ISSN 0073
MIBUAH
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
COORDENADORIA DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS
INSTITUTO BUTANTAN
SÃO PAULO, SP - BRASIL
Memórias
do
Instituto
Butantan
9901
vol. 44/45 - 1980/81
GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO
José Maria Marin
SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE
Denir Zamariolli
COORDENADOR DA COORDENADORIA DE SERVIÇOS
TÉCNICOS ESPECIALIZADOS
Otávio de Azevedo Mercadante
REDATOR RESPONSÁVEL
Bruno Soerensen Cardozo
Diretor Substituto do Instituto Butantan
COMISSÃO EDITORIAL
Jesus Carlos Machado, Presidente
Alphonse Richard Hoge
Lauro Pereira Travassos Filho
SECRETÁRIA — REDATORA
Carmen Aleixo Nascimento
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÜDE
COORDENADORIA DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS
INSTITUTO BUTANTAN
SÃO PAULO, SP — BRASIL
1982
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Mem. Inst. Butantan
U/45, 1980/81
INSTRUÇÕES AOS AUTORES
1. FINALIDADE
As MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN são publicadas sob a
orientação da Comissão Editorial, sendo que os conceitos emitidos são de
inteira responsabilidade dos autores. Têm por finalidade a apresentação
de trabalhos originais que contribuam para o progresso nos campos da
Biologia e da Medicina, elaborados por especialistas nacionais e estran¬
geiros que se enquadrem no Regulamento dos Trabalhos.
2. REGULAMENTO DOS TRABALHOS
2.1 Normas gerais
2.1.1 Os trabalhos devem ser inéditos e destinar-se exclusivamente
à revista “MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN”.
Os artigos de revisão serão publicados a convite da Comissão Editorial.
2.1.2 Estrutura do trabalho
2.1.2.1 Elementos 'preliminares
a) cabeçalho — titulo do trabalho e nome do autor(es);
b) filiação científica e endereço para correspondência.
2.1.2.2 Texto
Sempre que possível deve obedecer à forma convencional do artigo
científico:
a) Introdução — Estabelecer com clareza o objetivo do trabalho
relacionando-o com outros do mesmo campo e apresentando de forma
sucinta a situação que se encontra o problema investigado. Extensas
revisões de literatura devem ser substituídas por referências aos traba¬
lhos mais recentes, onde tais revisões tenham sido apresentadas.
b) Material e métodos — A descrição dos métodos usados deve limi¬
tar-se ao suficiente para possibilitar ao leitor a perfeita compreensão e
repetição dos métodos; as técnicas já descritas em outros trabalhos devem
ser referidas somente por citação, a menos que tenham sido consideravel¬
mente modificadas.
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c) Resultados — Devem ser apresentados com clareza e, sempre que
necessário, acompanhados de tabelas e material ilustrativo adequado.
d) Discussão — Deve restringir-se à apresentação dos dados obti¬
dos e dos resultados alcançados, relacionando-se novas contribuições aos
conhecimentos anteriores. Evitar hipóteses ou generalizações não baseadas
nos resultados do trabalho.
e) Conclusões — Devem ser fundamentadas no texto.
Dependendo do assunto do artigo, as divisões acima poderão ser modi¬
ficadas de acordo com o esquema do trabalho, porém, o artigo deve conter
obrigatoriamente:
— Introdução;
— Desenvolvimento do tema (com as divisões a critério do autor);
— Conclusão.
2.1.2.3 Agradecimentos
Devem ser mencionados antes das referências bibliográficas.
2.1.2.4 Material de Referência
Todo trabalho deve vir obrigatoriamente acompanhado de:
a) Resumos — Um no mesmo idioma do texto, outro em inglês,
redigidos pelo(s) próprio (s) autor (es), devendo expressar o conteúdo
do artigo, salientando os elementos novos e indicando sua importância.
O resumo na língua em que está redigido o trabalho deve ser colocado
antes do texto e o em inglês, no final. Só excepcionalmente excederá a
200 palavras. Os títulos dos trabalhos devem ser traduzidos para o inglês
e vice-versa.
b) Palavras-chave — Correspondendo a palavras ou expressões que
identifiquem o conteúdo, devem ser em número necessário para a completa
descrição do assunto e assinaladas com asteriscos (*) as 3 palavras-chave
principais. Para escolha das palavras-chave usar o vocabulário protótipo
do campo especializado.
c) Referências bibliográficas — Devem ser incluídas no texto e
arranjadas em ordem alfabética do sobrenome do autor, numeradas conse¬
cutivamente.
Periódico:
MACHADO, J. C. & SILVEIRA F.°, J. F. Obtenção experimental
da pancreatite hemorrágica aguda no cão por veneno escorpiônico. Mem.
Inst. Butantan, JfO/Jtl :l-9, 1976/77.
Livro:
BIER, O. Bacteriologia e imunologia. 18 ed. São Paulo, Melho¬
ramentos, 1977.
As citações no texto devem ser em números-índice correspondendo às
respectivas referências bibliográficas.
Exemplos:
As investigações sobre a fauna flebotomínica no Estado de São Paulo,
foram feitas em várias ocasiões 1, 3, 4,. método
derivado de simplificação de armadilha de Disney ^ (1968)...
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Referências hibliográficas (correspondentes aos números-índice).
1. BARRETO, M. P. Observações sobre a biologia em condições na¬
turais dos flebótomos do Estado de São Paulo (Diptera, Psycho-
didae). São Paulo, 1943 (Tese — Doutoramento — Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo).
2. DISNEY, R. H. L. Observations on a zoonosis: leishmaniosis in
British Honduras. J. app. Ecol., 5:1-19, 1968.
3. FORATTINI, O. P. Algumas observações sobre a biologia dos
Flebótomos (Diptera, Psychodidae) em região da bacia do Rio
Paraná (Brasil). Arq. Fac. Hig. S. Paulo, 5:15-136, 1954.
3. NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DOS ORIGINAIS
3.1 Datilografia
Os originais devem ser datilografados em 3 (três) vias, com espaço
duplo, em uma só face, mantendo as margens laterais com aproximada¬
mente 3 cm. Todas as páginas devem ser numeradas consecutivamente,
com algarismos arábicos, no canto superior direito.
3.2 Tabelas
Devem ser numeradas consecutivamente com algarismos arábicos e
encabeçadas pelo seu título. Os dados apresentados em tabelas não devem
ser, em geral, repetidos em gráficos. As notas de rodapé das tabelas
devem ser restritas ao máximo possível e referidas por asteriscos.
3.3 Ilustrações
3.3.1 Desenhos e gráficos
3.3.1.1 Devem ser feitos com tinta nanquim preta, em papel
Schoeller Hammer 3G e 4G. Não usar papel vegetal porque este retrai
com 0 calor e abranda com o frio, e o nanquim tende a ficar mais falhado,
devido à porosidade do papel vegetal. Na impressão as ilustrações tendem
a ter ligeira deformidade e traços levemente acinzentados, sobretudo os
gráficos saem totalmente fora de esquadro.
3.3.1.2 O tamanho, quando ocupar página inteira, deve seguir rigo¬
rosamente estas medidas 12,6 x 19,8 cm ou 16,8 x 26,3 cm ou 21 x 33 cm
ou 25,2 X 39,6 cm, pois em geral as gráficas com as quais nós trabalhamos,
têm um determinado tamanho de letra e as ilustrações precisam ser pro¬
porcionais a estes tamanhos existentes. Para uma boa reprodução, não
precisa ser maior, pois sendo maior perde muitos detalhes na redução.
3.3.1.3 Aplicar cola no verso do desenho ou do gráfico só na mar¬
gem superior, numa faixa de aproximadamente 1 cm e colar sobre um
cartão um pouco maior.
3.3.1.4 Para melhor proteção, cobrir com papel vegetal de compri¬
mento um pouco maior, de maneira a poder ser dobrado para trás na
parte superior e colado.
3.3.2 Fotografias
3.3.2.1 Devem ser bem nítidas e contrastadas, pois fotos muito
acinzentadas dão péssima impressão.
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3.3.2.2 Devem vir soltas dentro de um envelope.
3.3.2.3 Devem ser entregues inteiras e não recortadas, em papel
fotográfico liso. 0 papel fotográfico crespo (martelado) dá péssima
reprodução.
3.3.2.4 0 tamanho é muito importante. Uma foto para ganhar
mais qualidade na impressão necessita sempre sofrer redução. Portanto,
mandem fotos sempre de tamanho maior do que o que vai ser impresso.
Ex.: para página inteira fotos 18 x 24 cm, para meia página fotos 18 x
12 cm.
3.3.2.5 Colocar um papel vegetal em cima da foto que tiver qual¬
quer anotação a ser feita, ou simplesmente para limitar a parte importante
a ser usada. Tomar muito cuidado para não pressionar o lápis ou caneta,
a fim de não marcar a foto. Não colocar letras ou números sobre as fotos.
3.3.3 Os textos e números que completam os desenhos, gráficos e
fotos devem ser feitos em manuscrito legível ou datilografado (os alga¬
rismos sempre em arábicos) direto sobre o papel vegetal que foi colocado
para proteção (não pressionar a fim de não marcar as ilustrações) ou
em papel branco e colocado no papel vegetal, pois os textos e números
serão feitos em tipos gráficos.
3.3.4 A numeração dos desenhos, gráficos e fotos será feita com
algarismos arábicos na parte inferior do papel vegetal, não importando
se é foto, desenho ou gráfico. Seguir sempre com uma numeração só.
Ex.: Um trabalho que tenha 2 fotos, 1 gráfico e 1 desenho seguem com
a numeração (fig. 1), (fig. 2), (fig. 3), e (fig. 4), se as 2 fotos vão
numa página só, colocar na parte inferior (figs. 1 e 2) e determinar em
cima da foto (no papel vegetal) qual é (fig. 1) e qual é (fig. 2). Quanto
aos demais elementos necessários à identiúcação das ilustrações (nome
do autor e título do trabalho) devem ser escritos atrás do cartão em que
as mesmas estiverem colocadas.
3.3.5 As legendas devem ser apresentadas à parte em folhas datilo¬
grafadas, constando a numeração correspondente à ilustração. Ex.: Fig. 1
— Legenda,
A Revista admite até 6 clichês (branco e preto) no texto, para cada
trabalho, devendo os demais serem pagos pelo autor. Para clichês colori¬
dos deverá haver prévia combinação entre a Comissão Editorial e o autor.
De cada trabalho serão impressas 100 (cem) separatas, devendo o
autor pagar as separatas que excedam a esse número, quando solicitar
uma quantidade maior. As separatas em excesso devem ser solicitadas
quando o manuscrito for encaminhado à Comissão Editorial.
Os trabalhos poderão ser redigidos, além da língua portuguesa, em
inglês, francês e espanhol. Outras línguas ficarão a critério da Comissão
Editorial.
A reprodução total ou parcial dos trabalhos em outros periódicos —
com menção obrigatória da fonte — dependerá de autorização prévia da
Comissão Editorial.
Para fins comerciais serão proibidas a tradução e reprodução dos
trabalhos publicados pela revista.
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Mem. Inat. Butanian
1980/81
SUMÁRIO/SUMMARY
HOMENAGEM/HOMAGE
Linda Nahas . 1-2
EDITORIAL
1981. Ano do 80.° aniversário do Instituto Butantan.
1981. Year of the eightieth anniversary of the Instituto Butantan.
Jesus Carlos MACHADO . 3-10
CRONOLOGIA DO INSTITUTO BUTANTAN (1888-1981) — 1.^ Parte.
CRONOLOGY OF THE INSTITUTO BUTANTAN (1888-1981) — 1“ Part.
Jandira Lopes de OLIVEIRA . 11-79
ARTIGOS ORIGINAIS/ORIGINAL ARTICLES
1 Notes on micro and ultrastructure of “Oberháutschen” in Viperoidea.
Notas sobre micro e ultra-estrutura de “Oberháutschen” em Viperoidea.
A.R. HOGE & S. Alma ROMANO HOGE . 81-118
2 Absence of E-Rosette-Positive cases in a series of 17 children with acute
lymphoid leukemia from São Paulo, Brazil.
Ausência de E-Rosette-Positivo em casos de 17 crianças com leucemia
linfóide aguda, de São Paulo, Brasil.
L. DENARO-MACHADO; J. C. MACHADO; A. G. AMARAL; M. I.
ESTE VES; A. BIANCHI & M. L. D’ANDREA . 119-126
3 Neoformação de linfonodos e aspectos morfológicos confundíveis com a
assim chamada degeneração gordurosa ou lipomatose dessas estruturas.
Neoformation of lymphonodes and morphological aspects, confusable with
the so called adipous degeneration or lipomatous of these struetures.
Jesus Carlos MACHADO; André L. Carmo GASPARINI & Tereza
Cristina MACHADO . 127-131
4 Findings of pathological anatomy in mammals from the “Fundação Parque
Zoológico de São Paulo” in 1971.
Resultados do estudo anátomo-patológico em mamíferos da “Fundação
Parque Zoológico de São Paulo” em 1971.
Hélio Emerson BELLUOMINI; Lilian de Stefani Munaó DINIZ &
Adayr Mafuz SALIBA . 133-152
5 Sobre a posição sistemática de Trasyphoberus parvüarsis Simon, 1903
(Araneae, Theraphosidae).
On the systematic position of Trasyphoberus parvitarsis Simon, 1903
(Araneae, Theraphosidae).
Sylvia LUCAS . 153-156
6 Descrição de gênero e espécie novos da subfamília Theraphosinae (Ara¬
neae, Orthognatha, Theraphosidae).
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Description of a new genus and species of the Theraphosinae subfamily
(Araneae, Orthognatha, Theraphosidae).
Sylvia LUCAS .
7 Aranhas do gênero Ctenus coletadas na foz do rio Culuene, Xingu: des¬
crição de uma espécie nova e redescrição de Ctenus villasboasi Mello-
-Leitão (Araneae; Ctenidae).
Spiders of the genus Ctenus collected at the confluence of the Culuene
and Xingu rivers: description of a new species and redescription of
Ctenus villasboasi Mello-Leitão (Araneae; Ctenidae).
Vera Regina D. von EICKSTEDT .
8 Redescrição de Ctenus similis, Ctenus albofasciatus e Ctenus minor
(Araneae; Ctenidae).
Redescription of Ctenus similis, Ctenus albofasciatus and Ctenus minor
(Araneae; Ctenidae).
Vera Regina D. von EICKSTEDT .
9 A propósito da indicação de um neótipo para Tityus serrulatus Lutz e
Mello, 1922 (Scorpiones; Buthidae).
About the indication of a neotype for Tityus serrulatus Lutz e Mello,
1922 (Scorpiones; Buthidae).
Wilson R. LOURENÇO & Vera Regina D. von EICKSTEDT .
10 Produtos naturais biologicamente ativos de animais marinhos.
Comunicação química e aspectos farmacológicos.
Natural products biologically actives from marine animais.
Chemical communication and pharmacological aspects.
José Carlos de FREITAS .
11 Acute necrotic myelopatia after spider bite.
Mielopatia necrótica aguda após picada de aranha.
Paulo E. MARCHIORI; Milberto SCAFF; José Paulo S. NÓBREGA;
Sérgio ROSENBERG & José Lamartine de ASSIS.
12 Sobre a identificação das espécies de Porocephalus (Pentastomida) que
ocorrem em ofídios da América Tropical.
About the Identification of the species of Porocephalus (Pentastomida)
collected from ophidians of the Tropical America.
A. Arandas REGO .
13 Notas sobre alguns pentastomídeos de répteis.
Notes about some pentastomides from reptilia.
A. Arandas REGO .
14 Encontro de plerocercos de Trypanorhyncha (Cestoda) em ofidio de rio
da América do Sul.
Finding of plerocercus of Trypanorhyncha (Cestoda) in ophidian from
river of South America.
A. Arandas REGO .
15 Efeitos sobre a toxicidade da mistura de venenos e a sobrevida de
exemplares de Crotalus durissus terrificus e Crotalus durissus colU-
lineatus, submetidas às extrações manual e elétrica.
Effects on the toxicity of the venoms mixture and the survival rate of
specimens of Crotalus durissus terrificus and Crotalus durissus
collilineatus submitted to manual and electric extractions.
Raymundo ROLIM ROSA; Hélio Emerson BELLUOMINI; Medardo
SILES VILLARROEL & Hideyo IIZUKA .
16 Produção de soro antiaracnídico polivalente mediante inoculações simul¬
tâneas de venenos em um mesmo animal.
Production of polyvalent antiarachnid serum by simultaneous inocula-
tion of venoms in one and the same animal.
Raymundo ROLIM ROSA; Medardo SILES VILLARROEL; Eliza¬
bete Gomes Jardim VIEIRA; Hideyo IIZUKA & José NAVAS .
1 SciELO
157-160
161-169
171-179
181-190
191-211
213-218
219-231
233-238
239-243
245-251
253-258
14 15
17 Análise comparativa entre os diferentes esquemas de hiperimunização
empregados na produção de soros antiofídicos pelo Instituto Butantan
(1967-1979).
Comparative analysis between the different methods of hyperimmuni-
zation employed for the production of antiophidic serum by the
Instituto Butantan (1957-1979).
Raymundo ROLIM ROSA; Elizabete Gomes Jardim VIEIRA; Medardo
SILES VILLARROEL; Yara Queiroga SIRACUSA & Hideyo IIZUKA 259-270
18 Verificação da atividade tóxica de venenos crotálicos e da capacidade
neutralizante dos antivenenos específicos, em camundongos.
Verification of the toxic activity of crotalic venoms and of the neutra-
lizing capacity of specific antivenins, in mice.
Medardo SILES VILLARROEL; Raymundo ROLIM ROSA; Flávio
ZELANTE; Walter BANCHER & Helena Maria PIOTO . 271-279
19 Possibilidade da determinação da toxicidade do veneno de Lachesis
muta muta e da titulação do antiveneno específico, em camundongos.
Possibility of the determination of the toxicity of Lachesis muta muta
venom as well as for the titration of specific antivenins, in mice.
Medardo SILES VILLARROEL; Flávio ZELANTE; Raymundo
ROLIM ROSA & José Luiz DE LORENZO . 281-288
20 Perspectivas de padronização das titulações de venenos e antivenenos
elapídicos, em camundongos.
Perspectives of standardization of titrations of elapidic venoms and
antivenins, in mice.
Medardo SILLES VILLARROEL; Raymundo ROLIM ROSA; Flávio
ZELANTE & Elizabete Gomes Jardim VIEIRA . 289-297
21 Emprego de camundongos na titulação de venenos e antivenenos escor-
piônicos.
Use of mice for titration of scorpion venoms and antivenins.
Elizabete Gomes Jardim VIEIRA; Medardo SILES VILLARROEL;
Flávio ZELANTE; Sheila da Costa ÁVILA & Raymundo ROLIM
ROSA . 299-306
22 Emprego simultâneo de antígenos botulínicos tipos A e B, em um mesmo
animal, para obtenção de antitoxina bivalente.
Simultaneous use of A and B botulinic antigens, in the same animal, to
obtain bivalent antitoxin.
Edison Paulo Tavares de OLIVEIRA; Hideyo IIZUKA; Hisako Gondo
HIGASHI; Maria Antonieta da SILVA & Raymundo ROLIM ROSA 307-316
23 As Bases de Mannich de hidantoinas terpênicas. II.
The Mannich Bases of terpenic hydantoins. II.
Ema RABENHORST & Raymond ZELNIK . 317-323
24 Aperfeiçoamento do processo de hiperimunização antitetânica visando a
obtenção de antitoxina de alta dosagem (Anotações de Relatórios de
Serviço).
Perfection of the antitetanic hyperimmunization process to obtain
antitoxin with high dosage (Notations of Service Report).
Sebastião de Camargo CALAZANS & Reynaldo S. FURLANETTO 326-334
25 Relações entre o emprego de anatoxina diftérica bruta e o teste de
Schick em cavalos hiperimunizados.
Relations between the use of crude diphteria anatoxin and Schick test
in hyperimmunization horses.
Joana Akiko FURUTA; Célia LIBERMAN; Edison Paulo Tavares
de OLIVEIRA; Frederico Fontoura LEINZ; Hideyo IIZUKA &
Raymundo ROLIM ROSA .
26 Bionomia dos triatomíneos — O surgimento de adultos nas colônias de
Panstrongylus megistus (Burm, 1835) (Hemiptera, Reduviidae).
Bionomy of triatomine bugs — The appearance of adults in the
Panstrongylus megistus colonies (Burm, 1836) (Hemiptera; Redu¬
viidae).
Therezinha J. HEITZMANN-FONTENELLE .
335-341
343-353
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27 Contribuição para o conhecimento dos Triatominae — Hemiptera, Redu-
viidae. I — Triatoma melanocephala Neiva & Pinto, 1923.
Contribution to knowledge of the Triatominae — Hemiptera, Reduviidae.
I — Triatoma melanocephala Neiva & Pinto, 1923.
Rosa Maria de Oliveira VEIGA; Hypolito Lima BORBA; Lauro
Pereira TRAVASSOS FILHO; James E. DOBBIN JR. 355-365
28 Contribuição para o conhecimento das lagartas urticantes. I — Cero-
dirphia avenata araguensis Lemaire, 1971. (Lep. Attacidae).
Contribution to knowledge of the urticating Caterpillar. I — Cerodirphia
avenata araguensis Lemaire, 1971. (Lep. Attacidae).
Roberto Henrique Pinto MORAES & Lauro Pereira TRAVASSOS
FILHO . 367-376
29 Ácaros ectoparasitas de serpentes Descrição de Ophioptes longipilis sp.n.
e Ophioptes brevilis sp.n. (Trombidiformes, Ophioptidae).
Ectoparasites mites from snakes. Description of Ophioptes longipilis sp.n.
and Ophioptes brevilis sp.n. (Trombidiformes, Ophioptidae).
Nélida M. LIZASO . 377-381
30 Gyrinicola chabandi nsp. (Nematoda, Pharyngodonidae), oxiurideo encon¬
trado em girinos.
Gyrinicola chabavdi n.sp. (Nematoda, Pharyngodonidae) pinworm speci-
mens collected from tadpoles.
Paulo ARAÜJO & Paulo de Toledo ARTIGAS . 383-390
31 Observações do comportamento e da cópula heteróloga de sucuris em
cativeiro — Eunectes murinus murinus (Linnaeus) e Eunectes
Notaeiis Cope, 1862.
Observations on the behaviour, and heterologous mating of anacondas —
Eunectes murinus murinus (Linnaeus), and Eunectes Notaeus Cope,
1862.
Tatiana VEINERT & Hélio Emerson BELLUOMINI . 391-402
32 Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothrops y Lachesis.
Human accidents by snakes of Bothrops and Lachesis genus.
Juan Silva HAAD . 403-423
33 Compléments à la description du Scorpion brésilien Opisthacanthus
cayaporum Vellard, 1932 (Scorpiones; Scorpionidae).
Complementação à descrição do escorpião brasileiro Opisthacanthus
cayaporum Vellard, 1932 (Scorpiones; Scorpionidae).
Wilson R. LOURENÇO . 425-438
34 The withanolides as a model in plant geneties: chemistry, biosynthesis and
biological activity.
Os withanolídeos como modelo na fitogenética: química, biossíntese e
atividade biológica.
David LAVIE . 439-450
35 Studies of Brazilian marine invertebrates. IX. Comparative study of
Zoanthid sterols. I. The genus Zoanthus.
Estudos de invertebrados marinhos brasileiros. IX. Estudo comparativo de
esteróis de zoantídeos. I. O gênero Zoanthus.
A. KELECOM & A.M. SOLÉ CAVA . 451-462
ÍNDICE DE AUTOR/AUTHOR INDEX . 463-464
ÍNDICE DE ASSUNTO . 465-470
SUBJECT INDEX . 471-476
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Mem. Inst. Butantan
-íV-45. 1980/81
LINDA NAHAS
1921-1982
HOMENAGEM
Linda Nahas, médica, formada em 1946 pela Escola Paulista de Me¬
dicina e Pesquisadora-Científica Nível VI, do Instituto Butantan. Nasceu
em São Paulo, aos 10 de fevereiro de 1921 e faleceu em l.° de março de
1982 em São Paulo.
De 1946 a 1948 estagiou no laboratório de Hematologia do Instituto
Butantan, sob orientação do Dr. Gastão Rosenfeld.
Em 1947 e 48 foi Assistente da Clínica Médica (EPM), Serviço do
Prof. Octávio de Carvalho. Em 1948 iniciou suas atividades oficiais no
Laboratório de Hematologia do Instituto Butantan, no qual era estagiária.
De 1948 a 1953 foi titular do Serviço de Hematologia do Hospital A. C.
Camargo da atual Fundação Antonio Prudente. De 1954 a 1960 chefiou
0 Laboratório de Citopatologia e Hematologia do Departamento de Pato¬
logia, do mesmo Hospital.
Foi bolsista em 1962 e 1963 na Blood Coagulation research Unit,
Serviço do Prof. Mac Farlane (Oxford, Inglaterra) e Departamento de
Fisiologia e Farmacologia da Wayne State University (Detroit EUA)
Serviço do Prof. W. H. Seegers.
De 1962 a 1966 foi encarregada do Setor de Hematologia da Seção
de Fisiopatologia do Instituto Butantan.
Em 1966 assumiu a chefia da Seção de Fisiopatologia. Colaborou
intensamente com as atividades do Hospital Vital Brazil desde 1954. Em
1969, assumiu a Diretoria do Serviço de Fisiopatologia função que ocupou
até a sua morte.
Em 1977, integrou a Carreira de Pesquisador Científico Nível VI.
Em 1970, no mês de outubro estagiou no Oxford Haemophilia Centre
(Inglaterra), a convite da Dra. R. Biggs.
Participou intensamente nas atividades científicas e de organização
de numerosos Congressos e Sociedades científicas. Escreveu ou colaborou
em 22 trabalhos científicos originais publicados em revistas especializadas
1
cm
2 3
L.
MACHADO, J.C. Homenagem. Linda Nahas. Aícm. Insi. Dutantan, í4/^5:l-2, 1980/81.
do Brasil e do exterior sobre envenenamento de serpentes, aranhas, escor¬
piões e coagulopatias e foi co-autora de capítulo especializado no livro sobre
Atualização Terapêutica.
No Instituto Butantan pertenceu aos Conselhos de Pesquisa, de Pro¬
dução e bem como de várias Bancas examinadoras de ingresso de técnicos
superiores e grupos de trabalhos para estudos de natureza técnica.
Participou ainda na formação de numerosos especialistas em Hema¬
tologia principalmente no setor da Coagulação sangüínea onde se destacou
invulgarmente.
Sua valiosa coleção de livros especializados, foi doada ao Centro de
Investigação em Hematologia, sito à Av. Brasil, 633, São Paulo.
A Dra. Linda Nahas foi exemplo de dedicação à carreira médica e
de pesquisadora que muito enobreceu o Instituto Butantan.
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Mem. Inst. Butantan
U/45:2-10, 1980/81
EDITORIAL
1981. Ano do 80.° aniversário do Instituto Butantan
Jesus Carlos MACHADO
Decidiu a Comissão Editorial das “Memórias do Instituto Butantan”,
ressaltar neste número, as Comemorações de um evento marcante para a
história do Instituto Butantan, qual seja o seu 80.° aniversário, ocorrido
aos 23 de fevereiro de 1981.
O Diretor Substituto do Instituto Butantan, Dr. Bruno Soerensen
Cardozo — Presidente do Conselho Superior por designação deste, consti¬
tuiu uma Comissão organizadora, sob a sua presidência e composta por:
Dr. Jesus Carlos Machado, Dr. Alphonse Richard Hoge, Dr. Raymond
Zelnik, Dr. Henrique Moisés Canter e Dr. Murillo Adelino Soares.
A Comissão organizadora, aprovou o Calendário dos eventos que
foram desenvolvidos durante todo ano de 1981 e que foram os seguintes:
— 16 a 20 de fevereiro
IV Curso sobre Linfomas Malignos
Coordenador: Dr. Jesus Carlos Machado.
— 2S de fevereiro
Sessão Solene Comemorativa do 80.° aniversário da Fundação do
Instituto Butantan. Carimbo Postal comemorativo do dia da Fundação
do Instituto Butantan.
—■ 23 a 27 de fevereiro
I.° Encontro Brasileiro de Linfomas Malignos.
I.° Curso de Reciclagem de Linfomas Malignos.
IV “Tutorial” sobre Linfomas Malignos.
Coordenador: Dr. Jesus Carlos Machado.
— 20 a 21 de maio
Seminário sobre produtos naturais bioativos.
Coordenador: Dr. Raymond Zelnik.
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MACHADO, J. C. Editorial. 1981. Ano do 80.® aniversário do Instituto Butantan. Mem. Inst. Dutanian,
1980/81.
— 11 de junho
Entrega da restauração do l.° Laboratório do Instituto Butantan, nele
instalando-se o Museu Histórico.
Entrega da recém-instituída “Medalha Instituto Butantan”.
— 20 a 2Jf de julho
Retrospectiva de filmes de caráter histórico sobre o Instituto Butantan.
Coordenador: Dr. Henrique Moisés Canter.
— li de setembro
Cerimônia do Tombamento do Instituto Butantan.
— li a 16 de setembro
III Congresso Brasileiro de Bioteristas e Entidades Afins.
Presidente: Dr. Bruno Soerensen Cardozo.
— 12 a 23 de outubro
Curso sobre “Vacinas e Vacinações”
Coordenador: Dr. Bruno Soerensen Cardozo.
— 26 a 28 de outubro
I Congresso Brasileiro de Vacinas e Soros.
Presidente: Dr. Bruno Soerensen Cardozo.
— 27 de outubro
Inauguração do Centro de Convivência Infantil.
— 16 a 18 de novembro
I Simpósio sobre Serpentes e Artrópodes peçonhentos.
Coordenador: Dr. Alphonse Richard Hoge.
Os Congressos, Reuniões Científicas e Cursos contaram para o seu
grande êxito, com os auxílios inestimáveis do Conselho Nacional de Pes¬
quisas, do Ministério da Saúde (Divisão Nacional de Doenças Crônicas
e Degenerativas, através da Comissão Nacional de Linfomas Malignos e
CAIS), da OPAS e das diversas Secretarias de Estado do Governo do
Estado de São Paulo.
Cumpre destacar, dentre os eventos a entrega do Museu Histórico.
O Diretor do Instituto Butantan, constituiu uma Comissão especial para
estudo da localização e efetuar sua implantação. Vamos reproduzir o
assinalado no livreto entregue no dia da inauguração e que retrata melhor
o que foi idealizado e realizado:
APRESENTAÇÃO
Ao completar o Instituto Butantan, em 1981, 80 anos de existência,
dentro dos eventos programados para comemorar esta data, a inauguração
do MUSEU HISTÓRICO é um dos pontos altos.
A Diretoria do Instituto Butantan e a Comissão do Museu Histórico
decidiram instalar o Museu no primeiro laboratório onde Vital Brazil
iniciou rotineiramente seus trabalhos no Instituto Butantan, em 1901.
Inicialmente localizou-se o prédio, descobrindo-se seu piso original, alicerce
e uma das paredes e, por análise de fotografias e entrevistas com servi¬
dores da época, obteve-se a correta disposição do prédio e aspectos de seu
interior. Com a colaboração de arquiteto, foi dimensionado corretamente.
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MACHADO, J. C. Editorial. 1981. Ano do 80.® aniversário do Instituto Butantan. Mem. Itist. Butantan,
4-4/45:3-10, 1980/81.
Contratou-se especialistas em história e museologia para assessorar a
Comissão na instalação e planificação atual e futura do Museu.
A Comissão contou, na estruturação do Museu, com a colaboração
inestimável de servidores do Instituto Butantan, que nela se motivaram
até emocionalmente.
Ao entregar o Museu Histórico do Instituto Butantan ao público, a
Diretoria e a Comissão do Museu desejam mostrar, sobretudo aos jovens,
que neste prédio simples, adaptado de um telheiro e de uma cocheira.
Vital Brazil produziu o soro e a vacina antipestosa, pesquisou e produziu
soros antipeçonhentos, com isso salvando vidas e elevando o nome da
ciência brasileira.
Neste local iniciou o Instituto Butantan o seu caminho de aplicação
da ciência em prol da saúde pública, há 80 anos.
Em 1888, a criação do Instituto Pasteur, no Rio de Janeiro, repre¬
sentava o início, no Brasil, das pesquisas sistemáticas e aplicações práti¬
cas na área da medicina experimental voltada para a saúde pública.
A partir de 1892 eram criados, em São Paulo, o Instituto Bacterio¬
lógico, 0 Laboratório de Análises Químicas, o Instituto Vacinogênico, um
Laboratório Farmacêutico e o Desinfetório.
HISTÓRICO
Em 1899, surto de peste bubônica atingia a cidade de Santos; o
alastramento da doença, as dificuldades para importação de soros e vacinas
para seu tratamento e prevenção, bem como a falta de condições do
instituto Bacteriológico para produzi-los em suas dependências, traria à
tona a necessidade de criar-se instituição para combate de doenças epidê¬
micas na região de São Paulo.
Em decorrência desses fatores, por proposição de Emílio Ribas, dire¬
tor do Serviço Sanitário do Estado, foram tomadas as primeiras provi¬
dências para a criação do “Instituto Serumtherapico”, sendo indicado para
sua direção Vital Brazil Mineiro da Campanha, médico a serviço do
Instituto Bacteriológico.
O então Presidente do Governo do Estado, Cel. Fernando Prestes,
designou o Secretário do Interior, Pereira de Queiroz, para que, com
Oswaldo Cruz, Adolpho Lutz e Vital Brazil, escolhessem o local para a
instalação do novo instituto, mais tarde Instituto Butantan.
O local escolhido foi a Fazenda Butantan, na periferia da cidade,
cujas instalações foram adaptadas e aproveitadas. As atividades tiveram
início antes da organização oficial do Instituto, que se concretizaria pelo
Decreto 878/A, 23-2-1901.
Neste ambiente simples, que exigia grandes sacrifícios dos cientistas.
Vital Brazil e seus colegas de trabalho, entre os quais Abdon Petit Carneiro,
Dorival de Camargo Penteado, Bruno Rangel Pestana, Carlindo Valeriani,
Sérgio Meira F.®, Theodureto de Camargo, Francisco Iglesias e muitos
outros marcaram com seus esforços e trabalho cientifico a primeira fase
da história do Instituto Butantan.
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MACHADO, J. C. Editorial. 1981. Ano do 80.® aniversário do Instituto Butantan. Mcm. Inst. Butantan,
44A5:3-10, 1980/81.
Dedicando-se sobretudo à produção de soro antipestoso, Vital Brazil
daria também prosseguimento às suas pesquisas sobre ofidismo.
Em 11 de junho de 1901, o Instituto Butantan entregava ao público
as primeiras partidas de soro antipestoso e a 14 de agosto do mesmo ano
os primeiros soros antipeçonhentos.
O MUSEU
O Museu, tal como chegou até nós, é instituição estruturada na
Europa renascentista, a partir das coleções dos grandes príncipes. Durante
o período expansionista europeu, o Museu foi usado sobretudo para mostrar
à sociedade européia “o novo”, ‘‘o exótico”, “o conquistado” além dos seus
limites territoriais.
É só nos fins do século XIX que estudiosos e especialistas em educação
passaram a ver o Museu não mais como um gabinete de relíquias mas sim
como importante instrumento do processo educacional e da pesquisa
científica.
O MUSEU HISTÓRICO do Instituto Butantan propõe-se a ser, através
de exposições sempre renovadas a partir de pesquisa sobre seu acervo
material e documental, o espelho da trajetória da instituição, desde a sua
criação até nossos dias. Não uma sala estanque de um passado recapturado
mas sim importante auxiliar para a compreensão dos caminhos da própria
atividade científica.
O Instituto Butantan expressa vivos agradecimentos aos servidores
que contribuíram no restauro do primeiro laboratório, na recuperação de
peças e documentos históricos e outras atividades para a abertura do
Museu:
Francisco Capuano, Joaquim Bento da Silva, Francisco Corrêa, Sal¬
vador M. Simões, Luiz de Souza, Rodrigo Gil Garcia F.®, Oswaldo Cândido,
Milton L. Gonçalves, Francisco P. Belém, Ernesto Gimenez, Ernani da
Silva, Milton A. Chagas, Alcides B. dos Santos, Nelson A. de Souza,
Waldemar A. de Almeida, Lúcio A. Catani, Joel Braga, Juvenal E. da
Silva, José F. Martins, José Felix Irmão, J. Vicente Fernandes, J. Esteves
dos Santos, Antonio Fraia, Milton P. da Silva, Antonio Cortez, Oscar S.
do Nascimento, Paulo Villela, Antonio B. de Novais, João M. de Godói,
Carlos A. Tobias, César F. Figueira, Antonio Ferreira, Benedito A. de
Oliveira, José Viter Ribeiro, J. Augusto da Silva, João Lacerda dos Santos,
Arlindo A. de Matos, Manoel Rocha, João C. de Morais, Benedito A. da
Silva, Luiz C. Prudente, Antonio Jesuino, Arcênio B. de Araújo, Antonio
R. Barbosa, Domingos B. de Araújo, Nicolau G. de Lima, Daniel A. Maciel,
Januário F. de Andrade, J. Eugênio Máximo, Júlio A. de Azevedo, José
da Conceição, Mauro L. de Jesus, Benedito J. dos Santos, Domingos
A. Ferreira, Eduardo Conceição, Idalício N. de Melo, João I. Gonzalez,
Santo Coelho, Osvaldo Pinto, Israel S. Garcia, Francisco Braga, Juracy
A. Chagas, Antonio C. Ribeiro, José F. de Souza, Joel B. de Novais,
Irineu Batista, Antonio F. Souza, Orlando Vaine, Lázaro A. de Moraes,
Benedito A. de Oliveira, Benedito T. da Silva, Gabriel A. Pinto, Silvio D.
de Oliveira, Miguel A. M. Alba, Romeu Simões, Odavilson de Oliveira,
Valdelino N. de Souza, Antoninho de Souza, Eliseu Tobias, Floriano da
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machado, J. C. Editorial. 1981.
U/iS-.i-\ü, 1980/81.
Ano do 80.° aniversário do Instituto líutantan. Mcm. hist. Butantan,
Rosa, Reinaldo Ramos, J. Carlos Barlleta, Wagner da Rocha, J. Cassiano
Borba, Hei’val J. Ribeiro, Taufic A. Aued.
Na inauguração foi descerrada a placa comemorativa onde está ins¬
crita: Museu Histórico do Instituto Butantan — 1901-1981 (Octogésimo
aniversário). Instalado no Laboratório que deu origem aos trabalhos técni¬
cos do Instituto. Eng.° Paulo Salim Maluf (Governador do Estado de São
Paulo) ; Dr. Adib Domingos Jatene (Secretário da Saúde) ; Dr. Bruno
Soerensen Cardozo (Diretor Substituto do Instituto Butantan) ; Comissão
do Museu Histórico: Presidente — Dr. Jesus Carlos Machado; Membros —
Dr. Alphonse Richard Hoge, Dr. Newton Pereira Santos, Dr. Henrique
Moisés Canter, Iara d’01iveira Lemenhe, Carmem Aleixo Nascimento.
Restaurado pela equipe de funcionários e servidores do Instituto Butantan
orientado pelo arquiteto Osmar Antonio Mamini e chefiado por Francisco
Capuano, chefe da Seção de Zeladoria. Inaugurado aos 11 de junho de
1981.
Aos 11 de junho de 1981 foi também entregue a Medalha Instituto
Butantan, de caráter permanente, pelo Governo do Estado de São Paulo
a personalidades e entidades que cooperam com o Instituto Butantan, bem
como a Servidores do Instituto que se destacaram nas suas atividades.
Foram os seguintes aqueles que meritoriamente a receberam por aprova¬
ção unânime do Conselho Superior do Instituto Butantan:
— Dr. Fauze Carlos
Diretor Efetivo do Instituto Butantan
Deputado Estadual — Líder do PDS
— Dr. Antonio Henrique Bittencourt da Cunha Bueno
Secretário da Cultura
— Dr. Leonildo A. Winter
Presidente da Central de Medicamentos
— Alm. Gerson de Sá Pinto Coutinho
Ex-Presidente da Central de Medicamentos
— Dra. Jandyra Planet do Amaral
Ex-Diretora do Instituto Butantan
— Dr. Giuseppe Mauro
Diretor Presidente do Instituto Vital Brazil
— Dr. Roched Abib Seba
Diretor Científico do Instituto Vital Brazil
— Dl'. René Corrêa
Ex-Diretor do Serviço de Virologia do Instituto Butantan
— Dr. Oswaldo Vital Brazil
Professor da Universidade de Campinas
■— Dr. Alphonse Richard Hoge
Diretor da Divisão de Biologia do Instituto Butantan
— UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
representada pelo Sr. Reitor Dr. Waldyr Muniz Oliva
—- CENTRAL DE MEDICAMENTOS
representada pelo Dr. Alex Castaldi Romera
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MACHADO, J. C. Editorial. 1981. Ano do 80.® aniversário do Instituto Dutantan. Aícm. Inst. Butantan,
44/45:3-10, 1980/81.
Museu Histórico: Vista interna da parte anterior correspondente ao laboratório.
Museu Histórico: Vista interna da parte posterior correspondente às cocheiras.
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MACHADO, J. C. Editorial. 1981. Ano do 80.° aniversário do Instituto Butantan. Mem. Inst. Butantan,
U/^5:Z-10, 1980/81.
Museu Histórico: Vista lateral do museu
Butantan.
restaurado e instalado no primeiro laboratório do Instituto
— FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS
representada pelo Sr. Maurício Walter Susterás
— FUNDO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO
representado pelo Sr. Diretor Científico Dr. Ruy Carlos de Camargo
Vieira
— CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO
E TECNOLÓGICO
repi-esentado pelo Sr. Presidente Dr. Lynaldo Cavalcanti de
Albuquerque
— MINISTÉRIO DO EXÉRCITO — COMANDO DO II EXÉRCITO
representado pelo Sr. Chefe do Estado-Maior, General-de-Brigada Léo
Guedes Etchegoyen
— MINISTÉRIO DA AERONÁUTICA — IV COMANDO AÉREO
REGIONAL
representado pelo Sr. Comandante Brigadeiro-do-ar João Alberto
Correia Neves
— MINISTÉRIO DA MARINHA — COMISSÃO NAVAL EM SÃO
PAULO
representado pelo Sr. Presidente Contra-Almirante Milton Ribeiro de
Carvalho
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MACHADO, J. C. Editorial. 1981. Ano do 80.° aniversário do Instituto Butantan. Mem. Inst. Dutantan,
U/i5:ZA0, 1980/81.
— POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
representado pelo Tenente-Coronel Antonio Augusto Neves —
Comandante do 16.° Batalhão Policial Militar
Funcionários do Instituto Butantan
— Sr. Antonio Moreno
— Sr. Jurandyr Soares de Oliveira
— Sr. José Caly
— Sr. Juvenal Bueno Filho
— Sr. Samuel Helfstein Fischer
— Sr. João Domingos Cavalheiro
— Sr. Pedro Vilela
— Sr. Joaquim Cavalheiro
— Sr. Benedito Moreira da Silva
— Sr. Jairo Mendes de Souza
Como se pode observar o 80.° aniversário da Fundação do Instituto
Butantan foi condignamente comemorado através de eventos científicos,
culturais e principalmente com a recuperação da sua memória histórica
representada pela restauração do Museu Histórico, do encontro de cerca
de 400 metros lineares de documentação e contratação de dois historiadores
para aproveitamento desse material. Com isso a história do Instituto
Butantan, instituto pioneiro na implantação da medicina experimental no
Brasil, junto a outros que infelizmente foram pouco a pouco desapare¬
cendo ou sendo desfigurados, poderá ser escrita com fidelidade.
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Mem. Inat. Butantan
U/45:1U79, 1980/81
CRONOLOGIA DO INSTITUTO BUTANTAN (1888-1981)
l.a PARTE: 1888-1945
Jandira Lopes de OLIVEIRA *
Da relevância do pioneirismo do Instituto Butantan na implantação
das ciências experimentais em São Paulo e a existência de importante
acervo: manuscritos de Vital Brazil, relatórios de atividades do Instituto,
instrumentos de laboratório, fotografias etc. foram iniciados os trabalhos
para a implantação do Museu Histórico, instalado no primitivo laboratório
de Vital Brazil, reconstruído a partir das paredes originais.
O Museu Histórico, inaugurado em 11-6-1981, pretende em suas ativi¬
dades refletir a trajetória do Instituto, desde sua fundação no final do
século passado, e para tanto se faz necessário o trabalho sistemático de
pesquisas do material documental existente.
Apresentamos agora nosso trabalho inicial, com a realização da cro¬
nologia, feita a partir de pesquisas nos relatórios anuais do Instituto.
O presente trabalho consiste no primeiro passo para a elaboração da
história do Instituto Butantan, seu papel no desenvolvimento das ciências
no Brasil e sua inserção na história de São Paulo.
SÉCULO XIX
1888
— Criação do Instituto Pasteur no Rio de Janeiro, marco inicial da
Medicina Experimental no Brasil.
1890
— Criação da Farmácia do Estado.
1891
— Organização do Serviço Sanitário do Estado.
1892
— Lei Estadual n.° 43, de 18-7-1892, criava o Laboratório Bacterio¬
lógico de São Paulo, o Laboratório de Análises Químicas.
* Museu Histórico do Instituto Butantan.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. A/cm. Inst. Butantan, 44/45:
11-79, 1980-81.
1893
— Decreto n.° 94, de 28-2-1893 regulamentava o início das atividades
do Bacteriológico, sob a orientação do Biólogo francês Felix Le Dantec.
— Adolfo Lutz assumiu a direção do Instituto Bacteriológico.
— Surto epidêmico de cólera na Hospedaria dos Imigrantes foi iden¬
tificado por Adolfo Lutz.
1894
— Criação do Instituto Vacinogênico para preparar vacina jenne-
riana; diretor Arnaldo Vieira de Carvalho.
1895
— Epidemia de cólera no Vale do Paraíba.
1897
— Vital Brazil Mineiro da Campanha ingressava como ajudante no
Instituto Bacteriológico.
1898
— Adolfo Lutz identificava o “anopheles” (Kertzia cruzi) agente
transmissor da malária na Serra de Cubatão.
1899
— Vital Brazil foi enviado a Santos para identificar e pesquisar
surto de peste bubônica.
— Adolfo Lutz requisitava material para instalação, nas dependên¬
cias da Chácara Butantan, deste novo laboratório do Instituto Bacterio¬
lógico e Vital Brazil Mineiro da Campanha foi indicado para dirigí-lo;
os trabalhos de laboratório foram iniciados a 16 de novembro.
1900
— A Chácara em Butantan possuía “200 e tantos alqueires de terras”,
2 casas de moradia, cocheiras, água canalizada e outras pequenas cons¬
truções, além de boas pastagens e canavial.
— Entre as obras necessárias para o pleno funcionamento do labo¬
ratório, foi solicitado o reaproveitamento de um telheiro para instalação
do l.° laboratório provisório; coelheiras, aproveitando as já existentes;
construção de gaiolas para cobras; adaptação de um antigo estábulo de
vacas para cocheiras de animais imunizados; construção de cocheira-en-
fermaria; construção de um telheiro para balança e para aparelho de
contensão; construção de pequeno pavilhão para sangria de animais;
construção de catacumbas impermeáveis para os animais infeccionados
mortos; aumento da rede de águas e esgotos; instalação de gás acetileno.
SÉCULO XX
1901
— O decreto 878/A de 23-2-1901 transformava o “laboratório em
Butantan” em instituição autônoma com o nome de “Instituto Serumthe-
rapico do Estado de São Paulo”. Além de Vital Brazil, o Instituto contava
com 0 seguinte pessoal;
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) l.“ Parte. Mtm. Inat. Butantan,
11-79, 1980/81.
Dr. Abdon Petit Carneiro, ajudante; Horácio Damásio dos Santos,
administrador; João Gomide de Castro, escriturário; Tarcísio Magalhães,
auxiliar; Vitor Salcedo, João Salcedo, Victor dei Franco, André Bumos,
José Holi, Francisco Leone como serventes e mais 5 “camaradas” para
plantação de forragens e outros serviços.
— Em início de março foi entregue a cocheira-enfermaria construída
pelo engenheiro Augusto Fomm.
— O Instituto Serumtherapico entregava as primeiras partidas de
soro antipestoso em 11-6 e a 14-8 as primeiras de soro antipeçonhento.
— Vital Brazil solicitava a construção de uma casa para residência
do diretor em Butantan e também casas para os serventes. Gastava diaria¬
mente uma hora e meia de viagem de “troly” para vir ao trabalho.
— A vacina antipestosa de Maff Kines foi produzida tanto pelo pro¬
cesso primitivo como pelo do Professor Terni, sendo enviados para a
Diretoria do Serviço Sanitário 140 tubos de serum. Existiam 6 cavalos
para imunização. Em março começou à título de experiência, a imuni¬
zação em muar.
— Em Sorocaba, Santos e na Capital os resultados da aplicação do
serum fabricado em Butantan foram satisfatórios, sendo empregado
também em Campos (RJ).
— Foram preparados neste ano 1.636 tubos de serum antiofídico.
Por ocasião do início dos trabalhos em Butantan, Vital Brazil já havia
desenvolvido estudos sobre envenenamento ofídico e preparado pequenas
quantidades de serum para 2 espécies mais abundantes no nosso meio
(cascavéis e jararacas). Prosseguiu portanto seu trabalho, já em Butantan,
com a imunização de animais para o preparo do serum antibothropico
(jararaca) e anticrotálico (cascavel) e urutu; da mistura dos 2 seruns
obteve um terceiro, bastante ativo, a que denominou antiofídico.
— Demonstração de provas da ação específica deste serum contra o
veneno ofídico foi realizada em 5-11, com a presença do Presidente do
Estado, Prefeito Municipal, Secretário do Interior e da Agricultura e
outras autoridades. Em 1-12 foi realizada outra demonstração na Escola
de Farmácia.
— Além dos seruns citados, eram objetos de estudos os da febre
tifóide, 0 leucotoréico de Metohnikoff e o anti-rábico.
1902
— Dorival de Camargo Penteado substituiu Abdon Petit Guimarães
Carneiro, então comissionado em Campos.
— O Instituto contava com 17 animais imunizados contra a peste e
sua produção pode atender 3.400 doentes por mês.
— Os soros antibothropico (cascavel), anticrotálico (jararaca) e
antiofídico (misto) começaram ter boa procura e foi iniciada campanha
de vulgarização destes seruns, sendo realizadas conferências nas escolas
Politécnica de São Paulo e de Farmácia.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) L* Parte. Mem. Jnat. liutantan, JfJí/iS;
11-79, 1980/81.
— As vacinas contra a peste e os seruns fabricados em Butantan
eram destinados: ao Hospital de Isolamento de São Paulo, Instituto Bacte¬
riológico do Estado de São Paulo, Diretoria do Serviço Sanitário, Rio de
Janeiro, Paraná, Ceará, sendo enviados inclusive para Londres.
— Saíram do Instituto neste ano: serum antipestoso — 1.130 ampo¬
las, serum anticrotálico — 75 ampolas, serum antibothropico — 67 am¬
polas, serum antiofídico — 475 ampolas, vacina antipestosa — 150
ampolas.
— Vital Brazil recebeu intensa correspondência do interior do Estado
descrevendo a eficácia do soro aplicado em pessoas acidentadas com ser¬
pentes. Entre outros, cartas do: Conselheiro Antonio Prado, Engenheiro
Augusto Fomm, Dr. Olímpio Portugal (Araras), Dr. Marcondes Machado
(Tatuí).
1903
— O Butantan prosseguiu na produção de serum e vacina antipestosa e
os seruns aplicáveis nos casos de mordedura de cobra. Por não terem sido
executadas as obras solicitadas pelo Diretor e indispensáveis para o desen¬
volvimento técnico do Instituto, não foi possível iniciar o preparo de outros
seruns aplicáveis em terapêutica.
— Vital Brazil participou do 5.° Congresso de Medicina e Cirurgia
no Rio de Janeiro, apresentando o trabalho “Da serumtherapia no enve¬
nenamento ofídico”, com demonstração experimental da eficácia do serum
anticrotálico.
— Foi dada maior divulgação do soro contra envenenamento ofídico
em São Paulo por intermédio de fazendeiros contatados por Vital Brazil.
— O Instituto recebeu 159 cobras entre as espécies: cascavel, jara¬
raca, urutu e jararacuçu.
— Preparou neste ano 2.461 doses do serum antipestoso; 220 serum
anticrotálico; 282 serum antibothropico e 1.459 serum antiofídico; 496 das
vacinas antipestosas.
— Remeteu seruns e vacinas antipestosas para o Hospital Isolamento
de São Paulo, Diretoria do Serviço Sanitário, Comissão Sanitária de
Santos, Bahia, tendo enviado também para a índia e para a Exposição
Internacional de São Luiz nos Estados Unidos da América.
— Os seriins contra mordedura de cobra, além da capital paulista e
interior do Estado, foram enviados para o Rio de Janeiro, Minas Gerais,
Maranhão, Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul e USA.
1904
— Em maio. Vital Brazil viajava em visita a Institutos congêneres
da Eui'opa, assumindo interinamente a direção do Instituto Serumthera-
pico, 0 assistente Dorival de Camargo.
— Foi nomeado também como assistente o Inspetor Sanitário Carlindo
Valeriani.
— Não foram efetuadas as obras e reformas solicitadas por Vital
Brazil, não se ampliando portanto a produção além daqueles soros e
vacinas já referidos nos anos anteriores.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mem. Inst. Butantan, 44/45-
11-79, 1980/81.
— Foi solicitado ao governo a concessão de transporte gratuito por
via férrea das cobras enviadas por fazendeiros do interior, ressaltando-se
a importância do recebimento do maior número de cobras para obtenção
de veneno para a feitura de soros.
— O Instituto continuava recebendo correspondência com relatos da
eficácia do soro contra mordedura de cobras.
— Foram reiteradas as solicitações ao governo quanto às necessida¬
des de melhorias das instalações e pedidos do material para laboratórios,
bem como da insuficiência de número do pessoal técnico.
— Foi registrada a entrada de 146 cobras.
— O Butantan cultivava em suas dependências: alfafa, capim fino,
couve, cana, milho, uva, trigo e aveia.
— Foram plantados neste ano 230 pinheiros. 370 eucaliptos, 626
mudas de acácias.
1905
— Vital Brazil retornava da viagem à Europa, reassumindo a direção
do Instituto.
— Carlindo Valeriani era dispensado e João Gomide de Castro (admi¬
nistrador) pedia exoneração, sendo substituído por Theodureto Leite de
Almeida Camargo (engenheiro agrônomo).
— O Instituto continuava a preparar o serum e vacina antipestosa
e os seruns antipeçonhentos.
— O serum antidiftérico estava em vias de ser preparado pois já
estavam sendo imunizados os animais para tanto.
1906
— Além dos produtos já entregues nos anos anteriores, foi acrescen¬
tado 0 soro antidiftérico. O soro antipestoso tem pouca saída, pela dimi¬
nuição das manifestações epidêmicas.
— A produção de seruns contra moi’dedura de cobras foi aumentada:
1905-1.920 tubos de seruns, 1906-3.518 tubos de seruns.
— Vital Brazil incrementava a propaganda junto aos fazendeiros de
São Paulo para obtenção de cobras vivas e obtém bons resultados.
— Solicitava ao governo o aumento de funcionários do Instituto, o
que tornaria possível o preparo de tuberculina, de serum antitetânico e
talvez de serum anticarbunculoso.
— Até então, o Instituto contava além do diretor, um ajudante:
Dorival de Camargo Penteado, um administrador: Theodureto Camargo,
um escriturário: Henrique da Silva Pinto, dois auxiliares de laboratório:
Victor Salcedo e Maurício R. da Silva, um cocheiro, nove serventes e cinco
camaradas.
— Os seruns fabricados eram vendidos, trocados ou mesmo distri¬
buídos gratuítamente, além do fornecimento a Diretoria do Serviço Sani¬
tário e outras instituições públicas.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mcm. Inat. Butantan, 44/45:
11-79, 1980/81.
1907
— Epidemia de varíola no Estado de S. Paulo. A vacina é fabricada
desde 1894 pelo Instituto Vacinogênico.
—■ Início do preparo da tuberculina no Instituto.
— Dorival de Camargo era encarregado do preparo dos seruns anti-
pestoso, antidiftérico e da vacina antipestosa.
— Foi nomeado ajudante em 11-4-1907 o Farmacêutico Bruno Rangel
Pestana, trabalhando junto com o Diretor, no preparo dos seruns antipe-
çonhentos e das tuberculinas.
— Theodureto de Camargo foi nomeado para trabalhar na Escola
Politécnica, sendo substituído no cai’go de administrador por Jonas M. de
Mello.
— Era necessário intensificar e sistematizar a propaganda para
remessa de cobras pois era insuficiente o número de cobras para a produ¬
ção de soros.
1909
— Além do fornecimento em São Paulo, Vital Brazil enviava seruns
antipeçonhentos e antidiftéricos para o Uruguai e Argentina, além dos
Estados de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e
Mato Grosso.
— Distribuição dos serviços:
Dorival de Camargo Penteado: serum e vacina antipestosa, serum
diftérico, serum antitetânico (estudos).
Bruno Rangel Pestana: estudos sobre as peçonhas (em colaboração
com o diretor) ; preparo dos seruns antiofídico, anticrotálico e antibothró-
pico; preparo da tuberculina; estudos sobre tuberculose (em colaboração
com o diretor) ; estudos sobre hemogregarineas e outros parasitas do
sangue.
— Os trabalhos de pesquisa eram publicados na “Revista Médica de
São Paulo”.
— Foi conferido ao Instituto Serumtherapico em Butantan a medalha
de ouro na Exposição Internacional de Higiene, anexa ao IV Congresso
Médico Latino Americano, no Rio de Janeiro.
1910
— O Instituto dava prosseguimento ao fornecimento de seruns e
vacinas produzidas nos anos anteriores, aumentando o volume de sua
produção. Na área de pesquisas, a continuidade aos estudos sobre tuber¬
culose, não só sobre a biologia do bacilo, mas também do ponto de vista
da imunização.
— Em novembro foram iniciadas as obras de construção do novo
edifício do Instituto (atualmente o prédio que abriga a Biblioteca e outros
setores) sob a direção técnica de Mauro Álvaro, no Governo de Manoel
Joaquim de Albuquerque Lins, sendo secretário do Interior, Carlos Gui¬
marães.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) l.“ Parte. Mem. Inst. Butantan, 44/^5:
11-79, 1980/81.
1911
— O soro mais procurado era o antiofídico sendo que de 1902 a 1906
foram entregues ao consumo 900 tubos de seruns e de 1907 a 1911,
12.600 tubos.
— Sistematização oficial da permuta de cobras por soros.
— Foi feito 0 soro antielapíneo (serpentes elaps).
— Início do preparo experimental do serum antitetânico, porém não
entregue ao consumo.
— Participação do Instituto Serumtherapico na Exposição Interna¬
cional de Higiene em Dresden (Alemanha) sendo representado por Bruno
Rangel Pestana, que foi recebido por Dr. Ataliba Florence, que lá se
encontrava em estudo. Bruno Rangel Pestana permaneceu na Alemanha
se especializando em química biológica.
— João Florêncio Gomes substituiu Rangel Pestana em sua ausência.
— Vital Brazil publicou “Defesa contra o Ofidismo”, súmula de todo
trabalho realizado até então no Instituto.
1912
— O Instituto prosseguiu na produção dos seruns: antiofídico, anti-
crotálico, antipestoso, antitetânico (ainda não entregue ao público), da
vacina antipestosa, da tuberculina e do soro antidiftérico.
— Os soros mais procurados eram aqueles contra o acidente ofídico,
seguido do antidiftérico. A tuberculina era fornecida quase que exclusiva¬
mente ao Dispensário Clemente Ferreira.
— Na área de pesquisa os temas principais foram: o estudo dos
venenos, toxinas e antitoxinas; biologia das cobras e sua classificação.
— Bruno Rangel Pestana regressava de sua viagem de estudos na
Alemanha.
— João Florêncio Gomes era efetivado como ajudante.
— Dorival de Camargo Penteado seguiu para Paris onde trabalhou
em histologia patológica no Instituto Pasteur.
— Distribuição dos serviços técnicos:
— Vital Brazil, além do trabalho de direção do Instituto, se ocupou
da extração e estudo sobre venenos, estudos sobre a biologia das serpentes
e preparo dos seruns antipeçonhentos.
— Dorival de Camargo Penteado: preparo dos seruns antidiftérico,
antipestoso, antitetânico e vacina antipestosa.
— Bruno Rangel Pestana: química dos venenos e toxinas, tuberculose
e tuberculina.
— João Florêncio Gomes: sistemática das cobras, dosagem dos seruns
antipeçonhentos. O Museu ficou sob sua responsabilidade: constava de
seu acervo peças anatômicas, cobras nacionais e estrangeiras com 119
espécies, sendo 66 do Brasil. Foram identificadas neste ano 26 espécies
de cobras brasileiras.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1-* Parte. Mem. Inut. Butantan,
11-79, 1980/81.
— O Instituto estabeleceu permutas de serpentes com os Museus de
Stutgart, Berlim e Paris.
— As obras do l.° edifício do Instituto estavam quase concluídas.
Em frente ao prédio foi construído o serpentário. Entre outras constru¬
ções já concluídas se destacavam: 3 casas para empregados, parque em
frente do novo edifício, caixas d’água, captação de uma fonte de água,
instalação de uma bomba centrífuga, adaptação de um pequeno pavilhão
para serviços de observação de pequenos animais inoculados, portão da
entrada.
— Em projeto: casas para residência do diretor, para 2 ajudantes e
para um auxiliar; cocheira modelo para 50 animais imunizados; e uma
caixa para distribuição d’água às máquinas.
— Foi explicitado objetivamente o programa do Instituto Serum-
therapico:
a) preparar ser uns e vacinas de aplicação prática no nosso meio;
b) estudar todas as questões que se relacionem com a serumtherapia
e as demais relacionadas com a saúde pública;
c) divulgação (escrita ou através de conferências) dos resultados
das pesquisas originais do Instituto e de noções de higiene.
— Foram projetadas pesquisas para:
a) produção dos ser uns anticolérico, antimeningocócico, anti-stafilo-
cócico, antiestreptocócico, antiescorpiõnico, seruns aglutinantes diversos,
vacina anticarbunculosa etc.;
b) estudos dos assuntos: sistemática e biologia das serpentes do
Brasil, estudos sobre as diferentes peçonhas tanto do ponto de vista quí¬
mico como do toxológico. Serumterapia antipeçonhenta.
— Aracnídios venenosos do Brasil, sua sistemática e biologia. Estudo
dos venenos mais importantes desta ordem: serumterapia escorpiônica,
histologia patológica destes envenenamentos, insetos sugadores que inte¬
ressem à higiene.
1913
— Início do funcionamento das novas instalações do prédio do Insti¬
tuto.
— Os produtos fornecidos pelo Instituto eram: serum antipestoso,
vacina antipestosa, serum antidiftérico, serum antiofídico, serum anticro-
tálico, serum antibotrópico, tuberculina diluída (T.O.A.).
— Dorival de Camargo Penteado retornava de viagem, tendo reali¬
zado cursos no Instituto Pasteur de Paris e no Instituto de Moléstias
Tropicais de Hamburgo.
— Vital Brazil iniciava imunização de animais para o preparo dos
seruns anti-streptocócico e anti-stafilocócico.
— João Florêncio Gomes prosseguiu com o estudo da sistemática
das serpentes, descrevendo uma espécie nova venenosa, a qual denominou
Lachesis Cotiara. Dedicou-se também ao estudo dos triatomas (barbeiro),
da sua distribuição geográfica no Estado e da moléstia que eles podem
transmitir.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mem. Jnst. Butantan, 4^/í5;
11-79, 1980/81.
— O Instituto continuava a ampliar sua coleção de ofídios através
de trocas com outras instituições.
— Bruno Rangel Pestana, além de se ocupar com o preparo do serum
antidiftérico, da tuberculina e estudos de química de veneno e quimiote¬
rapia, realizou estudos sobre protozoologia relativa a moléstia do cão
(Nambyuvu).
— Início do programa de conferências com fins de educação sanitária
para o povo, tendo sido a 1.^ conferência realizada a 7 de agosto, proferida
por João Florêncio Gomes versando sobre a história natural das serpentes.
— Necessidade de ampliar o quadro de funcionários, criando cargos
como de mecânico, eletricista, desenhista-fotógrafo, bibliotecário-arqui¬
vista e ajudante de 2.^ classe, ou seja, estudantes de Medicina.
— Do preparo técnico do pessoal duas opções eram possíveis: ou
contratar especialistas estrangeiros ou enviar brasileiros para estudar nos
grandes centros científicos, opção esta escolhida tanto aqui como em
Manguinhos no Rio de Janeiro.
— Com aumento da produção houve aumento das despesas, portanto,
foi solicitada a verba de 30 rOOOSOOO e que a renda dos produtos do Insti¬
tuto seja aplicada como verba suplementar nas despesas gerais. A renda
líquida da verba dos produtos foi de 9:548$450 no ano de 1912.
1914
— Inauguração do prédio do Instituto no dia 4-4-1914.
— Com as novas instalações, início do preparo dos seruns: antidisen-
térico, antiestreptocócico, antiescorpiônico.
— Dos soros até então fabricados os mais procurados foram: o anti-
ofídico e 0 antidiftérico.
— Era necessário aumentar o número de animais para imunização
para atender à demanda de seruns.
— Vital Brazil partia em viagem de estudos na Europa. Foi substi¬
tuído por Dorival de Camargo Penteado em sua permanência no exterior
no período de abiúl a outubro; a viagem de Vital Brazil foi prejudicada
pela eclosão da 1.^ Guerra Mundial.
— Dl.stribuição dos serviços técnicos:
Dorival de Camargo Penteado: serum antidiftérico, antipestoso e
vacina antipestosa, pesquisas anátomo-histopatológica;
Bruno Rangel Pestana: tuberculina, serum antitetânico, estudos de
quimioterapia e de parasitologia;
João Florêncio Gomes: estudo das sistemáticas dos ofídios, biologia
das serpentes, dosagem e preparo dos seruns antipeçonhentos, preparo do
serum antidisentérico, estudos de parasitologia.
— Na ausência do diretor, o Instituto contou com o auxílio técnico
do Dr. Lemos Torres.
— A cargo do Diretor ficou o preparo dos seruns antipeçonhentos,
estudo da biologia das serpentes, preparo dos seruns antiestreptocócico e
antiestafilocócico.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan <1888-1981) 1.* Parte. Mem. Inst. Butantan,
11-79, 1980/81.
— A vacina e o serum antipestoso teve sua produção diminuída
devido à ausência da moléstia em nosso meio.
1915
— 28-2-1915 — Bruno Rangel Pestana oBteve por permuta a trans¬
ferência para o Instituto Bacteriológico, tendo ocupado seu posto Otávio
Veiga.
— Distribuição dos serviços técnicos;
Octávio Veiga — preparo e dosagem do soro antitetânico, da tuber-
culina e maleína e conservação da coleção de culturas do Instituto, estudo
de moléstias parasitárias do cavalo; estudos sobre a lepra e estudos sobre
ofidismo;
João Florêncio Gomes — preparo e dosagem dos soros antipeçonhen-
tos, sistemática dos ofídios, tendo descrito 4 novas espécies; o trabalho
sobre este tema foi publicado nos Anais Paulista de Medicina e Cirurgia
de junho de 1915 sob o título “Contribuição para o conhecimento dos
ofídios do Brasil”. Ocupou-se também dos estudos de parasitologia. Em
colaboração com o Prof. Brumpt estuda nova espécie de Trictoma, o
Trictoma Chagasi;
Dorival de Camargo, além de substituir o diretor durante sua ausên¬
cia, ocupou-se dos serviços de produção de serum antidiftérico, dos estudos
de anatomia e histologia patológica e dos ensaios de animais bons produ¬
tores de antitoxina.
— Das necessidades do Instituto:
Contratação de mais pessoal técnico; contratação de um técnico para
seção de química e outro para organização da seção de parasitologia.
Aumento de verbas do Estado para atingir equilíbrio econômico. Vital
Brazil propõe que seja votada uma lei que regularize a venda da produção
do Instituto de forma que a renda seja revertida no próprio Instituto.
A falta de maiores recursos punha a risco de paralisação das atividades
de produção de vacinas e seruns.
Salientava a necessidade de preparar técnicos e cientistas brasileiros
no exterior, principalmente nos grandes centros da França e Alemanha,
para prover as instituições de pesquisas nacionais, inclusive o Serum-
terápico.
Tornar o Instituto um centro de difusão da educação sanitária para
o povo.
Promover campanha a favor da higiene pública e para tanto orientar
os estudos para o combate ao paludismo na luta contra o ankylostomíase,
tracoma, moléstia de Chagas, úlcera de Bauru, lepra, difteria, tuberculose,
febre tifóide, combater às más condições de higiene, alimentação e habi¬
tação do povo.
— Em novembro. Vital Brazil viajava pai’a os Estados Unidos da
América, a convite da “Carnegie Endo^vment for Peace” para assistir o
Congresso Científico Pan-Americano, realizado no mês de dezembro em
Washington. Vital Brazil apresentou os seguintes trabalhos:
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mcm. Inst. Butantan,
11-79, 1980/81.
Profilaxia do Ofidismo na Améiúca, de Vital Brazil; comunicação
sobre o emprego da adrenalina na disenteria amébica, de Theodoro Bayma;
nota sobre a profilaxia da febre amarela, de Emílio Ribas; Vital Brazil
levou também filmes sobre os trabalhos desenvolvidos no Instituto e uma
coleção de ofídios vivos para permuta. Realizou várias visitas a institutos
congêneres norte-americanos.
— Da produção do Instituto:
Neste ano apresentou diminuição de 1.000 ampolas de soro antiofídico
por perda de animais para imunização.
O soro antiescorpiônico não é entregue ao consumo por falta de veneno
em quantidades suficientes para fabricação de antígeno.
Houve muita procura do soro antidiftérico sendo entregue ao consumo
3.200 ampolas.
São entregues ao consumo 1.000 ampolas de soro antitetânico.
Tiveram pouca procura o serum e vacina antipestosa, a maleína e a
tuberculina.
Estavam em vias de preparação para consumo os soros antiescorpiô¬
nico, antidisentérico e antitífico.
1916
— Distribuição dos serviços técnicos:
Dorival de Camargo Penteado — serviço de peste e difteria; estudos
de anatomia e histologia patológica.
João Florêncio Gomes — preparo dos soros antipeçonhentos e anti¬
disentérico, estudo da sistemática e distribuição geográfica dos ofídios;
distribuição geográfica dos triatomas em São Paulo e estudos sobre a
transmissão do germen do Nambyuvu; prosseguiu nas experiências para
determinar as condições em que se deve ser instituído o tratamento espe¬
cífico do ofidismo.
Octávio Veiga preparo dos soros: antitetânico, tubei’culina e maleína;
estudos sobx-e a strongylose (verminose) dos eqüídeos e sobre diversas
epizootias. Representou o Instituto na Conferência Sanitária realizada em
Buenos Aires, apresentando dois trabalhos: sobre a Strongylose dos eqüí¬
deos e outro sobre a mosca doméstica.
Vital Brazil, além da direção do Instituto, se incumbiu do preparo
do soro antistreptocócico, a concentração dos soros antitóxicos e estudos
de sorologia.
Houve substancial aumento da produção de soro antidiftérico, dada
a grande procura, devido a escassez do produto estrangeiro no mercado
(período da guerra). O Butantan conseguiu produzir 6.947 ampolas do
produto, tendo no ano anterior produzido 3.200; conseguiu também resul¬
tados melhores com soro mais ativo.
Com vistas a difundir os produtos do Instituto e aumentar suas vendas
0 diretor sugere que seja entregue à uma casa comercial, a representação
comercial do estabelecimento.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mcm, Inst. Butantan, Uk/kS:
11-79, 1980/81.
— Produção do Instituto Serumterápico:
Soros antitetânicos 1.867 ampolas.
Soros antipeçonhentos 9.500 ampolas.
Soro e vacina antipestosa: manutenção do estoque.
Soro antidisentérico já entregue ao consumo.
Soro antiestreptocócico em vias de preparo.
Soro antiescorpiônico ; apesar de em 1907 ter sido iniciada a imuniza¬
ção de animais não foi possível sua fabricação para atender o consumo,
devido a não-obtenção de venenos suficientes. Este ano foi reiniciada
sua produção.
Soro hormônico: ação do soro normal de cavalos no tratamento da
epilepsia (resultados não conclusivos) através de pesquisas realizadas por
Vital Brazil e Pelippe Aché. Da decomposição do soro normal se chegou
ao soro hormônico ou soro tônico-estimulante usado a título de ensaio no
Hospício de Juqueri.
Tuberculina.
Maleína: fornecida à Força Pública e à Câmara Municipal.
Parte dos produtos foi comercializada, sendo seu rendimento bruto
da ordem de 91:222$400.
1917
— Foram criados os serviços de Botânica e Química, a instalação do
Horto Oswaldo Cruz de cultura de plantas tóxicas e medicinais, o labora¬
tório de Opoterapia e o de Soluções Medicamentosas.
— Foram feitas algumas melhorias nas instalações como a construção
de 2 pavilhões, aquisição de maquinários, câmaras frigoríficas para apoio
dos serviços de laboratório. Foram instaladas uma oficina mecânica, uma
carpintaria e marcenaria.
— Concorrência para a comercialização dos produtos do Instituto
tendo concorrido duas firmas: Casa Fretin e Armbrust e Cia. Ganha a
Armbrust, que firma contrato com o Governo do Estado em 21-5. Ficava
estabelecido por 5 anos que a Armbrust seria a única depositária dos
produtos do Instituto com desconto mínimo de 40% e máximo de 50%,
conforme o volume de compras realizadas. Ficou ainda estabelecido o
mínimo de compras de 10 contos de réis mensais e a quantia de 60 contos,
como adiantamento da firma ao Instituto, quantia essa a ser amortizada
no prazo de 5 anos.
— À casa Armbrust cabia a propaganda dos produtos do Instituto
e auxílio pecuniário para as publicações de trabalhos científicos.
—■ Aumento do pessoal técnico:
Dr. F. Hochne, Joaquim Crissiuma e Toledo, Francisco de Camargo
Mesquita, Juvenal de Lima, Artur Pedroso, Benedito Laurindo de Morais;
Afrânio do Amaral e Paulo de Araújo (17-8).
— Comissões: João Florêncio Gomes realizou três excursões cientí¬
ficas pelo interior do estado junto com Diretor Geral do Serviço Sanitário;
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Biitantan (1888-1981) 1-“ Parte. Mem. Jnst. Butantan Ái/i5:
11-79, 1980/81.
Octávio da Veiga viajou para Pelotas a fim de verificar as condições para
instalação de uma filial do Instituto; viagem para Argentina para efetuar
compra de cavalos.
— Distribuição dos serviços técnicos:
Dorival de Camargo Penteado — serviço de difteria e peste, exames
anatomopatológicos; estudos histológicos sobre as glândulas da cabeça
dos ofídios.
João Florêncio Gomes — preparo dos soros antipeçonhentos, preparo
do soro antidisentérico, estudo da sistemática e biologia das serpentes.
Estudos sobre o tratamento dos acidentes ofídicos pelos soros específicos
e em colaboração com o Diretor Geral do Serviço Sanitário.
Artur Neiva — estudo sobre a evolução do berne e os mecanismos
de sua propagação.
Octávio Veiga — preparo do soro anti tetânico, da tuberculina,
maleína e piocianase; trabalhos de veterinária, com a inspeção geral dos
animais do Instituto; início da imunização de animais para produção do
serum antitifóidico.
Vital Brazil — preparo do soro antiestreptocócico, soro antiescor-
piônico e a concentração de diferentes soros.
— Aumento dos produtos do Instituto:
Soros: antiofídico, anticrotálico, antibotrópico — (João Florêncio
Gomes).
Soros antidiftérico e vacina e soro antipestoso — (Dorival de Ca¬
margo Penteado).
Soro antitetânico — (Octávio Veiga e Joaquim Crissiuma).
Soro antidisentérico — (João Florêncio Gomes e Octávio Veiga).
Soro renal caprino — (João Florêncio Gomes e Afrânio do Amaral).
Soro antitóxico gravídico (Afrânio do Amaral).
Soro antiestreptocócico, antiescorpiônico, soro hemostático (coagu-
lante), normal de cavalos (Vital Brazil).
Soluções medicamentosas (Paulo de Araújo) : soro fisiológico, solu¬
ção de tártaro emético, solução de lodureto de sódio, by-cloridrato de
quinina, chlorhydro sulfato de quinina, chlorhydrato de morfina e de enti-
ua; sulfato de sparteina, de cafeína, de cânfora. Suspensão oleosa: calome-
lanos, solução de cacodilato de sódio, solução gaúche, solução do sonligoux,
solução neuro-Tônica, vacina antipestosa, piocianase, tuberculina in natura,
tuberculina (T.O.A.), tuberculina de Koch.
— Necessidade do Instituto:
Aumento de n.° de animais p/ imunização.
Aumento da pastagem e adubação do solo.
Construção de casas p/ residência do funcionário, desdobramento da
escola mista, que funcionou no antigo laboratório provisório para duas
escolas c/ separação de sexo.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) l.“ Parte. Mem. Inst. Butantan, 44/45:
11-79. 1980/81.
Criação de biblioteca especializada e publicação de revista especia¬
lizada.
Solicitação de leitos na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo,
para que se faça o acompanhamento de verificação de terapêutica dos
produtos fabricados no Instituto.
— Houve aumento das despesas devido às ampliações efetuadas no
Instituto, apresentando neste ano, déficit em seu orçamento.
— A municipalidade concedeu medalha e diploma comemorativo ao
Instituto Serumtherapico na 1.® Exposição Industrial da Cidade de São
Paulo.
— Reforma do Serviço Sanitário.
1918
— A estrutura funcional do Instituto se ampliava pela reforma que
sofreu (Decreto 1596 de 29-12-1917) criando 18 cargos novos:
Um assistente, quatro subassistentes, um botânico, um químico, um
desenhista ceroplasta, um chefe de cultura, um mecânico eletricista, um
chefe cocheira, um bibliotecário, um fotógrafo micrografista, um enca¬
dernador, dois escriturários, um motorista, um porteiro telefonista, um
guarda noturno.
— Distribuição dos serviços técnicos:
Dorival de Camargo Penteado — serviço de difteria, peste, exames
histopatológicos.
João Florêncio Gomes — sistemática de ofidios, soros antipeçonhen-
tos, soro antidisentérico, trabalhando em conjunto com Arlindo de Assis,
preparou a 1.^ partida de vacina gonocócica e realizou estudos sobre a
gripe.
Joaquim Toledo Crissiuma — estudos sobre o tétano, soro antitetâ-
nico, estudos sobre a tuberculose, preparo da tuberculina, maleína.
Octávio Veiga — trabalhos de veterinário, estudo do grupo colli tífico.
Afrânio do Amaral — opoterapia, sangrias, trabalhos hospitalares e
fiscalização de produtos, assistência médica aos funcionários.
Paulo de Araújo — soro e vacina antiestreptocócica, soluções medi¬
camentosas.
Arlindo de Assis — vacina antiestafilocócica, vacina antigonocócica,
exames de produtos.
F.C. Hoehne — estudos de botânica, tendo a seu cargo o Horto
Oswaldo Cruz (1700 espécies classificadas) e a estação biológica do alto
da Serra (reserva florestal).
— Pesquisas Científicas:
Dorival de Camargo Penteado — além do prosseguimento de estudos
iniciados anteriormente, ocupou-se da pesquisa sobre a difteria.
João Florêncio Gomes — sistemática de ofídios, tendo examinado as
coleções do Museu Paulista, Museu do Pará e do Ceará; escreveu dois
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (18S8-1981) l.“ Parte. Mem. Inst. Butantan
11-79, 1980/81.
artigos, publicados na revista do Museu Paulista e nas Memórias do
Instituto Butantan: Estudos de sorologia e microbiologia; Estudos sobre
disenteria bacilar; sobre as condições culturais do gonococo e sobre dife¬
rentes germes isolados em casos de gripe, tendo trabalhado em colabo¬
ração com Arlindo de Assis e obtido uma vacina combinada com bons
resultados.
Paulo Araújo — experiências para determinar a atividade relativa
dos soros normais de diferentes espécies como preventivo na infecção
carbunculosa a título experimental.
Florêncio Gomes — estudos sobre soros precipitantes; modificações
na ação ativante hemolítica durante o período de imunização.
Afrânio do Amaral — observações clínicas e terapêuticas colhidas
na enfermaria do Butantan na Santa Casa. Demonstrou o poder cicatri-
zante do soro seco e ensaio de outros produtos (soro normal, soro antipneu-
niocócico).
F. C. Hoehne, os estudos de botânica.
— Produção Industrial do Instituto:
Soro antipeçonhento, soro antidiftérico, soro antitetânico, soro anti-
estreptocócico, soro antidisentérico, soro antipestoso, soro antitóxico gra-
vídico, soro antipneumocócico, soro normal de cavalo, soro normal de boi,
hemostático, vacinas bacterianas diversas, tuberculina, maleína, óleo can¬
forado, soluções medicamentosas, extratos orgânicos injetáveis, extratos
orgânicos por via gástrica, comprimidos de órgãos.
O Dr. Octávio Veiga esteve em comissão na cidade de Pelotas,
dirigindo a instalação da filial do Instituto Butantan. A nova instituição
tem produzido a vacina jenneriana, feito o tratamento anti-rábico, reco¬
lhido peçonhas de serpentes para permuta com soro do Butantan e reali¬
zado todos os exames bacteriológicos e bacterioscópicos da região; Dr.
Costa Pereira seria confirmado como diretor desta repartição.
— Octávio Veiga também representou o Instituto Butantan na Confe¬
rência de Higiene realizada no Rio de Janeiro.
— Foi criado o Instituto de Veterinária com pessoal subordinado
administrativamente à seção da Indústria Pastoril da Secretaria da Agri¬
cultura, mas com a orientação científica do Instituto Serumterápico.
— Vital Brazil foi contrário ao estabelecimento do Instituto de Vete¬
rinária com essa organização.
— Por incumbência do Inspetor Geral da Instrução Pública do Esta¬
do, o Instituto Serumtherapico organizava curso elementar de higiene para
inspetores escolares.
— João Florêncio Gomes morreu em 13-6-1918, interrompendo car¬
reira científica brilhante.
— Foi publicado o l.° volume das “Memórias do Instituto Butantan”
e “Coletânea de trabalhos científicos” de 1901 a 1917.
— Economia — Apesar da grande produção, a despesa ultrapassou
a receita, o que para tanto contribuiu a elevação do preço dos materiais
empregados na indústria, as despesas com a criação de novos serviços e
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mcm. Inat. Butantan,
11-79, 1980/81.
as condições onerosas do contrato com a Casa Armbrust e o mal cumpri¬
mento do referido contrato. A firma, sem assumir os riscos da produção,
ficava com a maior parte dos rendimentos.
1919
— Devido a desentendimentos relacionados com a orientação do Ser¬
viço Sanitário do Estado de São Paulo, Vital Brazil retirou-se do Instituto
e foi para Niterói (Rio de Janeiro) onde fundou o Instituto Vital Brazil.
Foi acompanhado pelos assistentes: Dorival de Camargo Penteado, Octávio
Veiga, Arlindo de Assis e ainda Crissiuma de Toledo.
— Em 11-7 Antonio Joaquim Ulhôa Cintra assumiu a direção inte¬
rina do Butantan, depois respondendo pela direção, Artur Neiva, diretor
para produção de soros.
— O Instituto apresentou um déficit de 88:476$270.
— O contrato com a Casa Armbrust e Comp. prejudicou a expansão
comercial do Instituto e conseqüentemente o desenvolvimento científico.
Porcentagem de lucro da firma muito grande (40% da renda bruta) e
10% de bonificação, quando da venda anual mínima de 150.000$000.
— Saída de Vital Brazil e parte do pessoal técnico, desorganizando
os serviços e atrasando a produção.
— Falta de cobras e conseqüentemente de venenos, matéria-prima
para produção de soros.
— Necessidade de inutilizar produtos por falta de condições de con¬
sumo e dificuldade em repor tais produtos.
— Falta de milho e capim o que levou o Instituto despender grande
verba para compra de ração para os animais.
— Lemos Monteiro que trabalhava no Instituto Bacteriológico desde
5 de julho foi removido para o Butantan em 18-7-1919.
— O desenhista ceroplasta Augusto Esteves pediu exoneração.
— Todo assunto referente a ofidismo ficaria a cargo de Afrânio do
Amaral que parte para o interior a fim de contatar os melhores forne¬
cedores de serpentes. Acumulou diversos serviços: opoterapia; ofidismo,
concentração e dosagem dos diferentes soros, sangrias de animais esta-
bulados.
— Aumento do pessoal técnico: José Lemos Monteiro da Silva, Joa¬
quim Pires Fleury e José Bernadino Arantes.
— Distribuição dos Serviços Técnicos:
J. B. Arantes — soro antidiftérico, antipestoso e estudos de anatomia
patológica.
Afrânio do Amaral — ofidismo, opoterapia, soro antidisentérico, e
concentração de soros.
José Lemos Monteiro da Silva — soro antitetânico, tuberculinas,
maleína, soluções medicamentosas e verificação da esterialidade de diver¬
sos produtos.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mem. Inat. Butantan,
11-79, 1980/81.
J. Pires Fleury — soro antieslreptocócico e antipneumocócico.
Artur Neiva (diretor) — vacinas, orientação e fiscalização de todos
os serviços.
— Devido à conjuntura de crise interna, o serviço hospitalar reali¬
zado pelo Butantan na Santa Casa de Misericórdia foi suspenso.
— Acusações de Afrânio do Amaral à administração de Vital Brazil
(desaparecimento de venenos secos, não cumprimento da permuta de
cobras por soros).
— Pelo decreto n.° 1.700 de 26-12 foi criado o Instituto de Medica¬
mentos Oficiais em Butantan, que ficaria a cargo do químico Alfredo de
Araújo Lima.
1920
— Crise do Instituto: dívida de 106:586$800 da administração ante¬
rior, falta de verbas, baixos vencimentos do pessoal técnico.
— Afrânio do Amaral foi encarregado de responder pela Direção do
Instituto Serumtherapico.
— O subassistente Lucas de Assumpção foi nomeado em 17-3 e a
partir de outubro, ficou encarregado da seção de opoterapia.
— Afrânio do Amaral realizou trabalhos de terapêutica: preparo de
soro eumênico, usados pelos clínicos Celestino Bourroul e Vieira Mar¬
condes e de um preparado de extrato pluriglandular para tratamento de
asma essencial.
— Distribuição dos serviços técnicos:
J. B. Arantes continuou a preparar o soro antidiftérico, soro e vacina
antipestosa e piocianase, estudos de anatomia e histologia patológica.
J. P. Fleury — preparo dos soros e vacinas estreptocócicas e penu-
mocócicas; preparo de soro antimeningocócico polivalente.
J. Lemos Monteiro realizou várias experiências para obter um método
prático de imunização antitetânica e outros trabalhos referentes ao pre¬
paro da tuberculina e maleína, serviços de soluções medicamentosas e
verificação de produtos injetáveis.
F. C. Hoehne, serviços de Botânica.
Afrânio do Amaral, além da direção do Instituto, se ocupou de todos
os demais serviços médicos, seção de opoterapia, seção de ofidiologia,
preparo dos soros antipeçonhentos, antiescorpiônico, serviços de disenteria
bacilar e da superintendência geral dos trabalhos de sangria e concen¬
tração de soros.
— Intensificação de intercâmbio científico com outros institutos con¬
gêneres no país e no exterior.
— Realização do 3.° curso de higiene para professores da rede esta¬
dual de ensino.
— Aumento do cultivo de pastagem.
— Obras de reparo e início da construção da Escola Rural.
— Pedido de envio de cascavéis da Bahia para o Butantan.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mem. Inat. Butantan,
11-79, 1980/81.
— Superou o Instituto seu déficit, terminando o ano com 82:528?900
em caixa.
— O Instituto foi premiado com medalha de ouro na Segunda Expo¬
sição Industrial da Cidade de São Paulo.
— Foi quebrada a praxe de troca de soro por cobras que até então
existia, passando a serem pagas, em dinheiro, aos fornecedores.
— Até esse ano o Instituto Serumtherapico funcionava sem uma
organização definitiva.
1921
— Até 6 de setembro o cargo de diretor foi ocupado por Afrânio do
Amaral.
— Animais para imunização foram fornecidos pelo Regimento da
Cavalaria de São Paulo mediante acordo entre as Secretarias da Justiça
e do Interior, representando economia para Butantan na compra de
animais.
— Redução das despesas, aumento da produção estabilizando gradual¬
mente as finanças do Instituto.
— Incremento da seção agrícola com a instalação de oficina mecâ¬
nica, de ferreiro, seleiro, máquinas agrícolas.
— Implantado sistema de semi-entabulação de animais com economia
de gastos com rações.
— Inaugurado prédio da Escola Rural.
— Reforma de 8 casas de funcionários.
— Instalação da rede de esgoto.
— Necessidade de reformulação do sistema elétrico.
— O químico Alfredo de Araújo Lima, designado para Instituto de
Medicamentos Oficiais, se transferiu para o Laboratório de Análises.
— Distribuição dos Serviços Técnicos:
Lucas de Assumpção — seção de opoterapia e serviços anexos de
sangria de cabras e ovelhas.
José Maria Gomes — preparo das soluções medicamentosas, estudos
de cogumelos patogênicos e disenteria bacilar.
J. P. Fleury investigações sobre coccos e preparo de vacinas e soros
meningococos, estreptococos e gonococos.
Quando em comissão na Bahia, Afrânio do Amaral instalou o posto
antiofídico anexo à Faculdade de Medicina.
O assistente J. B. Arantes — pesquisas sobre hemogregarinas de
cobras e estudos sobre métodos de imunização para antitoxinas diftéricas;
preparo dos soros antipestoso e antidiftérico.
Lemos Monteiro — fiscalização dos produtos a serem entregues ao
consumo, imunização para antitoxina tetânica e a preparação de maleína
e tuberculina.
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OLIVEIRA, J, L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) !•* Parte. Mcm. Inst. Butantan, ^^/45:
11-79, 1980/81.
Fernando Paes de Barros — encarregado do Instituto de Medica¬
mentos Oficiais; apesar da pouca disponibilidade de verbas, prosseguiu
na pesquisa de vegetais e na produção de água destilada.
O botânico F. C. Hoehne — excursões de colheita de material, catalo¬
gação de material e publicação de dois trabalhos científicos.
Afrânio do Amaral — serviços de ofiologia, de concentração de soros;
publicou sete trabalhos. Os assistentes do Instituto pesquisaram e aten¬
deram a epizootia de peste bovina irrompida nas imediações de São Paulo.
— A transferência do cargo do Diretor para Rudolph Kraus em
6-9. Este novo diretor explicitou a necessidade de reorganização do
Instituto;
Péssima situação financeira, falta de uma contadoria organizada.
O contrato com a Casa Armbrust e Comp. terminou no mês de maio
de 1922, não devendo ser renovado.
A necessidade de organização de forma que a renda da venda dos
produtos seja revertida no próprio Instituto de forma a equilibrar as
despesas, sem que seja mantido o rígido esquema de poupança, que pre¬
judicou o desenvolvimento do Instituto.
Necessidade de aumentar o número dos cavalos para imunização,
aumentando conseqüentemente a produção de soros.
— Rudolph Kraus iniciou a produção de vacina antitífica, antes pre¬
parada no Instituto Bacteriológico. Esta vacina sendo gratuita, portanto,
onei’ava o Instituto.
— Foi iniciado o preparo do soro antigangrenoso.
— Teófilo Martins e Augusto Hencke (veterinários) foram encarre¬
gados do serviço de imunização de cavalos.
— A seção de concentração de soros se transferiria para junto da
seção de envasamento e acondicionamento dos produtos, reunindo, por¬
tanto, todas as seções de preparo de soros.
— Necessidade de reaparelhamento do Instituto e reparos nos prédios.
— Solicitação de reconhecimento, pelo Governo, da Caixa Beneficente
dos Empregados do Instituto e aumento de salários dos funcionários.
— Da necessidade de fabricar somente “produtos já conhecidos pela
ciência” e na programação de novos produtos estão: vacina anticarbun-
culosa para uso veterinário, tuberculina Denys, leite para proteinothera-
pia, vacina para lepra, soro antitetânico e antidiftérico de bovinos, AT.
de Behring. Para o diagnóstico biológico, soros precipitantes, hemolisinas,
autovacinas etc.
— Seção de opoterapia: necessita ser reorganizada e ser contratado
um técnico químico-biológico experimental. O diretor Kraus não queria
preparar produtos que não tivessem base científica.
— Rudolph Kraus dividiu o Instituto em seções de forma a promover
os assistentes a chefe de serviço e titulares, os atuais subassistentes,
aumentando os vencimentos de todos.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mcm. Inst. Butantan,
11-79, 1980/81.
— Distribuição dos Serviços Técnicos;
Seção de ofiologia — Afrânio do Amaral; seção de toxinas e dosagem
de soros — J. B. Arantes; seção de vacinas — J. P. Fleury; seção de peste,
preparo de tuberculina, maleína e vacina anticarbunculosa — Lemos Mon¬
teiro; seção de microbiologia — José Maria Gomes; seção de diagnóstico
biológico — Lucas de Assumpção; seção de opoterapia-farmacêutico —
F. Paes de Barros.
— O Instituto de Medicamentos Oficiais estava fechado.
— O pessoal técnico foi aumentado com a contratação de dois sub-
assistentes: Paulo Marrey trabalhando com J. B. Arantes e Rocha Bote¬
lho junto de Afrânio do Amaral.
— A necessidade de os assistentes disporem de tempo maior para
pesquisa, daí a necessidade de o Instituto dispor de número maior de
técnicos para fabricação de soros e vacinas.
— Solicitou mais verbas para Biblioteca.
— Rudolph Kraus organizou conferências semanais entre os técnicos
para divulgação de artigos científicos; curso de Microbiologia para os
novos assistentes e para aperfeiçoamento dos médicos, confei-ências sobre
enfermidades infecciosas, sua profilaxia, vacinação e tratamento. Esses
cursos seriam programados análogos àqueles do Instituto Pasteur e Insti¬
tuto Koch.
— Rudolph Kraus propôs a fundação de uma Sociedade de Biologia,
que depois de implantada foi presidida por Adolpho Lindenberg.
— Organizou também conferências populares para divulgação cientí¬
fica sobre as enfermidades infecciosas para o público em geral.
— Kraus tencionava modificar o Museu do Instituto, até então sobre
cobras, ampliando-o para Museu de Higiene.
— Pesquisas em andamento:
Afrânio do Amaral — sistemática das serpentes.
J. B. Arantes — estudos sobre estado filtrável dos protozoários, sobre
os métodos de imunização em cavalos depois do descanso.
J. P. Fleury — estudo dos tipos de meningococos e pneumococos.
José Maria Gomes — estudos dos fungos e das blastomicis e da cultu¬
ra de “Peptospira icteróides”.
Lucas de Assumpção — preparo de antígenos e soros hemolíticos
para reações biológicas da sífilis, estudo sobre tuberculose e lepra.
Paulo Marrey — bacteriologia d’Herelli.
G. Hohne — sistemática de plantas.
— Projeto de ampliação das seções criando as de; protozoologia,
entomologia, parasitologia e química biológica experimental e para tanto
se deveria contratar especialistas europeus, com contratos de dois anos.
1922
— Foram reiteradas as solicitações do ano anterior ao Governo do
Estado para plena execução do plano administrativo de Rudolph Kraus:
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OLIVEIRA, J. L. Cronologria do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Ment. Inat. Butantan,
11-79, 1980/81.
ênfase à necessidade da venda dos produtos ser organizada de forma
comercial para que possa fornecer verbas necessárias e equilibrar as
despesas — o Instituto estava em déficit desde 1918.
— Afrânio do Amaral estava de licença, tendo viajado para os
Estados Unidos.
— J. P. Fleury se transferiu para o Instituto Bacteriológico.
— A redução do pessoal técnico prejudicando o desenvolvimento dos
trabalhos, agravado também pelos baixos salários pagos aos funcionários,
más condições das moradias dos funcionários.
— Necessidade de novas construções e reparo nos serpentários e
jardins; medidas para resolver o problema de transporte até o Instituto.
— Solicita apoio moral e material do Governo e justificou sua linha
de ação baseada na experiência em Institutos do exterior, ressaltando, no
programa, os objetivos do Instituto; fabricante de produtos para defesa
da Saúde Pública e de ser um centro de ciência, atualizado com o desen¬
volvimento das ciências e produzindo também trabalhos teóricos originais,
voltados à ciência aplicada.
— A necessidade de formar técnicos sorólogos com conhecimentos de
microbiologia.
— As conferências semanais no Instituto foram suspensas por ordem
superior.
— Os trabalhos científicos publicados no Instituto neste ano eram
relacionados com a sorologia.
— O Instituto de Medicamentos Oficiais foi anexado a nova seção de
Organoterapia.
— A seção de Botânica (horto Oswaldo Cruz) foi incorporada ao
Museu Paulista, sem ter sido consultado o diretor R. Kraus.
— Distribuição dos serviços técnicos:
Seção de ofiologia: Rocha Botelho substituindo Afrânio do Amaral;
pouca produção de soros por falta de cavalos para imunização.
Seção de peste: Lemos Monteiro.
Seção de toxinas e dosagem de soros (difteria, tétano, disenteria)
Paulo Marrey.
Seção de vacinas: Lucas de Assumpção, substituído depois por José
Maria Gomes.
Seção de soros antiinfecciosos: com a transferência de Fleury para
o Bacteriológico, a seção ficou a cargo de Lucas de Assumpção.
Seção de microbiologia; José Maria Gomes.
Seção de concentração de soros: Victor Salcedo.
Seção de imunização: Artur Teófilo Martins; Augusto Hencke, vete¬
rinário contratado, foi despedido por ordens superiores, sendo substituído
por veterinário da Força Pública.
Seção de sangria — José Salcedo.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) !.• Parte. Mem. Inat. Butantan,
11-79, 1980/81.
Administração — Julião Joaquim de Freitas.
— Biblioteca;
Seção de desenho — Carlos Rodolph Fisher e auxiliar H. Chiarelli.
Seção de fotografia — Euclides Soares.
Seção de meios de cultura subdividida em:
a) esterilização de material infectado dos laboratórios;
b) feitura dos meios de cultura.
Encarregado: Antonio Alvarenga — coelheira.
Agrícola; Serafim Fontes.
Mecânica: João Nicacio Godói.
Seção de permuta de serpentes.
1923
— Rudolph Kraus em 9-7 solicitou ao Governo a rescisão do seu con¬
trato. Assumiu a direção do Instituto Serumterápico J. Bernardino Arantes
(Lemos Monteiro assinou relatório).
— O relatório anual se resumiu no fornecimento de dados referentes
à produção de soros e vacinas.
— Morreram 59 cavalos.
— Críticas ao trabalho de Kraus: número de cavalos excessivo e
fracos para imunização.
— Rudolph Kraus publicou “Noções Gerais sobre Cobras”.
1924
— Em setembro de 1924, Vital Brazil voltou à direção do Instituto
Serumtherápico convidado pelo Governo do Estado (Carlos de Campos)
com contrato de quatro anos.
— Vital Brazil relatou, nesse relatório, os motivos de sua demissão
em 1919: sua oposição à política do Governo em transformar o Instituto
em “fábrica de soros, vacinas, outros produtos biológicos e solutos medi¬
camentosos com preocupação industrial da concorrência a outras fábricas”
0 que, para tanto, foi realizado pelo Governo contrato comercial com a
Casa Armbrust, muito oneroso para o Instituto. “Além desse erro, de
gravíssimas consequências para o futuro do estabelecimento, outro, de não
menos alcance, era cometido à revelia da vontade e do parecer de quem até
aquela data havia guiado com certa liberdade os destinos da instituição.
Refiro-me à criação do Instituto de Veterinária, subordinado à direção
da Indústria Pastoril da Secretaria da Agricultura, instalado nos terrenos
de Butantan e com orientação científica do diretor deste estabelecimento.”
Da dissociação da direção do Instituto e da inconveniência de se instalar
uma clínica de animais doentes junto a cocheiras e pastagens de animais
destinados à produção de soros terapêuticos residiu a oposição de Vital
Brazil.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mem. Inat. Butantan, ^4/^5:
11-79, 1980/81.
— 0 Instituto de Quinina Oficial instalado com grande dispêndios,
com máquinas, aparelhos e pessoal técnico depois não podendo funcionar
por falta de matéria-prima, sendo então transformado em Instituto de
Medicamentos Oficiais, também inoperante.
— O contrato com a Casa Armbrust terminou, não concretizando a
transformação de Butantan em indústria, o Instituto de Veterinária foi
transferido e do Instituto de Medicamentos Oficiais só restou o edifício.
— As direções interinas não seguiram a linha administrativa ante¬
rior, a atuação do Prof. Kraus foi conflituosa com os assistentes e a crise
se estabeleceu no Instituto, levando mesmo o governo quase a fechar o
estabelecimento.
— Foi necessário dispensar “elementos perturbadores irredutíveis da
boa ordem” e admissão de novos elementos.
— A distribuição dos serviços técnicos ficou assim:
José Bernardino Arantes: organização dos serviços de protozoologia.
Lemos Monteiro: serviços de tétano e difteria.
Paulo Marrey: serviços de peste, disenteria, vacina tífica.
Lucas de Assumpção: preparo dos soros e vacinas antimeningocócica,
antiestreptocócica, antigonocócica e vacina estafilocócica.
Rocha Botelho: vacina jenneriana, tuberculina, maleína.
J. Vellard: organização de Museu e da sistemática de aracnídeos.
Vital Brazil: direção, preparo de soros antipeçonhentos e estudos
sobre venenos.
— O prédio antes ocupado pelo Instituto de Veterinária está sendo
adaptado para o Instituto Vacinogênico, que lá já estava funcionando,
quando Vital Brazil assumiu a direção em Butantan.
— O prédio do Instituto de Medicamentos Oficiais foi adaptado para
abrigar o Museu de ofídios e animais peçonhentos, peças anatômicas e
quadros sinóticos para educação sanitária do povo e a seção de História
Natural.
— Programa de trabalhos e estudos:
Preparo de todos os soros e vacinas para defesa sanitária do Estado
e estudo de todas as questões que possam interessar a saúde pública.
Retomada dos estudos sobre ofidismo e outros animais peçonhentos;
estudos de imunidade local com suas aplicações das enterovacinas de
interesse imediato para a defesa sanitária.
— No período de afastamento de Vital Brazil aumentou o número
de fornecedores de cobras por ter sido abolida a prática de troca de
serpentes por soros e passando a ser pago em dinheiro. Quebra portanto
do objetivo principal “a obtenção do material indispensável ao preparo do
soro e 0 de colocar estes produtos nas mãos dos agricultores”. A propa¬
ganda visando a remessa de serpentes deve ser paralela à do emprego dos
soros, pois é preciso não esquecer que em curar as desgraçadas vítimas
do ofidismo está a finalidade de todo nosso esforço humanitário. Este
fato também contribuiu para o desequilíbrio financeiro do Instituto.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) l."* Parte. Mcm. Inat. Butantan, Í4/45:
11-79, 1980/81.
— De 5 a 28 de julho, período de Revolução foi suspensa a imuniza¬
ção de animais em serviço de soros antipeçonhentos, pela possibilidade
de falta de recursos e pela anormalidade dos serviços de transporte.
— Em decorrência da Revolução de 24, houve aumento de produção
do soro antitetânico, então muito solicitado.
1925
— Pelo decreto 3.876 de 11-7-1925 art. 58 os Institutos Bacteriológico,
Soroterápico e Vacinogênico do Serviço Sanitário se localizarão em Butan¬
tan e constituirão todos sob o nome de Instituto Butantan.
— O Butantan continuou com seu programa de auxílio técnico ao
Serviço Sanitário preparando soros e vacinas para defesa sanitária e,
com a fusão dos três institutos, teve ampliadas suas atribuições, cabendo-
-Ihes também os exames bacterioscópicos e bacteriológicos e preparo da
vacina jenneriana.
— O primeiro posto de exames ficou instalado na antiga sede do
Instituto Bacteriológico, sob a direção do assistente Lucas de Assumpção,
lá trabalhando também Sebastião Calazans, Bruno Rangel Pestana e
Eduardo Vaz.
— Distribuição dos Serviços Técnicos:
Lucas de Assumpção além da direção do posto de exames bacterioló¬
gicos e bacterioscópicos ficou encarregado do preparo dos soros antiestrep-
tocócico, antipneumocócico, antigonocócico e antimeningocócico e das res¬
pectivas vacinas.
Rocha Botelho (sai do Instituto em agosto) e passa para Bulcão
Ribas o preparo da vacina jenneriana, inspeção sanitária dos animais do
estabelecimento e necrópsias dos animais que morreram durante o período
de imunização.
Paulo Marrey e Eduardo Vaz: preparo dos soros e vacinas (soro e
vacina antipestosa, soro antidisentérico e vacina tífica).
Lemos Monteiro: preparo dos soros antidiftérico e antitetânico.
Sebastião Calazans: exames bacteriológicos dos produtos.
Bruno Rangel Pestana: preparo e dosagem da tuberculina e maleína.
Afrânio do Amaral: sistemática de ofídios até sua transferência para
o Museu Paulista, passando este serviço para J. Vellard, que também se
incumbiu da direção do Museu e da sistemática dos aracnídeos, batráquios
e outros animais peçonhentos.
José Bernardino Arantes: seção de protozoologia, até sua saída em
primeiro de agosto.
Vital Brazil: além da direção do Butantan, se encarregou do preparo
dos soros antipeçonhentos. Em colaboração com J. Vellard, o estudo dos
venenos de aracnídios, batráquios e outros animais peçonhentos.
— Aumento do pessoal: foram contratados Eduardo Vaz, J. Vellard,
Jaime Pereira, José Bulcão Ribas; J. Pires Fleury foi removido para o
Instituto Butantan a pedido. Com a fusão dos institutos passaram a fazer
parte do quadro técnico os assistentes do Bacteriológico: Sebastião Cala-
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OLIVEIRA, J. L. Cronoloffia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mem. Inst. Butantan, hit/itS:
11-79, 1980/81.
zans e Bruno Rangel Pestana. Continuaram em exercício dos cargos:
Paulo Marrey, Lucas de Assumpção e Lemos Monteiro. Foram nomeados
funcionários para administração: escriturários, guarda-livros, bibliotecá¬
rios, zeladores de laboratórios, motoristas e vários auxiliares técnicos e
serventes.
— Em 24-12 foi inaugurado o Pavilhão João Florêncio Gomes onde
se instalou o Museu de Animais Peçonhentos e Saúde Pública e gabinetes
de História Natural (antigo prédio do Instituto de Medicamentos Oficiais).
— Museu (pequeno histórico).
— O material do Museu começou a ser colecionado desde 1896 no
Instituto Bacteriológico por Vitar Brazil. Esse material era constituído
exclusivamente por serpentes conservadas em álcool. Com o preparo de
soros antipeçonhentos em 1901, já em Butantan, e com a propaganda
entre os agricultores foi possível aumentar a coleção consideravelmente.
Em 1910, já dispunha de uma regular coleção de ofídios nacionais e outros
obtidos através de permuta com os principais Museus dos Estados Unidos
e Europa.
Por essa época entra João Florêncio Gomes (morreu em junho de
1918) que logo se dedica a estudos da sistemática dos ofídios e identifi¬
cação de novas espécies. A ele sucedeu Afrânio do Amaral, que prosse¬
guiu no estudo da biologia e sistemática das serpentes; transferido em
1925, para o Museu Paulista (Ipii-anga) foi substituído por J. Vellard,
a quem coube a incumbência de reorganizar o material do Museu, dis-
pondo-o convenientemente para exposição ao público. Dado o espaço insu¬
ficiente de que dispunha o Museu, em uma das salas do Edifício Central,
foi adaptado o prédio antes destinado ao Instituto dos Medicamentos
Oficiais, para a instalação do pavilhão de História Natural, composto
do laboratório, gabinete de estudo, depósito das coleções, sala de desenho
e um grande salão para exposição do material ao público.
— Publicação de seis trabalhos de Vital Brazil e J. Vellard sobre
estudos dos venenos.
— Normalizada a produção de soros antipeçonhentos, prejudicada
no ano anterior, pelo movimento revolucionário, que afetou o transporte
ferroviário, reduzindo assim o número de serpentes que chegavam ao
Instituto.
— Foi publicado o segundo volume das “Memórias do Instituto
Butantan”.
1926
— Distribuição dos trabalhos técnicos:
Lucas de Assumpção: encarregado do Posto Bacteriológico, incum¬
bido de preparo dos soros antimeningocócico, antiestreptocócico, antigo-
nocócico e das respectivas vacinas. Estudos sobre reação de Wasserman
e sobre tipos de meningocócica.
Joaquim Pires Fleury, ajudante do Posto Bacteriológico, encarre¬
gado do soro e da vacina antipestosa.
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OLIVEIRA, J. L. CronoloGfia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.‘ Parte. Mem. Inst. Butania-n,
11-79, 1980/81.
Eduardo Vaz, encarregado do soro antidisentérico, da vacina tífica
T.A.B., por via oral e hipodérmica e da vacina BCG, estudos sobre imuni¬
dade local.
Lemos Monteiro, encarregado do preparo do soro antidiftérico e da
anatoxina diftérica para uso profilático. Estudos dos vírus filtráveis.
Jaime Pereira, fisiologista, incumbido do curso de aperfeiçoamento
e da pesquisa sobre venenos.
Bruno Rangel Pestana, encarregado do preparo da tuberculina e
maleína.
Sebastião Calazans, encarregado do preparo do soro antitetânico
e do soro antiescarlatinoso e do exame bacteriológico dos produtos do
Instituto.
José Bulcão Ribas (veterinário) incumbido da fiscalização dos ani¬
mais produtores e do preparo da vacina jenneriana.
J.A. Vellard, (naturalista), encarregado do Museu, estudo e classi¬
ficação de ofídios e aracnídios. Em colaboração com o diretor preparou
soros contra o veneno das aranhas e estudos sobre animais peçonhentos.
Paulo Marrey esteve em comissão de estudos na Europa, especiali-
zando-se no grupo dos germes anaeróbios, no Instituto Pasteur.
Vital Brazil, (Diretor), preparo dos soros antipeçonhentos estudos
sobre venenos.
— Trabalhos de pesquisa: foram publicados no III volume das
Memórias do Instituto Butantan e em outras publicações especializadas
um total de 17 trabalhos científicos versando sobre estudos dos venenos,
sobre imunização, estudos da sífilis, vacinas etc.
— Produtos do Instituto; vacina BCG; vacina tífica por via oral e
hipodérmica; soro antidisentérico (usado largamente no combate aos
surtos epidêmicos na Capital e interior) ; soro antipestoso (casos ocorri¬
dos na Capital e outros pontos do país) ; soro antidiftérico e anatoxina
diftérica para uso profilático; grande procura vacina jenneriana com
produção de cinco milhões de doses dada a epidemia ocorrida na Capital
da República (R. de Janeiro) e em estados vizinhos. Em São Paulo,
graças a intensa vacinação, houve pequeno número de vítimas.
— “Ofidismo é um dos objetivos do Instituto desde sua fundação e
tem contribuído para o renome do estabelecimento.”
Período
N.° de serpentes
recebidas
N.° de ampolas
de soro distribuídas
1901-1905
958
12.566
1906-1910
8.342
21.325
1911-1915
23.193
33.960
1916-1920
37.231
39.072
1921-1925
48.542
29.332
1926
12.052
10.000
(maior n.°
anual) (maior n.° anual)
36
OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.*^ Parte. Mem. Inst. Butantan, 44/45:
11-79, 1980/81.
— Para avaliação dos efeitos do tratamento soroterápico foram utili¬
zados três meios: boletins distribuídos com as ampolas de soro; informa¬
ções pedidas diretamente às prefeituras e a comparação dos coeficientes
de mortalidade por ofidismo, do período anterior à vulgarização do trata¬
mento e do período em que se vulgarizou esse tratamento. A partir de
1902, a pedido de Vital Brazil, foi iniciada a Estatística Demógrafo-Sani-
tária para registrar os óbitos por ofidismo.
— Verificou-se que a partir de 1907, houve queda anual progressiva
da mortalidade por acidente ofídico coincidindo com maior divulgação e
distribuição dos soros.
— Necessidade do Instituto:
Solicitação do Diretor para que seja enviado anualmente um dos
assistentes para viagem de estudos nos grandes centros do exterior para
aperfeiçoamento técnico do Instituto.
Com a reforma do Serviço Sanitário em 1918, da formalização legal
da exigência do tempo integral dos pesquisadores, Vital Brazil apontou a
necessidade desses pesquisadores residirem em terras do Butantan, facili¬
tando a plena utilização da mão de obra e de forma a resolver o problema
de locomoção do centro da cidade para o Instituto.
Necessidade de aumento de pessoal especializado: um assistente de
histologia patológica e outro de protozoologia.
Necessidade de construção de casa para o diretor e para funcioná¬
rios e outras reformas nos edifícios.
— Paulo Marrey que esteve em Paris freqüentando curso de micro-
biologia no Instituto Pasteur critica o baixo nível de ensino e a decadên¬
cia daquela instituição, alertando quanto aos perigos de supervalorizar
os elementos estrangeiros em nossa terra.
— Foi publicado III Volume das “Memórias do Instituto Butantan”.
— Em início de maio, Vital Brazil adoeceu, ficando um mês inter¬
nado no Instituto Paulista.
— Quando reassumiu seu posto partiu em comissão para o Rio de
Janeiro, de onde regressou a 14 de agosto.
— Impossibilitado de permanecer em São Paulo por não estar plena¬
mente restabelecido. Vital Brazil solicitou sua demissão do cargo de
Diretor do Instituto Butantan.
— Durante sua ausência e depois, com seu afastamento difinitivo,
respondeu interinamente pela direção do Instituto, Lucas de Assumpção.
— Em três de outubro a direção do Posto Bacteriológico do Instituto,
antigo Instituto Bacteriológico, passou para Carvalho Lima; havia sido
dirigido por Lucas de Assumpção desde 1925.
— Distribuição dos Serviços Técnicos:
José Bernardino Arantes: preparo dos soros antidiftérico, antipes-
toso, vacina antipestosa, tuberculina e maleína.
Paulo Marrey: preparo dos soros antitetânico e antigangrenoso
(seção micróbios anaeróbios).
37
1 SciELO
OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mcm. Inst. Butantan, Uh/JtS:
11-79, 1980/81.
Eduardo Vaz: preparo do soro antidisentérico.
Lucas de Assumpção, além da direção do posto bacteriológico e depois
da direção do TB, se encarregou do preparo dos soros: antiofídico, anti-
crotálico, antibotrópico, soros e vacinas antimeningocócica, antiestrepto-
cócica, antipneumocócica, antigonocócica, seleção de animais para pro¬
dução de soros.
Lemos Monteiro: preparo da vacina jenneriana.
Eduardo Vaz: preparo da vacina contra tuberculose (BCG), anti-
tífica e antidisentérica, coleção de cultura.
Antonio Moui'ão da Serpa Pinto: (farmacêutico do almoxarifado e
Farmácia do Serviço Sanitário) respondeu pela seção de hipodermia
e soluções medicamentosas.
José C. Ribas: serviços de veterinária.
Alcides Prado: malariologista do Serviço Sanitário adido a éste
Instituto.
— Desde o ano anterior Vital Brazil orientava o assistente Lucas
de Assumpção no preparo dos soros antiofídico e em 26 de abril de 1927
passava esse serviço a seu assistente.
— A produção de soros antipeçonhentos foi de 11.000 ampolas nes¬
te ano.
— Necessitava-se aumentar a propaganda para o envio de serpentes.
O sistema de troca era quatro serpentes por um tubo de soro; por seis
cobras, o Instituto fornecia também uma seringa com duas agulhas.
— No início a permuta era de uma cobra por tudo de soro; de 1920
a 24 (período de afastamento de Vital Brazil) o instituto deveria pagar
quatro mil réis por cada cobra.
— Nestes últimos dois anos, teve aumentado o n.° de jararacas
enviadas ao instituto devido à propaganda nos estados do Paraná e Sta.
Catarina, onde a quantidade de jararacas era grande. E o aumento de
cascavéis foi devido à colônia japonesa de São Paulo, que contribuía
para envio dessas cobras, muito abundantes em nosso Estado.
— A taxa de mortalidade por acidente ofídico caiu muito, sendo
nos últimos anos de 0,9 a 0,8 por mil. No ano de 1927 a mortalidade
total foi de 92.207 sendo, por ofidismo, apenas 84.
— Bruno Rangel Pestana e Joaquim Pires Fleury passaram a ser
assistentes no Posto Bacteriológico; Seba.stião Calazans foi comissionado
para Pelotas e J. Vellard retirou-se do instituto.
— Solicitação ao governo da concessão de vencimentos de tempo
integral aos assistentes e do envio de cientistas para aperfeiçoamento
no exterior.
1928
— Afrânio do Amaral foi nomeado diretor do Instituto Butantan,
assumindo em 12-03.
— Distribuição dos Serviços Técnicos (Reorganização dos serviços) :
38
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. A/cm. hist. Butantan,
11-79, 1980/81.
J.B. Arantes: soi’os antipeçonhentos (antivenenos crotálico, botró-
pico monovalente e polivalente, ofídico, escorpiônico, licósico ectenolicó-
sico) ; soro antidisentérico, antipestoso e diagnóstico anátomo-patológico.
Sempre que o diretor se ausentou, respondeu pelo expediente da diretoria.
Lemos Monteiro: vacina jenneriana e investigações gerais sobre
vírus (foi criada seção de vírus).
Paulo M. de B. Marrey: serviço de toxina tetânica e diftérica; anti-
toxinas tetânica e diftérica: Prosseguiu seus estudos sobre anaeróbios,
visando produzir soros antigangrenosos.
Fernando Paes de Barros, que veio transferido do Laboratório da
Inspetoria de Alimentação Pública, ocupou-se da morfologia e classifica¬
ção de bactérias; museu de culturas; orientação científica do serviço de
meios de cultura; vacinas bacterianas injetáveis (tífica, paratífica, disen-
térica) vacina per-os; filtrados bacterianos (antivírus de Besi-edka).
Luiz Viana: serviço de coccos em geral (identificação e conservação
e preparo de vacinas correspondentes e os devidos soros). Preparação
para iniciar a pi'odução de soro antiescarlatinoso.
Sebastião Calazans continuou em comissão em Pelotas.
Eduardo Vaz pediu demissão em 8 de maio.
Lucas de Assumpção pediu transferência para o Instituto de Higiene.
Afrânio do Amaral: direção, seção de ofiologia, museu e registro
de serpentes.
— Reorganização das seções, reforma e modernização das instalações.
— Necessidade de contratar maior número de técnicos superiores e
reaparelhamento do Instituto.
— A diretoria do Instituto foi autorizada pelo governo a aplicar a
verba oriunda da venda de seus produtos no próprio Instituto.
— Instalação de sala de refeições para funcionários; compra de
aparelhos: raspadeira elétrica, pipetas padrão, gasómetro tipo Tangye
Suction; aquisição de cavalos (131 cavalos).
— Foi derrubado grupo de casas de empregados o chamado “cortiço”
em péssimas condições, bem como a “cocheira velha” (atual Museu His¬
tórico) .
— Início da construção de casas para empregados.
— Reforma da antiga casa da fazenda para residência temporária
do diretor (atual seção de herpetologia) para ulterior aproveitamento
como sede das escolas reunidas de Butantan.
— Instalação do Posto de Higiene do Butantan destinado ao atendi¬
mento de funcionários e crianças residentes no Instituto e redondezas.
— Instalação de bomba para captação de água do Ribeirão Pira-
jussara.
— Revestimento
Instituto.
e impermeabilização das estradas internas do
— Seção agrícola reformulada, com seção de obras; início constru¬
ção de biotério geral para criação de coelhos, cobaias, pombos e outros
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1931) 1.® Parte. Mcin. Inst. Butantan,
11-79, 1980/81.
pequenos animais; criação de animais e mesmo de hortas para alimen¬
tação de funcionários residentes; reaproveitamento de lixo para adubação.
— Horários fixos para saída dos automóveis de condução de funcio¬
nários e inauguração de um ônibus, montado nas oficinas do Instituto.
Foi aberta estrada de rodagem de Pinheiros a Butantan pelo governo.
— Comissões:
José Lemos Monteiro esteve no Rio de Janeiro para acompanhar
trabalhos sobre transmissão experimental da febre amarela e preparo
de vacina e soro antiamarílico.
Afrânio do Amaral esteve nos USA de novembro de 1925 a 11 de
março de 1927 montando o Antivenin Inst. of America.
— Solicitação ao Governo do Estado:
Aumento do salário dos funcionários equiparando-os aos do Instituto
Biológico (Secr. da Agricult.) com salários quatro vezes maiores.
Reforma do Instituto de forma a ampliar suas finalidades e esfera
de ação, transformando-o em um laboratório de Medicina Experimental,
dedicado especialmente a investigações de Patologia humana.
Aumento do número de assistentes, devendo o Instituto dispor de:
um diretor encarregado de seção; dez assistentes encarregados de seção;
cinco assistentes de pesquisa; um adjunto, encarregado do Horto Osvaldo
Cruz; três preparadores; um conservador do Museu e das coleções; seis
técnicos de laboratórios; dezesseis auxiliares de laboratórios; um secre¬
tário-tradutor, além dos atuais servidores administrativos.
Construção de serpentário, de forma científica, para diminuir a
mortalidade de ofídios.
— Neste ano a produção de vacina jenneriana possibilitaria a vaci¬
nação de 1.982.600 pessoas, sendo fornecida para vários Estados.
— Foram produzidos ainda experimentalmente soros para trata¬
mento de coqueluche.
O governo ainda não atendeu solicitação do ano anterior de aumento
de verbas e pessoal, impossibilitando as melhorias programadas.
— Distribuição dos Serviços Técnicos:
J.B. Arantes: antivenenos (soros antipeçonhentos) serviço de peste
e pesquisas histopatológicas.
P.M. Barros Marre.v: serviço de tétano e culturas de anaeróbios;
preparo de antitoxinas e anatoxina diftérica e soro antidisentérico.
J. Travassos da Rosa, assistente interino, na vaga de Camargo
Calazans, em comissão no Instituto de Higiene de Pelotas. Ocupou-se
da seção de soros antibacterianos, tendo reiniciado o serviço de preparo
de bacterinas contra os diversos coccos patogênicos.
Luiz Viana voltou para Maranhão, sua terra natal, ficando lá como
assistente da filial do Instituto Oswaldo Cruz.
F. Paes de Barros seção de bacterioterapia. Museu de Culturas e
preparo de meios de cultura.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.» Parte. Mem. Inst. Butanian, U/i5:
11-79, 1980/81.
Cícero Neiva substituiu Bulcão Ribas. Incumbiu-se da revisão do
grupo de germes disentéricos e paradisentéricos.
Afrânio do Amaral ofiologia e zoologia médica.
J. Lemos Monteiro seção de vírus e laboratório vacínico, auxiliado
por R. Braga Godinho, nomeado assistente.
— Aumento sistemático do recebimento de serpentes.
— Publicação de vários trabalhos científicos de Lemos Monteiro (7)
Afrânio do Amaral (18).
_ A redução de verbas e de pessoal técnico do Instituto, prejudi¬
cando seu desenvolvimento.
— Redução de cavalos imunizados.
— Perda da produção de forragem, devido a enchentes do Rio
Pinheiros.
— Terminadas as reformas iniciadas no ano anterior.
_ Era projeto do Diretor, iniciar reformas das salas de sangria,
meios de cultura, concentração de plasma, filtração, distribuição e acon¬
dicionamento de produtos. Reformas do biotério anexo ao Laboratório
Central e do cobril das espécies venenosas.
_ Não foi destacado um inspetor sanitário ou médico para tomar
conta do Posto de Higiene, que só funcionou alguns meses.
— Reorganização dos serviços de contabilidade.
— Foi autorizada a contratação de um bioquímico estrangeiro D.
von Klobusitzky.
— Foram instalados dois laboratórios para estudos sobre vírus fil¬
tráveis, sendo estudados a febre amarela e o vírus tuberculoso.
— Foram encomendados pelo Instituto 100 macacos rhesus e feitas as
instalações para os trabalhos experimentais de febre amarela.
— Foi iniciado o fornecimento de vacina BCG para uso subcutâneo
para imunização de adolescentes e adultos. Foi publicado o IV volume das
“Memórias do Instituto Butantan”.
— Surgiu nos arredores de São Paulo infecção desconhecida que
matava 80% dos doentes, (tifo exantemático).
— O Posto Bacteriológico estava ligado ao Butantan apenas for-
malmente.
Apesar de contar com apenas sete assistentes e da redução orça¬
mentária, o Instituto Butantan apresentou situação administrativa e
econômica favorável, precisando, no entanto, da efetivação da reorga¬
nização geral do Instituto.
— Distribuição dos Trabalhos Técnicos:
Lemos Monteiro; laboratório Central: seções correspondentes à
imunidade ativa e passiva; restabelecimento da produção de antitoxina
tetânica.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mem. Inst. Butantan, i4/45:
11-79, 1980/81.
J.B. Arantes antivenenos, serviço de peste, pesquisas histopatoló-
gicas e serviço de difteria.
J. Travassos da Kosa produção de bacterinas e de soros antibacte-
rianos; início do preparo do soro antiestreptoescarlatinoso e estudos sobre
sorologia.
C. Neiva produção soro antidisentérico e reorganização geral do
Museu.
S. C. Calazans reassumiu seu cargo, trabalhando no Butantan e no
Posto Bacteriológico. Estava encarregado do serviço de preparo do soro
antigangrenoso, produção de bacterinas tífico-paratíficas e disentéricas.
— Laboratório Experimental (Lemos Monteiro) superintendência
da seção de vírus e virusterapia, estudos sobre febre amarela experimental
e tuberculose.
— Laboratório Vacínico da Seção de Vírus (R. B. Godinho) aper¬
feiçoamento dos processos técnicos da vacina variólica.
— Seção de Ofiologia e Zoologia Médica: Afrânio do Amaral.
— Contratação:
Alcides Prado (malariologista) estudos sobre questões concernentes
à entomologia e parasitologia, iniciando a organização das coleções da
seção.
Dionysio von Klobusitzky especialista em físico-química em institutos
austro-húngaros e alemães, que aqui montaria o primeiro laboratório de
físico-química para pesquisas sobre os fenômenos de imunidade e aperfei¬
çoamento dos métodos sorológicos.
— Foi destacado o inspetor C.A. do Espírito Santo como encarre¬
gado do Posto de Higiene, que atendeu em dez meses de funcionamento
a 2.796 pessoas. Foi destacada para serviço no Posto de Higiene a educa¬
dora sanitária Nadia Campeio de Souza.
— Trabalhos agrícolas e de construção:
Construção de duas casas e reformas de outras quatro do tipo rural.
Reforma e instalação definitiva da seção de meios de cultura e de
esterilização de material.
Canalização de águas pluviais.
Início da construção da residência para diretor.
— O serviço de transporte passava a ser feito por uma empresa
particular.
— Diminuição do recebimento de cobras devido:
a) à crise econômica, que resultou no fechamento de muitas fazen¬
das e redução de colonos e b) ao movimento revolucionário de outubro
com a interrupção do tráfego ferroviário.
— Foi sugerida a reorganização geral do Instituto e sua separação
do Serviço Sanitário, de forma a lhe dar maior autonomia financeira e
de desenvolvimento.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) Parte. Mem. Inat. Butantan,
11-79, 1980/81.
— Foram publicados vinte e cinco trabalhos científicos originais,
sendo sete deles sobre ofiologia e de autoria de Afrânio do Amaral, publi¬
cados no IV volume das Memórias do Instituto. O V volume, já no
prelo, correspondia ao ano de 1930, com trabalhos de Lemos Monteiro,
J. Travassos, A. do Amaral, C. Neiva e D. Klobusitzky.
Os dados referentes a 1931 e 1932 foram obtidos através de con¬
sulta ao Decreto 4.941 de 21-03-1931 que reorganizou o Instituto Butantan
e da publicação de Afrânio do Amaral “Cinco Anos de Reorganização do
Instituto Butantan” à luz do seu 32.° relatório anual, janeiro 1933.
— O decreto n.° 4.891 de 13-02-1931 desanexava da Diretoria
Geral do Serviço Sanitário do Estado o Instituto Butantan que passava
a ser subordinado à Secretaria da Educação e da Saúde Pública.
— O artigo 40 do mesmo decreto desanexava o Instituto Bacterio¬
lógico do Instituto Butantan.
— O Instituto Butantan foi reorganizado como um centro de medi¬
cina experimental tendo por fim:
a) realizar toda sorte de trabalhos científicos sobre animais
venenosos;
b) estudar questões referentes à patologia humana ou a ela apli¬
cáveis, investigando especialmente os fenômenos de imunidade e outros
que surgirem no decurso dos trabalhos, de acordo com a tradição do
estabelecimento;
c) preparar produtos biológicos necessários à defesa sanitária e
substâncias empregadas em terapêutica humana;
d) realizar investigações sobre plantas medicinais brasileiras, tra¬
tando de isolar seus princípios ativos aplicáveis em medicina humana,
aproveitando as instalações do antigo Horto Osvi^aldo Cruz;
e) fiscalizar o comércio de produtos biológicos, aferindo aqueles
que tiverem aplicação na terapêutica ou na profilaxia de enfermidades
humanas;
f) realizar excursões científicas ao interior para o estudo de molés¬
tias, dentro das finalidades do Instituto;
g) instalar e manter postos antiofídicos ou filiais onde for jul¬
gado conveniente, a fim de estender às zonas rurais o benefício de
sua influência;
h) organizar e manter cursos práticos de especialização e de divul¬
gação científica, dentro de suas finalidades;
i) divulgar amplamente, por meio de publicações, os resultados de
seus estudos;
j) estabelecer contato e permuta com outros centros científicos,
para manter-se em dia com os progressos de Medicina Experimental;
k) cobrar as taxas fixadas pelo regulamento de fiscalização de
produtos biológicos;
l) aceitar doações, mediante prévia autorização do Governo;
Art. 2.° — Para a boa marcha dos trabalhos, os serviços do Insti¬
tuto Butantan ficariam divididos em dois grupos:
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) Parte. Mem. Inat. Butantan,
11-79, 1980/81.
a) serviços administrativos, compreendendo a Diretoria com as
Seções de Administração, Animais Imunizados e Culturas e obras;
b) serviços técnicos, sob a superintendência do Diretor, que os
distribuirá em Seções, de acordo com o regulamento interno do Instituto.
— Foi instituido o regime de tempo integral para os assistentes-
-chefes.
— Foram instituídas as escolas rurais no Butantan.
— O Instituto fornecerá gratuitamente ao Serviço Sanitário os
produtos solicitados e o excesso da produção seria vendida e a renda
revertida no próprio Instituto.
— O Instituto deveria incrementar sua produção industrial e orga¬
nizaria uma “Seção comercial, pondo a sua testa um profissional de
reconhecida competência e idoneidade”.
— A seção de Protozoologia e Parasitologia ficava provisoriamente
anexa à de Ofiologia e Zoologia Médica, a cargo do diretor.
— O quadro funcional do Instituto ficava assim:
a) serviços administrativos, na diretoria: um diretor-superinten¬
dente, um bibliotecário, um ajudante de bibliotecário, um desenhista-cero-
plasta, um fotomicrografista-adjunto, um preparador, dois serventes; na
administração: um administrador-almoxarife, um guarda-livros, um aju¬
dante de guarda-livros, um protocolista, três auxiliares de escrita, um
porteiro-telefonista, quatro motoristas, quatro serventes. Na seção de
animais imunizados: um chefe de cocheira, oito serventes. Na seção de
culturas e obras: um chefe, um jardineiro, dez serventes;
b) serviços técnicos nas diversas seções: quatro assistentes-chefes,
cinco assistentes, dois preparadores, doze auxiliares técnicos e doze ser¬
ventes técnicos.
— O decreto 4.998 de 27-04 dava regulamento ao decreto 4.941 de
21-03 que reorganizou o Instituto.
— Ao diretor-superintendente competia entre outras funções:
a) orientar e dirigir os trabalhos técnicos e administrativos;
b) superintender, como assistente-chefe, os serviços da seção de
Ofiologia e Zoologia Médica e bem assim os de Protozoologia e Parasito¬
logia, enquanto esta estiver anexa àquela;
c) designar funcionários para execução dos serviços técnicos admi¬
nistrativos;
d) propor ao governo nomes para o preenchimento dos cargos de
nomeação ou de contrato criados, ou que se vagarem;
e) contratar, dispensar, licenciar e punir os motoristas, serventes-
-técnicos, serventes e jardineiro constantes do quadro e admitir artífices e
operários, dentro dos limites das verbas do estabelecimento;
f) organizar o programa de concursos para o preenchimento de
vagas do quadro, dirigindo-os pessoalmente e designando entre os funcio¬
nários superiores do Instituto os necessários examinadores, a juízo do
governo;
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mcm. In$t. Butantan, 44/45:
11-79, 1980/81.
g) propor ao governo nomes de funcionários para fazerem excur¬
sões científicas ou viagens de estudo, arbitrando-lhes diárias, de acordo
com 0 governo;
h) apresentar relatórios anuais sobre os trabalhos da repartição,
com sugestões sobre os meios de aumentar a eficiência dos serviços;
i) fiscalizar a confecção das “Memórias” e outras publicações cien¬
tíficas do Instituto;
j) informar, sempre que lhe for ordenado pelo governo, sobre a
marcha dos serviços do Instituto;
k) apresentar em tempo, ao governo, dados para a confecção do
orçamento no qual deverá ser incluída a verba para pagamento de tempo
integral ao pessoal técnico superior.
— Ao administrador-almoxarife competia entre outras funções:
a) manter em dia e em ordem os serviços de administração, expe¬
diente, registro, escrituração e movimento dos funcionários;
b) adquirir e distribuir pelas seções o material necessário, fiscali¬
zando 0 seu emprego e conservação;
c) organizar e manter em dia os serviços do almoxarifado apresen¬
tando um balancete mensal e inventário anual sobre seu movimento;
d) preparar editais e providenciar sobre a impressão de folhetos,
circulares e outros papéis de uso da repartição;
e) fiscalizar o ponto dos funcionários;
f) organizar a folha de pagamento do pessoal do Instituto;
g) fiscalizar o serviço do guarda-livros ;
h) fiscalizar a conservação dos edifícios e casas de residência.
— Ao guarda-livros competia entre outras funções:
a) trazer em dia o serviço de contabilidade, escrituração de todo o
movimento de produção e despesas das seções;
b) examinar e conferir todas as contas e faturas de fornecimentos,
antes do respectivo processo de pagamento ficando responsável pelos erros
ou omissões cometidas;
c) trazer em dia e em ordem a escrituração sobre movimento de
produtos e de permutas com os fornecedores do interior.
— O ajudante de guarda-livros, protocolista e auxiliares de escrita
sobre o auxílio aos trabalhos referentes à seção, catalogação da biblioteca,
serviços de compra e permuta de livros e outras publicações, escrituração
sobre o movimento geral da biblioteca, colaborar com o correspondente
na organização de resumos e fichamentos de trabalhos.
— Ao desenhista-ceroplasta compete entre outras funções: os dese¬
nhos de caráter científico, preparar as peças de cera e outro material
necessário ao Museu Médico, serviço fotomicrográfico, fotográfico do
Instituto, auxiliar os serviços técnicos da seção de Protozoologia e Para-
sitologia.
— Ao chefe de cocheira competia entre outras funções: tratar conve¬
nientemente de todos os animais usados no serviço de soroterapia e outros;
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11-79, 1980/81.
dirigir o serviço de injeções e sangrias; o registro do movimento da seção
e as folhas de observações clinicas; realizar as necroscopias.
— Ao chefe de Cultura e Obras competia entre outras funções: diri¬
gir os trabalhos agricolas; fiscalizar o movimento dos empregados diaris¬
tas, operários e artífices; fiscalizar a construção; fiscalizar o serviço de
automóveis; fiscalizar a manutenção do parque etc., e dos preparadores,
porteiro-telefonista, motorista, jardineiro, serventes, auxílio e execução
de manutenção do Instituto.
— A divisão dos serviços técnicos ficou assim dividida:
1. Seção de Ofiologia e Zoologia Médica: diretor;
2. Seção de Protozoologia e Parasitologia: a cargo do diretor-assis¬
tente Alcides Pi’ado;
3. Seção de Imunologia Experimental e Soroterapia: J. Bernardino
Arantes, Flávio de Fonseca e Joaquim Travasso;
4. Seção de Bacteriologia Experimental e Bacterioterapia: S. de
Camargo Calazans, assistente Cícero Neiva;
5. Seção de Vírus e Virusterapia: Lemos Monteiro e R. Godinho;
6. Seção de Físico-química Experimental: Klobusitzky;
7. Seção de Botânica Médica;
8. Seção de Química e Farmacologia Experimental;
9. Seção de Fisiopatologia Experimental;
10. Seção de Citologia, Embriologia e Genética Experimental.
— A seção de Ofiologia e Zoologia Médica competia entre outras
funções:
a) estudar ofídios e outros animais de interesse médico ou
higiênico ;
b) organizar o Museu Médico para divulgação dos trabalhos do
Instituto;
c) dirigir a campanha dos ofídios e outros animais venenosos;
d) organizar conferências e palestras com intuito de divulgar
conhecimentos referentes ao assunto;
e) manter permuta de material com outros laboratórios;
f) informar as consultas relativas à seção.
— A seção de Imunologia Experimental e Soroterapia competia
entre outras funções:
a) estudar todas as questões referentes aos fenômenos de imuni¬
dade;
b) entregar ao serviço o produto de suas experiências, para a
devida aplicação;
c) preparar, dosar e aferir todos os soros, antivenenos e anti-
toxinas usados no tratamento e profilaxia de enfermidades humanas;
d) analisar e aferir soros, anti venenos e anti toxinas preparados
por laboratórios particulares, para consumo público, tudo de acordo
com instruções que constituirão objeto de decreto especial.
— À seção de Bacteriologia Experimental e Bacterioterapia com¬
petia entre suas funções:
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mem. Inst. Butantan, 4^/45:
11-79, 1980/81.
a) investigar questões relativas a bactérias patogênicas;
b) conservar o Museu de Culturas;
c) entregar ao serviço, o produto de suas experiências, para a
devida aplicação;
d) preparar bacterinas, filtrados bacterianos e outras substâncias
de emprego corrente no tratamento e profilaxia de moléstias infectuosas
humanas;
e) analisar produtos de origem bacteriana empregados no trata¬
mento e profilaxia de enfermidade humanas e preparados por labora¬
tórios particulares.
— A seção de Vírus e Virusterapia competia entre outras funções:
a) investigar questões referentes a moléstias humanas produzi¬
das por vírus, tais como varíola, varicela, sarampo, tracioma, polio¬
mielite, influenza (gripe), febre amarela, tifo exantemático e outras.
b) estudar experimentalmente a ação de bacteriófagos e tratar de
seu preparo;
c) preparar vacina animal contra a varíola.
— À seção de Físico-química Experimental compete entre outras
funções:
a) estudar experimentalmente questões referentes aos fenômenos
vitais e especialmente os de imunidade;
b) investigar a composição dos lipóides e colóides;
c) concentrar e refinar plasmas fornecidos pelo serviço de soro-
terapia ;
d) dirigir cientificamente o preparo dos meios de cultura;
— À seção de Protozoologia e Parasitologia compete entre outras
funções:
a) estudar os principais artrópodes e protozoários parasitas,
veiculadores ou causadores de enfermidades humanas;
b) pesquisar meios de tratamento e profilaxia contra os mesmos;
c) investigar fenômenos de imunidade no decurso de doenças
produzidas por protozoários e parasitas.
— À seção de Botânica Médica competia entre outras funções:
a) estudar plantas indígenas de interesse médico ou higiênico;
b) cultivar e realizar observações biológicas sobre espécies em¬
pregadas na terapêutica popular, afim de contribuir para a nossa
matéria médica;
c) organizar herbários e coleções para a divulgação dos trabalhos
da seção;
d) organizar exposições e conferências para interessar o público
no aproveitamento das espécies medicinais;
e) manter permutas de material com outros laboratórios;
f) informar as consultas relativas à seção.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) l.“ Parte. Mem. Inst. Butantan,
11-79, 1980/81.
— À seção de Química e Farmacologia Experimental competia
entre outras funções:
a) investigar todas as questões de química que surgissem no
decurso dos trabalhos do Instituto;
b) isolar princípios ativos de venenos animais e de plantas
reputadas medicinais;
c) estudar a ação farmacodinâmica de princípos ativos, de venenos
e plantas;
d) colaborar com outras seções no esclarecimento de problemas
em investigação;
e) realizar todas as pesquisas químicas sugeridas pelo diretor;
f) investigar a ação de princípios endócrinicos e outros que cons¬
tituam objeto de trabalho no Instituto.
— À seção de Fisiopatologia Experimental competia entre outras
funções:
a) colaborar no esclarecimento da ação exercida sobre o organismo
pelos venenos e toxinas animais e princípios ativos vegetais;
b) pesquisar lesões produzidas por micróbios e parasitas do domínio
da patologia humana;
c) tratar de desenvolver experimentalmente métodos aplicáveis à
cirurgia humana;
d) investigar em sua subseção de Endocrinologia, a ação das secre¬
ções internas, preparando produtos endocrínicos (opoterápicos) devida¬
mente dosados e aferidos;
e) investigar em colaboração com as seções de Química e Físico-
-química, o mecanismo da ação das vitaminas;
f) analisar produtos opoterápicos do comércio.
— À seção de Citologia, Embriologia e Genética Experimental com¬
petia entre outras funções:
a) estudar experimentalmente os fenômenos da atividade celular,
reprodução, hereditariedade, variação e seleção;
b) fazer conferências e divulgar, por meio de publicações os resul¬
tados de seus estudos.
— Somente as seis primeiras seções funcionariam este ano posto que
já existentes. A medida das necessidades do serviço e disponibilidade de
recursos financeiros as demais seriam instaladas.
— Benfeitorias das instalações do Instituto:
Remodelação dos serviços de concentração e refinação de plasmas,
filtração e distribuição de produtos e de acondicionamento.
Instalação de sistema de vácuo e pressão para uso dos laboratórios
com controle central.
Quatro casas tipo rural para residência de funcionários.
Construção de casa para residência do diretor (atual Diretoria
Técnica).
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mem. Inst. Butantan, 44/45:
11-79, 1980/81.
Reforma da antiga sede da chácara, onde se instalara o diretor, para
sede do Grupo Escolar Rural e apartamentos dos técnicos.
— Neste ano foram publicados 43 trabalhos científicos.
1932
— O relatório de 1932 está sob forma de publicação “Cinco anos de
Reorganização”.
— A dotação de verbas para o Instituto veio declinando desde 1927:
1927 — 1.395:107$760; 1931 — 1.054:925$000.
— Apesar da produção vir aumentando progressivamente: 1927 —
668:405$000; 1931 — 908:142$803, apresentando aumento nos períodos
revolucionários de 30 e 32: 1930 — 1.310 .•748Ç400; 1932 — 1.505:104$050
(em julho de 32 o Instituto recebeu crédito especial pelo Comando
Geral da Força Pública de 127:003$660) a verba global de 1932 foi
1.175:403$660.
— Sugestões:
Aumento da verba de 200:000$000 para instalar novos serviços como
de Botânica Médica (para cultivo e estudo de plantas medicinais) e de
Fisiopatologia Expeiúmental (com as sub-seções de Fisiologia, Endocrino-
logia e Histopatologia) que criariam renda através da venda de seus
produtos: venda de plantas medicinais e de preparados opoterápicos,
representando fonte de recurso para o estabelecimento.
— Orientação e intensificação dos serviços de produção de soros,
antitoxinas, antivenenos, bacterinas, vacinas e outras substâncias bioló¬
gicas.
— O número de obras decresceu pela crise financeira do ano ante¬
rior, daí orientação mais voltada ao aspecto social dos funcionários:
Incremento da Caixa Beneficente mantida pelos funcionários e a
criação de Cooperativa com fundos da Caixa Beneficente para forneci¬
mento de gêneros de primeira necessidade. Construção de campo de
esportes.
— No período revolucionário, o Butantan atingiu recorde de produ¬
ção de soro antitetânico fornecido principalmente às ü'opas. Em função
desse aumento para atender demanda o Instituto solicitou empréstimos a
Associação Comercial e a MMDC e mesmo de criadores de animais para
aumentar números de cavalos para serviço de imunização e requisição de
outros materiais necessários à construção de novos alojamentos e manu¬
tenção dos animais recebidos.
— Daí a construção de galpões para semientabulação de cavalos
imunizados, um abrigo para eqüinos do serviço de criação e seleção racial.
— Foi construído também báias para alojar vitelos do serviço de
vacina variólica.
— Início da criação de suínos de raça, como subproduto da Seção
Agrícola, para nova fonte de renda e aumento de Biotério Geral.
— Foi constituído alambique para destilação de água requisitada
pelo Serviço Sanitário.
— Neste ano foram publicados 41 trabalhos científicos.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mera. Jnst. Butantan,
11-79, 1980/81.
— Foram realizados os serviços de análise dos produtos biológicos,
que desde 1925 haviam sido interrompidos.
— Novos produtos: vacina variólica pura, soro vacínico (coquelu¬
che) ; anatoxina tetânica; antitoxina super concentrada; soro antitoxina
escarlatínica, soros antigangrenosos, soro antitoxina anaeróbica, bacte.
rina tífico-disentérica injetável, lipo-soros (normais para tratamento de
perturbações nervosas e antitoxigrávídicos para tratamento das pertur¬
bações toxêmicas da gravidez).
1933
— “Devido ao desfecho da Revolução Constitucionalista no segundo
semestre de 1932 é alarmante a instabilidade política no semestre seguinte:
todos os estabelecimentos técnicos dotados de produção industrial sofre¬
ram crise mais ou menos intensa nos oito primeiros meses de 1933”, pg. 1,
Rei. Annual, 1933.
1. Seção de Ofiologia e Zoologia Médica: assistente-chefe Afrânio
do Amaral.
— Houve decréscimo na produção de venenos em conseqüência das
perturbações na vida agrícola pela revolução. A produção científica teve
dez trabalhos publicados de Afrânio do Amaral, em colaboração com Lemos
Monteiro e Vieira Marcondes.
— Foram remetidos 354 folhetos descritivos dos produtos do Insti¬
tuto para os fornecedores de serpentes, 402 seringas e 197 caixas; o
Instituto recebeu 23.066 serpentes.
2. Seção de protozoologia e parasitologia (assistente Alcides Prado)
realizou 683 exames de material e aumentou a coleção de artrópodes e
de helmintos a 1.401 exemplares. Publicou três trabalhos científicos.
3. Seção de Imunologia e Soroterapia (assistente-chefe J.B. Arantes
e assistentes J. H. Travassos e Flávio da Fonseca).
— Produção de soros antipeçonhentos, antidiftérico e antitoxina dif-
térica; verificação da esterilidade dos produtos; serviço de antitoxina
tetânica.
— Produção científica: quinze trabalhos publicados nas Memórias,
em revistas nacionais e estrangeiras, destacando-se trabalhos de Flávio
da Fonseca sobre ácaros.
4. Seção de Bacteriologia e Bacterioterapia (assistente-chefe S. C.
Calazans e assistente C. Neiva), encarregado do preparo de todas as
bacterianas, injetáveis e ingeríveis, além dos soros antidisentérico e anti-
gangrenoso, das tuberculinas e do Museu Bacteriológico. Subseção de soro¬
terapia antibacteriana (assistente Joaquim Travassos) realizou estudos
experimentais principalmente da toxina e antitoxina estafilocócica que
permitiu lançar dois novos produtos: a anatoxina e a antitoxina estafilo¬
cócica. Oito trabalhos publicados.
5. Seção de Vírus e Virusterapia (assistente-chefe Lemos Monteiro,
assistente Raul Godinho) vacina variólica, bacterina tuberculosa e bacte-
rina pestosa e o soro correspondente; estudos sobre o cultivo de vírus
variólico no embrião da galinha e novas pesquisas sobre “tifo exantemá-
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) !.• Parte. Mem. Inat. Butantan,
11-79, 1980/81.
tico de São Paulo”. A produção de vacina variólica tem sido maior que a
do Instituto Vacínico Federal. Produção Científica: seis trabalhos publi¬
cados.
6. Seção de Físico-química (assistente-chefe: D. von Klobusitzky)
cinco trabalhos publicados: realizou 637 trabalhos de físico-química (PH)
e 117 de química. Foi publicado o VII Volume das Memórias.
1934
— Desenvolvimento gradual dos trabalhos realizados no Butantan.
Aumento da verba do Estado da ordem de 210:500$000 sendo portanto
sua despesa líquida por conta do Tesouro de 1.247:325$300 e a produção
global de 1.619:405$050 tendo saldo positivo de 372:079$750. O Instituto
recebeu crédito especial de 62:000$000 para construção do pavilhão espe¬
cial, com 20 laboratórios para estudos experimentais e preparo de vacina
contra febre maculosa de São Paulo (tifo exantemático).
— Dada à exigüidade de verbas destinadas ao setor agrícola, foram
feitas apenas reformas dos prédios, destacando-se a do Laboratório Vací¬
nico de forma a unificar todo o serviço de produção da vacina variólica.
— Serviços Técnicos:
1. Seção de Ofiologia e Zoologia Médica: (A. Amaral) prossegui¬
mento dos serviços de propaganda científica e permutas, recebimento de
animais peçonhentos e extração de venenos. Foram publicados doze traba¬
lhos científicos.
2. Seção de Protozoologia e Parasitologia (A. Prado) realizou 771
exames diversos; elevou para 1.572 o número de exemplares de suas
coleções e o prosseguimento dos estudos referentes a protozoários e para¬
sitas, relacionados com enfermidades humanas. Publicou seis trabalhos
científicos.
3. Seção de Imunologia e Soroterapia (J. B. Arantes com os assis¬
tentes J. H. Travassos e F. da Fonseca) produção de soros antipeçonhentos,
antitoxina diftérica, soros anticocos, antitoxina e anatoxina estafilocócica,
bacterinas cocos. Publicou oito trabalhos científicos.
4. Seção de Bacteriologia e Bacterapia (S. Calazans com o assis¬
tente C. Neiva). A fabricação das bacterinas antitífico-paratíficas, anti-
disentérica, antidisentérica mista; a antitífico-disentérica passou para
responsabilidade do Dr. Calazans, e para o Dr. Neiva o preparo das tuber-
culinas. Esta seção também fabricava o soro antigangrenoso e era respon¬
sável pelo Museu de Culturas e serviço de meios de cultura. Várias pes¬
quisas estavam sendo realizadas sobre o soro anticoli e antitífico. Foram
publicados três trabalhos científicos.
5. Seção de Vírus e Virusterapia (Lemos Monteiro, assistente Raul
Godinho, auxiliar-técnico Edison Dias) a cargo do preparo da vacina
variólica, da bacterina tuberculosa BCG, da bacterina pestosa e do soro
correspondente. Neste ano foram produzidas 2.632.800 doses de vacina
variólica. Foram publicados dezesseis trabalhos científicos, principalmente
sobre o “tifo exantemático de São Paulo” estudado por Lemos Monteiro.
6. Seção de Físico-química: Klobusitzky. A finalidade principal des¬
ta seção era a orientação dos trabalhos sobre imunologia e soroterapia.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mcm. Inst. Butantan, 44/45:
11-79, 1980/81.
Neste ano foi terminada a instalação desta seção que ocupava quatro
laboratórios com aparelhos de alta precisão. Foram publicados três traba¬
lhos científicos.
— Seções novas;
Foi instalada a seção de Fisiopatologia Experimental que iniciava
pesquisas sobre glândulas endócrinas e realizou trabalhos para a produção
de hormônios de aplicação terapêutica como fonte de renda para o
Instituto. Foi encarregado da seção como assistente-chefe Thales Martins.
A produção industrial estava dependente da instalação das seções de Quí¬
mica e Farmacobiologia, o que para tanto deveriam ser contratados os
necessários técnicoS no estrangeiro (Alemanha e Áustria). Foram publi¬
cados cinco trabalhos científicos.
Seção de Botânica Médica (farmacognosia). Foi instalada esta nova
seção cujo encarregado era o assistente-chefe Waldemar Peckolt que apro¬
veitou as antigas instalações do horto “Oswaldo Cruz” e a área nele culti-
vável principalmente para estudar e produzir substâncias terapêuticas de
origem vegetal, mais uma fonte de renda para o Instituto. Além de atender
47 consultas foram publicados treze trabalhos científicos.
— Foi publicado o vol. VII das “Memórias do Instituto Butantan”
com trinta e um trabalhos. O Instituto recebeu em permuta por esta publi¬
cação 160 revistas científicas diversas.
— Participação do Instituto Butantan, através da escola rural por
ele mantida no Congresso de Ensino Rural na Bahia.
— Com 0 desenvolvimento da assistência médica fornecida pelo Insti¬
tuto através da Policlínica, preparação de terreno pai’a futura instalação
do primeiro hospital regional.
1935
— Aumento da dotação orçamentária permitiu implantar novas
seções previstas no regulamento de 1931, sedimentar e complementar
aquelas já exi.stentes e ampliar o quadro de técnicos superiores.
— A produção científica decresceu, sendo produzidos 45 trabalhos,
27 dos quais publicados no vol. IX das “Memórias”.
— Participação do Instituto Butantan no VI Congresso da Médica
Panamericana tendo sido por essa ocasião inaugurado o novo pavilhão
destinado a “estudos sobre tifo exantemático, febre amarela e outras
enfermidades perigosas”.
— Surto de febre amarela na fronteira do Estado e de febre petequial
paulista na Capital e arredores.
— Reformas nos serpentários, na cocheira, construção de grupo novo
de gaiolas no Biotério Geral.
— Comissões científicas: Afrânio do Amaral esteve na Europa, de
agosto a novembro, comissionado pelos governos de São Paulo e do Brasil;
representando-os no XII Congresso Internacional de Zoologia (Portugal)
e no X Congresso de História de Medicina (Espanha). O assistente-chefe
Tales Martins, da seção de Fisiopatologia Experimental, participou do
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.» Parte. Mem. Inat. Butantan, H/i5:
11-79, 1980/81.
Congresso Internacional de Fisiologia (Moscou) e visitou laboratórios
existentes na Alemanha, França e Inglaterra.
— Durante ausência de Afrânio do Amaral esteve encarregado da
diretoria o assistente-chefe J. B, Arantes. Houve desavenças internas entre
os assistentes; o encarregado da Seção de Bacteriologia determinou refor¬
mas dos laboratórios daquela seção acima do previsto pelo orçamento,
— Lemos Monteiro e seu axiliar Edson Dias contraíram tifo exante¬
mático durante os trabalhos de preparação da vacina falecendo, ambos,
em conseqüência do acidente (6-11).
— Crise política-administrativa do Instituto o que para tanto contri¬
buiu as críticas a contratação de especialistas estrangeiros para novas
seções criadas: a professora G. von Ubish para seção de Genética e à
Química e Farmacobiologia com o contrato do prof. K. H. Slotta e drs.
P. Koenig e G. Szyszka; e principalmente “J. B. Arantes, que não soube,
infelizmente, continuar o regime de disciplina instituído no estabeleci¬
mento o que concorreu, não só para a intromissão de atividades parti¬
dárias em Butantan como para a eliminação do princípio fundamental do
comando único na administração...” pg. 5 Relat. Anual 1935 Instituto
Butantan.
— Distribuição dos Serviços Técnicos:
Seção de Protozoologia e Parasitologia — Flávio da Fonseca prosse¬
guiu suas pesquisas sobre acarianos (carrapatos) tendo descrito trinta e
seis formas novas. Foram publicados quatorze trabalhos científicos
(além de um de divulgação) sendo onze sobre acarianos de Flávio da
Fonseca e um sobre carobinha, de Alcides Prado e W. Peckolt.
Seção de Imunologia e Soroterapia (J. B. Arantes) com as subseções
soroterapia antivenenosa, antitóxica e antibacteriana. Produção cientí¬
fica de quatro trabalhos originais.
Seção de Bacteriologia e Bacterioterapia (S. de C. Calazans) pro¬
dução científica quatro trabalhos.
Seção de Vírus e Virusterapia (Lemos Monteiro) com o anexo
lab. Vacínico e o serviço de bacterina tuberculosa BCG. Aumento de
produção de vacina antivariólica dado o recrudescimento da varíola em
nosso meio. Produção científica quatro trabalhos.
Seção de Físico-química: quatro trabalhos científicos sobre a com¬
posição química de venenos ofídicos; análises diversas e pesquisas em
especialidades.
Seção de Fisiopatologia Experimental (Tales Martins) : quatro tra¬
balhos científicos. As instalações desta seção ainda não foram com¬
pletadas.
Seção de Botânica Médica (W. Peckolt). Como produção científica,
além de artigos de divulgação na revista “Chácaras e Quintais”, publicou
dois trabalhos nas “Memórias”.
— Seções novas:
Seção de Citoembriologia e Genética Experimental (Gestrudes von
Ubisch, contratada na Alemanha) realizou trabalhos de seleção de aveia
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mem. Inat. Dutantan, khíKSi
11-79, 1980/81.
e milho com fins de aumentar a produção de forragens para os animais
do Instituto e realizou estudos sobre a hibridação de preás e cobaias,
visando o problema futuro de fixação de uma raça de eqüinos boa
produtora de antitoxina. No entanto, esses trabalhos estiveram preju¬
dicados pela insuficiência de verbas.
— Foram contratados para a Seção de Química e Farmacobiologia,
K. H. Slotta e G. Szyzka que trabalharam na instalação dos respectivos
laboratórios, sendo aguardado material importado retido na Alfândega
de Santos para o início das pesquisas. Entre estas se destacavam:
estudo da composição e ação fisiológica do café sobre o organismo
humanos, em colaboração com a seção de Fisiopatologia Experimental de
acordo com entendimentos havidos com a presidência do Instituto do
Café de São Paulo.
— Distribuição dos Serviços Técnicos:
Seção de Ofiologia e Zoologia Médica: Afrânio do Amaral.
Seção de Parasitologia e Protozoologia: Flávio da Fonseca e Alcides
Prado — subseção de Parasitologia: Alcides Prado.
Seção de Imunologia Sorotepia: J. B. Arantes (não apresenta o
relatório anual) subseção de soroterapia antitóxica: assistente esta^ária
Jandira Planet do Amaral, subseção de soroterapia antibacteriana:
Joaquim Travassos.
Foram subdivididos os trabalhos desta seção: Paulo Artigas (con¬
tratado neste ano) serviço de preparo e estudo do soro e bacterina
pneumocócica, soro e bacterina antipestosa e tuberculina: Jandira
Planet do Amaral, preparo de anatoxinâs e antitoxinas diftéricas e
estafilocócicas: Joaquim Travassos soros e bacterinas antimeningocó-
cica, gonocócica e estreptocócica e antitoxina e anatoxina escarlatínica.
Seção de Bacteriologia e Bacterioterapia: Sebastião Camargo Cala-
zans. Subseção de anaeróbios (soros antitetânico e antigangrenoso)
subseção de Bacterioterapia e serviços veterinários — Cícero Neiva, ser¬
viço de meios de cultura (anexo a seção de bacteriologia) o encarregado
Pedro Ruiz Pacheco.
Seção de Vírus e Virusterapia (Lemos Monteiro que morreu em 6-11)
foi substituído pelo assistente interino Raul Godinho e os auxiliares
José Navas e Victor Salcedo J.° — subseção vacínico.
Seção de Físico-química Experimental: D. Klobusitzky
Seção de Fisiopatologia: Tales Martins.
Seção de Botânica Médica: W. Peckolt.
Seção de Genética Experimental: G. Ubisch.
— Apesar do aumento de verbas do Estado, houve decréscimo tanto
na produção industrial, quanto da científica devido à crise interna do
Instituto.
1936
— Em 23 de janeiro foi iniciada a sindicância para apurar as
irregularidades acontecidas no ano anterior.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.^ Parte. Mem. Inat. Butantan, kk/USi
11-79, 1980/81.
— Afrânio do Amaral solicitava o afastamento do cargo de diretor
durante a duração da sindicância, que se estendeu até sete de novembro;
foi substituído na superintendência interina, pelo Dr. J. Carvalho Lima
e depois por Flávio da Fonseca. Com o resultado do inquérito, foram
afastados do Instituto e adidos ao Serviço Sanitário três assistentes-
-chefes (J. B. Arantes, S. de Camargo Calazans e Waldemar Peckolt).
Três assistentes (Raul Godinho, Alcides Prado e Cícero Neiva), o chefe
de cocheira (Teófilo Martins), dois auxiliares técnicos (Tertuliano Beu
e Domingos Yered) um servente (F. Corrêa). Foram designados para
ocupar as seções, respectivamente, Flávio da Fonseca, Paulo Artigas,
Gertrudes von Ubisch. Para serviços da cocheira, Pedro Ruiz e para
0 lugar de assistente-chefe, criado no orçamento de 1936 e ainda não
preenchida a vaga a assistente Jandira Planet do Amaral (estagiária
desde 1931). Foram abertos concursos para preenchimento dos cargos
de auxiliares de escrita e serventes.
— A produção industrial do Instituto apresentava um déficit de
739:285|500.
— A produção de pesquisa científica sofre também decréscimo,
trinta e seis trabalhos científicos constariam do X vol. das “Memórias”.
— Poucas construções neste ano, restringindo-se à adaptação de
algumas seções, à compra de dois tratores e implantando a instalação
da Seção de Química Experimental com aparelhamento importado da
Alemanha; ultimada a instalação de físico-química, com aquisição de
aparelho para cataforese e eletrocondutividade e, na Fisiopatologia
Experimental, a instalação de um grande oscilógrafo importado da
Inglaterra.
— Foi realizado curso de extensão universitária de endocrinologia
6 outro sobre hormônios sexuais femininos e mecanismos do parto.
— Distribuição dos Serviços Técnicos (científicos) :
Seção de Ofiologia e Zoologia Médica — decréscimo do recebimento
de animais peçonhentos e a produção científica consistiu no Catálogo
dos Ofídios do Brasil (segunda edição) impresso nas “Memórias”.
Seção de Parasitologia e Protozoologia — Flávio da Fonseca — desta¬
cou-se em estudos sobre acarologia, entomologia, malariologia e protozoo¬
logia. Substituiu J. B. Arantes, vice-diretor, na seção de Imunologia
Experimental e Soroterapia e ficou também à frente das Seções de
Ofiologia e Zoologia Médica, Vírus e Virusterapia e do laboratório de
Entomologia, quando do afastamento do diretor-supeiúntendente e de
algum assistente, chegando mesmo a se encarregar, durante este período
de crise, do trabalho de seis diferentes serviços do Instituto.
— Seção de Imunologia e Soroterapia — (F. Fonseca) subseção de
soroterapia antitóxica Jandira Planet.
— Seção de Bacteriologia e Bacterioterapia — Paulo Artigas — em
caráter provisório até serem admitidos novos assistentes. Foi auxiliado
por Benedictus Mourão e Ariosto Soreto, que se achavam em condições
de serem admitidos como assistentes.
— Pequeno surto de peste.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mem. Inst. Butantan, kk/US:
11-79, 1980/81.
— Seção de Vírus e Virusterapia sob direção de Joaquim Travassos,
aprovado em concurso. Devido ao inquérito esteve afastado por três
meses. Os trabalhos iniciados por Lemos Monteiro sobre tifo exante¬
mático e febre maculosa foram interrompidos e perdido o material de
pesquisa. O departamento de vacina jenneriana necessitava reformas.
Pequeno surto de varíola em São Paulo. O Instituto forneceu 3.321.360
doses de vacinas.
Seção de Físico-química — Dr. D. Von Klobusitzky com o assistente
P. Koloning — pesquisas sobre princípios ativos do veneno de jararaca
e que resultou no preparo de um novo produto, “hemocoagulase”, com
indicação específica contra certas hemorragias.
Seção de Fisiopatologia Experimental — Tales Martins — foram am¬
pliadas suas instalações.
Seção de Botânica Médica e Seção de Genética — G. von Ubisch —
estudos sobre seleção de aveia e milho. Realizou também estudos sobre
hibridização da cobaia com o preá, visando a verificação da capacidade
de imunização desses dois animais contra anatoxina diftérica.
Seção de Química — K. H. Slotta — auxiliado pelo assistente G.
Szyszka e K. Neisser realizaram trabalhos científicos e industriais sobre
hormônios, sobre princípios ativos de venenos e sobre componentes do
café. A seção foi favorecida por ter contado com apoio financeiro do
Instituto do Café, constituindo suas instalações nas mais modernas da
América Latina.
— Depois que reassumiu a Direção do Instituto, Afrânio do Amaral
reintegrou a necessidade da criação de um hospital regional, a contratação
de mais seis assistentes e ampliação das instalações do Instituto.
1937
— Reorganização do Instituto desde a parte administrativa e
económico-financeira até a industrial e técnico-científica.
— Trabalhos de reparação e conservação dos cinqüenta e quatro
prédios existentes no Butantan e adaptações em laboratórios e seções
técnicas.
— Devido aos serviços de drenagem e fertilização do solo, houve
aumento da produção agrícola, principalmente de forragens verdes para
0 sustento dos animais.
— O Instituto possuia uma das maiores criações de animais para
experimentação, infra-estrutura básica para pleno desenvolvimento da
Medicina Experimental.
O Instituto superava o déficit do ano anterior, chegando mesmo a
ter um saldo positivo de 1.585:674$700.
— Foi sugerido pelo diretor superintendente, Afrânio do Amaral,
que fosse concedido ao Instituto maior autonomia administrativa
tornando-se uma autarquia, o que possibilitaria superar as dificuldades
de ordem burocrática, resultando em maior saldo da produção industrial.
“O simples fato de haver em 1931 o Instituto sido desanexado do
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mem. Inst. Butayitan, ii/45:
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Serviço Sanitário e de ter então adquirido finalidades mais amplas,
passando a dedicar-se de perto a trabalhos sobre medicina experimental
no terreno da patologia humana, já foi o bastante para lhe desburocra¬
tizar em parte as normas administrativas”. Amaral, Afrânio, Relatório
1937, pg. 3.
— Distribuição dos Serviços Técnicos (científicos) :
Seção de Ofiologia e Zoologia Médica (Afrânio do Amaral) recebi¬
mento de 20.962 serpentes vivas; 3.528 batráquios; aranhas, escor¬
piões e centopéias 8.854, além de outros animais; carrapatos, barbeiros
e outros insetos.
Produção de onze trabalhos científicos.
Seção de Parasitologia e Protozoologia — (Flávio da Fonseca) além
dos trabalhos normalmente desenvolvidos na seção, colaborou com o
Serviço Especial da Defesa contra a Febre Amarela, em pesquisas visando
0 problema dos reservatórios naturais de virus na selva. Foram elabo¬
rados seis trabalhos científicos.
Seção de Botânica Médica (M. Pirajá da Silva) além dos trabalhos
normais de produção, estudos sobre a ecologia e a sistemática de diversas
espécies de plantas Medicinais do gênero Jacaranda (carobinha) Paul-
linia (guaraná), Cephaelis (Ipecacuanha) e Theobroma (cacau). A
seção recebeu por permuta semente e mudas de diversas plantas (101
remessas) e feita classificação de sessenta e um exemplares de plantas
medicinais cultivadas no Horto Oswaldo Cruz.
Seção Citoembriologia e Genética (G. von Ubisch. A chefe da seção
esteve por seis meses na Europa tendo sido substituída por Raul F. de
Mello. Prosseguimento dos estudos sobre o cruzamento de cobaias e
preás e trabalhos de seleção de plantas de interesse econômico (aveia e
tremoço) e medicinal (mamão).
Seção de Vírus e Virusterapia (Joaquim Travassos) trabalhos
experimentais sobre a etiopatogenia do “Tifo exantemático de São
Paulo”. Foram apresentados treze trabalhos à Sociedade de Biologia de
São Paulo. No laboratório Vacínico anexo à Seção, foram preparadas
3.067.280 doses de vacinas jenneriana, sendo a metade desta produção
enviada ao Serviço Sanitário para profilaxia da varíola em São Paulo.
Seção de Bacteriologia e Bacterioterapia (Paulo Artigas auxiliado
por B. Mourão) trabalhos de preparo de substâncias biológicas; cinco
trabalhos científicos.
Seção de Imunologia e Soroterapia (subseção de anaeróbios) Ariosto
Buller Souto; encarregado dos serviços de soro antiperfringens, soro
antisepticum, soro antioedematiens, soro antihistolyticum, soro anticoli-
bacilar, soro e anatoxina antitetânica.
— Ariosto B. Souto trabalhava em bacteriologia e imunologia com
Genésio Pacheco, no Rio de Janeiro, fez estágio no Instituto Bacteriológico
de Buenos Aires e assumiu a direção da Seção de Anaeróbios em fevereiro
de 1937. Trabalhos científicos: estudos sobre anatoxinas tetânicas, estudos
hematológicos e experiências sobre vitaminas e toxinas gangrenosas,
organização do novo museu de Culturas Anaeróbias.
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Subseção aeróbios (Jandira Planet do Amaral) preparo das toxinas
e anatoxinas diftérica, estafilocócica, e escarlatínica e das antitoxinas
correspondentes; soro antiestreptocócico e as bacterinas estreptocócica,
estafilocócica e piogênica.
Seção de Vírus e Virusterapia (J. Travassos) pesquisas sobre tifo
exantemático de São Paulo tanto do problema do reservatório e deposi¬
tários do tifo de São Paulo, como do transmissor ou transmissores. Foram
apresentados na Sociedade de Biologia de São Paulo e em publicação no
Comptes Rendus de la Societè de Biologie de Paris doze trabalhos cientí¬
ficos e outros três que seriam apresentados no ano seguinte. O departa¬
mento de vacina jenneriana necessitava de reformas para melhor anda¬
mento de seus trabalhos; foram rebatidas as acusações do Serviço Sani¬
tário sobre a qualidade dos produtos. Coube ainda a esta seção a prepa¬
ração da vacina antiamarílica, cujo início dos trabalhos se daria em 1938
quando a seção estivesse devidamente aparelhada. Foram preparadas
na seção 2.794 doses de vacina BCG.
Seção de Fisiopatologia experimental subseção de histologia patoló¬
gica — (Moacyr Amorim). Esta seção foi criacla neste ano em 06-02 e
iniciados os serviços de organização e implantação de infra-estrutura para
seu pleno funcionamento. Já recebeu material de pesquisas de outras
seções e/ou de controle diagnóstico.
Seção de Genética Experimental (Gertrud von Ubisch) com a cola¬
boração de Jandira Planet do Amaral estudos sobre imunização de cobaias
e preás com anatoxina diftérica e pesquisas sobre cultura de aveia e sobre
sexo de mamões, e tremoço. A chefe da seção esteve afastada até mês
de dezembro por motivo de saúde, sendo substituída por Raul Franco de
Mello.
Seção de Botânica Médica (Manoel A. Pirajá da Silva) realizou
excursão científica à Bahia e trabalho de classificação das plantas no
Horto O. Cruz.
Seção de Fisiopatologia (Thales Martins) com o assistente J. Ribeiro
do Valle, estudos sobre hormônios sexuais. Foram publicados seis traba¬
lhos científicos.
Seção de Físico-Química (Dionísio von Klobusitzky), assistente
Paulo Konig; serviços de dosagens eletrométricas e colorimétricas de pH,
exames químicos e bioquímicos de produtos; experiências sobre a concen¬
tração de soros curativos por meio de corrente contínua. Foram realizados
nesta seção, pioneiramente, trabalhos sobre eletroforese em papel. Partici¬
pação de D. Klobusitzky no Congresso Sul-Americano de Química, realizado
no Rio de Janeiro, onde foram apresentados seis trabalhos. Em anda¬
mento pe.squisas sobre o veneno do gênero Bothrops sobre as propriedades
das proteínas em presença do álcool.
Seção de Química (Carlos Slotta), assistente João Szyszka e Cláudio
Neisser. Foram aumentadas as instalações da seção, seu aparelhamento e
pessoal. O Estado cobre metade das despesas, cabendo o restante ao
Instituto do Café.
— Realizaram pesquisas sobre venenos de sapos, hormônios sexuais
e pesquisas sobre a química do café, seu aproveitamento e propaganda
científica.
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1938
Afrânio do Amaral foi substituído na direção do Instituto Butantan
por José Bernardino Arantes. Pelo decreto 9.437 de 22-8-38 foi criado o
Serviço do Laboratório da Saúde Pública compreendido pelos Institutos
Butantan, Pasteur e Bacteriológico, de forma a possibilitar vantagens de
ordem científica e econômica, além de um intercâmbio entre eles e a
possibilidade de melhor distribuição de atribuições de cada um.
— Jayme Cavalcanti acumulou os cargos de diretor do Serviço de
Laboratórios de Saúde Pública e da direção do Instituto Butantan, auxilia¬
do pelos assistentes-médicos da Diretoria: José Dutra de Oliveira e Renato
Fonseca Rodrigues.
— Crise administrativa fruto da gestão anterior: “Caso Simaco” e o
da Light.
— “Caso Simaco”, firma que explorava ilegalmente em terrenos do
Instituto a indústria de olaria e extração de areia com prejuízos para o
Estado.
— Acordo desvantajoso para o Estado pela Light para cessão dos
terrenos marginais ao rio Pinheiros para serviços de canalização.
— Modificações introduzidas:
a) criação da Seção de Exames Sanitários e Químicos. Dentre suas
finalidades o combate à falsificação de produtos medicamentosos.
b) criação da Seção de Peste, fazendo a parte do laboratório em
cooperação com o Serviço de Epidemiologia e Profilaxia Gerais;
c) instalação da Seção de Medicina Experimental, transferida da Fa¬
culdade de Medicina para o pavilhão do Instituto especialmente adaptado;
d) melhorias nos vários laboratórios, remodelação da rede telefônica
interna; e estudos para plano geral de remodelação do Instituto, incluindo
a parte técnica e turística.
— Os relatórios de atividades do Instituto Bacteriológico e Pasteur
estão incluídos neste Relatório Anual dos Laboratórios da Saúde Pública.
A direção do Bacteriológico ficou a cargo do J. P. Carvalho Lima e do
Instituto Pasteur, Eduardo Rodrigues Alves. O Bacteriológico também em
crise: precariedade do prédio e instalações. Problemas referentes à car¬
reira dos assistentes e remuneração. Instituto Pasteur continuava normal¬
mente nos serviços de debelação e profilaxia do vírus da raiva.
— Distribuição dos trabalhos técnicos I.B.:
Seção de Parasitologia e Protozoologia: (Flávio da Fonseca) foi
incumbida do preparo da vacina BCG; atendimento de consultas técnicas
e pedidos de material (permuta). Até meados do ano foram realizadas
pesquisas sobre a febre amarela silvestre, que depois passaram a ser de
responsabilidade da Comissão Rockefeller (R.J.). As pesquisas sobre
acareologia prosseguiam: descrição de uma espécie hematófaga, capaz de
parasitar o homem, descrição de um gênero e onze novas espécies. Foram
entregues dezesseis trabalhos científicos para publicação.
Seção de Ofiologia e Zoologia Médica: (Alcides Prado) acréscimo
na coleção de ofídios, trabalhos de conservação da coleção. Devolveu-se ao
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Museu Paulista, a coleção de ofídios e sáurios que desde 12-12-31 estava
no Butantan por empréstimo. Foi contratado novo assistente auxiliar, o
biologista Otto Wolfgang Burcherl, que estudaria principalmente os gru¬
pos dos sáurios e chilópodos.
Seção de Soros Antitóxicos (Jandira Planet do Amaral) encarregada
da seção do mês de janeiro a abril. Preparo das toxinas e anatoxinas
diftéricas, estafilocócica e escarlatínica e das antitoxinas correspondentes;
soro antiestreptocócico e bacterinas estreptocócica, estafilocócica e piogê-
nica. Depois, a seção passou a ser designada como imunologia.
Seção Soroterapia antidisentérica (Paulo Monteiro de Barros Marrey)
nomeado em 2-9-38 para o cai’go de assistente-chefe. Havia trabalhado
anteriormente no Instituto tendo se retirado espontaneamente em 3-9-1930.
Foi encarregado do preparo de soro antidisentérico até então a cargo de
Cicero Neiva. Dificuldade técnica: falta material de laboratório, falta de
estirpes dos diversos tipos de bacilo disentérico para preparo dos antíge-
nos. A imunização dos animais só se iniciou em dezembro.
Seção de Anaeróbios Ariosto Büller Souto (1-1-38 a 15-5-38) encar¬
regado dos serviços de; soros antiperfringens, antioedematiem, antivi-
brião-séptico, anti-histolítico, antitetânico, anticolibacilar e anatoxina
tetânica; oito trabalhos científicos; recebimento de amostras de anaeróbios
de laboratório estrangeiro.
Seção de Preparo dos Soros Antipeçonhentos (J. B. Arantes).
Seção de Fisiopatologia (Thales Martins) vinte e três trabalhos cientí¬
ficos com o assistente J. R. Valle e estagiário Ananias Porto. Participação
no Primeiro Congresso Pan-Americano de Endocrinologia (RJ). Convites
para visitas ao estrangeiro: Montevidéu, Buenos Aires e Londres. Com
a supressão da subvenção do Instituto do Café e da desarticulação da
Seção de Química Orgânica foram interrompidos os trabalhos.
Seção de Vírus e Virusterapia (J. Travassos) trabalhos de pesquisa
sobre tifo de São Paulo. Desde 1936 desavença entre Raul Braga Godinho,
que perdeu o cargo em concurso para Joaquim Travassos, e depois exer¬
cendo alto cargo no Departamento de Saúde difamou a seção. No período
de 37-38 foram publicados vinte e seis trabalhos. Esta seção ficou encar¬
regada do fabrico dos soros e bacterianas antimeningocócica e gonocóci-
ca, cultura de tecidos e estudos de vírus. O serviço de BCG foi transfe¬
rido para outra seção e o Serviço de Febre Amarela, que não chegou a
utilizar as novas instalações especialmente feitas, sendo transferido o
Serviço para a Rockefeller Foundation (RJ). 10-5 reassumiu Cícero
Neiva a Seção de Vírus Vacínico (soro antidisentérico e antitífico; bacte¬
rinas “per os”; típico-paratífica, disentérica, disentérica mista e tífico-
-paratifico — disentérica e bacterinas injetáveis, anatoxina, diftérica;
filtrados estafilocócico, estreptocócico e antipiogênico. O serviço de vacina
BCG passou para o assistente A. B. Souto. Em trinta de setembro assumiu
a seção de Vírus Vacínico que estava sob a responsabilidade do técnico
José Navas.
Seção de Química (Armando Taborda) prosseguimento das pesquisas
iniciadas: veneno de sapos, hormônios sexuais, análises das propriedades
químicas e fisiológicas do café e estudos dos venenos ofídicos relativos ao
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conhecimento da constituição das pi'oteínas tóxicas. Era intenção de Ta-
borda formar especialista em química orgânica e bioquímica moderna,
Serviço de Controle PH e outros exames químicos.
— As seções de Físico-química e Química e Farmacologia experi¬
mentais, com os respectivos assistentes-chefes Klobusitzky e Slota — for¬
mavam corpo técnico de vinte e três pessoas, que após as mudanças do
Governo e Diretoria (6-5-38) foram sendo reduzidos até ficarem apenas
oito (saída dos assistentes estrangeiros em julho). Foi subordinada à
seção 0 Serviço de Concentração de Soros (técnico José Salcedo Navarro)
em novas e higiênicas instalações.
— Apesar da sugestão de Taborda para criação da Seção de Química
Imunológica, esta orientação não foi seguida pela reforma de 23-8 tendo
sido incrustada na Seção de Química, uma outra: exames Sanitários e
Químicos e exame Sistemático de Aguas Minerais e Medicinais do Estado.
— Em 1937 foi feito contrato com a firma Delpech e Cia. Ltda. para
venda exclusiva dos produtos do Instituto Butantan no Brasil e no estran¬
geiro. Em 7-3-1938 foi renovado o contrato onde em uma das cláusulas
concedia ao agente depositário, o desconto imediato de 40% sobre o valor
de fatura, o que deixava em de.svantagem o Instituto.
— Quadro geral dos assistentes do Instituto: nove assistente-chefes;
Dr. Alcides Prado, Dr. Cícero de Moura Neiva, Dr. Flávio O. R. da Fon¬
seca, Dr. Mòacyr de Freitas Amorim, Dr. Paulo Monteiro de Barros
Marrey, Dr. Joaquim Travassos da Rosa, Dr. José Bernardino Arantes,
Dr. Thales Martins, Dr. Sebastião de Camargo Calazans.
— Oito assistentes: Di'. Armando Taborda, Dr. Fernando Paes de
Barros, Dr. Ariosto Büller Souto, Dra. Jandira Planet do Amaral, Dr.
Paulo Rath de Souza, Dr. José Ribeiro do Valle, Dr. Aristides Vallejo
Freire, Dr. Leônidas de Toledo Piza.
— Seis assistentes-auxiliares; Dr. Domingos Yered, Dr. Favorino
Prado Júnior, Dr. Wolfgang Bucherll, Dr. Ananias Porto, Dr. Goswin
Karmann.
— Um assistente-químico: Dr. Antonio de Salles Teixeira.
— Assistentes novos indicados em 1938: Dr. Aristides Vallejo Freire,
Dr. Ariosto Büller Souto, Dr. José Ribeiro do Valle, Dra. Jandira Planet
do Amaral, Dr. Paulo Rath de Souza, Dr. Leônidas de Toledo Piza.
— Assistentes-auxiliares: Dr. Ananias Porto, Dr. Favorino Prado
Júnior, Dr. Wolfgang Bucherll, Dr. Domingos Yered.
1939
— Diretor do Instituto Butantan: Jaime Cavalcanti; Diretor-Geral
do Departamento de Saúde: Humberto Pasquale.
— Superação da crise administrativa:
Reaparelhamento dos laboratórios e remodelação das instalações de
diversas seções, dentre elas as de Concentração de Soros, Distribuição de
Produtos e Controle de Esterilidade. Para tanto foi formada uma comissão
composta por Flávio da Fonseca (IB), José Dutra de Oliveira (Diretoria
do Serviço de Laboratório) e José de Toledo Mello (Faculdade de Medi-
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cina) ; foi construído um grande tanque de diálise e uma nova câmara
frigorífica para estoque de produtos.
Foram também reformadas as seções de Vírus Vacínico, seção de
Vírus e Virusterapia, dotando-a de aparelhamento para estudo e preparo
da vacina de febre maculosa, de forma a assegurar-se contra riscos de
contaminação daqueles que lá trabalhavam.
Foi estimada uma verba necessária de 2.600:00$000 para atender
as reformas: Seções de difteria, tipo exantemático e peste; serviço de
gás e construção da cocheira geral e por último, melhorar instalação da
diretoria, administração, museu, biblioteca etc.
Foi concedida verba de 700:000$000 e graças a esse crédito foi inicia¬
da a construção do novo pavilhão de laboratórios, cujas obras foram
confiadas à firma construtora Francisco Azevedo e Palma Travassos.
Foi retomado o programa do Instituto, isto é, produção de substân¬
cias biológicas para combate de doenças infecto-contagiosas e acidentes
por envenenamento de origem animal, distribuídas pelo Departamento de
Saúde do Estado, permuta com os lavradores e o restante vendido através
dos representantes comerciais.
Aumento da produção industrial com relação ao ano anterior na
ordem de 361:183?600.
Apesar do cultivo de grandes áreas foi sugestão do Estado a aqui¬
sição de mais terras, no interior, para criação de um tipo-padrão de
cavalo doador de sangue.
Intensificação da campanha para envio de animais peçonhentos do
Instituto, tendo concorrido para tanto a propaganda pelo rádio.
— Distribuição dos trabalhos técnicos — Divisão I — Produção:
a) Seção de Ofiologia (J.B. Arantes) soro antipeçonhentos, ana-
venenos.
b) Seção de Imunologia Experimental e Soroterapia (Jandira Planet
do Amaral) : toxinas (diftérica, estafilocócica, escarlatínica, estreptocó-
cica) anatoxinas e soros (diftérica, estafilocócico, escarlatínico, estrepto-
cócico e pneumocócico tipos I e II) e vacinas (estafilocócica, estreptocó-
cica, piogênica e pneumocócica).
c) Seção de Anaeróbios (Ariosto Buller Souto). Até junho de
1939 abi’angia os seguintes serviços: Soro antipestoso; controle, Museu
de Cultura; Soro antitífico; Soro anticolibacilar; Soro antitetânico; Tuber-
culina; Soro antiperfringens; Soro antioedematiens ; Soro anti-histolítico;
Vacinas antitíficas, antidisentéricas e antitífica.s-disentéricas orais e inje¬
táveis, serviço de antivírus tífico-paratífico, serviço de vacinas antipes-
tosa e antitetânica, instalação e funcionamento de S. Controle peste murina
(profilaxia da peste).
Com o aumento do pessoal técnico foram divididos os serviços desta
seção da seguinte forma:
José C.B. Ribas: produção de vacinas e soros antipestosos e controle
da peste murina.
J.S. Leme: produção de soros e vacinas coli-tífico-disentéricos, pro¬
dução de tuberculina e de Museu de Culturas.
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Graças ao serviço de controle de peste murina foi detectado e debelado
0 foco de peste bubônica na Av. Água Branca, onde foram mortos mais
de 3.000 ratos e evitando surto epidêmico de graves conseqüências, dada
a forte concentração de operários na região. Vários fatores pertubaram
as seqüências dos trabalhos desta seção: a brusca transferência do pre¬
paro do BCG e 0 inquérito administrativo contra quase a totalidade dos
assistentes do Instituto; em decorrência da guerra na Europa, dificul¬
dades para o recebimento dos soros-padrões antitetânico e antigangre-
noso que passaram a ser enviados pelo “National Institute of Health” de
Washington.
d) Seção Vírus Vacínico (Cícero Neiva).
e) Seção de Vírus (febre maculosa) (Joaquim Travassos da Rosa
e 0 assistente A. Vallejo Freire) estudo experimental da febre maculosa
e preparo da vacina preventiva tipo Spencer-Parker; preparo do soro
antimeningocócico e das vacinas antimeningocócica e antigonocócica; con¬
trole da seção de distribuição, filtração e esterilização; controle da esteri¬
lidade dos produtos do Instituto.
Os serviços da seção estiveram prejudicados no ano anterior e pri¬
meiro semestre deste ano por causa do inquérito administrativo; com o
afastamento do assistente-chefe, foram interrompidas as pesquisas sobre
a febre maculosa de São Paulo.
O resultado do inquérito levou a seu arquivamento e autorizou os
implicados a reassumirem os seus cargos e a conseqüente retomada das
pesquisas iniciadas. Foram realizadas reuniões semanais inicialmente
com pesquisadores e técnicos da seção e depois ampliadas, com fins de
divulgação de conhecimento científico.
f) Seção de Bacteriologia (José C. Bulcão Ribas) soros antimicro-
bianos; antimeningocócico, antipestoso e vacinas antimeningocócica, pes-
tosa e gonocócica.
g) Seção de Colitifo-disentérico. (2.® semestre) José Sizenando de
Macedo Leme, segundo assistente da cadeira de Microbiologia e Imuno-
logia da Faculdade de Medicina da USP, em comissão no Instituto Butan¬
tan. Se encarregou dos preparos dos produtos: tuberculina, soro antífico,
soro anticolibacilar e Museu de Cultura.
h) Seção de Físico-química — concentração (Armando Taborda).
Esta seção contou com o auxílio da assistente, auxiliar, química Laura
Taborda. Foram realizados os controles de proteínas nos soros, dosagem
microquímicas de nitrogênio e análises microquímicas em geral, trabalhos
em colaboração sobre os venenos de cobras, além dos trabalhos de concen¬
tração e acondicionamento. Apesar da saída dos técnicos estrangeiros,
da supressão da subvenção do Instituto do Café, da insuficiente insta¬
lação da seção e diminuição do pessoal técnico foi possível prosseguir
os trabalhos atribuídos à seção.
i) Seção de Controle (Plínio Martins Rodrigues) iniciada em
novembro, para fins de estabelecer uma técnica para controle de esteri¬
lidade dos produtos.
j) Seção de Botânica Médica (Fernando Paes de Barros) falta de
laboratórios para pesquisas e falta de pessoal. O Horto Oswaldo Cruz
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tem sofíido depredações. A tintura de carobinha, único produto da seção,
logo teria que ser adquirido fora, devido à devastação das carobinhas
existentes.
— Divisão II — Pesquisa:
a) Seção de Ofiologia (II) Zoologia Médica (Alcides Prado) rece¬
beu ofídios por intercâmbio científico do Prof. Samuel Pessoal (Amazo¬
nas), Venezuela, produziu sete trabalhos científicos.
b) Seção de Ofiologia III (Wolfgang Bucher) estudos sobre os quiló-
podos da América do Sul, além de três trabalhos científicos publicados em
revistas especializadas, estava no prelo um trabalho completo (300 pág.)
sobre “Os Quilópodos do Brasil”.
c) Seção de Fisiologia (Thales Martins assistente J. R. Valle) onze
trabalhos publicados.
d) Seção de Parasitologia e Protozoologia (Flávio da Fonseca)
além dos trabalhos próprios da seção, acumulou trabalhos relativos à
produção do Instituto e aqueles realizados no Serviço de Profilaxia da
Malária do Departamento de Saúde do Estado. Trabalhos relativos à
coleção parasitológica e pesquisas de acareologia, protozoologia e helmin-
tologia. Foram publicados dezoito trabalhos científicos. Encarregou-se
da produção BCG.
e) Seção de Química e Farmacologia Experimentais (Laura Tabor-
da) faltava aparelhagem adequada à seção; realizava dosagem de Nitro¬
gênio e pesquisas sobre venenos em colaboração com a seção de físico-
química.
f) Seção de Química Analítica (Leônidas de Toledo Piza) seção
nova — necessidade de aparelhamento da seção. Já se encontrando amos¬
tras de trinta e oito produtos farmacêuticos para análise de fiscalização.
O prof. Toledo Piza foi comissionado para assumir a cadeira de Química
Analítica da Escola Politécnica, assumindo Gowin Karmann. Foram
atendidas solicitações de outras seções: aferição material, preparo de
soluções tituladas etc. Em outubro, reassumindo Toledo Piza, foram reini¬
ciados os trabalhos de fiscalização de produtos e trabalhos da Seção de
Meios de Cultura.
g) Seção de Medicina Experimental (Anatomia patológica) Barata
Ribeiro. Dqntre os vinte e um trabalhos experimentais da seção desta¬
cavam-se: “Contribuição ao Estudo da Semiologia e Patologia do Pân¬
creas Exócrimo”, pesquisas sobre tumores em ratos, pesquisas de Eurí-
clides de Jesus Zerbini e Moacyr Hoclz “Influência da Hipoavitaminose
nos processos de cicatrização”, trabalhos de biópsias em animais.
— A seção ainda estava incompleta em suas instalações.
1940
4-1 Ademar de Barros, interventor do Estado, presidiu ao lançamento
da pedra fundamental do novo prédio destinado aos laboratórios de bacte¬
riologia.
— Reformas e ampliações das instalações já existentes, dentre elas,
as seções de Vacina Jenneriana, seção de Vírus e Virusterapia (princi-
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palmente visando o aumento de produção da vacina preventiva contra a
febre maculosa), Seção de Anaeróbios, Parasitologia e de Controle de
Esterilidade, a Seção de Difteria e Soros Antitóxicos em geral (profilaxia
e terapêutica de moléstias infecciosas como a pneumonia, difteria, escar¬
latina, tifo e outras) habilitando-as a grandes campanhas sanitárias.
A seção Industrial, as seções de concentração, distribuição e Meios de
Culturas tiveram remodelação geral em suas instalações, objetivando o
aumento da produção e a qualidade dos produtos.
— Foi criada a Seção de Endocrinologia pelo decreto 11.032 de 16-4
e inaugurada em 30-7 por Ademar de Barros. Ela constituiu-se na amplia¬
ção da extinta Seção de Fisiopatologia (criada em 1934) e manteve em
funcionamento duas subseções: a parte experimental no Butantan e parte
clínica, instalada no Centro de Saúde de Santa Cecília.
— Melhoramentos nos parques, pintura dos prédios tornando o
Instituto um local agradável, também no aspecto turístico. Obtenção de
um guarda civil poliglota para atender turistas estrangeiros. E estava
em plano a construção de bar-restaurante para atender funcionários e
visitantes.
— Pelo decreto 11.032 de 16-04-40 foi extinta a Seção de Medicina
Experimental, que por transferência da Faculdade de Medicina, vinha
funcionando no Instituto Butantan desde 13-12-38.
— Pelo decreto 11.522 de 26-10-40 foi extinta a Diretoria do Serviço
de Laboratório de Saúde Pública e desta forma o Butantan torna-se depen¬
dente direto do Departamento de Saúde.
— Jayme Cavalcanti continuou como Diretor comissionado do
Butantan.
— O valor da produção industrial aumentou atingindo a cifra de
1.923:143$100 referentes a nove meses, posto que a produção esteve por
três meses paralisada em função das reformas acima referidas.
— Seções técnicas em funcionamento em 1940;
Ofiologia e Zoologia Médica (Alcides Prado e Wolfgang Bucherl).
Imunologia e Soroterapia Antivenenosas (José Bernardino Arantes).
Vacina Jenneriana (Cícero Neiva, Domingos Yered).
Imunologia e Soroterapia Antitoxinas e Antibacterianas os assis¬
tentes-chefes Sebastião Calazans em comissão no Instituto Adolfo Lutz
e Paulo Marrey comissionado junto ao Serviço de Policiamento da Ali¬
mentação Pública, respondendo pela Seção, a assistente Jandira Planet
do Amaral, auxiliada por mais três assistentes: Bulcão Ribas, Macedo
Leme e Celso Brandão. Nova redistribuição dos encargos técnicos, a
saber: preparo das toxinas e anatoxinas diftérica, estafilocócica, estrepto-
cócica e escarlatínica; soros diftérico, estafilocócico, estreptocócico, escar-
latínico e pneumocócico tipos I e II; vacinas estafilocócica, estreptocócica,
piogênica e pneumocócica e serviços anexos: seção de meios de cultura,
esterilização e sangria.
Seção de Anaeróbios que funcionou até o final do ano sob a respon¬
sabilidade do assistente-chefe Ariosto Buller Souto, que então solicitou
transferência para o Instituto Adolfo Lutz.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981 ) 1.* Parte. Mem. Inat. Butantan Aá/aS'
11-79, 1980/81.
Seção de Vírus e Virusterapia (J. Travassos da Rosa e assistente
A. Vallejo Freire) grande incremento da fabricação de vacina contra
febre maculosa, muito solicitada pelo Serviço de Saúde, além de palestras
científicas, trabalhos publicados (3) sobre febre maculosa, ampliação
de gama de pesquisas, como por exemplo, o tracoma e outras moléstias
de vírus, que podem atingir o homem. Foram realizadas viagens pelo inte-
rio do Estado com o fim de vacinação e instrução aos Médicos da região,
apenso a esta seção ficava também o serviço de Diagnóstico de Pes¬
te Murina, responsável J. C. Ribas; em colaboração com a Seção de
Epidemiologia e Profilaxia Gerais do Departamento de Saúde. O preparo
dos produtos: vacinas e soros antimeningocócico, antigonocócico, anti-
pestoso e Museu de Culturas; subseção "coli-tifo-disentérica"; subordi¬
nada à Seção de Imunologia e Soroterapia, a cargo de José Sizenando
de Macedo Leme, o preparo dos produtos: tuberculina, bucovacinas
(tífico-paratífico-disentérica) e vacinas injetáveis e soros antidisenté-
ricos. Foram suspensas a fabricação dos soros antitífico e soro anticoli-
bacilar, por falta de infra-estrutura técnica e pessoal insuficiente.
Seção de Química: o assistente responsável pela seção Leônidas de
Toledo Piza foi comissionado junto à Escola Politécnica, substituído por
Armando Taborda. Além das melhoras na assepsia e aumento do pro¬
duto, a seção prosseguiu estudos sobre venenos de cobra, especialmente
na parte enzimática, responsável pela ação proteolítica e outros estudos.
Seção de Controle de Esterilidade; (Favorino Prado Jr. assistente-
-auxiliar) os produtos foram submetidos a exames: culturas de meios, exa¬
me bacterioscópico e inoculação subcutânea em cobaias. Quanto a pesquisas,
estudos sobre tuberculose e participação no Segundo Congresso Nacional
de Hidroclimatismo (RJ) onde foram apresentados dez estudos rela¬
tivos a águas minerais do Brasil.
Seção de Botânica Médica (Fernando Paes de Barros) falta de con¬
dições materiais para pesquisa e o Horto estava em estado precário.
Seção de Endocrinologia: O responsável pela seção Tales Martins
voltou para Manguinhos, respondendo pela seção José Ribeiro do Valle.
Tiveram mais sessenta trabalhos cientificos publicados, dois trabalhos
apresentados na sociedade de Biologia de São Paulo e prosseguimento
dos estudos hormonais, além de manter intenso intercâmbio científico,
com entidades congêneres estrangeiras e inicio da organização de um
museu de peças anatômicas de interesse endocrinológico, além dos atendi¬
mentos na parte clínica no ambulatório especialmente criado.
Seção de Parasitologia (Flávio O. Ribeiro da Fonseca) colaboração
com o serviço de Profilaxia da Malária em Guarujá, organização da
coleção parasitológica e organização de um Museu Parasitológico, estudos
sobre protozoários parasitas, estudos sobre Depteros parasitas, descrição
de novos acarianos e produção da vacina BCG. A seção entregou dez
trabalhos científicos para publicação.
1941
— Em 26 de junho, Flávio da Fonseca assumiu a direção do Instituto
Butantan.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Alem. Inst. Butantan, 44/45:
11-79, 1980/81.
— O Instituto readquiriu sua autonomia administrativa, estando
subordinada então, à Diretoria Geral do Departamento de Saúde.
— Medidas disciplinares visando regulamentação dos serviços; sus¬
pensão de vendas de leite e legumes a funcionários externos do Instituto,
suspensão da indústria de venda de peles de ofídios e de fotografias etc.
— A seção de Ofiologia que cuidava da cori’espondência com os
fornecedores foi transformada em Seção de Expediente.
— O contrato comercial para a representação dos produtos do
Instituto Butantan com a firma Carlos Amaral foi prorrogado por mais
cinco anos.
— Contrato com a Cia. Antárctica para exploração do serviço de
restaurante, que foi inaugurado a 15 de fevereiro.
— Em face da situação internacional, foi aumentado o estoque de
matéria-prima para atender a possíveis necessidades extraordinárias
do País. Aumento da produção de antitoxinas tetânicas e gangrenosas
e de vacinas tifico-paratífico-disentéricas.
— A convite do Reitor da Universidade do Brasil, Raul Leitão da
Cunha, o Instituto representado por J. H. Travassos e Armando Taborda,
na visita a Buenos Aires, dos Universitários do Brasil.
— Proposta de reforma Técnica e Administrativa do Instituto por
Flávio da Fonseca: criação de curso de especialização como atividade
cultural anexa à Universidade; criação de pequeno Hospital; desenvolvi¬
mento da seção do Museu; aumento de verbas para Biblioteca. Na parte
técnica: redivisão das atuais seções, criação dos laboratórios de Imuno-
logia Experimental, Micologia, de Biologia de Ofídios e de Quimioterapia
(Química Orgânica) dando autonomia à seção de Anatomia Patológica
e ao Laboratório de Tifo Exantemático e transformação da seção de
Botânica Médica, em Farmacologia, ampliando-lhe o campo de ação.
— Separação das seções técnicas da função industrial e de produção
científica, visando maior produção nas áreas.
— Previsão de criação do serviço de Veterinária, maiores facili¬
dades de viagens para os assistentes, aumento do número de técnicos,
aumento de verbas para aquisição de material de laboratórios, aumento
permuta de ofídios.
— “Por determinação governamental acha-se em estudo o plano da
instalação da cidade Universitária em terras do Instituto Butantan, apro¬
veitada para esse fim a área hoje utilizada para culturas, piquetes, indo
desde o Ribeirão Jaguaré até próximo do aqueduto de Cotia, para o
que foi promulgado o decreto n.® 12.401 de 16 de dezembro de 1941”,
página 10 do Relatório Anual.
— Foi autorizada, verbalmente pelo Governo do Estado a escolha
de uma fazenda, a uma distância não maior de 4 horas de viagem, à
margem da Estrada de Ferro da Sorocabana, para ressarcimento das
terras doadas e para o desenvolvimento da criação de eqüinos, bovinos
e agricultura.
— Denúncia falsa sobre nocividade da tuberculina fabricada no
Butantan.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mem. Inat. Butantan, 44/^5:
11-79, 1980/81.
— Desequilíbrio financeiro do Butantan apesar do aumento da
produção industrial.
— Grande atenção à seção de concentração de soros, pois depende
do bom funcionamento desta seção, o rendimento final de produção, daí
melhorias introduzidas tanto no aspecto técnico, como na aquisição de
aparelhagem.
— Ampliação dos biotérios de cobaias e coelhos e organização do
biotério de macacos reshus para pesquisas sobre vírus de febre amarela,
poliomielite e outros.
— Flávio da Fonseca organizou cursos de aperfeiçoamento em Bacte¬
riologia, Imunologia, Parasitologia e Animais Venenosos.
— Dada à situação internacional, foi iniciado estudo para possível
preparo de plasmas secos, para transfusão de sangue.
— Funcionamento de um laboratório provisório para estudo sobre
febre maculosa em Loreto (surto na região).
— Publicação de quarenta e nove trabalhos científicos, destacando-se
a seção de Endocrinologia, com dezoito trabalhos.
— Distribuição Técnica dos Serviços:
Laboratório de Soros Antivenenosos, Seção de Imunologia e Sorote-
rapia — J. B. Arantes.
Seção de Imunologia Experimental e Soroterapia: preparação das
toxinas, anatoxinas, soros, vacinas e serviços anexos (seção de meios de
culturas, sangria e esterilização e de 20-1 a 20-9 os serviços da seção de
anaeróbios — Jandyra Planet do Amaral).
Seção de Anaeróbios — Sebastião de C. Calazans esteve de licença
de janeiro a setembro e novamente em dezembro; foi substituído na chefia
de seção por Jandyra Planet do Amaral que teve como assistente Reynaldo
Furlanetto.
Seção de Vírus Vacínico — Cícero Neiva.
Seção de Vírus — J. Travassos (preparo da vacina contra a febre
maculosa e pesquisas para produção de soros anti-Rickettsia.
Seção de Bacteriologia e Serviço de Diagnóstico de Peste Murina —
J. C. Ribas.
Seção “Coli-Tifo-Disentérica” — J. S. Macedo Leme.
Seção de Física-Química (Armando Taborda) — pesquisas sobre
veneno bothrops e pesquisas referente a Concentração de Soros. Visita
ao Instituto Bacteriológico de Buenos Aires e outros congêneres. Fusão
das seções de Química, antes divididas em Química e Farmacologia, à de
Físico-Química.
Seção de Controle (Plínio Martins Rodrigues).
Seção de Botânica Médica (Feimando Paes de Barros). Não foi pro¬
vido de laboratório auxiliar para manutenção do Horto; daí seu quase
completo abandono.
Seção de Ofiologia e Zoologia Médica (Alcides Prado) e Wolfgang
Bucherl. O estudante de Medicina Paulo Emílio Vanzolini foi estagiário
da seção.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologria do Instituto Butantan (1888-1981) 1.^ Parte. Mem. Inat. Butantan, j^i/45:
11-79, 1980/81.
Seção de Parasitologia (Flúvio da Fonseca) além de trabalhos de
produção e pesquisa em conjunto com outras seções do Instituto, colaborou
com o Serviço de Profilaxia da Malária e Seção de Tuberculose, ambos
do Departamento dependência direta da Saúde.
Seção de Águas Minerais — devolução do aparelhamento para Insti¬
tuto Adolfo Lutz (Antonio de Salles Teixeira).
Seção de Endocrinologia (J. Ribeiro do Valle e Paulo Rath de Souza)
participação no Segundo Congresso Panamericano de Endocrinologia em
Montevidéu e visita a Buenos Aires; realização de cursos e intercâmbio
científico.
1942
— O Instituto Butantan recuperou sua autonomia administrativa,
passando a ser dependente direto da Secretaria de Estado dos Negócios
da Educação e Saúde Pública pelo decreto 12.787, de 30 de junho de 1942,
deixando a tutela do Departamento de Saúde, a que estava subordinado
desde a criação da Diretoria de Laboratório de Saúde Pública.
— O Instituto Butantan sofreu reflexos da guerra, pois foram cor¬
tadas as importações de material de laboratório e o existente no mercado,
sofreu conseqüente encarecimento. Mas, apesar das dificuldades, conse¬
guiu bater recordes de produção visando atender às Forças Armadas e/ou
populações civis dos produtos biológicos necessários. Na área de pesquisas
no campo da patologia humana, foram produzidos vinte e quatro trabalhos
originais a serem publicados no tomo XVI das Memórias, além de vinte
e um trabalhos publicados em outras revistas especializadas.
— Dentre as pesquisas em curso, destacou-se aquelas desenvolvidas
nas Seções de Química e Físico-Química, com a colaboração da Bacterio¬
logia, sobre a “Penicilina”. Estão sendo ultimados os preparativos para
produção de plasma seco em escala industrial, estimando-se a produção
em 1.200 unidades mensais, isto é, podendo manipular 250 litros de plasma
humano, possibilitando assim o transporte de plasma seco para transfu¬
sões a longas distâncias. Outra pesquisa em curso, de destaque, foi para
obtenção de um soro ativo contra o tifo Exantemático e as de uma nova
técnica de obtenção da vacina contra a mesma infecção por Joaquim
Travassos da Rosa, utilizando vírus cultivado em embriões de galinha.
Também estavam sendo desenvolvidos trabalhos de isolamento e cristali¬
zação de flávina de venenos ofídicos, nas seções de Química e Físico-
-química.
— Foram realizadas dezesseis conferências, aulas e comunicações
em sociedades científicas e cinqüenta reuniões internas, para comunicação
e discussão de bibliografia.
— Medidas para incremento de produção de medicamentos: nova
aparelhagem para maior rendimento de produção de soros, suspensão de
férias dos funcionários, racionalização do estoque de matérias-primas,
que resultaram na produção de 2.199.389 unidades de medicamentos
diversos no valor de Cr$ 3.010.479,00 (cruzeiros antigos).
— Foi entregue um anteprojeto de Decreto-lei para reformas do
Instituto, sugeridas no ano anterior, destacando-se : dissociação das ativi¬
dades industriais das pesquisas; autonomia financeira em relação às
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OLIVEIRA, J. L. CronolofiTÍa do Instituto Dutantan (1888-1981) 1*‘ Parte. Mem, Inat. Butantan,
11-79, 1980/81.
rendas próprias; organização de um Curso de Aperfeiçoamento, para
candidatos a assistentes; estabelecimento de um Serviço Hospitalar, para
uso das seções.
— Apesar da paralização de muitas obras dentro do Butantan em
função da guerra, foram ampliadas as instalações do biotério para criação
de cobaias, que teve sua produção quintuplicada; foi iniciada a construção
do biotério de camondongos.
— O Serviço Federal de Febre Amarela, que vinha funcionando
desde 1939 no prédio destinado à residência do Diretor do Instituto, foi
transferido por se tratar de trabalho administrativo, tornando o prédio
à sua função original.
— Racionamento de gasolina, álcool e óleo combustível e reativação
para produção do gasogênio (mais barato) para transportes e funcio¬
namento de caldeiras e outras máquinas.
— Apesar do racionamento que afetou os transportes, continuou
grande o afluxo de turistas ao Butantan, tendo sido registrado o afluxo
de 46.114 visitantes.
— De 12.600 fornecedores de cobras, 8.845 estiveram inativos no
triénio passado, daí a reativação e a sistematização dos serviços de propa¬
ganda. O instituto vinha sofrendo concorrência de instituições particulares
com finalidades comerciais.
— A produção de vacina BCG, feita até então no Butantan, passava
a ser feita no Instituto Dispensário Clemente Ferreira, praticamente o
único consumidor deste produto.
— Em decorrência da Guerra e a participação do Brasil, agravam-
se as dificuldades de trabalho do Butantan para solucionar seus problemas
técnicos (nas áreas de pesquisa e produção) mas, ainda assim, houve
intensificação das atividades industriais para fornecimento de produtos
indispensáveis à Saúde Pública e às Forças Armadas, batendo recorde
de produção.
— Apesar das atividades de pesquisas estarem prejudicadas, foi
publicado 0 volume XVII das Memórias, com dezoito trabalhos nas se¬
guintes especialidades: Ofiologia, Parasitologia, Escolopendromorfos,
Endocrinologia e Bacteriologia.
— Várias pesquisas estiveram em andamento; dentre os assuntos:
estudos sobre imunologia, biologia de animais peçonhentos etc. desta¬
cando-se especialmente as relativas à produção de soro curativo contra
Febre Maculosa e aqueles sobre o preparo da Penicilina; solicitou-se
para tanto a ampliação dos respectivos laboratórios.
— Continuou em atividades o Ambulatório Clínico de Endocrinologia
no Posto de Saúde Santa Cecília, para estudo de distúrbios hormonais e
no projeto de reforma proposto pela diretoria, solicitou-se a criação, neste
serviço, de alguns leitos para internamento.
— Várias conferências realizadas por técnicos do Instituto para
outras instituições: Ministério da Agricultura, Sociedade Química do
Brasil, Sociedade Brasileira de Biologia, Faculdade de Medicina de Recife,
Escola de Saúde do Exército, além de reuniões internas.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.“ Parte. Merti. Inst, Butantan,
11-79, 1980/81.
— Colaboração com outras instituições: Serviço Nacional de Peste,
Diretoria do Interior e Cia. Paulista de Estradas de Ferro, quanto a
problemas de febre amarela, realizando pesquisas e instalando laborató¬
rios de campo nos locais de foco da doença, além de fornecimento de
forragens para várias instituições estaduais, durante a grande estiagem.
— O Butantan participou da colaboração interamericana, colaborando
com Costa Rica, Chile e Guatemala no fornecimento de soros antiofídicos
e antitetânicos.
— No esforço de guerra, o Butantan colaborou com a intensificação
da fabricação de produtos biológicos, dispondo para as Forças Armadas
soros, vacinas e especialidades biológicas no valor de um milhão de cru¬
zeiros (antigos) sendo distribuídas em cotas, de 70% para o Exército,
20% para a Marinha e 10% para a Aeronáutica militar.
— Foi concedido crédito especial de um milhão de cruzeiros para
aquisição nos Estados Unidos da aparelhagem necessária ao preparo do
plasma seco para transfusões.
— Além do que, esta aparelhagem atenderá outras atividades, como
secagem da vacina variólica, para sua maior conservação; a manutenção
de amostras de vírus e de bactérias; a secagem de venenos, com a con¬
servação quase integral do poder tóxico; o preparo de produtos opoterá-
picos; a secagem de anticorpos dos soros curativos e da penicilina em
via ser produzida no Instituto.
Foi adquirido também, um grande forno elétrico, para esterilização
a seco da vidraria dos laboratórios, além de outros aparelhos e produtos.
— As obras do prédio iniciado em 1938 e que estavam paralisadas
por falta de verba, foram reiniciadas, prevendo-se sua inauguração para o
ano seguinte.
— Remodelação completa da rede elétrica.
— Construção de gasómetro para armazenagem.
— Reforma da rede telefônica para instalação de PBX.
— Projetos para construção de novos laboratórios para a seção de
vírus, principalmente para atender necessidade das pesquisas e produção
de vacinas e soros contra Febre Maculosa e outras rickettsioses.
— Pelo Decreto 12.401 de 16-12-41 foi desmembrada a área para a
Universidade de São Paulo, limitada pelos encanamentos adutores de
água que, do reservatório de Cotia se dirigiam para a cidade, cortando
as terras do Instituto no sentido horizontal. A Reitoria da Universidade
foi autorizada a tomar posse das terras pelo ato de 07-07-1943.
— Foi autorizado pelo Interventor Federal a aquisição de uma
fazenda com área suficiente para expansão das atividades do Instituto,
com terra adequada para o desenvolvimento da pecuária e exploração
agrícola e próximo a linha da Estrada de Ferro Sorocabana. A escolha
recaiu sobre a fazenda Riachuelo, no município de Conchas, com 1300
alqueires de terras, sendo analisadas as vantagens para sua aquisição.
— Estiveram em comissionamento o assistente-chefe Plínio Martins
Rodrigues no Rio de Janeiro, para freqüentar os serviços de vírus filtrá-
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Afem. Inst. Buiantan,
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veis da Fundação Rockefeller e do Instituto Oswaldo Cruz; Paulo Marrey,
junto à Diretoria de Fiscalização de Alimentação Pública; Antonio de
Salles Teixeira, junto à Diretoria de Produção Mineral do Governo Fe¬
deral ; e reassumiu o cargo na seção de Físico-química Gosurin Rarmann,
após viagem de estudo nos Estados Unidos.
— Foram intensificadas as criações de animais de laboratórios nos
biotérios, aumento de criação de eqüinos, e aprimoramento das raças
eqüinas e bovinas. Foram aplainadas e aterradas toda bacia correspon¬
dente ao açude existente no Instituto.
— O novo secretário da Educação e Saúde confirmou Flávio da Fon¬
seca no cargo de Diretor.
— Foi concedido ao Butantan pelo Interventor Federal um crédito
especial de sete milhões de cruzeiros (antigos) ; dos quais 5 1/2 milhões
para ampliação dos serviços de pesquisas e combate a Febre Maculosa.
— Em 1943, existiam cerca de 280 funcionários trabalhando no
Instituto.
— O fluxo de visitantes tinha se mantido alto, apesar das restrições
de combustível com a guerra.
— Em estudos, a proposta de reforma do Instituto: necessidade
entre outras, de separar as funções de produção industrial e pesquisa nos
laboratórios. A produção atingiu a cifra de 3 milhões de cruzeiros.
“Trabalhos de investigação científica”:
1. Pesquisa sobre febre maculosa (Drs. J. Travassos e A. Vallejo
Freire) distribuição geográfica dos focos da doença, além da pesquisa
e do preparo da vacina preventiva e curativa.
2. Pesquisa sobre a produção dos soros antitetânico e gangrenoso.
(Drs. S. C. Calazans e Furlaneto)
3. Pesquisa sobre soros antipeçonhentos e anavenenos (J. B. Aran-
tes) pesquisas sobre o paralelismo que se verifica entre a dosagem do
soro anticrotálico por meio do seu poder protetor in vivo (pombo) e pela
precipitação in vitro.
4. Pesquisas sobre difteria (Jandiyra Planet do Amaral) pesquisas
sobre imunologia aplicada a difteria.
5. Pesquisa sobre a incidência da peste murina em São Paulo
(José Bulcão Ribas).
6 Pesquisas sobre a vacina antitífica (Plínio Rodrigues, Lindorf
Carrijo e Celso Brandão).
7. Pesquisas sobre Penicilina (A. R. Taborda, Laura Taborda e
Favorino Prado) ensaio de produção semi-industrial de penicilina.
8. Pesquisas parasitológicas (Flávio da Fonseca), pesquisas sobre
ácaros e o trabalho de divulgação sobre “Animais Peçonhentos”.
9. Pesquisas sobre Zoologia Médica e Ofiologia (Alcides Prado)
livro sobre Serpentes do Brasil.
10. Pesquisas sobre animais venenosos (Wolfgang Bücherl) des¬
tacando-se 0 estudo sobre o valor terapêutico do veneno de abelhas nas
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mem. Inat. Butantan,
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algias reumatismais, precisando melhor as indicações do “Reumapiol”
fabricado no Instituto Butantan.
11. Pesquisas sobre as quinas brasileiras (F. R. Paes de Barros).
12. Pesquisas endocrinológicas (J. R. do Vale, Ananias Porto, J. I.
Lobo, L. Decorert e A. Marcondes da Silva) prosseguimento de pesquisas
experimentais e atendimento clínico, onde eram tratados os casos de
moléstias endócrinas, muitas vezes com preparado obtido na própria
seção: hormônios femininos, tiróidiano e do lobo posterior da hipófise.
Estudo sobre a morfologia e Fisiologia do Sistema endócrino dos ofídios
e na parte experimental, a verificação da ineficácia das preparações de
hormônio de crescimento.
— De junho de 1943 a abril de 1944, assumiu a direção do Butantan
0 Dr. Otto Bier.
1. Medidas de mudanças para 2.° semestre de 1944; após reunião
dos bacteriologistas e imunologistas do Instituto (Calazans, Arantes, Car-
rijo, Jandyra Planet do Amaral) foi resolvido centralizar o serviço de
produção do Instituto, sob a responsabilidade de um assistente-chefe bacte¬
riologista ou imunologista; no caso foi escolhido S. C. Calazans; desta
forma procurava-se maior rendimento da pesquisa.
2. Mudanças dos laboratórios de Bacteriologia do Instituto para
prédio novo, que abrigaria também a seção de Anatomia Patológica.
3. Reforma e ampliação da Seção de Vírus, riquétsias, e viagem do
Dr. J. Travassos da Rosa aos USA.
4. Reformas da biblioteca, do parque do museu.
5. Necessidade de aumento do quadro de cientistas do instituto,
principalmente para a Seção de Química e Ofiologia.
— Início de estudos visando o preparo de vacina contra Coqueluche.
— O soro antitetânico fabricado no Butantan possuía titulagem supe¬
rior aos internacionais.
— Pesquisas sobre a quinina no tratamento do paludismo.
— Falta de pessoal e recursos materiais dificultando a eficiência de
inúmeras pesquisas, dentre elas sobre a Penicilina, ainda assim foram
realizados estudos experimentais e ensaios de produção industrial.
1944
— Neste ano foram reorganizados os trabalhos do Instituto e remo¬
deladas as instalações, com importação de vários instrumentos.
— Dr. Otto Bier permaneceu como diretor do Instituto.
— Foram reafirmadas as funções do Instituto, a saber:
a) pesquisa científica;
b) produção de soros, vacinas e outras especialidades biológicas,
destinadas ao tratamento das doenças humanas;
c) ensino: cursos de extensão universitária, conferências de divul¬
gação, formação de técnicos especializados etc.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mem. Inat. Butantan, Jtk/kS:
11-79, 1980/81.
— Foi porém ressaltado “que a pesquisa científica é a atribuição
precípua de Butantan, que deve ser considerado essencialmente como um
centro de estudos de medicina experimental, em suas particulares aplica¬
ções a higiene e a fisiopatologia humana”: Ótto Bier. Relatório Anual da
Diretoria do Instituto Butantan, 1944.
— Principais trabalhos e pesquisas realizados no Instituto: preparo
de soros purificados de alto valor terapêutico pesquisados por bacterio¬
logistas e imunologistas na seção de Imunoterapia; processos de dosagem
dos soros antiofídicos; inoculação do veneno da cascavel pelo respectivo
antiveneno; estudos de imunologia quantitativa com os venenos e seus
respectivos antivenenos; diagnóstico bacteriológico da peste, tendo sido
identificada a ocorrência da leptospirose em ratos; na seção de Química,
a produção de penicilina purificada, sob a forma de sal de bário, obten¬
do-se resultados iguais à penicilina produzida no estrangeiro. Entretanto
optou-se por interromper a produção pois implicaria na criação de infra-
estrutura industrial, com administração própria, que fugiria às atribui¬
ções do Instituto. Prosseguiria apenas estudos relativos a penicilinoterapia
e ao controle da penicilina introduzida no país pela indústria farmacêutica
norte-americana. Também estavam sendo realizadas pesquisas para se
estabelecer as condições de preparo em larga escala da ovo-vacina contra
a febre maculosa na seção de Vírus, tendo o assistente-chefe Dr. Travassos
da Rosa viajado para USA a fim de adquirir domínios sobre pormenores
da técnica com o descobridor daquela vacina Dr. H. R. Cox e comprar as
aparelhagens necessárias para produção; pesquisas farmacológicas: ação
farmacodinâmica dos venenos crotálicos e botrópicos.
— Ampliação e remodelação das instalações do Instituto:
1.0) reforma do edifício principal, onde funcionava os laboratórios
e que passariam a abrigar os serviços de administração, a biblioteca e a
sala de reuniões científicas;
2. °) adaptação do embasamento da nova construção destinada aos
laboratórios de Bacteriologia e Imunologia e onde se instalaria também o
“Serviço de Produção de Plasma Seco”;
3. °) reforma geral do Biotério e construção de um biotério para
animais inoculados;
4. °) construção de um aviário para o fornecimento de cerca de 2.000
ovos embrionados por semana para seção de Vírus;
5. ®) remodelação geral do Parque do Instituto e dos serpentários;
6. °) construção de uma nova cocheira para 200 cavalos;
7. °) adaptação da atual cocheira para funcionamento de museu
educativo sobre questões de ofidismo, de biologia em geral de profilaxia
e epidemiologia das moléstias infecciosas;
8. ®) instalação de um hospital e ambulatório com os serviços anexos
de raios X e laboratórios clínicos para internamento dos indivíduos picados
por serpentes venenosas e de casos clínicos a serem estudados pela Seção
de Endocrinologia, com 10 leitos;
9. °) reforma das instalações da Seção de Vírus;
10.°) construção de um novo pavilhão para os laboratórios de Quí¬
mica, Endocrinologia e Farmacologia com os respectivos biotérios.
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OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte.
11-79, 1980/81.
Mem. Inat. Butantan, 44/45:
— 0 Estado tem cogitado adquirir uma fazenda para o Instituto com
a finalidade de abrigar os cavalos fornecedores de soro em fase de des¬
canso, criação de vitelos para produção de vacina antivariólica e criação
de macacos “rhesus”.
— O Instituto vinha incrementando e aperfeiçoando a produção da
anatoxina tetânica associadamente à vacina tífica, além dos soros antite-
tânico, antigangrenoso e antianaeróbico.
— No laboratório de difteria, além das pesquisas já iniciadas e da
produção de rotina, vinham sendo feitas investigações extensas sobre a
freqüência dos portadores de difteria nos grupos escolares da capital e
pesquisa sobre a terapêutica combinada soro-penicilina da infecção me-
ningocócica
— Aperfeiçoamento da técnica e obtenção de vacina mais eficiente
contra o tifo.
— A endocrinologia prosseguiu em suas pesquisas experimentais e
clinicas e na preparação dos hormônios feminino, tiroidiano e do lov
posterior da hipófise e pesquisas relativas a veneno de cobras.
— A coleção de ofídios tem aumentado, contando nesta época com
10.501 exemplares.
— Instalação dos laboratórios de pesquisa (Bacteriologia, Imunolo-
gia. Controle e Anatomia Patológica) no novo edifício bem como do
gabinete do Diretor.
— Com a reforma e ampliação da Seção de Vírus (Pavilhão Lemos
Monteiro) visava-se não só o incremento da produção da vacina preven¬
tiva contra febre maculosa como estudo de outras moléstias provocadas
por vírus (gripe, poliomielite, encefalomielite etc.).
— A estrutura determinada pela reforma de 1931 não correspon¬
dendo às atuais necessidades do serviço e no funcionamento prático de
vários laboratórios que recebem denominações diversas e desvincularam-
-se das seções antes estabelecidas foi necessário reorganizar o Instituto
de forma a se adequar às atuais exigências.
— A seção de Fisiopatologia foi desdobrada em duas seções autôno¬
mas: Endocrinologia e Histopatologia.
— A seção de Citologia e Genética Experimental estava extinta na
prática desde 1937, com a saída da Dra. G. von Ubish.
— Foi reiterada a necessidade de maior autonomia do Instituto e
não anexação ao Departamento de Saúde, pois ainda que fornecendo pro¬
dutos a esse departamento, seria necessário maior autonomia à direção
do I.B. para aplicação livre na pesquisa do Instituto das rendas prove¬
nientes das vendas efetuadas.
— Em 4 de janeiro de 1945 foi aprovado pelo Departamento de
Serviço Público a nova estrutura do Instituto Butantan que então passou
a ser:
I — Seções Técnicas — Laboratórios de produção e laboratórios de
pesquisas:
a) Anatomia Patológica
b) Bacteriologia
75
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) !•* Parte. Mem. Inst. Butantan,
11-79, 1980/81.
c) Endocrinologia
d) Farmacologia
e) Imunologia
f) Imunoterapia
g) Ofiologia e Zoologia Médica
h) Parasitologia
i) Química
j) Riquétsias
1) Vacina Jenneriana
m) Vírus
II — Serviços Técnicos Auxiliares:
a) Biblioteca
b) Desenho e Fotografia
c) Hospital Vital Brazil
d) Horto Oswaldo Cruz
e) Museu e Serpentário
f) Meios de Cultura e Esterilização
g) Criação de Animais e Culturas
h) Cocheiras de Imunização
III — Serviço de Administração:
a) Seção de Comunicação
b) Seção de Expediente
c) Seção de Contabilidade
d) Seção de Material e Transporte
e) Oficinas e Obras.
As duas antigas seções de Físico-Química Experimental e de Botânica
Médica foram extintas e criadas então as seções de Controle, Farmaco¬
logia, Imunoterapia, Riquétsias e Vacina Jenneriana.
Os serviços de produção se centralizaram numa seção única, a Imuno¬
terapia, sob a chefia de S. C. Calazans de forma de melhorar tanto a
produção como aumentá-la, estimular a pesquisa científica, antes sobre¬
carregada com encargos de produção.
— A seção de Imunoterapia distribuiu os seus serviços por 3 labo¬
ratórios :
1. Produção de bacterinas e soros antibacterianos.
2. Produção de toxinas, anatoxinas e soros antitóxicos.
3. Serviço de sangrias, concentração de soros e distribuição de
produtos.
— A produção de anavenenos e de antivenenos ainda não foi anexada
ao centro de produção, estando sob a responsabilidade do Dr. J. B.
Arantes. E a produção de vacina jenneriana se manteve na seção respec¬
tiva, sob a chefia de Cícero Neíva, sendo neste ano aumentada a produção,
devido ao surto de varíola na Capital.
76
1 SciELO
OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.“ Parte. Mcm. Inst. Butantan,
11-79, 1980/81.
— Além das reformas dos prédios, foi instalada a rede PBX e adqui¬
ridas várias aparelhagens de laboratórios, de escritório e maquinário
agrícola.
— Foi necessário aumentar o volume de vendas dos produtos feitos
através do representante comercial, quer no Brasil como no estrangeiro.
Daí a necessidade de dispor a Diretoria de maiores verbas para aquisição
de material destinado à produção. Uma vez que a legislação federal
proibia a aplicação direta de renda que deveria obrigatoriamente ser
recolhida ao Tesouro, pleitearia esta Diretoria, por eqüidade, em relação
ao que acabava de ser concedido ao Instituto Biológico de São Paulo e a
outras repartições do Estado, que se consignasse no orçamento uma verba
mínima de Cr$ 200.000,00 para ser empregada no desenvolvimento do
serviço de produção de soros e vacinas no Instituto Butantan (a tal verba
seria compensada por anulação da receita com parte da renda, recolhida
ao Tesouro no mesmo exercício).
— Estavam sendo examinadas as condições para aquisição da Fazenda
São Joaquim, de propriedade de Emílio Guerra, no município de São
Roque, situada próxima à estação de São João, da Estrada de Ferro
Sorocabana. A Fazenda possuía 470 alqueires de terras, com excelentes
instalações e infra-estrutura básica, tendo já bem desenvolvida a criação
de animais.
— Necessidade de melhorar o nível do pessoal técnico do Butantan
e da instituição de melhores salários de acordo com o regime de tempo
integral. Necessidade de contratação de mais pessoal técnico especializado
de nível superior.
— O Decreto-lei número 15.094 de 11-10-45 reorganizou o Instituto
Butantan.
— A nova reorganização dos serviços técnicos do Instituto permitiria
maior autonomia da direção para articular e agrupar os laboratórios, de
acordo com a estrutura interna de funcionamento prático do mesmo, con¬
veniência e necessidade do serviço.
— Assim ficariam distribuídos os serviços técnicos:
A) Laboratórios de Produção:
1. Serviço de Imunoterapia:
a) Laboratório de Bacterinas e Soros antibacterianos: Drs. S. C.
Calazans e Favorino Prado Jr.
b) Laboratório de Antígenos tóxicos e soi’os antitóxicos: Dr. R. S.
Furlanetto.
c) Laboratório de Concentração e Purificação de Soros: Dr. Celso
Brandão.
2. Serviço de controle (incluindo a produção de anavenenos e
antivenenos) Dr. J. B. Arantes.
3. Serviço de Vacina Jenneriana: Dr. Cicero Neiva.
4. Dependências anexas: Meios de Cultura, Esterilização e Lava¬
gem; Sangrias e Distribuição asséptica de produtos.
77
1 SciELO
OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.* Parte. Mem. Inat. Butantan, U/i5:
11-79, 1980/81.
B) Laboratórios <ie Pesquisas:
1. Laboratório de Anatomia Patológica:
a) Histopatologia: Professor Dr. Moacir Amorim; Dr. C. A, Sal-
vatore (estagiário) ;
b) Hematologia: Dr. Gastão Rosenfeld;
c) Citogenética: Professor G. Schreiber (estagiário).
2. Laboratório de Bacteriologia: Dra. Jandiyra Planet do Amaral,
Dr. E. Biocca (estagiário).
3. Laboratório de Botânica Médica: Dr. Fernando Paes de Barros.
4. Laboratório de Endocrinologia: Drs. J. R. do Valle, J. Leal
Prado, S. B. Henriques e O. B. Henriques (estagiário).
5. Laboratório de Farmacologia: Dr. Ananias Pereira Porto.
6. Laboratório de Imunologia: Dr. A. Vallejo Freire, Dr. F. Eich-
baum (estagiário).
7. Laboratório de Ofiologia e Zoologia Médica:
a) Ofiologia: Dr. Alcides Prado;
b) Zoologia Médica: Dr. W. Bücherl.
8. Laboratório de Parasitologia: Drs. Flávio da Fonseca e A. T.
Leão.
9. Laboratório de Química: Dr. F. Berti, Dr. H. W. Rzeppa
(estagiário).
10. Laboratório de Vírus: Drs. J. Travassos, Plínio M. Rodrigues,
L. M. Carrijo e Luiz A. R. do Valle (estagiário).
— Aumento de 3,5 vezes a produção de toxina diftérica com relação
ao ano anterior (1.838.900 cm’).
— Viagem do Dr. R. S. Furlanetto ao Chile para aperfeiçoamento
técnico do preparo do soro antigangrenoso e outros estudos referentes a
anaeróbios no Instituto Bacteriológico do Chile.
— 26 Pesquisas científicas realizadas: nas áreas de Imunologia,
Bacteriologia, Parasitologia, Soroterapia, Patologia, Ofiologia, Endocri¬
nologia, etc.
— Dos serviços novos, apenas o Serviço de Plasma foi iniciado,
pela impossibilidade material de sua instalação no prédio, que ainda se
acha em construção.
— Foi inaugurado o Hospital Vital Brasil em 12-11-1945 com a pre¬
sença do Secretário da Educação Jorge Americano e de Vital Brasil,
então homenageado. O hospital funcionou na antiga residência do Diretor
(atual diretoria).
— O Decreto n.o 14.678 de 24-4-45 autorizou o governo do Estado
a adquirir a Fazenda São Joaquim, e o Estado já entrou na posse^ da
mesma, dando início aos trabalhos, inclusive o plantio de 50 alqueires
de milho.
78
1 SciELO
OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® Parte. Mem. Inst. Butantan, kk/U5:
11-79, 1980/81.
— Dentre as construções novas já concluídas estavam: pavilhão
para 1.000 coelhos, biotério de animais inoculados, instalação do Labora¬
tório de Endocrinologia, Laboratório de Vírus, Laboratório de Parasito-
logia e instalação definitiva dos Serviços de Esterilização e Lavagem, e
da Câmara de Distribuição Asséptica.
— Foi sugerido pelo diretor ao Governo do Estado autorização para
que através da firma Produtos Butantan Ltda., o Diretor do Instituto
pudesse contratar pessoal para serviço da produção, correndo tais des¬
pesas por um encontro de contas com o produto das vendas feitas ao
representante comercial. Desta forma se estabeleceria um regime de
semi-autarquia a ser adotado apenas no setor de Produção.
— Dentre os objetivos propostos para o ano seguinte estavam;
aumento do quadro de pessoal técnico especializado, contratação de biolo¬
gistas e químicos, viagens de técnicos do Butantan a centros de pesquisas
estrangeiras.
— Desenvolver Serviço de Pesquisas sobre Malária, conforme plano
apresentado por Flávio da Fonseca.
E também deveriam ser desenvolvidos os trabalhos para preparo
da vacina contra gripe, um serviço de pesquisa sobre vírus neurotrópicos
(encefalites, poliomielite) incluindo o diagnóstico, a epidemiologia e a
profilaxia (eventualmente o preparo de vacina preventiva). Anexo ao
serviço de plasma, a instalação de um laboratório para determinação
de eletroforese, seguindo o método de Fiselius.
— Necessidade de reorganizar os serviços de contabilidade e aumen¬
tar pessoal administrativo.
— Necessidade de contabilizar o fornecimento de produtos a Depar¬
tamento de Saúde como Receita da repartição.
— Foi extinto o armazém para fornecimento de gêneros de primeira
necessidade anexo à Caixa Beneficente.
79
Mem. Inst. Butantan
4^/45:Sl~nS, 1980/81
NOTES ON MICRO AND ULTRASTRUCTURE OF
“OBERHÃUTSCHEN” IN VIPEROIDEA *
A. R. HOGE**
S. Alma ROMANO HOGE***
ABSTRACT: Description of a new technique for microscopical study
of “Oberhâutschen; description of a new genus; Protobothrops- the
genera, Portliidium, Dothriechis and Bothriopsis are considered as
distinct from Bothrops-, with a short diagnose of the Agkistrodon-
tini, and redescription of Calloselaftma rhodostoma and C. annamensis.
KEYWORDS: “Oberhàutschen; Viperoidea; Protobothrops; Porthi-
dmm-, Bothriechis; Bothriopsis-, Agkistrodontini-, Calloselasma rho¬
dostoma; Calloselasma annamensis.
INTRODUCTION
This preliminary account on Crotalid snakes is based on the study
of a large number of specimens. Besides the classical methods in sistematic
zoology, special attention is given to the superficial structure of the skin.
In 1953 the Sênior author and Souza Santos published a paper on sub-
microscopic structure of “Stratum corneum” (oberhàutschen) showing
the value of the method in taxonomy. Besides the electron microscopic
method a new method for use in optic microscopy is described. The
conclusion is that the method is extremely useful. For the moment about
90% of the species from the Bothrops Trímeresiirus complex were exa-
mined. Definitions of the genera will be modified but to avoid useless
changes in nomenclature the authors will wait to complete their studies
before introducing the changes maintaining for the moment a more con-
servative nomenclature. The solenoglyphous snakes are included in a super-
family, Viperoidea subdivided into two families: Atractaspiidae for the
primitive colubrid-like Mole false vipers; Viperidae for the vipers, with
four subfamilies; Viperinae (true vipers); Azemiopsinae (Mole Vipers);
Causinae (Night adders) and Crotalinae (Pit Vipers). The Crotalinae are
• This Work was supportcd in part by grant LM 00418 — LM 00698 from the National Library of
Medicine, National Institutes of Health, US Department of Health Education and WelWelfare; by
the CNPq and FINEP, BRAZIL.
♦* Director of the Division of Biology, Institute Butantan — 05504 — Cx. postal, 65 — São Paulo —
BRAZIL.
Scientif Researcher from the CNPq, Institute Butantan — BRAZIL.
81
1 SciELO
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem, Inat. Butantan, 4^/45tSl-llS, 1980/1981.
Figs.: 1, 2, 3, 4 — CaXlosclasma annamensia holotypo Ç
Mus. Nat. Hist. Nat. n.° 3.323
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HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Irist. Butantan, ^^/^5;81-118, 1980/1981.
Fig. 5 — Calloeelasma annameiisia holotypo $
Mus. Nat. Hist. Nat. n.® 3.323
2 3 4
cm
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HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberháutschen” in
Viperoidea. Mem, Inat. Buiantan, t81-118, 1980/1981.
divided in two tribes; Agkistrodontini for the genera Agkistrodon, Callo-
selasma, Deinagkistrodon, Gloydius and Hypnale (Hoge and Romano Hoge,
1981), and Crotalini for the genera; Crotalus and Sistrurus (Rattlesna-
kes) ; Bothrops, Porthidium, Bothriechis and Bothriopsis (American scale
snouts); Trimeresurus, and Protobothrops (Asiatic Pit Vipers); Tropido-
laemus (Chin-keeled Pit Viper) and Ovophis (The mountain and Okina-
wan pit viper). The genus Agkistrodon “sensu auctores” is considered as
formed by five genera: Agkistrodon for the American species; Calloselas-
ma for C. rhodostoma and C. annamensis; Deinagkistrodon for D. acutus;
Gloydius for the asiatic forms except Deinagkistrodon, Callosélasma and
Hypnale for H. hypnale, H. nepa and H. walli.
METHODS
Resides the classical methods in systematic zoology, special attention
is paid to microscopic and ultramicroscopic structurs of “Oberháutschen”
Pockrand 1937. (Epitrialschicht of Leydig 1873, “stratum corneum” of
Hoge et Souza Santos, 1953). Direct optical examination of “oberhâuts-
chen” is very difficult due to the thickness of the preparation. A new
technique of replica is used for examination with optical microscope.
Instead of making replicas by the “stripiny method (Schaffer 1943) the
replica was done directely on the slide. The slides are from Plexiglas, a
drop of chloroformium is placed on the plexiglas and the snake scales
are pressed against leaving a perfect replica of the scale. This prepa-
rations can be stored indefinitely unlike the ones by the dry-striping
method. The examination of the replicas was made with the help of a
Siemens electron microscope type UM 100 b at original magnifications
of 1300 and 6300.
STRUCTURE OF “OBERHÁUTSCHEN”
Comparing the microscopic, and or, the submicroscopic structures of
Bothrops and Trimeresurus (fig. 27, 28, 51 and 52) it is easy to distin-
guish them on the base of their pattern.
The very large number of species already examined permit us to
conclude that very distinct patterns permit the use of this structure for
the distinction of genera for ex.: Boa; Xenoboa; Eunectes; Corallus;
Lystrophis; Conophis; Ditaxodon; Python etc. (figs. 31 to 39 and 44, 45).
Between Viperidae the distinction of: Atheris, Echis, Vipera, Both¬
rops, Trimeresurus, Tropidolaemus etc. is possible on the base of the
ultrastructure.
A very large number of genera and species are already examined
and the results will be published in a fortcoming paper.
Here we will limit us to a few genera and species of Crotalinae.
Using the replicas prepared for optical microscopic examinations
the shape of cells and microornamentation is easely observed (fig. 46
and 62).
84
1 SciELO
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mcm. Inst. Butantan, 44/45t81A18, 1980/1981.
9
Figs. 6 and 8 — Calloeelasma annamcnsia
Mus. Nat. Hist. Nat. n.® 1920 — A 216
Figs. 7 and 9 — Callosclaema rhodostoma
Mus. Nat. Hist. Nat. n.® 1970-583
85
cm
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure o£ “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inat. Butantan, 81-118, 1980/1981.
10
Fis:s. 10 and 11
Calloaelasma rhodoatoma
Mua. Number: MNHN n.® 1970 — 683
Locality: Plantation Krek, Cambodge
Collector: Saint Giron
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HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of
Viperoidea. Mem. Inat. Butantan, 4-4/45*81-118, 1980/1981.
“Oberháutschen” in
Before discussing the results it seem interesting to observe that,
sometimes different patterns appears in the sarae genus (sensu auctores)
but till now the different patterns are always associated with other
characters.
Although the use of the scanning microscopic give the best results,
the optic technique here described, is very usefull, simple and permit a
quick observation.
Bothrops: a pattern of allongated and generally keeled cells (fig. 51
and 27 and 29).
Trimeresunts: a pattern of large, not or nearly not allongated cells
(fig. 28 and 52).
Tropidolaemus: a pattern of rounded cells, strongly covered with
complicated keells and stripes (fig. 53 and 58).
In Ovophis the pattern observed (only O. okinavensis and O. chaseni
studied) is quite similar to Trimeresurus (fig. 62).
A distinct pattern was observed in flavoviridis, mucrosquamatus and
jerdoni. This pattern together with other characters permit to put them
in a distinct genus.
Protobothrops Gen. Nov.
DIAGNOSIS
A pit viper with allongated, not forked, and generally edentulous
palatine (fig. 80). The maxillary without the projection on border of
cavity, similar to Bothrops; the anterior border of ectopterigoid not
enlarged as in Trimeresurus and Ovophis. Splenial and angular distinct;
structure of paraventral with fingerlike projections; structure of dorsais
showing a striated pattern (fig. 41). The median wing of the prefrontal,
unlike in Trimeresurus and Tropidolaemus, present, but small in size.
RELATIONSHIP
Related to Bothrops by the pattern of paraventral structure (fig. 42).
Easely distinguished from Trimeresurus by the structure of dorsais,
paraventrals (fig. 40 and 41) ; the different shape of palatine, maxillary,
ectopterygoid, and prefrontal (figs. 80, 81).
Type species: Protobothrops flavoviridis.
Species here considered as belonging to the genus Protobothrops:
P. flavoviridis (Hallowell 1860) ; P. jerdoni (Günther 1875) and P. mu¬
crosquamatus (Cantor, 1839).
Bothrops
The genus Bothrops as here defined can be characterized by:
Palatine deeply forked (fig. 68), internai border of maxillary not
provided with projection; ectopterygoid with anterior part not large and
square; splenial and angular present; structure of dorsais showing allon¬
gated and keelled cells (figs.: 75, 27, 29 and 55).
87
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IIOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inet. Butantan, 4-4/45:81-118, 1980/1981.
Figs. 12 and 13
CaÜoselaama annamensis Angel
Locality: Cap. Saint Jacques, Sud Vietnam
Mus. Number: MNHN — 1920 A 216
Col.: Mignon.
cm
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of
Viperoidea. Mem. Inat. Butantan, ^^/i5:81-118, 1980/1981,
Oberhâutschen
Fig. 14
Callosclaama annamcnaia
Locality: Plantation Krek, Cambodge
2 3 4
5
cm
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HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure o£ "Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inst. Butantan, 4-^/^5:81-118, 1980/1981:
A few species of Bothrops “sensu auctores” do not share all those
characters: undulatm, bicolor, schlegeli, lateralis, nigroviridis, nummifer
and lanshergii.
Although more data has to been computed before further subdividing
the Bothrops group a few genera can already be revalidated.
Porthidium Cope
This genus related to both Bothrops and Trimeresurus differs from
Bothrops by the structure and ultraestructure of dorsais wich are closely
related to the ones observed in Trimeresurus (fig. 46).
From Trimeresurus by shape of maxillary and ectopterygoid wich
are similar to the ones observed in Bothrops (fígs. 66, 72).
The shape of palatine is somewhat intermediate between Bothrops
and Trimeresurus. Differs from Bothrops and Trimeresurus by having
splenial and opercular fused (figs. 70 and 76).
The genus Porthidium as here defined is diferent from Burger’s
conception of the genus Burger states that all but nasutus have splenial
and angular separated. The specimens of lanshergii examined all have
splenial and angular fused.
Type species: Porthidium lanshergii (Schlegel), 1841.
The following species are included in this genus: P. brachstoma,
P. dunni, P. nasutus, P. ophryomegas, and yucatanicus (not seen).
Bothriechis Peters
This genus already recognized by Savage is really different from
the genus Bothrops by the structure of “oberhautschen” (fig. 57).
Type specimes: Bothriechis nigroviridis species here included in the genus
B. nigroviridis subsp. (including rowleyil).
Bothriopsis Peters
This genus already recognized by Burger is here restricted to B.
castelnaudi and B. lichenosus.
Diagnosis will be given in a forthcoming paper.
Type species: B. castelnaudi.
Species here included B. castelnaudi with B. lichenosus either as a
species or subspecies.
Genera inquerendae
undulatus, bicolor, schlegeli, lateralis, pictus, nummifer, supraciliaris,
till now in the genus Bothrops “sensu auctores”. Some species, specially
bicolor, are closely related to Trimeresurus. (Fig. 43).
The species T. kaulhacM and T. kanburiensis still need to be studied.
T. capitetriangidatus although having the maxillary and palatine
of the Trimeresurus shape, a distinct striped pattern of dorsal scales the
shape of ectopterygoid also is quite unusual. More specimens are needed
before conclusion.
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HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhãutschen” in
Viperoidea. Mem. Inat. Butantan, 4-4/-45:81-118, 1980/1981.
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HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inat. Butantan, 1980/1981.
Agkistrodontini (Historical)
In 1896 Boullenger included in the same genus Agkistrodon the genera
Hypnale Fitzinger, 1843, Halys Cray, 1849 (non Fabricius, 1803) and
Calloselasma Cope (nom. nov. pro Leiolepis Duméril, 1853) (non Cuvier,
1829), nearly no attempt was made for the revival of those genera,
except by:
1957 Chernov who removed Calloselasma from the synonymy and
gave additional reasons for the revival of the genus.
Unfortunatelly he was not followed by the authors.
1971 Burger in his doctor thesis (l.c.) revived Calloselasma and
Hypnale. Burger used Agkistrodon for the American species,
Calloselasma for the species rhodostoma and acutus and
Hypnale for the other Asiatic species.
1977 Gloyd revived Hypnale (without mention to Burger’s thesis
or to Dis-sertation Abstract International 32 (10)1972 but
restricted to Hypnale only the species H. hypnale; H. nepa
and a new species H. walli, giving a good diagnosis.
1978 Gloyd describes a new genus Deinagkistrodon for the single
species acutus.
1981 Hoge and Romano Hoge conclude that Agkistrodon “sensu
auctores” is a complex of five genera: Agkistrodon Beauvois,
Calloselasma Cope, Deinagkstrodon Gloyd, Hypnale Fitzinger
and a new genus Gloydins. They subdivide the subfamily
Crotalinae in two tribe: Crotalini and Agkistrodontini.
TRIBE Agkistrodontini
Rattleless pit vipers with large symmetrical shields on top of the
head; sometimes the internasals and prefrontals broken up into scales
of scalelike shields. When broken up in scales dorsais in 17 row at midbody.
Contains five genera: Agkistrodon Beauvois, 1799; Calloselasma
Cope 1859; Deinagkistrodon Gloyd 1978; Gloydius Hoge and Romano
Hoge 1981 and Hypnale Fitzinger, 1843.
Range: Asia from the borders of Caspian Sea Eastwards to Japan and
southwards to Sri-Lanka and Indonésia; North and Central America.
DIAGNOSIS OF THE GENERA
Agkistrodon Beauvois, 1799
A rattleless Pit Viper; nine large symmetrical shields on the upper
surface of the head; internasals and praefrontals well developed; dorsais
keeled; anterior subcaudals single; upper labiais usually forming the
anterior border of the loreal pit; snout not produced in a dermal appen-
dage; skull short and broad; supratemporal (tabular) extending beyond
the braincase. Skull very broad, as broad or nearly as broad as the
distance of praefrontals from posterior and of braincase; palatine not
deeply forked; ectopterygoid not hooked; broad and strongly curved.
93
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
HOGE, A. R, & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inat. Butantan, 1980/1981.
Fifir. 20 — Calloaelaêina rkodoatoma
Fiar. 21 —• CaUoaelasma annamenaiê
Fig, 22 — CaUoèçlaama rhodoatoma
Fig. 23 Deinagkiatrodon acutua
Fig. 24 — Agkiatrodon contortrix
Fig. 26 — Gloydiua blomhoffii blomhoffi
SciELO
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of "Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inst. Butantan, 1980/1981.
articulated with pterygoid on both internai and externai side angular
and splenial separated (fig. 77) (except for A. hilineatus fide Marx,
1972).
The structure of “Oberhâutschen” shows allongated cell contours,
(fig. 59).
Not related to any asiatic or european genera of Agkistrodontini,
charing only a single character with the monotypic genus Deinagkis-
trodon, in not having angular and splenial fused.
Contains: Three species, all viviparous.
Range: From North to Central America.
Calloselasma Cope 1860
A rattleless Pit Viper with; dorsal scales smooth loreal pit separated
from the labiais; subcaudals paired, palatine very peculiar with a long
anterior process toothles or provided with a single teeth, ectopterygoid
slender, hooked and not strongly curved; braincase broad, supratem-
poral not or nearly not extending beyond braincase; angular and
splenial fused (fig. 82). Structure of oberhaütschen nearly structurless
not related with any of the other genera of Agkistrodontini.
Contains: Two species: C. rhodostoma and C. annamensis, oviparous.
Range: From Laos to Djawa.
Deinagkistrodon Gloyd, 1978
A rattleless Pit Viper related to both Agkistrodon and Calloselasma.
Dorsal scales keeled; snout with a distinct dermal appendage; scales of
the lowermost row near the tip of the tail distingtly higher than wide,
(upper head shields finely granulated; loreal pit bordered by the second
upper labial; palatine with a dorsal process, deeply forked in front and
provided by ±5 teeth ectopterygoid slender not hooked, even more
strongly articulated with pterygoid than in Agkistrodon. Oberhâutschen
with rounded cells (fig. 61).
Angular and splenial not fused; (fig. 78)
Contains: a single species. Viviparous.
Range: South China, Tong-King, Taiwan.
Gloydius Hoge and Romano Hoge 1981
A rattleless pit viper different from, Agkistrodon, Calloselasma
and Deinagkistrodon by cranium wich is long and narrow scales of the
lowermost row near the tip of the tail not distingtly higher than wide,
from Calloselasma by the keeled dorsais and not hooked ectopterygoid;
from Deinagkistrodon by the absence of produced dermal appendage
on snouth; from both Agkistrodon and Deinagkistrodon by very short
supratemporals not extending posteriorly beyond the braincase. Angular
and splenial fused or not (Fig. 83). The M. O. different from all other
Agkistrodontini but remembering both Protobothrops (Crotalini) and
Agkistrodon {Agkistrodontini).
Contains: Seven species. Viviparous.
96
1 SciELO
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen** in
Viperoidea. Mem. Inat. Butantan, 81-118, 1980/1981.
Fig. 27 — Bothrope pradot (Scan. Micr. x 530)
Fig. 28 — Trimeresurus gramineua (Scan. Micr. x 630)
Fig. 29 — Bothropa pradoi (Scan. Micr. x 4,500)
Fig. 30 — Trimereaurua gramincMa (Scan. Micr. x 4,600)
SciELO
cm
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inst. Butantan, 4^/^5:81-118, 1980/1981.
Boa conatrictor conatrictor amarali (Dorsal Electron Micr. x 6,200)
Xenoboa cropanii (Dorsal Electron Micr. x 6,200)
Euncctes murinus (Dorsal Electron Micr. x 6,200)
Tropidophia paucidens (Dorsal Electron Micr. x 6,200)
Corallvà caninua (Dorsal Electron Micr. x 6,200)
Lyatrophia nattereri (Dorsal Electron Micr. x 6,200)
Conophia vittatua — Type specimen — (Dorsal Electron Micr. x 7,200)
Python reticxdatxLa (Dorsal Electron Micr. x 6,200)
Crotalua duriaaua terrificua (Dorsal Electron Micr. x 6,200)
Fig, 31
Figr. 32
Fig. 33
Fig, 34
Fig. 36
Fig. 36
Fig. 37
Fig. 38
Fig. 39
SciELO
cm
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen’*
Viperoidea. Mem. Inst. Butantan, 4^/^5:81-118, 1980/1981.
Range: Eastern Europe; Continental Asia southwards to Indonésia and
westwards to Japan.
Hypnale Fitzinger 1843
Distinct from, Agkistrodon, Calloselasma, Deinagkistrodon and
Gloyctius by the praefrontals and internasals which are broken up in
scales by the dorsais which are in 17 rows; by the presence of a very
short and strongly hooked ectoperygoid (only slightly hooked in rhodos-
toma) ; from Agkistrodon and Gloydius by the pattern of M.O., angular
and splenial fused, (Fig. 84).
ContaÂns: Three species. Viviparous.
Range: Sri-Lanka and índia, Western Ghats as far north as 16.° L.N.
ANNAMENIAN AND MAL AY AN PIT VIPERS
During a stay at the “Laboratoire of Reptiles et Amphibiens” of the
“Museum National d’Histoire Naturelle” in Paris, a very distinct pattern
in some specimens of Calloselasma called our attention.
The fine collection of Reptiles and superior library of the Paris
Museum; the large series of specimens in the British Museum and
Rijksmus. Nat. Hist. at Leiden besides the previous notes on specimens
in several other institutions, enabled us to conclud that two taxons are
included under the name of Agkistrodon rhodostoma.
In march 1981 a visit to the Knoll-Twyford laboratories at Ludwigs-
hafen allowed us, not only to observe the largest known series of live
Malayan pit vipers, but also complete the data on geographical distribu-
tion. The Twyford laboratories maintain several hundreds of Calloselas¬
ma rhodostoma to produce the venom necessary for the elaboration of a
commercial anticoagulant.
A drawing in Seba (1736) seems to be the first reference to a speci-
men of the actual genus Calloselasma but the poor quality of the fig.
turns identification doubtfull, almost impossible.
The first good description of a specimen of C. rhodostoma belongs to
Patrick Russel 1801-1809, pl. XXI :24-25. This description and drawing
was based on a specimen from Java. No scientifical or vernacular name
was given.
Reinwardt in Boie (1827) was the first to name the species as
Trigonocephalus rhodostoma.
For about twenty years this species was consecutively included in
the genera: Vipera; Trigonocephalus and Tisiphone.
Duméril (1853) created a separate genus for rhodostoma, Leiolepis,
unfortunately preocupied by Leiolepis Cuvier (Lizard).
Cope (1860) gives a subst. name, Calloselasma for Leiolepis Duméril
1853.
Boulenger (1896) puts Calloselasma in the synonymy of Ancistrodon
in his Catalogue.
99
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inst. Butantan, 81-118, 1980/1981.
Fig. 40 — TrivicresuTUS albolabria (Dorsal Electron Micr. x 8000)
Fig. 41 — Trimercsurus jcrdoni (Dorsal Electron Micr. x 8000)
Fig. 42 — Bothrops jararacuasu (Paraventral Electron Micr. x 8000)
Fig. 43 — Bothropa bicolor (Paraventral Electron Micr. x 8000)
100
cm
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inet. Butantan, 1980/1981.
Fig
Fie
Fie
— Ditaxodon taeniatua — Type spccimen (Dorsal Electron Micr. x 1,200)
— Conophia vittatua — Type specimen (Dorsal Electron Micr. x 1,200)
— Porthidium lanabergii rozei (Opt. Micr. ± x 200)
2 3 4
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of
Viperoidea. Mem. Inst. Butantan. 4-4/-45:81-118, 1980/1981.
'‘Oberhâutschen” in
Angel (1933) describes a new species of Agkistrodon from Annam,
Agkistrodon annamensis.
Smith (1943) puts A. annamensis in the synonymy of A. rhodostoma.
Klemmer (1963) mentions A. annamensis and A. rhodostoma without
any coment.
Campden-Main (1970) uses Calloselasma rhodostoma for specimens
from Vietnam.
Since Boulenger’s Catalogue no attempt was made to revive Callose¬
lasma except by Chernov (1957) ■who removed Calloselasma from the
synonymy of Agkistrodon but -was not followed by the autors, except
Campden Main l.c.
Burger 1971 in his dissertation for PhD thesis used Calloselasma for
rhodostoma and acutus.- In 1978 Gloyd formed a new genus for acutus
(Deinagkistrodon acutus). In 1981 Hoge and Romano Hoge subdivided
Agkistrodon “sensu auctores” in several genera: and includes them in a
new tribe the Agkistrodontini:
Agkistrodon Beauvois 1799 for the American species (3 species)
Calloselasma Cope, 1860 (two species)
Deinagkistrodon Gloyd 1978 (one species)
Gloydius Hoge and Romano-Hoge 1981 nom subst. pro Halys Gray
1849 preocupied by Halys Fabricius 1803 (seven species).
Hypnale Fitzinger 1843 (three species)
Calloselasma annamensis (Angel)
Annamenian Pit Viper (Fig. 6, 8, 12, 13 and 14)
1875 CalloselcLsma rhodostoma; Morice, Coup d’oeil sur la faune Coch.
Franç. Rept., :67.
1885 Calloselasma rhodostoma; Tirant {partim ?), Excurs. et Recon-
naissance ^0:399 (not seen) fide Saint Girons.
1885 Calloselasma rhodostoma; Tirant {partim ?), Notes sur les
Reptiles et Batraciens de la Conchinchine et du Cambodge,
Saigon :37
1933 Ancistrodon annamensis Angel, Buli. Mus. Nat. Hist. Nat.,
Paris, Serie 2 (2), 5:277, fig. 1.
1936 Agkistrodon annamensis; Bourret, Serp. Indo-Chine, :454.
1943 Ancistrodon rhodostoma; Smith (partim) The Fauna of British
índia, Ceylon and Burma including the whole of the Indo-
-Chinese Sub-Region vol. III — Serpentes :497 text fig. 158
A, B and C.
1963 Agkistrodon annamensis; Klemmer, Behringwerk-Mitteil. Die
Giftschlangen der Erde. (Sonderband) :397.
1968 Agkistrodon rhodostoma; Leviton (partim), Venomous Verte-
brates. Acad. Press., 1, p. 560.
1970 Calloselasma rhodostoma; Campden-Main (partim), A Field
guide to the Snakes of South Vietnam, USNM :96 + text, fig.
-H maps.
102
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
überháutschen
HOGE, A. K. & ROMANO HÜGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of
Viperoidea. Mem. Inat. Butantan, 1980/1981.
Figr. 47 — Atheris nitschei nitschci
Fig. 48 — Echis carinatus pyramidum
Fig. 49 —. Vtpero Icbctina turanica
Fig. 50 — Vipcra russeüi rusaclli
103
2 3 4
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberháutschen” in
Viperoidea. Afem. /twí. Butantan, 4^/45:81-118, 1980/1981.
Fig. BI — Bothropa moojeni
Fi?. 52 — Trimercsurus gramineus
Fig. 63 — Tropidolaemus wagleri
FifiT. 64 — Atractaspia irrcgularis conradsi
All fig. Opt. Micr
X 100
104
SciELO
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastmcture of “Oberhautschen*' in
Viperoidea. Mem. Inst. Butantan, 4^/^5:81-118, 1980/1981.
1972 Agkistrodon rhodostoma; Saint Girons (partim), Mem. Mus.
Nat. Hist. Nat. Série A Zoologie, 74:153.
1981 Calloselasma annamensis; Hoge and Romano-Hoge, Mem. Inst.
Butantan, 4:2/4^:193, 1978/79 (1981).
Type locality: Vinh-Hoa, Southern Annam Vietnam.
Range; Eastern Cambodge, Southern Annam, Vietnam (map. fig.)
MATERIAL
M.N.H.N.P.N^ 1933-23, 9 (Type specimen) from “Sud de TAnnam”,
Vietnam, col. by the “Mission Citroen”; M.N.H.N.P.N^ 1887-173, from
Tonkin, don. by Heckel; M.N.H.N.P.N--. 1920-215, 9 and 1920 A-215 juv.
from Cap Saint Jacques, Sud Vietnam, col. by Mignon; M.N.H.N.P.N^
1911-67, 3 and 1911-67, 9 from Cap Saint Jacques, Sud Vietnam, col.
by Chatel; M.N.H.N.P.N^ 1912-76, á and 1912-79, 9, from Cambodge
col. by Charpentier, M.N.H.N.P.N^ 1937-30, 9. Environ de Bien-Hoa Sud
Vietnam, col. by Toilane ; M.N.H.N.P.N'’. 1970-582 Plantation Krek, Cam¬
bodge, col. by Saint Giron; B.M.N^ 1937-2-1-17, 9 (bad state of preser-
vation) Nakham between (Uteradit and Paklay N.E. Siam press. by
M. A. Smith; B.M.N^ 1937-2-1-13, O, from N.W. of Raheng Northern
Siam; B.M.N"". 1921-4-1-49, O and 1921-4-1-50, O from Cap Saint Jacques
South Vietnam pres. by M. A. Smith; B.M.N^ (7505), 1968-837, O Cham-
-Am P. Siam foot of Hill, M. A. Smith pres. B.M.N^ (8268) 1968-839
O N.W. of Raheng (Rak ng?) (Now Tsheng (=Tak) Thailand, col by
Nai Put; B.M.N'’. (2610) 1968-841, O, from Cap Saint Jacques. For the
elaboration of the maps following localities where quoted (They where
tentatively atributed to annamensis on base of geografical localisation) :
Sakhon Nakon, Prov. Sakon Nakhon, Thailand; Lop Buri, Prov. Lop.
Buri, Thailand; Korat (=Nakon Ratchasima) prov. of Nakhon Racha-
sima Thailand.
Kumpawapi 250 km North of Korat = Nakon Ratschásima) Thailand
Lat. 17° 10’N long. 102° 50’E.
Nong Kai; Chiang Mai; Thailand. Laos and the following localities
in Vietnam; Phu Rieng, Pham Rang, Loe Ninh, Ben Cat. Xaun Loc,
Long Binh, Phu Vinh and Kompong Speu.
DESCRIPTION
Closely related to Calloselasma rhodostoma but postocular band indis-
tinct and never festooned (fig. 3, 4, 8 and 21).
Calloselasma rhodostoma Reinwardt in Boie
Malayan Pit Viper
1736 in Seba, Thes. 2, pl. 68, fig. 6 (?). Very bad drawing and
identification doubtfull.
1801-1809 in Russel, Cont. acc. Indian Serpents., 2, pl. 21:24.
*1827 Trigonocephalus rhodostoma Reinwardt in Boie, Isis 1827,
.2^:561.
105
1 SciELO
HOGE, A. R. & ROMANO HOOE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of überhautschen in
Viperoidea. Mcm. Inst. Butantan, 1980/1981.
Fiíf. 65 — Bothropa moojenx
Fiff. 66 — 2'rimere8uru8 albolabria
Fig. 67 — Bothrxechiê nigroviridia marchi
Fig. 68 — Tropidolaemua wagleri
AU fig. Opt
Micr.
X 200
106
SciELO
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhãutschen” in
Viperoidea. Mem. Inst. Butantan, 1980/1981.
Fif?. 69 — Agkiatrodon bilineaitie
Fig'. 60 — Hypnalc hypnale
Fig. 61 — Deinagkistrodnn acutus
Fig. 62 — Ovophis okinavensis
All iig. Opt. Micr.
X 200
107
SciELO
HOGE, A. R.
Viperoidea.
& ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Mem. Inat. Butantan, -^4/45:81-118, 1980/1981.
1830
Trigonocephalus rhodostoma; Wagler. Syst. Amph. :174.
1832
Vipera praetexta Gravenhorst. Deliciae Mus. Vrátisv. Trigo¬
nocephalus praetexta Hemprich.
1837
Trigonocephalus rhodostoma; Schlegel, Essai Phys. Serp.
1:190, 240 and 2:541, pl. 20, fig. 1-3.
1843
Tisiphone rhodostoma; Fitzinger. Syst. Rep.: 28.
1844
Trigonocephalus rhodostoma; Schlegel. Abb. n. Amph. 59-63,
140, pl. 19, fig. 1-10 and pl. 49.
1849
Trigonocephalus rhodostoma; Gray, Cat.: 19.
1853
L\_eiolepis~\ rhodostoma; Duméril, Mém. Acad. Sc., 23:5^4.
1854
Leiolepis rhodostoma; Duméril, Bibron et Duméril, Erp Gén.
7(2) :1500.
1859
(1858-1859) Tlrigonoceplialus] (Tisiphone, Fitz.), rhodos¬
toma; Jan, Prodome d’une Iconographie descriptive des ophi-
diens... :29.
1860
Calloselasma [rhodostoma']; Cope, Proc. Acad. Sei. Phila-
delphia (1859) ;336.
(1861 fide Troschel).
1861
(1860) Trigonocephalus rhodostoma; Reinhardt, Herpeto-
logiske Meddelelser.
1863
(Tisiphone) T[rigonocephalus] rhodostoma; Jan Elenco
sist. :125.
1863
Tisiphone rhodostoma; Peters. Mb. Berl. Akad., 1862:673.
1864
Calloselasma rhodostoma; Günther, Rept. Brit. índia :391.
1870
(1869) L[eiolepis] rhodostoma; Westphal-Castelnau, Cat.
col. Rept. :| 49 .
1872
Trigonocephalus rhodostoma, Schlegel, De dierenterin :43
+ fig.
1874
Trigonocephalus rhodostoma; Jan, Icon. Gén. Ophid livr.
46, pl. 6, fig. 2.
1892
Ancistrodon rhodostoma; Boettger, Ber. Off. Verh. Nat.,
29/32:1S5. (non vidi)
1896
Ancistrodon rhodostoma; Boulenger, Cat. Snake Brit. Mus.,
3 :527.
1902
Ancistrodon rhodostoma; Lampe et Lindholm. Jahrb. d. Nass.
Ver. f. Nat. 55 :43.
1912
Agkistrodon rhodostoma; Barbour, Mém. Mus. Comp. Zool.
Harward Coll., 44:139.
1912
Ancistrodon rhodostoma; Boulenger. Vert. Fauna Malay Pe¬
nínsula, Rept. and Batrachia, :213, fig. 64.
1904
Ancistrodon rhodostoma; Annandale, J. Asiat. Soc. Bengal.,
73 :207-212.
1914
Ancistrodon rhodostoma; Smith, J. Nat. Hist. Soc. Siam.,
1 :57-58.
108
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of
Viperoidea. Aícm. Inat. Butantan, 1980/1981.
“Oberháutschen” in
6 6
Pig. 63 — Maxillary of Bothrops lanceolatus
Fig. 64 — Maxillary of Trimeresurus gramineua
Fig. 66 — Maxillary of Ovophia chaaeni
Fig. 66 — Maxillary of Porthidium lansbergi
109
cm
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10 11 12 13 14 15
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inst. Butantan, 1980/1981.
7 2
7 3
7 4
Fií?. 67 •
Fig. 68
Fig. 69
Fig. 70
Fig. 71
Fig. 72
Fig. 73
Fig. 74
• Palatine of TrimcremruB gramincua
■ Palatine of Bothropa lanccolatua
• Palatine of Ovophia chaacni
■ Palatine of Porthidiurn lanabcrgi
• Ectopterygoid of Ovophia chaaeni
• Ectopterygoid of Porthidiurn lanabcrgi
- Ectopterygoid of Trimercaurita gramincua
■ Ectopterygoid of Bothropa lanccolatua
110
cm
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10 11 12 13 14 15 16
HOGE, A. R.
Viperoidea.
& ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastrueture of “Oberhâutschen” in
Mem. Inat. Dutantan, 4-4/-45:81-118, 1980/1981.
1915
Ancistrodon rhodostoma; Smith, J. Bombay Nat. Hist. Soc.,
23 :787-788+Photo.
1916
Ancistrodon rhodostoma; Smith, J. Nat. Hist. Soc. Siam.,
^:164.
1916
Ancistrodon rhodostoma; Ouwens. De Voorn. Giftsl. Nederl.
Cost Indie, 19, pl. 13.
1916
Ancistrodon rhodostoma; Gyldenstolpe, Handl. Sven. Akad.
Stockolm, 4(3) :27, Mus. Singapure.
1917
Ancistrodon rhodostoma-, de Rooij Rept. Ind. Austr. Archip.,
2, Ophidia 279, figs. 114-115.
1930
Agkistrodon rhodostoma; Smith, Buli. Raffles, 5:[89].
1930
Agkistrodon rhodostoma; Cochran, Proc. U.S.N. Mus., 77:37.
1934
Agkistrodon rhodostoma; Brongersma, Zool. Med. Rijksmu-
seum Nat. Hist. Leiden, 17:161-251.
1934
Agkistrodon rhodostoyna; Mertens, Arch. f. Hydrobiologie
(Supl.) l^:Trop. Binnengew., 4:677-701.
1936
Agkistrodon rhodostoma; Bourret, Serp. de L’Indo-Chine:45.
1953
Algkistrodon] rhodostoma; Cochran, Smiths. Inst. war back.
stud. n.° (10) :21.
1943
Ancistrodon rhodostoma Smith (partim), Fauna índia, Rept.
and Amph., 3:497.
1944
Agkistrodon rhodostoma; Cochran. From the Smithsonian
report for 1943 (public. 3753) :275-324 + 23 pl. Washington
D.C. Un. Stat. Gov. printing offices.
1945
A [gkistrodon^ rhodostoma; Loveridge. Rept. o.t. pacif ic
world: 178-180.
1950
Agkistrodon rhodostoma; Haas, Treubia, 20:608.
1954
Ancistrodon rhodostoma; Tweedie. The Snakes of Malaya,
Singapure, :114.
1957
Calloselasma rhodostoma; Chernov. Zool. J., 36(5) :792.
1958-1958 Agkistrodon rhodostoma-, Taylor et Ebbel, Univ. Kansas,
Sei. Buli., 38,{2) n° 13:1168.
1959
Agkistrodon rhodostoma; Hoesel, Ophidia Javanica, 1:1-88,
figs. 122-123.
1959
Agkistrodon rhodostoma; Mertens, Treubia., 25,(1).
1961
Agkistrodon rhodostoma; Deuve Buli. Soc. Sei. Nat. Laos
n.° 1:30.
1962
Agkistrodon rhodostoma; Deuve, Buli. Soc. Sei. Nat. Laos
(2) :81.
1962
Agkistrodon rhodostoma; Deuve, Buli. Soc. Sei. Nat. Laos
(2) :88.
111
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of
Viperoidea. Mem. Inat. Butantan, ^4/^5:81-118, 1980/1981.
‘Oberháutschen" in
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7 6
8 0
7 9
Fig. 75 — Bothropa atrox
Fig. 76 — Porthidium lanabergi
Fig. 77 — Agkiatrodon piacivortia
Fig. 78 — Deinagkiatrodon acutua
Fig. 79 — Gloydiua blomhoffii
Fig. 80 — Protobothropa flavoviridis
Fig. 81 — Protobothropa jerdoni
112
cm
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HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inat. Butantan, 44/^5:81«118, 1980/1981.
8
Fig. 82 — Calloaelaama rhodoBtoma
Fig. 83 — Gloydiua blomhoffii
Fig. 84 — Hypnale hypnale
113
HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inet. Butantan, ^4/^5:81-118, 1980/1981.
1962 Agkistrodon rhodostoma; Deuve, Buli. Soc. Sei. Nat. Laos
(2) ;77, 78, 79, 81.
1962 Agkistrodon rhodostoma; Deuve, Buli. Soc. Sei. Nat. Laos
(3) :20.
1962 Agkistrodon rhodostoma; (partim), Depart. Navy ONI Study
3-62:126.
1963 Agkistrodon rhodostoma; Klemmer, Behrin^erke Mitt. Son-
derb. :401.
1965 Agkistrodon rhodostoma; Taylor, {partim), Univ. Kansas
Sei. Buli., 45, (9) ;1058, fig. 120.
1968 Agkistrodon rhodostoma; Levitou, {partim), Ven. Vertebrates.
Acad. Press., 1 :560.
1971 Calloselasma rhodostoma; Burger {partim), Genera of Pit
Vipers. PhD. diss. Publ. microf. Anu. Arbor:100, fig. 4b.
1972 Agkistrodon rhodostoma; Saint Girons {partim), Mem. Mus.
Nat Hist. Nat. Série A — Zoologie 7.4:153, pl. 41 + map.
1978 Calloselasma rhodostoma; Gloyd {partim), Proc. Biol. Soc.
Washington, 963.
1981 Calloselasma rhodostoma; Hoge and Romano-Hoge, Mem. Inst.
Butantan, 42/43:193, 1978/79 (1981).
TYPE LOCALITY: Djawa.
RANGE: Malaysia south of Isthmus of Kra and Djaw^a: a few
specimens known from Thailand and Cambodge, Saint Girons collected
both C. rhodostoma and C. annamensis at Kreck, Cambodge.
The species seems to be abscent in Sumatra (a specimen in the
collection of the RMNHL Nr.ll454 leg. Dubois is labelled Sumatra
without any other data; two more specimens, leg. P.GNiel.Nr.20392 and
20393 al.so are labelled Sumatra). In 1896 Boulenger in his Catalogue
noticed only specimens from Java and a single one as being from Siam
with? (actually BMNr.62.11.1.243). The first specimens without doubt
from Siam are those collected by Annandale and Robinson in Perak and
the Siamese Malay States and identified by Boulenger who prepared list
of Malayan rep tiles. He confirms the occurance of A. rhodostoma in
Siam whence a specimen has been received by the Christiana Museum
and also records the species for Biserat. A parallel case of discontinuous
distribution is afforded by Geoclemys subtrijuga and several other species,
as already stated by Boulenger and Barbour l.c.
All the specimens seen by Boulenger are still in the herpetological
collection of the British Museum belong to the species C. rhodostoma and
not a single one to the species C. annamensis.
MATERIAL:
M.N.H.N.P.Nr.411 a 2 and 411A, a á, from Batavia, col. DTstria;
M.N.H.N.P.Nr.576 (2 spec.) from Java, col. Quoy and Gaimard; M.N.H.
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HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of
Viperoidea. Mem. /nst. Butanian, 1^/45:81*118, 1980/1981.
^Oberhãutschen" in
N.P.Nr.7761 from Java, col. Leschenault; M.N.H.N.P.Nr.4045 and 4046,
from Java, col. Bleeker; M.N.H.N.P.Nr.1893-124, $, from “Prov. de
Bangtaban” Malayan península, col. Bei; B.M.Nr.(1834-MAS) 1968-838,
head only; B.M.Nr. (6322) 1968-840 from KHAORAM (food of Hill) ;
B.M.Nr. (1835-MAS) ; 1968-843 Hupbon B.M.Nr. (7165) 1968-842 from
Nong SE Siam; B.M.Nr. (1833) 1939 a á from Bangnara; B.M.Nr.l885,
12.31.31 a á from Wellus Mountains Kediri, Java 5000 ft.; by Baron
v.Hnegal; B.M.Nr.62.11.1. 243 a 5 from Siam; B.M.Nr.1879.16.2 a 13
and 1879.16.20.14 from Java pres. A. Scott; B.M.Nr.66.8.14.316 a $ from
Java; B.M.Nr.1903.4.13.98, 9, and 1903.4.13.100 from Jahor Malayan
península; B.M.Nr.l891.5.Í.16 a, 9, and 1891.5.1.17 3, from Batavia;
B.M.Nr.44.2.22.47, 9 pres. Leyden Mus.; B.M.Nr.1915.5.13.13, 3, from
Bantaphan Siam col. Malcon Smith; B.M.Nr.l969 from Sve Úmbel col.
Malcom Smith 1918 R.M.N.H.L.Nr.318 (3 spec.) from Java? leg. Boie
and Macklat; R.M.N.H.L.Nr.l509 from Java, leg. S. Muller; R.M.N.H.L.
Nr.l510 from Java leg. C.G.C. Reinwardt R.M.N.H. from Buitemorg
leg van Slooten; R.M.N.H.Nr.5808 from Babakan Djatti, Res. Krawang
Java leg. W.V. van Heurn; R.M.N.H.L.Nr.7433 (2 spec.) from Botanical
Garden, leg Kannegieter; R.M.N.H.L.Nr.7474 (4 spec.) from Radjamala,
W. Java, leg J. Semmelink. R.M.N.H.L.Nr.7490 (2 spec.) from Buiten-
zorg Java leg. Buitendijk R.M.N.H.L.Nr.8013 (1 spec.) from Buitenzorg,
Java. R.M.N.H.L.Nr.8969 (2 spec.) from Indramajoe, W. Java, leg. F.
Kopstein (not seen!) ; R.M.N.H.L.Nr.9736 (2 spec) from Depak near
Batavia Nature Reserve (now Depok near Djakarta Djawa) ; R.M.N.
H. L.Nr.l0134 (2 spec.) from Java leg. Tegelaar; R.M.N.H.L.Nr.l0319
(2 spec.) ; from Malong Java; R.M.N.H.L.Nr.ll454, from Sumatra, (now
Sumatera), leg. Dubois; R.M.N.H.L.Nr.20381 from Surroundings of
Buitenzorg, leg P. Buitendijk; R.M.N.H.L.Nr.20382 from Buitenzorg leg
P. Buitendijk; R.M.N.H.L.Nr.20383 and 20384 from Buitenzorg leg F.
Verbeek; R.M.N.H.L.Nr.20385 from Dessa Sambengwangon, Rembang
Java leg Fr. Verbeek; R.M.N.H.L.Nr.20386 (6 spec.) from Radjaman-
dala, Bandoeng, W. Java leg F. Kapstein; R.M.N.H.L.Nr.20391 (no data) ;
R.M.N.H.L.Nr.20392 and 20393 from Sumatra leg P.G. Neeb; R.M.N.H.L.
Nr.20394 from Java; R.M.N.H.L.Nr. 20395 from Buitenzorg; R.M.N.H.L.
Nr.20396 from Bandoeng, W. Java leg E. Jacobson; 20397 and 20398 from
Tandji near Semarong Java leg P. Buitendijk. LB.H.Nr.31 Java (gift
from Konigl. Natur. Sammlung in Stuttgart, (1912) ; I.B.H.Nr.l9216 Ja¬
va, gift from I.R.S.N. Belgique; I.B.H.Nr.l9227; Java I.R.S.N. Belgique;
I. B.H.Nr. 4234 from Buitenzorg, Java leg T. Barbour. In lit. Barbour
(1912) Buitenzorg. Gunung Bundes on Mt. Salak 2200 ft am Daru in
Bantam.
DESCRIPTION
Snout pointed, somewhat turned up; rostral as high as broad or
slightly higher, internasals a little longer than broad, shorter than the
prefrontals; frontal as long, or longer than its distance to the tip of
the snout, longer than broad, as long or a little longer than the parietais ;
parietais slightly longer than broad; 3 preoculars; a loreal between the
upper preocular and posterior nasal; a large subocular separating the
eye from the upper labiais; loreal pit not in contact with upper labiais;
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HOGE, A. R. & ROMANO HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure of “Oberhâutschen” in
Viperoidea. Mem. Inst. Butantan, ^í/^5:81-118, 1980/1981.
1 or 2 postoculars; 7 to 9 upper labiais; all cephalic shields and scales
smooth; dorsais in (23-25) — (21-17) longitudinal rows all smooth 138-
157 ventrals in males, 157-166 in females; 34-46 pairs of subcaudals in
females and 45-55 in males.
Reddish brown with a series of dark brown, black edged spots oppo-
site to one another or alternating; generally a black vertebral line, inter-
rupted or not; the spaces between the dorsolateral spots are distinctly
lighter in color, sometimes ill defined darker marking in the light inter-
paces. Belly white to yellowish, powdered or not with dark brown on
the borders of ventrals and two outer dorsais series of dark, sometimes
indistinct roundish dots. A broad dark brown band from the eye to
the angle of mouth. Black edged, always festooned below (fig. 20).
Sometimes upper and lower black edges rimmed with light yellow.
The juveniles have brighter colors than the adults (fig. 26) ; viva-
rious yellow tails. When aging, small dark spots appear on the dorsal
surface; the spots spread gradually sidewards leaving the yellow color
indefined in the adult.
Total length 1030 mm.
This species is mainly found in heavily forested areas.
ARTIFICIAL KEY TO THE Agkistrodontini *
I. Dorsal scales smooth (fig. 22) . Calloselasma
II. Dorsal scales keeled.
A — Praefrontals and internasals broken up in scales (fig. 18) ;
dorsal scales in 17 rows; snout turned up (fig. IÇ)... Bypinale.
B — Praefrontals and internasals not broken up in scales; dorsais
not in 17 rows.
1. Snout with a distinct dermal appendage (fig. 17) ; scales
of the lowermost row near the tip of tail much higher
than long (fig. 23) . Deinagkistrodon
2. Snout and scales near the tip of tail not as above; (fig.
24 and 25).
a) All subcaudals paired; loreal pit always separated
from labiais . Gloydius
b) Anterior subcaudals single; loreal pit generally bor-
dered by a labial . Agkistrodon
KEY TO THE SPECIES OF Calloselasma
1. The postocular dark band very distinct, black edged and always
festooned (fig. 9 and 20) . rhodostoma
2. The postocular dark band indistinct not festooned below (fig.
8 and 21) . annamensis
* In case of doubt on any characters check skull, if:
1. Short and broad; supratemporal extending beyond the brain case = Agkistrodon.
2. Long and narrow; supratemporal not extending beyond the brain case = Gloydius.
117
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HOGE, A. R. & ROMANO HÜGE, S. A. Notes on micro and ultrasiructure of “überhíiutschen” in
Viperoidea. Aíewi. Inst. Butantan, 1980/1981.
ACKNOWLEDGMENTS
Our thanks go to several institutions and persons for loans or
permission to study the specimens namely: (C. Myers; R. G. Zweifel)
American Museum of Natural History; (G.R. Zug) Smithsonian Insti-
tution; (Alice Grandisson) British Museum Natural History; To Knoll-
Twyford Laboratories at Ludwigshafen, Germany for the permission to
examine the alive specimens. To Miss Alma Yasodhara Alexandra Hoje
for technical aid helping the examination of the Knoll-Twyford and
M.N.H.N. Paris specimens and redaction of manuscript. To João Domin-
gues Cavalheiro for redrawing the figs. 20-25. Our special thanks to Dr.
E.R. Brygoo for his invitation and Mrs. Brygoo for the photographs
of specimens (Museum National d’Histoire Naturelle, Paris) and to Dr.
M.S. Hoogmoed Rijksmuseum van Natuurlijke Historie, Leiden, who
kindly checked the shape and form of postocular band in all available
specimens in the Rijksmuseum van Natuurlijke Historie, Leyden. We
are also indebted to the: Application laboratory, Naka works of the
Hitachi, Ltd of Tokyo, Japan for photographs with scanning microscope.
RESUMO: Descrição de uma técnica nova para o estudo micros¬
cópico da “oberhãutschen”; descrição de um gênero novo: Proto-
bothrops; os gêneros, Porthidium, Bothriechis e Bothriopsis são
considerados distintos de Bothrops; uma diagnose sumário dos
Agkistrodontini e redescrição de Calloselasma rhodostoma e Callo-
selasma annamensis.
PALAVRAS-CHAVE: “Oberhãutschen”; Viperoidea; Protobothrops;
Porthidium', Bothriechis; Bothriopsis; Agkistrodontini; Calloselas¬
ma rhodostoma; Calloselasma annamensis.
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Mem. Intt. Butantan
4^/45:119-126, 1980/81
ABSENCE OF E-ROSETTE-POSITIVE CASES IN A SERIES
OF 17 CHILDREN WITH ACUTE LYMPHOID LEUKEMIA
FROM SÃO PAULO, BRAZIL‘ ^
L. DENARO-MACHADO 3
J. C. MACHADO*
A. G. AMARAL*
M. I. ESTEVES*
A. BIANCHI*
M. L. D’ANDREA*
ABSTRACT: A study on 17 chlldren from the São Paulo State
(Brazil) with Acute Lymphoid Leukemia (ALL) was perfomed in
ordèr to correlate the socioeconoraic condition of the patients with
the immunological typing, besides data on the clinicai evolution of
the disease. The most significant finding was the absence of T-cell
proliferation in all cases. These findings can be compared with those
of other countries.
KEYWORDS: Brazilian children, Acute Lymphoid
Immunological markers, Leukemic epidemiology.
Leukemia,
ABBREVIATIONS
Acute Lymphoid Leukemia (ALL) ; High Risk (HR) ; Standard
Risk (SR) ; "^^ite Blood Cell (WBC) ; Central Nervous System (CNS);
E — Rosette — Positive (E) ; Surface Immunoglobulin (sig) ; Sheep
Red Blood Cells (SRBC).
INTRODUCTION:
In order to supply support for the comparison of the relative fre-
quency of different morphological types of leukemia in children of several
countries plus aspects related to the membrane markers associated to
Research Support: CNPq, FEDIB and DINECKODE.
This Work was presented on the International Workshop on the influence of the environmental on
leukemia and lymphoma, May 1982, NIH, Bethesda-Maryland. USA.
Instituto Butantan. — Laboratório de Citopatologia — Divisão de Patologria.
Instituto Central — Hospital A. C. Camargo (Fundação Antonio Prudente).
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DENARO-MACHADO, L.; MACHADO, J. C.; AMARAL, A. G.: ESTEVES, M. I.; BIANCHI, A. &
D*ANDREA, M. L. Absence of E>Ro8ette-Positive caces in a series of 17 childrcn with acute lymphoid
leukemia from São Paulo, Brazil. Itmí. Mem. Inst. Butantan, ^^/^5:n9*126, 1980/81.
other clinicai data, and socioeconomic conditions of the patients, the AA
completed studies on 17 children from the “Serviço de Pediatria” of the
Hospital A.C. Camargo from São Paulo City, Brazil.
The São Paulo State is localized in the Southern region of Brazil,
of a temperate climate. It is proven to be the State of highest economical
development of the Country, to v^^hich a high number of immigrants
arrive from several adjacent States as "well as from the Brazilian Nor¬
theast. This condition determines relevant local socioeconomic disleveling.
MATERIAL AND METHODS
The present study was restricted to 17 children, carriers of ALL,
the ages varying from 8 months to 13 years, selected after admission in
the Hospital, betAveen October 1979 and June 1981.
Identification data of the patients are summarized in Table 1. Most
of the patients originate from peripheric areas of the City of São Paulo,
and therefore from populational socioeconomical less privileged classes.
The Assistant Service of the Hospital A.C. Camargo informed that 16
of them carne from social classes provided with social security, and one
(case 9) was considered indigent.
Table 2 summarizes the clinicai and laboratorial data of the patients
as well as diagnosis, classification in HR-ALL, and SR-ALL, and survival.
The data relative to WBC/mm® represent those obtained at the moment
of admission of the patients. The percentage of blasts in the peripheral
blood varied between 1% (case 4) to 83% (case 16), and in bone marrow
from 6% (case 4) to 94,4% (case 2). These blasts were counted on the
same day (in the case of peripheral blood) or on one of the proximate
days (in the case of bone marrow) of the blood sampling collected for
immunological tests.
The clinical-laboratorial data concerning the presence of one or more
of the following characteristics: WBC/mm^ > 100.000; presence of
mediastinal mass; CNS infiltration ; proliferation of type E-rosette-posi-
tive, and induction failure to remission on the 30th day, were the para-
meters demonstrative for the diagnosis of an HR-ALL. Obviously, the
absence of these characteristics implies a SR-ALL.
The immunological tests performed refer to the typing of peripheral
blood lymphocytes after the treatment by the Ficoll-Hypaque gradient
method. Such tests were restricted to the determination of the T-lympho-
cyte population by the spontaneous rosette formation with SRBC, and
by the identification of surface immunoglobulins for the enumeration of
B-lymphocytic population by using of polyvalent fluorescent antiserum,
as well as fluorescent antiserum for the heavy chains of immunoglobulin
(IgG and IgM). The results were compared with the values obtained
from 9 volunteer healthy donnors, as shown in Table 3.
By the current knowledge, it is known that such tests do not suffice
for a more exact typing of leukemias, we believe however, that they
are adequate for a comparison with other equivalent works.
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DENARO-MACHADO, L.; MACHADO, J. C.: AMARAL, A. G.: ESTEVES, M. I.; BIANCHI, A. &
D'ANDREA, M. L. Absence of E-Uosette-Positive cases in a series of 17 children with acute lymphDid
leukemia from São Paulo, Brazíl. /tist. Mem, Inst, Butantün, 119-126, 1980/81.
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DENARO-MACHADO, L.; MACHADO, J. C.j AMARAL, A. G.; ESTEVES, M. I.; BIANCHI, A. &
D'ANDREA, M. L. Absence of E-Rosette-Positive cases in a series of 17 children with acute lymphoid
leukemia from São Paulo, Brazil. /nsí. M.em. Jnat. Butantan, 119-126, 1980/81.
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DENARO-MACHADO, L.; MACHADO, J. C.; AMARAL, A. G.; ESTEVES, M. L; BIANCHI, A. &
D’ANDREA, M. L. Absence of E-Rosette-Poaitive cases in a series of 17 children with acute lymphoid
leukemia from São Paulo, Brazil. IiMt, Mem. Inst, Butantan, ■(^/45:119>126, 1980/81.
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DENARO-MACHADO, L.; MACHADO, J. C.; AMARAL. A. G.; ESTEVES, M. I.; BIANCHI, A. &
D’ANDREA, M. L. Absence of E-Rosette-Positive cases in a series of 17 children with acute lymphoid
leukcmia from São Paulo, Brazil. Inst. Mem. l-nst. Butantan, 119-126, 1980/81.
RESULTS AND DISCUSSION
Table 4 shows the results of the lymphocyte typing tests, as well
as the immunological interpretation of these data, correlating them with
the HR-ALL and SR-ALL diagnosis.
Of the 17 cases presented in Table 4, we verified that the majority
(15/17) presented low values for both T-cell and B-cell populations, and
consequently a high percentage of “Non-T, Non-B” cells, at least with
respect to the employed tests. By the joint analysis of Table 2 and 4,
we may conclude that these cases constitute a heterogeneous group as
to the evolution of the disease.
Three of these non-T, non-B cases (cases 14, 15, 16) were carriers
of tumoral mediastinal mass, a factor considered by Chessells et al.
(1977) (2) as associated to a poor prognosis, and suggestive of a T-ALL
type of immature cells, even when during the typing they were classified
as a Null-cell type proliferation. Actually, two of these 3 cases had a
failure in the induction to remission (cases 15 and 16), one of which
(case 15) with a survival on only 4 months, a fact that can reiterate the
affirmation of those authors, as to a poor prognosis of these cases when
associated to the presence of mediastinal tumoral mass.
Monoclonal B-cell type proliferation in ALL are referred to in the
literature as a group poorly represented (about 5% of the cases) and
characterized by a poor prognosis. One of the 17 cases studied (case 13),
classified as HR-ALL by the CNS infiltration and induction failure to
remission, presented itself immunologically as a B-cell type proliferation,
monoclonal IgG.
Unexpectedly, one of the cases of our series (case 1) presented
E-rosette and sig values within the patterns considered by us as normal
(Tbl.3). For this case, denominated by us as “Undeterminable” (U),
one of the plausible interpretations would be perhaps the low percentage
of blasts within the peripheral blood (7%), although in other cases with
such a percentage, or less, the definition of the type of proliferation
implicated in the process had been possible.
On the other hand, the literature related about 25% of ALL cases
as being of type T-cell proliferation, by the expression of receptor for
SRBC, or expression of T-cell antigens (1, 3, 5) being these cases of a
poorer prognosis than the “Null” type proliferation. There are authors
who relate (4) that T-cell proliferations seem to constitute the largest
contingency of ALL in populations of less privileged socioeconomic classes.
In our limited sample of 17 ALL cases of children coming from
different areas of the São Paulo State, no type T-cell proliferation could
be detected, at least with respect to the ability to form spontaneous
rosettes with SRBC, a fact called to attention by the authors as a
possible implication with an environmental sociogeographical distribution
as well as with etiological factors peculiar to this area.
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DENARO-MACHADO, L.: MACHADO, J. C.; AMARAL. A. G.; ESTEVES, M. I.; BIANCHI. A. &
D’ANDREA, M. L. Absence of E-Rosette-Positive cases in a series of 17 children with acute lymphoid
leukemia from São Paulo, Brazil. Inat. Mem. Inst. Butantan, ^^/^5:119-126, 1980/81.
Immunological
Interpretation
ü
n
% of non-T
non-B Cells
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% of IgM
Positive
Cells
OiOrHCSWOOTfC^THOiOOOiTjfCOOJtO
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% of IgG
Positive
Cells
OJW^^WONOOiCOOxiOCOOOWCO^D
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% of sig
Positive
Cells
tONCOTPrJiioçDÇOl/ÍCOCOT^OOkCiftM
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% of E
Rosette
Positive Cells
W^(N05C^Wlf5(MlAlf5eOií50CO(NÇOM
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Diagnosis
and Risk
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1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
Case N.°
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OOOOOOOOOr-lrHrHrHiHrHiHrH
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DENAUO-MACHADO. L.; MACHADO. J. C.; AMARAL, A. G.; ESTEVES, M. I.; RIANCHI, A. &
D'ANDREA, M. L. Abscnce of E-Rosette-Positive caees in a series of 17 children with acute lymphoid
leukemia from São Paulo. Brazil. Inst. Mem. Inat. Butantan, ^^/^5:119-126, 1980/81.
ACKNOWLEDGEMENTS
This work was undertaken with the aid of CNPq, FEDIB, and
DINECRODE — MS.
The authors wish to thank Dr. I.F. Souza (Chefe do Serviço Social)
of the Hospital A.C. Camargo.
RESUMO: Um estudo em 17 crianças do Estado de São Paulo
(Brasil) com Leucemia Linfóide Aguda (LLA) foi realizado, de
forma a correlacionar a condição sócio-econômica dos pacientes com
a tipagem imunológica, ao lado de dados de evolução clínica da
doença. O achado mais significante foi a ausência de proliferação
celular T em todos os casos. Esses achados podem ser comparados
com aqueles de outros países.
PALAVRAS-CHAVE: Crianças brasileiras; Leucemia linfóide
aguda; Marcadores imunológicos; Epidemiologia leucêmica.
BIBLIOGRAPHIC REFERENCES
1. BORELLA, L. & SEN., L. T Cell surface markers in lymphoblasts in
untreated acute lymphocytic leukemia. J. Immunol., 111:1257, 1973.
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3. GREAVES, M.F.; KULEMKAMPFF, J.; PIPPARD, M. & WELSH, K.
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RAMOT, B. & MAGRATH, 1. (Personnal Communication): Hypothesis: The
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lymphoma and acute lymphoblastic leukemia in children.
PAPAMICHAEL. M.; BROWN, J.C. & HOLBOROW, E.R. Immunoglobulins
on the surface of human lymphocytes. Lancet, 2:850, 1971.
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^íA5:127-131. 1980/81
NEOFORMAÇÃO DE LINFONODOS E ASPECTOS
MORFOLÓGICOS CONFUNDÍVEIS COM A ASSIM
CHAMADA DEGENERAÇÃO GORDUROSA OU
LIPOMATOSE DESSAS ESTRUTURAS
Jesus Carlos MACHADO
André L. Carmo GASPARINI
Thereza Cristina MACHADO
RESUMO: Os autores apresentam a interpretação que julgam mais
adequada para os aspectos histológicos da assim chamada “degenera¬
ção adiposa” dos linfonodos. Concluem que a seu ver trata-se na
realidade de aspectos sugestivos de neoformação de linfonodos erro¬
neamente interpretados como aspectos “degenerativos” lipomatosos.
PALAVRAS-CHAVE: Degenerações. Linfonodos. Linfoadenopatias.
I. INTRODUÇÃO
A nossa experiência no exame de milhares de linfonodos retirados
em esvaziamentos cirúrgicos como recurso terapêutico para exerese ou
prevenção de metástases tumorais, leva-nos questionar sobre a real
natureza da maioria dos aspectos histológicos diagnosticados como sen¬
do degeneração gordurosa dos linfonodos. Aquele mais característico e
curioso que permite ao anatomopatologista, durante um exame de con¬
gelação intracirúrgico ou na rotina de peças cirúrgicas, realizar ma¬
croscopicamente o citado diagnóstico de atrofia gordurosa é o do tecido
linfóide de dispor em forma de meia-lua envolvendo área nodular de
tecido adiposo. Outro aspecto, neste caso microscópico, que leva o ana¬
tomopatologista a fazer esse diagnóstico é o de por vezes o tecido adi¬
poso encontrar-se junto com o linfático, envolvido por cápsula fibrosa
formando verdadeiro linfonodo.
A interpretação cuidadosa de tais achados histológicos comparados
com aspectos histogenéticos e embrionários, relacionando-os com a neo¬
formação no adulto de tecido linfóide, permite-nos a nosso ver afirmar
* Trabalho realizado, em colaboração, pelos Departamentos de Anatomia Patológica do Hospital A. C.
Camargo (Fundação Antonio Prudente) e Divisão de Patologia do Instituto Butantan. Auxilio do
FEDIB, FUNDAP e Comissão Nacional de Linfomas Malignos e Ministério da Saúde.
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MACHADO, J. C.; GASPARINI, A. L. C. & MACHADO, T. C. Neoformação de linfonodos e aspectos
morfolósricos confundíveis com a assim chamada deg:eneração srordurosa ou lipomatose dessas estru¬
turas. Mem. Inst. Butantant 1980/81.
que a maioria das assim chamadas “degenerações gordurosas” dos lin¬
fonodos nada mais são do que aspectos morfológicos de neoformações
de linfonodos ativados, no nosso caso, pela presença de neoplasia re¬
gional.
Assim pretendemos nesse trabalho apresentar a nossa interpreta¬
ção de que alguns aspectos de neoformação de tecido linfático tão pouco
lembrados, são erroneamente interpretados como processo degenerativo
“adiposo” do parênquima do linfonodo.
II. MATERIAL, MÉTODOS E RESULTADOS
O nosso material de estudo constituiu-se no exame de milhares de
linfonodos extirpados cirurgicamente das axilas, da região cervical, do
mesentério e de outras localizações de pacientes portadores de carci¬
nomas das mamas, da rinofaringe, boca, estômago e intestino.
Os gânglios linfáticos sempre foram incluídos rotineiramente em
parafina e corados pela Hematoxina e Eosina.
Nos linfonodos axilares e intra-abdominais dos dois aspectos citados
foi mais freqüente o achado da “atrofia adiposa” onde o parênquima
do linfonodo apresenta-se com a forma de uma meia-lua envolvendo
nódulo de tecido adiposo e assim é incluído para exame. Na região
cervical foi mais freqüente o encontro de linfonodos menores com tecido
adiposo presente misturado ao parênquima por vezes envolto por cápsula
fibrosa.
Um terceiro aspecto encontrado, mas que geralmente não é citado
como atrofia adiposa, por ser muito fácil de verificar-se, constituir ver¬
dadeira neoformação de linfonodos, são as pequenas coleções de tecido
linfóide, por vezes contendo centros germinativos, sem cápsula ou somente
com esboços dela.
Os tratados usuais de Patologia, desde os mais tradicionais como o
de L. Aschoff (1), até os mais recentes como o de Robbins (5) no capí¬
tulo dos linfonodos ao tratarem dos seus aspectos degenerativos incluem
a atrofia adiposa como o mais freqüente e com aspectos anatomopato¬
lógicos que descrevemos em primeiro lugar.
Assim, H. Schridde (in Aschoff) (1) relata: “o mesmo que sucede
a outros órgãos, nos gânglios linfáticos se observa na velhice o desapa¬
recimento do parênquima. O tecido linfóide é substituído por tecido con¬
juntivo ou por tecido adiposo, sobretudo nos linfonodos mesentérios ou
região inguinal. O tecido adiposo penetra pouco a pouco a partir do hilo.
Se o tecido adiposo aparece de modo patológico, cabe admitir a lipoma¬
tose dos gânglios linfáticos. Às vezes se encontram restos escassos de
tecido linfático do córtex, que quase sempre está esclerosado em maior
ou menor grau” C. Sternberg (6) também participa da mesma opinião
e sua descrição, do aspecto morfológico feita mesmo antes de H. Schridde,
com ela coincide. Herman e Morei (3), Ribbert e Hamperl (4), Bogliolo
(2), interpretam da mesma forma esse aspecto dos linfonodos. De modo
geral os demais autores repetem essas afirmações.
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MACHADO, J. C.; GASPARINI, A. L. C. & MACHADO, T. C. Neoformação ds linfonodos e aspectos
morfológicos confundiveis com a assim chamada degeneração gordurosa ou lipomatose dessas estru»
turas. Afcm. Inst. Butantan, ^4/^5:127-131, 1980/81.
Como vimos, interpretam os diversos autores, esses aspectos macros¬
cópicos e histopatológicos como sendo decorrentes da atrofia do parên-
quima linfático que ocorreria com a idade e sua conseqüente substituição
pelo tecido adiposo a partir do hilo. O aspecto mais característico descrito
é 0 do tecido linfóide constituir-se em faixa em forma de crescente ou
aspecto de meia-lua, e envolvendo tecido adiposo correspondente. Por vezes
até, formam esse conjunto aspecto pseudotumoral, ensejando sua exerese
cirúrgica, com diagnóstico clínico de lipoma como já observamos (micro-
foto 2).
Outro aspecto microscópico não analisado convenientemente, é o encon¬
tro de linfonodo ovalar com o parênquima envolto por cápsula fibrosa bem
constituída. Ao lado do parênquima linfóide envolvido pela cápsula é obser¬
vado áreas com presença de tecido adiposo (microfoto 3).
III — CONCLUSÕES
Analisemos os vários aspectos. No primeiro caso, o termo degenera¬
ção a nosso ver não é bem aplicado. Tratar-se-ia, se fosse o caso, de simples
atrofia senil com substituição do parênquima linfóide pelo tecido adiposo,
como ocorre no miocardio na chamada “adipositas cordis” ou ainda na
hiperplasia ex-vácuo do tecido adiposo da pélvis renal por hipotrofia do
parênquima do rim. Não seria verdadeiramente processo degenerativo,
mas simplesmente processo substitutivo. A degeneração adiposa seria
verdadeira no caso do linfonodo se a assim chamada “degeneração gor¬
durosa” ocorresse no parênquima linfóide. Se existisse, verdadeira cápsula
em derredor, envolvendo tanto o parênquima linfóide como o tecido adiposo
seria, talvez, um testemunho da atrofia e sua substituição. Mas, neste
caso 0 que se observa é uma coleção de tecido linfóide com a forma
assinalada, na maior parte das vezes sem cápsula do lado adiposo estando
0 tecido linfóide simplesmente imerso na massa adiposa (microfoto 1 e 2).
Este aspecto, a nosso ver, é mais característico da neoformação de
linfonodos, a partir do subendotêlio dos linfáticos como é descrito na
literatura (6). O tecido linfóide assim neoformado iria desenvolvendo-se
até atingir sua forma ideal sendo posteriormente envolvido pela cápsula
fibrosa, completando a sua neoformação.
Portanto o aspecto característico no qual o linfonodo fica constituído
por uma fina camada de parênquima em forma de meia-lua, envolvendo
tecido adiposo, na nossa opinião, nada mais é do que um aspecto da neo¬
formação de linfonodos pela ação antigênica, e não constitui assim verda¬
deiramente uma “atrofia adiposa”.
Já no segundo aspecto descrito com a cápsula formada e o encontro
conjunto de tecido linfóide e adiposo por ela contidos (microfoto 3) pode
comportar a nosso ver duas explicações: a primeira seria a de realmente
se tratar de uma atrofia com lipomatose substitutiva. A outra seria a
de uma neoformação linfonodal ainda incompleta, no sentido parenqui-
matoso, mas com a cápsula já totalmente desenvolvida. Acreditamos, tam¬
bém nesse caso, na segunda hipótese, desde que a excitação antigênica
nos fala mais no sentido de uma neoformação do que no de uma dege¬
neração.
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MACHADO, J. C.: GASPARINI, A. L. C. & MACHADO, T. C. Neoformação de linfonodos e aspectos
morfológicos confundíveis com a assim chamada de^neração gordurosa ou lipomatose dessas estru¬
turas. Mem. Inat. Butantan, ^4/^5:127-131, 1980/81.
1
Microfoto 1: Linfonodo, HE. Aspectos da assim chamada “degeneração gordurosa". Linfonodo axilar,
onde o parênquima é constituído em uma simples meia-lua envolvendo tecido adiposo.
■4 X
■"W. .
Microfoto 2: Linfonodo HE. Aspecto de linfonodo inguinal onde se nota, a nosso ver, neoformação de
tecido linfóide. Há esboços de cápsula e vaso maior sugerindo aspecto hilar.
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6 SCÍELO;l0 11 12 13 14 15 16
MACHADO, J. C.; GASPARINI, A. L. C. & MACHADO, T. C. Neoformação de linfonodos e aspectos
morfológicos confundíveis com a assim chamada degeneração gordurosa ou lipomatose dessas estru¬
turas. Mem. Inst. Butantan, 127-131, 1980/81.
Microfoto S: Linfonodo HE. Aspecto de linfonodo notando-se na medular presença maior de tecido
adiposo. Algumas células adiposas ainda são vistas inclusas, no parênquima.
Finalizando, reafirmamos que a nosso ver, o aspecto tradicional¬
mente, descrito como sendo o de uma degeneração adiposa dos linfonodos
trata-se na realidade de aspectos sugestivos da neoformação linfonodal
em decorrência de estímulos antigênicos.
ABSTRACT : The authors presents interpretation for the histologi-
cal aspects of the so called “adipous degeneration” of the lymphnode.
They conclued that this aspect almost realy means a neoformation of
lymphnode and not a degenerative process.
KEYWORDS: Degenerations. Lymphonodes. Lymphoadenopathies.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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S.A., 1934. Tomo I.
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3. HERRMANN, G. & MOREL, CH. Précis d’Anatomie Pathologique. Paris,
Octave Doris Ed., 1914.
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6. ROBBINS, S.L. Patologia. 2.^ ed. bras. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan,
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Aíem. Inst. Butantan
4^/45:133-162, 1980/81
FINDINGS OF PATHOLOGICAL ANATOMY IN MAMMALS
FROM THE “FUNDAÇÃO PARQUE ZOOLÓGICO DE SÃO
PAULO” 1971
Helio Emerson BELLUOMINI *
Lilian de Stefani Munaó DINIZ*’*'
Adayr Mafuz SALIBA ***
ABSTRACT: In 1971, from a total of 2066 animais of the ZOO,
674 of which Mammals, 101 were received for post mortem exami-
nation. Forty seven cases were selected from the total of animais
that were examined, comprising 27 acclimatized animais and 20
under quarentine. Tissue fragments were collected and fixed in a
neutral 15% formaldehyde solution, or in Bouin’s fluid. Paraffin
tissue sections, 5 n in size, were submitted to staining methods for
histological examination. Material collected concerned the following
orders: Primates, Carnivora, Artiodactyla, Perissodactyla, Marsu-
pialia, Rodentla and Edentata. Among the examined animais, the
nighest incidence of alterations was seen at the levei of the circula-
tory tract. Following, were disturbances of the digestive tract,
respiratory and urinary tract. At times, alterations of the genital
tract and some cases of traumatism, were observed. A fact to be
noted is the finding of neoplasia represented by one case of renal
adenocarcinoma.
KEYWORDS: Capitivity animais, Pathology.
INTRODUCTION
Practical experience concerning animais maintained in captivity at
are assembled in the papers pf T-W-Fiennes (1966, 1966 and 1968), who
studied main diseases that took place in Regenfs Park, London; Hime
(1976), and Keymer (1976) with similar studies at the same Zoo.
Practical experience concerning animais maintained in captivity at
the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” (ZOO) is reported in the
publications of Matera et al. (1968), who described five cases of infection
caused by Dioctophyma rencàe in Chrysocyon hrachyurus, Saliba et al.
Technical Director of the "Serviço de Animais Peçonhentos", Instituto Butantan, São Paulo.
In Charge of the Veterinary Division of the Fundação Parque Zoológico de São Paulo.
Professor in charge of the Pathology and Clinic Department of the Veterinary and Zootechnical
School of the University of São Paulo.
Address: INSTITUTO BUTANTAN Caixa Postal 65 — São Paulo — Brasil
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1 BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA,
1 mammals from the “Fundação Parque Zoológico
1 133-162, 1980/81.
A. M. — Finding^s of pathological anatomy in
de Sáo Paulo” in 1971. Mem. Inat. Butantan'.
1 (1968), who described a case of sporotrichosis in a chimpanzee, Matera
1 et al. (1967) with the description of three cases of rabies in Pteronura
1 brasiliensis, Simon et al. (1975), who reported a case of infection by
1 Yersinia spp. in Callicebiis moloch hoffmansi, and Costallat, L.F. et al.
1 (1978) with two cases of mycobacteriosis in monkeys.
1 In 1971 from a total of 2066 animais of the Zoo, 674 of which
1 Mammals, 101 were received for post mortem examination. The following
is an account of the more interesting cases, comprising 27 acclimatized
animais, and 20 under quarantine.
MATERIAL AND METHODS
Material of the following animal orders, families, genera and species
was collected.
1. Marsupialia, Phalangeridae
Didelphidae
Macropodidae
Tricosurus vulpecula
Marmosa murina
Thylogale stigmatica
2. Endentata, Myrmecophagidae
Tamandua tetradaetyla
Myrmecophaga tridactyla
3. Rodentia, Chinchillidae
Capromidae
Chinchilla laniger
Myocastor coypus
4. Perissodactyla, Tapiridae
Rhinocerontidae
Tapifus terrestris
Diceros bicomis
5. Artiodactyla, Cervidae
Mazama simplicicornis
Ozotocerus bezoarticus
Blastocerm dichotomus
Tayassuidae
Bovidae
Tayassu ta jacu
Bubalus bubalis 1
Ovis aries 1
Ovis musimom 1
Antílope cervicapra 1
6. Carnívora, Felidae
Procyonidae
Canidae
Mustelidae
Otariidae
Felis yaguaroundi 1
Procyon lotor 1
Chrysocyon brachyurus 1
Pteronura brasiliensis 1
Zolophus califomianus 1
7. Primata, Callithricidae
Callithrix penicillata 1
Callithrix spp. 1
Saguinus niger 1
Saguinus bicolor 1
Cebidae
Cacajao melanocephalus 1
Alouatta guariba 1
Saimiri sciureus 1
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BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findings of pathological anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inet. Butantan:
44/45:m-152, 1980/81.
Tissue fragments were collected and fixed in a neutral 15% formtal
dehyde solution, or in Bouin’s fluid.
Paraffin tissue sections, Spi in size, were submitted to the following
staining methods for histological examination: Regaud’s Ferric Hema-
toxilin, Congo Red, Perlz’s Blue, Wilder Foot, and MalIory’s trichromic
method.
The ZOO’s record number for each specimen, appears in brackets.
RESULTS
1. Trichosurm vulpecula (3572)
Female, unknown age, received from Frankfurt in December, 1971;
died one day after arrival at the ZOO.
Main disease: Cachexia
Morbid anatomic findings: cachexia
Histopathological findings: hyaline degeneration of the myocardial
fibers; hemosiderosis, and toxic dystrophia of the liver; necrosis
and calcification of the renal tubuli.
2. Marmosa murina (1931)
Male, unknown age, captured in the forest of the ZOO, where it
remained for two years, never presenting any organic alteration.
Main disease: endocarditis, and myocarditis.
Morbid anatomic findings: endocarditis, and myocarditis.
Histopathological findings: chronic interstitial myocarditis, he-
morrhage; pulmonary edema and congestion; hepatic hemoside
rosis; chronic interstitial nephritis.
3. Chironectes minimus (3698)
Male, unknown age, proceeding from the vicinity of the “Guarapi-
ranga Dam” — São Paulo. After 21 days in captivity a lesion on
the tail was observed, treatment had no satisfactory results, deve-
loping posterior necrosis. The animal died a month and a half later.
Main disease: purulent necrotic dermatitis on the tail.
Histological findings: necrotic purulent dermatitis, hyaline degene¬
ration and calcification of the myocardial fibers; passive congestion,
hemorrhage, necrosis and calcification of the smooth muscle fibers
of the bladder’s wall; necrosis and calcification of the renal tubuli;
cardiac liver.
4. Thylogcde stigmatica (3578)
Female, unknown age (adult)
turition.
from Frankfurt. Died after par-
Main disease: ulcerous thrombo-endocarditis of the mitral valve.
Morbid anatomic findings: ulcerative-thrombo endocarditis of the
mitral valve; passive hepatic congestion; passive congestion of the
spleen, passive renal congestion.
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BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findingrs of pathological anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inat. Butantan:
U/i5:lZZ-152, 1980/81.
Histological findings: chronic interstitial myocarditis, ulcerative
thrombo-endocarditis; focal necrosis and chronic hepatic congestion.
5. Thylogale stigmatica (3579)
Female, unknown age (adult), proceeding from Frankfurt, stayed
at the ZOO for two years without any apparent signs or symptons.
Death took place during Winter.
Main disease: purulent pneumonia.
Morbid anatomic findings: purulent pneumonia; cystitis hepatitis
and vicarious hypertrophy of the left kidney.
Histopathological findings: purulent pneumonia; chronic interstitial
hepatitis; chronic cystitis, necrosis of central follicle of spleen.
6. Thylogale stigmatica (3576)
Female (adult) from Frankfurt. Death after parturition.
Main disease: chronic myocarditis, bronchopneumonia.
Morbid anatomic findings: chronic myocarditis, bronchopneumonia.
7. Thylogale stigmatica (3577)
Male, unknown age, proceeding from Frankfurt. After 16 days of
quarantine, it was found dead.
Main disease: intestinal intussusception.
Morbid anatomic findings: intestinal intussusception.
8. Tamandua tetradactyla (3680)
Female, unknown age, proceeding from “Serra do Mar” — São
Paulo. It died after 12 days of captivity, showing apathy, slow
movements, nasal discharge, T-36°C.
Main disease: hypoproteinemia.
Morbid anatomic findings: pulmonary edema; anasarca; ascitis;
hydropericardium.
9. Myrmecophaga tridactyla (3742)
Male, unknown age, from Itai-São Paulo.
Parasitological examination: large amount of Ancylostoma sp ova.
Main disease: verrucous thrombo-endocarditis of the bicuspidal and
mitral valves.
Morbid anatomic findings: thrombo-endocarditis of the bicuspidal
and mitral valves; peptic ulcer of the stomach and duodenum; pas-
sive renal congestion.
Histopathological findings: splenic and adrenal amyloidosis — fig.
1, 2; peptic ulcer of the stomach and duodenum.
10. Chinchilla laniger (390)
Male, from the North of Chile, staying for five years at the ZOO.
Main disease: purulent pneumonia.
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mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mew. /rtsí. Butantan'.
U/JtS-.nZAbT., 1980/81.
Fig. X — Thin 9«ction of the splecn of Myrmecophaga tridactyla demonstrating amyloid infiltration in
the follicles. HE staining: magnification about 160 x.
Fig. 2 — Details of fig. 1. HE staining; magnification about 400 x.
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BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findíngs of pathological anatomy in
mammala from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inat. Butantan:
UU5:1ZZ-152, 1980/81.
Morbid anatomic findings: purulent pneumonia.
Histopathological findings: purulent pneumonia — fig. 3.
11. Chinchüla laniger (3671)
Female, lived for several years with its previous owner, before being
donated to the ZOO, where it remained for two months.
Main disease: myocarditis and verrucous thrombo-endocarditis of
the mitral valve.
Morbid anatomic findings: chronic interstitial myocarditis; chronic
pericarditis; verrucous thrombo-endocarditis of the mitral valve.
Histopathological findings: chronic interstitial myocarditis; chronic
pericarditis; verrucous thrombo-endocarditis; pulmonary edema and
emphysema; serous glomerulitis.
12. Chinchüla laniger (3674)
Female, lived for many years with its owner, and was then donated
to the ZOO, where it stayed for two months.
Main disease: toxic dystrophia of the liver.
Morbid anatomic findings: toxic dystrophia of the liver; gastroen-
teritis.
Histopathological findings: necrosis and steatosis of the liver; pas-
sive congestion and pulmonary hemorrhage; hyaline degeneration
of the myocardic fibers; hemorrhagic enteritis.
13. Chinchüla laniger (3672)
Male, lived for many years with its previous owner, and was then
donated to the ZOO, where it stayed for two months.
Main disease: verrucous thrombo-endocarditis of the mitral valve,
and focal myocarditis.
Morbid anatomic findings: chronic myocarditis, and chronic ver¬
rucous thrombo-endocarditis.
14. Myocastor coypus (2150)
Male, born at the ZOO, two years old. It was found dead in its
cage after presenting inappetency and apathy.
Main disease: acute glomerulonephritis; serosas with ecchymosis
and suffusions.
Histopathological findings: acute glomerulonephritis — fig. 4.
15. Myocastor coypus (3167)
Male, captured in Santo Amaro — São Paulo, estimated age one
year. Stayed at the ZOO for one year. It was found dead without
prior signs or symptons.
Main disease: pericarditis and chronic f ibrinous peritonitis.
Morbid anatomic findings: pericarditis and chronic fibrinous peri¬
tonitis.
138
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Fií?. 4 Thin kidncy section of Myocastor coypus, indicating Malpigi’s vesicles with glomerulonephritis.
HE staining; magnification about 400 x.
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BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findings of pathological anatomy in
mammals from the “inundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mcm. Ivst. Biitantan:
44A5:133-162, 1980/81.
Fig. 3 — Thin lung section of Chinchilla laninger. presenting bronchioles and alveoli filled with pus.
HE staining; magnification about ICO x.
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BELLUOMINI, H. E.: DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findings of pathological anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inst. Butantan:
44/-45:133-162, 1980/81.
16. Tapirus terrestris (332)
Female, approximately five years old, received at the ZOO on May
9, 1971 from Goiania, Brazil. On May 15, 1971, parasitologic exa-
mination showed ova and larvae of Strongyliis sp. and the animal
was submitted to antihelminthic treatment. On June 16, 1971 it
gave birth to a young female. On July 21, 1971 it presented dysen-
tery and was medicated, with no satisfactory results and death took
place on August 24, 1971.
Main disease: catarrhal gastroenteritis.
Morbid anatomic findings: catarrhal gastroenteritis.
Note: Within the intestines, a great amount of sand was found.
This incidence caused the removal of this animal species from sandy
enclosures.
Histopathological findings: toxic dystrophia of the liver; hyaline
and vacuolar degeneration of the myocardic fibers; catarrhal gas¬
troenteritis, glomerular and interstitial renal hemorrhage.
17. Tapirus terrestris (3745)
Female, born at the ZOO on June 16, 1971. Presented dysentery
on August 2, 1971; intense treatment did not show any improvement.
The animal was sacrified on the 28th of September of the same year,
presenting dehydration and cachexia.
Main disease: catarrhal hemorrhagic gastroenteritis.
Morbid anatomic findings: catarrhal hemorrhagic gastroenteritis;
toxic dystrophia of the liver.
Histopathological findings: toxic dystrophia of the liver; catarrhal
hemorrhagic gastroenteritis.
18. Diceros bicornis (642)
Male, received at the ZOO on the 3rd of September, 1971, born
in Angola, proceeding from Portugal. Early in the morning of
October 20, 1971, the animal presented symptoms of severe colics
which probable started early in the morning. The animal was
immediately medicated with no satisfactory results, dying soon
after.
Main disease: intestinal volvulus (jejunum and ileus).
Morbid anatomic findings: fibrino hemmorhagic peritonitis; intes¬
tinal volvulus.
19. Mazama simplicirconis (3867)
Female, received on August 29, 1971, presenting diffuse skin inju¬
ries, some of them with fistulous foccus. It died on September 3,
1971.
Main disease: chronic interstitial myocarditis, and thrombo-endo-
carditis of the valves.
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BELLUOMINI. H. E.; DINTZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — FindinBS of pathological anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inst. Butaniani
4.4/^5:133-162, 1980/81.
Morbid anatomic findings: chronic interstitial myocarditis; cardiac
liver; passive congestion, and pulmonary edema; purulent der-
matitis.
Histopathological findings: cardiac liver; chronic myocarditis, and
chronic endocarditis.
20. Mazama simplicicornis (3749)
Female, estimated age several months. Arrived on 19“’ June 1971,
extremely emaciated, inappetent during a couple of days. After
medication, and special food, however, died on June 26, 1971, still
rejecting food.
Main disease: verminosis.
Morbid anatomic findings: cachexia; secondary anemia; anasarca.
Note: numerous exemplaries of trichostrongylidae were found in
the intestines.
21. Mazama simplicicornis (3044)
Female, adult, arrived on July 18, 1970. It gave birth to one young
on April 8, 1971 and died on April 23 of the same year.
Main disease: ulceropolypous endocarditis.
Morbid anatomic findings: ulceropolypous endocarditis, pulmonary
hemorrhage and hepatic cirrhosis.
Histopathological findings: pigmentary hepatic cirrhosis — fig. 5 ;
chronic perisplenitis; ulceropolypous thrombo-endocarditis.
22. Ozotocerus bezoarticus (3889)
Female, unknown age, proceeding from Minas Gerais. Arrived on
September 15, 1971, under the effect of a tranquilizer, extremely
weak. Died on September 28, 1971.
Main disease: hepatic cirrhosis, ascitis; hydrothorax; hydroperito-
neum.
Histopathological findings: biliary cirrhosis.
23. Ozotocerus bezoarticus (3879)
Female, estimated age two months, proceeding from Mato Grosso.
Arrived on September 10, 1971, presenting intense dysenteria, still
in lactation stage. Medicated, however, died on September 16, 1971.
Main disease: verminosis.
Morbid anatomic findings: secondary anemia; ascitis; anasarca.
Note: Numerous exemplaries of trichostrongylidae were observed
in the intestines.
24. Ozotocerus bezoarticus (588)
Female, adult, arrived on 28th of September 1968. On May 30,
1971, it presented respiratory problems, treatment was initiated,
however, it died on July 2, 1971.
141
SciELO
BELLUOMINI, H. E.; DINIZ. L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findinjfs of patholoKical anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inat. Butantan:
1980/81.
Fig. 5 — Thin liver section of Mazama aimplieieornis, indicating intense connective proliferation in the
portal space, and macrophages congested with hemosiderin. HE staining; magnification about
400 X.
Fig. 6 — Thin kidney section of Mazama aimplicicornia presenting hemosiderin infiltration in the proximal
distorted tubuli. HE staining; magnification about 400 x.
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BELLUOMINI, H. E,; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findinge of pathological anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inat, Butantani
133-162, 1980/81.
Main disease: purulent bronchopneumonia.
Morbid anatomic findings: purulent fibrinous pleurisy.
Histopathological findings: fibrinous pneumonia. — figs. 7, 8.
25. Blastocerus dichotomus (2997)
Female, estimated age two years, arrived on July 8, 1970, from
Presidente Epitácio — São Paulo. On October 6, 1971, presented
cachexia, dry and bristly fur, anemic mucosa, body temperature
36°C. It died on October 21, 1971.
Main disease: inanition.
Morbid anatomic findings: hydrothorax; ascitis; hydroperitoneum.
26. Tayassu tajacu (297)
Male, adult, proceeding from Brasilia on June 21, 1958; it died on
October 18, 1971.
Main disease: serofibrinous pericarditis; serous hepatitis; pulmo-
nary edema.
27. Buhalus bubalis (190)
Male, six years and eight months old, born at the ZOO on September
9, 1965. Up to May 21, 1971, it showed only small injuries, and
endoparasites, when on this date, the animal presented intense apa-
thy, and a brownish urine. Examination of the urine revealed an
increased levei of glucose and a sediment without erythrocites. On
May 26, 1971, in spite of the intense treatment, it died.
Main disease: traumatic pericarditis; hypertrophy of the left and
right heart.
Morbid anatomic findings: traumatic pericarditis.
Histopathological findings: fibrinous pericarditis; renal hemoside-
rosis; hepatic hemosiderosis.
28. Ovis aries (2074)
Female, born at the ZOO, five years and six months old. It brought
On May 20, 1971, it suffered traumatism while pregnant.
Main disease: endometritis, and purulent placentitis.
Morbid anatomic findings: endometritis and purulent placentitis.
29. Ovis aries (308)
Female, born at the ZOO, five years and six months old. It brought
forth one young on June 14, 1969, and on the 24th of February 1971,
it presented myasis of the basis of horns, and was medicated. It
died on March 14, 1971, without disclosing symptoms.
Main disease: ulceropolypous thrombo-endocarditis.
Morbid anatomic findings: chronic myocarditis and chronic endo-
carditis; ascitis.
Histopathological findings: chronic myocarditis and endocarditis.
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BELLUOMINI, H. E.: DINIZ, L. S. M, & SALIBA, A. M. — FincUnps of pathological anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo" in 1971. Mem. Inst. Butantan:
H/^5’.lZZ-lh2, 1980/81.
7 — Thin lung section of Ozoíocerus bczoarticus with fibrinous pneumonia, presenting exudative
alvcüli with carnification. HE staining» magnification about 160 x.
Fig. 8 — Thin lung section with fibrinous pneumonia, showing cxtense necrotic area, and dystrophie
calcification. HE staining: magnification about 400 x.
144
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BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findings oí pathological anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inat. Butantan:
.♦Í/ÍS: 133-162, 1980/81.
30. Ovis musimom (1444)
Female, born at the ZOO on August 19, 1971, two years and six
months old.
Main disease: chronic myocarditis and chronic endocarditis.
Morbid anatomic findings: chronic myocarditis, chronic endocar¬
ditis.
Histopathological findings: chronic myocarditis and chronic endo¬
carditis.
31. Ovis musimom (3845)
Female, two months and a half old. Born at the ZOO on August 19,
1971. Since it lost its mother, it was bottlefed, and on October 15,
1971, it presented dysenteria.
Parasitological examination: Strongylidae.
Main disease: Helminthic pneumonia.
Morbid anatomic findings: helminthic pneumonia; ascitis; hy-
drothorax; hydropericardium; secondary anemia; catarrhal he-
morrhagic enteritis. Within the intestines, numerous exemplaries
of Strongylidae were observed.
32. Ovis musimom (411)
Female, four years and three months old. Born at the ZOO on
August 12, 1967. On October 15, 1971, it presented dysenteria.
Examination of the faeces revealed numerous ova of Strongylidae.
After medication, however, it died on November 13, 1971.
Main disease: purulent necrotic pneumonia.
Morbid anatomic findings: purulent necrotic pneumonia; ascitis;
hydrothorax; hydropericardium; hepatic toxic dystrophia.
33. Antilope cervicapra (548)
Male, arrived at the ZOO on January 17, 1963, over 8 years of age.
On August 6, 1971, it suddenly fell down trembling with groaning
respiratory sounds, and died 10 minutes after.
Main disease: myocardial infarction.
Morbid anatomic findings: myocardial infarction; mesenteric he-
morrhage.
Histopathological findings: myocardial infarction; chronic inters-
titial nephritis; hepatic toxic dystrophia.
34. Felis yaguaroundi (3734)
Male, arrived at the ZOO on June 10, 1971. On the 20th of Septem-
ber, 1971, it died after presenting apathy and inappetence.
Main disease: purulent pneumonia.
Morbid anatomic findings: purulent pneumonia.
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cm
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BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findings of pathological anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inat. Butantan:
U/^5:m-l52, 1980/81.
35. Procyon lotor (750)
Male, arrived at the ZOO on the 28th of August, 1964. It became
apathic, inappetent on April 25, 1971, and died on the same day.
Main disease: renal neoplasia; gastroenteritis; toxic hepatic dys-
trophia.
Morbid anatomic findings: renal neoplasia; gastroenteritis; toxic
hepatic dystrophia.
Histopathological findings: renal adenocarcinoma — fig. 9, 10, ,11;
Hemorrhagic catarrhal gastroenteritis; toxic hepatic dystrophia.
Renal metaplastic ossification — fig. 12, 13.
36. Chrysocyon brachiurus (3820)
Male, five months old, arrived at the ZOO on August 9, 1971, in
an advanced state of cachexia. On August 9, of the same year, it
presented bloody faeces, and died on August 11, 1971.
Main disease: cachexia.
Morbid anatomic findings: ascitis; hemopericardium; rachitism.
Histopathological findings: necrosis of the central lobe of the liver;
necrotic nephrosis; pulmonary edema and hemorrhage.
37. Pteronura brasiliensis (196)
Female, 10 years old, arrived at the ZOO on October 28, 1964, from
Aquidauana — Mato Grosso. During its stay in the ZOO, presented
only injuries by fighting. On May 22, 1971, it rejected food, did
not swim, and on May 23, of the same year, it died.
Main disease: calculous pyelonephritis; fibrinous pericarditis; ulce-
rous thrombo-endocarditis of the tricuspid and mitral valves; puru-
lent cystitis; hemorrhagic catarrhal gastroenteritis.
Histopathological findings: pyelonephritis; fibrinous pericarditis;
ulcerous thrombo-endocarditis; purulent cystitis; catarrhal gas¬
troenteritis.
38. Zalophus califomianus (2202)
Male, unknown age, arrived at the ZOO on September 10, 1969.
On September, 1969, it presented skin injuries caused by fungi.
On March 17, 1970, it presented bilateral keratitis of the eyes, and
on April 4, 1970, a cutaneous abcess was observed. It received
constant treatment for keratitis and skin lesions up to February
25, 1971. On March 23, 1971, it became inappetent and died on
June 21, 1971.
Main disease: internai hemorrhage by rupture of a vessel of the
heart basis.
Morbid anatomic findings: internai hemorrhage.
Histopathological findings: chronic myocarditis; interstitial ne-
phritis.
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BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findings of pathological anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mcm. Inst. Dutantan:
4-4/^5; 133-152, 1980/81.
Fig-. 10 — Details of fig. 9 showing papilar structures of the neoplasm. HE staining; magnification
about 250 x.
147
Fig. 9 — Thin kidney section of Procyon lotor presenting renal adenocarcinoma. HE staining; magnifi¬
cation about 160 X.
cm
BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findings of pathological anatomy in
mammals frora the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inat. Butantan:
UM5:nZ-152, 1980/81.
Fig. 11 — Thin kidney sections of Procyon lotor showing renal adenocarcinoma with an extense necrotic
area were numerous cholesterol crystals are seen. HE staining; magnification about 400 x.
Fig. 12
Thin kidney section of Procyon lotor, Bhowing areas of calcifications and metaplastic ossifica
tion. HE staining; magnification about 160 x.
148
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BELLUOMINI, H. E.: DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findings of pathological anatomy in
mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Inat. Butantan:
.(í/íí: 133-162. 1980/81.
39. Callithrix penicillata (3926)
Female, unknown age, donated on October 2, 1971; it died on October
5, 1971.
Main disease: verminosis.
Morbid anatomic findings: secondary anemia; hemorrhagic ca-
tarrhal gastroenteritis; cachexia.
Note: within the intestines numerous exemplaries of strongylidae
were found.
40. Callithrix penicillata (2878)
Male, unknown age, donated on March 22, 1970. On November 1,
1970, presented small injuries.
Main disease: traumatism.
Morbid anatomic findings: anemia, hemothorax; hemoperitonium;
traumatic rupture of the lung and of liver.
41. Callithrix spp. (2265)
Female, unknown age, proceeding from Bahia, on October 8, 1969,
and released after quarantine on November 18, 1969. On June 19,
1971, it was found dead without presenting any prior signs or
symptoms.
Main disease: purulent pneumonia.
Morbid anatomic findings: purulent pneumonia.
42. Saguinus niger (3516)
Male, unknown age, arrived at the ZOO on March 19, 1971, from
Goiania. On March 23, 1971, it was found dead.
Main disease: fibrinous peritonitis.
Note: in the abdominal cavity, numerous exemplaries of filaria
were found.
43. Saguinus bicolor (665)
Female, over four years of age. Arrived from Manaus on September
27, 1967. On March 3, 1971, it'presented prolapse of the rectum
due to dysenteria. Although rich and varied food was supplied, it
gradually became emaciated. It died on September 17, 1971.
Main disease: pyelonephritis.
Morbid anatomic finding: pyelonephritis.
Histopathological findings: pyelonephritis; toxic hepatic dystrophia
— fig. 14.
44. Cacajao melanocephalus (557)
Female, approximately eight years of age.
Main disease: hepatitis.
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BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findinj?s of pathological anatomy in
mammals from the "Fundação Parque Zoológico de São Paulo" in 1971. Mem. Inst. Butantan:
4-4/45:133-162, 1980/81.
Fig. 13 — Detail of fig. 12 showing hyaline cylinders too. HE staining; magnification about 400 x.
Fig. 14 — Thin kidney sectíon of Saguinus bicolor with pyelonephritis. HE staining; magnification about
260 X.
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BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. — Findings of pathological anatomy in
mammala from the "Fundação Parque Zoológico de São Paulo" in 1971. Mem. Inst. Butantani
^-4/45:133-162. 1980/81.
Morbid anatomic findings: hepatitis; pulmonary edema; hydro-
torax; interstitial nephritis.
Histopathological findings: edema and passive pulmonary conges-
tion; hepatitis; chronic interstitial nephritis; cardiac hemorrhage.
45. AloiMtta guariba (3405)
Male, estimated age three years. It was captured when young,
arrived on January 28, 1971, from Pariquera-Açu, two years old.
On March 4,1971, it presented ascariasis. On July 15,1971, it became
apathic, inappetent, presented pneumonia and was still infested by
ascarides.
Main disease: purulent necrotic pneumonia.
Morbid anatomic findings: purulent necrotic pneumonia; purulent
necrotic enteritis; hemorrhagic enteritis.
Histopathological findings: purulent pneumonia; purulent necrotic
glossitis; purulent nephritis; splenic lymphoreticular hyperplasia.
46. Alouatta sp (3565)
Male, aproximate age 11 months. Arrived on March 28, 1971, from
Itapecerica da Serra — São Paulo. On November 15, 1971, it became
apathic, inappetent, and showed fetid faeces.
Main disease: hemorrhagic catarrhal gastroenteritis.
Morbid anatomic findings: hemorrhagic catarrhal gastroenteritis;
generalized ganglionic hypertrophy; toxic dystrophia of the liver.
Histopathological findings: toxic dystrophia of the liver; gan¬
glionic lymphoreticular hyperplasia.
47. Saimiri sciureus (2556)
Male, unknown age. Arrived on June 2, 1970, and on May 13, 1971,
presented deep injuries by fighting. It died on May 14, 1971.
Main disease: traumatism.
Morbid anatomic findings: hemothorax; hemoperitonium; hemope-
ricardium; pulmonary traumatism; anemia.
FINAL CONSIDERATIONS
Among the examined animais, the highest incidence of alterations
was seen at the levei of the circulatory tract, and the most common
conditions affecting the animais were thrombo-endocarditis, and myocar-
aitis with their manifestations. Following, were disturbancies of the
tiigestive tract, most part represented by severe patho-anatomical aspects
01 gatroenteritis, several cases caused by helminths, inducing invariably
ojarrhea, dehydration, and cachexia in the infested animais. At times,
alterations of the urinary tract were observed represented by pyelo-
nephritis, mostly of ascendent origin. A fact to be noted is the finding
ot neoplasia represented by one case of renal adenocarcinoma.
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mammals from the “Fundação Parque Zoológico de São Paulo” in 1971. Mem. Jnat. Butantan:
íiAS: 133-162. 1980/81.
ACKNOWLEDGEMENT
The authors wish to thank Mrs. Sibylle Heller for her editorial aid
and translation.
RESUMO: Durante o ano de 1971, o Zoológico de São Paulo man¬
teve em cativeiro 2066 animais dos quais 674 mamíferos. Foram
recebidos 101 mamíferos para exame necroscópico e 47 casos foram
selecionados, compreendendo 27 animais aclimatados e 20 em qua¬
rentena. Fragmentos de tecidos foram coletados e fixados em solu¬
ção de formol a 15% ou em líquido de Bouin. Cortes de tecidos de
6 n foram submetidos a diversos métodos de coloração para exame
histológico. O material coletado compreende às seguintes ordens
zoológicas: Primates, Carnívora, Artiodactyla, Perissodactyla, Mar-
supialía, Rodentia e Edentata. Dentre os mamíferos examinados,
foi visto maior incidência ao nível do aparelho circulatório.
Seguindo, distúrbios do aparelho digestivo, respiratório e urinário.
Foram observados também alterações do aparelho genital e alguns
casos de traumatismos. Fato a ser notado é o encontro de neoplasia,
representada por um caso de adenocarcinoma renal.
PALAVRAS-CHAVE: Animais em cativeiro, Patologia.
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-*■4/45:163-166, 1980/81
SOBRE A POSIÇÃO SISTEMÁTICA DE TRASYPHOBERUS
PARVITARSIS SIMON, 1903 (ARANEAE,
THERAPHOSIDAE) *
Sylvia LUCAS *♦
RESUMO: O estudo comparativo dos tipos de Acanthoacurria
ferina Simon, 1892 e de Trasyphoherus parvitarsis Simon, 1903
e o exame de material pertencente à Coleção ORTHOGNATHA
(ARANEAE) do Instituto Butantan, permitiu estabelecer a sino-
nímia de parvitarsis com ferina, devendo prevalecer o nome atual:
TrasyphohervLS ferina (Simon), 1892.
PALAVRAS-CHAVE: Acanthoscurria ferina Simon, 1892; Tra-
syphoherus parvitarsis Simon, 1903; Sinonímia.
INTRODUÇÃO
Em 1892 Simon (5, ) descreveu a espécie Acanthoscurria ferina,
baseado num exemplar, macho, procedente de Tefé, Amazonas, Brasil.
O mesmo autor, em 1903 (6, ) descreveu o gênero monotípico, Trasy-
phoberus, baseado num exemplar, fêmea, também coletado em Tefé, deno¬
minando a espécie parvitarsis. A descrição do gênero e da espécie é
sumária e o autor comparou o gênero com Phormictopus Pocock, 1901 e
Theraphosa Thorell, 1870.
Mello Leitão, em 1923 (1, ) elaborou uma chave para distinção
dos gêneros do grupo das THERAPHOSEAS e colocou Trasyphoherus
muito próximo à Acanthoscurria Ausserer, 1871. Transcreveu a descrição
original de Simon, tanto do gênero como da espécie, citando que “não
lhe são conhecidos na natureza”.
Em 1945, Schiapelli e Gerschman (2, ) descreveram uma fêmea,
procedente do Rio Pimenta Bueno, Acre, Brasil, como pertencente à
T. parvitarsis e Vellard (7, ), no mesmo ano fez alguns comentários
sobre a biologia desta espécie e aproximou o gênero à Acanthoscurria.
Em 1964, Schiapelli e Gerschman (3, ) redescreveram o tipo de
Acanthoscurria ferina, um macho e descreveram o alótipo, fêmea, dese-
Trabalho realizado com o auxilio da FINEP.
Seção de Artrópodes Peçonhentos, Instituto Butantan.
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LUCAS, S. Sobre a posição sistemática de Traayphoberus parvitarsis Simon, 1903 (Araneae, Therapho-
sidae). Mem. Inat. Butantan, ^^/^5:158>156, 1980/81.
nhado os receptáculos seminais, caracter considerado de grande impor¬
tância para a correta identificação da espécie.
Em 1979 (4, ), as mesmas autoras, revendo as espécies tipo dos
gêneros da subfamília THERAPHOSINAE, elaboraram uma chave para
machos e fêmeas, para a distinção dos gêneros, afirmando não terem
visto 0 tipo nem o material pertencente ao gênero Trasyphoberus.
MATERIAL E MÉTODO
Os exemplares examinados foram os seguintes:
Acanthoscurria ferina Simon, 1892, holótipo, macho e alótipo
fêmea, n.° 1056 da coleção do Museu Nacional de História Natural
de Paris, procedente de Tefé, Amazonas, Brasil, fêmea n.° 3109 da
coleção ORTHOGNATHA do Instituto Butantan (Col. I.B. — O) proce¬
dente de Bôca do Tefé, Amazonas, Brasil, Hoge e Cavalheiro col., 1952.
Fêmea n.° 4524 (Col. I.B. — O), procedente do Peru, Menezes col..
Fêmea n.° 1857 (Col. I.B. — O), procedente de Manicoré, Amazonas,
Brasil, Armirante col., 1972. Três fêmeas n.° 1884 (Col. I.B. — O) pro¬
cedente de Humaitá, Amazonas, Brasil, Hoge Col., 1972. Fêmea n.°
2275 (Col. I.B. — O), procedente de Jatobal, Pará, Brasil, Gorgonio
col., 1975. Fêmea n.° 2659 (col. I.B. — O), procedente de Belém, Pará,
Brasil, Fonrobert col., 1979. Trasyphoberus parvitarsis Simon, 1903,
holótipo fêmea da Coleção do Museu Nacional de História Natural de
Paris.
Os exemplares foram estudados comparativamente, dando-se ênfase
ao aspecto das espermatecas, consideradas um bom caracter para a
identificação da espécie.
RESULTADOS
O exame do tipo de Trasyphoberus parvitarsis, uma fêmea em mau
estado de conservação, permitiu apenas verificar a existência do apa¬
relho estridulante localizado na face externa do trocanter do palpo e o
estudo das espermatecas.
O estudo comparativo dos tipos de Trasyphoberus parvitarsis e de
Acanthoscurria ferina, além dos demais exemplares pertencentes à Co¬
leção de ORTHOGNATHA do Instituto Butantan, permitiu estabelecer
a sinonímia de parvitarsis com ferina, uma vez que apresentaram
receptáculos seminais do mesmo tipo e os demais caracteres também
concordarem.
CONCLUSÃO
Não discutimos no presente trabalho a validade do gênero Trasy¬
phoberus Simon, 1903, pois, eventualmente, o exame de maior quanti¬
dade de material permitirá estabelecer caracteres novos para diferen¬
ciá-lo de Acanthoscurria Ausserer, 1871.
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LUCAS, S. Sobre a posição sistemática de Traayphoberus parvííarsis Simon, 1903 (Araneae, Thcrapho-
sidae). Mcm. Inst. Butantan, 4-Í/-45:153-156, 1980/81.
Estabelecemos que a espécie parvitarsis é sinônima de ferina e que
deve prevalecer o nome TrasypJioberus ferina (Simon), 1892.
AGRADECIMENTO
Agradecemos ao Dr. M. Hubert o empréstimo dos tipos da coleção
do Museu Nacional de História Natural de Paris e ao Dr. A. R. Hoge a
ajuda prestada na revisão do texto.
DISCUSSÃO
Além da descrição sumária de TroLsyphoherus parvitarsis Simon,
1903, 0 autor não comparou o gênero com Acanthoscurria, do qual difi¬
cilmente se distingue.
Mello Leitão citou como caracter de distinção entre os dois gêneros,
além da forma da fóvea torácica, as sigilas, que seriam quase marginais
em Acanthoscurria e afastadas da margem em Trasyphoberus, este
último caracter não mencionado na descrição original de Simon.
Schiapelli e Gerschman afirmaram, em 1979, não conhecer exempla¬
res pertencentes ao gênero Trasyphoberus, quando, em 1945, as autoras
descreveram um “genótipo”, fêmea, pertencente à coleção de aracnídeos
do Museu Argentino, sob n.° 839.
Vellard afirmou ser T. parvitarsis espécie comum na região média
do Gy-Paraná, principalmente perto do Posto Pimenta Bueno e colocou
em dúvida a procedência fornecida por Simon, sugerindo que Tefe
poderia ser apenas o porto de expedição do material. Aproximou o
gênero à Acanthoscurria e citou que Trasyphoberus distingue-se facil¬
mente pela presença das cerdas estridulantes, quando, na realidade,
a localização das cerdas é a mesma nos dois gêneros.
Em 1979, quando Schiapelli e Gerschman elaboraram uma chave
para a distinção dos gêneros da subfamília THERAPHOSINAE, as
autoras mencionaram os caracteres já empregados por Mello Leitão
para a diferenciação dos dois gêneros, citando na chave macho e fêmea,
quando é apenas conhecida a fêmea da espécie tipo do gênero Trasy¬
phoberus.
ABSTRACT: The comparative study of the type specimens
Acanthosmrria ferina Simon, 1892, and Trasyphoberus parvitarsis
Simon, 1903 as well as the examination of the material pertaining
to the ORTHOGNATHA (ARANEAE) collection of the Instituto
Butantan, permitted the conclusion of a synonymy between parvi¬
tarsis and ferina, where the actual name Trasyphoberus ferina
(Simon, 1892) must predominate.
KEYWORDS: Acanthoscurria ferina Simon, 1902; Trasyphoberus
parvitarsis Simon, 1903; Synonymy. Synonymy.
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LUCAS, S. Sobre a posição sistemática de Trasyphoherua parvitaraia Simon, 1903 (Araneae, Therapho-
sidae). Mem. Inat. Butantan, 4^/^5:153-166, 1980/81.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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2. SCHIAPELLI, R.D. & GERSCHMAN, B.S. in VELLARD, J., SCHIAPELLI,
R.D. e GERSCHMAN, B.S. Aranas Sudamericanas collecionadas por el
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3. SCHIAPELLI, R.D. & GERSCHMAN, B.S. El gênero Acanthoscurria Ausserer
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4. SCHIAPELLI, R.D. & GERSCHMAN, B.S. Las aranas de la subfamília
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Nat. “Bernardino Rivadavia” e Inst. Nac. Invest. Ci. Nat., ser. Entomologia.,
5(10) :287-300, 1979.
5. SIMON, E. Etudes arachnologiques. 24 mémoire. XXXIX. Descriptions d’especes
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6. SIMON, E. Histoire Naturelle des Araignées. Paris, Encyclopédie Robert,
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7. VELLARD, J. in VELLARD, J.; SCHIAPELLI, R.D. & GERSCHMAN, B.S.
Aranas Sudamericanas collecionadas por el Doctor J. Vellard. I THE-
RAPHOSIDAE nuevas o poco conecidas. Observaciones biológicas. Acta zool.
Lilloana., 5:195-213, 1945.
156
1 SciELO
Mem. Inat. Butantan
-í4A5:167-160, 1980/81
descrição de Gênero e espécie novos da sub-
FAMÍLIA THERAPHOSINAE (ARANEAE,
ORTOGHATHA, THERAPHOSIDAE ) *
Sylvia LUCAS **
RESUMO: São descritos gênero e espécie novos da subfamília
THERAPHOSINAE Thorell, 1870: Nhandu corapoensis, procedentes
de Carapó, Mato Grosso do Sul, Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: Nhandu n. gen.; Nhandu carapoensis n.
sp.; ARANEAE; ORTHOGNATHA; THERAPHOSIDAE; THE-
RAPHOSINAE.
INTRODUÇÃO
A subfamília Theraphosinae Thorell, 1870, caracterizada pela pre¬
sença de uma escópula na face interna do fêmur IV, compreende, atual¬
mente, dez gêneros, que se distinguem entre si pela presença ou ausência
de um aparelho estridulante, pela localização do mesmo, pela extensão
das escópulaiS metatarsais e pelos caracteres sexuais: presença ou
ausência de esporões tibiais, aspecto do bulbo copulador e dos recep¬
táculos seminais.
Baseado nos caracteres citados acima, descrevemos um gênero e
espécie novos.
MATERIAL
Holótipo, macho Nro. 4611 da coleção de Orthognatha do Instituto
Butantan (Col. I.B. — O), procedente de Carapó, Mato Grosso do Sul,
Brasil, março 81, Souza Dias col.; paratipo, macho Nro. 4661 Col, I.B.
— O, da mesma procedência e col. do holótipo; paratipo, fêmea Nro.
4553 Col. I.B. — O, também procedente de Carapó, set. 79, Pellici col.;
macho Nro. 4647 Col. I.B. — O, procedente de Campo Grande, Mato
Grosso do Sul, Brasil, abr. 81, W. W. Koller col.; macho Nro. 4246 Col.
I.B. — o, procedente de Nioaque, Mato Grosso do Sul, Brasil, mar. 75,
Trabalho realizado com o auxílio da FINEP.
Seção de Artrópodes Peçonhentos, Instituto Butantan. Endereço para correspondência: CEP 05504 —
Caixa Postal 66 — São Paulo — Brasil.
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SciELO
LUCAS, S. Descrição de e^ênero e espécies novos da subfamflia Theraphosinae (Araneae, Orthognatha,
Theraphosidae). Mem, Inat. Butantan, ^í/^5:157-160, 1980/81.
C.B.O. Santos col.; macho Nro. 4707 Col. I.B. — O, procedente de Pedro
Gomes, Mato Grosso do Sul, Brasil, mar. 82, A. Francisconi col.
DIAGNOSE DO GÊNERO
Sem aparelho estridulante; escópulas dos metatarsos I e II com¬
pletas, no III ocupando os 4/5 apicais e no IV apenas o terço apical.
Sem apófises tibiais, apenas com espinhos apicais, ventrais. Bulbo copu-
lador de êmbolo curto (Figs. 1, 2, 3 e 4) e receptáculos seminais como
na Fig. 5.
DESCRIÇÃO DO HOLÓTIPO
Medidas: comprimento total do corpo, com quelíceras: 58 mm,
cefalotórax 21 x 20 mm, pernas I 63 mm, II 59 mm, III 58 mm, IV
73 mm. Patela e tíbia I e IV 23 mm, tíbia e metatarso I 26 mm, IV 35 mm.
Cefalotórax, abdômen e fêmures de colorido castanho escuro, quase
negro, dorsalmente, apresentando no abdômen e nas pernas a partir das
patelas, longos pêlos avermelhados. O colorido ventral é mais claro,
sendo o externo mais escuro. Anéis de cor creme nos ápices dos fêmures,
patelas, tíbias, metatarsos e tarsos dos palpos e pernas, mais largos nas
pernas posteriores.
A fóvea torácica é curta, reta e profunda. Os olhos medianos ante¬
riores são redondos e distam entre si pouco mais de um diâmetro, os
olhos laterais anteriores são ovais e distam dos anteriores medianos um
diâmetro dos últimos. A primeira fila ocular é fortemente procurva, uma
tangente à borda anterior dos olhos medianos toca o bordo posterior dos
laterais.
Lábio mais longo do que largo, com duas sigilas logo abaixo da
sutura e apresentando numerosas cúspides apicais. Ancas dos palpos
também com numerosas cúspides na área basal. Sigilas posteriores ovais,
distando da margem pouco menos do que um diâmetro maior. Sem apa¬
relho estridulante. Metatarsos I e II com escópulas completas, III com
escópulas ocupando os 4/5 apicais e IV com escópulas no terço apical.
Perna I sem esporões tibiais, porém com vários espinhos apicais, ven¬
trais. Fêmures das pernas, principalmente da perna III espessados.
Metatarsos I e II com três espinhos ventrais, dois basais e um apical,
III e IV com numerosos. Patelas múticas. Tíbias dos palpos com quatro
espinhos na face interna. O bulbo apresenta o êmbolo curto e está repre¬
sentado nas Figs. 1, 2, 3 e 4.
DESCRIÇÃO DOS PARATIPOS
Macho: comprimento total do corpo, com quelíceras: 56 mm, cefalo¬
tórax 21 X 20 mm, pernas I 64 mm, II 59 mm, III 57 mm e IV 71 mm.
Patela e tíbia I e IV 23 mm, tíbias e metatarsos I 26 mm e IV 35 mm.
O exemplar apresenta o mesmo colorido do holótipo e também o
mesmo aspecto, havendo apenas uma pequena diferença na espinulação
do palpo, com apenas um espinho basal.
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LUUAS, S. Descrição de gênero e espécies novos da subfamília Theraphosinae (Araneae, Orthognatha,
Theraphosidae). Mem. Inst. Butantan, 4-4/-45:167-160, 1980/81.
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^ 1 — Nhandu carapoenais. palpo direito, face externa.
^ig. 2 — Nhandu carapocnaia, palpo direito, face interna.
Fig, 3 — Nhandu carapocnais, bulbo direito, face externa.
Fig, 4 — . i-Jhanãu carapoensia, bulbo direito, face interna.
Fig. 5 — Aspecto dorsal de Nhandu carapoenaia (exemplar Nro. 4 707 Col. I.B. —
O).
cm
LUCAS, S. Descrição de gênero e espécies novos da subfamilia Theraphosinae (Araneae, Orthognatha,
Theraphosidae). Mem. Inat. Butantan, ^4/-45*167-160, 1980/81.
Fêmea: comprimento total, com quelíceras: 53 mm, cefalotórax 22,5
X 21 mm, pernas I 55 mm, II 51 mm, III 48 mm e IV 58 mm. Patela e
tíbia I 21 mm e IV 22 mm, tíbia e metatarso I 21,5 mm e IV 27 mm.
O colorido é o mesmo do holótipo, ligeiramente mais claro, talvez
pela conservação no álcool. Na face dorsal dos fêmures, patelas e tíbias
há duas faixas longitudinais glabras, que também aparecem nos machos,
porém bem menos nítidas.
DIAGNOSE DIFERENCIAL
Como ocorre nos gêneros Sericopelma Ausserer, 1875 (1) e Thera-
phosa Walckenaer, 1805 (4), os machos do novo gênero também não
apresentam esporões tibiais. Distingue-se porém de Sericopelma pelo
aspecto do bulbo e das espermatecas e de Theraphosa, além do aspecto
do bulbo e espermatecas, também pela ausência de um aparelho estri-
dulante. Aproxima-se de Pamphobeteus Pocock, 1901 (2) pelo aspecto
do bulbo e espermatecas, porém distingue-se pela ausência de esporões
tibiais.
ABSTRACT: a new genus and a new species of the subfamily
THERAPHOSINAE are described: Nhandu carapoensis, from
Carapó, State of Mato Grosso do Sul, Brasil.
KEYWORDS; Nhandu n. gen.; Nhandu carapoensis n. sp.;
ARANEAE; ORTHOGNATHA; THERAPHOSIDAE; THERA-
PHOSINAE.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos Srs. Mauro Cândido de Souza Dias, J. Pellici,
Wilson Werner Koller e A. Francisconi o envio dos exemplares que servi¬
ram para a realização deste trabalho.
À Sra. Delminda Travassos agradecemos a confecção dos desenhos e
ao Dr. A. R. Hoge as fotografias.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. AUSSERER, A. Zweiter Beitrag zur Kenntniss der Arachniden Familie der
TERRITELARIEAE (MYGALIDAE — autor). Verh. zool. bot. Ges. Wien
25:126-206, 1875.
2. POCOCK, R.I. Some new and old Genera of S. — American Aviculariidae.
Ann. Mag. Nat. Hist. (7) S:540-555, 1901.
3. THORELL, T. On European Spider. N. Aet. reg. Soc. sei. Upsal. (3) 7 -
109-142, 1870.
4. WALCKENAER, C.A. Tableau des Aranéides ou Caractères essentiels des
tribus, genres, familles et races que renferme le genre ARANEAE de
Linné, avec la désignation des espèces comprises dans chacune de ces
divisions. Paris: I — XII, 1 — 88, 1 tab., 9 pl., 1806.
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Afetn. In$t. Butantan
U/ÂS:16U169, 1980/81
aranhas do gênero ctenus coletadas na foz
DO RIO CULUENE, XINGU, BRASIL: DESCRIÇÃO DE
UMA ESPÉCIE NOVA E REDESCRIÇÃO DE CTENUS
VILLASBOASI MELLO-LEITÃO (ARANEAE; CTENIDAE)
Vera Regina D. von EICKSTEDT *
RESUMO: É descrita uma espécie nova de Ctenus (ARANEAE;
CTENIDAE) baseada numa fêmea coletada na confluência dos rios
Culuene e Xingu (Mato Grosso, Brasil) e redescrita dessa mesma
localidade-tipo a espécie Ctenus viUasboasi Mello-Leitão, 1949. A
disponibilidade de novos exemplares desta última espécie, conhecida
até agora apenas pelo holótipo, permitiu um melhor conhecimento
sobre sua distribuição geográfica e variação intra-específica.
PALAVRAS-CHAVE; Sistemática de aranha; Ctenus carvalhoi
sp. n.; Ctenus viUasboasi Mello-Leitão: redescrição.
INTRODUÇÃO
Em 1949 Mello-Leitão publicou uma relação de sessenta e duas espé¬
cies de aranhas coletadas pelo Dr. José Cândido de Mello Carvalho na
confluência dos rios Culuene e Xingu (Mato Grosso) das quais dezesseis
foram descritas como espécies novas. Quanto à família Ctenidae, que
tem sido objeto de meus estudos, Mello-Leitão mencionou Ctenus similis
Pickard-Cambridge, 1897 e descreveu uma espécie nova do mesmo gênero,
Ctenus viUasboasi. O estudo do material examinado por Mello-Leitão e de
novos espécimes, agora disponíveis, permitiu avaliar a correta posição
específica dos exemplares determinados por Mello-Leitão como Ctenus
similis e um melhor conhecimento sobre a distribuição geográfica e varia¬
ção intra-específica de C. viUasboasi, que era conhecida até agora apenas
pelo holótipo.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram examinados os ctenídeos coletados por Mello Carvalho, perten¬
centes ao Museu Nacional (Rio de Janeiro), um exemplar de viUasboasi
Seção de Artrópodes Peçonhentos, Instituto Butantan. Endereço para correspondência: CEP 05604 —
Caixa Postal 66 — São Paulo — Brasil.
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EICKSTEDT, V. R. D. von. Aranhas do gênero Ctenua coletadas na foz do rio Culuene, Xingu, Brasil:
descrição de uma espécie nova e redescrição de Ctcnua vülasboasi Mello-Leitão (Araneae; Ctenidae).
Mem. Inat. Butantan, -4^/^5:161-169, 1980/81.
do Museu de Zoologia (USP) e cinco da coleção particular de P. Ashmole
(Departamento de Zoologia, Universidade de Edinburgh, Inglaterra), que
me enviou (abril 1980), para identificação, parte do material por ele
capturado durante uma expedição espeleológica nas grutas de Los Tayos,
Equador. De Ctenus carvalhoi sp. n., além do material-tipo foi examinado
um exemplar contido em um lote de Ctenus indeterminadas pertencentes
ao Muséum d’Histoire Naturelle (Paris). Tive também disponíveis os
holótipos de Ctenus similis Pickard-Cambridge (British Museum Natural
History, Londres) e de Ctenus villasboasi (Museu Nacional, Rio de
Janeiro).
A descrição das espécies foi baseada no estudo comparativo do colo¬
rido, dimensões corporais e caracteres morfológicos externos do material
disponível. Na bibliografia precedente a cada uma foram relacionadas
as referências à sistemática da espécie constantes na literatura; quando
necessário, foram feitas observações a respeito na discussão que acom¬
panha cada espécie. Representou-se graficamente a quetotaxia através
de um mapeamento da inserção dos espinhos em cada artículo das pernas
e do palpo. A extensão das escópulas ventrais das pernas foi assinalada
junto com a espinulação. Para o desenho da genitália feminina utilizou-se
uma câmara clara acoplada ao estereomicroscópio. As ilustrações foram
feitas pelo autor e passadas a nanquim pela Sra. Delminda Travassos,
desenhista do Instituto Butantan.
Abreviaturas usadas: OMA — olhos medianos anteriores; OMP —
olhos medianos posteriores; OLA — olhos laterais anteriores; OLP —
olhos lateriais posteriores; MNRJ — Museu Nacional (Rio de Janeiro) ;
MZSP — Museu de Zoologia (São Paulo) ; PAG — coleção P. Ashmole.
Ctenus carvalhoi sp. n.
Material-tipo : Ctenus carvalhoi é fundamentada nos exemplares de¬
terminados por Mello-Leitão (1949) como Ctenus similis Pickard-Cam¬
bridge, 1897. Holótipo fêmea, J. C. Mello Carvalho col. 1947, confluência
dos rios Culuene e Xingu, Mato Grosso, Brasil, n.° 48450MNRJ. Parátipo
fêmea jovem, mesmos dados do holótipo.
Etimologia: o nome específico é uma homenagem ao coletor do mate¬
rial-tipo.
Diagnose: Ctenus carvalhoi pode ser facilmente distinta das demais
espécies conhecidas do gênero pela morfologia do sistema copulador femi¬
nino (forma do epígino e escleritos laterais).
Fêmea — Colorido geral castanho escuro. Dorso do abdômen com uma
faixa clara longitudinal mediana, de margens serrilhadas (Fig. 1). Ventre
marron mais escuro, cortado por linhas longitudinais de pontos brancos,
presentes também, esparsamente, na face lateral do abdômen.
Olhos 2-4-2. Quadrângulo ocular mediano tão longo quanto largo,
ligeiramente mais estreito na frente. OMA um pouco menores que OMP.
OLP e OMP iguais em tamanho. OLA os menores, elípticos. OLA e OLP
em um cômoro comum. Segunda fila ocular reta pelas margens anteriores.
Distâncias interoculares: OMA distantes entre si e dos OMP cerca de
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EICKSTEDT, V. R. D. von. Aranhas do gênero Ctenus coletadas na foz do rio Culuene. Xingu, Brasil:
descrição de uma espécie nova e redescriçáo de Ctenus vülasboasi Mello-Leitão (Araneae; Ctenidae).
Mcm. Inst. Butantan, íí/45:161-169, 1980/81.
1 e 2 — Ctenus carvalhoi sp. n. Fig. 1 — padrão do colorido dorsal; Fig. 2 — sistema copulador
do holótipo, vista ventral.
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EICKSTEDT, V. R. D. von. Aranhas do gênero Ctenua coletadas na foz do rio Culuene. Xingu, Brasil:
descrição de uma espécie nova e redescrição de Ctenua vülasboaai Mello-Leitão (Araneae; Ctenidae).
Mem. Inat. Jiutantan, ^4/^5:161-169, 1980/81.
um diâmetro; OLA afastados dos OMP e dos OLP pelo seu diâmetro
maior. Clípeo igual a um diâmetro dos OMA. Sulco ungueal das quelíceras
com três dentes na promargem (o médio, maior) e quatro na retromar-
gem, seguidos de mais um, punctiforme, proximal. Lábio escavado na base,
mais longo que largo, atingindo a metade da altura das lâminas maxilares.
Escópula rala em toda a extensão da face ventral dos tarsos I a IV e
meta tarsos I e II e na metade apical do metatarso III (Fig. 7). Artículos
dos palpos sem escópula lateral anterior. Quetotaxia das pernas e dos
palpos: (Fig. 7). Duas garras tarsais, com dois a três dentes; tufos subun-
gueais densos, verticais. Epígino retangular, com margens laterais abaula¬
das formando um cordão sinuoso (que corresponde à “guide” de Cham-
berlin (1904) cuja função é orientar o êmbolo em direção aos orifícios
de abertura do epígino) ; escleritos laterais ao epígino (Comstock, 1965:
132) muito desenvolvidos e. esclerotizados, entrelaçados com as guias da
placa epigineal e terminando em ponta romba na altura do terço basal
do epígino (Fig. 2). Pernas IV-I-II-III. Pat. + tib. I > Pat. + tib. IV.
Comprimento do corpo;
Macho-, desconhecido.
19 mm (com quelíceras).
Distribuição geográfica : BRASIL; Amazonas : São Paulo de Olivença.
Mato Grosso: confluência dos rios Culuene e Xingu (localidade-tipo).
Material estudado : o material-tipo e uma fêmea, sem dados sobre
coletor e data de coleta, São Paulo de Olivença, AM, Brasil, n.° 1877
(tubo 8613) MNHN (Paris).
Discussão: o confronto dos exemplares determinados por Mello-Leitão
como Ctenus similis Pickard-Cambridge com o holótipo desta espécie
demonstrou que eles não são co-específicos (a redescrição de similis encon¬
tra-se no prelo). Eles também não correspondem a nenhuma das espécies
conhecidas do gênero cujos tipos tive oportunidade de estudar.
Ctenus villasboasi Mello-Leitão
Ctenus villasboasi Mello-Leitão, 1949:11 (sp. n.), fig. 12. Roewer,
1954:656 (Cat).
Material-tipo: Holótipo fêmea, 48452 MNRJ, J. C. Mello Carvalho
col. abr. 47, confluência dos rios Culuene e Xingu, MT, Brasil.
Diagnose : o padrão de colorido das pernas (mancha retangular clara
na face ventral das tíbias I a IV e faixa clara oblíqua ventral nas coxas I)
e a morfologia do sistema copulador feminino (epígino e escleritos laterais)
caracterizam Ctenus villasboasi.
Fêmea — Colorido geral castanho a cinza escuro. Cefalotórax, em dois
exemplares, com uma estreita linha clara mediana partindo do intervalo
entre os OMP e indo até a margem posterior do cefalotórax, nos outros
exemplares sem essa linha; borda lateral do cefalotórax sem ou com pelos
acinzentados formando uma faixa marginal contrastante. Esterno, coxas,
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EICKSTEDT, V. R. D. von. Aranhas do grênero Ctenus coletadas na foz do rio Culuene, Xingu, Brasil:
descrição de uma espécie nova e redescrição de Ctenua villasboasi Mello-Leitão (Araneae; Ctenidae).
Mem. Inet. BiUantan, íí/í5:161-169, 1980/81.
3 ® 6 — Ctenua villaahoasi Mello-Leitão. Fig. 3 — padrão de colorido do ventre. Fig. 4 — padrão
de colorido do externo e coxas I; Fig. 6 — sistema copulador do holótipo, vista ventral;
Fig. 6 — sistema copulador do exemplar 1720 PAC, vista ventral. Abreviaturas: el =
esclerito lateral; ep = epígino.
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EICKSTEDT, V. R. D. von. Aranhas do gênero Ctenua coletadas na foz do rio Culuene. Xingu, Brasil:
descrição de uma espécie nova e redescriçáo de Ctenua vülasboaai Mello-Leitão (Araneae; Ctenidae).
Aíem. Inst. Butantan, ^4/45:161-169, 1980/81.
lábio, lâminas maxilares e artículo basal das quelíceras de colorido mais
escuro. Dorso do abdômen marrom amarelado ocre, com fólio claro dorsal
mediano ladeado de dois a três pares de manchas circulares escuras; às
vezes, só as manchas escuras são perceptíveis. Lados do abdômen de
colorido pardacento, manchado de escuro. Ventre com um triângulo me¬
diano bem escuro, delimitado por duas filas paramedianas de sigilos
claros; dentro desse triângulo, dois sigilos claros abaixo do epígino e,
próximo a ele, lateralmente, algumas manchas claras, esparsas; epigastro
com uma faixa clara transversal um pouco acima do epígino (Fig. 3).
Tíbia das pernas I a IV com mancha retangular clara, formada por pelos
cinza, na altura do terceiro par de espinhos ventrais nas pernas I e II e
do segundo par nas pernas líl e IV. Coxa do primeiro par de pernas com
uma faixa clara oblíqua atravessando toda a face ventral do artículo,
presente também na margem anterior do esterno (Fig. 4). Face dorsal
dos artículos das pernas, principalmente dos fêmures, com anéis escuros,
nem sempre muito conspícuos. Face ventral do fêmur e da tíbia do palpo
com ou sem mancha clara, como nas pernas.
Olhos 2-4-2. Quadrângulo ocular mediano ligeiramente mais longo
que largo, um pouco mais estreito na frente. OMA pouco menores que
OMP e estes do mesmo tamanho dos OLP. OLA muito pequenos, elípticos.
Segunda fila ocular reta ou ligeiramente recurva pelas margens ante¬
riores. Distâncias interoculares: OMA afastados entre si por pouco menos
que um diâmetro e dos OMP por um diâmetro. OMP distantes um do
outro por um diâmetro. OLA afastados dos OMP e dos OLP cerca de um
diâmetro e meio. Clípeo igual a um diâmetro e meio dos OMA. Sulco
ungueal das quelíceras com três dentes na promargem (o médio, maior),
quatro na retromargem (seguidos de mais um, punctiforme, proximal) e
muitas cúspides entre as duas margens. Lábio escavado na base, mais
longo que largo, atingindo a metade das lâminas maxilares. Escópula rala
em toda a face ventral dos tarsos I a IV e metatarsos I e II, na metade
apical do metatarso III e no quarto apical de metatarso IV; tíbias sem
escópula ventral (Fig. 8). Artículos do palpo sem escópula lateral anterior.
Quetotaxia das pernas e dos palpos: (Fig. 8). Duas garras tarsais nas per¬
nas, com dois a três dentes; tufos subungueais densos, verticais. Palpo com
garra ímpar pectinada em fila simples. Epígino alongado, com dois lobos
ovais salientes na metade anterior; escleritos laterais ao epígino digiti-
formes, curvos para dentro, situados na metade da altura do epígino
(Figs. 5, 6). Pernas IV-I-II-III. Pat. + tib. I > pat. + tib. IV. Variação
do tamanho do corpo (fêmeas adultas) : 18 mm-32 mm
Macho: desconhecido.
Distribuição geográfica: BRASIL: Mato Grosso: confluência dos rios
Culuene e Xingu (localidade-tipo). Pará: Belém. EQUADOR: Los Tayos.
Material estudado: além do holótipo, uma fêmea, P. Vanzolini col.
ago. 1966, Belém (5658 MZSP) ; uma fêmea, P. Ashmole col. jul. 76, Los
Tayos (78°12’W, 3°10’S), no campo (7 PAC) ; uma fêmea com ooteca,
P. Ashmole col. jul. 76, Los Tayos (78°12’W, 3"10’S), sob casca de árvore
(150 PAC) ; uma fêmea, P. Ashmole col. ago. 76, Los Tayos (78°12’W,
3°?6’S), dentro de gruta (1186 PAC) ; uma fêmea, P. Ashmole col. ago.
166
1 SciELO
EICKSTEDT, V. R. D. von. Aranhas do gênero Ctenua coletadas na foz do rio Culuene, Xingu, Brasil:
descrição de uma espécie nova e redescrição de Ctenua vülaaboaai Mello-Leitão (Araneae; Ctenidae).
Mem. Inat. Butantan, -4^/45:161-169, 1980/81.
7 — Ctenua carvalhoi ap. n. — Quctotaxia do palpo e das pernas I-IV e extensão das escópulas
ventrais das pernas I-IV. Abreviaturas: d := face dorsal; v = face ventral; fe =: fêmur;
pa =: patela; ti == tíbia; met = metatarso; ta = tarso.
167
SciELO
EICKSTEDT, V. R. D. von. Aranhas do gênero Ctenus coletadas na foz do rio Culuene. Xingu, Brasil:
descrição de uma espécie nova e redescrição de Cíenws villasboasi Mello-Leitão (Araneae; Ctenidae).
Mem. Inst. liutantan, 4^/^^5:161-169, 1980/81.
8 — Ctenus vülashoasi Mello-Leitão — Quetotaxia do palpo e das pernas I-IV e extensão das escó-
pulas ventrais das pernas I-IV. Abreviaturas: d = face dorsal- v = face ventral; fe = fêmur;
pa = patela; ti = tíbia; met = metatarso; ta =; tarso.
1 SciELO
168
EICKSTEDT, V, R. D. von. Aranhas do tçênero Ctenus coletadas na foz do rio Culuene. Xingu, Brasil:
descrição de uma espécie nova e redescrição de Ctenus villasboasi Mello-Leitão (Araneae; Ctenidae).
Mcm. Inst. liiitantan, 44/45^161-169, 1980/81.
76, Los Tayos, campo Santiago (78°02’W, 3”04’S), perambulando à noite
(1720 PAG).
Discussão : na descrição original Mello-Leitão cita um macho como
holótipo de villasboasi, entretanto a Fig. 12 representa o epígino dessa
espécie. No catálogo de Roewer consta que apenas o macho de villasboasi
é conhecido. O exame do holótipo demonstrou que a espécie está baseada
em uma fêmea adulta.
O padrão de colorido das pernas (mancha retangular clara nas tíbias
e faixa clara transversal nas coxas I) é um caráter diagnóstico da espécie,
entretanto, não foi mencionado na descrição original, apesar de muito
conspícuo no holótipo.
AGRADECIMENTOS
Aos responsáveis pelas coleções, A. Timótheo da Costa (Museu Na¬
cional, Rio de Janeiro), Lícia M. Neme (Museu de Zoologia, São Paulo),
F. R. Wanless (British Museum, Londres), M. Hubert (Muséum National
d’Histoire Naturelle, Paris) e P. Ashmole (University of Edinburgh)
agradeço o empréstimo do material que possibilitou a execução deste
trabalho.
ABSTRACT: A new species of the genus Ctenus (Araneae;
Ctenidae) is described based on a feniale collected at the con-
fluence of the Culuene and Xingu rivers (Mato Grosso, Brazil).
The study of five now avaiable specimens of Ctenus villasboasi
Mello-Leitão, 1949 allowed its redescription and a better know-
ledge on the geographic distribution and intraspecific variation
of this species that was known up to present only by the type-spe-
cimen.
KEYWORDS: Spider systematics; Ctenus carvalhoi sp.n.; Ctenus
villasboasi Mello-Leitão : redescription.
1 .
3.
6 .
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CIIAMBERLIN, R.V. Notes on generic characters in the Lycosidae. Canad.
Entom., 36:145-148, 173-178, 1904.
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MELLO-LEITÃO, C.F. Aranhas da foz do Koluene. Boi. Mus. Nac. Rio de
Janeiro (Zool.), n.° 92:1-19, figs. 1-21 1949.
PICKARD-CAMBRIDGE, F.O. On cteniform spiders from the lower Ama-
zons and other regions of North and South America. Ann. Mag. Nat.
Hist., fP(6) :62-106, pis. III, IV, 1897.
ROEWER, C. Katalog der Araneae. Bruxelles, Cari S. Bremen, 1954. vol.
2a, 923 p.
169
cm
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10 11 12 13 14 15
Mem. Inat, Butantan
W-*í:171-179, 1980/81
REDESCRIÇÃO DOS TIPOS DE CTENUS SIMILIS, CTENUS
ALBOFASCIATUS E CTENUS MINOR (ARANEAE;
CTENIDAE)
Vera Regina D. von EICKSTEDT ♦
RESUMO; São redescritos os tipos de três espécies amazônicas
de aranha do gênero Ctenus: C. similis, C. albofasciatus e C. minor.
Para cada uma constam a bibliografia correspondente à sistemática
da espécie e a redescriçâo, acompanhada de comentários e ilustrações.
As espécies em estudo são representadas até o momento apenas
pelos exemplares-tipo. Verificou-se que o espécime relacionado por
Mello-Leitão (1949) sob C. similis não é co-especifico com o holótipo
dessa espécie; ele pertence a uma espécie nova do gênero, descrita
sepaardamente. (Eickstedt, V. R. D. 1980/81)
PALAVRAS-CHAVE: Sistemática de aranha; Ctenus similis; Cte¬
nus albofasciatus; Ctenus minor; redescriçâo de tipos.
INTRODUÇÃO
A família Ctenidae (Araneae, Labidognatha) é representada
por 65 gêneros; mais da metade das 400 espécies de ctenídeos
mencionadas na literatura estão incluídas no gênero nominativo da
família, Ctenus. Esse “status” taxonômico decorre do fato de que tanto
os gêneros quanto as espécies estão, em geral, mal caracterizados, indu¬
zindo os autores à criação contínua de novas entidades. Por outro lado,
a definição precária do próprio gênero-tipo permite incluir sob ele a
maioria das espécies descritas.
O exame dos espécimes-tipo das espécies mais antigas e a redes-
crição delas baseadas nos caracteres morfológicos atualmente considera¬
dos de valor para o reconhecimento específico, notadamente as genitálias
masculina e feminina, constituem o primeiro passo para uma posterior
revisão da sistemática dessa família. Com este objetivo são redescritas as
espécies amazônicas Ctenus similis, Ctenus albofasciatus e Ctenus minor.
Seção de Artrópodes Peçonhentos, Instituto Butantan.
Caixa Postal 65 — São Paulo — Brasil.
Endereço para correspondência: CEP 06504
171
SciELO
EICKSTEDT, V. R. D. von. Redescrição de Ctenua aimilia, Ctenus albofaaciatus e Ctenus minor
(Araneae; Ctenidae). Mem. Inat. Butantan, íí/^5:171-179, 1980/81.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram estudados os exemplares-tipo das três espécies em questão,
pertencentes ao British Museum of Natural History (Londres) e um
espécime do Museu Nacional (Rio de Janeiro) determinado por Mello-
-Leitão (1949) como Ctenus similis Pickard-Cambridge.
De cada aranha foram examinados os caracteres morfológicos exter¬
nos e 0 colorido e tomadas as dimensões corporais costumeiramente
usadas em araneologia. A quetotaxia de cada espécie foi representada
graficamente através de um mapeamento da inserção dos espinhos em
cada articulo dos quatro pares de pernas e do palpo. A extensão das
escópulas ventrais das pernas foi assinalada juntamente com a espinu-
lação. A fim de não prejudicar o material-tipo apenas a face ventral da
genitália externa foi desenhada, com auxílio de câmara clara acoplada
ao estereomicroscópio. As ilustrações foram feitas pelo autor e passadas
a nanquim pela Sra. Delminda Travassos, desenhista do Instituto
Butantan.
Abreviaturas usadas: C = citação; Cat = catálogo; Ch = chave;
L = lista (na bibliografia precedente a cada espécie). OMA = olhos
médios anteriores; OMP = olhos médios posteriores; OLA = olhos
laterais anteriores; OLP = olhos laterais posteriores; pat. -f- tib. =
patela + tíbia (na redescrição das espécies).
Ctenus similis Pickard-Cambridge
Ctenus similis Pickard-Cambridge, 1897: 55 (L), 77 (Ch), 83
(sp.n.), pl. 3; figs. Ic, 4a Pickard-Cambridge, 1902: 411 (Ch), 413 (L).
Petrunkevitch, 1911 : 477 (Cat.) Mello-Leitão, 1936: 4 (Ch), 13 (C).
Mello-Leitão, 1949 : 11 (C). Roewer, 1954: 655 (Cat.). Bonnet, 1956 :
1289 (Cat.).
Material-tipo: Holótipo fêmea, 1896.12.13.102 BMNH (Londres),
F. O. Pickard-(^ambridge e E. E. Austen col. 1896, floresta de Santarém,
Pará, Brasil.
Fêmea: Colorido geral castanho claro. Cefalotórax com vestígio de
uma faixa longitudinal de pelos amarelados na região mediana, mais
nítida no terço posterior. Esterno, lábio, lâminas maxilares e coxas das
pernas cor de palha. Abdômen cinza escuro com uma faixa longitudinal
serrilhada, mediana dorsal, formada por pelos claros, chegando até
quase às fiandeiras; ventre cinza amarelado uniforme.
Olhos 2-4-2. Quadrângulo ocular mediano tão largo quanto longo,
ligeiramente mais estreito na frente. Clípeo do tamanho do diâmetro
dos OMA. Segunda fila ocular procurva, uma tangente à margem ante¬
rior dos OMP cortando os OLA pela metade. OMA pouco menores que
OMP, de tamanho igual ao dos OLP. OLA elípticos, menores que os
outros. OLA e OLP em um cômoro comum. Distâncias interoculares:
OMA distanciados entre si e dos OMP por um seu raio. OLA distantes
dos OMP pelo seu menor diâmetro e dos OLP pelo seu maior diâmetro.
Sulco ungueal das quelíceras com 3 dentes na promargem (o médio,
maior) e 4 na retromargem, seguidos de dois dentículos, proximais,
punctiformes. Lábio mais longo que largo, escavado na base, atingindo
a metade da altura das lâminas maxilares. Pernas IV-I-II-III. Pat. -h
172
1 SciELO
EICKSTEDT, V. R. D. von. Redescrição de Ctenus similis Pickard-Cambridge, Ctenua albofaseiatua
Pickard-Cambridge e Ctenua minor Pickard-Cambridge (Araneae* Ctenidae). Mem. Inat. Butantan,
U/i5:ni-n9, 1980/81.
tib. I = pat. + tib. IV. Escópula rala em toda extensão da face ventral
dos tarsos I a IV e metatarsos I e II e na metade apical do metatarso III
(Fig. 1), Artículos do palpo sem escópula lateral anterior. Quetotaxia
dos palpos e das pernas; (Fig. 1). Duas garras tarsais com três a quatro
dentes; tufos subungueais densos, verticais. Epígino mais largo que
longo, ocupando quase todo o epigastro; escleritos laterais próximos ao
epígino, em forma de gancho, situados na metade da altura do epígino
(Fig. 4). Comprimento do corpo: 12 mm.
Macho: desconhecido.
Distribuição geográfica: espécie conhecida apenas da localidade-tipo.
Material examinado: somente o holótipo.
Discussão: Mello-Leitão (1936:13), ao relacionar similis entre as
espécies brasileiras de Ctenus, forneceu referências bibliográficas rela¬
tivas a sinuatipes Pickard-Cambridge, 1897, e não a similis. No catálogo de
Roew^er (1954:655) ocorre o mesmo fato. O engano feito por estes dois
autores refere-se apenas às citações bibliográficas correspondentes às
duas espécies: sinuatipes é espécie válida, da América Central (Costa
Rica), facilmente distinta de similis pela forma da genitália feminina.
Somente dois exemplares de similis são mencionados na literatura:
0 tipo, capturado pelo autor da espécie na floresta de Santarém e um
espécime coletado por Mello Carvalho na confluência dos rios Culuene e
Xingu, Mato Grosso (Mello-Leitão, 1949). Tive oportunidade de exami¬
nar este último exemplar, depositado no Museu Nacional do Rio de
Janeiro (n.° 48450) ; ele não pertence à espécie similis e sim a uma
espécie nova do gênero descrita separadamente (Eickstedt, V.R.D., 1980/
81). Portanto, similis é representada até agora unicamente pelo exem¬
plar-tipo.
Ctenus albofasciatus Pickard-Cambridge
Ctenus albofasciatus Pickard-Cambridge, 1897:55 (L), 77 (Ch),
82 (sp.n.), pl. 3: figs. Id, 4b. Pickard-Cambridge, 1902:411 (Ch), 412
(L). Petrunkevitch, 1911:470 (Cat.) Roewer, 1954:647 (Cat.). Bonnet,
1956:1274 (Cat.).
Material-tipo: Holótipo fêmea, 1896, 12.13.99 BMNH (Londres),
F. O. Pickard-Cambridge col. fev. 1896, floresta de Santarém, Pará,
Brasil.
Fêmea: Colorido geral castanho escuro. Cefalotórax com um losan¬
go claro formado por pubescência cinza dourada que se inicia entre os
olhos laterais posteriores e termina na altura do sulco torácico; em
continuação, uma estreita linha mediana longitudinal de pelos claros indo
^té a base do cefalotórax. Partindo do espaço entre os OMP e os OLP,
uma faixa clara que percorre o clípeo até a borda anterior do cefalotórax.
Dorso do abdômen escuro, com uma faixa de lados sinuosos pardo-
amarelada, longitudinal mediana, que esmaece em direção às fiandeiras;
^■egião basal bem escura dos dois lados (Fig. 5). Ventre denegrido, com
quatro filas de sigilos circundados por pelos claros.
Olhos 2-4-2. Quadrângulo ocular mediano tão largo quanto longo, ligei¬
ramente mais estreito na frente. Clípeo do tamanho do diâmetro dos OMA.
Segunda fila ocular ligeiramente recurva pelas margens anteriores. OMA
pouco menores que os OMP e estes um pouco maiores que os OLP. OLA
173
EICKSTEDT, V. R. D. von. Redescrição de Ctcnua similia, Ctenua albofasciatua e Ctenus minor
(Araneae; Ctenidae). Mem. Inat. Butantan, :171-179, 1980/81.
Fíg. 1 — Ctenua eimilia Pickard-Cambridge — Quetotaxia do palpo e das pernas I-IV e extensão das
escópulas ventraiíj das pernas I-IV. Abreviaturas: d = face dorsal; v = face ventral; fe =
fêmur; pa = patela; ti = tíbia; met = metatarso; ta = tarso.
174
1 SciELO
cm
EICKSTEDT, V. R. D. von. Redescrição de Ctemis aimilis, Ctenua albofasciatus e Ctcnua minor
(Araneae; Ctenidae). Mem. Inat. Butantan, 4-4/-45:171-179, 1980/81.
muito pequenos, elípticos, seu diâmetro maior não atingindo a metade do
diâmetro dos OLP. Distâncias interoculares: OMA afastados entre si e dos
OMP por um seu raio. OMP afastados entre si por um i’aio. OLA distantes
dos OMP pelo seu maior diâmetro e dos OLP por duas vezos seu maior diâ¬
metro. OLA e OLP em cômoro comum. Sulco ungueal das quelíceras com
três dentes na promargem e quatro na retromargem, seguidos de mais um,
punctiforme, proximal. Lábio mais longo que largo, escavado na base,
atingindo a metade da altura das lâminas maxilares. Pernas IV-I-II-III.
Pat. + tib. I = pat. + tib. IV. Escópula rala em toda a extensão da face
ventral dos tarsos I a IV e metatarsos I e II e na metade apical do
metatarso III (Fig. 2). Artículos do palpo sem escópula no lado interno.
Quetotaxia dos palpos e das pernas : (Fig. 2). Duas garras tarsais; um
par de tufos subungueais densos, verticais. Epígino de base ovalada
e com duas projeções anteriores, dirigidas para os lados, afiladas no
ápice; escleritos laterais em forma de gancho, sobrepostos à parte
basal do epígino (Fig. 6).
Comprimento do corpo : 14 mm.
Macho: desconhecido.
Distribuição geográfica: espécie conhecida apenas da localidade-tipo.
Material examinado: o holótipo e um parátipo (fêmea adulta) com
0 mesmo n.° e procedência do holótipo.
Ctenus minor Pickard-Cambridge.
Ctenus minor Pickard-Cambridge, 1897: 55 (L), 77 (Ch), 83 (sp.n.),
pl. 3: fig. 4c. Pickard-Cambridge, 1902: 411 (Ch), 412 (LD Petrunke-
vitch, 1911: 475 (Cat.). Mello-Leitão, 1936: 4 (Ch), 11 (C). Roewer,
1954: 652 (Cat.). Bonnet, 1956: 1285 (Cat).
Material-tipo: Holótipo fêmea, 1896.12.13.100 BMNH (Londres),
F. O. Pickard-Cambridge col. 1896, floresta de Santarém, Pará, Brasil.
Fêmea: Colorido geral marrom amarelado. Cefalotórax com uma
faixa longitudinal mediana de pelos amarelados pouco nítida. Abdômen
pardo, com faixa clara denteada longitudinal mediana e manchas de
pelos amarelados, irregularmente dispostas, nas regiões dorsolateral e
látero-ventral (Fig. 7). Ventre amarelado. Pernas com manchas de pelos
louros.
Olhos 2-4-2. Quadrângulo ocular mediano ligeiramente mais largo
que longo, pouco mais estreito na frente. Clípeo cerca de um diâmetro
do OMA. Segunda fila reta ou ligeiramente recurva pelas margens
anteriores, conforme se olha o exemplar. OMA pouco menores que os
dos OMA. Segunda fila reta ou ligeiramente recurva pelas margens
elípticos. Distâncias interoculares: OMA distantes entre si por um
pouco menos que um seu diâmetro e dos OMP por um seu raio. OLA
distantes dos OMP pelo seu maior diâmetro e dos OLP por um diâmetro
e meio. OMP afastados entre si por quase um diâmetro. Sulco ungueal
das quelíceras com três dentes na promargem (o médio, maior) e quatro
na retromargem. Lábio mais longo que largo, escavado na base, atin¬
gindo a metade da altura das lâminas maxilares. Pernas IV-I-II-III.
Pat. + tib. I = pat. + tib. IV. Escópula rala em toda extensão da face
ventral dos tarsos e metatarsos I e II e na metade distai do metatarso
III (Fig. 3). Artículos do palpo sem escópula lateral anterior. Queto-
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EICKSTEDT, V. R. D. von. Redescrição de Ctenua aimilis, Ctenua albofasciatua e Ctenua minor
(Araneae; Ctenidae). Mem. Inat. Butantan, 44/^5:171-179, 1980/81.
1'íff. 3 — Ctenua minor Pickard-Cambridpe — Quetotaxia do palpo e das pernas I-IV e extensão das
escópulas ventrais das pernas I-IV. Abreviaturas: d = face dorsal; v = face ventral; fe =
fêmur; pa =: patcla; ti = tíbia; met metatarso* ta = tarso.
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EICKSTEDT, V. R. D, von. Redescrição de Ctenua similia, Ctenua albofaaciatua e Ctenua minor
(Araneae; Ctenidae). Mem. Inat. Butantan, ^4/^5:171-179, 1980/81.
w
1 mm
ep-
I mm
Fig. 4 — Ctenua aimüia Pickard-Cambridge — Sistema copulador do holótipo, vista ventral.
Fige. 5 e 6
Ctenua albofaaciatua Pickard-Cambridge — Fig. 6 — padrão do colorido dorsal; Fig. 6 —
sistema copulador do holótipo, vista ventral.
Figs. 7 e 8 — Ctenua minor Pickard-Cambridge — Fig. 7 — padrão do colorido dorsal; Fig. 8 — sistema
copulador do holótipo, vista ventral.
Abreviaturas: el = esclerito lateral; ep = epígino; rs = receptáculo seminal (por trans¬
parência).
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EICKSTEDT, V. R. D. von. Redescrição de Ctenus aimilis, Ctenus 'albofaaciatus e Ctenus minor
(Araneae; Ctenidae). Mem. Inat. Butantan, 171-179, 1980/81.
taxia dos palpos e pernas: (Fig. 3). Duas garras tarsais; um par de
tufos subungueais densos, verticais. Epígino pentagonal, com lobos
laterais ovalados na parte anterior; escleritos laterais semelhantes a
gancho, sobrepostos à borda anterior do epígino (Fig. 8).
Comprimento do corpo : 11 mm.
Macho: desconhecido.
DisMbuição geográfica: espécie conhecida apenas da localidade-tipo.
Material examinado: o holótipo.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. F. R. Wanless (British Museum Natural History) e à Dra.
Anna Timotheo da Costa (Museu Nacional) agradeço o empréstimo do
material que possibilitou a execução deste trabalho.
ABSTRACT; The type-specimens of the amazonean spider
species Ctenus similis Pickard-Cambridge, Ctenus albofasciatus
Pickard-Cambridge, and Ctenus minor Pickard-Cambridge (La-
BIDOGNATHA,- Ctenidae) are redescribed. For each species
the pertinent systematic bibliography and the redescription with
comments and illustrations are given. Up to now the three species
are represented only by the type-specimnes. The spider from the
Culuene River (Xingu) listed by Mello-Leitão (1949) as
Ctenus similis is not co-specific with the holotype; it was separately
dsecribed as a new species (Eickstedt, V.R.D., 1980/81).
KEYWORDS: Spider systematics; Ctenus similis, Ctenus albofas¬
ciatus, Ctenus minor : redescription.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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6. PICKARD-CAMBRIDGE, F.O. On cteniform spiders from the lower Amazons
and other regions of North and South America. Ann. Mag. Nat. Hist.,
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Ctenus, with supplementary notes. Ann. Mag. Nat. Hist., 9(7) :401-415,
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8. ROEWER, C. Katalog der Araneae. Bruxelles, Cari S. Bremen, 1954. vol. 2a,
923 p.
179
SciELO
Mcm. Inat. Butantan
U/45:18l‘n0, 1980/81
A PROPÓSITO DA INDICAÇÃO DE UM NEÓTIPO PARA
TITYUS SERRULATUS LUTZ E MELLO, 1922
(SCORPIONES; BUTHIDAE)
Wilson R. LOURENÇO *
Vera Regina D. von EICKSTEDT **
RESUMO: É proposto um neótipo para Tityus serrulatus Lutz e
Mello, 1922, espécie de escorpião descrita de Belo Horizonte, Minas
Gerais. As tentativas feitas para localização do tipo, originalmente
depositado no Instituto Ezequiel Dias (Belo Horizonte), mostraram-se
infrutíferas, levando-nos a crer que o mesmo se encontre definitiva¬
mente perdido. O neótipo proposto neste artigo, depositado na coleção
aracnoíógica do Instituto Butantan, obedece a todos os critérios exi¬
gidos pelo Artigo 75 do Código Internacional de Nomenclatura
Zoológica.
PALAVRAS-CHAVE: Tityus serrulatus Lutz e Mello, 1922;
Buthidae; neótipo.
INTRODUÇÃO
Lutz e Mello (1922) publicaram a descrição de cinco espécies novas
de escorpião pertencentes à família Buthidae, entre as quais Tityus serru¬
latus, indicando Belo Horizonte como localidade típica dessa espécie.
Após a descrição original, sucederam-se algumas redescrições: Mello-
-Campos (1924), Vellard (1932), Pessoa (1935) e Mello-Leitão (1945).
Com exceção de Pessoa (1935), que analisou a variabilidade de alguns
caracteres, nenhum dos outros autores apresentou qualquer acréscimo
substancial ao conhecimento de Tityus serriãatus; além disso, em nenhum
dos casos é citado o estudo do tipo.
No trabalho original, Lutz e Mello (1922) indicaram “Loc: Bello
Horizonte. Collecção da filial naquella capital.”, ou seja, o tipo teria sido
depositado no Instituto Ezequiel Dias, filial do Instituto Oswaldo Cruz,
“Attaché" do Laboratoire de Zoolos:ie (Arthropodes), Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris.
Endereço para correspondência: 61, Rua de Buffon, 75231, Paris, França.
Pesquisador científico da Seção de Artrópodes Peçonhentos do Instituto Butantan. Endereço para
correspondência: CEP 05504, C. Postal 65, São Paulo, Brasil.
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LOURENÇO, W. R. & EICKSTEDT, V. R. D. von. A propósito na indicação de um neótipo para Tityns
aerrulatus Lutz e Mello, 1922 (Scorpiones; Buthidae). Mem. Inat. Btitantan í^/^5:181-190, 1980/81.
do Rio de Janeiro. Todas as tentativas feitas por um de nós (WRL)
desde 1975 para localizar o referido tipo não tiveram sucesso, levando-nos
a concluir que ele deva se encontrar definitivamente perdido. Visto ser
Tityus serrulatus a espécie de maior importância médica no Brasil e possi¬
velmente em toda a América do Sul, pareceu-nos oportuna a criação de
um neótipo, a ser depositado na coleção aracnológica do Instituto Butantan
(São Paulo), onde é fabricado o soro antiveneno correspondente a esta
espécie.
MATERIAL E MÉTODOS
São estudados comparativamente cinqüenta e um exemplares topóti-
pos de Tityus serrulatus e um deles é selecionado como neótipo fêmea, de
acordo com todos os critérios exigidos pelo Artigo 75 do Código Interna¬
cional de Nomenclatura Zoológica. A escolha de um macho como exem¬
plar-tipo é sempre preferível, entretanto, Tityus serrulatus é espécie
partenogenética, apresentando unicamente fêmeas em suas populações
(Matthiesen, 1962; San Martin e Gambardella, 1966).
A análise estatística de alguns dos caracteres morfológicos estudados
é feita segundo Lamotte (1971).
Material estudado: BRASIL; Minas Gerais, Belo Horizonte, H. C.
Cunha col. jul. 1980, 45 fêmeas (IB-SC 1158 a 1202) ; C. Diniz col.
maio 1980, 6 fêmeas (IB-SC 1203 a 1208).
Tityus serrulatus Lutz e Mello, 1922.
Tityus serrulatus Lutz e Mello, 1922, Folha médica, 5(4) :25.
Tityus serrulatus: Mello-Campos, 1924, ilfem. Inst. Osw. Cruz, 17
(2) :267.
Tityus stigmurus: Vellard, 1932, Mém. Soc. zool. France, 29(6) :553.
Tityus serrulatus: Pessoa, 1935, An. paul. Med. Cir., ^5 (5):430.
Tityus serrulatus vellardi Mello-Leitão, 1939, Physis, 17:69.
Tityus sem-ulatus: Mello-Leitão, 1945, Arq. Mus. nac.,
Tityus serrulatus vellardi: Mello-Leitão, 1945, Arq. Mus. nac., UO :396.
Neótipo fêmea, H. C. Cunha col. jul. 1980, Belo Horizonte, Minas
Gerais, Brasil, IB-SC 1165 (Figs. 1 e 2).
Colorido: colorido geral amarelado. Placa prossomial amarela com
manchas castanho escuras formando desenhos regulares; na região ante¬
rior elas se unem delimitando um triângulo com a base dirigida anterior¬
mente. Cômoro ocular quase negro. Tergitos I a VI com manchas con¬
fluentes de colorido castanho escuro, mais acentuadas na borda posterior
dos tergitos; tergito VII com uma mancha central em forma de triângulo
estreito de base voltada para a região anterior. Todos os segmentos do
metassoma amarelos, os dois últimos ligeiramente mais escuros. Face
dorsal de todos os segmentos sem manchas. Face ventral do quinto seg-
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LOURENÇO, W. R. & EICKSTEDT, V. R. D. von. A propósito na indicação de um neótipo para Tityus
serrulatua Lutz e Mello, 1922 (Scorpiones; Buthidae). Mem. Inst. Butantan 44/-45:181-190, 1980/81.
1 e 2 — Tityus serrulatus, neótipo. Fig. 1 — vista dorsal; Fig. 2 — vista ventral.
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LOURENÇO, W. R. & EICKSTEDT, V. R. D. von. A propósito na indicação de um neótipo para Tityus
serrulatus Lutz e Mello, 1922 (Scorpiones; Buthidae). Mem. Inat. Butantan 4^/^5:181-190, 1980/81.
Hí'
--d.
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-d,
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-eb
Figs. S
8 — Tricobotriotaxía do neótipo de Tityus scrrulatua. Fík- 3 — pinça, vista externa. Fík. 4
—• pinça, vista ventrai; Fík. 5 — tíbia, vista donsal; Fík. 3 — tíbia, vista externa:
Fík. 7 — fêmur, vista dorsal; Fík. 8 — detaiho do fêmur, vista interna.
Fík. 9 — SeKmentos caudais III a V e vesícuia do neótipo de Tityus scrrulatua mostrando os Krânulos
espiniformes dos seKmentos III e IV.
AKuilhãü em detalhe.
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LOURENÇO, W, R. & EICKSTEDT, V. R. D. von. A propósito na indicação de um neótipo para Tityus
serrulatus Lutz e Mello, 1922 (Scorpiones; Buthidae). Mcm. Inttt. liutantan 4^/^5:181-190, 1980/81.
mento caudal com uma mancha de colorido castanho denegrido na metade
posterior, estendendo-se sobre a crista axial na metade anterior; segmen¬
tos II a IV com mancha semelhante que se prolonga sobre as cristas
ventrais, sendo bem mais acentuada nos segmentos III e IV; região
posterior do segmento IV com algumas manchas também sobre as cristas
látero-ventrais. Vesícula da mesma cor que o quinto segmento caudal.
Aguilhão com base amarelada e extremidade avermelhada, ligeiramente
denegrida. Esternitos amarelo-ocre; cristas do esternito VII com dois
esboços de manchas castanhas. Pentes, opérculo genital, esterno, ancas e
lobos maxilares de colorido amarelo-ocre. Pernas amarelo-palha uniforme
com nuances avermelhadas sobre as cristas. Palpos de colorido amarelo
mais escuro que o das pernas, com alguns esboços de manchas pardacentas
sobre as cristas, principalmente da tíbia e da pinça; dedos bem mais
escuros, castanho denegridos. Quelíceras amarelo-ocre; dedos castanho-
-pardamentos com dentes denegridos.
Morfologia : Prossoma — borda frontal da placa prossomial com enta¬
lhe pouco profundo. Cômoro ocular anterior em relação ao centro da placa
prossomial. Olhos medianos separados por pouco mais que um diâmetro
ocular; três olhos lateriais. Cristas do prossoma (Vachon, 1952:50):
cristas oculares medianas, que formam o sulco interocular, bem acentua¬
das; cristas oculares laterais partindo da borda dorsal dos olhos laterais
e continuando em direção aos olhos medianos por uma distância menor
que a metade do intervalo entre os olhos laterais e olhos medianos; cristas
medianas posteriores delimitando aproximadamente um quadrado na
região póstero-mediana da placa prossomial. Graduação geral da placa
prossomial entre média a grosseira. Mesossoma: tergitos com granulação
semelhante à da placa prossomial, porém mais intensa na região posterior
de cada tergito. Crista axial presente e bem acentuada em todos os
tergitos. Tergito VII com granulação um pouco mais fina que a dos
demais e apresentando cinco cristas: uma axial, reduzida à metade, duas
medianas praticamente completas e pouco sinuosas e duas laterais, incom¬
pletas e ligeiramente curvas (as medianas e as laterais quase se encon¬
tram na região látero-anterior do tergito). Metassoma: segmentos I e II
com dez cristas, III e IV com oito cristas e segmento V com cinco cristas.
Cristas intermediárias do segmento II incompletas na região anterior;
cristas dorsais dos segmentos III e IV com grânulos mais desenvolvidos,
espiniformes, na região posterior, sendo dois grânulos de tamanho médio
nas cristas dorsais do segmento III e três grandes nas cristas dorsais do
quarto segmento. Tegumento entre as cristas com granulação média, a do
quinto segmento caudal menos acentuada. Télson: vesícula desprovida de
cristas laterais e com crista mediana ventral pouco acentuada; espinho
ventral do aguilhão bem desenvolvido, com dois grânulos dorsais. Pentes
com 22-23 dentes; lâmina intermediária basilar não dilatada. Pedipalpos :
fêmur com cinco cristas completas; tíbia com sete cristas completas, a
dorsal interna apresentando grânulos espiniformes dos quais o proximal
é 0 mais desenvolvido; pinça com nove cristas, quatro estendendo-se ao
longo do dedo fixo; gume do dedo móvel com 16-16 séries de grânulos;
ausência de lobo basilar. Quelíceras: dedos fixo e móvel com a dentição
normal dos Buthidae (Vachon, 1963). Tricobotriotaxia: as figuras 3 a 8
representam o número e a disposição das tricobótrias dos pedipalpos.
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LOURENÇO, W. R. & EICKSTEDT, V. R. D. von. A propósito na indicação de um neótipo para Tityus
eerrulatua Lutz e Mello, 1922 (Scorpiones; Buthidae). Mem. Inst, Butantan /^í/45:181-190, 1980/81.
Devem ser assinalados os seguintes aspectos; a) presença de cinco trico-
bótrias na base do fêmur, face interna, devido à migração para esta face da
tricobótria dorsal d 2 (Fig. 8) ; b) tricobótrias dt e dh distais em relação
a et (Fig. 3) ; c) tricobótrias et e em da face externa da tibia situadas do
mesmo lado em relação à crista externa (Fig. 6) ; d) tricobótrias dj, da e
d 4 da tíbia, face dorsal, situadas do mesmo lado em relação à crista
mediana dorsal (Fig. 5) ; e) as duas tricobótrias externas do fêmur, ei e
Oi são distais em relação a ds (Fig. 7) ; f) tricobótrias esh (dedo fixo),
Esh e Ehs (mão) e d-, (fêmur) pequenas, com cerda curta.
TABELA 1
Dimensões corporais do neótipo de Tityus serrulatus (em mm)
Comprimento total
67,0
Prcssoma — comprimento
6,9
Prossoma — largura anterior
4,7
Prossoma — largura posterior
7,6
Mesossoma — comprimento total
22,0
Metassoma — comprimento total
38,1
Segmento caudal I — comprimento
4,9
Segmento caudal I — largura
4,1
Segmento caudal II — comprimento
5,7
Segmento caudal II — largura
4,1
Segmento caudal III — comprimento
6,1
Segmento caudal III — largura
4,1
Segmento caudal IV — comprimento
6,6
Segmento caudal IV — largura
4,2
Segmento caudal V — comprimento
7,7
Segmento caudal V — largura
3,9
Segmento caudal V — altura
3,2
Télson — comprimento
7,1
Vesícula — comprimento
4,2
Vesícula — largura
2,6
Vesícula — altura
2,4
Aguilhão — comprimento
2,9
Pedipalpo — comprimento total
27,0
Fêmur — comprimento
6,9
Fêmur — largura
2,0
Tíbia — comprimento
7,4
Tíbia — largura
2,6
Pinça — comprimento
12,7
Pinça — largura
2,7
Pinça — altura
2,4
Dedo móvel — comprimento
8,4
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cm
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LOURENÇO, W. R. & EICKSTEDT. V. R. D. von. A propósito na indicação de um neotipo para Tityus
serrulatus Lutz e Mello, 1922 (Scorpiones; liuthidae). Mem. Inat. Butanían 44/45:181-190, 1980/81.
ANÁLISE DA VARIABILIDADE DE ALGUNS CARACTERES
MORFOLÓGICOS DE TITYUS SERRULATUS
A análise dos 51 exemplares topótipos estudados mostrou os seguintes
resultados:
1 . Número de dentes dos pentes (Tabelas 2 e 3).
TABELA 2
Variação do número de dentes dos pentes
n.° dentes
19 dp
20 dp
21 dp
22 dp
23 dp
24 dp
n
1
2
19
53
24
1
%
1,0
2,0
19,0
53,0
24,0
1,0
Ic
0,03
5,40
0,20
7,00
11,80
28,10
42,80
63,10
16,00
33,60
0,03
5,40
Os dados das Tabelas 2 e 3 mostram sobreposição entre os intervalos
de confiança obtidos para as diferentes porcentagens de freqüência, impe¬
dindo a determinação de um número-tipo e de uma fórmula global típica
para os dentes pectíneos. Embora esses valores típicos existam, sua
caracterização só será possível através da análise de uma amostra bem
superior à disponível.
2. Número de sénes de grânulos do gume do dedo móvel dos palpos:
n.° de séries n.“ de exemplares
13- 16 1
14- 16 1
15- 16 3
16- 15 3
16-16 41
16- 17 1
17- 16 1
3. Número de grânulos espiniformes sobre as cristas dorsais dos seg¬
mentos caudais III e IV:
segmento III
segmento IV
grânulos
exemplares
grânulos
exemplares
1-1
2
1-2
1
1-2
1
2-2
6
2-2
44
2-3
4
2-3
1
2-4
1
3-3
3
3-3
27
3-4
5
3-5
1
4-4
5
4-5
1
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TABELA 3 — Variação da fórmula global do número de dentes dos pentes
LOURENÇO, W. R. & EICKSTEDT, V. R, D. von. A propósito na indicação de um neótipo para Tityus
aerrulatua Lutz e Mello, 1922 (Scorpiones; Buthidae). Mem. Inst. Butantan ^4/^5:181-190, 1980/81.
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LOURENÇO, W. R. & EICKSTEUT, V. R. D. von. A propósito na indicação de um neótipo para Tityus
serrulatua Lutz e Mello, 1922 (Scorpionea; Buthidae). Mem. Inst. Butantan :181-190, 1980/81.
4. Número de cristas do segmento caudal III:
cristas exemplares
8 48
10 3
5. Número de olhos laterais:
olhos exemplares
0-3 1
2- 3 1
3- 3 49
DISCUSSÃO
Para o caráter número de dentes dos pentes foi encontrada uma
variabilidade de 19 a 24 dentes, sendo que o valor mais constante foi
22 para o número de dentes e 22-22 para a fórmula global. Isto coincide
com o que foi citado por Lutz e Mello (1922) na descrição original e por
Pessoa (1935), que encontrou 22 dentes pectíneos em 7 dos 23 exemplares
por ele estudados.
Quanto ao número de séries de grânulos do gume do dedo móvel dos
palpos o valor mais encontrado foi 16-16, obtido em 41 dos 51 exemplares
analisados. Lutz e Mello (1922) citam 14 séries e Pessoa (1935), 15 séries
como número mais constante para esse caráter. A divergência dos resul¬
tados deve ser decorrente da diferença das amostragens.
Com referência ao número de grânulos espiniformes dos segmentos
caudais III e IV os valores mais constantes obtidos foram 2-2 para o
segmento III e 3-3 para o segmento IV. Esses resultados são concordantes
com os de Pessoa (1935), que em seu estudo estatístico encontrou os
valores 2-2 e 3-3 para os segmentos III e IV em 21 dos 40 exemplares por
ele analisados.
Em populações de Tityus freqüentemente ocorre variação do número
de cristas do segmento caudal III. A variação do número de olhos laterais
é mais rara e decorrente de fenômenos teratológicos. Esses dois fatos já
haviam sido anteriormente constatados por um de nós (WRL) para
Tityus trivittatus fasciolatus (Lourenço, 1978) e são agora ratificados.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos a M. Gaillard e J. Rebière pela realização dos desenhos
e das fotos.
RESUMÉ: Un néotype est proposé pour Tityus serrulatiis Lutz
et Mello, 1922, scorpion décrit de Belo Horizonte dans TEtat de
Minas Gerais. Nos tentatives pour retrouver le type, à Torigine
déposc à rinstitut Ezcquiel Dias à Belo Horizonte, se sont averées
inutiles, ce qui nous amène à croire qu’il est définitivement perdu.
Le néotype proposé dans la presente note sera déposé dans la
collection de Tlnstitut Butantan à São Paulo; il présent tous les
critères requis par 1’article 75 du Code International de Nomen-
clature Zoologique.
UNITERMS: Tityus serrulatus Lutz et Mello, 1922; Buthidae; néotype.
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LOURENÇO, W. R. & EICKSTEDT, V. R. D. von. A propósito na indicação de um neótípo para Tityus
serrulatua Lutz e Mello, 1922 (Scorpiones; Butbidae). Mem. Inat. Butantan ^4/45:181-190, 1980/81.
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ramento, Universidade de Paris VI, 1978. 128 p., 55 pl.
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guaya. Mém. Soc. zool. France, ;2.9 (6) :539-556, 1932.
190
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Mem. Inat. Butantan
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PRODUTOS NATURAIS BIOLOGICAMENTE ATIVOS DE
ANIMAIS MARINHOS. COMUNICAÇÃO QUÍMICA E
ASPECTOS FARMACOLÓGICOS
José Carlos de FREITAS *
RESUMO: O autor faz uma revisão sobre biotoxinas de moluscos
gastrópodes e equinodermos, enfatizando novas estruturas de com¬
postos orgânicos isolados destes animais e ações farmacológicas.
A importância das biotoxinas nas comunidades foi ressaltada, bem
como as espécids investigadas que também ocorrem no litoral
brasileiro.
PALAVRAS-CHAVE: Biotoxinas marinhas (*), Moluscos gastró¬
podes (*), Equinodermos (*). Aspectos farmacológicos, Ecologia
química, Defesa química.
INTRODUÇÃO
Geralmente os invertebrados pequenos e de corpo mole, como espon¬
jas e tunicados de regiões coralígenas, apresentam hábitos crípticos e,
quando eventualmente expostos, servem de alimento para peixes preda¬
dores. Certas espécies, entretanto, de esponjas, holotúrias e moluscos
possuem biotoxinas que propiciam defesa química, retardando ou impe¬
dindo a predação, podendo, assim, tais espécies viver expostas a esses
peixes. A competição entre predadores, bem como a presença de bioto¬
xinas nas presas operando como mecanismos de defesa, criam pressões
seletivas que conduzem as espécies predadoras, em muitos casos, a
explorar novas fontes de energia e a adquirir hábitos alimentares mais
especializados (BAKUS, 1969, 1971; GREEN, 1977). De acordo
com BAKUS (1981), 73% de todos os invertebrados (4 filos
e 42 espécies examinadas), que vivem expostos na área de estudo no
Great Barrier Reef, na Austrália, foram tóxicos para peixes. Dentre
os invertebrados da criptofauna, apenas 25% revelaram-se tóxicos para
os peixes.
Os produtos bioativos de um organismo podem provir de fontes
exógenas, ou se originar endogenamente à custa de suas próprias vias
• Instituto de Biociências da USP & Centro de Biologia Marinha da USP.
191
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FKEITAS. J. C. Produtos naturais biologicamente ativos de animais marinhos. Comunicação química e
aspectos farmacológicos. Mem. Inst. Butantan, 1980/81.
metabólicas. Na defesa química, estes produtos podem agir de várias
maneiras: provocar irritação das membranas quimiorreceptoras de
órgãos sensoriais dos predadores (odores crípticos) ; conferir à presa
um sabor desagradável; afastar predadores, quando liberados na água
ou, ainda, podem ser injetados através de estruturas inoculadoras. Assim,
sob o aspecto ecológico, as biotoxinas são agentes que diminuem o
fluxo energético nas redes tróficas dos ecossistemas.
Os animais que serão abordados no presente artigo, pertencem aos
seguintes grupos: moluscos gastrópodes e equinodermes.
MOLUSCOS GASTRÓPODES
WHITTAKER (1960) relacionou as seguintes famílias de moluscos
gastrópodes que estavam sendo pesquisadas com referência à presença
de compostos bioativos: Muricidae, Thaididae, Buccinidae, Turbinelidae,
Littorinidae, Cerithiidae e Turritellidae. Nas quatro últimas famílias,
não se demonstrou a ocorrência de colinésteres, entretanto, a urocanil-
colina (I) (WHITTAKER, 1960) foi encontrada nas glândulas hipo-
branquiais dos seguintes muricídeos e taídideos: Murex trunculus; M.
brandaris; M. fulvescens, Urosalpinx cinereus e Thais lapülus; a sene-
cioilcolina (II) (ERSPAMER e BENNATI, 1953) foi registrada em
Thais floridana e a acrililcolina (III) (WHITTAKER, 1960) no buc-
cinídeo, Buccinum undatum.
Os gastrópodes das famílias Muricidae e Thaididae perfuram estru¬
turas calcárias, carapaça de bivalves e cracas, para atingirem as partes
moles do corpo de suas presas. A secreção de Murex é inicialmente
incolor ou amarelo-pálido, contendo, além disso, um cromogênio fotolábil,
que se torna violeta brilhante quando exposto à luz solar. Esse cromo¬
gênio é produzido por células da região mediana da glâdula hipobran-
quial, a qual também secreta muco e colinésteres. A secreção tem um
odor desagi'adável devido ao seu conteúdo em mercaptanas, provavel¬
mente liberadas no decurso da produção do cromogênio (GARDINER,
1972). Segundo este autor, as substâncias complexas secretadas pela
glândula hipobranquial possuem ação relaxante, quando atingem o inte¬
rior da carapaça de suas presas. Este fato concorda com as observações
de que a murexina (= urocanilcolina) é capaz de paralisar a musculatura
esquelética, tanto de vertebrados como de invertebrados e que o bloqueio
neuromuscular é devido à ação despolarizante na região da placa motora
terminal -(ERSPAMER & GLASSER, 1967; QUILLIAM, 1957, KEYL &
WHITTAKER, 1958).
Entre os Taidídeos, na espécie Thais haemastoma, foi encontrado
um novo colinéster, a dihidromurexina (Imidazole-propionilcolina) (IV)
(ROSEGHINI, 1971). Mais tarde, ROSEGHINI & FICHMANN (1973)
trabalhando com Thais haemastoma, da costa brasileira, e Thais haemas¬
toma floridana, das costa do Lacio, Itália, encontraram, predominante¬
mente, di-hidromurexina e senecioilcolina, além de pequena quantidade
de urocanilcolina, que, ocasionalmente, pode estar ausente.
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aspectos farmacológicos. Mem. Inst. Butantan, 4^/^5:191-211, 1980/81.
CH,
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O
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3 I @ o
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aspectos farmacológicos. Mcm. Inst. Butantan, 4^/45:191-211, 1980/81.
As reações de fuga do molusco Melagraphia aethiops na presença
do taidídeo Haustrum haustorum são devidos à urocanilcolina, que se
origina na glândula hipobranquial do predador (LAURENSON, 1970).
Neste caso, a substância comporta-se como um cairomônio, conferindo
vantagem para a presa.
A glândula hipobranquial não possui órgão inoculador e seus pro¬
dutos são lançados na água circundante. Como os animais portadores
desta glândula são carnívoros predadores, capazes de perfurar e abrir
carapaças de bivalves e cracas, GUNTER (1968) suspeita que as presas
sejam envenenadas pela injeção de um fluido proveniente da glândula
salivar. ENDEAN (1972) encontrou tetramina (V) nas glândulas sali¬
vares de algumas espécies de Buccinidae e Cymatiidae. HUANG e MIR
(1972), trabalhando com glândulas salivares de Thais haemastoma, regis¬
traram uma substância tóxica para camundongos (LD 50 = 43 mg/Kg),
a qual tinha uma ação depressora no sistema nervoso central destes
animais, uma forte ação hipotensora em gatos e era capaz de induzir
intensa contração do íleo de cobaia e duodeno de coelho, não sendo
antagonizada pela atropina ou hexametônio. Entretanto, desconhecem-se
ainda as ações dessa substância sobre as presas destes moluscos car¬
nívoros.
Dentre as presas dos moluscos gastrópodes destacam-se os equi-
noides, sendo que alguns grandes predadores pertencem ao gênero
Cassis (SCHROEDES, 1962). CORNMAN (1963) demonstrou que
materiais tóxicos da saliva de Cassis tuherosa são capazes de imobilizar
os órgãos superficiais do ouriço Diadema antillarum, diminuindo, por
exemplo, a mobilidade e a eficiência de seus espinhos; o princípio ativo
é produzido em pares de grandes glândulas salivares, mas a natureza
química do princípio ativo é ainda desconhecida. A espécie Plialium
granulatum, da mesma família (Cassidae), do litoral de São Paulo, é
capaz de predar ouriços Lytechinus variegatus, Echinometra lucunter e
Arbacia Uxula, segundo observações em aquários. O predador, ao per¬
ceber a presença do ouriço, desloca-se em sua direção, libera um fluido
leitoso que induz resposta de fuga, que todavia, não impede que ele
alcance a presa e a devore. P. granulatum é capaz de atingir os órgãos
internos do ouriço utilizando sua probóscide, que perfura 0 perístoma ou
a carapaça (Fig. 1). As possíveis biotoxinas presentes em P. granulatum
serão objeto de pesquisas futuras.
A família Conidae também possui representantes na costa brasi¬
leira; entretanto, as nossas espécies habitam o sublitoral, distribuindo-se
entre os 25 m e 165 m e têm sido coletadas somente por di’agagens (RIOS,
1975). Quase tudo que se conhece sobre o comportamento predatório
desta família de gastrópodes peçonhentos provém de estudo de espécies
dos recifes de corais da região Indo-Pacífica, onde são abundantes.
(KÕHN et al, 1960). KõHN (1959) assinalou que os conídeos são pre¬
dadores de poliquetos, moluscos ou peixes e que a peçonha de algumas
espécies piscívoras ocasionalmente pode atingir o homem. O aparelho
glandular consiste de um bulbo muscular, 0 qual armazena a peçonha
secretada pelo longo duto peçonhento; a estrutura inoculadora consiste
de um saco radular, contendo dentes em arpão, sendo que chegam atingir
um comprimento de até 10,8mm, podendo variar na forma e no tamanho.
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aspectos farmacológicos. Mem. Inst. Dutantan, 4^/45:191-211, 1980/81.
Fig. 1 — Carapaça de Lytechimia variegatus perfurada por Phalium granulatum. Escala = 1 cm.
dependendo da espécie. A contração da espessa musculatura do bulbo
muscular resulta na expulsão da peçonha através do lúmen do duto
peçonhento em direção à faringe. Daí passa para uma abertura na
base de um dente radular oco, enchendo-o. Esse dente é deslocado para
a pré-faringe no momento do ataque à presa. Uma abertura próxima
à extremidade ponteaguda do dente permite a injeção da peçonha no
corpo da presa, à maneira de uma agulha hipodérmica. Dentes radu-
lares adicionais são produzidos e armazenados no saco radular. A
principal ação da peçonha dá-se no sistema neuromuscular, embora os
autores não excluam a possibilidade de que exista uma ação no sistema
nervoso central; ela contém compostos de amónio quaternário (N-metil-
peridina, gama-butirobetaína, homarina) e derivados indóies (KÕHN
et al., 1960).
Um outro gastrópode, Babylonia japonica, é portador da suruga-
toxina (VI). A biotoxina recebeu este nome por ter ocorrido o primeiro
registro de intoxicação humana na baía de Suruga (Japão). O isola¬
mento e a determinação estrutural da substância devem-se a Kosuge
et al (1972) ; trata-se de uma molécula singular por reunir as estruturas
de um indol, uma pteridina e um mioinositol (HABERMEHL, 1976).
Farmacologicamente, é dotada de uma potente ação bloqueadora gan¬
glionar, cerca de 12 vezes maior que a do cloreto de tetraetilamonio
(FUHRMAN, 1980).
Um interessante aspecto da comunicação química entre algas ver¬
melhas incrustantes e larvas do molusco “abalone” (Haliotis nifescens)
foi estudado por MORSE et al. (1979). As larvas livre-natantes exibem
um comportamento de ocupação do substrato em resposta à presença
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aspectos farmacológicos. Mem. Inat. Butantan, ííA5:191-211, 1980/81.
de algas rodofíceas incrustantes. Os autores concluíram que o ácido
aminobutírico (GABA) (VII), um neurotransmissor encontrado em
muitos animais, é um potente indutor de recrutamento e metamorfose
das larvas do molusco. GABA é encontrado em altas concentrações nos
extratos das algas vermelhas de recifes de corais juntamente com o
pigmento ficoeritrobilina (composto tetrapirrólico linear) (VIII) e seu
derivado protéico ficoeritrina. Estes pigmentos contêm nos anéis,
imino-cíclicos análogos do GABA, e são também potentes indutores de
recrutamento. L-glutamato (IX), mesmo em altas concentrações foi
fracamente ativo no que se refere a esse recrutamento das larvas do
H. 1'ufescens.
CK
CHr
NH,
3zn:
CH,
N"
N'
'N
'N
CH—COOH
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m
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aspectos farmacológicos. Mem. Inst. Butantan, :191-211, 1980/81.
No grupo dos gustrópodes opistobrânquios encontram-se glândulas
epidérmicas ou subepidérmicas, unicelulares ou pluricelulares, que secre-
tam muco abundante ou fluidos ácidos, sendo rejeitados pela maioria
dos peixes (THOMPSON, 1960). Nos opistobrânquios nudibrânquios
sacoglossos (doridáceos e eolidáceos), as glândulas defensivas estão
situadas nas papilas dorsais que podem sofrer autotomia. Em espécies,
como por exemplo, Discodoris sp., muitas glândulas defensivas estão
situadas na borda do manto e podem liberar fragmentos por autotomia.
Estes animais são em geral aposemáticos, sendo as cores crípticas para
alguns substratos (ROS, 1976).
Eolidáceos e alguns dendronotáceos nutrem-se de cnidários, acumu¬
lando os nematocistos de suas presas, em cnido-sacos das papilas dorsais
(= ceratas), os quais recebem o nome de cleptocnidas. Parece que o
muco, produzido naquelas glândulas do manto impede o disparo dos
nematocistos, como no caso do peixe-palhaço, Amphipríon sp, e de outros
comensais de anémonas que passam incólumes tocando os tentáculos de
seu hospedeiro (ROS, 1976). Os cnido-sacos libertam os nematocistos
através dos poros das referidas papilas dorsais por pressões mecânicas
das musculatura circular ou por lesão provocada por predadores. No
caso do gastrópode planctônico Janthina sp, que preda o hidrozoário
Velella sp, a secreção púrpura da glândula hipobranquial parece impedir
a descarga dos nematocistos (GARDINER, 1972). Nesse molusco, bem
como no opistobrânquio planctônico Glaucus atlanticus, que foi observado
predando Physalia sp (“caravela”) (Fig. 2), no litoral de São Paulo,
os nematocistos também são transportados para os cnido-sacos e passam
a ser utilizados para defesa, existindo registros de que podem afetar o
homem (THOMPSON & BENNETT, 1969, 1970).
O nudibrânquio doridáceo Phyllidia varicosa secreta um muco odo¬
rífero, tóxico para outros animais marinhos, cuja substância ativa é um
sesquiterpenóide isocianeto (9-isocianopupuqueanano), (X) que também
foi isolado da esponja Hymeniacidon sp, da qual este molusco se alimenta
(BURRESON et al. 1975).
Extratos aquosos totais de nudibrânquios doridáceos {Anisodores
nobilis e Doriopsilla alhopunctata ou das suas glândulas digestivas exci-
sadas, foram letais quando injetados em caranguejos ou em camundongos
(intraperitonialmente) e induziram bradicardia e hipotensão em camun¬
dongos e ratos. Em corações isolados de cobaias mostraram ações ino-
trópicas e cronotrópicas negativas (FUHRMANN et al. 1979).
Ainda, de acordo com FUHRMANN (1980), a substância responsá¬
vel por estas ações farmacológicas, a doridosina (XI), foi isolada tam¬
bém da esponja Tedania sp pelo grupo de Pesquisas Roche, que lhe atri¬
buíram, ainda, propriedades mio-relaxantes, antiinflamatórias e anti-
alérgicas.
Investigações com o opistobrânquio Peltodoris atrorrmculata e sua
presa, a esponja Petrosia ficiformis, resultaram no isolamento de vários
compostos acetilênicos de alto peso molecular (R — C = H) e estes
metabólitos secundários constituem uma boa ferramenta para análise
das interações presa-predador (CIMINO et al. 1980).
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FKEITAS, J. C. Produtos naturais biologicamente ativos Je animais marinhos. Comunicação Química e
aspectos farmacológicos. Mcm. Inst. Butantan, ^4/^5:191-211, 1980/81.
, -
" -A.
F'ig. 2 — Piiyaalia sp e seu predador, o molusco planctônico CdaucuH atlanticun. ílscala =r 2 cm.
O isoguanosídeo (XII), conhecido na natureza somente de uma
espécie vegetal (“croton bean”), foi recentemente isolado de um animal
marinho, o nudibrânquio do Oceano Pacífico, Diaidiila sandieguensis
(FUHRMANN et al. 1981). Nos mamíferos, esta substância provoca
bradicardia, hipotensão e relaxamento da musculatura lisa. Os autores
não detectaram o isoguanosídeo na esponja, Haliclona perviollis, que é
predada pelo nodibrânquio.
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aspectos farmacológicos. Mem. Inst. Butantan, ^4/-45:191-211, 1980/81.
N.
R =
Stylocheilus longicauda, um opistobrânquio que também é encontrado
na costa brasileira, adquire a debromoaplisiatoxina (XIII) das algas
azuis de que se alimenta. A substância possui atividade antileucêmica
em camundongos e dermonecrótica (MYNDERSE et al. 1977).
Um outro opistobrânquio, Bulia striata, dotado de concha relativa¬
mente bem desenvolvida e que pode ser encontrado em praias lodosas no
litoral de São Paulo, libera uma secreção que escurece a água em sua
proximidade (TCHANG-SI, 1931). Não se sabe se esta secreção provoca
mascaramento visual ou funciona como desorientador olfativo (“odor
criptico”).
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aspectos farmacológicos. Mem. Inst. Dutantan, .44/-í5í191-211, 1980/81.
.b
d
f
Fig. 3 — Exemplar jovem de Aplyaia brasiliana — a) tentáculos orais; b) rinóforos: c) parapódios:
d) manto envolvendo a concha; e) glândula digestiva da massa visceral, vista por transpa¬
rência; f) pé.
Em relação aos opistobrânquios da família Aplysiidae, o autor fez
uma revisão da literatura sobre defesa química e realizou estudos a
respeito das glândulas defensivas de Aplysia brasiliana (FREITAS, 1977,
1980), espécie freqüente no litoral brasileiro (Fig. 3). SCHMITZ
(1980) apresentou uma comunicação no III Simpósio Internacional sobre
Produtos Naturais Marinhos, realizado em Bruxelas (Bélgica), enfati¬
zando que Aplysia dactylomela acumula um terpeno bromado originário
das algas de que se alimenta, o dactiline (XIV), que é capaz de poten¬
cializar os efeitos do pentobarbital nos camundongos, por inibição do
metabolismo da droga. Dentre os membros desta família, Aplysia cali-
fornica tem sido a espécie mais estudada do ponto de vista da ecologia
química e do comportamento defensivo (FLURY, 1915; WINKLER, 1961;
WINKLER et al. 1962; WINKLER e TILTON, 1962; WINKLER, 1969;
STALLARD & FAULKNER, 1974), seu sistema nervoso possui neurô¬
nios gigantes que constituem excelentes ferramentas para o estudo analí¬
tico da neurofisiologia a nível celular, pois tais cédulas são identificáveis
nos mapeamentos ganglionares publicados por KANDEL (1976). Assim, ■
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aspectos farmacológicos. Mem. Inst. Butantan, íí/í5:191-211, 1980/81.
0 gânglio abdominal de Aplysia vem sendo considerado como um sistema
experimental para a investigação do papel de peptideos como mensageiros
quimicos no sistema nervoso (BROWNELL & MAYERI, 1979).
xm
Da glândula digestiva e intestino de Notarchus leachi (= Bursatella
leachi), ELSWORTH (1980), isolou a notartoxina, que possui um LD 50
de ordem de 4 ng por camundongo.
EQUINODERMES
Dentre os invertebrados deuterostômios, os equinodermes consti¬
tuem o maior grupo, com aproximadamente 6.000 espécies englobando
cinco classes com vários representantes registrados na literatura como
venenosos ou peçonhentos (RUSSELL, 1965).
A espécie Ophiocomina nigra, representante da classe Ophiuroidea,
possui grande quantidade de glândulas pluricelulares na superfície aboral e
lateral do corpo, que secretam mucopolissacarídeos ácidos, cujo pH se
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aspectos farmacológicos. Mem. Inat. Butantan, 4^/.45:191“211, 1980/81.
aproxima de 1,0, servindo como defensivo para peixes e outros animais
marinhos predadores (FONTAINE, 1964).
Na classe Asteroidea, os estudos de HASHIMOTO & YASUMOTO
(1960) com a espécie Asterína pectinifera levaram à descoberta de uma
substância solúvel em água e em álcool diluído e insolúvel em benzeno,
clorofórmio e éter, que apresentou reações positivas para esteróis e
açúcares. Através de análises cromatográficas os autores concluíram
que a substância é uma saponina. Segundo MACKIE et al. (1977), os
equinodermes são os únicos dentre os animais marinhos que apresentam
saponinas esteroídicas tóxicas, conhecidas como asterosaponinas e holo-
turinas, assim denominadas, porque estão presentes em grandes quanti¬
dades em asteróides e holoturóides, respectivamente. As asterosapo¬
ninas são triterpenos característicamente derivados da ciclização de
múltiplas subunidades de isopreno. Incluídos neste grupo de substân¬
cias estão o colesterol e seus derivados, além dos glicosídeos cardio-
tônicos de origem vegetal. As atividades biológicas destes compostos
são as mais diversas e eles são freqüentemente ativos em concentrações
muito baixas. As saponinas representam um derivado terpênico que é
caracterizado pela posse de uma cadeia linear de monossacarídeos na
posição C-3 do esqueleto esteroídico típico (XV). Este pormenor pro¬
picia um alto grau de solubilidade na água, servindo para o bom desem¬
penho de seu papel biológico no ambiente aquático marinho. O estágio
inicial para a identificação de uma saponina se resume na quebra da
ligação glicosídica e análises por métodos convencionais de cromato-
grafia (PATTERSON et al. 1978).
O conteúdo em asterosaponinas dos pés ambulacrários de certas
estrelas do mar (Asterias ritbens e Marthasterias alacialis) induz res¬
postas de fuga em suas presas (MACKIE et al. 1968) e este mesmo
comportamento foi observado no molusco Malagraphia aetiops, na pre¬
sença da estrela do mar predadora Coscinastei^ias calamarís (LAUREN-
SON, 1970). Agentes tensioativos sintéticos são capazes de induzir
respostas de escape em animais que naturalmente respondem às sapo¬
ninas de Marthasterias glacialis, indicando que a atividade surfactante
das saponinas constitui o fator importante na estimulação (MACKIE
et al. 1968; MACKIE, 1970; 1975).
O quimiotactismo responsável pela associação do poliqueto Arctonoé
fragilis com a estrela do mar hospedeira, Evasterias troschelU depende
do conteúdo em asterosaponinas, as quais impedem que a outra espécie
aparentada, Arctonoé pulchra se associe àquela estrela. Este último
poliqueto mori-e quando permanece por mais de 150 minutos exposto às
saponinas (PATTERSON et al, op. cit).
Quanto às atividades farmacológicas, as asterosaponinas causam
bloqueio irreversível da junção neuromuscular em preparações freno-
-diagragmáticas (FRIESS, 1972). As saponinas de Marthasterias gla¬
cialis são ictiotóxicas, além de hemolíticas para mamíferos e peixes
(MACKIE et al. 1975). Extratos crus de Asterias forbesi, Acanthaster
planei e Asterina pectinifera são antivirais no caso de influenza das
aves (vírus B) (RÚGGIERI, 1976) e a atividade citotóxica foi recente¬
mente estudada sobre zigotos do ouriço do mar (ANISIMOV et al. 1980).
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Novas asterosaponinas foram isoladas de Astropecten aurantiacus e
M. glacialis por SIMONE et al. (1979) ; Lynckia guildingi, KAPUSTINA
et al. (1978), e de Echinaster sepositus, por SIMONE et al. (1980). De
acordo com RICCIO et al. 1980, esta última espécie possui um arranjo
cem ser característicos do gênero Echinaster, tendo sido também isolado
molecular único, ou seja, glicosídeos cíclicos esteroídicos, os quais pare-
da espécie Echinaster lozonicus.
O sulfato de colesterol está presente a uma concentração de 1,3 mg/g
de tecido seco de Asterias rubens (BJORKMAN et al. 1972). Mais tarde
verificou-se que este composto também estava presente em todas as outras
classes dos equinodermes (GOAD, 1976).
Vários fosfágenos já foram isolados de asteróides (THOAI & RO-
CHE, 1960) e a homarina (ácido N-metil-picolínico), foi detectada em
asteróides, holoturóides e em certos equinóides por HOPPE-SEYLER
(1933).
Focalizando os equinodermes da classe Holothuróidea, FREY (1951)
registrou que os habitantes da costa Pacífica empregavam sucos de pepi-
nos-do-mar para envenenar peixes nas poças de marés dos recifes de corais.
CHANLEY et al. (1959), investigando a espécie Actinopyga agassizi, iso¬
laram a saponina esteroídica, holoturina, que por hidrólise forneceu os
seguintes açúcares: D-glicose, D-xilose, quinovose e 3-0-metil-glicose.
Posteriormente, a holoturina B foi isolada de Holothuria vagabunda e
H. lúbrica por YASUMOTO et al. (1967), que obtiveram por hidrólise
apenas D-quinovose e D-xilose. Os aglicones esteróidicos (XVI) foram
designados holoturinogeninas por CHANLEY et al. (1966). As holoturi-
nas são tóxicas para peixes e alguns invertebrados em doses inferiores a
2ppm, provocam hemólise e têm ação antitumoral (NIGRELLI & JA-
KOWSKA, 1960) ; induzem anormalidades no desenvolvimento de zigotos
do ouriço do mar (NIGRELLI & JAKOWSKA, 1961; RUGGIERI, 1965;
ANISIMOV et al. 1972, 1973, 1974 e 1980). Estes glicosídeos possuem
uma ação citotóxica 2-3 vezes superior à da teasaponina (XVII), extraída
da planta Thea sinensis L., 10 vezes superior à da asterosaponina-L, isolada
da estrela do mar Lynckia guildingi e 20-30 vezes superior à do caulosídeo
extraído da planta Caulophyllum robustum. A atividade citotóxica destas
substâncias está na dependência do número de unidades monossacarídicas
ligadas ao grupo hidroxila do Cs; holoturina A possui quatro unidades
monossacarídicas, enquanto que a holoturina B, somente duas, decrescendo
assim a atividade citotóxica desta última substância (ANISIMOV et al.
1980). Isostichopus badionotus, que ocorre também no litoral de São
Paulo, é portador de outro glicosídeo esteroídico (XVIII) (ELYAKOV
et al. 1980).
Quanto mais tropical for a localidade estudada, maior a probabilidade
dos holoturóides serem tóxicos para peixes; como os pepinos-do-mar se
deslocam vagarosamente, o desenvolvimento de mecanismos de defesa quí¬
mica nos trópicos, é vantajoso, uma vez que seus predadores potenciais
são animais relativamente rápidos (BAKUS, 1974). Dependendo da espé¬
cie, a biotoxina pode estar presente na parede do corpo, parede do corpo
e vísceras, ou na parede do corpo, vísceras e tubos de Cuvier. BAKUS
{op. cit.) atribuiu a Tursch (dados não-publicados) a informação de que
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aspectos farmacológicos. Mem. Inst. Butantan, 1980/81.
em alguns casos dois tipos de holoturinas podem ocorrer num mesmo
holoturóide. Os túbulos de Cuvier estão presentes somente em algumas
espécies e se originam de um ramo comum da árvore respiratória. Quando
atacados os holoturóides lançam os túbulos através do ânus, por pressão
hidrostática da cavidade perivisceral, os quais se espalham sobre o
predador.
Recentemente novas holoturinas vêm sendo isoladas e sua atividade
citotóxica está sendo testada em zigotos do ouriço do mar (GARNEAU
et al. 1980). São conhecidos métodos de síntese destas substâncias, a partir
do lanosterol (HABERMEHL et al. 1980).
Os ouriços-do-mar, pertencentes ao grupo dos equinóides regulares,
apresentam uma carapaça globosa de calcita, na qual se articulam espinhos
e pequenas estruturas em forma de pinça denominadas pedicelárias. Os
espinhos das espécies da família Diadematidae podem exceder 30 cm de
comprimento e são dotados de um canal contendo uma biotoxina que pode
ser liberada por ruptura durante a penetração no tegumento de outro
animais, descarregando assim, seu conteúdo na lesão (RUSSEL, 1971).
As espécies, Echinotrix calamaris e E. diadema, possuem substâncias que
aumentam a pressão arterial em gatos e o fracionamento por cromato-
grafia evidenciou a noradrenalina e um fator não dialisável que excita a
musculatura lisa e produz dor intensa (ALENDER, 1967). Em Astheno-
soma variíim, os espinhos menores portam terminalmente glândulas de
veneno, que descarregam seu conteúdo nas lesões por eles provocadas
(RUSSEL, ov. cit.).
As pedicelárias estão distribuídas na superfície corpórea, por entre
os espinhos em equinóides e também nos asteróides. De acordo com von
Uexkull (1899), as pedicelárias globíferas isoladas de Sphaerechinus
gramdaris, quando intactas, ao picarem reflexamente uma preparação de
nervo ciático de rã, impedem a condução de impulsos. O autor demonstrou,
também que o extrato de uma única pedicelária é capaz de provocar a
parada do coração da rã. O simples manuseio de espécies do Indo-Pacífico
(Toxopnetiste.'? sp e Asthenosoma sp) provocam tonturas e paralisias
musculares (SOUTHCOTT, 1970).
LÉVY (1925) investigou os efeitos hemolíticos dos homogeneizados
de pedicelárias de Echinus esctãentus e Paracentrotus lividus, concluindo
que a ação hemolítica é análoga àquela exercida pelas peçonhas de abelhas,
serpentes, lacraias ou escorpiões. Extratos de pedicelárias globíferas de
Toxopneustes püeolus, injetados em camundongos, induzem dificuldades
respiratórias e mudanças na temperatura corpórea (FUJIWARA, 1935).
Entre nós, MENDES et al. (1963) trabalharam com homogeneizados de
pedicelárias globíferas de Lytechinus variegatus e detectaram uma intensa
atividade colinérgica, sendo que o material ativo foi dialisável, parcial¬
mente inativado pelo calor e totalmente por hidrólise alcalina (NaOH
0,25N). Posteriormente ALTIMARI (1969) investigou os extratos de
glândulas situadas no pedúnculo e nas valvas das pedicelárias de L. varie¬
gatus, obtendo uma ação colinérgica mais intensa para as glândulas
valvares, concordando assim com os i-esultados de PÉRÊS (1950) que
trabalhou com extratos aquosos de pedicelárias da espécie Sphaerechinus
granularis.
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FREITAS, J. C. Produtos naturais biologicamente ativos de animais marinhos. Comunicação química e
aspectos farmacológicos. Mem. Inst. Butantan, .4^/^5:191-211, 1980/81.
OKADA et al. (1950) verificou que corações de ostras submetidos à
picadas de pedicelárias globíferas de Toxopneustes pileolus, apresenta¬
ram um aumento inicial do tônus seguido de bloqueio dos batimentos
cardíacos. Trata-se de um interessante registro no campo da farmacologia
comparativa.
CONCLUSÕES
As investigações sobre biotoxinas de organismos marinhos, levam à
elucidação de novas estruturas químicas de metabólitos, tem o interesse
prático na indústria farmacêutica e medicina e vem trazendo grandes
contribuições para o melhor entendimento da estrutura e função dos
organismos nas comunidades. Neste contexto, BAKUS (1981) indicou
novas questões a serem solucionadas em pesquisas futuras, a saber: como
certos invertebrados predadores (gastrópodes, p. ex.) podem consumir
animais altamente tóxicos (esponjas, gorgõnias, holotúrias etc.), sem
sofrerem perturbações aparentes? Qual o possível papel das biotoxinas
no impedimento da fixação de larvas sobre invertebrados sésseis? Qual
o papel destes produtos no controle da estrutura da comunidade? Acredito
que as pistas para a solução destas questões poderão ser encontradas com
0 trabalho conjunto de biólogos e químicos, como publicou BARBIER
(1981)... “direct field interaction between marine chemists and natu-
ralists or biologists who study marine phenomena is an absolute neces-
sity”.
Neste trabalho, tratou-se apenas de equinodermes e moluscos gastró¬
podes e, como visto, dentre as espécies pesquisadas com sucesso, algumas
também ocorrem no litoral brasileiro. Entretanto, naquelas espécias cujas
biotoxinas são obtidas através da dieta, os produtos detectados em outras
populações podem diferir segundo a região geográfica ou até estar ausen¬
tes. A observação dos organismos na natureza, ou mesmo, em condições
de aquário podem levar a novos e interessantes problemas para serem
investigados no campo da ecologia química.
ABSTRACT: The author reviews the pharmacological and ecolo-
gical aspects of organic compounds obtained from marine mollusc
gastropods and echinoderms. A number of new structures of organic
compounds are described with emphasis on those from species
occurring in the Brazilian coast. Their importance are discussed
in terms of community.
KEYWORDS: Marine biotoxins *, Gastropd molluscs *, Echino¬
derms * Farmacological aspects, Chemical ecology, Chemical defense.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Raymond Zelnik pelo convite para participação no Seminário
de Produtos Naturais em comemoração ao 80.° Aniversário do Instituto
Butantan e pela tarefa de revisão, ao Dr. E.G. Mendes, igualmente pela
revisão crítica.
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FREITAS, J. C. Produtos naturais biolopricamente ativos de animais marinhos. Comunicação química e
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U/-^5:21Z-21B, 1980/81
ACUTE NECROTIC MYELOPATIA AFTER SPIDER RITE
Paulo E. MARCHIORI *
Milberto SCAFF *
José Paulo S. NÓBREGA *
Sérgio ROSENBERG*
José Lamartine de ASSIS *
ABSTRACT: A case of a 56 year-old patient bited by a spider,
species Loxosceles, who developed a local bubbly lesion and after
six days an ascendent necrotizing myelitis which progressed towards
a rapid lethal exit. The authors emphasize the difficulties in esta-
blishing the aetiological diagnosis in the myelitis group of unde-
termined causes and report this present paper trying to relate the
venomous accident and the spinal lesion. The mechanisms that
could be responsible in the genesis of the spinal lesion and the
behaviour of the antigenic complex of the toxine are discussed.
KEYWORDS; Acute myelitis — Spider bite.
INTRODUCTION
Necrotizing myelopathies are characterized by an acute
aggression to the spinal cord with extensive necrosis and minimum
signs of inflammation (Kissel, P., Schmitt, J. 1972). They are the
expression of the action of many aetiopathogenic agents as well as
different physiopathological mechanisms. There is a group of unknown
causes and some are related to previous venomous accidents.
In Arachnidae accidents a neurological onset is rare but, depending
on the species, an immediate onset, a temporary one, or a severe onset
may occur, due to the toxine itself or to secondary systemic aggressions.
(Chok et al., 1979, Dillaha et al, 1964, Gajardo-Tobar, 1966, Jacobs,
1969, Matthews et al, 1973, Pitts, 1962).
The scarcity of necrotizing myelopathy cases associated with
venomous accidents, the difficulties in establishing an clinicopathologic
correlation and the possible aetiopathogenic mechanisms justify this
communication.
Division of Neurology Department of Neuropsychiatry University of São Paulo, School of Medicine,
Brazil — P.O. Box 3461 — São Paulo, S.P. — Brazil.
213
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MARCmORI. P. E.; SCAFF, M.; NÓBREGA, J. P. S.; ROSENP.ERG, S. & ASSIS, J. L. Acute necrotic
myciopatia after spider bite. Aícm. Inst. JJutanian, ^/í/^5:213“218, 1080/81.
CASE REPORT
A 56 year-old negro man, Brazilian, married, farmer, coming from
a region in the hinterland of the São Paulo State, was examined on the
24th of December, 1979, reporting that three days ago, he had been
bited by a spider on the left buttock. Soon after, he started to feel a
general physical indisposition, shivering fits and local pain from the
bite. Two days before being hospitalized he felt strong headache, nausea
and vomiting. One day before, he felt feeble an his left lower limb ached,
and in the same day the right leg was also involved. The patient was
examined at the Butantan Institute (São Paulo), where by the
characteristics of the lesion, the bite was diagnosed as due to Loxosceles
spider.
Patient in a regular general state, with a mild dyspnea, not icteric
or cyanotic. Blood pressure 90 x 50 mm hg., pulse of 72 beats/min.;
axillar temperature 37.2°C. There was a circular lesion of the skin and
the subcutaneous sue of the left buttock with a diameter of appro-
ximately 2.0cm., with phlogistic signs and a meliceride crust. The
pulmonary examination showed a slight inferior drawing with médium
subcrepitant stertorous breathing in the lower left lung. The cardio¬
vascular apparatus had rythmical noises and normophonetic heart
sounds. The abdômen was normal. The patient lead a delay bladder
catheter. The patient was anxious with contact difficulties due to the
dyspnea. Applying the extension of superior members procedure these
upper limbs fell globally and rapidly reflexes absent in the lower limbs,
present and symetrical in the upper limbs. Hypotonia in the lower
limbs. The superficial abdominal reflexes, the cremasteric and the
plantar reflexes were absent. Superficial anesthesia of the great toes.
Rigidity of the neck. Urinary retention. The cranial nerves were normal.
The hematological examination disclosed a normochromic anemia and
leukocytosis of 15,000/mm®. The other routine laboratory investigations
were normal. The results of the cerebrospinal fluid examination are
shown in table I. Normal descendent iodized oil perimyelographya.
Evolution: The neurological form, first represented by a crural
paraparesis with a sensory syndrome, which pointed to damage at the
lombosacral segment, developed rapidly with a severe flaccid paralysis
of the lower limbs. The motor manifestations assumed an ascending
character, which attained moderately the upper limbs, but the sensory
disorders reached the fourth thoracic levei, and consisted of thermical,
tactile and painful anesthesia and loss of position sense in the great toes.
Death occurred on the third day after the onset of the spinal involvement.
The general pathological aspect showed a bilateral pneumonia and
an acute splenitis. The brain weighed l,400g. The externai examination
of the brain and the verticofrontal cuts showed no abnormality. The
spinal cord was completely softened from the third cervical to the first
sacral segment. The meninges and the blood vessels showed no
modifications.
The only microscopic modifications were in the spinal cord, both in
the white and in the gray matter, being more marked in the thoracic
and high lumbar leveis. At these points, the spinal cord was entirely
necrotized, formed by tissue debris. In these, the only type of cells
214
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
SciELO
10 11 12 13 14 15
MARCHIORI, P. E.; SCAFF, M.; NÓBREGA, J. P, S.; ROSENBERG, S. & ASSIS. J. L. Acute necrotic
myelopatia aftor spider bite. Aíem. Inst. Butantan, 4-4/^5:213-218, 1980/81.
recognizable were polymorphonuclear leukocytes. Inwardly or amidst
the tissue debris most of the blood vessels showed fibrinoid necrosis.
In the seginents where the necrosis was milder, the spinal parenchyma
was feeble, spongelike, areolated, being impossible to differenciate
between the gray and the white matter. Focal collections of polymor¬
phonuclear leukocytes were scattered randomly on the tissue, mostly on
the perivascular areas. The little nuclei still visible did not allow any
cell Identification. Exceptionally neuronals ghosts were present (figure 1).
A ring like nervous tissue, better structured, was visible in the spinal
periphery, near to the piameter.
Fig. 1 — Microscopic aspect in the spinal cord: necrotized areas and polymorphonuclear leukocytes are
seen: the cells are mostly on the perivascular region. Hematoxylin and eosin stain. A=X
78 B=X 200.
In the upper cervical and the low sacral segments, the appearance
was practically normal, with the presence of some rare euff of limpho-
cyte cells surrounding the intraparenchymatous vessels.
The whole of the spinal cord, the meninges and the nervous roots
had no histological alterations, with the exception of some rare and
discrete lymphatic perivascular sheaths in the meninges.
DISCUSSION
In this case, the concomitance of the venomous accident (loxoscelism)
with the persistance of the bubbly lesion on the left glutes region, which
maintains the toxine in side it, and the development of the, necrotizing
myelitis deserve considerations on a possible correlation between the
1 SciELO
216
MAUCHIORI. P. E.: SCAFF. M.; NóBREGA, J. P. S.; ROSENBERG. S. & ASSIS, J. L. Acute necrotic
myelopatia after spider bite. Mcm. Inst. Buiantan, í4/í5:213-218, 1980/81.
events (Limber et al, 1962). Considering the antigenic aspect, it is
known that the venom of certain spiders can lead to immediate and late
immune reactions, consuming the complement Cs (Futrell et al, 1978,
Majesk et al, 1976, Smith et al, 1970). The severeness of the systemic
lesions depends on the period of inoculation and on the resistance of
the host (Gajardo-Tobar, 1966). The pathological aspect of this case
does not allow us to assert the relation between the venomous lesion in
the gluteal region and the myelitis, but this possibility cannot be rejected
because the toxine diffusion of the inoculate in the spinal cord can be
biphasic and can occur through the lymphatic vessels, foreign arterial
adventitia and veins, and may ascend by the Batten plexus, and spinal.
RESUMO: Os autores apresentam caso de paciente de 5G anos
de idade picado por aranha, Loxosceles, desenvolveu lesão bolhosa no
local. Após seis dias houve aparecimento de mielite nocrosante ascen¬
dente que evoluiu rapidamente para êxito letal. São enfatizadas as
dificuldades para se estabelecer o diagnóstico etiológico nas mielites
de causa indeterminada e são feitas tentativas de correlação entre
o acidente peçonhento e a lesão espinal.
Os mecanismos responsáveis pela gênese da lesão espinal e o com¬
portamento antigênico complexo de toxina são discutidos.
PALAVRAS-CHAVE: Mielite aguda. Picada de aranha.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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217
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
MARCHIORI. P. E.; SCAFF, M.; NÓBREGA, J. P. S,; ROSENBERG. S. & ASSIS, J. L. Acute necrotic
myelopatia after spider bite. Mem. Inst. Uutantan, 4-{/-45:213-218, 1980/81.
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218
1 SciELO
Mem. Inat. Butantan
^4/45:219-231, 1980/81
SOBRE A IDENTIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES DE
POROCEPHALUS (PENTASTOMIDA) QUE OCORREM EM
OFÍDIOS DA AMÉRICA TROPICAL
A. Arandas REGO *
Como homenagem ao Instituto Butantan que completa 80 anos de
atividades de pesquisas, imortalizando o nome de seu fundador Vital
Brazil, iniciamos nossos estudos de Pentastomida da Coleção Parasito-
lógica desse Instituto.
RESUMO: Foram estudados espécimes de Porocephalus (Pentas¬
tomida) obtidas de espécies de ofídios do Brasil e que ocorrem em
toda a América Tropical. São cinco as espécies de Porocephalus :
P. crotali (Humboldt, 1808) de crotalídeos; P. stilesi (Sambon,
1910) de Lachesis muta, P. clavatus (Wilman, 1847) de boideos e
sucuri, P. tortugensis Riley & Self, 1979 de Crotalus tortugensis e
P. basiliscus Riley & Self, 1979 de Crotalus basiliacus. O autor é
de opinião que apenas P. stilesi e P. basiliscus são bem carac¬
terizadas tendo em vista a simples utilização de caracteres morfo¬
lógicos; que consistem no número de annulus, na forma do corpo
e o poro genital saliente (apenas em P. basiliscus). A espécie
P. tortugensis não possui caracteres diferenciais suficientes para
distingui-la de P. crotali devendo cair na sinonímia deste último
nome. Sugere, também, que sejam mantidos provisoriamente os
nomes das espécies associados ao do hospedeiro e que nesta ordem
de idéias provavelmente os Porocephalus de Bothrops constituiriam
uma nova espécie.
PALAVRAS-CHAVE: Pentastomida * — Porocephalus * — Ofí¬
dios * — América Tropical
INTRODUÇÃO
Recentemente estudamos larvas de Porocephalus coletados de mamí¬
feros (REGO, 1980). Essas larvas carecem de suficientes caracteres
morfológicos diferenciais; na ocasião preferimos identificá-las à espécie
Pesquisador do Departamento de Helmintologia. Instituto Oswaldo Cruz, RJ Bolsista (Pesquisador
II-A) do C. N. Pq.
219
SciELO
REGO, A. A. Sobre a identi<‘icação das espécies de Porocephalus (Pentastomida) que ocorrem em ofídios
da América Tropical. Mem. Inat. Butantan, H/^5:21Ò-2Z1, 1980/81.
Porocephalus crotali (Humboldt, 1808), aliás como vinha sendo feito pela
maioria dos estudiosos do grupo.
O gênero Porocephalus Humboldt, 1811 é constituído por parasitas
cujos adultos habitam o pulmão de ofídios na América e na África. Estas
espécies possuem o corpo arredondado e por vezes dilatado nas extre¬
midades, principalmente na região do cefalotórax. Os annuli nem sempre
são evidentes, principalmente nas fêmeas ovígeras, o que dificulta a sua
contagem. As garras têm ganchos desiguais, os externos possuem uma
espécie de apêndice digitiforme pouco esclerotizado e portanto frágil
(figs. 1 e 8) ; os ganchos internos não possuem esse apêndice, salvo nas
primeiras mudas larvares (figs. 2-3), quando é presente nos quatro
ganchos. Ê sabido que as larvas de pentastomídeos são ubíquas, elas
podem ser encontradas em diversas espécies de mamíferos selvagens e
experímentalmente em diversas espécies de roedores de laboratório
(FONSECA, 1939). As larvas podem ser encontradas enquistadas no
fígado, pulmão, perítôneo e outros locais. Larvas podem ser também
encontradas em serpentes, além de adultos no pulmão, mas este meca¬
nismo de desenvolvimento não é ainda bem compreendido.
SAMBON (1922), HEYMONS & VITZTHUM (19.35), SELE &
McMURRAY (1948), entre outros, referiram três espécies de Poro¬
cephalus para a America Tropical : P. crotali (Humboldt, 1808), em
crotalídeos; P. clavatus (Wiman, 1847) em boídeos e sucuri e P. stilesi
(Sambon, 1910) em Lachesis, Bothrops e Helicops (cobra d’água).
Todos referem a dificuldade de diferenciar essas espécies se apoiados
apenas em caracteres morfológicos, abstraindo do hospedeiro.
Sendo nossa intenção pesquisar caracteres morfológicos, que a
semelhança dos helmintos pudessem ser utilizados como caracteres dife¬
renciais, estudamos estruturas endurecidas, como as garras (ganchos),
a armadura bucal quitinosa e as peças copuladoras do macho, além de
outros caracteres, como as dimensões totais, a forma das extremidades
e 0 número de annulus do corpo.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram examinados espécimes coletados de Constrictor constrictor
(jibóias), Eunectes murinus (sucuri), Lachesis muta (surucucu), Both¬
rops jararaca e Crotalus terrificus (cascavel). Material este proveniente
da Coleção Helmintológica do lOC e da Coleção de Parasitologia do
Instituto Butantan, que o cedeu por empréstimo.
Os espécimes já se encontravam fixados pelo formol-acético (líquido
de Railliet & Henry). Os machos foram montados “in totum”, mas as
fêmeas tiveram de ser seccionadas para montagem em mais de uma lâmi¬
na. Os ganchos e o anel bucal foram dissecados e montados separadamente
do corpo. A diafanizaçâo foi feita pelo ácido fênico, após prévia desi¬
dratação. Montagem em creosoto de faia e bálsamo do Canadá. Micro-
fotografias feitas em equipamento Olympus e os desenhos em câmara
clara universal.
220
REGO, A. A. Sobre a identificação das espécies de Porocephahia (Pentastomida) que ocorrem em ofídios
da América Tropical. Mem. Inst. Butantan, /í4/45:219-231, 1980/81.
Fig. 1 — Poroccphalus sp. adulto: gancho externo: indicado o apêndice digitiforme. Microfotografia.
Fig. 2 — Larva de Porocephalua coletado de Eunectca murinus: nota*se o quisto. Microfotografia.
Oc 6 X obj. 2,6.
221
REGO, A. A. Sobre a identificação das espécies de Poroccphalus (Pentastomida) que ocorrem em ofídios
da América Tropical. Mem. Inst. Butanian, 4í/.45:219-231, 1980/81.
Fig. 3 — Larva de Porocephalus coletado de murimis
externo e interno. Microfotografia.
indicado o apendice digitiforme nos ganchos
Fig. 4 — P. crotali, macho: extremidade anterior. Microfotografia. Oc. 6 x obj. 4
222
SciELO
KEGO, a. a. Sobre a identificação das espécies de Poroccphalua (Pentastomida) que ocorrem em ofidios
da América Tropical. Mem. Inst. Dutantan, Jí/i5;219-231, 1980/81.
RESULTADOS
O exame das peças endurecidas não forneceu elementos que servis¬
sem para a separação morfológica daquelas espécies. As garras, a
armadura bucal e o aparelho copulador do macho tem grande unifor¬
midade neste grupo de pentastomídeos (figs. 4-7). Parece-nos que as
dimensões dos espécimes, o número de annuliís e a forma das extremi¬
dades ainda constituem os melhores caracteres diferenciais, sendo que
o número de anéis talvez seja o melhor desses caracteres, uma vez que
0 seu número é constante no adulto e provavelmente também nas últimas
mudas larvares.
Estamos convencidos no entanto de tratar com espécies diferentes,
mesmo porque os pentastomídeos são bastante específicos quanto ao
hospedeiro final. Somos também de opinião que a espécie mais fácil de
identificar é PorocepJialios stilesi de Lachesis muta; ela se distingue bem
das demais espécies pelos machos; eles têm o cef alotórax bem mais dila¬
tado que a extremidade posterior e o corpo se atenua grandemente da
parte anterior para a posterior. Este foi um caráter constante em todos
os machos examinados (fig. 9). As fêmeas embora não sejam assim
afiladas, são no entanto mais alongadas que as fêmeas das outras
espécies. No entanto o número de annuhis é sem dúvida o melhor caráter,
seu número em P. stilesi foi de 46-54 (vide quadros), podendo mesmo
ultrapassar esse número. Nos espécimes de outros ofídios, o número de
annulus não ultrapassa em geral os 40. Essas características já foram
anteriormente mencionadas.
HEYMONS (1935) e SELE & McMURRAY (1948) mencionaram
a dificuldade de identificar as espécies de Porocephalus da América,
utilizando caracteres morfológicos. Acharam ser o hospedeiro um dos
melhores critérios para identificação das espécies. RILEY & SELF
(1979) tentaram esclarecer o problema de determinação dessas espécies;
dos espécimes por eles obtidos. Para o material recente estabeleceram
eles puderam reestudar material depositado no Museu Britânico, além
duas novas espécies: P. tortuqensis Riley & Self, 1979 e P. basüiscus
Riley & Self, 1979. Eles informaram que somente foram capazes de
diferenciar essas duas espécies e as outras reestudadas, graças à utili¬
zação de método estatístico (análise de variância).
Pensamos que, embora a estatística tenha suas aplicações dentro de
determinados parâmetros, não possui valor para a diferenciação prática
dos Porocephalus; continuam as mesmas dificuldades que referimos. As
tabelas de medidas por eles apresentadas (Quadro I) não parecem
diferenciar as espécies, isto se excluirmos a análise estatística e nos
atermos apenas ao quadro. É sabido que estas espécies inclusive apre¬
sentam ampla variação nas dimensões dos ganchos, o que também pude¬
mos constatar (Quadro II) ; note-.se que as medições de nossos espécimes
coletados de Crotahis terrificus são bastante diferentes das que RILEY
& SELF apresentaram. Isto poderia invalidar a análise estatística dessas
espécies.
Das duas espécies que descreveram, parece-me que P. basiliscus
possui um excelente caráter morfológico, que é o poro genital saliente
(fig. 10), caráter esse que não é evidente nas demais espécies de
Porocephalus.
223
cm
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REGO, A. A. Sobre a identificação das espécies de Porocephalus (Pentastomida) que ocorrem em ofídios
da América Tropical. Mem. Inat. Dutantan, 44/-45:219-231, 1980/81.
Fig. 5 — />. clavatua, de Conatrictor conatrictor: gancho interno. Microfotografia. Oc. 6 x obj. 10
Fig. 6 — P. clavatua, de C. conatrictor: anel bucal. Microfotografia. Oc. 6 x obj. 10.
224
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REGO,
da
A. A. Sí^re a identificação das espécies de Porocephalus
America Tropical. Mem. Inst. Butantan, 44/^5:219-231,
(Pentastomida)
1980/81.
que ocorrem em ofídios
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226
D. geográfica
1
USA
América Tropical
América Tropical
até México
América Tropical
América do Sul
México
I. Tortuga
Califórnia (USA)
México
Hospedeiros
1
Crotalus spp.
Agkistrodon
piscivorua
Boa spp,
Epicrates
cenchria
Lackesis
muta
Bothrops spp.
Crotalus
basilisctís
Crotalus
tortugensis
- 0,352
- 0,336
■ 0,573
■ 0,476
0,413
0.775
0,389
0,389
0,640
0,432
0.417
0,704
0,378
0,348
0,635
Of
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1 1 1
1 1 1
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0,292
0,281
0.524
0,417
0.363
0,672 ■
0.324 -
0,332 -
0,596 -
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0.405 -
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0,626 -
0,335 -
0,316 -
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0,441 -
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0,209 -
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REGO, A. A. Sobre a identificação das espécies de Porocephalua (Pentastomida) que ocorrem em ofídios
da América Tropical. Mem. Inat. Butantan, í^/^5:219-231, 1980/81.
QUADRO II
Porocephalus spp. de Ofídios
Observação pessoal
(medidas em mm)
Ofídio
Comprimento
Annulus
Garras (ganchos)
S
$
S
$
á
$
Bothropa
jararaca
(Wied.)
36
60
38 — 40
± 40
AC = 0.210
CB = 0,210 — 0,225
AD = 0,375
0,226 — 0,330
0,240 — 0,330
0,466 — 0,610
Crotalua
terrificiía
(Laur.)
38
48 — 60
± 36
± 40
AC = 0.316 — 0.360
CB = 0,300 — 0,360
CB = 0,670 — 0,600
0,360
0,300 — 0,330
0.640 — 0,686
Constrictor
conatrictor
(L.)
31
*
36 — 40
-
AC = 0,225 — 0,256
CB = 0,202 — 0,240
AD = 0,330 —0,390
Lacheaia muta
(L.)
32
80
46 — 54
50 — 52
AC = 0,195 — 0,286
CB = 0,195 — 0,225
AD = 0,316 — 0,376
0,360 — 0,405
0,300 — 0,375
0,630 — 0,676
* fêmeas em mau estado
Quanto à F. tortugensis as suas próprias medidas mostram sua
semelhança com P. crotali (Quadro I), os próprios autores reconhecem
que elas não podem ser diferenciadas baseando-se em caracteres morfo¬
lógicos. Sugerimos pois que P. tortugensis seja considerado como sinô¬
nimo de P. crotali, tendo em vista a ausência de suficientes caracteres
diferenciais.
CONCLUSÕES
Apenas P. stilesi e P. basiliscus são bem caracterizadas, tendo em
vista a utilização dos caracteres da forma do corpo, o poro genital saliente
e número de annulus. As demais espécies são praticamente impossíveis
de diferenciar; talvez técnicas bioquímicas pudessem elucidar esse proble¬
ma, pois se trata de espécies muito uniformes. Como um esquema provi¬
sório poderiam ser mantidos os antigos nomes, isto é, P. crotali (Humboldt,
1808) para os parasitos de Crotalus terrificus, P. stilesi (Sambon, 1910)
para os de Lachesis muta, P. clavatus (Wiman, 1847) para os encontrados
em boídeos e sucuri; além evidentemente de P. basiliscus de Crotalus basi¬
liscus, pelas razões já expostas. Nesta ordem de idéias os espécimes prove¬
nientes de Bothrops deveriam constituir uma nova espécie; a propósito,
227
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REGO, A. A. Sobre a identificação das espécies de Poroccphalus (Pentastomida) que ocorrem em ofídios
da América Tropical. Mem. hist. Butantan, 4-4/.45:219-231, 1980/81.
Figr. 8 — P. clvatua, de C. cnatrictor'. gancho externo, indicado o apêndice digitiforme (ad.) Modelo de
medição dos ganchos (AC, AD, BC).
228
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10 11 12 13 14 15 16
REGO, A. A. Sobre a identificação das espécies de Porocrphahis (Pentastomida) que ocorrem em ofídios
da América Tropical. Mcm. Inat. Butantan, :219-231, 1980/81.
Pig, 9 — p. atileai, de L. muta: note o afilamento do corpo do macho, da extremidade anterior para a
posterior.
229
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REGO. A. A. Sobre a identificação das espécies de Porocephalus (Pentastomida) que ocorrem em ofídios
da América Tropical. Mcm. Inet. [iutantan, 4í/45:219*231. 1980/81.
10
Fig. 10 — P. basüiscus (adaptado de Riley & Self, 1979): note o saliente poro genital.
230
cm
2 3 4
5 6 SCÍELO;l0 11 12 13 14 15 16
REGO, A. A. Sobre a identificação das espécies de Porocrphalus (Pentastomida) que ocorrem em ofídios
da América Tropical. Mem. Inat. Butantan, ^í/.45;219-231, 1980/81.
RILEY & SELF (1979) chamaram a atenção para o fato dos espécimes
que estudaram de Bothrops talvez constituíssem uma diferente espécie,
mas em virtude da ausência de caracteres morfológicos que as caracte¬
rizem preferimos abstermo-nos de criá-la.
AGRADECIMENTOS
Expressamos nossos agradecimentos ao Dr. Lauro Travassos Filho,
chefe da Seção de Parasitologia do Instituto Butantan de S. Paulo, que
gentilmente cedeu parte do material que utilizamos neste trabalho.
ABSTRACT: The author studied specimens of Porocephalus (Pen-
tastomida) collected from species of Ophidia; these species occur
in Tropical America. He searched for characters that could be
useful to distinguish the species referred to these hosts. Five
species were referred to Tropical America: P. crotali (Hum-
boldt, 1808) from Crotalus terrificiis, P. stilesi (Sambon, 1910) from
Lachesis muta, P. clavatus (Wiman, 1847) from Boa and anaconda,
P. tortugensis (Riley & Self, 1979) from Crotalus tortugensis, P.
basüiseus Riley & Self, 1979 from Crotalus basiliscus. In the
author’s opinion only P. stilesi and P. basiliscus are easily identified
to the others species described, in using only morphological cha¬
racters, mainly concerning to the annulus number, the body form
and the genital pore. P. tortugensis seems to be a synonim of P.
crotalus, because they can not be differentiated. He suggests also
that the criterion of hosts is yet useful to separate these species
of Porocephalus. By this reason the specimens from Bothrops must
be considered a new species.
KEYWORDS: Pentastomida * — Porocephalus * — Ophidians * —
Tropical America.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FONSECA, F. Observações sobre o ciclo evolutivo de Porocephalus clavatus espe¬
cialmente sobre o seu orquidotropismo em cobaias. Mem. Inst. Butantan,
12:185-190, 1939.
HEYMONS, R. & VITZTHUM, H.G. Beitrage zur systematik der Pentastomiden.
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REGO, A.A. Estudos de pentastomídeos de mamíferos da coleção helmintológica do
Instituto Oswaldo Cruz. Rev. Brasil. BioL, ^2(4), 1980 (no prelo).
RILEY, J. & SELF, J.T. On the systematic of the pentastomid genus Poro¬
cephalus (Humboldt, 1811) with descriptions of two new species. System.
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SAMBON, L.W. A synopsis of the family Linguatulidae. J. Trop. Med. Hyg.,
25:188-206, 391-428, 1922.
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in Oklahoma. J. Parasit., S4 :21-23, 1948.
231
cm
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Mem. Inst. Butantan
Wí5:233-238, 1980/81
NOTAS SOBRE ALGUNS PENTASTOMÍDEOS DE RÉPTEIS
A. Arandas REGO *
RESUMO: São feitas considerações sobre a morfologia e a taxo-
nomia de três espécies de pentastomideos de répteis, Porocephaliis
crotali, Kiricephalus coarctatiis e Diesingia megastoma. De P. croiali
é comentado o poro genital conspícuo nos dois espécimes estudados.
Ihjdrodgnastes bicinctus, um colubrídeo, é um novo hospedeiro de
Kiricephaliis coarctatiis; na sinonímia desta espécie é colocado K.
constrictor Riley & Self, 1979. Quanto a D. megastoma, é estabele¬
cida a sua posição taxonômica em família independente; o nome
Didantanella é posto na sinonímia do Diesingia.
PALAVRAS-CHAVE: Pentastomideos. Porocephalus crotali, Kiri-
eephalus eoarctatus e Diesingia megastoma. Répteis.
INTRODUÇÃO
Prosseguindo com o estudo de espécimes de pentastomideos, da
Coleção de Parasitologia do Instituto Butantan, tratamos agora de
três espécies de Porocephalidea, respectivamente, Porocephalus crotali
(Humboldt, 1809), Kiricephalus eoarctatus (Diesing, 1850) e Diesingia
megastoma (Diesing, 1836). Da primeira espécie, P. crotali, discutimos
um caráter (poro genital conspicuo) que não tínhamos observado em
trabalho anterior (REGO, 1981). Citamos um novo hospedeiro para a
espécie K. eoarctatus e quanto a D. megastoma, confirmamos a sua
posição taxonômica.
Como observamos em trabalhos anteriores, os pentastomideos consti¬
tuem um grupo que tem sido descurado pelos parasitologistas nacionais;
u maior parte das espécies é conhecida de descrições antigas, ainda do
uiaterial de Natterer; há portanto lacunas na taxonomia das espécies
da região neotropical ; pouco existe além dos trabalhos de SAMBON
(1922) 7 e de HEYMONS & VITZTHUM (1935)
Depto. (íe Helmintolopía, Fundação Oswaldo Cruz — Bolsista (Pesquisador) do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Endereço para correspondência: Caixa Postal 926,
CEp 20.000, Rio de Janeiro.
233
cm
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REGO, A. A. Notas sobre alsruns pentastomídeoa de répteis. Mem. Inst. BtUantan, *233-238, 1980/81.
MATERIAL E MÉTODOS
Os espécimes já se encontravam fixados pelo formol. Para estudos
de morfologia introduzimos uma técnica capaz de proporcionar bons
resultados no esclarecimento (diafanização) da cuticula quitinosa. Usa¬
mos 0 hipoclorito de sódio diluído em álcool. Para diluição ele é prefe¬
rível à água; usamos uma parte de hipoclorito de sódio para três partes
de álcool. Podem ficar cerca de 24 horas nesta solução. Lavar depois
em álcool a 70° e corar pelo carmin aluné de Granacher; obtém-se uma
leve coloração rósea, suficiente para as observações necessárias. Desi¬
dratação na série de álcoois e passagem pelo fenol líquido para esclareci¬
mento final. Montagem em creosoto de faia.
RESULTADOS
FAMÍLIA POROCEPHALIDAE
Parocephalus crotali (Humboldt, 1809)
1
Fig. 1 — Poroccphalus crotali (Humboldt, 1809): macho, genital saliente.
234
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REGO, A. A. Notas sobre alguns pentastomídeos de répteis. Mem. Inst. Butantan, ^4/^5:233-238, 1980/81.
Hospedeiro — pulmão de Crotalus terrificus Laurenti
Proveniência — Instituto Butantan, São Paulo
Material da coleção de parasitologia, n.° 6.516.
Amostra constituída por apenas dois machos e uma fêmea; consta¬
tamos que ambos os machos exibiam poro genital conspícuo. Por este
caráter diferiram dos espécimes anteriormente estudados (REGO,
1981).“
A fêmea mediu 75 mm de comprimento. O cefalotórax é mais dila¬
tado que 0 anel caudal. Possui 34 annulus, sem contar os anéis caudal
e do cefalotórax. Anéis visíveis mesmo sendo uma fêmea ovígera. Anel
bucal pequeno e oval.
Os machos mediram o máximo de 38 mm de comprimento e têm o
mesmo número de anéis que a fêmea. Poro genital saliente e conspícuo;
abre no primeiro anel abdominal; é flanqueado por três dobras de cutícula.
Os ganchos mediram em média: AC = 0,216 mm; CB = 0,192 mm e
AD = 0,372 mm (medições conforme o esquema de RILEY & SELE,
1979).®
Considerações — SAMBON (1922)^ ao reestudar as espécies de
Porocephaliis da região neotropical comentou que apenas na espécie P. cla-
vatus de boídeos, os machos têm abertura genital proeminente, cercada
por três papilas, sendo duas anteriores e uma posterior. Em trabalho
recente (REGO, 1980),“ examinamos grande número de espécimes ma¬
chos do P. crotali, de cascavéis; nesses espécimes não observamos poro
genital visível. Fizemos novo exame de machos coletados de Boa cons-
trictor, de Bothrops e de Lachesis, a fim de avaliar esse caráter em
outras espécies. Nos machos coletados de Boa comtrictor o poro genital
saliente é uma constante, o que está de acordo com a observação de SAM¬
BON ; nas outras espécies esse caráter é raramente observado, embora
possa estar presente em alguns espécimes.
As dimensões dos ganchos nesses dois espécimes de Crotalus con¬
cordam com as do estudo anterior (REGO, 1980) “. O poro genital não
deve, portanto, ser levado em conta isoladamente. Excetuamos apenas a
espécie P. hasilisci(,s, de Crotalus basiliscus do México, descrita por
RILEY & SELF (1979)® como possuindo enorme e saliente poro genital.
Kiricephalus coarctatus (Diesing, 1850)
Hospedeiros — pulmão e cavidade geral de Hydrodynastes bicinctus
(Hermann, 1804) e pulmão de Di-yadophis bifossatus Raddi i—Drymo-
bius bifossatus).
Proveniências — Rio Approyage, Guiana francesa {Hydrodynastes)
e Inst. Butantan {Dryadophis).
Material da coleção de parasitologia do I. Butantan, números, 5.473
e 5.919.
Trata-se de seis exemplares ninfas; mediram o máximo de 20 mm
de comprimento e têm cerca de 50 anmilus. Os ganchos são simples, rela¬
tivamente grandes e de lâmina alongada, com cerca de 0,240 mm de com¬
primento. O anel bucal quitinoso mediu 0,250 mm x 0,120 mm, tem
forma oval.
235
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REGO, A. A. Notas sobre alguns pentastomítleos de répteis. Mcm. /n-st. Butanian, ^/#/45:233-238, 1980/81.
U'
0.4
mm
Fig. 2 — Kiricephalus coarctatus (Diesing, 1850): ninfa, cefalotórax.
Apenas um espécime macho, coletado de Dryadophis; mediu 32 mm
de comprimento. A cabeça é dilatada, mediu 1,6 mm x 2 mm. Ganchos
iguais, a lâmina do par externo mediu 0,228 mm de comprimento. O
anel bucal mediu 0,312 mm x 0,180 mm.
Considerações — O gênero Kiricephalus se caracteriza pelo cefa¬
lotórax alargado em relação ao início do abdome, em ambos os sexos, mas
no macho isto não é tão nítido. K. coarctatus parasita várias espécies de
colubrídeos das América do Norte e Sul, mas não tinha sido ainda refe¬
rida em Hydrodynastes bicinctus; este é pois um novo hospedeiro
pai-a ela.
RILEY & SELF (1979)® revisaram o gênero Kiricephalus e propu¬
seram uma nova espécie, K. constrictor, para os parasitos que encontra¬
ram em Boa constnctor. Em nossa opinião essa espécie não pode ser di¬
ferenciada de K. coarctatus; como eles mesmos referem, ambas espécies
têm praticamente o mesmo número de annulus (52 em K. coarctatus e
54 em K. constrictor-), além de se superporem geograficamente. Sugeri¬
mos que K. constrictor seja considerado sinônimo de K. coarctatus até
que seja demonstrada a existência de suficientes caracteres diferenciais.
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REGO, A. A. Nütas sobre alguns pentastomídeos de répteis. Mcm. Inat. Dutantan, ^í/i5:233-238, 1980/81.
FAMÍLIA DIESINGIIDAE Nomen novum
Diesingia megastoma (Diesing, 1836) Fonseca & Ruiz, 1956 sin.:
Butantanella megastoma (Diesing, 1836) Fonseca & Ruiz, 1956
Hospedeiros — Hífdraspis geoffroyana (Wagler) e Hydromedusa
tectifera Cope
Proveniência — Instituto Butantan, S. Paulo
Material depositado na coleção de parasitologia do Inst. Butantan,
números 5.906/8.
A principal característica desta espécie é sem dúvida o enorme anel
bucal quitinoso, muito maior que os próprios ganchos. Não redescreve-
mos a espécie pois FONSECA & RUIZ (1956)“ deram uma boa descri¬
ção da mesma. No entanto, o gênero Butantanella proposto não é neces¬
sário. Diesingia Sambon, 1922, estabelecido para estes parasitos de tar¬
tarugas aquáticas é sem dúvida um bom gênero.
Há apenas duas espécies de Diesingia além de D. megastoma., D. ka-
chugensis (Shipley, 1910), restrita à Ásia.
Colocamos Butantanella na sinonímia de Diesingia, aliás os autores
já tratavam corretamente essa espécie como D. megastoma. Curioso que
o trabalho de Fonseca & Ruiz tenha permanecido ignorado.
Persistem no entanto dúvidas sobre a posição taxonômica de Diesingia;
FAIN (1961) 1 o tratou como Sebekidae e o mesmo fizeram outros autores.
HEYMONS & VITZTHUM (1935) » trataram como subfamília indepen¬
dente. Concordamos com este último autor que não se trata de Sebekidae;
provisoriamente sugerimos uma família nova, Diesingiidae, na ordem
Porocephalidea.
AGRADECIMENTO
Expressamos os nossos agradecimentos ao Dr. Lauro Travassos F.,
da seção de Parasitologia do Instituto Butantan, pela cessão do material
de estudo.
ABSTRACT: The author makes considerations on the morphology
and taxonomy of three species of Pentastomid from reptiles, Poroce-
phalus crotali, Kiricephalus coarctatm and Diesingia megastoma.
About P. crotali he comments the conspicuos. genital opening in two
inales he cxamined froni Crotalus terrificiis. The colubrid Hydrody-
nastes bicinctus is a ncw host for K. coarctatus; in the sinoniiny of
this species is placed K. constrictor Riley & Self, 1979. Finally, about
D. megastoma, he places it in a independent family, Diesingiidae;
Butantanella Fonseca & Ruiz, 1956 is placed in the sinoniiny of
Diesingia Sambon, 1922.
KEYWORDS: Pentastomids; Porocephalus crotali, Kiricephalus
coarctatus, Diesingia megastoma. Reptilia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. FAIN, A. Les pentastomides de 1’Afrique Centrale. Musèe Royal de VAfrique
Centrale. Annales, série in 8ème, Sciences Zoologiques, ,92:1-115, 1961.
237
cm
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REGO, A. A. Notas sobre alguns pentastomídeos de répteis. Mem. Inst. Biitavtan, 44/45:233>238, 1980/81.
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Porocephalus (Humboldt, 1811) with descriptions of two new species.
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6. RILEY, J. & SELF, J.T. On the systematies and lifecycle of the Pentas¬
tomid genus Kiricephalus Sambon, 1922 with descriptions of three new
species. System. Parasit., 1 (2), 1979 (no prelo).
7. SAMBON, L.W. A synopsis of the family Linguatulidae. J. Trop. Med. Hyg.,
25:188-206, 391-428, 1922.
238
1 SciELO
Mem, Inat. Butantan
4-4A5:239-243, 1980/81
ENCONTRO DE PLEROCERCOS DE TRYPANORHYNCHA
(CESTODA) EM OFÍDIO DE RIO DA AMÉRICA DO SUL
A. Arandas REGO *
RESUMO: São descritos os plerocercos de Pterobothrium (Trypa-
norhyncha), encontrados em cobra de água-doce, Hydrodynastes
bicinctus da Guiana francesa. São feitas considerações sobre a rari¬
dade desse encontro, pois os répteis não são hospedeiros normais para
essas larvas. São também citadas as referências de Pterobothrium
spp. na América do Sul.
PALAVRAS-CHAVE: Plerocercos de Pterobothrium. Cestoda, Try-
panorhyncha. Serpente, Hydrodynastes bicinctus.
INTRODUÇÃO
Examinando material coletado de cobras, pudemos separar alguns
cistos que, dissecados, revelaram a presença de plerocercos de Trypa-
norhyncha. Essas larvas provêm de uma cobra de rio da Guiana francesa,
cujo material foi depositado na Coleção de Parasitologia do Instituto
Butantan.
Procedemos a uma revisão da literatura, tendo encontrado apenas as
seguintes referências de plerocercos em ofídios, conforme DOLLFUS, 1942
(1) e YAMAGUTI, 1959 (3) : Shipley, 1903, que referiu cistos de Trypa-
norhyncha em cobras do Sião (atual Tailândia) ; acrescentou tratar-se de
colubrídeo proteróglifo, que se alimenta de peixes marinhos. Meggitt,
1931, que descreveu blastocisto encontrado em colubrídeo opistóglifo, que
segundo aquele autor freqüenta o litoral marinho da Birmânia.
São pois muito raras as referências de plerocercos em ofídios e mesmo
assim limitadas ao continente asiático. Não há referências de Trypa-
norhyncha larvares em cobras fluviais e na América, daí a oportunidade
desta nota.
Depto. de Helmintologia, Fundação Oswaldo Cruz — liolsista Pesquisador) do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Endereça para correspondência: Caixa Postal 920,
CEP 20.000, Rio de Janeiro.
239
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
REGO, A. A. Encontro de plerocercos de Trypanorhyncha (Cestoda) em ofídio dc rio da América do Sul.
Afc-m. Inat. Butantan, 44/^5:239-243, 1980/81.
Fizemos a tentativa de identificação dos espécimes, o que só é possí¬
vel até 0 gênero, Pterohothrium Diesing, 1850. A identificação específica
foi impossível em virtude das probóscides estarem invaginadas, o que
impossibilitou o estudo da armadura espinhosa.
MATERIAL E MÉTODOS
Os cistos estavam fixados, de mistura com nematódeos fragmentados
e espécimes de pentastomídeos (Kiricephalus coarctatus) , As larvas foram
dissecadas com agulhas e coradas pelo carmin de Granacher; clarificação
em fenol líquido e montagem em bálsamo do Canadá e creosoto de faia.
As microfotografias foram feitas em equipamento Olympus.
RESULTADOS
No fixador os cistos apresentavam-se envolvidos por material gela¬
tinoso. São cistos alongados, providos de dois fortes envoltórios. Mediram
0 máximo de 14,40 mm de comprimento x 2 mm de largura. A larva
localizava-se em uma das extremidades do cisto, ocupando cerca de 1/8
da dimensão do mesmo. O plerocerco isolado mediu 3,2 mm de compri¬
mento. Ele tem escólex com 4 botridias, que mediram 0,300 — 0,336 mm
de diâmetro. Probóscides retraídas dentro das bainhas. Os bulbos medi¬
ram 1,08 mm X 0,216 mm; são 4 ou 5 vezes mais longos que largos.
A armadura das probóscides é do tipo poeciloacantha, com 3 tipos
diferentes de ganchos ou espinhos, o que é compatível com o gênero
Pterobothrium.
Localização — cavidade geral.
Proveniência — Rio Approyage, Guiana francesa.
Hospedeiro — Hydrodynastes hicinctus hicinctus
Espécimes depositados na Coleção Helmintológica do Instituto
Os-waldo Cruz sob o número 31.905 a-b e na coleção do Instituto Butantan
sob o n.° 5.919.
CONSIDERAÇÕES
Os Pterobothriidae parasitam principalmente peixes de mares tropi¬
cais e subtropicais. As espécies de Pterohothrium (o gênero mais impor¬
tante) são insuficientemente conhecidas pois não há boas descrições das
armaduras das trombas, além disto algumas espécies foram descritas
apenas de larvas, desconhecendo-se o adulto.
Na América do Sul foram referidas as seguintes espécies de Ptero¬
hothrium, segundo REGO, 1973 (2):
240
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
*
REGO, A. A. Encontro de plerocercos de Trypanorhyncha (Cestoda) em ofídio de rio da América do Sul.
Mem. hiBt. Butantan, 239-243, 1980/81.
Espécies
Hospedeiros e proveniências
P. macrouncm (Rud., 1819)
P. heteracanthum Diesing, 1850
P. crassicolis (Diesing, 1850)
P. interriiptus (Rud., 1819)
P. fragile (Diesing, 1850)
Cherubincho lusitanorum — Brasil
Micropogon undulatus — Uruguai
Micropogon opercularis (= Micropo¬
gon lineatus — Brasil)
Oligoplites saliens, Hoplenjthrinus
unitaenitatus Erythrinus unitae-
niatus), Sciaena sp.,
Dorus sp. — Brasil
Trichiurus lepturiis — Brasil
Pristis perrottetii — Brasil
Várias espécies de teleósteos de rios foram citados como apresen¬
tando larvas de espécies de Pterohotlirium, mas apenas o “peixe-serra”,
Prístis perrottetii, possui as formas adultas desses Trypanorhyncha. Esse
elasmobrânquio é capaz de subir os rios por longas distâncias, o que
explicaria a existência de teleósteos amazônicos parasitados por larvas
de Pterobothrium. No entanto não foram ainda correlacionados os para¬
sitas adultos com as formas lai’vares nesses teleósteos.
Os ofídios não constituem hospedeiros normais pai’a Trypanorhyncha,
mas poderiam se infectar pela ingestão de crustáceos parasitados, ou
ainda, pela ingestão de peixes que tenham os plerocercos. Esta última
hipótese é mais remota, pois não parece provável que os plerocercos
possam se reencistar em novo hospedeiro e produzir outros envoltórios
císticos.
O ofídio colubrídeo, Hydroãynastes hicinctus também ocorre na região
amazônica brasileira, onde é conhecido como “cobra d’água”; é uma cobra
grande que sempre que pode se alimenta de crustáceos e também de
peixes.
CONCLUSÕES
O ofídio de hábitos aquáticos (de água-doce), Hydrodynastes hi¬
cinctus, proveniente do Rio Approyage, Guiana francesa, é considerado
como sendo um hospedeiro anormal, talvez acidental, para os plerocercos
de Pterobothrium (Cestoda, Trypanorhyncha).
Trata-se da primeira referência na América de plerocercos de Trypa¬
norhyncha em réptil.
AGRADECIMENTO
Agradecemos ao Dr. Lauro Travassos Filho, da seção de Parasitologia
do Instituto Butantan, pela cessão do material e pelo apoio que vem
prestando a estes estudos.
241
*
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
REGO, A. A. Encontro de plerocercos de Trypanorhyncha (Cestoda) em ofídio de rio da América do Sul.
Mem. Inet. Butantan, ^^/45:239-243, 1980/81.
Fig. 1 — Ptcrobothrium sp., isolado do cisto. Oc. 6 x obj. 4.
Fík. 2 — Cisto com plerocerco de Ptcrobothrium sp. Oc. x obj. 2,5.
242
2 3 4 5 6 SCÍELO;LO 11 12 13 14 15 16
REGO, A. A. Encontro de plerocercos de Trypanorhyncha (Cestoda) em ofídio de rio da América do Sul.
Mem. Inat. Butantan, íí/^5:239-243, 1980/81.
ABSTRACT: This paper deals with plerocercus of Pterobothrium
(Cestoda, Trypanorhyncha) found enclsted in Hydrodynastes bicinc-
tus, colubrid ophidian from French Guyana. The author makes
considerations on the rarity of this fact considering that reptilia
are not usual hosts for these larvae. He relates also the refercnces
of Pterobothrium species in South America.
KEYWORDS: Plerocercus of Pterobothrium. Cestoda, Trypanor¬
hyncha. Ophidian, Hydrodynastes bicinctus.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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EFEITOS SOBRE A TOXICIDADE DA MISTURA DE
VENENOS E A SOBREVIDA DE EXEMPLARES DE
CROTALUS DURISSUS TERRIFICUS E CROTALUS
DURISSUS COLLILINEATUS, SUBMETIDOS ÀS
EXTRAÇÕES MANUAL E ELÉTRICA
Raymundo ROLIM-ROSA *
Hélio Emerson BELLUOMINI **
Medardo SILES-VILLARROEL ***
Hideyo IIZUKA ****
RESUMO: Os autores demonstram que o processo de extração de
peçonha de serpentes das subespécies Crotalus durissns terrificus
(Laurenti, 1768) e Crotalus durissus collilineatus Amaral, 1926, influi
tanto na toxicidade do produto, quanto na sobrevivência dos exem¬
plares. Embora a peçonha surdida na primeira oportunidade por
estímulo elétrico fosse a mais tóxica, em termos de DL50 para
camundongos inoculados pela via intravenosa, os produtos resultan¬
tes das operações seguintes apresentaram valores em escala decres¬
cente; fenômeno inverso foi registrado com as peçonhas obtidas pelo
processo de extração manual. No que diz respeito ao índice de sobre-
vida das serpentes submetidas ao processo de extração manual, foi
verificado que houve uma diferença de 10% favorável ao mesmo, em
relação ao processo de estímulo elétrico aplicado sobre as glândulas
veneníferas.
PALAVRAS-CHAVE: Veneno crotálico; processos de extração;
extração e toxicidade; extração e sobrevida de serpentes.
INTRODUÇÃO
O veneno de serpentes é, de um modo geral, um produto de natureza
química complexa, dotado de diversas propriedades farmacológi¬
cas 2 .19. 20 , 22 ,24,25, 26 _ g siutetízado pclas glândulas veneníferas as quais se
* Diretor Técnico do Serviço de Imunolojria do Instituto líutantan. Professor Aswistente Doutor do
Departamento de MicrobioloRÍa e Imunolo^ia do Instituto de Ciências líiomédicas da USP.
•• Pesquisador Científico Ref. PqC-G, Diretor Técnico do Serviço de Animais Peçonhentos do Instituto
Butantan.
••• Professor Livre Docente do Departamento de Microbiolojjia c Imunologia do Instituto de Ciências
Biomédicas da USP.
• ••• Pesquisador Científico Ref. PqC-1, Encarregado do Setor de Anaeróbios do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência: C.P. 65, São Paulo.
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ROLIM-ROSA. R.; RELLUOMINI, II. E.; SILES VILLARROEL, M.; & IIZUKA. H. Efeitos sobre a
toxicidade da mistura de venenos e a sobrevida de exemplares de Crotalus durissus terrificus e
Crotalus duriaHu» collUincatus, submetidos às extrações manual e elétrica. Mcm. Inst. Dutantan,
.ííA5:245-251, 1980/81.
comunicam com os dentes inoculadores, sendo utilizado como arma de
caça ou defesa e, em algumas espécies, desempenham funções de suco
digestivo, de acordo com Fonseca(1949). Além de conter enzimas e
substâncias biologicamente ativas, a maioria dos componentes apresenta
propriedades imunogênicas. A atividade letal resulta da interação dos
componentes presentes nas peçonhas, sendo que alguns dos mesmos podem
representar papel mais importante que os outros, para provocar a morte,
conforme assinala Rosenfeld (1969-71).
Dentre os acidentes ofídicos registrados em nosso meio, o crotálico,
de acordo com as observações de Fonseca e Rosenfeld assume maior
importância, em virtude de representar aquele que causa maior número
de óbitos. Os freqüentes casos de envenenamento causados por Crotalus,
são explicados pela grande distribuição geográfica de seus represen¬
tantes em nosso território *•
Embora tratando-se de um veneno preponderantemente hemolítico e
neurotóxico sua composição pode variar de acordo com a
procedência das serpentes
Rosenfeld & Belluomini (1960), e Belluomini ° (1968), estudando
a extração e a quantidade de peçonha de serpentes brasileiras, verifica¬
ram que alguns exemplares de Crotalus eram capazes dc fornecer até
220 mg, numa única extração; todavia, mais de 60% dos espécimes tinham
a capacidade de inocular acima de 40 mg de veneno, aproximadamente o
dobro daquela que seria a dose mínima mortal, presuntiva, para um ho¬
mem de 60 kg. '*
Apesar dos progressos verificados pelos numerosos estudos sobre as
peçonhas ofídicas, desde os primeiros trabalhos encetados por Vital Bra-
zil® (1901-17), constatamos, pela literatura consultada, não ter havido
preocupação, por parte dos pesquisadores que se dedicam ao assunto,
relativa à possível variação da toxicidade da peçonha, tampouco ao índice
de sobrevida proporcionado pelas técnicas empregadas para a obtenção
da mesma.
Propusemo-nos, face às considerações apresentadas, estudar, inicial¬
mente, a influência dos processos de extração de veneno sobre sua toxi¬
cidade e a sobrevida de serpentes das subespécies Crotalus durissus terri¬
ficus e Crotalus durissus collilineatus.
MATERIAL E MÉTODOS
Veneno: Trabalhamos, de acordo com Hoge & Romano*® (1972),
com a mistura de venenos provenientes de dezenas de exemplares de Cro¬
talus durissus terrificus (Laurenti, 1768) e Crotalus durissus collilineatus
(Amaral, 1926), adultos, sem distinção de sexo, procedentes do Estado de
São Paulo e de Estados circunvizinhos, extraídos mediante dois processos:
compressão manual das glândulas veneníferas e aplicação de uma corren¬
te elétrica de quatro volts sobre o pálato, de acordo com Belluomini ■*
(1965).
Todas as amostras foram colhidas na Secção de Venenos do Insti¬
tuto Butantan, no serviço de rotina, onde as serpentes são mantidas em
compartimentos sob temperatura regulada entre 21 a 26°C e grau de
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ROLIM-ROSA. R.: BELLUOMINI, H. E.; SILES VILLARROEL, M.; & IIZUKA. H. Efeitos sobre a
toxicidade da mistura de venenos e a sobrevida de exemplares de Crotalua durissus terrificus e
Crotalus durissus collüineatus, submetidos às extrações manual e elétrica. Mcm. Inst. Butantan,
.4^/^5:245-251, 1980/81.
umidade entre 40 e 60%, conforme Belluomini ^ (1964). Os venenos
eram extraídos quinzenalmente de cada lote — manual e elétrico —
colhidos em um cálice e, a seguir, centrifugados. Imediatamente após, o
“pool” era submetido à dessecação a vácuo e conservado a 4°C
Soluções de Veneno: O veneno seco era dissolvido em solução de
NaCl a 1,5%, conforme Vital Brazil®, (1911), contendo 200 microgramas
por mililitro. Estas soluções eram distribuídas em flaconetes os quais,
uma vez hermeticamente fechados, eram conservados em congelador re¬
gulado a —25°C, de acordo com técnica adotada por Furlanetto “ (1965).
No momento da manipulação, cada frasco era descongelado e feitas
as diluições seriadas, observando a mesma técnica utilizada por Rolim-
-Rosa et al (1973) e Bancher et al ^ (1973).
A determinação da atividade tóxica das amostras de peçonha era,
inicialmente, norteada por um ensaio preliminar efetuado mediante a
inoculação de quantidades variáveis da mesma, segundo uma razão cons¬
tante igual a 2, ensaio esse que nos colocava a par do grau de toxicidade
do veneno
Animais utilizados: Todos os ensaios foram realizados em camun¬
dongos — Mus muscidus Linnaeus 1758 — de 18 a 22 gramas de peso,
sem distinção de sexo, provenientes do Biotério Geral do Instituto; as
inoculações eram feitas pela via venosa.
Cálcido da DL50 — A DL50 de cada experimento foi sempre cal¬
culada com os resultados verificados após 48 horas das inoculações, pelo
método de Reed & Müench(1938) e ratificada pelo método prático
preconizado por Miller & Tainter “ (1944), em papel milimetrado em
escala “log-probit”.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados da variação da atividade tóxica dos venenos crotá-
licos extraídos mediante a aplicação das duas técnicas, manual e elétrica,
expressos em termos de DL50, referentes às sucessivas operações, estão
consubstanciados nas Tabelas 1 e 2, e o confronto entre ambas, na Ta¬
bela 3.
. TABELA 1
Variação da atividade tóxica da mistura de venenos de C. d. terrificus e C. d.
coUilineatus, obtidos pelo processo manual, em função da ordem das extrações e do
número de serpentes de um mesmo grupo, expressa em valores de DL50 para
camundongos de 18 a 22 g, inoculados pela via venosa.
Extrações
Número de
Serpentes
DL50
Atividade relativa
(1.®' extração
= 100)
l.a
181
3,518
100,00
2.a
144
3,456
101,79
3.»
73
3,159
112,07
4.a
65
3,095
113,67
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UOLIM-ROSA, R.: BELLUOMINI, H. E.; SILES VILLARROEL, M.: & IIZUKA, H. Efeitos sobre a
toxicidade da mistura de venenos e a sobrevida de exemplares de Crotalua durisaus tcrrificua e
Crotalua duriaaua collüincatua, submetidos às extrações manual e elétrica. Mem. Inat. Dutantan,
.447.45:246-261, 1980/81.
Os resultados expressos pela Tabela 1 revelam que houve oscilação
entre os valores da DL50 da 1.** à 4.®^ extrações e que, tomando-se a 1.^
com valor igual a 100%, verifica-se que houve, nas extrações seguintes,
aumento gradual e constante da potência relativa da peçonha. Foi tomada
a DL50 da primeira extração como referência porquanto as serpentes
não haviam recebido alimento, ainda, e o veneno resultante era
representativo da quantidade secretada e acumulada pelo ofídio na
natureza, procedimento, aliás, já adotado por Biasi et al® (1976-77)
por ocasião do estudo sobre a produção de veneno de Bothrops pradoi.
Ainda na Tabela 1 pode-se notar que a quantidade de serpentes,
inicialmente em número de 181, reduziu-se a 65 por ocasião da 4A
extração. Ocorrência análoga já havia sido observada e discutida em
trabalhos anteriores “■
TABELA 2
Variação da atividade tóxica da mistura de venenos de C. d. terrificus e C. d.
collüineatvs, obtidos pelo processo elétrico, em função da ordem de extrações e do
número de serpentes de um mesmo grupo, expressa em valores de DL50 para
camundongos de 18 a 22 g, inoculados pela via venosa.
Extrações
Número de
Serpentes
DL50
Mg
Atividade relativa
(1.8 extração
= 100)
l.a
138
3,163
100,00
2.8'
118
3,507
90,19
3.8
94
4,136
76,47
4.8
36
5,143
61,50
Nota-se, pela Tabela 2, que a toxicidade da peçonha crotálica sofreu
decréscimo gradual em sua potência relativa, fenômeno inverso daquele
observado na Tabela 1, a qual apresenta resultados conseqüentes ao
processo de extração manual.
Paralelamente à diminuição da atividade tóxica da peçonha obtida
mediante estímulo elétrico, nota-se uma progressiva redução da quantidade
de exemplares a qual, por ocasião da 4.^ extração, estava representada
em apenas 26% do número inicial, enquanto que, pelo processo de
extração manual, esse índice foi da ordem de 36%.
TABELA 3
Confronto entre as quantidades de DL50/mg da mistura de venenos de C. d.
terrificus e C. d. collilineatus obtidos pelos processos manual e elétrico, de dois grupos
de serpentes, extraidas quinzenalmente, em quatro oportunidades.
Extrações
Quantidade de DL50/mg da mistura
de venenos
Pela extração
manual
Pela extração
elétrica
1.8
284
316
2.8
289
285
3.8
318
242
4.8
323
194
Médias
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ROLIM-ROSA, R.; BELLUOMINI. H. E.; SILES VILLARROEL. M.; & IIZUKA. H. Efeitos sobre a
toxicidade da mistura de venenos e a sobrevida de exemplares de Crotalus durissu8 tcrrificíts c
Crotalus durisaus collüineatus, submetidos às extrações manual e elétrica. Mem. Inst. Butantan,
■44/45:246-251, 1980/81.
Comparando-se o número de DL50 contido em um miligrama da
mistura de venenos de C. d. terrificiis e C. d. collilineahis, obtido mediante
extração manual com o número de DL50 do mesmo produto obtido por
extração elétrica, verifica-se que, na primeira extração, a peçonha
resultante da obtenção através de descarga elétrica apresenta 32 DL50
a mais que aquela obtida pelo processo de extração manual. Todavia, as
extrações subseqüentes demonstram uma inversão nos valores da DL50,
isto é, os venenos obtidos por extração manual, a partir da 2.^ extração
até a 4.^, aumentaram gradativamente de toxicidade, enquanto os
venenos obtidos por estímulo elétrico diminuíram durante as mesmas
operações.
Possivelmente, além do processo empregado para as extrações das
peçonhas ofídicas, vários outros fatores poderiam causar alterações, tanto
na quantidade quanto na qualidade das mesmas, dentre os quais podería¬
mos destacar os seguinte: — mudança abrupta das condições de vida
livre para a vida em cativeiro das serpentes; a alimentação; a idade; as
excitações e os traumatismos resultantes das freqüentes e sucessivas
extrações, etc. ..
Pelos resultados apresentados, podemos inferir que o processo de
extração de peçonha de serpentes das subespécies Crotalus durissus
terrificus e Crotabis durissus collilineatus, através de indução elétrica,
não seria recomendável para o serviço de rotina de aferição de antissoros,
em virtude de se constituir em um recurso que apresenta, como conse-
qüência, diminuição progressiva na atividade tóxica da referida peçonha
e de causar a morte de maior número de exemplares mantidos em
cativeiro.
Quer nos parecer que o efeito de sucessivas contrações das glândulas
veneníferas, induzidas por descarga elétrica, repercute negativamente
sobre a fisiologia das mesmas.
Paradoxalmente, o processo de extração elétrica seria o mais reco¬
mendável a ser empregado em serpentes submetidas à primeira extração,
por fornecer, não só o produto secretado pela serpente em seu habitat
natural, como corresponder ao mais tóxico e, por isso mesmo, poderia
ser 0 mais indicado para aferir a capacidade neutralizante de antissoros
correspondentes, em termos de DL5Õ.
CONCLUSÕES
1. A mistura de venenos de Crotalus durissus ternficus e Crotalus
durissus collilineatus obtidos de exemplares em cativeiro e
extraídos quinzenalmente, apresenta alterações em sua ativi¬
dade tóxica, na dependência do processo, elétrico ou manual,
de obtenção.
2 . O processo elétrico, embora apresentasse a peçonha mais ativa,
em termos de DL50 para camundongos, na primeira extração,
revelou um declínio progressivo nas extrações subseqüentes.
3. O processo manual, não obstante apresentasse a peçonha menos
ativa do que aquela obtida na primeira operação elétrica, reve-
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ROLIM-ROSA. R.: BELLUOMINI, 11. E.; SILES VILLARROEL. M.; & IIZUKA, H. Efeitos sobre a
toxicidade da mistura de venenos e a sobrevida de exemplares de Crotalua duriaaus terrificua e
Crotalua duriaaua coüüineatua, submetidos às extrações manual e elétrica. Mcm. Inst. Butantan,
^4/^5:245-251. 1980/81.
lou, pelo mesmo método de aferição, aumento crescente nas
extrações subseqüentes.
4. A sobrevida dos espécimes de C. d. terrificiLS e C. d. collili-
neatus foi, cerca de 10%, maior nos submetidos às extrações
manuais.
ABSTRACT: The authors demonstrate that the venom extraction
process in snakes of the subespecies Crotalua durissus terrifieus
(Laurenti, 1768), and Crotalua durissus collilineatus Amaral 1926,
exerts an influonce on the toxicity of the final product as well as on
the survival of the specimens. The venom firstly obtained by elec-
trical stimulation of glands is more toxic in terms of LD50 for
mice intravenously inoculated, while the resulting products of the
next extractions showed values in a decreasing scale; an inverse
phenomenon was registered with the venoms obtained through
manual extraction. As to the survival rate of the snakes submitted
to the manual process of venom extraction, it could be verified that
there was a 10% difference in its favor in comparison with the
process of electric stimulation applied upon the venom glands.
KEYWORDS: Crotalic venom; effects by the extraction process
upon the toxicity, and survival rate of the snakes.
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A/em. Inst. Buianian
■4-4/45:253-268, 1980/81
PRODUÇÃO DE SORO ANTIARACNÍDICO POLIVALENTE
MEDIANTE INOCULAÇÕES SIMULTÂNEAS DE
VENENOS EM UM MESMO ANIMAL
Raymundo ROLIM ROSA ^
Medardo SILES VILLARROEL2
Elizabete Gomes Jardim VIEIRA ^
Hideyo IIZUKA «
José NAVAS 5
RESUMO; É descrito um método para a produção, em escala
industrial, de soro antiaracnídico polivalente, mediante a inoculação
de mistura de venenos de Tityus serrulatus, Phoneutria spp, Loxos-
celes spp e Lycosa eryihrognatha. São enfatizadas as suas vantagens
técnicas e econômicas, destacando-se, entre outras, o emprego de
menor número de animais soro-produtores, os menores dispêndios de
imunógenos, de tempo e de trabalho, em relação aos possíveis processos
de produção dos respectivos antivenenos específicos.
PALAVRAS-CHAVE: Soro antiaracnídico polivalente; produção
em escala industrial do soro antiaracnídico polivalente.
INTRODUÇÃO
Nos casos de acidentes aracnídicos, nem sempre é possível ser
reconhecido o animal responsável, nem mesmo, de acordo com Rosenfeld
e cols. ” (1957), pelos sinais ou sintomas registrados logo após as picadas.
A produção de um imunessoro polivalente capaz de neutralizar seus
venenos seria, sob vários aspectos, recomendável.
Diversos autores *• *• obtiveram, em relação a de¬
terminadas espécies de peçonhas ofídicas, aranêicas e escorpiônicas,
pertencentes ao mesmo ou a gêneros diferentes, antivenenos polivalentes
mediante inoculações de seus respectivos venenos de forma alternada
ou de misturas, em um mesmo animal.
Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan e Professor Assistente Doutor do Departa¬
mento de Microbioloífia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
2* Professor Livre-Docente do Departamento de Microbiologia e Imunolcgia do Instituto de Ciências
Biomédicas da USP.
3. Assistente do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan.
Pesquisador Científico Ref. PqC-1 e Encarregado do Setor de Anaeróbios do Instituto Butantan.
5. Ex-Encarregado do Setor de Imunização do Serviço de Imunologia, do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência: Caixa Postal 66 — São Paulo — Brasil.
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ROLIM-ROSA, R.; SILES VILLARROEL. M.; VIEIRA, E. G. J.; IIZUKA, H. & NAVAS. J. Produ¬
ção de soro antiaracnídico polivalente mediante inoculações simultâneas de venenos em um mesmo
animal. A/em. /naí. Butantan, 253-268, 1980/81.
Os bons resultados e as reais conveniências demonstrados pelos
citados pesquisadores, permitiram-nos propor a obtenção de um produto
capaz de neutralizar venenos de artrópodes pertencentes a ordens
diferentes — Scorpiones e Araneae — empregando um esquema de
hiperimunização em um mesmo cavalo, utilizando uma mistura dos
referidos venenos.
MATERIAL E MÉTODOS
1. Venenos utilizados
Foram utilizados venenos de Tityus serrulatus Lutz & Mello, 1922,
de Phoneutria nigriventer (Keyserling, 1891) e de Phoneutria keyserling
(Pickard-Cambridge, 1897) extraídos por descarga elétrica e dessecados
a vácuo, segundo técnica de Bücherl ® (1971), misturados a triturados
de glândulas de Lycosa erythrognatha Lucas, 1836 e de cefalotórax de
Loxosceles spp Heinecken & Lowe, 1833.
Os venenos, as glândulas e os cefalotóraxes (cada cefalotórax contém
duas glândulas), foram fornecidos pela Seção de Artrópodes Peçonhentos
do Instituto Butantan.
2. Determinação da atividade tóxica dos venenos
2.1 Tityus serrulatus — Determinada pelo método descrito por
BraziP (1918).
2.2 Lycosa erythrognatha — Observando o método proposto por
Brazil & Vellard'' (1950).
2.3 Loxosceles %pp — Conforme método preconizado por Furla-
netto>= (1961).
2.4 Phoneutria spp — Embora não conste da literatura, o Instituto
Butantan determina a atividade tóxica destes venenos, em cobaias de
375 g ± 25 g, sem distinção de sexo, inoculadas pela via subcutânea e
observadas por 48 horas.
3. Produção de soros antiaracnídicos monovalentes
Para as necessárias comparações com os resultados obtidos, estão
apresentadas no Quadro 1, as quantidades de imunógenos e o número de
dias necessários para a produção de soros antiaracnídicos monovalentes,
segundo método anteriormente utilizado pelo Instituto Butantan,
empregando um adjuvante oleoso acrescentado às últimas doses do
esquema de hiperimunização.
QUADRO I
Imunessoros Específicos
Venenos
Hiperimunização de Base
Reimunizacão
mg ou gls
nP de dias
mg ou gls
n.° de dias
Phoneutria spp
63,0 mg
49
57,0 mg
28
T. serrulatus
135,0 mg
28
75,0 mg
28
L. erythrognatha
720,0 gls
63
600,0 gls
14
Loxosceles spp
546,0 gls
91
350,0 gls
14
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10 11 12 13 14 15 16
ROLIM-ROSA, R.; SILES VILLARROEL, M.; VIEIRA, E. G. J.; IIZUKA, H. & NAVAS, J. Produ¬
ção de soro antiaracnídico polivalente mediante inoculações simultâneas de venenos em um mesmo
animal. Mem. Inst. Butantan, ^4/45:253-258, 1980/31.
4. Mistura imunogênica e adjuvante utilizados para a produção de soro
antiaracnídico polivalente
4.1 Mistura imunogênica — Para um volume de 300,0 ml, os
componentes entraram nas seguintes proporções:
Componentes
mg
glândulas
ml
Phoneutria spp
300,0
_
_
T. serrulatus
300,0
L. erythrognatha
300,0
Loxosceles spp
900,0
Glicerina
120,0
Thimerosal 1/1000
60,0
Sol. Fisiológica
a 0,85% q.s.p.
300,0
4.2 Adjuvante utilizado — Foi utilizado o adjuvante de Freund:
completo com a primeira dose de imunógenos e incompleto com a segunda.
5. Animais soro-produtores utilizados e esquemas de hiperimunização
e de reimunização
5.1 Foram hiperimunizados 10 cavalos machos, castrados, de
idade entre 4 e 10 anos, pesando de 380 a 430 kg, jamais utilizados para
a produção de soros hiperimunes.
5.1.1 Hiperimunização de Base — Todas as doses foram inoculadas
pela via subcutânea, na região dorsal.
1 . ^ dose — 6,0 ml da mistura de venenos adicionados a 10 ml de
adjuvante de Freund completo e inoculados em 8 pontos diferentes;
2. ^ dose — 6,0 ml da mistura de venenos adicionados a 10 ml de
adjuvante de Freund incompleto e inoculados em 8 outros diferentes
pontos;
3. ^ dose — 3,0 ml da mistura de venenos adicionados a 15 ml de
solução fisiológica a 0,85% e inoculados, em três etapas espaçadas de
duas horas, em torno dos granulomas formados pelas doses anteriores.
As demais doses, 4.^ e 5.^, foram iguais à terceira.
Foram observados intervalos de 7 dias entre as três primeiras doses
e de dois dias entre as restantes.
5.1.2 Reimunização — Após 30 dias, a contar do último dia de
sangria (item 6.2), os animais foram submetidos à reimunização,
recebendo doses imunogênicas correspondentes às três últimas da
hiperimunização de base, pela mesma via e na mesma região.
6 . Sangrias
6.1 Sangria de prova — Consistia na retirada, por punção da
jugular, de cerca de 20 ml de sangue, de cada animal separadamente,
recolhidos em tubos de ensaio sem anticoagulante. Esta operação era
realizada 7 dias após a inoculação da última dose de antígeno.
255
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SciELO
10 11 12 13 14 15
ROLIM-ROSA, R.; SILES VILLARROEL, M.; VIEIRA, E. G. J.: IIZUKA, 11. & NAVAS. J. Produ¬
ção de soro antiaracnidico polivalente mediante inoculações simultâneas de venenoâ em um mesmo
animal. Mcm. /nst. Butantan, :253“268, 1980/81.
6.2 Sangria final — Equivalente a 3%, em volume de sangue, do
peso de cada cavalo, efetuada em duas etapas com intervalo de 48 horas
entre as mesmas. O sangue era recebido em tubos contendo solução de
citrato de sódio a 11%, na proporção de 10% em relação ao volume de
sangue a ser obtido.
A separação do plasma era realizada logo após a sangria, em
desnatadeira tipo Alfa Lavai, adaptada para essa finalidade.
7. Determinação da capacidade neutralizante dos antivenenos
A capacidade neutralizante de cada fração de antiveneno correspon¬
dente a cada imunógeno contido na mistura, foi determinada segundo
os métodos descritos no item 2.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os soros antiaracnídicos produzidos pelo Instituto Butantan, durante
muitos anos, foram obtidos através de hiperimunizações específicas, com
exceção do soro antictênico-licósico, então produzido mediante hiperi¬
munizações de cavalos com uma mistura de venenos de Phoneutria spp
e Lycosa erythognatha.
A aplicação do método ora proposto possibilitou a produção de um
imunessoro polivalente, capaz de neutralizar os venenos aranêicos e
escorpiônico estudados. Para a sua produção, foram consumidas quanti¬
dades relativamente pequenas de venenos, conforme demonstra a Tabela 1.
TABELA 1
Quantidades de venenos secos ou de número de glândulas utilizadas para a
hiperimunização de base e para a reimunizaçâo de cada cavalo, para a produção
de soro antiaracnidico polivalente, com respectivos títulos mínimos detectados.
Venenos
Hiperimunização
de base
(18 dias)
Reimunizaçâo
(4 dias)
Título mínimo
detectado do
antiveneno
Phoneutria spp
21,0 mg
9,0 mg
300 /ig/ml *
T. serrulatus
21,0 mg
9,0 mg
400 fig/ral *
L. erythrognatha
21,0 gls
9,0 gls
2.000 p.g/ml **
Loxosceles spp
63,0 gls
27,0 gls
15 /ig/ml **
* Atividade antitóxica
** Atividade antinecrosante
Se confrontarmos quantidades de antígenos e tempo dispendidos entre
a produção de soros antiaracnídicos específicos (Quadro 1, Material e
Métodos) com o antiveneno polivalente ora produzido, podemos constatar
considerável diminuição das necessidades de animais soro-produtores,
de venenos e de tempo destinados à hiperimunização.
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UOLIM-ROSA. R.: SILES VILLARROEL, M.; VIEIRA, E. G. J.: IIZUKA, H. & NAVAS. J. Produ¬
ção de soro antiaracnídico polivalente mediante inoculações simultâneas de venenoe em um mesmo
animal. Mcm. Inst. Butantan, ^4/^5:253-268, 1980/81.
Considerando que um exemplar de Phoneutria spp produz em média,
numa extração, 1,25 mg'“ de veneno, conclui-se que foram poupadas,
aproximadamente, 34 aranhas; 699 glândulas de L. erythrognatha
correspondem, praticamente, a 350 exemplares que foram dispensados
pelo método de produção de soro antiaracnídico polivalente; da mesma
forma, 483 glândulas de Loxosceles spp correspondem a 241, 5 indivíduos
poupados e, finalmente, 114 mg de veneno de T. serndatus que seriam
produzidos por cerca de 184 escorpiões, sabendo-se que cada exemplar
desta espécie produz, em média, por extração, 0,62 mg de veneno seco
De forma semelhante, efetuando-se a mesma análise comparativa
entre as hiperimunizações de base, constata-se que as reimunizações
exigiram menores quantidades de venenos e de tempo, ou seja, 38
exemplares de Phoneutria spp; 296 de L. erythrognatha; 162 de Loxosceles
spp e de 106 escorpiões da espécie T. serrulatus.
CONCLUSÕES
1 . É viável a produção, num mesmo animal e em escala industrial,
de um imunessoro capaz de neutralizar, simultaneamente, os venenos de
Tityus serrulatus, Phoneutria spp, Lycosa ei-ythrognatha e Loxosceles
spp.
2 . O método utilizado permitiu sensível economia de animais
soro-produtores, de imunógenos e de tempo, para a obtenção de títulos
neutralizantes satisfatórios, tanto nas hiperimunizações de base quanto
nas reimunizações.
ABSTRACT: A method is described for the industrial scale
production of a polyvalent antiarachnid serum, by the inoculation
of a venom mixture of Tityus serrulatus, Phoneutria spp., Loxos¬
celes spp. and Lycosa erythrognatha. The technical and economieal
superiority is emphasized, with special attention to the utilization
of less a number of serum producing animais, minor immunogen
expenses, time and effort when compared with the possible pro¬
duction processes of the respective specific antivenins.
KEYWORDS; Polyvalent antiarachnid serum; large scale pro¬
duction of polyvalent antiarachnid serum.
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257
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10 11 12 13 14 15
ROLIM-ROSA, R.; SILES VILLARROEL. M.: VIEIRA, E. G. J.; IIZUKA, 11. & NAVAS, J. Produ¬
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258
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Mem. Inst. Butantan
UA5:259-270, 1980/81
ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE OS DIFERENTES
ESQUEMAS DE HIPERIMUNIZAÇÃO EMPREGADOS NA
PRODUÇÃO DE SOROS ANTIOFÍDICOS PELO INSTITUTO
BUTANTAN (1957-1979)
Raymundo ROLIM ROSA '
Elizabete Gomes Jardim VIEIRA ^
Medardo SILES VIELARROEL^
Yara Queiroga SIRACUSA *
Hideyo IIZUKA »
RESUMO: No transcurso de 22 anos (1957-1979), o Instituto
Butantan adotou quatro esquemas de hiperimunização de eqüideos,
diferentes entre si quanto às doses de veneno, dos quais três quanto
às doses e o adjuvante: óleo vegetal, alginato de sódio e adjuvante
de Freund, respectivamente. No último periodo de observação, 1975-
-1979, a introdução do adjuvante de Freund, completo e incompleto,
nas misturas imunogênicas reduziu, em cerca de 99%, a quantidade
de veneno aplicada e, em apro.ximadamente 80%, o tempo necessário
para a produção de imunessoros com títulos mais altos que os conse¬
guidos durante os primeiros períodos.
PALAVRAS-CHAVE: Soros antiofídicos. Esquemas de hiperimuni-
zaçâo de eqüideos. Adjuvante de Freund na hiperimunização de
eqüideos.
INTRODUÇÃO
Uma das preocupações dos institutos produtores de soroterapêuticos
é, sem dúvida, a pesquisa de métodos visando obter imunessoros dotados
de títulos satisfatórios ’ com menor dispêndio de antígenos e em menor
prazo.
O Instituto Butantan, um dos pioneiros no mundo na produção de
soros antiofídicos, tem procurado, desde os trabalhos iniciais de Brazil ^
1. Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan e Professor Assistente Doutor do Departtf-
mentü do Microbiologia e Imunolotfia do Instituto de Ciências Bíomédicas da USP.
2. Assistente do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan.
3. Profe.ssor Livre Docente do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
Biomêdicas da USP.
4. Diretora do Serviço de Controle e Técnicas Auxiliares e ex-Chefe da Seção de Soros do Instituto
Butantan.
5. Pesquisador Científico Ref. PqC-l e Encarregado do Setor de Anaeróbios do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência: Caixa Postal G5 — São Paulo — Brasil.
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ROLIM-ROSA. R.; VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL. M.; SIRACUSA, Y. Q. & IIZUKA. H.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hipcrimunização empregados na produção de
soros antíofidicos pelo Instituto Butantan (1967-1979). Mcm. Inst. Butantan, -4^/45:269-270, 1980/81.
(1901), satisfazer àqueles aspectos ensaiando diferentes esquemas de
hiperimunização e novos adjuvantes.
Vital Brazil iniciou suas experiências sobre hiperimunização de
animais contra venenos ofídicos, em 1897, conseguindo imunizar cães
e cabritos contra “doses formidáveis” de veneno de jararaca e de
cascavel. Aplicava “veneno puro em estado fresco, diluído em água
esterilizada ou água physiológica, ou secco pela evaporação na estufa a
38." e dissolvido na occasião de ser empregado”
O método de Vital Brazil demorava, inicialmente, cerca de um
ano para imunizar eqüinos, porém, mais tarde, o referido prazo foi,
pelo mesmo autor, reduzido pela metade, protegendo-se o animal,
preliminarmente, com doses decrescentes de soro antipeçonhento espe¬
cífico, administrado pela via venosa '.
Amaral ‘ (1918/24), utilizava mais de 8,0 gramas de veneno para
obter 0 soro anticrotálico, num prazo superior a quatro meses; o soro
antibotrópico monovalente, contra o veneno de B. jararaca, ou o polivalente
contra os venenos de B. jararaca, B. jararacussu, B. alternatus, B.
neuioiedi e B. atrox, era produzido após três meses, dispendendo um total
de 5 a 6 gramas de veneno; o antiofídico era preparado mediante
inoculações alternadas de venenos crotálico e botrópico polivalente,
recebendo o animal, ao cabo de dois e meio a três meses, 2 a 3 gramas
de cada tipo de veneno.
Anos mais tarde, com a introdução de um adjuvante oleoso adicionado
às últimas doses, as quantidades de veneno necessárias para a produção
de antivenenos dotados de títulos satisfatórios sofreram sensíveis
reduções, tanto para a primeira hiperimunização quanto para a
reimunização.
Em 1972, introduzimos novo esquema de doses e o alginato de sódio
como adjuvante, conseguindo reduzir pela metade o consumo de veneno.
A partir de 1975, baseados em trabalhos realizados por Oropeza e
cols. “ (1972), passamos a adotar o adjuvante de Freund e novo esquema
de hiperimunização, tendo sido realizados ensaios preliminares necessários
para a adequada adaptação aos venenos de serpentes brasileiras e aos
métodos de doseamentos observados pelo Instituto Butantan.
A presente comunicação, estabelecendo uma análise comparativa
entre os diversos esquemas de hiperimunização ofídica adotados pelo
Instituto Butantan, durante o período de 1957 a 1979, propõe-se a revelar
os resultados obtidos com o emprego do alginato de sódio e do adjuvante
de Freund, nas misturas imunogênicas de venenos ofídicos do Brasil.
MATERIAL E MÉTODOS
1. Esquemas de Hiperimunizações:
Foram estudadas hiperimunizações anticrotálica, antibotrópica,
antiofídica® (anticrotálica e antibotrópica), antielapídica e, a partir de
1963, o antilaquético.
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ROLIM-ROSA, R.: VIEIRA. E. G. J.; SILES VILLARROEL. M.; SIRACUSA, Y. Q. & IIZUKA. H.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hiperimunização empregados na produção de
soros antiofidicos pelo Instituto Butantan (1967-1979). Mem. Inst. Butanian, ^í/45:259-270, 1980/81.
1.1 Esquema empregado durante o período compreendido entre 1957
e 1962;
1.1.1 Hiperimunização de base
Eram inoculadas de 17 a 19 doses de veneno, em escala crescente,
a partir de 0,1 mg até 250,0 mg em cavalos pesando até 300 kg, em um
período de 86 dias; em cavalos pesando acima de 300 kg e até 450 kg,
inoculavam-se doses até 350,0 mg, em 93 dias e, finalmente, em cavalos
pesando acima de 450 kg, inoculavam-se doses até 450,0 mg de veneno,
em 100 dias, num total, respectivamente, de 815,8 mg, 1.165,8 mg e
1.615,8 mg. Os intervalos, entre uma dose e a seguinte, variavam de
4 a 7 dias.
Um adjuvante oleoso era adicionado, a partir da 12.^ dose, de forma
alternada.
1.1.2 Reimunização
Trinta dias após o último dia de sangria referente à hiperimunização
de base, os cavalos eram retomados, de acordo com o seguinte esquema
de doses: iniciava-se a reimunização com uma dose de 30,0 mg de veneno,
progredindo até a dose de 250,0 mg em cavalos pesando até 300 kg, em
um período de 31 dias, num total de 790,0 mg; até a dose de 300,0 mg
nos cavalos pesando acima de 300 kg a 450 kg, durante 38 dias, num
total de 1.090,0 mg e, finalmente, até a dose de 450,0 mg nos cavalos
pesando acima de 450 kg durante 45 dias, num total de 1.540,0 mg de
veneno.
Os intervalos observados entre as doses variavam de 5 a 7 dias.
O adjuvante era o mesmo da hiperimunização de base, adicionado
a doses alternadas a partir da segunda.
Via de inoculação: Foi sempre utilizada a via subcutânea, em um
só ponto para cada dose, na região dorsal dos animais.
Sangria de prova: Tanto na hiperimunização de base quanto na
reimunização, as sangrias de prova eram realizadas sete dias após a
penúltima inoculação de veneno, momentos antes da aplicação da última
dose.
Sangrias finais: Efetuadas sete dias após a última dose de antígeno
e representava, tanto após a hiperimunização de base quanto na
reimunização, na coleta de um volume de sangue correspondente a 5%
do peso do animal, dividida em três parcelas com intervalo de 48 horas
entre uma e outra.
1.2 Esquema empregado durante o período compreendido entre os anos
de 1963 e 1971:
1.2.1 Hiperimunização de base
Eram inoculadas de 14 a 15 doses de veneno, em escala crescente,
a partir de 1,0 mg até 350,0 mg, ou até a dose de 450,0 mg em cavalos
que não respondiam com títulos neutralizantes satisfatórios, durante um
período de 91 a 98 dias, num total de 1.190,0 mg ou.de até 1.614,0 mg
de veneno.
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ROLIM-ROSA, R.; VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.; SIRACUSA, Y. Q. & IIZUKA. II.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hiperimunização empregados na produção de
soros antiofídicos pelo Instituto Butantan (1957>1979). Mem. Inat. Butantan, 4^/i5:259-210, 1980/81.
Os intervalos observados entre as doses variavam de 4 a 7 dias.
O mesmo adjuvante oleoso, utilizado no primeiro esquema, era adicio¬
nado, em doses alternadas, a partir da 6.^.
1 .1.2 Reimunização
Trinta dias após o último dia da sangria final referente à hiperimuni¬
zação de base, os animais eram reimunizados de acordo com a seguinte
escala de doses: 100,0 mg, 200,0 mg e 300,0 mg, juntando-se o adjuvante
oleoso apenas à segunda dose.
Os intervalos entre as inoculações eram de sete dias.
Via de inoculação do veneno, sangrias de prova e finais eram as
mesmas descritas no esquema referente ao período anterior.
1.3 Esquema empregado durante o período compreendido entre os anos
de 1972 e 1974:
1.3.1 Hiperimunização de base
Eram inoculadas 12 doses de veneno, a partir de 1,0 mg até
180,0 mg, em um período de 77 dias, empregando um total de antígeno
de 564,0 mg, com exceção dos venenos crotálico e elapídico, os quais
eram inoculados em 16 doses, a partir de 0,1 mg até 170,0 mg, durante
um período de 105 dias e consumindo um total de 508,3 mg de veneno.
Os intervalos mantidos entre as doses eram, regularmente, de 7 dias.
Como adjuvante introduzimos o alginato de sódio, em solução a
2 %, adicionado a todas as doses de veneno.
1.3.2 Reimunização
Os cavalos eram reimunizados 30 dias após o último dia da sangria
final, de acordo com o seguinte esquema de doses: 20,0, 40,0, 80,0 e
160,0 mg, com intervalos de 7 dias entre as mesmas.
A todas as doses, era adicionado alginato de sódio, como na hiperi¬
munização de base.
Via de inoculação dos venenos, sangrias de prova e sangrias finais,
como nos períodos anteriores.
1.4 Esquema empregado durante o período compreendido entre os anos
de 1975 e 1979:
1.4.1 Hiperimunização de base
Eram inoculadas 5 doses de veneno, num total de 16,0 mg, sendo a
primeira dose constituída de 5,0 mg de veneno mais adjuvante de Freund
completo; a segunda dose constituída de 5,0 mg de veneno mais adjuvante
de Freund incompleto e as três últimas doses eram preparadas apenas
com a solução de veneno, sendo 2,0 mg cada, num período de 18 dias,
sendo os intervalos de 7 dias entre as três primeiras doses e de dois
dias entre as demais.
1.4.2 Reimunização
Após um período de descanso de 30 dias, a contar do último dia
da sangria final, os animais eram retomados recebendo, nesta fase.
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ROLIM-ROSA, R.; VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.: SIRACUSA, Y. Q. & IIZUKA. H.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hiperimunização empregados na produção de
soros antiofídicos pelo Instituto Buthntan (1957-1979). Mem. Inat, Butantan, ^4/^5:259-270, 1980/81.
apenas 3 doses de imunógeno sem adjuvante, correspondendo a alíquotas
de 2,0 mg de veneno.
Os intervalos entre as inoculações eram de 48 horas.
Via de inoculação : A via de inoculação, a exemplo dos esquemas
anteriores, era a subcutânea, sendo que na hiperimunização de base cada
uma das duas primeiras doses era injetada em oito pontos diferentes
do dorso do animal, enquanto as três últimas eram aplicadas em
torno dos granulomas formados pelas duas primeiras. Estas inoculações
eram efetuadas em três etapas com duas horas de intervalo.
Sangria de prova; Era realizada sete dias após a injeção da última
dose de antígeno.
Sangria final: Era processada dez dias após a última inoculação
de veneno e consistia na coleta de um volume de sangue correspondente
a 3% do peso do cavalo, realizada em duas etapas com intervalo de
48 horas.
2. Métodos de doseamentos:
As titulações dos soros anticrotálico e antielapídico, nas sangrias
de prova, eram feitas pelo método de Dean & Webb variando-se a
quantidade de veneno e mantendo-se constante o volume de soro. Os
imunessoros antibotrópicos e antilaquético o foram pelo método de Vital
Brazil *.
Após a concentração e purificação dos antivenenos pelo método de
Pope®'"’, modificado por Furlanetto® (1961), a titulação dos mesmos
era realizada pelo método de Vital Brazil.
Títulos mínimos requeridos nas sangrias de prova, para a sangria final;
Soros
1957/1974
1975/1979
Anticrotálico
0,2 mg/ml
0,5 mg/ml
Antibotrópico
0,6 mg/ml
1,0 mg/ml
Antiofídico
0,2 mg/ml ♦
0,6 mg/ml **
0,3 mg/ml *
1,0 mg/ml **
Antielapídico
0,2 mg/ml
0,3 mg/ml
Antilaquético
0,6 mg/ml
1,0 mg/ml
* Fração anticrotálica
** Fração antibotrópica
O soro antilaquético passou a ser produzido regularmente, a partir
da década de 60.
RESULTADOS
As tabelas 1 e 2 consubstanciam os resultados referentes ao consumo
de venenos para a produção de cinco imunessoros, nos quatro diferentes
períodos analisados, traduzindo em percentuais os miligramas empregados
na hiperimunização de base e na reimunização.
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ROLIM-ROSA, R.; VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.; SIRACUSA. Y. Q. & IIZUKA. H.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hiperímunização empregados na produção de
soros antiofídicos pelo Instituto Butantan (1957-1979). Mem. Inst. Butantan, ^í/45:259-270, 1980/81.
TABELA 1
Quantidades de venenos, em miligramas, e respectivos percentuais correspondentes
aos quatro esquemas de hiperimunização utilizados durante os períodos de 1957-1962,
1963-1971, 1972-1974 e 1975-1979.
Hiperimunização de base
Serviço
1957-1962
1963-1971
1972-1974
1975-1979
Venenos
em mg
%
Venenos
em mg
% *
Venenos
em mg
% *
Venenos
em mg
% *
Botrópico
1615,8
100
1614
99,89
564
34,91
16
0,99
Crotálico
1615,8
100
1614
99,89
508
31,46
16
0,99
Ofídico
1614,0
100
1614
100,00
564
34,94
16
0,99
Elapídico
1615,8
100
1614
99,89
508
31,46
16
0,99
Laquético
1614
100,00
564
34,94 *♦
16
0,99 **
* Percentagens em relação ao primeiro período (1957-1962)
** Percentagens em relação ao segundo período (1963-1971)
TABELA 2
Quantidades de venenos, em miligramas, e respectivos percentuais correspondentes
aos quatro esquemas de reimunização utilizados durante os períodos de 1957-1962,
1963-1971, 1972-1974 e 1975-1979.
Reimunização
Serviço
1957-1962
1963-1971
1972-1974
1975-1979
Venenos
em mg
%
Venenos
em mg
% *
Venenos
em mg
% *
Venenos
em mg
% *
Botrópico
1540
100
600
38,96
300
19,48
6
0,39
Crotálico
1540
100
600
38,96
300
19,48
6
0,39
Ofídico
1640
100
600
38,96
300
19,48
6
0,39
Elapídico
1640
100
600
38,96
300
19,48
6
0,39
Laquético
600
100,00
300
50,00 *♦
6
1,00 **
* Percentagens em relação ao primeiro período (1957-1962)
Percentagens em relação ao segundo período (1963-1971)
As Tabelas 3 e 4 apresentam resultados referentes ao número de
dias requeridos para as hiperimunizações de base e para as reimunizações,
com respectivos percentuais, nos quatro diferentes períodos estudados.
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ROLIM-ROSA. R.; VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL. M.; SIRACUSA, Y. Q. & IIZUKA. 11.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hiperimunização empregados na produção de
soros antiofídicos pelo Instituto Butantan (1967-1979). Mem. Inst. Butantan, 44/^5:259-270, 1980/81.
TABELA 3
Número de dias e respectivos percentuais, necessários para a hiperimunização de
base, correspondentes aos quatro períodos de 1957-1962, 1963-1971, 1972-1974 e
1975-1979.
Hiperimunização de base
Serviço
1957-1962
1963-1971
1972-1974
1975-1979
n.° de
dias
%
n.° de
dias
% *
n.° de
dias
% *
n.° de
dias
% *
Botrópico
100
100
98
98
77
77,0
18
18,0
Crotálico
100
100
98
98
77
77,0
18
18,0
Ofídico
100
100
98
98
77
77,0
18
18,0
Elapídico
100
100
98
98
77
77,0
18
18,0
Laquético
98
100
77
78,6 **
18
18,4 **
* Percentagens em relação ao primeiro período (1957-1962)
** Percentagens em relação ao segundo período (1963-1971)
TABELA 4
Número de dias e respectivos percentuais, necessários para a reimunização,
correspondentes aos quatro períodos de 1957-1962, 1963-1971, 1972-1974 e 1975-1979.
Reimunização
Serviço
1957-1962
1963-1971
1972-1974
1975-1979
n.° de
dias
%
n.° de
dias
% *
n.° de
dias
% *
n.° de
dias
% *
Botrópico
45
100
14
31,10
21
46,70
4
8,9
Crotálico
45
100
14
31,10
21
46,70
4
8,9
Ofídico
45
100
14
31,10
21
46,70
4
8,9
Elapídico
45
100
14
31,10
21
46,70
4
8,9
Laquético
14
100,00
21
150,00 **
4
28,6 **
* Percentagens em relação ao primeiro período (1957-1962)
** Percentagens em relação ao segundo período (1963-1971)
As figuras 1 e 2 sintetizam as quantidades de venenos utilizadas
quatro esquemas de hiperimunização e de reimunização, respectiva-
mente, referentes aos períodos: 1957-1962, 1963-1971, 1972-1974 e
1975-1979.
265
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KOLIM-ROSA, n.; VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.; SIRACUSA, Y. Q. & IIZUKA. H.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hiperimunizaçáo empregados na produção de
soros antiofídicos pelo Instituto Butantan (1967-1979). Mem. Inst. Butantan, íí/45:259-270, 1980/81.
Fisf. 1 — Quantidades de venenos, em miligramas, utilizadas na hiperimunizaçáo de um eqüídeo, em quatro
diferentes períodos.
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KOLIM-ROSA, R.: VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.; SIRACUSA, Y. Q. & IIZUKA. H.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hiperimunização empregados na produção de
soros antiofídicos pelo Instituto Butantan (1957-1979). Mem. Inst. Butantan, 4^/45:259-270, 1980/81.
diferentes períodos.
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ROLIM-ROSA. R.; VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.; SIRACUSA, Y. Q. & IIZUKA. II.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hiperimunizaçáo empregados na produção de
soros antiofídicos pelo Instituto Butantan (1957-1979). Mem. Inst. Butanian, ^///45:259-270, 1980/81.
DISCUSSÃO
Os resultados demonstram, claramente, as diminuições progressivas
das necessidades de venenos ofídicos e dos prazos requeridos para a
produção dos soros antiofídicos, no Instituto Butantan.
Durante o período de 1957 a 1962, as quantidades de venenos neces¬
sárias para hiperimunizar eqüídeos variavam em função do peso do
animal. Iniciavam-se com a dose de 0,1 mg e terminavam, nos cavalos
pesando acima de 450 kg, com a dose de 450,0 mg de veneno, num prazo
de 100 dias. A reimunização era efetuada com quantidade de veneno
muito próxima da primeira hiperimunização, num prazo equivalente à
metade daquele observado anteriormente.
De 1963 a 1971, embora o dispêndio de venenos e tempo para a hipe¬
rimunização de base fossem praticamente iguais ao do primeiro período
referido acima, a reimunização passou a ser realizada com menos da
metade de antígeno e o tempo, de 45 dias, foi reduzido para 14.
O adjuvante utilizado nesses dois citados períodos, isto é, 1957-62
e 1963-71, era constituído de uma mistura oleosa, à base de óleo vegetal,
misturado às últimas doses de venenos, alternadamente. Também os
títulos considerados mínimos satisfatórios eram os mesmos, isto é; 0,2
mg/ml nas sangrias de prova dos serviços anticrotálico e antielapídico,
dosados por floculação, e 0,6 mg/ml para os serviços antibotrópico, anti-
laquético e para a fração antibotrópica do soro antiofídico.
Um novo adjuvante, solução de alginato de sódio a 2%, utilizado
a partir de 1972 até 1974, permitiu que o gasto de veneno, por animal,
representasse menos da metade daquele referente aos períodos anteriores
quando da primeira hiperimunização e, justamente a metade quando da
reimunização; todavia, nesta, o prazo aumentou de 14 para 21 dias. Os
títulos considerados satisfatórios eram os mesmos exigidos nos períodos
anteriores.
A partir de 1975, passamos a empregar o adjuvante de Freund
completo misturado à primeira dose, incompleto à segunda e às três
últimas doses, apenas a solução de veneno. A reimunização era realizada
apenas com três doses idênticas às últimas da primeira hiperimunização.
Este processo propiciou marcante economia de venenos ofídicos e de
tempo para a produção dos antivenenos. Em relação aos primeiros dois
métodos, a quantidade de veneno passou a ser, aproximadamente, cem
vezes menor e o tempo, cerca de cinco vezes menos. Este fato assumiu
características mais flagrantes quando da reimunização dos animais.
As quantidades de veneno utilizadas foram cerca de 250 vezes menores
(1.540,0 mg e 6,0 mg, respectivamente). Em conseqüência, foram obtidas
consideráveis economias de venenos, de tempo e maior rendimento dos
animais soro-produtores. Paralelamente, foi observada acentuada dimi¬
nuição das reações locais, nos pontos de inoculação dos antigenos: não
mais ocorreram grandes abscessos e necroses de pele e tecidos subja¬
centes, como eram relativamente comuns nos períodos anteriores, fatores
responsáveis pelos frcqüentes atrasos nas hiperimunizações.
Os títulos mínimos considerados satisfatórios, após a introdução do
adjuvante de Freund, passaram a ser 0,5 mg/ml nas sangrias de prova
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nOLIM-ROSA. R.: VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.; SIRACUSA, Y. Q. & IIZUKA. H.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hiperimunização empresados na produção de
soros antiofídicos pelo Instituto Butantan (1957-1979). Mcm. Inat. Butantan, 4</í5:259-270, 1980/81.
do serviço anticrotálico, 0,3 mg/inl no serviço antielapídico, 0,3 mg/ml
na fração anticrotálica do soro antiofídico e 1,0 mg/ml para os serviços
antibotrópico, antilaquético e na fração antibotrópica do soro antiofidico.
Por outro lado, quando comparativamente utilizamos o esquema de
hiperimunização adotado pelo Departamento de Sueros Hiperiramunes,
dei Instituto Nacional de México ®, não obtivemos, com os venenos por
nós utilizados, imunessoros com títulos satisfatórios, aferidos pelas téc¬
nicas observadas pelo Instituto Butantan.
CONCLUSÕES
1. Dentre os três adjuvantes utilizados pelo Instituto Butantan,
ou sejam mistura oleosa, alginato de sódio e adjuvante de
Freund, este último ofereceu melhores e mais significativas
conveniências na produção de soros antiofídicos;
2. o adjuvante de Freund propiciou uma economia de venenos da
ordem de cem vezes, em relação ao processo de hiperimunização
de eqüídeos anticrotálica, antibotrópica, antilaquética e antiela-
pídica, empregado de 1957 a 1971;
3. 0 tempo necessário para a hiperimunização de base com o adju¬
vante de Freund, foi cerca (ie seis vezes menor em relação ao
tempo requerido nos períodos de 1957-62 e 1963-71 e de cerca
de (lez vezes na reimunização;
4. as quantidades de venenos utilizadas para as reimunizações,
com 0 adjuvante de Freund, foram cerca de 250 vezes menores
em relação ao emprego de venenos do período 1957-62;
5. os títulos mínimos satisfatórios foram ampliados, após o uso
do adjuvante de Freund.
ABSTRACT: In the course of 22 years (1957-1979), the Instituto
Butantan adopted 4 mcthods for the hyperimmunization of equines,
differing among thcmselves as to doses, and three methods as to
doses and adjuvant: vegetal oil, natrium alginate and Freund’s
adjuvant respectively. During the last observation period, i.e.,
1975-1979, the introduction of Preund’s adjuvant, complete and
incomplete, into the immunogenic mixturo, reduced about 99% the
venom quantity to be applied, and about 80% of the time necessary
for the production of immune sera with titers higher than those
obtained before.
KEYWORDS: Antiophidic sera. Methods for equine hiperimmu-
nization. Freund’s adjuvant in the equine hiperimmunization.
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269
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
nOLIM-ROSA, R.; VIEIRA, E. G. J.: SILES VILLARROEL, M.; SIRACUSA, Y. Q. & IIZUKA. H.
Análise comparativa sobre os diferentes esquemas de hiperimunização empregados na produção de
soros antioffdicos pelo Instituto Butantan (1967-1979). Mem. Inst. Butantan, .4.1/^5:269-270, 1980/81.
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270
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
Mem. ÍTist. Butantan
4í/íJ:271-279, 1980/81
VERIFICAÇÃO DA ATIVIDADE TÓXICA DE VENENOS
CROTÁLICOS E DA CAPACIDADE NEUTRALIZANTE
DOS ANTIVENENOS ESPECÍFICOS, EM CAMUNDONGOS
Medardo SILES VILLARROEL >
Raymundo ROLIM ROSA ^
Flávio ZELANTE3
Walter BANCHER «
Helena Maria PIOTO ^
RESUMO: Os autores compararam, em camundongos, a eficiência
das vias intraperitoneal e intravenosa na determinação da atividade
tóxica de venenos crotálicos crotamino-positivos e crotamino-negati-
vos. Verificaram a validade do uso de ambas as vias, tendo a intra¬
peritoneal se revelado mais sensível. O mesmo modelo experimental
demonstrou ser eficiente para o doseamento dos antivenenos específi¬
cos, não sendo observadas diferenças relativas às vias de inoculação.
Todavia, nas reações cruzadas, o antiveneno crotálico crotamino-posi-
tivo demonstrou maior capacidade neutralizante do que o crotamino-
-negativo. Este fato sugero o emprego do veneno crotamino-positivo
para o preparo e doseamento dos antivenenos de Crotalus durisstes
terri/icus do Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: Venenos e antivenenos crotálicos
ção de venenos e antivenenos, em camundongos.
Titula-
INTRODUÇÃO
A atividade do veneno crotálico, predominantemente neurotóxica e
nefrotóxica ainda é determinada, segundo preconiza a Farmacopéia
Brasileira^ (1977), pelo método de Vital Brazil “ (1907). Conseqüente-
!• Professor Livre Docente do Departamento de Microbiologia e Imunoloiíia do Instituto de Ciências
Biomédícas da Universidade de São Paulo.
2. Diretor do Serviço de ImunoloKÍa do Instituto Butantan, Professor Assistente Doutor do Departamento
do Microbiolopia e Imunolopria do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo.
3. Professor Titular do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da Universidade de São Paulo.
4. Profes.sor Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
Bioméilicas da Universidade de São Paulo.
6. Técnica de Laboratório do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
Biomédicas da Universidade de São Paulo.
Endereço para correspondência: Cai.xa Postal 65 — São Paulo — Brasil.
271
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
SILES VILLARROEL. M.; ROLIM-ROSA. R.; ZELANTE, F.; BANCHER, W. & PIOTO, H. M.
Verificação da atividade tóxica de venenos crotálicos e da capacidade neutralizante doa antivenenos
específicos, em camundongos. Mem. Inst. Butantan, í^/^5:271-279, 1980/81.
mente, o mesmo critério é aplicado para a titulação do antiveneno
respectivo.
Siles Villarroel “ (1977), Siles Villarroel e cols. trabalhando
com venenos botrópicos e elapídicos, propuseram a substituição daquele
método, demonstrando as vantagens do emprego do camundongo e das
vias intraperitoneal e intravenosa, conforme o caso, para as inoculações.
Em relação ao veneno crotálico, algumas observações já foram
realizadas por Kocholaty e cols.® (1968) e Kocholaty e cols.’ (1971),
que utilizaram camundongos e as vias intraperitoneal e intravenosa, para
a inoculação de venenos de C. durissiis durissus e C. dicríssus terrificus.
Concluíram que a via intraveno.sa revela melhor ação do veneno do que
a intraperitoneal. Por outro lado, Bolanos ‘ (1972), verificando a
toxicidade do veneno de Crotalus durissus durissus da América Central,
também utilizou camundongos e aquelas duas vias de inoculação.
Observou, ao contrário, que a via intraperitoneal evidencia maior
suscetibilidade do animal ao veneno inoculado.
Aparentemente, existe uma discrepância entre os dois resultados;
todavia, em seus trabalhos, esses autores não forneceram maiores
informações sobre a composição do veneno empregado.
Rohm Rosa e cols.® (1973), entre nós, empregaram camundongos
que receberam veneno de Crotalus durissus terrificus, crotamino-positivo,
pela via intravenosa. A crotamina confere ao veneno crotálico crotamino-
-positivo, propriedades bioquímicas e farmacológicas diferentes daquele
negativo, estando esta diferença de composição diretamente relacionada
com a distribuição geográfica das serpentes.
Na ausência de informações a respeito, procuramos verificar se
ocorrem vaiuações na toxicidade dos dois tipos de venenos de Crotalus
durissus terrificus — crotamino-positivo e crotamino-negativo — segundo
as vias de inoculação. Como observações complementares, aplicamos,
também, o mesmo modelo experimental para o doseamento dos antivenenos
específicos e nas reações de neutralização cruzada.
MATERIAL E MÉTODOS
Veneno crotálico
Foram utilizados venenos de serpentes Crotalus durissus terrificus
(Laurenti 1768), crotamino-positivos e crotamino-negativos, obtidos por
extração manual de diversos animais adultos, dessecados à vácuo e
mantidos em geladeira a ± 4”C. Quando de seu emprego, foram feitas
soluções concentradas a 1% em solução de NaCl a 0,85% das duas espécies
de venenos. A partir destas, foram preparadas todas as demais diluições
utilizadas nos ensaios.
Prova para a detecção de crotamina
A crotamina foi verificada conforme Schenberg(1959), através
de prova “in vivo”.
272
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
SILES VILLARROEL, M.; ROLIM-ROSA, R.; ZELANTE, F.; BANCHER, W. & PIOTO, H. M.
Verificação da atividade tóxica de venenos crotálicos e da capacidade neutralizante dos antivenenos
específicos, em camundongos. Mem. Jnst. Dutantarit 4^/^5:271-279, 1980/81.
Antiveneno crotâlico
Os antivenenos específicos, obtidos em cavalos hiperimunizados pela
primeira vez, foram purificados e concentrados segundo o método de
Pope modificado * e utilizados obedecendo aos critérios adotados em
trabalhos anteriores
Animais utilizados
Foram utilizados camundongos brancos (Miis musculus Linnaeus,
1758), pesando 20,0 g ± 2,0 g, procedentes do Biotério do Instituto de
Ciências Biomédicas da USP, que receberam inoculações pelas vias
intravenosa e intraperitoneal, num volume de 0,5 e 1,0 ml, respectivamente.
Em todos os ensaios, foram utilizados lotes de seis animais por dose,
sem distinção de sexo. Após as inoculações, esses animais foram
observados aos 10, 30 e 60 minutos, às 24 e 48 horas. A toxicidade dos
venenos foi determinada em termos de DL.-,o, segundo o método de Reed
& Müench» (1938).
RESULTADOS
Para facilitar a realização dos ensaios, previamente foram deter¬
minadas as zonas de toxicidade dos venenos crotamino-positivos e
crotamino-negativos, inoculados pelas vias intravenosa e intraperitoneal.
De posse desses informes, foram, então, determinadas as respectivas
DLr.o. As tabelas 1 e 2 apresentam os resultados observados com o veneno
crotamino-positivo, quando inoculado pelas vias intravenosa e intrape¬
ritoneal, respectivamente.
TABELA 1
Determinação da DL» do veneno de Crotalus dnrissus terrificus (crotamino-positivo)
inoculado, pela via intravenosa (0,5 ml), em camundongos.
Tempos de
observação
Doses
em microgramas
2,40
2,88
3,46
4,15
5,00
6,00
DLr,„
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
0/6
3/6
4/6
6/6
6/6
3,67 US
48 horas
0/6
0/6
3/6
4/6
3,67 (JLg
TABELA 2
Determinação da DL™ do veneno de Crotalus durissus terrificus (crotamino-positivo)
inoculado, por via intraperitoneal (0,5 ml), em camundongos.
Doses em microgramas
observação
2,00
2,60
3,38
4,39
5,71
DL.0
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
1/6
1/6
4/6
6/6
6/6
3,01 fíg
48 horas
1/6
1/6
4/6
3,01 /xg
273
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
SILKS yrU.ARROEL, M.: ROLIM-ROSA. R.: ZELANTE. F.; BANCIIER, W. & PIOTO, H. M.
Verificação da atividade tóxica de venenos crotálicos e da capacidade neutralizante dos antivenenos
específicos, em camundongos. Mem. Inst. Uutantan, í4/í5:271-279, 1980/81.
As tabelas 3 e 4 apresentam os resultados observados para o veneno
de Crotalus durissus terrificus, crotamino-negativo, também inoculado
pelas duas vias.
TABELA 3
Determinação da DLr,,i do veneno de Crotalus durissus terrificus (crotamino-negativo)
inoculado, pela via intravenosa (0,5 ml), em camundongos.
Tempos de
observação
Doses
em microgramas
2,40
2,88
3,46
4,15
5,00
6,00
DL.-,„
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
1/6
2/6
5/6
6/6
6/6
3,63 /xg
48 horas
0/6
1/6
2/6
5/6
3,63 /xg
TABELA 4
Determinação da DL™ do veneno de Crotalus durissus terrificus (crotamino-negativo)
inoculado, pela via intraperitoneal (0,5 ml), em camundongos.
Tempos de
observação
Doses
em microgramas
1,56
2,00
2,60
3,38
4,39
5,71
DD,„
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
3/6
3/6
4/6
5/6
6/6
2,60 /xg
48 horas
0/6
3/6
3/6
4/6
5/6
2,60 /xg
As tabelas 5 e 6 referem-se aos doseamentos dos antivenenos
crotamino-positivos e, as tabelas 7 e 8, aos antivenenos crotamino-nega-
tivos, inoculados pelas vias intravenosa e intraperitoneal, respectiva¬
mente.
TABELA 5
Doseamento do antiveneno crotamino-positivo de Crotalus durissus terrificus (0,25 ml),
aferido frente ao veneno específico (DD,o = 3,67 /xg); mistura inoculada, pela via
intravenosa (0,5 ml), em camundongos.
Veneno de C.
d. terrificus
Sol. salina
ml
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
24 h
48 h
0,1
0,01
0,24
Q70P
0/6
0/6
0,2
0,02
0,23
0/6
0/6 *
0,3
0,03
0,22
X
2/6
2/6
0,4
0,04
0,21
3/6
3/6
0,5
0,05
0,20
30 mm.
4/6
5/6
Título: 1 ml de antiveneno crotamino-positivo de C. d. terrificus neutraliza
completamente 1,6 mg ou 436,0 DLs» do veneno específico.
274
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
SILES VILLARROEL. M.; ROLIM-ROSA. R.; ZELANTE, F.; BANCHER, W. & PIOTO, H. M.
Verificação da atividade tóxica de venenos crotálicos e da capacidade neutralizante dos antivenenos
específicos, em camundongos. Mcm. Inst. Butantan, ^.4/^5:271-279, 1980/81.
TABELA 6
Doseamento do antiveneno crotamino-positivo de Crotalus durissus terrificus (0,5 ml),
aferido frente ao veneno específico (DL5o= 3,01 p.g); mistura inoculada pela via
intraperitoneal (1,0 ml), em camundongos.
Veneno de C.
d. terrificus
Sol. salina
ml
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
24 h
48 h
0,3
0,03
0,47
0/6
0/6
0,4
0,04
0,46
0/6
0/6 *
0,5
0,05
0,45
X
2/6
2/6
0,6
0,06
0,44
3/6
3/6
0,7
0,07
0,43
30 min.
4/6
4/6
* Título: 1 ml de antiveneno crotamino-positivo de C. d. terrificus neutraliza
completamente 1,6 mg ou 631,5 DL-,o do veneno específico
TABELA 7
Doseamento do antiveneno crotamino-negativo de Crotalus durissus terrificus (0,25 ml),
aferido frente ao veneno específico (DLr,o= 3,63 fxg) ; mistura inoculada, pela via
intravenosa (0,6 ml), em camundongos.
Veneno de C.
d. terrificus
Sol. salina
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
ml
24 h
48 h
0,2
0,02
0,23
37°C
0/6
0/6
0,3
0,03
0,22
0/6
0/6 *
0,4
0,04
0,21
X
5/6
6/6
0,5
0,05
0,20
30 min.
6/6
_
0,6
0,06
0,19
6/6
* Título: 1 ml de antiveneno crotamino negativo de C. d. terrificus neutraliza
completamente 2,4 mg ou 661,2 DL™ do veneno específico.
TABELA 8
Doseamento do antiveneno crotamino-positivo de Crotalus durissus terrificus (0,5 ml),
aferido frente ao veneno específico (DL7,o= 2,60 p.g); mistura inoculada, pela via
intraperitoneal (1,0 ml), em camundongos.
Veneno de C.
d. terrificus
Sol. salina
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
ml
24 h
48 h
0,5
0,05
0,45
3VOC
0/6
0/6
0,6
0,06
0,44
0/6
0/6 *
0,7
0,07
0,43
X
1/6
2/6
0,8
0,08
0,42
30 min.
5/6
5/6
0,9
0,09
0,41
5/6
6/6
Título: 1 ml de antiveneno crotamino-negativo de C. d. terrificus neutraliza
completamente 2,4 mg ou 923,0 DLr.» do veneno específico.
275
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
SILES VILLARROEL, M.: ROLIM-ROSA. R.; ZELANTE, F.; BANCHER. W. & PIOTO. H. M.
Verificação da atividade tóxica de venenos crotálicos e da capacidade neutralizante dos antivenenos
específicos, em camundongos. Mem. Inat. Butantan, ^4/^5:271-279, 1980/81.
Com 0 objetivo de estabelecer análises comparativas entre as
capacidades neutralizantes dos dois antivenenos, foram conduzidos os
ensaios de neutralização cruzada constantes das tabelas 9 e 10.
TABELA 9
Doseamento do antiveneno crotamino-positivo de Crotalus durissus terrificus (0,25 ml),
aferido frente ao veneno crotamino-negativo de C. d. terrificus (DLir,i,= 3,63 /^g);
mistura inoculada, pela via intravenosa (0,6 ml), em camundongos.
Veneno de C.
d. terrificus
Sol. salina
Tempos de observação
Incubação
mg
ml
ml
24 h
48 h
0,4
0,04
0,21
370c
0/6
0/6
0,5
0,05
0,20
0/6
0/6
0,6
0,06
0,19
X
0/6
0/6 *
0,7
0,8
0,07
0,08
0,18
0,17
30 min.
6/6
6/6
* Título: 1 ml de antiveneno crotamino-positivo de C. d. terrificus neutraliza
completamente 4,8 mg ou 1.322,3 DLso do veneno crotamino-negativo
de C. d. terrificus
TABELA 10
Doseamento do antiveneno crotamino-negativo de Crotalus durissus terrificus (0,25 ml)
aferido frente ao veneno crotamino-positivo de C, d. terrificus (DLm^: 3,67 jag);
mistura inoculada pela via intravenosa (0,5 ml), em camundongos.
Veneno de C.
d. terrificus
Sol. salina
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
ml
24 h
48 h
0,1
0,2
0,01
0,02
0,24
0,23
37°C
0/6
0/6
0/6
0/6 *
0,3
0,03
0,22
X
1/6
1/6
0,4
0,04
0,21
30 min.
2/6
2/6
0,6
0,05
0,20
6/6
* Título: 1 ml de antiveneno crotamino-negativo de C. d. terrificus neutraliza
completamente 1,6 mg ou 436,0 DL» do veneno crotamino-positivo de
C. d. terrificus
DISCUSSÃO
A exemplo do que demonstráramos anteriormente com relação aos
venenos botrópico e elapídico, neste trabalho constatamos que os
camundongos também se prestam, satisfatoriamente, para a determinação
da toxicidade dos venenos crotálicos.
As DL 50 determinadas através das inoculações intravenosa e intra-
peritoneal, apresentaram valores bastante próximos entre si, embora esta
última via tivesse determinado uma suscetibilidade do animal, ligeiramente
superior. A presença de crotamina, nos pareceu não influir, de forma
marcante, na atividade tóxica do veneno.
276
SILES VILLARROEL, M.; ROLIM-ROSA, R.; ZELANTE, F.; BANCIIER. W. & PIOTO, H. M.
Verificação da atividade tóxica de venenos crotálicos e da capacidade neutralizante dos antivenenus
específicos, em camundongos. Mcm. Inst. Butantan, 4^/45:211-219, 1980/81.
Em todos os ensaios realizados, as mortes ocorreram a partir de
60 minutos, evoluindo com a progressão das doses. Por outro lado, em
nenhuma oportunidade ocorreram mortes após as primeiras 24 horas.
Estas observações nos permitem recomendar o emprego de camun¬
dongos como animal de prova e as vias intravenosa e intraperitoneal,
indistintamente, como vias de inoculação para a determinação da toxici¬
dade dos venenos crotálicos, quer sejam ou não dotados de crotamina.
Para efeito de uniformidade com as observações anteriores ", seria
recomendável a adoção da via intraperitoneal.
As duas vias de inoculação também permitiram o doseamento dos
antivenenos específicos (crotamino-positivo e crotamino-negativo), sem
que fossem observadas variações entre os resultados.
Em todos os ensaios realizados, as mortes ocorreram sempre a partir
de 60 minutos da inoculação, prolongando-se até as 48 horas.
A fim de ser mantida a uniformidade de critérios e tendo em vista
estes resultados, recomendamos, também, que o período de observação
dos animais inoculados somente com o veneno, seja prolongado até as
48 horas.
Devido à equivalência constatada nos resultados das reações de
soroneutralização específica, as provas cruzadas foram realizadas apenas
através da via intravenosa.
Enquanto na reação entre veneno e antiveneno crotamino-positivo o
título neutralizante determinado foi de 1,6 mg/ml (Tabela 5), na reação
cruzada antiveneno crotamino-positivo e veneno crotamino-negativo, o
titulo neutralizante foi três vezes maior ou seja, 4,8 mg/ml (Tabela 9).
Quando comparado o resultado entre a reação do antiveneno crotamino-
-negativo e veneno específico (2,4mg/ml: tabela 7) com o resultado
da reação entre o mesmo antiveneno e o veneno crotamino-positivo,
observa-se um efeito neutralizante menor (1,6 mg/ml: tabela 10).
Estas verificações sugerem que, para efeito de preparo e doseamento
de antivenenos crotálicos, devem ser utilizados os venenos crotamino-
-positivos, visto que os imunessoros correspondentes neutralizaram,
satisfatoriamente, os venenos crotamino-negativos, enquanto que a
recíproca ocorre em sentido contrário.
CONCLUSÕES
1. É possível a determinação da atividade tóxica dos venenos de
Crotalus dunssíis terrificus, crotamino-positivo e crotamino-
-negativo, em termos populacionais, através da inoculação
intraperitoneal ou intravenosa, em camundongos;
2. o mesmo modelo experimental demonstrou ser adequado para o
doseamento dos antivenenos específicos;
3. nas reações cruzadas, o antiveneno crotamino-positivo revelou
maior título neutralizante do que o antiveneno crotamino-
-negativo.
277
cm
SciELO
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SILES VILLARROEL, M.; ROLIM-ROSA, R.: ZELANTE, F.: BANCHER, W. & PIOTO. H. M.
Verificação da atividade tóxica de venenos crotálicos e da capacidade neutrali/ante dos antivcnenos
específicos, em camundongos. Mem. Inst. Butantan, H/i5:2Tl-219, 1980/81.
ABSTRACT: The authors compare in mice the efficiency of intra-
peritoneal and intravenous routes for the determination of the
toxic activity of crotamin-positive and crotamin-negative crotalic
venoms. The validity of both routes was verificd, the intra-
peritoneal, however, proving to be more sensitive. The same expe¬
rimental model demonstratcd its efficiency in dosing specific anti-
venins, and no diffcrences were observcd in relation to the
inoculation routes. However, with cross-reaction, the crotamin-
-positive crotalic antivenin showed a higher neutralizing capacity
than the crotamin-negative one. This fact suggests the employmont
of the positive-crotamin venom for the preparation and dosing
of Brasilian Crotalxis durissus terrificus antivenin.
KEY-WORDS: Crotalic venoms and antivenins. Titration of
venoms and antivenins in mice.
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SciELO
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específicos, em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 4^/^5:271-279, 1980/81.
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279
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Mem. Inst. Butantan
•44/-45:281-288. 1980/81
POSSIBILIDADE DA DETERMINAÇÃO DA TOXICIDADE
DO VENENO DE LACHESIS MUTA MUTA E DA
titulação do antiveneno específico, em
CAMUNDONGOS
Medardo SILES VILLARROEL’
Flávio ZELANTE
Raymundo ROLIM ROSA ***
José Luís DE LORENZO
RESUMO: Os autores testaram, em camundongos, a eficiência das
vias intraperitoneal e intravenosa, tanto para a determinação da
atividade tóxica, em termos de DLbo, do veneno de Lachesis muta
muta, como para o doseamento do antiveneno específico.
Lotes de seis animais foram inoculados, pela via intraperitoneal, com
doses crescentes de veneno, e observados apóe 10, 30, 60 minutos, 24 e
48 horas; todas as mortes ocorreram no período compreendido entre
60 minutos e 24 horas, sendo sempre proporcionais à progressão das
doses. A inoculação intravenosa, por outro lado, não proporcionou
os mesmos resultados; os animais, sem exceção, morreram durante
os primeiros 30 minutos após a inoculação.
A via intraperitoneal permitiu, também, o doseamento do antiveneno
específico, possibilitando a sua titulação em termos de mg ou de
número de DLm de veneno neutralizado por ml.
Os resultados demonstram a validade da via intraperitoneal de
camundongos como modelo experimental satisfatório para essas
finalidades.
PALAVRAS-CHAVE; Veneno de Lachesis muta muta, titulações
do veneno e do antiveneno laquético, em camundongos.
INTRODUÇÃO
Devido ao elevado número de acidentes, é grande o interesse desper¬
tado pelo estudo dos venenos e antivenenos ofídicos, sendo bastante
Drofesaor Livre Docente do Departamento de Microbiolos;ia e Imunologia do Instituto de Ciências
Liomédicas da Universidade de São Paulo.
Titular do Departamento de Microbiolo^ia e ImunoloRia do Instituto de Ciências Bio-
médicas da Universidade de São Paulo.
* Serviço de lmunoIo(?ia do Instituto Butantan. Professor Assistente Doutor do
Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade
^ de São Paulo.
* Drofessor-Assistente do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
BiomédicaB da Universidade de São Paulo.
Endereço para correspondência: Caixa Postal 4365 — São Paulo — Brasil.
281
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.- ROLTM-ROSA, R. & DE LORENZO. J. L. Possibilidade da
determinação da toxicidade do veneno de Lacheais muta muta e da titulação do antiveneno específico,
em camundonífos. Mem. Inst. Butantan, ^4/-45:281-288, 1980/81.
extensa a literatura pertinente. Todavia, poucos foram os autores que
se preocuparam com a análise, “in vivo”, da ação dos venenos das espé¬
cies de Lachesis. Este aparente desinteresse possivelmente esteja rela¬
cionado com a limitada distribuição geográfica dessas serpentes encon¬
tradas apenas na América Central e na América do Sul No Brasil,
são encontradas somente na Região Amazônica e nas florestas da Ver¬
tente Atlântica Centro-Leste sendo pequeno o número de acidentes
relatados
Brazil e Rangel Pestana® (1909), testaram vários animais com as
finalidades de determinar a toxicidade dessas peçonhas e de dosar
os respectivos antivenenos; concluíram que as aves são mais sensíveis
à ação dos venenos ofídicos e adotaram, como modelo experimental, o
pombo e a via intravenosa. Foram os primeiros pesquisadores a divul¬
gar informes relativos à atividade tóxica do veneno laquético e da
ação neutralizante do antiveneno. Mais tarde, Rosenfeld (1976) des¬
creveu a sintomatologia e a evolução clínica da intoxicação laquética,
observando indivíduos que sofreram acidentes por serpentes desse gênero.
Bolanos ' (1972), estudando a toxicidade de peçonhas de serpentes
da Costa Rica, comparou a variação da atividade do veneno de Lachesis
muta stenophrys, quando inoculado pelas vias intravenosa e intraperito-
neal de camundongos. Verificou que a primeira via determinava maior
toxicidade.
Apesar da inconveniência do uso de pombos para a determinação
da toxicidade de venenos, até o presente, em nosso país, ainda é adotado
0 método proposto por Vital Brazil® (1907). Sendo a Farmacopéia Bra¬
sileira* (1977) omissa a respeito do laquético, seu doseamento é reali¬
zado a partir de inoculações intravenosas em pombo, que são observados
durante 24-48 horas, embora Siles VillarroeP® (1977) e Siles Villarroel
e cols. ’*■ tenham demonstrado que o camundongo e as vias intra-
peritoneal ou intravenosa, conforme o caso, constituem o modelo mais
adequado para ensaios com venenos e antivenenos botrópicos, elapídicos
e crotálicos.
Devido à inexistência de informações e dando continuidade às obser¬
vações anteriormente realizadas, neste trabalho os autores se propuseram
a analisar, comparativamente ao pombo, o comportamento do camun¬
dongo como animal experimental e as vias intravenosa e intraperitoneal,
como vias de inoculação para a determinação da toxicidade do veneno
da espécie Lachesis muta muta e da atiyidade neutralizante do antiveneno
específico.
MATERIAL E MÉTODOS
Veneno laquético
O veneno utilizado em todos os ensaios, foi obtido por extração
manual de várias serpentes adultas Lachesis muta muta Linnaeus, 1766,
dessecado a vácuo e, após a cristalização, mantido em geladeira, a ±
4°C. Quando do uso, foi preparada uma solução concentrada a 1% em
solução de NACl a 0,85%. A partir desta, foram preparadas todas as
demais diluições utilizadas.
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SILES VILLARROEL, M.: ZELANTE, F.- ROLIM-ROSA. R. & DE LORENZO, J. L. Possibilidade da
determinação da toxicidade do veneno de Lachcsia muta muia e da titulação do antiveneno específico,
em camundongos. Mem. Inat. Butantan, 4^/45:281-288, 1980/81.
Para as posteriores comparações, a Dose Mínima Mortal (DMM)
do veneno, determinada em pombos segundo o método de Vital Brazil,
correspondeu a 225,0 [j.g do veneno seco. Em todas as determinações
realizadas, as mortes ocorreram em até 30 minutos.
Antiveneno laquético
O antiveneno específico foi obtido através da hiperimunização de
cavalos e purificado de acordo com o método de Pope modificado ’’ (1961).
Quando da realização dos ensaios, foi diluído a 1:2 em virtude da sensi¬
bilidade apresentada pelos camundongos ao fenol, normalmente adicio¬
nado como preservador dos imunessoros purificados.
A sua atividade neutralizante, determinada em pombos (método de
Vital Brazil), foi equivalente a 1,5 mg/ml.
Animais utilizados
Foram utilizados camundongos brancos {Mus mnscidus, Linnaeus,
1758), sem distinção de sexo, adultos jovens, pesando 20 g ± 2,0 g,
procedentes do biotério do Instituto de Ciências Biomédicas da USP;
estes animais receberam inoculações pelas vias intravenosa ou intrape-
ritoneal, no volume de 0,5 e 1,0 ml, respectivamente. Foram utilizados
lotes de seis animais por dose; após as inoculações, foram observados
por um período máximo de 48 horas, com leituras parciais aos 10, 30
e 60 minutos e 24 horas.
Determinação da DL^o do veneno
Foi realizada de acordo com o método de Reed & Müench (1938).
RESULTADOS
Para possibilitar a determinação da DL^o, foi necessária a avaliação
prévia das zonas de toxicidade do veneno, inoculado tanto pela via intra¬
venosa como pela intraperitoneal. Os resultados constam das tabelas 1
í! 2, respectivamente.
TABELA 1
Peterminaçâo da zona de toxicidade do veneno de Lachesis muta muta inoculado,
pela via intravenosa (0,5 ml), em camundongos.
Tempos de
observação
Doses em microgramas
25
50
100
200
10 minutos
0/6
0/6
2/6
6/6
30 minutos
0/6
0/6
3/6
60 minutos
0/6
0/6
3/6
24 horas
0/6
0/6
3/6
48 horas
0/6
0/6
3/6
283
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SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.. ROLTM-ROSA. R. & DE LORENZO, J. L. Possibilidade da
determinação da toxicidade do veneno de Lachesis muta muta e da titulação do antiveneno específico,
em camundongos. Mem. Iri&t. Butantan, ^4/-45:281“288, 1980/81.
TABELA 2
Determinação da zona de toxicidade do veneno de Lachesis muta muta inoculado,
pela via intraperitoneal (0,5 ml), em camundongos.
Tempos de
observação
Doses em microgramas
60
100
200
400
10 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
0/6
0/6
6/6
48 horas
0/6
0/6
0/6
A partir dessas informações, foram realizados os ensaios determi¬
nantes da DL 50 , cujos resultados constam das tabelas 3 e 4.
TABELA 3
Tentativa de determinação da DLm do veneno de Lachesis muta muta inoculado,
pela via intravenosa (0,5 ml), em camundongos.
Doses em microgramas
observação
60,00
60,00
72,00
86,40
103,68
124,42
10 minutos
1/6
1/6
1/6
1/6
6/6
6/6
30 minutos
1/6
1/6
1/6
1/6
60 minutos
1/6
1/6
1/6
1/0
24 horas
1/6
1/6
1/6
1/6
48 horas
1/6
1/6
1/6
1/6
TABELA 4
Determinação da DL™ do veneno de Lachesis muta muta inoculado, pela via
intraperitoneal (0,5 ml), em camundongos.
Tempos de
observação
Doses
em microgramas
250,00
280,00
313,60
351,23
393,38
440,58
r)Lr>o
10 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
3/6
4/6
5/6
6/6
6/6
295,27 MS
48 horas
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3/6
4/6
5/6
295,27 MS
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SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, R- ROLIM-ROSA, R. & DE LORENZO, J. L. Possibilidade da
determinação da toxicidade do veneno de Lachcsia mvta muta e da titulação do antiveneno específico,
em camundongos. Mcm. Inst. Butantan, :281-288, 1980/81.
A tabela 5 apresenta os resultados dos ensaios para a determinação
do título neutralizante do imunessoro específico, através da via
intraperitoneal.
TABELA 5
Doseamento do antiveneno de Lachesis muta muta (0,5 ml), aferido frente ao veneno
específico (DLm^ 295,27 /xg); mistura inoculada, pela via intraperitoneal (1,0 ml),
em camundongos.
Veneno de L. muta muta
Sol. salina
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
ml
24 h
48 h
1,0
0,10
0,40
37°C
0/6
0/6
1,1
0,11
0,39
0/6
0/6 ♦
1,2
0,12
0,38
X
1/6
1/6
1,3
0,13
0,37
2/6
3/6
1,4
0,14
0,36
30 min.
3/6
4/6
Título; 1 ml de antiveneno de L. muta muta neutraliza completamente 4,4 mg
ou 14,9 DLm do veneno respectivo.
DISCUSSÃO
Ao contrário do método de Vital Brazil, o emprego de camundongos
Que sofreram inoculações pela via intraperitoneal possibilitou a determi¬
nação da DL,r,o do veneno de Lachesis muta muta, com satisfatória repro-
dutibilidade.
Embora, em todos os ensaios realizados, o período de observação
tenha sido mantido até 48 horas, quando da inoculação intravenosa, as
niortes ocorreram, sistematicamente, dentro dos primeiros 30 minutos,
com as doses próximas ou superiores à zona de toxicidade (Tabela 3),
não permitindo a determinação da DL.-,o- Com isto, ficou evidenciado que
a inoculação intravenosa não é adequada para essa finalidade.
Ao contrário, quando o veneno foi administrado pela via intraperi¬
toneal, as mortes se sucederam somente após 60 minutos (Tabela 4),
obedecendo a uma regularidade e guardando uma relação com a progres¬
são das doses inoculadas. A DL.-,o equivalente a 295,27 pg do veneno,
correspondente à leitura de 24 horas, manteve-se para a de 48 horas,
permanecendo esta característica constante em todos os ensaios realiza¬
dos. Desta forma, torna-se desnecessária a leitura até 48 horas, redu¬
zindo 0 período de observação.
As demais vias usuais de inoculação não foram verificadas no pre¬
sente trabalho, devido às observações de outros autores, que demonstra¬
ram serem elas menos eficientes -■
Embora Bolanos ^ (1972) tenha utilizado a via intravenosa para a
determinação da DL 50 da peçonha de Lachesis muta stenoph'i'ys, os nos-
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STLES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.» ROLIM-ROSA, R. & DE LORKNZO, J. L. Possibilidade da
determinação da toxicidade do veneno de Lachesis muta muta e da titulação do nntiveneno específico,
em camundongos. Mcm. Inst. Butantan, íí/45:281-288, 1980/81.
sos resultados não podem ser cotejados devido à provável constituição
diversa do veneno analisado por aquele autor, apesar de serem produtos
de serpentes do mesmo gênero.
As mortes precoces, observadas quando da inoculação intravenosa,
possivelmente sejam devidas à somatória de diferentes atividades do
veneno, dentre as quais a coagulação intravascular constatada por Rosen-
feld em humanos, embora estes testes “in vitro” tenham demonstrado
que este veneno é dotado de fraca atividade coagulante Todavia,
Deutsch & Diniz (1955), Diniz e cols. ® (1973) e Oliveira’" (1974),
empregando o método de Ware & Seegers (1949), observaram o con¬
trário.
A DLr.o determinada nas presentes observações (295,27 (Ag), supe¬
rior à DMM verificada em pombos (225,0 [xg), demonstra que estes ani¬
mais, embora de maior porte mas morrendo dentro dos primeiros 30
minutos após a inoculação, são dotados de elevada sensibilidade ao veneno
em si ou a algum dos fatores que o constituem. A DMM, nestas condi¬
ções, não determina a real toxicidade do veneno, mas um fenômeno par¬
ticular da via de inoculação, pois o mesmo foi observado nos camundon¬
gos que sofreram inoculação pela mesma via, num determinado limiar
da progressão das doses (Tabela 3).
O mesmo modelo experimental permitiu o doseamento da potência
do antiveneno laquético específico, possibilitando expressá-la em termos
de mg de veneno ou em número de DL,-,o neutralizadas por ml. Esta
conduta, confirmando as recomendações de Bolanos ’■ ”, comportou-se de
forma semelhante à verificada com o antiveneno botrópico
Assim, a atividade tóxica responsável pelas manifestações clínicas
dos venenos de Lachesis muta viuta e das principais espécies botrópicas
do Brasil e, ainda, a capacidade neutralizante dos antivenenos específicos,
somente podem ser determinadas de forma segura, econômica e reprodu¬
tível, empregando-se a via intraperitoneal de camundongos.
CONCLUSÕES
1. A inoculação intraperitoneal em camundongos possibilitou, satis¬
fatoriamente, a determinação da DL.,o do veneno de Lachesis muta muta
e 0 doseamento do antiveneno específico;
2. ao contrário, conforme a dose, a inoculação intravenosa pro¬
moveu a morte rápida dos animais, no máximo em 30 minutos, tornando
inviáveis tais determinações.
ABSTRACT: The authors tested in mice the efficiency of intra¬
peritoneal and intravenous routes for the determination of the
toxic activity, in terms of LD»,, of Lachesis muta muta venom
as well as for the dosage of specific antivenins.
Groups of 6 animais were inoculated via intraperitoneal with
increasing doses of venom, and observed after 10, 30, and 60 min,
24 and 48 h; death ocurred between 60 min and 24 h, always
proportional to the progression of the doses. The intravenous
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SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.- ROLIM-ROSA, R. & DE LORENZO, J. E. Possibilidade rfa
determinação da toxicidade do veneno de Lachesis muta miita e da titulação do anliveneno específico,
em camundongos. Mcm. Inst. Butantan, j^Jt/i5:2S\-2S8, 1980/81.
inoculation, on the other hand, did not produce the same results;
without exception, the animais died within the first 30 min after
inoculation.
Moreover, the intraperitoneal route allowed the dosage of the
specific antivenin, granting its titration in terms of mg or the
number of LDso of neutralized venom per ml.
The results demonstrated the intraperitoneal route in mice as a
satisfactory experimental model for this purpose.
KEY-WORDS: Lachesis muta muta venom; titrations in mice of
lachesis venom, and its antivenins.
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287
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SILES VILLARROEL, M.: ZELANTE. F.» ROMM-ROSA. R. & DE LORENZO. J. L. Possibilidade da
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288
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Mcm. Inat. Butantan
•4-4A5:289-297, 1980/81
PERSPECTIVAS DE PADRONIZAÇÃO DAS TITULAÇÕES
de venenos e antivenenos elapídicos, em
CAMUNDONGOS
Medardo SILES-VILLARROEL *
Raymundo ROLIM-ROSA ♦*
Flávio ZELANTE
Elizabete Gomes JARDIM VIEIRA****
RESUMO: Os autores, utilizando venenos das espécies Micrurus
frontalis e Micrurus corallinus, demonstram que a atividade tóxica
desses venenos pode ser determinada, satisfatoriamente, através de
inoculações intravenosa e intraperitoneal em camundongos. Também
demonstram que a potência de neutralização dos imunessoros
antielapidicos obtidos em cavalos, pode ser determinada, utilizando-se
as mesmas vias de inoculação, em camundongos. Descrevem, também,
a ocorrência de neutralização cruzada entre os venenos e antivenenos
estudados.
PALAVRAS-CHAVE: Titulações de venenos e antivenenos elapí¬
dicos; neutralização cruzada entre venenos e antivenenos do gênero
Micrurus.
INTRODUÇÃO
Em trabalhos anteriores foi demonstrado que a inoculação
intraperitoneal, permite o emprego de camundongos na avaliação da
atividade tóxica de venenos e no doseamento de antivenenos botrópicos.
Quanto à titulação de venenos e antivenenos elapídicos — gênero
Micrurus — a Farmacopéia Brasileira*® (1977) é omissa. Assim, até
0 presente, essas titulações são realizadas segundo o método original de
Brazil ® (1907), à semelhança do recomendado para os venenos e anti-
* Professor Livre Docente do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
Biomédicas da Universidade de São Paulo.
** Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan e Professor Assistente Doutor do Departa¬
mento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São
Paulo.
*** Professor Titular do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da Universidade de Suo Paulo.
***• Assistente do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência: Caixa Postal 4365 — São Paulo — Brasil.
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SILES VILLARROEL, M.: ROLIM-ROSA, R.; ZELANTE, F. & VIEIRA, E. G. J. Perspectivas de
padronização das titulações de venenos e antivenenos elapidicos, cm camundongos. Mem. Inst,
Ilutantan, íí/45:289-297, 1980/81.
venenos crotálicos devido a ambos os venenos apresentarem atividade
neurotóxica
Todavia, outros pesquisadores como Cohen e cols. *• Bolanos ^
Bolanos e cols. ■*' * e Vital Brazil e cols. (1976-77) já haviam verificado
algumas das atividades biológicas desses venenos e de seus respectivos
antivenenos, inoculados pelas vias intravenosa e intraperitoneal, em
camundongos.
O Manual de Procedimentos OMS/OPS (1977) apresenta, no
capítulo atinente à produção de antivenenos, os métodos utilizados para
avaliação da toxicidade das peçonhas e potência dos antivenenos que,
em suas linhas gerais, são semelhantes aos propostos por Siles Villarroel
e cols. (1976) e Siles Villarroel ” (1977).
Ainda de acordo com recomendações contidas no Boletim da
Organização Mundial da Saúde (1981), verifica-se que as mesmas
vêm de encontro aos nossos propósitos de tentativa de padronização
de antiveneno elapídico, assim como de todos os soros antipeçonhentos
produzidos no Brasil.
No presente trabalho, adotando a mesma metodologia anteriormente
utilizada ”, os autores se propõem a avaliar a toxicidade do veneno e
a potência de antivenenos do gênero Micrurus e, paralelamente, verificar
a possível neutralização cruzada entre os venenos e antivenenos estudados.
MATERIAL E MÉTODOS
Venenos elapidicos
Foram utilizados venenos das espécies Micrurus frontalis (Duméril,
Bibron et Duméril, 1854) Micnmis corallinus (Merrem, 1820)
procedentes de várias regiões do Brasil e obtidos de diversas serpentes
adultas, por extração manual, submetidos a secagem a vácuo e, após a
cristalização, mantidos em geladeira em torno de 4°C.
As soluções de veneno foram preparadas, inicialmente, na concen¬
tração de 1%, em solução de cloreto de sódio a 0,85%. A partir destas
soluções concentradas, foram preparadas as diluições de acordo com as
necessidades dos experimentos.
Antivenenos elapidicos
Os antivenenos específicos monovalentes, obtidos mediante hiperi-
munização de cavalos, foram concentrados e purificados segundo o
método de Pope modificado ” (1961). Em todos os ensaios, os imunessoros
utilizados foram diluídos a 1:2, devido à sensibilidade dos camundongos
ao agente preservativo (fenol), normalmente adicionado aos antivenenos
purificados ”.
Animais utilizados
Foram utilizados camundongos brancos (Mus musculvs Linnaeus,
1758), de ambos os sexos, adultos jovens pesando entre 18 e 22 g,
procedentes do biotério do Instituto de Ciências Biomédicas da Univer-
290
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SILES VILLARROEL. M.; ROLIM-ROSA. R.: ZELANTE, F. & VIEIRA, E. G. J. Perspectivas de
padronização das titulações de venenos e antivenenos elapidicos, em camundongos. Mem. Inst.
Ilutantan, ii/i5:ZS9-291, 1980/81.
sidade de São Paulo, inoculados pela via intravenosa ou intraperitoneal,
no volume de 0,5 e 1,0 ml, respectivamente, para cada dose. Em todos
os ensaios, foram sempre utilizados lotes de seis animais por dose. Após
a inoculação, os camundongos foram observados por um período máximo
de 48 horas, com observações parciais de 30 e 60 minutos, 24 e 48 horas.
Cálculo ãa DL50
A atividade tóxica dos venenos foi determinada através do método
de Reed e Müench(1938).
RESULTADOS
A partir das soluções de veneno a 1%, foram avaliadas as zonas
de toxicidade, necessárias para a determinação das respectivas DL50.
As tabelas de 1 a 4, apresentam resultados dos ensaios com os venenos
de M. frontalis e M. corallinus, inoculados pelas vias intravenosa e
intraperitoneal em camundongos; as tabelas de 5 a 8, apresentam os
resultados de avaliação de potência dos antivenenos específicos
monovalentes, inoculados pelas mesmas vias e para a mesma espécie
animal. Finalmente, as tabelas 9 e 10, contêm os resultados das reações
de neutralização cruzada entre os dois venenos e antivenenos estudados.
TABELA 1
Determinação da DL50 do veneno de Micrurus frontalis inoculado, pela via
intravenosa (0,5 ml), em camundongos de 18 a 22 g.
Tempos de
observação
Doses em microgramas
20,00
23,00
26,45
30,42
34,98
40,23
DL50
30 minutos
0/6 *
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
1/6
3/6
4/6
5/6
6/6
6/6
24,05 fig
48 horas
1/6
3/6
4/6
5/6
24,05 iJLg
TABELA 2
Determinação da DL50 do veneno de Micrurus frontalis inoculado, pela via
intraperitoneal (0,5 ml), em camundongos de 18 a 22 g.
Tempos de
observação
Doses em microgramas
25,00
30,00
36,00
43,20
51,84
62,21
DL50
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
2/6
3/6
5/6
6/6
6/6
35,06 fig
48 horas
0/6
2/6
3/6
5/6
35,06 fjLg
* Em todas as tabelas, o denominador representa o número de animais inoculados
e, o numerador, o número de animais mortos.
291
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
SILES VILLARROEL, M.; ROLIM-ROSA, R.: ZELANTE. F. & VIEIRA, E. G. J. Perspectivas de
padronização das titulações de venenos e antivenenos elapidicos, em camundongos. Mcm. Inst.
Butantan, /,^/45:289-297, 1980/81.
TABELA 3
Determinação da DL50 do veneno de Micrurus coralUnus inoculado, pela via
intravenosa (0,50 ml), em camundongos de 18 a 22 g.
Tempos de
observação
Doses em microgramas
6,96
8,00
9,20
10,56
12,17
13,99
DL50
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
0/6
3/6
4/6
6/6
6/6
9,62 /xg
48 horas
0/6
2/6
4/6
6/6
8,60 fig
TABELA 4
Determinação da DL50 do veneno de Micrurus corallinus inoculado, pela via
intraperitoneal (0,5 ml), em camundongos de 18 a 22 g.
Doses em microgramas
observação
8,00
9,60
11,52
13,82
16,58
19,90
24,88
29,86
DL50
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
1/6
1/6
2/6
3/6
5/6
5/6
6/6
16,16 Mg
48 horas
0/6
1/6
1/6
2/6
3/6
5/6
5/6
16,16 fig
TABELA 5
Doseamento do antiveneno de Micrurus frontalis (0,25 ml), colocado frente ao veneno
específico (DL50 = 24,05 ms) ; mistura inoculada, pela via intravenosa (0,5 ml),
em camundongos de 18 a 22 g.
Veneno de M. frontalis
Sol. Salina
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
ml
24 h
48 h
0,2
0,02
0,23
370 c
0/6
0/6
0,3
0,03
0,22
0/6
0/6
0,4
0,04
0,21
X
0/6
0/6
0,5
0,05
0,20
30 min.
0/6
0/6 ♦
0,6
0,06
0,19
6/6
Título: 1 ml de antiveneno de M. frontalis neutraliza 4,0 mg ou 166,32 DL50
do veneno específico.
292
SILES VILLARROEL. M.; ROLIM-ROSA, R.; ZELANTE, F. & VIEIRA, E. G. J. Perspectivas de
padronização das titulações de venenos e antivenenos elapidicos, em camundongos. Mem. Inst.
Butantan, íí/45:289-297, 1980/81.
TABELA 6
Doseamento do antiveneno de Micrunis frontalis (0,5 ml), colocado frente ao veneno
específico (DL50 = 35,06 /xg); mistura inoculada, pela via intraperitoneal (1,0 ml),
em camundongos de 18 a 22 g.
Veneno de M. frontalis
Sol. Salina
nil
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
24 h
48 h
0,8
0,08
0,42
0/6
0/6
0,9
0,09
0,41
37°C
0/6
0/6
1,0
0,10
0,40
X
0/6
0/6 *
1,1
0,11
0,39
30 min.
3/6
4/6
1,2
0,12
0,38
6/6
* Título; 1 ml de antiveneno de M. frontalis neutraliza 4,0 mg ou 114,09 DL50
do veneno específico.
TABELA 7
Doseamento do antiveneno de Micrurns corallinus (0,25 ml), colocado frente ao
veneno específico (DL50 = 8,6 /tg); mistura inoculada, pela via intravenosa (0,5 ml),
em camundongos de 18 a 22 g.
Veneno de M. corallinus
Sol. Salina
ml
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
24 h
48 h
0,1
0,01
0,24
0/6
0/6
0,2
0,02
0,23
370c
0/6
0/6
0,3
0,03
0,22
X
0/6
0/6 *
0,4
0,04
0,21
30 min.
2/6
2/6
0,5
0,05
0,20
6/6
* Título: 1 ml de antiveneno de M. corallinus neutraliza 2,4 mg ou 279,07 DL50
do veneno específico.
TABELA 8
Doseamento do antiveneno de Micrurus corallinus (0,5 ml), colocado frente ao veneno
específico (DL50 = 16,16 /xg) ; mistura inoculada, pela via intraperitoneal (1,0 ml),
em camundongos de 18 a 22 g.
Veneno de M. corallinus
Sol. Salina
ml
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
24 h
48 h
0,5
0,05
0,45
0/6
0/6
0,6
0,06
0,44
37°C
0/6
0/6
0,7
0,07
0,43
X
0/6
0/6 *
0,8
0,08
0,42
30 min.
2/6
2/6
0,9
0,09
0,41
3/6
3/6
* Título: 1 ml de antiveneno de M. corallinus neutraliza 2,8 mg ou 173,27 DL50
do veneno específico.
293
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
SILES VILLARROEL, M.; ROLIM-ROSA, R.; ZELANTE. F. & VIEIRA, E. G. J. Perspectivas de
padronização das titulações de venenos e antivenenos eiapídicos, em camundongos. Mem. Inst,
Butantan, ii/i5:289-291, 1980/81.
TABELA 9
Doseamento do antiveneno de Micrurus frontalis (0,25 ml), colocado frente ao veneno
de Micrurus corallinus (DL50 = 8,6 BS)’> mistura inoculada, pela via intravenosa
(0,6 ml), em camundongos de 18 a 22 g.
Veneno de M. corallinus
Sol. Salina
ml
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
24 h
48 h
37°C
0,05
0,005
0,245
X
0/6
0/6
0,1
0,01
0,24
30 min.
0/6
0/6 *
0,2
0,02
0,23
3/6
3/6
0,3
0,03
0,22
6/6
* Título: 1 ml de antiveneno de M. frontalis neutraliza 0,8 mg ou 93,02 DL50 do
veneno de M. corallinus.
TABELA 10
Doseamento do antiveneno de Micrurus corallinus (0,26 ml), colocado frente ao veneno
de Micrurus frontalis (DL50 = 24,05 fig); mistura inoculada, pela via intravenosa
(0,5 ml), em camundongos de 18 a 22 g.
Veneno de M. frontalis
Sol. Salina
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
ml
24 h
48 h
0,05
0,005
0,245
370 c
X
0/6
0/6
0,1
0,01
0,24
30 min.
0/6
0/6 *
0,2
0,02
0,23
6/6
0,3
0,03
0,22
6/6
* Título: 1 ml de antiveneno de M. corallinus neutraliza 0,8 mg ou 33,26 DL50
do veneno de M. frontalis.
DISCUSSÃO
A exemplo do demonstrado em observações anteriormente realizadas,
camundongos inoculados quer pela via intravenosa quer pela via
intraperitoneal, prestaram-se também, satisfatoriamente, para a titulação
de venenos e antivenenos eiapídicos. Mais uma vez ficou confirmada a
dispensabilidade do pombo para tais titulações.
Devido à natureza neurotóxicados venenos empregados, que
não induziram a mortes imediatas — durante os primeiros 60 minutos
— tanto a via intravenosa como a intraperitoneal podem ser utilizadas
para as titulações dos venenos e dos antivenenos. Todavia, a primeira
delas revelou maior suscetibilidade do animal, o que, em termos de
quantidade de veneno a ser empregada, torna-a mais adequada.
294
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
SILES VILLARROEL, M.: ROLIM-ROSA, R.; ZELANTE. F. & VIEIRA. E. G. J. Perspectivas <le
padronização das titulações de venenos e antivenenos elapídicos, em camundongos. Mcm. Inst.
Butantan, 4^/45:289-297, 1980/81.
Vital Brazil e cols. (1976/77), verificaram a existência de diferentes
graus de atividade tóxica de venenos de M. frontalis, conforme a região
de onde provém a serpente. Assim, as peçonhas de animais procedentes
do Estado de Mato Grosso foram menos ativas do que as correspondentes
do Estado de S. Paulo, quando Inoculadas pela via intravenosa em
camundongos.
Bolanos * (1972) e Bolanos e cols. ^ (1975), estudando diversos
venenos elapídicos, tanto da Costa Rica como da Colômbia e dos Estados
Unidos, inoculados pelas vias intraveno.sa e intraperitoneal em camun¬
dongos, verificaram que eram dotados de graus variados de toxicidade
que variavam, também, conforme a via de inoculação.
Cohen e cols.® (1971), trabalhando com amostras de venenos de
diversas regiões do Continente Americano obtiveram antivenenos em
coelhos. Os autores verificaram, através da soroneutralização cruzada,
que o antiveneno de M. frontalis tinha a capacidade de neutralizar, com
variados graus de eficiência, todos os demais venenos por eles estudados.
Os demais antivenenos, embora dotados de alguma capacidade neutra-
lizante, estão sempre inferiores ao antiveneno de M. frontalis. Nossos
resultados demonstraram que o antiveneno de M. corallinus, é dotado
de maior capacidade de soroneutralização cruzada do que o antiveneno
de M. frontalis.
Este fato deve constituir um alerta, pois destaca a necessidade de
que os imunessoros elapídicos sejam dotados de uma atividade neutrali-
zante a mais ampla possível, tendo-se em vista as naturais dificuldades
do não especialista, em reconhecer a espécie causadora do acidente.
CONCLUSÕES
1. A atividade tóxica dos venenos de Micrurns frontalis e de
Micrurus corallinus, pode ser determinada satisfatoriamente em
camundongos, através de inoculações pelas vias intravenosa e
intraperitoneal;
2. também a capacidade neutralizante dos antivenenos de M.
frontalis e de M. corallinus pode ser determinada em camun¬
dongos empregando-se a mesma metodologia;
3. embora ocorrendo soroneutralização cruzada, o antiveneno de
M. frontalis neutralizou apenas 0,8 mg do veneno de M. corallimis,
enquanto que na reação específica neutralizava 4,0 mg; por
sua vez, o antiveneno de M. corallinus neutralizou 0,8 mg do
veneno de M. frontalis, enquanto que na reação especifica
neutralizou 2,4 mg.
ABSTRACT: The authors, using venoms of the species Micrurus
frontalis and Micrurus corallmus, demonstrated that the toxic acti-
vity of these venoms can satisfactorily be determined by intravenous
and intraperitoneal inoculation in mice. They also ascertained that
the neutralization potency of the elapidic antivenins, made in horses,
can be determined in mice using the same route of inoculation.
295
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
SILES VILLARROEL. M.; ROLIM-ROSA, R.; ZELANTE, F. & VIEIRA, E. G. J. Perspectivas fie
padroniração das titulações de venenos e antivenenos elapídicos, em camundonsos. Mem. Inut.
Butantan, ii/i5:2S3-291, 1980/81.
They also describe the occurrence of cross-neutralization between
the venoms and antivenins under study.
KEYWORDS: Elapid venom and antivenin titration; cross-neutra¬
lization between venoms of the genus Micrurus and their antivenins.
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296
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
SILES VILLARROEL, M.; ROLIM-ROSA, R.: ZELANTE, F. & VIEIRA, E. G. J. Perspectivas de
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297
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Mcm. Inst. Btitantan
4-4A5:299-306, 1980/81
EMPREGO DE CAMUNDONGOS NA TITULAÇÃO DE
VENENOS E ANTIVENENO ESCORPIÔNICOS
Elisabete Gomes Jardim VIEIRA *
Medardo SILES VILLARROEL **
Flávio ZELANTE***
Sheila da Costa ÁVILA *
Raymundo ROLIM ROSA****
RESUMO: Foi determinada, em termos de DL50, a toxicidade dos
venenos de Tityus serrulatus e Tityus bahiensis em camundongos,
através das vias intraperitoneal e intravenosa. Com a mesma meto¬
dologia, foi avaliada a capacidade neutralizante do antiveneno de
T. serrulatm em relação ao veneno específico e paraespecífico.
Os resultados sugerem recomendar a metodologia ora proposta,
como método prático, econômico e reprodutível para titulação dos
venenos e antiveneno escorpiônicos estudados.
PALAVRAS-CHAVE: Titulação de venenos do gênero Tityus;
doseamento de antiveneno escorpiônico; soroneutralização cruzada
entre venenos escorpiônicos.
INTRODUÇÃO
O escorpionismo no Brasil está afeto, principalmente, às espécies
Tityus serrulatus e Tityus bahiensis, responsáveis por acidentes que,
mesmo desprovidos da dramaticidade característica devida aos envene¬
namentos ofídicos, podem representar sério risco ao acidentado,
particularmente para crianças
Embora os escorpiões apresentem ampla distribuição mundial, ainda
é pequeno o conhecimento sobre a natureza imunobiológica de seus
venenos, principalmente sobre a sua atividade tóxica. O mesmo ocorre
• Asnistcntes do Serviço de Injunoloíria do Instituto Butantan.
Professor Livre Docente do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
Biomódicas da Universidade de Sào Paulo.
• •• Professor Titular do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da Universidade de São Paulo.
•*•• Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan e Professor Assistente Doutor do Departa¬
mento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São
Paulo.
Endereço para correspondência: Caixa Postal 65 — Sào Paulo — Brasil.
299
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
VIEIRA, E. G. J.: SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; AVILA, S. C. & ROLIM-ROSA, R.
Emprego de camundongos na titulação de venenos e nntivenenos escorpiônicos. Mcm. Inst. Butantan,
4^/4í;299-306, 1980/81.
em relação ao preparo e doseamento dos antivenenos respectivos. As
informações são bastantes desencontradas, devido à ausência de padrões
quanto à técnica de obtenção do veneno, à espécie do animal de prova e
à via de inoculação
Já Maurano ® (1915) e BraziP (1918), estudaram a ação tóxica do
veneno e a atividade neutralizante do antiveneno de T. bahiensis, através
de inoculações subcutâneas em cobaias. Sergent (1938) determinou
a Dose Mínima Mortal (DMM) de triturado de glândulas de Prionurns
australis, em camundongos, pela via subcutânea. Magalhães® (1947)
comparou a atividade antitóxica do antiveneno escorpiônico produzido
pelo Instituto Ezequiel Dias frente a venenos de espécies existentes em
diversos outros países. BücherP (1953) utilizou camundongos e as
vias subcutânea e intravenosa para analisar a atividade tóxica dos
venenos de T. serrulatus e T. bahiensis, obtidos em diferentes fases de
extração, verificando qual delas (“gotículas límpidas, hialinas, opales-
centes e as últimas gotas leitosas espessas”) evidenciava maior
toxicidade.
A exemplo do demonstrado por Siles Villarroel e cols. (1978/79)
e Siles Villarroel e cols. (1980/81) com os venenos ofídicos e,
devido à ausência na Farmacopéia Brasileira ’ de recomendações técnicas
para as titulações dos venenos e antivenenos escorpiônicos, os autores se
propuseram a determinar, através das inoculações intraperitoneal e
intravenosa em camundongos, a toxicidade dos venenos escorpiônicos
obtidos por extração elétrica e avaliar, comparativamente, a capacidade
neutralizante do antiveneno de T. serrulahis em relação ao veneno
específico e paraespecífico.
MATERIAL E MÉTODOS
1. Venenos escorpiônicos — Foram utilizados venenos cristalizados,
fornecidos pela Seção de Artrópodes Peçonhentos do Instituto Butantan,
obtidos por extração elétrica, das espécies Tityus serrulatus Lutz e Mello,
1922 e Tityus bahiensis Perty, 1834.
As soluções dos venenos foram preparadas a 1% em solução salina
(NaCl 0,85%). Para efeito de comparação, foram determinadas as DMM,
segundo Brazil ® (1918), tendo os venenos de T. serrulatus e T. bahiensis
apresentados títulos de 400 pig e 200 ij.g, respectivamente.
2. Antiveneno escorpiônico — Foi utilizado o antiveneno purificado
de T. serrulatus, proveniente da Seção de Soros Antipeçonhentos do
Instituto Butantan, produzido em cavalos e com título neutralizante de 2
DMM por ml, equivalente a 0,8 mg de veneno específico neutralizado por
ml, segundo o método de Brazil ® (1918). Quando do seu emprego, o
antiveneno foi diluído a 1/2, com a finalidade de evitar o possível efeito
do fenol, normalmente adicionado aos imunessoros purificados.
3. Animais utilizados — Foram utilizados camundongos (Mus
musculus, Linnaeus, 1758) adultos jovens, de 20g ± 2g, procedentes
do Biotério do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São
300
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
VtETnA, E. G. J.: SILES VILLARROEL, M.: ZELANTE. F.; ÁVILA, S. C. & ROLIM-ROSA, R.
Emprepro de camundongos na titulação de venenos e antivenenos escorpiônicos. Mem. Inst. Butantan,
H/i5-.2í^-Z06, 1980/81.
Paulo, sem distinção de sexo, inoculados pelas vias intraperitoneal e
intravenosa. Em todos os ensaios, foram utilizados lotes de seis
camundongos por dose de veneno.
4. Determinação da toxicidade dos venenos escorpiônicos — Em
todos os ensaios, os animais receberam doses escalonadas dos venenos,
num volume de 0,5 ml para cada dose e observados aos 10, 30 e 60 minutos,
24 e 48 horas após as inoculações, sendo a toxicidade determinada, em
termos de DL50, pelo método de Reed & Müench (1938).
5. Doseamento do antiveneno de T. serrulatus — Em todos os
ensaios, foram utilizadas quantidades constantes de antiveneno e doses
variáveis de veneno, obtendo-se um volume final equivalente a 0,5 ml
por camundongo. A mistura, veneno-antiveneno, foi incubada a 37°C
durante 30 minutos. Os animais inoculados foram observados por um
período máximo de 48 horas. Os títulos do antiveneno foram expressos
em miligramas ou em número de DL50 de veneno neutralizado por ml
de antiveneno.
RESULTADOS
As tabelas 1, 2, 3 e 4 apresentam os resultados das atividades tóxicas
dos venenos de T. serrulatus e T. bahiensis.
TABELA 1
Determinação da DL50 do veneno de T. serrulatus inoculado pela via intraperitoneal
(0,5 ml), em camundongos.
Tempos de
observação
Doses em microgramas
DL50
20,00
26,00
33,80
43,94
57,12
74,25
10 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
2/6
4/6
4/6
24 horas
0/6
2/6
4/6
5/6
5/6
6/6
31,85 /xg
48 horas
0/6
2/6
4/6
5/6
6/6
30,88 fig
TABELA 2
Determinação da DL50 do veneno de T. serrulatus inoculado pela via intravenosa
(0,5 ml), em camundongos.
Tempos de
observação
Doses em microgramas
DL50
14,20
16,90
20,11
23,93
28,48
33,89
10 minutos
0/6
0/6
0/6
1/6
2/6
4/6
30 minutos
0/6
0/6
0/6
2/6
2/6
5/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
3/6
4/6
5/6
24 horas
0/6
1/6
2/6
4/6
5/6
6/6
22,02 /xg
48 horas
0/6
1/6
3/6
5/6
6/6
20,11 Mg
301
VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.: ZELANTE, F.; ÁVILA, S. C. & ROLIM-ROSA, R.
Emprego de camundongos na titulação de venenos e antivenenos escorpionicos, Mem. Inst. Butantan,
U/J,S:2i^-Z0&, 1980/81.
TABELA 3
Determinação da DL50 do veneno de T. bahiensis inoculado pela via intraperitoneal
(0,5 ml), em camundongos.
Tempos de
observação
Doses em microgramas
DL50
15,40
20,00
26,00
33,80
43,94
57,12
10 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
1/6
2/6
2/6
5/6
24 horas
0/6
1/6
3/6
5/6
6/6
6/6
26,00 fig
48 horas
0/6
1/6
3/6
5/6
25,00 B-S
TABELA 4
Determinação da DL50 do veneno de T. bahiensis inoculado pela via intravenosa
(0,5 ml), em camundongos.
Tempos de
observação
Doses em microgramas
DL50
7,10
9,23
12,00
15,60
20,28
26,36
10 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
2/6
3/6
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
3/6
5/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
1/6
3/6
6/6
24 horas
0/6
0/6
1/6
2/6
4/6
17,35 Hg
48 horas
0/6
0/6
1/6
2/6
4/6
17,35 HS
As tabelas 5, 6, 7 e 8 apresentam os resultados das provas de
soroneutralização específica e paraespecífica, realizadas com o antiveneno
de T. sernãatus frente aos venenos de T. serrulatiis e T. bahiensis.
TABELA 5
Doseamento do antiveneno de T. serrulatus (0,25 ml), em relação ao veneno específico
(DL50 = 30,88 fíg); mistura inoculada pela via intraperitoneal (0,5 ml), em
camundongos.
Veneno de T. serrulatus
Sol. salina
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
ml
24 h
48 h
0,10
0,010
0,240
37°C
0/6
0/6
0,15
0,015
0,235
0/6
0/6 *
0,20
0,020
0,230
X
2/6
2/6
0,25
0,025
0,225
30 min.
3/6
3/6
0,30
0,030
0,220
6/6
Título; 1 ml do antiveneno de T. serrulatus neutraliza 1,2 mg ou 38,86 DL50
do veneno específico.
802
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; ÁVILA, S. C. & ROLIM-ROSA, R.
Emprego de camundongos na titulação de venenos e antivenenos escorpiônicos. Mcm. Inst. Butantan,
44/^5:299-306, 1980/81.
TABELA 6
Doseamento do antiveneno de T. serrulatiis (0,25 ml), em relação ao veneno especifico
(DL50 = 20,11 fjLg ); mistura inoculada pela via intravenosa (0,5 ml), em camundongos.
Veneno de T. serrulatus
Sol. salina
Incubação
Tempos
de observação
mg
ml
ml
24 h
48 h
0,10
0,15
0,010
0,015
0,240
0,235
37°C
0/6
0/6
0/6
0/6 *
0,20
0,020
0,230
X
4/6
4/6
0,25
0,025
0,225
30 min.
6/6
0,30
0,030
0,220
6/6
* Titulo: 1 ml do antiveneno de T. serrulatus neutraliza 1,2 mg ou 57,91 DL50
do veneno especifico.
TABELA 7
Doseamento do antiveneno de T. serrulatus (0,25 ml), em relação ao veneno de
T. bahiensis (DL50 = 26,00 Mg); mistura inoculada pela via intraperitoneal (0,5 ml)
em camundongos.
Veneno de T. bahiensis
Sol. salina
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
ml
24 h
48 h
0,05
0,005
0,245
37°C
0/6
0/6
0,10
0,010
0,240
0/6
0/6 *
0,15
0,015
0,235
X
1/6
1/6
0,20
0,020
0,230
30 min.
6/6
0,25
0,025
0,225
6/6
* Titulo: 1 ml do antiveneno de T. serrulatus neutraliza 0,8 mg ou 30,77 DL50
do veneno de T. bahiensis.
TABELA 8
Doseamento do antiveneno de T. serriãatus (0,25 ml), em relação ao veneno de
T. bahiensis (DL50 = 17,35 /xg); mistura inoculada pela via intravenosa (0,5 ml)
em camundongos.
Veneno de T. bahiensis
Sol. salina
Incubação
Tempos
de observação
mg
ml
ml
24 h
48 h
0,05
0,005
0,245
37°C
■0/6
0/6
0,10
0,010
0,240
0/6
0/6 ♦
0,15
0,015
0,235
X
2/6
2/6
0,20
0,020
0,230
30 min.
6/6
6/6
0,25
0,025
0,225
Titulo: 1 ml do antiveneno de T. serrulatus neutraliza 0,8 mg ou 46,11 DL50
do veneno de T. bahiensis.
303
cm
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10 11 12 13 14 15
VIEIRA, E. G. J.: SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; ÁVILA, S. C. & ROLIM-ROSA, R.
Emprego de camundongos na titulação de venenos e antivenenos escorpiônicos. Mcm. Inst, Ilutantan,
44/Í5;299-306, 1980/81.
DISCUSSÃO
Siles Villarroel e cols. "• (1978/79) e Siles Villarroel e cols.
(1980/81), trabalhando com venenos e antivenenos ofídico.s, propuseram
a utilização do camundongo como animal de prova e as vias intraperitoneal
ou intravenosa, como vias de inoculação, como substitutos do pombo
(método de Vital Brazil) para os ensaios biológicos daqueles produtos.
De forma semelhante, as observações agora realizadas demonstraram a
possibilidade do emprego do camundongo, para a titulação dos venenos
e doseamento do antiveneno escorpiônico.
Tendo-se em vista que a Farmacopéia Brasileira não estabelece
normas e padrões para os ensaios biológicos destes produtos, os atuais
resultados se constituem numa proposta para a adoção de critérios
padronizados para as titulações dos venenos e antivenenos escorpiônicos.
O emprego do camundongo confere condições mais econômicas e de
melhor reprodutibilidade, o que representa fator importante para a
confiabilidade da eficácia terapêutica do antiveneno em questão.
A análise da atividade dos dois venenos estudados em camundongos,
demonstra que o da espécie T. bahiensis é dotado de maior toxicidade
do que o de T. serrulatus, fato constatado através da sua inoculação
tanto pela via intraperitoneal (DL50 26,00 [xg e 30,88 ixg, respectivamente)
como pela via intravenosa (DL50 17,35 [;.g e 20,11 iJ.g, respectivamente).
Estes resultados não concordam com observações realizadas no homem,
por Rosenfeld (1976).
Por outro lado, a via intravenosa demonstrou maior sensibilidade
dos animais inoculados do que a intraperitoneal, aos dois tipos de
venenos.
As mortes imediatas (durante os primeiros 10 minutos após a
inoculação do veneno) ocorreram quando os animais foram inoculados
pela via intravenosa com doses superiores a uma DL50. Este fenômeno,
comum para os dois tipos de venenos (Tabelas 2 e 4), não foi observado
quando as peçonhas foram inoculadas pela via intraperitoneal (Tabelas
1 e 3).
Os nossos resultados não podem ser cotejados com outros, pois, os
informes apresentados pelos autores que anteriormente trabalharam
com veneno escorpiônico, basearam-se em metodologia diferente da
adotada no presente trabalho.
A soroneutralizaçâo específica, entre veneno e antiveneno de T.
serrulatus, demonstrou que o antiveneno foi capaz de neutralizar 1,2 mg
do veneno específico, fato este demonstrado por ambas as vias de
inoculação (Tabelas 5 e 6). Quanto a soroneutralizaçâo paraespecífica,
o antiveneno de T. serrulatus neutralizou 0,8 mg do veneno de T. bahiensis
constatada também pelas duas vias de inoculação (Tabelas 7 e 8).
Embora a reação específica evidenciasse maior capacidade neutralizante,
foi demonstrada, também, a possibilidade de neutralização paraespecífica,
0 que caracteriza a existência de algumas frações ou determinantes
imunogênicos comuns entre os dois venenos estudados. Todavia, esta
reação não apresenta a mesma eficiência neutralizante, visto que, houve
304
cm
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VIEIRA. E. G. J.,- SILES VILLAREOEL. M.; ZELANTE, F.; AVILA. S. C. & ROLIM-ROSA, R.
Emprego de camundongos na titulação de venenos e antivenenos escorpiônicos. Mem. Inst. Butantan,
.<í/iJ:299-306, 1980/81.
uma redução em torno de 33% de atividade (1,2 mg e 0,8 mg, respecti¬
vamente). Assim, o antiveneno de T. serrulatus poderia ser utilizado
na terapêutica dos dois tipos de envenenamentos, indistintamente, o que
constitui um recurso auxiliar de real importância para a terapêutica dos
acidentes escorpiônicos mais freqüentes no Brasil.
Para efeito de uniformidade de conduta nos estudos e perspectivas
de padronização dos ensaios biológicos com venenos e antivenenos ofidicos,
aranêicos e escorpiônicos, julgamos recomendável a adoção do camun¬
dongo, como animal de prova e a via intraperitoneal como via de eleição.
CONCLUSÕES
1. Camundongos se prestaram adequadamente, quando receberam
inoculações pela via intraperitoneal, para a titulação da atividade
tóxica dos venenos de T. serrulatus e T. bakiensis;
2. o doseamento do antiveneno de T. serrulatus pode ser realizado,
indistintamente, pelas vias intraperitoneal ou intravenosa, em
camundongos ;
3. o veneno de T. bahiensis evidenciou maior toxicidade do que o
de T. serrulatus, quando inoculados pelas duas vias, em
camundongos ;
4. 0 antiveneno de T. serrulatus neutralizou 1,2 mg/ml do veneno
específico e 0,8 mg/ml do veneno de T. bahiensis.
ABSTRACT: The toxicity, in terms of LD50, of the venoms of
Titvus serrulatus and T. bahiensis was determined in mice by intra¬
peritoneal and intravenous route. With the same methodology, the
neutralizing capacity of the antivenin for T. serrulatus was
evaluated with relation to specific and paraspecific venoms.
The results permit the recommendation of the methodology here
proposed, as a practical, inexpensive and reproducible method
for the titration of the studied scorpion venoms and antivenins.
KEYWORDS: Titration of venoms of the genus Tityus; dosage
of scorpionic antivenin; serum cross-neutralization between scorpion
venoms.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Toxicon, 9 :9-13, 1971.
306
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mcm. Inst. Butantan
•44/45;307-315. 1980/81
EMPREGO SIMULTÂNEO DE ANTÍGENOS BOTULÍNICOS
TIPOS A E B, EM UM MESMO ANIMAL, PARA OBTENÇÃO
DE ANTITOXINA BIVALENTE *
Edison Paulo Tavares de OLIVEIRA **
Hideyo IIZUKA **
Hisako Gondo HIGASHI **
Maria Antonieta da SILVA **
Raymundo ROLIM ROSA **
RESUMO: Descreve-se método para a obtenção da antitoxina
botulínica bivalente tipo AB, através de hiperimunização simultânea
de cavalos com antígenos adsorvidos pelo alúmen de potássio.
Erapregando-se novo esquema de imunização, e utilizando antígeno
botulínico bivalente AB, obtiveram a respectiva antitoxina cujos
títulos específicos médios variavam entre os níveis de 140 a 200
Ul/ml para o tipo A e de 70 a 130 Ul/ml para o tipo B, tendo como
referência o soro padrão internacional. Após a purificação e concen¬
tração pelo método de Pope, os títulos finais atingiram valores da
ordem de 750 a 1000 Ul/ml.
Através deste novo método, foi verificado que é possível obter
soro antíbotulíníco bivalente tipo AB, num mesmo animal, com
resultados superiores aos processos anteriormente utilizados, com
menores dispêndios de antígenos, de animais soroprodutores, de
tempo e de trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: Botulismo; hiperimunização simultânea, de
eqüinos, com antígenos tipos A e B; toxina e toxóide botulínicos
tipos A e B.
INTRODUÇÃO
Em 1972, pela primeira vez no Brasil, foi preparado o soro anti-
botulínico tipo A, por um de nós, e, posteriormente, o tipo B, pela hiperi¬
munização de eqüídeos, através do antígeno adsorvido pelo sulfato duplo
de alumínio e potássio (11,18). Utilizando novo esquema de imunização,
foi possivel obter soros antitóxicos que apresentavam teor médio de anti¬
toxina botulínica ao redor de 750 a 1000 Ul/ml, quando purificados e
concentrados, pelo método de Pope (20).
Trabalho apresentado no VIII Congresso Latínoamericano de Microbiologia, Vina dei Mar, Chile.
Serviço de Imunologia — Instituto Butantan.
307
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
OLIVEIRA, E. P. T.; IIZUKA. H.; HIGASHI, H. G.- SILVA, M. A. & ROLIM ROSA. R. Emprego
simultâneo de antígenos botulínicos tipos A e B, em um mesmo animal, para obtenção de antitoxina
bivalente. Mem. Inst. Butantan, 4-4/-45;307“315, 1980/81.
Verificaram, também, que as antitoxinas dos tipos A e B não apre¬
sentam reação cruzada com a toxina heteróloga, comportando-se, por¬
tanto, como soros monoespecificos (11).
Contudo, em virtude da especificidade da antitoxina (13, 14) e da
eficácia de seu emprego depender de um diagnóstico prévio, estabelecido
através de prova de toxinotipia e do resultado do exame bacteriológico,
os quais sempre demandam precioso tempo, o tratamento deve ser ime¬
diatamente iniciado com a soroterapia bivalente AB, tendo em vista que
os casos de botulismo humano ocorreram com maior freqüência com
esses dois tipos (1, 4, 5, 6, 7, 12, 16, 27), com alto indice de mortalidade
(7, 15, 16, 19).
Portanto, propusemo-nos verificar a possibilidade de obtenção da
antitoxina botulinica bivalente tipo AB, num mesmo animal soroprodutor.
MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho foi conduzido utilizando, em linhas gerais, a
mesma metodologia desenvolvida e descrita pelos autores em trabalhos
anteriores (11, 18). Todavia, julgamos interessante destacar as seguin¬
tes considerações.
1. Cepas utilizadas — as cepas de Clostndium botvlmum tipo A,
n.° 306-IB e tipo B, n.® 204-IB, ambas dotadas de alto poder toxigênico,
foram escolhidas do estoque da germoteca do Instituto Butantan, para a
obtenção das respectivas toxinas.
2. Obtenção de toxinas — as toxinas botulínicas dos tipos A e B,
foram obtidas no meio de cultura proposta por Wadsworth, modificado
(11, 18, 23, 28). A toxicidade das culturas filtradas foram tituladas
segundo Nigg e col. (17), em camundongos de 18 a 22 g de peso, através
da inoculação pela via intraperitoneal de alíquotas de 0,5 ml de séries
de diluições de toxina em solução tampão de gelatina fosfatada (11).
3. Antígenos — para a preparação dos antígenos dos tipos A e B,
foram utilizadas toxinas filtradas que apresentavam cerca de 8 x 10^ a
1 X 10® DMM por mililitro, em camundongos, para cada tipo (Tabela 1).
A anatoxina botulinica, resultante da destoxificação da toxina pelo for-
TABELA 1
Toxicidade da cultura de Clostridimn botulinum tipos A e B e condições de
desenvolvimento da toxina *
Incubação
Tipo
Cepa
Temperatura
(°C)
Tempo
(dias)
DMM
A
306-IB
37
6
1 X 10“
B
204-IB
37
9
8 X 10“
* Inoculação de 0,5 ml por via intraperitoneal, em camundongos de 18 a 22 g.
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OLIVEIRA. E. P. T.: IIZUKA, H.; HIGASHI, H. G.- SILVA. M. A. & ROLIM ROSA. R. Emprego
simultâneo de antígenos botulínicos tipos A e B, em um mesmo animal, para obtenção de antitoxina
bivalente. Mera. /nst. Butantan, í4/^5;307-316, 1980/81.
maldeido, na taxa final de 0,5%, era precipitada pelo alúmen na concen¬
tração final de 1,25% do adsorvente. Após a prova de inocuidade (11,
28), era submetida à prova de imunogenicidade em cobaios de 250 a 300 g
de peso, de acordo com os estudos de Rice e col. (25). Os resultados
desta prova permitiam revelar os toxóides que apresentavam melhor
poder imunogênico, os quais passavam a ser utilizados como antígeno
para hiperimunização de cavalos. O antígeno bivalente era constituído
de mistura homogênea em proporções equivalentes das frações A e B.
4. Animais soroprodutores — para a obtenção do soro antibotu-
línico bivalente, foram selecionados 9 cavalos sadios, jamais empregados
na produção de anti-soros, de cerca de 8 a 10 anos de idade, em condições
físicas consideradas satisfatórias pelo exame prévio, clínico veterinário,
e separados em dois lotes:
Lote 1 — 4 animais, os quais eram inoculados com antígeno mono-
específico. Assim, os cavalos n.° 232 e 233 foram destinados à produção
do soro antibotulínico do tipo A, enquanto que os de n.° 243 e 244 o
foram para o tipo B, observando-se, em ambos os casos, o esquema de
imunização já citado (11, 18).
Lote 2 — 5 cavalos, os quais receberam os n.°s 234, 240, 248, 249 e
250, todos inoculados com o antígeno bivalente AB. Neste lote, também
os soros antitóxicos eram obtidos pela hiperimunização de eqüinos, em
duas fases, segundo o esquema de hiperimunização estabelecido em tra¬
balhos anteriores (11, 18), sendo que a primeira fase correspondia à
imunização de base. Devemos destacar que, em virtude de fórmula anti-
gênica estar encerrada no mesmo volume proposto no esquema citado,
cada animal soroprodutor recebia exatamente 50% de cada fração anti-
gênica, em relação aos animais do lote 1.
Na fase de hiperimunização, ao invés de administrar a quantidade
total de cada dose imunizante num único ponto, o volume de antígeno
misto AB correspondente era subdividido em cinco frações iguais, cada
qual sendo inoculada subcutaneamente em cinco pontos diferentes, na
região do dorso do animal.
Na última semana, cada cavalo pertencente a cada lote, era subme¬
tido à sangria exploradora. As reimunizações eram repetidas após cada
período de repouso de 45 dias (2) que sucedia imediatamente terminada
a sangria final.
O sangue recebido de cada animal era recolhido em solução anticoa-
gulante de citrato de sódio, sendo o plasma separado e a seguir tratado
com preservativo antes de ser levado à câmara fria, a 4‘’C, onde era
mantido até o momento de purificação e concentração. As misturas de
plasmas eram tratadas pelo método preconizado por Pope (20, 21), e
modificado posteriormente (9).
5. Soro e toxina padrões utilizados — os soros antibotulínicos,
padrões internacionais, eram provenientes de Statens Serum Institute de
Copenhagen, Organização Mundial de Saúde, de onde vêm acondicionados
em ampolas sob forma liofilizada e cujas atividades específicas estão con¬
tidas em 0,1360 mg para o tipo A, e 0,1740 mg para o tipo B (4).
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OLIVEIRA, E. P. T.; IIZUKA, H.; HIGASHI, H. G.- SILVA, M. A. & ROLIM ROSA. R. Emprepo
BÍmultânco de antíjçenos botulínícos tipos A c B, em um mesmo animal, para obtenção de antitoxina
bivalente. Mem. Inst. Butantan, ^4/^5:307-315, 1980/81.
As toxinas botulínicas padrões utilizadas no experimento foram pre¬
paradas no laboratório do Setor de Anaeróbios do Instituto Butantan e
padronizadas “in vivo”, ao nível de 0,1 L-|- (Limite morte), para o
tipo A e de 1 L-(-, para o tipo B, respectivamente, pelos soros padrões
antibotulínicos monoespecíficos, e conservadas sob forma de solução
glicerinada (4).
O método de titulação dos soros era realizado pelo teste de neutrali¬
zação “in vivo”, em consonância com o preconizado pela Organization
Mondiale de la Santè.
6. Animais utilizados — camundongos brancos (Mus musculus
Linnaeus, 1758), sem distinção de sexo, de 18 a 22 g, e cobaias de 250
a 300 g de peso, fornecidos pelo Biotério Geral do Instituto Butantan.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Estudando os surtos de botulismo no mundo inteiro, verifica-se que
a grande maioria dos casos humanos é provocada pela ingestão de alimen¬
tos contaminados pelas exotoxinas neuroparalíticas dos tipos A e B, e,
com menor freqüência, pelo tipo E (1, 5, 6, 7, 8, 10, 12, 16, 26, 27).
A análise dos dados publicados na literatura nos permite concluir
que os grandes surtos desta toxiinfecção apresentam características cícli¬
cas e ocorrem, de maneira estreitamente correlacionada com as épocas de
recessão econômica, sendo, portanto, a expansão do botulismo, atribuível
ao aumento de preparações de conservas caseiras (12).
Neste aspecto, entre outros, Legroux e col. (15) constataram na
França, durante a época de ocupação de 1940 a 1944, cerca de 500
focos de botulismo, envolvendo mais de 1000 intoxicados. Mais recente¬
mente, Horwitz e col. (12) em 1974, nos E.U.A., registraram 20 surtos,
num único ano, sendo o maior verificado desde 1935.
No Brasil, felizmente, o botulismo ainda é uma doença rara, uma
vez que se acha registrado apenas um surto ocorrido em 1958 (19).
Entretanto, neste acidente, 9 pessoas se intoxicaram das quais 7 tiveram
êxito letal.
Do que foi exposto, dada a inexistência do soro antibotulínico biva¬
lente tipo AB no país, e considerando que não existe outra terapêutica
comprovadamente melhor para o botulismo, resolvemos estabelecer, pelo
presente trabalho, uma metodologia para a obtenção de antitoxina botu-
línica bivalente, tipo AB.
O primeiro soro antibotulínico foi preparado por Van Ermengen
pela imunização de equinos, utilizando toxina como antígeno. Em vista
deste método apresentar certos inconvenientes (22), optamos pelo em¬
prego de produto atóxico, ou seja, o toxóide botulínico absorvido pelo
alúmen, que apresenta inúmeras vantagens; entre outras a faculdade
que 0 toxóide oferece de poder ser manipulado com absoluta segurança,
conservando todas as propriedades imunogênicas que favorecem a bios-
síntese de imunoglobulinas específicas.
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OLIVEIRA, E. P. T.; IIZUKA, H.; HIGASHI, H. G.- SILVA, M. A. & ROLIM ROSA. R. Emprego
simultâneo de antígenos botuHnicos tipos A e B, em um mesmo animal, para obtenção de antitoxina
bivalente. Mem. /nst. Butantan, ^^/^5;307-315, 1980/81.
Adaptando o esquema de imunização idealizado e posto em prática
pelo laboratório do Setor de Anaeróbios do Instituto Butantan (11,18),
podemos observar o resultado apresentado pelos cavalos pertencentes
ao Lote 1, que serviram como controle, com toxóides botulínicos mono-
valentes dos tipos A e B (Tabela 2). Pela mesma, os resultados revelam
níveis médios de 166 Ul/ml de antitoxina botulínica tipo A, e de 116
a 125 Ul/ml de tipo B.
A Tabela 3 mostra níveis de antitoxina botulínica bivalente tipo
AB, observados em cavalos pertencentes ao Lote 2, que receberam antí-
geno misto tipo AB, onde se nota que os títulos médios da fração A
variam de 140 a 200 Ul/ml, enquanto que na fração B, oscilam de 70 a
130 Ul/ml, no soro circulante. Pela análise destes dados, pode-se notar
que existe tendência marcante da superior resposta imunogênica da
fração A. Parece-nos que este fenômeno é atribuível ao efeito adjuvante
do antígeno tipo B sobre o do tipo A, que se evidenciou na forma com¬
binada, pois foi verificado que durante todo período de imunização, o
tipo A respondeu em níveis entre 100 a 200 Ul/ml, nas sangrias de
prova, ao passo que o tipo B oscilou entre os valores de 50 até o máximo
de 150 Ul/ml (Tabela 3).
Apesar de Rice (24) ter observado que o poder imunogênico da
fração B aumenta consideravelmente, quando se emprega o antígeno
bivalente AB na imunização de camundongos, em nossos experimentos
verificamos que ocorre fenômeno inverso. Esta divergência de resultados
correlaciona-se, possivelmente, com as diferentes espécies animais
utilizadas.
Por outro lado, confrontando os resultados obtidos nas Tabelas
2 e 3, pode-se destacar um fato muito interessante: embora os cavalos
pertencentes ao Lote 2 tivessem recebido apenas 50% da quantidade de
cada fração antigênica em relação aos do Lote 1, a síntese de antitoxina
botulínica alcançou praticamente os mesmos níveis séricos deste. Assim,
na fração A foram encontrados títulos médios oscilando entre os valores
de 140 a 200 Ul/ml, contra a média de 166 Ul/ml da imunização mono-
valente. O tipo B também comportou-se de maneira análoga, alcançando
média de 70 a 130 Ul/ml, contra 116 a 125 Ul/ml, da imunização mono-
específica.
TABELA 2
Níveis de antitoxina botulínica tipos A e B, observados em quatro cavalos do Lote 1,
no decurso de seis hiperimunizações
Cavalos
Tipo
Títulos em Ul/ml
Média
aritmética
Ul/ml
1 .»
Hiperimunização
2.“ 3.“ 4.“ 5.“
6 .“
232
A
100
200
200
100
200
200
166
233
A
100
200
200
100
200
200
166
243
B
60
100
150
100
150
150
116
244
B
50
150
150
100
160
150
125
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bivalente. Mem. Iriat. Butantan, ^4/^5:307-315, 1980/81.
TABELA 3
Níveis de antitoxina botulínica bivalente tipo AB, observados em cinco cavalos do
Lote 2, no decurso de cinco hiperimunizações, através do antígeno misto
Cavalos
n.°
Tipo
Títulos em Ul/ml
Média
aritmética
Ul/ml
l.a
Hiperimunização
2 .® 3.^ 4.^
5.“
234
A
200
200
200
200
200
200
B
150
150
150
50
100
240
A
200
200
200
200
200
200
B
150
150
100
60
90
248
A
200
200
200
200
160
B
150
150
150
150
50
130
249
A
100
200
100
100
200
140
B
50
50
150
150
150
110
250
A
200
200
100
200
200
180
B
150
150
50
70
A Tabela 4 mostra o resultado do doseamento do soro antibotulí-
nico bivalente AB purificado, onde os níveis antitóxicos atingiram os
valores de cerca de 1000 Ul/ml para fração A e de 750 Ul/ml, para o
tipo B. Finalmente, este soro purificado e concentrado era diluído con¬
venientemente para apresentar 500 Ul/ml de antitoxina de cada tipo,
para compor o soro antibotulinico bivalente AB, de acordo com as reco¬
mendações estabelecidas na XV Seção de “Expert Committee on, Biolo-
gical Standardization” da OMS.
TABELA 4
Dosagem do soro antibotulinico bivalente tipo AB purificado ♦
Soro antibotulinico
Tempo de observação em horas
Fração
Ul/ml
24
48
72
96
600
0/4
0/4
0/4
0/4
750
0/4
0/4
0/4
0/4
1000
0/4
0/4
0/4
0/4
1250
0/4
0/4
2/4
4/4
600
0/4
0/4
0/4
0/4
B
750
0/4
0/4
0/4
0/4
1000
0/4
2/4
3/4
3/4
1250
4/4
_
_
Dose individual de 0,5 ml da mistura toxina-antitoxina, pela via intraperitoneal,
em camundongos de 18 a 22 g, sendo a toxina ao nível de 0,1 L -f- para o tipo A,
e L -|- para o tipo B, frente ao respectivo soro padrão internacional.
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bívalente. Mem. Inst. Butantan, ■4-^/45;307-315. 1980/81.
Também digno de registro foram as constatações de que o emprego
de antígeno bivalente AB para a hiperimunização de eqüídeos oferece
a conveniência de serem evitadas diluições recíprocas de soros monova-
lentes dos referidos tipos, visando a obtenção de soro anti-AB e, fato
igualmente significativo, do processo não causar nos animais submetidos
à produção da antitoxina bivalente, reações que o contraindiquem para
a sua adoção definitiva (3).
CONCLUSÕES
1. Utilizando-se Clostridium botulinum tipo A, estirpe 306-IB e
tipo B, 204-IB, foram obtidas as respectivas toxinas dosando cerca de
8 X 10® a 1 X 10® DMM para camundongos.
2. O antígeno bivalente AB, empregado na hiperimunização de cava¬
los, era constituído de mistura, em proporções equivalentes, de anatoxinas
dos tipos A e B, precipitadas pelo alúmen.
3. As sangrias de prova apresentaram títulos médios de antitoxina
botulínica bivalente variando entre os valores de 140 a 200 Ul/ml para o
tipo A e de 70 a 130 Ul/ml, para o tipo B.
4. A mistura de plasma resultante de diversas imunizações, permi¬
tiu obter soro purificado e concentrado cujo título atingiu níveis da ordem
de 750 a 1000 Ul/ml de cada fração.
5. A hiperimunização simultânea de eqüinos soroprodutores, com o
emprego de antígeno bivalente, apresenta a vantagem de evitar a diluição
recíproca que resulta da mistura de soros monovalentes, bem como a de
não causar, nos animais, reações indesejáveis em seu estado físico.
The usage of Clostridium botulinum Type AB antigen in the preparation
of bivalente antitoxin.
ABSTRACT: The present paper describes the method employed
in the preparation of bivalent Clostridium botulinum Type AB
antitoxin by simultaneous hyperimmunization of horses with mixed
alum potassium adsorbed antigen. By the use of a new immunization
scheina, and using a bivalent AB botulinic antigen, the AB antitoxin
was obtained, whose mean specific titres varied between the
140-200 lU/ml serum leveis for Type A, and 70-130 lU/ml, for
Type B, respectively, when dosed against the International standard
antitoxin. After purification and concentration by the method of
Pope, their final titres reached values of 750 to 1000 lU/ml.
Through this new method. it was verified that it is possible to
obtain bivalent antibotulinic antitoxin Type AB in the same animal
with results superior to those obtained by the processes formerly
employed.
KEYWORDS: Botulism; bivalent hyperimmunization of horses;
Clostridium botulinum Types A and B; food poisoning;
Clostridium botulinum Types A and B toxin and toxoid.
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■44/í5;317-323. 1980/81
AS BASES DE MANNICH DE HIDANTOINAS
TERPÊNICAS II/
Ema RABENHORST**
Raymond ZELNIK **
RESUMO: A síntese de Bases de Mannich N-substituidas das
Hidantoinas dos terpenos citral, mentona, a-ionona e a-metil-ionona
foi realizada por condensação com formaldeído e aminas secundárias
em meio etanólico. Os rendimentos variam de 4,6 a 61%, verifi¬
cando-se a substituição pelos radicais dialquilaminometilenos ao
nível dos nitrogénios imídicos.
PALAVRAS-CHAVE: Hindantoinas, Terpenos, Bases de Mannich
N-substituídas.
INTRODUÇÃO
Em pesquisa anterior descrevemos as hidantoinas 1 e 2 dos terpe¬
nos carbonílicos citral, ionona e metil-ionona, a fim de avaliar o potencial
farmacológico destes compostos. No decorrer deste estudo, verificamos a
pouca hidrossolubilidade destas hidantoinas. Para torná-las hidrossolú-
veis, condição propícia para os testes farmacológicos, escolhemos a Rea¬
ção de Mannich- por permitir a substituição do próton imídico pelo
grupamento dialquilaminometileno, através da condensação com o for¬
maldeído e uma amina secundária, formando uma base terciária que
pode ser transformada em sal de amónio quaternário.
Parte I, ref. 19.
Trabalho comunicado na 33.* Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência,
Salvador, BA, 15 de julho de 1981.
Serviço de Química Orgânica do Instituto Butantan.
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RABENHORST, E. & ZELNIK, R. As Bases de Mannich de hidantoinas terpênicas. II. Mcm. Jnat.
Butantan, íí/í5;317-323, 1980/81.
etanólico pela reação da hidantoina com 2 equivalentes de amina e formol.
Nos casos da morfolina e da difenilamina, verificamos uma monossubsti-
tuição no N-3 imídico que é tido como o mais reativo devido à influência
das carbonilas adjacentes i'"*, obtendo-se os compostos S e 9.
Com a piperidina e o formaldeído as hidantoinas reagiram, origi¬
nando os derivados bi-substituídos aos quais atribuímos a estrutura 10,
fundamentada nas análises elementares.
No caso da piperazina, a condensação de um equivalente da amina
com dois de hidantoina e de formol resultou na formação dos derivados
N,N’-bis (3-hidantoinil-metileno) 11 semelhantes a outros exemplos cita¬
dos na literatura *■ No infravermelho, a absorção a 3.300-3.200
cm~i caracterizou a vibração de estiramento do N-H inalterado h
A comprovação das estruturas propostas para os produtos obtidos
está sendo efetuada por análises espectroscópicas (IV, RMN de e
EM), e os resultados serão publicados posteriormente.
â
R|-n!.^n-R2
R| =H
R2= CH2 —N
\
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R| -H
R2= CH2—
N-
R| = H
R2= CH 2 OH
A reação da hidantoina da mentona 3 com formol e difenilamina
forneceu o composto N-hidróxi-metileno 12 sem conseguirmos a Base de
Mannich desejada apesar de várias condições experimentais. Aliás, a
obtenção de derivados N-hidróxi-metilenos no decorrer da Reação de
Mannich foi salientada anteriox-mente®' e num exemplo citado para a
benzimidazolona^o, há formação do composto 13.
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RABENHORST, E. & ZELNIK, R. As Bases de Mannich de hidantoinas terpênicas.
Dutantan, ^4A5.’317-323, 1980/81.
II. Mem. ínat.
CH2OH
O
CH2 N(RR')
13
Na reação das hidantoinas do citral e da metil-ionona com formol e
morfolina, não foram isolados derivados.
Os resultados deste estudo estão consignados na Tabela I.
PARTE EXPERIMENTAL
Os pontos de fusão foram registrados no aparelho Buchi 510 sem
sofrer correções. Os espectros de massa foram determinados nos espec-
trômetros Hitachi RMU-7M e Hewlett-Packard HP 5980 A, de infra¬
vermelho no da Perkin-Elmer 727 B e os de ultravioleta no da Beckman
DU-2 modelo 1098. Para a cromatografia em coluna empregamos gel
de sílica (Merck 0,05-0,20 mm). Hexano-acetato de etila 1:1 e 1:2 foram
os sistemas de solventes escolhidos para as análises de cromatografia
em camada delgada e iodo 0 reagente para a detecção das manchas. A
morfolina é da Koch-Light, a piperidina da Hopkin e Williams, a difeni-
lamina da Merck, a piperazina da Tanabi: estes reagentes foram secos
e destilados ou recristalizados. O formol é da Cario Erba. Os terpenos
carbonílicos citral, ionona, metil-ionona e mentol, matérias-primas para
a obtenção das hidantoinas, são da Dierberger Óleos Essenciais: foram
bidestilados a pressão reduzida. Através da espectrometria ultravioleta
as iononas foram identificadas como sendo os isômeros oc : «x-ionona
MeOII
230 nm ( 1 12884), lit.
230 nm (£15848); oc-metil-
Mcon
-ionona A 230 nm
max
8 EtOH
(£ 10950), lit. A 237nm (£8100). A
mentona foi preparada por oxidação do mentoP^.
PROCEDIMENTO GERAL
Refluxa-se uma mistura de 0,01 mol da hidantoina terpênica, 0,02
mol da amina secundária e 0,022 mol de formol a 40% em 5 ml de
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TABELA I
RABENHORST, E. & ZELNIK, R. As Bases de Mannich de hidantoinas terpênicas.
Butantan, ^íA5;317-323, 1980/81.
II. Mem. Inat.
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RABENHORST, E. & ZELNIK, R. As Bases de Mannich de hidantoinas terpênicas. II. Mem. Insi.
Butantan, UUU5:Z\1-Z2Z, 1980/81.
etanol durante 3 a 5 horas. No caso da piperazina as proporções foram
respectivamente de 0,02:0,011:0,03 mol. Após concentração o resíduo é
submetido a cromatografia de coluna, exceto no caso do derivado N-
-metil-piperidínico da hidantoina da mentona 3-10 que cristalizou em
hexano. Nos eluatos de hexano-acetato de etila 4:1 e 2:1 isola-se o
produto que é purificado por recristalizações em solventes apropriados
(Tabela I). Nas reações com piperazina ocorre precipitações após
refluxo de 5 a 10 minutos, recolhendo-se o produto por filtração.
N-3-(hidroximetil) -espiro-mentil-hidantoina (3-12)
Uma mistura de 0,01 mol da hidantoina 3, 0,02 mol de difenilamina
e 0,02 mol de formol a 40% em 5 ml de etanol foi refluxada durante 7
horas. Após concentração, o resíduo (313 mg) foi cromatografado. O
produto (48 mg — 19%) foi isolado dos eluatos do hexano-acetato de
etila 3:2, p.f. 168-172° (acetona-hexano), M+254.
Calculado para C 13 H 22 N 2 O 3 : C 61,39, H 8,72, N 11,01%;
obtido: C 61,94, H 8,90, N 11,11%.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos a Dra. Riva Moscovici, Instituto de Química da USP
pelas análises elementares, ao Centro de Análises Instrumentais do
Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo pelos espectros de
infravermelho e de massa, ao Dr. A. Haider, Institut de Chimie de
rUniversité de Lausanne pelos espectros de massa (HP 5980 A), a Quí¬
mica Maria Nazareth de C. Ferraz pela colaboração na fase final desta
pesquisa, ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecno-
lógico-CNPq pelo auxílio financeiro concedido (N.° 2222-0900/77), aos
Srs. Teodomiro Vieira Santos e Lourenço Blanc pela assistência técnica
e a Dierberger Óleos Essenciais S.A., São Paulo, pelos terpenos carbo-
nílicos oferecidos.
ABSTRACT: The synthesis of N-Mannich Bases of the hydantoins
of the terpenes citral, menthone, a-ionone and a-methyl-ionone was
aceomplished by reaction with formaldehyde and the secundary
amines morpholine, piperidine, diphenylamine and piperazine. The
yields ranged from 4.6 to 61%.
UNITERMS: Hydantoins, Terpenes, N-Mannich Bases.
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Mem. Inét. Butantan
UU5:B25-Z3i, 1980/81
APERFEIÇOAMENTO DO PROCESSO DE HIPERIMUNI-
ZAÇÃO ANTITETÂNICA VISANDO A OBTENÇÃO DE
ANTITOXINA DE ALTA DOSAGEM
(Anotações de Relatórios de Serviço)
Sebastião de Camargo CALAZANS
Reynaldo S. FURLANETTO *
Serviço de Imunoterapia do Instituto Butantan (*)
Foi sempre grande o interesse dos pesquisadores que se dedicam
ao preparo dos soros terapêuticos, a obtenção de produtos cada vez
mais potentes.
Para esse fim, em numerosas publicações recentes, vem sendo feita
a adição, aos antígenos, de substâncias não específicas e que se reve¬
laram estimulantes ao aumento da produção dos anticorpos desejados.
A idéia já é antiga, porém com interpretação diferente, pois em
1889, Roux e Yersin (1), pouco tempo depois de terem descoberto a
toxina diftérica observaram, em suas experiências, que o veneno ela¬
borado pelo bacilo de Klebs-Lõffler, que matava cobaias no perío¬
do de 30 a 60 horas, tinha sua ação retardada quando tratado pelo
cloreto de cálcio, o que levou os referidos autores a dizerem que “se a
substância tóxica aderisse bastante ao corpo insolúvel, ela não se difun¬
diria senão lentamente determinando, talvez a vacinação gradual do
animal”.
(♦) EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA
Este trabalho representa a análise das pesquisas realizadas durante
os anos de 1942-1943 e 1944, no Serviço de preparo da antitoxina tetâ¬
nica, e que fazem parte dos relatórios anuais, encaminhados à Diretoria
do Instituto Butantan.
Não estando ainda completas nossas pesquisas, sua publicação
deveria ser feita em 1945.
Acontece que, sendo um de nós, transferido para o Instituto “Adolfo
Lutz”, inesperadamente, e sem ao menos um' simples aviso pessoal, a
“In memorian”.
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CALAZANS, S. C. & FURLANETTO, R. S. Aperfeiçoamento do processo de hiperimunização antítetànica
visando a obtenção de antitoxina de alta dosasrem (Anotações de Relatórios de Serviço). Mcm, Inat.
Buiantan, .4.4/^5:325-334, 1980/81.
organização por nós planejada, de comum acordo com a Diretoria, então
em exercício e as pesquisas em andamento, foram interrompidas.
Comemorando-se porém, no corrente ano, o octogésimo aniversário
da criação do Instituto Butantan, resolvemos publicar estas anotações
para que ficasse documentado nas Memórias do Instituto, o que foi con¬
seguido naqueles três anos a respeito da produção da antitoxina tetânica.
Em 1916, Le Moignic e Pinoy (2) empregaram uma vacina antití-
fica constituída por germes mortos pelo calor, tendo como veículo a
lanolina e o óleo de oliva. Visavam realizar a vacinação antitífica com
uma dose única, reunindo em uma só, a totalidade dos germes empre¬
gados nas quatro injeções em uso.
O emprego, porém, de substâncias não específicas na rotina
do preparo de soros terapêuticos só foi estabelecido depois das pesquisas
memoráveis e fundamentais de G. Ramon e que revolucionaram por
completo os antigos processos de hiperimunização dos equinos e a
profilaxia da difteria e do tétano.
Este grande e persistente pesquisador, a quem tanto devem a
ciência e a humanidade, assinalou, depois de uma série de observações,
“o aumento, por vezes considerável, do teor de antitoxina no soro dos
cavalos que apresentavam, acidentalmente, um abcesso no ponto de inje¬
ção da toxina diftérica, durante o processo de imunização”.
Atribuindo à referida reação inflamatória, a melhora do título dos
soros, que vinha preparando, resolveu adicionar aos antígenos, substân¬
cias não específicas, mas capazes de produzirem, in loco, acentuada
reação semelhante a obtida acidentalmente.
Fixou-se Ramon (3), no início, no emprego da tapioca pulverizada,
cuja aplicação passou a ser adotada largamente, sendo logo seguida pelo
uso de cloreto de cálcio e das vacinas associadas. Por outro lado, Glenny,
Pope, Waddington e Wallace (4), adicionando alúmen de potássio às
toxinas, notaram o aparecimento de um precipitado insolúvel que aumen¬
tava, também, grandemente o poder antigênico das mesmas.
Mais recentemente, Ramon, em estudos realizados com seus colabo¬
radores Lemétayer e Richou (5), mostrou ser a lanolina de grande utili¬
dade na imunização e, em novas pesquisas ainda com Lemétayer (6),
expos os resultados da imunização de carneiros e cavalos com anatoxina
tetânica misturada com a referida substância. Com o emprego da lano¬
lina, os animais não só se imunizaram rapidamente, como forneceram
soro de alta dosagem.
Para Weinberg e Guillaumie (7), que compartilham da opinião de
Ramon, o aumento do poder imunizante dos antígenos é devido “à reabsor¬
ção lenta e contínua do antígeno em conseqüência do seu envolvimento
pela lanolina, e à forte reação local e geral do organismo, fator comum
a todos os processos de imunização, mas que se manifesta, em geral,
de uma maneira mais violenta, quando se emprega o processo da lanolina”.
Thibaut (8), em interessantes pesquisas, estudou as modificações
histológicas determinadas pela inoculação subcutânea, em cobaias, de 4
misturas diferentes, a saber:
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CALAZANS, S. C. & FURLANETTO, R. S. Aperfeiçoamento do processo de hiperimunização antitetânica
visando a obtenção de antitoxiha de alta dosagem (Anotações de Relatórios de Serviço). Mem. Inat.
Butantan. ^4/45;325-334, 1980/81.
1. ®) Caldo Simples
Solução Fisiológica
2. °) Anatoxina Tetânica
Solução Fisiológica
3. °) Solução Fisiológica
Lanolina
Óleo de Oliva
4. ®) Anatoxina Tetânica
Lanolina
Óleo de Oliva
Suas conclusões baseadas no estudo histológico de cortes da zona
inoculada foram as seguintes: a anatoxina injetada subcutaneamente em
cobaias não determina reação histológica característica, pois a reação se
assemelha à produzida pelo caldo simples que é banal, leve e efêmera, ao
passo que as modificações produzidas pelas misturas oleosas são pro¬
fundas, com grande proliferação do tecido conjuntivo, criando uma lesãc
durável.
Norman (9), em 1934, empreendeu uma série de experiências nas
quais estudou a influência das emulsões finamente divididas de óleos e
gorduras sobre as toxinas bacterianas. Empregou para isso substâncias
de origem vegetal, animal e mineral, como o óleo de oliva, o creme de
leite e a parafina, emulsionadas com goma acácia, estudando sua influ¬
ência sobre a ação das toxinas produzidas pelos bacilos tetânico, difté-
rico, perfríngico e V. Séptico.
Conclui o autor que as toxinas são adsorvidas pelas partículas oleosas
e depois lentamente cedidas ao organismo e que quanto mais finas as
emulsões, maior a proteção contra as doses letais das toxinas empre¬
gadas. A adição de substâncias que tornem as emulsões estáveis garante
a proteção contra as toxinas, assinalando, por outro lado, que o creme
de leite não tinha nenhuma ação protetora. Referiu-se ainda às expe¬
rimentações que vinha fazendo a respeito da possibilidade de imunização
de animais por esse processo.
Walsh e Frazer (10), independentemente do autor anterior, inves¬
tigaram problemas semelhantes, inoculando em coelhos grandes doses
de toxinas misturadas a emulsão de óleo de fígado de bacalhau e óleo de
oliva, chegando às mesmas conclusões.
De tudo o que acima ficou exposto, devemos concluir com Ramon
que é na intensa reação inflamatória local, na qual se observa o apare¬
cimento de forte leucocitose, que deve residir a exaltação do poder imuni-
zante dos antígenos, pelas substâncias não específicas.
Uma outra aquisição de grande valor, na produção de antitoxina
tetânica, com títulos elevados foi, sem dúvida, a recomendação de Glenny,
Pope, Waddington e Wallace (11) de se deixar um intervalo de 30 dias
entre a primeira injeção do antígeno tetânico e do início da imunização.
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CALAZANS, S. C. & FURLANETTO, R. S. Aperfeiçoamento do processo de hiperimunização antitetânica
visando a obtenção de antitoxina de alta dosagem (Anotações de Relatórios de Serviço). Afcm. Inst.
Butantan, 1980/81.
Algum tempo mais tarde, Ramon e Lemétayer (12) observaram que
os cavalos vacinados com duas doses de vacina antitetânica, dois anos
antes, produziam antitoxina tetânica de titulos muito mais elevados.
No Instituto Butantan, tanto no preparo de soros antipeçonhentos,
como no serviço de preparo do soro antidiftérico, e dos soros antianae-
róbios, todas estas substâncias têm sido empregadas e com grande
sucesso, tendo tais métodos sido iniciados em São Paulo, pelos saudosos
amigos e colegas Lemos Monteiro e Flávio Fonseca (13).
Em 1932, Flávio Fonseca (14), então responsável pelo preparo da
antitoxina tetânica, adotou a vacinação antitetânica, sistematicamente,
nos animais do Instituto.
Esta prática, além de proteger os eqüinos contra o tétano, faz com
que eles reajam, com muito maior intensidade, ao estímulo imunizante
dos antígenos tetânicos ao serem submetidos ao processo de hiperimu-
nização.
PREPARO DA TOXINA E DA ANATOXINA TETÂNICAS
O meio empregado para a obtenção da toxina tetânica é o que já,
há muito tempo, vem sendo empregado neste Serviço, isto é, o meio de
Tarozzi, constituído por caldo de coração de boi, glicosado a 1%.
Após uma série de experiências, resolvemos reduzir o pH inicial
deste meio de 7,8 para 5,5, de conformidade com as pesquisas de A.
Berthelot, G. Ramon e Mlle. Amoureux, julgado melhor para a produção
uniforme, de uma boa toxina tetânica.
As experiências deste Serviço, neste particular, vêm sendo realizadas
desde 1940, sendo tal prática empregada rotineiramente.
Outra modificação, não menos importante, foi a referente ao tempo
de incubação, que era de 15 dias. Esse período hoje está reduzido, pratica¬
mente à metade, pois as filtrações são feitas no fim de 8 a 9 dias de
estufa. Findo o prazo de produção da toxina, é a mesma clarificada, por
meio de filtração, através de polpa de papel de filtro, colocada em funis
de Büchner e em seguida filtrada em placas Zeitz E. K., e, finalmente,
determinada a D.M.M., em cobaias de 350 g. Provas de pureza das cultu¬
ras antes da clarificação, e da esterilidade da toxina filtrada, são feitas
em todas as partidas.
Quebrando-se com certa freqüência os funis de Büchner, feitos de
porcelana, esta Seção tratou de substituí-los por outros semelhantes,
mas de metal, com resultados perfeitamente iguais.
Quanto ao título da toxina utilizada a D.M.M. foi de 0,0002 para
cobaias de 350 g pela via subcutânea.
A anatoxina é preparada de acordo com a técnica já conhecida.
Uma vez terminado o processo de desintoxicação, é feita a prova de
inocuidade e verificado o poder antigênico da mesma.
As provas de inocuidade e do poder antigênico da anatoxina são
feitas em duas cobaias.
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CALAZANS, S. C. & FURLANETTO, R. S. Aperfeiçoamento do processo de hiperimunização antitetânica
visando a obtenção de antitoxina de alta dosagem (Anotações de Relatórios de Serviço). Mem. Inst.
Butantan, U/45:Z25-ZZ4, 1980/81.
As cobaias i’ecebem, uma 5 c.c. e outra 10 c.c., pela via subcutânea.
Um mês após a injeção da anatoxina, essas cobaias são inoculadas com
50 e 100 D.M.L. da toxina tetânica, respectivamente, e devem sobreviver,
sem sintomas, em ambas as provas.
O título da antitoxina tetânica é determinado pelo processo de Ro-
senau e Anderson e expresso em unidades americanas — U.A. Uma U.A.
corresponde a duas unidades internacionais — U.I.
O processo de imunização empregado para a obtenção da antitoxina
tetânica consta de 3 fases, a saber:
1. ^ Vacinação — (sensibilização dos animais)
2. ^ Imunização de base
3. ^ Hiperimunização
VACINAÇÃO
Todo animal que entra para o Instituto recebe duas doses de 25 e
50 c.c. da anatoxina tetânica, adicionada de 0,5% de alúmen de potássio,
com 15 dias de intervalo, após o que é distribuído aos vários Serviços de
imunização.
Transcorrido, no mínimo, um mês de intervalo após a vacinação,
os cavalos encaminhados ao Serviço de produção de antitoxina tetânica
serão submetidos a uma das seguintes variantes:
l.a MODALIDADE-IMUNIZAÇÃO DE BASE
Consta de 4 injeções de anatoxina adicionada de alúmen de potás¬
sio, na proporção de 0,5% até o total de 650 cm-'’, de 5 em 5 dias, sendo
a primeira injeção de 50 cm^ e a última de 300 cm®; dosando mais de 5 U.A.
por cm®, 8 dias após a última injeção, descanso de 20 dias, quando, então,
se inicia a fase de hiperimunização.
HIPERIMUNIZAÇÃO
Nesta fase os animais recebem um total de 750 cm® de toxina, com
0,5% de alúmen de potássio (menos na última), em injeções feitas
cada 5 dias; dosando mais de 300 U.A. por cm®, serão submetidos às
sangrias definitivas.
Quantidade de antígenos empregada:
— Anatoxina 650 c.c.
— Toxina 750 c.c.
Total 1.400 c.c.
Dias decorridos até a primeira sangria definitiva: 70
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CALAZANS, S. C. & FURLANETTO, R. S. Aperfeiçoamento do processo de híperimunização antitetânica
visando a obtenção de antitoxina de alta dosagem (Anotações de Relatórios de Serviço). Mem. Inst.
Butantan, 44A5;326-334, 1980/81.
2.^ MODALIDADE
É igual à primeira, com um intervalo de oito dias entre a imuni¬
zação de base e a hiperimunização.
Dias decorridos até a primeira sangria definitiva: 48
Títulos antitóxicos alcançados em alguns cavalos, nos anos de 1942, 1943 e 1944
NÜMERO DOS CAVALOS
ANOS
DOSAGEM
509
1942
2.500
U.A.
523
))
2.500
U.A.
592
ff
2.500
U.A.
694
ff
2.500
U.A.
600
ff
3.000
U.A.
513
ff
3.000
U.A.
521
ff
3.000
U.A.
1943
621
16/4
4.000
U.A.
621
24/4
3.500
U.A.
507
24/4
4.000
U.A.
631
4/6
4.000
U.A.
654
4/6
4.000
U.A.
E-545
19/7
5.000
U.A.
E-546
13/7
6.500
U.A.
E-545
31/7
7.000
U.A.
E-545
10/8
5.250
U.A.
Em 1943, os títulos antitóxicos, obtidos no Serviço de hiperimunização
antitetânica, ultrapassaram nossa expectativa, deixando mesmo em
segundo plano os excelentes resultados obtidos em 1942; supomos haver
conseguido o maior título antitóxico até hoje registrado na imunização
contra o tétano, pois, em toda a literatura consultada não foi encontrado
título de dosagem da antitoxina igual ao produzido pela égua n.° 545,
de procedência nacional, que revelou conter de 3.000 a 7.000 U.A. por
cm’, como se vê abaixo:
E. 545 do Serviço de Soro Antitetânico
(duas imunizações em 1943)
1.® imunização
2.^ imunização
1. “ sangria =:
2. ^ sangria =
3. “ sangria =
4. ®* sangria =
1. ^ sangria =
2. ^ sangria =
3. ®^ sangria =
4. ® sangria =
4.000 U.A.
4.500 U.A.
3.500 U.A.
6.000 U.A.
6.500 U.A.
5.000 U.A.
7.000 U.A.
5.500 U.A.
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CALAZANS, S. C. & FURLANETTO, R. S. Aperfeiçoamento do processo de hiperimunização antitetânica
visando a obtenção de antitoxina de alta dosagem (Anotações de Relatórios de Serviço). Mem. Inat.
Dutantan, 4iA5;326-334, 1980/81.
A obtenção pela primeira vez de antitoxina com o título de 7.000 U.A.
por C.C., constitui fato marcante na história da produção da antitoxina
tetânica no Instituto Butantan.
Em 1944, foram também alcançados títulos altos como se vê na relação abaixo:
NÜMERO DOS CAVALOS
ANOS
DOSAGEM
1944
500
25/4
7.000 U.A.
544
25/4
7.000 U.A.
541
27/4
4.500 U.A.
510
27/4
4.500 U.A.
530
27/4
5.000 U.A.
563
27/4
5.000 U.A.
594
8/5
4.000 U.A.
563
8/5
4.000 U.A.
500
8/5
5.000 U.A.
Pelo que pudemos apurar, o
maior
título antitóxico referido na lite-
ratura é o citado por G. Ramon e Lemétayer (15)
que relatam ter obtido
em um grupo
de 15 cavalos, previamente vacinados contra o tétano, o
título máximo
de 10.000 U.I. que correspondem
a 5.000 U.A., em dois
animais, conforme se vê a seguir
“N.° des
Titres
N.° des
Titres
Chevaux
des sérums
Chevaux
des sérums
1
6.000 unités (0)
9
1.800 unités
2
1.200
10
2.800
3
3.000
11
6.000
4
1.500
12
3.000
5
10.000
13
6.000
6
2.600
14
10.000
7
6.000
15
6.000”
8
6.500
(0) Unités internationales.
Citando ainda outros pesquisadores, dizem os mesmos autores por
nós referidos:
“La valeur antitoxique moyenna des sérums antitoxiques préparés
par S. Schmidt atteint, em 1927-1928 prés de 1.000 unités (internatio¬
nales) et la valeur la plus élevés que ai été obtenue: 4.400 unités chez
un Cheval. Condréa, en utilisant diverses techniques, préparé des sérums
dont le titre antitoxique moyen est de 600 unités et cela aprés un temps
d’hyperimmunisation beaucoup plus long et des quantités d’antigène
plus considerables. Glenny, dans un article tout récent, dit avoir atteint
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CALAZANS, S. C. & FURLANETTO, R. S. Aperfeiçoamento do processo de hiperimunização antitctânica
vfsando a obtenção de antitoxina de alta dosagem (Anotações de Relatórios de Serviço). Mcm. Inst.
Butantan, 44^5:325-334, 1980/81.
la moyenne de 1.600 unités (800 unités U.S.). La mise em parallèle de
tous ces chiffres et resultais avec ceux fournis plus haut à propos do
rhyperimmunisation de nos quinze Chevaux donne la mesure des progrès
réalises à tous points de vue, grâce aux méthodes que Tun de nous a
établies ou perfectionnées durant ces six dernières années et que nous
avons assotiées dans Tessai rapporté. Aux avantages qui s’attachant à
la mise en ouvre de ces méthodes et aux i-ésultats acquis: économie de
temps et d’antigène, production d’antitoxine considérablement accrue,
s’en ajoutent d’autres, nom moins importants qui ont trait à Tutilisation
des sérums antitètaniques ainsi obtenus en thérapeutique. Par exemple,
ces sérums dont la haute teneur en antitoxine spécifique peut être encore
augmentée par la concentrations et la purification donnent de grandes
facilités pour le traitment du tétanos déclaré, ils permettent, em effect,
de réduire considérablement le volume du liquide spécifique à injectar”.
Do exposto conclui-se que Ramon e Lemétayer obtiveram em 15
cavalos uma média de 2.423 U.A., sendo a dosagem máxima de 5.000 U.A.,
em dois cavalos. S. Schmidt obteve 2.200 U.A., em um único cavalo;
Condréa, depois de um longo período de imunização, consegue uma média
de 300 U.A.; Glenny, por sua vez, obteve uma dosagem média de 800 U.A.
Em nosso Serviço de rotina este ano, computando-se indistintamente
todos os animais, bons e maus produtores submetidos à imunização, tive¬
mos as seguintes dosagens:
1. ^ imunização — 40 cavalos — dosagem máxima
dosagem média
2. ^ imunização — 15 cavalos — dosagem máxima
dosagem média
Quadro demonstrativo das dosagens obtidas pelos autores citados
antitoxina tetânica no Instituto Butantan
— 6.000 U.A.
— 1.544 U.A.
— 7.000 U.A.
— 1.886 U.A.
e no serviço de
ANOS
DOSAGEM MAXIMA DOSAGEM MÉDIA
SCHMIDT
1928
2.200 U.A.
500 U.A.
CONDRÉA
300 U.A.
GLENNY
800 U.A.
RAMON e
LEMÉTAYER
1931
5.000 U.A.
2.423 U.A.
LEMOS MONTEIRO e
FLAVIO FONSECA
1931
1.600 U.A.
FLAVIO FONSECA
1932
1.600 U.A.
CALAZANS e
FURLANETTO
1942
3.000 U.A.
CALAZANS e
FURLANETTO
1943
7.000 U.A.
1.715 U.A.
CALAZANS e
FURLANETTO
1944
7.000 U.A.
1.888 U.A.
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CALAZANS, S. C. & FURLANETTO, R. S. Aperfeiçoamento do processo de hiperimunização antitetânica
visando a obtenção de antitoxina de alta dosagem (Anotações de Relatórios de Serviço). Mem. Inst.
Butantan, ^í/^5;325-334, 1980/81.
Vê-se que este serviço não só conseguiu bater o recorde mundial no
que diz respeito à dosagem máxima, mas ainda obteve uma média geral
de dosagem, num serviço de rotina, que se pode classificar de excelente.
Acreditamos que estes títulos excepcionais corram por conta do tipo
de imunização, por nós adotado, além de outros fatores mencionados, como
a seleção de animais bons produtores e ao alto poder imunizante dos antí-
genos empregado.
Do relatório anual de 1943 do Diretor do Instituto Butantan, Flávio
Fonseca (16), destacamos os seguintes tópicos:
“Resultados de grande significação prática no preparo de antitoxina
tetânica foram obtidos pelos Drs. Calazans e Furlanetto, os quais regis¬
traram em diferentes cavalos, títulos antitóxicos excepcionais de 3.500,
4.000, 4.500 e 5.000 unidades americanas por cm^ havendo mesmo um
eqüino (a égua n.° 545, de procedência nacional), no qual se encontrou
um título de 4.000-6.000 U.A., em diferentes sangrias da 1.^ imunização
e de 5.000-7.000 U.A., em várias sangrias de 2.‘^ imunização.
Tais títulos de 6.000-7.000 U.A., como foram obtidos no animal acima
referido, parecem constituir um recorde, pois RAMON e LEMÉTAYR,
de grande experiência no assunto, se referem ao título máximo de
5.000 U.A., obtido em dois, de um lote de quinze eqüinos”.
CONCLUSÕES
1. Foram apresentados títulos de antitoxina tetânica produzida
durante os anos de 1942, 1943 e 1944.
2. Em toda literatura consultada não foi encontrada antitoxina
tetânica com título igual ao obtido nos eqüinos números 545, 500 e 544.
3. Por meio da refinação e concentração, essas antitoxinas pode¬
rão ter seu título ainda mais elevado, o que representará, sem dúvida,
grande vantagem para o tratamento do tétano.
4. Foi ressaltada a importância da seleção de animais bons pro¬
dutores na obtenção de antitoxina tetânica de altos títulos. Esses ani¬
mais devem ser conservados no serviço, enquanto se acharem em boas
condições.
5. Foram introduzidas modificações no processo de produção da
toxina tetânica.
6. Os bons resultados obtidos podem ser atribuídos também ao
alto poder imunizante dos antígenos empregados.
AGRADECIMENTOS
Não podemos terminar este trabalho sem prestar um sentido culto
de saudade ao nosso amigo e companheiro de trabalho REYNALDO FUR¬
LANETTO, inteligência brilhante e dotado de notáveis qualidades de pes¬
quisador, tão prematuramente desaparecido.
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CALAZANS, S. C. & FURLANETTO, R. S. Aperfeiçoamento do processo de hiperimunização antitetânica
visando a obtenção de antitoxina de alta dosagem (Anotações de Relatórios de Serviço). Mcm. /nst.
Dutantan. U/45:325-3Z4, 1980/81.
Aos queridos auxiliares JOÃO FERNANDES e ANTENOR MAR¬
CONDES, nosso preito de grande saudade.
A nossa prezada e inteligente colaboradora EMMA DE LIMA, inex-
cedível no cumprimento do dever, o nosso muito obrigado.
CONCLUSIONS
1. Titles of tetanic antitoxin produced during the years of 1942,
1943 and 1944 have been presented.
2. It has not been found, in all literature consulted, tetanic anti¬
toxin with titles similar to the ones obtained in the horses number 545,
500 and 544.
3. By means of refinement and concentration these antitoxines
may have titles yet higher than the ones here obtained what will be of
great advantage in the treatment of tetanus.
4. The importance of a selection of good animal productors in
the obtainance of tetanic antitoxin of high titles has been emphasized.
Those animais should be left in condition of subsequent immunization
while they are sound.
5. Modifications in the process of tetanic toxin have been intro-
duced.
6. The good results that have been obtained may be due to the
high immunization power of the antigenic employed.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ROUX, E. & YERSIN, A I. Pasteur, 1889.
2. Le MOIGNIC & PINOY C.R. Soc. Biol, 29:201 e 352, 1916.
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Mcm. Inst. Dutantan
4^45:335-341. 1980/81
RELAÇÕES ENTRE O EMPREGO DE ANATOXINA
DIFTÉRICA BRUTA E O TESTE DE SCHICK EM
CAVALOS HIPERIMUNIZADOS
Joana Akiko FURUTA * *
Célia LIBERMAN *
Raymundo ROLIM ROSA ****
Edison Paulo Tavares de OLIVEIRA **
Frederico Fontoura LEINZ ***
Hideyo IIZUKA *
RESUMO: Cavalos submetidos previamente ao teste de Schick
foram estimulados sete vezes com anatoxina dlftérica fluida adsor-
vida pelo alúmen a fim de se estudar os níveis de antitoxina pro¬
duzidos.
Observou-se que a freqüência dos títulos antitóxicos individuais
maiores ou i^ais à 500 Ul/ml, bem como os títulos médios foram
mais elevados no lote de eqüinos Schick negativos.
Desta forma, o aproveitamento para a produção de soros antidifté-
ricos será maior quando da utilização de animais Schick negativos.
PALAVRAS-CHAVE: Anatoxina diftérica; antitoxina diftérica;
produção de soro antidiftérico em cavalos; reimunizações repetitivas.
INTRODUÇÃO
A produção de soro antidiftérico tem sido alvo de inúmeros estudos
desde 1908, quando BELLA SCHICK introduziu uma intradermo rea¬
ção que permitiu detectar a presença de antitoxina diftérica circulante.
Esta reação consistia na inoculação de baixas doses de toxina diftérica
pela via intradérmica.
HITCHENS e TINGLEY em 1917, adaptaram esta reação ao
cavalo a fim de observar a existência de uma provável imunidade natu-
• Seção de Toxinas e Anatoxinas
Chefe da Seção de Toxinas e Anatoxinas
Serviço Agrícola
• ••♦ Diretor do Serviço de Imunologia
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FURUTA, J. A.: LIBERMAN, C.; OLIVEIRA, E. P. T.; LEINZ, F. F.: IIZUKA, H. & ROLIM, R.
Relações entre o emprego de anatoxina diftérica bruta e o teste de Schick em cavalos hiperimunizados,
Mem. Inst. Butantan, ^^/■45;385-341, 1980/81.
ral. SORDELLI em 1921, conseguiu a preparação de um soro com
alto teor de antitoxina diftérica, utilizando cavalos Schick negativos.
Em 1921/6, GLENNY ^ propôs a utilização de cavalos original¬
mente Schick negativos para a rápida obtenção de soros hiperimunes,
fato corroborado depois por RAMON em 1929.
Quanto ao antígeno a ser administrado, GLENNY ® referia que o
precipitado obtido pela adição do alúmen a este, provocava em cobaias
uma exacerbação significativa do poder imunogênico, quando comparado
ao da anatoxina diftérica sem o adjuvante.
Já em 1959, RELYVELD estudou a produção de anticorpos em
cavalos com e sem imunidade natural, utilizando como antígeno a anato¬
xina diftérica purificada e adsorvida por fosfato de cálcio.
Fundamentados nas pesquisas dos autores citados propõe-se um estu¬
do sobre a dinâmica da anticorpogênese, bem como o seu comportamento
em cavalos soroprodutores, previamente selecionados pelo teste de Schick,
no decorrer de uma série de reimunizações com anatoxina diftérica não
purificada adsorvida pelo alúmen.
MATERIAL E MÉTODOS
Antígeno — Foi preparado a partir do cultivo da estirpe de Coryne-
bacteríum diphtheriae, Park Williams 8, variedade Toronto, em meio de
cultura F-20 A toxina produzida, liberada nesse meio, foi separada da
massa bacteriana por meio de filtração esterilizante em placas Seitz, tipo
EKS. A seguir foi destoxificada através da adição de formol na concen¬
tração final de 0,5% e incubada durante um período de 30 dias, à 37°C
em estufa bacteriológica.
A seguir, o antígeno foi diluído de forma a conter 40 Lf/ml. Para
cada cavalo foram utilizadas 750 ml de anatoxina diftérica fluida, seguida
de 2100 ml de anatoxina diftérica adsorvida com alúmen de potássio, na
concentração final de 0,5%.
Animais — Foram selecionados cavalos considerados hígidos pelo
Serviço de Veterinária do Instituto Butantan, pesando aproximadamente
500 kg, separados em dois lotes de cinco animais cada, de acordo com o
resultado do teste de Schick.
Os animais permaneceram durante todo o período do experimento
na Fazenda São Joaquim deste Instituto, localizada no município de São
Roque no Estado de São Paulo.
Teste de Schick — Foi utilizada uma toxina diftérica preparada no
Instituto, conforme técnica recomendada pela Organização Mundial de
Saúde’®. O produto, diluído de tal forma à conter 1 D.M.M./cobaia, foi
inoculado, por via intradérmica, na região correspondente à tábua do
pescoço do cavalo previamente depilada. *•
Após 48 horas, a reação que resultou na formação de um edema, foi
medida através de um paquímetro, comprimindo-se a região testada entre
os dedos polegar e indicador.
336
cm
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FURUTA. J. A.; LIBERMAN, C.; OLIVEIRA, E. P. T.; LEINZ, F. F.; IIZUKA, H. & ROLIM, R.
Relações entre o emprego de anatoxina diftérica bruta e o teste de Schick em cavalos hiperimunizados.
Mem. Inst. Butantan, ^4/^5:335-341, 1980/81.
O teste foi considerado positivo quando, a diferença entre a espes¬
sura da derme medida antes do teste e, a provocada pela reação foi igual
ou superior a 3 mm. Esta ocorrência indicou que o animal não apresen¬
tou imunidade natural. Na ausência do edema, o teste foi considerado
negativo, revelando, provavelmente, a presença de antitoxina diftérica.
Toxina diftérica padrão — A toxina padrão, utilizada para dosea¬
mento do teor de antitoxina diftérica contida nas amostras de soro hipe-
rimune, procedentes das sangrias exploradoras, foi preparada no Insti¬
tuto Butantan. A padronização foi realizada frente à antitoxina diftérica
padrão internacional.
Antitoxina diftérica padrão — o soro padrão utilizado para a padro¬
nização da toxina diftérica procedeu do “International Laboratories for
Biological Standards” do Statens Seruminstitut, Copenhagen, Denmark.
Esqiiema de hmmização — Os dois grupos de cavalos, tanto Schick
negativo como o Schick positivo, foram imunizados inicialmente por via
intramuscular, na região dorsal mediana, com anatoxina diftérica fluida
e em seguida com anatoxina diftérica adsorvida pelo alúmen. O antí-
geno foi administrado em volumes crescentes. A primeira fase consumiu
28.900 Lf de imunógeno; a segunda, 42.200 Lf, pei-fazendo ao final de
oito semanas de imunização um total global de 71.800 Lf de toxina
diftérica. A freqüência das inoculações e respectivos volumes respeita¬
ram o esquema preconizado por OLIVEIRA
Em seguida, os animais permaneceram em repouso durante um
período mínimo de 30 dias 2 . Iniciou-se portanto a reimunização. Nesta
fase, cada um dos eqüinos receberam um total de 40.000 Lf de anatoxina
adsorvida pelo alúmen, também administrada em doses gradativamente
crescentes
Na última semana de imunização foi executada uma sangria explo¬
radora de cada cavalo a fim de se determinar o título de antitoxina dif¬
térica circulante. De acordo com 0 resultado do doseamento, ou seja,
títulos iguais ou superiores a 500 Ul/ml, os animais foram sangrados na
proporção de 4% do seu peso corporal, fracionados em três vezes, com
intervalos de dois dias entre cada sangria.
Terminada a última operação, os eqüinos permaneceram em repouso
durante um período mínimo de 60 dias. Após cada etapa de sangria e
repouso, repetiu-se 0 processo de reimunização.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram avaliadas sete sangrias exploradoras nos dois lotes de cinco
cavalos.
A primeira imunização denominamos imunização de base, por consti¬
tuir-se no primeiro contato dos animais com a anatoxina diftérica, inde¬
pendente do fato de estes possuírem ou não imunidade natural.
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FURUTA. J. A.; LIBERMAN, C.; OLIVEIRA, E. P. T.; LEINZ, F. F.; IIZUKA, H. & ROLIM, R.
Relações entre o emprego de anatoxina diftérica bruta e o teste de Schick em cavalos hiperimunizados.
Mem. Jnst. Butantan, 44/-45';335-341, 1980/81.
O comportamento sorológico do lote Schick positivo está delineado
na Tabela 1, onde observamos que a média dos títulos antitóxicos inicial
foi de 640 Ul/ml. Este valor foi decrescendo até 280 Ul/ml na sétima
imunização.
TABELA 1
Níveis de antitoxina diftérica observados em lote de cavalos Schick positivos, no
decurso
de sete
imunizações
Cavalo
nP
Níveis
de antitoxina diftérica
em Ul/ml
Hiperimunizações
l.a
2.a
3.a
AP
6.a
6.a
7.»
980
400
600
400
400
300
200
200
322
800
400
500
500
600
500
500
433
1000
600
500
500
400
300
200
998
200
800
400
400
400
500
400
446
800
800
700
500
100
100
100
Médias
640
620
500
460
360
320
280
Os cavalos Schick negativos, por sua vez, responderam ao primeiro
estímulo com um título médio de 1.000 Ul/ml. Esta média foi declinando
no decorrer das hiperimunizações até 480 Ul/ml. Na sexta estimulação
houve uma elevação para 680 Ul/ml, conservando-se nesse nível até o
final do experimento, conforme indica a Tabela 2.
TABELA 2
Níveis de antitoxina diftérica observados em lote de cavalos Schick negativos, no
decurso
de sete
imunizações
Cavalo
n.°
Níveis
de antitoxina diftérica
em Ul/ml
Hiperimunizações
l.a
2.a
3.a
AP
5.a
6.a
7.a
413
1000
600
700
400
200
300
200
188
1400
1100
900
1100
900
1100
1000
684
1000
800
800
700
600
1000
1200
558
400
700
600
500
500
700
600
18
1200
600
600
700
300
300
400
Médias
1000
740
710
680
480
680
680
O comportamento diferenciado de cada lote de animais, diante de cada
estímulo antigênico, no transcorrer das sete imunizações, está represen¬
tado na Figura 1.
1 SciELO
338
FURUTA, J. A.; LIBERMAN, C.; OLIVEIRA. E. P. T.; LEINZ, F. F.; IIZUKA, H. & ROLIM, R.
Relações entre o emprego de anatoxina diftérica bruta e o teste de Schick em cavalos hiperimunizados.
Mem. Inst. Butantan, ^■4/-i5:335-341. 1980/81.
A freqüência dos títulos individuais de antitoxina diftérica foi tam¬
bém levantada e analisada na Tabela 3, pois, dentro da rotina do Instituto
Butantan, para produção de soro antidiftérico, selecionam-se, para sangria,
apenas eqüinos que apresentem títulos iguais ou superiores a 500 Ul/ml.
TABELA 3
Freqüência dos níveis individuais de antitoxina diftérica observados em cavalos
Shick positivos e negativos no decurso de sete imunizações.
Título
Schick positivo
Schick negativo
Ul/ml
n.o
%
n.°
%
< 500
18
51,43
8
22,86
> 500
17
48,57
27
77,14
Total
35
100,00
35
100,00
Os valores individuais no grupo Schick negativo iguais ou acima de
500 Ul/ml ocorreram em 77,14% enquanto que no outro grupo, a fre¬
qüência foi de 48,57%.
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FURUTA, J. A.; LIBERMAN, C.; OLIVEIRA, E. P. T.: LEINZ, F. F.; IIZUKA, H. & ROLIM, R.
Relações entre o emprego de anatoxina diftérica bruta e o teste de Schick cm cavalos hiperimunizados.
Mem. Inst. Butantan, 44/-i5;335-341, 1980/81.
O comportamento dos títulos diante do teste de Schick aqui descritos
corroboram os estudos de GLENNY ® e RAMON onde a presença de
antitoxina diftérica, adquirida previamente de maneira natural, concorre
para a obtenção de níveis elevados de antitoxina após a imunização com
anatoxina diftérica.
CELAREK e POREBSKI ^ referiram, quando da primeira hiperimu-
nização, títulos médios de 1.000 Ul/ml e 250 Ul/ml para o lote de cavalos
Schick negativo e Schick positivo, respectivamente.
Enquanto o primeiro valor revelou-se equivalente ao aqui descrito,
0 segundo nível antitóxico foi inferior à média obtida, não somente na
primeira sangria (640 Ul/ml), como também às subseqüentes (Tabela 1),
onde observamos 280 Ul/ml na última hiperimunização.
Outrossim, considerando como viáveis para processamento em escala
industrial níveis séricos individuais iguais ou superiores à 500 Ul/ml,
verifica-se uma freqüência destes títulos maior até a sétima e última
hiperimunização no grupo Schick negativo, e até a quarta no Schik
positivo, divergindo dos achados de AMARAL ^ que alcançou o valor
médio de 380 Ul/ml na primeira imunização, preconizando nesta a san¬
gria branca, pois os animais não alcançavam os mesmos índices nos estí¬
mulos subsequentes.
CONCLUSÕES
Nas hiperimunizações sucessivas com anatoxina diftérica adsorvida
pelo alúmen, a utilização de animais Schick negativos proporciona títulos
mais elevados, confirmando os resultados verificados pela maioria da
literatura pertinente.
O método de hiperimunização adotado permitiu o estudo da síntese
de anticorpos com o decorrer de seguidas etapas de imunização objeti¬
vando uma contribuição à produção rotineira de soros.
Pretendeu-se delinear um quadro útil, sob o ponto de vista opera¬
cional visando orientar o setor de imunização na seleção de eqüinos pro¬
dutores de antitoxina diftérica.
A rentabilidade dos animais foi maior já que as reimunizações pro¬
porcionaram títulos satisfatórios tanto nos cavalos Schick negativos como
Schick positivos para o processamento industrial.
ABSTRACT: Horses submitted to previous Schick test had
challenged seven times with crude diphteria anatoxin absorbed
by alúmen to study antitoxin leveis produced.
The frequency of individual antitoxin titres equal or higher than
500 Ul/ml and the médium titre was superior in the Schick negative
group.
So, the yield of the animais for the antitoxin diphtheria production
in repetitive imunizations will be higher when Schick negative
horses are used.
KEYWORDS: Diphtheria anatoxin; diphtheria antitoxin; anti¬
toxin production in horses; repetitive reimmunizations.
340
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FURUTA, J, A.; LIBERMAN, C.; OLIVEIRA, E. P. T.; LEINZ. F. F.; IIZUKA, H. & ROLIM. R.
Relações entre o emprego de anatoxina diftérica bruta e o teste de Schick em cavalos hiperimunizados.
Mem. Inst. Butantan, ^^A5;335*341, 1980/81.
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341
cm
SciELO
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Mem. Inat. Butantan
^^45:343-353, 1980/81
BIONOMIA DOS TRIATOMÍNEOS — O SURGIMENTO DE
ADULTOS NAS COLÔNIAS DE PANSTRONGYLUS
MEGISTUS (BURM, 1835). (HEMIPTERA,
REDUVIIDAE) *
Therezinha J. HEITZMANN-FONTENELLE **
Associando-me às comemorações do 80.° aniversário do Instituto Bu¬
tantan, reverencio a memória de Arthur Neiva, grande pesqídsador e dire¬
tor desta instituição, no período de 1919 a 1921.
RESUMO: Durante nove anos de criação contínua de Panstrongylus
megistus, foram observados, além de outros dados bionômicos já
parcialmente publicados (2), dois fatos novos: l.°) o surgimento
de adultos revelou-se sazonal (primavera-verão) ainda que a fase
ninfal fosse aumentada, por vezes, para até mais de quatro anos e
revelou-se independente da época de eclosão das ninfas e 2.°) a
reprodução continuada, por várias gerações, de individuos oriundos
de uma mesma estirpe de insetos, mostrou indícios de esgotamento
genético, traduzido por retardamento no desenvolvimento, com maior
duração dos estádios ninfais, redução na fase adulta da vida das
fêmeas, no número de posturas, no número de ovos por postura e
no percentual de ovos viáveis.
PALAVRAS-CHAVE: Panstrongylus megistus, bionomia.
INTRODUÇÃO
Em 1914, 0 Dr. Arthur Neiva escolheu para sua tese de livre-docên¬
cia da Cadeira de História Natural Médica e Parasitologia o tema “Revisão
do gênero Triatoma Lap.”. Na primeira parte da tese, ele trata generi¬
camente da bionomia dos triatomíneos. Quase 60 anos ápós, iniciei pes¬
quisas bionômicas com triatomíneos no Instituto Butantan. O presente
trabalho é uma coletânea de dados sobre os adultos de Panstrongylus
megistus, feita durante nove anos de criação.
Trabalho efetuado com auxilio do CNPq.
Seção de Parasitolosiia do Instituto Butantan.
343
cm
2 3 4 5 6 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia dos triatomíneos — O sursimento de adUItos nas colônias
de Panstrongylus megistus (Burm» 1835) (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Insl. Butantan,
343-353, 1980/81.
MATERIAL E MÉTODO
O material original era oriundo das seguintes regiões: São José do
Rio Pardo, SP; Itapecerica da Serra, SP e de origem desconhecida, rece¬
bido da Escola de Saúde Pública do Rio de Janeiro.
Em 1973, iniciei a criação, em condições laboratoriais, desta espécie
de triatomineo, com um lote de 40 ninfas que completou seu ciclo evolutivo
(ovo-morte) em dois anos (2). A partir de descendentes desse primeiro
lote e de descendentes dos adultos recebidos das localidades acima refe¬
ridas, prossegui na criação desta espécie, coletando, sempre, dados sobre
sua bionomia.
COMENTÁRIOS
Do primeiro lote de 40 ninfas, iniciado em fevereiro de 1973, a
partir de fêmea recebida de São José do Rio Pardo, obtive 21 machos e 16
fêmeas. O primeiro adulto surgiu em agosto do mesmo ano (um macho),
aumentando a ocorrência nos meses seguintes: 2 fêmeas em setembro,
5 machos e 5 fêmeas em outubro, 3 machos e 4 fêmeas em novembro, 3
machos e 4 fêmeas em dezembro e 3 machos e uma fêmea em janeiro.
Nessa época as ninfas remanescentes, em número de seis, já estavam no
Estádio V, pré-adultas, e poderiam ter acompanhado a evolução das de¬
mais ninfas, mas sua evolução foi retardada como que em diapausa, e
atravessara o ano nessa fase, vindo a sofrer a última ecdise um ano
após, na mesma época em que surgiram os primeiros adultos: um macho
em agosto, 3 machos em setembro e 2 machos em outubro (gráfico I e
tabela III).
GRÁFICO I
DURAÇÃO DA FASE NINFAL DE Panstronqylus megistus
344
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HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia dos triatomíneos — O surgimento de adultos nas colônias
de PanstrongyluB megiatua (Burm, 1836) (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inat. Butantan,
343-353, 1980/81.
Em 1974, selecionei 43 ninfas eclodidas no inverno (junho/julho)
e 70 ninfas eclodidas no verão (novembro/dezembro), todas descendentes
de acasalamentos da criação anterior. Das ninfas eclodidas em junho/
julho, obtive 21 machos e 8 fêmeas, com o surgimento dos primeiros
adultos em setembro do ano seguinte (1975) : 5 machos e 2 fêmeas
em setembro, 2 machos e uma fêmea em outubro, 2 machos e 3
fêmeas em novembro e um macho em dezembro. As ninfas restantes,
das quais seis já no Estádio V, sofreram a última ecdise apenas no ano
seguinte (1976) dando 8 machos em setembro, 2 machos em outubro, 2
fêmeas em novembro e uma fêmea em dezembro (gráfico II).
Do lote eclodido em novembro/dezembro, obtive 25 machos e 24
fêmeas, com o aparecimento dos primeiros adultos em novembro do
ano seguinte (um macho e uma fêmea) ; em janeiro de 1976 obtive
mais um macho. A nova temporada de aparecimento de adultos foi de
setembro de 1976 a janeiro de 1977, assim distribuídos: 9 machos e 1
fêmea em setembro, 3 machos e 9 fêmeas em outubro, 2 machos e 3
fêmeas em novembro, 2 fêmeas em dezembro e um macho e 2 fêmeas em
janeiro. Nova parada no aparecimento de adultos até setembro dando 7
machos e 4 fêmeas em setembro e um macho e 2 fêmeas em outubro. O
último adulto deste lote só surgiu em novembro de 1978 (um macho)
após quatro anos de vida ninfal (gráfico II).
lí.ij
- ZÍ
GRAFICO II-DURAÇAO DA FASE
NINFAL DE Ponstroovlus meoislu;
-5Í.I8
-2<r.32
-I d*, 2 j
T
VI VIII X XII
1974
IV VI VIII
1975
II IV VI VIII
1976
IV VI VIII
346
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HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia dos triatomíneos — O surgimento de adultos nas colônias
de Panstrongylua megiatus (Burm, 1835) (Hemiptera, Reduviidae), Mem. Inat. Butantan, ith/h5:
343-363, 1980/81.
Em 1976, foram observados lotes com início em maio, julho, agosto,
setembro, outubro, novembro e dezembro que deram um total de 53
machos e 33 fêmeas. O primeiro adulto surgiu em outubro do ano se¬
guinte — uma fêmea —, resultante de ninfa desalagada em maio. Em
1978, obtive: um macho e uma fêmea (de desalagamento em agosto) em
janeiro; uma fêmea (do lote desalagado em outubro) em fevereiro e 2
fêmeas (dos lotes de maio e agosto) em março. A partir deste mês,
houve uma parada no aparecimento de adultos que só voltaram a surgir
em setembro (22 machos) e outubro (20 machos e 18 fêmeas). Houve
uma nova parada no aparecimento de adultos até setembro do ano se¬
guinte (1979) : 3 machos e uma fêmea em setembro, 6 machos e 6 fêmeas
em outubro. As ninfas restantes só alcançaram a fase adulta em outubro
do ano seguinte (1980) : um macho e 3 fêmeas de lotes desalagados em
outubro, novembro e dezembro de 1976 (gráfico III).
GRAFICO III - DURAÇAO DA FASE
NINFAL DE PonstroQvIus meaistus
IV VI VIM
IV VI VIII
IV VI Vlll
IV VI VIII X
Durante o ano de 1977, foram observados lotes iniciados de janeiro
a maio, agosto, setembro, novembro e dezembro. Obtive até novembro
de 1981, data em que encerrei as observações para a presente nota, pois
ainda havia ninfas em observação, 35 machos e 46 fêmeas. Os primeiros
adultos de lotes iniciados de janeiro a março, começaram a surgir em
346
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HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia dos triatomíneos — O surgimento de adultos nas colônias
de Panatrongylua megiatus (Burm, 1836) (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Dutantan, Uit/US:
343-353, 1980/81.
setembro do ano seguinte (1978); 3 machos e uma fêmea em setembro,
5 machos e 10 fêmeas em outubro, um macho e duas fêmeas em no¬
vembro e 2 fêmeas em dezembro. Em 1979, obtive um macho e 4
fêmeas em janeiro (do lote iniciado em janeiro de 1977), uma fêmea
em março (do lote de abril). Depois houve uma parada no aparecimento
de adultos até setembro: 6 machos e uma fêmea em setembro, 3 machos
e 10 fêmeas em outubro, um macho e uma fêmea em novembro e uma
fêmea em dezembro. Em 1980, obtive 24 adultos: uma fêmea em janeiro,
uma fêmea em fevereiro, 3 machos em setembro, 10 machos e 7 fêmeas
em outubro e 3 fêmeas em novembro. O lote iniciado em novembro, teve
os primeiros adultos em setembro de 1980. Em 1981, obtive uma fêmea
em janeiro, 2 machos em setembro e uma fêmea em outubro (gráfico IV).
Em 1978, observei dois lotes: um iniciado nos dois primeiros meses
do ano e outro iniciado nos dois últimos meses. No primeiro lote, o surgi¬
mento de adultos teve início em outubro de 1980 (2 fêmeas) ; em 1981,
obtive 2 machos em setembro e um macho em outubro (gráfico V).
Do lote iniciado no final do ano, os primeiros adultos, também come¬
çaram a surgir em outubro de 1980 (uma fêmea). No ano seguinte, surgi¬
ram 2 fêmeas em fevereiro, uma fêmea em maio, 14 machos e uma fêmea
em setembro, 3 machos e 10 fêmeas em outubro e 3 fêmeas em novembro
(gráfico V). Devo salientar, que grande número das ninfas não atingiu
0 estádio adulto até o final de novembro de 1981, prazo de encerramento
das observações aqui relatadas.
Das criações iniciadas em 1979, apenas uma delas, iniciada em janei¬
ro, já apresentou adultos em 1981; 3 machos em setembro, um macho
e uma fêmea em outubro e 3 fêmeas em novembro (gráfico V).
As criações iniciadas em 1980 e 1981 não foram incluídas neste
trabalho, por não ter surgido adultos até novembro de 1981.
Outro fato que merece ser comentado é que, em 1973, no primeiro
lote criado, a fase ninfal da maioria das observações foi bastante curta,
de seis meses a um ano. Esse fato nunca mais se repetiu e fases nin-
fais de um ou dois anos passaram a ser menos freqüentes, aumentando
0 número de observações com fase ninfal de três a quatro anos (grá¬
ficos I a V).
Quanto à fase adulta, também houve modificações com a criação
continuada: houve um encurtamento na sua duração. Na tabela I estão
anotadas as longevidades dos machos nas criações feitas entre 1973 e
1977. Vê-se que um período adulto de 41 a 50 dias foi raro na primeira
criação e já bem mais freqüente nas criações dos demais anos. Na pri¬
meira criação, a maioria de machos teve uma fase adulta entre 51 e 70
dias. Já nas criações feitas no ano seguinte, embora se tenha conseguido
a maior longevidade para os machos (158 dias), 36% das observações
tiveram uma fase adulta no intervalo de 31 a 60 dias. Essa mesma faixa
de tempo para a vida adulta foi confirmada nos anos seguintes: 54,7%
nas criações iniciadas em 1976 e 64,7% nas criações iniciadas em 1977.
Nas fêmeas, essa redução no tempo de duração da fase adulta foi
mais acentuada. Na primeira criação, 56,2% dos casos teve uma fase
adulta com mais de 141 dias. Essa percentagem baixou para 23,5%,
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GRAFICO V - DURAÇÃO DA FASE NINFAL DE Ponstronovlus megistus
1IEITZMANN>F0NTENELLE, T. J. Bionomia dos triatomíncos — O surgimento de adultos nas colônias
de Panatrongylus megiêtus (Burm, 1835) (Hemiptera. Reduviídae). Mem. Inst. Butantan, khíUS:
343-353. 1980/81.
_ e
> _
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HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia doa triatomíneos — O suriarimento de adultos nas colônias
de Panstrongylus megiatus (Burm, 1835) (Ilemiptera, Reduviidae). Mcm. Inst. Butantan, j^4/45:
343-353, 1980/81.
18,1% e 2,2% nos anos seguintes. Em 1974, 32,3% das fêmeas tiveram
uma fase adulta na faixa de 71 a 100 dias; no ano seguinte, 33,9% das
fêmeas tiveram uma fase adulta entre 41 e 70 dias e, em 1977, 48,8%
das fêmeas tiveram uma fase adulta entre 31 e 60 dias.
Com essa redução na fase adulta das fêmeas, a sua fecundidade e
fertilidade diminuíram. Além disso, houve uma redução nas oviposições
das fêmeas de maior fase adulta tanto em quantidade como na freqüen-
cia de ovos viáveis e o desalagamento de ninfas resistentes também
baixou bastante.
Das 16 fêmeas do primeiro lote, 8 não foram acasaladas, mas 6
delas produziram óvulos em quantidade razoável. Das 8 fêmeas acasa¬
ladas, 4 também elaboraram óvulos. O início das posturas foi a partir
do 20.° dia de vida adulta.
Das 8 fêmeas acasaladas, sendo que 4 delas tardiamente, obtive
731 ovos sendo que 63 deles foram eliminados logo após a postura e dos
restantes desalagaram 452 ninfas.
Das 34 fêmeas dos lotes iniciados em 1975, o quadro já foi bastante
diferente; as 8 fêmeas obtidas do lote de inverno foram acasaladas, sen¬
do que 3 delas por 2 vezes. Obtive 265 ovos e destes 122 ninfas. Das 26
ninfas do lote de verão, 11 não foram acasaladas e elaboraram apenas
32 óvulos; 15 foram acasaladas sendo que duas com dois acasalamentos
e duas sem nenhuma postura. Na totalidade obtive 450 ovos e destes
228 ninfas.
Por estes dados vê-se que 8 fêmeas acasaladas (do primeiro lote
criado) produziram 731 ovos dando 452 ninfas e 23 fêmeas (do segundo
lote) elaboraram 715 ovos dando 350 ninfas.
RESUMO E CONCLUSÕES
1. Parece existir um período anual bem definido para o surgimento
dos adultos nas colônias de P. megistus. Esse período vai de setembro a
janeiro (primavera/início de verão). Também obtive adultos nos meses
de fevereiro, março, maio e agosto, mas em número bastante reduzido.
O pique de saída dos adultos ocorre nos meses mais quentes. Não creio
que esse fato só ocorra em condições laboratoriais, pois, as informações
colhidas em Dias (1) bem como as datas de material encaminhado a esta
Seção concordam com o que foi visto em laboratório.
2. Embora não seja regra, durante cada período, primeiramente
surgem os machos. Pela tabela III, vemos que os meses de maior inci¬
dência de adultos são setembro e outubro e que em setembro predominam
os machos, enquanto que em outubro, são as fêmeas. As últimas obser¬
vações durante o período, são sempre de fêmeas.
3. A fase adulta dos machos é muito curta: em média duram de
um a dois meses. Caso extremo obtido foi de 158 dias. As fêmeas têm
fase de vida mais longa, entre dois a quatro meses. Caso extremo obtido
foi de 458 dias.
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HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. BionomU dos triatomíncos — O surgimento de adultos nas colônias
de Panstrongylus megistua (Burm, 1836) (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butanlan, H/i5:
343-353, 1980/81.
TABELA I
Duração da fase adulta entre os machos de P. megistus
Intervalo de tempo
Lotes de
1973
n.° de obs.
Lotes de
1974
n.° de obs.
Lotes de
1976
n.° de obs.
Lotes de
1977
n.° de obs.
De
11
a
20
dias
1
De
21
a
30
dias
1
2
De
31
a
40
dias
2
5
5
De
41
a
50
dias
1
7
14
6
De
51
a
60
dias
4
8
10
7
De
61
a
70
dias
6
1
4
6
De
71
a
80
dias
1
8
9
4
De
81
a
90
dias
2
4
1
3
De
91
a
100
dias
1
3
5
De
101
a
110
dias
2
3
De
111
a
120
dias
1
4
2
De
121
a
130
dias
2
3
1
1
De
131
a
140
dias
3
De
141
a
150
dias
1
De
151
a
160
dias
1
TABELA II
Duração da fase adulta entre as fêmeas de P. megistus
Intervalo de tempo
Lotes de
Lotes de
Lotes de
1973
1974
1976
n.° de obs.
n.° de obs.
n.° de obs.
2
1
1
1
2
1
3
5
1
3
1
4
3
4
1
5
1
1
3
4
1
1
3
1
2
2
2
2
1
1
1
2
1
1
1
1
2
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
Lotes de
1977
n.° de obs.
De
1
a
10
dias
De
11
a
20
dias
De
21
a
30
dias
De
31
a
40
dias
De
41
a
50
dias
De
51
a
60
dias
De
61
a
70
dias
De
71
a
80
dias
De
81
a
90
dias
De
91
a
100
dias
De
101
a
110
dias
De
111
a
120
dias
De
121
a
130
dias
De
131
a
140
dias
De
141
a
150
dias
De
151
a
160
dias
De
181
a
190
dias
De
221
a
230
dias
De
231
a
240
dias
De
241
a
250
dias
De
251
a
260
dias
De
271
a
280
dias
De
301
a
310
dias
De
311
a
320
dias
De
321
a
330
dias
De
341
a
350
dias
De
351
a
360
dias
De
361
a
370
dias
De
411
a
420
dias
De
451
a
460
dias
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HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia dos triatomíneos — O surgimento de adultos nas colônias
de PanatrongyluB megistua (Burm, 1836) (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inat. Butantan, hk/kS:
343-353, 1980/81.
4. Em condições laboratoriais, a vida total desses barbeiros atin¬
giu frequentemente durações acima de mil dias (aproximadamente três
anos). O máximo obtido foi de 1668 dias (quatro anos e meio) que é a
idade de uma fêmea ao enceiTar estas notas (30-11-1981). Essa mesma
fêmea também foi responsável pela maior fase ninfal registrada no
laboratório: 1638 dias.
5. Com 0 contínuo acasalamento de descendentes comuns, houve
um esgotamento genético com redução na duração da fase adulta das
fêmeas, na sua fecundidade e fertilidade. Embora tenham sido manti¬
das as mesmas condições ambientais como alimentação, umidade, foto-
período, temperaturas com pequenas oscilações e as mesmas técnicas no
manuseio dos insetos, comparando apenas os dados do primeiro lote com
os obtidos no lote iniciado um ano após, já notamos essa redução nitida¬
mente. A vida das fêmeas passou de 71 a 100 dias para 31 a 60 dias.
O número de ovos obtidos passou de 731 (produzido por 8 fêmeas) para
715 (produzido por 23 fêmeas). Para essas quantidades quase iguais
de ovos (731 e 715) obtivemos 452 ninfas no primeiro lote e 350 ninfas
no segundo.
AGRADECIMENTO
Deixo meus agradecimentos, pelas sugestões recebidas, aos Drs. José
Carlos Reis de Magalhães e Lauro Travassos Filho.
ABSTRACT: Continuous breeding, for nine years, of P. mcgistus.
besides other bionomical data already published (2), disclosed two
new facts: 1) Onset of adult stage was clearly seasonal (spring/
summer) independently of time of nimphs eclosion and, in some
cases, after nymphal stages extended for more than four years and
2) Continous inbreeding of insects showed signs of genetical
depletion evidenced by retarded nymphal stages, shorter life span
of adult females, reduced number of ovipositions, less eggs per
oviposition and lower percentage of viable eggs.
KEYWORDS: Panstrongylus megistus, bionomy.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. DIAS, E. Variações mensais da incidência das formas evolutivas do Triatoma
infestans e do Panstrongylus megistus no Município de Bambui, Estado de
Minas Gerais. Mem. Inst. Osw. Cruz, 53:457-472, 1955.
2. HEITZMANN-FONTENELLE, J.T. Bionomia comparativa de triatomíneos.
I —■ Panstrongylus meg-ystus (Burm., 1835) (Hemiptera, Reduviidae).
Studia ent., 73:201-210, 1976.
3. NEIVA, A. Revisão do gênero Triatoma, Lap. Rio de Janeiro, 1914. 80p.
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Mem. Inst. Butantan
^^A5;355-365, 1980/81
CONTRIBUIÇÃO PARA O CONHECIMENTO DOS
TRIATOMINAE — HEMIPTERA, REDUVIIDAE
I — Triatoma melanocephala Neiva & Pinto, 1923 *
Rosa Maria de Oliveira VEIGA **
Hypolito Lima BORBA ***
Lauro Pereira TRAVASSOS FILHO **
James E. DOBBIN JR. **♦*
RESUMO: De Triatoma melanocephala Neiva & Pinto, 1923, é
comentada toda a bibliografia, completa distribuição geográfica,
incluindo a nova área, Sete Lagoas, Minas Gerais, e constatação em
Pernambuco, de três exemplares positivos para formas infectantes
de Trypanosoma crtizi, o que o torna vector potencial do agente da
Moléstia de Chagas, como triatomíneo adulto encontrado em domi¬
cílios. São apresentadas fotografias coloridas do desenho original
do holótipo, do exemplar de Minas Gerais e da ninfa no estádio
V. Na Coleção Parasitológica do Instituto Butantan, acham-se dois
exemplares de Pernambuco, n.° 988 e 989, um da Bahia, n.° 1766,
e o de Minas Gerais, n.° 1841.
PALAVRAS-CHAVE: Triatoma melanocephala*-, ninfa; vector de
Trypanosoma cruzi*; presença em Minas Gerais*; distribuição
geográfica.
INTRODUÇÃO
Iniciamos com este trabalho, uma suplementação à excelente “Mono¬
grafia dos Triatomíneos”, de H. Lent & P. Wigodzinsky acrescentando,
ao mencionado por esses autores, informes pertinentes aos exemplares
da Coleção Médico-entomológica da Seção de Parasitologia do Instituto
Butantan.
Versa a primeira nota sobre o Triatoma melanocephala porque,
sendo espécie de Neiva e Pinto destacamos, como homenagem, que Arthur
Neiva foi o terceiro Diretor do Instituto Butantân (7.12.1919 —
20.3.1921), antes de ter, com Cesar Pinto, descrito a espécie em tela
e, à esta, podemos acrescentar outros dados interessantes, a presença do
triatomíneo no Estado de Minas Gerais, o encontro de exemplares por-
• Trabalho apresentado no VIII Cons:. Brasil, de Entomologia — Brasília
•• Parasitologia. Instituto Butantan — C. Postal 66 — São Paulo.
**• Sucam — M.S. — Pernambuco.
• Faculdade de Medicina. Universidade de Pernambuco.
DF.. 1983.
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VEIGA, R.M.O.; BORBA. H.L.; TRAVASSOS FILHO, L.P. & DOBBIN JR., J.E. — Contribuição
para o conhecimento dos Triatominae-Hemiptera, Reduviidae. I — Triatoma melanoccphala Neiva
& Pinto. 1923. Mem. Inst. Butantan, i2/íí;356-366, 1980/81.
tadores de formas metacíclicas nas fezes, comprovando a sua ação vectora
do agente da Moléstia de Chagas e fotografia da ninfa (fig. 3).
Triatoma melanocephala Neiva & Pinto, 1923
Triatoma melanocephala Neiva & Pinto, 1923, pág. 75-6, $, holó-
tipo, Bahia; Neiva & Pinto, 1923, pág. 103, n.° 17 (cit.) ; Pinto, 1925,
pág. 59, n.° 17, fig. 39, 9 ; Pinto, 1930, pág. 218-9, n.° 80; Del Ponte,
1930, pág. 885-6, n.» 20, fig. 9; Pinto, 1931, pág. 71, n.° 11, 9, fig. 8
(pág. 62) ; Neiva & Lent, 1936, pág. 172, n.® 39, pág. 183, n.° 10 (cit.
geog.) ; Neiva & Lent, 1941, pág. 80, n.° 47 (cit. geog.) ; Wigodzinsky,
1949, pág. 74, n.° 18 (cit.) ; Figueiredo, 1954, pág. 93 (cit. geog.) ; Lucena,
1957, pág. 543, 9 ; Lucena, 1958-A, pág. 301, 313, 314, n.° 7; Lucena,
1958-B, pág. 355, 366-367, n.° 7; Lucena, 1958-C, pág. 371 (com.) ; Luce¬
na, 1958-D, pág. 406, 411; Lucena, 1959, pág. 579; Dobbin Jr. & Cruz,
1966, pág. 262, 264; Corrêa, 1968, pág. 48, 59 (cits.), 63-64 (ch.) ; Lucena,
1970, pág. 37, 41, 69-70; Sherlock & Serafim, 1972, pág. 269, item 13,
273; Pessoa, 1974, pág. 786, item 17; Lent & Wigodzinsky, 1979, pág.
267-270, á e 9 , figs. 110-112.
ANÁLISE BIBLIOGRÁFICA
Neiva & Pinto 1923, descreveram Triatoma melanocephala, basea¬
dos em um exemplar 9, trazido da Bahia pelo Prof. Pirajá da Silva,
o holótipo da espécie, depositado nas Coleções Entomológicas da Funda¬
ção Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.
Esses informes foram novamente citados por Neiva & Pinto i®, em
1923, pág. 103, n.o 17.
Em 1925, Pinto em sua tese para Faculdade de Medicina da
Universidade do Rio de Janeiro, torna a citar o mesmo exemplar à pág.
59, n.° 17, fig. 39, figura essa, uma fotografia em branco e preto de um
desenho colorido, informando ainda que, segundo Octávio Torres, “fre-
qüenta domicílios”.
Citações de T. melanocephala, referindo-se ao holótipo, são feitas por
Pinto 21, 1930, págs. 218-9, n.° 80 e por Del Ponte 1930, págs. 885-6,
n.° 20, fig. 9, esta, reprodução da fotografia de Pinto, 1925.
Em 1931, na longa introdução do seu trabalho sobre “Valor do ros-
tro e antena...”, C. Pinto à pág. 50, diz que Neiva & Pinto, publi¬
cariam revisão de triatomíneos “ilustrada com grande número de figuras
originais e coloridas, executadas por exímios artistas nacionais”, estam¬
pas certamente guardadas na Fundação do Instituto Oswaldo Cruz.
Aliás, à respeito dessas estampas, a elas se reportou Neiva em
1925, quando no “Prefácio” da tese de C. Pinto 20 “Ensaio Monographi-
co”, refere ter já “grande cópia de material para uma monografia ilus¬
trada” a ser publicada nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, e que
“boa parte das gravuras em cores se acham prontas” e que não havia
tido ainda oportunidade para terminar seu trabalho.
Obviamente, com o entusiasmo de C. Pinto pelos triatomíneos, pas¬
sou esse a ser o colaborador ao lado de Neiva, na monografia que não
chegaram a publicar.
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Fig. 1 — T. melanocephala — Holótipo. Figura colorida de Neiva & Pinto, 1923.
Fig 2 — T. melanocephala — Exemplar de Sete Lagoas, MG. ^ — IB. n.® 1841.
Fig. 3 — T. melanocephala — Ninfa V, Fj da Q do Mun. de São Joaquim do Monte, PE
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VEIGA. R.M.O.; BORBA, H.L.; TRAVASSOS FILHO, L.P. & DOBBIN JR.. J.E. — Contribuição
para o conhecimento dos Triatominae-Hemiptera, Reduviidae. I — Triatoma melanocephala Neiva
& Pinto, 1923. Aíem. Inst. Butantan, 4.4/.J5;356-365, 1980/81.
VEIGA, R.M.O.; BORBA, H.L.; TRAVASSOS FILHO, L.P. & DOBBIN JR., J.E. — Contribuição
para o conhecimento dos Triatominae-Hemiptera, Reduviidae. I — Triatoma mclanoccphala Neiva
& Pinto, 1923. Mcm. Inat. Butantan, ^.4/45:356-365, 1980/81.
A foto branco/preto (fig. 39) dada por C. Pinto-" em 1925 é justa¬
mente uma fotografia da figura colorida de T. melanocephala de uma
daquelas “estampas coloridas”, executadas realmente por notável dese¬
nhista daquela década, Luiz Kattenbach, e essa estampa, como outras
desenhadas por Manoel de Castro Silva e Raymundo Onório, foram
impressas na Litográfica Ipiranga, São Paulo — Rio de Janeiro.
FisT. 4 — Distribuição geográfica de T. melanocephala no Estado da Bahia, segundo Sherlock & Serafim,
1972. Fig. 11.
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VEIGA, R.M.O.; BORBA, H.L.; TRAVASSOS FILHO, L.P. & DOBBIN JR., J.E. — Contribuição
para o conhecimento dos Triatominae-Hemiptera, Reduviidae. I — Triatoma mclanocephala Neiva
& Pinto, 1923. Mcm. Inst. Butantan, ^4/^5.‘355-366, 1980/81.
Damos agora, a foto colorida desse magnífico desenho, parte da
estampa inédita de Neiva & Pinto, da qual um dos autores (LTF),
possui uma que lhe foi dada em 1938 pelo próprio César Pinto, o qual
na ocasião externou os grandes receios de Neiva e ele de não verem
publicadas as estampas em tela, o que lamentavelmente se confirmou.
Nesse seu trabalho de 1931, Pinto -- apresenta desenho da cabeça de
T. melanocephala em perfil, para demonstrar a situação de inserção das
antenas, fig. 8, pág. 62, desenho baseado no único exemplar conhecido
até então, a $ holótipo.
Neiva & Lent1936, fazem apenas a citação geográfica muito
ampla, “Brasil” e, em 1941, estes mesmos autores mencionam sem maior
detalhe “Bahia e Pernambuco”.
Figueirêdo 1954, pág. 93, refere T. melanocephala em Altinho,
Pernambuco.
Lucena *, 1957, relatando a captura de 15.653 triatomíneos de hábi¬
tos domiciliares, informa ter encontrado apenas uma ç de T. melano¬
cephala, não contaminada, no Município de Bom Jardim, localidade da
região do Agreste de Pernambuco.
Lucena 1958-A, em trabalho que publicou duas vezes — Rev.
Bras. Biol. e Rev. Bras. Malariol. D. Trop. — refere a captura de uma
9, em Sítio Quati, no Mun. de Bom Jardim, PE, também na região do
Agreste, o mesmo exemplar não contaminado, citado no seu trabalho de
1957, pág. 543.
Dessa 9, obteve 46 ovos, cujas ninfas viveram de 1 de junho até
5 de outubro de 1955, as quais não passaram do quarto estádio, concluin¬
do, por essa dificuldade de criação em laboratório, não ser triatomíneo
de hábitos domésticos.
Lucena ”■ 1958-B, em sua II nota sobre Doença de Chagas em
Pernambuco, mencionando o mesmo exemplar 9 de 7’. melanocephala das
notas anteriores, informa ter obtido 36 ninfas dos 46 ovos ovipostos pelo
exemplar em tela.
Lucena 1958-C, na III nota sobre a Doença de Chagas em Pernam¬
buco (pág. 371), afirma que o exemplar citado anteriormente não se
achava contaminado, reafirmando isso no seu trabalho de 1958-D, pág.
406 e 411.
Lucena 1959, descrevendo a ecologia dos triatomíneos brasileiros,
menciona T. melanocephala na zona do Nordeste, que “abrange todo o
Nordeste Oriental, parte do Nordeste Ocidental, quase toda a Bahia e
norte de Minas Gerais”, ou seja, a zona das “caatingas”, onde cita esta
espécie como incidente e endêmica. Afirma, pág. 616, que T. melanoce¬
phala, além de raro, não é domiciliar, pois nas casas só foram encontradas
as formas aladas.
Dobbin Jr. & Cruz 1966, quando comentam os trabalhos em Tria-
tominae de Pernambuco, verificando o controle desses insetos pelo BHC,
citam 0 T. melanocephala nos Municípios de Angelim e Bom Jardim e.
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VEIGA, R.M.O.; BORBA, H.L.; TRAVASSOS FILHO, L.P. & DOBBIN JR., J.E. Contribuição
para o conhecimento dos Triatominae-Hemiptera, Reduviidae. I — Triatoma mclanoccphala Neiva
& Pinto, 1923. Mcm. Inst. Butantan, 44/45;355--365, 1980/81.
assinalam-no pela primeira vez em Passira, essas três, localidades da
região do Agreste, tendo encontrado a espécie também em Tacaratu, na
região do Sertão.
Corrêa1968, pág. 59, afirmando que melanocephala não tem inte¬
resse epidemiológico, refere ser raro entre os triatomíneos assinalados
na Bahia.
Lucena i'‘, 1970, pág. 48, conclui que as “zonas semiáridas do Agreste
e Sertão são as que mais apresentaram triatomíneos”, o que coincide
com a maioria das capturas de T. melanocephala.
Sherlock & Serafim 1972, indicam T. melanocephala como sendo
de achados fortuitos, em limitadas áreas da Bahia, constando a espécie
da chave para identificação de triatomíneos desse Estado (pág. 269,
item 13). Indicam ser espécie de áreas com vegetação tipo Caatinga,
clima dos tipos AW e BSh, em altitudes entre 100/500 m (pág. 273).
Lent & Wigodzinsky 1979, descrevem minuciosamente T. melano¬
cephala, com desenhos e fotografias, permitindo uma precisa caracteriza¬
ção de ambos os sexos da espécie.
Mencionam, sem citar o sexo, o tipo na Coleção do Inst. Oswaldo
Cruz, Rio de Janeiro. Na distribuição geográfica, indicam simplesmente
“Brazil (Bahia, Paraíba, Pernambuco)”, embora a legenda da fig. 110,
seja mais informativa: “male, Pernambuco”.
Essa referência à Paraíba deve ter sido tirada de algum exemplar
de coleção estudada pelos autores, pois na bibliografia sinonímica citada,
não consta esse Estado do Brasil.
SÚMULA DOS CARACTERES: Cabeça completamente preta. Tórax
preto; lobo anterolateral do pronoto com pequena área amarelo-ocre exter¬
na, discreta no exemplar 9 n.° 988-IB, área essa, visível no desenho colo¬
rido do holótipo de Neiva & Pinto, que apresentamos (fig. 1). Lobo
posterior do pronoto com um par de manchas longitudinais amarelo-ocre
ao longo dos lados externos das carenas medianas, manchas essas, que
bem caracterizam a espécie; pernas com um par de espinhos rombos na
porção proximal da face interna dos fêmures anterior e médio e que, no
fêmur posterior é simples protuberância. Abdómen preto, conexivo ama¬
relo-ocre com cinco pares de manchas pretas poligonais sobre as suturas
intersegmentares e em toda a largura.
Como descrição mais minuciosa, ver Lent & Wigodzinsky, 1979, págs.
267-270, figs. 110-112.
Ninfa V Estádio: Colorido geral castanho-escuro, com áreas mais
claras no dorso da cabeça, no pronoto e estojo dos élitros; uma série de
pontos claros na linha dorsal e nos ângulos externos posteriores dos
segmentos abdominais, conforme a fig. 3.
Lucena *'• 1958-A, pág. 314 e, 1970, pág. 69-70, comenta os dados
sobre a 9 de melanocephala que colhera viva em 8-5-55, na região do
Agreste, Sítio Quati, Município de Bom Jardim, informando que as ninfas
obtidas dos 46 ovos, em 1-6-55, apenas 28 chegaram ao último estádio,
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VEIGA, R.M.O.; BORBA, H.L.; TRAVASSOS FILHO. L.P. & DOBBIN JR., J.E. — Contribuição
para o conhecimento dos Triatominae-Hemiptera, Reduviidae. 1 — Triatoma melanoeephala Neiva
& Pinto, 1923. Mem. Inst. Butantan, ^^/45;355-365, 1980/81.
vivendo pouco mais de 4 meses, e não sendo obtidos adultos; essas ninfas
viveram no estádio I, da eclosão à 1.^ ecdise, 13 dias; no estádio II, 20
dias; no estádio III, 53 dias; no IV, 38 dias; morreram no estádio V,
sendo que a última morreu em 6-5-57, vivendo o considerável prazo de
quase 2 anos (1-6-55 - 6-5-57). Disso concluiu Lucena, que esses triato-
míneos “ainda não se encontram adaptados à habitação humana”.
Dobbin Jr. & Borba * (informação epistolar), de uma 5 colhida no
Pov. de Monte Alegre, Mun. de S. Joaquim do Monte, no Agreste, PE,
obtiveram 12 ovos, todos férteis. Das 12 ninfas eclodidas em 6-8-80,
quatro morreram; três se tornaram adultas, 2 $ $ e 1 á , que viveram
apenas 10 dias e tiveram um período evolutivo, de ovo a adulto, de 537
dias; cinco, ainda no estádio V, foram enviadas à Parasitologia do Inst.
Butantan, de uma delas a foto apresentada (fig. 3).
Essas ninfas recebidas por via aérea, já se acham sob os cuidados
da Dra. Therezinha J. Heitzmann-Fontenelle ®, para futuras anotações
bionômicas, nos moldes dos trabalhos que vem publicando, sendo que uma
das ninfas tornou-se adulto s em 30-7-1982.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA: Bahia, Pernambuco, Paraíba, Minas
Gerais (Sete Lagoas).
BAHIA: O holótipo traz apenas a indicação Bahia.
Sherlock & Serafim 1972, coletaram 68 T. melanoeephala nos
Municípios de: Araci, Brejões, Conceição do Coité, Feira de Santana,
Ipirá, Irará, Itaberaba, Itaquara, Ituaçu, Lamarão, Seabra, Serrinha,
Simões Filho, Teofilândia, Tucano e Valente.
À essa lista, acrescentamos a localidade de Jaguarari, com exemplar
á coletado por “Caraibas Metais” em 26-9-1972.
Sherlock & Serafim informam (pág. 273), ser T. ynelanocephala
espécie de áreas, com vegetação tipo “caatinga”, com clima dos tipos AW
e BSh, em altitudes entre 100/500 m.
Essa distribuição é apresentada no mapa desses autores, no qual são
assinaladas somente as localidades de encontro de T. melanoeephala
(fig. 4).
PERNAMBUCO: Até 1972, T. melanoeephala foi capturado no Agreste,
nos Municípios de: Bom Jardim (Povoado de Tamboatá e Sítio Quati),
Altinho, Passira (Sítio Vertente Seca), Angelim; no Sertão em Tacaratu
(cidade de Tacaratu).
Dobbin Jr. & Borba1972-1982 (comunicação epistolar), em levan¬
tamento triatomínico no Estado de Pernambuco, constataram T. melano-
cephala em 19 municípios; na lista apresentada são separadas as locali¬
dades pelas zonas geográficas e em cada, referidas por ordem alfabética
os municípios e neles as localidades, com número de exemplares colhidos,
examinados e os três exemplares positivos para T. eruzL
É dado 0 mapa de Pernambuco onde são assinaladas as localidades
citadas (fig. 5).
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VtIGA. R.M.O.; BOHBA, H.L.; TRAVASSOS FILHO, L.P. &
para o conhecimento dos Triatominae-Hemiptera. Reduviidae.
& Pinto, 1923. Mem. Inat. Butantan, <í/45:366-366, 1980/81.
DOBBIN JR., J.E. — Contribuição
I — Triatoma melanoccpiLala Neiva
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VEIGA, R.M.O.: BORBA. H.L.; TRAVASSOS FILHO, L.P. & DOBBIN JR., J.E. — Contribuição
para o conhecimento dt>3 Triatominae-Hemiptera, Reduviidae. I — Triatoma melanoccphala Neiva
& Pinto, 1923. Mem. Inat. Dutantan, ^4/i5;356-365, 1980/81.
PARAÍBA: Sem menção de localidade.
MINAS GERAIS: Sete Lagoas (fig. 2).
EXEMPLARES DA COLEÇÃO PARASITOLÓGICA DO INSTITUTO
BUTANTAN:
N.° 988 $ e 989 s, Nazaré da Mata, PE. J. Dobbin Jr. of. Agosto,
1972.
N.° 1766 S , Jaguarari, BA. “Caraíbas Metais” of. 26-9-1972.
N.® 1841 á , Sete Lagoas, MG. L. Travassos Filho of. 18-4-1973.
ABSTRACT: The authors comment the bibliography of Triatoma
melanocephala Neiva & Pinto, 1923 and its geographical distribution,
including the new area of Sete Lagoas, State of Minas Gerais, and
the first record in the State of Pernambuco of specimens positive
for infected forms of Trypanosoma cruzi and therefore potential
vectors of Chagas disease, as an adult triatomine found in houses.
Color prints of the original drawings of the holotype, as well as of
the specimen from Minas Gerais and of the fifth instar nymph
are presented. Two specimens from Pernambuco (nr. 988, nr. 989),
one from Bahia (nr. 1766) and one from Minas Gerais (nr. 1841)
are deposited in the Parasitological Collection of the Institute Bu-
tantan.
KEYWORDS: Triatoma melanocephala *; nymph; vector of Trypa-
nosoma cruzi *; recording in Minas Gerais *; geographical distri¬
bution.
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VEIGA, R.M.O.; BORBA, H.L.: TRAVASSOS FILHO, L.P. & DOBBIN JR., J.E. — Contribuição
para o conhecimento doa Triatominae-Hemiptera, Reduviidae. I — Triatoma mclanocepbala Neiva
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Mem. Inst. Butantan
U/45:ZG1-Z16, 1980/81
CONTRIBUIÇÃO PARA O CONHECIMENTO DAS
LAGARTAS URTICANTES
I — Cerodirphia avenata araguensis Lemaire, 1971
(Lep. Attacidae) *
Roberto Henrique Pinto MORAES **
Lauro Pereira TRAVASSOS-FILHO **
RESUMO: É estudado o atacídeo Cerodirphia avenata araguensis
Lemaire, 1971, com descrição da lagarta, bastante urticante, pupário
e adultos machos e fêmeas, mencionando os caracteres pertinentes à
subespécie.
São apresentados os hábitos das lagartas, épocas das diversas fases,
plantas alimentícias e material da Coleção Parasitológica do Insti¬
tuto Butantan. Documentação em fotografias coloridas e branco e
preto, e fotos em scanning das cerdas urticantes.
PALAVRAS-CHAVE: Lepidoptera; Attacidae; Cerodirphia ave¬
nata araguensis*; Bionomia*; Urticante*.
INTRODUÇÃO
As larvas pilosas de mariposas (Lepidoptera-Heterocera), são co¬
nhecidas vulgarmente por “tatoranas”.
O revestimento de cerdas urticantes ocorre em larvas de diversas
famílias destes insetos, permitindo uma classificação sistemática relati¬
vamente fácil, quando sabe-se qual mariposa resultará de determinada
lagarta, daí a importância de serem criadas em laboratório e documentados
os diversos estádios de desenvolvimento, pois em muitas espécies, os pri¬
meiros estádios larvais diferem apreciavelmente dos últimos.
Também o tipo de acidente pode variar de acordo com o número e
disposição das cerdas de veneno que são mais fortes e mais eficientes
• Trabalho apresentado no VIII Cong. Bras. de Entomologia — Brasília — DF, 1983.
Seção de Parasitologia — Instituto Butantan. C Postal 65 — S. Paulo — Brasil.
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SciELO
MORAES, R. H. P. & TRAVASSOS FILHO, L. P. Contribuição para o conhecimento das lagartas
urticantes. I — Cerodirphia avcnata aragueriaia Lemaire, 1971. (Lep. Attacidae). Mem. Inat.
Butantan, 4-Í/-45:367-376, 1980/81.
numas, mais discretas e esparsas noutras. Nem sempre lagartas mais
freqüentes causam acidentes graves, pois a presença é mais facilmente
notada quando muitas, ao passo que as de hábito isolado, surpreendem
os menos cautelosos nas lidas com as plantas em que se alimentam.
Nessa primeira contribuição, estudamos Cerodirphia a.araguensis
porque suas lagartas apareceram em número apreciável no início deste
ano de 1982, superando bastante as dos outros atacídeos freqüentes na
região, e aproveitamos para documentar a espécie que embora em apre¬
ciável número ao nascerem de posturas de muitos ovos agrupados, ao
atingirem o terceiro ou quarto estádio, apresentam uma fase de dis¬
persão por estímulo peculiar e, abandonando a planta em que nasceram,
caminham ativamente em busca de outra na qual, quando de paladar
aceitável, nela permanecem até que a deixam para pupar.
Nesse período andarilho, subindo ao acaso por outras plantas, muros,
portões, etc., é que ao serem tocadas acidentalmente por pessoas, deter¬
minam “queimaduras” características pela inoculação, na pele desabri¬
gada (mãos, braços, pescoço, etc.) do veneno contido nas cerdas pon¬
tiagudas.
De acordo com Valle et ah, 1971, a substância injetada é predomi¬
nantemente a histamina, e por isso, nos acidentes com lagartas, é indi¬
cado 0 tratamento com anti-alérgicos, de preferência de uso oral.
BIONOMIA
Cerodirphia, era já lepidóptero conhecido por um dos autores (T.F.),
que 0 considerava raro pela sua escassa presença nas muitas coletas
noturnas que fez desde 1945.
Um macho, colhido em 18.12.1972 no Horto Osvvaldo Cruz do Ins¬
tituto Butantan, foi enviado ao Dr. Claude Lemaire, do Museu de Paris,
que identificou a espécie aqui estudada, como sendo de sua autoria, Cero¬
dirphia avenata araguensis Lemaire, 1971, exemplar esse ofertado ao
identificador.
Travassos-Filho, também já havia encontrado várias lagartas não
identificadas, no bairro do Ipiranga — SP, e a partir de 1970 pelas
alamedas do Horto Oswaldo Cruz, tendo conseguido no decorrer dos anos,
coletar larvas alimentando-se em folhas de árvores conhecidas como
“canela” e, no laboratório conseguiu também que se alimentassem com
folhas de “goiabeira”, folhas essas em geral bem aceitas por larvas de
Attacidae — Hemileucinae, tendo obtido das poucas lagartas, uma fêmea
em 15.12.1975, que possibilitou a identificação da larva ao adulto já
classificado.
Em 1980, ano em que foi maior o número de lagartas coletadas
(cerca de 20), muitas foram capturadas em pequenos arbustos de “cane¬
la” e poucas ainda em pequenas plantas de goiabeira, confirmando a
aceitação em laboratório, sem contudo obter-se adultos.
1 SciELO
368
MORAES, R. H. P. & TRAVASSOS FILHO, L. P. Contribuição para o conhecimento das lagartas
urticantes. I — Cerodirphia avenata aragucnsia Lomaire, 1971. (Lep. Attacidae). Mem. Inat.
Butantan, 367-376, 1980/81.
Certamente, pelo processo de dispersão é que se encontra em cada
arbusto alimentício uma ou outra lagarta em períodos variados de 3 a 7
dias. Essa dispersão é comprovada retirando-se as poucas larvas de
um pequeno arbusto de canela, por exemplo, e passado o período mínimo
de 3 dias, novas larvas de maior tamanho são encontradas na mesma
planta, certamente dispersas de árvores mais altas.
Em 1981, de abril à julho, ano em que as temperaturas mais elevadas
foram acima da média, conseguimos capturar cerca de 80 larvas, que
alimentaram-se aparentemente bem, atingindo cerca de 8 centímetros,
considerado como o máximo para larvas maduras, isto é, prontas a
puparem.
Procurou-se manter umidade relativa de 80%, pois, mais úmido,
aparecem os fungos rapidamente. Também procurou-se deixar um subs¬
trato de folhas secas com vistas ao meio ambiente em que foram colhidas
as larvas.
Dessas 80 larvas, obtivemos apenas 7 pupas com aspecto normal e,
apenas 4 adultos (3 machos e 1 fêmea) eclodidos de 14.1 a 5.2.1982.
Em fevereiro de 1982, recomeçaram a ser encontradas lagartas dessa
espécie em maior número que nos anos anteriores, não só no Horto
Oswaldo Cruz, como também em sítio de Embú-Guaçu, distante cerca
de 40 km e Parque Primavera em Carapicuíba, 30 km distante em sentido
oposto à Embú-Guaçu. Nessa mesma localidade (Embú-Guaçu) foi encon¬
trado um lote de 214 lagartas pequenas, ainda agrupadas em poucas
folhas de um mesmo arbusto. Mais tarde, naqueles locais citados, come¬
çaram a ser encontradas as lagartas isoladas ou em pequeno número
(até 6 por planta) em diversas espécies vegetais, e entre essas, goiabeira
e cambucí, além de canela e incenso.
Do total de lagartas coletadas em 1982 no Horto Oswaldo Cruz,
Embú-Guaçu e Parque Primavera (aproximadamente 300 larvas), foram
obtidas apenas 56 pupas que estão sendo observadas isoladamente, e
anotadas as variações ponderais de cada uma.
CARACTERÍSTICAS CROMÁTICAS
As lagartas de C. a. araguensis são inconfundíveis com as demais
lagartas de Attacidae devido ao colorido alaranjado forte das manchas
sobre o tegumento preto e nos espinhos dos tufos dorsais, estes em
número de 17, distribuídos por toda a extensão dorsal da larva, caracte¬
rísticas que se apresentam em todos os estádios evolutivos.
As cerdas longas, anteriores, posteriores e laterais, juntamente com
03 respectivos espinhos das porções distais, são pretos. Os espinhos
basais são amarelo-alaranjados, simulando um tufo que na realidade são
espinhos que se agrupam para a base da cerda (Fig. 1).
A cápsula cefálica é amarelo-limão claro, destacando-se bem do resto
do corpo, embora coberta e protegida pelas longas cerdas anteriores
(Fig. 1).
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Fig. 2 — C.a, araguensia — Extremidade cefálica de exúvia (Scannin?).
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MORAES, R. H. P.; & TRAVASSOS FILHO, L. P. Contribuição para o conhecimento das lagartas
urticantes. I — Cerodirphia avenata araguenaia Lemaire, 1971. (Lep. Attacidae). Nem. Insí.
Butantan, 4í/45:367*376, 1980/81.
CONTRIBUIÇÃO PARA O CONHECIMENTO DAS LAGARTAS
URTICANTES I — Cerodirphia avenata araguensis Lemaire, 1971
(Lep. Attacidae)
Fig. 1 — C.a. araguenaia — Lagarta madura.
cm
MORAES, R. H. P. & TRAVASSOS FILHO, L. P. Contribuição para o conhecimento das lagartas
urticantes, I — Cerodirphia avenata araguenaia Lemaire, 1971. (Lep. Attacidae). Mem. Inat.
Dutantan, ^4/^5:367-376, 1980/81.
QUETOTAXIA
Tanto as cerdas longas e curtas com projeções espiniformes, como
também os tufos de espinhos dorsais, são do tipo inoculador de veneno
(figs. 3 e 4).
Os 17 tufos dorsais são distribuídos aos pares no 3.° segmento
torácico e do 1.® ao 7.° segmento abdominal. No 8.° segmento abdominal
apenas um tufo ímpar como mostram as figuras coloridas.
No l.“ e 2.° segmentos torácicos e 9.° segmento abdominal, os pares
de tufos dorsais modificam-se: no l.° apresentam-se como cerdas provi¬
das de espinhos em toda extensão; no 2.° e 9.", as cerdas, apenas nas
suas porções basais, apresentam espinhos pontiagudos agrupados, seme¬
lhantes aos tufos dorsais dos demais segmentos. Ainda no 9." segmento
abdominal, entre o par de cerdas, existe uma ímpar, na mesma direção
do tufo de espinhos também ímpar do 8.° segmento.
Essas cerdas dorsais são as mais longas de toda a lagarta. No l.°
e 2.° segmentos torácicos são voltadas para a frente e no 9.*’ segmento
abdominal, dispostas em sentido oposto, certamente para função tátil e
também defensiva, pois, como as demais, são inoculadoras de veneno.
Ao longo de toda a lagarta, a disposição das cerdas providas de
espinhos, obedece à seguinte organização: l.°, 2.° e 3.° segmentos torá¬
cicos, com 3 cerdas de cada lado; 1.°, 2.^, 7.° e 8.° segmentos abdominais,
com 3 cerdas de cada lado; 3.°, 4.^^, 5.°, 6.° e 9.° segmentos abdominais,
com um par de cerdas de cada lado. (Os segmentos abdominais 3.°, 4.®,
5.° e 6.® correspondem às falsas pernas).
Todas as cerdas citadas, situam-se lateralmente, entre os tufos de
espinhos dorsais e a parte ventral da lagarta.
ECDISES
C. a. araguensis realiza as eedises de crescimento de maneira pe¬
culiar; a exúvia a ser descartada rompe-se antes do estojo cefálico, que
permanece preso e íntegro, sem abrir, saindo a nova cápsula cefálica
como que puxada para trás (fig. 2).
A exúvia fica com aspecto de larva encolhida, mais grossa; os tufos
dorsais bem unidos pelo corrugamento da pele.
Outro detalhe curioso é que essas lagartas não comem as exúvias
descartadas, ficando o local com aparência de maior número de larvas
simulando as exúvias, lagartas imóveis.
PUPÁRIO
As lagartas de C. a. araguensis, para puparem, fazem um tosco
abrigo, prendendo folhas e substratos com fios de seda, fazendo uma
proteção que não chega a ser casulo.
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MORAES, R. H. P.; & TRAVASSOS FILHO, L. P. Contribuição para o conhecimento das lagartas
urticantes. I — Cerodirphia avenata araguen^ia Lemaíre, 1971. (Lep. Attacidae). Nem. Inst.
Butantan, 4i/i5;367-376, 1980/81.
Fig. 3 — C.a. araguaisia — Detalhe de cerda urticante (Scanning)
Fig. 4 — C.a. araguenaié — Detalhe de tufos e cerdas urticantes (Scanning).
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MORAES. R. H. P. & TRAVASSOS FILHO, L. P. Contribuição para o conhecimento das lagartas
urticantes. I — Cerodirphia avenata araguenais Lemaire, 1971. (Lep. Attacidae). Mem. Jnst.
Butantan, 367-376, 1980/81.
O pupário é bem esclerosado e preto, e o segmento terminal é carac¬
terístico, com formato semi-esférico, lemlbrando um zimbório e no centro
o cremaster também característico, reto, no eixo longitudinal, apontando
para trás, como mostra a foto n.° 5.
PARASITAS
Foi obtido 1 (um) exemplar de Ichneumonidae (Hymenoptera),
eclodido de pupa. O material foi conservado (icneumonídeo -|- pupa)
sob 0 número 2030-IB; também foi observado um lote de 30 lagartas
parasitadas por Apanteles sp. (Braconidae).
ADULTO
Asa anterior do macho com 34 a 40,5 mm de comprimento e 21 a
26 mm na borda externa; corpo com 22 a 25 mm de comprimento, varian¬
do em função do abdômen estar ou não distendido.
Asa anterior da fêmea com 40 a 45 mm de comprimento e 20 a
25 mm na borda externa; corpo com 25 a 35 mm de comprimento, variando
em função do abdômen.
Asas posteriores arredondadas, acompanhando a dimensão das
anteriores.
Antena do macho com apófises em toda a extensão, as maiores na
porção mediana; a da fêmea filiforme (Fig. 6).
CARACTERÍSTICAS CROMÁTICAS — Fig. 6
O colorido dorsal dos exemplares aqui estudados é predominante¬
mente castanho-avermelhado, lembrando cor de vinho tinto, correspon¬
dendo às cores 691 (sangüíneo), 692 (bruno púrpura, bruno sangüíneo)
e 696 (acaju) do Code Universal des Couleurs de Séguy, 1936 e as cores
32 (chest nut), 221B (Walnut brown) e 132A (brick red), do Naturalist
Color Guide de Smithe, 1975.
A intensidade do colorido avermelhado varia pouco nos exemplares
criados ou capturados quando recém-eclodidos, tendendo à cor pálida
nos exemplares voados ou antigos em coleções.
Na asa anterior, uma mancha dorsal característica, alongada em
alguns milímetros, mais larga sobre a nervura transversal e afinando
em direção à borda da asa, sobre a segunda nervura mediana; essa
mancha tem escamosidade branca e, no centro, também em desenho alon¬
gado, uma escamosidade preta com filete branco mediano, como mostram
as fotos dorsais dos exemplares á e 2.
Asa posterior com colorido quase uniforme, e uma faixa escura no
terço distai, acompanhando o contorno da margem externa e pequena
linha branca sobre a nervura transversal.
Ainda dorsalmente, na asa posterior, a área costal tem escamosidade
branca na borda, em longo e fino triângulo com base na inserção da
asa, faixa limitada por escamosidade escura, separando o branco das
nervuras anteriores da asa.
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5 6 SCÍELO;l0 11 12 13 14 15 16
MORAES, R. H. P. & TRAVASSOS FILHO, L. P. Contribuição para o conhecimento das lagartas
urticantes. I — Cerodirphia avenata araguensia Leraaire, 1971. (Lep. Attacidae). Mem. Jnet.
Butantan, U/45:367-376, 1980/81.
Ventralmente, na área costal, a escamosidade branca é mais ampla,
até a nervura subcostal e ocupa dois terços basais dessa área, se desta¬
cando bem, conferindo aspecto muito característico à espécie, conforme
a foto ventral colorida. No colorido geral, a tonalidade acompanha o da
asa anterior.
Os adultos voam nos primeiros e últimos meses do ano e, como
vem acontecendo face ao excesso de iluminação pública, raros exemplares
são encontrados em focos luminosos, apesar do grande número de larvas.
PLANTAS ALIMENTÍCIAS
“Abacateiro” — Persea americana Mill. Lauraceae.
“Canela-branca”, Lauraceae, provavelmente do gênero Nectandra,
aguardando-se floração dos arbustos do Horto Oswaldo Cruz, para iden¬
tificação específica.
“Incenso” — Pittosporum undulatum Vent. Pittosporacea.
“Goiabeira” — Psidium guajava; “Cambuci” — Paivaea langsdorffii
Berg, ambas Myrtacea.
MATERIAL EXAMINADO
Da coleção Entomo-Parasitológica do Instituto Butantan: Horto
Oswaldo Cruz, Inst. Butantan, S. Paulo-SP: 9, N.° 2025, 15-12-1975,
pupário conservado; s , N.° 2026, 12-1-1979, A. R. Ali & R. H. P. Moraes
col., foco luminoso; Embu-Guaçu, SP (Sítio) : s, N.° 2028, 27-12-1981,
L. Travassos Neto col.. Foco luminoso; 9, N.° 2029, 28-12-81, larva
col. 18-4-1981, pupa 06.81, pupário cons.; H. O. Cruz, Inst. Butantan,
São Paulo-SP; N.° 2030, nov. 1976, exúvia larval, pupário e ichneu-
monídeo cons.; á, N.° 2031, 14-1-1982, pupário cons.; ê , N.° 2032,
15-1-1982, montagem ventral, pupário cons.; á, N.° 2033, 19-1-1982,
pupário cons.; á , N.° 2034, 5-2-1982, pupário n/ cons.; 9, N.° 2035,
18-1-1982, R. M. O. Veiga col., foco luminoso; 9, N.° 2036, 25-1-1982,
L. P. Travassos-Filho col., foco luminoso; $, N.° 2037, Embu-Guaçu,
SP, 25-1-1982, L. P. Travassos-Filho col., foco luminoso; 9, N.® 2038,
pupa n/ eclodida, foto.
1 (um) á, Horto Oswaldo Cruz, I.B., SP, 18-12-1972, enviado ao
Dr, C. Lemaire.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos Doutores José Maria Soares Barata e Carlos José
Pereira Baltar, do Depto. de Epidemiologia da Fac. de Saúde Pública da
USP, pelas fotomicrografias em scanning.
Aos Drs. Olaf H. H. Mielke, da Univ. Fed. do Paraná e Gert Hatsch-
bach, do Museu Botânico da Prefeitura de Curitiba, pela colaboração na
identificação das plantas.
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MORAES, R. H. P. & TRAVASSOS FILHO, L. P. Contribuição para o conhecimento das lagartas
urticantes. I — Cerodirphia avenata araguenaia Lemaire, 1971. (Lep. Attacidae). Mem. Inat.
Butantan, 367-376, 1980/81.
Ao Dr. Claude Lemaire, do Museu de Paris, pela identificação da
espécie.
Ao Dr. José Carlos Reis de Magalhães, pelas sugestões e leitura do
original.
Às biólogas Terezinha de Jesus H. Fontenelle, Rosa Maria de Oli¬
veira Veiga e Ana Maria Marassá, colegas da Seção, pelos incentivos,
colaboração nas anotações e coleta de material.
À Sra. Domingas Moreira de Souza, servente da Seção, pela cola¬
boração na coleta das larvas.
ABSTRACT; The authors describe the larva, 'which has urticating
hairs, the pupa, the male and female adults of Cerodirphia avenata
araguensis Lemaire, 1971 (Lepidoptera, Attacidae), and the
characters of the subspecies. The habits of the larva, the period of
the insect phases, the host plants, and the material from the
Parasitology Collection of the Instituto Butantan are also given.
Color and black and white photos of the insect and scanning photos
of the urticating hairs are presented.
KEY-WORDS; Lepidoptera, Attacidae, Cerodirphia avenata ara^
guensis, Bionomics, Urticating.
BIBLIOGRAFIA
CORRÊA, M.P. Diccionario das Plantas Úteis do Brasil. Min. Agric. Ind. Com.,
1926. Vol. 1/6.
LEMAIRE, C. Description d’Attacidae (Saturn.) nouveaux d’Amerique Centrale
et du Sud (Lepidop.) Tijdschr. Ent., lli(3) ;141-162, 12 pis., fgs., 1971.
SÉGUY, E. Code Universal des Covdeurs. LXVIII pgs., 48 pis. (720 couleurs).
Paris, 1936.
SMITHE, F.B. Naturalist Color Guide. New York, Amer. Mus., 1975. 10 pgs.+
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VALLE, J.R. et al. Histamine content and Pharmacological properties of crude
extracts from setae of urticating caterpillars. Arch. Intem. Pharm. &
Therapie, 9S(3) :324-35, 1954.
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Mem. Inst. Butantan
44/-*J;377-381, 1980/81
ACAROS ECTOPARASITAS DE SERPENTES. DESCRIÇÃO
DE OPHIOPTES LONGIPILIS SP.N. E OPHIOPTES
BREVIPILIS SP.N. (TROMBIDIFORMES, OPHIPTIDAE)
Nélida M. LIZASO *
RESUMO: Apresento o levantamento da fauna acarológica perten¬
cente à Família Ophioptidae, ectoparasitas de serpentes não vene¬
nosas brasileiras.
Foi coletado o gênero Ophioptes Sambom, 1928 em serpentes pro¬
cedentes de 9 Estados do Brasil.
Citam-se dados de distribuição geográfica e hospedeiros de Ophioptes
parkeri Sambom, 1928 e descrevem-se duas espécies novas: Ophioptes
longipilis sp.n. e Ophioptes brevipilis sp.n.
PALAVRAS-CHAVE: Ophioptes Sambom, 1928: Acarina, Ophiop¬
tidae, Ophioptes longipilis sp.n., Ophioptes brevipilis sp.n.
INTRODUÇÃO
O conhecimento da fauna acarológica pertencente à Família Ophiop¬
tidae da Região Neotropical é ainda incipiente. Foram assinalados para
essa região Ophioptes parkeri Sambom, 1928, localidade tipo: Buenavista,
Bolívia, encontrado também no Brasil, Paraguai e Argentina e Ophioptes
dromicus Allred 1958 de Cuba.
São parasitas exclusivos de serpentes em todas as fases de seu desen¬
volvimento.
Fain * em 1964 publicou um levantamento dos Ophioptidae tendo como
base o material herpetológico das coleções do Musée royal de l’Afrique
Centrale de Trevuren, e do Institut Royal des Sciences Naturelles de
Belgique, em Bruxelas.
Decorrente do exame sistemático — duas vezes por semana — das
serpentes que chegam ao Instituto Butantan desde os mais diversos pontos
do Brasil, temos agora novos dados para acrescentar tanto de distribuição
geográfica e hospedeiros como também a descrição de duas novas espécies:
Ophioptes longipilis sp.n. parasitando Oxyrhopns trigeminiis. Duméril,
Divinão de BioloKiar InHtituto Butantan — Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Técnico (CNPq). Endereço para correspondência: CEP 05504 — Caixa Postal 65, São Paulo — Brasil.
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LIZASO. N. M. Ácaros ectoparasitas de serpentes. Descrição de Ophiopte» longipilia sp.n. e Ophioptea
hrevipilia sp.n (Trombidiformes, Ophioptidae). Mem. Inat. Butantan, .44/^5:377-381, 1980/81.
Bibron and Duméril procedente de Itu, São Paulo e Ophioptes brevipilis
sp.n. parasitando Chironius flavolineatiis (Boettger) procedente de Goiâ¬
nia, Goiás.
MATERIAL E MÉTODO
O material estudado provém em sua maior parte do Estado de São
Paulo, embora tenha sido coletado também nos Estados do Pará, Pernam¬
buco, Goiás, Minas Gerais, Espirito Santo, Mato Grosso, Paraná e Rio
Grande do Sul.
As serpentes chegam vivas ao Instituto Butantan e assim são exami¬
nadas. No periodo compreendido entre março de 1976 e fevereiro de 1982
foi examinado um total de 3.006 serpentes, das quais 511 se apresenta¬
vam com ectoparasitas. Destas, 49 exemplares apresentavam Ophioptes.
As serpentes parasitadas por Ophioptes pertencem a 11 gêneros da
subfamília Colubrinae. Este material herpetológico foi identificado pelo
pessoal da Seção de Herpetologia do Instituto Butantan.
Todas as serpentes foram examinadas vivas, aquelas que se apresen¬
tavam parasitadas foram anestesiadas com éter sulfúrico e em seguida
os parasitas removidos com escarificador, um a um, geralmente a obser¬
vação com estereomicroscópio.
Os parasitas foram coletados todos na fase adulta, alguns dentro das
crateras escavadas nas escamas, mas a maioria deles caminhando lenta¬
mente sobre as escamas.
Ophioptes longipilis sp.n.
(Figs. 1-3)
Fêmea: comprimento do idiossoma 318pi, largura 360iJ..
Face dorsal: pêlos escapulares medindo 31(z., dorsais anteriores, 36(i.
e dorsais posteriores 9 m. Face ventral: placa genitoventral medindo 23 m
de comprimento e 38ii de largura; os quatro pares de pêlos genitoventrais
implantam-se fora da placa (fig. 1 ).
Gnatossoma: com dois pêlos, um laterobasal fino, medindo lôix e outro
ventrobasal com 16ii.. Palpo tarsal com 1 pêlo anterior medindo 24iJ. e
comprimento; espinhos das tíbias medindo: I 22^, II 28m, III 34m, IV 33m.
1 posterior com 11 m (fig. 2).
Pernas: trocanter IV com 1 pêlo fino e farpado, de 56ix de com¬
primento: fêmur I com 1 pêlo liso e 1 rombudo e farpado de 75 ( 1 . de
comprimento; espinhos das tíbias medindo: I 22ix, II 28|ji., III 34 ia, IV
33iJi. Pulvilhos dos tarsos: bárbulas em n.® de 8 apicais e 10 basais.
Macho (fig. 3) : comprimento do idossoma 240ix, largura 234p..
Face dorsal: pêlos escapulares curtos e fortes medindo 13 !a, pêlos
dorsais anteriores de 36/^, dorsais posteriores de 8/1 e genitais de 9/i.
Face ventral: pêlos ventrais posteriores finos de 8 ij. de comprimento.
Gnatossoma: pelo laterobasal medindo 13|x, ventrobasal de 9;x, tarsal
anterior de 19/i, tarsal posterior de 9/i.
Holótipo fêmea, Brasil, São Paulo, Itu, em Oxyrhopus trigeminus
Duméril, Bibon and Duméril, 7-II-77, N. M. Lizaso col., lote n.° 6070.
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LIZASO, N. M. Ácaros ectoparasitas de serpentes. Descrição de Ophioptcs longipüia sp.n. e Ophioptea
brevipilia sp.n (Trombidiformes, Ophioptidae). Mcm. ínst. Butantan, íV-45:377-381, 1980/81.
50 p
Prancha 1 — Ophioptea longipüia sp.n. Figr. 1: fêmea, placa genitoventral; Fig. 2: gnatossoma; Fig. 3:
macho, idíossoma. C
Ophioptea brevipüia sp.n. Fig. 4: fêmea, placa genitoventral; Fig. 5: gnatossoma; Fig. 6:
macho, idiossoma. c
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LIZASO, N. M. Ácaros ectoparasitas de serpentes. Descrição de Ophioptea longipilia sp.n. e Ophioptea
brevipilis sp.n (Trombidiformes, Ophioptidac). Mcm. inst. Butanian, :377-381, 1980/81.
Parátipos: os mesmos dados do holótipo: 3 9 e 1 á ; Pernambuco,
Guararapes, em Oxyrhopiis trigeminus, 14-IV-78, N. M. Lizaso col., 1 9 ;
Goiás, Itumbiara, em Oxyrhopus trigeminus, 23-X-79, N. M. Lizaso col.,
2 $ ; Espírito Santo, Domingos Martins, em Leimadophis poecilogyrus
(Wied), lO-VII-78, N. M. Lizaso col., 5 9 e 2 3 ; São Paulo, Itú, em
Oxyrhopus trigeminus, 25-IX-78, N. M. Lizaso col., 3 9 e 2 á ; Paraná,
Foz do Areia, em Oxyrhopus petola (Linneaus), 25-IV-80, N. M. Lizaso
col., 2 9.
Ophioptes brevipilis sp.n.
(Figs. 4-6)
Fêmea: comprimento do idiossoma 342[j., largura 360 [a.
Comprimento dos pêlos da face dorsal: escapulares: 15|x, dorsais
anteriores: 34 m, dorsais posteriores: 21n.
Face ventral: placa genitoventral de aspecto irregular medindo 49 ia
de comprimento por 50 m de largura onde se implantam 2 pares de pelos
posteriores (fig. 4).
Gnatossoma (fig. 5) : apresenta 1 espinho laterobasal de 8 ijl de com¬
primento e 1 pelo ventrobasal medindo lòu) o palpo tarsal apresenta 1
pêlo anterior medindo ISix e 1 posterior com 10;j..
Pernas: o trocanter III com 1 pêlo dorsal rombudo e farpado de 64|x
e o IV com 1 pêlo rombudo e farpado de 6i[i. de comprimento; fêmur I
com um pêlo dorsal rombudo e farpado de 60ix; espinhos das tíbias
medindo: I 17 m, II 20u, III 24u, IV 24u respectivamente. Pulvilhos dos
tarsos: bárbulas em n.° de 9 apicais e 8 basais.
Macho (fig. 6) : comprimento do idiossoma 222 íji, largura 240;i..
Face dorsal: pêlos escapulares de 13ix, dorsais anteriores de 43 |j.,
dorsais posteriores de 8 [a e genitais de 13ix. Face ventral: pêlos ventrais
posteriores finos de 12u.
Gnatossoma: 1 pêlo laterobasal medindo 13 ij., ventrobasal, 13ix, tarsal
anterior forte de 19 m, tarsal posterior fino de 8u.
Holótipo fêmea. Brasil, Goiás, Goiânia, em Chironius flavolineatus
(Boettger), 30-III-79, N. M. Lizaso col., lote n.° 6327.
Parátipos: os mesmos dados do holótipo: 5 9 ; Itumbiara, em Philo-
dryas olfersii (Lichtenstein), 16-XI-79, N. M. Lizaso col., 5 9 e 3 á ; Mato
Grosso, Três Lagoas, em Mastigodryas bifossatus (Raddi), 29-XII-78,
N. M. Lizaso col., 3 9 e 1 3 ; Espírito Santo, Colatina, em Leimadophis
poecilogyrus (Wied), 17-11-78, N. M. Lizaso col., l9 e 43 ; São Paulo,
Tupã, em Mastigodryas bifossatus, l-XII-78, N. M. Lizaso col., 9 9 e 4 3 ;
Rosana, em Lygophis meridionalis (Schenkel), 12-1-79, N. M. Lizaso col.,
3 9 e 2 3 ; Paraná, Uraí, em Philodi-yas olfersii, ll-IX-79, N. M. Lizaso
col., 1 9 .
DISCUSSÃO TAXONÔMICA
Estas duas espécies apresentam aspecto geral bastante semelhante.
Os exemplares fêmeas se diferenciam: Ophioptes brevipilis sp.n. apre¬
senta gnatossoma com 1 pêlo laterobasal curto e forte, em forma de espi¬
nho; Ophioptes longipilis sp.n. apresenta este pêlo longo e fino. A placa
genitoventral, em brevipilis é de aspecto irregular e nela se implantam
380
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LIZASO, N. M. Ácaros cctoparasitas de serpentes. Descrição de Ophioptcs longipüis sp.n. e Ophioptcs
brevipilis sp.n (Trombidiformes, Ophioptidae). Mcm. ínst. Butantan, .4^/45:377-381, 1980/81.
dois pares de pêlos posteriores; em longipüis é pequena de aspecto
regular e sem pêlos.
De modo geral longipüis apresenta pêlos e espinhos de maior tamanho
que brevipilis, detalhe este notório nos espinhos das tíbias.
Ophioptes parkeri Sambom, 1928
É a espécie mais abundante no material coletado e que abrange maior
distribuição geográfica e variedade de hospedeiros.
Damos a seguir esta relação de hospedeiros e localidades: Pará, Belém,
em Spilotes pullatus (Linneaus), 30-III-79, N. M. Lizaso col., 3 9 ; Goiás,
Itumbiara, em Leimadophis poecilogyrus (Wied), 23-X-79, N. M. Lizaso
col., 35 9 e 28 á ; em Waglerophis merremii (Wied), 23-X-79, N. M.
Lizaso col., 1 9 ; em Lygophis mericlionalis (Schenkel), 23-X-79, 18 9 e
3 á ; Minas Gerais, Uberlândia, em Waglerophis merremii, 5-XI-76, 2 9 ;
em Leimadophis poecilogyrus, 18-XI-77, N. M. Lizaso col., 1 9 ; Juiz de
Fora, em Leimadophis poecilogyrus, 4-III-77, N. M. Lizaso col., 10 9 ;
Lambari, em Erythrolamprus aesculapii (Linneaus), 22-IX-78, N. M.
Lizaso col., 12 9 e 27 5 ; Sapucaí, em Spilotes pullatus (Linneaus), 22-XII-
78, N. M. Lizaso col., 35 9 e 19 á ; Três Corações, em Erythrolamprus
aesculapii, 19-V-81, N. M. Lizaso col., 6 9 ; Espírito Santo, Colatina, em
Leptodeira annulata (Linneaus), 17-11-78, N. M. Lizaso col., 2 9 e 2á ;
São Paulo, Presidente Wenceslau, em Leimadophis poecilogyrus, 14-IV-76,
N. M. Lizaso col., 5 9 e2s ; Arujá, em Chironius foveatus Bailey, 22-XI-76,
N. M. Lizaso col., 5 9 e 2 á ; Biritiba Mirim, em Erythrolamprus aescula¬
pii, 20-11-78, N. M. Lizaso col., 18 9 e 9á ; Araçoiaba da Serra, em
Chironius foveatus, 27-11-78, N. M. Lizaso col., 2 9 ; Rancharia, em Eryth¬
rolamprus aesculapii, 22-V-78, N. M. Lizaso col., 7 9 e 2 3 ; Inúbia Paulista,
em Erythrolamprus aesculapii, 22-IX-78, N. M. Lizaso col., 47 9 e 19 3 ;
Jaú, em Waglerophis merremii (Wied), 26-XII-78, N. M. Lizaso col., 1 9 ;
Morro Agudo, em Emjthrolamprus aesculapii, 7-XII-81, N. M. Lizaso
col., 5 9 e 2 3 : São Carlos, em Waglerophis merremii, 7-XII-81, N. M.
Lizaso col., 1 9 ; em Emjthrolamprus aesculapii, 7-XII-81, N. M. Lizaso
col., 19 ; Rio Grande do Sul, Pelotas, em Leimadophis poecilogyrus,
l-XI-76, N. M. Lizaso col., 5 9 e 1 3 .
ABSTRACT: This paper presents a study of the ectoparasite mites
from non poisonous brazilian snakes of the family Ophioptidae.
The genus Ophioptes Sambom, 1928 was collected in snakes from
9 States of Brazil.
The geografical distribution and hosts of Ophioptes parkeri Sam¬
bom are given and two new species are described: Ophioptes
longipüis sp.n. and Ophioptes brevipilis sp.n.
KEY-WORDS: Ophioptes Sambom, 1928; Acarina, Ophioptidae,
Ophioptes longipüis sp.n., Ophioptes brevipilis sp.n.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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bidiformes). Buli. Inst. roy. Sei. nat. Delg., 40(15) :l-67, 1964.
381
cm
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Mem. Inst. Butantan
U/45:Z8Z-ZQ0. 1980/81
GYRINICOLA CHABAUDI N.SP. (NEMATODA,
PHARYNGODONIDAE), OXIURÍDEO ENCONTRADO EM
GIRINOS *
Paulo ARAÚJO **
Paulo de Toledo ARTIGAS **
RESUMO: O gênero Gyrinicola contém, até o presente, três espé¬
cies encontradas em larvas de anuros: G. batrachienais que ocorre
nas regiões oriental e central da América do Norte; G. tba, na
Checoslováquia, no Cáucaso e no delta do Danúbio europeu; G.
japonica, no Japão. No presente trabalho é descrita uma espécie
nova, a quarta do gênero, Gyrinicola chabaudi, encontrada em girinos
de Leptodactylus ocellatus, no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: Gyrinicola chabaudi n.sp.; Nematoda; Pha-
ryngodonidae; girinos; anuros.
INTRODUÇÃO
Espécimens de oxiurídeos foram colhidos do intestino de girinos de
Leptodactylus ocellatus oriundos do município de Santo Amaro, Estado
de São Paulo. Apesar de não terem sido encontrados exemplares machos,
as características morfológicas das fêmeas permitiram-nos incluí-los no
gênero Gyrinicola Yamaguti, 1938.
Yamaguti (1938), para abrigar o gênero Gyrinicola, criou a famí¬
lia Gyrinicolidae, colocando-a na superfamília Oxyuroidea e, posterior¬
mente ” (1961), na ordem Oxyuridea. Chabaud ® (1978), transformou
Gyrinicolidae em subfamília, situando-a na família Cosmocercidae (Cos-
mocercoidea). Recentemente, Adamson ^ (1981) transferiu o gênero
Gyrinicola para a família Pharyngodonidae (Oxyuroidea) sensu Petter
e Quentin® (1976).
O gênero Gyrinicola, segundo Adamson h possui, atualmente, três
espécies encontradas em girinos: G. batrachiensis (Walton, 1929) Adam¬
son, 1981, G. tba (Dinnik, 1930) Adamson, 1981 e G. japonica Yamaguti,
1938, distintas apenas pela distribuição geográfica.
Trabalho apresentado no VII Congresso da Sociedade Brasileira de Farasitologia. Porto Alegre (RG),
de 31 de janeiro a 4 de fevereiro de 1982.
Departamento de Farasitologia, Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade de São Faulo.
383
cm
SciELO
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ARAÚJO, P. & ARTIGAS, P. T. Gyrinicola chabauãi n.sp. (Nematoda, Pharyngodonidae), oxiurídco
encontrado em girinos. Mem. Inst. Butantan, 4i/45:ZSZ-Z90, 1980/81.
Como os oxiurídeos por nós encontrados apresentavam caracteres
morfológicos que os distanciavam das demais espécies do gênero Gyrini¬
cola, parece-nos que os mesmos devam constituir uma nova espécie, para
a qual propomos o nome Gyrinicola chabauãi n.sp.
DESCRIÇÃO
Gyrinicola chabauãi n.sp. — Pharyngodonidae.
Fêmeas “gráviãas” — Vermes pequenos, afilados nas extremidades,
desprovidos de asas laterais. Abertura bucal hexagonal limitada por
lábios indistintos, circundada por 4 papilas e 2 ânfides pedunculadas
(fig. 1, 2). Esôfago constituído de corpo ligeiramente dilatado poste¬
riormente, de istmo curto e de bulbo esferóide valvulado. Poro excretor
pós-bulbar. Cauda inicialmente com forma de tronco de cone, continuan¬
do-se por um processo delgado, quatro a cinco vezes mais longo que a
parte inicial; fásmides situadas no limite dessas duas porções da cauda.
Vulva com borda anterior saliente, situada um pouco adiante do meio
do corpo do verme. O ovijetor, dirigindo-se inicialmente para a extre¬
midade anterior, toma, após curvatura, direção oposta. Depois de ultra¬
passar posteriormente o nível da vulva, apresenta uma dilatação, conti¬
nuando-se, a seguir, pelo útero repleto de ovos de casca espessa. Após
curto trajeto em direção da extremidade posterior, dirige-se o útero para
a frente, enovela-se e continua-se pelo ovário que, após curvaturas sinuo¬
sas, torna-se retilíneo, dirigindo-se em direção da cauda do verme e
apresentando sua extremidade livre um pouco adiante do ânus (fig. 3).
Em alguns dos exemplares examinados foi observada a ocorrência
de pequeno “apêndice digitiforme”, de comprimento variável, situado na
face esquerda do ovijetor, próximo do início do útero acima descrito.
Tal apêndice, dirigindo-se anteriormente, não atinge o nível da vulva.
Em seu interior não foi observada a presença de ovos.
Os ovos são alongados (dimensões — em micrômetros — de 20
ovos: 102-118 x 48-56, média 112 x 51), assimétricos, com casca espessa,
operculados e de aspecto triangular quando vistos em secção transversal
(fig. 4). Os opérculos, de situação subpolar, apresentam-se com forma
de elipse (fig. 5). Dois opérculos, vistos perpendicularmente, mediram
(em micrômetros) 28 e 30 de comprimento por 16 e 15 de largura. De
4 ovos examinados, com 102, 103, 105 e 110 micrômetros de comprimento,
foi observado que seus opérculos mediam 29, 29, 28 e 30 micrômetros
de comprimento, representando estas medidas, respectivamente, os per¬
centuais de 28,4, 28,1, 26,6 e 27,2 do comprimento dos ovos.
Na tabela 1, encontram-se as dimensões principais obtidas de 20
fêmeas “grávidas” de G. chabauãi.
Espécimen tipo — O holótipo, desprovido do “apêndice digitiforme
uterino” acima mencionado, apresentou as seguintes dimensões (em
micrômetros) : comprimento 2794; largura ao nível da junção esôfago-
-intestino 178 e ao nível da vulva 170; comprimento total do esôfago
518; comprimento do corpo esofagiano 421; largura do bulbo esofagiano
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ARAÚJO, P. & ARTIGAS, P. T. Gyrinicola chahaudi n.«p. ÍNematoda, Pharyngodonidae), oxiurídeo
encontrado em girinos. Mem. Inat. Butantan, J^/,í5;383-390, 1980/81.
TABELA 1
Principais dimensões (em micrômetros, a menos que haja indicação) de 20 fêmeas
“grávidas” de Gyrinicola chabaudi n.sp. colhidas de girinos de Leptodactylus ocellatus.
Mín. — Máx.
Média
Comprimento (mm)
2,146 — 3,312
2,745
Largura*
145 — 210
168
Largura"
129 — 218
162
Esôfago: comprimento total
421 — 558
494 (17,9)
Esôfago: corpo, comprimento
332 — 445
400 (14,5)
Esôfago: bulho, largura
56 — 113
103
Anel nervoso'
129 — 170
149 (5,4)
Poro excretor'
542 — 868
675 (24,5)
Vulva (mm)'
0,931 — 1,494
1,220 (44,4)
Ovário-anus'
16 — 283
123 (4,4)
Cauda
486 — 648
533 (19,4)
a — Ao nível da junção esôfago-intestino.
b — Ao nível da vulva,
c — Distância da extremidade anterior,
d — Distância da extremidade livre do ovário ao anus.
Os números entre parênteses representam as porcentagens relativas ao comprimento
do corpo do verme.
113; distância da extremidade anterior ao anel nervoso 145 e ao poro
excretor 631; distância da vulva à extremidade anterior 1158; distância
da extremidade livre do ovário ao ânus 194; comprimento da cauda 583.
Fêmeas imaturas — Em fêmeas imaturas, com útero desprovido de
ovos, o aparelho genital era mais facilmente observável que em fêmeas
“grávidas”. Os aparelhos genitais de duas fêmeas, uma com 1,544 mm
e outra com 1,8 mm de comprimento, estão representados nas figuras
6 e 7, respectivamente. No aparelho genital da fêmea com 1,544 mm de
comprimento (fig. 6), observa-se o ovijetor que, após pequeno trajeto
em direção anterior, encurva-se, tomando direção oposta, apresentando
a seguir, grande dilatação, da qual sai o tubo útero-ovariano. Este,
inicialmente dirige-se para a frente e após curvatura segue, com forma
retilínea, em direção da cauda. O aparelho genital da fêmea com 1,8 mm
de comprimento (fig. 7), semelhante ao da fêmea com 1,544 mm de
comprimento, apresenta, na face esquerda da parte dilatada do ovijetor,
pequeno “apêndice digitiforme” dirigido em direção da extremidade
anterior do verme.
Larvas artificialmente eclodidas — Fêmeas recém-colhidas de giri¬
nos e postas em salina, realizaram oviposição. Em ovos assim obtidos
e incubados à temperatura de 25°C observou-se que, aos 4 dias de incuba¬
ção, as larvas desenvolvidas, ocupando todo o espaço interno da casca
do ovo, apresentavam movimentos periódicos de rotação em torno do eixo
longitudinal. Nessas larvas era observável o esôfago com seu aparelho
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ARAÚJO, P. & ARTIGAS, P. T. Gyrinicola ckabaudi n.sp. (Nematoda, Pharynsodonidae), oxiurfdeo
encontrado cm girinos. Mem. Inãt. Butantan, .(4A5:383-390, 1980/81.
Gyrinicola ckabaudi n.
Fig. 1
Fig. 2
Fig. 3
Fig. 4
Fig. 5
Fig. 6
Fig. 7
Fig. 8
Extremidade anterior, vista apical.
Extremidade anterior, vista lateral.
Fêmea “grávida'*.
Seção transversal de ovo.
Opêrculo de ovo.
Aparelho genital de fêmea imatura, desprovido de “apêndice digitiforme".
Aparelho genital de fêmea imatura, com “apêndice digitiforme” na face esquerda do ovijetor.
Larva eclodida artificialmentc após 8 dias de incubação à temperatura de 25‘*C.
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ARAÚJO, P. & ARTIGAS, P. T. Gyrirxicola. chabaudi n.sp. (Nematoda, Pharyngrodonidae), oxiurídeo
encontrado em girinos. Mem. Inat. Butantan, ^í/45:383‘390, 1980/81.
valvular. Aos 8 dias de incubação, verificou-se que as larvas permane¬
ciam aparentemente imóveis. A eclosão artificial de larvas foi provocada
por ligeira compressão exercida sobre ovos entre lâmina e lamínula em
meio constituído de salina. De duas larvas artificialmente eclodidas aos
8 dias de incubação foram obtidas as seguintes dimensões (em micrô-
metros) : comprimento do corpo 156 e 173; largura máxima (ao nível
da junção esôfago-intestino) 39 e 38; comprimento total do esôfago 64
e 80 (41,0 e 46,2% do comprimento da larva) ; cauda 33 e 34 (21,1 e
19,6%).
Na larva com 156 micrômetros de comprimento (fig. 8) foram
observados, além do esôfago e do intestino nitidamente delimitados, dois
agrupamentos de grandes células, um ao redor da metade posterior do
corpo esofagiano e outro, na região ventral da larva, ao nível do bulbo
esofagiano; provavelmente esses agrupamentos celulares representam os
primórdios do anel nervoso e do aparelho excretor.
Espécimens tipo: Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo,
São Paulo, Brasil. Holótipo MZUSP n.“ 5730. Parátipos MZUSP n.”
5731.
Hospedeiro: Larva (girino) de Leptodactylus ocellatus.
Localização no hospedeiro: Intestino.
Localidade: Jardim Novo Horizonte, município de Santo Amaro, SP.
DISCUSSÃO
Walton em 1929, criou a espécie Pharyngodon batrachiensis, de
girinos de Rana pipiens e, em 1933», P. armatus, de R. pipiens e de
R. clamitans, da América do Norte. Em ambas as espécies o poro excre¬
tor estava situado ao nível do bulbo esofagiano.
Holoman ® (1969), examinando espécimen tipo de P. armatus, cons¬
tatou algumas discrepâncias na descrição original de Walton entre elas,
a situação do poro excretor que era pós-bulbar e não ao nível do bulbo
esofagiano, como descrevera Walton ®. Holoman em material colhido
de girinos de R. clamitans melanota, encontrou, pela primeira vez, machos
de P. armatus. Descreveu-os e redescreveu as fêmeas. Com relação ao
opérculo dos ovos de P. armatus, Holoman ® representa-o em figura, de
forma nitidamente circular.
Adamson h após estudo de espécimens de P. batrachiensis e de P.
armatus depositados em coleções helmintológicas por Walton *•» e por
H 9 loman ®, transferiu P. batrachiensis para o gênero Gyrinicola e colocou
P. armatus na sinonímia de G. batrachiensis. Ainda Adamson *, exami¬
nando exemplares de G. batrachiensis por ele colhidos de girinos de R.
clamitans, R. catesbeiana, R. pipiens, R. sylvatica, Hyla versicolor e Bufo
americanus, constatou a não ocorrência de exemplares machos no mate¬
rial encontrado em girinos de R. sylvatica e de B. americanus. Nas
fêmeas encontradas nos hospedeiros nos quais ocorriam machos, verificou
que as mesmas possuíam dois úteros, um de situação ventral, contendo
ovos de casca delgada em vários estádios de desenvolvimento, e outro,
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ARAÚJO, P. & ARTIGAS, P. T. Gyrinicola chabauãi n.sp. (Nematoda, Pharyngodonidae), oxiurídeo
encontrado em girinos. Mem. Irxêt. Butantan, ^i//#5;383-390, 1980/81.
dorsal, com ovos de casca espessa e operculados, em estádio inicial de
divisão celular. Estes ovos, de casca espessa, apresentavam-se com forma
triangular em secção transversal. Em fêmeas colhidas de hospedeiros
nos quais não foram encontrados espécimens machos (girinos de R. syl-
vatica e de B. amerieanus), constatou que as mesmas possuíam somente
um útero, dorsal, no qual havia apenas ovos de casca espessa e opercula¬
dos. Com relação ao opérculo dos ovos de casca espessa, Adamsonem
sua redescrição de G. batrachiensis, afirmou ser o mesmo de situação
subpolar e de forma circular. Finalmente, conclui Adamson ‘ que exis¬
tem, até 0 presente, três espécies conhecidas do gênero Gyrinicola distin¬
tas apenas pela sua distribuição geográfica: G. batrachiensis que ocorre
nas regiões oriental e central da América do Norte; G. tba, na Checos¬
lováquia, no Cáucaso e no delta do Danúbio europeu; G. japonica, encon¬
trada no Japão.
Considerando-se os dados relativos ao comprimento do corpo, às
dimensões e às posições de vários órgãos obtidos por Adamson ^ de
exemplares de G. batrachiensis colhidos de girinos de R. sylvatica e de
B. amerieanus, verifica-se que, por esses dados, não seria possível dife¬
renciar G. chabauãi de G. batrachiensis. Contudo, a forma do opérculo
dos ovos, circular em G. batrachiensis segundo Holoman ® e Adamson *,
de elipse em G. chabauãi; o comprimento do eixo longitudinal do opérculo
dos ovos, menor nos de G. batrachiensis (15,2 e 15,4% do comprimento
de ovos figurados, respectivamente, por Holoman ® e por Adamson >) que
nos de G. chabauãi (26,6 a 28,4% do comprimento de 4 ovos examinados),
constituem, a nosso ver, caracteres específicos que permitem a diferen¬
ciação dessas duas espécies.
Além disso, em ovos oriundos de exemplares de G. batrachiensis
colhidos de R. clamitans, Adamson ^ (1981) observou desenvolvimento
máximo de larvas aos 6 dias de incubação à temperatura de 20°C. De
três larvas eclodidas artificialmente por meio de compressão de ovos
entre lâmina e lamínula, obteve Adamson ^ as seguintes dimensões prin¬
cipais (em micrômetros) : comprimento do corpo 232 a 238, largura
máxima 34 a 37, comprimento do esôfago 91 a 104 e comprimento da
cauda 62 a 66. Comparados esses dados com os obtidos por nós de duas
larvas de G. chabaudi eclodidas artificialmente após 8 dias de incubação
a 25°C, verificou-se que as larvas de G. chabauãi eram mais curtas e
mais largas que as larvas de G. batrachiensis examinadas por Adamson
Também, relacionados o comprimento do esôfago e o da cauda com o
comprimento da larva, constatou-se que em larvas de G. chabauãi o
esôfago era mais longo e a cauda era mais curta que em larvas de
G. batrachiensis. Tais diferenças constatadas em larvas, contribuem para
distinguir G. chabauãi de G. batrachiensis.
G. chabauãi difere de G. Tba pela ocorrência de um útero (dois
úteros em G. tba, segundo Dinnik ■*, 1930 e Volgar ^ 1959) ; pelo compri¬
mento do eixo longitudinal do opérculo dos ovos, maior em G. chabauãi
(26,6 a 28,4% do comprimento de 4 ovos examinados) que em G. tba
(cerca de 15% do comprimento de ovo figurado por Dinnik^); pela
distribuição geográfica, G. chabauãi encontrada na América do Sul —
Brasil —, G. tba, no Velho Mundo — Checoslováquia, Cáucaso e delta
do Danúbio.
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cm
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ARAÚJO, P. & ARTIGAS, P. T. Gyrinicola chabaudi n.sp. (Nematoda, Pharynprodonidae), oxiurídeo
encontrado em girinos. Mem. Inat. Butantan, 4^/^5:383-390, 1980/81.
G. chabaudi distingue-se de G. japonica pelos seguintes caracteres:
ocorrência de apenas um útero (dois úteros em G. japonica) ; cauda mais
longa, representando, em média, 19,4% do comprimento do verme (cerca
de 10% em G. japonica) ; vulva pré-equatorial (pós-equatorial em G.
japonica) ; ovos mais longos que os de G. japonica (ovos de G. chabaudi
102-118 X 48-56 micrômetros, de G. japonica 87-96 x 48-54 micrômetros) ;
pela distribuição geográfica, G. chabaudi assinalada na América do Sul
— Brasil —, G. japonica, no Oriente — Japão. Quanto à forma do
opérculo, não podemos compará-la visto que Yamaguti na descrição
de sua espécie, não mencionou a ocorrência de opérculo nos ovos, prova¬
velmente por não o ter observado.
AGRADECIMENTO
Agradecemos ao Sr. W. C. A. Bokermann, da Fundação Parque
Zoológico de São Paulo, pela identificação dos girinos utilizados no pre¬
sente trabalho.
ABSTRACT: The genus Gyrinicola contains three species described
from tadpoles: G. batrachiensis occurs in eastern and central North
America; G. tba, in Czechoslavakia, the Caucasus and the Danube
delta in Europe; G. japonica, in Japan. In this paper a new species
is described, the forth of the genus, and is named Gyrinicola
chabaudi, after specimens collected from tadpoles of Leptodactylus
ocellatus, in Brazil.
KEYWORDS: Gyrinicola chabaudi n.sp.; Nematoda; Pharyngodo-
nidae; tadpole; anurans.
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389
cm
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ARAÚJO, P. & ARTIGAS, P. T. Gyrinicola chahauãi n.sp. (Nematoda, Pharyngodonidae), oxiurídeo
encontrado em girinos. Mem, Inst. Buíantan, 4-í/-45:383-390, 1980/81.
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390
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10 11 12 13 14 15 16
Mcm. Inst. Butantan
4V^J:391-402. 1980/81
OBSERVAÇÕES DO COMPORTAMENTO E DA CÓPULA
HETERÓLOGA DE SUCURIS EM CATIVEIRO —
EUNECTES MURINUS MURINUS (LINNAEUS) E
EUNECTES NOTAEUS COPE, 1862
Tatiana VEINERT *
Hélio Emerson BELLUOMINI
RESUMO: Neste trabalho, os autores descrevem observações de
comportamento e de cópula heteróloga entre Eunectes murinus mtv-
rinus (Linnaeus) e Eunectes notaeus Cope, 1862, em cativeiro. A
maturidade sexual de fêmeas de Eunectes murinus murinus ocorre
aproximadamente aos cinco anos de idade quando atingem 320 a
360 cm de comprimento. É registrado o número de cópulas hetoró-
logas e 0 período de duração. Desses acasalamentos não resultaram
filhotes.
PALAVRAS-CHAVE: Cópula heteróloga de Sucuris em cativeiro.
INTRODUÇÃO
As observações referentes a répteis da família Boidae e em particular
do gênero Eunectes, sucuri, conhecidos pelo avantajado porte e que riva¬
lizam em tamanho com algumas espécies do gênero Python, são traba¬
lhosas e de difícil realização, representando anos de paciente dedicação,
nem sempre felizes.
No Brasil, Belluomini e colaboradores, 1976/77 (5) procuraram
apreciar, em relação ao gênero Eunectes, dados relativos a alimentação,
tamanho, nomes vulgares, reprodução, número de filhotes, posição siste¬
mática, acrescentando notas próprias obtidas nos seus trabalhos em 1966
(3) e 1968 (4) na Fundação Parque Zoológico de São Paulo.
Jardins Zoológicos que mantêm sucuris em suas exposições têm
publicado trabalhos referentes ao nascimento de ninhadas em cativeiro,
sendo o último de nosso conhecimento o de Luttenberger em 1973 (7)
e recentemente Deschanel em 1978 (6), do Jardim Zoológico de Lyon,
França, que descreveu cruzamento, reprodução e nascimento em cativeiro.
Fundação Parque Zooló^co do São Paulo — Caixa Postal 12.954
Instituto Butantan — Caixa Postal 66 — São Paulo, Brasil.
São Paulo, Brasil.
391
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
VEINERT, T. & BELLUOMINI, H. E. Observações de comportamento e da cópula heteróloga de sucuris
em cativeiro — Eunectes murinus murinua (Linnaeus) e Eunectea Notaem Cope, 1862. Mem. Inat.
Butantan, ^^45:391-402, 1980/81.
PLANTA DO RECINTO EXPERIMENTAL
CAMARA DE AR
CORTE A-A
8.80
PLANTA
Fig. 1 — Planta do recinto experimental.
392
cm
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VEINERT, T. & BELLUOMINI, H. E. Observações do comportamento e da cópula heteróloga de sucuris
em cativeiro — Eunectes murinus murinus (Linnaeus) e Eunectes Notaeua Cope, 1862. Mem. Inst.
Butantan, .44/45:391-402, 1980/81.
Em relação ao comportamento de serpentes da família Boidae em
cativeiro, há o trabalho de Barker e col. em 1979 (1), com observações
obtidas com exemplares de Python violunis.
Há muito sabe-se de casos de cópulas heterólogas entre serpentes,
ocasionando geralmente a morte da fêmea. Belluomini e Hoge em 1957/58
(2) estimaram esses acasalamentos na ordem de 1/200.000.
Neste trabalho, realizado no Zoológico de São Paulo, são relatadas
observações no comportamento e na cópula heteróloga de sucuris das
espécies Eunectes murinus murinus e Eunectes notaeus em cativeiro.
MATERIAL E MÉTODO
Quatro exemplares de sucuris foram incluídos neste trabalho:
1. Fêmea de Eunectes mtirinus m%i,rinus, A de 3,25 m e 15,300 kg,
procedente do Rio Feio, Estado de São Paulo em 30-05-76.
2. Macho de Eunectes notaeus, B de 2,00 m e 5,000 kg, procedente
de Sorocaba, Estado de São Paulo, em 17-03-77.
3. Fêmea de Eunectes munnus murinus, C de 2,90 m e 7,300 kg,
procedente do Zoológico de Curitiba, Estado do Paraná, em 11-05-77.
4. Macho de Eunectes munnus murinus, D de 1,40 m e 1,700 kg,
doação de particular em 19-12-78.
I — TERRÁRIO
Ao chegar, as serpentes foram colocadas em terrário com frente de
vidro e paredes de zinco, coberto com tampa de tela. A água era aquecida
por meio de resistência de aquário de 220v/120w.
A temperatura variava entre 20 e 26°C. Nesse terrário, as serpentes
permaneceram da data da chegada até 15-08-79.
ALIMENTAÇÃO
Dado a dimensão do terrário, pequena para o porte dos répteis,
dificultando o fornecimento de alimento de tamanho maior, oferecemos
apenas gambás, ratos de laboratórios, brancos e pretos e cobaias.
RECINTO EXPERIMENTAL
Em 15-08-79, os répteis foram transferidos para o recinto experi¬
mental, medindo 4,00 m de comprimento x 5,80 m de largura x 1,99 m
de altura, tendo na parte frontal um tanque de água de 4,00 m de com¬
primento X 2,00 m de largura e 0,45 m de altura. A área de terra é de
4,00 m de comprimento, 2,50 m de largura e altura de 2,45 m.
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VEINERT, T. & BELLUOMINI, H. E. Observações do comportamento e da cópula heteróloga de sucurii
em cativeiro — Eunectes murinus murinua (Linnaeus) e Eunectes Notaeua Cope, 1862. Mem. Inat
Butantan, ^4/45:3^1-402, 1980/81.
N
UJ
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O
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3
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2
FíéT- 2 — Curvas da temperatura do recinto experimental, que abriga os exemplares A e B {Eunectes
murinua murinua e Eunectes notaeua).
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VEINERT, T. & BELLUOMINI, H. E. Observações do comportamento e da cópula heteróloga de sucuris
em cativeiro — Eunectea murinua murinxLa (Linnaeus) e Eunectea Notaeua Cope, 1862. Mem. Inat.
Butantan, ííA5:391-402. 1980/81.
O recinto foi adaptado às necessidades térmicas das serpentes, sendo
coberto com duas camadas superpostas de lona plástica transparente,
formando um “colchão de ar” com 0,15 m de altura para uniformizar
a temperatura ambiente; três lâmpadas infravermelho de 250w/220v e
cinco aquecedores de convecção estão suspensos a uma altura de 1,30 m.
A água do tanque foi aquecida por 8 resistências de aquário de 120w/220v.
O piso de terra foi coberto com uma camada de feno com espessura de
0,30 m.
A figura 2 mostra a oscilação de temperatura.
Estas instalações permitiram manter a temperatura do meio am¬
biente e da água, com pequenas oscilações ao redor de 30°C máx. e 25'’C
min. (fig. 4).
ALIMENTAÇÃO
A dimensão do recinto experimental permitiu oferecer, como ali¬
mento, animais de porte maior ou seja coelhos e cutias.
COMPORTAMENTO
Observações constantes indicaram que há bastante diferença no
comportamento de cada animal. A fêmea A permanece mais tempo
dentro da água e ao sair desta, prefere enrolar-se debaixo do feno sob
um dos aquecedores de convecção. O macho B prefere a região central
do recinto, também sob o feno e raramente procura a água.
Devido a constante movimentação dos avantajados répteis e as vezes
a dos animais que lhes servem de alimento, o feno tem que ser trocado
a cada 4 meses.
CÓPULAS
No dia 25-06-80, o macho B cruzou com a fêmea A dentro da água
às 13,05 h e até às 18 h ainda encontravam-se em cópula. Em 24-04-81
anotamos outra cópula, agora sob o feno, com duração de 3 h; em
22-05-81 houve outro cruzamento sob o feno, esta vez não se sabendo
a duração.
Apesar da mudança de recinto, houve continuidade nos cruzamentos
do macho B com a fêmea A.
RESULTADOS
I — TERRÁRIO
A) Alimentação
A alimentação no terrário dos exemplares A Eunectes murinus muri-
nus, B Eunectes notaeus, C Eunectes murinus murinus e D Eunectes
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VEINERT, T. & BELLUOMINI, H. E. Observações do comportamento e da cópula heterólojça de sucuris
em cativeiro — Eunectea murinus murinua (Linnaeus) e Eunectes Notaeua Cope, 1862. Mem. Inat.
Butantan, 391-402, 1980/81.
murinus murinus foi, inicialmente, rato de laboratório, branco e preto.
Como A recusava esse tipo de alimento, mudamo-lo para cobaia.
Pelo fato do terrário ser pequeno para alojar esses répteis, freqüen-
temente o exemplar A travava luta com outras serpentes pela posse da
presa (cobaia). Para solucionar esse problema, passamos a fornecer
primeiro os ratos de laboratório para os exemplares B, C e D e depois
cobaia para o exemplar A.
B) Crescimento
Nesse periodo as serpentes cresceram e ganharam peso.
C) Cópulas
Aproximadamente 1 ano depois de estarem juntos no terrário, os
exemplares A, Eunectes murinus murinus e B, Eunectes notaeus cruza¬
ram em 05-09-78.
Observamos que o macho B cruzou com as duas fêmeas, A e C. Nota¬
mos a preferência do macho B pela fêmea A dado o maior número de
coberturas, sendo 24 vezes contra apenas 2 vezes com a fêmea C. A
tabela I mostra os dados referentes aos cruzamentos observados no
terrário.
Observações feitas num período de 24 dias, entre 05-09-78 e 10-10-78,
permitiu-nos constatar que os cruzamentos se davam de uma a duas
vezes por dia, com duração que variava entre o mínimo de 15 min. e o
máximo de 90 min.
No período noturno não se registraram cópulas, pois as serpentes
permaneciam quietas, quase sempre imóveis, apenas reagindo à nossa
presença.
II — RECINTO EXPERIMENTAL
A) Alimentação
Com a mudança dos répteis para o recinto experimental, em 15-08-79,
tivemos condições de alimentar as serpentes com animais de porte maior,
como coelho e cutia. Porco doméstico de 15 kg, oferecido exclusivamente
ao exemplar A não pode ser ingerido devido ao tamanho.
B) Crescimento
As figs. 3 e 4 mostram o crescimento e o peso dos animais.
C) Cruzamentos
O cruzamento da fêmea A com o macho B nesse recinto se deu em
25-06-80.
Em 10-07-80, ao ser feita a inspeção de rotina, notou-se que o exem¬
plar B, Eunectes notaeus, estava com necrose na ponta da cauda, com
exposição de vértebras, impondo-se amputação parcial, ocasionando inter¬
rupção nos cruzamentos, reiniciados aos 24-04-1981.
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VEINERT, T. & BELLUOMINI, H. E. Observações do comportamento e da cópula heteróloga de sucuris
em cativeiro — Eunectea murinua murinua (Linnaeus) e Eunectea Notaeua Cope, 1862. Mem. Inat.
Butantan, 391-402, 1980/81.
Fig. 4 — Curvas do crescimento de Eunectea notaeua (exemplar B) entre 1977 e 1981.
398
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VEINERT, T. & ÍBELLUOMINI, H. E. Observações do comportamento e da cópula heteróloga de sucuris
em cativeiro — Eunectea murinua rmiriniLa (Linnaeus) e Eunectea Notaeua Cope, 1862. Mem. Inat.
Butantan, .^4/^5:391-402, 1980/81.
Fig. 5 — Hemipênis do exemplar B Eunectea notaeua momento antes da cópula heteróloga. Assinalado
dentro do círculo.
399
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VEINERT, T. & BELLUOMINI, H. E. Observações de comportamento e da cópula heteróloga de sucuris
em cativeiro — Eunectcs murinua murinua (Linnaeus) e Eunectca Notaeua Cope, 1862. Mcm. Inst.
Butantan, 4-4/-4 5.'391-402, 1980/81.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
De acordo com os trabalhos de Belluomini e col. (6) as ninhadas
de Eunectes murinus murinus nascem com tamanho que varia de 70 cm
a 80 cm. As curvas de crescimento mostram que aos cinco anos de idade
sucuris podem ter 320 cm de comprimento. Estas observações permitem
supor que a fêmea de Eunectes murinus murinus de 70 cm de compri¬
mento, recebida por Deschanel (6) tinha menos de um ano de idade e
ele observou 5 anos depois, quando a fêmea media 325 cm de compri¬
mento, cruzamento com macho da mesma espécie e nascimento de filhotes
após 7 a 8 meses.
A fêmea A de Eunectes murinus murinus do recinto experimental
do Zoo de São Paulo, cruzou quando tinha 325 cm de comprimento, com
macho de Eunectes notaeus e apesar da repetição dessa cópula heteróloga
(tabela 1) não resultou fecundação, nem morte da fêmea.
TABELA I
Dados referentes aos cruzamentos das serpentes A, B e C no terrário, com anotação
das datas e do tempo da duração em minutos das cópulas.
ANIMAIS
DATA
TEMPO
B e A
de 05/09/78 a
24 cópulas
10/10/78
entre 20’
e 90’
B e C
27/09/78 e
2 cópulas
06/10/78
entre 16,
e 20,
O controle do exemplar de Deschanel (6) e daquele do presente
trabalho, comprova a maturidade sexual aproximadamente aos 5 anos
de idade, quando essas fêmeas alcançaram comprimento entre 320 cm a
350 cm.
Os autores (5) encontraram em neerópsias de fêmeas de Eunectes
murinus murinus dessa idade, ovidutos com ovos corroborando as con¬
clusões acima (fig. 6).
Barker e col. em 1979 (1) observando exemplares de Python molurus
em cativeiro, verificaram que há luta entre os machos pela posse da fêmea
e uma hierarquia social linear dos mesmos. Esse comportamento não foi
constatado por nós com os exemplares de Eunectes estudados neste
trabalho.
Registramos 29 cópulas ao todo com duração mínima de 15 min.
e máxima de 295 min., sendo 26 destas no terrário e 3 no recinto
experimental.
O maior número de cruzamentos no Zoo de São Paulo deu-se nos
meses de setembro e outubro, enquanto Deschanel, 1978 (6), na França,
assinala os meses de maio e julho, estação climática da primavera nos
dois países.
400
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VEINERT, T. & BELLUOMINI, II. E. Observações do comportamento e da cópula heteróloga de sucuris
em cativeiro — Eunectes murinus murimía (Linnaeus) e Eunectes Notaeus Cope, 1862. Mem. Inat.
Butantan, 44/-Í5:391-402, 1980/81.
Fig, g — Necropsia de sucuri de Eunectes murinua murinus com pouco mais de 300 cm mostrando
ovidutos com ovos.
ABSTRACT: In the present paper, the authors describe observa-
tions on the behavior, and heterologous mating of anacondas —
Euneotes murirms murinus (Linnaeus), and Eunectes notaeus
Cope, 1862 in captivity. Sexual maturity occurs in Eunectes
murinus murinus approximately at the age of 6 years, when females
reach body lengths of about 320 to 350 cm. The number as well
as the duration of heterologous matings are recorded. No young
resulted from these copulations.
KEYWORDS: Heterologous mating of Anacondas in captivity.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao médico veterinário, Dr. FAIÇAL SIMON *, pelas
sugestões na construção do recinto experimental, à bióloga MARIA DE
FÁTIMA DOMINGUES FURTADO **, pelo levantamento bibliográfico,
à Senhora SIBYLLE E. HELLER **, pela redação. Ao Setor de Foto-
cinematografia *, pelas fotografias, GABRIEL ARCANJO DO CARMO *,
da equipe de Desenho, pelos gráficos e desenhos, ao Tratador VALDO-
MIRO FELIZ DA SILVA *, pela dedicação.
Fundação Parque Zoológico de São Paulo.
Instituto Butantan.
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cm
SciELO
VEINERT, T. & BELLUOMINI, H. E. Observações do comportamento e da cópula heteróloga de sucuris
em cativeiro — Eunectea murinua murinua (Linnaeus) e Eunectea Notaeua Cope, 1862. Mem. Inst.
Buiantan, 4^-^5:391-402, 1980/81.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. BARKER, D.G.; MURPHY, B. & SMITH K.W. Social behavior in a captive
group of indian pythons, Python molurus (serpentes, Boidae) with for-
mation of a linear social hierarchy. COPEI A, 3 :466-471, 1979.
2. BELLUOMINI, H.E. & HOGE A.R. Um caso de cópula heteróloga entre
Bothrops e Crotalus (serpentes). Mem. Inst. Butantan, 25:91-94, 1957/58.
3. BELLUOMINI, H.E. & VEINERT, T. Criação de “sucuris”, (Anacondas),
Eunectes murinus (Linnaeus, 1758). Notas preliminares. Parque Zoológico
de São Paulo, Ciênc. Cult., JS(2) ;Í34-135, 1966.
4. BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T. & DISSMANN, F. Dados sobre a biolo¬
gia de serpentes Eunectes murinus — Curva de crescimento e de alimen¬
tação em cativeiro (três anos de observação). Anais do III Congresso
Nacional — Quinta da Boa Vista. Rio de Janeiro, 1968.
5. BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; & PE¬
NHA, A.M. Notas biológicas a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1980
“sucuris” (Serpentes Boidae). Mem. Inst. Butantan, 40/47:79-115, 1976/1977.
6. DESCHANEL, J.P. Reproduction of anacondas. Internat. Zoo Yearbook, 18:
98-99, 1978.
7. LUTTENBERGER, F. Die Geburt von Anakondas (Eunectes murinus (Lin¬
naeus, 1758) Gefangenschaft, Aquaterra, 10(2) :15-21, 1973.
402
1 SciELO
Mem. Inst. Butantan
4í/í5;403-423, 1980/81
ACCIDENTES HUMANOS POR LAS SERPIENTES DE LOS
GÊNEROS BOTHROPS Y LACHESIS
Juan Silva HAAD ♦
RESUMEN: Se presentan 93 casos de accidentes humanos por ser-
pientes dei Género Bothrops y dos casos por el Género Laehesis.
Se hace el estúdio de la semiologia de estos accidentes, y con base
en el análisis estadístico de la casuística presentada, se formulan los
fundamentos para establecer el diagnóstico clínico y diferencial;
además se exponen los métodos terapêuticos empleados.
UNITERMOS: Síndromes: Laehesis; Bothrops. Serpientes; Cro-
talinae.
INTRODUCCIÓN
Desde 1973, hasta el primer semestre de 1978, se han estudiado y
tratado, en el Hospital Regional de la ciudad de Leticia Amazonas, 93
casos de accidentes humanos, determinados por las serpientes dei Género
Bothrops y dos casos por las serpientes dei Género Laehesis.
De los 93 casos de accidentes bothrópico, 79 fueron ocacionadas por
la especie Bothrops atrox y 14 por la subespecie Bothrops bilineatus
smaragdimis.
La gran morbilidad causada por las serpientes dei Género Bothrops
nos permitió realizar un estúdio detallado de la clinica semiológica, como
también, de las alteraciones hematológicas y urinarias que provocan los
venenos de estas serpientes.
Dos casos de accidentes humanos causados por las serpientes dei
Género Laehesis nos ayudarán a establecer tanto las similitudes como las
diferencias clínicas existentes entre estosdos Géneros, cuyo diagnóstico
diferencial clínico, es de gran importância para instaurar una terapêutica
racional.
Los casos de accidentes laquéticos relatados son los únicos, hasta el
momento actual, descritos en la literatura médica colombiana.
Jefe dei Servicio de Salud dei Amazonas — Director Hospital Regional de Leticia — Cirujano General
Calificado.
403
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
IIAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothrops y Lacheaia. Mem. Inai.
fíutantan, A5;403-423, 1980/81.
La rareza de los accidentes ocacionados por las serpientes dei Género
Lachesis, nos mantuvo durante 12 anos sin conocerla semiologia producida
por la inyección accidental dei veneno de estas serpientes en el hombre.
El conocimiento de los signos semiológicos de este grave accidente es una
contribución médica importante por lo escasso de la literatura universal
existente.
MATERIAL Y MÉTODOS
Se llevó a cabo un registro detallado de los accidentes ofídicos ocurri-
dos en el Território de la Comisaría dei Amazonas y mediante la investi-
gación realizada se determinarán los siguientes hechos:
1. °) Circunstancia como ocurrió el accidente.
2. °) Hora en la cual ocurrió el accidente, y tiempo transcurrido
entre éste y la consulta médica.
3. °) Lugar dei cuerpo donde fue picado.
4. °) Sintomas y signos presentados.
5. °) Alteraciones hemáticas encontradas.
6. °) Distribución por edad y sexo.
Los pacientes atendidos y tratados en el Hospital Regional de Leticia,
en el cual hay recurso humano médico y de bacteriólogas especializadas,
se les practicarán a todos lo pacientes, además de los exámenes clinicos
nitinarios, exámenes de laboratorio para conocer las alteraciones de la
protrombina y el fibrinógeno; alteraciones de la morfologia globular,
como también exámenes de orina con el fin de determinar la presencia
de elementos anormales en ésta.
Con base en los signos semiológicos, sintomas y hallazgos de labora¬
torio clinico, principalmente las alteraciones de la coagulación, causadas
por la disminución o consumo de la protrombina y dei fibrinógeno, clasi-
Hcamos los pacientes en tres estados clinicos, con el objetivo de sentar las
bases terapêuticas. Los estados clinicos se calificaron en; Estados I, H y
III. Se compila toda la casuistica ocurrida en el Território dei Amazonas
y se hace el análisis estadistico.
SEMIOLOGIA DEL ACCIDENTE BOTHRÓPICO
La función venenosa de los Tanatofidios está dirigida fundamental¬
mente a la conservación de la especie, utilizando el veneno de sus glându¬
las, principalmente, para matar las presas favoritas que constituye su
alimento; en segundo lugar, como medio de defensa contra sus agresores.
De los 93 casos de accidente Bothrópico estudiados y tratados 79 fueron
ocacionados por el Bothrops atrox; el Bothrops bilineatus smaragdinus
produjo 14 accidentes, esto es el 15,053% y el Bothrops atrox es el
84.547%. No hemos comprobado accidentes humanos por las otras repre¬
sentantes dei Género Bothrops.
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HAAD, J, S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothrops y Lachcsis. Mcm. Inst.
Butantan, 4íÃ5;403-423, 1980/81.
PORCENTAJES 10 20 30 40 50 60
<1 HORA
< 3 HORAS
3-5 HORAS
5y HORAS
Fig. 1 — Numero y porcentaje dei tiempo entre el accidente bothropico y la consulta hospitalaria en
93 casos.
O IO 20 30 40 50 60 70 80 90 100
EDEMA Y DOLOR
HEMORRAGIA
MAREO
NECROSIS
VOMITO
HEMATÚRIA
MACROSCÓPICA
EQUIMOSIS
HEMATEMESIS
Fig. 2 — Porcentaje de distribución de signos y sintomas en los casos de accidente bothropico.
405
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2 3 4 5 6 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
HAAD. J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothrops y Lachesis. Mcm. Jnst.
Btitantan, 4^/45:403-423, 1980/81.
El análisis de los casos de estos accidentes nos permitió reconocer
la existência de dos síndromes en los que se basó el diagnóstico dei acci-
dente Bothrópico:
l.°) SINDROME DOLOROSO
2.0) SINDROME HEMATOLOGICO.
Con el hallazgo parcial o toral de estos síndromes se llega a un
diagnóstico correcto.
SINDROME DOLOROSO
El dolor es de aparición inmediata en la zona de la picadura; dolor
agudo, de caracter urente, puede extender-se a todo el miembro herido.
Este se aprecia edematoso y pueden encontrarse flictenas o ampollas de
contenido sero-hemorrágico. Hay calor y rubor. Las lesiones tisulares
pueden progresar bacia la necrosis; ésta puede localizarse únicamente al
sitio de la picadura, en veces, dependiendo de la gravedad dei accidente,
la necrosis afecta todo un segmento o un miembro completo.
La gráfica n.° 1 nos muestra que el 20% de los pacientes llegan a
consulta en un tiempo menor de una hora. El 13% llega en un tiempo
menor a tres horas, el 35% llegan en las primeras cinco horas, después
de ocurrido el accidente. Sin embargo, a pesar de que el mayor volumen
de pacientes está entre las cinco horas y más, hemos observado que la
mortalidad hospitalaria es muy baja en el accidente Bothrópico. La mor-
talidad hospitalaria global en todo el Território dei Amazonas estudiado
durante 15 anos es dei 0.5%.
La gráfica de la fig. n.° 2 nos senala un hecho semiológico importante
y es el de que el edema y el dolor están presentes en el 100% de los pacien¬
tes. El dolor es intenso y de aparición instantânea; el edema se inicia en
los primeros minutos de la picadura.
Apreciamos en esta misma gráfica que el 40% presentaron hemor¬
ragias por diferentes vias, pero principalmente la forma más comün de
aparición es el sangrado por la mucosa gingival, o gingivorragia, presente
en el 70% de los pacientes. Se observa que las equímosis, la hematúria
macroscópica son de aparición más rara, encontrándose este tipo de san¬
grado solo en el 2% de los pacientes. Las hematemesis son las formas de
sangrado de menor frecuencia, y cuando se presenta tiene un gran valor
semiológico, indica que se trata de un Estado III de nuestra clasificación,
en donde el fibrinógeno está notablemente disminuido. Las necrosis se
presentaron en el 17% de los pacientes.
La gráfica n.° 3 senala la relación de aparición entre el edema, dolor
y hemorragia, según los diferentes grupos etareos.
Se observa que el edema, el dolor y la hemorragia están presentes
en el 100%‘en los menores de 15 ano.s, en cambio la hemorragia está
presente en el 27% de 15 a 44 anos, pero en cambio el edema y el dolor
apareció en el 100%. Esto nos indica que la inyección dei veneno Bothró¬
pico en los ninos es mucho más grave que en los adultos; esto se explica
406
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HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothropa y Lachesia. Mem. Inst.
Butantan. iiA5;403-423, 1980/81.
O IO 20 30 40 50 60 70 80 90 100
I I I I I I I I I I
rEDEMA Y DOLOR
lO
•■HEMORRAGIA
^rEDEMA Y DOÜOR
HEMORRAGIA
-EDEMA Y DOLOR
27%
100 %
100 %
100 %
100 %
Fig. 3 — Numero y porcentajes de edema dolor y hemorragia en 93 casos de accidente bothropico segun
grupos etarcos.
10 20 30 4 0 50 6 0 70
SIN COAGULACION
5-10 MINUTOS
MAS DE 10 MINUTOS
Fig. 4 — Numero y porcentajes de las alteraciones dei tiempo de la ccagulación en 93 casos de accidente
bothropico.
407
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2 3 4
5 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothrops y Lachcsis. Mcm. Inat.
Butantan, U/45:iOZ-423, 1980/81.
por la relación entre peso corporal y dosis de veneno inyectado, que logi¬
camente es siempre mayor en el nino.
La triada de dolor, edema y hemorragia como se aprecia en esta
gráfica, estuvo presente en todos los grupos de edades, por lo tanto esta
tríada semiológica es importante en el diagnóstico dei accidente Both-
rópico.
SINDROME HEMATOLOGICO
Antes de exponer los diferentes elementos que conforman este sín-
drome, es importante ver los resultados dei estúdio de las alteraciones de
la coagulación bien por disminución o consumo de la protrombina y dei
fibrinógeno demonstrados en las figuras n.®s 4 y 5. La gráfica dela fig.
n.° 4 nos indica que el 70% de los pacientes tenía pérdida de la coagula¬
ción sanguínea, determinada esta alteración, por el tiempo de coagulación,
(Método de White) ; el tiempo de coagulación se determinó en el momento
dei ingreso antes de recibir suero antiofídico.
Se comprobó que la incoagulabilidad que presentó el 70% delos casos
atendidos y tratados por nosotros, fue causada, principalmente, por el
consumo de la protrombina, ya que en todos los pacientes de este grupo,
el tiempo de protrombina fue siempre mayor de 26 segundos, lo que
significó un alto consumo de este factor, y en la mayoría, ausência com¬
pleta de protrombina circulante. Hemos observado y comprobado experi¬
mentalmente, que la protrombina es el factor que primero y más rápido
se consume.
Las alteraciones dei Fibrinógeno se analizan en la gráfica de la
Fig. n.° 5, en la cual vemos que el 37.1% de los pacientes, cuya sangre
era incoagulable, presentaban una concentración de este factor de menos
de 100 mgs por ciento. Entre 100 mgs y 249 estuvo el 47,9% y el 15%
de los pacientes tenían un fibrinógeno normal esto es entre 250 y 450 mgs
por ciento.
Las alteraciones de las células sanguíneas y de la fórmula blanca,
expuestas en la Fig. n.” 6 nos indica que el 46.4% de los pacientes presen¬
taban un número de leucócitos normales. El 53.6% tenían más de 10.000
leucócitos de mm
Es interesante anotar, que las plaquetas están normales en el 73%
de los pacientes y que solo en un 27 % de ellos se observa un aumento de
éstos elementos. Nunca hemos observado disminución de las plaquetas en
los pacientes tratados por accidente Bothrópico.
El síndrome hematológico está constituído y se puede resumir en los
siguientes hallazgos:
1. °) Incoagulabilidad sanguínea causada por disminución o consumo
total de la protrombina y/o dei Fibrinógeno y de otros factores más de la
coagulación.
2. °) Poiquilocitosis, anisocitosis y crenación globular. La hemolisis
es rara en el accidente Bothrópico y solo la hemos visto en un caso de
nuestra casuística.
408
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ERITROSEDIMENTACION PLAQUETAS LEUCOCITOSIS
HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothrops y Lachcsis. Mcm, Inst.
Butantan, 44/45:A0Z-i2Z, 1980/81.
MENOS DE 100 mg
100-249 mg
250- 450
Fig. B — Numero y porcentaje de las alteraciones dei fibrinogeno on 93 casos de accidente bothropico.
0 10 2 0 30 40 50 60 70 80
I I_I_I_I I I I
rDE 5000-10000
^MAS DE 10.000
■DE 250.000-
450.000
l-MAS DE 450.000
rDE 0-4 mm/hora
DE 5-15mm./hora
^ MAS DE 15 mm/hora
46.4 %
53.6 %
73%
27%
53.6 %
17%
29.4 %
Fig. 6 — Numero y porcentajes de las alteraciones de las células sanguíneas y de la formula blanca en
93 casos de accidente bothropico.
409
cm
2 3 4 5 6 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothropa y Lachcais. Mem. Inat.
Jiutantan, 4í/í5;403-423. 1980/81.
Las modificaciones de la eritrosedimentación las consideramos como
un signo de valor muy importante en el diagnóstico dei accidente Bothró-
pico, ya que el 53.6% de los pacientes tienen abolida o desminuida esta
prueba. Tal alteración corre pareja con las modificaciones dei Fibrinó-
geno que se aprecían en los pacientes, ya que el 96% de nuestros pacientes
está alterada la concentración dei Fibrinógeno.
Las modificaciones morfológicas de los eritrocitos es otro hallazgo
biológico interesante ya que el 50% presentan uma morfologia eritrocitica
alterada, caracterizada por la presencia de los crenocitos o globulos rojos
en estrellas, lo mismo que la agregación de estas células es un hallazgo
común. El veneno Bothrópico provoca alteraciones de la membrana
globular roja.
3. ®) Leucócitos, más intensa quanto mayor sean las lesiones necró-
ticas dei miembro herido.
4. °) Micro-embolismo pulmonar y a otros órganos; raras veces
embolismo masivo de grandes vasos arteriales y venenosos.
5. ®) El 2% de nuestros pacientes presentan lesiones de los endo-
telios capilares expresadas clínicamente por las equímosis y el aumento
dei tiempo de sangria. El veneno Bothrópico lesiona los endotelios vas¬
culares, determinando aumento de la permeabilidad capilar, y muchas
veces destruyendo al pared vascular.
Las alteraciones urinarias encontradas fueron:
1. °) Albuminúria mayor 200 mgs. el 26%.
2. °) Hematúria microscópica el 8.3% de los pacientes.
3. °) Cilindruria, caracterizada por cilindros hialinos, granulosos (en
un 2%) y hemáticos en un 10%.
4. °) Hemoglobinuria en un 2%.
5. °) Hematúria macroscópica 2%.
Como se puede ver las alteraciones urinarias son menos frecuentes
en los accidentados, y revisten poca gravedad, a excepción de la hematúria
macroscópica, que cuando apareció correspondió siempre a pacientes dei
Estado III de nuestra clasificación.
La figura n.” 7 nos ilustra sobre la frecuencia de los estados clínicos
I- II y III. Se observa que el 66% de pacientes cuando ingresa al Hospital
están dentro dei Estado ,11. Estos pacientes tienen un Fibrinógeno dismi-
nuido con concentraciones de este factor entre 100 y 249 mgs. por ciento.
El 30% de los pacientes ingresan en el Estado III, esto significa que
tienen una concentración de Fibrinógeno menor de 100 mgs. por ciento.
Solo un 4% en esta casuística se clasificaron en el Estado I, es decir
pacientes sin alteración de la clasificación sanguínea.
La distribución porcentual de las picaduras en las diferentes regiones
dei cuerpo se puede apreciar en la figura n.° 8 donde vemos que el 68.6%
de las picaduras están localizadas en el miembro inferior, el 22.6% están
situadas en la mano y solo 1.1% en la cara.
410
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
HAAD, J. S. Accidentea humanos por las serpientes de los sreneros Bothropa y Lachesia. Mem. Inat.
Butanian. 4^A5;403-423, 1980/81.
O 10 20 30 40 50 60 70
I I I I I_I_I
NORMAL
DE 250-450 mg.
DE 100-249 mg.
MENOS DE 100 mg
ESTADO I 4 %
ESTADO n
66 %
ESTADO ni 30%
Figr. 7 — Porcentaje de estados clínicos en casos de accidente bothropico.
HOSPITAL REGIONAL LETICIA
AMAZONAS-COLOMBIA
1.973-1.981
LOCALIZACION
1“ PIE
2” PIERNA
3” VHJSLO
4° M ANO
5“ ANTE BRAZO
6° BRAZO
7" ESPALDA
8“CARA
TOTAL
100.0
Fig. 8 — Distribución porcentual de las picaduras por serpientes dei genero bothrop en 93 casos.
411
cm
2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15
HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothropa y Lacheais. Mem. Inat.
Butantan. í^/45;403-423, 1980/81.
Todos los accidentes de cara fue determinada por la especie Bothrops
bilineatus smaragdinus.
La Fig. 9 muestra la distribución por sexo y grupos etareos, los
hombres representan el 64% de los accidentados, las mujeres el 27% y
los ninos el 9%. El nino de menor edad picado por un Bothrops atrox es
de tres anos, y la picadura se localizo a nivel de la región escapular
derecha.
Los indígenas dei Território dei Amazonas, a pesar de tener un
excelente conocimiento de la ofidiofauna de la región no ponen en practica
las normas elementales de prevención dei accidente ofídico. Desecham el
calzado, lo que contribuye a incrementar la incidência de los accidentes.
En el Território dei Amazonas hay un alto porcentaje de picaduras
localizadas en la mano; esto es explicable pues dicho território es el
paraiso dei Bothrops bilineatus smaragdinus serpiente que como ya expu-
simos en las páginas anteriores es arborícora; pero a pesar de estar en
el reino de la mencionada serpiente es muy baja la frecuencia de picadu¬
ras en la cara: 1.1%.
CLASIFICACIÓN CLÍNICA DEL ACCIDENTE BOTHRÓPICO
Con fines terapêuticos clasificamos en tres estados clínicos los acci¬
dentes Bothrópicos:
ESTADO I: Paciente que cinco horas después dei accidente pre-
senta: dolor y edema localizado al sitio de la picadura o extendido a todo
el segmento; tiempo de coagulación, normal; tiempo y concentración de
protrombina normales. Fibrinógeno normal.
ESTADO II: Dolor, edema, flictenas o ampollas de contenido seroso
0 serohemático en la zona-herida o cercana a ella. Aumento o desapari-
ción dei tiempo de coagulación. Disminución o consumo total de la pro¬
trombina. Fibrinógeno normal o disminuido hasta 100 mgs. El 47.9%
de los pacientes estudiados correspondían al Estado II.
ESTADO III: Dolor, edema, vesículas o ampollas de contenido
seroso o serohemáticos; necrosis en el área picada. Incoagulabilidad
sanguínea. Consumo total de la protrombina; fibrinógeno menor 100
mgs. Shocke: este síndrome, por si solo, constituye un Estado III.
Guando la inyección dei veneno es intravascular, no hay edema; el dolor
es menos intenso, pero las alteraciones hemáticas son severas. El 37.1%
de nuestros pacientes llegan en Estado III.
SEMIOLOGIA DEL ACCIDENTE LAQU ÉTICO
El conocimiento de la semiologia dei accidente humano determinado
por las serpientes dei Género Laquético, se basa en el estúdio de sólo
dos casos que permiten hacer un análisis de los aspectos más destacados
de este raro accidente, a la vez reconocer por su semiologia y sintoma-
1 SciELO
412
5 6 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothropa y Lachesia. Mcm. Inat,
Butantan, 4i/45;403-423, 1980/81.
tología própria, sus diferencias con el accidente Bothrópico. El diagnós¬
tico diferencial clínico es de suma importância para establecer una
terapêutica específica.
En los casos que comentamos se demostro que la serpiente era
Lachesis muta muta, verificados por el autor. Una de estas serpientes
midió 2.65 metros (primer caso) y la segunda 1.85 metros.
CASO NO. 1- H.C. NO. U955. HOSPITAL REGIONAL DE LETICIA-
AMAZONAS
Paciente masculino de 42 anos, residente en Leticia. Ingresa al
servicio de urgências el dia 11 de noviembro de 1975, por que 15 minutos
antes fue picado por una serpiente “VERRUGOSA” en el antebrazo
izquierdo, sobre la cara anterior, a nivel dei tercio inferior (ver figuras
n.«s 10, 10-A y 10-B).
En el momento dei ingreso revela los seguientes dátos:
1. °) Intenso dolor en el sitio de la picadura.
2. °) Sangrado por los orifícios, bien marcados, que dejaron los dien-
tes inyectores dei veneno.
3. °) Cólicos abdominales intensos.
4. °) Deposiciones diarréicas abundantes.
5. °) Tensión arterial de 50 mm la sistólica, diastólica inaudible.
6. °) Bradicardia de 49 por minuto.
Al examen clínico se encontró paciente pálido, com marcado pânico,
pulsos periféricos débiles, pero rítmicos, con visión borrosa y mareos.
A la auscultación cardíaca se encuentran ruídos apagados; se queja en
forma constante de dolores abdominales con características de cólicos;
la auscultación abdominal revela marcado aumento dei peristaltismo intes¬
tinal. El antebrazo izquierdo es muy doloroso tanto a la palpación como
a la movilización; aparecen bien evidentes los dos orifícios que dejaron
la entrada de los dientes inyectores dei veneno; hay sangrado escaso por
los orifícios de la picadura; con edema localizado a este sitio.
Los exámenes complementarios proporcionaron los siguientes datos:
1. °) Tiempo de coagulación de 3)4 minutos.
2. °) Tiempo de sangria 2 minutos.
3. ^) Fibrinógeno: 350 mgs. x 100.
4. °) Eritrosedimentación: 15 mm.
5. “) Tiempo de protrombina: 20 segundos.
6. °)- Morfologia globular hemática: normal.
7. °) Plaquetas : 300.000. Morfologia normal.
8. °) El examen parcial de orina no mostró anormalidades.
414
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HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientea de los sreneros Bothrops y Lachcsis. Mem. Inat.
Butantan, U/45A0Z-AZZ, 1980/81.
Fie. 10
Fie. 10-A
415
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HAAD, J, S. Accidentes humanos por las serpientes de los creneros Bothropa y Lacheais. Mcm. Inat.
Butantan, U/iSM3-i23, 1980/81.
• 1
Fík. 10-B
mm de Hg
Fig. 11 — Primeiro caso de accidente laquetico (História clinica n." 14.956)
416
cm
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10 11 12 13 14 15 16
HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothrops y Lacheaia.
Butantan, 4í/.45;403-423, 1980/81.
Afcm. Inat.
Tres horas después dei accidente el edema se ha extendido a todo el
antebrazo y el dolor persiste. A nivel de la zona picada aparecen peque¬
nas vesículas de contenido seroso que cuatro horas más tarde se agrandan
hasta tener un diâmetro de 6 cms. en su mayor eje.
Tuvo 12 deposiciones diarréicas desde la hora dei ingreso (7,05)
hasta las 12 M. La gráfica de la figura N.° 11 muestra la evolución
de la tensión arterial, 3 y 2 horas después dei accidente se normalizan
las cifras tensionales, desaparecenlos cólicos abdominales y disminuye
notoriamente la diarrea. Los exámenes complementarios en los dias si-
guientes nos mostraron anormalidades. El edema y las ampollas dei
sitio herido desaparecieron en forma total, 7 dias después dei accidente.
Permaneció 14 dias hospitalizado.
CASO N° 2 — H.C. N° 16059
Mujer de 30 anos, originaria y residente en Leticia, ingresa al
Servicio de urgências, el día 11 de julio de 1977, porque 8 horas antes
había sido picada por una serpiente “VERRUGOSA” (Lachesis muta
muta) en la cara externa de la pierna derecha, a nivel de su tercio medio.
El examen de ingreso muestra los siguientes datos clínicos sobresa-
lientes:
1. °) Sangrado permanente por los orifícios de la picadura: a nível
de cada uno de éstos se encuentra una heridade 21/2 cms. que interesan
la piei y el tejido celular subcutâneo. Las heridas fueron practicadas
con machete por su esposo, con sangrado posteriorabundante. Fig. N.°s
12 y 12-A.
2. °) Intensa palidez de la piei y las mucosas.
3. °) Acentuado dolor y edema de toda la pierna herida.
4. ®) Dolores abdominales, tipo cólico, acompanados de diarrea
sanguinolenta.
5. °) Tensión arterial de 60x40 mm Hg.
6. °) Frecuencia cardíaca; 50/minuto.
7. °) Ruidos cardíacos velados.
La anamnesis suministra datos de gran interés clínico: el accidente
ocurrió 5 horas antes y el primer sintoma en aparecer fue el dolor, de
carácter urente, localizado en lugar de la herida. Pocos minutos después
presentó lipotimias acompanadas de vómitos y visión borrosa; intensos
cólicos con deposiciones diarréicas que una hora después se tornan san¬
guinolentas.
El examen dei abdômen demuestra aumento dei peristaltismo intes¬
tinal y dolor difuso a la palpación. El miembro herido está dematoso
y acusa dolor intenso a la palpación y movilización.
Hay sangrado permanente a través de los orifícios dejados por la
picadura y por los bordes de las heridas ya senaladas.
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HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothropa y Lacíieaia. Mem. Inst.
Butantan. U/i5:403~i23, 1980/81.
Los exámenes complementarios arrojaron los siguientes resultados:
CU ADRO HEM AT ICO:
Hematíes: 2.500.000
Leucócitos : 12.600
Neutrófilos: 70%
Linfocitos: 27 %
Eosinófilos: 3%
Hematocrito: 25 %
Hb: 8.3%
Recuento de plaquetas : 200.000. Morfologia globular normal. Tiempo
de coagulación indefinido: Tiempo de sangria indefinido.
Tiempo de protrombina: 9.
Fibrinógeno: 80mg.x%.
Examen parcial de orina: normal.
La gráfica de la figura N.° 13 muestra la evolución de la presión
arterial.
mm. de Hg
419
cm
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10 11 12 13 14 15
HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothrops y Lacheaia. Mem. Inat.
Dutantan, ^-4^5:403-423, 1980/81.
El análisis dei cuadro clínico dei accidente Laquético y los elementos
semiológicos encontrados en los casos estudiados, permiten estructurar
los siguientes síndromes:
1. °) Doloroso
2. °) Cardiocirculatorio
3. °) Abdominal
4. ®) Hematológico.
El dolor se localiza en el miembro herido; aparece inmediatamente
con la picadura y se extiende a todo el segmento con el correr dei tiempo.
El edema acompana al dolor. Pueden aparecer, alrededor de la zona
picada, vesículas y ampollas de contenido seroso e serohemático en las
primeras cinco horas dei accidente.
El síndrome cardiocirculatorio se caracteriza por la rápida aparición
de una hipotensión arterial severa (en los primeros 15 minutos), con
lipotimias y perturbación de la agudeza visual. Bradicardia acentuada
con velamientos de los ruídos cardíacos.
El síndrome abdominal identificado por la aparición de una diarrea
súbita, acompanada de intensos cólicos. La diarrea se puede tornar
sanguinolenta en la medida en que aparecen los fenómenos de incoagu-
labilidad sanguínea.
El síndrome hematológico caracterizado por la disminución o consumo
de la protrombina y el fibrinógeno con la resultante incoagulabilidad y
sus manifestaciones hemorrágicas.
La semiologia dei accidente laquético queda resumida en las figuras
N.^s 14 y 14-A.
DIAGNOSTICO DIFERENCIAL
Los principales rasgos semiológicos nos permiten precisar el diagnos¬
tico diferenciai, son los siguientes;
1. °) En el accidente Laquético se presenta un síndrome cardio¬
circulatorio de aparición rápida, en los primeros 15 minutos dei accidente,
caracterizado por hipotensión arterial severa, bradicardia con velamiento
de los ruídos cardíacos y lipotimias acompanadas de visión borrosa, todo
explicable por la brusca hipotensión que desencadena la inyección dei
veneno de este serpiente.
2. °) Un cuadro abdominal, acompanado de intensos cólicos y diar¬
rea, explicables por el marcado aumento dei peristaltismo que produce el
veneno de la Lachesis.
En los accidentes Bothrópicos estudiados por nosotros nunca hemos
encontrado ni la bricardia, ni el cuadro diarréico doloroso de instauración
rápida. Los casos de hipotensión arterial que tuvimos ocasión de tratar
fueron siempre de aparición tardia, 10 horas o más después dei accidente
y consecuencia de la hipovolemia resultante, debido a las hemorragias en
sus diferentes formas, por disminución o consumo de los diferentes facto-
res de la coagulación.
420
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
SEMIOLOGIA
DIAGNOSTICO CLINICO
HIPOTENSION
ARTERIAL
EDEMA, ERITEMA
Y AMPOLLAS BRAOlCARDIA
HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothrops y Lacheais. Metn. Inat,
Butantan, 4^/^5:403-423, 1980/81.
Fig. 14-A
421
SciELO
MAREO
DIARREA
DOLORES ABDOMINALES
(COLICOS INTESTINALES)
Figr. 14
HAAD, J. S. Accidsntes humanos por Ias scrpicntes de los generos Bothrops y Lachcsis. Mem. Inat.
Butantan, 4-4/-45.-403-423, 1980/81.
La bradykinina, histamina y calicreina, producidas en forma rápida,
por acción dei veneno laquético, explicaria el síndrome cardiocirculatorio
y el cuadro de diarrea súbita y dolorosa ya senalados. Al igual que el
veneno bothrópico, el de la Lachesis muta mtita es coagulante e histolítico.
En síntesis, existen suficientes critérios clinicos para hacer el diag¬
nóstico diferencial entre el accidente laquético y el Bothrópico y poder
asi instaurar una terapêutica racional de estos accidentes.
TERAPÊUTICA DEL ACCIDENTE LAQUÉTICO
Los dos casos de accidentes Laquético que acabamos de analizar, en
sus aspectos semiológicos y clinicos, fueron tratados obteniéndose resul¬
tados satisfactorios con las siguientes medidas terapêuticas:
1. °) Ambos pacientes recibieron SUERO ANTIOFÍDICO PURI¬
FICADO, elaborado por el Instituto Butantan; este suero por cada centi-
metro cúbico neutraliza 1.0 mg de veneno Bothrópico (Bothrops jara¬
raca). El primer caso tratado, H.C. N.° 14955, picado por una Lachesis
de 2.05 m recibió 30 ampolas aplicadas por la via venosa disueltas
en 500 cc. de una solución de Dextrosa al 5% en goteo rápido. Esta
cantidad de suero Antiofidico neutraliza 300 mg de veneno Crotalico y
450 mg de veneno Bothrópico.
El segundo paciente, H.C. N.® 16059 picado por una Lachesis de
1,50 m recibió 20 ampollas dei mismo suero y por la misma via.
2. °) Ambos pacientes recibieron como terpéutica complementaria
para corregir el sindrome Diarréico doloroso y la bradicardia. Sulfato
de Atropina por la via venosa, iniciando con dos ampollas de 0.5 mg
y continuamos con una cada 4 horas, hasta obtener la normalización de
la frecuencia cardiaca y dei pulso.
3. °) Se usó el Effortil (Clorhidratoetil-norfenil en ampollas) sus¬
tância de acción simpaticomimética. Iniciamos con dos ampollas aplica¬
das por la via venosa y continuamos con una cada 4 horas, hasta obtener
la normalización de la presión arterial.
4. °) Hidratación con solución de Ringer y Dextrosa al 5% de
acuerdo con las pérdidas y requerimientos básicos calculados para cada
paciente.
El primer paciente no recibió transfusión sanguinea. El segundo
recibió 2000 cc de sangre fresca: 1500 cc el primer dia dei ingreso, y
500 cc el segundo dia.
De las medidas terapêuticas instauradas, para tratar los únicos dos
casos de accidente Laquético, existentes y relatados hasta el momento en
la literatura médica colombiana, concluímos que el suero Antiofidico
(I.B.) es efectivo contra la picadura de la Lachesis muta muta.
CONCLUSIÓN
La inyección dei veneno Laquético en el hombre, estudiado en dos
pacientes atendidos y tratados en el Hospital Regional de Leticia, Ama-
422
1 SciELO
HAAD, J. S. Accidentes humanos por las serpientes de los generos Bothrops y Lachcsia. Mem. Inst.
Butantan, ^í/^5:403-423. 1980/81.
zonas, Colômbia, permitió conocer un cuadro multisindrómico, que por
sus características clínicas y semiológicas nos ayuda a diferenciarlo dei
accidente Bothrópico.
El tratamiento hecho con suero Antiofídico dei Instituto Butantan
neutralizó satisfactoriamente el veneno Laquético. Son necesarias la
atropinización y el empleo de sustancias simpaticomiméticas, lo mismo
que la aplicación de líquidos por la vía venosa para corregir la hipo-
tensión severa que se apresenta en estos casos.
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423
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Mcm. Inêt. Butantan
U/-i5:425-iZS, 1980/81
COMPLÉMENTS À LA DESCRIPTION DU SCORPION
BRÉSILIEN OPISTHACANTHUS CAYAPORUM
VELLARD, 1932 (SCORPIONES; SCORPIONIDAE)
Wilson R. LOURENÇO *
RÊSUMÉ: Cet article est une contribution à la connaissance systé-
matique d’ OpisthacanthiLs cayaporum Vellard, 1932. L’espèce est
redécrite à partir de deux exemplaires types et de 81 exemplaires
récoltés dans les États du Pará et Goiás au Brésil.
La variabilité de certains caractères comme par exemple le nombre
de dents des peignes, est analysée et présentée en tableaux. Les
résultats démontrent que la distinction des sexes est parfaitement
possible pour O. cayaporum à partir du nombre de dents des peignes
et celà à tous les stades du développement.
UNITERMES: Opisthacanthus cayaporum Vellard, 1932; Scor-
pionidae.
INTRODUCTION
Au cours de sa mission dans les régions de Goiás et de TAraguaia,
Vellard (1932) a découvert une nouvelle espèce á’Opisthacanthus qu’ii
appelle Opisthacanthus cayaporum en hommage aux indiens Cayapos,
parmi lesquels il a séjourné.
Malgré la très bonne description présentée par Vellard en 1932,
cette espèce demeure incomplètement connue, la description de Vellard
négligeant certains caractères considérés à Tépoque de moindre impor-
tance mais qui aujourd’hui sont devenus fondamentaux pour la systé-
matique; s’est le cas de la trichobothriotaxie et de la morphologie de
rhémispermatophore.
Après le travail de Vellard (1932), cette espèce a été redécrite par
Mello-Leitão (1945), qui s’est borné à traduire la description de Vellard.
Attaché au Laboratoire de Zoologie (Arthropodes) du Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris.
Adresse: 61, Rue de Buffon, 76005, Paris, França,
425
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
LOURENÇO, W. R. Compléments à Ia description du Scorpion brésilien Opisthacanthus cayaporum
Vellard, 1932 (Scorpiones- Scorpionidae). Mem. Inst. Butantan, 4-4/-45.'425-438, 1980/81.
MATÉRIEL ET MÉTHODES
Pour notre étude il nous a été possible d’exaniiner un important
échantillonage de O .cayaporum: 66 exemplaires appartenant à la collec-
tion de ITnstitut Butantan, 15 exemplaires de notre collection personelle
et les deux exemplaires types, déposés aux collections du Muséum Na¬
tional d’Histoire naturelle, Paris.
Notre redescription est basée sur les deux exemplaires types,
néanmoins, vu le mauvais état de préservation de ces deux exemplaires,
Tanalyse de la coloration se base sur des exemplaires plus récemment
récoltés.
Les calculs statistiques sont faits selon Lamotte (1971).
Matériel étudié:
IB = Institut Butantan.
MNHNP = Muséum National d’Histoire naturelle. Paris.
WL-OC = Collection Wilson Lourenço.
Brésil: Goiás: Araguacema, M. Montefelli col. III/1956, 1 femelle
(IB-686), M. Montefelli col. III/1956, 1 mâle, 3 femelles (IB-687), M.
Montefelli col. III/1956, 2 mâles, 2 femelles (IB-688) ; Colinas, W.R.
Soares col. IV/1968, 1 mâle (IB-822), W.R. Soares col. IV/1968, 1 mâle
(IB-971), W.R. Soares col. IV/1968, 1 mâle (IB-975). Pará: Baixo
Araguaia (fl. amaz.), M. Lima col. X/1973, 1 mâle (IB-1012) ; Campos
à Touest de la serra dos Cayapos, J. Vellard col. X/1929, 1 mâle, 1 femel-
le-types (MNHNP-RS-0264), W.R. Lourenço col. VI/Í979, 7 mâles, 8
femelles (WL-OC-1 à 15) ; Conceição do Araguaia, Colég. Santa Rosa
leg. X/1958, 2 mâles, 1 femelle (IB-685), ? col. XI/1959, 1 femelle
(IB-764), Colég. Santa Rosa leg. X/1958, 1 mâle (IB-817), A.R. Hoge
col. 11/1964, 1 mâle, 9 femelles (IB-861), A.R. Hoge col. 11/1964, 13
mâles, 9 femelles (IB-862), A.R. Hoge col. 11/1964, 4 femelles (IB-875),
A.R. Hoge col 11/64, 5 mâles (IB-887), A.R. Hoge col. VIII/1965, 3 mâ¬
les, 3 femelles (IB-899), M.L. Borges col. VI/1967, 1 mâle (IB-963).
COMPLÉMENTS À LA DESCRIPTION ^^'OPISTHACANTHUS
CAYAPORUM VELLARD, 1932
Opisthacanthus cayaporum Vellard, 1932, Mém. Soc. zool. France,
29 {Ç,) :540.
Opisthacanthus cayaporum :
JfO :27.
Mello-Leitão, 1945, Arq. Mus. nac.,
Holotype mâle (figs. 1 et 2).
RS-0264. Campos à Touest de la serra dos Cayapos, Pará, Brésil.
Coloration: La couleur de base est châtain-rougeâtre. Prosoma.
plaque prosomienne de couleur châtain-foncé avec des zones plus claires
le long du sillon interoculaire, derrière les yeux médians et sur les
426
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du Scorpion brésilien Opisthacanthua cayaporum
Vellard, 1932 (Scorpiones* Scorpionidae). Mem. liist. Dutantan, ^4/45.'425-438, 1980/81.
427
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Figs. 1 et 2 — Holotype mâle; vues dorsale et ventrale.
LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du Scorpion brésilien Opisthacanthus cayaporum
Vellard, 1932 (Scorpiones- Scorpionidae), Mem. Inat. Dutantan, 4í/45.‘425-438, 1980/81.
428
cm
LOURENÇO, W. R. Compléments à Ia description du Scorpion brésilien Opiathacanthus cayaporum
Vellard, 1932 (Scorpiones* Scorpionidae). Mem. Inst. Butantan, í4/45;425-438, 1980/81.
bords latéro-postérieurs. Tubercule oculaire plus foncé, noirâtre. Me-
sosoma; tergites de même couleur que la plaque prosomienne, avec
des zones plus claii'es, surtout sur la partie antérieure de chaque
tergite à coté de la carène axiale. Metasoma avec les cinq anneaux de
couleur châtain-rougeâtre-foncé; les zones plus claires forment des
esquisses de taches un peu estompées. Vésicule jaunâtre avec des taches
longitudinales de couleur rougeâtre-foncé. Aiguillon à base jaunâtre et à
extremité rougeâtre-foncé. Sternites jaune-rougeâtre; le Vllème plus
foncé, rouge-noirâtre. Peignes et opei*cule-génital ocre-jaune-foncé, avec
des tons grisâtres. Sternum, hanches et processus maxillaires, châtain-
rougeâtre-foncé. Pattes châtain avec des zones plus claires jaune-rou¬
geâtre qui forment des tâches en forme de trame. Pédipalpes châtain-
rougeâtre-foncé avec des tons noirâtres; doigts presque noirs. Chéli-
cères jaunâtres avec une trame noirâtre; les doigts sont rouge-noirâtre.
Morphologie: Front de la plaque prosomienne très profondément
échancré. Tubercule oculaire plus ou moins au centre de la plaque pro¬
somienne ; yeux médians séparés par un peu plus qu’un diamètre oculaire.
Trois yeux latéraux. Sillon interoculaire profond, s’allongeant ju.squ’à
Tarrière des yeux médians oü il se divise en deux et entoure le début
de la fossette triangulaire. Toute la plaque prosomienne est converte
d’une granulation plus ou moins grossière. Les sillons et la fossette
triangulaire sont dépourvus de granules. Mesosoma: tergites finement
granulés avec une granulation plus marquée dans la région postérieure.
Carène axiale présente mais très peu marquée. Metasoma à anneaux ar-
rondis; toutes les carènes sont peu marquées et formées de quelques
granules grossiers et épars. Vème anneau à face ventrale pourvue de
plusieurs granules en forme d’épines. Telson allongé; aiguillon propor-
tionnellement très court; face dorsale pourvue d’une légère dépression
dans la partie antérieure. Vésicule dépourvue de carènes. Peignes
(fig. 5) avec 9-9 dents (voir tableaux II à V). Sternites lisses, à stigma-
tes linéaires. Opercule génital fait de deux plaques à peu près trian-
gulaires. Pédipalpes: fémur à 5 carènes, pourvues de granules très
gros; tégument intercarénal des faces dorsale et ventrale très peu
granulé, presque lisse; les autres faces un peu granulées. Tibia et pince
avec une très forte granulation; ces grosses granulations forment quel¬
ques carènes très souvent incomplètes. Présence sur la face interne
du tibia d’un grand éperon dans la région basale, avec 4 ou 5 granules
à Textremité. Pince grande et aplatie; face dorsale pourvue de quelques
très fines granulations, chagrinée; faces latérales avec de grosses gra¬
nulations; face ventrale brillante et réticulée. Doigts lisses à tricho-
bothries fixées sur des plaques très brillantes et lisses, bien marquées;
granulations digitales se disposant en deux lignes longitudinales (fig. 6) ;
granules acessoires absents. Pattes: dernièr article avec deux rangées
d’épines (figs. 7 et 8) ; les deux premières paires de pattes en général
avec 4 internes et 2 externes; les deux dernières paires de pattes en gé¬
néral avec 4 internes et 2 externes; les deux dernières paires de pattes
en général avec 5 internes et 3 externes. Le corps, les pattes, les pédi¬
palpes et, plus spécialement la vésicule sont couverts de longues soies
de couleur jaunâtre. Trichobothriotaxie: les figures 9 à 16 précisent le
nombre et la disposition des trcihobothries des pédipaldes. II est à re-
marquer la présence d’une troisième trichobothrie dans le territoire esb
429
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
LOURENÇO, W. R. Compléments à Ia description du Scorpion brésilien Opisthacanthiis cayaporum
Vellard, 1932 (Scorpiones* Scorpionidae). Mem. Inst. Butantan, 44/45:425-438, 1980/81.
sur la face externe du tibia (fig. 15). Hémispermatophore: les figures
17 et 18 montrent Théniispermatophore gaúche, vues externe et interne
d’ensemble, oú les différentes parties sont illustrées.
Allotype femelle (figs. 3 et 4).
RS-0264. Campos à Tonest de la serra dos Cayapos, Pará, Brésil.
Seules les différences avec Tholotype mâle sont indiquées.
Coloration: semblable à celle du holotype mâle.
Morphologie: Plaque prosomienne avec les sillons plus marquês.
Face dorsale de la vésicule avec dépression un peu moins marquée.
Peignes avec 6-6 dents. Opercule-génital constitué d’une seule plaque
non divisée, de forme plus ou moins pentagonal.
TABLEAU 1
Mensurations (en mm) des exemplaires décrits.
Holotype-mâle
Allotype-femelle
Longueur totale
57,6
63,7
Prosoma-longueur
9,9
11,0
Prosoma-largeur antérieure
7,4
8,2
Prosoma-largeur postérieure
11,7
12,4
Mesosoma-longueur totale
18,1
20,9
Metasoma-longueur totale
29,6
31,8
Anneau caudal I-longueur
3,7
3,7
Anneau caudal I-largeur
3,4
3,4
Anneau caudal Il-longueur
3,7
4,2
Anneau caudal Il-largeur
2,9
3,1
Anneau caudal IlI-longueur
4,0
4,5
Anneau caudal IlI-largeur
2,6
2,9
Anneau caudal IV-longueur
4,5
5,0
Anneau caudal IV-largeur
2,2
2,5
Anneau caudal V-longueur
6,5
6,7
Anneau caudal V-largeur
2,2
2,4
Anneau caudal V-hauteur
2,5
2,7
Telson-longueur
7,2
7,7
Vésicule-longueur
5,9
6.2
Vésicule-largeur
2,4
2,6
Vésicule-hauteur
2,9
3,0
Aiguillon-longueur
1,3
1,5
Pédipalpe-longueur totale
38,1
42.0
Fêmur-longueur
9,4
10,0
Fémur-largeur
3,6
4,2
Tibia-longueur
9,2
10,0
Tibia-largeur
5,1
5,9
Pince-longueur
19,5
22,0
Pince-largeur
7,4
8,2
Pincc-hauteur
4,2
4,9
Doigt mobile-longueur
11,1
11,9
Remarque: bien que les exemplaires types soient vraisemblablement des adultes,
il est possible de trouver dans la population étudiée des exemplaires bien plus grands.
430
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du Scorpion brésilien Opiathacanthus cayaporum
Vellard, 1932 (Scorpiones- Scorpionidae). Mem. Inat. Butantan, 4í/45;425-438, 1980/81.
8
Figs. 6 à 8 — Holotype mâle. 5 — Peigne gaúche. 6 — Doigt mobile droit. 7 et 8 — Telotarse, 3è patte
droite.
431
cm
2 3 4
5 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du Scorpion brésilien Opiatkacanthus cayapoTum
Vellard, 1932 (Scorpiones* Scorpionidae). Mem. Inat. Butantan, ^4/-45;425-438, 1980/81.
Fififs. 9 à 16 — Tríchobothriotaxie (Holotype mâle), 9 — Pince gaúche, vue ventrale. 10 — Pince gaúche,
vue externe. 11 — Pince gaúche, vue dorsale. 12 — Pince gaúche, vue interne. 13 — Fémur
droit, vue dorsale. 14 — Tibia droit, vue dorsale. 15 — Tibia droit, vue externe. 16 — Tibia
droit, vue ventrale.
1 SciELO
432
LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du Scorpion brcsilien Opinthacanthua cayaponim
Vellard, 1932 (Scorpiones* Scorpionidae). Mcm. Inst. Butantan, 4^/45:425-438. 1980/81.
VARIABILITÉ DU NOMBRE DE DENTS DES PEIGNES CHEZ
OPISTHA CANTH US CA YAPOR UM
Sigles utilisés: (Tableaux II-V).
nb = abréviation de nombre.
n = nombre de cas oú le caractère étudié existe.
% = pourcentage déterminé par le rapport n/N.
Ic = intervalle de confiance correspondant à un pourcentage de
fréquence à 95% de sécurité.
Fg = formule globale.
Remarques sur les caracteres portés dans les tableaux II à V:
Pour les tableaux II et IV bien qu’on puisse remarquer Texistence
d’un ou même deux cas de chevauchements des intervalles de confiance
obtenus avec les pourcentages des fréquences des différents nombres de
dénts, et cela entre les pourcentages les plus faibles, on peut admettre
Texistence d’un nombre-type, 6 pour les femelles et 9 pour les mâles
caractérisant les dents des peignes à’Opisthacanthus cayaporum. Cela
doit confirmer, bien que les pourcentages soient inférieurs à 90%, l’im-
possibilité d’une prédominance d’autres nombres que 6 pour les femelles
et 9 pour les mâles, dans tout échantillon pris au hasard dans cette même
population.
Pour les tableaux III et V, compte tenu des chevauchements existant
entre les intervalles de confiance obtenus avec les différents pourcentages
de fréquences, on ne peut pas pi’éciser une formule globale typique, soit
pour les femelles, soit pour les mâles. Bien que ces valeurs typiques
existent leur caractérisation sera possible uniquement après Tétude
d’un échantillon beaucoup plus grand que celui actuellement étudié.
Les deux sexes ont un nombre de dents différent; on remarque
rinexistence totale des cas de chevauchement. Les différentes valeurs
sont indiquées dans les tableaux II et IV et dans le graphique (fig. 19).
Le calcul des moyennes donne: 5,7 pour les femelles et 9,3 pour les mâ¬
les; le calcul des variances donne respectivement 0,32 et (—0,115). Le
test de comparaison des moyennes donne un coefficient t de Student de
73,47 assez significatif; les moyennes sont donc différentes sur le plan
statistique. Le graphique exprime cette différence. Un tel résultat nous
démontre donc que la distinction des sexes est parfaitement possible pour
O. cayaporum à partir du nombre de dents des peignes et cela à tous
les stades du développement.
TABLEAU 2
Variations du nombre de dents des peiprnes (femelles)
nb dents
Idp
3dp
4dp
5dp
6dp
7dp
n
1
1
2
21
54
5
%
1,2
1,2
2,4
25,0
64,3
5,9
Ic
0,03-
0,03-
0,30-
16,18-
58,02-
1,97-
6,45
6,45
8,31
35,62
78,71
13,35
433
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
TABLEAU 3
LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du Scorpion brésilien Opisthacanfhua cayaporum
Vellard, 1932 (Scorpiones* Scorpionidae). Mem, Inst. Butantan, í/#A5;425-438, 1980/81.
434
.1
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1 SciELO
15
LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du Scorpion brésilien Opisthaeanthus cayaporum
Vellard, 1932 (Scorpiones* Scorpionidae). Mem. Inst. Butantan, ^^/45.’425-438, 1980/81.
1 m m
17 et 18 — Hémispermatophore gaúche (IB-971). 17 — Vue externe. 18 — Vue interne. PD = partie
distale. PC = partie centrale. PB = partie basale. P = pied.
435
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du Scorpion brésilien OpiHthacanthus cayaporuin
Vellard, 1932 (Scorpiones* Scorpionidae). Mcm. Inst. Butantan, 44/45:425-438, 1980/81.
Fig. 19
Distribution comparée des valeurs du nombre des dents des peignes, chez les mules et les
femelles d^Opisthacanthiia cayaporum. N."P = nonibre de peignes; N.^DP = nombre de dents
des peignes.
436
cm
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LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du Scorpion brésilien Opisthacanthuft cayaporum
Vellard, 1932 (Scorpiones* Scorpionidae). Mcm. Inst. Dutantan, -J4/í5.'425-438, 1980/81.
TABLEAU 4
Variation du nombre de dents des peignes (mâles)
nb dents
8dp
9dp
lOdp
lldp
n
5
49
25
1
%
6,2
61,3
31,3
1,2
2,10-
49,70-
21,30-
0,03-
Ic
14,00
71,90
42,60
6,80
TABLEAU 6
Formules globales du nombre de dents des peignes (mâles)
Fg.
9-8
8-10 9-9
9-10 10-9
10-10
11-10
nb total
17dp
18dp
19dp
20dp
21dp
1 17
7 4
n
4
18
11
6
1
%
10,0
45,0
27,5
15,0
2,5
2,80-
29,30-
14,60-
5,70-
0,06-
Ic
23,70
61,40
43,90
29,80
13,10
REMERCIEMENTS
Nous remercions ici bien vivement Sylvia Lucas et Vera R.D. von
Eickstedt de Tlnstitut Butantan pour le prêt du matériel à’Opisthacanthus
cayaporum. M.Gaillard et J.Rebière pour la réalisation des dessins et
des photos. Annie Prieur pour la mise en forme du texte et M. le Pr.
M. Vachon pour la lecture critique de ce travail.
ABSTRACT: This paper is a contribution to the taxonomical
knowledge of Opisthacanthus cayaporum Vellard, 1932. This species
is redescribed based on the two type-specimens and also on 81 spe-
cimens collected in the states of Pará and Goiás in Brazil. The
variability of some characters as the number of teeth of the pectines
is analysed and disposed in tables. O. cayoporum shows a very
important sexual difference for this character, therefore, males
and females, even immature forms, can be distinguish through
this criterion.
KEY-WORDS: Opisthacanthus cayaporum Vellard, 1932; Scorpio¬
nidae.
437
cm
SciELO
10 11 12 13 14 1
LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du Scorpion brésilien Opisthacanthus cayaporum
Vellard, 1932 (Scorpiones- Scorpionidae). Mem. Inst. Butantan, ^4/45;425-438, 1980/81.
BIBLIOGRAPHIE CITÉE
1. LAMOTTE, M. Initiation aux méthodes statistiques en biologie. Paris, Masson
et Cie. Edit., 1971. 2 ème edit., 144 p.
2. MELLO-LEITÃO, C. Escorpiões sul-americanos. Arq. Mus. nac., .40:1-468, 1945.
3. VELLARD, J. Scorpions. In: Mission scientific au Goiaz et au Rio Araguaya,
Mém. zool. France, 29 (6) :539-556, 1932.
438
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mcm. Inst. Butantan
439-449, 1980/81
THE WITHANOLIDES AS A MODEL IN PLANT
GENETICS; CHEMISTRY, BIOSYNTHESIS AND
BIOLOGICAL ACTIVITY *
David LAVIE **
ABSTRACT: The withanolides are oxygenated steroidal lactones
occurring in a number of species of the Solanaceae plant family.
In Withania somnifera (L.) Dun., which has a fairly wide geo-
graphical distribution, several chemotypes have been identified. They
differ primarily in their respective composition in withanolides
displaying a variety of substitution patterns.
Through hybridization performed between different types originating
from various parts of the world, followed by Chemical analysis of
the constituents prescnt in the offsprings, genetic characters were
identified at the Chemical levei. Several hybrids were chemically
analysed and thereby a study of the inheritance characteristics of a
number of Chemical groups was made possible. Biosynthetic pathway
are suggested based on the occurrence of appropriate intermediates.
A summary of the biological activity is provided.
KEY-WORDS:
activity.
Withanolides: chemistry, biosynthesis, biological
INTRODUCTION
Withania somnifera (L.) Dun. is a shrub of the Solanaceae plant
family, with a fairly wide geographical distribution. In Israel it grows
at least as three distinct chemotypes differing in their leaf content of
the various withanolides, C-28 oxygenated steroidal lactones with various
substitution patterns. * Chemotypes are considered as groups of plants
which morphologically are similar in all respects, however, differ by their
Chemical constituents; in the present case through the composition of the
withanolides in the leaves, and the respective quantities.
In this paper we will discus the constituents of a number of che¬
motypes, describe some highlights of their structures, analyse and discuss
Presented at the Seminar on Bioactive Natural Products, Sáo Paulo, 20-22 May, 1981, in commemo-
ration of the 80th, Anniversary of the foundation of the InUtitute Butantan.
Department of Organic Chemistry — The Weizmann Institute of Science, Rehovot, Israel.
439
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
LAVIE, D. The withanolides as a model in plant genetics: chemistry, biosynthesis and biological
activity. Mcm. Inst. Butantayi, 44/-Í5:439-449, 1980/81.
the composition and substitution pattern of the compounds formed in the
hybrids obtained by the cross pollination between different chemotypes.
This approach enabled an understanding of the inheritance at the
Chemical levei, and led to the disclosure of biosynthetic pathways. It
could provide a certain control of the formation of specific compounds in
the plant.
It is interesting to note that other genera of this family (Solanaceae)
as Physalis, Acnistus, Jaborosa, and Nicandra, also produced withano¬
lides and related structures which showed certain skeletal alterations. ^
A number of withanolides were found to have antineoplastic activity
and immunosuppressive properties. ®
RESULTS AND DISCUSSION
The compounds found in chemotype I have been described in an
earlier publication. ^ Withaferin A (1) is always the major product
which is formed, whereas the others, 2-5, are obtained in small quanti-
ties. Chart 1 shows some of the compounds present in this type. It could
be seen that OH groups are present in various positions of the carbon
skeleton, however, no such group could be found at position C-20 of the
side Chain. In rings A/B the 4^-OH, 5y8, 6j8-epoxy system is observed
in most compounds and is present in the product formed in the largest
quantity, withaferin A (1). This system is a predominant feature of
the compounds of this type. ®
The compounds identified in chemotype II (Chart 2) have all an
OH group at position C-20, a feature inherent to the compounds of this
group. ® Here again the 4/3-OH,5y8,6/3-epoxy system is present in most
cases. The compound which accumulates and is present in the largest
quantity is withanolide D (6). It forms 88% of the total withanolide
content of the leaves, whereas the others are formed by far in smaller
quantities.
In chemotype III several compounds have been isolated, some of
which are presented in Chart 3. *• ^ Two groups of compounds have been
identified, those having an isolated double bond in ring B, in addition
to the usual 2-en-l-one system of all the whithanolides; these compounds
in most cases have a 14a-OH group, recently identified in all of them"
together with the usual /3-oriented lactone side chain. The second group
is represented by withanolide E (13) in which the side chain is a-orien-
ted. *■ ® This inverted stereochemistry is a unique feature in a naturally
occurring steroid, and was found so far only in this group of compounds.
In all the products existing in chemotype Hl, no 4j8-OH has been detected.
Only in withanolide E (13) is an epoxide pi’esent at position 5,6 of ring B.
The above observations led to the idea that the formation of the
different compounds, with their inherent characteristics concerning the
substitution patterns, is pi'oduced by specific enzymatic reactions gene-
tically controlled. Therefore, it was interesting to see how genetic mani-
440
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
LAVIE, D. The withanolides aa a model in plant prenetics: chemistry, biosynthesis and biological
activity. Mem. Inst. Butantan, 4-4/45:439-449, 1980/81.
Chart 1 Chennotype I
Chort 2 Chemotype n
441
cm
2 3 4 5 6 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
LAVIE, D. The withanolides as a model in plant penetics: chemistry, biosynthesis and biological
activity. Mem. Inst. Butantan, 4-4/45:439-449, 1980/81.
pulation by cross pollinations between the types, would act on the forma-
tion of the compounds in the offsprings. Analysis of the constituents of
the first generations (Fi) was carried out. ®
Chort 3 Chemotype m
The reciprocai crosses for example of chemotypes IxIII gave hybrids
which showed in the leaves a large accumulation of withanolide D {6).
The compound, however, was never detected in both parents, chemotypes
I or III, but it was the major constituent of chemotype II. The hybrid
which was formed was not identical with type II as it could be seen in
the finger-print of the chromatoplates for both plants; the set of spots
seen in each of the respective extracts not being identical throughout the
path of the plates. For example, a spot assigned to withanolide E {13)
was present in the hybrid and obviously inherited from chemotype III,
but was missing among the spots of chemotype II. Furthermore, witha-
ferin A (í), the major constituent of chemotype I could not be detected
in these offsprings, whereas the compound E {13) was present in much
smaller quantities than in the parent type III. Clearly, through the pool
of genes following the cross, different characters were combined, pro-
ducing new combinations of substituents in the products.
The cross of IxII produced again primarily withanolide D {6),
whereas IIxIII produced a mixture having the same compound D {6)
as predominant, together with compound E {13) (a side chain) being
present in this hybrid. The results clearly indicated that the enzymatic
Systems producing compound D {6) and involving the reactions intro-
ducing the 20-OH and the 4/3-OH,5/3,6;8-epoxy system were present, and
have to be dominant factors in the genetic pool.
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LAVIE, D. The withanolides as a model in plant jçenetics: chemistry, biosynthesis and biological
activity. Mem. Inst. Butantan, ^4/45:439-449, 1980/81.
In order to analyse in a better way and clarify these factors, the
second generation F 2 of the cross IxIII was studied. Some 45 seedlings of
this Fo generation were raised from seeds obtained from self pollinated
flowers, and were analysed separately for their constituents using rapid
methods of identification : chromatoplates for finger printing or small
chromatographic columns for purification of the components, applying
NMR and mass spectrometry for identification.
Substituents at various locations of the carbon skeleton were then
selected for detailed analysis and their presence in the molecules counted,
i.e. the count was done on the presence of a given substituent in the
major compounds found in each plant. The results are shown in Table 1
and are as follows: the presence of a 4jS-OH gi-oup is recorded in 30+6
cases against 5+4 times when an unsubstituted H atom will be present.
A 5/3, 6/3-epoxide will be present the same number of times against an
unreacted double bond (A'”’) again in 5+4 times. Each number referring
to a different compound present in the individual plants.
In position C-14 in 30+6 cases, an H will be present whereas in
5+4 cases an a-OH will be observed. For the 20-OH group the numbers
are 30+5 present against 6+4 absent, and at C-27 a hydroxy-group will
be present only in 6+4 cases against 30+5 times when the -CH;. group
will not be oxidized.
The relation between occurrence and absence of groupings in the
selected positions is 1:3.5 to 1:4, a relation fitting very well into the
genetic inheritance rules, and since we observe the products of enzymatic
reactions taking place in the cells which are controlled by genetic cha-
racters, one can refer to these characters as dominant or recessive while
being observed this time at the molecular levei. Therefore the introduction
of the 4/3-OH with a 5/3, 6^-epoxy system is a dominant character as is
the introduction of the 20-OH, whereas the 27-OH as well as the 14a;-OH
are due to recessive characters as indicated in Table 1.
TABLE 1
Occurrence of different groups in the F. generation of the cross of chemotypes
IxIII in 45 single plants
Number of cases
Characters
Position
30
6
5
4
Dominant
Recessive
4/3
OH
OH
H
H
OH
H
6-6
epoxide
epoxide
A=
A=
epoxide
A=
14cí
H
H
OH
OH
H
OH
20
OH
H
OH
H
OH
H
27
CH.
CH.OH
CH.
CH.OH
CH.
CH.OH
In our collection of W. somnifera plants grown in our experimental
plots, we had samples originating from índia, they were named Indian
I (Delhi) on the basis of the location from where the seeds were collected.
When analysed carefully, a large number of withanolides of the most va-
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LAVIE, D, The wíthanolides as a model in plant prenetics: chemistry, biosynthesis and biological
activity. Mcm. Inat. Butantav, ^4/45:439-449, 1980/81.
ried nature were isolated and identified Chart 4 shows some representa-
tive structures indicating that the outstanding feature in this chemotype is
the appearance of a different and characteristic substitution pattern in
rings A and B, namely the 5a-OH, 6», Ya-epoxy system as observed in
withanone * (14). This compound has also a Í7a-OH. Withaferin (1) was
also found to be present in this type in sizable quantities so that the plant
has the outstanding ability of producing concurrently the two systems in
rings A/B, the 5«-OH, 6«, 7a-epoxy, and the 4/3-OH, 5/3, 6^-epoxide.
Advantage was taken of this characteristic in our subsequent genetic
studies and cross-breedings. The most interesting feature inherent to this
plant was, however, the fact that at position C-20 in all compounds no OH
group was ever found to be present
OH
Chart 4 Chemotype Indian I
Following the hybridization of Indian I by chemotype Hl offsprings
were obtained in which withanolide D (6) was formed replacing withafe¬
rin A (1) which disappeared from the mixture, i.e., a compound with a
20-OH, dominant character, instead of the recessive 27-OH. Furthermore,
a new “non natural” withanolide was produced, withanolide T (17), which
is a 20-OH withanone, a compound that the plant Indian I was unable
to prepare. Such a compound was the product of the new enzymatic
changes originating from the genetic pool of the hybrid
Recently the analysis of the cross of chemotypes Hl by Indian I was
repeated Also a study of the hybrid of chemotypes H by Indian I
was carried out Table 2 provides the compounds isolated from these
two Fi hybrids given in percent of the respective total withanolide con-
* Withanone is the name given to a compound isolated from plants collected in índia, and first identified
as compound IV in Ref. 10. This name is now adopted.
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LAVIE, D. The withanolides as a model in plant penetics: chemistry, biosynthesis and biological
activity. Mem. Inst. Butantan, 44/45:439-449, 1980/81.
TABLE 2
Withanolides given as percent relative
to their
total occurrence
Compound
Chemotypes
Hyb
r i d s
Ind.I * 10 II * <
III *6
II X Ind. I
III X Ind. I
Withanolide G (10)
3.9
1.0
8.0
Withanolide I
0.4
2.4
Withanolide J (12)
2.6
0.4
Withanolide U
Withanolide E (13)
Withaferin A (1)
33.4
91.9
2.4
Withanolide D (6)
88.0
62.0
49.4
14-Hydroxy-20-
desoxywithanolide D
0.9
27-Hydroxy-
withanolide D (9)
10.7
2.6
Withanone (14)
68.0
18.6
16.7
20-Hydroxy-17-
desoxywithanone (18)
3.6
6.3
Withanolide T (17)
8.3
9.6
14a-Hydroxy
withanone
0.3
14j3-Hydroxy
withanone
4.1
2.1
6,7-Desoxy
withanone (15)
0.9
* The values are computed on the basis of the reported data.
tent. The data of the relevant parents are also incorporated. Table 3
provides the combined quantitative occurrence of each substituent in
relation as percent of the total withanolide content, each being treated
as a separate item.
TABLE 3
Calculated occurrence in percent of each substitution in relation to the
total withanolide content
Substituents
III (Isr.) X Ind. I
III (Isr.)
Indian I
II (Isr.)
II (Isr.) X Ind.I
4/3-OH
61
35
99
64
6/3,6;8-Epoxide
49
92
35
99
64
20-OH
78
100
99
77
14a-OH
13
99
1
1
1
17a-OH
27
3
64
0.6
31
From the cross breedings described above, we know that three
substituents are introduced due to dominant factors, those are the
20o:p-OH, the 4/3-OH and the 5^, 6/3-epoxide. One can see that if theore-
tically each of these substituents should occur as 75% of the mixture,
due to the dominant character, for the first (in II by Indian I), we have
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LAVIE, D. The withanolides as a model in plant genctics: chemistry, biosynthesis and biological
activity. Mem. Inst. Butantan, í4/'í5:439-449, 1980/81.
recorded 78%, for the second 51%' and for the third 49%. The lower
values for the last two positions are due to the fact that there is in this
case a competition with other enzymes, those producing the 5a-OH and
6a, 7a-epoxide, characteristic of the withanone system (14) present in the
Indian I chemotype. The 14a-OH and 17a-OH are both due to recessive
characters and instead of the expected 25% the observed quantities are
13% for the former and 27% for the latter. The lower value of 13%
may be attributed to some interference by the 17a-OH. Also some 14a-OH
may have been converted to 14/3-OH derivatives through formation of a
A*'* followed by reoxidation as described earlier.
Concerning the hybrid II by Indian I, similar conclusions can be
drawn. The 20-OH appeared in 77%, the 4/3-OH and 5/8, 6/3-epoxide in
64% each, again in lower values due to competition with the withano-
me (14) rings A/B system. The 14a-OH is missing, or occurring in trace
quantities in the two parents and so in their hybrid (1%), whereas the
17a-OH is present in a normal levei 31%.
Analysis of a hybrid derived from the cross of chemotype II (Chart 2)
with a type originating from South África, Chart 6, grown in our plots,
indicated that the dominant characters present in both parent, namely
4/3-OH and 5/3, 6/3-epoxide prevailed (100%). Concerning the 20-OH
group present only to the extent of 10% in the African parent, it must
be due to a different enzyme than the one encountered in all other cases,
and known to bè connected with a dominant character. Indeed, following
the cross with chemotype II, 95% of this group was produced in the
compounds.
The double bond reducing capacity (specific to this type) which was
present in the South African parent'® to a small extent, 5.8% for the
24,25-dihydro compounds (20, 21) should be considered as a recessive
character. Following cross with chemotype II it reached the expected
levei of 27.5%. Interestingly, this character expressed itself also by
reducing the 2,3-double bond only in the hybrids and to the extent of
22.4% (Table4).
Table 4 provides the occurrence in percent of various substitutions in
chemotypes II (Israel) and the South African, and in the product of
their cross; it sums up some of the remarks provided above.
TABLE 4
Calculated occurrence in percent of substituents in W. somnifera chemotypes South
African, II (Isr.) and their cross
Substituents
South African (%)
II (Israel) (%)
Cross (%)
4/3-OH
100
99.6
100
0.3
6/3, 6/3-Epoxide
100
99.6
100
20ar-OH
10.5
99.0
96.0
24,25-Dihydro
6.8
27.6
2,3-Dihydro
22.4
2-Ene-l,4-dione
2.8
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LAVIE, D. The withanolides as a model in plant íjenetics: chemistry, biosynthesis and biological
activity. Mem. Inat. Butantan, ^í/^5:439-449, 1980/81.
Chart 5 Hybnd of Indion I Dy ChemoType II
Chart 6 South Afncan Chemotype
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LAVIE, D. The withanolides as a model in plant penetics: chemistry, biosynthcsis and bioloe:ical
activity. Mcm. Inst. Butantan, 4'4/45:439-449, 1980/81.
BIOLOGICAL ACTIVITY
Withaferin A (1) was found to be active on a number of tumor
Systems in mice It will also produce mitotic arrest in the metaphase of
the tumor system In experiments wilh Ehrlich ascites in which the
tumor growth had disappeared, the mice were resistant to rechallenge
with the ascitic tumor cells. Such a behaviour was explained as a com-
bined effect of the compound (1) and an immune response
Withanolide E (13) has been tested on several tumor systems used
in câncer chemotherapy screening, and a number have responded with
this compound. P388 leukemia bearing mice survived by 48% to the
Controls, but it was most active on B-16 mouse melanoma (70%) and
Lewis lung carcinoma (unpublished results).
The immunosuppressive effects of the two compounds (1) and (13)
were tested on a number of systems Four tests were perforrhed with
human T and B lymphocytes since the main interest was the mode of
action of these compounds on the human immune system. Both compounds
showed an effect on E and Ca human lymphocytes receptors, withanolide
E (13) affecting more the human lymphocyte E receptor (T cells), while
withaferin A (1) had a stronger action on Cs receptors (B cells).
The inhibitory effects of both compounds on the local graft versus
host reaction demonstrate that they had also an effect on the functional
activity of T cells, again withanolide E showing a stronger action than
withaferin AI Further studies are under course.
ACKNOWLEDCEMENT
We thank Mr. Albert Bildner, São Paulo and New York, whose
financial assistance enabled the presentation of this research work in
São Paulo, and the “Serviço de Química Orgânica” of the Instituto Butan¬
tan, which sponsored this lecture.
RESUMO: Os withanolídeos são lactonas esteroídicas que ocorrem
em espécime da família das Solanaceas. Diversos quimiotipos foram
identificados em Withania somnifera (L.) Dun., espécie de ampla
distribuição geográfica e apresentam diferenças principalmente nas
suas respectivas composições em withanolídeos que possuem uma
variedade de substituintes. Através' de hibridização efetuada entre
tipos diferentes oriundos de várias áreas do globo, seguida por
análises químicas dos componentes presentes nas mudas, conseguiu-
-se evidenciar as características genéticas ao nível químico. Assim
sendo, diversos híbridos foram quimicamente analisados, tornando
possível um estudo dos caracteres de transmissão genética dos grupos
químicos. Vias biossintéticas são sugeridas com base na presença
dos intermediários apropriados. Um resumo das atividades bioló¬
gicas é apresentado.
UNITERMOS: Withanolides, Withania somnifera, Solanaceae,
lactonas esteroídicas, fitogenética.
UNITERMS: Withanolides, Withania somnifera, Solanaceae, ste-
roidal lactones, plant genetics.
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LAVIE, D. The withanolides as a model in plant prenetics: chemistry, biosynthesis and biological
activity. Mem. Inst. Butantan, 4-í/-45:439-449, 1980/81.
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Withania somnifera Dun. — XI. The structure of three new withanolides,
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-microscope study. Câncer letters, 2:63, 1976.
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STUDIES OF BRAZILIAN MARINE INVERTEBRATES.
IX COMPARATIVE STUDY OF ZOANTHID STEROLS 1.
THE GENUS ZOANTHUS
A. KELECOM **
A.M. SOLÉ CAVA
ABSTRACT: The sterol composition of two Zoanthus species
has been analysed and compared with literature data. The new
marine sterol zoanthosterol (4a-methyl-5a-ergosta-24(28)-en-3/3-
ol) has been obtained from Z. sociatus. Biological implications
are discussed.
KEYWORDS: Zoanthids *, Zoanthus species, Zoanthus socia¬
tus, sterol composition *, cholesterol, chalinasterol, brassicasterol,
zoanthosterol *, zooxanthella.
INTRODUCTION
The increased interest in marine sterols has led to the identification,
during the last 15 years, of a number of new structures obtained prin-
cipally from Molluscs, Echinoderms, Poriferas and Coelenterates mostly
of the class Anthozoa, i.e. Octocorallia and Hexacorallia (15). Whilst
Octocorals (soft corais and sea fans) have been intensively investigated
yielding more than 40 new sterols (15), little attention has been payed,
in comparison, to sterols from Hexacorals (hermatypic corais, sea ane-
mones and zoanthids) (8). This is not surprising for corais and sea
anemones for which a generous part of the wet weight is inorganic
matter (corais) or water (some sea anemones). In contrast, zoanthids
yield large proportions of extractable organic material. Even so, zoanthid
sterols have been much less studied than the coral or sea anemone
ones (8). The rather confused biological systematics of Zoanthids, at
species levei, is probably responsible, in part, for this situation (10, 19).
Indeed, after CARLGREN (7), “everyone examining the Zoantharia
has learnt how difficult it is to determine the members of this group
of Anthozoans”.
Presented at the Seminar on Bioactive Natural Products, São Paulo, 20-22 May, 1981. Previous paper
in this series, see reference 12.
Laboratórios Silva Araújo Roussel S.A. — Unidade de Pesquisas — Rua do Rocha, 165 —
CEP 20960 — Rio de Janeiro-RJ — BRASIL.
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KELECOM, A. & SOLÉ CAVA, A. M. Studies of brazilian marine invertebrates. IX*. Comparativa
study of Zoanthid sterols 1. The gcnus Zoanthus. Mem. Inst. Butantan, ^^/45:451-462, 1980/81.
The order Zoanthidea is composed of three families and eleven
genera for a total of about 260-270 different species (see Table 1).
The family Zoanthidae is the mai i one and is restricted to tropical seas
(10). From the 39 species recorded for the West Indies and for the
Atlantic coast of South America, 29 belong to the family Zoanthidae;
among them, 10 are of the genus ZoantJvus and 13 (or 18*) of the genus
Palythoa. This comparative study will be restricted to species of the
family Zoanthidae.
The present work deals with the sterol composition of two Brazilian
zoanthids of the genus Zoanthus. In the second paper of this series we
will consider the genus Palythoa. Comparison with literature data and
biological implications are discussed.
TABLE 1
The order ZOANTHIDEA after HERBERTS and WALSH (10, 19)
FAMILY
Genus
known
species
West Indies
South America
Isaurus Gray
1
Zoanthidae
Spenopus Steenstrup
1
0
Zoanthus Lamarck
69
^ 64%
10
Palythoa Lamouroux
93
13
Gemmaria Duch. & Mich.l
10_^
6
Protopalythoa Verrill J
Epizoanthidae
Epizoanthus Gray
53 '
. 21%
4
Thoracaetis Gravier
Ij
1
0
Gerardia Bertholani
r
0
Parazoanthidae
Isozoanthus Carlgren
14
L 15%
0
Parazoanthus Haddon &
Shackleton
25_,
6
MATERIAL AND METHODS
Equipment: melting points were determined on a BUCHI SMP-20
apparatus and are uncorrected. Optical rotations were measured on a
PERKIN-ELMER 241 polarimeter at 25.° in CHCl.i. Low resolution
mass spectra were determined on a MICROMASS MM12F instrument.
IR spectra were recorded in CHCI 3 Solutions with a PERKIN-ELMER
735B spectrophotometer. GC analysis were performed on a VARIAN
2440 apparatus equipped with a FID- system and on a 3% OV-17 on
VARAPORT 30 column (7’xl/8”) operating in isotherm mode at 285.°.
Retention times are expressed relatively to cholesterol. Column chroma-
tographies were carried out on E. MERCK Kieselgel 60 (70-230 mesh).
Analy tical and preparative thin layer chromatographies (tlc) were car¬
ried out on E. MERCK Kieselgel 60 F254 ready-to-use plates, the
• It is uncertain whether the genera Gemmaria and Protopalythoa are different from one another and
whether they should be included into the genus Palythoa (19).
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1 SciELO
KELECOM, 4. & SOLÉ CAVA, A. M. Studies of brazilian marine invertebrates. IX*. Comparativo
study of Zoanthid sterols 1. The genus Zoanthus. Mem. Inst. Butantan, 44/-45:451-462, 1980/81.
chromatograms being revealed by spraying a 3% ethanolic solution of
phosphomolybdic acid followed by heating at 150°.
Animais: fresh polyps of Zoanthus sociatus (Ellis, 1767) (Hexa-
corallia, Zoanthidea) and of an unidentified Zoanthus species were
collected, on rocky bottom, along the coast of the state of Rio de Janeiro.
They were preserved in 70% EtOH until work up. Data about the
collection appear in Table 2.
TABLE 2
The ZoanthiLs collection
Animal
Local
Date
Depth
Yield %
extract
Zoanthus sp
Ilha Grande
15-03-80
1 — 2 m
18.3
Z. sociatus
Cabo Frio
29-05-80
0 — 1 m
10.5
Zoanthus sp:
as sterile colonies
Z. sociatus: as sterile or hermaphrodite colonies
Extraction: the aqueous ethanol in which the animais were pre¬
served was filtered off, and the animais extracted several times with
ethanol until a colorless extract was obtained. The polyps were then
extracted with methylene chloride. The organic extracts were combined
and evaporated under reduced pressure. Water was eliminated by azeo-
tropic distillation with benzene. The extract was then triturated in
methylene chloride to eliminate inorganic matter. Evaporation of the
solvent afforded a methylene chloride residue from which the sterol
fraction was isolated.
Obtention of the sterol mixtures — Isolation of the sterols:
a) The obtention, from Zoanthus sociatus, of the free monohydroxy
sterol mixture and the separation of the sterols as their acetyl derivativos
have been described earlier (12). The physico-chemical data of compounds
Z-1 Z-2 and Z-3 (see figure 1.=^) have been reported for the acetyl
derivatives in cited reference.
b) Identical techniques have been used in the case of the uniden¬
tified Zoanthus species.
M'? of the sterol mixture from Zoatithus sp: molecular ion at m/e
= 414 (2 C..«HooO) - 400 (7, C 2 sH 4 bO) - 398 (42, C.sH^cO) - 386
( 99 , r H .Oi and 384 ( 8 , C-. 7 H 440 ) ; characteristic fragment ions at m/e
= 399 (13 414 - CH.), 396 (1, 414 - H.Q), 385 (4, 400 - CH 3 ),
383 (6 398 CH-i), 382 (2.5, 400 — H 2 O), 381 (2, 414 — CH.-s, HoO),
So Í 4 398 - H.Ò , 371 ( 8 , 386 — CH 3 ), 369 (4, 383 - CH 3 ), 368
(11 Se - H 30),'367 (2, 400 - CH 3 , H 3 O), 365 (4, 398 - CH 3 , H^O),
355 (3 5) 353 (8, 386 - CH 3 , H 3 O), 351 (1, 384 - CH 3 , H.O), 336
i 7 i ÍIS 398 — C 6 H 12 , i.e. Mac Lafferty rearrangement from a
doublebond), 300 (28), 299 (7, 314 - CH 3 ), 296 (2, 314 - H^O),
275 (13), 273 (17), 271 (30), 255 (42), 213 (22), ...
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KELECOM, a. & SOLÉ CAVA, A. M. Studies of brazilian marine invertebrátes. IX*. Comparativo
study of Zoanthid sterols 1. The grenus Zoanthua. Mem. Inst. Butantan, ^4Ãj5:451-462, 1980/81.
The GC trace is described in the text (Figure l.b. and Table 3).
From 41 mg of the steryl acetate mixture of Zoantlnis sp (obtained
in the usual condi ti ons), we isolated as described earlier ( 12 ), five
fractions: S-1 (2 mg), a mixture of S-l/S-2 and S-3 (10 mg), S-4
(15 mg), S-5 (4 mg) and S -6 (5 mg).
S -1 (as the acetate) : BET = 1.00, 83% pure by GC, co-chroma-
tographs with an authentic sample of acetyl-cholesterol; MS : M +—
60 = 368, 353 (368 - CH.,),...
S-1 / S-£ / S-3 (as the acetates) : RRT = 1.00 / 1.25 and 1.46
respectively, relative proportions of 73 / 17 and 10% ; S-1 co-chroma-
tographs with acetyl-cholesterol and S-2 with an authentic sample of
(24S)-24-methylcholesterol (IV with the methyl /3 oriented). MS of
the mixture : M,+- 60 = 368 (S-1), M 2 +- 60 382 (S-2) and
M 3 +- 60 = 396 (S-3).
S-4 (as the acetate) : RRT = 1.12, over 94% pure, co-chromato-
graphs with an authentic sample of brassicasteryl acetate ; m.p. :
150.5-152.0° (lit. 152°, ref 9) ; Md = -55.9° (c = 1.12 in CHCl,)
(lit. -62.2°, ref. 9) ; MS : M +- 60 = 380 (32, CsoH.sO-. - AcOH),
365 ( 6 , 380 - CU,), 337 ( 6 , 380 - C-tH,), 296 (2), 282 (5), 267 (3),
255 (37, 380 — side chain), 253 ( 8 , 380 — side chain + 2H), 239 (3),
228 ( 6 ), 213 (10, 380 - side chain and 42) ; IR : 1720, 1255. 1035
and 980 cm~b
S-5 (as the acetate) : RRT = 0.96, over 96% pure, co-chromato-
graphs with and authentic sample of 22(E)-22-dehydrocholesteryl ace¬
tate; MS : M +— 60 = 366 (17, C 29 H 4 fl 02 — AcOH), 351 (2.5, 366 —
CH 3 ), 323 (1, 366 — C 3 H 7 ), (295 (IK 255 (15, 366 — side chain),
253 (2.5, 366 - side chain 2H), 228 (2), 213 (4, 366 — side chain
and 42).
TABLE 3
GC analysis of free sterol mixtures from some Zoanthus spp
RRT
SAMPLE 0.66
0.96 1.00
1.12
1.25
1.27
1.39
1.46
1.64
C (28)
Z. soc. t
— 3
V
— 87
V
8
t
87
Z. sp —
34
51
14
1
65
Z. pag. * —
— 19
41
30
10
81
Z. prot. ** —
— —
— 100
100
Z. soc. (Al)§ —
t 35
— —
t
Z. soc. = Z. sociatiis; Z. pac. = Z. pacificus; Z. prot. = Z. proteus; (Al) = alga
* after GUPTA & SCHEUER Steroids 75:343 (1969)
** after BERGMANN et al. J. Org. Chem, 76:1337 (1951)
§ after KOKKE et al. Tet. Letters 3601 (1979)
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KELECOM, A. & SOLÉ CAVA, A. M. Studies of brazilian marine invertebrates. IX*. Comparativo
study of Zoanthid sterols 1. The genus Zoanthus. Mem. Inst. Butantan, 4-4/-í5:451-462, 1980/81.
S-6 (as the acetate) : RRT = 1.27, over 99% pure, co-chromato-
graphs with an authentic sample of chalinasteryl acetate ; MS : M +—
60 = 380 (27, C30H48O2 - AcOH), 365 ( 8 , 380 - CH 3 ), 296 (15, 380
— CoHio, i.e. Mac Lafferty rearrangement of a double bond),
281 (296 - CH-i), 272 (2), 259 (5), 255 ( 6 , 380 - side chain), 253
(9, 380 - side chain + 2H), 228 (5), 213 (10) ; IR : 1720, 1640, 1260
and 895 cm-^.
RESULTS
The GC traces of the sterol mixtures from the two Zoanthus species
are compared in Figure 1 with the one reported for Zoanthus confertus
(now named Z. pacificus Walsh & Bowers 1971 (20) ). Calculated data
appear in Table 3, where retention times are relative to cholesterol and
where compositions (%) are deduced from the area of the GC peaks.
The three major sterols produced by Z. sociatus were isolated and
identified as cholesterol (Z-1, I), chalinasterol (or 24-methylenecholeste-
rol, Z-2, V) and zoanthosterol (4a-methyl-5a-ergosta-24(28)-en-3y8-ol,
Z- 3 , XI) by gas chromatographic, physico-chemical and spectroscopic
data ( 12 ).
GC analysis of the sterol mixture obtained from the unidentified
Zoanthus species (Fig. l.b.) showed it to be more complex than that
of Z. sociatus. The MS of the sterol fraction displayed at least five
molecular ions at m/e = 414, 400, 398, 386 and 384. The characteristic
fragment ion at m/e = 314 was indicative of the presence of a sterol
with an exomethylene group at C-24 (Mac Lafferty rearrangement of
a ^ 24 ( 28 ) double bond) (9). Separation of the sterols, as their acetates,
by argentic silica gel column chromatography, afforded four steryí
acetates over 92% pure (by GC) and a mixture of three steryl acetates.
The retention times relative to cholesteryl acetate were : 1.00 (S-1,
2 mg), 1.00-1.25-1.46 (S-1, S-2 and S-3, 10 mg), 1.12 (S-4, 15 mg),
0.96 (S-5, 4 mg) and 1.27 (S- 6 , 5 mg).
S-1 was identified as cholesteryl acetate with which it co-chromato-
graphs in GC, on the basis of its retention time (GC) and of its MS
identical with that of an authentic sample.
S-2 and S-3 were tentatively identified as 24|-methyl and 24|-ethyl-
cholesteryl acetates by their RRT identical with published data obtained
in similar operating conditions (14). The MS of the mixture S-1/S-2/S-3
showed fragmentations (M + - 60) at m/e = 368 {i.e. parent sterol
C 27 H 4 ÜO), 382 (i.e. parent sterol C 2 SH 4 RO) and 396 (i.e. parent sterol
Co 9 Hr,oO)’ which were in perfect agreement with our assumption. The
abLnce of molecular ions strongly suggested a S/B-OAc-A^ moiety (17).
That the extra-carbon(s) of S-2 and S-3 were located in the side chain
carne from their MS showing fragment ions corresponding to the tetra-
cyclic nucleus at the same m/e ratios as in cholesteryl acetate. In addition,
S-2 co-chromatographed with an authentic sample of 22,23-dihydrobrassi-
casteryl acetate (IV with the methyl /3 oriented), suggesting the extra-
-carbon of S-2 to be located at C-24, the biogenetic favoured position.
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study of Zoanthid sterola 1. The grenus Zoanthus. Mcm. Inat. líutantan, 44/^5:451-462, 1980/81.
I. a. Z. sociatus I. b. Zoanthus sp I. c. Z. pacificus^
Fig. 1 — GC traces of sterol mixtures from Zoanihua spp *.
• after GUPTA e SCHEUER (9): reconstructed; in the original paper the zoanthid Is named Z. con^
fertua
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study of Zoanthid sterols 1. The genus Zoanthua. Mcm. Inst. Butantan, 4i/-J5:451-462, 1980/81.
Cd
c\j
N
0
ifi
m
in
p. 2 Sterol structures; Distribution of sterols in Zoanthus spp. 1 = Z. aociatus; 2 — Zoanthua sp:
*■ . _ 2'. pacijicua; 4 = Z. proteua; 6 = symbiotic alga of Z. aociatua.
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KELECOM, A. & SOLÉ CAVA, A. M. Studiea of brazilian marine invertebrates. IX*. Comparativo
study of Zoanthid sterois 1.^ The genus Zoanthus. Mem. Inst. BtUantan, 44/-45:451-462, 1980/81.
S-4 was identical with brassicasteryl acetate (9) by m.p., [a] d, IR,
MS and GC (RRT and co-injection with an authentic sample).
S-5 was found identical with 22(E)-22-dehydrocholesteryl acetate
by MS and GC (RRT and co-injection with an authentic sample).
S-6 was identified with chalinasteiyl acetate (24-methylenecholes-
teryl acetate) by MS, IR and GC (RRT and co-injection with an authentic
sample).
DISCUSSION
Although our knowledge on zoanthid sterois of the genus Zoanthus
is restricted to only two published papers (5, 9) dealing with two species,
some general conclusions appear.
1. Cas-sterols are the major sterois of Zoanthus species as they are
of the class Anthozoa in general (11).
2. All the Zoanthus species studied up to now contain chalinasterol
(V). It is the sole sterol of Z. proteus, the major one of Z. sociatus and
a minor component of. Z. pacificus and of the unidentified Zoanthus
species.
3 . Cholesterol (I), a typical animal sterol, and brassicasterol (III),
widely distributed in marine invertebrates (8), seem to be common sterois
in Zoanthus species.
4 . As Z. proteus is now considered synonimous with Z. sociatus
(19), it is possible that the presence of small amounts of cholesterol (I)
and zoanthosterol (XI) in the sterol fraction isolated by BERGMANN
et al. (5) could not be detected by these authors due to the low perfor¬
mance analytical techniques existing prior to 1960.
5 . The sterol composition of the unidentified Zoanthus species was
found quite similar to that reported by GUPTA & SCHEUER (9) for
Z. pacihcus with, in addition to the reported cholesterol (I), brassicas¬
terol (III), chalinasterol (V) and 24|-methylcholesterol (IVL the common
(8) marine sterol 22(E)-22-dehydrocholesterol (II) and probably 24|
-ethylcholesterol (VI). Considering the biosynthetic pathway shown in Fig.
3, the presence of brassicasterol (III) together with S-2 and S-3 allows
us to suggest for the two latter sterois absolute configuration “24S”, i.e.
the alkyl at C-24 is probably /3.
6 . Z. sociatus was found to contain the rare zoanthosterol (XI),
a new 4a-methyl-5a-stanol (12). Sterois containing a 4a-methyl-5a-stanol
moiety have been obtained from various marine organisms including a
red alga (4), a sea star (18) and an alcyonarian (6) but are most
frequently encountered in free living dinoflagellates (1, 2, 3, 21 and 22).
As zoanthids contain large amounts of symbiotic dinoflagellate algae
known as zooxanthellae, it is tempting to speculate about the algal origin
of zoanthosterol (XI). Indeed, the cultured alga isolated from the Jamai-
can Z. sociatus furnished, together with the A’’’ sterois I and II, a series
of 4c(-methyl-5a-stanols (VII, VIII, IX, X, and XII) (13). But when
about 96% of the sterol mixture of the Brazilian Z. sociatus is composed
of sterois with a A"^'***' double bond, such compounds are completely
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study of Zoanthid sterols 1. The genus Zoanthus. Mem. Inat. Butantan, 44/'*5:A5l~AB2, 1980/81.
absent from the sterol fraction produced by the cultured alga of the Ja-
maican zoanthid (13). As we already pointed out (12), this may indicate
biotransformations by the zoanthid of an algal precursor, a modification
of the algal metabolism when separated from the zoanthid host or differ-
ent geographic strains of symbiotic algae. Such local variations have been
reported (16) for the symbiotic algae isolated from the zoanthids
Palythoa mammilosa and Protopalythoa grandis, both collected in the
Bermudas and in Jamaica.
7. The fact that only Z. sociatus contains 4a-methyl stanols, pro-
bably of algal origin, raises intriguing biological questions concerning the
associated zooxanthella. From the four Zoanthus species investigated by
SCHOENBERG & TRENCH (16), i.e. Z. dubius, Z. pulchellus, Z. sociatus
and Z. sp, only Z. sociatus yielded a viable culture of the zooxanthella
Symbiodinntm microadriaticum, which furnished sterols VII, VIII,
IX, X and XII (13). Biological and/or Chemical comparison of this
associated alga with the cultured zooxanthella from another Zoanthus
species is thus presently impossible. But it was observed that the strain
of zooxanthella isolated from Z. sociatus showed very low affinity with
the associated algae of any other marine invertebrate, even with symbio¬
tic algae strains obtained from zoanthids of the genera Palythoa and
Protopalythoa (16). Whether this observation might explain the occur-
rence of 4a-methyl-5a-stanols only in Z. sociatus and in its associated sym¬
biotic alga is still questionable.
ACKNOWLEDGEMENTS
We are gratefull to Prof. P.M. BAKER (Núcleo de Pesquisas de Pro¬
dutos Naturais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, BRAZIL) for
recording the mass spectra, to Prof. B. TURSCH (Collectif de Bio-écolo-
gie, Université Libre de Bruxelles, BELGIUM) and Prof. R.K. TRENCH
(Marine Science Institute, University of Califórnia, Santa Barbara, CA,
USA) for helpfull discussions about some aspects of the symbiosis between
zoanthids and algae, and to the Conselho Nacional de Desenvolvimento
Cientifico e Tecnológico (CNPq).
RESUMO: Estudos de Invertebrados Brasileiros do Mar. IX.
Estudo Comparativo de Esteróis de Zoantídeos 1. O gênero
Zoanthus. A composição em esteróis de duas espécies de Zoanthus
foi analisada e comparada com resultados da literatura Zoanthos-
terol (4a-metila-5Q;-ergosta-24(28)-eno-3)3-ol), um novo esterol do
mar, foi obtido a partir de Z. sociatus. Implicações biológicas são
discutidas.
PALAVRAS-CHAVE: zoantídeos *, Zoanthus sp, Zoanthus sociatus,
composição em esteróis *, colesterol, chalinasterol, brassicasterol,
zoanthosterol *, zooxantela.
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10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan
H/iSMi-i&i, 1980/81
ÍNDICE DE AUTOR/AUTHOR INDEX
AMARAL, A.G.
119
ARAÚJO, P.
383
ARTIGAS, P.T.
383
ASSIS, J.L.
213
AVILA, S.C.
299
BANCHER, W.
271
BELLUOMINI, H.E.
133, 245, 391
BIANCHI, A.
119
BORBA, H.L.
355
CALAZANS, S.C.
325
D’ANDREA, M.L.
119
DE LORENZO, J.L.
281
DENARO-MACHADO, L.
119
DOBBIN JR., J.E.
355
DINIZ, L.S.M.
133
EICKSTEDT, V.R.D. von
161, 171, 181
ESTEVES, M.L
119
FREITAS, J.C.
191
FURLANETTO, R.S.
325
FURUTA, J.A.
335
GASPARINI, A.L.C.
127
HAAD, J.S.
403
HEITZMANN-FONTENELLE, T.J.
343
HIGASHI, H.G.
307
HOGE, A.R.
81
IIZUKA, H.
245, 253, 259, 307, 335
KELECOM, A.
451
463
INDICK DE AUTOR/AUTHOR INDEX
LAVIE, D.
439
LEINZ, F.F.
335
LIBERMAN, C.
335
LIZASO, N.M.
377
LOURENÇO, W.R.
181, 425
LUCAS, S.
153, 157
MACHADO, J.C.
3, 119, 127
MACHADO, T.C.
127
MARCHIORI, P.E.
213
MORAES, R.H.P.
367
NAVAS, J.
253
NÓBREGA, J.P.S.
213
OLIVEIRA, E.P.T.
307, 335
OLIVEIRA, J.L.
11
PIOTO, H.M.
271
RABENHORST, E.
317
REGO, A.A.
219, 233, 239
ROLIM ROSA, R.
245, 253, 259, 271, 281, 289, 299, 307, 335
ROMANO HOGE, S.A.
81
ROSENBERG, S.
213
SALIBA, A.M.
133
SCAFF, M.
213
SILES VILLARROEL, M.
245, 253, 259, 271, 281, 289, 299
SILVA, M.A.
307
SIRACUSA, Y.Q.
259
SOLÉ CAVA, A.M.
451
TRAVASSOS F.°, L.P.
355, 367
VEIGA, R.M.O.
355
VEINERT, T.
391
VIEIRA, E.G.J.
253, 259, 289, 299
ZELANTE, F.
271, 281, 289, 299
ZELNIK, R.
317
464
Mem. Inst. Butantan
5:465-470, 1980/81
ÍNDICE DE ASSUNTOS
Acanthoscurria ferina Simon, 1892
sinonímia : 153
Acarina: Ophioptidae : 377
Ácaros, sistemática : 377
Acidentes ofídicos, síndromes ; 403
Adjuvante de Freund
na hiperimunização de eqüídeos : 259
Agkistrodontini : 81
Animais em cativeiro, patologia : 133
Anatoxina diftérica : 335
Anfíbios, parasitas : 383
Antitoxina
diftérica : 335
tetânica, produção : 325
Antivenenos
aracnídico polivalente ; 253
crotálico : 245
titulação, em camundongos : 271
elapídico
neutralização cruzada : 289
titulação, em camundongos : 289
escorpiônico, doseamento : 299
laquético
titulação, em camundongos : 281
Aranhas
acidente loxoscélico : 213
sistemática : 153, 157, 161, 171
venenos e antivenenos : 253
SciELO
: 317
Bases de Mannich N-substituídas
Biotoxinas marinhas
aspectos farmacológicos : 191
Bothriechis Peters : 81
Bothriopsis Peters : 81
Botlirops, acidentes : 403
Botulismo
hipermunização simultânea de eqüídeos
Calloselasma
annamensis, redescrição : 81
rhodostoma, redescrição : 81
Cerodirphia avenata aragiiensis : 367
Cestoda, Trypanorhyncha : 239
Clostridium botidinum, tipos A e B ; 307
Cópula heteróloga
sucuris em cativeiro ; 391
Ctenus, redescrição : 161, 171
Degeneração gordurosa : 127
Diesingia megastoma : 233
Ectoparasitas, em serpentes : 377
Epidemiologia leucêmica : 119
Equinodermos
defesa química : 191
ecologia química : 191
Escorpiões
sistemática : 181, 425
venenos e antivenenos : 299
Esteróis, composição
em Zoanthus sp. : 451
Eunectes
Murinus Murinus (Linnaeus) ; 391
Notaeus Cope, 1862 : 391
Fitogenética : 439
Gyrinicola chabaudi n.sp. ; 383
Hidantoinas : 317
Hydrodynastes bicinctus : 239
466
SciELO
ÍNDICE DE ASSUNTOS
Instituto Butantan, cronologia : 11
Intoxicação alimentar : 307
Kiricephalus coarctatus : 233
Lachesis, acidentes : 403
Lachesis muta muta : 281
Lactonas esteroídicas : 439
Lagartas urticantes : 367
Leucemia linfóide aguda : 119
Linfoadenopatias ; 127
Linfonodos : 127
Loxosceles, acidente : 213
Marcadores imunológicos
em crianças brasileiras : 119
Mielite aguda ; 213
Moluscos gastrópodes
defesa química : 191
ecologia química : 191
Nematoda, Pharyngonidae : 383
Nhandu, n. gen. : 157
Nhandu carapoensis n.sp. : 157
“Oberhãutschen”, técnica microscópica
em Viperoidea : 81
Ofídios, parasitas : 219, 233, 239
Ophioptes Sambom, 1928
brevipilis sp.n. : 377
longipilis sp.n. : 377
Opisthacantus cayaporum Vellard, 1932
Oxiurídeos, em girinos : 383
Panstrongylus megistus, bionomia ; 343
Parasitas
em anfíbios : 383
em ofídios : 239, 377
da América Tropical : 219
em répteis : 233
sistemática : 377, 383
Patologia
de animais em cativeiro : 133
425
467
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
tNDICE DE ASSUNTOS
Pentastomídeos : 219, 233
Porocephalíis : 219, 233
crotali : 233
Porthiãium Cope : 81
Protobothrops n.gen. : 81
Pterobothrium, plerocercos
Répteis, parasitas : 233
Scorpiones, Buthidae : 181
Scorpionidae ; 425
Serpentes
acidentes : 403
Hydrodynastes bicintus
Lachesis muta muta :
parasitas ; 377
239
239
281
81
245, 271
289
281
sistemática
venenos
crotálico
elapídico
laquético
Sistemática
ácaros
Ophioptes
brevilis sp.n. : 377
longipilis sp.n. : 377
Sambom, 1928 : 377
aranhas
Acanthoscurria feriyia Simon, 1892
Ctenus
albofasciatiís, redescrição
carvalhoi sp.n. : 161
minor, redescrição ; 171
similis, redescrição : 171
villasboasi Mello Leitão
Nhandu n.gen. : 157
Nhandu carapoensis n.sp. : 157
Theraphosinae ; 157
Trasyphoberus parvitarsis Simon, 903
153
171
161
153
468
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
ÍNDICE DE ASSUNTOS
escorpiões
Opisthacantus cayaporum Vellard, 1932 : 425
Tityus serriãatus Lutz «fe Mello, 1922, neótipo : 181
parasitas
Gyrinicola chabaudi n.sp. ; 383
serpentes
Agkistrodontini : 81
Bothriechis Peters : 81
Bothriopsis Peters : 81
Calloselasma
annamensis : 81
rhodostoma : 81
Porthidium Cope : 81
Protobothrops n.gen. : 81
Solanaceae : 439
Soros
antiaracnídico polivalente, produção ; 253
antidiftérico, produção
reimunizações repetitivas, em cavalos : 335
antiofídicos, hipermunização em eqüídeos : 259
Sucuris, em cativeiro : 391
cópula heteróloga : 391
Terpenos : 317
Tétano, hiperimunização : 325
Tityus semdatus Lutz & Mello, 1922, neótipo : 181
Toxina botulínica, tipos A e B : 307
Toxóide botulínico, tipos A e B : 307
Trasyphoberus parvitarsis Simon, 1903
sinonímia ; 153
Triatorm melanocephala, ninfa : 355
Triatomíneos : 343, 355
Tnjpanosoma cruzi, vetor
em Minas Gerais, Brasil : 355
Venenos
crotálico
extração, efeitos do processo
na toxicidade e sobrevida dos ofídios : 245
469
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
tNDICE DE ASSUNTOS
titulação, em camundongos : 271
elapídico
titulação, em camundongos ; 289
neutralização cruzada : 289
escorpiônico (Tityus)
soroneutralização cruzada : 299
titulação, em camundongos : 299
laquético
titulação, em camundongos : 281
toxicidade : 281
Viperoidea
técnica microscópica “Oberhãutschen”
Withanolides, Withania somnifera : 439
Zoanthus sociatus : 451
Zoantideos
composição em esteróis : 451
Zooxantela : 451
81
470
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem, Inat. Butantan
44/-Í5.-471-476, 1980/81
SUBJECT INDEX
119
127
Acanthoscurria ferina Simon, 1892
synonimy : 153
Acarid, systematic : 377
Acarina: Ophioptidae : 377
Acute lymphoid leukemia
Acute myelitis : 213
Adipous degeneration
Agkistroãontini : 81
Anacondas, in capitivity
heterologous mating
Antivenins
arachnid, polyvalente :
crotalic
titration, in mice :
elapid
cross neutralization
titration, in mice :
lachesic
titration, in mice :
scorpionic, dosage : 299
391
253
: 271
: 289
: 289
281
Bothriechis Peters
: 81
Bothriopsis Peters
: 81
Bothrops, accident
: 403
Botulinus
toxin, types A and B : 307
toxoid, types A and B : 307
Botulism
bivalente hyperimmunization of horses
: 307
471
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Calloselasma
annamensis, redescription : 81
rhodostoma, redescription : 81
Capitivity animais, pathology : 133
Cerodii-phia avenata araguensis : 367
Cestoda, Trypanorhyncha : 239
Clostridium botidinum, types A and B
Ctenus, redescription : 161, 171
Diesingia megastoma : 233
Diphteria anatoxin and antitoxin : 335
Echinoderms
Chemical defense : 191
Chemical ecology : 191
Ectoparasites, in snakes : 377
Eunectes
Murinus Murinus (LinnaeusJ : 391
Notaeus Cope, 1862 : 391
Food poisoning : 307
Freund’s adjuvant
hyperimmunization in eqüine : 259
Gyrinicola chabaudi n.sp. : 383
Heterologous mating
in capitivity anacondas : 391
Hydantoins ; 317
Hydrodynastes bicintus : 239
Immunological markes
in Brazilian children : 119
Instituto Butantan, cronology : 11
Kiricephalus coarctatus : 233
Lachesis, accident : 403
Leuchemic epidemiology : 119
Loxosceles, accident : 213
Lymphoadenopathies : 127
Lymphonodes : 127
Marine biotoxins
pharmacological aspects : 191
Mollusc gastropods : 191
472
2 3 4
5 6
SciELO
SUBJECT INDEX
Chemical defense : 191
Chemical ecology : 191
M-Mannich Bases : 317
Nematoda, Pharyngodonidae ; 383
Nhandu n.gen. : 157
Nhandu carapoensis n.sp. : 157
“Oberhâutschen” microspical technic
in Viperoidea : 81
Ophidians, parasites : 219, 233, 239
Ophidic accidents, syndrome : 403
Ophioptes Sambom, 1928
brevipilis sp.n. ; 377
longipilis sp.n. : 377
Opisthacanhis cayapomm Vellard, 1932 : 425
Panstrongylus megistus, bionomy : 343
Parasites
in amphibians ; 383
in ophidians : 239, 377
of Tropical America : 219
in reptilia : 233
systematic : 377, 383
Pathology
in capitivity animais : 133
Pentastomids : 219, 233
Pinworm, in tadpoles : 383
Plant genetic : 439
Porocephalus : 219, 233
crotali : 233
Pterobothrium, plerocercus : 239
Reptilia, parasites : 233
Scorpiones, Buthidae : 181
Scorpionidae : 425
Scorpions
systematic : 181, 425
venoms and antivenins : 299
Serum
antiarachnid polyvalent, production : 253
473
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
SUBJECT INDEX
antidip?iteric, production
repetitive immunizations, in horses : 335
antiophidic, hyperimmunizations in eqüine : 259
Snakes
accidents : 403
Hydrodynastes bicinctus : 239
Lachesis muta muta : 281
parasites : 377
systeniatic ; 81
venoms
crotalic : 245, 271
elapidic : 289
lachetic : 281
Solanaceae : 439
Spiders
loxoscelic accident : 213
systematic : 153, 157, 161, 171
venoms and antivenins : 253
Steroidal lactones : 439
Sterol composition
in Zoanthus sp. : 451
Systematic
acarid
Ophioptes
hrevilis sp.n. ; 377
longipilis sp.n. : 377
Sambom, 1928 : 377
parasites
Gyrinicola chahaudi n.sp. : 383
scorpions
Opysthacantus cayaporum Vellard, 1932 : 425
Tityus serriãatus Lutz & Mello, 1922, neotype : 181
snakes
Agkistrodontini : 81
Bothriechis Peters : 81
Bothriopsis Peters : 81
Calloselasma : 81
474
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
SUBJECT INDEX
annamensis : 81
rhoãostoma : 81
Porthidiiim Cope : 81
Protobothrops n.gen. : 81
Spiders
Acanthoscurria ferina Simon, 1892 : 153
Cteniis
Alhofasciahis, redescription : 171
carvalhoi sp.n. : 161
minor, redescription : 171
similis, redescription : 171
villasboasi Mello Leitão : 161
Nhandu n.gen. : 157
NItandu carapoensis n.sp. : 157
Theraphosinae : 157
Trasyphoberns parvitarsis Simon, 1903 : 153
Terpenes : 317
Tetanus, hyperimmunization : 325
Tetanus antioxin, production : 325
Tityns seirulatus Lutz & Mello, 1922, neotype : 181
Trasyphoberns parvitarsis Simon, 1903
synonimy : 153
Triatoma melanocephala, nimph : 355
Triatomines : 343, 355
Trypanosoma cruzi, vector
recording in Minas Gerais, Brazil : 355
Urticating Caterpillar : 367
Venoms
crotalic
extraction process, effects
in the toxicity and snakes survival rate : 245
titration, in mice
elapidic
cross-neu trai ization
titration, in mice
lachesic
titration, in mice
: 271
: 289
: 289
281
475
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
SUBJECT INDEX
toxicity : 281
scorpionic
serum cross-neutralization : 299
titration : 299
Viperoidea
microscopical technic “Oberháutschen” ; 81
Withanolides, Withania somnifera : 439
Zoanthids
sterol composition : 451
Zoanthus sociatus : 451
Zooxanthella ; 451
476
2 3 4
5 6
SciELOi^o
cm
1 :^
IMPRENSA OFICIAL 00 ESTADO
SÂO PAULO-BRASIL
1983
1 :^
IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO
SAO PAULO-BRASIL
1983