separados por até um diâmetro; OMA-OLA
por até dois diâmetros dos OMA; OMP-OMP por até dois diâmetros; OMP-OLP por até
três diâmetros e meio dos OMP; OLA-OLP contíguos, em cômoro.
Quelíceras bem desenvolvidas, fortemente geniculadas nas fêmeas, pouco ou não
geniculadas nos machos (figs. 8, 9); côndilo basal conspícuo. Enditos paralelos,
retromargem reta, ápice subquadrado. Lábio mais longo que largo, de comprimento
maior que a metade do comprimento dos enditos. Esterno mais longo que largo, de
bordas pouco esclerotinizadas e de largura anterior menor que a largura mediana.
Pernas robustas, com pêlos castanhos longose curtos; tarsos e metade distal dos
metatarsos com escöpulas ventrais ralas; metatatarsos HI e IV com tufo de cerdas ventro-
distais; tarso do palpo da fêmea com uma unha pectinada. Abdômen ovalado, piloso,
com pelos curtos brancos e castanhos e pelos longos castanhos.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 139
Palpo do macho com apófise tibial retrolateral subapical simples; bulbo com apófise
média de posição retrolateral mediana, alongada; condutor hialino, de posição prolateral
subapical; fulcrum projetando-se do ápice do tégulo; êmbolo simples, filiforme, de in-
serção prolateral subapical. Epígino com átrio amplo; aberturas de fecundação lateraias;
margem posterior com uma invaginagäo mediana.
Elenco. Três espécies: Radulphius bicolor Keyserling, R. laticeps Keyserling (não
redescrita aqui) e R. camacan sp. n.
Radulphius bicolor Keyserling
(Figs. 102, 110)
Radulphius bicolor KEYSERLING, 1891: 48, pr. 1, fig. 22, holótipo fêmea, Nova Friburgo, Rio de
Janeiro, Brasil (BMNH, examinado); SIMON, 1897: 131; PETRUNKEVITCH, 1911: 509; ROEWER, 1954:
557; BONNET, 1956: 3846.
Diagnose. Fêmeas de Radulphius bicolor (fig. 102) diferem das de R. laticeps
(vide KEYSERLING, 1891: 47 pr. 1, fig. 21) pela margem posterior do epígino pouco
projetada posteriormente e das de R. camacan (fig. 106) pelas escavações laterais no
átrio.
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça, quelíceras, enditos e lábio castanho-
claros, esterno amarelo, bordas castanhas, pernas amarelas, abdômen amarelo-claro.
Comprimento total 10,70. Carapaça: comprimento 3,50, largura 2,85; clípeo,
altura 0,12. Olhos: fila anterior 1,50, posterior, 1,72; QOM: comprimento 0,45, largura
anterior 0,65, largura posterior 0,70; diâmetros: OMA 0,25, OLA 0,25, OMP 0,17, OLP
0,20; interdistâncias: OMA-OMA 0,25, OMA-OLA 0,25, OMP-OMP 0,37, OMP-OLP
0,47, OLA-OLP 0,10. Quelíceras: comprimento 2,30; retromargem com 8 dentes
contíguos, sétimo e oitavo menores; promargem com 3, segundo maior. Esterno:
comprimento 1,70, largura 1,55. Abdômen: comprimento 6,50, largura 4,10. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,55; artículo distal, comprimento 0,75.
Pernas: comprimento relativo I.IV .IL.II; I - fêmur 3,50 /patela 1,35 / tíbia 3,30 /
metatarso 3,50 / tarso 1,50 /total 13,15; II- 3,05 / 1,30 / 2,60 / 2,80 / 1,20 / 10,95; HI -
BR 20 71,85 // 2,20. /:0,95 / 8,65; IV - 3,25 / 1,30/2,75/ 3,25 / 1,15 / 11,70.
Espinulação: I - fêmur d1-1-0, p0-0-1-1, r0, vO; tíbia dO, pO, r0, v2-2-0; metatarso dO,
p0, r0, v2-2-1p. II - fêmur d1-1-0, p0-0-1, r0, vO; tíbia dO, p0-1, r0, v1p-2-0; metatarso
dO, p0, r0, v2-2-1p. HI - fêmur d1-1-0, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO, pl-1,r1-1, vlp-1p-2;
metatarso dO, pl-1-2, rl-1-2, v2-1p-1. IV - fêmur d1-1-0, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia do,
pl-1,rl-1, vlp-lr-2; metatarso dO, pl-1-2, rl-1-2, v2-2-1.
Epígino: átrio amplo, aberturas de fecundação posicionadas em escavações late-
Tais; margem posterior pouco projetada posteriormente (fig. 102).
Distribuição geográfica. Brasil: Rio de Janeiro (fig. 110).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
140 BONALDO
Radulphius camacan sp. n.
(Figs. 7-9, 14, 15, 103-107, 110)
Holótipo. Macho, Fazenda Matiapã, Camacan, Bahia, Brasil, 16.X.1979, J. S.
Santos col. (MCN 10866).
Etimologia. O nome específico é um substantivo referente à localidade-tipo.
Diagnose. Machos de Radulphius camacan podem ser reconhecidos pela apófise
tibial retrolateral de ápice pontiagudo (fig. 103); fêmeas diferem das de R. laticeps (vide
KEYSERLING, 1891: 47 pr. 1, fig. 21) pela margem posterior do epígino não projetada
posteriormente e das de R. bicolor (fig. 102) pelo átrio não escavado lateralmente (fig.
106).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça amarelo-escura; quelíceras, enditos e
lábio castanhos; esterno amarelo; pernas amarelas, metade distal dos tarsos amarelo-
escura; abdômen acinzentado.
Comprimento total 6,70. Carapaça: comprimento 3,00, largura 2,30; clípeo, altura
0,12. Olhos: fila anterior 1,22, posterior 1,37; QOM: comprimento 0,35, largura anterior
0,52, largura posterior 0,55; diâmetros: OMA 0,20, OLA 0,20, OMP 0,15, OLP 0,17;
interdistâncias: OMA-OMA 0,20, OMA-OLA 0,22, OMP-OMP 0,25, OMP-OLP 0,35,
OLA-OLP 0,05. Quelíceras: comprimento 1,65; retromargem com 6 dentes subiguais;
promargem com 3, segundo maior. Esterno: comprimento 1,52, largura 1,30. Abdômen:
comprimento 3,30, largura 1,80. FLP: artículo proximal, comprimento 0,32; artículo
distal, comprimento 0,52. |
Pernas: comprimento relativo 1.IV .II.II; I - fêmur 2,90 / patela 1,10 / tíbia 2,90 /
metatarso 3,10 / tarso 1,20 / total 11,20; II - 2,50 / 1,05 / 2,45 / 2,70 / 1,10 / 9,80; II -
2,20 / 0,95 / 1,70 / 2,15 / 0,80 / 7,80; IV - 2,65 / 1,05 / 2,50 / 3,10 / 1,05 / 10,35.
Espinulacäo: I - fêmur dl-1, p0-0-2, r0, v0; tíbia dO, pl-1, r0-1, v2-2-2; metatarso dO,
pl-1-1, rO-1-1, v2-2-2. II - fêmur dl-1, p0-1-2, r0, vO; tíbia dO, p1-1, r0-0-1, v2-2-2;
metatarso dO, pl-1-1, r0-1-1, v2-2-1. HI - fêmur d1-1-0, p0-1-2, r0-1-2, vO; tíbia dO, pl-
1, rl-1, v2-1r-2; metatarso dO, pl-1-2, rl-1-2, v2-2-1. IV - fêmur dl-1, p0-1-2, r0-0-2,
vO; tíbia dO, p1-1,r1-1, v2-1r-2; metatarso dO, pl-1-2, rl-1-2, v2-2-1.
Palpo: tíbia de comprimento pouco maior que a metade do comprimento do
cimbio, apófise tibial retrolateral simples, cônica; subtégulo com um lobo prolateral que,
no bulbo não expandido, encaixa em uma reentrância correspondente no tégulo; apófise
média alongada, com um prolongamento retrolateral subapical (figs. 14, 15, 103 - 105).
Fêmea (parátipo). Carapaça castanha, quelíceras castanho escuras, enditos, lábio
e esterno castanhos, pernas amarelas, tarsos amarelo-escuros, abdômen cinza claro.
Comprimento total 7,10. Carapaça: comprimento 3,10, largura 2,50; clípeo, altura
0,15. Olhos: fila anterior 1,40, posterior 1,52; QOM: comprimento 0,37, largura anterior
0,57, largura posterior 0,60; diâmetros: OMA 0,20, OLA 0,20, OMP 0,17, OLP 0,17;
interdistâncias: OMA-OMA 0,20, OMA-OLA 0,22, OMP-OMP 0,27, OMP-OLP 0,42,
OLA-OLP 0,07. Quelíceras: comprimento 1,90; dentes como no macho. Esterno:
comprimento 1,60, largura 1,45. Abdômen: comprimento 4,20, largura 2,60. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,45, artículo distal, comprimento 0,65.
Pernas: comprimento relativo 1.IV.ILII; I - fêmur 2,70 / patela 1,20 / tíbia 2,50 /
metatarso 2,75 / tarso 1,10 / total 10,25; II- 2,35 / 1,15 / 2,05 / 2,25 / 0,95 / 8,75, II -
2,00./ 1,05 / 1,45./.1,90 /.0,.30.777. 201872 2,65 [115/0225 / 2737093, A
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 141
Espinulação: I - fêmur d1-1, p0-0-2, r0, vO; tíbia dO, p0, r0, v2-2-0. II - fêmur d1-1, pO-
0-2, r0, vO; tíbia dO, p0-0-1, r0, vO-1r-0; metatarso dO, pO, r0, v2-2-1. II - fêmur dl-1,
p0-1-2,r 0-1-2 vO; tíbia dO, pl-1, r0, vlp-Ir-2; metatarso dO, p1-1-2,r1-1-2, v2-2-1. IV
- fêmur dl-1, p0-1-1, r0-1-1, tíbia dO, pO-1, r1-1, v1p-2-2; metatarso dO, pl-1-2,rl-1-2,
v2-2-1.
Epígino: átrio amplo, aberturas de fecundação conspícuas; margem posterior do
epígino não projetada posteriormente; ápice das espermatecas pouco diferenciado (figs.
106, 107).
Variação. Comprimento: (10 machos) total 5,50 - 6,90; carapaça 2,40 - 3,10;
fêmur 1 2,40 - 3,30; (6 fêmeas) total 6,30 - 7,50; carapaça 2,90 - 3,40; fêmur 12,50 - 2,80.
Retromargem das quelíceras com 6 ou 7 dentes; promargem com 3 ou 4.
Distribuição geográfica. Brasil: Bahia (fig. 110).
Material-tipo. Parátipos: BRASIL. Bahia: Uruçuca (Fazenda Santa Tereza), 1 9, 06.X.1969 (MNRJ);
Camacan (Fazenda Matiapä), 1 2, 16.X.1979,J. S. Santos col. (MCN 10865); 1 3, 16.X.1978,J. S. Santos col.
(MCN 11316); Itamaraju (Fazenda Pau Brasil), 1 S, 23.V.1969 (MNRJ).
Material adicional. BRASIL. Bahia: Gandu (Fazenda Mineiro) , 2 S, 1 jovem, 21.11.1970 (MNRJ);
(Fazenda São Rafael), 1 9, 29.1.1971 (MNRJ); Juçarí (Fazenda São Francisco), 1 I, 20.XI1.1969 (MNRJ);
Camacan, 2 & (MNRJ); (Fazenda Santa Úrsula), 1 2, 7 jovens, 05.11.1969 (MNRJ); (Fazenda Matiapä) 19,
16.X.1978,J. S. Santos col. (CPDC); Itamaraju, 19, X.1986, C. Vianna col. (CRB 1961); (Fazenda Pau Brasil),
1 9, 23.V.1969 (MNRJ); 1 6, 21.11.1971 (MNRJ).
Agradecimentos. Ao Prof. Dr. Amo Antônio Lise, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul, pela orientação na Dissertação de Mestrado. Ao Curso de Pós-graduação em Ciências Biológicas -
Zoologia, Universidade Federal do Paraná, na pessoa da coordenadora, Dr? Setuko Masunari pela aceitação do
projeto de Dissertação de Mestrado. Ao Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande
do Sul, na pessoa da Diretora, Prof? Christina Gresele, pelo acolhimento no Núcleo de Invertebrados
Superiores. Aos curadores das várias instituições que enviaram material. À Maria Aparecida de Leão Mar-
ques, Antônio Domingos Brescovit (MCN) e Ricardo Pinto da Rocha (USP) pelo incentivo, sugestões e
relevantes críticas. À Erica Helena Buckup (MCN) pelas valiosas sugestões e imprescindível assistência na
elaboração deste trabalho. À Aderlene Inês de Lara, pelo apoio constante.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 143
Indice (nomes válidos em itálico)
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Recebido em 16.04.1993; aceito em 31.08.1993.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
BONALDO
Figs. 1 - 4. Eutichurus ferox Simon. Macho, corpo: 1, dorsal; 2, ventral; cefalotórax: 3, lateral. Fêmea,
cefalotórax: 4, lateral. Todas as figuras na mesma escala. Barra = 2 mm.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 145
Figs. 5-9. Ericaella longipes (Chickering). Macho, corpo: 5, lateral; 6, dorsal. Radulphius camacan sp. n.
Macho, cefalotórax: 7, dorsal; 8, lateral. Fêmea, cefalotórax: 9, lateral. Figs. 7-9 respectivamente na mesma
escala. Barra = 1 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
146 BONALDO
Figs. 10-18. Eutichurus silvae sp. n.. Macho, palpo expandido: 10, prolateral; 11, retrolateral. E. ravidus Simon.
Macho, palpo expandido: 12, retrolateral. Ericaella longipes (Chickering). Macho, palpo expandido: 13,
retrolateral. Radulphius camacan sp. n. Macho, palpo expandido: 14, prolateral; 15, retrolateral. Eutichurus
silvae sp.n.. Fêmea, epígino: 16, ventral; 17, dorsal. E. ravidus Simon. Fêmea, epígino: 18, dorsal. Abreviaturas:
A, átrio; AE, ápice da espermateca; AM, apófise média; BE, base da espermateca; C, condutor; DE, ducto
ejaculatório; DF, ducto de fertilização; E. êmbolo; F, fundus; FL, fulerum; HB, hematodoca basal; HE, haste
da espermateca; HM, hematodoca média; ME, membrana embolar; LA, lobo anterior; P, pecíolo; PA, pars
pendula; PE, processo embolar; PP, placa posterior; RE, reservatório; ST, subtégulo; T, tégulo. Figs. 10, 11;
14, 15 respectivamente na mesma escala. Barra = 0,5 mm; fig. 13, 0,1 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 147
Figs. 19 - 25. Eutichurus ferox Simon. Macho, palpo: 19, ventral; 20, retrolateral; fêmea, epígino: 21, ventral.
E. silvae sp. n. Macho, palpo: 22, ventral; 23, retrolateral; fêmea, epígino: 24, ventral; 25, dorsal. Abreviatu-
ras: ATR, apófise tibial retrolateral; PAM, prolongamento da apófise média. Figs. 19-21; 22-25 respectiva-
mente na mesma escala. Barra = 1 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
BONALDO
Figs. 26 - 31. Eutichurus yalen sp. n. Macho: 26, palpo, ventral; 27, êmbolo, prolateral; 28, palpo, retrolateral.
E. cuzco sp. n. Macho: 29, palpo ventral: 30, êmbolo, prolateral; 31, palpo, retrolateral. Figs. 26 - 28; 29 - 31
respectivamente na mesma escala. Barra = 0,5 mm.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 149
Figs. 32 - 37. Eutichurus pallatanga sp. n. Macho: 32, palpo, ventral; 33, êmbolo, prolateral; 34, palpo,
retrolateral. E. abiseo sp. n. Macho: 35, palpo, ventral; 36, êmbolo, prolateral; 37, palpo, retrolateral. Figs. 32
- 34; 35 - 37 respectivamente na mesma escala. Barra = 0,5 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
150 BONALDO
u 43
Figs. 38 - 47. Eutichurus lizeri Mello-Leitäo. Macho: 38, palpo, ventral; 39, &mbolo, prolateral; 40, palpo,
retrolateral; femeä, epigino: 41, ventral; 42, dorsal. E. brescoviti sp. n. Macho: 43, palpo ventral; 44, &mbolo,
prolateral; 45, palpo, retrolateral. E. tropicus (L. Koch). Fêmea, epígino: 46, ventral; 47, dorsal. Figs. 38 - 42;
43 - 45; 46, 47 respectivamente na mesma escala. Barra = 0,5 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
a
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 151
Figs. 48 - 55. Eutichurus valderramai sp. n. Macho, palpo: 48, ventral; 49, retrolateral; fêmea, epígino: 50,
ventral; 51, dorsal. E. saylapampa sp. n. Fêmea, epígino: 52, ventral. E. arnoi sp. n. Fêmea, epígino: 53, ventral.
E. zarate sp. n. Fêmea, epígino: 54, ventral; 55, dorsal. Figs. 48 - 51; 52 - 55 respectivamente na mesma escala.
Barra = 0,5 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
152 BONALDO
Figs. 56-64. Eutichurus furcifer Kraus. Macho, palpo: 56, ventral; 57, retrolateral; 58, êmbolo, prolateral;
fêmea, epígino: 59, ventral; 60, posterior; 61, dorsal. E. ibiuna sp. n. Macho: 62, palpo, ventral; 63, êmbolo,
prolateral; 64, palpo, retrolateral. Figs. 56 - 59, 61; 62 - 64 respectivamente na mesma escala. Barra = 0,25
mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 153
Figs. 65 - 74. Eutichurus ravidus Simon. Macho: 65, palpo, ventral; 66, êmbolo, prolateral; 67, palpo, retrolateral;
fêmea, epígino: 68, ventral; 69, dorsal. E. itamaraju sp. n. Macho: 70, palpo, ventral; 71, êmbolo, prolateral; 72,
palpo, retrolateral; fêmea, epígino: 73, ventral; 74, dorsal. Todas as figuaras na mesma escala. Barra = 0,5 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
154 BONALDO
Figs. 75 - 83. Eutichurus luridus Simon. Macho, palpo: 75, ventral; 76, retrolateral; fêmea, epígino: 77, ven-
tral; 78, dorsal. E. madre sp. n. Fêmea, epígino: 79, ventral. E. marquesae sp. n. Fêmea, epígino: 80, ventral;
81, dorsal. E. manu sp. n. Fêmea, epígino: 82, ventral; 83, dorsal. Figs. 75 - 78; 79 - 83 respectivamente na
mesma escala. Barra = 0,25 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 155
Figs. 84 - 93. Eutichurus sigillatus Chickering. Macho: 84, palpo, ventral; 85, êmbolo, prolateral; 86, palpo,
retrolateral; fêmea, epígino: 87, ventral; 88, dorsal. E. putus O. Pickard-Cambridge. Macho: 89, palpo, ventral;
90, êmbolo, prolateral; 91, palpo, retrolateral; fêmea, epígino: 92, ventral; 93, dorsal. Figs. 84 - 88, 92, 93; 89
- 91 respectivamente na mesma escala. Barra = 0,25 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
156 BONALDO
Figs. 94 - 101. Ericaella longipes (Chickering). Macho, palpo: 94, ventral; 95, retrolateral; fêmea, epígino: 96,
ventral; 97, dorsal. E. samiria sp. n. Macho, palpo: 98, ventral; 99, retrolateral; fêmea, epígino: 100, ventral; 101,
dorsal. Abreviaturas: ATD, apófise tibial dorsal; ATR, apófise tibial retrolateral; PM, placa mediana. Figs. 94,
95, 98 - 101; 96, 97 respectivamente na mesma escala. Barra = 0,1 mm.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 157
DE —< pe 107
Figs. 102 - 107. Radulphius bicolor Keyserling. Fêmea, epígino: 102, ventral. R. camacan sp. n. Macho, palpo:
103, ventral; 104, retrolateral; 105, prolateral; fêmea, epígino: 106, ventral; 107, dorsal. Abreviaturas: AE, ápice
da espermateca; AF, abertura de fecundação; BE, base da espermateca; DC, ducto copulatório; DF, ducto de
fertilização; HE, haste da espermateca. Todas as figuras na mesma escala. Barra = 0,25 mm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
158 BONALDO
En Ten
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100º 90º 80° 70° 60° 50° 40° 30° 20°
Figs. 108, 109. Fig. 108, distribuição: Ericaella longipes (Chickering) ( :* ); Eutichurus arnoi sp. n. (0); E.
brescoviti sp.n. (A); E. furcifer Kraus (MM); E. marquesae sp. n. (X ); E. sigillatus Chickering (®); E. tropicus
(L. Koch) ( 4 ). Fig. 109, distribuição: Eutichurus abiseo sp. n. ( Jr); E. ferox Simon (0); E. itamaraju sp.
n. (©); E. luridus Simon ( A ); E. manu sp. n. (A); E. putus O. Pickard-Cambridge (E); E. valderramai sp.
n.( x ); E. yalensp.n. (0); E. zarate sp.n. (cs).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994.
A subfamília Eutichurinae na Região Neotropical... 159
Fig. 110. Distribuição: Ericaella samiria sp. n. (B); Eutichurus cuzco sp.n. (O); E. ibiuna sp.n. (=); E. lizeri
Mello-Leitão ( @ ); E. madre sp.n. (e ); E. pallatanga sp. n. (U); E.ravidus Simon (A ); E. saylapampa sp.
n.( A); E. silvae sp. n. (WM); Radulphius bicolor Keyserling ( x ); R. camacan sp.n. (7).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 101-159, 2 mar. 1994
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FECUNDIDADE DE CYPHOCHARAX VOGA (HENSEL, 1869) NA LAGOA
EMBOABA, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL. (CHARACIFORMES,
CURIMATIDAE)
Sandra M. Hartz !
Alexandre G. Martins ?
Alberto C. Peret °
ABSTRACT
FECUNDITY OF CYPHOCHARAX VOGA (HENSEL, 1865) IN THE EMBOABA LAGOON, RIO
GRANDE DO SUL, BRAZIL. (CHARACIFORMES, CURIMATIDAE). The absolute and relative fecundities
of Cyphocharax voga (Hensel, 1869) in the Emboaba Lagoon, state of Rio Grande do Sul, Brazil were estimated
for 1989/90 reproductive period. The average absolute fecundity was 74920 ovocytes. Fecundity is related to
others parameters, such as length and weight. The best correlation was between fecundity and ovary weight.
KEYWORDS. Fecundity, Cyphocharax, Curimatidae.
INTRODUÇÃO
Curimatidae constitui um grupo de peixes neotropicais que habita uma ampla
variedade de sistemas aquáticos continentais, tendo sido revisada, filogeneticamente, por
VARI (1989).
Aspectos relativos à fecundidade de algumas espécies de Curimatidae são encon-
trados em AZEVEDO et al. (1938), NOMURA & TAVEIRA (1979), NOMURA &
HAYASHI (1980), TAPHORN & LILYESTROM (1983), CARVALHO (1984) e
ROMAGOSA et al. (1984).
Cyphocharax voga (Hensel, 1869), conhecida popularmente no Rio Grande do Sul
como “birú”, distribui-se desde a bacia hidrográfica do rio Paraguai, baixo rio Paraná, até
os sistemas hidrográficos de rios costeiros mais ao sul (VARI, 1988). Trata-se de espécie
de importância econômica, sendo um produto de baixo custo.
1. Laboratório de Ictiologia, Dep. de Zoologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Av. Paulo Gama, s/nº. CEP: 90046-900 Porto Alegre,
RS.
2. Bolsista de Iniciação Científica - FAPERGS.
3. Centro de Ecologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Av. Bento Gonçalves, 9500. CEP. 91501-970 - Porto Alegre, RS.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 161-165, 2 mar. 1994
162 HARTZ, MARTINS & PERET
Segundo HARTZ (1991), C. voga é uma das espécies mais abundantes na Lagoa
Emboaba. Apresenta um período reprodutivo longo (de setembro a abril), com desovas
parceladas. O diâmetro médio dos ovócitos maduros foi estimado aproximadamente em
1025um, sendo que, nas fases subsequentes (semi-esgotado), surgem classes de ovócitos
em torno de 950um.
O objetivo é estimar as fecundidades absoluta e relativa de C. voga na Lagoa
Emboaba, RS, correspondente ao período reprodutivo de 1989/90.
MATERIAL E MÉTODOS
Os exemplares foram capturados na Lagoa Emboaba (29º 57' e 29º 58' latitude S e 50º 12' e 50° 13'
longitude W), município de Osório, RS, com redes de espera de malhas variando de 15 a 35mm entre-nós,
durante os meses de julho/89 a outubro/90. De cada indivíduo foram tomadas as medidas de comprimento total
(Lt), em mm, peso total e das gônadas (Wt e wg, respectivamente), em g. Das 385 fêmeas coletadas, foram
selecionadas aquelas que se apresentavam no final do processo de maturação gonadal (estádio maduro).
As gonädas foram colocadas em solução de Gilson modificada (VAZZOLER, 1982), permanecendo aí
até a separação total dos ovócitos. Após este período foram lavadas e conservadas em álcool 70%. Com o auxílio
de pipeta Stempel, foram feitas três subamostragens de 5ml cada, de um volume total de 250ml. Os ovöcitos,
com diâmetro superior a 900um, foram contados com o auxílio de estereomicroscópio Zeiss.
A fecundidade absoluta (F) foi estimada através do modelo: N= —- , onde: N= número total de
ovócitos; n = número médio de ovócitos vitelinados obtidos nas subamostragens; V = volume total da solução;
v = volume da subamostra.
Os dados de fecundidade absoluta foram relacionados com o comprimento total, peso total e peso das gônadas, através
do método dos mínimos quadrados, para a obtenção da fecundidade relativa.
RESULTADOS
A fecundidade absoluta (F), considerada como o número de ovócitos que pode ser
eliminado por fêmea durante uma estação de desova, apresentou um valor médio de 74920
ovócitos, com valores mínimos e máximos de 44145 e 100130 ovócitos, respectivamente.
As relações de F x Lt, Fx Wte F x wg (fecundidade relativa) são mostradas nas
figuras 1-3, respectivamente. Constata-se que o número de ovócitos aumenta em função
destas variáveis. A melhor função ajustante foi potencial para comprimento (tabela I) e
linear para peso total e de gônada.
Tabela I. Dados do ajuste da relação entre fecundidade absoluta (F) e comprimento total (Lt) para Cyphocharax
voga na Lagoa Emboaba, Rio Grande do Sul, referente ao período reprodutivo de 1989/90. N = número de
exemplares; Ax = amplitude da variável x logaritmizada (InLt); B = valor do coeficiente de regressão; A = valor
da constante de regressão; r = coeficiente de correlação linear de Pearson.
N Ax B A T
FxLt 14 5,38 - 5,50 4,28 -12,17 0,66
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 161-165, 2 mar. 1994
Fecundidade de Cyphocharax voga... 163
DISCUSSÃO
Comparando-se a fecundidade de C. voga com as de outros Curimatidae, verifica-
se que esta espécie apresenta valores superiores à maioria, sendo superada apenas por
Curimata (Potamorhina) pristigaster (= Potamorhina pristigaster (Steindachner, 1876))
estimada por CARVALHO (1984), variando entre 51330 e 667800 ovócitos.
Segundo NIKOLSKY (1969), a fecundidade é um parâmetro altamente depen-
dente do suprimento alimentar, o que pode resultar na diferença entre um período
reprodutivo e outro. Está, também, relacionada ao tamanho de primeira maturação
gonadal, longevidade e, em função inversa, ao cuidado de prole. C. voga parece não
dispensar cuidados especiais às suas posturas, desovando parceladamente durante um
período longo. Estes fatores muito provavelmente contribuem para sua alta fecundidade.
Segundo BARBIERI (1989), em função de ser a estimativa de fecundidade em
peixes com desova parcelada mais difícil, é conveniente estimar o total de ovócitos
vitelinados (maduros e que estão em maturação) que será posto durante todo o período
reprodutivo. Consideram-se, neste estudo, ovócitos com diâmetros superiores a 900um,
o que garantiu não só a contagem daqueles que seriam depositados de momento, como
também aqueles que seriam desovados subsegiientemente.
Quanto à fecundidade relativa, BAGENAL & BRAUM (1978) e WOOTTON (1991)
afirmaram que a relação típica entre o número de ovócitos vitelinados e variáveis como
comprimento e peso é do tipo potencial ( y = ax”). Isto foi constatado para C. voga
quanto ao comprimento total. Todavia, as funções que melhor se ajustaram às relações
entre fecundidade e peso foram lineares. Os mesmos autores citados anteriormente
consideraram que a tendência linear é resultante de uma baixa variação do tamanho dos
peixes amostrados. Isto até pode ter ocorrido, pois a variação de comprimento total das
fêmeas utilizadas para a contagem de ovócitos (218-245mm) foi pequena, uma vez que
HARTZ (1991) estimou valores médios de primeira maturação gonadal em torno de
171mm para esta espécie. ROMAGOSA et al. (1984) encontraram uma grande varia-
ção na fecundidade para exemplares de mesmo comprimento ou peso. Esta variação
também foi encontrada para C. voga. WOTTON (1991) considerou como consegiiência
da interação de fatores tanto genéticos quanto ambientais. Apesar desta variação,
observou-se que a fecundidade de C. voga está mais relacionada ao peso das gônadas.
Tal resultado também foi obtido por CARVALHO (1984) e ROMAGOSA et al.
(1984).
Agradecimentos. Profa. Leda A. Jardim pela leitura crítica do manuscrito e aos biólogos Clarice
Fialho e Willy Bruschi Jr. pelo auxílio em campo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Recebido em 30.09.1993: aceito em 18.11.1993
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 161-165, 2 mar. 1994
Fecundidade de Cyphocharax voga... 165
no. ovócitos (x 1000) 1
0
-6 4.28
F=5,15x10 Lt
0 50 100 150 200 250 300
F=411,338Wt-17848,1
T=0,64
0 50 100 150 200 250 300 350
Wt(g)
no. ovócitos (x 1000): 3
F=1896,35wg-10496,7
1=0,76
we(g)
Figs. 1-3. Relações entre o número de ovócitos e as variáveis: 1. Comprimento total (Lt), 2. Peso total (Wt) e
3. Peso das gônadas (wg) paraCyphocharax voga (Hensel, 1869) na Lagoa Emboaba, Rio Grande do Sul, durante
o período reprodutivo de 1989/90.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 161-165, 2 mar. 1994
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NOTA CIENTÍFICA 167
FIRST RECORD OF LAGENOPHRYS DISCOIDEA KELLICOTT
(CILIOPHORA, PERITRICHA, LAGENOPHRYIDAE), ECTOCOMMENSAL
OF ARGENTINIAN OSTRACODS !
KEYWORDS: Ciliates, epizoics, ostracods, Argentina.
As a result of the analysis of benthic samples from San Miguel del Monte lagoon,
Buenos Aires, Argentina, the presence of Lagenophrys discoidea Kellicott, 1887 as
ectocommensal on Cyprinotus similis (Wierzejski, 1893) was recorded. This interesting
peritrich species is mentioned for the first time in South America.
This record agrees with CORLISS & BROUGH (1965) and CLAMP (1987) about
the cosmopolitism of Lagenophrys species. All of them are ectocommensals associated
with crustaceans. In South America they were mentioned attached to anomuran decapods
(MOUCHET-BENNATI, 1932), amphipods (THOMSEN, 1945) and astacuran decapods
(CLAMP, 1988). L. discoidea was always found fixed to ostracods.
This species was registered in Canada, United States of America and under other
names in Europe and China. CLAMP (1990) redescribed the species and established
that L. labiata Wallengren, 1900 non Stokes 1887, L. wallengreni Abonyi, 1928 and
Circolagenophrys entocytheris Jankowski, 1986 are their synonyms.
Ostracods were taken during 1989 from bottom samples in San Miguel del Monte
lagoon (Buenos Aires province). Samples were obtained with a modified Ekman grab
and a modified suber sampler. Samples of preserved material are deposited in the
Microfauna Laboratory of Institute of Limnology “Dr. Raúl A. Ringuelet”.
The presence of ectocommensals on C. similis was very common in all sampling
Occasions.
Observations, illustrations and measurements (Table I) were made on living
material according with NENNINGER (1948) and SOMMER (1951) criterion.
Table 1. Measurements of Lagenophrys discoidea (n = 25).
Mean SD: EV: Range
(um) (um) % (um)
Heigth of lorica ET +4.6 16.4 23.5-37.6
Length of lorica 74.00 + 6.8 92 62.4-94.0
Width of lorica 67.68 3.8 8.5 59.5-84.4
Length of lips 24.90 am Ile) 12 24.0-28.8
Length lorica/width lorica 1,09 + 0.08 1.3 1.0-1.4
1. Scientific Contribution nº 447 of Institute of Limnology “Dr. Raúl A. Ringuelet”.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 167-170, 2 mar. 1994
168 CLAPS & SAMPÓNS
Lagenophrys discoidea Kellicott, 1887.
(Figs. 1-4)
The lorica is hemispherical and flattened, being nearly circular in dorsal view
(figs. 1,3). The opening of the lorica (loricastome) is situated at one end of it (fig. 3). The
lips of the loricastome are smooth and without proyections or indentations and oriented
parallel to the transverse axis of the body (fig. 1). Ciliary crown protrudes through the
loricastome. In the middle of the body, the macronucleus is C-shaped and is oriented on
the long axis of the body (fig. 2). The single contractile vesicle is in the first third of the
body.
Biological aspects. Contrary to STILLER (1960) record who found L. discoidea in
waters with high concentrations of oxygen, our specimens were found on probes of
lagoon sediments with elevated concentrations of SH>. This condition agree with
CLAMP (1990) opinion that cyprid ostracods from marshes and swamps are the most
common hosts of this species.
KEISER (1921) suggested that epizoics are associated with swimming ostracods
forms rather than bottom ones. In accordance with this opinion, C. similis can be
included into the former group because is a active swimmer (KAESTNER, 1970)
collected always in the water upon sediments and no burrowing in the mud.
KEISER (1921) pointed out that L. discoidea was found on the lateral surface of
the ostracod carapace and never on its margins. We found both lateral and marginal
locations in our material (fig. 4). Almost all of them showed the same orientation with
their loricastomes pointed to the posterior margin of the host. This distribution pattern
was also observed by WALKER & ROBERTS (1982) and CLAMP (1987). They
pointed out that Lagenophrys species intentionally choose host areas swept by currents
of high velocity.
The number of epizoics attached to the host carapace is variable. WALLENGREN
(1900) observed 15-20 specimens on a single individual. In our samples most of the
adult host (males and females) showed an elevated number of peritrichs (x = 75
specimens/host). Density varied in relation to the size of the valves. In C. similis the left
valve is larger than the right one. On the former we found 46 peritrichs and on the latter
32 as maximum values.
This assumption is also valid for the ostracod larval stages. The epizoics appear
after the third process of molting and never before. This fact can be attributed to the short
period between molts in the three first larval stages and to the small size of their
carapace. We often found 1-4 epizoics/host in several ostracods between the 4th and 8th
larval stage. All of them had epizoics restricted only to the lateral surface of one or both
valves.
We must point out we have frequently observed some degenerate individuals
(residual organism) (CLAMP, 1991) on free valves of a recent molt. They survives for a
few hours with decreasing vitality.
Besides, we examined other crustaceans present in the same samples (cyclopoid
and harpacticoid copepods and cladocerans) and none of them showed L. discoidea. This
fact emphasizes that this species is restricted to ostracods.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 167-170, 2 mar. 1994.
First record of Lagenophrys discoidea.... 169
Figs. 1-4. Lagenophrys discoidea: 1-3. general view (scale bar = 10um); 2. macronucleus (scale bar = 10 um);
4. epizoics localization on the host (scale bar = 100 um).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (76): 167-170, 2 mar. 1994
170 CLAPS & SAMPÓNS
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Limnologia “Dr. Raúl A. Ringuelet”, Universidad Nacional de La Plata, Paseo del
Bosque s/n, 1900 La Plata, República Argentina (CONICET).
Recebido em 12.02.1992: aceito em 12.07.1993.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 167-170, 2 mar. 1994.
171
NECROLÓGIO
Pedro Canísio Braun
(19.11.1938 - 19.11.1992)
PEDRO CANÍSIO BRAUN nasceu em Cruz Alta, RS, no dia dezenove de
novembro de 1938, onde permaneceu em sua infância e grande parte da adolescência.
Vindo para Porto Alegre, concluiu seu curso secundário no Colégio Estadual Júlio de
Castilhos e, em 1960, ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul, onde obteve os títulos de Bacharel e
Licenciado em História Natural, no ano de 1963.
Iniciou sua carreira científica em 1965, quando estagiou no Setor de Herpetologia
do então Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais, sob a orientação do Prof. Dr. Thales
de Lema, onde despertou seu interesse pelo estudo dos anfíbios.
Foi bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
- CNPq (1972-1983) e ingressou como Técnico Superior Pesquisador, em 1975, no
Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, atuando no
Núcleo de Vertebrados, sempre dedicado ao estudo da fauna anfibiológica do RS.
Participou constantemente de viagens científicas de observação e coleta de material
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 171-173, 2 mar. 1994
Io)
zoológico, tanto daquelas desenvolvidas em Projetos de Inventariamento da Fauna e Flora
do Rio Grande do Sul, que envolviam os diferentes Núcleos de Pesquisa do Museu de
Ciências Naturais, quanto daquelas que organizava com o objetivo específico de suas
pesquisas. Colaborou, desta forma e por ter percorrido grande parte do Estado, em suas
diferentes regiões fisiogeográficas, para o incremento de outras coleções científicas.
Foi curador da coleção de anfíbios, tendo sido responsável por seu incremento,
organização e incorporação ao Banco de Dados do Ambiente Natural (BDA), onde estão
catalogados, atualmente, 13.404 exemplares.
Como atividades de especialização e divulgação de seus trabalhos, participou de
vários Cursos, Simpósios, Congressos e Seminários, proferindo palestras em várias
oportunidades.
Foi membro de várias associações profissionais e científicas, participando ativa-
mente da Associação dos Naturalistas do Rio Grande do Sul, atual Associação Profissi-
onal dos Biólogos do Rio Grande do Sul, como tesoureiro (1972/3) e como membro do
Conselho Fiscal e Técnico (1976/1982).
Paralelamente exerceu os cargos de Professor de Ciências Físicas e Biológicas, em
diversas escolas públicas e particulares e de Perito Criminalístico da Secretaria da
Segurança Pública.
Como grande conhecedor de seu povo, usos e costumes, demonstrou toda a
sensibilidade de sua alma através de sua poesia, onde cantou seu amor à Terra com a
competência e criatividade que só os poetas sabem ter. Deixou publicados dois livros:
“Prá ti Querência” e “Ao pé do fogo”, que certamente enriqueceram o acervo cultural
gaúcho.
Pedro Canísio Braun era filho de João Aloysio Braun e Euclydes Caetano Braun.
Foi casado com a Bióloga Cristina Assunção Sirängelo Braun, que também se dedicou,
por vários anos, à pesquisa de anfíbios e com a qual publicou em co-autoria 18 de seus
trabalhos científicos. Deixou os filhos Adriana, Pedro e Aloísio e a neta Cristiane.
Sua perda prematura deixou uma grande lacuna no meio científico e cultural gaúcho
e principalmente uma grande saudade de seus amigos, os quais soube cativar, como
poucos, durante a sua vida.
TRABALHOS PUBLICADOS
BRAUN,P.C. 1973. Nova espécie do gênero Proceratophrys Miranda-Ribeiro, 1920 do Estado do Rio Grande
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LEMA, T. de & BRAUN, P. C. Revta. bras. Zool., Rio de Janeiro, (no prelo).
Moema Leitão de Araújo
Maria Lúcia Machado Alves
(Museu Ciências Naturais, Porto Alegre)
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 171-173, 2 mar. 1994
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175
O periódico IHERINGIA, SÉRIE ZOOLOGIA editado pelo Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica
do Rio Grande do Sul, destina-se a publicar trabalhos originais em Zoologia. E distribuído a Instituições congêneres em
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que deve seguir o nome do autor. As abreviaturas dos nomes de periódicos devem obedecer as normas do “World List of
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SANTOS, E. 1952. Da ema ao beija-flor. 2.ed.rev. ampl. Rio de Janeiro, F. Briguiet. 335p.
BERTSCHINGER, R. B. E. & THOMÉ, J.W. 1987. Contribuição à recaracterização de Phyllocaulis soleiformis (Orbigny,
1835) (Gastropoda, Veronicelidae). Revta bras. Zool., São Paulo, 4 (3): 215-233.
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o dobro, adotado o critério de rigorosa economia de espaço. A Comissão Editorial reserva-se o direito de efetuar alterações
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Oeste e as siglas das instituições compostas de 4 letras segundo o modelo abaixo:
Ex.: VENEZUELA. Sucre: San Antonio del Golfe, 5 Q, 08.V.1942, S. Karpinski col., (MNHN, 2547). PANAMÁ.
Chiriqui: Bugaba (Volcan de Chiriqui), 3 Cm Q, 24.V1.1901, Champion col. (BMNH, 1901). BRASIL. Goiás: Jataí,
(Fazenda Aceiro), 3 Ö ,15.X1.1915, C. Bueno Col. (MZSP, 4312); Paraná: Curitiba, 1 Q 10.X11.1925, F. Silveira col.
(MNRJ); Rio Grande do Sul: Viamão, 5 Ö.17.X1.1943, S. Carvalho col. (MCNZ, 2147).
8. A seleção dos manuscritos far-se-á pela Comissão Redatorial após parecer de no mínimo dois referees.
Alterações de pequena monta serão feitas pela própria Comissão. Alterações mais substanciais serão solicitadas aos autores,
mediante a devolução dos originais, acompanhados das sugestões. As provas tipográficas não serão enviadas ao (s) autor (es),
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Brasil
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 169, 2 mar. 1994.
176
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° Arno A. Lise, Instituto de Biociências, PUC-RS. Porto Alegre, RS.
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º Carlos Emílio Benvenuti, Departamento de Biologia-Bentos, Rio Grande, RS
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* Luiz D. Vizotto, Instituto de Biociências, UNESP, São José do Rio Preto, SP
* Luiz Roberto Tommasi, Instituto Oceanográfico, USP, São Paulo, SP
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* Sérgio de Almeida Rodrigues, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
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Sônia Maria L. Garcia, Instituto de Biologia, UFRGS, Porto Alegre, RS
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* Victor Py-Daniel, Coordenação de Pesquisas em Entomologia, INPA, Manaus, AM
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* Werner Bokermann, Fundação Parque Zoológico de São Paulo, SP
* Wladimir Lobato Paraense, Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ.
* Woodruf W. Benson, Departamento de Zoologia, UNICAMP, Campinas, SP
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (76): 170, 2 mar. 1994
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BL ISSN 0073-4721
Iheringia
Série Zoologia
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O ENIO, 6 GOSCTIÇÃO de UMA NOVA CEDÉCIO....ussusmssessisessessesssescsscssrsesseonisessosesrenasnesesaciesuscoreemesussecaonesavasa
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O ICE, COMER). snrssrsnsssssrsissisosenvassparcrassrscreacarerrniciscorenarenersóo ronco reset Terran
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Assessores científicos e normas para publicação: vide Iheringia, Ser. Zool.
(76): 175-176.
BL ISSN 0073-4721
Iheringıa
Série Zoologia
A revista IHERINGIA, Sér. Zool. é editada pelo Museu de Ciências Naturais, órgão
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Lei Estadual nº 6.497, de 20.12.72, supervisionada pela Secretaria de Estado da Agricultura
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destinadas a notas prévias, resenhas bibliográficas e notícias de interesse resultantes de
pesquisa em Zoologia
Este número foi editado e impresso na gráfica Pallotti em setembro de 1994.
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Iheringia, Ser. Zoologia. v.1, 1957 -
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1957 -
Semestral
ISSN 0073-4721
1. Zoologia-Periödicos - Brasil.
2. Trabalhos cientificos - Zoologia - Brasil. I. Museu de
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do Sul
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Artigos publicados em Iheringia ser. Zoologia säo indexados por: Abstracts of Entomology,
Apicultural Abstracts, Bioresearch Index, Biological Abstracts, Centre International de
Documentation Arachnologique, Entomological Abstracts, The Zoological Record.
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MCT (Qenra EJFINEP
ON GYROPUS PARVUS PARVUS (EWING, 1924) AND PHTHEIROPOIOS
RIONEGRENSIS SP.N. (PHTHIRAPTERA, AMBLYCERA, GYROPIDAE),
PARASITIC ON CTENOMYS HAIGI THOMAS, 1919 (MAMMALIA,
RODENTIA, CTENOMYIDAE)
Armando C. Cicchino !
Dolores del Carmen Castro !
ABSTRACT
Phtheiropoios rionegrensis sp. n. is described from specimens collected off Ctenomys haigi, C.
mendocinus and C. australis in Argentina. The male genitalia of Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924) is
redescribed. The sites of oviposition, the external architecture of the eggs, the “hatching organ” of the embryo
and synoxenic occurrence throw the geographical ranges of their hosts are studied.
KEYWORDS. Phtheiropoios, Gyropus, Ctenomys, eggs, synoxenia, Argentina.
INTRODUCTION
This paper deals with Amblycera (Insecta: Phthiraptera) parasitic on Ctenomys
species (Mammalia: Rodentia: Ctenomyidae) from different localities of Mendoza and
Rio Negro Provinces, Argentina. The relevant features of the imagoes of Gyropus parvus
parvus (Ewing, 1924) and Phtheiropoios rionegrensis sp. n. (Gyropidae: Gyropinae) are
Illustrated and described, as well as the chorionic external architecture, egg-laying sites
on the rodent hosts and geographical ranges.
MATERIAL AND METHODS
Most of the adult specimens were obtained alive from different Ctenomys species, also trapped alive. A
minor amount was taken from museum study skins housed at Museo de La Plata (MLPA), La’Plata, Buenos
Aires, Argentina, which were used as a secondary source of lice only.
Lice were fixed in ethanol-acetic 1:1 vol/vol mixture. Most of them were mounted on slides following
the procedure described by CASTRO & CICCHINO (1978), using Eosin W as staining agent.
The eggs were taken from the different Ctenomys species, killed with commercial ether, air-dried during
two weeks, and then cleaned during 20-30 seconds in acetone 100% by means of an ultrasonic vibrator. After,
they were mounted on several stubs in different positions, coated with gold-palladium in a Jeol vacuum
metallizer, and subsequently examined with a Jeol T-100 Scanning Electron Microscope (SEM). Measurements:
under the SEM, by means of the digital scale given authomatically at different magnifications. Under the light
1. Museo de La Plata, Paseo del Bosque s/n, 1900 La Plata, Buenos Aires, Argentina. (CONICET).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
4 CICCHINO & CASTRO
microscope, using an appropriate callibrated eyepiece. All measurements are given in micrometers (um).
Pictures: for the SEM photographs a Kodak Verichrome Pan R VP 120 (ASA 125/22 DIN) film was
used. Drawings were traced by means of a camera lucida. All SEM pictures were stored in an iconographic
collection and were available from the authors.
Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924)
(Figs. 1-3, 14-24, 31-35)
General habitus of male and female matching those described by WERNECK
(1936, 1948). For general remarks and hosts associations see CASTRO et al. (1987).
Male genitalia typical, with a large and complicated penis (fig. 1), pseudopenis U-shaped
(figs. 1,2), paramera long and curved outwardly, their tips extending beyond the basal
plate. A lightly pigmented and poorly defined ventral plate (fig. 3) extends between the
paramera, being difficult to see in whole-mounted specimens.
Type host: Ctenomys magellanicus Bennett, 1835.
Other hosts records (include previous records by EWING (1924), WERNECK
(1936, 1948), CASTRO et al. (1987) and CASTRO & CICCHINO (1987) and those from
the present study): Ctenomys mendocinus Philippi, 1869; C. talarum talarum Thomas,
1898; C. porteousi Thomas, 1916; C. australis Rusconi, 1934; C. sericeus J. A. Allen,
1903; C. opimus Wagner 1900 and Ctenomys sp. from Villa Mercedes, Argentina.
Specimens examined. Numerous males, females and nymphs from the following
Ctenomys species: C. opimus, Tilcara, Jujuy Province; C. mendocinus, Paramillos (Las
Heras), Cerro Melön (Las Heras), La Punilla (Lujan) and Malargüe, Mendoza Province;
Ctenomys sp., Villa Mercedes, San Luis Province; C. talarum talarum, Magdalena,
Buenos Aires Province; C. australis, Necochea and Monte Hermoso, Buenos Aires
Province; C. porteousi, Bonifacio (Guamini) and Chasicó (Villarino), Buenos Aires
Province; and C. haigi, Trapalcó (Avellaneda), Rio Negro Province and El Maiten
(Cushamen), Chubut Province. See figure 35.
Phtheiropoios rionegrensis sp. n.
(Figs. 4-7, 9, 12, 25-31, 33, 35)
Male: general habitus and chaetotaxy much as for P. latipollicaris (Ewing, 1924)
and P.forficulatus (Neumann, 1912), differing as follows: (1) from P. latipollicaris (figs.
8, 11): forficulae smaller and with a shorter “toe”, basal plate narrower (fig. 4),
pseudopenis distinctly shaped (fig. 6), paramera shorter and structure of the penis (fig.
12).
Female: reminiscent of P. latipollicaris, but with tendence to be noticeably smaller
in all somatic dimensions.
Type host: Ctenomys haigi Thomas, 1919.
Other hosts: C. mendocinus and C. australis.
Material examined. Holotype &, 14 & and 14 9 paratypes, all them from the type
host, Trapalcó, Avellaneda, Río Negro Province, Argentina (MLPA). Other specimens:
males, females and nymphs, collected off C. mendocinus from La Punilla (Dto. Luján),
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
On Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924) and... 5
El Chihuido and El Peralito (Dto. Malargiie), Mendoza Province (MLPA); off C. australis
from Necochea, Buenos Aires Province (MLPA).
Sites of oviposition. Gyropus p. parvus two dissimilar patterns of oviposition have
been observed: (1) in isolated colonies in Ctenomys t. talarum - two individual hosts
examined showing similar pattern (fig. 34) - the eggs are laid in the hairs of the ileosacral
area; (2) when synoxenic with Phtheiropoios species the egg laying sites are displaced
more peripherically (C. haigi, fig. 31) or around the ears and dorsum and venter of the
forelegs (C. porteousi, fig. 32), or scattered over the abdominal surface (in some
individuals of C. haigi, fig. 31), or combinations of the patterns described above (C. haigi
and C. australis, figs. 31, 33). Phtheiropoios rionegrensis sp. n. in isolated colonies or
when synoxenic with G. p. parvus, the eggs are unvariably laid in the hairs of the ileosacral
area, sometimes extended to the pubian and perineal areas (figs. 31,33).
External chorionic architecture of the eggs. The chorion of the eggs is formed
wholly by the follicle cells of the polytrophic ovariola. After the deposition of the
endochorionic layer over the vitelline cuticle, the exochorionic layer begins to be secreted.
This layer, in many cases, is not produced uniformly, but is deposited more rapidly at the
edges of the follicle cells than at their central area and, in consequence, some kinds of
“pits”, deep areolae or areas appear in the chorionic surface opposite to each follicle cell.
By this reason, the “pitted”, “fuzzy”, areolate or reticulate external surface of the egg is
aresultofthe imprints ofthe follicle cells which produce it, as has been pointed out, among
others, by BEAMENT (1946) for Hemiptera.
The external features and measurements of the eggs of both species are very
distinctive (table I). Two kinds of operculi are found, here typified as follows: (1) “dome-
shaped operculum”, found in G. p. parvus (figs. 19, 20, 22), with an uniformly curved
surface; (2) “capitate operculum”, found in P. rionegrensis sp. n. (figs. 25, 26, 28),
characterized by its polar half much enlarged and produced, naming this enlargement
“capitulum”.
Hatching organ of the embryo. The hatching organ is a cuticular structure of the
embryonic cuticle consisting in a basal and feebly sclerotized plate variously shaped, with
anumber of spines, tubercles, lancets and/or lancet-shaped blades. The true function of these
“bursters” is to tear the vitelline membrane (SYKES & WIGGLESWORTH, 1931;
HINTON, 1977). The chorion is then broken along a preformed line of weakness called the
abcission line by swallowing pressure generated by the embryo by pumping hemolymph
forward by rythmic contractions of the abdomen, and by filling the tracheal system with air
(CHAPMAN, 1969). As the embryonic cuticle 1s shed inmediately after hatching, itremains
attached inside the amphora (SYKES & WIGGLESWORTH, 1931).
The hatching organ of G. p. parvus and P. rionegrensis, sp. n., are very similar one
another, and are essentially identical in shape and structure to that of P. tucumanus Cicchino,
1990 (CICCHINO, 1990): a bottle-like shaped and tiny pigmented plate having three well
defined sets of spines, lancets or tubercles (figs. 15-18), here named: (1) apical teeth, and
inconspicuous number of small tubercles, with or without a central stronger tubercle or
spine, located at the bottom of the plate; (2) lateral teeth, long and slightly bent upward horn-
like teeth placed laterally, and (3) central tooth, one short, strong and spine-like tooth placed
at the top.
>
o:
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
CICCHINO & CASTRO
Table I: Measurements and distinctive features of the eggs of Gyropus parvus parvus (Ewing 1924) and
Phtheiropoios rionegrensis, sp. n.
ess
size (pm)
kind of
operculum
opercular callus
number of air
chambers
position of the
micropyla
callus of the
amphora
kind of mesh
of the amphora
Gyropus p. parvus
Length = 537-586
Width= 224-244
Dome-shaped, with
rugose and “pitted”
surface (figs. 19-22)
Not produced (figs.
1491920722935)
13-16, clearly coales-
cent with the opercu-
lar callus (figs. 23, 24)
Central (figs. 23, 24)
Incipient, with finger-
like outgrowth of various
lengths (figs. 14, 20)
Very thick, delimiting
many small and nearly
circular areolae (fig. 20)
Phtheiropoios rionegrensis, sp. n
Length= 634-683
Width= 293-317
Capitate, with smooth surface (figs. 25, 26, 28)
Greatly produced outwardly (figs. 25, 26, 28,
29)
15-16, not definitely coalescent with the oper-
cular callus (figs. 29,30)
Excentric, displaced against the opercular wall
(figs. 29, 30)
Fully developed, delimiting a circumferential
groove, and lacking projections of any kind
(figs. 26, 28).
With a slender appearance, delimiting large
and almost isodiamentric exagonal areas (figs.
26, 27).
Occurrence on the hosts. The term oligoxenic is here used in the sense originally
proposed by SANDGROUND (1929), and the term synoxenic, erected by WENZEL et
al. (1966), in a slightly modified sense in order to include not only two or more species
in the same genus but two or more species belonging to two closely related genera, as
undoubtly Gyropus and Phtheiropoios are.
G.p. parvus is an ubiquitous, oligoxenic subspecies found in at least ten Ctenomys
species, but future collections probably should enlarge considerably this number. Except
for isolated colonies parasitic on C. t.: talarum (no other lice are known from this host),
in most cases it is synoxenic. with one or even two Phtheiropoios species in the same
individual host where may exists also an Eulinognathus species (Anoplura: Polyplacidae).
Its hosts range from central Jujuy in Argentina south to Gregory Bay, Isla Grande de Tierra
del Fuego in Chile: C. opimus, C. mendocinus. C. porteousi, C. australis, C. t. talarum,
C. haigi,C.colburni,C. sericeus, C.magellanicus and Ctenomys sp. from Villa Mercedes,
San Luis Province, Argentina (table II).
P. rionegrensis, sp. n., show a different pattern. Taking into account the available
data it seems to be an oligoxenic species restricted to the C. mendocinus and C. australis
species complexes over a geographic arch ranging from northern Mendoza south to Rio
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
On Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924) and... 7
Table II. Synoxenisms of Gyropus parvus parvus (Ewing. 1924) with Phtheiropoios or Eulinognathus species
in different host and localities in Argentina and Chile.
Necochea,
Buenos Aires, Argentina
Ctenomys porteousi
Bonifacio, Guaminí
Buenos Aires, Argentina
Phtheiropoios forticulatus
(Neumann, 1912)
Phtheiropoios sp. (1)
HOST AND LOCALITY SYNOXENIC WITH SOURCE OF INFORMATION
Ctenomys colburni Phtheiropoios sp. (1) EWING (1924)
Huanuluán, El Cuy, WERNECK (1948)
Río Negro, Argentina
Ctenomys opimus Phtheiropoios nematophallus new record
Tilcara, (Wemeck, 1935)
Jujuy, Argentina
Ctenomys australis Phtheiropoios rionegrensis, sp.n. new record
CASTRO et al. (1987)
CASTRO & CICCHINO (1987)
Present study
Ctenomys porteousi Eulinognathus torquatus new record
Chasicó, Villarino, (Castro, 1982)
Buenos Aires, Argentina
Ctenomys sp. Phtheiropoios sp. (1) new record
Villa Mercedes,
San Luis, Argentina
Ctenomys mendocinus Phtheiropoios forficulatus new record
Santa Rosa, (Neumann, 1912)
Mendoza, Argentina
Ctenomys haigi Phtheiropoios rionegrensis, sp. n. new record
Trapalcó, Avellaneda,
Río Negro, Argentina
Ctenomys haigi Phtheiropoios sp. (1) new record
El Maitén, Cushamen,
Chubut, Argentina
Ctenomys mendocinus Phtheiropoios forficulatus new record
Las Heras, (Neumann, 1912)
Mendoza, Argentina
Ctenomys magellanicus Phtheiropoios pollicaris WERNECK (1948)
Gregory Bay, (Ewing, 1924)
Magallanes, Chile Phtheiropoios latipollicaris
(Ewing, 1924)
Ctenomys sericeus Phtheiropoios latipollicaris WERNECK (1948)
Alto Río Chico,
Santa Cruz, Argentina
(1) These populations belong to the same species identified erroneously as P. latipollicaris (Ewing, 1924) by
CASTRO et al. (1987) and by CASTRO & CICCHINO (1987) following somatic features provided by
WERNECK (1948).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
8 CICCHINO & CASTRO
Negro and Buenos Aires Provinces in Argentina. This species is often synoxenic with P.
forficulatus in at least two different localities in Mendoza and one in Buenos Aires
Provinces, as well as with P. forficulatus and G. p. parvus at the same time in the latter
locality. It is also synoxenic with G. p. parvus alone in at least one locality in north Rio
Negro Province (fig. 35).
Acknowledgments. To Diego Verzi, Departamento de Zoología Vertebrados, MLPA, who collected
and generously loaned us specimens of Ctenomys haigi for lice collection, providing also the literature dealing
with Ctenomyidae. To Lic. Rafael Urrejola, MLPA, for his special care in photographing the lice eggs under the
SEM.
REFERENCES
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prolixus. Q. Jl. microsc. Sci., London, 87: 393-439.
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CICCHINO, A.C. 1990. A new species of the genus Phtheiropoios Eichler 1939 (Phthiraptera: Amblycera:
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HINTON, H.E. 1977. Function of shell structures of the pig louse and how egg maintains a low equilibrium
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SANDGROUND, J.H. 1929. A consideration on relation of host specificity of helminths and metazoan
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SYKES, E. K. & WIGGLESWORTH, V.L. 1931. Hatching of insecta from eggs and the appearance of air in
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WERNECK, F. L. 1936. Contribuição ao conhecimento dos mallophagos encontrados nos mamíferos sul-
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Trichodectidae). Rio de Janeiro, Ed. Revista Brasileira de Biologia, 243 p.
Recebido em 06.01.1992: aceito em 24.11.1993.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
On Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924) and... 9
Figs. 1-7. Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924), male genitalia: 1, dorsal view; 2, pseudopenis; 3, paramera and
ventral plate. Phtheiropoios rionegrensis, sp. n., male genitalia: 4, dorsal view; 5, ventral view; 6, pseudopenis;
7, ventral sclerite. Figs. 1, 4, 5 and 2,3,6,7, same scale.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
10 CICCHINO & CASTRO
a 1
Figs. 8-18. Male forficulae, including the extremes of variation (a-d): 8, Phtheiropoios latipollicaris (Ewing,
1924); 9, P. rionegrensis, sp. n.; 10, P. forficulatus (Neumann, 1912). Male penis, including the extremes of
variation (a-c): 11, Phtheiropoios latipollicaris; 12, P. rionegrensis sp. n.; 13, P. forficulatus. Gyropus parvus
parvus (Ewing, 1924): 14, upper portion of the amphora showing the finger-like outgrowth of the callus, lateral
view; 15-18, hatching organ of the embryo; 15, 17, 18 frontal view 16, lateral view (a, apical teeth; c, central
tooth; 1, lateral teeth). Figs. 8-10; 11-13; 14-18; same scale.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
On Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924) and... 11
Figs. 19-24. Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924), egg: 19, lateral view, general (scale = 100 um); 20, upper
portion of the amphora and lower part of the operculum (scale = 50 um); 21, opercular “pits” and rugose surface
of the operculum (scale = 10 um); 22, operculum and upper portion of the amphora (polar view) (scale = 50 um);
23-24, lower portion of the operculum, polar view, showing and air chamber (fig. 23 scale = 10 um, 24 scale =
5 pm) (a, amphora; ach, air chamber; ca, callus of the amphora; co, callus of the operculum; ew, external wall
of the air chamber; fp, finger-like outgrowths of the callus of the amphora; h, host hair; m, micropyla; op,
operculum; s, spumaline).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
12 CICCHINO & CASTRO
Figs. 25-30. Phtheiropoios rionegrensis, sp. n., egg: 25, lateral view, general (scale = 100 um); 26, apical half
of the egg, lateral (scale = 100 um); 27, exagonal mesh of the amphora (scale = 100 um); 28, operculum and upper
portion of the amphora, polar view (scale = 100 pm); 29, lower portion of the operculum showing three air
chambers (scale = 10 pm) (am, amphora; ach, air chamber; ca, callus of the amphora; co, callus of the operculum;
cp, capitulum; ew, external wall of the air chamber; h, host hair; hm, exagonal mesh of the amphora; m,
micropyla; op, operculum).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
On Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924) and... 13
Figs. 31-34. Sites of oviposition of Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924) and Phtheiropoios rionegrensis, sp.
n., in different Ctenomys species, in single infestation or when synoxenic with other Gyropidae: 31, Ctenomys
haigi from Trapalcó, Rio Negro Province, five individuals; 32, C. porteousi from Bonifacio, Buenos Aires
Province; 33, C. australis from Necochea, Buenos Aires Province, three individuals; 34, C. talarum talarum from
Punta del Indio, Magdalena, Buenos Aires Province; one individual represented but two examined showing the
same pattern. (D, dorsal view; V, ventral view of the host).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
14 CICCHINO & CASTRO
--- en
IR
\
?
N
Fig. 35. Distribution and host known for Gyropus parvus parvus (Ewing, 1924) (@) and Phtheiropoios
rionegrensis sp. n. (O), including their synoxenic occurrence (0). (1, Ctenomys opimus; 2, C. mendocinus; 3, C.
t. talarum; 4, C. australis; 5, C. porteousi; 6, C. colburni; 7, C. haigi; 8. C. sericeus; 9, C. magellanicus; 10,
Ctenomys sp. from Villa Mercedes, San Luis Province).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 3 - 14, 30 set. 1994
BIOLOGIA E COMPORTAMENTO DE TIARIS FULIGINOSA FULIGINOSA
(WIED, 1831) EM CATIVEIRO (PASSERIFORMES, EMBERIZIDAE)
Luiz Octávio Marcondes-Machado !
ABSTRACT
BIOLOGY AND REPRODUCTIVE BEHAVIOUR OF TIARIS FULIGINOSA FULIGINOSA (WIED,
1831), IN CAPTIVITY (PASSERIFORMES, EMBERIZIDAE). Four couples of Tiaris fuliginosa fuliginosa
(Wied, 1831) were observed in captivity over a period of 4 years. For the construction of the nests, dry leaves
of Aristida sp. (Gramineae) and radicels of grass were supplied. The sequence of male and female behaviours
leading towards nest construction are commented. Four different types of nest were observed and discussed. The
number of the eggs laid varied between 2 and 4. The average size of the eggs was 1.70x1.32 cm and average
weight, 1.54g. Incubation was by the female, and lasted 12 to 13 days. The nestlings were fed by both parents,
that regurgitated seeds and insects. Excrements were removed from the nest by the female. After to nestlings left
the nest (after 13 to 14 days), the female could present a distractive behaviour to predators (feigning injury).
Fledgelings of two nests were emancipated on the 29th and 33rd day. Displays related to reproduction behaviour
are described.
KEYWORDS. Tiaris, reproduction, behaviour in captivity.
INTRODUÇÃO
O gênero Tiaris Swainson, 1827 (PAYNTER, 1970) é representado por quatro
espécies na Região Neotropical; no Brasil, ocorre Tiaris fuliginosa fuliginosa (Wied,
1831), na região leste-meridional e centro-ocidental, incluindo os estados de Pernambu-
co, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso. É conhecida
popularmente por “cigarra-preta” (ANDRADE, 1982). T.f. fuliginosa habita formações
abertas (SCHAUENSEE, 1970), assim como T. olivacea (Linnaeus, 1766), T. bicolor
(Linnaeus, 1766). T. fuliginosa fumosa (Lawrence, 1874) ocorre somente em formações
abertas (BLAKE, 1969; SKUTCH, 1954; BOND, 1961; HERKLOTS, 1969). RESTALL
(1976) observou T. bicolor em arbustos de matas abertas.
Em sequência ao estudo da biologia e do comportamento, na natureza e em
cativeiro, de espécies da família Emberizidae (MARCONDES-MACHADO, 1974;
1982a, b, c; 1988 a, b, c) apresentam-se aspectos do comportamento reprodutivo e da
biologia de T. f. fuliginosa.
1. Departamento de Zoologia, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Caixa Postal 6109, CEP: 13081-970, Campinas, SP, Brasil
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 15 - 23, 30 set. 1994
16 MARCONDES-MACHADO
MATERIAL E MÉTODOS
As observações foram realizadas, entre 1973 e 1977, em instalações existentes na Fundação Parque
Zoológico de São Paulo, constituídas de três viveiros de 5,00x1,00x2,25m, e um de 2,50x1,00x2,25m. Nos
viveiros, haviam arbustos de Buxus sempervirens L. (Buxaceae), Salvia splendens Ker-Gawl (Labiatae),
Ligustrum sinensis Lour. (Oleraceae), além de touceiras de Reineckia sp. (Liliaceae).
Foram observados quatro casais de T. f. fuliginosa, sem procedência exata, identificados por compara-
ção com exemplares da coleção do Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo. Foram depositados na
coleção do Museu de História Natural, Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas quatro
exemplares (números 382, 383, 387, 413), dos 8 espécimens estudados.
A alimentação fornecida constituiu-se de alpiste, Phalaris canariensis L. (Gramineae), painço, Setaria
italica (L.) Beauv. (Gramineae) e de uma mistura de pão seco moído, leite, almeirão Chicorium intybus L.
(Compositae) picado, Vitagold*, Gevral? e gema de ovo, casca de ovo de galinha sempre à disposição dos
pássaros. Na época de cuidados aos filhotes, foram fornecidas larvas de Tenebrio molitor L., 1758 (Coleoptera,
Tenebrionidae).
Para a construção dos ninhos foram ofertadas raízes de capim-amargoso Digitaria insularis Mez. ex
Ekman (Gramineae) e de capim-coloniäo Panicum maximum Jacg. (Gramineae) e folhas de capim-barba-de-
bode Aristida sp. (Gramineae).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nidificação. A fêmea de T. f. fuliginosa escolheu o local para o ninho, explorando
as forquilhas existentes nos arbustos. Após apreender uma raiz de capim com o bico, a
fêmea, sem estar acompanhada pelo macho, deslocou-se por um dos arbustos, parando
junto a uma forquilha. Neste local, passou o material pelos ramos, por vezes enroscando
a raiz. A fêmea podia, então, largá-la na forquilha ou retirá-la logo em seguida ou começar
a trazer mais raízes que, com movimentos de rotação da cabeça, acabavam se enroscando
na forquilha.
Após a fêmea ter iniciado o ninho, o macho também passou a levar o material. Por
vezes, a fêmea, depois de ter levado alguma raiz, ou mesmo sem o ter feito, permaneceu
no ninho, ajeitando o material com o bico e com movimentos do corpo, dando assim forma
a estrutura. A medida em que os pássaros trabalhavam na sua construção, o ninho adquiria
a forma de um anel verticalmente disposto (fig. 1). Em seguida, a base do ninho progrediu
mais, sendo os lados feitos por último. O teto era pressionado, constantemente, para cima
com o bico ou com o dorso do corpo. Eventualmente, o macho entrava no ninho em
construção, girando o corpo, ou empurrando com o bico alguns pontos da estrutura. Por
vezes, enquanto a fêmea estava no interior do ninho, o macho levava o material até a
entrada, onde o depositava, sendo então utilizado pela fêmea. Em T. olivacea, o macho
é quem seleciona o local e inicia a construção, após o que, tanto ele como a fêmea,
participam da construção do ninho, mas de forma independente (SKUTCH, 1954).
O macho de T. f. fuliginosa voava, às vezes, com raízes no bico, ao redor do arbusto
onde o ninho estava sendo construído e produzia um farfalhar com as asas. A fêmea,
quando levava material, podia apresentar um “vôo freado” farfalhante. Segundo
HERKLOTS (1969), o macho de T. bicolor omissa Jardine, 1847, quando está aninhando,
também apresenta este tipo de vôo.
O tamanho das raízes de capim, que foram fornecidas em pequenos maços presos
à tela de arame ou espalhados pelo chão, era variável. Os pássaros costumavam levar as
raízes mais longas (cerca de 15cm), uma de cada vez, e as mais curtas (cerca de 5cm), em
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 15 - 23, 30 set. 1994
Biologia e comportamento de Tiaris f. fuliginosa... 17,
pequenos feixes. O material utilizado na construgäo do ninho por T. olivacea, € constitu-
ído de folhas de capim e talos de ervas daninhas, sendo forrado com inflorescências de
capim (SKUTCH, 1854). T. bicolor omissa e T. fuliginosa fumosa utilizam folhas secas
de capim, com um forro de capim mais fino (HERKLOTS, 1969). Em cativeiro, T. canora
(Gmelin, 1789), utiliza talos de capim, fibras de coco, pêlos, penas e algodão (RUTGERS,
1970).
O material fornecido, raízes de capim e folhas secas de capim-barba-de-bode, não
diferiu muito do utilizado pelas outras espécies do gênero, possibilitando a construção do
ninho. Não ocorreu forração do ninho, provavelmente devido ao fato de não haver
material adequado a isto, disponível nos viveiros.
As cigarras-negras apresentaram um padrão comportamental exploratório com
relação ao material a ser levado para o ninho, movimentando-o, entre a mandíbula e a
maxila, sendo que nesta operação, algum material podia cair.
A maioria dos ninhos foi construída em arbustos e apenas um em touceira de
Reineckia sp. Observou-se na Reserva de Vassununga, São Paulo, uma fêmea iniciando
um ninho em arbustos no interior da mata. T. olivacea costuma utilizar touceiras de capim
ou arbustos baixos (SKUTCH, 1954), não diferindo muito dos locais observados para T.
„fuliginosa. Embora Reineckia sp. seja uma Liliaceae, muito se assemelha a uma pequena
touceira de gramínea. |
Formato dos ninhos. 1. Um dos casais confeccionou, em um arbusto de Buxus
sempervirens (Buxaceae), um ninho globoso, acrescido de um tubo. Durante a constru-
ção, a fêmea levava raízes de capim para o interior do ninho, passando pelo tubo. Após
o ninho haver sido completado, o tubo não tinha mais comunicação com a câmara de
incubação por causa da obstrução da metade proximal por raízes entrelaçadas. Na
extremidade distal havia raízes com pontas livres, tornando a extremidade visível por
entre as folhas de contorno do arbusto. Havia um orifício lateral com 4cm de diâmetro,
por onde os pássaros entravam na câmara de incubação (fig. 2). A altura do solo, até a base
do ninho, era de 53,5cm; até o teto, de 68cm; até o orifício do tubo, de 60cm e até o orifício
da câmara de incubação, de 68cm. Na ocasião, o viveiro estava infestado de camundongos
(Mus musculus L., 1758), inclusive, um morto dentro do ninho, sobre os ovos. SKUTCH
(1954) relaciona entre os competidores naturais de T. olivacea, ratos silvestres que se
utilizam de seus ninhos, ou utilizam materiais desses ninhos para construírem os seus
próprios. MARCONDES-MACHADO (1974) destaca que a presença de uma entrada
falsa pode ser uma estratégia adotada por T. f. fuliginosa como proteção contra camun-
dongos.
2. Outro tipo de ninho, construído por dois casais, era globoso, formado por raízes
de capim-amargoso e algumas folhas de dicotiledôneas, como parte da trama. Possuía dois
orifícios de comunicação com a câmara de incubação, situados em lados opostos (fig. 3).
O ninho media (em cm): diâmetro da entrada 4,9; profundidade 11,5; largura 7,6 e altura
9,6. O ninho de um dos casais possuía uma trama de raízes rala, deixando ver o interior;
embora tivesse sido fornecido material em excesso. Não foi possível depreender qual sua
utilidade; eventualmente poderia estar relacionada à proteção, facilitando o escape da
fêmea, se algum predador entrasse por um dos orifícios.
3. Um terceiro tipo de ninho era globoso, sem tubo, com um orifício lateral ladeado
ou não por uma pequena projeção de raízes, situado na metade superior (fig. 4), construído
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 15 - 23, 30 set. 1994
18 MARCONDES-MACHADO
de raizes de capim-amargoso e folhas secas de capim-barba-de-bode. Medidas de tr&s
desses ninhos (em cm): diâmetro de entrada; 5, 6; 4,1; 5,4; profundidade, 9,2; 7,2; 7,5;
largura, 7,4; 7,0; altura do ninho, 12,1; 17,8; 9,1; altura do solo até a base do ninho 56, 57;
64.
Segundo SKUTCH (1954), o ninho construído por T. olivacea é uma estrutura
ovóide, com seu eixo mais longo na vertical, podendo ser aproximadamente globoso, em
alguns casos; existe um orifício circular situado lateralmente, próximo ao topo; o ninho
possui em média 13cm de altura por 7,5cm de diâmetro transversal e o diâmetro do orifício
é de 3cm. T. bicolor, T. canora e T. f. fumosa constroem ninhos semelhantes ao de T.
olivacea, isto é, globoso, com um orifício lateral (BOND, 1961; HERKLOTS, 1969;
RUTGERS, 1970; PENA, 1981), portanto, este tipo de ninho é o mais construído pelas
espécies do gênero.
4. O ninho construído numa touceira de Reineckia sp. era globoso, com tubos ocos
de comunicação, cuja entrada ficava na borda da touceira (fig. 5). O ninho media (em cm):
diâmetro de entrada 4,7; profundidade 10,2; largura 7,3 e a altura 7,5. RESTALL (1976)
observou ninhos de T. bicolor, ovais, com aproximadamente 20 a 25cm de comprimento,
com a entrada formando um funil de 6,6 cm de comprimento, tendo de altura 15cm, não
mencionando em que local era construído. Tudo indica que a projeção do orifício de
entrada que deu origem ao tubo, fosse devido ao local onde foi construído o ninho e o tubo
servisse para facilitar o acesso ao interior da câmara de incubação.
Um mesmo casal pode construir mais de um tipo de ninho à cada nova postura.
Assim, o casal 1 construiu ninhos dos tipos 2, 3, 4 e o casal 2 dos tipos 2 e 3. O casal 3
só construiu ninhos do tipo 3 e o casal 4 construiu um ninho apenas, do tipo 1.
Uma característica comum a todos os tipos de ninho foi o formato globoso; houve
variação, principalmente, quanto à forma e número de acessos à câmara de incubação.
Não há evidências de que, o fato dos casais estarem em cativeiro, tenha modificado o
padrão comportamental relacionado à construção do ninho, devido a não ter havido uma
simplificação, nem uma interrupção em uma determinada fase de construção. Os ninhos
divergiam do habitualmente encontrado para o gênero na maior complexidade da
estrutura; dois dos quatro casais construíram mais de um tipo de ninho, além daquele
considerado usual para o gênero. Também os ninhos de T. bicolor observados na natureza,
apresentam variação; BOND (1961) os descreveu como tendo apenas um orifício de
entrada, enquanto RESTALL (1976) observou a forma de um funil na entrada do ninho.
Incubação e cuidados a prole. As posturas de T. f. fuliginosa iniciaram-se em
outubro e prolongaram-se até maio. Foram obtidas 23 posturas. Os casais 1 e 2 que
permaneceram mais tempo em observação realizaram respectivamente 13 (entre novem-
bro/74 a maio/7'7) e 7 posturas (novembro/74 a novembro/85). Das 13 posturas do casal
1,9 obtiveram sucesso e das 7 posturas do casal 2, ocorreram nascimentos em 5. Para T.
bicolor, na Venezuela, RESTALL (1976) registrou que o pico da estação reprodutiva
ocorreu em outubro-novembro, embora possam ser vistos filhotes sendo alimentados em
abril. Portanto, o período reprodutivo das duas espécies coincide.
O número máximo de ovos por postura foi 4 (n= 14) e o mínimo 2 (n=2); ocorreram
7 posturas com 3 ovos. O número usual de ovos por postura, em T. olivacea, T. canora,
T. bicolor, e T.f. fumosa, é de 3, podendo chegar, em T. olivacea e T. f. fumosa, a 4 ovos
(SKUTCH, 1954; BOND, 1961; HERKLOTS, 1969).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 15 - 23, 30 set. 1994
Biologia e comportamento de Tiaris f. fuliginosa... 19
Os ovos possuíam fundo branco, opaco, com pintas e manchas de duas tonalidades
de castanho, levemente avermelhadas, mais densas no pólo mais largo e mais espaçadas
no restante da superfície. T. olivacea apresenta ovos brancos, opacos, densamente
salpicados com tonalidades de castanho e chocolate no pólo mais largo e parcamente na
superfície restante; os ovos de T. f. fumosa são brancos, opacos, pintados e manchados
com castanho ou castanho purpúreo de duas tonalidades, uma das quais tende ao violeta
desbotado (SKUTCH, 1954). A cor dos ovos de T. bicolor omissa é semelhante à dos ovos
desta última espécie, mas com as marcas mais pálidas (HERKLOTS, 1969). Portanto, a
cor dos ovos e a distribuição das manchas e pintas são semelhantes, variando apenas
quanto à tonalidade de castanho.
Foram medidos (em cm) e pesados (em g) 9 ovos: comprimento, 1,65-1,75 (X,
1,70); largura, 1,29-1,42 (X, 1,32): peso, 1,43-1,62 (X, 1,54). Média das medidas de 10
ovos de T. olivacea: 16,8 x 12,8 mm (SKUTCH, 1954). Medida média dos ovos de T. b.
omissa: de 18,1 x 13,9 mm (HERKLOTS, 1969).
A incubação foi realizada apenas pela fêmea que, quando deixava o ninho, defecava
e, em seguida, comia e bebia. Enquanto a fêmea estava no ninho, o macho cantava nas
proximidades e comportava-se agressivamente em relação a outros pássaros de espécies
diferentes. A fêmea de T. olivacea incuba sem assistência do macho (SKUTCH, 1954),
fato que foi observado também em T. f. fuliginosa. O macho de um casal de T. olivacea
(SKUTCH, 1974) também canta nas proximidades do ninho, enquanto a fêmea incuba.
O comportamento agressivo observado nos machos de T. f. fuliginosa quando estão
procriando, também foi observado em T. canora (RUTGERS, 1970).
O período de incubação de T.f. fuliginosa foide 11 a 13 dias. O período de incubação
médio encontrado em T. olivacea foi de 13 dias (n=7) (SKUTCH, 1954); em T. b. omissa
foi de 12 dias (Goodwin, 1959 apud RUTGERS, 1970).
De 81 ovos postos, nasceram 40 filhotes, portanto, 49,3% de eclosão.
Os filhotes, ao nascerem, possuíam a pele escura e alguma penugem nas regiões
occipital, superciliar e lombar. Quando deixam o ninho, os filhotes têm bico e as bordas
rictais amarelos. Possuem a margem da maxila amarelo-vivo, e a mandíbula com as
bordas amarelo-claras, contrastando com o palato que era vermelho.
O macho e a fêmea alimentavam os filhotes. Os adultos prendiam as larvas entre as
maxilas e a mandíbula e, com movimentos de abdução, esmagavam-nas em toda sua
extensão, engolindo o conteúdo da larva, desprezando o exoesqueleto; e esse conteúdo era
regurgitado na garganta dos filhotes.
Tanto o macho quanto a fêmea podiam deslocar-se pelo chão pulando, girando a
cabeça para os lados, aproximando-a do solo e, introduzindo o bico sob folhas secas,
capturando pequenos invertebrados, que após engolidos eram levados aos filhotes.
Em T. olivacea o macho e fêmea alimentam os filhotes, pousados no orifício de
entrada do ninho (SKUTCH, 1954); como foi observado em T. f. fuliginosa. Quanto à
alimentação de T. olivacea, SKUTCH (1954) sugere ser constituída apenas de sementes,
e se houver insetos, estes devem ser muito pequenos e estariam misturados à massa de
sementes que os pais regurgitavam na garganta dos filhotes; afirma que nunca observou
o casal capturando insetos. Comportamento alimentar similar foi apresentado por T. f.
Juliginosa, no qual insetos grandes como larvas de Tenebrio molitor tinham seu
exoesqueleto desprezado, sendo apenas aproveitadas as partes moles e no caso de
invertebrados pequenos, esses eram totalmente engolidos, o que dificultava a visualização
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 15 - 23, 30 set. 1994
20 MARCONDES-MACHADO
deste material quando era fornecido aos filhotes misturados à sementes. RUTGERS
(1970) notou que um casal de T. olivacea quando estava com filhotes capturava pequenos
coleópteros em frinchas. RESTALL (1976) observou T. bicolor forrageando sob folhas,
provavelmente à cata de insetos, fazendo crer que alimentava os ninhegos com uma
mistura de sementes e insetos.
Os filhotes evacuavam próximo ao orifício de entrada. A fêmea apreendia as fezes
com o bico, levando-as para longe do ninho, deixando-as cair. SKUTCH (1954) também
observou, em T. olivacea, os pais carregando para fora do ninho as bolotas fecais dos
filhotes.
A fêmea, enquanto os filhotes ainda estavam no ninho, apresentava comportamento
agonístico com relação a outra fêmea do viveiro vizinho, ficando na tela de separação com
a cauda erguida e tremulando as asas. As vezes, o macho adotava esta postura e cantava.
Os filhotes deixavam o ninho, em média, com 14 dias de idade (mínimo de 12 e
máximo de 18 dias), já completamente empenados. Quando estavam por sair, ficavam
pousados no orifício do ninho durante algum tempo (às vezes só saíam no dia seguinte)
e, em seguida, voavam para um arbusto próximo. O ninho após ser abandonado pelos
filhotes, apresentava-se com fezes em seu interior.
Os filhotes de T. olivacea deixam o ninho com 12 a 15 dias (SKUTCH, 1954), e os
de T. bicolor, com 12 dias (Goodwin, 1959 apud RUTGERS, 1970).
Quando alguém se aproximava dos filhotes, após estes terem deixado o ninho, os
pais ficavam voando próximos; às vezes, a fêmea pousava no chão e abria as asas,
erguendo uma e abaixando a outra, parecendo estar com as asas feridas, apresentando o
comportamento chamado de distração ou de “injúria-fingida”. Outra espécie da mesma
família, Ammodramus humeralis (Bosc, 1792), também apresenta este padrão
comportamental (MARCONDES-MACHADO, 1988), relacionado com a proteção dos
filhotes.
Os filhotes de duas ninhadas começaram a se alimentar sozinhos com 29 e 33 dias
de vida respectivamente.
Interação entre macho e fêmea. Na natureza, para a maioria das aves, os machos
demarcam os territórios e posteriormente ocorre a chegada das fêmeas (PETTINGILL,
1971). Nos viveiros, os machos foram colocados antes das fêmeas, logo após a colocação
da fêmea, o macho cantava, enquanto ela movia a cauda para os lados e tremia as asas sem
as abaixar, só as abrindo um pouco para os lados. O macho apresentava postura de
cortejamento, abaixando e tremendo as asas, ficando com a cauda um pouco erguida e
cantando. A fêmea ficava ao redor do macho, movendo a cauda e o corpo para os lados.
Afastava-se e depois voltava para junto do macho, que ficava sempre no mesmo lugar. O
macho orientava a cabeça e o corpo sempre perpendicularmente à fêmea, dava bicadas,
aparentemente leves, nos lados da cabeça da fêmea; quando cantava, estando a fêmea
próxima, esticava o corpo para o alto. Podia ocorrer cortejamento alimentar, com o macho
alimentando a fêmea, através de regurgitações sucessivas.
A movimentação da cauda para os lados apresentada pela fêmea parece estar
relacionada à situação de tensão. A tremulação das asas, pelo menos no macho, parece
estar relacionada ao comportamento sexual, à semelhança de Sicalis luteola (Sparrman,
1789) quando em cortejamento de baixa intensidade (Hudson, 1892apud ARMSTRONG,
1965). O erguimento da cauda pode estar relacionado, tanto à fuga (no caso, um vôo
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 15 - 23, 30 set. 1994
Biologia e comportamento de Tiaris f. fuliginosa... 21
inibido), como ao comportamento sexual, pois expõe a cloaca. O comportamento de
esticar o corpo para o alto, enquanto canta, pode estar relacionado ao comportamento
agressivo. E
Portanto, quando do encontro entre o macho e a fêmea, ocorreram os três padrões
comportamentais presentes no relacionamento quando dois pássaros eram colocados
juntos. Ou seja, uma primeira fase na qual o indivíduo intruso era identificado como sendo
um macho rival ou uma fêmea receptiva, seguida pela apresentação de padrões de fuga
e sexual, de baixa intensidade.
Após o casal já estar formado, podiam ocorrer novas exibições de cortejamento.
Ocorria perseguição da fêmea pelo macho, que, às vezes, pairava sobre ela, com
movimentos rápidos das asas, e emissão de um piado característico. Podia então advir a
cópula, ou então a fêmea bicava o macho, que se afastava. Este padrão comportamental
foi observado tanto na união como, também, durante a construção do ninho.
O macho de T. olivacea corteja a fêmea mediante vibrações de suas asas expandidas
e a fêmea pode vir a bicá-lo (SKUTCH, 1954); não foi relatado o erguimento da cauda
como observado em T. f. fuliginosa.
Na postura de solicitação, a fêmea de T. f. fuliginosa, inclinava a cabeça em direção
ao dorso, ocasionando a aproximação da nuca com o dorso, erguia a cauda próxima à
vertical e abaixava e tremia as asas. Quando o macho pairava sobre a fêmea, ela inclinava
a cabeça mais para trás, encostando a nuca no dorso. Esta postura foi observada durante
a fase de construção do ninho e, também, de cuidados à prole.
Quando a fêmea estava em postura de solicitação, o macho podia às vezes, voar até
ela e, após pairar sobre seu dorso algumas vezes, pousar colocando os pés na metade
posterior do dorso, onde continuava a bater as asas ou segurar com o bico, algumas penas
da coroa da fêmea. A fêmea inclinava a cabeça para trás, apontando o bico para cima, e
erguia mais a cauda em um ângulo de, aproximadamente, 80º com a horizontal. O macho,
pelo lado esquerdo da fêmea, contatava algumas vezes a cloaca com a da fêmea, enquanto
abaixava a cauda. Podiam ocorrer cópulas seguidas, espaçadas de alguns minutos (em um
dos casais ocorreram quatro cópulas no espaço de 15 minutos). Este padrão de compor-
tamento foi também observado durante a fase de construção do ninho e de cuidados à
prole.
Agradecimentos. À Fundação Parque Zoológico de São Paulo, na gestão do Dr. Mário Autuori (in
memoriam), que possibilitou o presente estudo. Ao Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, por ter
permitido consultar a sua coleção taxonômica e à biblioteca. A Rina Kátia Cortêz pela revisão do texto. A Gisela
Y. Shimizu pela elaboração dos desenhos e ao Luíz Fernando R. Moreira Aguiar por havê-los retocado. À
Fundação MB pelo apoio.
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Recebido em 31.01.1992; aprovado em 17.09.1993
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 15 - 23, 30 set. 1994
Biologia e comportamento de Tiaris f. fuliginosa... 23
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Fig. 1-5. Tiaris fuliginosa fuliginosa, ninho: 1, fase inicial da construção; 2, com entrada falsa (Tipo 1); 3, com
duas entradas (Tipo 2); 4, com uma entrada lateral (Tipo 3); 5, com entrada em tubo (Tipo 4).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 15 - 23, 30 set. 1994
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DENSIDADE, RAZÃO SEXUAL E DADOS BIOMÉTRICOS DE UMA
POPULAÇÃO DE CTENOMYS MINUTUS NEHRING, 1887 (RODENTIA,
CAVIOMORPHA, CTENOMYIDAE)!
Maria Luiza de A. Gastal ?
ABSTRACT
DENSITY, SEX RATIO AND BIOMETRIC DATA FROM A CTENOMYS MINUTUS NEHRING,
1887 POPULATION (RODENTIA, CAVIOMORPHA, CTENOMYIDAE). A population of Ctenomys minutus
Nehring, 1887, was studied at Tramandaí (50º13' W30º59'S), State of Rio Grande do Sul, Brazil, through 22
months of periodic live-trapping and non-systematic captures. Density was low (14 individuals/ha) and there
was a predominance of philopatric adults and males. Males were significantly heavier and had incisives
significantly wider than females.
KEYWORDS. Ctenomys minutus, sex ratio, population density, sexual dimorphism.
INTRODUÇÃO
Os mamíferos subterrâneos passam a maior parte de suas vidas sob o solo, e, dentre
eles, os fossoriais apresentam adaptações morfológicas para a escavação, construindo
galerias (HILDEBRAND, 1974). Os mamíferos subterrâneos fossoriais estão represen-
tados no Brasil pelo gênero Ctenomys Blainville, 1826. Herbívoro, alimenta-se de raízes
e talos subterrâneos ou de porções de vegetais vizinhos às aberturas de seus túneis, que
raramente abandona. Ctenomys minutus Nehring, 1887 habita regiões de solo arenoso da
planície costeira do sul do país.
Embora as características fossoriais confiram às populações do gênero Ctenomys
aspectos de grande interesse ecológico, os trabalhos sobre sua ecologia são relativamente
escassos, fato que se deve, principalmente, às dificuldades metodológicas de se trabalhar
com organismos que se encontram quase permanentemente sob a superfície. A estimativa
da densidade através de captura-marcação-recaptura fica dificultada, uma vez que seus
sistemas de túneis, de natureza discreta e solitária, limitam a mistura dos indivíduos
marcados com o resto da população (JAR VIS, 1973). PEARSON (1959) e PEARSON et
al. (1968) obtiveram dados populacionais de C. peruanus Sanborn & Pearson, 1947, €.
1. Parte da dissertação de mestrado apresentada ao Curso de Pós-graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Parcialmente
financiada pelo CNPq.
2. Departamento de Biologia, Instituto de Biociências, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Av. Ipiranga, 6681, Prédio 12,90.610-
001, Porto Alegre, RS.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 25 - 33, 30 set. 1994
26 | GASTAL
opimus Wagner, 1848, C.leucodon Waterhouse, 1848 eC. talarum Thomas, 1898 através
de métodos que envolviam o sacrifício dos indivíduos estudados. TRAVI (1983) e
BRETSCHNEIDER (1987) utilizaram, na Estação Ecológica do Taim, o método de
captura-marcação-recaptura para estudar populações de Ctenomys torquatus Lichtenstein,
1830 e C.flamarioni Travi, 1981. Na Argentina, BUSCH et al. (1989), fizeram o mesmo
para C. talarum.
Apesar da escassez de trabalhos, as populações de Ctenomys constituem um
excelente modelo para estudos relacionados à dispersão e densidade, dado o caráter
descontínuo das populações dos mamíferos fossoriais em geral (NEVO, 1979). O
presente trabalho visa identificar parâmetros populacionais de Ctenomys minutus.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi realizado no Parque Histórico Marechal Manoel Luís Osório, município de Tramandaí,
RS, (50º13'W30º59'S). Constitui-se num parque turístico de propriedade do III® Exército, também utilizado
para a criação de cavalos e de gado. Possui grandes extensões de campos que costituem um ambiente adequado
à manutenção de populações de Ctenomys minutus, ocorrendo esta espécie em relativa abundância.
A área principal de estudo (denominada “area 1” compreendia 1 ha de campo de pastoreio, de 160m de
comprimento e largura máxima de 70m (fig. 1). Uma faixa de árvores (predomínio de Psidium cattleyanum) era
seguida por outra de dunas, cuja elevação era mais acentuada na porção nordeste da área. Nos 100 m iniciais de
extensão, a sudoeste, o limite da duna era marcado por uma faixa de eucaliptos, seguida de campo. O relevo era
plano, exceto pelas dunas baixas (altura máxima de 3m). No limite entre estas e o campo ocorria acumulação de
água durante vários dias, após chuvas intensas. A vegetação herbácea estava constituída principalmente de
Gramineae e Ciperaceae, com alguns afloramentos de areia. Esta área sofreu forte interferência humana em
setembro de 1987 quando passou a ser preparada para campo de prática de pólo, com entrada de máquinas de
terraplenagem e retirada de grande quantidade de areia das dunas, onde havia maior densidade de animais. .
A área 2, distante 100m da área 1, media aproximadamente 300m?. Nela foram realizadas capturas
objetivando a obtenção de dados adicionais sobre biometria e reprodução.
O trabalho estendeu-se de julho de 1986 a fevereiro de 1988, num total de 13 saídas a campo. Destas,
quatro corresponderam às campanhas de capturas na área 1. Estas quatro campanhas, realizadas em intervalos
trimestrais (outubro de 1986, janeiro, maio e agosto de 1987), tiveram a duração de cinco dias, exceto a primeira,
que durou quatro. Foram utilizadas 12 armadilhas Oneida-Victor nº 0, forradas com feltro, inseridas nas tocas
onde se verificavam sinais de atividade e revisadas a intervalos de quinze minutos. Todos os pontos de captura
das áreas 1 e 2 eram assinalados com estacas numeradas e mapeados.
Nos meses de janeiro, maio e agosto de 1987 foram realizadas capturas na “área 2”. Nas demais saídas
a campo, foram feitas capturas assistemáticas em pontos adjacentes e estas duas áreas, para a obtenção de dados
biométricos e reprodutivos.
Foram registrados os seguintes dados biométricos: peso, comprimento total, comprimento da cauda,
largura dos incisivos superiores a nível da base e, nas fêmeas, diâmetro do abdômen. Todas as medidas foram
obtidas com o animal anestesiado com éter.
Animais capturados na mesma toca foram considerados como capturas múltiplas. O indivíduo era
considerado pertencente à area 1 se todo ou parte de seu sistema de túneis estivesse nela contido (ANDERSEN
& MACMAHON, 1981; BRETSCHNEIDER, 1987), e residente caso capturado nessa área em duas ou mais
campanhas de captura.
Para a comparação das médias, utilizou-se o teste t. Como as variâncias de pesos e larguras de incisivos
foram diferentes, utilizou-se, neste caso, o teste para amostras independentes com variâncias diferentes,
segundo SOKAL & ROHLF (1979). Para animais capturados mais de uma vez em um mesmo período de
trabalho, foi considerada a média aritmética das medidas no período, exceto do peso. Em relação ao peso,
considerou-se a primeira medida, que correspondeu à maior, com exceção de um caso.
O estado reprodutivo pode ser registrado somente nas fêmeas, considerando variação notável de peso,
condições de vagina e mama, ocorrência simultânea de animais em um mesmo sistema de túneis
(BRETSCHNEIDER, 1987) e diâmetro do abdômen, e informações relativas aos animais extraídos de áreas
adjacentes (presença de embriões ou fetos). Para machos, a determinação do estado reprodutivo não foi
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 25 - 33, 30 set. 1994
Densidade, razão sexual e dados biométricos... In
possivel, uma vez que näo foi constatado nenhum individuo com testiculo em posigäo inguinal, mesmo em
épocas em que algumas fêmeas encontravam-se receptivas. WEIR (1974), entretanto, assinala que machos de
caviomorfos não apresentam período reprodutivo. Não foi registrada a ocorrência múltipla de machos e fêmeas
adultas, embora isso obviamente ocorra. Como consequência, as observações sobre reprodução tiveram por
base os dados relativos às fêmas adultas e aos machos e fêmeas jovens e subadultas (WILKS, 1963).
Foram consideradas três classes de idade: jovem, subadulto e adulto (INGLES, 1951; WILKS, 1963;
HOWARD & CHILDS, 1959 e BRETSCHNEIDER, 1987). As classes tiveram como base peso, estado
reprodutivo, permanência ou não no sistema materno ou na área e os dados dos espécimes extraídos em
setembro de 1987 e ficaram distribuídas em jovens: indivíduos ocupando o sistema materno, com até 111,8g
(média entre o maior peso de indivíduo observado no interior do sistema materno e o menor peso de indivíduo
ja em seu próprio sistema de túneis); subadultos: machos com mais de 111,8g e até 257g; fêmeas com peso
superior a 111,8g e com até 166g (o limite superior adotado para machos, corresponde à média entre o menor
peso de macho residente e o maior peso de macho não recapturado; para as fêmeas, corresponde ao peso do
menor exemplar com indicação de maturidade sexual); adultos: machos com peso superior a 257g e fêmeas com
peso superior a 166g.
O tamanho da população foi calculado a partir de uma estimativa instantânea da densidade
(BRETSCHNEIDER, 1987), que considerou os dados de janeiro de 1987, e correspondeu a todos os indivíduos
que se sabia presentes na área neste mês. Em janeiro, além de se ter obtido o maior número absoluto de capturas,
recapturaram-se todos os marcados na campanha anterior, com duas exceções (uma fêmea que não foi mais
recapturada e um macho recapturado em maio e que podia, portanto, ser considerado presente em janeiro; seu
peso em janeiro foi estimado como a média dos pesos em outubro e maio).
Para o cálculo da área efetivamente ocupada, utilizada para a estimativa da densidade ecológica, traçou-
se um polígono com o menor número de vértices possível, ligando os pontos mais externos de captura, da área
1, em janeiro de 1987 (fig. 1). A área resultante tem uma superfície de 3359,17m?, obtida através de planímetro.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Captura. Foram capturados e marcados, entre julho de 1986 e agosto de 1987, 30
animais, num total de 57 capturas e recapturas. Destes indivíduos, 24 pertenciam
originalmente à área 1. O número médio de capturas por indivíduo foi de 1,83 para as duas
áreas e de 2,38 para a área 1. Na área 1, desconsiderando-se as recapturas em uma mesma
campanha, obteve-se o total de 40 capturas, nas quatro campanhas. O tempo total de
exposição das armadilhas, nas duas áreas, foi de 1211,08 horas. Foram capturados 21
animais em áreas adjacentes, 11 dos quais foram sacrificados. Destes 21 animais, dois
encontravam-se marcados.
Recapturas e densidade. Os residentes correspondiam a 33% dos capturados. O
índice total de recaptura foi de 40%. Entre os adultos, o índice de recaptura foi de 57,14%,
enquanto que entre jovens e subadultos, este índice correspondeu a zero.
As novas capturas superaram as recapturas nos dois primeiros períodos de trabalho.
A partir de maio de 1987, as recapturas passaram a predominar (fig. 2), o que, somado
ao fato de que a maioria das novas capturas era de jovens ou subadultos, permite supor
que todos os adultos da área foram marcados.
A densidade absoluta instantânea, em janeiro, foi de 14 indivíduos (4 machos
adultos, 5 fêmeas adultas e 5 machos subadultos) em um hectare. A biomassa total era de
2972,7g, das quais 1153,3g correspondiam aos machos adultos, 1023,3g às fêmeas
adultas e 796,1g aos subadultos.
Os indivíduos do gênero Ctenomys ocorrem, via de regra, em terrenos arenosos bem
drenados e porosos com vegetação rasteira, fato que está ligado à aeração das tocas
(CONTRERAS, 1981; ABRAHAM, 1980). Com base nisso, obteve-se uma estimativa de
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 25 - 33, 30 set. 1994
GASTAL
28
“(07x9) OU ovôroldxo “Louigy eum e aJuapuods21109) opeums> ojuod (+) Eau} epeimdeo 103 9puo 890} (O) :OydeuL opeimdro 103 9puo 890} ‘(@) -eunp
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IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 25 - 33, 30 set. 1994
Densidade, razão sexual e dados biométricos... 29
densidade ecológica (ELTON, 1927). Aqui não foram incluídos o bosque de araçás e a
zona de campo baixo, de solo mais compacto (exceto pela borda destes dois ambientes,
por onde algumas tocas se estendiam, e onde foram realizadas capturas), obtendo-se assim
uma densidade ecológica instantânea, no mês de janeiro, de 41,67 indivíduos por hectare.
Estrutura etária. Dentre os 24 indivíduos capturados na área 1, 15 já eram adultos
na primeira captura, 8 eram subadultos e somente um era jovem. Este último foi incluído
entre os subadultos, em virtude do pequeno tamanho da amostra. Nas quatro campanhas
de captura realizadas na área, o número de adultos excedeu o de subadultos e jovens (fig.
3), e nenhum subadulto foi recapturado no interior da área.
A predominância de adultos parece ser fregüente para mamíferos fossoriais, pelo
menos entre os residentes. PEARSON et al. (1968) e BUSCH et al. (1989) registraram
o fato em C. talarum, e em outros mamíferos fossoriais das famílias Geomyidae e
Rhyzomidae, foi detectado fato semelhante (INGLES, 1952; VAUGHAN, 1962; REIG,
1970; JARVIS, 1973; WILLIAMS & CAMERON, 1984).
O fenômeno, bem como a não recaptura de subadultos, deve ser atribuído à forte
territorialidade verificada entre os mamíferos fossoriais. A forte competição favorece a
dispersão dos jovens poucos meses após seu nascimento, com os adultos permanecendo
sedentários (NEVO, 1979; WILLIAMS & CAMERON, 1984). Existe também a
hipótese de que haja maior sobrevivência entre os adultos, em função dos maiores riscos
a que estão expostos os jovens na procura de território (HANSEN, 1962).
Os quatro machos adultos capturados em outubro de 1986 foram recapturados ao
longo de todo o período de trabalho, na mesma área da primeira captura, ocorrendo fato
semelhante entre as fêmeas adultas (uma das quais capturada três vezes, e outras duas
capturadas duas vezes.).
Havia, circundando a área de trabalho, vários sistemas de túneis distantes uns dos
outros (100-150m), num raio de 500m, onde foram feitas capturas não sistemáticas. Isto
40 40
20 20
a
a
ES
Eca
out jan mai ago ou
Figs. 2-3. Diagrama de frequência relativa de Ctenomys minutus na área 1, de outubro de 1986 a agosto de 1987:
2,novas capturas Gi) ) erecapturas ( ); 3, conforme faixa etária: jovem e subadultos ( 5 ), adultos ( ES.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 25 - 33, 30 set. 1994
30 GASTAL
resultou na captura de dois indivíduos marcados. Estes indivíduos, um macho e uma
fêmea, foram recapturados a distâncias de 185 e 200m dos pontos de suas primeiras
capturas, respectivamente. A fêmea era adulta na primeira captura, mas não apresentava
sinais de atividade reprodutiva. A cinco metros de seu ponto de recaptura (realizada um
ano depois), foi apreendido um indivíduo jovem, que poderia estar ocupando o mesmo
sistema de túneis. Quanto ao macho, jovem na primeira captura, era adulto na recaptura,
sete meses mais tarde, ocupando um sistema próximo ao de uma fêmea adulta.
A dispersão da fêmea pode ter sido consegiiência do distúrbio provocado pelas
máquinas de terraplenagem, que diminuiu a disponibilidade de habitats e de alimento.
Quanto ao macho, devia tratar-se de um subadulto forçado a migrar para uma área
marginal, próxima à colônia.
A dispersão dos dois animais parece ter envolvido deslocamento sobre a superfície,
dadas a distância e o tipo de vegetação que se interpunha entre os pontos de captura e
recaptura. A dispersão de jovens sobre a superfície já foi registrada em geomideos
(VAUGHAN 1962; HOWARD & CHILDS 1959) eespalacídeos (NEVO, 1961), embora
seja raramente observada entre os adultos. Os deslocamentos sobre a superfície devem
contribuir para evitar excesso de endocruzamento (HOWELL, 1922), característico de
populações tão filopátricas (NEVO, 1979).
A aproximadamente 450m da área de estudo havia outra colônia, de proporções
semelhantes à estudada. Entre esta e a colônia estudada, distribulam-se vários sistemas de
túneis isolados, inclusive o da fêmea citada. A distância de 5m da toca desta fêmea, foi
capturado, além do jovem, um macho adulto, indicando a possibilidade de fluxo de
indivíduos entre as duas colônias. Este padrão de distribuição espacial assemelha-se ao
proposto por HOWARD & CHILDS (1959) em geomídeos, com a existência de “habitats
marginais” adequados a ocupação durante somente algumas estações e importantes para
indivíduos jovens, ainda sem territórios. Foi registrado também em espalacídeos (HETH,
1989) e em C. talarum no Peru (PEARSON et al., 1968). Estes últimos autores
verificaram também que a proporção de machos entre os imigrantes é sempre superior à
das fêmeas, que são predominantes na população residente, apesar de menos numerosas
entre os subadultos. A população de C. minutus aqui estudada parece apresentar
comportamento semelhante, uma vez que os subadultos, além de apresentarem taxa de
recaptura nula, tinham a razão sexual desviada em favor dos machos (ver discussão
adiante). A população parece adequar-se ao “modelo de dispersão ótima” proposto por
NEVO (1979), que assume a existência de uma estratégia ótima de divisão de prole em
dispersantes e não dispersantes, maximizando sua “fitness” em curtas ou longas distân-
cias. Já que populações de mamíferos fossoriais são do tipo “K” estrategistas, reguladas,
(exceto quando há perturbações), a dispersão de subadultos excedentes deve complemen-
tar a territorialidade e a mortalidade como mecanismos de regulação.
Razão sexual. Levando-se em conta o número total de animais capturados na área
1, a razão sexual foi 1:1. Entretanto, observa-se um desvio em favor das fêmeas em três
dos quatro períodos de trabalho (tab. I). O único período em que os machos predominam
é o mês de janeiro, com seu número superando em 1,6 vezes o das fêmeas, desvio este
responsável pelo equilíbrio encontrado na amostra total. O desvio em favor das fêmeas
entre os adultos não desaparece em janeiro (tab. II). Também entre os residentes, as
fêmeas eram mais numerosas, constituindo 63% da amostra; apenas 25% dos machos
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 25 - 33, 30 set. 1994
Densidade, razão sexual e dados biométricos... 31
capturados eram residentes, enquanto que, entre as fêmeas, este índice correspondeu a
42%.
A razão sexual de 1:1 é rara em mamíferos subterrâneos adultos (NEVO, 1979).
Quando não há um favorecimento das fêmeas, verifica-se, pelo menos, uma tendência à
diminuição do número de machos, à medida em que a coorte vai se tornando mais longeva,
indicando maior mortalidade dos machos. (INGLES, 1952; HOWARD & CHILDS,
1959; VAUGHAN, 1962; REIG, 1970; PEARSON, 1959). Para C. talarum, há informa-
ções divergentes (BUSCH et al, 1989; PEARSON et al., 1968). TALICE et al. (1973)
verificaram, em C. torquatus, uma discrepância entre a razões sexuais de populações
encontradas na natureza, e as criadas em laboratório. Para as primeiras, a razão sexual era
de 1:2, enquanto que a razão registrada em laboratório era de 1:1, indicando maior
mortalidade de machos, em condições naturais.
A população estudada parece apresentar o mesmo tipo de padrão, uma vez que o
mês de janeiro, quando a razão sexual estava desviada em favor dos machos, corresponde
ao de mais significativa presença de jovens e subadultos na população. O desvio entre os
adultos favorece fortemente as fêmeas.
Dados Biométricos. Os machos eram significativamente mais pesados do que as
fêmeas (machos: x = 289,52 + 20,57 g,n = 11; fêmeas: x= 213,29 + 36,243g, n=22; p. <
0,05) e seus incisivos foram significativamente mais largos (machos: x= 7,96 mm +
0,77mm; n = 11; fêmeas: x = 6,43 mm + 0,51 mm; p < 0,05). Não houve diferença
significativa entre os comprimentos totais de machos e fêmeas adultas (machos: x=
E SUemE= Oem n- 1 fêmeas: x= 25,11 em= 1,79 cm, n= 22; p> 0,05).
PEARSON (1959) constatou que em Cl‘. opimus machos são significativamente
maiores do que fêmeas. Este fato também foi observado por TRAVI (1983), em C.
torquatus, por BRETSCHNEIDER (1987) em C. flamarioni e por PEARSON et al.
(1968) em €. talarum. O padrão aqui registrado contribui para a generalização deste fato,
em Ctenomys.
A maior amplitude de peso e o maior coeficiente de variação observados para as
fêmeas devem ser atribuídos à variação decorrente da pregnância.
Tabela I. Razão sexual da população de Ctenomys minutus na área 1, individualizada por período (nº de machos/
nº de fêmeas na amostra, com porcentagem de machos em parênteses), incluindo todas as idades.
Out/86 Jan/87 Mai/87 . Ag0/87
Recapturas — 2/4 (33,3) 2/3 (40,0) 2/3 (40,0)
Novas capturas 3/6 (33,3) 6/1 (85,7) 1/3 (25,0) 2/2 (50,0)
Combinados (% G ) 33,30 61,50 33,33 44,40
Tabela II. Razão sexual entre os adultos de Ctenomys minutus da área 1, individualizada por período (nº de
machos na amostra / nº de fêmeas na amostra, com porcentagem de machos em parênteses).
Out/86 Jan/87 Mai/87 Ago/87
Recapturas _ 2/4 (33,3) 2/3 (40,0) 2/3 (40,0)
Novas capturas 3/6 (33,3) 1/1 (50,0) 0/2 (00,0) 0/2 (00,0)
Combinados (% O ) 33,30 37,50 28,57 28,60
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 25 - 33, 30 set. 1994
32 GASTAL
Reprodução. As informações sobre o comportamento reprodutivo, embora indire-
tas e menos sistemáticas, permitem-nos detectar alguns indicativos de períodos de
reprodução. Em outubro de 1986 foi capturada uma fêmea com cicatriz vaginal e mamas
desenvolvidas. Três meses mais tarde, em janeiro, foram capturados, na mesma área, dois
subadultos, possivelmente seus filhos. Também em outubro registrou-se a ocorrência de
fêmeas com abdômen bastante dilatado e mamas desenvolvidas, não tendo sido capturado
nenhum jovem. Uma das fêmeas apresentava a vagina aberta, o que poderia se interpre-
tado como sinal de parto recente (TALICE & MOSERA, 1959). Em outubro de 1987, uma
das fêmeas apresentava uma redução de peso da ordem de 25% e do diâmetro do abdômen
da ordem de 38%, encontrando-se acompanhada de pelo menos um subadulto,
presumivelmente seu filho. Dentre os animais sacrificados em setembro de 1987, três das
cinco fêmeas encontravam-se grávidas, o que indica estar este período associado à
reprodução. Em janeiro foi verificada a maior concentração de subadultos (fig. 3),
representando quase metade da população capturada, e indicando que estes devem
corresponder à coorte nascida em torno de setembro-outubro.
Agradecimentos. Ao CNPq, pela bolsa de estudos durante o curso e pelo auxílio concedido à
orientadora deste trabalho, Prof? Dr? Lígia Krause (processo 408948/76.6/ZO/FV); aos colegas Ângela
Gallinati, Cláudia Keller, Heloísa Loss, Jairo Zoche e Rosane Marques pela ajuda nos trabalhos de campo; ao
comando do III° Regimento de Cavalaria do IIIº Exército pela cedência da área para a realização do trabalho.
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SISTEMAS DE TÚNEIS E ÁREA DE VIDA DE CTENOMYS MINUTUS
NEHRING, 1887 (RODENTIA, CAVIOMORPHA, CTENOMYIDAE)!
Maria Luiza de A. Gastal ?
ABSTRACT
TUNNELS SYSTEMS AND THE HOME RANGE OF CTENOMYS MINUTUS NEHRING, 1887
(RODENTIA, CAVIOMORPHA, CTENOMYIDAE). The tunnel structure and the home range of the fossorial
rodent Ctenomys minutus Nehring, 1887, have been studied for a 23 months period, at Tramandaí, State of Rio
Grande do Sul, Brazil. C. minutus is a solitary species, and the distribution of the tunnels is associated with the
type of soil and vegetation, with no preferential direction for tunnel openings. Adults are philopatric, and males
have larger home ranges than females.
KEYWORDS. Ctenomys, fossorial, rodent, tunnel structure, home range.
INTRODUÇÃO
Os mamíferos fossoriais apresentam um conjunto de adaptações morfológicas e
comportamentais para a escavação, que os possibilitam construir galerias e mantê-las em
condições ambientais mais ou menos independentes do meio externo (HILDEBRAND,
1974; CONTRERAS, 1981). A maioria apresenta hábitos solitários.
Para animais com tais características, torna-se necessário, o uso de métodos
específicos para a estimativa de áreas de vida. Para vertebrados em geral, estes métodos
são diversos (STICKEL, 1954), e baseiam-se, em sua maioria, no método do polígono
(MOHR, 1947). Do ponto de vista conceitual, a distinção entre área de vida e território,
proposta por BURT (1943) não se aplica às espécies solitárias fossoriais, que defendem
ativamente seus sistemas de túneis exclusivos, onde desenvolvem suas atividades diárias
(WILKS, 1963; NEVO, 1978).
Ctenomys minutus Nehring, 1887, é um fossorial típico, permanecendo a maior
parte do tempo no interior do sistema de túneis e alimentando-se basicamente de raízes
e talos subterrâneos, ou de porções de vegetais vizinhos às aberturas de seus túneis. REIG
(1970) refere-se à C. minutus como sendo uma espécie colonial. É uma das três espécies
do gênero Ctenomys Blainville, 1826 assinaladas para o Rio Grande do Sul, habitando
regiões de solos arenosos da planície costeira. O presente trabalho visou estudar a área de
1. Parte da dissertação de mestrado apresentada ao Curso de Pós-graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Parcialmente financiado pelo Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq.
2. Dep. de Biologia, Instituto de Biociências, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Av. Ipiranga, 6681, Prédio 12, 90.610-
001, Porto Alegre, RS.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 35 - 44, 30 set. 1994
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vida e a estrutura de seus túneis, em uma população de Tramandaí, Rio Grande do Sul,
Brasil. Diferentes metodologias foram utilizadas e são discutidas.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi realizado no Parque Histórico Marechal Manoel Luís Osório, município de Tramandaí,
RS, 125km ao norte de Porto Alegre (50º13'W-30º59'S). A área e o método de captura dos animais estão
descritos em GASTAL (1994). Os dados relativos à área de vida e orientação de tocas foram obtidos em uma
área de pastoreio de lha (que será citada como “área de marcação”, com referência ao fato de ter sido o local
onde ocorreram os trabalhos de captura-marcação-recaptura) no período de julho de 1986 a fevereiro de 1988.
Os trabalhos de captura-marcação-recaptura ocorreram em quatro campanhas de captura (outubro de 1986,
Janeiro, maio e agosto de 1987), com duração de 5 dias cada, exceto a primeira, que durou quatro.
À orientação das tocas foi obtida através de bússola, colocada sobre a saída do túnel, na direção em que
este se abria. Foram obtidas as orientações de 41 tocas em outubro de 1986 e 51 em agosto de 1987. Do total,
92,26 correspondiam a tocas de animais marcados. O teste qui-quadrado de Raylegh (BATSCHELET, 1981) foi
utilizado para verificar se as aberturas estavam uniformemente distribuídas na rosa-dos-ventos.
As informações sobre a estrutura dos túneis foram obtidas a partir de quatro escavações. Três dos
sistemas localizavam-se na área de marcação e o outro a cerca de 500m dela. Antes de se iniciar a escavação, seu
ocupante era retirado e, a cada metro linear de escavação, eram medidos profundidade relativa a nível de
assoalho (com um régua) e diâmetro (com compasso). Foram assinaladas ocorrências tais como câmaras,
depósito de matéria vegetal, aclives ou declives abruptos, bem como as aberturas de saída e alimentação
(PEARSON et al., 1968).
Para a estimativa de área de vida, foram utilizados o comprimento dos túneis escavados, o metódo do
polígono (MOHR, 1947) e a maior distância entre capturas sucessivas (WILLIAMS & BAKER, 1976).
„Para o cálculo da área de vida através do método do polígono, consideraram-se somente os indivíduos
cujo número de capturas fosse igual ou superior a três, todos eles adultos residentes na área de captura
(GASTAL, 1994). Para tanto, mediu-se a área delimitada pelos pontos mais externos de captura de um mesmo
animal (MOHR, 1947), utilizando-se a média de três medidas, obtidas com planímetro. Tal método, denomina-
do método do polígono, tem como restrição o fato de que a área de vida do animal possivelmente se estenda além
dos limites da área do polígono obtido. Como objeção adicional, nos mamíferos subterrâneos, argumenta-se que
nem toda a área incluída no polígono corresponde efetivamente à área de vida do animal, o que provocaria,
nestes casos, uma superestimativa da área de vida. No entanto, na medida em que os túneis são, na verdade, mais
longos e apresentam mais ramificações laterais do que as normalmente detectadas, HOWARD & CHILDS
(1959) consideram que essas duas fontes de erro anulam-se, aceitando-se o método para a estimativa da área de
vida de mamíferos fossoriais.
Também foi utilizado o método de WILLIAMS & BAKER (1976) para estimativa relativa de área de
vida de roedores subterrâneos, que consiste na obtenção da distância máxima entre duas capturas consecutivas
de um mesmo indivíduo, num período de 24 horas. O uso desse parâmetro baseia-se na suposição de que neste
intervalo de tempo os animais não mudariam para uma nova área e escavariam um novo sistema de túneis. Para
a comparação de médias, utilizou-se o teste t(SOKAL & ROHLF, 1979).
RESULTADO E DISCUSSÃO
Sistemas de túneis. Os túneis de C. minutus frequentemente encontravam-se em
taludes de estradas, o que pode estar relacionado à proteção contra enchentes. Na área de
marcação, concentravam-se em uma das encostas da duna, embora frequentemente se
estendessem até o campo. Esta preferência por locais inclinados também foi registrada por
JARVIS & SALE (1971) em três gêneros de Bathiergydae africanos. Foram constatadas
saídas de alimentação e montículos, sensu PEARSON et al. (1968) e grupos de
montículos, sensu REID et al. (1966).
A inspeção visual indicou uma nítida preferência por ambientes abertos, o que deve
estar relacionado à ventilação das tocas, coincidindo com o observado por CONTRERAS
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(1970). Na área de marcação, a encosta ocupada era aquela desprovida de vegetação
arbórea, voltada para o norte. Esta orientação não deve estar ligada a algum fator
climático, uma vez que foram registradas várias tocas voltadas para sul, em locais
próximos à área de trabalho. Todos os sistemas observados, em pontos diversos do
Parque, ocorriam em locais desprovidos de vegetação fechada.
As aberturas das tocas apresentaram uma distribuição uniforme ao longo da rosa-
dos-ventos (X? calc= 7,9435; p > 0,05). Os mesmos valores foram analisados utilizando-
se o teste de Raylegh (BATSCHELET, 1981), que também indicou serem as aberturas
uniformemente distribuídas em torno do círculo (p< 0,05). Estes resultados diferem dos
obtidos para outras populações do gênero Ctenomys, (PEARSON et al., 1968; ALTUNA,
1983).
Frequentemente observavam-se, ao redor das aberturas e misturados à areia dos
montículos, fezes e restos de matéria vegetal. Estes depósitos encontravam-se, muitas
vezes, sob arbustos. INGLES (1951) registra o mesmo comportamento em geomídeos,
atribuindo a ele a finalidade de escape de predação. Também os “conjuntos de montículos”
(REID et al., 1966) foram freqientemente observados, indicando maior atividade
escavatória.
Dos quatro sistemas de túneis escavados, dois pertenciam a animais marcados
(sistemas 3 e 4). Nas figuras 1-4 estão representados os sistemas escavados, cujas medidas
aparecem na tabela 1.
Tabela I. Medidas dos sistemas de túneis de Ctenomys minutus Nehring, 1887 no Parque Histórico Marechal
Manoel Luis Osório, Tramandaí, Rio Grande do Sul de março a maio de 1987. (Nm = não marcada, s= desvio
padrão).
Sistema Indivíduo Sexo Data Profundidade Diâmetro Comprimento Comprimento
média + s médio E s do túnel total
(cm) (cm) principal (m) (m)
1 Nm 9 03/87 DS AEE 6,7#0,7 6,0 9,9
2 Nm Q 04/87 29,1#5,1 6,926 1,9 8,4 15,0
3 40 (O) 04/87 DI DEEAND 6,7+#0,7 6,6 11,4
4 3 S 05/87 26.182.163 8,2+0,6 10,4 19,6
O sistema número 2, pertencente a uma fêmea não marcada, localizava-se junto à
área de um macho marcado. Este macho foi recapturado mais uma vez em dezembro de
1987, nesta mesma área. As escavações, entretanto, não levaram a nenhuma das tocas
marcadas como pontos de captura para aquele macho, indicando que os sistemas, apesar
de próximos, eram separados.
Os sistemas de túneis estavam constituídos por um segmento mais longo, denomi-
nado “túnel principal” por REICHMAN et al. (1982), cujo comprimento variou entre 6,0
e 10,4m de comprimento, e por várias ramificações laterais. As aberturas localizavam-se
em curtas ramificações dos túneis laterais ou do túnel principal (fig. 1-4).
A profundidade média dos túneis situou-se em torno de 25cm, e as maiores medidas
de profundidade corresponderam a locais que se situavam sob dunas não significando,
portanto, maior declividade. A profundidade do túnel parece ser um caráter altamente
adaptativo, uma vez que, como assinala VLECK (1981), os túneis devem ser suficiente-
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mente rasos para possibilitar a obtenção de alimento mas com profundidade bastante para
não desmoronar quando a terra seca. Embora não registrado nos sistemas escavados, em
áreas de solo mais compactado observou-se que C. minutus cavava túneis laterais quase
verticais. Nos locais de solo mais arenoso, os túneis laterais tinham uma inclinação suave.
VLECK (1981) observou este fenômeno em Thomomys bottae, e o atribuiu ao fato de que
solos mais compactos são mais facilmente empurrados para fora, na escavação. Igualmen-
te, solos arenosos oferecem maiores dificuldades para oclusão de aberturas que não sejam
horizontais.
Frequentemente, eram observadas porções de túneis bloqueadas com matéria
vegetal seca ou terra. No sistema número quatro estes bloqueios foram muito fregüentes
e longos (fig. 4).
Em somente um dos sistemas, pertencente a um macho, foi possível identificar com
clareza um ninho. Constituía-se de uma porção bastante alargada de túnel, com grande
quantidade de matéria vegetal seca. Nos demais sistemas, o ninho era menos evidente,
constituindo-se de porções ligeiramente alargadas de túnel, onde também eram registra-
dos vegetais secos, alimento e fezes.
Area de vida. A população estudada em Tramandaí era constituída por indivíduos
de hábitos solitários, o que nos permite considerar, para esta população, os conceitos de
área de vida e território como sinônimos. As duas ocorrências de mais de um indivíduo
em um mesmo túnel estavam claramente associadas a períodos reprodutivos.
Considerou-se a área de vida de C. minutus como constituída de um sistema de
túneis. Entretanto, HOWARD & CHILDS (1959) e BRETSCHNEIDER (1987) assina-
lam que áreas adjacentes ao sistema de túnel de Thomomys bottae e C. flamarioni Travi,
1981 respectivamente, onde o animal coleta alimentos, poderiam ser incluídas em sua área
de vida.
Na tabela II estão representados os valores de área de vida mínima para sete
exemplares adultos da área de marcação, capturados três ou mais vezes. O valor médio
verificado foi de 99,2 + 88,1 m?. As áreas estão representadas na figura 5.
Tabela II. Medidas de área de vida dos indivíduos residentes da população estudada de Ctenomys minutus
Nehring, 1887 no Parque Histórico Marechal Manoel Luis Osório, município de Tramandaí, Rio Grande do Sul
de outubro de 1986 a maio de 1987.
Indivíduo Sexo Primeira Última Número de Área
captura captura capturas (m?)
3 S 10/86 08/87 6 256,70
4 Q 10/86 08/87 4 32,50
5 E 10/86 08/87 5 154,50
10 Q 10/86 01/87 4 52,81
30 Q 10/86 05/87 6 17.85
40 ) 10/86 08/87 6 142,18
25 Q 05/87 08/87 4 38,21
Verifica-se uma notável amplitude no tamanho das áreas dos diferentes animais,
que variam entre 17,8m? e 256,7m?, sendo o segundo valor 14,6 vezes maior do que o
primeiro. Uma das razões para isto pode ser a irregularidade da distribuição do alimento
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no habitat. Em habitats ótimos, onde as condições de solo são relativamente uniformes,
os territórios tendem a ser constantes em tamanho e distribuição, enquanto que territórios
que abrangem mais de um tipo de vegetação, podem parecer maiores, porque partes deles
não estão sendo utilizadas (MILLER, 1964). Na área de estudo, a vegetação encontrava-
se irregularmente distribuída, sofrendo, inclusive, pressão de pastejo por parte de gado
bovino ou ovino. Além disso, as porções situadas no campo, fora duna, apresentavam-se
frequentemente alagadas, quando ocorriam chuvas fortes. WILLIAMS & BAKER
(1976) assinalam que os movimentos fora da área de vida podem apresentar, na verdade,
reutilização de porções de túneis bloqueadas.
Outro fator que pode determinar esta grande amplitude é o tempo de ocupação de
um sistema de túneis. Quanto maior for este tempo, mais probabilidade terá o sistema de
ser longo. Some-se a isso o fato observado em Ctenomys talarum Thomas, 1898
(PEARSON et al., 1968) e Thomomys talpoides (REID et al., 1966) de que jovens
dispersantes ocupam sistemas abandonados, o que aumenta consideravelmente o tempo
que um mesmo sistema pode ser ocupado.
Embora a amostra seja reduzida, pode-se observar uma tendência ao maior tamanho
de área de vida entre os machos, o que corresponde ao padrão registrado em C. talarum,
(BUSCH et al., 1989), alguns geomídeos (HOWARD & CHILDS), 1959; MILLER,
1964; REICHMAN et al., 1982) e espalacídeos (HETH, 1989). Essa tendência pode ser
atribuída às maiores necessidades energéticas decorrentes do maior tamanho dos machos,
ou, como sugerem HOWARD & CHILDS (1959), em T. bottae, à poligamia. Este pode
ser o caso de C. minutus. A razão sexual favorecendo as fêmeas (GASTAL, 1994) e a
distribuição espacial dos indivíduos residentes adultos reforçam essa hipótese.
A maior distância observada entre duas capturas consecutivas, num mesmo dia,
correspondeu a 1 im, para uma fêmea, em agosto de 1987. A maior distância observada
entre capturas consecutivas, em um mesmo período de trabalho, foi de 15,5m, também
para uma fêmea, num intervalo de 2 dias, no mesmo mês. Dentre os machos, a maior
distância foi de 8,0m num intervalo de 1 dia, em janeiro de 1987.
As distâncias médias entre as capturas individuais, para os residentes são: machos
e fêmeas 10,17 +75m (n=75); machos 15,55 # 21m (n=21); fêmeas 8,50+5,55m (n=54).
Para a obtenção destes valores, foram consideradas as recapturas em um mesmo período
de trabalho. A distância média entre as capturas dos machos é significativamente maior
do que a observada entre as fêmeas (p<0,05), reforçando a hipótese de que os machos
apresentam maior área de vida.
Nas figuras 6 e 7 estão representadas as capturas sucessivas de machos e fêmeas que
tiveram suas áreas de vida estimadas. As setas indicam a segiiência em que estas foram
realizadas. Percebe-se, em todos os animais, uma forte tendência à filopatria. Mesmo o
macho 5, que apresentou um deslocamento de 27,5m entre as capturas de janeiro e agosto
de 1987, foi capturado, mais tarde, em sua área original (deslocamento representado pela
linha tracejada).
Admitindo-se que no período correspondente a uma campanha de captura (5 dias)
um animal não poderia, em princípio, cavar o suficiente para aumentar sua área de vida,
calculou-se a distância média entre capturas individuais numa campanha, para os
residentes (77,2 + 3,8m; n=15). A comparação deste valor com o da distância média entre
as capturas individuais nas quatro campanhas (10,2 + 7,6m; n=70) foi, então, utilizada
como uma estimativa da intensidade de utilização da área de vida, num único período,
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pelos indivíduos. No caso de segundo valor ser significativamente maior do que o
primeiro, considera-se que havia uma porção de área de vida não utilizada, ou que tinha
havido um aumento na área escavada, uma vez que cresceu a distância média entre as
capturas individuais.
A comparação entre as duas médias apontou uma diferença significativa entre os
dois valores (p<0,05). Isto pode evidenciar um incremento na área utilizada pelos
indivíduos ao longo do tempo. Este incremento poderia estar relacionado à irregularidade
da distribuição da vegetação na área, bem como à competição imposta pelo gado e ao
próprio distúrbio provocado pelos Ctenomys que se veriam forçados a cavar novas
porções de túneis, apesar do gasto energético que isto representa. Entretanto, pode
também significar simplesmente a reutilização de porções temporariamente abandonadas
dos sistemas de túneis. Em ambos os casos, contudo, verifica-se que a área utilizada em
um mesmo período é menor do que a ocupada durante o ano, com os animais tendendo
a explorar, em certa época, porções reduzidas de seu território.
Outro fato que pode determinar o aumento da distância média entre as capturas, ao
longo do ano, são os deslocamentos com objetivo de acasalamento, que levariam alguns
animais a ocupar, temporariamente, outros sistemas de túneis.
CONCLUSÕES
A população de Ctenomys minutus estava constituída por animais solitários, não
permitindo a distinção entre os conceitos de área de vidae território, para esta espécie. Não
ocorreu direção preferencial na abertura das tocas, estando sua aeração associada,
fundamentalmente, a sua localização em áreas abertas que apresentavam alguma
declividade. A estrutura dos túneis seguiu o modelo característico de outros mamíferos
fossoriais, com um túnel principal e túneis secundários, laterais.
Diferentes índices indicam que a área de vida dos machos tende a ser maior do que
a das fêmeas, embora fatores tais como antigüidade do sistema possam determinar o
tamanho da área ocupada pelos animais. Registrou-se, também, uma tendência à filopatria,
entre os adultos residentes da população.
Agradecimentos. Ao Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela
bolsa de estudos durante o curso de mestrado e pelo auxílio concedido (processo 408948/76.6/ZO/FV); Andreas
Kindell, Ângela Gallinati, Heloísa Loss, Jairo Zoche e Rosane Vera Marques pela ajuda nos trabalhos de campo;
a Cláudia Keller, pelo auxílio nos trabalhos de campo e pela elaboração dos croquis de sistemas de túneis; a Raul
Höfliger e José Eduardo Dorneles pela ajuda na elaboração dos mapas e croquis.
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Recebido em 14.10.1992; aceito em 24.09.1993
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Figs. 1-2. Sistemas de túneis de Ctenomys minutus. 1, Fêmea não marcada, fora da área de marcação (sistema
1); 2, fêmea marcada na área de marcação (sistema 2). Ge;saida do túnel; (s)câmara indefinida; N, ninho; medidas
do túnel em cm: profundidade = número superior e diâmetro = número inferior).
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Figs. 3-4. Sistemas de túneis de Ctenomys minutus. 3, Fêmea marcada na área de marcação (sistema 3); 4, macho
marcado na área de marcação (sistema 4). ( N ANN ), obstrução de areia; ( EEE ) obstrução de palha e areia:
: o saída de túnel; N, ninho; medidas do túnel em cm: profundidade = número superior; diâmetro = número
inferior).
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E
CD
9%
Figs. 5-7. Ctenomys minutus. 5, Áreas de vida de indivíduos na área de marcação; 6, sequência de capturas dos
machos residentes; 7. segiiência de capturas das fêmeas residentes (E, eucalipto; BA, bosque de araçás; ----,
limite de área alterada; >>, deslocamento durante o período de trabalho; ->->--, deslocamento posterior a
agosto de 1987; O, primeira captura; os números dentro das figuras representam os indivíduos marcados).
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CICLO REPRODUTIVO DE TADARIDA BRASILIENSIS (I. GEOFFROY,
1824) (CHIROPTERA, MOLOSSIDAE) EM PORTO ALEGRE, BRASIL
Rosane V. Marques !
Marta E. Fabian ?
ABSTRACT
REPRODUCTIVE CYCLE OF TADARIDA BRASILIENSIS (I. GEOFFROY, 1824) (CHIROPTERA,
MOLOSSIDAE) IN PORTO ALEGRE, BRAZIL. The reproductive cycle of Tadarida brasiliensis (I. Geoffroy,
1824) from urban environment in Porto Alegre, south of Brazil (30º 01'S; 51º 13'W) was studied during 1987-
1990 years. Weekly or fortnightly captures were made during a 12 months period. Gonads conditions of males
and females was assessed using histological techniques. This species shows a monoestric and monotocous
reproductive pattern. Males show spermatozoids in the epididymis only from July to September, and the highest
percentage of fertile males occurs in the latter month. Females show developed Graafian follicles in August and
during September, the first pregnant females were observed at the beginning of the gestation period. The
parturitions occur between the last two weeks of November and the first two weeks of December (at the end of
Spring). Only the right side of the female's reproductive system is functional. Lactation period continues until
January or the beginning of February.
KEYWORDS. Tadarida brasiliensis, Molossidae, Chiroptera, reproductive cycles.
INTRODUÇÃO
Tadarida brasiliensis (I. Geoffroy, 1824) apresenta ampla distribuição geográfica,
estendendo-se do sul dos Estados Unidos até o Chile e Argentina, incluindo também o
Caribe. Estudos sobre a reprodução destes morcegos foram realizados principalmente
com as populações ocorrentes nos Estados Unidos e México. CAGLE (1950), TWENTE
(1956) eGLASS (1958) observaram no Texas (EUA), em Kansas (EUA) e em Oklahoma
(EUA), respectivamente, o nascimento de filhotes durante os meses de primavera e verão,
fins de junho e início de julho. Segundo DAVIS et al. (1962) estes morcegos acasalam-
se no inverno, enquanto a população está residindo em regiões de baixa latitude, havendo
apenas um ciclo reprodutivo anual, sendo que todas as fêmeas que se dirigem para o norte
do Texas na primavera, dão à luz anualmente e a gravidez ocorre sempre no corno direito
do útero. COCKRUM (1969) identificou diferentes tipos de colônias desta espécie:
colônias maternidade, com fêmeas adultas e filhotes; abrigos transitórios nos períodos de
migração, que ocorrem antes e após a reprodução e abrigos de inverno com machos
1. Laboratório de Mastozoologia, Museu de Ciências, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Av. Ipiranga 6681. Caixa Postal 1429.
CEP 90.619-900. Porto Alegre, RS, Brasil.
2. Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Av. Paulo Gama s/nº CEP 90.040-060. Porto
Alegre, RS, Brasil. (Bolsista do CNPq, proc. nº 305.363/87/-5/ZO/FV).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 45 - 56, 30 set. 1994
AG MARQUES & FABIÁN
reprodutivamente ativos e fêmeas com características vaginais que identificam sinais de
cópula recente. Características biológicas de populações de T. brasiliensis que ocorrem
no Brasil são pouco conhecidas. SANTOS (1978) constatou que estes morcegos apresen-
tam época de reprodução de outubro a dezembro, nas regiões de São Leopoldo e Canela,
Rio Grande do Sul. WIMSATT & TRAPIDO (1952), BURNS & CRESPO (1975) e
ANCIAUX-DE-FA VEAUX (1978) demonstraram que morcegos de uma mesma espécie
podem apresentar diferentes características reprodutivas conforme a latitude que habitam,
deste modo, o presente trabalho visa ampliar os conhecimentos sobre aspectos da biologia
de T. brasiliensis ocorrente no extremo sul do Brasil.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho de observação e captura de morcegos foi efetuado no período de setembro de 1987 a
dezembro de 1988, na área urbana de Porto Alegre, Brasil (30º 01'S, 51º 13'W).
Com base em dados de temperatura e precipitação mensais de 30 anos (1960-1989), obtidos no 8º
Distrito de Meteorologia, em Porto Alegre, foi possível elaborar um diagrama climático para a região. Os meses
de novembro a março apresentam médias de temperatura acima de 20°C, enquanto que de junho a agosto
(inverno), as temperaturas médias ficam abaixo de 15°C. A temperatura média anual é de 19°C. As chuvas
ocorrem durante o ano todo, sendo mais freqüentes de junho a setembro, geralmente não ultrapassando 150mm
mensais. A precipitação anual atinge 1332,4mm. A altitude é de 10m.
As coletas foram realizadas no período da manhã, semanalmente, porém, durante o inverno (junho a
agosto de 1988) foram quinzenais, devido ao reduzido número de indivíduos das colônias. Os abrigos visitados
foram telhados de casas e edifícios, caixas de persianas de apartamento e poço de elevador, num total de 18
locais diferentes.
Os exemplares adultos foram mortos em recipiente com algodão e éter, medidos, pesados, fixados em
formol a 10% e conservados em álcool a 70%, conforme TADDEI (1973).
Na análise das gônadas foi verificada a condição abdominal ou escrotal dos testículos nos machos,
retirados o epidídimo e o testículo esquerdo, medido no sentido do comprimento. Nas fêmeas foi observado o
grau de desenvolvimento do abdômen e das mamas e retirados o útero, ovidutos e ovários. As gônadas foram
processadas histologicamente de acordo com WIMSATT & TRAPIDO (1952).
Através do estágio de desenvolvimento das gônodas foram definidas as seguintes categorias: 1. machos
em fase reprodutiva inativa: ausência de divisões celulares nos túbulos seminíferos e de espermatozóides no
epidídimo; 2. machos em fase reprodutiva intermediária: presença de divisões celulares nos túbulos seminíferos
e ausência de espermatozóides no epidídimo; 3. machos em fase reprodutiva ativa: presença de espermatozóides
no epidídimo; 4. machos jovens: com testículos pequenos e sem divisões celulares ou espermatozóides. Nas
fêmeas, foi observado o estágio de desenvolvimento dos folículos ovarianos (primários, secundários ou
vesiculares) e a presença de embrião no interior do útero (gravidez) ou restos de tecido embrionário no útero
(sinal de parto recente). As fêmeas foram consideradas jovens quando apresentavam útero pouco desenvolvido.
Os exemplares estudados, 247 fêmeas e 209 machos, encontram-se depositados no Museu de Ciências
Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Para a análise das médias dos pesos corporais de machos e fêmeas com tamanho corporal de adultos, ao
longo do ano, foi utilizada Análise de Variância de um fator. O método S (Teste de Scheffé, segundo
GUILFORD & FLUCHTER, 1973) foi utilizado para a constatação de diferenças de pesos corporais ao longo
do ano. As relações entre peso corporal, comprimento do antebraço, comprimento do testículo e estado
reprodutivo dos machos foram determinadas através do Coeficiente de Correlação de Pearson. Testes t de
Student foram utilizados para avaliação da significância dos resultados obtidos com a Análise de Variância e
Correlação de Pearson (COSTA-NETO, 1977).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Condição reprodutiva dos machos. O peso corporal de 193 machos de T. brasiliensis
foi determinado (tab. I) e a Análise de Variäncia indica diferenças significativas entre as
médias mensais. Abril é o mês em que os pesos corporais dos indivíduos encontram-se
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 45 - 56, 30 set. 1994
Ciclo reprodutivo de Tadarida brasiliensis ... 47
mais elevados, enquanto em junho apresentam-se mais baixos. Para os diversos meses, no
período de novembro de 1987 a outubro de 1988, obteve-se como razão F=9,401 ea soma
dos quadrados intragrupos = 134,489, sendo considerada uma razão F significativa.
Tabela I. Médias e desvios-padröes dos pesos corporais de machos de Tadarida brasiliensis no período de
novembro de 1987 a outubro de 1988, em Porto Alegre, RS, Brasil. (n= número de indivíduos; DP = desvio
padrão).
Mês n Média DP Mínimo Máximo
Nov 3 12,18 0,2363 12,00 12745
Dez 3 11,78 0,5718 11,10 12,50
Jan 22 122 0,8961 9,50 13,00
Fev 8 10,77 0,7305 10,00 12,00
Mar DAT 11,79 0,9491 9,50 14,00
Abr 23 12,43 1,0259 10,50 15,00
Mai 13 11,70 1,2052 10,00 14,00
Jun 35 10,49 0,6085 9,00 12,00
Jul 19 11,31 1,0302 10,00 13,00
Ago 11 11,71 0,8288 10,50 13,00
Set 19 11,80 0,4967 11,00 13,00
Out 8 12,48 0,8839 11,30 13,90
A análise dos dados indica haver diferenças significativas entre os meses de abril
em relação a janeiro, fevereiro e junho e os de junho em relação a março, abril, setembro
e outubro (tab. II). Para um nível de significância de 0,05, o valor de t de tabela é 4,437.
Tabela II. Matriz de valores obtidos com o teste de Scheffé. Comparação de médias dos pesos corporais de 193
machos de Tadarida brasiliensis obtidos de novembro/1987 a outubro/1988 em Porto Alegre, Brasil. (* Valores
de Scheffé que evidenciam diferenças significativas).
Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out
Nov 0,64 1,80 2,41 0,74 -0,48 0,86 3,26 1,62 0,85 0,725 0.=-0:52
Dez 200205 -0,03 -1,54 0,16 3,13 1,07 015 "+ #=0:03: | =144
Jan 18277 -2,28 -4,70* -1,59 3,13 033277215118 2 essa
Fev -2,93 -4,69* 241 0,84 -1,49 -2,33 -2,82 “3,97
Mar -2,62 0,29 5,89* 1,85 0,27 -0,03 -2,00
Abr 243 841* 4,19 2,30 2,38: 0.15
Mai 4,34 1,26 -0,01 -0,03 -2,02
Jun 23,39 » 4,09... =5,32* 5,91%
Jul 120 73, =-323º 194
Ago -0,28 -1,89
Set
Out
T. brasiliensis é uma espécie migratória, havendo estudos sobre seus deslocamen-
tos no hemisfério norte (COCKRUM, 1969). Na região de Porto Alegre, os indivíduos
desta espécie estão presentes em grande número durante os meses de verão, diminuindo
sua freqiiência sensivelmente, nos meses de inverno, razão pela qual MARQUES (1991)
supõe que a espécie também realize movimentos migratórios no hemisfério sul. Abril é
o mês em que a atividade de abandono dos abrigos de verão está no auge, podendo haver
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48 MARQUES & FABIÁN
relação entre o aparecimento dos maiores pesos corporais dos machos e esta atividade. Os
animais adquirem maior peso corporal durante o verão, quando a abundância de alimento
disponível (insetos) é maior (FABIÁN et al., 1990). Os morcegos que atingem peso
corporal elevado têm condições de abandonar o abrigo. Aqueles que permanecem nos
abrigos durante o inverno possivelmente sejam os que não conseguiram atingir o peso
adequado para o deslocamento. No mês de junho, quando o número de indivíduos que
permanece no abrigo durante o inverno se estabiliza, o peso dos animais é mais baixo. Em
fevereiro (verão), as médias mais baixas de peso corporal verificadas devem-se ao fato do
recrutamento de jovens com tamanho corporal de adultos.
O'SHEA (1976) constatou que em T. brasiliensis, nas cavernas do Arizona (EUA),
a quantidade de tecido adiposo é mais elevada em março e abril, após os animais terem
completado sua migração para o norte e, em geral, menor durante a primavera e verão e,
principalmente em setembro (outono) na época da migração para o sul. No entanto, o autor
relacionou o baixo peso corporal de muitos animais nesta época, à inclusão de indivíduos
jovens, recrutados à população.
Nenhum dos machos examinados apresentou a condição escrotada dos testículos,
independentemente do seu tamanho, estado reprodutivo ou época do ano. SINGWI &
LALL (1983) também encontraram testículos não escrotados em exemplares
reprodutivamente ativos de Rhinopoma kinneari (Wroughton).
O comprimento do testículo esquerdo foi medido em 173 indivíduos (tab. III). Os
maiores valores ocorreram de abril a setembro. A média mais baixa (3,04 mm) ocorreu
em fevereiro, provavelmente devido ao número de indivíduos jovens com tamanho
corporal semelhante aos adultos recrutados à população somente nessa época do ano. A
média de comprimento dos testículos inativos foi de 3,98mm. Para os testículos em fase
reprodutiva intermediária, a média dos comprimentos foi de 4,/3mm. Em fase
reprodutivamente ativa, a média de comprimento de 5,61mm. Para um nível de significância
de 0,05, o teste t demonstrou haver diferenças significativas para o comprimento dos
testículos nas diferentes fases reprodutivas.
Tabela III. Médias e desvios-padrões dos comprimentos dos testículos de Tadarida brasiliensis no período de
novembro de 1987 a outubro de 1988, em Porto Alegre, RS, Brasil. (n=número de indivíduos; DP= desvio
padrão.)
Mês n Média DP Mínimo Máximo
Nov 1 3,65 0,0000 3,65 3,65
Dez 5 3,47 0,3701 3,05 3,95
Jan 11 3,61 0,6252 2,70 4,35
Fev 8 3,03 0,4130 2,65 4,00
- Mar 20 4,39 1,0604 2,40 6,00
Abr 23 4,82 0,9891 2,70 6,05
Mai 13 4,71 1,3379 3,00 6,60
Jun 35 4,62 1,5549 2,60 6,50
Jul 19 4,65 1,7293 2,90 122130, 30
Ago 11 5,33 1,5325 290. 7,00
Set 19 4,86 0,7151 3,30. 6,60
Out 8 4,12 0,4528 3,70 4,90
O coeficiente de Pearson, calculado para o peso corporal e comprimento dos
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Ciclo reprodutivo de Tadarida brasiliensis ... 49
testículos, demonstrou haver uma correlação positiva de média intensidade, com r=0,44.
Isto provavelmente esteja relacionado ao fato dos indivíduos jovens, com menor peso,
apresentarem os menores testículos. Essa correlação não se verifica entre o comprimento
do antebraço e o tamanho dos testículos (r = 0,01), pois os indivíduos jovens, em seu
primeiro ano de vida e ainda com testículos pequenos, apresentam tamanho corporal de
adultos. A correlação mais alta foi verificada entre o comprimento do testículo e seu
estado reprodutivo, com r = 0,71.
Testículos maiores em animais em fase sexualmente ativa também foram observa-
dos em outros molossídeos por KRUTZSCH (1955) em T. mexicana, no sul da Califórnia;
por MARQUES (1989) em Molossus ater Geoffroy, 1805, na Amazônia (Brasil) e por
FABIÁN & MARQUES (1989) em M. molossus (Pallas, 1766), no Ceará (Brasil). Esta
caraterística foi verificada em algumas espécies de Verpertilionidae como Miniopterus
schreibersii (Kuhl, 1956), na Austrália (DWYER, 1963), Tylonycteris pachypus
Temminck, 1840 eT.robustula Thomas, 1915,na Malasia(MEDWAY, 1972), Pipistrellus
nanus, na África do Sul (LAVAL & LAVAL, 1977) e também em Macrotus californicus
Baird, 1858 (Phyllostomidae) no sudoeste dos EUA.
Os testículos em fase de espermatogênese e de armazenamento de espermatozóides
nos epidídimos, em geral, apresentam maiores proporções do que os testículos inativos
de machos adultos e, principalmente, de indivíduos jovens ainda imaturos.
Os machos de T. brasiliensis estudados encontravam-se reprodutivamente inativos
de outubro a junho (fig. 4), o que é constatado pela ausência de espermatozóides nos
epidídimos. De março a julho são constatadas divisões meióticas nos túbulos seminíferos
demonstrando que, nesse período, o organismo dos machos inicia sua preparação para a
reprodução. De julho a setembro há um aumento gradual na proporção de machos cujos
epidídimos apresentam espermatozóides, sendo que a porcentagem máxima de indivídu-
os com espermatozóides nos epidídimos foi de 92,3% no mês de setembro. Em outubro
não foi constatada a presença de espermatozóides.
Há uma nítida estacionalidade reprodutiva. Em agosto e setembro os machos estão
aptos a fecundarem as fêmeas devido à estocagem de espermatozóides nos epidídimos.
A ausência de espermatozóides nos epididimos dos machos no mês de outubro, permitiu
concluir que as cópulas devem ocorrer no máximo até o mês de setembro, isto é, final do
inverno e início da primavera. DAVIS et al. (1962) estudando T. brasiliensis no sudoeste
dos EUA e México, também verificaram a ocorrência de machos férteis no fim do inverno
e início da primavera. SHERMAN (1937), trabalhando com T. brasiliensis na Florida,
EUA, observou que a época de atividade sexual dos machos é em fevereiro e março
(inverno). Segundo COCKRUM (1955) estes morcegos apresentam espermatozóides no
trato reprodutivo dos machos, de fins de janeiro até meados de abril, não sendo estocados
por muito tempo nos epidídimos e a fase reprodutiva das fêmeas ocorreria em um período
pouco maior do que cinco semanas, de fevereiro a março.
Outras espécies de molossídeos que vivem em ambientes da região tropical como
T. (Chaerephon) hindei em Uganda (MARSHALL & CORBET, 1959) ou M. molossus
no Ceará, Brasil (FABIÁN & MARQUES, 1989) podem apresentar espermatozóides nos
epidídimos em qualquer época do ano.
Condição reprodutiva das fêmeas. O peso corporal mais elevado, num total de 237
fêmeas, ocorreu em novembro; em fevereiro, junho e julho verificaram-se os menores
valores. Na comparação entre as médias de peso corporal observa-se que as maiores
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 45 - 56, 30 set. 1994
50 MARQUES & FABIAN
diferenças estão em novembro em relação aos demais meses (tab. IV). Os resultados da
Análise de Variância e Testes de Scheffe (tab. V) demonstram diferenças significativas
entre as médias dos pesos corporais de fêmeas coletadas nos meses de novembro e outubro
em relação aos de fevereiro, março, junho e julho.
Tabela IV. Médias e desvio-padrões dos pesos corporais de fêmeas de Tadarida brasiliensis no período de
outubro de 1987 a setembro de 1988, em Porto Alegre, RS, Brasil. (n= número de indivíduos; DP= desvio
padrão)
Mês n Média DP Mínimo ' Máximo
Out 33 13,39 0,5757 11,90 14,30
Nov 42 14,82 1,2847 12,30 16,70
Dez 24 12,71 1,1119 10,10 15,60
Jan 43 1232 1,1040 10,00 14,50
Fev 19 11,21 0,8379 10,00 13,30
Mar 20 11,95 1,0486 10,50 15,00
Abr 4 13:25 1,5546 11,50 15,00
Mai 13) 10973 1,6023 10,00 15,00
Jun 17 11,26 0,8860 9,50 13,00
Jul 8 11,06 0,8210 10,00 12,00
Ago 5 12,80 0,8515 12,00 14,20
Set 9 12,63 1,0954 11,20 14,20
Analisando o peso corporal das fêmeas e seu estado reprodutivo, foi possível notar,
como seria esperado, um aumento progressivo nas médias dos pesos corporais das fêmeas,
12, 12g para as não grávidas, 13,37g para aquelas em estágio inicial de gravidez e 15,24g
para grávidas em estágio avançado. As diferenças dos valores médios do peso corporal
das fêmeas, entre os três estágios, foram estatisticamente significativas, para um nível de
significância de 0,05.
Tabela V. Matriz de valores obtidos com o teste de Scheffé. Comparação de médias dos pesos corporais de 237
fêmeas de Tadarida brasiliensis, no período de outubro/1987 a setembro/1988, em Porto Alegre, Brasil.
(* Valores de Scheffé que evidenciam diferenças significativas).
Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set
Out SS E DB 4,29 1.088 aqui 025 1,88 6.6427 535307. Zar
Nov 1.682 MOS BE DIOS 2 6,15 * 11,55. 7 I EB EIS
Dez 1,42 456° 236 0,92 20.047 427 37,8 7206EE020
Jan 3,78 1.307 1,64 1,197 346 3,067 72.09357.078
Fev -2,15 -346 -3,94 -0,15 0,33 -250 -3,28
Mar -2,21 -2,04 1,94 1,987 21558721559
Abr 0.892 5990838 0,63 0,96
Mai 3,71 346 "COMO
Jun 0,44- 2,81 -3,10
Jul -2,84 -3,01
Ago 0,28
Set
Em outubro, todas as fêmeas examinadas encontravam-se grávidas, portanto com
um peso corporal quase padronizado, conforme o pequeno desvio padrão demonstrado. Em
novembro, a média dos pesos corporais foi superior à do mês anterior porém, a variação
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 45 - 56, 30 set. 1994
Ciclo reprodutivo de Tadarida brasiliensis ... 51
do desvio padrão deveu-se ao fato de terem sido pesadas fêmeas que já haviam dado à luz
e fêmeas grávidas (tab. IV).
Os pesos corporais mais baixos foram registrados em junho e julho, quando os
abrigos foram abandonados pela maioria dos morcegos e também em fevereiro, quando
muitos indivíduos eram jovens fêmeas recrutadas à população, já com aparência
semelhante à das adultas, mas ainda não tendo o mesmo peso corporal. Outro motivo para
o baixo peso corporal apresentado pelas fêmeas em fevereiro, seria o desgaste sofrido por
elas no período de amamentação dos filhotes, fato constatado em laboratório por
KRUTZSCH & SULKIN (1958) em populações de T. brasiliensis que ocorrem nos
Estados Unidos e México.
As fêmeas de T. brasiliensis apresentam útero bicorne. Em cada gravidez é
originado apenas em embrião que se desenvolve no corno uterino direito. Fêmeas não
grávidas apresentam os cornos uterinos de tamanho diferente, sendo o direito maior,
especialmene em fêmeas que já tenham engravidado alguma vez (fig. 2). Da mesma
forma, o ovário direito mostra-se mais desenvolvido que o esquerdo, em todos os estágios,
numa proporção de aproximadamente três a quatro vezes o tamanho do esquerdo,
especialmente em fêmeas adultas (figs. 1-3). O ovário esquerdo não chega a desenvolver
folículos vesiculares, apresentando, em geral, folículos primários e, menos fregüentemente,
folículos secundários. A maior parte do ovário esquerdo é formado por tecido intersticial,
podendo constituir sua quase totalidade. No estado de gravidez apenas o ovário direito
apresenta corpo lúteo.
As fêmeas estudadas apresentam características anatômicas e funcionais de seu
aparelho reprodutor que se adaptam ao padrão molossídeo, de dominância anatômica e
funcional unilateral (WIMSATT, 1979). Este padrão unilateral também foi verificado em
M.molossus do Ceará, por FABIÁN & MARQUES (1989) eemT. australis (Gray, 1838),
por KITCHENER & HUDSON (1982).
As fêmeas de T. brasiliensis, aqui estudadas, foram encontradas grávidas de
setembro a dezembro, período que corresponde à primavera (fig. 5). Em setembro, muitas
fêmeas grávidas ainda conservavam folículos vesiculares no ovário direito. Em outubro
(fig. 6), todas as fêmeas amostradas apresentaram-se grávidas. Em novembro, enquanto
a maioria permanece grávida, algumas fêmeas apresentaram sinais de parto recente, isto
é, útero desenvolvido, sem feto, com aspecto externo dilatado e enrugado devido à
musculatura não ter regredido ao seu estado normal, bem como com restos de material
embrionário em seu interior. Dentre as fêmeas com parto recente encontraram-se
indivíduos cujos ovários apresentaram folículos primários, folículos secundários ou
folículos vesiculares, indicando, neste último caso, um provável estro pós-parto (fig. 7).
No entanto, o fato dos machos estarem em período de inatividade sexual pode explicar a
ausência de uma segunda gravidez. Em dezembro, poucas fêmeas ainda se encontravam
grávidas, a maioria já tendo parido e a análise dos ovários mostrou diversos estágios de
amadurecimento dos folículos, inclusive com folículos vesiculares. Contudo, houve
maior freqüencia de presença apenas de folículos primários. Em janeiro puderam ser
observadas ainda fêmeas com sinais de parto recente, mas a maioria não apresentou mais
estes sinais. Nos meses subsegüentes houve a tendência de as fêmeas apresentarem
folículos vesiculares no ovário direito e, em agosto, todas as fêmeas apresentaram
folículos desenvolvidos. Quanto à presença somente de folículos primários, foram
observadas fêmeas nesta condição em janeiro e somente uma em fevereiro e outra em
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 45 - 56, 30 set. 1994
52 MARQUES & FABIÁN
maio, demonstrando a tendência de amadurecimento dos folículos na quase totalidade das
fêmeas.
As mamas começaram seu desenvolvimento em outubro, quando as fêmeas
estavam grávidas, permanecendo desenvolvidas até o mês de janeiro, quando começaram
a regredir.
FLEMING et al. (1972), WILSON (1973) e WILLIG (1985) classificaram os
padrões reprodutivos encontrados em morcegos em quatro grupos principais, entre os
quais monoestria sazonal, o verificado em T. brasiliensis no sul do Brasil.
Através dos dados obtidos é possível presumir que as cópulas ocorrem em
setembro, época em que tanto as fêmeas apresentam folículos vesiculares, quanto os
machos espermatozóides nos epidídimos. A partir de outubro os machos não apresentam
esta condição reprodutiva e as fêmeas estão na quase totalidade grávidas. O período de
gravidez estende-se até novembro ou início de dezembro e a maioria dos partos ocorre em
uma grande sincronia, em aproximadamente duas semanas.
O padrão reprodutivo de uma espécie tende a uma adaptação aos recursos alimen-
tares disponíveis no ambiente. As fases de gravidez, amamentação e recrutamento dos
jovens à população são aquelas em que há maior necessidade de recursos energéticos. Em
regiões próximas aos paralelos 30º Norte e Sul, as atividades reprodutivas e de cuidado
com a prole de T. brasiliensis ocorrem nas épocas de primavera e verão, quando há maior
abundância de insetos. O estudo de populações de T. brasiliensis em regiões mais
próximas ao Equador poderia demonstrar possíveis diferenças no comportameno
reprodutivo dessas populações, visto que espécies como Desmodus rotundus (E. Geoffroy,
1810) (WIMSATT & TRAPIDO, 1952 e BURNS & CRESPO, 1975), Myotis adversus,
(DWYER, 1970) e Tadarida angorsei, (ANCIAUX-DE-FA VEAUX, 1978) apresentam
diferenças nos padrões reprodutivos em diferentes latitudes.
CONCLUSÕES
1. T. brasiliensis, no sul do Brasil, apresenta um estro por ano (monoestria). 2. Os
machos apresentam espermatozóides nos epidídimos no período de julho a setembro,
permanecendo sexualmente ativos somente nesta época. 3. O período de gravidez
estende-se de fins de setembro a fins de novembro ou início de dezembro. 4. A grande
maioria dos partos ocorre durante duas semanas, entre o final de novembro e o início de
dezembro. 5. Somente um filhote é gerado em cada gestação. 6. Apenas o lado direito do
aparelho reprodutor das fêmeas é funcional. 7. O período de nascimento e de amamentação
dos filhotes coincide com a época mais quente do ano que apresenta maior abundância de
alimento (insetos).
Agradecimentos. A Sandra Hartz e Mauro Rosenau do Museu de Ciências Naturais, Fundação
Zoobotânica do Rio Grande do Sul pelo auxílio no trabalho de campo; aos professores Carlos Pinnet e Fernando
Lang da Silveira, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, pela orientação na análise
estatística e ao CNPq e CAPES pela concessão das bolsas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Figs. 1-3. Tadarida brasiliensis. Aparelho reprodutor de fêmeas: 1, jovem (MCN 2205); 2, adulta não grávida
(MCN 2207); 3, grávida (MCN 1803); (ovário: a, esquerdo, b, direito; oviduto: c, esquerdo, d, direito; como
uterino: e, esquerdo; f, direito; vagina; g).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 45 - 56, 30 set. 1994
Ciclo reprodutivo de Tadarida brasiliensis ... 55
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Figs. 4-5. Tadarida brasiliensis, janeiro a dezembro de 1988, Porto Alegre, Brasil. 4, Estado reprodutivo de
machos. 5, Condições dos folículos ovarianos das fêmeas não grávidas.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 45 - 56, 30 set. 1994
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Figs. 6-7. Tadarida brasiliensis. Condições dos folículos ovarianos das fêmeas: 6, grávidas; 7, com parto
recente; de janeiro a dezembro de 1988, Porto Alegre, Brasil.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 45 - 56, 30 set. 1994
ESTRATÉGIAS ALIMENTARES DE AVES NA UTILIZAÇÃO DE FRUTOS
DE FICUS MICROCARPA (MORACEAE) EM UMA AREA ANTROPICA
Luiz Octavio Marcondes-Machado !
Sandra Jammal Paranhos ?
Yara de Melo Barros ?
ABSTRACT
FEEDING STRATEGIES OF BIRDS UTILIZING FRUITS OF FICUS MICROCARPA
(MORACEAE) IN AN ANTHROPIC AREA. Birds of 23 species were observed feeding on fruits of Ficus
microcarpa L. J. between June 1991 to February 1992 in Pirassununga, State of São Paulo, Brazil. The role of its
fruits as a feeding resources for birds in anthropic environments is analyzed.
KEYWORDS. Frugivory, Ficus, birds, behavior.
INTRODUÇÃO
As espécies do gênero Ficus L. (Moraceae) distribuem-se sobretudo nas regiões
tropicais, embora algumas alcancem áreas subtropicais. No Brasil, este gênero é represen-
tado por 73 espécies nativas e 16 espécies exóticas (CARAUTA, 1989).
Os frutos produzidos por plantas do gênero Ficus têm uma importante participação
na alimentação das aves, principalmente quando outros recursos alternativos são escassos
(LAMBERT, 1989), uma vez que algumas espécies podem produzir frutos em qualquer
época do ano (MCKEY, 1989). Todavia, segundo LAMBERT (1989), as espécies
asiáticas apresentam baixo valor nutricional.
Em ambientes antrópicos, a disponibilidade de frutos silvestres pode ser muito
baixa, o que aumenta a importância relativa de frutos produzidos por plantas introduzidas,
que passam a ter grande importância como fonte de alimento, inclusive para aves
migratórias que podem ser beneficiadas com a disponibilidade de recursos de habitats
abertos (SLUD, 1960).
MCKEY (1989) alerta para o fato de que espécies do gênero Ficus, introduzidas em
habitats fora de sua área de origem, podem, algumas vezes, tornar-se pragas e necessitar
de controle, como está acontecendo com Ficus microcarpa L.J. (Moraceae) nas Bermu-
1. Departamento de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Caixa Postal 6109. CEP. 13081-970. Campinas, SP - Brasil
2. Pós-graduação em Zoologia, Universidade Estadual Paulista (UNESP) - Campus de Rio Claro. Caixa Postal. CEP: 13081-951. Rio Claro, SP -
Brasil.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 57 - 62, 30 set. 1994
58 M. - MACHADO; PARANHOS & BARROS
das.
Dentre as espécies exóticas de Ficus encontradas no Brasil, F. microcarpa destaca-
se como a mais cultivada (CARAUTA, 1989). Esta espécie vegetal é originária da Ásia,
tendo sido introduzida no Brasil para fins ornamentais. Apresenta frutos imaturos
vermelhos e frutos maduros castanho-escuros, demonstrando assim o fenômeno denomi-
nado (“fruit-flag”) fruto-chamariz (STILES, 1982).
Com a constante perturbação dos ambientes naturais e com a introdução de plantas
exóticas em áreas urbanas e semi-urbanas, uma nova situação vem sendo criada para as
aves, que encontram novas fontes de recursos alimentares nestes locais. O trabalho enfoca
esta situação, procurando avaliar, através do levantamento taxonômico e comportamental,
qual seria a importância de Ficus microcarpa para as aves da região estudada.
MATERIAL E MÉTODOS
As observações foram realizadas no Campus da Universidade de São Paulo, no município de Pirassununga
São Paulo, Brasil (21°59'S e 47233 W), a uma altitude de 674m. A área total tem cerca de 2314 ha, sendo
aproximadamente 35% ocupados por áreas de vegetação natural (cerrado e matas ciliares) e cerca de 45%
ocupados por culturas, pastagens e construções.
Durante 16 dias, num total de 17h, foram observadas três árvores de F. microcarpa em frutificação, de
junho de 1991 a fevereiro de 1992. Estas árvores estavam localizadas em áreas com alto grau de perturbação
antrópica e apresentavam, concomitantemente, frutos em diferentes estágios de maturação durante todo o
período de estudo.
Foram observados os padrões comportamentais adotados pelas diferentes espécies de aves quando se
alimentavam de frutos, para posterior comparação com os conceitos apresentados por MOERMOND &
DENSLOW (1985): Colher (“Picking”): as aves apreendem o fruto próximo ao poleiro, sem estender seu corpo
ou assumir uma posição especial; Alcançar (“Reaching”): as aves estendem seus corpos para cima ou para baixo
do poleiro; Pendurar (“Hanging”): o corpo inteiro e as pernas da ave estão sob o poleiro, com a face ventral para
cima; Adejar (“Hovering”): a ave pára no ar em frente ao fruto, enquanto bate as asas; Estolar (“Stalling”): a ave
pára brevemente em frente ao fruto, usando um ângulo de ataque das asas muito inclinado, permitindo-lhe
descer lentamente e parar exatamente em frente ou abaixo do fruto.
RESULTADOS
Foram observadas 23 espécies de aves alimentando-se de frutos de F. microcarpa,
as quais estão listadas (tabela I), seguindo a nomenclatura adotada por OLIVERIO-
PINTO (1944; 1978), com modificações de MEYER-DE-SCHAUENSEE (1970), e com
indicação das estratégias alimentares, segundo classificação proposta por MOERMOND
& DENSLOW (1985).
Comportamento Alimentar. (1) Adejar (“Hovering”): Muscivora tyrannus e
Elaenia flavogaster foram observadas pairando em frente a um fruto maduro, que
arrancam com o bico, pousando e engolindo o fruto inteiro.
(2) Estolar (“Stalling”): Tyrannus melancholicus, Myiodynastes maculatus e
Pitangus sulphuratus voam de um galho próximo até o fruto maduro, apreendem-no com
o bico, arrancam-no e vão pousar no mesmo ou em outro galho próximo.
(3) Colher (“Picking”): cerca de 5 indivíduos de Columba picazuro chegam às
árvores, ao nascer do dia, pousam no alto da copa, arrancam e engolem os frutos próximos,
aparentemente tanto maduros como imaturos. Crotophaga ani foi observada forrageando
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 57 - 62, 30 set. 1994
Estratégias alimentares de aves... 59
Tabela I. Tipos de estratégias alimentares encontradas nas aves observadas se alimentando de F. microcarpa no
Campus da Universidade de São Paulo, Pirassununga, São Paulo, Brasil, de junho de 1991 a fevereiro de 1992.
AVES Adejar Estolar Colher Alcançar Pendurar
Columbidae
Columba picazuro Temminck, 1813 x
Columbina talpacoti (Temminck, 1811)
Psittacidae
Brotogeris versicolurus (Müller, 1776)
Forpus xanthopterygius (Spix, 1824)
Cuculidae
Crotophaga ani Linnaeus, 1758 X
Picidae
Chrysoptilus melanochlorus (Gmelin, 1788)
Leuconerpes candidus (Otto, 1796)
Tyrannidae
Muscivora tyrannus (Linnaeus, 1766) X
Tyrannus melancholicus Vieillot, 1819
Myiodynastes maculatus (Müller, 1776)
Pitangus sulphuratus (Linnaeus, 1766)
Elaenia flavogaster (Tunberg, 1822) X
Corvidae
Cyanocorax cristatellus (Temminck, 1823)
Mimidae
Mimus saturninus (Lichtenstein, 1823)
Turdidae
Turdus amaurochalinus Cabanis, 1851
Turdus leucomelas Vieillot, 1818
Thraupidae
Euphonia chlorotica Sclater, 1886
Tangara cayana (Linnaeus, 1766)
Thraupis sayaca (Linnaeus, 1766) X
Thraupis palmarum (Wied, 1821)
Nemosia pileata (Boddaert, 1783) X
Fringillidae
Zonothrichia capensis (Müller, 1776)
Ploceidae
Passer domesticus (Linnaeus, 1758)
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por sobre as folhas, arrancando frutos e engolindo-os inteiros. Cyanocorax cristatellus e
Mimus saturninus pousam no alto da copa, engolindo frutos maduros inteiros. Thraupis
palmarum só foi observada mascando e engolindo pedaços arrancados dos frutos.
Zonotrichia capensis, após forragear por entre os ramos, arranca um fruto maduro, masca
e engole. Passer domesticus alimenta-se de frutos maduros e imaturos que encontra nos
galhos; arranca pedaços que masca e engole.
(4) Alcancar (“Reaching”): Forpus xanthopterygius e Brotogeris versicolurus
pousam em bandos nas copas das árvores, alimentando-se tanto de frutos maduros como
de imaturos; mascam o fruto deixando cair a polpae a casca, comendo apenas as sementes,
que algumas vezes são partidas com a ponta do bico. Chrysoptilus melanochlorus
percorre a ramagem da parte mais baixa da periferia da copa, pegando frutos maduros na
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 57 - 62, 30 set. 1994
60 M. - MACHADO; PARANHOS & BARROS
ponta de ramos finos e engolindo-os inteiros. Grupos de Leuconerpes candidus, apro-
ximadamente quatro indivíduos, alimentam-se de frutos maduros localizados em galhos
finos na periferia da copa. Euphonia chlorotica e Tangara cayana alimentam-se tanto de
frutos maduros como de imaturos. Mascam comendo a polpa e a semente, deixando cair
a casca.
(5) Espécies que apresentam mais de um tipo de comportamento alimentar.
Thraupis sayaca alimenta-se de frutos maduros e imaturos; apresenta os comportamentos
de estolar ou de colher, arrancando pedaços que são mascados e engolidos, ou arranca o
fruto Inteiro e voa com ele no bico para longe ou para o interior das árvores; às vezes, pousa
invertida no galho, com a região ventral voltada para cima, arrancando e mascando
pedaços do fruto (pendurar). Nemosia pileata forrageia por entre os ramos, coletando os
frutos maduros que engole inteiros (colher); pode também apanhar o fruto em vôo
(estolar), indo comê-lo pousada em um galho. Turdus leucomelas e T. amaurochalinus
visitam a copa, tanto no seu interior como na periferia; embora tentem arrancar frutos
imaturos, parecem conseguir arrancar e engolir apenas frutos maduros (colher). Indiví-
duos das duas espécies foram observados apanhando frutos com o comportamento de
(adejar). Foram vistos encontros agressivos entre as duas espécies, sendo T. leucomelas
suplantado por T. amaurochalinus.
Além destas aves que se alimentam dos frutos, Columbina talpacoti, Zonotrichia
capensis e P. domesticus alimentam-se de sementes espalhadas pelo solo, sob a copa das
árvores.
DISCUSSÃO
A presença, relativamente abundante, de uma espécie de Ficus, de origem asiática,
em áreas antrópicas, possibilita a discussão do papel dos frutos produzidos por plantas
ornamentais introduzidas na alimentação de aves em ambientes perturbados, onde
provavelmente as mudanças causadas pela agricultura afetam a disponibilidade e distri-
buição de alimentos.
Muitas espécies de Ficus têm sido plantadas como árvores ornamentais em diversas
regiões tropicais e subtropicais. Eram consideradas introduções sem risco, pois não
ocorriam as vespas polinizadoras, resultando que as sementes produzidas eram sempre
estéreis. Contudo, a vespa específica terminou por chegar casualmene às regiões onde já
existia uma população de árvores adultas instalada, o que pode propiciar uma grande
dispersão de sementes viáveis por aves, sendo F. microcarpa uma das espécies invasoras
que poderia ameaçar o equilíbrio em florestas naturais (MCKEY, 1989). Segundo
Figueiredo (comunicação pessoal), a vespa Eupristina (Parapristina) verticillata
(Waterston, 1921), responsável pela polinização de F. microcarpa, chegou ao Brasil na
década de 90, o que explica o recente aparecimento de sementes viáveis e de árvores
jovens em borda de matas.
Espécies de Ficus nativas podem tornar-se abundantes, em florestas secundárias e
pastagens (MCKEY, 1989). Também, as aves observadas alimentando-se dos frutos de
F. microcarpa são, em sua maioria, espécies encontradas em regiões perturbadas, como
matas secundárias ou pastagens, tornando-se potenciais e eficientes dispersores desta
espécie introduzida. Embora F. microcarpa possa competir com a vegetação nativa, para
várias espécies de aves seria uma grande contribuição ao aumento de recursos alimentares
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 57 - 62, 30 set. 1994
Estratégias alimentares de aves... 61
em áreas perturbadas. As figueiras, de um modo geral, devido à oferta de recursos
alimentares que proporcionam, podem ser consideradas importantes para a manutenção
da diversidade biológica em florestas tropicais (MCKEY, 1989). Inclusive, são de grande
importância, não só para frugívoros especialistas, como para aquelas espécies de aves que
as utilizam em alguma estação (MCKEY, 1989). Em seu ambiente de origem, F.
microcarpa é visitada por frugívoros especializados (LAMBERT, 1989), enquanto que,
em áreas neotropicais, são principalmente os frugívoros generalistas que se alimentam de
frutos de plantas deste gênero (SNOW, 1981). No entanto, MOERMOND & DENSLOW
(1985) consideram que uma subdivisão dos frugívoros em especialistas e generalistas
estaria sujeita à contradições e inconsistências.
C.melanochloros e L. candidus, representantes de uma família caracteristicamente
insetívora (EISENMANN 1961), foram observadas alimentando-se de F. microcarpa
confirmando a presença de hábito frugívoro nestas espécies.
As espécies da família Tyrannidae empregaram os métodos de adejar e estolar
(MOERMOND & DENSLOW, 1985) para obter os frutos de F. microcarpa. Estes
métodos são funcionalmente equivalentes ao de (“sally gleans”) colher em investida,
empregado na captura de insetos (FITZPATRICK, 1980), o que pode significar um
mesmo padrão corportamental inato na obtenção de itens alimentares diversos.
No sistema evolutivo ave-planta, as aves que se alimentam de frutos promovem,
através da dispersão, um aumento do número de árvores e consequentemente de produção
de frutos, diminuindo a competição interespecifica e permitindo que várias espécies
ornitológicas possam se utilizar desse recurso (MORTON, 1973). No entanto, algumas
aves se alimentam de frutos para obter as sementes neles contidas, não contribuindo,
portanto, para o desenvolvimento evolutivo da relação ave-planta (SNOW, 1971;
MORTON, 1973). Segundo JANZEN (1971), a predação de sementes pode ser benéfica
em alguns casos, equilibrando o número de indivíduos e, assim, evitando a competição
entre espécies vegetais. Incluindo neste grupo de predadores de sementes estão os
psitácidas, que trituram e digerem as sementes (JANZEN, 1981; JORDANO, 1983). No
caso observado, tanto F. xanthopterygius, quanto B. versicolurus, predam as sementes de
frutos maduros e destroem os frutos imaturos.
Todas as outras aves registradas engolem pedaços da polpa com sementes, as quais
são pequenas, o que representa uma estratégia da planta para assegurar a dispersão e
oferecer proteção contra predação (JANZEN, 1971; 1983). Desta forma, há alimento para
os dispersores e uma maior eficiência do processo, pois haverá mais sementes ingeridas
(TREJO-PÉREZ, 1976), o que aumenta a probabilidade de que as mesmas sejam
eliminadas junto com as fezes, em locais favoráveis à germinação como troncos, fendas
em pedras e construções abandonadas.
A abundância de recursos alimentares oferecida por F. microcarpa é provavelmen-
te o fator responsável pelo reduzido número de aves que apresentam reações agonisticas,
conforme constatado por LECK (1972) com outros táxons. Os poucos encontros agres-
sivos observados se deram entre espécies do mesmo gênero.
Um fenômeno interessante que ocorre na frutificação de F. microcarpa é o do fruto-
chamariz, quando os frutos imaturos apresentam uma coloração ornitocórica e vão
amadurecendo aos poucos. Devido à presença de grande quantidade de frutos imaturos
ornitocóricos conspícuos, é mantida uma guilda de aves frugívoras, o que provavelmente
garante a dispersão das sementes dos frutos que vão amadurecendo ao longo do ano
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 57 - 62, 30 set. 1994
62 M. - MACHADO; PARANHOS & BARROS
(STILES, 1982), mesmo que certos predadores de sementes e frugívoros destruam alguns
dos frutos imaturos.
Agradecimentos. Ao CNPq pelas bolsas referentes aos processos 300323/81-6 e 820670/87-1. Ao Dr.
Pedro Eduardo de Felício, DD. Prefeito do Campus da Universidade de São Paulo de Pirassununga, e ao Engº
Florestal, Pedro Pacheco, cujo apoio revelou-se fundamental para realização do trabalho. À Maria Martha Argel
de Oliveira e ao Dr. Wesley Rodrigues Silva pelas sugestões. À Rina Kátia Cortez pela revisão do texto e ao
Augusto João Piratelli pelo auxílio com o computador.
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Recebido em 04.06.1993; aceito em 28.12.1993.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 57 - 62, 30 set. 1994
O GÊNERO RANILIA H. MILNE-EDWARDS, 1837 (CRUSTACEA, j
BRACHYURA, RANINIDAE) NO LITORAL BRASILEIRO, E DESCRICAO
DE UMA NOVA ESPECIE
Gustavo Augusto S. de Melo !º
Oswaldo Campos Júnior **
ABSTRACT
THE GENUS RANILIA H. MILNE-EDWARDS, 1837 (CRUSTACEA, BRACHYURA, RANINIDAE)
IN THE BRAZILIAN COAST, AND DESCRIPTION OF A NEW SPECIES. Three species of the genus
Ranilia were studied: R. constricta (A. Milne-Edwards, 1880), widely distributed along the Brazilian coast; R.
muricata H. Milne-Edwards, 1837 (R. saldanhai Rodrigues-da-Costa, 1970, herein synonymized with R.
muricata); and R. guinotae, a new species from Santos, São Paulo. A key to the Brazilian species of Ranilia is
provided.
KEYWORDS. Taxonomy, Brachyura, Ranilia, new species, distribution.
INTRODUÇÃO
O gênero Ranilia foi estabelecido por H. MILNE-EDWARDS (1837), tendo como
espécie-tipo R. muricata. HAAN (1841) erige o gênero Notopus, para N. dorsipes Haan,
1841; A. MILNE-EDWARDS (1880) propõe o gênero Raninops, com base em Raninops
constrictus. FAXON (1893) descreve R. fornicata, confirmando o gênero de A. MILNE-
EDWARDS (1880), mas FAXON (1895) afirma: “This genus hardly seems to be
satisfatorily separated from Notopus Haan...” comentando que Raninops e Notopus
poderiam constituir único gênero. A. MILNE-EDWARDS & BOUVIER (1923) assumi-
ram que tanto Notopus como Raninops estariam melhor posicionados em Ranilia, o que
foi confirmado por RATHBUN (1937). SERENE & UMALI (1970) dividiram os
Raninidae em duas subfamílias: Ranininae e Notopinae, incluindo na última o gênero
Ranilia. No entanto, SAKAI (1976) revalidou Notopus, com base na espécie-tipo N.
dorsipes, não seguido aqui.
As primeiras citações do gênero para a costa brasileira foram elaboradas por
RODRIGUES-DA-COSTA (1970), ao descrever Ranilia saldanhai e por GOMES-
CORREA (1970).
1. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, C.P. 7172, CEP 01064-970, São Paulo, SP, Brasil.
2. Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, Curso de Pós-graduação. C.P. 20520, CEP 01452-990 São Paulo
SP, Brasil.
3. Bolsista do CNPq.
4. Bolsista da CAPES
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 63 - 75, 30 set. 1994
64 MELO & CAMPOS JR.
Foi examinado material coletado nas expedições dos navios oceanográficos “Prof.
W. Besnard” e “Alm. Saldanha”, ao longo da costa brasileira e depositado nas coleções
carcinológicas do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZSP), Museu
Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ), Departamento de Oceanografia da Universidade
Federal de Pernambuco (DOUP) e Smithsonian Institution (USNM).
Ranilia H. Milne-Edwards, 1837
Ranilia H. MILNE-EDWARDS, 1837: 195 (espécie-tipo: Ranilia muricata); A. MILNE-EDWARDS &
BOUVIER, 1923: 300; RATHBUN, 1937: 17; GARTH, 1946: 345; MONOD, 1956: 47; SAKAI, 1965: 2;
WILLIAMS, 1965: 142; 1984: 265; GUINOT, 1966: 251 (distribuição); RODRIGUES-DA-COSTA, 1970:
33; GOMES-CORRÊA, 1970: 2; SERENE & UMALI, 1970: 31; POWERS, 1977: 24; GOEKE, 1980: 146;
MANNING & HOLTHUIS, 1981: 7; ABELE & KIM, 1986: 455 (chave); DAVIE & SHORT, 1989: 171.
Notopus HAAN, 1841: 138 (espécie-tipo: Notopus dorsipes Haan, 1841). A. MILNE - EDWARDS & BOUVIER,
IEIAHEINE
Raninops A. MILNE-EDWARDS, 1880: 34 (espécie-tipo: Raninops constrictus A. Milne-Edwards, 1880); A.
MILNE-EDWARDS & BOUVIER, 1923: 302.
Diagnose. Carapaça oval ou suboval. Margem fronto-orbital maior do que a metade
da maior largura da carapaça. Órbitas não visíveis em vista dorsal, formando juntas um
“V” invertido a partir da região ventral do rostro. Olhos longos e grandes. Antenas
dirigidas para a frente, com artículo basal um tanto dilatado mesialmente. Terceiros
maxilípedes com meropodito mais longo do que o isquiopodito. Esterno linear entre as
segundas patas ambulatórias, e com um hexágono entre terceiro e quarto pares de patas.
Último par de patas não tão reduzido quanto nos demais Podotremata. Gonópodo 1 reto,
com região distal cônica; canal espermático sem sutura marginal ligando os lobos,
servindo de guia para o gonópodo 2 (modificado de WILLIAMS, 1984).
Distribuição. Atlântico ocidental, Atlântico oriental, Pacífico oriental e Indo-
Pacífico. Ocorre em profundidades que variam de 20 a 336 metros, junto a fundos
arenosos, coralíneos e rochosos.
Composição. Três espécies: R. muricata, R. constricta, R. guinotae sp. n.
Chave para as espécies brasileiras do gênero Ranilia
ie Palma com espinho na margem superior (fig. 12). Margens laterais do rostro
granuladas. Metade anterior da carapaca ligeiramente convexa, sem forma de
telhadosdlig.. 24)... enter R. muricata H. Milne-Edwards
IE Palma sem espinho na margem superior (figs. 4,19). Margens laterais do rostro
lisas. Metade anterior da carapaça em forma de telhado (fig. 23)...........................- 2
2 (1). Margem supra-orbital com três dentes cônicos (fig. 1). Margem superior do
tostko Isa... Mer ee pa R. constricta (A. Milne-Edwards)
2: Margem supra-orbital sem dentes cönicos (fig. 16). Margem superior do rostro
sulcada......ns ee R. guinotae sp.n.
Ranilia constricta (A. Milne-Edwards, 1880)
(Figs. 1-8)
Raninops constrictus A. MILNE-EDWARDS, 1880: 35 (holötipo sem sexo determinado, Sombrero, Florida
Reefs, W. Stimpson col., Museum National d'Histoire Naturelle Paris, não examinado).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 63 - 75, 30 set. 1994
O gênero Ranilia ... 65
Notopus (Raninoides?) atlanticus STUDER, 1883: 17, pr. 1, figs. 5a, b. (síntipos, Ilha Ascenção, Zoologisches
Museum, Berlin, não examinados).
Ranilia constricta; A. MILNE-EDWARDS & BOUVIER, 1923: 302, pr. 1, figs. 11-13, pr. 3, figs. 2-5;
RATHBUN, 1937: 20, pr. 4, fig. 5, pr. 5, figs. 1-2; GOMES-CORRÊA, 1970: 2, est. I, figs. 1-10, est. II, figs.
11-18; PEQUEGNAT, 1970: 180; FONSECA, 1970: 47 (lista); COELHO & RAMOS, 1972: 178;
POWERS, 1977: 24; RODRIGUEZ, 1980: 247 (comentário); MANNING & HOLTHUIS, 1981: 7, figs. 1-
2; WILLIAMS, 1984: 265, figs. 196a, b; SOTO, 1985: 485 (lista); 1986: 7; ABELE & KIM, 1986: 455
(chave), figs. bc; COELHO; RAMOS-PORTO & MELO, 1989: 26 (lista); MELO; VELOSO & OLIVEI-
RA, 1989: 3; WERDING & MULLER, 1990: 217, figs. 5a, b.
Notopus atlanticus; GURNEY, 1939: 103 (lista).
Ranilia atlantica; MONOD, 1956: 47, 631, figs. 17-18; LONGHURST, 1958: 87; ROSSIGNOL, 1962: 113
(lista); GOMES-CORREA, 1970: 5 (discussäo).
Descrição. Carapaça suboval (fig. 1), com regiões pouco pronunciadas. Superfície
dorsal finamente pontuada em toda a sua extensão. Margens ântero-laterais subparalelas
e póstero-laterais convergentes (fig. 1). Maior largura da carapaça entre os espinhos
ântero-laterais. Metade anterior da carapaça em forma de telhado (fig. 23). Margem
póstero-lateral em alto relevo. Rostro relativamente longo e pontiagudo, dirigido ligeira-
mente para baixo (fig. 3), ultrapassando as primeiras projeções da margem supra-ocular.
Esta, oblíqua, granulada e pilosa em toda a sua extensão, com três dentes cônicos dirigidos
para a frente, e forte reentrância em forma de “V” entre os dois primeiros dentes, mais
próxima do segundo (fig. 3). Região pterogostomial totalmente pilosa e com ornamentos
em alto relevo, seguindo paralelamente à margem inferior e terminando junto ao quadro
bucal, na altura da linha divisória entre meropodito e isquiopodito do terceiro maxilípede.
Olhos com pedünculos achatados dorso-ventralmente e longos, ultrapassando o
terceiro espinho da margem supra-ocular, alcançando o ângulo ântero-lateral da carapaça
(fig. 3). Córneas nítidas e semi-transparentes.
Pedúnculo basal da antena alargado, com margem superior perlada. Primeiro
segmento móvel mais estreito do que o anterior e com margens superior e inferior pilosas.
Segundo segmento móvel mais delgado, seguido de um flagelo multiarticulado, mas
relativamente curto.
Antênula curta, encaixada longitudinalmente.
Terceiro maxilípede, com isquiopodito pouco mais curto do que o meropodito, e
com sinus longitudinal, em forma de “U” na margem distal. Meropodito com superfície
coberta por cerdas curtas e com pequena sutura perto da extremidade distal interna.
Exopodito curto e grosso, ultrapassando a divisão ísquio-meral do endopodito (fig. 2).
Quelípodos fortes, ornados por linhas transversais pilosas. Mero robusto, com
margens paralelas, margem distal denticulada e com forte espinho. Carpo relativamente
longo, com margem anterior lisa e margem superior distal externa com forte espinho.
Palma extremamente alta, com linha pilosa paralela à margem inferior, e com margem
superior curta e denticulada. Margem distal da palma com dentículos rasos e justapostos.
Dedo móvel longo, curvo e dirigido para baixo, com duas protuberâncias em sua parte
mediana; extremidade do dedo móvel alcançando o último dentículo (dedo fixo) (fig. 4).
Primeiro par de patas ambulatórias com mero pouco mais longo do que o carpo, cuja
margem distal é bem mais larga do que a proximal. Própodo quase circular, com projeção
inferior que se liga ao carpo. Dátilo liso, em forma de espátula e côncavo em sua face
interna (fig. 5). Segundo par de patas ambulatórias com mero sub-retangular. Carpo com
margem distal pilosa e bem mais larga do que a proximal. Própodo com margem inferior
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 63 - 75, 30 set. 1994
66 MELO & CAMPOS JR.
sinuosa e bem mais longa do que a superior. Dátilo alongado, triangular e com um dos
lados ultrapassando a inserção com própodo; face inferior com pequenas concavidades
que acompanham as margens. Terceiro par de patas ambulatörias com mero e carpo
subiguais. Carpo com margem superior com longa e forte projeção na extremidade distal.
Própodo extremamente curto, com margem superior sinuosa e com ambas as margens
convergindo para uma extremidade arredondada. Quarto par de patas ambulatórias com
mero pouco mais longo do que o ísquio e com margem externa superior erodida. Carpo
com margem distal inferior bem mais larga do que a proximal e com margem superior
curta, pronunciada e com face distal bem maior do que a proximal. Própodo subgloboso,
com margem superior bem pronunciada. Inserção do própodo na metade inferior da
margem distal superior do carpo. Dátilo longo, com margem superior sinuosa e inferior
quase reta.
Abdome da fêmea mais largo do que o do macho (figs. 7, 8). Primeiro somito em
forma de trapézio, com margens laterais côncavas. Segundo somito mais largo do que o
anterior e com margens divergentes nos dois primeiros terços e paralelas no último.
Terceiro, quarto e quinto somitos subiguais, todos com um pequeno tufo de cerdas de cada
lado da região mediana. Sexto somito mais largo do que os anteriores, com margens
laterais convexas, envolvendo o primeiro terço do telson, que é pequeno, subtriangular e
com ângulos arredondados (fig. 7).
Esterno sinuoso, convergente e piloso. Primeiro esternito bem mais largo do que os
demais, com expansão alada que o limita com os quelípodos, e com uma projeção
arredondada na margem superior. Segundo, terceiro e quarto esternitos sugeridos por
linhas transversais de pontos. Último esternito mais longo do que os demais.
Distribuição. Atlântico ocidental: Florida, Golfo do México, Antilhas, Colômbia,
Venezuela e Brasil (Amapá, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do
Sul). Atlântico oriental: Ilha de Ascensão e do Senegal até o Congo.
Habitat. Ocorre em profundidades que variam de 20 a 336 metros, junto a fundos
arenosos, coralíneos e rochosos.
Material examinado. BRASIL. Amapá: “Alm. Saldanha”, est. 2499, 72m, 1 S (DOUP); “Alm.
Saldanha”, Pesca Norte I, est. 01, 2 Q (DOUP); GEOMAR II, est. 212, 114-115m, 1 O (DOUP). Pará: Boca
do Rio Amazonas, 02°34'S: 47°54'W, 45m, 1 O (MNRJ.. Pernambuco: Projeto Pesca II, 2 Q (DOUP). Alagoas:
Maceió, 1 O (MZSP, 9335). Sergipe: Ponta de Guaratiba, 40m, 1 OS (MNRJ.. Espírito Santo: sem localidade,
60m, 1 G (MNRJ, 793). Rio de Janeiro: Projeto Ilha Grande, est. 269, 30m, 1 Q (MZSP, 2875); Projeto Arraial
do Cabo, est. 05,45m, 1 SG (MZSP, 9015); Projeto GEO-COSTA RIO II, est. 172, 1 C' (MZSP, 9904); Ilha de
Cabo Frio, 1 O (MNRIJ, 794); Ilha do Pai, 16,1 Q (MNRJ, 795); Cabo de São Tomé, est. II, 50m, 1 + (MZSP,
3375); Projeto Cabo Frio, est. 04, 1 O (MZSP, 8241); Projeto Cabo Frio, est. 04, 2 o (MZSP, 8263); “Alm.
Saldanha”, est. CF-D5, 75m, 1 O (MZSP, 8343); Projeto Ilha Grande, est. 52, 36m, 1 O (MZSP, 9201); GEO-
COSTA RIO II, est. 04, 1 O (MZSP, 10.000). São Paulo: Ilha do Bom Abrigo, 1 GS (MZSP, 10.895); Baia de
Santos, 1 O, 1 Q (MZSP, 9422); Lage de Santos, 2 O (MZSP, 4227). Paraná: Operação Sueste III, est. 6377,
25º11'S: 47º13'W, 29m, 1 O (MZSP, 11.427). Rio Grande do Sul: Projeto GEDIP, est. 457, 112m, 1 O (MZSP,
3376); Projeto GEDIP, est. 396, 115m, 2 Q (MZSP, 6106).
Observações. A. MILNE-EDWARDS & BOUVIER (1923: 301) citaram a locali-
dade-tipo de R. constricta “au large de Sombrero”, como sendo nas Antilhas. No entanto,
RATHBUN (1937: 20) afirma que William Stimpson, coletor da espécie, teria feito várias
coletas na Florida, incluindo Sombrero (Florida Reefs), mas nunca coletou na Ilha de
Sombrero, leste da Virgin Islands.
Segundo GOMES-CORREA (1970), os exemplares de R. constricta do litoral
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 63 - 75, 30 set. 1994
O gênero Ranilia ... 67
brasileiro concordam com a descrição e figuras de A. MILNE-EDWARDS & BOUVIER
(1923: pr. 1,fig. 11, pr.3, fig. 2), mas não com o exemplar da Baia Honda (Cuba) estudado
e figurado por RATHBUN (1937: 20, pr. 5, figs. 1,2), que pertenceria a uma outra espécie,
pois apresenta a carapaça mais estreita anteriormente, sem carena mediana nítida e sem
os destacados espinhos na margem supra-ocular, característicos de R. constricta. No
entanto, MANNING & HOLTHUIS (1981), em trabalho sobre os Brachyura da África
Ocidental, compararam os exemplares de R. constricta coletados pelo “Pillsbury” em
Annobon (África), com exemplares americanos, incluindo o de Baia Honda, Cuba
(USNM, 48642) figurado por RATHBUN (1937) e que GOMES-CORREA achou ser
uma espécie diferente, além de compará-los, também, com os síntipos de R. atlantica da
Ilha Ascensão. Não encontraram nenhuma diferença significante entre os exemplares
examinados, permanecendo, então, todos eles sob R. constricta.
Ranilia muricata H. Milne-Edwards, 1837
(Figs. 9-15)
Ranilia muricata H. MILNE-EDWARDS, 1837: 196 (holótipo sem sexo determinado, localidade-tipo desco-
nhecida, Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris, não examinado); GIBBES, 1850: 23; KINGSLEY,
1878: 325; RATHBUN, 1937: 18, pr. 3, figs. 3-6, pr. 4, figs. 1-4; WILLIAMS, 1965: 142; 1984: 266, fig.
197; ABELE & KIM, 1986: 457, fig. 1, p. 40 (checklist).
Raninops stimpsoni A. MILNE-EDWARDS, 1880: 35 (holótipo, western Florida, “Bache” col., 24.04.1882,
Museum of Comparative Zoology, não examinado).
Ranilia stimpsoni; A. MILNE-EDWARDS & BOUVIER, 1923: 303, pr. 1, fig. 14, pr. 2, fig. 6, pr. 3, figs. 6-9
(comb.n.).
Ranilia saldanhai RODRIGUES-DA-COSTA, 1970: 33, fig. 1 (holótipo O (erroneamente citado como O),
Pernambuco, MZSP, 8223, examinado); GOMES-CORRÊA, 1970: 5; GOECKE, 1980: 146 (discussäo);
WERDING & MULLER, 1990: 209. Syn.n.
Descrição. Carapaça oval, sem a característica forma de telhado no primeiro terço
(fig. 24). Margens ântero-laterais paralelas e póstero-laterais sinuosas, convergentes e
com linha em alto relevo em toda a sua extensão, que se continua por uma linha na região
pterigostomial. Carapaça totalmente coberta por pequenas linhas transversais pilosas,
mais pronunciadas na região anterior. Rostro longo, com pequenos grânulos laterais e no
mesmo plano das projeções adjacentes, e com um sinus em forma de “U” separando-o
dessas projeções (figs. 9, 11). Margem supra-ocular com 3 fortes dentes dirigidos para a
frente (fig. 11) e com linha de pequenos espinhos obtusos entre eles. Reentrância da
margem supra-ocular bem pronunciada e situada entre os dois primeiros espinhos. Forte
espinho situado no ângulo ântero-lateral da carapaça (fig. 9).
Olhos com pedúnculos chegando, apenas, ao nível do último espinho da margem
supra-ocular, não alcançando o espinho do ângulo ântero-lateral (fig. 11). Córneas nítidas
e transparentes.
Pedúnculo basal da antena extremamente alargado, com margem superior perlada.
Primeiro segmento móvel da antena mais estreito do que o segmento basal. Segundo
segmento móvel mais delgado e com linha de cerdas na face interna.
Antênulas curtas e dispostas longitudinalmente.
Terceiro maxilípede com isquiopodito pouco mais curto do que o meropodito, com
superfície lisa mas apresentando linha oblíqua pilosa, além de uma reentrância em forma
de “V” na margem distal. Meropodito um tanto convergente e com pequena reentrância
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 63 - 75, 30 set. 1994
68 MELO & CAMPOS JR.
próxima da extremidade distal interna. Exopodito curto e grosso, com tufo de longas
cerdas em sua projeção posterior. Margem distal do exopodito com projeção posterior que
ultrapassa a divisão ísquio-meral do endopodito (fig. 10).
Quelípodos curtos, isoquelados, achatados lateralmente e ornados por linhas curtas,
transversais e longitudinais, em todos os seus segmentos (fig. 12). Mero robusto, com
margens paralelas, sendo a superior pilosa, e margem distal denticulada. Carpo relativa-
mente longo, com margem superior fortemente denticulada e com espinho agudo na
extremidade distal. Palma com margem inferior sinuosa e pronunciada, terminando em
forte espinho na extremidade distal, que com o dedo móvel forma uma subquela. Margem
superior da palma convexa, pilosa e com um forte dente subdistal. Margem distal da
palma, entre o dente da margem inferior e a base do dedo móvel, com uma crista portando
3 pequenas elevações. Dedo móvel curvo, sem projeções na face cortante e com face
superior com linha de cerdas na metade proximal.
Primeiro par de patas ambulatórias com mero pouco mais longo do que o carpo, cuja
margem distal é bem mais larga do que a proximal. Própodo com margem superior
convexa e com projeção inferior que se liga ao carpo, além de uma concavidade pilosa
perto da margem superior externa. Dátilo liso, espatular, com margem inferior convexa
e superior ligeiramente sinuosa. Segundo par de patas ambulatórias com mero sub-
retangular, bem mais longo do que o carpo, com margens superior convexa e inferior
côncava. Carpo com margem distal mais larga do que a proximal e com margem superior
convexa. Própodo com margem inferior sinuosa e bem mais longa do que a superior.
Dátilo triangular, com um dos lados ultrapassando bastante a inserção com o própodo.
Terceiro par de patas com mero e carpo subiguais. Carpo com margem superior
apresentando longa e forte projeção na extremidade distal inferior. Própodo curto, com
margem superior laminada e convexa. Dátilo com margens inferior sinuosa e superior
arredondada. Quarto par de patas com todos os segmentos com faces superior e inferior
dotadas de longas cerdas. Ísquio sub-retangular, pouco mais longo do que o mero e com
margens superior e inferior retas. Mero pouco mais largo do que o isquio. Carpo com
margem distal mais larga do que a proximal e margem superior arredondada. Própodo
subgloboso, inserindo-se na metade inferior da margem distal do carpo. Dátilo com
margem superior quase reta.
Esterno com linhas transversais de pequenos tufos de cerdas que sugerem as
separações dos esternitos. Placa anterior mediana com margens laterais arredondadas e
margem superior sinuosa, fracamente perlada e com linha de cerdas curtas em toda sua
extensão. Primeiro esternito bem mais largo do que os demais, apresentando de cada lado
uma expansão triangular.
Margens do último esternito totalmente cobertas de cerdas.
Abdome do macho (fig. 15) com margem pilosa em todos os somitos, e também no
telson, onde as cerdas são mais curtas. Primeiro somito em forma de trapézio, com
margens laterais côncavas. Segundo somito um pouco mais longo do que o primeiro e com
margens laterais convexas. Terceiro, quarto e quinto somitos subiguais, tendo o quarto e
quinto um tufo de cerdas de cada lado da linha mediana. Sexto somito com menor largura,
mas pouco mais longo que os três anteriores, apresentando, também, pequeno tufo de
cerdas em cada lado da linha mediana. Telson bem pequeno, em forma de triângulo
equilátero com os ângulos arredondados. Abdome da fêmea mais largo do que o do
macho, mas similar quanto aos somitos.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 63 - 75, 30 set. 1994
O gênero Ranilia ... 69
Distribuição. Atlântico ocidental: Carolina do Norte até o Golfo do México, Caribe,
Colômbia e Brasil (Pernambuco).
Habitat. Encontrada em fundos de rocha e conchas ou confinada no interior do
substrato. Também em águas profundas.
Material examinado. ESTADOS UNIDOS. Florida, Pensacola, 30°26'N: 87º12'W, 45 (USNM, 5231);
BRASIL. Pernambuco: Recife, 07°55'S: 34º48'W, NOc. “Alm. Saldanha”, 26-60m, holótipo S de R. saldanhai
(MZSP, 8223).
Observações. Enquanto GOMES-CORREA (1970) tratou R. saldanhai como uma
espécie válida, outros autores (GOECKE, 1980; WERDING & MULLER, 1990) chama-
vam a atenção para sua semelhança com R. muricata. WERDING & MULLER (op. cit.)
questionaram a validade de R. saldanhai, assinalando: “A comparison between the two
species may proove them to be synonyms”. Realmente, com o exame de material
americano de R. muricata (USNM, 5231), chega-se à conclusão que os caracteres
diferenciais entre as duas espécies estão dentro do gradiente de variação de R. muricata.
Este fato nos leva a considerar R. saldanhai como sinônimo júnior de R. muricata, que
pela primeira vez é citada para o litoral brasileiro.
Quando RODRIGUES-DA-COSTA (1970) descreveu R. saldanhai, indicou o
holótipo como fêmea. Com o exame do material-tipo (MZSP, 8223), constatamos tratar-
se, na realidade, de um macho. Segundo RODRIGUES-DA-COSTA (op. cit.), as
diferenças existentes entre R. saldanhai e R. muricata poderiam ser devidas ao maior
desenvolvimento do exemplar brasileiro. No entanto, parece tratar-se de diferenças
referentes ao dimorfismo sexual.
Ranilia guinotae sp. n.
(Figs. 16-22)
Diagnose. Metade anterior da carapaça em forma de telhado. Margem supra-ocular
sem dentes distintos dirigidos para a frente. Olhos extremamente longos, ocupando toda
a extensão da órbita. Margem superior da palma inerme.
Descrição. Carapaça suboval, com metade anterior em forma de telhado. Margens
laterais subparalelas na metade anterior e convergindo na metade posterior (fig. 16).
Margem posterior pouco mais larga do que a fronte. Um forte espinho localizado no
ângulo formado pela margem lateral da carapaça e a margem supra-ocular. Carapaça
fortemente pontuada, principalmente na região fronto-orbital e junto às margens laterais.
Olhos com pedúnculos extremamente longos (fig. 18). Pedúnculo basal da antena
alargado, ocupando toda a extensão inferior da margem fronto-orbital, e demais segmen-
tos mais estreitos. Margem supra-ocular sem dentes distintos dirigidos para a frente (fig.
18).
Terceiro maxilípede com isquiopodito e meropodito longos e subiguais. Exopodito
curto, ultrapassando ligeiramente a linha divisória entre o isquiopodito e meropodito (fig.
17).
Quelipodos curtos, com pequenas linhas em todos os segmentos. Mero largo, com
margem superior em forma de crista lisa. Carpo um pouco menor do que o mero e alargado
distalmente. Palma bastante alta, com margem posterior ocupando metade do carpo,
margem inferior lisa e sinuosa e margem superior curta e inerme. Margem distal da palma
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 63 - 75, 30 set. 1994
70 MELO & CAMPOS JR.
(em forma de dedo fixo) com pequenos tufos de cerdas em ambos os lados, além de vários
dentículos rasos e justapostos na face cortante. Dedo móvel curvo, afilado e dirigido para
baixo, com duas protuberâncias na parte mediana da face cortante, e com extremidade
distal alcançando o dedo fixo (dentículo) (fig. 19).
Segunda pata ambulatória com mero um pouco mais longo do que o carpo que
apresenta margem superior arredondada e metade anterior mais larga do que a posterior.
Própodo com margem inferior bastante sinuosa e mais longa do que a margem superior.
Dätilo foliäceo (fig. 20). Demais patas ambulatórias faltando.
Esterno longo, apresentando na margem superior do primeiro esternito uma placa
subtriangular com os ângulos arredondados. Esternitos com separações sugeridas por
pontuações pilosas. Margens laterais do conjunto de esternitos, junto à inserção com os
quelípodos, pilosas.
Abdome do macho, com todos os somitos subiguais e com margens laterais
convergentes e côncavas. Primeiro somito com margens laterais retas. Segundo somito
com margens convexas. Terceiro, quarto e quinto somitos livres. Sexto somito mais longo
do que os três anteriores. Telson subtriangular, com ângulos arredondados (fig. 22).
Medidas do holótipo (mm): comprimento da carapaça 15,2: largura da carapaça
10,9; comprimento do pedúnculo ocular + córnea 6,0; comprimento do rostro 1,0;
quelípodo: comprimento do mero, 4,0; comprimento do carpo 3,0; comprimento do
própodo 6,0; comprimento do dedo móvel 5,0; segunda pata ambulatória: comprimento
do mero 4,0; comprimento do própodo 3,5; comprimento do dátilo 3,0.
Etimologia. Espécie dedicada à Mme. Daniele Guinot, do “Museum National
d' Histoire Naturelle”, Paris, pela sua contribuição ao estudo dos Brachyura. |
Material examinado. BRASIL. Sao Paulo: Santos, conteúdo estomacal de Diplectrum formosum
(Pisces: Serranidae), holótipo O (MZSP, 10.932); idem, parátipo OG (MZSP, 11.106).
Observações. R. guinotae sp. n. diferencia-se das demais espécies brasileiras do
gênero, por ser a única a não apresentar dentes cônicos na margem supra-orbital e ter a
margem superior do rostro sulcada e não lisa. Distingue-se, ainda, de R. muricata, pela
ausência de espinho na margem superior da palma, por apresentar sulco na face superior
do rostro e pela maior convexidade da metade da carapaça.
Agradecimentos. Ao Dr. Petrônio Alves Coelho (DOUP) e Dra. Margarida Gomes-Corrêa (MNRJ),
pela permissão de examinar as coleções e ao Dr. Rafael Lemaitre (USNM) pelo empréstimo de material.
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Recebido em 24.06.1993; aceito em 16.12.1993
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 63 - 75, 30 set. 1994
O)
O gênero Ranilia ... 7
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Figs. 1-8. Ranilia constricta (A. Milne-Edwards, 1880): 1, carapaça, vista dorsal; 2, terceiro maxilipede; 3,
margem orbital, vista lateral; 4, quelípodo; 5, primeira pata ambulatória; 6, gonópodos 1 e 2; 7, abdome da fêmea;
8, abdome do macho. Escalas: 2mm (figs. 6-8), ômm (figs. 1-5).
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74 MELO & CAMPOS JR.
Figs. 9-15. Ranilia muricata H. Milne-Edwards, 1837: 9, carapaça, vista dorsal; 10, terceiro maxilípede; 11,
margem orbital, vista lateral; 12, quelípodo; 13, primeira pata ambulatória; 14, gonópodos 1 e 2; 15, abdome do
macho. Escalas: 2mm (figs. 14, 15), 5mm (figs. 9-13).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 63 - 75, 30 set. 1994
O gênero Ranilia ... 75
Figs. 16-24. Ranilia guinotae sp. n., holótipo: 16, carapaça, vista dorsal; 17, terceiro maxilípede; 18, margem
orbital, vista lateral; 19, quelípodo; 20, primeira pata ambulatória; 21. gonópodos 1 e 2; 22, abdome do macho;
Desenho esquemático da secção da metade anterior da carapaça: 23, forma de telhado (R. constricta e R.
guinotae); 24, forma convexa (R. muricata). Escalas: 2mm (figs. 17, 21, 22), Smm (figs. 16,18-20).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 63 - 75, 30 set. 1994
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NOVAS ESPÉCIES E NOTAS SOBRE CERAMBYCIDAE E DISTENIIDAE
(COLEOPTERA) DO ESTADO DO TOCANTINS, BRASIL
Ubirajara R. Martins '*
Maria Helena M. Galileo **
ABSTRACT
NEW SPECIES AND NOTES ON CERAMBYCIDAE AND DISTENIIDAE (COLEOPTERA) FROM
THE STATE OF TOCANTINS, BRAZIL. New species described from the State of Tocantins, Brazil:
Cerambycidae: Ceralocyna margareteae (Cerambycinae, Trachyderini, Ancylocerina); Hippopsis mourai
(Lamiinae, Agapanthiini); Disteniidae: Paracometes ericae (Disteniini). Notes on Sorelia Lane, 1965 and S.
cervina Lane, 1965 (Lamiinae, Acanthoderini) are added.
KEYWORDS. Cerambycidae, Coleoptera, Disteniidae, new species, Tocantins.
INTRODUÇÃO
Sob o patrocínio da Universidade do Tocantins (Centro Universitário de Porto
Nacional) e da Secretaria do Desenvolvimento Social (Fundação Natureza do Tocantins
- NATURATINS), realizou-se expedição de coleta, em novembro de 1992, nas regiões
de Porto Nacional e Palmas, envolvendo equipe do Museu de Ciências Naturais, Porto
Alegre e do Museu de Zoologia, São Paulo.
Em Porto Nacional, coletas diurnas (guarda-chuva entomológico) e noturnas (à
luz) efetivaram-se principalmente na “Chácara Inferno” que dista ca. Skm do centro da
cidade. Foram exploradas: (1) mata de baixada entremeada de buritis e (2) estreita mata-
galeria.
Em Palmas, as coletas, pelos mesmos métodos, realizaram-se na Reserva Ecológi-
ca da Serra do Lajeado (Fazenda Céu), situada a ca. 25km do centro da cidade,
primordialmente em mata de altitude circundada por cerrado. Observações sobre meio
físico, uso da terra, cartografia dos habitats faunísticos e análise dos povoamentos de
vertebrados e zoneamento ambiental dessa Reserva foram publicados por MIRANDA et
al. (1992).
1. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, C.P. 7172, 01064-970 São Paulo SP, Brasil.
2. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, C.P. 1188, 90001-970 Porto Alegre RS, Brasil.
3. Pesquisador do CNPq.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 77- 82, 30 set. 1994
18 MARTINS & GALILEO
Dentre o material coligido, 33 espécies de Cerambycidae e uma de Disteniidae,
constatamos três espécies inéditas, descritas a seguir. O material foi depositado no
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZSP) e no Museu de Ciências
Naturais, Porto Alegre (MCNZ).
Ceralocyna margareteae, sp. n.
92. Tegumento preto; os dois terços anteriores dos élitros (exceto úmeros) e o
abdômen, vermelho-escuros. Todo corpo com pêlos amarelados, eretos. Cabeça muito
densa e profundamente pontuada. Antenas glabras, atingem aproximadamente o meio
dos élitros. Antenômeros III a IX deprimidos; X e XI fusionados. Protórax com os lados
regularmente arredondados, sem depressões. Pronoto regularmente convexo, densa e
profundamente pontuado. Pontuação das partes laterais do protórax e do prosterno
semelhantes à do pronoto. Élitros profunda e densamente pontuados; os pontos, na
metade anterior, organizados em quatro fileiras longitudinais na região dorsal. Metasterno
com pontos grandes e esparsos. Urosternito I com o dobro do comprimento do II, com
pontos rasos e esparsos. Espinho interno do ápice dos metafêmures com o dobro do
comprimento do pedicelo; espinho do ápice dos mesofêmures tão longo quanto o
pedicelo.
Dimensões, em mm, holótipo 2. Comprimento total, 8,4; comprimento do protórax,
2,1; maior largura do protórax, 1,5; comprimento do élitro, 5,5; largura umeral, 1,6.
Material-tipo. BRASIL. Tocantins: Palmas (Serra do Lajeado, Fazenda Céu), holótipo 2, 20.X1.1992,
Expedição MCN-MZSP col. (MZSP).
Discussão. Estão assinaladas para o Brasil as seguintes espécies do gênero
Ceralocyna: C. militaris (Gounelle, 1911) - Goiás, Minas Gerais; C. nigricollis (Gounelle,
1911) - Goiás; C. nicricornis (Gounelle, 1911) - Goiás, Bahia, Minas Gerais; C.
seticornis (Bates, 1870) - Pará; C. terminata (Buquet, 1854) - Santa Catarina.
C. margareteae, sp. n., distingue-se de C. nigricornis por apresentar os lados do
protórax regularmente arredondados, sem depressões notáveis, como também ocorre nas
demais espécies brasileiras. Contudo, em C. terminata e em C. militaris o protórax é
inteiramente vermelho e em C. margareteae totalmente preto. A nova espécie distingue-
se de C. nigricollis pelo protórax unicolor; pelos élitros enegrecidos nos dois terços
apicais; pelos fêmures inteiramente pretos e pela face ventral dos segmentos torácicos,
preta. Difere de C. seticornis, segundo a resumida descrição original (BATES, 1870:
418), pela cabeça preta e fêmures inteiramente pretos; em C. seticornis a cabeça e as
bases dos fêmures são vermelhas.
O nome específico é uma homenagem à bióloga Ana Margarete R. M. Ferreira, da
NATURATINS, por ter viabilizado a expedição e pelas incontáveis atenções dispensa-
das.
Hippopsis mourai, sp. n.
S. Tegumento castanho-avermelhado. Pubescência acinzentada recobre a fronte,
os lados da cabeça, o protórax, forma faixas longitudinais: duas no occipício, quatro no
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 77- 82, 30 set. 1994
Novas espécies e notas sobre Cerambycidae... 79
prótorax e três em cada élitro (as duas dorsais fundidas antes do ápice); e na face ventral,
mais concentrada numa faixa longitudinal paralela aos lados do metasterno. Lobos
oculares superiores com cinco fileiras de omatídios, tão distantes entre si quanto a
largura de um lobo. Cabeça e pronoto fina e densamente pontuados. Pontuação elitral
mais grossa e profunda na fileira junto à margem sutural. Extremidades elitrais forte-
mente oblíquas no lado interno, prolongadas em espinho moderadamente longo no lado
externo. Metafêmures sem entalhe basal. Metatíbias e metatarsömeros I e II acentuada-
mente intumescidos. Urosternito I com área central elíptica recoberta por pêlos sedosos
dirigidos para o centro ( como em H. pubiventris Galileo & Martins, 1988).
9. Metafêmures, metatíbias e metatarsos não intumescidos. Pubescência do
urosternito I também dirigida para a área central mas sem constituir área elíptica
diferenciada; lados dos urosternitos densamente pubescentes.
Dimensões, em mm, respectivamente J/?. Comprimento total 10,2/10,6; compri-
mento do protórax, 1,7/1,8; maior largura do protórax, 1,3/1,3; comprimento do élitro,
7,4/7,6; largura umeral, 1,8/1,8.
Material-tipo. BRASIL. Tocantins: Porto Nacional (Chácara Inferno), holótipo O (MZSP), 11.X1.1992,
parátipo Q (MCNZ), 12.X1.1992, Exp. MCN-MZSP col., à luz.
Discussão. Pelo padrão da pubescência do urosternito I, Hippopsis mourai, sp.n.,
enquadra-se no grupo pubiventris (GALILEO & MARTINS, 1988: 187), que reúne três
espécies: H. minima Galileo & Martins, 1988, H. pubiventris Galileo & Martins, 1988 e
H. densepunctata Breuning, 1940. Machos de H. mourai distinguem-se daqueles de A.
minima pelos metafêmures sem recorte basal. Pelos lobos oculares superiores tão
distantes entre si quanto a largura de um lobo, assemelha-se a H. pubiventris e distingue-
se de H. densepunctata. H. mourai difere de H. pubiventris: pelo pronoto fina e
densamente pontuado; pelas extremidades elitrais oblíquas no lado interno e prolonga-
das em espinho no lado externo, pelos lados da cabeça inteiramente pubescentes e pelo
metatarsömero I mais longo que o II+III reunidos. Em H. pubiventris o pronoto é
esparsamente pontuado, as extremidades elitrais são de per si acuminadas, os lados da
cabeça possuem faixa glabra abaixo dos lobos oculares e o metatarsômero I é tão longo
quanto II+III reunidos.
O epíteto é um preito de amizade a Luciano de Azevedo Moura, integrante ativo e
dedicado da expedição ao Tocantins.
Sorelia Lane, 1965
Sorelia Lane, 1965: 301.
Gênero estabelecido por LANE (1965) para S. cervina e originalmente comparado
com Oreodera A. -Serville, 1835; espécie-tipo, O. glauca (Linnaeus, 1758).
S. cervina reúne caracteres diversos dos de O. glauca (aliás, como grande número
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 77- 82, 30 set. 1994
80 MARTINS & GALILEO
de espécies incluídas em Oreodera).
Sorelia cervina Lane, 1965
(Fig. 1)
Sorelia cervina Lane, 1965: 301.
Originalmente descrita da Guiana Francesa. Registramos a espécie para o Tocantins
e aproveitamos a oportunidade para figurá-la.
Material examinado. BRASIL. Tocantins: Palmas (Serra do Lajeado, Fazenda Céu), GS, 16.X1.1992,
Expedição MCN/MZSP col. (MZSP).
Paracometes ericae, sp. n.
(Fig. 2)
5. Cabeça e pronoto pretos com ligeiro reflexo esverdeado-metálico. Antenas e
pernas pretas (exceto trocanteres e base dos fêmures, amarelados). Élitros pretos com
leve reflexo violáceo; bases amarelo-alaranjadas em aproximadamente um oitavo do
comprimento. Último artículo do palpo maxilar com pequena projeção aguda no lado
externo do ápice. Lobos oculares superiores tão distantes entre si quanto o diâmetro da
base do escapo. Occipício moderadamente pontuado. Antenas atingem a extremidade
dos élitros aproximadamente no ápice do antenömero VII. Escapo nitidamente clavado
no ápice, fina e densamente pontuado nos dois terços basais. Pronoto com área centro-
longitudinal e gibosidades laterais pontuadas. Élitros densa e fortemente pontuados na
metade basal; extremidades regularmente arredondadas. Lados do metasterno fina e
densamente pontuados. Urosternitos grosseira e densamente pontuados. Ápice dos
metafêmures atinge aproximadamente o meio do urosternito III. Face ventral, exceto
centro-posterior do metasterno, com pubescência esbranquiçada. Área centro-posterior
lisa do metasterno com leve sulco longitudinal.
Dimensões, em mm, holótipo JS. Comprimento total, 10,1; comprimento do
protórax, 1,6; maior largura do protórax, 1,8; comprimento do élitro, 6,9; largura umeral,
Dal:
Material-tipo. BRASIL. Tocantins: Palmas (Serra do Lajeado, Fazenda Céu), holótipo O, 17.XI.1992,
Exp. MCN/MZSP col. (MZSP).
Discussão. De acordo com a chave para identificação das espécies do gênero
Paracometes (VILLIERS, 1958), P. ericae, sp. n., assemelha-se a P. acutipennis
(Buquet, 1851), P. peruvianus Villiers, 1958 e P. flavoviridis Vilhers, 1958, por
apresentar élitros bicolores com as extremidades regularmente arredondadas e pernas
escuras. Difere de P. acutipennis e de P. peruvianus pela forma do escapo, que nestas
espécies é subcilíndrico. Distingue-se de P. flavoviridis, não examinada, pela ausência
de coloração verde-metálica brilhante e pelas protuberâncias laterais do pronoto pontu-
adas.
O nome específico é uma homenagem à aracnóloga Erica H. Buckup, integrante
muito ativa da expedição ao Tocantins.
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Novas espécies e notas sobre Cerambycidae... 81
Agradecimentos. À Fundação Natureza do Tocantins - NATURATINS - Palmas e ao Centro
Universitário de Porto Nacional - UNITINS - pelo apoio financeiro; aos professores Ana Margarete R. M.
Ferreira e Joseano Carvalho Dourado pela viabilização e coordenação da expedição; aos demais professores da
UNITINS e dirigentes e funcionários da NATURATINS pelas atenções recebidas; ao Pe. J. Hauser pela
permissão de utilizar o laboratório de fotografias do Instituto de Planárias, Universidade Vale Rio dos Sinos,
São Leopoldo e à Terezinha Helsel de Oliveira pela elaboração das fotografias; a Miguel A. Monné pelas
informações sobre Sorelia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Recebido em 18.08.1993; aceito em 11.11.1993
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 77- 82, 30 set. 1994
MARTINS & GALILEO
82
‚ sp. n., holötipo O,
2, Paracometes ericae
na Lane, ©);
ia cervin
Figs. 1-2. 1, Sorel
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PESO Y DIMENSIONES DEL CUERPO Y ÓRGANOS INTERNOS DE LA
LIEBRE EUROPEA, LEPUS EUROPAEUS (LAGOMORPHA, LEPORIDAE)
EN LA PATAGONIA, ARGENTINA
Never Bonino'!
José Carlos Bustos!
ABSTRACT
WEIGHT AND DIMENSIONS OF BODY AND INTERNAL ORGANS OF THE EUROPEAN
HARE, LEPUS EUROPAEUS (LAGOMORPHA, LEPORIDAE) IN PATAGONIA, ARGENTINA. A
comparative study of body and internal organs weights and external measurements of males and females in the
European hare, Lepus europaeus Pallas, 1778, were analyzed and discussed. Monthly samples totalling 264
hares were collected in Bariloche, northwestern Patagonia (Argentina), between March 1985 and May 1986.
Females hares were heavier than males ones, but only juvenile and adult age classes showed significant
differences between sexes. Average body weight for adult females was 3573g and for males 3307g. External
measurements indicated that the females were larger than males in all age classes; only total lenght was
significantly longer in adult females. The internal organs of females were heavier than males but there were no
significant differences between sexes in any age class.
KEYWORDS. Lagomorpha, European hare, body weights, organ weights, sexual dimorphism.
INTRODUCCIÓN
La liebre europea Lepus europaeus Pallas, 17778 fue introducida en la Argentina a
fines del siglo pasado y actualmente se encuentra distribuída en todo el país, com
excepción de Tierra del Fuego y algunos sectores del noroeste argentino (GRIGERA &
RAPOPORT, 1983, ANGERMANN et al., 1990).
El desarrollo exitoso de esta especie en los más variados ambientes, tanto de nuestro
país como del mundo, se debió a un conjunto de adaptaciones entre las que se destacan
sus características reproductivas y flexibilidad en la selección de hábitat (KREBS, 1978;
MCNAB, 1980; FLUX et al., 1990).
Elobjetivo de este trabajo fue determinar algunos parámetros físicos (peso corporal
y longitud del cuerpo, cola, orejas y patas traseras), tendientes a establecer el grado de
desarrollo alcanzado por esta especie en la región y la existencia o no de dimorfismo
sexual. Además, se registró el peso absoluto y relativo de algunos órganos internos de
importancia ya sea como indicadores fisiológicos o en el diagnóstico de casos patológicos.
1. Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria, EEA Bariloche, Casilla de Correo 277, 8400 Bariloche, Argentina.
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84 BONINO & BUSTOS
MATERIALES Y MÉTODOS
El estudio se realizó en Estancia El Cöndor, 15km al Este de Bariloche (latitud 41º 10'S y longitud
71º05'0), provincia de Río Negro, Argentina. La región presenta una altitud media de 819m sobre el nível del
mar y un clima mediterráneo frío; para el período 1936-1988 la precipitación promedio anual fue 690mm
mientras que la temperatura media del mes más cálido (Enero) fue 12,8°C y la del mes más frío (Julio) fue 1,3°C
(BUSTOS & ROCCHI, 1993). El área de estudio corresponde a la Provincia Fitogeográfica Patagónica
(CABRERA, 1971). El tipo de vegetación predominante es una estepa graminosa constituída principalmente
por Stipa speciosa v. major Parodi, 1960 y Festuca pallescens Parodi, 1953 con una participación variable de
arbustos entre los que se destaca Mulinum spinosum Persoon, 1805. En los valles aparecen praderas higrófilas
compuestas principalmente de Poa pratensis Linné, 1753, Taraxacum officinalis Weber in Wieggers, 1780,
Juncus balticus Wildenow, 1809, Trifolium repens Lamarck, 1778 y Hordeum comosum Presl, 1830.
Se obtuvo una muestra total de 264 liebres las cuales fueron capturadas en cacerías mensuales realizadas
entre Marzo de 1985 y Mayo de 1986. Parte de este material se encuentra depositado en la Estación
Experimental Agropecuaria Bariloche dependiente del Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria.
La captura se realizó con armas de fuego y de los ejemplares se obtuvo la siguiente información: sexo;
peso corporal (PC); longitud del cuerpo (LC), en ventral desde el hocico hasta el ano; longitud de la cola
vertebral (CV), desde el ano hasta la última vértebra caudal; longitud promedio de las orejas (LO), desde la
escotadura más profunda situada en la base de la oreja hasta la punta de la misma; longitud promedio de las patas
traseras (PT), desde el extremo proximal del tarso hasta la una del dedo más largo; peso de órganos internos
(corazón, hígado, rinones y bazo).
La edad de los indivíduos se estimó con base en el peso de los cristalinos (LORD, 1959; CABON-
RACZYNSKA & RACZYNSKI, 1972) y para determinar las clases de edad se siguió el criterio establecido por
AMAYA et al. (1979) para liebres de la zona, según el siguiente peso seco: clase infantil < 234,9mg; clase
juvenil 235 - 279,9mg; clase adulta > 280mg.
Se utilizó una balanza con una precisiön de 1g para el peso del cuerpo y de 0,01g para el peso de los
örganos internos. Las medidas en milímetros del cuerpo (LC, CV, LO y PT) se obtuvieron con una cinta métrica.
Los resultados correspondientes al peso y medidas corporales de las liebres se expresaron a través de los
estadísticos descriptivos usuales, promedio (x), desviación estándar (DE) y coeficiente de variación (CV). La
variación entre sexos y clases de edad en los parámetros estudiados se estimó a través del análisis de la varianza
a un nivel de significancia del 5% (SOKAL & ROHLF, 1987).
RESULTADOS Y DISCUSIÓN
Del total de ejemplares cazados, 125 fueron hembras (47%) y 139 machos (53%),
es decir, la proporción de sexos del total de la muestra fue 1,1:1 a favor de los machos. Esto
concuerda con lo registrado para la misma especie en otras áreas del país (AMAYA et al.,
1983; PARISTI et al., 1992). Estudios realizados en diferentes países de Europa mostraron
un ligero predominio de hembras en la proporción de sexos (RACZYNSKI, 1964;
JEZIERSKI, 1965; PIELOWSKI, 1969). Aunque mínimas, estas diferencias a favor de
uno u otro sexo pudieron deberse al tamafio de muestra, época de muestreo o efecto
diferencial de captura.
Respecto a la proporción de edades del total de individuos, 136 fueron infantiles
(51%), 58 juveniles (22%) y 70 adultos (27%). En las variaciones relativas de las tres
clases de edad a lo largo del período de muestreo (fig. 1), se observó que las clases con
capacidad reproductiva (juveniles y adultos) predominaron en el período Agosto-
Diciembre, coincidentemente con la época reproductiva de la especie en el área
(BRANDANT et al., 1977). A partir de Diciembre y hasta Julio predominó la clase infantil
como consecuencia del aporte de individuos a la población durante la época reproductiva.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 83 - 88, 30 set. 1994
Peso y dimensiones del cuerpo... 85
100
80
60
%
40
20 A
N
0 ES
Abr May Jun Jul Ago Set Oct Nov Dic Ene Feb Mar Abr May
J9es» = lo 986
—&- Infantil = Juvenil #- Adulta
Fig. 1. Proporciones de las tres clases de edad de la liebre europea, Lepus europaeus Pallas, 1778 entre Marzo
de 1985 y Mayo de 1986 en la Patagonia, Argentina.
Las hembras fueron más pesadas que los machos en las tres clases de edad, aunque
de manera significativa solo en las clases juvenil y adulta (P<0,05, respectivamente). El
peso corporal promedio de los indivíduos adultos fue 3573g para las hembras y 3307g para
los machos (tabla 1).
Tabla I. Peso corporal promedio (g) por clase de edad y sexo de la liebre europea, Lepus europaeus Pallas, 1778,
en la Patagonia, Argentina, período Marzo 1985 a Mayo 1986. (n, número de indivíduos, X, promedio, CV,
coeficiente de variación).
Machos Hembras
n x CV n x CV
Infantiles 76 2643 24,1 60 2816 19,2
Juveniles 24 angel 9,5 34 3482 12,6
Adultos 39 3307 6,3 31 3919 7,8
El peso corporal mäximo correspondiö a una hembra adulta de 4280g, mientras que
el minimo peso lo presentö un macho infantil de 1411g.
En poblaciones de liebres de la provincia de Santa Cruz (latitud 50°S), AMAYA et
al. (1983) también encontraron que las hembras adultas fueron significativamente más
pesadas que los machos de la misma edad (4053g y 3667g, respectivamente). Otro tanto
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86 BONINO & BUSTOS
ocurrió con DIETRICH (1981) en la provincia de Buenos Aires (latitud 37ºS), quien
determinó una diferencia significativa de peso en favor de las hembras (3825g y 3542g,
respectivamente).
En Nueva Zelandia, FLUX (1967) encontró diferencias significativas en el peso
corporal de hembras y machos de liebre europea (3750g y 3300g, respectivamente).
VOLF (1960) trabajando con la misma especie en Alemania no encontró diferencias
significativas en el peso de cien machos (3,77kg) y cien hembras (3,71kg); tampoco las
encontró REYNOLDS (1952), en tesis no publicada, trabajando en Canadá, donde los
machos pesaron, 4,15kg y las hembras 4,18kg. En cuatro especies del género Lepus
Linnaeus, 1758, las hembras fueron significativamente más pesadas que los machos: L.
californicus Gray, 1837 (BRONSON, 1958; LECHLEITNER, 1959), L. americanus
Erxleben, 1777 (NEWSON & DEVOS, 1964), L. towsendii Bachman, 1839 (KLINE,
1963) y L. timidus scoticus Hilzheimer, 1906 (FLUX, 1962, en tesis no publicada). Sin
embargo, las poblaciones de algunas especies no mostraron dimorfismo sexual en el peso
corporal, por ejemplo L. californicus y L. alleni Mearns, 1890 en Arizona, EUA (Vorhies
& Taylor, 1933 apud FLUX, 1967) y L. americanus en Alberta, Canadá (ROWAN &
KEITH, 1959).
Según FLUX (1967) y PIELOWSKI (1971) la diferencia de peso en favor de las
hembras estaría relacionada a una mayor supervivencia de estas últimas lo cual influiría
en los resultados. Sin embargo, PETRUSEWICS (1970) afirma que generalmente el
porcentaje de hembras longevas en la población es muy pequefio, por lo que no influiría
en los resultados. Esto último concuerda con lo observado en este trabajo, además de que
las diferencias significativas de peso en favor de las hembras no solo las observamos en
la clase adulta sino también en la clase juvenil. Por lo tanto, las diferencias de peso
corporal entre machos y hembras halladas en este estudio podrían ser atribuídas a un
dimorfismo sexual, el cual no se manifiesta sino hasta que los animales alcanzan la edad
juvenil.
La gran variación en el peso corporal de la clase infantil, se debe a que esta clase de
edad agrupa a indivíduos en plena etapa de crecimiento. A medida que aumenta la edad
la variación disminuye hasta alcanzar los valores más bajos en la clase adulta cuyos
individuos mayormente han completado su desarrollo (tabla 1).
Con respecto a las variables morfométricas consideradas, en todos los casos las
hembras fueron más grandes que los machos. Esto se repitió en las tres clases de edad,
aunque solo en la clase adulta y en el largo del cuerpo (tabla II), la diferencia a favor de
las hembras fue significativa (P<0,05).
Tabia II. Longitud promedio (mm) del cuerpo (LC), cola (CV), orejas (LO) y patas traseras (PT) de liebres
adultas, Lepus europaeus Pallas, 1778, en la Patagonia, Argentina, período Marzo 1985 a Mayo de 1986 (X,
promedio, DE, desviación estándar).
Machos (n=39) Hembras (n=31)
X + DE Rango X + DE Rango
LC (mm) 458 + 16 348-456 468 + 17 411-496
CV (mm) 79+9 62-98 dar 7 66-95
LO (mm) ie 110-129 ar] 116-130
PT (mm) 143 + 38 135-151 144 + 36 137-152
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 83 - 88, 30 set. 1994
Peso y dimensiones del cuerpo... 87
Respecto al peso de los órganos internos, las hembras adultas presentaron un mayor
peso promedio que los machos en todos los órganos considerados, aunque en ningún caso
la diferencia fue significativa. Algo similar ocurrió entre hembras y machos de las clases
infantil y juvenil, respectivamente (tabla III).
Tabla III. Peso promedio (g) del corazón, rifiones, hígado y bazo correspondientes a indivíduos infantiles,
juveniles y adultos de liebre europea, Lepus europaeus Pallas, 1778, en la Patagonia, Argentina, período Marzo
1985 a Mayo 1986 (n, número de indivíduos, x, promedio, DE, desviación estándar).
Corazón Rifiones Hígado Bazo
X + DE XE DE X + DE XE DE
Machos infantiles (n=75) 254+8 [3855274 58,7 073202
Hembras infantiles (n=60) 26,2 # 5,9 B19=E39 (OS jn eo) 0,76 * 0,2
Machos juveniles (n=24) 30,9#3,7 14,9+1,9 GA SED 0,91 #0,3
Hembras juveniles (n=34) 33,4 44,1 157/22 TAS 0,93*0,2
Machos adultos (n= 39) So gare | 16,9 £1,1 7421 10:6 0,76 * 0,2
Hembras adultos (n= 31) 33-238 (6 amo) 09) TARDE 119 FOREO01
Uno de los ejemplares cazados fue descartado por presentar el higado parasitado por
Fasciola sp. (SUAREZ, com. pers.). Se trató de un macho de la clase infantil con un peso
corporal de 2721g y cuyo hígado pesö 105,3g, es decir un 79% más que el promedio
correspondiente a su clase de edad (tabla III).
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Recebido em 19.08.1993: aceito em 23.12.1993
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 83 - 88, 30 set. 1994
OCORRÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DE PEIXES NA ESTAÇÃO ECOLÓGICA
DO TAIM, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL (PISCES, TELEOSTOMI)
Karin Martha Grosser !
Walter Rudolf Koch !?
Sílvia Drügg-Hahn !
ABSTRACT
OCCURENCE AND DISTRIBUTION OF FISHES IN THE TAIM ECOLOGICAL STATION, RIO
GRANDE DO SUL, BRAZIL (PISCES, TELEOSTOMD. Data about specific composition and distribution of
fish communities in the Taim Ecological Station, localized between lagoa Mirim and lagoa Mangueira and the
Atlantic Ocean in Rio Grande do Sul State, Brazil, are provided. A list of 51 species collected at 19 stations is
presented, including first records for the area: Hyphessobrycon anisitsi (Eigenmann, 1907) (Characidae),
Gymnotus carapo Linnaeus, 1758 (Gymnotidae) and Mugil platanus Guenther, 1880 (Mugilidae).
KEYWORDS. Teleostomi, Neotropical, freshwater, fishes, records.
INTRODUÇÃO
Localizada no extremo sul do litoral do Estado do Rio Grande do Sul (32°32'-
32º50"S e 52°23'-52°32’O), a Estação Ecológica do Taim (EET), ocupa aproximadamente
33815 ha entre as lagoas Mirim e Mangueira e o oceano Atlântico, abrangendo parte dos
municípios de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar (fig. 1). Em 1978 foi tombada como
de utilidade pública.
A comunicação entre a lagoa Mangueira e a lagoa Mirim, através do arroio Taim,
que servia como desaguadouro das águas do banhado, foi interrompida em 1950. O
banhado desempenhava um importante papel no controle natural do fluxo de água entre
estes ambientes, o que atualmente é feito através de um sistema de comportas e canais de
Irrigação.
As primeiras contribuições a respeito dos peixes da região consistem na descrição
de Microlepidogaster taimensis feita por BUCKUP (1981) e de Rineloricaria longicauda
por REIS (1983).
BUCKUP & MALABARBA (1983) elaboraram a primeira lista de peixes da área,
1. Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Caixa Postal 1188. CEP 90001-970 Porto Alegre, RS.
2. Bolsista do CNPq.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 89 - 98, 30 set. 1994
90 GROSSER, KOCH & DRÜGG-HAHN
tendo registrado 53 espécies. Também foi descrita tendo como localidade-tipo a EET:
Heptapterus sympterygius por BUCKUP (1988), citada em nível genérico por BUCKUP
& MALABARBA (1983). MALABARBA (1989), em sua lista comentada de peixes do
sistema da laguna dos Patos, Rio Grande do Sul, inclui as espécies relacionadas pelos
autores citados anteriormente.
Entre os estudos dos ambientes aquáticos realizados na área, SCHÄFER et al.
(1980) analisaram a variação diária de oxigênio dissolvido em lagoas do banhado do
Taim, relacionando-a com a morfologia, grau de desenvolvimento das biocenoses e
condições hidrológicas de cada ambiente, além da exposição aos ventos. SCHÄFER
(1988; 1992) divulgou conclusões sobre o estado trófico das lagoas costeiras do Rio
Grande do Sul.
No trabalho, são fornecidos dados acerca da composição específica das comunida-
des de peixes encontradas nos diferentes tipos de ambientes estudados, podendo servir de
subsídio para a futura elaboração do zoneamento e plano de manejo da EET.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram realizadas seis expedições para captura de peixes: em setembro e novembro de 1985 e janeiro,
março, setembro e novembro de 1986, totalizando 29 dias de trabalho em campo. Foram explorados 52 pontos
(fig.1), distribuídos em 19 ambientes (estações de amostragem) tais como arroios, canais de drenagem, lagoas,
poças temporárias e porções dos banhados do Albardão e do Taim.
A caracterização dos ambientes quanto às macrófitas aquáticas foi feita com base em IRGANG et al.
(1984).
Na captura de peixes, feita durante o dia e à noite, empregaram-se vários tipos de equipamentos: a) redes-
de-emalhar, simples ou feiticeiras (3 panos), com malhas variando entre 4,0cm e 8,0cm de entrenós; b) tarrafas;
c) puçá, conforme descrito em GROSSER & DRUGG-HAHN (1981) e d) linhas-de-espera com anzóis de
tamanhos variados.
As amostras de peixes encontram-se depositadas na coleção do Museu de Ciências Naturais, Fundação
Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN/FZB), Porto Alegre. Os dados de coleta e taxonômicos estão
cadastrados no Banco de Dados do Ambiente Natural do Rio Grande do Sul (BDA, MCN/FZB).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Caracterização dos ambientes. De relevo bastante plano e situada a apenas alguns
metros acima do nível do mar, a EET caracteriza-se pela existência de uma extensa área
de banhados, além de lagoas, arroios, canais e poças. De modo geral, esses ambientes
possuem substrato areno-lodoso e são marginados por gramíneas (Panicum elephantipes
Nees e Zizaniopsis bonariensis Balansa & Poitrasson) e juncos (Juncus spp.). Dentre as
macrófitas aquáticas predominam espécies flutuantes (Pistia stratiotes Linnaeus, Salvinia
spp., Eichhornia spp., Nymphoides indica (Linnaeus) Kuntze), submersas (Egeria densa
Planchone Ceratophyllum demersum Linnaeus) e emergentes (Myriophyllum brasiliense
Cambessedes e juncos). Apenas na lagoa do Nicola e na porção final dos arroios da Estiva
e do Taim não foi observada a presença de vegetação aquática.
Foram obtidas 1316 amostras de peixes, totalizando 3662 exemplares. Na tabela I
estão listadas as 51 espécies encontradas e seus respectivos nomes vulgares e na tabela II
constam as espécies capturadas em cada estação, ordenadas segundo sua frequência de
ocorrência.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 89 - 98, 30 set. 1994
Ocorrência e distribuição de Peixes na... 91
Tabela I. Espécies de peixes registradas na Estação Ecológica do Taim, RS, Brasil nos meses de setembro e
novembro de 1985 e janeiro, março, setembro e novembro de 1986.
Família Espécie Nomes vulgares
CLUPEIDAE Platanichthys platana (Regan, 1917) - lambari, sardinha
CURIMATIDAE Cyphocharax voga (Hensel, 1870) - biru
ERYTHRINIDAE Hoplias malabaricus (Bloch, 1794) - traíra
CHARACIDAE Astyanax alburnus (Hensel, 1870) - lambari
A. bimaculatus (Linnaeus, 1758) - Jambari
A. eigenmanniorum (Cope, 1894) - lambari
A. fasciatus (Cuvier, 1819) - Jambari
Bryconamericus iheringi (Boulenger, 1887) - lambari
Characidium rachovi (Regan, 1912)
Charax stenopterus (Cope, 1894) - lambari
Cheirodon ibicuhiensis Eigenmann, 1915 - lambari
C. interruptus (Jenyns, 1842) - lambari
Hyphessobrycon anisitsi (Eigenmann, 1907) - lambari
H. bifasciatus Ellis, 1911 - Jambari
H. boulengeri (Eigenmann, 1907) - Jambari
H. luetkeni (Boulenger, 1887) - Jambari
H. meridionalis Ringuelet, Miquelarena & Menni, 1978 - lambari
Macropsobrycon uruguayanae Eigenmann, 1915 - lambari
Mimagoniates inequalis (Eigenmann, 1911) - lambari
Oligosarcus jenynsi (Günther, 1864) - tambicu, branca
O. robustus Menezes, 1969 - tambicu, branca
Pseudocorynopoma doriae Perugia, 1891 - lambari
PIMELODIDAE Heptapterus sympterygius Buckup, 1988 - jundiá-cobra
Microglanis cottoides (Boulenger, 1891) - bagrino
Parapimelodus nigribarbis (Boulenger, 1889) - mandi
Pimelodella laticeps australis Eigenmann, 1917 - mandi
Pimelodus maculatus Lacépêde, 1803 - pintado
Rhamdia sp. - jundiá
ASPREDINIDAE Dysichthys iheringi (Boulenger, 1891)
TRICHOMYCTERIDAE Homodiaetus vazferreirae Devincenzi, 1939
CALLICHTHYIDAE Callichthys callichthys (Linnaeus, 1758) - tamboatá, cascudo
Corydoras paleatus (Jenyns, 1842)
LORICARIIDAE Hypostomus commersoni Valenciennes, 1840 - cascudo
Microlepidogaster taimensis Buckup, 1981 - limpa-fundo
Loricariichthys anus (Valenciennes, 1840) - cascudo-viola, viola
Rineloricaria longicauda Reis, 1983 - cascudo-viola,viola
GYMNOTIDAE Gymnotus carapo Linnaeus, 1758 - tuvira
ANABLEPIDAE Jenynsia lineata (Jenyns, 1842) - barrigudinho
POECILIDAE Cnesterodon decemmaculatus (Jenyns, 1842) - barrigudinho
Phalloceros caudimaculatus (Hensel, 1868) - barrigudinho
ATHERINIDAE Odontesthes bonariensis (Valenciennes, 1835) - peixe-rei
O. humensis De Buen, 1953 - peixe-rei
O. retropinnis (De Buen, 1953) - peixe-rei
MUGILIDADE Mugil platanus Günther, 1880 - tainha
SYNBRANCHIDAE Synbranchus marmoratus Bloch, 1795 - muçum
CICHLIDAE Cichlasoma facetum (Jenyns, 1842) - carä
Crenicichla lepidota Heckel, 1840 - Joaninha, mixola
C. punctata Hensel, 1870 - joaninha, mixola
Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824) - carä
Gymnogeophagus gymnogenys (Hensel, 1870) - carä
G. rhabdotus (Hensel, 1870) - carä
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92 GROSSER, KOCH & DRÜGG-HAHN
Tabela II - Espécies ícticas na Estação Ecológica do Taim, RS, segundo fregiiência de ocorrência nas estações
de amostragem (% de exemplares da espécie considerada em relação ao total de exemplares capturados): a>20%;
b, 20% - 10%; c, 10% - 5%; x<5%; N= número de estações em que a espécie foi capturada. Estações: 1, arroio
Taim; 2, canal do arroio Taim; 3, canal oeste; 4, canal leste; 5, canal do Jacaré; 6, canal Sarita; 7, arroio da Estiva;
8, canal da Estiva; 9, arroio dos Negreiros; 10, canais da Fazenda Santa Marta; 11, Fazenda Caçapava - lagoa
Mangueira; 12, Fazenda Santa Marta - lagoa Mangueira; 13, lagoa do Jacaré; 14, lagoa do Nicola; 15, banhado
do Albardão; 16, banhado do Taim; 17, campo alagado; 18, poças do arroio Taim; 19, poças da Fazenda
Caçapava.
Espécie ARROIOS e CANAIS
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(am)
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Jenynsia lineata
Phalloceros caudimaculatus
Characidium rachovi
Cnesterodon decemmaculatus
Cheirodon interruptus
Corydoras paleatus
Cyphocharax voga
Astyanax fasciatus
Hyphessobrycon luetkeni E
Oligosarcus jenynsi
Hyphessobrycon bifasciatus
Microlepidogaster taimensis
Hoplias malabaricus
Cichlasoma facetum
Gimnogeophagus gymnogenys
Cheirodon ibicuhiensis
Rhamdia sp.
Charax stenopterus
Hyphessobrycon boulengeri
Hyphessobrycon meridionalis
Heptapterus sympterygius
Microglanis cottoides
Rineloricaria longicauda
Oligosarcus robustus
Dysichthys iheringi
Loricariichthys anus
Crenicichla lepidota
Astyanax alburnus
Synbranchus marmoratus
Platanichthys platana
Astyanax eigenmanniorum
Pimelodella laticeps australis
Geophagus brasiliensis
Astyanax bimaculatus
Macropsobrycon uruguayanae
Pseudocorynopoma doriae
Parapimelodus nigribarbis
Pimelodus maculatus
Hypostomus commersoni
Crenicichla punctata
Hyphessobrycon anisitsi
Mimagoniates inequalis x b x
Mugil platanus
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LAGOAS BANHADOS POCAS
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Cont...
Ocorrência e distribuição de Peixes na... 93
Tabela II. continuação
Espécie ARROIOS e CANAIS LAGOAS BANHADOS POÇAS
RSRS 60 870890 ISA ISIS IN
Gymnotus carapo x x 2
Odontesthes bonariensis X X 2
Odontesthes humensis X X 2
Gymnogeophagus rhabdotus ER 2
Homodiaetus vazferreirae x 1
Callichthys callichthys x 1
Odontesthes retropinnis x
Nº de espécies/ estação ai TAS Bio 2O 1682072 TS o SI sr 52
Total de exemplares/estação 469 111 584 406 143 154 165 35 23 333 218 236 202 49 19 156 155 29 17 3662
No canal oeste foram constatadas 46 espécies de peixes, o que corresponde a cerca
de 90% do total registrado na EET durante o estudo. Destacaram-se pelo maior número
de exemplares Hyphessobrycon luetkeni, Jenynsia lineata, Phalloceros caudimaculatus,
Microlepidogaster taimensis, Cheirodon ibicuhiensis e Macropsobrycon uruguayanae.
No canal leste foram registradas 31 espécies, representando 61% dos táxons
encontrados na área total. Destas, destacam-se pela maior fregiiência: P. caudimaculatus,
Hyphessobrycon luetkeni, Characidium rachovi, Cnesterodon decemmaculatus,
Cichlasoma facetum, Hyphessobrycon bifasciatus e J. lineata.
No arroio Taim foram constatadas 41 espécies, 80% das registradas na EET,
predominando J. lineata, P. caudimaculatus, H. luetkeni, Corydoras paleatus e
Cyphocharax voga.
No canal ao norte do arroio Taim foram coligidas 19 espécies de peixes (37% do
total registrado na Estação) que também foram encontradas no arroio Taim. Houve
predomínio de J. lineata e Cnesterodon decemmaculatus, sendo também registradas com
certa frequência Cyphocharax voga, Characidium rachovi, P. caudimaculatus, Astyanax
fasciatus e Oligosarcus robustus.
Nas poças localizadas nas imediações do arroio Taim foram registradas J. lineata,
C. paleatus, Hoplias malabaricus, Dysichthys iheringi e Synbranchus marmoratus.
A lagoa do Nicola, segundo SCHÄFER (1992) inclui-se no grupo das lagoas rasas,
eutróficas, quase exclusivamente limitadas por carbonatos, devido a altas concentrações
de fósforo e onde o volume de oxigênio é determinado principalmente pela produção e
consumo biológico. Foram registradas 17 espécies, representando 33% do total da
Estação, sendo as mais comuns Cheirodon interruptus, Astyanax alburnus, Cheirodon
ibicuhiensis e Corydoras paleatus.
No arroio da Estiva foram constatadas 20 espécies de peixes (39% do total
registrado na EET) com a predominância de Hyphessobrycon luetkeni, J. lineata, P.
caudimaculatus, Characidium rachovi, Hyphessobrycon boulengerie Corydoras paleatus.
Uma ampla área de campo adjacente ao arroio da Estiva é periodicamente alagada
na estação chuvosa. Neste ambiente foram capturados exemplares de 18 espécies (35%
do total da área da Estação), destacando-se pelo maior número de indivíduos P.
caudimaculatus, A. fasciatus,J.lineata, Microglanis cottoides,C. voga, Microlepidogaster
taimensis e O. robustus.
No canal ao norte da estrada da Estiva, próximo à lagoa das Flores, foram
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 89 - 98, 30 set. 1994
94 GROSSER, KOCH & DRUGG-HAHN
constatadas 7 espécies, perfazendo 14% do total, sendo J. lineata, Characidium rachovi,
Cnesterodon decemmaculatus, Cichlasoma facetum e Gymnogeophagus gymnogenys as
mais representativas.
No canal do Jacaré registra-se a presença de 20 espécies (39% do total da Estação).
Os peixes mais comuns foram Cnesterodon decemmaculatus, P. caudimaculatus, J.
lineata, Characidium rachovi e H. luetkeni.
A lagoa do Jacaré é classificada por SCHAFER (1992) como uma lagoa rasa e
eutrófica tal como a lagoa do Nicola. Registraram-se 27 espécies (53% do total da EET),
sendo as mais capturadas Hoplias malabaricus, J. lineata, Cichlasoma facetum,
Hyphessobrycon luetkeni, Oligosarcus jenynsi e Cnesterodon decemmaculatus.
No canal Sarita foram registradas 16 espécies, que correspondem a 31% do total da
EET. Observou-se nítido predomínio de C. decemmaculatus sobre. as demais espécies,
mas com frequência também foram coligidas Mimagoniates inequalis, P. caudimaculatus,
H. luetkeni e J. lineata.
No banhado do Taim as coletas permitiram o registro de 21 espécies (41% do total
da EET). H. luetkeni, Characidium rachovi, Cnesterodon decemmaculatus, J. lineata e
Charax stenopterus foram capturados em maior número de exemplares.
No arroio dos Negreiros foram encontradas 5 espécies, representando 10 % do total
da EET. As espécies com maior número de indivíduos foram Cnesterodon decemmaculatus,
P. caudimaculatus e Cheirodon ibicuhiensis.
No banhado do Albardão foram obtidas apenas 4 espécies (8% do total da Estação):
J. lineata e P. caudimaculatus foram as mais abundantes, seguidas de C. rachovi.
Na Fazenda Caçapava foram feitas coletas na lagoa Mangueira e em 4 poças. Na
lagoa Mangueira foram coligidos representantes de 21 espécies (41% do total da Estação),
destacando-se C. decemmaculatus, J. lineata e P. caudimaculatus. Nas poças, doze
espécies foram registradas (24% do total na EET) sendo as mais comuns P. caudimaculatus,
J. lineata, Characidium rachovi, Cheirodon interruptus, Cnesterodon decemmaculatus
e H. bifasciatus.
Na Fazenda Santa Marta houve coletas na lagoa Mangueira e em alguns canais de
irrigação. Na lagoa, foram constatadas 25 espécies (49% do total da Estação), dentre as
quais o maior número de exemplares correspondeu a C. decemmaculatus, O. jenynsi, A.
fasciatus, H. luetkeni e J. lineata. Vinte e sete espécies foram obtidas nos três canais,
correspondendo a 53% do total da EET. Com maior fregiiência destacaram-se Platanichthys
platana, A. fasciatus, H. bifasciatus, Cheirodon ibicuhiensis, Corydoras paleatus,
Cheirodon interruptus e P. caudimaculatus.
Na EET, também foi constatada a presença de indivíduos jovens de várias espécies
a partir do mês de setembro, quando ocorre a comunicação entre os distintos ambientes,
Já que se trata da época das chuvas e consegüentes alagamentos (tab. II).
A análise dos dados obtidos com relação à ictiofauna mostra que das 53 espécies de
peixes referidas por BUCKUP & MALABARBA (1983) e BUCKUP (1988) para a EET,
cinconão foram agora encontradas: Hypopomus aff. brevirostris, Cynolebias melanotaenia,
Cynolebias sp., Aequidens portalegrensis (= Cichlasoma portalegrense) e Gobionellus
shufeldti, provavelmente devido a diferenças dos locais e épocas de captura.
Hyphessobrycon anisitsi (Eigenmann, 1907), Gymnotus carapo Linnaeus, 1758 e
Mugil platanus Giinther, 1880 são registradas pela primeira vez no Taim. H. anisitsi,
encontrada no arroio Taim e nos canais leste e oeste, foi descrita tendo como localidade-
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 89 - 98, 30 set. 1994
Ocorrência e distribuição de Peixes na... 95
Tabela III. Ocorrência de peixes jovens na Estação Ecológica do Taim, RS, Brasil. 1, arroio Taim; 2, canal leste;
3, banhado do Taim; 4, campo alagado; 5, Fazenda Caçapava - lagoa Mangueira; 6, canais da Fazenda Caçapava;
7, poças da Fazenda Caçapava; 8, canal oeste; 9, Fazenda Santa Maria - lagoa Mangueira.
Primavera (set/nov) Verão (jan/mar)
Espécie TEBAS RA: 33,0 À GRE BO,
Cyphocharax voga X
Characidium rachovi x
Charax stenopterus X
Oligosarcus jenynsi ED Kıax
O. robustus Ku XOREX
Rhamdia sp. x x x X
Hypostomus commersoni KR ER
Odontesthes spp. x
tipo Villa Rica, Paraguai. MALABARBA (1989) inclui a espécie em sua lista de peixes
do sistema da laguna dos Patos, elaborada basicamente a partir de citações de ocorrências
feitas por outros autores; contudo, para AH. anisitsi é referida apenas a descrição original
da espécie.
Espécie considerada de ampla distribuição geográfica, Gymnotus carapo, captura-
da no canal oeste e na lagoa Mangueira na Fazenda Santa Marta, tem como localidade-
tipo a América do Sul. MALABARBA (1989) menciona vários autores que registraram
a espécie (referida por ele como Gymnotus aff. carapo) no sistema da laguna dos Patos,
no qual está incluída a região do Taim. Apesar disso, não existe nenhuma referência
específica para esta área.
Três exemplares de tainha (Mugil platanus) foram capturados no arroio Taim, no
canal oeste e na lagoa do Jacaré. Esta é uma das três espécies de Mugilidae ocorrentes no
litoral sulbrasileiro, sendo de grande importância econômica na pesca artesanal. Trata-se
de um peixe eurialino que, segundo MENEZES (1983), pode ser encontrado desde o Rio
de Janeiro até a Argentina. Diversos autores relatam a desova desta espécie nas costas
marinhas e consideram os ambientes estuarinos, tais como a laguna dos Patos e a região
de Tramandaí, como área de alimentação e crescimento de pós-larvas e juvenis durante
os primeiros anos de vida (CHAO et al., 1982; 1985; SILVA, 1982; VIEIRA &
SCALABRIN, 1991). Os exemplares, capturados em novembro de 1985 e janeiro de
1986, medem entre 31,6 e 34,2cm de comprimento padrão e pesam entre 735 e 775g.
Segundo MENEZES (1983), a espécie pode atingir Im de comprimento e 6kg de peso.
Com relação ao estágio de desenvolvimento gonadal, verificou-se que eram fêmeas em
maturação, segundo a classificação de VAZZOLER (1981). SILVA (1982), em estudos
realizados na região de Tramandaí, Rio Grande do Sul, determinou que o comprimento
médio em que ocorre a primeira maturação de M. platanus (referida erroneamente como
Mugil liza Valenciennes, 1836, segundo MENEZES, 1983) é de 31,4cm, sendo que
gônadas em maturação foram encontradas na primavera e no verão. Por outro lado, CHAO
et al. (1985) registram que a desova da tainha ocorre em abril-maio. BUCKUP &
MALABARBA (1983) já haviam mencionado a ocorrência de M. platanus na região,
contudo com base apenas em informações de pescadores. Sua presença, agora compro-
vada, provavelmente decorre de migrações desde a laguna dos Patos que se comunica com
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 89 - 98, 30 set. 1994
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a lagoa Mirim através do canal de São Gonçalo, atingindo então o arroio Taim e os demais
ambientes. Não se conhece nada acerca do comportamento destes peixes na área,
inclusive sobre seu retorno ao oceano para a desova.
Jenynsia lineata, Phalloceros caudimaculatus e Cnesterodon decemmaculatus
foram frequentes em quase todos os ambientes. A explicação para a ocorrência destas
espécies em grande número nas amostras colhidas decorre do hábito destes peixes
viverem em cardumes, junto às margens e em meio à vegetação, onde foram facilmente
capturados com o puçá. Characidium rachovi também está amplamente distribuída na
região do Taim, tendo ocorrido em 16 estações.
Dentre os Characidae, as espécies mais comuns nos ambientes foram Cheirodon
interruptus, Hyphessobrycon luetkeni, Hyphessobrycon bifasciatus, Astyanax fasciatus
e Oligosarcus jenynsi. Entre os peixes de maior tamanho existentes na área, e por
conseguinte de relativa importância econômica, destaca-se a traíra (Hoplias malabaricus),
encontrada principalmente nas lagoas do Jacaré e Mangueira, no arroio Taim e no canal
oeste. O jundiá (Rhamdia sp.) foi encontrado em 10 estações, sendo de importância na
pesca artesanal, devido ao seu tamanho e abundância. Com relação a esta espécie, dada
a dificuldade de se obter sua determinação correta, por pertencer a um grupo ainda pouco
estudado e com espécies mal definidas, preferiu-se manter a denominação de Rhamdia
sp. embora MALABARBA (1989) cite a espécie do Taim como sendo Rhamdia aff.
quelen (Quoy & Gaimard, 1824).
Algumas das espécies registradas no Taim ocorreram em pequeno número de
exemplares e apresentam uma distribuição bastante restrita. Homodiaetus vazferreirae foi
constatada pela presença de um único indivíduo na lagoa do Nicola e Odontesthes
retropinnis foi registrada apenas na lagoa Mangueira, na Fazenda Santa Marta. Somente
um exemplar de Callichthys callichthys foi capturado no canal leste, o que confirma o
registro de BUCKUP & MALABARBA (1983) como sendo uma espécie rara na região.
Bryconamericus iheringi ocorreu nos canais leste e oeste, porém em pequeno
número. Segundo BUCKUP & MALABARBA (1983) esta espécie é abundante em áreas
adjacentes à EET, ocorrendo em ambientes de fundo arenoso e sem vegetação.
Mimagoniates inequalis foi muito frequente no canal Sarita, embora tenham sido
registrados alguns exemplares no canal leste e no arroio da Estiva. Platanichthys platana
foi uma das espécies mais comuns nos canais da Fazenda Santa Marta, juntamente com
Astyanax fasciatus e Hyphessobrycon bifasciatus.
Astyanax alburnus, Cheirodon interruptus e Cheirodon ibicuhiensis foram as
espécies predominantes na lagoa do Nicola. Segundo MALABARBA (1983) Astyanax
alburnus é encontrada geralmente em margens arenosas de rios e lagoas ou em arroios de
fundo de areia com vegetação esparsa ou ausente.
BUCKUP (1981) associa Microlepidogaster taimensis com o aguapé-de-baraço
(Eichhornia azurea Kunt, Pontederiaceae) que cresce nas margens dos canais e, na
ausência destas, fixa-se em gramíneas ou tipo semelhante de vegetação aquática submersa.
Tal comportamento também foi verificado neste estudo.
| Também constatou-se a preferência de Heptapterus sympterygius por habitats com
a presença de macrófitas aquáticas conforme sugerido por BUCKUP (1988).
Conclui-se, portanto, que na Estação Ecológica do Taim, até o presente, são
conhecidas 56 espécies de peixes.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 89 - 98, 30 set. 1994
Ocorrência e distribuição de Peixes na... 97
Agradecimentos. À Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, pelo apoio financeiro. À Secretaria
Especial de Meio Ambiente - SEMA (atual Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA), pelo apoio logístico. A L. R. Malabarba do Museu de Ciências da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul e M. Benvenutti da Fundação Universidade do Rio Grande pela
identificação taxonômica de algumas espécies. A N. R. Madeira, F.J.M. de F. Lima e €. S. Marros do MCN/
FZB, pelo auxílio nos trabalhos em campo e laboratório. A R.C.Vieira e L. de A. Moura do MCN/FZB pela
leitura crítica e sugestões dadas ao manuscrito. A E.C. Abreu pela arte-final do mapa.
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Recebido em 03.09.1993; aceito em 06.01.1994
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 89 - 98, 30 set. 1994
98 GROSSER, KOCH & DRÜGG-HAHN
CANAL DA ESTIVA
LAGOA MIRIM
LEGENDA
e PONTODE COLETA
-—— RODOVIA
ESTRADA SECUNDÁRIA
—— DELIMITAÇÃO DA ESTAÇÃO
o
MP CASADOIBAMA
ESCALA. |.150.000
Q 2 4 9 Km
FONTE:SEMA-CECO/UFRGS-FZB
A.FINAL: EDUARDO C. ABREU
BANHADO
DO TAIM nee
FAZ. CAÇAPAVA
E Te O) n
” POÇAS
FAZ. SANTA MARTA
LAGOA MANGUEIRA
Fig. 1 - Localização da Estação Ecológica do Taim, Rio Grande do Sul, Brasil, com a indicação dos pontos de
coleta.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 89 - 98, 30 set. 1994
TEMNOCEFALOS NEOTROPICALES: TEMNOCEPHALA KINGSLEYAE
SP.N. Y T. LUTZI MONTICELLI, 1913 (PLATYHELMINTHES,
TEMNOCEPHALIDEA) COMENSALES DE CRUSTACEOS DE BRASIL
Maria Cristina Damborenea!
ABSTRACT
NEOTROPICAL TEMNOCEPHALANS: TEMNOCEPHALA KINGSLEYAE SP. N. AND T. LUTZI
MONTICELLI, 1913 (PLATYHELMINTHES, TEMNOCEPHALIDEA) COMMENSALS ON
CRUSTACEANS FROM BRAZIL. Two species of Temnocephala Blanchard, 1849 are reported from the
external surface of crustaceans from Brazil: Temnocephala lutzi Monticelli, 1913, found on Sylviocarcinus
pictus (H. Milne-Edwards, 1853) (Trichodactylidae), previously known from Trichodactylus petropolitanus
Göldi, 1886 and Temnocephala kingsleyae sp. n., found on the surface of Kingsleya ytupora Magalhães, 1985.
This is the first temnocephalan species found on Pseudothelphusidae from Brazil.
KEYWORDS. Temnocephala, Platyhelminthes, commensal, crustaceans, Brazil.
INTRODUCCIÓN
El género Temnocephala Blanchard, 1849 tiene distribución notogeica y es
ectocomensal de crustáceos de las familias Aeglidae, Trichodactylidae,
Pseudothelphusidae, Parastacidae y Cambaridae, de quelonios Chelidae y Emydidae, de
moluscos de la familia Ampullariidae y de hemípteros Belostomatidae. Son muy
frecuentes en América del Sur y Central. Desde México hasta la Argentina se han descrito
dieciocho especies, de las cuales nueve fueron halladas en territorio brasilefo y
compendiadas por PEREIRA & CUOCOLO (1940; 1941) y PEREZ-GONZALEZ
(1949).
El objetivo de la presente contribución es dar a conocer una nueva entidad del
género y mencionar el hallazgo de Temnocephala lutzi Monticelli, 1913 en Sylviocarcinus
pictus (Milne-Edwards, 1853), de la que se conoce solamente una cita posterior a su
descripción original (PEREIRA & CUOCOLO, 1941). Se ha tenido la oportunidad de
estudiar especímenes provenientes del Estado de Amazonas y del Estado de Amapá,
Brasil.
1. Departamento Científico Zoología Invertebrados, Facultad de Ciencias Naturales y Museo. Paseo del Bosque s/nº, 1900 La Plata, Argentina.
(Investigador del CONICET).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 99 - 105, 30 set. 1994
100 DAMBORENEA
MATERIAL Y METODOS
Se examinaron tres lotes de temnocéfalos, dos fueron hallados sobre la superficie corporal de
Sylviocarcinus pictus (Trichodactylidae); el primero con 84 ejemplares provenientes del Rio Negro, Estado de
Amazonas, Brasil. De ellos 10 fueron tefidos in toto con carmín clorhídrico y 2 refijados en Bouin, embebidos
en parafina, cortados y tefidos con hematoxilina-eosina y con tricrómico de Mallory. El segundo lote
proveniente del Rio Amapá Grande, Estado de Amapá, Brasil, cuenta con 3 especímenes, de los cuales 2 fueron
tefiidos con carmin clorhídrico y montados in toto. El tercer lote procede de Kingsleya ytupora Magalhães, 1985
(Pseudothelphusidae) del Rio Araguari, Estado de Amapá, cuenta con 32 especímenes de los cuales 15 fueron
montados in toto y dos refijados y seccionados. Se siguieron las técnicas sefialadas para el primer lote.
Todos los especímenes fueron muertos junto con sus hospedadores, conservados en alcohol y levemente
comprimidos entre láminas antes de la coloración. Los dibujos fueron realizados con cámara clara. Las medidas
se dan en milímetros y se calculó la media (x) y desvío estándar (DS).
El material estudiado pertenece a la colección Sistemática de Invertebrados del Instituto Nacional de
Pesquisas de Amazonia, Brasil (INPA) y parte fue depositado en la Colección Helmintológica del Museo de
Ciencias Naturales de La Plata, Argentina (MLPA) y en la Coleção Helmintológica, Fundação Instituto
Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil, (FIOC).
Temnocephala lutzi Monticelli, 1913
(Figs. 1-3)
Temnocephala lutzi MONTICELLI, 1913: 7-8, fig. 1; PEREIRA & CUOCOLO, 1941: 117-8, figs. 9-10, 21.
Descripciön. De forma oval aplanada. Longitud total (excluyendo los tentäculos)
entre 1,63 y 2,34 (X=2,05; DS=0,237; n=12) y ancho máximo entre 1,11 y 1,69 (X=1,34;
DS=0,154; n=12). Disco adhesivo (DA, fig. 1) pedunculado, subterminal de 0,31 a 0,50
de diámetro menor (X=0,38; DS=0,062; n=12) y 0,47 a 0,81 de diámetro mayor (X=0,64;
DS=0,088; n=12).
La boca, ventral, en el tercio anterior, conduce a una faringe (F, fig. 1) doliforme
de 0,24 a 0,59 de ancho por 0,26 a 0,61 de largo y ésta a un intestino (I, fig. 1), sacciforme
amplio y septado.
Existen cuatro testículos, el par anterior (TA, fig. 1), de 0,075 a 0,237 de ancho y
0,101 a 0,290 de largo, es lateral y externo al intestino; el par posterior (TP, figs. 1, 3), de
0,094 a 0,316 de ancho por 0,150 a 0,395 de largo, es más central. Cada testículo anterior
está unido al posterior por un corto conducto intertesticular. Canales deferentes (CD, fig.
3) parten de la cara interna de cada testículo posterior. La vesícula seminal (VS, fig. 3)
piriforme fue observada sólo en algunos ejemplares. El bulbo prostático (BP, fig. 3) es de
0,05 a 0,12 de ancho por 0,07 a 0,18 de largo. El estilete peniano (figs. 2; E, fig. 3) es
cilíndrico con extremidad distal curva en ángulo recto, dilatada levemente y con
pequenisimas espinas. Su longitud total es 0,103-0,138 (X=0,124; DS=0,009; n=12); su
base proximal 0,034-0,046 (x=0,038; DS=0,003; n=12) y la distal 0,009-0,019 (X=0,014;
DS=0,003; n=12).
Ovario globoide (O, fig. 3) de 0,48 a 0,11 de diámetro. Útero (U, fig. 3) largo y
musculoso. “Vesícula resorbiens” (VR, fig. 3) de 0,094 a 0,177 de ancho por 0,079a 0,117
de largo. Los folículos vitelinos (GV, fig. 1) se distribuyen dorsal y ventralmente al saco
intestinal.
Discusión. Temnocephala lutzi ha sido hallada unicamente en Brasil asociada a
Trichodactylidae. El material aquí estudiado coincide con la redescripción de PEREIRA
& CUOCOLO (1941). La longitud total considerando los tentáculos es algo menor, varía
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 99 - 105, 30 set. 1994
Temnocefalos neotropicales... 101
entre 1,89 y 2,74 (X=2,39; DS=0,275; n=12) mientras que en el material examinado por
PEREIRA & CUOCOLO (1941) varía entre 2,29 y 2,95 mm. Lo mismo sucede al
considerar la longitud total del estilete peniano que, en el material aquí analizado, varía
entre 0,10 y 0,14 mientras que PEREIRA & CUOCOLO (1941) le otorgan una longitud
de 0,13-0,14 mm.
A la fecha se han hallado seis temnocéfalos comensales de Trichodactylidae
(PEREIRA & CUOCOLO, 1941; DIONI, 1967): Temnocephala lanei Pereira & Cuocolo,
1941; T. lutzi; T. microdactyla Monticelh, 1913; T. pignalberiae Dioni, 1967; T.
santafesina Dioni, 1967; T. travassosfilhoi Pereira & Cuocolo, 1941. Entre ellos T. lutzi
tiene como especie más cercana a T. pignalberiae, hallada sobre Sylviocarcinus pictus y
Dilocarcinus (D.) pagei Stimpson, 1861. Ambas pertenecen al grupo de los temnocéfalos
caracterizado por tener estilete peniano corto (PEREIRA & CUOCOLO, 1941), siendo
eldeT.pignalberiae recto, más corto (X=0,08Imm) (DAMBORENEA, 1992), terminado
en una pequefia dilatación sin espinas. Las espinas distales del estilete peniano de T. lutzi
son evidentes y la pared del bulbo prostático es musculosa, pero sin alcanzar el desarrollo
propio de T. pignalberiae.
Esta es la primera cita para la especie como comensal de Sylviocarcinus pictus
conocida anteriormente sólo para Trichodactylus petropolitanus Göldi, 1886 (PEREIRA
& CUOCOLO, 1941).
Hospedador y localización. Sylviocarcinus pictus, sobre la superficie corporal.
Distribución geográfica. Bairro Pinheiros, São Paulo; Piracicaba ( São Paulo)
(PEREIRA & CUOCOLO, 1941) y Rio Negro ( Amazonas) y Rio Amapá Grande
(Amapá).
Material examinado. Ejemplares provenientes de Sylviocarcinus pictus (Trichodactylidae) colectados
en: BRASIL. Amazonas: Rio Negro, Lago do Prato, Arquipélago das Anavilhanas, 12 ejemplares, 13.1V.92,
Célio Magalhães col., (INPA y MLPA, 2224); Amapá: Rio Amapá Grande, cachoeira Grande, 2 ejemplares,
26.VIII.92, Célio Magalhães col. (INPA y MILPA, 2225).
Temnocephala kingsleyae sp. n.
(Figs. 4-6)
Descripción. Forma oval, aplanada. Extremo anterior con cinco tentáculos
digitiformes. Longitud total (excluyendo los tentáculos) de 1,65 a 1,94(X=1,84; DS=0,086;
n=14). Ancho máximo de 0,97 a 2,15 (X=1,33; DS=0,299; n=14). Disco adhesivo
pedunculado (DA, fig. 4), subterminal, ventral; diámetro menor de 0,20 y 0,33 (X=0,28;
DS=0,036; n=14) y mayor de 0,41 a 0,55 (X=0,49; DS=0,043; n=14).
Boca pequefia, ventral, próxima al extremo anterior. Faringe doliforme (F, fig. 4),
fuertemente muscular, de 0,33 a 0,41 de ancho y 0,25 a 0,36 de largo conduce a un
intestino (I, fig. 4) sacciforme amplio que ocupa la porciön media del cuerpo. Septos
musculares dividen al saco intestinal. La región posterior del intestino muestra una
invaginaciön amplia donde se ubica la “vesícula resorbiens”.
El sistema reproductor es el característico del género con excepción de una
“vesícula intermedia” (VI, fig. 6) ubicada en la unión entre la “vesícula resorbiens” y el
ootipo (VR, OO, fig. 6). Esta vesícula se halló siempre cargada de espermatozoides.
Dos pares de testículos laterales. El anterior (TA, figs. 4,6), lateral al saco digestivo
oval y alargado, de 0,09-0,25 por 0,21-0,34; comunica a través de un corto conducto con
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 99 - 105, 30 set. 1994
102 DAMBORENEA
el par posterior (TP, figs. 4, 6). Este último, por debajo y más próximo a la línea media
que el anterior, es oval, de mayor tamano (0,18-0,27 por 0,26-0,38). Un conducto
deferente (CD, fig. 6) de recorrido ascendente parte de la región media e interna del par
posterior. Los conductos deferentes de cada lado se ensanchan y se unen a la vesícula
seminal (VS, fig. 6). Esta es piriforme, de paredes musculares y desemboca en el bulbo
prostático (BP, fig. 6), oval alargado (0,08-0,14 por 0,02-0,29), de paredes también
musculares.
La vesícula seminal y el bulbo prostático están rodeados por abundante secreción
prostática eosinöfila. Pequenos conductos celulares de las células prostáticas atraviesan
las paredes del bulbo volcando su secreción al interior. Las células productoras de la
secreción son posteriores al complejo genital.
Estilete peniano (fig. 5; E, fig. 6), izquierdo, cónico de 0,12-0,18 de longitud total
(X=0,160; DS=0,018; n=14). Ancho basal de 0,048 a 0,067 (X=0,058; DS=0,005; n=14)
y distal de 0,010 a 0,014 (x=0,012; DS=0,001; n=14). En la región apical se diferencian
dos zonas: proximal de crenulaciones y distal levemente dilatada en ampolla con varias
hileras de espinas (aproximadamente 12). La longitud de la zona que lleva espinas es de
0,022 a 0,026 (X=0,023; DS=0,002; n=14); el ancho proximal de la ampolla de 0,014 a
0,019 (X=0,017; DS=0,001; n=14) y el diámetro mayor de la ampolla de 0,019 a 0,023
(x=0,021; DS=0,001; n=14). El estilete peniano se abre en el atrio genital comün.
Ovario dorsal (O, fig. 6), derecho, posterior al intestino, mide 0,04-0,12 por 0,06-
0,12. Un oviducto corto lo conecta con un pequefio ootipo (OO, fig. 6) que también recoge
un conducto vitelínico común. Una “vesícula resorbiens” (VR, fig. 6) semiesférica de
0,10-0,22 por 0,15-0,29 conecta por su cara inferior y lateral a una “vesícula intermedia”
(VI, fig. 6), semiesferica (0,05-0,11 por 0,06-0,10) cargada de espermatozoides. Entre
ambas vesículas existe una gran diferencia de tamano, la pared de la “vesícula resorbiens”
es sincitial, sin musculatura propia, mientras que la de la “vesícula intermedia” es
muscular, de mayor desarrollo y constitución semejante a la pared del ootipo.
La vesícula intermedia, se une por un estrecho conducto al ootipo. No se observaron
receptáculos seminales como expansiones del ootipo. El útero (U, fig. 6) con un fuerte
esfinter muscular de 0,048 a 0,094 de diámetro, desciende desde el ootipo al atrio genital
* común, triangular, que asciende al poro genital, donde convergen los conductos de las
células secretoras cementantes.
Glándulas vitelinas ramificadas (GV, fig. 4), de gran desarrollo rodean al saco
digestivo. Glándulas tentaculares localizadas a cada lado del intestino.
El sistema excretor y nervioso es semejante a lo descripto como característico del
género.
Diagnosis. T. kingsleyae sp. n. difiere de las otras especies del género por poseer el
siguiente conjunto de caracteres: estilete peniano con pequefia dilatación distal, varias
hileras de espinas y fuertes crenulaciones. Posee además de la “ vesícula resorbiens” otra
“vesícula intermedia” que relaciona a la anterior con el ootipo. Esta es menor y además
sus paredes musculosas difieren de la típica constitución histológica observada en la
“vesícula resorbiens”. T. kingsleyae es más semejante a T. iheringi Haswell, 1893 y a T.
rochensis Ponce de León, 1979, ambas comensales de Pomacea canaliculata (Lamark,
1822). T. kingsleyae tiene estilete peniano semejante al de T. rochensis aunque más corto
y recto, con la zona portadora de espinas más desarrollada y espinas más cortas.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 99 - 105, 30 set. 1994
Temnocefalos neotropicales... 103
Discusión. Hasta la fecha se han registrado tres especies de temnocéfalos comensales
de Pseudothelphusidae: T. brevicornis Monticelli, 1889 (CABALLERO & CERECERO,
1951) (más frecuente en quelonios); T. mexicana Vayssiere, 1898 (LAMOTHE-
ARGUMEDO, 1968) (también encontrada sobre Procambarus digueti (Bouvier, 1897)
Cambaridae, Crustacea) y T. costarricensis Lamothe-Argumedo, 1974 (LAMOTHE-
ARGUMEDO, 1974).
Temnocephala rochensis posee “vesícula resorbiens” doble (PONCE-DE-LEON,
1979): una pequenia ventral, en comunicación con el oviducto a través del receptáculo
seminal y con una “vesícula accesoria” de mayores dimensiones. La histología de ambas
vesículas es idéntica (PONCE-DE-LEON, 1979). En T. kingsleyae se observan dos
vesículas, aunque no se trata de una “vesícula resorbiens” doble. No se visualizaron
receptáculos seminales. La “vesícula intermedia” podría cumprir la función de éstos
últimos.
Hospedador y localizaciön. Kingsleya ytupora Magalhães, 1985, sobre la superficie
corporal.
Distribución geográfica. Rio Araguarí, Amapá, Brasil.
Material examinado. Ejemplares provenientes de K. ytupora (Pseudothelphusidae) colectado en:
BRASIL. Amapá: Rio Araguari, pedra do Marcírio, aproximadamente a 4 hs montante de Porto Grande, 17
ejemplares, 22.VIII.92, Célio Magalhães col. (INPA, PLATY-210 (holotipo), PLATY-211 (7 paratipos);
MLPA, 2226 (6 paratipos) y FIOC (2 paratipos).
Agradecimientos. A los Doctores Célio Magalhães y Georgina Bond por enviarme el material para el
estudio, y a la Dra. C. Sutton por la lectura crítica del manuscrito y sus acertados consejos.
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Recebido em 10.09.1993; aceito em 08.12.1993
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 99 - 105, 30 set. 1994
104 DAMBORENEA
0,5 mm
0,05 mm
\N
AN
AN
N pt IN
Figs. 1-3. Temnocephala lutzi Monticelli, 1913. 1, aspecto general en vista dorsal; 2, estilete peniano; 3, detalle
del sistema genital. (BP, bulbo prostático; CD, conducto deferente; DA, disco adhesivo; E, estilete peniano; F,
faringe: GV, glándulas vitelinas; I, intestino; O, ovario; OO, ootipo; P, poro genital; TA, testículo anterior; TP,
testículo posterior; U, útero; VR, “vesícula resorbiens”; VS, vesícula seminal).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 99 - 105, 30 set. 1994
Temnocefalos neotropicales... 105
u
0,5mm 0,05mm
Figs. 4-6. Temnocephala kingsleyae sp. n. 4, aspecto general en vista dorsal; 5, estilete peniano; 6, detalle del
sistema genital. (BP, bulbo prostático; CD, conducto deferente; DA, disco adhesivo; DV, ducto vitelino; E,
estilete peniano: F, faringe; GV, glándulas vitelinas; I, intestino; O, ovario; OO, ootipo; P, poro genital; TA,
testículo anterior; TP, testículo posterior; U, útero; VI, “vesícula intermedia”; VR, “vesícula resorbien”; VS,
vesícula seminal).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 99 - 105, 30 set. 1994
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A NEW SUPRAGENERIC CLASSIFICATION OF THE SCATOPSIDAE
(DIPTERA: PSYCHODOMORPHA)!
Dalton de Souza Amorim?
ABSTRACT
The suprageneric classification of the Scatopsidae is revisited. A new classification for the group is
proposed, based on the phylogenetic relationships between the genera of the family. All four recognized
subfamilies are maintained. Anapausini trib.n. is proposed for Anapausis Enderlein, 1912 in the Psectrosciarinae.
The tribe Colobostematini trib. n. is proposed for the genera Ferneiella Cook, 1985, Cookella Freeman, 1985,
Holoplagia Enderlein, 1912, Borneoscatopse Freeman, 1985, Lumpuria Edwards, 1928, and Colobostema
Enderlein, 1926, up to now placed in the Scatopsini. The concept of Scatopsini is restricted to the genera
Scatopse Geoffroy, 1762, Apiloscatopse Cook, 1974, Reichertella Enderlein, 1912, and Pharsoreichertella
Cook, 1974. Generic rank is proposed to Pharsoreichertella Cook, originally considered a subgenus of
Reichertella. In the Rhegmoclematini, Diamphidicina subtrib.nov. is erected for Diamphidicus Cook, 1972;
Parascatopsina subtrib.n. is erected for Parascatopse Cook, 1955, Rhegmoclemina Enderlein, 1936, Austroclemina
Cook, 1972, stat.n., and Neorhegmoclemina Cook, 1955, stat.n. These last two genera were included up to now
as subgenera of Rhegmoclemina. The subtribe Rhegmoclematina is restricted to Rhegmoclema Enderlein,
1912, Aldrovandiella Enderlein, 1912, and Parmaferia Cook, 1976. Aldrovandiella is revalidated. The
phylogenetic relationships among the subfamilies, tribes, subtribes and genera in the classification are indicated
through a sequenciation system. The systematics of the genus Rhexoza Enderlein, 1936 still presents a number
of problems affecting the whole tribe Swammerdamellini. Diagnoses are proposed for the new taxa.
KEYWORDS. Diptera, Psychodomorpha, Scatopsidae, systematics, classification.
INTRODUCTION
The Scatopsidae had the family category proposed by NEWMAN (1834), as
“Scatopsites”. The genera now maintained in Synneuridae (= Canthyloscelidae;
=Corynoscelidae; =Hyperoscelidae; Hyperoscelididae) were placed in Scatopsidae until
ENDERLEIN (1936) propose their inclusion in the subfamilies Synneurinae and
Corynoscelinae of his family Corynoscelidae, earlier (ENDERLEIN, 1912) considered a
subfamily of Scatopsidae, Corynoscelinae. At the end of the 40's, the classification of the
Scatopsidae included the subfamilies Aspistinae, erected by RONDANI (1840) for
Aspistes, and Scatopsinae itself.
More recently, Prof. Edwin F. Cook published a long list of papers revising the
systematics of the family, describing species of all biogeographical regions, revising
types and studying in considerable detail the morphology of the male and female
terminalia of the group. COOK (1963) proposed a suprageneric classification for the
1. Partially produced under FAPESP grant 93/0954-9
2. Depto. de Biologia, FFCLRP, Universidade de São Paulo, Av. Bandeirantes 3900, 14040-901 Ribeirão Preto, SP, Brasil. Researcher of the CNPq.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 107 - 112, 30 set. 1994
108 AMORIM
group based on his previous studies of the family. He maintained the family-rank for
“Hyperoscelidae” (COOK, 1963) and accepted Rondani's subfamily Aspistinae, adding
to the Scatopsidae the subfamilies Psectrosciarinae and Ectaetiinae. In the subfamily
Scatopsinae, COOK (1963) proposed the tribes Rhegmoclematini and Swammerdamellini.
His classification for the family was maintained since then, except for minor changes on
the placement of some genera (see COOK, 1981).
COOK (1963) based his classification on an extensive morphological knowledge
of the group, but there was no hypothesis for the phylogenetic relationships among the
genera of the Scatopsidae. In my Master's unpublished thesis (AMORIM, 1982b) I made
a phylogenetic analysis of the Scatopsidae of the world, which resulted in a cladogram for
the genera of the family based on 412 characters of head, thorax, wing, legs, abdomen, and
male terminalia. The need of the new names on papers including systematic problems in
the family (Sabrosky, in litt.; Haenni & Vaillant, in litt.) encouraged me to publish the
classification in a paper apart, before the whole revison of the group, with about 200
figures of the adult morphology, in addition to an analysis of the female terminalia, is
ready to be published.
A new suprageneric, phylogenetic classification for the Scatopsidae has been
proposed, which differs from that of COOK (1963) on some aspects. A new tribe is
proposed for the Scatopsinae, with the restriction of the concept of the Scatopsini, and
subtribes are added for the Rhegmoclematini. In the Psectrosciarinae, the genera are
placed in separate tribes, one of them erected herein. The knowledge about the phylogenetic
interrelationships among the subfamilies, tribes and genera, not present in the earlier
classifications, is expressed in the classification below. Generic status is proposed to
Pharsoreichertella, established by COOK (1974) as a subgenus of Reichertella.
The systematics of the Swammerdamellini presents a number of difficulties,
especially concerning the large genus Rhexoza. COOK (1975, 1978) partially solved this
problem stating that Coboldia actually belongs to the Swammerdamellini (COOK, 1975)
and creating new genera - Quateiella and Akorhexoza - for species that were earlier placed
in Rhexoza. The genera Pararhexosa and Abrhexosa were proposed by FREEMAN
(1985) for species previously assigned to Rhexoza. In fact, even after the erection of these
new genera, the species included in Rhexoza compose a non-monophyletic assemblage
inside the Swammerdamellini. A complete resolution of the systematics of the
Swammerdamellini can be solved only with the erection of new genera in the tribe, the
redefinition of some genera and the reassessment of the species. The genus Rhexoza 1s
indicated as a merophyletic arrangement (“Rhexoza”) and for the time being the
relationships among the genera in the Swammerdamellini is not proposed. The genus
Aldrovandiella Enderlein, considered a junior synonym of Rhegmoclema Enderlein by
COOK (1955), is herein revalidated.
Phylogenetic classification of the Scatopsidae
The following plylogenetic classification uses the sequencing convention of
NELSON (1972), the incertae sedis convention of WILEY (1979) for taxa of doubtful
position in the phylogeny, the square bracket convention of CHRISTOFFERSEN (1988)
for redundant nominal taxa, and the group+ artifact of AMORIM (1982a) proposed for
unnamed inclusive taxa in sequenced classifications. The definition of the new taxa
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 107 - 112, 30 set. 1994
A new suprageneric classification of Scatopsidae...
proposed is given below.
Scatopsidae Newman, 1834
Aspistinae Rondani, 1840
Aspistes Meigen, 1818
Arthria Kirby, 1837
Ectaetiinae Enderlein, 1936
Ectaetia Enderlein, 1912
Psectrosciarinae Cook, 1963
Anapausini, trib. n. [Anapausis Enderlein, 1912]
Psectrosciarini Cook, 1963 [Psectrosciara Kieffer, 1911]
Scatopsinae Newman, 1834
Rhegmoclematini Cook, 1955
Diamphidicina, subtrib.n. [Diamphidicus Cook, 1971]
Rhegmoclematina Cook, 1955
Parmaferia Cook, 1976
Aldrovandiella Enderlein, 1912, revalid.
Rhegmoclema Enderlein, 1912
Parascatopsina, subtrib. n.
Parascatopse Cook, 1955
Rhegmoclemina Enderlein, 1936
Austroclemina Cook, 1971, stat. n.
Neorhegmoclemina Cook, 1955, stat. n.
Scatopsini Newman, 1834
Scatopsini, incertae sedis, Scatopse brevipalpis Cook, 1956
Scatopse Geoffroy, 1762
Apiloscatopse Cook, 1974
Reichertella Enderlein, 1912
Pharsoreichertella Cook, 1974, stat. n.
Colobostematini, trib.n.
Ferneiella Cook in Freeman, 1985
Holoplagia Enderlein, 1912
Cookella Freeman, 1985
Borneoscatopse Freeman, 1990
Colobostema Enderlein, 1926
Lumpuria Edwards, 1928
Swammerdamellini Cook, 1972
Pararhexosa Freeman, 1990, sedis mutabilis
Swammerdamella Enderlein, 1912, sedis mutabilis
Coboldia Melander, 1916, sedis mutabilis
“Rhexoza” Enderlein, 1936, sedis mutabilis
Hawomersleya Cook, 1971, sedis mutabilis
Akorhexoza Cook, 1978, sedis mutabilis
Quateiella Cook, 1975, sedis mutabilis
Abrhexosa Freeman, 1990, sedis mutabilis
109
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 107 - 112, 30 set. 1994
110 AMORIM
Psectrosciarinae Cook, 1963
Anapausini, trib.n.
The genus Anapausis is the only member of the tribe at this time. This is a rather
large genus, including species with different morphology that could eventually be divided
into formal groups. Differently from the Psectrosciarini, the dorsal half of the epimeron
Lis short. The male sternite 6 in the ground-plan of the genus has a deep incision almost
dividing the sclerite into a pair of plates, a rather odd shape for sternite 6. The females
present two rather striking features on the terminalia: the spiracles of 8 (lost in many
members of the family) are near each other mesally on the tergite and the sternum 9
produces internally a pair of rounded, distinctive lobes. The male terminalia presents a
number of very striking modifications. The tergum 8 is distinctly developed and
sclerotized, fused to the tergite 9 and projected latero-posteriorly to the anus and the
aedeagus has in virtually all species a “pseudopenis” projecting ventrally.
Scatopsinae Newman, 1834
Rhegmoclematini Cook, 1955
Diamphidicina, subtrib.n.
This subtribe includes a single genus, Diamphidicina, with two known species, D.
australis Cook, 1971 and D. chilensis Amorim, 1989. The genus is very different from
the remaining Rhegmoclematini species. The diagnostic features of the tribe are the
presence of a short, typically shaped fork of M, the presence of a yellowish scutellum,
setulae irregularly arranged on flagellomeres, no setae on posterior wing veins nor on
wing membrane, and the absence of setae on the posterior half of the epimeron II. In D.
australis, the females have the anal opening displaced anteriorly to the mid of the sintergal
8+9 plate and the cercus-like plates of tergum 10 fused to the sintergal 8+9 plate. The
gonocoxites are ventrally fused to the sternum 9, which is well produced in both known
species. |
Parascatopsina, subtrib.n.
Generic rank is herein given to Neorhegmoclemina and Austroclemina, included by
COOK (1971) as subgenera ofRhegmoclemina. These three genera sum with Parascatopse
to compose this new subtribe. The species of the group are usually smaller than those of
Rhegmoclematina, particularly those of Parascatopse, which are minute. The diagnosis
of the subtribe includes the following features: no setae on posterior wing membrane nor
on veins M, M, M, M,., and CuA , extensive coverture of microtrichia on pleural
thoracic sclerites, a group of setae on the post-pronotal area, the second and third coxae
present vertical incision on its dorsal margin due to a weaker sclerotization. In the
Rhegmoclematina are kept the genera Rhegmoclema, Aldrovandiella, and Parmaferia.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 107 - 112, 30 set. 1994
A new suprageneric classification of Scatopsidae... A
Colobostematini, trib. n.
The genera in this tribe were previously included in the Scatopsini (see COOK,
1974). It includes the genera Ferneiella, Holoplagia, Colobostema, as well as Lumpuria
Edwards (= Villoscatopse Cook), and the genera proposed by FREEMAN (1985, 1990),
Cookella and Borneoscatopse. These groups are rather poorly represented in the Neotropical
region and Ihave not been able to examine specimens of Lumpuria and of Borneoscatopse.
The diagnosis proposed here may be subject to revision. Particularly, the position of
Borneoscatopse must be considered provisional. Most species have the thorax rather
short, about as long as wide and show the wing rather densely microtrichiose. The
antepronotum and the scutum are rather densely covered with microtrichia in all genera
except Ferneiella.
Acknowledgments. I am deeply indebted to Dr. Curtis Sabrosky, who made important corrections on
the text, especially on dates and correct spellings of the latinized forms of the new names. Jean-Paul Haenni made
some useful comments on this manuscript and on that on the phylogeny of the Scatopsidae that influenced this
paper.
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MORFOLOGIA DE GUNDLACHIA OBLIQUA (BRODERIP & SOWERBY,
1832) (MOLLUSCA, GASTROPODA, ANCYLIDAE)!
Fernanda Pires Ohlweiler ?
Rosane Maria Lanzer >
ABSTRACT
MORPHOLOGY OF GUNDLACHIA OBLIQUA (BRODERIP & SOWERBY, 1832) (MOLLUSCA,
GASTROPODA, ANCYLIDAE). A study on the morphology of Gundlachia obliqua (Broderip & Sowerby,
1832) from specimens collected in Quaraí, State of Rio Grande do Sul, Brazil and in Chile is presented. A
histological study of the reproductive system is reported. The anterior adductor muscles, the seminal vesicle and
the copulatory organ are considered diagnostic of G. obliqua.
KEYWORDS. Morphology, Gundlachia obliqua, Ancylidae, Gastropoda.
INTRODUÇÃO
Na América do Sul os Ancylidae estão representados pelos gêneros Gundlachia
Pfeiffer, 1849, Ferrissia Walker, 1903, Laevapex Walker, 1903 e Burnupia Walker, 1912
(PILSBRY, 1924; KLEEREKOPER, 1955; HUBENDICK, 1964, 1967; LANZER,
1989, 1991; SANTOS, 1989)
Os característicos apontados por HUBENDICK (1964) para diferenciar o gênero
Gundlachia dos demais gêneros da família Ancylidae são as pseudobrânquias, o sistema
reno-pericardial e o órgão copulador com longo flagelo glandular, destituído de pênis e
ultra-pênis.
Os gêneros Poeyia Bourguignat, 1852, Hebetancylus Pilsbry, 1913, Uncancylus
Pilsbry, 1913, e Anisancylus Pilsbry, 1924 são considerados, por HUBENDICK (1964),
sinônimos de Gundlachia.
Gundlachia obliqua (Broderip & Sowerby, 1832) tem como localidade-tipo rios do
1. Parte da dissertação de Mestrado, do autor sênior em Zoologia, Pós-graduação em Biociências, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.
2. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotância do Rio Grande do Sul, C.P. 1188,90001-970, Porto Alegre, RS, Brasil. Bolsista da FAPERGS
(Proc. nº 93/60123-9).
3. Institut für Gewasserokologie Und Plannung, Keltenweg 39, 66125, Saarbrucken, Alemanha.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 113 - 127, 30 set. 1994
114 OHLWEILER & LANZER
Chile. A diagnose, fornecida por BRODERIP & SOWERBY (1832), consta apenas de
uma precária descrição da concha. ORBIGNY (1835), CLESSIN (1882), BIESE (1948),
FIGUEIRAS (1964), FERNANDEZ (1981) e LANZER (1989) caracterizam G. obliqua
com relação à morfologia da concha. Além da descrição da concha, ORBIGNY (1837),
GAY (1844) e HUBENDICK (1967) apresentam apenas algumas características da
morfologia externa do animal.
O presente trabalho objetiva um estudo da morfologia externa e interna das partes
moles de G. obliqua, especialmente do sistema reprodutor, através de cortes histológicos,
a fim de ampliar seus caracteres diagnósticos.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram examinados 512 espécimens de G. obliqua, incluídos na coleção malacolögica do Museu de
Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN) procedentes de: BRASIL. Rio Grande
do Sul: Quaraí. (Arroio do Chapéu, Coxilha São Rafael, Cerro do Chapéu, Estância São Roberto) 29-30. VI.90
(MCN 32869); 24-27.V.91 (MCN 32873); CHILE. Concepción: rio Itata, 20.XI.90 (MCN 32870); Quilhota:
Estero San Pedro, 20.X1.90 (MCN 32871); Estero San Isidro, 20.XI.90 (MCN 32874); Santiago: rio Clarillo,
23.11.91 (MCN 32872).
Os espécimens foram anestesiados com Thinembutal e fixados em formol 10%. No estudo do sistema
excretor e parte do sistema circulatório, clarificou-se o manto, passando sobre o mesmo uma mecha de algodão
embebido em hipoclorito de sódio diluído em água destilada (1:1). Os corantes utilizados foram o azul de |
metileno para o sistema nervoso e a alizarina vermelha para os demais sistemas. Foram realizados cortes
histológicos longitudinais e transversais do sistema reprodutor, de 10 um de espessura, em micrötomo Reichert-
Jung modelo 1130-biocut e corados com hematoxilina de Harris e eosina.
Os desenhos foram efetuados sob estereomicroscópio Wild M5, equipado com câmara lúcida. Os cortes
histológicos foram analisados ao microscópio Wild Leitz. As fotomicrografias foram obtidas ao microscópio
Zeiss-Axioplan.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Morfologia externa. O corpo acompanha o formato da concha. Encontra-se recoberto
pelo manto, exceto parte dos tentáculos, cabeça e pé. Pigmentação do manto homogênea,
do marrom ao preto (fig. 1), assemelha-se à de G. crequi (Bavay, 1904) referida por
LANZER (1990). Este padrão de pigmentação difere daquele de G. moricandi (Orbigny,
1837), G. concentrica (Orbigny, 1835), G. radiata (Guilding, 1828) e G. ticaga (Marcus
& Marcus, 1962) (MARCUS & MARCUS, 1962; HUBENDICK, 1964, 1967;
HARRISON, 1983; LANZER & VEITENHEIMER-MENDES, 1985; LANZER, 1989).
Há uma banda livre de pigmentos em torno da borda do manto de G. obliqua (fig. 1),
denominada de moldura por ORBIGNY (1837) e GAY (1844). Esta banda é também
mencionada para G. concentricae G. crequi (LANZER & VEITENHEIMER-MENDES,
1985; LANZER, 1990). A face dorsal do pé e da cabeça e os dois tentáculos apresentam
uma pigmentação constituída de pequenos pontos escuros (figs. 1,2). As áreas dos
músculos adutores da concha-anterior esquerdo, anterior direito e o posterior esquerdo-
são observadas na superfície dorsal do manto, podendo apresentar ou não pontuações
escuras (figs. 1,5). Os dois músculos anteriores apresentam as áreas musculares alongadas,
distingüindo-se das de G. moricandi (HUBENDICK, 1964; LANZER, 1989) e de G.
ticaga (MARCUS & MARCUS, 1962: 253, fig. 19), que são arredondadas. O músculo
posterior esquerdo possui a área muscular com forma alongada ou arredondada. Em G.
obliqua, frequentemente, existe um epitélio adesivo triangular entre os músculos adutores
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 113 - 127, 30 set. 1994
Morfologia de Gundlachia obliqua... 115
anteriores (figs. 1,5). Este epitélio é constatado também em G. crequi, Ferrissia gentilis
Lanzer, 1991 e em algumas espécies de Burnupia e Laevapex (BURCH, 1962, LANZER,
1990, 1991). A cabeça contém a boca ventralmente. Os dois tentáculos, localizados um
a cada lado da região ântero-dorsal da cabeça, são longos, cilíndricos e com a extremidade
arredondada (figs. 1,2). Na base de cada tentáculo há um pequeno olho séssil (figs. 1,2).
Na base dorsal dos tentáculos observa-se uma pequena protuberância denominada lóbulo
tentacular (fig. 2). O pé (fig. 2) situa-se ventralmente à massa visceral. A parte anterior
do pé é larga estreitando-se em direção à extremidade posterior. No lado esquerdo do
corpo, há cinco aberturas: palial, anal, excretora, feminina e masculina. Na cavidade palial
encontram-se as duas pseudobrânquias, o poro excretor e a papila anal. O poro genital
feminino (fig. 2) situa-se sob a extremidade anterior das pseudobrânquias. O poro genital
masculino (fig. 2) localiza-se junto à base do tentáculo esquerdo, próximo ao lóbulo
tentacular. O osfrádio (fig. 2), uma pequena depressão esférica, situa-se na face ventral
do manto, próximo ao músculo adutor anterior esquerdo e à região distal do rim.
Sistema digestivo. Boca ântero-ventral, em forma de fenda vertical, delimitada
anteriormente pela mandíbula, e lateralmente, por um “lábio”; segue a cavidade bucal, que
contém a rádula e a mandíbula. Glândulas salivares (fig. 3) longas, prendem-se à região
dorsal do bulbo bucal, uma de cada lado do esôfago, não passando pelo interior do anel
nervoso central; fusionadas na extremidade posterior, assemelham-se às de G. concentrica,
G. crequi, G. radiata e G. ticaga, bem como às de Laevapex fuscus (Adams, 1841) e de
algumas espécies de Ferrissia (BASCH, 1959; MARCUS & MARCUS, 1962;
JUBENDICK, 1955, 1964; HARRY & HUBENDICK, 1964; BROWN, 1967; LANZER,
1991). Diferem de F. tarda (Say, 1830) que não possui as glândulas salivares fusionadas
(HOFF, 1940). O saco radular (fig. 3) situa-se na região posterior do bulbo bucal. N
cavidade bucal continua o esôfago, que atravessa o anel nervoso, constituindo-se de um
tubo delgado, com uma dilatação na região posterior denominada papo, do qual segue o
estômago, muscular e de coloração rosada, que é dividido nas regiões anterior e posterior
(figs. 3,4). Entre estas regiões há uma área de tecido muscular bem desenvolvida, que
constitui a moela (figs. 3,4). O estômago contém em seu interior pequenos grãos de areia.
Glândula digestiva (fig. 4) volumosa, envolve a alça intestinal, formada por vários ácinos.
Ocupa grande parte da massa visceral e está distribuída no lado direito do corpo, no sentido
ântero-posterior. O ceco, pequeno divertículo do vestíbulo da glândula digestiva, e o
ducto da glândula digestiva podem desembocar tanto na extremidade posterior do
estômago como entre a região posterior e a moela (fig. 4). G. obliqua apresenta um ducto
da glândula digestiva e um ceco, assim como G. concentrica, G. moricandi, G. radiata,
G. ticaga, B. ingae Lanzer, 1991 e algumas espécies de Laevapex e Ferrissia (HOFF,
1940; BASCH, 1959; MARCUS & MARCUS, 1962; HARRY & HUBENDICK, 1964,
HUBENDICK, 1964; BROWN, 1967; SANTOS, 1989; LANZER, 1991). Difere de F.
gentilis que possui dois ductos da glândula digestiva (LANZER, 1991). Intestino em
forma de longo tubo, forma uma alça em torno da região posterior do estômago e moela
(fig. 3). O reto acompanha a base das pseudobrânquias, abrindo-se através da papila anal,
na extremidade anterior da pseudobrânquia dorsal (figs. 2,3).
Sistema Muscular. Constituído, principalmente, pelos três músculos adutores da
concha: dois anteriores, esquerdo e direito, e um posterior esquerdo (figs. 1,5). O músculo
anterior esquerdo estende-se transversalmente na região anterior do corpo, e o músculo
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 113 - 127, 30 set. 1994
116 OHLWEILER & LANZER
anterior direito alonga-se, normalmente, até a região látero-mediana do corpo. Difere de
G. concentrica e G. crequi, nas quais o músculo anterior direito estende-se transversal-
mente apenas na região anterior do corpo (LANZER & VEITENHEIMER-MENDES,
1985; LANZER, 1990). Em G. radiata o músculo anterior direito apresenta a forma de
um “V” invertido (HARRISON, 1983). O músculo posterior esquerdo, cuja área muscular
pode ser alongada ou arredondada, não mostra diferença em relação as outras espécies
conhecidas de Gundlachia. Os músculos adutores são formados por fibras musculares
paralelas, que correm no sentido longitudinal, do teto do manto à face interna do pé (fig.
5). Da base dos músculos anteriores partem dois feixes de fibras musculares que se ligam
à região ântero-ventral do bulbo bucal. Pé formado por massa muscular, separada da
cabeça por um sulco transversal. O órgão copulador apresenta os músculos protrator e
retrator (fig. 14).
Sistema Excretor. Rim em serpentina, no lado esquerdo do corpo, na face ventral
do manto, entre o músculo anterior e o posterior (fig. 6); região proximal (figs. 6,7)
dilatada e ligada à cavidade pericárdica através do poro reno-pericardial; região distal
(fig. 6) delgada, abre-se posteriormente à região proximal através do poro excretor, junto
à face ventral do manto; curvado em sua base, o que dá ao órgão um aspecto subtriangular.
O sistema excretor de G. obliqua difere daquele apresentado por F. burnupi (Walker,
1912), F. gentilis e F. tarda, nas quais a base do rim é reta (HOFF, 1940: 228, fig. 3;
BROWN, 1967: 160, Fig. 8; LANZER, 1991: 708, fig.6).
Sistema Circulatório. O coração (fig. 7) ocupa posição dorsal, na cavidade pericárdica
logo atrás do músculo anterior esquerdo. A cavidade pericárdica liga-se à porção anterior
da região proximal do rim através do poro reno-pericardial (fig. 7). A aurícula localiza-
se abaixo do ventrículo, comunicando-se com este através da válvula aurículo-ventricular
(figs. 7,8). Posteriormente, o ventrículo continua por uma pequena aorta (fig. 8), que passa
sobre a região da alça intestinal. A aorta divide-se em uma artéria cefálica e uma artéria
visceral. A artéria cefálica (fig. 8) passa entre o estômago e a alça intestinal, sofrendo duas
ramificações, que seguem em direção à região anterior do animal. A artéria visceral (fig.
8) passa sobre o estômago e divide-se em dois ramos, um seguindo para o lado direito e
o outro em direção à região posterior do animal. A Membrana de André é uma extensão
da região posterior da cavidade pericárdica e do assoalho da cavidade palial, fixando-se
na base do músculo anterior direito. Trata-se de uma estrutura estreita, delgada e
localizada transversalmente na região anterior da cavidade do corpo, passando sobre os
órgãos do sistema reprodutor. Esta membrana está presente também em G. radiata, G.
ticaga, L. fuscus, F. burnupi e F. tarda (HOFF, 1940; BASCH, 1959; MARCUS &
MARCUS, 1962; HARRY & HUBENDICK, 1964; BROWN, 1967). No sistema
circulatório não são encontradas diferenças entre as espécies da família, das quais se
conhece a morfologia interna.
Sistema nervoso. Concentra-se na região-posterior do bulbo bucal, sendo formado
por nove gânglios (fig. 9): dois bucais (gb), dois cerebrais (gc), dois parietais (gpd, gpe),
dois pediosos (gp) e um visceral (gv). Os gânglios cerebrais, pediosos e o parietal
esquerdo formam um anel ao redor do esôfago. Gânglios bucais (fig. 9, gb), triangulares,
localizados na região dorsal do bulbo bucal, um de cada lado do esôfago, unidos entre si
por longa e delgada comissura, que passa por baixo do esôfago. Na comissura bucal (cb),
próximo a cada gânglio bucal, observa-se um pequeno nervo (ner), que se liga à região
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 113 - 127, 30 set. 1994
Morfologia de Gundlachia obliqua... 117
dorsal do bulbo bucal, o qual é constatado também em L. fuscus por BASCH (1959).
Anteriormente a cada gânglio bucal, parte o nervo salivar (ns), que se liga à face ventral
de cada glândula salivar. Internamente ao nervo salivar encontra-se o nervo esofagial (ne)
que se une lateralmente ao esôfago. Daregiäo látero-posterior de cada gänglio bucal, parte
o nervo buco-lateral (nbl) e o conectivo buco-cerebral (cbc). Os nervos buco-laterais
seguem em direção anterior, até a região oral. Os conectivos buco-cerebrais, longos e
delgados, ligam os gânglios bucais aos gânglios cerebrais. Os gânglios cerebrais (fig. 9,
gc), localizados próximos à região posterior do bulbo bucal e dispostos um a cada lado do
esôfago, estão interligados por uma espessa comissura, que passa sobre o esôfago. Na
região dorso-lateral dos gânglios cerebrais, observa-se o nervo tentacular (nt), que inerva
os tentáculos e o nervo óptico (no), que atua sobre os olhos. Estes dois nervos apresentam
uma base comum junto ao gânglio cerebral, separando-se logo em seguida. Na face
ventro-lateral dos gânglios cerebrais, observa-se uma dilatação, da qual partem os nervos
cefálico externo (nce) e cefálico interno (nci). Estes nervos terminam na região frontal
do bulbo bucal. Os gânglios cerebrais ligam-se aos gânglios pediosos e aos parietais
através de quatro curtos conectivos (co). Há dois longos e delgados conectivos (cbc) que
conectam os gânglios cerebrais aos bucais. Os gânglios pós-tentaculares, presentes em G.
ticaga, não foram observados em G. obliqua. O gânglio visceral (fig. 9, gv), localizado
a esquerda do esôfago, entre os gânglios parietais esquerdo e direito, é ímpar, ovalado,
podendo ser um pouco alongado; da região lateral esquerda parte o nervo ventro-palial
(nvp), que passa pela base do músculo anterior esquerdo, seguindo a parede lateral
esquerda do manto em direção à região posterior, e o nervo genital (ng), que se liga ao
sistema reprodutor, próximo à vagina. O gänglio visceral une-se aos parietais através de
dois conectivos. Conectivo (co) que liga o gânglio visceral ao gânglio parietal direito
apresenta-se espesso, passando sob o esôfago. Gânglio parietal esquerdo (fig. 9, gpe),
arredondado, localiza-se à esquerda do esôfago, entre o gânglio cerebral esquerdo e o
gânglio visceral; da região lateral parte o nervo palial esquerdo (np), que se insere na
região do músculo anterior esquerdo. O gânglio parietal esquerdo une-se aos gânglios
cerebral esquerdo, pedioso esquerdo e visceral, através de três curtos conectivos (co).
Gânglio parietal direito (fig. 9, gpd), alongado, localiza-se no lado direito do esôfago,
entre o gânglio cerebral direito e o visceral; da região lateral parte o nervo palial anterior
direito (npa), que inerva o músculo anterior direito, e o nervo palial posterior direito (npd),
que passa próximo à base do músculo anterior direito, em direção posterior do corpo. O
gânglio parietal direito une-se aos gânglios visceral, cerebral direito e pedioso direito,
através de três conectivos (co). Os dois gânglios pleurais e o visceral acessório, citados
por MARCUS & MARCUS (1962) para G. ticaga não são encontrados em G. obliqua.
O gânglio visceral desta última espécie corresponde ao gânglio abdominal de G. ticaga.
Em G. crequi, segundo HUBENDICK (1955), há dois gânglios pleurais, sendo o esquerdo
dividido por um sulco, que indica uma possível fusão deste com o gânglio visceral
esquerdo. Em G. obliqua ao invés dos gânglios pleurais, observa-se a presença do gânglio
parietal esquerdo e do gânglio visceral. Os gânglios pediosos (fig. 9, gp), localizados sob
o esôfago, estão unidos por uma curta comissura. Entre os gânglios pediosos existe um
espesso e curto nervo que se liga à porção posterior do bulbo bucal. Os estatocistos (e)
encontram-se na superfície ântero-ventral dos gânglios pediosos, diferindo de F. tarda,
L. fuscus e G. ticaga que apresentam os mesmos localizados na face dorsal dos gânglios
pedioso (HOFF, 1940; BASCH, 1959; MARCUS & MARCUS, 1962). BROWN (1967)
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118 OHLWEILER & LANZER
observa os estatocistos de F. burnupi na superfície lätero-mediana dos gânglios pediosos.
Em G.obligua, próximo a cada estatocisto, observa-se o nervo pedioso superior (nps), que
inerva o pé na região anterior. Da região lateral de cada gânglio pedioso saem os nervos
pedioso anterior (na) e pedioso posterior externo (npe), que se direcionam para a base dos
músculos anteriores. Na região póstero-mediana dos gânglios pediosos, encontra-se o
nervo pedioso posterior interno (npi), que se dirige para a região posterior do pé. Os
gânglios pediosos ligam-se aos parietais e cerebrais através de quatro curtos concectivos
(co).
Sistema respiratório. Cavidade palial reduzida, triangular, localizada no lado
esquerdo, entre o manto e a parede do corpo, estendendo-se entre os músculos anterior e
posterior; segue para a direita, a partir da borda do manto, indo em direção ao interior do
corpo, fazendo limite com o pericárdio. G. obligua possui duas pseudobrânquias, uma
dorsal e outra ventral (fig. 2), o que é comum a G. ticaga, G. radiata, G. moricandi e G.
concentrica (MARCUS & MARCUS, 1962, HARRY & HUBENDICK, 1964;
HUBENDICK, 1964, HARRISON, 1983; LANZER & VEITENHEIMER-MENDES,
1985). Pseudobrânquias, triangulares, suspensas na parede do corpo, com uma base
comum, junto da qual corre o reto que se abre na extremidade anterior da pseudobrânquia
dorsal, através da papila anal; podem apresentar-se pigmentadas e são irregularmente
pregueadas; a dorsal é menor com uma a duas pregas e a ventral, três a quatro pregas.
Sistema reprodutor. Ovotestis (fig. 11), glândula semi-esférica, localizadana região
posterior da massa visceral, encoberta pela glândula digestiva, constitui-se de 20 a 21
lóbulos, que desembocam em um átrio situado na face ventral do ovotestis. As células
germinativas femininas encontram-se na região apical do ovotestis, enquanto que as
células germinativas masculinas situam-se sob as femininas (fig. 15). O ducto hermafrodita
(figs. 10,11) é um tubo delgado, apresentando em sua região mediana a vesícula seminal.
Parte do átrio, terminando na região do “carrefour”. O ducto hermafrodita (fig. 16) é
constituído por epitélio simples cilíndrico, com células ciliadas. É revestido externamente
por tecido muscular, sendo que as células epiteliais descansam sobre uma delgada camada
de tecido conjuntivo. A vesícula seminal (figs. 10, 11, 18), ocupa uma área relativamente
grande ao longo da região mediana do ducto hermafrodita, sendo constituída de divertículos.
Apresenta epitélio de revestimento com uma membrana constituída de tecido conjuntivo.
Observaram-se massas de espermatozóides no interior da vesícula seminal. Em G. ticaga
a vesícula seminal constitui-se de um enrolamento do ducto hermafrodita (MARCUS &
MARCUS, 1962). HUBENDICK (1964) menciona ser a vesícula seminal de G. moricandi
formada por arredondadas bolsas do ducto hermafrodita. Observa-se que a vesícula
seminal de G. moricandi (HUBENDICK, 1964: 35, fig. 212) difere de G. obliqua por
concentrar-se em uma restrita área do ducto hermafrodita. A vesícula seminal de G.
radiata, descrita por HUBENDICK (1964: 31, fig. 104), assemelha-se à de G. obliqua,
mas parece ser bem mais volumosa do que a da espécie em estudo. O “carrefour” é aregião
onde desemboca o ducto hermafrodita, dando-se a separação deste no oviducto e
espermioducto (fig. 10). A bolsa de fertilização (fig. 10) é uma estrutura pequena e
esférica, que se encontra associada ao “carrefour”. Conecta-se anteriormente com o útero
através do oviducto e, posteriormente, com a glândula do albume, por um pequeno e
delgado ducto. Bolsa de fertilização (fig. 20) constituída por epitélio simples cúbico com
células ciliadas, o qual descansa sobre tecido conjuntivo. Espermioducto (fig. 10)
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Morfologia de Gundlachia obliqua... 119
formado por epitélio glandular, é um tubo curto e largo, que parte do “carrefour”, chega
à próstata, continuando-se pelo ducto deferente. Próstata (figs. 11, 17) localizada junto à
região mediana do assoalho da cavidade do corpo e parte sobre o útero; órgão glandular
com células secretoras altas e entre a região apical de algumas células secretoras constata-
se células com formações apicais; com seis a oito lóbulos. HUBENDICK (1964), registra
sete lóbulos para G. radiata como constatado para a maioria dos espécimens examinados.
O ducto deferente (figs. 11,14) parte da face ventral da próstata, terminando no órgão
copulador, mais precisamente na extremidade proximal da bainha; longo, delgado (fig.
21) constituído por epitélio simples cúbico com células ciliadas e envolvido, externamen-
te, por tecido muscular. Entre o epitélio e o tecido muscular observa-se tecido conjuntivo.
O órgão copulador é uma estrutura alongada e cilíndrica, localizada na região anterior
esquerda, dorso-posteriormente ao bulbo bucal, exteriorizando-se no lado esquerdo do
corpo, através do poro genital masculino. O órgão copulador apresenta flagelo, bainha,
ducto ejaculatório e prepúcio (figs. 11, 12, 14). Flagelo (figs. 12,14) parte da extremidade
proximal da bainha, longo, com extremidade livre dilatada, apresenta em seu interior um
ducto, formado por epitélio glandular (fig. 19) revestido externamente por tecido
muscular. Observam-se dois tipos de células glandulares no flagelo (células secretoras de
proteínas e células mucosas) sobre uma delgada camada de tecido conjuntivo. O ducto
deferente e o flagelo unem-se na extremidade proximal da bainha, formando o ducto
ejaculatório, que se abre na cavidade do prepúcio através de uma projeção tubular (fig.
12). Esta projeção tubular constitui-se em uma prolongação da extremidade distal da
parede do ducto ejaculatório e da junção da bainha com o prepúcio. Em G. concentrica,
o ducto ejaculatório abre-se na cavidade do prepúcio através de uma ponta evertida
(HUBENDICK, 1964; MIQUEL, 1988: 129, fig. 1). Esta ponta evertida assemelha-se à
projeção tubular do órgão copulador de G. obligua. Em G. moricandi, HUBENDICK
(1964) menciona na extremidade do ducto ejaculatório, uma espécie de ultra-pênis
funcional. Observa-se que o ultra-pênis, figurado por HUBENDICK (1964: 35, fig. 123),
prolonga-se para a cavidade do prepúcio assemelhando-se à prolongação tubular de G.
obliqua. O ducto ejaculatório de G. ticaga e G. crequi abre-se na cavidade do prepúcio
através de uma papila (HUBENDICK, 1955; MARCUS & MARCUS, 1962). A projeção
tubular não é referida, por HUBENDICK (1964), para G. radiata. Verifica-se um espaço
entre a bainha e a parede do ducto ejaculatório de G. obliqua, o qual é observado também
em G. concentrica por HUBENDICK (1964) e MIQUEL (1988). Este espaço encontra-
se ausente em G. moricandi, G. crequi e G. radiata (HUBENDICK, 1955, 1964). A
parede interna do ducto ejaculatório apresenta ondulações (fig. 22). A partir da região
mediana do ducto, verifica-se uma diminuição destas ondulações, as quais desaparecem
nas proximidades da projeção tubular. O ducto ejaculatório (fig. 22) está formado por
epitélio simples cilíndrico e revestido por tecido muscular. Entre o epitélio e o tecido
muscular observa-se tecido conjuntivo. A projeção tubular (fig. 23) é constituída por
epitélio simples cúbico. A bainha (figs. 12,22) é muscular e envolve o ducto ejaculatório.
Encontra-se unida ao ducto deferente e ao flagelo, em sua extremidade proximal, e ao
prepúcio, na extremidade distal. O prepúcio (figs. 12, 24) é formado por epitélio simples
cilíndrico com células ciliadas. Neste epitélio observa-se a presença de células mucosas.
O prepúcio é bastante rico em tecido conjuntivo, está envolvido externamente por uma
delgada camada de tecido muscular e apresenta ondulações na face interna da parede. O
prepúcio envolve parcialmente a bainha e forma uma cavidade contendo uma abertura na
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 113 - 127, 30 set. 1994
120 OHLWEILER & LANZER
extremidade distal. O sarcobelo (figs. 12, 23) é a região do prepúcio situada junto à
terminação distal da bainha e envolve a projeção tubular, pela qual se abre o ducto
ejaculatório. Nesta região do prepúcio não foram observados cílios. A parede do prepúcio
apresenta, externamente, os músculos protrator e retrator (fig. 14). O oviducto (figs. 10,
13, 25) é um tubo curto e alargado que parte do “carrefour”, abrindo-se no útero, sendo
formado por epitélio de revestimento, com células ciliadas. Observa-se a presença de
células secretoras. Glândula do albume (fig. 11), localizada posteriormente ao útero,
ovalada, composta por vários ácinos, liga-se, anteriormente, à bolsa de fertilização através
de um curto e delgado ducto; epitélio glandular com células secretoras de proteínas e
glóbulos de galactógeno (fig. 26). Utero alongado, compreende a região anterior,
glândula nidamental e região dorso-posterior (figs. 10, 11, 13); região anterior (fig. 27)
formada por epitélio de revestimento com células ciliadas; com células secretoras de
proteínas e células mucosas espalhadas no epitélio. Nesta região observa-se tecido
conjuntivo. A região dorso-posterior (fig. 13) do útero liga-se ao oviducto em sua porção
posterior direita. Esta região é constituída por epitélio de revestimento com células
ciliadas e apresenta células secretoras (fig. 28). A porção posterior esquerda desta região
é alongada, formando uma prolongação tubular (figs. 10, 11, 13) de extremidade dilatada.
Esta prolongação tubular é formada por epitélio simples cilíndrico com células ciliadas,
que descansam sobre o tecido conjuntivo (fig. 29). Parte da glândula nidamental (figs. 10,
11, 13) situa-se sobre a região anterior do útero e parte sob a região dorso-posterior do
útero, comunicando-se com o oviducto em sua porção posterior direita. A glândula
nidamental (fig. 30) é formada por epitélio de revestimento com células ciliadas, no qual
há células secretoras de proteínas e células mucosas. Nesta região do útero observa-se que
algumas células secretoras de proteínas apresentam uma secreção que se cora de
vermelho. Os cílios presentes na glândula nidamental são bem menores que na região
anterior do útero. A bolsa da copulação (figs. 10, 11), pequena e esférica, liga-se à vagina
através de um longo ducto. Este ducto abre-se na extremidade da vagina, próximo a
abertura genital feminina. Bolsa da copulação (fig. 27) formada por epitélio
pseudoestratificado com células ciliadas; com ducto (fig. 31) constituído por epitélio
simples cilíndrico com células ciliadas; tanto a bolsa da copulação como o ducto são
envolvidos externamente por uma delgada camada de tecido muscular; entre a camada
muscular e o epitélio existe tecido conjuntivo. Vagina (figs. 10, 11), tubular, é uma
prolongação da região anterior do útero; possui a extremidade alargada, abrindo-se para
o exterior através do poro genital feminino; formada por epitélio simples cilíndrico (fig.
32) com células ciliadas e revestida, externamente, por tecido muscular; entre o tecido
muscular e o epitélio observa-se tecido conjuntivo.
Agradecimentos. Ao Dr. Josef Hauser, Instituto de Pesquisas de Planárias, Universidade do Vale do
Rio dos Sinos e à Professora Eni Peinado Vinolo, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, pela
orientação na análise histológica. A Dra. Inga Ludmila Veitenheimer Mendes, Museu de Ciências Naturais,
Fundação Zoobotância do Rio Grande do Sul, pela revisão do trabalho.
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Recebido em 24.09.1993; aceito em 07.12.1993.
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122 OHLWEILER & LANZER
oo
0,5 mm
Figs. 1-4. Gundlachia obliqua. 1, vista dorsal; 2, vista lateral esquerda; 3, vista geral do sistema digestivo; 4, vista
parcial do sistema digestivo. (bl banda do manto livre de pigmentação, bu bulbo bucal, cab cabeça, ce ceco, dg
ducto da glândula digestiva, ea epitélio adesivo, eso esôfago, gd glândula digestiva, gs glândulas salivares, in
intestino, It lóbulo tentacular, ma manto, mad músculo anterior direito, mae músculo anterior esquerdo, mo
moela, mpe músculo posterior esquerdo, ol olho, osf osfrádio, p pé, pa papo, pan papila anal, pdo pseudobränquia
dorsal, pgf poro genital feminino, pgm poro genital masculino, pve pseudobrânquia ventral, rae região anterior
do estômago, rdr região distal do rim, re reto, rpe região posterior do estômago, sr saco radular, te tentáculo).
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Morfologia de Gundlachia obliqua... 123
0,5 mm
Figs. 5-9. Gundlachia obliqua. 5, diagrama dos músculos adutores; 6, sistema excretor visto por transparência
através do manto clarificado; 7, vista dorsal do sistema reno-pericardial; 8, diagrama do coração e artérias; 9, vista
ventral do sistema nervoso. (ac artéria cefálica, ao aorta, au aurícula, av artéria visceral, cb comissura bucal, cbc
conectivo buco-cerebral, co conectivo, cp cavidade pericárdica, e estatocísto, ea epitélio adesivo, fi face interna
do pé, fm fibras musculares, gb gânglio bucal, gc gänglio cerebral, gp gänglio pedioso, gpd gânglio parietal
direito, gpe gânglio parietal esquerdo, gv gânglio visceral, mad músculo anterior direito, mae músculo anterior
esquerdo, mpe músculo posterior esquerdo, na nervo pedioso anterior, nbl nervo buco-cerebral, nce nervo
cefálico externo, nci nervo cefálico interno, ne nervo esofagial, ner nervo da comissura bucal, ng nervo genital,
no nervo óptico, np nervo palial esquerdo, npa nervo palial anterior direito, npd nervo palial posterior direito,
npe nervo pedioso posterior externo, npi nervo pedioso posterior interno, nps nervo pedioso superior, ns nervo
salivar, nt nervo tentacular, nvp nervo ventro palial, pe poro excretor, prp poro reno pericardial, rac ramificações
da artéria cefálica, rav ramos da artéria visceral, rdr região distal do rim, rpr região proximal do rim, vav válvula
auriculo-ventricular, ve ventrículo).
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OHLWEILER & LANZER
=
=.
Figs. 10-14. Gundlachia obliqua. 10-11, sistema reprodutor; 12, corte longitudinal do órgão copulador; 13, vista
dorsal do útero; 14, órgão copulador. (at átrio, ba bainha, bc bolsa da copulação, bf bolsa de fertilização, ca
carrefour, dbg ducto de ligação entre a bolsa de fertilização e a glândula do albume, dc ducto, dd ducto deferente,
de ducto ejaculatório, df ducto do flagelo, dh ducto hermafrodita, dpu região dorso-posterior do útero, esp
espermioducto, fl flagelo, ga glândula do albume, gn glândula nidamental, mp músculo protrator, mr músculo
retrator, ovi oviducto, ovo ovotestis, pr prepúcio, pro próstata, prt projeção tubular, pt prolongação tubular, rau
região anterior do útero, sa sarcobelo, vag vagina, vs vesícula seminal).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 113 - 127, 30 set. 1994
Morfologia de Gundlachia obliqua... 125
| Sum |
Figs. 15-20. Gundlachia obliqua. 15, corte longitudinal do ovotestis; 16, corte transversal do ducto hermafrodita;
17, corte longitudinal da próstata; 18, corte transversal da vesícula seminal; 19, corte longitudinal do flagelo;
20, corte longitudinal da bolsa de fertilização. (BFE bolsa de fertilização, C célula com formação apical, CIcílios,
CM célula mucosa, CS célula secretora, CSP célula secretora de proteína, EC epitélio simples cúbico, ER epitélio
de revestimento, ESC epitélio simples cilíndrico, GF células germinativas femininas, GM células germinativas
masculinas, ME massa de espermatozóides, TC tecido conjuntivo, TM tecido muscular.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 113 - 127, 30 set. 1994
126 OHLWEILER & LANZER
Figs. 21-26. Gundlachia obliqua. 21, corte transversal do ducto deferente; corte longitudinal: 22, do ducto
ejaculatório; 23, do sarcobelo e projeção tubular; 24, do prepúcio; 25, do oviducto; 26, da glândula do albume.
(B bainha, DEJ ducto ejaculatório, ES espaço, G glóbulo de galactógeno, O ondulações, PJ projeção tubular, S.
sarcobelo).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 113 - 127, 30 set. 1994
Morfologia de Gundlachia obliqua... 127
En
27
Figs. 27-32. Gundlachia obliqua. Corte longitudinal: 27, da região anterior do útero e da bolsa da copulação;
28, da região dorso-posterior do útero; 29, da prolongação tubular; 30, da glândula nidamental; 31, do ducto da
bolsa da copulação; 32, da vagina. (BCO bolsa da copulação, EP epitélio pseudoestratificado, RA região anterior
do útero).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 113 - 127, 30 set. 1994
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NOVA ESPÉCIE DE TRICHORHINA BUDDE-LUND, 1908 (CRUSTACEA,
ISOPODA, PLATYARTHRIDAE) DO SUL DO BRASIL
Paula Beatriz de Araujo!
Ludwig Buckup !?
ABSTRACT
NEW SPECIES OF TRICHORHINA BUDDE-LUND, 1908 (CRUSTACEA, ISOPODA,
PLATYARTHRIDAE) FROM SOUTHERN BRAZIL. Trichorhina acuta sp. n. is described from Santa
Catarina and Rio Grande do Sul States, Brazil.
KEYWORDS. Isopoda, Oniscidea, Trichorhina acuta sp. n., Southern Brazil.
INTRODUÇÃO
No contexto dos trabalhos de inventariamento da fauna de Isopoda no Brasil
meridional foram realizadas campanhas de coleta nos Estados de Santa Catarina e Rio
Grande do Sul. O material coletado encontra-se depositado no Setor de Carcinologia do
Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Parte
dos lotes foi estudada por ARAUJO (1992). A análise detalhada de espécimens revelou
a existência de uma espécie ainda não descrita do gênero Trichorhina Budde-Lund, 1908.
SOUZA-KURY (1993) descreve duas novas espécies de Trichorhina, ambas do
nordeste brasileiro. Estas descrições, juntamente com a maior parte dos registros de
ocorrência do gênero encontrados na literatura, confirmam as informações sobre a
distribuição tropical do mesmo. No entanto, a descrição de uma nova espécie do sul do
Brasil sugere que a diversidade específica do grupo nesta região possa estar ainda
incompletamente conhecida. SOUZA-KURY (1991) registra apenas Trichorhina
brasiliensis Andersson, 1960 e T. argentina Vandel, 1963, de Santa Catarina e da
Argentina, respectivamente, como ocorrentes no espaço meridional da América do Sul.
1. Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Av. Paulo Gama, 40, CEP 90040-060, Porto
Alegre, RS. Brasil.
2. Pesquisador do CNPq.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 129 - 134, 30 set. 1994
130 ARAUJO & BUCKUP
Trichorhina acuta, sp.n.
(Figs. 1-12)
Holótipo Q, BRASIL, Santa Catarina, Pouso Redondo (27º15'S, 49º 57'W), pátio de residência, em
amontoado de folhas varridas com frutas em decomposição e sob tijolos, 18.V.1991, P.B. Araujo e F.M. Bento
col. (UFRGS, 01876H). Parátipos: 42 9, 3 Q ovígeras (UFRGS, 01876P) com os mesmos dados do holótipo.
Material adicional. BRASIL, Santa Catarina: Itapoá, Balneário Uirapuru, praia, linha de maré alta, sob
tronco, 1 o! ovígera 08.X.1990, P.B. Araujo col. (UFRGS, 01882); São Bonifácio, pátio de residência, 2 Q,
16.V.1991., P.B. Araujo e F.M. Bento cols. (UFRGS, 01878); Rio Grande do Sul: Nhu-Porä, jardim de
residência, 3 Q,30 ovígeras, 04.11.1991, P.B. Araujo col. (UFRGS, 1880); Fontoura Xavier, pátio de residência,
sob tijolo, pedra e madeira, 1 Q, 2Q ovígeras, 01.11.1991. P.B. Araujo col. (UFRGS 01879); São Vicente do Sul,
pátio de residência, 53 Q, 50 Q ovigeras, 05. II. 1991, P.B. Araujo col. (UFRGS, 01877); Pantano Grande,
terreno baldio, sob pedra, 1 fêmea, 06.11.91, P.B. Araujo col. (UFRGS, 01881).
Diagnose. Olhos com 4 omatídios negros, antena sem crista ou quilha (fig. 6),
pereionitos I-Vli com um nódulo lateral de base simples (fig. 3) em cada lado, artículo
distal do palpo do maxilipodo com 2-3 cerdas no ápice (fig. 10), telso triangular com a
porção distal alongada formando uma ponta cuja face dorsal apresenta-se suavemente
escavada.
Descrição. Medidas (maior espécime): comprimento, 4,0mm; largura, 1,5mm.
Coloração: pigmento amarelo e castanho no dorso, podendo variar de claro a
escuro; às vezes o castanho apresenta-se muito fraco, quase imperceptível; o abdome é
geralmente a região mais escurecida; urópodos amarelados; olhos negros.
Caracteres gerais: cabeça pouco envolvida pelo pereionito I, cujas bordas anteriores
podem atingir a altura dos olhos; lobos laterais aparentes. Olhos com 4 omatídios.
Abdome estreitando-se gradualmente a partir do limite posterior do tórax; epimeros III a
V pronunciados, com as pontas dirigidas para trás. Telso triangular, com as margens
laterais côncavas; porção distal alongada, formando uma ponta cuja face dorsal apresenta-
se suavemente escavada; pode atingir a metade do comprimento dos exópodos e encobrir
os endópodos ou deixar visível somente a porção apical dos últimos.
Tegumento: superfície corporal lisa, com placas semi-circulares, coberta com
cerdas escamosas estriadas grandes, intercaladas com menores, em forma de leque (fig.
2). Nódulos laterais com base simples (fig. 3), 1 em cada lado dos pereionitos; posição das
coordenadas b/c e d/c como na figura 4; as distâncias b (distância do nódulo com relação
a margem posterior do pereionito) e d (distância do nódulo com relação a margem lateral
do pereionito) são semelhantes em todos os pereionitos, sendo possível atribuir ao
parâmetro c (comprimento total do pereionito) a variação apresentada no gráfico.
Apêndices: artículo distal da antênula com 7-8 estetascos (fig. 5). Antena (fig. 6)
sem crista ou quilha; segundo artículo do flagelo, inteiro. Quando estendida para trás, a
antena atinge a margem posterior do pereionito I. Mandíbula direita com 2 penicílios no
processo incisor e 6 no molar (fig. 7); esquerda com 3 penicílios no processo incisor e seis
no molar (fig. 8). Exito da maxílula com 3+4 (2 fendidos) dentes (fig. 9). Endito do
maxílipodo com 2 dentes diminutos na borda distal, sendo que esta se apresenta com
contorno irregular; palpo com 2-3 cerdas longas no ápice do artículo distal (fig. 10).
Pereiópodos 1-7 sem modificações (fig. 11).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 129 - 134, 30 set. 1994
Nova espécie de Trichorhina... 131
Etimologia. O adjetivo específico acuta refere-se ao aspecto característico da área
apical do telso.
Discussão. Trichorhina acuta, sp.n., assemelha-se às espécies que apresentam
olhos com 4 omatídios. No entanto, diferencia-se do grupo pelo exito da maxílula com 7
dentes (9 em T. hospes Silvestri, 1918 e 8 em T. vandeli Rioja, 1955 e T. silvestrii
Arcangeli, 1935), por não apresentar relevos longitudinais no mesoepistoma, que é
característica de T. gianelli Arcangeli, 1929, por não apresentar bastonetes na mandíbula
esquerda (presentes em T. silvestrii), cabeça sem bulbosidade (com bulbosidade em 7.
minima Schmalfuss & Ferrara, 1978) e antena sem estetascos (com estetascos em T.
vandeli).
Agradecimentos. As pesquisas sobre os isópodos terrestres aqui referidas foram realizadas com o apoio
da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), Processo nº 395-90.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAUJO, P.B. 1992. Isópodos terrestres do Brasil meridional (Crustacea, Oniscidea). Universidade
Federal do Paraná, Curitiba, 215p. Tese de Mestrado - Zoologia. [Não publicada].
SOUZA-KURY, L.A. 1991. Sistemática das espécies brasileiras oceladas e Trichorhina Budde-Lund,
1980 (Crustacea, Isopoda, Oniscidea). Universidade Santa Úrsula, Rio de Janeiro. 125p. Tese de mestrado
- Zoologia. [Não publicada].
— . 1993. Notes on Trichorhina I. Two new species from Northeastern Brazil (Isopoda, Oniscidea,
Platyarthridae). Revue suisse Zool., Genebra, 100 (1): 197-210.
Recebido em 11.10.1993; aceito em 04.01.1994
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 129 - 134, 30 set. 1994
182
ARAUJO & BUCKUP
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Figs. 1-6. Trichorhina acuta, sp. n. 1, fêmea (holótipo), vista dorsal; 2, cerda escamosa; 3, nódulo lateral; 4,
posição dos nódulos laterais com relação às margens dos pereionitos I-VII: b/c (margem posterior), d/c (margem
lateral); 5, antênula; 6, antena. Escalas: fig. 1, 0,5mm; figs. 2-3, 0,025mm; figs. 5, 0,05mm; fig. 6, 0,Imm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 129 - 134, 30 set. 1994
Nova espécie de Trichorhina...
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Figs. 7-11. Trichorhina acuta, sp. n. 7, mandibula direita; 8, mandibula esquerda; 9, exito da maxílula; 10,
maxilípodo; 11, pereiópodo 1. Escalas: figs. 7-10, 0,05mm; fig. 11, 0,imm.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 129 - 134, 30 set. 1994
134 ARAUJO & BUCKUP
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OCEANO
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Fig. 12. Registros de Trichorhina acuta, sp. n., em Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS). 1. Balneário
Uirapuru, Itapoá; 2. Pouso Redondo; 3. São Bonifácio; 4. Nhu-Porä; 5. Fontoura Xavier; 6. São Vicente do Sul;
7. Pantano Grande.
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 129 - 134, 30 set. 1994
O GÊNERO ZOANTHUS NO BRASIL. I. CARACTERIZAÇÃO E REVISÃO
ANATÔMICA DE ZOANTHUS SOCIATUS (CNIDARIA, ZOANTHINARIA,
ZOANTHIDAE)
Clarisse Rohlfs !2
Maria Júlia C. Belém!?
ABSTRACT
THE GENUS ZOANTHUS IN BRAZIL. I. CHARACTERIZATION AND ANATOMICAL
REVISION OF ZOANTHUS SOCIATUS (CNIDARIA, ZOANTHINARIA, ZOANTHIDAE). Generic
characters of Zoanthus Cuvier, 1800 are discussed. Zoanthus sociatus (Ellis, 1767) is studied, including its
morphology, microanatomy, histology and cnidae. Z. sociatus never forms a continuous sheet over the
substrate. The upper short sphincter has few mesogloeal lacunae; the digestive-excretory zone of the macrosepts
is narrow, short and typical of the species. Cnidae: Spirocysts, holothrics, b-rhabdoids, p-rhabdoids A.
KEYWORDS. Cnidaria, Zoanthinaria, Zoanthus sociatus, morphoanatomy, Brazil.
INTRODUÇÃO
Os Zoanthidae são animais comumente encontrados em costões rochosos e em
poças de maré, nas regiões coralíneas, onde algumas espécies constituem grandes
populações. Apesar de sua ampla distribuição no litoral brasileiro e ilhas oceânicas, raros
foram os trabalhos publicados sobre espécies que ocorrem em nossas águas. Palythoa
braziliensis Heider, 1895 foi citada para o Brasil por PAX & MULLER (1957); SEBENS
(1977) registrou a ocorrência de Zoanthus sociatus (Ellis, 1767) em São Sebastião, SP,
em trabalho sobre nutrição de zoantídeos, mas com dúvidas sobre sua correta identifica-
ção. KELECON & SOLÉ-CAVA (1983) apresentaram sérios erros na identificação das
espécies.
Iniciamos a divulgação do resultado do estudo das espécies de Zoanthus ocorrentes
no Brasil, com a caracterização de Z. sociatus.
MATERIAL E MÉTODOS
O material examinado compreendeu um total de 51 lotes do Museu Nacional (MNRJ). sendo 9 deles
cedidos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Foi ainda examinada uma colônia pertencente ao
1. Caixa Postal 24030. CEP 20522-970 Rio de Janeiro, RJ. 2
2. Bolsista de Mestrado, CNPq, do Curso de Pós-graduação do Museu Nacional, UFRJ (1983-85).
3. Bolsista de pesquisa do CNPq e professora aposentada (UFRJ).
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 135 - 144, 30 set. 1994
136 ROHLFS & BELÉM
National Museum of Natural History (USNM), Washington.
O material brasileiro foi coletado em poças de maré, costões rochosos e recifes, com ou sem mergulho
livre, em profundidades inferiores a 10m. Foram coletadas colônias inteiras aderidas a pedras soltas ou
fragmentos do substrato, quebrando os mesmos quando necessário. Algumas colônias foram mantidas vivas em
aquário com filtro biológico e iluminadas com lâmpadas Gro-Lux. Foi utilizada, para a anestesia, uma solução
isotônica de cloreto de magnésio (MgC1,.6H,O); e dois tipos de fixadores: (1) Susa de Heidenhain (PANTIN,
1948) nos exemplares destinados à histologia, e (2) formalina a 10% para o exame da morfologia externa e
interna, estudo do cnidoma e inclusão na coleção. As cores foram registradas de acordo com o código de cores
de KÜPPERS (1979). Os caracteres microanatômicos e histológicos foram determinados através de cortes
seriados, longitudinais e transversais, com espessura entre 6 e 7 pm, corados com tricrômico de Mallory
(PANTIN, 1948), tricrômico de Gomori e Hematoxilina de Ehrlich contracorada com eosina agiiosa. As
ilustrações foram feitas em microscópio com auxílio de câmara clara e as medidas, obtidas com ocular
micrométrica. A nomenclatura utilizada para os nematocistos é a de SCHMIDT (1972, 1974).
Zoanthus Cuvier, 1800
Zoanthus Cuvier, 1800, tab. 9 (apud NEAVE, 1940: 703); CUVIER, 1817: 53; LE-SUEUR, 1817: 176;
HADDON & SHACKLETON, 1890: 675; 1891: 629; PAX, 1916: 235-236; SEIFERT, 1928: 435-436;
WALSH, 1967: 2: HERBERTS, 1976: 37.
Zoantha LAMARCK, 1801: 2; 1836: 77; BOSC, 1802: 42.
Zoanthidae braquinêmicos sem incrustações na parede do corpo, com epiderme
descontínua no escapo, esfíncter mesogleal duplo, sistema de canais mesogleais muito
desenvolvido e cenênquima estolonar fino (HADDON & SHACKLETON, 1890).
Alguns aspectos microanatômicos e histológicos são constantes em todas as
espécies do gênero: (1) no escápulo, a epiderme é contínua e colunar; no escapo, epiderme
descontínua e aprofundada nos canais mesogleais, onde estão os núcleos das células
ectodérmicas e nematocistos holótricos (figs. 4, 7, b); (2) o escapo dos pólipos contém
material estranho aderido (especialmente diatomáceas) e sempre apresenta subcutícula,
caracterizada por expansões mesogleais que ligam a cutícula à epiderme descontínua,
mais desenvolvida na parte inferior; (3) mesogléia homogênea, com muitas fibrilas
musculares, canais com células granulares acidófilas e muitos grânulos de pigmento,
localizados na borda ectodérmica.
Espécie tipo: Zoanthus sociatus (Ellis, 1767), por monotipia (CUVIER, 1817: 53,
nota de rodapé I).
Zoanthus sociatus (Ellis, 1767)
(Figs. 1-12)
Actinia sociata ELLIS, 1767: 436 [pro parte]; ELLIS & SOLANDER, 1786: 5 [pro parte].
Zoantha sociata; LAMARCK, 1801:2 [pro parte).
Zoantha elisii BOSC, 1802: 42.
Zoanthus sociata; LE-SUEUR, 1817: 176.
Zoanthus elisii; LAMOUROUX, 1821: 54; LAMARCK, 1836: 77.
Zoanthus socialis BLAINVILLE, 1830: 350; 1834: 328; MCMURRICH, 1889: 62-63.
Zoanthus sociatus; EHRENBERG, 1834: 380; VERRILL, 1864: 56; 1900: 561-566; 1907: 289-291; GRAY,
1867: 234; HADDON & SHACKLETON, 1890: 676; 1891: 616, 620-623, 626, 629; HADDON &
DUERDEN, 1896: 142; MCMURRICH, 1896: 189; 1898: 242; 1899: 391-395, 398, 401-402; 1905: 13-16;
DUERDEN, 1900a: 334-336; 1900b: 187-193; PAX, 1916: 237-244; SEIFERT, 1928: 449-450; WALSH,
1967: 30-31.
Zoanthus (Rhyzanthus) sociatus; ANDRES, 1883: 542.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 135 - 144, 30 set. 1994
O gênero Zoanthus... 137
Diagnose. Colônias com pólipos alongados, frequentemente afilados no sentido da
base pela qual se encadeiam, formando colônias com algumas centenas de indivíduos,
interligados por estolões entrelaçados. Tentáculos filiformes, em número de 48 a 57.
Mesentérios variando de 42 a 57. Esfíncter superior com poucas cavidades e o inferior,
alongado, com muitas cavidades de vários tamanhos. Zona digestivo-excretora reta, no
terço superior dos macrocnêmios. Apenas um canal basal nos mesentérios perfeitos.
Descrição. Aspectos externos da colônia e dos pólipos. Colônia formada por
pólipos que surgem por brotamento de um cenênquima incrustante. Este é representado
por um entrelaçado de estolões em forma de fita, podendo ser lamelar, mas nunca
formando uma massa contínua sobre o substrato. Pólipos ligeiramente afastados uns dos
outros (fig.1), alongados e fregüentemente afilados no sentido basal, com coluna lisa e
sem incrustações, mas tendo no escapo material estranho aderido. Em material fixado,
altura de 3,0 a 32,0mm e diâmetro da coluna, de 2,0 a 8,/0mm. O brotamento ocorre na base
dos pólipos. Tentáculos grandes e filiformes, dispostos em dois ciclos. Escápulo curto,
com sulcos que se alternam com os tentáculos externos e continuam até certa altura do
escapo, onde podem ser vistas as linhas de inserção dos mesentérios. Boca situada numa
pequena elevação do disco oral, com as linhas de inserção dos mesentérios aparentes.
Coloração não muito variável - região proximal do escapo cinza-azulada (Nºº C% Aº9);
região distal cinza quase bege (NººC!º A*º): região próxima aos tentáculos no disco oral
verde-azulada (NC? AS): perístoma verde (NºC% A): tentáculos cinza-claro-
esverdeados (NºC% A): boca verde-claro-amarelada (NºC'“ºAº?).
Anatomia interna. Faringe muito curta, com o sifonóglifo não muito evidente (figs.
2,3,1). Mesentérios estreitos; macroseptos, no terço ou metade superior (conforme o grau
de distensão), com zona digestivo-excretora distinta do restante do mesentério pelo
acúmulo de zooxantelas picnóticas e com uma coloração que varia do bege ou cinza-claro
ao cinza-escuro quase preto (fig.2,3, zde). Filamento reto em toda a extensão dos
macroseptos. Gônadas, quando presentes, nos macrocnêmios e semelhantes a contas
brancas de um cordão (fig. 3, go), entre a zona digestivo-excretora e o filamento, podendo
se estender ao longo de todo o mesentério. Banda ciliada do filamento, logo abaixo da
faringe, arqueada e esbranquiçada, à qual se segue imediatamente a zona digestivo-
excretora.
Microanatomia e histologia. Tentáculos (em número de 48 a 57) com epiderme
colunar simples, sem cutícula e subcutícula, com holótricos e espirocistos em maior
concentração nas extremidades; grãos de pigmento estão presentes na borda da mesogléia,
próximos à musculatura ectodérmica, que aparece em pequenas pregas mesogleais;
mesogléia muito fina, sem inclusão de células ectodérmicas; gastroderme sem nematocistos
e com grande concentração de zooxantelas.
Disco oral com epiderme mais estreita que a dos tentáculos, com raros nematocistos
e células granulares na borda mesogleal; músculos ecto- e endodérmicos fracamente
desenvolvidos.
Faringe com ectoderme ricamente provida de células glandulares acidófilas e
mucosas, com nematocistos (fig. 8); sifonóglifo estreito e com grande número de células
com cílios muito longos; sua epiderme continua na banda ciliada do filamento, constitu-
indo a “ectoderme refletida” (MCMURRICH, 1899) (figs. 9, 10, e).
Coluna com epiderme e mesogléia típicas do gênero (figs. 4, 7). A mesogléia é mais
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 135 - 144, 30 set. 1994
138 ROHLFS & BELÉM
larga na região de ambos os esfíncteres (figs. 5,6) e fortemente constricta no sulco
escapular. Gastroderme estreita e repleta de zooxantelas. Musculatura endodérmica da
coluna representada por uma delicada camada circular. Esfíncter mesogleal duplo típico
do gênero, sendo o superior contido em poucas cavidades distintas e o inferior, alongado,
em muitas lacunas de vários tamanhos (figs. 5, 6).
Septos mesentéricos com arranjo braquicnêmico típico, em número de 42 a 57,
conectados com a parede corporal apenas através de uma pequena haste, que se dilata na
extremidade livre. Filamento mesentérico conspícuo na borda livre dos macrocnêmios.
A mesogléia, fina ramificação partindo da coluna, se dilata para permitir a passagem de
um único canal basal, oval (fig. 11, cb). O lado voltado para a endocele é levemente
pregueado para suportar o músculo retrator (figs. 9-11, mr), que segue até o filamento. Os
músculos parietobasilares e transversais (figs. 9-11, mpb, mt) estão no lado voltado para
aexocele. A mesogléia segue até a extremidade dos macrocnêmios, terminando bifurcada
na região do filamento que contém o trato cnidoglandular (fig. 10, tgc), não se bifurcando
onde está presente apenas o trato ciliado (fig. 9). Gastroderme com zooxantelas
(Gymnodinium sp.) em maior concentração no lado voltado para as endoceles. Na zona
digestivo-excretora, há um grande acúmulo de zooxantelas picnóticas, em diferentes
graus de degeneração (fig. 11).
Foram observadas apenas gônodas femininas.
Cnidoma: espirocistos, holótricos, b-rabdóides, p-rabdóides A.
Distribuição e dimensões (em micrômetros) dos nematocistos e espirocistos (fig.
12). Escapo: holótricos (abundantes) 14,2 (12,0-16,0) x 5,9 (4,8-6,4); b-rabdóides (raros)
16,8 (16,0-17,6) x 2,4. Tentáculos: holótricos (abundantes) 14,8 (11,2-15,2) x 6,1 (5,6-
7,2); espirocistos (raros) 10,8 (9,6-12,0) x 1,8 (1,6-2,0). Faringe: b-rabdóides (raros) 19,2
(17,6-20,8) x 3,6 (3,2-4,0); p-rabdóides A (raros) 13,4 x 4,8; holótricos (abundantes) 14,7
(12,0-17,6) x 6,7 (5,6-8,8).
Habitat. Z. sociatus ocorre do médio (poças de maré) ao infralitoral. As colônias
grandes se fixam em substrato bastante variável: blocos rochosos, pedras soltas, conchas
de moluscos, esqueletos de madreporários e de Millepora spp.
Distribuição geográfica. Dominica (ELLIS, 1767; HADDON & SHACKLETON,
891); Guadalupe (LE-SUEUR, 1817; HADDON & SHACKLETON, 1891; PAX,
1916); Bahamas (MCMURRICH, 1889, 1896; HADDON & SHACKLETON, 1891;
PAX, 1916); Bermudas (VERRILL, 1900; PAX, 1916); Jamaica (DUERDEN, 1900a;
PAX; 1916; KARLSON, 1981); Porto Rico (PAX, 1916); Barbados (HADDON &
SHACKLETON, 1891); Haiti (PAX, 1916); Panamá (FADLALLAH et. al. 1984).
Brasil: litoral do Ceará a São Paulo, arquipélago de Abrolhos e ilhas oceânicas (Rocas e
Fernando de Noronha).
Material examinado. PORTO RICO. Mayaguez: Steamer “Fish Hawk”, Puerto Rico Expedition 1898-
1899, USNM 22117. BRASIL. Ceará: Ceará-Mirim, 21.VIII.82, M.L. Christoffersen col., MNRJ 0943 (ex-
UFPB C56). Rio Grande do Norte: Baía Formosa, 18.VIII.82, M.L. Christofersen col., MNRJ 0949 (ex-UFPB
C 60); Timbaú do Sul, 19.VIII.82, M.L. Christoffersen col., MNRJ 0951 (ex-UFPB C 68); Atol das Rocas, 21.1I-
13.11.82, C.B. Castro col., MNRJ 0527-0531; Arquipélago de Fernando de Noronha, 11-25.V1.86, D.O. Pires
& C.B. Castro col., MNRJ 0920, 0921, 0923. Paraíba: Baía da Traição, 20.1.77, M.J.C. Belém col., MNRJ
0302; Pernambuco: Olinda, 16.11.80, M.J.C. Belém & E. Mayal col., MNRJ 0301; Jaboatão, 2.X1.82, M.L.
Christoffersen col., MNRJ 0950 (ex-UFPB C 69); Recife da Piedade, 2.X1.82, M.L. Christoffersen col., MNRJ
0947 (ex-UFPB C 24); Tamandaré, 14.X.81, P.M.D. col., MNRJ 0948 (ex-UFPB C43). Alagoas: Maceió, recife
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 135 - 144, 30 set. 1994
O gênero Zoanthus... 139
da Pajugara, 30.1.83, P.S. Young & M.L. Christoffersen col., MNRJ 0944 (ex-UFPB C29); Barreiras, 21.11.83,
P.S. Young & M.L. Christoffersen col., MNRJ 0946 (ex-UFPB C39); Cocuripe, 26.1.83, P.S. Young & M.L.
Christoffersen col., MNRJ 0953 (ex-UFPB C66). Bahia: Abrolhos, Pedra Lixa, 19.IV.81, C.B. Castro col.,
MNRJ 0300. Espírito Santo: Santa Cruz, 20.VII.81, C. Rohlfs col., MNRJ 0327, 0523, 0525, 0647; 10.1.79,
N.C. Salgado col., MNRJ 0958; Guarapari, Três Ilhas, 17.VII.71, C. Rohlfs col., MNRJ 0524; Praia das
Castanheiras, 16.VII.81,C. Rohlfs col., MNRJ 0521; Anchieta, 19.VII.81, C. Rohlfs col., MNRJ 0322; Meaípe,
27.X.80, P.S.Y oung col., MNRJ 0304, 0954; Piúma, Ilha dos Gambás, 26.1V.86, D.O. Pires, I.C. Santos & S.M.
Pinto col., MNRJ 0907; Ilha do Francês, 27.IV.87, IC. Santos col., MNRJ 0909, 0913; Ilha dos Cabritos,
27. 1V.86, D.O. Pires, I.C. Santos & S.M. Pinto col., MNRJ 0914, 0915. Rio de Janeiro: Arraial do Cabo, praia
do Forno, 18.11.80, C. Rohlfs col., MNRJ 0283; 12.VII.80, C. Rohlfs col., MNRJ 0287; 30.VII.81, C. Rohlfs
col., MNRJ 0298; 28.X1.82, C. Rohlfs col., MNRJ 0522; Ilha de Itacuruçá, 25.11.82, M.R.V. Mattos col., MNRJ
0952; Angra dos Reis, Ilha do Cavaco, 25.V1.79, R. Novelli col., MNRJ 0284; 1.111.79, N.C. Salgado, C. Rohlfs
& C.B. Castro col., MNRJ 0290; 24-25.V1.79, N.C. Salgado col., MNRJ 0291-0292; 31.11.79, N.C. Salgado,
C. Rohlfs & C.B. Castro col., MNRJ 0293; Ilha Grande, Enseada do Abraão, 26.11.79, M.J.C. Belém col., MNRJ
0295; Ilha do Macedo, 28.11.86, S.M. Pinto & I.C. Santos col., MNRJ 0939; Parati, 26.1V.86, C.B. Castro & C.C.
Ratto col., MNRJ 0905, 0941. São Paulo: São Sebastião, 13.11.80, C. Rohlfs & E.M. Mayal col., MNRJ 0296;
9.11.85, A. E. Migotto col., MNRJ 0667.
Discussão. A diversidade dos mecanismos nutritivos nos Zoanthidae parece estar
relacionada com as diferenças de extensão, localização e aspecto da zona digestivo-
excretora dos mesentérios. Observando-a em diferentes espécies de Zoanthus, brasileiras
ou não, verificou-se que seu tamanho e aspecto variam de espécie para espécie,
constituindo então um caráter específico, utilizado como tal neste trabalho.
SEIFERT (1928) utilizou o cnidoma como caráter específico para Zoanthus,
separando as espécies em três grupos distintos, de acordo com a distribuição dos
diferentes tipos de pólipo, especialmente nos tentáculos; Z. sociatus foi colocado no grupo
das espécies sem espirocistos nos tentáculos. CARLGREN (1954) também utilizou a
presença ou ausência de espirocistos para diferenciar as várias espécies da África do Sul
e HERBERTS (1972) utilizou-se do sistema de SEIFERT (1928), tanto para Zoanthus
quanto para Palythoa. Comparando-se o cnidoma de Z. sociatus com o registrado por
SEIFERT (1928) e SCHMIDT (1974) para o gênero, observaram-se algumas diferenças.
Os exemplares estudados de Z. sociatus apresentavam espirocistos, embora muito raros,
principalmente na extremidade dos tentáculos. As diferenças encontradas podem resultar
dos diferentes recursos ou métodos utilizados para o estudo do cnidoma, com cápsulas
muitas vezes tão pequenas e raras em Zoanthinaria. No caso de SEIFERT (1928), também
do estado do material examinado pelo autor.
Durante este estudo, só foram encontradas colônias femininas. KARLSON (1981)
e FADLALLAH et al. (1984), porém, encontraram colônias masculinas e hermafroditas
protóginas de Z. sociatus, respectivamente na Jamaica e nas Ilhas Galetas, Panamá.
Agradecimentos. Ao Dr. Frederick Bayer, UNMN; ao Dr. Martin L. Christoffersen e ao Dr. Paulo
Secchin Young, UFPB, pelo empréstimo e doação de material.
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Fig. 1. Colönia de Zoanthus sociatus (Ellis, 1767), fotografada em aquärio. Barra= 1,0cm.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 135 - 144, 30 set. 1994
142 ROHLFS & BELÉM
Figs. 2-6. Zoanthus sociatus (Ellis, 1767). 2-3, esquemas da anatomia interna, em corte longitudinal: 2, MNRJ
0283, de Arraial do Cabo, RJ, bem distendido; 3, USNM 22117, contraído; 4, sistema de canais em parte do
escapo, corte longitudinal; 5-6, esfincter duplo, em corte longitudinal: 5, USNM 22117; 6, MNRJ 0283; (b, boca;
ce, núcleos de células epidérmicas; cp, escápulo; cpg, células com pigmento; d, disco oral; e, epiderme; ei,
esfíncter inferior; es, esfíncter superior; f, faringe: fl, filamento; fm, fibras musculares; g, gastroderme; go,
gônadas; m, mesogléia;n, nematocistos, rc, região ciliada; sbc, subcuticula; sc, escapo; sem, sistema de canais
mesogleais; si, septo imperfeito; sp, septo perfeito; zde, zona digestivo-excretora.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 135 - 144, 30 set. 1994
O gênero Zoanthus... 143
Figs. 7-8. Zoanthus sociatus (Ellis, 1767). 7, corte longitudinal passando pelo sulco escapular, com a epiderme
de características colunares; 8, corte transversal da faringe (a, amebócitos; c, cutícula; cg, células glandulares;
cm, canais mesogleais; cs, células suporte; e, epiderme; es, esfíncter superior; f, faringe; g, gastroderme; gl,
glândulas; gsa, glândulas de secreção acidófila; gsm, glândulas mucosas; m, mesogléia; n, nematocistos; z,
zooxantelas).
IHERINGIA, Sér. Zool., Porto Alegre (77): 135 - 144, 30 set. 1994
144 ROHLFS & BELÉM
Figs. 9-12. Zoanthus sociatus (Ellis, 1767). 9-11, cortes transversais do filamento, em diferentes alturas: 9, logo
abaixo da faringe, apenas com o trato ciliado; 10, em nível mais inferior, com trato cnidoglandular e uma zona
de tecido intermediário; 11, zona digestivo-excretora e botão cnidoglandular; 12, cnidoma: 1-2, tentáculos; 3-
4, escapo; 5-7, faringe; 8-9, filamento; 1, 3, 5, 8, holótricos; 2, espirocistos; 4, 6, 9, b-rabdóides; 7, p-rabdóides
A; (bcg, botão cnidoglandular; cb, canal basal; e, epiderme refletida; g, gastroderme; ge, glândulas enzimáticas;
gm, glândulas mucosas; m, mesogléia; mpb, músculo parietobasilar; mr, músculo retator; mt, músculo
transversal; n, nematocistos; nce, núcleos das células epidérmicas; tcg, trato cnidoglandular; zde, zona digestivo-
excretora, repleta de zooxantelas picnóticas.
IHERINGIA, Ser. Zool., Porto Alegre (77): 135 - 144, 30 set. 1994
BL ISSN 0073-4721
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A revista IHERINGIA, Sér. Zool. é editada pelo Museu de Ciências Naturais, órgão
da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, entidade de direito privado, instituída pela
Lei Estadual nº 6.497, de 20.12.72, supervisionada pela Secretaria de Estado da Agricultura
e destina-se à divulgação de trabalhos científicos originais, inéditos, mantendo seções
destinadas a notas prévias, resenhas bibliográficas e notícias de interesse resultantes de
pesquisa em Zoologia
Este número foi editado e impresso na gráfica Pallotti em fevereiro de 1995.
Tiragem 600 exemplares.
Endereço para doações, permutas e correspondência: Fundação Zoobotânica do Rio
Grande do Sul, Editoração, Cx. Postal 1188, CEP 90001-970 Porto Alegre, RS, BRASIL. Tel.
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Iheringia, Sér. Zoologia. v.1, 1957 -
Porto Alegre, RS - Brasil, Museu de Ciências Naturais
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1957 -
Semestral
ISSN 0073-4721
1. Zoologia-Periódicos - Brasil.
2. Trabalhos científicos - Zoologia - Brasil. I. Museu de
Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande
do Sul
CDU - 59 (05)
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Documentation Arachnologique, Entomological Abstracts, The Zoological Record.
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DISTRIBUCIÓN DE TRES ESPECIES DEL GÉNERO HELEOBIA
STIMPSON, 1865 (GASTROPODA, HYDROBIIDAE) EN EL LITORAL
ARGENTINO DEL RIO DE LA PLATA Y ARROYOS AFLUENTES
Gustavo Darrigran "?
ABSTRACT
DISTRIBUTION OF THREE SPECIES OF HELEOBIA STIMPSON, 1865 (GASTROPODA,
HYDROBIIDAE) IN THE ARGENTINE LITTORAL OF THE RIO DE LA PLATA AND AFFLUENT
STREAMS. The distribution patterns of three species of Heleobia Stimpson, 1865 were analyzed. Two
environments were considered: the argentine littoral of the Rio de la Plata and its affluent streams. Twenty-
seven localities were sampled: fourteen along the Rio de la Plata littoral and thirteen along its affluent streams.
Heleobia piscium (Orbigny, 1835) and H. australis (Orbigny, 1835) were found only in the Rio de la Plata
littoral. The relationships between the distribution of these two species and the salinity gradients of the Rio de
la Plata are commented. H. parchappei (Orbigny, 1835) was found only in the studied streams. H. piscium is
more tolerant to different ranges of salinity than the other species studied.
KEYWORDS. Heleobia, distribution, Rio de la Plata, streams, salinity.
INTRODUCCIÓN
Las especies del género Heleobia Stimpson, 1865 se distribuyen en la Región
'Neotropical y, en la Región Neartica, en la costa atlântica de los Estados Unidos de
Norteamérica (GAILLARD & CASTELLANOS, 1976; GIUSTI & PEZZOLI, 1984).
GAILLARD (1973) menciona Heleobia piscium (Orbigny, 1835) para el Rio de la Plata,
hallando distintas “formas ecológicas” de acuerdo al impacto antropogénico sufrido por
el ambiente que ocupan, y H. parchappei (Orbigny, 1835) en los arroyos de la Provincia
de Buenos Aires.
El Rio de la Plata es un ambiente con una importante variación temporo-espacial
de la concentración salina de sus aguas (RINGUELET, 1962). En el presente trabajo se
analiza la distribución del género Heleobia en el litoral argentino del Rio de la Plata y en
los arroyos afluentes al mismo.
1, Depto. Cientifico Zoologia Invertebrados. Museo de La Plata. Paseo del Bosque s/n. 1900 La Plata. República Argentina.
2. Investigador del CONICET (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas, R. Argentina).
| Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 3 - 8, 2 mar. 1995
4 DARRIGRAN
MATERIAL Y MÉTODOS
Fueron relevadas 13 estaciones de muestreo en arroyos afluentes al Rio de la Plata y, durante las bajas
mareas, 14 estaciones sobre el litoral rioplatense (fig. 1). Estas últimas se seleccionaron considerando la
zonación del Rio de la Plata propuesta por Urien (fide BOLTOVSKOY & LENA, 1974) el cual lo divide entres
zonas: zona Fluvial-interna (dulceacuicola), zona Fluvial-intermedia (con variación en la concentración salina
de 0,5%o a 25%o) y zona Fluvio-marina (con una variación de 25% a 30%o). Se consideró ademas el tipo de
sustrato de los ambientes muestreado (tabla I) y la frecuencia de las distintas especies de Heleobia que se
colectaron en cada sustrato (fig. 2).
Sobre el litoral rioplatense se realizó un muestreo uniforme (transectas perpendiculares a la línea de
costa), salvo en los sustratos tipo piedras, donde no se aplicó ninguna metodologia de muestreo. Se tomo entre
25 a 30 muestras en cada estación. En sustrato blando se utilizó un muestreador cilindrico de 0,07m? de
superficie. Debido a la capacidad de estos gasterópodos de quedar recubiertos por el sedimento en este tipo de
sustrato, se aplica el cilindro hasta una profundidad de 0,15m. En tosca, se utilizó un marco de 0,25m? de
superficie. En ambos tipos de sustratos se usó un tamiz de Imm de malla.
En los arroyos se tomaron muestras, en los distintos sustratos existentes, sin la aplicación de ninguna
metodologia de muestreo. En cada estación de muestreo y en cada sustrato considerado se calculó la frecuencia
(F) de aparición de cada especie mediante la formula F=(m/M). 100 donde m: el número de muestras en que
aparece la especie considerada y M: el número total de muestras. En las estaciones de muestreo en donde se
aplicó una metodologia de muestreo, se calculó la densidad media de las especies de Heleobia encontradas,
segun la formula D=[X(n/a)]/M; donde n: número de indivíduos por muestra, a: superficie del muestreador, M:
número total de muestras.
El material colectado fue depositado en la colección malacológica del Museo de La Plata, R. Argentina,
con los respectivos números: H. piscium (5033, 5034 y 5036-5042); A. australis (5035) y A. parchappei (5027-
5032).
RESULTADOS Y DISCUSIÓN |
En los ambientes relevados se hallaron tres especies del género Heleobia: H. |
piscium, H. australis y H. parchappei. Las mismas se encontraron sobre tres sustratos (fig. |
2): duro (piedras y toscas), blando (arena, limo y limo-arcilloso) y vegetación. Enellitoral |
del Rio de la Plata, las especies se hallan con mayor frecuencia sobre sustrato duro (50%) |
y sobre sustrato blando (43%), siendo solamente del 13% la frecuencia sobre vegetación. |
Enlos arroyos, la mayor frecuencia se registra sobre sustratos duros (30%) siendo del20% |
y 13% la frecuencia en vegetación y sustrato blando respectivamente. En los arroyos que |
presentan cauces limosos, no se registra la presencia de Heleobia, salvo en los que |
presentan vegetación disponible como sustrato. |
De acuerdo con el sustrato y estaciones consideradas (tab. I), en el litoral del Río de |
la Plata, se encuentran dos especies, H. piscium y H. australis, cuya distribución |
geográfica no se superpone. H. australis se circunscribe a la zona mäs salobre del Rio |
muestreada (estación XIV, Punta Piedras), mientras que H. piscium se localiza en el resto |
del litoral rioplatense (desde la estación Ia la XIII), siendo la especie de mayor frecuencia |
(71%). En los arroyos se halló solamente A. parchappei, con una frecuencia del 69%. La |
misma nunca se colectó en el litoral del Rio, aún cuando en una de las estaciones (estación |
2, Arroyo La Matilde) se registró su presencia hasta los 100-150 metros antes de la,
desembocadura del arroyo en el Rio de la Plata.
En un ambiente estuarial, el factor ecológico más importante es el tenor salino de:
sus aguas, el cual determina el patrón de distribución y la densidad de los organismos |
(MARGALEF, 1984; ROBINEAU, 1987), y por lo tanto de los moluscos que habitan |
dicho ambiente (CHOMENKO & SCHAFER, 1984; SPRECHMANN, 1978). Can |
O EO Pipe im SA
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 3 - 8, 2 mar. 1995
Distribución de tres especies del género Heleobia ... 5
Tabla I. Especies del género Heleobia halladas en cada uno de las estaciones de muestreo en el litoral argentino
del Rio de la Plata y en los arroyos afluentes. X, presencia; — ausencia; ( ), datos de densidad media.
ESTACIONES DE MUESTREO SUSTRATO
H.piscium H. australis H. parchappei
(1) Isla Martin Garcia piedra X —— —
(I) ' Balneario Anchorena tosca (62) — —
(II) Baln. Quilmes arena/piedra (8221) — —
(IV) Baln. Hudson arena/vegetaciön (29) —— —
(V) Baln. Punta Lara arena/piedra X — —
(VI) Baln. Palo Blanco arena/piedra — — —
(VII) Baln. Bagliardi piedra X — —
(VII) Baln. Municipal arena/piedra — — —
(IX) Baln. La Balandra arena (6) — —
(X) Baln. Punta Blanca arena/vegetación (2280) — —
(XI) Baln. Atalaya arena/piedra (222) — —
(XI) Baln. Magdalena arena (398) — —
(XII) Baln. Punta Indio arena (10) — —
(XIV) Punta Piedras tosca/limo-arcilloso — (42) —
frecuencia (%) n 7 0
(1) | Arroyo San Felipe tosca/piedras — — X
(2) Arroyo La Matilde limo — —
(3) Arroyo Villoldo limo — -— —
(4) Arroyo sin nombre limo — — —
(5) Arroyo sin nombre limo — — —
(6) Arroyo sin nombre tosca/grava — — X
(7) | Arroyo sin nombre tosca/grava — — X
(8) Arroyo sin nombre tosca/grava — — X
(9) Arroyo sin nombre limo/vegetación — — X
(10) Arroyo Primera Estanci limo/vegetaciön — — X
(11) Arroyo El Destino limo/piedras — — X
(12) Arroyo Morales limo — == —
(13) Arroyo sin nombre limo/vegetación -— — X
frecuencia (%) 0 0 69
| & SCHAFER (1985) observan que el patrón de distribución de los moluscos dulceacuicolas
de las lagunas costeras del sur de Brasil, no responde a barreras geográficas, sino a barreras
ecológicas asociadas a áreas de variación de la concentración salina. CHERRIL &
JAMES (1985), sobre la base de muestreos realizados en diferentes cuerpos de agua de
Inglaterra (rios, arroyos y albuferas), consideran a la salinidad como el principal factor que
determina la distribución de los Hydrobiidae. CHOMENKO & SCHÄFER (1984)
' sugieren que las especies del género Heleobia pueden ser utilizadas como bioindicadores
| de la variación salina de los cuerpos de agua continentales.
En el caso del Rio de la Plata, la concentración salina determinaria la distribución
de las especies de Heleobia. H. australis solo se halló en la estación XIV (Punta Piedras).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 3 - 8, 2 mar. 1995
6 DARRIGRAN
Buenos Aires
República Argentina e 11000.000
(F%)
u vegetacidn
3
D sustrato duro (piedras/tosca)
2 10
sustrato blando (arena /lımo)
Río Arroyos |
I, Litoral de la isla Martin Garcia; II, Balneario Anchorena; III, Baln. Quilmes; IV, Baln. Hudson; V, Baln. Punta Lara; |
VI, Baln. Palo Blanco; VII, Baln. Bagliardi; VII, Baln. Municipal; IX, Baln. La Balandra; X, Baln. Punta Blanca; N
XI, Baln. Atalaya; XII, Baln. Magdalena; XIII, Baln. Punta Indio; XIV, Punta Piedras. Arroyos afluentes al Rio de |
la Plata (1 a 13, partido de Magdalena, Provincia de Buenos Aires): 1, Arroyo San Felipe; 2, Arroyo La Matilde; 3, |
Arroyo Villoldo; 4 a 9, arroyos sin nombre; 10, Arroyo Primera Estancia; 11, Arroyo El Destino; 12, Arroyo Morales; |
13, arroyo sin nombre. A a C, zonas del Rio de la Plata propuestas por Urien (fide BOLTOVSKOY & LENA, 1974).
A, zona Fluvial-interna. B, zona Fluvial-intermedia. C, zona Fluvio-marina. 2. Frecuencia de tres especies.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 3 - 8, 2 mar. 1995
pe
Distribuciön de tres especies del género Heleobia ... 7
AGUIRRE (1988) la menciona, ademäs, para Bahia Samborombön. Estas äreas
correspondem a la zona Fluvio-marina del Rio. Distintos autores (SCARABINO et al.,
1975; BEMVENUTI etal., 1978; SPRECHMANN, 1978; CHOMENKO & SCHÄFER,
1984; AGUIRRE, 1988), consideran a H. australis como especie estuarial o mixohalina.
Por su parte A. piscium se encuentra en el resto del litoral, zonas intermedia e interna,
siendo su límite mäs austral la estación XIII (Balneario Punta Indio). Si bien GAILLARD
& CASTELLANOS (1976) consideran que H. piscium es una especie dulceacuicola, el
presente trabajo la sefiala tambien como una especie lo suficientemente eurihalina como
para estar presente en las zonas Fluvial-interna (salinidad < 0,5%o) y Fluvial-intermedia
(variaciön de salinidad entre 0,5%o y 25%o) del Rio de la Plata.
Considerando la capacidad de H. piscium de adaptarse a distintas concentraciones
salinas, como así también a la mayoria de los sustratos existentes en los cuerpos de aguas
continentales, la distribución de esta especie deberia extenderse tambien a los arroyos
afluentes al Rio de la Plata, lo cual no fué registrado en los muestreos mencionados en el
presente trabajo. H. parchappei no se hallö en el litoral argentino del Rio de la Plata, ni
aún en la zona Fluvial-interna del mismo.
FENCHEL (1975) afirma que el patrón de distribución actual de los Hydrobiidae
es el resultado de la interacciön entre selecciön de habitat, migraciön y colonizaciön,
competencia, otras interacciones bióticas y extinciones. Si bien, y en concordancia con lo
expresado por este autor, son variadas y complejas las interacciones que se establecen
entre las especies consideradas y los restantes componentes bióticos y abióticos del
ecosistema acuático, la evaluación de estas interacciones deberia realizarse a través de
futuras experiencias de campo (según REISE, 1985) y laboratório.
Agradecimientos. A la Dra. Stella Martin (Museo de La Plata) por la determinación de las espécies de
Heleobia. A la Dra. Fernanda Lopez Armengol (Museo de La Plata) por su valioso aporte sobre las cuestiones
nomenclatoriales referidas al género Heleobia. A la Dra. Claudia Bremec (INIDEP) por el material sedido de H.
australis y al Dr. Cristian Ituarte (Museo de La Plata) por la lectura critica del manuscrito.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Buenos Aires. 634p. Tesis Doctoral. Facultad de Ciencias Naturales y Museo, La Plata [No publicada].
BEMVENUTI, C.; CAPITOLI, R. & GIANUCA, N. 1978. Estudos de ecologia bentônica na região estuarial
da Lagoa dos Patos. II Distribuição quantitativa do macrobentos infralitoral. Atlântica, Rio Grande, 3: 23-
32.
BOLTOVSKOY, E. & LENA, H. 1974. Tecamebas del Rio de la Plata. Serv. Hidrog. Naval., Buenos Aires,
660: 1-32.
CHERRILL, A.J. & JAMES, R. 1985. The distribution and habitat preferences of four species of Hydrobiidae
in East Anglia. J. Conch., London, 32: 123-133.
CHOMENKO, L. & SCHAFER, A. 1984. Interpretação de distribuição do gênero Littoridina (Hydrobiidae)
nas lagoas costeiras do Rio Grande do Sul, Brasil. Amazoniana, Kiel, 9(1): 127-146.
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GAILLARD, C. 1973. Las formas ecológicas de Littoridina piscium (D'Orbigny, 1835) (Moll., Hydrobiidae).
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SCARABINO, V.; MAYTIA, S. & CACHES, M. 1975. Carta bionómica litoral del Departamento de
Montevideo. I. Niveles superiores del sistema litoral. Com. Soc. Malac. Urug., Montevideo, 4(29): 117-
126.
SPRECHMANN, P. 1978. The paleoecology and paleogeography of the uruguayan coastal area during the
neogene and cuaternary. Zitteliana, Munich, 4:3-72.
Recebido em 01.07.1993; aceito em 30.01.1994.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 3 - 8, 2 mar. 1995
.—"—————— Dome
HISTOLOGIA DEL TRACTO DIGESTIVO DE CHAETOPHRACTUS
VILLOSUS (DESMAREST, 1804) Y C. VELLEROSUS (GRAY, 1865)
(MAMMALIA, DASYPODIDAE)
Silvia Estecondo !
Stella Maris Codón !
Emma Casanave !
ABSTRACT
HISTOLOGY OF THE DIGESTIVE TRACT OF CHAETOPHRACTUS VILLOSUS (DESMAREST,
1804) AND C. VELLEROSUS (GRAY, 1865) (MAMMALIA, DASYPODIDAE). The histology of the
digestive tract of the armadillos Chaetophractus villosus (Desmarest, 1804) and C. vellerosus (Gray, 1865) was
studied. In general, it appears similar to that described for monogastric mammals. At the transition to the large
intestine from the small intestine there is a caecum. The pancreas of C. vellerosus presents islets of Langerhans
with irregular shape; in C. villosus they are round. Both species have submaxillary, parotid and sublingual
glands. The submaxillary glands are histologically divisible into two well-marked regions. The presence of a
sallivary bladder is remarkable.
KEYWORDS. Dasypodidae, Chaetophractus, digestive tract, histology.
INTRODUCCIÓN
Los dasypódidos (armadillos) son mamíferos Xenarthros autóctonos de Sud
América. Unicos representantes vivientes del Orden Cingulata, se extienden desde el
Sur de Estados Unidos hasta el Estrecho de Magallanes (WETZEL, 1982). Existen por
lo menos veinte especies conocidas vulgarmente como mulitas, piches, matacos, tatúes,
quirquinchos y peludos (WETZEL, 1982; 1985 a, b). Su alimentación es variada y según
las especies, puede ser omnivora o insectivora.
La información disponible sobre la morfologia y particularmente, sobre la histologia
del tracto digestivo de los armadillos, es escasa e incompleta (GRASSÉ, 1955; CUBA-
CAPARO, 1979). No hay antecedentes referidos al género Chaetophractus Fitzinger,
1871.
1. Laboratorio de Histologia Animal, Departamento de Biologia, Universidad Nacional del Sur. San Juan 670. (8000). Bahia Blanca, República
Argentina.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 9 - 18, 2 mar. 1995
10 ESTECONDO: CODÓN & CASANAVE
En este trabajo se describe la histologia del aparato digestivo y glândulas anexas
de dos especies del género Chaetophractus: C. villosus (Desmarest, 1804) yC. vellerosus
(Gray, 1865).
MATERIAL Y MÉTODOS
Se utilizaron animales adultos de ambos sexos, capturados a una distancia de 15-20km de Bahía
Blanca, provincia de Buenos Aires, Argentina; se eutanasiaron con tiopental sódico intraperitoneal y
se perfundieron con Bouin, previo lavado con solución fisiológica heparinizada.
El material fue deshidratado e incluido en parafina y se realizaron cortes de 5 um de espesor. Se
utilizaron técnicas generales de coloración como hematoxilina-eosina, tricrómico de Masson, Azán de
Heidenhein y reacción del ácido peryódico de Schiff. Las preparaciones están depositadas en el
Laboratorio de Histologia Animal de la Universidad Nacional del Sur, Bahía Blanca.
RESULTADOS
Orofaringe con epitelio estratificado plano no queratinizado; corion con acinos
mixtos; no existe muscular de la mucosa.
Esófago con una túnica mucosa con pliegues longitudinales; epitelio (e, fig. 1)
igual que el de la orofaringe, pero se diferencia por ser de mayor espesor; corion (c) con
tejido conectivo denso; muscular de la mucosa (mm), no existe en el pasaje faringe-
esófago, comienza a.evidenciarse hacia el tercio medio y está formada exclusivamente
por fibras musculares lisas de diposición longitudinal; submucosa (sm), de tejido
conectivo laxo muy vascularizado, con glândulas mucosas (gm) y nódulos linfáticos,
penetra en los pliegues de la mucosa. Conductos de las glândulas mucosas, de epitelio
simple cúbico, desembocan en la luz del órgano. Los nódulos linfáticos pueden atravesar
la muscular de la mucosa e invadir el corion; túnica muscular formada por dos capas, una
interna circular y una externa longitudinal, ambas de músculo estriado; hacia la parte
posterior del órgano comienzan a entremezclarse fibras musculares lisas. Cerca del
pasaje esöfago-estömago ambas capas son de músculo liso; la capa interna circular es la
primera en cambiar; adventicia de tejido conectivo laxo muy vascularizado, revestida
por epitelio plano simple.
Mucosa del estómago con pliegues longitudinales, más abundantes hacia la parte
posterior del órgano. El epitelio del esófago cambia bruscamente a epitelio cilíndrico
simple con una diferenciación mucosa apical (fig. 2).
El corion (c, fig. 4) de tejido conectivo laxo está ocupado en su totalidad por
glândulas gástricas que son de tipo tubular simple. Se reconocen tres clases: (1) cardiales |
(ge, fig. 2), restringidas a la primera porción del estômago (es), bajas, formadas por
células mucosas; (2) corpofúndicas (figs. 3, 4) bajas en el fondo del estômago y hacia el |
|
"|
|
|
|
piloro, altas en el cuerpo. Con cuatro tipos celulares; células superficiales (s), cilíndricas |
altas con borde mucoso PAS positivo, con núcleos ovales de cromatina laxa, y uno o dos |
nucléolos; células mucosas del cuello (m), basófilas, más bajas que las superficiales, se |
ubican en el cuello entre las células parietales; mucus distribuido en todo el citoplasma y |
núcleo de posición basal; células principales, cuboideas, con el citoplasma basófilo,
basofilia más intensa en la parte basal de la célula, núcleo oval o redondeado y de
posición basal, presentando la cromatina en grânulos gruesos, abundantes en el fondo de
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 9 - 18, 2 mar. 1995
{
|
|
|
|
——————
Histologia del tracto digestivo de Chaetophractus villosus... 11
las gländulas; células parietales (p) poligonales, grandes, citoplasma con gränulos
acidöfilos, núcleo central, con cromatina de gränulos gruesos ubicados principalmente
sobre la cara interna de la carioteca, con uno o dos nucléolos; más abundantes en la mitad
superior, pero se encuentran distribuidas en toda la glândula entre los otros tipos
celulares; (3) pilóricas (gp, fig. 5), bajas, formadas por células mucosas, se encuentram
en la porciön final del estômago.
Muscular de la mucosa formada, en el pasaje esöfago-estömago, por una sola capa
longitudinal de músculo liso; luego aparece la interna circular, también de músculo liso,
que penetra entre las glândulas; hacia la parte posterior del estômago ambas capas se
hacen más gruesas: submucosa de tejido conectivo laxo muy vascularizado, penetra en
los pliegues de la mucosa; muscular formada por dos capas de fibras musculares lisas, la
interna circular muy ancha y la externa longitudinal; entre ambas capas se observa tejido
conectivo con vasos sanguíneos, nervios y ganglios del plexo de Aüerbach; hacia el final
del estômago, túnica muscular muy prominente; serosa de tejido conectivo laxo recubierto
por mesotelio. En el pasaje estömago-intestino hay un estrechamiento y un esfinter
muscular, el piloro.
Intestino delgado con pliegues y vellosidades; los pliegues abarcan las túnicas
mucosa y submucosa; las vellosidades son proyecciones de la mucosa; glândulas de
Lieberkühn (fig. 6) entre las vellosidades, ambas recubiertas por epitelio cilíndrico
simple con chapa estriada y células caliciformes, estas últimas aumentan en número
hacia el ciego. Hay abundantes linfocitos infiltrados en el epitelio. En las glândulas de
Lieberkühn se observan además células cilíndricas relativamente indiferenciadas, muchas
en mitosis y hacia el fondo de las criptas, células de Paneth (pa, fig. 7) (piramidales, con
núcleo desplazado hacia la base y con grânulos eosinófilos en el citoplasma). Corion de
tejido conectivo laxo, escaso, ubicändose entre las glândulas y por debajo de ellas; con
nódulos linfáticos más abundantes hacia el ciego.
Muscular de la mucosa, de fibras musculares lisas, formada por una capa interna
circular y una externa longitudinal: interna circular delgada y envia fibras que penetran
entre las glândulas y en las vellosidades; externa longitudinal es discontinua al principio
y luego se hace continua; esta disposición se mantiene en el resto del tracto digestivo.
Submucosa de tejido conectivo laxo muy vascularizado con nódulos linfáticos y abun-
dantes linfocitos; se observan ganglios del plexo de Meissner; túnica muscular delgada
y de disposición típica. Serosa, de tejido conectivo laxo, recubierta por mesotelio.
Duodeno y yeyuno-ileon distintos. Duodeno con vellosidades cortas y en la
submucosa abundantes glândulas de Brunner. Yeyuno-ileon con vellosidades más
largas y delgadas, haciendose más bajas y anchas hacia el ciego. Se observa mayor
cantidad de células caliciformes y no hay glándulas de Brunner. El pasaje intestino
delgado-ciego es bien visible. Macroscópicamente se observa un estrechamiento que se
corresponde histológicamente con un esfinter muscular. Por otra parte cambia brusca-
mente el aspecto de la mucosa ya que desaparecen las vellosidades.
Ciego (fig. 8) no diferenciado del intestino grueso (fig.9); esfinter muscular no
observado; ambos órganos presentan pliegues de la mucosa y submucosa. En el intestino
grueso de C. vellerosus hay mayor cantidad de pliegues. Epitelio cilíndrico simple con
chapa estriada y células caliciformes. En el ciego se observan menor cantidad de células
caliciformes que en la porción final del intestino delgado; estas células van en aumento
hacia el recto. Criptas de Lieberkühn muy profundas y formadas casi exclusivamente
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 9 - 18, 2 mar. 1995
12 ESTECONDO: CODÓN & CASANAVE
por células caliciformes. Corion de tejido conectivo laxo ubicado entre las criptas de
Lieberkiihn. Nódulos linfáticos y abundantes linfocitos. Las capas muscular de la
mucosa, submucosa, muscular y serosa presentan disposición característica. En el pasaje
intestino grueso-recto existen pliegues transversales de mucosa y submucosa.
Recto semejante al intestino grueso, con la excepción de la túnica muscular cuya
capa longitudinal externa es mäs gruesa que la circular interna. En el pasaje recto-
conducto anal el epitelio cambia abruptamente a epitelio estratificado plano no
queratinizado. Este espitelio se queratiniza a cierta distancia del pasaje.
El higado (fig. 10), vesícula biliar y la porciön exócrina del pâncreas responden a
la estructura histológica típica de mamiferos.
Los islotes de Langerhans (1) se caracterizan por ser escasos y redondeados en C.
villosus (fig. 11). En C. vellerosus presentan tamafio y forma muy irregular; pueden ser
alargados, más o menos redondeados o formar cordones (fig. 12).
Las glândulas salivales son pares y de grandes dimensiones. Morfológicamente se
distinguen parótidas, submaxilares y sublinguales. Se destaca la presencia de un reservorio
salival relacionado con la glândula submaxilar. Todas son glândulas túbulo alveolares
compuestas. Están rodeadas por una gruesa cápsula de tejido conectivo denso que envia
tabiques hacia el interior dividiendolas en lóbulos y lobulillos. La parótida está constitu-
ida por acinos de tipo serosos, PAS positivos, (fig. 13). En la submaxilar se distinguem
dos zonas (fig. 14), la anterior (za) formada por acinos mixtos y acinos serosos. Los
acinos mixtos se caracterizan por semilunas serosas grandes. La pórcion mucosa del
acino reacciona débilmente con PAS. La zona posterior (zp) está formada por acinos
mixtos y escasos acinos serosos. En los acinos mixtos las semilunas serosas son
pequenas, predominando la parte mucosa que es fuertemente PAS positiva. La glândula
sublingual es una glândula predominantemente mucosa. Reservorio salival (fig. 15)
tapizado por epitelio simple (e); debajo del mismo hay tejido conectivo laxo (cl) y una
gruesa capa de músculo estriado esquelético (me).
DISCUSIÓN
Los tubos digestivos de C. villosus y C. vellerosus presentan gran similitud
estructural. Sus características corresponden básicamente a la disposición típica de
mamiferos.
Se destaca un ciego que constituye la porción inicial del intestino grueso; un
esfinter, que lo separa claramente del intestino delgado y sugiere su importancia
funcional como probable etapa de retraso del flujo intestinal.
A diferencia de lo descripto para Dasypus hybridus (Desmarest, 1804) por CUBA-
CAPARO (1979), en Chaetophractus no se observan vellosidades ni en el ciego ni en el
intestino grueso; las glândulas del ciego son en D. hybridus semejantes a las de la región
cardial gástrica y en Chaetophractus el ciego es histolögicamente semejante al intestino
grueso. mano
CUBA-CAPARO (1979) no indica la chapa estriada en el epitelio de las vellosidades
y de las glândulas de Lieberkühn del intestino delgado de D. hybridus. La misma es
claramente visible en Chaetophractus.
Llama la atención la diferencia morfológica que presenta el pâncreas en ambas
especies. C. vellerosus posee islotes irregulares en forma y tamafio, coincidiendo con lo
descripto para D. septemcinctus (Linnaeus, 1758) por RIET-CORREA et al., (1965). C.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 9 - 18, 2 mar. 1995
Histologia del tracto digestivo de Chaetophractus villosus... 13
Figs. 1-3. Chaetophractus villosus (Desmarest, 1804): 1, esófago, sección transversal (Masson). C. vellerosus
(Gray, 1865): 2, pasaje esöfago-estömago (Masson); 3, gländulas corpofúndicas altas del
estômago (Hematoxilina-Eosina); (c, corion; e, epitelio; es, esófago; gc, glándulas cardiales;
gm, glándulas mucosas; mm, muscular de la mucosa; p, células parietales; s, células superficiales;
sm, submucosa). Barra: 60 um.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 9 - 18, 2 mar. 1995
14
ESTECONDO; CODÓN & CASANAVE
Figs.4-6. Chaetophractus villosus: 4, mitad superior de las glândulas corpofúndicas (PAS). C. vellerosus: 5,
glándulas pilóricas del estômago (Masson); 6, vista general de la mucosa del intestino delgado (Masson); (c,
corion; gp, glándulas pilóricas; m, células mucosas del cuello; p, células parietales). Barra: fig.
4, 35 um; figs. 5 y 6, 60 um.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 9 - 18, 2 mar. 1995
Histologia del tracto digestivo de Chaetophractus villosus... 15
Figs. 7-9. Chaetophractus villosus: 7, fondo de las glândulas de Lieberkühn (Masson); 8, vista general de la
mucosa del ciego (Masson); 9, vista general de la mucosa y submucosa del intestino grueso (Masson); (c, corion;
e, epitelio; mm, muscular de la mucosa; pa, células de Paneth; sm, submucosa). Barra: 60 um.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 9 - 18, 2 mar. 1995
16 ESTECONDO; CODÓN & CASANAVE
Figs. 10-12. Chaetophractus vellerosus: 10, higado (Masson); 12, pâncreas (Hematoxilina-Eosina). C. villosus: |
11, pâncreas (Hematoxilina-Eosina); (i, islote de Langerhans; k, espacio Kiernan; v, vena central del lobulillo).
Barra: 60 um.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 9 - 18, 2 mar. 1995
Histologia del tracto digestivo de Chaetophractus villosus... 117)
Figs. 13-15. Chaetophractus vellerosus: 13, glândula parótida (Masson). C. villosus: 14, glândula submaxilar
' (Hematoxilina-Eosina); 15, reservorio salival (Masson). (cl, tejido conectivo laxo; e, epitelio; me, músculo
estriado; za, zona anterior; zp, zona posterior). Barra: fig. 13, 100 um; figs. 14 y 15, 60 um.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 9 - 18, 2 mar. 1995
18 ESTECONDO; CODÓN & CASANAVE
villosus presenta islotes redondeados siendo semejante al de D. hybridus (CUBA-
CAPARO, 1979).
Es una característica propia de los armadillos poseer un reservorio salival
(POUCHET, 1868; BURNE, 1901 y FAHRENHOLZ, 1937). SHACKLEFORD (1963),
lo describe en Dasypus novemcinctus (Linnaeus, 175 8) y FAVA-DE-MORAES (1965),
en Cabassus loricatus (Pelzeln, 1883) y D. novemcinctus. La pared del reservorio está
formada principalmente por músculo estriado esquelético. La saliva podria acumularse
en este reservorio y ser usada a voluntad en determinadas situaciones fisiológicas que
requieran mayor cantidad de saliva.
En Dasypus novemcinctus la glândula submaxilar está compuesta por dos lóbulos
que difierem histoquimicamente (SHACKLEFORD, 1963) y ultraestructuralmente
(RUBY & CANNING, 1978). En las especies en estudio la glândula submaxilar posee
dos zonas histológicamente diferentes, siendo la parte posterior predominantemente
mucosa. Los acinos mucosos de la zona anterior poseen distinta afinidad tintorial que los
de la zona posterior. Esto sugiere que existe alguna diferencia en el producto de
secreción elaborado por ambas porciones.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BURNE, R. H. 1901. A contribution to the myology and visceral anatomy of Chlamyphorus truncatus. J.
Zool., London, 1: 104-121.
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FAHRENHOLZ, C. 1937. Drüsen der Mundhöle. p. 115-210. In: BOLK, L. et al. Handbuch der
vergleichenden Anatomie der Wirbeltiere. Berlin, Urban & Schwarzenberg. v. 3. |
FAVA-DE-MORAES, F. 1965. Alguns dados morfológicos associados ao estudo histoquímico dos |
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Institution. |
Recebido em 08.11.1993; aceito em 04.02.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 9 - 18, 2 mar. 1995
ANATOMIA E CONSIDERAÇÕES SOBRE MEGALOBULIMUS PROCLIVIS
(MARTENS, 1888) (GASTROPODA, MEGALOBULIMIDAE)
José L. M. Leme !*
Leocädia F. Indrusiak ?
ABSTRACT
ANATOMY AND CONSIDERATIONS ON MEGALOBULIMUS PROCLIVIS (MARTENS, 1888)
(GASTROPODA, MEGALOBULIMIDAE). An anatomical description of the structures of the free mantle
edge, the roof ofthe pulmonary cavity, the gut and the genital apparatus of Megalobulimus proclivis (Martens,
1888) are given. Some considerations are made on geographical distribution, type locality and type material.
KEYWORDS. Anatomy, Gastropoda, Megalobulimidae, Neotropical, Pulmonata.
INTRODUÇÃO
Megalobulimus proclivis (Martens, 1888), como a grande maioria das espécies de
gastrópodes terrestres brasileiros, é conhecida apenas por descrição conquiliológica.
Esta espécie apresenta problema com relação ao material-tipo, pelo fato de MARTENS
(1868) ter identificado um exemplar procedente de Rödersberg, Rio Grande do Sul,
enviado por R. Hensel, como Bulimus cf. lacunosus Orbigny, 1835, espécie com
distribuição restrita aos Andes. MARTENS (1888), estudando material procedente da
“Província de Rio Grande do Sul”, remetido por v. Heimburg, reconheceu seu erro de
identificação e descreveu uma nova espécie, a qual denominou Bulimus proclivis e
comparou-a com Bulimus ovatus (Müller, 1774).
CLESSIN (1888), com base em um exemplar enviado por R. v. Ihering, procedente
de Taguara (= Taquara) Rio Grande do Sul, descreveu uma nova espécie, Bulimus
iheringi. Ihering conservou um exemplar, no Museu de Zoologia, Universidade de São
Paulo registrado como MZSP 1309 junto com um manuscrito em alemão informando que
se trata da mesma espécie identificada e publicada por v. Martens como B. lacunosus.
PILSBRY (1895-1896) reconheceu a identidade das duas espécies, transferindo-as para
“O gênero Strophocheilus Spix, 1827. Posteriormente (1901-1902: 122) confirmou sua
“Identificação e publicou a figura de Strophocheilus iheringi (Clessin, 1888), com base
“numa fotografia enviada por H. v. Ihering. BEQUAERT (1948) estabeleceu a sinonimia
' com a prioridade de S. (Megalobulimus) proclivis e informou a localização do holótipo
| 1, Museu de Zoologia e Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, C. P. 7172, CEP 01064-970, São Paulo,
| Brasil.
| 2. Universidade Federal de Santa Maria, Faixa de Camobi, km 9 - Campus Universitärio - Camobi, CEP 97119-900, Santa Maria, Rio Grande do
| Sul, Brasil.
3. Bolsista do CNPq (Processo nº 306231/88-3)
|
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 19 - 27, 2 mar . 1995
|
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E
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20 LEME & INDRUSIAK
dessa espécie no Museu de Berlim; de um topótipo procedente de “Taquara do Mundo
Novo” do Rio Grande do Sul, no Museu de História Natural de Chicago; e de um possível
outro topótipo no Museu da Universidade de Michigan. Com referência ao destino do
tipo B. iheringi disse desconhecer.
MORRETES (1949) registrou Strophocheilus proclivis nas localidades Taquara
do Mundo Novo, RS e floresta virgem junto à Rödersberg, Santa Catarina (S. lacunosus)
[sie]. Em 1952, elevouMegalobulimus Miller, 1878 a gênero e propôs outros subgêneros,
entre os quais Phaiopharus, onde colocou M. proclivis. MORRETES (1953) manteve a
denominação Megalobulimus (Phaiopharus) proclivis procedente de “Taquara do Novo
Mundo”, Rio Grande do Sul, sem fazer menção a “Rödersberg.”
Segundo o Dr. Telmo Lauro Müller, diretor do Museu Histórico “Visconde de São
Leopoldo”, o termo “Rödersberg” pode ser associado a “Reutersberg”, Morro Reuter,
localizado a 35km de São Leopoldo, na BR 116, entre Porto Alegre e Gramado. Segundo
informação do Prof. J. W. Thomé, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do
Sul não conseguiu identificar “Rödersberg” no RS, embora no mapa de HENSEL (1867)
conste “Rödersberg” entre São Leopoldo e Nova Petrópolis, sugerindo, mesmo, se tratar |
do Morro Reuter, naquela ocasião mata virgem, hoje município independente. Pelo |
exposto, pode-se admitir que o material aqui estudado habita pelo menos a vizinhança da |
localidade-tipo de M. proclivis. |
LEME (1973), discutindo o status de família para as espécies do gênero |
Megalobulimus, não encontrou elementos anatômicos e argumentação suficiente para |
aceitar o subgênero Phaiopharus e outros propostos por Morretes e listou M. proclivis |
entre as espécies de Megalobulimus. |
O status de família proposto por LEME (1973) tem sido refutado por alguns |
pesquisadores europeus atuais, principalmente aqueles que, levados pela necessidade de |
interpretação filogenética, sem possuir um embasamento profundo sobre a anatomia dos |
Megalobulimidae, estabeleceram interpretações equivocadas sobre espécies neotropicais |
dos Strophocheiloidea. Tais dados anatômicos serão discutidos no final do trabalho.
MATERIAL E MÉTODOS
O material estudado inclui topótipo de Bulimus iheringi (fig. 4), depositado no Museu de |
Zoologia, Universidade de São Paulo (MZSP 1309) e assinalado com um disco azul por H. von Ihering, |
como em todo seu material-tipo; um exemplar jovem completo (fig. 1) e duas conchas vazias (figs. 2,3) |
coletadas no Parque do Caracol, Município de Canela, Rio Grande do Sul, por R. S. K. Saalfeld, em |
26.V.1974, depositados no Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. 2
(MCNZ 3804). E
Graças à colaboração do Prof. Dr. J. W. Thomé, pudemos examinar duas fotografias, efetuadas |
no “Zoologisches Museum Berlin”, do holótipo de M. proclivis, em vistas ventral e dorsal, com dois. |
rótulos originais, em um deles constando Bulimuscef. lacunosus Orbigny, Rödersberg, Sul do Brasile no |
outro Strophocheilus (Borus) ef. lacunosus Orbigny, Ródersberg, Brasilien, Hensel. |
Os trabalhos anatômicos foram realizados com base em único exemplar semiadulto disponível!
(MCNZ 3804). O plano de dissecção, a terminologia e as abreviaturas seguem os trabalhos de LEME, |
1973, e em parte, o de SCOTT (1939), que apresenta o mais amplo estudo anatômico sobre uma espécie |
do gênero Megalobulimus. As estruturas do aparelho genital não apresentam caracteres seguros para |
a diagnose específica, devido ao estado de pré-maturação do exemplar examinado. As estruturas da |
borda livre do manto, da cavidade pulmonar e do sistema digestivo, por independerem da maturidade |
sexual, são aqui considerados como de plena utilização na identificação específica. 7
Os caracteres conquiliolögicos estão limitados aos da diagnose específica proposta por
BEQUAERT (1948) e pelas medidas dos exemplares examinados. |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 19 - 27, 2 mar . 1995
Anatomia e considerações sobre Megalobulimus proclivis... 21
Megalobulimus proclivis (Martens, 1888)
(Figs. 1-19)
Bulimus lacunosus; MARTENS, 1868: 177-8, non Orbigny, 1835.
Bulimus proclivis MARTENS, 1888: 64-5. “Rödersberg” (=Morro Reuter), Rio Grande do Sul; holótipo no
Zoologisches Museum Berlin.
Bulimus (Borus) iheringi CLESSIN, 1888: 167-8, holótipo “Taguara” (= Taquara), Rio Grande do Sul, Brasil,
não localizado.
Strophocheilus (Borus) proclivis; PILSBRY, 1895-1896: 195.
Strophocheilus (Borus) iheringi; PILSBRY, 1901-1902: 122.
Strophocheilus (Megalobulimus) proclivis;, BEQUAERT, 1948: 166.
Strophocheilus proclivis; MORRETES, 1949:141.
Megalobulimus (Phaiopharus) proclivis; MORRETES, 1952: 113; 1953:66.
Megalobulimus proclivis; LEME, 1973: 333.
Diagnose. Pela escultura nepiönica, assemelha-se aMegalobulimus granulosus
(Rang, 1831), diferindo por apresentar costelas ligeiramente mais fortes e mais juntas.
Concha fusiforme alongada, espira ligeiramente mais atenuada que a base. Volta
corporal estreita, não entumescida em forma de fundo de saco, a esquerda da base.
Abertura semi-eliptica, columela aproximadamente reta e oblíqua. Pela forma do rim,
pela relação volumétrica reno-pericárdica, pela presença de apêndice vaginal e pela
relação de comprimento entre o pênis e o epifalo, M. proclivis pode ser associada à M.
oblongus (Müller, 1774) e espécies afins; diferindo de M. ovatus (Müller, 1774) e afins.
M. proclivis distingue-se pela presença de conspicua papila basal no lábio interno do
pneumóstoma (pli), larga cinta muscular envolvendo o vaso subcolar (cin) e o estômago
constituído por duas túnicas musculares, diferenciadas em incisão longitudinal (fig. 12).
Figs. 1-4. Conchas de Megalobulimus proclivis:1-3, Parque do Caracol, Canela, RS (MCNZ 3804); 1, subadulto
dissecado; 2, 3 conchas vazias; 4, Taquara, RS, topótipo (MZSP 1309). Barra = 2cm.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 19 - 27, 2 mar . 1995
29 LEME & INDRUSIAK
Medidas, em mm, das conchas de exemplares adultos (a = comprimento total; b =
diâmetro maior; c = diâmetro menor; d = eixo maior da abertura; e = eixo menor da
abertura, maior distância perpendicular ao eixo maior; f = número de voltas). MCNZ
3804: (a) 82,0, (b) 35,5, (c) 31,5, (d) 40,5, (e) 20,5, (f) 5,5; MCNZ 3804: (a) 91,0, (b) 38,0,
(c) 35,5, (d) 39,0, (e) 21,0, (f) 5,5; MZSP 1309: (a) 93,5, (b) 43,0, (c) 36,5, (d) 47,0, (e)
22.0.0585
Descrigäo anatömica. Regiäo palial. Labio interno da borda do manto (lim, figs. 5,
6, 10, 11) longo e flexuoso, partindo do pneumöstoma e atingindo a extremidade oposta
do colar do manto. Lábio interno do pneumóstoma (lip, figs. 5, 10, 11) forte, com a borda
superior sinuosa e a inferior com uma conspicua papila basal de forma arredondada (pli,
figs. 10, 11). Cavidade pulmonar curta, porém ampla, e apresentando fortes rugas de
acomodação (enr, figs. 5, 6, 10, 11); superfície respiratória limitada a uma condensação
de fortes vasos obliquos, intensamente anastomosados junto à região do pneumöstoma,
separada do mesmo pelo septo pulmonar (sep, fig. 11) que também margeia uma zona
adretal mais anastomosada, sem apresentar vasos contínuos, que por sua vez é margeada
por uma elevada crista marginal da goteira urinária (cri, fig. 11); o restante da superfície
do manto é percorrido por poucos e delicadissimos vasos longitudinais com ramificações
tênues, difusas e dificilmente evidenciadas; vaso subcolar (vac, fig. 6) encerrado no
interior de uma forte e larga cinta muscular, cujo eixo maior acompanha o sentido da
borda do manto (cim, figs. 5, 6); porção livre do vaso subcolar, adretal (par, figs. 10, 11),
em forma de uma calibrosa corda, liga-se à crista marginal da goteira urinária e à porção
terminal do reto, próximo ao ânus. Pericárdio oblíquo, quase tão longo quanto o rim, que
é alongado, de contorno irregular, com extremidade distal volumosa e arredondada, e um
nefróstoma (nef, figs. 5, 9) situado no primeiro terço da parede lateral livre.
Sistema digestivo. Tubo digestivo com repartições fortes e externamente bem |
delimitadas; esôfago, com a porção mediana (pme, fig. 7) em forma de pera nitidamente |
diferenciada da anterior e da posterior, todas com superficie interna forrada apenas por |
dobras longitudinais; ducto da glândula digestiva anterior (dga, figs. 7, 8) localizado a |
considerável distância do limite basal do estômago que é muito forte, inteiramente |
musculoso, formado por duas capas perfeitamente diferenciadas em secção e forrado por |
fortes e uniformes dobras longitudinais (fig. 12). Ducto da glândula posterior (dgp, figs. |
8, 12) localizado na metade da face ventral do estômago. Tiflossole (tif, fig. 12) único, |
inicia-se no ducto da glândula digestiva posterior e termina a uma curta distância da |
válvula pré-retal (vpr, fig. 9), na região do pericárdio.
Sistema genital. A condição de submaturidade sexual evidenciada pela fragilidade |
da concha e pela ausência do rebordo do lábio externo, é confirmada pelo isolamento dos |
lóbulos do ovotestis (ovt, fig. 19), pelo pequeno volume da glândula de albume (gal, figs. |
14, 17) em relação ao saco glandular anexo (sga) e pelo pequeno desenvolvimento do |
espermoviduto (esp, fig. 14). Oviduto livre volumoso e tão longo quanto a vagina (ovl, |
figs. 14, 16); apêndice vaginal (designado por SCOTT (1939) de saco do dardo) (sad, figs. |
14, 16), longo; ducto deferente cruza diagonalmente o oviduto livre antes de acompanhar |
longitudinalmente a vagina (cad, fig. 15) e antes de ser envolvido pelas bainhas vaginal |
(bav) e peniana (bai); epifalo (epf) quase tão longo quanto o pênis, dotado de um forte e |
calibroso flagelo (fla). Músculo retrator peniano tem inserção apical e se espalha pela ||
cabeça do epifalo (mrp, figs. 13, 14). Pênis pouco diferenciado externamente e interna- |
mente dotado de pilastras longitudinais (pil, fig. 13) aparentemente uniforme.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 19 - 27, 2 mar .. 1995
Anatomia e considerações sobre Megalobulimus proclivis... 23
lem
Figs.5-9. Megalobulimus proclivis (MCNZ 3804): 5, teto da cavidade pulmonar e borda livre do manto; 6,
detalhe da região oposta ao pneumóstoma; 7, porção inicial e mediana do tubo digestivo; 8, detalhe da região
do estômago, mostrando a posição do ducto das glândulas digestivas; 9, teto da cavidade pulmonar, detalhe da
região renopericárdica: ain, alça intestinal; au, aurícula; bur, bulbo radular; cim, cinta muscular; dga, ducto da
glândula digestiva anterior; dgp, ducto da glândula digestiva posterior; enr, enrugamento do teto da cavidade
pulmonar; est, estômago; frd, fragmento do diafragma; frt, fragmento do tegumento externo; gda, glândula
digestiva anterior; gls, glândula salivar; int, intestino; lem, lábio externo da borda do manto; lim, lábio interno
da borda do manto; lip, lábio interno do pneumóstoma; mrr, músculo retrator radular; nef, nefróstoma; pae,
porção anterior do esôfago; per, perióstraco; pme, porção mediana do esôfago; pne, pneumóstoma; ppe, porção
posterior do esôfago; ret, reto; rim, rim; sep, septo pulmonar; sue, sulco urinário extemo; vac, vaso subcolar; ven,
ventrículo; vpr, válvula pré-retal. Escalas: 10mm, figs. 5, 6, 9; 4mm, fig. 7; 2mm, fig. 8.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 19 - 27, 2 mar . 1995
24 LEME & INDRUSIAK
enr Sep |
11
gur
Figs. 10-13. Megalobulimus proclivis (MCNZ 3804): 10, 11, teto da cavidade pulmonar; detalhe da ärea
respiratória na região do pneumóstoma, respectivamente, antes e depois da abertura e rebatimento do lábio |
interno do pneumóstoma; 12, detalhe da distribuição da musculatura interna do estômago; 13, detalhe da !
estrutura interna da região apical do complexo peniano; an, ânus; cri, crista marginal da goteira urinária; dgp, |
ducto da glândula digestiva posterior; enr, enrugamento do teto da cavidade pulmonar; epf, epífalo; est, |
estômago; frt, fragmento do tegumento externo; gur, goteira urinária; int, intestino; lem, lábio externo da borda |
do manto; lim, lábio interno da borda do manto; lin, linhas de incisão; lip, lábio interno do pneumóstoma; mrp, |
músculo retrator peniano; ost, ostiolo do epifalo; pap, porção apical do pênis; par, porção adretal do vaso |
subcolar; pil, pilastras penianas; pli, papila marginal do lábio interno do pneumóstoma; pne, pneumóstoma; ret, |
reto; sep, septo pulmonar; sue, sulco urinário externo; tif, tiflossole intestinal. Escalas: 10mm, figs. 10, 11; 2mm, |
figs. 12, 13.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 19 - 27, 2 mar . 1995
Anatomia e considerações sobre Megalobulimus proclivis... 25
epf
esp
Figs. 14-19. Megalobulimus proclivis (MCNZ 3804): vista dorsal da sisterna genital; 15, 18, detalhe da regiäo
basal do aparelho copulador, vista ventral; 16, detalhe da regiäo mediana do ramo hermafrodita da sisterna
genital, vista ventral; 17, detalhe, em vista de perfil, da regiäo superior do ramo hermafrodita da sisterna genital;
19, vista ventral do ovotestis: aor, aorta; bai, bainha peniana; bav, bainha vaginal; cad, ducto deferente; cbc, corpo
“da bursa copulatória; dbc, ducto da bursa copulatória; dpr, dobras prostáticas; duh, ducto hermafrodita; epf,
“epífalo; esp, espermoviduto; fla, flagelo; frt, fragmento do tegumento externo; gal, glândula de albumina; mrp,
“músculo retrator peniano; ovl, oviduto livre; ovt, ovotestis; pap, porção apical do pênis; pbp, porção basal do
pênis; sad, apêndice vaginal (saco do dardo segundo SCOTT, 1939); sga, saco glandular anexo; tal, talon; vag,
vagina. Escalas: 4mm, fig. 14; 2mm, figs. 15-19.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 19 - 27, 2 mar . 1995
26 LEME & INDRUSIAK
DISCUSSÃO
O confronto entre as medidas obtidas do topótipo (MZSP 1309) e as do material
descrito por CLESSIN (1888) como B. iheringi: 90mm de comprimento, 43mm de
diâmetro e 44mm de comprimento da abertura, invalida a hipótese de considerá-lo como
o holótipo desaparecido. Pode-se apenas admitir que Ihering teria conservado consigo
um exemplar da espécie aqui estudada.
Considerando as controvérsias apresentadas pela teoria de REGONDAUD (1964),
segundo a qual a cavidade respiratória dos Pulmonata seria uma nova formação e não
uma simples transformação progressiva da cavidade palial dos Prosobranchia, e que
estaria representada apenas pela região do pneumóstoma, é de se estranhar que os autores
modernos, principalmente aqueles que elaboram árvores filogenéticas hipotéticas, base-
ados apenas em dados de literatura e não em observações anatômicas pessoais, não |
tenham dedicado qualquer atenção às estruturas da borda livre do manto e do teto da
cavidade pulmonar. Por entender que, aceitando tanto a teoria antiga que acreditava na
fusão da borda do manto com o tegumento da região nucal, para o fechamento da
cavidade palial, no sentido de permitir respiração aérea, quanto a teoria de Régondaud, |
acreditamos ser indispensável o estudo das estruturas evidenciadas, tanto fora da |
cavidade, quanto aquela distribuída pelo teto da cavidade. |
O detalhamento das estruturas dispostas na região do pneumóstoma e da borda |
livre do manto visa fornecer subsídios para o conhecimento das sinapomorfias que |
definam os grupos em continuação a LEME & ZAGO (1992), as quais TILLIER (1989: |
71) confessa não conhecer. |
Este posicionamento concorda com as conclusöes de BIELER (1992: 330) quanto |
à necessidade de cada vez mais se basear em trabalhos monográficos e em metodologias |
avançadas para o embasamento da taxonomia dos Pulmonata. |
TILLIER (1989: 71), não considerando a família Megalobulimidae, emite um |
conceito de parentesco entre os gêneros Strophocheilus e Dorcasia Gray, 1838 que |
estaria correto, como demonstrou LEME (1975) se Megalobulimus e Strophocheilus |
fossem considerados como representantes de famílias distintas como prôpos LEME |
MUS) |
TILLIER (1989) não concordou com o arranjo sistemático de BOSS (1982) que |
também colocou Megalobulimus em Megalobulimidae, embora, baseado em compila- |
ções. NORDSIECK (1992) também não aceitou a família Megalobulimidae. q
Ao contrário de Tillier, entendemos que a mais importante lacuna para a interpre- |
tação da filogenia dos Pulmonata não é a falta de conhecimento sobre a família ||
Megaspiridae, mas a falta de informações sobre as relações morfológicas entre as | |
famílias Megalobulimidae e Strophocheilidae. |
Defende-se a inclusão de M. proclivis na familia Megalobulimidae por apresentar: | |
septo pulmonar desenvolvido, separando no teto da cavidade pulmonar uma área |
excretora da área essencialmente respiratória; presença de franja bucal desenvolvida; |
presença da válvula pré-retal na alça intestinal contígua ao pericárdio; estômago volumo-
so com limites bem definidos; rim com nefróstoma simples, sem qualquer proteção, |
localizado na parede lateral livre, a meio caminho entre a extremidade anterior e a caudal, |
e presença de glândula genital assessória no trajeto do espermoviduto. |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 19 - 27, 2 mar . 1995
|
Anatomia e considerações sobre Megalobulimus proclivis... 27
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Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 19 - 27, 2 mar . 1995
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STRUCTURE AND FUNCTION OF THE HEMISPERMATOPHORE
AND SPERMATOPHORE OF BOTHRIURUS FLAVIDUS KRAEPELIN,
1910 (SCORPIONES, BOTHRIURIDA E)!
Alfredo Vicente Peretti ?
ABSTRACT
The morphology and functioning of the spermatophore of Bothriurus flavidus Kraepelin, 1910
are studied. Comparisons were made between 16 hemispermatophores, nine pre-insemination
spermatophores and eigth post-insemination spermatophores. The similarities and differences between
the spermatophores of this and other species of genus Bothriurus Peters, 1861 are established. Previous
studies on bothriurid spermatophores are discussed. The associated behaviours to process capsular
ejection and the following expulsion of sperm into female are added.
KEYWORDS. Spermatophore, Bothriurus flavidus, sperm transfer, Argentina.
INTRODUCTION
One reason for a thorough examination of scorpion spermatophores is
based upon the fact that this order probably represents an ancestral group in the
evolution of the arachnids sperm transfer mechanisms (ALEXANDER, 1964;
THOMAS & ZEH, 1984). The analysis of the different morphological and/or
functional types of spermatophores, in each family, contributes to the knowledge
of basic patterns, as well as to the specific features exclusive to each “type”.
ANGERMANN (1955, 1957) working on Chactidae, ALEXANDER (1957) on
Scorpionidae, and ROSIN & SHULOV (1963) on Diplocentridae, among others,
have established the bases for such studies on spermatophores of “lameliform”
type (nomenclature after FRANCKE, 1979).
The spermatophores of the family Bothriuridae have scarcely been studied.
Previous studies have focussed either on the morphology (SAN-MARTIN &
GAMBARDELLA, 1967; MAURY, 1975) or on the mechanism by which they
1. Part of Doctoral Thesis, Facultad de Ciencias Exactas, Físicas y Naturales, Universidad Nacional de Córdoba, Argentina.
2. Cátedra Diversidad Animal I. Facultad de Ciencias Exactas, Físicas y Naturales. Universidad Nacional de Córdoba. Av. Vélez Sarsfield 299, 5000
Córdoba, Argentina. (CONICET).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 29-37, 2 mar. 1995
30 PERETTI
transfer sperm. MAURY (1968) studied the function of a spermatophore of
Urophonius iheringi Pocock, 1893; ACOSTA (1989) and PERETTI (1992) of
Bothriurus bonariensis (C.L. Koch, 1843), a species that had been partially analyzed
by ZOLESSI (1956).
The spermatophore of Bothriurus flavidus Kraepelin, 1910 has been
previously described by ABALOS & HOMINAL (1974), based on partially
everted spermatophores. The objective is to describe the morphology of the
hemispermatophore and spermatophore in B. flavidus as well as its functioning in
order to provide a future comparative study of spermatophores of the family
Bothriuridae.
MATERIAL AND METHODS
Sixteen hemispermatophores were studied, as well as nine preinsemination spermatophores
and eight post-insemination ones, produced by 20 males of B. flavidus. The specimens were collected
in December 1990 and 1991 near Sierra de la Ventana, province of Buenos Aires, Argentina.
The hemispermatophores were dissected from the paraxial organs, the membranous structures
of the male genital system which contains them. Appropriately cleaned of all covering tissues, they
were preserved in 80º ethyl alcohol. The spermatophores were removed from the substratum before or
after the sperm transfer, and then stored with the specimens as the hemispermatophores, deposited in
the Cátedra Diversidad Animal I, Universidad Nacional de Córdoba, Argentina.
The nomenclature proposed for the spermatophore of B. bonariensis by PERETTI (1992) is
followed. When pointing out distal-proximal, dorsal-ventral and internal-external direction, the actual
position of the organs in the male body in taken into account. A total of 18 mating behaviours was
observed in December 1990, January and December 1991, and January 1992, in a 60x50x15cm arena.
The substratum consisted of soil provided with 5-60mm, diameter stones and pieces of wood or tree
barks. The observation was related and recorded in cassettes tapes. Many representatives parts of the |
mating were filmed. For more details of this methodology see PERETTI (1991). The abbreviations |
used here deriving from the spanish names of the structures.
RESULTS
Hemispermatophore (figs. 1-9). Light chestnut colour, weakly sclerotized |
and very translucent. Lamina (LA) shorter than the trunk (TR), visibly inclined |
towards dorsal (figs. 1,2). Crest (CR) well developed with a transversal wall (PT) |
either near its proximal limit or rising from the base (fig. 6). Dorsal edge (FD) |
long, occupying the middle and distal part of the lamina. Brief dorsal fold (RD), |
poorly developed, enlarged towards distal end. Ventral fold (RV) is continued in |
the trunk, marking the boundaries of semicircular depression (DS) (fig. 4), and |
reaches to the disto-external region of the capsule (CA), finishing in an acute |
point. |
The external and internal capsular invaginated sheets (A, B), of regular |
development, internally pointed slightly towards ventral (fig. 5). The capsular |
lobe (LC) wide, with slightly undulated borders, and somewhat concave at its |
ventral face (figs. 7,9). The distal end of this lobe parallels in position and length |
the extreme of the capsular sheet “A” (figs. 3,5). The capsular concavity (CC), |
slight, and placed nearly in the middle of the internal sheet (figs. 5,7). The trunk | |
wide, but gradually narrowed towards the proximal end. Capsular flexure (FC) | I
I
||
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Structure and function of the hemispermatophore and spermatophore of Bothriurus... 31
mild, which delimits a flat truncal convexity (CT) (figs. 4, 8). Pedal flexure (FP)
thin and pedicel (PE) oval.
Pre-insemination spermatophore (figs. 10-12). The spermatophore
remarkably translucent, makes it possible to observe clearly the sperm stored in
the trunk as this region acquires a yellowish-white tone. The dorsal edge of the
lamina noticeably well developed (fig. 10).
The capsular lobes included in the capsular aperture (AC); only the distal
tips can be seen from the outside. Both lobes remain attached by a thin layer of
adhesive substance. These lobes (in relation to their orientation in the
hemispermatophore) experimented a half torsion towards dorsal upon their
external face, resulting in their concave surfaces being oriented to the external
side.
The trunk litte stylized, somewhat amphora-shaped in dorsal view; wider at
the truncal flexure (FT) level (fig. 10). The pedicel (PE) fixed to the substratum
(fig. 11) by a cement, which is translucent when deposited and slightly amber
when solidified.
Post-insemination spermatophore (figs. 13-16). The capsule, evaginated,
like a semicollapsed cone (figs. 13,15), bears a rounded foramen (FO) at its tip
(figs. 13, 15, 16). The capsular lobes (LC) remain generally held together (fig. 14),
now oriented towards the proximal aspect and resting on the back of trunk,
showing their slightly concave surfaces.
Due to the weak consistency of the spermatophore, the trunk is completely
collapsed ventro-dorsally. This is particularly true at truncal flexure level (fig.
13), where it usually remains pressed by the lamina, either forming an angle of 45°
or recovering a position similar to the original condition (figs. 13-16). After the
process of sperm transfer, the spermatophore generally recovers its original
orientation to the substrate.
Functioning mechanism and associated behaviours. Once the male deposited
the spermatophore, what takes 1 min 31s + 5.3s (N=11), the positioning of the
female above the spermatophore is carried out. In this moment, she has her
genital opening uncovered (fig. 17). During this behaviour the palpal chelae of the
female were still grasped by the male, as it was during the whole previous
courtship. At the same time the male grasped with its chelicera the region around
the female mouth. The approximation becomes more slowly, till the dorsal
surface of the spermatophore lamina fits between the female’s coxae, and the
capsular lobes lightly penetrate her genital opening.
Then the male releases the chelae of its partner and holds her second pair of
legs with his palps, near by the femur-tibia joint. Here starts the behavioural unit
called “Action on the spermatophore” (AE) (fig. 18) which takes Imin 20s + 6.8s
(N=10). This unit is guided and conducted by the male, which supports the
extreme of his metasoma on the substratum (a stone for example). The male
pushes the female backwards and downwards, causing in this way the bending of
the spermatophore, while at the same time, part of the trunk and the lamina enter
her genital opening. If this is successfully performed, the complete capsular
evertion and the ejection of the total sperm contents, both occuring in the inner of
the female genital tract, will be produced.
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32 PERETTI
Figs. 1-9. Bothriurus flavidusKraepelin, 1910; Left hemispermatophore: 1, external face. 2, internal face. Detail
of the capsular region: 3, dorsal face; 4, external face; 5, internal face; 6, dorsal face of the lamina. Detail of the |
capsular lobe: 7, dorsal view; 8, ventro-internal view; 9, ventro-external view (in these drawings the capsular
sheet B is not complete). Abbreviations: A, external capsular sheet; AC, capsular aperture; B, internal capsular.
sheet; CA, capsule; CC, capsular concavity; CR, crest; CT, truncal convexity; DS, semicircular depression; FC,
capsular flexure; FD, dorsal edge; FP, pedal flexure; FT, truncal flexure; LA, lamina; LC, capsular lobe; PEÍ |
pedicel; PT, transversal wallofthe crest; RD, dorsal fold; RV, ventral fold; STL, laminar-trunk suture; TR, trunk.
Scale lines= Imm. |
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Structure and function of the hemispermatophore and spermatophore of Bothriurus... 33
Figs. 10-16. Bothriurus flavidus Kraepelin, 1910. Spermatophore; pre-insemination condition: 10, right view;
11, dorsal view; 12, dorsal view of capsular region. Post-insemination condition: 13, right view; 14, dorsal view;
15, dorsal view of capsular region; 16, distal view of capsular region. Abbreviations: A, external capsular sheet;
AC, capsular aperture; B, internal capsular sheet; CA, capsule; CR, crest; DS, semicircular depression; FD,
dorsal edge; FO, foramen; FP, pedal flexure; FT, truncal flexure; LA, lamina; LC, capsular lobe; PE, pedicel;
PT, transversal wall of the crest; RD, dorsal fold; SC, cement-like substance; Sub, fragment of substratum; TR,
trunk. Scale lines = Imm.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 29-37, 2 mar. 1995
34 PERETTI
,
Figs. 17-18. Bothriurus flavidus Kraepelin, 1910. Sequence of using of the spermatophore: 17, positioning of,
the female over the just deposited spermatophore by the male; 18, behavioural unit action on the spermatophore |
(AE); 19, attempt to mutual stinging after AE is finished (the female is still penetrated by the spermatophore);)!
20, taking and eating of the post-insemination spermatophore by the female. |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 29-37, 2 mar. 1995
Structure and function of the hemispermatophore and spermatophore of Bothriurus... 35
During AE unit the body of the male shows a series of curvatures (fig. 18),
just like when the spermatophore is deposited: mesosoma convex to dorsal and
metasoma convex to ventral. This is due to the pressure performed by the male.
The female lays more downwards and backwards on the spermatophore, without
showing its body significative curvatures. Once the flexion of the spermatophore
reaches a maximum and the sperm transfer is finished, the body of the male
relaxes. In this way he stops to push his partner, and at the same time the cited
flexion of the spermatophore diminishes. At this point the unit is concluded,
althought the female keeps on beeing penetrated a few seconds by the empty
spermatophore.
After AE, one of the partners, generally the male, try to sting the other,
causing it to respond in the same way (fig. 19). The male releases the female and
moves quickly away while the female normally - 73% (8/11) - remains in the same
place, and eats the post-insemination spermatophore (fig. 20). The female exhibits
sometimes an early attempt to sting, either while offering resistance to be placed
on the spermatophore - 16% (2/12) - or before AE is finished - 33% (4/12). This
causes that the male releases the female, leaving the sequence incomplete. In
other circumstances the AE unit is partially or defectively performed, without
producing an adequate capsular evertion of the spermatophore, with little (10-
30% ) or no ejection of sperm. Very often those difficulties arise when performing
AE on substratum which for example do not provide suitable supporting points
for the male’s metasoma.
DISCUSSION
The general morphology of hemispermatophores and pre-and post-insemi-
nation spermatophores of B. flavidus show close similarities to the structural type
“Which 1s also observable in other species of the same genus (Acosta, personal
communication), such as B. prospicuus Mello-Leitão, 1934, B. burmeisteri Krae-
‚pelin, 1834, B. bucherli San Martin, 1963, B. voyati Maury, 1973, and B. rochensis
San Martín, 1965. These species exhibit, however, clear differences in their
‚external morphology (MAURY, 1973; Acosta, personal communication).
| The formerly mentioned species shares lamina with long dorsal edge, marked
crest, slightly developed dorsal fold, and spatula-like capsular lobes, which hardly
appear visible outside the capsular aperture. These are general similarities, but
several differences of minor magnitude also exist, for example, the size in the
shape of the lobes and the presence or absence of spines and apophyses in the
‚distal-external border of the capsule. These differences could have some relation
to a mechanism of interspecific reproductive isolation at the level of sperm
transfer (PERETTI, 1992).
| The spermatophores in this group of species are easily distinguishable from
“other forms of spermatophores in the genus Bothriurus, such as B. bonariensis,
recently studied by ACOSTA (1989) and PERETTI (1992). Compared with the
'spermatophore of B. flavidus and allied species, that of B. bonariensis has a
lamina with a short dorsal edge, small crests and well developed dorsal foid and
|
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 29-37, 2 mar. 1995
36 PERETTI
capsular lobes. According to this, the spermatophore of B. flavidus and related
species constitute one of the most prominent “fundamental models” within
Bothriurus (MAURY, 1980).
ABALOS & HOMINAL (1974) studied specimens of B. flavidus from the
“Pampa de Achala” province of Córdoba, Argentina. Although slight differences
between the populations occur in spermatophore morphology as exomorphology
(MAURY, 1973; ACOSTA, 1989), it is evident that the authors described the
spermatophore in the pre-insemination condition, although its capsule was indeed
partially evaginated. This fact was first noticed by ACOSTA (1989), who correctly
illustrates an pre-insemination spermatophore.
It might be pointed out that the functioning mechanism of the spermatophore
of B. flavidus follows the same pattern of B. bonariensis, which has been analyzed
in detail (PERETTI, 1992), and the rest of the family Bothriuridae. However, the
AE unit takes longer in B. bonariensis (5-6 min).
According to the observed behavioural and morphological features, it is
deduced that in Bothriuridae the capsular evertion occurs because of the pressure
performed by the female body on the lamina, when pushed by the male. This‘
bending of the spermatophore at the trunk flexion determines an internal pressure :
of the sperm content, causing the whole invaginated structures to unfold through |
the capsular opening, and the sperm to ooze through the newly formed foramen. .
This aspect was analyzed by PERETTI (1992), confirmating that the pressure on |
the lamina in order to cause the evertion of the capsule should be conducted!
towards proximal and ventral, that is a bidirectional force, with a more important
horizontal component; one of the two directions alone is not enough.
The difference between AE unit duration of B. flavidus and B. bonariensis!
may be due to the distinct consistences of the respective spermatophores, as the‘
ones of B. bonariensis show a strongly sclerotization. This affects noticeably the:
time needed to pressure on the lamina, as to get the whole evagination of the:
whole capsule and the complete ejection of the sperm. Although the capsular
region in Bothriuridae shows greater capsular complexity than in the rest of the
families with “lameliform” spermatophore (MAURY, 1980), and its way of!
eversion seems more elaborated too, the ethological pattern of AE could be!
basically similar (FRANCKE, 1979; POLIS & SISSOM, 1990; BENTON, 1993) in!
the sense that all of them might show (ANGERMANN, 1955 MLIST: ALEXAN- |
DER, 1957) a functioning of “lever” type.
Acknowledgments. To Dr. Luis E. Acosta (Universidad Nacional de Córdoba, Argentina), Dr |
Emilio A. Maury (Museo Argentino de Ciencias Naturales, Buenos Aires), Dr. Tim Benton (University)
of East Anglia, England), Dr. W. David Sissom (West Texas A&M University, USA), Dr. Wilson,
Lourenço (Université Pierre et Marie Curie, France) and two anonymous reviewers for their assa
comments on the methodology and content as well as their help with the english text.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 29-37, 2 mar. 1995
Structure and function of the hemispermatophore and spermatophore of Bothriurus... 37,
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' ZOLESSI, L.C. de 1956. Observaciones sobre el comportamiento sexual de Bothriurus bonariensis
|| (Koch) (Scorpiones, Bothriuridae). Nota preliminar. Fac. agronom. Montevideo, Montevideo, 35:
13-10.
|
|
Recebido em 19.10.1993; aceito em 01.03.1994.
| Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 29-37, 2 mar. 1995
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NOVAS ESPÉCIES NEOTROPICAIS DA TRIBO AGAPANTHIINI
(COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE)
Maria Helena M. Galileo !º
Ubirajara R. Martins *º
ABSTRACT
NEW NEOTROPICAL SPECIES OF THE TRIBE AGAPANTHIINI (COLEOPTERA,
CERAMBYCIDAE). New species described: Hippopsis ocularis from Bolivia; Zipoetopsis dissimilis from
Ecuador and Grammopsoides picta from Peru.
KEYWORDS. Agapanthiini, Cerambycidae, Coleoptera, Lamiinae, Neotropical.
INTRODUÇÃO
Ao estudarmos material de Agapanthiini pertencente ao “Canadian Museum of
Nature”, Ottawa (CMNC) e ao revisarmos exemplares pertencentes ao Museu de
Zoologia (MZSP) foram constatadas novas espécies dos gêneros Zipoetopsis Breuning,
1950; Hippopsis Lepeletier & A. - Serville, 1825 e Grammopsoides Breuning, 1940.
Zipoetopsis dissimilis, sp. n.
(Fig. 1)
S. Tegumento avermelhado. Pubescência esbranquiçada na cabeça (na face
“ dorsal pouco mais concentrada em duas faixas largas, divergentes); no pronoto
“mais concentrada para os lados, constitui faixa nos lados do protórax; nos élitros
* pouco concentrada em toda superfície, não chega a constituir faixas longitudinais;
na face ventral está concentrada nos metepimeros.
Cabeça fina e densamente pontuada. Lobos oculares inferiores arredonda-
dos, tão longos quanto as genas; lobos superiores ausentes. Escapo cilíndrico,
atinge a orla posterior do protórax; pêlos internos aproximadamente tão longos
quanto a largura do artículo. Pronoto fina e densamente pontuado. Extremidades
elitrais acuminadas. Metatrocanteres densamente pilosos no lado posterior.
1. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre RS, Brasil.
2. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 7172, 01064-970 São Paulo SP, Brasil.
3. Pesquisador do CNPq.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 39 - 43, 2 mar. 1995
40 GALILEO & MARTINS
Metafêmures (fig. 1) intumescidos; face posterior densamente pilosa. Metatíbias
cilíndricas, intumescidas. Urosternito I (fig. 1) com depressão losangular brilhante
que ocupa quase toda região central; margem lateral da depressão projetada ao
nível do meio.
©. Faixas de pubescência esbranquiçada da cabeça, do protórax e dos élitros
mais evidentes. Metatrocanteres, metafêmures, metatíbias e urosternito I não
modificados.
Dimensões, em mm, respectivamente S/9. Comprimento total, 7,2/10,1;
comprimento do protórax, 1,2/1,7; maior largura do protórax, 1,0/1,3; comprimen-
to do élitro, 5,1/7,5; largura umeral, 1,2/1,8.
Material-tipo. EQUADOR. Guayas: Playas (35km NNE, 10m, “xeric
shrubs”), holótipo &, 24. VII. 1976, S. & J. Peck col. (CMCN). El Oro: Pinas/
Zaruma, parátipo 9, VIII. 1977, L. Pefa col. (MZSP).
Discussão. Zipoetopsis até o momento continha a espécie-tipo, Z. unicolor
Breuning, 1950, originalmente descrita de San Bernardino, Paraguai, que não
examinamos. BREUNING (1962) redescreveu o gênero e a espécie-tipo; menci-
onou que os lobos oculares inferiores têm o dobro do comprimento das genas. Os .
lobos oculares inferiores em Z. dissimilis são, nos dois sexos, tão longos quanto as |
genas, caráter que permite distinguí-la de Z. unicolor. |
Os metafêmures e o primeiro urosternito do macho de Z. dissimilis (fig. 1) |
apresentam modificações semelhantes àquelas dos machos das espécies de |
Hippopsis do grupo solangeae. Estes caracteres não foram mencionados por |
BREUNING (1950; 1962) na caracterização de Z. unicolor.
Hippopsis ocularis, sp. n.
(Figs. 2-3)
©. Tegumento castanho-escuro. Pubescência amarelada, (1) na cabeça: fronte,
faixa larga, nos lados, atrás dos olhos; duas faixas divergentes no dorso; (2) no protórax: |
cinco faixas longitudinais (duas a cada lado e uma no meio do pronoto); (3) escutelo; (4) |
em cada élitro: três faixas longitudinai ] inicia- |
se ao nível do quarto anterior e alcança o ápice; a segunda começa junto ao úmero, alcança |
a extremidade e funde-se com a sutural ao nível do quinto apical; a terceira junto à margem |
externa; (5) na face ventral: metade superior dos mesepisternos; metepisternos; mais |
esparsa, nos lados do metasterno, não contígua à sutura metasterno-metepisternal; no lado |
dos urosternitos, ladeada internamente por área longitudinal escura. |
Lobos oculares inferiores com o dobro do comprimento das genas; lobos oculares |
superiores (fig. 2) com seis fileiras de omatídios, contíguos à sutura coronal. Pronoto |
grosseiramente pontuado, sem rugas transversais. Extremidades elitrais (fig. 3) cortadas '
em curva com projeção aguda no lado interno e espinho largo no lado externo. Face ventral
do corpo esparsamente pontuada. |
Dimensões, em mm, do holótipo 2. Comprimento total, 9,5: comprimento do
protórax, 1,4: maior largura do protórax, 1,1; comprimento do elitro, 6,7; largura.
umeral, 15: \
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 39 - 43, 2 mar. 1995
Novas espécies neotropicais da tribo Agapanthiini... 41
Material-tipo. BOLÍVIA. Cochabamba: Vila Tunari, holótipo 2, 10-
25.X1.1992, G. Arriagada col. (MZSP).
Discussão. H. ocularis pertence ao grupo truncatella (GALILEO &
MARTINS, 1988) pelas extremidades elitrais entalhadas, pronoto sem rugas
transversais e pêlos dos flagelômeros basais curtos e retos. Dentre as espécies deste
grupo assemelha-se a H. quinquelineata Aurivillius, 1920 e a H. truncatella Bates,
1866 pelas faixas elitrais amareladas que atingem as extremidades. Em H. ocularis
o protórax apresenta cinco faixas longitudinais de pubescência amarelada e o
padrão de colorido elitral é como o de H. quinquelineata. Separa-se desta espécie:
menores dimensões; lobos oculares superiores (fig. 2) subcontíguos; pêlos dos
antenômeros basais tão longos quanto à largura dos artículos; extremidades dos
élitros (fig. 3) com entalhe curvo mais estreito do que em A. quinquemaculata (fig. 4).
\
EM 1-4. Zipoetopsis dissimilis, sp. n., S: 1, pernas posteriores e urosternitos. Hippopsis ocularis, sp. n., 9: 2,
“cabeça, dorsal; 3, extremidades elitrais. H. quinquelineata Aurivillius, 1920: 4, extremidades elitrais.
Barras = Imm.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 39 - 43, 2 mar. 1995
42 GALILEO & MARTINS
Grammopsoides picta, sp. n.
(Fig. 5)
S. Tegumento avermelhado: cabeça, escapo, protórax, face ventral do corpo e
fêmures. Flagelômeros, tíbias e tarsos, amarelados. Élitros avermelhados na base e
amarelados para o ápice, salpicados por pequenas manchas glabras de tegumento
castanho-avermelhado.
Pubescência amarelada ou branco-amarelada, mais concentrada em três faixas
pronotais (uma central, duas laterais); nos élitros os pêlos têm orientação diferente, com
os ápices dirigidos para as manchas glabras; pubescência densa na face ventral.
Fig. 5. Grammopsoides picta, sp. n., holótipo S. Comprimento, 15,5mm. R. B. Francini foto.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 39 - 43, 2 mar. 1995
1
Novas espécies neotropicais da tribo Agapanthiini... 43
Fronte pontuada. Lobos oculares inferiores com metade do comprimento das genas;
lobos superiores estreitos (três fileiras de omatídios), muito distantes. Antenas (fig. 5)
atingem o ápice elitral na ponta do antenômero IV. Escapo densa e longamente piloso na
face ventral, com clava apical esbelta. Flagelômeros basais com pêlos longos e abundan-
tes no lado inferior. Pronoto com uma gibosidade pouco pronunciada a cada lado do terço
anterior. Lados do protórax com tubérculo subacuminado ao nível do meio. Extremidades
elitrais emarginadas e oblíquas no lado interno, desarmadas no ângulo sutural e espinho-
sas no lado externo; o espinho curvo para o lado interno. Metafêmures longos, atingem
o sexto apical dos élitros. Protíbias bissinuosas. Mesotíbias sem sulco.
©. Antenas atingem as extremidades elitrais na extremidades do antenömero
VI. Metafêmures mais curtos, alcançam a borda posterior do urosternito III.
Dimensões, em mm, respectivamente S/?. Comprimento total, 13,3/15,5-19,4;
comprimento do protórax, 1,9/2,0-2,5; maior largura do protórax, 2,1/2,4-3,1;
comprimento do élitro, 10,0/11,4-14,9; largura umeral, 3,0/3,7-4,9.
Material-tipo. PERU. Lima: O. Huarochiri (1550m), holótipoS, 16.V1.1972,
D. Ojeda P. col. (MZSP). Q. Chinche (1500m), 2 parätipos®, 16.V1.1972, D. Ojeda
P. col. (MZSP).
Discussão. Grammopsoides picta difere de G. tenuicornis (Casey, 1913):
colorido geral, principalmente dos élitros salpicados por manchas glabras casta-
nho-avermelhadas; artículos basais das antenas densamente pilosos e pronoto com
duas calosidades ao nível do terço anterior. Em G. tenuicornis: cabeça, protórax e
élitros pretos; artículos basais das antenas com pêlos curtos, esparsos e pronoto
sem calosidades.
Agradecimento. Ao Dr. Ronaldo B. Francini (MZSP) pela execução da fotografia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BREUNING, S. 1950. Nouveaux Lamiaires du Musée de Genes (Col. Cerambycidae). Ann. Mus. Stor. Nat.,
Genova, 64: 170-201.
— . 1962. Revision des Agapanthiini Muls. américains (Col. Cerambycidae). Pesquisas, Zool., Porto Alegre,
13: 1-48.
GALILEO, M. H. M. & MARTINS, U. R. 1988. Notas sobre Agapanthiini (Coleoptera, Cerambycidae,
Lamiinae). V. Revisão do gênero Hippopsis Lepeletier & A. - Serville, 1825. Revta bras. Ent., São Paulo,
32 (2): 199-207.
Recebido em 22.11.1993; aceito em 04.01.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 39 - 43, 2 mar. 1995
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COMPARATIVE OSTEOLOGY OF THE FAMILY CREEDIIDA E
(PERCIFORMES, TRACHINOIDED, WITH COMMENTS ON THE
MONOPHYLY OF THE GROUP!
Ierec& de Lucena Rosa ?
ABSTRACT
A comparative osteological study of the crediid genera Schizochirus Waite, 1904, Creedia
Ogilby, 1898, Limnichthys Waite, 1904, Tewara Griffin. 1933, Crystallodytes Fowler, 1923 and
Chalixodytes Schultz, 1943 reveals new characters of taxonomic significance for the group, such as
dentary bone not completely toothed, lower arm of posttemporal not reaching skull, anterior tip of
urohyal on second or third basibranchial and posterior tip of ectopterygoid reaching posterior margin
of orbit.
KEYWORDS. Perciformes, Trachinoidei, Creediidae, osteology.
INTRODUCTION
The family Creediidae presently includes seven genera and 16 nominal
species of marine fishes commonly known, due to their burrowing habits, as
sandburrowers. They are small, reaching a maximum length of 86mm. Creediids
occur in tropical and subtropical areas of the Indian and Pacific oceans, mostly in
shallow water, over sandy or gravel bottoms.
Three of the creedid genera, Schizochirus Waite, 1904 (type-species, S.
insolens Waite, 1904), Apodocreedia Beaufort, 1948 (type-species A. vanderhorsti)
and Tewara Griffin, 1933 (type-species T. cranwellae Griffin, 1933) are respectively,
restricted to Australia, Southeast Africa and New Zealand. Creedia Ogilby, 1898
[type-species C. clathrisquamis Ogilby, 1898 = C. haswelli (Ramsay, 1881)] is
_ found primarily in Australia but one of its species occurs in Japan; Crystallodytes
Fowler, 1923 (type-species C. cookei Fowler, 1923) is distributed in the Central
|
Pacific and Easter Island. The two remaining genera, Limnichthys Waite, 1904
' (type-species L. fasciatus Waite, 1904) and Chalixodytes Schultz, 1943 (type-
| species C. tauensis Schultz, 1943) are widely distributed in the Indo-West Pacific.
| 1. Part ofthe author's Ph.D. thesis, presented at the University of Alberta, Canada.
2. Universidade Federal da Paraíba CCEN Depto. Sistemática e Ecologia 58059-900 - João Pessoa, Paraíba - Brasil.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
46 ROSA
Members of the family are easily recognized by having a fleshy tip on the
upper jaw which extends beyond the lower jaw, cirri bordering the lower jaw,
lateral line (at least posteriorly) running near the ventral profile, and lateral line
scales with a posteriorly expanded central lobe. Monophyly of the group has been
suggested by NELSON (1985) and confirmed by ROSA (1993, unpublished Ph. D.
thesis).
This paper encompasses a description of the osteology of Creedia haswelli
(Ramsay, 1881) and compares that species with representatives of the remaining
credud genera. Illustrations are provided for the osteological features of this
species and of Limnichthys fasciatus. The two aforementioned species have been
chosen because they have been thought to comprise “separate lineages” of
creediids (NELSON, 1985), and have been used by some authors to divide
creediids into two subfamilies or families.
Some information on the comparative osteology of creediids can be found in
GOSLINE (1963) and NELSON (1985); however, the following account represents
the first detailed comparative study of the entire skeleton of representatives of all
creediid genera. Also, previous to this study, some parts of the skeleton of crediids
hadnot beenillustrated (e.g. branchialarches, ventral side of the skull). Illustrations
are provided for the various regions of the skeleton of Creedia haswelli (based on
AMS I. 9002) and Limnichthys fasciatus (based on UAMZ uncatalogued,
Awakominato, Chiba, Japan).
MATERIAL AND METHODS
Osteological characters were obtained mainly from cleared and stained (C + S) specimens
(TAYLOR & VAN DYKE, 1985); not all specimens were cleared and stained and, in some cases, they
had only been stained for bone. Because of the limited number of cleared and stained specimens
available for some species, radiographs, taken by using a “Torrex 150 Radiographic - Fluoroscopic
System” X-ray machine were also used. Drawings were prepared with the aid of a drawing tube attached
to a Wild M5 stereomicroscope. Illustrations of C. haswelli and L. fasciatus were based respectively on
AMS II. 9002 and UAMZ uncatalogued, Awakominato, Chiba, Japan. Institutional abbreviations follow
LEVITONet al. (1985). Osteological nomenclature follows ROJO (1991). The osteological description
follows the style used for the Uranoscopidae by PIETSCH (1989). The following abbreviations are used
in the figures of the osteological characters: An, Angular; APP, Ascending process of premaxilla; APt,
Anal fin pteryiophore; Ar, Articular; B1-4; Basibranchials 1-4; Bh, Basihyal; Bo, Basioccipital; Br,
Branchiostegal rays; C1-5, Ceratobranchials 1-5; Ch, Ceratohyal; CI, Cleithrum; Co, Corcaoid; CV,
Caudalvertebra;D, Dentary;DPt, Dorsalfin pterygiophore;E1-4, Epibranchials 1-4;Ect, Ectopterygoid;
Eh, Epihyal; Epi, Epiotic; Ep1-2, Epurals 1-2; ER, Epipleural Ribs; Ex, Exoccipital; Es, Extrascapular;
F, Frontal; H1-3, Hypobranchials 1-3; Hh, Hypohyals; Hp, Hypurals, HS, Haemal spine; Hyo,
Hyomandibular; I2-3, Infraorbitals 2-3, I2-4, Infraorbitals 2-4; In, Intercalar; Io, Interopercle; L,
Lacrymal; LE, Lateral ethmoid; Me, Mesethmoid; MPP, Maxillary process of premaxilla, Ms, |
Mesopterygoid; Mt, Metapterygoid; Mx, Maxilla; NS, Neural spine; ©, Opercle; P2,3,4, |
|
Precaudal vertebra; Pmx, Premaxilla; Po, Preopercle; Pr, Prootic; PSp, Pelvic spur; Pt, Pterotic; Ptt, |
Pharyngobranchials 2,3 and 4;Pa, Parietal;Pal, Palatine;Pas, Parasphenoid;PcR, Pectoralradials;PcV,
Posttemporal; PvR, Pelvic fin rays; PvS, Pelvic fin spine; Q, Quadrate;Sc, Scapula; Sel, Supracleithrum;
So, Subopercle; Soc, Supraoccipital; Sp, Sphenotic; Sym, Symplectic; Uh, Urohyal; Vom, Vomer.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
|
4
Comparative osteology of the family Creediidae... 47
RESULTS
Skull (figs. 1, 2, 4 - 6). The skull of C. haswelli is elongate and narrow, its
maximum width (the distance between the pterotics) contained 2-2.5 times in its
length. The interorbital area is very narrow, its least width contained ca. 15-16
times in the maximum distance between the pterotics. Most of skull elements,
posterior to infraorbital area (both on the dorsal and ventral surfaces), overlap
with their adjacent bones. The bones are smooth, covered by a layer of skin, and
virtually devoid of crests. There are five relatively large orifices (the median one
elliptic-shaped, the lateral ones rounded) on te anterodorsal surface of the frontals.
The remaining genera have a less elongate and posteriorly wider skull, its
maximum width (at the level of the pterotics) contained 1.5-2 times in its length. In
Schizochirus each frontal has one shallow, median orifice on the anterodorsal
surface, one laterally placed, and two smaller ones on the anterolateral corner
(posterior to the orbits). Two elliptic pores are present at the posterior tip of the
interorbital bridge. Limnichthys has one or two rounded pores on the interorbital
region (more posteriorly placed than the one in Schizochirus); each frontal also
bears an anterolateral, rounded orifice (posterior to the orbit). In Tewara, each
frontal has a comparatively large, rounded median orifice, and an anterolateral one
about half the size of the median one. Each frontal bone of Crystallodytes has a
median orifice (posterior to the orbit) and a slightly smaller one on the anterolateral
surface. In Chalixodytes the orifices are similar to the ones found in Crystallodytes,
but the median one is about the same size as the lateral one. In Apodocreedia, there
are two anterolateral pores on each frontal, and a median one, at the level of the
posterior margin of the orbit; the median pore is reduced in size, being ca. three
times smaller than the lateral ones.
Ethmoid Region (figs. 1, 2,9, 12). The vomer has a broadened head with a
rounded anterior margin and atapered posterior strut; each side ofthe posteroventral
margin of the head has a pointed posteriorly directed projection. The vomer abuts
the head of the maxillae anteroventrally, the palatines lateroventrally, the lateral
ethmoids dorsolaterally, and the mesethmoid dorsally. Posteriorly, the vomer is
firmly attached to the parasphenoid. The posterolateral margin of the vomerine
' head bears 2-4 small canine-like teeth. The mesethmoid is rounded anteriorly, with
, a median protrusion on its dorsal surface; posteriorly, the bone is tapered, its tip
| being inserted between the anterior end of the frontals. Dorsomedially the
mesethmoid bears a longitudinal, narrow ridge on the posterior half of the bone,
its posterior tip lying between the anterior end of the frontals. Dorsolaterally, the
mesethmoid supports the nasal; ventrally it is firmly attached to the head of the
| vomer. The lateral ethmoids delimit the anterior margin of the orbits; each has
moderately broad lateral projections about one third the length of the nasal, a
median circular foramen and a posterior sharp tripartite process. Each lateral
ethmoid contacts the mesethmoid medially, the lacrymal laterally, the palatine
ventrolaterally, the mesopterygoid posteroventrally andthe frontal posterodorsally.
The nasals are elongate and tubular; each has an expanded triangular anterior end
and extends from the anterior tip of the frontal to the head of the maxilla. They are
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
48 ROSA
supported by connective tissue, and loosely connected to the mesethmoid medially,
the lateral ethmoid posterolaterally and the vomer and palatine ventrally.
The ethmoid region of C. haswelli differs from the one found in the other
genera as follows: in Schizochirus the anterior margin of the vomerine head is
blunt; laterally it is slightly concave and bears a cluster of conical teeth. The lateral
ethmoid foramen is larger, the nasals have a rounded tip and bear a lateral flange.
The mesethmoid is similar in shape, but the posterodorsal projection is smaller.
The nasals greatly vary in shape among creediid genera: they are somewhat J-
shaped (in Limnichthtysand Crytallodytes) crescent-shaped (in Tewara), L-shaped
(in Chalixodytes) and S-shaped (in Apodocreedia). The anterior tip of the nasal is
rounded or slightly rounded in the aforementioned genera. Limnichthys,
Chalixodytes, Crystallodytes and Apodocreedia lack the posteriorly directed
vomerine projection, and all but Tewara possess a posterolateral projection on the
dorsal surface of the vomer, (smallest in Apodocreedia) where the teeth are
located. The number of vomerine teeth is usually low in creediids (betweentwoand
six teeth), but some specimens of Limnichthys fasciatus can have more than ten.
Orbital Region. (figs. 1,2, 7,10, 13, 17). Each orbit is delimited by the lateral
ethmoid anteriorly,thefrontalmidandposterodorsally,theparasphenoid ventrally,
the sphenotic posteroventrally; the laminar mesopterygoid shelf forms the floor of
the orbit. Two sclerotic ossicles support the eyeball; a basisphenoid is absent. The
frontals are narrow anteriorly and expanded laterally behind the orbits; they make
up approximately 50% ofthe dorsal surface oftheskull. Anteriorly each frontal has
a forked tip, which meets the posterior end of a nasal bone and contacts the
posterior end of the respective lateral ethmoid. Posterodorsally (behind the orbit) |
the frontals partially overlap the parietals, supraocciptal, and sphenotics.
Posteroventrally, the frontals contact a medially directed flange of the sphenotics.
Immediately before the point where the frontals fan out, there is a single dorsal
interorbital pore; the anterior margin of the broadened portion of the frontals has
a ventrally directed shelf, which delimits the posterior margin of the orbit; two large
dorsal pores are present on the broadened base of each frontal. The parasphenoid
is elongate, narrow anteriorly, broadened medially and tapered posteriorly. .
Midposteriorly each side has a wing which contacts the prootic and pterosphenoid| |
dorsolaterally; posteriorly, the parasphenoid partially, overlaps the prootic and |
basioccipital. Midventrally, cachside of the parasphenoid bears a pointed anteriorly |
directed process, at the base of the parasphenoid wing. Each infraorbital series:
consist of four canal bones: the lacrymal is the largest and somewhat triangular, |
anteriorly it articulates with the lateral ethmoid and partially covers the head of the:
maxilla; posteriorly, it has a short projection which loosely contacts the second!
infraorbital; the second infraorbital is elongate and tube-like; posteriorly, it is:
firmly attached to the third infraorbital; the third infraorbital is approximately of:
the same length as the second one along the orbital margin, but it possesses a
ventral laminar shelf. A small, incomplete ring-like fourth infraorbital is firmly'
attached to the sphenotic. The sphenotics are paired canal bones, firmly attached:
to the anterolateral surface of skull. Ventrally they bear a large flange wii
overlaps the part of the parasphenoid ascending wing. |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
Comparative osteology of the family Creediidae... 49
In the other creediid genera the frontals do not bear an anterior shelf, and its
anterior end is not forked or slightly forked; in Schizochirus each frontal bears two
pores anterolaterally and two midanteriorly. There are two poresin the interorbital
area of Schizochirus and some Limnichthys. The anteriorly directed pointed
projection ofthe parasphenoidis shorter inLimnichthys, Tewara andCrystallodytes.
The infraorbital series of Schizochirus considerably differs from the one found in
C. haswelli and remaining creediids: the lacrymal has a transverse median groove
and lacks the posteroventral projection; the second infraorbital is squarish, the
third lacks the ventral shelf, the fourth is larger, cone-shaped and more loosely
attached (the fourth infraorbita! is also cone-shaped in Limnichthys and Tewara).
In Limnichthys, Tewara, Chalixodytes, Crystallodytes and Apodocreedia the
second infraorbital is smaller than in C. haswelli.
Otic Region (figs. 1, 2, 4,5). The parietals are widely separated from one
another, and form part of the dorsolateral surface of the skull. Anteriorly each is
overlapped by the frontal; medially they overlap the supraoccipital; laterally each
contacts the pterotic, and posteriorly the epiotic. The epiotics are widely separated
from one another, and form part of the posterodorsal surface of the skull. Each
epiotic contacts the parietals anteriorly, the supraoccipital medially, and the
pterotic laterally; each epiotic has a shallow recess where the dorsal arm of the
posttemporal attaches. The supraoccipital forms the dorsomedial area of the skull
and bears a very small median crest on its posterior surface. The supraoccipital is
overlapped by the frontals anteriorly and by the parietals laterally; it contacts the
epiotics posterolaterally and slightly touches the suture along the anterior margin
of the exocciptal posteriorly. Each prootic is relatively large and has a median
foramen. It comprises approximately one half of the lateroventral surface of the
skull; it overlaps the parasphenoid anteriorly and medially; it is overlapped by the
intercalar posteriorly; it also contacts the pterotic and sphenotic laterally. The
posterior margin of the prootic comes very close to the anterior margin of the
basiocciptal but there is no contact. The sphenotics are adjacent to the anterolateral
surface of the skull; dorsally each sphenotic partially overlaps the frontal and
parietal; ventrally each barely contacts the parasphenoid wing and prootic;
posteroventrally the sphenotic contacts the prootic. The anterior head of the
hyomandibula tightly fits into a notch located at the point of contact between the
sphenotic and prootic. The pterotics are the posteriormost bones on the lateral
surface of the skull; dorsally each has a canal-like structure that meets the canal of
the lateralextrascapular;in lateral view, each contacts the sphenoticanterodorsally,
slightly touches the parietals and contacts the outer margin of the epiotic medially;
‚each pterotic also contacts the prootic, is partially overlapped by the intercalar
ventrally, and contacts the exocciptal posteriorly. Each intercalar is roughly square
in shape, and most of its flattened surface covers the adjacent bones. Anteriorly it
partially overlaps the prootic, laterally the pterotic, and midposteriorly the
basioccipital. A central area of the intercalar receives the ligament that connects
the short ventral arm of the posttemporal to the skull.
| Main differences: the degree of overlap between the supraocciptal and the
‚parietals is markedly increased in Crystallodytes; the supraocciptal crest is reduced
|
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| Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
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50 ROSA
to a stub in Chalixodytes and is more triangular and pointed in Crystallodytes.
Basicranial Region (figs. 2, 5). The basiocciptal is roughly fan-shaped and
forms the midposterior portion of the ventral surface of the skull. Anteriorly its
broadened margin partially overlaps the parasphenoid; dorsally it meets the
exocciptals; laterally it partially overlaps the intercalar; posteriorly the tapered
basiocciptal provides the articular surface for the first vertebra. The exocciptals lie
immediately dorsal to the posterior portion of the basiocciptal; in ventral view,
each has a circular foramen on its outer margin. The exoccipitals contact the
pterotic andintercalar anteriorly; dorsally they contact the epiotic. In Limnichthys,
Chalixodytes and Crystalodytes the midanterior margin of the basioccipital is
notched; in the other genera it is like it is in C. haswelli.
Jaws (figs. 3, 6,8, 9). The premaxillae are elongate, their heads being widely
separated from one another; each premaxilla has an elongate posteriorly directed
ascending process which extends slightly beyond the anterior margin of the
mesethmoid; the tip of the ascending process lies on a relatively large, roughly
squarish cartilaginous area. Each premaxilla also has a conspicuous rounded
articular process and a maxillary process (postmaxillary process of PIETSCH,
1989). The maxillary process is relatively narrow and convex in dorsal profile. A
cluster of approximately four to six large, canine-like teeth is present on the base
of the articular process of each premaxilla; ca. 10-12 canine-like teeth, slightly
smaller than the ones on the base of the articular process, are present along each
maxillary process. The maxillae are rod-like, with an expanded head and a
broadened forked posterior tip. The maxillary head has two anteriorly directed.
projections, which tightly articulate with the premaxillary articular process laterally
and medially. Each maxilla also contacts the respective palatine anteriorly, the.
lacrymal dorsally, and the premaxilla posteroventrally; the anterior tip of the nasal.
bones contacts the maxillary head laterally. The forked, posterior tip of the maxilla |
extends to the level of the second infraorbital. The dentaries are arrow-shaped, ,
toothed, with and anterodorsal knob. The dorsal arm of the dentary is slightly;
smaller than the ventral one, and has a dorsally directed process on its posterior tip.
The outer surface of each dentary has 2-3 pores anteroventrally and a shallow,,
relatively large pit anterodorsally. Each dentary bears approximately 25-31 canine-.
like teeth; no teeth on symphysis or posterior portion of dentary. The articulars'
consist of an anteriorly directed pointed process which fits between the arms of the!
dentary, a dorsal anteriorly directed pointed projection, a ventral shelf, and a!
posterodorsal projection, which receives the quadrate. Each articular has aí
membranous moderately splintered area along its ventral margin. The angulars are‘
relatively small, tightly fitted between the posterior tip ofthe articular, the anterior)
margin of the interopercle and the ventral tip of the preopercle. |
Main differences: teeth are absent from the base of articular process of the
premaxilla in all other creediid genera except Schizochirus (present in all Creedia!
species). Heads of the premaxillae are separated from one another inSchizochirus,|
and, to a lesser degree, in Limnichthys; in the remaining genera the premaxillary|
heads meet medially. The ascending processes of the premaxillae are fused|
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
Comparative osteology of the family Creediidae... 51
together in Apodocreedia. The posterior end of the maxilla is not forked in the
other creediids, except for Schizochirus. The process on the articular bone is
slightly smaller in Limnichthys and Tewara, reduced to a stubin Apodocreedia and
absent in Crystallodytes and Chalixodytes. The maxillary process is absent in the
other genera, except for Schizochirus. There are more teeth on each premaxilla
(between 23 and 50) and usually more teeth on the dentary (between 20 and 45) in
the remaining genera.
Palatine Arch (figs. 7,9, 10, 12). Each palatine is an elongate, curved bone;
anteriorly it is tapered and posteriorly itisbroadened, with a forked tip. It contacts
the head of the respective maxilla anteriorly, is firmly attached to vomerine head
projections midanteriorly, to the lateralethmoid medially and to the mesopterygoid
posteriorly. The anterior tip of the ectopterygoid lies in the angle formed by the
forked posterior end of the palatine. About 6 or 7 small canine-like teeth are
present on the posterior half of the palatine (palatine teeth were absent in one of
the cleared and stained specimens). The ectopterygoids are rod-like with a fan-
shaped tip. Anteriorly each ectopterygoid attaches to the outer arm of the forked
posterior end of the palatine; posteroventrally its small triangular tip is firmly
attached to the lower corner of the metapterygoid and barely touches the upper
corner of the quadrate along its anterior margin. The ectoperygoid does not make
contact with any other bones. The mesopterygoids are elongate, laminar, somewhat
concave, with a forked anterior end, and a slightly upturned tapered tip; they
‚support the eyeballs ventrally and posteriorly. Each mesopterygoid is firmly
“attached to the posterior projection of the vomer anteriorly, contacts the lateral
ethmoid anterodorsally and the palatine laterally. The median and posterior
regions of the mesopterygoids do not contact any bones. The metapterygoids are
‚relatively large, somewhat triangular and with a small transversal crest on the
| dorsal surface; each metaperygoid contacts the hyomandibula posterodorsally and
the ectopterygoid anteriorly. The ventral margin of each mesopterygoid closely
| approaches the dorsal margin of the quadrate, but the two bones only contact
‚through a narrow posterodorsal projection of the quadrate. The remaining of the
dorsal surface of the quadrate and the ventral surface of the metapterygoid are
separated by cartilage.
| Main differences: the palatine is without teeth and without a forked posterior
end i in the other genera, except for Schizochirus. In Crystallodytes the palatine
'bears two crests;Schizochirus has one medial crest; the head of the palatine ismore
perpendicular to the shaft of the bone in the other creediid genera. The
jmetapterygoid crest is absent in Schizochirus, and it is most pronounced in Tewara
‚and Limnichthys; the mesopterygoid tip is more upturned, partially enclosing the
posterior margin of eyeball in Limnichthys, Tewara and Chalixodytes; in
Crystallodytes and Apodocreedia it extends farther up and projects onto the dorsal
surface of the orbit. The triangular tip of the ectopterygoid is larger in all genera,
especially i in Schizochirus; the ectopterygoid rod is wider in Schizochirus. There is
“less contact between the ectopterygoids and the palatines in the remaining genera,
except for Schizochirus.
E Hyoid Arch (figs. 3,6, 24-26, 28-30). Each hyomandibulaisroughly rectangular
an ti
ue
| Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
32 ROSA
and has three distinct heads along its dorsal margin; the anteriormost head
ventrally bears a canal and tightly articulates with the sphenotic and pterotic; the
median head tightly articulates with the pterotic and the posterior one tightly fits
in an articular fossa on the anteroventral surface of the opercle. Ventrally each
hyomandibula is partially overlapped by the metapterygoid; posteriorly it partially
covers the preopercle. The sympletics are somewhat elongate and triangular and
tightly fitted into the inner surface of the quadrate. Dorsally each is separated from
the hyomandibula by cartilage; posteriorly each partially overlaps the lower corner
of the metapterygoid. The quadrates are triangular, with an elongate, dorsally
directed posterior projection. Each contacts a small area of the metapterygoid
dorsally, the articular ventrally and the sympletic midventrally. Each quadrate
barely touches the ectopterygoid anteriorly, and abuts the preopercle posteriorly.
Each hypohyal consists of a dorsal and a ventral element. The dorsal one is a
somewhat triangular cap which lies on top of the larger ventral element; it contacts
the basihyal midanteriorly and the basibranchial 1 midposteriorly. The ventral
hypohyal has an elongate posteriorly directed projection which is firmly attached
to the ceratohyal; medially the bone contacts the basibranchial 1. The ceratohyals
are elongate, slightly broadened on both ends, and have a small projection
midventrally. Anteriorly each contacts the ventral hypohyal and it is separated
from the dorsal hypohyal by cartilage. Ventrally each ceratohyal supports five
branchiostegal rays; posteriorly each is attached to the epihyal via an elongate |
projection. The triangular epihyals contact the ceratohyal anteriorly and the
interhyal posterodorsally; the posterior end of each epihyal tightly fits into a |
depression on the inner surface of the interopercle. Each epihyal supports two |
branchiostegal rays anteroventrally. The interhyals are dorsally directed relatively |
small and narrow bones; anteriorly each articulates with a small depression at the |
tip of the epihyal; each interhyal also contacts the inner surface of the interopercle |
medially and the preopercle posteriorly. There are seven branchiostegal rays |
attached via their anterior heads to the ceratohyal and epihyal. The first three are |
attached to the anteroventral suface of the ceratohyal; the fourth is ventrolaterally |
placed; it lies on a groove at the base of the ventral projection of the ceratohyal; |
branchiostegalray 5 is ventrolaterally placed on the posterior end ofthe ceratohyal. |
Branchiostegal rays 6-7 are attached to the ventrolateral surface of the epihyal. The
first two branchiostegal rays are slightly smaller than the other ones. The basihyal
is thin and elongate, with a small cartilage attached to its anterior end.
Posterolaterally the basihyal contacts the dorsal hypohyals. Posteriorly it contacts:
the basibranchial 2 via cartilage. The urohyal is rod-like anteriorly, laterally;
_ compressed and dorsoventrally expanded posteriorly. It extends from the level of |
second basibranchial to slightly beyond the anterior end of the ceratobranchial 5.)
The urohyal contacts two bones: anteroventrally its head articulates with the}
anterior end of the basibranchial 2 via small lateral projections. Anterodorsally it ||
is attached to the left and right hypohyals via a ligament.
Main differences: in Schizochirus, the branchiostegal rays are wider, and
the urohyal is anterolaterally expanded; the basihyal is posteriorly wider inf:
Limnichthys, Tewara and Schizochirus. The urohyal is anteriorly forked in
Limnichthys, Tewara, Crystallodytes and Chalixodytes, and has a laterallyii
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
Comparative osteology of the family Creediidae... 33
expanded head in Apodocreedia. It is shorter in Limnichthys and Tewara, and
dorsoventrally expanded in those two genera and Schizochirus; in Crystallodytes
and Apodocreedia the urohyal is tapered posteriorly. The anterior tip of that
bone lies on the anterior end of basibranchial 2 in Schizochirus and Limnichthys,
on the mid-portion of basibranchial 2 in Tewara, and on the posterior end of
basibranchial 2 in Crystallodytes and Chalixodytes. In Apodocreedia, it lies on the
anterior tip of basibranchial 3. In Limnichthys, hypobranchial 3 bears two
anterolateral projections. The hypohyals of Crystallodytes and Chalixodytes are
reduced in size. There are six branchiostegal rays on the ceratohyal and one on
the epihyal in Crystallodytes, Chalixodytes and Apodocreedia.
Opercular apparatus (figs. 3, 6). The bones of the opecular region of C.
haswelli are thin and unsculptered; most of them are splintered along their free
margins. The preopercle is a narrow, crescent-shaped bone, tightly fitted between
the quadrate, metapterygoid and hyomandibula (along the anterior margin) and
the interopercle and subopercle (along the posterior margin). Its dorsal surface
bears a canal which is part of the acoustico-lateralis system. Some parts of the free
margin of the preopercle are very faintly splintered. Each interopercle is roughly
triangular; its ventral margin being the widest. It articulates anteriorly with the
posterior margin of the preopercle, dorsally with the lower corner of the opercle
and posteriorly with the anterior margin of the subopercle. The anterior margin of
the interopercle has a very shallow notch, which receives the angular bone; its
lower half is splintered. The subopercles are roughly rectangular, with a slightly
concave anterior margin, which attaches to the posteroventral margin of the
opercle. Anteroventrally each contacts the interopercle. Ca. 2/3 of the surface of
the subopercles is splintered. The opercles are triangular, their anterior margin the
widest. Each contacts the preopercle anteriorly, the interopercle anteroventrally,
and the subopercle ventrally. An articular fossa, which receives one head of the
hyomandibula, is anteriorly placed on the ventral surface of the opercle. The free
margin of the opercle is entire.
Main differences: the free margin of the preopercle of the remaining genera
“has no splintering (except in Schizochirus); the opercle is smaller in Apodocreedia
‚and Crystallodytes and it is splintered in the former genera and in one of species of
Crystallodytes (some splintering ofthe opercle was observed in a few C+S specimens
of Limnichthys polyactis Nelson, 1978 and L. fasciatus). The interopercular ante-
|rior notch is more pronounced in the remaining genera (except for Schizochirus).
|
| Branchial Arches (figs. 23, 27). The four basibranchials consist of three bony
| and one cartilaginous elements, separated from each other via cartilage.
‚Basibranchial1 isthe shortest ofthe three bony elements; its anterior endis wedged
between the posterior ends of the basihyal and hypobranchial 1; basibranchial 2 is
‚hour-glass shaped and slightly larger than basibranchial 1; basibranchial 3 is
‚narrow and elongate; its tip lies between the hypobranchials 3. Basibranchial 4 is
ja small, cartilaginous element situated between the anterior tips of ceratobranchials
3 and 4. There are three pairs of hypobranchials: hypobranchial one is the largest;
‚midanteriorly each contacts the anterior end of the basibranchial 2; posteriorly it
|
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
54 ROSA
is separated from the ceratobranchial 1 by cartilage. Hypobranchials 2 are about
half the size of hypobranchial 1; anteriorly each is separated from the tip of the
basibranchial 2 by cartilage; posteriorly it is separated from the anterior end of the
ceratobranchial 2 by cartilage. Hypobranchials 3 are the smallest in the series;
midanteriorly they contact the posterior end of the basibranchial 3; posteriorly
they are separated from the ceratobranchial 3 by cartilage. There are five pairs of
ceratobranchials: ceratobranchials 1-4 are elongate, approximately of the same
size, and articulate with their respective hypobranchials and epibranchials.
Ceratohyals 5 are slightly smaller than ceratohyal 1-4 and bear about 3-4 rows of
conical teeth on their antero and middorsal surface. The four pairs of epibranchials
attachto their corresponding ceratobranchials; epibranchials 1 and2 approximately
of the same size, have a medial process and articulate respectively with the anterior
and posterior ends of the pharingobranchials 2. Epibranchials 3 are anteriorly |
broadened, smaller than the preceding ones and have a small process on its upper
corner. Anteriorly each epibranchial 3 contacts pharingobranchials 3 and 4;
epibranchials 4 are slightly longer and narrower than the others; anteriorly each
articulates with pharyngobranchial 4. Pharyngobranchial 1 is absent; .
pharingobranchials 2 are relatively small toothed plates, which medially articulate
with a projection of pharyngobranchial 3; pharyngobranchials 3 are the largest |
elements of the series, and bear numerous teeth along most of its surface, but none —
one the lateral projection; each articulates with the epibranchials 2 and 3.
Pharyngobranchials 4 are about the same size as pharyngobranchial 2 and also |
bear conical teeth; each articulates with epibranchials 3 and 4. Toothplates with |
several conicalsharp teeth are present along the inner surface ofeach ceratobranchial
1, outer and inner surfaces of ceratobranchials 2 and 3, and outer surface of |
ceratobranchials 4. The inner surface of hypobranchial 1 and the outer surface of |
hypobranchial 2 bear two small plates, similar to the ones found along the inner |
surface of ceratobranchials 1. Each epibranchial 1 bears two small plates with spiny
teeth along their ventral surface; epibranchials 2 have a combination of larger, |
more flatenned plates and a few smaller ones along their dorsal surface; a single |
small plate is present along their ventral surface. Epibranchials 3 have larger |
flatenned plates along their outer and inner surfaces; they also bear a few smaller |
plates along their dorsal and ventral surfaces. Each epibranchial 4 bears a small |
plate along its inner surface. The outer surface of hypobranchials 1 and |
ceratobranchials 1 bear gill rakers, shaped as large flattened plates with short |
conical teeth. |
Main differences: in Schizochirus, there is an incomplete row of enlarged |
teeth on the inner margin of ceratobranchial 5, the teeth on pharyngobranchials are |
larger and hypobranchial3 islarger, witha more prominent dorsolateral projection. |
The conspicuous dorsolateral projection is also found in Limnichthys and Tewara.
Inthe remaining genera, that projection begins to expand downward (Crystallodytes) |
and becomes much curved down (Chalixodytes and Apodocreedia). In Tewara |
there are less teeth on pharyngobranchial 3 and there is less contact between |
hypobranchial and brasibranchial 3. In Chalixodytes, Crystallodytes and
Apodocreedia, the contact between hypobranchial and basibranchial 3 is further |
diminished, most markedly in Apodocreedia. The three latter genera also have a |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
Comparative osteology of the family Creediidae... 55
more cartilaginous basibranchial 3 than the other creediids.
Axial skeleton (figs. 15, 18, 31,34). There are 41-43 vertebrae (excluding the
urostyle), the first 14-16 being precaudal; the first caudal vertebra has amuch larger
haemalspine than the last precaudal. The neural spines of most vertebrae are of the
same length, except for the one on the penultimate vertebra, which is much shorter
than the preceding ones. Haemal spines become noticeable around vertebrae 8 or
9, and become greatly enlarged around vertebrae 15-17; the last haemal spine is
wider than the preceding ones. 29-33 epipleural ribs are present from vertebrae 1;
pleural ribs are absent. The first 15-17 ribs have a slightly expanded head, are
ventrally directed and larger than the following ones. The remaining ribs get
progressively smaller and more posteriorly directed; most ribs are placed on the
midline of the respective vertebrae; the last 3-4 ribs are greatly reduced in size. The
only autogenous element of the hypural plates is the parahypural, the other
elements being fused. A hypurapophysis is absent. Two relatively elongate epurals
are present, the epural 1 being the smallest; uroneurals are absent. There are eight
or nine branched caudal rays.
There are 38 vertebrae in the clear and stained specimen of Schizochirus.
NELSON (1985) gives a range of 36-41, including the urostyle (J.S. NELSON,
personal communication), the first 14 with wider neural spines; there are 12
precaudal vertebrae in that genus, its haemal spines longer, interdigitating with 1/
4 - 1/2 of pterygiophores. There are 28 ribs, starting from vertebra one, most of
them placed low on the vertebrae. First 13 ribs wider, all posteriorly directed. Nine
branched caudal rays are found in Schizochirus. In Limnichthys, there are 37 to 45
vertebrae, 21-27 spine-like ribs, without expanded head, the ones on caudal region
smaller; 14-16 precaudal vertebrae are presente, the caudal vertebrae bear an
anteroventral projection. The two to five last neural spines are squarish, not spike-
like, and the last neural spine is not reduced; the two to six last haemal spines
laterally expanded. There are eight branched caudal rays and one or two epurals
in Limnichthys. Tewara has 50-53 vertebrae (NELSON, 1985 gives a range of 49-
55), 14 being precaudal. The 21-22 ribs are spine-like, the four to five last neural
spines are squarish, last neural spine not reduced; the four to five last haemalspines
laterally expanded; the caudal vertebrae bear an anteroventral projection. Eight
branched caudal rays and one epural are present. There are 50-58 vertebrae in
“Crystallodytes (NELSON, 1985 gives a range of 48- 60), 24-25 being precaudal; the
- caudal vertebrae bear an anteroventral projection. The 45 ribs are spine-like, the
' haemal spines are shorter, and the last neural spine not reduced; eight branched
| caudal rays and one epural are found in Crystallodytes. Chalixodytes possesses 56-
' 59 vertebrae, 23-24 being precaudal; the caudal vertebrae bear an anteroventral
projection; the 23 ribs are spine-like, the last neural spine is not reduced, and the
| haemal spines are shorter. Eight branched caudal rays and one epural are present
in that genus.
| There are 55-58 vertebrae in Apodocreedia, of which 23 are precaudal;
‚ anteroventrally, the vertebrae bear a process, similar ot the one found in
‚ Crystallodytes, Limnichthys, Tewara and Chalixodytes. The 41 to 42 ribs are spine-
‚ like, the four to six anteriormost neural spines are wider; there are eight branched
|
|
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
|
À
56 ROSA
caudal rays and one reduced epural in Apodocreedia. In this genus, the dorsal and
ventral hypural plates are partially fused together.
Dorsal and Anal Fins (figs. 32,33,35,36). There are 12-15 dorsal pterygiophores
with two elements (except for the last one which only has the proximal element)
and supporting one unbranched ray; the first dorsal pterygiophore is inserted
between neural spines 21 and 22; in two clear and stained specimens, it bears a
dorsal anteriorly directed crest; the remaining dorsal pterygiophores are elongate
with an expanded head. The ventral end of each proximal element of the dorsal
pterygiophores interdigitates with approximately 1/2-1/3 of the length of the
respective neural spine. The dorsalrays are biserial, segmented and approximately
of the same length, except for the last one, which is much smaller. The anal fin
consists of 23 or 24 unbranched rays, supported by 22 or 23 pterygiophores (the first
anal pterygiophore bears two ventral projections and supports two rays); there are
four anal pterygiophores anterior to the firstcaudal vertebra. Allanal pterygiophores
but the last one consist of two elements (only the proximal element is present on
the last one); all pterygiophores opposite the caudal vertebrae interdigitate with
approximately 1/3-1/4 of the respective haemal spines. The anal rays are of the
same length, except for the last one, which is much smaller. |
Main differences: Schizochirus has 20 dorsal pterygiophores, the first one |
with laminar flanges both anteriorly and posteriorly to the main axis of the |
proximal pterygiophore; the next 16 pterygiophores only have the posterior flange, |
the last three do not bear flanges. The medial element of the dorsal pterygiophore |
has an anteriorly directed projection which tightly fits between the anterior tips of |
the rays. The first dorsal pterygiophore is inserted between neural spines 14 and 15; |
all pterygiophores interdigitate with 1/4-1/3 of the length of the neural spines. The |
anal fin consists of 20 (in the C+S specimen) biserial, segmented branched rays, |
supported by 19 pterygiophores. All pterygiophores but the first one have flanges |
anterior and posterior to the main axis of the proximal element; the flanges become |
progressively smaller caudad; the anterior ones are flattened ventrally andarticulate |
with the dorsal surface of the medial element of all but the last anal pterygiophore |
(which only possesses the proximal element). All anal pterygiophores interdigitate |
with 1/3-1/2 of the length of the respective haemal spines. The first four anal |
pterygiophores strongly converge to the last precaudal vertebra. There are 20-33 |
dorsal pterygiophores in Limnichthys, the first one being inserted between neural |
spines 11 and 12 or 13 and 14; it bears two small anteriorly directed stubs. The anal |
fin consists of 22-34 rays, supported by 21-33 pterygiophores; the first 6-7 |
pterygiophores slightly converge to the last precaudal vertebra. The dorsal fin of |
Tewarahas 34-36 pterygiophores; the first one is inserted between neural spines 13 |
and 14 and bears a small stub. The anal fin consists of 36-39 rays supported by 35- .
38 pterygiophores. The first six anal pterygiophores slightly converge to the last |
precaudal vertebra.Crystallodytes has 30-39 dorsal pterygiophores, cachsupporting |
one ray. The first pterygiophore is inserted between neural spines 16 and 17.
Interdigitation between neural spines and dorsal pterygiophores mostly around |
vertebrae 45-48; after that point, the pterygiophores barely reach the neural |
spines. The anal fin consists of 35-40 rays, supported by 34-39 pterygiophores. In |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45 - 66, 2 mar. 1995
Comparative osteology of the family Creediidae... 37
Chalixodytes there are 35-40 dorsal pterygiophores. The first one is inserted
between neural spines 17 and 18; the anal fin consists of 36-40 rays, supported by
35-39 pterygiophores. The interdigitation between neural and haemal spines and
respective pterygiophores is limited to the tips ofthose elements or interdigitation
does not occur. Apodocreedia has 35-39 dorsal fin rays; the first pterygiophore is
inserted between neural spines 14 and 15 or 16 and 17; the anal fin consists of 32-
36 rays, supported by 31-35 pterygiophores. Both dorsal and anal pterygiophores
are positioned more horizontally than in the other genera and only around
vertebrae 39-41 a very limited interditation occurs between those elements and
their respective neural and haemal spines.
Pectoral and Pelvic Girdles and Fins (figs. 14, 16, 19-22). Each posttemporal
is a flat, canal bone, with two dorsal anteriorly directed processes, which attach the
pectoral girdle to the skull. The dorsal process is wider and larger than the ventral
one; it attaches to the posterodorsal surface ofthe epiotic. The ventral arm is about
2/3 the length ofthe dorsal one and connects the intercalar via ligament. Anteriorly
each posttemporal contacts the posterior end of the extrascapular canal. The
posterior end of each posttemporal is partially overlapped by the supracleithrum.
Each supracleithrum is a flat elongate bone which partially overlaps and firmly
attaches to the dorsal surface of the cleithral ridge. The cleithra are somewhat L-
shaped with a ridge along their outer surface; the dorsal end of each cleithrum has
three spines: two are covered by the respective supracleithrum; the third is the
smallest, posteriorly directed; ventrally, it contacts the scapula near the scapular
foramen. A very small and narrow postcleithrum is loosely attached to the ventral
surface of the radials. Each scapula and coracoid attach to the cleithral shelf;
posteriorly each scapula is fused to radial 1, which supports 4-5 pectoral fin rays.
Midanteriorly each scapula bears a relatively small foramen, not covered by the
cleithrum. The coracoids are separated from the cleithrum by cartilage; both ends
of each coracoid attaches to the cleithrum, but a smallmedian area does not contact
that bone. Posteriorly the coracoids are fused to three radials, which support 8-10
“pectoral fin rays. The four radials are partially fused to one another and to the
respective scapula and coracoid, except for the third one, which is separated from
the coracoid via cartilage. The basipterygia are separated from each other, are
concave and form a bowl-shaped pelvis. Each basipterygium contacts the pectoral
girdle via an anterolateral flange which is firmly attached to a ventrally directed
cleithral projection. Laterally the basipterygia bear an anteroposterior shelf which
‚possesses a small medially directed spine (pelvic spur) at its tip. The anterior
| margins of the basipterygia are joined by cartilage; a small cartilage joins the two
basipterygia midposteriorly. One spine and four unbranched rays articulate with
‚the posterior margin of each basipterygium.
| In Schizochirusthe ventral arm of posttemporal is about 1/2 the length ofthe
‚dorsal one; the cleithra are less L-shaped (i.e, straighter), the cleithral dorsal spines
are less developed, the ventral spine being the largest; there are two postcleithra,
the upper one rectangle- shaped, the lower one broader dorsally and tapered
ventrally; the scapular foramen is larger, reaching the ventral surface of that bone;
the radials are more separated from one another, 1 1/2 radials are fused to the
scapula, the remaining half of the second radial only attaches to the third radial;
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
58 ROSA
radials 1 and 2 support nine pectoral rays; the coracoid does not contact the third
radial, but is fused to the fourth one; radials 3 and 4 support seven pectoralrays. The
uppermost pectoralray is splintlike and unbranched, the upper rays are shorter and
narrower than the middle ones; most rays are branched and markely segmented.
The basipterygia are larger, with the anterior margins meeting medially; a posteriorly
directed process is present midposteriorly. One spine and five branched rays
articulate with each basipterygium. The pelvic spur is more robust but shorter. The
lower arm of the posttemporal ofLimnichthys isca. 1/2-2/3 the length of dorsal one.
The contact between coracoid and cleithrum is reduced, the contact being made via
a sharp process (in some specimens, the process is absent); five to six rays articulate
with the coracoid, seven to nine with the scapula; postcleithra are absent. The
basipterygia of L. polyactis possess a posteriorly directed process, which is not
found in the other species of Limnichthys. A squarish projection connects the
cleithrum to the respective basipterygium in L. polyactis and L. rendahli Parrott, .
1958; the pelvic spur is longest in L. fasciatus. In L. nitidus Smith, 1958, its is usually
wider than in L. fasciatus, and longer than the one found in L. polyactis and L.
rendahli. One spine and five rays articulate with each basipterygium. In Tewara,
the ventral arm of the posttemporal is ca. 1/3 the lenght of the upper one. The
orifice between the coracoid and cleithrum is slightly larger; six rays articulate with
radials 3 and 4; six articulate with radials 1 and 2; the cleithral shelf is confined to |
the upper half of that bone. As in C. haswelli, the pelvic spur is small; the |
basipterygia posteriorly bear a process. One spine and five rays articulate witheach |
basipterygium. The ventral arm of the posttemporal of Crystallodytes is about 1/3 |
the lenght of the dorsal one; the scapular foramen is concealed by the cleithral shelf, |
the area separating the coracoid from the cleithrum is smaller; six rays articulate |
with radials 3 and 4, eight with radials 1 and 2. The cleithral shelf is confined to the |
upper half of that bone. The pelvic spurs are large and meet medially. One spine |
and five rays articulate with each basipterygium. In Chalixodytes, the ventral arm |
of the posttemporal is about 1/3 the length of the dorsal one; five rays articulate |
with radials 3 and 4, seven with radials 1 and 2. The area separating the cleithrum
from the coracoid is slightly larger. The cleithral shelf is confined to the upper half |
of that bone. One spine and four rays articulate with each basipterygium. The
pelvic spur are larger and meet medially. The lower half of the supracleithrum is
wide, the upper half tapered. The ventral arm of the posttemporalofApodocreedia |
is about 1/4 the length of the dorsal one. The degree of fusion between the |
cleithrum and coracoid and between the radial is greater; the cleithral shelf is |
rudimentary, confined to upper fourth of the bone. In this genus, the pectoral | |
radials my overlap one another and the pelvic fin is absent. 1
DISCUSSION
GOSLINE (1963) described severalosteologicalcharactersfor Crystallodytes |
cookei Fowler, 1923, some of which have been re-interpreted by NELSON (1985) |
assynapomorphies for the Creediidae. NELSON (1985), indicated that “the family |
Creediidae is a relative compact group whose species are quite distinct from all |
other families currently recognized in the heterogeneous suborder Trachinoidei”
and suggested the monophyly of the group, based on a list of characters” most of |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995 I)
Comparative osteology of the family Creediidae... 59
which probably derived, relative to other trachinoid groups”.
Our examination of the osteological characters of creediids has brought
about new characters (described above) which can separate members of the
Creediidae from other trachinoids. These are: dentary bone not completely
toothed, anterior tip ofurohyal lying on second or third basibranchial and posterior
tip of mesopterygoid reaching posterior margin of skull. ROSA (1993), in a
cladistic analysis of the Creediidae, has used these characters to support the
monophyly of the group.
Regarding the creedid genera, Schizochirus can be characterized by the
lacrymal with a median transverse groove, a large lateral flange on nasal bone (a
smallflange observedin Hemerocoetes Valenciennes, 1837) and anal pterygiophores
with lateral flanges. NELSON (1985) mentioned that postcleithra were absent on
creediids, exceptfor Schizochirus; however, a rudimentary postcleithrum is present
at least in Creedia haswelli (we could not be conclusive about this character in the
other Creedia species). Creedia can be defined by the presence of less than 19 rays
on dorsal fin and of a small projection on posterior end of lacrymal. Apodocreedia
can be characterized by: pectoral rays completely overlapping each other, hypural
plates completely fused and pelvic fin absent; Chalixodytes possesses a distally
tapered supracleithrum, unique among creediids. No osteological characters
exclusive to Crystallodytes were found. However, this genus can be characterized
by having body scales only along lateral line (NELSON, 1985).
Limnichthys is a poorly defined genus (ROSA, 1993), characterized by
intermediate stages of first dorsal pterygiophore condition (with two stubs) and of
ascending process of premaxillae (almost meeting medially). Tewara can be
characterized by having the central frontal pore much larger than lateral ones.
However, the boundaries between this genus and Limnichthys are not well
defined, and should be further examined.
Acknowledgments. To my thesis supervisor, Dr. Joseph S. Nelson (University of Alberta,
Canada) for all his help and encouragment; to Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq), for providing financial support to this study (20.0819-87.9-Z0).
REFERENCES
GOSLINE, W.A. 1963. Notes on the osteology and systematic position of Hypoptychus dybowski
Steindachner and other elongate perciform fishes, Pac. Sci., Honolulu, 17 (1): 90-101.
LEVITON, A.E.; GIBBS, R.H.JR.;HEAL, E. & DAWSON,C.E. 1985. Standards in Herpetology and
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Ichthyology. Copeia, Lawrence, (3): 802-832.
NELSON, J.S. 1985. On the interrelationships of the genera of Creediidae (Perciformes: Trachinoidei).
Japan. J. Ichthyol., Tokyo, 32(3): 283-293.
| PIETSCH, T.W. 1989. Phylogenetic relationships of trachinoid fishes of the family Uranoscopidae.
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ROJO, A.L. 1991. Dictionary of evolutionary fish osteology. Florida, CRC Press, 273p.
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TAYLOR, W.R. & VAN DYKE, G.C. 1985. Revised procedures for staining and clearing small fishes
and other vertebrates for bone and cartilage study. Cybium, Paris, 9(2): 107-119.
|
| Recebido em 26.10.1993; aceito em, 12.05.1994.
|]
|
|
I
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
60 ROSA
Figs. 1-3. 1, Skull of Creedia haswelli, dorsal view; 2, ventral view; 3, jaws, suspensorium and |
opercular apparatus; left lateral view. An, Angular; APP, Ascending Process of Premaxilla; Ar, |
Articular; Bo, Basioccipital; D, Dentary; Ect, Ectopterygoid; Epi, Epiotic; Ex, Exoccipital; F, |
Frontal; Hyo, Hyomandibular; In, Intercalar; Io, Interopercle; LE, Lateral Ethmoid; Me, Mesethmoid; |
Mt, Metapterygoid; Mx, Maxilla; O, Opercle; Pa, Parietal; Pas, Parasphenoid; Pmx, Premaxilla; |
Po, Preopercle; Pr, Prootic; Pt, Pterotic; Q, Quadrate; So, Subopercle; Soc, Supraoccipital; Sp, |
Sphenotic; Sym, Sympletic; Vom, Vomer; Bar = Imm. |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
Comparative osteology of the family Creediidae... 61
Figs. 4-6. 4, Skull of Limnichthys fasciatus, dorsal view; 5, ventral view; 6, jaws, suspensorium and
opercular apparatus; left lateral view. An, Angular; APP, Ascending Process of Premaxilla; Ar,
Articular; Bo, Basioccipital; D, Dentary; Ect, Ectopterygoid; Epi, Epiotic; Ex, Exoccipital; F,
Frontal; Hyo, Hyomandibular; In, Intercalar; Io, Interopercle; LE, Lateral Ethmoid; Me, Mesethmoid;
Mt, Metapterygoid; Mx, Maxilla; O, Opercle; Pa, Parietal; Pas, Parasphenoid; Pmx, Premaxilla;
Po, Preopercle; Pr, Prootic; Pt, Pterotic; Q, Quadrate; So, Subopercle; Soc, Supraoccipital; Sp,
Sphenotic; Sym, Sympletic; Vom, Vomer. Bar = Imm.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
62 ROSA
Pmx = | 11
Figs. 7-12. Creedia haswelli: 7, dorsal view of anterior region of skull showing infraorbital series
and mesopterygoid position; 8, upper jaw, dorsal view; 9, detail of the vomer and some bones |
of the suspensorium, dorsal view. Limnichthys fasciatus: 10, dorsal view of anterior region of skul |
showing infraorbital series and mesopterygoid position; 11, upper jaw, dorsal view; 12, detail |
of the vomer and some bones of the suspensorium, dorsal view. APP, Ascending process of |
premaxilla; Ect, Ectopterygoid; F, Frontal; I 2-3, Infraorbitals 2-3; L, Lacrymal; LE, Lateral |
Ethmoid; Me, Mesethmoid; MPP, Maxillary process of premaxilla; Ms, Mesopterygoid; Mx, |
Maxilla; Pal, Palatine; Pmx, Premaxilla; Vom, Vomer. Bar = 1 mm. |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
Comparative osteology of the family Creediidae... 63
Figs. 13-18. Creedia haswelli: 13, left lateral view of the infraorbital series; 14, part of the pectoral
girdle, lateral view; 15, part of the axial skeleton, lateral view. Limnichthys fasciatus: 16, part of the
pectoral girdle, lateral view; 17, left lateral view of the infraorbital series; 18, part of the axial
'* Skeleton, lateral view. APt, Anal fin pterygiophore; Cl, Cleithrum; CV, Caudal; DPt, Dorsal fin
| pterygiophore; ER, Epipleural ribs; Es, Extrascapular; I 2-4, Infraorbitals 2-4; L, Lacrymal; PcV, Precaudal
| vertebra; Ptt, Posttemporal; Sc, Scapula; Scl, Supracleithrum. Bar = Imm.
| | Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
BI
64 ROSA
Scl
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SEE 000000 ogwae.!“
Cl Ss I
Co 22
Figs. 19-22. 19, Pectoral skeleton of Creedia haswelli, lateral view; 20, Pelvic skeleton of Limnichthys fasciatus, '
ventral view; 21, Pelvic skeleton of C. haswelli; 22, Pectoral skeleton of L. fasciatus. Cl, Cleithrum; Co, |
Coracoid; PcR, Pectoral radials; PSp, Pelvic spur; PvR, Pelvic fin rays; PvS, Pelvic fin spine; Sc, Scapula; Scl, |
Supracleithrum. Bar = Imm. |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
Comparative osteology of the family Creediidae... 65
Bh
Bh
B1-4
é Ih Eh
a To
| Figs. 23-30 Creedia haswelli: 23, branchial arches, left side, dorsal view of ventral surface. Epibranchials and
| pharingobranchialsunfolded and shown in ventral view; 24, urohyal, lateral view; 25, diagrammatic representation
| of anterior end of urohyal, showing its position with respect to basibranchial; 26, diagrammatic representation
‚ofthe hyoid apparatus. Limnichthys fasciatus: 27, branchial arches, left side, dorsal view of ventral surface.
Epibranchials and pharingobranchials unfolded and shown in ventral view; 28, diagrammatic representation of
anterior end of urohyal, showing its position with respect to basibranchial; 29, urohyal, lateral view; 30,
| diagrammatic representation of the hyoid apparaturs. B1-4 - Basibranchials 1-4; Bh, Basihyal; Br, Branchiostegal
'rays; Ch, Ceratohyal; C1-5, Ceratobranchials 1-5; El-4, Epibranchials 1-4; Eh, Epihyal; H1-3,
Hypobranchials 1-3; Hh, Hypohyals; P2, P3, P4, Pharingobranchials 2,3 and 4; Uh, Urohyal. Bar
= Imm.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45-66, 2 mar. 1995
66 ROSA
DPt \
SS ng
|
|
|
|
|
|
|
NS, Neural spine. Bar = Imm.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 45 - 66, 2 mar. 1995
TROCHILIPHAGUS AUSTINI SP. N. (MALLOPHAGA,
TROCHILOECETIDAE) FROM AMAZILIA CANDIDA (AVES,
TROCHILIDAE) OF BELIZE, WITH BIOLOGICAL NOTES
Yoshika Oniki !
ABSTRACT
Trochiliphagus austini sp. n. (Mallophaga, Trochiloecetidae) is described from Amazilia candida
(Bourcier & Mulsant, 1846) (Aves, Trochilidae) from Belize. While Trochiloecetes species feed on
blood and stay on the neck, Trochiliphagus species have empty digestive tracts, maybe imbibing fluids
and wander agilely on the body.
KEYWORDS. Mallophaga, Trochiliphagus austini, Amazilia candida, Trochilidae, Belize.
INTRODUCTION
| Although lice to the genus Trochiliphagus Carriker, 1960 (Mallophaga,
' Trochiloecetidae) are large and conspicuous on hummingbirds (Aves, Trochilidae)
| few specimens have been collected because they escape detection unless one is
| looking specifically for them.
| Members of this genus are like those of the genus Ricinus DeGeer, 1778
' (Ricinidae), except that mouth parts are modified as a stylet for piercing (CLAY,
| 1949; CARRIKER, 1960). However, Trochiliphagus differs from Trochiloecetes
' Paine & Mann, 1913, another genus of lice also found on hummingbirds, in the
shape of the head and body.
While checking lice in the collection of the Florida State Collection of
' Arthropods, Division of Plant Industry (FSCA, DPI), in Gainesville, Florida,
‚USA, I found a slide with one female of a new Trochiliphagus species, here
described.
1. Departamento de Zoologia, UNESP, Caixa Postal 199, 13506-900 Rio Claro, SP, Brasil. (Pesquisador Associado, Bolsista do CNPq).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 67 - 71, 2 mar. 1995
68 ONIKI
Trochiliphagus austini sp. n.
(Fig. 1)
Host. Amazilia candida (Bourcier & Mulsant, 1846).
Holotype. Female from Cayo District, British Honduras (presently Belize),
14. IV. 1928, collected by Oliver L. Austin Jr.; mounted in Canada balsam on an
unnumbered slide, which remains in the FSCA.
Derivatio nominis. Trochiliphagus austinisp. n. is named in honor of the late
Dr. Oliver L. Austin Jr. for his extensive contributions to the field of ornithology.
Diagnosis. The genus Trochiliphagus contains 11 species and T. austinisp.n.
differs from them in the following characteristics: a medium-sized species (3.0imm
long), falling into section B of CARRIKER's (1960) classification of total body
lenght (not less than 3.00 or more than 3.40mm). Sides of prothorax rounded.
Sternal plate bell-shaped with lateral basal tips ending in sharp angles. Frons
slightly convex.
Description. Chaetotaxy, as used here, follows NELSON's (1972) system
for species in the genus Ricinus. I assume that all Ricinoidea are similar in their
general morphology and therefore transpose Nelson's system to the Trochilipha-
gidae. On this basis, I describe T. austini sp. n. as follows. Head prognathous and
subconical, somewhat depressed at the sides of the temples. Frons truncate with
parallel lateral margins. Temples triangular. Only the antennal nodi present;
maxillary palpi straight. Setae d1, d2, and d3 present on head. The gular plate thin
and bell-shaped with 4 X 5 setae on lateral extensions. Terminal abdominal
segment of the female as in fig. 1. Pleural nodi not heavily pigmented, being gold
colored. Labium with 11 pairs of setae plus a very long pair.
Measurements in millimeters. Total length 3.01; greatest width 0.94; head
length 0.62 (measured along the midline of the head from the tip of the frons to
the dorsoposterior margin of the occiput); head width 0.56; head index 111.41 (the
ratio of head width to head length times 100); prothoracic length 0.36; prothoracic
width 0.51 and distance between prosternals 0.051.
Remarks on the bird host. The genus Amaziliacomprises 30 species(MEYER-
DE-SCHAUENSEE, 1970; AMERICAN ORNITHOLOGISTS UNION, 1983).
CARRIKER (1960) described Trochiliphagus jimenezi Carriker, 1903 from
Amazilia t. tzacatl (de la Llave, 1833) from Juan Vinas, Costa Rica, and
Trochiloecetes simplex Carriker, 1960 from Amazilia amazilia caeruleigularis |
Carriker, 1933; he mentions other species of Trochiloecetes from A. fimbriata |
nigricauda (Elliot, 1878), A. lactea bartletti (Gould, 1866), and A. tobaci caurensis |
(Berlepsch & Hartert, 1902).
Amazilia amada the White-bellied Emerald, was first described as Trochiuäl
candidus in 1846 from Cobän, Guatemala. It is resident from San Luis Potosi and
northern Veracruz south along the Gulf-Caribbean slope of Middle America to |
Honduras and both slopes of Nicaragua; it probably is only a vagrant in Costa
Rica (south to Osa Peninsula) (AMERICAN ORNITHOLOGISTS UNION, |
1983). The species inhabits the humid forest edge, open woodland, brushy areas | |
and plantations of tropical and subtropical lowlands.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 67 - 71,2 mar. 1995
r
I
Trochiliphagus austini sp. n. (Mallophaga...
| Fig. 1. Trochiliphagus austini sp. n., holotype female, left side, dorsal view; right side, ventral view.
|
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 67 - 71, 2 mar. 1995
een... _
69
70 ONIKI
Biology of Trochiliphagus and Trochiloecetes. It is possible to distinguish
Trochiloecetes from Trochiliphagus by behavior and use of different niches on the
hummingbird host. Trochiloecetes naevius described by ONIKI & EMERSON
(1982), for instance, is found mainly next to eggs on the back of the neck of the
host (Ramphodon naevius Dumont, 1818). When infestation is high, eggs and
adults also occur on the side and front of the neck. Trochiliphagus on the same or
other hosts appear to occur in small numbers, as noted by Carriker (1960,
personal observation), and to wander through the host plumage. They can move
quickly among body feathers, so that spotting and catching them by the browsing-
the-feathers method is difficult. The body is ventrally concave, and corrugations
on the sternites make fast movement easier. They never flee to rectrices or
remiges when birds are handled or when one is trying to pick them up with
forceps.
Numbers of Trochiliphagus on hosts are very small when compared to
numbers of Trochiloecetes. In Ramphodon naevius, where adult and young
Trochiloecetes naevius stay next to eggs or in the surrounding feathers of the neck,
those feathers tend to be weakened, perhaps by the weight, and fall easily when
the bird is handled. Many hummingbirds that had eggs and lice had lost some neck
feathers, whereas others without lice and eggs had strong feathers that did not
come out easily.
The genera Trochiliphagus and Trochiloecetes, as pointed out by
CARRIKER (1960), are similar to Ricinus in general shape and structure of the
head, thorax and abdomen, but mouth parts are of the piercing-sucking type. The
mandibles form a minute stylet with a cone-shaped, rounded tip. CLAY (1949)
reported differences in mouthparts of Trochiloecetes and Ricinus. To substantiate
Clay's suspicion that Trochiloecetes feed on blood, most of the specimens I
collected were engorged with blood, which made clearing with KOH difficult in
preparing slides, while some of the tergites were swollen and turned ventrally. I
often had to cut open the ventral side of the louse to remove clots of blood cells
instead of dissolving out the stomach contents as in other lice. Feeding habits of
Trochiloecetes and Trochiliphagus must differ, because I never found the blood
clots in the latter. On the contrary, the transparent digestive tract always seemed
empty. NELSON (1972) thought that lice collected from museum specimens had
empty digestive tracts because they had time to digest food before they died. .
Specimens of Trochiliphagus I collected were immediately placed in alcohol 70%, |
with no time to digest food, their mouth parts suggest that they may be fluid |
feeders, perhaps on plasma or lymph as well as blood.
Systematic Position. When erecting his genus Trochiliphagus, CARRIKER |
(1960) simultaneously named the family Trochiliphagidae, including also the |
genus Trochiloecetes. As EICHLER (1962) has shown, the name Trochiliphagidae |
1s Invalid on nomeclatural grounds and therefore was replaced by Trochiloecetidae. |
It forms, together with the Ricinidae, the superfamily Ricinoidea. |
Acknowledgements. To Dr. Howard V. Weems Jr. and Mr. Harold A. Denmark for making the |
FSCA (DPI) collection of lice available for studies; also, Dr. David G. Young and Jerry F. Butler, plus |
his assistants, Diana Simon and Debbie Boyd (all Department of Entomology and Nematology of the |
University of Florida, Gainesville) for advice and generous logistical help. Dr. Kary C. Emerson |
(deceased), Bernard C. Nelson (deceased) and Dr. Wolfdrietrich Eichler and an anonymous reviewer |
kindly criticized and corrected the manuscript. |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 67 - 71,2 mar. 1995
E
Trochiliphagus austini sp. n. (Mallophaga... 71
REFERENCES CITED
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Wirt nach ihrem gegenwartigen Stand unter besonderer Berucksichtigung der Mallophagen.
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Recebido em 5.11.1993; aceito em 16.06.1994
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 67 - 71,2 mar. 1995
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THE GIANT PSAMMOPHILOUS CILIATE AVELIA MARTINICENSIS
(CILIOPHORA, PROTOHETEROTRICHIDA) IN GUANABARA BAY,
BRAZIL, WITH TAXONOMIC AND NOMENCLATURAL NOTES
Rosa E. Pettigrosso '
Néstor J. Cazzaniga !?
Milden Rodrigues de Santa Rosa’
ABSTRACT
Avelia martinicensis (Nouzarêde, 1975), endemic to the Caribbean island of Martinique, is recorded
from Guanabara Bay, Rio de Janeiro, Brazil, extending its range over more than 35 degrees of latitude. The
organisms were studied by optical (protargol staining) and both scanning and transmission electronic microscopy.
The general morphology and the ultrastructure ofthe nuclear apparatus and the somatic and peribuccal systems
of myonemes are in accordance with the original description. Several nomenclatural emendations and changes
are made. The specimens have been found in samples offine sand with high content oforganic matter, in an area
which shows great variations in temperature and salinity.
KEYWORDS. Karyorelictophora, systematics, Avelia, nomenclature, distribution.
INTRODUCTION
Giant psammophilous ciliates form part of the interstitial fauna inhabiting the
capillary spaces between sand particles in the superficial layers of marine littorals. They
are microporal fauna (FAURE-FREMIET, 1950) and have several common adaptive
characteristics, such as a strong thigmotactism, a slender sharp body and a system of
| microfilaments — the myonemes — which render them capable of remarkable cell
_ contraction. Most studies on this group deal with European, North American or African
* specimens (DRAGESCO & DRAGESCO- KERNÉIS, 1986; HARTWIG, 1980). Reports
“on South American specimens are very scarce (KATTAR, 1970).
| The systematic position of Avelia has undergone change and remains rather
| controversial. There are also some nomenclatural difficulties, which are discussed in this
| paper.
|
| 1. Departamento de Biologia, Universidad Nacional del Sur, 8000 Bahia Blanca, Argentina.
1 2. Member of the Researcher Career of the Comisión de Investigaciones Científicas de la Provincia de Buenos Aires, Argentina.
3
i
. Instituto de Microbiologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cidade Universitária, P. O. Box 6804, CEP 21949, Rio de Janeiro, RJ, Brazil.
(Researcher of the Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, Brazil).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 73 - 83, 2 mar. 1995
74 PETTIGROSSO; CAZZANIGA & ROSA
Avelia martinicensis (Nouzaréde, 1975) has hitherto been regarded as endemic to
Martinique. This paper refers to its discovery 35° of latitude further south, in Guanabara
Bay, Rio de Janeiro, Brazil (22° 53'S, 47° 17'W).
The study area. The beach where the samples were collected supports strong
evaporation due to insolation, especially during summer, producing an increase in
salinity. The abundantrainfall and the large volume of freshwater flowing out from rivers
cause abrupt reductions in the level of salinity. PARANHOS & MAYR (1993) studied
the seasonal temperature and salinity variations in Guanabara Bay; our collection site is
near sampling point 7 of that paper. There is a great influx of organic matter in Guanabara
Bay, originating in the mangrove areas and caused by anthropogenic activity, including
the spread of untreated sewage. HAGLER & MENDONÇA-HAGLER (1981) and
HAGLER et al. (1986) informed on organic pollution and microbial indicators in Rio de
Janeiro; our collection site is between the sampling points 5 and 6 of these studies. The
sand in the samples was partially darkened, reduced, with a hydrosulphuric smell which
is characteristic of the environments inhabited by the giant psammophilous ciliates
(NOUZAREDE, 1975).
MATERIAL AND METHODS
Samples were gathered from an unnamed sandy beach on the north coast of the “Ilha do
Fundão”, in the neighbourhood of the “Instituto de Microbiologia, Universidade Federal do Rio de
Janeiro”, during low tide, which occurred between 8 AM and 4 PM from mid-summer to the end of
autumn 1989 (February to September).
The sand was collected by dragging manual dredges with a capacity of 250ml over a small area
down to a depth of Scm within the sediment. The living samples were kept in the laboratory at room
temperature and the ciliates were sorted by hand picking with micropipettes.
These ciliates contract rapidly in the face of mechanical or chemical stimuli. It was thus necessary
to apply a pretreatment with an anaesthetic solution to avoid excessive contraction during fixation. The
ciliates were left in a solution of 20 mM EGTA and 3 mM MgsSO, in sea water for approximately 10
minutes, until they had reached a similar size to that shown when they were active. EGTA is a chelating
agent of Ca**, which is the ion producing the myoneme contraction when liberated as a response to
stimuli; Mg** contributes to the relaxation (HU ANG & PITELKA, 1973; SLEIGH & PITELKA, 1974;
HALLER, 1977). Afterwards, the anaesthetic solution was replaced by the fixing solution. This |
pretreatment was used for both optical and electronic microscopy. Optical microscopy: the protargol |
staining technique was employed (TUFFRAU, 1967), using glutaraldehyde 12.5% (V/V) in a sodium |
cacodylate buffer as a first fixing solution. Electronic microscopy: fixation was carried out using |
glutaraldehyde 12.5% (V/V) and osmium tetroxide 1% (W/V) during 30 minutes at room temperature.
The specimens were then washed three times in a sodium cacodylate buffer and preembedded in agar |
blocks, which were dehydrated by an ethanolseries ofincreasing concentration. Embedding was carried |
out using EPON 812; polymerization ran for 48 hours at 60º C. The specimens were sectioned with a |
diamond knife in a LKB 2088 Ultratome V ultramicrotome, and contrasted with uranile acetate in |
alcohol solution and lead citrate. A Philips EM 301 transmission electron microscope and a JEOL 25SII |
scanning electron microscope were used for the observations and photomicrographs. |
SEM stubs and TEM material were deposited at the “Laboratório de Microscopia Eletrônica, |
Instituto de Microbiologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro”, Brazil. Protargolstainedslidesare |
housed at the “Laboratorio de Ecología Acuática, Departamento de Biología, Universidad Nacional |
Sur”, Argentina.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 73 - 83, 2 mar. 1995
The giant psammophilous ciliate Avelia martinicensis... 75
RESULTS
Subphylum KARYORELICTOPHORA Puytorac, Grain, Legendre & Dévaux, 1984.
Class PROTOHETEROTRICHEA Puytorac, Grain & Mignot, 1987.
Order PROTOHETEROTRICHIDA Nouzarêde, 1977.
Family AVELIIDAE Puytorac, Grain & Mignot, 1987.
Avelia Nouzarede, 1977
Avela NOUZAREDE, 1975: 625-627. Type species by original designation Avela martinicense Nouzarede,
1975:
Avelia NOUZAREDE, 1977: 4. Replacement name for Avela, preoccupied in the Lepidoptera by Walker, 1856.
The gender of generic name is feminine (genus dedicated to Prof. Avel with the addition of the suffix-ia).
Avelia martinicensis (Nouzarede, 1975)
(Figs. 1-12)
Avela martinicense NOUZAREDE, 1975: 627. Incorrect specific spelling due to incorrectness of the adjectival
termination.
Avelia martinicenseNOUZAREDE, 1977: 39-40; SMALL & LYNN, 1985: 427; DRAGESCO & DRAGESCO-
KERNEIS, 1986: 215:
Description. A typical psammophilous ciliate, nematomorph, of great size, more
than 2mm long when fully extended, dark brown in colour, extremely contractile(figs.1,2).
The sharp anterior region is differentiated from the rest ofthe cell; fore ending like
a curved bill. Small buccal aperture, 0.025-0.030mm long, lying ventrally in this anterior
region (fig. 3). The wider medial region bears the nuclear apparatus formed by a single,
oval to triangular micronucleus between two semispherical to broadly reniform
macronuclear masses (figs. 5, 6). Acute posterior region (fig. 4).
Uniform somatic ciliature. There are about 60-70 kineties inthe medial body
region and their number decreases to the fore and back. Nematodesmata easily
visible on the sides of the anterior region (fig. 3). The right peribuccal ciliary field
more developed than the left one and composed of regularly disposed rows of 6-
7 kinetosomas.
The longitudinal kineties show the characteristic double kinetosomas, and
are separated by interkinetic ridges containing 2 or 3 longitudinal myonemes each.
| They are underlaid by transversal myonemes. Sections of the cortex from three
‚different planes (figs. 7-9) illustrate the relative position of the longitudinal and
transversal myonemes. Beneath the latter a large number of subcortical, round to
oval mitochondria. The endoplasmic mitochondria are more elongated and have
| acuminate endings (fig. 12).
| Buccal aperture (fig. 10) encircled by a system of peribuccal myonemes (fig.
11), forming a strong sphincter. The circumoral kinety could not be seen on our
'TÊM sections.
| Micronucleus long and oval, lying between the macronuclei (fig. 12). The
latter contain a macronuclear spherule, and are surrounded by a thickened coat.
| Previously known distribution. Martinique, West Indies.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 73 - 83, 2 mar. 1995
16 PETTIGROSSO; CAZZANIGA & ROSA
Figs. 1-6. Avelia martinicensis (Nouzarede, 1975) from Guanabara Bay, Brazil. 1, 2, general appearance; 3, |
detail of the mouth in the anterior part; 4, somatic kineties in the posterior end; 5, 6, nuclear apparatus. (m, mouth;
n, nematodesmata). Bars: 1,2 = 200 um; 3-6 = 20 um.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 73 - 83, 2 mar. 1995
The giant psammophilous ciliate Avelia martinicensis... 77
_ Figs. 7-9. Avelia martinicensis (Nouzarede, 1975) from Guanabara Bay, Brazil. 7, tangential and slightly oblique
| Section of the cortex; 8, transveral section of the cortex; 9, sagittal section of the cortex. (cm, cortical
mitochondria; dk, series of double kinetosomas in the basis of a kinety between the longitudinal myonemes; Im,
'* longitudinal myonemes running along interkinetic ridges; tm, transversal myonemes). Bars = 3 um.
|
|
|
| Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 73 - 83, 2 mar. 1995
|
78 PETTIGROSSO; CAZZANIGA & ROSA
Figs. 10-12. Avelia martinicensis (Nouzarêde, 1975) from Guanabara Bay, Brazil. 10, SEM photomicrograph
of the mouth; 11, frontal section of the peribuccal myoneme sphincter (TEM photomicrograph); 12, TEM,
photomicrograph of thenuclear apparatus. (em, endoplasmic mitochondria; Ma, macronucleus; mi, micronucleus;,
ms, macronuclear spherule). Bars = 5 um.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 73 - 83, 2 mar. 1995
The giant psammophilous ciliate Avelia martinicensis... 79
Examined material. BRAZIL. Rio de Janeiro: Ilha do Fundão. About 60 living specimens, II-
IX.1989, of which 20 are in TEM cut grides; 10 in SEM stubs, and 15 in protargol stained slides.
DISCUSSION
The nominal species of Avelia. NOUZAREDE (1975) recognized three species
within the genus: A. martinicensis Nouz., 1975, A. arcachonensis Nouz., 1975 and
A. gigas (Dragesco, 1960).
A. martinicensis is differentiated from A. arcachonensis only on the basis of
geographic location and their general external appearance. The latter species was
described as “apparently very rare”, its anterior part is more cylindrical, and
perhapsitissomewhat smaller. NOUZAREDE (1975,1977) stated A. martinicensis
can reach 3mm long when completely extended, and A. arcachonensis can exceed
2mm in lenght: the size difference does not appear to be significant. Overall aspect
and size may be considered imprecise and subjective criteria, in view of the
extremely contractile nature of these forms. Both species clearly differ from A.
gigas in the structure of the nuclear apparatus.
The specimens from Guanabara Bay do not show significant differences with
respect to previous descriptions of A. martinicensis. Our protargol slides and
electron micrographs are in general agreement with those already published
(NOUZAREDE, 1975, 1977). The number of somatic kineties (60-70in the medial
region) is a little higher than that indicated for the specimens from Martinique
(“une cinquantaine” according to NOUZAREDE, 1975) and the micronucleus is
longer than that illustrated previously. The rest of the features, both structural and
ultrastructural, are identical and convince us that the species is the very same as 4.
martinicensis.
Taxonomic history and systematic position of the genus. Based on ciliates
from France and the West Indies, NOUZAREDE (1975) established the genus
Avela as pertaining to family Geleiidae Kahl, 1933. The characteristics distinguishing
this genus from Geleia Kahl, 1933 are the form and structure of the buccal
apparatus, which lies in the anterior region and is proportionally small, and the
presence of peribuccal myonemes, which are absent in Geleia. A circumoral kinety
was also described. The peribuccal sphincter prevents the anterior part of the
animal from transforming into a “fisherman's basket”, which is typical of the
behaviour of Geleia (NOUZAREDE, 1975).
Two years later, NOUZAREDE (1977) changed the generic name to Avelia,
because Avela fell in homonymy with Avela Walker, 1856 (Lepidoptera). The
“significant Nouzarêde's monograph appearedin a publication “for the year 1976,”
“butin actuality it was not available in print until into the next year, 1977 (J. O.
' Corliss, in littera). Legally and nomenclaturally, the work cannot be cited before
“the date at which it really was printed-and-distributed.
The genus Geleia is divided into two groups, on the basis of the size of the
'* specimens, their ability to twist themselves, and above all the disposition ofthe two
| peribuccal ciliary fields: the G. orbis group shows a main regular peribuccal ciliary
' field on the right, and an anarchical smaller ciliary field on the left; whereas the G.
ir group has the main regular field on the left (NOUZAREDE, 1977). The
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 73 - 83, 2 mar. 1995
80 PETTIGROSSO; CAZZANIGA & ROSA
genus Avelia has the main peribuccal ciliary field on the right, as in the first group.
A new order was proposed for the Geleiidae (NOUZAREDE, 1977):
Protoheterotrichida, within the subphylum Polyhymenophora, but there is by no
means consensusregarding the systematic position of Avelia and Geleia. CORLISS
(1979) did not accept the order Protoheterotrichida, considering it to be a junior
synonym of the order Karyorelictida Corliss, 1974, in which he includes the
Geleiidae.
On the basis of the study ofthe cortical fibrillar structures, SMALL & LYNN
(1981, 1985) consider this group as a new class, Karyorelictea Corliss, 1974, within
the subphylum Postciliodesmatophora Gerassimova & Seravin, 1976.
In the phenetic classification of PUYTORAC et al. (1984), the Geleiidae are
included within subphylum Hymenophora, class Spirotrichea, order Heterotrichida,
suborder Protoheterotrichina, thus placing them far removed from the Karyorelicta,
which they consider a class within a new subphylum, Karyorelictophora Corliss,
1974.
DRAGESCO & DRAGESCO-KERNÉIS (1986) recognize the validity of
the genera Geleia and Avelia but do not agree with NOUZAREDE's (1975, 1977)
diagnostic characteristics. They donotregard the peribuccal sphincter ofmyonemes
as a generic difference but emphasize the position of the main ciliary field,
redefining Aveliaas having the main peribuccal ciliary field on the right and Geleia
as being its mirror image. Consequently they transfer Geleia orbis Fauré-Fremiet,
1950 to Avelia and suggest that the same should be done with the other species of
the orbis group. DRAGESCO & DRAGESCO-KERNÉIS (1986) classify the
Geleiidae with the order Karyorelictida as an incertae sedis group, and stress the
need for further studies on the infraciliature in view of the lack of this information
in most taxa.
PUYTORAC etal. (1987) alsoinclude Avelia and Geleia withthe Karyorelicta
(as a subphylum assigned to “Corliss, 1974”) in the class Protoheterotricha that
they attribute to NOUZAREDE (1977), on the basis of the order
Protoheterotrichida Nouzarêde. However, they now differentiate between two
monotypic families: the Geleidae [sic] Kahl, 1933 and the Avelidae [sic] Nouzarêde,
1977 (erratum pro PUYTORAC et al., 1987).
In the diagnosis of Avelia, PUYTORAC etal. (1987) note the presence ofthe
peribuccal myoneme sphincter and the position ofthe main peribuccal ciliary field
on the right, formed by numerous segments of juxtaposed kineties, the left ciliary
field being “relatively anarchical” and formed by shortsegments of 2-4 kinetosomes.
We agree with the importance of the peribuccal sphincter in defining the genus. It
is a constant and well-defined structure and, as stressed by NOUZAREDE (1975), |
gives rise to special etho-ecological consequences affecting the feeding strategy of |
Avelia. The latter is not therefore a mere mirror image of Geleia, as attempted by
DRAGESCO & DRAGESCO-KERNÉIS (1986). We are not aware to the
transference of G. orbis to the genus Avelia, since in this species there are none of
the peribuccal myonemes (NOUZAREDE, 1977) so typicali in our specimens. The |
mouth of G. orbis is longer than that of any Avelia species, even if the contraction | |
of the material (DRAGESCO & DRAGESCO-KERNEIS, 1986) is taken into |
account.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 73 - 83, 2 mar. 1995
The giant psammophilous ciliate Avelia martinicensis... 81
We tentatively adopt here the classification accorded by PUYTORAC et al.
(1987), until such time as a more stable classification is arrived at.
Notes on authorship and nomenclature. Itiscommon practice in the changing
systematics of the Ciliophora to propose assigning authorship of new suprafamiliar
taxa to the person who proposed a taxon of lower rank. Though controversial, this
procedure is made possible by the fact that only infraordinal names come under the
jurisdiction of the International Code. We agree with CORLISS'(1979) remarks
on the need for caution in adopting this procedure, because if a taxon is shifted to
an entirely different level [as in the case of the order Karyorelictina Corliss, 1974,
which is regarded as a class by SMALL & LYNN (1981, 1985), or a subphylum by
PUYTORAC etal. (1987), but still retaining the authorship of Corliss], the change
becomes not only nomenclatural but taxonomical, and the concept of the original
author is completely distorted. We conclude that 1f the most recent classifications
are accepted — and we tentatively do accept them — then it would be highly
convenient to adopt the following combinations for the higher taxa, using the
proper authorships and dates: Subphylum Karyorelictophora Puytorac et al., 1984,
Class Protoheterotrichea Puytorac et al., 1987, Order Protoheterotrichida
Nouzarêde, 1977.
In the Aveliidae the monotypic nature of the new family in no way makes it
permissible to attribute its name to the genus' author, especially since
NOUZAREDE (1975, 1977) expressly stated that Avelia pertains to the Geleiidae.
Within the family group it is imperative that authorship be respected; the only
circumstance under which a taxon can be attributed to another author is that
foreseenin the Principle of Coordination (articles 36 and 37 o£ INTERNATIONAL
COMMISSION ON ZOOLOGICAL NOMENCLATURE (1985). The only cor-
rect combination for the family name is therefore: Aveliidae Puytorac et al., 1987.
The nomenclatural act of replacing the generic name Avela by Avelia
(NOUZAREDE, 1977) was not emendation, but a proposal to provide a
replacement name (nomen novum) due to homonymy (article 60a of the Code).
' For this reason the new name has its own author and date — Avelia Nouzarêde,
| 1977 —, and parentheses are to be used when the author's name of Avelia
| martinicensis (Nouz., 1975) and A. arcachonensis (Nouz., 1975) are cited.
NOUZAREDE (1977) himself overlooked this and omitted the parentheses.
| DRAGESCO & DRAGESCO- KERNÉIS (1986) wrongly attributed the name
| Avelia to NOUZAREDE (1975).
| As for specificnames, Geleiaand Avelia are feminine names under article 30b
| of the International Code, but Nouzarêde used some neuter names that are
| incorrect original spellings (articles 31b and 32c). In order to achieve harmony as
‚regards gender they should be corrected (article 32d[ii]) as follows: Geleia
‚ arcachonensis Nouzarêde, 1965, Avelia arcachonensis (Nouzarêde, 1975), Geleia
martinicensis (Nouzarêde, 1977) and Avelia martinicensis (Nouzarêde, 1975).
| It is worth notingtthat ifthe suggested transferring ofthe Geleia orbis group to
‚the genus Avelia (DRAGESCO & DRAGESCO-KERNEIS, 1986) were to be
"accepted, which is not the case in this paper, then the two pairs of specific names
mentioned in the previous paragraph would become secondary homonyms (articles
‚53c and 57c of the Code), making it necessary to propose replacement names for
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 73 - 83, 2 mar. 1995
82 PETTIGROSSO; CAZZANIGA & ROSA
A. arcachonensis (Nouz., 1975) and G. martinicensis (Nouz., 1977).Recommendation 5a
in Appendix D ofthe Code is precisely intended to avoid this kind ofnomenclatural
problems.
The need to undertake so many nomenclatural changes and emendations,
from the subphylum to the specific level, is indicative of the need to pay more
attention to internationally adopted principles in order to achieve a greater
stability and universality of scientific names. Nomenclature is a serious tool dealing
with the names of an astonishing world of biodiversity, and is still the best way of
communicating dynamic ideas on the classification and relationships of living
things.
Biogeography. As mentioned previously, the main argument for the validity
of A. arcachonensis seems to be a biogeographical one.
Free-living phagotrophic protists are usually believed to have a cosmopolitan
distribution. This viewpoint has been controverted and, in the case of the species
dealt with here, NOUZAREDE (1977) stated that A. martinicensis counts among
those species restricted to certain geographical areas, viz. endemic to Martinique.
The finding of A. martinicensis in Guanabara Bay contradicts the hypothesis of its
endemism in Martinique. The species shows a remarkable morphological uniformity
over more than 35 degrees of latitude and appears to be a very conservative form.
The subtle differences between A. martinicensis and A. arcachonensis lead
one to the conclusion that there are no significant difference between the Avelia
specimens from Arcachon and Martinique, and either they are conspecific, or they
are vicariant remnants of a very conservative taxon which was widely distributed
along the Pangaean coasts. Though ciliates have many means of dispersing over
great distances, Avelia's littoral distribution, and their remarkable thigmotactism
and adherence to sand advocate against a transoceanic dispersalistic explanation
for their present distribution.
Avelia martinicensis was present in Guanabara Bay throughout the sampling
period (February-September 1989), although in less density during the coldest
months. The beaches where our samples were gathered are characterized by strong
temperature and salinity variations, abundant influx of organic matter and reduced.
sediments with formation of sulphur. These conditions are favourable to the
development of Geleiidae populations and in particular to Geleia and Avelia
populations in Arcachon and Martinique (NOUZAREDE, 1975, 1977). Our’
findings on Avelia martinicensis agree with the hypothesis that protozoan species‘
in coastal seas are widely distributed, and that the same or sibling species occur in
similar habitats everywhere (FENCHEL, 1987). |
Acknowledgements. The senior author isindebted to Dr. María E. Fonseca for kindly authorizing |
access to the facilities at the “Laboratório de Microscopia Eletrônica, Instituto de Microbiologia |
(Universidade Federal do Rio de Janeiro)”, and to Veniceo Feio da Veiga for his valuable help in the |
preparation of the biological material. To Dr. John O. Corliss (International Commission on Zoological |
Nomenclature) for the encouragement and his very constructive criticisms on the manuscript. |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 73 - 83, 2 mar. 1995
The giant psammophilous ciliate Avelia martinicensis... 83
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2
FAUNA OF DROSOPHILA (DIPTERA, DROSOPHILIDAE)
IN THE NORTHERN AREA OF THE “CADEIA DO ESPINHAÇO”,
STATES OF MINAS GERAIS AND BAHIA, BRAZIL: BIOGEOGRAPHICAL
AND ECOLOGICAL ASPECTS
Rosana Tidon-Sklorz !
Fábio de Melo Sene ?
ABSTRACT
Drosophila fauna from the northem area of the “Cadeia do Espinhaço”, Brazil is described based on data
from 33,985 individuals belonging to 23 species. A total of 28, 796 adults were collected with baits and 5,189
cactophilic individuals were collected at immature stages in cactus species along with the cladode of the host
cactus. The occurrence of each species is discussed in biogeographical and ecological terms. It is the first record
of the larvae breeding site for both, the endemic South American species and the introduced species.
KEYWORDS. “Cadeia do Espinhaço”, highlands, biodiversity, Drosophila spp.
INTRODUCTION
The “Cadeia do Espinhaço” is formed from an area of terrain aproximately
1,000km long and between 50 and 100km broad, and i is upwards of 800m above sea level.
Its southernmost limit is the “Serra do Ouro Branco”, south ofthe city of Ouro Preto, in
Minas Gerais (MG), Brazil; it runs northwards into the state of Bahia (BA), and forms the
watershed of the tributaries of the right bank of the São Francisco River, which flows to
the Atlantic (MOREIRA, 1965). This mountainous area has for the most part shallow
sandy soils with rocky outcrops (JOLY, 1970). The structure of the “Cadeia do Espinhaço”
“is Pre-Cambrian (ABREU, 1984). The predominant vegetation is rocky fields (GIULIETTI
& PIRANI, 1988) with areas of “cerrados” and “caatingas” (brushwood), and near the
river, marshes and woods.
| 1, Departamento de Biologia, Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo - Av. Bandeirantes, 3900,
| 14040-030 Ribeirão Preto, SP, Brasil.
| 2. Departamento de Genética, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo - Av. Bandeirantes, 3900, 14049-900 Ribeirão
| Preto, SP, Brasil.
| Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 85 - 94, 2 mar. 1995
Ce
86 TIDON-SKLORZ & SENE
The results of collections carried out in the northern area of “Cadeia do Espinhaço”
are discussed in this work, continuing the inventory ofDrosophila species found in South
America (DOBZHANSKY & PAVAN, 1943; PAVAN & CUNHA, 1947; PAVAN,
1959; SENE et al., 1980; VAL et al., 1981; VILELA et al., 1983; TIDON-SKLORZ et
al., 1994).
MATERIAL AND METHODS
The sites and dates ofthe collections are summarized in table I. All the sample points are in high
altitude grasslands, the majority with intermediate characteristics between rocky fields, caatingas and
cerrados.
Table I. Locations of the Drosophila collections carried out in the northern area of the “Cadeia do
Espinhaço” (BA = Bahia; MG = Minas Gerais). All collections were made in 1990 during August, except
for the D54 (in February).
code localities altitude (m) type of collection
D54 Grão Mogol, MG 930 adults and cacti
D63 Mucugê, BA 970 adults and cacti
D64 Andaraí, BA 300 adults
D65 Bonito, BA * adults and cacti
D66 9km W Morro do Chapéu, BA 1,1120 adults and cacti
D67 20km W Morro do Chapéu, BA 900 adults and cacti
D68 Cafarnaum, BA 800 adults
D69 28km W Morro do Chapéu, BA 750 adults and cacti
D71 Morro do Chapéu, BA 1,350 adults and cacti
D72 10km S Morro do Chapéu, BA 1,180 adults
D70 30km S Morro do Chapéu, BA é cacti
D73 Cachoeira do Ferro Doido, + cacti
28km S Morro do Chapéu, BA
*. not measured
The imagoes were attracted with fermented bananas or oranges in plastic recipients hung on
branches or placed among rocks (SENE et al., 1981). The adult flies were captured with entomological
nets, put in glass jars with culture medium and taken live to the laboratory, where they were identified.
Thelarvae were collectedin decaying cactuscladodes. In the laboratory, the cladodes were putinterraria
with sand on the bottom and a fine net lid. The emerging flies were taken out with a suction pump.
Conspicuous species were identified using keys (FREIRE-MAIA & PAVAN, 1949; FROTA-
PESSOA, 1954), descriptions (DOBZHANSKY & PAVAN,1943;PAVAN& CUNHA, 1947;PAVAN,
1950), and the males of cryptic species were identified by the analysis of the terminalia (MAGALHÃES
& BJÖRNBERG, 1957; VAL, 1982; VILELA, 1983; VILELA & BÄCHLI, 1990). Samples of the
materials are deposited in the Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZSP).
RESULTS AND DISCUSSION
The results of the identification of the 28,796 imagoes collected with baits are |
shown in table II. Some species, of which only females were found, are shown as |
unidentified for lack of diagnostic characteristics, which are exclusive to males in |
the majority of the Drosophila species from the Neotropical region. | |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 85 - 94, 2 mar. 1995
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Fauna of Drosophila... 87
The results of the identification of the 5,189 individuals hatched in the
laboratory from the cactus cladodes are shown in table III. The use of cladodes as
a breeding site has already been recorded for the species of the buzzatii cluster,
which are D. borborema, D. buzzatii and the polytypic species D. serido (PEREI-
RA et al., 1983). This is the first record of this substrate as the breeding site for
several other species.
Twenty-three species were recognized among the 33,985 flies collected in the
northern region of the “Cadeia do Espinhaço” (see tables I, II and appendix), six
being introduced and seventeen native to the morphoclimatic areas of South
America.
Table II. Number of adult individuals collected in the northern area of the Espinhaço Range, in 1990,
by species or species group of Drosophila.
group species D54 D63 D64 D65 D66 D67 D68 DEI D71 D72 TOTAL
annulimana unidentified 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2
cardini D. cardini 6,710 907 396 71 6 6 9 0 0 9 8,114
D.polymorpha 37 0 0 0 0 0 0 0 0 0 37
guarani D. ornatifrons 0 18 0 0 1 0 0 0 9 3 31
immigrans D. immigrans 0 2 2 14 0 0 1 0 1 0 20
repleta D.borborema 143 2 0 0 0 0 0 0 0 0 145
D. buzzatii 18 0 0 0 0 0 9 0 0 27
D. hydei 1,855 14 9 18 0 0 8 288 27 366 2,585
D. mercatorum 1,165 704 90 490 141 286 568 0 0 0 4,044
D. serido 0 23 44 8.441135 20 19 5 043225 279
D. serido-type C 577 40 0 0 0 0 0 0 48 29 694
tripunctata D.mediopunctata O 0 0 0 0 0 0 0 1 0 1
melanogaster D. malerkotliana 322 4 48 0 2 0 0 0 0 0 376
D. simulans 3,4100 41,844. 1734691271 ,81 3273.10, 273,5 2,293, 693 34 168 11,389
saltans D. prosaltans 0 14 20 5 1 0 1 3 0 8 52
D. sturtevanti 214 0 0 0 0 0 0 0 0 0 214
willistoni | D.capricorni 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1
D. nebulosa 19 42 2 0 7 0 4 4 8 0 86
unidentified 30 9 2 2 0 0 3 0 0 0 46
Ungrouped D. busckii 16 0 0 0 3 0 0 0 0 0 19
D. impudica 0 67 8 0 0 0 2 0 0 0 77
D. latifasciaeformis 344 0 5 0 0 0 0 0 0 0 349
D.pallidipennis 197 2 0 1 0 0 1 0 0 1 202
Unidentified 0 0 1.2.1.0 040 1 0 4 0 6
TOTAL 15,719 3,693 1,318 2,422 406 585 2,910 1,002 132 609 28,796
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 85 - 94, 2 mar. 1995
88 TIDON-SKLORZ & SENE
Table III. Number of individuals, belonging to genus Drosophila hatched in the laboratory from
cladodes collected in the “Cadeia do Espinhago”, in 1990.
group species D54 D63 D65 D66 D67 D69 D71 D70 D73 TOTAL
repleta D. hydei 4 0 3) 0 0 0 0 0 0 7
D. mercatorum 18 Sl? 5 0 0 0 0 0 186
D. nigricruria 5 0 0 0 0 0 0 0 0 3
D. rosinae 0 17 0 0 0 0 0 0 0 17
buzzatii* 2,166 179 0 45 28 0 32 75 53 2,578
melanogaster D.malerkotliana 58 0 0 0 0 0 0 0 0 58
D. simulans 5 2, 0 0 0 0 0, 002292
saltans D. sturtevanti 13 0 1 0 0 0 0 0 0 14
willistoni D. nebulosa 0 0 0 0 0 9 0 G 0 9
Ungrouped D.latifasciaeformis 23 0 0 0 0 0 0 0 0 25
TOTAL 29290 BSS 2801 50 28 9 32 75 53 5,189
*. D. buzzatii, D. borborema, D. serido and D. serido-C type were identified from the “buzzatii cluster”.
Some considerations about each of the species collected are presented below,
in alphabetical order according to the group to which they belong to. The
subgenera are ordered in the text according to their relative importance to the
neotropics (Drosophila, Sophophora, Dorsilopha, and Scaptodrosophila).
Subgenus Drosophila
The cardini group. This group includes 16 species, 8 of which are endemic to the
Caribbean (HEED & RUSSELL, 1971). Two species belonging to this group were
detected in the northern region of the “Cadeia do Espinhaço”. D. cardini was collected at
nearly all the sites visited, confirming the affinity of the species with open vegetation
(SENE et al., 1980; TIDON-SKLORZ et al., 1994). This species represented 42.7% of
collected adults in the county of Grão Mogol, in the state of Minas Gerais (MG). D.
polymorpha made up roughly 0.1% of adults captured in the wild. It is found mainly in
forests and its distribution appears to be limited by dry conditions (PAVAN, 1959; SENE
et al., 1980).
The guarani group. D. ornatifrons E D. guarani, synonym in VILELA &
BACHLI, 1990) represented about 0.1% of the adults collected. Ithas been collected from
the “Serra do Cipó”, which is the first record outside the Atlantic forest (TIDON-
SKLORZ et al., 1994), the only morphoclimatic region where it had been found
previously (SENE et al., 1980).
The immigrans group. Drosophila immigrans is an introduced and cosmopolitan
species, the only one in this group which occurs in the Neotropical region. This species
had been previously collected in association with man and in areas of “cerrados” and
forests and was never recorded in the “caatingas” or dunes (SENE et al., 1980). In the
northern region of the “Cadeia do Espinhaço” it was found at low frequency (0.1%).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 85 - 94, 2 mar. 1995
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Fauna of Drosophila... 89
The repleta group. This group, comprising 91 species, is the largest in the
Neotropical region (VILELA & BACHLI, 1990). Eight species from this group were
collected in the “Cadeia do Espinhaço”. Two (D. rosinae and D. nigricruria) are
represented only by laboratory-hatched individuals from decaying cactus.
D. borborema is considered an endemic species of the “caatinga” (VILELA et al.,
1983) where is it fairly common, and made up 0.5% of the collected adults. Of the 145
adults of this species captured in the wild 143 came from Grão Mogol (MG) and are the
first record of this species south of the State of Bahia (BA), outside the characteristic
“caatinga” environment.
D. buzzatii is a cactophilic species, probably originated in the Argentinean chaco,
and introduced to different continents. Only 27 adults were found in almost 30,000 adults
captured in the wild, of which 1,145 belonged to the buzzatii cluster. This data confirmed
early findings (VILELA et al., 1983; BARKER etal., 1985; FIGUEIREDO & SENE,
1992), showing this species to be rare outside the Chaco, where is it fairly common
(VILELA et al., 1980).
D. hydei represented 9% of the adults captured in the wild, most from the
county of Grão Mogol, MG. The opportunism ofthis cosmopolitan species, usually
associated with urban environments, isemphasized with this first record ofD. hydei
in cactus. The species probably originated in Mexico.
D. mercatorum accounted for 14% of adults captured in the wild, and 3.6%
of those hatched from decaying cactus in the laboratory. It is a generalist species
and hatching from cacti is part of its opportunist strategy. It is found in different
phytogeographic formations, frequently in the “cerrados” but not in the Atlantic
forest (VILELA et al., 1983). |
D. nigricruria was collected at low frequency in the “cerrados”, leading
VILELA et al. (1983) to suggest that it might not be a true cactophilic species.
More recently, this species was recorded in forests in the interior of Säo Paulo
(TIDON-SKLORZ & SENE, 1992) and Minas Gerais states (TIDON-SKLORZ
et al., 1994). The present work recorded the hatching of three individuals of this
species from cacti, indicating that D. nigricruria may have an affinity for cacti
although being more plentiful forests.
D. rosinae, in spite of belonging to the subgroup fasciola which prefers a
forest habitat, had already been found in the “caatingas” (VILELA et al., 1983).
“No adult of this species was captured in the wild and the seventeen individuals
“identified in this work emerged from the cladodes of decaying cacti brought from
' Mucugê, BA (D63). This is the first record of the breeding site for this species and
‚it is the second species of the fasciola subgroup to be associated with cactus (the
‚first was D. onca, SENE et al., 1977). These ecological affinities of breeding site
reinforce the phylogenetic connection betweenthis predominantly forestsubgroup
‚and the mulleri subgroup formed by dry area and semi desert cactophilic species
| (WASSERMAN, 1962, 1982; THROCKMORTON, 1975).
| D. serido is a cactophilic species of wide and fragmented distribution, mainly
‚occurringin the “caatingas” and along sand bars, and absent in the‘ “cerrados”. The
| differentiation observed in D. serido has been studied by SENE et al. (1982, 1988).
' They suggest that this is a polytypic species and that some of its populations seem
'to be reproductively isolated from others. This species made up 0. 97% of the flies
}
“collected in this area.
|
| Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 85 - 94, 2 mar. 1995
|
90 TIDON-SKLORZ & SENE
D. serido-Ctype (type C aedeagus carrier, SILVA & SENE, 1991), described
as a new species in TIDON-SKLORZ & SENE (in press), represented 2.41% of
the collected flies. The distribution of this new species is apparently restricted to
high fields in the “Cadeia do Espinhaço”. It also hatched from cactus.
The tripunctata group. Includes 56 nominal species (VILELA, 1992) which
are quite abundant in forest environments, absent in the “caatingas” and present
at low frequencies in the “cerrados” and dunes (SENE et al., 1980). Only one male
of this group, from species D. mediopunctata, was found.
Ungrouped species. D. impudica (=D. para, synonymin VILELA &BÄCHLI,
1990) is found in various morphoclimatic areas in South America, but always in
small numbers. This species accounted for 0.3% of collected adults, most from
Mucugê (Bahia). D. pallidipennis represented only 0.7% ofthe collected flies. This
species is present in various types of environments, but has always been collected
at low frequencies.
Subgenus Sophophora
The melanogaster group. With ca. 160 species described and probably of
Southeast Asian origin, this group includes 5 species which were introduced into
several regions of the world and became cosmopolitan or subcosmopolitan
(LEMEUNIER et al., 1986; TODA, 1991). Two of them were collected in the northem
area of the “Cadeia do Espinhaço”. The invasive and opportunist characteristics of these
species were demonstrated by the presence of their larvae in neotropical cactus cladodes.
D. malerkotliana is a recently introduced species in Brazil (VAL & SENE, 1980),
widely distributed in areas of open vegetation including the southern area of the “Cadeia
do Espinhaço” (TIDON-SKLORZ et al., 1994). This species represented 1.3% of the
adults captured in the wild, and was also found ducto imagoes which hatched from the
cladodes taken to the laboratory.
D. simulans was the most frequently collected species in the northem area of the
“Cadeia do Espinhaço”, making up 39.6% of collected adults and 44.2% of the laboratory
hatched from decaying cactus. Of the introduced species, it is the best adapted to the
different phytogeographic regions in the neotropical areas. It is more common, however,
in open areas (PERONDINI et al., 1979).
The saltans group. This group is made up of 21 species according to VAL et al.
(1981). Two were found in the northern area of the “Cadeia do Espinhaço”. According to |
PAVAN (1959), these flies present marked seasonal variation and are very sensitive to
collection techniques, as also confirmed by SENE et al. (1981).
D. prosaltans represented 0.2% of the collected adults. Although it occurs in |
different morphoclimatic domains, and generally at low frequencies, it is a species with |
greater affinity to the “cerrados” (SENE et al., 1980).
D. sturtevanti accounted for 0.7% of adult individuals captured in the wild ando. 3% |
of those hatched from cladodes in the laboratory. It is a species of wide distribution |
occurring in practically all phytogeographic formations from Mexico to Brazil, including |
the Caribbean. However, it is more frequent in the “cerrados” (SENE et al., 1980).
The willistoni group. This practically neotropical group includes 23 species |
according VAL et al. (1981). Only 2 of them were identified at species level in the
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 85 - 94, 2 mar, 1995
|
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ny
Fauna of Drosophila... 91
northem area of the “Cadeia do Espinhaço”, in addition to an unknown number of cryptic
species of the willistoni subgroup.
D. capricorni was represented by only one individual. This species is mainly found
in forest regions (SENE et al., 1980), but it had been recorded before in the southem area
of the “Cadeia do Espinhaço” (TIDON-SKLORZ et al., 1994).
D. nebulosa is found mainly in the cerrados, where it is the most common species.
Eighty-six individuals representing 0.3% ofthe adults captured in the wild were recorded.
Nine of the imagoes hatched in the laboratory from cactus belonged to this species. This
is the first record of this breeding site for D. nebulosa.
Flies from the willistoni subgroup (D. willistoni, D. paulistorum, D. equinoxialis e
D. tropicalis) werenotidentified atthe level ofspecies, and correspondto the “unidentified”
category of the willistoni group. They are cryptic and represent 0.2% of the total of adults
captured in the wild. TIDON-SKLORZ et al. (1994) recorded the presence of this group
in the “Serra do Cipó”, at a frequency of 8.0%. According to the literature (SENE et al.,
1980; TIDON-SKLORZ & SENE, 1992), low humidity may be a limiting factor for the
species of this subgroup. It is likely that at least two species are present: D. paulistorum
and D. willistoni.
Subgenus Dorsilopha
According to TODA (1986), the subgenus Dorsilopha is of eastern origin and
consists of 3 species, one of which, D. busckii, has become cosmopolitan. In Brazil,
this introduced species is seldom encountered in natural environments and its
distribution is limited to open formations and to areas modified by man. D. busckii
was present in our collections at low frequencies (0.1% ).
Subgenus Scaptodrosophila
D. latifasciaeformis is an introduced species (SENE et al., 1980) and its
frequency among the adults collected in the northern area of the “Cadeia do
Espinhaço” was 1.2%. This was the first time this species was found associated with
cactus, representing 0.4% of the laboratory hatched individuals. Although absent
in the south of Brazil, it is a widely distributed species in various types of vegetation.
CONCLUSIONS
D. serido - C type was the only endemism established (TIDON- -SKLORZ &
'SENE, in press), although the fauna is rich in relation to the size of the researched
“area.
| Theintroduced species (D. busckii, D. hydei, D. immigrans, D. latifaciaeformis,
D. malerkotlianae D. simulans) comprised 26% of the total number of species and
| 50% ofthe individuals collected. They began to appear in this area after the arrival
‚of man, altering the composition of the Drosophila fauna in the region. Native
fauna is mainly made up of species with greater affinity for “cerrados” and
| ac
“caatingas”.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 85 - 94, 2 mar. 1995
92 TIDON-SKLORZ & SENE
Among the six introduced species found, four were observed hatching from
decomposed cacti. Of the 17 native species, only nine emerged from the cladodes
and at least four of them are considered cactophilic (D. borborema, D. buzzatii, D.
serido and D. serido-C type). This reinforces the hypothesis that the introduced
species are more generalist, pre-adapted to exploit the available resources in the
invaded environment.
This is the first record of the breeding site of larvae for D. rosinae, D.
nigricruria and D. hydei, belonging to the repleta group. It is also the first breeding
record of the introduced species in South American cacti.
Acknowledgments. To N.M. Diniz; P. R. Epifânio; J.L. Julio; M.H. Manfrin; F.C. Nather; E.A.
Baruque; A.C. Sene and F.M. Sklorz, for several different reasons. This work was supported by
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) and
Universidade de São Paulo (USP).
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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 85 - 94, 2 mar. 1995
94 TIDON-SKLORZ & SENE
Appendix
List of Drosophila species mentioned in the text.
Drosophila Fallen, 1823
cardini group
D. cardini Sturtevant, 1916
D. polymorpha Dobzhansky & Pavan, 1943
guarani group
D. ornatifrons Duda, 1927 (=D. guarani Dobzhansky & Pavan, 1943)
immigrans group
D. immigrans Sturtevant, 1921
repleta group
D. borborema Vilela & Sene, 1977
D. buzzatii Patterson & Wheeler, 1942
D. hydei Sturtevant, 1921
D. mercatorum Patterson & Wheeler, 1942
D. nigricruria Patterson & Mainland, 1943
D. rosinae Vilela, 1983
D. serido Vilela & Sene, 1977
tripunctata group
D. mediopunctata Dobzhansky & Pavan, 1943
melanogaster group
D. malerkotliana Parshad & Paika, 1964
D. simulans Sturtevant, 1919
saltans group
D. prosaltans Duda, 1927
D. sturtevanti Duda, 1927
willistoni group
D. capricorni Dobzhansky & Pavan, 1943
D. nebulosa Sturtevant, 1916
willistoni subgroup
D. equinoxialis Dobzhansky, 1946
D. paulistorum Dobzhansky & Pavan, 1943
D. tropicalis Burla & Cunha, 1949
D. willistoni Sturtevant, 1916
Ungrouped
D. busckii Coquillett, 1910
D. impudica Duda, 1927 (= D. para Pavan & Burla, 1950)
D. latifasciaeformis Duda, 1940
D. pallidipennis Dobzhansky & Pavan, 1943
Recebido em 22.12.1993; aceito em 11.07.1994
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 85 - 94, 2 mar. 1995
BLACK VERSUS WHITE WATERBIRD COLONIES (AVES)
IN THE BOLIVIAN-BRAZILIAN PANTANAL
Edwin O. Willis!
ABSTRACT
White waterbirds form nest colonies in winter (July-September) with low water levels in the
Bolivian-Brazilian “Pantanal”, dark-colored species separate colonies earlier in the fall as waters
recede. This phenomenon of white versus black “viveiros” (nurseries), which has entered into local
folklore, is probably due to white nesting waterbirds using conspicuous plumage to locate others,
fishing communally at drying pools in winter, while inconspicuous dark birds fish best separately in
deeper receding waters or next to vegetation earlier in the fall.
KEYWORDS. Anhingas, colonial waterbirds, cormorants, herons, storks.
INTRODUCTION
In the swampy “Pantanal” along the Paraguay River in eastern Bolivia and
the states of Mato Grosso and Mato Grosso do Sul, Brazil, herons and other
waterbirds regularly form two types of colonies, which local residents call “vivei-
ros pretos” [black nurseries or colonies] and “viveiros brancos” [white colonies]
(YAMASHITA & VALLE, 1990). Black colonies include cormorants
Phalacrocorax brasilianus (Gmelin, 1789), anhingas Anhinga anhinga (Linnaeus,
1766), and the dark-colored herons Ardea cocoi Linnaeus, 1766, and Nycticorax
nycticorax (Linnaeus, 1758). White colonies are of spoonbills Platalea aiaia
Linnaeus, 1758, storks Mycteria americana Linnaeus, 1758, and egrets Egretta
alba (Linnaeus, 1758). Here I propose an ecological explanation for this
phenomenon, which is so frequent as to have entered into the local vocabulary.
RESULTS AND DISCUSSION
As detailed by YAMASHITA & VALLE (1990), black colonies form early,
April-August, as floodwaters start receding from wide swamps along the river.
‚ White colonies form later, June-October, at the yearly low point of flooding. It
| | 1. Departamento de Zoologia, Universidade Estadual Paulista, Caixa Postal 199, 13.506-900 Rio Claro, SP, Brazil.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 95 - 97, 2 mar. 1995
96 WILLIS
seems likely that colony timing in the Pantanal is related to well-known color-
linked foraging specializations in colonial waterbirds, namely that white birds
attract others to dense fish populations in drying pools in the open, while dark
species either forage in deeper water or next to vegetation (KUSHLAN, 1977).
Colonial waterbirds tend to nest at a time of year of prey abundance, as do
most species of birds. Most of the above Pantanal species eat fish, which are
common all year in tropical regions. Indeed, it has been suggested (REICHHOLYF,
1975) that the contrast between heron and stork abundance and rarity of ducks
and geese (Anatidae) in the tropics is due to the fact that ectothermic fish eat the
water vegetation that endothermic anatids eat in more temperate zones. While
this shift could also be caused by greater nest predation on noncolonial anatids in
the tropics, fish are certainly numerous in summer months in the Pantanal, but
would be scattered and relatively unavailable to colonial waterbirds.
At any rate, few waterbirds nest in the summer in this region. As floodwaters
recede, fish are concentrated and become more available to birds, especially as
the last pools of water dry up one after another in winter months from July on. In
these months, as tourists know well, thousands of waterbirds flock to the pools,
notably conspicuous white or pink species.
Flocks of white waterbirds at drying pools are well known over the world.
M. americana is known (KAHL, 1964) to benefit from group activity at pools,
where many feet stir the mud and water into a soupy broth and fish dash blindly
about, touching the sensitive bare heads or bills of the storks and being captured
by rapid bill-snap reflexes. Various egrets and spoonbills join in the activity, flying
together with the storks to a new pool after exhausting the fishes in the first one.
Tests show that waterbirds are attracted to white models(KUSHLAN, 1976).
It is commonly suggested that white colors arise specifically to facilitate
grouping at abundant sources of food, perhaps to confuse raptors or other
predators, confuse fish or other prey, aid kin birds, or attract future mates or
colonial companions. White color could be less conspicuous to certain fish in open
water, but this seems less likely here than on the open ocean; inland cormorants
are mostly dark, but fish in open water. White or pink plumage is also conspicuous
to any predator, but less dangerous at drying pools fairly far from vegetation than
it would be next to vegetation. |
In the Florida Everglades, often considered a southern nearctic counterpart
of the Pantanal, dark-colored waterbirds often are present at drying pools, but
leave when the pools dry to the point that flocks of white species move in
(KUSHLAN, 1976). Thus, availability of food to a dark-colored waterbirds is
likely to be reduced by white competitors at the peak months of drying, while in |
floodwater months fish are at first too rare and later too scattered to provida
much food for colonies.
Dark colonial freshwater birds in the Pantanal and elsewhere in the tropics |
fish in relatively open water (cormorants) or along the edges of vegetation |
(anhingas, herons). White color in these places could scare off fish or give them |
the impression of an open or hot site to be avoided; some herons shade an area |
with outspread wings to attract fish.
In the Pantanal, one would thus expect dark waterbirds to nest April- |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 95 - 97, 2 mar. 1995
Black versus white waterbird colonies... 97
August as floodwaters are receding, with water deep and next to border vegetation,
but concentrating new generations of fish to some extent. White species nest later,
at the months of their separate but similar peaks of food availability.
It seems likely that the black versus white colony phenomenon is not
restricted to the Mato Grosso Pantanal, although this may be one of the few
places where it is so regular and conspicuous as to have entered into local lore.
NOVAES (1974) records large young already in July in northeastern Brazil for
Anhinga anhinga and Ardea cocoi, with Egretta alba still in the middle of nesting.
Where winters are too cool to dry up river systems, colonial waterbirds have to
nest in the summer, and the black/white phenomenon might be less noted,
although N. nycticorax is an early nester almost everywhere.
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1
| ‚Recebido em 16.02.1994; aceito em 07.07.1994.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 95 - 97, 2 mar. 1995
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LARVAE OF NEOTROPICAL COLEOPTERA XXI: DESCRIPTION OF
IMMATURES AND ECOLOGY OF EFFLAGITATUS FREUDEI
PACHECO, 1973 (DRYOPOIDEA, HETEROCERIDAE)
Sergio A. Vanin!
Cleide Costa **
Norton M. Gianuca °
ABSTRACT
Immatures of Efflagitatus freudei Pacheco, 1973, a southern South American species, known
from Uruguay and Brazil (Rio Grande do Sul and Säo Paulo), are described and illustrated for the
first time. A redescription of the adult is presented. Larvae and adults burrow tunnels just beneath
the surface in the upper supralittoral region of sandy beaches.
KEYWORDS. Coleoptera larva, Dryopoidea, Efflagitatus freudei, Heteroceridae.
INTRODUCTION
The Heteroceridae, accordingto LAWRENCE (1991:404), “is a small family
about 15 genera and 300 species worldwide, except for New Zealand”. There are
a few papers dealing with the biology, ecology and descriptions ofimmatures of this
family. The three best works on this subject are GWYNN-SILVEY (1935) who
described the immatures of Heterocerus auromicans = Centuriatus auromicans
(Kiesenwetter, 1851), from the USA, PIERRE (1945) characterizing the larva of
Heterocerus aragonicus Kiesenwetter, 1850, from Europe, and KAUFMANN &
STANSLY (1979) who studied the bionomics of the Neartic Neoheterocerus
_ pallidus (Say, 1823).
E —
The genus Efflagitatus Pacheco, 1964 with 13 known species occurs mainly in
the Neotropical Region, from Florida (USA) to Argentina. Biological data and
“Ammatures were unknown up to date.
1, Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, C.P. 20520; 01317-970, São Paulo, SP, Brasil.
2. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, C.P. 7172; 01064-970, São Paulo, SP, Brasil.
3. Departamento de Oceanografia, Fundação Universidade do Rio Grande, C.P. 474; 96201-900, Rio Grande, RS, Brasil.
4. Researcher CNPq; with aid from FAPESP (Proc. nº 91/4932-4).
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 99 - 112, 2 mar. 1995
100 VANIN; COSTA & GIANUCA
MATERIAL AND TECHNICS
Eggs, larvae, pupae and adults of Efflagitatus freudei Pacheco, 1973, were collected in the
beaches of Cassino, Rio Grande, Rio Grande do Sul and of Pernambuco, Guarujá, São Paulo, Brazil
and are deposited in the Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo (MZSP).
Larvae were mounted in metal stubs,coated with gold, and examined at the “Laboratório de
Microscopia Eletrônica, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo”, with a scanning Electron
Microscope (SEM) Zeiss, Model DSM 940, working at 10 Kv.
Efflagitatus freudei Pacheco, 1973
(Figs.1-33)
Efflagitatus freudeiPACHECO, 1973: 13, figs. 1-9. Male holotype from Torres, State of Rio Grande do
Sul, Brazil, in the Zoologische Staatssammlung Entomologische Abteilung, Miinchen.
Mature larva (figs. 10-33). Length 7.0 mm; larger width: 0,9 mm. Head and
thorax slightly dorso-ventrally flattened, abdominal segments cylindrical, general
appearance campodeiform. Dorsal surface of head and dorsal plates on body,
dark-brown with vestiture of short and long setae; head, thorax and the fourth first
abdominal segments with denser short setae; abdominal segments fifth to ninth
with longer bristly setae; tenth segment small, ventral, pygopod-like.
Head (figs.19,20) broad, protracted and prognathous, slightly dorso-ventrally
flattened, covered by dense small setae and a few longer setae. Epicranial suture
present, epicranial stem absent, frontal arms U-shaped. Endocarina absent. Five
stemmata on each side, forming a group of four placed more dorso-laterally,
separated from the remaining stemma ventrally located; lens well developed.
Frontoclypeal suture present; clypeus small, membranous with a basal row of 15
setae; labrum free, transverse (fig. 21), outer margin rounded, densely hairy,distal
region not pigmented. Epipharynx (fig. 22), densely asperate except on longitudi-
nal median area, anterior median area with a group of micro sensilla. Mandibles
(figs. 18, 25-29) symmetrical, bidentate at apex; mesal region concave (fig. 26) with
two lateral rows of projected translucent spines bearing small tubercles between
them (fig. 28); forming a pseudomola, divided into three regions (figs. 27-29) and
bearing a long, stout seta at its base (figs. 18, 29). Antennae (figs. 15, 24) 3
segmented, very short, second segment bearing a large, flattened sensorium,
longer than reduced third segment. Ventral mouthparts retracted, densely hairy
(fig. 20). Maxilla with elongate stipites separated at base, cardo small, triangular,
at base; maxillary palp 3-segmented (fig. 13), galea broad with long apical setae,
lacinia elongate and fixed. Labium with prementum small; ligula short and broad;!
mentum elongate, sides parallel; postmentum small, quadrangular; labial palps'
very small, two-segmented. Hypopharyngeal sclerome absent, hypopharyngeal,
bracon weakly sclerotized (fig. 14). Hypostomal rods present. Ventral epicranial'
ridges present. Gula present, with one pair of small basal setae, on each side. |
Prothorax (figs. 10, 12) with dorsal plate well developed, covered densely by
thin hairs and primary long setae on margins; median suture present, connecting
with U-shaped epicranial suture anteriorad, recognized by its light coloration;
pleural region (fig. 12) membranous, smooth, except for one small, transverse.
|
|
|
|
|
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 99 - 112, 2 mar. 1995
Larvae of Neotropical Coleoptera XXI... 101
hairy plate near procoxae; sternite membranous, smooth, except for one anterior
median rounded, small plate with three setae and a group of small setae on each
side of this spot; hypopleurum well developed, free on anterior third and projected
toward ventral epicranial region. Mesothorax (figs. 10, 12): dorsal plate slightly
smaller than prothorax, covered by dense thin hairs and scattered long primary
setae; median suture present connecting with that of the prothorax; pleural region
with two small, transverse hairy plates near meso-coxae. Metathorax (figs. 10, 12)
dorsal plate similar to mesothorax; median suture very short connecting with that
of the mesothorax; pleural region with two small setae in an anterior rounded spot,
and two small transverse hairy plates near meta-coxae. Legs (figs. 16, 17) 5-
segmented, slightly longer from anterior to posterior. Anterior leg fossorial, stout;
trochanter and femur densely covered by short and long hairs; tibia with very stout,
spatulate setae; tarsungulus broad with a distinct tubercle bearing 1 spatulate seta.
Median and posterior legs similiar to the anterior one, but less fossorial, slightly
elongate, tarsunguli slender, tubercles less distinct and setae less spatulate.
‚Abdomen (figs. 10-12); abdominal segment I with a rounded, projected,
lateral lobe; segments I-IV with several small scattered setae and a few longer;
segments V-IX with variable number of longer setae and a few short ones; segment
IX with rounded apex; segment X the smallest, ventral, pygopod-like and with
short marginal setae.
Spiracles (figs. 32,33): mesothoracic spiracle irregular-oval; abdominal
spiracles 1-8 “annular”, with an elongate expansion of the peritreme; spiracular
opening elliptical, covered by a thin (finely cribrate?) membrane.
Remarks. It is quite difficult to compare the larvae of E. freudei with the
known heterocerid larvae, due to the fact that the descriptions are scarce in
diagnostic characters. There are a few characters that were misunderstood by
former authors and merit to be commented. We considered the concave mesal
region of the mandibles with two lateral rows of projected translucent spines
bearing small tubercles between them, forming a pseudomola divided into three
regions and with a long, stout seta at its base. We do not agree to consider the
mandibular spines as a retinaculum, neither the basal seta as a 2-articulated
process, as stated by PIERRE (1945). Although the hypopharyngeal sclerome is
absent, a weakly sclerotized hypopharyngeal bracon 1s present.
Since BÓVING & CRAIGHEAD (1931) the heterocerid spiracles are said
“to be cribriform, of a unique type. We did several preparations to study the
* spiracles with a scanning Electron Microscope, and in all of them the cribrate plate
_ was not evidenced, even under a magnification of 10.000 times. The spiracles have
an elongate expansion of the peritreme, and an elliptical spiracular opening,
covered by a thin membrane.
Pupa (fig. 23). Length 3.8mm. Elongate-oval, whitish, exarate. Densely hairy,
with short and long bristly, brownish setae. Head not visible from above. Pronotum
transverse, about 2.2 times as wide as long; anterior margin very arched. Pterothecae
hairy, closely apressed to body, extended posterioriy to third abdominal segment.
Legs glabrous. Abdominal segments I to 7 with a transverse row of 6 long setae:
' segment 8 with2 long setae; lastabdominal segment with a pair ofapical projections.
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102 “- VANIN; COSTA & GIANUCA
Adult (figs. 1-9). Length 3.4-4.2mm; width 1.2-1.5mm.
Color. Head dark brown, antennae yellowish-brown, darkened in apical
third or half. Pronotum dark brown, with a narrow margin yellowish-brown. Elytra
creamy-yellow to yellowish-brown, with dark brown marks, very variable in shape;
in some specimens, elytral pattern blurred, marks diffusely limited.
Head with abundant whitish setiform hairs. Labrum (fig.3) with 6 long
setiform setae; anterior margin of hypopharynx bearing 8 spatulate sensillae.
Antennae (fig.4). Mandible (fig.5) broad, about 1,5 x as long as wide; outer margin
with 11 longer setae and 7 smaller and slender, inserted among the anterior ones;
incisive area of inner margin with 2 teeth; prostheca notch well defined. Maxilla
(fig. 2), galearounded, with a dense brush of curved setiform hairs. Labium (fig. 6).
Thorax. Pronotum pubescent, hairs whitish, setiform, longer near anterior
and posterior angles. Elytra about 1,5 x as long as wide, bearing very short, whitish,
recumbent setae. Protibiae with 8 stout spines, meso-and metatibiae with 7 stout
spines.
Underside. Post-mesocoxal lines absent. Stridulatory ridge well defined,
anterior grooves easily visible under stereomicroscope (50 x).
Male genitalia (figs. 7-9) well sclerotized specially lateral arms of phallobase;
parameres well defined; endophallus bearing a well sclerotized, slender, dark
sclerite, Y-shaped at apex.
Sexual dimorphism. Males much shorter and more compact than females.
Material examined. BRAZIL. São Paulo: Guarujá, Pernambuco beach, 245 eggs; 565 larvae; 59
pupae and 343 adults associated together, Exp. MZSP col., 08.X1.1993 (MZSP); 13 adults, 18 larvae, R.
Shimizu col., 5.1V.1993 (MZSP). Rio Grande do Sul: Rio Grande, 28km S. Cassino beach, 04 larvae,
N.Gianuca col., 01-02.111.1987 (MZSP); 18 adults, 17.X.1989 (MZSP); 71 larvae, Ol pupa and 26 adults,
08. VIII-26.X11.1990 (MZSP); 63 eggs, 52 larvae, 07 pupae, 104 adults, 08.VII-20.X1.1992 (MZSP); 47 first
instar larvae and 147 adults, Exp. MZSP col., 8-14.1X.1992 (MZSP); 14 adults, Exp. MZSP col., 12-
16.1V.1993 (MZSP).
Remarks. The Brazilian specimens, from Rio Grande, RS and Guarujá, SP,
agree very well with Pacheco’s descriptions of the species. The structure of the
male genitalia is extremely similar (figs. 7-9). In our illustration of the lateral view
of the male genitalia (fig. 7) can be seen the sclerite of the endophallus, bifid at
apex, not reported in the original description.
Bionomics and Ecological Data. Bionomics and ecological observations |
were conducted in the extensive southern Brazilian beach of Cassino (32° 14ºS, 52º |
10’W) and complementarily, in the beach of Guarujá (24º 00°S, 46º 22º W). |
It was found that the distribution of E.freudei is restricted to the upper part |
of the evenly sloping sandy beaches. There, on the borders of freshwater streams, |
that dram marshes and ponds located behind the coastal dunes, these insecis |
construct very characteristic tunnels just beneath the surface of the sand (fig. 34). |
During rainy periods their distribution can extend to the supratidal zone and other | |
parts of the beach saturated with freshwater. In the dry season, when the waterin
the streams begins to drop, they concentrate in the few remaining moist sands. | |
However, these heterocerids avoid saltwater and, on occasions, when the complete | j
beach is covered by stormy seas, the adult population migrates to wet slacks |
protected from wave action by the foredunes. |
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Larvae of Neotropical Coleoptera XXI... 103
Adults and larvae appear to feed upon organic detritus and microscopic
psammic algae and associated protozoans that inhabit the top layer ofthe substrate.
Samples taken in places where the highest population densities were found,
revealed the presence of large numbers of different species of algae. The dominant
forms were the diatoms Navicula capitata, Caloneis brevis, Mastogloia exigua,
Hantzschia virgata, Petroneis humerosa, Navicula spp., Diploneissp., Nitzschiasp.,
and the blue-green Oscillatoria nigroviridis. The same samples contained a great
number of protozoans, with a clear dominance of microporal ciliates. In that area
where the heterocerids burrow their galleries, the amount of organic detritus,
bacteria diatoms and other algae may form a sort of film that often binds the surface
particles together and can give peculiar colours to the sand.
In Cassino beach, quantitative samples collected from October, 1989 to
October, 1990, have shown that adults and immatures abound throughout the year.
Adult densities varied between a minimum of 16 organisms per square meter in the
dryer zones and a maximum of 162 org.m? near a stream. Observations in the beach
of Guarujá, revealed the occurrence of 60 egg clusters, 28 pupae and 40 recently
emerged imagos per square meter. The eggs are laid at depths varying from 15 to
30mm and remain together forming typical clusters containing 18 to 32 eggs, with
an average of 24,5 per cluster.
Although mating was not observed, reproduction seems to take place almost
continuously, resultingin the production ofseveral generations per year. Nocturnal
flights, that could be related with the reproductive habits of the species, were
recorded in some warm and calm nights. In two occasions, during the Spring, many
specimens were collected at night in pitfall traps located more than 30m away from
a stream. During the collections in Cassino beach, it was noticed that, when the
sand is disturbed the insects start to run and several fly away. Sometimes specimens
fallin the water, from where they can fly again directly from the surface. Those that
remain for a few seconds are immediately eaten by voracious small fishes.
While hidden in their tunnels, the main predators are shorebirds such as
Charadrius collaris, Calidris fuscicollis and Pluvialis dominica, which probe the
sand with their bills to catch them. In daylight, during Spring and Summer, the
tiger-beetles, Cicindela patagonica bergiana, were seen in great numbers preying
upon the heterocerids. Nocturnal predators are represented by the sand toad Bufo
arenarum arenarum and the frog Leptodactylus ocellatus, whose stomach contents
revealed many specimens.
Yet in Cassino beach, adults and immatures of other fossorial species are
found together with E. freudei, constituting a sort of burrowing assemblage
characteristic of a limited area around the streams. The most conspicuous are
Paracymus rufocinctus (Hydrophilidae), Neotridactylus carbonelli(Tridactylidae)
and Bembidion sp. (Carabidae). Further common insects in that assemblage, but
whose distribution was found to extend to dryer areas beyond the borders of the
streams, are Bledius bonariensis and B. microcephalus (Staphylinidae) and
Schizogenius costiceps (Carabidae).
Discussion. The available information regarding the biology and ecology of
the 15 genera and about 300 worldwide known species of heterocerids is very
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104 VANIN; COSTA & GIANUCA
scarce, but different authors agree on their preference to burrow in damp sands and
mud flats on the shores of fresh and brackish streams, rivers, lakes and ponds.
Two of the most important biological studies ever published appear to be
that of GWYNN-SILVEY (1935), who described the life-history of Centuriatus
auromicans in the Great Lakes region of USA and that of KAUFMANN &
STANSLY (1979) who studied the bionomics of Neoheterocerus pallidus in the
sandy floodplain of South Canadian River, Oklahoma. Present findings on the
egg laying of E. freudei can be compared with the observations of GWYNN-
SILVEY (1935). In E. freudei, eggs are laid at depths from 15 to 30mm in clusters
containing an average of 24.5 eggs each, whilst in C. auromicans they are laid
25mm beneath the surface varying in number from 10 to 30 per cluster.
There isno agreement among authors regarding the feeding habits. GWYNN-
SILVEY (op. cit.) has observed adults feeding on phytoplankton that wasdeposited
on the shores, but never on zooplankton or other animal life of any kind.
PACHECO (1964) speculates that members of this family, both larvae and adults,
are predators of the accompanying fauna. GREEN (1968) mentions that in
European estuaries adults and larvae of the genus Heterocerus appear to be
detritus and algal feeders. PACHECO (1978), in a review of the North American
species, mentions that most adults feed on zooplankton, but some are omnivorous.
KAUFMANN & STANSLY (1979) observed the larvae N. pallidus indiscrimi-
nately consuming soft mud during the construction of their galleries, adding that
“the food of the adults does not differ from that of larvae”. LAWRENCE (1991)
believes that the heterocerids “ingest quantities of substrate from which they
extract algae, diatoms and other organic material”. Current observations in
southern Brazilian beaches, suggest that E. freudei feeds mainly upon organic
detritus, psammic and phytoplanktonic diatoms, deposited on the upper beach,
and the associated protozoans.
No previous observations were reported on the predators of heterocerids,
apart from the records of BRO-LARSEN (1936), quoted by GREEN (1968),
informing that in Denmark the larvae of Dyschirius feeds on the eggs of
Heterocerus. Based on this information, it would be possible to speculate that a
- similar predation could take place in Cassino beach, with the eggs of E. freudei
being taken by the larvae of the carabids Schizogenus costiceps and Bembidion sp.
Quantitative data are algo very scarce in the literature, but the highest
population densities recorded during this study (162 m?) were nearly 10 times
higher than the average observedby GWYNN-SILVEY (1935) duringthe summer
of 1929.
Acknowledgments. This work would have not been possible without the cooperation of “Depar-
tamento de Oceanografia, Fundagäo Universidade do Rio Grande (FURG)”, providing us with
laboratory facilities and vehicles to conduct the field research. The identification of the microscopic
psammic algae was carried out by M.Sc. Marinês Garcia-Baptista “Departamento de Botânica,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)”. We thank Mr. Gilnei Alves da Costa (FURG),
the jeep-driver during the field trips, who also helped us to collect the heterocerids. We thank Dr. |
Roberto Shimizu (Departamento de Ecologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo) for
the donation of several specimens from Guarujá, SP, used in this study; and, to Ricardo Pinto da Rocha
for helping us with the SEM operation and also for the accompanying photographs. The research was
supported in part by FAPESP (Proc. nº 91/4932-4).
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Figs. 2-9. Efflagitatus freudei, male from Rio Grande, RS: 2, maxilla; 3, labrum; 4, antenna; 5, left mandible
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dorsal; 6, labium; 7-9, aedeagus (lateral, dorsal and ventral, respectively). Figs. 2-6; 7-9, respectively, in the sam E
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| Figs. 10-12. Efflagitatus freudei, mature larva from Guarujá, SP (dorsal, ventral and lateral, respectively).
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anterirta; 16, median leg; 17, anterior leg; 18, left mandible, dorsal. Figs. 13-14; 16-17, respectively, in the same,
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Figs. 19-23. Efflagitatus freudei. 19-22, mature larva from Guarujá, SP: 19-20, head (dorsal and ventral); 21,
labrum; 22, epipharynx. 23, Pupa (dorsal). Figs. 19-20; 21-22, respectively, in the same scale.
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110 -VANIN; COSTA & GIANUCA
latero-frontal view, showing the large flattened sensorium, line = Sum; 25, leftmandible, ventral, line = 50um;
26, left mandible, latero-mesal view, showing concave pseudomola, line = 401m; 27, detail ofupper region
of pseudomola, line = 10um; 28, detail of median region of pseudomola, line = 10um; 29, detail of posterior |
region of pseudomola, line = 10pum.
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Figs. 30-34. Efflagitatus freudei.Mature larva from Guarujá, SP, scanning electron micrographs: 30, tarsungulus
of anterior leg, line = 201m; 31, tarsungulus of median leg, line = 50um; 32, abdominal spiracle 6, line =
5mm; 33, abdominal spiracle 3, line = Sum. 34. Tunnels of adults at Cassino beach, Rio Grande, RS.
at pra
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REFERENCES
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the order Coleoptera. Entomologica am. (N. Série), New York, 11(1-4):1-351.
BRO-LARSEN, E. 1936. Biologische studien über die tunnelgrabenden Käfer auf Skallingen. Vidensk.
Meddrdansk. naturh. Foren, Copenhagen, 100:1-231.
GREEN, J. 1968. The biology of estuarine animals. London, Sidwick & Jackson. 401. p.
GWYNN-SILVEY, J.K. 1935. An investigation of the burrowing inner-beach insects of some fresh-
water lakes. Pap. Mich. Acad. Sc., Ann. Arbor, 21:655-696.
LAWRENCE, J.F. 1991. Order Coleoptera.In: STEHR, F.M., ed. Immature Insects. Dubuque, Kendall/
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KAUFMANN, T. & STANSLY, P. 1979. Bionomics of Neoheterocerus pallidus Say (Coleoptera:
Heteroceridae) in Oklahoma. J. Kans. ent. Soc., Oklahoma, 52(3):565-577.
PACHECO, F.M. 1964. Sistematica, filogenia y distribuciön de los Heteroceridos de America (Coleoptera:
Heteroceridae). Monografias del Colegio de Post-Graduados, nº 1, Escuela Nacional de Agricultu-
ra, Chapingo, 1:1-155.
— 1973. Tres nuevas especies suramericanas de Efflagitatus Pacheco (Heteroceridae: Coleoptera).
Agronomia sulriogr., Porto Alegre, 9(10):11-18.
— . 1978. A catalog of the Coleoptera of America north of Mexico. Family: Heteroceridae. United
States department of Agriculture, Agriculture Handbook, Washington, n. 529-547, 8 p.
PIERRE, F. 1945. Lalarve d’Heterocerus aragonicusKiesw. etson milieu biologique (Col. Heteroceridae).
Revue fr. Ent., Paris, 12:166-174.
Recebido em 08.04.1994; aceito em 04.08.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 99 - 112, 2 mar. 1995
LARVAE OF NEOTROPICAL COLEOPTERA XXII. DESCRIPTION OF
ADULTS AND IMMATURES OF LAGRIOIDA NORTONI SP. N., AND
BIONOMICS (COLEOPTERA, TENEBRIONOIDEA, ANTHICIDAE)
Cleide Costa !*º
Sergio A. Vanin *
Sergio Ide *º
ABSTRACT
Immatures and adults of Lagrioida nortoni sp. n., are described from sand dunes at Praia do Cassino,
Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brazil. Adults were collected on leaves of Panicum racemosum Spr. and
Spartina ciliata Kunth (Gramineae) and the immatures were taken in the roots and stems of the same plants.
The life-cycle was completed from adults maintained and reared in the laboratory.
KEYWORDS. Anthicidae, Coleoptera larva, Lagrioida, Panicum, Spartina.
INTRODUCTION
The genus Lagrioida Fairmaire & Germain, 1860 was proposed for two new
Chilean species: Lagrioida obscurella and L. rufula. PASCOE (1876) described ZI.
brouni from New Zealand and CHAMPION (1895), L. australis from Tasmania. BLAIR
(1928: 29) and BLACKWELDER (1945: 493) included the genus Lagrioida under
Pythidae, Lacconotinae, Batodiini, Batodiina. CROWSON (1967) pointed out the
difficulties in stablishing the systematic position of Lagrioida in the Heteromera and
placed it in his new family Cononotidae along with Cononotus LeConte, 1851 and
"Agnathus Germar, 1825. ABDULLAH & ABDULLAH (1968) included Lagrioida in
“the Anthicidae, Eurygeniinae, Lagrioidini. ABDULLAH (1974) removed Lagrioida
“from Eurygeniinae and placed it in Lagrioidinae, Lagrioidini along with Cononotini
| (genera Cononotus and Agnathus) in the Anthicidae. MAMAEV (1976) described the
‚ larva of Agnathus decoratus (Germar, 1818) and removed the genus from Lagrioidinae
' (Anthicidae) to Pedilidae. DOY EN (1979) described the larva of Cononotus bryanti Van
| Dyke, 1939 and transferred the genus from Lagrioidinae (Anthicidae) to Pedilidae. The
' Lagrioidini sensu ABDULLAH (1974) remains in the Anthicidae with only the genus
‚ Lagrioida.
| 1. Support FAPESP (grant nº 91/4932-4)
| 2. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 7172, 01064-970 São Paulo SP, Brazil.
| 3. Researcher CNPq.
| 4. Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 20520, 01452-990 São Paulo SP, Brazil.
|
| Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 113 -126, 2 mar. 1995
|
114 COSTA; VANIN & IDE
Immatures of the genus Lagrioida were undescribed up to date. The distribution of
this genus in South America is now expanded with the record of a new species, Lagrioida
nortoni, from Rio Grande do Sul, Brazil.
The material examined (9 eggs, 54 young larvae, 11 mature larvae, 3 pupae, 866,
69 ©) is deposited in the following collections: Australian National Insect Collection,
Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization, Canberra (ANIC);
Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre
(MCNZ); Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo (MZSP).
Lagrioida nortoni sp. n.
(Figs. 1-43)
Type material. Holotype G (adult). “BRASIL,Rio Grande do Sul: Rio Grande, Praia do Cassino, dunas,
sobre Panicum racemosum, 16.1V.1993, Exp. MZSP col.” (MZSP). Paratypes: same data as holotype, “28 km
Sul, dunas primárias, associados às folhas e espiguilhas de Panicum racemosum”, 07.X1.1990, N. M. Gianuca
col., 66, (MZSP); “associados às espiguilhas de Panicum racemosum”, 14.X1.1990, N. M. Gianuca col., 146,
49 (MZSP); “associados às espiguilhas de Spartina ciliata”, 30.X1.1992, N. M. Gianuca col., 1S, 19 (MCNZ),
286,299 (MZSP); “dunas, sobre Panicum racemosum”, 13.1V.1993, Exp. MZSP col., 2 mature larvae, 1 pupa, |
19 (MZSP); 16.1V.1993, Exp. MZUSP col., 2 RD (ANIC), 3 mature larvae, 2 pupae, 28 S, 189 (MZSP);
“dunas primárias, em folhas de Panicum racemosum”, 28.1V.1993, N. M. Gianuca col., 4 mature larvae (MZSP);
“15 km Sul, dunas primárias, associados às espiguilhas dePanicum racemosum”,22.N .1993,N.M. Gianucacol.,
2 mature larvae (MZSP).
Other examined material (not paratypes, some specimens dismembered in ethanol and/or slide mounted). .
Same data as holotype, “28 km Sul, dunas primárias, associados às folhas e espiguilhas de Panicum racemosum”, ‚
07.X1.1990, N. M. Gianuca col., 3 ? (MZSP); “associados às espiguilhas de Panicum racemosum”, N. M. .
Gianuca col., 39 (MZSP); “associados às folhas e espiguilhas de Spartina ciliata, 30.X1.1992, N. M. Gianuca |
col., 6 PY (MZSP); “dunas, sobre Panicum racemosum”, 13.IV.1993, Exp. MZUSP col., 1 © (MZSP);
16.1V.1993, Exp. MZ, col., 9 eggs, 13 young larvae, 7 <q 1 2 (MZSP); “dunas primárias, em folhas de
Panicum racemosum”, 2 young larvae (ANIC), 22 young larvae (MZSP); “15 km Sul, dunas primárias,
associados às folhas de Panicum racemosum”, 22.N 1993, N. M. Gianuca col., 17 young larvae, (MZSP).
Type locality. BRAZIL. Rio Grande do Sul: Rio Grande, Praia do Cassino.
Etymology. We take the pleasure to name this species after our colleague, Dr.
Norton M. Gianuca (Departamento de Oceanografia, Fundação Universidade do Rio.
Grande, FURG), who discovered and collected the first specimens, and in recognition of |
his contributions to the better knowledge of the ecology of Rio Grande sand beaches.
Male (figs. 1-13, 19,20). Length: 2.5-3.3 mm; width: 0.8-1.0 mm. Head, pronotum
and basal 1/3 of elytra yellowish to testaceous; distal 2/3 of elytra grayish; legs and |
underside yellowish to testaceous, except ventrites, darkened; tegument coarsely |
punctuated, with a cinereous decumbent pubescence; some specimens show the elytra
completely darkened, grayish from bases to apices. |
Head. Slightly constricted behind eyes, forming wide neck. Eyes prominent;
coarsely faceted; asetose. Antenna (fig. 6): antennal insertion not visible from above, |
placed between eyes and base of mandibles; 1.7 times as long as pronotum length; 11-| |
segmented; articles 1-8 filiform; 9-11 wider than those preceding, forming a weakly |
defined club. Frontoclypeal suture indistinct. Labrum (fig. 8) transverse, about 1.8 times!
as long as wide; anterior margin rounded; distal half bearing elongate, stiff setae. |
Epipharynx (fig. 9) bearing 12 short setae on each anterior side, inwardly curved.
Mandibles (figs. 12, 13) symmetrical, broad, slightly longer than wide, apically bidentate; |
222"
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 113 - 126, 2 mar. 1995
Larvae of Neotropical Coleoptera XXII... 115
scissorial area minutely denticulate; mesally with a large, lobe-like prostheca; basally
bearing a molar surface; outer margin forming a flap-like expansion, dorsally (fig. 12)
bearing an irregular row ofelongate and curved setae. Maxilla (fig. 10) with galea divided
into a small and triangular basigalea, and a transverse and bulbous distigalea; lacinia
elongate, rounded at apex; apex of distigalea and adoral surface of lacinia densely tufted
with curved, coarse setae; palpus very setose, segment 4 securiform and about as long as
the length ofsegments 2 and 3 combined. Labium (fig. 11): ligula subtrapezoidal, widened
toward apex, anterior margin straight, with a dense fringe of slender setae; palp 3-
segmented, article 1 smaller, segment 2 broader and widened near apex, segment 3
fusiform and 1.2 times longer than segment 2. Hypopharynx (fig. 5) densely covered with
short, slender setae.
Thorax. Prothorax slightly longer than wide (1.1 times), slightly narrower than
head. Pronotum convex; lateral sides rounded; wider near apex; gradually converging
behind; anterior region rounded; prosternal process very narrow; coxal cavities (fig. 2)
widely open behind, internally closed. Mesothorax: scutellum transverse, posterior
margin rounded; episterna almost meeting at the middle in front of sternum; coxal cavities
narrowly separated (fig. 4), outwardly open and reached by mesepimera. Metathorax:
metasternum (fig. 4) sligthly wider than long, longitudinal suture short and extending
about 2/5 ofits length; coxal cavities widely separated by the broad process of ventrite 1;
endosternite: furca with stalk longer than wide and broadening outwards into a well
differentiated lamina, anterior tendons placed on the arms and widely separated. Elytra 2.1
times as long as wide; 3 times the length of pronotum; closely punctured but not striate.
Membranous wing (fig. 7) with wedge cell closed; 4 anal veins present; subcubital fleck
distinct; cubital vein with a short but conspicuous seta. Legs: protrochantin concealed,
procoxa conical and projecting; mesotrochantin exposed, mesotarsomere 1 about as long
as the length of tarsomeres 2 and 3 combined; metatrochantin concealed, internal keel of
metacoxa with a narrow-based apophysis; all tibiae bearing 2 subequal, apical spurs; all
penultimate tarsomeres profundly bilobate.
Abdomen: First 2 visible ventrites connate. Genitalia (figs. 19, 20): aedeagus of
inverted heteromeran type, cap-piece ventral; parameres fused throughout, acuminate at
apex, with a group of 4-6 stout setae in the lateral margins; basal piece 0.6 times as long
as parameres; median lobe tapering forwards, margins slightly constricted near apex;
median struts short, about 1.2 times the basal piece length.
Female. Length: 2.8-5.0 mm; width: 1.2-1.6 mm. Larger than male; testaceous or
yellowish throughout, slightly darkened along elytral suture.
Terminalia (figs. 16): ovipositor elongate, with 2 long baculi; coxites setose;
proctiger also bearing 2 long baculi in the lateral side; ventrite 8 (fig. 17); abdominal
tergite 8 (fig. 18). Reproductive system (fig. 14): spermathecal acessory gland elongate
* emptying into the anterior end of the bursa; spermatheca (fig. 15) hyaline, trilobate,
* openning near the end of bursa; bursa copulatrix bearing rows of spicules.
Remarks. Along with the 2 Chilean species, Lagrioida rufula andL. obscurella, L.
| nortoni sp. n. is the third known member of Lagrioida to be found in South America,
| representing the first occurrence of the genus in Brazil, and extending its geographical
- distribution considerably northwards. Two other species of Lagrioida are known from
" the Australian Region, L. brouni from New Zealand and L. australis from Australia and
| Tasmania. Unfortunately, none of the 4 formerly known species were adequately
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 113 -126, 2 mar. 1995
116 COSTA; VANIN & IDE
described. We only examined 2 adult specimens of L. australis, through the kindness of
Dr. J. F. Lawrence (ANIC), thus our comparisons are based chiefly in the original
descriptions, very insatisfactory and meager in diagnostic characters.
The 2 Chilean species were described from a series of specimens collected together,
in the same place. It is possible that they represent the different sexes of the same species,
the darker and smaller specimens being the males (L. obscurella) and the larger and
reddish specimens the females (L. rufula). PASCOE (1876) already guessed the possibility
ofL. obscurella being only a “variety” of L. rufula. Only the examination of the types can
ellucidate that problem.
Lagrioida nortoni sp. n. differs from the Chilean species mainly by coloration (Z.
rufula has reddish integument, L. obsucurella is brownish with antennae and legs
reddish); furthermore, L. nortoni does not attain the size reached by L. rufula (7 mm). L.
nortoni 1s distinguished from the Australian species as follow: L. australis has the
pronotum sides more rounded before the middle, while in L. nortoni the margins are more
gradually converging behind; moreover, the elytra of L. australis are more broadly oval.
L. brouni seems to have the punctuation much coarser and not so close.
Larva (figs. 21-40). Length: 6.1 mm; width: 0.9 mm at abdominal segment 4. White-
cream; orthosomatic; subcylindrical; subparallel; lightly sclerotized except for urogomphi;
integument smooth on dorsal side, ventral side densely covered by micro rounded
protuberances; fine setae mainly on ventral side.
Head. Prognathous; base slightly inserted in prothorax at lateral regions. Dorsal side |
(fig. 36) with some long and short setae. Ventral side (fig. 37) with short hypostomal rods. |
Frontal suture U-shaped (fig. 36). Coronal suture absent. Endocarina absent. Five pairs
of stemmata (fig. 38): 3 dorsal, 2 ventral. Antenna (fig. 39) 3-segmented; inserted on well |
developed antennifer; segment 1 as long as segment 2, with 3 setae; segment 2 with 7-9 |
setae on anterior region; sensorial appendix conical, almost as long as segment 3; segment |
3 with some subapical setae, a long setae on apex. Clypeus (fig. 36) with anteclypeus and |
postelypeus; anteclypeus (fig. 36) transverse, with 2 pairs of setae; postelypeus (fig. 29) |
trapezoidal, with 2 long and 1 very short pairs of setae. Ventral mouthparts retracted. |
Labrum (fig. 29) symmetrical; transverse; anterior margin rounded; with 4 pairs of setae. |
Epipharynx (fig. 30): anterior margin with 4 pairs of stout setae; with 2 anteromarginal
asperate areas; anterior region with many short spines and 10 sensorial pits; posterior |
region with 2 stout setae on central area, lateral areas with groups of thick setae and thin |
scales, basal area with a group of sensorial pits. Mandibles (figs. 32, 33) slightly |
asymmetrical; sclerotized; with a pair of laterodorsal setae; apex bidentate; scissorial area |
tridentate; mola tuberculate, with some hyaline basal processes; mola of left mandible |
with a distal obtuse tubercle. Maxilla (figs. 28, 31, 34): cardo well developed, not divided, |
with a pair of setae; stipes longitudinal, ventral side (figs. 28, 31) with 5 setae, dorsal side |
(fig. 34) with 2 lateral groups of spines and a setose tuft; mala cleft, three apical teeth on |
internal margin, external margin with 8 setae, ventral side (fig. 31) with 2 setae near |
internal margin, dorsal side (fig. 34) with 9 stout marginal and 7 submarginal setae |
adjacent to internal edge; palp 3-segmented, segments 1 and 2 transverse, segment 3 |
longer than segments 1 and 2 together, segments 1 and 2 with small spines on dorsal side |
(fig. 34), segment 2 with a digitiform peg in groove (fig. 34). Maxillary articulating area |
(fig. 28) longitudinal; lateral margins rounded; with 1 setae. Labium (figs. 28, 35): ligula |
well developed, anterior region with minute setae; 6 sensorial spots; prementum with a |
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Larvae of Neotropical Coleoptera XXII... 14
pair ofshort setae near palpiger base; mentum convergent posteriorly, 2 pairs ofsetae near
base, gulamentum longitudinal, large at base, with 1 pair of setae; palpiger with a pair of
setae; palp (figs. 28, 35) 2-segmented, segment 2 slightly longer than segment 1 and with
a developed apical sensory. Hypopharynx (figs. 34, 35) covered by setae and short spines;
sclerome transverse, slightly rounded, anterior and lateral margins more sclerotized,
partially covered by short setae.
Thorax. Segmentsrectangular; very similar; segment 1 slightly longer than segments
2 and 3. Dorsal side (fig. 21) with 2 setose lines, short setae mixed with long setae. Ventral
side (fig. 22) with few setae on mesal region; postgular region (fig. 37) with 2 pairs of
setae; prosternum (fig. 22) slightly pentagonal, apex prolonged posteriorly. A ventral pair
of annular-biforous spiracles (fig. 40) on mesothoracic lateroanterior region. Legs (fig.
26) short; very similar in size and shape; setose; coxa large; trochanter triangular; femur
shorter than tibia; tarsungulus (fig. 27) stout, bisetose, apex more sclerotized than base.
Abdomen. Segments 1-8 very similar in shape, size and vestiture; rectangular;
dorsal side (figs. 21, 23) with a basal pair of long setae, lateral regions with a variable
number of long and short setae, tergites extending onto the ventral side (figs. 22, 24);
sternites 1-7 with 2 setose lines, sternite 8 (fig. 24) with 3 setose lines. Segment 9 (figs.
23-25) narrowed to apex; with a pair of setose tubercles near urogomphi base; young larva
(fig. 41) slightly notched between urogomphi; mature larva (figs. 23, 24) strongly notched
between urogomphi, with many long setae. Urogomphi: young larva (fig. 41) apex
slightly curved upwards, internal margin with a pair of tubercles; mature larva (figs. 23,
24) apex curved upwards, stout, apical region strongly sclerotized, internal margin with
2 pairs of tubercles. Segment 10 (figs. 24, 25) completely hidden by segment 9; tubular;
setose; anal openning (fig. 24) transverse. Spiracles present on lateral anterior region of
segments 1-8; air tubes distinct only in the spiracles of segments 1-3.
Pupa (figs. 42, 43). Length: 3.7mm; width: 1.Imm at abdominal segment 2.
Adecticous; exarate; white-cream; setae inserted on small tubercles. Head hidden by
pronotum; setose mainly on frontal region, short setae mixed with long setae. Antennae
with many spiniform projections. Thorax: pronotum almost quadrangular; basal region
slightly compressed; 7 pairs of marginal setae, 3 submarginal and 2 mesal. Meso- and
metathorax with 3 pairs of setae on dorsomesal region. Abdomen: segments diminishing
gradually in width from the anterior to the posterior; segments 1-6 subrectangular;
segment 7 triangular; segment 8 shortened at the middle; segment 9 with a pair ofcurvate
projections on posterior margin. Dorsal side: segments 1 and 7 with 3 pairs of laterobasal
setae; segments 2-6 with 5 pairs of lateral setae; mesobasal spinose area on segments 2-
7; asperate bands adjacent to anterior margin segments 2-6. Ventral side with a pair of
longitudinal carinae on segments 5 and 6.
Remark. This is the first described pupa of this genus.
Bionomics. Adults of Lagrioida nortoni were collected from sand dunes in the
extensive Southern Brazilian beach of Cassino (32º 14' S, 52° 10' W), on leaves, spikelets
and stems of Panicum racemosum Spr. and Spartina ciliata Kunth (Gramineae).
This kind of habitat seems to be characteristic to the genus Lagrioida. In fact, Z.
rufula andL. obscurella from Chile were found “dans les dunes, sous lesMesambryanthemum”
\(=Mesembryanthemum) (Aizoaceae) (FAIRMAIRE & GERMAIN, 1863:235).L. australis
was found “at roots of grass and herbage on the sand-hills” (CHAMPION, 1895: 238) and
3 brouni, “under logs on the sea-beach” (PASCOE, 1876: 58).
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Fig. 1. Lagrioida nortoni sp. n.. Holotype; male (length: 4.3 mm).
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Larvae of Neotropical Coleoptera XXII...
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Figs. 2-5. Lagrioida nortoni sp. n.. Adult: 2, prothorax (ventral); 3, metendosternite; 4, meso- and metathorax
(ventral). Female: 5, hypopharynx. Figs. 2, 3 in the same scale.
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Figs. 6-13. Lagrioida nortoni sp. n.. Male: 7, membranous wing. Female: 6, antenna; 8, labrum; 9, epipharynx;
10, maxilla; 11, labium; 12, 13, mandible (left dorsal, right ventral). Figs. 8-11; 12, 13, respectively, in the same
scale.
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Larvae of Neotropical Coleoptera XXII... 123
' Figs. 14-20. Lagrioida nortoni sp. n.. Male: 19, 20, aedeagus (dorsal, lateral without basal piece). Female: 14,
| reprodutive system (general, dorsal); 15, spermatheca; 16, ovipositor (ventral); 17, ventrite 8; 18, urotergite 8.
' Figs. 14-18; 19, 20, respectively, in the same scale.
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COSTA; VANIN & IDE
Figs. 21-27. Lagrioida nortoni sp. n.. Paratype; mature larva: 21, 22, general (dorsal, ventral); 23, abdominal
segments 8-9; 24, 25, abdominal segments 8-10 (ventral, lateral); 26, 27, anterior leg (general, tarsungulus). Figs. |
21, 22; 23-25, 27, respectively, in the same scale.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 113 - 126, 2 mar. 1995
Larvae of Neotropical Coleoptera XXII... 123
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Figs. 28-35. Lagrioida nortoni sp. n.. Paratype; mature larva: 28, maxilla and labium; 29, labrum and
; postelypeus; 30, epipharynx; 31, maxilla (ventral); 32, 33, mandible (left dorsal, right ventral); 34, maxilla and
hypopharynx; 35 labium and hypopharynx (oblique). Figs 28, 31-34; 29, 30, respectively, in the same scale.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 113 -126, 2 mar. 1995
124 COSTA; VANIN & IDE
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Figs. 36-43.Lagrioida nortoni, sp.n.. Young larva: 41, abdominal segments 8-9 (dorsal). Paratype; mature larva:
36, 37, head, general (dorsal, ventral); 38, stemmata; 39, antenna; 40, thoracic spiracle. Paratype; pupa: 42, 43,
general (dorsal, ventral). Figs. 36, 37, 41; 42, 43, respectively, in the same scale.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 113 - 126, 2 mar. 1995
]
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Larvae of Neotropical Coleoptera XXII... 125
Eggs were obtained by killing adults in alcool 70% and also from the radicels of
plants carried to the laboratory. They were found in great quantities on the radicels but
isolated one from each other. Adults in the field appear to feed upon the Gramineae
spikelets and are more abundant from the spring to the beginning of summer, period which
agrees with the blooming time ofthe dunes grasses. At the laboratory they remained alive
for ca. 2 months, been provided only with water. Mating was observed but not the
oviposition. Larvae were collected from the radicels and also from the base of dead leaves.
From the adults kept in the laboratory were obtained eggs and a lot of young larvae.
Several mature larvae were fixed for study, two were reared up to adult and three others
up to pupa. The larvae feed upon dead leaves and root debris. The larval period required
about two months and the pupal phase took 18 days.
Discussion. After MAMAEV's (1976) and DOYEN’s (1979) papers the genus
Lagrioidaremained as the only representative ofthe Lagrioidini, Anthicidae. LAWRENCE
& BRITTON (1991: 671) called the attention to the systematic position of Lagrioida:
“The genus differs from all other anthicids in a number of adult and larval features, and
may be misplaced in this family”. In fact, a detailed morphological study of both
immatures and adults of L. nortoni showed a series of characters shared by members of
heteromeran families. As the character states have not been adequately polarized yet, the
comparision and similarities are typological, and any decision assumed before the
accomplishment ofa cladistic analysis should be regarded as arbitrary. As the aims of our
study are to describe the adult and immatures of a new Brazilian species ofLagrioida and
to report the bionomics of the species, we decided not to change the systematic position
of this genus.
Regarding the adults, the genus agrees with several characters present in the
Anthicidae (excluding Pedilidae and Cononotidae): presence of a weak antennal club;
pronotum without lateral carinae; apical segment of maxillary palp securiform;
mesepisternum meeting in front of mesosternum; metendosternite with well developed
lamina; metacoxa with a narrow-based apophysis; penultimate tarsal segment lobed
beneath. Considering the larva, it shares the mola with a ventral penicillus (or brustia ?)
and urogomphal pits absent on abdominal segment 9. However there are a number of
disagreements both in the adults and in the larvae (character states parenthetic in
Anthicidae) - 1) adults: first 2 ventrites connate in Lagrioida (free); neck wide, head
weakly constricted behind eyes (abruptly constricted); antennal insertions concealed
(exposed); aedeagus of the heteromeran inverted type (not inverted), with median lobe
continued from the dorsal part as 2 median struts (a single broad strut), and basal piece of
tegmen without struts (a pair of divergent struts); - 11) larvae: 5 stemmata on each side of
the head (1 pair or absent); frontoclypeal suture present (absent); and mala cleft (entire).
The adults of Lagrioida share with Pedilidae (excluding, Agnathus and Cononotus)
the neck wide and the mesocoxal cavities open; however, can be easily differentiated by
(characters states parenthetic in pedilids): procoxal cavities open only externally (internally
and externally); antennae weakly clubbed (filiform); ligula entire (bilobed); males
parameres fused (separate apically). The Lagrioida larvae have in common with the
larvae of Pedilus: mandibles with bidentate apex and scissorial area tridentate; internal
margin of mala with tridentate apex. They are easily differentiated by the absence of
urogomphal pits (present) and the absence of asperities associated with the anterolateral
aspect of the ninth abdominal sternite (present).
The most outstanding characters shared by adults of Lagrioida and Pedilidae
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 113 -126, 2 mar. 1995
126 COSTA; VANIN & IDE
(considering only Agnathus and Cononotus) are the first 2 ventrites connate and the
aedeagus of inverted heteromeran type, with cap-piece ventral. They differ as follow
(character states parenthetic in Agnathus and Cononotus): antenna weakly clubbed
(filiform); penultimate tarsomere deeply bilobed (all tarsomeres simple, without lobes);
middle coxal cavities open, reached by mesepisterna (closed outwardly by sterna). The
larva of Lagrioida has in common with the larva of Agnathus: 5 stemmata on each side
of head; mandibles with bidentate apex and scissorial area tridentate; internal margin of
mala with tridentate apex (these 2 last features are also present in Pedilus). Lagrioida
larva differs from Agnathus larva by frontoclypeal suture present (absent); urogomphal
pits absent (present). Comparing larva of Lagrioida with that of Cononotus they have a
few similarities: mala cleft (apically incised). The differences are: 5 stemmata (absent);
and the urogomphal pits absent (present).
We have not found exclusive features to Lagrioida in the adult stage. The larval
stage showed a few unique ones: frontal suture U-shaped, clypeus divided into ante- and
postclypeus and frontoclypeal suture present. As pointed out before, the shared similarities
may be plesiomorphic, apomorphic or homoplastic, and only after polarization of
character states could be used in determining the affinities of the genus.
Acknowledgments.We are indebtto Dr. NortonM. Gianuca (FURG), who provided us with laboratories
facilities and vehicles to our field research in southem Brazil. We thank Mr. Gilnei A. da Costa (FURG) the jeep-
driver, for helping during the field trips. We wish to thank Dr. R. A. Crowson (Glasgow University) and Dr. John
F. Lawrence (ANIC) for their comments and sugestions, and also to the latter for the donation of specimens of
Lagrioida australis. The research was supported in part by Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo - FAPESP (grant nº. 91/4932-4).
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Recebido em 8.04.1994; aceito em 4.08.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 113 - 126, 2 mar. 1995
— À E
REVISÃO DO GÊNERO RADULPHIUS
(ARANEAE, MITURGIDAE, EUTICHURINAE)
Alexandre B. Bonaldo "?
Erica Helena Buckup !
ABSTRACT
REVISION OF THE GENUS RADULPHIUS (ARANEAE, MITURGIDAE, EUTICHU-
RINAE). The Neotropical spider genus Radulphius Keyserling, 1891 is revised. The genus contains 16
species, all from Brazil, 12 of which are new: R. baiaxaba, R. barueri, R. bidentatus, R. boraceia, R.
caldas, R. cambara, R. caparao, R. lane, R. latus, R. pintodarochai, R. petropolis and R. singularis.
Radulphius monticola (Roewer, 1951), comb. n. (transferred from Eutichurus Simon, 1896) and R.
laticeps Keyserling, 1891 are redescribed. A key to the 16 species and new records of R. camacan
Bonaldo, 1994 are provided.
KEYWORDS. Neotropical, Araneae, Eutichurinae, Radulphius, Taxonomy.
INTRODUÇÃO
O gênero Radulphius foi proposto por KEYSERLING (1891) para duas
espécies novas, R. bicolor e R. laticeps, ambas baseadas em fêmeas do Estado do
Rio de Janeiro, Brasil. O gênero foi tradicionalmente listado em Clubionidae até
LEHTINEN (1967) transferi-lo para a subfamília Eutichurinae (Miturgidae).
CAPORIACCO (1947) descreveutrês espécies:R. melloleitaoi, R. seminermis
eR.strandi. CAPORIACCO (1955) acrescentouR. brachyapophysis, transferindo
R. melloleitaoi e R. strandi para Anyphaenidae. BONALDO & BRESCOVIT
(1992) restringiram Radulphius à sua composição original, colocando R. seminermis
e R. brachyapophysis na sinonímia de Cheiracanthium inclusum (Hentz, 1847)
(Clubionidae). BONALDO (1994), ao estudar os gêneros neotropicais de
Eutichurinae, redescreveu a espécie-tipo, Radulphius bicolor, e descreveu uma
nova espécie, R. camacan, do Estado da Bahia, Brasil, caracterizando o gênero
pela primeira vez com base em ambos os sexos.
1. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, C.P. 1188, 90001-970, Porto Alegre, RS, Brasil.
2. Bolsista CAPES, Doutorado, Universidade Federal do Paraná.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
128 BONALDO & BUCKUP
O primeiro macho conhecido de Radulphius foi descrito por KEYSERLING
(1891) como Cheiracanthium montanum, sendo posteriormente nomeado
Eutichurus monticola Roewer, 1951. Esta espécie é aqui transferida para
Radulphius e redescrita. Completa-se a revisão do gênero com a redescrição de
R. laticeps, descrição de doze espécies novas, ampliação da distribuição de R.
camacan e proposição de chave para as dezesseis espécies. Contudo, o conheci-
mento taxonômico de Radulphius é ainda insatisfatório, uma vez que na maioria
das espécies, um dos sexos é desconhecido. A dificuldade de associar machos e
fêmeas decorre da escassez de amostras, da uniformidade do padrão de colorido
e da distribuição aparentemente simpátrica de algumas espécies.
O material examinado pertence às seguintes instituições (curadores entre
parênteses): AMNH, American Museum of Natural History, Nova Iorque, EUA
(N. I. Platnick); BMNH, The Natural History Museum, Londres, Inglaterra (P. D.
Hillyard); CRB, Coleção Particular de R. Baptista, Rio de Janeiro, Brasil; IBSP,
Instituto Butantan, São Paulo, Brasil (V. R. D. von Eickstedt); MACN, Museo
Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”, Buenos Aires, Argen-
tina (C. Scioscia); MCN, Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do
Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil; MHCI, Museu de História Natural Capão
da Imbuia, Curitiba, Brasil (P. Scherer Neto); MNRJ, Museu Nacional do Rio de |
Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil (A. T. da Costa); MZSP, Museu de Zoologia da |
Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil (J. L. Leme); UESP, Universidade |
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Botucatú, Brasil (H. Soares).
A metodologia e abreviaturas empregadas seguem BONALDO (1994). As |
medidas são expressas em milímetros (mm).
Radulphius Keyserling
Radulphius KEYSERLING, 1891: 47. SIMON, 1897: 131 (designação da espécie-tipo, R. bicolor |
Keyserling, 1891; PETRUNKEVITCH, 1911: 509; 1928: 176; MELLO-LEITÃO, 1947: 281; |
ROEWER, 1954: 557; BONNET, 1956: 3846; BRIGNOLI, 1983: 543; LEHTINEN, 1967: 261, |
321; PLATNICK, 1989: 433; 1993: 598; BONALDO, 1994: 138.
Diagnose. BONALDO (1994) caracterizou Radulphius pela presença de |
fulcrum e condutor nialino no bulbo do palpo do macho; epígino da fêmea sem |
lobos ântero-laterais (presentes em Eutichurus Simon, 1896) e de margem poste- |
rior com uma invaginação mediana. Uma amostragem ampla de espécies eviden- |
ciou que nem sempre a margem posterior do epígino tem esta reentrância |
acentuada e, em pelo menos uma espécie (R. singularis), não ocorre condutor no |
palpo do macho. Com exceção de R. singularis, o subtégulo apresenta um lobo |
prolateral (fig. 40, LS; BONALDO, 1994: fig. 105) que, no bulbo não expandido, |
se encaixa em uma reentrância correspondente no tégulo. A apófise média é |
geralmente alongada, com uma projeção dorsal subapical (figs. 5, 17, 24), exceto |
em R. baiaxaba, na qual é curta, com uma cavidade apical ventral (figs. 29, 30); |
fulcrum com ápice único (figs. 1,23) ou bífido (figs. 4, 11,43), geralmente com uma |
projeção cônica proximal retrolateral (figs. 11, 43, PF, 45); êmbolo em geral |
filiforme, exceto em R. baiaxaba, deprimido, com base alargada (fig. 29). A tíbia |
do palpo do macho pode apresentar um tubérculo ventral (figs. 1, 4,9, 11, 14, 16) |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
Revisão do gênero Radulphius... 129
e a apófise tibial retrolateral, geralmente simples, tem o ápice trilobulado em R.
singularis (fig. 25).
Descrição. Ver BONALDO (1994: 138).
Composição. Dezesseis espécies.
Distribuição. Os registros disponíveis de Radulphius restringem-se à áreas
de Mata Atlântica (Floresta Ombrófila Densa), do sul da Bahia (em lavoura
cacaueira) ao litoral do Paraná, e de Mata de Araucária (Floresta Ombrófila
Mista) no Paraná e Rio Grande do Sul (figs. 58, 59).
Chave para as espécies de Radulphius
ia Machos (exceto R. bicolor, R. bidentatus, R. lane, R. laticeps e R. petropolis,
EE SE ONE CICLOS) es E MAS TE coa RD PA a SUR SAN ASA sda 2
Fêmeas (exceto R. baiaxaba, R. barueri, R. boraceia, R. caldas, R. caparao,
EDS MC ESCONHECIÃAS)- rear sestrea toe erdora sata sarada a veado da ava nn a nona [2
2(1). Apöfise tibial retrolateral com äpice trilobulado, bulbo sem condutor (figs.
22,28) Gleiches Ra R. singularis sp. n.
Apófise tibial retrolateral com ápice inteiro; bulbo com condutor (figs. 1,11,
Lib. 18, ZI) Aa sao sai cera Ap E AE SO EUREN EEE ERREUER 3
3(2). Tíbia com tubérculo tibial ventral (figs. 1, 4,9,11,14,16) ................... 4
Tibia sem tubérculo tibial ventral (figs. 19, 23, 29, 35-38) ..................... 9
4(3). Fêmur do palpo dilatado ventralmente (fig. 13)... 5
Fomiuidopalponão; dilatado (fig; 18)... en 6
5(4). Apöfise tibial retrolateral com ápice truncado e orientado prolateralmente;
tubérculo tibial junto à base da apófise tibial retrolateral (figs. 16, 17)
lesen o re DARE PERA SER E PRA NA RR PRO PM ERP RR MU PRA PDA PP RAE RP R. caparao sp. n.
Apófise tibial retrolateral com ápice espatulado e orientado retrolateral-
mente; tubérculo tibial afastado da base da apófise tibial retrolateral
BEARBEITETE DORSO READ E Rene PS OR ERA R. caldas sp. n.
6(4). Fulcrum com ápice inteiro (figs. 1,2) .................... R. monticola (Roewer)
Eilerum com apiceibitido(lfigs.4,9 11)... RN Rennens 7
7(6). Apöfise tibial retrolateral com ápice clavado; fulcrum fortemente curvado
e bipartido, com as pontas sobrepostas, paralelas (figs. 11, 12) ............
„ces ide dodPeHe pop APPA FESTEN RE LAU Roc e Era R. boraceia sp. n.
Apófise tibial retrolateral com ápice espatulado, côncavo; fulerum pouco
curvado e bipartido, com as pontas não sobrepostas, divergentes (figs.
E E aceno ss neeponpavo first Sr eeeentatetsnkesneirnenns 8
-8(7). Apöfise média com projeção dorsal subdistal, em vista retrolateral;fulcrum
com ponta superior obtusa (figs. 9, 10)... R. barueri sp. n.
Apófise média com projeção dorsal distal, em vista retrolateral; fulcrum
| com ponta superior aguda (figs. 4, 5) .............. R. pintodarochai sp. n.
9(3). Címbio com conspícua projeção retrolateral submediana; apófise média
com ápice modificado, formando uma cavidade ventral (figs. 29,30)
BRR eo caros sé 2ascknsun nen ao VAR PUT é pa ER coNEU VA ci Fresken R. baiaxaba sp. n.
| Címbio sem tal projeção; apöfise média de outra forma (figs. 19,24,35) .. 10
| 10(9). Apófisetibialretrolateral com uma dobra mediana orientada prolateralmen-
te; fulcrum de ápice bífido (figs. 19,20) «essen. R. cambara sp. n.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
130 BONALDO & BUCKUP
Apófise tibial retrolateral sem dobra mediana; fulcrum de ápice inteiro
(figs. 23; BONALDO, 1994: fig. TOS En ee il
11(10). Apöfise tibial retrolateral com äpice arredondado; apöfise media com
projegäo dorsal distal ao nivel do äpice; fulcrum de base larga
(fi9s+23; 24 lenken De R. latus sp. n.
Apöfise tibial retrolateral com äpice pontiagudo (figs. 35, 38); apöfise
média com projeção dorsal submediana;fulcrum de base não alargada
(BONALDO, 1994: fig. 103)... stones do R. camacan Bonaldo
12(1). Margem posterior do epígino com leve reentrância mediana; espermatecas,
visíveis por transparência, situadas junto à margem posterior do epígino
(Bas,3,21, 27) «cesar SM canudo ag E do 13
Margem posterior do epíginocom marcada reentrância mediana; espermate-
cas afastadas da margem posterior do epígino (figs. 6,8,31,34,39). 15
13(12). Epígino sem carenas; duas conspícuas aberturas de fecundação com bordas
semicirculares, salientes e recurvadas (fig. 27) ........ R. singularis sp. n.
Epígino com carenas laterais; aberturas de fecundação inconspícuas (figs. 3,
PA ae na ccosoosooconcoconacoccos 14
14(13). Carenas laterais delimitando ampla área transversal do epígino; ductos
copulatörios inconspícuos (fig. 21).............................. R. cambara sp. n.
Carenas delimitando restrita área mediana; ductos copulatórios conspícuos
em SVAMÓEIo Aa es th À Ei R. monticola (Roewer)
15(12). Espermatecas anteriores, afastadas das aberturas de fecundação (figs. 31,
DI) sendo asso N RHRRRENSERN NDS «a dada de ANDAVA SOUL A A I ER 16
Espermatecas medianas, próximas às aberturas de fecundação (figs. 6,8, 34,
3 Lais RA O a RT NEN US RA, DO, DIN LEI OR 18
16(15). Margem posterior do epígino muito projetada, com reentrância mediana
subtriangular; borda das aberturas de fecundação mediana e recurvada
(GENRE 1 DEN IU Nee Mae Le EA fat DR alas R. laticeps Keyserling
Margem posterior do epigino pouco projetada, com reenträncia mediana
semicircular ou subquadrangular; bordas das aberturas de fecundacäo
laterais (fig. 33, BONALDO, 1994: fig. 102) .........2u220.20020220020220020200000 17
17(16). Reenträncia mediana subquadrangular, com um dente em cada margem
anterior; bordas das aberturas de fecundação obliquas (fig. 33) ..........
N ee ee A SL LERNEN R. bidentatus sp. n.
Reentrância mediana semicircular , sem dentes; bordas das aberturas |
de fecundação semicirculares (BONALDO, 1994: figo 02) ren |
DIAS ado Sa E DAS Voo Mo DA NA SM ir R. bicolor Keyserling |
18(15). Ductos copulatórios, visíveis por transparência, semicirculares (figs. 6,8).
so.o..0.000.0.000000 CCC COCO COCO CCC COCO CCO LOCO COCO COCO CCO COCO HELLE HELFE LEE LEE CACO CORO CCC COCO 00.
COCO CCC CLT C COCO COCO COLE CCCCLOOCOLOCCO COLO CTC COCO OO COLOCO OC CC CCO COCO COCO CCC OCO COCO CC CO COCO Cotas.
19(18). Ductos copulatórios longos, atingindo a reenträncia mediana (fig. 6)....... |
no PE due Na OS ee o AR ND 5 OMR R. pintodarochai sp. n. |
Ductos copulatórios curtos, não atingindo a reenträncia mediana (fig. 8) |
HInSDiimeetlensiiikekehdeihemdchl.AhL een R. lane sp. n. |
20(18). Reentrância mediana estreita e profunda (fig. 39; BONALDO, 1994: fig. |
106) Canna, ERBETEN AI R. camacan Bonaldo |
Reentrância mediana larga e superficial(fig. 34) ......... R. petropolis sp.n. |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
Revisão do gênero Radulphius... 131
Radulphius monticola (Roewer), comb. n.
(Figs. 1 - 3, 58)
Chiracanthium montanum KEYSERLING, 1891: 38, est. I, fig. 16, holótipo macho, Alto da Serra de
Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brasil, Gôldi col. (BMNH, examinado); GÓLDI, 1892: 232.
Eutichurus montanus; SIMON, 1897: 84; PETRUNKEVITCH, 1911: 482; MELLO- LEITÃO, 1926: 5,
fêmea, Caxambu, Minas Gerais, Brasil (MNRJ 732, examinado); BONNET, 1956: 1845.
Eutichurus monticola ROEWER, 1951: 445 (nome novo para Cheiracanthium montanum Keyserling,
1891 pré-ocupado por L. Koch, 1877); ROEWER, 1954: 519.
Nota. A associação de machos e fêmeas desta espécie, efetuada por MELLO-
LEITÃO (1926), necessita de confirmação.
Diagnose. Machos de Radulphius monticola diferem dos de outras espécies
com tubérculo tibial pela apófise tibial retrolateral longa, deprimida, estreita na
região proximal, alargando distalmente, com ápice arredondado (fig. 1); projeção
dorsal da apófise média subdistal, em vista retrolateral (fig. 2). Fêmeas diferem das
espécies com leve reentrância mediana na margem posterior do epígino pela
presença de carenas medianas; aberturas de fecundação com bordas oblíquas e
ductos copulatórios conspícuos (fig. 3).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça e enditos amarelo-avermelhados;
quelíceras avermelhadas; esterno e pernas amarelos; abdômen cinza-amarelado.
Comprimento total 6,20. Carapaça: comprimento 2,80, largura 2,30; clípeo,
altura 0,06. Olhos: fila anterior 1,07, posterior, 1,17; QOM: comprimento 0,41,
largura anterior 0,47, largura posterior 0,53; diâmetros: OMA 0,17, OLA 0,18,
'OMP 0,17, OLP 0,17; interdistâncias: OMA-OMA 0,12, OMA-OLA 0,12, OMP-
OMP 0,21,.0OMP-OLP 0,25, OLA-OLP 0,02. Quelíceras: comprimento 1,80;
retromargem com 6-7 dentes subiguais; promargem com 3, segundo maior. Esterno:
“comprimento 1,37, largura 1,30. Abdômen: comprimento 3,40, largura 1,75. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,37; artículo distal, comprimento 0,50.
| Pernas: comprimento relativoLIV.IL.IH. I-f£mur 3,45 /patela 1,20 /tibia 3,70 /
‚ metatarso 4,00 / tarso 1,45 /total 13,80; 11-2,90/1,15/2,75/3,05/1 ‚05/10, 90; III - 2,30
20,954.1,75 [2,30 [0,15 / 8,05; IV -3,10/1,10 / 2,75 /3,40 /0,90/11,25. Espinulacäo:
I - fêmur d1-1, p0-0-2, r0, vO; tíbia dO, p0-1, r0, v2-2-2; metatarso dO, pO-1-0, r0-1-
1, v2-2-2. II - fêmur d1-1, p0-0-1, r0, vO; tíbia dO, p0-1, r0, vlr-2-1r; metatarso dO,
p1-0-1, r0-1-1, v2-2-1. III - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, v0; tíbia dO, p1-1, r1-1, v2-2-
2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1. IV- fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO,
pl-1, rl-1, v2-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
Palpo: fêmur não dilatado ventralmente; comprimento da tíbia pouco menor
que o comprimento do címbio; tubérculo tibial ventral rombo, afastado da base da
apófise tibial retrolateral; lobo prolateral do subtégulo presente; fulcrum estreito,
‚de ápice único, com projeção retrolateral subtriangular (figs. 1, 2).
Fêmea (Caxambu, Minas Gerais). Carapaça castanho- clara, com estrias
torácicas avermelhadas; quelíceras, enditos e lábio castanho-avermelhados; esterno
e pernas amarelos, metade distal dos metatarsos e tarsos das pernas e tarsos dos
palpos avermelhados; abdômen amarelado.
Comprimento total 8,80. Carapaça: comprimento 4,15, largura 3,15; clípeo,
altura 0,13. Olhos: fila anterior 1,70, posterior, 1,85; QOM: comprimento 0,48,
]
)
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
132 BONALDO & BUCKUP
largura anterior 0,71, largura posterior 0,76; diâmetros: OMA 0,22, OLA 0,25,
OMP 0,20, OLP 0,20; interdistâncias: OMA-OMA 0,27, OMA-OLA 0,30, OMP-
OMP 0,40, OMP-OLP 0,44, OLA-OLP 0,10. Quelíceras: comprimento 2,25;
retromargem com 8 dentes subiguais; promargem com 4, segundo maior. Esterno:
comprimento 2,12, largura 1,82. Abdômen: comprimento 4,75, largura 3,25. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,46; artículo distal, comprimento 0,62. Pernas:
comprimento relativo I.IV.ILIII. I - fêmur 3,75 / patela 1,60 /tibia 3,55 / metatarso
4,10/tarso 1,75 / total 14,75; II - 3,45 / 1,50 / 2,95 / 3,30 / 1,35 /12,55; III - 2,75 /1,35 /
2,05 / 2,50 / 0,95 / 9,60; IV - 3,55 / 1,40 / 2,80 / 3,90 / 1,25 / 12,90. Espinulação: I-
fêmur d1-1, p0-0-2, r0, v0; tíbia dO, p0, r0, v2-2-0; metatarso dO, p0, r0, v2-2-1. II -
fêmur d1-1, p0-0-2, r0, v0; tíbia dO, p1-1, r0, v0-2-0; metatarso dO, p0, rO, v2-2-1. III -
fêmur dO-1, p0-0-2, r0-0-1, vO; tíbia dO, p1-1, r1-1, vlp-1r-1p; metatarso dO, p1-1-2,
r1-1-2, v2-2-1. IV - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO, p1-1, r1-1, vir-1p-2;
metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
Epígino: margem posterior com leve reentrância mediana; carenas presen-
tes, delimitando uma área restrita; espermatecas situadas posteriormente em
relação às aberturas de fecundação (fig. 3).
Distribuição. Brasil: Rio de Janeiro, Minas Gerais (fig. 58).
Radulphius pintodarochai sp. n.
(Figs. 4 - 7, 58)
Holótipo. Macho, São José dos Pinhais, Paraná, Brasil, 15.XII.1986, equipe:
Profaupar col. (MCN 20827).
Nota. A associação de machos e fêmeas, provenientes de localidades pröxi-
mas, está sujeita à confirmação. |
Etimologia. O nome específico é um patronímico em homenagem ao
aracnólogo Ricardo Pinto-da-Rocha (Universidade de São Paulo). |
Diagnose. Machos de Radulphius pintodarochai, semelhantes aos de R.
barueri, distinguem-se pela forma da apófise média, com projeção dorsal distal, ao!
nível do ápice, em vista retrolateral (fig. 5); fulerum com a ponta superior
ponteaguda e a inferior sobreposta à projeção retrolateral (fig. 4). Fêmeas sepa-
ram-se das demais espécies pelo epígino de aspecto cordiforme (fig. 6), com ductos,
copulatórios salientes, atingindo a reentrância mediana, a qual é mais larga do que
em R. lane. |
Descrição. Macho (holótipo).Carapaça amarelo-escura, regiäoocularcastanha:'
quelíceras, enditos e lábio castanho-avermelhados; esterno amarelo-escuro; per-
nas amarelo-escuras, exceto fêmures amarelo-claros; abdômen cinza-amarelado. |
Comprimento total 7,10. Carapaça: comprimento 3,25, largura 2,50; clípeo.
altura 0,08. Olhos: fila anterior 1,07, posterior, 1,23; QOM: comprimento 0,31 |
largura anterior 0,51, largura posterior 0,52; diâmetros: OMA 0 ‚18, OLA 0,17
OMP 0,16, OLPO, 16: interdistâncias: OMA-OMA 0,12, OMA- OLA 0,10, OMP:
OMP 0,20, OMP-OLP 0,26, OLA-OLP 0,05. Queliceras: comprimento 1 47
retromargem com 7, 8 dentes subiguais; promargem com 3, segundo maior|
Esterno: comprimento 1,62, largura 1,42. Abdômen: comprimento 4,10, larguriél
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
Revisão do gênero Radulphius... 133
2,10. FLP: artículo proximal, comprimento 0,37; artículo distal, comprimento 0,50.
Pernas: comprimento relativo LIV ILHI. I- fêmur 3,55 / patela 1,25 /tíbia 3,95/
metatarso 4,55 / tarso 1,75 / total 15,05; II - 3,10/1,20/3,00/3,45/1,25/12,00; III -
2,50 / 1,20 / 2,00 / 2,65 / 0,95 / 9,30; IV - 3,45 / 1,25 / 3,10 / 3,60 / 1,05 / 12,45.
Espinulagäo: I- fêmur d1-1, p0-1-2, rO, vO; tíbia dO, p0-1-1,r0, v2-2-2; metatarso dO,
p0-1-0, r0-1-0, v2-2-1. U - fêmur d1-1, p0-0-2, r0-1-0, vO; tíbia dO, p1-1,r1-1, v2-2-2;
metatarso dO, p1-1-1,r0-1-1,v2-2-1. II - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO, p1-
1, r1-1, v2-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1. IV - fêmur d1-1, p0-1-1, r0-0-
1, vO; tíbia dO, p1-1, r1-1, v2-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
Palpo: fêmur não dilatado ventralmente; comprimento da tíbia pouco menor
que o comprimento do címbio; tubérculo tibial agudo, apófise tibial retrolateral
espatulada; lobo prolateral do subtégulo presente; fulcrum de ápice bífido e
projeção retrolateral cônica (figs. 4, 5).
Fêmea (parátipo, Antonina). Carapaça castanho-clara, mais escura na região
ocular e nas estrias radiais; quelíceras castanho-avermelhadas, enditos e lábio mais
“claros; esterno castanho-claro; pernas amareladas, coxas amarelo-claras; abdö-
men amarelo esbranquiçado.
Comprimento total 11,00. Carapaça: comprimento 4,25, largura 3,20; clípeo,
altura 0,12. Olhos: fila anterior 1,77, posterior, 2,00; QOM: comprimento 1,00,
largura anterior 1,47, largura posterior 17/0: diämetros: OMA 0,22, OLA 0.27.
.OMP 0,22, OLP 0,23; interdistâncias: OMA-OMA 0,26, OMA-OLA 0,23, OMP-
OMP 0,40, OMP-OLP 0,42, OLA-OLP 0,03. Queliceras: comprimento 2,50;
retromargem com 8, 10 dentes subiguais; promargem com 3, segundo maior.
, Esterno: comprimento 2,10, largura 1,80. Abdômen: comprimento 7,20, largura
4 30. FLP: artículo proximal, comprimento 0,62; artículo distal, comprimento 1,00.
Pernas: comprimento relativo como no macho. I - fêmur 4,15 / patela 1,70 /
| tíbia 4,15 / metatarso 4,70 / tarso 1,70 / total 16,40; II - 3,60/1 55/3 QUA LS)
113,50; IT - 2,90 /1,35 / 2,25 / 2,75 / 1,00 / 10,25: IV -3 ‚90/1 «DOME 20/4, WO Is
13,95. Espinulação: I - fêmur d1-1, p0-0-2, r0, vo: tíbia do, p0-1, TO, v2-2-0: metatarso
dO, p0, r0, v2-2-1. II - fêmur d1-1, p0-0-2, r0, vO; tíbia dO, p1-1, r0, v2-2-0; metatarso
dO, p0-1-0, r0, v2-2-1. III - fêmur d1-1, p0-0-2, r0-0-2, vO; tíbia dO, p1-1, r1-1, v2-2-
2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1. IV - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, v0; tíbia dO,
pl-1, rl-1, v2-1r-2: metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
| Epígino: margem posterior com reentrância mediana; espermatecas media-
nas, próximas às aberturas de fecundação, laterais; carenas ausentes; internamente
com espermatecas grandes, de base ampla; ductos copulatórios desenvolvidos,
arqueados, contínuos à haste da espermateca; ápice da espermateca ausente (figs.
1657):
Variacäo. Comprimento (3 machos): total 6,90 - 7,69; carapaga 3,25 - 3,55;
fêmur 13,90 - 4,20; (fêmea, parätipo): total: 11,50; carapaça 4,30; fêmur 14,25. Nos
machos o número de dentes da retromargem das quelíceras varia de 5 a 9; nas
fêmeas, a largura da reentrância mediana da margem posterior do epígino pode
ser levemente mais larga do que o ilustrado.
Distribuição. Brasil: Paraná (fig. 58).
Material-tipo. Parátipos. BRASIL. Paraná: mesma localidade do holötipo, 1 &, 29.1X.1986
(MCN 20831); 16, 24.X1.1986 (MCN 20856); Antonina, 1%, 20.X.1986 (MCN 20829), todos coletados
pela equipe Profaupar; Quatro Barras, 19,01.X1.1987,S.Caron & R. Pinto-da-Rocha col. (MHCT 6508).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
134 BONALDO & BUCKUP
Radulphius lane sp. n.
(Figs. 8, 59)
Holótipo. Fêmea, São Paulo, São Paulo, Brasil, 13.1.1960, F. Lane col.
(MZSP 3843).
Nota. Faltam as pernas I e II direitas; metatarso e tarso II esquerdos. Tíbia,
metatarso e tarso III esquerdos destacados.
Etimologia. O nome específico é um substantivo em aposição, segundo o
nome do coletor.
Diagnose. Fêmeas de Radulphius lane separam-se das outras espécies com
reentrância mediana na margem posterior do epígino pelos ductos copulatórios,
visíveis por transparência, semicirculares, largos e curtos, não atingindo a reen-
trância mediana (fig. 8).
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça castanho-avermelhada, mais clara
nas bordas laterais e posterior da região torácica; quelíceras, enditos e lábio
castanho-avermelhados, escuros, os dois últimos com ápice amarelado; esterno e
pernas amarelo-claros, ápice dos metatarsos e tarsos das pernas e palpos acasta-
nhados; abdômen amarelo-claro.
Comprimento total 7,60. Carapaça: comprimento 3,65, largura 2,70; clípeo, .
altura 0,11. Olhos: fila anterior 1,50, posterior, 1,65; QOM: comprimento 0,87,.
largura anterior 1,27, largura posterior 1,50; diâmetros: OMA 0,21, OLA 0,23,
OMP 0,18, OLP 0,20; interdistâncias: OMA-OMA 0,22, OMA-OLA 0,27, OMP-:
OMP 0,36, OMP-OLP 0,37, OLA-OLP 0,03. Quelíceras: comprimento 1,85;:
retromargem com 9 dentes subiguais; promargem com 5, segundo maior. Esterno:
comprimento 1,70, largura 1,45. Abdômen: comprimento 4,25, largura 2,45. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,60; artículo distal, comprimento 0,90.
Pernas: comprimento relativo I.IV.ILIII. I - fêmur 3,50 / patela 1,40 / tíbia |
3,20 / metatarso 3,70 / tarso 1,45 / total 13,25; II - 3,00 /1,35/ 2,65 /3,00/1,10/11,10;
IN 35 4 20 0 SDS O SD 50 Tipo 3,20 / 1,25 / 2,60 13,50 /1,05 / 11, 60.
Espinulagäo: I - fêmur d1-1, p0-0-2, rO, vO; tíbia dO, p0, r0, v2-2-0; metatarso dO, p0, |
TO, v2-2-1. II - fêmur d1-1, p0-0-2, 10, vO; tíbia dO, pl-1, 10, vlp-2-0; metatarso do, |
pO, r0, v2-2-1. III - fêmur d1-1, p0-0-2, 10-0-1, vO; tíbia dO, p1-1, r1-1, vip-1r-2;'
metatarso dO, pl-1-2,r1-1-2, v2- 2 1. IV - fêmur d1- 1 , p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO ‚pl-
1, r1-1, v2-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, rl-1-2, v2-2-1.
Epigino: margem posterior com reenträncia mediana; espermatecas media- |
nas; aberturas de fecundação laterais; carenas ausentes (fig. 8). |
Radulphius barueri sp. n. |
(Figs. 9, 10, 58) |
Holótipo. Macho, Barueri, São Paulo, Brasil, 26.VI.1966, K. Lenko col.
(MZSP 5909). |
Nota. Holótipo com pernas, palpos e abdômen destacados da carapaça. |
Etimologia. O substantivo específico refere-se à localidade-tipo. |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
Revisão do gênero Radulphius... 135
Diagnose. Machos de Radulphius barueri assemelham-se aos de R.
pintodarochai, mas separam-se pela forma da apófise média, mais longa, com
projeção dorsal subdistal, em vista retrolateral (fig. 10); fulcrum com ponta
superior obtusa e ponta inferior não sobreposta à projeção retrolateral (fig. 9).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça, esterno e pernas amarelo-claros;
quelíceras, enditos e lábio amarelo-avermelhados; abdômen amarelo esbranqui-
çado.
Comprimento total 6,94. Carapaça: comprimento 3,10, largura 2,20; clípeo,
altura 0,08. Olhos: fila anterior 1,07, posterior, 1,17; QOM: comprimento 0,38,
largura anterior 0,51, largura posterior 0,50; diâmetros: OMA 0,18, OLA 0,18,
OMP 0,18, OLP 0,17; interdistâncias: OMA-OMA 0,17, OMA-OLA 0,15, OMP-
OMP 0,20, OMP-OLP 0,25, OLA-OLP 0,02. Quelíceras: comprimento 1,52;
retromargem com 7 dentes subiguais; promargem com 4, segundo maior. Esterno:
comprimento 1,57, largura 1,30. Abdômen: comprimento 3,84, largura 2,15. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,40; artículo distal, comprimento 0,60.
Pernas: comprimento relativo I.IV.ILIII. I - fêmur 4,15 / patela 1,35 / tíbia
4,35 /metatarso 4,85 / tarso 1,85 /total 16,55; 11-3,34/1,30/3,25/3,75/1,30/12,94;
HI - 2,55/1,15/2,15/2,90/0,95/9,70; IV - 3,65 / 1,25 / 3,20 / 4,25 / 1,15 / 13,50.
Espinulação: I - fêmur d1-1, p0-0-2, r0, vO; tíbia dO, pO-1, rO, v2-2-2; metatarso do,
p0-0-1, r0, v2-2-1. II - fêmur d1-1, p0-0-1, rO, vO; tíbia dO, p1-1, r0, v2-2-2: metatarso
dO, p0-1-0, r0, v2-2-1. III - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO, p1-1, rl-1, v2-1r-
2; metatarso dO, pl-1-2, r1-1-2, v2-2-1. IV - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia do,
pl-1, rl-1, v2-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
Palpo: fêmur não dilatado ventralmente; tíbia pouco maior que a metade do
comprimento do címbio; tubérculo tibial junto à base da apófise tibial retrolateral
espatulada; lobo prolateral do subtégulo presente; fulerum de ápice bifido, com
projeção retrolateral cônica (figs. 9, 10).
Radulphius boraceia sp. n.
(Figs. 11, 12, 58)
Holótipo. Macho, Boracéia, São Paulo, Brasil, 10.X1.1960, K. Lenko col.
(MZSP 12463).
Nota. No holótipo falta a perna I direita.
Etimologia. O substantivo em aposição refere-se à localidade-tipo.
Diagnose. Machos de Radulphius boraceia diferem dos de outras espécies
com tubérculo tibial pela apófise tibial retrolateral clavada, em vista ventral;
| fulcrum fortemente curvado, de ápice acentuadamente bifurcado, com as pontas
|
|
sobrepostas, paralelas (fig. 11); apófise média com ápice e projeção dorsal opos-
| tos, em vista retrolateral (fig. 12).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça castanho-clara, com estrias torácicas
radiais mais escuras; quelíceras, enditos, lábio e esterno castanhos; pernas, palpos
e abdômen amarelo-claros.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
136 BONALDO & BUCKUP
Comprimento total 6,05. Carapaça: comprimento 2,85, largura 2,25; clípeo,
altura 0,07. Olhos: fila anterior 1,05, posterior, 1,18; QOM: comprimento 0,37,
largura anterior 0,48, largura posterior 0,52; diâmetros: OMA 0,17, OLA 0,20,
OMP 0,17, OLP 0,17; interdistâncias: OMA-OMA 0,17, OMA-OLA 0,11, OMP-
OMP 0,20, OMP-OLP 0,26, OLA-OLP 0,02. Quelíceras: comprimento 1,50;
retromargem com 6 dentes subiguais; promargem com 4, segundo maior. Esterno:
comprimento 1,45, largura 1,25. Abdômen: comprimento 3,20, largura 1,75. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,35; artículo distal, comprimento 0,32.
Pernas: comprimento relativo I.IV.II.III. I - fêmur 3,60 / patela 1,20 / tíbia
3,85 /metatarso 4,15 'tarso 1,05 /total 13,85; II - 2,75/1,10/2,80/3,20/1,15/11,00;
III - 2,25 / 1,00 / 1,85 / 2,50 / 0,90 / 7,50; IV - 3,05 / 1,05 / 2,80 / 3,55 / 0,95 / 11,40.
Espinulagäo: I - fêmur d1-1, p0-0-2, r0-1-2, vO; tíbia dO, p0-1-1, r0-1-1, v2-2-2;
metatarso dO, p1-1-1,r1-1-1, v2-2-2. II - fêmur d1-1, p0-0-2, r1-1-1, v0; tíbia dO, p1-
1, r0-0-1, v2-2-2; metatarso dO, p1-1-1,r1-1-1, v2-2-1. III - fêmur d1-1, p0-1-1, r0-1-
1, v0; tíbia dO, p1-1, r1-1, v2-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1. IV - fêmur
d1-1, p0-1-1,r0-0-2, vO; tíbia d0, p1-1,r1-1, v2-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-
2-1.
Palpo: fêmur não dilatado ventralmente; tíbia de comprimento subigual ao
do cimbio; tubérculo tibial agudo; lobo prolateral do subtégulo presente; fulcrum
curvado, com ápice bífido e projeção retrolateral cônica (figs. 11, 12).
Radulphius caldas sp. n.
(Figs. 13 - 15,58)
Holótipo. Macho, Morro São Domingos, Poços de Caldas, Minas Gerais, |
Brasil, 04.11.1968, J. Becker col. (MNRJ).
Nota. Holótipo com a perna I, direita, destacada do corpo.
Diagnose. Machos de Radulphius caldas assemelham-se aos de R. caparao |
pelo fêmur do palpo dilatado ventralmente (fig. 13); diferem pela apófise tibial
retrolateral orientada ventralmente, com o terço distal espatulado e direcionado
retrolateralmente; tubérculo tibial subapical, afastado da base da apófise tibial
(fig. 14); apófise média com ápice e projeção dorsal opostos, em vista retrolateral
(fig. 15).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça, estruturas bucais, esterno e pernas |
amarelo-escuros; quelíceras levemente avermelhadas; abdômen amarelado.
Comprimento total 7,70. Carapaça: comprimento 3,55, largura 2,75; clípeo, |
altura 0,06. Olhos: fila anterior 1,18, posterior, 1,30; QOM: comprimento 0,40, |
largura anterior 0,52, largura posterior 0,57; diâmetros: OMA 0,20, OLA 0,22, |
OMP 0,20, OLP 0,20; interdistäncias: OMA-OMA 0,15, OMA-OLA 0,17, OMP- |
OMP 0,21, OMP-OLP 0,25, OLA-OLP 0,02. Quelíceras: comprimento 1,40; |
retromargem com 7 dentes subiguais; promargem com 4, 5, segundo maior. |
Esterno: comprimento 1,75, largura 1,45. Abdômen: comprimento 4,15, largura |
2,20. FLP: artículo proximal, comprimento 0,37; artículo distal, comprimento 0,72.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
|
Revisão do gênero Radulphius... 137
Pernas: comprimento relativo I.IV.II.III. I - fêmur 4,15 / patela 1,45 / tíbia
4,10/metatarso 4,65 /tarso 1,90/total 16,25; 11- 3,35/1,35/3,10/3,70/1,45/12,95;
III - 2,65 / 1,20 / 2,05 / 2,60 / 0,95 / 9,45; IV - 3,65 / 1,30 / 3,00 / 4,25 / 1,20 / 13,40.
Espinulagäo: I - fêmur d1-1, p0-0-2,r0-0-1, vO; tíbia dO, p1-1, r1-1, v2-2-2; metatarso
dO, p1-1-0, r0-1-0, v2-2-1p. II - fêmur d1-1, p0-1-2, r1-1, vO; tíbia dO, p1-1, rl-1, v2-
2-2; metatarso dO, p1-1-1,r0-1-1,v2-2-1. III - fêmur d1-1, p0-1-1,r0-1-1, vO; tíbia dO,
p1-1,r1-1, v2-2-2, metatarso dO, p1-1-2,r1-1-2, v2-2-1. IV - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-
0-1, v0; tíbia dO, p1-1, r1-1, v2-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
Palpo: fêmur dilatado ventralmente; tíbia de comprimento subigual ao do
címbio; apófise tibial retrolateral espatulada; lobo prolateral do subtégulo presen-
te; fulcrum com ápice inteiro e projeção retrolateral truncada (figs. 13 - 15).
Radulphius caparao sp. n.
(Figs. 16, 17,58)
Holótipo. Macho, Parque Nacional de Caparaó, Minas Gerais, Espírito
Santo, Brasil, VIII.1986, R. Baptista col. (MCN 24926, ex-CRB 408).
Nota. Holótipo com as pernas I e II direitas, menores que as esquerdas,
regeneradas.
Etimologia. O substantivo em aposição é alusivo à localidade-tipo.
Diagnose. Machos de Radulphius caparao distinguem-se dos de R. caldas
pela apófise tibial retrolateral deprimida, ligeiramente côncava, com ápice trunca-
do e orientado prolateralmente; tubérculo tibial robusto, junto à base da apófise
“tibial (fig. 16); apófise média com projeção dorsal ponteaguda, em vista retrolateral
(fig. 17).
| Descrição. Macho (holótipo). Carapaça castanho-clara, com estrias torácicas
' mais escuras; quelíceras, enditos, lábio e esterno castanhos; pernas, palpos e
abdômen amarelo-claros.
Comprimento total 8,50. Carapaça: comprimento 3,90, largura 2,95; clípeo,
altura 0,07. Olhos: fila anterior 1,22, posterior, 1,37; QOM: comprimento 0,41,
“largura anterior 0,51, largura posterior 0,60; diâmetros OMA 0,21, OLA 0,21,
OMP 0,21, OLP 0,21; interdistâncias: OMA-OMA 0,15, OMA- OLA 7, OMP-
OMP 0,25, OMP-OLP 0,32, OLA-OLP 0,05. Queliceras: comprimento 1,62;
retromargem com 6 dentes subiguais; promargem com 3, segundo maior. Esterno:
| comprimento 1,80, largura 1,50. Abdômen: comprimento 4,65, largura 3,25. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,44; artículo distal, comprimento 0,75.
| Pernas: comprimento relativo LIV.ILII. I - fêmur 4 ‚70 / patela 1,60 / tíbia
| 4,80/ metatarso 5,95 / tarso 2,35 /total 19,40; II - 3,84 /1,50/ 3,45 /4,45/1,55/14,79;
I- 3,25#1 ‚35 / 2,30 / 3,20 /1,00/11, 10; IV - 4,20 /1,45 / 3,34 / 5,05 /1,20 / 15,24.
Espinulação: I- fêmur d1-1, p0-1-1,r0-1-1, v0; tíbia dO, p1-1,r1-1,v2-2-2; metatarso
| dO, p1-1-0, r1-1-0, v2-2-1. II - fêmur di- 1 spe lt, r0, vO; tíbia dO, p1-1, r1- 1, v2-2-2;
| metatarso dO, p1-1-1,r1-1-0, v2-2-2. II - fêmur d1-1,p0-1-1,rl-1-1, vo; tíbia do, pl-
[1 r1-1, v2-1r-2; metatarso dO- 1-0, pl-1-2, r1-1-2, v2-2-1. IV - fêmur d1- 1, p0-0-1, r0-
0, vo; tibia do, pl-1,r1-1, v2-1r-2; metatarso dO-1- 0, pl-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
|
]
|
I Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
I
|
|
138 BONALDO & BUCKUP
Palpo: fêmur dilatado ventralmente; tíbia menor que a metade do compri-
mento do címbio; tubérculo tibial desenvolvido, de ápice rombo; apófise tibial
retrolateral espatulada; lobo prolateral do subtégulo presente; fulcrum estreito,
com ápice inteiro e projeção retrolateral truncada (figs. 16, 17).
Radulphius cambara sp. n.
(Figs. 18 - 22, 40 - 57, 59)
Holótipo. Macho, Área de Preservação Ambiental da Celulose Cambará,
Cambará do Sul (950 m de altitude), Rio Grande do Sul, Brasil, 25.X1.1993, A. B.
Bonaldo & E. H. Buckup col. (MCN 24218).
Etimologia. O substantivo em aposição refere-se à localidade-tipo.
Diagnose. Machos de Radulphius cambara distinguem-se dos de outras
espécies sem tubérculo tibial, pela apófise tibial retrolateral com uma dobra
mediana dirigida prolateralmente (fig. 19); fêmeas diferem pelo epígino formado
por uma larga área delimitada lateralmente por carenas e anteriormente pela
borda transversal das aberturas de fecundação (figs. 21, 46, 47).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça amarelo-clara, com região cefálica
castanho-clara e região ocular castanho-avermelhada; quelíceras, enditos e lábio
avermelhados; esterno e pernas amarelos; abdômen acinzentado.
Comprimento total 7,50. Carapaça: comprimento 3,25, largura 2,75; clípeo, .
altura 0,10. Olhos: fila anterior 0,63, posterior, 0,70; QOM: comprimento 0,47, ,
largura anterior 0,56, largura posterior 0,60; diâmetros: OMA 0,20, OLA 0,23,,
OMP 0,17, OLP 0,18; interdistâncias: OMA-OMA 0,17, OMA-OLA 0,16, OMP- |
OMP 0,25, OMP-OLP 0,28, OLA-OLP 0,03. Quelíceras: comprimento 1,80; |
retromargem com 6 dentes subiguais; promargem com 3, segundo maior. Esterno: g
comprimento 1,70, largura 1,45. Abdômen: comprimento 4,65, largura 2,40. FLP: |
artículo proximal, comprimento 0,45; artículo distal, comprimento 0,57. |
Pernas: comprimento relativo I.IV.ILII. I - fêmur 4,25 / patela 1,45 / tíbia |
4,50 / metatarso 5,00 / tarso 2,00 / total 17,20; II - 3,55 /1,35 /3,35 /3,85 /1,45 / 13,55; |
HI - 2,95 /1,30 / 2,30 / 3,00 / 1,05 / 10,60; IV - 3,85 / 1,40 / 3,30 / 4,40 /1,30 / 14,25.
Espinulação: I- fêmur d1-1, p0-0-1, r0, vO; tíbia dO, p0-1, r0, v2-2-0; metatarso d0,
p0-1-0, r0, v2-2-1p. II - fêmur d1-1, p0-0-2, r0, vO; tíbia dO, p1-1, r0, v2-2-0;|
metatarso dO, p0-1-0 r0-1-0, v2-2-1p. III - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-1-1, vO; tíbia dO, |
p1-1, r1-1 ‚vip- -1r-1r; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2- pe 1. IV - fêmur dt- 1, pO-0- L, |
r0-0-1, vO; tíbia do, p1- -1, rl-1, v2-2-2; metatarso do, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1. |
Palpo: fêmur não dilatado ventralmente: tíbia pouco maior que a metade do!
comprimento do címbio; sem tubérculo tibial; apófise tibial retrolateral mediana;
lobo prolateral do subtégulo presente; fulcrum com ápice bífido e projeçaod
retrolateral cônica (figs. 18 - 20, 40 - 45). .
Fêmea (parátipo). Coloração semelhante a do macho, exceto carapaça! 7
castanho-clara na região cefálica e região ocular avermelhada. | |
Comprimento total 9,50. Carapaça: comprimento 3,65, largura 2,95; clípeo. |
altura 0,10. Olhos: fila anterior 1,57, posterior, 1,75; QOM: comprimento 0, 47. | |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995 I
Revisão do gênero Radulphius... 139
largura anterior 0,62, largura posterior 0,70; diâmetros: OMA 0,20, OLA 0,20,
OMP 0,17, OLP 0,20; interdistâncias: OMA-OMA 0,25, OMA-OLA 0,30, OMP-
OMP 0,35, OMP-OLP 0,42, OLA-OLP 0,03. Quelíceras: comprimento 2,30;
retromargem com 6 dentes subiguais; promargem com 3, segundo maior. Esterno:
comprimento 1,87, largura 1,67. Abdômen: comprimento 5,95, largura 3,45. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,37; artículo distal, comprimento 0,45.
Pernas: comprimento relativo I.IV.IL.III. I - fêmur 3,50 / patela 1,50 / tíbia
3,20 / metatarso 3,50 / tarso 1,40 / total 13,10; II - 2,95 / 1,30 / 2,60 / 2,85 /1,20/ 10,19;
III - 2,45 / 1,05 / 1,90 / 2,25 / 0,90 / 8,55; IV - 3,15 / 1,40 / 2,70 / 3,40 / 1,05 / 11,70.
Espinulagäo: I - fêmur d1-1, p0-0-1, rO, vO; tíbia dO, p0-1, r0, v1-2-0; metatarso do,
p0, r0, v2-2-1. II - fêmur d1-1, p0-0-1, r0, vO; tíbia dO, p0-1, r0, v0-2-0; metatarso do,
p0, r0, v2-2-1. HI - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO, p1-1, r1-1, v1p-0-0;
metatarso dO, p1-1-2,r1-1-2,v2-2-1. IV - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO, p1-
1, r1-1, vlp-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
Epígino: margem posterior sem reentrância mediana; espermatecas posterio-
res às aberturas de fecundação; carenas epiginais laterais; borda das aberturas de
fecundação transversal; internamente, espermatecas com base e ápice pequenos;
ductos copulatórios largos, ligados à haste da espermateca (figs. 21, 22, 46, 47).
Variação. Comprimento (6 machos): total 7,20 - 7,70; carapaça 2,90 - 3,30;
fêmur I 3,90 - 4,50; (9 fêmeas) total 6,50 - 9,40; carapaça 2,80 - 4,00; fêmur 12,15 -
3,10. Retromargem das quelíceras com 6 - 7 dentes.
Material-tipo. Parátipos. BRASIL: Rio Grande do Sul: Cambará do Sul (Area de Preservação
Ambiental da Celulose Cambará), 19 (MCN 24218); 10,32 (MCN 24219):1 5, 19(AMNH, ex MCN);
mesmos dados do holötipo; 1 S, 24.X1.1993, L. Moura col. (MCN 24510); 15,19 (MCN 24505),1 6,
19 (MACN, ex MCN), 26.X1.1993, M. A. L. Marques col.; (Parque Nacional dos Aparados da Serra);
29,06. I. 1985, A. A. Lise col. (MCN 12775, 24044).
Radulphius latus sp. n.
(Figs. 23, 24,59)
Holótipo. Macho, nascentes do rio Mogi-Guaçu, Mogi-Guaçu, São Paulo,
Brasil, 18.X1.1942, F. Lane col. (MZSP 10778).
| Nota. Holótipo com ambas as pernas IV perdidas.
Etimologia. O adjetivo latino refere-se ao fulcrum largo.
Diagnose. Machos de Radulphius latus distinguem-se das demais espécies
sem tubérculo tibial pela apófise tibial retrolateral longa, deprimida, com ápice
arredondado e ligeiramente curvado; fulcrum largo (fig. 23); apófise média com
| projeção dorsal distal e obtusa, ao nível do ápice pontiagudo (fig. 24).
e men
| Descrição. Macho (holötipo). Carapaça amarelo-escura, borda anterior
'* avermelhada, laterais torácicas esbranquiçadas; quelíceras castanho-avermelhadas;
enditos, lábio e esterno castanhos, os dois primeiros com äpices amarelados;
| pernas e palpos amarelo-claros; abdômen esbranquiçado.
| Comprimento total 7,70. Carapaça: comprimento 3,60, largura 2,95; clípeo,
altura 0,10. Olhos: fila anterior 0,78, posterior, 0,86; QOM: comprimento 0,47,
| largura anterior 0,67, largura posterior 0,67; diâmetros: OMA 0,22, OLA 0,22,
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
140 BONALDO & BUCKUP
OMP 0,20, OLP 0,20; interdistâncias: OMA-OMA 0,25, OMA-OLA 0,25, OMP-
OMP 0,28, OMP-OLP 0,42, OLA-OLP 0,03. Quelíceras: comprimento 2,40;
retromargem com 7 dentes subiguais; promargem com 3, segundo maior. Esterno:
comprimento 1, 82, largura 1,57. Abdômen: comprimento 4,40, largura 2,10. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,50; artículo distal, comprimento 0,60 (aproxi-
mado).
Pernas: comprimento relativo desconhecido. I- fêmur 3,90 /patela 1,55 /tibia
3,95 / metatarso 4,45 / tarso 1,60/total 15,45; II - 3,30/1,45/3,20/3,30/1,25/12,50;
III - 2,80 / 1,25 / 2,15 / 2,80 / 1,00 / 10,00; IV - ?. Espinulagäo: I - fêmur d1-1, p0-0-
2, r0, vO; tíbia dO, p0-1, r0,v2-2-2; metatarso dO, p1-1-0, r1-1-0, v2-2-2. II - fêmur d1-
1, p0-0-2, r0, v0; tíbia dO, p1-1, r0, v2-2-2; metatarso dO, p1-1-1, r0-1-1, v2-2-1. III -
fêmur d1-1, p0-1-2, r0-1-1, v0; tíbia dO, p1-1, r1-1, v2-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-
1-1-2, v2-2-1. IV.
Palpo: fêmur não dilatado ventralmente; tíbia com cerca da metade do
comprimento do címbio; tubérculo tibial ausente; apófise tibial retrolateral longa,
de ápice arredondado; lobo prolateral do subtégulo presente; fulcrum de base
ampla, com ápice inteiro e projeção retrolateral tubercular (figs. 23, 24).
Radulphius singularis sp. n.
(Figs. 25 - 28, 58)
Holótipo. Macho, Fazenda Matiapã, Camacan, Bahia, Brasil, 14.X.1978,J.S.
Santos col. (MCN 20064).
Nota. Holótipo danificado, perna II e palpo direitos perdidos; tegumento do
abdômen rasgado; fiandeira anterior direita perdida. Os parátipos sofreram
dessecação
Etimologia. O adjetivo latino significa extraordinário, em referência ao
palpo do macho, sem condutor.
Diagnose. Machos de Radulphius singularis diferem dos de outras espécies
do gênero pela apófise tibial retrolateral curta, trilobulada e pela ausência de
condutor no bulbo do palpo (figs. 25, 26). Fêmeas diferem das de outras espécies |
com margem posterior do epígino com leve reentrância mediana pelas aberturas |
de fecundação com bordas semicirculares, salientes e recurvadas (fig. 27).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça amarelo-escura, acastanhada na |
região ocular; quelíceras, enditos e lábio castanho-avermelhados; esterno e pernas |
amarelo-escuros; abdômen acinzentado.
Comprimento total 4,57. Carapaça: comprimento 2,27, largura 1,70; clípeo,
altura 0,08. Olhos: fila anterior 0,77, posterior, 0,86; QOM: comprimento 0,27,
largura anterior 0,40, largura posterior 0,41; diâmetros: OMA 0,17, OLA 0,16, |
OMP 0,15, OLP 0,15; interdistâncias: OMA-OMA 0,08, OMA-OLA 0,05, OMP- |
OMP 0,15, OMP-OLP 0,15, OLA-OLP 0,01. Quelíceras: comprimento 0,82; |
retromargem com 7 dentes subiguais; promargem com 4, segundo maior. Esterno: |
comprimento 1,10, largura 0,97. Abdômen: comprimento 2,30, largura 1,30. FLP: |
articulo proximal, comprimento 0,27; articulo distal, comprimento 0,27.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
à
|
— mm
Revisão do gênero Radulphius... 141
Pernas: comprimento relativo I.IV.II.III. I - fêmur 2,12 / patela 0,85 / tíbia
2,07 / metatarso 2,22 / tarso 1,02 / total 8,28; IL - 1,77 / 0,75 / 1,47 / 1,62 / 0,72 / 6,33;
II - 1,50 / 0,72 / 1,15 / 1,50 / 0,62 / 5,49; TV - 2,17 / 0,77 /1,72 / 2,42 / 0,82 / 7,90.
Espinulacäo: I - fêmur d1-1, p0-0-1,r0-0-1, vO; tíbia dO, p0, r0, v2-2-2; metatarso dO,
p1-1-1, r0, v2-2-2. II - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO, p0-1-1, r0, vlr-2-2;
metatarso dO, p0-1-0, r0, v2-0-1. III - fêmur d1-1, pO-1-1, rO-1-1, vO; tíbia dO, pl-1,
r1-1, vlp-2-2; metatarso dO, pl-1-2, r1-1-2, v2-2-1. IV - fêmur d1-1, p0-1-1, r0-0-1,
vO; tíbia dO, p1-1, r1-1, v2-1r-2; metatarso dO, pl-1-2, rl-1-2, v2-2-1.
Palpo: fêmur não dilatado ventralmente; tíbia maior que a metade do
comprimento do címbio; tubérculo tibial ausente; apófise tibial retrolateral
subapical, trilobulada; lobo prolateral do subtégulo ausente; fulcrum de ápice
inteiro, alargado e projetado distalmente, sem projeção retrolateral (figs. 25, 26).
Fêmea (parátipo). Coloração como no macho. Comprimento total 3,50.
Carapaça: comprimento 2,00, largura 1,50; clípeo, altura 0,08. Olhos: fila anterior
0,80, posterior, 0,87; QOM: comprimento 0,26, largura anterior 0,38, largura
posterior 0,37; diâmetros: OMA 0,13, OLA 0,15, OMP 0,10, OLP 0,11;
interdistâncias: OMA-OMA 0,12, OMA-OLA 0,11, OMP-OMP 0,18, OMP-OLP
0,22, OLA-OLP 0,05. Quelíceras: comprimento 0,95; retromargem com 6 dentes
subiguais; promargem com 3, segundo maior. Esterno: comprimento 1,07, largura
0,85. Abdômen: comprimento 1,72, largura 1,00. FLP: artículo proximal, compri-
mento 0,25; artículo distal, comprimento 0,12 (embutido).
Pernas: comprimento relativo como no macho. I - fêmur 1,60 / patela 0,72 /
tíbia 1,40 / metatarso 1,45 / tarso 0,72 / total 5,89; II - 1,27 /0,65/1,12/1,20/0,57/
4,81; III - 1,12 / 0,55 / 0,80 / 1,07 / 0,52 / 4,06; IV - 1,62/0,70/1,37/1,70/0,57/5,96.
Espinulação: I - fêmur d1-1, p0-0-1,r0, vO; tíbia dO, p0-1-0, r0, vO; metatarso dO, p0,
TO, v2-0-1. II - fêmur d1-1, p0-0-1, r0, vO; tíbia dO, p0, r0, v0; metatarso dO, pO, rO,
vlr-0-1. III - fêmur d1-1, p0-1-2,r0-1-2, vO; tíbia dO, p1-1,r1-1, vO; metatarso dO, p1-
1-2, r1-1-2, v2-0-1. IV - fêmur d1-1, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO, pl-1, r1-1, v1p-0-2;
metatarso dO, pl-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
Epígino: espermatecas posteriores às duas aberturas de fecundação, as quais
são recurvadas e semicirculares; sem carenas epiginais. Internamente, com
espermatecas muito separadas; base pequena haste longa e sinuosa; ápice pouco
diferenciado; ductos copulatórios ligados à porção distal da haste (figs. 27, 28).
Variação. Comprimento (1 macho): total 4,40; carapaça 2,40; (1 fêmea): total
4,85; carapaça 2,60; fêmur I 2,00.
Distribuição. Brasil: Bahia (fig. 58).
Material-tipo. Parátipos. BRASIL. Bahia: Camacan (Fazenda Matiapã), 19, mesmos dados do
holótipo (MCN 20064); Itamarajú (Fazenda Jacarandá), 1C', 12 ,08.X11.1977, J. S. Santos col. (MCN
20230).
Radulphius baiaxaba sp. n.
(Figs. 29, 30, 59)
Holötipo. Macho, sul da Bahia / norte do Espirito Santo, Brasil (sem dados
| específicos de coleta), MNRJ.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
142 BONALDO & BUCKUP
Nota. Holótipo mal conservado; pernas I, II e abdômen destacados da
carapaça; pernas IV e o palpo direito, perdidos.
Etimologia. O nome específico é um substantivo formado pela contração das
palavras baiano, denominação dos naturais do Estado da Bahia, e capixaba, dos
naturais do Estado do Espírito Santo.
Diagnose. Machos de Radulphius baiaxaba distinguem-se pela conspícua
projeção retrolateral submediana do címbio; apófise média curta, com ápice
modificado, formando uma cavidade ventral; êmbolo deprimido, com base alar-
gada, afilando abruptamente a partir da metade distal (figs. 29, 30).
Descrição. Macho (holótipo). Carapaça castanho-clara, com estreita faixa
longitudinal castanho-avermelhada-escura, região torácica com estrias radiais
castanho-escuras; quelíceras, enditos e lábio castanho-avermelhado escuros, esterno
mais claro; pernas amarelo-claras; abdômen amarelo-esbranquiçado.
Comprimento total 6,55 (aproximado). Carapaça: comprimento 3,05, largu-
ra 2,45; clípeo, altura 0,10. Olhos: fila anterior 1,45, posterior, 1,48; QOM:
comprimento 0,50, largura anterior 0,61, largura posterior 0,66; diâmetros: OMA
0,23, OLA 0,25, OMP 0,18, OLP 0,23; interdistâncias: OMA-OMA 0,17, OMA-
OLA 0,15, OMP-OMP 0,28, OMP-OLP 0,32, OLA-OLP 0,02. Queliceras: compri-
mento 1,80; retromargem com 9 dentes subiguais; promargem com 5, segundo
maior. Esterno: comprimento 1,52, largura 1,37. Abdômen: comprimento 3,50,
largura 2,00. FLP: artículo proximal, comprimento 0,40; artículo distal, compri-
mento 0,80.
Pernas: comprimento relativo desconhecido. I - fêmur 4,25 / patela 1,30/tíbia
4,55 / metatarso 5,60 / tarso ? / total ?; II - 3,65 /1,20/3,60/4,10/1,45/14,00; II -
2,80 /1,15/2,20/2,95/1,05/10,15; IV - ? Espinulagäo: I - fêmur d1-1, p0-1-1, rO-
0-1, vO; tíbia dO, p1-1, r0-1, v2-2-2; metatarso dO, p0-0-1, r0, v2-2-2. II - fêmur di-1, |
p0-1-1, r0-0-1, v0; tíbia dO, p0-1-1,r0, v2-2-2; metatarso dO, p1-1-1, r0-1-1, v2-2-1. IM - |
fêmur d1-1, p0-1-1,r0-1-1, vO; tíbia dO, p1-1,r1-1, v1p-2-2; metatarso dO, pl-1-2,r1- |
1-2, v2-2-1. IV - ?
Palpo: fêmur não dilatado ventralmente; tíbia de comprimento igual à |
metade do comprimento do címbio; tubérculo tibial ausente; apófise tibial |
retrolateral robusta, subcilíndrica; lobo prolateral do subtégulo presente; fulcrum |
com ápice inteiro e projetado distalmente, de projeção retrolateral subtriangular, |
larga (figs. 29, 30).
Radulphius bicolor Keyserling
(Fig. 59)
Radulphius bicolor KEYSERLING, 1891: 48, pr. 1, fig. 22, holótipo fêmea, Nova Friburgo, Rio de h
Janeiro, Brasil (BMNH 1890.7.1.138, examinado); SIMON, 1897: 131; PETRUNKEVITCH, 1911:
509; 1928: 176; ROEWER, 1954: 557; BONNET, 1958: 3846; BONALDO, 1994: 139, fig. 102.
Diagnose. Fêmeas de Radulphius bicolor diferem das demais espécies com |
reentrância mediana na margem posterior do epígino, pelas espermatecas anteri- |
ores às duas aberturas de fecundação, cujas bordas são grandes, semicirculares |
(BONALDO, 1994: fig. 102).
Descrição. Ver BONALDO (1994: 139).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
Revisão do gênero Radulphius... 143
Radulphius laticeps Keyserling
(Figs. 31, 32, 58)
Radulphius laticeps KEYSERLING, 1891: 47, t. I, fig. 21, holótipo fêmea, Serra Vermelha, Rio de
Janeiro, Brasil, Göldi col. (BMNH 1890.7.1.1337, examinado); GOLDI, 1892: 232; Simon, 1897: 126,
129, 131; PETRUNKEVITCH, 1911: 509; ROEWER, 1954: 557; BONNET, 1958: 3846.
Diagnose. Fêmeas de R. laticeps diferem das de outras espécies do gênero
pela abertura de fecundação mediana, de borda contínua, recurvada; margem
posterior do epígino acentuadamente projetada, com reentrância mediana
subtriangular (fig. 31).
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça castanho-clara; quelíceras castanho-
avermelhadas; enditos, lábio, esterno e pernas amarelo-claros; abdômen amarela-
do.
Comprimento total 5,70. Carapaça: comprimento 2,85, largura 2,15; clípeo,
“altura 0,15. Olhos: fila anterior 1,22, posterior, 1,35; QOM: comprimento 0,37,
largura anterior 0,48, largura posterior 0,56; diâmetros: OMA 0,15, OLA 0,18,
OMP 0,16, OLP 0,21; interdistâncias: OMA-OMA 0,20, OMA-OLA 0,27, OMP-
OMP 0,27, OMP-OLP 0,32, OLA-OLP 0,05. Quelíceras: comprimento 0,73;
retromargem com 9 dentes subiguais; promargem com 5, segundo maior. Esterno:
| comprimento 1,42, largura 1,25. Abdômen: comprimento 3,00, largura 1,75. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,40; artículo distal, comprimento 0,67.
Pernas: comprimento relativo LIV.ILIII. I- fêmur 2,60/patela 1,10/tíbia 2,47/
metatarso 2,85 / tarso 1,25 / total 10,27; II -2,25/1,00/2,00/2,32/1,00/8,57; HI -
1,85/0,95/1,42/1,72/0,77/6,71; IV -2,37/1,07/2,00/2,77/0,95/9,16. Espinulagäo:
|
|
|
|
“1-fêmur dl-1, p0-0-2, r0, vO; tíbia dO, p1-1, r0-1, v2-2-1p; metatarso dO, p1-1-1, r0-
_ 1-1, v2-1p-1r. I - fêmur d1-1, p0, r0, vO; tíbia dO, p1-1,r0-0-1, v2-1r-2; metatarso dO,
_ pl-1-1, r0-1-1, v2-2-1. II - fêmur d1-1, p0-1-1,r0-0-1, vO; tíbia dO, pl-1,r1-1, v2-1r-
| 2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-1p-1. IV - fêmur dl-1, p0-1-1,10-0-1, v0; tíbia do,
pl-1, rl-1, vlp-Ir-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
Epígino: margem posterior projetada, com reentrância mediana subtriangular;
‚ espermatecas anteriores, afastadas da margem posterior do epígino; borda das
'* aberturas de fecundação mediana, recurvada; carenas epiginais ausentes. Interna-
'* mente com espermatecas medianas, unidas junto às aberturas de fecundação; base
' desenvolvida; haste robusta, larga; ápice não diferenciado; ductos copulatórios
‚ inconspícuos (figs. 31, 32).
Variagäo. Comprimento (5 fêmeas): total 5,70 - 7,10; carapaça 2,25 - 3,50;
| nur 12,60 - 3,40.
Distribuicäo. Brasil: Espirito Santo, Rio de Janeiro, Säo Paulo (fig. 58).
Material examinado. BRASIL. Espírito Santo: Vitória (Moscoso), 19, X1.1981, A. Cerruti col.
“(MNRJ): Rio de Janeiro: Rio de Janeiro (Baia de Guanabara, Ilha Maram),12,X.1986, R. Baptista col.
| (CRB 975); Ilha Grande, 1 9, XI1.1985, R. Baptista col. (CRB 523); São Paulo: Ilha de São Sebastião,
| 19, 26-29.1.1951, H. Urban col. (MZSP 11680).
e pe
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
144 BONALDO & BUCKUP
Radulphius bidentatus sp. n.
(Figs. 33, 59)
Holótipo. Fêmea, Vila Velha, Ponta Grossa, Paraná, Brasil, 08.11.1988, A. D.
Brescovit col. (MCN 19667).
Nota. Holótipo sem a perna III esquerda.
Etimologia. O nome específico é um adjetivo latino em referência aos dois
dentes da reentrância mediana do epígino.
Diagnose. Fêmeas de Radulphius bidentatus distinguem-se pela reentrância
mediana da margem posterior do epígino subquadrangular, com um dente anterior
em cada lado; bordas das aberturas de fecundação sub-retas, oblíquas (fig. 33).
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça, quelíceras, enditos e lábio casta-
nho-avermelhados, região ocular e quelíceras mais escuras; esterno castanho;
pernas amarelas, com o ápice dos metatarsos e tarsos mais escuros; abdômen
amarelo-claro.
Comprimento total 7,30. Carapaça: comprimento 4,20, largura 3,20; clípeo,
altura 0,17. Olhos: fila anterior 1,72, posterior, 1,92; QOM: comprimento 0,46,
largura anterior 0,61, largura posterior 0,75; diâmetros: OMA 0,21, OLA 0,21,
OMP 0,17, OLP 0,22: interdistâncias: OMA-OMA 0,31, OMA-OLA 0,31, OMP-
OMP 0,40, OMP-OLP 0,44, OLA-OLP 0,06. Quelíceras: comprimento 2,40; retro-
margem com 9 dentes subiguais; promargem com 5, segundo maior. Esterno: com-
primento 1,97, largura 1,75. Abdômen: comprimento 3,10 (enrrugado), largura |
2,55. FLP: artículo proximal, comprimento 0,45; artículo distal, comprimento 0,52.
Pernas: comprimento relativo LIV.ILIII. I- fêmur 3,30/patela 1,55 /tíbia 3,00/.
metatarso 3,45 / tarso 1,35 / total 12,65; II - 2,90 /1,45 /2,50 /2,85 /1,10/10,80; HI -
2,45 /1,25/1,80/2,35/0,85/8,70; IV - 3,15 / 1,45 / 2,70 / 3,40 / 1,05 / 11,75.
Espinulagäo: I - fêmur d1-1, p0-0-2, r0, v0; tíbia dO, p0, r0, vlp-2-1r; metatarso dO, |
pô, r0, v2-2-1. II - fêmur d1-1, p0-1-2, r0, vO; tíbia dO, p0-1-0, r0, vO-1-0; el |
do, p0, r0, v2-2-1. III - fêmur d1-1, p0-0-2, r0-1-2, vO; tíbia dO, p1-1, r1-1, vip-1r-2;
metatarso dO, pl-1-2, r1-1-2, v2-2-1. IV - fêmur d1-1, p0-0-1,r0-0-1, vo: tíbia do, pl. |
1, r1-1, v2-2-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1. |
Epígino: margem posterior com reentrância mediana denteada; espermatecas :
anteriores às aberturas de fecundação; margens das aberturas de fecundação |
oblíquas; sem carenas epiginais (fig. 33). |
Radulphius petropolis sp. n.
(Figs. 34, 59)
Holótipo. Fêmea, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil, 1.1983, M. Maluf col |
(IBSP 4940). |
Etimologia. O substantivo em aposição refere-se à localidade-tipo.
Diagnose. Fêmeas de Radulphius petropolis assemelham-se às deR. camacan'
Bonaldo (ver BONALDO, 1994: 140, fig. 106), mas diferenciam-se pela reenträncia.
mediana da margem posterior do epigino, mais larga e superficial (fig. 34). |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
Revisão do gênero Radulphius... 145
Descrição. Fêmea (holótipo). Carapaça castanho-avermelhada, com estrias
torácicas radiais mais escuras; quelíceras castanho-avermelhado-escuras; enditos
e lábio castanho-escuros; esterno castanho-claro; pernas amarelo-escuras, coxas I,
II e metatarsos e tarsos acastanhados; abdômen amarelo.
Comprimento total 8,40. Carapaça: comprimento 4,35, largura 3,40; clípeo,
altura 0,17. Olhos: fila anterior 1,92, posterior, 2,15; QOM: comprimento 0,62,
largura anterior 0,78, largura posterior 0,81; diâmetros: OMA 0,22, OLA 0,23,
OMP 0,22, OLP 0,23; interdistâncias: OMA-OMA 0,33, OMA-OLA 0,37, OMP-
OMP 0,38, OMP-OLP 0,52, OLA-OLP 0,08. Quelíceras: comprimento 2,75;
retromargem com 9 dentes subiguais; promargem com 5, segundo maior. Esterno:
comprimento 2,05, largura 1,70. Abdômen: comprimento 4,45, largura 2,85. FLP:
artículo proximal, comprimento 0,57; artículo distal, comprimento 0,75.
Pernas: comprimento relativo I.IV.II.III. I - fêmur 3,55 / patela 1,55 / tíbia
3,15 / metatarso 3,55 / tarso 1,35 / total 13,50; 11 - 3,20/1,45/2,65/2,95/1,15/11,40;
NR S0/ 180/185:/2,55/0,957945:; TV - 3,50 [1,45 / 2,85 / 3,65 / 1,15 / 12,60.
Espinulação: I - fêmur d1-1, p0-0-2, r0, vO; tíbia dO, p0, r0, v2-2-0; metatarso dO, pô,
r0, v2-2-1. II - fêmur d1-1, p0-1-2, r0, v0; tíbia dO, p0-1, r0, v0-2-0; metatarso dO, p0,
r0, v2-2-1. HI - fêmur d1-1, p0-1-2, r0-1-2, vO; tíbia dO, p1-1,r1-1,vlp-lr-2; metatarso
“dO, pl-1-2, r1-1-2, v2-1p-1. IV - fêmur di-1, p0-0-1, r0-0-1, vO; tíbia dO, p1-1, r1-1,
| vlp-1r-2; metatarso dO, p1-1-2, r1-1-2, v2-2-1.
Epígino: margem posterior do epígino com reentrância larga e superficial;
| espermatecas anteriores às duas aberturas de fecundação laterais e de bordasretas;
ductos copulatórios reniformes; carenas epiginais ausentes (fig. 34).
Radulphius camacan Bonaldo
(Figs. 35 - 39, 59)
| Radulphius camacan BONALDO, 1994: 140, figs. 14, 15, 103 - 107, holótipo macho, Fazenda Matiapä,
Camacan, Bahia, Brasil, 16.X.1979. J. S. Santos col. (MCN 10866, examinado).
Diagnose. Machos de Radulphius camacan diferem dos de outras espécies
‚sem tubérculo tibial pela apófise tibial retrolateral de ápice pontiagudo; apófise
média com projeção dorsal submediana; fêmeas diferem das de R. petropolis pela
reentrância mediana da margem posterior do epígino estreita e profunda (figs.
35 - 39; BONALDO, 1994: 140, figs. 103 - 107).
Descrição. Ver BONALDO (1994: 140).
| Variação. Nas populações de São Paulo, machos têm tíbias do palpo mais
longas e apófise tibial retrolateral menor (figs. 35 - 37) do que em espécimes
provenientes do sul da Bahia (fig. 38). Fêmeas de São Paulo e norte do Paraná
apresentam as margens das aberturas de copulação mais oblíquas (fig. 39); as
‚espermatecas são ligeiramente assimétricas em diversas amostras, inclusive em
algumas da Bahia.
Distribuição. Brasil: Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná (fig. 59).
Novos registros. BRASIL. Bahia: Camacan (Fazenda Santa Ursula), 39, 17.VI1.1968 (MNRJ):
[tamarajú, 19 (MNRJ); Juçari (Fazenda São Francisco), 12 (MNRJ); Rio de Janeiro: Parque Nacional
de Itatiaia (Maromba), 1 2, 1.1950, Lima col. (MZSP); São Paulo: Botucatu (Parque Municipal), 1 9,
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
146 BONALDO & BUCKUP
02.X11.1987,1.M.P. Rinaldi & L. C. Forti col.; (UESP) (Rubiäo Júnior), 19, 14.XTI.1966, J. C. de Jesus
col. (MZSP ex-11799); (Fazenda Butignoli), 1 &,05.X1.1987,I.M. P. Rinaldi & L. C. Forti col. (UESP);
Itu (Fazenda Pau d' Alho) 1$, 1-2.X1.1960, U. Martins & Araújo col. (MZSP); São Paulo, 1S,27.VIII-
07.1X.1991, R. Baptista col. (IBSP); 19, 11.1942, F. Lane col. (MZSP 12471); Barueri, 19, 1965, K. Lenko
col. (MZSP 4525); 12, 03.XI1.1965, K. Lenko col. (MZSP 6877); 19, 16.X11.1965, K. Lenko col. (MZSP
5859); 19, 18.X11.1966, K. Lenko col. (MZSP 11693); Cotia, 15, X.1987, A. Tuzel (IBSP 4922); Várzea
Paulista, 1 S, XI.1981, C. A. Ditt col. (IBSP 2969); 16, X.1982, C. A. Ditt col. (IBSP 3530); Boracéia,
1 9,16.X.1968, Rabello col. (em bromélia) (MZSP 12394); 19, 06.X1.1968, Rabello col. (em bromélia)
(MZSP 12470); Paraná: Jundiaí do Sul (Fazenda Monte Verde), 1 9, 23.X1.1987, A. D. Brescovit col.
(MCN 17194).
Agradecimentos. Aos curadores pelo empréstimo de espécimes, em especial ao Dr. Paul D.
Hillyard do “The Natural History Museum” pela atenção à visita da autora júnior àquela instituição e
pela cortesia do empréstimo de material-tipo. A C. J. Mansan, operador do microscópio eletrônico de
varredura do MCN, pelo auxílio na obtenção das fotomicrografias.
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Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
Revisão do gênero Radulphius... 147
Figs. 1 - 8. Radulphius monticola (Roewer, 1951), macho, palpo: 1, ventral; 2, retrolateral; fêmea, epígino: 3,
ventral. R. pintodarochai sp. n., macho, palpo: 4, ventral; 5, retrolateral; fêmea, epígino: 6, ventral; 7, dorsal. R.
lane sp. n., fêmea, epigino: 8, ventral. Todas as figuras na mesma escala. Barra = 0,25 mm.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
148 BONALDO & BUCKUP
Figs.9-12.Radulphius barueri sp.n., macho, palpo: 9, ventral; 10, retrolateral.R. boraceia sp. n., macho, palpo: |
11, ventral, 12, retrolateral. Todas as figuras na mesma escala. Barra = 0,25 mm. |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
Revisão do gênero Radulphius... 149
1
1
|
|
|
"Figs. 13 - 17. R. caldas sp. n., macho, palpo: 13, fêmur, retrolateral; 14, ventral; 15, retrolateral. R. caparao
‚sp. n., macho, palpo: 16, ventral; 17, retrolateral. Todas as figuras na mesma escala. Barra = 0,25 mm.
| Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
150
BONALDO & BUCKUP
Figs. 18 - 24. Radulphius cambara sp. n., macho, palpo: 18, fêmur, retrolateral; 19, ventral; 20, retrolateral; |
fêmea, epigino: 21, ventral; 22, dorsal. R. latus sp. n., macho, palpo: 23, ventral; 24, retrolateral. Todas as figuras
na mesma escala. Barra = 0,25 mm.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
-———— — ——
Revisão do gênero Radulphius... 151
Figs. 25 - 32.Radulphius singularis sp.n., macho, palpo: 25, ventral; 26, retrolateral; fêmea, epígino: 2% ventral;
28, dorsal. R. baiaxaba sp. n., macho, palpo: 29, ventral; 30, retrolateral. R. laticeps Keyserling, 1891, fêmea,
epígino: 31, ventral; 32, dorsal. Figs. 25 - 28; 29 - 32 respectivamente na mesma escala. Barra = 0,25 mm.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
su
BONALDO & BUCKUP
Figs. 33 - 39. Radulphius bidentatus sp. n., fêmea, epigino: 33, ventral. R. petropolis sp. n., fêmea, epigino: 34,
ventral. R. camacan Bonaldo, 1994, macho, palpo: 35, retrolateral (Botucatu, SP); tíbia, ventral, 36 (Botucatu,
SP); 37 (Várzea Paulista, SP); 38 (Itamaraju, Ba); fêmea, epígino: 39, ventral. Todas as figuras na mesma escala.
Barra 0,25 mm.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
Revisão do gênero Radulphius... 158
Figs. 40 - 45. Radulphius cambara sp. n., macho, palpo: 40, prolateral; 41 - 45, ventral; 42, porção distal; 43,
' Condutor, ápice e projeção retrolateral do fulcrum; 44, escultura do ápice do fulerum; 45, projeção retrolateral
do fulcrum. Abreviaturas: AM, apófise média; C, condutor; E, êmbolo; F, fulerum; LS, lobo do subtégulo; PF,
| projeção retrolateral do fulerum.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
BONALDO & BUCKUP
49
188» m geBmzii
AS a e my SB8BZ14
Figs. 46 - 51.Radulphius cambara sp. n., fêmea, epígino: 46, 47, ventral (47, detalhe da carena epiginal); pernas:
48, espinho da tíbia I, retrolateral; 49, 50, tarso I, retrolateral; 51, tarso I, dorsal. Abreviaturas: CA, Carena; BF,
Borda das aberturas de fecundação.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
Revisão do gênero Radulphius... 155
| Figs. 52 - 57. Radulphius cambara sp. n., pernas, tarso I: 52, tricobótria, dorsal; fêmea: 53, fiandeiras, vista
| posterior; 54, fiandeira lateral anterior; 55, fiandeira média posterior; 56, 57, fiandeira lateral posterior.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995
156 BONALDO & BUCKUP
a
- .
oO
SODO
ar
50º 40° 30º 20
Figs. 58, 59. Distribuição das espécies de Radulphius. 58, (0 )R. barueri; ([])R. boraceia; (O)R. caldas; |
(MB )R. caparao; (A ) laticeps; ( & ) R. monticola; ( x) R. pintodarochai; (jr) R. singularis; 59,( A)R. |
baiaxaba; (||) R. bicolor; ( x) R. bidentatus; (@) camacan; (E) R. cambara; (O)R. lane; (A )R. latus;
(e) R. petropolis.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 127 - 156, 2 mar. 1995 |
MESOSCALE DISTRIBUTION OF THECOSOMATA (GASTROPODA) IN
THE BRAZIL-MALVINAS CONFLUENCE COMPARED WITH
SIMULTANEOUS SATELLITE IMAGES OF SURFACE TEMPERATURE
José R. Dadon'!
Norman H. Magaldi ?
ABSTRACT
The mesoscale distribution of Thecosomata in the Brazil-Malvinas Confluence is analyzed together with
satellite images of surface temperature. The analysis shows the relationship between the assemblages
distribution and the eddies dynamics. This relationship is used to determine the potencial geographical ranges
of the assemblages in the area (south of 35º 30'S for cold-water species; north of 49º S for warm-water species),
which are compared with the available data.
KEYWORDS. Distribution; geographical ranges; remote sensing; Thecosomata.
INTRODUCTION
The Brazil-Malvinas (Falkland) confluence is a very dynamic area where two
distinctive faunas of Thecosomata contact to each other. One assemblage is associated
with the cold, subantarctic Malvinas current, and the other, with the warm, subtropical
Brazil current. These assemblages have no species in common.
The sharp environmental gradient at the Subtropical Front (up to 1ºC/250m;
GARZOLI & GARRAFFO, 1989) would seem to be a well-delimited natural boundary
between their geographical ranges for the megascale analysis, but a more detailed
environmental information is needed for shorter scales.
This paper analyzes the relationship between the distribution of the Thecosomata
and the surface dynamics of the Brazil-Malvinas Confluence, in order to determine the
geographical mesoscale ranges of the different faunistical assemblages.
1. Departamento de Ciencias Biológicas, Facultad de Ciencias Exactas y Naturales, 1428, Buenos Aires, Argentina.
2. Deceased March, 1993.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 157 - 160, 2 mar. 1995
158 DADON & MAGALDI
MATERIAL AND METHODS
Samples were collected in shallow-water (up to 5m) at night-time during Cruise 75-5 of the R/V Hero
from September 10 to October 6, 1975 (fig. 1). The samples belong to the malacological collections of Museo
Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia” (Buenos Aires, Argentina). Satellite images obtained
simultaneously with the cruise are provided by LEGECKIS & GORDON (1982).
RESULTS AND DISCUSSION
Many distributional data from the Confluence area cannot be univocally interpreted
without complete information about the hidrological pattern. Stations 1 to 7 along the
south-north leg of the Cruise 75-5 (tab. I) show the following sequence of faunas:
subantarctic, subtropical, bothtypes and finally, subtropical. Punctual environmental data
at those stations do not provide enough information to decide on the correct interpretation
among all the possible ones.
Table 1. Sampling data of Thecosomata collected during the Cruise 75-5 ofthe R/V Hero in the Brazil-Malvinas
Confluence area from September 10 to October 6, 1975. (X = records of the species).
STATION
| 2 3 4/5 6 7% 8 9/10 11.12 13 14 015 0GAARSISAS
Date [X/13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 2324 2526720 28 2930 X/2088
Surface tempertature (°C) 6.1 12.2 17.1 15.8 150 18.3 18.3 21.1 18.8 18.8 17.0 15.0 15.0 13.5 10.0 85 — 5.0 4255
Cold-water species
Limacinidae
Limacina helicina (Phipps, 1774) X X RED XE RX x
L. retroversa (Fleming, 18223) X KR RX X
Warm-water species
Limacinidae
Limacina inflata (Orbigny, 1836)
L. trochiformis (Orbigny, 1836)
‚L. bulimoides (Orbigny, 1836)
x A
Cavoliniidae
Styliola subula (Q. & Gaim., 1827) X X
Cavolinia sp. X X x
C. longirostris (Blainville, 1821) X I
Diacria trispinosa (Blainville, 1821) KK x
Clio p. lanceolata (Leus.,1813) x
C. cuspidata (Bosc, 1802) X X
Cuvierina columnella (Rang, 1827) x
Creseis acicula (Rang, 1828) X |
C. virgula conica Eschscholtz, 1829 X N
=
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 157 - 160, 2 mar . 1995
Mesoscale distribution of Thecosomata (Gastropoda)... 159
According to the instantaneous hydrological pattern (as shown by the satellite
images fig. 1), Station 1 was in the core of the Malvinas Current; Station 2 was in
subantarctic waters south of the subtropical front; Station 3 was north of the subtropical
front; and Stations 4 and 5 were in the neighbourhood of a large cold-core eddy 500km
long situated within the area 36-40° S and 49-53º W. So, the mixture of faunal assemblages
was observed as associated with a complex pattern of meanders and eddies.
Since the entire sampled area was not completelly covered by the images, it is again
difficult to arrive at unquestionable conclusions for stations situated eastward Station 5.
Station 6 was probably near another cold-core eddy, but the situation of Stations 14 and
15 into the hydrological scheme is not clear. Surface temperature at Station 15 was closer
to subantarctic than subtropical waters (a cold-core eddy?), and here is not clear the
position of the subtropical front.
O
10 30°S
SUBTROPICAL
GYRE
U
MALVINAS c
60°W 50 40 30 SUAS
Fig. 1. Oceanographic stations of the Cruise 75-5 of the R/V Hero from September 10 to October 6, 1975, and
hydrological surface pattern observed on September 15, 1975. The frame indicates the area covered by satellite
images. (See the increment of valuable information, in comparison with the noncovered area). ce, cold-core
eddies; SF, Subtropical Front; we, warm-core eddies. Black circles, cold-water assemblage; black and white
circles, both cold- and warm-water assemblages; white circles, warm-water assemblage. The numbers indicate
the general stations.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 157 - 160, 2 mar. 1995
160 DADON & MAGALDI
In general, the simultaneous mesoscale analysis of the hydrological pattern and the
sampling data of Thecosomata shows that the geographical ranges of the species are
directly related with the eddies dynamics. This relationship can be used to predict the
further expected latitudinal boundaries of the warm and cold water assemblages of
species.
Some information about the eddies formation processes is available for the area.
Warm- and cold-core eddies originate at different rates. Cold-core eddies show no
apparent periodicity (GARZOLI & GARRAFFO, 1989) and they were detected up to
aproximately 35º 30'S (LEGECKIS & GORDON, 1982: fig. 5), which might be the
northernmost surface boundary for subantarctic species. Up to date, the most septentrional
records ofLimacina retroversa and L. helicina were located at 33º 12'S (DADON, 1989).
Warm-core eddies originate in the area at a rate of six or more per year and age up
to 2.5 months; they spawned at the Confluence drift to the southeast, cooling and mixing
into the subantarctic water (GORDON, 1988; 1989). According to this, warm-water
species should expect to be found regularly south of the subtropical front, over the route
of the warm-core eddies, which extends as south as 49º S (LEGECKIS & GORDON,
1982: fig. 15). The southernmost records for warm-water species in the area are far from
this latitude: 43º 32'S for Limacina inflata, (MAGALDI, 1974); 42º 06'S for Creseis
acicula, (BOLTOVSKOY, 1975); 43º 20'S for Hyalocylis striata, (MASSY, 1932). The
Thecosomata of the Confluence area have seldom been studied and additional data are
necessary to determine whether the potential range (extending up to 49º S) is actually
occupied by the warm-water species.
Acknowledgments. To M. A. E. Rumboll (Museo Argentino de Ciencias Naturales “B. Rivadavia”, |
Buenos Aires, Argentina) for providing the samples and J. J. López Gappa for reviewing the english version.
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Cambridge, 3: 268-296.
Recebido em 13.11.1993; aceito em 05.05.1994.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (78): 157 - 160, 2 mar . 1995
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NOTAS E DESCRIÇÕES EM DESMIPHORINI
(COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE)
Ubirajara R. Martins !º
Maria Helena M. Galileo ?°
ABSTRACT
NOTES AND DESCRIPTIONS ON DESMIPHORINI (COLEOPTERA, CERAMBYCIDAE). New
species described: Parischnolea jatai from Brazil (Goiás); Cicatrisestola humeralis from Argentina;
Cymatonycha meridionalis from Colombia and Venezuela; Desmiphora (D.) fasciola from Peru; D. (D.)
xerophyla from Ecuador; D. (Antenniphora) magnifica from Brazil (Pará). Taxonomic notes and key to
species are presented for: Parischnolea Breuning, 1942; Cicatrisestola Breuning, 1947 and Cymatonycha
Bates, 1874. Notes on Parischnolea excavata Breuning, 1942 are added.
KEYWORDS. Cerambycidae, Coleoptera, Desmiphorini, Lamiinae, taxonomy.
INTRODUÇÃO
O objetivo desta contribuição é descrever novas espécies em Desmiphorini, tribo
com muitos táxons e com relativamente poucas espécies figuradas. Acrescentamos
chaves para identificação das espécies de Parischnolea Breuning, 1942; Cymatonycha
Bates, 1874 e Cicatrisestola Breuning, 1947.
As siglas mencionadas correspondem às seguintes instituições: AMNH, American
Museum of Natural History, Nova Iorque; BMNH, The Natural History Museum,
Londres; CMNC, Canadian Museum of Nature, Ottawa; IZAV, Instituto de Zoologia,
Facultad de Agronomia, Universidad Central de Venezuela, Maracay; MCNZ, Museu de
Ciências Naturais, Porto Alegre; MNRJ, Museu Nacional, Rio de Janeiro; MPEG, Museu
Paraense Emílio Goeldi, Belém; MZSP, Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo,
São Paulo.
1. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 7172, 01064-970 São Paulo SP, Brasil.
2. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre RS, Brasil.
| 3. Pesquisador do CNPq.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 161 - 170, 2 mar. 1995
162 MARTINS & GALILEO
Parischnolea Breuning, 1942
Parischnolea BREUNING, 1942: 158; 1974: 133.
Entre os gêneros de Desmiphorini cujas espécies apresentam lados do protórax
desarmados, Parischnolea caracteriza-se pelos ápices elitrais emarginados com espinho
externo, dimensões reduzidas (comprimento ca. 4-5mm), mesotíbias sulcadas no lado
externo; corpo e apêndices com longos pêlos esparsos.
Até o momento, este gênero continha única espécie, P. excavata Breuning, 1942,
assinalada para São Paulo, SP, e municípios vizinhos. Incorporamos agora ao gênero, P.
Jatai, sp. n., o que amplia a distribuição para o Brasil Central.
Chave para as espécies de Parischnolea
1. Presença de mancha de pubescência castanha na declividade apical dos élitros; pronoto
uniformemente pontuado; processo prosternal estreito, mas visível entre as procoxas.
Brasili(São:Paulo)Paraguan rn red E Re P. excavata Breuning
Declividade apical dos élitros sem mancha castanha; pronoto com pontos contrastantes,
grandes, dispersos entre a pontuação fina que é densa e uniforme; processo prosternal
laminiforme, quase invisível entre as procoxas. Brasil (Goiás).......... P. jatai, sp.n.
Parischnolea excavata Breuning, 1942
Parischnolea excavata BREUNING, 1942: 159; 1974: 134.
Acrescentamos à descrição original e à redescricäo algumas observações. O
pronoto é muito denso, muito fino e uniformemente pontuado; não se apresenta
“extrêmement finemente strié de travers” como o define BREUNING (1974). Cavidades
coxais anteriores angulosas nos lados. Ultimo urosternito acentuadamente intumescido
nas fêmeas. |
P. excavata foi descrita com base em único exemplar (sexo não especificado),
proveniente de Alto da Serra, Paranapiacaba, São Paulo, fotografado por Moure no
BMNH. BREUNING (1974: 134) assinala-a para o Paraguai.
Material examinado. BRASIL. São Paulo: Amparo, 2 (MZSP); O, 1931, Nick col. (MZSP); Barueri,Q, |
18.1.1955, K. Lenko col. (MZSP); Itu (Fazenda Pau d'Alho), S, XI.1960, U. Martins col. (MZSP);?, XII. 1960, |
U. Martins col. (MZSP); São Paulo (Saúde), S, I. 1919, Melzer col. (MZSP); 9, 13.X1.1921 (MZSP). |
PARAGUAI. Paraguari: Parque Nacional Ybycuí, S, 2, 21-25.X1.1989, Arriagada col. (MCNZ). |
Parischnolea jatai, sp. n.
S. Tegumento avermelhado; flagelômeros (exceto bases) pretos; bases dos meso- |
e metafêmures e metade apical das metatíbias castanho-avermelhadas. Pubescência de
maneira geral amarelo-esbranquiçada; no pronoto, a extremidade dos pêlos dirigida para |
o centro. Corpo e apêndices com longas setas castanhas; no pronoto e nos élitros inseridas |
em pontos contrastantes. Dorso da cabeça e pronoto muito fina e densamente pontuados. |
Lobos oculares superiores com cinco fileiras de omatídios, aproximadamente tão distan- |
tes entre si quanto o dobro da largura de um lobo. Face dorsal do escapo com finas |
asperosidades (aumento = 40x). Extremidades elitrais transversalmente truncadas com
espinho externo. Procoxas muito salientes, globosas. Processo prosternal laminiforme |
entre as procoxas. Processo mesosternal com lados paralelos e largura aproximadamente |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 161 - 170, 2 mar. 1995
Notas e descrições em Desmiphorint... 163
igual à metade do diâmetro de uma mesocoxa.
Dimensões, em mm, holötipo &. Comprimento total, 5,2; comprimento do protórax,
1,1; maior largura do protórax , 1,2; comprimento do élitro, 3,6; largura umeral, 1,6.
Material-tipo. BRASIL. Goiás: Jataí (Fazenda Aceiro), holötipo S, X. 1962, Exp.
Dep. Zool. col. (MZSP).
| Discussão. P. jatai sp. n. distingue-se de P. excavata pela ausência de mancha
castanha ante-apical nos élitros; pelas extremidades elitrais transversalmente truncadas,
sem dentículo no ângulo sutural e pelos flagelômeros com tegumento preto, exceto nas
bases. Em P. excavata os élitros apresentam mancha ante-apical castanha, as extremida-
des elitrais são entalhadas com espinho externo e dentículo no ângulo sutural e os
flagelômeros têm tegumento castanho-avermelhado, mais escuro nos ápices.
Cicatrisestola Breuning, 1947
Cicatrisestola BREUNING, 1947: 54; 1974: 128.
Espécies de dois gêneros de Desmiphorini apresentam protórax com espinho lateral
e escapo com cicatriz: Cicatrisestola Breuning, 1947 e Cicatrisestoloides Breuning &
Heyrowsky, 1964. Este, representado por única espécie da Costa Rica, difere daquele,
segundo BREUNING (1974), pelas mesotíbias sem sulco.
Conheciam-se duas espécies de Cicatrisestola: C. flavicans Breuning, 1947 e C.
elongata Breuning, 1964. Esta espécie, que não examinamos, foi originalmente descrita
do Espírito Santo e caracteriza-se pelo antenömero II mais longo do que o IV (BREUNING,
- 1974: 126). Constatamos um caráter não mencionado por BREUNING (I. c.) nas fêmeas
“de €. flavicans e de C. humeralis, sp. n.: apresentam duas projeções cônicas, bem
desenvolvidas, no ápice do último urotergito.
Chave para as espécies de Cicatrisestola
| 1. _Antenömero III um pouco mais longo do que o IV. Brasil (Espírito Santo) ..........
CO as SECA Roo e TERES AR RO OR RO PR PRP C. elongata Breuning
| Bistenomesoylllimais; curto: que 01V 2.2.2... Lo colono na Toa goi da do la 2
' 2(1). Pubescência da face dorsal do corpo unicolor, branco - amarelada; extremidades
elitrais arredondadas. Bolívia, Brasil (Mato Grosso do Sul, Santa Catarina), Pa-
raguai, Argentina (Chaco, Formosa) ....................20neeen nn C. flavicans Breuning
Pronoto acastanhado com faixas de pubescência esbranquiçada; úmeros e terço
apical dos élitros com pubescência esbranquiçada; extremidades elitrais truncadas.
Bolívia, Argentina (Jujuy, Salta, Tucumán) ....................... C. humeralis, sp. n.
Cicatrisestola humeralis, sp. n.
(Fig. 1)
S. Cabeça com tegumento avermelhado, revestida por pubescência branco-amare-
| lada densa. Lobos oculares superiores com 5-6 fileiras de omatídios; lobos inferiores 1,3
| vezes mais longos do que as genas. Antenas atingem o ápice elitral aproximadamente na
extremidade do antenômero IX. Cicatriz do escapo muito manifesta. Antenômero Ill mais
curto que o escapo e com menos da metade do comprimento do antenômero IV.
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164 MARTINS & GALILEO
Antenômeros IX-XI com comprimentos subiguais. Tegumento do protórax predominan-
temente acastanhado; no pronoto com pubescência branco-amarelada mais concentrada
junto à orla anterior; em duas faixas oblíquas divergentes e no meio. Pontuação pronotal
fina, densa. Tegumento elitral predominantemente amarelado; área dorsal junto ao
escutelo, área oblíqua no terço apical e manchas na região lateral, acastanhadas. Pubescência
elitral branco-amarelada mais densa reveste uma região triangular umeral e o terço apical
(fig. 1). Extremidades elitrais truncadas, levemente oblíquas. Setas elitrais muito esparsas,
curtas. Fêmures com ampla área central acastanhada. Bases das tíbias acastanhadas em
pequena extensão. Face ventral do corpo densamente pubescente.
2. Projeções apicais do último urotergito cônicas, evidentes, situadas perto do meio.
Variabilidade. Em alguns exemplares o tegumento varia de castanho-escuro a preto
nos ápices dos flagelômeros, cabeça, pronoto e em toda região elitral compreendida entre
as manchas umerais e o terço apical.
Dimensões, em mm, respectivamente S/9. Comprimento total, 7,5-7,7/7,8; com-
primento do protórax, 1,5-1,7/1,5; maior largura do protórax, 1,8-2,1/2,2; comprimento
do élitro, 5,2-5,4/5,6; largura umeral, 2,4-2,8/2,8.
Material-tipo. BOLÍVIA. La Paz: Coripata, parátipo 2, IV. 1931, Col. J. M. Bosq
(MNRJ). ARGENTINA. Jujuy: Jujuy, holótipo GS, I. 1950, Prosen col. (MZSP). Salta:
Parque Nacional Finca del Rey (890m, “Hosterian Area, humid thornforest, night
colln.”), 2 parätipos S, 3-15. XII. 1987, S. & J. Peck col. (CMNC, MZSP); Los Laureles
(450m), parätipo 9, 6. II. 1982, H. & A. Howden col. (CMNC); Tucumán: San Pedro |
Colalau, parátipos S e Z, II. 1963, Amau col. (MNRJ, MCNZ). |
Cymatonycha Bates, 1874
Cymatonycha BATES, 1874: 234; 1881: 192; GALILEO & MARTINS, 1991: 244. |
Originalmente incluído por BATES (1874) em Calliini, Cymatonycha foi transfe- |
rido para Desmiphorini por GALILEO & MARTINS (1991). A especie-tipo,C. castanea |
Bates, 1874, que ocorre no México e na América Central, apresenta um dentículo |
diminuto na base das unhas, que não se assemelha à larga lâmina interna das garras tarsais |
de Calliini. Em C. meridionalis, sp. n., que descrevemos a seguir, esse dentículo das unhas
é ainda menos conspícuo. |
—
Chave para as espécies de Cymatonycha |
1. Extremidades elitrais desarmadas ou com curta projeção larga no ladoexterno; pro- |
noto pontuado (distância entre pontos aproximadamente igual ao diâmetro dos |
pontos); tubérculo mesosternal arredondado, pouco projetado para o lado anteri-ı"
or. México, Guatemala, Honduras ........................200222002220000... C. castanea Bates |
Extremidades elitrais com espinho curto no lado externo; pronoto esparsamente |
pontuado (distância entre pontos maior que o dobro do diâmetro dos pontos); |
tuberculo mesosternal bem projetado anteriormente. Colômbia, Venezuela .....
FURL RE AND U SETE al AISNE DR C. meridionalis, sp. n.|
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Notas e descrições em Desmiphorini... 165
Cymatonycha meridionalis, sp. n.
(Fig. 2)
S. Tegumento castanho-escuro: cabeça, antenas, pernas e face ventral do corpo;
tegumento avermelhado: protórax e élitros. Pubescência esbranquiçada. Lobos oculares
superiores com sete fileiras de omatídios, mais próximos entre si do que a largura de um
lobo; lobos inferiores mais longos do que as genas. Antenas atingem o ápice elitral
aproximadamente na extremidade do antenômero IX. Flagelômeros com pêlos pretos,
curtos e moderadamente densos na face inferior. Protórax ligeiramente abaulado no meio
dos lados. Pronoto fina e esparsamente pontuado; a distância entre os pontos maior do que
o dobro do diâmetro dos pontos. Extremidades elitrais transversalmente truncadas com
espinho curto externo. Setas elitrais curtas, pretas, e rijas. Mesosterno com tubérculo
arredondado no topo, saliente e projetado para a região anterior. Face ventral do corpo não
pontuada.
©. Lobos oculares superiores com oito fileiras de omatídios. Antenas atingem o
ápice elitral.
Dimensões, em mm, respectivamente S/?. Comprimento total, 9,1/11,2; compri-
mento do protórax, 1,7/2,0; maior largura do protórax, 1,8/2,3; comprimento do élitro,
6,6/8,2; largura umeral, 2,6/3,3.
Material-tipo. COLOMBIA. Magdalena: Santa Maria (12mi W), parätipo 9,
15.V.1975, Howden & Campbell col. (CMNC). VENEZUELA. Aragua: El Limon
(450m), holötipo &, 19.V.1979, F. Fernandez Y. col. (IZAV).
Discussão. Além dos caracteres mencionados na chave,C. meridionalis sp.n. difere
de C. castanea pela pubescência muito mais rala no disco pronotal.
Desmiphora (Antenniphora) Breuning, 1947
Desmiphora (Antenniphora) BREUNING, 1947: 45; 1974: 175.
Este subgênero difere deDesmiphora s. str.pelos antenômeros densamente pilosos
no lado interno. Até o momento conhecia-se única espécie: D. (A.) antennalis Breuning,
1947, originalmente descrita de Vitória da Conquista, Bahia, e que conhecemos apenas
pelo diapositivo do holótipo. Anotamos que a pilosidade longa das antenas das espécies
deDesmiphoras. str. é variável em densidade e comprimento, mas em D. (Antenniphora)
é muito abundante, inclusive nos flagelômeros apicais (fig. 3).
Desmiphora (Antenniphora) magnifica, sp. n.
(Fig. 3)
Tegumento avermelhado, mais escuro na face ventral. Região inferior da fronte
| com área triangular glabra; restante da superfície da fronte com pubescência esparsa
amarelo-esbranquiçada; regiões látero-anteriores com pubescência branca; tufos de pêlos
brancos, curtos, no lado interno da base dos tubérculos anteníferos e atrás dos lobos
| oculares superiores. Olhos grandes, grosseiramente facetados; lobos superiores com seis
fileiras de omatídios. Vértice com dois tufos de pêlos longos, amarelo-acastanhados.
Antenas não atingem o ápice elitral. Antenômeros V-X gradualmente mais projetados
| no ápice externo, pubescentes no lado externo e lisos no lado interno, onde se inserem
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 161 - 170, 2 mar. 1995
166 MARTINS & GALILEO
pêlos longos amarelo-acastanhados. Tufos de pêlos curtos brancos: no meio do lado
interno do escapo e no lado interno do ápice do pedicelo, antenômero III e antenômero IV.
Tufo de pêlos longos, brancos, ao lado do meio do pronoto; pêlos longos, branco-
amarelados na orla basal sobre o escutelo. Região látero-anterior do pronoto com mancha
de pubescência amarelo-alaranjada; nos lados da depressão basal do pronoto, mancha de
pubescência branca (fig. 3). Lados do protórax com mancha de pubescência branca abaixo
do espinho.
Tufos de pêlos longos em cada élitro: um longitudinal, centro-basal, de pêlos
amarelo-acastanhados e escuros para os ápices; um dorsal no início da declividade apical
com o mesmo colorido que o centro-basal; três brancos — um lateral, junto à margem e
no mesmo nível do precedente, e dois no meio da declividade apical. Pubescência elitral
amarelada entremeada por áreas brancas; meio da declividade apical, branco.
Região ante-apical dos fêmures com anel de pubescência branca. Manchas de
pubescência branca na face ventral: no mesepisterno, lados posteriores do metasterno e
lados dos urosternitos.
Dimensões, em mm, respectivamente 5/9: Comprimento total, 8,0/8,2; compri-
mento do protórax, 2,0/1,9; maior largura do protórax, 2,4/2,2; comprimento do élitro,
5,3/5,1; largura umeral, 2,7/2,8.
Material-tipo. BRASIL.Pará: Serra Norte (Est. Manganes), holótipo &, 5-9.1X.1983,
R.B. Neto col. (armadilha suspensa, 1, 60m) (MPEG); (Manganes), parátipo 9,8.V1.1983,
em armadilha de Malaise (MZSP).
Discussão. Em D. (A.) antennalis a pilosidade densa das antenas é preta, os lados
do meio do pronoto não apresentam manchas alaranjadas e a pubescência elitral é densa
e predominantemente branca.
Desmiphora (D.) fasciola, sp. n.
(Fig. 4)
S. Tegumento avermelhado, mais escuro na face ventral do corpo e mais amarelado
nas antenas. Fronte com pubescência esbranquiçada. Vértice e dorso da cabeça com
pubescência amarelada. Dois pincéis amarelados, ralos, no meio do dorso. Olhos grandes;
lobos superiores com seis fileiras de omatídios, pouco mais próximos entre si do que a
largura de um lobo.
Antenas atingem a declividade apical dos élitros. Pêlos internos mais longos e |
esparsos, inseridos em área lisa. Antenômeros V-X ligeiramente projetados no ângulo |
apical externo.
Protórax com pubescência amarelada. Pronoto com quatro pincéis de pêlos amare- |
lados: um no meio da região anterior do disco; um a cada lado pouco à frente do meio e |
um central, pouco atrás do meio constituído por pêlos curtos. Pêlos da margem posterior |
do pronoto ralos. Metade posterior do pronoto com pubescência mais rala que constitui |
área triangular; lados da região central com área circular glabra. Metade dorsal das partes |
laterais do protórax densamente amarelada; faixa estreita, longitudinal (interrompida pelo
espinho) com pubescência castanha.
Escutelo com densa pubescência amarelada que também ocupa pequena região da
base dos élitros. Traço estreito, curto, de pubescência branca na declividade interna aos
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 161 - 170, 2 mar. 1995
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|!
Notas e descrições em Desmiphorini... 167
úmeros. Faixa estreita, transversal de pubescência amarelada no dorso do quinto anterior,
terminada a cada lado num pincel amarelo. Ao nível do terço apical, um pincel amarelo
em cada élitro; estreita faixa oblíqua, branca, da sutura ao pincel. Meio da declividade
apical com dois pincéis brancos em cada élitro: um dorsal, outro perto da margem; os
dorsais ligados por estreita faixa branca. Lado externo do quarto apical e região ante-
apical dos élitros com áreas de pubescência branca.
Anel ante-apical dos fêmures branco. Faixa estreita de pubescência dos proepisternos
aos lados posteriores do metasterno. Lados dos urosternitos com linhas oblíquas de
pubescência branca.
Dimensões, em mm, holótipo S. Comprimento total, 8,6; comprimento do protórax,
1,9; maior largura do protórax, 2,8; comprimento do élitro, 6,7; largura umeral, 2,7.
Material-tipo. PERU. Junin: Satipo, holótipo S, VI. 1944, A. Maller col. (AMNH).
Discussão. D. (D.)fasciola, sp.n., caracteriza-se pela faixa transversal de pubescência
amarela (fig. 4) no terço anterior dos élitros. Em D. (D.) lineatipennis Breuning, 1942 e
D. (D.) obliquelineta Breuning, 1948, essa faixa é branca e o padrão de colorido
completamente diverso.
Desmiphora (D.) xerophila, sp. n.
(Fig. 5)
S. Cabeça com tegumento castanho-escuro; pubescência variegada de branco a
castanho-claro. Fronte com pontos grandes. Olhos desenvolvidos; lobos oculares supe-
riores com seis fileiras de omatídios, tão distantes entre si quanto a largura de um lobo.
Aos lados da sutura coronal, no dorso da cabeça, dois pincéis constituídos por pêlos
brancos e pretos.
Antenas atingem o quarto apical dos élitros. Pubescência nos artículos basais
variegada de branco e castanho-claro; nos artículos apicais mais escura (bases e ápices dos
artículos com pubescência esbranquiçada). Pêlos internos moderadamente abundantes,
não inseridos em áreas lisas. Antenômeros V-XI curtos e robustos.
Protórax com tegumento castanho-avermelhado. Pubescência castanho-clara
variegada de branco. Pincel centro-anterior desenvolvido, constituído por pêlos pretos na
frente, castanho-claros no meio e alguns brancos atrás. Pincéis látero-anteriores curtos,
castanho-claros. Pequena mancha preta ao lado do pincel centro-anterior. Pequena área
glabra atrás desse pincel, no meio do pronoto. Centro da região deprimida basal
transversalmente glabro. A pilosidade branca da metade posterior do pronoto constitui
figura semelhante a uma letra “M”. Escutelo com pubescência predominantemente preta.
Tegumento elitral avermelhado com área preta dorsal entre os pincéis centro-
basais; lados dos élitros e declividade apical com tegumento predominantemente preto.
Pubescência elitral variegada de tegumento castanho-claro e branco; o terço central
predominantemente branco. Pincel centro-basal longitudinal, preto. Pequeno pincel preto
no lado externo do centro-basal. Pincel branco, fino, junto da sutura e do bordo posterior
da área preta basal. Pincel longitudinal, dorsal, no início da declividade apical com pêlos
brancos na frente e dos demais pretos. Pequeno pincel preto no meio da declividade apical.
Tegumento das pernas predominantemente escuro. Pubescência variegada de
castanho-claro e branco. Pubescência da face ventral do corpo castanho-clara.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 161 - 170, 2 mar. 1995
MARTINS & GALILEO
168
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: 161 - 170, 2 mar. 1995
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Notas e descrições em Desmiphorini
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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 161 - 170, 2 mar. 1995
170 MARTINS & GALILEO
Dimensões, em mm, holótipo S. Comprimento total, 8,2: comprimento do protórax,
2,2; maior largura do protórax, 2,7; comprimento do élitro, 6,2; largura umeral, 2,9.
Material-tipo. EQUADOR. Guayas: Playas (35km NNE, 10m, xeric shrubs),
holötipo G, 24.VI[.1976, S. & J. Peck col. (CMNC).
Discussão. D. (D.) xerophila, sp. n., (fig. 5) tem vaga semelhança com D. (D.)
cirrosa Erichson, 1847, pelo padrão geral do colorido corporal. Em D. (D.) cirrosa o
dorso da cabeça tem quatro pincéis: dois brancos e dois pretos; o pincel centro-anterior
do pronoto é branco; os lados da metade posterior do pronoto apresentam larga faixa
oblíqua branca, amarelada no meio; o tegumento elitral é inteiramente preto.
Agradecimentos. A Renato C. Marinoni pelo empréstimo dos diapositivos dos tipos de Desmiphorini;
a Ronaldo B. Francini pela execução das fotografias.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BATES, H. W. 1874. Supplement to the longicorn Coleoptera of Chontales, Nicaragua. Lob: Ent. Soc.
London, London, 1874: 219-235.
1881. Biologia Centrali Americana, Coleoptera, London, British Museum of Natural History, v. 5, p.
Isa 224.
BREUNING, S. 1942. Novae species Cerambycidarum XI. Folia aa: hydrobiol., Riga 11(2): 113-175.
——. 1947. Nouvelles formes de Longicornes du Musée de Stockholm. Ark. Zool., Uppsala, 39A(6): 1-68.
— . 1974. Revision des Rhodopinini Américains. Stud. Ent., Petrópolis, 17: 1-216.
GALILEO, M. H. M. & MARTINS, U. R. 1991. Revisão da tribo Calliini (Coleoptera, Cerambycidae,
Lamiinae). G. it. Ent., Cremona, 5: 243-262.
Recebido em 17.12.1993; aceito em 17.05.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 161 - 170, 2 mar. 1995
BIOLOGÍA COMPORTAMENTAL DE JUVENILES DE
LYSTROPHIS DORBIGNYI (SERPENTES, COLUBRIDAE) EN CAUTIVERIO
Flávio Francini'
Carlos Santiago Grisolia !
Fábio Oscar Peluso !
ABSTRACT
BEHAVIORAL BIOLOGY OF JUVENILES OF LYSTROPHIS DORBIGNYI (SERPENTES,
COLUBRIDAE) IN CAPTIVITY. Several aspects on behavior of Lystrophis dorbignyi juveniles in captivity
are described. Birth, diet, feeding behavior, territoriality, agressiveness and effect of meteorological states are
analyzed. Shedding frequency, weight and length evolution through the observation period are also discussed.
KEYWORDS. Serpentes, Colubridae, Lystrophis dorbignyi, behavior, captivity.
INTRODUCCIÓN
Lystrophis dorbignyi (Duméril, Bibron & Duméril, 1854), llamada comunmente
“falsa yarará”, se distribuye en América del Sur entre los 25° y 40° S, por el sur — sudeste
de Paraguay, sur de Brasil y Uruguay. En Argentina, está presente en laregión comprendida
al este del meridiano de 65° W (PETERS & OREJAS-MIRANDA, 1970).
Trabajos acerca de la biología de esta especie, tan comün en Argentina (GUDYNAS,
1979; OREJAS-MIRANDA, 1966; YANOSKY et al., 1987; YANOSKY & CHANI,
1986, 1988), se refieren fundamentalmente a ejemplares adultos. El objetivo del presente
trabajo es aportar al conocimiento de esta especie suministrando algunos datos referidos
al comportamiento de sus juveniles en cautividad.
MATERIAL Y MÉTODOS
El 11 de Noviembre de 1988, ingresó al Laboratorio y Museo de Animales Venenosos de la Facultad de
Ciencias Médicas (UNLP), una hembra de Lystrophis dorbignyi, procedente de Magdalena, Provincia de Buenos
Aires, Argentina. A los 40 días de ingresada se encontró en la caja donde habia sido alojada, una puesta de 14
huevos los cuales fueron incubados artificialmente de acuerdo con FRANCINT et al. (1991). Una vez ocurridos
los nacimientos, se tomó un lote testigo de seis crías, las cuales fueron pesadas y medidas regularmente mediante
balanza Sartorius con una aproximación a centigramos y regla milimetrada. El procedimiento para el manipuleo
1. Laboratorio y Museo de Animales Venenosos. Facultad de Ciencias Medicas, Universidad Nacional de La Plata (UNLP). Calles 80 y 120 - 1900,
La Plata, Argentina.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 171 - 176, 2 mar. 1995
172 FRANCINI; GRISOLIA & PELUSO
de cada ejemplar fue de acuerdo a HOGE & FEDERSONIJR. (1976/77) para el manejo de ofidios durante la
extracción de veneno.
Los individuos no fueron sexados a lo largo del período de observación. Para la identificación de las crías,
se realizaron gráficos, de cada ejemplar, basados en el disefio tegumentario de manchas oscuras sobre fondo
claro, típico de esta especie, y el cual presenta variación individual (fig. 1). Para el reconocimiento a distancia,
les fueron realizadas marcas de colores con marcadores (“Unimarker oil base Mitsubishi Pencil”, Japan) en
distintas regiones del cuerpo. Estas marcas también se utilizaron para reconocer la procedencia de los pelechos
una vez producidas las mudas.
En los primeros 60 días y una vez a la semana, los ejemplares se alimentaron en forma forzada con trozos
de estómago de pollo, Gallus gallus Linné, 1758, de 1,5g.; peces, Cnesterodon decemmaculatus (Jenyns, 1842)
y Cichlasoma facetum (Jenyns, 1842) de 1 a 2g y lactantes de ratones, Mus musculus Linné, 1758, de 1,5 a 2,5g.
El alimento era colocado parcialmente en la boca de los ofidios, continuando éstos con el resto de la degluciön.
Luego, en los 18 meses restantes de observación y con la misma periodicidad pero en forma natural, se les
ofrecieron distintos tipos de presas vivas: larvas y adultos de insectos, Tenebrio molitor Linné, 1758; peces,
Cnesterodon decemmaculatus y Cichlasoma facetum y juveniles de anfíbios, Bufo arenarum Hensel, 1867, B.
fernandezae Gallardo, 1957, Hyla pulchela Duméril & Bibron, 1841 y Leptodactylus ocellatus (Linné, 1758).
En ciertas ocasiones se les suministraron lactantes de ratones frotados con anuros de modo de impregnarlos con
sus secreciones cutáneas. En cada ocasión, a todo el lote le fue ofrecido simultáneamente el mismo tipo de
alimento. En los primeros dos meses, las crías fueron colocadas colectivamente en una caja de madera de 30 x
30 x 15cm con pared frontal de alambre tejido y tapa corrediza de vidrio. En el interior se colocó un colchön de
viruta de madera de 2cm, un recipiente plástico con agua y un bollo de papel de 10x 10x Scm en el cual las crías
pudieran esconderse. Luego se alojaron en una caja de 120 x 60x 35cm, con un piso de viruta de madera de 2cm.
En la misma se colocaron 2 refugios consistentes en bollos de papel de 20 x 20 x 10cm en cada extremo de dicho
habitáculo. Se realizaron gráficos diarios con la posición de los individuos con el fin de determinar la existencia
de tendencias gregarias.
La temperatura a la cual fueron mantenidos los habitáculos osciló en un rango de 22°C a 27º C(X = 25º0C),
humedad 60 a 85% (X = 75%) y sometidos a iluminación natural de modo de mantener los fotoperíodos normales.
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Fig. 1. Esquema del disefio tegumentário de los 6 ejemplares testigo de Lystrophis dorbignyi (Duméril, Bibron
& Duméril, 1854) donde se resaltan las marcas naturales usadas para el reconocimiento individual de las crías.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 171 - 176, 2 mar. 1995
Biología comportamental de juveniles de Lystrophis dorbignyi... 173
RESULTADOS Y DISCUSIÓN
La eclosión se produjo el 7.IH.1989, a los 75 días de la puesta. Los primeros indícios
de la misma se registraron hacia las 8 horas, habiéndose completado el nacimiento de
todos los individuos (11 de los 14 huevos) 4 horas después. Como ha sido observado para
otros colúbridos, en la superfície de los huevos se produjo una incisión longitudinal en el
sentido del eje mayor del mismo, por la cual escapó algo de líquido amniótico (GNIDA,
1985; HALLOY & BELMONTE, 1984; WILLIAMS, 1982). En algunos casos (dos sobre
once), la cría emergió a través de esta única incisión pero en la mayoria de los ejemplares
(siete sobre once) se produjeron con posterioridad 2 o 3 incisiones más en el mismo
sentido. En otros de los huevos (dos sobre once) la fisura se hizo en forma triangular tal
como lo observado por HALLOY & BELMONTE (1984) en Hydrodynastes gigas
(Duméril, Bibron & Duméril, 1854). En todos los casos, antes de la salida definitiva del
huevo, los individuos asomaron sus cabezas por la fisura, posición esta en la que
permanecían algunos instantes. En ese lapso inspeccionaban activamente el ambiente con
su lengua. Ante la menor sefial de peligro, como por ejemplo movimientos bruscos del
observador, corrientes de aire o vibraciones, las crías se sumergían inmediatamente
dentro del huevo. La salida definitiva se produjo con rapidez en todos los ejemplares,
hecho que contrasta con lo observado para otros colubridos (GNIDA, 1985; HALLOY &
BELMONTE, 1984; WILLIAMS, 1982). Alsalir no arrastraron restos de vitelo o anexos
embrionarios coincidentemente a lo referido por OREJAS-MIRANDA & GARCIA
(1967) para Philodryas patagoniensis (Girard, 1857) y por WILLIAMS (1982) para P.
baroni Berg, 1895.
La escutelación de los juveniles presentó un promedio de 135 (130-141) gastrostegos
y 36 (32-41) urostegos. La coloraciön, algo más clara que la del adulto, se acentuó con la
primera muda. Los primeros indícios de ésta se observaron a los 9 días del nacimiento,
completändose en todos los ejemplares al día siguiente. Las sucesivas mudas registradas
quedan indicadas en la tabla I. Los pelechos siempre fueron encontrados entre la viruta,
Tabla I. Mudas producidas em 6 juveniles de Lystrophis dorbignyi durante el período marzo 1989 a octubre
1990 en dias a partir del nacimiento.
Mudas
1 2” 3 4 5 6 7 8
1 9 273 332 366 389 430 468 541
2 9 278 336 376 430 474 500 574
3 10 295 349 390 430 466 502 Sul
4 10 292 349 362 390 459 312 586
5 9 268 332 SU 366 436 489 528
6 10 286 332 357 366 436 486 537
lo que, coincidiendo con GUDYNAS (1979), interpretamos como que los juveniles se
entierran durante la écdisis para facilitar la misma. Con respecto a la alimentación, cuando
se suministró en forma forzada, al principio los animales se resistieron a comer, pero una
vez que se les abrió mecánicamente la boca y se colocó en ella el bocado, tragaron sin
problemas. Nunca se observó la regurgitación del alimento aún cuando los trozos fueran
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 171 - 176, 2 mar. 1995
174 FRANCINI; GRISOLIA & PELUSO
grandes o cuando el animal se mostrara molesto. Posteriormente, se les ofrecieron los
distintos tipos de presas vivas, aceptando sólo los anfibios. Con respecto a éstos, las crías
se acercaban lentamente moviendo ritmicamente la lengua. Luego, mediante un movimiento
rápido, se lanzaban sobre ellos y generalmente los capturaban en el primer intento.
Cuando no lo hacían, perseguían a la presa por el terrario hasta darle alcance. En la
mayoria de los casos, el anfibio era capturado por la parte media de su cuerpo. El ofidio
lo mantenía en esta posición durante 2 o 3 minutos hasta que el anfibio cesaba en sus
movimientos. Entonces, desplazaba su boca sobre la presa sin soltarla, hasta llegar a la
cabeza de la misma, desde donde empezaba a tragarla. En cuanto a las crías de ratones
frotadas con secreciones cutáneas de los anuros, fueron atacadas con un comportamiento
similar al mostrado en la captura de éstos.
En lo referente a las reacciones defensivas, en los primeros días después del
nacimiento, respondían a las perturbaciones con contracciones y desplazamientos brus-
cos del cuerpo, plegándose en forma de “S”. Estos movimientos eran acompafiados por
un achatamiento notable del tronco y en algunas ocasiones por movimientos activos de
la cola, en forma de bucle en su extremo que erguía y agitaba espasmodicamente. Igual
comportamiento fue observado por YANOSKY & CHANI (1986) y por GALLARDO
(1977) para adultos de esta especie. Nunca se observaron ataques al objeto con que se los
perturbó ni la elevaciön de la parte anterior del cuerpo. Posteriormente mostraron un
comportamiento más dócil, prefiriendo la huída. En algunas ocasiones, cuando eran
manipulados para ser medidos o alimentados, emitían por la cloaca un líquido espeso,
amarillento, de fuerte olor, reacción común entre los ofidios.
Los individuos habitualmente eran encontrados en el terrario formando grupos en
los que participaban la mayoría de ellos. Algunas veces, también se encontraron
subgrupos de 2 o 3 ejemplares en los distintos refugios presentes. No se constató la
preferencia de determinados sitios por parte de los ejemplares, ya que cambiaban de
posición en forma frecuente a lo largo del día. Nunca se observaron actitudes agresivas
entre los individuos, mostrándose manipulados a agruparse dentro del refúgio, incluso
con sus cuerpos entrelazados formando un ovillo. Esto indicaría, al menos para esta etapa
del desarrollo y dentro de las dimensiones del habitáculo empleado, la ausencia de
territorialidad marcada. Podríamos correlacionar este comportamiento con el que
LAVILLA et al. (1979) Ilaman “etapa de convivencia pacífica total” para Waglerophis
merremi (Wagler, 1824), si bien para esta especie es mucho más corta (dos meses) que en
Lystrophis dorbignyi la que lo presentó a lo largo de los veinte meses de observación.
En cuanto a la influencia de la temperatura y la humedad, las observaciones
concuerdan con las realizadas por YANOSKY et al. (1987), para la misma especie:
aumentos de la actividad están correlacionados con aumentos de la temperatura y
humedad, lo que fue constatado para el rango ensayado en nuestro laboratorio de estos
dos parámetros. Se observó también que los ofidios se muestran más activos y emergiendo
con mayor frecuencia de sus refugios en condiciones de iluminación directa, que en
condiciones de penumbra o de escasa iluminación, coincidtendo esto con sus hábitos
diurnos (GUDYNAS, 1979).
En la evoluciön del peso y longitud (figs. 2, 3) nötese para ambas curvas, y en forma
más acentuada para el peso, que los valores permanecem más o menos constantes a lo
largo del primer afio, a partir del cual el crecimiento se hace más pronunciado.
Agradecimientos. Al Prof. Jorge D. Williams y al Dr. Nestor O. Stanchi por la lectura crítica del
manuscrito así como sus valiosos comentarios.
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i
Biología comportamental de juveniles de Lystrophis dorbignyi... 175
25 Peso en g
20
15
10
Meses
Dh JA Sn ONE Do FM AMO) N A,S O
30 Longitud en cm
MAMJJASONDEFMAM )J JA SO
3
Figs. 2-3. Evoluciön del peso en juveniles de Lystrophis dorbignyi (Duméril, Bibron & Duméril, 1854) durante
el período marzo 1989 a octubre 1990 para los seis ejemplares del lote testigo en valores promedio + ESM: 2,
evolución del peso; 3, evolución de la longitud.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 171 - 176, 2 mar. 1995
176 FRANCINI; GRISOLIA & PELUSO
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Recebido em 1.04.1993 (1º versão) e 5.05.94 (2º versão); aceito em 14.06.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (78): 171 - 176, 2 mar. 1995
CONSULTORES DO NÚMERO 78
e Antonio D. Brescovit, Instituto Butantan, São Paulo, SP.
* Amo Antonio Lise, Instituto de Biociências, PUC-RS, Porto Alegre, RS.
e Carlos Ribeiro Vilela, Departamento de Biologia, USP, São Paulo, SP.
e Dilma Solange Napp, Departamento de Zoologia, UFPR, Curitiba, PR.
* John F. Lawrence, CSIRO, Division of Entomology, Canberra, Austrália.
« José Albertino Rafael, Coordenação de Pesq. em Entomologia, INPA, Manaus, AM.
* José W. Thomé, Instituto de Biociências, PUC-RS, Porto Alegre, RS.
* Lindolpho Guimarães, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP.
* Luiz Carlos Alvarenga, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ.
° Luiz Octavio M. Machado, Dept? de Zoologia, UNICAMP, Campinas, SP.
* Maria Cristina Pons da Silva, Museu de Ciências Naturais, FZB, Porto Alegre, RS.
e Miguel A. Monné, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ.
* Miguel T.U. Rodrigues, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP.
* Naércio Menezes, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP.
e Osmar Domaneschi, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP.
* Pedro M. Linardi, Instituto de Ciências Biológicas, UFMG, Belo Horizonte, MG.
* Renato C. Marinoni, Departamento de Zoologia, UFPR, Curitiba, PR.
* Roberto E. dos Reis, Museu de Ciências, PUC-RS, Porto Alegre, RS.
* Roberto Sassi, Núcleo de Pesquisas de Recursos do Mar, UFPB, João Pessoa, PB.
* Roy A. Crowson, University of Glasgow, Escócia.
* Sônia Maria L. Garcia, Instituto de Biociências, UFRGS, Porto Alegre, RS.
* Sylvia M. Lucas, Instituto Butantan, São Paulo, SP.
* Ubirajara R. Martins de Souza, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP.
* Vinalto Graf, Departamento de Zoologia, UFPR, Curitiba, PR.
.
Ng
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BL ISSN 0073-4721
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Apoio técnico: André A. de Azeredo
Responsável pela distribuição: Maria Helena Bopp Miiller
Assessores científicos e normas para publicação: vide Iheringia, Sér. Zool. (76):
175-176.
BL ISSN 0073-4721
Iheringia |
Série Zoologia
A revista IHERINGIA, Ser. Zool. é editada pelo Museu de Ciências Naturais,
órgão da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, entidade de direito privado,
instituída pela Lei Estadual nº 6.497, de 20.12.72, supervisionada pela Secretaria de
Estado da Agricultura e destina-se à divulgação de trabalhos científicos originais,
inéditos, resultantes de pesquisa em Zoologia.
Este número foi editado e impresso na gráfica Pallotti em setembro de 1995.
Tiragem 600 exemplares.
Endereço para doações, permutas e correspondência: Fundação Zoobotânica
do Rio Grande do Sul, Editoração, Cx. Postal 1188, CEP 90001-970 Porto Alegre,
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Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores. É permitida a
reprodução total ou parcial dos artigos da Revista, desde que seja citada a fonte.
Iheringia, Sér. Zoologia. v. 1, 1957 -
Porto Alegre, RS - Brasil, Museu de Ciências Naturais
Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul
1957 -
Semestral
ISSN 0073-4721
1. Zoologia-Periódicos - Brasil.
2. Trabalhos científicos - Zoologia - Brasil. I. Museu de
Ciências Naturais, Fundação Zoobotância do Rio Grande
do Sul.
CDU - 59 (05)
Artigos publicados em Iheringia sér. Zoologia são indexados por: Abstracts of
Entomology, Bioresearch Index, Biological Abstracts, Centre International de
Documentation Arachnologique, Entomological Abstracts, The Zoological Record.
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REDESCRIÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E PREFERÊNCIAS AMBIENTAIS DE
ANODONTITES FERRARISI (ORBIGNY, 1835) REVALIDADA (BIVALVIA,
UNIONOIDA, MYCETOPODIDAE)!
Maria Cristina Dreher Mansur?
José OlazarriP
ABSTRACT
REDESCRIPTION, DISTRIBUTION AND HABITAT PREFERENCES OF ANODONTITES
FERRARISI (ORBIGNY, 1835) REVALIDATED (BIVALVIA, UNIONOIDA, MYCETOPODIDAE). Based
on revision of the Orbigny's type material [The Natural History Museum] Anodontites ferrarisi (Orbigny,
1835), removed from the synonymy of A. sirionos (Orbigny, 1835), ıs revalidated and redescribed; the
paralectotype is designated. Data about the shell and habitat preferences of samples collected on both margins
on the lower and medial Uruguay River and on the tributaries of La Plata Basin at Oriental Republic of Uruguay
are provided. Anodontites felix (Pilsbry, 1896), is considered a junior synonym. The paralectotype of A. ferrarisi
is designated (younger specimen signed with the number 62 inside, mixed with potential paralectotypes of A.
sirionos, BMNH 1854.9.4.35). The type locality is restricted to Arroyo Colla, tributary of Rosario River, near
Rosario town, Department of Colonia, south of the Oriental Republic of Uruguay.
KEYWORDS. Bivalvia, Muteloidea, Anodontites ferrarisi, revalidated, habitat.
INTRODUCAO
Anodonta ferrarisi foi descrita originalmente por ORBIGNY (1835), como uma
concha ovalada, subcomprida, robusta, com perióstraco esverdeado, brilhante e com sub-
raios, a região posterior com raios verdes, a região anterior quase tão alongada quanto a
posterior e igualmente obtusa, umbos derivados do meio, interior azulado ou amarelo
pálido. Foi citada para a República Oriental do Uruguai, sem menção de quantos exem-
plares foram examinados. ORBIGNY (1846: 615, est. 74, figs. 4-6) ilustrou a concha e
colocou-a na sinonímia de Anodonta sirionos Orbigny, 1835, que foi redescrita sucinta-
mente (ORBIGNY, 1846:615, est. 80, figs. 1-4) e citada para o Rio Canelon Grande,
próximo de Montevidéu, Uruguai, para o rio Paraná, próximo de Itati, Corrientes, Argen-
tina e Rio São Miguel, província de Chiquitos, Bolívia.
SIMPSON (1914) observou uma afinidade muito grande de Anodontites sirionos
1, Realizado em parte com Bolsa do DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst), República Federal da Alemanha Ref. nº 322/1986 e com
Auxílio para Pesquisa do CNPq nº 408954/87.
2. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, 90001-970 Porto Alegre, Brasil (Bolsista do
CNPq nº 5365/76 ZO 07).
3. Museo Nacional de História Natural de Montevideo, Rivas 687, 75000 Mercedes, Uruguay (Pesquisador Associado).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 3 - 12,29 set. 1995
4 MANSUR & OLAZARRI
com Anodon wymani (Lea, 1860) do rio Uruguai. HAAS (1931) incluiu estes dois nomes
junto com Anodontites ferrarisi na sinonímia de Anodontites (A.) patagonicus (Lamarck,
1819). Anodon ferrarisi passou a integrar uma lista cada vez maior dos sinônimos de
Anodontites patagonicus que, segundo HAAS (1969) culminaram em 16 nomes.
BONETTO (1973), ao revisar o material-tipo de Orbigny, depositado no BMNH,
considerou Anodon ferrarisi como sinônimo de Anodontites crispatus tenebricosus (Lea,
1834). Mencionou também da possibilidade de ser um híbrido entre A. patagonicus e A.
crispatus tenebricosus ou uma variedade ecológica que se desenvolveria em fundos bran-
dos. PILSBRY (1896) descreveu uma nova variedade, Glabaris latomarginata var. felix,
procedente de Colônia, Departamento de Colônia, Uruguai, caracterizada pela presença
de um perióstraco claro amarelo-esverdeado com raios curtos verdes muito finos que
podem ser bifurcados, simples ou formando alguns “ves” sobre a superfície da concha;
no declive posterior dois raios verdes; interior rosado-claro na parte mais interna delimi-
tada pela linha palial; borda prismática olivácea, fosca; com algumas linhas negras em
zigue-zague que acompanham a linha palial ou a impressão dos adutores. ORTMANN
(1921:618) observou exemplares de G. latomarginata var. felix oriundos de Uruguaiana,
Rio Grande do Sul, citando a variedade pela primeira vez para o Brasil. Considerou os
raios verdes externos e as linhas em zigue-zague internas como caracteres individuais, ou
seja, simples variações em A. patagonica rubicunda (Lea, 1860). HASS (1931) elevou 4.
(Anodontites) felix Pilsbry, 1896, ao status de espécie. BONETTO (1961) e FIGUEIRAS
(1965) mencionaram ser a espécie 4. felix exclusiva do Uruguai.
BONETTO & EZCURRA (1965) descreveram a macroescultura da região central
da concha de 4. felix como composta de fileiras radiais de arcos dispostos paralelamente
que aumentam em direção ventral; região anterior e posterior formada por linhas radiais
que tracionam para cima as bordas dos arcos, lembrando a escultura de A. crispatus
(Bruguiére, 1792); microescultura presente na região anterior e posterior onde também
são perceptíveis as pregas do perióstraco. BONETTO (1967) incluiu A. felix na sinonímia
de Anodontites (A.) obtusus lucidus (Orbigny, 1835) por considerá-la uma simples forma
geográfica de Anodontites obtusus (Spix, 1827). CASTELLANOS & LANDONI (1990)
seguem BONETTO (1967), apresentando uma ampla lista sinonímica, a redescrição da
subespécie e medidas que não possibilitam, com certeza, saber se estão relacionadas a
Anodontites felix ou a A. lucidus. O mesmo podemos dizer das citações de A. obtusus
lucidus de BONETTO & DI PERSIA (1975). JOHNSON (1971) designou o exemplar de
A. ferrarisi depositado no BMNH como holótipo.
Objetiva-se no presente estudo confirmar o verdadeiro status da espécie Anodontites
ferrarisi, com base em observações ecológicas e estudos morfológicos de conchas
amostradas em toda sua área de ocorrência.
MATERIAL E MÉTODO
Foram examinadas as coleções: The Natural History Museum, Londres (BMNH); Museu de Ciências
Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (MCNZ); Museo Nacional de História
Natural, Montevideo (MHNM); Coleção José Olazarri, Mercedes, Uruguai (JOME).
As medidas do comprimento, altura e largura foram tomadas do material-tipo e de 103 exemplares de
A. ferrarisi com mais de 3cm de comprimento. A metodologia de orientação da concha seguiu MANSUR et al.
(1987). Abreviaturas: ex, exemplar (es); v, valve; vs, valves.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 3 - 12,29 set. 1995
Redescrição, distribuição e preferências ambientais de Anodontites ferrarisi ... 5
Anodontites ferrarisi (Orbigny, 1835), revalidada.
(Figs. 1-5)
Anodonta ferrarisii ORBIGNY; 1835:40; 1846:615, est. 74, fig. 4-6; JOHNSON, 1971:84.
Margarita (Anodonta) sirionos; LEA, 1838:139 (em parte).
Anodon sirionos; CATLOW & REEVE, 1845:68 (em parte).
Anodonta sirionos ORBIGNY, 1846:615 (em parte); KUSTER & CLESSIN, 1876:128, est. 41, figs. 1,2, (em
parte).
Margaron (Anodonta) sirionos; LEA, 1852:51; 1870:82, 144 (em parte).
Glabaris latomarginata var. felix PILSBRY, 1896:563, est. 6, fig. 8; PILSBRY & RUSH, 1896:81. Syn. n.
Anodonta latomarginata var. felix; FORMICA-CORSI, 1900:167.
Glabaris sirionos; SIMPSON, 1900:918 (em parte).
Glabaris patagonicus var. felix; SIMPSON, 1914:1405-1406; TEISSEIRE, 1930:226.
Anodontites sirionis; SIMPSON, 1914:1407 (em parte).
Anodontites patagonica rubicunda; ORTMANN, 1921: 616-618 (em parte).
Anodontites (Anodontites) patagonicus; HAAS, 1931:95-96 (em parte); HAAS, 1969:566 (em parte).
Anodontites (A.) felix; HAAS, 1931:96-97; FIGUEIRAS, 1965:249; HAAS, 1969: 567, 568; MANSUR,
1970:47, 48, 88.
Anodontites felix; BARATTINI, 1951:237; BONETTO, 1961:266-267; PARODIZ, 1963:110; BONETTO &
EZCURRA, 1965:199-201; OLAZARRI, 1966: 19, 22, 29: BONETTO, 1973:23; VEITENHEIMER &
MANSUR, 1975: 25, 31; DI PERSIA & OLAZARRI, 1986:625.
Anodontites (A.) obtusus lucidus; BONETTO, 1967: 462, 464, figs. 2,3 (em parte).
Anodontites crispatus tenebricosus; BONETTO, 1973: 23, 24 (em parte).
Material tipo. Através do exame da coleção e do material-tipo de Orbigny, deposi-
tado no BMNH, foi constatado que, além do holótipo de Anodontites jerrarisi, designado
por JOHNSON (1971), existe mais um exemplar da espécie, misturado por engano aos
paralectótipos de A. sirionos. Corrigimos a designação indevida de holótipo de 4. ferrarisi
para lectótipo e o exemplar encontrado é designado paralectótipo.
O lectótipo está representado apenas pela valve direita. As medidas (tab. I) do com-
primento, altura e largura conferem com as da descrição original. A região umbonal apre-
senta-se bastante desgastada, bem mais do que representa o desenho de ORBIGNY (1846:
615,est. 74, fig. 4). A borda posterior está levemente lascada, faltando pequenos pedaços
(figs. 1,2) e existe uma rachadura na região póstero-ventral da concha. É possível distin-
guir na face interna o nº 62 originalmente escrito à nanquim e que atualmente se encontra
quase apagado. Acompanha o lectótipo uma etiqueta original onde se lê: “A. ferraris A.
Ferrarisi D’Orb. Rio del Rosario, Banda Oriental Voy n.62” - mais abaixo o número do
catálogo do BMNH 1854.3.54 (fig. 2), também registrado na borda interna do lectótipo.
De uma maneira geral, as cores da face externa e interna do lectótipo conferem
com as do desenho de Orbigny exceto área do perióstraco próxima aos umbos mais
esverdeada e área central interna mais amarelada. Estes dados são registrados de maneira
bastante fiel na descrição original, porém não apresentados nas ilustrações. O perióstraco
apresenta-se brilhante na área central, onde é possível observar uma série de raios “em
vês” bem fininhos, verde-escuros, descrita sumariamente como “epidermide iridata vel
sub-radiata”, e que também não está representada na figura de ORBIGNY (1846:615,
est. 74, fig. 5). ORBIGNY (1835) não especifica se seriam raios coloridos ou esculturados
sobre o perióstraco.
O lectótipo também não apresenta as quatro listras verdes contínuas no declive
posterior como mostra a fig. 5 da estampa 74 de ORBIGNY (1846). Trata-se, na realida-
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 3 - 12, 29 set. 1995
6 MANSUR & OLAZARRI
de, de apenas uma listra ou raio contínuo bastante delgado, verde-escura e de vários raios
curtos finos da mesma cor. Não se vêem sulcos no lectótipo.
Examinou-se também o lectótipo de A. sirionos e os sete paralectótipos (6 exs.
inteiros e 1 valve) eleitos por JOHNSON (1971), que estão divididos em três lotes. Um
deles (BMNH 1854.9.4.35) contém o exemplar, agora designado de paralectótipo de A.
ferrarisi, procedente de Corrientes, Argentina, e o número 62 (figs. 3, 4) demarcado na
face interna da valve direita, que é igual ao do lectótipo de A. ferrarisi. Este exemplar
corresponde a um indivíduo menor de A. ferrarisi (figs. 3, 4, tab. I). Este indivíduo
mm ii
0, /
Figs. 1, 2. Lectótipo de Anodontites ferrarisi (Orbigny, 1835), valve direita; 1, vista externa; 2, vista interna; abaixo
etiqueta original de Orbigny no BMNH 1854.9.4.34. Escala 1 cm.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 3 - 12, 29 set. 1995
Redescrição, distribuição e preferências ambientais de Anodontites ferrarisi ... 7
apresenta o periöstraco coberto do raios finos verdes na ärea proximal dos umbos e tr&s
longos raios verdes no declive posterior.
A presente indicação do paralectótipo de A. ferrarisi apóia-se nos seguintes fatos:
o desenho original da espécie A. ferrarisi na obra de ORBIGNY (1846) apresenta, no
declive posterior, 4 raios coloridos de verde os quais são visíveis apenas no exemplar
menor e não no lectótipo. E provável que para representar a espécie nas ilustrações
ORBIGNY (1846) tenha usado características de ambos os espécimens. O autor de 4.
sirionos menciona no texto a coleta de vários exemplares procedentes de várias localida-
des inclusive de Corrientes (ORBIGNY, 1846). É provável que este exemplar, original-
mente A. ferrarisi, tenha se misturado aos demais exemplares de A. sirionos. JOHNSON
(1971) observa que a pressa de remoção das conchas no BMNH, durante a última guerra
mundial, provocou a mistura de material, apesar da coleção de Orbigny ter sido mantida
sempre em separado.
O material tipo de A. felix Pilsbry, 1896, não foi examinado. A descrição e o dese-
nho apresentados (PILSBRY, 1896:563, fig. 8) são claros o suficiente para reconhecer
com facilidade os raios verdes em forma de curtos “ves” na superfície externa que ocor-
rem no lectótipo, no paralectótipo e nos exemplares observados de A. ferrarisi. Existe
uma grande identidade na forma mais alta do exemplar figurado por PILSBRY (1896:
loc. cit.) com a forma também alta do paralectótipo de 4. ferrarisi (figs. 3, 4), e com a do
material examinado. O material-tipo de PILSBRY (1896) provém de Colônia, Departa-
mento de Colônia, Uruguai, localidade próxima ao Rio Rosário, do mesmo departamen-
to, donde provém o lectótipo de A. ferrarisi e grande número do material examinado.
Figs. 3, 4. Paralectótipo de Anodontites ferrarisi (Orbigny, 1835) (BMNH 1854.9.4.35); 3, vista externa; 4, vista
interna. Escala 1 cm.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 3 - 12, 29 set. 1995
8 MANSUR & OLAZARRI
Restringe-se a localidade-tipo para Arroio Colla, afluente do Rio Rosário, logo a
montante da cidade de Rosário, Departamento de Colônia, Uruguai.
Diagnose. Espécie do gênero Anodontites que se caracteriza por apresentar a con-
cha relativamente robusta e alta, contorno ovalado, sem arestas, umbos baixos, ligamen-
to espesso, cavidade subumbonal rasa, impressão dos adutores bem demarcada e contor-
no regularmente elíptico, perióstraco com a presença de raios verdes. Nácar de cor vari-
ável, azul, verde-amarelo ou rosa geralmente com listras negras concêntricas ou em
zigue-zague geralmente concentradas na região posterior. Distingue-se de A. lucidus
(Orbigny, 1835) por apresentar maior altura, maior espessura da concha e da charneira
incluindo o ligamento e a extremidade posterior com tendência mediana. A Jucidus apre-
senta contorno mais elíptico-alongado e a cor interna tende ao cinza-chumbo ou grafite-
irisdescente. Distingue-se de A. patagonicus (Lamarck, 1819) aA. trapezeus (Spix, 1827)
pela presenca dos raios verdes no periöstraco, pelo colorido e desenhos do näcar, pela
ausencia de aresta no encontro da margem dorsal com a anterior, pelo contorno mais
ovalado e pela pouca profundidade da cavidade subumbonal, pouca altura dos umbos e
pela forma mais elíptica da impressão do músculo adutor anterior que nestas espécies
tende a forma de uma gota.
Redescrição. Concha relativamente alta e robusta, contorno ovalado em vista late-
ral, umbos baixos que se iniciam num bico pouco saliente; linha dorsal curva continuada
pela anterior, regularmente, sem formar ângulo; extremidade anterior situa-se na metade
da altura da concha; borda ventral bastante abaulada com extremidade inferior na metade
do comprimento da concha ou um pouco mais para trás; borda posterior também não
forma arestas no encontro das bordas vizinhas, e sua extremidade, levemente afilada,
com posição mediana ou geralmente um pouco abaixo, não alcançando a quarta parte
inferior da altura.
Perióstraco brilhante, liso, castanho-esverdeado ou amarelado na área central, mar-
rom-escuro, fosco e fortemente demarcado por linhas de crescimento na região periféri-
ca. A área umbonal e central ornamentada por raios fininhos de cor verde que podem
estar anastomosados ou imbricados formando longos “ves”: macroescultura geralmente
presente localizada em certas áreas, principalmente na superfície central e posterior da
concha; formada por várias fileiras radiais de arcos curtos, cujas extremidades estão
tracionadas para cima. Estas fileiras são geralmente intercaladas por raios alongados que
de uma maneira geral fazem lembrar a escultura de Mycetopoda Orbigny, 1835.
Microescultura raramente visível. Quando presente, localiza-se no centro, próximo ao
declive posterior. É composta de aproximadamente 30 estrias por milímetro, que são
pouco evidenciadas. Mais junto as bordas, aparecem faixas longitudinais de estrias curtas
e inclinadas tanto para um lado como para o outro. Estas faixas podem correr justapostas
com a inclinação das estrias em sentidos contrários ou até sobrepostas em sentidos opos-
tos, formando desenhos variados.
A charneira é curva e o ligamento muito espesso, prolongando-se para frente até a
altura da base dorsal do músculo adutor anterior.
Cavidade subumbonal rasa. Nácar brilhante, azulado variando do amarelo ao sal-
mão, ou até ao rosa-vivo. Região posterior iridescente apresentando, às vezes, manchas
ou reflexos verdes. Também apresenta, com fregiiência, linhas concêntricas negras ou
esverdeadas que acompanham o contorno da linha palial e o contorno do músculo adutor
posterior. Podem aparecer, na mesma área ou estendendo-se mais para a frente, linhas
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 3 - 12, 29 set. 1995
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Redescrição, distribuição e preferências ambientais de Anodontites ferrarisi ... 9
escuras em zigue-zague. Borda prismática larga e geralmente mais ampla na região ântero-
ventral. A cor desta borda varia do bege ao verde ou azul. Impressões dos músculos
adutores bem demarcadas e aprofundadas: a anterior tende a forma elíptica ou de
hemicírculo e a posterior, geralmente arredondada. Seio ligamentar bem visível, de for-
ma triangular e alongado no mesmo sentido do comprimento da concha.
Na tabela I, são comparados os parâmetros obtidos em 103 exemplares examina-
dos, com os fornecidos pelos autores: ORBIGNY (1835), PILSBRY (1896) e HAAS
(1969), além das medidas do paralectótipo.
TABELA I. Média, desvio padrão (coeficiente de variação percentual) das medidas (em mm) de 103 exempla-
res de Anodontites ferrarisi (Orbigny, 1835) e medidas fornecidas por PILSBRY (1896), HAAS (1969) e as
dos lectótipo e paralectótipo.
Parâmetros lectótipo paralectótipo PILSBRY HAAS XE (EV%)
Comprimento 87 35 51 Sl 58,9 Roe PRO EÇIBAS)
Altura 52 35 363 33 38,9 + 73 (19,3)
Largura 37 DB 19 18 PAO 6,1 (25,4)
Altura/Comprimento % 59,7 66,0 TALO) 68,6 06/60 E- 4,5 (6,8)
Largura/Comprimento % 42,5 42,0 ENE) 553 A] zer 4,6 (213)
Considerando a larga amplitude dos caracteres medidos como o comprimento, a
altura e a largura da concha, percebe-se que os coeficientes de variação percentual são
relativamente baixos, sugerindo uma pequena dispersão em relação a média, portanto
uma certa estabilidade no caráter.
Considerando os índices obtidos através da relação destes caracteres, observa-se
que os coeficientes de variação percentuais são menores ainda, portanto, de uma consis-
tência aceitável para a caracterização da espécie.
Dados ecológicos. TEISSEIRE (1930:226) referiu que a espécie se encontra em
pequenos arroios de fundo arenoso-limoso e de areia com pedras. BONETTO (1973:23)
considerou ao que denomina de À. felix, que “parece corresponder a una forma de reacciön
de aguas más quietas” (comparando-a com A. lucidus). Devido ao fato de considerar
ambas espécies sinônimas, considera que a presença conjunta de ambas as formas res-
ponde ao aporte das águas em épocas de grandes chuvas.
O autor júnior reuniu dados ecológicos de 33 lugares onde encontrou A. ferrarisi
que apareceu em 8 rios com mais de 15m de largura; em 20 arroios de 5 a 15m de largura
em média, 19 destes com fundos firmes predominantemente arenosos e somente um em
limo brando; em 4 pequenos arroios de mais de 5m de largura, também com fundos
firmes; como exceção de um escoadouro de lago de barragem.
Através destes dados, conclui-se que A. ferrarisi habita ambientes lóticos,
potamótopos de média e grande importância. Instala-se preferencialmente em fundos
firmes com areia grossa, argilas com pouco limo ou também entre cascalho e pedras. A
maior quantidade de exemplares de uma população foi encontrada em pontos onde a
corrente é de boa velocidade, boa transparência da água condutividade e oxigenação,
com baixa demanda bioquímica de oxigênio (DBO).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 3 - 12,29 set. 1995
10 MANSUR & OLAZARRI
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35%
Fig. 5. Ocorrência de Anodontites ferrarisi (Orbigny, 1835). Pontos de coleta nas bacias do Rio Paraná, Rio Uru-
guai, Rio da Prata: 1. Rio Toropi. 2. Rio Ibicuí-Mirim. 3. Rio Ibicuí. 4. Arroio Sanchuri. 5, 6. Arroio Touro Passo. 7.
Rio Ibirapuitä. 8. Arroio Quaraí-Chico. 9. Rio Quaraí, Passo do Leão. 10. Arroio do Chapéu. 11. Fazenda Guabijú.
12. Passo do Valente, Rio Negro. 13. Corrientes, Río Paraná. 14. Río Mirifiay. 15. Arroyo Timboy. 16. Arroyo
Tinguá. 17. Arroyo Toledo. afl. Mocoretá. 18. Río Cuareim, Paso Layado. 19. Arroyo Lenguazo. 20. Timbaúba. 21.
Arroyo Tres Cruces. 22. Arroyo Itapeby. 23. Arroyo San Antonio Grande. 24. Arroyo Cinco Picos. 25. Arroyo
Negro. 26. Arroyo Grande. 27. Río Yi. 28. Arroyo Bequeló. 29. Río Negro. 30. Arroyo Maciel. 31. Punta Gorda. 32.
Arroyo Las Vacas. 33. Río Sta. Lucía Chico. 34. Río Sta. Lucía, Paso de Pache. 35. Riv. de Pando. 36. Río Sta.
Lucía, Buschental. 37. Lagunas, Rincón de Arazatí. 38. Río Rosario. 39. Arroyo Colla, afl del Rosario. 40. Arroyo
Artilleros. 41. Arroyo Artilleros, Santa Ana. 42. Río San Juan, Paso Horqueta. 43. Bahia de Colonia. (Mapa base:
OEA, 1967/68).
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 3 - 12, 29 set. 1995
O E
Redescrição, distribuição e preferências ambientais de Anodontites ferrarisi ... 11
Proporcionalmente, os jovens säo escassos nas suas concentragöes populacionais.
Em fins de agosto, no inverno, alcançam um tamanho aproximado de 2cm de compri-
mento total. Isto faz pensar que os nascimentos registram-se nas temperaturas da prima-
vera na região do Prata.
Distribuição (fig. 5). Ocorre em grande parte dos afluentes do baixo e médio Rio
Uruguai e nos rios e arroios que desembocam diretamente no Rio da Prata, no sul do
Uruguai. No Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, vive nos rios de planície (Pampa) a
sudoeste do Planalto e do Escudo Rio-grandense, principalmente na bacia do rio Ibicuí e
nascentes do rio Negro no município de Bagé. O único registro existente para o rio Paraná,
Corrientes, Argentina é do paralectótipo (ORBIGNY 1846).
Material examinado (103 exemplares). BRASIL. Rio Grande do Sul: [Bacia do Rio Uruguai] São Pedro do Sul, Rio Toropi, lex., 5.1.86,
J. Caon leg., (MCNZ 30019); Rio Ibicuí-Mirim, 1 ex., 15.V1.82, L. Indrusiak leg., (MCNZ 7494); Cacequi, Rio Ibicuí, prox. São Vicente, ponte I.
Ilha-Moreira, 1 ex., 20.11.88, N., M. C. Mansur, J. Olazarri leg., (MCNZ 31001); Uruguaiana, Arroio Sanchuri, Rodovia RS 472, 1 ex., 18.11.88,
N., M. C. Mansur, J. Olazarri leg., (MCNZ 30823); Arroio Touro Passo, 1 ex., M. Bombin leg., (MCNZ 6160), 2 exs, 16.XI1.88, E. Oliveira leg.
(MCNZ 31624), 1 v., 30.1V.89, J. Ferigolo leg. (MCNZ 31737); Alegrete, Rio Ibirapuitã, Passo do Boião, 2 exs, 1.1.70, C. Ribeiro leg., (MCNZ
2735), 2 exs, 7vs, 27.11.75, M. Ribeiro leg., (MCNZ 4014), 1 ex., XII.72, H. Lippold leg. (MCNZ 3898); e 2 exs, 2.VII.74, J. Grazia leg., (MCNZ
30247); Arroio Quaraí-Chico, Parque do Espinilho, 2 exs, lv. 31.X.83, F. Silva leg., (MCNZ 8573) e 1 ex., 15.X1.77, (MCNZ 30299); Rio Quaraí,
Passo do Leão, 1 ex., 29.V.89, E. Oliveira leg., (MCNZ 31830); Quaraí, Arroio do Chapéu, Estância São Roberto, 1 ex., 30.X.69, C. Thomé leg.,
(MCNZ 31669); Livramento, 5º distrito, Fazenda Guabijú, 1 ex., 23.VII.75, Eg. Herpetologia leg., (MCNZ 30336); Bagé, Passo do Valente, afl. do
Rio Negro, 5 exs, 16.1V.88, J. Thomé e eq. leg., (MCNZ 30905) e 1 ex., 26.11.89, N., M. C. Mansur leg., (MCNZ 31595). ARGENTINA. [Bacia do
Rio Paraná] Corrientes: Corrientes, 1 paralectótipo (BMNH 1854.9.4.35); [Bacia do Rio Uruguai] Monte Caseros, Río Mirinay, Paso de la Barca,
lex., 18.XI[.83, V. Leites e J. Olazarri leg., (JOME 74); Arroio Timboy, Paso Nuevo, | ex., 6.VIII.77, J. Olazarri leg., (MHNM, 12292), 3 exs,
19.1V.82, J. Olazarri leg., (JOME 34) e 5 exs, 1 v., (MCNZ 7954); Entre Rios: Federación, Arroyo Tinguá, 14 exs, 4 vs, 2.VII.82, J. Olazarri leg.
(JOME 83) e 2 exs, (MCNZ 31842); Arroyo Toledo, afl. Mocoretá, 3 exs, 4 exs, 21.VIII.82, J. Olazarri leg. (JOME 48) e 3 exs, 2 vs (MCNZ 31841).
URUGUAI [Bacia do Rio Uruguai] Artigas: Río Cuareim, Paso Layado, 3 exs, II.58, W. Caggiano leg., (MHNM 9970), lex., W. Caggiano leg.
(MNHM s/nº), 1 ex., (MHNM 9979), 3 exs, 2.11.59, M. Klappenbach leg., (MHNM 9983); Arroyo Lenguazo, Calpica, sul de Bella Unión, 1 ex.,
20.11.82, A. Oategui leg., (JOME 73); Timbaúba, 2 exs, IX.57, M. A. Monné e J. €. Zorrilla leg., (MHNM 9972) e 1 ex., (MHNM 9977); (JOME
73); Arroyo Tres Cruces Grande, Paso del Cortado, 1 ex., 1 v., 22.1V.82, J. Olazarri leg., (JOME 65); Salto: Arroyo Itapeby, Paso Terrible, 1 ex.,
12.V.78, F. Achaval & J. C. González leg., (MHNM 12334); Arroyo San Antonio Grande, ex ruta 3, 2 exs, 18.X1.84, V. Leites e J. Olazarri leg.,
(JOME 128); Cerro Largo: Arroyo Cinco Picos, afl. do Rio Negro, propriedade de João de Deus, 9 exs, 4 vs, J. Almeida leg., (MCNZ 6431);
Paysandú: Arroyo Negro, 2 vs, IV. 39, R. Vaz-Ferreira leg., (MHNM 9994); Río Negro: Arroyo Grande, 1 ex., XI.64, I. Schulkin leg., (MHNM
9989); Durazno: Río Yi, 20km acima de Durazno, 1 ex., 9.11.60, A. Giordano leg., (MCNZ 31838); Soriano: Arroyo Bequeló, Paso Machuca, 2
exs, 1.1V.85, R. Rosas leg., (JOME 43) e 2 exs, (MCNZ 31844); 1 ex., 2 vs, 6.V1.87, Z. Labadie leg., (JOME 113); Rio Negro, km 60, toma OSE
Mercedes, 1 ex., 26.V1.89, C. Schwegler e D. López Alday leg., (JOME 592); Florida: Arroyo Maciel, Paso Méndez, 1 ex., 26.11.85, A. Giordano
leg., (MCNZ 31839); Colonia: Rio Uruguay, Punta Gorda, 1 ex., IV.59, W. Caggiano leg., (MHNM 9973); Arroyo de las Vacas, Paso del Cerro,
prox. Carmelo, 1 v., 19.1V.85, J. Olazarri leg., (JOME 27) e 1 ex., 1 v (MCNZ 31837); [Bacia do Rio da Prata] Florida: Río Santa Lucia Chico, |
ex. (MHNM 9986); Canelones: Riv. de Pando, 1 ex., 1968, (MHNM s/nº); Río Santa Lucia, Paso de Pache, 1 ex., 13.XI.60, M. Klappenbach leg...
(MHNM s/nº); San José: Rio Santa Lucía, Buschental, 1 ex., X1.57, J. J. Blengini leg., (MHNM 9984); Lagunas Rincón de Arazatí, 1 ex., 25.V.60,
R. Saccone e J. Olazarri leg., (MHNM 3930), 1 ex., 21.XII.58, M. Klappenbach leg., (MHNM 9981) e 3 exs, 27.V.56 (MHNM 9996); Colonia: Rio
Rosario, Lectótipo (BMNH 54.9.4.34, Coll. de Orbigny); Arroyo Colla, afluente do Rio Rosario, Rosario, 4 exs, 2 vs, (topótipos), 15.X11.78, N. e
M. C. Mansur leg., (MCNZ 9038); Arroyo Artilleros, 2 ex., 14.11.61, G. Bayarres leg., (MHNM 3931; MCNZ 3502); Arroyo Artilleros, Santa Ana,
2 exs, 14.11.61, G. Bayarres leg., (MHNM 0970) e balneário Santa Ana, | ex., (JOME 10); Arroyo Artilleros, ruta 1, I ex., 26.11.64, J. Olazarri leg..,
(MHNM 9995); Río San Juan, Paso Horqueta, 1 ex., VII.68, J. Olazarri e D.Garcia leg., (MHNM 9988); Bahia de Colonia, 1 ex., B. Rebuffo leg.,
(JOME 09), 1 ex., (MHNM 9974) e 2 exs, (MHNM 9997).
Agradecimentos. Ao DAAD, Alemanha, pela bolsa concedida. À Dra. Solene Morris do BMNH pelo
auxílio na localização do material-tipo. A Verônica Buckup Deane pelas providências tomadas a fim de possi-
bilitar o estágio em Londres. A Francisco Dreher Mansur pelos cálculos matemáticos.
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Recebido em 1º.02.1994: aceito em 08.08.1994.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 3 - 12, 29 set. 1995
ON THE DISTRIBUTION OF CALLINECTES ORNATUS ORDWAY,1863 AND
CALLINECTES DANAE SMITH, 1869 (BRACHYURA, PORTUNIDAE) IN
THE FORTALEZA BAY, UBATUBA, BRAZIL.
Maria Lucia Negreiros-Fransozo!
Adilson Fransozo!
ABSTRACT
The spatial and seasonal distribution of Callinectes ornatus Ordway, 1863 and Callinectes danae Smith,
1869 on the sublittoral sediments from Fortaleza bay, Ubatuba, SP, Brazil and their reproductive periods were
analysed. The samples were taken monthly throughout the year (from November/88 to October/89), with a
shrimp fishery boat equipped with two otter-trawl. The collects were made in seven subareas considering the
physical features of each one (the depth of the site, the presence of a rocky wall or a beach along the bounderies,
inflow of freshwater, organic content and granulometric composition of the sediment) and the position of each
one in relation to the bay mouth. Both species can be inhabiting anyone subareas. The highest abundance of C.
ornatus was registered in March on subarea 2, while C. danae occured in May on subarea 4. The ovigerous
females of C. ornatus can be captured in deep waters of the bay along the year, with the highest frequency in
summer. The ovigerous females of C. danae occured in low salinities and shallow waters appearing only in
winter. Such facts are probably associated with some habitat partitioning strategy by these species and/or other
Portunidae crabs in the bay.
KEYWORDS. Portunidae, Callinectes, swimming crab, Brazilian coast, distribution.
INTRODUCTION
The studies about the portunids raise a great interest due to their large number of
important species as fishing resource, their wide geographic distribution and to their use
as water mass indicator contributing to determine, together with other organısms, the
biogeographic region of the sea as have mentioned by TAISSOUN (1973).
The Portunidae presents about 300 described species. According to WILLIAMS
(1984) the genus Callinectes Stimpson, 1860 has 14 species confined almost exclusively
to shallow coastal waters. There are 11 species occuring in the Atlantic and 3 in the
Pacific oceans.
The species can be widely or restrictly distributed in function of environmental
factors. The variation of some environmental factors can limit the particular species oc-
1.Departamento de Zoologia - Instituto de Biociências e Centro de Aquicultura - “Campus” de Botucatu, Universidade Estadual Paulista - UNESP,
Caixa Postal 502, 18618-000 - Botucatu, SP, Brasil.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
14 N. - FRANSOZO & FRANSOZO
currence which due to their low tolerance to each factor or to a group of them, appear
more localized or endemical. A species tends to have a particular spatial distribution
pattern in function of environmental gradients, but some biotic factors as predation, food
availability or molting process can influence the species distribution too. However the
relative importance of these selective pressures changes with life history stage (SHIRLEY
et al., 1990). According to RYER et al. (1990) further investigation of the spatial and
temporal aspects of interhabitat movements would greatly increase our understanding of
blue crab population dynamics and interactions within estuarine communities.
As brachyuran crabs present pleopod egg incubation, we can evaluate when the
species are breeding by ovigerous females frequency records in the population. A popu-
lation can present a continuous breeding, if it occurs with the same intensity along the
year; or a periodic breeding if it occurs exclusively, or more intensively, in a specific
season (SANTOS, 1978).
In populational studies, ıt 1s often fundamental to know the kind of reproduction
and the period of its occurrence. This information can be valuable to determine the spe-
cies growth and it is necessary to the governmental fishery control.
This study aims to compare the distribution of Callinectes ornatus Ordway, 1863
and Callinectes danae Smith, 1869 on the sublittoral sediments from the Fortaleza Bay,
Ubatuba, Säo Paulo, in function to some analysed environmental factors. The species
reproductive periods based on ovigerous females occurrence are comparatively analysed
too.
’
MATERIAL AND METHODS
The bay was divided into seven subareas differing in their location to the bay mouth, the presence of a
rocky wall or a beach along the bounderies, the inflow of fresh water, depth, organic content and granulometric
composition of the sediments. Each subarea corresponds to a radial (indicated by roman number), for the
biological sampling and to a station (indicated by a arabic number) for the environmental data (fig. 1). De-
tailed descriptions of the Fortaleza Bay in terms of physical and chemical features are in NEGREIROS-
FRANSOZO et al. (1991).
The description of each subarea is as follows: Subarea 1. The mid-portion between Saco Grande and
Sununga Point. The site is relatively exposed to the open sea and has high wave energy. It is lined by a rocky
coast which acts as a barrier to the water, inducing strong breakers. The mean depth value is 11.2 + 0.9 meters
and the organic content in the sediment is 4.4 + 2.5 %. The predominant granulometric fraction of the sediment
is very fine sand. There is no residential development along the coast in front of this site.
Subarea 2. This site is parallel to Lazaro beach and sheltered by the Sununga Point. This region has
calm water because it is not directed to the bay mouth. In the coast there is a littoral plain with a large number
of residential developments. The mean depth value is 7.0 + 0.9 meters and the organic content in the sediment
is 6.7 + 2.4 %. The predominant granulometric fraction of the sediment is silt-clay.
Subarea 3. This site is parallel to the rocky coast between Domingas Dias and Barra beaches. This
subarea faces the bay mouth and is located on the right side of the estuary. The wave energy of this site is high.
There is no residential development along the coast in front of this site. The mean depth value is 8.5 + 0.9
meters and the organic content in the sediment is 2.3 + 1.3 %. The predominant granulometric fractions of the
sediment are very fine sand and silt-clay.
Subarea 4. It is located in the portion in front of the estuaries (Comprido and Escuro rivers) and directed
towards the bay mouth. The wave energy is relatively low. There are a few residential developments along the
Dura beach which is the nearest this line trawl. The mean depth value is 4.4 + 0.6 meters and the organic
content is 1.8 + 1.3 %. The predominant granulometric fractions are very fine sand and silt-clay.
Subarea 5. This site is located parallel to Fortaleza beach which is sheltered by the Fortaleza Point.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
|
On the distribution of Callinectes ornatus and C. danae... 15
_-Comprido * A- SUNUNGA BEACH
DU Bi LAZARD GERE
“. C- DOMINGAS DIAS BEACH
D- DURA BEACH
. E- FORTALEZA BEACH.
RC . :
BRAZIL
3
6 IHR,
VI SUNUNGA POINT Rs
JE
SACO
FORTALEZA BAY as
menge r,
FORTALEZA Raio
POINT
Fig. 1. Fortaleza bay, Ubatuba (SP) Brazil localization indicating the seven sampled subareas: 1-7 for station and I-
VII for radials.
This subarea has low wave energy because it is not directed to the bay mouth. In the coast there is a littoral plain
with a very few residential developments. The mean depth value is 7.1 + 0.8 meters and 3.5 + 1.4 % of organic
content of the sediment. The predominant granulometric fractions of the sediment are fine and very fine sand.
Subarea 6. This site is located in the middle of the bay. The mean depth value is 11.1 + 1.2 meters and
the organic content of the sediment is 5.1 + 1.8 %. The predominant granulometric fractions are very fine sand
and silt-clay.
Subarea 7. It is located in the bay mouth, between Fortaleza and Grossa Points. The mean depth value
is 13.3 + 1.6 meters and the organic content of the sediment is 4.6 + 3.6 %. The predominant granulometric
fractions are very fine sand and silt-clay.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
16 N. - FRANSOZO & FRANSOZO
Collections were made monthly during one year from November, 1988 to October, 1989 in all subar-
eas. They were made in each subarea one tow per month during the daylight at the high tide. These 84 samples
were obtained by means of a shrimp fishery vessel equipped with paired otter-trawls (3.7 m wide mouth; 15
mm mesh net body; 10 mm mesh cod end liner). The trawl track lasted 23 minutes at 1.47 knots in a constant
speed. Each monthly collections were made on the same day in each subarea to reduce the daily influence of
weather changes on the catches of crabs.
After trawling at a subarea the vessel went back to the mid point of the trawl track, so that the data on
environmental factors could be obtained. In order to record the water temperature, salinity, and amount of
dissolved oxygen, some bottom water was collected with a Nansen bottle and surface water with a bucket from
which water temperature, salinity, and amount of dissolved oxygen were obtained. Temperature (°C) was mea-
sured with a stem thermometer and salinity (%o) with a rephractometer (American Optical).
In order to determine the amount of dissolved oxygen, water was transferred with the aid of a siphon to
Ambergris flasks (250 ml), labeled with the station number. The oxygen content was obtained according to the
method proposed by GOLTERMAN & CLYMO (1969), modified by the addition of sodium azide (NaN,).
Depth was determined at each station by means of a 50 cm graduated rope that was attached to the van-Veen
grab (1/40 m?) used to obtain samples of sediment. In the laboratory, about 300g of sediment were put in a
labeled Petri dish and left in a stove at 70°C, during 72 hours. After drying, the sediment samples were
divided in sub-units from which the amount of organic material was determined and bulk granulometry
analyses were made.
The content of organic matter was obtained by ash-weighing. The granulometric fractions were ob-
tained by the differential sifting, based on the Wentworth scale (WENTWORTH, 1922).
All the swimming crabs in the collections were counted and the sex and maturity stage of each animal
were recorded. If individuals had sealed abdominal somites, they were classified as juveniles according to
TAISSOUN (1970).
The individuals were separated in five groups: adult males (AM); adult females (AF); ovigerous fe-
males (OF); juvenile male (JM) and juvenile female (JF) for which the absolute abundance was calculated
based on the number of swimming crabs registered in each collecting radial per month. The specimens utilized
are maintained in the Collection of the Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade
Estadual Paulista, Botucatu, SP.
The Pearson’s linear correlation was made in order to determine the existence of a correlation between
the absolute abundance of the studied species and each analysed environmental factor (depth, temperature,
salinity, dissolved oxygen, organic material and the seven granulometric fractions of sediments). The canonical
correlation analysis was utilized to determine some probable correlation between the absolute abundance of
each species and an environmental variable set. Two sets of environmental variables were established. The first
one was composed by depth, temperature, salinity, dissolved oxygen and organic material of the sediments and
the second one by the seven granulometric fractions of the sediments. The significance level was verified by
the chi-square test.
The Goodman’s statistical test (GOODMAN, 1964; 1965) was utilized to compare the multinomials
proportions obtained. The comparisons were done among the individuals proportions of the subareas in each
sexual category and among the individuals proportions of the sexual category in each subarea. The statistical
study of the individuals frequency, for both species in the monthly sampled subarea during one year, carried
out by means the Variance Analyses using completely randomized block experiments complemented by Tukey 's
multiple test of comparisons (OSTLE, 1973). For these study the variable “individual frequency” was consid-
ered under the follow transformation = root square of observed value plus 0.5.
RESULTS
The blue crab total number is 2,223 for C. ornatus and 101 for C. danae. The
figures 2 and 3 show the spatial distribution of the total number of captured individuals
in each radial according to each category based on sex, morphological maturity and
ovigerous condition. |
Both species can occur in any sampled subarea. C. danae is most frequent in
subarea 4 while C. ornatus is most often in subarea 2. The spatial distribution of ovigerous
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
On the distribution of Callinectes ornatus and C. danae... 17
=== O Sn ea u eu u nn
RADIALI RADIALI
Ovigerous females9l
Juvenile females 624
o 7,
52.2 Yo VN
j; eax Adult females 270
N Juvenile males 523
Adult males 715
RADIALZ RADIAL RADIALZI Total of individuals
2
25.0% nz 96.2% 27.6 %
N 34.5
750% 2” VAIS ao PEA 2
20.040 250% 62% Ba
RADIAL | RADIALII RADIALIT RADIAL IX
g | Ovigerous females25
Oo
100,0 % ago Juveniles females 3
Adult females 39
u Juvenile males |
Adult males 33
RADIALY
RADIAL ZI RADIAL VII Total of individuals
Figs. 2-3. Spatial distribution: 2, C. ornatus; 3, C. danae.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
18 N. - FRANSOZO & FRANSOZO
Comprido
river
-. Domingas Dias beach
q,
f
xe
FORTALEZA BAY
Poi Grossa
Fortaleza Point Paint
LEGEND
xx C.ornatus
B C dance
Fig. 4. Spatial distribution of the ovigerous females of C. ornatus and C. danae.
females is presented in the figure 4. Juveniles blue crabs were most abundant for both
species in subarea 2 which is characterized by calm waters, sediments with gravel frac-
tions and with the highest organic material sediment content.
The abundance index for the studies species in each subarea (fig. 5) for adult males
and females of C. danae were progressively more abundants in the subareas 4, 3 and 6
while the C. ornatus ones were in the subareas 1, 2 and 5.
The observed seasonal distribution (fig. 6) showed that C. ornatus could be along
the year but C. danae could not. The C. ornatus ovigerous females were captured along
the year with the highest intensity in summer when they appeared in high salinity deep
water. Those of C. danae appear only in winter occurring in low salinity shallow water.
The ovigerous female proportions to the total number ofthem, distributed for each month,
are presented in table I. In the Pearson‘s linear correlation analysis it was verified
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
On the distribution of Callinectes ornatus and C. danae...
o O
Abundance index (Lnlx+1))
[62]
4
N
N N
\ \
0 N N
mono a 2 a io 6 po O 0419 IO
| 1988 | 1989
Months
E C. ornatus C. danae 5
Abundance index (Ln(X+1))
] 2 3 4 5
Fortaleza bay subareas
EE C. ornatus C. dance
[0))
SI
6
Figs. 5-6. Abundance index of C. ornatus and C. danae in the Fortaleza bay, Ubatuba (SP): 5, in each subarea; 6, in
each month.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
20 N. - FRANSOZO & FRANSOZO
significatives coefficients for both species (tables II, III), respectively, for C. ornatus and
C. danae. The species C. ornatus presented significative association with the following
factors: temperature, salinity and some sediment fractions (gravel, very coarse sand, coarse
sand, medium sand and very fine sand) and C. danae with depth, dissolved oxygen con-
tent and only one sediment fraction (very fine sand).
The results of the canonical correlation analysis (tables IV, V) showed the
granulometric sediment fractions set in all individual categories were the most remark-
able coefficients obtained for C. ornatus while C. danae presented significant coeffi-
cients in the first set of variables with the total of individuals and ovigerous females but
did not present anyone significant coefficient with the granulometric sediment fractions
set. The comparison (table VI) made between individuals proportions in each subarea
and each sexual category revealed adult males were predominant in the radial V, but they
did not differ as to III and VI while adult females and ovigerous females were most
abundants in radial I. The radial II presented the highest proportion of juveniles when it
was compared among the others. From the comparisons made between C. danae indi-
viduals proportions, the results showed (table VII) that although adult males were most
abundant in radial III, they only differ from radial V while adult females were most
abundant in radial V, but they did not differ as to radials I, VI and VII. The abundance of
C. danae juveniles in the bay was very low, they only appear in radials II, III and IV.
Table I. Callicnetes ornatus (N=91) and C. danae (N=25) ovigerous females proportions in each collecting
month in Fortaleza bay.
DATE 1988 1989
NOV. DEC. JAN. FEB. MAR. APR. MAY JUN. JUL. AUG. SEP 0O€CT.
C.ornatus 0.11 0.55 13) 2 I Mr Vai © 0 0 0227022
C. danae 0 0 0 0 0 20 2 dO) 2 2 0 0
Table II. Coefficients of Pearson's linear correlation carried out between the absolute abundance of C. ornatus
and the sampled environmental factors for each group of individuals (AM= adult males; AF= adult females; J=
juveniles; OF = ovigerous females; T= total); and the descriptive levels.
COEFFICIENTS
VARIABLES
AM AF OF J T
DEPTH -0.044 0.170 0.179 -0.105 -0.047
TEMPERATURE 0.348** 0.348** 0.192 08307°* BS E
SALINITY -0.267* -0.136 -0.059 -0.255* -0.265*
DISSOLVED OXYGEN 0.176 -0.052 OR -0.122 -0.129
ORGANIC MATERIAL 0.100 -0.028 -0.025 0.110 0.100
SEDIMENT
Gravel 0.503** 0.166 0.038 0.616** STAR
Very Coarse Sand 0.350 0.209* 0.166 0.447** 0.432**
Coarse Sand 0.161 0.411** 0.481 ** 0.125 0.214*
Medium Sand 0.167 0.298* 0.324** 0.134 0.196
Fine Sand 0.052 -0.111 -0.094 -0.003 -0.008
Very Fine Sand -0D37E -0.204 -0.234* -0.224* -0.257*
Silt-Clay -0.095 -0.142 -0.122 -0.069 -0.098
(* P< 0,05; ** P<0,01)
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
On the distribution of Callinectes ornatus and C. danae... 21]
Table III. Coefficients of Pearson's linear correlation carried out between the absolute abundance of C. danae
and the sampled environmental factors for each group of individuals (AM = adult males; AF= adult females;
OF= ovigerous females; J= juveniles and T = total); and the descriptive levels.
COEFFICIENTS
VARIABLES
AM AF OF J T
DEPTH -0.190 -0.154 -0.285** -0.144 -0.255*
TEMPERATURE 0.133 0.072 0.028 0.065 0.086
SALINITY -0.025 0.106 0.051 -0.018 0.051
DISSOLVED OXYGEN Ogre VS 0290 0.007 05125
ORGANIC MATERIAL -0.144 -0.169 -0.239* 0.029 -0.193
SEDIMENT
Gravel -0.082 -0.068 -0.080 -0.004 -0.081
Very Coarse Sand -0.114 -0.007 -0.111 -0.077 -0.105
Coarse Sand -0.132 -0.040 -0.141 -0.087 -0.110
Medium Sand -0.140 -0.064 -0.137 -0.029 -0.118
Fine Sand -0.136 -0.106 -0.125 -0.022 -0.130
Very Fine Sand 09532 0.186 -0.287** 0.020 0.254*
Silt-Clay -0.069 -0.112 -0.139 -0.063 -0.111
(* P<0,05; ** P<0,01)
Table IV. Coefficients of Canonical correlation carried out between the absolute abundance of Callinectes
ornatus and two sets of environmental factors for each group of individuals (AM= adult males; AF= adult
females; J = juveniles; OF = ovigerous females; T= total); and the descriptive levels.
SETS OF
ENVIRONMENTAL COEFFICIENTS
FACTORS
AM AF OF J an
DEPTH -0.010 04659 0.834 -0.208 0.005
TEMPERATURE 0.629 0.815 0.654 0.615 0.705
I SALINITY -0.398 -0.228 -0.122 -0.347 -0.366
DISSOLVED OXYGEN -0.470 -0.041 -0.538 -0.420 -0.358
ORGANIC MATERIAL 0.294 -0.154 -0.255 0.390 0.290
CANONICAL 0.437** 0.428** 0.348NS 0,5932 04235
@OEFICIENT X? 17.061 16.320 10.412 13.328 Se
SEDIMENT
Gravel -0.990 0.236 0.123 0.237 0.978
Very Coarse Sand 1781, -0.875 -0.661 -0.006 -0.031
Coarse Sand -3.983 0.833 1.372 -0.456 0.228
I Medium Sand -6.769 -1.583 -0.940 -0.257 0.080
Fine Sand -6.326 -1.222 -0.478 -0.743 0.006
Very Fine Sand -13.224 -2.555 -1.367 -1.235 -0.197
Silt-Clay 740397 -1.2771 -0.581 -0.421 0.271
CANONICAL 0452: 0.5032 0.080257 0.668977 * 0.635772
COEFFICIENT X? 28.421 30.254 50.562 46.913 41.035
(***P<0,001; ** P<0,01; * P<0,05; NS P>0,05)
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
22 N. - FRANSOZO & FRANSOZO
Table V. Coefficients of Canonical correlation carried out between the absolute abundance of Callinectes danae
and two sets of environmental factors for each group of individuals (AM= adult males; AF= adult females; OF
= ovigerous females; J= juveniles and T= total); and the descriptive levels.
SETS OF
ENVIRONMENTAL COEFFICIENTS
FACTORS
AM AF OF J T
DEPTH -0.613 -0.604 -0.746 -1.025 -0.684
TEMPERATURE 0.183 -0.143 -0.093 0.450 0.083
I SALINITY 0.039 0.349 0.147 0.511 0.205
DISSOLVED OXYGEN -0.809 -0.789 -0.702 -0.081 -0.774
ORGANIC MATERIAL _-0.127 -0.125 -0.245 0.527 -0.158
CANONICAL 0.381* 0.407* 0.480** 0.182NS 0.444**
COEFICIENT X? 12.620 14.562 21.070 2102 17.650
SEDIMENT
Gravel 0.649 0.733 0.534 -0.890 0.109
Very Coarse Sand 0.529 0.345 0.583 0.695 0.097
Coarse Sand 1323) 2.098 1.216 -3.061 0.582
II Medium Sand 2.249 2.472 2.174 0.195 0.594
Fine Sand 1.984 DOM 1.858 -1.542 0.291
Very Fine Sand SS 5.749 5.060 -2.605 PASS
Silt-Clay 2.285 2.098 1.799 -0.955 0.255
CANONICAL 0.325NS 0.272NS 0.395NS 0.180NS 0.322NS
COEFFICIENT X? 8.862 6.101 13.503 2.616 SET
(**P<0,01;* P<0,05; NS P>0,05)
Table VI. Callinectes ornatus. Results of the multinomial proportions comparisons by Goodman’s test (AM
= adult males; AF = adult females; J = juveniles; OF = ovigerous females; T = total); and the descriptive
levels. (The capital letters represent the comparisons between the sexual categories in each radial; the small
letters represent the comparisons between the radials in each sexual categories).
SEXUAL CATEGORIES
RADIALS TOTAL N
AM JM AF JF OF
I 0.250a 0.125a 0.360d 0.130a 0.135b 408
B A B A A
Hu 0.271a 0.283b 0.063a 0.373b 0.010a 899
C C B D A
IH 0.344ab 0.248b 0.089ab 0.312b 0.007a 282
C C B C A
IV 0.236a 0.278ab 0.139abc 0.333b 0.014a u
B B B B A
V 0.493b 0.183ab 0.169bc 0.100a 0.055a 219
C B B AB A
VI 0.367ab 0.189ab 0.143abc 0.291b 0.010a 196
D BC B CD A
VI 0.315a 0.130a 0.239c 0.273b 0.042a 238
é B (o C A
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
On the distribution of Callinectes ornatus and C. danae... 23
Table VII. Callinectes danae. Results of the multinomial proportions comparisons by Goodman’s test. (AM =
adult males; AF = adult females; J = juveniles; OF = ovigerous females; T = total); and the descriptive levels.
(The capital letters represent the comparisons between the sexual categories in each radial; the small letters
represent the comparisons between the radials in each sexual categories).
SEXUAL CATEGORIES
RADIALS ——>—>—>—>—>>—>—>>>>>>>>>———————————————— TOTAL N
AM JM AF JF OF
I 0.250ab 0.0a 0.749ab 0.0a 0.0a 4
AB A B A A
Il 0.400ab 0.200a 0.200a 0.200a 0.0a 5
A A A A A
In 0.500b 0.0a 0.333a 0.056a 0.11 ab 18
B A B A AB
IV 0.203ab 0.0 0.519a 0.013a 0.266b 79
B A E A A
V 0.0 0.0 0.998b 0.0a 0.0a 2
A A B A A
VI 0.400ab 0.0 0.600ab 0.0a 0.0a 10
B A B A A
vu 0.167ab 0.0a 0.833ab 0.0a 0.0a 6
A A B A A
Table VIII. Results of statistical analyses of the mean number of individuals collected in each subarea. (* the
means followed by at least one same letter in the column do not differ as to radial).
RADIAL C. ornatus RADIAL C. danae
(P<0.01) (P<0.05)
IV ale V 0.80a*
VI 3.46ab I 0.86ab
V 3.70ab IN 0.91ab
VI 3.72ab vn 0.94ab
II 4.26ab VI 1.06ab
I 4.48ab III 1.14ab
N 6.84b IV 1.73b
The variance analyses (table VIII) has revealed that the occurrence of individuals
only differs between the radials IV and II for C. ornatus and between the radials V and IV
for C. danae.
DISCUSSION
São Paulo North littoral line is very irregular with many bays which form a great
deal of environmental diversity. Some points of this coast have a little of freshwater
inflow which with another propitious conditions together allow the occurrence of special
kinds of organisms. The Fortaleza bay is no exception.
With reference to the reproductive aspects, in spite of the absence of ovigerous
females in winter, the available obtained data suggest that C. ornatus can reproduces all
the year because it can be found juveniles in all collecting months. With relation to C.
danae the informations obtained show that this species can be reproducing during the
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
24 N. - FRANSOZO & FRANSOZO
winter but it is necessary further investigation because this species is not only distributed
in the bay, but may be in the estuary.
Euryhaline species as C. danae are found in some life phase at low salinity and in
other at high salinity environments (PITA et al., 1985). The same occurs to other
Portunidae species as C. sapidus Rathbun, 1896 studied by CHURCHILL (1919),
DARNELL (1959) and BUCHANAN & STONER (1988) and C. arcuatus Ordway stud-
ied by DEVRIES et al.(1983) and DITTEL et al. (1985).
The C. danae greatest abundance period in the bay is the same of its ovigerous
females. According to GASPAR (1981 unpublished thesis), who studied this species im
the Itiberê river, Paraná (Brazil), C. danae ovigerous females were not founded. It was
supposed that they grow and develop in the coastal rivers and the mature adult females
migrate to sea water to spawn, egg incubation and develop their larvae in the plancton.
After the metamorphosis the juveniles go back to the estuaries and mangrove areas. To C.
ornatus, apparently, these mechanisms do not occur because the species has been very
abundant in while bay for all analysed categories.
BOURGEOIS-LEBEL et al. (1982) studing six species of Callinectes revealed
that each species are predominant in one site of Guadeloupe mangrove swamps but in the
period of the puberty molt the females migrate to the males specific habitat for mate and
so, they move back to their site for spawing and egg incubation.
Although pre-molt and ecdysis occupy a small proportion of a crustacean’s life,
they represent a critical life history event required for growth and, in females of some
species like blue crabs, for mating (WOLCOTT & HINES, 1990). According these au-
thors, because decapod crustaceans tend to hide during ecdysis, there are little about the
microhabitats selection for molting in the literature.
The spatial partitioning of the environment can be also related to the bottom fea-
tures as already been reported by JEFFRIES (1966) for Cancer borealis Stimpson, 1859
and Cancer irroratus Say, 1817. Predation has also a strong influence on habitat selec-
tion (MAJOR, 1977; WILSON et al., 1987 and SHIRLEY et al., 1990).
The distinguished distribution observed in the present work for C. ornatus and C.
danae in the Fortaleza Bay points out a dominance of the first species in a whole bay and
a retaining of the second one neaby the mangrove area.
Another detailed studies about the gonad development, molt cycle and trophic re-
lations for both species associated with their distribuiton patterns can be proper for the
species partitioning habitat knowledgement. According to HINES et al. (1987) data as
these indicate that habitat utilization within estuaries by blue crabs is considerably more
complex than that indicated by the life history paradigm of Callinectes sapidus.
Acknowledgments: To the Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq
and Fundação para o Desenvolvimento da Universidade Estadual Paulista - FUNDUNESP for the grants. To
members of the Group of studies on Biology, Ecology and Culture of Crustacean - NEBECC for helping during
the collections, to Dr. Elizabeth Wenner from the Marine Resources Research Institute, South Carolina Wild-
life & Marine Resource Department for her helpfull suggestions and to Dr. Carlos Roberto Padovani from the
Departamento de Bioestatística, Instituto de Biociências, UNESP for the statistical analyses.
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Recebido em 11.02.1994; aceito em 10.08.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 13 - 25, 29 set. 1995
ZONAÇÃO E ESTRATIFICAÇÃO DA MACROFAUNA BENTICA EM UM
BANCO ARENO-LODOSO DO SETOR EUHALINO DE ALTA ENERGIA DA
BAÍA DE PARANAGUÁ (PARANÁ, BRASIL)
Sérgio Antonio Netto!?
Paulo da Cunha Lana!
ABSTRACT
ZONATION AND VERTICAL DISTRIBUTION OF BENTHIC MACROFAUNA IN A SAND-
MUDDY FLAT IN THE HIGH-ENERGY EUHALINE SECTOR OF PARANAGUÁ BAY (PARANÁ, BRA-
ZIL). Distribution of benthic macrofauna was studied at an unvegetated tidal flat in Paranaguá Bay, Paraná,
Brazil. Sampling was carried out at five tidal levels along a 25m transect. Stratified samples were taken
between 0-50mm and 50-100mm with a 100mm corer. Despite of its sediment homogeneity, the unvegetated
flat was divided in a superior and inferior zone, characterized by similar species composition but distinct
faunal densities.Local macrobenthic zonation patterns were correlated to organic and water content. The bi-
valve Anomalocardia brasiliana (Gmelin, 1791) and an unidentified oligochaete species were significantly
more abundant in higher levels. The surface crawler gastropods Heleobia australis (Orbigny, 1835) and Acteocina
bidentata (Orbigny, 1841) were significantly more abundant at lower levels. Physico-chemical parameters
were clearly stratified, with higher values at surface. Surface strata were characterized by significantly higher
species and total macrofaunal numbers. Deeper layers were numerically dominated by the deposit-feeding
polychaete Heteromastus similis Southern, 1921.
KEYWORDS. Benthic macrofauna, tidal flat, zonation, vertical distribution, Paranaguá Bay .
INTRODUÇÃO
A diversidade e a densidade da macrofauna bêntica podem variar acentuadamente
nas planícies de maré de estuários tropicais e subtropicais (ALONGI, 1990). Parte desta
variabilidade é causada pela presença de vegetação halófita, como manguezais e marismas,
frequentemente caracterizados por padrões de zonação florística, com evidentes reflexos
sobre a fauna. Ao contrário do que ocorre em áreas vegetadas e costões rochosos, a zonação
da macrofauna não é uma feição conspícua em planícies de maré não-vegetadas, muito
embora estas possam apresentar fácies sedimentares bem definidas (WILSON, 1988).
Nestes locais, a zonação da fauna tende a ser mais dinâmica ou inconspícua, tanto no
sentido horizontal como no vertical, devido à capacidade de locomoção, ao hábito críptico
de invertebrados bênticos e à própria exposição a predadores (TAMAKI, 1985;
1. Centro de Estudos do Mar, Universidade Federal do Paraná, Av. Beira-Mar s/n, Pontal do Sul, 83255-000, PR, Brasil.
2. Grupo TOPSUB, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), São José dos Campos, São Paulo, Brasil.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 27 - 37,29 set. 1995
28 NETTO & LANA
LEVINTON et al., 1985; WILSON, 1988).
A maioria dos organismos bênticos de fundos areno-lodosos ou lodosos ocupa
preferencialmente estratos até Scm de profundidade (ROSENBERG, 1974; JOSEFSON,
1991). Características físico-químicas do sedimento, como a distribuição vertical de
oxigênio e da temperatura, além da presença de predadores epi- e infaunais têm sido
sugeridas como fatores determinantes da distribuição vertical destes invertebrados
(WHITLACH, 1980; COULL, 1988).
As relações entre a distribuição das associações macrobênticas e a variação do
nível da maré e profundidade no sedimento receberam considerável atenção em ambientes
temperados (TURNER, 1984; PETERSON & BLACK, 1988; WILSON, 1988). No
entanto, pouco se conhece a respeito do tema em regiões estuarinas tropicais e sub-tropicais
da costa sudeste brasileira (AMARAL, 1979).
Este estudo objetiva descrever os padrões de zonação e estratificação da macrofauna
bêntica em um banco areno-lodoso não-vegetado, no setor euhalino de alta energia da
Baía de Paranaguá, correlacionando a composição específica e a densidade do macrobentos
com a granulometria, grau de umidade do sedimento, teores de matéria orgânica,
temperatura e salinidade, em cinco distintos níveis de maré e em dois estratos, um de
superfície (0-50mm) e outro de subsuperfície (50-100mm).
MATERIAL E MÉTODOS
A Baía de Paranaguá, situada no Estado do Paraná (25º16-34"S; 48°14-42’W), é um complexo estuarino
bordejado por manguezais e marismas. O atual conhecimento do regime hidrológico da baía foi sumarizado
por KNOPPERS et al. (1987). As escassas medidas de correntes de maré indicam que a velocidade pode
atingir 125 cm.s! durante as vazantes. As marés locais caracterizam-se por desigualdade diurna e padrões
aproximadamente semidiurnos durante as amplitudes máximas (2 m). As planícies de marés locais podem ser
constituídas por manguezais, marismas de Spartina alterniflora Loisel e bancos não-vegetados. NETTO (1993)
dividiu as marismas e áreas não-vegetadas adjacentes em três setores distintos, a partir de suas características
físico-químicas e faunísticas. Na porção mais interior da baía, setor mesohalino, os sedimentos são síltico-
argilosos, a riqueza de espécies é baixa e há um predomínio de formas epifaunais. No setor polihalino, como
reflexo das características dos sedimentos, dominados por areia muito fina e mal selecionada, a riqueza de
espécies aumenta, particularmente das formas infaunais. No setor euhalino, junto às barras de acesso, a maior
energia ambiental é evidenciada por sedimentos constituídos por areia fina e bem selecionada.
O estudo foi desenvolvido em um banco areno-lodoso não-vegetado, localizado cerca de 100m a montante
da foz da gamboa Baguaçu, no setor euhalino de alta energia (fig. 1). Segundo LANA & GUISS (1991), a
temperatura do sedimento varia em torno de 19°C no inverno e 34°C no verão; teores de matéria orgânica
podem oscilar entre 0,8 e 4,4%.
Para o estudo da zonação e estratificação do macrobentos, foram realizadas, em 24 de julho de 1990,
durante maré baixa de sizígia, amostragens em 5 níveis da região entre-marés, desde a zona superior de transição
com uma marisma de S. alterniflora (nível I) até o nível 0.0 da tábua (nível V). A cada 5m foram tomadas 5
réplicas estratificadas de O a 50mm e de 50 a 100mm de profundidade com um tubo extrator de PVC de 100mm
de diâmetro (0,008m?). As amostras foram triadas em peneira de malha de 0,5mm e fixadas em formol a 10%.
Em laboratório, os organismos foram identificados e quantificados sob microscópio estereoscöpico Wild MB.
Com exceção de Nemertinea e Oligochaeta (com um morfotipo), todos os grupos macrobênticos numericamente
dominantes foram identificados em nível específico. A coleção estudada encontra-se depositada no Laboratório
de Bentos do Centro de Estudos do Mar , Universidade Federal do Paraná, Pontal do Sul (UFPR).
Para cada nível amostral, foram tomadas 5 réplicas para análise dos sedimentos adjacentes às amostras
faunísticas com um corer de 25mm de diâmetro. Estas foram adicionalmente estratificadas de O a 50mm e de
50 a 100mm, ainda no campo, com auxílio de espátula metálica. O grau de umidade do sedimento foi determinado
pela diferença de peso após 24 h de secagem em estufa a 70°C. Teores de matéria orgânica e carbonatos foram
determinados por combustão, segundo metodologia de DEAN (1974). Análises granulométricas foram realizadas
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 27-37, 29 set. 1995
Zonação e estratificação da macrofauna bêntica... 29
48º40' 48º10'
OCEANO
ATLANTICO
BAIA DE PARANAGUA
Prnasu (O, SS
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Banco não vegetado Mare Baixa
Fig. 1. Macrofauna bêntica de banco entre-marés na Baía de Paranaguá, PR, Brasil: área de estudo com a localização
da transversal.
pelo método de peneiramento, com amostras previamente tratadas com defloculante (HOLME & MCINTYRE,
1971). Em cada nível foi efetuada a coleta de água de percolagäo para determinação da salinidade e registradas
as temperaturas de superfície (0-5 cm) e fundo (5-10 cm) do sedimento.
Como técnica de classificação, objetivando determinar o grau de associação entre estações (modo Q) e
espécies (modo R), foram empregadas análises de agrupamento do tipo hierárquico combinatório, utilizando-
se para a união dos objetos ou descritores a média não ponderada (ROMESBURG, 1984). Como medida de
similaridade foi adotado o índice de Bray-Curtis (WARWICK, 1983).
Análises de variância bifatoriais foram utilizadas com o objetivo de testar diferenças de parâmetros
físico-químicos (diâmetro médio do grão, teor de finos, matéria orgânica, carbonatos e grau de umidade do
sedimento), das densidades de espécies numericamente dominantes e de parâmetros da comunidade (número
total de espécies e de organismos) entre os níveis de amostragem e entre estratos. Os cinco níveis amostrais
(tratamentos) e estratos de superfície e de fundo (blocos) foram considerados fatores fixos. Uma vez detectadas
diferenças significativas (p<0,05), foi utilizado o teste de comparação múltipla LSD (HAIR et al., 1979).
Com o objetivo de avaliar as principais tendências de variação de fatores bióticos e abióticos, as
estações foram ordenadas através da análise de componentes principais aplicada à matriz de correlação (DAVIS,
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 27 - 37,29 set. 1995
30 NETTO & LANA
1973). Em todas as análises, somente foram consideradas as espécies que ocorreram em pelo menos 3 amostras.
As matrizes de dados sofreram transformação prévia do tipo Log (x+1).
RESULTADOS
Parâmetros físico-químicos. A salinidade da água de percolação foi homogênea
nos 5 níveis analisados, variando de 31 a 32 ppm. A temperatura, embora bastante
semelhante em todos os níveis, apresentou uma nítida estratificação, oscilando entre 25 e
26°C em superfície e 22 e 23°C no estrato de 50 a 100mm (tab. 1).
Os sedimentos foram caracterizados como areia fina bem selecionada em todos os
níveis e estratos. Teores de sedimentos finos variaram entre 2,3 e 4,0 %, não apresentando
diferenças significativas entre níveis e estratos (tab. I).
Valores percentuais de matéria orgânica diferiram significativamente entre os níveis
(p<0,001), evidenciando-se um gradiente desde a porção superior do banco, na interface
com a marisma, com média de 4,4%, até o nível amostral mais baixo, com 8,2% (tab. 1).
Teores de matéria orgânica nos estratos superficiais foram significativamente maiores do
que nos inferiores (p<0,001). Verificou-se ainda uma significativa interação entre os fatores
nível amostral e estrato (tab. 1).
A distribuição de carbonatos apresentou tendência semelhante a dos teores de matéria
orgânica, com valores significativamente maiores nos níveis amostrais mais baixos e nos
estratos superiores (tab. 1).
Foram detectadas diferenças significativas do grau de umidade do sedimento entre
os níveis e estratos (p<0,001). Nos níveis mais elevados, o grau de umidade do sedimento
foi em média de 45% e nos níveis mais baixos de 60%. Nos estratos superficiais, foi cerca
de 55% e no mais profundo, 40%. Foi também constatada interação significativa entre os
dois fatores analisados, demonstrando que o grau de umidade do sedimento depende,
tanto do nível de amostragem, como do estrato (p<0,001, tab. D).
Macrofauna bêntica. Foram reconhecidos 36 espécies ou morfotipos para um total
de 1901 organismos coletados, com densidades variando de 1 a 43 inds/0,008 m?. O
poliqueta Heteromastus similis, o gastrópode Heleobia australis e o bivalve Anomalocardia
brasiliana foram as espécies numericamente dominantes, representando mais de 75%
dos organismos coletados. H. australis, forma detritívora, e o bivalve filtrador 4. brasiliana
estiveram praticamente restritos aos estratos superficiais. O poliqueta detritívoro A. similis
foi o organismo numericamente dominante no estrato mais profundo, representando cerca
de 60% dos organismos ali coletados.
No modo-Q, a classificação das estações (fig. 2) evidenciou a separação de dois
grupos ao nível de 55% de similaridade: o grupo 1, constituído por estratos de superfície
e dividido nos sub-grupos la (níveis Ie II) e 1b (níveis III, IV e V); o grupo 2, constituído
por estratos de fundo.
No modo-R (fig. 3), foram evidenciados quatro agrupamentos: grupo A) A. aus-
tralis, A. brasiliana, os poliquetas Sigambra grubii e Polydora websteri Hartman, 1943
e o gaströpodo Acteocina bidentata, caracterizado primariamente pela ocorrência no
estrato profundo, ainda que as espécies referidas apresentem baixas densidades; grupo
B) os poliquetas Prionospio heterobranchia Moore, 1907, Spiophanes sp. e uma espécie
não identificada de Oligochaeta, que apresentaram densidades semelhantes em ambos os
estratos; grupo C) o bivalve Macoma constricta (Bruguiêre, 1792), os poliquetas Glycinde
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 27-37, 29 set. 1995
Zonação e estratificação da macrofauna bêntica... 31
Tabela I. Médias e desvio padrão (entre parênteses) das variáveis sedimentolögicas e faunísticas de um
banco entre-marés na Baía de Paranaguá, Paraná, em julho de 1990, e resultados da análise de variância (ANOVA)
avaliando diferenças entre níveis e estratos. Parâmetros faunísticos definidos como densidade média por 0,008
m?. (NS, diferença não significativa; * 0,05<p<0,01; ** 0,01<p<0,001; *** 0,001<p<0,0001; S, estrato O-
50mm; F, estrato 50-100 mm; X, média; s, desvio padrão).
NÍVEIS DE AMOSTRAGEM VARIAÇÕES
VARIÁVEIS
S -X (s) I II HI IV V entre entre interações
níveis estratos
F-x(s)
Parâmetros do sedimento
Diâmetro médio 2,6 (0,3) 2,6 (0,3) 2,6 (0,3) 2,5 (0,2) 2,6 (0,3) 0,6NS 0,3 NS 0,2 NS
2,5 (0,2) 2,7 (0,2) 2,6 (0,2) 2,7 (0,3) 2,6 (0,2)
Teor de finos (%) 3,2 (0,4) 2,5 (0,3) 2,6 (0,3) 2,5 (0,2) 3,3 (0,5) 0,7NS 0,4 NS 0,5 NS
2,2 (0,6) 3,3 (0,5) 3,3 (0,5) 3,4 (0,6) 3,5 (0,5)
Matéria orgânica (%) 5,7 (0,3) 4,4 (0,4) 9,0 (0,8) 9,6 (0,6) 10,8 (1,1) 37,32** 161*** 8,42**
3,2 (0,1) 3,5 (0,5) 3,3 (0,5) 5,9 (0,4) 5,7 (0,7) S>F
Carbonatos(%) 0,9 (0,2) 0,7 (0,1) 1,1 (0,2) 2,1 (0,4) 2,4 (0,2) 33,61** 39,42** 0,6NS
0,5 (0,1) 0,4 (0,1) 0,5 (0,2) 1,3 (0,4) 1,4 (0,3) S>F
Grau de umidade(%) 58,8 (3,7) 50,3 (3,3) 57,4 (4,3) 66,4 (6,9) 67,6 (5,3) 371*** AS EEE
37,5 2,5) 42,1 3,5) 39,9 (5,1) 52,2 (2,1) 54,6 (4,2) S>F
Parämetros faunisticos
Número de espécies 13,2 (1,3) 12,2(0,9) 13,6 (1,3) 11,8(1,2) 11,8(1,1) 12NS 118,9*** 1,29NS
5,6 (0,6) 3,6 (0,7) 4,6 (0,6) 6,4 (1,0) 4,8 (0,9) S>F
Nümero de organismos 52,8 (9,2) 51,2 (9,4) 82,6 (11) 42,8 (4,2) 46,6 (4,6) 1,09NS 42,9*** 1,16NS
23,2 (7,8) 16,4 (7,2) 21,2 (5,3) 28,8 (8,3) 14,6 (3,4) S>F
Heleobia australis 6,8 (1,8) 6,8 (3,6) 22,4 (5,6) 92(3,3) 15,8 (3,6) 2,8* 124*** 1,9 NS
0,2 (0,2) 0 0 0,6 (0,2) 1,2 (0,9) S>F
Anomalocardia brasiliana 9,8 (3,1) 4,2 (1,4) 7,8 (1,3) 4,8 (0,9) 2,2 (0,8) 2,9* 216*** 4,9**
0 0,2 (0,2) 0 0 0,2 (0,2) S>F
Heteromastus similis 9,2 (3,2) 12,8 (5,9) 20,0 (2,9) 6,6 (1,3) 5,6(23) 1,7NS 0,23NS 1,7 NS
14,4 (6,3) 7,8 (4,2) 10,6 (2,3) 17,0 (6,5) 7,8 (4,0)
Acteocina bidentata 0,2 (0,2) 2,2 (1,3) 4,8 (1,5) 4,6 (0,8) 3,2 (0,5) 3,4* 34,03*** 4,1**
0,2 (0,2) 0,6 (0,4) 0,6 (0,4) 0 1,2 (0,5) S>F
Oligochaeta (indeterminado) 2,0 (1,2) 5,6 (1,8) 2,0 (1,0) 0,4 (0,2) 0 S102E 0,05NS 0,7 NS
0,2 (0,2) 310) 6.0702) 1,2 (0,9) 0,4 (0,4)
multidens (Fritz Müller, 1858) e Lumbrineris tetraura (Schmarda, 1861) e o anfipode
Corophium acherusicum, espécies praticamente restritas ao estrato superficial. Dois taxa
foram considerados não agrupados, H. similis e Nemertinea (um grupo de espécies não
identificadas), com densidades médias mais elevadas no estrato profundo.
Foram verificadas diferenças significativas na densidade de 4 taxa entre os 5 níveis
amostrais. A. brasiliana (p<0,05) e uma espécie não identificada de Oligochaeta (p<0,001)
apresentaram maiores densidades nos níveis mais elevados (tab. I). O gastrópode MH. aus-
tralise o Acteocina bidentata, por outro lado, apresentaram maiores densidades nos níveis
amostrais mais baixos (tab. I). O número total de espécies e o número total de organismos
não variaram significativamente entre os níveis analisados.
A comparação entre estratos demonstrou uma distribuição preferencial de quase
todos os taxa na camada superficial. Os números totais de espécies e de organismos
foram significativamente maiores no estrato de O a 5cm. Apenas os poliquetas
Heteromastus similis, Polydora socialis (Schmarda, 1861) e Oligochaeta não apresentaram
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 27 - 37,29 set. 1995
32 NETTO & LANA
diferenças significativas entre os estratos (tab. I).
Interações significativas entre níveis e estratos foram constatadas para Macoma
constricta, Acteocina bidentata e para o poliqueta Glycinde multidens (tab. 1).
Na análise de componentes principais (fig. 4), as variáveis e estações foram
projetadas simultaneamente em um mesmo plano fatorial, com o objetivo de facilitar a
interpretação e melhor evidenciar as correlações das espécies e fatores físico-químicos
dos diferentes níveis e estratos. Os dois primeiros eixos explicaram 93% do total da
variância. O eixo I (84%) evidenciou o grau de umidade e número total de organismos
como principais responsáveis pela variância. O segundo componente, responsável por
apenas 9% da variância total, apresentou como variáveis de maior peso o gastrópode A.
australis e o bivalve A. brasiliana. A análise evidenciou a separação das amostras de
estações grupos
DISSIMILARIDADE (%)
Fig. 2 Análise de agrupamento da macrofauna bêntica de banco entre-marés na Baía de Paranaguá, PR, Brasil: 2,
modo Q; 3, modo R.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 27-37 , 29 set. 1995
Zonação e estratificação da macrofauna bêntica... 33
espécies grupos
Heleobia australis
Anomalocardia brasiliana
Sigambra grubii A
Polydora websteri
Acteocina bidentata
Heteromastus similis
Nemertinea
Prionospio heterobranchia
Spiophanes sp. B
Oligochaeta
Macoma constricta
Glycinde multidens
Corophium acherusicum
Lumbrineris tetraura
DISSIMILARIDADE (%)
Fig 3. Análise de agrupamentos da macrofauna bêntica de banco entre-marés na Baía de Paranaguá; PR, Brasil:
modo R.
superfície, associadas ao maior número de espécies e teores mais elevados de matéria
orgânica, e as amostras de fundo associadas a H. similis.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 27 - 37,29 set. 1995
34 NETTO & LANA
If
if
vf
“vt
H.similis
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componente Il
componente |
Fig. 4. Análise de componentes principais nos modos Q-R da macrofauna bêntica do banco entre-marés na Baía de
Paranaguá, PR Brasil. (s, estrato de 0-50mm; f, estrato de 50-100mm; nº sp, número de espécies; nº org, número
total de organismos; tº, temperatura; mo, teor de matéria orgânica; tu, teor de umidade no sedimento).
DISCUSSÃO
Padrões de zonação da macrofauna bêntica de bancos não-vegetados de regiões
entre-marés são, primariamente, associados a diferenças na textura do sedimento, tolerância
a dessecação, salinidade e temperatura (BERTRAN, 1984; TURNER, 1984; REISE, 1985;
KOH & SHIN, 1988).
POSTMA (1988) dividiu a região entre-marés em dois grandes grupos de acordo
com a textura do sedimento. No primeiro grupo, o tamanho da partícula diminuiria dos
níveis mais baixos até os superiores pela perda de energia da corrente de maré, à medida
em que esta percorre o banco tipicamente de grande extensão. No segundo, característico
de bancos estreitos, em geral com menos de Ikm, o tamanho do grão aumentaria dos
níveis de maré mais baixos para a parte superior, devido ao aumento da ação das correntes
pela rápida diminuição da profundidade.
Fatores físicos-químicos como salinidade e temperatura podem afetar padrões de
zonação em sedimentos arenosos ou areno-lodosos, principalmente em bancos de grande
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 27-37 , 29 set. 1995
Te —e ——
Zonação e estratificação da macrofauna bêntica... 35
extensão (KOH & SHIN, 1988). O tempo de exposição de planícies de maré com declive
pouco acentuado e de grande extensão tende a ser maior, originando desta forma gradientes
bem definidos de temperatura e salinidade.
Os resultados deste estudo indicam que o banco não-vegetado do setor euhalino de
alta energia da Baía de Paranaguá, embora com características texturais semelhantes em
todos os níveis de maré analisados, pode ser dividido em duas zonas superficiais distintas:
uma superior (níveis I e II) e outra inferior (III, IV e V). Em planícies de maré desta
natureza, com largura aproximada de 20m, o tempo de exposição parece não ser suficiente
para acarretar mudanças significativas na temperatura e salinidade, com consegüentes
variações faunísticas.
Teores de matéria orgânica, carbonatos e o grau de umidade do sedimento foram
significativamente maiores nos níveis de maré mais baixos. Aumento nos teores de matéria
orgânica e grau de umidade do sedimento, em geral, ocorrem com a diminuição do diâmetro
médio da partícula sedimentar (NEWELL, 1972; RISK & YEO, 1980). O fato dos teores
de matéria orgânica apresentarem um nítido gradiente, variando de 4,8% no nível supe-
rior a 10% no inferior, apesar da homogeneidade textural, deve-se provavelmente ao
carreamento de detritos orgânicos dos manguezais e marismas de S. alterniflora
encontrados na porção superior do banco não-vegetado.
Os gastrópodes detritívoros H. australis e A. bidentata apresentaram densidades
significativamente mais elevadas nos níveis de amostragem mais baixos. A distribuição
horizontal destas formas detritívoras esteve positivamente correlacionada com os teores
de matéria orgânica e com o grau de umidade do sedimento.
Os resultados das análises de agrupamento e de componentes principais
evidenciaram primariamente a divisão da associação em grupos de superfície e fundo. O
grupo de superfície, com maior número de espécies e maior densidade de organismos,
apresentou formas exclusivas deste estrato, como o bivalve Anomalocardia brasiliana e
o poliqueta predador Sigambra grubii. A espécie epifaunal H. australis poderia ser também
incluída neste grupo, uma vez que sua ocorrência em estratos subsuperficiais foi
provavelmente artefato de técnica, devendo-se provavelmente à contaminação das amostras
durante o processo de estratificação em campo. Estratos subsuperficiais, com poucas
espécies presentes, foram caracterizados pela dominância numérica do poliqueta detritivoro
H. similis. Verificou-se ainda, a existência de taxa que ocuparam ambos os estratos, sem
marcada preferência, como espécies não identificadas de Nemertinea e P. heterobranchia.
A distribuição vertical dos invertebrados bênticos é geralmente influenciada pela
disponibilidade de oxigênio no sedimento, indiretamente evidenciada pelo perfil de oxi-
redução (FLINT & KALKE, 1986; COULL, 1988). Embora não se tenha medido
diretamente este perfil, foram observadas nítidas diferenças de coloração no sedimento,
mais escuro no estrato de 50 a 100mm, como evidência das condições redutoras.
As maiores densidades de H. similis no estrato mais profundo podem ser reflexo de
uma maior tolerância da espécie a condições anóxicas. Da mesma forma, o hábito
subsuperficial da espécie pode constituir um refúgio contra predadores epifaunais, que
atuam preferencialmente nos estratos superficiais do sedimento (VIRNSTEIN, 1977;
HOLLAND et al., 1980; BEMVENUTI, 1988).
Análises experimentais desenvolvidas no setor euhalino (NETTO & LANA, 1994)
evidenciaram que as densidades de Heteromastus similis, após perturbações artificiais do
sedimento, retornaram aos níveis iniciais em menos de dois dias. Desta forma, a
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 27 - 37,29 set. 1995
36 NETTO & LANA
distribuição preferencial do detritívoro H. similis no estrato subsuperficial poderia
minimizar, no caso desta espécie, o efeito de perturbações em pequena escala do sedimento,
muito fregientes em regiões entre-marés areno-lodosas ou lodosas, devido à ação de
macropredadores epifaunais.
Em síntese, o banco areno-lodoso estudado, apesar da homogeneidade textural do
sedimento, dividiu-se em uma zona superior e uma inferior, caracterizadas por um estoque
de espécies semelhantes, mas densidades significativamente diferentes. Os padrões de
zonação do macrobentos local estão primariamente correlacionados com os teores de
matéria orgânica e com o grau de umidade do sedimento. Parâmetros físico-químicos
analisados apresentaram-se também claramente estratificados, com maiores valores em
superfície. Os invertebrados bênticos locais podem ser classificados como exclusivamente
de superfície, preferencialmente de superfície, preferencialmente de fundo e organismos
que podem ocupar ambos os estratos do sedimento.
Agradecimentos. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo
financiamento deste trabalho. Ao Dr. Carlos Alberto Borzone pela leitura crítica e sugestões e ao barqueiro
Abrão Pereira de Campos pelo auxílio durante as amostragens.
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Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 27 - 37, 29 set. 1995
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NEST ARCHITECTURE OF THE STINGLESS BEE PLEBEIA POECILOCHROA
MOURE & CAMARGO, 1993 AND RELATED CONSIDERATIONS
(HYMENOPTERA, APIDAE, MELIPONINAE)'
Patricia M. Drumond?
Luci R. Bego?
Gabriel A. R. Melo°
ABSTRACT
Nests of Plebeia poecilochroa Moure & Camargo, 1993 were collected from hollows in house walls
and earth banks in Guarapari, Espirito Santo, Brazil. The nest entrance is a small circular hole, surrounded by
dark resin and with no outer tube. The brood cells are arranged in regular horizontal combs (sometimes in
spirals), and are not surrounded by an involucrum. Numerous pillars connect the brood combs to each other, to
lateral parts of the nest and to the storage pots. Observations under laboratory conditions on the behavior of the
virgin queen and swarming are also reported.
KEYWORDS. Hymenoptera, Apidae, Meliponinae, virgin queens, nest structures.
INTRODUCTION
The genus Plebeia Schwarz, 1938 (s. str.) contains about 27 described species
(CAMARGO, 1989) and the nest architecture of 11 species has been reported: P.
domiciliorum Friese, 1900; P. droryana Friese, 1900; P. emerina Friese, 1900; P. frontalis
Friese, 1911; P. minima Gribodo, 1893; P. molesta Puls, 1869; P. mosquito Smith, 1863;
P. remota Holmberg, 1903; P. tica Wille, 1969 (original data or references in WILLE &
MICHENER, 1973); P. julianii Moure, 1962 (JULIANI, 1967) and P. wittmanni Moure
& Camargo, 1989 (WITTMANN, 1989). Nests of these bees have the architecture found
in other stingless bees, but by the brood cells arrangement, they can be separated in two
groups, one containing the cluster-makers (P. domiciliorum, P. minima, and P. tica) and
the other, the comb-makers. Further differences can be found when the nests are observed
and described carefully, and this makes the sum of the characteristics of nest architecture
an important source of taxonomic traits.
1. Pesquisa financiada pelo CNPq e FAPESP.
2. Departamento de Biologia, Setor Ecologia, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo, Av.
Bandeirantes, 3900, CEP 14040-901 - Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. E-mail: pdrummon@cat.cce.usp.br.
3. Departamento de Biologia Geral, Universidade Federal de Viçosa, CEP 36570-000 - Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Present address: Snow
Entomological Museum - Snow Hall - University of Kansas - Lawrence, KS 66045, USA.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 39 - 45, 29 set. 1995
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This paper describes the nesting biology of Plebeia poecilochroa, a species recently
described from the state of Espírito Santo, Brazil (MOURE & CAMARGO, 1993).
MATERIAL AND METHODS
Four nests were collected in Guarapari (20°40’S; 40°28’W), Espírito Santo, Brazil, on 6 and 7, September,
1990 (nests 40, 41, 42) and January, 1992 (nest 70). The nests were transferred to wooden boxes observed at
the bee laboratory and voucher specimens were deposited in the collection of Joao Maria Franco de Camargo
(Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, São
Paulo, Brazil). The following structures were measured and described: nest entrance, brood cells, pollen and
honey pots, resin and waste stores, pillars of cerumen and the virgin queen imprisonment chamber.
RESULTS
Nests 40, 41 and 70 were in walls of buildings in the city. Nest 40 was removed
from a mud brick in a wall in the center of the city; nest 41 occupied the inner cavity of a
cement brick (figs. 1, 2); nest 70 was in a hollow within a cement wall. Nest 42 was
removed from an abandoned ant-chamber in a bank along a path in a small forested area
near the city. In two days of observations in Guarapari, we found 10 additional nests, all
downtown 1n walls of inhabited houses.
Under natural conditions, the outer entrance was a simple hole, 2.5 mm in diameter,
not extending outside, and surrounded by dark resin, allowing space for only one guard
bee (fig. 1). In the laboratory, a transparent plastic tube (diameter, 12mm) was used to
connect the nests to the external environment. The entrance of the tube was narrowed by
the workers to a central hole with 3mm in diameter. As under natural conditions, this
narrowing was by means of a black resin wall. In the colonies under laboratory conditions,
this small entrance was closed at night with a fine partition of perforated resin, probably
mixed with small amounts of other material.
There was a rigid entrance tunnel of black resin within the nest cavity of all nests,
terminating in the storage pot area. Between the entrance and the brood chamber, there
were pollen and nectar pots. The pollen and nectar pots were homomorphous and oval
(each one being about Icm in diameter and 1.5cm long). The cavity occupied by nest 41
was an regular parallepiped (about 15cm long, 8.5cm wide and 5.0 cm deep), and was
completely filled by the storage pots and the brood cells. The nests in narrow and irregu-
lar cavities (40 and 70) had additional storage pots behind the comb area. In the nests
under natural conditions, the cavity walls were covered with a black resin layer, similar
to that forming the entrance tunnel.
The brood cells were arranged in regular horizontal combs or in spirals (nest 70,
under laboratory conditions). In all the nests, there was no involucrum covering the combs,
except for a simple layer covering the lower half of the brood combs in nest 41. In nest 40 |
there were two combs, eight in nest 41, only the upper one bearing newly built cells, and |
six in nest 42 and under laboratory conditions a maximum of six combs. Also, there was
no involucrum covering the brood chamber (nests 40, 42 and 70) and the nests as a whole |
had no involucrum. However, nest 41 continued to have one sheet of thick cerumen
surrounding the brood area with pupae. The growth of the brood combs was concentric in
the beginning, but further, shifted toward lateral growth.
The brood cells were elongate, the male and worker ones being about 2mm in
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Figs. 1-2. Nest of Plebeia poecilochroa Moure & Camargo, 1993 (nest 41); 1, outer entrance; 2, nest architecture.
Abbreviations: co, combs, gu, guard bee; in, involucrum; pi, pilars; po, pollen and nectar pots.
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diameter and 4mm height and the royal cell (nest 41) about 3mm in diameter and 8.5mm
long.
Both in the laboratory and the field, each nest had only one resin storage area,
always located at the bottom of the nest cavity, and 3-4 dumping places localized in the
lateral floor under the brood combs. All nests had numerous pillars connecting the brood
combs to each other, to lateral parts of the nests and to the storage pots. Similar pillars
connected the food pots to the lateral walls of the nests.
Two nests kept in laboratory (nests 42 and 70) had one oval virgin queen
imprisonment chamber, constructed with cerumen and connected to the wall of the hive.
They were as dark as the old combs. In nest 70 this imprisonment chamber had a small
hole where the workers frequently inserted their heads. In nest 42, the imprisonment
chamber was always closed.
Some aspects of swarming were observed in nest 70. A virgin queen was seen
inside of the imprisonment chamber on February 4, 1992. We also noted a large number
of males in all colonies of P. poecilochroa. On February 6 a virgin queen was observed
walking in the colony, probably the same virgin queen seen in the imprisonment chamber
since on February 7 demolition of this chamber had begun. The workers did not court the
new queen and no aggressiveness detected. The mated queen was present, and had
interrupted her oviposition. On February 7, some workers were observed leaving the
colony with their corbiculae filled with cerumen and in some cases with distended
abdomens. On February 27 a new nest was found 40 meters from nest 70 inside a cement
block.
We did not record the presence of male and worker agglomerations around the
nest. The final observation of nest 70 was on March 31 and the end of swarming probably
was on March 28. On April 24 the new nest was transferred to an observation hive. It had
four brood combs, a mated queen, some food pots, resin, and some workers.
Bees were timid and non-agressive when the nests were opened. This reaction
corresponds to type 1 according to WILLE & MICHENER (1973).
DISCUSSION
Our data do not permit conclusions about the nesting sites of P. poecilochroa in
natural situations. One of us (GARM) has collected five nests before this study, two
within house walls in the city and three within burrows in earth bank in the same area
where nest 42 was collected. These data could be considered as evidence that this species
uses burrows in the soil as nesting sites. However, we did not look for nests in other
substrates, like tree trunks. Some species are known to be plastic in selection of the nest
substrate. Tetragonisca angustula Latreille, 1811, for instance, usually nidifies in tree
cavities, but also can be found nesting in man-made walls and in burrows in banks (WILLE
& MICHENER, 1973). A similar behaviour could be present in P. poecilochroa, which
under natural conditions could nest in tree trunks.
The nest architecture of P. poecilochroa is similar to that of P. remota (WILLE & |
MICHENER, 1973; V. L. I. - Fonseca personal communication) and P. julianii (JULIANI, |
1967) in which the nests include a pile of horizontal combs, generally not surrounded by |
sheets of cerumen forming an involucrum. However, an involucrum formed by one or
two thicker layers of cerumen is sometimes constructed mainly in autumn, close to the
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combs with pupae in P. remota (V. L. I. - Fonseca, personal communication). In P.
poecilochroa only one colony of the four produced a similar involucrum. The workers
constructed an irregular small, thick involucrum of cerumen surrounding about 3/4 of the
comb with pupae. The nests of these three species present numerous pillars of cerumen
connecting the storage pots with brood combs, and the latter with each other and the
walls of the nest (JULIANI, 1967; V. L. I. - Fonseca, personal communication).
The involucrum is absent in the nests of nearly all species that arrange brood cells
in cluster, presumably as an adaptation to nesting in restricted cavities, but is present (one
layer, sometimes incomplete) in Austroplebleia australis Friese, 1898 and in the related
A. cincta Mocsäry in Friese, 1898 from Australia (MICHENER, 1961). The involucrum
is sometimes absent in some species that arrange cells in combs, but this absence is not
necessarily a specific character (KERR et al. 1967; CAMARGO, 1970). In most cases
where a nest of a comb-making meliponine 1s known to lack an involucrum, other nests
of the same species have the involucrum (WILLE & MICHENER, 1973).
According to WITTMANN (1989) in nests of Plebleia wittmanni Moure &
Camargo, 1989 the brood is not surrounded by an involucrum. This combmaker species
is restricted to the southeastern region of the State of Rio Grande do Sul (Brazil), and its
nests are situated in cracks of granite blocks and in house walls. That author suggests that
the high thermal capacity of granite, where this species prefers to nest, may keep the
temperature inside the nest rather constant and independent from short term changes in
ambient temperature. The absence of an involucrum in this species is probably an
adaptation to the use of small cavities as nesting substrate.
A more general function commonly postulated for the laminate batumen and
involucrum is protection against temperature fluctuations. WILLE & MICHENER (1973)
suggest that this seems probable, specially when layers are numerous. This point of view
is supported by numerous enveloping sheets characteristic of exposed nests (except for
those of some Paratrigona Schwarz, 1938 in partially shaded places). The total thickness
is greatest on the upper part of the nest, as in Trigona corvina Cockerell, 1912, supporting
the idea that the layers is important for insulation.
Regarding P. poecilochroa, it is difficult to suggest any temperature control because
the observations during winter were carried out in observation hives heated to 28°C, and
in this case, the workers did not stop construction. Perhaps under natural conditions, the
nesting places are selected according to their protection from temperature fluctuations,
and it is also possible that the nest cavities are small enough to allow the bees to regulate
the internal temperature of the nest. Guarapari is situated on the coast and has a mild
climate.
The imprisonment of virgin queens of P. poecilochroa in oval chambers made mainly
with dark cerumen were also found in Tetragonisca angustula (JULIANI, 1962), Plebeia
droryana (JULIANI, 1962), P emerina (MOURE et al., 1958), P. julianii (JULIANI,
1962; 1967), P. remota (JULIANI, 1962; IMPERATRIZ-FONSECA et al. 1975),
Friesella schrottkyi Friese, 1900 (JULIANI, 1962; CAMILLO-ATIQUE, 1977),
Schwarziana quadripunctata Lepeletier, 1836 (CAMARGO, 1974; V. L. I. - Fonseca
personal communication) and in Frieseomellita varia Lepeletier, 1836 (TERADA, 1972).
In T. angustula the chambers can be round-shaped or elongated (JULIANI, 1962).
In P. droryana the chambers have various shapes, and in some cases this species uses
empty or partially built food pots as virgin queen imprisonment chamber; in other cases,
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when they are constructed, the chamber is gourd-shaped (JULIANI, 1962). In £. julianii
the virgin queen imprisonment chambers are made close to storage pots or between the
brood combs. The virgin queens stay recluse inside of the imprisonment chambers for
variable periods (4 months, 79 days, 14 days or only 1 day). When the imprisoned virgin
queen dies the chamber is demolished (JULIANI, 1967).
IMPERATRIZ-FONSECA et al. (1975) found three chambers in one colony of P.
remota. They also observed trophallaxis between virgin queens and workers and in some
cases there was aggressiveness by the virgin queens toward workers. In one colony of F.
schrottkyi observed by CAMILLO-ATIQUE (1977), the virgin queen imprisonment
chambers were built on the bottom of the colony. The virgin queen stayed inside the
chamber and was kept by five to eight workers. The chamber had one or two holes that
sometimes could be closed. After 10 days the queen was killed by the workers. In S$.
quadripunctata, N. L. I. - Fonseca (personal commnication) found in a single colony two
gynes of different sizes imprisoned. She also reported that the chambers were demolished,
probably when swarming occurred.
According to TERADA (1972), in F. varia the virgin queens expel any worker who
tries to stay close to the chambers. In this case, the workers maintain the chamber which
protects the virgin queen against aggressive workers and the mated queen.
In all species mentioned above the chambers have small holes to feed the virgin
queens, and in most cases such virgin queen imprisonment chambers are built before
swarming or when the mated queen is replaced by a new one.
Some virgin queens can be killed by the workers with pellets of resin, probably
when these queens are in excess. According to SAKAGAMI (1982) in Frieseomelitta
varia about twenty nurse-age workers encircling the prison do not allow the approach of
other aggressive workers or of the mother queen to the prison. These paradoxal attitudes
of workers to virgins are possibly governed by two antagonistic tendencies: aggression
toward virgins and security for reserve queens, although precise motivational analysis
has not been performed.
We were not able to observe the details of the swarming process in P. poecilochroa.
The virgin queen imprisonment chamber was built before the swarm departed. The
relationship between the new nest and the mother nest (at least 51 days), a relatively long
time, as in some other species observed by NOGUEIRA-NETO (1954) [for instance,
Tetragonisca angustula (67 days), and Melipona favosa orbignyi Guérin 1844, (about 5
months)]. V.L.I. - Fonseca (personal communication) reports that in Schwarziana
quadripunctata this period was 76 days. Shorter periods were found in Plebeia mosquito
(26 days) and Friesella schrottkyi (22 days) by NOGUEIRA-NETO (1954), in
Frieseomelitta varia (2-3 days) by TERADA (1972), and in Tetragonula laeviceps Smith,
1857 (about 7 days) by INOUEetal. (1984). It is possible that this period varies according
to the species and is dependent on the strength of the mother colony. More information is
needed to clarify this question.
Acknowledgments. To C. D. Michener (University of Kansas - USA) and F. A. Silveira (University of
Kansas - USA) for their helpful suggestions to the original manuscript and S. Mateus for technical help.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 39 - 45, 29 set. 1995
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Nest architecture of the stingless bee Plebeia poecilochroa... 45
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OVICÁPSULAS DE PROSOBRANQUIOS (MOLLUSCA: GASTROPODA) DE
UNA PLAYA ARENOSA EXPUESTA DEL SUR DEL BRASIL
Carlos Alberto Borzone!
ABSTRACT
EGG CAPSULES OF PROSOBRANCHS (MOLLUSCA: GASTROPODA) OF AN EXPOSED
SANDY BEACH FROM SOUTHERN BRAZIL. The egg capsules of 8 prosobranch mollusks (Olividae,
Columbellidae and Turridae) inhabiting an exposed sandy beach in southern Brazil are described and illustrated
for the first time. A great reproductive plasticity was showed by prosobranchs living in this particular habitat,
from species with little eggs (125p) that derived in a planktotrophic veliger, to species with big eggs (>500 u)
that completed its development within the capsule, hatching as a miniature adult (“direct” development). The
latter species, characteristic of this environment, showed a high specificity in the substratum selection. This
behavior results very advantageously considering the long time involved in this type of development and the
continuous movement of substrata due to wave action.
KEYWORDS. Prosobranchs, egg capsules, reproductive strategies, sandy beach, Brazil.
INTRODUCCIÓN
Los gasterópodos prosobranquios contituyen un grupo de organismos bentónicos
representados en el litoral somero marino de casi todas las costas del mundo. La gran
plasticidad reproductiva que poseen ha motivado la realización de abundantes estudios,
siendo un grupo frecuentemente utilizado en la interpretación de la ecología larvaria de
los invertebrados bentónicos (THORSON, 1950; MILEIKOVSKY, 1971). La
encapsulación de huevos y embriones en ovicápsulas segregadas por una porción especi-
alizada del oviducto, es más una regla que una excepción, encontrándose especialmente
difundida entre los meso y los neogasterópodos, existiendo una completa revisión del
tema en PECHENIK (1986).
Una de las ventajas de la encapsulación sería la de aumentar la protección y la
supervivencia de los embriones (SPIGHT, 1975; PECHENIK, 1979). La posibilidad de
elegir un substrato específico para depositar los huevos también puede resultar altamente
ventajoso. Según D'ASARO (1986) esta elección no es aleatoria, ya que en muchas
especies existiría una gran influencia del substrato utilizado para la postura en la
supervivencia del embrión. Pocos estudios han sido realizados, sin embargo, como para
fundamentar esta hipótesis. En playas arenosas expuestas, donde existe un contínuo
1. Centro de Estudos do Mar, Universidade Federal do Paraná. Av. Beira Mar s/nº, CEP 83255-000, Pontal do Sul, Paranaguá, PR, Brasil.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 47 - 58, 29 set. 1995
48 BORZONE
movimiento del sedimento debido a la acción de las olas, la elección de un substrato
específico para la postura sería necesaria para garantizar la supervivencia del embrión
durante su desarrollo.
Se describen las posturas halladas en la zona infralitoral de una playa arenosa
expuesta, haciendo especial referencia al tipo de substrato utilizado para la colocación de
las mismas, y analizando su relación con el desarrolo del embrión y la distribución espa-
cial de la especie. Se incluyen también breves descripciones del desarrollo embrionario
observado en laboratorio.
MATERIAL Y MÉTODOS
El litoral del estado de Rio Grande do Sul (Brasil) se caracteriza por poseer, en toda su extensión, una
playa de arena expuesta. Entre las pocas interrupciones de esta extensa playa se destaca la barra de Rio Grande,
conexión del sistema hidrológico Patos-Mirim con el océano Atläntico (fig. 1). El litoral adyacente a dicha
barra mantiene las características de una playa de arena expuesta a la continua acción de olas, influenciada sin
embargo por la descarga del sistema hidrológico. Los valores de salinidad del agua costera presentan importan-
tes variaciones ao lo largo del ciclo anual, com mínimos de 17%o en el invierno y máximos de 30%o en el
verano. Los sedimentos infralitorales entre los O - 5 m de profundidad están compuestos por arenas cuarzosas
muy finas (media = 3,26 ®) y muy bien seleccionadas (desviación estándar = 0,21 ©); a mayores profundida-
des, aumenta la heterogeneidad, encontrándose desde sedimentos arenosos hasta sedimentos fangosos (media
= 6,6 a 8,40) y mal seleccionados (desviación estándar = 2,7 a 3,20) provenientes de la descarga lagunar
(BORZONE & GRIEP, 1991).
La playa presenta la mayor parte del tiempo, estados morfodinámicos disipativos, caracterizados por la
presencia de olas medianas (1 a 2,5m de altura), quebrando a 200-500m de la costa, arena fina abundante y con
2 a 5 bancos de arena paralelos a la línea de playa. En relación a estas características físicas, el infralitoral fue
dividido en diferentes zonas, existiendo una estrecha relación entre esta zonación y la distribución espacial de
las diferentes especies de gasterópodos (BORZONE, 1991) (fig. 2).
El material estudiado fue colectado entre los afios de 1986 y 1989, por medio de una draga ancla del
tipo “Spatangue” modificada de marco rectangular de 40 x 15 cm. Los arrastros fueron realizados en estacio-
nes fijas dispuestas entre los 3 y los 12m de profundidad, abarcando el litoral desde el balneario São José do
Norte (32°4’S, 52°O’W) hasta los restos del navio “Altair”, varado 20km al sur de la barra de Rio Grande
(32°16°S, 52º 15’W). El material obtenido entre los O y los 3m de profundidad proviene de dragados realizados
en las localidades conocidas como Terminal Turístico, Querencia y Sarita, todos al sur de la barra (fig. 1).
Tanto las posturas como ejemplares adultos fueron colocados en acuarios para observación. El desarrollo
de algunas especies fue seguido colocando posturas en cápsulas de petri con agua marina filtrada y esterilizada,
renovada cada dos días. Una sola especie desovó en acuario; la identificación específica de las restantes postu-
ras fue realizada analizando la coocurrencia y las abundancias entre adultos y posturas, y comparando las
protoconchas de embriones y reclutas eclosionados en acuario, con los reclutas y juveniles obtenidos en el
ambiente natural. Las medidas de la protoconcha, diámetro máximo y número de vueltas, fueron obtenidas
según JABLONSKI & LUTZ (1980).
Posturas, reclutas y juveniles de cada especie fueron depositados en la colección del Museo Oceano-
gráfico de Rio Grande (MORG, Rio Grande, RS, Brasil). La posición sistemática de las especies, asi como
referencias a la distribución geográfica, pueden consultarse en RIOS (1985).
RESULTADOS
Olivancillaria deshayesiana (Duclos, 1857) (MORG 27800). Raramente excede
los 30mm de longitud, este Olividae se encuentra desde la zona de rompiente externa
hasta profundidades de 12m, mostrando grande abundancia por detrás de la última
rompiente, y en la denominada zona de aguas someras (fig. 2).
Fueron colectadas posturas durante todo el ano, siendo particularmente abundantes
durante los meses de agosto, septiembre y octubre. Las mismas están formadas por
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 47 - 58,29 set. 1995
Ovicápsulas de prosobranquios (Mollusca: Gastropoda)... 49
=
BRASIL
Figs.1-2. Litoral adyacente a la barra de Rio Grande, RS, Brasil, y localidades de muestreo. A, restos del navio
“Altair”; B, barra de Rio Grande; Q, Querência; S, Sarita; SJ, São José do Norte; T, Terminal Turístico. 2. Zonaciön
física del infralitoral de una playa arenosa expuesta en Rio Grande, RS, Brasil, y distribución de algunas de las
especies. De Aa F: arrastros realizados a 463 (A), 926 (B), 1390 (C), 1853 (D), 2780 (E) y 3706 (F) metros de la
costa; S, arrastros realizados a 100 metros de la costa, abarcando profundidades entre O y 3m. AP, aguas profundas;
AR, aguas someras; Kd, Kurtziella dorvillae; Oa, Olivancillaria auricularia; Oc, O. carcellesi; Od, O. deshayesiana;
Oui, O. uretai; RE, rompiente externa; RI, rompiente interna. Linea punteada, ovicápsulas; línea llena, ejemplares
mayores de 10mm; línea quebrada, ejemplares menores de 10mm (solamente para O. uretai).
ovicápsulas adheridas a la concha de ejemplares vivos de Buccinanops moniliferum
(Valenciennes, 1834) (Colubrariidae) y B. duartei Klappenbach, 1961. No fueron halladas
posturas en otro tipo de substrato ni en ejemplares muertos de las especies mencionadas.
Sobre un total de 129 ejemplares con posturas (1640 ovicápsulas), solamente un 3% fue
“hallado en B. duartei, existiendo una clara preferencia por ejemplares de B. moniliferum
mayores de 25mm (tab. I). Las ovicápsulas se encuentran adheridas a la espira o a la
región dorsal del último anfracto. Suelen estar formando grupos sin que exista una clara
separaciön entre estos, y siendo muy común la mezcla de grupos de ovicápsulas llenas
con vacías.
Ovicápsula en forma de semiesfera, con el diámetro máximo en la base de adhesión
al substrato. (figs. 3-4; tab. II). Una sutura la divide en una porciön basal y una dorsal.
Una rugosidad en los lados se extiende a lo largo de la superficie de la porción dorsal,
denominada opérculo, que se desprende con relativa facilidad. Son traslúcidas a
ligeramente blanquecinas, con una textura lisa y paredes rígidas que no se deforman
cuando son presionadas. La pared presenta estructura similar en toda la ovicápsula,
midiendo entre 100 y 127 nen la base, y entre 127 y 150p en el opérculo.
Existe un único huevo por ovicápsula, con diámetro variando entre 800 y 900p. El
desarrollo embrionario mostró la secuencia descripta por FIORONI (1967) para huevos
ricos en vitelo (protolecíticos). A la segmentación espiral le sigue la formación de la
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 47 - 58, 29 set. 1995
50 BORZONE
concha embrionaria (protoconcha I) que es visible en un polo del huevo (fig. 8). La
formación de pie y velo en la velígera incipiente, precede a la total incorporación del
vitelo, formando un típico estadío donde se distinguen dos grandes masas vitelinas,
ligeramente estranguladas a la altura de la boca del embrión (fig. 9). A medida que se
completa el desarrollo, el restante vitelo es incorporado (fig. 10). La velígera avanzada
posee los lobulos del velo simples y de tamafio pequefio (fig. 11). El desarrollo se com-
pleta hasta la formación de un reptante intracapsular (figs. 5-7), produciéndose posterior-
mente la eclosión con el desprendimiento total del opérculo. El juvenil recién eclosionado,
con una longitud variando entre 1,4 y 1,6mm es extremamente activo y posee un opérculo
vestigial. Ovicápsulas con huevos indiferenciados mostraron eclosión en un estadío
reptante a los 80 días.
La protoconcha del individuo recién eclosionado es globosa, com diámetro máxi-
mo de 1,29mm y entre 1-3/4 y 2 vueltas. Las formas reptantes intracapsulares poseen un
surco en los últimos 0,2mm de la sutura, que caracteriza el crecimiento de la teloconcha
en el adulto. La aparición de este surco podria relacionarse con el momento de la
metamorfosis del estadío de velígera intracapsular en individuo reptante, y su presencia
antes de la eclosión indicaria la existencia de un cierto crecimiento como reptante
intracapsular.
Olivancillaria auricularia (Lamarck, 1810) (MORG 27801). Adultos entre 40 y
70mm de longitud, ocupa la zona de rompiente y realiza incursiones alimentarias en el
mesolitoral (zona de barrido), depredando sobre crustáceos y bivalvos (GIANUCA, 1983).
Las posturas fueron colectadas durante todo el afio, entre O y 2 m de profundidad, mos-
trando mayores abundancias de noviembre a marzo. Estän formadas por una, o muy
raramente dos ovicápsulas adheridas a delgados fragmentos calcáreos de moluscos. Estos
fragmentos o clastos, homogéneos en sus dimensiones (tab. III), son de forma alargada y
con bordes desgastados. La ovicápsula se encuentra siempre en la superficie convexa
ocupando una posición cercana al borde.
Ovicápsulas redondeadas o esféricas, con amplia base de adhesión la cual posee un
estrangulamiento de diámetro menor que el resto de la esfera (figs. 12-13; tab. II). De
color blanquecino y textura apergaminada, se deforman fácilmente cuando son presionadas.
Con sutura y opérculo en la superficie dorsal o lateral de la esfera. La pared posee entre
76 y 120u de espesor.
Tabla I. Substratos utilizados por Olivancillaria deshayesiana para las posturas, colectadas en Rio Grande, RS,
de agosto 1986 a mayo 1988. L, longitud; NC, número de ovicäpsulas; NS, número de ejemplares con oviposturas.
Substrato NS (Jo) NC (Jo)
B. moniliferum 96 (74,4) 1463 (89,2)
(L>25mm)
B. moniliferum 19 (14,7) 121 (7,4)
(10<L<25mm)
B. moniliferum 10 (7,7) 34 (2,1)
(L<10mm)
B. duartei 4 (3,2) DD; (1,3)
(L>20mm)
Total 129 1640
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Ovicápsulas de prosobranquios (Mollusca: Gastropoda)... 51
Tabla II: Dimensiones de las ovicäpsulas en especies del género Olivancillaria, colectadas en Rio Grande, RS,
de agosto, 1986 a mayo, 1988: ALT, altura; DMX, diámetro máximo; DOP, diámetro máximo del opérculo (en
O. carcellesi figura el diámetro mínimo de la ovicápsula). Medidas en mm; media + desviación estándar (valor
máximo y mínimo); n, número de ovicápsulas.
Especie
O. deshayesiana
DMX
2,66 + 0,25 (3,3 - 2,0)
DOP
222005209215)
ALT
SEND)
n 28 n 28 n 28
O. auricularia 2,08 + 0,15 (2,4 - 1,8) 1,64 + 0,11 (2,0 - 1,4) 1,72 + 0,14 (2,0 - 1,6)
n 57 ns n 50
O. uretai 133=#0:.07.455- 152) 1,10 + 0,09 (1,3 - 0,9) 1.14 = 0/074(12:=0:D)
n4l n4l n 32
O. carcellesi 1,76 +0,11 (2,1 - 1,5) ola (To IA!) 152382008 (847179)
n 43 n 18 n 18
Tabla III: Dimensiones de los tres ejes de clastos o fragmentos calcáreos utilizados por Olivancillaria auricularia
y O. uretai como substrato para la postura, colectados en Rio Grande, RS de octubre, 1988 a octubre, 1989.
Medidas en mm; media + desviación estándar (valor máximo y mínimo); n, número de fragmentos.
Largo Intermedio Corto
O. auricularia 11,03 + 2,45 (16 - 6) 6,80 + 2,16 (13 - 3) 0,94 + 0,25 (2 - 0,4)
n52 n52 n 52
O. uretai 5,92 + 1,79 (10 - 3) 3,26 + 1,03 (6-1) 057230,151(097203)
n 49 n 49 n 49
Existe un único huevo por ovicápsula con diämetro variando entre 880 y 1000 un.
Material recolectado en campo, presentó eclosiön de un reptante después de 40 días.
Estos reclutas, similares a los de O. deshayesiana, midieron entre 1,62 y 1,75mm de
longitud y un diámetro de la protoconcha de 1,25mm y 1-1/2 de vuelta (figs. 14-16). La
teloconcha de los juveniles se caracteriza por presentar una mayor deposición de material
en la espira, la cual queda rápidamente oculta, formando una protuberancia más alta que
en la especie anterior.
Olivancillaria uretai Klappenbach, 1965 (MORG 27802). Adultos no mayores de
35mm, se encuentra desde la zona de rompiente hasta profundidades de 12m. Las tallas
menores de 10mm muestran una clara zonación, siendo más abundantes en profundida-
des de 3 a 6 metros, en la zona de rompiente externa (fig. 2).
Las posturas fueron colectadas junto con las de O. auricularia. Al igual que en esta
especie, se encuentran exclusivamente en fragmentos calcáreos desgastados de conchas,
siendo éstos de menor tamafio que en el caso anterior (tab. III). Cada fragmento presenta
solamente una ovicápsula ubicada en el borde, y mas raramente en la superficie convexa.
Las ovicápsulas, esféricas, de color blanquecino a levemente traslúcidas, de textu-
ras flexible apergaminada y con una sutura (figs. 17-18), son similares a las de O.
auricularia, de las que se diferencian por su menor tamano (tab. II). La pared delgada,
con espesor de 37 a 63u. Cada ovicápsula posee un único huevo con diámetro entre 640
y 800u. Se han encontrado embriones reptantes dentro de las ovicápsulas, con una con-
cha de contorno esférico y con una longitud entre 0,87 y 0,75mm (fig. 19). En reclutas y
Juveniles, la protoconcha es violäcea vitrea, sin surco en la sutura y con diámetro máxi-
mo de 0,89mm, con 1-1/2 a 1-3/4 de vuelta. La deposiciön de carbonato sobre la espira en
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el adulto es tenue, rellenando la sutura de la teloconcha y dejando al descubierto una
espira cónica, de base ancha. El color blanco de la teloconcha en los juveniles resalta aún
más el violáceo que mostraron la mayoría de los ejemplares en la protoconcha.
Olivancillaria carcellesi Klappenbach, 1965 (MORG 27803). Adultos entre 30 y
54mm de longitud, se encuentra en la zona de aguas someras, por detrás de la rompiente,
siendo más abundante en profundidades mayores de 9m. Las posturas fueron colectadas
durante los meses de noviembre y diciembre, en profundidades de 7 a 1 Im, en la mayoría
de los casos junto con juveniles y adultos. Están formadas por grupos de ovicápsulas
adheridos a la superficie de ejemplares vivos de otros gasterópodos, habiéndose registra-
do posturas en tres Buccinanops moniliferum (72 ovicäpsulas) y en dos Olivella plata
(Ihering, 1909) (8 ovicäpsulas).
Ovicäpsulas globosas o esféricas, de textura lisa, y con paredes flexibles y
trasparentes que permiten la observaciön del interior (figs. 20-21; tab. II). Poseen una
fina pared con espesor entre 25 y 35u, una delicada base de adhesión y una sutura, no
siempre distinguible, que se ubica en el diámetro máximo de la ovicápsula. En su interior
se encuentra un único huevo con diámetro de 950p. El desarrollo es similar al descripto
para O. deshayesiana. Cuatro ovicápsulas, con estadío inicial de trocófora, presentaron
un estadio de velígera incipiente a los 3 días y uno de veligera avanzada con todo el vitelo
incorporado a los 7 días. La eclosión de un reptante se produjo a los 24 días. Los reclutas,
similares a los de O. deshayesiana, tuvieron una longitud de 1,5 a 1,6mm y una protoconcha
con un diámetro mayor de 1,3lmm y con 1-1/2 vuelta (fig. 22-24). La teloconcha de
estos reclutas mostró una fuerte coloración marrón obscura, característica de juveniles y
adultos de esta especie, al alcanzar los 2mm de longitud.
Olivella formicacorsii Klappenbach, 1962 (MORG 27805). Olividae, adultos
midiendo entre 7 y 12mm, colectados en único arrastre en noviembre de 1988, a una
profundidad de 1,5m (zona de rompiente interna). La postura, formada por 1 a 16
ovicápsulas, se encuentra adherida a la región del callo del propio ejemplar adulto (fig.
25). Fueron colectados 10 ejemplares con postura, todos con una longitud mayor de
1Omm. Las ovicápsulas son de forma ovalada, textura lisa, paredes flexibles, y sin sutura
o abertura de escape en su superficie (figs. 26-27). Poseen un diámetro mayor de 1,23mm
y un diámetro menor de 0,85mm. Con un único huevo midiendo entre 375 y 400u de
diámetro, rodeado de una substancia granulosa blanquecina que forma una pared interna
en toda la ovicápsula. La pared externa, transparente y contínua, posee una espesor me-
nor de 25p.
Fueron hallados desde huevos en estadíos indiferenciados hasta formas reptantes.
En este último caso, la pared de la ovicápsula se encuentra solamente formada por la capa
externa transparente, mostrando el futuro recluta en su interior. Este último presenta una
protoconcha con un diámetro máximo de 0,75mm, y un surco profundo formando la
sutura (figs. 30-32). En los juveniles, el limite entre la protoconcha y la teloconcha es |
muy tenue y no siempre identificable. Algunos ejemplares mostraron un diámetro máxi-
mo de protoconcha de 0,875 mm, con 1-1/4 de vuelta. Esta pequefia diferencia nos indicaría
que la eclosiön se produce en un estado reptante.
Olivella plata (Ihering, 1909) (MORG 23806). De dimensiones similares a la especie
anterior, fue colectado en profundidades de 8 a 12m, durante el mes de diciembre de
1985. Como en O. formicacorsii, la postura se encuentra en el callo del adulto. Las
ovicäpsulas son de forma ovalada, con una delicada base de adhesiön y sin sutura o |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 47 - 58, 29 set. 1995
Ovicápsulas de prosobranquios (Mollusca: Gastropoda)... 53
abertura de escape (figs. 28-29). Posee un único huevo de 600u diámetro; y en la pared se
distingue una sola capa contínua y totalmente trasparente, con un grosor menor de 25p.
Sobre un total de 7 ovicápsulas, dos contenían un embrión reptante, con una concha de
iguales dimensiones a las halladas en la protoconcha de formas juveniles. Esta midiö
entre 0,62 y 0,75mm de diämetro máximo y presentó 1-1/4 a 1-1/5 de vuelta. La eclosiön
Figs. 3-24. Ovicápsulas y desarrollo. Olivancillaria deshayesiana: 3, vista dorsal; 4, vista lateral; 5-7, concha de
reptante intracapsular; 8, formación de protoconcha y primordio de pie y velo; 9, desarrollo del velo y pie en una
velígera incipiente; 10, incorporción del vitelo; 11, velígera avanzada. Olivancillaria auricularia: 12, vista dorsal;
13, vista lateral; 14-16, concha de reptante intracapsular. Olivancillaria uretai:17, vista lateral; 18, vista dorsal; 19,
concha de reptante intracapsular. Olivancillaria carcellesi: 20, vista lateral; 21, vista dorsal; 22-24, concha de
reptante intracapsular. Figs. 3-16, 17-24 misma escala. (Escala = Imm).
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54 BORZONE
se produce en un estado reptante.
Parvanachis isabellei (Orbigny, 1841) (MORG 27808). Columbellidae; adultos
menores de /mm, con amplia distribución batimétrica, siendo colectados desde la zona
de rompiente hasta profundidades de 12m, con las mayores abundancias a partir de los 8
metros. Las posturas fueron colectadas durante todo el ano, siendo especialmente abun-
dantes de enero a abril. Están formadas por grupos de ovicápsulas que se disponen de
forma contigua sobre la superficie de diferentes subtratos (fig.33). Sobre un total aproxi-
mado de 39000 ovicápsulas, 40% fue hallado en fragmentos o valves enteras de diferen-
tes especies de bivalvos, siendo las más comunes Mactra isabelleana Orbigny, 1846,
Amiantis purpuratus (Lamarck, 1818) y Tellina spp. Fue hallado 37% sobre la superficie
de restos vegetales de macrofitas en diferentes estados de degradación, provenientes de
los sacos y lagunas costeras del sistema Patos-Mirim. Otro 14% fue hallado sobre los
tubos de diferentes especies de poliquetos sedentarios, tanto en los fragmentos de con-
chas de los tubos formados por Diopatra viridis Kingber, 1865 y Australonuphis
casamiquelorum Orensanz, 1974, como sobre los granos de arena aglutinados de los
tubos de Sthenelais limicola (Ehlers, 1864), Sabellaria bella Grube, 1870 y otros. El
restante 9% fue hallado en substratos variados, como huevos de elasmobranquios,
hidrozoos y diversos residuos plásticos. La cantidad de ovicápsulas por substrato es
variable, llegändose a hallar hasta 3000 en una sola concha de Mactra isabelleana.
Las ovicápsulas, totalmente transparentes, tienen la forma de un cono truncado,
con una base midiendo entre 230 y 250u de diámetro, una altura de 170u y un diámetro |
superior entre 180 y 200p (fig. 34). Una membrana o collar circunda y delimita la superficie |
dorsal, la cual presenta una delicada lámina transversal. Toda esta superficie se desprende |
en el momento de la eclosión. Cada ovicäpsula posee un único huevo de 125u de diámetro. |
Varios adultos colocados en acuario depositaron ovicápsulas tanto en conchas de M. |
isabelleana (colocadas como substrato) como en la propia pared del acuario. El desarollo |
mostró las primeras divisiones a las 24 horas, una larva trocófora a los 5 días y la eclosión |
de la larva velígera a los 15 días. La concha de esta última midió 0,2mm de diámetro ||
mayor y presento 1-1/4 de vuelta (figs. 35-36). El desarrollo se completaría en el plancton |
con estadío larval planctotrófico, ya que los menores reclutas obtenidos en el ambiente, |
con una longitud aproximada de 1,5 a 2mm, mostraron una protoconcha con 0,87 mm de |
diámetro mayor y 4 vueltas. |
Kurtziella dorvillae (Reeve, 1845) (MORG 27810). Turridae, no mayor de mm.
de longitud, fue colectado desde los 4 hasta los 12m de profundidad. Las posturas, halladas |
de forma ocasional, son características de la familia Turridae (AMIO, 1963;
PENCHASZADEH, 1982) y fueron atribuidas a esta especie por ser el representante de. |
la familia más abundante en el área estudiada.
La postura está formada por ovicäpsulas individuales, adheridas a fragmentos 1 irregu-
lares de conchas y a tubos de poliquetos. Tienen forma de semiesferas aplanadas, con un
diámetro en la base variando entre 0,82 y 1,15mm, una altura entre 0,25 y 0,45mm, y una |
pequefia abertura de escape en la superficie dorsal con diämetro entre 0,15 y 0,27mm (figs.
37-38). En su interior se encuentran de 14 a 34 huevos, con un diämetro de 125p, existiendo!
una relación positiva entre el diámetro mayor de la ovicápsula y el número de huevos. La
pared de la ovicäpsula posee entre 25 y 51y de espesor, presenta una abertura de escape con
un tapón hialino. La protoconcha de juveniles, con un diámetro máximo de 0,725 mm y 3-,
1/2 a 4 vueltas, indica que esta especie presenta un desarollo larval planctotrófico.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 47 - 58,29 set. 1995
EEE ==
Ovicäpsulas de prosobranquios (Mollusca: Gastropoda)... 55
Figs. 25-38. Ovicäpsulas y desarrollo. Olivella: 25, disposiciön de la postura de O. formicacorsii en un ejemplar
adulto; 26-27, vista de una ovicäpsula; 28-29, ovicäpsula de O. plata; 30-32, concha de reptante intracapsular de O.
formicacorsii. (Escala = Imm). Parvanachis isabellei: 33, postura; 34, detalle de ovicäpsula; 35-36, concha de
veligera recién eclosionada. (Escala = 0,2mm). Kurtziella dorvillae: 37-38, vista dorsal y lateral de una ovicäpsula.
(Escala = 0,5mm).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 47 - 58, 29 set. 1995
56 BORZONE
DISCUSIÓN
En los neogasterópodos, la forma de la ovicápsula suele tener un carácter genérico
y/o específico. En una misma família existen formas muy diversas que reflejarían una
tendencia evolutiva, desde ovicápsulas primitivas (lenticulares con la base adherida al
substrato) hacia ovicápsulas pedunculadas (PONDER, 1973). Muchos autores han bus-
cado agrupar las ovicápsulas de diferentes especies en grupos morfológicos determina-
dos. En las cuatro especies de Olivancillaria existe un patrón morfológico similar al
descripto por BANDEL (1976), tomando como referencia a Olivella perplexa Olsson,
1956. Estas ovicápsulas se caracterizan por un opérculo que se desprende en el momento
de la eclosión. La pared, gruesa y compleja, está formada por varias capas, existiendo una
interrupciön en las capas externas que permite el desprendimiento del opérculo.
Ovicápsulas de este grupo son producidas por O. pusilla (Marrat, 1871), O. mutica (Say,
1822) (PAINE, 1962), O. fulgurata (A. Adams & Reeve, 1853) (AMIO, 1963) y
O .biplicata (Sowerby, 1825) (EDWARDS, 1968). Otro grupo, formado por Olivella plata
y O. formicacorsii, presenta ovicápsulas más simples. Son esferas ovaladas, sin opérculo,
con una delgada pared y una pequefia base de adhesión. Esta morfologia podría estar
relacionada a la existencia de protección parental de la postura, que es depositada en el
callo materno, ya sea por medio de la expansión del borde del manto o bien de la superficie
lateral del pie. La ovicápsula de Olivancillaria carcellesi, en donde no existe un opérculo
bien definido, representaría una forma intermedia entre estos dos tipos.
Las ovicápsulas de Parvanachis isabellei formarían un grupo dentro de los
Columbellidae caracterizado por un collar rodeando la abertura de escape (BANDEL,
1974). A este grupo pertenecen las ovicápsulas descriptas para Costoanachis sertulariarum
Orbigny, 1841 (BANDEL, 1974), Nitidella ocellata (Gmelin, 1791) y Anachis sp.
(RAEIHLE, 1969), Anachis obesa (C.B. Adams, 1845) y Anachis sparsa (Reeve, 1859)
(BANDEL, 1974) y Columbella fuscata Sowerby, 1832 (HOUSTON, 1976).
Entre las especies estudiadas, coocurrentes de un mismo ambiente de playa, están |
representados los más variados tipos de desarrollo. Por un lado, huevos pequenios de |
125u, colocados en forma individual (P. isabellei) o en número de 10 a 30 por ovicápsula |
(Kurtziella dorvillae) están asociados a un corto desarrollo (10 a 15 días) con eclosión de |
una larva velígera planctotrófica. Huevos grandes, entre 600 y 1000u, sin substancias
alimenticias extravitelinas están presentes en especies con un largo tiempo de desarrollo |
(no menor de 25 días) y eclosión de una forma reptante (Olivancillaria spp. y Olivella |
plata). Existe un desarrollo donde el embrión se alimenta con substancias extravitelinas
en forma de albúminas (Olivella formicacorsii?) o por huevos nutricios, como es el caso
de Buccinanops moniliferum y B. duartei (PENCHASZADEH, 1971a, 1971b), en los |
que el tamafio del huevo no está directamente relacionado con la forma de desarrollo. |
Existe una estrecha relación entre el tamafio del huevo, y la duración y el tipo de |
desarrollo larval. Estos últimos, a su vez, están relacionados con el grado de especificidad |
en la elección del substrato para la postura. Esta especificidad es baja, substratos diversos |
y de dimensiones variables, en aquellas especies con desarrollo de corta duración y eclosión |
de una larva pelágica (P. isabellei y K. dorvillae). Estas especies presentaron una amplia |
distribución batimétrica, siendo tambien abundantes en la plataforma continental interna |
(ABSALÃO, 1991). En contraste, aquellas especies con desarrollo “directo” y de larga |
duración (Olivancillaria spp.) mostraron una alta especificidad en la elección del substrato. | |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 47 - 58,29 set. 1995 N
Ovicápsulas de prosobranquios (Mollusca: Gastropoda)... 57
En una playa de arena expuesta como la estudiada, habitat característico de estas últimas
especies, no existe una gran disponibilidad de substratos duros para las posturas, ya que
los pocos objetos disponibles sufren rodamientos y desplazamientos hacia la parte subaérea
de la playa, por efecto de la acción de las olas (RIEDL & McMAHAM, 1974). En estos
ambientes, una elección aleatoria del substrato sería altamente desventajosa, especial-
mente considerando los largos tiempos de desarrollo registrados y el consiguiente au-
mento de las posibilidades de movilización de las posturas a locales desfavorables.
En Olivancillaria deshayesiana y O. carcellesi la postura es depositada en otros
gasterópodos, mostrando la primera una gran preferencia por una única especie. La elección
de ejemplares vivos de otra especie coocurrente aseguraría la permanencia de la postura
en el mismo local del adulto. Comportamiento similar fue hallado por AMIO (1963) para
Olivella fulgurata, que deposita ovicápsulas en ejemplares vivos de Proclava kochi Thiele,
1929, y también por BANDEL (1976) para O. perplexa que deposita en ejemplares vivos
de Conus jaspideus Gmelin, 1791. Este tipo de especificidad en la elección del substrato
está acentuada por el fenómeno de postura contagiosa, donde diferentes hembras
contribuyen con sus posturas para una misma masa ovígera. Este no sería el caso de
Olivancillaria auricularia y O. uretai, en donde la alta especificidad en la elección de un
único substrato para cada ovicápsula, estaría básicamente relacionada a comportamientos
manipulativos por parte de las hembras. Las características de los fragmentos escogidos
indican que estos permanecen rodando y desgastándose entre los bancos de arena de la
zona de rompiente, siendo difícilmente transportados fuera del agua (GREENWOOD &
MITTLER, 1979). La pared flexible de la ovicápsula evitaría el desprendimiento de la
misma durante el movimiento del fragmento. En aquellos casos en que las ovicápsulas
son colocadas en el callo materno, el desarrollo también se completa hasta la eclosión de
una forma reptante en el mismo local donde se encuentran los adultos. Este sería el caso
de Olivella formicacorsii y O. plata, y de todas las especies del género Buccinanops
descriptas hasta el momento (PENCHASZADEH, 1971a, 1971b, 1973), entre las cuales
se encuentran B. duartei y B. moniliferum, especies características de la zona de rompiente
y de la zona de aguas someras (respectivamente) de los ambientes de playa expuesta del
atlántico sudoccidental (BORZONE, 1991).
Agradecimientos. A los biólogos Paulo J. Parreira Santos y Laura M. Torneiros por el material cedido,
y al Prof. Eliezer C. Rios por las facilidades ofrecidas en el Museo Oceanográfico de la FURG. Este trabajo fue
financiado por la FAPERGS, Rio Grande do Sul, Brasil.
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Recebido em 11.03.1994; aceito em 27.09.1994.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 47 - 58, 29 set. 1995
DISTRIBUTION AND CHARACTERIZATION OF THE MATURITY STAGES
OF OIKOPLEURA DIOICA (TUNICATA, APPENDICULARIA) IN THE AREA
OF PENINSULA VALDES, ARGENTINA
Fabiana Lía Capitanio!
Enrique Ricardo Marschoff?
Graciela Beatriz Esnal!
ABSTRACT
The distribution of Oikopleura dioica Fol, 1872 was studied in the frontal area of Península Valdés,
Argentina. The plankton sampling was conducted along four transects with five stations each, at five levels
from 0 to 50m in depth. Oikopleura dioica densities depend on latitude (the southernmost transects showed the
greatest densities) and distance to shore (at coastal stations O. dioica was more abundant). The vertical distribution
of the species in the water column was affected by the thermocline and differed among transects. At well
stratified stations, densities were greater below the thermocline. In mixed areas, the upper levels were more
abundant. Morphometric analysis of developmental stages demonstrated that trunk length cannot be directly
used to distinguish among developmental stages, since the species attains sexual maturity at different lengths.
Although a high size variability was found within the mature stage (0.60-1.20mm), males and females differed
in gonad height, being higher in males.
KEYWORDS. Appendicularia, distribution, maturity stages, South West Atlantic.
INTRODUCTION
Oikopleura dioica Fol, 1872 is a predominantly coastal species, being the sole
representative of the Appendicularia with separate sexes. It is widely distributed along
the Argentine coast from the La Plata River to Tierra del Fuego (ESNAL, 1973, 1978,
1981; BÜCKMANN, 1974), but up to now only data from isolated stations are available.
This paper reports on a distributional study in an hydrologically very complex region: the
frontal area off Peninsula Valdés, Argentina, characterized by a typical vertical temperature
distribution with marked horizontal gradients. There, three zones can be distinguished:
an inshore belt characterized by intense vertical mixing due to strong tidal currents running
close to the peninsula and temperature gradients of less than 0.5°C in the upper 50m; a
transition zone and an offshore region with marked stratification. The offshore gradient
reaches values of more than 5°C in the upper 50m (CARRETO et al., 1981; GLORIOSO,
l. Departamento de Ciencias Biológicas, Facultad de Ciencias Exactas y Naturales, Universidad de Buenos Aires (1428), Buenos Aires, Argentina.
2. Instituto Antártico Argentino, Cerrito 1248 (1010), Buenos Aires, Argentina.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 59 - 66, 29 set. 1995
60 CAPITANIO; MARSCHOFF & ESNAL
1987).
The developmental staging of O. dioica was approached through numerical methods
in order to assess the relevance of several morphometric variables in their differentiation.
MATERIAL AND METHODS
Samples were collected by “R. V. Meteor” during cruise 11/3 conducted from December 6 to 12, 1989
(NELLEN, 1990). The study area extended from 42º to 44º S and to 62º to 65º W along the Argentina Patagonian
coastline. The design comprised four transects (fig. 1) with 5 stations each, sampled from O to 50m depth.
Transect 1 covered the three hydrological regions described above, while the remaining transects-fell in the
stratified region. Stations in transect 2 were characterized by higher temperature (about 20º C) and marked
vertical gradients. The stratification observed at transects 3 and 4 showed less pronounced gradients. Samples
were obtained using a modified MOCNESS-1 multinet (BIOMOC) with 0. 30mm mesh and 1 m? opening.
Sensors attached to the net recorded water column temperature and salinity. Organisms were preserved in 2%
formaldehyde and deposited in the Instituto Nacional de Investigación y Desarrollo Pesquero, Mar del Plata,
Argentina. A total of one hundred and fifteen samples was obtained. Specimens were counted and staged
recording densities at each station and depth level as number of specimens per cubic meter.
The O. dioica specimens were classified as mature female, mature male, “intermediate” or immature,
taking into account its maturity stage based on FENAUX (1976), ESNAL & CASTRO (1977) and ESNAL et
al. (1985) and are: (1) mature, when the gonad is turgescent and the gonad height exceeds trunk height at the
stomach level; (2) intermediate specimens show a conspicuous gonad whose height is close to mean trunk
height; (3) immature, when the gonad is scarcely developed, and the trunk height at the stomach level is higher
than the gonad height. Sex differentiation could only be observed in mature organisms in which there is a
difference in gonad texture between male and female. Both ovary and testis look granulous but the former
shows big spherical cells whereas in the latter gonad texture looks like fine grains. Differentiation in termediate
stages is not possible without a previous histological study. Morphometric measurements were taken in 198
females, 127 males, 58 intermediates and 58 immatures. Measured variables are: trunk length (LT), trunk
height at the stomach level (HM), gonad height (HG), tail musculature length (LC) and width (MC) and notochord
width (NC) (figs. 2,3).
The vertical distribution was studied using the profile analysis technique in order to detect possible
vertical depth migration and or preferred depths or combinations of maturity stage and depth. As no significant
results have been found with regard to the depth factor an overall 0-50m density was calculated for each
station, pooling all stages together. This variable was analyzed in a two-factor ANOVA design were the factors
transect and position relative to shore were tested (MORRISON, 1976). The discriminant analysis technique
was applied to obtain a classification of specimens based on the morphometric variables described above.
Discriminant functions were constructed in order to assess the relative constributions of the morphometric
variables. Their adequacy in reconstructing the classification was evaluated as the percentage of agreement
between the discriminant and the morphological methods.
RESULTS AND DISCUSSION
Species density in the four transects (fig. 4), the statistical analysis (tab. I) and the
abundance and distribution at the different stations in each transect (fig. 5) show that
stations located in the southernmost transects exhibit greater densities while a definite
pattern is not found in relation neither with depth nor position. Individual density as a
function of depth at the first station of each transect (fig. 6) shows that at Om, the depth
stations located near to shore seem to have higher densities than those offshore; a result
which is coincident with the known preference of this species for neritic waters.
The vertical distribution varies among transects. At transect 1 O. dioica is more
abundant in the upper layer in the nearshore area, while in the remaining transects it is
evenly distributed through all depth levels (figs. 7-14). Profile analysis has not yielded
any significant results.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 59 - 66, 29 set. 1995
Distribution and characterization of the maturity stages of Oikopleura dioica... 61
3
Figs. 1-3. 1, Geographic position of the transects with five stations each in the frontal area of Valdés Peninsula,
Argentina; 2, trunk parameters measured of Oikopleura dioica: a) trunk length (LT), b) trunk height at the stomach
level (HM), c) gonad height (HG); 3, measurement of the tail: d) tail musculature length (LC), e) width (MC), f)
notochord width (NC). Scale: 0.25mm.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 59 - 66, 29 set. 1995
CAPITANIO; MARSCHOFF & ESNAL
2
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Distribution and characterization of the maturity stages of Oikopleura dioica... 63
Temperature (C) Temperature (C)
Depth (m)
Depth (m)
Density (ind./m3) 7 Density (ind./m) 8
Temperature (*C) Temperature (C)
E E
E É
a a
®
e) Ö
0 0.2 04 0.6 0.8 5 (0) 01 02 03 04 05
Density (ind./nm>) 9 Density (ind./m>) 1 O
Temperature ((C) Temperature (C)
0 4 8 12
E 20 E
= E
o a
e ö
40
(0) 5 10 15 20 25 0 10 20 30 40 50
Density (ind./m) 11
Temperature (C)
E E
a —
Ei =
© jo]
oO ©
o
oO 05 10 15 20 25 3
| Density (ind./m) 13 Density ( ind./m>) 14
| Figs. 7-14. Oikopleura dioica distribution in relation with thermal stratification in transect 3: 7, station 2; 8, station
| 3; 9, station 4; 10, station 5; in transect 4: 11, station 2; 12, station 3; 13, station 4; 14, station 5. Solid line:
|
| temperature (°C); dashed line: density (ind./m?).
| Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 59 - 66, 29 set. 1995
64 CAPITANIO; MARSCHOFF & ESNAL
Table I. Oikopleura dioica in the Península Valdés: anova table (transect x station). SS: square sum, DF:
degrees of freedom, CM: mean square error. The value marked with an asterisk is significant at 0.05 level
compared with an F= 5.19.
Source SS DF CM F
Transect 64.2815 3 21.4272 6.44*
Station 4.7539 4 1.1885 0.36
Error 39.9413 tm 3.3284 —
Neither depth, nor the interactions depth-stage and depth-time seem to have any
effect on the abundance of O. dioica. From the results of the two factor ANOVA (table 1)
1t might be concluded that while the relative position to shore of the station 1s not significant,
the transect itself is a significant factor governing the distribution of this species (P <
0.05). According to SHIGA (1993b) the distribution of Oikopleura vanhoeffeni Lohmann,
1896 is affected by the thermocline. This is also true for O. dioica. Thus, within the
stratified zone (transects 3 and 4) individuals were more abundant in the deeper layers
(30-40m) where the thermocline occurs. These water masses are characterized by low
nutrient concentrations at the deeper levels, while nearshore areas are richer at the upper
ones (CARRETO et al., 1986). The strong thermal gradients found in transect 2 seem to
affect this species and no individuals were found in these stations.
Table II. Oikopleura dioica: result of the discriminant analysis. Stage 1: females, 2: males, 3: intermediates, 4: |
immatures. Variables: trunk length (LT) and height (HM), gonad height (GH), tail musculature length (LC) and |
width (MC), notochord width (NC).
Stages Variables |
Eat HG LC MC NC HM
lvs2 0.1399 24.3782 1.1331 9.8492 23.0567 14.6294
lvs3 3.9736 29.3685 0.5116 1.4664 25.9201 14.7106
lvs4 8.0431 40.5976 0.8497 10.1700 10.1775 40.1358
PER) 4.1135 53.7467 1.6447 10.3156 2.8634 29.3400
2vs4 7.9032 64.9758 1.9858 20.0192 12.8792 54.7652
3vs4 12.0167 11.2291 0.3381 8.7036 15.7426 25.4252
The discriminant analysis (table II) showed that the numerical classification of |
developmental stages is more related to gonad height and trunk height at the stomach |
level, than to the remaining variables. Although a high size variability was found in |
mature stages (0.60-1.20mm), males and females differed in gonad height, which is higher |
in the former (T test, P< 0.0001). Main variables used to differentiate maturity stages |
differ among species. For example, SHIGA (1993a) considers tail length a good criterion |
for maturity stages of O. vanhoeffeni. However, this is not the case for O. dioica. |
Discriminant analysis agreed with the morphological method for 84% of males (n=127), |
66% of females (n=198), 76% of intermediates (n=58) and 80% of immatures (n=58). ||
BÜCKMANN (1974) indicates that O. dioica attains sexual maturity at different pu, a
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 59 - 66, 29 set. 1995
Distribution and characterization of the maturity stages of Oikopleura dioica... 65
lengths. In consequence this variable would not be a good criterion for the differentiation
of developmental stages. In the present dataset, trunk length and tail musculature length
and width seem to be of little importance; gonad height, trunk height at the stomach level
and, to a lesser extent, the notochord width being those variables most relevant to the
discrimination among developmental stages. BRUNETTI et al. (1990) indicate a wide
range of sizes for mature individuals in the lagoon of Venice (Italy) in spring. This is
consistent with our observations, since trunk length measurements from our specimens
in spring, ranged from 0.480 to 1.275mm. FENAUX (1976), using laboratory cultures,
observed that individuals of the same culture developed asynchronically. Specimens of
the same age attained different sizes and the release of gametes did not take place at a
definite size. According to this author, the presence of ectoparasites produced a delay in
growth but we did not find any parasitized specimens in our material.
A population study comparing stages would have been of interest. However, the
use of a 0.30mm mesh net which underestimates smaller individuals, prevents this approach
(FENAUX & PALAZZOLI, 1979). A more detailed statistical analysis of the distribution
was not feasible, due to the small number of stations per transect and the lack of replications.
Acknowledgments. To Instituto Nacional de Investigación y Desarrollo Pesquero (INIDEP) from Mar
del Plata, Argentina and to Lic. M. Erhlich, L. Machinandiarena and Ramiro Sanchez from providing the
material studied.
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Recebido em 13.12.1993; aceito em 24.11.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 59 - 66, 29 set. 1995
INFLUÊNCIA DE LA ACTIVIDAD DE CAVIA APEREA SOBRE LA
ESTRUCTURA DEL HABITAT Y LA DISTRIBUCIÓN DE AKODON AZARAE
Y ORYZOMYS FLAVESCENS (RODENTIA: CAVIIDAE, MURIDAE) EN
BORDES DE CULTIVOS DE LA REGION PAMPEANA (ARGENTINA)
David N. Bilenca!
Emilio A. Cittadino!
Fernando O. Kravetz!
ABSTRACT
THE INFLUENCE OF CAVIA APEREA ACTIVITY ON HABITAT STRUCTURE AND
DISTRIBUTION OF AKODON AZARAE AND ORYZOMYS FLAVESCENS (RODENTIA, CAVIIDAE,
MURIDAE) IN CROPFIELD BORDERS OFTHE PAMPEAN REGION (ARGENTINA). Seasonal variation
of the activity of the wild guinea pig Cavia aperea Erxleben, 1777 (“standing crop” of fresh and dry faecal
peilets), and the abundance (trap success) of the sigmodontine rodents Akodon azarae (Fischer, 1829) and
Oryzomys flavescens (Waterhouse, 1837) in several cropfield borders are measured. Borders with higher C.
aperea activity showed less green cover and higher percentage of bare ground in autumn, winter and spring
(Kruskal-Wallis tests P<0.05 - P<0.001). During winter, wild cavies left some borders and suddenly invaded
borders that had remained underexploited. A. azarae and O. flavescens had higher abundances in borders with
less C. aperea activity in winter, spring and summer (Chi-square homogeneity tests, P<0.05 - P<0.001). We
propose that, during periods of high densities and food shortage (autumn-winter), the herbivory and construction
of runways associated with C. aperea activity cause a severe damage of habitat structure, promoting dispersal
movements of the species. Habitat destruction associated with C. aperea activity also affects the abundance
and distribution of A. azarae and O. flavescens.
KEYWORDS. Argentina, Cavia, Akodon, Oryzomys, habitat structure.
INTRODUCCIÓN
REIG (1981) cita numerosos ejemplos de simpatría entre especies de roedores
caviomorfos y múridos sigmodontinos en diferentes biomas del extremo meridional del
continente sudamericano: Octodon Bennett, 1832 y Phyllotis Waterhouse, 1837 en el
matorral del centro de Chile, Octodontomys Palmer, 1903 y Eligmodontia F. Cuvier,
1837 en el Monte, Chinchilla Bennett, 1829 y Andinomys Thomas, 1902 en la región
andina, entre otros. En la pampa argentina, el cávido Cavia aperea Erxleben, 1777 (cuis
pampeano) es simpátrico de los múridos sigmodontinos Akodon azarae (Fischer, 1829).
Oryzomys flavescens (Waterhouse, 1837) y Calomys laucha (Olfers, 1818), que son las
más frecuentes de esta familia en vastas áreas de la Ilanura pampeana. C. aperea es un
1. Depto. Ciencias Biológicas, Facultad de Ciencias Exactas y Naturales, Universidad de Buenos Aires. Ciudad Universitaria, Pabellön II, 4º Piso
(1428), Buenos Aires. Argentina.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 67 - 75, 29 set. 1995
68 BILENCA; CITTADINO & KRAVETZ
herbivoro estricto de mediano tamano (250-700g), que se alimenta en grupos, y que se
caracteriza por desplazarse a través de las sendas que construye dentro de la vegetaciön
(ROOD, 1972; CASSINI, 1991), en tanto que los roedores sigmodontinos poseen dietas
generalistas (BILENCA et al., 1992), sus tallas son pequefias (10-30g), sus
desplazamientos no se restringen a sendas, y su organización social está basada en el
espaciamiento territorial (LULETA, 1989). Para REIG (1981), cávidos y sigmodontinos
logran coexistir en simpatría gracias a que explotan el ambiente mediante distintas
estrategias, lo que conlleva implícitamente la noción de que las interacciones recíprocas
son de baja intensidad. DALBY (1975) ha registrado bruscas reducciones en los números
de A. azarae y O. flavescens luego de la “irrupciön” de C. aperea en un pastizal, y atribuyó
dicho fenómeno a la pérdida de la cobertura vegetal que habría originado la actividad de
los cuises. Esta observaciön pone de manifiesto que cávidos y sigmodontinos pueden
mantener potencialmente fuertes interacciones mediadas por perturbaciones del habitat.
Los bordes adyacentes a los campos de cultivo constituyen en la actualidad los
ambientes en donde se registran las mayores abundancias tanto de 4. azarae y O. flavescens
como de €. aperea dentro de los agroecosistemas de la región pampeana (CRESPO,
1966; ROOD, 1972; DE VILLAFANE et al., 1977; BUSCH et al., 1984; CASSINI,
1991). En este estudio se comparan los atributos de la estructura del habitat y la abundancia
de A. azarae y O. flavescens entre bordes de cultivo que presentam distintos niveles de
actividad de C. aperea, con el objeto de interpretar las posibles consecuencias derivadas
de la actividad de los cuises en los bordes sobre la estructura de las comunidades de
roedores sigmodontinos.
MATERIAL Y MÉTODOS
Entre la primavera de 1991 y el invierno de 1992, se llevaron a cabo en la localidad de Diego Gaynor
(34º18"S; 59°14’W), provincia de Buenos Aires, Argentina, muestreos estacionales de captura viva de roedores
sigmodontinos en bordes adyacentes a los campos de cultivo, durante los meses de noviembre (primavera: 3
bordes), febrero (verano: 5 bordes), mayo (otofio: 4 bordes) y fines de agosto-principios de septiembre (invierno:
3 bordes). Los campos aledanos a los bordes contaban con una superficie de 25 hectäreas en promedio, y
estaban cultivados com maiz, girasol o sorgo. Durante la primavera los cultivos se encontraban en su fase de
crecimiento vegetativo, en verano estaban en plena madurez (previa a la cosecha), y en otofio e invierno
permanecieron en estado de rastrojo (luego de la cosecha), permitiéndose en estos períodos el ingreso de
vacunos para el pastoreo de los campos. Para el muestreo de pequefios roedores se emplearon trampas tipo
Sherman cebadas con grasa vacuna y pasta de maní, dispuestas en líneas de capturas con una distancia entre
trampas de 5m. El esfuerzo total de captura fue de 4242 trampas-noche. Los muestreos se realizaron durante 3
noches, incrementändose el esfuerzo durante la primavera y el verano de modo de obtener muestras represen-
tativas sobre la distribución de los sigmodontinos en épocas de baja densidad. A los animales capturados se les
registró la especie, y fueron luego marcados por falangectomía y devueltos a sus sitios de captura. La abundancia
de las especies de sigmodontinos fue estimada a partir del porcentaje de su éxito de captura (KRAVETZ et al.,
1981): % éxito de captura = Nº individuos capturados/trampas-noche x 100.
Se utilizó el método de “cosecha en pie” de heces (“standing crop”) para estimar la actividad de los
cuises. Se dispusieron aleatoriamente en cada borde entre 12 y 20 muestreadores de 4 x Im con centro en las
trampas para captura de pequefios roedores. Fue fácil distinguir a las heces entre aquellas que indicaban un
origen reciente (heces aún húmedas, de consistencia blanda y color verde intenso), de aquellas heces que
indicaban un origen más lejano (heces secas, de consistencia quebradiza y color pardo). La cantidad de heces
frescas de C. aperea fue tomada como medida directa de su abundancia, mientras que a la acumulación de
heces secas se la consideró una medida de la utilización del borde en el pasado. Los bordes fueron comparados
y clasificados en función de los números de heces frescas y secas, mediante la prueba no paramétrica por |
rangos de Kruskal-Wallis, y efectuando los contrastes a posteriori entre bordes mediante la prueba de |
comparaciones múltiples de Dunn con un error global de tipo I de 0.15 (DANIEL, 1978).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 67 - 75, 29 set. 1995
Influencia de la actividad de Cavia aperea... 69
En cada una de las estaciones donde se contaron los signos de C. aperea se registraron los porcentajes
de cobertura verde y de suelo desnudo, utilizando muestreadores de Im?. La diferencia en los niveles de cober-
tura verde entre bordes con distinto nivel de actividad de €. aperea fue utilizada como estimador de los efectos
de herbivoría, y la diferencia en el porcentaje de suelo desnudo fue utilizada como medida del efecto de la
construcción de sendas. Las comparaciones de ambos atributos de la estructura del habitat fueron realizadas de
manera análoga a las efectuadas con los números de heces.
La distribución de A. azarae (n=279) y O. flavescens (n=48) entre bordes con distintos niveles de
actividad de C. aperea fue comparada mediante la prueba de homogeneidad de Chi-cuadrado (BAILEY,
1981). Las restantes especies capturadas en él área de estudio, C. laucha (n=24), C. musculinus (Thomas,
1913) (n=7) y Mus musculus Linnaeus, 1766 (n=6), no fueron incluídas en el análisis.
RESULTADOS
La abundancia de C. aperea en los bordes, estimada a partir del número de heces
frescas, indica una dinámica poblacional en esta especie con un pico en el otofio,
declinación en el invierno y mínima en la primavera, época a partir de la cual se incrementa
nuevamente su densidad (tab. 1).
En todas las estaciones del afio se registraron diferencias estadísticamente signifi-
cativas entre bordes respecto del número de heces de C. aperea (tab. II). En la primavera,
los bordes difirieron en la cantidad de heces secas, pero no se registraron diferencias
significativas en el número de heces frescas. En el verano uno de los bordes mostró una
actividad significativamente mayor de cuises, tanto actual como acumulada, mientras
que los cuatro bordes restantes no presentaron signos de actividad reciente. En el otofio,
época del pico de abundancia de cuises (tab. I), todos los bordes mostraron gran cantidad
de signos, si bien fue posible distinguir en términos relativos dos bordes con un bajo
grado de actividad de la especie, uno de grado intermedio y otro de alta actividad. En el
invierno (tab. II) se observö que de los tres bordes estudiados, uno de ellos mostró una
gran cantidad de heces secas pero contaba relativamente con pocas heces frescas, mientras
que otro borde mostró la tendencia opuesta; de este modo se distinguieron en términos
relativos un borde con un importante uso pasado de cuises (probablemente utilizado in-
tensamente durante el otofio), de otro habitado más recientemente, y de otro de baja
actividad durante este período.
En la primavera se registró una menor cobertura verde y un mayor porcentaje de
suelo desnudo en los bordes con mayores signos de actividad de €. aperea (tab. HI). En
el otofio se observö una relación inversa entre los valores de cobertura verde y de heces
frescas de cuises, en tanto que los porcentajes de suelo desnudo fueron mayores en los
bordes con niveles de actividad media y alta de C. aperea (tab. III). En el invierno (tab.
HI) el borde con mayor actividad pasada de C. aperea mostró el máximo porcentaje de
suelo desnudo pero presentó un valor intermedio de cobertura verde, registrándose la
mínima en donde los cuises hicieron un uso más reciente del borde, y la máxima en el
borde se registró el nível de actividad más bajo de la especie. En el verano los bordes con
distinta actividad de C. aperea no difirieron significativamente en los porcentajes de
cobertura verde o de suelo desnudo (tab. III).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 67 - 75, 29 set. 1995
70 BILENCA; CITTADINO & KRAVETZ
Tabla I. Variaciön estacional de la abundancia de Cavia aperea en bordes de cultivos, estimada por los valores
medianos de heces frescas por muestreador (medias entre paréntesis, rangos entre corchetes). K-W: estadistico
de Kruskal-Wallis. Letras distintas representan diferencias significativas (prueba de mültiples contrastes de
Dunn). *** P<0,001. Diego Gaynor (Argentina), octubre 1991 - septiembre 1992.
PRIMAVERA VERANO OTONO INVIERNO K-W
(= 5) (n = 60) (n=56) (n = 45)
a a c b
0 (0,1) 0 (0,3) 4 (3,9) 0 (1,1) 108,7 ***
[O - 1] [0 -5] [0 - 9] [055]
Tabla II. Clasificación de la actividad de Cavia aperea en los bordes de cultivo, resultante de la comparación de
los valores medianos del número de heces por muestreador (rangos entre paréntesis). K-W: estadistico de
Kruskal-Wallis. Letras distintas representan diferencias significativas (prueba de mültiples contrastes de Dunn).
** P<0,01; *** P<0,001. Diego Gaynor (Argentina), octubre 1991 - septiembre 1992.
ACTIVIDAD
BAJA MEDIA ALTA RECIENTE PASADA K-W
PRIMAVERA 020 mei n=14
HECES SECAS ps 32 4,5 2) 1+*
(0-5) (1-6) (1-8) |
HECES FRESCAS 0 0 0 0,5 |
(0-1) (0-1) (0-1) |
|
VERANO nel, nel?! = 2 nel n 12 |
HECES SECAS 0,5% je o De 8 26,1"
(04)203)7703)7 07 (1-12) |
HECES FRESCAS 0? 0: 002 0º 21,4***
(OD O1) Ob (5) (0-5)
OTONO nA ni n=14 n=14
HECES SECAS 33 5 9» 7 18,7#**
(1-9) (0-8) (2-12) (3-11)
HECES FRESCAS 2° De 5» 6,5° 21,6***
(0-7) (0-5) (0-8) (3-9)
INVIERNO n=15 n=15 nl
HECES SECAS 6: 78 11° 31,2***
den) (1-9) (5-15)
HECES FRESCAS 0° 38 0: 16,2 0088]
(0-1) (0-5) (0-1) |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 67 - 75, 29 set. 1995 |
Influencia de la actividad de Cavia aperea... 71
Tabla III. Valores medianos de los porcentajes de cobertura verde (CV) y de suelo desnudo (SD) en bordes de
cultivo con distinta actividad de Cavia aperea. Diego Gaynor (Argentina), octubre 1991 - septiembre 1992.
Rangos entre paréntesis. K-W: estadístico de Kruskal-Wallis. Letras distintas representan diferencias significa-
tivas (prueba de múltiples contrastes de Dunn) * P<0,05; ** P<0,01; *** P<0,001.
ACTIVIDAD
BAJA MEDIA ALTA PASADA RECIENTE K-W
PRIMAVERA n=20 n=31
CV 90 (75-100) 85 (45-100) 71,2**
SD 15 (5-35) 35 (10-80) 14,2+**
VERANO n=48 n=12
CV 55(30-85) 63 (40-80) 2,4
SD 15 (5-65) 30 (5 - 40) 0,1
OTONO n= 28 n=14 n=14
Ev: 70º (40-90) 55º (25-80) 20:(5-45) 31,28%
SD 25º (5-40) 30º (15-55) 30° (5-55) 6,0%
INVIERNO n=15 n=15 n=15
CV 80º (65-95) 70º (30-95) 50:(20-80) 18,3***
SD 10º (0-30) 25º (5-50) 15? (5-40) 13,2**
Tabla IV. Frecuencias y porcentajes de Exitos de captura (%EC) de Akodon azarae y Oryzomys flavescens en
bordes de cultivo con distinta actividad de Cavia aperea. n: nümero de bordes. OBS: frecuencias observadas;
ESP: frecuencias esperadas bajo la hipötesis nula de homogeneidad. Chi?: estadistico de Chi-cuadrado. * P<0,05;
en P<0"00T.
ACTIVIDAD
BAJA MEDIA ALTA PASADA RECIENTE Chi?
PRIMAVERA n=1 n=2
OBS 54 41 24,6***
ESP 31,3 63,7
%EC 12,3 4,7
VERANO n=4 se
OBS 27 1 4,7*
ESP 22,4 5,6
EC 185 0,2
OTONO n= n=1 n=1
OBS 69 38 46 2,3
ESP 76,5 38,3 38,3
%EC 29,6 32,6 39,5
INVIERNO n=1 n=1 n=1
OBS 29 10 13
l Ad l xxx
ESP 17,3 1:3 17,3
%EC | 33,3 11,5 14,9
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 67 - 75, 29 set. 1995
> BILENCA; CITTADINO & KRAVETZ
A. azarae y O. flavescens presentaron mayores abundancias en los bordes con menos
signos de actividad de C. aperea en primavera, verano e invierno (tab. IV). Mientras en
primavera e invierno la abundancia de ambas especies de sigmodontinos fue cerca de tres
veces superior en los bordes con menor actividad de cuises (tab. IV), en el verano la
razón de las abundancias entre ambos tipos de borde aumentó a 7,5 veces (tab. IV). No se
detectó una distribución diferencial de A. azarae y O. flavescens entre bordes de cultivo
durante el otono; las diferencias en el éxito de captura entre bordes en este período
superaron el 30% (tab. IV).
DISCUSIÓN
Los resultados presentados proveen información acerca del estado del habitat, de la
abundancia y distribución conjunta de A. azarea y O. flavescens, y de la actividad de C.
aperea en 15 bordes de cultivo muestreados a lo largo del afio. Hemos secuenciado
estacionalmente los resultados, procurando reconstruir la dinámica de la interacción en-
tre Cavia, la vegetación espontánea de los bordes y las especies de roedores sigmodontinos,
y establecer los procesos dominantes que determinarían los estados observados en cada
estación del afio.
Dinámica de la relación C. aperea-vegetaciön. Las variaciones estacionales en la
abundancia de €. aperea reflejan las respuestas reproductiva y de sobrevida de esta especie
ante los cambios en la calidad del ambiente (ROOD, 1972). La respuesta en densidad de
los cuises presenta un tiempo de retardo, con un desfasaje equivalente aproximadamente
a una estaciön. Este desfasaje conduce a que al deterioro en la calidad del habitat para los
roedores que se genera con la senescencia de las plantas de ciclo primavero-estival en los
bordes durante el otofo (BONAVENTURA et al., 1992), se le sume el deterioro provo-
cado por los cuises durante su pico de densidad, que se evidencia en una disminución de
la cobertura verde y en un aumento del suelo desnudo (tab. III). El comportamiento de
forrajeo localizado y en grupos característico de C. aperea (ROOD, 1972; CASSINI,
1991) contribuye asi a agudizar las diferencias en la estructura del habitat entre los
bordes de cultivo.
En el invierno, los cávidos abandonaron ciertos bordes e irrumpieron en otros que
hasta ese entonces habían permanecido menos explotados (tab. II). Estos sübitos
desplazamientos de C. aperea son aparentemente frecuentes en los agroecosistemas
pampeanos (ROOD, 1972; DALBY, 1975; ZULETA, 1989), habiéndose registrado entre
el otofio e inverno corrimientos en el centro del área de acción que han superado los 2 km
(De Carli, comunicación personal). ROOD (1972) ha registrado que los cuises muestran
una pronunciada pérdida de peso entre el otofio y el invierno, lo que indica que la
disponibilidad de biomasa verde en esta época, es un factor limitante para C. aperea.
Estas observaciones permiten adelantar la hipótesis de que los movimientos dispersivos |
de C. aperea entre el otofio y el invierno responden a factores densodependientes, y que |
la destrucción del habitat por los cuises forzaría su propio desplazamiento en épocas de |
altas densidades poblacionales y escasez de alimento. Entre el otofio y el invierno ocurre
un incremento generalizado de la cobertura verde y una reducción en el porcentaje de
suelo desnudo (tab. III). Ambos cambios están asociados con la emergencia de las plantas |
de ciclo otofio-invernal (BONAVENTURA et al., 1992). ROOD (1972) ha observado ||
que en el invierno las plantas que rebrotan son rápidamente devoradas por los cuises, lo
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 67 - 75, 29 set. 1995
Influencia de la actividad de Cavia aperea... 73
que explicaría que los valores más bajos de cobertura verde en la etapa invernal se
encuentren en los bordes con un mayor uso reciente de C. aperea (tab. III). Los bordes
sobreexplotados que fueron abandonados por los cuises durante el otofio lograrián así
recuperar la cobertura verde en el invierno más rápidamente que los bordes en donde los
cuises presentan una actividade reciente (tab. II).
En la primavera perduran las diferencias en los atributos de la vegetación entre los
bordes, probablemente a consecuencia de los efectos diferenciales del impacto que ejerciera
C. aperea sobre la estructura del habitat durante el otofio y el invierno precedentes. Ello
se infiere del hecho que los bordes en la primavera difirieron en la actividad pasada que
tuvieron los cuises (heces secas) pero no en su abundancia (heces frescas, tab. II).
En el verano, las bajas densidades de cuises (tab. I), y las condiciones ambientales
propicias que posibilitan a las plantas compensar mediante el rebrote las partes verdes
consumidas por la herbivoría (BROWN, 1987), serían los factores que contribuyen a que
no se observen efectos adversos significativos de los cávidos sobre la vegetación (tab.
II), aún cuando los cuises continúan distribuyéndose diferencialmente entre los bordes
de cultivo (tab. II).
Dinámica de la relación C. aperea - (A. azarae + O. flavescens) - vegetaciön. Los
resultados permiten inferir que el deterioro de la estructura del habitat originado por la
actividad de los cuises en los bordes de cultivo ejerce una acción indirecta sobre las
especies de sigmodontinos que habitan fundamentalmente en este tipo de ambiente (A.
azarae y O. flavescens), reduciendo su abundancia y afectando su distribución (tab. IV).
Estos resultados son consistentes con las observaciones preliminares registradas por
DALBY (1975) en pastizales de Balcarce.
El efecto del deterioro del habitat iniciado por los cuises en el otofio se expresan en
la reducciön de los números y la distribuciön diferencial de A. azarae y O. flavescens
recién durante el invierno (tab. IV). Este proceso está mediado por aumentos relativos
tanto de la mortalidad in situ como de la emigración desde bordes deteriorados, con
bajos niveles de cobertura verde y alto porcentaje de suelo desnudo (tab. III), hacia otros
bordes de mejor calidad. Esta explicación es consistente con evidencias registradas en
numerosos trabajos (CRESPO, 1966; DALBY, 1975; BONAVENTURA & KRAVETZ,
1989), y sefialan la selectividad de los múridos sigmodontinos por los microhabitats con
alta cobertura verde dentro de los bordes en esta época del afio.
La fijación de territorios reproductivos por parte de las hembras sobreinvernantes
de A. azarae en los bordes hacia el inicio de la nueva estaciön reproductiva, junto con los
movimientos hembra-dependiente que desarrollan los machos (ZULETA, 1989), y con
las bajas tasas de dispersión poblacionales en esta época del afio (E. A. Cittadino,
observaciones personales), contribuyen para que en la primavera se mantengan las dife-
rencias en la densidad de cricétidos que quedaron establecidas entre los bordes durante el
invierno precedente (tab. IV).
En el verano el cociente de la abundancia de 4. azarae y O. flavescens entre bordes
con distintos niveles de actividad de cuises es mayor que en invierno y primavera (tab.
IV), pese a que en verano no se detectaron variaciones de consideración en los atributos
de la vegetación que estuvieran asociadas con la actividad de C. aperea (tab. II). Una
posible explicación a este fenómeno podría estar vinculada a que en el verano los campos
de cultivo contiguos a los bordes se hallan en estado de madurez y ofrecen en determina-
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 67 - 75, 29 set. 1995
74 BILENCA; CITTADINO & KRAVETZ
dos sitios niveles de cobertura verde superiores a los que presentan los bordes, con lo cual
existe la posibilidad de que A. azarae se disperse diferencialmente en dirección a los
cultivos desde aquellos bordes que hacia fines de la primavera aún presentaran los efectos
del deterioro ocasionado por C. aperea. ZULETA (1989) ha propuesto que los
desplazamientos de A. azarae en dirección a los campos de cultivo durante el verano
responden a factores densodependientes. Dichos desplazamientos estarían ligados a que
en este período los indivíduos de A. azarae, y en particular las hembras, procuran
establecerse en microhabitats que ofrecen altos niveles de cobertura verde, garantizando
así su éxito reproductivo (BONAVENTURA et al., 1992).
La primavera y el verano son períodos de baja abundancia de C. aperea (tab. I), y
en los que su impacto sobre la vegetación de los bordes de cultivo es de baja magnitud
(tab. III), por lo que es de suponer que sus efectos sobre la abundancia y distribución de
A. azarae y O. flavescens vayan disminuyendo paulatinamente (DALBY, 1975). Elingreso
a los bordes de indivíduos de A. azarae y O. flavescens procedentes del campo tras la
cosecha de los cultivos, juntamente con los factores de regulación densodependiente de
las poblaciones de sigmodontinos durante su pico de densidad, que están mediados por
relaciones jerárquicas intraespecificas (ZULETA, 1989) constituyen los mecanismos que
permiten explicar la distribución homogénea de A. azarae y O. flavescens entre los bor-
des durante el otofio (tab. IV), pese a que para el final del período otofial los bordes
guardan entre sí notorias diferencias en los porcentajes de cobertura verde y de suelo
desnudo (tab. III).
Consecuencias de la actividad de C. aperea en los bordes sobre la organizaciön de
la comunidad de roedores sigmodontinos. Las perturbaciones localizadas generadas por
la herbivoria y la construcción de sendas de C. aperea en los bordes de cultivos alteran el
desarrollo de las poblaciones de roedores sigmodontinos. Este fenómeno cobra mayor
relevancia si se tiene en cuenta que en la actualidad estas angostas franjas de habitats con
vegetación espontänea, si bien representan una proporciön muy pequena de la superficie
total, son fundamentales para el mantenimento de las poblaciones de A. azarae y O.
flavescens en los agroecosistemas (CRESPO, 1966; DE VILLAFANE et al., 1977). La
reducción localizada de A. azarae, especie jerárquicamente dominante dentro de la
comunidad de roedores sigmodontinos del área de estudio (BUSCH & KRAVETZ, 1992)
podría conducir a que en ciertos bordes de cultivo exista una mayor permeabilidad para
la invasiön de aquellas especies que habitan en los campos contiguos (Calomys spp.).
BUSCH & KRAVETZ (1992) han observado que la remoción de 4. azarae de los bordes
de cultivo permitió el aumento de las densidades de C. laucha y O. flavescens en dichos
ambientes, a la vez que promovió una mayor frecuencia de desplazamientos entre cam-
pos y bordes de C. laucha, y una mayor tasa de permanencia (sobrevida) de esta especie
en los campos de cultivo vecinos. En nuestro caso, donde la reducción en la densidad del
principal competidor directo de C. laucha y O. flavescens en los bordes tiene lugar a
través del deterioro del habitat, dicha reducción sólo beneficiaría a la primera de estas
especies, que está adaptada a la colonización de ambientes perturbados (KRAVETZ, et
al., 1981), pero no así a la segunda, la cual selecciona ambientes libres de perturbaciones
y de buena calidad (DE VILLAFANE et al., 1977; BUSCH et al., 1984; BUSCH &
KRAVETZ, 1992). Este beneficio que adquiere C. laucha para invadir los bordes resulta
particularmente importante durante aquellos períodos en que se efectúan labores en los
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 67 - 75, 29 set. 1995
Fe ' a md ai RS pa
Influencia de la actividad de Cavia aperea... 75
campos de cultivo (arada, cosecha), en que la especie se dispersa temporariamente hacia
los bordes para luego desde allí recolonizar los campos (DE VILLAFANE et al., 1988).
Los resultados y argumentos presentados nos permiten plantear la hipótesis de que
la actividad de €. aperea en los bordes de cultivo de la región pampeana tiene un efecto
negativo sobre el desarrollo de las poblaciones de A. azarae y O. flavescens que está
mediado por un deterioro en las condiciones de la estructura del habitat. No obstante,
futuros estudios manipulativos (y prolongados) que manejen las densidades de C. aperea
y/o la estructura del habitat en los bordes de cultivos deberían efectuarse para poder
corroborar experimentalmente la hipótesis planteada. La elucidación de esta hipótesis
permitirá aportar al conocimiento de los mecanismos que estructuran las comunidades de
pequenos roedores en los agroecosistemas pampeanos, y contribuir a la implementaciön
de medidas para el control ecológico de aquellas especies de roedores que son reservorios
de la Fiebre Hemmorágica Argentina (BUSCH et al., 1984).
Agradecimientos. A Pedro De Carli, quien ha contribuído en las tareas de campo, y a los revisores por
sus oportunos comentarios sobre la versión original del manuscrito. Este estudio ha sido financiado por el
Consejo Nacional de Ciencia y Técnica (CONICET) y por la Universidad de Buenos Aires.
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Recebido em 03.03.1994: aceito em 24.11.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 67 - 75, 29 set. 1995
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LUMBRINERIDAE (POLYCHAETA: EUNICEMORPHA) DA COSTA SUL E
SUDESTE DO BRASIL. I. LYSARETE, ARABELLONERIS,
LUMBRINERIOPSIS, LUMBRINERIDES, PARANINOE E NINOE !
Maurício G. Camargo”
Paulo C. Lana”
ABSTRACT
LUMBRINERIDAE (POLYCHAETA: EUNICEMORPHA) FROM SOUTHERN AND SOUTHEAST-
ERN BRAZIL. I. LYSARETE, ARABELLONERIS, LUMBRINERIOPSIS, LUMBRINERIDES, PARANINOE
AND NiNOE. A systematic survey of the Polychaeta family Lumbrineridae along the continental shelf, estu-
aries, rocky shores and oceanic sandy beaches of the Brazilian southern and southeastern coasts (20°S - 33°S)
is presented. Six species from 6 genera have been identified: Lysarete brasiliensis Kinberg, 1865, Arabelloneris
janeirensis, new combination for Lumbrineris janeirensis (Augener, 1934), Lumbrineriopsis mucronata (Ehlers,
1908), Lumbrinerides gesae Orensanz, 1973, Ninoe brasiliensis Kinberg, 1865, and Paraninoe antarctica
(Monro, 1931), a new record to the Brazilian coast. A key for the genera previously recorded jn the southern
Atlantic is provided, as well as redescriptions and diagnoses for the six species.
KEYWORDS. Polychaeta, taxonomy, Lumbrineridae, SE Brazil.
INTRODUÇÃO
A família Lumbrineridae compreende animais longos e cilíndricos, desprovidos de
apêndices anteriores, com setígeros essencialmente semelhantes ao longo do corpo. O
prostômio varia de cônico a globoso e é geralmente desprovido de apêndices. Os parapódios
são unirremes ou sesquirremes, dotados apenas de lobos pré- e pós-setais ou de brânquias
em alguns gêneros. As setas são limbadas ou ganchos encapuzados simples, ganchos
encapuzados compostos ou raramente setas limbadas compostas. As maxilas são formadas
por um par de suportes curtos e 4 ou 5 pares de peças dorsais, convencionalmente
numeradas de I (ou fórceps) a V; as mandíbulas consistem de um par de placas chatas e
muito finas.
A aparente homogeneidade da morfologia externa das espécies de lumbrinerídeos
levou muitos autores a empregar um sistema genérico simplificado para a família.
HARTMAN (1944) e FAUCHALD (1970) admitiram, respectivamente, somente 4 e 3
1, Parte da Dissertação do Mestrado do autor sênior, apresentada ao Curso de Pós-graduação em Zoologia, Departamento de Zoologia, Universidade
Federal do Paraná, Curitiba.
2. Vrije Universiteit Brussel. Laboratory for Ecology and Systematics, Pleinlaan 2 - 1050, Bruxelles, Belgique.
3. Centro de Estudos do Mar, Universidade Federal do Paraná. Av. Beira-mar s/n, Pontal do Sul, Paraná, 83255-000, Brasil
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91,29 set. 1995
78 CAMARGO & LANA
gêneros de Lumbrineridae. Pelo menos 10 gêneros são atualmente considerados válidos
(ORENSANZ, 1990).
Na recente revisão dos Eunicemorpha, ORENSANZ (1990) propôs inovações,
aqui adotadas, na posição sistemática das famílias da ordem. A principal mudança foi a
sinonimização da família Lysaretidae e a colocação de cada um de seus dois gêneros em
famílias diferentes, com base na estrutura maxilar - Lysarete em Lumbrineridae e Oenone
em Arabellidae, que passou a se chamar Oenonidae. Também foram definidos os estados
apomórficos e plesiomörficos dos caracteres morfológicos e o estabelecimento de
Oenonidae como grupo irmão de Lumbrineridae. Até então, considerava-se que a família
Eunicidae possuía mais afinidade com os Lumbrineridae (ORENSANZ, 1990).
As primeiras referências aos lumbrinerídeos da costa brasileira remontam a GRUBE
(1878) e KINBERG (1910). Mais recentemente, NONATO & LUNA (1970) realizaram
o levantamento da fauna de poliquetas do nordeste do Brasil, entre a costa de Alagoas e
Sergipe. Outras importantes coleções foram estudadas por ORENSANZ & GIANUCA
(1974) na costa do Rio Grande do Sul e por RULLIER & AMOUREUX (1979), em toda
a plataforma atlântica da América do Sul. NONATO (1981) e LANA (1984) fizeram o
levantamento taxonômico, em teses não publicadas, da fauna de lumbrinerídeos das costas
sul e sudeste do Brasil. Aproximadamente 25 espécies foram identificadas por estes autores.
Este trabalho faz parte de uma série que tem por objetivo o levantamento taxonômico
e a análise dos padrões de distribuição de poliquetas da família Lumbrineridae nas costas
sul e sudeste do Brasil.
MATERIAL E MÉTODOS
O material estudado foi coletado em vários pontos da costa sul e sudeste do Brasil (20°S - 33°S),
compreendendo a plataforma continental e o talude do Rio Grande do Sul, a plataforma continental entre o Rio
de Janeiro e o Cabo de Santa Marta Grande (Santa Catarina), ambientes estuarinos da Baía de Paranaguá
(Paraná) e vários ambientes praiais entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul. Foi analisado, total ou
parcialmente, o material proveniente das seguintes campanhas: Operações SUESTE I-II (costa sudeste), Operação
GEOCOSTA RIO II (costa do Rio de Janeiro), Operação TALUDE-FURG (costa do Rio Grande do Sul),
Projeto Integrado de Ubatuba - IO-USP (costa norte de São Paulo), Projeto Integrado da Baía de Paranaguá -
CEM-UFPR (Baía de Paranaguá) e projetos individuais em ambientes praiais do Rio de Janeiro (UFRJ) e Santa
Catarina (UFSC). A coleção estudada encontra-se depositada no Centro de Estudos do Mar da Universidade
Federal do Paraná (MCBM-736 a 875). Os procedimentos taxonômicos e a ordenação genérica acompanharam
a revisão da ordem Eunicemorpha, realizada por ORENSANZ (1990).
Chave para os gêneros de Lumbrineridae do Atlântico sul
1. Sem ganchos encapuzados (IS. 8) -....---csererenenes nenn o Bai one e ee ANO A 2
Com ganchos encapuzados (fig. 11) 4... ato aceda eira ca de a e RR 3
2. Maxila I bidentada (fig. 2). Com cirros dorsais foliäceos (fig. 6) ................ Lysarete
Maxila I em forma de fórceps (fig.9). Sem cirros dorsais (fig. 8).......... Arabelloneris
3. Ganchos encapuzados bidentados (fig. 18). Prostômio muito longo (fig. 10)........... 4
Ganchos encapuzados multidentados. Prostômio em geral com o comprimento aproxi-
madamente igual'à largura: aan ste setrsatusa, subs Sepraat cl dargodadb solenidade ea RR 5
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da costa sul e sudeste do Brasil. I.... 79
4. Suportes maxilares longos e alargados posteriormente (fig. 12). Maxila IV
sopa serie ide denticulos a Mb DO Lumbrineriopsis
Suportes maxilares curtos e triangulares (fig. 19). Maxila IV sem denticulos .............
RR RR BEREITEN OSLO a OO ZUIRI INA RIO ON Lumbrinerides
3. Com brânquias (fig. 26). Acículas sempre. negras ..............2n. 2 nn, 9
Sem brânquias. Acículas amarelas ou raramente negras... 6
6. Setas anteriores intermediárias entre limbadas e ganchos encapuzados. Maxila IV e V
completamente fusionadas, com forma característica ........................ Abyssoninoe
Setas anteriores compreendendo limbadas simples e ganchos encapuzados simples.
Maxila V livre ou somente parcialmente fusionada com a maxila IV ................... 7/
7. Maxila II com aproximadamente a metade do comprimento da maxila 1 ........ Eranno
Maxila II com mais da metade do comprimento da maxila T .....................nee 8
8. Maxila IV com a área central mais clara que a porção adjacente. Maxila V ausente.
Mandíbulas com ramos divergentes. Usualmente com pequenas papilas nucais .....
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Maxila IV toda negra. Maxila V presente. Mandíbulas com ramos convergentes
Reramente com" papilas Tiucais coast reta rteretanies en ttama Lumbrineris
9. Brânquias constituídas de um único filamento papiliforme originado no topo do lobo
pós-setal (fig. 22). Lobo pós-setal pouco desenvolvido ......................... Paraninoe
Brânquias multifilamentadas (fig. 26). Lobo pós-setal bem desenvolvido ......... Ninoe
Lysarete Kinberg, 1865
Espécie tipo: Lysarete brasiliensis Kinberg, 1865
Prostômio curto e arredondado, com 3 pequenas antenas e 2 pares de olhos.
Peristômio dividido em 2 anéis. Parapódios com grandes cirros dorsais foliáceos.
Neuropódios com lobos pré- e pós-setais bem desenvolvidos, sem cirros ventrais. Maxila
I bidentada.
Lysarete brasiliensis Kinberg, 1865
(Figs. 1-6, 29)
Lysarete brasiliensis KINBERG, 1865: 570; 1910: 49, est. 17, fig. 30; ORENSANZ & GIANUCA, 1974:
15; ORENSANZ, 1975: 106-108, est.8.
(2) Aglaurides sp.; NONATO, 1966: 71.
Material examinado. BRASIL. Rio de Janeiro: Operação Geocosta Rio II, Est. A4, 23º00'S, 42°14’W
(1 ex.), MCBM-799; Plataforma sudeste, Operação Sueste: Est. 6121, 25º04'S, 46º25'W (1 ex.), MCBM-874.
Ocorrência. Em fundos de areia muito fina ou lodo-arenoso da plataforma, entre 58
e 66 metros de profundidade, nas costas do Rio de Janeiro e de São Paulo (fig. 29).
Diagnose. Corpo excepcionalmente longo, atingindo 500mm de comprimento.
Prostômio curto, com 2 pares de olhos puntiformes e 3 diminutas antenas. Região média
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91,29 set. 1995
80 CAMARGO & LANA
e posterior do corpo com um grande cirro dorsal foliáceo. Setas de um único tipo: simples
e estreitamente limbadas. Fórmula maxilar: MI (2 + 2); MII (4 + 4); MHI (4 + 4), MIV (4
+ 4).
Redescrição. Dois exemplares com coloração castanho-amarelada no álcool. Ani-
mal excepcionalmente longo e robusto, atingindo 500mm de comprimento e IIlmm de
largura, incluindo os parapódios, para cerca de 450 setígeros. Prostômio curto, largo e
achatado dorso-ventralmente, com 2 pares de olhos puntiformes, 3 diminutas antenas e
um par de grossos palpos labiais ventrais (fig. 1). Peristômio constituído por 2 anéis, o
segundo ligeiramente menor que o primeiro e estendido anteriormente para formar a
parte posterior dos palpos labiais ventrais. Setígeros anteriores com notopódios (cirros
dorsais) curtos, arredondados, grandes e foliáceos na região média e posterior do corpo
(fig. 6), atingindo aproximadamente o dobro do comprimento dos lobos pós-setais, e
sustentados por uma delgada notoacícula negra. Neuropódios sustentados por 5 acículas,
dotados de lobos pós-setais longos e largos na base; lobos pré-setais arredondados e bem
desenvolvidos, porém com cerca da metade do comprimento dos lobos pós-setais. Setas
de único tipo, simples e estreitamente limbadas, em número de 6-7 nos parapódios
anteriores e 5 nos parapódios médios. Ganchos encapuzados inteiramente ausentes.
Mandíbulas castanho-claras, muito robustas, aproximadamente 2 vezes mais
compridas que largas, fusionadas na porção média e com bordas incisivas lisas (fig. 5).
Maxilas castanho-escuras (figs. 2-4). Suportes maxilares curtos e robustos, ligeiramente
menores que a maxila I e alargados no seu primeiro terço anterior. Maxila I, em forma de
fórceps muito curvado, com um dente interno. Um par de suportes maxilares longos e
delgados acompanham a maxila I por aproximadamente metade da sua extensão anterior.
Maxila II grande, larga, suplantando o limite anterior da maxila I, com 4 dentes sub-
cônicos na peça esquerda e 4 na direita, esta com o dente distal ligeiramente mais curto
que os demais. Um par de pequenos suportes sub-retangulares presentes dorsalmente
entre a base da maxila III e extremidade basal da maxila II. Maxila III com 4 dentes
arredondados em cada peça, com os dois primeiros 2 vezes mais largos que os demais.
Maxila IV com 4 dentes em cada peça, com o distal subdividido e muito grande e os
demais diminuindo de tamanho em direção posterior.
Distribuição. Da Florida (EUA) ao Golfo de San Matías (Argentina).
Discussão. Os exemplares examinados correspondem à redescrição de
ORENSANZ (1975), diferindo somente no número de dentes da maxila III, o que
provavelmente se deve a uma variação intra-específica. Nesse trabalho, algumas figuras
aparecem indicadas erroneamente nas legendas; na lâmina VIII, as figuras 5 e 6 estão
com as legendas trocadas. A figura 5 refere-se, na verdade, a um parapódio anterior e a |
figura 6 a um parapódio médio.
A espécie distingue-se facilmente dos demais lumbrinerídeos da região de estudo |
pelo excepcional tamanho dos adultos e pela presença de um grande cirro dorsal a partir
dos parapódios médio-posteriores, facilmente visualizado a olho nu.
Arabelloneris Hartmann-Schröder & Hartmann, 1979
Espécie tipo: Arabelloneris broomensis Hartmann-Schröder & Hartmann, 1979.
Prostômio arredondado e sem olhos. Parapódios bem desenvolvidos e semelhantes
ao longo do corpo, sem brânquias, providos ou não de um cirro dorsal rudimentar. Todas
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da costa sul e sudeste do Brasil . I.... 81
as setas limbadas simples.
Arabelloneris janeirensis (Augener, 1934), comb. n.
(Figs. 7-9, 29)
Arabella dubia; HANSEN, 1882: 8, est. 2, figs. 14-18.
Lumbriconereis janeirensis AUGENER, 1934: 198, est. 28, figs. a-c.
Lumbrineris janeirensis; ORENSANZ, 1973: 347-349, est. 1.
Material examinado. BRASIL. São Paulo, Projeto Ubatuba: Est. 23, 23º45"S, 45°11’W (1 ex.), MCBM-
789. Paraná: Plataforma sudeste, Operação Sueste: Est. 6090, 26°14’S, 48°19’W (1 ex.), MCBM-873. Rio
Grande do Sul, Operação Talude: Est. 7C, 33°47’S, 51°21’W (1 ex.) MCBM-843.
Ocorrência. Em fundos de areia fina e areia síltica com detritos, na plataforma
interna e externa de São Paulo e Rio Grande do Sul, entre 30 e 150 metros (fig. 29).
Diagnose. Prostômio arredondado. Parapódios bem desenvolvidos e muito
semelhantes por todo o corpo. Presença somente de setas limbadas simples com ganchos
encapuzados totalmente ausentes. Fórmula maxilar: MI (1 + 1); MII (4 + 4); MIII (2 +2);
MIV (1+1); MV (1+1).
Redescrição. Três exemplares incompletos posteriormente, o maior com 57
setígeros, medindo 39 mm de comprimento e 6,8 mm de largura, incluindo os parapódios.
Prostômio arredondado, mais largo que longo, sem olhos ou órgãos nucais e com um par
de grossos palpos labiais ventrais (fig. 7). Peristômio formado por 2 anéis ápodos de
tamanhos aproximadamente iguais, com o segundo estendido anteriormente para formar
parte dos palpos labiais ventrais. Parapódios unirremes, com 3-4 acículas amarelas.
Parapódios bem desenvolvidos por todo o corpo. Lobos pré-setais curtos e arredondados
em todos os setígeros. Lobos pós-setais dobrados para trás, longos e digitiformes nos
setígeros anteriores (fig. 8), alongando-se mais ainda em direção posterior. Presença
somente de setas limbadas simples; ganchos encapuzados totalmente ausentes. Parapódios
semelhantes por todo o corpo, com 4-5 setas dorsais e 7 ventrais.
Mandíbulas castanho-claras, robustas, quase do mesmo comprimento das maxilas,
com linhas de crescimento fortemente marcadas e bifurcadas posteriormente. Maxilas
negras (fig. 9). Suportes maxilares menores que a maxila I e constritos lateralmente.
Maxila I em forma de fórceps pouco curvado, com um par de suportes laterais
acompanhando aproximadamente a metade da sua extensão longitudinal. Maxila II com
4 dentes robustos e sub-cônicos. Maxila III bidentada, com o dente distal inconspicuo.
Maxila IV unidentada, expandida lateralmente e maior que a maxila II. Maxila V
completamente livre e unidentada.
Distribuição. Do Rio de Janeiro (Brasil) ao Porto de La Paloma (Uruguai).
Discussão. HANSEN (1882) descreveu a espécie Arabella dubia; AUGENER
(1934) observou que o nome específico estava pré-ocupado por Lumbrineris dubia
Quatrefages, 1865 em Lumbriconereis e propôs o nome janeirensis. HARTMANN-
SCHRÓDER & HARTMANN (1979) erigiram o gênero Arabelloneris para agrupar
espécies que apresentam unicamente setas limbadas simples, carecendo totalmente de
ganchos encapuzados. Com base nesta diagnose, L. janeirensis é aqui formalmente refe-
rida a Arabelloneris. Somente 5 espécies são conhecidas para o gênero, das quais
Arabelloneris broomensis Hartmann-Schröder, 1979, descrita para o litoral da Austrália,
é a espécie mais próxima de Arabelloneris janeirensis, dela diferindo pela presença de
um cirro dorsal rudimentar.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91,29 set. 1995
82 CAMARGO & LANA
Lumbrineriopsis Orensanz, 1973
Especie tipo: Lumbriconereis mucronata Ehlers, 1908.
Prostömio alongado. Parapödios anteriores muito pequenos. Setas incluem ganchos
encapuzados simples bidentados e limbadas simples. Mandibulas fusionadas em quase
toda sua extensão. Suportes maxilares longos, alargados posteriormente. Maxila I não
dentada internamente. Maxila IV com uma série de dentículos com forma de espinho.
Lumbrineriopsis mucronata (Ehlers, 1908)
(Figs. 10-14, 29)
Lumbriconereis mucronata EHLERS, 1908: 95, est. 12, figs 9-13.
Lumbrineris mucronata; KNOX & GREEN, 1973: 247, figs. 1 a-g.
Lumbrineriopsis mucronata; ORENSANZ, 1973: 377, est. 13.
Material examinado. BRASIL. Rio de Janeiro, Operação Geocosta Rio II: Est. B5, 23º03'S, 42°02”W
(3 exs.), MCBM-812; Est. DI, 22º57'S, 42°19’W (12 exs.), MCBM-820; Est. B2, 23°00’S, 42°02’W (1 ex.),
MCBM-822; Est. D4, 23º00'S, 42°19’W (3 exs.), MCBM-829; Est. D2, 22°58’S, 42°19’W (1 ex.) MCBM-
832. São Paulo, Projeto Ubatuba: Est. 2, 23º39ºS, 45°02’W(1 ex.), MCBM-796; Est. 10, 23º45"S, 44°59’W (1
ex.), MCBM-797. Paraná, Baia de Paranaguá: Est. P11, 25°27’S, 48°38’W (6 exs.), MCBM-753. Plataforma
Sudeste, Operação Sueste: Est. 6089, 26º22"S, 48°19’W (1 ex.), MCBM-849.
Ocorrência. Em fundos síltico-argilosos de baías, a 8 metros de profundidade, e na
plataforma do Rio de Janeiro e Santa Catarina, em fundos de areia fina ou lamosa, até a
profundidade de 90 metros (fig. 29).
Diagnose. Prostômio tão longo quanto os 4-5 primeiros segmentos. Ganchos
encapuzados bidentados simples presentes desde o primeiro setígero. Lobos pós-setais
relativamente longos em todos os setígeros. Suportes maxilares longos e alargados
posteriormente. Fórmula maxilar: MI (1 + 1); MI (5 + 5); MIN (1 + 1); MIV (borda
incisiva com uma série de 12-13 dentículos).
Redescrição. (29 fragmentos anteriores, pequenos, delgados, com no máximo
15,0mm de comprimento e 1,0mm de largura, incluindo os parapódios). Nenhum padrão
de pigmentação observado no álcool. Prostômio muito longo e afilado, atingindo o mesmo
comprimento dos 4-5 primeiros segmentos (fig. 10). Peristômio inconspicuamente dividido
em 2 anéis, o anterior cerca de 1,6 vezes maior que o posterior. Os 5 primeiros parapódios
são muito pouco desenvolvidos; os seguintes já apresentam as setas evidenciadas, mas
continuam relativamente pequenos. Lobos pré- setais muito curtos e arredondados por
todo o corpo. Lobos pós-setais digitiformes e alongados nos setígeros anteriores, mantendo
aproximadamente o mesmo comprimento, apesar de mais largos nos setigeros médios e
posteriores (fig. 11). Ganchos encapuzados simples bidentados, muito pequenos e com
capuz curto, desde o primeiro setígero (fig. 14). Dependendo do ângulo de observação,
os ganchos podem ter aparência tridentada, devido a um prolongamento basal do capuz.
Setígeros anteriores com 2-3 finas acículas amarelas, 2-3 ganchos encapuzados e 2 setas
limbadas simples longas, alcançando 3 vezes o comprimento dos lobos pós-setais. Setígeros
médios e posteriores muito semelhantes aos anteriores, diferindo apenas no comprimento
um pouco maior das setas e na presença de somente uma acícula amarela grossa. Pigídio
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da costa sul e sudeste do Brasil. I.... 83
com 4 lobos arredondados, voltados para dentro, sem nenhum cirro anal.
Mandíbulas translúcidas em glicerina (fig. 13); anteriormente com placa calcária
concentricamente estriada, sulcada medianamente e com 2 estruturas quitinosas laterais,
negras, finamente dentadas; bifurcadas apenas no extremo anterior. Maxilas castanho-
claras em glicerina (fig. 12). Suportes maxilares longos, pouco maiores que o restante
das peças maxilares, alargados posteriormente e podendo apresentar ondulações laterais
no extremo anterior. Maxila I unidentada, em fórceps curvado e com a base grossa.
Maxila II com aproximadamente 2/3 do comprimento da maxila I, com 5 dentes sub-
cônicos em cada peça. Maxila III alongada longitudinalmente, com 1 grande dente
arredondado em cada peça. Borda incisiva da maxila IV com uma série de 12-13
dentículos.
Variabilidade. Alguns indivíduos apresentam ondulações nos suportes maxilares.
Apesar da semelhança com os dentes, tais ondulações não apresentam canais internos.
Distribuição. De Mar del Plata (Argentina) até o Rio de Janeiro (Brasil) e África
Ocidental.
Discussão. A descrição original da espécie e, em especial, das maxilas, é deficiente.
Porém, a morfologia externa do holótipo descrito por Ehlers (1908) corresponde aos
exemplares aqui examinados. ORENSANZ (1973) propôs o novo gênero a partir de
indivíduos coletados na Argentina e Uruguai, referidos aLumbriconereis mucronata Ehlers,
1908, estabelecendo a combinação nova Lumbrineriopsis mucronata. Lumbrineriopsis
paradoxa St. Joseph, 1888 é espécie semelhante, sendo mesmo referida como sinônima
de Lumbrineriopsis mucronata (Miura, 1980). No entanto, alguns autores (KNOX &
GREEN, 1973; ORENSANZ, 1973) admitem a existência de caracteres consistentes que
separam as duas espécies, como o prostômio acuminado anteriormente, peristômio
bianelado, mandíbulas bifurcadas no extremo posterior, número constante de setas em
todos os parapódios de L. mucronata e prostômio arredondado, peristômio unianeiado,
mandíbulas com extremidades livres e número de setas aumentando gradualmente em
direção posterior em L. paradoxa. Seguimos aqui a orientação de ORENSANZ (1973)
e KNOX & GREEN (1973), que restringem Lumbrineriopsis paradoxa ao Atlântico Norte,
com base nas diferenças estruturais apontadas acima.
Lumbrinerides Orensanz, 1973
Espécie tipo: Lumbrinerides gesae Orensanz, 1973
Prostômio alongado. Primeiros segmentos com parapódios muito pequenos. Setas
incluem ganchos encapuzados simples bidentados e limbadas simples. Mandíbulas com
ramos completamente fusionados. Suportes maxilares curtos e triangulares. Maxila I com
borda interna dentada. Maxila III e IV unidentadas.
Lumbrinerides gesae Orensanz, 1973
(Figs. 15-20, 29)
Lumbrinerides gesae ORENSANZ, 1973: 373, est. 12, figs. 1-5; PERKINS, 1979: 420; MIURA, 1980: 1023
(chave).
Material examinado. BRASIL. Espírito Santo: Est. P18, 20º02'S, 40°14”W (1 ex.), MCBM-774. Rio
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91,29 set. 1995
84 CAMARGO & LANA
2 mm (1)
1 mm (2,3,4,5)
2 mm (6)
1 mm (7,8)
0,2 mm (9)
1 mm (10)
0,1 mm (11)
0,1 mm (12)
0,1 mm (13)
0,02 mm (14)
Figs. 1-14. Lysarete brasiliensis: 1, extremo anterior em vista dorsal; 2, maxilas I e II; 3, maxila III (detalhe); 4,
maxila IV (detalhe); 5, mandíbulas; 6, parapódio médio-posterior. Arabelloneris janeirensis: 7, extremo anterior
em vista dorsal; 8, parapódio anterior; 9, maxilas. Lumbrineriopsis mucronata: 10, extremo anterior em vista dor-
sal; 11, parapödio posterior; 12, maxilas; 13, mandíbulas; 14, gancho encapuzado bidentado.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da costa sul e sudeste do Brasil. I.... 85
de Janeiro, Operação Geocosta II: Est. DI, 22º57'S, 42°19’W (4 exs.), MCBM-819. São Paulo, Projeto
Ubatuba: Est. 2, 23°39’S, 45°02’W (1 ex.), MCBM-786; Est. 26, 23°30’S, 44°47’W (1 ex.), MCBM-787; Est.
17, 23º30ºS, 44°47’W (1 ex.), MCBM-795.
Ocorrencia. Em fundos areno-lodosos do mediolitoral de praias arenosas e na
plataforma, em areias finas, até a profundidade de 47 metros (fig. 29).
Diagnose. Prostömio täo longo quanto os 5 primeiros segmentos. Dois segmentos
peristomiais ápodos. Ganchos encapuzados bidentados em todos os setígeros. Lobos pös-
setais da região mediana e posterior delgados e longos. Suportes maxilares curtos e
triangulares. Fórmula maxilar: MI (3 + 3); MI (3 + 3); MIN (1 + 1); MIV (1 + 1).
Redescrição. (8 indíviduos examinados, incompletos posteriormente). Coloração
âmbar no álcool. Prostômio muito longo em relação ao tamanho do corpo, atingindo
aproximadamente o mesmo comprimento dos 5 primeiros segmentos, com finas estrias
longitudinais e distalmente aguçado (fig. 15). Peristômio formado por 2 anéis ápodos de
tamanhos aproximadamente iguais, cada um pouco mais curto que o primeiro setígero.
Parapódios sesquirremes, com notopódio rudimentar, 2-3 neuroacículas e 1-2 notoacículas
amarelas. Região anterior com parapódios muito pequenos, representados por diminutas
projeções da parede do corpo; lobos pré- e pós-setais apenas vestigiais, reduzidos a simples
processos globosos. Segmentos da região média e posterior com parapódios alongados,
lobos pré-setais curtos e arredondados e lobos pós-setais delgados e longos, com o mesmo
comprimento dos lobos parapodiais (fig. 16). Setas limbadas simples e curtas (fig. 17),
em número variável ao longo do corpo: 3 em setígeros anteriores e 5 em setígeros médios
e posteriores. Ganchos simples com capuz curto e bidentados (fig. 18) por todo o corpo;
1-2 nos primeiros segmentos e 4-5 em setígeros médios e posteriores, com os dentes
formando um ângulo de aproximadamente 90º. Nenhum indivíduo apresentava o extremo
posterior, não sendo possível observar o pigídio.
Peças maxilares negras. Mandíbulas totalmente fusionadas, afiladas no extremo
posterior, quase tão longas quanto o aparato maxilar (fig. 20). Suportes maxilares alargados
anteriormente e subtriangulares (fig. 19). Maxila I larga e curta, com três grandes dentes
arredondados na sua porção interna. Dois finos suportes maxilares em quase toda a extensão
longitudinal das peças da maxila I. Maxila II curta e com 3 dentes arredondados e curtos
em cada peça. Maxila III unidentada, com forma subtriangular. Maxila IV sub-retangular
e unidentada.
Distribuição. De Mar del Plata (Argentina) até o Espírito Santo (Brasil).
Discussão. Os exemplares examinados correspondem à descrição de ORENSANZ
(1973), para indivíduos coletados próximo a Mar del Plata, Argentina. A espécie é
facilmente separada dos demais lumbrinerídeos da região pelo formato característico do
prostômio, muito longo e afilado na extremidade. Com este registro, a espécie tem sua
distribuição grandemente ampliada para o norte.
Paraninoe Levenstein, 1977
Espécie tipo: Paraninoe fusca Moore, 1911.
Prostômio cônico, sem antenas e com uma larga papila nucal. Parapódios anteriores
com brânquias simples originadas no topo do lobo pós-setal. Setas anteriores transicionais
entre limbadas e ganchos encapuzados, muito longas e com capuz longos e extremamente
finos. Acículas negras.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91,29 set. 1995
86 CAMARGO & LANA
Paraninoe antarctica (Monro, 1931)
(Figs. 21-24, 29)
Lumbrinereis antarctica MONRO, 1931: 138; est. 51, figs. a-h.
Lumbrineris antarctica; HARTMAN, 1964: 119, est. 37, figs. 3-4; 1967: 100 (parte); 1978: 155 (parte).
Lumbrineris sp.; HARTMAN, 1967: 101 (em parte).
Lumbrineris magalhaensis; HARTMAN, 1978: 155 (em parte).
Ninoe sp.; HARTMAN, 1967: 101 (em parte).
Augeneria monotentaculata AVERINCEV, 1972: 187, est. 37, figs. 1-10.
Paraninoe antarctica; ORENSANZ, 1990: 96, est. 25, 37, fig. b.
Material examinado. BRASIL. Rio Grande do Sul, Operação Talude: Est. 5A, 31º15'S, J0°19’W (1
ex.) MCBM-844.
Ocorrência. Em fundo areno-argiloso da plataforma do Rio Grande do Sul, a 82
metros de profundidade (fig. 29).
Diagnose. Prostômio cônico, com um par de papilas nucais. Setas anteriores
intermediárias entre limbadas e ganchos encapuzados. Brânquias originadas do topo do
lobo pós-setal com um simples lobo desde o primeiro setígero. Fórmula maxilar: M I q
BMBF, MINEN:
Redescrição. Único fragmento anterior, muito pequeno, com apenas 18 setígeros,
medindo 4mm de comprimento e 0,9mm de largura, incluindo os parapódios. Prostômio
cônico, pouco mais longo que largo na base, com um par de papilas nucais e um par
ventral de palpos labiais (fig. 21). Peristômio constituído de 2 anéis ápodos, o primeiro
pouco maior que o segundo, que se estende anteriormente para formar parte dos palpos
labiais. Primeiro setigero com parapódio muito pequeno. Parapódios aumentam
rapidamente de tamanho até o setígero 5, a partir do qual se tornam bem desenvolvidos,
com setas e ganchos muito longos, atingindo o dobro do comprimento dos parapódios
(fig. 22). Setas anteriores intermediárias entre limbadas e ganchos encapuzados simples,
de difícil distinção das capilares limbadas, aparecendo desde o primeiro setígero. A partir
do setígero 12, os ganchos se tornam conspícuos. Lobos pré-setais arredondados e muito
curtos. Lobos pós-setais arredondados e ligeiramente maiores que os pré-setais. Brânquias
originadas no ápice do lobo-pós-setal, em forma de um simples lobo desde o primeiro
setígero. Parapódios anteriores com 2 acículas negras. Unico indivíduo analisado
incompleto posteriormente, não sendo possível a observação do pigídio.
Mandíbulas castanho-claras em glicerina (fig. 24), medianamente fusionadas, cerca
de 2 vezes mais longas que largas e com a placa calcária anterior irregularmente dentada
nas bordas incisivas. Maxilas castanho-escuras (fig. 23). Suportes maxilares menores
que a maxila I, alargados anteriormente e com constrição suave na porção posterior.
Maxila I unidentada, em forma de fórceps pouco curvado. Maxila II com 3 dentes robustos
e arredondados em cada peça. Maxila III unidentada, com dente longo, fino e arredondado
na ponta. Maxila IV constituída de uma peça unidentada maior que a maxila III, com
forma subtriangular.
Distribuição. Plataforma e talude ao redor da Antártica; Rio Grande do Sul (Brasil).
Discussão. O gênero Paraninoe foi proposto por LEVENSTEIN (1977) para agrupar
espécies pertencentes a Ninoe e Lumbrineris caracterizadas por possuírem brânquias
com um simples lobo originadas no ápice dos lobos pós-setais. ORENSANZ (1990)
revisou todo o material citado na sinonímia acima, com exceção de Augeneria
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da costa sul e sudeste do Brasil . I.... 87
monotentaculata. No entanto, após análise de indivíduos provenientes da área tipo,
ORENSANZ (1990) concluiu que existem evidências suficientes para também colocá-la
na sinonimia de P. antarctica. PETTIBONE (1963) e MIURA (1980) sugeriram que P.
brevipes McIntosh, 1903 e P. antarctica são idênticas. Estas, porém, diferem na distribuição
dos ganchos encapuzados, ja que P. brevipes não os possui em setígeros anteriores, ao
contrário de P. antarctica.
Ninoe Kinberg, 1865
Espécie tipo: Ninoe chilensis Kinberg, 1865
Prostômio subcônico, com o comprimento aproximadamente igual à largura e com
um par de órgãos dorsais longitudinais. Brânquias digitiformes com mais de um filamento
originadas da borda pós-setal, presentes em um número variável de segmentos ântero-
medianos. Mandibulas fusionadas na porção média. Maxila IV ou III e IV com a borda
incisiva finamente serrilhada. As setas incluem ganchos encapuzados simples
multidentados e setas limbadas simples. Acículas negras.
Ninoe brasiliensis Kinberg, 1865
(Figs. 25-28, 29)
Ninoe brasiliensis KINBERG, 1865: 21; 1910: 46, est. 18, fig. 33; ORENSANZ, 1973: 381, est. 14, figs. 1-7;
1990: 140, est. 41, fig. C.
Material examinado. BRASIL. Rio de Janeiro: Operação Geocosta: Est. D5, 23º01"S, 42°19’W (1
ex.), MCBM-813; Est. D4, 23º00"S, 42º19"W (1 ex.), MCBM-830; Est. B3, 23°01’S, 42°02’W (1 ex.), MCBM-
833; Est. B2, 23º00'S, 42°02’W (5 exs.), MCBM- 834. São Paulo: Projeto Ubatuba: Est. 17, 23°30’S, 44°47’W
(2 exs.), MCBM-777; Est. 24, 23°37’S, 45º16'W (3 exs.), MCBM-778; Est. 27, 23°24°S, 44°50’W (2 exs.),
MCBM-779; Est. 14, 23°45°S, 45°11’W (3 exs.), MCBM-780; Est. 12, 23º33'S, 45°49’W (3 exs.), MCBM-
781. Paraná: Baia de Paranaguá: Est. P10, 25°29°S, 48°38’W (2 exs.), MCBM-737; Est. P2,25º26'S, 48º40"W
(1 ex.), MCBM-738; Est. P8, 25º28'S, 48°39’W (1 ex.), MCBM-739; Est. P9, 25º29'S, 48°39’W (2 exs.),
MCBM-740; Est. P6, 25°28’S, 48°40’W (4 exs.), MCBM-741; Est. P4, 25º27"S, 48°40’W (7 exs.), MCBM-
742; Est. P3, 25º26'S, 48º40"W (5 exs.), MCBM-743. Plataforma sudeste, Operação Sueste: Est. 6289, 24°16°S,
46º01"W (54 exs.), MCBM-856; Est. 6139, 24°16°S,46°01’W (1 exs.), MCBM-859; Est. 6077, 26º44"S, 48º25'W
(1 ex.) MCBM-861.
Ocorrência. Em fundo síltico-argiloso de baías, a 6 metros de profundidade, e em
fundos de plataforma do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, com sedimento síltico-
argiloso ou areia fina, em profundidades de até 77 metros (fig. 29).
Diagnose. Prostômio cônico, quase tão largo quanto comprido. Brânquias palmadas
entre os setígeros 3-4 e 19-33, com 6 ou 7 ramos onde estão melhor desenvolvidas. Região
branquial com parapódios dotados unicamente de cerdas limbadas simples. Ganchos
encapuzados simples presentes imediatamente após o último segmento branquial. Suportes
maxilares curtos, quase do mesmo comprimento da maxila I. Fórmula maxilar: MI(I+1),
MII(6+6), MIII(1+1), MIV (borda serrilhada com 8 denticulos).
Redescrição. (101 indivíduos, robustos, atingindo 45mm de comprimento e 1,8mm
de largura, incluindo os parapódios). Coloração âmbar no álcool. Prostômio cônico e
curto, quase tão largo quanto comprido, sem olhos e com estrias escuras no sentido lon-
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91,29 set. 1995
88
CAMARGO & LANA
e ARY
1 mm (15) |
0,1 mm (16) |
— 0,02mm(17,18) 24 |
— 0,1mm (19,20) |
_ ______ ımm (21) |
— o02mm(22) |
— 0,02 mm (23,24) er, ee |
1 mm (25) E BARS >) |
_ 02mm(26)
05 mm (27,28) |
25 |
26 27 28 |
3
Figs. 15-28. Lumbrinerides gesae: 15, extremo anterior em vista dorsal; 16, parapódio posterior, 17, seta limbada
de um parapódio anterior, 18, gancho encapuzado bidentado; 19, maxilas; 20, mandíbulas. Paraninoe antarctica: |
21, extremo anterior em vista dorsal; 22, parapódio anterior, 23, maxilas; 24, mandíbulas. Ninoe brasiliensis: 25, | i
extremo anterior em vista dorsal; 26, 18° parapódio; 27, maxilas; 28, mandíbulas.
|
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91, 29 set. 1995 |
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da costa sul e sudeste do Brasil. I.... 89
gitudinal (fig. 25); dorsalmente apresentam um par de órgãos nucais. Dois segmentos
anteriores ápodos, o primeiro mais largo que o segundo. Boca localizada ventralmente
entre a base do prostômio e o 1º segmento; o segundo contribui para a formação da boca,
estendendo-se anteriormente. Setígeros anteriores com lobos pós-setais digitiformes e
longos, atingindo o mesmo comprimento das setas; lobos pré-setais inconspícuos. Setígeros
posteriores com lobos pós-setais curtos, ligeiramente mais longos que os pré-setais.
Brânquias palmadas originárias da borda pös-setal a partir do setígero 3 ou 4, estendendo-
se até os setígeros 19 ou 33. Primeiros parapódios com brânquias unifilamentosas,
chegando a possuir 6 ou 7 filamentos quando melhor desenvolvidas, a partir do setígero
14 (fig. 26). 7-9 setas simples geniculadas nos setígeros anteriores e uma única na região
média e posterior. Ganchos encapuzados simples presentes imediatamente após o último
segmento branquial, com cerca de 7-8 pequenos dentículos, sendo o distal mais grosso
que os demais. Setígeros anteriores com 3-4 acículas delgadas negras ou castanho-escuras.
Estas posteriormente se tornam mais grossas, diminuindo para 1 ou 2. Nenhum indivíduo
analisado se encontrava completo posteriormente, não sendo possível a observação do
pigídio.
Mandíbulas castanho-amareladas (fig. 28), alargadas anteriormente, concentri-
camente estriadas e serrilhadas nas bordas; fusionadas até a porção média, de onde partem
dois ramos finos e longos. Maxilas negras (fig. 27). Suportes maxilares mais curtos que a
maxila I, robustos e constritos na porção anterior. Maxila I unidentada, falcada, com a
base de cor mais clara que a extremidade e acompanhada de um par de suportes laterais,
com aproximadamente 2/3 do seu comprimento. Maxila II com 6 dentes em cada peça,
com o sub-distal menor que os demais. Maxila III com borda incisiva chanfrada, com um
longo dente cônico e robusto. Maxila IV com borda incisiva em semi- círculo e serrilhada,
com cerca de 8-10 dentículos, sendo o dente distal aproximadamente 2 vezes mais largo
que os demais e aparentemente subdividido.
Variabilidade. O grau de desenvolvimento e a extensão da região branquial dependem
claramente do tamanho dos exemplares. Indivíduos com largura de até 0,6 mm (incluindo
os parapódios) apresentam brânquias até o setígero 21, no máximo. Indivíduos com mais
de 1,3mm de largura têm brânquias estendendo-se até o setígero 33. Existem ainda
variações, não dependentes do tamanho, na extensão da região branquial entre diferentes
populações, registradas em indivíduos com largura maior do que 1,Imm. A população da
Baía de Paranaguá apresenta brânquias estendendo-se até os setígeros 31-33; nos
espécimens provenientes da plataforma, as brânquias não passam do setígero 26. O número
máximo de filamentos branquiais não parece corresponder a qualquer diferenciação
geográfica, variando indiscriminadamente entre 6 e 7.
Distribuição. Rio de Janeiro (Brasil) ao Puerto Quequém (Argentina).
Discussão. KINBERG (1865) descreveu a espécie sem mencionar suas estruturas
maxilares e mandibulares. ORENSANZ (1973) a redescreveu com base em indivíduos
da costa da Argentina. Os exemplares aqui examinados correspondem a esta redescrição,
diferindo apenas no número de dentes da maxila II (7-8). LANA (1984) encontrou
indivíduos com 7 ou 8 dentículos na maxila II.
NONATO (1981) descreveu exemplares de N. brasiliensis provenientes da Ilha
Grande (Rio de Janeiro).que apresentavam apenas um dente na maxila IV. Na realidade,
os dentículos da maxila IV são inconspícuos, sendo somente observados com auxílio de
microscópios de alta resolução. Acreditamos que os espécimens analisados por este autor
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91,29 set. 1995
90 CAMARGO & LANA
52° 50° 48° 46° 44° 42° Lon w 40°
as a 5
AE “Rio de Janeiro
f
-
O Arabelloneris janeirensis
O Lysarete brasiliensis
& Lumbrinerides gesae
4 Lumbrineriopsis mucronata
O Ninoe brasiliensis
EB Paraninoe antarctica
ao
Fig. 29. Distribuição de Lumbrineridae na costa sul e sudeste do Brasil.
pertençam efetivamente a N. brasiliensis, uma vez que a morfologia externa e o restante
das peças maxilares de seus exemplares correspondem à redescrição de ORENSANZ
(1973).
KINBERG (1910) descreveu N. oculata para a mesma área tipo de N. brasiliensis
(Rio de Janeiro), porém a descrição original estava incompleta. ORENSANZ (1990),
analisando os tipos e baseado na ausência de ganchos nos setígeros anteriores e no número
de lobos branquiais, sugeriu que ambas são estreitamente relacionadas e provavelmente
idênticas.
Agradecimentos. A Ricardo Capitoli e Luiz E. Bonilha (Fundação Universidade Rio Grande), Edmundo
F. Nonato e Paulo Paiva (Universidade de São Paulo), Vera Abud (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e
Claudia Coelho (Universidade Federal de Santa Catarina), pela cessão de material. Ao CNPg, pela concessão
de bolsa de Mestrado e Pesquisa.
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Recebido em 09.03.1994; aceito em 25.11.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 77 - 91,29 set. 1995
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LUMBRINERIDAE (POLYCHAETA: EUNICEMORPHA) DA COSTA SUL E
SUDESTE DO BRASIL. II. LUMBRINERIS!
Maurício G. Camargo?
Paulo C. Lana º
ABSTRACT
LUMBRINERIDAE (POLYCHAETA: EUNICEMORPHA) FROM SOUTHERN AND
SOUTHEASTERN BRAZIL. I. LUMBRINERIS. Eleven species of Lumbrineris Blainville, 1828 have been
identified from estuarine and offshore environments along the southern and southeastern coasts of Brazil: L.
atlantica (Kinberg, 1865), new record, L. mainae new species, L. tetraura (Schmarda, 1861), L. curtolobata
new species, L. januarii (Grube, 1878), L. inflata Moore, 1911, L. cruzensis Hartman, 1944, new record, L.
coccinea (Renier, 1804), L. magalhaensis Kinberg, 1865, L. cingulata (Ehlers, 1897), and L. latreilli Audouin
& Milne Edwards, 1834. An identification key, diagnoses, descriptions and illustrations are given for all recorded
species.
KEYWORDS. Polychaeta, taxonomy, Lumbrineridae, SE Brazil.
INTRODUÇÃO
O gênero Lumbrineris compreende aproximadamente 100 espécies, muito seme-
lhantes no que se refere à morfologia externa, fato que pode dificultar sua identificação.
HARTMAN (1944) dividiu o gênero em 3 grupos, com base na presença ou ausência de
ganchos e setas compostas. FAUCHALD (1970) ampliou a definição dos grupos, a partir
da morfologia das maxilas. Além de não terem sido formalmente propostos como catego-
rias taxonômicas, tais agrupamentos são artificiais e não refletem a filogenia do gênero
(ORENSANZ, 1973). HARTMAN (1944) e FAUCHALD (1970) discutiram o status do
gênero Lumbrineris na família Lumbrineridae, considerando-o válido e separado dos
demais pela ausência de brânquias. Porém, a definição do táxon é considerada pouco
satisfatória por muitos autores (ORENSANZ, 1973, 1990; HARTMANN-SCHRÓDER,
1979). Existe uma tendência para a expansão do sistema natural dos lumbrinerídeos, com
o estabelecimento de vários gêneros a partir do gênero axial Lumbrineris, tais como
Lumbrineriopsis (ORENSANZ, 1973), Lumbrinerides (ORENSANZ, 1973) e
Arabelloneris (HARTMANN-SCHRÓDER, 1979).
1. Parte da Dissertação de Mestrado do autor sênior, apresentada ao Curso de Pós-graduação em Zoologia, Departamento de Zoologia, Universida
- de Federal do Paraná, Curitiba.
2. Vrije Universiteit Brussel. Laboratory for Ecology and Systematics, Pleinlaan 2 - 1050, Bruxelles, Belgique.
3. Centro de Estudos do Mar, Universidade Federal do Paraná. Av. Beira-mar s/n, Pontal do Sul, 83255-000, Paraná, Brasil.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
94 CAMARGO & LANA
ORENSANZ (1990) separou as atuais espécies de Lumbrineris em dois grupos: 1)
Lumbrineris sensu stricto, redescrito a partir do gênero original de BLAINVILLE (1828)
e englobando um agrupamento bem definido de espécies, caracterizado pela ausência de
setas limbadas compostas e pela presença de ganchos encapuzados simples e compostos.
Este grupo, que inclui L. cingulata, L. latreilli, L. magalhaensis, L. januarii, L. coccinea,
L. cruzensis e L. inflata, referidas para a costa sul e sudeste do Brasil, coincide parcial-
mente com o “grupo IBb” de FAUCHALD (1970), com exceção das espécies atualmente
referidas a Augeneria Monro, 1930; 2) “Lumbrineris” sensu lato, com diagnose confusa
e abrangendo todas as espécies restantes, desprovidas das características acima referidas.
No contexto de um levantamento taxonômico da família Lumbrineridae ao largo
das costas sul e sudeste do Brasil, este trabalho trata do gênero Lumbrineris, o maior e
mais compexo da família.
MATERIAL E MÉTODOS
O material estudado provém da plataforma continental e do talude do Rio Grande do Sul, da platafor-
ma continental sudeste (20ºS - 33ºS), de ambientes estuarinos de Baía de Paranaguá (Paraná) e de vários
ambientes praianos entre o Espírito Santo e o Rio Grande do Sul, Brasil. As coleções foram obtidas nas seguin-
tes campanhas oceanográficas: Operações SUESTE [II (costa sudeste), Operação GEOCOSTA RIO II (costa
do Rio de Janeiro), Operação TALUDE-FURG (costa do Rio Grande do Sul), Projeto Integrado de Ubatuba -
IO-USP (costa norte de São Paulo), Projeto Integrado da Baía de Paranaguá - CEM-UFPR (Baia de Paranaguá)
e projetos individuais em ambientes praianos do Rio de Janeiro (UFRJ) e Santa Catarina (UFSC). A coleção
estudada encontra-se depositada no Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (MCBM-
736 a 875). Os procedimentos taxonômicos e a ordenação genérica acompanharam a revisão da ordem
Eunicemorpha, realizada por ORENSANZ (1990).
Lumbrineris Blainville, 1828
Espécie tipo: Lumbrineris latreilli Audouin & Milne Edwards, 1834.
Prostômio cônico ou arredondado, com comprimento aproximadamente igual à
largura e sem antenas. Suportes maxilares mais curtos que o restante das peças maxila-
res. Maxila Tem forma de fórceps, sem dentição na borda interna. Mandíbulas fusionadas
na porção média ou em quase toda a extensão, porém nunca fundidas completamente.
Parapódios providos de lobos pré- e pós-setais bem desenvolvidos desde o primeiro
setígero, com ganchos encapuzados multidentados. Brânquias ausentes.
Chave para as espécies de Lumbrineris das costas sul e sudeste do Brasil
1. Ganchos encapuzados após o 10º setígero ......................n.... L. atlantica (Kinberg)
Ganchos encapuzados desde os primeiros setigeros .................222220000sersssnnnnnnneneenennene 2
2. Presença apenas de ganchos encapuzados simples (fig. 3) .................uuueresnnennenennneeee 3
Ganchos encapuzados compostos presentes (fig. 30) ....................... iii 5
3. Prostömio caracteristicamente piriforme, com um par de órgãos nucais e manchas oce- |
lares nalbase „cr. u ee L. mainae sp.n.
Prostömio subcônico ou arredondado, sem órgãos nucais evidentes ou manchas ocela- |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120,29 set. 1995
|
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. II... 95
BE O laser ber ei. L. tetraura (Schmarda)
Lobos pös-setais da regiäo posterior de comprimento igual aos da regiäo anterior
een Han tust arm. m. RODIN ADE L. curtolobata sp. n.
5. Setas espinígeras compostas presentes (fig. 27)... L. januarii (Grube)
SelAsgespinlgeras;compostas ausentesin..un. an nalen 6
BeNlaxıla Hicom'4:ou 5 dentes (fig. 32) ...................n. ns L. inflata Moore
Renan ou bidentada x.3.......2.22.222. 20m a decido Duda adiados nenn. 7
7. Parapódios posteriores bilabiados, com lobos pré- e pós-setais semelhantes (fig. 36)
RREO UE OS St neh A Ata bao o CEL LUSA, o EANES Sad do L. cruzensis Hartman
Parapódios posteriores com lobos pós-setais sempre maiores que os pré-setais...... 8
8. Lobos pós-setais de parapódios anteriores maiores que os dos posteriores (figs. 40-
ER GG Í RR Dea u. CRÍ CEEE IES, LEI IAH ah GU É L. coccinea (Renier)
Lobos pós-setais de parapódios anteriores menores que os dos posteriores ............ 9
9. Artículo do gancho composto cerca de 6 vezes mais longo que largo (fig. 57). Maxila
INaadentadar \. sb guisa. ma nel L. latreilli Audovin & M. Edwards
Artículo do gancho composto com menor proporção comprimento/largura. Maxila
BET Zomgpidentadad. nn zn an.nainnnneln So SS habbo hdi ala RINNIE 10
10. Artículo do gancho composto 2 vezes mais longo que largo (fig. 47). Maxila III bi-
GET Cosan E PR A ne RAR ERP RPE E TA ERRAR AR NR PNR L. magalhaensis (Kinberg)
Artículo do gancho composto cerca de 4 vezes mais longo que largo (fig. 51). Maxila
III unidentada, com borda incisiva aliforme. ......................... L. cingulata (Ehlers)
Lumbrineris atlantica (Kinberg, 1865)
(Figs. 1-5, 60)
Lumbriconereis atlantica KINBERG, 1865; 568. :
Lumbrineris atlantica; HARTMAN, 1949; 90, est. 13, figs. 1,2; ORENSANZ, 1973; 349-351, est. 2, figs. 1-6.
Material examinado. BRASIL. Rio de Janeiro, Operação Geocosta Rio II: Est. DI, 22°57’S, 42º19'W
(8 exs.), MCBM-821. Plataforma Sudeste, operação Sueste: Est. 6230, 27º20"S, 47º24ºW (1 ex.), MCBM-866.
Ocorrência. Em fundos de plataforma, em areias médias com cascalho, entre 40 e
136 metros (fig. 60).
Diagnose. Prostômio subcônico. Ganchos encapuzados aparecendo a partir do
setígero 16-32. Corpo alargado na porção anterior até a altura aproximada do setígero 30.
Lobos pós-setais relativamente curtos na região posterior do corpo. Fórmula maxilar: MI
(1+1); MH (4-7 + 4-7); MIN (2+2); MIV (1 + 1).
Redescrição. Nove indivíduos, todos incompletos posteriormente, o mais longo
com 21mm de comprimento para 52 parapódios e o mais robusto com 3,6mm de largura,
incluindo os parapódios. Prostômio subcônico, sem olhos ou antenas e levemente achata-
do dorso-ventralmente (fig. 1). Boca situada dorsalmente entre a base do prostômio e o
primeiro segmento, ladeada por palpos labiais relativamente grossos. Peristômio dividi-
do em dois anéis ápodos, o primeiro cerca de duas vezes mais largo que o segundo, que se
estende anteriormente para formar a parte posterior dos palpos labiais. Primeiros 3-5
setígeros com parapódios menores que os demais. Corpo nitidamente alargado na porção
anterior de formas adultas, até a altura aproximada do setígero 30. Parapódios de setígeros
anteriores com lobos pós-setais subcônicos relativamente grandes, aproximadamente do
mesmo comprimento dos lobos parapodiais (fig. 2); a partir do setígero 15-20 esta rela-
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
96 CAMARGO & LANA
ção muda, com os lobos pós-setais mantendo o mesmo tamanho e o lobo parapodial
aproximadamente duplicando seu comprimento. Lobo pré-setal arredondado e muito curto
em setígeros anteriores, tornando-se subcônico e mais longo em setígeros médios e pos-
teriores, e atingindo aproximadamente a metade do comprimento dos lobos pós-setais.
Setígeros anteriores com cirros dorsais arredondados e muito pequenos, aparentemente
sem sustentação acicular (fig. 2). Três ou quatro delgadas acículas amarelas em parapódios
de setígeros anteriores e 1-2 mais grossas em setígeros médios e posteriores. Setígeros
anteriores apenas com setas capilares e limbadas, em número de 8 a 12 por parapódio.
Ganchos encapuzados aparecendo a partir do setígero 16-32 (fig. 3), com capuz curto e
um grande dente distal serrilhado ou subdividido acompanhado de uma série de 4 a 7
dentículos de tamanhos iguais. Ganchos encapuzados gradualmente aumentando em nú-
mero e comprimento em direção posterior, enquanto as setas limbadas diminuem em
número até desaparecer totalmente por volta dos setígeros 35-41. Nenhum indivíduo
analisado estava completo, não sendo possível a observação do pigídio.
Mandíbulas castanho-claras, relativamente longas (cerca de 2,3 vezes mais com-
pridas que largas), bifurcadas somente na porção terminal, com uma placa calcárea pos-
terior concentricamente estriada e irregularmente dentada na borda incisiva (fig. 5). Ma-
xilas castanho-escuras (fig. 4). Suportes maxilares mais longos que a maxila le constritos
anteriormente. Maxila I em forma de fórceps pouco curvado, com um par de delgados
suportes laterais que acompanham a sua face externa desde o extremo anterior até a
porção média. Maxila II menor em comprimento que a maxila I, com 6 dentes cônicos na
peça esquerda e 5 na direita, ambas com o dente subdistal muito pequeno. Maxila HI
bidentada, com o dente proximal longo e subcônico e o distal apenas insinuado e arre-
dondado. Maxila IV unidentada e maior que a maxila III. Um par de suportes
subtriangulares ventralmente entre as maxilas Il e IV.
Distribuição. Mar del Plata (Argentina). Com o presente registro, a espécie tem sua
distribuição estendida até o Rio de Janeiro (Rio de Janeiro).
Discussão. Lumbrineris atlantica pertence ao grupo Lumbrineris sensu lato
(ORENSANZ, 1990). Os exemplares examinados correspondem à redescrição de
ORENSANZ (1973), com exceção da presença de suportes maxilares entre as maxilas III
e IV dos seus exemplares. A descrição original da espécie (KINBERG, 1865) indica a
ausência de ganchos encapuzados e a presença de 4 dentes na maxila II e apenas 1 na
maxila III. HARTMAN (1949) redescreveu o holótipo e encontrou ganchos encapuzados
aproximadamente a partir do setígero 14. O aparato maxilar do holótipo encontrava-se
extraviado, fato que não possibilitou a confirmação de suas características. ORENSANZ
(1973) coletou espécimens da localidade-tipo (fora da desembocadura do Rio da Prata)
que correspondiam à descrição original e à redescrição de HARTMAN (1949), com
exceção do número da dentição das maxilas II e III, respectivamente com 5-7 e 2 dentes
e concluiu que KINBERG (1865) havia encontrado somente 4 dentes na maxila II devido
ao fato de ter examinado indivíduos jovens. Já o segundo dente da maxila III, inconspícuo,
teria passado despercebido a Kinberg. O material do Atlântico Norte estudado por
HARTMAN (1965) e por HARTMAN & FAUCHALD (1971) não concorda com a
descrição de L. atlantica da localidade-tipo, como fornecida por ORENSANZ (1973),
por apresentar maxilas essencialmente diferentes.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120,29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. II... 97
Lumbrineris mainae sp. n.
(Figs. 6-11, 60)
Material-tipo. Ponta da Daniela, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. Est. P15, 27°28’S, 48°24’W,
MCBM-760 (holótipo), MCBM-759 (3 parátipos); MCBM-761 (3 parátipos); MCBM-762 (1 parátipo); MCBM-
763 (3 parátipos); MCBM-764 (2 parátipos); MCBM-765 (2 parátipos).
Ocorrência. Em fundos mediolitorais areno-lodosos (fig. 60).
Diagnose. Prostômio piriforme, com a parte anterior extremamente alongada. Pre-
sença de 1 par de órgãos nucais. Ganchos encapuzados, todos simples, presentes desde
o primeiro setígero. Lobos pós-setais de setígeros posteriores longos e digitiformes, com
a base mais fina que a extremidade. Fórmula maxilar: MI (1+1), MH (5+5), MI (2+2),
MIV (1+1). Mandíbulas fusionadas em quase toda sua extensão.
Descrição. 15 indivíduos analisados. O holótipo é um exemplar completo, com
101 mm de comprimento e 2,5 mm de largura, incluindo os parapódios, para 220 setígeros.
Prostômio mais comprido que largo, tipicamente piriforme, com a porção anterior extre-
mamente alongada (fig. 6). Base do prostômio com manchas pigmentares escuras distri-
buídas irregularmente; olhos ausentes. Dois órgãos nucais dorsais muito pequenos, entre
a base do prostômio e o primeiro segmento. Peristômio formado por 2 segmentos ápodos,
o primeiro mais curto que o segundo e este mais curto que o primeiro setígero. Parapódios
unirremes, muito pequenos, com 4 acículas amarelas nos anteriores e 3 nos posteriores.
Lobos setais dos primeiros parapódios muito curtos e triangulares, alongando-se gradu-
almente na região posterior. Lobos pré-setais curtos e arredondados nos setígeros anteri-
ores (fig. 7), alongando-se e tornando-se bruscamente cônicos em setígeros médios e
posteriores (fig. 8). Parapódios anteriores com lobos pós-setais compridos, arredondados
e dobrados para trás, formando um ângulo de aproximadamente 30º. Setígeros médios
com lobos pós-setais com a mesma forma dos anteriores, porém ligeiramente mais com-
pridos; posteriormente tornando-se ainda mais longos (aproximadamente o mesmo ta-
manho dos lobos parapodiais) e digitiformes (base mais fina que a extremidade, alargada
e arredondada). Setígeros anteriores com 3-4 setas superiores limbadas simples relativa-
mente longas, atingindo um comprimento 2 vezes maior que os lobos pós-setais e 1-2
setas capilares inferiores, mais delgadas e curtas, com aproximadamente o mesmo com-
primento dos lobos pós-setais. Ganchos encapuzados todos simples, presentes desde o
primeiro setígero. Setas gradualmente substituídas pelos ganchos e ausentes a partir do
setígero 38. Parapódios anteriores com 1 ou 2 ganchos curtos com capuz longo e extre-
midade com 9-10 dentículos de tamanhos iguais; parapódios posteriores com 4 ou 5
ganchos longos com capuz curto e extremidade com 6-7 dentículos, sendo o distal mais
grosso que os demais. Pigídio com 4 cirros anais longos, cada um com duas constrições,
que os dividem em três partes iguais. O par ventral é mais grosso e curto que o par dorsal
(fig. 11).
Mandíbulas castanho-claras, muito delicadas, finas e longas, fusionadas em quase
toda sua extensão e bifurcadas no extremo posterior (fig. 10). Maxilas simétricas, casta-
nho-escuras (fig. 9). Suportes maxilares afilados na base e com uma constrição no seu
primeiro terço anterior. MI unidentada, falcada, com um par de suportes longos e finos
nas suas adjacências. MII simétrica com 5 dentes de tamanhos aproximadamente iguais
e cônicos. Proeminências nas bordas da MII podem ser confundidas com dentes verda-
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
98 CAMARGO & LANA
1 mm (1)
0,2 mm (2,3)
0,05 mm (4)
— 0,1 mm (5)
1 mm (6, 11)
0,5 mm (7,8)
0,2 mm (9,10)
Figs. 1-11. Lumbrineris atlantica: 1, extremo anterior em vista dorsal; 2, 3° parapódio; 3, parapódio médio-anteri-
or; 4, maxilas; 5, mandíbulas. Lumbrineris mainae sp. n.: 6, extremo anterior em vista dorsal; 7, 5º parapódio; 8,
parapódio posterior; 9, maxilas; 10, mandíbulas; 11, pigídio.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. II... 99
deiros, dos quais diferem pela ausência de canais internos. MIII bidentada, sendo o dente
proximal pouco menor e mais cônico que o distal. MIV unidentada. Dentes das maxilas
II e IV mais claros que as lâminas. Um par de suportes sub-retangulares situado ventral-
mente entre as MIII e MIV.
Distribuição. A espécie é conhecida somente para a localidade-tipo, na Ponta da
Daniela, Florianópolis, Estado de Santa Catarina (fig. 60).
Etimologia. O nome específico é uma homenagem à Sra. Maina de Camargo
Discussão. A espécie assemelha-se a Lumbrineris tetraura, caracterizada por setas
limbadas simples e ganchos encapuzados simples, desde o primeiro setígero. Esta espé-
cie pertence ao grupo Lumbrineris sensu lato (ORENSANZ, 1990). Apesar da grande
semelhança entre as maxilas de L. mainae e L. tetraura, a segunda não apresenta órgãos
nucais nem manchas na base do prostômio, seus lobos pós-setais são longos por todo o
corpo e seu prostômio é cônico. Apesar do gênero apresentar um grande número de espé-
cies e problemas sistemáticos em nível específico, L. mainae difere nitidamente das
congêneres pelo formato característico do prostômio. L. longifolia Imajıma & Higuchi,
1975, do Japão, apesar de muito semelhante, diferencia-se de L. mainae por apresentar
mandíbulas apenas medianamente fusionadas, suportes maxilares mais largos posterior-
mente, parapódios anteriores e lobos pré-setais posteriores proporcionalmente menores e
ausência de manchas pigmentares na base do prostômio.
Lumbrineris tetraura (Schmarda, 1861)
(Figs. 12-17, 60)
Notocirrus tetraurus SCHMARDA, 1861: 117, est. 6.
Lumbrineris tetraura; HARTMAN, 1944: 147-149, est. 8, figs. 175, 190, 191, est. 9 figs. 192-195; DAY, 1967:
439, est. 17. 16, figs. u, w; FAUCHALD, 1970: 109-111, est. 19, figs. b-e; ORENSANZ, 1973: 351-355,
est. 8, figs. 1-9; RULLIER & AMOUREUX, 1979: 177; MIURA, 1980: 1041-1043, est. 11, figs. A-J;
ORENSANZ, 1990: 142.
Material examinado. BRASIL. Rio de Janeiro: Restinga da Marambaia, Est. P17, 23º04'S, 43°55’W
(1 ex.), MCBM-769; Operação Geocosta Rio II, Est. D1, 22°57’S, 42°19’W (4 exs), MCBM-828. São Paulo:
Projeto Ubatuba, Est. 14, 23º45"S, 45°11’W (2 exs.), MCBM-757; Est. 10B, 23º45"S, 44º59W (lex.), MCBM-
766; Est. 10A, idem (1 ex.), MCBM-767; Est. 16, 23°34’S, 44º44"W (6 ex.), MCBM-791. Paraná: Est. P5,
25º33'S, 48º20"W (5 exs.), MCBM-744; Est. P7, 25º32ºS, 48º21"W (32 exs.), MCBM-746; Est. 15V, 25º33'5,
4826 W (2 exs.), MCBM-747; Est. 9NV, 25º26'S, 48°36’W (6 exs.), MCBM-748; Est. P13, 25°34'S, 48º22 W
(15 exs.), MCBM-749; Est. 10NV, 25°28’S, 48º29"W (10 exs.), MCBM-750; Est. P11, 25º27'S, 48º38'W (1
ex.), MCBM-751; Est. Pl, 25°34’S, 48°18’W (4 ex.), MCBM-754; Est. P12, 25º32'5, 48°S 24'W (9 exs.),
MCBM-756.
Ocorrência. Costões rochosos (entre-marés), interior de baías com fundo areno-
lodoso com conchas ou siltico-argiloso e plataforma, em fundos de areia fina, até a pro-
fundidade de 47 metros (fig. 60).
Diagnose. Prostômio cônico ou globoso. Lobos pós-setais longos em parapódios
posteriores. Ganchos encapuzados simples presentes desde o primeiro setígero. Fórmula
maxilar: MI (1+1), MH (4-5 + 4-5), MI (2+2), MIV (1+1), MV (1+1). Mandíbulas
fusionadas em quase toda sua extensão.
| Redescrição. 99 indivíduos. O maior, completo, com 112 mm de comprimento e
“3,2 mm de largura, incluindo os parapódios, para aproximadamente 280 setígeros. Pa-
_ dräo de coloração não evidente no material fixado. Prostômio com 2 palpos labiais ven-
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
en
100 CAMARGO & LANA
trais, sem olhos. Prostômio cônico ou arredondado, sempre mais comprido que largo
(fig. 12). Peristômio formado por 2 segmentos ápodos, de tamanhos iguais, cada um
pouco mais curto que o primeiro setígero. Segundo segmento estendido anteriormente
para formar a parte posterior dos palpos labiais ventrais. Parapódios unirremes, com 3-4
delgadas acículas amarelas nos parapódios anteriores e 1-2 mais grossas nos posteriores.
Lobos setais cônicos e relativamente longos nos segmentos anteriores (fig. 17), gradual-
mente mais finos e longos nos segmentos seguintes (fig. 15). Lobos pré-setais dos seg-
mentos anteriores curtos e arredondados, pouco mais alongados na região posterior, atin-
gindo aproximadamente a metade dos lobos pós-setais. Parapódios anteriores (fig. 17)
com lobos pós-setais longos, largos na base e dobrados para trás, formando um ângulo de
aproximadamente 45º: em setígeros posteriores muito longos e quase eretos. Parapódios
anteriores com 5-6 setas limbadas simples, de comprimento pouco maior que os lobos
pós-setais e 1-2 ganchos encapuzados simples presentes desde o primeiro setígero, cur-
tos, com 6-8 dentes de tamanhos subiguais e capuz muito longo. Setas limbadas simples
gradualmente substituídas pelos ganchos encapuzados e ausentes após o setígero 28-32.
Parapódios da região posterior (fig. 15) com 3-4 ganchos longos, finos e com capuz
curto; ganchos com 8 dentes, com o distal mais grosso e subdividido no seu extremo
superior. Pigídio com 4 cirros anais, par ventral pouco mais curto e largo e o par dorsal
pouco mais longo (fig. 13).
Mandíbulas muito delicadas, translúcidas em glicerina e fusionadas em quase toda
sua extensão (fig. 16). Maxilas castanho-escuras (fig. 14). Suportes maxilares mais cur-
tos que a maxila I, com um constrição profunda no extremo anterior, afilados ou alarga-
dos na base. MI unidentada, falcada, com uma mancha clara na base e um par de suportes
laterias longos e delgados nas suas adjacências. MII subsimétrica em alguns indivíduos,
com 4 dentes arredondados na peça esquerda e 5 na peça direita, sendo que nesta o dente
distal é indistinto e muito próximo do subdistal; em outros espécimens, MII com 5 dentes
em cada peça. MIII bidentada, com dentes de tamanhos aproximadamente iguais. MIV
unidentada. Suportes sub-retangulares menores que as peças da maxila IV, presentes na
porção ventral entre as maxilas III e IV. Maxila V livre e unidentada.
Variabilidade. A população da Baía de Paranaguá apresenta algumas característi-
cas morfológicas que diferem dos espécimens provenientes de áreas estritamente mari-
nhas. Enquanto os indivíduos provenientes da plataforma ou de praias arenosas expostas
apresentam suporte maxilar com base larga e maxila II (5 - 5), os espécimens da Baía de
Paranaguá possuem suportes afilados na base e maxila II (4 - 5).
Distribuição. Circumtropical (águas temperadas quentes e tropicais).
Discussão. Lumbrineris tetraura assemelha-se à L. impatiens Claparede, 1868, L.
oceanica Kinberg, 1865, L. treadwelli Hartman, 1956, L. sarsi (Kinberg, 1865) e L.
cavifrons (Grube, 1867). Todas estas espécies pertencem ao grupo Lumbrineris sensu |
lato (ORENSANZ, 1990), caracterizado pela ausência de setas limbadas compostas e |
pela presença somente de ganchos encapuzados simples desde o primeiro setígero. A |
distinção das espécies do grupo é problemática, sempre baseada na estrutura das setas e |
tamanho relativo dos lobos pré- e pós-setais. As diferentes espécies do grupo têm seu ||
status frequentemente modificado, sendo colocadas muitas vezes na sinonímia de L. |
tetraura, como por exemplo: L. impatiens (KIRKEGAARD, 1988; ORENSANZ, 1973; |
RAMOS, 1976), L. oceanica (HARTMAN, 1944; ORENSANZ, 1973) e L. sarsi |
(HARTMAN, 1944). Dessa forma, a lista de sinonímias de L. tetraura é confusa.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
Fondo à
TE in
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. II... 101
ORENSANZ (1990) sugere que as espécies pertencentes a este grupo talvez exijam um
novo status genérico.
A diagnose de L. tetraura foi fornecida por HARTMAN (1944), mas mesmo os
caracteres por ela considerados diagnósticos podem apresentar variações intra-específi-
cas. Segundo a própria autora, como baseou no exame de farto material, o número de
dentes das peças da maxila II pode variar de 4 a 5. Esta observação foi confirmada por
DAY (1967), que examinou material proveniente da área tipo (África do Sul). A forma
do prostômio também pode variar. LANA (1984) descreveu formas com prostômio arre-
dondado, enquanto MIURA (1980) e DAY (1967) encontraram indivíduos com prostômio
cônico. ORENSANZ (1973) afirma que a forma do prostômio varia de acordo com o
tamanho do indivíduo, sendo normalmente arredondado, mas às vezes cônico sobretudo
em juvenis. Algumas descrições evidenciam a variação na forma dos suportes maxilares;
MIURA (1980) descreveu indivíduos com a base do suporte larga, enquanto HARTMAN
(1944) e ORENSANZ (1973) encontraram formas com a base afilada.
Todas estas variações, juntamente com a falta de concordância entre os autores
sobre a lista de sinonímias, evidenciam a confusão gerada em torno da posição sistemá-
tica desta espécie. FAUCHALD (1970) afirma que esta confusão torna impossível a pre-
cisa fixação dos seus limites geográficos, apesar de vários autores (DAY, 1967;
ORENSANZ, 1973; MIURA, 1980) considerarem a espécie como sendo distribuída mun-
dialmente. É bastante provável, no entanto, que o atual táxon L. tetraura corresponda
de fato a um complexo de espécies. Tal situação só será satisfatoriamente resolvida com
revisão detalhada do material em escala mundial.
Lumbrineris curtolobata sp. n.
(Figs. 18-21, 60)
Material-tipo. Ubatuba, litoral norte do Estado de São Paulo: Est. P 16, 23º30"S, 45º06'W (holötipo),
MCBM-765A; (11 parätipos), MCBM-765B.
Ocorrência. Conhecida apenas de fundos infralitorais rasos de praias com areias
finas de Ubatuba, São Paulo (fig. 60).
Diagnose. Prostômio cônico, sem olhos e levemente alongado na extremidade an-
terior. Lobos pré-setais dos segmentos anteriores diminutos e arredondados, pouco mais
longos na região posterior do corpo. MI unidentada, falcada e com a base grossa. MII
subsimétrica, com 4 dentes cônicos na peça esquerda e 5 na peça direita, sendo que nesta
o dente subdistal é indistinto e muito próximo do distal. MIII bidentada, com o dente
proximal pouco menor e mais cônico que o distal. MIV unidentada.
Descrição. 12 indivíduos, com no máximo 12mm de comprimento e 0,8mm de
largura, incluindo os parapódios. O holótipo é o único indivíduo completo, com I Imm e
43 setígeros. Prostômio cônico, sem olhos e levemente alongado na extremidade anterior
(fig. 18). Peristômio com dois segmentos ápodos, de tamanhos aproximadamente iguais.
Parapódios relativamente pequenos por todo o corpo, com acículas amarelas. Lobo setal
dos 3 primeiros segmentos diminutos e cônicos. Lobos pré-setais dos segmentos anterio-
res diminutos e arredondados, pouco mais longos na região posterior do corpo. Lobos
* pós-setais relativamente curtos por todo o corpo. Ganchos encapuzados simples.
Parapódios dos primeiros setígeros com apenas 1 gancho muito curto, com capuz relati-
m
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
102 CAMARGO & LANA
1 mm (12, 13)
0,5 mm (14,16)
0,2 mm (15,17)
1 mm (18) 19 21
0,5 mm (19)
— — 0,2mm (20,21)
Figs. 12-21. Lumbrineris tetraura: 12, extremo anterior em vista ventral; 13, pigídio; 14, maxilas; 15, parapódio
posterior; 16, mandíbulas; 17, parapödio anterior. Lumbrineris curtolobata sp. n.: 18, extremo anterior em vista
dorsal; 19, parapódio posterior; 20, maxilas; 21, mandíbulas.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. II... 103
vamente comprido e 5-6 dentículos de tamanhos relativamente iguais na extremidade;
parapódios posteriores (fig. 19) com 4-5 ganchos mais longos, capuz curto e 7-9 dentículos
na extremidade, sendo o distal mais grosso que os demais e algumas vezes subdividido
ou serrilhado. Holótipo com pigídio macerado, não sendo possível sua observação.
Mandíbulas claras em glicerina, delgadas, com o comprimento aproximadamente
2 vezes maior que a largura e fusionadas até a porção mediana (fig. 21). Peças maxilares
arranjadas assimetricamente (fig. 20). Suportes maxilares afilados na base, com uma
constrição no seu primeiro terço anterior. MI unidentada, falcada e com a base grossa.
MII subsimétrica, com 4 dentes cônicos na peça esquerda e 5 na peça direita, sendo que
nesta o dente subdistal é indistinto e muito próximo do distal. MIII bidentada, com o
dente proximal pouco menor e mais cônico que o distal. MIV unidentada.
Discussão. Lumbrineris curtolobata sp. n. pertence ao complexo grupo de L.
tetraura, cujas espécies são separadas, na maioria dos casos, pela morfologia externa, já
que as maxilas possuem arranjo semelhante. De fato, existe uma grande semelhança
entre as peças maxilares das 3 espécies deste grupo registradas no presente levantamento
(L. curtolobata, L. mainae e L. tetraura). As três diferem, entretanto, pela morfologia dos
parapódios. L. curtolobata possui lobos pós-setais relativamente curtos em todos os
setígeros, fato raro no grupo. Lumbrineris zonata (Johnson, 1901), também pertencente
ao grupo “tetraura”, possui lobos pós-setais curtos em todos os setígeros (FAUCHALD,
1970), porém difere de L. curtolobata pela forma dos ganchos encapuzados e tamanho
relativo dos lobos pré e pós-setais. Apesar de semelhantes, L. curtolobata e L. mainae
diferem no que se refere ao formato do prostômio, muito mais piriforme na segunda, e à
morfologia dos parapódios anteriores.
Lumbrineris januarii (Grube, 1878)
(Figs. 22-27, 60)
Lumbriconereis brasiliensis; KINBERG, 1865: 570.
Lumbriconereis januarii GRUBE, 1878: 91.
Lumbrineris januarii; HARTMAN, 1944: 167-169, est. 13, figs. 278-284; HARTMAN, 1949: 93-94, est. 14,
fig. 9; DAY, 1973: 62; GARDINER, 1975: 199, est. 26, figs. a-e; UEBELACKER, 1984: 41.32-41.35, est.
41.29,30 a-ı.
Material examinado. BRASIL. Paraná: Est. P7, 25°32’S, 48°21’W (1 ex.), MCBM-745; Est. P10,
25º29ºS, 48º38'W (3 exs.), MCBM-752; Est. P11, 25°27’S, 48°%38’W (1 ex.), MCBM-755. Costa Sudeste,
Operação Sueste: Est. 6290, 24°06’S, 46°10’W (1 ex.), MCBM-860; Est. 6109, 25°02’S, 47°12’W, (1 ex.),
MCBM-867; Est. 6256, 25°26°S, 47°55’W (1 ex.), MCBM-870.
Ocorrência. Em fundos areno-siltosos com conchas de baías e fundos de areia fina
ou síltico-argilosa de plataforma, até a profundidade de 33 metros (fig. 60).
Diagnose. Prostômio subcônico ou arredondado, pouco mais comprido que largo.
Setas espinígeras compostas presentes desde o primeiro até o setígero 22-23. Ganchos
encapuzados compostos presentes entre os setígeros 15 e 20-21. Parapódios médios e
posteriores apenas com ganchos encapuzados simples. Fórmula maxilar: MI (1 + 1); MH
(5 + 5); MI (2 + 2); MIV (1 + 1).
Redescrição. Oito indivíduos, todos incompletos posteriormente, relativamente ro-
bustos, com o maior medindo 93mm de comprimento e 2,5mm de largura, incluindo os
parapódios, para 167 setígeros. Prostômio subcônico ou arredondado, pouco mais com-
prido que largo, sem olhos (fig. 22). Um par de palpos labiais ventrais. Peristômio forma-
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
104 CAMARGO & LANA
do por 2 anéis ápodos de tamanhos aproximadamente iguais e menores que o primeiro
setígero. Parapódios com 2-3 acículas amarelas e bem desenvolvidos por todo o corpo,
sub-retangulares anteriormente e triangulares nos setígeros médios e posteriores. Lobos
pré-setais curtos e arredondados por todo o corpo. Setígeros anteriores (fig. 23) com
lobos pós-setais alongados, porém cerca de 2 vezes mais curtos que as setas. Lobos pós-
setais diminuem gradualmente de comprimento até o setígero 30-32, a partir dos quais
mantêm aproximadamente o mesmo tamanho, de apenas o dobro dos lobos pré-setais.
Seis setas espinígeras compostas (fig. 27) dorsais presentes desde o primeiro até o setigero
22-23, acompanhadas de 4-5 setas limbadas simples ventrais. Ganchos encapuzados
compostos com 5-6 dentes presentes entre os setígeros 15 e 20-21 (fig. 26). Setas limbadas
simples presentes até o setígero 28-29, onde são completamente substituídas pelos gan-
chos encapuzados simples com capuz curto e 7-8 dentículos, sendo o distal muito maior
que os demais.
Mandíbulas castanho-claras em glicerina, longas (pouco menores que as maxilas)
e bifurcadas posteriormente; um par de estruturas quitinosas negras e denticuladas no
extremo anterior (fig. 25). Maxilas castanho-escuras (fig. 24). Suportes maxilares mais
curtos que a maxila I, arredondados posteriormente e fortemente constritos. Maxila I
unidentada, em forma de fórceps e muito grande. Um par de suportes delgados e muito
longos acompanha toda a extensão da maxila I e parte dos suportes maxilares. Maxila II
simétrica, com 5 dentes cônicos em cada peça. Maxila III bidentada, com o dente distal
muito pequeno. Maxila IV unidentada. Suportes sub-retangulares menores que as peças
da maxila IV, presentes na porção ventral entre as maxilas III e IV.
Variabilidade. As setas espinígeras compostas dos 3 primeiros segmentos podem
ser bem distintas ou pouco visíveis.
Distribuição. Tobago e sudeste do Brasil.
Discussão. KINBERG (1865) identificou um espécimen coletado ao largo da costa
do Rio de Janeiro como Lumbriconereis brasiliensis, sem descrever, no entanto, caracte-
risticas importantes da estrutura das maxilas e das setas. Posteriormente, GRUBE (1878)
analisou este material, concluiu que tratava-se de espécie nova e propôs L. januarii, sem
fornecer uma descrição adequada. HARTMAN (1944) redescreveu a espécie baseada em
apenas um exemplar de Tobago. Este apresentava 4 ou 5 dentes na maxila III, diferindo
dos exemplares do Rio de Janeiro analisados por GRUBE (1878), que apresentavam a
maxila III bidentada. NONATO (1981) sugeriu que este único exemplar poderia apresen-
tar as peças maxilares imperfeitas ou quebradas. Apesar desta diferença, HARTMAN
(1944) referiu a espécie de Tobago à do Brasil, baseando-se principalmente no caráter
único das setas espinígeras compostas. Todos os animais examinados e os até agora
referidos para a costa do Brasil (NONATO, 1981; LANA, 1984) têm apenas 2 dentes na
maxila II.
Lumbrineris inflata Moore, 1911
(Figs. 28-33, 60)
Lumbrineris inflata MOORE, 1911: 289, ests. 19-20, figs. 128-134; HARTMAN, 1944: 160-161; DAY, 1967:
59; FAUCHALD, 1970: 89-91, est. 14, figs. a-d; GARDINER, 1975: 198, est. 25, figs. n-q; IMAJIMA &
HIGUCHI, 1975: 20-22, est. 7, figs. a-l; RULLIER & AMOUREUX, 1979: 177; UEBELACKER, 1984:
41-37/41-39, est. 41.34, figs. a-g; KIRKEGAARD, 1988: 54-55
Lumbriconereis albifrons CROSSLAND, 1924: 50-55, figs. 65-72.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. II... 105
Lumbrineris cingulata; NONATO & LUNA, 1970: 87.
Lumbrineris albifrons; MORGADO & AMARAL, 1981: 43, figs. 25-33.
Material examinado. BRASIL. Espírito Santo: P18, 20º02'S, 40°14’W (7 exs.), MCBM-775. São
Paulo: Est. 4, 23º51"S, 45°05’W (2 exs.), MCBM-783; Est. 3, 23°33’S, 45°49’W (62 exs.), MCBM-784; Est.
10, 23º45"S, 44º59"W (8 exs.), MCBM-785; Est. 26, 23°30°S, 44°47’W (2 exs.), MCBM-792; Est. 36, 23º24ºS,
44°50’W (4 exs.) MCBM-793; Est. 34, 23º34'S, 44°44’W (27 exs.), MCBM-794. Paraná: Est. Pl, 25°34’S,
48°18’W (2 exs.), MCBM-736.
Ocorrência. Região entre-marés de costões rochosos, mediolitoral areno-lodoso de
praias arenosas e fundos de plataforma, em areias finas, até a profundidade de 48 metros
(fig. 60).
Diagnose. Prostômio arredondado, quase tão comprido quanto largo, muitas vezes
com duas grandes manchas ocelares no extremo anterior. Ganchos encapuzados compos-
tos presentes desde o primeiro até o setígero 20-22. Maxila III com 4 pequenos dentes
cônicos. Parapódios anteriores com lobos pós-setais longos. Fórmula maxilar: MI (1+1),
MII (4+5), MIII (4+4), MIV (2+2).
Redescrigäo. 31 individuos completos e muitos fragmentos. Prostömio arredonda-
do, quase tão comprido quanto largo, sem olhos, mas frequentemente com duas grandes
manchas ocelares na extremidade anterior (fig. 28). Dois anéis ápodos constituem o
peristômio, o primeiro pouco maior que o segundo. Dois grandes palpos labiais ventrais
entre a base do prostômio e o peristômio. Parapódios unirremes, com 3 delgadas acículas
amarelas nos parapódios anteriores e 1-2 mais grossas e castanho-amareladas nos poste-
riores. Lobos setais de parapódios anteriores longos, pouco mais curtos e cônicos nos
posteriores. Lobos pré-setais curtos e arredondados em todos os setígeros. Parapódios
anteriores (fig. 29) com lobos pós-setais longos, aproximadamente do mesmo compri-
mento dos lobos parapodiais e quase eretos, perfazendo um ângulo de aproximadamente
90º com a direção do corpo; diminuem gradualmente de comprimento em direção poste-
rior, mas ainda assim atingem o dobro do tamanho dos lobos pré-setais na região próxima
ao pigídio. Parapódios anteriores com 3-4 setas limbadas simples, de comprimento cerca
de 1,5 vezes maior que os lobos pós-setais e 1 gancho encapuzado composto (fig. 30),
curto, com 7-8 dentículos de tamanhos subiguais e capuz curto, presentes desde o primei-
To até o setigero 20-22. Setas limbadas simples gradualmente substituídas pelos ganchos
e totalmente ausentes após o setígero 30-32. Parapódios da região posterior com 2-3
ganchos simples e longos, finos e com 7 dentículos, sendo o distal maior que os demais e
serrilhado. Pigídio com 2 pares de cirros anais curtos e de tamanhos aproximadamente
iguais.
Mandíbulas castanho-claras em glicerina, finas e aproximadamente 2,2 vezes mais
compridas que largas; um par de estruturas quitinosas negras e denticuladas no extremo
anterior (fig. 33). Maxilas castanho-escuras (figs. 31-32). Suportes maxilares mais curtos
que o fórceps, distintamente constritos lateralmente. MI unidentada, falcada, castanho-
clara na base e com suportes laterais bem desenvolvidos estendendo-se longitudinalmen-
te até a altura do topo anterior. MII assimétrica, com 4 dentes cônicos na peça esquerda e
4 na direita (fig. 32). MIII com 4 dentes bem desenvolvidos e cônicos em cada peça. MIV
bidentada.
Variabilidade. Alguns espécimens podem apresentar grandes manchas ocelares no
prostômio. Tais manchas foram referidas em indivíduos da espécie por DAY (1973) e
UEBELACKER (1984).
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
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ge:
— 1 mm (22) 30 |
‚5 mm (23,26) 31 27 |
1
SERES 0
0,2 mm (24,25) |
___ 0,02 mm (27) |
1 mm (28)
0,2 mm (29) ]
no |
— 05mmt(31,323 N:
32 33 |
Figs. 22-33. Lumbrineris januarii: 22, extremo anterior em vista dorsal; 23, 5° parapódio; 24, maxilas; 25, mandibu- |
las; 26, 20º parapódio; 27, seta espinígera do 5º parapódio. L. inflata: 28, extremo anterior em vista dorsal; 29, ||
parapódio anterior; 30, gancho encapuzado composto de parapödio anterior; 31, maxilas I e II; 32, maxilas Il e IV; |
33, mandíbulas. |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. II... 107
Distribuição. Circuntropical (águas temperadas quentes e tropicais).
Discussão. Poucas espécies de Lumbrineris apresentam a maxila IV bidentada,
caso de L. inflata Moore, 1911,L. caledonica (Pruvot, 1930), L. gurjanovae (Annenkova,
1934), L. obtusa Kinberg, 1865 e Lumbriconereis albifrons Crossland, 1924. A lista de
sinonímias de L. inflata é extensa. HARTMAN (1944) sinonimizou Lumbriconereis
albifrons Crossland, 1924 com L. inflata. De fato, L. albifrons apresenta caracteres diag-
nósticos idênticos à L. inflata, o que justifica a sinonimização dos espécimens de L.
albifrons, identificados e descritos por MORGADO & AMARAL (1981). Exemplares
de L. cingulata descritos por NONATO & LUNA (1970) para o nordeste do Brasil de-
vem ser referidos a L. inflata, procedimento já adotado por RULLIER & AMOUREUX
(1979).
Lumbrineris cruzensis Hartman, 1944
(Figs. 34-38, 61)
Lumbrineris cruzensis HARTMAN, 1944: 165-166, est. 12, figs. 263-269; FAUCHALD, 1970: 83-84, est. 12,
figs. g-); DAY, 1973: 60-61, est. 9, figs. a-1; GARDINER, 1975: 202, est. 27, figs. e-i; FAUCHALD &
HANCOCK, 1981: 33.
Lumbrineris cf. cruzensis; NONATO & LUNA, 1970: 87-88.
Lumbriconereis cruzensis; USHAKOV & WU, 1979: 81, est. 22, figs. a-f.
Material examinado. BRASIL. Espírito Santo: Camburi, Est. P.18 20°02°S, 40°14’W (1 ex.), MCBM-
812.
Ocorrência. Em fundos areno-lodosos do mediolitoral de praias arenosas do Espi-
rıto Santo (fig. 61).
Diagnose. Prostômio subcônico. Primeiros 8 setigeros com lobos pós-setais maio-
res que os lobos pré-setais. Parapódios posteriores bilabiados, com o lobo pré-setal pou-
co mais longo que o pós-setal. Suportes maxilares subtriangulares, com suave constricção.
Fórmula maxilar: MI (1+1); MH (5+5); MEI (1+1); MIV (1+1).
Redescrição. Único exemplar, possivelmente adulto, em mau estado de conserva-
ção, incompleto posteriormente, com 12mm de comprimento para 77 parapódios e 0,4
mm de largura, incluindo os parapódios. Prostômio cônico, com manchas castanho-escu-
ras distribuídas irregularmente, sem olhos (fig. 34). Peristômio formado por 2 anéis ápodos,
o primeiro quase duas vezes maior que o segundo. Parapódios bem desenvolvidos por
todo o corpo, com 2-3 acículas amarelas nos parapódios anteriores e 1-2 nos posteriores.
Lobos pós-setais de parapódios anteriores arredondados ou digitiformes, relativamente
longos, cerca de 1,3 vezes maior que o lobo parapodial (fig. 35). Lobos pré-setais dos 8
primeiros setígeros muito pequenos e arredondados, tornando-se até a região média mais
alongados e subcônicos, atingindo quase o mesmo comprimento dos lobos pós-setais.
Parapódios posteriores bilabiados (fig. 36) com lobos pré- e pós-setais marcadamente
digitiformes, finos e longos, com lobos pré-setais ligeiramente mais longos que os pós-
setais. Ganchos encapuzados compostos aparecem desde o primeiro até o setígero 12,
com um dente principal acompanhado de uma série de 6-7 dentículos e relação entre o
comprimento e a largura (incluindo o capuz) do artículo de aproximadamente 3:1 (fig.
38). A partir do setígero 13 aparecem somente ganchos encapuzados simples, longos e
com um dente principal muito grande acompanhado de 7-8 dentículos. Primeiros setígeros
com 4-5 setas limbadas, diminuindo gradativamente até a substituição completa pelos
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
108 CAMARGO & LANA
ganchos encapuzados simples, a partir do 25º.
Mandíbulas perdidas durante a dissecção. Maxilas castanho-amareladas em glicerina
(fig. 37). Suportes maxilares subtriangulares, robustos, com constrições. Maxila I
unidentada, robusta, muito grossa na base e em forma de fórceps pouco curvado. Um par
de suportes sub-retangulares muito pequenos próximo ao extremo posterior da maxila 1.
Maxila II simétrica, com 5 dentes arredondados em cada peça. Maxila III unidentada,
com dente subcônico e muito comprido. Maxila IV com a borda incisiva aparentemente
unidentada e maior que a maxila III. Um par de suportes sub-retangulares formado por
áreas pouco quitinizadas na face ventral entre as maxilas III e IV.
Distribuição. Califórnia (EUA), Costa Pacífica do México, Mar Amarelo. A espé-
cie havia sido referida, com reservas, para a costa nordeste do Brasil. Se confirmado o
presente registro, sua distribuição é estendida ao sudeste do Brasil.
Discussão. O único exemplar encontrado é identificado com reservas, devido ao
mau estado de conservação e à perda da mandíbula. O exemplar difere da descrição
original (HARTMAN, 1944) pelo tamanho relativo dos lobos pré- e pös-setais de setígeros
posteriores, aparentemente mais alongados. NONATO & LUNA (1970) identificaram L.
cruzensis com reservas para a costa de Alagoas, a partir de um indivíduo. A descrição
deste espécimen corresponde com o exemplar aqui estudado, diferindo somente no for-
mato arredondado do prostômio. Tal variação pode ser intra-específica, visto que outros
autores também encontraram indivíduos com prostômio arredondado (FAUCHALD &
HANCOCK, 1981).
Nenhum outro lumbrinerídeo da região estudada possui parapódios posteriores
bilabiados, característica que pode ser utilizada com segurança na separação da espécie.
Lumbrineris coccinea (Renier, 1804)
(Figs. 39-44, 61)
Nereis coccinea RENIER, 1804: 22.
Lumbrineris coccinea; PETTIBONE, 1963: 257, est. 67, figs. d-f; DAY, 1967: 436, est. 17.16, figs. i-m;
GARDINER, 1975: 198, est. 25, figs. r-t; RAMOS, 1976: 111, fig. 6; RULLIER & AMOUREUX, 1979:
117; MIURA, 1980: 1038, est. 9, figs. k-I; UEBELACKER, 1984: 41.35, est. 41.31, figs. a-i; KIRKEGAARD,
1988: 52.
Material examinado. BRASIL. Espírito Santo: Est. P 18, 20°02’S, 40°14’W (9 exs.), MCBM-776.
Ocorrência. Em fundos areno-lodosos do mediolitoral de praias arenosas do Espí-
rito Santo, Brasil (fig. 61).
Diagnose. Prostômio arredondado, quase tão comprido quanto largo. Ganchos
encapuzados compostos presentes desde o primeiro até o setígero 13-19, com 6-7 |
dentículos de tamanhos subiguais. Lobos pós-setais de parapódios posteriores menores |
que em parapódios anteriores. Suportes maxilares afilados posteriormente. Fórmula ma- |
xilar: MI (1+1); MIT (4+4); MII (2+2); MIV (1+1).
Redescrição. 9 indivíduos. O maior, completo, com 26mm de comprimento para |
105 parapódios e 2,4mm de largura, incluindo os parapódios. Prostômio arredondado, |
quase tão comprido quanto largo, sem antenas e com um par de grossos palpos labiais |
ventrais eversíveis (fig. 39). Peristômio constituído por 2 anéis ápodos de tamanhos apro- |
E
ximadamente iguais, pouco menores que o primeiro setígero; o segundo anel peristomial |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120,29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. IL... 109
ER 43
Figs. 34-44. Lumbrineris cruzensis: 34, extremo anterior em vista dorsal; 35, 5° parapódio; 36, parapódio posterior,
37, maxilas; 38, gancho encapuzado composto de parapödio anterior. L. coccinea: 39, extremo anterior em vista
dorsal; 40, 10° parapödio; 41, parapödio posterior; 42, gancho encapuzado composto do 10° parapódio; 43, maxilas;
44, pigídio.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
110 CAMARGO & LANA
prolonga-se anteriormente para formar a parte posterior dos palpos labiais ventrais.
Parapódios bem desenvolvidos por todo o corpo, com 2-3 acículas amarelas em setígeros
anteriores e 1-2 nos posteriores. Parapódios anteriores (fig. 40) com lobos pós-setais
digitiformes e pouco alongados; posteriormente se tornam mais arredondados, eretos e
mais curtos. Setígeros anteriores com lobo parapodial cerca de 1,6 vezes mais longo que
o lobo pós-setal; em setígeros posteriores esta relação diminui para cerca de 1,3. Lobos
pré-setais pequenos e arredondados em todos os setígeros, porém ligeiramente mais lon-
gos na região posterior do corpo. Ganchos encapuzados compostos presentes desde o
primeiro até o setígero 13-19, com cerca de 6-7 dentículos de tamanhos subiguais; rela-
ção de aproximadamente 2,5: 1 entre o comprimento desde o início do artículo até a
extremidade do gancho e sua largura (fig. 42). Parapódios posteriores (fig. 41) dotados
apenas de ganchos encapuzados simples, com um grande dente subdividido ou serrilhado
e uma série de 5-6 dentículos menores. Parapódios anteriores com 4-5 setas limbadas
simples; ganchos encapuzados simples substituindo completamente as setas em torno do
setígero 40. Pigídio com 2 pares de grossos cirros anais soldados dois a dois (fig. 44).
Mandíbulas castanho-claras em glicerina, longas, subdivididas apenas na sua por-
ção terminal e com a placa calcária anterior irregularmente dentada nas bordas incisivas.
Maxilas castanho-escuras (fig. 43). Suportes maxilares com constrições laterais muito
profundas, afilados posteriormente e aproximadamente do mesmo tamanho da maxila 1.
Maxila I em forma de förceps muito curvado e unidentada. Maxila II pouco menor que a
maxila I, com 4 dentes cônicos na peça esquerda e 4 na peça direita, com o subdistal
inconspícuo. Delgados suportes laterais acompanham a maxila I por aproximadamente
metade da sua extensão. Maxila III com 2 dentes, ambos facilmente visíveis e ligeira-
mente arredondados na ponta. Maxila IV unidentada e aproximadamente do mesmo ta-
manho da maxila III. Um par de suportes muito pequenos e sub-retangulares entre as
maxilas III e IV.
Distribuição. Circuntropical.
Discussão. Entre as espécies pertencentes ao grupo I.B.b.2 de FAUCHALD (1970),
Lumbrineris inflata Moore, 1911 e L. limicola Hartman, 1944, já referidas na área de
estudo, são as mais próximas de L. coccinea. L. coccinea separa-se destas pelos lobos
pós-setais, maiores nos parapódios anteriores que nos posteriores. FAUCHALD (1970)
menciona o fato del. coccinea apresentar lobos pós-setais alongados em setígeros poste-
riores, o que pode gerar confusão. De fato, os lobos pós-setais de setígeros posteriores
são muito maiores que os pré-setais, porém são menores que nos setígeros anteriores.
PETTIBONE (1963) tratou L. inflata como subespécie de L. coccinea. Porém,
existem diferenças estruturais claras e consistentes o suficiente para considerá-las espéci-
es distintas: L. inflata apresenta maxila HI multidentada (3-5 dentes) e maxila IV bidentada, |
além de diferenças na distribuição dos ganchos encapuzados.
Lumbrineris magalhaensis (Kinberg, 1865)
(Figs. 45-48, 61)
Lumbriconereis magalhaensis KINBERG, 1865: 568.
Lumbrinereis tetraura; MONRO, 1930: 137.
Lumbrineris magalhaensis; HARTMAN, 1949: 93; 1964: 123, est. 27, figs. 9-10; DAY, 1967: 432, ests. 17-15,
figs. a-g; ORENSANZ, 1973: 365-367, est, 9, figs. 1-7, est. 10, figs. 1-9; 1990: 88-92, ests. 21-23. NONATO,
1981: 117-119.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. II... 111
Material examinado. BRASIL. Espírito Santo: Est. P18, 20°02’S, 40°14’W, (1 ex.), MCBM-772. Rio
de Janeiro: Marambaia, Est. P17, 23°04’S, 43°55’W (1 ex.), MCBM-771. Plataforma do Rio de Janeiro,
Operação Geocosta Rio II: Est. C3, 23°03’S, 42°00’W, (1 ex.), MCBM-801; Est. C1, 23°01’S, 42°00’W, (5
exs.), MCBM-804; Est. B4, 23°02’S, 42°02’W, (1 ex.), MCBM-811; Est. D5, 23°01’S, 42°19’W, (3 exs.),
MCBM-814; Est. DI, 22º57'S, 42°19’W (3 exs.), MCBM-818; Est. D4, 23°00’S, 42°19’W (2 exs.), MCBM-
823; Est. B5, 23º03'S, 42°02’W (2 exs.), MCBM-826; Est. B3, 23°01’S, 42°02’W (1 ex.), MCBM-827. Plata-
forma sudeste do Brasil, Operação Sueste: Est. 4950, 23°57’S, 44°51’W (1 ex.), MCBM-782; Est. 6089, 26°22’S,
48°19’W (1 ex.), MCBM-850; Est. 6121, 25°04’S, 46°25’W (2 exs.), MCBM-851; Est. 6287, 24º36'S, 45°12’W
(1 ex.), MCBM-853; Est. 6077, 26º44"S, 48°25’W (2 exs.), MCBM-858; Est. 6138, 24°24°S, 45°34’W (1 ex.),
MCBM-865.
Ocorrência. No mediolitoral de praias arenosas com fundo de areia fina ou areno-
lodoso e na plataforma, em fundos silte-arenosos ou de areia fina, até to metros de pro-
fundidade (fig. 61).
Diagnose. Prostômio arredondado. Lobos pós-setais curtos em todos os setígeros,
porém mais longos que os lobos pré-setais. Ganchos encapuzados compostos presentes
desde o primeiro até os setígeros 18-20. Relação comprimento: largura da peça distal dos
ganchos encapuzados de aproximadamente 2:1. Fórmula maxilar: MI (1+1); MH (4+4);
MIN (2 + 2); MIV (1+1).
Redescrição (28 fragmentos anteriores). Animais pequenos, com cerca de 6,5mm
de comprimento e 1,5mm de largura, para 28 setígeros. Nenhuma pigmentação observa-
da no álcool. Prostômio tão comprido quanto largo, quase redondo, sem olhos e com um
par de palpos labiais ventrais (fig. 45). Peristômio formado por 2 anéis ápodos de tama-
nhos aproximadamente iguais, o segundo estendido anteriormente para formar parte dos
palpos labiais ventrais. Parapódios unirremes, com 2-3 delgadas acículas amarelas nos
parapódios anteriores e 1-2 mais grossas nos posteriores. Lobos parapodiais pequenos
por todo o corpo. Parapódios anteriores (fig. 46) com lobos pré-setais curtos e arredonda-
dos; lobos pós-setais mais compridos que os pré-setais e subtriangulares. Parapódios
médios e posteriores com lobos pós-setais digitiformes não estendidos, porém pouco
mais longos que os lobos pré-setais subtriangulares. Parapódios anteriores com 3-4 setas
limbadas simples, de comprimento aproximadamente 3 vezes maior que os lobos pós-
setais; região posterior com apenas 1 seta limbada do mesmo comprimento. Ganchos
encapuzados compostos aparecendo desde o 1º até o 18-20º setígero, quando são substi-
tuídos por ganchos encapuzados simples; cada gancho composto com 7-8 denticulos de
tamanhos subiguais; relação de aproximadamente 2:1 entre o comprimento desde o iní-
cio do artículo até a extremidade do gancho e sua largura (fig. 47). Ganchos encapuzados
simples com capuz curto e 6-7 dentículos, sendo o distal mais grosso e subdividido no
seu extremo superior. Nenhum dos indivíduos apresentava o pigídio.
Mandibulas castanho-claras em glicerina, longas e divididas no extremo posterior.
Maxilas castanho-escuras (fig. 48). Suportes maxilares pouco mais curtos que a maxila I
e levemente constritos lateralmente. Maxila I em forma de fórceps muito curvado, acom-
panhada em quase toda sua extensão por delgados suportes laterais. Maxila II com 4
dentes. Maxila III com 2 dentes, o distal representado por uma pequena protuberância
arredondada, porém caracterizado como dente por apresentar canal interno. Maxila IV
unidentada.
Variabilidade. A forma dos lobos pós-setais de setígeros posteriores pode variar de
digitiforme a arredondada. Os dois dentes da maxila III podem ser conspícuos ou de
difícil visualização.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
112 | CAMARGO & LANA
Distribuição. Sudeste do Brasil a Mar del Plata, Äfrica do Sul, Nova Zeländia e
Antártica.
Discussão. Lumbrineris magalhaensis, L. latreilli e L. cingulata são espécies se-
melhantes, caracterizadas pela presença de ganchos encapuzados compostos nos setígeros
anteriores. Distinguem-se por diferenças na morfologia desses ganchos (ORENSANZ,
1973). EHLERS (1901) e MONRO (1930) descreveram L. tetraura como tendo ganchos
encapuzados compostos nos setígeros anteriores de formas juvenis. Vários autores afir-
maram que L. tetraura não apresenta ganchos compostos (HARTMAN, 1944, 1949;
ORENSANZ, 1973, 1990), e colocaram estes juvenis em L. magalhaensis. A forma do
prostômio de L. magalhaensis foi descrita originalmente como arredondada. Porém,
ORENSANZ (1973) encontrou indivíduos com prostômio cônico, subcônico e subovóide.
De acordo com HARTMAN (1964), indivíduos juvenis apresentam prostômio arredon-
dado. Os indivíduos aqui analisados apresentam prostômio arredondado e pequeno tama-
nho, o que concorda com a observação de HARTMAN (1964).
Lumbrineris cingulata (Ehlers, 1897)
(Figs. 49-54, 61)
Lumbriconereis cingulata EHLERS, 1897: 76, est. 5, figs. 119-124.
Lumbrineris cingulata; HARTMAN, 1964: 121, est. 27, figs. 5-6; ORENSANZ, 1973: 361-365, ests. 7-8;
LANA, 1984: 177-178, est. 194, figs. a-b; ORENSANZ, 1990: 82-85, ests. 21-22, figs. a-f.
Material examinado. BRASIL. Espírito Santo: P18, 20º02ºS, 40°14’W (8 exs.), MCBM-773. Rio de
Janeiro: litoral. Operação Geocosta Rio II: Est. C3, 23°03’S, 42°00’W (10 exs.), MCBM-800; Est. C2, 23°02’S,
42°00’W (17 exs), MCBM-802: Est. C1, 23°01’S, 42°00’W (19 exs.), MCBM-803; Est. B4, 23°02’S, 42°02’W
(9 exs.), MCBM-805; Est. B2, 23°00’S, 42°02’W (15 exs.), MCBM-807; Est. D5, 23°01’S, 42°19’W (7 exs.)
MCBM-815; Est. B3, 23°01’S, 42°02’W (29 exs.), MCBM-817; Est. D3, 22°59’S, 42°19’W (2 exs,), MCBM-
824; Est. B5, 23°03’S, 42°02’W (24 exs.), MCBM-825; Est. DA, 23°00’S, 42°19’W (1 ex.), MCBM-831. São
Paulo: Projeto Ubatuba: Est. 11, 23º39ºS, 45°02’W (3 exs.), MCBM-788; Est. 28, 23°45’S, 44°59’W (12 exs.),
MCBM-798. Plataforma Sudeste, Operação Sueste: Est. 6121, 25°04’S, 46°25’W (2 exs.), MCBM-852; Est.
6289, 24º16'S, 46°01’W (5 exs.), MCBM-857; Est. 6119, 25°28°S, 45°40’W (1 ex.), MCBM-862; Est. 6127,
24º44ºS, 45°55’W (1 ex.) MCBM-863; Est. 6139, 24°16’S, 46°01’W (1 ex.), MCBM-864; Est. 6092, 25°51’S,
48°13’W (1 ex.), MCBM-868; Est. 6244, 25°55°S, 47°52’W (5 exs.), MCBM-869; Est. 6089, 26º22"S, 48°19’W
(3 exs.), MCBM-871; Est. 6255, 25º38'S, 47°31’W (3 exs.), MCBM-872. Rio Grande do Sul: Operação
Talude: Est. 9F, 32°22’S, 50°29’W (3 exs.), MCBM-835; Est. 9A, 31°15’S, 50°28’W (2 exs.), MCBM-836; Est.
91, 32°17’S, 50°29’W (3 exs.), MCBM-837; Est. 9H, 31°21’S, 50°24’W (1 ex.) MCBM-838; Est. 9B, 32°15’S,
50°19”W (1 ex.), MCBM-839; Est. 9G, 32°14’S, 50°%38’W (2 exs.), MCBM-840; Est. 9D, 32°20’S, 5028’W (1
ex.), MCBM-841; Est. 9C, 32°18°S, 50°25’W (1 ex.), MCBM-842.
Ocorrência. Muito abundante em fundos de plataforma, em areias médias e finas e
sedimentos síltico- argilosos com conchas entre 36 e 113 metros. Também ocorre no |
mediolitoral de praias arenosas com fundo areno-lodoso.
Diagnose. Ganchos encapuzados compostos presentes desde o primeiro até o 165) |
20º setígero. Artículo do gancho composto cerca de 4 vezes mais comprido que largo.
Lobos pós-setais de setigeros posteriores 1,5 vezes maior que os pré-setais. Maxila IH |
com borda incisiva expandida lateralmente, formando uma estrutura aliforme. Fórmula |
maxilar: MI (1+1); MII (4+4); MIII (1+1), MIV (1+1).
Redescrigäo (193 indivíduos). Formas delicadas, longas, o maior com 3lmm de
comprimento e 1 mm de largura, incluindo os parapódios, para 170 setígeros. Prostômio |
|!
|
||
levemente piriforme ou arredondado, tão comprido quanto largo (fig. 49). Peristômio |
formado por 2 segmentos ápodos de tamanhos iguais, o segundo estendido anteriormente |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. IL...
“
| 2 2002 mm (46)
= tese 02 mm: (46)
— 0,02mm (47)
=== 0,8mm (48)
/ — — A mm (49)
>=
L
VÁ
0,2 mm (50)
0,02 mm (51,52)
0,5 mm (53,54)
91 93
Figs. 45-54. Lumbrineris magalhaensis: 45, extremo anterior em vista dorsal; 46, parapödio anterior; 47, gancho
encapuzado composto de um parapödio anterior; 48, maxilas. L. cingulata: 49, extremo anterior em vista dorsal; 50,
parapódio anterior; 51, gancho encapuzado composto de um parapódio anterior; 52, gancho encapuzado simples de
um parapódio posterior; 53, maxilas; 54, mandíbulas.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
114 CAMARGO & LANA
para formar a parte posterior dos palpos labiais ventrais. Parapódios unirremes, com 3
delgadas acículas amarelas nos parapódios anteriores e 1 mais grossa nos posteriores.
Lobos setais muito curtos nos primeiros setígeros, alongando-se gradualmente em dire-
ção posterior. Lobos pré-setais de parapódios anteriores arredondados e muito curtos; em
setígeros médios e posteriores tornam-se subcônicos e pouco mais alongados que nos
anteriores. Parapódios anteriores (fig. 50) com lobos pós-setais dobrados para trás e rela-
tivamente longos, atingindo um comprimento 1,5 a 2,5 vezes maior que os lobos pré-
setais; posteriormente esta relação diminui para 1,5, apesar dos lobos pós-setais perma-
necerem praticamente com o mesmo comprimento. Parapódios anteriores com 3-4 setas
limbadas simples, desaparecendo após o 32-36º setígero. Parapódios anteriores com 3-5
ganchos encapuzados compostos presentes desde os primeiros setígeros, finos, longos
(atingindo a metade do comprimento das setas limbadas) e com 7-8 dentículos na sua
extremidade, decrescentes de tamanho a partir do distal. Relação de aproximadamente
4:1 entre o comprimento desde o início do artículo até a extremidade do gancho e sua
largura (fig. 51). Ganchos encapuzados compostos presentes até o setígero 16-20, onde
são substituídos por ganchos encapuzados simples, muito longos (aproximadamente 5
vezes maiores que os lobos pós-setais), com capuz curto e 6-7 dentículos, sendo o distal
mais grosso que os demais. Pigídio com 4 cirros anais muito curtos e arredondados, de
tamanhos aproximadamente iguais.
Mandibulas castanho-claras em glicerina (fig. 54), muito delicadas e bifurcadas
posteriormente, com um par de estruturas quitinosas negras e denticuladas no extremo
anterior. Maxilas castanho-escuras (fig. 53). Suportes maxilares aproximadamente do
mesmo tamanho da maxila I. Maxila I unidentada em forma de fórceps muito curvado.
Um par de suportes laterais delgados acompanha a maxila I em quase toda a sua exten-
são. Maxila II com 4 dentes cônicos de tamanhos iguais em cada peça. Maxila II
unidentada e com borda incisiva expandida lateralmente, formando uma estrutura aliforme
característica. Maxila IV unidentada e menor que a maxila II.
Variabilidade. A forma do prostômio varia bastante entre indivíduos adultos, po-
dendo ser tanto subcönico como arredondado ou ligeiramente piriforme. Indivíduos do
mesmo tamanho apresentam variações no comprimento relativo dos lobos pré- e pós-
setais de setígeros anteriores.
Distribuição. Antártica, Chile, Mediterrâneo e regiões sul e sudeste do Brasil.
Discussão. Os exemplares examinados correspondem à descrição de L. cingulata |
fornecida por ORENSANZ (1973). Na região de estudo, as espécies com ganchos
encapuzados compostos podem ser facilmente separadas pela relação de aproximada-
mente 4:1 entre o comprimento e a largura dos artículos dos ganchos. EHLERS (1901) |
citou para a Terra do Fogo exemplares de L. cingulata sem ganchos compostos, não se |
encaixando na descrição original da espécie. HARTMAN (1949) observou que a espécie |
não apresenta ganchos simples em setígeros anteriores e concluiu que o material de |
EHLERS (1901) era provavelmente L. tetraura (Schmarda, 1861). Os exemplares de L. |
cingulata citados por TREADWELL (1921) para o Caribe apresentam 3 e 2 dentes na
maxila III, diferindo da descrição original. Mesmo com uma deficiente descrição das |
cerdas dos setígeros anteriores, HARTMAN (1944) acredita que este material pertença a |
L. inflata Moore, 1911. NONATO & LUNA (1970) citaram L. cingulata sensu Treadwell |
para o nordeste do Brasil, o qual foi remetido a L. inflata por RULLIER & AMOUREUX |
(1979) e LANA (1984), com reservas. ORENSANZ (1990) acredita que L. cingulata, |
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995 \
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. II... 115
referida por MIURA (1980) para o Mediterrâneo seja, na verdade, L. kerguelensis (Grube,
1878), por causa da estrutura aliforme da borda incisiva da maxila HI. L. cingulata é a
espécie de Lumbrineridae mais abundante em fundos de plataforma da região sul e su-
deste do Brasil.
Lumbrineris latreilli Audouin & Milne Edwards, 1834
(Figs. 55-59, 61)
Lumbrineris latreilli AUDOUIN & MILNE-EDWARDS, 1834; 168-170; HARTMAN, 1944: 158, est. 9, figs.
213-216; PETTIBONE, 1963: 258-260, est. 67, figs. a-c; NONATO, 1966: 70-71; DAY, 1967: 438, est.
17.16, figs. p-t; FAUCHALD, 1970: 94-97, est. 15, figs. fg; HARTMAN & FAUCHALD, 1971: 83;
ORENSANZ, 1973: 357-361, est. 6; GARDINER, 1975: 202, est. 26-27; IMAJIMA & HIGUCHI, 1975:
32, est. 13, figs. a-m; RAMOS, 1976: 121-124, est. 16-18; RULLIER & AMOUREUX, 1979: 178; NONATO,
1981: 116; UEBELACKER, 1984: 41.39, est. 41.36; KIRKEGAARD, 1988: 55.
Lumbriconeris latreilli; CROSSLAND, 1924: 10-15, ests. 8-14; USHAKOV & WU, 1979: 83.
Material examinado. BRASIL. Espírito Santo: Est. P17,23º04'S, 43°55’W (2 exs.), MCBM-768; Est.
P18, 20º02'S, 40º14ºW (4 exs.), MCBM-770. São Paulo: Projeto Ubatuba: Est. 2, 23°39’S, 45°02’W (2 exs.),
MCBM-790. Paraná: Plataforma Sudeste, Operação Sueste: Est. 6119, 25°28’S, 45°40’W (2 exs.), MCBM-
854.
Ocorrência. No mediolitoral de praias arenosas com areias finas e em fundos lodo-
arenosos ou de areias finas de plataforma, até a profundidade de 136 metros (fig. 61).
Diagnose. Prostômio cônico ou subcônico. Lobos pós-setais de setígeros posterio-
res não alongados. Ganchos encapuzados compostos presentes desde o primeiro até o 20-
25º setígero, com artículo cerca de 6 vezes mais comprido que largo. Ganchos encapuzados
simples com o dente principal muito grande. Mandíbulas subdivididas de forma suave-
mente divergente. Fórmula maxilar: MI (1+1); MII (4+5); MIN (2+2); MIV (1+1).
Redescrição. 10 indivíduos analisados, todos incompletos posteriormente, com o
maior medindo 34mm de comprimento para 68 parapódios e 3 mm de largura, incluindo
os parapódios. Prostômio cônico ou subcônico (fig. 55), ligeiramente deprimido dorso-
ventralmente, sem antenas e com um par de pequenos órgãos nucais eversíveis. Peristômio
formado por 2 anéis ápodos, o primeiro pouco maior que o segundo. Parapódios bem
desenvolvidos por todo o corpo, com 3-4 acículas amarelas nos setígeros anteriores e 1-
2 mais grossas nos posteriores. Presença de cirros dorsais inconspícuos. Lobos pós-setais
de setígeros anteriores digitiformes e relativamente longos, cerca de 1,4 vezes menores
que os lobos parapodiais (fig. 56). Setígeros posteriores com lobos pós-setais arredonda-
dos e curtos, aproximadamente com a metade do comprimento dos lobos pós-setais de
setígeros anteriores e com cerca da metade do comprimento dos lobos parapodiais. Lo-
bos pré-setais de setígeros anteriores muito pequenos e arredondados, gradualmente
mais longos e subcônicos em direção posterior. Ganchos encapuzados compostos apare-
cendo desde o primeiro setígero, sendo a relação entre o comprimento e a largura (inclu-
indo o capuz) do artículo de aproximadamente 6:1 (fig. 57). Cada gancho tem um dente
principal e uma série de 7-8 dentículos que diminuem gradativamente de tamanho. Após
o setígero 20-25 somente aparecem ganchos encapuzados simples, longos, com capuz
curto e com um dente principal finamente serrilhado muito grande acompanhado de um
número indistinto de dentículos. Primeiros setígeros com 5-6 setas limbadas, diminuindo
gradativamente em número até desaparecerem completamente após o setígero 27-30.
Pigídio não observado, devido à ausência da região posterior do corpo.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
CAMARGO & LANA
1 mm (55)
0,2 mm (56)
— — 0,02 mm (57)
0,5 mm (58,59)
dU
| a UV
DT bass 98 99
Figs. 55-59. Lumbrineris latreilli: 55, extremo anterior em vista dorsal; 56, parapödio anterior; 57, gancho encapuzado |
composto de um parapódio anterior; 58, maxilas; 59, mandíbulas. |
A
|
N
5
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e-Sudeste do Brasil. II... 117
52º 50° 48° 46° 44° 42°
Zee
ne am 2
“a
1 3 4
| Rıo de Janeiro
24°
26°
Florianopolis
Sn
>.
atlantıca
mainae
tetraura
curtolobata
Jjanuartı
inflata
32°
Fig. 60. Distribuição de Lumbrineris atlantica, L. mainae sp. n., L. tetraura, L. curtolobata sp. n., L. januarii e L.
inflata na costa sul e sudeste do Brasil.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
118 CAMARGO & LANA
52º 50º 48º 46º 44 42º
22º
Aa
Rio de Janeiro
24°
26°
28°
Laguna / Ss 30º
dos
2508 cruzensis
EIOLEeIEINIE.G
magalhaensis
Kaltzmeuzlili
cingulata =
Fig. 61. Distribuição de Lumbrineris cruzensis, L. coccinea, L. magalhaensis, L. latreilli e L. cingulata na costa sul |
e sudeste do Brasil.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995 |
Lumbrineridae (Polychaeta: Eunicemorpha) da Costa Sul e Sudeste do Brasil. II... 119
Mandíbulas castanho-claras em glicerina (fig. 59), relativamente longas (1,8 vezes
mais compridas que largas), subdivididas de forma suavemente divergente somente na
porção terminal e com bordas incisivas irregularmente dentadas. Maxilas castanho-escu-
ras (fig. 58). Suportes maxilares curtos, quase 2 vezes mais compridos que largos, forte-
mente constritos próximo ao extremo anterior e afilados no extremo posterior. Maxila I
unidentada, em forma de fórceps pouco curvado, muito robusta na base e pouco maior
que os suportes maxilares. Maxila II muito robusta, com 4 dentes cônicos na peça esquer-
da (fig. 59) e 5 na peça direita, da qual o subdistal é muito pequeno. Um par de suportes
maxilares com forma irregular acompanha a maxila I em toda a sua extensão externa e
aproximadamente 1/3 dos suportes maxilares. Maxila III com 2 dentes arredondados em
cada peça. Maxila IV unidentada e pouco maior que a maxila II. Maxila V representada
por pequenas áreas quitinizadas.
Distribuição. Circuntropical (águas temperadas quentes e tropicais).
Discussão. Os espécimens examinados correspondem à descrição de ORENSANZ
(1973) para exemplares provenientes da província biogeográfica argentina. L. latreilli
pertence ao grupo I.B.b.2 de FAUCHALD (1970), do qual também fazem parte L.
magalhaensis, L. coccinea e L. inflata, registradas no presente estudo. Os adultos destas
espécies são fácil e seguramente diferenciados de L. latreilli pela relação entre o compri-
mento e a largura dos artículos dos ganchos encapuzados compostos que é de cerca de
6:1 em L. latreilli e menor que 4:1 nas demais espécies.
Agradecimentos. A Ricardo Capitoli e Luiz E. Bonilha (Fundação Universidade Rio Grande), Edmundo
F. Nonato e Paulo Paiva (Universidade de São Paulo), Vera Abud (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e
Cláudia Coelho (Universidade Federal de Santa Catarina), pela cessão de material. Ao CNPq, pela concessão
de bolsa de Mestrado e Pesquisa.
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I
I
Recebido em 09.03.1994; aceito em 25.11.1994.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 93 - 120, 29 set. 1995
A INFLUÊNCIA DA SELEÇÃO DO HABITAT E DO REFÚGIO NA
DISTRIBUIÇÃO E ABUNDÂNCIA DE NEANTHES SUCCINEA (FREY &
LEUCKART, 1847) (POLYCHAETA, NEREIDAE)
Carlos Emilio Bemvenuti'
ABSTRACT
THE ROLE OF HABITAT SELECTION AND REFUGE IN DISTRIBUTION AND ABUNDANCE
OFNEANTHES SUCCINEA (FREY & LEUCHART, 1847) (POLYCHAETA, NEREIDAE). The role of habitat
selection and refuge on the distribution and abundance of the epifaunal polychaete Neanthes succinea is
studied. The species' colonization patterns were described from data collected during 31 and 63 day field
experiments, in the estuarine region of Lagoa dos Patos, southern Brazil. The polychaete was not found in
natural environment but showed significant densities inside PVC buckets, after the 63 day-experiment. Through
active habitat preference, larvae promote early buckets colonization. Results showed that larval habitat selection
controls the species distribution and regulate the population abundance, providing a refuge for juveniles and
adults.
KEYWORDS. Polychaeta, larval behavior, refuge, habitat selection.
INTRODUÇÃO
A influência dos microhabitats na dinâmica de predadores e presas é considerado
um requisito fundamental para a compreensão da distribuição e abundância da fauna em
ambientes aquáticos (LEBER, 1985). Entre os invertebrados da infauna, a profundidade
de escavação atua como um refúgio ao minimizar o impacto dos macropredadores
(VIRNSTEIN, 1979; HOLLAND et al., 1980; WOODIN, 1981; REISE, 1985; BEMVE-
NUTI, 1987b).
Organismos epifaunais pequenos e lentos estão expostos a uma severa pressão da
predação no epistrato (WOODIN, 1981; REISE, 1985), ocorrendo o mesmo com juvenis
da infauna na superfície do sedimento (VIRNSTEIN, 1979; HOLLAND et al., 1980).
Para este grupo, a vida em habitats estruturalmente complexos, como pradarias de
gramíneas submersas, representa uma maior garantia de sobrevivência (HECK &
THOMAN, 1981; ORTH et al., 1984; SUMMERSON & PETERSON, 1984; ZIEMAN
& ZIEMAN, 1989). A maior abundância da epifauna nestes ambientes é geralmente atri-
buída ao refúgio contra predadores, proporcionado pela complexidade estrutural e biomassa
das pradarias (NELSON, 1981; HECK & ORTH, 1980; STONER, 1982; ORTH et al.,
1984).
1. Depto. de Oceanografia, Universidade de Rio Grande, Caixa Postal 474, Rio Grande, 96.201-900, RS, Brasil.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 121 - 127, 29 set. 1995
122 BEMVENUTI
A seleção do habitat pela macrofauna tem sido também considerada como respon-
sável pela maior abundância da macrofauna em fundos vegetados. Experimentos com
anfípodes em laboratório (STONER, 1980) e com decápodes no campo (BELL &
WESTOBY, 1986), evidenciaram que os juvenis dos crustáceos são capazes de discrimi-
nar entre gramíneas com distinta complexidade estrutural. Em relação aos estágios larvais
dos invertebrados, WOODIN (1986) observou que são escassas as informações sobre a
seleção das larvas no momento do assentamento e enfatizou a necessidade de um maior
número de exemplos a partir de experimentos de campo.
A seleção do substrato e a obtenção de refúgio pelo macrobentos necessitam ser
investigados com um maior número de habitats e de organismos, considerando-se a ca-
rência de estudos desta natureza e a importância dos microhabitats para a macrofauna
bentônica (LEBER, 1985; BELL & WESTOBY, 1986; WOODIN, 1981). Neste contex-
to, objetiva-se avaliar a influência da seleção do habitat e do refúgio na distribuição e
abundância do poliqueta Neanthes succinea, num experimento efetuado na área estuarina
da Lagoa dos Patos, RS, Brasil.
MATERIAL E MÉTODOS
Os dados analisados foram obtidos num experimento de campo originalmente planejado para investi-
gar a influência do poliqueta carnívoro-detritívoro Nephtys fluviatilis (MONRO, 1937) como predador da
infauna na comunidade de fundos moles (BEMVENUTI, 1994). As manipulações foram efetuadas num fundo
areno-lodoso a 0,4m de profundidade em maré baixa, na margem sul da enseada Saco do Justino (32º03"55"S
- 52º12'30" W), na região estuarial da Lagoa dos Patos, RS, Brasil. O trabalho foi desenvolvido entre 16-1-89
e 21-III-89, em etapas de 31 e 63 dias de duração.
Tubos de PVC (25cm de diâmetro e 30cm de altura), enterrados a 25cm de profundidade, foram utiliza-
dos nos tratamentos, nos controles e nas coletas no ambiente natural. As amostras com 0,049m? de área foram
peneiradas no campo com uma malha de 0,3mm de abertura, fixadas com formalina neutralizada e coradas
com Rosa de Bengala.
As manipulações contaram com quatro réplicas, conforme o seguinte delineamento experimental: 1-
Tratamento tubo com tela e adição de Nephtys (TtN). Tubos com a parte superior coberta por uma malha com
Smm de abertura, com a adição de 50 exemplares de Nephtys; 2- Tratamento tubo com tela (Tt). Tubos cobertos
pela malha com Smm de abertura e sem manipulação; 3 - Tratamento tubo com Nephtys (TbN). Tubos sem
cobertura, com adição de 50 exemplares de Nephtys por réplica; 4 - Tratamento com tubo (Tb). Tubos sem
cobertura e sem manipulação; 5- quatro amostras no ambiente natural, efetuadas no início (Ani) e ao final de
cada uma das etapas do experimento (An).
Efetuou-se a comparação das densidades de Neanthes succinea considerando-se o conjunto da popula-
ção, exemplares > 12mm, indivíduos entre 5 e 12mm e menores do que Smm de comprimento. Estes últimos
foram denominados juvenis.
Efetuou-se a transformação das densidades de N. succinea utilizando-se log (x + 1). Após a transforma-
ção, a aplicação do teste C de Cochran (SOKAL & ROHLEF, 1981) indicou a homocedasticidade (P>0,05) das
variâncias. As médias das densidades do poliqueta foram comparadas através de uma análise de variância
unifatorial. Empregou-se o teste de contraste de Scheffé com 95% de significância, para confrontar e estabele-
cer as relações de equivalência entre as médias (SOKAL & ROHLF, 1981).
A salinidade e a temperatura da água foram registradas em todas as coletas. Foram tomadas amostras
replicadas de sedimento nos tratamentos com tubo, tubo com tela e no ambiente natural para análise de |
granulometria (KRUMBEIN & PETTIJOHN, 1938) e do teor de matéria orgânica (Método de Ácido Crômico |
- WALKEY & BLACK, 1934). Na segunda etapa foi registrado o peso úmido do detrito retido na malha de
0,3mm. As variáveis edáficas foram comparadas através da análise de “ranking” de Kruskall Wallis (SOKAL |
& ROHLF, 1981). |
RESULTADOS |
A temperatura d'água oscilou entre 22°C e 26,5°C e a salinidade entre 12%o e |
|
K
N
à)
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 121 - 127,29 set. 1995
A influência da seleção do habitat e do refúgio... 123
24%o. O sedimento foi dominado por areia fina (partículas com 0,149mm) e areia muito
fina (partículas com 0,105mm) e mostrou um teor médio de matéria orgânica de 5,5%
(desvio padrão=0,5). A análise de “ranking” de Kruskall Wallis mostrou valores simila-
res (P>0,05) no percentual de ocorrência das classes granulométricas, incluindo-se as
frações silte e argila, na comparação entre as réplicas nos tratamentos com tubo, tubo
com tela e no meio natural. O sedimento mostrou percentuais elevados de matéria orgá-
nica (5,5%, desvio padrão=0,5), refletindo a abundância do material detrítico encontrado
na enseada (143g/0,049m”, desvio padrão= 28,3). Os percentuais de matéria orgânica e o
peso do detrito mostraram valores similares (P>0,05-Kruskall Wallis) nas comparações
entre os tratamentos e o ambiente natural.
Foram coletadas 18 espécies do macrozoobentos, sendo 8 espécies da infauna e 10
espécies da epifauna sedentária. O tanaidäceo Kalliapseudes schubartii (Mafie-Garzón,
1949) os poliquetas Laeonereis acuta (Treadwell, 1923), Nephtys fluviatilis (Monro, 1937)
e Heteromastus similis (Southern, 1921), integrantes da infauna, corresponderam a mais
de 90% dos organismos coletados. Entre a epifauna foram comuns o tanaidäceo Tanais
stanfordi (Richardson, 1901) e os isöpodes Dies fluminensis (Mane-Garzön, 1944) eMunna
peterseni (Vanin, 1985).
Recrutamentos do cirripédio Balanus improvisus (Darwin, 1854) foram registrados
nos Scm da extremidade superior dos tubos de PVC, em todos os tratamentos. Durante a
segunda etapa, com o desenvolvimento dos cirripédios e a continuidade dos assentamen-
tos, as incrustações atingiram cerca de Icm de espessura na parede dos artefatos.
Neanthes succinea ocorreu em baixas densidades no interior dos tubos de PVC
durante a primeira etapa do experimento. Neste período, foram coletados somente juve-
nis e exemplares entre 5 e 12mm de comprimento. A análise de variância não indicou
diferenças significativas (P>0,05) entre as densidades de N. succinea registradas nos tra-
tamentos, controles e o ambiente natural (tab. I.).
Neanthes succinea mostrou um incremento de mais de 10 vezes na densidade no
Interior dos artefatos de PVC durante a segunda etapa do experimento. Nesta ocasião
foram registrados exemplares das três categorias de tamanho (tab. II). Neste período,
após 64 dias de desenvolvimento, foram encontrados desde juvenis recém assentados
(com cerca de Imm) até exemplares com 40mm de comprimento. O contraste de Scheffe
indicou a heterogeneidade entre as densidades significativamente mais elevadas (P<0,001)
no interior dos artefatos, para todas as classes de tamanho, em relação ao registrado no
ambiente natural (tab. II).
DISCUSSÃO
Durante trabalhos desenvolvidos na área estuariana da Lagoa dos Patos (C APÍTOLI
et al., 1978; BEMVENUTI 1987a, b), exemplares de N. succinea já foram encontrados
no interior de gaiolas de exclusão de predadores, em troncos submersos ou sob embarca-
ções encalhadas nas enseadas de águas rasas. Outras evidências dos hábitos crípticos da
espécie foram registradas em ambientes expostos no infralitoral, com a coleta de exem-
plares 4m acima da superfície do fundo em calões de pesca ocupando tocas de moluscos
perfurantes (Bankia sp.) ou entre macroalgas nos molhes da barra de Rio Grande. O
observado coincide com o tipo de distribuição agrupada, registrada em habitats simila-
res, encontrada para N. succinea na Laguna Mar Chiquita, Argentina (ORENSANZ &
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 121 - 127,29 set. 1995
124 BEMVENUTI
Tabela I. Comparação entre as densidades médias do conjunto da população e categorias de tamanho de Neanthes
succinea na primeira etapa: no ambiente natural no início do experimento=Ani; ambiente natural = An; tubo
com tela = Tt; tubo = Tb; tubo com Nephtys = TbN; e tubo com tela e adição de Nephtys = TtN (EP = erro
padrão e P = probabilidade numa análise de variância unifatorial).
Conjunto da População
Tratamento Média Erro padrão p > 0,05
Ani 0,0 0,0 E
An 0,0 0,0 *
Tb 0,3 0,2 *
TbN 0,3 0,2 *
Tt 0,8 0,6 4
TEN 1,0 0,9 =
Ani 0,0 0,0 *
An 0,0 0,0 =
Tb 0,0 0,0 jo
TbN 0,0 0,0 *
Tt 0,8 0,6 *
TtN 0,5 0,4 E
Ani 0,0 0,0 %
An 0,0 0,0 E
Tb 0,3 0,2 é
TbN 0,3 0,2 ii
Tt 0,0 0,0 >
TtN 0,5 0,4 #
ESTIVARIZ, 1971). Estas informações, em conjunto com os resultados encontrados no
presente trabalho indicam que este poliqueta de hábitos crípticos dificilmente irá ocorrer
em fundos moles desprovidos e algum tipo de refúgio.
BORZONE (1988) registrou Neanthes bruaca Lana, 1987 como a única espécie
do gênero, em 45 estações de coleta efetuadas em fundos moles entre 3 e 10m de profun-
didade, no meio marinho adjacente à desembocadura da laguna. CAPÍTOLI et al. (1978)
e BEMVENUTI et al. (1992) identificaram como sendo Neanthes succinea, alguns exem-
plares juvenis coletados no fundo arenoso de alta instabilidade do canal de desemboca-
dura da laguna. Considerando, entretanto, as características morfológicas (LANA, 1987)
e os tipos de substrato em que ocorrem N. succinea e N. bruaca, é mais provável que os
juvenis registrados na desembocadura pertençam à espécie N. bruaca. Organismos que
vivem em bancos, como os cirripédios, possuem mecanismos para atrair suas larvas du- |
rante o assentamento (LEWIS, 1978). CAPÍTOLI (1983) mostrou que o assentamento |
larval de Balanus improvisus foi mais intenso em substratos colonizados pela espécie. |
Como este cirripédio é a espécie pioneira na colonização de substratos consolidados na |
região (CAPÍTOLI, 1983), somente através de experimentos específicos poderá ser ava- |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 121 - 127,29 set. 1995
A influência da seleção do habitat e do refúgio... 125
Tabela II. Comparação entre as densidades médias do conjunto da população e categorias de tamanho de
Neanthes succinea na segunda etapa: no ambiente natural = An; tubo com tela = Tt; tubo = Tb; tubo com
Nephtys = TbN; e tubo com tela e adição de Nephtys = TtN (EP = erro padrão, P = probabilidade numa análise
de variância unifatorial e * = contraste de Scheffe 95%).
Conjunto da População
Tratamento Média Erro padrão p < 0,001
An 0,0 0,0 z
TbN 253 2,0 +
Tt 14,5 US) 7
TEN 13,8 17 z
Tb 16,8 Des) fi
Exemplares > 12 mm
An 0,0 0,0
TtN 0,0 0,0 z
Tt 2,8 1,6 as
TbN 4,5 1,0 E
Tb 5,8 2,0 #
Exemplares de 5 a 12 mm
An 0,0 0,0 sá
TbN 3,8 1,6 z
it 6,3 12, E
Tb 7,0 1,8 “
TEN 7,8 0,5 ss
An 0,0 0,0 =
Tb 4,0 1,6 u
TbN 4,3 0,8 E
Tt 6,0 1,8 ii
TEN 6,0 2,2 =
liada a relação entre as inscrustações de B. improvisus e os assentamentos deN. succinea.
As densidades similares de N. succinea nos tratamentos com adição de Nephtys
fluviatilis e nos controles não indicaram a ocorrência de interações entre ambos. Neste
caso, deve ser considerado que apesar das duas espécies atuarem como predadores da
macrofauna (ORENSANZ & ESTIVARIZ, 1971; BEMVENUTI, 1988), N. succinea
mostra um comportamento críptico no epistrato enquanto que Nephtys fluviatilis deslo-
ca-se vigorosamente na camada subsuperficial do sedimento (BEMVENUTI, 1988).
BELL & WESTOBY (1986) observaram que a epifauna móvel terá maiores chances
de sobrevivência num refúgio, ainda que pouco favorável, do que expondo-se à predação
ao atravessar um fundo desabrigado em busca de um novo habitat. A migração lateral,
como forma de ocupação de novos habitats pelos adultos, pode ser considerada ainda
mais arriscada e improvável para organismos mais lentos e de hábitos crípticos como N.
succinea.
CAPÍTOLI (1983) observou que exemplares de N. succinea atingiram 10mm, em
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 121 - 127,29 set. 1995
126 BEMVENUTI
média, no primeiro mês após o assentamento das larvas em painéis suspensos. Após dois
meses, o autor encontrou exemplares com um tamanho médio de 30mm de comprimen-
to. O tamanho que atingiu N. succinea, no presente trabalho, considerando-se inclusive o
máximo de 40mm de comprimento no período de 63 dias, concorda com os valores
médios registrados por CAPÍTOLI (1983). Esta coincidência e a vida críptica de N.
Succinea, permitem supor que a colonizagäo dos tubos de PVC ocorreu exclusivamente
pela via larval e que, dificilmente, os juvenis ou adultos iräo contribuir nos processos de
dispersäo e invasäo de novos habitats.
Revisando vários experimentos de campo e laboratório, BUTMAN (1987) mos-
trou que as larvas de diversos grupos do macrozoobentos, em escalas de decimetros a
metros, podem selecionar o substrato no momento do assentamento. A selecäo do habitat
pelas larvas, deve ser particularmente importante para espécies com adultos de pouca
mobilidade, que dependem de algum tipo de refúgio após o recrutamento. Este, foi o caso
de N. succinea, onde a ocorrência de juvenis recém assentados, somente nos artefatos de
PVC, indicou que as larvas buscaram de maneira ativa o substrato. Verificando-se que a
seleção do habitat pelas larvas controla a distribuição da espécie e, ao mesmo tempo,
influi na abundância populacional ao garantir um refúgio para juvenis e adultos.
Agradecimentos. Ao técnico de laboratório Nilton A. Abreu pelo auxílio nas amostragens. A Dra. Enir
G. Reis pela revisão do abstract e aos comentários de dois revisores anônimos.
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ABELHAS NATIVAS (HYMENOPTERA, APOIDEA) NUMA ÁREA
AGRICOLA NO SUL DO BRASIL E SUA IMPORTANCIA PARA A
POLINIZACAO DE PHASEOLUS VULGARIS (LEGUMINOSAE)
Magali Hoffmann'”
ABSTRACT
WILD BEES (HYMENOPTERA, APOIDEA) IN AN AGRICULTURAL AREA OF SOUTHERN
BRAZIL AND ITS IMPORTANCE FOR POLLINATION OF PHASEOLUS VULGARIS (LEGUMINOSAE).
Experiments and observations were conducted in Viamäo, Rio Grande do Sul, Brazil, during 1988, with one
variety of beans (Phaseolus vulgaris L.). Plants isolated from insects produced less pods and seeds than those
visited by bees. The productivity obtained was 16%. Thirteen species of bees, representing 4 families, were
observed on beans flowers. The most abundant bees on P. vulgaris was bumble bees, Bombus atratus Franklin,
RE
KEYWORDS. Productivity, beans, wild bees.
INTRODUÇÃO
Muitas espécies de Phaseolus L. são cultivadas e utilizadas como alimento, porém
poucas são as informações sobre as exigências de polinização e os insetos que as polinizam.
Weinstein (1926) apud FREE (1970) relatou que a auto-polinização, em Phaseolus
vulgaris, se dá antes ou logo depois da abertura da flor, porém a fertilização é completada
até 8 a 9 horas após. Nos trabalhos sobre polinização em feijão, são referidas apenas
visitas de Apis mellifera L., 1758 e Bombus spp. a suas flores (FREE, 1966, 1970; CRANE
& WALKER, 1984). Pesson & Lauveaux (1984) apud CRANE & WALKER (1984)
afirmaram que a auto-polinização em P. vulgaris ocorre livremente, porém tanto as espé-
cies do gênero Apis L., 1758 como as de Bombus Latreille, 1802 vêm sendo utilizadas
como polinizadores desta cultura, trazendo benefícios, isto é, ajudando no aumento da
produção de vagens e sementes. FREE (1966) constatou que plantas de P. vulgaris, co-
bertas e sem insetos, continham mais vagens e sementes do que aquelas cobertas e com
colônias de abelhas domésticas.
Objetiva-se conhecer as abelhas polinizadoras potenciais que visitam as flores do
feijão e obter informações quanto a produtividade na presença e ausência de insetos,
utilizando-se parcelas abertas e cobertas.
1. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188; 90001-970, Porto Alegre, RS, Brasil.
2. Bolsista do CNPq.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79):129 - 133, 29 set. 1995
130 HOFFMANN
MATERIAL E MÉTODOS
Os experimentos foram efetuados na Estação Experimental Fitotécnica de Águas Belas, Secretaria da
Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Viamão, Rio Grande do Sul, Brasil. As épocas de semeadura de
P. vulgaris são as compreendidas entre setembro e novembro (período da safra ou das águas) e entre janeiro e
fevereiro (período da safrinha ou das secas) (XAVIER FILHO, 1948). O plantio do feijão (P. vulgaris) foi feito
em 4.11.1988, utilizando-se a variedade Linea-35. Escolhidas ao acaso, isolaram-se 4 parcelas com 6,0 x 1,5m,
cada uma contendo 32 pés de feijão. Duas parcelas foram demarcadas com estacas de bambu e barbante. As
duas restantes foram cobertas com tecido de náilon, sustentado por estacas de bambu vergadas, formando um
túnel fechado. Durante o período da floração, março e abril de 1988, foi observado o comportamento das
abelhas nas flores e registrada a frequência das espécies, contando-se os indivíduos nas flores, durante cami-
nhadas de 15 minutos (hora de contagem), iniciadas às 9, 11 e 13 horas de 6 dias alternados. Durante a conta-
gem, as abelhas não identificadas nas flores foram capturadas para exame posterior. Quando não era possível
a sua captura, as abelhas foram apenas identificadas visualmente a nível de família ou gênero. Este material foi
identificado pelo Prof. Pe. Jesus S. Moure da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e, está depositado no |
Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (MCN).
Os pés de feijão foram colhidos e colocados em estufa. Após, procedeu-se a contagem das sementes por
pé, por vagem e a classificação em semente fértil ou desenvolvida (completamente formada e não fértil) e em
semente não desenvolvida (semente abortada ou chocha).
Nos meses de novembro e dezembro de 1988, durante a safra do feijão, foram feitas observações |
adicionais sobre as espécies de abelhas que visitam as flores de feijão e que não foram encontradas no período
da safrinha. Utilizou-se o teste de análise de variância - ANOVA (SIEGEL, 1975), para saber se os valores
obtidos na comparação das parcelas aberta e coberta eram significantes ou não.
RESULTADOS
Sobre as flores do feijão foram coligidas e/ou observadas 13 espécies de abelhas,
pertencentes às famílias Anthophoridae, Apidae, Megachilidae e Halictidae (tab. I). Os
indivíduos de A. mellifera, Trigona spinipes e Pseudaugochloropsis graminea, não tive-
ram a capacidade de abrir a flor do feijão para a coleta de polem e néctar. As espécies |
Xylocopa bimaculata, X. frontalis, X. augusti, X. nigrocincta, Thygater analis, Bombus
atratus, B. morio, Megachile aetheria, M. aureiventrise M. tenuitarsis foram capazes de
abrir a flor do feijäo.
Duzentos e oitenta e oito abelhas foram contadas sobre as flores desta cultura (tab.
ID. A espécie que predominou foi B. atratus com 262 exemplares (91% do total conta-.
do). As demais espécies, que abriram a flor para a coleta de polem e néctar, ocorreram |
com frequências entre 1 e 9 indivíduos durante todo o período de observação. Durante a |
floração, B. atratus foi constante, apresentando uma fregiiência de visita entre 11 e 21
indivíduos por dia/hora de observação, com exceção do dia 14.11.1988, quando se obser-
vou apenas 5 espécimens durante toda a contagem (tab. I).
Comparando-se o número de vagens e sementes obtido dos 128 pés de feijão (tab. |
II), a média do número de vagens e sementes na parcela aberta (29 vagens e 164 semen-
tes por pé) foi semelhante à obtida na parcela coberta (25 vagens e 137 sementes por pé). |
Na análise de variância (ANOVA) efetuada entre as parcelas abertas e cobertas obteve-se |
um Fc= 1,33 não significativo para alfa 0,05. Entretanto, a influência de espécies nativas |
polinizadoras acarretou um aumento adicional de 16%.
DISCUSSÃO
Certas espécies de abelhas são, muitas vezes, ineficientes na polinização, depen- |
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 129 - 133, 29 set. 1995
Abelhas nativas (Hymenoptera; Apoidea)... 131
Tabela I. Espécies de abelhas que visitaram flores de feijão (Phaseolus vulgaris) em Viamão, Rio Grande do
Sul, no período de março e abril (safrinha) e novembro e dezembro (safra) de 1988.
1988
Família / Espécie mar. abr. nov. dez.
Anthophoridae
Thygater analis (Lepeletier, 1841) X
Xylocopa bimaculata Friese, 1903
Xylocopa frontalis (Olivier, 1789) X
Xylocopa augusti Lepeletier, 1841
Xylocopa nigrocincta Smith, 1854
Apidae
Apis mellifera Linnaeus, 1758
Bombus atratus Franklin, 1913
Bombus morio (Swederus, 1787)
Trigona spinipes (Fabricius, 1793)
Halictidae
Pseudaugochloropsis graminea (Fabricius, 1804) X
Megachilidae
Megachile aetheria Mitchell, 1930
Megachile aureiventris Schrottky, 1902
Megachile tenuitarsis Schrottky, 1920
XXX XXX x
x Ss
ri
ri REITS
Tabela II. Número de indivíduos, por espécie de abelhas, observados nas flores de Phaseolus vulgaris durante
15 minutos, de cada hora, por dia de observação em Viamão, Rio Grande do Sul, no período da safrinha março
e abril de 1988. As espécies com asterisco (*) não conseguiram abrir as flores de feijão.
Espécies 14 mar. 19 mar. 22 mar. 26 mar. 28 mar. 4abr.
Horas SER 13 SS O Jp 3 total
* Apis mellifera l l l l 4
Bombus atratus 1 SIR DB 12 9227237207 1726187132478 262
Bombus morio 2. l 2 | 7
* Trigona spinipes | |
Thygater analis 1 ge! ur l l 9
Xylocopa frontalis | |
* Pseudaugochloropsis
graminea | |
* Halictidae | | 2
Megachile sp. | |
TOTAL 1 Ser TA LA À JP O a In DA DS DON DE 237185 288
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79):129 - 133, 29 set. 1995
132 HOFFMANN
Tabela III. Número de vagens e de sementes por planta de feijão (Phaseolus vulgaris), nas parcelas abertas (Al
e A2) e nas cobertas (Cl e C2). Viamão, Rio Grande do Sul, no período da safrinha, março e abril de 1988.
Parcelas abertas Parcelas cobertas
Nº de Nº de vagens Nº de sementes Nº de vagens Nº de sementes
ordem Al A2 Al A2 Cl c2 Cl (O,
l 2) 2 131 199 20 16 110 93
2 23 32 126 170 51 16 278 96
3 26 37 170 209 36 29 DEAN 175
4 28 23 139 136 20 40 Hj 228
5 30 24 141 92 15 17 82 70
6 29 17 151 82 2a 17 119 90
7 23 32 108 210 30 28 186 167
8 24 571 164 197 Dil 25 94 125
9 15 Bj 78 181 23 25 124 144
10 89 15 DD) 99 28 25 179 138
11 30 2) 186 178 21 13 103 68
ID) 26 37 160 188 23 31 138 136
13 33 26 201 148 13 26 75 156
14 40 20 221] 124 15 31 91 90
IS 20 31 102 1577 30 23 183 139
16 2A] 40 142 239 28 12 184 73)
17 20 2% 115 187 2 29 128) 157
18 o) 13 191 I 35 18 183 32
19 18 37 103 205 9 14 38 72
20 21 35 122 205 30 28 154 167
21 35 2a 207 150 24 30 185 166
22 19 55 128 199 11 DD: 76 105
23 23), 19 138 120 38 23 219 90
24 42 al 236 15 US 31 110 18
US Da 35 162 208 19 24 123 134
26 18 38 92 216 18 25 94 1377
27 II 3% 318 201 25 32 152 159
28 36 33 209 163 46 N 269 103
2) 22 24 119 127 26 15 152 90
30 66 20 362 114 34 25 183 163
31 46 59 269 192 33 15 188 85
32 11 2, 68 112 25 35 144 199
2 RS PR 20 5200 818 757 4613 4162
x 2 2) 165 163 26 24 144 130
SD 12 8 67 45 9 7] 56 45
dendo de fatores climáticos (BOHART, 1972) e de adaptações fisiológicas, morfológicas |
e etológicas desenvolvidas entre a flor e o polinizador (LOKEN, 1981), como ocorre, por
exemplo com espécies de Leguminosae e A. mellifera (BOHART, 1957, 1960).
Knuth (1906) apud FREE (1970) observou que as abelhas somente podiam alcan- |
çar o nectário das flores do gênero Phaseolus quando se fixam à pétala alar esquerda, e
supôs que apenas abelhas grandes e pesadas como as espécies de Bombus causariam a |
saída do estilete da quilha, e assim impediriam a auto-polinização. Este comportamento |
foi observado nas espécies dos gêneros Xylocopa Latreille, 1802, Thygater Holmberg,
1903, Megachile Latreille, 1802 e Bombus; todas as espécies destes gêneros (tab. I) são
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 129 - 133,29 set. 1995
Abelhas nativas (Hymenoptera; Apoidea)... 133
de tamanho médio a grande, e causam a saída do estilete da quilha.
Supõe-se que as espécies de porte menor e menos pesadas, como A. mellifera,
tenham dificuldades de abrir a flor do feijão; além disso, na área próxima ao experimen-
to, ocorreram diversas espécies vegetais em floração, como Raphanus raphanistrum L.
(Cruciferae) de onde as espécies menores retiravam o polem e néctar.
A espécie X. bimaculata foi exclusivamente encontrada sobre as flores de P. vulgaris
e somente durante o primeiro período de plantio (safra). A escassa ocorrência de indiví-
duos de Xylocopa no segundo período (safrinha), se deve ao fato de que na época de
florescimento dessa planta, em março, estas abelhas já não se encontram mais em ativi-
dade, ocorrendo apenas algumas fêmeas que saem do ninho para se alimentar. Possivel-
mente X. bimaculata e outras espécies do gênero sejam boas polinizadoras dessa cultura.
Porém ainda são inprescindíveis mais estudos quanto à necessidade de polinização cru-
zada de P. vulgaris para verificar até que ponto as espécies de Xylocopa e de outros
gêneros de abelhas possam incrementar significativamente a produção de feijão.
Por ocasião do monitoramento de contagens de abelhas nas flores, B. atratus foi a
espécie mais abundante durante todo o período de floração, totalizando 91%, aproxima-
damente, dos indivíduos visitantes e T. analis foi a segunda em abundância, com 3,13%.
Estes dados confirmam o resultado obtido por HOFFMANN & WITTMANN (1987).
O aumento de produção de sementes foi de 16% com esta variedade de feijão
(Linea 35). Na literatura é citado um aumento de produtividade relacionada entre 0,18 e
1% (MACHIE & SMITH, 1935; VIEIRA, 1960; POMPEU, 1963; PACOVA & RO-
CHA, 1975) até 8 a 10% (BARRONS, 1939, McGregor, 1976 apud CRANE & WALKER,
1984).
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Recebido em 20.08.1994: aceito em 23.11.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79):129 - 133, 29 set. 1995
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TOLERÂNCIA RESPIRATORIA DE PROCHILODUS LINEATUS (PISCES,
CURIMATIDAE) A CONDICIONES CRÍTICAS DE OXÍGENO !
María Julieta Parma-de-Croux?
ABSTRACT
RESPIRATORY TOLERANCE OF PROCHILODUS LINEATUS (PISCES, CURIMATIDAE) TO
CRITICAL OXYGEN CONDITIONS. The objective was to estimate the lethal oxygen level under controlled
conditions for juveniles of Prochilodus lineatus (Valenciennes, 1847) to evaluate the tolerance and resistance
to low oxygen concentrations. The oxygen levels tested ranged between 3.0 - 0.3 ppm at 25-27°C. The critical
concentration was found to be 1.0 ppm, and the lethai oxygen level ranged between 0.3 to 0.5 ppm. The fish
remained quiescent at the bottom of the respirometer while its activity was restricted to laboured respiratory
movements. The loss of equilibrium was followed by a cesation of respiratory movements. The decrease in
metabolic rate was important below 2.0 ppm. The species showed low oxygen demand and high tolerance to
minimum concentrations.
KEYWORDS. Prochilodus lineatus, Curimatidae, lethal oxygen level, tolerance.
INTRODUCCIÓN
En muchas oportunidades se han dado a conocer mortandades de peces, en ambi-
entes naturales o en condiciones de laboratorio, atribuíbles a déficits en las concentraciones
de oxígeno disuelto. Los trabajos realizados sobre alteraciones de comportamiento de los
peces a bajas concentraciones, son muchas veces, contradictorios por las variaciones en
las condiciones experimentales y en los métodos aplicados en su estudio (DAVIS, 1975).
Los problemas de la hipoxía son más frecuentes a altas temperaturas pues prevale-
ce allí el reducido contenido de oxígeno y el elevado metabolismo de los peces, de tal
modo que existiría una variabilidad estacional a las concentraciones de oxígeno (DAVIS,
1975). Ciertas actividades humanas, como el dragado y resuspensión de sedimentos, y
otros grados de polución orgánica por el vertido de desechos industriales o domésticos,
pueden ser causa de bajas concentraciones de oxígeno. Las reducidas concentraciones de
oxígeno limitan la respiración, el crecimiento y otras actividades de los peces.
Las respuestas fisiológicas a la hipoxía son rápidas y consisten en cambios en la
respiración y circulación (incremento en el índice respiratorio; aumento del número de
eritrocitos y de hemoglobina de la sangre) (RANDALL, 1970; DAVIS; 1975), pero el
uso de estos mecanismos de regulación y compensación, requieren un gasto de energía y,
|. Trabajo financiado por subsidio PID Nº 3-0093800/88. CONICET.
2. Instituto Nacional de Limnologia (INALI), José Maciä 1933, 3016 Santo Tomé, Santa Fe, Argentina (Investigador del CONICET).
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 135 - 140, 29 set. 1995
136 PARMA-DE-CROUX
en consecuencia, una reducciön en las reservas para natación, alimentación, crecimiento
y otras actividades.
El sábalo, Prochilodus lineatus (Valenciennes, 1847), tiene importancia ecológica,
económica y deportiva en el valle aluvial del río Paraná y cauces secundarios, siendo
muy abundante, y en algunos casos dominante, en una gran variedad de ambientes lénticos
que quedan expuestos durante el período estival a altas temperaturas y en muchos casos
a bajas concentraciones de oxígeno. PARMA-DE-CROUX (1983) estimó el metabolis-
mo de rutina de Prochilodus platensis (Holmberg, 1889) = P. lineatus a tres temperaturas
experimentales (15, 20 y 30º C) y en condiciones de buen siministro de oxígeno,
comprobando una relación directa con el peso de los ejemplares y la temperatura.
El objetivo es evaluar los niveles letales de oxígeno en juveniles de P. lineatus, y la
tolerancia a bajas concentraciones en condiciones experimentales controladas.
MATERIAL Y MÉTODOS
Los ejemplares fueron capturados en la laguna de la isla El Espinillar (Rio Colastiné, Santa Fe, Argen-
tina), mediante una red de arrastre a la costa. Transportados a los laboratorios, fueron mantenidos en acuarios
de 50 I de capacidad, con una temperatura entre 25 y 27°C y oxígeno entre 4,0 y 5,0 ppm y alimentados
diariamente hasta 24h antes de iniciar las experiencias.
Se realizaron 32 ensayos para evaluar niveles de letalidad con ejemplares entre 70 y 193mm de longitud
estándar y 8,5-190,0g de peso. Los peces fueron sometidos a un período de aclimatación a las condiciones
experimentales dentro de un respirómetro durante aproximadamente 24h. El equipo de respirometría utilizado
fue descripto por PARMA-DE-CROUX & LORENZATTI (1981) modificado por PARMA- DE-CROUX (1987)
consistente en un recipiente de acrílico, de 7,22 1 de capacidad. Al sistema se le incorporó un recipiente de
reserva, conectado al respirómetro por una llave de paso. A medida que los ejemplares en experimentación
consumían oxígeno, se permitia la entrada de agua oxigenada, eliminando el sobrante por un tubo de salida,
manteniendo así constante el nivel de oxígeno deseado y el volumen de agua, sin mediar contacto con la
atmösfera. El respirómetro fue cubierto para evitar los excesos de luz y las excitaciones durante el procedimiento
experimental, dejando una pequena ventana para observar el comportamiento y movimiento de los peces.
Las mediciones de oxigeno se efectuaron con un oxímetro Yellow Springs Instrument (Y SI) modelo 57
con sensor de temperatura, el que fue calibrado antes de efectuar cada uno de los ensayos. Se trabajó con un
tenor constante de oxígeno para cada ensayo, y los mismos se efectuaron dentro de un rango entre 0,3 y 3,0
ppm, realizando los registros y observando la conducta de los ejemplares en forma permanente. En algunos
casos, la concentración deseada se Jogró por efecto de la respiración de los peces.
El tiempo de resistencia se midió de acuerdo al método utilizado por GOODING et al. (1981) tomando |
el período desde la introducción del pez en el respirómetro con bajo tenor de oxígeno, hasta alcanzar el punto |
de volteo, es decir la pérdida de equilíbrio, recostándose el ejemplar sobre uno de los flancos o bien volteándose |
sobre el dorso hasta que se produce la muerte. Se considera que sobreviven si permanecen nadando luego de |
4h, momento en que se dá por finalizado el experimento. Se trasladan, luego, los ejemplares a acuarios con la |
misma temperatura y con condiciones de oxígeno similares a las del período de aclimatación, donde se efectúan
observaciones sobre capacidad de recuperción o en su defecto posibles mortandades. El índice de ventilación |
fue determinado registrando la frecuencia y amplitud de los movimientos operculares por minuto, en condiciones
normales y de anoxía.
Se aplicó la ecuación de regresión para relacionar los pesos de los ejemplares con los niveles letales
encontrados.
Experiencias fueron realizadas para estimar la influencia de la reducción de oxígeno disuelto sobre la
tasa metabólica (metabolismo de rutina) en ejemplares juveniles. Se utilizaron indivíduos 3,8 y 52,0g de peso |
procedentes de la misma captura y sometidos a igual período de aclimatación y condiciones experimentales.
Los ensayos se efectuaron estimando la tasa de consumo de oxígeno a 3,5; 3,0; 2,0 y 1,0 ppm de oxígeno
disuelto, a una temperatura de 25-27°C y expresando los resultados en mg/O,/h.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 135 - 140, 29 set. 1995
Tolerancia respiratoria de Prochilodus lineatus... 137
RESULTADOS
Los peces registraron un comportamiento normal en 3,0 ppm de oxígeno disuelto.
Los primeros trastornos comenzaron a manifestarse a partir de 2,0 ppm con un aumento
progresivo en la frecuencia e intensidad respiratoria, estimados por la cantidad y amplitud
de los movimientos operculares por minuto. A medida que la falta de oxígeno se hizo
más pronunciada, se observó una mayor alteración en los peces, con tendencia a nadar
agitadamente. A partir de 1,0 ppm se produjeron desplazamientos violentos, incoordinados,
con una mayor actividad e intentos por acceder a la superficie. Este nivel crítico se consideró
como el nivel letal incipiente, en donde el máximo consumo realizado por el pez no
alcanza a satisfacer sus requerimientos mínimos. Por debajo de esta concentración, los
peces permanecieron en el fondo del recipiente, observándose una marcada disminución
en la frecuencia de los movimientos operculares y un notorio incremento en la amplitud
de los mismos. Finalmente se produjo el colapso respiratorio y la muerte. Inmediatamente
que hubieron cesado los movimientos respiratorios, fue característico observar los
opérculos y la boca abiertos en toda su magnitud.
El nivel de oxígeno letal se halló entre 0,3 y 0,5 ppm, habiéndose comprobado que
los peces de mayor tamafio evidenciaron un nível letal a mayor concentración. Se halló
una relación positiva entre el peso de los ejemplares y los niveles letales (r= 0,74,
p<0,05). Por encima del rango mencionado, los peces sobrevivieron (tab. I) a las
concentraciones ensayadas, aún cuando algunos manifestaron síntomas de disnea pro-
nunciada. Una vez colocados en acuarios con tenores de oxígeno altos, disminuyeron los
desplazamientos agitados y los respiratorios se hicieron más lentos. En el transcurso de
las 48 hs de observación retomaron su actividad y alimentación normal.
Los movimientos operculares normales para esta especie, en condiciones de buen
suministro de oxígeno y en estado de reposo, oscilaron entre 90 y 100 mov./min. En 2,0
ppm se incrementaron a valores entre 120-138 mov./min., para alcanzar picos máximos
de 212-184 mov./min. en 1,0 ppm. A partir de allí comienza nuevamente la disminución
en la frecuencia (150-165 mov./min. en 0,5 ppm) y un importante incremento en la
amplitud de los movimientos respiratorios, indicando la proximidad del punto de volteo.
En las experiencias realizadas para evaluar la influencia del oxígeno del medio
sobre la tasa metabólica, se pudo comprobar que por encima de 2,0 ppm, el consumo de
oxígeno se mantuvo constante, siendo muy similares los valores registrados a 3,5 y 3,0
ppm (fig. 1). Em 2,0 ppm la disminución en la tasa metabólica fue de alrededor de 6 a
17%, siendo muy importantes las reducciones a 1,0 ppm, con porcentajes entre 52 y 64%,
aproximadamente para el rango de pesos considerados.
DISCUSIÓN
De los ensayos efectuados, se comprobó que el nivel mínimo de oxígeno en el cual
comienzan a manifestarse evidentes síntomas de trastornos en las frecuencias y amplitu-
des respiratorias, fue de 2,0 ppm. Por debajo de este valor, la respiración se hizo más
rápida, forzada y acompanada de una disminución en la utilización del oxigeno. Por
encima de 2,0 ppm, el consumo de oxígeno permaneció constante. Las disminuciones
registradas a partir de allí estarían indicando la transición de la independencia a la
dependencia respiratoria, evidenciada por las importantes reducciones que oscilaron entre
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 135 - 140, 29 set. 1995
138 PARMA-DE-CROUX
Tabla I. Ensayos efectuados para estimar el nivel de oxígeno letal en Prochilodus lineatus.
ENSAYO PESO TEMP Nivel O, SUPERVIVENCIA MORTALIDAD
g e ppm % Saturación
1 19,0 26 1,0 199 X
2 30,5 25 0,5 6,0 X
3 10,0 26 1,0 129 x
4 16,3 Da 0,3 37 x
5 15,8 25 0,5 6,0 X
6 30,8 27 1,0 12,3 X
7 TS 25 0,4 5,0 x
8 70,4 26 3,0 36,6 X
9 9,0 26 0,4 27 x
10 38,0 26 3,0 36,6 X
11 64,6 25 3,0 35,7 X
12 14,8 57 0,3 BN X
13 25,7 7 3,0 37,0 X
14 55,5 7 2,0 24,7 X
15 11,5 27 0,4 4,9 X
16 34,5 2 3,0 37,0 X
17 45,9 25 2,0 23,8 X
18 43,0 Di 0,5 6,1 X
19 37,0 27 0,3 4,9 X
20 64,0 27 0,4 4,9 X
a 159,5 25 1,0 11,9 X
22 11,5 27 0,4 4,9 X
23 138,2 26 1,0 12,2 X
24 105,0 25 2,0 23,8 X
25 190,0 DM 0,5 6,1 X
26 146,0 26 0,5 6,1 X
2 184,0 26 2,0 24,0 X
28 11,2 27 0,4 4,9 X
29 8,5 25 0,4 4,7 X
30 129,3 26 2,0 24,0 X
31 129,3 26 0,5 6,1 X
32 85,4 26 0,5 6,1 X
e152 y 64%. En tal sentido, en muchas oportunidades se han dado a conocer disminuciones
en el metabolismo o consumo de oxigeno por efecto de la hipoxía (LOMHOLT &
JOHANSEN, 1979; JENSEN & WEBER, 1985; PETERSON & GILMORE, 1991),
coincidiendo los estudios en que las bajas concentraciones resultan en una marcada
disminución en la toma de oxígeno. Esta reducción en el consumo en condiciones de
hipoxia podria ser considerada como una estrategia adaptativa para conservar el oxígeno
durante los períodos críticos.
El nivel letal incipiente se halló en 1,0 ppm de oxígeno no disuelto. Desde el punto
de vista ecológico, este nivel puede ser tomado como el momento en que el contenido de
oxígeno del medio se vuelve inapropiado para los peces (FRY, 1957). En este punto, los
peces se mostraron extremadamente estresados, con un incremento en la actividad e in-
tentos para escapar de las condiciones extremas y de acceder a la superficie,
comportamiento que es similar al observado por otros autores para períodos de hipoxía
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 135 - 140, 29 set. 1995
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Tolerancia respiratoria de Prochilodus lineatus... 139
(JONES, 1952; WEBER & KRAMER, 1983) y considerado característico de los teléosteos
(RANDALL, 1970).
El registro de la frecuencia y amplitud de los movimientos ventilatorios es una
manera de destacar los cambios de actividad en respuesta a la reducción en los niveles de
oxígeno disuelto (GEE et al., 1978; SAINT-PAUL, 1984). En general, se mencionan
picos máximos a niveles intermedios de oxígeno para luego decaer bruscamente cuando
los niveles son muy bajos (GRAHAM et al., 1978). Estos incrementos en los movimientos
operculares durante la hipoxía representan un intento para mantener relativamente cons-
tante el ingreso de oxígeno en condiciones de bajos tenores del medio líquido. Es común
encontrar en la bibliografia grandes diferencias entre especies, relacionadas fundamen-
talmente a la ecología de las mismas (RANDALL, 1970; SHELTON, 1970). En nuestro
caso se dió un esquema similar al citado anteriormente: aumento en la frecuencia y amplitud
de los movimientos respiratorios a partir de un punto crítico, para alcanzar un pico máxi-
mo (1,0 ppm) y luego una marcada diminución de la frecuencia, senalando la proximidad
del nivel letal. El nivel de oxígeno letal se halló entre 0,3 y 0,5 ppm, siendo los ejemplares
mayores más sensibles a las bajas concentraciones. En comparación con otras especies
de agua dulce (DOUDOROFF & SHUMWAY, 1970; DAVIS, 1975), P. lineatus demoströ
tener bajos requerimientos de oxígeno, gran tolerancia a concentraciones mínimas y óptima
capacidad de recuperación.
Los peces son capaces de evitar las condiciones extremas de hipoxía, si bien existen
discusiones y muchas incógnitas con respecto al modo como lo hacen. KRAMER (1987)
describe cuatro categorías de respuestas a una baja disponibilidad de oxígeno en el medio:
1) cambios en la actividad; 2) aumento en el uso de la respiración aérea, sólo posible para
algunos peces; 3) aprovechamiento del oxígeno del agua de la interface agua-aire para la
respiración acuática, conocida como respiración acuática de superficie y 4) cambios
horizontales y verticales del hábitat.
Tasa metabólica (mg O;, /h)
1,0 2,0 3,0 4,0
Oxigeno (ppm)
Fig. 1. Consumo de oxigeno (mg O,/h) de juveniles de Prochilodus lineatus (Valenciennes, 1847) en relación al
oxígeno disponible (ppm) en condiciones experimentales. Los números reflejan el peso en gramos de los ejemplares.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 135 - 140, 29 set. 1995
140 PARMA-DE-CROUX
WINEMILLER (1989) realiza una evaluación de adaptaciones morfológicas y fi-
siológicas a la hipoxía en diferentes especies de peces y sostiene que otra especie del
mismo género, Prochilodus mariae (Eigenmann, 1922) presumiblemente debe poseer
adaptaciones fisiológicas para vivir en ambientes faltos de oxígeno y que realizaría una
importante reducción en sus niveles de alimentación para sobrevivir en estos períodos.
El sábalo (P. lineatus) no posee órganos adaptados para la respiración aérea y
tampoco se ha comprobado que utilice la respiración acuática de superficie, por lo tanto,
los mecanismos que desarrolla estarián relacionados con su alta capacidad para tolerar
bajas concentraciones y reducir notablemente su tasa metabólica. Es probable que realice
desplazamientos para evitar este tipo de ambientes, aunque es muy común encontrar los
juveniles en lagunas desconectadas de los cauces principales y cubiertas de vegetación.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Recebido em 29.11.1993; aceito em 30.11.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 135 - 140, 29 set. 1995
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ZIPHIUS CAVIROSTRIS CUVIER, 1823 (CETACEA, ZIPHIIDAE) ON THE
BRAZILIAN COAST, WITH NOTES ON BIOMETRY
Regina Célia Zanelatto!
Márcio Luiz Bittencourt?
Marco F. M. Corrêa!
Lício George Domit
ABSTRACT
A female of Ziphius cavirostris Cuvier, 1823 with 620 cm total length, stranded at Ponta do Cedro,
Paranaguá Bay (25°20’38”S-48°19’42”W), Paraná, Brazil, is recorded. External and skull measurements are
provided. One fish, Anchoa sp., and scales of Engraulidae family were found in the stomach.
KEYWORDS. Ziphius cavirostris, biometry, Brazil.
INTRODUCTION
The Cuvier’s beaked whale, Ziphius cavirostris Cuvier, 1823, is a cosmopolitan
and pelagic species, distributed in almost all oceans, except in the Artic and Antarctic
(PRADERI, 1971; KLINOWSKA, 1991). In the southwestern Atlantic Ocean the species
was recorded in Uruguay (PRADERI, 1971; XIMENEZ et al., 1972; LICHTER, 1986)
and Argentina (GOODAL, 1978; LICHTER, 1986). In the Brazilian coast, a female, 620
cm length, with a foetus, thought to be Z. cavirostris, was recorded on August, 1948 at
Praia de Goes, Sto. Amaro Island, São Paulo (P. -DE-CARVALHO, 1969). Another female,
540 cm, with a foetus, was collected at Cabedelo, Paraíba in November, 1971 (CARVA-
LHO, 1975). One male, with 400 cm (September, 1978), was identified by photography
at Caieira beach, Fernando de Noronha Archipelago (LODI & FIORI, 1987). Also, some
sightings have been registered in Cabedelo, Paraíba (ANTONELLE et al., 1987). There
are records not published from the Rio Grande do Sul coast of an immature specimen,
273 cm (November, 1993), in the north of São José do Norte (Maria Cristina Pinedo and
* Andre S. Barreto, personal communication), and another based on a lower jaw (Eduardo
R. Secchi and Alexandre N. Zerbini, personal communication). At Pontos de Pedra
beach, in the northern region of Pernambuco State, one skeleton of an adult male was
found (Roberval T. de Almeida, personal communication).
1. Centro de Estudos do Mar, Universidade Federal do Paraná, Caixa Postal 43, CEP 83255-000, Pontal do Sul, Paranaguá, Paraná, Brasil.
2. Nateec - Geologia e Saneamento, Av. Iguaçú, 734 - Rebouças, CEP 80230-020, Curitiba, Paraná, Brasil.
3. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Rua XV de Novembro, 18 CEP 83203-010, Paranaguá, Paraná,
Brasil.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 141 - 147,29 set. 1995
142 ZANELATTO et al.
Despite the records of this species along the Brazilian coast, no biometric
measurements were registered before. This is the first record to present biometrical
information concerning the species along the Brazilian coast, with notes on feeding habits.
MATERIAL AND METHODS
The present record is based on the carcass of an adult female found on May 8, 1991 im a sandy beach
near Ponta do Cedro, Ilha do Mel, Paraná State, Brazil (25°20’38”S-48°19’42”W). The specimen was identified
based on morphological characteristics of the body, the shape of the skull and the jaw with two alveoli in
terminal position. Body and skull measurements were taken according to NORRIS (1961) and MOORE (1963).
The measurements of the body (cm) were taken in a straight line from tip to tip and skull measurements (mm)
were taken with a drawing-compass. The skull, jaws, and an incomplete post-cranial skeleton was collected
including: right flipper, 4 cervical vertebra, 2 lumbar vertebra, the hyoids (incomplete), 8 ribs, one pelvic bone
and some bones of the left pectoral fin were deposited in the Marine Mammals collection at the Museum of
Centro de Estudos do Mar (MCEM 35), in Pontal do Sul, Paraná State.
The stomach content was filtered using a 0.2 mm mesh size nylon net. The fishes and scales were
identified according to FISHER (1978) and compared with previously identified anchovie’s scales. This mate-
rial was deposited at the marine mammal laboratory at MCEM.
RESULTS AND DISCUSSION
Morphological characteristics. The body color was dark on the dorsal region and
flanks, and lighter on the head and ventral side, similar to that described by
LEATHERWOOD et al. (1982) and PINEDO et al. (1992). Body and skull measurements
(tables I and II). Parallel scars with a maximum length of 50 cm were observed on the
back and more abundantly on the flanks. These marks could be made by other odontocets .
(ROSS, 1984), probably due to inter- or intraspecific origin (LEATHERWOOD &
REEVES, 1983; HEYNING, 1989). White oval patches were visible and concentrated '
on the postero-dorsal region, even though they were present all over the body (fig. 1).
GOODAL (1978), RODRIGUEZ (1988) and LEATHERWOOD et al. (1976) recorded
a similar distribution of patches in other specimens. Similar spots were described by
JONES (1971) as crater wounds, probably as the result of bites by the cookie-cutter |
shark, /sistius brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824) but HEYNING (1989) reported
them as parasite scars. Circular scars with a mean diameter of 5 cm were observed on the |
head, flanks and flukes. Diameters between 1.2 cm and 7 cm were previously cited by
JONES (1971). MITCHELL & HOUCK (1967) recorded scratches and oval marks in
males and females, even though they may be absent in some female specimens (OMURA
et al., 1955).
Flukes with two perforations, the first in the right postero- -Jateral margin and the‘
second one, of similar size, in the left postero-lateral margin, beside a poorly defined.
medium groove. Three small notches, two of which on the right postero-lateral margin!
and the other in the middle of the left postero-lateral margin (fig. 2). Flippers of small
size, approximately 10% of the total length. Digital formula: I: 1; I: 6; II: 6; IV: 7 and!
V:2. Dorsal fin falcated and placed behind the middle of the back, as cited by HEYNING
(1989). Two typical ziphiid “V” - shaped grooves underside the throat. |
The pair of cylindrical teeth, as described by MOORE (1968), were not ecloded.
Both teeth had conical tips and the pulpar cavity completely closed. The alveoli were,
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I
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Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 141 - 147,29 set. 1995
Ziphius cavirostris Cuvier, 1823 (Cetacea, Ziphiidae)... 143
Table I. External measurements of Ziphius cavirostris, collected at Ponta do Cedro, Paranaguá Bay, Paraná,
Brazil, on 08.V.1991, in centimeters (Measured after NORRIS (1961), modified).
Measurements cm % of total
lengh
Total length, tip of upper jaw to flukes notch 620.0 100.0
Length from tip of upper jaw to center of eye 80.0 12:9
Length of gape 50.0 8.0
Distance from tip of upper jaw to ear 95.0 19:3
Distance from center of eye to external auditory meatus 15.0 2.4
Distance from angle of gape to center of eye 40.0 6.4
Distance from blowhole to center of eye 47.0 TR
Distance from tip of upper jaw to center of blowhole 7.6 11252
Distance from tip of upper jaw to anterior insertion of flipper 132.0 212.
Distance from tip of upper jaw to dorsal fin base 405.0 65.3
Distance from tip of upper jaw to midpoint of umbilicus 367.0 33,1
Distance from tip of upper jaw to beginning of genital opening 385.0 62.0
Distance from tip of upper jaw to beginning of anus 425.0 68.5
Girth, on a transverse plane intersecting axila 340.0 54.8
Girth, maximum 310.0 50.0
Girth, on a transverse plane intersecting the anus 210.0 33.8
Greatest width of flukes (tip to tip) 170.0 27.4
Distance from flukes base to noch 53.0 8.5
Lenght of flipper (anterior insertion to tip) 60.0 9.6
Greatest width of flipper 30.0 4.8
Height of dorsal fin (from the tip to base) 30.0 4.8
Length of dorsal fin base 50.0 8.0
Length of genital opening 45.0 =>
Height of flukes peduncule 30.0 4.8
Distance from posterior insertion of genital aperture to flukes notch 190.0 30.6
Distance between the mammary glands slits 22.0 3
positioned on the tip of the lower jaws. Mandibular sinphysis well fused with the well
developed alveoli as described by ROSS & TIETZ (1972).
Well developed skull vertex (fig. 3), as described by MOORE (1968), with a nasal
depression and a slight mesorostral ossification, typical of adult females (TRUE, 1910).
FRASER (1942) described a well developed mesorostral ossification on the skull of a
Juvenile, while the pulpar cavity of the teeth was opened. A medium groove in the supra-
occipital scute was also observed by MITCHELL & HOUCK (1967) which is dorsally
developed up to the foramem magnum. Skull sutures not well fused, differing from a
previous female record (TRUE, 1910). The few collected vertebra had their epiphysis
and sutures well closed. All the morphological characteristics formerly described are
typical of an adult female.
Comments on feeding habits. The stomach content had a 5.75 cm long anchovy
Anchoa sp. (Osteichthyes, Engraulidae) (fig. 4), plus a partially digested specimen of
Lycengraulis grossidens (Agassiz, 1829) and scales. The last ones were identified: L.
grossidens (4 scales), Anchoa spinifer (Valenciennes, 1848) (2), A. filifera (Fowler, 1915)
(2), Anchoa sp. (2), and Cetengraulis edentulus (Cuvier, 1828) (3). There were also vege-
tal debris, one small piece of charcoal (3.5mm of diameter) and several nematodes
(Ascharoidea). No otholits were found.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 141 - 147,29 set. 1995
144 ZANELATTO et al.
Table II. Skull measurements of Ziphius cavirostris, collected at Ponta do Cedro, Paranaguá Bay, Paraná,
Brazil, on 08.V.1991, in millimeter (Measured after MOORE (1963), modified)
Measurements mm % of total
lengh
Condylobasal length 98310 100.0
Length rostrum, tip of beak to line connecting apices of antorbital notches 592.0 63.4
Tip of rostrum to posterior margin of pterygoid nearest mid-sagittal plane 739.0 TD
Tip of rostrum to most posterior extension of wing of pterygoid (right) ES: 83.0
Tip of rostrum to most anterior extension of pterygoid 491.0 52.6
Tip of rostrum to most posterior extension of maxillaries between the
pterygoids on the palate 555.0 59.4
Tip of rostrum to most posterior extension of maxillary plate 852.0 tes)
Tip of rostrum to anterior margin of superior nares 664.0 lei
Greatest length (horizon) of temporal fossa (right) 150.0 16.0
Greatest height (vertical) of temporal fossa (right) 093.5 10.0
Greatest length of orbit (right) 132.0 14.1
Greatest length of right nasal on vertex of skull 132.4 14.1
Length of nasal suture 128.0 13.7
Greatest breadth of skull across postorbital processes of frontals 5557 59.5
Greatest breadth of skull across zy gomatic processes of squamosals
(ventral view) 525.8 56.3
Greatest breadth of skull across centers of orbits 551.0 59.0
Least breadth of skull across posterior margins of temporal fossae
(posterior view) 341.0 36.5
Greatest distance of occipital condyles 175.0 18.7
Greatest width of an occipital condyle (right) - 065.3 06.9
Greatest height of occipital condyle (right) 105.0 2
Greatest breadth of foramen magnum 52.6 5.6
Greatest breadth of nasals on vertex 75.0 8.0
Greatest width of premaxillae anterior to superior nares 210.0 2045
Width of premaxillae at midlength of rostrum SIR Ss!
Width of premaxillae in front of premaxillary foramina 90.0 9.6 |
Width of rostrum in apices of antorbital notches 405.0 43.4 |
Width of rostrum in apices of prominential notches 324.0 34.7
Width of rostrum at midlength 111.0 11.8
Height of rostrum at midlength 86.0 92)
Greatest height of skull. Distance between vertex of skull and most ventral
point on pterygoids 470.0 50.3
Greatest length of vomer visible at surface of palate 674.0 722
Greatest length of tympanic bulla (left) 73.0 7.8
Length of mandibular ramus 844.0 90.4
Length of mandibular symphysis 172.0 18.4
Distance from anterior end of mandible to anterior lip of alveolus (right) 10.5 1.1 |
Distance from anterior end of mandible to posterior lip of alveolus (right) 28.5 38 |
Distance from anterior end of mandible to coronoid process 765.0 82.0 |
Height of mandible at coronoid process 170.0 18.2 |
Length of tooth (rigth) 48.4 Sel |
Length of tooth (left) 47.5 5.0 |
Greatest diameter of tooth (rigth) do 12.0 1 |
Greatest diameter of tooth (left) 11.5 1.2 |
Most posterior point on condyle to most posterior point on symphysis 694.0 74.3
Most posterior point on condyle to most posterior point on alveolus 822.0 88.1
Height of alveolus (rigth) 19.0 210) |
Height of alveolus (left) 18.0 1.9 |
Breadth of alveolus (rigth) 19.0 2.0 |
Breadth of alveolus (left) 18.0 1.9 |
Breadth of jaws across mandibular condyles SU 54.8 E
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 141 - 147,29 set. 1995
Ziphius cavirostris Cuvier, 1823 (Cetacea, Ziphiidae)... 145
orifice= E
White spot
1000 mm
Figs. 1-4.Ziphius cavirostris: 1, postero-ventral region showing the concentration of white oval patches; 2, shape
of the flukes; 3, dorsal view of the skull; 4, Anchoa sp., found in the stomach of the specimen stranded at Ponta
do Cedro, Ilha do Mel, Paraná State, Brazil.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 141 - 147,29 set. 1995
146 ZANELATTO et al.
Information on the feeding biology of Z. cavirostris is provided for the first time in
the South Atlantic. Previous records showed that this species feeds mainly upon squids
and demersal fishes (MITCHELL & HOUCK, 1967; CORNADO, 1971; NISHIWAKI
& OGURO, 1972; MITCHELL, 1975; LEATHERWOOD et al. 1976; LEATHERWOOD
et al. 1982; LEATHERWOOD & REEVES, 1983; ROSS, 1984; HOYT, 1984;
HEYNING, 1989). Considering that those feeding items were not found in the stomach,
it is difficult to know if the species actually consumed estuarine fishes, or it was only a
circumstantial occurence. Based on the remains found in the stomach of Z. cavirostris
we can suggest that it may also feed in coastal or estuarine environments.
Acknowledgments. To H. P. Castello (MACN), P. C. Simões- Lopes (Lamag-UFSC) and P. da C. Lana
(CEM-UFPR) for the correction and translation of the manuscript, A. Ximenez (Lamag-UFSC), C.A. Borzone,
T. Absher and A. S. Freire (CEM-UFPR) J. Mead (Smithsonian Institution) for suggestions. P. H. Lemos
(CEM-UFPR) and J. Figueiredo (Museu de Zoologia-USP) for fish identification, P. Pinheiro (CEM-UFPR)
for scales identifications. N. Yoneda for the photograph of Anchoa sp., and A. Feijó for the drawings. J. C. Luiz
and H. de Ramos (IBAMA/PR-Brazil) by provided technical support. World Wild Fundation (BSB-Brazil),
White Martins (PR-Brazil), Unipac (SP-Brazil), Madepar Laminados (SP-Brazil), Cryometal S/A (MG-Brazil),
and Refrigeração Paraná S/A for support of the laboratory. The help of the collaborators of the Marine Mammals
Lab was greatly appreciated.
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Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 141 - 147, 29 set. 1995
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FIRST KNOWN NEOTROPICAL SPECIES OF BRUNETTIA (DIPTERA:
PSYCHODIDAE) FROM SOUTHEASTERN BRAZIL, WITH DESCRIPTION
OF A NEW SUBGENUS AND SYSTEMATIC COMMENTS ON THE GENUS!
Freddy Bravo?
Dalton de Souza Amorim
ABSTRACT
Brunettia caipira, sp.n. is described from southeastern Brazil. This is the first described species of the
genus in the Neotropical region. A new subgenus, Brunettia (Neobrunettia) is proposed for this species. The
remaining species of the genus are restricted to the Oriental, Afrotropical, Australian, and Palearctic regions,
placed in seven subgenera. An analysis of the relationships among the subgenera of Brunettia is proceeded,
which results in a partial solution for the phylogenetic relationships among the subgenera. B. (Mirousiella)
appears as the sister-group of the set of the remaining subgenera; B. (Campanulobrunettia) composes a
monophyletic arrangement with B. (Maurobrunettia); B. (Campanulobrunettia), B. (Maurobrunettia), B.
(Brunettia), and B. (Neobrunettia) stand as a monophyletic unity. No synapomorphy was found for the typical
subgenus, B. (Brunettia), which most probably does not refer to a monophyletic arrangement; a polytomy
including B. (Atrichobrunettia), B. (Plesiobrunettia), B. (Horobrunettia), and the group of subgenera including
B. (Brunettia) remains unresolved. Also, no synapomorphy was found for B. (Mirousiella). The pantropical
distribution for this group suggests that it has at least a Gondwanic origin.
KEYWORDS. Neotropical, Diptera, Psychodidae, Brunettia, Systematics.
INTRODUCTION
The genus Brunettia Annandale, 1910 as redefined by DUCKHOUSE (1966) most
certainly correspond to a monophyletic taxon. The absence of setae on the gonocoxite and
on the tergite 9 seems to be synapomorphic for the genus. The presence of these setae in
five species included by DUCKHOUSE (1991) in the subgenus B. (Horobrunettia)
Duckhouse, 1991 is interpreted by him as a secondary acquisition. Other six subgenera
were recognized by DUCKHOUSE (1991): Brunettia (Brunettia) Annandale, 1910, B.
(Atrichobrunettia) Satchell, 1953, B. (Campanulobrunettia) Duckhouse, 1991, B.
(Maurobrunettia) Duckhouse, 1991, B. (Mirousiella) (Vaillant, 1974), and B.
(Plesiobrunettia) Duckhouse, 1991. The monophyletism of these subgenera was not
demonstrated. The phylogenetic relationships among the subgenera of Brunettia were
also not determined to date.
Following DUCKHOUSE (1991), the genus Brunettia is absent only from the
1. Contribution nº 794, Depto de Zoologia, UFPR.
2. Depto. de Biologia; Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto/USP; Av. Bandeirantes 3900; 14040-901 Ribeirão Preto SP;
Brazil.
3. CAPES fellowship.
4. Researcher fellowship of CNPq; partially made under FAPESP grant 93/ 0954-9.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 149 - 158, 29 set. 1995
150 BRAVO & AMORIM
Nearctic region. There are some few species known from some Pacific islands, Japan, and
New Zealand. Most species described are found in India, Papua-New Guinea, Southeast
Asia, and Australia. DUCKHOUSE (1991) referred to two Neotropical species, but didnot
described them. A new species of Brunettia from southeastern Brazil is described, based
on males and females, which is place in a new subgenus, Neobrunettia. A phylogenetic
analysis is performed to determined the phylogenetic relationships among the subgenera
of the genus.
The terminology for the thoracic pleural sclerites is reinterpreted based on a more
general analysis of the Psychodomorpha morphology. Terminology for male terminalia
morphology follows McALPINE (1981) and for female terminalia follows SAETHER
(1977). The names for other structures follow DUCKHOUSE (1991). Types are deposited
at the Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo (MZSP). Some paratypes
will be sent to The Natural History Museum (BMNH). All measurements are in millime-
ters.
Brunettia (Neobrunettia), subgen. n.
Type species: Brunettia (Neobrunettia) caipira, sp.n., here designated.
This subgenus differs from the remaining subgenera by the following features
(which are also diagnostic for the species): subcostal vein (Sc) absent, only a hair line of
unsclerotized cuticula (h,) seen under microscope. R, diffuse and wide basally, with a
rupture in the basal fourth.
Brunettia caipira, sp. n.
(Figs. 1-18)
Type locality: Brazil, State of São Paulo, Ribeirão Preto, Campus da Universidade de São Paulo.
Holotype: male, on slide-mounting, with the label: Brasil, State of São Paulo, Ribeirão Preto, 26.V1.1993,
Freddy Bravo col. (MZSP); allotype: female, same data of holotype (on slide-mounting) (MZSP). Paratypes:
BRAZIL, Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Represa Rio Grande, 22° 50' S; 43º 00' W [Malaise trap), 1C', 109,
II.1968, M. Alvarenga col. (MZSP); 10°, 19, IX.1969 (MZSP); 19, 19, IV.1972 (MZSP). Silva Jardim, 22°00’S;
42°00’W [Malaise trap), 19, VII.1974, F.M. Oliveira col. (8 paratypes on slide-mountings) (MZSP).São Paulo:
Ribeirão Preto (Campus of USP), 21º 15' S; 48° 00' W, 1C, 2? , 26.V1.1993, Freddy Bravo col. (MZSP); 1$,
29.1V.1993 (MZSP); 19, 03.11.1993 (MZSP); 25, 19, 10.VII.1993 (MZSP); 16, 06.VIII.1993 (MZSP); 10°,
27.N111.1993 (MZSP); 1S, 39, 19.11.1994 (MZSP); 1C', 22.11.1994 (MZSP).
Diagnosis. Subcostal vein (Sc) absent, only a hair line of unsclerotized cuticula (h )
seen under microscope.R, diffuse and wide basally, with a rupture in the basal fourth. Post-
hypandrium plate developed, covering aedeagus.
Description. Male. Tegument black; alar membrane hyaline-black. Body, alar veins
and alar membrane covered with black setae. Frons with a patch of white setae. Length
from thorax anteriorly to posterior end of abdomen, 2.19.
Head: subcircular, 0.38 mm long from vertex to clypeus distally; distance between
eyes at most 0.37. A complete eye-bridge above antennae (figs. 1, 2). Palpus 1.0-3.4-4.0-
4.4. Antenna with 15 articles, 1.19 long; distal flagellomeres shorter that basal ones;
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 149 - 158, 29 set. 1995
|
|
il
First known Neotropical species of Brunettia... 151
flagellomeres eccentric, except for the last two; last flagellomere with apicule; ascoid
paired, C-shaped (fig. 7). Labella fleshy, with 6 larger setae distributed on dorsal margin
and some shorter ones ventrally; probably labela 1 and 2 fused (fig. 5). Maxilla small and
round (fig. 4). Cibarium with strong walls (fig. 6).
Thorax: 0.73 long. Episternum I ventrally fused to antero-dorsal extension of
katepisternum. Epimeron I including the spiracle, with an anterior protuberance. Anterior
spiracle with membrane around. Stigmatic pore visible (fig. 8).
Wing: length, 1.87. Maximum width, 0.88. Sc absent. Rs pectinate. R,R,andCuA,
well sclerotized (not so clear for R, in the drawing). R, reaching wing on apex. Humeral
and anal regions slightly developed (fig. 10).
Abdomen: length, 1.46. Tergites and sternites mostly black, with a lighter region
anteriorly.
Terminalia (figs. 15-18): length, 0.20; width, 0.25. Tergite 9 and gonocoxites
without setae, gonostyles with only two distal setae. Cerci with apical retinacula, distal
ones longer with fringed tips, and the others, more basally, short and straigth (figs. 16-17).
Tergite 9 with two small aperture basally (fig. 18). Sternite 9 with a post-hypandrial plate
covering aedeagus (fig. 15). Sternite 10 with micropilosity (fig. 18). Aedeagus symmetri-
cal, apically bifid. Parameres divergent.
Female. Similar to male except as follows. Length from thorax anteriorly to end of
abdomen 2.27 (fig. 12). Epimeron I without an anterior protuberance (fig. 9). Eye bridge
incomplete (fig. 3). Wing length 1.82, width 0.80; humeral and anal lobes seen in the males
absent (fig. 11). Gonocoxite 8 covering sternite 9 (fig. 14). Cercus with a microsetose basal
protuberance (fig. 13).
Distribution: Brazil, States of Rio de Janeiro and São Paulo.
Philogenetic analysis of Brunettia
The following features, with condition for the terminal taxa synthesized in table I,
were obtained in an analysis of the intrageneric relationships of Brunettia. The generality
of each character and the conclusions concerning the relationships among the subgeneric
taxa of Brunettia are in figurel9. The analysis was made according to the Hennigian
argumentation (HENNIG, 1966; AMORIM, 1994a). The mathrix was also submitted to
a numerical analysis using the Hennig86 program, ie* option.
Table I. Character mathrix of the phylogenetic analysis of the phylogenetic relationships among the subgeneric
taxa of Brunettia. The sequence of characters follow that in the list and in the cladogram.
outgroup 00000 00000 00000 0000
Mirousiella 11000 10000 00011 1000
Atrichobrunettia 11000 11000 00011 1100
Neobrunettia 11000 10110 134111 1101
“Brunettia” 11000 10000 11011 1101
Campanulobrunettia 11100 10001 11011 1101
Maurobrunettia 11011 10001 11011 1101
Plesiobrunettia 11100 10000 00011 1100
Horobrunettia 11000 10000 00010 1110
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 149 - 158, 29 set. 1995
152 BRAVO & AMORIM
10 11
Figs. 1-11. Brunettia caipira sp. n. Cephalic structures: 1-2, 5-7 holotype & ; 3 allotype. 9. Head: 1. anterior,
2,. posterior, 3, anterior; 4, maxila (diagramatic); 5, labrum, lateral; 6, hypopharynx; 7, antennae, last three
segments. Thoracic structures: 8. lateral (S paratype, Ribeirão Preto); 9. frontal ( 9 paratype, Ribeirão Preto).
Wing (rigth): 10, & paratype, Ribeirão Preto; 11, 9 paratype, Ribeirão Preto. (Am, anepimeron; AnP,
antepronotum; As, anepisternum; Cs, cardo-stipes; CvS, cervical sclerite; Ep, epimeron I; Es, episternum I; Kt,
katepisternum; La, lacinia; Lb, labella, ,; Me, meron II; Mn, metanotum; Mp, metapleuron; Pa, maxillar palpus;
PnP, postnotal phragma; PsP, postpronotum). Scales: A, 0.20mm (1-3); B, 0.20mm (5); C, 0.50mm (8-9); D,:
0.20mm (6-7); E, 1.00mm (10-11).
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 149 - 158, 29 set. 1995
First known Neotropical species of Brunettia... 153
Figs. 12-18. Brunettia caipira sp. n. 12, 9 paratype, Ribeirão Preto, lateral. 13, cercus, ? paratype, Ribeirão
Preto, lateral. 14, Q allotype, terminalia, dorsal. Terminalia of & holotype: 15, S9, aedeagus, parameres,
gonocoxites and gonostiles; 16, cercus tip; 17, terminalia, lateral; 18, T9, S10 and cercus. (Ae, aedeagus; Ce,
cercus; Gc, gonocoxite; Gs, gonostylus; Pa, paramere; S8, sternite 8; S9, sternite 9; S10, sternite 10; T9, tergite
9). Scales: A, 0.10 mm (13); B, 0.10 mm (14); C, 0.10 mm (15-18); D, 1.00 mm (12).
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 149 - 158, 29 set. 1995
154 BRAVO & AMORIM
É =
= E
= IS
3 N = =
= as S 2 > =
“O a Es pi Fan u
ng ad, é am ni Sy
= a E S “= > S
Fand 3 = Da 3 und a
Per ni Fa Pas a hai = RE
a S o Ps = Ro os S
Eos mas o má Fi = Er NE
San) Warme a
7 *
en Gent:
11,12,19
17
1,2,6,14,15,16 19
Fig. 19. Cladogram of Brunettia, depicting the phylogenetic relationships among the subgenera of the genus.
Character numbers follow text.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 149 - 158, 29 set. 1995
First known Neotropical species of Brunettia... 155
1. Flagellum with 14 flagellomeres / 13 flagellomeres.
This character has no problem of polarization. The ground-plan condition in Diptera
for the number of flagellomeres is 14. The apomorphic condition of this character is shared
by all members of Brunettia. Although there are other groups in Psychodidae also
presenting 13 flagellomeres (as well as many other groups in Diptera), they are not closely
related to Brunettia. Hence, this shall be understood as a homoplastic similarity between
groups of species in Psychodidae.
2. Frontal patch of setae partially divided by a ventral nude mesal area / completely divided.
The mesal patch of frontal setae is undivided in the genera of Maruinini sensu
DUCKHOUSE (1991). In Mormia Enderlein,1937, this patch is partially divided by a
ventral, short, mesal denuded line. In all species of Brunettia the division of this patch
is complete or almost complete, with a mesal denuded line.
3. Ascoid elongate, simple / ascoid palmate.
DUCKHOUSE (1987) indicates that the ascoid is elongated in Setomima + Mor-
miini and is short forBrunettia andMormia. The short condition of the ascoids is proposed
by DUCKHOUSE (1987) as apomorphic. However, Gerobrunettia is plesiomorphic for
this character. This, however, conflicts with his proposition for the monophyly of
Gerobrunettia+Brunettia. The short, unbranched condition of the ascoid is accepted as the
ground-plan condition of the ascoid in Brunettia. The palmate, obviously apomorphic
shape of the ascoid must have been achieved twice inside Brunettia s.l., once in B.
(Plesiobrunettia) and once in B. (Campanulobrunettia). The apomorphic features shared
by the group of subgenera (Neobrunettia, “Brunettia,’” Campanulobrunettia,
Maurobrunettia) are indicative that this similarity in the shape of the ascoid would be better
interpreted as a homoplasy.
4. Scape cylindrical / scape elongated, exceeding the border of the eyes.
5. Pedicel subcircular / pedicel elongated.
These two features are autapomorphic for B. (Maurobrunettia) and demonstrate the
monophyly of the subgenus. B. (M.) consobrina and B. (M.) salax do not present these
modifications on the firsttwo articles ofthe antenna, but there are other clearly apomorphic
features which are shared by these two species and by other species of Maurobrunettia
with elongated scape and pedicel. This indicates that the short scape and pedicel in these
two species can be understood as a case of secondary loss of the characters. B. (A.)
albrifrons and B. (C.) uncinata also present elongated basal antennal articles, but they
certainly do not belong to B. (Maurobrunettia), so the features must have appeared
homoplastically in the genus.
6. Maxilla with the same length of the labrum/ maxilla reduced.
In the ground-plan of Psychodidae, the maxilla has about the same length than the
labrum. The reduction in the length of the maxilla seems a synapomorphy of Brunettia.
However, a more detailed study of other genera may still show that the feature is not
restricted to Brunettia.
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156 BRAVO & AMORIM
7. Presence of hairs and scales on the wing / hairs and scales absent on the wing.
This feature is an autapomorphy of B. (Atrichobrunettia).
8. R, uniformely wide/R, wide in the base
9.R, without a rupture/ with a rupture in the basal fourth.
These are two apomorphic features found in B. (Neobrunettia). No other known
species of Brunettia has these features.
10. R, and Rj more strongly sclerotized than R
veins.
The apomorphic condition of this feature is actually a reversion of an earlier
acquisition of the character. The strong sclerotization in veins R , R,, and CuA, is found
in other genera of Maruinini. Neither B. (Campanulobrunettia) nor B. (Maurobrunettia)
present R, and R, stronger than the remaining radial veins. Hence, we interpret here that
atthis level the condition shared by B. (Brunettia) andB. (Neobrunettia) is plesiomorphic.
The fact that both, B. (Campanulobrunettia) and B. (Maurobrunettia), present CuA,
stronger than the remaining veins seems to be an evidence that this interpretation is correct.
2.3! R, and R sclerotized as remainingR,
11.R,,, forking near middle of the wing /R,., forking basally to the middle of the wing.
DUCKHOUSE (1991) includes this character as a key feature to Brunettia (Brune-
ttia), but compares the position of the radial fork to the position of the medial fork.
However, the fork of M,., also presents a basal displacement in some groups, so many
species with long fork of R, , do not fit in the key because the fork of M, , is also long. It
is out of doubt that the short fork of R, , is plesiomorphic, as can be verified with the
examination of the wings of other Psychodidae and of other basal Diptera. The apomorphic
condition of this feature is shared by B. (Neobrunettia), B. (Brunettia), B.
(Campanulobrunettia), and B. (Maurobrunettia).
12. Males with costal and anal cells normal / costal and anal cells developed.
It is well known that males of some species of Brunettia present enlarged costal and
anal cells, giving to the wing a rather different shape. This is obviously an apomorphic
condition that is shared at least by the species included by DUCKHOUSE (1991) in 2.
(Brunettia), B. (Campanulobrunettia), B. (Maurobrunettia), as well by the new Neotro-
pical species herein described. B. (M.) consobrina - which is also plesiomorphic for
character the shape of the scape and pedicel - does not present the apomorphic condition
of this character, possibly due to another reversion.
13. Subcostal vein incomplete, but clearly present / Sc absent, only a hair line of |
unsclerotized cuticula (h ) seen under microscope.
This is a very obviously autapomorphic condition of the new subgenus B
(Neobrunettia).
14. Setae normally distributed on the gonocoxites / gonocoxites complete nude of setae.
15. Tergite 9 with setae / setae on tergite 9 completely lost.
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First known Neotropical species of Brunettia... 157
16. Gonostyle with setae on entire length / no setae basally on gonostyles.
17. 4-5 larger setae apically on the gonostyle / 2 setae apically on the gonostyle in outer
side.
The lost setae on the gonocoxites, tergite 9, and on most of the extension of the
gonostyles are convincing apomorphies. Hence, the whole set of taxa included by
DUCKHOUSE (1991) in Brunettia most certainly compose a monophyletic group. The
only exception is B. (Horobrunettia), which present some setae on the tergite 9.
DUCKHOUSE (1991) interprets this as a reversion to the plesiomorphic state of the
character, position also adopted here. It is noteworthy that B. (Mirousiella) present 4-5
terminal larger setae on the gonostyle, while allremaining subgenerapresenttypically only
2 apical setae. It seems clear that there is a transformation series reducing the number of
setae on the gonostyle. Hence, the condition found in B. (Mirousiella) is plesiomorphic
when compared to that with 2 setae. This indicates a sister-group relationship between this
subgenus and the remaining subgenera.
18. Number of retinacula above 15 / retinacula not more than 5.
19. Retinacula straight / retinacula mesally folded.
The number of retinacula in the cerci in most species of Brunettia is rather high,
about 15, with the exception of the species of B. (Horobrunettia), which present areduced
number. The species of B. (Neobrunettia), “B. (Brunettia)”, B. (Campanulobrunettia),
and B. (Maurobrunettia) present very typical, elongated retinacula with a mesal fold, an
additional apomorphy on the structure.
CONCLUSIONS
The mathrix analysis shows four equally parsimonious cladograms. The differences
among them concerns only the position of B. (Mirousiella) and B. (Horobrunettia). That
Is, B. (Neobrunettia), “B. (Brunettia)”, B. (Campanulobrunettia) e B. (Maurobrunettia)
always compose a monophyletic group separate from B. (Plesiobrunettia) and B.
(Atrichobrunettia). This group is named here provisionally B. (Neobrunettia)* using by
AMORIM (1994b) artifact for phylogenetic sequenced classifications with polytomies.
The alternative topologies correspond to distinct interpretations of the evolution of
characters 15 and 17. If the number of setae in the gonostyle is taken as having a single
origin, as herein adopted, B. (Mirousiella) comes out as the sister group of the remainder
of the genus, B. (Horobrunettia) being kept in a polytomy with B. (Plesiobrunettia), B.
(Atrichobrunettia) and the group B. (Neobrunettia)*. Ifthe reduction of the setae on tergite
91s accepted as having a single origin, B. (Horobrunettia) would be the sister group of the
set of the other subgenera, with B. (Mirousiella) in a polytomy with B. (Plesiobrunettia),
B. (Atrichobrunettia) and the group B. (Neobrunettia)*. If we admit a homoplastic arrisal
of the number of setae in the gonostyle, B. (Horobrunettia) would be the sister group of
the rest of the genus, with B. (Mirousiella) as the sister group of this subset of Brunettia.
Finally, if an homoplastic arrisal of the reduction of setae on tergite 9 is considered, B.
(Mirousiella) would be the sister group of the remainder ofthe genus, and B. (Horobrunettia)
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158 BRAVO & AMORIM
would be the sister group of the rest of subgenera inside this small group.
The analysis made here corroborates that Brunettia sensu DUCKHOUSE (1991)
corresponds to a monophyletic unity. The character analysis presented above also
demonstrate that all subgenerain the literature but Brunettia (Brunettia) are monophyletic.
Moreover, they allow a partial solution for the phylogenetic relationships among the
subgenera in the genus (fig. 19). Evidently, a more detailed study of B. (Horobrunettia)
and of B. (Mirousiella) may help to better define the basal relationships in the genus.
The subgenus B. (Brunettia) presently contains a group of species which most
certainly do not compose a monophyletic unity. No apomorphy was found shared by the
Australian-Papuan species placed in the subgenus and neither any apomorphic feature
gathering these species and those in the Afrotropical regions could be detected. Maybe
some of the species in B. (Brunettia) would fit better in B. (Campanulobrunettia) or inB.
(Maurobrunettia). Actually, the systematics of the Oriental and Afrotropical species of the
genus should be revised before additional conclusions about the internal relationships im
the Brunettia can be inferred.
The new species herein presented under a new subgenus has a number of
synapomorphic features that may show to be more general when other Neotropical species
come to be described. These features, absent in the Australian/Oriental/Afrotropical
species of the group, seem to justify the proposition of a new subgenus for this region. The
discovery of Neotropical species of Brunettia (see also DUCKHOUSE, 1991) certainly
changes the biogeographical interpretation of the group. If the distribution of the genus was
restricted to the Old World, one could accept a rather recent origin for the group. However,
the presence of Neotropical and Australian species together in the same monophyletic
group (Neobrunettia, Brunettia, Campanulobrunettia, Maurobrunettia) would indicate
that it is possibly Gondwanic in origin; stems originated in higher levels in the phylogeny
of the genus may be Pangaeic.
REFERENCES
AMORIM, D.S. 1994a. Elementos Básicos de Sistemática Filogenetica. São Paulo, Sociedade Brasileira de
Entomologia. 315 p.
AMORIM, D.S. 1994b. Group*: An additional artifact for phylogenetic sequenced classifications. Revta.
nordest. Biol, João Pessoa, [1993] 8:35-38.
DUCKHOUSE, D.A. 1966. Psychodidae (Diptera, Nematocera) of southern Australia: Subfamily Psychodinae.
Trans. R. ent. Soc. London, London, 118:153-200.
— . 1987. A revision of Afrotropical Setomima, elucidation of their genealogical relationships and descriptions
of other Afrotropical Psychodinae (Diptera: Psychodidae). Ann. Natal Mus., Pietermaritzburg, 28 (2):231-
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— . 1991. A revision of Australopapuan and New Caledonian Brunettia (Diptera, Psychodidae). Invertebr.
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HENNIG, W. 1966. Phylogenetic Systematics. Urbana, Ill., University of Illinois 263 p.
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SAETHER, O.A. 1977. Female genitalia in Chironomidae and other Nematocera: Morphology, phylogenies,
keys. Bull. Fish. Res. Bd Can., Ottawa,197:1-209.
Recebido em 02.03.1994: aceito em 17.03.1995.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 149 - 158, 29 set. 1995
WAGNERIANA LEVII, A NEW SPECIES OF ARANEIDAE FROM
| BRAZIL (ARANEAE)
Ricardo Pinto-da-Rocha!
Erica Helena Buckup?
ABSTRACT
Wagneriana levii, sp. n., is described based on a male from Usina Hidreletrica de Segredo, Pinhäo,
State of Paraná, Brazil.
KEYWORDS. Araneae, Araneidae, Wagneriana, new species, Neotropical.
INTRODUCTION
The genus Wagneriana F. Pickard-Cambridge, 1904, recently reviwed by LEVI
(1991), included 39 species distributed mainly on Neotropics, except W. tauricornis (O.
P. - Cambridge, 1889) which extends its range to temperate North America (Florida) and
W. spicata (O. P. - Cambridge, 1889) found also in Mexico. From those 39 known species,
24 of them are represented by both sexes, five only from males and ten by females.
A male specimen of Wagneriana levii, sp. n., here described, was collected during
the faunistic studies on the area of the “Usina Hidroelétrica de Segredo (Companhia de
Energia Elétrica do Paraná and Fundação de Estudos Florestais do Paraná)” carried out
by senior author and biologists of Museu de História Natural “Capão da Imbuia”, during
1991 and 1992.
The allocation of the new species in the genus Wagneriana is based on the following
male characters, considered diagnostic by LEVI (1991): paramedian apophysis of palpus
L-shaped rod; terminal apophysis and embolus fused; modified base of the median
apophysis with teeth; one patellar macrosetae on the palpus; endite with a large tooth
facing a tubercle of palpus femur; and one macrosetae on fourth trochanter.
Abbreviations used in the text: AME, anterior median eyes, ALE, anterior lateral
eyes; PME, posterior median eyes; PLE, posterior lateral eyes; p, prolateral; r, retrolateral;
d, dorsal; v, venter. Measurements are in millimeters.
Wagneriana levii, n. sp.
(Eigs. 1, 2)
Holotype. Male, Pinhão (Usina Hidroelétrica Segredo, Barra do Capoteiro), Paraná,
1. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, Caixa Postal 7172, 01064-970, São Paulo, SP, Brasil. (Grant from FAPESP - 91/4054-7).
2. Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal 1188, 90001-970, Porto Alegre, RS, Brasil.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 159 - 161, 29 set. 1995
160 PINTO-DA-ROCHA & BUCKUP
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Figs. 1,2. Wagneriana levii, sp. n., male holotype. 1, dorsal view; 2, left palpus, mesal view. Scale lines fig. Il
1.0 mm; fig. 2, 0.5 mm.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 159 - 161, 29 set. 1995
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Wagneriana levii, a new species... 161
Brazil, 21.11.1992, R. Pinto-da-Rocha col., deposited in the Museu de História Natural
“Capão da Imbuia” (Curitiba, Paraná).
Etymology. The specific name is a patronimic in honor of Dr. Herbert Levi (Museum
of Comparative Zoology), in recognition of his revisionary works on Araneidae.
Diagnosis. The male palpus of W. levii, sp. n., differs from similars, W. transitoria
(C. L. Koch, 1839) and W. tayos Levi, 1991 (LEVI, 1991: 379, 407, figs. 44, 170,
respectively), by the shape of the base of terminal apophysis, the long filiform embolus
arising close to the distal edge of the cymbium and the shape of median apophysis with a
median keel (fig. 2).
Male (fig. 1). Total length 7.50. Carapace: 3.12 long, 2.48 wide; abdomen 4.33
long, 1.89 wide. Cephalic area with white setae. Carapace dark yellow anteriorly, brown
laterally and dark brown posteriorly. Sternum dark yellow. Eyes size and interdistances:
AME 0,12; ALE 0,08; PME 0.12; PLE 0.10; AME-AME 0.16; AME-ALE 0.40; PME-
PME 0.16; PME-PLE 0.52. Abdomen dorsal, with several white and black spots irregularly
distributed; venter, with U-shaped white spot in front of spinnerets. Abdomen truncate
behind spinnerets, dorsally with one anterior and one posterior pairs of tubercles and
three median tubercles posteriorly. Legs yellowish; femurs I-II with ventral black spots;
IV with one large black ring; tibiae I-IV dark yellow. Coxa I with distal retrolateral
apophysis on apex. Trochanter IV with one macrosetae. Legs spination: femura Id 3,p3,
a alia pr 2,v7:11d2,p1,r1; IV, d4,p1,r1,v 11; patellae Hp 2;d 1,r
1; II-IVp1,r1,d1;tibiaeld2,p6,r3,v3;H,d7,r1,v8,(vandrthick); III-IV dl,
p1,r 1, v 6; metatarsi IT d 1; IV d 1,p 1. Femura length: 3.76/3.04/ 1.96/2.76. Patellae:
1.24/ 1.16/ 0.84/ 1.00. Tibiae: 2.72 /2.00 / 1.20/ 1.80. Metatarsi: 2.20/ 2.08/ 1.12/ 1.72.
Tarsı: 0.92/ 0.92/ 0.64/ 0.72. Total: 10.84/ 9.20/ 5.76/ 8.00.
Remarks. The male of W. levii seems no to be conspecific with the ten species
known only by females, regarding the number of abdominal tubercles, all with more than
10 tubercles, except W. turrigera Schenckel, 1953, with eight. The last species may not
belong to the genus, after LEVI (1991). From these species only W. juquia Levi, 1991,
overlap the distribution of W. levii but LEVI (1991) suggested that it might be the female
of W. uropygialis (Mello-Leitäo, 1994).
Acknowledgments. To Dr. Herbert W. Levi for the sugestions; to “Companhia de Energia Elétrica do
Paraná” and “Fundação de Pesquisas e Estudos Florestais do Paraná” for the financial and field support for the
senior author.
REFERENCES
LEVI, H.W. 1991. The Neotropical orb-weaver genera Edricus and Wagneriana (Araneae: Araneidae). Bull.
Mus. Comp. Zool., Cambridge, Mass., 152 (6): 363-415.
Recebido em 20.10.1994; aceito em 09.02.1995.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 159 - 161, 29 set. 1995
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PARATIBRACA, UM NOVO GÉNERO DE PENTATOMINI (HETEROPTERA,
PENTATOMIDAE)!
Luiz Alexandre Campos”
Jocélia Grazia?
ABSTRACT
PARATIBRACA, A NEW PENTATOMINI GENUS (HETEROPTERA, PENTATOMIDAE). A new
monotypical genus, Paratibraca, n. gen., and the type species, P. infuscata, n. sp. from Suriname are described.
A study of the genitalia of both sexes is included. Diagnostic characters of the genera Tibraca Stäl, 1860 and
Paratibraca are provided.
KEYWORDS. Paratibraca, Heteroptera, Pentatomini, Taxonomy, rice.
INTRODUÇÃO
O novo gênero monotípico Paratibraca situa-se dentro do grupo de Pentatomini,
nomeado por ROLSTON & McDONALD (1984) como seção 1, que agrupa aqueles
gêneros que não apresentam um espinho na base ventral do abdome. Paratibraca é pro-
posto com ênfase no estudo da genitália externa e interna de macho e fêmea.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram examinados 14 machos e 17 fêmeas procedentes das Américas Central e do Sul, conservados a
seco. Foram efetuadas medidas em todos os exemplares, obtendo-se média e amplitude para 17 parâmetros
morfológicos. Todas as medidas estão expressas em milímetros.
As placas genitais da fêmea e as faces posterior, dorso-posterior e ventral do pigóforo foram desenha-
das a seco. As genitálias da fêmea e do macho foram clarificadas em hidróxido de potássio (KOH) a 10%, e
coradas em Vermelho Congo para exame das estruturas internas. O pigóforo foi dissecado, com a retirada do
segmento X, do phallus e do parâmero direito. A nomenclatura das peças da genitália seguiu DUPUIS (1955,
1970).
Siglas das coleções e os nomes dos curadores e/ou responsáveis pelo empréstimo do material são cita-
dos entre parênteses. AMNH - American Museum of Natural History, New York, USA (R. T. Schuh); CNPS -
Centro Nacional de Pesquisas da Soja, Londrina, PR, Brasil; DARC - Coleção particular de D. A. Rider,
Department of Entomology, North Dakota State University, Fargo, North Dakota, 58105, USA; FIOC - Funda-
ção Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ, Brasil (J. Jurberg); LHRC - Coleção particular de L. H. Rolston,
1. Parte da Dissertação de Bacharelado em Ciências Biológicas - Ênfase em Zoologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul do primeiro
autor.
2. Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Av. Paulo Gama s/nº, 90046-900 Porto Alegre RS, Brasil. (Bolsista
CNPq).
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 163 - 171,29 set. 1995
164 CAMPOS & GRAZIA
Department of Entomology, Louisiana State University, Baton Rouge, Louisiana, 70803, USA; MCNZ - Mu-
seu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil (H. A. O.
Gastal); MZSP - Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil (U. R. Martins); NHRS
- Naturhistoriska Riksmuseet, Sektionen für Entomologi, Stockholm, Sweden (P. Lindskog); RMHN -
Rijksmuseum van Natuurlijke Historie, Leiden, Netherlands (P. H. van Doesburg); UFRG - Coleção do Depar-
tamento de Zoologia, Universidade Federal do’ Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil (J. Grazia).
Paratibraca, gen. n.
Espécie-tipo: Paratibraca infuscata, sp. n.
Cabeça: mais larga que longa; região anteocular mais longa que larga. Ápice do
clípeo arredondado, ultrapassando as jugas; margens externas das jugas sinuadas e con-
fluentes no ápice. Búculas sinuadas, estendendo-se até a base da cabeça; anteriormente
em pequeno dente triangular, evanescentes posteriormente. Rostro atingindo a base do
abdome; primeiro artículo contido nas búculas. Tubérculos anteníferos encobertos qua-
se totalmente pelas jugas, em vista dorsal. Proporção dos artículos antenais: 1º e 2º artí-
culos quase iguais e correspondendo, cada um, à metade do 3º, este pouco maior que o
4º, sendo o 5º maior que os demais. Pronoto: margem anterior côncava sobre a base da
cabeça; dentículo ântero-apical arredondado e proeminente, lateralmente dirigido. Mar-
gens ântero-laterais côncavas, com uma constrição mediana. Ângulos umerais desen-
volvidos em pequenas projeções de ápice rombo. Prosterno plano, não carenado ou sul-
cado. Escutelo: ângulos basais com pequenas fóveas negras; levemente mais elevado na
região do disco. Mesosterno estreitamente carenado nos dois terços anteriores, sendo
esta carena pouco elevada. Hemiélitros pouco ultrapassando o ápice do 7º segmento
abdominal; ângulo apical do cório estendendo-se até a base do 6º segmento do conexivo.
Metasterno moderadamente côncavo, destituído de carena. Peritrema ostiolar pouco
desenvolvido, subauricular, área evaporatória meso e metapleural bastante rugosa,
enegrecida, ocupando pouco menos da metade basal da metapleura e, na mesopleura,
uma área semi-lunar, mais ou menos ampla junto a margem posterior. Tíbias dorsalmente
sulcadas. Margem posterior do 7° urosternito, nas fêmeas, fortemente côncava.
Genitália do macho: pigóforo ligeiramente estreitado na base, ângulos póstero-
laterais pouco desenvolvidos. Bordo ventral em duplo folheto, um dorsal e outro ventral.
Folheto interno do bordo ventral projetando-se dorsalmente em 1 + 1 projeções cônicas
bem desenvolvidas, alongadas, lateralmente ao décimo segmento. Parâmeros de tama-
nho reduzido. Phallus com vesica, conjuntiva e phallotheca presentes e apresentando
processos.
Genitália da fêmea: margem posterior dos gonocoxitos 8 convexa. Laterotergitos
9 mais longos que os laterotergitos 8. Gonocoxito 9 trapezoidal, margem anterior proje-
tada em 1 + 1 braços laterais afilados, atingindo a margem anterior dos laterotergitos 9.
Segmento X quadrangular. Gonapófises 9 com espessamentos secundários. Espessamento
da íntima vaginal de formato cônico. Ductus receptaculi excepcionalmente alargado
considerando-se a largura do ductus ao nível da área vesicular. Pars intermedialis com
o diâmetro maior que o comprimento. Cristas anulares anterior e posterior conspícuas.
Capsula seminalis semiesférica, destituída de dentes, com o diâmetro muito maior que
o comprimento.
Comentários. O gênero Paratibraca assemelha-se muito ao gênero Tibraca, des-
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 163 - 171, 29 set. 1995
Paratibraca, um novo gênero de Pentatomini... 165
crito por STÁL (1860), por apresentar o mesmo “facies”. A estrutura da cabeça quanto à
forma do clípeo e forma e extensão das jugas, a estrutura do rostro e das antenas e a
forma da genitália masculina (externa e interna), são caracteres compartilhados pelos
dois gêneros. Estes se distinguem pelos seguintes caracteres:
Paratibraca apresenta a cabeça mais larga do que longa, sendo a região anteocular
quase tão larga quanto longa; 5º artículo antenal é o mais longo; margens ântero-laterais
do pronoto côncavas (fig. 1); fêmea com ductus receptaculi de diâmetro pouco menor
do que o diâmetro do ductus na área vesicular, pars intermedialis e capsula seminalis
com o diâmetro maior do que o comprimento (fig. 14); macho com projeções cônicas do
folheto interno do bordo ventral do pigóforo bem desenvolvidas, alongadas (figs. 2-4).
Tibraca apresenta a cabeça mais longa do que larga, sendo a região anteocular
muito mais longa do que larga; 3º artículo antenal é o mais longo; margens ântero-late-
rais do pronoto sub-retilíneas; fêmea com ductus receptaculi de diâmetro muito menor
do que o diâmetro do ductus na área vesicular, pars intermedialis com diâmetro menor
do que o comprimento e capsula seminalis com diâmetro aproximadamente igual ao
comprimento; macho com projeções cônicas do folheto interno do bordo ventral do
pigóforo pouco desenvolvidas, curtas e de forma romba.
Paratibraca infuscata, sp. n.
(Figs. 1-15)
Localidade-tipo: Paramaribo, Paramaribo, Suriname.
Holótipo SG, Suriname, Paramaribo, Paramaribo, 21.X1.1960, P.H.v. Doesburg Jr.
(RMHN), aqui designado.
Coloração de fundo cobre, com pontuações negras; abdome ventralmente com
uma faixa central negra longitudinal e, em alguns exemplares, totalmente negro. Aque-
les com faixa negra, lateralmente com pequenas manchas de formato irregular
esparsamente distribuídas, de coloração cobre a amarelada. Cabeça com duas faixas
longitudinais sem pontuação no occipício. Coloração das antenas de cobre a ocre; 4º e 5º
segmentos cobertos por intensa pilosidade e enegrecidos, exceto junto às articulações.
Pronoto: pontuações uniformemente distribuídas. Cicatrizes pouco evidentes e de colo-
ração ocre, com raras pontuações medianas. Escutelo: uniformemente pontuado; densi-
dade e tamanho das pontuações como no pronoto. Hemiélitros com pontuações virtual-
mente menores que no pronoto e no escutelo, e mais esparsas. Mancha no ápice da veia
radial inconspícua. Conexivo densamente pontuado, pontuações menores em relação às
do resto do corpo. Ângulos póstero-laterais dos segmentos levemente intumescidos.
Pleuras densamente pontuadas, com algumas pontuações confluentes. Fêmures densa-
mente manchados de negro, exceto na base do primeiro e segundo par e na metade basal
do terceiro; extensão das manchas negras variável. Superfície ventral do abdome com
uma conspícua faixa mediana de coloração negra.
Macho (fig. 1). Medidas: comprimento da cabeça 1,57 (1, 48-1,64); largura da
cabeça 1,76 (1,72-1,80); comprimento da cabeça diante dos olhos 0,94 (0,90-1,07); lar-
gura da cabeça diante dos olhos, a meia distância entre a margem anterior dos olhos e o
ápice do clípeo 0,81 (0,74-0,90); distância interocular 0,98 (0,90-1,07); distância olho-
ocelo 0,09 (0,08-0,16); comprimento dos artículos antenais: 1-0,46 (0,41-0,57), II-0,41,
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 163 - 171,29 set. 1995
166 CAMPOS & GRAZIA
III-0,96 (0,78-1,15), IV-0,81 (0,70-0,90), V-1,04 (0,90-1,15); comprimento do pronoto
1,78 (1,56-1,97); largura do pronoto ao nível dos ângulos umerais 5,11 (4,84-5,74);
comprimento do escutelo 3,29 (2,95-3,61); largura basal do escutelo 3,20 (2,87-3,53);
largura do abdome ao nível do ápice do 3º segmento do conexivo 5,10 (4,43-5,49);
comprimento total, do ápice do clípeo até o ângulo apical do 7º segmento do conexivo
8,41 (7,38-9,10).
Fig. 1. Paratibraca infuscata, sp. n. Habitus macho.
Genitália. Pigóforo (figs. 2-8) pouco mais longo que largo, com ligeiro estreitamento
em direção à base, abertura dorso-posterior limitada ao segmento X. Segmento X (figs.
2-4, 8, X) de contorno retangular, pouco acima de sua base com 1 + 1 minúsculas proje-
ções laterais unidas por uma linha (figs. 2-4, cx) que delimita a porção mais esclerotizada,
posterior, do segmento X. Em vista posterior, bordo ventral (figs. 5-7, bv) do pigóforo
escavado entre dois folhetos (figs. 2-4, 8, febv, fibv) o ventral (externo) de contorno
sinuado e o dorsal (interno) quase uniformemente convexo. Folheto interno do bordo
ventral projetado em direção dorsal de 1 + 1 projeções cônicas levemente túmidas (figs.
2-4, pen) de cada lado do segmento X, que recobrem parcialmente os parâmeros e quase
alcançam o bordo dorsal (figs. 2-4, bd). Ápice das projeções cônicas mais esclerotizado
que o restante da estrutura. Variações: sinuosidade do folheto externo do bordo ventral
desde arredondada, até aguçada ou diminutamente bífida na extremidade (figs. 2-7, febv).
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 163 - 171, 29 set. 1995
Paratibraca, um novo gênero de Pentatomini... 167
febv
EZ
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Fe Pupa:
imm.
\ Em:
N 9
—— Ne
0,5mm
Figs. 2-9. Paratibraca infuscata, sp. n., macho. Pigóforo: 2-4, vista dorso-posterior; 5-7, vista ventral da região
apical; 8, vista posterior. Parâmero: 9, parâmero direito, vista ântero-dorsal. bd, bordo dorsal; bv, bordo ventral; cx,
carena transversal do segmento X; febv, folheto externo do bordo ventral; fibv, folheto interno do bordo ventral; par
parâmero; pcn, projeções cônicas do folheto interno do bordo ventral; X, segmento X. Figs. 2-8 mesma escala.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 163 - 171,29 set. 1995
168 CAMPOS & GRAZIA
Ápices das projeções cônicas poderão apresentar ligeiras diferenças em seu formato,
determinando um maior ou menor distanciamento do bordo dorsal (figs. 2-4, bd, pcn).
Ângulos póstero-laterais do pigóforo com variação no contorno, desde uniformemente
arredondados a um pouco mais obtusos (figs. 2-7).
Parâmeros (figs. 2-4, par; fig. 9) reduzidos, de contorno quadrangular em vista
ântero-dorsal; superfície dorsal com raros pêlos.
Phallus (figs. 10-12): placas basais (fig. 10, plb) do aparelho articular quase tão
largas quanto a phallotheca e pouco mais curtas do que esta. Conetivos dorsais delga-
dos, processus capitati (fig. 11, pc) curtos, discóides e amplos quando comparados à
phallotheca. Phallotheca com dois pares de processos (fig. 10, ph), 1+1 junto à base
(figs. 11, 12, prphl) e 1+1 apicais situados no lado ventral (figs. 10, 12, prph2),
digitiformes e encobrindo a base do processo ventral da vesica (fig. 10, prvv). Conjuntiva
com 2 pares de processos: 1+1 ventrais, digitiformes, cuja extremidade se dobra em
direção dorsal (figs. 10, 12, prel); e um amplo processo situado dorso-lateralmente que
se expande de cada lado do processo da vesica em estruturas túmidas de ápice bífido e
esclerotizado (figs. 11-12, prc2). Vesica, na base, com um único processo dorsal (figs.
11, 12, prvd), cujo contorno sugere um “pé-de-pato”, que abraça quase a metade do
ductus seminis distalis; e um processo ventral membranoso, com margem posterior em
“V”, que abraça posteriormente a base da vesica no lado ventral (fig. 10, prvv). Ductus
seminis distalis alongado, voltado para o lado dorsal (fig. 12, ds).
Fêmea. Medidas: comprimento da cabeça 1,68 (1,48-1,80); largura da cabeça 1,86
(1,76-1,97); comprimento da cabeça diante dos olhos 1,00 (0,90-1,07); largura da cabe-
ça diante dos olhos, a meia distância entre a margem anterior dos olhos e o ápice do |
clípeo 0,86 (0,82-0,90); distância interocular 1,06 (0,98-1,15); distância olho-ocelo 0,08;
comprimento dos artículos antenais: 1-0,53 (0,49-0,57), 11-0,43 (0,41-0,49), HI - 1,00
(0,82-1,23), TV-0,83 (0,74-0,90), V-1,06 (0,98-1,15); comprimento do pronoto 1,82 (1,56-
2,21); largura do pronoto ao nível dos ângulos umerais 5,50 (5,00-6,31); comprimento
do escutelo 3,57 (3,20-3,94); largura basal do escutelo 3,43 (3,03-3,77); largura do ab-
dome ao nível do ápice do 3º segmento do conexivo 5,51 (5,00-6,31); comprimento
total, do ápice do clípeo até o ângulo apical do 7º segmento do conexivo 9,28 (8,61-
10,09).
| Genitália. Placas genitais, em especial os laterotergitos 8 e 9 (la8, la9) e os
gonocoxitos 8 (gc8), com pontuação grosseira. Margem posterior dos gonocoxitos 8
convexa, com a metade apical levemente sinuosa, bordos suturais finamente carenados
e justapostos em toda a sua extensão. Disco dos gonocoxitos 8 túmido. Apice dos
laterotergitos 8 arredondado. Laterotergitos 9 ultrapassam ligeiramente a banda trans-
versal que une os laterotergitos 8; ápice dos laterotergitos 9 arredondado; comprimento
com cerca de duas vezes a largura (fig. 14). Orificium receptaculi (or) com abertura em
fenda transversal. Espessamentos secundários da gonapófise 9 (esg) de contorno
subtriangular e localizados ao nível das chitinellipsen (ch). Ductus receptaculi (dr)
quase uniformemente alargado desde o orificium receptaculi até a crista anular posteri-
or, não havendo diferença entre a largura do ductus nas regiões anterior e posterior à |
área vesicular. Crista anular anterior (caa) voltada para o ductus receptaculi. Pars
intermedialis (pi) muito ampla, cilíndrica, com diâmetro maior que o da capsula
seminalis (cs), esta última semiesférica (fig. 13).
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 163 - 171, 29 set. 1995
Paratibraca, um novo gênero de Pentatomini... 169
Figs. 10-14: Paratibraca infuscata, sp. n. macho, phallus: 10, vista ventral; 11, dorsal; 12, lateral. Fêmea: 13,
placas genitais, receptaculum seminis e Ausenwand, ventral, 14, placas genitais, vista ventral. caa, crista anular
anterior; cap, crista anular posterior; ch, chitinellipsen; cs, capsula seminalis; dr, ductus receptaculi; ds, ductus
seminis distalis; eiv, espessamento da íntima vaginal; ejr, ejaculatory reservoir; es, espiráculo; esg, espessamento
secundário da gonapófise 9; g9, gonapófise 9; gc8; gonocoxito 8; gc9, gonocoxito 9; la8, laterotergito 8; la9,
laterotergito 9; or, orificium receptaculi; pc, processus capitati; ph, phallotheca; pi, pars intermedialis; plb,
placa basal; prcl, processo 1 da conjuntiva; prc2, processo 2 da conjuntiva; prphl, processo 1 da phallotheca; prph2,
processo 2 da phallotheca; prvd, processo dorsal da vesica; prvv, processo ventral da vesica; VII, 7º segmento; X -
segmento X. Figs. 10-12 mesma escala; barra = 0,5 mm.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 163 - 171,29 set. 1995
170 CAMPOS & GRAZIA
Distribuição. Panamá: Chiriqui; Trinidad-Tobago; Suriname: Suriname; Colôm-
bia: Satander, Valle, Tolima, Meta; Brasil: Amazonas, Pará, São Paulo; Peru: Loreto;
Bolívia: Santa Cruz (fig. 15).
Fig. 15: Distribuição geográfica de Paratibraca infuscata, sp. n.
Material examinado. Parátipos: PANAMÁ: Chiriqui: David, 2 2, 14.VII.1982, col. E. Voguel, on rice
plants (LHRC). TRINIDAD-TOBAGO: Curepe, 19, 18.VI1.1984, sem coletor (LHRC). SURINAME: Clevia,
19, 12.V.1960, P.H.v. Doesburg Jr., on rice (UFRG); Suriname: Paramaribo 19, 15.1.1958, P. H. v. Doesburg Jr.
(UFRG); 19, 27.1.1958, idem (RMHN); 19, 21.1X.1958, idem (MCNZ); 1C', 27.1.1958, idem, (RMHN); 19,
7.N11.1961, idem, on rice (RMHN); 19, 20.X.1963, T. W. Renenga (UFRG). COLÔMBIA: Satander: Puerto
Berrio, 19, 4.1X.1921, Tibraca obscurata Bergr. det. H. Ruckes 1963 (AMNH); Valle: Jamundi, 19, 1&, 2.V1.1989,
Alvaro Baena, leg., ex. Oryza sativa, EA-9-89, Tibraca obscurata Bergroth, det. D. A. Rider 1989 (DARC);
19, 27.V1.1989, idem, EA-87-89 (DARC); Tolima: Espinal, 29, 24.1.1960, M. Revelo, arroz (DARC); Meta:
Peralonso, 19, 4.IX.1957, L. Posada, arroz (AMNH). BRASIL: Pará: Belém, 1C', 19.11.1979, Bonifácio col.,
folha arroz (UFRG); Amazonas: Lago do Rei, 16, Ilha do Careiro, 12.1V.1967, Exp. Perm. Amaz. (MZSP);
Rio Japurá, 1$, Roman (NHRS); Manaus, 19, 1C', 21.11.1988, M. V. Garcia col. (CNPS); 19, 25, idem (MCNZ);
Manaus, Igarapé do Catalão, 19, 1C', 1.11.1956, Elias e Roppa col. (FIOC); São Paulo: Estrada velha Santos -
São Paulo, km 47, 16, 11.1957, Werner col. (MZSP). PERU: Loreto: Jenaro Herrera, 4°55’s 73°40’w, 19,
11.1X.1987, G. Coutier & H. Inga col., plante-höte: Oryza sativa (LHRC); IC‘, 9.IX.1987, idem (LHRC).
BOLÍVIA: Santa Cruz: 6km N Warnes, 19, 14.V.1980, Don Foster, ex water lettuce (LHRC).
Discussão. Durante os estudos efetuados, percebeu-se a existência de variações
morfológicas na genitália, especialmente de machos, demonstrando uma certa plasticidade
entre diferentes populações de Paratibraca, fato incomum em Pentatomini.
Entre os exemplares examinados neste estudo, três foram identificados por D. A.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 163 - 171, 29 set. 1995
Paratibraca, um novo gênero de Pentatomini... 171
Rider e um por H. Ruckes como Tibraca obscurata Bergroth, 1914. A descrição de T.
obscurata, baseada em uma fêmea procedente da Guiana Francesa, é bastante vaga e
reduzida a poucos caracteres morfológicos, o que dificulta o reconhecimento desta espé-
cie. No tocante à proporção entre os artículos antenais, percebe-se uma sensível diferen-
ça entre os exemplares de P. infuscata e o que é descrito para T. obscurata. BERGROTH
(1914) mencionou que em T. obscurata o 3º artículo antenal é pouco maior que o dobro
do 2º, o 4º pouco maior que o 1º e o 5º muito menor. Em P. infuscata os artículos antenais
le 2 são aproximadamente iguais, o 4º é o dobro do 2º, o 3º é pouco maior que o 4º e,
o 5º, é maior que o 3°. BARBER (1941) e LIMA (1947) apenas registraram T. obscurata
como procedente da Guiana Francesa. Apesar de contatos mantidos com vários museus
no exterior desde 1992, com vistas à localização do tipo desta espécie, até o momento
estas buscas têm-se mostrado infrutíferas. Uma análise minuciosa dos caracteres
morfológicos dos espécimes aqui estudados mostrou a impossibilidade de incluir esta
espécie no gênero Tibraca; porém apenas com o exame do tipo de T. obscurata poder-
se-á fazer uma avaliação definitiva quanto a validade de P. infuscata.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBER, H.G. 1941. Anew species of Tibraca, injurious to rice in Ecuador. Proc. ent. Soc. Wash., Washing-
ton, 43: 110-111.
BERGROTH, E. 1914. Pentatomidae noveaux de la Guyane Française. Annls soc. ent. Fr., Paris, 83: 431-432.
DUPUIS, C. 1955. Les genitalia des Hémiptéres (genitalia externes des deux sexes, voies ectodermiques
femmeles). Mem. Mus. natn. Hist. nat. Paris, (A) (Nouvelle Serie), Paris, 6 (4): 183-278.
— —. 1970. Heteroptera. In: TUXEN, S. L. ed. Taxonomist’s Glossary of Genitalia of Insects. Munksgaard-
Copenhagen, p. 190-208.
LIMA, A.M.C. 1947. Notas sobre alguns pentatomideos. Anais Acad. bras. Cienc., Rio de Janeiro, 19 (4):
311-313.
ROLSTON, L. H. & McDONALD, F.J.D. 1984. A conspectus of Pentatomini of the Western Hemisphere. Part
3 (Hemiptera: Pentatomidae). Jl. N. Y. ent. Soc., New York, 92(1): 69-86.
STÄL, C. 1860. Bidrag till Rio de Janeiro - traktens Hemipterfauna. K. svenska Vetensk Akad. Handl.,
Stockholm, 2 (7): 18.
Recebido em 19.07.1994; aceito em 01.11.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 163 - 171,29 set. 1995
NOTA CIENTÍFICA
A NEW COMBINATION AND A NEW SYNONYMY IN NEOTIBILIS GRAZIA
& BARCELLOS, 1994 (HETEROPTERA, PENTATOMIDAE, PENTATOMIND
KEYWORDS. Neotibilis, synonymy, systematics, Pentatomidae.
Tibilis chiapensis Thomas & Braylovsky, 1993 is transferred to the genus Neotibilis as a senior synonym
of Neotibilis (N.) mexicana Grazia & Barcellos, 1994. In the revision of the genus Tibilis Stál, 1860
(BARCELLOS & GRAZIA, 1993) seven of the eleven nominal species were removed from it, two new species
were added, and one was treated as incertae sedis. GRAZIA & BARCELLOS (1994) proposed a new genus,
Neotibilis with two subgenera, to include the seven species transferred from Tibilis plus seven described as
new; among the latter Neotibilis (N.) mexicana from Ruínas de Bonampak, Chiapas, Mexico. Almost at the
same time and without examining the type specimens of the so far known species of Tibilis, THOMAS &
BRAILOVSKY (1993) described Tibilis chiapensis with Bonampak, Chiapas as type locality. These authors
considered that the critical differences between species in Tibilis are found in the genitalia, based on the
examination of specimens of T. parva (Distant, 1890) and two other South American species, one of them
probably T. subconspersa Stäl, 1860. |
Comparing the descriptions, illustrations, comments and type-locality of T. chiapensis and N. (N.) me-
xicana we conclude that they are the same species, then establishing the latter as a junior synonym of N. (N.)
chiapensis.
REFERENCES
BARCELLOS,A. & GRAZIA, J. 1993. Revisão de Tibilis Stäl, 1860 (Heteroptera, Pentatomidae, Pentatomini).
An. Soc. ent. Brasil, Porto Alegre, 22 (1): 183-208.
GRAZIA, J. & BARCELLOS, A. 1994. Neotibilis, um novo gênero de Pentatomini (Heteroptera). Iheringia,
Sér. Zool., Porto Alegre, (76): 55-94.
THOMAS, D. B. & BRAILOVSKY, H. 1993. The genus Tibilis Stäl in Mexico desmpgn Pentatomidae).
Pan-Pacif. Ent., San Francisco, 69 (3): 199-204.
GE
JOCELIA GRAZIA & ALINE BARCELLOS. Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Av. Paulo Gama s/nº, 90046-900 Porto Alegre, RS, Brasil. (Bolsistas CNPq e CAPES, respec-
tivamente).
Recebido em 28.09.1994: aceito em 30.11.1994.
Iheringia, Ser. Zool., Porto Alegre, (79): 172, 29 set. 1995
NOTA CIENTÍFICA
NOTES ON A SOUTHERN RECORD FOR SOLENOPSIS GEMINATA
(HYMENOPTERA: FORMICIDAE)
KEYWORDS. Ant, Brazil, Biogeography, distribution.
Three nests of the fire ant, Solenopsis geminata (Fabricius, 1804) were collected in the city of Viçosa,
Minas Gerais, Brazil in February, 1994. This represents the southernmost record for $. geminata, which had
been recorded for Bahia and possibly Espírito Santo (KEMPF, 1972). In Viçosa, S. geminata is sympatric with
the more abundant, and closely related (TRAGER, 1991) Solenopsis saevissima (Fr. Smith, 1855). The S.
geminata workers from Viçosa are relatively very black, unlike forms from more northern sites. As nests were
only found within the city and not in nearby agricultural areas, it is hypothesized that this population was
introduced, possibly from Bahia through the transport of potted plants. This fire ant is a known tramp species,
with introduced populations being found in India, and the Galapagos Islands (KEMPF, 1972) at populations
which produce economic damages (PASSERA, 1994). This species probably is not able to colonize extensive
areas in the south of Brazil due to the presence of S. saevissima. However, this finding suggests that the
potential for introductions into residential areas exists, and that this species may possibly become an urban
pest.
Interestingly, the phorid parasite Pseudaceton curvatus Borgmeier, 1925, was found to hover both S.
saevissima and S. geminata. Whither this phorid is a parasitoid of S. geminata is thus uncertain, but apparently
the species are sufficiently similar to elicit search behavior by the phorid. This species is a known parasitoid of
S. saevissima (PESQUERO et al., 1988), although no ovipositional attacks were seem against S. geminata.
This may imply that the phorid could distinguish differences between species, and may be highly host-specific.
Acknowledgments. To Evaldo Vilela and Therezina Della Lucia for their assistance during our field work in Viçosa, and the Universida-
de Federal de Viçosa for laboratory support. Studies were funded by the U.S.D.A. Maria Thereza Fink provided additional assistance, and an
anonymyous reviewer greatly helped to clarify the text.
REFERENCES
KEMPF, W.W. 1972. Catálogo abreviado das formigas da Região Neotropical (Hym.: Formicidae). Studia
ent., Petrópolis, 15: 3-344.
PASSERA, L. 1994. Characteristics of tramp species. In: WILLIAMS, D. F. ed. Exotic ants: biology, impact
and control of introduced species. Boulder, Westview p. 23-43.
PESQUERO, M. A.; CAMPIOLO, S. & FOWLER, H. G. 1993. Phorids (Diptera: Phoridae) associated with
mating swarms of Solenopsis saevissima (Hymenoptera: Formicidae). Fla. Entomol., Gainesville 76: 179-
181.
TRAGER, J.C. 1991. A revision of the fire ants, Solenopsis geminata group (Hymenoptera: Formicidae:
Myrmicinae). Jl. N. Y. Entomol. Soc., New York, 99: 141-198.
HAROLD G. FOWLER!; SOFIA CAMPIOLO!; MARCOSA. PESQUERO! & SANFORD D. PORTER?
(1. Departamento de Ecologia, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, 13506-900 Rio Claro,
SP, Brazil; 2. Medical and Veterinary Entomology Research Laboratory, United States Department of Agriculture,
Gainesville, FL, USA 32604).
Recebido em 28.07.1994; aceito em 24.11.1994.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 173, 29 set. 1995
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NOTA CIENTÍFICA
RANGE EXPANSION OF THE PALE-BREASTED THRUSH TURDUS
LEUCOMELAS (AVES, TURDIDAE) IN RIO GRANDE DO SUL, BRAZIL.
KEYWORDS. Turdus leucomelas, distribution, southern Brazil, range expansion.
The Pale-breasted Thrush Turdus leucomelas Vieillot, 1818 is widespread in South America, ranging
from northern Colombia south to northeastern Argentina (RIDGELY & TUDOR, 1989). In Rio Grande do Sul,
Brazil, it was previously known only from the northwestern area, where it is reported to be a common species
of forests, especially near the Uruguay River (BELTON, 1985). Here we present several new records from the
eastern and central parts of the State.
On the outskirts of Lajeado, campus of the Fundação Alto Taquari de Ensino Superior - FATES
(2926'37"S, 51º57'24"W), three or so Pale-breasted Thrushes were moving actively through the thick natural
understory of eucalyptus woodland on 16 September and first and 28 October 1991, but the forest was cut later
on and the birds were not seen again. About 1.5 km south of the center of São Leopoldo (Morro do Espelho,
29°45°S, 51°08’W), W. A. Voss and V. E. Tampson (personal communication) found the Pale-breasted Thrush
on 24 and 29 September and on 20 October 1991. This 19 ha area includes a small patch of native forest, parks
and orchards, besides many buildings (TAMPSON, 1990). In 1992, we recorded T. leucomelas in two other
sites at S. Leopoldo. On 12 March, one was sighted in a 15.5 ha old-growth woodlot just north of the town
(“Mata do Daniel” State Reserve). This site lies only 200m from a highway with intense traffic. On first April
and thereafter, two individuals were observed in another old-growth woodlot (1.5 ha) near the center of town
(Henrique Roessler Municipal Reserve). Moreover, a nesting pair was noticed there on 29 September. The
female was carrying nesting material to a crotch high in a tree while the male sang nearby. Surprisingly, the
species was not recorded elsewhere from S. Leopoldo, despite concurrent field work at several places, including
suitable habitats outside the urban boundaries of the town.
On 22 January 1994, we saw a lone individual in a narrow eucalyptus plantations (2.5 ha) isolated by
open field 300 m north of Capão Bonito village (28º58'20"S, 53º15'26"W), municipality of Fortaleza dos
Valos. Surrounding areas were extensive grasslands with dispersed natural woods (“capões”) and eucalyptus
plantations. A voice record was obtained from shrubby vegetation alongside a road near the locality of Depó-
sito (28º55'08"S, 52º48'38"W), in the municipality of Espumoso, on 17 January 1994.
Except for records at Capão Bonito and Espumoso, which are less than 100km far from the previously
known range of T. leucomelas in Rio Grande do Sul and might be sites where the species was overlooked in the
past, all other records were in urban areas in habitats strongly affected by human activity. At these sites, the
species occupied small, fairly dense woodlots, exceptyat Morro do Espelho, where the birds were in the open.
Such a range extension is not to be expected for a forest and forest-edge dweller, though the species is elsewhere
known from parks, town squares and gardens (ANTAS & CAVALCANTI, 1988; NAROSKY & YZURIETA,
1993). Escaped or released cagebirds are unlikely to be involved since at least some records were simultaneous
and distant from each other. Natural dispersal via cities and towns does not seem out of the question. In Europe,
where the process of urbanization of the Blackbird Turdus merula has been documented over the last 150
years, evidence suggests that the offspring of this species undergo a phase of habitat imprinting after leaving
the nest and that urban areas as a rule have been colonized by urban individuals (LUNIAK & MULSOW,
1988).
Another plausible explanation (E. O. Willis, personal communication) is that this dry-forest, light
woodland thrush may be expanding over partially or extensively deforested, formerly more humid, areas in
Rio Grande do Sul, in another case of human-created “desert-like” conditions allowing the spread of birds of
open or dry zones (WILLIS & ONIKI, 1987; ALVARENGA, 1990; WILLIS, 1991). However, this hypothesis
does not apply to birds of S. Leopoldo, where suitable habitats were available for the species also outside urban
areas. In contrast to natural woodlands, urban woodlots might lack predators as well as competing omnivores
and frugivores, a fact that would help explain the presence of this species mainly at these restricted sites rather
than in a broader range of habitats at. S. Leopoldo and Lajeado.
At least in eastern Rio Grande do Sul, the Pale-breasted Thrush range extension seems to be a recent
event. Several surveys of birds of S. Leopoldo, even recent ones, do not include the species (SANDER &
VOSS, 1984; TAMPSON, 1990). From Lajeado, there have been occasional observations at FATES since 1991
and in the neighboring municipality of Estrela since 1983. No specific surveys have been reported for the
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 175-176, 29 set. 1995
NOTA CIENTÍFICA &
remaining areas. This thrush should be looked for hereafter in areas between our sites, especially along the
upper Jacuí valley, in Central Depression, and in cities and towns around S. Leopoldo and Lajeado.
Acknowledgments. To Walter A. Voss and Vänia E. Tampson for information on T. leucomelas at
Morro do Espelho, and E. O. Willis, Y. Oniki and W. A. Voss for helpful comments on the manuscript. To the
city government of Säo Leopoldo, 1989-1992, for support for the field work.
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rais, Fundação Alto Taquari de Ensino Superior, Caixa Postal 155, CEP 95900-000 - Lajeado, Rio Grande do
Sul, Brazil, respectively.
Recebido em 20.05.1994: aceito em 23.03.95.
Iheringia, Sér. Zool., Porto Alegre, (79): 175 - 176, 29 set. 1995
CONSULTORES DO NÚMERO 79
e Ana Maria de Souza Oliveira, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
* Amo Antônio Lise, Instituto de Biociências, PUC-RS, Porto Alegre, RS
« Carlos Emílio Bemvenuti, Depto. de Biologia - Bentos, FURG, Rio Grande, RS
e Carlos Ribeiro Vilela, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
e Carlos Roberto Brandão, Museu de Zoologia, USP, São Paulo, SP
e Dieter Vittmann, Instituto de Biociências, PUC-RS, Porto Alegre, RS
* Edmundo Ferraz Nonato, Instituto Oceanográfico, USP, São Paulo, SP
e Gilberto Righi, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
e Hilda de Souza Lima Mesquita, Instituto Oceanogräfico, USP, São Paulo, SP
* Jayme Loyola e Silva, Departamento de Zoologia, UFPR, Curitiba, PR
º João M. F. Camargo, FFCLRP, USP, Ribeirão Preto, SP
* João Oldair Menegheti, Instituto de Biociências, UFRGS, Porto Alegre, RS
« José Albertino Rafael, Coordenação de Pesq. em Entomologia, INPA, Manaus, AM
e José Willibaldo Thomé, Instituto de Biociências, PUC-RS, Porto Alegre, RS
* Luiz Carlos Alvarenga, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ
* Luiz Flamarion Oliveira, Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ
e Maria Cristina Pinedo, Departamento de Oceanografia, FURG, Rio Grande, RS
e Miguel Petrere Júnior, Instituto de Biociências, UNESP, Rio Claro, SP
* Miriam Becker, Instituto de Biociências, UFRGS, Porto Alegre, RS
* Nilton José Hebling, Instituto de Biociências, UNESP, Rio Claro, SP
* Osmar Malaspina, Instituto de Biociências, UNESP, Rio Claro, SP
e Pablo Penchaszedeh, Universidad Simón Bolívar, Caracas, Venezuela
e Patrícia Miloslavich, Universidad Simón Bolívar, Caracas, Venezuela
* Sérgio Antônio Vanin, Instituto de Biociências, USP, São Paulo, SP
° Sylvia M. Lucas, Instituto Butantan, São Paulo, SP
* Vera Maria F. da Silva, Lab. de Mamíferos Aquáticos, INPA, Manaus, AM
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