ISSN 0073 - 9901
MIBUAH
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
COORDENADORIA DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS
INSTITUTO BUTANTAN
SÃO PAULO, SP - BRASIL
Memórias
do
Instituto
Butantan
vol. 47/48 - 1983/1984
4 5 6 7 SciELO ;li 12 13 14 15 16 17
Governo do Estado de São Paulo
Secretaria de Estado da Saúde
Coordenadoria dos Serviços Técnicos Especializados
Instituto Butantan, SP — Brasil
MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
V. 47/48
1983/1984
DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN
Willy Beçak
COMISSÃO EDITORIAL
PRESIDENTE
MEMBROS
BIBLIOTECÁRIAS
— Henrique Moisés Canter
— Adolpho Brunner Júnior
Raymond Zelnik
Saul Schenberg
Sylvia Lucas
— Denise Maria Mariotti
Ruth Ishimoto
SÃO PAULO, SP — BRASIL
1986
Endereço/Address
Biblioteca do Instituto Butantan
Av. Vital Brazil, 1500
Caixa Postal 65
05504 — São Paulo, SP — Brasil
Publicação anual/Annual publication
Solicita-se permuta/Exchange desired
MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN. (Secretaria de
Estado da Saúde) São Paulo, SP — Brasil, 1918-
1918-1983/84, 1 - 47/48
ISSN 0073-9901
MIBUAH CDD 614.07205
SciELO
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Mem. Inst. Butantan
U7IJtS, 1983/84
INSTRUÇÕES AOS AUTORES
1. FINALIDADE
As MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN são publicadas sob a
orientação da Comissão Editorial, sendo que os conceitos emitidos são de
inteira responsabilidade dos autores. Têm por finalidade a apresentação de
trabalhos originais que contribuam para o progresso nos campos da Biologia
e da Medicina, elaborados por especialistas nacionais e estrangeiros que se
enquadrem no Regulamento dos Trabalhos.
2. REGULAMENTO DOS TRABALHOS
2 .1 Normas gerais
2.1.1 Os trabalhos devem ser inéditos e destinar-se exclusivamente à
revista “MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN”.
Os artigos de revisão serão publicados a convite da Comissão Editorial.
2.1.2 Estrutura do trabalho
2.1.2.1 Elementos preliminares
a) cabeçalho — título do trabalho e nome do(s) autor(es);
b) filiação científica e endereço para correspondência.
2.1.2.2 Texto
Sempre que possível deve obedecer à forma convencional do artigo
científico:
a) Introdução — Estabelecer com clareza o objetivo do trabalho rela¬
cionando-o com outros do mesmo campo e apresentando de forma sucinta
a situação em que se encontra o problema investigado. Extensas revisões de
literatura devem ser substituídas por referências aos trabalhos mais recentes,
onde tais revisões tenham sido apresentadas.
b) Material e métodos — A descrição dos métodos usados deve limitar-se
ao suficiente para possibilitar ao leitor a perfeita compreensão e repetição dos
métodos; as técnicas já descritas em outros trabalhos devem ser referidas
somente por citação, a menos que tenham sido consideravelmente modificadas.
c) Resultados — Devem ser apresentados com clareza e, sempre que
necessário, acompanhados de tabelas e material ilustrativo adequado.
d) Discussão — Deve restringir-se à apresentação dos dados obtidos e
dos resultados alcançados, relacionando-se hovas contribuições aos conheci¬
mentos anteriores. Evitar hipóteses ou generalizações não baseadas nos resultados
do trabalho.
e) Conclusões — Devem ser fundamentadas no texto.
Dependendo do assunto do artigo, as divisões acima poderão ser modifi¬
cadas de acordo com o esquema do trabalho, porém o artigo deve conter
obrigatoriamente:
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— Introdução;
— Desenvolvimento do tema (com as divisões a critério do autor);
— Conclusão.
2.1.2.3 Agradecimentos
Devem ser mencionados antes das referências bibliográficas.
2.1.2.4 Material de Referência
Todo trabalho deve vir obrigatoriamente acompanhado de:
a) Resumos — Um no mesmo idioma do texto, outro em inglês, redi¬
gidos pelo(s) próprio(s) autor(es), devendo expressar o conteúdo do artigo,
salientando os elementos novos e indicando sua importância. O resumo na
língua em que está redigido o trabalho deve ser colocado antes do texto e o
em inglês, no final. Só excepcionalmente excederá a 200 palavras. Os títulos
dos trabalhos devem ser traduzidos para o inglês e vice-versa.
b) Palavras-chave — Correspondendo a palavras ou expressões que
identifiquem o conteúdo, devem ser em número necessário para a completa
descrição do assunto e assinaladas com asteriscos (*) as 3 palavras-chave
principais. Para escolha das palavras-chave usar o vocabulário protótipo do
campo especializado.
c) Referências bibliográficas — Devem ser incluídas no texto e arranjadas
em ordem alfabética do sobrenome do autor, numeradas consecutivamente.
Periódico;
MACHADO, J. C. & SILVEIRA F.°, J. F. Obtenção experimental da
pancreatite hemorrágica aguda no cão por veneno eseorpiôhico. Mem. Inst.
Butantan, 40141-.1-9, 1976/77.
Livro:
BIER, O. Bacteriologia e imunologia. 18 ed. São Paulo, Melhoramentos,
1977.
As citações no texto devem ser em números-índice correspondendo às
respectivas referências bibliográficas.
Exemplos:
As investigações sobre a fauna flebotomínica no Estado de São Paulo
foram feitas em várias ocasiões 1, 3, 4,
método
derivado de simplificação de armadilha de Disney^ (1968)...
Referências bibliográficas (correspondentes aos números-índice).
1. BARRETO, M.P. Observações sobre a biologia em condições naturais
dos flebótomos do Estado de São Paulo (Diptera, Psychodidae).
São Paulo, 1943 (Tese — Doutoramento — Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo).
2. DISNEY, R. H. L. Observations on a zoonosis: leishmaniosis in British
Honduras, /. app. Ecol., 5:1-19, 1968.
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3. FORATTINI, O. P. Algumas observações sobre a biologia dos Flebó-
tomos (Diptera, Psychodidae) em região da bacia do Rio Paraná
(Brasil). Arq. Fac. Hig. S. Paulo, 5:15-136, 1954.
3. NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DOS ORIGINAIS
3.1 Datilografia
Os originais devem ser datilografados cm 3 (três) vias, com espaço duplo,
em uma só face, mantendo as margens laterais com aproximadamente 3 cm.
Todas as páginas devem ser numeradas consecutivamente, com algarismos
arábicos, nó canto superior direito.
3.2 Tabelas
Devem ser numeradas consecutivamente com algarismos arábicos e enca¬
beçadas pelo seu título. Os dados apresentados em tabelas não devem ser,
em geral, repetidos em gráficos. As notas de rodapé das tabelas devem ser
restritas ao máximo possível e referidas por asteriscos.
3.3 Ilustrações
3.3.1 Desenhos e gráficos
3.3.1.1 Devem ser feitos com tinta nanquim preta, em papel Schoeller
Hammer 3G e 4G. Não usar papel vegetal porque este retrai com o calor
e abranda com o frio, e o nanquim tende a ficar mais falhado, devido à
porosidade do papel vegetal. Na impressão as ilustrações tendem a ter ligeira
deformidade e traços levemente acinzentados, sobretudo os gráficos saem total¬
mente fora de esquadro.
3.3.1.2 O tamanho, quando ocupar página inteira, deve seguir rigoro¬
samente estas medidas 12,6 x 19,8 cm ou 16,8 x 26,3 cm ou 21 x 33 cm ou
25.2 X 39,6 cm, pois em geral as gráficas com as quais nós trabalhamos, têm
um determinado tamanho de letra e as ilustrações precisam ser proporcionais
a estes tamanhos existentes. Para uma boa reprodução, não precisa ser maior,
pois sendo maior perde muitos detalhes na redução.
3.3.1.3 Aplicar cola no verso do desenho ou do gráfico só na margem
superior, numa faixa de aproximadamente 1 cm e colar sobre um cartão um
pouco maior.
3.3.1.4 Para melhor proteção, cobrir com papel vegetal de comprimento
um pouco maior, de maneira a poder ser dobrado para trás na parte superior
e colado.
3.3.2 Fotografias
3.3.2.1 Devem ser bem nítidas e contrastadas, pois fotos muito acin¬
zentadas dão péssima impressão.
3.3.2.2 Devem vir soltas dentro de um envelope.
3.3.2.3 Devem ser entregues inteiras e não recortadas, em papel foto¬
gráfico liso. O papel fotográfico crespo , (martelado) dá péssima reprodução. ,
3.3.2.4 O tamanho é muito importante. Uma foto para ganhar mais
qualidade na impressão necessita sempre sofrer redução. Portanto, mandem
fotos sempre de tamanho maior do que o que vai ser impresso. Ex.: para
página inteira fotos 18 x 24 cm, para meia página fotos 18 x 12 cm.
3.3.2.5 Colocar um papel vegetal em cima da foto que tiver qualquer
anotação a ser feita, ou simplesmente para limitar a parte importante a ser
usada. Tomar muito cuidado para não pressionar o lápis ou caneta, a fim
de não marcar a foto. Não colocar letras ou números sobres as fotos.
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3.3.3 Os textos e números que completam os desenhos, gráficos e fotos
devem ser feitos em manuscrito legível ou datilografado (os algarismos sempre
em arábicos) direto sobre o papel vegetal que foi colocado para proteção
(não pressionar a fim de não marcar as ilustrações) ou em papel branco e
colocado no papel vegetal, pois os textos e números serão feitos em tipos
gráficos.
3.3.4 A numeração dos desenhos, gráficos e fotos será feita com algaris¬
mos arábicos na parte inferior do papel vegetal, não importando se é foto,
desenho ou gráfico. Seguir sempre com uma numeração só. Ex.: Um tra¬
balho que tenha 2 fotos, 1 gráfico e 1 desenho segue com a numeração (fig.),
(fig. 2), (fig. 3), e (fig. 4), se as 2 fotos vão numa página só, colocar na parte
inferior (figs. 1 e 2) e determinar em cima da foto (no papel vegetal) qual é
(fig. 1) e qual é (fig. 2). Quanto aos demais elementos necessários à identifi¬
cação das ilustrações (nome do autor e título do trabalho) devem ser escritos
atrás do cartão em que as mesmas estiverem colocadas.
3.3.5 As legendas devem ser apresentadas à parte em folhas datilogra¬
fadas, constando a numeração correspondente à ilustração. Ex.: Fig. 1 —
Legenda.
A Revista admite até 6 clichês (branco e preto) no texto, para cada
trabalho, devendo os demais serem pagos pelo autor. Para clichês coloridos
deverá haver prévia combinação entre a Comissão Editorial e o autor.
De cada trabalho serão impressas 50 (cinqüenta) separatas, devendo o autor
pagar as separatas que excedam a esse número, quando solicitar uma quanti¬
dade maior. As separatas em excesso devem ser solicitadas quando o manus¬
crito for encaminhado à Comissão Editorial.
Os trabalhos poderão ser redigidos, além da língua portuguesa, em inglês,
francês e espanhol. Outras línguas ficarão a critério da Comissão Editorial.
Á reprodução total ou parcial dos trabalhos em outros periódicos — com
menção obrigatória da fonte — dependerá de autorização prévia da Comissão
Editorial.
Para fins comerciais serão proibidas a tradução e a reprodução dos trabalhos
publicados pela revista.
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Mem. Inst. Buiantan
U7/U8, 1983/84
SUMÁRIO/SUMMARY
HOMENAGEM PÓSTUMA/POSTHUMOUS HOMAGE
Rosa Pavone Pimont (1930-1983) . 1-2
Wolfgang Bücherl (1911-1985) . 3-4
ARTIGOS ORIGINAIS/ORIGINAL ARTICLES
1. O gênero Rachias Simon, 1892, Araneae, Ctenizidae, Nemesieae.
The genus Rachias Simon, 1892, Araneae, Ctenizidae, Nemesieae.
Sylvia LUCAS; Irene KNYSAK & Livia ZVEIBIL . 5-11
2. Ações pré-juncionais e pós-juncionais da peçonha da cobra coral'Mi-
crurus corallinus na junção neuromuscular.
Presgnaptic and postsynaptic action of the venom of the coral snake
Micrurus corallinus at the neuromuscular junction.
Oswaldo Vital BRAZIL & Marcos Dias FONTANA . 13-26
3 Avaliação da atividade tóxica do veneno de Phoneutria nigriventer em
termos de DLjq e titulação do antiveneno em camundongos.
Evaluation of the toxic activity of Phoneutria nigriventer’s venom in
terms of DL 59 and titration of the antivenom in mice.
Regina Maria Barretto CICARELLI; Medardo SILES VILLAR-
ROEL & Raymundo ROLIM ROSA . 27-32
4. Estudo imunoquimico dos venenos aranêicos das espécies Loxosceles
gaúcho, Phoneutria nigriventer e Lycosa erythrognatha.
Immunochemistry study of spider venoms of species Loxosceles gaúcho,
Phoneutria nigriventer and Lycosa erythrognatha.
Regina Maria Barretto CICARELLI; Medardo SILES VILLAR-
ROEL; Rosalvo GUIDOLIN & Ornar CRIVELLARO . 33-43
5. Avaliação da atividade tóxica do veneno de Loxosceles gaúcho em ter¬
mos de DLgQ e titulação do antiveneno específico em camundongos.
Evaluation of the toxic activity of Loxosceles gaucho’s venom in terms
of DLjq and titration of the specific antivenom in mice.
Regina Maria Barretto CICARELLI; Medardo SILES VILLAR-
ROEL & Flávio ZELANTE . 45-53
6 . Avaliação da atividade tóxica do veneno de Lycosa erythrognatha em
termos de DL^q e titulação do antiveneno em camundongos.
Evaluation of the toxic activity of Lycosa erythrognatha's venom in
terms of DLgg and titration of the antivenom in mice.
Regina Maria Barretto CICARELLI; Medardo SILES VILLAR-
ROEL & Sylvia LUCAS . 55-60
7. Henneguya pisciforme n. sp., mixosporídeos parasito de brânquias do
lambari Hyphessobrycon anisitsi (Pisces, Characidae).
Henneguya pisciforme n. sp., myxosporidians parasite from the gill of
freshwater fish, Hyphessobrycon anisitsi (Pices, Characidae).
Nelson da Silva CORDEIRO; Paulo de Toledo ARTIGAS; Ismael
GIÓIA & Rosana Souza LIMA . 61-69
8 . Apostolepis dimidiata (Jan, 1862), nova combinação, e a validade de
A. erythronota (Peters, 1880) e A. ventrimaculata Lema, 1978.
(Serpentes: Colubridae: Elapomorphinae).
Apostolepis dimidiata (Jan, 1862) a new combination, and the va-
lidity of A. erythronota (Peters, 1880) and A. ventrimaculata Lema,
cm
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1978. (Serpentes: Colubridae: Elapomorphinae).
Thales de LEMA . 71-80
9. Produção de Vacina Pertussis por diferentes processos. Níveis de pro¬
teção e aspectos econômicos.
Production of Pertussis Vaccine by different processes. Protection
leveis and economical aspects.
Maria Ivette Carboni MALUCELLI & João Pessoa de Paula CAR¬
VALHO . 81-94
10. Ultrastructural changes in neuromuscular junction of mouse diaphragm
caused by the venom of the coral snake Micrurus corallinus.
Alterações ultraestruturais na junção neuromuscular do diafragma de
camundongo provocadas pela peçonha da cobra coral Micrurus co¬
rallinus.
Maria Alice da Cruz HOFLING; Lea RODRIGUES-SIMIONI &
Oswaldo Vital BRAZIL. 95-105
11. Nematóides de Passalidae (Coleoptera). Descrição de Klossnema repen¬
tina n. gên., n. sp. (Nematoda: Hystrignathidae).
Nematode of Passalidae (Coleoptera). Description of Klossnema repen¬
tina n. gên., n. sp. (Nematoda: Hystrignathidae).
Nelson da Silva CORDEIRO & Paulo de Toledo ARTIGAS . 107-111
12. Estomatite ulcerativa infecciosa em Boa constrictor constricior manti¬
das em cativeiro.
Infectious ulcerative stomatitis in Doa constrictor constrictor mainte-
ned in captivity.
Hideyo IIZUKA; Henrique Moisés CANTER; Edison Paulo Tava¬
res de OLIVEIRA; Hisako Gondo HIGASHI & Raymundo ROLIM
ROSA . 113-120
13. Relato clínico de envenenamento humano por Philodryas olfersii.
Clinicai report of human envenomation by Philodryas olfersii.
Marcos Vinícius da SILVA & Marcus Augusto BUONONATO ... 121-126
14. Loxoscelismo: relato de um acidente humano atribuído a Loxosceles
amazônica Gertsch, 1967 (Araneae, Scytodidae, Loxoscelinae).
Loxoscelism: report of a human accident atributed to Loxosceles ama¬
zônica Gertsch, 1967 (Araneae, Scytodidae, Loxoscelinae).
Sylvia LUCAS; João Luiz CARDOSO & Angelina Cirelli MORAES 127-131
15. Escorpionismo por Tityus stigmurus no Nordeste do Brasil (Scorpiones;
Buthidae).
Scorpionism in the northeastem region of Brazil by Tityus stigmurus
(Scorpiones; Buthidae).
Vera Regina D. von EICKSTEDT . 133-137
16. A ocorrência de ácido ursólico em Citharexylum myrianthum (Ver-
benaceae).
The occurrence of ursolic acid in Citharexylum myrianthum (Ver-
benaceae).
Amabile K. MATIDA; Ema RABENHORST & Raymond ZELNIK 139-142
17. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considera¬
ções sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina).
Snakes ectoparasitisms: general observations and considerations about
the genus Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina).
Nélida M. LIZASO .'. 143-156
18. Bionomia comparativa de Triatomíneos. II — Triatoma brasiliensis
Neiva, 1911 (Hemiptera, Reduviidae).
Comparative bionomy of Triatominae. II — Triatoma brasiliensis
Neiva, 1911 (Hemiptera, Reduviidae).
Therezinha J. HEITZMANN-FONTENELLE . 157-164
19. Bionomia comparativa de Triatomíneos. V — Triatoma lenti Scherlock
& Serafim, 1967 (Hemiptera, Reduviidae).
Comparative bionomy of Triatominae. V — Triatoma lenti Scherlock
& Serafim, 1967 (Hemiptera, Reduviidae).
Therezinha J. HEITZMANN-FONTENELLE . 165-174
cm
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20. Bionomia comparativa de Triatomíneos. VI — Híbridos de Triatoma
brasiliensis Neiva, 1911 X Triatoma lenii, Scherlock & Serafim,
1967 (Hemiptera, Reduviidae).
Comparative bionomy of Triatominae. VI — Triatoma brasiliensis
Neiva, 1911 X Triatoma lenti, Scherlock & Serafim, 1967 hybrids
(Hemiptera, Reduviidae).
Therezinha J. HEITZMANN-FONTENELLE . 175-181
21. Bionomia comparativa de Triatomíneos. VII — Rhodnius neglectus'
Lent, 1954 (Hemiptera, Reduviidae).
Comparative bionomy of Triatominae. VII — Rhodnius neglectus Lent
1954 (Hemiptera, Reduviidae).
Therezinha J. HEITZMANN-FONTENELLE . 183-188
22. Necrose de ponta de cauda em Eunectes notaeus Cope, 1862 (Serpentes,
Boidae, Boinae).
Caudal necrosis in Eunectes notaeus Cope, 1862 (Serpentes, Boidae,
Boinae).
Tatiana VEINERT; Hélio Emerson BELLUOMINI; Hideyo IIZU-
KA & José Daniel Luzes FEDULLO . 189-194
23. Estudo da biologia de Amblyomma rotundatum (Koch, 1844), em infes¬
tações experimentais de Bufo marinus (L., 1758) sob condições
variadas de umidade relativa e de temperatura do ar.
Biological studies of Amblyomma rotundatum (Koch, 1844), in experi¬
mental infestation with Bufo marinus (L., 1758) under differents
conditions of relative humidity and temperature.
Maria Shirley Pizolato OBA & Teresinha T. Sato SCHUMAKER .. 195-204
24. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, S9-46, 1975/82.
Remissive list of papers published in Memórias do Instituto Butantan,
S9-Í6, 1975/82 . 205-216
ÍNDICE DE AUTOR/AUTHOR INDEX . 217-218
ÍNDICE DE ASSUNTO . 219-222
SUBJECT INDEX . 223-226
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Mem. Inst. Butantan
1983/84
HOMENAGEM
ROSA PAVONE PIMONT
1930 — 1983
Rosa Pavone Pimont faleceu em 13/07/83, vítima de acidente em Belém
do Pará, para onde fora a fim de participar da reunião anual da Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência.
Nascida em São Paulo, a 14/05/30, possuía os seguintes títulos univer¬
sitários: Bacharel e Licenciada em Pedagogia (1953), Especialista em Bacte¬
riologia e Imunologia (1959), Especialista em Orientação Educativa (1968),
Educador em Saúde Pública (1971) e Doutor em Educação (1972).
Iniciou sua vida profissional pelos magistérios primário e secundário. A
nível universitário lecionou Saúde Pública, Orientação Vocacional e Orien¬
tação Educacional na Escola de Saúde Pública, Brasília, D.F., na Universidade
de São Paulo e em outras faculdades do Estado de São Paulo.
Ingressou no Instituto Butantan em 1954, como Técnico de Laboratório,
no Laboratório de Anaeróbios da Seção de Imunologia, passando a Chefe
Substituto do mesmo, em 1956. Em 1961, como Assistente Técnico de Cursos
1
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RIZZO, E. Homenagem. Kosa Pavone Pimont (1930-1983). Mem. Inst. Bulantan, 47/48:
1-2, 1983/84.
e Assessor da Diretoria Técnica, organizou e coordenou inúmeros cursos técni¬
cos, de especialização, atualização e divulgação, a eles imprimindo seu ritmo
dinâmico de trabalho. A partir de 1963 tornou-se, sucessivamente. Chefe
Substituto da Seção de Cursos Técnicos e Especializados do Instituto Butantan,
Chefe da Seção de Cursos (1968) e Diretor da Divisão de Extensão Cultural
do Instituto Butantan (1981), posição que ocupou até a data do falecimento.
Chefiando a Divisão, realizou amplo planejamento para sua reestruturação e
para o estabelecimento de diretrizes de trabalho. Ampliou a área de recursos
humanos, com vários graduados de nível universitário, custeados por bolsas do
CNPq e da Fundap e incentivou-os grandemente a comparecerem e a parti¬
ciparem ativamente de congressos e reuniões. Ultimava um projeto objetivando
divulgar as atividades do Instituto Butantan através de recursos audiovisuais,
para demonstrar a importância da Divisão de Extensão Cultural numa insti¬
tuição de pesquisa como é a nossa, quando sobreveio sua morte.
Em 1976, foi Consultora Individual do Ministério da Educação e Cultura,
na área de Saúde.
Em 1977, transferiu-se para Brasília, D.F., ao ser nomeada Diretora da
Divisão Nacional de Educação Sanitária, no Ministério da Saúde e, até 1980,
foi Representante deste Ministério em Comitês Científicos, Membro de Con¬
selhos Consultivos, Organizadora e Coordenadora de inúmeros projetos sobre
Educação em Saúde a nível nacional, dentre os quais ressalta o Programa
Nacional de Controle da Poliomielite. No período 1977-1980, viajou continua¬
mente por todo o território brasileiro, no desempenho seguro e objetivo de
suas funções, estimulando seus colaboradores com seu exemplo, sua dedicação
e os elevados propósitos de profissional de gabarito.
Realizou vários estágios: em Portugal, Costa Rica, Panamá, Peru e Ingla¬
terra, sob patrocínio da OPS/OMS, por convite expresso das entidades estran¬
geiras, interessadas em usufruir de sua sólida experiência.
No período de 1980-1981, militou no CNPq, tendo sido Técnico em
Desenvolvimento Científico, Coordenadora do Programa Integrado de Ecologia
Humana e sua Representante em programa da Unesco.
Seu desempenho profissional resultou na publicação de mais de 36 artigos
científicos sobre sua especialidade. Participou intensa e ativamente em mais
de 60 congressos, conclaves e simpósios científicos, no Brasil e no Exterior,
comunicando seu trabalho, mediando ou coordenando sessões em sua área
específica.
Avaliar devidamente sua capacidade, dedicação ao trabalho e seu elevado
padrão não é tarefa fácil; avaliar suas qualidades de mulher, amiga e colega,
torna-se ainda mais difícil.
2
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Mem. Inst. Butantan
i7/iS, 1983/84
W
HOMENAGEM
WOLFGANG BÜCHERL
1911 — 1985
Wolfgang Bücherl, nascido na Alemanha, iniciou a sua vida profissional
como professor da primeira cátedra de Biologia Educacional na Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo.
Ingressou no Instituto Butantan em 1939, após terminar o seu doutorado
em Münster, Alemanha, passando a dedicar a sua vida ao estudo dos Animais
Peçonhentos, principalmente das aranhas, escorpiões e quilópodos.
Publicou ao longo dos anos mais de cem trabalhos de pesquisa, livros
didáticos e de divulgação sobre a sua especialidade. Foi editor e escreveu
dois capítulos sobre aranhas e escorpiões no “Animais Venoms and their
Venoms” publicado pela Academic Press nos Estados Unidos.
Recebeu a Medalha de Ouro do Prêmio Mello Leitão como recom¬
pensa ao mérito do trabalho: "A sistemática das aranhas caranguejeiras,
importância dos bulbos copuladores e apófises tibiais, conferido pela Aca¬
demia Brasileira de Ciências. Foi laureado também com a Medalha
cm
SciELO
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LUCAS, S. Homenagem. Wolfgang Bücherl (1911-1985). Mem. Inst. Butantan, 47/48:3-4,
1983/84.
VITAL BRAZIL por ocasião do centenário do nascimento do ilustre fundador
do Instituto Butantan,- em reconhecimento aos seus trabalhos de pesquisa.
Ocupou o cargo de Chefe da Divisão de Zoologia Médica, a partir de
1949, que compreendia as Seções de Ofiologia, Artrópodos, Parasitologia e
Museu do Instituto Butantan.
Organizou o Museu do Instituto Butantan que é visitado anualmente por
milhares de pessoas do país e do exterior.
Em 1966 organizou o Simpósio Internacional sobre Venenos Animais e
editou os três fascículos comemorativos do citado Simpósio nas MEMÓRIAS
DO INSTITUTO BUTANTAN.
Trabalhou por longos anos como Secretário-Tesoureiro do Fundo de
Pesquisas do Instituto Butantan e também da Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência.
Foi bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas e participou do julgamento
de várias teses de mestrado e doutorado.
Participou do Conselho Preparatório da Fundação Parque Zoológico de
São Paulo e depois membro de seu Conselho Superior.
O seu maior mérito porém foi a idealização dos viveiros para a manu¬
tenção de aranhas e escorpiões em laboratório. Introduziu o método da coleta
dos venenos por choque elétrico obtendo as peçonhas puras, utilizadas tanto
para a elaboração de antivenenos como na pesquisa.
Descobriu nos arredores de São Paulo as aranhas do gênero Loxosceles,
causadoras de acidentes graves, obtendo pela primeira vez no Brasil o veneno
que permitiu a elaboração do soro antiloxoscélico.
Incentivou o ingresso na carreira de pesquisa de numerosos jovens, como
também foi responsável pelo meu ingresso no Instituto Butantan, como a sua
assistente na Seção de Artrópodes Peçonhentos, a partir de 1961 e ocupando
o seu cargo de chefia após a sua aposentadoria em 1967.
Através de cursos especializados, palestras e conferências contribuiu para
a divulgação do Instituto Butantan tanto no país como no exterior.
Após a sua aposentadoria continuou os seus trabalhos de pesquisa e
alcançou o ápice de sua carreira ao ingressar, através de concurso, na carreira
de pesquisador científico no nível mais alto.
Todos nós lhe devemos a nossa gratidão.
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Mem. Inst. Butantan
47/4«:5-ll, 1983/84
0 GÊNERO RACHIAS SIMON, 1892, ARANEAE,
CTENIZIDAE, NEMESIEAE
Sylvia LUCAS *
Irene KNYSAK **
Livia ZVEIBIL**
RESUMO: São acrescentados novos caracteres para a identificação
do gênero Rachias Sinion, 1892, a partir do estudo dos tipos de
Rachias dispar (Simon, 1891), R. piracicabensis Piza, 1938 (= R.
intermedia Soares, 1944) e de material pertencente às coleções do
Instituto Butantan, do M!useu de Zoologia de São Paulo e do Museu
Nacional do Rio de Janeiro. É estabelecida a sinonimia de R. inter¬
media com R. piracicabensis.
PALAVRAS-CHAVE: Sistemática. ARANEAE. CTENIZIDAE.
Gênero Rachias. R. intermedia Soares, 1944 sinônimo de R. piraci¬
cabensis Piza, 1938.
INTRODUÇÃO
O gênero Rachias Simon, 1892, possui grande afinidade com o gênero
Hermacha Simon, 1888, como já havia constatado o próprio autor. Os carac¬
teres até então estabelecidos: olhos anteriores quase iguais e bem separados,
formando uma linha pouco procurva, os médios muito maiores que os laterais,
último artículo das fiandeiras muito menor que o médio e cônico, além dos
caracteres válidos apenas para os machos, ausência de uma apófise tibial e
presença de espinhos nos tarsos posteriores, tornavam difícil a identificação,
principalmente devido à variação que os mesmos apresentam.
O Instituto Butantan recebe, com relativa freqüência, exemplares perten¬
centes a ambos os gêneros. Neste trabalho procuramos estabelecer outros
caracteres para a determinação de Rachias, através do estudo de exemplares
pertencentes às espécies: Rachias dispar (Simon, 1891), espécie tipo do gênero;
Rachias piracicabensis Piza, 1938 (Rachias intermedia Soares, 1944).
Rachias dispar (Simon)
1891 — Hermacha dispar Simon, Annis. Soc. ent. Fr., 60:303.
1892 — Rachias dispar Simon, Hist. Nat. Ar., 1 (1) Paris: 114.
1924 — Rachias dispar Mello Leitão, Rev. Mus. paul., 13:69.
INSTITUTO BUTANTAN — * Divisão de Biologia, Seção de Artrópodes Peçonhentos
Caixa Postal 65 — CEP 05504 — São Paulo — Brasil.
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SciELO
LUCAS, S.; KNYSAK, I. & ZVEIBIL, L. 0 gênero Rachias Simon, 1892, Araneae, Ctenizidae,
Nemesieae. Mem. Inst. Butantan, 47/48:5-11, 1983/84.
Material examinado:
Sintipos, macho e fêmea, n.° 10581 do Museu de História Natural de Paris,
loc. Teresópolis, Rio de Janeiro — Brasil.
Macho s/n.” do Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ), loc. Represa de
Mendanha, Rio de Janeiro — Brasil. Fêmea s/n.“ do MNRJ, loc. Rio de Janeiro
— Brasil.
Macho n.° 2.280/ref. 20.061 da Coleção Orthognatha do Instituto Butantan
(Col. IB. O), loc. Vassouras, Rio de Janeiro — Brasil. Dois machos, n.°
2.280/ref. 11.201 Col. IB. O, loc. Estação Andrade Costa, Rio de Janeiro
— Brasil.
Acrescentamos à descrição original o seguinte:
macho: a fóvea é reta; os lobos maxilares apresentam junto ao lábio, cúspides
delicadas, lábio sem cúspides; o rasteio é formado por cerdas, mais abundantes
próximo ao bordo, junto aos ferrões; as escópulas tarsais, no tarso I são intei¬
ras, apresentando lateralmente algumas cerdas curtas, no tarso II com escópulas
e alguns espinhos no lugar de cerdas, no tarso III com escópulas e espinhos
curtos, nos lados do tarso IV com escópulas divididas por linha ventral de
cerdas, com muitos espinhos laterais e com terceira garra; sem apófises tibiais,
tíbia do palpo dilatada na base e estreitando-se para o ápice, com 7 a 9
espinhos distribuídos como mostra nas figs. 1 e 2; bulbo com membrana
delicada.
fêmea: fóvea levemente procurva; lobos maxilares com cúspides maiores do
que as do macho; lábio com duas cúspides no exemplar tipo e sem nenhuma
no outro, rasteio de cerdas mais fortes e mais abundantes do que no macho,
escópulas tarsais, nos tarsos I e II inteiras, com apenas algumas cerdas laterais,
curtas, tarso III com espinhos laterais e IV com linha ventral de cerdas divi¬
sórias e espinhos laterais; com terceira garra; receptáculos seminais como na
Fig. 3. O sintipo é uma fêmea subadulta.
Rachias piracicabensis Piza
1938 — Rachias piracicabensis Piza, Foi. Clin. et Biol., São Paulo 10 (1): 21.
1944 — Rachias intermedia Soares, Papéis Dep. Zool. São Paulo 4 (10): 160,
(figs. 4, 5 e 6).
1952 — Rachias plerumque, Zool. Rec., 1952: 61 (error typhograph. pro
Rachias piracicabensis Piza, 1938).
Material examinado:
Sintipos, Rachias piracicabensis, fêmeas n.° A 0033 da Escola Superior de
Agricultura Luiz de Queiroz, col. Piraciba, São Paulo — Brasil; duas fêmeas,
n.° 5575 do Museu de Zoologia de São Paulo (MZSP), col. Barueri, São Paulo,
Brasil; uma fêmea n.° 6630 do MZSP, col. Itapetininga, São Paulo — Brasil;
uma fêmea, n.° 3044 do MZSP, col. Capital, São Paulo — Brasil; uma fêmea,
n.° 3207 do MZSP, col. Cachoeira das Emas, Pirassununga, São Paulo —
Brasil; uma fêmea, n.° 6819 do MZSP, col. Sumaré, São Paulo — Brasil; um
macho, n.“ 5863 do MZSP, col. Barueri, São Paulo ■— Brasil; um macho e uma
fêmea, n.“ 5193 do MZSP, col. Ipiranga, São Paulo — Brasil e da mesma proce-
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LUCAS, S.; KNYSAK, I. & ZVEIBIL, L. 0 género Rackiaa Simon, 1892, Araneae, Ctenizidae,
Nemesieae. Mem. Inst. Butantan, 47/45:5-11, 1983/84.
dência: duas fêmeas, n.° 5789 do MZSP; uma fêmea, n.° 2732 do MZSP; uma
fêmea, n.° 5843 e uma fêmea, s/n.° do MZSP.
Tipo, do sinonimo Rachias intermedia, n.“ E 546 (C629) do MZSP, macho,
Col. Monte Alegre, Município de Amparo, São Paulo — Brasil.
Uma fêmea do MNRJ, col. Lavras, Minas Gerais — Brasil.
Coleção de Orthognatha do Instituto Butantan:
Um macho, n.° 98/ref. 4415, Capital, São Paulo — Brasil; um macho n.“
98/ref. 4225, Capital, São Paulo — Brasil; dois machos, n.“ 1263/A e B,
Capital, São Paulo — Brasil; uma fêmea 1263/ref. 17007, Capital, São Paulo
— Brasil; um macho, n.° 2280/ref. 16969, Capital, São Paulo — Brasil; uma
fêmea, n.“ 3719/ref. 371, Capital, São Paulo — Brasil; uma fêmea, n." 4050/ref.
15421, Capital, São Paulo — Brasil; uma fêmea n.“ 4176/ref. 17681, Capital,
São Paulo — Brasil; um macho, n.° 3722/ref. 381, Casa Branca, São Paulo —
Brasil; um macho, n.° 4214/ref. 16439, Capital, São Paulo — Brasil; uma
fêmea, n.“ 4363/ref. 23091, Capital, São Paulo — Brasil; um macho, n.°
4472/ref. 25669, Capital, São Paulo — Brasil; uma fêmea, n.° 4472/ref.
30999, Capital, São Paulo — Brasil; um macho, n.° 4583/ref. 28955, Capital,
São Paulo — Brasil; um macho, n.“ 4583/ref. 41754, Capital, São Paulo —
Brasil; uma fêmea, n.° 98/ref. 21062, Capital, São Paulo — Brasil; uma fêmea,
n.“ 2254/ref. 17271, Nazaré Paulista, São Paulo — Brasil; um macho, n.°
2280/ref. 23149, Rio Claro, São Paulo — Brasil; uma fêmea, n.° 2280/ref.
16790, Barueri, São Paulo — Brasil; uma fêmea, n.° 3977/ref. 15447, Barueri,
São Paulo — Brasil; um macho, n.“ 3722/ref. 381, Casa Branca, São Paulo —
Brasil; um macho, n.° 4050/ref. 13201, Cotia, São Paulo — Brasil; um macho
n.° 4072/ref. 3306, Campinas, São Paulo — Brasil; um macho, n.° 4214/ref.
1176, Campinas, São Paulo — Brasil; um macho, n." 4214/ref. 21322, São
Roque, São Paulo — Brasil; uma fêmea, n.“ 4530/ref. 26248, São Roque,
São Paulo — Brasil; um macho, n.° 3722-381, Casa Branca, São Paulo —
Brasil; uma fêmea, n.° 4478/ref. 25622, Cabreúva, São Paulo — Brasil; três
machos, n.“ 4517/ref. 26454, Santa Rita do Passa Quatro, São Paulo — Brasil;
uma fêmea, n.° 4593/ref. 27371, Mairiporã, São Paulo — Brasil; um macho,
n.° 4671/ref. 30517, São Luiz do Paraitinga, São Paulo — Brasil; um fêmea,
n.° 4622-A/ref. 29658, São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais — Brasil; uma
fêmea, n.° 4533/ref. 23888, Guaranésia, Minas Gerais — Brasil.
Acrescentamos à descrição original o seguinte:
macho: fóvea procurva; lobos maxilares com poucas cúspides pequenas; lábio
com nenhuma, uma ou duas cúspides; rasteio formado por cerdas longas, enco¬
brindo os ferrões à semelhança de um pente; escópulas tarsais com linha ventral
de cerdas divisórias, mais nítida nos tarsos posteriores, onde com raras exceções
ocorrem espinhos entre as cerdas, presença de espinhos laterais curtos nos tar¬
sos, que podem ou não ser levemente curvos; terceira garra presente no tarso
IV; sem apófise tibial; forma do palpo como em R. dispar: com 8 a 11 espi¬
nhos; o bulbo com êmbolo apresentando uma membrana delicada (Figs. 4 e 5).
fêmea: fóvea procurva; cúspides nos lobos maxilares mais acentuadas, de zero
a duas cúspides no lábio; escópulas tarsais nas pernas anteriores com poucas
cerdas divisórias, medianas, nos posteriores sempre com cerdas divisórias, entre¬
meadas por espinhos curtos ou não, espinhos laterais presentes apenas nos
tarsos II e III. Receptáculos seminais em forma de duas vesículas duplas,
como na Fig. 6.
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LUCAS, S.; KNYSAK, I. & ZVEIBIL, L. O gênero Rachias Simon, 1892, Araneae, Ctenizidae,
Nemesieae. Mem. Inst. Butantan, i7/48:5-11, 1983/84.
Fig. 4 — Rachias
Fig. 5 —■ Rachias
Fig. 6 — Rachias
piracicabensis
piracicabeyisis
piracicabensis
(macho)
(macho)
(fêmea)
tíbia do palpo e bulbo esquerdos, face interna,
tibia do palpo e bulbo esquerdos, face externa,
receptáculo seminal.
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LUCAS, S.; KNYSAK, I. & ZVEIBIL, L. 0 gênero Rachias Simon, 1892, Araneae, Ctenizidae,
Nemesieae. Mem. Inst. Butantan, 47/48:5-11, 1983/84.
CONCLUSÃO
Após o exame dos exemplares pudemos concluir que o gênero Rachias
apresenta os seguintes caracteres:
macho: tíbia do palpo dilatada na base e estreitando-se para o ápice, com 7
a 11 espinhos, geralmente 4 apicais e 5 basais na face interna e apicais na
face externa; não há apófise tibial; nos lobos maxilares, junto ao bordo
interno, próximo ao lábio, ocorrem pequenas cúspides, nunca dispostas em
forma triangular; presença de espinhos laterais nos tarsos, mais acentuadas
nos tarsos posteriores; o tarso IV com escópula rala, dividida por uma linha
de cerdas, que é ou não entremeada por pequenos espinhos, terceira garra presente
no tarso IV.
fêmea: lobos maxilares com cúspides conspícuas no canto interno, junto ao
lábio; presença de espinhos laterais nos tarsos anteriores ou posteriores.
A fóvea torácica pode ser desde reta até levemente procurva, nos machos,
sendo sempre procurva nas fêmeas; o rasteio é mais nítido nas fêmeas.
A forma do bulbo copulador dos machos e dos receptáculos seminais das
fêmeas são específicos.
Os demais caracteres usados por Simon para a determinação do gênero,
como: tamanho dos olhos anteriores, curvatura da primeira fila ocular, aspecto
e tamanho do último artículo das fiandeiras, são de difícil avaliação e não
possibilitam a distinção entre os gêneros Rachias e Hermacha Simon, 1888.
O material estudado confirma a hipótese de Soares, de que a espécie
R. intermedia Soares, 1944 é o macho de R. piracicabensis Piza, 1938, devendo
prevalecer este último.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos o empréstimo dos tipos e demais material à Dra. Ana Timo-
theo da Costa — Museu Nacional do Rio de Janeiro, à Dra. Lícia Neme —
Museu de Zoologia de São Paulo, ao Dr. Hubert do Museu de História Natural
de Paris e à Sra. Delminda Travassos a confecção dos desenhos.
ABSTRACT : Through a comparative study of the typea and other
material pertaining to the Collection of the Museu Nacional do Rio
de Janeiro, Museu de Zoologia de São Paulo, and the Instituto
Butantan, of two species of the genus Rachias Simon, 1892 namely,
R. dispar Simon, 1891, type species of the genus and R. piracica¬
bensis Piza, 1938 (= R. intermedia Soares, 1944) we conclude that
the generic charactcrs are the following:
male:
— form and chaetotaxy of the palpai tibia, i.e. the tibia is enlarged
at the basis narrowing in direction of the apex. with 8 to 11
spines;
— tibial apophysys absent;
— at the maxilla presence of delicate cuspulae, next to the inner
corner close to the labium;
— comb composed by Bristles, consealing partially the fangs;
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LUCAS, S.; KNYSAK, I. & ZVEIBIL, L. 0 gênero Rachias Simon, 1892, Araneae, Ctenizidae,
Nemesieae. Mem. Inst. Butantan, 47/48:5-11, 1983/84.
— presence of lateral spines at the tarsi, more frequent at the
posterior tarsi;
— presence of a sparse scopula and divided by a Bristles covered
band in general interspersed with spines at the tarsus IV;
— presence of a third claw a tarsus IV.
female:
— comb composed of stiffer Bristles and more abundant;
— maxilla with accentuated cuspulae;
— presence of lateral spines at the anterior or posterior tarsi, and
the same scopula at the IV tarsus as in the male.
The features, form of the bulb and aspect of the spermathecae
are specific.
Other characters, considered by Simon as valid for the genus,
such as aspect of the anterior eyes and curvature of the first ocular
row, as well as aspect and size of the last segment of the spinnerets,
are of difficult appreciation, and do not allow a distlnction between
the genera Rachias and Hermacha Simon 1888.
R. intermedia Soares 1944 is a synonym of R. piracicabensis
Piza, 1938, corroborating the hypothesis of the author.
KEYWORDS: Taxonomy. ARANEAE. CTENIZIDAE. Genera
Rachias. R. intermedia Soares, 1944 synonym of R. piracicabensis
Piza, 1938.
Recebido para publicação em 17/08/1983 e aceito em 15/06/1984.
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AÇÕES PRÉ-JUNCIONAIS E PÓS-JUNCIONAIS DA
PEÇONHA DA COBRA CORAL MICRURUS
CORALLINUS NA JUNÇÃO NEUROMUSCULAR
Oswaldo Vital BRAZIL *
Marcos Dias FONTANA *
RESUMO: A peçonha de M. corallinm produz bloqueio ncuronius-
cular irreversível na preparação isolada nervo frênico-diafragma de
rato, aumenta a liberação espontânea de acetilcolina e inibe a
causada pelos impulsos nervosos. No hemidiafragma cronicamente
desnervado e isolado de rato, inibe reversivelmente as respostas do
músculo à acetilcolina. Não altera o potencial de membrana das
fibras do diafragma de rato, nem a excitabilidade desse músculo.
Aumenta consideravelmente a freqüência dos potenciais de placa
terminal em miniatura do diafragma de rato, reduzindo depois
progressivamente a sua amplitude, efeito que os faz desaparecer.
A despolarização, provocada pelo carbacol na região das placas
terminais das fibras do diafragma é, reversivelmente, inibida pela
peçonha de M. corallinus. Estes resultados mostram que a peçonha
exerce ações pré e pós-sinápticas, sendo a última reversível. A
pré-sináptica é irreversível. Na preparação in situ nervo ciático-
-músculo tibial anterior de cão, a administração de nostigmina na
vigência do bloqueio parcial causado pela peçonha de M. corallinus
provoca apenas ligeiro aumento nas respostas do músculo à excita¬
ção indireta. Este resultado favorece a hipótese de que a ação
pré-sináptica da peçonha prepondera sobre a pós-sináptica na gênese
do bloqueio.
PALAVRAS-CHAVE: Junção neuromuscular; peçonha de cobra
coral; ação pré-sináptica; ação pós-sináptica; acetilcolina: neostig-
INTRODUÇÃO
Em trabalho anterior (Vital Brazil et al, 1976/77), mostramos que o blo¬
queio neuromuscular produzido pela peçonha de Micrurus frontalis é devido
à ocupação dos receptores colinérgicos da placa terminal por sua ou suas neu-
rotoxinas. No presente, relatamos pesquisa sobre as ações da peçonha de
M. corallinus na junção neuromuscular. Verificamos que a peçonha desta espé¬
cie de cobra coral, ao contrário das de M. julvius (Weiss & Mclsaac, 1971),
M. leminiscatus (Vital Brazil, 1963) e M. frontalis (Vital Brazil et al., 1976/77)
exerce ação nas terminações nervosas motoras, além da posjuncional. M. coral-
Departamento de Farmacologia, Faculdade de Ciências Médicas, Unicamp.
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BRAZIL, 0. V. & FONTANA, M. D. Ações pré-juncionais e pós-juncionais da peçonha da
cobra coral Micrurus corallinus na junção neuromuscular. Mem. In«t. liutantan, i7/i8:
13-26, 1983/84.
linus é espécie de larga distribuição no Brasil (Hoge e Romano, 1972), ocor¬
rendo também, segundo Roze (1981), no norte da Argentina e provavelmente
no Uruguai.
MATERIAL E MÉTODOS
Atividade bloqueadora neuromuscular — Usou-se a preparação nervo
frênico-diafragma de rato em banho de 40 ml a 37°C. A solução nutritiva
utilizada foi a de Tyrode com a seguinte composição em mM por litro: NaCl
136,8; KCl 2,7; CaCl:- 1,8; NaHCO.i 11,9; MgCU 0,25; NaH:.P04 0,3; glicose
11,0. A oxigenação foi mantida com carbogênio (95% O 2 e 5% C 02 ) e o regis¬
tro das contrações, feito no papel csfumaçado de quimógrafo, através da pena
inscritora de alavanca cardíaca de Starling. Fez-se a estimulação do nervo com
pulsos maximais de 0,1 Hz de freqüência e 0,2 milissegundos de duração
(estimulador Grass S4); na excitação direta do músculo usaram-se estímulos
de igual freqüência mas de maior voltagem (50-100V) e duração (2 milisseg.).
Nestas e em outras experiências em que se usou a preparação nervo frênico-
-diafragma, o hemidiafragma com seu nervo foi retirado de ratos brancos Wis-
tar de 230 a 250 g.
Liberação de acetilcolina (ACh) — O efeito da peçonha sobre a liberação
de ACh foi pesquisado na preparação nervo frênico-diafragma de rato, em banho
de 4 ml a 37°C. Usou-se solução de Tyrode, de composição já indicada com
5p.g/ml de metilsulfato de neostigmina. A oxigenação foi mantida com carbo¬
gênio como no grupo anterior de experiências. Fizeram-se as seguintes operações
após a suspensão 'do diafragma no banho: (1) deixou-se a preparação em repouso
pelo espaço de 40 minutos, findo o qual, a solução foi trocada; (2) o músculo
foi deixado em repouso por período adicional de 20 minutos, findo o qual, a
solução foi coletada para dosagem de ACh liberada (liberação espontânea) e
uma solução nova de Tyrode, colocada na cuba; (3) 0 nervo frênico foi esti¬
mulado por um período de 23 minutos, após o qual, 0 líquido foi coletado
para a dosagem de ACh, a preparação lavada e colocada na cuba solução
Tyrode eom lOng/ml de peçonha; (4) deixou-se a preparação em contato com
a solução até a ocorrência de bloqueio completo (0 nervo frênico era estimu¬
lado de quando em vez para a verificação do grau de bloqueio), após 0 que
substituiu-se a solução por uma nova; (5) deixou-se a preparação em repouso
por um período de 20 minutos, após o qual, coletou-se a solução para a dosa¬
gem de ACh (liberação espontânea após o bloqueio causado pela peçonha)
e colocou-se, na cuba, nova solução de Tyrode; (6) estimulou-se o nervo frênico
por um período de 23 minutos, como em (3), findo o qual, a solução foi cole¬
tada para a dosagem de acetilcolina. O nervo foi sempre estimulado com
pulsos supramaximais de 0,2 milissegundo de duração. Empregou-se a fre¬
qüência de 0,1 Hz nos 3 primeiros minutos e a de 25 Hz nos restantes 20
minutos. As soluções coletadas para a dosagem de ACh foram imediatamente
acidificadas a pH 5-5,5 com solução de HCl após a sua retirada da cuba.
As dosagens de ACh foram realizadas no íleo isolado de cobaia. Usou-se
solução de Krebs com 10 (rg/ml de cloridrato de morfina, 5 ng/ml de
metilsulfato de neostigmina e 5 ng/ml de cloridrato de difenidramina, de
acordo com o procedimento de Paton e Vizi (1969) modificado (inclusão do
anti-histamínico). Oxigenou-se a preparação com carbogênio e registraram-se
as respostas no papel esfumaçado de quimógrafo por meio de alavanca frontal.
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BRAZIL, 0. V. & FONTANA, M. D. Ações pré-juncionais e pós-juncionais da peçonha da
cobra coral Micrurus corallinus na junção neuromuscular. Mem. Inst. Butantan, i7/i8'.
13-26, 1983/84.
Fizeram-se ensaios de quatro pontos para avaliar as quantidades de acetilcolina
liberada.
Contratura causada pela acetilcolina no músculo desnervado — As expe¬
riências foram levadas a efeito na preparação hemidiafragma, cronicamente
desnervado isolado de rato. O volume do banho, a temperatura, a solução
nutritiva e o arejamento foram idênticos aos utilizados na preparação nervo
frênico-diafragma de rato. Estimulou-se o músculo com 2,8 (ig/ml de ACh.
Procedeu-se da seguinte forma: (1) após a suspensão do hemidiafragma no
banho, foi ele deixado em repouso durante um período de 40 minutos, findo
0 qual, trocou-se a solução de Tyrode; (2) juntou-se a ACh ao banho e, após
1 minuto, lavou-se a preparação 5 vezes; (3) deixou-se a preparação em repouso
durante 30 minutos, após os quais, adicionou-se a ACh ao banho e, como
em (2), após 1 minuto, lavou-se 5 vezes a preparação; adicionou-se, então, a
peçonha (2 p-g/ml) à solução de Tyrode da cuba, (4) procedeu-se como em
(3); (5) repetiu-se a operação descrita em (3) 3 ou 4 vezes de modo a verificar
a reversibilidade de ação da peçonha.
Os ratos (de 200 a 230 g) foram desnervados pelo procedimento de Vital
Brazil (1963) e os hemidlafragmas, retirados 20 a 30 dias após essa operação.
Excitabilidade muscular — Estudou-se a ação da peçonha sobre a excita¬
bilidade muscular pela determinação de seu efeito sobre a curva de excita¬
bilidade e cronaxia do diafragma isolado de rato. Fragmento triangular do
hemidiafragma foi distendido horizontalmente, com sua face toráxica voltada
para cima, em cuba de perspex de 10 cm de comprimento, 5 cm de largura
e 2 cm de altura, revestida de resina e silicone (“Dow Corning-Sylgard”) e
mantido fixo por meio de alfinetes colocados em sua porção tendinosa e no
tecido conjuntivo da porção costal. A cuba, com a preparação, era colocada
na platina de microscópio estereoscópio de fabricação Zeiss para aumentos de
até 40 vezes. A temperatura, a solução nutritiva e o arejamento eram idênticos
aos já descritos. A temperatura foi mantida a 37° C por meio de lâmpada de
raios infravermelhos a, aproximadamente, 37 cm da cuba. O electródio ativo
era constituído de fio de prata cloretada (Ag. AgCl) revestido, menos em
sua extremidade, com verniz; o electródio indiferente era de fio de prata clo¬
retada. O electródio ativo, sustentado por um dos braços do micromanipulador
(Zeiss, Jena), era colocado na superfície de uma fibra ou entre duas fibras;
o indiferente, no banho. Na estimulação usaram-se pulsos fornecidos por esti¬
mulador Grass S48 através de unidade isoladora de estímulos (Grass S1U5).
As respostas aos estímulos liminares eram observados ao microscópio. Usaram-
-se estímulos de 100, 30, 10, 3, 1, 0,3, 0,1, 0,03 e 0,01 milissegundos de
duração e de intensidades (voltagens) crescentes.
Potencial de membrana, potenciais de placa terminal em miniatura
(pp.p.t.m), despolarização pelo carbacol — Pesquisou-se a ação da peçonha
sobre esses parâmetros no diafragma isolado de rato com o emprego de técnicas
convencionais usadas me pesquisas com microeletródios intracelulares. A cuba
utilizada, o modo de fixação do hemidiafragma, a maneira pela qual mantinha-
-se a temperatura do banho a 37°C, a solução nutritiva, a oxigenação da
preparação assim como o tipo de microscópio e micromanipulador empregados
foram idênticos aos descritos sob o item Excitabilidade muscular. Os microelec-
tródios de vidros preparados com o auxílio de “Microelectrode Puller” CEP,
mod. 8104 eram cheios com solução 3M KCl; a sua resistência achava-se
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BRAZIL, O. V. & FONTANA, M. D. Ações pré-juncionais e pós-juncionais da peçonha da
cobra coral Micrurus corallinus na junção neuromuscular. Mem. Inst. Dutantan, i7/iS:
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compreendida entre 5 a 25 M. O eleclródio indiferente era constituído de fio
espiralado de prata cloretada incluído em tubo de vidro curvo (para adapta¬
ção à cuba) com agar-salina.
A determinação do potencial de membrana das fibras musculares era
feita da seguinte forma: sob controle microscópico, inseria-se o microelectródio
no interior de uma fibra muscular c media-se o deslocamento vertical sofrido
pela varredura do canal do osciloscópio no momento da penetração. Repetia-se
0 mesmo procedimento em dez fibras distintas em períodos de tempo não
superiores a um minuto e calculava-se a média aritmética das dez leituras. O
potencial de membrana era determinado multiplicando-se o valor da média
obtida por fator de correção. Este era estabelecido introduzindo-se no circuito
sinal de 100 mV e medindo-se a deflexão correspondente no osciloscópio.
Fazia-se a determinação da freqüência e amplitude dos pp.p.t.m. inserindo-
-se o microelectródio em uma fibra na região de sua placa terminal. Após
a determinação de seus valores controles, a peçonha era adicionada ao banho
e as alterações na freqüência e amplitude verificadas em tempos variáveis. Em
3 experiências, adicionou-se tetrodotoxina ao banho em quantidade suficiente
para inibir as respostas à estimulação indireta. Determinou-se depois a influên¬
cia da peçonha sobre a freqüência e amplitude dos pp.p.t.m.
Em 3 experiência pesquisou-se a influência da peçonha sobre a despola¬
rização causada por 12,5 ng/ml de carbacol (Datyner e Gage, 1973). As
determinações da despolarização eram feitas 15 minutos após a adição do
carbacol ao banho; depois se lavava a preparação pelo espaço de 30 minutos
(6 lavagens).
Efeito da neostigmina no bloqueio neuromuscular causado pela peçonha
de Micrurus corallinus — O efeito da neostigmina no bloqueio neuromuscular
causado pela peçonha de M. corallinus foi investigado na preparação in situ
nervo ciático-músculo tibial anterior de cão. Utilizaram-se no estudo sete cães
anestesiados pelo pentobarbital sódico (30 mg/kg, i.v.). Fixação de uma das
patas posteriores do animal, região de exposição do nervo ciático popliteo
externo, registro das contrações do músculo tibial anterior, tipo de eletródios
e canulação da veia femoral de acordo com o exposto em trabalho anterior
(Vital Brazil, 1966). Estimulou-se o nervo com pulsos supramaximais de 0,5
Fiz e 0,2 mseg. (estimulador Grass S 4). Em todas as experiências registrou-se
a pressão arterial carotídea por meio de manómetro de Ludwig. A peçonha
de M. corallinus foi sempre injetada por via intramuscular enquanto a atropina
e a neostigmina o foram por via venosa.
Peçonhas e drogas — Todas as experiências foram levadas a efeito com
um “pool” de peçonha de M. corallinus proveniente da extração de exemplares
capturados na região de Eldorado, São Paulo. A sua DL50 foi determinada em
camundongos brancos de 18 a 22 g. Usaram-se seis animais por dose e quatro
doses em progressão geométrica de razão 1,25. As diluições da peçonha em
salina a 8 por mil foram administradas por via venosa em volume de 0,5 ml.
Calcularam-se as doses medianas letais e seus intervalos e nível fiducial de
95% pelo processo de Weil (1952). Os valores encontrados em duas expe¬
riências foram: 400 (337 a 475) P-g/kg e 414 (377 a 455) !J.g/kg. As drogas
usadas na pesquisa foram as seguintes: iodeto de acetileolina (Sigma), carbacol
(Kock Light), tetrodotoxina (Sigma), metilsulfato de neostigmina (Prostigmine
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cobra coral Micrurus corallinus na junção neuromuscular. Mem. Inut. Butantan, Ji7/J,8:
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“Roche”), cloridrato de morfina (Enila S/A), cloridrato de difenidramina
(Benadryl “Park Dawes”), sulfato de atropina (C.H. Boehringer Sohn).
RESULTADOS
Atividade bloqiieadora neuromuscular — Realizamos um total de 10 expe¬
riências na preparação nervo frênico-diafragma de rato para avaliar a sua
atividade nessa preparação. Em seis, empregamos a dose de 10 v-g/ml de
peçonha. Bloqueio completo ocorreu após 80 minutos em quatro, após 85
minutos em uma e após 90 minutos em outra. Essa dose de peçonha causou,
portanto, bloqueio completo em 82 ± 2,55 minutos em média. Em uma
experiência, obtivemos bloqueio completo em 100 minutos com o uso de
7,5 {ig/ml de peçonha e, em três outras, em 178 ± 10,4 minutos com o
emprego de 5 [i.g/ml. Observamos aumento inicial bastante acentuado das
respostas (100% e 350%) em duas experiências (com o uso de 10 iig/ml).
Nas restantes o aumento foi discreto ou não ocorreu. Em todas as experiências
o bloqueio foi irreversível. A excitação direta do diafragma após a ocorrência
do bloqueio sempre provocou resposta de amplitude normal.
Liberação de acetilcolina — Os resultados das experiências realizadas com
a finalidade de verificar o efeito da peçonha sobre a liberação de ACh acham-
-se na tabela I. Pelo seu exame constata-se que, após o bloqueio, houve
aumento considerável (64,9%) na liberação espontânea enquanto a liberação
produzida pelos impulsos nervosos foi muito reduzida (53,19%).
TABELA I
Efeito da peçonha de Micrurus corallinus sobre a liberação de acetilcolina, em
nanogramas da base. Preparação nervo frênico-diafragma de rato
EXP.
Liberação antes da adição de
peçonha à cuba
Liberação após o bloqueio pro¬
vocado por 10 Mg/ml de peçonha
Lib.
espontânea
impulsos
Lib. por
nervosos
Lib.
espontânea
Lib. por
impulsos
nervosos
1
6,4
55,6
9,1
21,1
2
8,4
64,8
14,0
28,0
3
8,5
49,0
15,0
30,0
Média ± erro
padrão
7,7 ± 0,9
56,4 ± 0,9
12,7 ± 2,5
26,4 ± 3,8
Contratura causada pela acetilcolina no músculo desnervado — Realiza¬
ram-se 3 experiências. Em todas, a peçonha na dose de 2 p.g/ml inibiu rever-
sivelmente a contratura do hemidiafragma cronicamente desnervado provocada
pela adição de ACh ao banho (fig. 1).
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BRAZIL, 0. V. & FONTANA, M. D. Ações pré-juncionais e pós-juncioiiais da peçonha da
cobra coral Micrurus corallinus na junção neuromuscular. Mem. Inst. Butantan, i7/i8:
13-26, 1983/84.
Fig. 1 — Respostas do hemidiafragma cronicamente desnervado e isolado de rato à ACh
(4 fig do iodeto). Em V adicionou-se 2 /ag/ml de peçonha de M. corallinus ao
banho; a solução de Tyrode do banho com a peçonha permaneceu 30 minutos cm
contato com o hemidiafragma antes da adição da ACh. O efeito inibitório da peçonha
sobre a contratura provocada pela ACh desapareceu com as lavagens sucessivas da
preparação.
Excitabilidade muscular — A peçonha na dose de 20 (ig/ml não alterou
as curvas de excitabilidade e a cronaxia do diafragma de rato determinados em
região isenta de terminações nervosas (fig. 2).
Fig. 2 — Curvas de excitabilidad» do diafragma isolado de rato antes e após a adição de
20 /íg/ml da peçonha de M. corallinus. As curvas foram determinadas em região
do músculo isenta de terminação nervosa.
18
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BRAZIL, 0. V. & FONTANA, M. D. Ações pré-juncionais e pós-juncionais da peçonha da
cobra coral Micrunta corallinus na junção neuromuscular. Mem. Inst. Buiantan, JÍ7/i8i
13-26, 1983/84.
Potencial de membrana, potenciais de placa terminal em miniatura
(pp.p.t.m.), despolarização pelo carbacol — O potencial de membrana das
fibras musculares do diafragma não se alterou pela adição da peçonha (10
ixg/ml) ao banho (tabela II), mesmo após a ocorrência do bloqueio neuro¬
muscular. Nas experiências, por exemplo, cujos resultados se encontram na
tab. II, bloqueio completo se deu em 75 minutos na primeira, 80 minutos
na segunda e 90 minutos na terceira.
A frequência dos pp.p.t.m aumentou consideravelmente a partir dos 10 a
15 minutos da adição de 5 pg/ml de peçonha ao banho, atingindo, em geral,
um máximo em torno dos 40 minutos (fig. 3). Esse aumento variou de 406,0%
a 3.176,0% nas quatro experiências realizadas. Apareceram também potenciais
de amplitude consideravelmente maior do que a dos anteriores à adição da
peçonha ao banho (fig. 4). Após 50 a 60 minutos a amplitude do pp.p.t.m.,
começou a diminuir (fig. 3); desapareceram, regra geral, dentro de 70 a 80
minutos. A tetrodotoxina, em doses que inibiram as respostas do diafragma à
estimulação indireta, não alterou os efeitos acima descritos da peçonha sobre
os pp.p.t.m. Na dose de 10 vig/ml a peçonha provocou desaparecimento rápido
dos pp.p.t.m.
Fig. 3 — Potenciais de placa terminal em miniatura antes (I) e após 20 (II), 40 (III) e
60 (IV) minutos da adição de 5 /xg/ml de peçonha de Aí. corallinus ao banho.
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cobra coral Micrurus corallinus na junção neuromuocular. Mem. Irtst, Buiantan, 47/48:
13-26, 1983/84.
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cobra coral Micnirus corallinus na junção neuromuocular. Mem. Inst. Buiantan, J,7/A8\
13-26, 1983/84.
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BRAZIL, O. V. & FONTANA, M. D. Ações pré-juncionais e pós-juncoonais da peçonha da
cobra coral Micrurus corallinus na junção neuromuocular. Mem. Inst, Buiantan, J,7/i8-.
13-26, 1983/84.
Efeito da neostigmina no bloqueio neuromuscular causado pela peçonha
de Micrurus corallinus — Na vigência de bloqueio parcial produzido pela
peçonha de M. corallinus, a administração por via venosa de neostigmina (0,1
mg/kg do metilsulfato após 0,1 a 0,2 mg/kg de sulfato de atropina) causou
apenas pequeno efeito sobre a tensão das respostas do músculo tibial anterior
à excitação indireta (Fig. 5, Tab. IV). O bloqueio que era de 64 ± 7,5%
(média de sete experiências ± erro padrão) no momento da injeção de neos¬
tigmina reduziu-se para 54 ± 6,5% após o pleno efeito da neostigmina.
V
A+r.
I 1
Fig. 5 — Efeito da neostigmina no bloqueio produzido pela peçonha de Micrurus corallinus
na preparação nervo ciático-músculo tibial anterior in situ de cão; A. antes da
injeção intramuscular de 0,5 mg/kg da peçonha, B. 90 min. após. Atr. 0,2 mg/kg
de sulfato de atropina i.v., Neo 0,1 mg/kg de metilsulfato de neostigmina i.v. Esti¬
mulação do ciático popliteo externo com pulsos supramaximais de 0,5 Hz e 0,2 mseg.
23
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BRAZIL, O. V. & FONTANA, M. D. Ações pré-juncionais e pós-juncoonais da peçonha da
cobra coral Micrurus corallinus na junção neuromuocular. A/em. Inst. Buiantan, Í7li8:
13-26, 1983/84.
TABELA IV
Efeito da neostigmina no bloqueio produzido pela peçonha de Micrurus corallinus
em cães (preparação in situ nervo ciãtico-músculo tibial anterior)
Exp.
Dose de peçonha
(i.m.) mg/kg
% de bloqueio
Imediatamente antes Após a administração
da administração de de neostigmina (metil-
neostigmina sulfato, 0,1 (mg/kg)
1
0,8
88,4
(90 min.)
71,1
2
0,5
77,7
(90 min.)
73,3
3
0,5
75,0
(120 min.)
55,0
4
0,3
58,8
(240 min.)
47,0
5
0,3
27,7
(180 min.)
22,2
6
0,3
54,1
(215 min.)
50,0
7
0,3
66,6
(223 min.)
58,3
DISCUSSÃO
Verificou-se, na presente pesquisa, que, imediatamente após o bloqueio
produzido pela peçonha de M. corallinus na preparação nervo frênico-diafragma
de rato, a liberação espontânea de ACh achava-se extraordinariamente aumen¬
tada enquanto a causada pela estimulação elétrica do nervo frênico cncontrava-
-se muito diminuída. O resultado destas experiências demonstra, portanto, que
a peçonha exerce ação pré-sináptica e sugere que é ela a principal causa do
bloqueio. Reforça esta última hipótese, o fato de ser irreversível o bloqueio
provocado pela peçonha na preparação nervo frênico-diafragma enquanto são
prontamente reversíveis as suas ações pós-sinápticas: inibição reversível da
contratura causada pela ACh no hemidiafragma cronicamente desnervado e da
despolarização pelo carbacol nas regiões de placas terminais de fibras do
diafragma inervado. Caso a ação pós-sináptica da peçonha participasse de modo
relevante na gênese do bloqueio, deveria ser este, pelo menos, parcialmente
reversível. O estudo do efeito da peçonha sobre os pp.p.t.m. confirma plena¬
mente sua ação pré-sináptica (aumento da freqüência dos pp.p.t.m.) e, também,
a sua ação pós-sináptica (redução da amplitude dos pp.p.t.m.). Por outro lado,
a peçonha de M. corallinus não altera o potencial de membrana das fibras
musculares como o faz, por exemplo, a de M. fulvius (Weiss & Mac-Issaac,
1971). Não altera também a excitabilidade muscular mesmo em doses elevadas
(20 iJ.g/ml). Não deve conter, pois, componentes miotóxicos.
24
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BRAZIL, 0. V. & FONTANA, M. D. Ações pré-juncionais e pós-juncoonais da peçonha da
cobra coral Micrurus corallinus na junção neuromuocular. Mem. Inst. Buiantan, 47/4S:
13-26, 1983/84.
Poder-se-ia supor que a mesma ou as mesmas neurotoxinas da peçonha
de M. corallinus exercessem as ações pré e pós-sinápticas acima referidas. Esta
hipótese pode ser, entretanto, facilmente afastada. A ação pré-sináptica é, como
vimos, irreversível enquanto a pós-sináptica mostrou-se reversível. É pouco
provável que uma mesma neurotoxina combine-se reversivelmente com os
receptores para a acetilcolina da placa terminal e, ao mesmo tempo, atue
irreversivelmente nas terminações nervosas. Sabe-se, por outro lado, que algu¬
mas peçonhas elapídicas tais como a da Bungarus multicinctus de Formosa
(Chang & Lee, 1963) e a de Notechis scutatus da Austrália (Karlsson et al,
1972, Datyner e Gage, 1973, Harris et al, 1973) encerram neurotoxinas de
ação pré-sináptica ao lado das de ação pós-sináptica, as quais, segundo parece,
encontram-se em todas ou quase todas as peçonhas de serpentes pertencentes
a essa família. Esses fatos permitem-nos afirmar que a peçonha de M. coral¬
linus contém neurotoxinas de ação farmacológica distinta: uma ou umas atuam
nas terminações nervosas, outra ou outras fixam-se reversivelmente nos recep¬
tores colinérgicos de placa terminal.
A investigação do efeito da neostigmina no bloqueio produzido pela peço¬
nha de M. corallinus, realizada na preparação nervo ciático-músculo tibial
anterior de cão, mostrou que, na vigência do bloqueio parcial causado pela
peçonha, a droga anticolinesterásica provoca apenas ligeiro aumento das res¬
postas do músculo à excitação indireta. Este resultado contrasta com o obtido
na pesquisa do efeito antagônico da neostigmina no bloqueio produzido pela
peçonha de M. frontalis (Vital Brazil et al., 1976/1977). Pode-se inferir, pois,
que a ação pré-sináptica da peçonha de M. corallinus deve preponderar sobre
a pós-sináptica na gênese do bloqueio neuromuscular que induz no cão. A ação
pós-sináptica desta peçonha é, com efeito, prontamente reversível mesmo no
diafragma cronicamente desnervado de rato em que a de M. frontalis é irre¬
versível. Portanto, se o bloqueio decorresse preponderantemente da ação pós-
-sináptica, a neostigmina deveria causar efeito antagônico acentuado. A neos¬
tigmina, em virtude de sua ação no bloqueio da transmissão neuromuscular
produzida pela peçonha de M. frontalis, é eficaz no tratamento do envenena¬
mento experimental, era cães, causado pelo veneno desta espécie de cobra
coral (Vital Brazil et al, 1976/1977). Deve-se, portanto, esperar igual eficácia
no tratamento dos acidentes provocados pela M. frontalis no homem. Os resul¬
tados da presente pesquisa mostram, por outro lado, que pequeno ou nenhum
benefício é de se esperar de administração de neostigmina em casos de aci¬
dentes pela M. corallinus. Deve-se, entretanto, ter presente que, na gênese do
bloqueio, há a possibilidade de a ação preponderante ser a pós-sináptica em
peçonha de serpentes dessa espécie, de certas regiões, dada a extensão de sua
distribuição geográfica na América do Sul.
ABSTRACT: The actions exerted at thc neuromuscular junctioa
and the muscle fibre membrane by the venom of Micrurus corallinus,
a coral snake species of large distribution in Brazil, were studied
in the isolated rat phrenic nerve-diaphra^ preparation and the
isolated and chronically denervated rat hemidiaphragm. It was found
that the venom produces an irreverslble neuromuscular blockade,
reduces the evoked acetylcholine release and increases the sponta-
neous one. The responses of the denervated hemidiaphragm produced
by acetylcholine were reversibly blocked by the venom. It did not
alter either the resting membrane potential or the muscle fibre
membrane excitability of the rat diaphragm. Miniature end-plate
potential frequency was greatly increased by low concentrations of
25
1 SciELO
BEAZIL, 0. V. & FONTANA, M. D. Ações pré-juncionais e pós-juncoonais da peçonha da
cobra coral Mierurus corallinus na junção ncuromuocular. Mem. Inst. Buiantan, i7/iS:
13-26, 1983/84.
the venom. Their amplitude was at first increased but later on
decreased. The venom at last blocked the ni.e.p.ps. Depolarization
induced bv carbachol at the end-plate region of the diaphragm waa
reversibly blocked by the venom. It is concluded that M. corallinus
venom exerts both presinaptic and postsynaptic actions, being devoid
of myotoxic properties. The irreversible presynaptic action and the
reversible postsynaptic action must be ascribed to two different
venom neurotoxins: presynaptic neurotoxin(s) and postsynaptic
neurotoxin(s). The effect of neostigmine on the neuromuscular
blockade induce by M. corallinus venom was investigated in the dog
sciatic nerve-tibialis anterior muscle preparation, neostigmine being
i.v. injected when there was a partial (64 ± 7.5%, mean of seven
experiments zt S.E.M.) neuromuscular block. The antagonistic effect
was very poor (64 ± 6.6% blockade after neostigmine administr-
ation). This result suggests that the venom presynaptic action is
the main cause of the blockade.
KEYWORDS: Neuromuscular junction; coral snake venom; pre¬
synaptic action; postsynaptic action; acetylcholine; neostigmine.
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Recebido para publicação em 26/07/1983 e aceito era 07/08/1984.
26
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2 3
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5 6
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Mem. Inst. Butantan
47/^8:27-32, 1983/84
AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE TÓXICA DO VENENO DE
PHONEUTRIA NIGRIVENTER EM TERMOS DE DL^q
E TITULAÇÃO DO ANTIVENENO EM CAMUNDONGOS
Regina Maria Barretto CICARELLI * ** ***
Medardo SILES VILLARROEL ■"*
Raymundo ROLIM ROSA
RESUMO: A toxicidade do veneno de Phoneutria nigriventer é
determinada em camundongos, através de inoculações iijtravenosa e
intraperitoneal. Seguindo a mesma metodologia, avalia-se a capaci¬
dade neutralizante do antiveneno aracnídico polivalente, fração anti-
veneno de Phoneutria, por inoculação intravenosa em camundongo.
Os resultados sugerem que a metodologia proposta, apresenta-se
como técnica prática, econômica e reprodutível para a titulação do
veneno e antiveneno estudados.
PALAVRAS-CHAVE: veneno de Pho7ieutria nigriventer-, antive¬
neno aracnídico.
INTRODUÇÃO
As aranhas do gênero Phoneutria Perty, 1833 pertencem à família Ctenidae,
subfamília Phoneuíriinae Bücherl, 1969. São conhecidas popularmente com o
nome de “aranhas-armadeiras”. Seu veneno é bastante ativo e de propriedades
neurotóxicas semelhantes às do veneno da serpente Crotalus durissus terri-
ficus
Brazil & Vellard^'2 (1925, 1926) fizeram experiências com os venenos de
Phoneutria fera e Phoneutria nigriventer (denominadas por eles de Ctenus fera
e Ctenus nigriventer, respectivamente), concluindo que os mesmos são dotados
de ação neurotóxica, porém destituídos de ação local. Determinaram a Dose
Mínima Mortal (DMM em cobaias, camundongos e coelhos, bem como prepa¬
raram, pela primeira vez, o soro antictênico específico, titulando-o em coelhos
de 1 kg de peso, em termos de neutralização da DMM do veneno).
* Professora Assistente do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da USP.
** Professor Livre Docente do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Bio¬
médicas da USP.
*** Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan e Professor Assistente Doutor
do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
Endereço para correspondência: Departamento de Imunologia — Edifício Biomédicas III —
Cidade Universitária — CEP 05508 — São Paulo-SP.
27
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SciELO
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CICARELLI, E. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Phoneutria nigriventer em termos de DL^q e titulação do antiveneno
em camundongos. Mem. Inst. Butantan, J,7/1,8-.21 1983/84.
Na atualidade, a atividade tóxiea do veneno de Phoneutria e a capacidade
neutralizante da fração de antiveneno de Phoneutria no soro antiaracnídico
polivalente são determinadas não mais em coelhos, mas em cobaias de 350
a 400 g, que recebem inoculações das misturas por via subcutânea e são
observadas durante 48 horas.
No presente trabalho, os autores se propõem a determinar a atividade
tóxica desse veneno, extraído por estímulo elétrico, em termos de DL. 50 , utili¬
zando as vias intravenosa e intraperitoneal em camundongos e, além disso,
verificar a possibilidade de utilização da via intravenosa de camundongos para
doseamento da fração antiveneno de Phoneutria do soro antiaracnídico poli¬
valente.
MATERIAL E MÉTODOS
Veneno utilizado *
Os venenos de Phoneutria nigriventer Perty, 1833 foram extraídos por
estimulação elétrica e dessecados a vácuo, segundo a técnica de Bücherl ^
(1953).
Antiveneno aracnídico polivalente “
No soro antiaracnídico (antiaranêico e antiescorpiônico) a fração antiara-
nêica foi obtida pela hiperimunização de cavalos com mistura imunogênica
constituída por triturado de cefalotórax de Loxosceles e Lycosa e com veneno
obtido por estímulo elétrico de Phoneutria. A fração antiescorpiônica foi obtida
pela hiperimunização de cavalos com venenos obtidos por estímulo elétrico
de espécimes dos gêneros Tityus.
O antiveneno foi purificado e concentrado pelo método de Pope® (1938)
e Pope® (1939), modificado por Eurlanetto ® (1961).
Os títulos do soro apresentados na fração aranêica eram os seguintes:
1 ml de soro neutralizava 10 DMN do veneno loxoscélico, 1,5 DMM do
veneno de Phoneutria e 15 DMN do veneno licósico.
Animais utilizados
Poram utilizados camundongos brancos (Mus musculus Linnaeus, 1758),
de ambos os sexos, pesando 20g ± 2g. Estes animais receberam inoculações
pelas vias intravenosa (IV) ou intraperitoneal (IP), no volume de 0,5 ml.
Foram utilizados lotes de 6 camundongos por dose que, após as inoculações,
foram observados por um período máximo de 48 horas, com leituras parciais
aos 30 e 60 minutos e 24 horas.
Determinação da DL r>n do veneno
Foi realizada de acordo com o método de Kârber ’ (1931).
Doseamento do antiveneno
Na avaliação da potência do antiveneno foi mantido constante o volume
do imunossoro diluído a 1/2, variando as doses do veneno.
* Fornecido pelo Instituto Butantan.
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i SciELO
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Phoneutria nigriventer em termos de I>L 5 q e titulação do antiveneno
em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 47/45:27-32, 1983/84.
A mistura veneno-antiveneno, após incubação a 37°C por 30 minutos, foi
inoculada nos camundongos.
Os resultados foram expressos em termos de mg e de DLr,o de veneno
neutralizado por 1 ml de antiveneno, baseando-se na técnica experimental
utilizada por Siles VillarroeP^ (1977), Siles Villarroel e cols. (1978/9 e
Siles Villarroel e cols. (1978/9), no estudo de antivenenos botrópicos.
RESULTADOS
As tabelas 1 e 2 apresentam os resultados da determinação da DL 50 do
veneno de P. nigriventer inoculado pela via IV e pela via IP, respectivamente.
TABELA 1
Determinação da DL.™ do veneno de P. nigriventer, inoculado pela via intravenosa
em camundongos
Tempos de
observação
Doses
em microgramas
5,00
7,50
11,25
16,87
25,31
37,97
DLcü
30 minutos
0/6
0/6
1/6
4/6
6/6
6/6
GO minutos
0/6
0/6
3/6
5/6
24 horas
0/6
0/6
3/6
5/6
11,50 gg
48 horas
0/6
0/6
3/6
5/6
11,50 Mg
TABELA 2
Determinação da DL-,» do veneno de P. nigriventer, inoculado pela via intraperitoneal
em camundongos
Tempos de
observação
Doses em microgramas
10,0
20,0
40,0
80,0
160,0
DLgo
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
2/6
3/6
6/6
24 horas
0/6
2/6
4/6
6/6
28,29 gg
48 horas
0/6
2/6
4/6
28,29 gg
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CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Phoneutria nigriventer em termos de e titulação do antiveneno
em camundongos. Mem. Inst. Butantan, í7/4d:27-32, 1983/84.
A tabela 3 apresenta os resultados dos ensaios para a determinação do
título neutralizante do imunossoro específico, através da via IV.
TABELA 3
Doseamento do antiveneno aracnidico, colocado frente ao veneno de P. nigriventer
e inoculado pela via intravenosa em camundongos
Veneno de
P. nigriventer
(DLr,„ = 11,B0 Jiig)
Solução
salina
ml
Antiveneno
aracnidico
ml
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
24 h
48 h
0,05
0,05
0,20
0,25
37°C
0/6*
0/6*
0,10
0,10
0,15
0,25
6/6
_
0,15
0,15
0,10
0,25
6/6
0,20
0,20
0,05
0,25
30 min
6/6
* Título: 1 ml de antiveneno aracnidico neutraliza 0,40 mg ou 34,78 DLso do veneno
de P. nigriventer
DISCUSSÃO
O uso de camundongos que sofreram inoculações intravenosa e intraperi-
toneal possibilitou a determinação da DLbo do veneno de P. nigriventer que,
em dois experimentos, demonstrou repròdutibilidade satisfatória.
Apesar da ocorrência de mortes após 30 e 60 minutos, as mesmas não
interferiram na regularidade das mortes observadas em função do aumento
das doses. Em ambos os ensaios, foi possível determinar .satisfatoriamente a
DLso, tanto pela via intravenosa (11,50 ng em 48: horas) como pela via intra-
peritoneal (28,29 ng em 48 horas). Observamos, também, que os animais apre¬
sentaram uma sensibilidade maior ao veneno quando este foi inoculado pela
via intravenosa.
Nossos resultados mostraram-se diferentes daqueles obtidos por Bücherl ®
(1953, 1956), que obteve uma DLso de 7 ixg por via intravenosa, enquanto
que, para a via subcutânea, foi de 14 (ig. Essa diferença pode ser compreen¬
dida quando se leva em consideração a metodologia de obtenção dos venenos,
a época de extração do veneno e, também, a idade e o estado nutricional dos
espécimes, fatores esses que podem alterar a atividade do veneno.
Até 0 presente momento, não existem normas ou padrões para a deter¬
minação da atividade tóxica desse veneno. Atualmente, a sua titulação vem
sendo realizada em termos de Dose Mínima Mortal (DMM) por inoculação
subcutânea em cobaias de 350 a 400 g de peso e observadas por 48 horas.
Esse método exige um consumo maior de veneno e utilização de animais de
maior custo, tornando-se antieconômico quando cotejado como a determinação
da DL Bo.
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i SciELO
CICARELLI, E. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Phoneutria nigriventer em termos de e titulação do antiveneno
em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 47/48:27-32, 1983/84.
Com relação ao doseamento do soro antiaracnídico (fração antiveneno
de Phoneutria) o mesmo raciocínio anterior é válido.
CONCLUSÕES
1. A atividade tóxica do veneno de Phoneutria nigriventer pode ser
convenientemente padronizada em termos de DL 50 , para as vias intravenosa
e intraperitoneal de camundongos;
2 . o antiveneno aracnídico polivalente pode ser titulado satisfatoriamente
pela inoculação intravenosa da mistura veneno-antiveneno, cujo resultado seria
finalmente expresso em mg ou número de DL 50 de veneno, neutralizado por
ml do antiveneno.
ABSTRACT: Toxicity of Phoneutria nigriventer venom in mice is
determined throug-h intravenous and intraperitoneal inoculations.
According to the same methodology the neutralization capacity of
the fraction of Phoneutria spider polyvalent antivenin is value,
through intravenous inoculation in in mice. The results seem suggest
that for the venom and antivenin titration, the methodology used is
practical, economic and reproducible.
KEYWORDS: Phoneutria nigriventer venom, spider antivenin.
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cm
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CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Phoneutria nigriventer em termos de DEj-jj e titulação do antiveneno
em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 47/45:27-32, 1983/84.
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Evidenciação em camundongos da soroneutralização paraespecifica entre venenos
e antivenenos botrópicos. Mem. Inst. Butantan, 42/43:337-44, 1978/9.
Recebido para publicação em 14/10/1983 e aceito em 12/06/1984.
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2 3
5 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
Mem. Inst. Butantan
47/4«:33-43, 1983/84
ESTUDO IMUNOQUÍMICO DOS VENENOS ARANÊICOS
DAS ESPÉCIES LOXOSCELES GAÚCHO, PHONEUTRIA
NIGRIVENTER E LYCOS A ERYTHROGNATHA
Regina Maria Barretto CICARELLI *
Medardo SILES VILLARROEL **
Rosalvo GUIDOLIN ***
Ornar CRIVELLARO *•**
RESUMO: Os autores estudam o comportamento eletroforético e
imunoquímico dos venenos das espécies Loxosceles gaúcho, Phoneu-
tria nigriventer e Lycosa erythrognatha.
Através da técnica de eletroforese em gel de poliacrilamida, demons¬
tram a presença de onze frações no veneno de Loxosceles gaúcho e
8 frações nos venenos de Phoneutria nigriventer e de Lycosa ery-
trognatha, verificando que os três venenos têm comportamento
eletroforético distinto.
Utilizando as reações de imunodifusâo e imunoeletroforese em gel
de ágar, pode-se determinar o número de componentes imunogênicos
específicos e paraespecíficos dos venenos. A imunoeletroforese mos¬
tra-se mais adequada na caracterização desses componentes.
Verificam, ainda, a ocorrência de soroneutralização cruzada “in
vivo” e “in vitro” entre o antiveneno loxoscélico e os venenos de
P. nigriventer e L. erythrognatha.
PALAVRAS CHAVE; eletroforese em gel de poliacrilamida; imu-
nodifusão e imunoeletroforese; venenos aranêicos.
INTRODUÇÃO
Os venenos das espécies Loxosceles gaúcho, Phoneutria nigriventer e
Lycosa erythrognatha * foram pouco estudados quanto a seus aspectos imuno-
* Professora Assistente do Departamento de Iniunologia do Instituto de Ciências Bio-
médicas da USP.
** Professor Livre-Docente do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Bio-
médicas da USP.'
*** Professor Colaborador do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Bio-
médicas da USP.
*** Professor Assistente Doutor do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química
da USP.
Endereço para correspondência: Departamento de Imunologia Edifício Biomédicas III —
Cidade Universitária — CEP 05508 — São Paulo — SP.
* Essa espécie pode ser também encontrada nos Catálogos com o nome de Scaptocosa raptaria.
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CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; GUIDOLIN, R. & CRIVELLARO, O.
Estudo imunoquímico dos venenos aranêicos das espécies Loxosceles gaúcho, Phoneutria
nigriventer e Lâcosa erythrognatha. Mem. Inst. Butantan, 47'/4S:33-43, 1983/84.
químicos. Raros são os trabalhos que contêm informes a respeito do número
de frações que os compõem, e pequeno é o número de publicações referentes
aos seus componentes imunogênicos. No que concerne a estudos sobre eletro¬
forese em gel de poliacrilamida, praticamente inexistem informes que se refi¬
ram aos venenos por nós estudados.
Com relação aos componentes imunogênicos do veneno Loxosceles, Smith
& Micks^* (1968) trabalharam com os venenos das espécies L. laeta, L. reclusa
e L. rujescens e com o antiveneno loxoscélico preparado pelo Instituto Butan¬
tan. Encontraram dois componentes imunogênicos com identidade total nas três
espécies e três componentes idênticos entre L. reclusa e L. rujescens. Os mes¬
mos autores verificaram, através de eletroforese, que os três venenos são dis¬
tintos entre si. Furlanetto'' (1961) fez observações sobre a composição imu-
nogênica do veneno loxoscélico em função de seu antiveneno, por imunodifusão
em gel, bem como estudou comparativamente, por esta técnica, os venenos de
Lycosa sp. e Phoneutria sp. Assim, identificou quatro componentes imunogê¬
nicos no veneno de Loxosceles e sugeriu a inexistência de imunidade cruzada,
tanto “in vivo” como “in vitro”, entre o soro antiloxoscélico por ele preparado
e os venenos de Lycosa sp. e Phoneutria sp.
Selecionamos alguns trabalhos sobre eletroforese em gel de poliacrilamida
apenas como fonte de informações a respeito da diversidade de obtenção dos
venenos, e metodologia empregada; esses trabalhos referem-se aos venenos das
espécies L. reclusa, L. laeta e Latrodectus mactans
Quanto ao veneno de Phoneutria, Schenberg & Pereira Lima^^ (1966)
estudaram o efeito de 14 determinantes antigênicos do veneno fracionado de
P. fera, em cães, cobaias, camundongos, ratos e coelhos. Barrio ^ (1955), por
eletroforese em papel, identificou duas frações. Fisher & Bõhn® (1957) e
Diniz ® (1963), por eletroforese e cromatografia em papel, evidenciaram quatro
frações, enquanto Pereira Lima & Schenberg^® (1963), por eletroforese em
acetato de celulose, distinguiram nove frações no veneno.
Em relação ao veneno licósico, encontramos apenas os trabalhos de Fisher
& Bõhn ® (1957) e Diniz ^ (1963), que realizaram eletroforese e cromatografia
em papel, analisando seus componentes ativos e verificando a presença de
quatro frações.
Para elucidar melhor esses aspectos, o nosso trabalho tem por objetivos
estudar, com os três venenos aranêicos obtidos por estímulo elétrico, os
seguintes:
1 — o comportamento eletroforético em gel de poliacrilamida;
2 — as suas frações imunogênicas, através da imunodifusão e imunoeletroforese
em gel de ágar;
3 — a soroneutralização cruzada entre o antiveneno loxoscélico e os venenos
de P. nigriventer e de L. erythrognatha, “in vivo” e “in vitro”.
MATERIAL E MÉTODOS
Venenos utilizados
Os venenos utilizados das três espécies de aranhas foram extraídos por
estímulo elétrico e foram fornecidos * sob a forma dessecada.
As soluções de venenos foram preparadas a 2% em salina.
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CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; GUIDOLIN, R. & CRIVELLARO, O.
Estudo imunoquímico dos venenos aranêicos das espécies Loxosceles gaúcho, Phoneutria
nigriventer e hâcosa erythrognatha, Mem. Inst. Butantan, ^7/^5:33-43, 1983/84.
Antivenenos específicos e paraespecíficos *
Os soros antiloxoscélico monovalente e antiaracnídico polivalente foram
usados não-diluídos nas reações de imunodifusão e imunoeletroforese.
Eletroforese em gel de poliacrilamida
Esta técnica foi conduzida segundo o método de Davis ^ (1964).
Determinação de proteína total dos venenos
Foi realizada segundo o método proposto por Spector^® (1978), utilizando
como reagente o Coomassie Blue G e, como padrão de referência, a soroalbu-
mina bovina (BSA). Para as determinações espectrofotométricas, foi utilizado
o espectrofotômetro Gilford, em 595 nm de absorbância. Optamos por esse
método porque os nossos ensaios preliminares, realizados com os métodos de
Lowry, Biureto, Biureto UV e Büchner, não foram reprodutíveis.
Para todas as corridas eletroforéticas, utilizamos soluções de veneno a
1%, sendo que para o veneno de Loxosceles gaúcho, aplicamos no gel 40 i^l
(456,4 jig de proteína), para o de Phoneutria nigriventer, 50 }^1 (553,5
[Tg de proteína) e, para o de Lycosa erythrognatha, 50 p.1 (286,5 [rg de proteína).
Imunodifusão em gel de âgar
Para a realização desta prova, baseamo-nos na técnica original de Ouch-
terlony” (1948) e Ouchterlony “ (1949), com modificações introduzidas por
Siles Villarroepa (1972), Siles Villarroel e cols.^® (1974) e Siles Villarroel e
cols.2i (1976/7).
Imunoeletroforese em gel de ágar
Seguimos as técnicas de Grabar & Williams® (1953) e Grabar & Wil¬
liams^® (1955), com as modificações propostas por Ferri & Còssermelli^ (1964),
relativas à aparelhagem e técnicas necessárias à adoção do micrométodo por
nós utilizado.
Reações de soroneutralização cruzada "in vivo”
Em tais experimentos, utilizamos lotes de seis camundongos (Mus musculus
Linnaeus, 1738), pesando 20 ± 2 g, que receberam inoculações intravenosas
da mistura veneno-antiveneno, previamente incubada por 30 minutos a 37°C.
O antiveneno utilizado foi o loxoscélico monovalente e os venenos foram o
de P. nigriventer e de L. erythrognatha. Os resultados foram expressos em
tng ou DL so de veneno paraespecífico neutralizado por ml de antiveneno
loxoscélico.
RESULTADOS
A tabela 1 e as figuras de 1 a 3 mostram, respectivamente, o número de
frações eletroforéticas que constituem os venenos e os eletroferogramas dos
venenos estudados.
* Fornecidos pelo Instituto Butantan.
35
1 SciELO
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; GUIDOLIN, R. & CRIVELLARO, O.
Estudo imunoquímico dos venenos aranêicos das espécies Loxoaceles gaúcho, Phoneutria,
nigriventer e Lâcosa erythrognatha. Mem. Inst. Butantan, 1983/84.
TABELA 1
Comportamento eletroforético, em EGP, dos três venenos aranêicos
Venenos
N.° de frações
Loxosceles gaúcho
11
Phoneutria nigriventer
8
Lycosa erythrognatha
8
A
\
Fig. 1 — Eletroferograma do veneno de Loxoscelea gaúcho
36
cm
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; GUIDOLIN, R. & CRIVELLARO, O.
Estudo imunoquímico dos venenos aranêicos das espécies Loxosceles gaúcho, Phoneutria
nigriventer e Lãcosa erythrognatha. Mem. Inst. Butantan, 47/^5:33-43, 1983/84.
Fig. 2 — Eletroferograma do veneno de Phoneutria nigriventer
Pig. 3 — Eletroferograma do veneno de Lycosa erythrognatha
37
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; GUIDOLIN, R. & CRIVELLARO, O.
Estudo imunoquímico dos venenos aranêicos das espécies Loxosceles gaúcho, Phoneutria
nigriventer e Lãcosa erythrognatha. Mem. Inst. Butantan, i7/JÍ8:Z3-i3, 1983/84.
Os tabelas 2 e 3 apresentam o número de linhas de precipitação obtidas
pela reação entre o antiveneno loxoscélico e os venenos de L. gaúcho, P.
nigriventer e L. erythrognatha.
TABELA 2
Número de linhas de precipitação obtidas nas reações de dupla difusão em gel de
ágar entre o antiveneno loxoscélico e os venenos de L. gaúcho, P. nigriventer e
L. erythrognatha
Venenos
Número de
linhas
Identidade
Parcial
Ausência de
Identidade
Loxosceles gaúcho
5
. .
Phoneutria nigriventer
2
1
1
Lycosa erythrognatha
1
1
TABELA 3
Número de linhas de precipitação obtidas nas reações de imunoeletroforese entre o
antiveneno loxoscélico e os venenos de L. gaúcho, P. nigriventer e L. erythrognatha
Venenos
N.° de linhas
Loxosceles gaúcho
11
Phoneutria nigriventer
2
Lycosa erythrognatha
1
A tabela 4 mostra o número de linhas de precipitação obtidas pela reação
entre o antiveneno aracnídico e os três venenos.
TABELA 4
Número de linhas de precipitação obtidas nas reações de dupla difusão em gel de
ágar e na imunoeletroforese, entre o antiveneno aracnídico e os venenos de L. gaúcho,
P. nigriventer e L. erythrognatha
Venenos
N.° de linhas obtidas
na dupla difusão em
gel de ágar
N.° de linhas obtidas
na imunoeletroforese
Loxosceles gaúcho
5
11
Phoneutria nigriventer
6
13
Lycosa erythrognatha
2
4
38
cm
SciELO
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CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; GUIDOLIN, R. & CRIVELLARO, O.
Estudo imunoquímico dos venenos aranêicos das espécies Loxosceles gaúcho, Phoneutria
nigriventer e Lâcosa erythrognatha. Mem. Inst. Butantan, í7/4S:33-43, 1983/84.
As tabelas 5 e 6 apresentam os resultados dos testes de soroneutralizações
cruzadas “in vivo”.
TABELA 5
Doseamento do antiveneno loxoscélico, colocado frente ao veneno de P. nigriventer
e inoculado pela via intravenosa em camundongos
Veneno de
P. nigriventer
(DLeo = 11,50 Mg)
Solução
salina
ml
Antiveneno
loxoscélico
ml
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
24 h
48 h
0,00125
0,0125
0,2375
0,25
37°C
0/6
0/6
0,00250
0,0250
0,2250
0,25
0/6
0/6
0,00500
0,0500
0,2000
0,25
X
0/6
0/6
0,00750
0,0750
0,1750
0,25
0/6+
0/6*
0,01000
0,1000
0,1500
0,25
30 min
6/6
Título: 1 ml de antiveneno de Loxosceles gaúcho neutralizada 0,060 mg ou 5,22
DLm do veneno de P. nigriventer
TABELA 6
Doseamento do antiveneno loxoscélico, colocado frente ao veneno de L. erythrognatha
e inoculado pela via intravenosa em camundongos
Veneno de
L. erythrognatha
(DLw = 294,90 Mg)
Solução
salina
Antiveneno
loxoscélico
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
ml
ml
24 h
48 h
0,040
0,0040
0,2460
0,25
37°C
0/6
0/6
0,080
0,0080
0,2420
0,25
0/6
0/6
0,160
0,0160
0,2340
0,25
X
0/6+
0/6+
0,320
0,0320
0,2180
0,25
30 min
3/6
3/6
* Título: 1 ml de antiveneno de Loxosceles gaúcho neutraliza 1,28 mg ou 4,34 DLm
do veneno de L. erythrognatha
39
cm
SciELO
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CICAEELLI, E. M. B.; SILES VILLAEEOEL, M.; GUIDOLIN, E. & CEIVELLAEO, O.
Estudo imunoquímico dos venenos aranêicos das espécies Loxosceles gaúcho, Phoneutria
nigriventer e Lâcosa erythrognatka. Mem. Inst. Butantan, 47/45:33-43, 1983/84.
Para facilitar a análise dos resultados acima, apresentamos a tabela 7 que
resume os títulos encontrados.
TABELA 7
Resumo dos títulos obtidos com o antiveneno loxoscélico frente aos venenos das três
espécies de aranhas; os títulos neutralizantes estão expressos em mg/ml e apresentam
a correspondência em termos de DLw/ml
Títulos do antiveneno Títulos do antiveneno
loxoscélico (mg/ml) loxoscélico (DLEo/ml)
Venenos
Loxosceles gaúcho
Phoneutria nigriventer
Lycosa erythrognatha
1,60
0,06
1,28
244,27
5,22
4,34
DISCUSSÃO
Conforme os resultados constantes da tabela 1 e ilustrados pelas figuras,
caracterizamos onze frações no veneno loxoscélico, oito frações no veneno de
Phoneutria e oito frações no veneno licósico; os eletroferogramas apresentaram-
-se distintos entre si.
Alguns autores realizaram eletroforese em gel de poliacrilamida dos vene¬
nos de Loxosceles e encontraram um número de frações que
variou de cinco e treze, na dependência do tipo de extração do veneno e da
metodologia utilizada.
A falta de uniformidade na forma de extração do veneno empregado, a
diversidade de metodologia, bem como a utilização de espécies diferentes, não
permitiram uma comparação entre os resultados. O mesmo vale para os nossos
resultados com os venenos de P. nigriventer e L. erythrognatha.
Na reação de imunodifusão (tabela 2), verificamos a formação de duas
linhas de precipitação entre o antiveneno loxoscélico e o veneno de P. nigri¬
venter, sendo uma com identidade parcial e outra com ausência de identidade
em relação ao veneno loxoscélico. Estes resultados são idênticos àqueles obti¬
dos por Furlanetto(1961). Na reação entre o antiveneno e 0 veneno loxos¬
célico, cinco linhas de precipitação foram evidenciadas.
Em relação ao antiveneno loxoscélico e o veneno de L. erythrognatha,
constatamos a presença de apenas u’a linha de precipitação com identidade
parcial ao veneno loxoscélico. A positividade dessa reação cruzada, explica a
neutralização parcial também observada por nós (tabela 6).
Nas reações de imunoeletroforese entre o antiveneno loxoscélico e os três
venenos aranêicos (tabela 3), verificou-se a presença de onze linhas de preci¬
pitação com 0 venono loxoscélico, duas linhas com o veneno de P. nigriventer
e uma com o veneno de L. erythrognatha.
Conforme consta da tabela 4, foram evidenciadas cinco linhas de preci¬
pitação por imunodifusão em gel de ágar entre o antiveneno aracnídico e o
40
cm
2 3
L.
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CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; GUIDOLIN, R. & CRIVELLARO, O.
Estudo imunoquímico dos venenos aranêicos das espécies Loxosceles gaúcho, Phoneutria
nigriventer e Lâcosa erythrognatha. Mem. Inst. Butantan, U7/U8-.ZZ-ÍZ, 1983/84.
veneno de Loxosceles gaúcho. Por outro lado, por imunoeletroforese, foi-nos
possível demonstrar onze linhas. O mesmo antiveneno, quando colocado frente
aos venenos de Phoneutria nigriventer e Lycosa erythrognatha, permitiu demons¬
trar seis e duas linhas de precipitação por imunodifusão e treze e quatro
linhas por imunoeletroforese, respectivamente.
Schenberg & Pereira Lima^^ (1960), realizando a imunoeletroforese em
gel de ágar do veneno de Phoneutria fera, obtido por estímulo elétrico, demons¬
traram 14 linhas de precipitação, resultado este que se assemelha àquele por
nós encontrado.
Pelos nossos resultados, conclui-se que a imunoeletroforese é mais ade¬
quada do que a imunodifusão em gel de ágar para a caracterização do número
de determinantes antigênicos, fato observado também por Siles VillarroeP^
(1972) e Siles Villarroel e cols.^^'^^ (1974 e 1976/7), com serpentes do gênero
botrópico.
CONCLUSÕES
1. A eletroforese em gel de poliacrilamida não só revela maior número
de frações do que o relatado na literatura, com outras técnicas, como também
permite distinguir claramente os três venenos estudados. Parece-nos, assim, ser
o método mais adequado para a separação dos diversos componentes desses
venenos;
2. através das reações de imunodifusão e, principalmente, de imunoele¬
troforese em gel de ágar, é possível determinar o número de componentes
antigênicos específicos e paraespecíficòs dos venenos estudados;
3. ocorre soroneutralização cruzada entre o antiveneno loxoscélico e os
venenos de Phoneutria nigriventer e de Lycosa erythrognatha "in vivo”, resul¬
tado este confirmado “in vitro” pelas técnicas imunoquímicas utilizadas.
ABSTRACT: The authors study the electrophoretic and immuno-
chemistry behaviour of the Loxosceles gaúcho, Phoneutria nigriventer
and Lycosa erythrognatha venoms. Through polyacrylamide gel
electrophoresis technic as showed, the presence of 11 fractions in
Loxosceles gaúcho venom and of 8 fractions in Phoneutria nigriven¬
ter and Lycosa erythrognatha venoms. By this way, they verify a
distinct electrophoretic behaviour between these venoms. More than
this, immunodiffusion and immunoelectrophoresis in agar gel
technics were utilized to determine, the number of specific and
nonspecific immunogenic components of the venoms. It was also
verifyed crossed “in vivo” and “in vitro” serum neutralization
between loxoscelic antivenin and P. nigriventer and L. erythrognatha
venoms.
KEYWORDS: polyacrylamide gel electrophoresis; immunoelectro¬
phoresis and immunodiffusion; spider venom.
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CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M.; GUIDOLIN, R. & CRIVELLARO, O.
Estudo imunoquímico dos venenos aranêicos das espécies Loxosceles gaúcho, Phoneutria
nigriventer e Lâcosa erythrognatha, Mem. Inst. Butantan, 47/45:33-43, 1983/84.
comparativa dos componentes antigênicos de seis espécies de veneno frente a
seus respectivos antivenenos, através das técnicas de dupla difusão e imunoele-
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Recebido para publicação em 14/10/1983 e aceito em 12/06/1984.
43
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SciELO
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Mem. Inst. Butantan
Í7/Í8-AZ-5Z, 1983/84
AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE TÓXICA DO VENENO DE
LOXOSCELES GAÚCHO EM TERMOS DE DL^q E
TITULAÇÃO DO ANTIVENENO ESPECÍFICO EM
CAMUNDONGOS
Regina Maria Barretto CICARELLI *
Medardo SILES VILLARROEL **
Flávio ZELANTE **'
RESUMO: Os autores demonstram que a atividade tóxica do veneno
de Loxosceles gaúcho pode ser determinada satisfatoriamente, em
termos de DLjg, através de inoculações intravenosa e intraperitoneal
em camundongos. A sensibilidade é maior quando o veneno é ino¬
culado intravenosamente. São testados três tipos de veneno: obtido
por estímulo elétrico, por trituração de cefalotórax e por trituração
de glândulas veneníferas. Na tentativa de padronização, seria reco¬
mendada a utilização do veneno extraído por estímulo elétrico.
É demonstrado, também, que a potência de neutralização do anti-
veneno específico pode e deve ser determinada, utilizando-se a via
intravenosa de camundongos, avaliando-se, assim, a atividade tóxica
geral do veneno e não apenas a sua atividade necrosante.
PALAVRAS CHAVE: veneno de Loxosceles gaúcho; antiveneno
aracnídico.
INTRODUÇÃO
O gênero Loxosceles Heinecken e Lowe, 1832 pertence à família Sicariidae,
também conhecida como Scytodidae, com espécies distribuídas nas zonas tro¬
pical, sub-tropical e temperada do mundo inteiro A toxicidade do
veneno de Loxosceles foi estudada por vários autores, principalmente em rela¬
ção à atividade necrosante local 26 . si, 39_
* Professora Assistente do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Bio-
médicas da USP.
** Professor Livre Docente do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Bio-
médicas da USP.
*** Professor Titular do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Bio-
médicas da USP.
Endereço para correspondência: Departamento de Imunologia — Edifício Biomédicas III —
Cidade Universitária — CEP 05508 — São Paulo — SP.
45
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CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Loxosceles gaúcho em termos de e titulação do antiveneno
específico em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 47/45:45-63, 1983/84.
Além de necrosante, o veneno é hemolítico, determinando hemoglobinúria,
hematúria e ictreícia, causando o quadro clínico conhecido como “araneísmo
cutâneo-íctero-hemolítico”, que pode ser agravado por um comprometimento
renal, evoluindo para anúria e, às vezes, morte
Conforme Furlanetto(1961), o acidente loxoscélico era confundido com
o licósico, que apresenta menor gravidade. Assim, muitos pesquisadores estran¬
geiros acreditavam que, no Brasil, o veneno de Lycosa apresentava caracterís¬
ticas diferentes dos encontrados em outros países, com espécies deste gênero.
A partir dessas observações, Furlanetto propôs-se a estudar a atividade do
veneno loxoscélico e preparar o soro específico, até então inexistente.
Alguns autores estudaram o veneno extraído de glândulas de Loxos¬
celes reclusa, a “aranha-marrom” da América do Norte, determinando a DL 6o
por via intraperitoneal em camundongos. Outros pesquisadores, como Schenone
e cols. (1970), usaram outras espécies animais para tal determinação.
Pelo exposto, verifica-se a necessidade de uma padronização para os estu¬
dos dos venenos e antivenenos desses animais peçonhentos. Os próprios infor¬
mes da Farmacopéia Brasileira'^ (1977), da Organização Panamericana da
Saúde (1977) e da Organização Mundial da Saúde (1981) são omissos nestes
particulares.
Até o presente, a atividade do veneno loxoscélico, bem como a titulação
do antiveneno específico são feitas em coelhos, em termos de Dose Mínima
Necrosante (DMN), não se encontrando na Farmacopéia Brasileira nenhuma
instrução normativa quanto à padronização de tais titulações.
Neste trabalho, os autores propõem-se a determinar a atividade tóxica
do veneno de Loxosceles gaúcho, em termos de DL 50, utilizando as vias intra¬
venosa e intraperitoneal, em camundongos, e verificar, também, a possibilidade
da utilização da via intravenosa de camundongos para o doseamento do anti¬
veneno específico.
MATERIAL E MÉTODOS
Venenos *
Os venenos de Loxosceles gaúcho Gertsch, 1967, foram extraídos por esti¬
mulação elétrica e por trituração de cefalotórax e de glândulas
Antiveneno loxoscélico *
Foi obtido através de hiperimunização de cavalos com antígenos do
trhurado de cefalotórax de L. gaúcho. O soro é purificado e concentrado pelo
método de Pope (1938) e Pope (1939), modificado por Furlanetto'® (1961).
O título do soro era de 15 Unidades Antinecrosantes (UAN) por 1 ml
de soro.
* Fornecidos pelo Instituto Butantan.
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z
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CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Loxosceles gaúcho em termos de DLjg e titulação do antiveneno
específico em camundongos. Mem. hist. Butantan, i7/Jf8-.ih-hZ, 1983/84.
Animais
Foram utilizados, por dose, lotes de seis camundongos brancos (Mus
musculus Linnaeus, 1758), de ambos os sexos, pesando 20g ± 2g. Os animais
receberam inoculações pelas vias intravenosa (IV) ou intraperitoneal (IP), sem¬
pre com volume de 0,5 ml. Os animais foram observados por um período
máximo de 72 horas, com leituras parciais aos 30 e 60 minutos, 24 e 48 horas.
Cálculo da DLdo veneno
Realizada de acordo com o método de Kárber (1931).
Doseamento do antiveneno
Na avaliação da potência foi mantido constante o volume do imunessoro,
diluído a 1/2, variando a concentração do veneno. A mistura veneno-antive-
neno, após incubação a 37°C por 30 minutos, foi inoculada nos camundongos.
Os resultados foram expressos em termos de mg e de DL 50 de veneno
neutralizado por 1 ml de antiveneno, baseando-se na técnica utilizada por
Siles Villarroel “ (1977), Siles Villarroel e cols. (1978/9) e Siles Vilarroel
e cols. *(1978/9), no estudo de antivenenos botrópicos.
RESULTADOS
As tabelas 1 e 2 apresentam os resultados da determinação da DL 50 do
veneno obtido por estímulo elétrico, inoculado pela via intravenosa e pela
via intraperitoneal, respectivamente.
TABELA 1
Determinação da DJU» do veneno de L. gaúcho obtido por estímulo elétrico, inoculado
pela via intravenosa em camundongos
Tempos de
observação
Doses em microgramas
5,00
6,00
7,20
8,64
10,37
12,44
DLr,«
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
0/6
1/6
2/6
3/6
3/6
10,33 Mg-
48 horas
0/6
1/6
2/6
4/6
4/6
5/6
8,35 Mg
72 horas
1/6
3/6
4/6
5/6
5/6
6/6
6,55 Mg
47
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Loxosceles gaúcho em termos de DLju e titulação do antiveneno
específico em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 47/48:45-53, 1983/84.
TABELA 2
Determinação da DLc» do veneno de L. gaúcho obtido por estímulo elétrico, inoculado
pela via intraperitoneal em camundongos
Tempos de
observação
Doses
em microgramas
10,00
12,00
14,40
17,28
20,74
24,88
DLr.„
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
1/6
2/6
4/6
4/6
6/6
16,76 gg
48 horas
1/6
1/6
4/6
5/6
5/6
6/6
13,97 Mg
72 horas
1/6
1/6
4/6
5/6
6/6
13,55 Mg
A tabela 3 mostra os resultados da determinação da DLso do veneno obtido
por trituração de cefalotórax, inoculado pela via intravenosa.
TABELA 3
Determinação da DLco do veneno obtido por trituração de cefalotórax de L. gaúcho,
inoculado pela via intravenosa em camundongos
Solução inicial de veneno de L. gaúcho diluído a 1:
observação
22,0
30,8
43,1
60,4
84,5
D Lm
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
6/6
3/6
1/6
0/6
0/6
1/32,60*
48 horas
5/6
3/6
1/6
0/6
1/43,11*
72 horas
6/6
3/6
2/6
1/6
1/51,00*
* As diluições a 1/32,60, 1/43,11 e 1/51,00 equivalem, aproximadamente, a 7,67 p.g,
5,80 /ug e 4,90 /rg de veneno seco obtido por estímulo elétrico de L. gaúcho
A tabela 4 apresenta os resultados da determinação da DLso do veneno
obtido por trituração de glândulas veneníferas, inoculado pela via intra¬
venosa.
48
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Loxosceles gaúcho em termos de e titulação do antiveneno
específico em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 47/45:45-53, 1983/84.
TABELA 4
Determinação da DL™ do veneno obtido por trituração de glândulas veneníferas de
L. gaúcho, inoculado pela via intravenosa em camundongos
Tempos de
observação
Solução inicial
de veneno de L. gaúcho diluído
a 1:
22,0
30,8
43,1
60,4
84,6
DLso
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
4/6
3/6
1/6
1/6
0/6
1/30,80*
48 horas
6/6
4/6
4/6
2/6
1/6
1/48,23*
72 horas
5/6
4/6
3/6
1/6
1/53,96*
* As diluições a 1/30,80, 1/48,23 e 1/63,96 equivalem, aproximadamente a 8,11 gg,
5,18 fj-g e 4,63 gg de veneno seco obtido por estímulo elétrico de L. gaúcho
Com o objetivo de facilitar uma análise global, incluimos a tabela 5, que
resume os valores das DL.'-,o dos três tipos de venenos presentemente estudados.
TABELA 5
Comparação dos resultados de toxicidade dos três tipos de venenos de L. gaúcho,
inoculados pela via intravenosa em camundongos
Amostra de veneno
D Lm, em gg
24 h
DLso em gg
48 h
D Lm em gg
72 h
Obtidas por estimulo elétrico ....
10,33
8,35
6,65
Obtidas por trituração do cefalo-
tórax.
7,67
5,80
4,90
Obtidas por trituração de glândulas
8,11
5,18
4,63
A tabela 6 apresenta os resultados dos ensaios para a determinação do
título neutralizante do imunessoro específico.
49
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
CICARELLI, E. M. B.; SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F, Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Loxosceles gaúcho em termos de DEj-^ e titulação do antiveneno
específico em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 47/48:45-53, 1983/84.
TABELA 6
Doseamento do antiveneno loxoscélico, colocado frente ao veneno específico e inoculado
pela via intravenosa em camundongos
Veneno de L. gauxho
(DLot = 6,65 /ig)
Solução
salina
Antiveneno
loxoscélico
Incubação
Tempos de observação
mg
ml
ml
ml
24 h
48 h
72 h
0,200
0,0400
0,2100
0,25
37°C
0/6
0/6
0/6*
0,240
0,0480
0,2020
0,25
0/6
4/6
6/6
0,288
0,0576
0,1924
0,25
X
6/6
0,346
0,0692
0,1808
0,25
6/6
0,416
0,0830
0,1670
0,25
30 min
6/6
* Titulo: 1 ml de antiveneno de Loxosceles gaúcho neutraliza 1,60 mg ou 244,27
DLr.(p do veneno específico
DISCUSSÃO
A utilização de camundongos que sofreram inoculações IV e IP possibilitou
a determinação da DLno do veneno de Loxosceles gaúcho, que em duas
experiências demonstrou reprodutibilidade satisfatória.
A regularidade de ocorrência de mortes, em função do tempo de
observação e progressão das doses de veneno inoculadas, vias IV e IP, permitiu
a determinação da DLso após 72 horas de observação, 6,55 p.g e 13,55 p.g,
respectivamente. Deve ser ressaltado que a sensibilidade ao veneno é maior,
quando este é inoculado pela via IV do camundongo.
Furlanetto(1961), determinou a DLno do veneno extraído por estímulo
elétrico e inoculado por via IV em camundongos, obtendo 6,82 p.g em 48
horas. Os nossos resultados, 8,35 pg no mesmo período e 6,55 pg após 72
horas são diferentes daquele obtido por Furlanetto e, acreditamos, ser explicável
por tratarem-se de partidas diferentes de veneno, e ainda, por variações a que
estão sujeitos os ensaios biológicos.
Das tabelas 3 e 4, podemos depreeender que as DL^o do veneno de
L. gaúcho, provenientes de trituração de cefalotórax e de glândulas, apresentam-se
muito próximas (4,90 pg e 4,63 pg em 72 horas, respectivamente) c mais tóxicas
se comparadas com a DL,-o do veneno obtido por estímulo elétrico (6,55 pg);
isto se justifica pela utilização da quantidade total do veneno que está contida
nas glândulas da aranha, não possível de ser extraído totalmente por estímulo
elétrico.
Até 0 presente, a toxicidade do veneno de Loxosceles e a atividade
neutralizante do antiveneno específico são determinadas segundo o método
preconizado por Furlanetto (1961). Esta avaliação determina unicamente o
efeito da fração necrosante e não a ação tóxica geral do veneno, levando em
consideração exclusivamente a neutralização do efeito local. Sabe-se, no entanto.
50
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, E. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Loxosceles gaúcho em termos de DLj.g e titulação do antiveneno
específico em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 47/45:45-53, 1983/84.
que indivíduos acidentados por esta aranha, apesar de apresentarem lesões
cutâneas extensas, não morrem devido a esse efeito local, mas em decorrência
de manifestações sistêmicas, principalmente caracterizadas pelo comprometimento
renal
Em nossa opinião, o doseamento do antiveneno loxosc^lico seria mais
correto se expresso em termos de ação neutralizante geral do veneno e não apenas
em função do fator necrosante.
CONCLUSÕES
1. A atividade tóxica do veneno de Loxosceles gaúcho, principalmente
quando extraído por estímulo elétrico, pode ser convenientemente padronizada
em termos de DLõo, para as vias intravenosa e intraperitoneal em camundongos;
2. o antiveneno loxoscélico monovalente deveria ser titulado em
camundongos pela inoculação intravenosa da mistura, veneno-antiveneno e os
resultados seriam, finalmente, expressos em mg ou número de DL 50 de veneno
neutralizados por 1 ml de antiveneno.
ABSTRACT: The authors show that through intravenous and in¬
traperitoneal inoculations in mice, the toxic activity of Loxosceles
gaúcho venom can be determined in terms of DLgg. The sensibility
is higher when venom is intravenous injected. Three types of venom
were obtained and tested; through eletric stimulation, cephalothorax
trituration and through venom glands trituration. Tentatives of
standardization should be done with venom obtained from eletric
stimulation. It is shown that the neutralization potency of the
specific antivenin should be determined using the intravenous route
in mice, estimating the toxic and necrotizing activity of the venom.
KEYWORDS: Loxosceles gaúcho venom; spider antivenin.
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1 SciELO
Mem. Inst. Butantan
i7/48:55-60, 1983/84
AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE TÓXICA DO VENENO DE
LYCOS A ERYTHROGNATHA EM TERMOS DE DEg^ E
TITULAÇÃO DO ANTIVENENO EM CAMUNDONGOS
Regina Maria Barretto CICARELLI * .
Medardo SILES VILLARROEL »*
Sylvia LUCAS***
RESUMO: Os autores, utilizando veneno da espécie Lycosa eryth-
rognatha, demonstram que a atividade tóxica desse veneno pode ser
determinada, satisfatoriamente, em termos de DL,, 50 , através de
inoculações intravenosa e intraperitoneal em camundongos. A potên¬
cia de neutralização do antiveneno licósico também pode ser deter¬
minada utilizando-se a via intravenosa de camundongos. Dessa
maneira, a atividade tóxica do veneno, bem como a titulação do
antiveneno é fundamentada na atividade geral do veneno e não só
em função do fator necrosante presente neste.
PALAVRAS CHAVE: veneno de Lycosa erythrognatha; antiveneno
aracnídico.
INTRODUÇÃO
O gênero Lycosa Latreille, 1804 pertence à família Lycosidae, com espécies
distribuídas em todos os continentes
Estudos feitos por Brazil e Vellard ^ (1925) mostraram que o veneno
dessas aranhas tem efeito necrosante local e é praticamente desprovido de ação
geral. Os mesmos autores, em 1926^, prepararam o soro antictênico-licósico,
usando o coelho como animal de prova para a determinação da atividade
necrosante do veneno e titulação do antiveneno, metodologia que vem sendo
empregada até a atualidade.
A atividade necrosante do veneno de Lycosa é bem menos intensa do
que a de Loxosceles, sem efeitos sistêmicos proeminentes^''. Kaiser® (1956),
* Professora Assistente do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Bio-
médicas da USP.
** Professor Livre Docente do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Bio-
médicas da USP.
*** Diretora da Divisão de Biologia do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência: Departamento de Imunologia — Edifício Biomédicas III —
Cidade Universitária — CEP 05508 — São Paulo — SP.
55
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M. & LUCAS, S. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Lycosa erythrognatha em termos de DLj.(j e titulação do antiveneno
em camundongos. Mem. Inst. Butantan, iT/iS:55-G0, 1983/84.
estudando a atividade enzimática desse veneno, verificou ausência de ação
coagulante e hemolítica, porém com atividade semelhante à da hiajuronidase.
Neste trabalho, os autores se propuseram a determinar a atividade tóxica
do veneno de Lycosa erythrognatha *, extraído por estímulo elétrico, em termos
de DL 50 Utilizando as vias intravenosa e intraperitoneal em camundongos, e
verificar a possibilidade de utilização da via intravenosa de camundongos para
o doseamento da fração antiveneno licósico do soro antiaracnídico polivalente.
MATERIAL E MÉTODOS
Veneno utilizado **
Os venenos de Lycosa erythrognatha Lucas, 1 836 foram extraídos por estí¬
mulo elétrico e dessecados a vácuo, conforme a técnica de Bücherl ® (1953),
Antiveneno aracnídico polivalente * *
No soro antiaracnídico (antiaranêico e antiescorpiônico), a fração antiara-
nêica foi obtida pela hiperimunização de cavalos com mistura imunogênica
constituída por triturado de cefalotórax de Loxosceles e Lycosa e veneno obtido
por estímulo elétrico de Phoneutria. A fração antiescorpiônica foi obtida pela
hiperimunização de cavalos com venenos obtidos por estímulo elétrico de
espécimes dos gêneros Tityus.
O antiveneno foi purificado e concentrado pelo método de Pope (1938)
e Pope (1939), modificado por Furlanetto * (1961).
Os títulos do soro apresentados na fração aranêica eram os seguintes:
1 ml de soro neutraliza 10 DMM do veneno loxoscélico, 1,5 DMM do veneno
de Phoneutria e 15 DMN do veneno licósico.
Animais utilizados
Foram utilizados camundongos brancos (Mus musculus Linnaeus, 1758),
de ambos os sexos, pesando 20g ± 2g. Estes animais receberam inoculações
pelas vias intravenosa ou intraperitoneal, no volume de 0,5 ml. Foram utili¬
zados lotes de 6 camundongos por dose que, após as inoculações, foram obser¬
vados por um período máximo de 48 horas, com leituras parciais de 30 e
60 minutos e 24 horas.
Determinação da DL r,o do veneno
Foi realizada de acordo com o método de Kârber (1931).
Doseamento do antiveneno
Na avaliação da potência do antiveneno foi mantido constante o volume
do imunessoro diluído a 1/2, variando as doses do veneno. A mistura veneno-
♦ Essa espécie pode ser também encontrada nos Catálogos com o nome de Scaptocosa raptaria.
** Fornecidos pelo Instituto Butantan.
56
i SciELO
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M. & LUCAS, S. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Lycosa erythrognatha em termos de DL^g e titulação do antiveneno
em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 47/^0:55-60, 1983/84.
-antiveneno, após a incubação a 37°C x 30 minutos, foi inoculada nos camun¬
dongos.
Os resultados foram expressos em termos de mg e de DL 50 de veneno
neutralizado por 1 ml de antiveneno, baseando-se na técnica experimental
utilizada por Siles VillarroeP^ (1977), Siles Villarroel e cols. (1978/9) e
Siles Villarroel e cols. (1978/9), no estudo de antivenenos botrópicos.
RESULTADOS
As tabelas 1 e 2 apresentam os resultados da determinação da DL,-,o do
veneno de Lycosa erythrognatha inoculado pela via IV e pela via IP,
respectivamente.
TABELA 1
Determinação da DLr,o do veneno de L. erythrognatha, inoculado pela via intravenosa
em camundongos
Tempos de
observação
Doses em microgramas
160,00
208,00
270,00
351,52
456,98
594,07
DL50
30 minutos
0/6
0/6
1/6
5/6
6/6
6/6
60 minutos
0/6
0/6
1/6
5/6
24 horas
0/6
0/6
2/6
5/6
294,9 jag
48 horas
0/6
0/6
2/6
5/6
--
294,9 /ag
TABELA 2
Determinação da DLr.,. do veneno de L. erythrognatha, inoculado pela via intra-
peritoneal em camundongos
Tempos de
observação
Doses em microgramas
40,0
80,0
160,0
320,0
640,0
1280,0
DL-.,,
30 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
60 minutos
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
24 horas
0/6
0/6
0/6
1/6
4/6
5/6
570,0 g-s
48 horas
0/6
0/6
0/6
1/6
4/6
6/6
508,0 gg
57
1 SciELO
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M. & LUCAS, S. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Lycosa erythrognatha em termos de e titulação do antiveneno
em camundongos. Mem. Jnst. Butantan^ .47/45:55-60, 1983/84.
A tabela 3 apresenta os resultados dos ensaios para a determinação do
título neutralizante do imunessoro específico, através da via IV.
TABELA 3
Doseamento do antiveneno aracnídico, colocado frente ao veneno de L. erythrognatha
e inoculado pela via intravenosa em camundongos
L. erythrognatha
(DLeo = 294,9 fig)
Solução
salina
Antiveneno
aracnídico
Incubação
Tempos de
observações
mg
ml
ml
ml
24 h
48 h
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* Título: 1 ml de antiveneno aracnídico neutraliza 1,60 mg ou 5,42 DLm do veneno
de L. erythrognatha
DISCUSSÃO
A utilização de camundongos que sofreram inoculações IV e IP
possibilitou a determinação da DLr.o do veneno de L. erythrognatha, com
reprodutibilidade satisfatória em dois experimentos realizados.
Constatou-se a ocorrência de mortes após 60 minutos, o que não se
verificou quando da inoculação intraperitoneal. Comparando-se as sensibilidades
apresentadas pelos animais, com relação às vias de inoculação, concluiu-se que
a da intravenosa é consideravelmente maior (DLso iguais a 294,9 p-g — via
IV e 508,0 iig — via IP).
A inexistência de trabalhos semelhantes, impossibilita-nos estabelecer
qualquer análise comparativa, visto que, até hoje, a determinação da atividade
tóxica do veneno licósico tem sido realizada conforme o método proposto por
Brazil & Vellard» (1950).
Atualmente, o doseamento do soro antiaracnídico é realizado através dos
métodos preconizados por Furlanetto ® (1961) para o antiveneno de Loxosceles
(em coelhos) e por Brazil e Vellard ^ (1925, 1926, 1950 e 1950) para
os antivenenos de Phoneutria e Lycosa (em cobaias e coelhos, respectivamente).
Esses métodos apresentam alguns inconvenientes, seja quanto ao consumo de
veneno, à falta de uniformidade em relação aos animais de prova e,
principalmente, porque só avaliam a fração antinecrosante dos venenos loxoscélico
e licósico.
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cm
SciELO
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CICARELLI, R. M. B,; SILES VILLARROEL, M. & LUCAS, S. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Lycosa erythrognatha em termos de e titulação do antiveneno
em camundongos. Mem. Inst. Butantan, .47/45:55-60, 1983/84.
CONCLUSÕES
1. A atividade tóxica do veneno de Lycosa erythrognatha pode ser
convenientemente padronizada em termos de DL 50 , para as vias IV e IP de
camundongos:
2. o antiveneno aracnídico polivalente pode ser titulado satisfatoriamente
pela inoculação intravenosa da mistura veneno-antiveneno, cujo resultado seria
finalmente expresso em mg ou número de DL 50 de veneno, neutralizado por
ml de antiveneno.
ABSTRACT: The authors show that the toxic activity of Lycosa
erythrognatha species venom inoculated intravenous and intraperi-
toneal in mice, can be satisfatory determined in terms of DLs». The
neutralizing potency of the antivenin can also be determined through
the intravenous route in mice. In this way, the toxic activity of the
venom, as well the antivenin titration are supported by the general
activity of the venom, not only by the necrotizing factor presents
in it.
KEYWORDS: Lycosa erythrognatha venom; spider antivenin.
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59
j 1 SciELO
CICARELLI, R. M. B.; SILES VILLARROEL, M. & LUCAS, S. Avaliação da atividade
tóxica do veneno de Lycosa erythrognatha em termos de DL.j| e titulação do antiveneno
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Recebido para publicação em 14/10/1983 e aceito em 12/06/1984.
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Mem. Inat. Butantan
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HENNEGUYA PISCIFORME N. SP., MIXOSPORÍDEO
PARASITO DE BRANQUÍAS DO LAMBARI
HYPHESSOBRYCON ANISITSI (PISOES, CHARACIDAE)
Nelson da Silva CORDEIRO *
Paulo de Toledo ARTIGAS *
Ismael GIÓIA **
Rosana Souza LIMA **
RESUMO: Uma nova espécie de mixosporídeo é descrita de Hyp-
hessobrycon anisitsi (Characidae), peixe de água doce coletado em
Campinas, Estado de São Paulo. O nome Henneguya pisciforme n.
sp. é dado. A morfologia e estágios do ciclo de vida do parasito são
descritos. É discutida a prevalência da infecção e a ausência de
patogenicidade do organismo.
PALAVRAS CHAVE: Henneguya pisciforme n. sp.; Myxosporea;
Hyphessobrycon anisitsi; Characidae.
INTRODUÇÃO
A presença de mixosporídeos em peixes da região neotrópica foi assina¬
lada por vários pesquisadores. Parece ter sido Müller^^ (1841) quem primeiro
verificou tais protozoários, na América do Sul, encontrados em peixes da
Guiana Holandesa (Suriname). Em 1893, as espécies assinaladas por Müller
foram classificadas por Gurley “ no gênero Myxobolus (M. inaequalis e M.
linearis). Esta última espécie, em 1899, foi transferida por Labbé para o
gênero Henneguya (H. linearis).
Splendore (1910), médico italiano, radicado em São Paulo, constata a
presença de mixosporídeos nas brânquias do bagre Rhamdia quelen, capturado
nos arredores da cidade. Dunkerly'' (1915) relata a existência de Agarella
gracilis parasitando a piramboia Lepidosirem paradoxa, capturada nos rios
Paraguai e Amazonas. Migone“ (1916), outro médico italiano, vivendo no
Paraguai, refere o encontro de mixosporídeos em cinco espécies de peixes da
* Departamento de Parasitologia, Universidade Estadual de Campinas.
** Departamento de Zoologia, Universidade Estadual de Campinas.
Endereço para correspondência: IB — Universidade Estadual de Campinas — Caixa Postal,
6109 — Campinas — SP — Brasil.
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CORDEIRO, N. S.; ARTIGAS, P. T.; GIÓIA, I. & LIMA, R. S. Henneguya pisciforme n. sp.,
mixosporídeo parasito de brânquias do lambari Hyphessobrycon anisitsi (Pisces, Chara-
cidae). Mem. Inst. Butantan, 47/45:61-69, 1983/84.
Bacia do Rio Paraguai; todavia não foi feita a classificação desses protozoários.
Cunha & Fonseca‘ ^ (1917, 1918), em peixes marinhos e fluviais do Rio de
Janeiro, Ilha Grande, Rio Pardo (em Mato Grosso) e Rio Paraná, verificaram
seis novas espécies de diferentes gêneros de mixosporídeos. Aragão ^ (1918),
descreve Myxobolus lutzi, encontrado nos testículos de Poecila vivipara.
Nemeczek (1926) assinala M. chondrophilus nas brânquias de Sardinella
anchovina; assinala ainda, três novos mixosporídeos, M. associatus e Henne¬
guya leporini em Leporinas mormyrops e H. occulta em Loricaia sp.. Fonseca
& Penido, referem mixosporídeos em peixes capturados em Mato Grosso; tais
informações foram publicadas em 1927, por Penido®^. Pinto(1928a), em
Astyanax fasciatus, adquiridos na cidade de São Paulo, encontra H. wenyoni
em peixes colhidos no Rio Turvo, próximo à cidade de Pirangi, SP. Pinto
(1928b), verificou a presença de M. noguchii, M. stokesi e H. iheringi; em
Acestrorhampus sp.. Pinto*’ (1828c), verifica e descreve Myxidium gurgeli.
Guimarães ® (1931), publica sua tese doutoral, versando sobre mixosporídeos
de peixes do Brasil. Em 1933 e 1934, Guimarães & Bergamin registram
o encontro de H. travassosi e H. santae, respectivamente em A. fasciatus e
Lepomis copelandi e em Tetragnopterus santae. Jokowska & Nigrelli (1953),
referem em Electrophorus electricus o encontro de H. visceralis, H. electrica
e Henneguya sp.. Recentemente, Kent & Hoffman(1984) tornam público a
presença de H. theca, parasitando Engemannia •virescens.
Atualmente desenvolvemos um projeto de pesquisa que inclui o levanta¬
mento da fauna parasitária de peixes de lago próximo à cidade de Campinas, SP.
Em Hyphessobrycon anisitsi, peixe characídeo de água doce, conhecido
popularmente por lambari, verificamos, em 20% dos peixes examinados, a
presença, nas brânquias, de grande número de cistos; esses cistos continham
esporos de mixosporídeos do gênero Henneguya Thélohan, 1892.
Neste trabalho apresentamos o resultado de nossas pesquisas, pertinentes
à morfologia do protozoário, aos estágios do ciclo biológico, prevalência da
infecção assinalando inexistência de ação patogênica provocada pelo parasitismo.
MATERIAL E MÉTODOS
Os peixes foram sacrificados no laboratório e a necrópsia, com finalidade
parasitária, efetuada imediatamente. O exame das guelras foi sempre minucioso,
tanto o macro como o microscópico. Positivada a presença de cistos, estes eram
examinados, para um conhecimento morfológico conveniente. Estudou-se mate¬
rial fresco e conservado em formol-Railliet.
Obtiveram-se fotomicrografias de cortes histológicos corados com Hemato-
xilina-Eosina e de esfregaços do material fresco corado pelo Giemsa. A visua¬
lização do vacúolo iodófilo foi conseguida com emprego da solução de Lugol.
A extrusão dos filamentos polares foi provocada em KOH 5% (Hoffman et
al 1965). Os desenhos foram feitos com auxílio de câmara clara.
DESCRIÇÃO
Henneguya pisciforme n. sp.
Estádio vegetativo: Numerosos cistos de coloração brancacento-amarelada,
localizados nos tecidos das brânquias, são visíveis a olho desarmado, em peixes
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CORDEIRO, N. S.; ARTIGAS, P. T.; GIÓIA, I. & LIMA, R. S. Henneguya pisciforme n. sp.,
mixosporídeo parasito de brânquias do lambari Hyphessobrycon anisitsi (Pisces, Chara-
cidae). Mem. Inst, Butantan, ^7/^5:61-69, 1983/84.
vivos e nos conservados em formol. Os cistos, às vezes mais de uma dezena
em cada hospedeiro, eram distribuídos por todas as brânquias e em ambas as
faces, internas e externas. Os cistos simples são esféricos ou ovais, limitados
por uma membrana produzida pelo hospedeiro (Figura 17). Seu desenvolvimento
é assíncrono; cistos contendo muitos esporontes, esporoblastos mono e
multinucleados e esporos maturos são encontrados contemporaneamente. No
pansporoblasto em transformação, encontramos esporos em variados estádios de
desenvolvimento; uns prematuros, arredondados, envoltos por uma membrana
translúcida, com indício de processo caudal e com cápsulas polares de tamanho
igual ou diferente, porém de pequenas dimensões; outros mais avançados,
maduros, o que se evidencia pela extensão do processo caudal e dimensões
das valvas (Figs. 10 a, b, c, d, e e). Os esporos maduros ocupam a área central
dos cistos, enquanto os estádios em desenvolvimento estão localizados ao redor,
na periferia da massa cística.
Esporos: Os esporos têm aspecto biconvexo, comprimidos lateralmente ao
plano da sutura, eom a região posterior estendendo-se e terminando em apêndice
caudal espesso, simples ou bifurcado (Fig. \0 d e e). As valvas são de igual
tamanho e os apêndices caudais são extensões das valvas.
Na região anterior do esporo há uma pequena constrição com aspecto de
mamilo (Fig. 10 d, e e /). Duas cápsulas polares piriformes, desiguais, contêm
os filamentos polares espiralados dispostos no sentido longitudinal. Quando
exteriorizado o filamento polar apresenta espessura uniforme (Fig. 10 /). O
esporoplasma, finalmente granulado, com um ou dois núcleos, contém um
vacúolo iodófilo que se evidencia distintamente, quando tratado pela solução
de Lugol.
Dimensões do material estudado, baseados em 30 exemplares, estão
apresentados na Tabela I.
TABELA I
Medidas em micrômetros de H. pisciforme n. sp.
Especificação
R
X
SD
Esporo:
Comprimento
17,32 — 23,20
20,40
1,54
Largura
4,46 — 6,73
6,12
0,46
Distância da extremidade
anterior à cápsula polar
4,62 — 6,73
5,64
0,60
Vacúolo iodófilo
1,78 — 3,04
2,25
0,43
Processo caudal
8,40 — 12,82
10,65
1,27
Cápsula polar:
Comprimento
3,11 — 6,14
4,28
0,57
Largura
1,18 — 2,44
1,70
0,43
Cisto
91,99 — 112,03
100,87
7,49
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CORDEIRO, N. S.; ARTIGAS, P. T.; GIÓIA, I. & LIMA, R. S. Henneguya pisciforme n. sp.,
mixosporídeo parasito de branquías do lambari Hyphessobrycon anisitsi (Pisces, Chara-
cidae). Mem. Inst. Butantan, 47/45;61-G9, 1983/84.
EXPLICAÇÃO DA PRANCHA
Figs. la e Ib — Esporos de H. linearis (Gurley, 1893), segundo Müller (1841), in Kudo, 1920.
Figs. 2a e 2b — Esporos de H. lutzi Cunha & Fonseca, 1918.
Figs. 3a-3c — Esporos de H. occulta Nemeczek, 1926, com três, dois e um prolongamentos
caudais.
Figs. 4a e 4b — Esporos de H. leporini Nemeczek, 1926.
Figs. 5a-5d — Esporos de H. wenyoni, Pinto, 1928.
5a •— Esporo com cauda bifurcada.
5b — Esporo, visto de perfil e mostrando o plano de sutura vertical.
5 c — Esporo, mostrando a abertura longitudinal para dar saída ao esporoplasma.
5d — Esporo possuindo cápsulas polares de forma e dimensões diferentes.
Fig. 6 — Esporo de H. iheringi Pinto, 1928.
Fig. 7 — Esporo de H. fonsecai Guimarães, 1931.
Fig. 8 — Esporo de H. cesarpintoi Guimarães, 1931.
Fig. 9 — Esporo de H, bergamini Guimarães, 1931.
Fig. 10 — Esporo de H. travassosi Guimarães & Bergamini, 1933.
Fig. 11 — Esporo de H. santae Guimarães & Bergamini, 1934.
Fig. 12 — Esporo de H. visceralis Jakowska & Nigrelli, 1953.
Fig. 13 — Esporo de H. electríca Jakowska & Nigrelli, 1953.
Figs. 14a e 14b — Esporos de Henneguya sp. Jakowska & Nigrelli, 1953.
Fig. 15 — Esporo de H. theca Kent & Iloffman, 1984. A área pontilhada representa a bainha.
Fig. 16a-16f — Esporos de H. pisciforme n. sp .
16a-16c — Estágios em desenvolvimento; observação a fresco.
16d — Esporos possuindo cápsulas polares de dimensões diferentes; coloração pelo Giemsa.
16e — Esporo com cauda bifurcada e vacúolo iodófilo; observação a fresco.
16f — Esporo tratado com KOH (6%). Notar a extrusão do filamento polar; observação
a fresco.
HOSPEDEIRO: Hyphessborycon anisitsi Eigenmann, 1907 (Pisces, Cha-
racidae).
PREVALÊNCIA: Foi verificada em 20%, num total de 180 peixes
examinados.
LOCALIZAÇÃO PARASITÁRIA: Protozoário histozóico. Estádio vege-
tativo localizado no tecido branquial.
PATOGENICIDADE: Aparentemente nenhuma.
LOCALIDADE TIPO: Campinas, Estado de São Paulo, Brasil.
MATERIAL EXAMINADO: Lâminas permanentes coradas pelo Giemsa
de n.°s 4001 a 4003. Peças histológicas conservadas em formol — Railliet;
cortes histológicos corados pela Hematoxilina-Eosina, seriados, de n.“s 4004 a
4010. Este material está depositado na Coleção de Protozoologia do Departa¬
mento de Parasitologia da UNICAMP.
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CORDEIRO, N. S.; ARTIGAS, P. T.; GIÓIA, I. & LIMA, R. S. Henneguya pisciforme n, sp.,
mixosporídeo parasito de brânquias do lambari Hyphessobrycon anisitsi (Pisces, Chara-
cidae). Mem. Inst. Butantan, í/'/4S;61-69, 1983/84.
Fig. 17 — Corte de brânquia (microfotografia) de Hyphessobrycon anisitsi, parasitada por
Henneguya pisciforme n. sp.; a. Cavidade cística com formas evolutivas e esporos
maduros; b. Membrana cística.
DISCUSSÃO
Desde a clássica monografia de Kudo(1920) sobre mixosporídeos, com
a descrição do gênero Henneguya, muitas espécies, que diferem fundamental¬
mente na estrutura do esporo, vêm sendo acrescidas ao gênero e encontrados
nas brânquias O encontro de infecção por Henneguya nas brânquias
de Hyphessobrycon anisitsi c de interesse por causa da pouca informação de
mixosporidiose em peixes sul-americanos. No gênero Henneguya, atualmente
são conhecidos dezesseis espécies brasileiras (Prancha 1) e, parasitando brân¬
quias, as seguintes: H. linearis (Gurley, 1895); //. occulta Nemeczek, 1926;
H. wenyoni Pinto, 1928; H. iheringi Pinto, 1928; H. cesarpintoi Guimarães,
1931; H. santae Guimarães & Bergamin, 1934 e H. pisciforme n.sp.
Das espécies brasileiras descritas, a que mais se aproxima da nossa é
H. wenyoni, do lambari de rabo vermelho. Asíyanax fasciatus Cuv. Segundo
as ilustrações apresentadas por Pinto’** (1928a), os esporos exibem cápsulas
polares de dimensões semelhantes ou desiguais. De modo marcante, os esporos
de H. pisciforme diferem dos esporos das demais espécies brasileiras no seguinte
aspecto anatômico: a região anterior se estreita para a formação de um botão
mamilar terminal: a presença de um apêndice caudal espesso é compartilhado
apenas com H. travassosi Guimarães & Bergamin, 1933. Nas demais espécies
brasileiras do gênero Henneguya o apêndice caudal é relativamente mais estreito.
No lago onde foram capturados os exemplares de H. anisitsi, cohabitam
Astyanax bimaculatus (L., 1978); Cheirodon notomelas Eigenmann, 1915;
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CORDEIRO, N. S.; ARTIGAS, P. T.; GIÓIA, I. & LIMA, R. S. Henneguya pisciforme n. sp.,
mixosporídeo parasito de brânquias do lambari Hyphessobrycon anisitsi (Pisces, Chara-
cidae). Mem. Inst. Butaniav, ^7/45:61-69, 1983/84,
Aphyocheirodon hemigrammus Eigenmann, 1915; Phalloceros caudimaculatus
(Hensel, 1968); Odontostilbe microcephala Eigenmann, 1907; Hoplias 'mala-
baricus (Bloch, 1794) e Geophagus brasiliensis (Quoy & Gaimard, 1824).
Apesar da intimidade reinante entre as várias espécies de peixes neste
habitat restrito, somente H. anisitsi apresenta-se parasitando; tal circunstância
demonstra uma intensa especificidade parasitária, talvez suficiente para consi¬
derar o mixosporídeo como sendo uma nova espécie.
Alguns mixosporídeos têm sido assinalados como agentes produtores de
enfermidades; Davis® (1924) e Chakravarty ® (1939) afirmam que tais proto¬
zoários são, realmente, patogênicos. É aceito que Myxobolus pfeifferi Thélohan,
1895, é causador de doença fatal, enquanto M. cyprini Dofflein, 1898, é res¬
ponsável por processo supurativo do rim, fígado e baço de Cyprinus carpio
L. Essas observações são confirmadas por Bauer ^ (1961), em culturas de
carpa, onde M. cyprini e M. dispar Thélohan, 1895, parecem ser as espécies
mais importantes como agentes patogênicos; o mesmo foi verificado em ambien¬
tes naturais (Petruchevskii & Schulman 1961). Ceratomyxa sp., infectando
Gobioides rubicundas mostrou-se fatal, em condições laboratoriais (Ray
1933). Kudo (1934) opina não ser propriamente o protozoário o causador
da doença, eventualmente mortal, mas que o quadro patológico seria conseqüên-
cia de infecção secundária, por bactérias ou fungos. H. anisitsi, infectados por
H. pisciforme e mantidos em aquários, não apresentaram doença parasitária,
mantendo-se, aparentemente, em boa condição hígida.
A espécie em discussão é suficientemente diferente para justificar o seu
reconhecimento como nova.
ABSTRACT: The morphology and some stages of the life-cycle of one
myxosporidian parasite from the gill filaments of Hyphessobrycon anisitsi,
freshwater fish, collected at Campinas, SP, Brazil, are described. The name
Henneguya pisciforme n. sp. is given. Observations have been made about
prevalence of infection and absence of pathogenicity.
KEYWORDS: (*) Henneguya pisciforme n. sp.; (*) Myxosporea; (*) Hyphes¬
sobrycon anisitsi; Characidae.
AGRADECIMENTO
Agradecemos ao Prof. Dr. Ivan Sazima, do Departamento de Zoologia da
Unicamp, a identificação das espécies de peixes referidas da localidade
trabalhada.
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Recebido para publicação em 17/10/1983 e aceito em 19/07/1984.
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Mem. Inst. Butantan
47/4«: 71-80, 1983/84
APOSTOLEPIS DIMIDIATA (JAN, 1862), NOVA
COMBINAÇÃO, E A VALIDADE DE A. ERYTHRONOTA
(PETERS, 1880) E A. VENTRIM ACU LATA LEMA, 1978.
(SERPENTES: COLUBRIDAE: ELAPOMORPHINAE) ^
Thales de LEMA *
RESUMO: O exame comparativo dos dados até agora registrados
sobre as espécies, Elapomojus dimidiatus, Apostolepis erythronota e
A. ventrimaculata, mostrou tratar-se de apenas uma espécie, A.
dimidiata, nova combinação, de morfologia muito variável, princi¬
palmente na região cefálica. Por outro lado, exclui da sinonímia, A.
erythronotus var. lineata Cope, 1887, que, previamente a considera¬
mos como espécie válida. Fica, pois, invalidado o gênero Elapomojus.
PALAVRAS-CHAVE: Elapomojus dimidiatus, Apostolepis erythro¬
nota, Apostolepis ventrimaculata, A. dimidiata n. comb., variação
morfocefálica.
INTRODUÇÃO
Elapomorphus (Elapomojus) dimidiatus Jan, 1862 foi descrita com base em
um exemplar descorado e foi revisto apenas por Amaral^, que elevou o subgênero
à categoria genérica. Até o momento essa pretensa espécie conserva-se válida,
apesar de diversos autores em épocas diferentes terem lançado dúvidas sobre
sua validade. A espécie mais próxima, Apostolepis erythronota (Peters, 1880) é
aceita como boa espécie. Outra, A. ventrimaculata Lema, 1978, também é afim
a ambas. Na ocasião em que descrevemos esta última, notamos que, grande
parte das espécies do gênero Apostolepis Cope, 1862 foi descrita com base em
apenas um espécimen, geralmente já colecionado em um grande museu e total¬
mente sem cor.
Nesta nota taxonômica comunicamos o resultado do exame que procedemos
em todos os registros publicados sobre as três espécies citadas, bem como
supostos sinônimos. Estamos examinando séries de exemplares, cujos resultados
serão objeto de outros artigos, incluindo-se. entre eles, a validade dos gêneros
Apostolepis, Elapomorphus Wiegmann, 1843 e Parapostolepis Amaral, 1929.
1 Bolsa CNPq (Proc. 306090/83).
* Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Caixa Postal
1188, 90000, Porto Alegre, RS, Brasil.
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LEMA, T. de Apostolepia dimidiata (Jan, 1802), nova combinação, e a validade de A. erylkro-
nota (Peters, 1880) e A. vcntrimaculata Lema, 1978. (Serpentes; Colubridae; Elapo-
morphinae). Mem. Inat. Butantan, 47/48:71-80, 1983/84.
RESULTADOS
Analisamos a bibliografia em ordem cronológica de apresentação das publi¬
cações e apresentamos aqui os resultados dessa análise erítica na mesma
seqüência mas por nomes científicos:
A — Elapomorphus dimidiatus:
Jan^ (1862) descreveu-a com base em um espécimen fixado no Museu de
História Natural de Milão e com a procedência “Brasil”. Determinou-o como
Elapomorphus (sensu lato), mas semi-isolou-a no novo subgênero Elapomojus, que
ora criava, por possuir escudete loreal, três pares de mentais e temperai grande
isolando os parietais das supralabiais. Parece não ter visto o trabalho de Cope“®
(1862), em que este último cria o gênero Apostolepis, ou não concordava com
seu colega norte-americano. Como ambos os artigos surgiram no mesmo ano, é
possível que ambos se desconhecessem pois. Cope-® não citou a espécie de Jan^.
Jan & Sordelli^ (1866) apresentaram desenhos do holótipo e cujo exame permite
ampliar a descrição original. Strauch®'®" (1884, 1885) redescreveu o holótipo e
afirmou que a presença de três pares de mentais pode ser uma anomalia e que
a espécie aproxima-se de A. eryihronotãi Boulenger"* (1896) isolou-a no gênero
“Elapomoius”, correção mal feita de Elapomojus. Berg® (1898) examinou um
espécimen de “Elapomorphus dimidiatus’', assim identificado no “Gabinete de
História Natural” da Universidade Nacional de Buenos Aires, afirmando ser da
espécie A. erythronota. Corrigiu o nome genérico para “Elapomohoeus” e afirmou
que E. dimidiatus devia ser um exemplar anômalo de A. erythronota. Bertoni®
(1913), relacionando fauna do Paraguai, incluiu “Elapomoius dimidiatus”,
dizendo ser esta espécie comum naquele país. AmaraP (1929) afirmou que,
apenas o holótipo era conhecido e que comprovara sua descrição e desenhos
originais. Corrigiu*’® para Elapomojus, mantendo a espécie, apesar de achar que
0 holótipo era um anômalo de A. erythronota, tendo notado que o mesmo estava
mal conservado. Manteve esse nome em suas listas®’’®. Schouten “ (1931) repetiu
Bertoni®. Peters & Orejas-Miranda” (1970), Lema'- (1978) e Savitzky’’’’ (1979)
seguiram Amaral.
A cor loura citada’ deve ser devida ao descoramento’, sendo que o pigmento
vermelho é o primeiro a alterar-se no fixador.
A crer nos registros®’®, essa espécie seria comum no Paraguai. Entretanto,
duas possibilidades se nos antepõem: (a) determinação errada, ou (b) determi¬
nação correta. Não podemos concluir nada porque não há dados nas listas®’®,
nem citação de exemplares para reexame.
O padrão cromático do holótipo é o mesmo de A. erythronota, minimizan¬
do-se pequenas diferenças e as manchas pretas ventrais. A presença de loreal
no holótipo (1/1) vem caracterizando o gênero e a espécie, mas, o exame dos
desenhos de Jan^ mostra que são anômalos, pois, além de serem muito pequenos,
os escudos contíguos, nasal e ocular, mostram-se truncados, como divididos, com
fusão dos pedaços que seriam os loreais. Observando-se a forma do nasal e
preocular em diversos exemplares de diferentes espécies de Apostolepis, não há
esse aspecto truncado. Por outro lado, como não há outro táxon de Elapomor-
phinae com loreal, o táxon ,de Jan seria exceção. Portanto, a presença de loreais
no holótipo é anômala. (Fig. 1).
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LEMA, T. de Apostolepis dimidiata (Jan, 1862), nova combinação, e a validade de .4. erythro-
nota (Peters, 1880) e A. ventrimaculata Lema, 1978. (Serpentes: Colubridae: Elapo-
morphinae). Mem. Inst. Butantan, i7/iS:ll-80, 1983/84.
O holótipo apresenta um temporal muito grande de cada lado (Fig. 1) e o
supralabial que lhe fica abaixo (V) é muito pequeno. Nenhuma espécie de
Elapomorphinae tem temporal semelhante. Deve, pois, tratar-se de anomalia.
A presença de três pares de mentais no holótipo é, obviamenle, uma anomalia,
não só pelo fato em si mas também porque os dois pares anteriores são muito
pequenos em relação ao posterior, indicando-nos divisão equatorial no par
anterior.
Quanto ao escurecimento ocorrente nas escamas vertebrais do final do
tronco do holótipo, pode ser discreto melanismo individual. As faixas pleurais
“pardo-escuras”\ deviam ser pretas, pois é sabido que, em serpentes após vários
anos no fixador, o preto torna-se pardo-ferrugíneo. A coloração cefálica do
holótipo é igual à de A. erythronota. O debrum claro nas escamas dorsais pretas
do tronco e cauda é típico de A. erythronota e assim também as manchas ventrais
pretas e que estão descoradas no holótipo.
O exame de séries de exemplares de Elapomorphus (Phalotris) spegazzinii
Boulenger e E. (P.) lemniscatiis Duméril, Bibron et Duméril-^ mostrou que os
escudos cefálicos variam na forma e até podem faltar em um lado ou simetrica¬
mente, causando contato entre parietais e supralablais. Por outro lado, podem
haver ázigos e divisões, aumentando o número de fâneros, como os supralablais,
que variam de 5 a 7, sendo a normalidade 6.
B — Apostolepis erythronota:
Peters'* (1880) descreveu-a com base em espécimen fixado do Museu de
Berlim, cuja procedência é “São Paulo” e identificado como Elapomorphus (sensu
lato). Diferenciou-a das espécies então, conhecidas por uma série de caracteres,
os quais, de resto, são comuns ao gênero Apostolepis, exceto a cor preta cefálica
e nos lados do corpo. Aproximou-a de A. dorbignyi (Duméril, Bibron et Duméril,
1854) mas diferenciando-a facilmente desta porque esta é toda vermelha dorsal¬
mente. A descrição original é pobre de dados e sem ilustração. Strauch^ descre¬
veu um exemplar de “Ipanema”, que fica em São Paulo, Brasil e não Rio de
Janeiro, como, de um modo geral é aceito. Usa''* Apostolepis como subgênero de
Elapomorphus. Afirmou^ que a maior ou menor projeção do focinho*'*'' pode
estar ligada ao sexo. Pôs em evidência uma contradição de Peters'* quando disse
que sua espécie não tem temporais e, mais adiante, que tem temporais pequenos
(posteriores). Peracca'® descreveu um exemplar do Paraguai que Boulenger*
corrigiu para A. ambiniger, espécie comum e simpátrica com A. erythronota no
Paraguai. Descreveu* resumidamente essa espécie com dados da descrição original
e outras'*''®. Incluiu a forma lineata”'' na sinonímia o que é contraditório porque
ela difere totalmente de A. erythronota. Koslowsky'® llstou-a num lote de exem¬
plares adquirido pelo Museo de La Plata, Argentina, do colecionador particular
C. Bach, capturado em Miranda, cidade à margem esquerda do rio Paraná, no
Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, fronteiro ao Paraguai meridional. Bertoni®
e Schouten® citaram-na para o Paraguai afirmando ser comum nesse país.
Magalhães'® listou-a para o Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, como um
recebimento pelo posto do Instituto Oswaldo Cruz instalado na cidade de Pelotas,
a Sudeste desse Estado. Gliesch®® afirmou que a espécie ocorre em Pelotas, Rio
Grande do Sul, mas, sendo um trabalho de divulgação é possível que tenha
compilado'®. Parece-nos ter havido erro de determinação por parte de Magalhães'®
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LEMA, T. de Apostolepis dimidiata (Jan, 1862), nova combinação, e a validade de A. erythro-
iiota (Peters, 1880) e A. ventrimaculata Lema, 1978. (Serpentes; Colubridae: Elapo-
morphinae). Mem. Inst. Butantan, 47/48:71-80, 1983/84.
e Gliesch^® porque, na região de Pelotas é muito comum Elapontorphus (Phalo-
íris) lemniscatus trilineatus Boulenger, 1889, pois ambos os autores não eram
muito versados em sistemática de ofídios. Amarab'* deu a distribuição geográfica
desde São Paulo até Mato Grosso no Brasil, e para o Paraguai e a Argentina
setentrional. Inclue® na sinonímia lineata Cope, sem ter visto esta. E assim
procedeu em trabalhos subseqüentes*®'"®. Peters & Orejas-Miranda" apresentaram
uma chave para Apostolepis na qual esta espécie está diferenciada pelo ventre
manchado de preto, mas incluem lineata em sua sinonímia. AmaraP’* apresentou
estampa colorida de um exemplar adulto procedente de São Paulo, Brasil, no
qual visualiza-se a presença de temporais posteriores quase vcstigiais, sem dúvida
anômalos. Lema*^ seguiu outros^' Savitzky’® defendeu a origem neotropical
dos Micrurinae a partir de ancestral Elapomorphinae e descreveu o hemipênis
de A. erythronota.
É digno de nota que a maioria dos autores aproximou esta espécie de
A. dorbignyi, inclusive Prado"^. No entanto, são tantas as diferenças entre ambas
que discordamos. Boulenger * afirmou que ambas têm a cabeça morfologicamente
iguais o que é falso: dorbignyi tem cabeça curta, alta, larga e focinho arredon¬
dado; erythronota possui a cabeça longa, afilada, deprimida, com focinho proje¬
tado. A. erythronota aproxima-se de A. ambiniger e de A. jlavotorquata.
C — Apostolepis nigriceps:
Werner*'^ descreveu esta espécie com base em exemplar procedente de São
Paulo, Brasil, e comparou-a com A. dorbignyi, diferenciando-a pela forma do
frontal, falta de preocular (ou falta de loreal?) e presença de postoculares muito
grandes. A descrição é resumida. AmaraP igualou-a a A. erythronota, após ter
examinado o holótipo no Museu de Mônaco e tê-lo comparado com um cótipo
da última depositado no Museu de Viena, concluindo que Werner baseou-se na
separação do nasal com preocular, no contato de três supralabiais com parietal
(IV-V-VI) e que o isolamento entre nasal e preocular é variável; notou fusão
do preocular com intcrnasoprefrontal (anomalia), que o contato dos três labiais
com parietal só ocorre à direita e que o IV supralabial só toca o parietal por seu
ângulo súpero-posterior e que, à esquerda, o IV labial está totalmente isolado
do parietal. Berg® descreveu um exemplar de A. erythronota com os três últimos
labiais tocando parietais. O exame da figura de Werner'^ mostrou-nos; cabeça
deprimida, muito alongada (a crer no desenho), com escutelação cefálica notada-
mente anômala, vendo-se fusão do II supralabial com preocular, 5 supralabiais
apenas à esquerda mas o V é anômalo (longo demais) (Fig. 2). A cor vermelha
citada^'^ para os lados e face inferior da cabeça interpretamos como variação na
pigmentação cefálica.
D — Apostolepis erythronota var. lineata;
Cope^® apenas citou este táxon com base em dois exemplares capturados
em “Mato Grosso”, Brasil (síntipos), diferenciando-os por ter estrias longitudinais
em vez de faixas pretas. Boulenger^ igualou-a à A. erythronota sem comentar
essa pretensa variedade. Desde então nunca mais se tocou no assunto!
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LEMA, T. de ApostolepU dimidiata (Jan, 1862), nova combinação, e a validade de A. erythro-
nota (Peters, 1880) e A. ventrimaculata Lema, 1978. (Serpentes: Colubridae: Elapo-
morphinae). Mem. Inst. Butantan, 47/48:71-80, 1983/84.
Fig. 1 — Elapomorphus (Elapomojus) dimidiatus Jan, 1862 — Aspeto da cabeça, segundo
JAN & SORDELLI (2), do holótipo no Museu de Milão.
Fig. 2 — Apostolepis nigriceps Werner, 1897 — Aspeto da cabeça segundo o próprio autor,
do holótipo no Museu de München (17).
Fig. 3 — Apostolepis ventrimaculatus Lema, 1978 — Aspeto da cabeça do holótipo no Museu
de La Plata, Argentina, segundo o autor (12).
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LEMA, T. de Apostolepia dimidiata (Jan, 1862), nova combinação, e a validade de A. erytliro-
nota (Peters, 1880) e A. ventrimaculata Lema, 1978. (Serpentes: Colubridae; Elapo-
morphinae). Mem. Inst. Butantan, 47'/4S;71-80, 1983/84.
A citação de A. erythronota em Mato Grosso^" foi baseada somente em
Cope^®. Há uma discordância” na chave quando esta caracteriza A. erythronota
com padrão não-lineado e presença de fila dupla de manchas pretas ventrais ao
mesmo tempo que inclui lineata na sinonímia desta.
A. erythronota lineata não foi descrita, nenhum autor examinou os síntipos,
ninguém discutiu seu status, como não há na bibliografia nenhum dado auxiliar!
Examinamos fotos dos mesmos, cedidas pela Academia de Ciências Naturais de
Filadélfia e achamos muito estranho que Cope, autor cuidadoso, típico isolador
de espécies, tenha considerado o táxon como uma variedade de A. erythronota.
Na verdade, essa pretensa variedade pertence a outro grupo filogenético de
Apostolepis. Ainda não sabemos até que ponto é válido o nome copeano e
propomos previamente seu isolamento como espécie inquirenda, A. lineata, do
grupo das espécies lineadas, ventre imaculado, clara no paraventre. É afim de
A. barrioi Lema, 1978 e A. villaricae Lema, 1978, podendo, até, serem sinônimas
entre si.
E — Apostolepis ventrimaculata:
Lema'^ descreveu-a com base em eiíemplar coletado por Júlio Koslowsky
110 Paraguai, conforme registro no Museo de La Plata. Na ocasião em que o
descobrimos entre outros exemplares abandonados da antiga coleção do Dr. Pablo
Gaggero naquele museu, sentimos forte afinidade entre este espécimen e o de
E. dimidiatus, mas o isolamos pela presença do loreal, presença de dois pares de
mentais, ausência de temporais e a contatação dos três últimos superlabiais com
parietais (Fig. 3).
Após examinar séries de exemplares de A. erythronota posteriormente, fica¬
mos convencidos da igualdade das duas espécies.
Acreditamos que o holótipo de A. ventrimaculata é o espécimen citado por
Koslowsky*® como procedente de Miranda, extremo sudoeste de Mato Grosso
do Sul, Brasil, citado linhas antes.
CONCLUSÕES
Comparamos os dados dos holótipos de E. dimidiatus, A. erythronota e A.
ventrimaculata em forma de um quadro resumido (Quadro I) pelo qual não
é possível manter esses nomes designando espécies diferentes, confirmando regis¬
tros"* de que se não se pode mais determinar exemplares de Apostolepis com
base apenas na presença ou ausência ou comparação ou não de escudos cefálicos.
Essas serpentes são subterrâneas e por isso, são muito variáveis.
Pretendemos estabelecer parâmetros para as diferentes espécies com base
em exame de séries de exemplares, mas não será uma tarefa fácil porque, de
muitas espécies (nomes?) apenas se conhece o holótipo.
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LEMA, T. de Apostolepis dimidiata (Jan, 1862), nova combinação, e a validade de A. erythro-
nota (Peters, 1880) e A. ventrimaculata Lema, 1978. (Serpentes: Colubridae: Elapo-
morphinae). Mem. Inst. Butantan, 47/48:71-80, 1983/84.
QUADRO I
Comparação dos dados dos holótipos de E. dimidiatus, E. erythronotxis e A.
ventrimaculatus. Convenções: AN, anal; CA, comprimento da cabeça; CU, compri¬
mento da cauda; DO. escamas dorsais; IL, infralabial; LO, loreal; MM, mentais;
Mm, mental mediano; MP, mental posterior; MPC, mancha preta caudal; NA, nasal;
OC, ocular; PA, parietais; PRO, preoculares; PSO, póstoculares; SC, subcaudais;
SL, supralabiais; SPC, supracaudais; TE, terminal; TO, comprimento total; TR,
comprimento do tronco; TT, temporais; VE, ventrais
Caracteres
Elapomorphus
(Elapomojus)
dimidiatus Jan
Elapomorphus
erythronotus
Peters
Apostolepis
ventrimaculatus
Lema
localidade-tipo
Brasil
São Paulo, BR
Paraguay/MS, BR
sexo *
2 ?
9 ?
9 ?
idade
adulto
adulto
adulto
medidas
(CA-f-TR4-CU=TO)
—1-|-40=:580mm
9-|-368-|-23=400mm
12-|-379-l-34=425mm
CU/TO *
0,068
0,057
0,080
focinho
pouco projetado
pouco projetado
muito projetado
cabeça
algo afilada
afilada
afilada
PRO
1/1
1/1
1/1
NAx/PRO
NA/PRO
NAxPRO
NAxPRO
NA
grande
longo
grande
LO
1/1
0/0
0/0
PSO
1/1
1/1
0/0
TT
1/1, grandes
O-fl/O-fl, pequenos
1/1
SLxOC
II-III/II-III
II-III/II-III
II-III/II-III
SLxPA
0/4
V-VI/V-VI
IV-V-VI/IV-V-VI
MM
3/3
MA=Min < MP
2/2, longos
MA pouco < MP
2/2
MA pouco < MP
IL
7/7
7/7
7/7
maior IL
V/V
V/V
IV/IV
ILxMM
I-V/I-V
I-V/I-V
I-V/I-V
SPC (1/2 CU)
8
9
6
VE
246
244
2-h244
AN
1/1
1/1
1/1
SC
26/26
28/28
26/26
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LEMA, T. de Apostolepis dimidiata (Jan, 1862), nova combinação, e a validade de A. erythro-
nota (Peters, 1880) e A. ventrimaculata Lema, 1978. (Serpentes: Colubridae; Elapo-
morphinae). Mem. Inst. Butantan, 47/48:71-80, 1983/84.
SC/VE
0,105
0,114
0,106
COR CA
preta
preta
preta
ANEIS NUCAIS
preto unido cor CA
ídem
ídem
COR VERTEBRAL
loura, DO post.
escurecidas
basalmente
cor de tijolo
creme sujo
faixa pleural - larg.
4,6 DO
4,5 DO
4,5 DO
debrum claro DO
-f
+
+
preta
cor do ventre
claro com manchas
pretas, 1/1 linha
média clara
escuro, com 2
séries de manchas
pretas, aumentando
para trás
duas séries de
manchas pretas,
que se juntam
posteriormente,
linha média clara
MFC
1/4 final
1 /4 final
1/3 final
SPCxSC
SPC > SC
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SPC > SC
TE
branco
branco
creme latero-
-ventralmente,
preto em cima
(* se 0 espécimen
com cauda maior é 9, os outros também
deve ser)
A presença de loreal é uma anomalia (atavismo?) e os temporais geral¬
mente não ocorrem; quando isso acontece eles são pequenos, quase vestigiais. A
forma do focinho c um caráter que merece um estudo aprofundado pois varia
desde o arredondado ao afilado, de alto a deprimido. O focinho de A. erythro-
nota é fortemente projetado, como no holótipo de A. nigriceps, destoando do de
E. dimidiatus. Notamos, entretanto, que na região do Paraguai essas serpentes
tendem a possuir focinho afilado, motivando a criação do gênero Rhynchonyx
Peters, 1869 para ambiniger. Em séries de exemplares de A. erythronota notamos
n predominância do focinho afilado mas, também, alguns arredondados. Não
sabemos se isso está ligado ao sexo, como dito antes'’, ou à idade ou à população.
Só após finalizar nossa revisão da espécie estaremos em condições de concluir
sobre isso.
Resumimos as conclusões nos seguintes itens:
I — Elapomojus Jan é sinônimo de Apostolepis Cope.
II — E. dimidiatus Jan passa a chamar-se Apostolepis dimidiata.
III — Apostolepis erythronota é sinônima de A. dimidiata.
IV — O holótipo de E. dimidiatus é um exemplar anômalo de A. erythro¬
nota.
V — Apostolepis erythronotus var. lineata Cope fica isolada como espécie
válida: A. lineata, previamente.
VI — A. ventrimaculata Lema é igual a A. dimidiata.
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LEMA, T. de Apostolepis dimidiata (Jan, 1862), nova combinação, e a validade de A. erythro-
nota (Peters, 1880) e A. ventrimaculata Lema, 1978. (Serpentes: Colubridae: Elapo-
morphinae). Mem. Inst. Butantan, 47/^5:71-80, 1983/84.
VII — o holótipo de A. dimidiata n. comb., passa a ser representado pelo
de A. erythronota, que é o segundo apresentado em ordem cronológica. A loca¬
lidade-tipo passa, pois, a ser São Paulo, Brasil.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Dr. Edmond V. Malnate, curador da coleção da The
Academy of Natural Sciences of Philadelphia, pelo envio das fotografias de
exemplares de Elapomorphinae.
ABSTRACT: Apostolepis dimidiata (Jan, 1862), new combination,
and the validity of Apostolepis erythronota (Peters, 1880) and A.
ventrimaculata Lema, 1978. (Serpentes: Colubridae: Elapomorphi¬
nae). This is a taxonomic study resultant of the comparative analysis
of the data of the holotypes of E. dimidiatus, Elapomorphus eryth-
ronotus, A. erythronotus var. Uneata. A. nigriceps, and A. ventri-
maculatus. All these names refer to a single species, A. dimidiata,
which are very variable in cephalic scutellation, pattern and head
and snout form. The type-specimen (holotypus) is the A. erythrono¬
ta because the Jan’s specimen to be an anomalous. A. Uneata is a
valid species stated here previously. The redescription of these two
taxa are subject of new researches that are in begining by the
author.
KEYWORDS: Elapomojus dimidiatus, Apostolepis erythronota,
Apostolepis ventrimaculata, A. dimidiata n. comb., morphocephalic
variation.
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Recebido para publicação em 20/03/1984 e aceito em 28/03/1985.
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PRODUÇÃO DE VACINA PERTUSSIS POR DIFERENTES
PROCESSOS — NÍVEIS DE PROTEÇÃO E
ASPECTOS ECONÔMICOS*
Maria Ivette Carboni MALUCELLI **
João Pessoa de Paula CARVALHO ***
RESUMO; Diferentes processos foram desenvolvidos para aumen¬
tar a produção de Vacina Pertussis a fim de atender à elevada
demanda deste imunoterápico. A produção de Vacina Pertussis foi
realizada pelos processos de Garrafa de Roux, Fermentador e Agi¬
tador. Foram analisadas a potência, o rendimento e a eficiência da
vacina produzida por estes diferentes processos. Em todos os pro¬
cessos, a potência da vacina foi igual ou superior a 8 Ul/ml, resul¬
tado que está de acordo com as recomendações da Organização
Mundial da Saúde. O processo de Garrafa de Roux produziu vacina
com maior média de potência (12,33 ± 3,11) quando comparado com
os outros processos, mas com maior desvio-padrão. O Agitador produ¬
ziu vacina com menor média de potência (10,99 ± 1,52) porém, com
menor desvio-padrão, demonstrando, conseqüentemente, maior uni¬
formidade metodológica. O rendimento, assim como a eficiência da
vacina, foram maiores com o processo do Agitador.
PALAVRAS-CHAVE: Vacina Pertussis; coqueluche-vacina; Po¬
tência; rendimento e eficiência.
INTRODUÇÃO
A coqueluche, popularmente conhecida por “tosse comprida”, é uma molés¬
tia de distribuição cosmopolita que acomete, preferencialmente, crianças de 0 a
5 anos de idade.
Esta moléstia caracteriza-se por uma infecção respiratória localizada e com
manifestações específicas de tosse paroxística, linfocitose, com sintomas e carac¬
terísticas epidemiológicas únicas.
A evolução prolongada da doença, bem como à gravidade com que a mesma
se reveste, impõem-se medidas eficazes de controle.
* Extraído da Dissertação de Mestrado, defendida na Faculdade de Saúde Pública da
USP, 1983.
Pesquisador Científico Ref. PqC-1, Chefe da Seção de Vacinas Bacterianas do Instituto
Butantan, CEP 05504, Caixa Postal 65, São Paulo, Brasil.
*"• Professor Adjunto do Departamento de Prática de Saúde Pública da Faculdade de
Saúde Pública da USP, Av. Dr. Arnaldo, 715, CEP 01255, São Paulo, Brasil.
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MALUCELLI, M. I. C. & CARVALHO, J. P. P. Produção de Vacina Pertussis por diferentes
processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, ^7/45:81-94,
1983/84.
Embora medidas inespecíficas de controle, como isolamento e tratamento
sejam adotadas, são as espeeíficas, representadas pela imunização ativa dos sus¬
cetíveis, as mais recomendadas.
A vacinação sistemática contra a coqueluche é feita rotineiramente com três
doses de Vacina Tríplice (Difteria-Tétano-Coqueluche) em crianças a partir de
2 meses até 4 anos de idade.
A Vacina Pertussis é uma suspensão de B. pertussis, fase I, morta por
agentes físieos ou químieos, que associada aos toxóides diftérico e tetânico dá
origem à Vacina Tríplice.
O requisito mínimo da Vacina Pertussis, estabelecido pela Organização
Mundial da Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION"^, 1982), corresponde
a 4 Unidades Imunizantes por dose (usualmente contida em 0,5 ml), aferida pela
prova de proteção em camundongos infectados pela via intracerebral.
A prova de proteção em camundongos é o método obrigatório de eompro-
vação da atividade protetora da vacina, não eliminando a necessidade de compro¬
vação baseada em testes de campo.
Assim, as investigações efetuadas pelo Conselho de Pesquisas Médicas da
Inglaterra (MEDICAL RESEARCH COUNCIL^", 1956) demonstraram relação
positiva entre os testes de potência em camundongos e nível de proteção em
crianças vacinadas.
O método pioneiro de preparo da Vaeina Pertussis é o eultivo do agente
etiológico em meio sólido de Bordet-Gengou em Garrafas de Roux, executado
por MADSEN*^ em 1933.
O método em meio sólido, embora apresente algumas vantagens, como
eficácia e segurança, também apresenta algumas desvantagens, tais como: tempo
prolongado de cultivo, baixo rendimento a nível industrial e exigência de longo
tempo para sua destoxificação sob refrigeração, o que acarreta, muitas vezes,
perda de potência (CATILLEJOS CARMONA & GONZÁLEZ PACHECO\
1981).
Na procura de métodos alternativos para contornar as desvantagens da utili¬
zação do sistema em meio sólido, HORNIBROOK'* (1939), VERWEY & SAGE^^
(1945) e COHEN & WHEELER^ (1946) verificaram que o meio líquido
era mais adequado que o anterior. Seguiram-se outros trabalhos, visando melhorar
as caraeterísticas do meio líquido (GOLDNER et alii', 1966; STAINER &
SCHOLTE'®, 1971), bem como uma seleção mais criteriosa das cepas a serem
semeadas (STAINER & SCHOLTE'“, 1971; VAN HEMERT-®, 1971).
A tecnologia de produção de vacinas, nos últimos anos, sofreu mudanças
fundamentais com a introdução do uso de fermentadorcs. Este avanço teenológico
possibilitou efetiva simplificação no processamento de produção de vacinas.
O cultivo em fermentadores, embora apresente um rendimento superior, tem
seu valor protetor inferior, comparativamente ao método em meio sólido; porém,
compatível eom os padrões de imunogenicidade requeridos para a imunização
de suscetíveis (GALICIA et aliP, 1981; GÓMEZ REYES & MEDINA
GARCIA", 1981).
Os fermentadores oferecem como vantagens o bom rendimento a nível
industrial, maior homogeneidade de colheita, oferecendo maior eonfiabilidade.
Em contrapartida, temos o custo elevado do equipamento e sua manutenção,
assim como, necessidade de infra-estrutura adequada.
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MALUCELLI, M. I. C. & CARVALHO, J. P. P. Produção de Vacina Pertussis por diferentes
processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, 47/43:81-94,
1983/84.
No momento, no Brasil, apenas o Instituto Butantan de São Paulo, produz
a Vacina Pertussis, cuja produção de 1982 foi da ordem de 5 milhões de doses.
A demanda nacional é da ordem de 15 milhões de doses, segundo a infor¬
mação projetada pelo Anuário Estatístico do Brasil, 1980, relativamente à
população infantil de 0 a 4 anos de idade e considerando-se a vacinação de
75 a 85% desta população, submetida a um esquema completo de três doses e
um reforço. Desta forma, pode-se inferir da necessidade iminente de fomentar-se
a produção interna da Vacina Pertussis.
Preocupado em atender a esta elevada demanda, o Instituto Butantan tem
procurado alternativas de metodologia de preparo de vacina, visando atender
aos propósitos dos Serviços de Saúde Pública. Entre as alternativas, poder-se-ia
adotar a produção da Vacina Pertussis pelo processo de cultivo submerso em
frascos submetidos a agitação constante (Agitador).
Este processo tem sido utilizado em laboratórios, apenas para o preparo
do inóculo, o qual é transferido para o fermentador para a produção final da
vacina e, também, como um veículo para testes de meios de cultura (PUSZTAI
et alii“, 1961; LANE®, 1970; STAINER & SCHOLTE^®, 1971; GÓMEZ
REYES & MEDINA GARCIA®, 1981; MEDINA GARCIA et aliP, 1981;
RECAMIER et aliP®, 1981).
A procura de um processo de produção mais simplificado e econômico
levou-nos a estudar a viabilidade da produção da Vacina Pertussis pelo processo
do Agitador, em comparação com aqueles tradicionalmente utilizados.
Assim, para este trabalho, estabeleceu-se o seguinte objetivo:
— avaliar comparativamente a produção da Vacina Pertussis pelos pro¬
cessos de Garrafa de Roux (método estacionário); Fermentador e Agitador
(métodos de cultivo submerso), quanto a:
a) potência;
b) rendimento; e
c) eficiência (custo/benefício).
MATERIAL E MÉTODOS
O desenvolvimento prático deste trabalho foi realizado junto à Seção de
Vacinas Bacterianas do Serviço de Bacteriologia da Divisão de Microbiologia
e Imunologia do Instituto Butantan, São Paulo, no período de 1981 a 1983.
CEPAS DE Bordetella pertussis
Para a produção de Vacina Pertussis, foram utilizadas as cepas números
137 e 143, provenientes do National Institute of Health (N.I.H.), Bethesda,
Maryland, USA, liofilizadas, sorotipos 1.2.3.5.6. e a cepa número 18.323,
da mesma procedência, a qual foi utilizada para a dose desafiante intracerebral
em camundongos, segundo o método de KENDRICK et alii(1947).
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MALUCELLI, M. I. C. & CARVALHO, J. P. P. Produção de Vacina Pertussis por diferentes
processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, 47/45:81-94,
1983/84.
MEIOS DE CULTURA
Os seguintes meios de cultura foram utilizados para a produção da vacina
e testes:
— Meio de Bordet-Gengou, ao qual é acrescentado sangue citratado de
carneiro a 25% (KINDT & KÕRNER 1969) utilizado para a preparação
do inóculo e teste de viabilidade.
— Meio sólido de Holt (KINDT & KÕRNER**, 1969) utilizado para o
cultivo estacionário em Garrafas de Roux.
— Meio líquido de Cohen-Wheeler (COHEN & WHEELER^, 1946)
para o cultivo submerso em Fermentadores e Agitadores.
— Meio líquido de Sabouraud (U.S. DEPARTMENT OF HEALTH,
EDUCATION AND WELFARE 1968) para o teste de esterilidade (detecção
do crescimento de fungos).
— Meio líquido de tioglicolato (WORLD HEALTH ORGANIZATION
1982) para o teste de esterilidade (detecção do crescimento de bactérias
aeróbias e anaeróbias).
ANIMAIS
Foram utilizados camundongos machos da raça Swiss Webster, pesando
14 a 18 g, provenientes do Biotério Geral do Instituto Butantan, para os testes
de potência e toxidez.
OBTENÇÃO DA SUSPENSÃO DE B. pertussis PARA A PRODUÇÃO DA
VAÇINA PERTUSSIS
Os processos de produção seguiram as determinações da Organização
Mundial da Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION ^3, 1977) com
algumas modificações de acordo com o Manual de Produção da Vacina
Pertussis do Instituto Butantan.
CONTROLE DE QUALIDADE DAS SUSPENSÕES
Para controle de qualidade das suspensões obtidas pelos processos de
Garrafa de Roux, Fermentador e Agitador, foram realizados os testes de pureza,
identidade, esterilidade, opacidade, toxidez e potência, segundo determinações
da Organização Mundial da Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION
1982).
O poder imunizante da vacina foi determinado pelo método contido no
“Minimum Requirements for Pertussis Vaccine” (U.S. NATIONAL INSTITUTE
OF HEALTH 1968), e os resultados calculados pelo procedimento de
Worcester-Wilson (WORCESTER & WILSON 1943; U.S. NATIONAL
INSTITUTE OF HEALTH 1956).
ANALISE ESTATÍSTICA
Calcularam-se as médias aritméticas, os desvios padrão e os coeficientes de
variabilidade, segundo MARASCUILLO “ (1971).
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MALUCELLI, M. I. C. & CARVALHO, J. P. P. Produção de Vacina Pertussis por diferentes
processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, i7/i8:81-9i,
1983/84.
ANÁLISE ECONÔMICA
Quanto aos aspectos econômicos relativos à produção da vacina Pertussis
pelos três processos em questão, tão-somente estarão sendo considerados, pela
oportunidade e importância analítica deste trabalho, os pertinentes aos níveis
de custo da matéria-prima básica, ou seja. meios de cultura necessários.
A análise econômica global das alternativas industriais analisadas,
transcende ao âmbito do presente trabalho.
Portanto, a análise econômica baseou-se nos cálculos do rendimento e
eficiência dos processos de produção da Vacina Pertussis, considerando-se
apenas o custo do meio de cultura empregado.
Para a eficiência foram obtidos os valores em Cruzeiro (Cr$) dos meios
de cultura.
Os valores, em Cruzeiro, por litro dos meios de cultura, foram calculados
com base nos preços das drogas, de mão-de-obra e dos materiais de consumo
empregados, relativamente ao início do l.° semestre de 1983*.
Assim temos:
— Meio sólido de Holt: Cr$ 2.577,49 (dois mil, quinhentos e setenta e
sete cruzeiros e quarenta e nove centavos).
— Meio de Cohen-Wheeler: Cr$ 1.163,16 (hum mil, cento e sessenta e
três cruzeiros e dezesseis centavos).
RESULTADOS
Para o processamento dos resultados foram computados os volumes totais
de suspensão de B. pertussis aprovados nos testes de pureza, identidade,
esterilidade, viabilidade e toxidez, correspondente a 89, 39 e 34 lotes de
suspensão respectivamente para os processos de Garrafa de Roux, Fermentador
e Agitador.
Cada lote de cultura pura foi concentrado e submetido ao teste de
opacidade a fim de se calcular o número de doses.
A determinação do número de doses após concentração da suspensão
bacterlana de cada lote nos diferentes processos, foi obtido a partir do número
de unidades opacimétricas (UO) e do volume (ml) da suspensão. Sabendo-se
que 10 UO corresponde à unidade padrão para a obtenção de uma dose de
vacina, fez-se a relação entre o total de unidades opacimétricas de cada lote e
a unidade padrão para uma dose, cujo resultado é multiplicado pelo volume
da suspensão bacteriana do mesmo lote.
Os lotes foram armazenados entre 2 a 8'’C, aguardando a confirmação dos
resultados dos testes usuais. Aqueles aprovados foram misturados, dando origem
às partidas em número de 15, por processo, para serem submetidos posteriormente
ao teste de potência.
* Dados obtidos na Seção de Meios de Cultura do Serviço de Controle e Técnicas Auxiliares
da Divisão de Microbiologia e Imunologia do Instituto Butantan.
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processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, 47/4^:81-94,
1983/84.
DETERMINAÇÃO DA POTÊNCIA DA VACINA PERTUSSIS NOS
DIFERENTES PROCESSOS DE PRODUÇÃO
De cada uma das 15 partidas aprovadas, obtidas em cada processo de
produção, foi coletada uma alíquota para a realização do teste de potência,
cujos valores encontram-se na Tabela 1.
TABELA 1
Valores de potência (Ul/ml) da Vacina Pertussis, segundo partida e processo,
S.P.,1983
Processo
Partida
Garrafa de Roux
UI/ml
Fermentador
Ul/ml
Agitador
Ul/ml
1
12.0
11.2
8.0
2
11.2
12.8
11.2
3
13.4
14.4
9.6
4
12.0
16.0
11.2
5
9.7
12.8
12.0
6
8.0
11.9
10.8
7
19.7
13.4
9.6
8
11.4
9.9
9.9
9
10.8
13.1
13.1
10
8.0
12.8
12.9
11
10.8
9.8
13.4
12
13.4
10.8
11.2
13
18.3
8.0
8.8
14
13.4
8.8
12.0
15
12.8
12.0
11.2
Com os dados de potência da Tabela 1, foram calculados a média
aritmética, o desvio padrão e o coeficiente de variabilidade por processo
(Tabela 2).
TABELA 2
Valores da média aritmética, desvio padrão e coeficiente de variabilidade das potências
dos três processos empregados, S.P., 1983
Processo
X
s
C.V.
Garrafa de Roux
12,33
3,11
26,2
Fermentador
11,85
2,06
17,4
Agitador
10,99
1,62
13,8
X = média aritmética
s = desvio padrão
C.V. = coeficiente de variabilidade
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MALUCELLI, M. I. C. & CARVALHO, J. P. P. Produção de Vacina Pertussis por diferentes
processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, 47/4S:81-94,
1983/84.
AVALIAÇÃO DO RENDIMENTO DOS PROCESSOS DE
PRODUÇÃO DA VACINA PERTUSSIS
Para atender a este objetivo, foram considerados os volumes totais de meio
de cultura pura e o respectivo número de doses de vacina.
O rendimento foi calculado pelo quociente entre o número de dose obtido
e o volume de cultura pura, o qual foi designado pela letra A (delta), tendo
sido calculado, individualmente, pelos processos empregados (Tabela 3).
TABELA 3
Vacina Pertussis, segundo processo de preparo e condição, S.P., 1983
Condição
Processo
Vol de
cult. pura
(ml)
N.° de
doses
Rendimento
A
Garrafa de Roux
3.082.950
3.250.723
1,05
Permentador
969.600
1.739.629
1,81
Agitador
320.100
743.845
2,32
Total
4.362.650
6.734.197
Complementarmente, calculou-se a relação entre o rendimento dos processos
considerados 2 a 2 (Tabela 4).
TABELA 4
Relação entre rendimentos da Vacina Pertussis pelos processos relacionados 2 a 2,
S.P.,
1983
Relação dos Processos
Relação dos Rendimentos
Agitador x Garrafa de Roux
2,21
Fermentador x Garrafa de Roux
1,72
Agitador x Fermentador
1,28
ESTUDO DA EFICIÊNCIA DOS PROCESSOS DE
PRODUÇÃO DA VACINA PERTUSSIS
Neste estudo de eficiência da Vacina Pertussis, estabeleceu-se a relação
entre o custo e o benefício.
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1 SciELO
MALUCELLI, M. I. C. & CARVALHO, J. P. P. Produção de Vacina Pertussis por diferentes
processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, 47/^3:81-94,
1983/84.
Conforme já nos referimos, por custo, considerou-se os gastos em Cruzeiros
(Cr$) apenas do meio de cultura e por benefício, o número de doses obtido
pelos diversos processos.
Considerou-se adequado avaliar o custo por dose de vacina e para tanto
houve a necessidade de se calcular, inicialmente, o volume de meio de cultura
por unidade de dose obtida pela relação entre o volume de meio (ml) utilizado
e o número de doses obtido. Assim:
Vol. meio de cult. de uma dose =
Vol. total do meio (ml)
N.° de doses obtido
Conhecido o custo de cada meio de cultura, como referido no capítulo
de Material e Métodos, calculou-se o custo de meio de cultura por unidade de
vacina, segundo os processos empregados (Tabela 5).
TABELA 5
Custo de meio de cultura para uma dose dé Vacina Pertussis, segundo processo de
preparo e condição, S.P., 1983
Condição
Vol. de meio/
Custo do ml
Custo de meio
dose
meio de cult.
cult. para uma
Processo
(ml)
(Cr$)
dose (Cr$)
Garrafa de Roux
0,95
2,58
2,45
Fermentador
0,65
1,16
0,63
Agitador
0,43
1,16
0,49
Finalmente, verificou-se a relação entre as eficiências dos processos
considerados 2 a 2 com o intento de se conhecer o número de vezes que um
método é mais eficiente que outro (Tabela 6).
TABELA 6
Relação entre eficiência da Vacina Pertussis pelos processos relacionados 2 a 2,
S.P.,
1983
Relação dos Processos
Relação Entre Eficiência
Agitador x Garrafa de Roux
5,0
Fermentador x Garrafa de Roux
3,9
Agitador x Fermentador
1,3
88
cm
SciELO
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MALUCELLI, M. I. C. & CARVALHO, J. P. P. Produção de Vacina Pertussis por diferentes
processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, 47/45:81-94,
1983/84.
DISCUSSÃO
A produção de Vacina Pertussis segundo três diferentes processos de
produção (Garrafa de Roux, Fermentador e Agitador) foi analisada segundo os
critérios de proteção, rendimento e eficiência.
Como pode ser observado pelos resultados constantes da Tabela 1, todas
as partidas, independentemente do processo utilizado, dosaram igual ou acima
do padrão proposto pela Organização Mundial da Saúde, ou seja, 8 Ul/ml
(WORLD HEALTH ORGANIZATION 1982).
O processo de produção em que foi utilizada a Garrafa de Roux, apresentou
maior média expressa em unidades de proteção (12,33 ± 3,11) que o
Fermentador (11,85 ± 2,06) e o Agitador (10,99 ± 1,52) — Tabela 2. Por
outro lado, o coeficiente de variabilidade entre os três processos foi menor para
o Agitador (13,8%), seguido pelo Fermentador (17,4%) e Garrafa de Roux
(25,2%) — Tabela 2. Estes dados estão de acordo com as referências de
GALICIA et alii ® (1981), os quais verificaram que a média de potência era
maior em cultivos estacionários que em fermentadores sendo, porém, a dispersão
dos resultados maior no primeiro processo. Salientam que pelo fato do processo
do fermentador apresentar menor variação em unidades de potência, permite
programar e controlar adequadamente o processo de produção.
A semelhança da observação do referido autor, os resultados obtidos na
presente pesquisa revelaram menor variabilidade para o método do Agitador.
Por outro lado, estes dados não permitem concluir se um processo é melhor
do que outro no que diz respeito à potência da vacina, uma vez que não existem
dados que permitam avaliar se uma vacina que apresenta maior unidade de
proteção, protege mais do que aquela com menor unidade de proteção. Assim,
o significado epidemiológico da maior ou menor proteção da vacina ainda não
é conhecido. Segundo ZAKHAROVA et alii^® (1981), o grau de eficácia
epidemiológica da vacinação varia muito, independente do número de unidades
de proteção da vacina. Portanto, segundo estes autores, a importância prática
do teste de proteção em camundongos é altamente convencional.
O rendimento dos três processos de produção da Vacina Pertussis foi
analisado, estabelecendo-se relação entre o número de doses obtido e o volume
de cultura pura. O melhor rendimento foi obtido pelo processo do Agitador
(A = 2,32), seguido pelo Fermentador (A = 1,81) e Garrafa de Roux
(A = 1,05) — Tabela 3.
Calculando-se a relação entre o rendimento dos processos considerados 2
a 2, podemos observar que o Agitador produz 2,21 (2,32/1,05) vezes mais
doses de vacina que o de Garrafa de Roux e 1,28 (2,32/1,81) vezes mais do
que o Fermentador, enquanto que este produz 1,72 (1,81/1,05) vezes mais que
o da Garrafa de Roux (Tabela 4).
Ao mesmo tempo, foi verificada a eficiência dos processos de produção,
onde se estabeleceu a relação entre o custo e o número de doses obtido pelos
diversos processos.
Os resultados mostraram que, enquanto são necessários 0,43 ml de meio
de cultura para produzir uma dose de vacina pelo processo do Agitador, o
Fermentador necessita 0,55 ml e a Garrafa de Roux 0,95 ml (Tabela 5).
89
cm
2 3
z
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processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, 47/45:81-94,
1983/84.
Com base nesta relação, pode-se verificar que o custo de meio de cultura
para obtenção de uma dose de vacina pelo processo do Agitador é de Cr$ 0,49
(quarenta e nove centavos), pelo Fermentador é de Cr$ 0,63 (sessenta e três
centavos) e pela Garrafa de Roux Cr$ 2,45 (dois cruzeiros e quarenta e cinco
centavos) — Tabela 5.
Estabelecendo-se a relação entre as eficiências dos processos considerados
2 a 2, verificou-se que o Agitador é 5,0 (2,45/0,49) vezes mais eficiente que
a Garrafa de Roux e 1,3 (0,63/0,49) vezes mais eficiente que o Fermentador,
enquanto que este é 3,9 (2,45/0,63) vezes mais eficiente que a Garrafa de
Roux (Tabela 6).
Estes dados favorecem o processo do Agitador, em comparação com os
outros, no que diz respeito ao rendimento e eficiência, uma vez que para se
obter uma dose de vacina é necessário menor volume de meio de cultura e
menor custo.
Ao analisarmos os rendimentos entre os diversos processos de produção,
não encontramos dados que pudessem justificar as diferenças apresentadas.
O menor rendimento da Garrafa de Roux talvez se deva ao crescimento
bacteriano apenas na superfície do meio de cultura, bem como pela
heterogeneidade entre as colheitas. Estes aspectos refletem-se, provavelmente,
em prejuízos da produtividade em larga eseala e, conseqüentemente, no maior
custo de produção.
A literatura não faz referência sobre ps rendimentos entre os dois processos
que utilizam cultivos submersos (Agitador e Fermentador).
Estes dois processos caracterizam-se por utilizar o mesmo meio de eultura
e mesma concentração de inóculo, diferindo porém no que se refere à formação
de espuma e aeração da cultura.
Assim, no Fermentador conseqüente à turbulência observa-se a formação
de grande quantidade de espuma a despeito de se incorporar antiespumante
(Antifoan, Dow Corning) na concentração de 0,9 ml/25 litros e que, segundo
GÓMEZ REYES & MEDINA GARCIA® (1981), arrastaria o crescimento
bacteriano para a superfície do meio, provocando a formação de grumos que
seriam os responsáveis pelo baixo desenvolvimento bacteriano.
GÓMEZ REYES & MEDINA GARCIA® (1981) recomendam, ainda, a
introdução de modificações nos equipamentos que impeçam a turbulência e
dispensem a adição de antiespumante. Com estas alterações, os autores
conseguiram elevar de 2 a 3 vezes o rendimento expresso em unidades de
opacidade/ml.
A impossibilidade de se controlar a aeração do meio de cultura do
Fermentador utilizado para este trabalho, talvez seja um outro fator responsável
pela quebra do rendimento do processo.
Confrontados os três processos de produção da vacina, verificou-se que,
embora o Agitador tivesse conferido menor média de potência comparativamente
aos outros dois processos, a variabilidade dos resultados entre as diversas
partidas foi menor e o rendimento e eficiência foram superiores.
Além destes aspectos, o Agitador oferece algumas vantagens: ausência de
espuma durante o processo da agitação; dispensa a aeração forçada; a
manipulação e manutenção são fáceis, pois exige uma infra-estrutura bastante
90
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2 3
L.
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processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, 47/45:81-94,
1983/84.
simples, com pequeno risco de contaminação que concorrem para o elevado
rendimento do método. Como desvantagens podemos citar principalmente a
heterogeneidade dos cultivos em função do número de frascos Erlenmeyer para
o cultivo.
O Quadro 1 mostra, resumidamente, as vantagens e desvantagens dos três
processos analisados.
QUADRO 1
Caracte-
NJÍsticas
Processo
Vantagens
Desvantagens
Garrafa
de
Roux
1. Vacina com maior potência
2. Não há necessidade de
infra-estrutura sofisticada
1. Manipulação prolongada
2. Riscos de contaminação
3. Grande heterogeneidade de
cultivos
4. Baixo rendimento
5. Maior volume de mão-de-obra
6. Custo elevado do meio de
cultura e garrafas
Permentador
2. Controle rigoroso de variação
de pH, temperatura e
crescimento
3. Menor volume de mão-de-obra
1. Perda total do cultivo em
caso de contaminação
2. Necessidade de instalações
apropriadas (infra-estrutura
adequada)
3. Serviço de manutenção
constante do equipamento e
instalações (não permite
interrupção no fornecimento
de vapor, ar comprimido ou
água)
4. Adição de antiespumante
5. Custo elevado do
equipamento e manutenção
1. Fácil manutenção
2. Fácil manipulação
1. Frascos grandes e pequeno
volume de meio
Agitador
3. Não utilização de
antiespumante
4. Menor volume de mão-de-obra
5. Pequeno risco de
contaminação
G. Não há necessidade de
infra-estrutura sofisticada
7. Elevado rendimento e
menores custos
2. Heterogeneidade de cultivos
Com base em todos os aspectos constantes dos resultados e do Quadro 1,
é de se considerar a indicação deste último método na elaboração de Vacina
Pertussis. Qbviamente, os resultados ora encontrados são um incentivo a que
91
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MALUCELLI, M. I. C. & CARVALHO, J. P. P. Produção de Vacina Pertussis por diferentes
processos. Níveis de proteção e aspectos econômicos. Mem. Inst. Butantan, 47/^5:81-94,
1983/84,
se prossiga com os estudos concernentes à produção da referida vacina em
quantidade cada vez maior a custo cada vez menor, a fim de atender à demanda
do país.
CONCLUSÕES
Após a realização da análise comparativa quanto à produção da Vacina
Pertussis pelos processos de Garrafa de Roux, Fermentador e Agitador, em
relação à potência, rendimento e eficiência, parece lícito concluir que:
1. QUANTO À POTÊNCIA
— Todos os processos analisados dosaram igual ou acima do padrão
proposto pela Organização Mundial da Saúde, ou seja, 8 Ul/ml.
— O processo de Garrafa de Roux apresentou maior média em unidades
de potência (12,33) em comparação ao Fermentador (11,85) e Agitador (10,99).
— O desvio padrão e o coeficiente de variabilidade da potência foram
menores para o Agitador, demonstrando sua maior uniformidade metodológica.
2. QUANTO AO RENDIMENTO
— O maior rendimento foi obtido pelo processo do Agitador.
3. QUANTO À EFICIÊNCIA
— A eficiência demonstrou ser maior quando se utiliza o processo do
Agitador.
ABSTRACT: Differcnt methodological procedures have been de-
veloped to increase the production of Pertussis Vaccine in order to
supply the increasing demand of this type of immunotherapic. The
production of Pertussis Vaccine was assayed by the Roux Flask,
the Fermentor and the Shaker process. The potency, the rate of
production as well as the efficiency of the vaccine produced by
these different procedures were analysed. Using these different
methods the vaccine produced had a potency of 8 lU/ml or higher,
a result which is in accordance to the recommendations of the World
Health Organization. The Roux Flask method produced vaccine
with the highest mean of potency (12.33±3.11) as compared to the
other ones but with the highest standard deviation. The Shaker
method produced vaccine with the lowest mean of potency (10.99±
1.52) but with a small standard deviation and consequently, with
a more homogeneous pattern of production. The rate of production
as well as the efficiency of the vaccine were higher with the Shaker
method.
KEYWORDS: Pertussis Vaccine; Whooping Cough vaccine; po¬
tency; efficiency and rate of production.
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MALUCELLI, M. I. C. & CARVALHO, J. P. P. Produção de Vacina Pertussis por diferentes
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94
i SciELO
Mem, Inst. Butantan
47/^5:95-105, 1983/84
ULTRASTRUCTURAL CHANGES IN NEUROMUSCULAR
JUNCTIONS OF MOUSE DIAPHRAGM CAUSED BY
THE VENOM OF THE CORAL SNAKE
MICRURUS CORALLINUS
Maria Alice da Cruz HOFLING *
Léa RODRIGUES-SIMIONI
Oswaldo Vital BRAZIL **
ABSTRACT: The effects of M. corallinus venom on the ultras-
tructure of the neuromuscular junction were investigated in mouse
phrenic nerve-diaphragm preparation. Crude venom (lO/ig/ml)
was added to the bath, and the muscle stimulated indirectly at 0.05
Hz for 90-180 min. The preparations were then fixed for electron
microscopy. After 90 min the venom caused changes in the nerve
terminais characterized by reduction in number and variation in
size of synaptic vesicles, appearance of omega-shaped axolemmal
indentations, swelling and disruption of mitochondria, increased
electron density of the axoplasm, and a decrease in size of the
terminal. By 180 min, many terminais had disappeared, and the
synaptic gutter appeared shallow, but otherwise normal. No changes
were seen in the postsynaptic folds or the muscle fibres. A remar-
kable finding was the presence of numerous finger-like membrane-
-bound bodies, between the nerve terminal and the Schwann cell,
or covering the denervated postsynaptic sarcolemma. These bodies
could have originated from Schwann cell processes. The results are
in keeping with electrophysiological studies (Vital Brazil and Fon¬
tana, 1983) whlch indicate that the venom has a predominantly
prejunctional action and blocks transmitter release.
KEYWORDS: Nerve terminal uitrastructure changes. Coral Snake
venom, presynaptic action.
INTRODUCTION
American venomous snakes popularly known as coral snakes are members
of the family Elapidae and all Brazilian species belong to the genus Micrurus.
Coral snake venom, similarly to venoms of elapid snakes of Asia, África and
* Department of Histology and Embriology, Institute of Biology. State University of
Campinas.
•* Department of Pharmacology, Faculty of Medicai Sciences, State University of Campinas
(UNICAMP), 13.100 Campinas, SP — Brazil.
95
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2 3
z
5 6
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HOFLING, M. A. C.; RÜDRIGUES-SIMIONI, L, & BRAZIL, O. V. Ultrastructural changes in
neuromuscular junctions of mouse diaphragm caused by the venom of the coral snake
Micrurus corallinus. Mem. Inst. Butantan, 47/4S:95-105, 1983/84.
Australia, causes paralysis of skeletal muscle of peripheral origin in humans and
laboratory animais. Vital Brasil & Fontana, 1983/84.
Like the venom Bungarus multicinctus and those of some Austra-
lian snakes that of Micrurus corallinus exerts prejunctional action. The
presynaptic neurotoxins from thesc venoms ()3-bungarotoxin, taipoxin, notexin)
produce ultrastructural alterations of the nerve terminais, mainly related to the
number and localization of synaptic vesicles, and cause vacuolization and
swelling of the mitochondria (Chen & Lee, 1970, Cull-Candy et al 1976, Tsai
et al, 1976). There are indications that these morphological changes could pro-
vide clues to the presynaptic mechanism of snake toxins. It would therefore be
interesting to see whether the venom of M. corallinus induces similar altera¬
tions, and to establish a correlation between the morphological changes and the
electrophysiological findings of Vital Brazil and Fontana.
MATERIAL AND METHODS
Adult albino mice of both sexes (21-25 g) were killed and the diaphragms
excised. The innervated hemidiaphragms were suspended in an organ bath
containing Tyrode solution (with the following composition [mM]: NaCl 136.8,
KCl 2.7; CaCb 1.8; NaHCO.-) 11.9; MgCb 0.25; NaH^PO.! 0.3; glucose 11.0),
incubated at 37°C and aerated with 5% CO:; and 95% O 2 . The phrenic nerves
were stimulated for periods of 90, 120 and 180 min with maximal shocks of
0.05 Hz and 0.2 ms, with a Grass S48 stimulator. The contractions were isome-
trically recorded on an E & M Physiograph through a Linear-Core F50 trans-
ducer.
Control hemi-diaphragms were either fixed immediately for electron micros-
copy (see below) or treated as descrlbed above. In other hemi-diaphragms,
10 pg/ml of venom obtained from M. corallinus (from Eastern São Paulo State,
Brazil) was added to the Tyrode, the diaphragms being stimulated as described.
The LD50 (i.v.) of the venom was 400 (337 to 475) ;rg/kg in mice.
For electron microscopy, the hemi-diaphragms were cut into small pieces
(1 mm^) and fixed with 2.5% glutaraldehyde in 0.1 M cocadylate buffer (pH 7.2)
for 3 hr at 4°C. Specimens were post-fixed with 1% Os0.i in the same buffer
for 2 hr at 4°C, dehydrated in a graded series of ethanol followed by propylene
oxide, and embedded in Epon-812. Thick sections (1-2 pm) were cut with glass
knives and stained with Toluidine blue. Ultrathin sections were contrasted with
uranyl acetate and lead citrate for 30 min and 3-6 min respectively and examined
with a Zeiss EM-9 S2 electron microscope.
RESULTS
Control preparations. The ultrastructure of the neuromuscular junction in
control preparations (fig. 1) closely resembled previous observations in the
mouse and other mammals. (Bowden & Duchen, 1976, Duchen 1971).
96
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SciELO
10 11 12 13 14 15
HOFLING, M. A. C.; RODRIGUES-SIMIONI, L. & BRAZIL, O. V. Ultrastructural changes in
neuromuseular junctions of mouse diaphragra caused by the venora of the coral snake
Micninis covallinus. Mem. Inst. Dutantan, 47’/45:95-105, 1983/84.
Fig. 1 — Normal motor end pia te from a diaphragm stimulated wich maximal pulses 0.2 msec
1 Hz in Tyrode solution for 180 min. The nerve terminal (N) eontains mitochondria
(m) and synaptic vesicles (v) and is separated from the post-synaptic folds of the
muscle fiber (M) by basal lamina (♦). A Sehwann cell process (S) covers the
nerve terminal. X 25000.
Venom-treaíed preparation. The ultrastructural changes produced by the
venom were studied in six phrenic nerve-diaphragm preparations. Complete
neuromuseular blockade oceurred 30, 45 and 90 min after the addition of the
venom (10 ng/ml) to the bath, in one, four and one experiments, respectively.
At 90 min although neuromuseular transmission was completely blocked,
most of the nerve terminais looked normal in the 30 motor end-plates examined.
Only some of them had swollen or disrupted mitochondria with dense matrix,
the axolemma indented and forming omega-shaped small invaginations (fig. 1).
A few electron-lucent vacuoles and vesicles larger than synaptic vesicles could
be found scattered in the axoplasm. In some terminais membrane-bound rounded
struetures, sometimes containing vesicles, were interposed bctween the terminal
and the postsynaptic sarcolemma (fig. 2). The nature of this finding was not
clear. It could represent cross-seclioned Sehwann cell processes or sequestered
bits of axoplasm with synaptic vesicles. Also, in many junctions round or oval
membrane-bound profiles were secn between the nerve terminal and the Sehwann
cell processes (fig. 2). The number and size of synaptie vesicles appeared normal.
The postsynaptic region showed normal-looking folds, and contained many
ribosomes, mitochondria, microtubules, microfilaments and sole-plate nuclei.
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neuromuscular junctions of mouse diaphragm caused by the venom oí the coral snake
Micrurus corallinus. Mem. Inst. Butantan, 47'/4S;95-105, 1983/84.
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Fig. 2 — Nerve terminal exposed to M. corallinus venom (10 ug/ml) for 90 min shows
synaptic vesicles in apparently normal number and distribution but with slight
variation in size. Some mitochondria are swollen, neurotubules and neurofilaments
appear normal. A membrane-bound body containing vesicles similar to synaptic
vesicles is wedged between axolemma and sarcolemma (♦). Omega-shaped indenta-
tions of the axolemma are seen (arrows). Membrane-bound bodies (X) lie over
the nervo terminal. Junctional folds and a sole-plate nuclcus appear normal. (Scale
bar: 0.5 /xm).
At 120 min electron microscopic examination of 64 end-plates showed that
almost all nerve endings were markedly depleted of synaptic vesicles, and the
axoplasm appeared electron-lucent (fig. .3). The axolemma was uninterrupted
but wavy (fig. 2) and in most terminais omega-shaped indentations were nume-
rous and present both in the areas of axolemma facing the muscle and the
Schwann cell (fig. 3). Some of the indentations had a thin coating of dense
material similar to that of coated-vesicles. Coated-vesicles larger than synaptic
vesicles could be found dispersed in the axoplasm. In some terminais, the mito¬
chondria were swollen and vacuolated, but in others they were normal in appea-
rance. Neurofilaments and neurotubules looked normal. Although no quanti-
tative analyses were performed, some terminais appeared decreased in size. The
synaptic gutter was not totally occupied by the terminal, but contained abundant
rounded or finger-shaped membrane-bound bodies. These were already seen
at 90 min, but became far more numerous at 120 and 180 min. These profiles
usually contained little amorphous material, some showed vesicles and electron-
dense corpuscles thought to be ribosomes (fig. 3 and 4).
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HOFLING, M. A. C.; RODRIGUES-SIMIONI, L. & BRAZIL, O. V. Ultrastructural changes in
neuromuscular junctions of mouse diaphragm caused by the venom oí the coral snake
Micrurus corallinus. Mem. Inst. Butantan, 47/45:95-105, 1983/84.
Fig. 3 — At 120 min electron-lucent nervo endings (N) are depleted of synaptic vesicles.
Membrane-bound bodies (X) are interposed between the ending and the Schwann
cell and to a lesser degree between the ending and the postsynaptic membrane.
One of the endings appears shrunken. Musele fibre (M). (Scale bar: 1 /xm).
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neuromuscular junctiona of mouse diaphragm caused by the venom of the coral snake
Micrurus corallinus. Mem. Inat. Butantan, 47/48:95-105, 1983/84.
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Fig. 4
A nerve terminal at 120 min shows numerous omega-shaped indentations facing
both the postsynaptic membrane and the Schwann cell (arrow). The terminal is
depleted of synaptic vesicles, but mitochondria appear normal. Numerous rounded
or finger-like membrane-bound bodies (X) cover the terminal. The synaptic gutter
appears shallow. (Scale bar: 1 fim).
The postsynaptic region of the muscle fibres showed normal-looking postsy¬
naptic folds, but in some fibres the sarcoplasm at the end-plates appeared loose
and electron-lucent, and the rough endoplasmic reticulum and Golgi apparatus
had swollen cisternae. Other regions of the muscle fibres away from the
end-plates did not show significant abnormalities.
At 180 min, most terminais showed drastic reduction in size and some had
disappeared. The main morphological features of these terminais were the
absence of normal-sized synaptic vesicles, high electron density of the axoplasm,
the presence of degenerated swollen or disrupted mitochondria (fig. 5), and
numerous omega-like axolemmal indentations.
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neuromuscular junctions of mouse diaphragm caused by the venoin of the coral snake
Micrurus corallinus. Mem. Inst. Butantan, i7/48:95-105, 1983/84.
Fig. 6 — 120 min. A normal-looking pre-terminal axon is surrounded by myelin. Both inside
and outside the myelin sheath there are abundant membrane-bound bodies (X),
similar to those seen at the end-plate below. The latter contains a shrunken
remnant of axonal terminal (A). The muscle fibre seems normal. (Scale bar:
0.5
Fig. 7 — 120 min. This picture probably represents a preterminal axon (A) at the last
heminode, and its axonal terminal (N) at an end-plate. The continuity is supported
by the basal lamina of the Schwann cell covering the axon (arrows), which reaches
down to the Schwana cell processes over the terminal. Many membrane-bound
bodies (X) are eontained between the basal lamina and the myelin sheath and are
also present over the postsynaptic folds at right. These bodies appear to be
derived from the Schwann cell. (Scale bar: 1 fim).
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HOFLING, M. A. C.; RODEIGUES-SIMIONI, L. & BRAZIL, O. V. Ultrastructural changes in
neuromuscular junctions of mouse diaphragm caused by the venoni of the coral snake
Micrurus corallinus. Mem. Inst. Butantan, 47/48:95-105, 1983/84.
DISCUSSION
The mode of action of Aí. corallinus venom in blocking neuromuscular
transmission has been investigated by Vital Brazil and Fontana (1983/84), who
suggested that the irreversible presynaptic action is more important in neuro¬
muscular blockade than the postsynaptic one. The venom caused an increase of
spontaneous ACh release even after neuromuscular blockade. However, the
evoked ACh release was greatly reduced. The present study confirms that Aí.
corallinus venom has a prejunctional neurotoxicity.
Presynaptic neurotoxins are found in some elapid and crotalid venoms such
as /3-bungarotoxin from the Formosa krait Bungarus multicinctus notexin from
the Australian tiger snake Notechis scutatus, toxins III A and III B from the
Indian krait, Bungarus caeruleus, taipoxin from the Australian taipan Oxyura-
nus scutellatus, and crotoxin from the South American rattlesnake Crotalus
durissus terrificus. Some of Ihese toxins e.g. taipoxin, notexin and crotoxin also
exhibit myotoxic activity, while yS-bungarotoxin seems to be exclusively neuro-
toxic. In this respect Aí. corallinus venom seems to act like yS-bungarotoxin,
since it does not alter muscle excitability. (Vital Brazil & Fontana, 1983/84).
In the present study the ultrastructural changes induced by Aí. corallinus
venom in the nerve terminal included the appearance of omega-chaped axo-
lemmal indentations, reduction in number of the synaptic vesicles and variation
oí their size, swelling and disruption of mitochondria, high electrondensity of
the axoplasm and significant reduction in size of the terminais. These features
are similar to those induced by /3-bungarotoxin (Chen & Lee, 1970, Tsai et al,
1976), notexin, taipoxin (Cull-Candy et al, 1976), and crotoxin (Gopalabrishna-
kone & Hawgood 1979). All these toxins have been found to have phospholipase
A-.> activity. Aí. corallinus venom also contains phospholipases (Hertel, personal
communication) which could account for the presynaptic block and the mor-
phological changes caused by the venom.
The present findings also suggest that presynaptic blockade after Aí. coralli¬
nus is not due to synaptic vesicle depletion bccause by 90 min the neuro¬
muscular blockade was complete but the vesicle population was not exhausted.
This is in agreement with the observation of Tsai et al, (1976) and Chang and
Lee (1973) on ^-bungarotoxin. However, by 120 min lhe synaptic vesicles had
disappeared from the terminais. Depletion was found to be accelerated by nerve
stimulation, as observed with taipoxin and notexin. (Cull-Candy et al, 1976).
The nature of the abundant membrane-bound bodies seen dose to degena-
rating terminais is unclear. Similar observations were made by Queiroz (1981)
in crotoxin-treated mouse muscle in vivo. It is possible that the bodies could be
fragments of the degenerating nerve terminal. They might also represent cross
sections through finger-like Schwann cell processes, arising in response to direct
venom action or an attempt at phagocytosis of debris.
This project was supported by grant from Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo (FAPESP — Proc. Biol. 78/202).
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HOPLING, M, A. C.; RODRIGUES-SIMIONI, L. & BRAZIL, O. V. Ultrastructural changes In
neuromuscular junctions of mouse diaphragm caused by the venom of the coral snake
MícrUnts corallinus. Mem. Inst. Butantan, 47/45:95-105, 1983/84.
RESUMO: Os efeitos do veneno de M. corallinus sobre a ultra-
-estrutura da junção neuromuscular, foram investigados em prepa¬
rações isoladas nervo-frênico-diafragma de camundongo. O veneno
bruto (10/ig/ml) foi adicionado ao banho, e o músculo estimulado
indiretamente a 0.05 Hz por 90-180 min. As preparações foram
então fixadas para exame ao microscópio eletrônico. O veneno causou
alterações nas terminações nervosas caracterizadas pela redução do
número e variação no tamanho das vesículas sinápticas, apareci¬
mento de indentações axolemais em forma de ômega, inchamento e
rompimento de mitocóndrias, densidade eletrônica do axoplasma
aumentada, e diminuição no tamanho do terminal. Em 180 min mui¬
tos terminais desapareceram e a goteira sinóptica mostrou-se pouco
profunda, mas normal. Nenhuma alteração foi observada nas dobras
pós-sinápticas ou nas fibras musculares. Uma observação marcante
foi a presença de numerosos corpos membranosos digitiformes, entre
0 terminal nervoso e a célula de Schwann, ou cobrindo o sarcolema
desnervado pós-sináptico. Esses corpos podem ter-se originado dos
processo da célula de Schwann. Estes resultados corroboram os
estudos eletrofisiológicos de Vital Brazil e Fontana (1983) que indi¬
cam que 0 veneno tem uma ação predominantemente prejuncional e
bloqueadora da liberação do neurotransmissor.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOWDEN, R. E. M. & DUCHEN, L. W. The anatomy and pathology of neuro¬
muscular junctions. Inx The neuromuscular junction. Handbook of Experimental
Pharmacology, vol. 42, p. 23. Zaimis, E. (ed.), Springer: Berlin, 1976.
CHANG, C. C.; CHEN, T. F. & LEE, C. Y. Studies of the presynaptic effect of
/3-bungarotoxin on neuromuscular transmission. J. Pharmac. exp. Ther., ISU:
339-345, 1973.
CHEN, I. L. & LEE, C. Y. Ultrastructural changes in the motor nerve terminais
caused by )3-bungarotoxin. Virchows Arch. Abt. B Zellpath., fi:318-325, 1970.
CULL-CANDY, S. G.; FOHLMAN, J.; GUSTAVSSON, LÜLLMANN-RAUCH, R.
& THESLEFF, S. The effects of taipoxin and notexin on the function and fine
structure of the murine neuromuscular junction. Neuroscience, 1:175-180, 1976.
DUCHEN, L. W. An electron microscopic comparison of motor end-plates of slow
and fast skeletal muscle fibres of the mouse. J. neurol. Sei., 14:37-45, 1971.
GOPALAKRISHNAKONE, P. & HAWGOOD, B. J. Morphological changes in
murine nerve, neuromuscular junction and skeletal muscle induced by the crotoxin
complex. J. Physiol., 291 :5-6, 1979.
QUEIROZ, L. S. Effects of neurotoxins on muscle and nerve in the mouse: Morpho¬
logical and physiological studies. Ph.D thesis. University of London, England,
1981.
TSAI, M. C.; CHANG, C. C. & LEE, C. Y. The relation between the blockade of
transmitter release and the ultrastructural changes of the motor nerve terminais
caused by /3-bungarotoxin. Memorial Volume to President Chiang Kai-Shek,
289-363, 1976.
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HOFLING, M. A. C.; RODRIGUES-SIMIONI, L. & BRAZIL, O. V. Ultrastructural changes in
neuromuscular junctions of mouse diaphragm caused by the venom of the coral snake
Micrwnis corallinus. Mem. Inst. Butantan, 47/^5:95-105, 1983/84.
VITAL BRAZIL, O. & FONTANA, M. D. Ações pré-juncionais e pós-juncionais da
peçonha da cobra coral Micrurus corallinus na junção neuromuscular. Mem. Inst.
Butantan, 47/45:13-26, 1983/84.
Recebido para publicação em 02/04/1984 e aceito em 29/03/1985.
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NEMATÓIDES DE PASSALIDAE (COLEOPTERA).
DESCRIÇÃO DE KLOSSNEMA REPENTINA N. GÊN.,
N. SP. (NEMATODA: HYSTRIGNATHIDAE)
Nelson da Silva CORDEIRO *
Paulo de Toledo ARTIGAS ♦
RESUMO: Propõe-se a criação de uma nova espécie de oxiuróide,
encontrado em passalídeos do Estado de São Paulo (Brasil), para o
qual é proposta a denominação de Klossnema repentina. As carac¬
terísticas morfológicas desta nova espécie impõem a sua colocação
em um novo gênero (Klossnema), para ser situado em uma nova
subfamília (Klossnematinae).
PALAVRAS-CHAVE: Passalidae; Nematoda; Hystrignathidae;
Klossnematinae n. subfam.; Klossnema n. g:ên.; K. repentina n. sp.
INTRODUÇÃO
Os coleópteros da família Passalidae são hospedeiros constantes de nume¬
rosas espécies de nematóides (Cordeiro', 1981). Segundo Travassos & Kloss''
(1958), tais parasitas de passalídeos que integram essa fauna se restringiriam,
necessariamente, a gêneros e espécies das famílias Lepidonematidae (Travassos®,
1920) e Hystrignathidae Travassos & Kloss', 1958.
Em 1978, Clark^ assinala a presença de nematóides intestinais, em passa¬
lídeos australianos, que classificou na família Thelastomatidae (Travassos®,
1929).
No presente artigo, referimos um novo nematóide, encontrado com bastante
freqüência na segunda porção do intestino posterior, na conceituação de Pereira
& Rloss"* (1966), em espécie de Passalidae brasileiros. Fizemos a descrição de
uma subfamília nova, de novo gênero e da espécie tipo, aos quais damos respec¬
tivamente os nomes de Klossnematinae n. subfam. Klossnema n. gên. e K. repen-
tina n. sp., em homenagem à Dra. Rita G. Kloss, que trabalhou intensivamente
no grupo de nematóide de artrópodos.
* Departamento de Parasitologia, Universidade Estadual de Campinas.
Endereço para correspondência: Departamento de Parasitologia, I.B., Universidade Estadual
de Campinas, Caixa Postal 6109, Campinas, SP, Brasil.
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CORDEIRO, N. S. & ARTIGAS, P. T. Nematóides de Passalidae (Coleoptera). Descrição de
Klossnema repentina n. gên., n. sp. (Nematoda; Hystrignathidae). Mem. Inst. Butantan,
107-111, 1983/84.
MATERIAL E MÉTODOS
Os coleópteros utilizados para as pesquisas da fauna helmíntica foram
capturados no bosque da Zoologia, na Cidade Universitária “Armando de Salles
Oliveira”, e na reserva de mata da Fazenda Santa Genebra, em Barão Geraldo,
Campinas — São Paulo, Brasil. Os coleópteros eram sacrificados, para a colheita
de parasitos, apenas poucos dias após sua captura. A obtenção de nematóides
se realiza com a retirada do tubo digestivo, após a morte do inseto em atmosfera
saturada de clorofórmio.
O material parasitológico foi microscopado ainda vivo em soluto fisiológico
(4"/oo), entre lâmina e lamínula. Posteriormente foi transferido para o líquido
conservador Railliet-Henry, levado à câmara clara onde foram obtidos os dese¬
nhos apresentados no texto.
RESULTADOS
Ordem Rhigonematiformes Kloss^ 1960.
Nematóides parasitos do aparelho digestivo de artrópodos; apresentam o
bulbo posterior do esôfago bem desenvolvido e dotado de válvulas masticatórias
quitinizadas.
Superfamília Hystrignathoidea Kloss^ 1960.
Rhigonematiformes. Machos com aparelho espicular ausente, tendo sido
substituído, ou não, por formações cuticulares na extremidade dorsal; fêmeas
com o corpo do esôfago subcilíndrico ou claviforme.
Família Hystrignathidae Travassos & Kloss', 1958.
Hystrignathoidea. Fêmeas: Cutícula revestida, ou não, na região esofagiana,
de espinhos. Asas laterais presentes. Genitália mono ou didelfa. Vulva situada
no terço médio do corpo. Ovos pouco numerosos, elípticos. Complexo esofagiano
apresentando corpo, istmo e bulbo posterir bem destacado; bulbo posterior arre¬
dondado, com válvulas bem desenvolvidas.
Machos: Cutícula não espinhosa. Não apresentando aparelho espicular, que
é substituído por formação quitinizada situada dorsalmente na extremidade distai,
de modo a oferecer maior apoio no ato da cópula, na justaposição das aberturas
sexuais masculina e feminina.
Subfamília Klossnematinae n. subfam.
Hystrignathidae. Fêmeas: Corpo do esôfago longo, discretamente claviforme.
Istmo mais estreito na parte terminal do corpo do esôfago e não se diferenciando
de modo nítido com o bulbo posterior, que apresenta válvulas trituradoras. Cutí¬
cula inerme. Tubo intestinal retilíneo. Genitália didelfa a anfidelfa; Vulva situada
no quarto posterior do corpo; ovos pouco numerosos; cauda curta, terminando
em gancho.
Machos: Menores que as fêmeas e recurvados no quarto posterior. Complexo
esofagiano: Corpo do esôfago com estrangulamento médio, portanto apresentando
pré-corpo e metacorpo; istmo mal diferenciado: bulbo posterior com válvulas
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CORDEIRO, N. S. & ARTIGAS, P. T. Nematóidcs de Passalidae (Coleoptera). Descrição de
Klossnema repentma n. gên., n. sp. (Nematoda: Hystrignathidae). Hem. Inst. Butantan,
1983/84.
trituradoras. Intestino retilíneo. Na extremidade caudal, ânus terminal; na extre¬
midade distai o espessamento dorsal característico dos Hystrignathidae. Presentes
duas papilas, uma prc-anal e outra também anterior ao ânus, porém adanal;
presentes três ou quatro papilas muito discretas subterminais.
Gênero-tipo: Klossnema n. gên.
Gênero: Klossnema n. gên.
Gênero único, portanto com os caracteres da subfamília. Espécie-tipo:
Klossnema repentina n. sp.
Klossnema repentina n. sp.
Espécie-tipo e única do gênero. Com as características já oferecidas para a
definição da subfamília. Deve ser assinalada, ainda, a conformação da extremi¬
dade proximal do macho; nota-se uma dilatação cuticular bem destacada e enci¬
mada por quatro formações papilares; a esta dilatação proximal, segue-se o
estorna longo e bem diferenciado do esôfago anterior (corpo).
Média de medidas (em mm) de diversos exemplares Klossnema repentina n.
gên. n. sp. (17 machos e 25 fêmeas) :
Especificação
Fêmea
Macho
Comprimento
1,0
0,08
Largura máxima
0,03
0,021
Corpo do esôfago
0,11 X 0,0G
0,050
Istmo
0,024 X 0,016
0,048
Bulbo posterior
0,027 X 0,016
0,019
Vulva
0,65 da extremidade distai
Cauda
0,021
Espessamento espicular
0,012
Hospedeiro: Passalus punctatostriatus Perch., P. rusticus Perch., P. morio
Perch., P. inundulifrons Kuw. (Coleoptera: Passalidae).
Localização parasitária: Divertículos do intestino posterior.
Origem geográfica: Reserva de mata da Cidade Universitária “Armando de
Salles Oliveira” e reserva de mata da Fazenda Santa Genebra, Distrito de
Barão Geraldo, Campinas — São Paulo, Brasil.
Material: O material que serviu para a criação da nova espécie está conservado
em líquido de Railliet-Henry e, constitue uma “série sintípica”, com
numerosos exemplares. Os nematóides de Passalidae são frágeis e a sua
inclusão em preparados definitivos (bálsamo do Canadá, p. ex.) não nos
parece recomendável. É o motivo porque não selecionamos holótipos
macho e fêmea e parátipos.
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CORDEIRO, N. S. & ARTIGAS, P. T. Nematóides de Passalidae (Coleoptera). Descrição de
Klossnema repentina n. gén., n. sp. (Nematoda: Hystrignathidae). Mem. Inst. Butantan,
107-111, 1983/84.
PRANCHA — Klossnema repentina n. sp.; 1 — Fêmea. 2 — Extremidade anterior da fêmea.
3 — Extremidade posterior da fêmea, face lateral. 4 — Macho. 5 — Extremidade anterior
do macho. 6 — Extremidade posterior do macho, face lateral.
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CORDEIRO, N. S. & ARTIGAS, P. T. Nematóides de Passalidae (Coleoptera). Descrição de
Klossnema repentina n. gên., ii. sp. (Nematoda: Hystrignathidae). Mem. Inst. Butantan,
J,7/J,8-.Wl-in, 1983/84.
CONCLUSÃO
Obedecendo critérios seguidos por Travassos & Kloss’’ (1958), para a siste¬
mática de Hystrignathidae, cabe, no caso presente, erigir-se a família Klossnema-
tidae. Criou-se a nova subfamília Klossnematinae para a situação do novo
gênero Klossnema. É, sem dúvida, oportuna a criação desta subfamília, desde
que as características anatômicas de Klossnema são muito particulares. No caso
em tela, trata-se de um nematóide cujas fêmeas fogem completamente e de maneira
profunda às características anatômicas dos demais histrignatídeos. A colocação
de K. repentina n. sp. entre esses nematóides se impõe pela razão de que, em
exemplares masculinos, verificou-se que o complexo genital tem as características
que serviram de base para a criação da família Hystrignathidae, isto é, ausência
de espículo que é substituído por espessamento subcuticular na porção terminal
da cauda.
Assinala-se que este nematóide c relativamente freqüente, com vários
hospedeiros e, também, deve ser mencionado ter sido encontrado em biótipos
diversos, o que não é, em geral, observado com os outros nematóides de
passalídeos.
ABSTRACT: A new species Klossnema repentina is described from
brazilian passalid beetles (Passalidae). It is proposed the creation
of a new subfamily, Klossnematinae and of a new genus, Klossnema,
to situate this new species in the taxonomic System.
KEYWORDS: Passalidae; Nematoda; Hystrignathidae; Klossne¬
matinae n. subfam.; Klossnema n. gen.; K. repentina n. sp.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Paulo Friedrich Bührnheim, da Universidade do Amazonas, pela
identificação dos coleópteros.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. CORDEIRO, N. da S. Nematóides intestinais de Passalidae; revisão de sua
sistemática e catalogação das espécies conhecidas. São Paulo, Universidade
de São Paulo (Tese de Doutorado), 279 p. + 30 Pranchas, 1981.
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3. KLOSS, G. R. Organização filogenética dos nematóides parasitos intestinais de
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4. PEREIRA, F. S. & KLOSS, G. R. Observações sobre o intestino posterior de
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5 . TRAVASSOS, L. Esboço de uma chave geral dos nematódeos parasitos. Rev.
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Arthropodos. Sup. Mem. Inst. Oswaldo Cruz, (5):19-25, 1929.
7 . TRAVASSOS, L. & KLOSS, G. R. Sobre a fauna de nematódeos dos coleopteros
Passalidae da estação biológica de Boraceia. Arg. Zool. Est. S. Paulo, 11:
23-57, 1958.
Recebido para publicação em 24/04/1983 e aceito em 19/07/1984.
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Mem. Inst. Butantan
47/45:113-120, 1983/84
ESTOMATITE ULCERATIVA INFECCIOSA EM
BOA CONSTRICTOR CONSTRICTOR
MANTIDAS EM CATIVEIRO
Hideyo IIZUKA
Henrique Moisés CANTER
Edison Paulo Tavares de OLIVEIRA
Hisako Gondo HIGASHI
Raymundo ROLIM ROSA
RESUMO: No presente informe, descreve-se o isolamento de Pro-
teus mirabilis e Streptococcus viridans de estomatite ulcerativa em
coleção de Boa constricior conslrictor mantidas em cativeiro no
vivário do Museu do Instituto Butantan, e algumas observações rela¬
tivas a evolução da doença provocada por essa associação bacteriana.
PALAVRAS-CHAVE: Estomatite em Doa constrictor constricior
causada por Proteus mirabilis e Streptococcus viridans-, Mouth rot;
flora bucal de serpentes; serpentes em cativeiro; biotério de ser¬
pentes; répteis.
INTRODUÇÃO
Tem sido verificado, por diversos autores que a estomatite ulcerativa infec¬
ciosa é uma moléstia relativamente comum entre as serpentes, tanto nas vene-
níferas, como nas não-veneníferas “■ Ela ocorre principalmente em
animais depauperados, em conseqüência, predominantemente causadas por con¬
dições adversas, apresentadas pela vida em cativeiro, a qual muito difere daquelas
encontradas em vida livre, visto que as serpentes são animais extremamente
sensíveis a vários fatores externos *■
Em trabalho anterior®, foi descrito o surto de uma epizootia que acometeu
cerca de 70% das serpentes dos gêneros Bothrops e Crotalus, mantidas no bioté¬
rio de serpentes do Instituto Butantan, provocada por um bacilo difteróide. A
infecção caracterizava-se pelo aparecimento de uma massa caseosa, de coloração
branco-amarelada, de odor muito pronunciado, que lesava invariavelmente as
glândulas veneníferas e que resultava na continência da produção de veneno e
na morte de cerca de 25% dos ofídios acometidos.
Endereço para correspondência: Caixa Postal 05, 05504, São PauIo-SP, Brasil.
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Recentemente, novo surto de estomatite ulcerativa de caráter infecto-conta¬
gioso, até então não descrita, irrompeu entre exemplares da coleção de Boa
constrictor constrictor mantidos em cativeiro no serpentário do Museu do mesmo
Instituto.
A Boa constrictor constrictor (L) é uma espécie de serpente que pertence
à família dos boideos, onde estãq classificados os maiores répteis atuais do
mundo, podendo atingir aproximadamente 5 metros de comprimento quando bem
desenvolvido '■ O gênero Boa compreende serpentes típicas do Novo Mundo.
No Brasil, a sua distribuição geográfica se faz por todo o nosso território, exceto
o extremo Sul. É ovovivípara, notívaga, constritora e vive em campos é moitas
não muito úmidas, alimenta-se de grande variedade de animais, dando prefe¬
rência a roedores e aves
Devido a falta de dados referentes a “mouth rot” ” na literatura
consultada, relativo a Boa constrictor constrictor, procuramos, no presente traba¬
lho, relatar o isolamento do agente etlológico, além de algumas observações
relativas à sintomatologia apresentada pelos répteis acometidos pela infecção.
MATERIAL E MÉTODOS
Coleta de amostras — as presentes observações foram realizadas em exem¬
plares adultos de Boa constrictor constrictor, sem distinção de sexo, procedentes
de diversas regiões do território brasileiro, pertencentes a coleção de serpentes
do Museu do Instituto Butantan.
As amostras do material foram colhidas de um lote de 7 animais doentes,
portadores de estomatite ulcerativa, com auxílio de uma espátula esterilizada,
diretamente da cavidade bucal e recolhidas em tubos de ensaio, de acordo com
a técnica descrita em trabalho anterior®. Em seguida, eram homogeneizados e
emulsionados em 5 ml de solução fisiológica estéril, a 0,85% de NaCl, PA, para
exame bacterioscópico e da cultura.
Cultura do material — a semeadura era imediatamente feita em volume de
0,1 ml da suspensão do material em meios de cultura básicos caldo
glicosado, na concentração final de 1% de glicose, meio de Tarozzi^®, caldo
infuso de cérebro e coração de boi — BHI, Difco, e meio de Zeissler modifi¬
cado ®, os quais, eram incubados em estufa, a temperatura de 37°C, durante um
período de 48 horas, e observadas a cada 24 horas. A seguir, as colônias desen¬
volvidas em meios sólidos eram analisadas e selecionadas quanto aos aspectos
morfológico, macroscópico e microscópico. Os esfregaços eram corados pelos
métodos de Gram e Wirtz. As colônias isoladas eram pescadas e conservadas
em tubos com meio de Lignières, protegidos com camada de óleo mineral.
Para o isolamento e classificação do tipo de estreptococo, a cultura em
placas de agar sangue era incubada a 37°C, durante um período de 24 horas
e em seguida, em geladeira, por mais 24 horas “■
A triagem prévia de bactérias aeróbias Gram negativas era realizada em
meio dc SV (Surraco & Violeta) ’®, provido de tubo de Durham invertido *• “L
Os exames bacteriológicos eram realizados de acordo com as técnicas padrões
para classificação de enterobactérias descrita por Rugai c Araújo “ e modificações
propostas por Toledo e col. A identificação bioquímica foi confirmada de
acordo com as técnicas recomendadas por Edwards & Ewing *.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
A atividade dos répteis depende muito da pecilotermia e, ao contrário dos
animais homeotermos, não possuem a propriedade de manter constante a tempe¬
ratura corporal. Portanto, apresentam alto grau de sensibilidade às variações
climáticas, tais como: temperatura, grau de umidade relativa, iluminação, aeração
etc., além de outros fatores O índice de sobrevida destes animais, quando
mantidos em cativeiro, depende muito da otimização das variáveis físico-químicas
citadas, para que se mantenham em boas condições de saúde. Qualquer desequi¬
líbrio destes fatores essenciais que garantem o seu bem-estar, poderá desencadear
situações estressantes que levará à instalação de doenças, ou mesmo a surto de
eplzootias '•
No presente estudo, o resultado das provas bacteriológicas e bioquímicas
permitiram verificar que no lote de serpentes doentes, a estomatite ulcerativa
era provocada por uma infecção bacteriana mista, resultante da associação entre
Proteus mirabilis e Streptococcus viridans.
A moléstia inicia-se com hiperemia da mucosa oral, acompanhada de aumento
de sensibilidade dolorosa, motivo pelo qual o ofídio recusa a alimentação. Em
condições normais, a Boa pode aceitar mais de uma presa — camundongos, ratos
ou cobaias — por refeição, que é feita normalmente duas vezes por mês, de
acordo com o porte e apetite do animal *. Mas, o réptil doente muda completa¬
mente seu comportamento, fica mais irritadiço e agressivo. Com a evolução da
doença, cessa o movimento ágil da língua, uma das características de serpente
saudável. Em seguida, aparece edema na mucosa bucal acompanhada de aumento
de secreção, inicialmente fluida, mas, com a progressão da moléstia, torna-se
mais viscosa e de aspecto gelatinoso. Esta abundante sialorréia, mais o edema
da região oro-faringeana, muitas vezes, acaba obstruindo parcialmente as vias
aéreas superiores, e totalmente as narinas, comprometendo a respiração.' Nesta
fase, 0 réptil começa a demonstrar dispnéia e a elevar a cabeça, procurando,
assim, melhorar as condições de respiração, mantendo-a em posição vertical,
apoiando-se na parede do serpentário, imóvel, durante longo espaço de tempo.
Esta postura, caracterizada pela elevação do terço anterior do corpo, até formar
quase um ângulo de 90° em relação ao solo, foi observada também por Burtscher ^
que embora tenha descrito minuciosamente a evolução da estomatite ulcerativa,
inclusive com a distinção de duas formas evolutivas da doença — a aguda e a
crônica, não explicou, contudo, a causa deste comportamento abiiormal.
Muitas vezes, o edema pode deformar a cabeça da jibóia e, nos casos
graves, provocar dispnéia permanente; na fase final das evoluções agudas, antes
de o animal sucumbir, manifestam-se crises intermitentes de apnéia, com espasmos
e contrações serpejantes generalizadas. Toda esta evolução, até a morte, pode
transcorrer num período relativamente curto, de 7 a 10 dias, quando da evolução
aguda da moléstia.
Por outro lado, quando a evolução é do tipo crônico, a serpente poderá
sobreviver durante dois a três meses e, dependendo do estado nutricional, pode
evoluir para a cura completa, ou resultar em morte súbita decorrente da caquexia
profunda (Tabela 1).
Na infecção crônica, o animal fica muito fraco, em virtude da incapacidade
de se alimentar. Não consegue mais permanecer na posição vertical acima refe¬
rida. E, a partir da segunda semana, o fluxo das secreções pode diminuir, ou
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desaparecer por completo, como soe acontecer, na maioria das vezes, dando
lugar ao aparecimento de material de aspecto caseoso, esbranquiçado, que torna
abundante, principalmente na mucosa próxima aos dentes, tanto no maxilar
superior, como no inferior (Fig. 1), o qual é destacável, sem provocar hemorragia.
Analisando a Tabela 1, pode-se constatar que o índice de mortalidade pela
estomatite é superior a 50% do lote, visto que, de 7 animais estudados, quatro
tiveram êxito fatal, no período de aproximadamente três meses de observação.
E ainda, o número de mortes foi mais elevado quando a doença evoluía sob
a forma aguda (3 mortos), em relação a crônica (1 morto). Por outro lado, os
répteis que conseguiram vencer estes prazos de sobrevida, recuperaram-se com¬
pletamente da infecção.
Uma particularidade bastante interessante, observada neste estudo, foi o fato
de estomatite ulcerativa. infecciosa, além de ser causada por infecção mista,
resultante da associação bacteriana entre Proteiis mirabilis e Streptococcus alfa-
-reativos, ter afinidade específica para com o hospedeiro, pois, apesar de exem¬
plares de Boa constrictor constrictor estarem sendo criadas juntamente com
serpentes de outras espécies, venenosas e não-venenosas, não houve transmissão
da moléstia.
Alguns autores acham que as serpentes, em liberdade, e em condições
naturais, não estão sujeitas às inúmeras doenças que sofrem, quando em cativeiro.
Williams e col. observaram que as serpentes recém-capturadas não apre¬
sentam flora bacteriana muito numerosa, mas em cativeiro, o número de micror¬
ganismos presentes na boca se multiplica acentuadamente. Estes autores
estudando a microbiota presente na cavidade oral de serpentes australianas
mantidas em cativeiro, conseguiram isolar os microrganismos do gênero Proteus
em mais de 70% dos animais que sofriam de estomatite cancróide.
Wagner ao estudar casos de estomatite ulcerativa em serpentes norte-ame¬
ricanas, bem como de outras origens, afirma que “mouth rot” c uma doença
muito comum entre os répteis. Ele acha que o desequilíbrio de fatores micro-
climáticos é que contribuem para o surto desta moléstia, isto é, quando as
gaiolas não recebem aquecimento suficiente, nem grau de umidade relativa
correta. Quanto à evolução da enfermidade, classificou-a também em dois tipos:
a aguda, com êxito fatal em alguns dias, a qual ele denominou de estomatite
sob forma mucosa, e a crônica, por ele denominada de forma caseosa da
estomatite.
Goldstein e col.'' pesquisaram a flora bacteriana aeróbia e anaeróbia de
amostras de venenos de 19 exemplares de Crotalus norte-americanas, mantidas
em cativeiro, no laboratório, num intervalo de tempo que variava de duas
semanas a seis meses. As espécies bacterianas aeróbias mais comumente isoladas
eram aquelas pertencentes aos gêneros Proteus e Pseudomonas.
Butscher^ estudou 44 casos de “mouth rot” em 13 espécies de serpentes,
sendo a maioria européias, tanto venenosas como não-venenosas, e isolou o
agente etiológico comum — Bacillus fluorescens liquefadens (Flügge), inclusive
de um exemplar de Boa constrictor constrictor, de cerca de dois metros de
tamanho, procedente do Brasil. E concluiu que este agente é altamente patogê¬
nico aos animais pecilotérmicos.
Dessa maneira, podemos verificar que a estomatite infecciosa é uma afecção
peculiar aos ofídios, e que pode ser provocada por diversas espécies bacterianas,
associadas ou não.
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Parrlsh e col. “ estudaram a flora bacteriana da boca e da glândula vene-
nífera de 25 serpentes norte-americanas, aparentemente normais. Os germes
mais freqüentemente encontrados foram Proteus vulgaris, além de outras espécies
bacterianas, com predominância de coliformes e difteróides. Isolaram também
Streptococcus, porém não chegou a classificá-lo. Estes autores afirmam que não
há diferença significativa entre a flora bacteriana de serpentes recém-capturadas
e a de cativeiro durante algumas semanas.
Em nosso meio, Moreno e col. pesquisaram enterobacteriaceas de 618
exemplares de anfíbios e répteis aparentemente sãos, em sua maioria de material
colhido de ofídios do biotério de serpentes do Instituto Butantan. Os resultados
obtidos indicam a predominância de espécies bacterianas pertencentes ao gênero
Proteus, sendo: 3% de Proteus mirabilis, 15% de Proteus rettgeri, 14% de
Proteus morgani e 16% de Proteus vulgaris, respectivamente, além de outras
espécies bacterianas. Em vista de estes microrganismos não estarem causando
manifestações clínicas aparentemente abnormais, concluíram que os animais de
sangue frio devem representar um papel muito importante como reservatório
primitivo e natural de enterobacteriaceas, na natureza.
Além destes, outros pesquisadores também conseguiram isolar entercbacte-
riaceas do gênero Proteus, da flora bucal de serpentes aparentemente hígidas ’’’
12 . 15 . 16
E, para finalizar, podemos concluir que quanto às bactérias albergadas na
cavidade bucal de répteis, podemos dividi-las em dois grupos: no primeiro, estão
aquelas que causam moléstias, portanto de maior interesse sob o ponto de vista
clínico e noutro, em meros hospedes normais do réptil, pois, apesar de serem
potencialmente patogênicos, não encontram, em condições normais, favorabilidade
para a instalação de um processo infeccioso.
TABELA 1
Estomatite ulcerativa infecciosa em lote de 7 exemplares de Boa constrictor constrictor
mantidas em vivário do Museu do Instituto Butantan
Serpente
N.°
Comprimento
(Cm)
Tempo de
Cativeiro
Evolução da Doença
Observação (Dias)
1
305
4a
+ (90)
2
145
2m
-f (18)
3
140
Im
(*)
4
250
6m
(*)
5
ICO
27d
-f (22)
6
185
15d
-f (10)
7
183
Im
(*)
a = anos m = meses; d = dias; -j- =; morte
(*) Após 90 dias, os animais que sobreviveram, permaneceram sem sintomas.
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CONCLUSÕES
1. Exemplares de Boa constrictor constrictor mantidas em cativeiro são
passíveis de contrair infecção bucal, causando caquexia e morte;
2. sete exemplares doentes de Boa constrictor constrictor apresentaram aos
exames bacteriológicos e bioquímicos, flora bacteriana representada por Proteus
mirabilis e Streptococcus viridans;
3. 0 índice de mortalidade pela estomatite foi superior a 50%, e o número
de mortes foi mais elevado quando a moléstia evoluia sob a forma aguda.
INFECTIOUS ULCERATIVE STOMATITIS IN BOA CONSTRICTOR
CONSTRICTOR MAINTAINED IN CAPTIVITY
ABSTRACT: Isolation of Proteus mirabilis and Streptococcus
viridans from ulcerative stomatitis in Boa constrictor constrictor
maintained in captivity in the Butantan serpentarium and some
observations related to the disease’s developement caused by this
bacterial association.
KEYWORDS: Stomatitis in Boa constrictor constrictor caused by
Proteus mirabilis and Streptococcus viridans; Mouth rot; Oral flora
of the snakes; Snakes in captivity; Reptiles.
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Estomatite ulcerativa infecciosa cm Boa constrictor ronstrictor mantidas em cativeiro.
Mem. Inst. Butantav, 47/.{5:113-120, 1983/84.
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Recebido para publicação cm 25/04/1984 e aceito em 15/06/1984.
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Mem, Inst. Butantan
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RELATO CLÍNICO DE ENVENENAMENTO HUMANO
POR PHILODRYAS OLFERSII
Marcos Vinícius da SILVA *
Marcus Augusto BUONONATO **
RESUMO: Apresenta-se um caso de acidente humano por Philo-
dryas olfersii, serpente até agora considerada não causadora de aci¬
dentes. Relata-se o estudo semiológico, tratamento e a evolução
observada. Compara-se os sinais clínicos registrados com os deter¬
minados pelo acidente botrópico.
PALAVRAS-CHAVE: Síndrome: ofidismo, Philoãryas. Serpente:
Colubridae.
INTRODUÇÃO
Os acidentes humanos cujo agente etiológico são serpentes são freqüentes
em nosso meio. O Hospital Vital Brazil, do Instituto Butantan, onde atende-se
a maioria desses acidentes ocorridos na Grande São Paulo e algumas cidades
vizinhas, recebe em média 500 destes casos por ano, dos quais 40% (200 casos)
são acidentes por serpentes consideradas não peçonhentas. Entre estas encon¬
tramos a serpente opistóglifa, Philodryas olfersii (Liechtenstein, 1823), vulgar¬
mente conhecida como Boiubu, Boiubi, Arabóia (2) e Cobra Verde. Pertence
à família Colubridae e à subfamília Boiginae. Tem o corpo de cor verde, sendo
0 ventre mais claro, ligeiramente amarelado. A parte superior da cabeça apre-
.senta um tom castanho-metálico, de onde parte uma linha ocre no dorso, longitu¬
dinalmente. Na altura do olho há uma faixa mais escura. É tanto terrestre como
dendrícola, habitando vegetação baixa. Mais ativa pela manhã, alimenta-se de
pequenos vertebrados, como lagartos, rãs e pássaros (onicarnívora). É ovípara
t4 a 10 ovos), reproduzindo-se preferencialmente de setembro a novembro (6).
Muito comum no Sul, Centro-Oeste, Nordeste do Brasil e vale amazônico (1).
É encontrada desde a Amazônia até a Patagônia. Mede aproximadamente um
metro de comprimento. Muito ágil, foge do contato com o homem; agressiva
quando acuada ou manuseada, morde com facilidade (fig. 1).
* Médico do Hospital Vital Brazil, Instituto Butantan, São Paulo.
** Biólogo Bolsista da FUNDAP, da Secção de Museu do Instituto Butantan.
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SILVA, M. V. & BUONONATO, M. A. Relato clínico de envenenamento humano por Philo-
dryas olfersii. Mem. Inst. Butantan, i7/i8:121-12G, 1983/84.
MATERIAL E MÉTODOS
Considerou-se o registro detalhado do acidente causado pela serpente
Philodryas olfersii na cidade de São Paulo. Mediante investigações realizadas
determinou-se os seguintes achados:
1. “) Circunstância em que ocorreu o acidente.
2. “) Tempo transcorrido entre o acidente e o atendimento médico.
3. °) Região anatômica em que ocorreu o acidente.
4. °) Sinais e sintomas apresentados.
5. “) Evolução e resolução do quadro clínico.
No Hospital Vital Brazil, onde a estrutura do Serviço, os recursos humanos,
médicos e paramédicos são montados e voltados para os acidentes humanos por
animais peçonhentos, atendemos um caso de acidente por Philodryas olfersii,
que passaremos a relatar:
Relato do caso: paciente masculino, 24 anos de idade, branco, residente na
cidade de São Paulo, biologista, conhecendo bem herpetologia, no dia 26 de
dezembro de 1983, às 08,45h foi mordido no antebraço esquerdo, por um
exemplar adulto de Philodryas olfersii enquanto tratava o animal. No momento
do acidente sentiu dor pouco intensa e contínua, no local da mordedura, e
observou o aparecimento de edema local.
Procurou atendimento médico no Hospital Vital Brazil, do Instituto Butantan,
na mesma data do acidente às 09,40h; queixava-se de dor de pequena intensidade
no antebraço esquerdo; apresentava-se em bom estado geral, corado, hidratado,
normotenso (PA = 120x70 mm. de Hg.), com pulso e freqüência cardíaca de 88
batimentos por minuto e normotérmico (36°C). Na metade proximal, face
antero-medial do braço esquerdo, observou-se quatro ferimentos lineares de
•-t 3 cm, paralelos, equidistantes ± 0,8 cm, recobertos por crostículas hemáticas;
edema +1/+4 de todo o antebraço, de consistência aumentada, não depressível,
discretamente doloroso à palpação, com aumento da temperatura local; área
de equimose circundando o local da mordedura, mais acentuado na região proxi¬
mal do antebraço (fig. 2). Gânglio axilar esquerdo aumentado de tamanho
(± 3 cm), doloroso à palpação, de consistência amolecida, não aderido a planos
profundos e sem sinais flogísticos. O paciente permaneceu em observação, e às
13,10h foi reavaliado; os dados vitais estavam mantidos e houve piora do edema
(+2/-f4), que acometia, além do antebraço esquerdo, o braço e a mão, com as
mesmas características anteriormente descritas; acentuou-se a área de equimose
e a dor permaneceu muito discreta. Foi realizado tempo de coagulação (3), com
resultado normal (coagulável com 6 minutos). O paciente foi medicado com
antihistamínico, antiinflamatório não hormonal, analgésico e repouso. Após 28
horas do acidente o edema progrediu, apresentando o dobro do diâmetro normal
do braço, antebraço esquerdo, e também da mão, com as mesmas características
já referidas (fig. 3). A área de equimose acentuou-se e estendeu-se até a região
axilar esquerda, acometendo toda a face medial do braço e antebraço, acima do
local da mordedura. No local do acidente e abaixo dele não se evidenciava
equimose, apenas edema (fig. 4). O gânglio axilar aumentou de diâmetro (5 cm),
tornou-se bastante doloroso e sem sinais flogísticos; houve qiieixa de piora da
dor em todo o membro superior esquerdo e sensação de fraqueza nos membros
inferiores. A partir do 4.° dia pós-acidente, começou a ocorrer involução gradativa
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SILVA, M. V. & BUONONATO, M. A. Relato clínico de envenenamento humano por Philo-
dryas olfersii. Mem. Inst. Butantan, 47/45:121-126, 1983/84.
do edema, da equimose e do enfartamento ganglionar. No 14.° dia pós-acidente
houve involução total da sintomatologia com exceção da fraqueza nos membros
inferiores, que persiste. '
FIGURA N.° 1 '
Figura 2
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SILVA, M. V. & BUONONATO, M. A. Relato clínico de envenenamento humano por Philo
dryas olfersii. Mem. Inst. Butantan, 47/45:121-126, 1983/84.
Figura 3
Figura 4
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SILVA, M. V. & BUONONATO, M. A. Relato clínico de envenenamento humano por Philo-
dryas olfersü. Mem. Inst. Butantan, 4?’/4S:121-126, 1983/84.
DISCUSSÃO
Até o presente acidente pouea ou nenhuma atenção era dada no nosso meio
aos acidentes ofídicos causados por serpentes opistóglifas, que em muitos easos
são benignos, com pouca sintomatologia. Esta atitude decorre da difieuldade
que estas serpentes encontram para inocular sua peçonha, pois os dentes respon¬
sáveis pela inoculação encontram-se na região posterior da maxila.
Em geral, os acidentes eom este tipo de serpente são causados só pelos
dentes anteriores, que não têm capacidade de inoculação do veneno; mas quando
este é inoculado, o quadro clínico pode assumir proporções alarmantes pela
manifestação proteolítica do veneno, bem evidenciável neste caso (4 e 7).
Não foi constatada alteração no tempo de coagulação, fato concordante
com os achados “in vitro” por Martins (4), que mostrou a ausência de atividade
coagulante do veneno de Philodryas sobre sangue de cavalo citratado a 1%.
O aparecimento de lesões equimóticas somente acima do local da mordedura,
acometendo todo o terço proximal do antebraço, braço e região axilar esquerda,
coincide com o sentido do retorno venoso e da drenagem linfática, o que nos
levou a pensar na possível absorção linfática e/ou venosa do veneno para exercer
sua ação fisiopatológica. Se esta estivesse na dependência da difusão do veneno
entre os teeidos a partir do local da inoculação, encontraríamos lesões equimóticas
no local da mordedura e abaixo dela, o que não foi observado. Outro fato
importante é o aeometimento ganglionar axilar esquerdo, não observado em
outros acidentes por serpentes peçonhentas e não peçonhentas, evidenciando o
provável acometimento do sistema linfático.
As lesões equimóticas são muito semelhantes às encontradas em acidentes
botrópicos, e são atribuídas à ação de hemorraginas.
O que não ficou claro foi a queixa persistente de fraqueza nos membros
inferiores, embora Martins (4), tenha mostrado experimentalmente a atividade
neurotóxica do veneno de Philodryas para a rã (Leptodactylus occelatus).
Por muito tempo esta serpente foi colocada entre as não causadoras de
acidentes para o homem, fato com o qual não concordamos, e que vai de encontro
ao relato de Nickerson e Henderson (5). Se não tivéssemos certeza da identi¬
ficação do animal agressor, o quadro clínico dificultaria o diagnóstico pela
semelhança encontrada (sinais proteolíticos e equimose) com o acidente botrópico,
tão freqüente em nosso meio.
ABSTRACT: A case of human accident following bite o£ the snake
Philodryas olfersü, known as a now-poisonous snake, is presented.
Clinicai study, treatment and evoluation are reported. Registered
clinicai signs of this accident are coinpared to those provoked by
poisonous snakes of Bothrops genus.
KEYWORDS: Syndrome; ophidism, Philodryas. Serpente: Colu-
bridae.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMARAL, A. Ophidios do Brasil. Mem. Inst. Butantan, 10:87-162, 1935-1936.
IHERING, R. VON. Dicionário dos animais do Brasil, 2.ed., São Paulo, Ed. Uni¬
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SILVA, M. V. & BUONONATO, M. A. Relato clínico de envenenamento humano por Philo-
dryas olfersii. Mem. Inst. Butantan, 47/45:121-126, 1983/84.
LEE, R. I. & WHITE, P. D. A clinicai study of the coagulation time of blood.
Amer. J. Med. Sei., 145:495-503, 1913.
MARTINS, N. Das opisthoglyphas brasileiras e o seu veneno. Rio de Janeiro,
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NICKERSON, M. A. & HENDERSON, R. W. A case of envenomation by the South
American Colubrid, Philodryas olfersii. Herpetológica, 3^:197-198, 1976.
VANZOLINI, P. E.; RAMOS-COSTA, A. M. M. & VITT, L. J. Répteis das caatingas.
Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Ciências, 1980.
VITAL BRAZIL, O. Peçonhas. In: COBERTT, C. E. Farmacodinâmica. 6 ed. Rio
de Janeiro, Guanabara Koogan, 1982. p. 1.044-1.074.
Recebido para publicação em 27/04/1984 e aceito em 19/06/1984.
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5 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
Mem. Inst, Butantan
Í7/4S:127-131, 1983/84
LOXOSCELISMO: RELATO DE UM ACIDENTE HUMANO
ATRIBUÍDO A LOXOSCELES AMAZÔNICA GERTSCH,
1967 (ARANEAE, SCYTODIDAE, LOXOSCELINAE)
(HEMIPTERA, REDUVIIDAE)*
Sylvia LUCAS ♦
João Luiz CARDOSO **
Angelina Cirelli MORAES ***
RESUMO: é relatado um acidente humano atribuído a aranha:
Loxosceles amazônica Gertsch 1967, ocorrido na cidade de Crato,
Ceará, Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: Loxoscelismo. Acidente atribuído Loxosceles
amazônica Gertsch, 1967. ARANEAE. SCYTODIDAE. LOXOSCE-
LINAE.
INTRODUÇÃO
Em 1967 Gertsch (3) fazendo a revisão das espécies sul-americanas perten¬
centes ao gênero Loxosceles Heinecken e Lowe, 1835, constatou a existência de
trinta espécies sul-americanas, citando quatro como causadoras de acidentes:
laeta, gaúcho, reclusa e rufescens, não ignorando, porém, a possibilidade de as
demais também apresentarem um veneno ativo para o homem.
A primeira referência a acidentes humanos provocados por aranhas do gênero
Loxosceles na literatura brasileira é devida a Rosenfeld et al, em 1959 (5).
No Hospital Vital Brazil (HVB) são diagnosticados anualmente cerca de 50
casos, sendo que, na maioria das vezes, o diagnóstico é feito baseado nos aspectos
clínicos do envenenamento, pois raramente o paciente traz o animal causador do
acidente para identificação. Schenone et al. (6) estudando 133 casos de Loxos¬
celismo, conseguiram coletar o agente causal em 13 (9,68%) acidentes. Piesco
et al. (4), estudando o material do HVB, assinalaram a ocorrência de 241 casos
de Loxoscelismo num período de cinco anos (1976-1980), onde o agente causal
foi identificado em 13 (5,39%) casos.
No presente trabalho é relatado um caso de lesão cutânea, necrotisante,
clinicamente compatível com o diagnóstico de Loxoscelismo. Posteriormente, o
* Divisão de Biologia — Instituto Butantan.
** Hospital Vital Brasil — Instituto Butantan.
**• Estagiária — Divisão de Biologia — Instituto Butantan.
Endereço para correspondência: Cx. Postal, 65, CEP 05504, São Paulo, Brasil.
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LUCAS, S.; CAEDOSO, J. L. & MORAES, A. C. Loxoscelismo; relato de um acidente humano
atribuído a Loxosceles amazônica Gertsch, 1967 (Araneae, Scytodidae, Loxoscelinae).
Mem. Inst. Butantan, 47/45:127-131, 1983/84.
paciente foi orientado para proceder à captura de aranhas no local do acidente,
tendo sido coletadas aranhas do gênero Loxosceles, espécie amazônica, estabele¬
cendo-se a correlação clínico-etiológica.
MATERIAL E MÉTODO
Foram estudadas quatro fêmeas adultas e três fêmeas e um macho jovens
procedentes de Crato, Ceará, Brasil, coletadas por Maria Aldeí Farias, em sua
residência, em julho de 1982.
Os receptáculos seminais de duas fêmeas adultas foram montados em lâmi¬
nas e microfotografados.
RELATO DO ACIDENTE
Em julho de 1982 foi relatado ao Instituto Butantan, pela própria paciente,
um acidente em Crato, Ceará, causado por uma aranha pequena de pernas
marrons, que havia sido morta no ato da picada. Anexo à descrição foi enviada
uma foto da lesão no 15.“ dia após o acidente.
Solicitamos que fosse feita uma captura das aranhas encontradas na resi¬
dência e em três remessas sucessivas recebemos um total de 17 aranhas, 8 das
quais pertencentes ao gênero Loxosceles e identificadas por nós como perten¬
centes à espécie L. amazônica Gertsch, 1967.
As aranhas deste gênero apresentam hábitos noturnos, vivendo freqüente-
mente dentro das casas e construindo uma teia branca atrás de móveis, em frestas
etc. Picam apenas quando não conseguem fugir e ao serem espremidas contra
o corpo da vítima dentro de uma roupa, por exemplo, como no presente caso.
ASPECTOS CLÍNICOS
O acidente em questão é compatível com o diagnóstico de Loxoscelismo
provável pelo aspecto clínico da lesão, como mostra a foto (Figs. 1 e 2).
Na nossa experiência no HVB raramente o agente causal tem sido trazido
nos acidentes catalogados como Loxoscelismo. O conhecimento prévio das ações
fisiopatológicas fundamentais dos venenos animais tem grande importância no
diagnóstico clínico dos acidentes por animais peçonhentos, notadamente naqueles
provocados por aranhas do gênero Loxosceles, cujo veneno tem ação proteolítica
e hemolítica, segundo Rosenfeld (5).
O fato de paciente ter capturado no local do acidente aranhas identificadas
como L. amazônica, permite supor ter sido esta a espécie causadora do acidente.
DISCUSSÃO
O colorido uniforme, a presença de um desenho claro no cefalotórax, o
tamanho do corpo e o comprimento relativo das pernas aproximam a espécie ao
grupo gaúcho, como já haviam observado Gertsh (3) e Brignolli (1). Não tive¬
mos à nossa disposição, para estudo, machos adultos, porém o aspecto dos recep¬
táculos seminais (Figs. 3 e 4) demonstra tratar-se de uma espécie facilmente
distinguível das demais. L. amazônica, segundo Gertsch, ocorre nos Estados de
Mato Grosso, Amazonas e Pernambuco, ficando agora também registrada a sua
presença no Ceará.
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LUCAS, S.; CARDOSO, J. L. & MORAES, A. C. Loxoscelismo: relato de ura acidente humano
atribuído a Loxosceles amazônica Gertsch, 1967 (Araneae, Scytodidae, Loxoscelinae).
Mem. Inst. Butantan, 47/45:127-131, 1983/84.
Fig. 1 — Lesão após 15 dias do acidente.
Fig. 2 — Cicatriz da lesão.
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LUCAS, S.; CARDOSO, J. L. & MORAES, A. C. Loxoscelismo: relato de um acidente humano
atribuído a Loxosceles amazônica Gertsch, 1967 (Araneae, Scytodidae, Loxoscelinae).
Mem. Inst. Butantan, 47/45:127-131, 1983/84.
Figs. 3 e 4 — Receptáculos seminais.
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LUCAS, S.; CARDOSO, J. L. & MORAES, A. C. Loxoscelismo: relato de um acidente humano
atribuído a Loxosceles amazônica Gertsch, 19G7 (Araneae, Scytodidae, Loxoscelinae).
Mem. Inst. Butantan, 1983/84.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos a Sra. Maria Aldeí Farias a coleta e o envio dos exemplares
estudados, bem como as fotos das lesões. Aos Drs. Jesus C. Machado e Geraldo
Santiago Hidalgo as fotografias dos receptáculos seminais.
ABSTRACT : A human accident is related, probably caused by a
spider: Loxosceles amazônica Gertsch, in 1967 at the city of Grato,
Ceará, Brazil.
KEYWORDS: Loxoscelism. Probable accident. Loxosceles amazô¬
nica Gertsch, 1967. ARANEAE. SCYTODIDAE. LOXOSCELINAE.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRIGNOLI, P. M. Beitrage zur Kenntnis der SCYTODIDAE (ARANEAE). Rev.
Suisse ZooL, S3(l) :125-191, 1976.
FURLANETTO, R. S. Estudos sobre a preparação do soro antiloxoscelico. São
Paulo, 1961. Tese Fac. Farmácia e Odontologia USP.
GERTSCH, W. J. The spider genus Loxosceles in South America (ARANEAE,
SCYTODIDAE). Buli. Amer. Mtis. Nat. Hist., J5<?(3) :117-174, 1967.
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Brasileiro de Toxicologia, S, Belo Horizonte, 1983. Anais. p. 107.
ROSENFELD, G. Moléstias por venenos animais. In; Pinheiros Terapêutico, 17(84);
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SCHENONE, H. et al. Epidemiologia y curso clinico dei loxoscelismo; estúdio de
133 casos causados por mordedura de la rana de los rincones (Loxosceles laeta).
Boi. Chile Parasit., 50:6-17, 1975.
Trabalho apresentado no IX Congresso Brasileiro de Zoologia, XII :11, 1984, realizado
em Belém — Pará.
131
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Mem. Inst. Butantan
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ESCORPIONISMO POR TITYUS STIGMURUS NO
NORDESTE DO BRASIL (SCORPIONES; BUTHIDAE)*
Vera Regina D. von EICKSTEDT **
RESUMO: O escorpião Tityus stigmurus (Thorell, 1877) é iden¬
tificado pela primeira vez como responsável por acidentes humanos
graves no nordeste do Brasil. Informações sobre reconhecimento
prático, hábitos e distribuição geográfica são fornecidas. T. stig¬
murus é comparada com espécies morfologicamente afins e demais
Tityus da região nordeste.
PALAVRAS-CHAVE: Tityus stigmurus (Scorpiones, Buthidae):
sistemática; escorpionismo; animais peçonhentos.
INTRODUÇÃO
No Brasil, duas espécies de escorpião do gênero Tityus (Buthidae) têm
sido responsabilizadas por acidentes humanos graves, inclusive casos fatais:
Tityus bahiensis (Perty), para a qual foi preparado o primeiro soro antiveneno
escorpiônico do Brasil e Tityus serrulatus, o escorpião mais perigoso da América
do Sul em virtude da toxicidade do seu veneno e da tendência que tem de
ocasionar surtos de ocorrência. T. bahiensis ocorre nas regiões sul e sudeste,
ao sul de Mato Grosso e norte da Argenitna; T. serrulatus é encontrada na
região sudeste, no Paraná, sul de Goiás e na Bahia (margem direita do rio São
Francisco). Acidentes escorpiônicos graves no nordeste, fora da área de distri¬
buição geográfica dessas duas espécies têm sido esporadicamente relatados por
clínicos e pelos próprios acidentados; o agente causador, entretanto, nunca havia
sido identificado.
Em Recife, no período 1980-1983 foram tratados na Unidade de Pediatria
Helena Moura, no Hospital da Restauração (Moreno) e no Hospital Agamenon
Magalhães, oito acidentes escorpiônicos em crianças de idade variável entre seis
meses e sete anos. Em cinco deles as manifestações clínicas foram graves, levando
a óbito um dos pacientes, dez horas após a picada. Os escorpiões responsáveis
por quatro dos acidentes (três graves e um sem gravidade) foram capturados
e, juntamente com outros espécimes coletados na região, remetidos à autora pelas
* Resumo apresentado no X Congresso Brasileiro de Zoologia, Sociedade Brasileira de
Zoologia, Belo Horizonte, 30 de Janeiro a 5 de fevereiro de 1983.
** Pesquisadora Científica, Seção do Artrópodos Peçonhentos, Instituto Butantan, 05504, São
Paulo, Brasil.
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1 SciELO
EICKSTEDT, V.R.D. von Escorpionismo por Tityua stigmurus no nordeste do Brasil (Scor-
piones; Buthidae). Mem. Inst. Butantan, 47/45:133-137, 1983/84.
Dras. Selma V. de Figuerôa e Dayse S. Barbosa. Foram identificados como
Tityus stigmurus Thorell; levam a crer que também os acidentes cujo agente
causador não foi recuperado devam ser atribuíveis a esta espécie, inclusive o
caso fatal. Os dados clínicos desses acidentes foram relatados por Figuerôa e
Barbosa (1983); segundo essas autoras o soro antiescorpiônico produzido pelo
Instituto Butantan foi usado com êxito em três dos acidentes graves, o caso
fatal não tendo sido medicado com soroterapia específica em virtude da não
disponibilidade no local de atendimento.
Do Centro Antiveneno de Salvador (Bahia) foram recebidos (1982-1983)
através da Dra. Tânia Brazil Nunes (Universidade Federal da Bahia) quatro
escorpiões, também identificados como Tityus stigmurus. Eles provocaram
acidentes que exigiram medicação dos pacientes em ambulatórios de Salvador,
não existindo, entretanto, nenhum dado clínico disponível a respeito.
Fig. 1 — Tityus stigmurus (Thorell), vista dorsal.
Cardoso (1982) relacionou stigmurus entre as espécies de Tityus de impor¬
tância médica no Brasil, baseando-se no fato de ela ser muito comum em
Pernambuco e Paraíba, conforme mencionado por Mello-Leitão (1945:401) e
Bücherl (1978:373). Nenhuma referência a acidente humano, entretanto, havia
sido feita até o momento. A casuística agora documentada, embora pequena,
comprova a periculosidade dessa espécie. A necessidade de estudos sobre aciden¬
tes por animais peçonhentos nas diferentes regiões brasileiras foi enfatizada por
Cardoso (1982:18) tendo em vista que atualmente os “dados disponíveis na
literatura (...) são provenientes das regiões meridionais do País e não podem
a priori ser aplicados para o Brasil como um todo”. Como contribuição, no’
1.34
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EICKSTEDT, V.R.D. von Escorpionismo por Tityus stigmurus no nordeste do Brasil (Scor-
piones; Buthidae). Mem. Inst. Butantan, 47/48 1983/84,
presente trabalho são fornecidas informações sobre o reconhecimento prático,
hábitos e área de distribuição geográfica de Tityus stigmurus e uma diagnose
comparativa com as demais espécies de Tityus que ocorrem no nordeste.
Tityus stigmurus (Thorell)
Tityus stigmurus (Thorell, 1877), baseada em um exemplar de Pernambuco,
é a espécie representativa do grupo H, criado por Mello-Leitão (1945), que reúne
T. stigmurus, T. serrulatus Lutz e Mello, 1922, T. serrulatus vellardi Mello-
-Leitão, 1939 e T. acutidens Mello-Leitão, 1933 por compartilharem padrão de
colorido semelhante (coloração geral amarelada, tronco e face ventral dos artí¬
culos terminais da cauda manchados de escuro, palpos e pernas levemente
manchados) e apresentarem de um a cinco dentes nas cristas medianas dorsais
dos segmentos II a IV da cauda. Embora o agrupamento de espécies proposto
por Mello-Leitão não tenha base filogenética ele é útil para a identificação
dos Tityus, que abrange cerca de cento e trinta espécies e subespécies neotro¬
picais, a maioria mal conhecida. O estado caótico em que se encontra a sis¬
temática desse gênero tem induzido os autores a revisões parciais. Lourenço
(1981) reviu o “complexo” stigmurus, incluindo T.s.vellardi na sinonímia de
T. serrulatus e descrevendo uma espécie nova, T. lamottei, para a Bahia.
A descrição original e as redescrições de T. stigmurus permitem a sua
identificação. Tendo em vista o propósito deste trabalho, são mencionados ape¬
nas os caracteres úteis no reconhecimento prático dessa espécie, selecionados a
partir do estudo comparativo dos exemplares disponíveis.
Diagnose — Colorido geral amarelo-palha, prossoma com mancha negra
cm forma de triângulo invertido (base anterior e vértice no cômoro ocular);
tergitos I-VI com uma pequena mancha escura de cada lado e denegridos na
zona central, formando uma faixa contrastante longitudinal mediana no mesos-
soma, mais larga nos tergitos posteriores; mancha do tergito VII restrita à
parte anterior; face ventral do quinto segmento da cauda com mancha escura
na metade posterior, que sc prolonga para diante, alcançando, em certos exem¬
plares, o quarto e mesmo o terceiro artículo caudal (Lourenço, 1981); palpos
e pernas sem manchas conspícuas (Fig. 1). Cristas medianas dorsais do quarto
segmento da cauda com um ou dois grânulos espiniformes apicais. Nos exem¬
plares estudados, 21-23 dentes pectíneos e 15-16 filas oblíquas de grânulos no
gume do dedo móvel do palpo (20-24 dentes e 16-17 filas, segundo Lourenço,
1981). Lâmina intermediária basal da fêmea não dilatada; dedo móvel do palpo
do macho sem lobo basilar. Envergadura máxima observada: 70 mm.
Diagnose diferencial — T. stigmurus distingue-se das outras formas do
“complexo” e das demais espécies do gênero que ocorrem no nordeste (pusillus
Pocock, mattogrossensis Borelli, neglectiis Mello-Leitão e brazilae Lourenço &
Eickstedt) pelo padrão característico do colorido dorsal do tronco (Fig. 1), pre¬
sente inclusive nas primeiras fases do desenvolvimento pós-embrionário.
Material estudado
BRASIL, Piauí: São Raimundo Nonato (Fundação Ruralista), ii.l979, 1
ex. (IB-SC 1124). Ceará: Fortaleza (S. Cardoso), viii.1964, 1 ex. (IB-SC 876);
Sobral (L. Deane), ii.l954, 1 ex. (IB-SC 654). Rio Grande do Norte: Natal
(H. C. Gurgel), ii.l983, 2 exs. (s/n.° H. C. Gurgel). Pernambuco: Recife (Exp.
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1 SciELO
EICKSTEDT, V.R.D. von Escorpionismo por Tityus atigmurus no nordeste do Brasil (Scor-
piones; Buthidae). Mem. Inst. Butantan, 47/45:133-137, 1983/84.
Dcp. Ecologia, UFPE), ix.l975, 3 exs. (IB-SC 1325, 1326, 1327); (UFPE),
V.1982, 2 exs. (IB-SC 1298 e n.“ 3 SF & DB), iii.1983, 1 ex., acidente grave
(IB-SC 1441), ix.1979, 1 ex. (n.° 6 SF&DB); (UPHM), xi.l981, 1 ex., acidente
grave (n.° 2 SF&DB); (HAM), vii. 1982, 1 ex., acidente grave (n.° 8 SF&DB);
Olinda (UPHM), viii.1982, 1 ex., acidente sem gravidade (n.“ 9 SF&DB);
Macaparana (UFPE), vii. 1982, 1 ex. (n.“ 1 SF&DB), vi. 1982, 1 ex. (n.“ 7
SF&DB). Sergipe: Aracaju (sem coletor), xi.l962, 3 exs. (IB-SC 855); (UFSE),
viii.1980, 1 ex. (IB-SC 1212). Bahia: Raso da Catarina (T. Brazil Nunes),
vii. 1982, 1 ex. (IB-SC 1330), vii. 1983, 2 exs. (IB-SC 1452, 1449), xii.1983,
1 ex. (IB-SC 1477); Salvador (T. Brazil Nunes), viii.1982, 2 exs. (SA-25, SA-27
TBN), 1 ex. (IB-SC 1329), vii. 1983, 1 ex. (IB-SC 1443); (CAV), vii. 1982,
1 ex. (SA-23 TBN), iv.l983, 3 exs. (SA-95, SA-93, SA-92 TBN); Simões
Filho, Camaçari (T. Brazil Nunes), vii. 1983, 1 ex. (IB-SC 1481); Barreiras
(T. Brazil Nunes), vii. 1983, 1 ex. (IB-SC 1482).
Siglas: IB-SC — coleção de escorpiões do Instituto Butantan; UFPE
— Universidade Federal de Pernambuco; SF&DB — coleção S. Figuerôa e
D. Barbosa; UPHM — Unidade de Pediatria Helena Moura; HAM — Hospital
Agamenon Magalhães; UFSE — Universidade Federal de Sergipe; TBN —
coleção T. Brazil Nunes; CAV — Centro Antiveneno (Salvador).
Dados de coleta
Em ambiente natural, T. stigmurus encontra-se refugiado sob cascas de
árvores, em troncos apodrecidos (Reserva Biológica Tapacurá, Pernambuco,
segundo Lourenço, 1982) e beiras de barranco (Raso da Catarina, Bahia, infor¬
mação de T. Brazil Nunes). Nas zonas urbanas domlcilia-se com facilidade,
tendo sido capturado dentro de casa (em leito, na cozinha (ralo da pia),
sob móveis em geral), em telhado e entulho de quintal e jardim. Em Recife
foram encontrados exemplares nos bairros Jardim São Paulo, Tamarineira, Bebe-
ribe. Centro (Av. Estância), Casa Forte e Córrego Euclides; em Salvador, no
bairro de Brotas e em Amaralina.
Distribuição geográfica
T. stigmurus ocorre no nordeste do Brasil. Anteriormente havia sido regis¬
trada para Pernambuco (localidade-tipo), Bahia, Paraíba, Sergipe, Ceará e Rio
Grande do Norte. Agora é mencionada também para o Piauí. Alem das locali¬
dades citadas neste trabalho são confiáveis os seguintes registros feitos a essa
espécie: Bahia: Soledade (Penther, 1913: 239) e Bonfim (Vellard, 1932: 555;
Pessôa, 1935: 429); Pernambuco: Exu (Lourenço, 1981: 351) e S. Lourenço
da Mata, Reserva Biológica Tapacurá (Lourenço, 1982); Paraíba: Penha (Wer-
ner, 1927: 355) e João Pessoa (Lourenço, 1981: 351). As referências para
Goiás e região sudeste (Mello-Campos, 1924: 267; Mello-Leitão, 1932: 30;
Vellard, 1932: 553) não são corretas, conforme suposto por Pessôa (1935);
devem-se provavelmente a identificação errônea.
A área de distribuição geográfica de T. stigmurus sobrepõe-se à de T.
serrulatus ao norte da Bahia, onde as duas espécies, comprovadamente perigosas;
foram coletadas (Salvador, Simões Filho e Raso da Catarina).
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EICKSTEDT, V.R.D. von Escorpionismo por Tityus stigmurus no nordeste do Brasil (Scor-
piones; Buthidae). A/em. Inst. Butantan, 47/45:133-137, 1983/84.
ABSTRACT: Tityus stigmurus (Thorell, 1877), a scorpion írom
the northeastern region of Brazil, is reported as dangerous to human
beings. The habits, geographic distribution and recognition of this
species are mentioned as well as a comparative diagnosis with
relatcd and sympatric species.
KEYWORDS: Tityus stigmurus (Thorell, 1877) systematics;
scorpionism; venomous animais.
AGRADECIMENTOS
A autora agradece às Dras. S. Figuerôa e D. Barbosa (Unidade de Pediatria
Helena Moura, Recife) e à Dra. T. Brazil Nunes (Universidade Federal da
Bahia) o recebimento dos escorpiões causadores de acidentes, que possibilitaram
este trabalho e ao Sr. Júlio Abe a fotografia que o ilustra.
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Recebido para publicação em 30-04-1984 e aceito em 15-06-1984.
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1 SciELO
Mem. Inst. Butantan
139-142, 1983/84
A OCORRÊNCIA DE ÁCIDO URSÓLICO EM
CITHAREXYLUM MYRIANTHUM (VERBENACEAE)
Amabile K. MATIDA *
Ema RABENHORST *
Raymond ZELNIK *
RESUMO: Os extratos acetônicos da periderme e das folhas de
Citharexylurn myrianthum Chamisso L. (Verbenaceae) contêm ácido
ursólico e seu derivado 3 )3-acetilado.
PALAVRAS CHAVE: Verbenaceae; Citharexylurn myrianthum
Chamisso L.; triterpenóides; ácido ursólico; ácido 3 ;8-acetil-ursólico.
As espécies da família das Verbenaceae, com cerca de 100 gêneros (16
brasileiros) e 2600 espécies, estão espalhadas nas regiões tropicais e subtropi¬
cais sendo que algumas espécies são conhecidas pelas suas propriedades
medicinais tais como diuréticas, febrífugas, antiespasmódicas e bactericidas
De Lantana cantara e de Lippia rehmanni foram isoladas, respectivamente,
a lantadena D® e a icterogenina Estes compostos são tóxicos, causando
lesões hepáticas seguidas de fotossensibilização em carneiros.
Q
'CHa
C=CH —CH3
CH3
RO
COOR'
R
1 - R= OH
2- R= H
3 - R=R'=H
3a - R = H , R'=CH 3
4 - R = C 0 CH 3 ^ R' = H
4a-R=:C0CH3. R'=CH3
* Serviço de Química Orgânica.
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MATIDA, A. K.; RABENHORST, E, & ZELNIK, R. A ocorrência de ácido ursólico em
Citkarexylum myrianthum (Verbenaceae). Mem. Inst. Butantan, -47/45:139-142, 1983/84.
A literatura química descreve vários estudos sobre as Verbenaceae brasi¬
leiras: dos gêneros Lantana e Lippia, foram isolados óleos essenciais
em Duranta repens foi detectada a presença de esteróiis e alcalóides em Stacy-
tarpheta australis foi encontrado o iridoide ipolamiida \ e em Lippia sidoides
foram identificados fenóis e cetonas aromáticas
Tendo em vista a ampla distribuição de Citharexylum myrianthum (vulgar¬
mente chamada de pimenteira ou pau-de-viola) desde Pernambuco até Rio Grande
do Sul, iniciamos o estudo desta espécie visando o isolamento de componentes
bioativos. O extrato acetônico da periderme do caule forneceu através de
fracionamento em colunas cromatográficas contendo gel de sílica três compo¬
nentes. Dois foram identificados por análise espectroscópica como sendo o ácido
ursólico 3 e seu derivado 3 /8-acetilado 4. O terceiro componente está sob
investigação.
O produto 3, p.f. 220-240° (MeOH) forma cristais de cor esverdeada e as
absorções no Infra-Vermelho a 3400 e 1730 cm“\ sugerem um ácido carboxílico.
É solúvel em meio alcalino e precipita por acidificação. A eliminação do
pigmento se tornou possível somente após metilação com diazometano seguida
de cromatografia em coluna, resultando na obtenção do éster metílico 3a puro,
p.f. 107°, de fórmula molecular CsiHsoO:) (M^ 470). No espectro de RMN de
pode-se identificar 7 metilas na região de 0,7 a 1,09 ppm, um próton carbi-
nólico a 3,21 ppm (C//OH), um grupamento carboximetila a 3,58 ppm e um
próton vinílico a 5,24 ppm. No espectrômetro de massas a formação do íon de
m/z 262 é típica da dupla ligação C,12-C,13 em triterpenos da classe das
a e /B-amirinas”. Estes dados sugerem para 3a a estrutura do ursolato de metila
e esta suposição foi evidenciada pela comparação direta com os espectros de
RMN de 'H e no Infra-Vermelho de uma amostra padrão de ursolato de metila
O produto 4, p.f. 260-270° (MeOH), apresenta-se na forma de cristais
esverdeados, de difícil purificação. Como no caso precedente 4 foi metilado,
fornecendo o éster metílico 4a, p.f. 235° (acetona). Este derivado possui a
fórmula molecular C3 :íH 5204 (M+ 512) e difere de 3a pela presença no espectro
de RMN de de um sinal a 2,02 ppm (s, 3H) referente a um grupamento
acetila; não há evidência de grupo hidroxila. No espectrômetro de massas 4a
fragmenta-sc basicamente nos íons de m/z 497 (M^ ~ CH,i), 452 (M^
CH.-iCOOH) e 262 (M*^ * CkíHsoOj). Estas observações apontam a estrutura
do éster metílico do ácido 3 /3-acetil-ursólico, logo confirmadas por comparação
com os espectros de RMN de ‘H e de massas de uma amostra padrão
FARTE EXPERIMENTAL
Os pontos de fusão foram determinados em bloco Kofler-Reichert. Os
espectros no IV foram registrados no espectrofotômetro Perkin-Elmer 727 B; os
de massas no Hitachi RMU-7MG e os de RMN de 'H no feol PFIOO (100 MHz)
do Agrupamento de Análises Ouímicas e Instrumentais do Instituto de Pesquisas
Tecnológicas de São Paulo. As análises elementares e polarimétricas foram
efetuadas no Instituto de Ouímica da USP.
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MATIDA, A. K.; RABENHORST, E. & ZELNIK, R. A ocorrência de ácido ursólico em
Citharexylum myrianthum (Verbenaceae). Mem. Inst, Butantan, 47/45:139-142, 1983/84.
Extração e Isolamento
Os caules de Citharexylum myrianthum foram coletados no Horto do Insti¬
tuto Butantan e a periderme seca à temperatura ambiente. O material (880 g)
foi reduzido a pó e refluxado com acetona (3x21). Os extratos acetônicos
foram concentrados à pressão reduzida, produzindo 9 g de resíduc que foram
cromatografados em coluna de gel de sílica (Merck 0,05-0,2 mm). As folhas
sofreram o mesmo tratamento: 780 g de material seco e moído foram extraídos
com acetona (3 x 2,5 1) e o resíduo da concentração (23 g) cromatografado em
coluna de gel de sílica.
Ácido 3 j3-acetil-ursólico (4)
Os eluatos de benzeno e benzeno-clorofórmio 3:1 forneceram 1,2 g do
produto (0,14%; periderme), p.f. 260-270° (MeOH). Este foi metilado com
diazometano em solução clorofórmica e o resíduo da concentração cromatogra¬
fado em coluna de gel de sílica, obtendo-se, do eluato de hexano-benzeno 1:2, o
éster 4a (0,9 g), p.f. 235-240° (acetona, lit.’“ 246-7°), [a]™‘’^3 = -f 60°-
I.V.(KBr): 1720, 1600, 1240 e 1140 cm-k RMN de (100 MHz, CDCU, S):
0,72, 0,80, 0,82, 0,84, 0,93, 1,02, 1,04 (s, 7 CH.,); 0,8-2,0 (m, 21 H); 2,02
(s, OCOCHa); 1,7-2,1 (m. CHa-ll); 3,58 (s, COOCHa); 4,46 (dd, J=5 e 2,5 Hz,
CH-OAc); 5,24 (t, J=3 e 1,5 Hz, CH-12). E.M. m/z (int. rei.): M+ 512(9),
452(8), 262(100), 203(53), 189(14), 133(16). Calculado para CssHmOí: C 77,3,
H 10,2%; obtido: C 77,4, H 10,4%.
Ácido Ursólico(3)
Os eluatos de benzeno-clorofórmio 1:1 forneceram 0,33 g (0,04%; peri¬
derme) do produto de p.f. 220-240° e 9g (1,1%; folha) de p.f. 214-226°. A
metilação (CHüN 2 ) e posterior purificação resultou na obtenção do éster metílico
3a (0,175 g, periderme; 5,5 g, folha) p.f. 103-107° (hexano, lit."*' 105-110°).
I.V. (KBr): 3400, 1720, 1600, 1240 e 1140 cm"'. RMN de ^H (100 MHz,
CDCli, S): 0,73, 0,78, 0,91, 0,95, 1,01, 1,12 (s, 7 CHa)-, 0,8-2,0 (m, 21 H);
1,7-2,1 (m, CHa-ll); 2,8 (m, CH-OH); 3,21 (t, J=4 e 2 Hz, CH-OH); 3,58
(s, COOCHa); 5,26 (t, J=3 e 1,5 Hz, CH-12). E.M. m/z (int. rei.): M+ 470(16),
455(5), 411(7), 262(100), 203(98), 189(33), 133(53). Calculado para CrnHsoOs:
C 79,09, H 10,7%; obtido: C 79,4, H 10,9%.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecno¬
lógico — CNPq e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
pelo apoio contínuo: à Dr.“ Riva Moscovici, do Instituto de Química da ÜSP,
pelas análises elementares.
ABSTRACT: The acetone extracts of the bark and leaves of
Citharexylum myrianthum Chamisso L. (Verbenaceae) contain
ursolic acid and its 3 ^-acetyl derivative.
KEYWORDS: Citharexylum myrianthum Chamisso L.; triterpen-
oids; ursolic acid; 3 ;3-acetyl ursolic acid.
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Citharexylum myrianthum (Verbenaceae). Mem. Inst. Butantan, : 139-142, 1983/84.
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Recebido para publicação em 30/04/1984 e aceito em 15/06/1984.
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ECTOPARASITISMO EM SERPENTES: OBSERVAÇÕES
GERAIS E ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O
GÊNERO IXOBIOIDES FONSECA, 1934 (ACARINA)
Nélida M. LIZASO *
RESUMO: Expõem-se os dados obtidos do exame de 3.701 serpentes
brasileiras das quais 575 estavam parasitadas por ácaros: referên¬
cias ao habitat das serpentes e sua influência no parasitismo. Anali¬
sam-se resultados para o gênero Ixobioides Fonseca, 1934, quanto a
porcentagem de parasitismo, parasitismo múltiplo, superparasitismo
e distribuição geográfica.
PALAVRAS CHAVE: Ácaros: ectoparasitismo em serpentes.
INTRODUÇÃO
O ectoparasitismo por ácaros em serpentes brasileiras vem sendo estudado
por nós desde 1976; tanto do ponto de vista sistemático como da especificidade
dos ácaros com relação aos hospedeiros, superparasitismo, parasitismo múltiplo
e ainda distribuição geográfica.
Fonseca (1934) caracterizou o gênero Ixobioides descrevendo Ixobioides
butantanensis, coletado parasitando Waglerophis merremii (Wagler), tendo-o
estudado em todas as fases de seu desenvolvimento.
Fain (1961-62), em extenso trabalho sobre ácaros de serpentes, citou alguns
exemplares da região Neotropical e alguns deles de ocorrência no Brasil. Traba¬
lhou com material herpetológico de coleções conservadas em álcool, motivo pelo
qual desprezou os ácaros encontrados soltos neste líquido, considerando apenas
os que estavam aderidos às serpentes ou alojados debaixo das escamas ventrais.
Em 1983 publicamos dados obtidos de material de serpentes coletadas no
Estado de São Paulo e a descrição de novos gêneros e espécies de ácaros de
serpentes de diversas regiões do Brasil (Lizaso, 1983).
Os dados agora apresentados foram obtidos no período de março de 1976
a abril de 1984.
• Seção de Artrópodes Peçonhentos, Instituto Butantan, Caixa Postal 65 — São Paulo —
BRASIL.
Trabalho realizado com o auxilio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq).
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LIZASO, N. M. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inst. Butantan, 47/43:143-155,
1983/84.
MATERIAL E MÉTODO
O material herpetológico foi identificado pelos técnicos da Seção de Herpe-
tologia do Instituto Butantan. Consta de 3.701 exemplares pertencentes a 76
espécies distribuídas em 41 géneros da Família Colubridae e procedem dos
seguintes Estados do Brasil: Pará, Rondônia, Maranhão, Paraíba, Pernambuco,
Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo,
Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina c Rio Grande do Sul
As serpentes foram examinadas vivas, logo após a chegada ao laboratório,
para evitar possíveis contágios com outros ácaros de especimens mantidos em
gaiolas ou serpentários; as que estavam parasitadas foram anestesiadas e em
seguida os parasitas removidos um a um com escarificador e colocados em álcool
70%. Para a identificação de algumas espécies de ácaros alguns exemplares
foram montados em lâminas e o restante do material mantido na coleção em
meio líquido.
Algumas espécies de serpentes, principalmentc as que procedem do Norte
e Nordeste do Brasil, estão representadas por pequeno número de exemplares
enquanto que as da região Sudeste e Sul estão bem representadas em número
de exemplares.
RESULTADOS, DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
De um total de 3.701 serpentes examinadas, 575 estavam parasitadas (Tabela
1), o que corresponde a 15,5% de parasltismo.
Comparando este dado global obtido em 8 anos de observações com as
porcentagens encontradas anualmente, constatamos que as variações são pequenas
quanto ao índice de parasitismo.
No imaterial examinado foram identificadas quatro Famílias de ácaros, sendo
2 parasitas reconhecidamente exclusivas de serpentes: Ixodorhynchidae com os
gêneros Ixobioides Fonseca, 1934, Ophiogongylus Lizaso, 1983 e Chironobius
Lizaso, 1983 e Ophioptidae com o gênero Ophioples Sambom, 1928; as outras
duas Famílias são parasitas em suas formas imaturas: Trombiculidae e Ixodidae.
Foi coletado ainda Heterozercon elegans Lizaso, 1978, ácaro de vida livre que
aparece repetidas vezes sobre as serpentes.
As serpentes podem encontrar-se parasitadas por um único gênero de ácaros
ou por dois ou mais gêneros simultaneamente, num parasitismo múltiplo.
Nas serpentes da Família Boidae nota-se fraco grau de parasitismo, repre¬
sentado unicamente pela presença de Amblyomma Koch, 1844, que se fixam
geralmente na região de união das escamas ventrais com as laterais ou no rebordo
da cavidade ocular por terem um hipostómio fortemente cortante; pode-se atribuir
a ausência de outras espécies de ácaros ao fato dessas serpentes apresentarem
as escamas muito juntas entre si, praticamente sem interstícios de pele nua.
Outro fato importante para a ausência de ácaros é que alguns gêneros de Boidae
são de vida aquática ou semiaquática. O mesmo ocorro com os Colubrideos do
gênero Liophis, que são aquáticos, nos quais também não foram achados para¬
sitados.
O habitat das serpentes parece não ter influência em relação às espécies de
ácaros pelas quais são parasitadas, já que tanto podem ser encontrados nas
serpentes arborícolas como nas terrestres e nas de hábitos noturnos quanto
diurnos, exceção feita para as aquáticas ou semiaquáticas.
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LIZASO, N. M. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inst. Butantan, 47/45:143-155,
1983/84.
TABELA 1
Relação das serpentes examinadas e das encontradas parasitadas por ácaros
Relation of the examined snakes and of the ones found parasited by acari
Hospedeiros
E
P
Hospedeiros
E
P
Anilius scytale
1
1
Liophis brazili
2
Apostolepis assimilis
3
Liophis jaegeri
3
Apostolepis erythronota
1
Liophis miliaris
123
Atractus serranus
1
Liophis undulatus
7
Boa constrictor
144
3
Liophis viridis
1
Ckironius bicarinatus
53
5
Lygophis flavifrenatus
3
Chironius carinatus
1
1
Lygophis meridionalis
7
1
Chiro7tius flavolineatus
23
1
Lystrophis dorbignyi
4
Chironius foveatus
13
2
Lystrophis nattereri
1
Chironius laevicolis
2
Mastigodryas bifossatus
262
14
Chironius quadricarinatus
48
3
Mastigodryas boddaerti
1
Clelia neglecta
2
Oxybeles aeneus
3
1
Clelia occipitolutea
14
1
Oxyrhopus clathractus
4
Clelia plumbia
5
Oxyrhopus petola
15
Dipsas indica
2
Oxyrhopus trigeminus
242
7
Ditaxon taeniatus
2
Philodryas aestivus
11
2
Corallus caninus
2
Philodryas mattogrossensis
1
Corallus enydris
1
Philodryas nattereri
4
1
Dromiluber brazili
2
Philodryas olfersii
159
31
Drymarchon corais
23
4
Philodryas patogoniensis
219
37
Elapomorphus meriensi
3
Phimophis guerini
4
1
Elapomorphus nasutus
1
Pseudoboa haasi
2
Elapomorphus quinquelineatus
1
Pseudoboa nigra
5
Elapomorphus tricolor
3
1
Pseudoeryx plicatilis
1
Epicrates cenchria
55
2
Pseutes sulphureus
1
1
Erythrolamprus aesculapii
88
30
Rhachidelus brazili
7
Eunectea murinue
7
Sybinomorphus mikanii
76
3
Helicops angulatus
2
2
Simophis rhinostoma
35
18
Helicops carinicaudus
7
Spilotes pullatus
53
16
Helicops modestus
39
Thamnodynastes hypoconia
11
Hydrodynastea bicinctus
4
1
Thamnodynastes pallidus
55
1
Hydrodynastes gigas
36
1
Thamnodynastes strigatus
95
3
Leimadophis almadensis
21
Tomodon dorsatus
128
8
Leimadophis poecilogyrus
208
22
Tropidodryas serra
17
1
Leimadophis reginae
10
1
Waglerophis merremii
1.148
313
Leimadophis typhlus
10
5
Xenodon guentheri
29
6
Leptoderia annulata
17
1
Xenodon neuwiedii
97
21
Leptophis ahaetulla
10
2
Xenodon severus
2
1
E: Número de exemplares examinados
P: Número de exemplares parasitados
Analisaremos em continuação os dados de Ixobioides Fonseca, 1934 (Ixo-
dorhynchidae) por apresentarem menos especificidade de liospedeiros e distri¬
buição geográfica mais ampla.
O gênero Ixobioides Fonseca, 1934 foi descrito parasitando Waglerophis
merremii (Wagler). São ácaros ovovivíparos, parasitas exclusivos de serpentes
em todas as fases de desenvolvimento.
145
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
LIZASO, N. M. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inst, Butantan, 143-155,
1983/84.
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146
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'SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
LIZASO, N. M. Eetoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inat. Butantan, 47/45:143-155,
1983/84.
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ÇO 50 00 00 05
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CO
04
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147
1 SciELO
LIZASO, N. M. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inst. Butantan, 47/45:143-165,
1983/84.
TABELA 3
Distribuição Geográfica do Gênero Ixobioides Fonseca, parasitando 26 espécies de
serpentes partencentes a 17 gêneros da Família Colubridae, em parasitismo único
ou múltiplo
TABLE 3
Geografical Distribution of the Genus Ixobioides Fonseca, parasiting 26 species of
snakes belonging to 17 genus of family Colubridae, in unique or multiple parasitism
T3 <u
• l/i
a-ã
ll
Hospedeiro
6 «
01 .ti
Localidade
Parasitas
° E
4) CS
o. S
C P.
53
Chironius bicarinatus
1
Pindorama, SP
Ixobioides brachispinosus
l(Wied)
1
Foz do Areia, PR
Ixobioides butantanensia
23
Chironius flavoUneatus
(Boettger)
1
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensis
48
Chironius quadricarinatus
1
Aparecida, SP
Ixobioides butantanensis
(Boie)
2
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensis
23
Drymarchon corais
1
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensia
(Boie)
1
Penápolis, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
88
Erythrolamprus aesculapii
1
Assis, SP
Ixobioides butantanensia
(Linneaus)
1
Rancharia, SP
Ixobioides butantanensis
Ophioptes parkeri
Trombiculidae
1
Pedro Nolasco, ES
Ixobioides butantanensis
2
Helicops angulatus
(Linneaus)
1
Mirinzal, MA
Ixobioidea butantanensis
21
Leimadophis almadensis
(Wagler)
1
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensis
208
Leimadophis poecilogyrus
(Wied)
8
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensis
Ophioptes parkeri
Trombiculidae
1
Juiz de Fora, MG
Ixobioides butantanensis
Ophioptes parkeri
2
Birigüi, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Nova Odessa, SP
Ixobioides butantanensis
1
Campo Grande, MS
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Cassilãndia, MS
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
10
Leimadophis reginae
1
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensis
(Linneaus)
1
Foz do Iguaçu, PR
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
10
Leimadophis typhlus
1
Capital, SP
Ixobioides butantanensis
(Linneaus)
Trombiculidae
10
Leptophia ahaetulla
(Linneaus)
1
Foz do Iguaçu, PR
Ixobioides butantanensis
148
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
LIZASO, N. M. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inst. Butantan, 47/45:143-155,
1983/84.
ll
Hospedeiro
• Vi
p na
£ «
Localidade
Parasitas
° s
Oí OJ
=>. S
o. S
C J
7
Ligophis meridionalis
5
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensis
Schenkel
1
Birigüi, SP
Ophioptes parkeri
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
Ophioptes parkeri
262
Maatigodryaa bifossatus
1
Mirinzal, MA
Ixobioides butantanensis
(Raddi)
1
Padre Bernardo, GO
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
Trombiculidae
1
Iguatemi, MT
Ixobioides butantanensis
1
Três Lagoas, MS
Ixobioides butantanensis
Ophioptes parkeri
Heterozercon elegans
Trombiculidae
1
Assis, SP
Ixobioides butaritanensis
1
Birigüi, SP
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
1
Cajuru, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Ribeirão Claro, SP
Ixobioides butantanensis
1
São Miguel Arcanjo, SP
Ixobioides butantanensis
1
Santa do Parnaíba, SP
Ixobioides butantanensis
1
Tatuí, SP
Ixobioides butantanensis
1
Valinhos, SP
Ixobioides butantanensis
242
Oxyrhopus trigeminus
1
Brumado, BA
Ixobioides butantanensis
(Duméril, Bibon and
2
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensis
Duméril)
Ophioptes parkeri
Trombiculidae
11
Philodryas aestivus
1
Uraí, PR
Ixobioides butantanensis
(Duméril, Bibon and
Ophioptes parkeri
Duméril)
Trombiculidae
159
Philodryas olfersii
3
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensis
(Lichtenstein)
1
Assis, SP
Ophioptes parkeri
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
IV
Birigüi, SP
Ixobioides butantanensis
Ophioptes parkeri
Amblyomma sp
Trombiculidae
1
Campinas, SP
Ixobioides butantanensis
1
São Paulo, Capital
Ixobioides butantanensis
1
Taciba, SP
Ixobioides butantanensis
2
Foz do Iguaçu, PR
Ixobioides butantanensis
219
Philodryas patagoniensis
1
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensis
(Girard)
2
Antonio João, MS
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
1
Assis, SP
Ixobioides butantanensis
1
Barueri, SP
Ixobioides butantanensis
1
Campos do Jordão, SP
Ixobioides butantanensis
1
Garça, SP
Ixobioides butantanensis
1
Jundiai, SP
Ixobioides butantanensis
1
Juquitiba, SP
Ixobioides butantanensis
149
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
:al de
LIZASO, N. M. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inst. Butantan, 47/45:143-165,
1983/81.
Hospedeiro
n.® exempl.
parasitados
Localidade
1
Lins, SP
1
Mairiporã, SP
1
Parelheiros, SP
1
Paranapanema, SP
2
Pirajuí, SP
1
São Carlos, SP
2
São João Novo, SP
1
Votuporanga, SP
3
Curitiba, PR
1
Engenheiro Marsilac, PR
1
Irati, PR
1
Palmeira, PR
1
Porto Amazonas, PR
1
Telêmaco Borba, PR
Sibinomorphus mikanii
1
Pres. Bernardes, SP
(Schlegel)
Simophis rhinostoma
2
Itumbiara, GO
(Schlegel)
2
Casa Branca, SP
Spilotes pullatus
1
Belém, PA
(Linneaus)
1
Iramaia, BA
1
Santa Vitória, MG
1
Buri, SP
1
Juquiá, SP
1
Santa Fé do Sul, SP
1
São Sebastião, SP
1
Ponta Grossa, PR
Thamnodynastes pallidus
1
Miranda, MS
Linneaus
2
Foz do Areia, PR
Thamnodynastes strigatus
2
Caieiras, SP
(Gunther)
1
Rio Azul, PR
Tomodon dorsatus
1
Gonçalves Júnior, SP
Duméril Bibon and
8
Foz do Areia, PR
Duméril
2
Guajuvira, PR
2
Irati, PR
1
Telêmaco Borba, PR
1
Canoinhas, SC
Parasitas
76
35
53
55
95
128
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
Ixobioides
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
butantanensis
Ixobioides butantanensis
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
Ophioptes parkeri
Amblyoma sp
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
Ixobioides butantanensis
Ixobioides butantanensis
Ixobioides butantanensis
Ixobioides brachispinosus
Ixobioides butantanensis
Ixobioides butantanensis
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
Ixobioides butantanensis
150
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
LIZASO, N. M. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inst. Butantan, 47/45:143-155,
1983/84.
n,° total de
exemplares
Hospedeiro
n.® exempl.
parasitados
Localidade
Parasitas
1.148
Waglerophis merremii
1
Pesqueira, PE
Ixobioides butantanensis
(Wagler)
Trombiculidae
3
Goiânia, GO
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
8
Itumbiara, GO
Ixobioides butantanensis
Ophioptes parkeri
Amblyomma sp
Trombiculidae
1
Padre Bernardo, GO
Ixobioides butantanensis
1
Brumado, BA
Ixobioides butantanensis
1
Iramaia, BA
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
1
Campo Grande, MT
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Sâo Bento, MT
Ixobioides butantanensis
1
São Félix do Araguaia, GO
Ixobioides butantanensis
1
Rochedo, MT
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Belo Horizonte, MG
Ixobioides butantanensis
Hetrozercon elegans
4
Costa Rica, MG
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
2
Iguatemi, MG
Ixobioides butantanensis
1
Pedro Leopoldo, MG
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
2
Três Lagoas, MG
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Tupaciguara, MG
Ixobioides butantanensis
1
Uberlândia, MG
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Xavantina, MG
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Antônio João, MS
Ixobioides butantanensis
13
Paranaíba, MS
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
Trombiculidae
1
Nioaqui, MS
Ixobioides butantanensis
1
Mendes, RJ
Ixobioides butantanensis
1
Pirai, RJ
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
1
Valença, RJ
Ixobioides butantanensis
1
Arujá, SP
Ixobioides butantanensis
2
Agudos, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
17
Assis, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
5
Araraquara, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Alvares Machado, SP
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
1
Aparecida do Norte, SP
Ixobioides butantanensis
1
Araçatuba, SP
Ixobioides butantanensis
1
Barueri, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
2
Barretos, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
151
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
LIZASO, N. M. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inat. Butantan, 47/45:143-155,
1983/84.
n.® total de
exemplares-
Hospedeiro
n.® exerapl.
parasitados
Localidade
Parasitas
6
Bauru, SP
Ixobioides butantanenais
Ixobioides brachispinosus
Trombiculidae
O
O
Bebedouro, SP
Ixobioides butantanenais
2
Birigüi, SP
Ixobioides butantanenais
1
Boa Esperança do Sul, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Cotia, SP
Ixobioides butantanensis
1
Cafelândia, SP
Ixobioides butantanensis
1
Castilho, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Capão Bonito, SP
Ixobioides butantanensis
1
Carapicuíba, SP
Ixobioides butantanenais
1
Campo Limpo, SP
Ixobioides butantanenais
1
Dracena, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
2
Embu, SP
Ixobioides butantanensis
9
Fernandópolis, SP
Ixobioides butantanenais
1
Franca, SP
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
4
Garça, SP
Ixobioides butantanenais
1
Guararema, SP
Ixobioides butantanensis
2
Guarulhos, SP
Ixobioides butantanensis
4
Jaú, SP
Ixobioides butantanensis
Ophioptes parkeri
Trombiculidae
1
Jales, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
2
Juquitiba, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Jacareí, SP
Ixobioides butantanensis
2
Lavínia, SP
Ixobioides butantanenais
Trombiculidae
1
Martinópolis, SP
Ixobioides butantanensis
3
Matão, SP
Ixobioides butantanensis
1
Mogi das Cruzes, SP
Ixobioides butantanenais
1
Nazaré Paulista, SP
Ixobioides butantanensis
3
Oriente, SP
Ixobioides butantanenais
3
Olímpia, SP
Ixobioides butantanensis
1
Osvaldo Cruz, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
2
Orlândia, SP
Ixobioides butantanensis
2
Palmital, SP
Ixobioides butantanenais
2
Pradópolis, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
4
Penápolis, SP
Ixobioides butantanensis
Ixobioides butantanensis .
1
Paraguaçu Paulista, SP
Trombiculidae
3
Pindamonhangaba, SP
Ixobioides butantanenais
1
Parelheiros, SP
Ixobioides butantanensis
1
Pindorama, SP
Ixobioides butantanenais
5
Pres. Prudente, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Pres. Bernardes, SP
Ixobioides butantanensis
152
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
LIZASO, N. M. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais
e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides
1983/84.
Fonseca,
1934 (Acarina). Mem. Inst.
Butantan, íZ/íí: 143-155,
'O a»
• C/l
Hospedeiro
a
Localidade
Parasitas
S
V d
a
c d
C A
1
Pompéia, SP
Ixobioides butantanensis
1
Pres. Venceslau, SP
Ixobioides butantanensis
1
Ribeirão Pires, SP
Ixobioides butantanensis
1
Ribeirão Preto, SP
Ixobioides butantanensis
1
Rincão, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
3
São Carlos, SP
Ixobioides butantanensis
Ophioptes parkeri
1
São José dos Campos, SP
Ixobioides butantanensis
1
São Paulo, Capital
Ixobioides butantanensis
3
Santa Fé doi Sul, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
4
São José do Rio Preto, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
2
Santo Anastácio, SP
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
1
Sertãozinho, SP
Ixobioides butantanensis
3
Taboão da Serra, SP
Trombiculidae
Ixobioides butantanensis
1
Taubaté, SP
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
4
Três Fronteiras, SP
Ixobioides butantanensis
2
Valparaíso, SP
Ixobioides butantanensis
Amblyomma sp
1
Votuporanga, SP
Ixobioides butantanensis
2
Curitiba, PR
Ixobioides butantanensis
5
Londrina, PR
Ixobioides butantanensis
1
Morretes, PR
Ixobioides butantanensis
2
Paranavaí, PR
Ixobioides butantanensis
1
Paulo Frontin, PR
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
2
Ponta Grossa, PR
Ixobioides butantanensis
1
Porto Amazonas, PR
Ixobioides butantanensis
1
Rio Azul, PR
Ixobioides butantanensis
1
São João do Triunfo
Ixobioides butantanensis
2
São José dos Pinhais
Ixobioides butantanensis
1
Caçador, SC
Ixobioides fonsecae
5
Canoinhas, SC
Ixobioides butantanensis
1
Filipe Schmidt, SC
Ixobioides butantanensis
Trombiculidae
3
Ibicaré, SC
Ixobioides butantanensis
3
Itaiópolis, SC
Ixobioides butantanensis
Heterozercon elegans
6
Pira tuba, SC
Ixobioides butantanensis
2
Rio Negrinho, SC
Ixobioides butantanensis
3
Tangará da Serra, SC
Ixobioides butantanensis
Heterozercon elegans
1
Gaurama, RS
Ixobioides butantanensis
1
Porto Alegre, RS
Ixobioides butantanensis
29
Xenodon guentkeri
2
Caçador, SC
Ixobioides fonsecae
Boulenger
1
Porto União, SC
Ixobioides fonsecae
1
Cruz Machado, PR
Ixobioides fonsecae
2
Porto Vitória, PR
Ixobioides fonsecae
153
LIZASO, N. M. Ectoparasitismo cm serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixobioides Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inat. Butantan, 47/45:143-155,
1983/84.
Hospedeiro
n.“exempl.
parasitados
Localidade
Parasitas
Xenodon neuwiedii
(Gunther)
8
Juquitiba, SP
Ixobioidea brachispinosus
Ophiogongylus roiundus
1
Mogi das Cruzes, SP
Ixobioides brachispinosus
Ophiogongylus rotundus
Trombiculidae
1
Ribeirão Pires, SP
Ixobioides brachispinosus
Ophiogongylus rotundus
2
Santa Isabel, SP
Ixobioides brachispinosus
Ophiogongylus rotundus
Trombiculidae
1
São Paulo, Capital
Ixobioides brachispinosus
Ophiogongylus rotundus
1
São Roque, SP
Ixobioides brachispinosus
Ophiogongylus rotundus
Trombiculidae
97
O presente material consta de milhares de ácaros coletados parasitando 26
espécies de serpentes pertencentes a 17 gêneros de Colubridae. Esta observação
corresponde a 3.092 das serpentes examinadas.
Identificamos três espécies de Ixobioides: I. butantanensis Fonseca, 1934
com distribuição geográfica em toda América do Sul, é a mais freqüente c com
menor especificidade de hospedeiro; /. fonsecae (Fain, 1961) da região Sul do
Brasil parasita Waglerophis merremii e Xenodon; I. brachispinosus Lizaso, 1983
da região Sudeste e Sul do Brasil, parasita Xenodon, Chironius e Thamnodynastes.
O gênero Ixobioides pod'e ser encontrado como parasita exclusivo de um
determinado hospedeiro ou em parasitismo múltiplo com um ou mais gêneros
de ácaros. No material por nós estudado o parasitismo simples deu-se em 65,2%
dos exemplares (Tabela 2). Pode ser encontrado escasso número de exemplares
(3 ou 4) em um hospedeiro ou até alguns milhares — superparasitismo —
constatado diversas vezes em Waglerophis merremii.
Estes ácaros podem localizar-se na parte inferior da cabeça, cavidade ocular,
região periocular, regiões lateral e dorsal do corpo, sendo mais numerosos no
terço anterior da serpente, e, aumentando a intensidade do parasitismo, no terço
médio e posterior, num gradiente de infestação da região anterior para a posterior
Poucas vezes se localizam debaixo das escamas ventrais.
De modo geral estão bem aderidos ao hospedeiro e não se desprendem,
mesmo quando a serpente passa pela água.
O gênero Ixobioides apresenta ampla distribuição geográfica, especialmente
7. butantanensis. O material relacionado em um total de 357 lotes está assim
distribuído (Tabela 3): Pará, 1; Maranhão, 2; Paraíba, 1; Pernambuco, 1; Bahia,
4; Mato Grosso, 16; Goiás, 37; Minas Gerais, 7; Espírito Santo, 1; Rio de
Janeiro, 3; São Paulo, 199; Paraná, 55; Santa Catarina, 27; Rio Grande do Sul, 3.
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LIZASO, N. M. Ectoparasitismo em serpentes: observações gerais e algumas considerações
sobre o gênero Ixohioidea Fonseca, 1934 (Acarina). Mem. Inst. Butantan, 47/45:143-156
1983/84.
ABSTRACT: We have examined 3.701 brazilian snakes from which
575 were parasitised by Acari. Data on the snakes habitat and
their influence on the parasitism are given. We pointed out the
percentage of the parasitism, the multiple parasitism and superpa-
rasitism and geografic distribution on the genus Ixobioides Fonseca.
KEYWORDS: Acari: snakes ectoparasitism.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FAIN, A. Espèces et genres nouveaux dans la famille Ixodorhynchidae Ewing, 1922.
Rev. Zool. Bot. Afri., S4(1-2) :175-182, 1961.
FAIN, A. Les acariens mesostigmatiques ectoparasites des serpents. Bidln Inst. r.
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FONSECA, F. Der Schlangenparasit Ixobioides butantanensis, novi generis, n. sp.
(Acarina, Ixodorhynchidae nov. fam.) Z. Parasitkde, 6(4) :508-527, 1934.
LIZASO, N. M. Levantamento da fauna acarológica ectoparasita de serpentes não
venenosas do Estado de São Paulo. Rev. Bras. Zool., S. Paulo, 1 (3) :203-209, 1983.
LIZASO,-N. M. Novos gêneros e espécies de ácaros (Mesostigmata, Ixodorhynchidae)
ectoparasitas de serpentes. Rev. Bras. Zool., S. Paulo, 1 (3) :193-201, 1983.
Recebido para publicação em 14/05/1984 e aceito em 16/06/1984.
155
1 SciELO
Mem, Inst. Butantan
47/45:157-164, 1983/84
BIONOMIA COMPARATIVA DE TRIATOMÍNEOS.
II — TRIATOMA BRASILIENSIS NEIVA, 1911
(HEMIPTERA, REDUVIIDAE)*
Therezinha J. HEITZMANN-FONTENELLE **
RESUMO: O ciclo evolutivo completo de Triatoma brasiliensis
Neiva, 1911 é estudado em condições de laboratório. Acasalamentos,
posturas, duração dos estádios ninfais, vida adulta e número de
repastos são analisados e comparados com os de Panstrongylus
megistus (Burm., 1835), Triatoma sórdida (Stal, 1859) e Triatoma
vitticeps Stal, 1835, trabalhos já publicados desta série, dos quais
só agora sai a nota II, por motivos independentes da nossa vontade.
PALAVRAS-CHAVE: Triatoma brasiliensis Nevia, 1911: ciclo
evolutivo em laboratório.
INTRODUÇÃO
Sendo T. brasiliensis uma espécie restrita às zonas semi-áridas do nordeste
brasileiro (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do
Norte e norte de Goiás e Minas Gerais) sua adaptação às condições climáticas
em São Paulo foi bastante difícil. Iniciamos a criação desta espécie em 1972,
mas os dados obtidos não foram numerosos. Em 1977 reiniciamos uma nova
criação e os' resultados também não foram satisfatórios. As observações aqui
publicadas, embora em pequeno número, não significativas para um estudo
estatístico ou para dar uma ampla visão das variações biológicas, permitem mos¬
trar a sua difícil adaptação às condições adversas do seu habitat natural.
A maioria dos trabalhos sobre o seu ciclo de vida em laboratório como os
de Brasileiro (1, 2), Costa (3), Ferreira (5), Perondini e al. (11) abordam apenas
fases do ciclo de vida desta espécie e em condições laboratoriais controladas
(SO^C de temperatura e umidade relativa por volta de 70 a 80%). Trabalhos
não tão recentes como os de Pinto (12), Dias (4) e Lucena (9) já apresentam
o ciclo completo em laboratório. Lucena (9) dá as condições ambientais em que
trabalhou (temperatura entre 25,4 e 28,5% e umidade entre 76 e 82%) e Pinto
(12) comenta que há variações no ciclo em temperaturas e umidades diferentes.
As nossas observações são feitas no laboratório da Seção de Parasitologia
do Instituto Butantan, situada no Horto Oswaldo Cruz, onde as temperaturas
* Bolsista do CNPq
'** Seção de Parasitologia do Instituto Butantan.
157
1 SciELO
HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. II — Triatoma
brasüiensis Neiva, 1911 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/45:157-164,
1983/84.
oscilam durante o ano entre 18 e 26°C, raramente atingindo os 30°C e por vezes
alcançando temperaturas abaixo de 10°C. A umidade relativa anual fica entre
50 e 70%.
MATERIAL E MÉTODO
O material foi obtido de descendentes de uma fêmea recebida de Jaguarari,
BA (Faz. Caraíbas) por oferecimento de Caraíbas Metais S.A. em 29-09-1972 e
pelos descendentes de outra fêmea recebida de São Raimundo Nonato, PI, Maria
Aparecida Pereira leg., em 05-01-1977.
As ninfas, em número de 43, descendentes da primeira fêmea, nos dois
primeiros estágios evolutivos foram criadas isoladamente em pequenos borréis,
passando depois para borréis maiores com ninfas de outras espécies para facilitar
a alimentação coletiva. As ninfas descendentes da segunda fêmea, em número de
32, foram, após eclosão, colocadas diretamente nos borréis maiores com ninfas
de outras espécies e, outras 28 ninfas destá mesma fêmea, foram criadas num
mesmo borrei durante os dois primeiros estádios e somente depois passadas para
os de criação.
Além desse material temos mais 20 observações, obtidas pelo acasalamento
em laboratório de descendentes do material do Piauí.
A alimentação foi feita em coelho em intervalos de aproximadamente 15
a 20 dias.
Para facilitar a descrição dos estádios, faremos os relatos separadamente de
cada lote de observações e no final, reuniremos as conclusões, fazendo-se uma
súmula do ciclo evolutivo para a espécie em pauta.
MATERIAL DESCENDENTE DA FÊMEA DA BAHIA
ESTÁDIO I — Das 43 ninfas eclodidas entre 22-10 e 19-12-1972, 32
morreram antes de completar o estádio, com 2 a 78 dias de vida e quase todas
sem se alimentar; duas se alimentaram por uma vez, morrendo com 10 e 16 dias
e outra por três vezes, morrendo com 78 dias de vida.
As 11 ninfas restantes completaram o estádio I entre 36 e 70 dias, sendo
dois espécimens com menos de 40 dias; seis espécimens de 40 aos 47 dias e
os três exemplares restantes com 54, 67 e 70 dias. A média foi de 47,91 dias.
A primeira refeição ocorreu entre o 5.“ e 41.“ dia, predominando entre o
10.“ e 20.“ dia. Apenas uma ninfa ficou 41 dias sem se alimentar e dois dias
depois de fazê-lo, sofreu a eedise.
O número de refeições oscilou de um a quatro, sendo mais freqüente duas.
O período anual destas observações foi de 22-10-1972 a 27-02-1973.
ESTÁDIO II — Foi completado pelas 11 ninfas entre 22 e 50 dias, sendo
quatro observações com menos de 30 dias, 5 observações com 33 a 40 dias e
os dois casos restantes com 49 e 50 dias. A média foi de 33,37 dias.
Quanto ao número de refeições, oscilou entre um e três.
As ninfas entraram neste estádio entre 18-12-1972 e 27-02-1973 e saíram
dela entre 18-01 e 03-04-1973, predominando os meses de janeiro e fevereiro.
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HEÍTZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. II — THatoma
brasiliensis Neiva, 1911 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/^5:157-164,
1983/84.
ESTÁDIO III — Este estádio durou de 29 a 104 dias, sendo que até o 51."
dia, nove ninfas já o haviam realizado. Os dois últimos casos duraram de 90 a
104 dias, prolongando-se mais para o meio do ano, com isto, abrangendo perío¬
dos de temperaturas mais frias. A média foi de 51,82 dias.
O número de repastos foi de dois a sete (este para a ninfa de estádio mais
prolongado). O período anual foi de 18-01 a 03-04-1973 para a entrada no está¬
dio e 03-03 a 16-07-1973 para a saída.
ESTÁDIO IV — Apenas uma ninfa não completou este estádio, morrendo
com 55 dias neste estádio e 167 dias de vida total, após 5 alimentações deficien¬
tes. Os exemplares que o completaram, o realizaram com 37 a 211 dias, sendo
5 com menos de 71 dias e os 5 restantes com 109, 141, 143 e 211 dias, passando
parte dele no inverno ou em temperaturas baixas, que durante o ano de 1973,
iniciaram em fins de maio perdurando até outubro, havendo ligeira elevação em
novembro, embora com noites muito frias. A média de duração deste estádio
foi de 70,5 dias.
O número de repastos foi de dois a treze.
As 10 ninfas entraram neste estádio entre 03-03 e 16-07-1973, saindo dele
entre 09-04 e 18-12-1973.
ESTÁDIO V — Este estádio foi bastante crítico para as ninfas, sendo que,
das 10, apenas quatro atingiram a fase adulta. Uma morreu por acidente durante
a ecdise, ficando bastante defeituosa e sendo sacrificada no mesmo dia; outra,
com 12 dias nesta fase, sem fazer nenhum repasto e os outros quatro casos
com 131, 144, 148 e 462 dias neste estádio, alimentando-se 17, 14, 8 e 52
vezes respectivamente. Todas elas, notadamente o último caso citado não con¬
seguiam se alimentar suficientemente, não alcançando uma completa replecção,
morrendo bastante depauperadas.
As quatro restantes completaram o estádio V com 61, 86, 118 e 154
dias, alimentando-se 4, 7, 9 e 14 vezes respectivamente. A média foi de
104,75 dias.
O período anual foi para a entrada no estádio 19-04 a 20-06-1973 e a
saída foi 15-08 a 05-11-1973.
VIDA NINFAL — O desenvolvimento ninfal completo do desalagamento
até a fase adulta nos quatro exemplares obtidos foi de 245, 278, 280 e 336
dias. A média foi de 284,75 dias.
VIDA ADULTA — Os quatro exemplares adultos, todos fêmeas, viveram
neste estádio 30, 366, 411 e 503 dias, portanto executando o primeiro dado,
vemos que os 3 outros viveram de um a um ano e meio aproximadamente.
A média foi 327,5 dias.
O número de repastos foi de dois a trinta e nove.
VIDA TOTAL — A vida total (vida ninfal mais a vida adulta) dessas
fêmeas foi de 310, 644, 656 e 839 dias, e a média ficou nos 609,25 dias.
ACASALAMENTO — Em virtude de termos apenas fêmeas, não pudemos
realizar acasalamento intra-específicos, mas observamos que as fêmeas de T.
brasiliensis cruzam-se facilmente com machos de outras espécies. Esses acasal-
mentos foram obtidos por acaso, em virtude das criações conjuntas com as
demais espécies. Obtivemos, assim, dois acasalamentos com descendentes:
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1 SciELO
HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. II — Triatoma
brasiliensis Neiva, 1911 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/^5:157-164,
1983/84.
1) Num frasco onde havia uma fêmea de T. brasiliensis com 158 dias
de vida adulta e que já havia oviposto 39 óvulos, coabitou com um macho de
T. lenti com apenas um dia de vida, em 25-01-1974. Dessa data até 13-02,
a fêmea ovipôs 8 óvulos ou ovos que não eclodiram. De 13-02 até 01-08-1974,
a fêmea ovipôs 148 ovos que eclodiram era períodos de 29 a 60 dias, dando,
ao todo 118 ninfas híbridas. Até a morte da fêmea em 05-10-1974, o casal
permaneceu no mesmo frasco.
2) Num frasco onde havia uma fêmea de T. brasiliensis com 189 dias
de vida adulta e que já havia oviposto 24 óvulos (no período de 20-10-1973
a 13-02-1974), uma ninfa de T. lenti se transformou em macho a 21-02-1974.
Em 9 e 12 de março, a fêmea ovipôs mais quatro ovos que não eclodiram. De
23-03 a 09-07-1974 ela produziu 32 ovos, eclodindo destes, 18 ninfas. O casal
permaneceu junto até a morte da fêmea em 16-09-1974.
Com a fêmea de vida adulta curta (30 dias) não tentamos nenhum acasa¬
lamento e ela, também, não elaborou óvulos. Com a fêmea de vida adulta mais
longa (503 dias) fizemos várias tentativas de acasalamentos com machos de
T. lenti mas não obtivemos descendentes apesar dela ovipor 254 ovos não
viáveis ou óvulos.
MATERIAL DESCENDENTE DA FÊMEA DO PIAUÍ
ESTÁDIO I — Das 32 ninfas eclodidas entre 20-03 e 07-04-1977, 23 não
completaram o estádio, morrendo com 5 a 73 dias de vida, recusando a ali¬
mentarem-se, embora lhes fosse oferecido a orelha de coelho. As 9 ninfas
restantes tiveram um estádio I de 177 a 256 dias, com a média de 211,13 dias.
O número de repastos foi de 3 a 7. Fez três refeições, além da ninfa
de estádio mais curto (177 dias), mais uma ninfa de estádio de 207 dias. A
ninfa com 7 repastos, completou o estádio em 199 dias e a ninfa de estádio
mais longo (256 dias) fez apenas 4 refeições.
A primeira refeição ocorreu entre o 20.° e o 54.° dia e foi de 18 dias o
maior intervalo entre as refeições, embora tivessem tido oportunidade de se
alimentarem em intervalos menores.
As ninfas entraram neste estádio em 20-03 a 07-04-1977 e passaram ao
estádio II entre 24-09 e 10-12-1977, predominando o mês de outubro.
ESTÁDIO II — Das nove ninfas que entraram neste estádio entre 24-09
e 10-12-1977, uma não o completou, morrendo com 99 dias tendo feito um
único repasto. Esta ninfa já havia apresentado dificuldades de se alimentar
durante o estádio anterior que foi de 197 dias e com 6 repastos, alguns
deficientes.
As ninfas restantes tiveram um estádio entre 49 e 175 dias, sendo a média
de 84,14 dias.
O número de repastos foi de dois a cinco.
O período anual em que predominou este estádio foi de outubro a dezem¬
bro de 1977.
ESTÁDIO III — Apenas sete ninfas completaram este estádio entre 58
e 319 dias, com a média de 126,86 dias. A morte ocorrida foi de uma ninfa
com 52 dias neste estádio e sem fazer nenhum repasto.
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HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. II — Triatoma
brasiliensis Neiva, 1911 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, í7/4S: 157-164,
1983/84.
O número de repastos foi de dois a cinco.
O período anual foi de 04-12-1977 a 03-06-1978 para a entrada e 12-03
a 28-11-1978 para a saída do estádio, predominando ninfas neste estádio, nos
três primeiros meses de 1978.
ESTÁDIO IV — Ocorreram mais duas mortes neste estádio: ninfas com
113 e 135 dias de vida e 4 repastos. As 5 ninfas restantes tiveram um estádio
IV com durações de 65 a 335 dias, com média de 211,4 dias.
O número de repastos foi de três a oito.
As ninfas entraram neste estádio de 12-03 a 28-11-1978 e saíram entre
11- 11-1978 e 30-10-1979.
ESTÁDIO V — Apenas duas ninfas chegaram a completar este estádio,
com 404 e 525 dias e 2 a 16 refeições. A média ficou em 464,5 dias.
Os óbitos ocorreram: um por acidente durante a ecdise, ao entrar neste
estádio; uma ninfa morreu com 222 dias, fazendo 6 refeições deficientes, outra
ninfa morreu com 558 dias neste estádio, fazendo 11 refeições no período, sendo
algumas deficientes.
As ninfas que completaram o estádio fizeram 7 e 13 repastos.
O período anual foi: 11-11-1978 a 30-10-1979 para a entrada e 04-05 a
07-12-1980 para a saída.
VIDA NINFAL — Apenas duas ninfas completaram a vida ninfal com
1.136 e 1.348 dias, dando a média de 1.242 dias.
ADULTOS — Os dois exemplares adultos obtidos foram um macho e uma
fêmea. O macho teve uma vida adulta de 105 dias (04-05 a 15-08-1980) fazendo
apenas dois repastos. A fêmea teve vida adulta de 548 dias (07-12-1980 a
08-06-1982), fazendo 16 repastos.
VIDA TOTAL — Cs dois exemplares tiveram uma vida total (da eclosão
à morte do adulto) de 1.241 e 1.896 dias, dando uma média de 1.568,5 dias
(4 anos e 3 meses aproximadamente).
ACASALAMENTOS — Não foram tentados acasalamentos.
As 28 ninfas restantes deste lote foram criadas em conjunto no mesmo
frasco durante os dois primeiros estádios, portanto não foram anotados os perío¬
dos evolutivos. A partir do terceiro estádio só restavam 21 ninfas, as demais
haviam morrido.
ESTÁDIO III — Destas 21 ninfas, 4 morreram durante o estádio com 33 a
122 dias. As restantes tiveram este estádio com durações de 60 a 612 dias, dando
a média de 166,87 dias.
O número de repastos foi de dois a quatorze.
Não houve um período anual definido para esta amostragem, pois houve
observações desde 04-06-1978 até 02-12-1979 para o Início do estádio e
12- 12-1978 a 22-11-1980 para o término.
ESTÁDIO IV — Ocorreram dois óbitos no decorrer deste estádio com
ninfas com 14 a 108 dias neste estádio. As 15 ninfas restantes tiveram um
estádio com durações de 64 a 371 dias e com média de 231,27 dias. O número
de repastos foi de dois a oito.
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HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. II — Triatoma
brasüiensis Neiva, 1911 (Hemiptera, Eeduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/45:157-164,
1983/84.
ESTÁDIO V — Como nas amostragens anteriores este estádio foi bastante
crítico. Houve nove mortes dos 61 aos 717 dias de vida neste estádio. As cinco
ninfas restantes tiveram um estádio V entre 154 e 443 dias, dando uma média
de 297,5 dias.
VIDA NINFAL — Como iniciamos as observações deste lote somente a
partir do estádio III, não pudemos computar a duração da vida ninfal nem
da vida total.
ADULTOS — Obtivemos um macho (176 dias) e quatro fêmeas (com 74,
178, 551 e 626 dias de duração). As alimentações foram em número de duas a
dezesseis.
ACASALAMENTOS — A fêmea que viveu apenas 74 dias não foi acasa¬
lada e com 51 dias de vida adulta iniciou a postura de óvulos (total sete).
A fêmea que viveu 178 dias não foi acasalada nem ovipôs. A fêmea de
maior vida adulta (626 dias) não foi acasalada mas elaborou quatro óvulos entre
413 e 425 dias de vida adulta. A fêmea com 551 dias de vida adulta foi acasa¬
lada com 178 dias de vida'adulta com um macho sem registro, retirado da
criação geral. Ela produziu 34 ovos dos quais eclodiram 20 ninfas que foram
criadas em laboratório.
MATERIAL RESULTANTE DO ACASALAMENTO ANTERIOR
DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO — As 20 ninfas ovipostas entre
20-02 e 31-03-1981 tiveram um desenvolvimento entre 32 e 68 dias com uma
média de 40,4 dias.
ESTÁDIO I — Das 20 ninfas desalagadas, 15 morreram com 26 a 274 dias
de vida e a maioria sem se alimentar; as que se alimentaram fizeram de um a
dois repastos deficientes. Apenas a ninfa que viveu 274 dias fez 6 repastos
deficientes.
As 5 restantes tiveram um estádio entre 140 a 237 dias com a média de
200,6 dias. O número de refeições foi de três a quatro.
Essas ninfas passaram, neste estádio, a época predominantemente fria do ano,
principalmente os meses de junho e julho e que no ano de 1981 atingiram
temperaturas bem baixas.
ESTÁDIO II — Das 5 ninfas, apenas duas completaram o estádio com
105 e 118 dias e com média de 111,5 dias. Os óbitos ocorreram com 83 a
300 dias neste estádio.
ESTÁDIO III — Mais um óbito aos 316 dias de vida neste estádio e
a única ninfa sobrevivente fez um estádio de 45 dias e apenas um repasto.
ESTÁDIO IV — O único exemplar teve este estádio com 307 dias e fez
5 repastos.
ESTÁDIO V — A ninfa não o completou, morrendo com 151 dias de
vida neste estádio.
RESUMINDO OS DADOS OBTIDOS TEMOS:
Desenvolvimento embrionário; 32 a 68 dias, com média de 40,4 dias.
Duração do Estádio I — 36 a 256 dias, com média de 134,13 dias.
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HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. U — Triatoma
brasiliensis Neiva, 1911 (Hemiptera, Eeduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/^5:157-164,
1983/84.
Duração do Estádio II — 22 a 175 dias, com média de 59,15 dias.
Duração do Estádio III — 29 a 612 dias, com média de 114,88 dias.
Duração do Estádio IV — 37 a 371 dias, com média de 188,35 dias.
Duração do Estádio V — 61 a 525, com média de 257,64 dias.
Duração da Vida Ninfal — 245 a 1.348 dias, com média de 603,83 dias.
Duração da Fase Adulta — 30 a 626 dias, com média para as fêmeas de 365,11
dias e para os machos de 140,5 dias.
Duração da Vida Total — 310 a 1896, com média de 930,83 dias.
CONCLUSÕES
T. brasiliensis mostrou ser uma espécie muito adaptada a certas condições
de temperatura e umidade, inexistentes nos Estados sulincft do Brasil, o que
a delimita muito, existindo apenas na Região nordeste. Sua criação, em labora¬
tório; requer controles de temperatura e umidade, fato que está fora dos
propósitos da nossa pesquisa que é estudar o comportamento dos diversos tria¬
tomíneos ao mesmo ambiente. Pinto (12) nos dá para o ciclo evolutivo completo,
aproximadamente 290 dias. Dias (4) da entre 333 e 392 dias e Lucena (9)
399,61 dias para a fase ninfal e 417,92 para vida total, valores muito abaixo
dos encontrados por nós.
Outro fato que nos chamou a atenção foi a alta mortalidade observada nos
estádio I e V, fato que ocorreu com todas as criações realizadas.
Comparando-se com os dados obtidos por Heitzmann-Fontenelle ®, ®, temos
para o desenvolvimento ninfal: Panstrongylus megistus — 352,7 dias; Triatoma
sórdida — 460,12 dias; Triatoma vitticeps — 466,89 dias e para Triatoma
brasilienses — 603,83 dias, portanto, esta espécie teve a maior duração entre as
das espécies já estudadas, além de apresentar um alto índice de mortalidade. Para
a duração da fase adulta, o máximo obtido para Panstrongylus megistus foi de
370 dias; para Triatoma sórdida foi de 955 dias; para Triatoma vitticeps foi
de 807 dias e para Triatoma brasiliensis foi de 626 dias.
ABSTRACT: The complete evolutive cycle of Triatoma brasiliensis
Neiva, 1911 is here studied in laboratory conditions and compared
with those of Panstrongylus megistus, Triatoma sórdida and Tria¬
toma vitticeps.
KEYWORDS: Triatoma brasiliensis Neiva, 1911: Evolutive cycle.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Recebido e aceito para publicação em 15/06/1984.
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Mem. Inst. Butantan
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BIONOMIA COMPARATIVA DE TRIATOMÍNEOS.
V — TRIATOMA LENTI SCHERLOCK & SERAFIM, 1967
(HEMIPTERA, REDUVIIDAE)*
Therezinha J. HEITZMANN-FONTENELLE ”
RESUMO; O ciclo evolutivo de Triatoma lenti é estudado em con¬
dições de laboratório e comparado com as demais espécies já estu¬
dadas nas mesmas condições.
PALAVRA-CHAVE: Triatoma lenti: ciclo evolutivo em labora¬
tório.
INTRODUÇÃO
Dando continuidade à série de estudos bionômicos de triatomíneos prováveis
vectores da Moléstia de Chagas, apresentamos as conclusões obtidas da criação,
em laboratório, de Triatoma lenti Scherlock & Serafim, 1967.
Sendo espécie autóctone da Bahia, sua climatização às condições mais úmidas
e frias do laboratório da Seção de Parasitologia, localizada no Horto Oswaldo
Cruz do Instituto Butantan, São Paulo, apresentou problemas, mas a sua adap¬
tação foi mais fácil do que a da espécie brasiliensis restrita às zonas tropicais do
Nordeste brasileiro.
MATERIAL E MÉTODO
Em janeiro de 1972, a Seção de Parasitologia recebeu, por intermédio do
Dr. A. B. Galvão, um lote rotulado como T. pessoai, posteriormente corrigido
para T. lenti, sinonímia estabelecida em 1979 por Lent & Wigodzinsky (5) prove¬
nientes de uma criação existente no Laboratório de Parasitologia da Faculdade
de Farmácia de Goiânia, GO, a partir de material somente com indicação da
Bahia.
Desse lote, surgiram os primeiros adultos em dezembro de 1972, dentre os
quais isolamos, em janeiro de 1973, uma fêmea, supostamente fecundada, que
elaborou 44 ovos entre 12 de janeiro e 3 de fevereiro, formando a primeira
amostragem de observações. Aproximadamente um ano após, isolamos 68 ovos
* Trabalho efetuado com auxílio do CNPq.
Seção de Parasitologia do Instituto Butantan.
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HEITZMANN-FONTENELLE, T.J, Bionomia comparativa de Triatomíneos. V — Triatoma
lenti Scherlock & Serafim, 1967 (Hemiptera, Eeduviidae). Mem. Inst. Butantan, Ji7/i8:
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de três fêmeas descendentes da primeira amostragem e acasaladas em laboratório,
perfazendo um total de 112 observações.
Como estamos fazendo um estudo comparativo com as demais espécies em
observação, o método de criação seguiu os mesmos detalhes dos trabalhos
anteriores, apenas que a alimentação em coelho, comumente feita quinzenalmente,
passou a ser feita mais amiúde — 2 vezes por semana — porque alguns exem¬
plares desta espécie apresentaram problemas para se alimentar, fazendo várias
tentativas para introduzir o rostro na pele do coelho e mudando de posição
várias vezes durante o repasto. Geralmente, quando as ninfas apresentavam
essa deficiência, pereciam antes de completar o ciclo de desenvolvimento.
Para uma melhor visão dos problemas que acompanharam a criação em
laboratório dessa espécie, fora do seu ambiente habitual, vamos analisar separa¬
damente as observações em duas amostragens: a primeira formada pelos 44 ovos
iniciais e a segunda pelos 68 ovos descendentes da amostragem anterior, portanto
vamos analisar o comportamento de exemplares recém-chegados a um clima frio
e úmido e outro com mais tempo de convívio nesse ambiente.
DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO
Amostragem I — Dos 44 ovos ovipostos entre 13 01 e 03-02-1973, dois
não eclodiram e os demais eclodiram entre 29 e 35 dias, dando uma média de
32,55 dias.
Amostragem II — Neste lote houve oviposições em quase todos os ineses
do ano: 3 ovos de 15 a 31-03-74 com desenvolvimento entre 40 a 49 dias,’com
a média de 43,67 dias; 9 ovos de 02 a 27-04-74 com desenvolvimento de 42 a
51 dias e média de 46,56 dias; dois ovos de 11-05-74 com 42 dias de desenvol¬
vimento; dois ovos de 01 a 30-06-74 com desenvolvimento de 38 a 51 dias e
média de 44,05 dias; 20 ovos de 01 a 31-07-74 com desenvolvimento de 42 a
64 dias e média de 53 dias; 5 ovos de 07 a 26-09-74 com desenvolvimento de
56 a 60 dias e média de 58 dias; 3 ovos de 13 a 28-10-74 com desenvolvimento
de 42 a 48 dias e média de 45,33 dias; 3 ovos de 15 a 19-11-74 com desenvol¬
vimento de 42 a 44 dias com média de 43 dias; 2 ovos de 10 a 27-12-74 com
desenvolvimento de 37 a 40 dias e média de 38,5 dias e, finalmente, 1 ovo de
17-01-75 com desenvolvimento de 34 dias.
ESTÁDIO I
Amostragem I — Das 42 ninfas, apenas uma não completou o estádio,
morrendo após 49 dias, sem se alimentar, embora tentasse em todas as ocasiões
que lhe foi oferecido o alimento. As demais levaram de 25 (duas observações)
a 80 dias para completar o estádio, havendo predominância entre 41 a 60 dias
(25 casos) correspondendo a 60,98% da amostragem. A média foi de 45,8 dias.
O período anual predominante foi fevereiro e março de 1973
Quanto ao número de refeições, como dissemos no início, foi maior nesta
criação, mas quatro ninfas completaram o estádio com apenas uma refeição.
Foram ninfas de estádio I curto (31, 32, 39 e 40 dias). Duas ninfas com o
estádio mais curto (25 dias) tiveram dois e três repastos, sendo que o terceiro
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lenti Scherlock & Serafim, 1967 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, U7H8'.
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repasto desse exemplar não foi satisfatório, alimentando-se muito pouco. A ninfa
de estádio I mais longo (80 dias) fez também o maior número de repastos —
sete, sendo que alguns deles não foram satisfatórios.
A primeira refeição ocorreu do 5.“ ao 25.° dia de vida, embora se tenha
observado duas ninfas tentando fazê-lo no 2.“ dia de vida, mas ambas pouco se
alimentaram. Até o 10.° dia, 43,9% da amostragem já havia feito a primeira
refeição e 87,8% da amostragem fez o primeiro repasto antes do 20.-' dia de vida.
Amostragem II — Das 68 ninfas, 18 não completaram o estádio: uma
morrendo um dia após a eclosão; em 5 casos a morte ocorreu com menos de
20 dias de vida (duas com dois repastos e três sem se alimentar); em 4 casos
a morte ocorreu entre 21 e 40 dias (todos após algumas tentativas de repastos,
mas sem se alimentarem direito); em 7 casos a morte ocorreu de 41 aos 60 dias
(uma com um repasto, três com 2 repastos e três com 3 repastos), e, finalmente
houve duas mortes com 72 e 94 dias de vida respectivamente. A primeira, após
três repastos, presa ao fundo do frasco nas fezes ainda úmidas, e a outra após
5 tentativas de repastos.
As demais ninfas completaram o estádio entre 45 e 172 dias, predominando
51 a 70 dias (23 observações) dando 46% da amostragem. A média foi de
80,68 dias.
O menor número de refeições foi dois, observado em 4 ninfas com estádio
de 47 (duas observações), 55 e 66 dias. A ninfa de estádio mais curto (45 dias)
fez 5 refeições e a de estádio mais longo (172 dias) fez 10. O maior número
de repastos foi 11, referente a duas ninfas de 110 e 171 dias, sendo que esta
última ninfa, após o segundo repasto, não mais se alimentou em condições
suficientes.
Na amostragem II, praticamente tivemos ninfas no estádio I durante o ano
todo, mas houve uma maior incidência nos meses de julho a outubro de 1974.
ESTÁDIO II
Amostragem I — Das 41 ninfas deste lote, cinco não completaram o estádio:
uma morrendo com 16 dias e sem se alimentar. Esta ninfa já havia apresentado
problemas de deficiência na alimentação durante o estádio anterior, embora tenha
tido um estádio I curto (46 dias) com três refeições. O segundo óbito foi de
uma ninfa, após 25 dias da ecdise e uma refeição (o estádio I foi de 49 dias
e com duas refeições sem problemas). As outras mortes foram com 52, 68 e 72
dias de vida neste estádio e com 4, 5 e 4 refeições respectivamente. Destas três
ninfas, apenas a que viveu 68 dias apresentou problemas de alimentação.
Nas demais ninfas, o estádio II variou de 21 a 334 dias, sendo predomi¬
nante o intervalo de 31 a 50 dias (19 observações) dando uma percentagem de
52,78% da amostragem. A média foi de 67,39 dias.
O número de refeições neste estádio variou entre 1 e 32, predominando
duas a cinco. Três ninfas fizeram apenas uma refeição com estádio II de 21
(o estádio mais curto), 31 e 25 dias. Três ninfas tiveram um número exagerado
de refeições: uma ninfa com estádio II de 186 dias fez 12 refeições: uma ninfa
de estádio II de 288 dias fez 23 repastos muito deficientes e a ninfa de estádio
II mais longo (334 dias) fez 32 repastos, o que não é muito para o longo prazo
deste estádio.
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Amostragem II — Das 50 ninfas deste lote, nove não completaram o estádio:
2 ninfas sofreram acidente durante a ecdise II, ficando presas às exúvias, fato que
nos obrigou a sacrificá-las; outra ninfa morreu poucos dias após a ecdise sem se
alimentar; as demais mortes ocorreram com 47 dias e três refeições deficientes;
com 86 dias e 6 refeições deficientes; com 112, 117 e 126 dias e 9 refeições
(2 das ninfas com deficiência) e uma com 258 dias e 12 refeições deficientes
As ninfas restantes tiveram um estádio entre 34 e 266 dias, predominando
51 a 100 dias. A média foi de 102, 32 dias.
Quanto ao número de alimentações foi de 2 a 18, predominando 3 a 7
refeições. Duas ninfas fizeram dois repastos: uma com estádio II de 34 dias
(estádio mais curto) e outra com estádio de 43 dias. Apenas três ninfas fizeram
mais de 10 refeições: uma com 171 dias e 12 refeições (deficientes), outra com
190 dias e 13 refeições e a ninfa de estádio mais longo (266 dias) com 18 refei¬
ções (deficientes). Neste estádio observamos um caso de hematofagismo sobre
outro parceiro de frasco: uma ninfa após 79 dias neste estádio e de ter feito
seis repastos em coelho, aproveitou a ecdise de uma ninfa de T. vitticeps, parceira
de frasco, para sugá-la.
ESTÁDIO III
Amostragem I — Das 36 ninfas que entraram neste estádio, sete não o
completaram: duas sofreram acidentes durante a ecdise, ao entrar neste estádio;
uma com seis dias e sem repastos; três com 71, 73 e 75 dias e com respectiva¬
mente 6, 8 e 3 repastos, sendo que a ninfa de 75 dias fez três repastos deficientes.
Uma .ninfa morreu com 134 dias e após 13 repastos.
As 29 ninfas restantes tiveram um estádio de 46 a 237 dias, predominando
o intervalo de 81 a 120 dias. A média foi de 114,31 dias.
O número de refeições foi de dois a vinte, predominando de dois a dez.
Duas ninfas efetuaram dois repastos e tiveram estádios curtos de 66 e 71 dias.
A ninfa que fez 20 repastos teve um estádio de 237 dias (registro mais longo
para o estádio). A ninfa de estádio mais curto (46 dias) fez três repastos.
O período anual predominante foi de maio a setembro de 1973.
Amostragem II — Das 41 ninfas que entraram neste estádio, seis não o
completaram: duas logo após a ecdise, por acidente durante a muda — uma
delas já havia apresentado problemas na alimentação durante o estádio anterior
que teve uma duração de 171 dias (um dos mais longos), quando fez 18 repastos,
sendo o primeiro e o último deficientes. Outra ninfa, também por problemas
durante a ecdise, só viveu 16 dias e sem repastos. Dos três óbitos restantes: um
foi aos 114 dias e após 4 repastos, outra com 146 dias e 7 tentativas de repastos
e finalmente uma ninfa com 214 dias e 10 repastos, alguns deficientes.
As demais ninfas, em número de 34, tiveram um estádio com 45 a 343 dias,
com a média de 147,24 dias.
O número de repastos variou de três a vinte e cinco, predominando de três
a dez. Três ninfas fizeram três repastos e tiveram estádios de 45 dias (o mais
curto) e duas com 65 dias. A ninfa com 25 repastos, sendo dois deficientes, teve
o estádio mais longo (343 dias).
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lenti Scherlock & Serafim, 1967 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/4S:
165-174, 1983/84.
ESTÁDIO IV
Amostragem I — O índice de mortalidade foi bem grande neste estádio:
11 ninfas morreram, sendo que 10 com poucos dias de vida neste estádio.
Quatro ninfas sofreram acidentes durante a ecdise; outras quatro morreram com
4 a 19 dias, sem se alimentar; uma com 26 dias e um repasto deficiente; outra
com 104 dias, 12 repastos sendo três deficientes e o último óbito foi o de uma
ninfa com 209 dias neste estádio e 25 tentativas de repastos.
As 18 ninfas restantes tiveram um estádio IV entre 50 e 353 dias, com
média de 128,06 dias.
O número de repastos foi de quatro a 32, predominando de 4 a 9. Fez
quatro repastos uma ninfa com estádio de 89 dias e, 32 repastos (sendo os seis
primeiros deficientes) a ninfa com 353 dias (o estádio mais longo). A ninfa de
estádio mais curto (50 dias) fez 5 repastos.
Amostragem II — O índice de mortalidade também foi elevado. Das 35
ninfas, 11 morreram: 4 por acidente durante a ecdise e destes, apenas uma ninfa
havia apresentado problemas no estádio anterior que foi longo (262 dias) e com
18 repastos, alguns deficientes. Outra morte ocorreu com ninfa 38 dias e sem
repastos. Duas ninfas morreram com 57 dias, com uma e duas tentativas de
repastos. Outra ninfa morreu com 68 dias e 3 tentativas de repastos. A nona
morte ocorreu com ninfa com 112 dias de vida neste estádio e 7 tentativas de
repastos. A décima e décima primeira mortes ocorreram com ninfas com 234 e
249 dias neste estádio, após 17 e 16 repastos deficientes.
As demais ninfas tiveram um Estádio IV de 63 a 604 dias com média de
210,58 dias.
O número de repastos oscilou entre 3 e 37. Duas ninfas fizeram apenas
três repastos, com 66 e 74 dias de duração do estádio IV. A ninfa que fez
37 repastos teve um estádio de duração de 604 dias (o mais longo), embora
parte dos repastos tenha sido deficiente. A ninfa de estádio mais curto (63 dias)
fez 6 repastos.
Neste estádio observamos 3 casos de hematofagismo em ninfas parceiras de
frasco.
ESTÁDIO V
Amostragem I — Esta amostragem, já reduzida a 18 observações, sofreu
mais a perda de 8 ninfas durante este estádio. Duas mortes foram por acidentes
durante a ecdise, sendo que em uma das ninfas o estádio anterior já havia sido
longo (440 dias) e com 28 repastos (a maioria deficientes). Uma morte ocorreu
aos 49 dias, com 4 repastos, sendo dois deficientes; a quarta morte foi observada
em uma ninfa com 81 dias neste estádio e sete repastos deficientes; a quinta
morte foi de uma ninfa com 185 dias e após 15 repastos. Os três últimos óbitos
foram em ninfas com 429, 475 e 490 dias neste estádio e após 32, 42 (algumas
deficientes) e 35 refeições.
As 10 ninfas restantes tiveram este último estádio ninfal com 74 a 298 dias,
com média de 169,3 dias. O intervalo mais freqüente foi de 121 a 200 dias.
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lenti Scherlock & Serafim, 1967 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/48:
165-174, 1983/84.
O número de refeições foi de 7 a 23. Teve 7 repastos a ninfa com estádio V
de 74 dias (estádio mais curto) e 23 repastos a ninfa de estádio mais longo
(298 dias).
Amostragem II — Das 24 ninfas que entraram neste estádio, 10 não o
completaram: 3 por acidente durante a ecdise (uma teve o estádio IV entre os
mais longos, com 440 dias e 28 repastos, sendo que apenas os cinco últimos
foram relativamente normais); outra com estádio IV de 315 dias, 23 repastos,
alguns deficientes e a terceira ninfa com estádio IV curto (107 dias) e quatro
repastos normais. As outras mortes ocorreram com ninfas com 165 a 456 dias,
com muitos repastos, sendo alguns deficientes.
As 14 ninfas restantes fizeram este estádio num período de 144 a 609 dias,
com a média em torno de 337,62 dias.
O número de repastos variou de 8 (ninfa com o estádio de 144 dias) a
31 (ninfa com o estádio de 609 dias).
VIDA ADULTA
Amostragem I — As 10 ninfas que chegaram a fase adulta, resultaram em
4 fêmeas com vida adulta de 66 a 349 dias, com média de 230 dias, e, 6 machos
com vida adulta de 70 a 336 dias e com média de 221,17 dias.
O número de repastos foi, para as fêmeas, de 2 (para a fêmea de 66 dias) a
24 (para as fêmeas de 269 e 349 dias). Os machos fizeram de dois repastos
(sendo um deficiente) para uma vida adulta de 70 dias a 19 repastos (alguns
deficientes) para um macho de vida adulta de 336 dias.
Amostragem II — Das 14 ninfas que chegaram à fase adulta, cinco se torna¬
ram fêmeas e nove machos. As fêmeas tiveram essa fase com 6 a 419 dias, mas
como a ninfa de vida adulta de somente 6 dias havia sofrido uma queda durante
a ecdise, tornando-se defoimada, este dado não será considerado, então, a vida
adulta mínima foi de 126 dias e a média foi de 267,5 dias. Para os machos a
vida adulta oscilou entre 9 (também deformado por acidente na ecdise) a 429.
A média, tirada de oito observações foi de 199,71 dias.
O número de repastos oscilou entre 5 a 19 (este para a fêmea de. vida
adulta mais longa) e entre os machos oscilou entre uma a dez refeições. O macho
com vida mais longa (429 dias) fez apenas 6 repastos.
VIDA NINFAL
Amostragem I — A vida ninfal das 10 observações que completaram o
desenvolvimento variou de 329 (para um macho) a 796 dias (para uma fêmea).
A média foi de 473 dias.
Amostragem II — A vida ninfal das 14 observações que a completaram
variou de 518 (para um macho) a 1.357 (para uma fêmea), com média de
802,23 dias.
VIDA TOTAL
Amostragem I — A vida total (do ovo até morte do adulto) nos 10 espéci-
mens foi de 559 (para um macho) a 862 (para uma fêmea), com média de
697,7 dias.
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HEITZMANN-FONTENELLE, TJ. Bionomia comparativa de Triatomíneos. V — Triatoma
lenti Scherlock & Serafim, 1967 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, i7H8:
165-174, 1983/84.
Amostragem II — A vida total nas 13 observações foi de 620 dias (para
um macho) a 1.737 dias (para uma fêmea), a média foi de 987 dias.
ACASALAMENTOS
Dos 10 adultos obtidos na amostragem I (3 fêmeas e 7 machos) temos que
todas as fêmeas foram acasaladas, mas entre os machos, 4 não foram acasalados.
Os acasalamentos foram:
1. Fêmea com 236 dias de vida adulta foi acasalada aos poucos dias de
vida adulta com um macho (com um mês de vida adulta). Elaborou 37 ovos,
dando apenas duas ninfas.
2. Fêmea de 269 dias de vida adulta, foi acasalada aos quatro dias de
vida adulta com macho com dois dias de vida adulta. Elaborou 78 ovos, resul¬
tando 26 ninfas.
3. Fêmea com 349 dias de vida adulta foi acasalada aos 47 dias nesta
fase com macho com 56 dias de vida adulta. Produziu 99 ovos, alguns defor¬
mados, resultando 40 ninfas.
Essas 68 ninfas obtidas nos três acasalamentos formaram a amostragem II.
Um dos machos desta amostragem foi acasalado com uma fêmea de T. bra-
siliensis produzindo ninfas híbridas.
Dos 14 adultos obtidos na segunda amostragem, 5 foram fêmeas e 9 machos.
Das fêmeas, duas não foram acasaladas. Com uma fêmea foram feitas tentativas
de acasalamento com macho de T. brasiliensis, mas apesar de produzir 14 ovos,
não houve descendência.
A quarta fêmea foi acasalada com um macho de T. brasiliensis produzindo
20 ovos, resultando 17 ninfas. Esta mesma fêmea foi acasalada com um macho
da mesma espécie, produzindo 18 ovos viáveis.
A fêmea restante, com vida adulta de 145 dias, foi cruzada com um macho
híbrido de T. brasiliensis e T. lenti. Conviveram no mesmo frasco por 73 dias.
A fêmea elaborou 16 ovos, resultando apenas uma ninfa que pereceu com poucos
dias de vida.
Dos 9 machos, cinco não foram acasalados. Com um dos machos foi tentado
acasalamento com fêmea híbrida de T. brasiliensis e T. lenti, mas não houve
prole. Novo acasalamento foi tentado com esse macho e uma fêmea de T. brasi¬
liensis mas, quatro dias após, a fêmea morreu e o macho sobreviveu ainda 116
dias sem mais acasalamentos.
CONCLUSÕES
Esta espécie apresentou problemas de adaptação às nossas condições ambien¬
tais (Laboratório de Parasitologia do Instituto Butantan, SP) e como nas obser¬
vações sobre T. brasiliensis (Heitzmann-Fontenelle), os índices de mortalidade
foram altos, notadamente nos estádios IV e V quando de 61 observações no
estádio III, passamos para 42 no estádio IV e ficamos reduzidos a 21 obser¬
vações no estádio V.
Comparando-se o ciclo evolutivo desta espécie com o das espécies já estu¬
dadas (1, 2, 3 e 4) teremos o seguinte:
171
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. V — Triatoma
lenti Scherlock & Serafim, 1967 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/48:
165-174, 1983/84.
Duração do desenvolvimento embrionário (em dias)
minimo
maximo
média
Panstrongylus megistus
23
28
24,51
Triatoma sórdida
22
34
27,50
Triatoma vitticeps
30
43
34,59
Triatoma brasiliensis
32
68
40,40
Triatoma lenti
29
49
38,11
Duração do estádio I
(em dias)
mínimo
máximo
média
Panstrongylus megistus
26
119
58,05
Triatoma sórdida
31
232
71,49
Triatoma vitticeps
28
105
54,08
Triatoma brasiliensis
36
256
134,13
Triatoma lenti
25
172
63,88
Duração do estádio II
(em dias)
mínimo
máximo
média
Panstrongylus megistus
26
102
52,67
Triatoma sórdida
23
209
68,35
Triatoma vitticeps
32
243
64,76
Triatoma brasiliensis
22
175
59,15
Triatoma lenti
21
334
86,06
Duração do estádio III (em dias)
mínimo
máximo
média
Panstrongylus megistus
30
84
46,73
Triatoma sórdida
40
172
77,50
Triatoma vitticeps
39
184
64,50
Triatoma brasiliensis
29
612
98,64
Triatoma lenti
45
343
130,87
Duração do estádio IV (em dias)
mínimo
máximo
média
Panstrongylus megistus
24
90
53,78
Triatoma sórdida
45
342
101,19
Triatoma vitticeps
42
287
106,56
Triatoma brasiliensis
37
371
188,35
Triatoma lenti
50
604
175,21
172
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. V — Triatoma
lenti Scherlock & Serafim, 1967 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. htst. Butantan,
165-174, 1983/84.
Duração do estádio V (em dias)
mínimo
máximo
média
Panstrongylus megistus
43
377
111,41
Triatoma sórdida
42
1.112
167,33
Triatoma vitticeps
98
517
186,24
Triatoma brasiliensis
61
525
257,64
Triatoma lenti
74
609
264,43
Duração
da fase adulta (em dias)
mínimo
máximo
média
Panstrongylus megistus
31
370
117,81
Triatoma sórdida
56
955
307,97
Triatoma vitticeps
66
820
369,69
Triatoma brasiliensis
30
626
324,27
Triatoma lenti
54
429
214,32
Duração
da vida ninfal
(em dias)
mínimo
máximo
média
Panstrongylus megistus
119
346
323,43
Triatoma sórdida
306
1.408
489,90
Triatoma vitticeps
349
781
463,66
Triatoma brasiliensis
245
1.348
603,83
Triatoma lenti
329
1.357
659,09
Duração
da vida total
(em dias)
mínimo
máximo
média
Panstrongylus megistus
260
689
443,70
Triatoma sórdida
478
1.473
808,62
Triatoma vitticeps
523
1.316
833,55
Triatoma brasiliensis
310
1.896
930,83
Triatoma lenti
559
1.737
861,22
Pela tabela acima podemos ver que, embora as durações dos estádios variem
entre as diversas espécies, a duração da vida ninfal foi mais ou menos constante
entre as duas espécies de Triatoma mais aclimatadas (sórdida e vitticeps) e entre
as duas espécies com problemas de adaptação (brasiliensis e lenti) e diferem do
gênero Pansirongylus. Quanto a vida total podemos ver que todas as espécies de
Triatoma têm aproximadamente durações equivalentes.
ABSTRACT: Here we are studying the Triatoma lenti life cycle
and it are compared with those Triatominae species that have been
reared in some laboratory conditions.
KEYWORD: Triatoma lenti — evolutive cycle in laboratory.
173
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. V — Triatoma
lenti Scherlock & Serafim, 1967 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, Jt7/It8:
165-174, 1983/84.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
4.
5.
HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia Comparativa de Triatomíneos;
I — Panstronffylus megistus (Bum., 1835). (Hemiptera, Reduviidae).
Studia Ent, 79 (1-4) :201-210, 1976.
HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia Comparativa de Triatomíneos.
III — Triatoma sórdida (Stal, 1859),. (Hemiptera, Reduviidae). Studia
Ent., 20(1-4) :89-98, 1978.
HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia Comparativa de Triatomíneos.
IV — Triatoma vitticeps Stal, 1836. (Hemiptera, Reduviidae). Ecossistema,
5:39-46, 1980.
HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia Comparativa de Triatomíneos.
II — Triatoma brasiliensis Neiva, 1911. Mem. Inst. Butantan, i7H8:
157-164, 1983/84.
LENT, H. & WYGODZINSKY, P. Revision of Triatominae (Hemiptera,
Reduviidae) and their significance as vectors of Chagas’disease. Buli.
Amer. Must. Nat. Hist., 753(3) :123-520, 320 figs., 2 tabl., 1979.
Recebido e aceito para publicação em 15/06/1984.
174
cm
2 3
5 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
Mem. Inst. Butantan
i7/iS: 175-181, 1983/84
BIONOMIA COMPARATIVA DE TRIATOMÍNEOS.
VI — HÍBRIDOS DE TRIATOMA BRASILIENSIS NEIVA,
1911 X TRIATOMA LENTl, SCHERLOCK & SERAFIM, 1967
HEMIPTERA, REDUVIIDAE)* •*
Therezinha J. HEITZMANN-FONTENELLE
RESUMO: O ciclo evolutivo de híbridos resultantes do cruzamento
em laboratório, de Triatoma brasiliensis e Triatoma lenti, é estudado
desde sua fase embrionária até adulto, e os dados obtidos são compa¬
rados com os dos ciclos evolutivos das duas espécies que lhes deram
origem e também criadas em laboratório, com as mesmas condições
ambientais.
PALAVRA-CHAVE: Híbridos de Triatoma brasiliensis x Triatoma
lenti: ciclo evolutivo em laboratório.
INTRODUÇÃO
A obtenção de híbridos entre os triatomíneos, não é fato inédito, NEIVA ^
já menciona a possibilidade de cruzamento entre espécies diferentes. ABALOS
GALVÃO MAZZOTTI & OSORIO ®, “ referem a híbridos experimentais
mas de um miodo geral, é abordado principalmente, o aspecto morfológico dos
híbridos resultantes. Este aspecto será assunto de um próximo trabalho, e agora
irei considerar apenas a sua bionomia, comparando-a com as duas espécies
que lhe deram origem®, ■*.
MATERIAL E MÉTODO
No laboratório de Parasitologia do Instituto Butantan, a criação de triato¬
míneos é feita em pequenos borréis contendo de seis a dez espécimens diferen¬
ciáveis taxonomicamente ou pela fase evolutiva, para ser possível o acompa¬
nhamento individual dos seus ciclos de vida. Esse agrupamento se faz necessário
para um aproveitamento mais racional do tempo gasto nas alimentações, dado
a grande quantidade de observações simultâneas.
Durante o ano de 1973, criava, no laboratório, espécimens de T. brasilien¬
sis e T. lenti. Casualmente, num frasco de criação, onde já havia uma fêmea de
• Trabalho efetuado com auxílio do CNPq.
•* Seção de Parasitologia do Instituto Butantan.
175
cm
2 3
L.
5 6
11 12 13 14 15
HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. VI — Híbridos
de Triatoma brasiliensis Neiva, 1911 X Triatoma lenti, Scherlock & Serafim, 1967 (Hemip-
tera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/45:175-181, 1983/84.
T. brasiliensis, uma ninfa de T. lenti tornou-se um macho. O casal foi conser¬
vado junto e das posturas resultantes, eclodiram 118 ninfas híbridas. Ainda,
na mesma época, fiz outras tentativas de acasalamentos e obtive mais 18 ninfas,
mas sempre de fêmeas de T. brasiliensis. O acasalamento inverso, isto é, de
fêmea de T. lenti com macho de T. brasiliensis não deram descendentes.
Dois anos após, tentei novamente o cruzamento de fêmea de T. lenti com
macho de T. brasiliensis e obtive mais 17 ninfas híbridas.
Em virtude do ciclo evolutivo em laboratório ter apresentado variações,
vou analisar separadamente, os descendentes híbridos das fêmeas de T. brasi¬
liensis e de T. lenti.
DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO
Como os 153 ovos foram ovipostos em vários meses do ano, vou consi¬
derar as posturas mensais, pois o desenvolvimento embrionário é variável com
o período sazonal (verão-inverno).
No período de 13-02 a 24-02-1974 foram ovipostos pela fêmea brasiliensis,
23 ovos que desalagaram após 29 a 39 dias, com média de 32, 73 dias. A
fêmea lenti ovipôs entre 17-02 e 28-02-1976, 6 ovos com períodos embrioná¬
rios de- 39 a 49 dias e média de 42, 67 dias.
No período de 02-03 a 29-03-1974, obtive 29 ovos da fêmea de brasiliensis
que desalagaram após 34 a 53 dias dando a média de 45, 10 dias. A fêmea
de lenti, ovipôs entre 04-03 e 19-03-1976, 10 ovos com desenvolvimento embrio¬
nário de 44 a 66 dias, com média de 56, 70 dias.
No período entre 02-04 a 17-04-1974 obtive 4 ovos da fêmea de brasiliensis,
com períodos embrionários entre 45 e 49 dias e com média de 47 dias, além de um
ovo da fêmea de lenti com desenvolvimento embrionário de 78 dias.
No período de 01-05 a 27-05-1974, a fêmea de brasiliensis elaborou 28
ovos que tiveram um desenvolvimento embrionário entre 32 e 43 dias, com a
média de 40,04 dias.
No período de 01-06 a 29-06-1974 obtive 42 ovos da fêmea de brasiliensis,
com desenvolvimento embrionário de 40 a 50 dias e com média de 43,63 dias.
Em julho, foram ovipostos 9 ovos pela fêmea brasiliensis, com desenvolvi¬
mento embrionário de 46 a 61 dias e com média de 51,22 dias. Em agosto,
apenas um ovo da fêmea de brasiliensis, com um período embrionário de 60 dias.
ESTÁDIO I
Das 136 ninfas desalagadas entre 16-03 e 05-10-1974 e descendentes de
fêmea brasiliensis, 44 morreram antes de completar este estádio: 32 ninfas mor-
leram com menos de 20 dias de vida, sem se alimentar (a maioria) ou após
um repasto. Quatro morreram entre 21 e 30 dias de vida, sendo uma sem repas¬
to, duas com um repasto deficiente e uma com dois repastos. As outras mortes
foram com ninfas de 50 a 156 dias de vida e com repastos deficientes.
As 92 ninfas restantes tiveram um Estádio I entre 31 e 155 dias, sendo
que dos 31 aos 80 dias houve uma ocorrência de 45,65% (42 observações) e
176
cm
2 3
L.
5 6
11 12 13 14 15
HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. VI — Híbridos
de Triatoma brasiliensis Neiva, 1911 X Triatoma lenti, Scherlock & Serafim, 1967 (Hemip-
tera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan^ 47/.45:176-181, 1983/84.
dos 81 aos 120 houve uma ocorrência de 46,74% (43 observações). Acima
de 121 dias tive 7 observações (7,61%). A média foi de 80,66 dias.
O número de repastos variou de um a 11, prevalecendo de 3 a 7 repastos.
A ninfa de estádio mais curto (31 dias) fez apenas um repasto. Duas ninfas
fizeram 11 repastos: uma com estádio de 155 dias (o mais longo) e outra com
estádio de 137 dias.
A primeira refeição ocorreu entre o 5." e o 28." dias, sendo que 43,48%
da amostragem já havia feito seu primeiro repasto até o 10." dia e 88,04% da
amostragem, antes do 20." dia. Apenas uma ninfa fez o seu primeiro repasto
no quinto dia e teve um estádio de 37 dias e, também, apenas uma ninfa
fez o repasto no 28." dia, com um estádio de 106 dias. A ninfa de estádio
mais curto fez a primeira refeição aos 13 dias e a de estádio mais longo o
fez no sétimo.
Das ninfas eclodidas entre 30-03 e 19-06-1976, descendentes da fêmea
lenti, 10 morreram antes de completar o estádio, com 8 a 214 dias, sendo que
a ninfa que viveu apenas 8 dias, fazendo um repasto no 7.", morreu por aci¬
dente, presa ao papel suporte, nas fezes dos outros triatomíneos do frasco. Mais
duas ninfas morreram com menos de 30 dias, sem repastos; 5 morreram com
menos de 100 dias e após uma ou duas refeições. Duas mortes ocorreram com
115 e 214 dias, após 2 e 8 repastos, respectivamente.
As demais ninfas, em número de 7, tiveram um estádio entre 113 e 239
dias, com média de 195,33 dias.
O número de repastos nesta amostragem oscilou de 6 a 9. Fez 6 repastos
a ninfa de estádio mais curto (113 dias) e fizeram 9 repastos, duas ninfas com
200 e 205 dias. A ninfa de estádio mais longo (239 dias) fez 8 repastos.
A primeira refeição ocorreu entre o 13." (para a ninfa de estádio mais
curto) e 37." dia (para a ninfa de estádio mais longo).
ESTÁDIO II
Das 92 ninfas que entraram neste estádio entre 27-04-1974 e 04-01-1975,
27 ninfas não o completaram, morrendo com 3 a 369 dias neste estádio. As
mortes ocorreram: cinco com menos de 20 dias, sendo três por acidentes durante
a ecdise. Dos 21 aos 50 dias, houve 7 mortes: uma sem se alimentar e as
demais com dois a quatro repastos deficientes e duas delas tentaram o hema-
tofagismo em ninfas de tamanho maior, parceiras de frasco. Dos 51 aos 100
dias ocorreram 7 mortes após 2 a 5 repastos deficientes. Dos 101 aos 150 dias
ocorreram mais 7 mortes: uma sem repasto e as demais após 5 a 8 repastos
deficientes. A última morte ocorreu em ninfa com 369 dias neste estádio e 25
repastos deficientes.
As 65 ninfas restantes tiveram um Estádio II entre 54 e 213 dias, com
média de 111,50 dias.
O número de refeições variou entre 3 e 15, predominando de 5 a 10. Fize¬
ram 3 repastos, duas ninfas, com estádios de 63 e 72 dias e apenas uma ninfa
fez 15 repastos, sendo alguns deficientes, completando o estádio em 162 dias.
A ninfa de estádio mais curto (54 dias) fez 4 repastos e a ninfa de estádio
mais longo (213 dias) fez 13.
177
cm
2 3
L.
5 6
11 12 13 14 15
HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. VI -- Híbridos
de Triatoma brasiliensis Neiva, 1911 X Triatoma lenti, Scherlock & Serafim, 1967 (Hemip-
tera, Eeduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/48:175-181, 1983/84.
Nas sete ninfas do segundo lote de observações, o Estádio II, iniciado entre
22-07 e 02-12-1976, durou de 37 a 133 dias com média de 78,43 dias.
O número de repastos foi de 2 a 5. Duas ninfas fizeram 2 repastos, com
estádios de 37 (o mais curto) e 53 dias. Fez 5 repastos uma ninfa com estádio
de 133 dias (o mais longo).
ESTÁDIO III
Das 65 ninfas que iniciaram este estádio entre 08-07-1974 e 03-07-1975,
2*7 não 0 completaram, 10 por acidente durante a ecdise, sendo que uma ainda
viveu 4 dias; 9 morreram antes dos 100 dias e após um a sete repastos defi¬
cientes; 5 com 102 a 159 dias neste estádio e 6 a 14 repastos deficientes. Três
mortes ocorreram com 333, 423 e 436 dias e após 23, 31 e 33 repastos defi¬
cientes. Na ninfa que morreu com 423 dias, foi observado uma tentativa de
hematofagismo em ninfa de T. vitticeps.
As 38 ninfas restantes tiveram um Estádio III com durações de 31 a 452
dias, dando a média de 73,24 dias.
O número de repastos oscilou entre um (ninfa de estádio mais curto) e 30
(ninfa de estádio mais longo). Neste mesmo exemplar, foi observado, por duas
vezes, tentativas de hematofagismo. Em outra ninfa, com estádio de 273 dias,
também houve tentativa de hematofagismo em duas ocasiões.
As 7 ninfas descendentes da fêmea de lenti, tiveram um Estádio III, ini¬
ciado entre 02-12-1976 e 15-03-1977, com durações de 67 a 330 dias, dando
a média de 192,86 dias.
O número de repastos foi de 2 a 11. A ninfa de estádio mais curto fez 2
e a de estádio mais longo fez 11.
ESTÁDIO IV
Das 38 observações que entraram neste estádio, entre 22-10-1974 e 31-03-
1976, 15 morreram: 9 por acidentes durante a ecdise, sendo 8 com morte
imediata e uma após 39 dias. As mortes restantes ocorreram com 29 a 201
dias e após uma a oito refeições deficientes.
As 23 ninfas restantes tiveram um estádio IV com durações de 47 a 428
dias, com média de 203,61 dias.
Das 7 ninfas que entraram neste estádio entre 22-02 e 17-11-1977, uma
morreu aos 46 dias e após um repasto. As demais tiveram um estáido entre
206 e 386 dias, dando a média de 302,17 dias.
O número de repastos foi de 6 a 12, sendo 6 para a ninfa de estádio com
206 dias (o mais curto). Três ninfas fizeram 12 repastos: duas com 386 dias
(o mais longo) e outra com 362 dias.
ESTÁDIO V
Das 23 ninfas que entraram neste estádio entre 27-01-1975 e 28-01-1977,
seis não o completaram, morrendo: duas por acidente durante a ecdise; duas
178
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. VI — Híbridos
de Triatoma brasiliensis Neiva, 1911 X Triato7na lenti, Scherlock & Serafim, 1967 (Hemip-
tera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, ^7/^5:175-181, 1983/84.
com 107 e 115 dias e ambas após 7 repastos não-satisfatórios; uma com 352
dias no estádio e 13 repastos, sendo alguns deficientes e, o outro óbito foi
com uma ninfa com 722 dias no estádio e 41 repastos, havendo duas tenta¬
tivas de hematofagismo.
As 17 ninfas restantes tiveram um Estádio V de 76 a 610 dias, com
média de 327,12 dias.
O número de repastos foi de 4 (para a ninfa de estádio mais curto) a 41
(para a ninfa de estádio mais longo).
Das 6 ninfas que entraram neste estádio entre 03-11-1977 e 25-11-1978,
uma morreu com 1153 dias e após 27 repastos. As demais tiveram um Estádio
V de 104 a 748 dias, com média de 358,80 dias.
O número de repastos variou entre 3 e 17, sendo 3 para a ninfa de estádio
mais curto e 17 para a de estádio mais longo.
VIDA ADULTA
Apenas 17 ninfas chegaram à fase adulta, iniciada entre 16-10-1975 e
27-02-1978, resultando em 7 fêmeas e 10 machos. A vida adulta entre as fêmeas,
excetuando-se três delas que, por acidentes durante a ecdise, tiveram apenas
poucos dias de vida (4, 8 e 15 dias), foi de 110 a 604 dias, com média de
313,75 dias. A vida adulta dos machos foi de 62 a 453 dias, com média de
184,20 dias.
O número de repastos foi de dois (para o macho com fase adulta mais
curta) a 23 (para a fêmea de vida adulta mais longa). Foram observados alguns
casos de hematofagismo.
As 5 ninfas do segundo lote e que entraram na fase adulta entre 15-02-1978
a 11-12-1980, resultaram em três machos e duas fêmeas. A vida adulta dos
machos foi de 129 a 348 dias, dando a média de 216,33 dias. A vida adulta
das fêmeas foi de 70 e 123 dias, dando a média de 96,50 dias.
O número de repastos foi de 2 (para as duas fêmeas) e 4 a 12 para os
machos.
VIDA NINFAL
A vida ninfal das 17 ninfás que a completaram, durou de 502 dias
(01-06-1974 a 16-10-1975) em uma fêmea, a 1332 dias (26-06-1974 a 27-02-1978)
em um macho. A média foi de 866,65 dias, mas se considerarmos por sexo, a
vida ninfal dos machos foi de 833,20 e das fêmeas 913,86 dias.
O desenvolvimento evolutivo das 5 ninfas do segundo lote foi de 683
(03-04-1976 a 15-02-1978) para um macho e de 1715 dias (03-05-1976 a
12-12-1980) para uma fêmea. A média foi de 1087 dias, mas, por sexo, ela
foi de 805,67 para os machos e 1509 dias para as fêmeas.
O exemplar que morreu durante o Estádio V, com 1153 dias, teve uma
vida ninfal bem mais Içnga que a ninfa de maior vida ninfal: elá foi de 2115
dias (de 03-04-1976 a 17-01-1980).
179
1 SciELO
HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíncos. VI — Híbridos
de Triatoma braailiensis Neiva, 1911 X Triatoma lenti, Scherlock & Serafim, 1967 (Hemip-
tera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/48:175-181, 1983/84.
VIDA TOTAL
A vida total das 17 observações foi de 770 a 1554 dias para os machos,
com média de 1098,14 dias e de 612 a 1525 dias para as fêmeas, com média
de 1011,20 dias.
A vida total dos 5 espécimens, resultantes da fêmea de T. lenti foi de 855
a 1329 dias, para os machos, dando a média de 1022 dias, e 1431 e 1785 dias
para as fêmeas, dando a média de 1608 dias.
ACASALAMENTOS
Dos 10 machos híbridos obtidos a partir de fêmea brasiliensis, 6 não foram
acasalados e com os 4 restantes foram feitas tentativas de acasalamento com
fêmeas também híbridas, quer descendentes de fêmea brasiliensis ou lenti, sen¬
do que do acasalamento com uma fêmea híbrida descendente de fêmea brasi¬
liensis, resultou uma ninfa que durou apenas 9 dias
Das seis fêmeas híbridas deste lote, com duas não foram tentados acasa¬
lamentos, sendo que uma delas elaborou 29 óvulos. Das outras 5 fêmeas tive:
1 — Fêmea acasalada aos 10 dias de vida adulta com macho
híbrido em 21-12-1976, elaborou 6 ovos (entre 01-03 e 13-04-1977), sendo que
um eclodiu, após 35 dias de desenvolvimento embrionário, dando uma ninfa
muito pequena, que viveu apenas 9 dias. Em 01-07-1977, coabitou com outro
macho híbrido, elaborando mais 10 ovos não-viáveis.
2 — Fêmea acasalada com 6 dias de vida adulta com macho híbrido. A
fêmea viveu apenas 8 dias, não ovlpondo.
3 — Fêmea acasalada com 6 dias de vida adulta com macho de T. lenti,
elaborando 8 ovos não-viáveis. Com a mesma fêmea foi tentado outro acasala¬
mento com macho híbrido, mas ela morreu 29 dias após, sem ovipôr.
4 — Fêmea pouco deformada por acidente durante a ecdise, coabitou com
um macho híbrido, mas conviveu apenas 15 dias, não ovipôs.
5 — Fêmea com 425 dias de vida adulta, coabitou com macho de T. lenti,
não ovlpondo.
Dos 5 adultos obtidos do lote descendente de fêmea de T. lenti temos; um
macho não foi acasalado; um macho foi acasalado com uma fêmea de T. lenti,
e que apesar de eliminar o espermatóforo não deixou descendentes, e um macho
foi acasalados com uma fêmea híbrida, descendente de fêmea brasiliensis.
As duas fêmeas deste lote não foram acasaladas.
CONCLUSÕES
Os híbridos obtidos mostraram grande dificuldade de adaptação, haja vista
pela mortalidade alta durante as fases ninfais (85,62% da amostragem), pelo
grande número de acidentes durante as ecdises, pela grande quantidade de
alimentações deficientes e pelas mortes após estágios muito prolongados.
Quanto ao seu comportamento durante o ciclo evolutivo, embora fossem
perceptível certas diferenças de comportamento entre os resultados obtidos de
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HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. VI — Híbridos
de Triatoma brasiUensis Neiva, 1911 X Triatoma lenti, Seherlock & Serafim, 1967 (Hemip-
tera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, ^7/48:175-181, 1983/84.
descendentes de fêmea T. brasiUensis e de fêmea de T. lenti, os resultados finais
não as colocam próximas aos das espécies ascentes. Assim, a duração média para
a vida ninfal de T. brasiUensis foi de 603,83 dias, o que foi próxima da de
T. lenti que foi de 659,09 dias. Para os espécimes híbridos de fêmea brasi-
liensis a vida ninfal teve a duração média de 866,65 dias e para os híbridos
de fêmea de lenti a duração média de 1087 dias. A vida total foi: 861,22 dias
para T. lenti; 930,83 dias para T. brasiUensis; 1046,75 dias para os híbridos
descendentes de fêmea brasiUensis e de 1256 dias para os híbridos descendentes
de fêmea lenti. Portanto, o desenvolvimento evolutivo dos híbridos esteve acima
do das duas espécies que lhe deram origem.
ABSTRACTS: The life cycle of hybrids from T. brasiUensis x
T. lenti is here studied in laboratory conditions from oviposition
until death of adults and the results obtained in this paper is
compared with those of T. brasiUensis and T. lenti.
KEYWORDS: Hybrids of T. brasiUensis x T. lenti: Evolutive cycle
in laboratory.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ABALOS, W.J. Sobre hídridos naturales y experimentales de Triatoma. An.
Inst. Med. Reg. Tucumán, 2:209-223, figs. 1948.
2. GALVÃO, A.B. Diferenças fenotipicas externas 'entre hídridos interespecíficos
e suas respectivas espécies, vetoras da Doença de Chagas no Brasil (Triato-
minae, Reduviidae). Rev. Bras. Biol., 5S(l):45-54, 1958.
3. HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de triatomíneos. II
— Triatoma brasiUensis Neiva, 1911 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst.
Butantan, 47H8:\bl-\04,, 1983/84.
4. HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de triatomíneos. V
— Triatoma lenti Seherlock & Serafim, 1967 (Hemiptera, Reduviidae).
Mem. Inst. Butantan, 47/48:165-174, 1983/84.
5. MAZZOTTI, L. & OSORIO, M.T. Resultados obtenidos en cruzamientos con
espécies diferentes de Triatoma. Rev. Fac. Med. Bogotá, 70(2) :159-160,
1941.
6. MAZZOTTI, L. & OSORIO, M.T. Cruzamientos experimentales entre várias
espécies de Triatoma. Rev. Med. Méx., 22:215-222, figs. 1942.
7. NEIVA, A. Revisão do gênero Triatoma Lap. Rio de Janeiro, de Rodrigues et
Cie édit., 80 p., 1914.
Recebido e aceito para publicação em 15/06/1984.
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Mem. Inst. Butantan
^7/45:183-188, 1983/84
BIONOMIA COMPARATIVA DE TRIATOMÍNEOS.
VII — RHODNIUS NEGLECTUS LENT. 1954
(HEMIPTERA, REDUVIIDAE)
Therezinha J. HEITZMANN-FONTENELLE *
RESUMO: O ciclo evolutivo de Rhodnins negleetus Lent, 1954, é
estudado desde ovo até a morte dos adultos e os dados obtidos com¬
parados com os das espécies já estudadas em mesmas condições
laboratoriais.
PALAVRAS-CHAVE: Rhodnius negleetus Lent, 1954: ciclo evolu¬
tivo em laboratório.
INTRODUÇÃO
Pertencem ao gênero Rhodnius, barbeiros de pequeno porte, com desenhos
nos hemiélitros, que o fazem parecer a certos percevejos predadores, não vectores
da Doença de Chagas. Sua freqüência no Estado de São Paulo não é muito
grande e as espécies mais encontradas são prolixas e negleetus.
Costa e colaboradores (1, 2 e 3) estudaram bem a espécie negleetus, assunto
desta nota, no Laboratório da Universidade de Veterinária de Minas Gerais
(Belo Horizonte) e seus trabalhos tratam da evolução, jejuns, acasalamento e
fertilidade. O nosso trabalho é mais uma contribuição para o conhecimento
desta espécie em condições ambientais diferentes.
MATERIAL E MÉTODO
O material em estudo foi isolado de uma criação geral, existente no
Laboratório de Parasitologia do Instituto Butantan, desde 1972, que, por sua vez.
foi obtida de criação do Laboratório da Escola Nacional de Saúde Pública, RJ,
e gentilmente cedida pelo Prof. Dr. Samuel B. Pessoa. A localidade de origem
do material é desconhecida.
Dessa nossa criação geral, foram isolados 51 ovos ovipostos entre 30-10
e 4-12-1980 (dois em outubro, 41 em novembro e 8 em dezembro).
Esses ovos eram colocados em pequenas caixas plásticas com tampa e
forradas de papel-fjltro, anotando-se a data de postura e, as ninfas, à medida
* Seção de Parasitologia do Instituto Butantan.
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HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. VII — Rhodnius
neglectus Lent, 1954 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inat. Butantan, 47/45:183-188,
1983/84.
que iam eclodindo, eram postas em pequenos borréis de criação junto com ninfas
diferenciáveis, por espécies ou por estádios, para tornar possível as suas distin¬
ções. Cada ninfa era identificada por um número colado externamente no
frasco e seu desenvolvimento, bem como a freqüência da alimentação e outros
dados de interesse, eram devidamente anotados.
A alimentação era feita em orelha de coelho e por uma só pessoa, a fim
de se evitar influências por manuseios diferentes.
A observação da amostragem levou 3 anos e 4 meses (30-10-1980 a
7-2-1984).
DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO
Dos 51 ovos ovipostos entre 30-10 e 4-12-1980, o período embrionário
variou de 17 a 28 dias, sendo a maior incidência entre 19 e 25 dias (88,24%
da amostragem). A média foi de 21,8 dias.
ESTÁDIO I
Das 51 ninfas eclodidas entre 23-11 e 21-12-1980, nove morreram antes
de efetuar a primeira ecdise, entre 3 e 63 dias de vida e sem se alimentar; outra
ninfa, que fez sua única refeição aos 45 dias, morreu aos 49 dias.
As 41 ninfas restantes completaram o Estádio I entre 14 e 72 dias, tendo
25 observações (60,98% da amostragem) com este estádio entre 21 e 40 dias.
A média foi de 33,9 dias.
O período anual predominante deste estádio foi de novembro de 1980 a
janeiro de 1981.
O número de repastos foi de um a quatro, sendo que, das 41 observações,
25 fizeram apenas um. A ninfa de estádio mais curso (14 dias) fez um repasto
e a de estádio mais longo (72 dias) fez dois. A ninfa com o maior número de
refeições (quatro) teve um estádio de 54 dias.
A primeira refeição ocorreu a partir do 5.° dia (três observações, sendo
duas em ninfas com estádios de 14 dias e outra com estádio de 29 dias). Apenas
duas ninfas levaram 45 dias para fazer a sua primeira refeição: a que morreu
aos 49 dias e outra com estádio I de 63 dias e que fez, durante o estádio, duas
refeições. Quarenta por cento da amostragem já havia feito um repasto aos
lÓ dias de vida e 42% fez o seu primeiro repasto entre 11 e 20 dias.
O maior jejum inicial foi de 45 dias e, durante o estádio, o maior jejum
foi de 44 dias, entre o l.“ e 2.° repastos, num exemplar de estádio de 72 dias.
ESTÁDIO II
Das 41 ninfas que entraram neste estádio entre 15-12-1980 e 22-2-1981,
duas não o completaram: uma morrendo dois dias após a ecdise e a outra 28
dias após, tendo feito uma refeição aos 19 dias; ambas por acidentes no manuseio,
pois sendo ninfas pequenas e muito ativas, subindo rapidamente pelo suporte,
inadvertidamente foram esmagadas no tampo ao se fechar o frasco.
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neglectus Lent, 1954 (Ilemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 183-188,
1983/84.
Das 39 restantes, em duas não anotamos a ocorrência da ecdise II, mas
foram ninfas de estádio curto, pois a soma dos dois estádios (II e III) nos deu
50 e 69 dias, respectivamente. Para as demais, o estádio II durou de 19 a 127
dias, predominando a faixa dos 19 aos 50 dias. A média foi de 52,43 dias.
O período anual predominante foi de janeiro a fevereiro de 1981.
O número de repastos foi de um a quatro, predominando um (26 observa¬
ções no total de 37). Três ninfas com estádio de 19 dias (o mais curto) fizeram
apenas um repasto e a ninfa de estádio mais longo (127 dias) fez quatro.
ESTÁDIO III
Das 39 ninfas que iniciaram este estádio entre 26-1 e 12-5-1981, em
duas não anotamos as datas de ccdises e completaram, como já dito, os estádios
II+III em 50 e 69 dias. Duas outras não completaram o estádio, morrendo,
com 7 e 70 dias após a ecdise, por acidentes durante a muda.
As 35 ninfas restantes tiveram o estádio com durações de 22 a 230 dias,
predominando estádio de 31 a 60 dias. A média foi de 64,37 dias.
O período anual predominante foi de março a maio de 1981.
O número de repastos foi predominantemente de apenas um (26 observa¬
ções). Uma única ninfa fez quatro repastos e foi justamente a de estádio mais
longo (230 dias).
ESTÁDIO IV
As 37 ninfas que entraram neste estádio entre 17-2 e 2-10-1981, o comple¬
taram entre 33 e 265 dias, sendo pouco freqüentes estádios com menos de 50
dias (5 observações) ou acima de 160 dias (6 observações). A média geral foi
de 120,22 dias.
O período anual predominante foi de maio a agosto de 1981.
O número de repastos foi de um a cinco, predominando dois a três. A
ninfa de estádio mais curto (33 dias) fez um repasto e a de estádio mais longo'
(265 dias) fez três. O maior número de repastos (cinco) foi feito por três ninfas
de estádios com 157, 165 e 211 dias.
ESTÁDIO V
Das 37 ninfas que entraram neste estádio entre 27-3-1981 e 4-4-1982,
sete não o completaram: duas morrendo por acidentes durante a ecdise; uma
morrendo com 152 dias neste estádio e que após ficar sem se alimentar 47 dias
antes e 106 após a ecdise num total de 153 dias, fez um repasto bastante defi¬
ciente; outra morreu com 192 dias neste estádio e sem se alimentar (antes da
ecdise fizera um jejum de 58 dias, perfazendo 248 dias sem se alimentar); as
outras três mortes foram com 338, 399 e 449 dias e após 5 a 8 repastos. Em
todas as observações com vários repastos, sempre houve um ou mais deficientes,
com pouca ingestão de sangue.
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neglectus Lent, 1954 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Jnst. Butantan, 183-188,
1983/84.
Nas 30 ninfas restantes, o Estádio V levou de 34 a 463 dias. Houve apenas
quatro observações com menos de 100 dias (34, 79, 86 e 90 dias) e oito obser¬
vações acima de 200 dias: cinco entre 208 e 261 dias, uma com 313 dias e duas
acima de 400 dias (445 e 463 dias). A media foi de 175,87 dias.
O período anual predominante foi de julho de 1981 a julho de 1982.
O número de repastos foi de um (efetuado pela ninfa de estádio mais curto)
a dez (feito pela ninfa de estádio mais longo).
VIDA ADULTA
Dos 51 ovos selecionados, apenas 30 alcançaram a fase adulta dos quais
16 foram machos e 14 fêmeas.
O primeiro adulto surgiu em 30-09-1981 (um macho, após um período de
desenvolvimento de 288 dias) e o último foi uma fêmea em 2-12-1982 que
infelizmente sofreu acidente durante a última eedise.
A vida adulta variou de 40 a 791 dias: 5 com vida adulta inferior a 100
dias (4 machos e uma fêmea); duas com vida adulta entre 101 e 200 dias (um
macho e uma fêmea); quatro observações com vida adulta de até 300 dias
(machos); nove observações dos 301 a 400 dias (5 fêmeas e 4 machos); seis
entre 401 e 500 dias (quatro fêmeas e dois machos) e finalmeiite, as duas obser¬
vações de vida adulta mais longa, foram duas fêmeas com 692 e 791 dias.
Em relação ao sexo temos: para as fêmeas, a fase adulta foi de 62 a 791
dias, dando uma média de 366,5 dias e para os machos, tivemos durações de
40 a 454 dias, com média de 232,88 dias.
O número de repastos variou de um único (para os adultos com menos de
100 dias) a 22 (para a fêmea de vida adulta mais longa). Um macho que viveu
109 dias não fez nenhum repasto. Além disso, devemos mencionar que uma
grande parte dos adultos, pelo menos uma vez nesta fase, fez repastos exagerados,
ficando excessivamente gordos chegando, quando machos, a extroverter a
genitália.
VIDA NINFAL
Das 51 observações iniciais, 21 ninfas morreram durante o desenvolvimento
e destas, 10 ninfas morreram no estádio I; duas ninfas morreram no estádio II,
vítimas de acidentes no manuseio; duas ninfas morreram por acidente, durante
a Eedise II e 7 ninfas morreram no estádio V, sendo que duas por acidentes
durante a eedise IV.
As 30 ninfas que completaram o período ninfal o fizeram entre 23-11-1980
e 2-12-1982, tendo levado de 288 dias (um macho) a 728 dias (uma fêmea),
predominando as observações de 301 a 500 dias (22 observações).
Os machos tiveram vidas ninfais de 288 a 723 dias, com média de 449,25
dias, e as fêmeas tiveram vidas ninfais de 357 a 728 dias, com média de 455,93
dias.
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neglectus Lent, 1954 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/45:183-188,
1983/84.
VIDA TOTAL
A vida total (da eclosão à morte do adulto) oscilou entre 397 a 1.150 dias.
A maioria oscilou entre 601 a 850 dias (11 machos e 11 fêmeas).
O macho de menor vida total viveu 397 dias e de maior viveu 948 dias.
A fêmea de menor vida total viveu 602 dias e a de maior viveu 1.150 dias.
A média foi de 685,25 para os machos e de 822,5 para as fêmeas.
ACASALAMENTOS
Como já mencionamos, obtivemos 16 machos e 14 fêmeas. Das 14 fêmeas,
uma morreu logo após sofrer a última ecdise, devido a acidente durante a muda.
Três outras morreram antes de se acasalarem com 62, 130 e 308 dias de vida
adulta. A fêmea que viveu 62 dias elaborou um único óvulo aos 28 dias de
vida adulta. As 10 restantes foram acasaladas, mas três delas elaboraram óvulos
(36 óvulos no total).
Os acasalamentos foram efetuados tardiamente, quando as fêmeas já conta¬
vam entre 157 e 378 dias. Apenas uma fêmea foi acasalada com 11 dias, e
outra fêmea efetuou dois acasalamentos.
Quanto aos 16 machos: um morreu logo após a última ecdise por acidente.
Outros quatro não acasalaram, e foram os machos de vida curta (40 a 109 dias).
Os 11 restantes foram acasalados com idades de 36 a 454 dias.
A produção de ovos feita pelos 10 acasalamentos não foi grande. Apenas
441 ovos no total e o índice de viabilidade dos ovos também foi baixo — obti¬
vemos apenas 110 ninfas — 22,68%.
CONCLUSÕES
As nossas observações sobre Rhodnius neglectus nos mostraram ser uma
espécie de desenvolvimento rápido, tendo uma vida total entre um ano e um
mês a três anos e dois meses. Quanto ao número de alimentações também foi
bastante pequeno, principalmente na fase ninfal, sendo observado em uma ninfa
apenas sete repastos (um repasto em cada estádio até o III e dois repastos nos
estádios IV e V).
Comparando-se com as espécies já estudadas (4, 5, 6, 7 e 8) vemos
que Rhodnius neglectus teve o menor desenvolvimento embrionário (21,8 dias)
e o menor estádio I (33,9 dias). O estádio II foi de duração aproximada com
0 de Panstrongylus megistus (52,43 dias para neglectus e 52,67 dias para megis-
tus). O estádio III esteve acima da média de megistus (46,73) mas bem próximo
da de T. vitticeps (64,5 dias para esta e 64,37 dias para neglectus). O estádio
IV esteve acima de megistus, sórdida e vitticeps. O estádio V acima de megistus
(111,41 dias) e de sórdida (167,33 dias). A vida adulta, considerando apenas
a duração máxima, esteve abaixo de sórdida (955 dias) e vitticeps (820 dias).
ABSTRACTS: The life cycle of Rhodnius neglectus Lent, 1954, is
here studied in laboratory conditions, from oviposition until death
of adults. The results obtained is compared with those of the others
Triatominae reared in some laboratory conditions.
KEYWORDS: Rhodnius neglectus, Lent, 1954: evolutive cycle in
laboratory.
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HEITZMANN-FONTENELLE, T.J. Bionomia comparativa de Triatomíneos. VII — Rhodnius
neglectus Lent, 1954 (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 47/45:183-188,
1983/84.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. COSTA, H. M., COSTA, J. O. & FREITAS, M. G. Alguns aspectos da biologia
do Rhodnius neglectus Lent, 1954 (Hemiptera — Triatominae) em condições
de laboratório. II — Influência do acasalamento e da alimentação na ovipo-
sição e fertilidade dos ovos. Arq. Esc. Vet. Univ. Minas Gerais, 19:107-116,
1967.
2. COSTA, H. M., COSTA, J. O. & FREITAS, M. G. Alguns aspectos da biologia
do Rhodnius neglectus Lent, 1954 (Hemiptera — Triatominae) em condições
de laboratório. III — Resistência ao jejum. Arq. Esc. Vet. Univ. Minas
Gerais, 19:147, 1967.
3- FREITAS, M. G., COSTA, J. O. & COSTA, H. M. Alguns aspectos da biologia
do Rhodnius neglectus Lent, 1954 (Hemiptera — Triatominae) em condições
de laboratório. I — Evolução. Arq. Esc. Vet. Univ. Minas Gerais, 19:81-87,
1967.
4. HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de triatomíneos.
I — Panstrongylus megistus (Burm., 1835). (Hemiptera, Reduviidae). Studia
Ent, 19(1-4) :201-210, 1976.
5- HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de triatomíneos.
III — Triatoma sórdida (Stal, 1859). (Hemiptera, Reduviidae). Studia Ent.,
:90(l-4) :89-98, 1978.
6. HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de triatomíneos.
IV — Triatoma vitticeps Stal, 1835 (Hemiptera, Reduviidae). Ecossistema,
5:39-46, 1980.
7 • HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de triatomíneos.
II — Triatoma brasilie-nsis Neiva, 1911. (Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst.
Butantan, 47/45:157-164, 1983/84.
8- HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia comparativa de triatomíneos.
V — Triatoma lenti Scherlock & Serafim, 1967. (Hemiptera, Reduviidae).
Mem. Inst. Butantan, 47/45:165-174, 1983/84.
9. LIMA, J. D. & COSTA, H. M. Alguns aspectos da biologia de Rhodnius neglectus
Lent, 1954, Hemiptera, Triatominae, em condições de laboratório. V — Evo¬
lução em temperatura ambiente. Arq. Esc. Vet. Univ. Minas Gerais, 22'.
151-158, figs. 3, 1970.
Recebido e aceito para publicação em 15/06/1984.
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Mem. Inst. Butantan
189-194, 1983/84
NECROSE DE PONTA DE CAUDA EM
EUNECTES NOTAEUS COPE, 1862
(SERPENTES, BOIDAE, BOINAE)
Tatiana VEINERT *
Hélio Emerson BELLUOMINI **
Hideyo IIZUKA ***
José Daniel Luzes FEDULLO *
RESUMO: No presente trabalho os autores descrevem um caso de
necrose de ponta de cauda em sücuri amarela Eunectes notaeus,
produzido por Proteus e Alealigenes. Pelo antibiograma, verificou-se
que os germes eram sensíveis aos antibióticos: Kanamicina, Siso-
micina, Sulfazotrin e Novamin. Após a intervenção cirúrgica e
devida medicação, a serpente reagiu satisfatoriamente e o compor¬
tamento foi recuperado. O animal morreu onze meses após, por
causa diversa.
PALAVRAS-CHAVE: Necrose, Proteus mirabilis e Alealigenes
foecalis, Eunectes notaeus, Boidae.
INTRODUÇÃO
As serpentes apresentam com freqüência infecções produzidas por uma série
de microrganismos.
Na literatura são relatados alguns casos de infecções na cavidade bucal
produzidas por Proteus e Alealigenes sp. (Williams e col. *^).
Ledbetter e Kutscher ® também chegaram a resultados semelhantes, quando
pesquisaram a flora bacteriana do orofaringe e venenos de serpentes norte-
-americanas.
Parrish e col. também examinando a flora bacteriana de serpentes vene¬
nosas dos Estados Unidos, verificaram que o microrganismo mais comumente
encontrado era Proteus vulgaris, e Camin ® quando isolou Proteus hydrophillus
* Fundação Parque Zoológico de São Paulo.
*» FUNDACENTRO.
*** Instituto Butantan.
Endereço para correspondência: Tatiana Veinert — Rua Professor Francisco Maffei, n.° 469
— Interlagos — CEP 04787 —• São Paulo — SP.
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VEINERT, T., BELLUOMINI, H. E., IIZUKA, H. & FEDULLO, J. D. L. Necrose de ponta
de cauda em Eunectes notaeus Cope, 1862 (Serpentes, Boidae, Boinae). Mem. Inst.
Butantan, 189-194, 1983/84.
(Sanarelli) verificou ser esse agente etiológico o responsável pelo alto índice de
mortalidade de serpentes.
Moreno e col. ^ estudando a flora intestinal de anfíbios e répteis, registraram
a elevada predominância de espécies de enterobactérias do gênero Pioíeus.
Dissmann, Veinert e Belluomini (1969) assinalaram necrose de ponta de
cauda em Eunectes murhtus, causada por Klebsiella sp. (informação pessoal).
OBSERVAÇÃO
A Fundação Parque Zoológico de São Paulo recebeu um exemplar macho
adulto de Eunectes notaeus Cope, 1862 — Sucuri amarela (Serpentes, Boidae,
Boinae), procedente do Parque Municipal “Quinzinho de Barros”, de Sorocaba,
em 17-3-77. O referido animal pesava na ocasião 5.000 g e media 200 cm de
comprimento.
Após o período de quarentena, a serpente foi colocada em aquário junto
com outras sucuris da espécies Eunectes murinus rnurinus.
A adaptação do animal ao meio foi satisfatória e com a ocorrência de alguns
cruzamentos heterólogos (Veinert e Belluomini 1980”).
Apesar de a serpente alimentar-se normalmente, com isso ganhando 4000 g
de peso, o crescimento não ocorreu. Esse fato perdurou até que exame mais
acurado em l.°-7-80 evidenciou necrose de ponta de cauda, com exposição de
algumas vértebras. (Figs. 1 e 2)
A perda de tecido na porção distai, bem como o agravamento da lesão,
determinou a intervenção cirúrgica, em 10-7-80, que consistiu na amputação
da porção da cauda que apresentava o processo necrótico.
Na ocasião foi colhido material para isolamento de microrganismos. Enquan¬
to se aguardava o resultado do exame bacteriológico c o antibiograma, a serpente
submetida à intervenção cirúrgica foi medicada com Penicilina G sólida crista¬
lina *, um frasco em dias alternados, sete aplicações por via subcutânea.
Colheita de Material
Uma amostra de cerca de 5,0 g do tecido da cauda lesada foi triturada
até ficar reduzida a estado pastoso, em gral estéril. Em seguida, foi homogenei¬
zada e emulsionada em 5,0 ml de solução fisiológica, para exame bacterioscópico
e cultura
A semeadura do material foi feita, em duplicata, em volume de 0,1 ml em
meios básicos de cultura, tioglicolato, Tarozzi, ágar sangue e “cooked meat”,
incubados a 37°C. Uma parte do material foi aquecida a 80°C, durante quinze
minutos, para seleção de germes esporulados.
A leitura das placas foi feita após 24 e 48 horas. As que apresentavam
colônias perfeitamente isoladas foram escolhidas para seqüência de obtenção de
cultura pura e transferidas para tubos, os quais foram incubados a 37°C durante
48 horas.
* Climacilim pediátrico — Laboratório Climax.
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VEINERT, T., BELLUOMINI, H. E., IIZUKA, H. & FEDULLO, J. D. L. Necrose de ponta
de cauda em Eunectes notaeus Cope, 1862 (Serpentes, Boidae, Boinae). Mem. Inst.
Butantan, 47/48:189-194, 1983/84.
Os esfregaços corados pelo Gram possibilitaram a separação dos bacilos
Gram negativos aeróbios, de outros microrganismos. A triagem prévia de germes
Gram negativos aeróbios foi realizada empregando-se meios de cultura capazes
de fornecer identificação perfunctória *■
Para identificação bacteriológica foram empregados meios básicos, adicio¬
nando diferentes fontes de carbono e provas bioquímicas, através de ensaios de
rotina
As amostras isoladas no decorrer do trabalho foram mantidas em meio de
Lignières, à temperatura ambiente.
Determinação de sensibilidade aos antibióticos e quimioterápicos
Pelo método da difusão em ágar, de acordo com a técnica de Kirby-Bauer
segundo as observações constantes nos trabalhos de Rocha e col. ® fez-se o anti-
biograma. Nesta prova utilizaram-se discos impregnados de quimioterápicos
(DIFCO) e meio de Müller Hinton (DIFCO).
Os discos empregados tinham os seguintes antibacterianos: Penicilina G,
Estreptomicina, Tetraciclina, Eritromicina, Cloranfenicol, Novobiocina, Kanami-
cina, Colistina, Neomicina, Amoxicilina, Rifomicina, Polimicina B, Oleandomicina,
Sisomicina, Ácido nalidíxico, Cefalotina, Staficilin, Hetacilina, Ampicilina, Sulfa-
zotrin, Novamin e Fosfocina.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados dos exames bacteriológicos mostraram a presença de duas
espécies distintas de bacilos Gram negativos aeróbios, no foco necrótico amputado
da cauda de Eunectes notaeus: o Proteus mirabilis e o Alcaligenes foecalis.
Como se sabe, Proteus mirabilis é agente potencialmente infeccioso e patogênico,
acreditando-se ser o principal responsável pela lesão que ocasionou a necrose.
Apesar do Alcaligenes foecalis ser um germe estritamente aeróbio, também
considerado germe saprófito, no presente caso, a sua associação ao Proteus sp.
o qualifica como sendo invasor secundário da infecção necrótica observada em
Eunectes notaeus. Tendo em vista que este animal apresenta níveis metabólicos
diferentes e baixa temperatura corpórea, acreditamos que estas condições expli¬
cariam o estabelecimento desta infecção mista.
Confrontando-se os achados aqui relatados com os de outros autores, chama
atenção a alta freqüência com que são encontrados os microrganismos do gênero
Proteus. O resultado obtido nos testes de sensibilidade de microrganismos isola¬
dos aos antibióticos e quimioterápicos, encontra-se na Tabela 1. As provas revela¬
ram que as duas amostras isoladas foram sensíveis à Kanamicina, Sisomicina,
Sulfazotrin e Novamin; por outro lado, resistentes à Eritromicina, Amoxicilina,
Oleandomicina, Cefalotina e Staficilin, respectivamente.
Os resultados com os demais antibacterianos testados foram variáveis, tanto
em relação ao grau de sensibilidade, quanto às diferenças de comportamento
entre as duas espécies.
Após a intervenção cirúrgica ocorreu a cura do animal. Tendo em vista
que o músculo retrator do hemipênis tem sua inserção na cauda, a preocupação
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VEINERT, T., BELLUOMINI, H. E., IIZUKA, H. & FEDULLO, J. D. L. Necrose de ponta
de cauda em Eunectes notaeus Cope, 1802 fSerpentes, Boidae, Boinae). Mem. Inst.
Butantan, Í7/4S; 189-194, 1983/84.
era de haver prejuízo nos futuros cruzamentos. Não obstante, houve a primeira
cópula, após o período operatório, em 24-4-81 e a partir dessa data os
cruzamentos voltaram a se repetir normalmente. Nessa ocasião a serpente
ganhou 3.000 g de peso. Durante onze meses o local da operação manteve-se
cicatrizado, havendo recidiva em l.°-8-81. Apesar da medicação específica utili¬
zada, a morte ocorreu em 25-9-81.
Figr. 1 — Vista lateral de necrose de ponta de cauda com exposição de vértebras.
1
Fig. 2 — Vista ventral de necrose de ponta de cauda com exposição de vértebras.
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VEINERT, T., BELLUOMINI, H. E., IIZUKA, H. & PEDULLO, J. D. L. Necrose de ponta
de cauda em Eunectes notaeus Cope, 1862 (Serpentes, Boidae, Boinae). Mem. Inst.
Butantan, ÍZAS: 189-194, 1983/84.
TABELA 1
Comportamento de Proteus mirabilis e Alcaligenes sp. frente a quimioterápicos
Drogas
Proteus
mirabilis
Alcaligenes
sp
Drogas
Proteus
mirabilis
Alcaligenes
sp
Penicilina G
±
Polimixina B
Estreptomicina
i:
“+■
Oleandomicina
Tetraciclina
+
it
Sisomicina
+
-f
Eritromicina
Ácido nalidíxico
+
it
Cloranfenicol
+
Cefalotina
Novobiocina
Staficilin
_
Kanamicina
+
j-
Hetacilina
Colistina
_
Ampicilina
dl
Neomicina
d:
Sulfazotrin
+
+
Amoxicilina
Novamin
+
+
Nitrofurantoina
Fosfocina
Rifomicina
( —) = Resistente
(±) = Moderadamente sensível
(-)-) = Sensível
ABSTRACT: Incidence of necrosis at the tail’s extremity of
“anaconda” Eunectes notaeus has been described. The ínfection
was caused by Proteus and Alcaligenes. The antibiogram revealed
these microorganisms to be sensitive to the following antibiotics:
Kanamycin, Sisomycin, Sulfazotrine and Novamine. After surgical
intervention an adequate medieation was applied; the reaction was
satisfactory and the bchavior became normal. After a period of
eleven months a relapse caused the dcath of the animal.
KEYWORDS: Necrotic; Proteus mirabilis; Alcaligenes foecalis;
Eunectes notaeus; Boidae.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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193
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SciELO
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VEINERT, T., BELLUOMINI, H. E., IIZUKA, H. & FEDULLO. J. D.'L. Necrose de ponta
de cauda era Eunectes notaeus Cope, 1862 (Serpentes, Boidae, Boinae). Mem. Inst.
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Recebido para publicação era 15/06/1984 e aceito era 27/07/1984.
194
cm
2 3
5 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
Mem. Inst. Butantan
195-204, 1983/84
ESTUDO DA BIOLOGIA DE AMBLYOMMA ROTUNDATUM
(KOCH, 1844), EM INFESTAÇÕES EXPERIMENTAIS DE
BUFO MARINUS (L., 1758) SOB CONDIÇÕES VARIADAS
DE UMIDADE RELATIVA E DE TEMPERATURA DO AR
Maria Shirley Pizolato OBA * **
Teresinha T. Sato SCHUMAKER •*
RESUMO: Os autores reestudaram o ciclo evolutivo de Amblyomma
rotundatum e o obtiveram 188 dias no minimo e 275 dias no máxima,
trabalhando à temperatura e umidade ambientais e 135 dias no
mínimo e 250 dias no máximo à temperatura de 27°C e cerca de
80% de umidade relativa. Houve uma correlação positiva entre
o peso das fêmeas e o número de ovos postos, quando as condições
de temperatura e umidade foram favoráveis. A umidade constitui
um fator importante para a eclosão dos ovos. Utilizando como
hospedeiro Bufo marinus, A. rotundatum comportou-se como carra¬
pato de três hospedeiros.
PALAVRAS-CHAVE: Amblyomma rotundatum; Ixodidae, Biologia
de Ixodidae.
INTRODUÇÃO
A biologia de Amblyomma rotundatum Koch, 1844, carrapato comum no
Brasil como parasito de vertebrados de sangue frio, foi parcialmente estudada
por ROHR (1909), em exemplares identificados como A. goeldii Newman, 1899.
Nesse trabalho ROHR (1909) empregou 398 ninfas, obtendo somente fêmeas.
ARAGÃO (1912), após extensos estudos morfobiológicos sobre estes carra¬
patos, reconheceu-lhe a condiçcão partenogenctica, redescrevendo-os como Am¬
blyomma agamum n. sp.
A partenogenese foi confirmada por BRUMPT (1924) em experimento para
tal fim delineado observando, também, variações quanto ao número de hospe¬
deiros envolvidos no ciclo (dois ou três).
ROBINSON (1926), em sua monografia sobre o gênero Amblyomma, colo¬
cou A. agamum n. sp. como sinonímia de A. rotundatum, sumariando os dados
sobre biologia, levantados por ARAGÃO (1912).
* Professora Assistente Doutora do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências
Biomédicas da Universidade de São Paulo. Falecida.
** Professora Assistente do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Bio¬
médicas da Universidade de São Paulo.
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cm
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L.
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OBA, M. S. P. & SCHUMAKER, T. T. S. Estudo da biologia de Amtlyomnia rotundatum
(Koch, 1844), em infestações experimentais de Bufo marinus (L., 1758) sob condições
variadas de umidade relativa e de temperatura do ar. Mem. Inst. Bulantan,
195-204, 1983/84.
ARAGÃO (1936) corrigiu as anteriores confusões em torno da sistemática
deste ixodídeo, reconhecendo que a espécie referida eomo A. agamum n. sp. em
seus trabalhos, tratava-se na realidade de A, rotundatum, esclareceu ainda, ser
A. goeldii espécie parasita de vertebrados de sangue quente restrita ao norte do
Brasil. Resume os dados sobre biologia por ele obtidos em 1912, aerescentando
as características morfológicas diferenciais entre as espécies mencionadas sob
forma de chave de identificação.
Além do estudo do ciclo biológico da espécie em questão, o presente traba¬
lho tem como objetivos verificar a influência da temperatura e umidade relativa
do ar sobre a postura e a eclosão dos ovos, bem como uma possível correlação
entre peso da fêmea ingurgitada e número de ovos postos.
MATERIAL E MÉTODOS
Ninfas colhidas em Waglerophis merremii foram colocadas para se alimen¬
tar em sapo da espécie Bufo marinus. Após 13 dias o hospedeiro morreu. As
ninfas foram colocadas sobre outro hospedeiro da mesma espécie onde se refixa-
ram. Estes ixodídeos deram origem a 9 fêmeas que uma vez ingurgitadas, foram
pesadas e mantidas à temperatura e à umidade relativa ambientais, em frascos
de cultura individuais, até a eclosão de seus ovos. Acompanhou-se a evolução
dos indivíduos resultantes desses ovos, mantidos sob condições ambientais, tendo
sido registrados os tempos máximos e mínimos de fixação, pré-muda e pré-
-postura.
Com o objetivo de se verificar possíveis influências da temperatura (T) e
da umidade relativa do ar (U.R.) sobre período de pré-postura, período de pos¬
tura-incubação, número de ovos e porcentagens de eclosão, 19 fêmeas (Fo) colhi¬
das em Bothrops jararaca, após queda natural, foram pesadas e distribuídas ao
acaso em 3 grupos experimentais:
Grupo
1
2
3
N.° de fêmeas
6
7
6
Temp.
ambiental
27°C
27°C
U.R.
ambiental
cerca de 45%
cerca de 80%
Calcularam-se as médias aritméticas (Mo) e os desvios-padrões dos ovos
postos por fêmeas mantidas em cada uma das condições experimentais. Foram
também determinados os coeficientes de correlação de Pearson (r) entre os pesos
destas fêmeas ingurgitadas e o número de ovos postos. Fixou-se em 5% o nível
de rejeição da hipótese da nulidade.
Registraram-se dados individuais sobre período de pré-muda e de fixação
para todos estádios evolutivos de (Fi), indivíduos originários de (Fo), os quais
foram mantidos a 27°C e cerca de 80% U.R. do ar. Utilizou-se também B.
marinus como hospedeiro.
Com a finalidade de ampliar os estudos, especiâlmente aqueles referentes ao
coeficiente de correlação de Pearson (r), acompanhou-se a evolução de 20 fêmeas
Fi mantidas na condição experimental acima citada.
196
i SciELO
OBA, M. S. P. & SCHUMAKER, T. T. S. Estudo da biologia de Amblyomma rotundatum
(Koch, 1844), em infestações experimentais de Bufo marinus (L., 1758) sob condições
variadas de umidade relativa e de temperatura do ar. Mem. InH. Butantan, i7/i8-.
195-204, 1983/84.
Tendo como base os dados tanto para Fo quanto para Fi calculou-se a
amplitude do ciclo biológico dos exemplares mantidos a 27°C e cerca de 80%
de U.R. Estimou-se também a amplitude do ciclo biológico dos exemplares colhi¬
dos em W. merremii, mantidos sob condições ambientais. Os tempos de fixação
empregados foram os mesmos, para as duas situações (por ocorrer este fenômeno
sempre sob condições ambientais). Estabeleceu-se uma média de 4 dias para o
período de pré-fixação dos três estádios evolutivos.
Os dados sobre temperatura e umidade relativa do ar foram fornecidos
pelo Centro Tecnológico de Hidráulica (C.T.H.) do Departamento de Águas
e Energia Elétrica (D.A.E.E.) — Estação Hidrometeorológica da Cidade Uni¬
versitária de São Paulo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Sob as condições do presente trabalho A. rotundatum comportou-se inva¬
riavelmente como carrapato partenogenético, incluindo três hospedeiros em
seu ciclo biológico. Entretanto ARAGAO (1912) e BRUMPT (1924) observaram
que esta espécie pode se comportar tanto como carrapato de três, quanto de
dois hospedeiros. Os dados obtidos por esses autores revelaram que esta varia¬
ção não pode ser atribuída ao emprego de diferentes espécies de hospedeiros,
nem as características das populações de carrapatos ou mesmo às influências
dos fatores ambientais. Para BRUMPT (1924) o modo de evolução desta espé¬
cie ainda não está fixado: A. rotundatum pode estar sofrendo uma evolução
no sentido de reduzir o número de hospedeiro ou, ao contrário, aumentando
o número de hospedeiros em seu ciclo.
A literatura consultada registra com freqüência a morte dos hospedeiros,
tal como se observou neste experimento. ARAGÁO (1912) e BRUMPT (1924)
atribuíram este fato à inoculação de toxinas pela espécie ora estudada. Ainda
mais, BRUMPT (1924) interpretou o fenômeno da refixação das ninfas em
outro hospedeiro, observada também neste trabalho, como uma adaptação à
morte repentina do hospedeiro inicial, conseqüente à inoculação de tal toxina.
As médias mensais e anuais da Temperatura (°C) e da Umidade relativa
do ar (%) registradas no ano de 1979 estão contidas na Tabela 1.
As fêmeas originárias de ninfas recolhidas de W. merremii, sob condições
ambientais dos meses de fevereiro, março e abril, apresentaram posturas com
baixas porcentagens de eclosão variando entre 0,03 e 1,39%. Os períodos de
pré-postura e postura-incubação variaram respectivamente nos intervalos de 7 a
17 dias e 67 a 68 dias (Tabela 2).
As fêmeas Fo, colhidas em B. jararaca, mantidas sob condições ambientais
dos meses de abril, maio e junho, apresentaram período de pré-postura variando
entre 15 e 30 dias e não ocorreu eclosão dos ovos (Tabela 3), esperada para
os meses de maio e junho. Para aquelas Fo mantidas a 27°C e cerca de 45%
de U.R. registrou-sc um período de pré-postura entre 7 e 13 dias e porcenta¬
gens de eclosão entre 0,09 e 0,38% (Tabela 3). Fêmeas Fo mantidas a 27°C e
cerca de 80% de U.R. apresentaram período de pré-postura entre 3 e 13 dias,
período de postura-incubação entre 40 e 41 dias e porcentagens de eclosão
entre 35,48% e 72,46% (Tabela 3). As fêmeas Fi mantidas também a 27°C e
cerca de 80% de U.R. apresentaram a duração do período de pré-postura entre
197
1 SciELO
OBA, M. S. P. & SCHUMAKER, T. T. S. Estudo da biologia de Amblyomma rotundatum
(Koch, 1844 ), em infestações experimentais de Bufo marinus (L., 1768 ) sob condições
e de temperatura do ar. Mem, ínat. fjutantan, 47148:
variadas de umidade relativa
195 - 204 , 1983 / 84 .
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OBA, M. S. P. & SCHUMAKEE, T. T. S. Estudo da biologia de Amblyomma rotundatum
(Koch, 1844), em infestações experimentais de Bufo marinus (L., 1758) sob condições
variadas de umidade relativa e de temperatura do ar. Mem. Inst. Butantan, U7lUS-
195-204, 1983/84.
TABELA 4
A. rotundatum (Fj) segundo peso da fêmea ingurgitada, período de pré-postura,
período de postura-incubação e porcentagem de eclosão à temperatura de 27°C e
cerca de 80% de U.R., São Paulo, 1979
Condição
Peso da
Período de
Período de
Total
N.° de
% de
da
fêmea
pré-postura
postura-
OVOS
larvas
eclosão
cultura
(mg)
(dias)
-incubação
postos
(dias)
165
9
42
548
399
72,9
166
13
39
269
153
56,8
193
9
42
705
617
87,5
324
9
41
903
595
65,9
490
5
42
2.113
1.888
89,4
536
7
39
3.156
1.619
51,3
630
6
42
2.348
1.115
47,8
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662
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2.361
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3.866
1.651
2.961
52,3
76,5
818
5
47
3.040
2.552
83,9
873
8
42
3.831
3.334
87,0
888
3
42
4.723
3.985
84,3
933
3
41
5.021
4.338
86,3
1.060
6
42
4.913
3.510
71,4
1.068
6
42
5.870
4.914
83,7
1.113
4
48
6.233
5.651
90,6
1.152
5
40
5.535
4.202
75,9
Mo = 3272,75 ± 551,69
r* = 0,9756
201
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
OBA, M. S. P. & SCHUMAKER, T. T. S. Estudo da biologia de Amblyomma rotundatum
(Koch, 1844), em infestações experimentais de Bufo marinus (L., 1758) sob condições
variadas de umidade relativa e de temperatura do ar. Mem. Inst. Butanian, 47/48:
195-204, 1983/84.
TABELA 5
A. rotundatum (Fa) segundo estádio evolutivo, tempo de fixação, período de pré-muda
e freqüência.
à temperatura de 27°C e cerca de 80% de U.R.;
São Paulo, 1979
Estádio
Tempo de
Freqüência
Período de
Freqüência
evolutivo
fixação
pré-muda
(dias)
(dias)
27
2
11
2
28
1
12
12
29
3
13
12
W
30
2
14
17
>
31
6
15
14
34
15
16
3
<
35
11
17
36
5
18
37
9
19
1
38
7
Total
61
Total
61
18
1
10
1
25
3
14
3
26
2
15
4
27
1
16
3
32
2
17
2
Pm
33
3
18
2
12:
34
3
19
4
s
35
1
25
2
36
3
26
3
38
2
28
1
41
1
48
1
Total
25
Total
25
15
1
16
1
22
1
26
3
31
1
m
32
4
o
33
3
34
3
36
2
Q
37
1
<
39
5
40
1
41
3
42
1
43
1
44
4
Total
35
202
OBA, M. S. P. & SCHUMAKER, T. T. S. Estudo da biologia de Amhlyomma rotundatum
(Koch, 1844), em infestações experimentais de Bufo marinua (L., 1758) sob condições
variadas de umidade relativa e de temperatura do ar. Mem. Inat. Butantan, 47/4S:
195-204, 1983/84.
TABELA 6
Durações dos períodos do ciclo de vida de A. rotundatum à temperatura de 27°C e
cerca de 80% de U.R.; São Paulo, 1979
Condição T. e U.R. ambientes T = 27”C e U.R. = 80%
A. rotundatu
Estádio
Amplitude
m (dias)
Periodo
min.
máx.
min.
máx.
OVO
postura incubação
67
68
39
48
larva
prefixação
4
4
4
4
fixação
27
38
27
38
pré-muda
13
31
11
19
ninfa
prefixação
4
4
4
4
fixação
18
48
18
48
pré-muda
25
28
10
28
adulta
prefixação
4
4
4
4
pré-postura
15
43
15
44
fixação
8
17
3
13
TOTAL
188
275
135
250
CONCLUSÕES
1. Tal como ARAGÃO (1912) e BRUMPT (1924), verificou-se que em
A. rotundatum os exemplares com repasto incompleto tendem a refixar-se no
mesmo ou outro indivíduo da espécie hospedeira B. marinus.
2. Exemplares de A. rotundatum mantidos a 27°C tiveram os períodos de
pré-postura e postura-incubação reduzidos em relação aos espécimes mantidos
sob temperatura ambiente (T média = 19,5°C).
3. A umidade mostrou-se um fator importante para a eclosão dos ovos de
A. rotundatum.
4. Quando são favoráveis as condições de temperatura e de umidade rela¬
tiva há correlação positiva entre peso das fêmeas e número de ovos produzidos.
5. O tempo para um ciclo biológico de A. rotundatum foi de no mínimo
188 dias e de 275 no máximo para populações mantidas à temperatura e à umi¬
dade relativa ambientes. Variou entre 135 e 250 dias para os exemplares man¬
tidos a 27°C e cerca de 80% de U.R. Estes dados foram obtidos a partir de
exemplares não-submetidos a períodos de jejum o que poderia ampliar a duração
do ciclo.
203
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
OBA, M. S. P. & SCHUMAKER, T. T. S. Estudo da biologia de Amblyomma rotundatum
(Koch, 1844), em infestações experimentais de Bufo marinus (L., 1758) sob condições
variadas de umidade relativa e de temperatura do ar. Mem. Inst. Butantan,
195-204, 1983/84.
ABSTRACTS: The authors studied the life cycle o£ A. rotundatum
which took from 188 to 275 days to be completed, at ambient labo-
ratory temperature and relative air huinidity. On the other hand
when kept at constant temperature and air humidity-respectively
27°C and 80% — the length of the cycle went down to time limits
of 135 and 250 days. A positive correlation was found between the
initial weight of tick females and the number of eggs they produced
under favorable conditions of temperature and of air humidity.
Relative air humidity was a very relevant factor in egg embryo-
nations and eclosion. Bufo marinus proved to be a good host for
A. rotundatum, which behaved inquestionably as a “three host tick”.
KEYWORD: Amblyomma rotundatum. Ixodidae. Biology of
Ixodidae.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAGÃO, H. B. Contribuição para a sistemática e biologia dos ixodidas. Parteno-
genese em carrapatos. Amblyomma agamum n. sp. Memórias do Instituto
Oswaldo Cruz, 4(1):96-119, 1912.
ARAGÃO, H. B. Ixodidas brasileiros e de alguns países limítrofes. Memórias do
Instituto Oswaldo Cruz, 31 (4) :759-843, 1936.
BRUMPT, E. Particularités évolutives de VAmblyomma agamum. Annales de Para-
sitologie Humaine et Comparée, 2(2) :113-20, 3 figs., 1924.
ROBINSON, L. E. The genus Amblyomma. In: NUTTAL, G. H. F.; WARBUR-
TON, C.; ROBINSON, L. E. Ticks. A monograph the Ixodoidea. London,
Cambridge Univ. Press., 1926. v.4.
ROHR, C. J. Estudos sobre ixodidas do Brasil. Trabalhos do Instituto Oswaldo
Cruz. Rio de Janeiro, GOMES & IRMÃOS, 219p., 1909.
Recebido para piublicação em 29/06/1984 e aceito em 10/10/1984.
204
cm
2 3 4
5 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
Mem. Inst. Butantan
47/45:205-216, 1983/84
LISTA REMISSIVA DOS TRABALHOS PUBLICADOS NAS
MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN, 39-If6, 1975/82
ANATÔMIA PATOLÓGICA
817. BARTKEVITCH, M. A. C.; MÜLLER, H. & MARIGO, C. Importância da
constituição anatômica da ponta do ventrículo esquerdo na patologia dessa
região nas miocar^iopatias no Brasil. Mem. Inst. Butantan, 39 :207-215,
1975.
818. BELLUOMINI, H. E.; DINIZ, L. S. M. & SALIBA, A. M. Findings of
pathological anatomy in mammals from the “Fundação Parque Zoológico
de São Paulo” 1971. Mem. Inst. Butantan, 4i/-í5:133-152, 1980/81.
819. BELLUOMINI, H. E.; SALIBA, A. M. & ABE, A. S. Inquérito anátomo-
-patológico em serpentes dos gêneros Crotalus e Bothrops (Serpentes,
Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/.(l :123-128, 1976/77.
820. DENARO, L.; LANGLADA, F. G.; MACHADO, J. C.; ESTEVES, M. I.;
ABRÃO, A. & CAPPELANO, R. S. L. Blastic transformation and
cytogenetic studies of peripheral blood lymphocytes from lymphosarcomatus
patients, after stimulation by phytohemagglutinin. Mem. Inst. Butantan,
Í2/Í3:71-'I6, 1978/79.
821. DENARO, L.; MACHADO, J. L. & MARTINS, Y. R. Changes in chromosome
structure observed in patient with concomitant Hodgkin’s diseases and
measles. Mem. Inst. Butantan, 59:225-231, 1975.
822. DENARO-MACHADO, L.; MACHADO, J. C.; AMARAL, A. G.; ESTEVES,
M. I.; BIANCHI, A. & D’ANDREA, M. L. Absence of E — Rosette —
Positive cases in a series of 17 children with acute lymphoid leukemia
from São Paulo, Brasil. Mem. Inst. Butantan, 44/.Í5:119-126, 1980/81.
823. LANGLADA, F. G.; MORAES JR., R. L.; DENARO, L. & MACHADO, J. C.
Nota prévia; sobre a possibilidade de um acúmulo linfóide encontrado
em antro cloacal de serpentes, corresponder à Bursa de Fabricius das aves.
Mem. Inst. Butantan, 42/45:367-371, 1978/79.
824. MACHADO, J. C.; CARDOSO, J. L. C. & DONOSO, N. Lesões necrótico-
-degenerativas das glândulas sudoríparas como componente peculiar das
lesões cutâneas histopatológicas observadas em casos de loxoscelismo huma¬
no acidental. Mem. Inst. Butantan, 42/45:21-26, 1978/79.
825. MACHADO, J. C.; CARNEIRO, S. M. & VIANNA, S. R. Moléstia de Hodg-
kin; relato de caso com possível início neonatal. Mem. Inst. Butantan,
42/45:27-32, 1978/79.
A lista correspondente aos volumes 1-33 foi publicada no v. 34 e a lista referente aos
volumes 34-38, foi publicada no v. 39.
205
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
COMISSÃO EDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-46, 1975/82.
826. MACHADO, J. C. & DENARO, L. Relato e considerações sobre a presença
de células de Warthin — Finkeldey em paciente portador de moléstia de
Hodgkin em atividade. Mem. Inst. Butantan, 59:217-223, 1975.
827. MACHADO, J. C.; GASPARINI, A. L. C. & MACHADO, T. C. Neoformação
de linfonodos e aspectos morfológicos confundíveis com a assim chamada
degeneração gordurosa ou lipomatose dessas estruturas. Mem. Inst. Butan¬
tan, 44/45:127-131, 1980/81.
828. MACHADO, J. C. & GIANNOTTI P.°, O. Adenopatia angio-imunoblástica.
Apresentação de três casos. Mem. Inst. Butantan, 4-/45:65-70, 1978/79.
829. SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. & FURLA-
NETTO, R. S. Padronização da avaliação da atividade necrosante de
venenos botrópicos e da potência antinecrosante do antiveneno de B. Jara¬
raca. Mem. Inst. Butantan, 42/45:345-355, 1978/79.
ARACNÍDEOS E ARTRÓPODES
BIOLOGIA
EICKSTEDT, V. R. D. VON. Aranhas coletadas nas grutas calcárias de
Iporanga, São Paulo, Brasil. Mem. Inst. Butantan, 59:61-71, 1975.
PIMONT, R. P. & LUCAS, S. Estudo de série de recursos audiovisuais sobre
o tema: artrópodes peçonhentos. Mem. Inst. Butantan, 49/41:187-203,
1976/77.
ARACNÍDEOS E ARTRÓPODES
SISTEMÁTICA
832. CEKALOVIC, K. T. Estado actual de la coleccion arachnologica dei Museo
de Zoologia de la Universidad de Concepclón (M.Z.U.C.), parte scorpiones.
Mem. Inst. Butantan, 45:187-192, 1982.
830. EICKSTEDT, V. R. D. VON. Aranhas coletadas nas grutas calcárias de
Iporanga, São Paulo, Brasil. Mem. Inst. Butantan, 39 :61-71, 1975.
833. EICKSTEDT, V. R. D. VON. Aranhas do gênero Ctenus coletada na foz do
rio Culuene, Xingu; descrição de uma espécie nova e redescrição de Ctenus
ViZíasóoasí Mello-Leitão (Araneae; Ctenidae). Mem. Inst. Butantan, 44/45:
161-169, 1980/81.
834. EICKSTEDT, V. R. D. VON. Estudo sistemático de Pkoneutria nigriventer
(Keyserling, 1891) e Phoneutria keyserlingi (Pickard-Cambridge, 1897)
(Araneas; Labidognatha; Ctenidae). Mem. Inst. Butantan, 42/45:95-126,
1978/79.
835. EICKSTEDT, V. R. D. VON. Estudo sobre a sistemática de Ctenus taeniatus.
(Araneae; Labidognatha). Mem. Inst. Butantan, 40/41:211-219, 1976/77.
836. EICKSTEDT, V. R. D. VON. Redescrição dos tipos de Ctenus similis, Ctenus
minor (Araneae, Ctenidae). Mem. Inst. Butantan, 44/45:171-179, 1980/81.
837 ■ LIZASO, N. M. Ácaros ectoparasitas de serpentes. Descrição de Ophioptes
longipüis, sp. n. e Ophioptes brevipilis, sp. n. (Trombidiformes, Ophipti-
dae). Mem. Inst. Butantan, 44/45:377-381, 1980/81.
838. LIZASO, N. M. Ácaros pilícolas do Brasil (Acarina: Listrophoridae). Mem.
Inst. Butantan, 59:73-77, 1975.
206
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
COMISSÃO EDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-46, 1975/82.
839. LIZASO, N. M. Ácaros pilícolas do Brasil. II. Descrição de Prolistrophorus
inornatus. sp. n. (Acarina: Listrophoridae). Mem. Inst. Butantan, U0IU1\
205-210, 1976/77.
840. LIZASO, N. M. Um novo ácaro da família Heterozerconidae coletado sobre
serpentes brasileiras. Descrição de Heterozercon elegans. sp. n. (Acarina:
Mesostigmata). Mem. Inst. Butantan, 42/43:139-144, 1978/79.
841. LOURENÇO, W. R. Compléments à la description du scorpion brésilien Opis-
thacanthus cayaporurn Vellard, 1932. (Scorpiones; Scorpionidae). Mem.
Inst. Butantan, 44/45:425-438, 1980/81.
842. LOURENÇO, W. R. EICKSTEDT, V. R. D. VON. A propósito da indicação
de um neotipo para Tityus serrulatus Lutz e Melo, 1922. (Scorpiones,
Buthidae). Mem. Inst. Butantan, 44/45:181-190, 1980/81.
843. LUCAS, S. Descrição de gênero e espécie novos da subfamília Theraphosinae
(Araneae, Orthognatha, Theraphosidae). Mem. Inst. Buta7itan, 44/45:
157-160, 1980/81.
844. LUCAS, S. Sobre a distribuição geográfica dos gêneros da subfamília Thera¬
phosinae Thorell, 1870 no Brasil (Araneae, Theraphosidae). Mem. Inst.
Butantan, 45:339-352, 1982.
845. LUCAS, S. Sobre a posição sistemática de Trasyphoberus parvitarsis Simon,
1903. (Araneae, Theraphosidae). Mem. Inst. Butantan, 44/45:153-156,
1980/81.
846. LUCAS, S.; CIRELLI, A.; KNYSAK, I. & ZVEIBIL, L. Aracnídeos cole¬
tados no Piauí durante a realização do “Projeto Rondon XXII”. Mem.
Inst. Butantan, 42/43:127-138, 1978/79.
847. LUCAS, S. M.; CIRELLI, A.; KNYSAK, 1. & ZVEIBIL, L. F. Descrição
do macho de Acanthoscurria juruenicola Mello-Leitão, 1923 (Araneae —
Theraphosidae). Mem. Inst. Butantan, 42/45:151-158, 1978/79.
831. PIMONT, R. P. & LUCAS, S. Estudo de série de recursos audiovisuais sobre
o tema; artrópodes peçonhentos. Mem. Inst. Butantan, 40/41:187-203,
1976/77.
BIBLIOGRAFIA — TRABALHOS
848. AMARAL, A. DO. Afrânio do Amaral — Bibliografia de seus trabalhos.
Mem. Inst. Butantan, 59:11-25, 1975.
BIOGRAFIA
849.
850.
FALCÃO, E. C. Breve notícia sobre a vida científica de Afrânio do Amaral.
Mem. Inst. Butantan, 59:3-9, 1975.
SOERENSEN, B. A carreira científica da Dr.® Jandyra Planet do Amaral.
Mem. Inst. Butantan, i2/iS:l-7, 1978/79.
EDUCAÇÃO
831. PIMONT, R. P. & LUCAS, S. Estudo de série de recursos audiovisuais sobre
0 tema: artrópodes peçonhentos. Mem. Inst. Butantan, 40/41:187-203,
1976/77.
207
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
COMISSÃO KDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-48, 1975/82.
ENTOMOLOGIA MÉDICA
851. HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. Bionomia dos Triatomineos. O surgi¬
mento de adultos nas colônias dé Panstrongyltis megistus (Burm., 1835).
(Hemiptera, Reduviidae). Mem. Inst. Butantan, 44/-45:343-353, 1980/81.
852. MORAES, R. H. P. & TRAVASSOS FILHO, L. P. Contribuição para o
conhecimento das lagartas urticantes. I. Cerodirphia avenata araguensis.
Lemaire, 1971. (Lep. Attacidae). Mem. Inst. Butantan, 4Í/.45:367-376,
1980/81.
941. VEIGA, R. M. O.; BORBA, H. L.; TRAVASSOS F.o, L. P. & DOBBIN Jr.,
J. E. Contribuição para o conhecimento dos Triatominae — Hemiptera,
Reduviidae. I. Triatoma melanocephala Neiva & Pinto, 1923. Mem. Inst.
Butantan, 44/45:355-365, 1980/81.
ENVENENAMENTO ARACNÍDICO
824. MACHADO, J. C.; CARDOSO, J. L. C. & DONOSO, N. Lesões necrótico
degenerativas das glândulas sudoríparas como componente peculiar das
lesões cutâneas histopatológicas observadas em casos de loxoscelismo huma¬
no acidental. Mem. Inst. Butantan, 42/45:21-26, 1978/79.
853. MACHADO, J. C. & SILVEIRA FILHO, J. F. da. Indução de pancreatite
hemorrágica aguda no cão por veneno escorpiônico de T. Serrulatus. Mem.
Inst. Butantan, 1976/77.
854. . MARCHIORI, P. E.; SCAFF, M.; NÓBREGA, J. P. S.; ROSENBERG, S. &
ASSIS, J. L. Acute necrotic myelopatia after spider bite. Mem. Inst.
Butantan, 44/45:213-218, 1980/81.
855. TORRES, J. B. & CARLOTTO, P. R. Levantamento dos gêneros de ofídios e
espécies de aracnídeos causadores de acidentes na casuística do Centro de
Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul. (Período compreendido
entre 1977 a agosto de 1981). Mem. Inst. Butantan, 45:207-218, 1982.
856. VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; ÁVILA, S. C.
& ROLIM ROSA, R. Emprego de camundongos na titulação de venenos
e antivenenos escorpiônicos. Mem. Inst. Butantan, 44/45:299-306, 1980/81.
ENVENENAMENTO OFÍDICO
857. HAAD, J. S. Accidents humanos por las serpientes de los gêneros Bothrops
y Lachesis. Mem. Inst. Butantan, 44/45:403-423, 1980/81.
858. SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R.; ZELANTE, F.; BANCHER,
W. & PIOTO, H. M. Verificação da atividade tóxica de venenos crotálicos
e da capacidade neutralizante dos antivenenos específicos em camundongos.
Mem. Inst. Butantan, 44/45:271-279, 1980/81.
859. SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R.; ZELANTE, F. & GUIDOLIM,
R. Evidenciação em camundongos da soro-neutralização paraespecífica entre
venenos e antivenenos botrópicos. Mem. Inst. Butantan, 42/45:337-344,
1978/79.
860. SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R.; ZELANTE, F. & VIEIRA,
E. G. J. Perspectivas de padronização das titulações de venenos e anti¬
venenos elapidicos em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 44/45:289-297,
1980/81.
861. SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. & FURLA-
NETTO, R. S. Padronização da titulação da atividade tóxica de venenos
botrópicos, em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 42/45:311-323, 1978/79.
208
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
COMISSÃO EDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-40, 1975/82.
862. SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. & DE LOREN-
ZO, J. L. Possibilidade da determinação da toxicidade do veneno de
Lachesis muta-muta e da titulação do antiveneno específico, em camun¬
dongos. Mem. Inst. Butantan, 4Í/í5;281-288, 1980/81.
855. TORRES, J. B. & CARLOTTO, P. R. Levantamento dos gêneros de ofídios
e espécies de aracnídeos causadores de acidentes na casuística do Centro
de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul. (Período compreendido
entre 1977 a agosto de 1981). Mem. Inst. Butantan, .46:207-218, 1982.
863. VITAL BRAZIL, O.; FONTANA, M. D. & PELLEGRINI FILHO, A.
Physiopathologie et thérapeutique de Penvenomation expérimentale causée
por le venin de Micrurus frontalis. Mem. Inst. Butantan, UOlUl :221-240,
1976/77.
GENÉTICA
864. CARNEIRO, S. M. Observations on the germ cell ultrastructure of male diploid
and tetraploid Odontophrinus amcricanus (Amphibia: Anura). Mem. Inst.
Butantan, 59:135-148, 1975.
821. DENARO, L.; MACHADO, J. C. & MARTINS, Y. R. Changes in chromosome
structure observed in patient with concomitant Hodgkin’s disease and
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865. GARCIA RUIZ, I. R. & BEÇAK, W. G — and C — bands in human
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HISTÓRIA
866. BRYGOO, E. R. La découverte de la sórotherapie antivenimeuse em 1894.
Phisalix, Bertrand ou Calmette? Mem. Inst. Butantan, i6:59-77, 1982.
867. SOERENSEN, B. A erradicação da varíola no mundo. Mem. Inst. Butantan,
42/45:11-20, 1978/79.
IMUNOLOGIA
868. CALAZANS, S. C. & FURLANETTO, R. Aperfeiçoamento do processo de
hiperimunização antitetânica visando à obtenção de antitoxina de alta
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869. FURUTA, J. A.; LIBERMAN, C.; ROLIM ROSA, R.; OLIVEIRA, E. P. T.;
LEINZ, F. F. & IIZUKA, H. Relações entre o emprego de anatoxina
diftérica bruta e o teste de Schick em cavalos hiperimunizados. Mem.
Inst. Butantan, 44/45:335-341, 1980/81.
870. SOERENSEN, B.; YARID, M. J. F.; 7ASALZA NETO, L. & MACHADO, J. C.
Pseudotuberculose em camundongos. Isolamento de Corynebacterium Kiits-
cheri da cavidade oral e da pele de animais doentes e aparentemente sãos.
Mem. Inst. Butantan, 59:233-238, 1975.
IMUNOLOGIA
SOROS
871. BIASI, P. de; HYAKUTAKE, S.; BELLUOMINI, H. E. & SANTA ROSA,
C. A. Contribuição ao estudo epidemiológico das leptospiroses em serpentes
do Brasil: I — Levantamento sorológico em Bothrops pradoi Hoge, 1948.
(Viperidae: Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:173-180, 1976/77.
866. BRYGOO, E. R. La découverte de la sérotherapie antivenimeuse en 1894.
Phisalix, Bertrand ou Calmette? Mem. Inst. Butantan, 45:59-77, 1982.
209
cm
SciELO
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862.
867.
856.
210
SSÃO EDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-46, 1975/82.
HIGASHI, H. G.; IIZUKA, H.; OLIVEIRA, E. P. T. & SILVA, M. A. da.
Preparação do soro antibotulínico tipo B, pela hiperimunização de cavalos,
no Instituto Butantan. Mern. Inst. Butantan, 4è/iS:77-S5, 1978/79.
OLIVEIRA, E. P. T.; IIZUKA, H.; HIGASHI, H. G.; SILVA, M. A. &
ROLIM ROSA, R. Emp,rego simultâneo de antigenos botulínicos tipos A
e B, em um mesmo animal, para obtenção de antitoxina bivalente. Mem.
Inst. Butantan, 44/45:307-315, 1980/81.
ROLIM ROSA, R.; BELLUOMINI, H. E.; SILES VILLARROEL, M. &
IIZUKA, H. Efeitos sobre a toxicidade da mistura de venenos e a sobre-
vida de exemplares de Crotalus durissus lerrificus e Crotalus durissm
collüineatus, submetidos às extrações manual e elétrica. Mem. Inst. Butan¬
tan, 44/45:245-251, 1980/81.
ROLIM ROSA, R.; SILES VILLARROEL, M.; VIEIRA, E. G. J.; IIZUKA,
H. & NAVAS, J. Produção de soro antiaracnídeo polivalente mediante
inoculações simultâneas de venenos em um me.smo animal. Mem. Inst.
Butantan, 44/45:253-258, 1980/81.
ROLIM ROSA, R.; VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.; SIRACUSA,
Y. Q. & IIZUKA, H. Análise comparativa entre os diferentes esquemas
de hiperimunização empregados na produção de soros antiofídicos pelo
Instituto Butantan (1957-1979). Mem. Inst. Butantan, 44/45:259-270,
1980/81.
SILES VILLARROEL, M.; FURLANETTO, R. S.; ZELANTE, F. & ROLIM
ROSA, R. Contribuição ao estudo imunoquímico de venenos botrópicos.
III. Análise dos componentes antigênicos comuns através da dupla difusão
em gel de ágar. Mem. Inst. Butantan, UO/H :241-250, 1976/77.
SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R.; ZELANTE, F.; BANCHER,
W. & PIOTO, H. M. Verificação da atividade tóxica de venenos crotálicos
e da capacidade neutralizante dos antivenenos específicos em camundongos.
Mem. Inst. Butantan, 44/45:271-279, 1980/81.
SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R.; ZELANTE, F. & FURLA¬
NETTO, R. S. Padronização da avaliação da potência de antivenenos
botrópicos, em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 42/45:325-336, 1978/79.
SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R.; ZELANTE, F. & GUIDOLIM,
R. Evidenciação em camundongos da soroneutralização paraespecífica
entre venenos e antivenenos botrópicos. Mem. Inst. Butantan, 42/45:337-344,
1978/79.
SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R.; ZELANTE, F. & VIEIRA,
E. G. J. Perspectivas do padronização das titulações de venenos c anti¬
venenos elapídicos em camundongos. Mem. Inst. Butantan, 44/45:289-297,
SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. & FURLA¬
NETTO, R. S. Padronização da avaliação da atividade necrosante de
venenos botrópicos e da potência antinecrosante do antiveneno de B. Jara¬
raca. Mem. Inst. Butantan, 42/45:345-355, 1978/79.
SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. & DE LOREN-
ZO, J. L. Possibilidade da determinação da toxicidade do veneno de
Lachesis muta muta e da titulação do antiveneno específico, em camun¬
dongos. Mem. Inst. Butantan, 44/45:281-288, 1980/81.
SOERENSEN, B. A erradicação da varíola no mundo. Mem. Inst. Butantan,
42/45:11-20, 1978/79.
VIEIRA, E. G. J.; SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; ÁVILA, S. C.
& ROLIM ROSA, R. Emprego de camundongos na titulação de venenos
e antivenenos escorpiônicos. Mem. Inst. Butantan, 44/45:299-306, 1980/81.
872.
873.
874.
875.
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COMISSÃO EDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-46, 1975/82.
INSTITUTO BUTANTAN — HISTÓRIA
879. MACHADO, J. C. 1981. Ano do 80.^^ aniversário do Instituto Butantan.
Mem. Inst. Butantan, 4-4/45:3-10, 1980/81.
880. OLIVEIRA, J. L. Cronologia do Instituto Butantan (1888-1981) 1.® parte:
1888-1945. Mem. Inst. Butantan, 44/45:11-79, 1980/81.
INVERTEBRADOS MARINHOS BRASILEIROS
881. KELECOM, A. & CAVA, A. M. S. Studies of Brazilian marine invertebrates.
IX. Comparative study of Zoanthid sterols. I. The Genus Zoanthus. Mem.
Inst. Butantan, 44/45:451-462, 1980/81.
MAMÍFEROS
RESGATE DE FAUNA
882. BELLUOMINI, H. E. & AUTUORI, M. P. Methodology applied in the
elaboration of faunal savage in the region of “Agua Vermelha” hydro-
electric power plant. Centrais Energéticas de São Paulo — CE SP. Mem.
Inst. Butantan, 45:119-138, 1982.
883. BELLUOMINI, H. E.; CEMBRANELLI, E. L. & AUTUORI, M. P. Wildlife
rescue, capture of snakes and establishment of antiophidic stations in
flooded areas destined for Brazilian hydroelectric power plants. Mem. Inst.
Butantan, JtOUl :129-154, 1976/77.
MICROSCOPIA ELETRÔNICA
884. BRUNNER Jr., A.; COIRO, J. R. R.; MITSUTANI, C. Y.; SANTOS, M. A.
S. C. & MENEZES, H. Ultrastructural aspects of mature. Cyprinus
carpio erythrocytes. Mein. Inst. Butantan, 59:157-168, 1975.
885. COIRO, J. R. R. Comparative study on the structure of the elements of the
avian and mammalian erythrocytes series. Correlation with henioglobin
biosynthesis. Mem. Inst. Butantan, 59:169-206, 1975.
886. COIRO, J. R. R. & BRUNNER Jr., A. Chromatin extrusion niechanism in
avian erythrocytes (Gallus gallus) and its possible significanoe. Mem. Inst.
Butantan, 59:149-155, 1975.
OBITUÁRIO
887. HOMENAGEM, Linda Nahas. Mem. Inst. Butantan, 44/45:1-2, 1980/81.
888. MACHADO, J. C. Homenagem póstuma: Alphonse Richard Hoge (1912-1982).
Mem. Inst. Butantan, 46:1-12, 1982.
889. Mina Fichman. Mem. Inst. Butantan, 42143:9, 1978/79.
890. Mitsuko Akashi Hanashiro. Mem. Inst. Butantan, 45/45:10, 1978/79.
OFÍDIOS
BIOLOGIA
882. BELLUOMINI, H. E. & AUTUORI, M. P. Methodology applied in the
elaboration of faunal savage in the region of “Agua Vermelha” hydro¬
electric power plant. Centrais Energéticas de São Paulo — CESP. Mem.
Inst. Butantan, 46:119-138, 1982.
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SciELO
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COMISSÃO EDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-46, 1975/82.
891. BELLUOMINI, H. E.; BIASI, P. de; PUORTO, G. & BORELLI, V. Bicefalia
em Crotalus durissus terrificus (Laurenti). Serpentes, Viperidae, Crota-
linae. Mem. Inst. Butantan, iOili :117-12Í, 1976/77.
883. BELLUOMINI, H. E.; CEMBRANELLI, E. L. & AUTUORI, M. P. Wildlife
rescue, capture of snakes and establishment of antiophidic stations in
flooded areas destined for Brazilian hydroelectric power plants. Mem. Inst.
Butantan, . 40/.41 :129-154,^ 1976/77.
819. BELLUOMINI, H. E.; SALIBA, A. M. & ABE, A. S. Inquérito anátomo-
-patológico em serpentes dos gêneros Crotalus e Bothrops (Serpentes,
Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/-41:123-128, 1976/77.
892. BELLUOMINI, H. E.; VEINERT, T.; DISSMANN,^ F.; HOGE, A. R. &
PENHA, A. M. Notas biológicas a respeito do gênero Eunectes Wagler,
1830 “sucuris”. (Serpentes, Boinae). Mem. Inst. Butantan, 40 /.ÍJ :79-115,
1976/77.
893. CHISZAR, D.; SMITH, H. M. & HOGE, A. R. Post — strike trailing behavlor
in rattlesnakes. Mem. Inst. Butantan, 195-206, 1982.
894. FEDERSONI Jr., P. A. Casos teratogênicos em Bothrops atrox (Serpentes:
Viperidae: Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 42/.45:49-64, 1978/79.
895. FEDERSONI Jr., P. A. Criação e manutenção de serpentes da espécie
Bothrops atrox nascidas em cativeiro (Serpentes — Viperidae — Crota¬
linae). Mem. Inst. Butantan, Í^/J5:159-169, 1978/79.
896. HOGE, A. R. & FEDERSONI Jr., P. A. Observações sobre uma ninhada de
Bothrops atrox (Linnaeus, 1758) (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Mem.
Inst. Butantan, UOlUl :19-36, 1976/77.
897. HOGE, A. R.; LAPORTA, I. L. & ROMANO HOGE, S.A.R. Notes on
Sibynomorphus mikanii Schlegel, 1837. Mem. Inst. Butantan, Jí2/i3:
175-178, 1978/79.
898. LANCINI V., A. R. Serpientes de Venezuela. Distribución geográfica y
altitudinal de generos de serpientes en Venezuela. Mem. Inst. Butantan,
45:95-103, 1982.
874. ROLIM ROSA, R.; BELLUOMINI, H. E.; SILES VILLARROEL, M. &
IIZUKA, H. Efeitos sobre a toxicidade da mistura de venenos e a sobre-
vida de exemplares de Crotalus durissus terrificus e Crotalus durissus
collilineatus, submetidos às extrações manual e elétrica. Mem. Inst. Butan¬
tan, 44/45:245-251, 1980/81.
899. ROZE, J. A. New world coral snakes (Elapidae); a taxonomic and biological
summary. Mem. Inst. Butantan, 45:305-338, 1982.
900. VEINERT, T. & BELLUOMINI, H. E. Observações do comportamento e da
cópula heteróloga de sucuris em cativeiro — Eunectes murinus murinus
(Linnaeus) e Eunectes Notaeus Cope, 1862. Mem. Inst. Butantan, 44/45:
391-402, 1980/81.
OFÍDIOS
RESGATE DE FAUNA
882. BELLUOMINI, H. E. & AUTUORI, M. P. Methodology applied in the
elaboration of faunal savage in the region of “Agua Vermelha” hydro¬
electric power plant. Centrais Energéticas de São Paulo — CESP. Mem.
Inst. Butantan, 45:119-138, 1982.
883. BELLUOMINI, H. E.; CEMBRANELLI, E. L. & AUTUORI, M. P. Wildlife
rescue, capture of snakes and establishmet of antiophidic stations in
flooded areas destined for Brazilian hydroelectric power plants. Mem.
Inst. Butantan, j^O/H :129-154, 1976/77.
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cm
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COMISSÃO EDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-46, 1975/82.
OFÍDIOS
SISTEMÁTICA
901.
902,
903.
904.
905.
AMARAL, A. do. Complexidades nomenclaturais em Biologia. Gênero de
nomes genéricos terminados em OPS-Z.N. (S) 1572. Mem. Inst. Butantan,
5S:27-36, 1976.
BOLANOS, R. Serpientes venenosas de Centro America; distribuição, carac¬
terísticas y patrones cariológicos. Mem. Inst. Butantan, 4^:275-291, 1982.
BRYGOO, E. R. Animaux venimeux de Madagascar. Mem. Inst. Butantan,
4S:15-17, 1982.
BRYGOO, E. R. Les ophidiens de Madagascar. Mem. Inst. Butantan, Jt6 :
19-58, 1982.
CADLE, J. E. Problems and approaches in the interpretations of the evolu-
tionary history of venomous snakes. ilíern. Inst. Butantan, 46:255-274,
1982.
906. CEKALOVIC, K. T. Estado actual de la coleccion herpetologica dei Museo de
Zoologia de la Universidad de Concepción (M.Z.U.C.) en la parte serpentes.
Mem. Inst. Butantan, 46:183-186, 1982.
907. CORRÊA, A. A. S. & ARTIGAS, P. de T. Catadiscus rochai n.sp. (Trema-
toda; Paramphistomidae) parasito de Dromicus typhlus (L.) (Ophidia;
Colubridae). Mem. Inst. Butantayi, 42/45:145-149, 1978/79.
908. CUNHA, O. R. & NASCIMENTO, F. P. Ofídios da Amazônia. XV — As
espécies de Chironius da Amazônia oriental (Pará, Amapá e Maranhão).
(Ophidia: Colubridae). Mem. Inst. Butantan, 46:139-172, 1982.
895. FEDERSONI Jr., P. A. Criação e manutenção de serpentes da espécie
(Bothrops atrox) nascidas em cativeiro. (Serpentes — Viperidae — Cro-
talinae). Mem. Inst. Butantan, 42/45:159-169, 1978/79.
909. HARRIS Jr., H. S. & SIMONS, R. S. A new subspecies of Crotalus durissus
(Serpentes: Crotalidae) from the Rupununi Savana of southwestern Guya-
na. Mem. Inst. Butantan, UOUl :305-311, 1976/77.
910. HOGE, A. R.; BELLUOMINI, H. E. & FERNANDES, W. Variação do
número de placas ventrais de Bothrops jararaca em função dos climas
(Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 46/47:11-17, 1976/77.
911. HOGE, A. R.; CORDEIRO, C. L. & ROMANO, S. A. L. Posição taxonômica
de Lystrophis nattereri (Steindachner) (Serpentes, Colubridae): Mem.
Inst. Butantan, 55:37-60, 1975.
912. HOGE, A. R.; CORDEIRO, C. L. & ROMANO, S. A. R. W. D. L. Redes-
cription of Micrurus donosoi Hoge, Cordeiro et Romano. (Serpentes,
Elapinae). Mem. Inst. Butantan, 46/47:71-73, 1976/77.
896. HOGE, A. R. & FEDERSONI Jr., P. A. Observações sobre uma ninhada de
Bothrops atrox (Linnaeus, 1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae).
Mem. Inst. Butantan, 46/47:19-36, 1976/77.
897. HOGE, A. R.; LAPORTA, I. L. & ROMANO HOGE, S. A. R. Notes on
Sibynomorphus mikanii Schlegel, 1837. Mem. Inst. Butantan, 42/45:175-178,
1978/79.
913. HOGE, A. R. & ROMANO, S. A. R. W. L. Description of a new subsp. of
Oxyrhopus Wagler. (Serpentes, Colubridae). Mem. Inst. Butantan, UOlUl'.
55-62, 1976/77.
914. HOGE, A. R. & ROMANO, S. A. R. W. D. L. Lachesis muta rhombeata.
(Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 46/47:53-54,
1976/77.
915. HOGE, A. R. & ROMANO, S. A. L. A new subspecies of dipsas indica from
Brazil. (Serpentes, Colubridae, Dipsadinae). Mem. Inst. Butantan, 39:
51-60, 1975.
213
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916.
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928.
899.
929.
930.
931.
214
SSAO EDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-46, 1975/82.
HOGE, A. R. & ROMANO-HOGE, S. A. Notes on micro and ultrastructure
of “Oberhaustschen” in Viperoidea. Mem. Inst. Butantan, 44/45:81-118,
1980/81.
HOGE, A. R. & ROMANO-HOGE, S. A. R. W. L. Poisonous snakes of the
world. Part I. Check list of the pit — vipers (Viperoidea, Viperidae,
Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 42/45:179-310, 1978/79.
HOGE, A. R. & ROMANO, S. A. R. W. D. L. Redescription and range of
. Sordellina punctata. (Peters). (Serpentes, CoÍMÒrídae). Mem. Inst. Butan¬
tan, 40/4Í :63-70, 1976/77.
HOGE, A. R. & ROMANO-HOGE, S. A. R. W. L. Sinopse das serpentes
peçonhentas do Brasil. 2.ed. Mem. Inst. Butantan, 42/45:373-496, 1978/79.
HOGE, A. R.; ROMANO, S. A. R. W. D. L.; CORDEIRO, C. L. Contribuição
ao conhecimento das serpentes do Maranhão, Brasil. (Serpentes, Boidae,
Colubridae e Viperidae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:37-52, 1976/77.
HOGE, A. R.; ROMANO, S. A. R. W. L. & CORDEIRO, C. L. Posição
nomenclatural de Leimadophis poecilogyrus amazonicus Amaral. (Ser¬
pentes, Colubridae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:75-78, 1976/77.
HOGE, A. R.; RUSSO, C. R.; SANTOS, M. C. & FURTADO, M. F. D.
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Butantan, 42/45:87-94, 1978/79.
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KARDONG, K. V. The evolution the venom apparatus in snakes from
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as províncias limítrofes. Mem. Inst. Butantan, 46:173-182, 1982.
PÉREZ BRAVO, G. Segundo hallazgo de Helicops hogei Lancini, 1964 (Ser¬
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luroidea: Cosmocercidae) encontrada em ofídios. Mem. Inst. Butantan,
40/41:259-264, 1976/77.-
ARAÚJO, P. Um novo oxiurídes, Gynaecometra bahiensis n.gen., n.sp. (Nema¬
toda: Oxyuroidea: Oxyuridae), founded in lacertilian. Mem. Inst. Butan¬
tan, 40/41:251-257, 1976/77.
916.
917.
918.
919.
920.
921.
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898.
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931.
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COMISSÃO EDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-46, 1975/82.
932. ARAÚJO, P. & ARTIGAS, P. de T. Gyrinicola chabaudi n.sp. (Nematoda,
Pharyngodonidae), oxiurídeo encontrado em girinos. Mem. Inst. Butantan,
.44/45:383-390, 1980/81.
933. ARTIGAS, P. de T. & CAMPOS, M. S. de. Considerações sobre Plagiorchis
luehei Travassos, 1927 (= Microderma lühei Mehra, 1931). (Trematoda,
Plagiorchüdae), parasito de Hydrodynastes gigas Dum. et Brib. (Reptilia,
Colubridae). Mem. Inst. Butantan, hOtUl :265-279, 1976/77.
934. BIASI, P.; PESSÔA, S. B.; PUORTO, G. & FERNANDES, W. Nota sobre
formas evolutivas de trypanosoma de serpentes em meio de cultura. Mem.
Inst. Butantan, 55:85-101, 1975.
935. CORDEIRO, N. da S. Verificação do parasitismo do Polychrus acutirostris,
Spix, 1821 (Sauria: Iguanidae), novo hospedeiro natural do Plasmodium
(Carinamoeba) minasense Carini & Rudolph, 1912. Mem. Inst. Butantan,
iO/il :299-304, 1976/77.
907. CORRÊA, A. A. S. & ARTIGAS, P. de T. Catadiscus rochai n.sp. (Trematoda;
Paramphistomidae) parasito de Dromicus typhlus (L.) (Ophidia; Colu¬
bridae). Mem. Inst. Butantan, 42/45:145-149, 1978/79.
936. FERNANDES, M. P. M. & ARTIGAS, P. de T. Kalicephalus subulatvs Molin,
1861. (Nematoda, Diaphanocephalidae). Confirmação desta espécie; infor¬
mações sobre sua dispersão geográfica e enumeração de serpentes para¬
sitadas. Mem. Inst. Butantan, 55:103-121, 1975.
937. FERNANDES, M. P. M. & ARTIGAS, P. de T. Kalicephalus inermis Molin,
1861. (Nematoda; Diaphanocephalidae). Redescrição e confirmação desta
espécie; informações de natureza biológica e critica do grupo “inermis”
proposto por Schad. Mem. Inst. Butantan, JtOiUl :281-297, 1976/77.
938. PESSÔA, S. B. & BIASI, P. Sobre uma hemogregarina e um tripanosomo
de peixe de mar de São Paulo (Brasil). Mem. Inst. Butantan, 55:79-83,
1975.
939. REGO, A. A. Encontro de plerocercos de Trypanorhyncha (Cestoda) em ofídio
de rio da América do Sul. Mem. Inst. Butantan, 44/45:239-243, 1980/81.
940. REGO, A. A. Notas sobre alguns pentastomídeos de répteis. Mem. Inst. Butan¬
tan, 44/45:233-238, 1980/81.
927. REGO, A. A. Sobre a identificação das espécies de Porocephalus (Pentasto-
mida) que ocorrem em ofídios da América Tropical. Mem. Inst. Butantan,
44/45:219-231, 1980/81.
941. VEIGA, R. M. O.; BORBA, H. L.; TRAVASSOS F.Ç, L. P. & DOBBIN Jr.,
J. E. Contribuição para o conhecimento dos Triatominae — Hemiptera,
Reduviidae. I. — Triatoma melanocepkala Neiva & Pinto, 1923. Mem. Inst.
Butantan, 44/45:355-365, 1980/81.
PATOLOGIA
942.
854.
LANGLADA, F. G.; DENARO, L. & REIS, M. C. A. Contribuição à técnica
operatória de serpentes. VIII — Timectomia em serpentes. Mem. Inst.
Butantan, 42/45:363-365, 1978/79.
MARCHIORI, P. E.; SCAFF, M.; NÓBREGA, J. P. S.; R03ENBERG, S.
& ASSIS, J. L. Acute necrotic myelopatia after spider bite. Mem. Inst.
Butantan, 44/45:213-218, 1980/81.
QUÍMICA
943. FREITAS, J. C. Produtos naturais biologicamente ativos de animais marinhos.
Comunicação química e aspectos farmacológicos. Mem. Inst. Butantan,
44/45:191-211, 1980/81.
215
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
COMISSÃO EDITORIAL. Lista remissiva dos trabalhos publicados nas Memórias do Instituto
Butantan, 39-46, 1975/82.
944. LAVIE, D. The -withanoides as a model in plant genetics: chemistry, biosynthe-
sis and biologpcal activity. Mem. Inst. Butantan, 44/45:4.39-449, 1980/81.
946. LOPES, R. A.; COSTA, J. R. V.; CAMPOS, S, M. & CAMPOS, M. N. M.
Estudo histoquímico de proteínas naa glândulas veneníferas e acessória de
Bothrops Jararaca. (Ophidea, Viperidae). Mem. Inst. Butantan, Jt2lUS'.
41-48, 1978/79.
946. LOPES, R. A.; COSTA, J. R. V.; PETENUSCI, S. O.; FAVARETTO, A. L. V.
& CHAVES, P. H. F. Estudo morfológico e histoquímico das glândulas
salivares de Ampkisbaena alba (Amphisbaenidae, amphisbaenia). Mem.
Inst. Butantan, 42/45:33-39, 1978/79.
947. RABENHORST, E. & ZELNIK, R. As bases de Mannich de bidantoinas
terpênicas. 11. Mem. Inst. Butantan, 44/45:317-323, 1980/81.
948. ZELNIK, R.; M ATIDA, A. K. & PANIZZA, S. Chemistry of the Brazilian
Labiatae. The occurrence of ursolic acid in Peltodon radicans Pohl. Mem.
Inst. Butantan, 42/45:357-361, 1978/79.
VENENOS ARACNÍDICOS
949. NEWLANDS, G. Preliminary report on the medicai importance of Sicarius
(Araneae: Sicariidae) and the action of its venom. Mem. Inst. Butantan,
46:293-304, 1982.
VENENOS OFÍDICOS
950. BIASI, P. de; BELLUOMINI, H. E. & FERNANDES, W. Quantidades de
veneno obtidas na extração de serpentes Bothrops pradoi (Hoge, 1948).
Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:155-166,
1976/77.
951. BIASI, P. dej BELLUOMINI, H. E.; HOGE, A. R. & PUORTO, G. Uso do
gás carbônico na extração de veneno de serpentes. Mem. Inst. Butantan,
AO/il :167-172, 1976/77.
952. FEDERSONI Jr., P. A. Novo artefato para a extração de venenos de serpen¬
tes do gênero Micrurus Wagler. Mem. Inst. Butantan, 42/45:171-174,
1978/79.
953. ROLIM ROSA, R.; FURLANETTO, S. M. P.; SILES VILLARROEL, M. &
BANCHER, W. Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de
venenos botrópicos. IV. Possibilidade de determinação da DL50 do veneno
de Bothrops altematus. Mem. Inst. Butantan, 40/41:181-185, 1976/77.
877. SILES VILLARROEL, M.; FURLANETTO, R. S.; ZELANTE, F. & ROLIM
ROSA, R. Contribuição ao estudo imunoquímico de venenos botrópicos.
III. Análise dos componentes antigênicos comuns através da dupla difusão
em gel de ágar. Mem. Inst. Butantan, UOIUI :241-250, 1976/77.
829. SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F,; ROLIM ROSA, R. & FURLA¬
NETTO, R. S. Padronização da avaliação da atividade necrosante de
venenos botrópicos e da potência antinecrosante do antiveneno de B. Jara¬
raca. Mem. Inst. Butantan, 42/45:345-355, 1978/79.
Obs.: Os números das referências que aparecem repetidos indicam que esses trabalhos
aparecem em mais de um assunto.
216
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Mem. Inst. Butantan
47/45:217-218, 1983/84
ÍNDICE DE AUTOR/AUTHOR INDEX
ARTIGAS, P. T. : 61, 107
BELLUOMINI, H. E. : 189
BRAZIL, O. V. ; 13, 95
BUONONATO, M. A. : 121
CANTER, H. M. : 113
CARDOSO, J. L. : 127
CARVALHO, J. P. P. : 81
CICARELLI, R. M. B. : 27, 33, 45, 55
CORDEIRO, N. S. : 61, 107
CRIVELLARO, O. : 33
EICKSTEDT, V. R. D. von : 133
FEDULLO, I. D. L. : 189
FONTANA, M. D. : 13
GIÓIA, I. : 61
GUIDOLIN, R. ; 33
HEITZMANN-FONTENELLE, T. J. : 157, 165, 175, 183
HIGASHI, H. G. : 113
HOFLING, M. A. C. : 95
IIZUKA, H. : 113, 189
KNYSAK, I. : 5
LEMA, T. : 71
LIMA, R. S. : 61
LIZASO, N. M. : 143
LUCAS, S. : 3, 5, 55, 127
MALUCELLI, M. 1. C. : 81
MATIDA, A. K. : 139
MORAES, A. C. : 127
OBA, M. S. P. : 195
OLIVEIRA, E. P. T. : 113
217
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
ÍNDICE DE AUTOR/AUTHOR INDEX
RABENHORST, E. : 139
RIZZO, E. : 1
RODRIGUES-SIMIONI, L. ; 95
ROLIM ROSA, R. : 27, 113
SCHUMAKER, T. T. S. : 195
SILES VILLARROEL, M. : 27, 33, 45, 55
SILVA, M. V. : 121
VEINERT, T. : 189
ZELANTE, F. : 45
ZELNIK, R. : 139
ZVEIBIL, L. : 5
218
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Mem. Inst. Butantan
í7/4S:219-222, 1983/84
ÍNDICE DE ASSUNTOS
ÁCAROS
ectoparasitismo em serpentes : 143
Ácido ursólico, ocorrência
Citharexylum myrianthum i 139
Amblyomma rotundatum
ciclo evolutivo : 195
Antiveneno
aracnídico : 27, 45, 55
Apostolepis dimidiata
serpentes
nova combinação : 71
variação morfocefálica : 71
Apostolepis erythronota
serpentes
nova combinação : 71
variação morfocefálica : 71
Apostolepis ventrimaculata
serpentes
nova combinação : 71
variação morfocefálica : 71
Aranhas
antiveneno : 27, 45, 55
Loxosceles amazônica, acidente : 127
Loxosceles gaúcho
veneno : 33
Lycosa erythrognatha
veneno : 33
Phoneutria nigriventer
veneno : 33
219
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
ÍNDICE DE ASSUNTOS
Rachias (Araneae, Ctenizidae) : 5
sistemática : 5
Boa constrictor constrictor
biotério : 113
cativeiro : 113
estomatite : 113
Bücherl, W., homenagem ; 3
Citharexylum myrianthum
ácido ursólico, ocorrência : 139
Coqueluche
vacina : 81
Ectoparasitismo, serpentes : 143
Elapomojus dimidiatus
serpentes
nova combinação : 71
variação morfocefálica : 71
Escorpiões
sistemática : 133
Tityus stigmurus (Scorpiones, Buthidae) : 133
Eunectes notaeus
necrose : 189
Henneguya pisciforme : 61
Hyphessobrycon anisitsi \ 61
Klossnema repentina : 107
Loxosceles amazônica
acidente : 127
Loxosceles gaúcho
veneno : 33, 45
Loxoscelismo : 127
Lycosa erythrognatha
veneno : 33, 55
Micrurus corallinus
alterações ultra-estruturais na junção neuromuscular : 95
junção neuromuscular : 13
Mixosporídeo : 61
Necrose
Eunectes notaeus : 189
220
cm
2 3
L.
5 6
11 12 13 14 15
ÍNDICE DE ASSUNTOS
Passalídeos
nematóides : 107
Pertussis
vacina : 81
Philodryas olfersii
envenenamento : 121
Phoneutria nigriventer
veneno : 27, 33
Pimont, R. P., homenagem : 1
Rachias (Araneae, Ctenizidae) : 5
Rhodnius neglectus
ciclo evolutivo em laboratório : 183
Serpentes
Apostolepis dimidiata : 71
Apostolepis erythronota : 71
Apostolepis ventrimaculata : 71
Boa constrictor constrictor
biotério : 113
cativeiro : 113
estomatite : 113
coral, venenos : 95
Elapomojus dimidiatus : 71
Eunectes notaeus
necrose : 189
Micrurus corallinus
alterações ultra-estruturais na junção neuromuscular : 95
junção neuromuscular : 13
Philodryas olfersii, envenenamento : 121
Sistemática
aranhas
Rachias (Araneae, Ctenizidae) : 5
escorpiões
Tityus stigmurus (Scorpiones, Buthidae) : 133
Tityus stigmurus (Scorpiones, Buthidae) : 133
Triatoma brasiliensis
ciclo evolutivo em laboratório : 157, 175
Triatoma lenti
ciclo evolutivo em laboratório : 165, 175
221
cm
2 3
L.
5 6
11 12 13 14 15
ÍNDICE DE ASSUNTOS
Triatomíneos (Hemiptera, Reduviidae) : 157, 165, 175, 183
Vacina
Pertussis : 81
coqueluche : 81
Venenos
aranhas
Loxosceles gaúcho : 33, 45
Lycosa erythrognatha : 33, 55
Phoneutria nigriventer : 27, 33
serpentes
coral : 95
222
i SciELO
Mem. Inst. Butantan
í7/4S:223-226, 1983/84
SUBJECT INDEX
Acarid
ectoparasitism in snakes : 143
Amblyomma roíundatum
evolutionary cycle : 195
Antivenin
spider : 27, 45, 55
Apostolepis dimidiata
snakes
new combination : 71
morphocephalic variation : 71
Apostolepis erythronota
snakes
new combination : 71
morphocephalic variation : 71
Apostolepis ventrimaculata
snakes
new combination : 71
morphocephalic variation : 71
Boa constrictor constrictor
captivity : 113
stoma titis : 113
Bücherl, W., homage : 3
Citharexylum myrianthum
ursolic acid, occurrence : 139
Ectoparasitism, snakes : 143
Elapomojus dimidiatus
snakes
new combination : 71
morphocephalic variation : 71
223
cm
2 3
L.
5 6
11 12 13 14 15
SUBJECT INDEX
Eunectes notaeus
necrotic : 189
Henneguya pisciforme : 61
Hyphessobrycon anisitsi : 61
Klossnema repentina : 107
Loxosceles amazônica
accident : 127
Loxosceles gaúcho
venom : 33, 45
Loxoscelism : 127
Lycosa erythrognatha
venom : 33, 55
Micrurus corallinus
nerve terminal ultrastructure changes : 95
neuromuscular junction : 13
Myxosporea : 61
Necrotic
Eunectes notaeus : 189
Passalidae
nematoda : 107
Pertussis
vaccine : 81
Philodryas olfersii
poisoning : 121
Phoneutria nigriventer
venom : 27, 33
Pimont, R. P., homage : 1
Rachias (Araneae, Ctenizidae) : 5
Rhodnius neglectus
evolutive cycle in laboratory : 183
Scorpions
systematic : 133
Tityus stigmurus (Scorpiones, Buthidae) : 133
Snakes
Apostolepis dimidiata : 71
Apostolepis erythronota : 71
Apostolepis ventrimaculata : 71
Boa constrictor constrictor
224
cm
2 3
L.
5 6
11 12 13 14 15
SUBJECT INDEX
captivity :
stomatitis
coral, venoms
71
95
Elapomojus dimidiatus
Eunectes notaeus
necrotic : 189
Micrurus corallinus
nerve terminal ultrastructure changes
neuromuscular junction ; 13
Philodryas olfersii, poisoning : 121
Spiders
antivenin : 27, 45, 55
Loxosceles amazônica, accident : 127
Loxosceles gaúcho
venom : 33
Lycosa erythrognatha
venom : 33
Phoneutria nigriventer
venom : 33
Rachias (Araneae, Ctenizidae) : 5
systematic : 5
Systematic
scorpions
Tityus stigmurus (Scorpiones, Buthidae)
spiders
Rachias (Araneae, Ctenizidae) : 5
Tityus stigmurus (Scorpiones, Buthidae) : 133
Triatoma brasiliensis
evolutive cycle in laboratory : 157, 175
Triatoma lenti
evolutive cycle in laboratory : 165, 175
Triatomines (Hemiptera, Reduviidae) : 157, 165, 175, 183
Ursolic acid, occurrence
Citharexylum myrianthurn : 139
Vaccine
Pertussis : 81
Whooping cough : 81
133
225
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
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6
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SÃO PAULO - BRASIL
1986
SciELO