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ON HAS
REVISTA
DO
MUSEU PAULISTA
PUBLICADA
POR
H. von IHERING, Dr. med. et phil.
Director do Museu Paulista, socio honorario da Sociedade Anthropologica Italiana,
9 da Academia de Sciencias em Cordoba,
da Sociedade Geographica de Bremen, da Sociedade Anthropologica de Berlim,
da Academia de Sciencias de Philadelphia, da Sociedade dos Naturalistas
de Moscow, da Sociedade Entomologica
de Berlim, do Museu Ethnologico de Leipzig, da Sociedade Scientifica do Chile,
da Sociedade Senckenberg dos naturalistas de Frankfurt a. M.
e do Museu zoologico do Pará.
NACRE EEE:
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S. PAULO
Typ. A Vapor DE HENNIES IRMÃOS, RUA CAIXA D'ÁGUA, 1 C
1898
ST
nets
PERIODICOS RECEBIDOS EM PERMUTA PARA A BIBLIOTHECA
DO: MES EU:
America do Sul e Mexico.
BRAZIL.
Relatorio do Instituto Agronomico Campinas
Revista Trimensal do Instituto do Ceara Fortaleza
Boletim do Museu Paraense Pará
Revista Agricola do Rio Grande do Sul Pelotas
» do Museu Nacional Rio Janeiro
-Annaes da Bibliotheca Nacional »
Revista Pedagogica »
» Brasileira »
_A Lavoura »
Revista do Instituto Historico e Geographico S. Paulo
» Agricola | »
Boletim da Commissäo Geog. e Geologica »
Revista Medica »
ARGENTINA, CHILE etc.
Annales del Museo Nacional de B. Ayres Buenos Ayres
Communicaciones del Museo Nacional »
Revista Farmaceutica : »
Bolletin del Instituto Geografico Argentino »
Annales de la Sociedad Cientifica Argentina »
Bolletin de la Academia Nacional de Ciencias Cordoba
Revista del Museu de la Plata La Plata
Annales del Museu de la Plata »
Revista de la faculdad de Agronomia y Ve-
terinaria | »
er An
Bulletin of the Botanical Departement,
Jamaica Kingston mie
Bolletin del Instituto Geologico de Mexico Mexico oi
Memorias y Revistas de la Sociedad Cien-
tifica «Antonio Alzate» >
«La Natureza» orgão da Sociedad Mexicana Aa
Annales del Museo de Montevideo Montevideo
Actes de la Societé Scientifique du Chili Santiago
Revista Chilena de Historia Natural - Valparaiso
Bolletin del Museu de Historia Natural »
America do Norte.
Proceedings of the Boston Society of Na-
tural History Boston, Mass. —
Bulletin of the Museum of Comparative
Zoology at Harvard College Cambridge, »
Annual Report of the Curator of the Mu-
seum of Comparative Zoology » » -
Memoirs of the Museum of Comparative es
Zoology rae >
Publications of the Field Columbian Museum — Chicago, Ill.
Bulletin of the Chicago Academy of Sciences » » E
Journal of the Cincinnati Society of Natu- . à
ral History | Cincinnati, Ohio o
lowa Academy of Sciences Desmoines, Iowa oa
Annual Report of the Public Museum Milwaukee, Wis. a
Publications of the Geological and Natural a
History Survey of Canada Montreal, Canada EUR
Transactions of the New York Academy
of Sciences New-York, N. Y.
Bulletin of the American Museum of Na- : | ©
tural History » » S
Rapport Annuel de la Commission Geolo- j
gique du Canada Ottawa, Canadá e
Transactions of the Wagner Free Institute ar
of Sciences Philadelphia, Pa.
ayo Pine
Proceedings of the Academy of Natural
Sciences Philadelphia, Pa.
Proceedings of the American Philosophical
Society » »
Proceedings of the Indiana Academy of
He Sciences Indianapolis, Indiana
Proceedings of the Californian Academy of
Sciences San Francisco, Calif.
Annual Report of the Missouri Botanical
Garden St. Louis, Mo.
Transactions of the Kansas Academy of
Sciences Topeka, Kansas
Transactions of the Canadian Institute Toronto, Canada
Proceedings of the Canadian Institute » »
Bulletin of the Illinois State Laboratory of
Natural History Urbana, W.
Biennal Report of the Biological Experi-
ment Station » »
Smithsonian Report, U. S. National Mu-
seum Washington, D. C.
Proceedings of the Biological Society » »
Annual Report of the Bureau of Ethnology
by J. W. Powell » »
Annual Report of the Geological Survey
by J. W. Powell | » »
Report of the U. S. Commissioner of Fish
and Fisheries » »
Bulletin of the U. S. Department of Agri-
culture » »
Yearbook of the U.S. Department of Agri-
culture » »
Bulletin of the U. S. National Museum » »
Europa.
Bulletin de la Societé d'histoire Naturelle Autun
Boletin de la Real Academia de Ciencias
y Artes Barcellona
SE bu
Bergens Museums Aarbog KA So e a
Sitzungs-Berichte der Gesellschaft naturfor- HN
schender Freunde “Berlin.
Mittheilungen aus der Zoologischen Samm- a
lung des Museum fiir Naturkunde »
Sitzungs-Berichte der K. Akademie der
Wissenschaften >
Sitzungs-Berichte des | Naturhistorischen
Vereines Bonn —
Verhandlungen des Naturhistorischen Ver-
eines
Abhandlungen des Naturwissenschaftlichen
Vereines ; Bremen …
Mittheilungen der Kgl. Ungarischen Geolo- Aa) ie eae
gischen Anstalt “Budapest .
Jahresberichte der Kgl. (Gncaescieh fete
logischen Anstalt »
Memoires de la Societé Linnéenne de Nor-
mandie Caen
Bulletin de la Societé Linnéenne de Nor-
mandie ro
Archiv for Mathematik of NG REEL Christiania .
Bulletin International de l'Academie des
Sciences de Cracovie Cracovia
Mittheilungen aus dem Kgl. Zool. Museum x
“zu Dresden - Dresden
Publicationen des Kgl. Ethnologischen Mu-
seum zu Dresden »
Abhandlungen und Berichte des K. Zoolog.-
Anthropologischen Museum zu Dresden »
Memoires de la Academie des Sciences “jon
Berichte über die Senckenbergische Natur-
forschende Gesellschaft Frankfurt, a. M.
Abhandlungen der Senckenbergische Na-
turforschende Gesellschaft TRE,
Berichte der Naturforschenden Gesellschaft Freiburg, i. Br.
Annali del Museo Civico di Storia Naturale Genova
ANT
Berichte der Oberhessischen Gesellschaft
für Natur-und Heilkunde
Petermanns Geographische Mittheilungen
Mittheilungen des Naturwissenschaftlichen
Vereines fiir Neu-Vorpommern
Nova acta Academiae Caes. Leop. Carol.
Mittheilungen aus dem Naturhistorischen |
Museum in Hamburg
| Jahrbuch der Hamburgischen Wissenschaft-
lichen Anstalten .
Mittheilungen aus dem Roemer-Museum
Jenaische Zeitschrift fiir Naturwissenschaften
Abhandlungen u. Berichte des Vereines
fiir Naturkunde
Sitzungs-Berichte der Naturforschenden
Gesellschaft |
Journal of the Linnean Society
Proceedings of the Linnean Society
_ Denkschriften der K. Akademie d. Wissen-
schaften (math. phys. Klasse)
Annales du Musée d’Histoire Naturelle
Hlustrirte Zeitschrift für Entomologie
Mittheilungen aus der Zool. Station zu Neapel
_ Annaes de Sciencias Naturaes
Giessen
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Greifswald
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Muenchen
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Berichte des Naturwissenschaftlichen Vereines Fee
Mittheilungen aus dem Kôniglichen Natu-
ralien-Cabinet
Evkônyve. Jahresheft des Naturwissen-
schaftlichen Vereines
Novitates Zoologicae
Boletino dei Musei di Zoologia ed Anato-
mia Comparativa
Trabalhos do Laboratorio Zoologico
Verhandlungen der K. K. Zoolog. Botani-
schen Gesellschaft
Jahresbericht des Wienér Entomologischen
Vereines
Stuttgart
Trencsin
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Torino
Varsovia
Wien
Se Re,
Jahrbuch d. K. K. Geologischen Reichsanstalt
Verhandlungen der K. K. Geologischen
Reichsanstalt
Sitzungs-Berichte der K. Akademie der
Wissenschaften
Asia, Australia etc.
Proceedings of the Linnean Society of
New South Wales
Records of the Geological Survey of New
South Wales
Memoirs of the Geological Survey of New
South Wales
Records of the Australian Museum
Memoirs of the Australian Museum
Annual Report of the Trustees of the
Australian Museum
Annual Report of the Department of Mines
and Agriculture of New South Wales
Annotationes Zoologicae Japonicae :
The Zoological Magazine
Mittheilungen der Deutschen Gesellschaft
für Natur und Vélkerkunde Ostasiens
Transactions and Proceedings of the New
Zealand Institute '
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O Museu Paulista no anno de 1897
POR
H. VON IHERING
Foi esse anno de bom progresso, tanto para as col-
_ lecçôes expostas como para o trabalho scientifico. O Museu
foi visitado por 32.315 pessoas, luctando estas com grandes
difficuldades pela insufficiente communicação com a cidade.
Obstaculo serio que se oppõe ao crescimento das
collecções expostas ao publico é a falta de espaço. Sendo
o caracter do Museu o de um museu brazileiro, é bem
natural que, se faltar espaço, os typos dos outros conti-
nentes sejam retirados dos armarios para dar logar a
representantes da fauna indigena. Foi isso que aconteceu,
embora seja para lamentar. O rumo a seguir, nessas con-
dições, é completar as collecções expostas, substituir os
exemplares mal preparados por outros mais bonitos e
desenvolver as collecções de estudo, completamente sepa-
radas das outras expostas, occupando o andar terreo e
quartos do terceiro andar do edificio. E' por essa razão
impossivel formar-se idéa das collecções do Museu só pelo
estudo das collecções expostas. Talvez com o tempo seja
possivel construir uma aza atraz do monumento destinada
a receber as collecções de estudo, laboratorios, bibliotheca,
officinas etc. e applicar tambem o andar terreo para as
collecçôes expostas.
As collecções expostas ao publico enriqueceram bas-
tante durante o anno passado. Dou em seguida a lista
dos donativos, precisando entretanto mencionar aqui alguns
dos mais valiosos.
Em primeiro logar merece menção o esplendido pre-
sente que ao Museu fez o snr. Martinho Burchard, desta
capital, da artistica imitação do thesouro do Bosco Reale
em Pompei, actualmente exposto nas collecções do Louvre.
Esse thesouro de prata foi achado em 1895 perto de
Pompei, numa villa, em cujo celleiro foi encontrado o
esqueleto do dono da casa que o tinha guardado comsigo.
No mesmo local encontraram-se algumas moedas de ouro
Os vasos etc. representam o que de mais aperfeiçoado nesse.
genero a antiguidade nos transmittiu.
Outro donativo de grande interesse é o do snr. ca-
pitão-tenente José Carlos de Carvalho de um pedaço de
ferro meteorico achado perto do meteorito de Bendengó e
partes da massa de oxido de ferro que formou a crosta
desse immenso meteorito, actualmente exposto no Museu
Nacional do Rio de Janeiro e do qual o governo federal
deu ordem para offerecer um pedaço ao Museu Paulista,
ordem que talvez no anno corrente seja cumprida.
O snr. coronel José P. Strasburgo, de Itapetininga,
offereceu, por intermedio do snr. vice-presidente do Estado
Dr. Peixoto Gomide, uma linda chapa com o esqueleto
do Saurio extincto Mesosaurus tumidus Cope. Esse exem-
plar é provavelmente o mais perfeito e lindo que até hoje
toi achado e contem a cabeça que, por ser delgada e fragil,
poucas vezes é conservada. Duvido, entretanto, que tudo
pertença a uma especie só.
O snr. Dr. E. Gracffe, de Triest, offereceu ao Museu
uma collecção de animaes marinhos excellentemente con-.
servados; e o sr. Fr. Stearns, de Detroit, Mich., que como
membro da commissão commercial da America visitou
esta capital, nos enviou uma rica collecção de conchas
do Japão.
De um interésse especial é tambem o couro de um
Penguim Spheniscus magellanicus L., que foi encontrado
morto perto de Guarujá, na Ilha de Santo Amaro, e man-
dado ao Museu pelo snr. Guilherme de Mello, de Santos.
Esse exemplar, bem empalhado, está agora exposto nas
collecções do Museu como uma das suas raridades mais
singulares, visto como o apparecimento, embora occasional,
dessa ave maritima da Patagonia na costa de S. Paulo
até hoje foi desconhecido. Obtivemos, entretanto, já outro
exemplar caçado na costa da Ilha de S. Sebastião.
Por meio de compra foram adquiridos numerosos
objectos de grande interesse. Refere-se isso em primeiro
logar a collecção de animaes do Amazonas que foram
comprados ao snr. Carneiro. Leão, que algum tempo
expoz nessa capital um Museu amazonico, vendendo parte
“delle ao do Estado pelo preço de rs. 3:5008000. Entre
esses objectos merecem menção o bonito e grande peixe
Pirarucú e varios outros peixes todos empalhados, diver-
sos jacarés entre elles tres especies até então não
representadas nas collecções do Museu, o cagado do
Amazonas e diversos mammiferos e aves que faltavam ás
nossas collecções.
Vale a pena mencionar algumas das especies mais
interessantes dessa collecção. De jacarés do Amazonas estão
representadas :
Caiman niger Spix (Jacaré-açú) de 3,15 m.
Caiman sclerops Schneid. (Jacaré-tinga).
Caiman trigonatus Schneid. (Jacaré-corõa).
De chelonios vêm-se duas tartarugas, a verdadeira
(Podocnemis expansa Schweigg.) e a cabeçuda (Podocne-
mis tracaxa Spix) que o povo considera como o macho
da tartaruga.
Entre os peixes menciono o Pirarucú (Araima gigas
L.) e o bacú (Doras dorsalis Val.) representado por um
grande exemplar, como poucos existem nos diversos mu-
seus. Um grupo bonito do cameleão grande (Iguana tuber-
culata Laur.). Entre os mammiferos merecem mençäo Midas
ursula Hoffm., Cebus capucinus Erxl. var. flava, o zorriiho
alli chamado maritacaca (Conepatus chilensis Licht.), um
raposo Canis cancrivorus Desm. ou especie affim e o coati
vermelho. Novo para a collecçäo era o elegante gamba-
sinho (Didelphys lepida Thos.). A essa enumeraçäo de-
viam-se ajuntar numerosas especies de aves entre as quaes
menciono a cigana (Opisthocomus hoazin Steph.), o jaca-
mim (Psophia crepitans L.) e o papagaio acauã, (Derop-
typus accipitrinus Wagl.).
Do snr. E. Hollender compraram-se diversas antigui-
dades entre ellas um antigo armario de jacaranda, um
bahu de 1720 etc. e mais uma collecção completa das
medalhas militares da guerra do Paraguay.
Do snr. Rapozo, nesta capital, foram adquiridos diversos
objectos ethnographicos, como tacape, mocho, kurt e outros
utensilios dos indigenas do Brazil. j
Do Dr. F. Krantz em Bonn recebemos uma rica col-
lecção mineralogica e plantas fosseis dos terrenos carbo-
niferos; do snr. W. Schlueter em Halle objectos biologicos
referentes á classe dos insectos e modelos anatomicos
especialmente de preparações dos musculos do braço e
da perna. À mesma casa mandou-nos utensilios e reagentes
necessarios para a officina do preparador. Do Dr. Tempére
em Paris compramos uma collecçäo de preparações mi-
croscopicas; do snr. /. Rolle em Berlim conchas e ovos
de passaros.
Entre as collecções recebidas em permuta noto vespas
mandadas pelos museus de Paris e Dresde, conchas dos
snrs. Stearns, Mitchell, Dr. Lutz, Dr. Suter e dos museus
de Berlim e Montevideo, couros de passaros dos snrs.
Conde Berlepsch em Gertenbach, crustaceos cirrhipedios
do Museu de Berlim e conchas petrificadas do snr. Bonnet.
Não menos satisfactorio foi o accrescimo das collec-
ções feitas pelo pessoal do Museu e por diversos habeis
collecionadores que estão em constante corrospondencia com
1
este Museu, distinguindo-se entre elles os snrs. Valencio
Bueno em Piracicaba, Ricardo Krone em Iguape, José
Gibellini em São Sebastião, e os seguintes senhores que
são moradores do E. do Rio Grande do Sul: Chr. Enslen
em S. Lourenço, 4. Devantier em S. Lourenço, 4. Schwartz
em Novo Hamburgo e P. Mabilde em Porto Alegre.
Entende-se facilmente que desse modo este anno foi de
grande movimento e successo e assim se explica que além
dos objectos comprados nessa capital dos snrs. Hollender,
Carneiro Leão etc. entrassem no Museu durante o anno de
1897, 44 caixões vindos da Europa etc. e 54 contendo
collecções feitas pelo pessoal do Museu e pelos naturalistas
mencionados e relacionados com o Museu.
O preparador, snr. HH. Pinder, nessas condições teve
muito que fazer, ficando sempre em serviço de officina a
excepção de duas pequenas excursões a Tieté e Cubatão,
preparando para as collecções expostas 21 mammiferos,
77 aves, 10 peixes etc.; além disso forão preparados 61
couros de mammiferos e 80 de aves. Incluidos os objectos
comprados foram 37 mammiferos, 110 aves, IO jacarés,
cagados e lagartos, Io peixes e 7 crustaceos que entraram
de novo nas collecções expostas este anno. Além disso
“entraram para a collecção de estudos 77 vidros com
mammiferos, 27 com rãs, 15 com lagartos,53 com cobras,
30 com peixes, etc.
As partes das collecções que mais enriqueceram neste.
anno foram a secção ornithologica, como a de ovos e ninhos
ea das conchas. E’, porém, notavel que o progresso notado
se extenda a todas as secções.
O naturalista viajante Snr. Bicego fez no principio
do anno uma excursão a Itapetininga e seguiu no mez de
Março para a Republica Argentina de onde voltou em
Novembro. Essa expedição foi antes de tudo resolvida para
adquirir conchas marinhas e conchas terciarias e teve o
mais feliz exito. Especialmente de Paraná e de Santa Cruz,
na Patagonia, trouxe o mencionado collecionador grandes
e ricas collecções de conchas terciarias. Nesse sentido
>"
ae 14 —
actualmente occupa o Museu Paulista na sciencia logar
proeminente, sendo as nossas collecções ricas e valiosas
quanto ás conchas marinhas das costas atlanticas desde a
Bahia até a Patagonia, estando na primeira linha, prova-
velmente, quanto as collecções de conchas terciarias dessa |
região. Estão guardados na collecção os typos de todas
as novas especies por mim descriptas.
Depois de dous mezes de trabalho na cidade do Paraná
o snr. Bicego dirigiu-se a varios logares da provincia
de Buenos Ayres, colligindo conchas marinhas fosseis das
pampas em La Plata e Lujan—onde, presente por occasião
do roubo audacioso feito na matriz, foi, como outras
pessoas desconhecidas alli, detido por 24 horas — fazendo
depois collecções de conchas marinhas recentesem varios
logares entre a foz do Rio da Prata e o Rio Negro, isto
é, ao Sul do Mar del Plata, Nicochea, Monte Hermoso,
Bahia Blanca e Carmen de Patagones. As conchas da costa
argentina são, em grande parte, iguaes ás do Rio Grande
do Sul. O Rio Negro forma uma divisa zoogeographica
bastante importante. E’ alli que as especies de -Cardium
e Columbella etc., que, desde a Florida e a India occi-
dental, se espalham até a Patagonia, alcançam o limite
meridional, misturando-se com o grande Mytilus magellanicus
e com as especies de Trophon que caracterisam a região
magellanica.
Na costa da Patagonia foram feitas collecçôes em
Porto Madrid, na barra do Rio Chubut, em Porto Cameron
e em Santa Cruz.
Os snrs. W. Moenkhaus, custos do Museu e A. Hem-
pel, seu entomologista, seguiram no mez de Dezembro
para Iguape e valle de Ribeira, subindo o Rio da Ribeira
e depois o Rio Juquiá, até a fazenda de Poço Grande,
fazendo collecções de peixes, aranhas e insectos.
Quanto a mim os estudos de laboratorio absorveram
quasi; completamente o meu tempo. Fiz, entretanto, nos
mezes de Outubro a Dezembro interessante estudo
biologico referente 4 propagação e a formação das novas
colonias das formigas sativas. Espero acabar esse estudo
no anno corrente, havendo feito uma publicaçäo dos resul-
tados até agora obtidos no periodico « Zoologischer An-
zeiger » N.º 556 do volume XXI. 1898, pag. 238—245.
Uma secção que muito me preoccupou no anno p. p.
foi a ornithologica, tendo eu já prompta grande parte
do catalogo das aves de S. Paulo, que será publicado neste
volume da Revista. Recebemos varias especies que nos
faltavam do snr. Conde Berlepsch e outras caçadas pelo
pessoal do Museu. Maior ainda do que em couros de
passaros foi o augmento da collecção quanto a ovos e
ninhos, sendo notavel nesse sentido a acquisição de uma
rica e linda collecção de ovos fornecidos pelo snr. HH. Rolle.
Além dos estudos sobre conchas recentes e fosseis
principiei a determinar e completar por meio de permutas
dous grupos de animaes marinhos: Echinodermes e Ci-
rrhipedia.
O snr. Moenkhaus tratou da conservação de nossa
grande collecção de reptis, peixes e outros animaes con-
servados em vidros de alcool, e dedicou-se com zelo a
caça e determinação das aranhas, verificando a existencia
de numerosas especies novas para a sciencia.
O snr. Hempel collocou diversos grupos de insectos
nos novos armarios recebidos da Europa, faltando apenas
o grupo dos Lepidopteros ou borboletas do qual nos
occuparemos no anno vindouro. Elle caçou insectos
com bom resultado, enriquecendo as collecções, e estudou
especialmente as mariposas denominadas Odonata e suas:
larvas. Infelizmente a parte da bibliotheca que se relere
aos insectos é insufficiente.
Continuou o Museu a fornecer material para estudos a
diversos naturalistas, mencionando eu, entre outras, asremes-
sas aos snrs. Drs. Hochstetter em Innsbruck (uma preguiça pa-
ra estudos anatomicos), 4. Smith Woodward em Londres
(peixes fosseis de Taubaté e de Paraná), W. Weltner em
Berlim (Cirrhipedios), Broelemann em Paris (centipeios),
C. Eigenmann em Bloomington (peixes), 4. Ortmann em
LO e
Princeton N. I. (crustaceos), Cockerell em Mesilla N. M.
(Coccidae), Steinmann em Freiburg i, Br. (conchas fosseis
de Paraná), À. Cossmann em Paris (conchas fosseis de
Santa Cruz), H. Friese em Innsbruck (abelhas), von Rothschild
em Tring (pulgas) e conchas a varios Museus e especialistas.
Acontece assim que temos de receber importantes
estudos para os seguintes volumes da Revista, que con-
tribuirão para a exploração scientifica do paiz.. Além
disso appareceram publicações em outros periodicos que em
parte se referem a fauna de S. Paulo, e baseadas em materiaes
fornecidos por esse Museu, como aconteceu, por exemplo,
com publicações de /. Richard sobre crustaceos entomos-
tracos e de Ortmann sobre crustaceos decapodes. Taes
estudos são sempre referidos por mim na Revista, cuja
bibliographia quanto mais possivel pretende ser um annuario
referindo as publicações novas e mais importantes que se
relacionam com a historia natural e anthropologia do Brazil
e dos paizes limitrophes.
Não posso fechar este pequeno relatorio sem referir-
me a duas perdas geralmente lamentadas entre nós. À 25
de Abril de 1897 falleceu em Petropolis o illustre estadista
Dr. Cesario Motta, deputado gerale que sob a presidencia
do Dr. Bernardino de Campos, por annos, com grande
zelo e successo occupou a pasta da Secretaria do Interior,
prestando especial attenção ao desenvolvimento da instruc-
ção publica. Elle deu tambem a actual organisação ao
Museu do Estado, repartição que sempre hade conservar
em grata recordação a memoria do eminente e venerando
filho da terra paulista.
A sciencia registrou uma perda sensivel devida a
morte do celebre naturalista Fritz Mueller em Blumenau
a quem se referem dous dos artigos que se seguem,
Dou como appendice a lista dos periodicos scientificos
que a bibliotheca do Museu recebe em permuta.
S. Paulo 28 de Abril de 1898.
DR.
x
+
N
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dd ae à eat po
Aiba senado sa
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E?
E
ERRA
MUELLER
FRITZ MUELLER
NECROLOGIO
PELO
‘Dr. H. VON IHERING
A 21 de Maio de 1897 falleceu em Blumenau, E. de
Santa Catharina, o celebre naturalista /ritz Mueller, o mais
notavel entre os naturalistas que no Brazil se têm dedicado
à exploração scientifica do paiz e que, emigrando em 1852
para o Brazil, gastou 45 annos de trabalho incansavel, mas
cheio de successo, no estudo da natureza desta sua nova
patria. Elle, a quem Darwin denominou « principe dos
observadores» e a quem Haeckel chamava «heroe da sciencia»
deixou uma lacuna que não se poderá preencher na vida
scientifica do Brazil. Esta Revista cumpre um dever
dedicando o presente artigo ao eminente sabio, por cuja
morte o autor destas linhas perdeu um venerado amigo
e collega, com quem por mais de 15 annos esteve em
relações intimas.
Não faltam publicações referentes á vida e aos trabalhos
de Mueller, e indico abaixo as que pude consultar e
aproveitar. Infelizmente os numerosos artigos publicados
. Fritz Mueller. Von Dr. W. Wetecamp. Die Natur. N.º 13. 28
März 1891. Halle, pag. 149 ff.
2, Dr. A. Moeller. Aus St. Catharina, Brasilien. Naturwissen-
schaftliche Wochenschrift. Band IX, 1894. N.ºs 37 e 51 e Band
X, 1895. N.º 22.
3, Tres naturalistas (Fritz Mueller, von Ihering, Goeldi). Jornal
do Commercio. Rio de Janeiro 1893.
4, Fritz Mueller. Ein Nachruf von E. Haeckel. Jenaische Zeit-
schrift für Naturwissenschaft Bd. 31, 1897, pag. 156—173,
EAU pro AE
por Mueller estão espalhados em periodicos brazileiros, alle-
mães e inglezes, de modo que parte delles não conheço
embora referentes á zoologia do Brazil. Não é, entretanto,
o fim deste artigo dar uma biographia completa : occu-
par-me-heiapenas da vida e do trabalho scientifico de Mueller
nos seus traços mais importantes e caracteristicos. Parece
que uma biographia completa será publicada por um seu
parente Dr. A. Moeller.
Fritz Mueller descende de uma familia de pastores
evangelicos da Thuringia. O pae, grande amigo da natureza,
era parocho em Windischholzhausen, districto de Erfurt,
quando a 31 de Março 1822 lhe nasceu o filho Johann
Friedrich Theodor Mueller.
Os dous irmãos de fritz Mueller tambem se dedicavam
ao estudo das sciencias naturaes. Hermann Mueller, que
falleceu em 1883, se tornou notavel por importantes
investigações referentes á theoria das flores; e Wilhelm
Mueller vive como professor de zoologia em Greifswald,
tendo passado algum tempo com o seu irmão em Blumenau
e feito all novas e interessantes observações sobre a meta-
morphose das borboletas.
Frederico Mueller frequêntou primeiro a escola pri-
maria de Mühlberg, aproveitando-se das licções de excel-
lente mestre, o reitor Tänzer, depois foi ensinado pelo
proprio pae e preparado por elle em grego, latim, francez
mathematica, até chegar ao ponto de ser admittido a
terceira classe do gymnasio de Erfurt. Concluidos os estudos
no gymnasio, dedicou-se primeiro a pharmacia em Naum-
burg; apoz, desde o anno de 1840, à mathematica e às
sciencias naturaes em Berlim e em Greifswald. Como
Haeckel toi discipulo de João Mueller. Tendo prestado o
5., Carus Sterne (Dr. E. Krause). Erinnerungen an Fritz Mueller.
Sonntags-Beilage N:º 22 zur Vossischen Zeitung 30. Mai 1897.
6., Fritz Mueller. Anales de la Sociedad Cientifica Argentina. Tom,
+ 45, Buenos Ayres 1898, pag. 5—13. (Traduzido da « Nature. »
London 1897, vol. 56. N.º 1458).
» Fritz Mueller als Botaniker. Von H. Ludwig in Gratz. Botani-
sches Central-Blatt. 1597,
RS ir ooo
exame de instrucçäo secundaria cumpriu no gymnasio de
Erfurt o anno de provação, imposto por lei, aos candidatos
ao magisterio superior. Mas o joven sabio sentiu vontade
de vêr o mundo, de amplificar e aprofundar pela propria
“observação os conhecimentos que possuia da natureza, o
que, todavia, não poude conseguir com os meios que tinha
á disposição. Mueller soube tirar-se desse embaraço; dei-
xando de lado, temporariamente, o magisterio estudou
medicina em Greifswald, esperando ter assim no futuro
occasião para fazer, como medico empregado num navio,
viagens scientificas ao redor do mundo.
Como para muitos, assim para elle tambem o anno
de 1848 foi fatal. Tendo-se compromettido nas luctas
politicas, viu-se, em 1852, forçado a emigrar para o
Brazil. Estabeleceu-se como lavrador em Blumenau para
conseguir alli por trabalho penoso, tirando á terra suas
riquezas, uma nova existencia. « Eu proprio, » diz elle
num trabalho sobre a fecundação do philodendron publi-
cado no « Kosmos, » cortei muitos alqueires de matta
virgem, eu proprio despedacei os cimos das arvores cor-
tadas. » Poucos annos depois assumiu o cargo de pro-
fessor de sciencias naturaes no Lyceu de Florianopolis
occupando-se ao mesmo tempo circumstanciadamente em
estudar a fauna marinha, principalmente o desenvolvimento
dos crustaceos.
No anno de 1859 saiu 4 luza grande obra de Darwin
sobre a origem das especies e Mueller conheceu depressa
a importancia poderosa que tinham para as sciencias
naturaes as ideas apresentadas por aquelle sabio.
Em 1864 elle proprio publicou um ensaio pequeno,
mas importante, intitulado « Pro Darwin », que teve
grande influencia no desenvolvimento da nova doutrina.
No principio deste ensaio diz elle: « Depois de ter lido
o livro de Darwin sobre a origem das especies, julguei que
um dos methodos, e talvez o mais seguro, de examinar a
exactidão das idéas contidas neste livro consistia na tentativa
ADI
de as applicar, o mais circumstanciadamente possivel, a
um grupo especial de animaes. »
A não se mallograr pelas difficuldades contrarias à
tentativa feita « para estabelecer uma genealogia das fami-
lias de uma classe ou dos generos de uma familia bastante
grande ou das especies do mesmo genero » assim como
« para desenhar quadros os mais claros e circumstanciados
possiveis dos progenitores communs dos diversos grupos
mais ou menos extensos, » ou teve de provar que os
principios de Darwin, quando applicados, faziam resultar
consequencias entre si incompatíveis e que demonstravam |
por conseguinte que estes principios careciam de funda-
mento ou esta tentativa pôde, em maior ou menor extensão,
sahir bem, tendo assim como resultado a mais convincente
demonstração de ser bem fundada a theoria de Darwin
e mais do que um sonho engenhoso. »
Para por em execução esta experiencia, teve Mueller,
naturalmente, de estudar de novo a classe dos crustaceos,
à qual já dedicára tanto trabalho; pois essa classe, por
causa da grande variedade de fórmas, parecia prometter,
mais do que qualquer outra, um bom successo.
A principio temera Mueller que seu trabalho fosse
inutil; a realisação dessa experiencia, porém, tornou-se
a cada passo menos duvidosa; cada dia forneceu novos
factos favoraveis 4 nova doutrina. Assim conseguiu Mueller
demonstrar de modo satisfactorio que era preciso derivar
todos os crustaceos, os superiores assim como os infimos,
de fórmas primitivas communs.
“Não tentamos, o que seria demais, analysar aqui, nem
mesmo em poucas palavras, o trabalho de Mueller; restrin-
gimo-nos a citar com as mesmas palavras do auctor, algumas
das theses geraes mais importantes sobre a chamada
« Transformação das especies » — theses essas que das
observações de Mueller resultam para a doutrina da evolução.
« Os descendentes chegam a um novo destino ou
aberrando cedo ou tarde quando já estão em caminho de
tomarem a fórma dos paes ou percorrendo este caminho
DD TS es
sem aberrarem, mas continuando depois seu desenvolvi-
mento em vez de pararem. »
No ultimo caso «os descendentes tambem percorreram
todo o desenvolvimento dos ascendentes » e nestes limites
« o desenvolvimento da especie realizar-se-a de accordo com
o desenvolvimento dos individuos. » Esta « escriptura bioge-
netica apaga-se pouco a pouco, tomando a evolução, desde o :
ovo até ao animal perfeito, um caminho cada vez mais
directo; e muitas vezes é perturbada pela lucta pela
existencia que as larvas natatorias têm de sustentar. » Por
conseguinte, a historia do estado primitivo de uma especie
achar-se-á tanto mais completamente incluida na historia
de sua evolução, quanto mais longa é a serie dos
estados de juventude que percorre, e será tanto mais fiel, |
« quanto menos do modo de vida dos adultos se afasta o
modo de vida dos novos. » Estas são as theses que mais
“tarde chegaram ao conhecimento geral sob o nome de
« Lei biogenetica principal, » formulada por //aeckel nestes
termos: « O desenvolvimento embryonario do individuo
é uma breve e rapida repetição do desenvolvimento da
especie e que é dominada pelas leis da adaptação e da
hereditariedade. »
Foi assim que Fr. Mueller convencido da exactidão
da theoria de Darwin e apoiado nessa doutrina, tirou
conclusões do maior alcance possivel examinando depois
se essas conclusões eram confirmadas pela natureza. O
ensaio de Mueller teve grande successo na Allemanha,
‘onde contribuiu consideravelmente para a divulgação da
doutrina de Darwin. O proprio Darwin sentiu-se encantado
por esse ensaio de que fez publicar, em 1868, uma edição
ingleza.
Tendo sido, em 1865, admittidos os jesuitas no Lyceu
- de Florianopolis, era natural que alli não houvesse mais
logar para um homem das opiniões philosophicas de
Mueller. Este retirou-se por isso como naturalista da
provincia de Santa Catharina para seu sitio situado no
Itajahy, começando então um periodo de estudos mais
ardentes, principalmente na esphera das investigações bio-
logicas. O seu talento de observador que, era eminente,
lhe habilitou nas espheras mais differentes da sciencia
biologica a fornecer material inapreciavel e grande nu-
mero de idéas importantes. Na esphera das adaptações
reciprocas entre as flores e os insectos, que era o dominio
principal dos estudos de seu irmão Germano, na esphera
da symbiose, isto é, do phenomeno de viverem em com-
mum organismos differentes, na esphera do que se chama
«mimicry,» isto é, do phenomeno de serem certos animaes
abrigados pela semelhança com outros seres viventes ou
cousas mortas, nas espheras da selecção natural, da here-
ditariedade etc. — em toda a parte vêmol-o pôr-se na
primeira fileira dos observadores.
Desde que mandára o ensaio acima che a
Darwin, esteve Frederico Mueller com este sabio em viva
e continua correspondencia até 4 morte do grande inglez.
As provas desta correspondencia dadas pelo doutor Krause
no seu livro intitulado « Carlos Darwin e suas relações
com a Allemanha mostram quanto os dous sabios se
incitaram mutuam: te a proceder a investigações sempre
novas.
Com seu irmão Germano tambem esteve Mueller em
viva correspondencia. Na sua biographia de Germano
Mueller diz Krause: «Os dous irmäos communicaram
um ao outro, circumstanciadamente, todas as suas obser-
vações e Germano publicou muitas cousas que só a elle
participára o irmão Frederico. Havia entre elles as mesmas
relações que houvera entre os irmãos Grimm, segurado
cada um delles os trabalhos do outro com todo o inte-
resse e perfeita comprehensäo. Completavam-se assim
reciprocamente. »
Os trabalhos de. Frederico Mueller estão, infelizmente,
muito dispersos. Darwin pediu-lhe numa carta que publi-
casse um livro contendo as suas copiosas e interessantes
observações espalhadas, em grande numero, nos periodicos
da Allemanha, da Inglaterra e do Brazil.
Julgando-o. de interesse para o leitor acceitei em
seguida parte do artigo mencionado de A. Moeller, que
nelle se refere ás impressões que teve por occasião da
visita que fez a Mueller.
« Blumenau, a colonia allemã situada numa das margens
do rio Itajahy no Estado brazileiro de Santa Catharina, tem-se
tornado um logar relativamente bem conhecido entre os
sabios da Allemanha, principalmente entre os que se inte-
ressam pelas sciencias naturaes, especialmente pela biologia,
pois é a segunda patria do grande biologista Fritz Mueller,
o qual, ha quarenta annos, emigrou para alli. E' por elle
e pelos seus trabalhos que o pequeno e remoto logar
situado na matta virgem se tem tornado conhecido por toda
a terra, em todos os logares onde trabalham os botanicos
e os zoologos. Sobre. a pessoa de Fritz Mueller muitas
vezes chegaram noticias a Europa; augmenta a cada
passo o grupo daquelles que saudam com prazer e
interesse cada uma destas noticias, é cada vez maior o
numero dos que o conhecem pelos seus trabalhos ou que
por cartas entraram com elle em relações. No dia 31 de Março
de 1891, dia dos seus setenta annos, o pequeno vapor,
subindo o Itajahy, levou-lhe felicitações de todas as cinco
partes do mundo e dous albuns sumptuosamente ornados,
um dos naturalistas do Brazil e outro que os da Allemanha,
principalmente os botanicos, lhe enviaram com seus retratos
e assignaturas, dando um testemunho muito significativo
das considerações geraes de que gosava Mueller na sua
patria, e tambem da gratidão com que muitos sabios se
sentem para com elle obrigados. Jamais um naturalista
verdadeiramente applicado se dirigiu a Mueller pedindo-lhe
informações ou materiaes para estudos das mattas de
Blumenau sem que tivesse obtido o que era possivel
conseguir. Sem reserva communicava Mueller suas obser-
vações e experiencias, não temendo nenhum trabalho,
nenhuma caminhada, nem mesmo a mais molesta, cada
vez que se tratava de procurar material apropriado para
este ou aquelle trabalho, comtanto que estivesse conven-
cido de que se tratava de serias investigações scientificas.
Quasi excessivamente gostava Mueller de fazer desapparecer
sua pessoa por detraz dos resultados do seu trabalho.
Emquanto viveu seu irmão Germano Mueller em Lippstadt,
emquanto viveu Darwin, costumava elle depositar os me-
lhores resultados das suas observações em cartas dirigidas
a estes dous sabios, contentando-se perfeitamente com a
alegria de vêr as observações que por cartas communicára
utilisadas em publicações feitas por outros. À observação
erao seu trabalho mais querido e elle exercia-a diariamente
julgando sufficiente communicar seus resultados aos poucos
que sabia conhecedores e entregues ao estudo do assumpto
de que se tratava. Jámais gostara de fazer trabalhos lit-
terarios extensos e que o impedissem de observar e
nunca lhe veiu a idéa de publicar os resultados da sua
investigação para tirar dahi proventos pessoaes.
Além do ensaio intitulado « Pro Darwin » não existe
livro algum de Fritz Mueller publicado separadamente,
e comtudo haverá poucos sabios, talvez nenhum, que
dispuzesse de um material mais rico e mais digno de
ser publicado do que o de Mueller, o qual, vivendo na
abundancia das riquezas tropicaes, por tantos annos, dia
a dia trabalhava com uma constancia sempre incansavel
e um enthusiasmo sempre novo. Elle gostava de publicar
em periodicos, resumido em poucas paginas, o resultado
de observações penosas e por annos inteiros continuados
achando-se assim no « Kosmos, » nas « Noticias Entomo-
logicas » e em outros periodicos zoologicos, nas;« Relações
da Sociedade Botanica Allemã » e em muitos outros logares
da litteratura, numerosos ensaios compostos por Mueller,
nos quaes em poucas paginas communica a essencia de
extensas series de investigações. As noticias colligidas
pouco a pouco para tal trabalho occupam muitas vezes
um espaço vinte vezes maior do que a mesma publicação.
Mas foi por causa do seu conteudo resumido e rico
que as breves publicações de Mueller se tornavam notaveis
entre os naturalistas e, apezar de breves, incitavam muito
mais leitores do que livros extensos teriam podido con-
seguil-o.
Blumenau, o logar onde foram ganhos tantos resultados
preciosos para as sciencias naturaes, chamava a si a atten-
ção de grupos cada vez mais extensos, sendo natural que
em muitos despertasse o desejo de conhecerem pessoal-
mente aquelle logar. Desde que os meios aperfeiçoados
dos nossos dias facilitaram as viagens, um numero relati-
mente consideravel de naturalistas foi para Blumenau
afim de entregar-se alli a estudos scientificos.
Por mais espaçoso que seja o jardim de Fritz Mueller,
o espaço reservado na casa para o trabalho scientifico é
muito pequeno e modesto. Um critico disse que o ta-
manho e a opulencia dos laboratorios estavam muitas
vezes em proporção inversa com a importancia dos tra-
balhos que nelles se fizeram. Destas palavras lembrava-me
todas as vezes que via o pequeno gabinete de Blumenau,
donde tantas idéas ferteis sahiram para todo o mundo. O
quartinho tem apenas tres metros quadrados. Ao lado da
janella está uma simples mesa coberta dos utensilios mais
necessarios para o trabalho, entre os quaes se acha um
velho microscopio de Hartnack. Encontram-se tambem no
pequeno gabinete uma estante muito simples para livros,
uma cama e um lavatorio e ao lado da unica cadeira
muito usada apenas ha logar para uma segunda. Não
. ha collecções. Não creio que em toda a terra haja um
sabio mais digno desse nome que se satisfaça com um
apparelho mais modesto. Mas todos os zoologos e botanicos
sabem quantos resultados scientificos foram conseguidos
com esse pequeno apparelho. Si se realizar um dia o
sonho de uma estação scientifica no Brazil meridional, o
retrato do gabinete de Fritz Mueller merece ser alli col-
locado para sempre afim de incitar ainda outros a tra-
balharem incansavelmente tambem com meios pequenos.
Na estação que sonhamos seria possivel conseguir resul-
tados extraordinarios com despezas relativamente pequenas,
pois o laboratorio poderoso e rico, em que Mueller tam-
Revista do Museu Paulista 2
LAN PU
bem trabalhava, a propria natureza, alli é tão soberba e
offerece occasião para trabalhar tão favoravel como em
poucos logares de todo o mundo. » |
Os ultimos annos de vida foram para Mueller cheios
de desgosto. A perda de uma filha predilecta que lhe.
servira de ajudante e fizera tambem boas observações,
uma enchente extraordinaria que lhe causou grandes
estragos e lhe arruinou a bibliotheca, os acontecimentos:
durante a revolta de 1895 quando foi preso pelos rebeldes,
a morte de sua mulher, tudo o commoveu tirando-lhe
parte de sua energia e de seu amor ao estudo. Jun-
tou-se a isso o procedimento do governo que lhe tirou
em 1890 o seu emprego de naturalista viajante do Museu
Nacional e os 2008 rs. mensaes que lhe garantiam a exis-
tencia, deixando-o em condições penosas. Em vista desse
acontecimento, muito notado e criticado na Europa, foram.
offerecidos meios a Mueller por seus amigos na Allemanha
e na Inglaterra; elle, porém, negou-se a acceital-os.
O trabalho scientifico de Fritz Mueller pode ser divi-
dido em duas epocas: a dos estudos exclusivamente zoo-
logicos e especialmente dedicados à fauna marinha de |
Desterro ou Florianopolis e a dos estudos biologicos e
darwinianos. À primeira epoca finda com a retirada de
Mueller do Desterro em 1867.
A sua primeira publicação, a sua dissertação inaugural
versava sobre as sanguesugas de Berlim. Sobre vermes do.
Brazil publicou um artigo referente aos annelides do mar
e outro sobre vermes terrestres, isto é, Planarias. Nume-
rosos estudos referem-se aos crustaceos e à sua metamor-
phose, outros aos bryozoos, medusas, polypos, etc. do
Oceano Atlantico na zona da Ilha de Santa Catharina.
Descobriu alli uma actinia que vive como parasita sobre
medusas e que «denominou Philomedusa, nome que entrou
na synonymia, tendo preferencia o de Halcampa Gosse. Foi
elle o primeiro a observar as larvas dos Brachiopodos. e
dos crustaceos singulares do genero Squilla (a « tamaru-
tacca »). Deram excellentes resultados os seus estudos
E dade Rd ae
sobre os crustaceos parasitas e degenerados dos generos
Entoniscus e Sacculina, os quaes elle reuniu com os generos
alliados à familia Rhizocephalidae. Esses crustaceos parecem
antes vermes parasitarios e só a larva, que nada no mar,
offerece as provas certas para a posição systematica do
animal. Foram especialmente essas pesquizas e as deducções
dellas derivadas no interesse do darwinismo que, como ja
expuzemos, formaram entre os collegas a fama de Mueller.
Outro grupo de crustaceos para cujo conhecimento assaz
contribuiu foi o dos Cirrhipedios da familia Balanidae,
à qual pertencem as caracas que cobrem nas nossas costas
os rochedos e se apresentam como conchas pelo aspecto
externo. Uma das observações mais sensacionaes de Mueller,
a descoberta'de uma larva «nauplius» do camarão do genero
Peneus, não foi confirmada ainda.
Os trabalhos do segundo periodo da vida scientifica
de Mueller referem-se a entomologia e a botanica, tendo
sido notado que elle, geralmente afamado como entomo-
logo, não publicasse cousa alguma a respeito durante os
primeiros trinta annos de sua carreira litteraria ou antes de
completar os seus 50 annos. Em 1873 iniciou uma serie
de artigos referentes aos termitidos ou cupim. Muito o
preoccupou o assumpto do mimetismo modificando elle a
theoria de Bates. Referiu-se especialmente ás borboletas
que pela sua fórma e colorido se assemelham á outras,
provando que as especies imitadas, por serem pelos pas-
saros desprezadas pelo seu mão gosto, gozam de proprie-
dades protectoras que faltam as especies que as imitam e
apparecem em menor numero. Num ensaio, explicando
a modificação successiva do colorido, foi menos feliz por
falta de familiaridade com a grande serie de especies
alliadas, tendo sido nesse sentido completada a sua obra
pelo Dr. Dixey. Estudando o assumpto Mueller prestou
especial attenção aos odores exhalados por borboletas e
aos pinceis de seda que representam o orgão dessa
producção.
Menciono entre o grande numero dos seus trabalhos o
Ma Nour
que trata dos organismos que vivem na agua e se conservam
entre as folhas das Bromeliaceas, especialmente dos cara-
guatás parasitas encontrados nos arvores; e o que se
occupa de dimorphismo entre os insectos, especialmente
as moscas. Ha um mosquito que possue duas qualidades
de femeas, uma com olhos grandes e que suga o mel, a
outra com olhos pequenos e que sorve o sangue. Muito
tempo dedicou Mueller ao estudo da fecundação das fructas
das figueiras do matto e do papel que nesse sentido cabe
a pequenos insectos da ordem dos hymenopteros, com a
determinação e descripção dos quaes G. Mayr, em Vienna,
muito tempo teve que trabalhar.
Outra serie de estudos que por muito tempo occupou
a attenção de Mueller versa sobre a metamorphose e as
elegantes casas larvaes dos Trichopteros, das mariposas,
que passam a maior parte da vida em estado larval na agua.
A obra de Mueller em botanica referiu-se com prefe-
rencia a fecundação das flores, incluindo grande numero
de observações sobre heterostylia, hybridação e auto-este-
rilidade. E’ notavel, por exemplo, a observação referente
ás especies de Eichhornia, fam. Pontederiidae, conhecidas:
vulgarmente como aguapé, e nas quaes ao lado de exem-
plares com estylete comprido ha outros com estylete curto.
São notaveis as observações referentes á fecundação
das orchideas. Numa serie completa Mueller poude exa-
minar a auto-esterilidade, isto é, que o pollen de uma flor
não é capaz de fecundar os ovulos da mesma flor ou planta.
Houve especies nas quaes a flor mostrou-se esteril para |
o seu pollen, mas não para o de outras flores da mesma
planta e outras nas quaes a fecundação era obtida sómente
por cruzamento com outros exemplares da mesma ou até
de outra especie affim. Houve tambem, nessa serie de expe-
riencias, especies nas quaes o pollen exerceu effeito des-
tructivo sobre o estigma da mesma flor.
Os ultimos annos de sua laboriosa vida foram quasi
exclusivamente dedicados ao estudo das Bromeliaceas.
Contesta-se que a obra de Fritz Mueller, sobre a
theoria da selecçäo natural, tenha conseguido o seu fim.
Creio que não existem mais naturalistas notaveis que
duvidem da descendencia natural das especies, mas aug-
menta dia a dia o numero daquelles que não consideram
com Darwin, Fritz Mueller e Haeckel a « lucta pela
existencia », a theoria da selecção natural como a causa
da transformação das especies, mas a variabilidade devida
a origens inherentes a organisação do organismo. Se nesse
sentido o futuro não confirmar as convicções de Fritz
Mueller, sem duvida e sempre ao nome delle ficarão ligadas
innumeraveis e importantes observações. Se hoje em ques-
tões scientificas referentes 4 biologia a natureza do Brazil
é muitas vezes mencionada, occupando não raramente
logar saliente, isso é devido quasi exclusivamente a Fritz
Mueller. Os naturalistas que vivem e trabalham no Brazil
perderam com elle o seu prestimoso, prodigioso e celebre
mentor, o mais eminente biologista que até hoje tem vivido
no Brazil. À sua memoria lhes servirá de estimulo. Per-
-demos com elle um heroe da sciencia, o modelo do
modesto sabio que não trabalha para ganhar fortuna e
consideração, mas por gosto de estudos e observações e
pela satisfação orgulhosa que o animo sente quando lhe
é dado levantar em um ou outro ponto o véo que occulta
a nossa vista os mysterios admiraveis da natureza.
São Paulo, 1.º de Maio de 1898.
Observações sobre a fauna marinha
da costa de Santa Catharina
PELO
De CcFRITZ: MU ELLER:
1, Observações introductorias da redacção.
Extrahi as observações seguintes dos relatorios que
o pranteado sabio de Santa Catharina apresentou, nos
annos de 1884-1889, ao director do Museu Nacional do
Rio de Janeiro, do qual era naturalista viajante. Parece
que esses relatorios não foram guardados no Museu Na-
cional, sendo eu informado de que o Dr. Fritz Mueller no
ultimo anno de sua vida tratou desse assumpto, destinando
que as copias que tinha guardado fossem publicadas
quando houvesse conveniencia, na Revista do Museu
Paulista. Excusado é dizer que a execução piedosa de tão
honrosa incumbencia é um dever sagrado para a redacção
desta Revista. Agradeço à Ex.™ familia do finado collega
e amigo e especialmente a Ex.™ Snr.* D. Anna Brockes
a remessa dos manuscriptos.
Cumpre-me, entretanto, dizer que, caso esses manu-
scriptos não sejam publicados em livro especial, deviam
ser preferidas para isso as observações novas e ineditas.
Não tendo eu competencia para os estudos de botanica
_ está encarregado desse assumpto o Sr. E. Ule do Museu
do Rio de Janeiro. Quanto ás observações zoologicas a
maior parte refere-se 4 materias já sufficientemente estu-
dadas por Fritz Mueller e seus collaboradores em diversas
— 32 —
publicações. Isto prende-se especialmente aos estudos sobre
Trichopteros e insectos dos figos. Encontrei apenas tra-
tada uma materia sobre a qual, pelo que me consta, Fritz
Mueller não publicou nenhum artigo: as observações sobre
os estudos que fez em 1884-1885 na costa do mar em
Armação de Piedade, pequena bahia situada em frente ao
ponto mais septentrional da Ilha de Santa Catharina. Um
pontal situado ao norte da bahia serve para dar abrigo —
contra a força das ondas do oceano. Por occasião da .
baixamar, especialmente quando essa é pronun ciada, des-
cobre-se o fundo do mar, em grande exten são, sendo esse
o melhor momento para colleccionar os Amphioxus, os
Chaetopterus e outros annelides como tambem o gigan-
tesco Balanoglossus que Fritz Mueller menciona e
foi descripto por Spengel") sob a denominação de Pty-
chodera gigas Fr. Muell.
Quanto aos annelides veja-se o estudo de Fritz Mueller
Einiges über die Annelidenfauna der Insel Santa Catha-
rina an der brasilianischen Küste. Archiv. f. Naturg. 1858
p. 211—220, Taf. VI und VI
Quanto ao Amphioxus (Branchiostoma caribaeum
Sundev.) vejam-se as minhas observações nesta Revista
vol. II p. 154 e o estudo de 7. W. Kirkaldy A Revision
of the genera and species of the Branchiostomidae. (Quat.
Journ. Micr. Science vol. 37 1896 p. 303—323 and PI. 34
and 35). O nome generico Branchiostoma de Costa data
de 1834 o de Amphioxus proposto por Yarrell de 1836.
A especie caribaeum, bastante affim do lanceolatum da
Europa é commum desde o litoral atlantico dos Estados
1) I. W. Spengel. Die Enteropneusten des Golfes von Neapel
Berlin 1893 p. 159 ss. Como Spengel na monographia citada, que
não posso consultar, menciona como autor Fr. Mueller seria pos-
sivel que elle em uma das suas publicações já usasse esse nome.
Na litteratura acho mencionada outra especie de Fritz Mueller
pertencente ao grupo dos Gephyreos Phascolosoma catharinae Fr.
Muell. Veja-se nesse sentido o relatorio annual do Archiv fuer
Naturgeschichte para o anno de 1885 p. 183 referindo-se a expe-
dição do « Challenger » e mencionando outra especie do Brazil,
isto é, Thalassema baronii Greeff da Bahia.
Unidos até ao sul do Brazil. Sobre exemplares do Rio
de Janeiro, colligidos por E. van Beneden e outros na foz
do Rio da Prata, veja-se o capitulo de A. Guenther rete-
rente aos peixes, p. 37 na obra: Report on the Zoological
Collections made in the Indo-Pacific Ocean during the
Voyage of H. M. S. « Alert » London 1884.
Seguem-se as notas de Fritz Mneller.
H. von IHERING.
2. Estudos feitos em Armação.
Para explorar a fauna litoral como para mais uma
vez examinar o sambaqui daquelle logar, fiz outra viagem
à Armação da Piedade.
Parti de Blumenau, em companhia de meu irmão
Dr. Wilhelm Mueller, a 31 de Agosto de 1884 e passando
por Gaspar, Alferes e Tijucos Grandes, chegamos ao
Sacco da Armação, aos 4 de Setembro. Alli nos demora-
mos até o dia 25 do mesmo mez, voltando a Blumenau
em 6 dias por um caminho mais curto, mas, em certos
logares, quasi intransitavel. Tendo mandado os objectos
colleccionados á capital da provincia, de onde nos devem
“ser remettidos pelo primeiro vapor, não posso hoje dar
uma lista delles; só posso apontar algumas especies que,
por mais interessantes, me impressionaram.
Notarei em primeiro logar o celebre Amphioxus, o
qual, como quasi em toda parte, tambem no Sacco
da Armação encontra-se com mais facilidade em logares
apropriados.
Todos os exemplares catharinenses, que vi, tanto no
Desterro como na Armação, se afastam um pouco, na
configuração da extremidade anterior do corpo das figuras
publicadas por Johannes Mueller na sua monographia
classica. Convinha, pois, comparal-os a este respeito com
os exemplares do Rio de Janeiro e outras partes do
Brazil, que de certo já existem no Museu Nacional.
Pela primeira vez vi agora Comatulas vivas nos ro-
chedos da Prainha e da Vigia da Armaçäo.
E’ provavelmente o Antedon carinatus (?) que ja foi
encontrado em Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro.
Como, a julgar pela lista dos Echinodermos do Brazil
publicada pelo sr. Richard Rathun, até agora não foram
obtidas comatulas ao sul do Rio de Janeiro, conservei al-
guns exemplares para o Museu.
Em varias praias da Armaçäo, como de Porto Bello,
da Lagoa e de outros logares da provincia abunda a
curiosa Hippa emerita, geralmente conhecida pelo nome
da Tatuira; vive enterrada na areia e onde existe quasi
sempre se acha em numero avultado, sendo usada para
isca pelos pescadores. Com esta especie frequentissima
vivem duas outras rarissimas, que, a primeira vista, se
distinguem pelo corpo achatado e antennulas muito com-
pridas, de onde lhes veio o nome da Tatuira de rabo;
ambas pertencem à familia das Albunideas, uma ao genero
Albunea, outra ao genero Lepidops. Um exemplar de
Lepidops (scutellata ?) foi achado na Praia Grande, um de
Albunea (Paretii ?) no Sacco da Armação.
Despertam tambem especial interesse certos crustaceos
das familias das Porcellanideas e das Pinnotheridas, que
vivem como hospedes commensaes com outros animaes,
sendo os mais notaveis os commensaes do Chaetopterus ;
este annelide vive em tubos subterraneos horizontaes,
acabando de um e outro lado em um canudo perpendicular
muito mais estreito do que a parte horizontal. Abunda na
Gamboa do Sacco da Armação.
Ora em cada um dos numerosos tubos, que exami-
namos, encontramos um casal de commensaes; geralmente
o macho se achava perto de um dos extremos do tubo, a
femea perto do outro. Encontramos duas especies destes
hospedes de Chaetopterus; o maior numero de tubos era
habitado por um casal de Polyonyx macrocheles (Fam. Porcel-
lanideas), sendo muito mais raros os habitados por um
casal de Pinnixa chadtopterana (Fam. das Pinnotheridas).
De ambas estas familias vimos outra especie com-
mensal de um Echinoderme, a saber uma Porcellana (Mi-
nyocerus angustus) vivendo em certas estrellas do mar e
um Pinnotheres, companheiro pouco raro deuma Scutella
(Encope emarginata).
Entretanto de todos os animaes que analysamos o mais
importante foi, sem duvida, um Balanoglossus.
Talvez não haja outro genero de animaes, sobre cujo
parentesco tanto divirjam ainda hoje as opiniões dos natu-
ralistas; Gegenbaur (1870) creou para este unico genero a
classe dos Enteropneustos, que collocou entre os Rotatorios
e os Tunicados; 4. Agassiz (1873) pensava que era inter-
medio entre os Nemertinos e os Annelides tubicolos ;
Huxley (1877) reuniu os Enteropneustos aos Tunicados
para formar o grupo dos Pharyngopneustos; emfim #e-
tschnikoff (1881) quiz provar que o Balanoglossus é parente
dos Echinodermes; elle constitue com os dous o typo dos
Ambulacrarios, dividindo-o nos 2 sub-typos dos Radiados
ou Echinodermes e dos Bilateraes ou Enteropneustos.
Até agora, pelo que sei, só são conhecidas quatro
especies de Balanoglossus, descobertas por Della Chiaje,
Kowalewski, Willemoes-Suhm e A. Agassiz. São por si
muito interessantes.
O Balanoglossus da Armação é de dimensões gigan-
tescas, quando comparado com os das outras especies.
“A julgar pela figura que A. Agassiz dá de um Ba-
lanoglossus Kowalewskii adulto (full grown) o compri-
mento delle não excederia de um decimetro, emquanto
um dos nossos, que medi com a mão ao tiral-o de seu
esconderijo, tinha 7 palmos ou mais de metro e meio de
comprimento; e devem existir maiores a julgar pela gros-
sura dos excrementos.
Esses vermes gigantescos vivem em canaes muito
tortuosos, cerca de 0,3 M. em baixo do fundo do mar;
descobrem-se facilmente quando nas marés baixas expel-
lem os excrementos, os quaes têm quasi a fórma dos do
homem, attingindo sua grossura, ás vezes, cerca de 2 cent:
16,
O Balanoglossus é tão molle e quebradiço, que é
quasi impossivel tiral-o inteiro de sua habitação subterranea;
já é felicidade obtel-o em 2 ou 3 pedaços.
Na primeira semana de nossa estada na Armação
tiramos varios e bellos exemplares do Balanoglossus, que
procuramos conservar em aguardente frequentemente reno-
vada; porém este methodo tornou-se insufficiente para a
conservação de animal tão molle. Só em 18 de Setembro
recebemos do Desterro alcool e vidros apropriados e
felizmente ainda conseguimos tirar alguns exemplares du-
rante as marés baixas dos dias 19, 22 e 23 de Setembro.
Conservados em alcool de elevado gráo, que ainda foi
renovado, antes de os encaixotar, é de esperar que che-
guem aqui e possam ser mandados para o Rio de Janeiro
bem acondiccionados. Apezar de só agora termos deparado
com o Balanoglossus, já desde 1860 eu conheço larvas
(Tornarias) que indubitavelmente pertencem ao mesmo.
genero, não obstante naquelle tempo passarem geralmente
por larvas de estrellas do mar. Resta indagar se são da
mesma especie.
De 15 de Janeiro até 13 de Fevereiro de 1885 fiz
mais uma viagem a Armação da Piedade em companiia
de meu irmao, Dr. Guilherme Mueller.
Foi nosso fim principal investigar o modo de viver,
a anatomia e, se possivel fosse, a embyologia do gigan-
tesco Ra que em Tulio do anno proximo passado
alli descobrimos.
Nos mezes de Fevereiro e Março tinha eu encontrado,
ha mais de vinte annos, no mar que banha a praia de fóra
da capital da provincia, larvas de alguns Balanoglossus
(Tornarias) que naquelle tempo ainda passavam por larvas
de alguma estrella do mar. Era pois de presumir que pelo
fim de Janeiro e nas primeiras semanas de Fevereiro ap-
parecessem os ovos e os primeiros estados larvaes, e se
assim fosse, deviam ser superabundantes em uma locali-
dade onde tão frequentemente se encontram os animaes
adultos, visto como os ovos produzidos por uma unica
femea devem contar muitas centenas de milhares.
Entretanto para o Balanoglossus da Armação da Pie-
dade, provavelmente differente da especie ainda incognita.
do Desterro, ainda não tinha chegado o tempo de propa-
gação, apezar de já estar imminente, porque já os dous
sexos, indistinguiveis em Setembro, facilmente se distin-
guiam pela cór da região genital, amarella nos machos,
arroxeada nas femeas.
Os ovos já pareciam quasi maduros e alguns sper-
matozoidios começavam os seus movimentos caracte-
risticos, o que nos animou a emprehender alguns ensaios de
fecundação artificial, ensaios esses que não produziram
effeito.
Quanto à anatomia podemos confirmar em quasi todos
os pontos essenciaes quanto a este respeito disse o
Dr. J. W. Spengel em uma breve noticia publicada em
Novembro p. passado. (Mittheil. aus der Zoolg. Station zu
Neapel. 5° Band. Heft Ill e IV. p. 494. Taf. 30). Assim
tambem em a nossa especie a «glande» ou « proboscide »
não tem nem orificio terminal, nem fenda ventral, como
pensavam Kowalewsky, A. Agassiz e outros, e sim um
orificio dorsal situado na base da glande, como nos B.
minutus e claviger examinados por Spengel. O Balano-
glossus vive em canaes quasi horizontaes, as vezes muito
tortuosos, geralmente de 0,3 até 0,5 m. debaixo da super-
ficie da terra, e que de quando em quando se prolongam
em direcção quasi perpendicular até a superficie. Alli o
animal deitando fóra a sua extremidade anal evacua os
seus excrementos compostos unicamente de areia.
São estes exrementos que nas marés baixas indicam
a presença do animal.
Raras vezes o mesmo animal mostra-se em dois dias
consecutivos; no mesmo logar onde em certo dia ha
mais de vinte montões de excrementos no dia immediato
ás vezes só apparecem 3 ou 4.
O animal cava o seu canal, comendo a areia que lhe
pre
esta a frente de modo que a locomoção e nutrição se
fazem ao mesmo tempo.
Collocando um ou dous palmos de parte oral de um
Balanoglossus em uma gamella em cima de areia menos
grossa coberta de agua do mar, em pouco tempo, depois
de ter dado algumas voltas, como para procurar um logar
mais conveniente, começa a enterrar-se; primeiro a glande
entra devagarsinho na areia por meio dos seus movimentos
peristalticos; feito isso o animal começa a engolir a areia
e mal passam um ou dous minutos começa a sahir do
intestino cortada em movimento continuo de 0,3—0,5 mm.
por segundo e em fórma de cylindro a areia engolida.
O Balanoglossus exhala um cheiro muito forte lem-
bando o do iodo e com effeito um chimico meu amigo
achou ser muito rico em iodo o alcool, em que se tinha
conservado um desses animaes. |
A’ noite mostra uma phosphorescencia muito viva,
que não creio lhe possa servir de utilidade alguma nos
seus esconderijos subterraneos.
Já de ha muito sabe-se que é luminoso o Chaetop-
terus que tambem vive debaixo da terra em tubos coriaceos
dos quaes nunca póde sahir. Esses factos de certo não
são favoraveis á opinião daquelles que consideram a phos-
phorescencia de muitos animaes do mar como servindo-
lhes de protecção contra os seus inimigos, que por aquella
luminosidade seriam avisados de serem incomestiveis os
ditos animaes phosphoricos.
Segundo me informou o Dr. Spengel, tambem perto
do Rio de Janeiro foi achado um Balanoglossus pelo Sr.
Eduardo van Beneden e sendo provavel que a especie
gigantesca da Armação da Piedade não se limite áquella
unica localidade, não será fóra de proposito descrever o
methodo que depois de muitas tentativas achamos mais
commodo e seguro para se tirar incolumes dos seus
esconderijos esses animaes extremamente molles e frageis.
A” distancia de cerca de um metro cava-se uma valla
circular bastante funda (de 2 para 3 palmos) ao redor do
—— 39 —
montäo de excrementos do Balanoglossus; mais cedo ou
mais tarde encontrar-se-a neste trabalho o canal do bicho,
que logo se conhece pela agua que delle está correndo ;
se nesta occasião não apparecer o animal, cumpre seguir
o canal até encontral-o; denuncia-se a sua proximidade
por uma mucosidade abundantissima e muito pegajosa por
elle segregada.
Encontrada afinal uma das extremidades tira-se muito
devagar, e com o maior cuidado, visto que se rompe com
grande facilidade, mórmente quando tendo-se virado no
canal, apresenta a extremidade posterior.
Topando-se o canal logo ás primeiras enxadadas po-
de-se tirar o bicho em 5 ou 1o minutos; em outros casos
não dá sinão alguns fragmentos o trabalho aturado de
uma hora inteira.
“São necessarios dous homens para este trabalho; um
seguindo o canal ou segurando o animal, outro tirando
da valla a agua, que ás vezes rapidamente afflue, remo-
vendo a terra em cima do canal etc. Conservamos alguns
exemplares de Balanoglossus segundo o methodo usado
na Estação Zoologica de Napoles, collocando o animal
vivo por algum tempo em acido picrico-sulphurico antes
de o deitar em alcool. Hei de remetter um ao Museu
desde que achar um portador seguro.
Estudamos tambem durante a nossa estada na Armação
da Piedade um curiosissimo crustaceo Copepode parasitico
o qual vive no interior das Renillas.
Näo cabe em nenhuma das familias até hoje estabe-
lecidas; em vez de carregar os seus ovos em um ou dous
saquinhos pendurados perto do orificio genital, como fazem
as feméas dos mais Copepodes, o parasita da Renilla os
deposita um por um nos ovarios de seu hospede ea larva
(Nauplius) depois de sahir desse ovo, entra em um ovo
da Renilla para alli passar pela sua metamorphose.
Fora destes dous animaes pouco achamos de novo
ou digno de menção.
Encontramos arrojados na praia uns poucos exem-
plares de uma interessante esponja, que ha annos descobri
no Desterro e appelidada pelo meu amigo Oscar Schmidt
Tebilla euplocamos.
Em alguns dias foi arrojada a praia quantidade enor-
me de um interessantissimo Bryozoo que ha perto de 25
annos descrevi sob o nome de Serialaria coutinhii; infe-
lizmente estava muito estragado para se conservar e as pe-.
dras em que devia luxuriar ficaram inaccessiveis, mesmo
nas marés mais baixas; só uma vez achei alguns exem-
plares vivos e bons na sua posição natural, que tratei com
acido picrico-sulphurico e conservei em alcool.
A agua doce me forneceu uma especie nova de san-
guesuga, que se acha pregada a um cagado; pertence ao
genero Clepsine e parece intermedia entre à Cl. ver-
rucata da Europa e a Cl. costata F. M. da Criméa.
Remetto hoje pelo correio uma caixinha contendo
uma porção de exemplares de Renilla (preparados de
maneira differente e mostrando melhor a configuração dos
animaes vivos, do que os que trouxe da viagem prece-
dente) Tebilla euplocamos, Serialaria coutinhii, Clepsine
n. sp. e Belostoma.
SOME NEW COCCIDAE
collected at Campinas, Brazil, by Dr. F. Noack,
By T. D. A. COCKERELL.
The new species of Mytilaspis and Pseudoparlatoria
are only briefly described, as their full descriptions will :
appear elsewhere '). The new Lecanium is here described
for the first time.
(1) Lecanium perconvexum n. sp. — Female scale
very convex, long. 3 ‘/:, lat. 2, alt. 2 ‘/,mm., brown-black,
not very shiny; with minute specks of a lighter color; and
irregular patches of dull white waxy secretion, especially
at the side; sometimes all rubbed off. Female boiled in
caustic soda, stains the liquid dark brown. Antennae re-
presented by a short thick bristly protuberance; legs very
short, tapering, with about the form of a carrot; femur
and tibia broader than long; digitule present, short and
filiform; mouth-parts small; dermis chitinous, yellowish-
brown, with numerous large round and oval gland-pits,
and some small glands interspersed. Marginal spines very
small, simple; anal plates triagonal, with rounded corners,
the antero-lateral side longer than the postero-lateral; anal
ring with only a few bristles.
Male scale very small, scarcely over 1 mm. long, about
*/; mm. broad, pale brownish, shiny, wrinkled, covered
with a coating of dull white secretion, which is easily
deciduous. Hab. — Campinas, Brazil, abundant on twigs
!) ef. Cockerell T. D. A. Three New Coccidae of the Subfamily
- Diaspinae. Psyche Vol. 8, 1898, pp. 201—202.
Revista do Museu Paulista. Vol. III 3
of Nectandra sp. (coll. F. Noack.) L. perconvexum belongs
to the group of L. punctatum CkIL, scrobiculatum Mask.,
urichi Ckll., and qmbricatum Ckll,
(2) Pseudoparlatoria noacki n. sp. — Female scale
1º mm. diam., flat or very slightly convex, circular or
nearly so, stained with a light colfee-brown, except the
margins, which remain white, sometimes the’ whole scale
being whitish; exuviae central to sublateral, rather large,
exposed; the first skin is sometimes greenish with a yellow
spot at each end. |
Female with five groups of circumgenital glands, me-
dian of 7, cephalo-laterals about 20, caudo-laterals 16 to 18.
Hab. — Campinas, Brazil, on leaves of a forest tree,
Jan. 1898 (coll. F. Noack.)
(3) Mytilaspis perlonga n. sp. — Female scale long
and narrow, 3 '> mm. long, hardly 1 mm. wide; convex,
straight, very pale ochreous; exuviae shining apricot-color,
the first being rather coppery in color; first skin exposed,
second covered. Male scale similar but much smaller.
Female with five groups of circumgenital glands, me-
dian of 7, cephalo-laterals and caudo-laterals of about 14
each. Median lobes wide apart; gland-hairs (spine-likeplates)
very large; only one in first interlobular interval.
Hab. — On twigs of Baccharis, Campinas, Brazil,
Jan. 1898 (coll. F. Noack.) On the same twigs are a few
examples of Lecanium baccharidis Ckll.
Some Coccidae
collected by Dr. F. Noack at Campinas, Brazil.
By T. D: A: COCKERELL:
New MEXICO AGRICULTURAL EXPERIMENT STATION.
The following Coccidae were collected by Dr. Noack
in April 1898, and kindly sent to me for study.
(1) Lecanium depressum Targioni. On a cultivated
plant. Campinas. (Noack, n.° 6.)
(2.) Asterolecaninm pustulans Ckll. On twigs of peach.
Campinas. (Noack, n.º 3 in part.)
(3.) Dette, latoria noacki Ckll. On Nectandra. Cam-
pinas. (Noack, n.° 8.)
(4) Aspidiotus ficus Ashm. On leaf of orange. Cam-
pinas. (Noack, n.° 17 in part.)
(5.) Aspidiotus Maskelli Ckll. On a malvaceous plant.
Campinas. On leaves of Michelia flava, S. Paulo. (Noack,
n.º g in part, and 2) This species was previously known
only from the Sandwich Is.
(6.) Diaspis Oy Tryon. On twigs of peach.
Campinas. (Noack, n.° 3 in part.)
(7) Mytilaspis citricola Pack. On leaves of orange.
Campinas. (Noack, n.° 17 in part.)
(8.) Mytilaspis argentatus n. sp. — Female scale about
2'/,mm. long, often curved, very narrow, linear in fact, but
covered and broadly margined with a film of semi-transparent
silvery secretion, which under the microscope, has a reti-
culated structure, resembling a skeletonised leaf. The
scale itself is dark brown; the exuviae are dull orange.
Male scale white; short and broader, with its filmy
margin broad enough to be called oval,’ or sometimes
subcircular, with the orange exuvia projecting at the an-
terior end. The male and female scales congregate in large
patches on the leaf, and even the area between them is
thinly covered with the silvery secretion.
Female very long and narrow, dark red, with the caudal
portion yellowish; when boiled in liquor potassae becoming
dull yellowish, the caudal portion nearly colorless. The
body is. chitinous, except the caudal and cephalic parts.
Sides of segments not protruding, the lateral margins
straight, except that just before the caudal portion there
is on each side a strong process, like the end of a finger,
directed backwards. This process is sometimes long, some-
times quite short, and just before it is a rudimentary
second process. No groups of circumgenital glands, but a
conspicuous row of transverse glands parallel with the
margin, as in M. melaleucae, but not so near the margin.
Four almost colorless lobes, and many pointed processes
of the margin. The median lobes resemble human incisor
teeth, but are shorter; they are upright, well apart, with
a spine-like gland-hair in the interval. Beyond each median
lobe, not touching it, is a large pointed process of the
margin, just beyond which is the second lobe, which is
shaped like a cone lying on its side, the apex adjacent to
the apex of the pointed process just mentioned. Next
comes a wide interval, with three small spine-like gland-
hairs; then a second large pointed process, resembling the
first; after which the margin is very coarsely serrate with
four or five pointed processes, directed caudad. Cephalic
end smooth.
Embryonic larva (in body of female) with rostral filaments
in two coils. Two large figure-of-8 glands in the cephalic
region.
Hab. — On upper side of large ovate-lanceolate leaves
of a forest tree; Campinas, Brazil. (F. Noack, n.º 12.) A
very distinct species; by its narrow scale with a colorless
border it resembles M. pallida Green, from Ceylon.
Mesilla Park, New Mexico. U. S. A., June 8. 1808.
A doença das Jaboticabeiras ”
PELO
Dr. H. VON IHERING.
No anno passado chamou o notavel botanico e fazen-
deiro, Sr. José de Campos Novaes, em Capoeira Grande,
a attenção para uma doença das jaboticabeiras que neste
Estado devasta essas estimadas fructeiras. ?)
Examinando as arvores doentes encontrou elle no meio
. de uma pennugem branca insectos que depois de consultar
aos Srs. A. Léferen e Dr. F. Noack classificou de aphi-
dios. Induzido por essa declaração inexacta commetti no
meu artigo «os piolhos vegetaes do Brazil» 3) o erro de
suppor que esses piolhos pertenciam ao piolho da macieira
(Schizoneura lanigera Hausm.), do qual o Sr. Dr. Noack
ha pouco: participou a existencia por elle verificada em
macieiras deste Estado.
Em vista das duvidas que me ficaram quanto a clas-
sificação mencionada, dirigi-me ao Sr. /. de Campos No-
vaes pedindo material para examinar os respectivos inse-
ctos. Agradeço a elle a amabilidade com que poz á minha
disposição novo material, como agradeço ao Sr. A. Léeferen
o obsequio de ter-me entregue as duas respectivas pre-
parações microscopicas.
‘) Reproduzido da Revista Agricola. São Paulo, IV anno N.º
35 do 15 de Junho de 1898 pag. 185—189,
*) Veja-se Revista Brazileira Tom. XI. Rio de Janeiro 1897
pag. 113—118.
3) Veja-se essa Revista vol. II 1897 pag. 399.
or
O resultado do meu exame foi singular. Encontrei
nessas duas preparações dous «piolhos vegetaes», um sem
azas e outro alado, mas nenhum pertencente ao grupo dos
aphidios.
O individuo alado é insecto pequeno com dous pares
de azas e pertencente a familia Psocidæ e provavelmente
ao genero Psocus. Da mesma familia, houve um outro
representante do genero Troctes, especie bem parecida
com o Troctes divinatorius Muell. Não me constando que
seja conhecida especie alguma de Troctes do Brazil 4),
chamo a essa especie de Troctes illusorius sp. n. À espe-
cie, que mede 1 mm. de comprimento, é de côr amarella,
tendo a parte dorsal do prothorax e da peza que repre-
senta o meta-e meso-thorax unidos, de côr escura. À parte
anterior da cabeça é mais estreita do que na especie T
divinatorius e de côr ruiva. Os olhos são pretos, pequenos
e situados quasi no meio da borda lateral da cabeça ou
pouco mais adiante, sendo na outra especie situados atraz
da metade. Os palpos maxillares são extraordinariamente
compridos, as antennas têm 15 artículos e a mesma forma
como na outra especie. A differença mais notavel consiste
no revestimento do abdomen por numerosas sedas curtas
e grossas, que quasi completamente faltam na outra espe-
cie. Quanto á ultima, Tr. divinatorius, achei-a no mesmo
livro de Burmeister, compendio de entomologia, que em
primeiro logar consultei. — E” esse um pequeno piolho
que não é raro onde ha armarios, livros, poeira etc., sendo
por isso conhecido por «piolho da poeira».
Esses piolhos da familia Psocidæ não têm as partes
boccaes munidas de ferrão como os piolhos vegetaes pro-
prios ou Phytophthires, mas as maxillas lateralmente cor-
4) Acho deseriptas por Burmeister (Handbuch d. Entomologie
II. Berlin 1839 p. 772 ss.), duas especies do genero Thyrsophorus.
Kolbe «Neue Psociden» Stettiner Entom. Zeitsch. 44 Jahrg. 1853
p. 6—S7) descreve algumas especies brazileiras de Cerastis e
Psocus. São 8 especies que me constam a que aqui junto duas
do genero Troctes.
tantes como as dos gafanhotos e das baratas. Formam as
Psocidæ junto com os Termitidas (ou cupins) a sub-ordem
dos Pseudoneuropteros. Não se conhecem Psocidæ que
sejam nocivos á lavoura ou á arboricultura. Foi por essa
razão, evidente para mim, que nenhum desses «piolhos
da casca das arvores» pode ser inculpado da doença fatal
das jaboticabeiras, nas quaes foram encontrados.
O verdadeiro causador da doença, representado tam-
bem numa das duas preparações originaes por uma femea,
é um insecto da familia Coccidae do qual recebi material
conservado em alcool, consistindo em femeas e larvas. A
femea é caracterisada pela falta das antennas e das pernas
anteriores, completamente atrophiadas, ficando conservado
apenas o ultimo par das pernas. Tanto por esse caracter
como pelos singulares appendices terminaes do abdomen
da larva, que não combinam com as figuras dos generos
por mim conhecidos, julguei novo o respectivo genero,
não podendo entretanto nada de positivo affirmar a jres-
peito por falta do livro de Signoret que breve ha de ser
recebido na Bibliotheca do Museu. Mandei nessas condi-
ções os respectivos insectos ao Dr. Cockerell, que me es-
creveu dizendo que Signoret ja observou esse animal que
descreveu sob a denominação de Capulinia Sallei e que foi
encontrado no Mexico numa planta chamada capulino, aliás
genero e especie incompletamente conhecidos e espero
que os novos estudos agora começados pelo entomologista
do Museu Sr. 4. Hempel terão o resultado de elucidar a
questão e de fazer conhecido o macho e o cyclo biologico
do insecto. Tenho nesse sentido a melhor esperança em
vista da amavel e valiosissima coadjuvação do Sr. José
de Campos Novaes, em cuja fazenda actualmente o Sr.
Hempel está estudando o assumpto,
Cumpro com um dever de reconhecer como justa a
reclamação do meu distincto amigo Dr. Gomes Carmo que
já em Janeiro de 1894 constatou no Estado de Minas
Geraes a existencia da Phyloxera vastatrix. I’ certo,
Her
entretanto, que essa publicaçäo 5) feita num diario de Juiz
de Fora não chegou ao meu conhecimento.
Por minha parte apenas desejava expôr o resultado
dos meus estudos e mesmo corrigir o erro em que cahi
sem que nesse sentido a culpa fosse minha. Quanto ao
tratamento da doença recommendo os conselhos dados em
meu artigo sobre os piolhos vegetaes do qual na Revista A-
gricola deu um pequeno extracto o meu distincto amigo Dr.
Theodoro Sampaio. Observo, entretanto, que quasi tudo que
actualmente sabemos da doença da jaboticabeira está baseado
no excellente artigo do Sr. J. de Campos Novaes.
Seria bom conhecer a extensão e os extragos produ-
zidos pela doença em outras partes deste Estado e em
outros Estados do Brazil, a epoca em quea primeira vez
foi observada a doença, e o modo de distribuição. Se o
Sr. Cockerell, tem razão, julgando essa especie identica á do
Mexico, talvez a doença nos tenha vindo por importação.
Seria nesse sentido preciso saber, se a doença ataca tambem
outras plantas indigenas ou cultivadas e quaes. Não posso
megar que por ora julgo mais provavel que um exame
minucioso demonstrará essa especie independente da do
Mexico, propondo nesse caso para ella o nome de Capulinia
jaboticabæ. O proprio Dr. Cockerell diz, que o insecto da
Jaboticaba tem a perna articulada e que o insecto seme-
lhante do Mexico tem a perna simples sem articulação.
Parece tambem que o modo da secreção da massa da
pennugem é differente, dizendo Signoret da Capulinia
Sallei: «O insecto ataca todas as partes da planta e co-
bre-se de um sacco de massa igual ao algodão. Conti-
nuando, depois de formado o sacco, a secretar a massa
branca, essa depende da abertura do sacco em forma de
um appendice chato e comprido, que se prende a todas
as partes da arvore, parecendo esta afinal envolvida numa
teia de aranha».
5) Veja-se Revista Agricola N.º 34 p. 150.
Parecendo-me que essa descripção não combina ,com
a do Sr. Campos Novaes, acredito antes, que se trate de
duas especies parecidas tanto na organisação como no modo
de viver.
Se nisso tenho razäo é de presumir que a Capulinia
jaboticabze seja insecto indigena da nossa fauna e levan-
ta-se nesse caso a questäo: como acontece que essa doença
só agora é observada, ou só agora exerce effeitos devas-
tadores, quando ella existiu sempre? Assim volto ao que
ja disse acima: para elucidar completamente a historia dessa
doença precisamos de mais informações, seja provenientes
deste Estado, ou de outras regiões do Brazil. A jaboti-
cabeira atacada pela Capulinia aqui é indigena ou foi im-
portada e quando? Houve importações modernas e de onde?
Quaesquer informações referentes ao assumpto serão
acceitas com boa vontade pela redacção desta Revista.
E' preciso nesse sentido tambem prestar attenção as diffe-
rentes qualidades de jaboticabeiras. Caminhoá diz que °)
a jaboticabeira indigena de S. Paulo é Myrciaria jaboticaba
Berg, tendo o fructo no apice uma depressão, sendo esse
fructo preto e com duas sementes. A jaboticabeira de Minas
tem fructo globoso sem depressão e de côr rôxa não muito
escura (sendo maior?). Ha outras especies de Myrciaria no
Brazil. E’ pois bem possivel que a doença primitivamente
não existisse aqui e nos viesse com uma especie de jaboti-
cabeira importada. E' possivel tambem que a Capulinia
Jaboticaba seja originaria de outras myrtaceas cultivadas ou
silvestres e será necessario estudar os piolhos vegetaes de
todas as nossas myrtaceas com interesse especial.
S. Paulo, ro de Maio de 1898.
5) Botanica p. 1310.
GEST O
NOTAS
Capulinia Jaboticabae_Jhering
POR
ADOLPH HEMPEL,
ENTOMCLOGISTA DO MUSEU PAULISTA.
com Estampa I.
Num artigo intitulado «Uma Doença das Jaboticabeiras»,
e publicado na Revista Brazileira, tomo XI, de 15 de
Julho de 1897, o Snr. J. de Campos Novaes, chama a at-
tenção para as injurias infligidas sobre as jaboticabeiras
(Myrciaria cauliflora Mart.). Algum tempo depois disto,
elle mandou specimens dos insectos que causavam o damno
ás jaboticabeiras para o Museu Paulista. O director do
Museu, Dr. HH. von Jhering mandou os referidos insectos
ao Prof. T. D. 4. Cockerell em Novo Mexico, a fim de
serem identificados. Este classificou-os de Coccidae per-
tencentes ao genero Capulinia, e provavelmente a Capu-
linia Sallei Sig. A primeira descripção desta especie foi
feita em um specimen levado do Mexico. Ha poucos me-
zes o Prof. Cockerell obteve specimens de Capulima
Sallei do Mexico e concluiu que o insecto brazileiro é de
uma nova especie.
O Dr. von lhering em seu artigo sobre Phytophthires *)
tambem chama a attenção para este insecto; e em um
1) «Os Piolhos Vegetaes (Phytophthires) do Brazil», Revista
do Museu Paulista. Vol. II, 1897, pags. 385—420,
— 52 —
artigo recentemente publicado na Revista Agricola, ‘),
elle decide que é uma especie nova para a sciencia, e
denomina-se de Capulinia Jaboticabae.
Pela bondade do Snr. J. de Campos Novaes tive a
occasiäo de examinar as suas jaboticabeiras em Capoeira
Grande, onde fui passar alguns dias.
O Snr. /. de Campos Novaes tem diversas arvores
atacadas pela Capulinia, e fui bastante feliz em obter
specimens de differentes idades. Os insectos atacam so-
mente o tronco e os ramos; as femeas adultas se prendem
em grupos de baixo da casca sôlta e segregam massa branca
e lanosa; por conseguinte a arvore que fôr muito atacada
por estes insectos ficará visivelmente marcada com pe-
quenas manchas brancas sobre o tronco e os ramos, O
insecto não parece construir casulos ou saccos determina-
dos, mas segrega o algodão em massa leve e fofa, que
pende dos intersticios da casca. Os ovos estão envol-
tos nessa massa lanosa. Os casulos do macho têm uma
construcção fina e se acham geralmente no tronco da ar-
vore pegados ao interior de pedaços de casca. Na occasião
da minha visita (Maio 9) achei ovos e chrysalidas em
abundancia.
NOCIVIDADE.
Como ficou dito em cima, a Capulinia invade somente
o tronco e os ramos, mas parece ser attrahida tambem
pelos: botões das flores que depois de atacados seccam e
cahem das arvores. Muitas vezes penetra na arvore até a
madeira viva e produz manchas podres no tronco e nos
ramos. As arvores muito atacadas por este insecto, per-
dem muitas . folhas e apresentam um aspecto fraco e
doentio; e se o insecto não fôr reprimido, a morte da ar-
vore sobrevem dentro em poucos annos.
1) H. von. Ihering. «A Doença das Jaboticabeiras», Revista
Agricola, N.º 35, 15 de Junho de 1898, pags. 185—189, e esta Revista
Vol. III, pags. 43—47.
Em companhia do Sr. /. de Campos Novaes, tive oc-
casiäo de visitar um dos seus vizinhos, que tem no seu
pomar muitas jaboticabeiras affligidas de doenga. As pontas
dos ramos tinham seccado e estavam podadas. Examinando
as arvores, encontrei poucos individuos da Capulinia
jaboticabae, e não creio que as arvores estejam sendo
destruídas somente por este insecto. Acho mais provavel
que o estrago seja produzido pela larva de um coleoptero
longicornio (Cerambycidae), com a qual as arvores estão
infestadas. E necessario continuar as observações sobre
a Capulinia, durante um anno inteiro, a fim de determinar
o numero de gerações. Sem duvida ella é muito prolifica;
pois contei tanto como 75 ovos na massa; e uma vez que
seja introduzida ha de se propagar com rapidez. Por em-
quanto parece que tem atacado só as arvores cultivadas. Se
ataca as jaboticabeiras nas mattas ainda não está v & ificado.
Inimigos Naturaes. — Dos specimens que trouxe para
São Paulo, consegui criar dois Hymenopteros parasiticos.
DESCRIPÇÃO.
A Femea Adulta (Fig. 1). — E de côr amarello clara
tornando-se transparente quando fervida numa solução de
hydrato de potassio; de fórma oval, arredondada na parte
anterior e na parte posterior; o abdomen termina em dois
pequenos tuberculos, cada um tendo varios cabellos com-
pridos e finos, acabando em sedas compridas. Os
segmentos do abdomen são distinctamente marcados e
trazem de cada lado dois ou mais cabellos nodosos e uma
porção de cabellos mais curtos e lisos. Na margem da
parte anterior do corpo tambem se acha uma porção de
cabellos nodosos. Na epiderme nota-se uma porção de
rugas, dando assim ás margens uma apparencia dentada.
Não tem fiandeiros. O segmento terminal ou anogenital
tem quatro cabellos curtos: Somente duas pernas appare-
cem (o par posterior) sendo distinctamente articuladas; o
femur é um pouco mais comprido do que a coxa; a tibia
f
à
|
|
t
\
e o tarso são do mesmo comprimento, e enrugados trans-
versalmente. O mento ferreo é comprido e tem quatro meras.
As antennas são curtas e compostas apparentemente de
quatro segmentos que estão indistinctamente separados um
do outro; o ultimo é um pouco mais comprido do que os
outros e é provido de um pincel terminal de cabellos. O
comprimento é de cerca de 1 mm.
O Casulo do Macho (Fig. 2.). — E branco; tem a
fórma oval e os lados parallelos; a extremidade posterior
é aberta e truncada, e a extremidade anterior é arredon-
dada. Comprimento, 1.35 mm. Largura, 0.46 mm.
A Nympha do Macho (Fig. 3). — E carmezim;
tem olhos escuros. Os tres ultimos segmentos do abdo-
men tém de cada lado, nas margens lateraes, uma espi-
nha grande e duas menores. Diversos outros segmentos
tambem têm espinhas pequenas. O comprimento é de
0.75 mm.
O Macho Adulto (Figs. 4e 5). Comprimento, incluindo
o estylete é de 0.79 mm., extensão das azas 1,95 mm. A cor
geral é preta; as azas são de cor clara: as superficies e
as margens estão cobertas de um pello muito miudo. As
antennas têm dez articulações; as juntas 3 a 5, compridas,
de fórma elliptica, e iguaes em comprimento; a junta 6 é
um poucomais curta; as juntas 7 e 8, são mais curtas
ainda e iguaes em comprimento; a junta 9 é mais curta
ainda e um pouco mais desenvolvida; a junta 10 é menor
do que a 9. O scapo é largo; a junta 2 é menor sendo
igual 4 9 em comprimento.
As pernas são bem curtas; o femur tem mais ou me-
nos dois terços do comprimento da tibia e os tarsos tèm
a metade do comprimento do femur; a tibia é ligeiramente
curvada, tendo na extremidade distal ou livre varias
espinhas bem reforçadas; as garras dos tarsos são com-
pridas e delgadas e têm quatro pequenos digitos. O corpo;
as antennas e as pernas são cobertos de pellos. Nos
machos recem-nascidos, o ultimo segmento do abdomen
tem um filamento branco de cada lado; este é muitas vezes
igual, ou maior do que o corpo todo em comprimento.
Estes filamentos depois säo quebrados logo ao pé do corpo,
e dois cabellos compridos e grossos indicam os pontos
de ligação. O estylete é curto e reforçado. O insecto
recem-nascido deixa o casulo afastandose para fóra da
extremidade posterior que se acha já aberta; a extremi-
dade anterior de todos os casulos que examinei estava bem
fechada.
Ovos. — São de cór amarello clara, têm a forma elli-
ptica, e estão envoltos em massa de fibras lanuginosas.
Comprimento, 0.23 mm. Largura, 0.083 mm.
Larva Recem-nascida (Figs. 6 e 7.) — Tem a cor
amarello clara. Os olhos são escuros. O corpo tem
a forma elliptica, e o abdomen termina por dois tubercu-
los pouco salientes, cada um dos quaes traz uma cerda
terminal. Distinguem-se facilmente os segmentos do abdo-
men. O ultimo segmento é provido de duas espinhas
curtas e agudas, collocadas entre os tuberculos, e de tres
espinhas em fórma de clava, que se acham de cada lado
do abdomen, duas das quaes estão collocadas junto á
margem posterior e uma sobre a margem lateral. Na su-
perficie do ventre, perto da margem posterior ha duas
cerdas, que têm a metade mais ou menos do comprimento |
daquellas que estão sobre os tuberculos. Os outros seg-
mentos do abdomen tambem são providos de espinhas em
fórma de clava, uma das quaes se acha collocada em ci-
ma, ou junto à margem lateral de cada lado; outra junto
à linha mediana, e a outra restante entre as duas, porem
mais perto da margem lateral. Estão collocadas de modo
a formar 6 carreiras longitudinaes sobre o abdomen,
Ha algumas tambem sobre o thorax, mas pequeninas,
Essas espinhas especiaes são maiores e mais apparentes
nos ultimos tres segmentos do abdomen do que em qual-
quer outra parte do corpo e parecem mesmo aberturas de
canaes. Não ha espinhas nem cabellos em qualquer outra
parte do corpo.
As pernas são curtas e reforçadas; o femur é igual à
tibia e ao tarso em comprimento. Acham-se collocados varios
cabellos sobre o femur e a extremidade mais distante
da tibia. As garras dos tarsos têm quatro pequenos di-
gitos. As antennas têm seis articulações. A primeira junta
ou o scapo, é grande; as juntas 2 e 3 são um pouco me-
nores; a junta 4 é muito pequena; a junta 5 é igual a junta
3 ea junta 6 é um pouco mais comprida. Todas as jun-
tas menos a junta 4 são munidas de pellos. O filamento
do rosto é muito comprido.
REMÉDIOS.
O Snr. J. de Campos Novaes pensa que raspando as
jaboticabeiras, especialmente os ramos e os troncos, até
tirar-lhes toda a casca velha e sôlta, serão destruidos muitos
dos insectos. Esse methodo poderá ser seguido por aquelles
que têm somente poucas arvores. À casca removida e os
insectos devem ser tirados com cuidado de perto das arvo-
res, e queimados ou molhados com petroleo. Será con-
veniente tambem lavar ou banhar as partes infeccionadas
das arvores com uma emulsão de petroleo, diversas ve-
zes no anno, até exterminar a peste.
Sem duvida o melhor remedio é o acido Hydrocya-
nico em fórma de gaz applicado com o tratamento, que
tem sido aperfeiçoado nos Estados Unidos, e é usado pe-
los cultivadores de fructas na California.
O Snr. D. W. Coquillett, o descobridor deste pro-
cesso dá uma descripçäo minuciosa delle no seu artigo
“Insect Life, '), e não posso fazer melhor causa que
transcrever aqui o que elle diz.
«Uma longa serie de experiencias que o escriptor
conseguiu effectuar sob os auspícios da nossa Divisão na-
cional de Entomologia em Washington demonstra o facto
que se póde obter os melhores resultados preparando o
9 D. W. Coquillett, «Hydrocyanic Acid Gas as an Insecticide».
Insect Life, Vol. VI, N.º 2, pp. 176180. Washington, 1893.
gaz com acido sulfurico commercial, não diluido e com
cyanureto de potassio fundido não dissolvido, e de mais
ou menos cincoenta e oito por cento de pureza, a pro-
porção sendo: — 30 cc. (ou centim. cubicos) de acido, 30
gr. de cyanureto, e go cc. de agua fria.
«Para fabricar esse gaz, qualquer vasilha de barro
serve; o tamanho da panella depende do tamanho da ar-
vore ou planta que se quer tratar. Põe-se primeiro a
quantidade necessaria de agua na panella, seguida do acido;
colloca-se depois a panella no chão debaixo da tenda e
ajunta-se o cyanureto. À experiencia tem demonstrado que
o tempo melhor para tratar de arvores é á noite ou num
dia fresco e nublado; nestas occasiões as arvores estão
num estado mais ou menos de repouso, e são por Isso
mesmo menos susceptiveis de serem prejudicadas pela
acção do gaz do que se fossem sujeitadas a esse tratamento
num dia de sol claro. Demais, é bem sabido que esse gaz
não é muito estavel mesmo nas condições mais favoraveis,
mas é, sem duvida, menos susceptivel de decomposição
quando conservado numa temperatura baixa do que quando
sujeito a qualquer grão consideravel do calor. Por estas
razões, é preferivel usar-se deste processo somente durante
o tempo frio, e a experiencia tem demonstrado que as
diversas especies de piolhos vegetaes são tão susceptiveis
a acção deste gaz durante o frio e a noite como em
qualquer outro tempo.
«E’ impossivel, sem duvida, dar qualquer regra fixa
em relação á quantidade de substancias chimicas que deve
ser usada para cada arvore. A experiencia tem provado
que uma arvore coberta de folhagem densa resiste sem
damno a uma dose muito mais forte do gaz do que
uma arvore que tem poucas folhas. A theoria é a se.
guinte: no primeiro caso o gaz é distribuido entre maior
numero de folhas e por conseguinte o seu effeito é menos
rigoroso sobre cada uma dellas. Em geral podemos esta-
belecer que, em cada 180 pés cubicos (5.1 metros cubi-
cos), de espaço abrangido pela tenda, são necessarias
Revista do Museu Paulista E
30 gr. de cyanureto e as outras substancias na proporção
acima mencionada.
«O material geralmente usado na construcção da tenda
para cobrir as arvores ou a lona é conhecido pelo nome
(Eight-ounce Duck). A principio houve costume de construir
disto uma tenda de fórma campanulada, mas um simples
lençol serve para o mesmo fim e é menos dispendioso e
mais facil de remover das arvores do que a tenda. Esses
lençoes são feitos em fórma de um octogono, porque não
só é mais facil a sua confecção, como tambem causa menos
perda de material naquella fórma do que se fossem cons-
truidos em forma circular.
«No caso da arvore ser muito grande, é de costume
fazer as duas pecas do meio de um panno mais forte,
visto como é nesta parte do lençol que recae a maior
parte do peso ao collocal-o e tiral-o de cima da arvore.
Para essas duas pecas é usada a lona de dez onças.
«Diversas experiencias feitas com as tendas sem tinta
provam que não é conveniente utilisal-as nestas condições,
visto que os intersticios do panno permittem escapar
grande quantidade de gaz; para tornal-as impermeaveis
para o gaz é preciso cobril-as com uma camada de oleo
de linhaça, com ou sem a mistura de outras substancias.
Entre estas substancias que se empregam para misturar
com o oleo devemos mencionar as seguintes: ocre ama-
rello, pó de sapato, branco de Hespanha, cera, e uma so-
lução de sabão. Talvez, a substancia mais geralmente
usada para este fim seja uma tinta fina de ocre amarello,
esta sendo mais leve e menos dispendiosa do que as ou-
tras tintas. Seria, sem duvida, muito mais conveniente
empregar um panno já preparado na construcção dessas
tendas, mas por emquanto os meus esforços em obter um
material proprio para este fim têm sido em vão. O mate-
rial mais proprio que pude achar no commercio foi um
impermeavel de borracha, mas a qualidade mais barata
deste impermeavel custa quasi tres vezes o que custa
panno pintado como ficou descripto acima,
«Nos paizes onde abunda o cacto, pode ser usado o
succo mucilaginoso desta planta em vez do oleo de linha-
ca; o cacto é simplesmente cortado em pedaços pequenos
e lançado num barril com agua fria, e depois de ficar de
molho nesse barril por dois ou tres dias está prompto para
ser usado.
« Onde as arvores têm menos de quatro metros
de altura os lençoes podem ser collocados em cima dellas
e tirados por meio de varas compridas, mas com as arvo-
res acima desta altura deve-se usar um apparelho que
funccione por meio de cordas e roldanas. O apparelho
mais simples desta natureza consiste em duas estacas,
uma de cada lado da arvore, tendo uma roldana na ponta
superior, pela qual passe uma corda que se prenda ao
lençol. Este apparelho simples póde ser construido em
pouco tempo por qualquer pessoa e é facil de ser mudado
de uma arvore para outra, quando fôr preciso. As estacas
devem ser bem leves e podem ser deitadas emquanto
o lençol está sobre a arvore, podendo ser levantadas
facilmente na occasião de retiral-o.
«Depois de collocado o lençol sobre a arvore, a mar-
gem pendente para baixo é ajuntada e bem calcada ao
chão afim de obstar o escapamento do gaz entre a beira
do lençol e o chäo: O gaz sendo mais leve do que o
ar, se eleva e espalha por todo o espaço cercado pelo
lençol sem o emprego de quaesquer meios artificiaes, e
isto acontece com todas as arvores mesmo quando têm
mais de dez metros de altura.
«O tempo que o gaz deve ser applicado a cada ar-
vore depende do tamanho da arvore, e deve variar de
quinze a trinta e até quarenta minutos. Se se empregar
um numero sufficiente de lençoes ou tendas, não é preciso
perder tempo durante o processo, visto como por uma dis-
posição propria das tendas, a que se collocou primeiro
póde ser removida logo que se acabar de arrumar a ultima
e a mudança das outras segue-se na sua ordem natural.
«O uso desse gaz está rapidamente substituindo todos
PTE da
os outros methodos de destruir os insectos escamosos
ou Coccidios nos laranjaes no sul da California, e
podia tambem ser empregado com vantagem na destrui-
ção de muitos outros insectos damninhos. A destruição
completa dos insectos damninhos especialmente nas plan-
tas e mudas importadas para os viveiros é de summa im-
portancia, e para este fim o tratamento com o gaz é es-
pecialmente adaptado. Deve-se notar, porêm, que os ef-
feitos desse gaz não são identicos com todos os insectos
de differentes especies, e este facto é muito notavel mesmo
entre as diversas especies de insectos escamosos.
«Em geral as Diaspinae são mais facilmente affecta-
das do que qualquer outro genero de insectos; e como
era de suppôr os proprios insectos são mais sensiveis aos
effeitos do gaz do que os ovos. Os acaros são pouco ata-
cados por esse gaz a não ser de uma insensibilidade tem-
poraria, ou pelo menos é o que parece, visto como na maior
parte dos casos, elles voltam a si depois de seu somno
forçado, e parecem não soffrer inconveniencia alguma pro-
veniente disto. De outro lado o gaz é fatal ás aranhas.
Entre os insectos mais elevados, os Diptera e Hymenop-
tera são mais sensiveis a sua influencia, e os Hemiptera
e Coleoptera são menos sensiveis do que os outros.
«Quando comecei a usar esse gaz como insecticida,
levantou-se um clamor contra o seu emprego por causa
da sua natureza venenosa, bem como dos materiaes chimi-
cos usados na sua fabricação. Tão pronunciado foi este
sentimento que os chimicos desta cidade recusaram fazer
a analyse do cyanureto de potassio, devido á sua natureza
altamente venenosa. E comtudo, durante os sete annos
passados em que o gaz tem sido largamente empregado,
por mim e por outros, não vi nem tenho noticia de um
só caso em que resultasse qualquer damno de seu em-
prego, para pessoa alguma, nem do proprio gaz e nem dos
materiaes chimicos de que é fabricado. De vez em quando
uma ave domestica que por acaso estiver na arvore, na
occasião em que lhe for applicado o tratamento, é despa-
A Gir a
chada para o outro mundo pelo caminho mais pratico; e
os passarinhos e as lagartixas seguem o mesmo destino, mas
os casos desta ordem são muito raros e quasi sempre
podiam ser evitados tomando a precaução devida.»
Do que acabo de expor está claro que esse methodo
tem sido empregado nos Estados Unidos com os resultados
mais beneficos, e podia sem duvida ser usado com grande
vantagem no Brazil, não só nas jaboticabeiras, como
tambem nos cafezeiros, nas laranjeiras, e em outras arvores
atacadas por insectos pestiferos.
Está a chegar o tempo em que a concurrencia vae se
tornando cada vez mais saliente, e o lavrador brazileiro
precisa, se quizer conservar a sua posição, empregar maiores
esforços para a exterminação das pestes que devastam as
suas plantas e arvores.
Deve-se tomar toda a precaução a fim de não intro-
duzir quaesquer insectos nocivos nas plantas dos viveiros,
e quaesquer plantas importadas devem ser cuidadosamente
examinadas, e bem fumegadas por alguma pessoa com-
petente, se isto for: necessario, antes de feitas as planta-
ções dos insectos terem tempo para se espalharem nas
plantas.
São Paulo, 1.º de Julho de 1898.
VW
E
A
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
Fig.
EXPLICACAO DA ESTAMPA I.
(1) Capulinia Jaboticabae Thg.
(2) » » »
( 3) » 3 » »
(4) » » »
( 5) » » »
(6) » » »
( 7) » » »
Femea adulta.
Casulo macho.
Chrysalida ou nympha
do macho.
Macho adulto.
Garra do tarso, muito
augmentada.
Larva nova.
Larva nova, extremi-
dade posterior do
abdomen, muito aug-
mentada.
CONSIDERAÇÕES
sobre alguns peixes Terciarios
dos schistos de Taubaté, Estado de S. Paulo, Brazil
POR
A. SMITH WOODWARD F. L. 8.
com Estampa II—IV.
Durante os ultimos annos têm-se descoberto peixes
fosseis nos schistos betuminosos occurrentes numa bacia
da rocha crystallina em Taubaté no Estado de S. Paulo.
Nada sabemos a respeito da epoca exacta da formação, e
singularmente nenhum organismo, excepto os peixes, tem-se
descoberto nella. Estes fosseis são, portanto, interessantes
sob o ponto de vista zoologico tanto como do palaeontologico
e é objecto desta communicação descrever alguns dos seus
caracteres principaes. Os primeiros specimens foram rece-
bidos ha dois annos pelo Dr. von Ihering do Museu Paulista
que tem gentilmente nos fornecido photographias de outros
da collecção confiada a elle. Uma serie importante foi
apresentada pelo Dr. von Ihering ao Museu Senckenberg
em Frankfurt e alguns destes foram mandados para
Londres pelo professor F. Kinkelin para estudo e descrip-
ção. Outra collecção de valor foi tambem feita pelo Snr.
John Gordon no Rio de Janeiro, por cuja generosidade
o Museu Brittanico obteve uma serie typica de specimens.
Todos esses peixes têm um aspecto inteirameete mo-
derno e parecem pertencer a generos que ainda habitam
as aguas doces da America do Sul, como Arius, Tetra-
gonopterus, Percichthys e Acara ")
Os esqueletos são geralmente inteiros porem a materia
ossea é de ordinario, tão fragil que despedaça quando des-
enterrada, e as partes são indicadas principalmente por
impressões na massa compacta do schisto. Com materiaes
taes é naturalmente impossivel tentar determinações tão
exactas como aquellas que se esperam do estudo de peixes
recentes; porem os fosseis parecem justificar o reconhe-
cimento de pelo menos quatro especies novas.
Familia SILURIDAE.
Arius theringi Sp. nova:
(Figs. 1, 2.
Os specimens principaes de Arius são: um peixe
quasi completo no Museu Paulista, outro faltando a parte
trazeira da região caudal (fig. 2) no Museu de Senckenberg-
e um craneo no Museu Brittanico. Todos estes são rela-
tivamente pequenos, medindo o craneo não mais que o.1
m. de comprimento, ha porem evidencias de formas ma-
iores, por exemplo, um specimen, em fragmentos, apresen-
tado pelo Snr. Gordon ao Museu Brittanico, que devia
ter tido duas vezes o tamanho mencionado.
O craneo é conhecido somente pela impressão do:
aspecto dorsal, que mostra uma ornamentação rugosa e
muito grossa em todos os ossos até a margem anterior
da orbita. Sua largura maxima excede pouco á metade do
comprimento, desde a margem occipital atè a ponta do
focinho. As orbitas estão situadas exactamente no meio e
a região anteorbital é achatada.
A parte posterior do osso supraoccipital é estreita
medindo o comprimento o duplo da largura e tendo
os lados quasi parallelos; não mostra quilha mediana e
') Veja-se o catalogo dos peixes d'agua doce da America do
Sul » por C. H. and R. S. Eigenmann, Proc. U. S. National Mu-
seum. Vol. XII (1891) pp. 1-—S1.
Per
longitudinal; a sua margem trazeira é dentada um pouco
por um angulo agudo entalhado no qual a chapa dorsal
provavelmente entrou. A fórma e extensão da chapa dorsal]
não se conhecem. As suturas entre os varios ossos cranea-
nos se póde observar claramente com a sua disposição
normal e um sulco na matriz indica o vacuo longo e estreito
ordinariamente. O mesenthoido, curto e liso, com suas azas
lateraes pontudas está tambem bem demarcado na impres-
são. Os queixos e os dentes são desconhecidos.
O operculo triangular está conspicuamente ornado de
sulcos radiando do seu ponto de suspensão.
O comprimento do craneo e contido cerca de quatro
vezes no comprimento total do peixe inclusive a barba-
tana caudal. As vertebras da região abdominal são mais
curtas que as da região caudal, porem, o numero não
se póde determinar. A espinha da barbatana do peito,
como se vê na impressão do lado esquerdo do specimen
do Museu de Senckenberg, é arqueada muito pouco, estriada
longitudinalmente, e egual em comprimento a dois terços
do comprimento do craneo sem o processo occipital. A
espinha da barbatana dorsal egualmente mostrada no
mesmo specimen é tambem estriada longitudinalmente, não
tuberculada e excede muito pouco a espinha do peito em
tamanho. As barbatanas não estão bastante conservadas
para se descrever.
Apezar de tantos caracteres importantes desse peixe
ficarem desconhecidos, a fórma e as proporções do processo
occipital mediano restringem a comparação a um numero
muito pequeno de especies conhecidas de Arius. Todas
aquellas que se approximam da fórma fossil de Taubaté,
na fórma do processo mencionado, parecem estar separadas
por um ou outro dos caracteres do esqueleto mencionados
acima ‘)
') Uma synopse valiosa das especies recentes de Arius que
vivem na America do Sul encontra-se no artigo de Eigenmann:
Revision of the South american Nematognathi or Cat-fishes. Occa-
sional papers of the California Academy of Sciences N.º 1 (1890),
sendo naquella obra usado o nome de Tachisurus em vez de Arius.
a
Pode essa especie, portanto, receber o nome de Arius
iheringi em honra do seu primeiro descobridor.
Familia CHARACINIDAE.
Tetragonopterus avus Sp. nova.
(Fig. 3.)
O mais commum -dos peixes dos schistos de Tau-
baté é um pequeno Characinoide que parece pertencer
ao genero Tetragonopterus. Não exhibe a pequena bar-
batana dorsal gordurenta, que mal podia ser conservada
durante a fossilisação; porem nos dentes anteriores e no
aspecto geral do peixe se assemelha elle mais ao genero
existente ha pouco mencionado e portanto pode-se clas-
sifical-o provisoriamente aqui. Ás vezes chega ao compri-
mento de o.2 m. A maior parte dos specimens estão
esmagados e desfigurados de varias maneiras, mas 0 com-
primento da cabeça com o apparelho opercular parece ser
mais ou menos egual 4 altura maxima do tronco, que é
contida pouco mais que quatro vezes no comprimento
total do peixe. As grandes e fortes chapas da face mos-
tram-se algumas vezes. A expansão consideravel do preo-
perculo e a fórma extendida do operculo estão claramente
indicadas.
Os dentes anteriores são conicos, grandes e fortes,
incisos como de costume, mas os fosseis examinados infe-
lizmente não mostram-se, a serie da premaxilla é dupla
ou simples. Dois specimens mostram que a maxilla foi
tambem dentigera por quasi toda a sua extensão, e um
exemplar mostra uma serie simples de dentes pequenos
bem juntos que se inclinam para traz. A ponta posterior
deste osso extende-se até ao meio da orbita.
As vertebras, como de costume, não se podem contar
com certeza, mas ha cerca de 20 na região abdominal e
22 na caudal. Os centraes são reforçados em cada lado
por um processo forte e longitudinal. O raio anterior da
ur =
barbatana do peito é comparativamente grosso e articulado
distalmente, quasi ou elfectivamente alcançando a origem
das barbatanas pelvicas, cada uma das quaes conta 8 raios.
A barbatana dorsal tem somente 9 raios e é opposta ao
espaço entre as barbatanas pelvicas e anaes. A barbatana
anal extende-se moderadamente com cerca de 22 raios e
falta pouco em altura para egualar á da barbatana dorsal.
As escamas sempre apparecem nas impressões, às
vezes com traços de demarcações radiantes.
Como este peixe que póde pertencer ao sub-genero
Hemibrycon de Günther, parece differente em alguns pontos
de cada uma das especies existentes ') pode receber o
nome distinctivo de Tetragonopterus avus.
Tetragonopterus ligniticus Sp. nova.
(Figs. 4, 5.)
Um peixe menor de Taubaté medindo não mais que
O.II m. em comprimento, tambem parece que se póde
referir ao genero Tetragonopterus, ainda que sua dentadura
não póde ser claramente observada em qualquer dos spe-
cimens conhecidos. E comparativamente delgado em forma;
o comprimento da cabeça com o apparelho opercular
egualando a altura maxima do tronco que é contido cinco
vezes no comprimento total do peixe. As chapas caracte-
risticas das faces e o apparelho opercular são claramente
indicados nas impressões; e parece ter indicações de dentes |
na maxilla, porem isso é incerto. As vertebras parecem
ser cerca de 36 a 38 em numero e destas 20 podem ser
consideradas caudaes. As barbatanas do peito são rela-
tivamente grandes, com um raio anterior muito forte; quando
collocadas ao lado do tronco extendem-se alem da origem
do pequeno par pelvico. À pequena barbatana dorsal com
1) Veja-se a synopse de Albert Ulrey, « The South american
Characinidae collected by Charles Frederic Hartt ». Ann. New
York Acad. Sci. Vol. VIII (1895) pp. 262—272.
ABS
somente 8 ou 9 raios, origina-se no meio entre o occipiut
€ a base da barbatana caudal directamente opposta a
parte anterior da barbatana anal. A anal, muito comprida,
é composta de 30 raios, e sua elevação anterior é mais
ou menos igual a da dorsal. RARE à
Familia SERRANIDAE.
Percichthys antiquus Sp. nova.
(Figs. 6, 7.)
Um peixe quasi completo no Museu de Senckenberg
(fig. 6), e a parte dorsal do tronco no Museu Brittanico » |
(fig. 7), representam a especie nova do genero Percichthys,
que é bem conhecido nas aguas doces da Argentina e
Chile, mas não parece que foi descoberto antes no Brazil.
O peixe mede somente o.12 m. em comprimento total.
A altura maxima do tronco é quasi igual ao compri-
mento da cabeça com o apparelho opercular, sendo contida
tres vezes e meio no comprimento total do peixe. A cabeça .
é demasiadamente imperfeita para a classificação, mas a
margem denteada caracteristica («serrations») no suborbital
anterior é distincta nos lados do melhor fossil. O numero
das vertebras é incerto, mas devia haver cerca de 14 na
região abdominal e 18 na região caudal. Os corpos das
vertebras são munidos de processos («ridges») delicados e
longitudinaes. Alguns dos raios relativamente delgados da
barbatana do peito apparecem em cima das pelvicas, das
quaes a espinha anterior é notavelmente forte e excede
um pouco em comprimento á parte basal dos raios molles.
A barbatana dorsal origina-se muito para adeante, acima
da origem das peitoraes; e, como se vê, no fossil do
Museu Brittanico (fig. 7), sua parte espinhosa tem quasi
dous tantos do extenso da sua parte molle. Ha tres espi-
nhas curtas na frente; seguem-se então duas espinhas
maiores quasi iguaes em tamanho e com quasi dous tantos
do comprimento das espinhas da frente, e talvez da me-
SRE, RE
tade do comprimento da cabeça com o apparelho opercu-
lar; seguem-se mais seis espinhas diminuindo pouco a pouco
em tamanho, em direcção á cauda. Atraz desses seguem-se
9 ou 10 espinhas molles, de modo que a formula com-
pleta da barbatana dorsal é provavelmente X+1.10. A
barbatatana anal está directamente opposta á parte tra-
zeira, molle da dorsal e é quasi igual a esta em extensão.
Sua formula de raios parece ser III, 8 ou 9, a espinha
mais fronteira tendo somente cerca da metade do com-
primento das outras, que são de comprimento egual, e
quasi semelhantes em grossura, tendo mais ou menos
duas vezes o tamanho da segunda e terceira espinha
dorsal. As escamas estão mal conservadas, mas algumas
mostram as numcrosas rugas radiantes na sua parte co-
berta. Os caracteres das barbatanas medianas distinguem
o peixe, assim brevemente descripto, das especies conhect-
das de Percichthys') e pode portanto ser chamado P.
antiquus.
Familia CHROMIDAE.
Acara sp.
Os peixes pertencentes à familia Chromidae dos schis-
tos de Taubaté não são ainda bastante conhecidos para a
determinação exacta; parecem entretanto pertencer à secção
typica do genero Acara com tres espinhas. A especie
parece ter chegado ao comprimento de 0.2 m. Ha um speci-
men imperfeito no Museu de Senckenberg mostrando as bases
(«the supports») de 14 espinhas na barbatana dorsal, se-
guidas de 8 ou 9 raios articulados. Nota-se que as tres
espinhas anaes augmentam pouco a pouco em comprimento
em direcção a cauda, sendo seguidas de 8 ou 9 raios
articulados.
Londres 14 de Dezembro de 1897.
1) Veja-se G. A. Boulanger « Catalogo dos peixes no Museu
Brittanico », 2 ed., Vol. I (1895) pp. 118—121.
— 70 —
EXPLICAÇÃO DAS ESTAMPAS III.
Figs. 1 e 2. Arius theringi, (bagre).
Fig. 3. Tetragonopterus avus, (lambari).
Figs. 4 e 5. Tetragonopterus ligniticus, (lambari).
Figs. 6 e 7. Percichthys antiquus, (acará).
Observações sobre os peixes fosseis
DE TAUBATÉ
PELO
OP ER EM Oe PE PEER Cr:
O trabalho precedente pelo que estou muito agrade-
cido ao eminente paleontologista do British Museum Dr.
A. Smith-Woodward representa a primeira publicaçäo
feita sobre os peixes fosseis de Taubaté. O autor descreve
um bagre (Arius iheringi) do qual uma chapa magnifica
com um exemplar completo está guardada nas collecções
do Museu Paulista, duas especies de lambaris (Tetrago-
nopterus avus e ligniticus) e duas especies de acarás
(Percichthys antiquus e Acara sp.)
Quanto ao Percichthys não. posso deixar de exprimir
as minhas duvidas, embora com toda reserva. À dentição
do praeorbital e provavelmente do suborbital anterior
noto tambem em nosso bonito exemplar de Acara e não
posso acreditar que as duas especies de acarás que conto
entre o material da nossa collecção, do mesmo modo
como 4. Smith Woodward, pertençam a duas familias
differentes.
Eis os diversos pontos caracteristicos que distinguem
Percichthys dos Chromides :
Percichthys Chromides
2 Barbatanas dorsaes (2 D). =. 1 D
Praeopercular denticulado . . . . Praeopercular liso
Operculo*comMespinha |. so. Operculo sem espinha
Vejo que as figuras 6—7 e os nossos exemplares com-
binam melhor com os Chromides, faltando os dentes e
espinhas caracteristicas do operculo e praeoperculo. Não
posso, pois, me convencer de que o Percichthys antiquus
seja uma especie do genero Percichthys, julgando-o eu
representante da familia das Chromides e provavelmente
do genero Acara ou Chaetobranchus. Parece-me, entretanto,
que nos poucos exemplares desses peixes acanthopterygios
que a nossa collecçäo possue ha representantes de 3
especies distinctas.
Infelizmente em quasi todos a cabeça está mal conser-
vada. Chamo a attenção das pessoas que possuem exem-
plares desses. peixes para essa lacuna da nossa collecção
pedindo-lhes que nos concedam mais exemplares desses
acarás e se houver de, bagres, mandis e outros Silur-
oides, que sem duvida alli existiram sem até hoje serem
conhecidos.
O exame do Snr. 4. Smith Woodward tem desse
modo mais ou menos confirmado o que eu disse num artigo
publicado no Estado de S. Paulo de 12 Julho de 1894,
indicando a presença de uma especie de Arius e de
diversas de lambaris e acarás. Tiro daquelle artigo os topicos
seguintes:
«Uma riqueza muito mais patente tem o municipio de
Taubaté nos seus schistos betuminosos. Estes schistos ap-
parecem à pequena profundidade; elles formam em grande
distancia o leito do rio Parahyba e em toda a zona onde
são encontrados não ha outras pedras.
As camadas não são muito grossas, medindo muitas
vezes menos de um metro, mas seguem-se outras parecidas,
mais no fundo.
E" assim que o Sr. Guilherme Calderwood, da fabrica
de gaz, me disse que por furos de sondagem ficou veri-
ficado que se encontram schistos até 4 profundidade de
500 pés.
Estes schistos apparecem em todo o valle do rio
Parahyba até Jacarehy, a Oeste, e alem de Lorena, até
perto de Cachoeira, a Leste. A falta de pedras e pedre-
gulho, o modo como são orientados os schistos, a riqueza
delles em oleos mineraes e a riqueza em peixes petrifi-
cados, tudo nos faz crêr, que os schistos foram depositados
durante a formação terciaria numa lagôa immensa, que
na extensão de mais de 120 kilometros occupou todo o
valle do rio Parahyba, desde a serra da Mantiqueira até
a de Bocaina.
Seria muito mais facil a explicação dos factos, se
fossem encontradas conchas, mas isto não se dá — talvez
“pela razão mesma de que os depositos são de agua doce,
que é muito mais rica em acido carbonico do que o mar,
sendo assim rapida a destruição do carbonato de cal das
conchas. Não vi por ora outros objectos provenientes dos
schistos senão peixes, mas disserram-me que ás vezes se
encontram pedaços de madeira e tambem alguns ossos,
mas estes parecem-me provenientes de peixes. O logar
de onde agora a fabrica de gaz tira schistos é menos rico
em fosseis.
Seria um grande serviço feito 4 sciencia, se o illus-
trado director da companhia, Dr. Cherubim Cintra, mais
uma vez por algum tempo, mandasse trabalhar no antigo
logar, mais rico em peixes e estes até bem grandes, de
perto de meio metro alguns, provavelmente bagres.
_ Os schistos tirados do chão são molles como queijo,
de maneira que é facil dar ás chapas com uma faca a
forma desejada.
Em tres ou quatro dias estão seccos, isto devido
somente á perda da agua, e sem alteração dos oleos.
São estes os schistos que a companhia está gastando
para a fabricação do gaz.
Os schistos utilisados para tal fim servem exclusiva
e directamente para a producção do gaz. Os residuos
que restam são sem valor. Alem dos apparelhos para a
fabricação do gaz a companhia tem ricos apparelhos para
beneficiar os oleos mineraes, que por outro processo
podem ser tirados dos schistos. Uma tonelada de schistos
Revista do Museu Paulista. Vol. III 5
fornece 25—28 galões de 4 ”, litros de oleo cri. E’ com essa
mecea grossa, escura e de cheiro penetrante que se prepa-
ram os productos diversos: paraffina, petroleo e acido
sulfurico. :
Por ora tudo esta infelizmente parado. As immensas
camaras de chumbo não têm applicação e apenas pude
ver algumas amostras de petroleo e paraffina.
E" especialmente esta ultima, de que guardamos a
amostra no Museu, que representa um producto excellente
e de grande valor. Toda que prepararam, enchendo nume-
rosas barricas, foi logo vendida.
Porque razão não se ha de em grande escala explorar
uma riqueza natural tão sorprehendente ?
Disseram-me na companhia que o estado do cambio,
os preços elevados dos trabalhadores e as immensas dif-
ficuldades que se encontram nas estradas de ferro e na
Alfandega de Santos impossibilitam essa exploração.
Só no anno passado a companhia, por estas duas
ultimas razões, tivera perdas de 15 contos, de maneira
que não poude continuar com a fabricação dos productos
oleosos.
Que pena! Parece-me que tanto o Estado como o
Governo tudo que fosse possivel deviam fazer, para que
essa industria podesse de novo florescer. Talvez seja esta:
até agora a unica industria de mineração do Estado de S.
Paulo, que sem auxilio do Governo se desenvolveu, e será
capaz de tomar grandes proporções.
Para o conhecimento scientifico do Estado de S. Paulo
esta região offerece problemas de grande interesse. As
conchas e kagados do rio Parahyba, que achei, são identicas
as do rio Tieté e o mesmo me foi affirmado relativamente
aos peixes.
Isto parece exacto eos Srs. Drs. Monteiro e F. Ribeiro
de Moura Escobar offereceram-se amavelmente para for-
necer ao Museu collecções para estudar a questão. Pen-
samos que, em tempo remoto, o rio Parahyba, desde as
nascentes até Guararema, foi affluente do rio Tieté, e isto
provavelmente na mesma epoca em que a grande lagoa
terciaria de Tremembé occupou o valle do Parahyba
desde Jacarehy até Cachoeira. Esta lagõa esteve em connexão
franca com o oceano o que é provavel pela presença dos
bagres.
Seria, pois, devido a modificações geologicas que mais
tarde foi interrompida a antiga connexão entre os dous
rios e que o Parahyba, invertido completamente no seu
curso original, ganhou a bacia da lagôa de Tremembé e
com elle desaguou ao norte. Estou bem longe de dar esta
hypothese como resultado demonstrado; mas parece-me
que será licito, ás vezes, fazer vêr os problemas que a
sciencia tem de elucidar, e se um dia pudermos dispôr
dos necessarios dados zoogeographicos e geologicos, sem
duvida poderemos reconstruir a historia do rio Parahyba».
Recebi do E. do Paraná um pedaço de schisto betu-
minoso com a impressão de um lambari sem mais indica-
ções. Seria muito conveniente saber se nesse sentido não
houve engano e se realmente existem no Estado visinho
schistos betuminosos com peixes, cujo estudo seria bem
interessante em comparação com os de Taubaté, esperando
eu que estas linhas deem algum resultado a respeito.
"CE eat
Le ied
iar A al
yy
CONTRIBUICAO
PARA 0 CONHECIMENTO DAS ARANHAS DE S. PAULO
POR
NN PI AV COORD ING I TT AMERS q
Com Etsampa V.
As aranhas da pequena lista que segue pertencem
ás familias: Clubionidae, Lycosidae, Oxyopidae, Sicaridae e
Pholcidae.
Excepto nas Zycosidae, tenho seguido exactamente
Simon (Hist. Nat. de Arag. Seg. Ed). A lista contem
somente aquellas cuja identidade pude determinar com
bastante certeza. Tenho muitas outras especies de Clubio-
nidae e de Lycosidae para as quaes não tenho feito nenhuma
descripção. A maior parte destas sem duvida são novas,
mas não me é possivel fazer a sua descripção agora por
não ter accesso a uma litteratura completa. Uma nova
especie de Loxosceles se acha descripta e seis da Pholcidae.
Desta ultima familia tenho tratado por extenso quanto ás
especies achadas no Brazil, dando chaves e uma pequena
descripção para cada genero.
As especies conhecidas, descriptas na sua maioria por
KeyserLinc (Braz. Spin. 1891), se acham classificadas tanto
quanto é possivel debaixo dos diversos generos, e fiz uma
breve descripção de cada uma dellas.
Fam. Clubionidae.
GEN. CTENUS W.
C. nicriventer Keys. —Piquete; Raiz da Serra; Alto da
Serra; Os Perus; Ypiranga.
ps a
C. FERA W.—Piquete.
C. ruriBarBus Perty.—Piquete; São Sebastião.
C. ornatus Keys.—Raiz da Serra; Os Perus; São Se-
bastião; Poço Grande.
C. menus Keys.—Cubatao.
C. previrrs Keys.—Raiz da Serra.
GEN. CALOCTENUS KEYS.
C. variecatus Bert.—Os Perus; Belem.
Fam. Lycosidae.
GEN. TARENTULA SUND.
T. raproria W.—Est. São Paulo e Parana.
T. nycutHemers Bert.—Ypiranga; Os Perus; Raiz da
Serra; Piquete; Ribeira; Belem; Itatiba. >
T. aurocuttata Keys.— Ypiranga.
GEN. PIRATA SUND.
P. vecox Keys.— Ypiranga; Poco Grande.
GEN, TROCHOSA CER
T. mumicora Bert. —Santos; Ypiranga.
GEN. DIAPONTIA KEYS.
D. urucuayensis Keys.—Raiz da Serra; Alto da Serra;
Ypiranga.
GEN. TETRAGONOPTHALMA KASCH.
T. opscura Keys.— Ypiranga; Os Perus; Ribeira.
GEN. DOLOMEDES W.
D. MaARGNELLUS C. K.—Poco Grande; Raiz da Serra; Bahia.
Comprimento tot. 7.
CAE)
Un Un UN M
. BOGOTENSIS Keys.
_ BruNNEUS Camb.—Bahia.
GEN. LYCOCTENUS CAMB.
São Paulo.
Fam. Oxyopidae.
GEN. OXYOPES LATRL.
. constrictus Keys. — Iguape.
. LUTEUS Bl—Ypiranga.
Fam. Sicaridae.
GEN*SCYTODES LATRE:
. ANNULATA Keys.—Ypiranga.
. LoNGIPES Lucas.—São Sebastião.
. LINEATIPES Tasz.—Ypiranga; Poço Grande.
virrata Keys.—Iguape.
GEN. LOXOSCELES.
. RuFIPES Lucas.—Ypiranga.
L. similis n. sp.
EsTAMPA V Fic. 7
Mandibula comp. 1.1
Cephalothorax comp. 2.9 Mandibula larg. .5
Cephalothorax larg. 2.5 Sternum comp. 1.6
“Cabeça larg. 1.4 Sternum larg. 1.4
Fem. Pat. Tw. Mer. AR. Au LOTAL!
I 6.5 2 7.0 7.8 1.9 24.4
Leo 1.2 T6 10.0 2.0 28.8
HI 5.6 3 6.1 ea 1.5 21.6
IV 7.0 1.2 Te 9.6 2.1 27.1
AO EN
Colorido. — O cephalothorax, de cor amarello-clara, a
parte anterior do thorax e da cabeça de côr pardoa-ver-
melhada. Uma linha fina mediana de côr pardo-averme-
lhada se extende longitudinalmente desde o entalho me-
diano até o par de olhos centraes. Uma outra linha igual
a esta passa por cima do entalho cephalico; os lados do
thorax e os entalhos radiantes säo um pouco mais escuros.
As mandibulas, de cor pardo-amarellada. O beiço e as
maxillas da côr do cephalothorax, mais claras, porem, na
extremidade. O sternum amarello-claro. As pernas são
da mesma côr do sternum, sendo mais claras um pouco
nas extremidades; quasi a metade do femur é de côr pardo-
amarellada.
As pernas são bem cobertas de pellos direitos e es-
curos. O sternum tem abundantes pellos compridos, di-
reitos, e de côr escura. O beiço é coberto esparsamente
de pellos iguaes aos do sternum, especialmente perto da
base e de outros pellos mais finos da mesma côr. As man-
dibulas, o clypeus, os lados da cabeça e a margem do
cephalothorax, todos têm pellos direitos e de côr escura.
Em cima do thorax e no entalho mediano se acham outros
pellos mais curtos um pouco do que os primeiros. O ab-
domen é de côr clara; tem pellos compridos de côr escura;
estes faltam no meu specimen sobre o dorso. Os fiandeiros
de côr amarello-clara.
Estructura. — O cephalothorax é baixo, largo, regu-
larmente arredondado nos lados, e se inclina abruptamente |
para a margem posterior profundamente chanfrado. A
parte cephalica bem demarcada; o entalho cephalico, o
entalho mediano e os radiantes bem determinados. Da
carreira de olhos posteriores, a cabeça, clypeus e as
mandibulas se extendem para baixo e para diante formando
um angulo de perto de 45 gráos.
Os olhos todos iguaes: os do par mediano tocam uns
nos outros; os do par lateral quasi se encontram. Os
medianos são separados dos lateraes por um espaço que
mede quasi dois terços do seu diametro e da margem do
os
ART: FOR
clypeus por um espaço que mede um pouco mais do que
um e meio vezes seu diametro; os olhos do par lateral,
separados por um espaço que mede mais de quatro ve-
zes seu diametro ficam á mesma distancia da margem
do cephalothorax como os medianos.
As mandibulas compridas, um pouco delgadas, mais
estreitas nas extremidades distaes, parallelas nas mar-
gens direitas exteriores e pouco divergentes nas inte-
riores. O beiço mais comprido do que largo, um pouco
mais angusto na base, estreitando-se gradualmente além do
meio até a extremidade, que é arredondada, tem dois ter-
ços do comprimento das maxillas. As maxillas compridas
e bem alargadas no meio; a extremidade é estreita e pouco
arredondada; fortemente inclinadas e arqueadas sobre o beiço;
quasi tocam por meio dos seus cantos interiores, termi-
naes parallelos que são truncados em angulos rectos.
O sternum, um pouco mais comprido do que largo,
chanfrado anteriormente na inserção dos beiços; proje-
ctando-se estreitamente entre as coxas posteriores; apenas
chanfrado em frente ás coxas.
As pernas compridas e delgadas, 2, 4, 1, 3.
O abdomen um pouco alongado e arredondado na
parte posterior. Os frandeiros, bem delgados e de forma
cylindrica; os posteriores um pouco mais curtos e refor-
çados do que os outros.
Foi estudado apenas um macho de Iguape.
=,
Fam. Pholcidae.
Aranhas com as pernas muito compridas e delgadas.
O cephalothorax curto, largo e arredondado; a parte ce-
phalica pequena, mais ou menos triangular, alta e separa-
da da parte thoracica por um entalho profundo, (excepto
nos Leftopholci e Ninetes nos quaes não existe esse
entalho.) A parte thoracica tem um sulco profundo, me-
diano, que não se acha nos Ninetes. A margem posterior
é truncada e mais ou menos chanfrada. Os olhos são em
Ee
numero de 8 ou 6, dispostos em duas carreiras, os da
carreira posterior e os lateraes da carreira anterior quasi
sempre formam grupo unico, e os anteriores medianos,
em geral muito menores, estão unidos uns aos outros, ou
taltam completamente. (6)
O clypeus muito alto e um pouco contrahido debaixo
dos olhos, é mais ou menos inclinado para a frente. O
sternum plano ou ligeiramente arqueado, largamente cor-
diforme, geralmente tão largo como comprido, largamente
truncado na parte posterior, ou attenuado e obtuso (Lep-
topholcus e Micromerys), ou terminando abruptamente em
ponta pequena e obtusa.
O beiço ligado ao sternum, largo, plano ou ligeira-
mente arqueado, truncado ou attenuado e obtuso. As
maxillas às vezes direitas e parallelas (Artema), e ás ve-
zes muito convergentes alem da inserção dos palpos. As
mandibulas fracas, cylindricas e mais ou menos parallelas.
Perto do canto distal do lado interior vê-se um denticulo
duro e escamoso. Na Artema ha um outro denticulo que
fica um pouco acima deste. Muitas vezes nos machos se
encontra um outro dente comprido, de fórma variavel, col-
locado em frente ás mandibulas.
As pholcidas têm costumes sedentarios, morando nos
recessos dos galhos e raizes das arvores, e nos cantos dos
edificios dentro e fora.
Classificam-se em duas sub-familias que se distinguem
do modo seguinte: —
I. O cephalothorax tem um sulco odeia me-
diano sobre o thorax e um entalho cephalico ') que se-
para a cabeça da parte thoracica-.. . . . . PHoLcINAE.
II. Faltam o sulco mediano longitudinal e o entalho
MEdiano, pre ce LU PO eine NIN TT
Esta sub- familia näo tem representante na America
do Sul.
') Excepto no Leptopholeus.
Bot Ba)
Sub-Fam. Pholcinae.
CHAVE PARA OS GENEROS
1. A carreira posterior dos olhos vista de cima é
arqueado-procurva. ') . |. . . Blechroscelae Sim. (a.)
a) Osolhos no sentido transversal são largamente se-
parados uns dos outros; a area ocular mediana, como no
Pholcus, é muito mais larga que comprida. . . . (6.)
— Os olhos são menos separados; a area ocular me-
diana pouco ou nada mais larga do que comprida, muitas
vezes, um pouco mais comprida do que larga. . . (c)
DEMO OIHOSTA Re LR NS ere STE
se BIO DOS RE et prea Mook Litoporus Sim.
c) Os quatro olhos à carreira anterior são quasi
contiguos formando uma carreira procurva. A margem
exterior das mandibulas do macho é armada de um dente
comprido 6 curvado. ser, NE Zins, SC SALOLMOTILR,
— Os apices dos quatro pt da carreira anterior
formam uma linha recta; os olhos medianos mais ou me-
nos separados dos lateraes. . . rea RQ)
d) Os quatro olhos da carreira see vistos de
cima estäo quasi em linha recta. O abdomen muito compri-
do; a chapa genital e ere: occupa o centro do ven-
RENE DRE te RE da .. . Mecoloesthus.
— A carreira posterior “de olhos vista de cima é
(OO OUT RE A na o VARA RO da SERA CE DURO ET wa lates (OU)
e) O abdomen fortemente convexo; a chapa geni-
tal da femea se extende até o meio do ventre no macho;
o femur do segundo par de pés é mais reforçado do que
nos outros pares, e duplamente dentado. Coryssocnemis.
O abdomen oblongo, raras vezes quasi espherico;
a chapa genital, curta, occupa a base do ventre. O femur
do terceiro par de pernas no macho é um pouco mais re-
forçado do que nos “outros pares. . . . Blechroscelis.
:) Os dois olhos medianos são mais afastados para traz.
sly qa
2. Os quatro olhos da carreira posterior vistos de
cima formam uma linha arqueado-recurva ?), mais raramente
directa. (Exceptoino iFledyp sims a Sct ke ea
f) Os quatro olhos da carreira posterior, vistos de
cima formam evidentemente uma linha recta por meio
dos seus centros; os medianos menores do que os lateraes.
AT RU UE PRISCULEAE.
Ha: um: só-genero: 4. RE SC)
— Os quatro olhos eine es são quasi iguaes €
vistos de cima formam uma linha recurva . . . . (@)
g) O cephalothorax um pouco mais comprido do
que largo, bem rebaixado e com ligeiras depressões; os
olhos ficam de cada lado, perto das margens do cepha-
lothôrax eof 2 et ae ee TORA os cr TE)
hj 6 olhos; A pa SD e En A
8 0Ïhos ae Pa a EP 0 ot as
— O cephalothorax é mais ou menos arredondado,
fortemente rebaixado; os olhos afastados longe da margem
do cephalothorax . . Scape ARMES)
i) A carreira anterior de olhos, tá der iirente de
TECUEV A Si Ria ERR RAA oo Vea TOR
— À carreira anterior de Fe E o ou procurva;
a area ocular mediana bem mais larga do que comprida
(excepto no genero Physocyclus). 7. . (k.)
j) O sternum largamente truncado na parte poste-
rior. As mandibulas normaes. As maxillas largas na base,
estreitando-se um pouco para as extremidades e tornan-
do-se parallelas. . . . . : . + (SMERINGOPODEAE) (1)
D) Olhos Gi RON RES RES A re
ee PAG) LMI Me con oe RES
m) O diametro dos olhos Dent iores medianos é
um pouquinho menor do que o espaço entre elles .
Crossopriz
— O ampere! de ie Re medianos tem a
2) Os lateraes são mais afastados para traz,
<
metade do tamanho do espaço que fica entre elles. A area
mediana, mais comprida do que larga . . Smeringopus.
A parte posterior do sternum levemente attenuada
entre as coxas posteriores. A margem inferior das mandi-
bulas armada de dois dentes; o primeiro é agudo e o
segundo obtuso. As maxillas estreitas e parallelas em toda
DANONE URSS eres DR AT NT Li de! ARM AB),
CMS ENS ENETOS EME os id be) DENT EN NA pes
k) Todos os olhos säo bem juntos sobre uma area
proeminente .° .': . . . (MopisimeaE) (#.)
n) À carreira TA de olhos, avistada de cima
é recurva, os olhos anteriores são afastados dos poste-
ENCORE So ii at Auta RL Ta EE 2 Sila DIS:
— À carreira posterior de olhos é procurva. Todos
os olhos são contiguos entre si. . . . : Hedypsilus.
— Os olhos formam duas areas lateraes.
ODDS Ri Tes Peters) wc A BOLCRAE)U (22)
p) Os quatro olhos os são quasi contiguos ;
a grande area oculare mediana tem a forma de trapezio,
não ou pouco mais larga do que comprida. Physocyclus-
Os olhos anteriores medianos säo quasi contiguos
entre Si, mas bem separados dos lateraes. A area ocular
mediana é muito mais larga do que comprida. . . (q)
q) Todos os olhos lateraes são distinctamente se-
parados uns dos-outros. . . MAR LUE RTOLOCHENAS.
— Todos os olhos Rs são contiguos. Às per-
nas são desarmadas. Os palpos maxillares deles
ERR NA CR RO A MRA ete tage Macs PA OICUS:
COS Epa Rs rs SR ARRETE IE NT ER aoe Oot JAC RN MAE 6 a
ry Olhos pequenos e pouco proeminentes; geral-
mente collocados sobre duas areas bem separadas. O
abdomen é quasi espherico globoso ou giboso, raras
vezes comprido e fusiforme. . . . . . Spermophora.
Olhos grandes e collocados sobre duas areas pouco
separadas. O abdomen é comprido e sensivelmente dila-
tado na parte posterior e bifido . . . . . Metagomia.
Cage
GEN. ARTEMA W. (1837).
O cephalothorax mais largo do que comprido, larga-
mente arredondado nos lados; a parte thoracica tem um
profundo e largo entalho mediano; a parte cephalica pe-
quena e pouco proeminente, limitada de cada lado pelo
entalho cephalico. Os olhos são bem unidos, grandes e
quasi semelhantes—os anteriores medianos são menores
do que os outros, os olhos anteriores são bem unidos e
igualmente distantes entre si, formando assim uma carreira
ligeiramente recurva, os posteriores formam uma carreira
mais recurva, os medianos são mais distantes entre si
do que dos lateraes, mas não muito ais do que o seu
diametro. A area ocular mediana não é mais larga do que
comprida,
O clypeus é fortemente obliquo, um pouco contrahido
de baixo dos olhos, bem mais largo do que o comprimento
das mandibulas. O sternum mais largo do que comprido.
As pernas 1 e Il são mais compridas e mais reforçadas
do que as outras. O abdomen é muito alto e globoso, o
escudo ventral é bem grande, a dobra genital da femea
fica atraz do meio do ventre. As mandibulas do macho
são fortemente deprimidas e encovadas na frente, com uma
dilatação aquilhada e tuberculada no lado exterior.
A. ATLANTA WwW.
O cephalothorax circular. O abdomen globoso. O
cephalothorax e as pernas de cor amarellada. O abdomen
é de cor amarello-escura com algumas listras em cima e
nos lados de cor pardo desmaiada.
Os olhos nos grupos lateraes são mais ou menos se-
parados uns dos outros. As mandibulas de cor amarella;
no macho fortemente arqueadas em cima e apparentemente
bifidas, por causa da proeminencia comprida, de forma co-
nica que se acha na parte anterior. Pernas 1, 4, 2, 3.
Gen. PHysocycLus E. Sim.
À carreira anterior de olhos é evidentemente direita.
Os olhos posteriores são quasi contiguos de cada lado.
On =
As pernas são desarmadas e as posteriores são bem mais
compridas do que as anteriores; o femur é sensivelmente
dilatado para a base. O clypeus, as mandibulas e os pal-
pos de ambos os sexos são como na Artemia.’
Ainda não conhecemos representantes deste genero no
Brazil,
PHOLCUS WALCK. (1805).
A carreira anterior de olhos evidentemente direita. Os
dois medianos são quasi contiguos entre si e são separa-
dos dos lateraes, que têm ao menos tres vezes o seu ta-
manho, por um espaço maior do que o diametro dos me-
dianos. O clypeus ligeiramente contrahido debaixo dos
olhos, dahi se extende obliquamente, e é mais do que tres
vezes mais largo do que a area ocular. As mandibulas do
macho armadas de um dente ás avessas na região exte-
rior da base, e de outro dente perto dos apices. Os pa/-
pos da femea são delgados.
P. PHALANGoIDESs Fuessl. Verz. Schweit. Ins. 1775, p. 61.
- O grande pholco commum se acha nos cantos das
casas em toda parte.
O cephalothorax, partes da bocca e sternum de côr
amarello-desmaiada, com uma mancha grande de côr par-
da sobre o thorax. As pernas de côr pardo-clara, com as
patellas mais escuras e um annel desmaiado na extremi-
dade distante do femur e da tibia. O ventre do abdomen
de côr desmaiada com uma listra larga de côr escura atraz
do epigyneo; os lados e o dorso são escuros, o ultimo
tendo tres ou quatro pares de manchas grandes que ficam
dois terços da distancia para o lado posterior.
A carreira posterior de olhos é recurva, a anterior,
mais ou menos direita nos apices; a ultima, vista de frente
é ligeiramente procurva. Os pequenos medianos anteriores
quasi tocani-se e são separados dos lateraes por dois terços
do seu diametro.
O abdomen é comprido e cylindrico, redondamente
truncado atraz.
E O am,
As mandibulas do macho têm um dente curto, diri-
gido para baixo á frente e um outro arqueado para traz á
margem exterior da base. No apice alem do dente com-
mum terminal, se acha outro do lado interior.
SPERMOPHORA HENTZ (1832).
O cephalothorax como no Pholcus. O clypeus largo,
quasi vertical ou bastante inclinado para diante. |
Os olhos dentro de cada entalho triangular são con-
tiguos, ou quasi contiguos entre si. Os palpos da femea
delgados; o tarso acuminado e em geral mais comprido
do que a tibia.
S. unicoLor Keyserling, Braz. Spin. 1891, 178 e 179,
Tab: VI, Figs. 23, 1232, 123b:
Femea: Comp. tot. 1.7;, ceph. comp. 0.7, larg. 0.7;
cabeça: larg; 0,2: Pernas, 7.4, Hi 46, To ee
Todo o corpo é de côr amarello-clara, sendo os olhos
cercados de uma côr pardo-avermelhada. O entalho ce-
phalico é bem desenvolvido, eo mediano pouco. Os olhos
mais ou menos iguaes, os dois grupos sendo separados
por um pouco mais do que o diametro de um olho. O
abdomen é um terço mais comprido do que largo, bem
regularmente arredondado e se extende bastante alem dos
fiandeiros.
Serra Vermelha, Est. do Rio de Janeiro.
S. MacuLaTA Keys. Braz. Spin. 1871, pag. 177, Tab.
VI, Figs, 122 e 122 a.
Femea: Comp. tot. 1.6; Ceph. comp. 0.5, larg. 0.6;
Cabeça. larg. 0.2; Pernas: I — II 4.5, HI 3.4, IV 4.5.
O cephalothorax é amarello e tem uma listra parda
mediana, que se extende desde o lado posterior do entalho me-
diano até as mandibulas, sendo bem mais estreita atraz.
As maxillas, 0 beiço e as pernas de côr amarella; no prin-
cipio da tibia e na extremidade do femur e da tibia se
acha um annel de côr parda. O femur dos palpos ama-
rello; os outros membros pardos. O abdomen é amarello
EE ho =
com cinco a seis pares de manchas de côr azul escura,
que diminuem em tamanho para os fiandeiros.
Os dois olhos anteriores são separados por um
pouco mais do que o seu diametro e os dois posteriores,
por um pouco menos.
‘As mandibulas têm um denticulo agudo na extremi-
dade terminal do lado interior. O abdomen é tão alto como
comprido e fortemente arqueado em cima.
Blumenau, Est. S. Catharina.
METAGONIA E. SIM. (1893).
São como os Spermophora excepto os olhos que são
maiores, a area ocular menos remota, etc. (vide a chave).
NE DAME Sm Ann Soc Ent de Fr, 1693; \ Vol,
Pe, p. 318.
Comprimento total da femea 4.5 mm. O cephalothorax
é desmaiado e o thorax tem uma linha parda dobrada,
bem dilatada na parte posterior. Os olhos grandes e cer-
cados de preto; espaços interoculares pouco mais largos
do que o diametro do olho. O abdomen é mais ou menos
duas vezes maior do que o cephalothorax em comprimento,
sensivelmente dilatado e truncado na parte posterior e,
extendido nos cantos. O sternum e as pernas de côr des-
maiada e o femur e a tibia têm dois anneis de côr pardo-
avermelhada, um dos quaes fica perto da base e 0 outro
perto do apice. À chapa genital é bem grande, passando
além do meio do ventre, convexa e fortemente enrugada
em sentido transversal. O macho é desconhecido. Brazil:
Estado do Rio de Janeiro.
M. sicornis Keys.
Spermophora Keys. Braz. Spin. 1891, p. 179, Tab. VI,
Figs. 124—124 a.
Comp. tot. da femea, 2.4 mm.; ceph. comp. 0.8, larg.
0.8; cabeça, larg. 0.3; abd. comp. 2.3, larg. 1.6.
Todo o corpo é de côr amarello-clara; sobre o lado
anterior do cephalothorax se acha uma listra curta, trans-
Revista do Museu Paulista. Vol. IIT 6
versal, de côr preta e varias manchas atraz da mesma côr; os
olhos são cercados de preto. A parte posterior do sternum é
preta e as coxas são pintadas de preto. O femur tem um
annel perto do apice e perto da base de côr preta, o me-
tatarso tem um annel da mesma côr perto da base e perto
do apice. O abdomen tem manchas em cima e atraz.
O cephalothorax é bem circular; a parte cephalica e
o entalho não são proeminentes. Os olhos dentro os grupos
são bem unidos entre si; os grupos são separados por um
pouco menos do que o diametro de um olho.
O abdomen é um terço mais comprido do que largo,
estreito na frente e augmentando gradualmente em grossura
e largura na parte posterior; os cantos exteriores são bem
extendidos formando eminencias embotadas e ligeiramente
inclinadas para fóra.
Botucatú, Est. de São Paulo.
MICROMERIS BRADLEY (1877).
A parte cephalica pouco attenuada e obtusamente
truncada. O clypeus é estreito, convexo e quasi vertical;
os olhos lateraes são grandes e proeminentes; as duas
areas oculares largamente separadas uma da outra. O
abdomen é comprido, ás vezes ligeiramente extendido e
tuberculado, ás vezes muito comprido e filiforme.
Ainda não ha representantes deste genero no Brazil.
SMERINGOPUS E. SIM. (1890).
Os olhos anteriores medianos quasi contiguos entre
si e separados dos lateraes, que têm quasi tres vezes o
seu diametro, por um espaço que é pouco mais ou menos
igual ao seu diametro. A carreira posterior de olhos é
menos recurva; os olhos são pequenos e o espaço entre
os medianos têm pelo menos duas vezes o seu diametro.
O tarso do palpo da femea é pequeno e bem mais delgado
e curto do que a tibia. As mandibulas do macho não são
deprimidas, e um denticulo simples se acha acima do
apice, perto da base do canino.
S. ELONGATUS Vinson.
Pholcus Vinson. É muito semelhante ao Pholcus pha-
langoides no colorido e na fórma, e com elle tem sido
confundido por alguns autores. E achado dentro das casas
em todos os paizes tropicaes. O Prof. Góldi tem-n'o encon-
trado no Rio de Janeiro,
S. purnureus n. sp.
Es ‘TAMER A eV Bras. LB,
Comprimento tot. . 7.00 Abdomen alt 2170
Cephalothorax comp. 2.00 - Mandibulas comp. . 0.66
Cephalothorax larg. 2.00 Mandibulas larg.. . 0.31
Rabeca ars =." 0.80 Sternum, comp... = 1.25
Abdomen, comp. . 5.00 Sternuga “dare. po TA
Feu. Par. aise Mer. Tar. ‘For
‘ot ROSES RG: ROS eae NA See RO os BS
IE TODO: 0.70 9.50 15.50 TO 37.16
MRS 20 cos 6.50 11.00 1.00 27.45
PV. 2:00 <o 70... -10.00 15.50 1.33 39.62
Colorido — A descripçäo do colorido como segue é
tirada de uma femea bem conservada, mas não perfeita-
mente desenvolvida. A porção que ainda resta da femea
madura, mutilada é bastante para mostrar que não era
essencialmente differente da outra menos desenvolvida.
O cephalothorax desmaiado, uma listra larga, mediana,
de côr parda se extende longitudinalmente desde os olhos
até a margem posterior do cephalothorax; esta listra se
alarga um pouco atraz do entalho mediano e depois se
estreita de novo; à margem lateral do cephalothorax, e
tres areas triangulares com os apices dirigidos dorsalmente
ao longo das margens do cephalothorax são de côr par-
dacenta; mais duas listras estreitas se extendem desde os
olhos até a margem do clypeus. As mandibulas de cor
amarello-escura ; as maxillas de cor desmaiada sendo um
pouco mais escura nas extremidades; o beiço e O sternum
são pardos, o primeiro um pouco desmaiado na extremidade.
As pernas de côr pardo-desmaiada; os tarsos e metatarsos
são um pouco mais claros; um largo annel branco cerca a
ponta distante do femur e tibia, e este é precedido por
outro annel de côr pardo-escura; as patellas tambem são
escuras; os palpos são desmaiados com tarsos pardos. O
abdomen é de côr cinzento-clara; sobre o dorso se acha
uma figura em fórma de flecha, o fuste terminando na
parte posterior em duas manchas de fórma oval separadas
por uma area clara. Estas manchas são seguidas de mais
quatro pares semelhantes ás primeiras, mas menos regu-
lares, em fórma, e diminuindo em tamanho para o lado
posterior; o ultimo par não se extende até os fiandeiros.
Parallelas a esta carreira de manchas estão mais cinco
pares, cujas fórmas são menos determinadas, e cujos cantos
se extendem diagonalmente para baixo e para traz. Em
torno dos fiandeiros se acha um annel largo, e por todo.
o comprimento do abdomen se extende uma larga listra
ventral, longitudinal. Esta listra é dividida por uma pequena
distancia, anterior aos fiandeiros, por uma area clara; todas
as marcas acima indicadas são da mesma côr pardo-escura-
Os fiandeiros de côr pardo-escura.
O cephalothorax contem cabellos esparsos, compridos
e trigueiros, especialmente no lado anterior da cabeça. As
mandibulas, o beiço, as maxillas e o sternum são bem cober-
tos de pellos finos e escuros. As pernas e o abdomen são
esparsamente cobertos de pellos direitos e de cor trigueira.
Estructura — O cephalothorax, alto, arqueado, tão
largo como comprido, quasi circular, inclinado abrupta-
mente para a margem posterior larga e ligeiramente chan-
frada; os lados se inclinam menos abruptamente. O enta-
lho mediano curto, largo e bem profundo; os entalhos
radiantes bem evidentes e o par posterior bem desenvol-
vido. A cabeça não é bem determinada e a parte anterior
Tac EE
é inclinada para deante, de maneira que os olhos anteriores
medianos se acham muito adeante dos anteriores lateraes;
uma linha passa da summidade destes ultimos ao longo
da margem posterior dos anteriores medianos. O clypeus
é ligeiramente arqueado e um pouco inclinado para deante.
Vistas de cima ambas as carreiras de olhos definiti-
vamente recurvas. A carreira anterior, vista da frente, é
fortemente recurva. Os anteriores medianos são bem unidos
entre si e separados dos lateraes por um pouco menos
do que o seu raio. Os posteriores medianos são separados
por mais ou menos o seu diametro e ficam contiguos aos
lateraes.
As mandibulas, perpendiculares; a largura é a metade
do comprimento; no canto distante do interior se acha
um denticulo curto e agudo. O beiço fortemente arqueado,
um pouco mais largo do que comprido, bem mais largo
na base estreitando-se gradualmente para a extremidade que
é bem arredondada. As maxillas inclinadas fortemente
sobre o beiço se encontram por meio dos seus cantos
interiores distantes, que são truncados em linha recta;
estreitam-se um pouco para as extremidades distantes. O
sternum bem arqueado na parte anterior, largamente cor-
diforme, regularmente truncado, bem chanfrado no interior
do beiço e das maxillas. Os lados um pouco chanfrados
em frente ás coxas. As pernas bem compridas e delgadas.
São Sebastião.
PRISCULA E SIME(r809).
O cephalothorax e o clypeus como da Artema. A
carreira anterior de olhos faz uma linha recta por meio
dos apices; os medianos quasi contiguos entre si e pouco
atastados dos lateraes que têm mais do que dez vezes o
seu diametro. A area ocular mediana é bem grande e é
mais comprida do que larga. O abdomen é bem alto, obtuso
ou acuminado em cima, em baixo tem uma grande chapa
ventral como a Artema. As mandíbulas do macho, ligei-
ramente deprimidas na frente, têm um pequeno dente
perto do meio da face anterior ou perto da margem
exterior.
Ainda nao ha representantes deste genero no Brazil.
PSILOCHORUS: E. SIM. (1893).
O cephalothorax e o clypeus são como da Priscula.
Os olhos anteriores medianos são bastante menores do
que os lateraes. A carreira posterior de olhos é ligeira-
mente procurva, os medianos sendo um pouco maiores do
que os lateraes. À area ocular mediana é bem grande e
um pouco mais larga do que comprida. O abdomen é
globoso. A chapa genital da femea é muto grande e alta.
“Ainda não ha representantes deste genero no Brazil.
CORYSSOCNEMUS E. SIM. (1893).
O cephalothorax e os olhos como no Psilochorus,
excepto os apices dos olhos anteriores que estão em linha
recta. O abdomen é quasi globoso; a chapa genital da
femea é como na Priscula, mas um pouco menor. As
mandibulas do macho multi-granulosas na frente; têm um
a quasi mediano dirigido para o interior.
. D ALTIVENTER co
ee — Keys. Braz. Spin. 1891, pag. 175, Tab. V,
Figs: 120 € 120 a.
Femea. — Comp. total 1.7; Ceph. comp. 0.6, larg. 0.7;
Cabeça, lare:o 2: Pernas: 1 10:7; Il 6.4 dl 4 5 Vee
O cephalothorax, amarello; uma listra parda começa
atraz do entalho mediano e vae-se alargando para a parte
posterior de modo a cobrir toda a cabeça e o clypeus.
As partes da bocca e o sternum de côr parda. As pernas
de côr amarello-clara e as patellas e um annel na extre-
midade distante do femur e da tibia são da mesma côr. O
abdomen, de côr amarello-clara com manchas escuras e
') Nesta, como em algumas outras especies, não tenho certeza
da posisão geral. A descripção especifica mostra a distinção,
largamente separadas sobre os lados e o dorso; duas
destas se extendem de modo a formar barras que conver-
gem para os fiandeiros.
A carreira posterior de olhos ligeiramente procurva;
os anteriores formam linha recta nos apices, apenas leve-
mente procurva, vista de frente. Os anteriores medianos
são pequenos, bem unidos entre si e separados dos lateraes
por um pouco mais do que o seu diametro. Os posteriores
medianos são separados um do outro por um espaço igual
ao seu diametro. O abdomen é tão comprido como largo
e fortemente arqueado em cima. Serra Vermelha.
C. rocarus Keys.
Pholcus. — Keys. Braz. Spin., 1891, pag. 172, Tab. V,
Fig. 118—7118 c.
Macho. — Comp. tot. 5.5; Ceph. comp. 2.0, larg. 2;
Cabeca larg. 0.7; Pernas: F915,;11:50.0 Il.31.2, IV 47.0.
O cephalothorax, as partes da bocca, 0 sternum e os
palpos, de cor amarello-avermelhada; o entalho mediano
e a parte posterior da cabeça de côr parda; as pernas de
cor pardo-clara com um annel largo e claro na extremi-
dade distal do femur e da tibia. O abdomen é amarello
em baixo e nos lados, com uma mancha de côr azul-
escura sobre o dorso, excepto na linha mediana. Esta
coloração escura é limitada por uma linha contornada
nos lados.
O entalho mediano e o cephalico são bem profundos.
A carreira posterior de olhos é ligeiramente procurva
e a anterior direita no apice; esta ultima, procurva, vista
da frente.
As mandibulas têm uma proeminencia curva na frente,
perto da base e uma outra proeminencia pouco saliente,
mais perto do apice, e o dente commum no apice.
O abdomen é duas vezes mais comprido do que largo
e cylindrico.
Estado do Rio de Janeiro.
sat 96 Le
Coryssocnemus banksi n. sp.
ESTAMPA V Fics. 2-2 D.
Femea —
Comprimento tot. . 2.82 Abdomen alt... Units
Cephalothorax comp. 0.91 Mandibula comp. . 0.40
Cephalothorax larg. 1.00 Mandibula larg. . . o.21
A DRC aaron "nt ees Stemum’Gomp! "or
Abdomen ‘comp. (LTS sternum: fare! 0/60
Fem. Pare: Mure Mer. Tar. (on:
66,66 0.41 5.83 8.85 2.41 23.16
Il 4.00 0.41 3.58 5.66 1.16 14.81
ihn erie 0.37 2B ih AOD. 0.83 10.94
IV 4.25 0.37 3.85 OS DO 15.38
Colorido — O cephalothorax é desmaiado. O. clypeus
e uma listra estreita ao longo da margem do cephalotho-
rax são de côr pardo-amarellada. A cabeça e uma listra
larga que passa por meio do entalho mediano, de côr
parda. As mandibulas, as maxillas, 0 beiço e o sternum,
de côr pardo-avermelhada. As pernas e os palpos de côr
verde-clara, sendo mais claros e um pouco avermelhados
nas extremidades. Os grupos lateraes de olhos estão col-
locados sobre manchas negras de fórma semicircular; os
anteriores medianos sobre mancha negra de fórma oval.
O abdomen tem numerosas manchas de côr azul-clara,
quasi unidas umas ás outras; uma listra estreita me-
diana se extende longitudinalmente desde a margem
anterior até os fiandeiros e um pouco antes de chegar a
estes se dilata, formando mancha larga; esta listra e
especialmente a mancha larga, de côr amarella, em um dos
specimens, que é menos azul do que os outros. À area,
entre o epigyneo e os fiandeiros, é de côr mais clara. O
epigyneo de côr pardo-avermelhada. Os fiandeiros, de côr :
parda, têm um annel estreito mais claro em roda da
base. Todas as partes são cobertas de pellos curtos e finos;
o cephalothorax tem muito poucos.
Estructura — O cephalothorax é um pouco alto decli-
nando abruptamente para as margens posteriores que são
ligeiramente chanfradas, e mais gradualmente nos lados
até as margens que são regularmente arredondadas. O
entalho mediano e o cephalico são rasos e largos; deste
ultimo a cabeça se levanta fazendo um pequeno angulo.
Os entalhos radiantes são evidentes. O clypeus se inclina
para diante gradualmente.
Olhos — A carreira posterior procurva, a anterior é
bem procurva. Os olhos da carreira posterior são iguaes;
os medianos quasi tocam-se nos lateraes e são separados
entre si por um pouco menos do que seu diametro; os
olhos da carreira anterior são muito desiguaes; os lateraes
são um pouco maiores do que os posteriores e são sepa-
rados dos posteriores lateraes pela metade do diametro
dos ultimos, e dos posteriores medianos por um pouco
menos do que o diametro destes ultimos; os anteriores
medianos quasi se tocam, separados dos anteriores lateraes
por quasi duas vezes o seu diametro e têm menos de um
terço do tamanho destes ultimos.
As mandibulas perpendiculares, mais curtas do que o
clypeus, duas vezes mais compridas do que largas e têm
um denticulo agudo no canto distal interior. O beiço
é duas vezes mais largo do que comprido e chanfrado na
extremidade. As maxillas são fortemente inclinadas sobre
o beiço; as margens distaes interiores são direitas, paral-
lelas e separadas por um terço do diametro do beiço. O
sternum é largamente cordiforme e um terço mais largo
do que comprido; é bem arqueado na parte anterior; lar-
gamente truncado atraz; a sua margem anterior é concava
na inserção do beiço; os cantos exteriores são de fórma
angular e ligeiramente projectados; os lados são pouco
chanfrados em frente ás coxas.
O abdomen de fórma espherica, mais alto do que
comprido. O epigyneo é muito grande e proeminente. As
gs 2
pernas são um pouco curtas e reforçadas. Os palpos del-
gados.
Os fiandeiros um pouco compridos; os posteriores
bem delgados e têm mais ou menos o mesmo comprimento
que os anteriores que são bem mais reforçados.
Macho —
Comprimento tot. . 2.16 Abdomen comp. . \. /1.33
Cephalothorax comp. 0.92: Abdomen alt... . «. 1285
Cephalothorax larg. 0.92 Mandibula comp. . 0.40
Cabeça larg. ndo er Mandibula larg. . . 0.23
Fem. PA Erp! Mer. Tar. Tor
[aS 0.41 8.25 14.16 2.41 32.98
II 5.58 0.41 5.33 8.25 1.41 20.98
IT 4.00 0.41 3.58 6.75 1.00 15.74
IV Bigs 0.41 5.25 8.00 1.25 20.66
Colorido — O macho differe da femea no colorido do
modo seguinte. O cephalothorax, as partes da bocca, o
sternum e as pernas, especialmente as ultimas são mais
claras. As manchas sobre o abdomen de azul mais claro.
O ventre é branco.
Estructura — O macho é mais delgado; as pernas
são mais compridas e delgadas; o abdomen é menor, não
tão alto como comprido. As mandibulas são providas de
uma eminencia comprida perto do meio e do lado interior,
que se extende para diante, para o interior e para baixo
fazendo uma espinha comprida e aguda, alem do dente
commum da femea. A base saliente sobre que a espinha
se acha é granulada. Os palpos do macho são muito
grandes.
Poço Grande; Est. de S. Paulo.
BLECHROSCELIS E, SIM: (1893).
O cephalothorax e os olhos são como no Psilochorus,
excepto os apices da carreira anterior de olhos que formam
em geral uma linha recta; os medianos, muito pequenos,
são separados distinctamente dos lateraes. A area ocular
mediana grande e pouco ou nada mais comprida do que
larga. As pernas são desarmadas, o femur jdo terceiro
par no macho é evidentemente mais grosso perto do apice.
As mandibulas do macho são armadas na margem interior
de pequeno dente dirigido para baixo, que fica contiguo
com o dente da mandibula opposta.
B. Cyango-rarnIATUS Keys.
Pholcus — Keyserling, Braz. Spin. 1891, p. 176, Tab.
VI, Fig. 121— 121 b.
Femea — Comp. tot. 5 mm. ceph. comp. 1.4, larg.
1.6; cabeça larg. 0.6; Abd. comp. 3.7, larg. 1.5; Pernas: I
47, Il 30, II 24, IV 30.
O cephalothorax é de côr amarella e tem uma listra
larga de côr vermelha que atravessa o comprimento do
lado; o entalho mediano e a parte posterior da cabeça
tambem de côr um pouco escura. As partes da bocca, o
sternum e os palpos são de côr vermelho-amarellada; as
pernas são de côr parda, as extremidades do femur e da
tibia são um pouco mais claras. O abdomen, de côr ama-
relio-azulada, tem duas listras longitudinaes em cima, de
côr azul-escura, de cada lado, e uma listra da mesma côr
sobre o ventre. A parte elevada em frente aos fiandeiros
é de côr amarella; o epigyneo é pardo-escuro.
O entalho cephalico bem desenvolvido. A carreira
posterior de olhos, vista de cima, é fortemente procurva;
a carreira anterior, vista de cima, é mais ou menos recta,
vista da frente, é procurva. .Os anteriores medianos são
separados uns dos outros por um espaço igual ao seu
raio, e separados dos lateraes por um pouco mais do que
seu raio. Os olhos dentro de cada grupo são bem unidos
entre si; os posteriores medianos são separados um do
outro por um pouco mais do que o seu diametro. O abdo-
men é alongado, um pouco comprimido no meio, nas
aranhas que já botaram ovos, nas outras é globoso.
Macho — Comp. tot. 6.1 mm; ceph. comp. 2, larg. 2;
OO fees
cabeça larg: 0.7: abd. comp: 4.2) lares, 1.4; Pernas 9e
Th 48; TT 368 Mia
Mais ou menos como a femea. As mandibulas têm um
denticulo agudo no lado interior a um terço de distancia
do apice.
Tenho specimens de ambos os sexos de diversas
localidades do Est. do Rio de Janeiro, assim como de
Iguape e de Poço Grande, neste Estado.
B. cyANEO-MACULATUS Keys.
Pholcus — Keyserling, Braz. Spin. 1891, p. 173—175,
Tab. V, Figs. 119 a—119 d.
Femea. — Comp. tot. 4.3; ceph. comp. 1.6, larg. 1.7;
cabeça larg. 0.6; abd. comp. 2.7, larg. 2.3; Pernas: 1°58,
II 38.5, Ill 26.5, IV 36.1. |
O cephalothorax é de côr amarello-avermelhada; o
entalho mediano e a parte posterior da cabeça são de côr
parda; as partes da bocca, O sternum e os palpos são de
cor amarello-avermelhada; as pernas são de côr pardo-
clara; a ponta do femur e da tibia, e a primeira parte do
metatarso são de cor amarella; o abdomen é de côr verde-
cinzenta em cima e tem quatro pares de manchas grandes
de côr azul, e em baixo tem a côr clara; o epigyneo é
de côr pardo-avermelhada.
O cephalothorax não é muito alto; o entalho mediano
e o cephalico são bem desenvolvidos.
Ambas as carreiras de olhos, vistas de cima, são .
ligeiramente procurvas; a carreira anteriór, vista da frente,
é fortemente procurva; os olhos anteriores medianos são
separados um do outro, e dos lateraes por um pouco
menos do que o seu diametro. Os posteriores medianos |
separados um do outro por um pouco menos do que o
seu diametro e ficam bem perto dos lateraes, que são
um pouco mais removidos dos anteriores lateraes. O
abdomen é um pouco mais comprido do que largo e for-.
temente arqueado em cima. O epigyneo é muito seme-
lhante á Fig. 2 a, tendo, porem, a barra transversal arqueada
em sentido contrario.
LOT
Macho — As medidas do cephalothorax e do abdomen
são iguaes as da femea, excepto estas ultimas que são um
pouco menores. Pernas ? |
O colorido tambem é quasi semelhante ao da femea.
As mandibulas tem um pequeno dente curto e agudo no
lado interior perto da extremidade terminal,
Rio de Janeiro.
B. coruteus Keys.
Pholcus — Keys. Braz. Spin. 1891, pag. 171, Tab. V,
Fig. 116—116 b. |
Femea — Comp. tot. 4.8; ceph. comp. 1.7, larg. 1.9;
cabeça larg. 0.6; Pernas: 1 51.3, Il 33.5, HI 23.2, IV 33.6.
O cephalothorax amarello, o entalho mediano e a cabeça
de côr parda. As pernas pardas, as extremidades do femur
e da tibia são amarellas. O abdomen de côr azul-cinzenta,
amarello em frente aos fiandeiros. Os pequenos olhos
anteriores medianos bem unidos entre si e separados dos |
lateraes por uma distancia igual ao seu diametro. Os pos-
teriores medianos são separados um do outro por um
espaço tambem igual ao seu diametro.
O abdomen é um terço mais comprido do que largo.
“O epigyneo é fortemente extendido.
Rio de Janeiro. |
Blechroscelis simoni n. sp.
ESTAMPA V Fics. 3-3 B.
Comprimento tot. . 1.75 Abdomen: alt. 0156 (00:96
Cephalothorax comp. 0.73 Mandibula comp: . 0.38
Cephalothorax larg. 0.82 Mandibula larg. . . 0.19
Gaheca dane jo ge Sternum comp. : . 0.42
Abdomen comp.. . 0.92 Sternum lares 4, 0:59
Fem. Pre Te. Mer. Tar. or:
eon) -4 Nes 2.66 4.16 0.79 10.36
e839 0.25 1.75 2.62 0.58 7.03
HSS 0.25 1.46 2.16 0.54 5.99
Ie Te 0.25 PQ cgi ii 0.62 8.53
se DUDE
Colorido — O cephalothorax é desmaiado; a margem
tem uma listra pardo-clara; o entalho mediano pardo e os
entalhos radiantes mais escuros um pouco; a parte anterior
da cabeça tambem um pouco mais escura. As mandibulas
desmaiadas. O beiço e as maxillas mais escuras. O sternum
e a extremidade proxima do femur têm uma sombra
esverdeada. As partes restantes das pernas são de côr des-
maiada. Todas as partes cobertas de pellos curtos de cor
escura, que são mais abundantes sobre o beiço, as maxillas,
o sternum e as pernas.
O abdomen tem abundantes manchas de côr azulada,
bem definidas e de fórma angular; os intervallos, uma listra
estreita, mediana, longitudinal sobre o dorso, uma listra
em frente aos fiandeiros e uma area sobre o epigyneo são
de côr desmaiada. O abdomen tem pellos compridos, duros
e de côr escura. Os fiandeiros desmaiados e cobertos de
pellos finos de cor parda. O epigyneo desmaiado, bordado
de uma listra parda.
Estructura. — O cephalothorax um pouco alto e mais
largo do que comprido; declinando mais abruptamente
para a margem posterior, que é ligeiramente chanfrada
do que para as lateraes; a area mediana não é concava;
o entalho mediano é estreito, comprido e pouco profundo.
A cabeça é um pouco mais alta do que a parte thoracica
e se levanta com pequeno angulo do entalho cephalico,
pelo que se distingue da parte thoracica. O clypeus é alto
e um pouco inclinado para diante.
Olhos — A carreira posterior de olhos é ligeiramente
procurva e a carreira anterior é bastante procurva. Os
olhos da carreira posterior são iguaes; os posteriores me-
dianos são separados por um pouco menos do que o seu
diametro, e quasi se-tocam nos posteriores lateraes. Os
olhos da carreira anterior são desiguaes; os anteriores
lateraes têm approximadamente duas vezes o diametro dos
anteriores medianos dos quaes são separados por metade
do diametro destes ultimos que se acham em contacto um
com o outro. Os anteriores lateraes são do mesmo tamanho
dos posteriores, e säo separados uns dos outros por um
pouco menos do que o seu diametro, estão bem proximos
dos posteriores medianos e quasi se tocam nos posteriores
lateraes.
As mandibulas são perpendiculares, têm duas vezes
o comprimento da largura, e têm o dente usual no
canto distal interior. O beiço é muito mais largo do
que comprido e é largamente chanfrado na extremidade.
As maxillas são fortemente inclinadas sobre o beiço; a
margem exterior é concava; as extremidades são bem ar-
redondadas; a margem distal interior é ligeiramente
arredondada e quasi toca a companheira. O sternum é
quasi um terço mais largo do que comprido, largamente
cordiforme e ligeiramente arqueado; é bem largo e redon-
damente truncado na parte posterior; muito ligeiramente
chanfrado anteriormente na inserção do beiço. Os cantos
exteriores anteriores são ligeiramente prolongados para
diante; os lados são pouco chanfrados em frente ás coxas.
As pernas são bem fortes; o primeiro par é quatorze vezes
mais comprido do que o cephalothorax. Os palpos delga-
dos. O abdomen de fórma quasi espherica; um pouco mais
alto do que comprido. Os fiandeiros delgados, os posteriores
um pouco mais curtos e delgados do que os anteriores. O
epigyneo muito grande prolongando-se pelo ventre.
Poço Grande, Est. de S. Paulo.
LITOPORUS E. SIM. (1893).
Differe de Blechroscelis nos olhos menores que são
separados por um espaço maior. Os olhos anteriores me-
dianos são contiguos entre si, mas separados largamente
dos lateraes. O abdomen é oval, quasi globoso. Todas as
pernas são quasi semelhantes entre si e delgadas. As
mandibulas do macho armadas de um dente na margem
interior como no Blechroscelis, ou de uma quilha trans-
versal perto da base.
L. imBeciis Keys.
Pholcus — Keys. Braz. Spin. 1891, pag. 170, Tab. V,
Figs. IIS—IIS a.
Femea — Comp. tot. 3.1; ceph. comp. 1.1, larg. 1.2;
cabeça larg. 0.4; Pernas: 135.3, Il 21.5, HI 14.0, IV' 10,3
Todo o corpo de cor amarello-clara. As pernas têm
um annel de cor parda na extremidade distal do femur
e da tibia, e na extremidade proxima da tibia e do me-
tatarso. Os olhos anteriores medianos quasi se tocam, e
são separados dos lateraes por tres vezes o seu diametro.
Posteriores medianos, separados por duas vezes o diametro.
Abdomen, pouco mais comprido que largo.
Rio de Janeiro.
L. Luteus Keys.
Pholcus — Keys. Braz. Spin. 1891, pag. 171, Tab. V,
Figs. 117—117 a.
Macho — Comp. tot. 3.2; ceph. comp. 1.3, larg. 1.5;
cabeça larg: 0.57 Pernas: 147.5) 27.9.1 erga IV pee:
Cephalothorax, palpos e pernas de cor amarello-escura;
o abdomen amarello-claro, de cor amarello-alaranjada pouco
adiante dos fiandeiros. |
O entalho mediano e o cephalico são pouco profundos.
Vista de cima, a carreira posterior de olhos é procurva
e a anterior é direita. Os anteriores medianos, bem peque-
nos e bem unidos entre si e separados dos lateraes por
um pouco mais do que o seu diametro. Os posteriores
medianos tocam-se nos lateraes e são separados um do
outro por duas vezes o seu diametro. À carreira anterior,
vista da frente, é bem procurva.
As mandibulas têm na frente uma pequena elevação
na base, e outra um pouco maior perto do meio, e o
pequeno dente commum no apice.
O abdomen é um terço mais comprido do que largo
e moderadamente arqueado em cima.
Estado do Rio de Janeiro.
Litoporus fulvas n. sp.
ESTAMPA V Fries. 4-4 Cc.
Macho —
Comprimento tot. . 3.58 Abdomen larg. . . 1.66
Cephalothorax comp. 1.25 Mandibula comp. . 0.53
Cephalothorax larg. 1.16 Mandibula larg. . . 0.25
Rabepa ars sir BO: Sternum comp. . . 0.62
Abdomer comp.. . 2.16 sternum larg... , 0.91
Fem. PAL, Tr. Met. Tar. For:
I 11.50 0.54 10.50 20.50 2.00 45.04
H 8.00 ORA ae LOO” eh FADO 1.30 28.84
HI 6.50 0.50 5.00 7.00 0.90 19.90
IV 8.00 0.54 6.50 10.00 1.10 26.14
Colorido — O cephalothorax, o beiço, as maxillas e o
sternum de cor desmaiada com, uma pequena sombra de
amarello especialmente no cephalothorax. As mandibulas
um pouco mais escuras tomando uma cor pardo-clara nas
extremidades. No entalho cephalico, justamente onde este
se encontra com o entalho mediano, se acha uma mancha
pardo-avermelhada, de forma de uma crescente. Os olhos
collocados sobre manchas negras. As pernas de côr pardo-
amarellada: nas extremidades distaes da tibia se acha um
annel largo, de côr desmaiada. Os palpos um pouco mais
amarellos.
O cephalothorax quasi nú. As outras partes todas co-
bertas de pellos finos e brancos que se tornam mais trigueiros
na extremidade do beiço e pardacentos nos apices das
mandibulas. O abdomeu de cor clara. Em roda da base
dos fiandeiros se acha um annel de côr amarella e uma
listra larga da mesma cor que se extende por uma pequena
distancia, para a parte anterior aos fiandeiros; desta a dobra
genital, uma outra menos larga e de côr azul; esta ultima
falta em um dos specimens; a parte anterior a esta listra
é de côr amarella; em um dos specimens a listra amarella
Revista do Museu Paulista, Vol, III, 7
==, LOOM
ventral é guarnecida de uma linha fina, escura, e tem uma
listra azul-clara passando pelo meio dos dois lados do
abdomen. O abdomen é coberto de pellos esparsos, com-
pridos, finos e de cor clara. Os fiandeiros de cor parda,
mais claros nas extremidades.
Estructura — O cephalothorax é mais largo do que
comprido, um pouco elevado; o entalho mediano largo e
profundo, de modo que cada metade é bastante arqueada.
A margem posterior é chanfrada. A cabeça se levanta com
um pequeno angulo do entalho cephalico. A carreira dos
olhos antériores e posteriores é ligeiramente procurva. Os
medianos posteriores são um pouco mais pequenos do
que os lateraes e são separados por um e meio vezes o
seu diametro. Os anteriores medianos tocam-se nos lateraes
e são separados dos anteriores lateraes pela metade do
seu diametro. Os olhos da carreira anterior sao muito
desiguaes. Os anteriores lateraes que se tocam nos poste-
riores lateraes são separados dos anteriores medianos, que
têm um quarto do seu tamanho, pela metade do diametro
dos primeiros. Os anteriores medianos quasi se tocam. As
mandibulas são um pouco grandes e são mais de duas
vezes mais compridas do que largas. Além do dente ter-
minal interior ha um outro denticulo curto, agudo e
mais grosso um pouco do que o primeiro, collocado a um
quarto da distancia para a base das mandibulas e perto
da margem interior. O berço é mais largo do que comprido
e um pouco mais estreito, perto da extremidade, que é
ligeiramente chanfrada. As maxillas são fortemente arquea-
das sobre o beiço; os cantos interiores distaes são paral-
lelos entre si, regularmente cortados e quasi se tocam um
no outro. A margem exterior é ligeiramente chanfrada e
os cantos são bem arredondados. O sternum é lortemente
arqueado especialmente na parte anterior, e largamente
cordiforme e leve, mas largamente chanfrado na parte de
traz; a parte anterior é chanfrada na inserção do beiço.
Os cantos exteriores são angulares e ligeiramente prolon-
gados na parte anterior; os lados são chanfrados em frente
ás coxas. As pernas bem compridas; o primeiro par trinta
e cinco vezes mais comprido do que o cephalothorax. O
abdomen curto e alto, quasi um quarto mais comprido do
que alto, e arredondado na frente. Os fiandeiros curtos e
quasi iguaes.
Iguape.
Litoporus genitalis n. sp.
E SETA EAN tal GS O =D Da
Comprimento tot. . 3.00 Abdomen alt.. . . o.88
Cephalothorax comp. 1.15 Mandibula comp. . 0.34
Cephalothorax larg.» 1.15 Mandibula larg. . . 0.17
Capeca three on OAT SEEN COMP: 4.052
Abdomen comp.. . 1.75 sternum lare”. +. 7076
FE“. Pre PTE: Mer. Tar. Tor.
I 6.00 0.40 5956 LOISO 1.94 24.34
II 4.00 0.39 4.20 6.00 1.25 15.84
HI: 53.30 0.39 3.00 5.00 0.85 12.55
IV 4.00 0.39 4.00 5.00 1.05 15.44
Colorido — O cephalothorax é desmaiado ; um pouco
acima da margem passa anteriormente uma listra comprida,
marginal, de côr escura; uma outra listra mediana, seme-
lhante á primeira se extende longitudinalmente até o
entalho cephalico, onde se torna mais parda e se divide
em duas partes, seguindo o entalho por toda a sua exten-
são, estreitando-se, porém, alem do plano dos olhos pos-
teriores lateraes.
O clypeus é marcado com listras largas e convergentes
que passam desde o grupo lateral de olhos até a margem.
Os olhos se acham collocados sobre areas negras; as areas
dos grupos lateraes estão cercadas de outras areas de cor
azul-clara e estas se encontram atravez da area inter-ocular.
As mandibulas de côr pardacenta, com uma area mais
— 108 —
clara nas superficies superiores da parte anterior. O
beico e as naxillas de côr pardacenta, as ultimas mais
claras nas extremidades. O sternum de côr amarello-
clara. As pernas de côr amarellada, os metatarsos sendo
mais claros um pouco do que o resto. Nas extremidades
distaes do femur e da tibia se acha um annel de côr clara;
este é precedido por outro de cor verde-escura. Os palpos
são de côr pardacenta. O abdomen de côr azul-cinzenta
na parte superior e mais claro um pouco nos lados e
no ventre. Duas listras parallelas, medianas, formadas
de uma serie de pequenas manchas, se extendem desde
a parte anterior quasi até os fiandeiros. Mais baixo, de
cada lado, passam outras listras semelhantes ás primeiras
que se alargam ao passo que se aproximam dos fiandeiros
e que quasi se encontram acima destes. Duas ou tres
series diagonaes de manchas unem as listras medianas
com as lateraes. Uma listra mediana, longitudinal, ao longo
do ventre desde o epigyneo até a metade da distancia
para os fiandeiros; os fiandeiros de côr pardacenta; 0 epigynco
pardo-escuro.
O cephalothorax tem alguns pellos compridos, direitos
e de côr parda, especialmente nos lados e no anterior da
cabeça. As mandibulas, o beiço, as maxillas e o sternum
são cobertos esparsamente de pellos compridos de côr
parda. As pernas bem cobertas de pellos compridos e
direitos. O abdomen é esparsamente coberto de pellos.
Estructura — O cephalothorax um pouco baixo e
ligeiramente arqueado, quasi circular e a margem posterior
é profundamente chanfrada. O entalho mediano é raso,
estreito e comprido. O entalho cephalico é estreito, mas
bem definido. A cabeça se levanta com um pequeno angulo
do entalho cephalico. O clypeus é perpendicular.
Olhos — A carreira posterior de olhos é ligeiramente
procurva nas margens anteriores; os medianos um pouco
menores do que os outros e são separados por um pouco
mais do que dois terços do seu diametro, e quasi se tocam
nos lateraes. À carreira anterior de olhos é fortemente
procurva nas margens anteriores; os anteriores medianos
têm menos de um terço do diametro dos lateraes, dos
quaes são separados pela metade do seu diametro, e um
do outro por um e meio vezes o seu diametro. Os ante-
riores lateraes um pouco menores do que os posteriores
lateraes e quasi se tocam.
As mandibulas são perpendiculares, duas vezes mais
compridas do que largas e um pouco arqueadas na frente.
Um denticulo agudo se acha no canto terminal interior.
O beiço é bem mais largo do que comprido, sendo
um pouco mais largo na base, é largo mas levemente
chanfrado na extremidade, os cantos são um pouco arre-
dondados e um pouco arqueados.
As maxillas convergentes como de costume e se en-
contram por meio dos seus cantos terminaes interiores,
que são truncados em angulos rectos; a margem exterior
é concava em baixo e convexa em cima. O sternum é
fortemente arqueado na parte anterior, largamente cordi-
forme e largamente truncado na parte posterior; chanfrado
na parte anterior ao beiço e as maxillas, e em frente ás
coxas nos lados. As pernas um pouco curtas e reforçadas;
o primeiro par é vinte e uma vezes mais comprido do
que o cephalothorax. Os palpos curtos e delgados.
O abdomen alongado, perto de duas vezes mais com-
prido do que alto, de fórma regularmente elliptica por dois
terços da parte anterior, e muito reduzido na parte pos-
terior onde faz uma ponta aguda. Os fiandeiros curtos,
reforçados e terminaes.
Macho —
Comprimento tot. . 3.50 Abdomenalts 1. 1/50
Cephalothorax comp. 1.05 Mandibula comp. . 0.44
Cephalothorax larg. 1.15 Mandibula larg. . . 0.25
Cabecalare 2. 0:50 Sternum comp. . . 0.48
Abdomen comp.. . 2,59 Sternum larg. . . 086
TO e
Fem. Par: ère: Met. Tar. or
I 8.75 0.41 ay rain Eo 1.50 31.91
II 6.00 0.41 5.16 8.75 1.75 23.07
LEA 0.41 aa 5.50 1.00 14.99
IV 5.50 0.40 4.41 7.66 1.25 18.82
O macho é semelhante a femea em tudo, excepto
a cor que é mais clara e as pernas mais compridas e
delgadas.
As mandibulas têm o dente agudo, usual no canto
terminal interior; têm mais uma proeminencia curta e
embotada, que fica a um quarto da distancia para a base e
bem no interior, e outra grande embotada na metade
da distancia para a base e se extende para deante e para
baixo; esta tem cabellos compridos e duros, acima desta
eminencia as mandibulas mais grossas do que no apice.
Poço Grande, Est. de S. Paulo.
Litoporus brasiliensis n. sp.
ESTAMPA V FIGs. 6—6 c.
Macho —
Comprimento tot. . 3.00 Abdomen alt.. : : 0.94
Cephalothorax comp. 0.96 Mandibula comp. . 0.36
Cephalothorax larg. 1.07 Mandibula larg. . . o.21
Cebecatlare?ii- cio SA Sternum comp: = o.6n
Abdomen comp. . . 1.87 Sternum, larg) 2.º. “cago
Frm. Par. Tr. Mer. Tar. For:
I 15.50 0.50 1250 2700 206 57.86
II 12.00 0.56 » “9.504 301 7:00 2726 41.78
HT 9.50 0.47 7-500 Mo so 129] 31.24
IV 12.00 0.56 8.50 15.50 1.36 37.92
Colorido — O cephalothorax de côr desmaiada; no
entalho mediano se acha um risco estreito de cor pardo-
o RA AR age
avermelhada. Os olhos se acham collocados sobre areas
negras. As mandíbulas, O beiço, as maxillas e O sternum
de côr um pouco mais escura. As pernas de côr pardo-
amarella, a metade distal e um annel na extremidade pro-
ximal do metatarso e tarso de côr mais clara. Um annel
largo desmaiado precedido de um annel largo de cor escura
na extremidade distal do femur e da tibia. Um annel
semelhante na extremidade proximal da tibia. O abdomen
é uniformemente de côr verde-clara; um pouco mais claro
no ventre. Os fiandeiros de côr parda. “Todas as partes
estão cobertas de pellos curtos, finos e de côr pardo-escura.
Estructura — O cephalothorax baixo, a parte thoracica
“sendo um pouco mais alta do que a cabeça, se inclina
abruptamente para a margem posterior que é um pouco
chanfrada e se inclina gradualmente para as margens late-
raes. O entalho mediano é bem determinado, mas pouco
protundo; o entalho cephalico é mais largo e mais profundo,
e deste a cabeça se levanta fazendo um angulo mais
ou menos de 20 gráus. O clypeus é quasi perpendicular e
um pouco contrahido logo abaixo dos olhos.
Olhos — À carreira posterior de olhos é distinctamente
procurva e a carreira anterior é mais procurva do que a
posterior. Os olhos da carreira posterior quasi iguaes
entre si; os dois medianos são separados um do outro por
um espaço que mede pouco mais do que o seu diametro,
e ficam quasi contiguos com os lateraes. Os olhos da
carreira anterior são desiguaes entre si; os medianos têm
mais da metade do diametro dos lateraes e são separados
por um espaço que mede dois terços do seu diametro, e
são separados dos lateraes por um espaço igual á metade do
seu diametro; os lateraes são separados dos posteriores
lateraes pela mesma distancia que dos anteriores medianos.
As mandibulas curtas, largas e perpendiculares; alem
da espinha, terminal, commum, do lado interior ha uma outra
que fica quasi a um quarto da distancia para à base, e
collocada bem no interior, e um denticulo embotado, col-
locado mais ou menos a dois terços da distancia para a
== Ie
base, e proximo á linha mediana. O beiço é duas vezes
mais largo do que comprido sendo ligeiramente chanfrado
na extremidade. As maxillas de forma commum; fortemente
arqueadas sobre o beiço e se encontram por meio dos
cantos interiores, truncados em linha recta. O sternum
largamente cordiforme, bem arqueado, truncado redonda-
mente para traz e largamente chanfrado na parte anterior;
os lados regularmente arredondados. As pernas bem com-
pridas e delgadas, o primeiro par é sessenta vezes mais
comprido do que o cephalothorax. Os palpos, de tamanho
medio.
O abdomen -é duas vezes mais comprido do que alto;
mais largo justamente posterior 4 margem anterior, trun-
cado redondamente; estreita-se bem abruptamente logo
posterior ao meio; abaixa subitamente nas extremidades
posteriores aos fiandeiros collocados na ponta terminal. Os
fiandeiros são bem curtos. |
Poco: Grande, Est//deS. Paulo,
EXPLICAÇÃO DAS FIGURAS (ESTAMPA V).
Figs. 1—1 b. SMERINGOPUS PURPUREUS N. SP.
Figs. 2—2 d. CoryssocNEMUS BANKSI n. Sp.
Figs. 3—3 b. BLECHROSCELIS Simoni n. sp.
Figs. 4—4 c. Liroporus FULVUS n. sp.
Figs. 5—5 d. Liroporus GENITALIS n. Sp.
Figs. 6—6 c. LiTOPORUS BRASILIENSIS N. Sp.
Fig. 7 LoxoscELES SIMILIS N. Sp.
— 13 + - as
As aves do Estado de S. Paulo
POR
H. VON IHERING.
As aves do Estado de S. Paulo são em grande parte
e desde muito tempo bastante conhecidas do mundo scien-
tifico, devido ás viagens que aqui fez nos annos de 1818
—1823 o naturalista João Natterer, ornithologo austriaco
que perto de 20 annos percorreu o Brazil desde Curityba
e Paranaguá até os Estados de Amazonas e Pará, reunindo
collecções magnificas que foram enviadas ao Museu de
Vienna. Sobre as aves colligidas por Natterer temos uma
boa obra publicada por Pelzeln. Encontram-se outras indi-
cações sobre a nossa fauna ornithologica nos livros de
Burmeister e outros autores, como tambem no excellente
catalogo do British Museum de Londres, catalogo que em
27 grossos volumes reune descripções, synonymia e indi-
cações sobre a occorrencia de todas as especies de aves
até agora conhecidas.
Assim ja foi bem estudada a nossa ornithologia e
muitas são as especies descriptas como tendo apparecido
neste Estado, que ainda faltam ás collecções do Museu
Paulista. Do outro lado acontece tambem que esta pu-
blicação, a primeira nesse sentido impressa por uma
repartição do Brazil, augmenta notavelmente a lista das
especies até hoje observadas no territorio paulistano. O
presente artigo não pretende ser um catalogo da collecção
ornithologica do Museu Paulista, mas sim uma synopse
de tudo que até hoje consta da litteratura e das collecções
do Museu sobre as aves de S. Paulo. Por essa razão são
mencionadas aqui todas as especies que apparecem neste
Estado, mas como existentes no Museu Paulista são notadas
apenas as especies que temos provenientes deste Estado.
Acontece que temos uma especie já observada em S. Paulo,
da Bahia ou do Rio de Janeiro, mas neste caso sob a
rubrica Mus. Paul: ella não é indicada, porque nessa
occasião me pretendo occupar apenas das observações feitas
em S. Paulo. Temos no Museu, além da collecção exposta,
outra boa e bem avultada de couros não cheios, guar-
dados para estudo em gavetas de armarios construidos
propositalmente para tal fim.
Causou-me grande difficuldade o estudo da antiga
collecção do Museu, prestando eu bastante attenção a
proveniencia dos exemplares, sendo que parte dos ex-
emplares notada como proveniente do Estado de São
Paulo, provem de outras regiões do Brazil. Por essa -
razão aconteceu que o primeiro esboço deste catalogo
publicado sem auctorisação por um ex-empregado *) do
Museu continha grande numero de especies que não occor-
rem effectivamente em S. Paulo. Se foi pelos especialistas
competentes notada a deficiencia desse «trabalho» «muito
cheio de erros», como diz o Conde Berlepsch, apenas
tenho a dizer que aquella lista não foi destinada á publi-
cidade e que a esta repartição não cabe responsabilidade
alguma em virtude de uma publicação que seria capaz de
originar enganos na sciencia se fosse aproveitada na lit-
teratura.
1) Refiro-me ao artigo « Ornithologia Paulista» no Journal
für Ornithologie de 4. Reichenow Vol. 44. Leipzig 1896. No meu
artigo sobre a distribuição geographica dos passaros de canto do
Est. de S. Paulo no mesmo periodico (Ibid. 1898 p. 6—24) recti-
fiquei em uma ordem, a dos Oscines, numerosos erros. Não
voltarei ao assumpto aqui, notando apenas uma das determinações
mais falsas e mais notadas, a de « Turdus fumigatus Licht.», que
nem ao menos pertence 4 ordem dos Oscines. O respectivo pas-
saro da collecçäo do Museu, determinado por engano como T.
fumigatus foi classificado por mim de Lathria virussu Pelz. e
essa determinação foi confirmada pelo Sr. Conde Berlepsch a quem
mandei o respectivo exemplar.
— 115 — |
Não houve outro recurso senão deixar completamente
de lado a collecção antiga e começar a nova, deixando
fora de consideração todos os specimens do «Estado de
S. Paulo» dos quaes não é confirmada pela nova collecção
ou pela litteratura, a occorrencia neste Estado.
Não satisfeito ainda com a nova fórma deste catalogo
e julgando conveniente incluir maior numero de notas
sobre os caracteres distinctivos das differentes especies
eu o escrevi e elaborei pela quarta vez, dando-lhe a fórma
actual. Tive o desejo de ajuntar tambem descripções dos
caracteres das familias e generos, mas então ficaria o
trabalho volumoso demais para esta Revista. Talvez que
publicações como esta tragam com o tempo muitos amigos
para o Museu, com bastante enthusiasmo para a exploração
scientifica do Estado e com bastante influencia para poder-
mos obter do Congresso outra verba para o Museu e que
então seja possivel publicar em fórma de um livro com-
- pleto e ricamente illustrado e augmentado este artigo.
O fim desta publicação é apenas o de formar a base
para o estudo e a discussão da ornithologia de S. Paulo.
Seguir-se-hão a este artigo outros tantos de minha lavra, assim
como de collaboradores, tratando da biologia e da distri-
buição geographica de nossas aves. Não posso deixar de
recommendar ao leitor neste sentido o excellente livro do
Dr. E. A. Goeldi que representa uma introducção utilis-
sima ao conhecimento da ornithologia do Brazil. Até certo
ponto estão perfeitamente de accordo o presente artigo e
o livro de Goeldi que se refere a todo o Brazil e a bio-
logia de grande numero de especies. Ao contrario, este
meu artigo deixa á parte as questões geraes e biologicas
pretendendo fornecer elementos minuciosos e necessarios
para a classificação.
Entre os artigos seguintes tenho o prazer de mencionar
o do Sr. Carlos Euler (Rio de Janeiro) sobre a biologia
e especialmente a reproducção, ninhos e ovos das aves
do Brazil meridional. Os diversos artigos referentes a este :
assumpto e publicados numa revista allemã pelo Sr. Luler
516) ——
são geralmente reputados como os mais exactos e com-
pletos que até hoje têm apparecido sobre essa parte da
biologia do Brazil. Teremos agora uma edição portugueza
completada pelo proprio autor, que será publicada no
seguinte volume desta Revista.
Quanto á nomenclatura usada eu me referirei á termi-
nologia explicada pela figura que se segue.
LA
,
LI
'
|
!
|
|
57
tape amam =
i .
REsp ne
nee Mae
|4e------~-
Portuguez Latim
1., gonys, da mandibula inferior gonys
2., tomia, margens cortantes
das mandibulas tomia
3, culmen, cume da mandi-
bula superior culmen
Portuguez Latim
4., venta Ed
5, loro ou freio, região entre
o olho e o bico lorum
6., fronte frons
7., vertice vertex
8., nuca nucha
9., ouvido ou região auricular regio parotica
IO., pescoço posterior cervix
II., interscapulio ou dorso alto interscapulium
12., dorso inferior tergum
13., uropygio, sobrecú uropygium
14., coberteiras superiores da
cauda | supracaudales
15., rectrizes ou pennas da
cauda rectrices
16., coberteiras inferiores da
cauda subcaudales
17., Crisso, região ao redor do
anus crissum
18., tarso tarsus
1g., barriga venter
20., peito pectus
21., pescoço anterior inferior jugulum
22., garganta (pescoço anterior
superior) gula
23. mento mentum
24., remiges da mão remiges primariae
25., remiges do braço remiges secundariæ
26., coberteiras exteriores gran- tectrices superiores mai-
des da aza ores
27., coberteiras exteriores pe- tectrices superiores mi-
quenas da aza nores
28., encontro flexura
Completando as indicações sobre aomenclatura con-
vem observar alguma cousa com respeito ao bico. Quando
— TIO —
as duas mandibulas são do mesmo tamanho e feitio, o
bico é paragnatho, quando a mandibula superior é maior,
com a ponta recurvada para baixo, o bico é epignatho.
Chama-se cerume a membrana que cobre a base do bico
dos papagaios e aves de rapina. Os terminos: conirostro,
fissirostro etc. são explicados na introducção do capitulo
oscines que em baixo segue. |
Mach, = macho, fém"emea; juv: == filhote:
Outro motivo para modificar mais uma vez este cata-
logo se deu quando recebi o catalogo do British Museum,
Esta importantissima obra reune em 27 volumes, em
descripções exactas, tudo que agora sabemos das especies
de aves, ajuntando a synonymia completa e indicações
sobre a patria. Vi-me obrigado a começar de novo esta
lista e tomar aquella obra por base da nomenclatura, cujo
conteudo é o seguinte:
Vol. 1. Sharpe R. B. Vulturidae, Falconidae. London
1874.
Vol. 2. Sharpe R. B. Bubonidae, Strigidae. London
1875. |
Vol. 3. Sharpe, R. B. Corvidae. London 1877.
Vol. 4. Sharpe, R. B. Muscicapidae. London 1879.
Vol. 5. Seebohm, H. Turdidae. London 1887.
Vol> 6: Sharpe, R. B. Timeliidae. London 1887.
Vol. 7. Sharpe, R. B. Timelüdae. London 1883.
Vol. 6. Gadow, H. Laniidae. London 1883.
Vol. 9. Gadow, H. Meliphagidae. London 1884.
Vol. 10. Sharpe, À. B. Hirundinidae, Mniotiltidae, Mota-
cillidae. London 1885.
Vol. 11. Sclater, P. L. Coerebidae, Tanagridae, Icteridae.
London. 1886.
Vol. 12. Sharpe, R. B. Fringillidae. London 1888.
Vol. 13. Sharpe, R. B. Sturnidae. London 1890.
Vol. 14. Sclater, P. L.: Tyrannidae, Oxyrhamphidae, Pr:
pridae, Cotingidae. London 1888.
Vol. 15. Sclater,.P. L. Dendrocolaptidae, Formicariidae,
Conopophagidae, Pteroptochidae. London 1890.
Vol. 16. Hartert, E. Trochili, Cypselidae, Caprimulgidae.
London 1892.
Vol. 17. Ogilvie-Grant, W. R. Alcedinidae, Momotidae,
Trogonidae. London 1892.
Vol. 18. Hargitt, E. Picidae. London 1890.
Vol. 19. Shelley, G. E. Rhamphastidae, Galbulidae, Buc-
conidae, Cuculidae. London 1891.
Vol. 20. Salvadori, T. Psittaci. London 1891.
“Vol. 21. Salvadori, T. Columbidae, Peristeridae. London
1893.
Vol. 22. Ogiluie-Grant, W. R. Phasianidae, Cracidae.
London 1893.
Vol. 23. Sharpe, R. B. Rallidae, Aramidae, Eurypygidae,
Psophiidae. London 1894.
Vol. 24. Sharpe, R. B. Charadriidae. London 1896.
Vol. 25. Osbert Salvin. Laridae. London 1896.
Vol. 26. (Ardeidae, Steganopodes)—ainda não publicado.
Vol. 27. Salvadori, T. Anatidae, Tinamidae, Rheidae.
London 1895.
Quanto á outra litteratura por mim aproveitada dou
em seguida a lista observando que varias obras de Vieillot e
outras monographias não me são accessiveis. À synonymia
completa acha-se indicada no Catalgo do British Museum
a que sempre me refiro.
Berlepsch, H. von. Zur Ornithologie der Provinz S.º
Catharina, Süd-Brasilien. Journal f. Ornithologie v. Cabanis
XXI. 1873 p. 225293 e XXII 1874 p. 241264.
Berlepsch, H. von und /hering, H. von. Die Vogel der
Umgebung von Taquara do Mundo novo, Prov. Rio Grande
do Sul. Zeitschrift für die gesammte Ornithologie 1885
p. 97—184 (1—88) u. Taf. VI—IX.
Burmeister, H. Systematische Uebersicht der Thiere
Brasiliens. Bd. Il e II Végel (Aves) Berlin 1856.
Coues, Elliot. Key to North american Birds. London
1884.
Goeldi, E. As aves do Brazil L Rio de Janeiro (Alves
CE) 1604
cart AO)E =
Ihering, H. von. Die Vogel der Lagoa dos patos.
Zeitschrift f. ges. Ornithologie von Madaras 1887 p. 142
—165 und Taf. I. |
Ihering, H. von. Ueber die Verbreitung der Singvégel
von S. Paulo. Journ. f. Ornithologie 46. Jahrg. 1898 p.
6—24.
Marcgrav, G. et Piso, G. Historia Naturalis Brasiliae.
Lugdunum Batavorum 1648. |
Wied, Prinz Maximilian. Beitrige zur Naturgeschichte
von Brasilien. Végel: Band II Weimar 1830—1831; Band
IV 1832—1833.
Pelzeln, A, von. Zur Ornithologie Brasiliens. Wien
1871.
Sclater, P. L. and Hudson, W. H. Argentine Orni-
thology. London Vol. I 1888; Vol. II 1889.
Spix, J. B. de. Avium species novae quas in itinere
per Brasiliam annis 1817—1820 collegit. Monachii 1824.
Cumpre-me ainda agradecer aos distinctos Senhores
que neste estudo me prestaram valiosos serviços: ao Sr:
Conde Berlepsch em cuja opinião em todas as questões
difficeis e discutaveis sempre tenho a maior confiança e
aos Srs. Ricardo Krone em Iguape, Alexandre Hummel
em S. Manoel do Paraizo e Valencio Bueno em Piracicaba
que me forneceram couros de especies que nos faltavam
e que com informações valiosas sobre a biologia e sobre
os nomes vulgares de muitos passaros amavelmente me
ajudaram.
Assumpto que muito me occupou foi a denominação
vulgar das aves mais conhecidas. Resulta dessas pesquizas
que muitas vezes existem nomes meramente locaes, deno-
minações de aldeia, usadas só em um ou outro municipio.
Julgo que não é tarefa de estudos como este concorrer
para tornar mais conhecidos taes nomes. Acontece até,
como no caso dos chopim e virabosta, que a mesma
palavra usada aqui e em outras regiões visinhas do Brazil
é applicada a passaros differentes. Creio que é dever dos
naturalistas contribuir nesse sentido para a apuração e
one dE ae
codificação da lingua brazileira. As denominações das aves,
mammiferos etc. como as das plantas são em grande parte
tiradas da lingua tupy-guarany, afastando-se nesse sentido
a lingua fallada no Brazil muito da fallada em Portugal.
Não é só a lingua portugueza, não é só a historia commum
que une os differentes Estados do Brazil, mas tambem o
facto quasi admiravel da distribuição vastissima e completa
das palavras derivadas da lingua geral. E" preciso respel-
tar essas raizes da formação da nacionalidade brazileira e
julgo que aos sabios que estudam a natureza do paiz
compete, com todo criterio, apoiar e guiar o processo da
assimilação dos termos tupys no organismo da lingua
brazileiro-portugueza.
Infelizmente ainda estamos bastante atrazados na or-
thographia e etymologia tupys, não havendo, ao menos,
accórdo quanto aos principios que devem ser adopta-
dos. Ao contrario de diversos eminentes escriptores que,
como o Snr. General Couto de Magalhães, exigem a
imitação mais fiel da pronunciação usada entre os guaranys
viventes entre nós, acredito que, tanto quanto fôr possivel,
deve ser usado um systema combinado, que esteja em
harmonia com as palavras já adoptadas no organismo da
lingua brazileira e que mais facilite a incorporação de outras
em plena concordancia com as regras grammaticaes e or-
thographicas da lingua portugueza. A pronunciação dos
guaranys é variavel não só nas diversas tribus, mas até
nos individuos e acontece ainda que de uma duzia de
pessoas a mesma palavra ouvida ao mesmo tempo pro-
nunciada por pessoa tupy é ouvida e escripta de modo
differente. Para nós não convem imitar de modo mais
restricto a pronunciação dos guaranys ou tupys e escrever,
por exemplo, h-abia em vez de sabiá, jauara-eté em vez
de jaguar-eté, jauti em vez de jaboti, nem adoptar o modo
de escrever usado pelos especialistas linguísticos, embora
da maior competencia, como Lucien Adam ') porque se
*) cf. esta Revista vol. II p. 467.
Revista do Museu Paulista. Vol. III 8
rd WP
utilisam de consoantes pouco usadas entre nós como We
K escrevendo elle jagwar-eté e ka-pii em vez de jaguar-
eté e capim.
O ponto de vista que, a meu ver, deve, unicamente
para nós, ser determinante é na orthographia usada pelas
palavras tupys, a da correlação com a lingua portugueza,
para facilitar a assimilação daquellas palavras no organis-
mo do nosso idioma. (Quanto aos nomes vulgares das
aves a litteratura contribuirá á medida de suas forças para
fazer do uso geral as denominações mais acceitaveis, na
fórma mais correcta e conveniente. Comparando os dados
fornecidos em seguida e contidos no livro do Dr. Goeldi
veremos que a mesma ave muitas vezes é conhecida sob
denominações diversas nos Estados do Brazil e até nas
varias comarcas de um mesmo Estado. E' certo que
presentemente — quando nesse sentido o trabalho apenas
está começando na nossa litteratura — não podemos deixar
de registrar os nomes que disso pareçam dignos, prepa-
rando, assim, a nomenclatura trivial do futuro. Não se
me objecte que o povo não é influenciado pela litteratura.
A lingua não tem cousa alguma de fixo, varia e evolue e
sob esse ponto de vista a sciencia dirige na França, Alle-
manha etc. as modificações que os systemas glossologicos
têm soffrido. Isto dar-se-á aqui tambem e assim póde
acontecer que uma denominação menos apropriada com
o tempo ha de ser menos ouvida e afinal esquecida.
Actualmente, neste sentido, a confusão é grande! Temos
em parte nomes portuguezes applicados a animaes que
differem dos que se entendem em Portugal sob o mesmo
nome, temos nomes novos feitos aqui, temos nomes acceitos
do tupy-guarany e outros acceitos tambem dessa lingua
indigena, mas corrompidos de modo tal que muitas vezes
não é possivel estabelecer etymologia exacta, ou, ao
menos, provavel '). Ha casos em que bem se conservou
O caso mais singular é o do marisco do mar Pholas
costata L., chamado em S. Sebastião tamba-foli, reunindo em foli
duas consoantes que não existem na lingua tupy. Tambá, ao
ao lado do nome portuguez o indigena, por exemplo, a
gralha é designada ainda em certos logares acahé, mas
em outros conservou-se apenas o nome portuguez, às vezes
mal empregado (pavão !).
Entendo, pois, que convem colligir os nomes triviaes
sujeitando-os, porem, a um exame critico Contribuir-se-à
assim para a adaptação à litteratura do nome escolhido
como o mais commum e conveniente, de modo tal que
com o tempo essa denominação preferida ou official seja
geralmente acceita.
Não posso fechar esta introducção sem um protesto
contra a destruição insensata dos passaros nos arrabaldes
desta capital. E’ verdade que ha uma lei de caça, mas
ninguem a conhece e observa, nem ao menos os fiscaes da
camara municipal. Devia ser absolutamente prohibida a
caça de passaros de canto. Mas dirijam-se ao mercado e
observarão, em grande quantidade, sabiás e outros pas-
' sarinhos menores que são mortos e vendidos como alimento.
O que acontece ao redor desta bella capital é triste!
Desapparecem os ultimos capões e até as vassouras, tor-
nando-se seccos e estereis os campos, deteriorados ainda
por queimadas, cada vez mais frequentes. Das pontes
roubam os pranchões, cahem as cercas porque fazem o
mesmo aos mourões. Tomba o ultimo refugio onde os
passarinhos puderiam construir o seu ninho e os poucos
que sobrevivem cahem victimas de caçadores que, em parte,
são malandros que nem respeitam cercas e propriedade
particulares, matando com gosto as gallinhas que por
ventura se afastam de casa, dando ás vezes em virtude de
resistencia ou vingança, logar para encher os registros cri-
minaes das folhas diarias.
Não é o capricho que nos obriga a elevar a nossa voz
em favor dos passaros. Na natureza cada organismo occupa
contrario, é concha, marisco e creio que d'ahi nos vem a palavra
sambaqni para os casqueiros da costa que devia ser escripta
Tamba-qui (tamba = concha, qui = aqui). Se isso é exacto será
melhor escrever tambaqui,
lugar importante e as relações entre os grupos de animaes
mais diversos e com o reino vegetal, são muitas vezes
singulares e complicadas. No interesse da hygiene publica,
lastimamos o desenvolvimento colossal das moscas que
nos ultimos annos se tem observado nos arrabaldes de 5.
Paulo, especialmente no bairro do Ypiranga, pois a mosca
não é só um meio para distribuir epidemias, mas até a
tuberculose. Mas aqui não ha mais passaros que as possam
caçar, como não ha bemtevis e outras tyrranidas para
perseguirem os insectos alados das formigas e cupins. Não
se admirem das consequencias!
Aqui só é possivel remedio radical. Prohibir no peri-
metro de duas leguas ao redor da capital a caça, lançar.
imposto sobre armas de fogo e confiscal-as quando não o
pagarem, punir com grande multa os que matam e ven-
dem passarinhos — eis medidas justas e certas, caso
haja fiscalisação. Verdadeira caça de perdizes, codornas
etc. já não ha mais perto da cidade, e admittir a conti-
nuação de matança dos passarinhos de canto seria admittir
prejuizo e perigo serio para a saude publica e para a
lavoura.
I Ordem. Passaros.
A grande ordem dos Passaros abrange mais do que
a metade de todas as especies de aves até hoje observadas
e cujo numero Mocbius no anno corrente calculou em
13.000. O bico, variavel na forma, é destituído de cerume.
As pernas têm o tarso sem pennas; os pés têm tres dedos
anteriores e um posterior. À unha do dedo posterior é mais
forte do que a do dedo maior dos tres anteriores, dos
quaes os dous exteriores são ligados na base.
Distinguem-se duas sub-ordens das quaes a primeira
é a dos Oscines que contem os melhores cantores e repre-
sentantes em todos os paizes do globo; a segunda é quasi
exclusivamente americana. Essas duas sub-ordens desta-
cam-se principalmente pela estructura do larynge inferior,
tendo tres pares de musculos entre os Clamatores, 5 nos
Oscines.
|. Sub-ordem. Oscines.
Além do caracter indicado, notam-se os passaros dessa
sub-ordem pelos tarsos que têm a superficie anterior coberta
de 7 escudos que muitas vezes são unidos numa unica
chapa e os lados lisos cobertos de uma lamella dura e
lisa, reunindo-se para traz as duas chapas num canto. O
numero das remiges da mão é variavel importando em 9
ou 10. Os sabiás têm a primeira remige rudimentaria, nos
tico-ticos, gaturamas etc. ella falta completamente corres-
pondendo a primeira que se encontra na mão á segunda
do sabiá. Baseando-se nessas differenças distinguem alguns
naturalistas duas secções entre os oscines :
a, Zurdiformes com as familias: Turdidae, Troglody-
tidae, Vireonidae, Sylviidae, Corvidae, tendo to remiges
da mão. —
b., Fringilliformes com as familias: Hirundinidae,
Mniotiltidae, Motacillidae, Coerebidae, Tanagridae, Icteridae,
Fringillidae, tendo 9 remiges da mão.
No primeiro destes dous grupos representa a familia
das Corvidas, entre nós representada pelas gralhas, um
elemento heterogeneo bem- distincto do resto, sendo as
corvidae passaros grandes e fortes com o bico forte e alto,
coberto na base por pennas setiformes viradas para diante,
e distinguidos pelo mento situado relativamente longe para
diante, isto é mais adiante do que as ventas.
Quanto aos Fringilliformes o caracter mais frisante é
o bico que é fissirostro isto é, fendido até em baixo do
olho, pequeno, mas abrindo largamente nas andorinhas
(Hirundinidae), tenuwirostro ou delgado, comprido um pouco
arqueado nos sahys e mariquitas, cultirostro sendo forte
comprido cortante nos Icteridae e Corvidae, conirostro ou
ic —
de forma conica, curta nos Fringillidae e dentirostro nas
outras familias, isto é, de forma curta ou alongada, mas
com uma incisão pequena perto da ponta da maxilla supe-
rior. Um caracter importante é formado pela commissura,
isto é, a linha em que as duas mandibulas se encontram
e que consiste em duas partes, uma anterior (tomia) e
outra posterior atraz das ventas (rictus). A linha commis-
sural é mais ou menos recta ou arqueada na maior parte
das familias seguintes, mas angulosa nas familias Icteridae
e Frigillidae. A nossa figura pag. 116 mostra a commissura
angulada.
FAM. TURDIDAE.
* 1. Turdus rufiventris Vieill.
Sabiá, Sabiá laranjeira.
Turdus rufiventer Spix I p. 70 Taf. 68.
Turdus rufiventris Wied HI p. 639.
Turdus rufiventris Burmeister WI p. 122.
Turdus rufiventris Pelzeln p. 94 (Matto Dentro, Ypa-
| nema).
Turdus rufiventris Sclater a. Hudson I p. 3.
Turdus rufiventer Cat. Br. Mus. V p. 222.
Facilmente se distingue das outras especies de sabiä
pela cor pardo-avermelhada do peito e da barriga. Especie
commum desde o Rio da Prata até a Bahia e Bolivia.
Mus. Paul. São Paulo, fórma typica e um albino;
Itatiba; Cachoeira.
* 2. Turdus albicollis Vieill.
- Sabia colleira.
Turdus albicollis Burmeister HI p. 125.
Turdus albicollis Pelzeln p. 93 (Ypanema).
Turdus albicollis Berlepsch u. lhering p. 112.
Turdus albicollis Cat. Br. Mus. V p. 209.
A barriga é branca no meio, castanha nos lados. No
pescoço ha em baixo da garganta uma mancha grande,
branca, de forma semilunar. A descripção de Spix (Lp. 71
PI. 70) de albicollis refere-se a uma outra especie parecida
da Bahia, T. crotopezus Licht. e Wed (III p. 346). T. albi-
collis occorre desde o Rio Grande do Sul até a Bahia.
Mus. Paul. S. Paulo; Iguape.
* 3. Turdus albiventer Spix.
Sabiá branco.
Turdus albiventer Spix I p. 7o Taf. 69 fig. 1.
Turdus albiventris Burmeister HI p. 124.
Turdus albiventer Pelzeln p. 93 (Cemiterio, Ypanema,
Itararé, Rio Parana).
Turdus albiventer Cat. Br. Mus. V p. 216.
Não conheço esta especie parecida 4 seguinte que só
acceitei seguindo Pelzeln que a menciona de varias loca-
lidades do E. de S. Paulo, onde Natterer a caçou. O bico
superior da ave adulta é escuro. T. albiventer é especie
do Norte do Brazil e da Venezuela, que temos da Bahia.
Mus. Paul. —
* 4. Turdus leucomelas Vieill.
Sabiá branco.
Turdus crotopezus Burmeister (nec Licht.) II p. 123.
Turdus amaurochalinus Cabanis Mus. Hein. I p. 5,
Turdus leucomelas Pelzeln p. 93 (Ypanema).
Turdus leucomelas Sclater a. Hudson I p. 1.
Turdus leucomelas Cat. Br. Mus. V p. 213.
Especie commum desde a Patagonia até a Guyana.
Cinzento-azeitonado em cima, cinzento em baixo, com a
garganta branca estriada por manchas brunas. As cober-
teiras interiores da aza são amarelladas. Entre as remiges
da mão, 4 e 5 são mais compridas. O bico em passaros
adultos é amarello. Do Rio de Janeiro até a Bahia encon-
tra-se uma especie parecida Turdus crotopezus (Licht.)
2 120 —
Wied III p. 646, figurada por Spix | Taf. 70, sob a deno-
minaçäo de Turdus albicollis Spix (nec Vieill.)
Mus. Paul. Piquete.
* 5. Merula flavipes (Vieill.).
Sabia-una.
Turdus flavipes Spix I p. 69 Taf. 67 fig. 2.
Turdus carbonarius Wied IT p. 641.
Turdus carbonarius Burmeister HI p. 125.
Turdus flavipes Pelze/n p. 94 (Itararé).
Merula flavipes Cat. Br. Mus. V p. 253.
Sabiá de côr cinzenta, com a cabeça, as azas e a cauda
pretas. O bico e as pernas são amarellas em passaros adultos.
O sabiá-una, o mais estimado cantor entre os sabiás e
provavelmente entre os passaros do Brazil, vive, como o
sabiá de colleira, na matta. A especie está distribuida desde
o Rio Grande do Sul até a Bahia. E' passaro do litoral
somente, que falta na maior parte do Interior do Estado.
Mus. Paul. Ypiranga.
* 6. Mimus lividus (Licht.).
Sabiá da praia.
Turdus orpheus; .Spix (nec L.) T p. gr Pl qa.
Mimus lividus Wed HI p. 653.
Mimus lividus Burmeister Ill p. 128.
Mimus lividus Pelzeln p. 95.
Mimus lividus Cat. Br. Mus. VI p. 347.
Este sabia é de côr cinzento-azul nas costas, branco
no lado inferior, excepto em exemplares novos que têm
o peito com manchas pardas. Parece-se com a especie
seguinte, sendo um pouco menor e distinguindo-se della ainda
pelo seu bom canto. O sabiá da praia é passaro do litoral
do Brazil, especialmentre entre Rio de Janeiro e Bahia.
Na costa de S. Paulo é raro, occorrendo, entretanto, perto
de Iguape, especialmente na « Ilha do mar », como infor-
mou-me o Sr. Krone. Espero receber delle exemplares
para verificar a determinação. O temos da Bahia.
Mus. Paul. —
* 7, Mimus saturninus (Licht.).
Sabiá do campo, Sabiá pocca.
Mimus saturninus Med III p. 658.
Mimus saturninus Burmerster Ul p. 127.
Mimus saturninus Berlepsch u. lhering p. 113 nota.
Mimus saturninus Pelzeln p. 95 (Matto Dentro, Ypa-
nema).
Mimus saturninus Cat. Br. Mus. VI p. 348.
Bruno-cinzento nas costas, branco-cinzento em baixo.
Sobre o olho corre uma estria branca, as rectrizes exte-
riores têm pontas brancas. As pennas no lado da barriga
são branco-estriadas.
Esta especie é a variedade septentrional do M. modu-
lator Gould das Republicas platinas e do Rio Grande do
Sul. A especie parecida M. lividus encontrada do Ama-
zonas até ao Rio de Janeiro não foi por ora encontrada
no Estado de S. Paulo. M. lividus é de côr mais clara,
azul-cinzenta. Mimus saturninus é especie dos campos de
Minas Geraes e S. Paulo.
Mus. Paul. S. Paulo.
FAM. SYLVIIDAE.
* 8. Polioptila leucogastra (Wied.).
Culicivora leucogastra Burmeister IM p. 111.
Sylvia leucogastra Wied HI p. gro.
Polioptila leucogastra Pelzeln p. 7o (Rio das Pedras).
Polioptila leucogastra Cat. Br. Mus. X p. 446 (Bahia).
Cinzento em cima com as azas e a cabeça pretas. O
lado inferior é branco. Das rectrizes, as do meio, são pretas,
as lateraes brancas.
Especie da Bolivia e do N. da Argentina que Nai-
terer encontrou no territorio de S. Paulo perto do Rio
Grande, no Rio das Pedras. O Snr. Krone caçou um
exemplar no valle do Rio Ribeira. Temos-a da Bahia.
Mus. Paul. —
9. Polioptila dumicola (Vieill.).
Sylvia dumicola Burmeister Ul p. 1x2.
Polioptila dumicola Pe/zeln p. 7o (Rio das Pedras).
Polioptila dumicola Sclater a. Hudson I p. 12.
Polioptila dumicola Cat. Br. Mus. X p. 444.
Parecido a P. leucogastra da qual differe pela cabeça,
sendo apenas a fronte e uma estria supraocular pretas. O
peito é de côr cinzenta.
Especie da mesma distribuição, mais ou menos, como
a precedente, que Natterer obteve no Estado de S. Paulo
nas proximidades dos rios Paraná e das Pedras, como tam-
bem em Cuyabá. Eu obtive-a em S. Lourenço, Rio Grande
do Sul.
Mus. Paul. —
FAM. TROGLODYTIDAE.
* 10. Donacobius atricapillus (L.).
Japacani Marcgrav p. 212.
Mimus brasiliensis Wed HT p. 662.
Donacobius atricapillus Burmeister II p. 129 (Novo
Friburgo).
Donacobius atricapillus Pelzeln p. 49 (Rio Paraná).
Donacobius atricapillus Cat. Br. Mus. VI p. 364.
Em cima de côr parda, excepto a cabeça, que é preta,
em baixo amarellento. As remiges são na base e as rectri-
zes na ponta brancas. E" passaro do tamanho de um sabia.
E especie do N. do Brazil que Natterer obteve no
Pará, Matto Grosso e perto do Rio Paraná no Est. de
S. Paulo. O Sr. Krone me communicou que caçou esta
especie em 1889 na Serra de Itatim. Temos-a da Bahia.
Mus. Paul. — |
* 4. Thryophilus longirostris (Vieill.).
Curruiraçu.
Campylorhynchus striolatus Sfx Ip. 77 Taf. 79 fig. 2.
Troglodytes striolatus Wied Ul p. 748.
Thryothorus striolatus Burmeister II p. 135.
Thryothorus striolatus Pelzeln p. 47 (Santos).
Thryophilus longirostris Cat. Br. Mus. VI p. 206.
Especie do Brazil, distinguida da Curruira pelo bico
mais comprido. À garganta e uma estria supraocular são
de côr branca. As azas e a cauda são riscadas por linhas
pretas. o
Mus. Paúl. Iguape.
* 12. Troglodytes furvus (Gm.).
Curruira.
Troglodytes furvus Wied II p. 746.
Thryothorus platensis Wed II p. 742.
Troglodytes furvus Burmeister WI p. 137.
Troglodytes platensis Burmeister HI p. 137.
Troglodytes furvus Pelzeln p. 414.
Thryothorus platensis Pelseln p. 48 (Ypanema, Ce-
miterio).
Troglodytes furvus Sclater a. Hudson 1 p. 13.
Thryothorus platensis Berlepsch I p. 230.
Troglodytes musculus Naum. Cat. Br. Mus. VI Pp. 255.
Pelzeln obteve esta especie de Cemiterio e Ypanema.
Especie commum de todo o Brazil, da Argentina e Bolivia.
O passaro é pardo-cinzento em cima, pardo-amarellento
em baixo. As azas e a cauda são transversalmente
riscadas por linhas pretas finas.
O catalogo do British Museum commette, a meu vêr,
quanto a essa especie, alguma confusão. O Troglodytes
platensis ou Hylemathorus platensis de Wied é citado
duas vezes (Vol. VI p. 244 e 256) apparecendo até em
dous generos distinctos. O passarinho a que Wed se refere
é Tr. furvus, especie que não deve ser separada em varias
conforme a variabilidade que existe. Cistothorus platensis
é especie do Rio da Prata e da Patagonia que não existe
no Brazil. |
Mus. Paul. Ypiranga; S. Sebastiäo.
13. Cistothorus polyglottus Vieill.
Curruira.
Thryothorus interscapularis Burmeister HI p. 136.
Thryothorus polyglottus Burmeister Il p. 135.
Cistothorus polyglottus Pelzeln p. 48 (Ypanema, Ita-
raré, Mogy).
Cistothorus interscapularis Pelzeln p. 414. —
Cistothorus polyglottus Cat. Br. Mus. VI p. 245.
Caçado por Natterer em Itararé, Ypanema e Curityba.
Os generos Cistothorus e Troglodytes têm ambos o bico
simples sem incisão terminal, mas a unha posterior é muito
comprida, mais ou menos igual ao dedo mesmo, no genero
Cistothorus, mais pequena no genero Troglodytes. Cist.
polyglottus tem o dorso riscado por estrias pretas. É espe-
cie distribuida desde a Patagonia até Guatemala.
Mus. Paul. —
FAM. MOTACILLIDAE.
“14. Anthus rufus (Gm.).
Sombrio.
Anthus chi Sgix I p. 75 Taf. 76 fig. 2.
Anthus lutescens Lesson Traité 1831 p. 424.
Anthus chi Wed II p. 631.
Anthus chi Felzeln p. 69.
Anthus lutescens Berlepsch u. lhering p. 114.
Anthus rufus Cat. Br. Mus. X p. 606.
Especie distribuida do Rio Grande do Sul até Ame-
rica Central. Entre varias especies parecidas a menor,
distinguindo-se pela côr claro-amarella do lado inferior.
Mus. Paul. Iguape.
* 15.. Anthus chii Vieill.
Caminheiro.
Anthus chii Burmeister WI p. 110.
Anthus rufus Pe/zeln (nec Gm.) p. 69 (Casa Pintada,
Curityba).
Anthus chii Cat. Br. Mus. X p. 608.
Especie do Brazil meridional que obtive tambem no
Rio Grande do Sul. As pennas do dorso são escuras orladas
cor de ferrugem. O lado ventral é pardo-amarellento com
manchas escuras no peito. As retrizes exteriores são orladas
de cor pardo-amarella.
Mus. Paul. Ypiranga.
* 16. Anthus nattereri Scl.
Caminheiro.
Anthus correndera Pelzeln (nec Vieill) p. 69 (Rio
Verde, Itararé).
Xanthocorys natterreri Cat. Br. Mus. X p. 619.
Esta especie do Est. de S. Paulo cacei tambem no
Est. do Rio Grande do Sul.
E especie muito parecida à precedente tendo a unha
posterior mais comprida, o bico mais forte, a garganta e
o pescoço mais amarella, as pennas da cauda mais pont-
agudas.
Mus. Paul. Ypiranga.
; . FAM. MNIOTILTIDAE.
#17. Parula pitiayumi (Vieill.).
Mariquita.
Sylvia venusta Wied III p. 70s.
Sylvicola venusta Burmeister HI p. 116.
Parula pitiayumi Pelzeln p. 71 (Ypanema).
Parula pitiayumi Sclater aud Hudson I p. 20.
Parula Pitiayumi Cat. Br. Mus. X p. 259 PI. XI fig. 1.
Especie commum desde o Rio da Prata até Venezuela,
de côr azul em cima, amarella em baixo. O dorso é verde-
azeitonado. As pontas das coberteiras das azas são brancas.
As rectrizes exteriores têm uma mancha branca.
Mus. Paul. Ypiranga.
* 18. Geothlypis velata (Vieill.).
Pia-cobra (Iguape); Caga-sebo (S. Paulo).
Sylvia canicapilla Wied HT p. 7or.
Trichas velata Burmeister Ill p. 115.
Trichas velata Pelzeln p. 71 (Ypanema, Itararé).
Geothlypis velata Sclater a. Hudson 1 p. 20.
Geothlypis velata Cat. Br. Mus. X p. 363 PL IX fig. 5.
Em cima verde, em baixo amarello; a cabeça de cor
cinzenta tem uma estria preta nos machos. Especie do
Brazil desde a Bahia até ao Rio da Prata.
Mus. Paul. S. Paulo; Ypiranga; Iguape.
* 19. Basileuterus flaveolus Baird.
Myiothlypis flaveolus Pelzeln p. 72 (Rio Paraná, Rio
das Pedras).
Basileuterus flaveolus Cat. Br. Mus. X p. 380.
Especie do Goyaz, Matto Grosso e Bahia que Natterer
caçou ao Rio Paraná e Rio das Pedras. A côr é verde-
amarella em cima, amarella em baixo, tendo a cabeça a
mesma côr como o dorso. Temos-a da Bahia.
Mus. Paul. —
20. Basileuterus hypoleucus Cab.
Basileuterus hypoleucus Burmeister UI p. 113.
Basileuterus hypoleucus Pelzeln p. 72 (Ypanema).
Basileuterus hypoleucus Cat. Br. Mus. X p. 388.
Especie parecida ao B. auricapillus mas com o lado
inferior branco; passarinho conhecido em Goyaz e Minas,
que Natterer caçou em Ypanema.
Mus. Pauls —
* 21. Basileuterus auricapillus (Swains.).
Basileuterus vermivorus Burmeister IIL p. 113.
Basileuterus vermivorus Pelzeln p. 71 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé).
Basileuterus auricapillus Sclater a. Hudson I p. 21.
Basileuterus auricapillus Cat. Br. Mus. X p. 393.
Passarinho elegante verde-azeitão em cima, amarello
em baixo com o vertice laranjo, orlado em cada lado por
uma estria preta. Especie do Brazil encontrada desde o
Rio Grande do Sule as Missões argentinas até Venezuela.
Mus. Paul. S. Paulo; Iguape.
* 22. Basileuterus leucoblepharus (Vieill.).
Trichas leucoblepharus Burmeister Ill p. 114.
Basileuterus leucoblepharus Pelzeln p. 72 (Ypanema).
Basileuterus leucoblepharus Cat. Br. Mus. X p. 400.
Verde-azeitão em cima, branco em baixo até o crisso
que é de cor amarella. O vertice é preto com o centro
branco. Em cima do olho uma estria cinzenta.
Especie do Brazil meridional que Natterer obteve em
Ypanema e Curityba.
Mus. Paul. Ypiranga.
23. Basileuterus leucophrys Pelzeln.
Basileuterus leucophrys Pelseln p. 72 e 137 (Rio
Barata).
Basileuterus leucophrys Cat. Br. Mus. X. p. 400.
Especie parecida à precedente maior com o dorso
mais escuro e a faxa supraorbital branca e mais larga,
que Natterer obteve no Porto do Rio Paraná.
Mus. Paul. —
* 24. Basileuterus stragulatus (Licht.).
Muscicapa rivularis Wied Ul p. 789.
Trichas stragulatus Burmeister II p. 115.
Basileuterus stragulatus Pelze/n p. 72 (Ypanema, Ita.
raré, Rio Paraná).
Basileuterus stragulatus Cat. Br. Mus. X p. 401.
Especie parecida ás duas precedentes tendo como
ellas a garganta branca, mas as pennas coberteiras infe-
riores da cauda brancas e os lados do peito de côr parda,
— 136 —
Especie do Brazil meridional desde o Rio Grande do
Sul até ao Rio de Janeiro que Natterer obteve em Para-
nagua, Itararé e Ypanema.
Mus. Paul. Iguape.
FAM. VIREONIDAE.
* 25. Vireo chivi (Vieill.).
Juruviara (Iguape).
Thamnophilus agilis Spix I p. 23 Taf. 34 fig. 1.
Muscicapa agilis Wied II p. 795.
Phyllomanes agilis Burmeister HI p. 108.
Vireosylvia agilis Pelzeln p. 73 (Ypanema, Itararé,
Curityba).
Vireosylvia chivi Berlepsch u. [hering p. 115.
Vireosylvia chivi Sclater a. Hudson Ip. 22.
Vireo chivi Cat. Br. Mus. VIT p. 295.
Verde-escuro em cima, branco com o crisso amarello
em baixo, com o vertice cinzento e uma tira branca sobre
o olho. Especie distribuida desde o Rio da Prata até o
Pará.
Mus. Paul. S. Paulo; Piracicaba; Iguape.
* 26. Hylophilus poecilotis (Temm.).
Hylophilus poecilotis Pelzeln p. 70 (Ypanema, Itararé,
| Rio Parana).
Hylophilus poecilotis Sclater a. Hudson I p. 23.
Hylophilus poecilotis Cat. Br. Mus. VIII p. 308.
Verde-azeitão em cima, amarello em baixo, com a
cabeça pardo-vermelha no vertice, cinzenta nos lados. Espe-
cie do Brazil meridional que Natterer obteve em Curityba
e no Est. de S. Paulo.
A Sylvia poecilotis Wied II p. 715 é separada como
especie differente (Hyl. amaurocephalus Nordm.) por ter
a região loral de côr castanha em vez de branca, como a
H. poecilotis. Parece ser apenas uma variedade do N. do
do Brazil.
Mns. Paul. S. Paulo.
27. Hylophilus thoracicus Temm.
Sylvia thoracica Wied Ill p. 717.
Hylophilus thoracicus Burmeister II p. 110.
Hylophilus thoracicus Pelzeln p. 70.
Hylophilus pectoralis Pelzeln p. 70.
Hylophilus thoracicus Cat. Br. Mus VIII. p. 307.
Especie parecida a precedente, com o vertice cinzento,
que Natterer obteve no Amazonas, Matto Grosso e Rio
de Janeiro e da qual Burmeister diz que é encontrada
tambem em S. Paulo. O Sr. Krone obteve-a em Iguape
no meio de diversas especies de Calliste e Nemosia rufi-
capilla, reunidas em banda.
Mus. Paul. —
* 28. Cyclorhis ochrocephala Tsch.
Cycloris viridis Burmeister HI p. 107.
Cyclorhis ochrocephala Pelzeln p. 73 e 138 (Casa
Pintada, Ypanema, Itararé).
Cyclorhis ochrocephala Berlepsch u. [hering p. 116 (20).
Cyclorhis ochrocephala Sclater a. Hudson I p. 23.
Cyclorhis viridis Cat. Br. Mus. VIII p. 318.
Passaro de côr verde-azeitonada em cima com o ver-
tice pardo e uma faxa de côr castanha que vai do bico ao
olho. A excepção da garganta, que é branca, o lado inferior
é amarello. A maxilla inferior é de côr clara, sendo escura
na especie affim C. guianensis Gm., distinguida pelo
vertice cinzento. Conforme a côr do vertice, bruno-azeito-
nado ou bruno-vermelho, distinguem diversos autores duas
«especies» C. viridis e ochrocephala.
E' essa especie das republicas platinas e do Brazil
meridional.
Mus. Paul. S. Paulo, Tieté, S. Sebastião.
29. Cyclorhis wiedii Pelzeln.
Cyclorhis wiedii Pelseln p. 74 e 137 (Rio Paraná)
Cyclorhis guianensis Wied (nec Gm.) II p. 1016.
Revista do Museu Paulista. Vol. III 9
a8 ee
Cyclorhis wiedii Berlepsch u. Ihering p. 116 (20); nota.
Cyclorhis wiedi Cat. Br. Mus. VII p. 318.
Apenas uma variedade menor da especie precedente
que tem a faxa supraorbital mais comprida attingindo
quasi a nuca. Pelzeln indicou-a de Bahia, Cuyaba e do
Rio Parana. O Snr. Krone caçou um exemplar na Serra
do Paranapiacaba.
Mus. Paul. —
FAM. HIRUNDINIDAE.
* 30. Tachycineta leucorrhoa (Vieill.).
Hirundo leucorrhoa Burmeister II p. 144.
Petrochelidon leucorrhoa Pelzeln p. 17 (Taubaté, Ypa-
nema).
Tachycineta leucorrhoa Sclater a. Hudson X p. 30.
Tachycineta leucorrhoa Cat. Br. Mus. X p. 114.
Andorinha de cor verde-escura, com lustro metallico,
tendo o sobrecú e o lado inferior brancos. Uma estria
branca corre da frente ao olho. Especie das republicas
platinas, do Brazil meridional e do Paraguay.
Mus. Paul. Ypiranga; Iguape.
* 31. Tachycineta albiventris (Bodd.).
Hirundo leucoptera Wicd HI p. 362.
Cotyle leucoptera Burmeister Ill p. 143.
Petrochelidon albiventris Pelzeln p. 17 (Ypanema).
Tachycineta albiventris Cat. Br. Mus. X p. 113.
Especie menor, parecida a precedente, da qual differe
pela cor branca de parte das pennas coberteiras das azas.
A estria branca na região loral falta nesta especie na qual
a cor branca do sobrect occupa mais espaço do que em
T. leucorrhoa. Natterer obteve-a em Ypanema junto com
T. leucorrhoa.
Mus. Paul. Iporanga.
# 32. Progne tapera (L.).
Tapera.
Hirundo pascuum Wied II p. 360.
Cotyla tapera Burmeister Ul p. 143.
Petrochelidon albiventris Pelzeln p. 17.
Progne tapera Sclater a. Hudson I p. 26.
Progne tapera Cat. Br. Mus. X p. 180 (Curityba).
Especie grande com a cauda pouco entalhada no fim,
de cor bruna em cima branca em baixo, excepto o peito que
é bruno. Especie distribuida do Rio da Prata até 4 Guyana,
que por ora não temos do Estado de S. Paulo, onde
porem existe em Iguape segundo informações do Sr. Krone.
Mus. Paul. —
* 33. Progne domestica (Vieill.).
Andorinha grande; Taperá (Piracicaba).
Progne domestica Burmeister II p. 142.
Progne domestica Pelzeln p. 17 (Ypanema, Rio de
Janeiro).
Progne domestica Berlepsch | p. 234.
Progne chalybea Sclater a. Hudson 1 p. 25.
Progne domestica Cat. Br. Mus. X p. 177.
Especie grande de um azul-escuro em cima, com a
garganta e o pescoço cinzentos e a barriga branca. É
especie do Brazil meridional e das republicas platinas. A
fórma do Norte do Brazil é um pouco menor e deno-
minada P. chalybea Gm. Essa andorinha costuma cons-
truir o seu ninho, bastante simples, de capim e algumas
pennas, entre os capitéis das columnas do Monumento
do Ypiranga em que está funccionando o Museu.
Mus. Paul. Ypiranga; Piracicaba; S. Sebastião.
* 34. Atticora fucata (Temm.).
Hirundo fucata Burmeister II p. 145.
Cotyle fucata Pelzeln p. 18 (Casa Pintada, Ypanema,
Itararé).
Atticora fucata Sclater a. Hudson J p. 35.
Atticora fucata Cat. Br. Mus X p. 188.
Especie bem distinguida pela cor ruiva da cabega que
é mais escura, castanha no vertice; o dorso é bruno, a
barriga é branca. É encontrada desde o Rio da Prata até
à Guyana.
Mus. Paul. Piracicaba; Itapetininga; Ypiranga.
* 35. Atticora cyanoleuca (Vieill.).
Andorinha.
Hirundo minuta Wied IH p. 369.
Atticora cyanoleuca Burmeister HI p. 147.
Atticora cyanoleuca Pelzeln p. 18 (Ypanema).
Atticora cyanoleuca Sclater a. Hudson I p. 33:
Atticora cyanoleuca Cat. Br. Mus. VIII p. 186.
Essa andorinha é de cor azul-escura em cima e no
crisso, sendo o resto do lado inferior branco. E especie
de grande distribuição desde o Chile e a Argentina até
à America Central. Pelzeln diz que Natterer affirma que
faz o ninho em baixo das casas, que é commum em
Ypanema e alli encontrada todo o anno.
Mus. Paul. Ypiranga; S. Sebastião; Iguape.
* 36. Petrochelidon pyrrhonota (Vieill.).
Cotyle pyrrhonota Burmeister HI p. 145.
Petrochelidon lunifrons Coues p. 323 fig. 183.
Petrochelidon americana Pelzeln p. 17 (Itararé, Irisanga).
Petrochelidon pyrrhonota Sclater a. Hudson 1 p. 30.
Petrochelidon pyrrhonota Cat. Br. Mus. X p. 193.
Distinguida pela côr pardo-vermelha do sobrecú e de
parte da cabeça. Especie distribuida desde a America do
Norte até a Patagonia,
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
“37. Stelgidopteryx ruficollis (Vieill.).
Hirundo jugularis Wied HI p. 365.
Cotyle flavigastra Burmeister HI p. 144.
Cotyle flavigastra Pelzeln p. 17 (Casa Pintada, Ypa-
nema).
Stelgidopteryx ruficollis Sclater a. Hudson I p. 36.
Stelgidopteryx ruficollis Cat. Br. Mus. X p. 208.
Especie do Brazil, de côr pardo-cinzenta com a gar-
ganta castanha e o trazeiro pallido-amarello.
Mus. Paul. Piquete, Iguape, S. Sebastiäo.
Para a distincçäo das andorinhas observo que Stelgi-
dopteryx differe dos outros generos pelo caracter de ter
o macho a borda externa da primeira remige serrada ou
dentada. A venta é meio coberta por uma membrana
superior em Tachycineta, livre nos outros generos. A cauda
é dividida em fórma de forcado nos generos Progne e
Atticora.
FAM. COEREBIDAE.
* 38. Dacnis cayana (L.).
Sahy-azul.
Coereba coerulea Wied II p. 766.
Dacnis cyanomelas Burmeister Ill p. 153.
Dacnis cyanomelas Pelzeln p. 25 (Ypanema).
Dacnis cyanomelas Berlepsch I p. 235.
Dacnis cayana Cat. Br. Mus. XI p. 19.
O bico tem no genero Dacnis o comprimento da
cabeça, sendo mais comprido no genero Coereba que se
encontra só ao N. do Rio de Janeiro. D. cayana tem a cór
azul-clara no sexo masculino, verde no sexo feminino. O
macho tem a garganta e a fronte pretas.
Essa especie está distribuida desde S.“ Catharina até a
America Central, mas não vive mais no Rio Grande do
Sul, nem na Costa da Serra e muito menos ainda em
Pelotas, devendo haver engano por parte do Joyner
quando assim a indicou em alguns exemplares do British
Museum.
Mus. Paul. Iguape.
39. Dacnis nigripes Pelzeln.
Dacnis cayana Burmeister Ill p. 153 (excl. syn; 9).
Dacnis nigripes Pelzeln p. 25 (? Ypanema).
Dacnis nigripes Berlepsch I p. 237.
Dacnis nigripes Cat. Br. Mus. XI p. at.
O tarso, cor de carne na especie precedente, é azul
na presente. D. nigripes tem o bico mais curto e compresso
na base, as azas e a cauda mais curtas, as pennas da cauda
orladas de azul. É especie intimamente ligada a precedente,
colligida em S.“ Catharina e Nova Friburgo e que Nat-
terer parece ter caçada em Ypanema.
Mus. Paul. —
* 40. Dacnis speciosa (Wied.).
Sahy.
Sylvia speciosa Wied III p. 708.
Sylvicola speciosa Burmeister WI p. 117.
Dacnis speciosa Pelzeln p. 26 (Rio Paraná),
Dacnis speciosa Cat. Br. Mus. XI p. 26.
Especie de cor azul com o trazeiro castanho, distri-
buida desde o Amazonas até o Brazil meridional. O Snr.
R. Krone affirmou-me que a especie existe em Iguape.
Mus: Paul: —
* 41. Certhiola chloropyga Cab.
Cambacica (Iguape); Mariquita (Piracicaba).
Coereba flaveola Wied HI p. 774.
Certhiola flaveola Burmeister Ul p. 155.
Certhiola chloropyga Pelzeln p. 26 (Ypanema).
Certhiola chloropyga Berlepsch 1 p. 239 (S. Paulo).
Certhiola chloropyga Cat. Br. Mus. XI p. 44.
Passarinho pequeno, de côr cinzenta em cima, com o
vertice mais escuro e o sobrecú verde-amarello. A gar-
ganta e uma estria supraocular são brancas; a barriga é
amarella. As pontas das rectrizes são brancas. Especie
commum desde o Rio Grande do Sul até Cayenna. C.
flaveola L., a que se refere a bonita figura em Brehm.
Thierleben vol V p. 567, é especie da Jamaica.
Mus. Paul. S. Paulo; Iguape:
FAM. TANAGRIDAE.
* 42. Procnias tersa (L.).
Sahy-andorinha (Iguape); Sahira (S. Manoel).
Procnias ventralis Wied HI p. 385.
Procnias tersa Burmeister II p. 191.
Procnias tersa Pelzeln p. 132 (Ypanema).
Procnias occidentalis Pelzeln p. 132.
Procnias tersa Cat. Br. Mus. XI p. 50 (S. Paulo).
O macho tem a côr azul-clara, com a fronte e a gar-
ganta pretas e a barriga branca; a femea é verde. O bico
é largo na raiz e deprimido. O Sr. Conde von Berlepsch
escreve-me que essa especie foi caçada por Thiele em
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, o que provavelmente
se refere a um exemplar unico, pois eu não a encontrei
naquelle Estado. A distribuição parece ser desde S. Paulo
até a Columbia. Esta sahira é chamada «sahira buraqueira»,
por fazer o seu ninho no chão.
Mus. Paul. S. Paulo; S. Carlos do Pinhal; Piquete.
* 43. Chlorophonia viridis (Vieill.).
Bonito do campo (Iguape).
Euphone viridis Burmeister HI p. 197.
Chlorophona viridis Pelseln p. 202 (Ypanema).
Chlorophonia viridis Cat. Br. Mus. XI p. 54.
Especie de gaturamo de côr verde-clara, em baixo
mais amarella, com a nuca e o sobrecú azues, sendo da
mesma côr um annel ao redor do olho no sexo masculino.
Especie do Brazil meridional desde o Rio de Janeiro até
o Rio Grande do Sul.
Mus. Paul. Piracicaba; Iguape.
* 44. Euphonia nigricollis (Vieill.).
Gaturamo. Tereno (Piracicaba).
Euphone musica Wied HI p. 443.
Euphone nigricollis Burmeister Ill p. 193.
Euphona nigricollis Pelzeln p. 202 (Ypanema).
Euphonia nigricollis Sclater a. Hudson | p. 37 (Cor-
rientes).
Euphonia nigricollis Cat. Br. Mus. XI p. 61.
Em cima preto-azul, em baixo amarello. E a unica
especie que tem o vertice azul-claro. Especie da America
do Sul, encontrada desde a Colombia até o Rio Grande
do Sul e Corrientes. Parece-me certo, que E. flavifrons
Sparm. indicado por Hartert de Ypanema näo occorre
alli, sendo especie das Antilhas, referindo-se Hartert a
outra especie, provavelmente E. nigricollis. cf. Hartert
Katalog d. Vügelsammlung d. Mus. Senckenberg, Frankfurt
a. M. 1891 p. 46.
Mus. Paul. Piracicaba; Iguape.
* 45. Euphonia chlorotica (L.).
Gaturamo miudinho. Puvy (Piracicaba).
Euphone chlorotica Burmeister Il p. 194.
Euphona chlorotica Pelzeln p. 202.
Euphona serrirostris Pelzeln p. 202 (Rio Parana, Ypa-
nema).
Euphonia chlorotica Sclater a. Hudson 1 p. 37.
Euphonia chlorotica Cat. Br. Mus. XI p. 64.
Especie encontrada desde o Norte da Rep. Argentina
até a Guyana. Em cima preto-azul com a frente amarella.
O lado inferior é amarello a excepção da garganta que
é preta.
Mus. Paul. Piracicaba.
46. Euphonia xanthogastra Sund.
Euphone xanthogastra Burmeister II p. 195, nota.
Euphona ochrascens Pelzeln p. 202 e 328.
Euphona xanthogastra Pelzeln p. 203, nota (S. Paulo).
Euphonia xanthogastra Cat. Br. Mus. XI p. 67 (Guyana).
Especie difficilmente a distinguir da E. chlorotica, da
qual differe pelo tamanho um pouco maior, pelo bico mais
forte, pelo dorso de cor azul-escura e não roxa, pela côr
amarella da barriga e do vertice que é mais escura, exten-
dendo-se até a nuca. Só a rectriz externa tem uma mancha
terminal branca, achando-se essa mancha em E. chlorotica
nas duas rectrizes exteriores de cada lado. Pelzeln diz
que é encontrada em S. Paulo.
Mus. Paul. —
* 47. Euphonia violacea (L.).
Tieté; Gaturamo; Bonito (Iguape).
Teitei Marcgrav p. 212.
Euphone violacea Wied Ul p. 430.
Euphone violacea Burmeister Ill p. 195.
Euphona lichtensteini Pelzeln p. 204.
Euphona violacea Pelzeln p. 204 (Ypanema, Rio Paraná).
Euphonia violacea Cat. Br. Mus. XI p. 74.
O macho differe da especie precedente por ter todo
o lado inferior amarello. As femeas nesta especie como
em quasi todas as outras dos gaturamos são mais uniformes
e esverdeadas na côr. E. violacea é encontrada desde o Rio
Grande do Sul até a Guyana.
Mus. Paul. S. Paulo; Piracicaba; Iguape.
* 48. Euphonia pectoralis (Lath.).
Tieté (S. Paulo); Alcaide (S. Sebastião, Piracicaba).
Euphone rufiventris Wied II p. 447.
Euphone pectoralis Burmeister II p. 196.
Euphona pectoralis Pelzeln p. 205 (Ypanema, Rio
Paraná).
Euphonia pectoralis Cat. Br. Mus. XI p. 80 (Pelotas!?
Ih.).
Unica especie dos gaturamos que tem ‘a barriga cas-
AO
tanha. Especie do Brazil meridional desde o Rio de Janeiro
até o Rio Grande do Sul.
Mus. Paul. S. Paulo; Iguape; S. Sebastião.
* 49. Hypophaca chalybea (Mik.).
Gaturamo.
Euphone chalybaea Burmeister WI p. 194.
Euphona chalybaea Pe/zeln p. 204 (Ypanema, S. Paulo,
Rio Paraná).
Hypophaea chalybea Cat. Br. Mus. XI p. 84, com
figura).
O genero Hypophaea differe da Chlorophonia e Eu-
phonia pela falta de uma incisão terminal na maxilla su-
perior. H. chalybea, a unica especie do genero, tem o lado
dorsal de verde-aço com a fronte amarella e o lado inferior
amarello. É especie encontrada desde o Rio de Janeiro
e Nova Friburgo até ao Rio Grande do Sul. |
Mus. Paul. Est. de S. Paulo; Iguape.
* 50. Pipridea melanonota (Vieill.).
Viuva (Piracicaba).
Procnopis melanonota Burmeister HI p. 190.
Pipridea melanonota Pelseln p. 205 (Ypanema, Porto
Feliz, Cemiterio).
Pipridea melanonota Sclater a. Hudson 1 p. 37.
Pipridea melanonota Cat. Br. Mus. XI p. 92.
Especie bonita, em cima de côr azul que é mais clara
no vertice e no sobrecú. A fronte é preta, o lado inferior
amarello-avermelhado. Esse sahy é encontrado por todo
o Brazil desde o Rio Grande do Sul até Venezuela.
Mus. Paul. S. Paulo; Piracicaba; Iporanga.
*51. Calliste tricolor (Gm.).
Sahyra; Sahy; Sahy de sete cores (Iguape, Piracicaba).
Tanagra tatao Wied I p. 450.
Calliste tricolor Burmeister Ul p. 187.
Calliste tricolor Pelzeln p. 206 (Ypanema).
Calliste tricolor Cat. Br. Mus. XI p. gg (Pelotas!? Ih.).
Especie de S. Paulo, distribuida até Goyaz e Bahia. A
cabeça é verde, o dorso preto e para traz côr de laranja,
o sobrecú verde como o crisso e a barriga; 6 peito azul.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo; Iguape.
* 52. Calliste festiva (Shaw.).
Sahy militar (Iguape).
Tanagra rubricollis Wied IM p. 456.
Calliste festiva Burmeister HI p. 188.
Calliste festiva Pelzeln p. 206.
Calliste festiva Berlepsch u. lhering p. 118.
Calliste festiva Cat. Br. Mus XI p. 100.
Especie de muitas cores como a precedente, verde
com o-vertice e a garganta de côr azul, a fronte e o dorso
pretos, a nuca vermelha. A especie é encontrada desde o
Rio Grande do Sul até Amazonas.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo; Iguape.
“53. Calliste cyaneiventris (Vieill.).
Tanagra citrinella Wired Ill p. 464.
Calliste citrinella Burmeister II p. 184.
Calliste cyaneiventris Felzeln p. 206 (Ypanema).
Calliste cyaneiventris Cat. Br. Mus. XI p. 100.
O dorso éamarello com manchas pretas. A cabeca é
amarella com a fronte e a garganta pretas, o peito azul.
Especie de S. Paulo, Rio de Janeiro e Espirito Santo.
Mus. Paul. S. Paulo; S. Carlos do Pinhal; Piquete.
54. Calliste thoracica (Temm.).
Sahy verde (Iguape).
Calliste thoracica Burmeister HI p. 186.
Calliste thoracica Pelzeln p. 206 (Casa Pintada).
Calliste thoracica Cat. Br. Mus. XI p. ror.
O dorso é verde com manchas negras; a fronte e uma
LA se
mancha da garganta säo pretas, o pescoço anterior é ama-
rello, o lado ventral amarello-verde. Especie brazileira de
S. Paulo, Rio, Minas e Goyaz. O Snr. Krone caçou-a
na Serra de Paranapiacaba.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 55. Calliste flava (Gm.).
Sahy amarello (Iguape).
Guirapera Marcgrav p. 212.
Tanagra flava Wied HI p. 467.
Calliste flava Burmeister Ill p. 181.
Calliste flava Pelzeln p. 207 (Ypanema, Itararé, Rio
Parana).
Calliste flava Cat. Br. Mus. XI p. 113.
O lado dorsal é amarello, as azas são verdes, a gar-
ganta e o peito säo de côr preta. Especie distribuida desde
S. Paulo até Goyaz e Pernambuco. O Sr. Krone obteve-a
em Iguape.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 56. Calliste pretiosa (Cab.).
Sahyra (= Sahy-ira).
Tanagra gyrola Wied II p. 471.
Calliste preciosa Burmeister HI p. 182.
Calliste pretiosa Pelzeln p. 207 (Capivary).
Calliste pretiosa Cat. Br. Mus. XI p. 114.
O lado dorsal é castanho até ao sobrecú que é ama-
rello, o lado ventral é verde. Especie commum nos Estados
do Rio Grande do Sul até S. Paulo e no Paraguay.
Mus. Paul. Estado de S, Paulo.
* 57. Calliste melanonota (Shaw.).
Sahy-guaçú (Iguape); Sahyra.
Calliste melanonota Pelzeln p. 207 (Rio Parana, Matto
Dentro).
Calliste melanonota Cat. Br. Mus. XI p. 115 (S. Paulo).
Especie alliada com a C. pretiosa tendo porem o
dorso, entre as azas, preto. Especie do Brazil meridional
desde S.“ Catharina até Goyaz e Panama.
Mus. Paul. Iguape; S. Paulo.
* 58. Stephanophorus leucocephalus (Vieill.).
Azulão (Iguape); Sanhaçu frade (S. Paulo).
Stephanophorus coeruleus Burmeister WT p. 205.
Stephanophorus leucocephalus Pe/zeln p. 207 (S. Paulo,
Mogy das Cruzes).
Stephanophorus leucocephalus Sclater a. Hudson |
py 98/Bl; 4
Stephanophorus leucocephalus Cat. Br. Mus. XI p.
143 com figura (S. Paulo).
De côr azul; mais claro na nuca com o vertice ver-
melho, a fronte e a garganta pretas. Passaro que occorre
desde Buenos Ayres até Paraguay, Goyaz e Rio de Janeiro.
Mus. Paul. S. Paulo; Piquete.
* 59. Tanagra cyanoptera (Vieill.).
Sanhaci.
Tanagra sayaca Wied Ill p. 484.
Tanagra sayaca Burmeister part. (9!) HI p. 176.
Tanagra cyanoptera Pelzeln p. 209, nota.
Tanagra cyanoptera Berlepsch 1 p. 240 (S. Paulo).
Tanagra cyanoptera Berlepsch u. Jhering p. 119.
Tanagra cyanoptera Cat. Br. Mus. XI p. 157 (S. Paulo).
Especie que occorre desde Buenos Ayres até Goyaz
e Bahia. A cor é azul-cinzenta, mais verde em cima, mais
clara em baixo. Os encontros são de côr azul-claro em
ambos os sexos.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo; Iguape.
* 60. Tanagra sayaca L.
Sanhacu.
Tanagra sayaca Burmeister part. (Q) HI p. 176.
Tanagra sayaca Pelzeln p. 208 (Ypanema, Itararé, Rio
Parana).
— 150 —
Tanagia sayaca Sclater a. Hudson I p.-39.
Tanagra sayaca Cat. Br. Mus. XI p. 158.
Especie muito chegada a precedente que apenas dif-
fere pelo bico mais curto e alto e pela cor cerulea dos
encontros, que carecem dessa mancha azulada na Tanagra
sayaca. A especie occorre desde o Rio Grande do Sul
até o Ceará.
Mus. Paul. Piquete; S. Sebastião.
* 61. Tanagra palmarum Wied.
Sanhacu dos coqueiros.
Tanagra palmarum Wied III p. 489.
Tanagra olivascens Burmeister HI p. 175.
Tanagra palmarum Pelzeln p. 209 (Rio das Pedras).
Tanagra melanoptera Pelzeln p. 209.
Tanagra
palmarum Berlepsch I p. 242.
Tanagra palmarum Cat. Br. Mus. XI p. 159.
De côr verde-cinzenta com o vertice e uma faxa das
azas verdes
e o dorso, as azas e a cauda preto-pardas.
Especie distribuida desde S.* Catharina até a America
Central.
Mus. Paul. S. Sebastião.
* 62. Tanagra ornata Sparm.
Tanagra
Tanagra
Tanagra
Tanagra
Tanagra
Tanagra
Sanhacu de encontros.
archiepiscopus Spix Il p. 42 Taf. 55 fig. 1.
archiepiscopus Wied II p. 481.
ornata Burmeister WI p. 174.
ornata Pelzeln p. 209 (Ypanema).
ornata Berlepsch 1 p. 242.
ornata Cat. Br. Mus. XI p. 161 (S. Paulo).
Verde em cima, com a cabeça e o peito azues e uma
mancha amarella nas azas ao lado dos encontros. Especie
do Brazil meridional desde S.“ Catharina até Bahia e
Goyaz. O Sr. Krone obteve-a em Iguape.
Mus. Paul. S. Sebastião.
* 63. Rhamphocoelus brasilius (L.).
Tie-sangue (S. Sebastião); 7%-fogo (Iguape).
Tije piranga Marcgrav p. 192.
Tanagra brasilia Wied Ul p. 511.
Ramphocelus brasilia Burmeister HT p. 173.
Ramphocelus brasilia Pelzeln p. 210, nota.
Rhamphocoelus brasilius Cat. Br. Mus. XI p. 170 (S.
Paulo).
Especie encontrada desde S. Paulo até Pernambuco.
O macho é de côr esplendida, vermelho-cochonilha, a
excepção das pennas das pernas, das azas e da cauda que
säo pretas. A femea é de cor bruna com o dorso baixo
vermelho-pardo. O Sr. Krone caçou essa especie em Iguape.
Mus. Paul. S. Sebastião.
64. Rhamphocoelus jacapa (L.).
Ramphocelus jacapa Burmeister Ul p. 172.
Ramphocelus albirostris Pelzeln p. 210.
Ramphocelus atrosericeus Pelzeln p. 211 (Rio Parana,
Rio das Pedras).
Rhamphocoelus jacapa Cat. Br. Mus. XI p. 174.
Especie muito parecida à precedente com o dorso
negro-pardo. Especie do Norte do Brazil que Natterer
caçou na zona do Rio Paraná.
Mus. Paul. —
Tanagra saira Spix Il p. 35 Pl. 48 fig. 1 (9).
Tanagra missisippensis /Vied HI p. 521.
Pyranga coccinea Burmeister HT p. 171.
Pyranga saira Pelzeln p. 211 (Ypanema, Itararé).
Pyranga saira Cat. Br. Mus. XI p. 185.
Especie do Brazil meridional desde o Rio Grande do
Sul até a Bahia. O macho é de côr vermelho-cochonilha,
a femea verde-azeitonada no dorso, amarella no lado ventral.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 66. Orthogonys viridis (Spix).
Tanagra viridis Spix II p. 36 Taf. 48 fig. 2.
Orthogonys viridis Burmeister III p. 170.
Orthogonys viridis Pelzeln p. 211.
Orthogonys viridis Cat. Br. Mus. XI p. 194 (S. Paulo).
Passaro do Brazil meridional (Rio Grande do S. até
Rio de Janeiro), de cor verde-azeitonada em cima, verde-
amarella no lado abdominal.
Mus. Paul. Iguape.
* 67. Phoenicothraupis rubica (Vieill.).
Tié do Matto Grosso (Iguape).
Tanagra flammiceps Wied IT p. 497.
Tachyphonus rubicus Burmeister HI p. 168 (S. Paulo).
Phoenicothraupis rubica Pelzeln p. 212 (Ypanema).
Phoenicothraupis rubica Cat. Br. Mus. XI p. 196 (S.
Paulo).
O macho é de cor escuro-cochonilha, mais clara no
lado ventral e vermelho-cochonilha vivo no vertice que
forma um pequeno topete. A cor da femea é bruna. A
especie € encontrada no Brazil meridional desde Rio
Grande do Sul até Bahia e Bolivia. O Sr. Krone cagou-a
em Iguape.
Mus. Paul. Piracicaba (Rio das Pedras).
* 68. Tachyphonus melaleucus (Sparm.).
Tanagra nigerrima Wed IT p. 534.
Tachyphonns nigerrimus Burmeister WI p. 166.
Tachyphonus melaleucus Pelzeln p. 212 (Rio Paraná).
Tachyphonus melaleucus Cat. Br. Mus. XI p. 206.
Especie da America Central e do N. do Brazil.
Natterer obteve-a do Rio Parana. O macho que não tem
topete é preto com os encontros brancos, a femea é parda.
Mus. Paul. —
— 153 —
* 69. Tachyphonus cristatus (Gm.).
Tanagra cristata Wied II p. 474.
Tachyphonus cristatus Burmeister HI p. 165.
Tachyphonus cristatus Pelzeln p. 213.
Tachyphonus cristatus Cat. Br. Mus. XI p. 210 (Pe-
lotas, Rio Grande do S.? Ih.).
O macho é preto com o vertice e topete vermelho-
cochonilha e o dorso baixo amarello. A femea é pardo-
amarella. Especie mencionada de S. Paulo pelo catalogo
do British Museum e encontrada ao N. do Brazil até a
Guyana. À indicação Pelotas, Rio Grande do S., parece-me
duvidosa.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo; Iguape.
* 70. Tachyphonus coronatus (Vieill.).
Tié preto (Iguape); Gurundi preto (Piracicaba).
Tanagra brunnea Spix II p. 37 Taf. 49 fig. 2 (A juv.).
Tachyphonus coronatus Burmeister HI p. 166 (S. Paulo).
Tachyphonus coronatus Pelzeln p. 213 (Matto Dentro,
Ypanema).
Tachyphonus coronatus Berlepsch I p. 244.
Tachyphonus coronatus Cat. Br. Mus. XI p. 213 (S.
; Paulo).
Especie do Brazil meridional, desde Rio de Janeiro
Minas e Paraguay até Rio Grande do Sul. O macho é
preto com o vertice vermelho. A femea é parda em cima,
amarellenta em baixo.
Mus. Paul. S. Paulo; Iguape; Piquete.
“1. Trichothraupis quadricolor (Vieill.). |
Tié de topete. /
Tanagra auricapilla Spix II p. 39 Pl. 52.
Tanagra auricapilla Wied HI p. 538.
Tachyphonus quadricolor Burmeister HI p. 164.
Trichothraupis quadricolor Pelzeln p. 212 (Ypanema,
Cemiterio).
Trichothraupis quadricolor Berlepsch I p. 244.
Revista do Museu Paulista, Vol. III 10
Trichothraupis quadricolor Sclatcr a. Hudson 1 p. 40.
Trichothraupis quadricolor Cat. Br. Mus. XI p. 220.
Em cima verde-azeitão com a fronte, as azas e a cauda
pretas, em baixo amarello. O macho tem o vertice e um
topete amarellos. Especie distribuida desde o Kio Grande
do Sul e as Missões até Goyaz e Bahia.
Mus. Paul. Piracicaba; Itatiba; Tieté.
* 72. Cypsnagra ruficollis (Licht.).
Leucopygia ruficollis Burmeister Ul p. 162.
Cypsnagra ruficollis Pelzeln p. 214 (Cemiterio, Itararé,
Irisanga).
Cypsnagra ruficollis Cat. Br. Mus. XI p. 221.
Especie que occorre desde S. Paulo até Bahia e Bo-
livia. A côr é preta em cima, amarella em baixo; uma
facha branca corre sobre o dorso baixo e sobre as azas.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 73. Pyrrhocoma ruficeps (Streckl.). x
Nemosia ruficeps Burmeister II p. 159.
Pyrrhocoma ruficeps Pelzeln p. 216 (Ypanema).
Pyrrhocoma ruficeps Berlepsch u. lhering p. 120 Tat.
VI fig. 1—2.
Pyrrhocoma ruficeps. Cat. Br. Mus. XI p. 222.
Passarinho preto com a cabeça castanha e a fronte
preta, distribuido desde o Rio Grande do Sul até Per-
nambuco. ;
Mus. Paul. Piracicaba; Piquete.
* 74. Nemosia pileata (Bodd.).
Hylophilus cyanoleucus Wied HI p. 734 (a).
Hylophilus caeruleus Wied Ill p. 731 (9).
Nemosia pileata Burmeister WI p. 158.
Nemosia pileata Pelzeln p. 214 (Rio Parana).
. Nemosia pileata Cat. Br. Mus. XI p. 223.
De côr cinzenta em cima, branca em baixo com o
vertice preto. Especie do Norte do Brazil, que temos da
Bahia. à
Mus. Paul. —
75. Nemosia guira (L.).
Guira-guacu beraba Marcgrav p. 212.
Hylophilus guira Wied WI p. 729.
Nemosia guira Pelzeln p. 215 (Rio Paraná).
Nemosia guira Cat. Br. Mus. XI p. 224:
Verde-azeitonado em cima, verde mais claro no lado
ventral com o peito e o dorso baixo côr de laranja. A
garganta é preta no macho, parda na femea. E especie do
Norte do Brazil e da Guyana que Natterer obteve do Rio
Paraná, mas que o catalogo do British Museum provavel-
mente por engano indica do Rio Grande do Sul.
Mns. Paul, —
* 76. Nemosia ruficapilla (Vieill.).
Hylophilus ruficeps Wied II p. 725.
Nemosia ruficapilla Burmeister II p. 161.
Nemosia ruficapilla Pelzeln p. 215. (Ypanema).
Nemosia ruficapilla Cat. Br. Mus. XI p. 225 (S. Paulo).
O dorso é verde-azeitonado, o peito e o dorso baixo são
de côr amarella. A cabeça é castanha. Especie distribuida
desde S. Paulo até Bahia. Existe em Piracicaba segundo
me affirmou o Sr. Valencio Bueno.
Mus. Paul. S. Paulo; Iguape.
* 77. Arremon semitorquatus Swains.
Arremon semitorquatus Burmeister WI p. 223 nota.
Arremon semitorquatus Pelseln p. 217 (Ypanema).
Arremon semitorquatus Cat. Br. Mus. XI p. 277.
Passarinho de cor verde-azeitonada em cima, branco-
cinzenta em baixo. À cabeça é preta com uma estria cinzenta
no meio e uma fita branca sobre cada olho. No peito
— 156 —
existe uma colleira incompleta de côr preta. Do bico é a
maxilla superior preta, a inferior amarella; os encontros .
são verdes. Especie que temos do Rio Grande do Sul
(Nova Hamburgo pelo Sr. 4. Schwartz) e de S. Paulo;
occorre tambem no Rio de Janeiro. |
Mus. Paul. Piquete; Iguape.
78. Diucopis fasciata (Licht.).
Tanagra axillaris Spix II p. 41 PL 54 fig. 2.
Tanagra fasciata Wied Ul p. 493.
Diuca fasciata Burmeister IT p. 219.
Diucopis fasciata Pelzeln p. 219 (Cemiterio, Irisanga,
Itararé).
Diucopis fasciata Cat. Br. Mus. XI p. 279.
Passarinho de côr cinzenta com a garganta branca;
as coberteiras externas das azas são pretas com uma facha
branca. Especie de S. Paulo e da Bahia que o catalogo
do British Musem indica de Pelotas, Rio Grande do Sul,
o que parece engano. |
Mus. Paul. —
* 79. Saltator magnus (Gm.).
Trinca-ferro (Iguape).
Tanagra magna Wied Ill p. 525.
Saltator magnus Burmeister HI p. 199.
Saltator magnus Pelzeln p. 218.
Saltator magnus Cat. Br. Mus. XI p. 285 (S. Paulo).
Vertice, nuca e dorso de cor verde-azeitonada; em baixo
cinzento, a excepcão da garganta, que é amarella com uma
estria preta de cada lado. Especie que occorre desde São
Paulo até Panamá.
Mus. Paul. Piquete; Iguape.
* 80. Saltator similis Lafr. et dOrb.
Tanagra superciliaris Wied II p. 518.
Saltator superciliaris Burmeister HT p. 200.
A Nef MR
Saltator similis Pe/ze/n p. 218 (Matto Dentro, Ypane-
ma, Rio Parana).
Saltator similis Berlepsch u. Lhering p. 121 (25) (S.
| Paulo).
Saltator similis Sclater a. Hudson I p. 41.
Saltator similis Cat. Br. Mus. XI p. 287 (S. Paulo).
Especie parecida a precedente tendo o dorso de côr
cinzenta, distribuida desde Corrientes e Rio Grande do
Sul até S. Paulo e Bahia.
Mus. Paul. Ypiranga; Rio Grande; Ribeirão Pires.
* 81. Saltator atricollis Vieill.
Tanagra atricollis Spix II p. 43 PL 56. fig. 2.
Fringilla jugularis Wied IN p. 558.
Saltator atricollis Burmeister HI p. 202.
Saltator atricollis Pelzeln p. 219 (Irisanga).
Saltator atricollis Cat. Br. Mus. XI p. 293.
Especie distinguida das precedentes pelo bico mais
forte, côr de laranja, com a maxilla superior escura em
cima, pela garganta e pescoço anterior de côr preta e a
barriga amarellenta. Essa especie occorre no Brazil central
desde Paraguay e S. Paulo até Bahia e Goyaz.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 82. Orchesticus abeillei (Less.).
Orchesticus occipitalis Burmeister HI p. 203.
Orchesticus abeillei Pelzeln p. 220 (S. Roque).
Orchesticus abeillei Cat. Br. Mus. XI p. 297.
De côr amarello-parda com o vertice bruno, o dorso,
as azas e a cauda negras, sendo as rectrizes orladas de
amarello. Natterer obteve a especie nos Estados de Paraná
e S. Paulo, Burmeister em Minas.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 83. Cissopis major Cab.
Tiétinga; Prebixim (Ypanema); Anicavara (Piracicaba).
Bethylus picatus Wied II p. 545.
Cissopis major Burmeister Ill p. 204
LUN eRe
Cissopis leveriana Pelzeln p. 217 (Matto Dentro, Ypa-
nema). |
Cissopis leveriana Berlepsch I p. 245.
Cissopis major Cat. Br. Mus. VI p. 300.
Especie grande branca, com a cabeça, o pescoço, as
azas e a cauda pretas, sendo as pontas das rectrizes bran-
cas. A especie é encontrada desde 5.º Catharina até Bahia
e Goyaz. Ás vezes tratam essa especie de gralha, mas
por engano.
Mus. Paul. Piquete.
* 84. Schistochlanys capistratus (Wied).
Tanagra capistrata Spix I p. 41 PL 54 fig. 1.
Tanagra capistrata Wied II p. 500.
Schistochlamys leucophaea Burmeister IIL p. 209.
Orchesticus capistratus Pelzeln p. 220 (S. Paulo, Ypa-
nema, Sorocaba).
Schistochlamys capistratus Cat. Br. Mus. XI p. 301
(S. Paulo).
Passaro de côr cinzenta em cima, amarellenta em
baixo, com a fronte preta. Especie que occorre desde São
Paulo até Pernambuco.
Mus. Paul. Ypiranga; Itatiba; Piracicaba.
85. Schistochlamys atra (Gm.).
Tanagra melanopis Wed II p. 504.
Schistochlamys melanopis Burmeister II p. 209.
Orchesticus ater Fe/zeln p. 220 (Rio das Pedras).
Tanagra olivina Pelzeln p. 210.
Schistochlamys atra Cat. Br. Mus. XI p. 301.
Especie de côr cinzenta com a fronte, cara, garganta
e o pescoço anterior pretos, que é encontrada no Brazil
central e na Guyana, e que Natterer caçou perto do Rio
Grande.
Mus. Paul. —
* 86, Pitylus fuliginosus (Daud.).
Bicudo; Bico pimenta (S. Paulo).
Tanagra psittacina Spix Il p. 44 Pl. 57 fig. 2.
Fringilla gnatho Wed Ul p. 552.
Pitylus coerulescens Burmeister II p. 206.
Pitylus fuliginosus Pelzeln p. 220 (Matto Dentro Ypa-
nema).
Pitylus fuliginosus Bérlepsch I p. 245.
Pitylus fuliginosus Cat. Br. Mus. XI p. 304.
Passaro do tamanho do sabia, fusco-cinzento com a
garganta e o peito pretos e com o bico forte, cor de
laranja. Especie do Brazil meridional desde Rio Grande
do Sul até Bahia. Pelzeln diz que esse passaro tem o
nome de Guaranisinga em Matto Dentro e de Buchi caraim
em Ypanema.
Mus. Paul. S. Paulo; Iguape; Piracicaba.
FAM. FRINGILLIDAE.
War urracaeyaneav( by:
Gurundi azul; Azulão.
Fringilla Brissonii Wied HI p. 561.
Coccoborus cyaneus Burmeister HI p. 237.
Guiraca cyanea Pelzeln p. 221 (Pahor, Matto Dentro,
Ypanema).
Guiraca cyanea Sclater a. Hudson | p. 43 (Catamarca).
Guiraca cyanea Cat. Br. Mus. XII p. 71.
Papa-arroz de côr azul no sexo masculino, pardo-ama-
rella no sexo feminino, distribuido desde Rio Grande do
Sul até Venezuela.
Mus. Paul. Piquete; S. Sebastião.
* 88. Oryzoborus torridus (Scop.).
Avinhado, Curió (S. Paulo); Papa-arroz (Iguape).
Loxia nasuta Six Il p. 45 Taf. 56 fig. 1—2.
Fringilla torrida Wied HI p. 567.
Or yzoborus torridus Burmeister IIL p. 230.
=" TOO =
Oryzoborus torridus Pelzeln p. 222 (lrisanga, Ypa-
nema).
Oryzoborus torridus Cat. Br. Mus. XII p. 77 (Ypanema).
O macho é preto com o peito e a barriga de côr
castanha; a femea fusca em cima, amarellenta em baixo.
Esse passarinho é encontrado desde Rio Grande do Sul
até Venezuela.
Mus. Paul. Iguape; S. Sebastião.
89. Spermophila plumbea (Wied).
Patativa.
Fringilla plumbea Wed I p. 579.
Sporophila plumbea Burmeister II p. 242.
Spermophila plumbea Pe/zeln p. 223 (Itararé, Irisanga).
Spermophila plumbea Cat. Br. Mus. XII p. 97.
Papa-árroz de côr cinzenta com as azas e a cauda pretas
e uma mancha branca nas azas, que é encontrado desde
- S. Paulo até a Bahia.
Mus. Paul. —
* 90. Spermophila superciliaris Pelzeln.
Papa-arroz.
Spermophila superciliaris Pelzeln p. 223 e 330 (Matto
Dentro, Rio Parana).
Sporophila euleri Cabanis Journal für Ornithologie
1874 p. 84.
Spermophila superciliaris Berlepsch u. Lhering p. 122
Taf. VII).
Spermophila superciliaris Cat. Br. Mus. XII p. 99.
Papa-arroz, um dos maiores, verde-azeitonado em cima,
esbranquecido no lado ventral com uma estria branca
sobre o olho e com duas fachas amarellas na aza. Especie
do Brazil meridional desde Rio Grande do Sul até Sao
Paulo, que as vezes tem feito bastante estragos nas plan-
tações de arroz no Rio Grande do Sul.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
eto ee
* 91. Spermophila nigroaurantia (Bodd.).
Caboclinho.
Loxia brevirostris Spix II p. 47 Pl. 59 fig. 1—2.
Fringilla pyrrhomelas Wed Ul p. 586.
Sporophila aurantia Burmeister HI p. 250.
Spermophila aurantia Pelzeln p. 226 (Taubaté, São
Paulo, Itararé).
Spermophila nigroaurantia Cat. Br. Mus. XII p. 113.
O macho é de côr castanho-parda com o vertice, as
azas e a cauda pretas. À femea é de côr parda, mais clara
“e amarellenta no lado ventral. Essa especie é encontrada
desde S. Paulo até Pará.
Mus. Paul. Ypiranga.
* 92. Spermophila pileata Scl.
Colleira do brejo.
Sporophila alaudina Burmeister HI p. 251 (Montevideo).
Spermophila pileata Pe/ze/n p. 226 (S. Paulo. Itararé,
Irisanga).
Spermophila pileata Cat. Br. Mus. XII p. 115.
Especie muito parecida 4 precente, tendo o lado ven-
tral branco, conhecida do Brazil meridional. O bico é
preto, sendo fusco na S. nigroaurantia.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
93. Spermophila cucullata (Bodd.).
Fringilla atricapilla Wied Il p. 560.
Sporophila pectoralis Burmeister WI p. 247.
Spermophila cuculata Pelzeln p. 223 (Rio Paraná).
Spermophila cucullata Cat. Br. Mus. XII p. 117.
Fusco em cima com a cabeca preta, branco ou ama-
rellento no lado ventral com uma faxa transversal no peito
de cor preta. Especie da Guyana e do Norte do Brazil,
encontrada por Natterer no Rio Paraná. A variedade de
barriga branca que occorre no Rio de Janeiro é mencionada
pelo catalogo do Brit. Mus. como Sp. polionata, sendo
eS THe —-
synonymos Sp. collaria Burmeister HI p. 246 e Sp. atri-
capilla Pelzeln (nec Wied).
Mus. Paul. —
* 94. Spermophila caerulescens (Bonn. et Vieill.).
Colleira; Tia-tam (Iguape); Papa-capim (S. M. do Paraizo).
Fringilla leucopogon Wied Ul p. 572.
Sporophila ornata Burmeister HI p. 243.
Spermophila ornata Pelseln p. 224 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé).
Spermophila caerulescens Sclater a. Hudson 1 p.46.
Spermophila caerulescens Berlepsch 1 p. 246.
Spermophila caerulescens Cat. Br. Mus. XII p. 126.
O macho é de côr cinzenta em cima, branco em
baixo, com a fronte, a garganta e uma faxa sobre o peito
pretas; a femea tem essas côres mais pallidas. Especie
commum desde o Rio da Prata até a Bahia.
Mus. Paul. Piquete; Iguape; S. Sebastião; S. Paulo.
* 95. Spermophila gutturalis (Licht.).
Loxia ignobilis Spix II p. 46 Taf. 60 fig. 3..
Loxia plebeja Spix II p. 46 Taf. 59 fig. 3.
Fringilla melanocephala Wied III p. 577.
Sporophila gutturalis Burmeister II p. 244.
Spermophila gutturalis Pelzeln p. 225 (Resáca).
Spermophila gutturalis Cat. Br. Mus. XII p. 128.
O macho é verde-cinzento em cima, verde-amarello
em baixo, tendo cabeça, garganta e peito de cor preta.
Especie dos campos do Norte do Brazil e da Venezuela
que occorre no Rio de Janeiro e S. Paulo, sendo o nosso
exemplar da Bahia.
Mus. Paul. —
* 96. Spermophila lineola (L.).
Papa-capim colleiro (Piracicaba).
Sporophila lineola Burmeister II p. 248.
Spermophila lineola Pelzeln p. 224 (Rio Paraná).
Spermophila lineola Cat. Br. Mus. XII p. 131.
O macho é preto em cima, branco em baixo, tendo
uma estria branca larga no vertice e outra em baixo de
cada olho; a garganta é preta. Especie do Norte do Brazil.
Mus. Paul. Piracicaba.
97. Spermophila melanogaster Pelzeln.
“Spermophila melanogaster Pelzeln p. 225 (Itararé, Re-
saca).
Spermophila melanogaster Cat. Br. Mus. XII p. 140.
Este papa-arroz é de cor cinzenta em cima, preta em
baixo. Parece ter sido encontrado só no Est. de S. Paulo.
Mus. Paul. —
* 98. Volatinia jacarini (L.).
Tia-tam preto (Iguape); Tizio (S. Paulo); Guerin (Piracicaba):
Fringilla splendens Wed Ul p. 597.
Volatinia jacarina Burmeister HI p. 234. |
Volatinia jacarina Pelzeln p. 226 (Ypanema, Itararé).
Valatinia jacarini Cat. Br. Mus. XII p. 152.
Especie distribuida desde S. Paulo até a America
Central, de côr preta com lustro de azul-aço. É especie
conhecida pelo seu costume de levantar-se do logar onde
se assentou á distancia de alguns palmos por occasião de
cantar. Em diversos logares é conhecida sob diversas
denominações como jacarini, serra-serra, alfaiate etc.
Mus. Paul. Piquete; S. Sebastião.
* 99. Chrysomitris icterica (Licht.).
Pintasilgo.
Fringilla campestris Spix II p. 48 Taf. 61 fig. 3.
Fringilla magellanica Wed HI p. 620.
Chrysomitris magellanica Burmeister HI p. 255.
Chrysomitris icterica Pelzeln p. 231 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé).
Chrysomitris icterica Sclater a. Hudson X p. 64.
— 164 —
Chrysomitris icterica Cat. Br. Mus. XII p. 217 (São
Paulo).
O pintasilgo é de côr verde em cima, verde-amarello
em baixo; o macho tem a cabeça preta. Especie das Re-
publicas platinas, do Chile e do Brazil meridional até
Bahia.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo, Iguape.
* 100. Sycalis flaveola (L.).
Canario da terra.
Guiranheem-gatu Marcgrav p. 211.
Fringilla brasiliensis Spix II p. 47 Taf. 61 fig. 1—2.
Fringilla brasiliensis Wied IM p. 614.
Sycalis brasiliensis Burmeister Ill p. 253.
Sycalis flaveola Pelzeln p. 231 (Ypanema).
Sycalis flaveola Cat. Br. Mus. XII p. 377 (S. Paulo).
Esse canario, 0 maior entre varias especies parecidas,
é no sexo masculino verde-amarello em cima com a fronte
e o vertice côr de laranja e o lado ventral amarello-claro.
A femea tem as costas pardo-cinzentas, o peito amarello,
a garganta e a barriga brancas e os lados da barriga
estriados com manchas escuras. Essa especie occorre em
S. Paulo, Rio de Janeiro etc. até Venezuela, mas falta no
Rio Grande do Sul — devendo ser falsa a indicação «Pe-
lotas» do Cat. Br. Mus. — e na Rep. Argentina.
Existe outra especie de canario, pouco menor, tendo
no lado inferior as remiges orladas de amarello como S.
flaveola, mas o macho tem o lado do peito munido de
manchas fuscas e a femea carece da faxa amarella que
transversalmente percorre o peito na especie S. flaveola
e da côr amarella do crisso. Esta segunda especie é
Sycalis pelzelni Sclater (cf. Berlepsch u. Jhering p. 125;
Cat. Br. Mus. XI p. 380), especie do Rio da Prata e do
Rio Grande do Sul, da Bolivia e do planalto central do
Brazil que não é encontrada no litoral desde Bahia até
Rio Grande do Sul.
Mus. Paul. S. Sebastião; Piquete.
aaa 165 —
* 101. Sycalis arvensis Kittl. var. minor Cab.
Sycalis hilarii Burmeister UI p. 254.
Sycalis hilarii Pelzeln p. 232.
Sycalis minor Pelzeln p. 232.
Sycalis arvensis var. minor Cat. Br. Mus. XII p. 384.
Especie menor com o lado inferior da aza cinzenta,
em cima pardo-cinzento, em baixo amarello. Esse pequeno
canario esta distribuido desde a Rep. Argentina até Bolivia,
Perú e planalto central do Brazil. O nosso exemplar do
_ Ypiranga talvez represente especie nova.
Mus. Paul. Ypiranga.
* 102. Zonotrichia pileata (Bodd.).
Tico-tico.
Tanagra ruficollis Spzx IT p. 39 Pl. 53 fig. 3.
Zonotrichia matutina Wied HI p. 623.
Zonotrichia matutina Burmeister HI p. 229.
Zonotrichia pileata Pelzeln p. 229 (Ypanema).
Zonotrichia pileata Cat. Br. Mus. XII p. 610.
O Tico-tico está espalhado desde a Patagonia e Chile
até o Mexico.
Mus. Paul. Ypiranga; S. Sebastião.
* 103. Haplospiza unicolor (Lich.).
Pichocho (Iguape).
Phrygilus unicolor Burmeister HI p. 232.
Haplospiza unicolor Pelzeln p. 227 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé, Cubatão).
Haplospiza unicolor Berlepsch u. Lhering p. 128 Taf.
VII fig. 1—2.
Haplospiza unicolor Cat. Br. Mus. XII p. 626.
O colorido é mais ou menos uniforme negro-cinzento
no sexo masculino, verdoengo no sexo feminino. E especie
do Brazil meridional, desde o Rio da Prata e Rio Grande
do Sul até S. Paulo. Occorre em Iguape, em abundancia,
prejudicando as plantaçôes de arroz.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
== 166°—
104. Poospiza assimilis Cab.
Paospiza lateralis Burmeister WI p. 215 (S. Paulo).
Paospiza Cabanisi Burmeister Ill p. 215.
Poospiza lateralis Pelzeln p. 228.
Poospiza assimilis Pelzeln p. 229.
Poospiza assimilis Berlepsch wu. Îhering p. 123.
Poospiza assimilis Cat. Br. Mus. XII p. 644.
Em cima na cabeça e no pescoço cinzento, nas costas
e no sobrecu pardo; o peito é amarello, a barriga branca
no meio, castanha nos lados, a garganta cinzenta. As duas
rectrizes externas tem na ponta uma mancha branca. A
especie affim P. lateralis Nordm. (nec Burm.) é distinguida
pela garganta amarellenta e uma estria branca no loro.
E’ certo que P. assimilis é especie do Norte da Argentina
e do Rio Grande do Sul e parece que P. lateralis é especie
do Rio de Janeiro. Nada consta sobre exemplares de S.
Paulo, a excepção da noticia de Burmeister referente-se
provavelmente a P. assimilis.
Mus. Paul. —
105. Poospiza thoracica (Nordm.).
Paospiza thoracica Burmeister HI p. 217.
Poospiza thoracica Pelzeln p. 229.'
Poospiza thoracica Cat. Br. Mus. XII p. 634.
Passarinho de cor verde-cinzenta nas costas, pardo-
vermelho no peito, nos lados da barriga e no crisso; a
garganta e a barriga no meio são brancas. E’ passaro da
Bahia e do Rio de Janeiro do que Burmeister diz que
pertence tambem ás regiões mais ao Sul do Brazil, o que
me confirmou o Sr. R. Krone que o obteve em Iguape.
Mus. Paul. —
* 106. Ammodromus manimbe (Licht.).
Fringilla manimbe Wied III p. 600.
Coturniculus manimbe Burmeister IH p. 228.
Coturniculus manimbe Pelzeln p. 230 (Matto Dentro, |
Ypanema, Itararé).
nes 167 —
Ammodromus manimbe Cat. Br. Mus. XII p. 691.
Passarinho dos campos, de cor pardo-cinzenta, distin-
guido pela cor amarella do loro e dos encontros. Especie
distribuida desde Montevideo até Venezuela. O Sr. Va-
lencio Bueno observou a especie em Piracicaba, o Sr. Krone
em Iguape.
Mus. Paul. Ypiranga.
* 107. Coryphospiza albifrons (Vieill.).
Poospiza oxyrhyncha Pelzeln p. 229 (Curityba).
~Donacospiza albifrons Pelzeln p. 231, nota.
Donacospiza albifrons Sc/ater a. Hudson 1 p. 49.
Coryphospiza albifrons Cat. Br. Mus. p. 766.
De cor cinzento-parda em cima, amarellenta em baixo,
com uma estria amarellenta na região loral. Especie do
Brazil meridional desde o Rio da Prata até Curityba e
que entra tambem no Est. de S. Paulo.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo; Piracicaba.
108. Coryphospiza melanotis (Temm.).
Emberizoides melanotis Burmeister HI p. 226 (São
Paulo).
Emberizoides melanotis Pelzeln p. 230 (Ypanema,
Mogy Mirim).
Coryphospiza melanotis Cat. Br. Mus. XII p. 767.
Pardo-cinzento em cima, esbranquecido em baixo com
o vertice e os lados do peito pretos e com uma estria
branca sobre o olho. Os encontras são amarellos, a cauda
é comprida. Especie do Brazil meridional.
Mus. Paul. —
* 109. Emberizoides macrurus (Gm.).
Canario do campo (Piracicaba).
Emberizoides macrurus Burmeister HI p. 225.
Emberizoides sphenurus Pelzeln p.230 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé).
— 168 —
Emberizoides sphenurus Sclater a. Hudson I p. 63.
Emberizoides macrurus var. herbicola (Vieill) Cat. Br.
Mus. XII p. 769.
Passarinho não pequeno caracterisado pela cauda com-
prida com as rectrizes pontagudas. De côr pardo-cinzenta
com malhas pretas em cima, branco-cinzenta em baixo; os
encontros são verdes em cima, amarellos no lado inferior.
As coberteiras inferiores da cauda são uniformes em E.
sphenurus, munidas de orlas desbotadas em É. macrurus —
differenças que não justificam a separação de duas espe- ©
cies, mas que correspondem á distribuição geographica,
representando E. sphenurus a variedade do Brazil e a outra
fórma a da Venezuela.
Mus. Paul. S. Paulo; Cachoeira.
* 110. Pseudochloris citrina (Pelz.).
Sycalis citrina Pelzeln p. 233 e 333 (Itararé).
Pseudochloris citrina Cat. Br. Mus. XII p. 778.
Canario um pouco maior do que as especies de Sycalis,
distinguido pelas manchas brancas nas pontas das duas
rectrizes exteriores de cada lado. Especie da Guyana e
do Brazil, encontrada por Natterer nos Estados de S. Paulo
e Paraná.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 111. Coryphosphingus cristatus Gm,
Cardeal; Tico-tico-rei (Piracicaba).
_Coryphosphingus cristatus Burmeister HI p. 213.
Coryphosphingus cristatus Pelzeln p. 228 (Ypanema,
; Itararé, Rio Paraná).
Coryphosphingus cristatus Cat. Br. Mus. XII p. 803.
Pardo-vermelho nas costas, vermelho na barriga; o
macho tem no vertice um topete de pennas alongadas
vermelho-escarlates. : Especie do Norte do Brazil, da Guyana
e da Bolivia, que foi indicada tambem do Rio Grande do
Sul, talvez por engano. C. pileatus Wied não occorre no
Estado de S. Pato
Mus. Paul. S. Paulo; Piracicaba; S. Carlos ão Pinhal,
ro 6—
112. Tiaris ornata Wied..
Fringilla ornata Wied UT p. 610.
* Tiaris ornata Burmeister I p. 257.
Tiaris ornata Pelzeln p. 228 (Nas Lages).
Tiaris ornata Cat. Br. Mus. XII p. 807.
Passarinho dos campos, cinzento, com o vertice, a gar-
ganta, pescoço anterior, as azas e a cauda de cor preta.
Especie do Norte do Brazil, que Natterer obteve perto
de Araraquara.
Mus. Paul. —
FAM. ICTERIDAE.
* 113. Ostinops decumanus (Pall.).
Japu; Japu-guacu.
Cassicus cristatus Wied HI p. 1220.
Cassicus cristatus Burmeister WI p. 275.
Ostinops cristatus Pelzeln p. 191 (Matto Dentro, Ypa-
nema).
Ostinops decumanus Cat. Br. Mus. XI p. 315 (Ypa-
nema).
A especie maior, preta, com o sobrecú e o crisso de
côr castanha e a cauda amarella, a excepção das duas rectri-
zes do meio que são pretas; o bico é branco. Essa especie
é encontrada desde 5S.“ Catharina até a America Central.
O Sr. Valencio Bueno observou esse japu em Piracicaba.
Mus. Paul. Piquete.
* 114 Cassicus albirostris Vieill
Soldado; melro.
Cassicus albirostris Burmeister HI p. 272.
Cassiculus albirostris Pelseln p. 193 (Butuhuru, perto
: de Mogy das Cruzes).
Cassicus albirostris Cat. Br. Mus. XI p. 323 (S. Paulo).
E o conhecido soldado, preto, com o sobrecú e os en-
contros amarellos e o bico branco. Especie do Brazil me-
Revista do Museu Paulista. Vol. III 11
— 170 —
ridional desde o Rio Grande do Sul até Paraguay e Goyaz.
O Sr. Valencio Bueno obteve-a em Piracicaba. Passaro muito
parecido e chamado tambem soldado é Icterus pyrrhopterus
Vieill., distinguindo-se entretanto bem pelo bico que é
alargado na base ou na fronte no genero Cassicus, sendo
estreito no genero Icterus.
Mus. Paul. Piracicaba.
* 115. Cassicus haemorrhous (L.).
Guache (S. Paulo); Japuira (Iguape).
Japira Marcgrav p. 193.
Cassicus haemorrhous Wied WI p. 1230.
Cassicus haemorrhous Burmeister Il p. 274.
Cassicus haemorrhous Pelzeln p. 193 (Rio Tibaya,
Tijuca, Serra de Cubatäo).
Cassicus haemorrhous Cat. Br. Mus. XI p. 324 (São
Paulo).
O guache é preto com o dorso baixo eo sobrecú de
cor vermelho-escarlate e o bico amarello. A especie occorre
desde S.“ Catharina até Pernambuco. E” commum em
Piracicaba, vivendo em bandos.
Mus. Paul. Piracicaba.
* 116. Cassidix oryzivora (Gm.).
Cassicus niger Wied HI p. 1241.
Scaphidurus ater Burmeister Ul p. 278.
Cassidix ater Pelzeln p. 201 (Ypanema, Rio Paraná).
Cassidix oryzivora Berlepsch 1 p. 251.
Cassidix oryzivora Cat. Br. Mus. XI p. 329.
Passaro preto com lustro azul, distinguido pelas pennas
alongadas da nuca no sexo masculino, que occorre desde
S. Catharina até o Mexico.
Mus. Paul. Est. de S, Paulo, y
* 117. Molothrus bonariensis (Gm.).
Chopim (S. Paulo, Piracicaba); Vira-bosta (Iguape).
Icterus minor Spix I p. 67 Taf. 63 fig. 2.
Icterus violaceus Wied IT p. 1212.
Molobrus sericeus Burmeister WI p. 270.
Molothrus sericeus Pelzeln p. 200 (Ypanema, Itararé).
Molothrus bonariensis Berlepsch I p. 249.
Molothrus bonariensis Sclater a. Hudson | p. 72.
' Molothrus bonariensis Cat. Br. Mus. XI p. 335.
O macho é preto com lustro de azul-aço, a femea
“é negro-fusca. E chamado aqui chopim, mas no Rio Grande
do Sul e como Goeldi diz tambem no Rio de Janeiro
vira-bosta, sendo aqui o vira-bosta Aphobus chopi que no
Rio Grande do Sul é o anum. O chopim, muito conhecido
pelo seu costume de pôr os seus ovos nos ninhos dos
tico-ticos e outros passarinhos, está distribuido desde a Pa-
gonia até Amazonas. 7
Mus. Paul. Tieté; Itatiba; Ilha de S. Sebastião; Iguape.
418. Agelaeus cyanopus. Vieill.
Agelaeus cyanopus Pelzeln p. 196 (Rio Paraná).
Agelaeus cyanopus Cat. Br. Mus. XI p. 345.
Especie de côr uniforme, escura, do Paraguay e Matto
Grosso que Natterer encontrou no Porto do Rio Paraná.
Mus. Paul. —
19. Agelaeus ruficapillus Vieill.
Chrysomus frontalis Burmeister Ill p. 267.
Dolichonyx ruficapillus Pe/ze/n p. 199 (Rio Paraná).
Agelaeus ruficapillus Sc/ater a. Hudson I p. gg.
Agelaeus frontalis Cat. Br. Mus. XI p. 347.
Agelaeus ruficapillus Cat. Br. Mus. XI p. 347.
Especie de côr preta, com o vertice e a garganta
castanhos, distribuida desde o Rio da Prata até a Guyana.
Creio que Felseln tem razão rejeitando a separação em
duas « especies » conforme a extensão da cor castanha
sobre maior ou menor parte do pescoço anterior. Os
exemplares do Rio Parana com toda | devem
assemelhar-se aos do Paraguay.
Mus? Paul: —
* 120. Pseudoleistes guirahuro (Vieill.).
Chopin do brejo.
Icterus atro-olivaceus Wied II p. 1216.
Leistes viridis Burmester Ul p. 264.
Pseudoleistes viridis Pe/ze/n p. 198 (Itararé, Rio Parana).
Pseudoleistes guirahuro Cat. Br. Mus. XI p. 352.
Passaro de cor parda com o peito, a barriga e os
encontros amarellos. E amarello tambem o dorso baixo e
o sobrecú, que é da côr das costas na especie affim P.
virescens do Rio Grande do Sul. P. guirahuro é especie
do Paraguay e do Brazil meridional. Recebemos um exem-
plar dos Campos de Itapetininga, onde vive nos brejos.
Enviou-o o Sr. major Cornelio Vieira de Camargo em
Tatuhy.
Mus. Paul. Itapetininga.
* 121. Icterus pyrrhopterus (Vieill.).
Encontro. Soldado de bico preto.
Hyphantes pyrrhopterus Pelzeln p. 194 (Rio Paraná).
Icterus pyrrhopterus Sclater a. Hudson 1 p. 107.
Icterus pyrrhopterus Cat. Br. Mus. XI p. 368.
De cor preta, com os encontros castanhos ou laranjo-
escuros, o bico é preto. Esta especie é da Bolivia, do
Paraguay e Matto Grosso. Natterer obteve-a no Rio Paraná
eo Sr. Valencio Bueno affirmou-me que existe tambem
nos arredores de Piracicaba, dizendo que é mais commum
que Cassicus albirostris e canta melhor. O ninho é o
mesmo como na especie mencionada.
Sclater no catalogo do British Museum refere a essa
especie Xanthornus pyrrhopterus Burmeister (La Plata Il
p- 493) e considera Xanthornus chrysopterus Burmeister
(III p. 271) como synonymo de Icterus cayanensis Z.
de sua variedade tibialis Sw., mas eu acredito que Bur-
meister confundiu aqui duas especies. Dizendo elle que
X. chrysopterus é ave de S. Paulo e S.“ Catharina acre-
dito que isso se retira a Agelaeus thilius Mol., em parte.
Seja. como for essa synonymia confusa, não temos aqui
no litoral de S. Paulo este «encontro», mas sim entre Pira-
cicaba e Rio Paraná. Agelaeus thilius Mol. é identico no
colorido, mas differente no bico que é depresso ou achatado
na base. Icterus tibialis Sw. do Rio de Janeiro talvez
occorra em S. Paulo, mas por ora não tenho prova disso.
Noto que nem o checheu (Cassicus persicus L.) nem
o corrupião (Icterus jamacai Gm.) occorrem em S. Paulo,
sendo encontrados só no Norte do Brazil, especialmente
no Estado do Ceará.
Mus. Paul. Piracicaba.
* 122. Aphobus chopi (Vieill.).
Vira-bosta (S. Paulo, Piracicaba); Chopim (Iguape).
Icterus sulcirostris Spix I p. 67 Taf. 64 fig. 2.
Icterus unicolor Wied Ul p. 1208.
Psarocolius unicolor Burmeister HI p. 287.
Agelaius ee Pelzeln p. 195 (Ypanema, Matto Dentro,
Rio Parana).
Aphobus chopi Sclater a. Hudson 1 p. 108.
Aphobus chopi Cat. Br. Mus. XI p. 405 (S. Paulo).
Passaro preto distinguido pelas pennas estreitas e
pontagudas da cabeça e pelos sulcos obliquos do bico, que
é encontrado no Norte da Rep. Argentina, no Rio Grande
do Sul, Paraguay, Bolivia como em S. Paulo e Rio de
Janeiro. E’ passaro que prejudica a lavoura tirando do
chão sementes que se plantou obtendo, por essa razão, em
certos logares, o nome de arranca-milho.
Mus. Paul. Ilha de S. Sebastião.
FAM. CORVIDAE.
* 123. Cyanocorax chrysops (Vieill.).
Gralha do matto.
Cyanocorax pileatus Burmeister HI p. 284.
Cyanocorax pileatus Pelzeln p. 189 (Itararé, Lages,
Rio Paraná).
Cyanocorax chrysops Sclater a. Hudson I p. 110.
Cyanocorax chrysops Cat. Br. Mus. III p. 120.
Gralha azul com a fronte, garganta e pescoço anterior
pretos, com o peito, a barriga e as pontas das rectrizes
brancas. É especie do Paraguay que alcança o Estado
oriental e parte de S. Paulo. A cor da barriga, que é
amarello-branca e duas malhas de azul-claro em cima e
em baixo do olho, distinguem essa especie da Uroleuca cya-
noleuca que é especie maior e do campo, preferindo esta
as mattas. Ambas as especies vivem no interior do Estado,
faltando na zona litoral. O Sr. 4. Hummel observou essa
gralha em S. Manoel, o Sr. Valencio Bueno em Piracicaba
onde, porém, devido aos caçadores agora ja não existe
mais.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 124. Cyanocorax coeruleus (Vieill.). |
Gralha. de
Coronideus coeruleus Burmeister IIL p. 287.
Cyanocorax azureus Pelzeln p. 191 (Itararé).
Cyanocorax heckelii Pelzeln p. 191 (Paranaguá).
Cyanocorax coeruleus Sclater a. Hudson I p. TIO.
Cyanocorax coeruleus Cat. Br. Mus. HI p. 126.
Gralha azul, com a cabeca preta. Em exemplares de
Paranaguá com as pennas da fronte erectas e a cabeça de
côr negro-fusca Pelzeln baseou nova especie (C. heckeli).
Tendo essa especie do Rio Grande do Sul, de Curityba
e de Iguape que é situado perto de Paranaguá não posso
ver razão para distinguir duas especies. No Est. de São
Paulo essa especie foi observada só perto da divisa
com o Est. do Paraná. Sendo, porem, C. coeruleus especie
do Paraguay é provavel que exista tambem na região
occidental do Est. de S. Paulo. Que existe no municipio
de Apiahy sei por informação do Sr. major Cornelio
Vieira de Camargo.
Mus. Paul. Iguape.
* 125. Uroleuca cyanoleuca (Wied.).
Gralha do campo.
Corvus cristatella Wied Il p. 1257.
Uroleuca cristatella Burmester IH p. 286.
Cyanocorax cyanoleucus Pelseln p. 189 (Matto Dentro, |
Ypanema).
Uroleuca cyanoleuca Cat. Br. Mus. III p. 137.
Essa gralha, que é doscampos do Brazil central, dis-
tingue-se das precedentes pelas azas compridas que se
extendem até a metade da cauda, sendo as azas mais
compridas do que a cauda. À cabeça, a nuca e o dorso alto
são negro-fuscos, o peito, a barriga e as pontas das rectrizes
são brancas. A aza extende-se pois até ao principio da
parte branca da cauda nessa especie, attingindo apenas o
principio da cauda na outra gralha parecida (C. chrysops).
O Sr. Valencio Bueno observou essa especie em Piraci-
caba, onde, porém, é rara.
Mus. Paul. Est: de S. Paulo.
2. Sub-ordem. Clamatores.
. Sob a denominação de Clamatores, ou Passeres me-
somyodi, entendem-se os passaros que têm os musculos
do orgão da voz fixados no meio dos anneis incompletos
dos bronchios. Entre elles distinguem-se duas divisões
Oligomyodae assemelhando-se na estructura do orgão da
voz ou do syrinx aos Oscines, differindo delles pelo nu :
mero reduzido de musculos e 7racheophones que não têm,
como os outros, os bronchios modificados em forma de
syrinx, mas a parte inferior da trachea.
Entre os caracteres distinctivos que, sem exame ana-
tomico, podem ser observados, merecem attenção especial
o bico e os tarsos. Ao contrario do que se observa nos
passaros cantadores faltam as laminas compridas, das quaes
de cada lado uma cobre o lado posterior do tarso. A parte
anterior do tarso está coberta por 6-8 escudos separados
ou mais ou menos concrescidos, que nas differentes fami-
lias mostram modificações diversas. Taxaspideano chama-se
o tarso, quando os escudos da parte anterior de ambos
os lados extendem-se até a metade do lado, deixando livre
a parte posterior que é coberta por escudinhos pequenos.
Exaspideano é o tarso, quando os escudos grandes da parte
anterior lateralmente se extendem sobre a metade do lado
interior e sobre todo o lado exterior do tarso, de modo
que uma zona nua ou não coberta por estes escudos é
situada no lado interior do tarso. Endaspideano é o tarso,
quando se dá o caso opposto, que os escudos anteriores
cobrem todo o lado interior deixando a zona nua da planta
no lado exterior do tarso. O tarso é exaspideano nas
familias Tyrannidae, Oxyrhamphidae, Pipridae e Conopo-
phagidae; endaspideano na familia Dendrocolaptidae; taxa-
spideano nas familias Formicariidae, Pteroptochidae e
Cotingidae. :
Na familia Pipridae os dous dedos exteriores são
unidos por concrescencia até à segunda articulação.
O bico é paragnatho na familia Dendrocolaptidae, epi-
gnatho nas outras familias. A base do bico é muitas vezes,
especialmente entre os tyrannidos, munida de cerdas rijidas.
Na familia dos tyrannidos ha muitos passaros geral-
mente conhecidos ‘como o Bemtivi, Siriri, Tesoura etc.,
quasi todos vivendo de insectos. Nas familias das Pipridae
da qual fazem parte as tangaras, e das Cotingidae, á qual
pertencem o araponga, o pavão, corocochó etc. prevalece
a alimentação por bagas e fructas do matto. Os membros
das familias Dendrocolaptidae, a qual pertencem o João
de barro e os arapaçús, e os das Formicariidae, que con-
tem as papa-formigas e borralharas, vivem quasi exclusi-
vamente de insectos. Ha entre elles alguns grupos de
passaros que vivem no chão, virando as folhas na procura
de insectos como o pincha-cisco e os tovacas, a maior parte,
porem, desses passaros, exclusivamente sul-americanos, vive
no interior do matto virgem, muitos entre elles trepam
com habilidade nos troncos das arvores como os pica-paos
dos quaes entretanto são distinguidos com facilidade, tendo
tres dedos anteriores e um virado para traz, ao contrario
do que se dá entre os pica-páos e outras aves trepadoras,
que têm dos quatro dedos dous dirigidos para diante e
dous para traz.
Divisão I. Oligomyodae.
FAM. TYRANNIDAE.
SUBFAM. I. | AENIOPTERINAE.
* 126. Taenioptera nengeta (L.).
Pombinho das almas (Piracicaba).
Muscicapa polyglotta Sfzx II p. 18 Pl. 2.
Muscicapa polyglotta Wied II p. 862.
Taenioptera nengeta Burmeister II p. 516.
Taenioptera nengeta Pelzeln p. 97 (Taubaté, Matto
Dentro, Ypanema).
Taenioptera nengeta Sclater a. Hudson I p. 114.
Taenioptera nengeta Cat. Br. Mus. XIV p. 11.
Passaro do tamanho do sabiá que habita os campos
do interior do Brazil, da Republica Argentina, do Paraguay
e da Bolivia. É de côr cinzenta, com as azas e a cauda
pretas, a garganta e o crisso brancos. Em baixo do olho
corre uma estria preta. As rectrizes e as remiges são, na
base, brancas. As pontas das rectrizes são brancacentas.
O Sr. Valencio Bueno caçou essa especie em Piracicaba.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
— 178 —
* 127. Taenioptera velata (Licht.).
Muscicapa velata Spix II p. 17 PI. 22.
Muscicapa velata Wied II p. 859
Taenioptera velata Burmeister p. 516.
Taenioptera velata Pelzeln p. 97 (Irisanga, Rio das
_ Pedras, Rio Parana).
Taenioptera velata Cat. Br. Mus. XIV p. 12.
Especie parecida a precedente tendo a cabeça de côr
brancacenta; a fronte, a garganta e o lado inferior bran-
cos. Especie dos campos do Brazil e da Bolivia.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
128. Taenioptera irupero (Vieill.).
Muscicapa nivea Spix II p. 20 Pl. 29 fig. 1.
Taenioptera moestra Burmeister Il p. 517 (S. Paulo).
Taenioptera irupero Sclater a. Hudson I p. 118.
Taenioptera irupero Cat. Br. Mus. XIV p. 13.
Especie toda branca com as primeiras remiges e as
pontas da cauda pretas. E especie das republicas platinas
e da Bolivia que Burmeister menciona como vivente em
S. Paulo, observação que, por ora, não posso confirmar.
Provavelmente ha nisso engano, visto que nem Natterer
ou eu, nem os Srs. Krone e Valencio Bueno observaram
essa especie.
Mus. Paul. —
* 129. Arundinicola leucocephala (L.).
Viuva; Velhinha (S. Manoel do Paraizo); Velho (Iguape).
Muscicapa dominicana Spix IH p.21 Pl. 29 fig. 2 (o!)
e Pt 30 184240) or,
Muscicapa leucocephala Wed III p. 822.
Arundinicola leucocephala Burmeister II p. 512.
Arundinicola leucocephala Pelzeln p. 98.
Arundinicola leucocephala Sclater a. Hudson Ip. 122.
Arundinicola leucocephala Cat. Br. Mus. XIV p. 37.
Especie, menor do tamanho do tico-tico. O macho é
preto com a cabeça branca. A femea é cinzenta com a
fronte, a garganta e o pescoço anterior brancos e com a
cauda preta. A especie é encontrada desde Corrientes até
Venezuela.
Mus. Paul. Piquete; Iguape.
* 130. Alectrurus tricolor Vieill.
Gallito.
Muscicapa alector Wied HI p. 874 (Rio G. do Sul).
Alectrurus tricolor Burmeister Il p. 511 (S. Paulo).
Alectorurus tricolor Pelzeln p. 98 (Itararé, Ypanema).
Alectrurus tricolor Sclater a. Hudson I p. 122.
Alectrurus tricolor Cat. Br. Mus. XIV p. 39.
Passarinho distinguido no sexo masculino pela fórma
abnorme das duas pennas medianas do rabo que são
muito mais largas do que as outras e por essa razão dis-
postas verticalmente como as do gallo. O macho é preto
com a garganta e a barriga brancas. À femea, que é de côr
pardo-amarella, não tem a singularidade descripta da cauda.
Especie notavel descoberta por Azara no Paraguay que
occorre desde o Rio Grande do Sulaté S. Paulo e Minas.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 131. Cybernetes yetapa (Vieill.).
Tesoura do campo.
Gubernetes yiperu Burmeister Il p. 509.
Muscicapa longicauda Spix Il p. 14 Pl. 17(S. Paulo).
Cybernetes yetapa Pelzeln p. 99 (Matto Dentro, Iri-
sanga, Mogy das Cruzes, Rio Parana).
Cybernetes yetapa Sclater a. Hudson Ip. 124.
Cybernetes yetapa Cat. Br. Mus. XIV p. 40.
A cauda em forma de tesoura com as duas rectrizes
exteriores extremamente compridas caracterisam bem essa
especie e o genero do qual é 0 unico representante. É passaro
grande, de côr cinzenta, com as azas e a cauda pretas e
Eee
a garganta branca orlada de castanho. Especie do Brazil
meridional e da Bolivia. Perto de Piracicaba não existe
essa especie segundo me disse o Sr. Valencio Bueno.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 132. Sisopygis icterophrys (Vieill).
Suirirt.
Muscicapa chrysochloris Wed Ul p. 793.
Taenioptera icterophrys Burmeister Il p. 518.
Sisopygis icterophrys Pe/ze/n p. 98 (Ypanema).
Sisopygis icterophrys Sclater a. Hudson | p. 125.
Sisopygis icterophrys Cat. Br. Mus. XIV p. 41.
Este suiriri prefere a capoeira. E de cor verde-azei-
tonada em cima com as azas e a cauda escuras, amarella
em baixo. E’ de côr amarella tambem uma faxa que corre
sobre o olho. Esta especie é encontrada desde Buenos
Ayres até Bolivia e Bahia.
Mus. Paul. Ypiranga; Piquete.
* 133. Cnipolegus comatus (Licht.).
Muscicapa galeata Spix II p. 20 PI. 27 (5!) (S. Paulo).
Muscicapa comata Wed II p. 819.
Cnipolegus comatus Burmeister IL p. 513.
Cnipolegus comatus Pe/ze/n p. 98 (Itararé).
Cnipolegus comatus Cat. Br. Mus. XIV p. 43.
Passarinho todo preto em ambos os sexos, distinguido
pelo topete que tem no vertice. As remiges são brancas
na base. O bico é preto. E’ passarinho dos campos do
Brazil meridional. O Sr. Valencio Bueno disse-me que
perto de Piracicaba não observou essa especie nem outras
desse genero.
Mus. Paul. Est: de S. Paulo.
* 134. Cnipolegus cyanirostris (Vieill.).
Cnipolegus cyanirostris Pelzeln p. 98 (Ypanema, Ce-
miterio). —
=" TOT —
Cnipolegus cyanirostris Berlepsch u. Ihering p. 128
(Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro).
Cnipolegus cyanirostris Sclater a. Hudson 1 p. 127.
Cnipolegus cyanirostris Cat. Br: Mus XIV p. 46.
Especie menor do que a precedente e sem topete. O
macho é preto, a femea parda; o bico é cinzento, os pés
são de côr parda. Especie do Brazil meridional, da Ar-
gentina e do Paraguay.
Mus: Paul. Est. de S. Paulo.
135. Cnipolegus nigerrimus (Vieill.).
Muscicapa galeata Spix IT p. 20 Pl. 28 fig. 1 (9) (S.
Paulo).
Cnipolegus nigerrimus Pelzeln p. à
Cnipolegus nigerrimus Cat. Br. Mus. XIV p. 43.
Parecido a C. comatus. E’ menor com o topete pouco
desenvolvido e o bico cinzento-azul. Os pés são pretos.
À femea que na especie C. comatus não differe do macho
tem na especie presente a garganta riscada com manchas
_ vermelho-pardas. Especie do Brazil meridional mencio-
nada do Rio Grande do Sul por Cabanis e Heine (Mus.
Hein. II, 47) que Natterer obteve no Rio de Janeiro e
Spix em S. Paulo.
Mus. Paul. —.
“136. Muscipipra vetula (Licht.).
Muscicapa vetula Spix II p. 15 PI 18.
Milvulus vetulus Burmeister IL p. 468 (S. Paulo).
Muscipipra vetula Pelzeln p. 99 (Itararé, Ypanema,
Casa Pintada).
Muscipipra vetula Cat. Br. Mus. XIV p. 49 (S. Paulo).
Passaro grande, de côr cinzenta, com a cauda e as
azas pretas e com a borda das rectrizes exteriores branca.
À cauda tem a forma de tesoura devido as rectrizes exte-
riores alongadas. E" especie dos campos de S. Paulo,
Minas e Goyaz.
Mus. Paul. Piracicaba.
— 102 —
* 137. Copurus colonus (Vieill).
Viuva (S. Manoel do Paraizo); Viuvinha (Iguape).
Platyrhynchus filicauda Spix II p. 12 PL 14.
Muscipeta monacha Wied II p. 925.
Copurus filicauda Burmeister I p. 507.
Copurus colonus Pelzeln p. 100 (Ypanema, Matto
Dentro).
Copurus colonus Berlepsch I p. 256. |
Copurus colonus Cat. Br. Mus. XIV p. 50 (S. Paulo).
O genero Copurus é bem caracterisado pelas duas
pennas medianas da cauda que são muito compridas, sobre-
pujantes as outras e tendo a ponta alongada em fórma de
pua. Passarinho preto com a cabeça e o uropygio brancos.
Mus. Paul. Ypiranga; Piquete; Piracicaba. |
SUBFAM. 2. PLATYRHYNCHINAE.
* 138. Platyrhynchus mystaceus Vieill.
Platyrhynchus cancroma Burmeister II p. 500. .
Platyrhynchus mystaceus Pe/zeln p. 100 (Ypanema).
Platyrhynchus mystaceus Berlepsch u. [Ihering p. 129.
Platyrhynchus mystaceus Berlepsch I p. 258.
Platyrhynchus mystaceus Sclater a. Hudson | p. 136. :
Platyrhynchus mystaceus Cat. Br. Mus. XIV -p. 67
(Rio Grande do Sul, Bahia, La Plata, Guyana).
Passarinho pequeno distinguido pelo bico extrema-
mente largo e chato, munido ao lado de cerdas compridas.
A côr é parda em cima, amarellenta em baixo, a garganta
é branca. O macho tem o vertice amarello. Esta especie
occorre desde Rio Grande do Sul até a Guyana.
Mus. Paul. Tieté, Piquete. +
* 139. Todirostrum cinereum (L.).
Todus melanocephalus Spix II p. 8 Pl. g fig. 2.
Todus melanocephalus Wied HI p. 962.
Triccus melanocephalus Burmeister Il p. 495.
— 183 —
Todirostrum cinereum Pelzeln p. too (Rio Paraná).
Todirostrum cinereum Cat. Br. Mus. XIV p. 69.
Especie parecida a seguinte, da qual differe pela fronte
preta. E especie do Norte do Brazil e da Guyana que
Natterer caçou em Cuyabäe perto do Rio Parana, O nosso
exemplar é da Bahia.
Mus. Paul. —
* 140. Todirostrum poliocephalum (Wied).
Teque-teque (Iguape).
Todus poliocephalus Wied II p. 965.
Triccus poliocephalus Burmeister p. 496.
Todirostrum poliocephalum Pelzeln p. 100.
Todirostrum poliocephalum Cat. Br. Mus. XIV p. 71
(S. Paulo).
Passarinho pequeno, de 100 mm. de comprimento,
amarello no lado inferior, verde-azeitonado em cima, com
o vertice escuro e com uma mancha amarella a cada lado
da fronte. O bico é preto, chato, porem mais estreito
do que no genero Platyrhynchus. Essa especie é commum
no litoral desde S. Paulo até Bahia.
Mus. Paul. S. Sebastião; S.º Amaro; Piquete.
* 141. Euscarthmus nidipendulus Wied.
Cagasebo (Piracicaba).
Euscarthmus nidipendulus Wied II p. 950.
Triccus nidipendulus Burmeister U p. 498.
Euscarthmus nidipendulus Pe/ze/n p. 102 (Ypanema).
Euscarthmus nidipendulus Cat. Br. Mus. XIV p. 78
(Y panema).
Esse pequeno passarinho que tem o bico parecido ao
de Todirostrum, porem mais curto, é de cor verde em cima,
cinzenta em baixo com a barriga branca. E’ especie do
Brazil meridional, desde S. Paulo até Bahia.
Mus. Paul. Ypiranga; S.º Amaro.
Pau É ro
142. Euscarthmus orbitatus Wied.
Euscarthmus orbitatus Wied p. 958 (Bahia).
Euscarthmus orbitatus Pelzeln p. 102 (Ypanema).
Triccus orbitatus Burmeister IL p. 497.
Triccus orbitatus Cat. Br. Mus. XIV p. 70.
Especie parecida a E. nidipendulus, mas um pouco
maior, medindo 116 mm. e distinguida pela côr branca da
orla ao redor do olho. A barriga é amarella. Essa especie
é encontrada em S. Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Mus. Paul. —
143. Euscarthmus fumifrons (Hartl.).
Triccus crinitus Burmeister IL p. 497.
Euscarthmus pumifrons Pelzeln p. tor (Rio Paraná).
Euscarthmus pumifrons Cat. Br. Mus. XIV p. 70.
Especie pequena parecida ás precedentes tendo, porem,
a fronte e a região ao redor do olho de cor avermelhada.
Duas faxas desmaiadas correm sobre a aza. Especie da
região amazonica e do Matto Grosso, que Natterer obteve
do Rio Paraná.
Mus. Paul. —
144, Euscarthmus pelzelni Scl. a. Salv.
Euscarthmus margaritaceiventer Pelzeln p. tor (Rio
das Pedras).
Euscarthmus pelzelni Cat. Br. Mus. XIV p. 8o.
Especie do Matto Grosso que Natterer obteve perto
do Rio Parana. Pelzeln denominou-a margaritaceiventer,
mas Sc/ater julga que dessa especie differe pela cor parda
da cabeça e pelas faxas esbranquicadas das azas.
Mus. Paul. —
* 145. Euscarthmus gularis (Temm.).
Triccus gularis Burmeister IL p. 496.
Euscarthmus gularis Pelzeln p. 102 (Ypanema).
Euscarthmus gularis Sclater a. Hudson I p. 136.
— 185 —
Euscarthmus gularis Berlepsch u. Lhering p. 129.
Euscarthmus gularis Cat. Br. Mus. XIV p. 81.
Especie distinguida pelo vertice cinzento-escuro e a face
vermelho-parda, com a regiäo do ouvido preta. Nas costas
é verde, na barriga é branca. Sobre as azas correm duas
faxas amarellentas. Especie da Bolivia e do Brazil meridional.
Mus. Paul. Ypiranga.
146. Ceratotriccus furcatus (Lafr.).
Euscarthmus furcatus Pe/ze/n p. 102 (Matto Dentro).
Ceratotriccus furcatus Cat. Br. Mus. XIV p. 85.
Essa especie rara forma o genero Ceratotriccus, cara-
cterisado pela cauda um pouco entalhada na ponta em
forma de tesoura: E verde em cima, com a cabeça aver-
melhada, cinzenta em baixo. Uma mancha branca no pes-
coço anterior e a borda branca na ponta da cauda cara-
cterisam a especie, que foi encontrada nos Estados de
S. Paulo e Rio de Janeiro.
Mus. Paul. —
147. Orchilus auricularis (Vieill.).
Euscarthmus cinereicollis Wied HI p. 955.
Triccus auricularis Burmeister Il p. 499.
Orchilus auricularis Pelzeln p. 102 (Ypanema).
Orchilus auricularis Berlepsch u. Lhering p. 130.
Orchilus auricularis Cat. Br. Mus. XIV p. 88.
Especie muito pequena, de 7o mm. de comprimento,
verde em cima, amarellenta em baixo com uma malha
vermelho-esbranquiçada atraz do olho e outra preta atraz
desta no ouvido. Esse passarinho é encontrado desde o Rio
de Janeiro até o Rio Grande do Sul.
Mus. Paul. —
“ 146. Hemitriccus diops (Temm.).
(?) Euscarthmus vilis Burmeister II p. 490.
Hemitriccus diops Pelseln p. 103 (Ypanema).
Hemitriccus diops Cat. Br. Mus. XIV p. gt.
Revista do Museu Paulista Vol. III. 12
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— 186 —
O genero Hemitriccus com essa unica especie distin-
gue-se de Euscarthmus pelo bico mais curto e pela cauda
mais comprida. O passarinho é de côr verde em cima,
cinzenta em baixo. À região loral é preta, a circumferencia
do olho branca. E especie do Brazil meridional que Nat-
terer obteve em Ypanema e Curityba.
Mus. Paul. Alto da Serra.
* 149. Phylloscartes ventralis (Temm.).
Euscarthmus ventralis Burmeister II p. 491.
Phylloscartes ventralis Pelzeln p. 102 (Cemiterio, Ypa-
nema).
Phylloscartes ventralis Sclater a. Hudson I p. 137.
Phylloscartes ventralis Cat. Br. Mus. XIV p. 92.
Este passarinho é verde em cima, verde-amarello em
baixo com uma estria desmaiada sobre o olho e duas faxas
de manchas amarellas sobre a aza. E’ especie do Brazil
meridional, desde o Rio Grande do Sul até S. Paulo.
Mus. Paul. Iguape; S. Paulo.
i
150. Hapalocercus rufomarginatus Pelz.
Hapalocercus rufomarginatus Pelzeln p. 103 e 174
(Rio das Pedras, Calção de Couro). |
Hapalocercus rufomarginatus Cat. Br. Mus. XIV p. 93.
Especie de 130 mm. de comprimento, até hoje só
observada no Estado de S. Paulo perto do Rio Grande.
A côr é parda em cima. As remiges e as rectrizes têm
as margens orladas de castanho. A face é amarellenta, a gar-
ganta e o meio da barriga são de côr branca, o resto do
lado inferior é de côr amarellenta.
Mus. Paul. —
151. Hapalocercus meloryphus (Wied).
Euscarthmus meloryphus Wied IT p. 947.
Euscarthmus meloryphus Burmeister IL p. 493.
Hapalocercus meloryphus Pe/zeln p. 103 (Ypanema).
E AO yale
Hapalocercus meloryphus Cat. Br. Mus. XIV p. 93
(Ypanema).
A côr é parda nas costas, cinzenta em baixo, com a
barriga branco-vermelha. As pennas do vertice são verme-
lho-pardas. Especie dos campos do Norte do Brazil encon-
trada em Ypanema por Natterer. O genero Hapalocercus
é caracterisado pelo bico um pouco compresso e pela
cauda fina e comprida.
Mus. Paul. —
152. Habrura pectoralis (Vieill.).
Euscarthmus superciliaris Wied Ul p. 953.
Hapalura minima Burmeister IL p. 494.
Hapalocercus pectoralis Pelzeln p. 103 (Calção de
Couro).
Habrura pectoralis Sclater a. Hudson 1 p. 138.
Habrura pectoralis Cat. Br. Mus. XIV p. 06.
Passarinho de 1o0—110 mm. de comprimento, de
côr pardo-cinzenta em cima, com uma linha supraocular
alvacenta. As pennas do vertice são na base brancas,
em cima preto-cinzentas. As azas e a cauda são dene-
gridas com as margens das pennas mais claras. O lado
inferior é amarellento, excepto a garganta que é denegrida.
Essa especie occorre desde o Norte da Argentina e
Paraguay até Cuyabá e Guyana, estendendo-se até as
regiões occidentaes dos Estados de S. Paulo e Minas.
Mus. Paul. —
153. Pogonotriccus eximius (Temm.).
Euscarthmus eximius Burmeister IL p. 497.
Pogonotriccus eximius Pelzeln p. 103 (Ypanema).
Pogonotriccus eximius Cat. Br. Mus. XIV p. 98 (Ypa-
nema).
Essa especie do genero Pogonotriccus, caracterisada
pelas cerdas muito rijas e compridas da base do bico, e
verde-escura nas costas, mais clara no lado abdominal
com o vertice cinzento, a fronte e uma estria supraocular
IS AD
brancas. Especie conhecida como occorrente nos Estados
de S. Paulo e Rio de Janeiro.
Mus. Paul. —
154. Culicivora stenura (Temm.).
Hapalura stenura Burmeister IL p. 494.
Culicivora stenura Pelseln p. 103 (Ypanema, Itararé,
Rio das Pedras).
Culicivora stenura Sclater a. Hudson I p. 139.
Culicivora stenura Cat. Br. Mus. XIV p. 97 (Itararé).
Passarinho parecido ao Euscarthmus, com a cauda
mais comprida. As pennas são amarello-pardas nas costas
com o centro de cada penna mais escuro. A cabeça é
preta, com riscas brancas, o lado inferior é amarellento. As
ro rectrizes são differentes em comprimento. Especie do
Brazil meridional, desde S. Paulo até as Missões.
Mus. Paul. —
* 155. Serphophaga subcristata (Vieill.).
Alegrinho (Piracicaba).
Serphophaga subcristata Pelzeln p.103 (Matto Dentro,
Ypanema).
Serphophaga subcristata Berlepsch u. lhering p. 130.
Serphophaga subcristata Sclater a. Hudson | p. 140.
Serphophaga subcristata Cat. Br. Mus. XIV p. ro2.
Passarinho pequeno, de 110 mm. de comprimento,
cinzento-azeitonado em cima, branco-amarello em baixo,
tendo o vertice cinzento com uma mancha branca e com
duas faxas alvacentas correntes sobre a aza. Especie que
vive na restinga e capoeira, desde S. Paulo e Minas até
Paraguay, Bolivia e Rio da Prata. O Sr. Valencio Bueno
observou essa especie em Piracicaba nas mattas.
Mus. Paul. S. Sebastião; Piquete; Ypiranga.
* 156. Serphophaga nigricans (Vieill.).
João pobre (Iguape).
Euscarthmus nigricans Burmeister Il p. 492.
Euscarthmus cinereus Burmeister Il p. 526.
Serphophaga cinerea Pelzeln (nec Strickl.) p. 103
(Jacarehy, Ypanema).
Serphophaga nigricans Berlepsch und lhering p. 130
(Rio Grande do Sul).
Serphophaga nigricans Sclater a. Hudson 1 p. 141.
Serphophaga nigricans Cat. Br. Mus. XIV p. 104 (excl.
synon.).
Especie parecida à precedente com mancha branca
no meio do vertice, mas sem as faxas das azas, de cor
cinzenta que é escura em cima, clara em baixo. Esse
passarinho vive perto dos rios e arroios e occorre desde
a Patagonia até S. Paulo e Paraguay. O Sr. von Berlepsch
tendo examinado os typos de Burmeister mostrou que
cinereus é identico a nigricans. O Sr. Krone observou
essa especie em Iguape, o Sr. Valencio Bueno em Pira-
cicaba. Vive perto da agua.
Mus. Paul. Tieté.
SUBFAM. 3. ELAENEINAE.
“157. Cyanotis azarae’ (Licht.).
Papa-piry (Iguape).
Cyanotis omnicolor Burmeister Il p. 484.
Cyanotis azarae Sclater a. Hudson 1 p. 142.
Cyanotis azarae Cat. Br. Mus. XIV p. rro.
Passarinho elegante, de muitas cores, preto nas costas
com o vertice vermelho e orlado de amarello. As azas têm
manchas brancas, o lado inferior é amarello até ao crisso
que é vermelho. O passarinho, que é encontrado nas
republicas Argentina e Chile, já foi observado por mim
no Sul do Estado do Rio Grande do Sul e obtive-o
como tambem o ninho, de Iguape, do Sr. Krone. Não
occorre no interior do Estado de S. Paulo. O nome papa-
piry refere-se ao modo de viver do passarinho, sendo
piry == juncal.
Mus. Paul. Iguape.
* 158. Mionectes rufiventris (Licht.).
Mionectes rufiventris Burmeister Il p. 482.
Mionectes rufiventris Pe/ze/n p. 104 (Ypanema).
Mionectes rufiventris Cat. Br. Mus. XIV p. 114.
Verde-azeitonado em cima; a cabeça e o pescoço são
de cor cinzenta, a barriga e o peito são amarello-pardos.
As azasea cauda são pretas com margens amarellentas das
pennas. Passaro do Brazil meridional, desde o Rio Grande
do Sul até o Rio de Janeiro.
Mus. Paul. Iguape; Tieté; Ypiranga.
* 159. Leptopogon amaurocephalus Cab.
Euscarthmus amaurocephalus Burmeister IL p. 491
(S. Paulo).
Leptopogon amaurocephalus Pe/zeln p. 104 (Ypanema).
Leptopogon amaurocephalus Cat. Br. Mus. XIV p. 117.
Especie de distribuição vasta, desde Curityba até
Guyana. Verde-azeitonado em cima, verde-amarellento em
baixo com a cabeça parda e com duas faxas amarellentas |
na aza.
Mus. Paul. Iguape.
* 160. Capsiempis flaveola (Licht.).
Platyrhynchus flaviventris Spix II p. 12 PL 15 fig. 1.
Muscipeta flaveola Burmeister Il p. 488.
Capsiempis flaveola Pelzeln p. 104 (Ypanema).
Capsiempis flaveola Cat. Br. Mus. XIV p. 120.
Verde-azeitonado em cima, amarello em baixo com
duas faxas amarellentas correntes sobre a aza. Especie da
Guyana e do Norte do Brazil que Natterer obteve em
Ypanema.
Mus. Paul. — .
!
* 161. Phyllomyias brevirostris (Spix).
Platyrhynchus brevirostris Sfzx Il p. 13 PL 15 fig. 2.
Muscipeta asilus Wed Il p. 894.
Phyllomyias brevirostris Pe/zeln p. 105 (Ypanema).
Phyllomyias brevirostris Berlepsch u. lhering p. 131
Phyllomyias brevirostris Cat. Br. Mus. XIV p.121. |
O genero Phyllomyias distingue-se pelo bico curto e
pelas sedas situadas na sua base, fracas e curtas. P. brevi-
rostris é verde-azeitonado em cima, amarello em baixo com
a garganta esbranquiçada. Sobre a aza correm duas faxas
amarellentas. Especie do Brazil meridional, desde o Rio. de
Janeiro até o Rio Grande do Sul.
Mus. Paul. Iguape.
162. Phyllomyias burmeisteri Cab. et Heine.
Cagasebinho (Iguape).
Elaenea brevirostris Burmeister IL p. 479.
Phyllomyias burmeisteri Cabanis et Heine, Mus. Heine
Hp. 57.
Phyllomyias subviridis Pelzeln p. 105 (Ypanema).
Phyllomyias burmeisteri Cat. Br. Mus. XIV p. 122.
A garganta amarella como o pescoço parece a unica
differença entre essa especie e a precedente que prova-
velmente são apenas variedades de uma unica especie. A
distribuição geographica parece a mesma. Pelzeln distingue
tres especies desse genero, todas encontradas em Ypanema.
Mus. Paul. —
163. Phyllomyias virescens Pelzeln.
Phyllomyias virescens Pelseln p. 105 (Ypanema).
Phyllomyias virescens Cat. Br. Mus. XIV p. 121, nota.
Se Pelzeln tem razão julgando essa especie identica
à figurada por Temmink (PI. col. 275 fig. 3), então essa
pretendida especie é synonyma de P. brevirostris.
Mus. Paul. —
* 164. Myiopatis semifusca (Scl.).
Platyrhynchus murinus Spix II p. 14 Taf. 16 fig. 2.
Phyllomyias semifusca Sclater (nec Pelz.) Proc. Zool.
DOC Leer pi 909 Delz.:36 fig. I.
Myiopatis semifusca Cat. Br. Mus. XIV p. 123 (Ypa-
nema).
Selater separa o genero Myiopatis de Phyllomyias,
devido ao bico mais compresso e longo. O Phyllomyias
semifuscus Pelzeln pertence a outro genero (cf. Sublegatus
platyrhynchus. Temos a especie da Bahia.
Mus. Paul. —
* 165. Ornithion imberbe (Scl).
Myiopatis incanescens Pelzeln p. 106 (Ypanema).
Ornithion imberbe Coues p. 444.
Ornithion imberbe Cat. Br. Mus. XIV p. 126.
Passarinho pequeno, de côr cinzenta, com as azas e a
cauda mais escuras e com as pontas das coberteiras da
aza castanhas, formando taxas. O bico é mais compresso
nesse genero e sem sedas na base. Essa especie que é do
Mexico, do Equador e do Norte do Brazil, foi encontrada
em Ypanema por Natterer, isto e, segundo a synonymia
do Brit. Mus. Catalogue, que eu não julgo nesse sentido
exacta. Provavelmente Berlepsch tem razão, dizendo que
O. imberbe é a especie da Bahia, que então em Ypanema
não coexistirá com a outra, existindo entretanto no litoral
dé) Paúlo;
Mus. Paul. Iguape.
* 166. Ornithion obsoletum (Temm.).
Elaenea murina Burmeister (nec Spix) I p. 487.
Elaenea obsoleta Burmeister Il p. 480.
Muscicapa obsoleta Pelzeln p. 106 (Ypanema).
Ornithion obsoletum Berlepsch u. lhering p. 131.
Ornithion obsoletum Cat. Br. Mus. XIV p. 127 (Ypa-
nema).
Especie um pouco maior que a precedente, mais verde-
azeitonada nas costas. Especie do Brazil meridional, que
temos do Rio Grande do Sul.
Mus. Paul. —
# 167. Elainea pagana (Licht..
Guracava (Iguape).
Platyrhynchus paganus Spix EK p. 13 Pl. 16 fig. 1.
Muscicapa brevirostris Wed IH p. 799.
Elaenea pagana Burmeis!er I p. 476.
Elainea pagana Pelzeln p. 106 (Itararé, Ypanema).
Elainea pagana Berlepsch u. lhering p. 134 (9. Paulo).
-Elainea pagana Cat. Br. Mus. XIV p. 137 (S. Paulo).
Especie de 150 mm. de comprimento, bruno-cinzenta
em cima, tendo o vertice mais escuro com uma mancha
branca pouco visivel. Em baixo cinzento-branca no pes-
coço, amarello-pallida na barriga. As pontas das coberteiras
exteriores da aza são esbranquiçadas. E” essa uma especie
distribuida desde S. Paulo até o Mexico, mas que me não
consta ser encontrada ao Sul de S. Paulo, não julgando
eu exacta a indicação «Pelotas» do catalogo do British
Museum. El. pagana tem as pennas do vertice estreitas e
alongadas em fórma de topete.
Mus. Paul. S. Sebastião.
* 108. Elainea albiceps (d’Orb. et Lafr.).
Elainea albiceps Pelzeln p. 107 (Ypanema).
Elainea albiceps Berlepsch u. Lhering p. 133.
Elainea albiceps Sclater a. Hudson À p. 145.
Elainea albivertex Pelzelm p. 107 e 177 (Ypanema).
Elainea parvirostris Pelzeln p. 107 e 178 (Curityba).
Elainea albiceps Cat. Br. Mus. XIV p. 141.
Especie parecida a E. pagana, differente pelas pennas
não alongadas do vertice e pela barriga esbranquiçada.
Parece ser grande a synonymia e talvez haja algumas espe-
cies parecidas e por ora confundidas. E” especie de distri-
buição vasta occorente quasi por toda a America do Sul.
Mus. Paul. Ypiranga; S. Carlos do Pinhal.
* 169. Elainea mesoleuca Cab. et Heine.
Muscipeta modesta Wed HT p. 923.
Elainea mesoleuca Cabanis et Heine Mus. Hein. II p. 60.
Elainea mesoleuca Berlepsch u. Lhering p. 132.
Elainea mesoleuca Cat. Br. Mus. XIV p. 153.
Especie intimamente ligada 4 precedente da qual dif-
fere pela falta da mancha branca do vertice e pelo peito
cinzento-verdoengo. Os nossos exemplares tém a cor nas
costas mais azeitonada do que E. albiceps. O comprimento
é de 140—150 mm., o da aza 75—80 mm. Essa especie
é encontrada desde o Rio Grande do Sul até a Bahia.
Mus. Paul. Piquete; Ypiranga.
170. Elainea placens Scl.
Elainea implacens Sclater Proc. Zool. Soc. 1861 p. 408.
Elainea implacens Pelseln p. 108 (Ypanema).
Elainea placens Cat. Br. Mus. XIV p. 418.
Especie distinguida pela cor amarella da mancha do
vertice e pela falta de faxas alvacentas na aza. Especie
occorrente desde o Norte do Brazil até o Mexico, e que
Natterer obteve em Ypanema.
Mns. Paul, —
171. Elainea caniceps (Sw.).
Tyrannula caniceps Swainson B, Brazil T. 49.
Elainea caniceps Pelzeln p. 107 (Ypanema, Rio Paraná).
Elainea caniceps Cat. Br. Mus. XIV p. 151.
Especie parecida 4 precedente na cor amareilo-branca
da mancha do vertice, munida, porem, nas azas de faxas
esbranquicadas.
Mus. Paul. —
* 172. Elainea Sh ca Lafr. et d’Orb.
Elainea obscura Pe/zeln p. 108 (Mogy das Cruzes,
Ypanema).
Elainea obscura rustica Berlepsch u. Lhering p. 132.
Elainea obscura Cat. Br. Mus. XIV p. 152.
Especie semelhante a E. mesoleuca, como ella sem man-
cha do vertice, differente por ser maior e pela barriga ama-
rella. E. obscura mede 170—190 mm. de comprimento,
sendo o comprimento da aza go mm. A especie occorre
desde o Rio Grande do Sul até a Bolivia e Perú.
Mus. Paul. Iguape; Piracicaba (Rio das Pedras).
173. Elainea affinis Burm.
Elaenea affinis Burmeister Il p. 477.
Elainea affinis Pelzeln p. 108 (Cemiterio, Rio das
Pedras).
Elainea affinis Cat. Br. Mus. XIV p. 151 (Rio das
Pedras).
Cinzento em cima com o uropygio verde-amarello; a
garganta e o pescoço são brancos, a barriga é amarella.
As pennas da cauda são pretas no meio, amarellas na
base e têm uma orla esbranquiçada na ponta terminal.
Especie encontrada desde S. Paulo e Minas até Bahia.
Mus. Paul. —
174. Legatus albicollis (Vieill.).
Muscicapa citrina Wied II p. 917.
Elaenea albicollis Burmeister Il p. 475.
Legatus albicollis Pe/ze/n p. 108 (Ypanema).
Legatus variegatus Cabanis et Heine Mus. Heine. II
p. 60.
Legatus albicollis Cat. Br. Mus. XIV p. 115 (S. Paulo).
O genero Legatus, formado por essa unica especie
distribuida desde S. Paulo até o Mexico, é caracterisado
pelo bico mais curto e largo. O passarinho que mede 150
mm., é bruno-escuro em cima com uma mancha amarella
no vertice. O peito e o pescoço anterior são cinzento-claros,
a barriga é amarella. O peito e o crisso têm riscas escuras
no meio de cada penna.
Mus. Paul. —
* 175. Sublegatus platyrhynchus (Scl. a. Salv.).
Muscipeta incanescens Wed IT p. 898.
Phyllomyias semifusca Pe/ze/n (nec Sclater) p. 105.
TO =
Sublegatus platyrhynchus Cat. Br. Mus. XIV p. 158
(S. Paulo).
Especie pequena de 116 mm. de comprimento, bruno-
cinzenta em cima com o vertice mais escuro, em baixo
branco-cinzenta no pescoço e peito, amarella na barriga.
Sobre a aza correm duas faxas desmaiadas. Especie do
Norte do Brazil, que o British Museum obteve de S. Paulo
por Joyner, e que o Sr. Krone me diz ter caçado em
Iguape. Temo-a da Bahia.
Mus. Paul. —
* 176. Myiozetetes similis (Spix).
Bemtevisinho (Iguape).
Muscicapa similis Sfzx II p. 18 PI. 25.
Elaenea miles Burmeister Il p. 474.
Myiozetetes similis Pe/zeln p. 109 (Ypanema, Rio
: Parana).
Myiozetetes similis Cat. Br. Mus. XIV p. 161 (S. Paulo).
Especie maior, de 170 mm. de comprimento, bruno-
azeitonada em cima, com o vertice vermelho orlado de
preto. Uma estria sobre o olho e a garganta são brancas,
o peito e a barriga são amarellas. Especie que occorre no
Brazil, desde S. Paulo até Pará.
Mus. Paul. Iguape; Tieté; Piracicaba; Piquete.
177. Rhynchocyclus sulphurescens (Spix).
Platyrhynchus sulphurescens Sfzx I p. to PI. 12 fig. r.
Platyrhynchus nuchalis Wied HI p. 971.
Cyclorhynchus nuchalis Burmeister II p. 503.
Rhynchocyclus sulphurescens Pe/ze/n p. 109 (Ypanema).
Rhynchocyclus assimilis Pe/ze/n p. 110.
Rhynchocyclus sulphurescens Sc/ater a. Hudson Xp. 147.
Rhynchocyclus sulphurescens Cat. Br. Mus. XIV p. 168.
Em cima verde-azéitonada com a nuca amarella, em
baixo cinzenta, desde a garganta até a barriga, que é
amarella. Especie do matto virgem distribuida desde a
America Central até S. Paulo.
Mus. Paul. Piquete.
178. Rhynchocyclus megacephalus (Sw.).
Muscipeta megacephala Burmeister I p. 487.
Rhynchocyclus megacephalus Pelze/n p. 110 (Matto
Dentro).
Rhynchocyclus megacephalus Cat. Br. Mus. XIV p. 170.
Verde-azeitonada em cima com o vertice cinzento. Em
cima do olho uma estria esbranquiçada e outra escura em
cima desta. A barriga é amarella, o peito e a garganta
são de côr cinzenta. Sobre a aza correm duas faxas ama-
rellentas. E especie do Norte do Brazil, que Natterer
obteve perto de Taubaté.
Mus. Paul. —
179. Conopias trivirgata (Wied).
Muscicapa trivirgata Wied II p. 871.
Tyrannula superciliosa Burmeister Il p. 475.
Conopias superciliosus Pelzeln p. 111 (Ypanema).
Conopias trivirgatus Hlartert Catalog. Samml. Frank-
furt a M. p. 102 (S. Paulo).
Conopias trivirgata Cat. Br. Mus. XIV p. 173.
Verde-azeitonado em cima com a cabeça preta, ama-
rello em baixo. Sobre o olho corre uma estria branca.
Passaro de 150 mm. de comprimento. A especie occorre
desde S. Paulo até Bahia. |
Mus. Paul. —
* 180. Pitangus sulphuratus L.
Bemtevt.
Muscicapa pitangua Wied Ul p. 838.
Saurophagus sulphuratus Burmeister H p. 461.
Saurophagus sulfuratus Brehm Thierleben V p. 591
figura.
Pitangus bellicosus Pelzeln p. 111 (Ypanema).
Pitangus sulphuratus Pe/zeln p. III.
Pitangus maximiliani Berlepsch I p. 260.
Pitangus sulphuratus Cat. Br. Mus. XIV p. 176 (Ypa-
nema).
O bem conhecido bemtevi, um dos passaros mais
fortes entre os Tyrannidos tem o bico comprido e recurvado
na ponta. Pardo em cima, amarello em baixo. O vertice
é amarello, orlado de preto. A fronte, a nuca, a garganta
e uma estria supraocular são brancas.
Distinguem-se muitas especies e variedades entre os
bemtevis, mas só estudando caracteres de pouca impor-
tancia.
Noto que a especie do Rio da Prata e do Rio Grande
do Sul é P. bolivianus isto é, variedade de P. sulphuratus
com o bico mais comprido e com as remiges da mão
orladas de bruno na margem anterior. A indicação Pelotas
no Cat. do British Museum e referente a fórma de São
Paulo é outro signal de erro que alli houve. Desde ls
Catharina até Bahia e Ceará temos o Bemtevi de S Paulo
que diversos autores chamam a variedade maximiliani Cab.
et Hein. As remiges da mão, dessa variedade, são orladas
na frente de vermelho-pardo. Sclater no catalogo do British
Museum julga-o P. bellicosus Pelzeln como synonymo de
P. bolivianus, o que não é exacto; se Pelzeln teve na
collecção de Natterer tambem o P. bolivianus então será
de Matto Grosso e sob a denominação de P. maximiliani
Pelzeln. |
Seria pois: P. bolivianus do Rio Grande do Sul, Rio
da Prata, Bolivia e Matto Grosso.
P. sulphuratus var. maximiliani de S. Catharina ate
Ceara.
P. sulphuratus var. typica do Para e Guyana.
O Sr. Valencio Bueno obteve o Bemtevi em Piraci-
caba, o Sr. Krone em Iguape. Os indios guaranys de Rio
Verde chamam o Bemtevi «nhan-nhai», como se imitassem
a voz do passaro.
Mus. Paul. S. Sebastião; Piquete.
TE vent
* 181. Sirystes sibilator (Vieill.).
Myiarchus sibilans Burmeister IL p. 472.
Sirystes sibilator Pelzeln p. 111 (Ypanema, Itararé,
Rio Paraná).
Sirystes sibilator Berlepsch u. lhering p. 135.
Sirystes sibilator Cat. Br. Mus. XIV p. 181.
Cinzento em cima com o vertice preto, cinzento-
esbranquicado em baixo. As azas e a cauda säo pretas,
as coberteiras da aza esbranquiçadas nas pontas. O com-
primento é de cerca 190 mm. Passaro do Brazil meridional.
Mus. Paul. Iguape; Piracicaba.
* 182. Myiodynastes solitarius (Vieill.).
Siriri-tinga (Iguape).
Tyrannus audax Wied IH p. 889.
Scaphorhynchus audax Burmeister Il p. 459.
Myiodynastes solitarius Pelzeln p. 112 (Ypanema,
Goyaz).
Myiodynastes solitarius Berlepsch I p. 261.
Myiodynastes solitarius Sclater a. Hudson | p. 150.
Myiodynastes solitarius Cat. Br. Mus. XIV p. 185 (S.
Paulo).
Passaro de 210—220 mm. de comprimento, distinguido
pelas pennas dorsaes que são escuras com orlas desma-
iadas. As pennas do lado ventral são esbranquiçadas com
uma linha escura no meio, correspondente á haste. As
pennas das azas e da cauda têm orlas castanhas, o vertice
é no meio amarello. Especie distribuida desde o Rio da
Prata até a Guyana.
Mus. Paul. Cubatão.
SUBFAM.' 4. TYRANNINAE.
* 183. Megarhynchus pitangua (Sw.).
Bemtevi de bico chato (Piracicaba); Bemtevi do matto (Iguape).
Pitangua guaçu Marcgrav p. 215.
Scaphorhynchus sulphuratus Wied HI p. 983.
SOO rs
Scaphorhynchus pitangua Burmeister IL p. 458. .
Megarhynchus pitangua Pelzeln p. 112 (Itararé, Ypa-
nema).
Megarhynchus pitangua Cat. Br. Mus. XIV p. 189
(S. Paulo).
E este um bemtevi de bico chato bem parecido ao
outro mais conhecido, porem, que tem o bico mais largo
e chato. Na altura das ventas o bico do Pitangus mede
to mm. e o do Megarhynchus 15 mm. de largura. Na
especie presente a mancha amarella do vertice é menor
e mais escondida entre as pennas pretas e de côr mais
escura, laranja no sexo masculino. Essa especie occorre
desde S. Paulo até o Mexico. O Sr. Krone obteve-a em
Iguape, o Sr. Valencio Bueno em Piracicaba. É especie
do matto que não tem a voz do Bemtevi.
Mus. Paul. Wha de S. Sebastião.
* 184. Muscivora swainsoni Pelzeln.
Papa-mosca real (Piracicaba).
Muscipeta regia Wicd HI p. 944.
Megalophus regius Burmeister IL p. 504.
Muscivora swainsoni Cat. Br. Mus. XIV p. 192.
Passaro de côr pardo-clara, com um topete de pennas
de cor escarlate com pontas pretas. O macho tem o topete
de côr vermelha mais viva é com as pontas dessas pennas
do vertice de côr azul-aço. Não sou bem informado sobre
a occorrencia desse passaro no Est. de S. Paulo, sendo
porém, informado pelo Sr. Valencio Bueno que occorre
nas mattas ao redor de Piracicaba. A especie occorre
desde S. Paulo até Bahia.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 185. Hirundinea bellicosa (Vieill.).
Platyrhynchus hirundinaceus Spix p. 11 Taf. 13 fig. 1.
Platyrhynchus rupestris Wed Il p. 977.
Muscivora ferruginea Burmeister II p. 505.
ÃO Ma
Hirundinea rupestris Pelzeln p. 113 (Itararé, Ypanema,
Capivary).
Hirundinea bellicosa Berlepsch u. Ihering p. 135.
Hirundinea bellicosa Sclater a. Hudson I p. 151.
Hirundinea bellicosa Cat. Br. Mus. XIV p. 196 (Ypa-
nema, Capivary).
Passaro cujo nome indigena não conheço e que con-
forme Wied é chamado gibão de couro ou casaca de couro
na Bahia. A côr é bruno-escura nas costas, castanha no
uropygio e na cauda cujas pennas têm a ponta preta. As
* remiges são castanhas no meio, a barriga é castanha. O
passaro que mede 170—180 mm. occorre no Brazil, desde
o Rio Grande do Sul até Pernambuco e Goyaz e tambem
na Bolivia e no Paraguay.
Mus. Paul. S. Sebastião; Iguape.
186. Myiobius barbatus (Gm.).
Platyrhynchus xanthopygius Sfx II p. 9 PL 9 fig. r.
Muscipeta barbata Wied III p. 934.
Myiobius barbatus Burmeister Il p. 501.
Myiobius barbatus Pelzeln p. IIS.
Myiobius xanthopygius Pelze/n p. 113 (Ypanema).
Myiobius barbatus Cat. Br. Mus. XIV p. 190.
Passaro pequeno, de 130 mm. de comprimento, verde-
azeitonado em cima, amarellento em baixo com a barriga,
0 crisso e o uropygio de cor amarello-clara. O macho
tem no vertice uma mancha amarella. Passaro do Norte
do Brazil, que Natterer obteve em Ypanema.
Mus. Paul. —
* 187. Myiobius naevius (Bodd.).
Cagascbo (Iguape).
Platyrhynchus chrysoceps Spix II p. 10 Pl. 11 fig. 2.
Muscipeta chrysoceps Wied HI p. 940.
Muscipeta virgata Burmeister II p. 486.
Myiobius naevius Pelzeln p. 114 (Ypanema).
Revista do Museu Paulista. Vol. III 18
en AO ai
Myiobius naevius Berlepsch u. Thering p. 136.
Myiobius naevius Sclater a. Hudson 1 p. 151.
Myiobius naevius. Cat: Br. Mus. XIV p. 209.
Passarinho semelhante a especie precedente, bruno em
cima, esbranquiçado em baixo, com manchinhas escuras
no peito. No meio do vertice ha uma mancha amarella.
Sobre a aza correm duas faxas pardo-vermelhas. Especie
commum no Brazil, que occorre desde Buenos Ayres: até
o Mexico.
Mus. Paul. Iguape, S. Sebastião; Ypiranga; Piquete.
* 188. Pyrocephalus rubineus (Bodd.).
Muscicapa coronata Wied II p. 880 (91).
Muscipeta strigilata Wied I p. goo (9).
Elaenea coronata Burmeister Il p. 476.
Pyrocephalus rubineus Pelzeln p. 114 (Ypanema, Ita-
raré, Rio Paraná).
Pyrocephalus rubineus Berlepsch u. Lhering p. 136.
Pyrocephalus rubineus Sclater a. Hudson I p. 152.
Pyrocephalus rubineus Cat. Br. Mus. XIV p. 221.
O macho é de côr pardo-cinzenta em cima, a excepção
da cabeça que tem pennas alongadas formando um topete
e que é escarlate como o lado inferior. A femea é uniforme,
pardo-cinzenta. Passarinho distribuido desde Buenos Ayres
até Venezuela e Colombia.
Mus. Paul. Iguape; Cachoeira.
* 189. Empidochanes fuscatus (Wied).
Guaracavuçu (Iguape).
Muscipeta fuscata Wied HI p. 902.
Muscipeta fuscata Burmester IL p. 487.
Empidochanes fringillaris Pelzeln p. 116.
Empidochanes fuscatus Cat. Br. Mus. XIV p. 216.
Empidochanes fringillaris Cat. Br. Mus. XIV p. 216.
Passarinho de 150 mm. de comprimento, bruno-pardo
em cima, cinzento-azeitonado em baixo, com a barriga
pallido-amarella e com duas faxas côr de ferrugem cor-
rentes sobre a aza. A descripçäo dada por Sclater de
E. fringillaris é baseada em exemplares typicos de Pelzeln
e corresponde a descripçäo de Wied. A mandibula inferior
em parte de nossos exemplares é esbranquiçada na base
sendo, porem, em outros completamente preta. Não ha
razão para distinguir com o catalogo do British Museum
duas especies. Ha porem outra especie muito semelhante da
qual logo tratarei (Empidonax bimaculatus). Esta especie
é encontrada desde S.® Catharina até o Rio de Janeiro,
Goyaz e Amazonas.
Mus. Paul. S. Sebastião.
* 190. Empidonax bimaculatus (d’Orb. et Lafr.).
Empidochanes euleri Cabanis Journ. f. Au 1868
- 195;
Empidonax bimaculatus Sc/ater a. ee pers:
Empidochanes fuscatus Berlepsch u. Thering p. 136.
Empidochanes fuscatus Pelzeln p. 115 (Ypanema).
Empidonax bimaculatus Cat. Br. Mus. XIV p. 224.
Especie muito semelhante 4 precedente differindo pelo
bico mais chato com a mandibula inferior toda branca e
pelo tarso mais curto. O nosso exemplar tem as pennas
da perna côr de ferrugem. Essa especie é encontrada desde
o Rio Grande do Sul até Amazonas.
Mus. Paul. Iguape.
* 191. Myiochanes cinereus (Spix).
Platyrhynchus cinereus Spix Il p. 11 Pl. 13 fig. 2.
Myiochanes cinereus Burmeister IL p. 473.
Myiochanes cinereus Pelzeln p. 116 (Ypanema).
Myiochanes cinereus Cat. Br. Mus. XIV p. 245 (S. Paulo).
É entre os passaros desta secção um dos menores;
140 mm. de comprimento. Bruno-cinzento em cima, com
a cabeça denegrida, cinzento em baixo. O bico é bruno-
escuro em cima, pallido em baixo. A especie occorre desde
S. Paulo até Pernambuco.
Mus. Paul. Iguape.
* 192. Myiarchus ferox (Gm.).
Pae Augustinho (Iguape).
Myiarchus ferox Wied II p. 855.
Myiarchus ferox Burmeister Il p. 470 (part.).
Myiarchus cantans Pelzeln p. 117 (Ypanema).
Myiarchus cantans Berlepsch u. Thering p. 137.
~ Myiarchus ferox Sclater a. Hudson I p. 156.
Myiarchus ferox Cat. Br. Mus. XIV p. 253 (S. Paulo).
Especie de 180 mm. de comprimento, cinzento-azeito-
nada em cima, do peito até a garganta cinzenta, amarello-
clara na barriga, que occorre desde Buenos Ayres até o
Mexico.
Mus. Paul. S. Sebastião; S. Carlos do Pinhal; Piquete.
* 193. Myiarchus tyrannulus (Müll.).
Myiarchus ferox Burmeister IL p. 470.
Myiarchus ferox Pelzeln p. 116 (Cemiterio, Ypanema).
Myiarchus tyrannulus Sclater a. Hudson I p. 156.
Myiarchus crinitus var. erythrocercus Coucs p. 435
(cf. fig. 284).
Myiarchus tyrannulus Cat. Br. Mus. XIV p. 251.
Especie um pouco maior que a precedente da qual
differe pelas rectrizes que têm a borda interior de cor
castanho-pallida em ambos os sexos, o que não succede
em M. ferox. Não tenho certeza que essa especie occorra
em S. Paulo, visto como Sclater diz que os exemplares de |
Pelzeln só em parte se referem a M. tyrannulus. Os nossos
exemplares pertencem todos ao M. ferox Gm. As locali-
dades certas indicadas para essa especie pelo catalogo do
British Muséum são de Catamarca, Bolivia, Bahia, Vene-
zuela, Antilhas. Temol-a da Bahia.
Mus. Paul. —
* 194. Empidonomus varius (Vieill.).
Muscicapa rufina Spix Il p. 22 PL 31.
Muscipeta ruficauda Wied HI p. 920.
Tyrannus rufinus Burmeister Il p. 466.
Empidonomus varius Pe/ze/n p. 117 (Ypanema, Cuyaba).
Empidonomus varius Berlepsch u. Lhering p. 137.
Empidonomus varius Cat. Br. Mus. XIV p. 265.
As azas são compridas no genero Empidonomus com
as pontas das primeiras remiges attenuadas. Especie de
160 mm. de comprimento, de côr cinzento-bruna com as
pennas no meio mais escuras. À barriga é amarello-des-
maiada. A fronte e uma borda supraocular são de côr
branca, o vertice é preto com uma mancha amarella no
meio. As pennas da cauda são orladas de castanho. A
especie occorre desde o Rio Grande do Sul até a Guyana.
Mus. Paul. S. Carlos do Pinhal; Iguape.
* 195. Tyrannus melancholicus Vieill.
Siriri.
Muscipeta furcata Spix Il p. 15 Pl. 19.
Tyrannus furcatus Wied Il p. 884.
Tyrannus melancholicus Burmeister Il p. 464.
Tyrannus melancholicus Pelseln p. 117 (Matto Dentro,
Ypanema).
Tyrannus melancholicus Berlepsch u. lhering p. 137.
Tyrannus melancholicus Sclater à. Hudson | p. 158.
Tyrannus melancholicus Cat. Br. Mus XIV p. 273.
O siriri é especie bem conhecida, de 200 mm. de
comprimento, em cima cinzenta na cabeça e no pescoço,
verde-azeitonada nas costas com uma mancha cor de laranja
no vertice. Em baixo são: a garganta e o pescoço cinzentos,
o peito e a barriga amarellos. As rectrizes exteriores são
mais compridas do que as do meio. A especie occorre
desde Buenos Ayres até o Mexico. O Sr. Valencio Bueno
obteve-a em Piracicaba.
Mus. Paul. Iguape; S. Sebastião.
* 196. Milvulus tyraunus (L.).
Tesoura; Tesoureiro.
Muscicapa tyrannus Wed II p. 834.
Tyrannus violentus Burmeister IL p. 467.
= 606 —
Milvulus violentus Pelzelm p. 118 (Ypanema, Taipa).
Milvulus tyrannus Berlepsch u. 1hering p. 138.
Milvulus tyrannus Sclater a. Hudson I p. 160.
Milvulus tyrannus Cat. Br. Mus. XIV p. 277.
A tesoura é bem distinguida pela cauda comprida,
com as rectrizes exteriores extremamente alongadas de
modo que o comprimento total da ave chega a 370 mm.
A côr é cinzenta nas costas, branca no lado ventral. A
cabeça é preta com uma mancha amarella no meio do
vertice. Voando o passaro abre de vez em vez as duas
metades da cauda como tesoura. Não é bem conhecida a
sua parada durante o inverno, parecendo haver migrações.
A especie occorre desde Buenos Ayres até o Mexico. O
Sr. Valencio Bueno disse-me que observou com regulari-
dade a tesoura em Piracicaba, mas só no verão quando
alli faz ninho e cria, desapparecendo depois. Os guaranys.
do Rio Verde chamam a tesoura «tapendi».
Mus. Paul. Est. de S. Paulo; Iguape.
FAM. OXYRHAMPHIDAE.
* 197. Oxyrhamphus flammiceps (Temm.).
Araponguinha; Chibante (Piracicaba).
Oxyrhamphus flammiceps Burmeister WI p. 33.
Oxyrhamphus flammiceps Pelzeln p. 42.
Oxyrhamphus flammiceps Cat. Br. Mus. XIV p. 28r.
O genero Oxyrhamphus forma uma familia caracteri-
sada pelo bico direito, estreito e pontagudo e pela borda
denteada da primeira remige da mão. O tarso é exaspi-
deano. À especie da que trato é verde com um topete
escarlate no vertice. O lado inferior é amarellento com
manchas pretas. A especie occorre desde S.* Catharina
até o Rio de Janeiro. O Sr. Valencio Bueno observou-a
perto de Piracicaba, mas só desde 1881.
Mus. Paul. Iguape.
FAM. PIPRIDAE.
* 198. Piprites chloris (Temm.).
Piprites chloris Burmeister H p. 449.
Piprites chloris Pelzeln p. 126 (Ypanema).
Piprites chloris Cat. Br. Mus. XIV p. 284.
Verde-azeitonado em cima, verde-amarello em baixo.
A fronte é castanha, a face cinzenta. As pontas das cober-
teiras das azas e das rectrizes são brancas. As rectrizes
exteriores são mais curtas do que as medianas. Especie
do Brazil central, de Goyaz e Matto Grosso que Natterer
obteve em Ypanema.
Mus. Paul. Piracicaba; Iguape.
199. Metopia galeata (Licht.).
Metopia galeata Burmeister II p. 440.
Metopia galeata Pelzeln p. 129 (Irisanga, Rio das
Pedras, Borda do matto).
Metopia galeata Cat. Br. Mus. XIV p. 290.
O macho é preto com o dorso e a cabeça escarlates,
tendo as pennas da fronte elevadas. À femea é uniforme
verde. Passarinho de 154 mm. de comprimento que vive
na Bolivia, na Bahia e em Minas Geraes e que Natterer
“encontrou neste Estado.
Mus. Paul. —
200. Pipra fasciata d’Orb. et Lafr.
Pipra fasciata Pelzeln p. 127 (Rio Paraná).
Pipra fasciata Cat. Br. Mus. XIV p. 294.
Passarinho de 100 mm. de comprimento, preto, com
a cabeça e o lado inferior amarellos. Uma faxa branca
corre pela base da cauda e na aza. É especie do Amazo-
nas e da Bolivia, que occore no Rio Paraná.
Mus. Paul. —
Het: =
* 201. Pipra leucocilla L.
Pipra leucocapilla Wied HI p. 427.
Pipra leucocilla Burmeister II p. 444.
Pipra leucocilla Pelzeln p. 127.
Pipra leucocilla Cat. Br. Mus. XIV p. 297 (S. Paulo).
© macho é preto; com a fronte é o: \vertice "dex cop
branca, a femea é verde. Não estou certo que essa especie
effectivamente occorra em S. Paulo, acceitando-a apenas
devido a indicação do catalogo do British Museum que a
obteve de S. Paulo por Joyner, cujas indicações, entretanto,
não parecem fidedignas. À especie é encontrada desde o
Rio de Janeiro até a America Central.
Mus. Paul. —
* 202. Chiroxiphia caudata (Shaw).
Tangara.
Pipra caudata Six II p. 5 PL 6 fig. 1—2.
Pipra longicauda Wied HI p. 413.
Pipra caudata Burmeister I p. 441.
Chiroxiphia caudata_ Pelzeln p. 129 (Ypanema, Itararé),
Chiroxiphia caudata Sclater a. Hudson | p. 161.
Chiroxiphia caudata Cat. Br. Mus. XIV p. 310.
O macho adulto é azul com a fronte e o vertice de
escarlates; a face, o pescoço, as azas e a cauda são
pretas. Na cauda são as duas rectrizes medianas mais com-
pridas que as outras e de cor azul. A femea é verde e
assim tambem o macho novo antes de lhe apparecer a
cor vermelha do vertice. E este o conhecido e elegante
dansador. Essa especie habita todo o Brazil, desde o Rio
Grande do Sul até o Amazonas. Os indios guaranys do Rio
Verde chamam-n'a tangara.
Mus. Paul. Ypiranga; Piquete; Iguape; Piracicaba.
* 203. Ilicura militaris (Shaw).
Tangarasinha (Iguape).
Pipra militaris Burmeister I p. 441 (S. Paulo).
Ilicura militaris Pelzeln p. 129 (Ypanema).
21200
Helicura militaris Cat. Br. Mus. XIV p. 311.
O macho é preto nas costas, cinzento-branco no lado
ventral e tem a fronte e o uropygio de cor vermelho-
carmim. As azas são, em parte, de cor verde; a cauda é
preta e tem as duas rectrizes do meio alongadas. No meu
vér essa especie devia ser reunida com o genero Chiro-
xiphia. Não julgo conveniente mudar o nome Ilicura
por não estar bem explicada a sua derivação. A especie
occorre desde S.“ Catharina até o Rio de Janeiro, Minas
e Goyaz.
Mus. Paul. Ypiranga; Iguape.
* 204. Chiromachaeris gutturosa (Desm.).
Rendeira (Iguape); Barbudinho (Piracicaba).
Pipra manacus Wied II p. 432.
Pipra manacus Burmeister Il p. 446.
Chiromachaeris gutturosa Pelzeln p. 130 (Ypanema).
Chiromachaeris gutturosa Cat. Br. Mus. XIV p. 313
(S. Paulo).
O macho é preto nas costas, no vertice, nas azas e
na cauda. À garganta, o pescoço e a nuca são brancos,
a barriga e o uropygio são de côr cinzenta. A femea é
verde. Essa especie é encontrada desde S. Paulo até a
Bahia e Goyaz. O Sr. Valencio Bueno observou-a em
Piracicaba na sua dança. E’ um só que, cantando, pula
adiante e volta ao seu lugar.
Mus. Paul. S. Sebastião; Iguape; Piquete, Ypiranga.
205. Ptilochloris squamata (Wied).
Muscicapa squamata Wed HI p. 814 (9).
Ptilochloris squamata Burmeister II p. 435.
Ptilochloris remigialis Burmeister IL p. 436.
Ptilochloris squamata Pe/ze/n p. 126 (Ypanema).
Ptilochloris squamata Cat. Br. Mus. XIV p. 317.
Verde-azeitonado em cima, com as azas e a cauda
denegridas. O vertice é preto, o lado inferior é amarello
Sh NWO)
com linhas transversaes pretas. Na aza do macho é a quarta
remige estreitada na ponta. Especie do Norte do Brazil,
uma vez observada em S. Paulo.
Mus. Paul. —
* 206. Heteropelma virescens (Wied).
Muscicapa virescens Wed III p. 802.
Ptilochloris virescens Burmeister IL p. 436.
Heteropelma virescens Pelzeln p. 124 (Ypanema).
Heteropelma virescens Cat. Br. Mus. XIV p. 321 (S.
Paulo).
Passaro de 160—170 mm. de comprimento, de côr
verde-azeitonada. A especie occorre desde o Rio Grande
do Sul até a Bahia. O Sr. Valencio Bueno obteve-a em
Piracicaba.
Mus. Paul. Iguape.
* 207. Heteropelma flavicapillum Scl.
Heteropelma flavicapillum Pe/zeln p. 125 (Nas Lages,
Rio das Pedras).
Heteropelma flavicapillum Cat. Br. Mus. XIV p. 321
Pie
Verde-azeitonada em cima, esbranquiçada em baixo,
com o vertice e os encontros amarellos. Especie conhecida
da Bahia e Rio de Janeiro, que Natterer encontrou perto
do Rio Paraná.
Mus. Paul. —
* 208. Neopelma aurifrons (Wied).
Muscicapa aurifrons Wied HI p. 829.
Euscarthmus aurifrons Burmeister IL p. 489.
Heteropelma aurifrons Pelzeln p. 125 (Ypanema).
Neopelma aurifrons Cat. Br. Mus. XIV p. 323.
Passaro de 130—140 mm. de comprimento, verde-azei-
tonado em cima, verde-cinzento no peito, amarellento na
barriga com uma grande mancha amarella no vertice. Es-
pecie do Brazil, desde S. Paulo até a Bahia.
Mus. Paul. S'º Amaro; Ypiranga.
— 421i —
FAM. COTINGIDAE.
* 209. Tityra brasiliensis (Sw.).
Canjica (Iguape), Araponguira (Piracicaba).
Pachyrhynchus cayanus Spix II p. 32 Taf. 44 fig. 1.
Psaris brasiliensis Burmeister IL p. 457.
Tityra brasiliensis Pelzeln p. 119 (Matto Dentro, Ypa-
nema, Itararé, Irisanga).
Tityra brasiliensis Berlepsch u. Îhering p. 139.
Tityra brasiliensis Cat. Br. Mus. XIV p. 329 (S. Paulo).
Passaro grande de 200—220 mm. de comprimento. O
macho é de côr branco-cinzenta, a cabeça, as azas e a cauda
são de côr preta. À femea tem as pennas do corpo munidas
de estrias escuras. Ao redor do olho um annel desprovido
de pennas. O bico é preto, excepto na base que é mais
clara. À especie occorre desde o Rio Grande do Sul até
Pernambuco e Bolivia. O Sr. Valencio Bueno caçou-a em
Piracicaba.
Mus. Paul. S. Carlos do Pinhal.
* 210. Tityra inquisitor (Licht.).
Psaris inquisitor Burmeister Il p. 456 (S. Paulo).
Tityra inquisitor Pelzeln p. 120 (Ypanema, Irisanga,
Cuyabá).
Tityra inquisitor Cat. Br. Mus. XIV p. 331.
Da especie precedente differente pela falta do annel
nu ao redor do olho, por ser menor e por ter a femea a
fronte pardo-vermelha. Especie do Norte do Brazil, da
Guyana, da Bolivia etc. que Natterer encontrou no Est.
de S. Paulo. O Sr. Valencio Bueno caçou-a em Piracicaba.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 211. Hadrostomus atricapillus (Vieill.).
Canelleiro (Iguape).
Pachyrhynchus cinerascens Spix Il p. 34 Pl. 46 fig. 1
(ot juv.)
ER PAPE
Pachyrhamphus validus Burmeister Il p. 455.
Hadrostomus atricapillus Pelzeln p. 120 (Matto Dentro,
Ypanema).
Hadrostomus atricapillus Cat. Br. Mus. XIV p. 333.
O macho é de côr denegrido-cinzenta em cima, com
o vertice preto e o lado inferior amarellento; na aza tem
perto do encontro uma mancha branca. A femea é casta-
nha em cima, amarellenta em baixo e tem o vertice e as
azas escuras. O passaro occorre desde S. Paulo até o Pará.
Mus. Paul. Piquete; Iguape.
* 212. Pachyrhamphus viridis (Vieill.).
Pachyrhynchus cuvieri Spix I p. 33 PL 45 fig. 2.
Muscipeta nigriceps Wied II p. 914.
Pachyrhamphus nigriceps Burmeister IL p. 454.
Pachyrhamphus viridis Pe/ze/n p. 120 (Ypanema).
Pachyrhamphus viridis Berlepsch 1 p. 263.
Pachyrhamphus viridis Berlepsch u. Ihering p. 140.
Pachyrhamphus viridis Cat. Br. Mus. XIV p. 338.
O macho é verde em cima, com o vertice de côr preto-
azul; a face e a nuca são de côr cinzenta, a fronte e a
garganta brancas, a barriga amarella. A femea é semelhante
tendo, porem, o vertice verde e as coberteiras das azas
de cor castanha. A especie é encontrada desde o Rio
Grande do Sul até Pernambuco.
Mus. Paul. Iporanga.
* 213. Pachyrhamphus rufus (Bodd.).
Pachyrhynchus rufescens Spix II p. 34 PL 46 fig. 2.
Muscipeta aurantia Wied Ul p. 917.
Bathmidurus melanoleucus Burmeister I p. 451.
Pachyrhamphus rufescens Pe/ze/n p. 122 (Ypanema,
Pahor).
Pachyrhamphus rufus Berlepsch I p. 264.
Pachyrhamphus rufus Cat. Br. Mus. XIV p. 343 (São
Paulo). |
Passaro de côr parda em cima, pardo-amarellenta em
baixo com a face e a nuca de cor cinzenta. O bico é azul-
cinzento. A femea é parecida, distinguindo-se pela segunda
remige da mão que é mais comprida do que a primeira,
sendo, ao contrario, menor e modificada no macho, como
tambem nas outras especies do genero Pachyrhamphus. E
entretanto preciso notar que muitas vezes nessa especie
“o macho não apresenta a 2.* remige modificada, pare-
cendo que ella só apparece em machos bem velhos, ou
só em passaro da Bahia. Essa especie é encontrada desde
S.* Catharina até Venezuela.
Mus. Paul. Piquete; Iguape.
* 214 Pachyrhamphus polychropterus (Vieill.).
Canelleirinho (Iguape).
Pachyrhynchus variegatus Spix II p. 3r Pl. 43 fig. 2
(at juv)).
Muscipeta splendens Wied II p. 906.
Bathmidurus variegatus Burmeister IL p. 452.
Pachyrhamphus polychropterus Pelzeln p. 121 (Mogy
das Cruzes, Itararé).
Pachyrhamphus polychropterus Sclater a. Hudson 1
p.162
Pachyrhamphus polychropterus Cat. Br. Mus. XIV
p. 345 (S. Paulo).
O macho é preto em cima, cinzento em baixo e tem
o vertice de côr azul-preta; as azas e a cauda são pretas;
as coberteiras das azas e as rectrizes exteriores têm as
pontas brancas. A femea é verde-escura em cima, amarel-
lenta em baixo e tem as remiges orladas de pardo. Espe-
cie do litoral do Brazil, que occorre desde Buenos Ayres
até Amazonas.
Mus. Paul. Iguape; Ypiranga.
* 215. Lathria virussu (Pelz.).
Sabia de Matto Grosso; Virussu.
Lipaugus virussu Pelzeln p. 122 e 184 (Matto Dentro,
Ypanema).
Lathria virussu Cat. Br. Mus. XIV p. 351 (Matto Dentro).
Passaro de 260 mm. de comprimento; assemelhando-se
a um sabia, mas bem differente pela estructura da perna
e do bico. E de cor cinzenta, com a barriga pardo-aver-
melhada; as azas e a cauda são pardo-escuras. Especie de
S. Paulo e Rio de Janeiro, que o catalogo do British
Museum indica de Pelotas, provavelmente por engano do
colleccionador.
Mus. Paul. Iguape.
216. Lipaugus stiles (Licht.).
Muscicapa cinerascens Spix II p. 16 Pl. 21.
Muscicapa rustica Wied III p. 866.
Myiarchus rusticus Burmeister Il p. 470.
Lipaugus simplex Burmeister I p. 422.
Lipaugus simplex Pelzeln p. 123.
Lipaugus simplex Cat. Br. Mus. XIV p. 356(S. Paulo).
Passaro de 190 mm. de comprimento, de cor cinzenta
com a barriga um pouco amarellenta, caracterisado pelo
lado posterior do tarso verruguento. E especie do Norte
do Brazile da Guyana, que o catalogo do British Museum
indica de S. Paulo, recebida por Joyner.
Mus. Paul. —
* 217. Attila cinereus (Gm.).
Capitão de sahyra (Iguape). Tinguassu (Piracicaba).
Muscicapa cinerea Spix II p. 19 Pl. 26 fig. 2.
Muscicapa cinerea Wied II p. 853.
Dasycephala cinerea Burmeister II p. 85.
Attila phoenicurus Pelzeln p. 96 e 171 (Matto Dentro)
— juv.
Attila phoenicurus Cat. Br. Mus. XIV p. 358.
Attila cinereus Pelzeln p. 95 (Ypanema, Matto Dentro).
Attila cinereus Cat. Br. Mus. XIV p. 363 (S. Paulo). |
Passaro do matto virgem, de 220 mm. de compri-
mento, em cima bruno-pardo com a cauda castanha, em |
baixo cinzento no pescoço e na garganta, castanho na
barriga. A cabeça é cinzenta. O bico é compresso, com-
prido e recurvado na ponta da maxilla superior. Especie
do litoral do Brazil, desde Paranaguá até a Bahia, que
Natterer obteve em Matto Dentro, Paranaguá, Rio de Ja-
neiro. O Sr. Valencio Bueno caçou-a em Piracicaba. Ex-
emplares novos com o bico mais curto e as coberteiras
exteriores das azas escuras com orlas pardas foram por
Pelzeln denominados A. phoenicurus,
Mus. Paul. Iguape.
218. Casiornis rubra (Vieill.).
Dasycephala rubra Burmeister II p. 86 (S. Paulo).
Casiornis rubra Pelzeln p. 96 (Rio Paraná).
Casiornis rubra Sc/ater a. Hudson | p. 163.
Casiornis rubra Cat. Br. Mus. XIV p. 365.
Passaro de 160 mm. de comprimento, de cor pardo-
castanha que é mais clara no lado inferior. É passaro do
Amazonas, Goyaz e Paraguay, que Natterer obteve do
Rio Paraná.
Mus. Paul. —
* 219. Phibalura flavirostris Vieill.
Tesourinha (Piracicaba).
Phibalura flavirostris Burmeister Il p. 433.
Phibalura flavirostris Pe/zeln p. 131 (Mogy das Cruzes).
Phibalura flavirostris Cat. Br. Mus. XIV p. 372 (São
Paulo).
Passaro distinguido pela cauda comprida em fórma
de tesoura. Em cima é preto, riscado nas costas por estrias
verdes e ornado no vertice por mancha escarlate. O lado
inferior é amarello com estrias pretas e brancas transversaes
no peito e com malhas pretas nas pennas da barriga. O
bico e as pernas são de côr amarellenta. O passaro occorre
desde o Rio Grande do Sul, onde o observei na colonia
de S. Lourenço perto de Pelotas, até o Rio de Janeiro e
— 216, —
Goyaz. O Sr. Krone participou-me que essa especie foi
por elle caçada em Iguape e perto do Rio Paranapanema.
No municipio de Piracicaba foi observado só desde 1881
pelo Sr. Valencio Bueno.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
220.. Tijuca nigra Less.
Ptilochloris chrysoptera Burmeister I p. 435 (S. Paulo)
Tijuca nigra Cat. Br. Mus. XIV p. 373.
Passaro grande de 270—280 mm. de comprimento, que
occorre no Brazil, desde S.“ Catharina até o Rio de
Janeiro. O macho é preto, com o bico e as margens das
remiges de côr amarella. A femea é verde.
Mus. Paul! —
* 221. Ampelion cucullatus (Sw.).
Corococho ou Porocoche.
Ampelion cucullatus Burmeister IL p. 432.
Ampelion cucullatus Pelzeln p. 132 (Rio Grande, perto
de S. Paulo).
Ampelion cucullatus Berlepsch 1 p. 266.
Ampelion cucullatus Cat. Br. Mus. XIV p. 374 (Sao
Paulo).
Passaro de 230 mm. de comprimento, bruno-verde
nas costas, preto na cabeça e pescoco. O lado inferior e
a nuca são de cor amarella ou amarello-verde. As pontas
das coberteiras das azas são amarellentas. Especie do Brazil
meridional, entre Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Especies de Ampelion não existem no municipio de Pira-
cicaba segundo me diz o Sr. Valencio Bueno.
Mus. Paul. Iguape; Ypiranga.
* 222. Ampelion melanocephalus (Sw.).
Corococho.
Ampelion melanocephalus Burmeister IL p. 432.
Ampelis melanocephala Wied III p. 401.
Ampelion melanocephalus Cat. Br. Mus. XIV p. 374
(S. Paulo).
Especie semelhante a precedente, verde nas costas e nas
coberteiras das azas que são uniformes. O peito e a barriga
são de côr amarello-verde com faxas transversaes escuras.
Essa especie é conhecida de S, Paulo, Rio de Janeiro e
Bahia.
Mus. Paul. Iguape.
223. Iodopleura pipra (Less.).
lodopleura pipra Burmeister HI p. 465.
lodopleura pipra Hartert Katalog d. Vogelsammlung.
Frankfurt a. M. 1891 p. 106 (S. Paulo).
Jodopleura pipra Cat. Br. Mus. XIV p. 392.
Passarinho de go mm. de comprimento, fazendo parte
de um genero distribuido no Norte do Brazil e em Vene-
zuela; é caracterisado por pennas roxas que a cada lado
do peito do macho formam como um pincel. O macho
dessa especie observado em Minas e Rio de Janeiro e que
Hartert indica de S. Paulo, é de côr cinzenta em cima,
tendo as azas, a cauda e o vertice denegridos. O lado
inferior é cinzento com estrias brancas transversaes, excepto
na garganta e no crisso, que são de côr pardo-avermelhada.
A femea é similar, sendo entretanto destituida das pennas
roxas do peito.
Mus. Paul. —
* 224. Pyroderus scutatus (Shaw.).
Pavdo ou Pavo.
Coracina scutata Wied III p. 406.
Coracina scutata Burmeister I p. 417.
Pyroderus scutatus Pelzeln p. 135 (Matto Dentro, Ypa-
nema, Rio Parana).
Pyroderus scutatus Berlepsch 1 p. 267.
Pyroderus scutatus Cat. Br. Mus. XIV p. 397 (S. Paulo).
Especie grande do Paraguay e do Brazil meridional,
desde o Rio Grande do Sul até a Bahia. O passaro, que
Revista do Museu Paulista Vol. III. 14
aol
mede 450 mm. de comprimento, € preto com a garganta
e o pescoço anterior de cor escarlate. É passaro do matto
e que vive de fructas. O Sr. Valencio Bueno caçou-o em
Piracicaba, o Sr. Krone em Iguape. Os guaranys do Rio
Verde chamam-n'o «dju-ai».
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
Divisão Il. Tracheophones.
225. Chasmarhynchus nudicollis (Vieill.).
Araponga. Ferreiro.
Chasmarhynchus ecarunculatus Spix I p. 3 PL 4.
Chasmarhynchus nudicollis Wied Ul p. 377.
Chasmarhynchus nudicollis Burmeister I p. 426.
Chasmarhynchus nudicollis Pelzeln p. 134 (Matto
Dentro, Ypanema).
Chasmarhynchus nudicollis Berlepsch 1 p. 267.
Chasmarhynchus nudicollis Cat. Br. Mus. XIV p. 404
(S. Paulo).
O macho do araponga é branco com a fronte, face e
garganta privadas de pennas e de côr verde. A femea é
verde-azeitonada em cima com o vertice e a garganta de
cor preta, amarellenta em baixo com manchas escuras.
E especie dos mattos do litoral do Brazil, desde o Rio
Grande do Sul até a Bahia. O Sr. Valencio Bueno caçou
o araponga em Piracicaba, o Sr. Krone em Iguape. Os
guaranys do Rio Verde chamam-n'o «guira-pong».
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
FAM. DENDROCOLAPTIDAE.
SUBFAM. I. FURNARIINAE. |
* 226. Geobates poecilopterus (Wied).
Anthus poecilopterus Wied HI p. 633.
Geobates poecilopterus Pelzeln p. 35 (Ypanema, Ita-
raré, S. Paulo, Sorocaba).
Anthus fuscus Burmeister HI p. 120.
Geobates poecilopterus Cat. Br. Mus. XV p. 4.
Passaro de 115 mm. de comprimento, de cor parda,
e quese distingue pelo bico curto e direito e pela cauda
curta, de côr castanha com uma faxa preta perto da ponta.
Tambem as azas são de côr castanha com 1—2 faxas pretas.
As coberteiras interiores das azas são de côr parda com
manchas brancas. Passaro dos campos de S. Paulo, Minas
e Matto Grosso. |
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 227. Furnarius rufus (Gm.).
João de barro.
Furnarius rufus Burmeister Ill p. 3 (partim).
Furnarius badius Pelzeln p. 34 (Rio de Janeiro?!).
Furnarius rufus Berlepsch u. [hering p. 141.
Furnarius rufus Sclater a. Hudson 1 p. 167.
Furnarius rufus Cat. Br. Mus. XV p. 11.
_ Passaro de 200 mm. de comprimento, de côr parda
(cor de terra), como vertice mais escuro, a garganta branca
e a cauda pardo-avermelhada. E essa a especie de Sao
Paulo, do Rio Grande do Sul e do Rio da Prata. A
variedade de Minas e Bolivia, de cor pardo-avermelhada
nas costas, é F. albigularis e a da Bahia e Pernambuco
de côr uniforme castanha em cima, é F. figulus. Perto do
Rio de Janeiro não é encontrado o João de barro segundo
me disse o Sr. C. Euler, sendo pois inexacta a respectiva
indicação de Natterer. Aqui em S. Paulo nos arrabaldes
da Capital e em todo o litoral não é encontrado esse
passaro, que é commum em todo o valle do Rio Parahyba
e nos municipios do Oeste. E” singular, entretanto, que
Natterer nos annos de 1819-1822 não encontrasse nenhum
exemplar de João de barro no Estado de S. Paulo. Como
me disse o Sr. major Cornelio Vieira de Camargo no
municipio de Tatuhy faz só cerca de 20 annos que tem
apparecido esse passaro. Em Cachoeira elle já é conhecido
desde 40—50 annos. Vale a pena examinar em que
nt ce ON
tempo esse passaro, täo bem conhecido pelo seu ninho
feito de barro em forma de forno, immigrou no valle do
Rio Parahyba. O Sr. Valencio Bueno informou-me de que
o João de barro é raro perto de Piracicaba, commum em
Pirassununga. Os guaranys do Rio Verde chamam o João
de barro «habia», o que parece o mesmo que sabiá.
Mus. Paul. Cachoeira; Piquete.
* 228. Lochmias nematura (Licht.).
Macuquinho (Iporanga).
Lochmias nematura Burmeister II p. 6.
Lochmias nematura Pelzeln p. 35 (Ypanema, Matto
Dentro).
Lochmias nematura Cat. Br. Mus. XV p. 28.
Passaro de 150 mm. de comprimento, de côr bruno-
parda em cima, denegrida em baixo, com manchas grandes
brancas nas pennas desde a garganta até a barriga. A
especie occorre desde o Rio Grande do Sul até a Guyana.
O Sr. Valencio Bueno observou essa especie nos mattos,
em Piracicaba, onde se estabelece perto da agua.
Mus. Paul. Piquete; Iporanga.
SUBFAM. 2. SYNALLAXINAE.
* 229. Phloeocryptes melanops (Vieill.).
Tico-tico do piry (Iguape).
Phloeocryptes melanops Sclater a. Hudson 1 p. 174.
Phloeocryptes melanops Cat. Br. Mus. XV p. 33.
Passaro de 150 mm. de comprimento, pardo em cima,
com manchas pretas no vertice e nas costas, esbranquiçado
em baixo; as azas ea cauda são escuras com manchas côr
de canella nas azas. Esse passarinho, encontrado com Cya-
notis azárae nos banhados de Iguape, apparece ao Rio da
Prata no mez de Setembro desapparecendo no inverno,
retirando-se provavelmente para o Brazil meridional, onde
a PA Ta
no mez de Outubro o encontrei em S. Lourenço, Rio
Grande do Sul. Obtive alli como tambem de Iguape o
seu ninho. O ovo é de cor verde-azul.
Mus. Paul. Iguape.
* 230. Synallaxis ruficapilla Vieill.
Turucuhé (Ypanema); Curutié (Iguape).
Synallaxis cinereus Wied II p. 685.
Synallaxis ruficapilla Burmeister WI p. 38.
Synallaxis ruficapilla Pelze/n p. 35 (Ypanema, Itararé).
Synallaxis ruficapilla Berlepsch I p. 252.
Synallaxis ruficapilla Berlepsch u. Thering p. 142.
Synallaxis ruficapilla Cat. Br. Mus. XV p. 38 (S. Paulo).
Passarinho de 150 mm. de comprimento, com a cauda
comprida. Nas costas é de côr pardo-cinzenta; a fronte, o
vertice até a nuca de côr castanho-clara como tambem as
azas e a cauda. Atraz do olho uma estria amarellenta. O
lado inferior é cinzento. Passarinho commum nos mattos e
capoeiras do Estado de S. Paulo, notavel pelo seu enorme
ninho, feito de espinhos e raminhos seccos. A especie
occorre desde o Rio Grande do Sul até o Pará. O Sr.
Valencio Bueno caçou-a em Piracicaba. A especie semelhante
S. frontalis Pelz., coma fronte pardo-cinzenta e differente
do vertice castanho, é encontrada na Bolivia, em Goyaz,
Matto Grosso etc. e não foi até hoje encontrada em São
Pauio. Os guaranys do Rio Verde designam as especies
de Synallaxis «cinuyi».
Mus. Paul. Ypiranga; Tieté; Piquete; São Sebastião;
Iguape; Cachoeira.
* 231. Synallaxis spixi Scl.
Parulus ruficeps Spix I p. 85 Pl. 86 fig. 1 (01).
Synallaxis albescens Burmeister II p. 39.
Synallaxis spixi Pelzeln p. 35 (Ypanema, S. Paulo).
“Synallaxis spixi Berlepsch u. lhering p. 143.
Synallaxis spixi Sclater a. Hudson I p. 179.
Synallaxis spixi Cat. Br. Mus. XV p. 42.
nee e
Especie semelhante a precedente, differindo pela falta
da estria amarellenta atraz do olho e pela cauda que não
é de côr castanha como as azas, a fronte e o vertice, mas
bruna como o dorso. O lado ventral é cinzento. Especie
das republicas platinas e do Brazil meridional, desde o
Rio Grande do Sul até a Bahia. O Sr. Valencio Bueno
observou-a em Piracicaba.
Mus. Paul. Rio Grande; Cachoeira.
232. Synallaxis albescens Temm.
Synallaxis albescens Pelzeln p. 38 (Cemiterio, Itararé).
Synallaxis albescens Sclater a. Hudson I p. 179.
Synallaxis albescens Cat. Br. Mus. XV p. 43.
Especie semelhante a precedente da qual differe pela
fronte que é de cor bruno-cinzenta como o dorso, sendo
só o vertice de côr castanha, e pela garganta branca. Essa
especie occorre desde Buenos Ayres até a America Central.
Mus. Paul. —
233. Synallaxis cinerascens Temm.
Synallaxis cinarescens Burmeister Ill p. 40.
Synallaxis cinerascens Pelzeln p. 36 (Ypanema).
Synallaxis cinerascens Berlepsch u. lhering D. 143.
Synallaxis cinerascens Cat. Br. Mus. XV p. 48 (S. Paulo).
Especie com a cabeça bruno-cinzenta, que tem a cauda
e as azas de cor castanha; o lado ventral é cinzento com
o crisso pardo-cinzento. Especie do Brazil meridional, desde
o Rio Grande do Sul até S. Paulo. |
Mus. Paul. —
* 234. Synallaxis cinnamomea (Gm.).
Curutie (Iguape). |
Synallaxis ruficauda Spix I p. 84 Pl. 85 fig. 2.
Synallaxis caudacutus Wied TT p. 692.
Synallaxis mentalis Burmeister IN p. 41.
Synallaxis cinnamomea Burmeister Ul p. 42.
BE 223 =£2
Synallaxis cinnamomea Pelzeln p. 37.
Synallaxis ruficauda Pelzeln p. 37 (Ypanema).
Synallaxis ruficauda Cat. Br. Mus. XV p. 50.
De côr pardo-cinzenta em cima, branca em baixo, com
a garganta amarello-clara. Especie encontrada desde o Rio
Grande do Sul até o Amazonas e a Colombia. O Sr.
Krone observou-a em Íguape.
Mus. Paul. Piquete; Cachoeira.
235. Synallaxis torquata Wied.
Synallaxis torquata red HI p. 697.
Melanopareira torquata Burmeister HI p. 37.
Synallaxis torquata Pelzeln p. 36 (Cemiterio, Irisanga,
Itararé).
Synallaxis torquata Cat. Br. Mus. XV p. 56.
Passarinho de côr pardo-cinzenta em cima, amarellenta
em baixo, distinguido por uma laxa preta orlada adiante
de branco correndo sobre o peito. A nuca é castanha, a
face preta. E passarinho dos campos de Minas, dee etc.
e da Bolivia.
Mus. Paul. —
236. Synallaxis rutilans Temm.
Synallaxis rutilans Burmeister HI p. 40.
Synallaxis rutilans Pelzeln p. 36 (Irisanga).
Synallaxis rutilans Cat. Br. Mus. XV p. 57.
Passarinho de côr castanha, com as azas e a cauda
denegridas e com a garganta preta. Passaro do Amazonas
que Natterer encontrou no Oeste do Estado de S. Paulo.
Nessa especie a cauda é mais curta e o bico mais forte
do que nas outras.
Mus. Paul. —
* 237. Siptornis pallida (Wied).
Synallaxis pallida Wied II p. 690.
Synallaxis pallida Burmeister HI p. 41.
Siptornis pallida Pelzeln p. 38 (Ypanema).
=— 224 —
Siptornis pallida Cat. Br. Mus. XV p. 50.
O genero Siptornis tem 12 rectrizes em vez de to
no genero Synallaxis. Essa especie é de côr parda em
cima e tem o vertice, as azas e a cauda de cor castanha.
Sobre o olho corre uma estria branca, o lado ventral é
amarellento. Especie dos campos do Brazil meridional e
central. Especie semelhante observada por mim no Rio
Grande do Sul, por Natterer no Estado do Paraná e que
provavelmente aqui occorre tambem, é S. ruticilla Licht.,
que tem a fronte esbranquiçada, o vertice da cor do dorso
e a garganta no meio amarella.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
SuBFAM. 3. PHILYDORINAE.
238. Anumbius acuti-caudatus (Less.).
Anumbius acuti-caudatus Sclater a. Hudson I p. 189.
Anumbius acuti-caudatus Pelzeln p. 38 (Itararé, Rio
Verde).
Anumbius acuti-caudatus Cat. Br. Mus. XV p. 76,
Passaro de 210 mm. de comprimento, caracterisado
pelas rectrizes pontagudas. A cor é bruna em cima, com
a fronte castanha e uma estria supraocular branca. Em
baixo é amarellento, com a garganta branca e orlada por
manchas pretas. As rectrizes são pretas com pontas ama-
rellentas. Esse passaro conhecido das pampas argentinas
foi por mim encontrado no Rio Grande do Sul, por Nat-
terer em Itararé e Curityba. E’ notavel pelo immenso ninho
que construe de ramos seccos e espinhos.
Mus. Paul. —
* 239. Thripophaga sclateri Berl.
Thripophaga sclateri Berlepsch Ibis 1883 p. 490 PI. XIII.
Thripophaga sclateri Berlepsch u. 1hering p. 144.
Tripophaga sclateri Cat. Br. Mus. XV p. 84 (S. Paulo).
Passaro de 190 mm. de comprimento, distinguindo-se
pela comprida cauda cujas rectrizes lateraes são mais curtas
— 225 —
que as do meio. A côr é pardo-azeitonada em cima excepto
na fronte e no vertice, que são de côr castanha. O lado
inferior e as rectrizes lateraes são de côr castanha com
excepção das quatro rectrizes medianas que são da côr do
dorso. Encontrei essa especie no Rio Grande do Sul (Barra
de S. Lourenço) e em S. Paulo.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 240, Automolus ferruginolentus (Wied).
Anabates ferruginolentus Wed HI p. 1166.
Anabatoides ferruginolentus Burmeister HI p. 25.
Automolus ferruginolentus Cat. Br. Mus. XV p. 88.
Especie de 190 mm. de comprimento, medindo o
culmen do bico 20 mm. Em cima bruno-parda com estrias
longitudinaes amarellentas na cabeca e no dorso superior.
“Sobre o olho corre uma estria amarellenta, a cauda é de
côr castanho-clara, o uropygio em nossos exemplares é
da côr do dorso. Em baixo a côr é amarellenta, as pennas
do peito e da barriga têm as margens foscas. De outras
especies parecidas essa distingue-se pelas estrias amarel-
lentas tanto em cima como em baixo. À especie occorre
desde o Rio Grande do Sul até a Bahia. Não sei porque
na lista de Pelzeln essa especie falta. Contem ella outra,
Anabates infuscatus Temm., sobre a qual pelo catalogo
do British Museum, não me é possivel informar-me.
Mus. Paul. S. Paulo; Iguape.
* 241. Automolus leucophthalmus (Wied).
Philydor albigularis Sgix I p. 74 Pl. 74 fig. 1.
Anabates leucophthalmus Wied III p. 1170.
Anabates leucophthalmus Burmeister IH p. 27.
Anabates leucophthalmus Pe/zeln p. 39 (Ypanema).
Automolus sulphurascens Sclater a. Salvin Nomencl.
| p. 65.
Automolus leucophthalmus Cat. Br. Mus. XV p. 95.
Passaro de 180200 mm. de comprimento, pardo-
avermelhado em cima com o uropygio e a cauda castanhos.
= 656 —
À garganta e o pescoço anterior são brancos, o peito € a.
barriga são de côr amarellenta, mais escura nos lados. A
especie occorre nos mattos, desde o Rio Grande do Sul até
a Bahia.
Mus. Paul. Tieté; Piracicaba: iene
* 242. Philydor atricapillus (Wied).
Philydor superciliaris Spix I p. 73 PL 73 fig. 1.
Anabates atricapillus Wed Il p. 1187.
Anabates superciliaris Burmeister WI p. 28.
Anabates superciliaris Pelzeln p. 40 (Ypanema).
Philydor atricapillus Cat. Br. Mus. XV p. 96 (S. Paulo).
Especie de 180 mm. de comprimento, de cor pardo-
vermelha, mais clara no lado inferior. O uropygio e a cauda
são castanhos, a fronte e o vertice são de côr preta. Uma
estria amarellenta corre sobre o olho; as azas são de côr
bruno-cinzenta. Especie encontrada desde S. Paulo até
Minas e Bahia.
Mus. Paul. Iguape; Ypiranga.
* 243. Philydor rufus (Vieill.).
Philydor ruficollis Spix I p. 74 PL 75.
Anabates poliocephalus Burmezster Il p. 29.
Anabates poliocephalus Pe/ze/n p. 40 (Ypanema).
Philydor rufus Cat. Br. Mus. XV p. 97 (S. Paulo).
Especie semelhante a precedente, pardo-azeitonada nas
costas, pardo-amarella em baixo. A fronte e a face são de
cor pardo-amarella. O vertice, a nuca e uma estria atraz
dos olhos são de côr cinzento-escura. A cauda e as azas são
castanhas. Especie distribuida desde S. Paulo até Para.
Mus. Paul. Tieté, Iguape.
* 244. Heliobletus superciliosus (Licht.).
Heliobletus superciliosus Burmeister HI p. 32.
Anabates contaminatus Pelzeln p. 40 (Ypanema, Itararé).
Heliobletus contaminatus Berlepsch u. lhering p. 144.
Heliobletus superciliosus Cat. Br. Mus. XV p. 104.
Especie pequena, de 120 mm. de comprimento, medindo
12 mm. o cuimen do bico. Pardo-azeitonada em cima com
o vertice mais escuro, tendo cada penna no meio uma
estria amarella longitudinal. Uma estria supraocular é
amarellenta como a garganta e as partes lateraes do pes-
coço. À cauda é castanha. As remiges são escuras, orladas
de pardo-azeitonado. As pennas do peito e da barriga
são pardo-cinzentas com uma mancha amarella no meio
de cada uma. Especie do Paraguay e do Brazil meridional,
desde o Rio Grande do Sul até S. Paulo.
Mus. Paul. Ypiranga.
* 245. Anabazenops rufo-superciliatus (Lafr.).
Anabatoides adspersus Burmeister HI p. 24. ©
Anabates rufo-superciliatus Pelzeln p. 39 (Ypanema,
Matto Dentro, Pahor).
Anabazenops ruto- superciliatus E u. Lhering
pd:
Nana rufo-superciliatus Cat. Br. Mus. XV p.
105 (S. Paulo).
Especie de 180 mm. de comprimento, pardo-azeitonada
em cima, com o loro e uma estria supraocular de côr
amarellento-escura. A cauda é castanha. A garganta é
esbranquiçada, o peito e a barriga são de côr pardo-cin-
zenta, tendo cada penna no meio uma mancha larga de
côr alvacenta. O comprimento do bico é de 16 mm. no
cume. Especie do Brazil, do Pert e da Bolivia, que eu
obtive no Rio Grande do Sul e Burmeister no Rio de
Janeiro.
Mus. Paul. Ypiranga; Tieté.
* 246. Anabazenops amaurotis (Temm.).
Anabates amaurotis Burmeister HI p. 29.
Philydor amaurotis Sclater a. Salvin Nomencl. p. 66.
Anabazenops amaurotis Cat. Br. Mus. XV p. 107 (Matto
Dentro).
nr a
Especie de 160—170 mm. de comprimento, pardo-
azeitonada em cima, com a cauda castanha. As pennas do
vertice são orladas de preto. Tem uma estria supraocular,
comprida, amarellada. O lado inferior é amarellento, tendo
as pennas do peito no meio uma mancha mais clara.
Se a essa especie pertence o nosso exemplar de
Iguape recebido do Sr. Krone, representando talvez uma
variedade ou o macho, tem este as pennas do vertice até
a nuca com uma mancha branca orlada de preto e mais
para fora ainda munida com uma orla da côr do dorso. Espe-
cie do Brazil meridional descoberta por Natterer, mas que
não acho mencionada por Pelzeln.
Mus. Paul. Iguape.
* 247. Xenops genibarbis III.
Xenops genibarbis Wied II p. 1155.
Xenops genibarbis Burmerster Ill p. 22.
Xenops genibarbis Pe/ze/n p. 41 (Ypanema).
Xenops genibarbis Cat. Br. Mus. XV p. 110.
Passaro de 110—120 mm. de comprimento, singular
pela linha curvada para cima ou ascendente do gonys da
mandibula inferior. A côr é bruno-azeitonada nas costas,
pardo-cinzenta no peito ena barriga. Uma estria amarella
corre sobre o olho, outra branca em baixo do ouvido. As
azas são denegridas, com uma faxa castanha. As rectrizes
do meio e as pontas. das tres exteriores são castanhas, o
resto das rectrizes é de côr preta. A especie occorre desde
S. Paulo até o Mexico.
Mus. Paul. Iguape.
* 248. Xenops rutilus Licht.
Xenops rutilans Wied II p. 1159.
Xenops rutilans Burmeister HI p. 23.
Xenops rutilus Pelzeln p. 42 (Ypanema).
Xenops rutilus Berlepsch u. lhering 1. c. p. 145.
Xenops rutilus Cat. Br. Mus. XV p. 111.
cee” ice
Especie um pouco maior do que a precedente, da
qual differe pela cor pardo-avermelhada do dorso, pela
cauda quasi uniforme e castanha, pelas manchas amarellas
do vertice e pelas manchas esbranquiçadas do peito e da
barriga, sendo cada penna branca no meio e orlada nos
lados: de pardo-cinzento. A especie occorre desde o Rio
Grande do Sul até a America Central.
Mus. Paul. Iporanga.
* 249. Anabatoides fuscus (Vieill.).
Anabatoides fuscus Burmeister Ul p. 24.
Xenops anabatoides Pelzeln p. 41 (Matto Dentro, Ypa-
nema).
Anabatoides fuscus Berlepsch 1 p. 253.
Anabatoides fuscus Cat. Br. Mus. XV p. 112.
Passaro semelhante no bico as especies do genero
Xenops, porem maior, de 190 mm. de comprimento. Pardo-
azeitonado em cima, pardo-amarellento em baixo, com o
vertice mais escuro e a cauda castanha. Sobre o olho corre
uma estria branca. À garganta e uma faxa que sahe della
occupando o lado do pescoço são brancas. À especie
está distribuida desde S.“ Catharina até o Rio de Janeiro
e Minas Geraes. O S. Valencio Bueno obteve-a em Pira-
cicaba, onde não é rara.
Mus. Paul. Ypiranga; Tieté.
SUBFAM. 4. SCLERURINAE.
* 250. Sclerurus umbretta (Licht.).
Papa-formiga (Iguape); Pincha-cisco (Piracicaba).
Tinactor fuscus ed HI p. 1106.
Sclerurus caudacutus Burmeister WT p. 45.
Sclerurus caudacutus Pelzeln p. 86 (Matto Dentro,
Ypanema).
Sclerurus umbretta Sclater a. Hudson | p. 174.
Sclerurus umbretta Cat. Br. Mus. XV p. 114.
Passaro de 190 mm. de comprimento, semelhante pela
cauda rija ás Dendrocolaptinas, mas vivendo no chão
das mattas grossas onde costuma virar as folhas atiran-
do-as com agilidade ao redor de si em procura de insectos
e aranhas. A côr é bruna, sendo pardo-avermelhada no
peito e no uropygio. A garganta é esbranquiçada. O
comprimento do bico dentirostro é de 22 mm. O passaro
vive nos mattos do Brazil, desde o Rio Grande do Sule
as Missões argentinas até a Bahia e o Paraguay.
Mus. Paul, Piracicaba; Iguape.
SUBFAM. 5. [DENDROCOLAPTINAE.
* 291. Sittosomus erithacus (Licht.).
Sittasomus erithacus Burmeister Ill p. 20.
Sittasomus erythacus Pelzeln p. 42 (Ypanema).
Sittosomus erithacus Sclater a. Hudson 1 p. 198.
Sittasomus erithacus Berlepsch u. Ihering p. 146.
Sittosomus erithacus Cat. Br. Mus XV p. rig.
Passaro de 150—160 mm. de comprimento, pardo-
azeitonado nas costas, pardo-amarellento no lado inferior,
com as azas e a cauda de côr castanha. As pontas das
hastes das rectrizes são alongadas, fortes e recurvadas. É
especie distribuida desde as Missões argentinas e o Rio
Grande do Sul até a Bolivia, Matto Grosso, Minas e Rio
de Janeiro. O Sr. Valencio Bueno disse-me que conhece
essa especie em Piracicaba.
Mus. Paul. Iguape; Ypiranga.
* 292. Xiphocolaptes albicollis (Vieill.).
Arapassu.
Dendrocolaptes decumanus Spix I p. 86 PI. 87.
Dendrocolaptes guttatus Wied HI p. 1120.
Dendrocolaptes decumanus Burmeister WI p. 10.
Xiphocolaptes albicollis Pelzeln p. 43 (Ypanema).
Xiphocolaptes albicollis Sclater a. Hudson 1 p. 200.
Xiphocolaptes albicollis Cat. Br. Mus. XV p. 142.
Passaro grande, de 280—300 mm. de comprimento.
O bico é mais alto do que largo, um pouco arqueado e
mede 41 mm. de comprimento. A côr é pardo-azeitonada
em cima, mais escura na cabeça, bruno-castanha na cauda.
Na cabeça, no pescoço e no peito tem cada penna no
meio uma estria amarellenta. As pennas da barriga são
transversalmente riscadas por faxas pretas. A garganta é
branco-amarella. A especie occorre desde o Rio Grande
do Sul e as Missões argentinas até Paraguay e Bahia,
Mus. Paul. S. Paulo.
253. Picolaptes squamatus (Licht.).
Dendrocolaptes wagleri Spix I p. 88 Pl. go fig. 2.
Dendrocolaptes squamatus Burmeister II p. 14 (São
Paulo).
Picolaptes squamatus Cat. Br. Mus. XV p. 147.
Pardo-amarellento nas costas com as azas e a cauda
pardo-castanhas. A fronte e o vertice são. de cor escura,
tendo cada penna no meio uma mancha amarella. No lado
inferior a garganta é branca, o peito e a barriga são de
côr pardo-cinzenta, tendo cada penna no meio uma mancha
esbranquiçada. Essa especie foi encontrada por Burmeister
em Nova Friburgo, dizendo elle que occorre tambem em
S. Paulo. Talvez haja engano nesse sentido, visto como
Natterer e eu em S. Paulo só observamos a especie seme-
lhante que se segue.
Mus. Paul. —
* 254. Picolaptes falcinellus (Cab. et Heine).
Thripobrotus falcinellus Cabanis et Heine I p. 38.
Picolaptes falcinellus Pelzeln p. 44 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé).
Picolaptes falcinellus Berlepsch u. Ihering p. 146.
Picolaptes falcinellus Cat. Br. Mus. XV p. 148.
Especie de 200 mm. de comprimento e com o bico
medindo 28 mm. de comprimento, que é muito semelhante
— 232 —
ao P. squamatus, distinguindo-se pelas manchas amarellas
da cabeça mais pronunciadas e que se extendem sobre a
nuca e o dorso, onde säo mais compridas e estreitas do
que na cabeça. À garganta é branca. Especie que occorre
desde o Rio Grande do Sul até S. Paulo. Parece-me que
ao Norte de S. Paulo essa especie é substituida por P.
squamatus.
Mus. Paul. Ypiranga.
* 255. Picolaptes tenuirostris (Licht.).
Dendrocolaptes tenuirostris Wied HI p. 1127. \
Dendrocolaptes tenuirostris Burmeister III p. 14.
Picolaptes tenuirostris Pelzeln p. 44 (Ypanema).
Picolaptes tenuirostris Cat. Br. Mus. XV p, 151 (Sao
| Paulo).
Especie menor, de 17o—180 mm. de comprimento,
com o bico 25 mm. comprido, semelhante ao P. falcinellus
porem menor, medindo a aza 96 mm. de comprimento na
precedente e 72 mm. na presente especie. A garganta é
amarellenta. Essa especie é encontrada desde S. Paulo
até a Bahia. A descripção e figura que Spix deu de P.
tenuirostris não se refere a essa especie, mas ao Dendrornis
spixi Pelz. do Pará.
— Mus. Paul. Ypiranga; Iguape.
* 256. Picolaptes bivittatus (Licht.).
Dendrocolaptes bivittatus Spix I p. 87 Pl. go fig. 1.
Dendrocolaptes rufus Wied Ill p. 1130.
Picolaptes bivittatus Burmeister III p. 17 (S. Paulo).
Picolaptes bivittatus Pelzeln p. 44 (Cemiterio, Irisanga).
Picolaptes bivittatus Cat. Br. Mus. XV p. 155.
Passaro de 180—200 mm. de comprimento, de côr
castanha nas costas, amarellenta em baixo. A garganta é
branca, a fronte e o vertice são de côr pardo-cinzenta
com manchas estreitas amarellentas. A cauda e as azas
são castanhas. Sobre o olho corre uma comprida estria
branca. Essa especie, que prefere os capôes dos campos,
occorre desde a Bolivia, Matto Grosso, Minas, S. Paulo
até a Bahia.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 257. Xiphorhynchus procurvus (Temm.).
Arapassu de bico comprido (ou curvo).
Xiphorhynchus trochilirostris Burmeister HI p. 16.
Xiphorhynchus procurvus Pelzeln p. 44 (Ypanema,
Matto Dentro).
Xiphorhynchus procurvus Berlepsch u. Lhering p. 147.
Xiphorhynchus procurvus Cat. Br. Mus. XV p. 158.
_ Especie de 250 mm. de comprimento, de côr pardo-
azeitonada com as azas e a cauda de cor castanha, tendo
as pennas da cabeça e do pescoço marcadas por manchas
amarellentas. O bico delgado arqueado do comprimento
colossal de 68 mm. e de cor escura, caracterisa muito bem
essa especie, que occorre desde o Rio Grande do Sul até
a Bahia. Na Bahia e ao Norte da Bahia até Panama
occorre outra especie muito semelhante, X. trochilirostris
(Licht.) Wied, distinguida pela cor pardo-vermelha do bico.
Tratam esse passaro tambem de arapassú.
Mus. Paul. Tieté; Ypiranga.
* 258. Dendrocincla turdina (Licht.).
Dryocopus turdinus Wied HT p. 1112.
Dendrocincla turdinea Burmeister HI p. 8.
Dendrocincla turdina Pelzeln p. 42.
Dendrocincla turdina Cat. Br. Mus. XV p. 167.
Passaro forte, de 200 mm. de comprimento, de cor
pardo-azeitonada, amarellento na garganta, e com a cauda
castanha. As pennas da cabeça são marcadas por umas
manchinhas lineares de cor amarellenta. O bico, que mede
24 mm., é quasi do comprimento da cabeça, direito, com
a ponta recurvada para baixo e mais largo do que alto.
Revista do Museu Paulista. Vol. III 15
Mer CRU
Essa especie é encontrada nos mattos, desde S. Paulo até
a Bahia. Parece que no Estado de S. Paulo só occorre
na zona do litoral.
Mus. Paul. Iguape.
* 259. Dendrocolaptes picumnus Licht.
Arapassu.
Dendrocolaptes platyrostris Spix I p. 87 Pl. 89.
Dendrocopus platyrhynchus Burmeister HI p. 9.
Dendrocolaptes picumnus Pelzeln p. 43 (Ypanema,
Itararé).
Dendrocolaptes picumnus Berlepsch I p. 253.
Dendrocolaptes picumnus Sclater a. Hudson Ip. 199.
Dendrocolaptes picumnus Cat. Br. Mus. XV p. 170
(S. Paulo).
Especie grande, de 270 mm. de comprimento, asseme-
lhando-se muito a Xiphocolaptes albicollis (cf. p. 230),
da qual differe pelo bico que é mais curto, menos alto e
mais largo na base, medindo 33 mm. Essa especie é
encontrada desde o Rio Grande do Sul até o Rio de
Janeiro e Matto Grosso.
Mus. Paul. Ypiranga.
FAM. FORMICARI DAE.
SUBFAM. I. [HAMNOPHILINAE.
* 260. Batara cinerea (Vieill.).
Borralhara ; Matraca; Rabilhão (Piracicaba).
Thamnophilus undulatus Burmeister UI p. 89.
Batara cinerea Pelzeln p. 74 (Ypanema).
Batara cinerea Cat. Br. Mus. XV p. 179.
Passaro grande, do tamanho do pavão, medindo no
comprimento 350 mm. O macho, que tem as pennas da
cabeça alongadas em forma de topete preto, é de cor
cinzenta, tendo o dorso, a cauda e as azas de côr preta
com linhas transversaes brancas. A femea é de cor pardo-
amarellenta e tem o vertice castanho e as estrias do dorso
etc. de cor parda. Essa especie bem caracterisada pelo
bico forte, compresso e recurvado na ponta, occorre desde
o Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro e Goyaz nos
mattos das Serras. O Sr. Krone obteve-a em Iguape, o
Sr. Valencio Bueno em Piracicaba onde a tratam de Bor-
ralhara rajadão. Os indios guaranys do Rio Verde cha-
mam-n'a «nuangandu-guassu».
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 261. Thamnophilus leachi Such.
Borralhara.
Thamnophilus leachi Burmeister II p. go.
Thamnophilus leachi Pelzelm p. 74 (Matto Dentro,
Marmeleiro, Ypanema).
Thamnophilus leachi Sclater a. Hudson I p. 202.
Thamnophilus leachi Cat. Br. Mus. XV p. 181 (São
Paulo).
Passaro forte, de 260 mm. de comprimento, preto, com
manchas redondas brancas nas pennas do lado dorsal e
com estrias transversaes brancas no lado abdominal. A
femea tem as manchas e estrias de côr amarellenta. A
especie occorre desde o Rio Grande do Sul e as Missões
até Minas e Rio de Janeiro. Não sei explicar a etymologia
tupy da palavra borralhara ou burrajara.
Mus. Paul. Iporanga.
* 262. Thamnephilus guttatus Vieill.
Borralhara pintada.
Thamnophilus guttatus Spix I p. 25 Pl. 35 fig. 1 (©)
(S. Paulo).
Thamnophilus guttatus Wed II p. to1g.
Thamnophilus meleager Burmeister Il p. gt.
Thamnophilus guttatus Pelzeln p. 75 (Ypanema, Rio
Parana).
Thamnophilus guttatus Cat. Br, Mus. XV p. 182.
O macho é preto, com manchas redondas, de côr branca
nas costas e no peito. Sobre as azas e a cauda correm
estrias brancas. A barriga e a garganta são branco-cin-
zentas. O comprimento é de 210 mm. À femea tem as
manchas e estrias de côr amarellenta. Especie dos capões
e capoeiras, desde o Rio Grande do Sul até Minas e
Bahia. O nome que os guaranys do Rio Verde dão a essa
especie é «nuangandú».
Mus. Paul. Iguape.
* 263. Thamnophilus severus (Licht.).
Burrajara.
Thamnophilus severus Burmeister Ill p. go
Thamnophilus severus Pelzeln p. 75 (Matto Dentro,
Ypanema).
Thamnophilus severus Cat. Br. Mus. XV p. 183.
Especie de 220 mm. de comprimento, com topete de
pennas alongadas na cabeça. O macho é preto, a femea
preta, com estrias transversaes de côr pardo-avermelhada
no corpo e nas azas e com a cabeça, em cima, de côr cas-
tanha. A especie occorre desde o Rio Grande do Sul até
Minas, Goyaz e Rio de Janeiro.
Mus. Paul. Piracicaba; Iporanga.
* 264. Thamnophilus naevius (Gm.).
Choca.
Thamnophilus albonotatus Spix Il p. 27 Taf. 37 fig. 2
(3).
Thamnophilus naevius Burmeister HI p. 94.
Thamnophilus naevius Pelzeln p. 76 (Ypanema).
Thamnophilus naevius Cat. Br. Mus. XV p. 197.
Passaro de 140 mm. de comprimento. O macho é de
côr cinzenta com a fronte e o vertice pretos. As azas são
pretas com orlas brancas nas pennas. A cauda é preta
com pontas brancas das rectrizes. A feméa é semelhante,
mas de côr bruno-parda em cima, amarellenta em baixo.
WT
Essa especie occorre desde Curityba até a America Central.
No Rio Grande do Sul, donde Joyner a indicou de Pelotas,
não a obteve e duvido da exactidão.
Mus. Paul. Ypiranga; Piquete.
* 265. Thamnophilus caerulescens Vieill.
Thamnophilus pileatus Burmeister HI p. 95.
Thamnophilus caerulescens Berlepsch u. lhering p. 148.
Thamnophilus caerulescens Sc/ater a. Hudson I p. 204.
Thamnophilus caerulescens Cat. Br. Mus. XV p. 200.
Especie muito semelhante a precedente, da qual apenas
differe pelas manchas das rectrizes exteriores. Uma mancha
branca na barba exterior da rectriz exterior é pequena e
muito distante da ponta branca em Th. naevius, grande
e quasi contigua com a da ponta em Th. caerulescens.
Voltarei ao assumpto na discussão da especie que segue.
Th. caerulescens é especie da Argentina e, caso seja exacta
a minha determinação, de S. Paulo. O macho tem as co-
berteiras inferiores da cauda cinzentas com manchas indis-
tinctas escuras.
Mus. Paul. Ribeirão Pires; Tieté.
* 266. Thamnophilus maculatus d’Orb. et Lafr.
Thamnophilus naevius var. gilvigaster Pe/zeln p. 76
(Ypanema).
Thamnophilus maculatus Berlepsch u. [hering p. 147.
Thamnophilus maculatus Cat. Br. Mus. XV p. 201.
Variedade da precedente, distinguida apenas pela cor
amarellenta da barriga e das coberteiras inferiores da
cauda do macho. Nos meus exemplares de caerulescens
esse colorido amarellento parece apenas indicado um pouco.
Um tem a fronte cinzenta, o outro preta. Como Berlepsch
diz que obteve T. maculatus de S. Paulo, se devia julgar
que meus exemplares de M. caerulescens pertencessem ao
Th. maculatus. Neste caso, entretanto, devido 4 variabili-
dade dos caracteres distinctivos, parece-me que as duas
«especies» devem ser reunidas em uma so, entrando Th.
maculatus na synonymia de caerulescens ou representando
quanto muito variedade della.
Mus. Paul. —
* 267. Thamnophilus ruficapillus Vieill.
Choca.
Thamnophilus ruficapillus Pelzeln p. 79 (Ypanema).
Thamnophilus ruficapillus Berlepsch u. Lhering p. 149.
Thamnophilus ruficapillus Sclater a. Hudson | p. 204.
Thamnophilus ruficapillus Cat. Br. Mus. XV p. 213.
Especie de 160 mm. de comprimento, distinguida pela
cabeça que em cima é de côr pardo-avermelhada em
ambos os sexos. O macho é pardo em cima, branco-cin-
zento em baixo, rajado no peito por faxas pretas. Nas
rectrizes a borda interior é munida de manchas brancas.
A femea é semelhante, pardo-amarella no lado inferior,
com as faxas pouco marcadas ou faltando. Essa especie
occorre desde Buenos Ayres até S. Paulo.
Mus. Paul. S. Paulo; Piracicaba.
* 268. Biatas nigropectus (Lafr.).
Biatas nigropectus Burmeister II p. 84.
Biatas nigropectus Pelzeln p. 74 (Ypanema).
Biatas nigropectus Cat. Br. Mus. XV p. 215.
Passaro de 17o mm. de comprimento, de côr pardo-
azeitonada. À cabeça é preta, em cima, seguindo na nuca
uma faxa esbranquiçada. A garganta é branca, o pescoço
anterior preto. As margens das remiges e a cauda são
castanhas. A especie occorre em S. Paulo e no Rio de
Janeiro. O Sr. Valencio Bueno obteve-a em Piracicaba
onde é, porém, rara.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 269. Dysithamnus guttulatus (Licht.).
Thamnophilus strictothorax Wied Ill p. 1013.
Dysithamnus guttulatus Burmeister Ul p. 81 (S. Paulo).
Dysithamnus guttulatus Pe/ze/n p. 79 e 417.
Dysithamnus guttulatus Cat. Br. Mus. XV p. 220.
Passarinho de 130 mm. de comprimento, de côr verde-
azeitonada em cima, amarello-clara em baixo. As pennas
do peito têm manchas denegridas, que no sexo feminino
são pouco marcadas. À cabeça é em cima de côr cinzenta
no macho, de côr castanha na femea. A especie occorre
desde S. Paulo até a Bahia e Bolivia.
Mus. Paul. Iguape.
* 270. Dysithamnus mentalis (Temm.).
Myiothera poliocephala Wed HI p. 1008.
Dysithamnus mentalis Burmeister HI p. 82.
Dysithamnus mentalis Pe/zeln p. 79 (Rio Paraná).
Dysithamnus mentalis Cat. Br. Mus. XV p. 221 (São
Paulo).
Especie um pouco menor do que a precedente, de
120 mm. de comprimento, da qual differe pela cor cinzenta
da garganta, do pescoço anterior e do peito. O macho
tem o encontro branco. As coberteiras exteriores da aza
têm pontas brancas como na especie precedente. A especie
é encontrada no matto virgem, desde o Rio Grande do
Sul até a Bahia.
Mus. Paul. Tieté; Iguape.
SuBFAM. 2. FORMICARIINAE.
* 271. Myrmotherula gularis (Spix).
Thamnophilus gularis Spix I p. 30 PL 41 fig. 2.
Myiothera cinerea Wied Ul p. 1093.
Rhopoterpe gularis Burmeister Ill p. 56.
Myrmotherula gularis Pelzeln p. 81 (Ypanema).
Myrmotherula gularis Cat. Br. Mus. XV p. 233.
Passarinho de 100 mm. de comprimento, pardo-aver-
melhado em cima, cinzento em baixo com excepção da
garganta e do pescoço anterior que são de cor preta com
[
= 240 —
pingas brancas. As coberteiras exteriores da aza são pretas
com as pontas pardo-amarellas. A barriga e o crisso são
de côr pardo-amarellenta. A cauda é muito curta. A
especie occorre desde o Rio Grande do Sul até a Bahia
no litoral do Brazil.
Mus. Paul. Piquete; Iporanga.
272. Herpsilochmus longirostris Pelz.
Herpsilochmus longirostris Pelzeln p. 80 e 150 (Rio
Paraná).
Herpsilochmus longirostris Cat. Br. Mus. XV p. 246.
Passaro de 140 mm. de comprimento. O macho é em
cima cinzento com a cabeça preta e uma estria supraocular
de côr branca. As coberteiras exteriores da aza e as
rectrizes, que são pretas, têm as pontas brancas. O lado
inferior é branco. A femea differe do macho pela cabeça
pardo-avermelhada e pelo lado ventral de côr castanho-
amarellla. Passaro do Goyaz e Matto Grosso, que Natterer
obteve tambem do Rio Paraná.
Mus. Paul. —
273. Herpsilochmus atricapillus Pelz.
Herpsilochmus atricapillus Pelzeln p. 80 e 150 (Rio
Paraná).
Herpsilochmus atricapillus Cat. Br. Mus XV p. 246.
Especie menor, de too mm. de comprimento, seme-
lhante a precedente, da qual differe pela côr amarellenta
da barriga. A femea é semelhante ao macho, tendo, porem,
a cabeça munida de manchas brancas. A especie parece
ter a mesma distribuição que a precedente e o British
Museum obteve-a de Pernambuco.
Mus. Paul. —
* 274. Herpsilochmus rufimarginatus (Temm.).
Myiothera scapularis Wied IH p. 1083.
Formicivora rufimarginata Burmester WT p. 79.
Herpsilochmus rufimarginatus Pelzeln p. 80 (Ypanema).
Herpsilochmus rufimarginatus Cat. Br. Mus. XV p. 247.
Passarinho de 110 mm. de comprimento. O macho é
cinzento em cima, com a cabeça desde a fronte até a nuca
preta e com uma estria esbranquiçada correndo sobre o
olho. A barriga e o peito são de côr amarello-clara, a
garganta é branco-cinzenta. As coberteiras das azas e as
rectrizes têm as pontas brancas. As remiges têm orlas
castanhas. A femea é semelhante tendo, porém, a cabeça
pardo-avermelhada. À especie occorre desde S. Paulo até
a Bahia e Matto Grosso.
Mus. Paul. Iguape.
* 275. Formicivora rufatra (Lafr. et d’Orb.).
Thamnophilus griseus Spix II p. 29 Pl. 40 fig. 1 (9).
Myiothera rufa Wied III p. 1095 (9).
Formicivora superciliaris Burmeister II p. 74.
Ellipura rufa. Burmeister WI p. 7o (9).
Formicivora rufatra Pelzeln p. 83 (Rio das Pedras).
Formicivora rufatra Cat. Br. Mus. XV p. 250.
|» Passaro de 130 mm. de comprimento. O macho é
bruno em cima, com uma estria branca supraocular. As
coberteiras exteriores das azas e as rectrizes são pretas
com pontas brancas. A garganta e o peito são de côr
preta, que se extende no meio na barriga, cujas partes
lateraes entretanto são esbranquiçadas. A femea é seme-
lhante, mas tem a garganta e o peito brancos com estrias
pretas. Especie do Matto Grosso e Goyaz, que occorre
tambem em Pernambuco, Pará, na Bolivia e no extremo
Oeste do Estado de S. Paulo, e que temos da Bahia.
Mus. Paul. —
* 276. Formicivora ferruginea (Licht.).
Papa-formiga; Trovoada (Iguape).
Ellipura ferruginea Burmeister HI p. 71.
Formicivora ferruginea Pelzeln p. 83 (Matto Dentro,
Ypanema).
Formicivora ferruginea Cat. Br. Mus. XV p. 252.
= 242 Eca
Especie de 130—140 mm. de comprimento, de côr
castanha com a cabeça, as azas e a cauda de côr preta.
As coberteiras exteriores das azas e as rectrizes têm as
pontas brancas. No meio do dorso existe uma mancha
grande de pennas brancas com pontas pretas, como na
maior parte das especies deste genero. Sobre o olho corre
uma estria branca. À femea quasi não differe. Especie de
S. Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia.
Mus. Paul. Alto da Serra; Iguape.
277. Formicivora genaei Filippi.
Formicivora genei Pe/ze/n p. 83 (Ypanema).
Formicivora genaei Cat. Br. Mus. XV p. 253.
Especie bem distinguida pela cor pardo-avermelhada
da cauda e do uropygio. À côr é cinzenta em cima, com
a cabeça preta e uma estria branca sobre o olho. As azas
são pretas com pontas brancas das coberteiras exteriores.
O lado inferior é branco-cinzento com, estrias pretas até
a barriga inferior e o crisso, que são de côr pardo-ama-
rellenta. A distribuição da especie parece ser a mesma
como da especie precedente.
Mus. Paul. —
* 278. Formicivora striata (Spix).
Papa-formiga.
Thamnophilus striatus Spix Il p. 29 Pl. 40 fig. 2.
Ellipura striata Burmeister IU p. 69.
Formicivora striata Cat. Br. Mus. XV p. 252.
Especie de 130—140 mm. de comprimento. O macho
é cinzento com manchas pretas nas costas, preto na cabeça
que tem uma estria branca sobre o olho. O dorso inferior
e o uropygio são de côr pardo-avermelhada. As azas e a
cauda são pretas com pontas brancas das coberteiras
exteriores das azas e das rectrizes. No lado inferior é a
barriga inferior-e o crisso de côr castanha, o pescoço e
o peito são brancos com estrias pretas. A femea é seme-
lhante, mas de côr parda em cima e com estrias escuras
no vertice. Especie de S. Paulo, Minas Geraes e Bahia.
Mus. Paul. Alto da Serra; Iguape.
* 279. Formicivora squamata (Licht.).
Papa-formiga.
Myiothera squamata Wed HI p. 1070.
Ellipura squamata Burmeister Il p. 70.
Formicivora squamata Pelzeln p. 84.
Formicivora squamata Cat. Br. Mus. XV p. 254.
O macho é preto em cima, com pingas brancas e com
uma estria branca sobre o olho. A aza é preta com pontas
brancas das coberteiras exteriores e das remiges do braço.
A cauda é preta e as rectrizes têm além da ponta branca
mais manchas brancas nas barbas. O lado inferior é branco-
cinzento com manchas pretas. À femea é semelhante, mas
todas as manchas do lado superior são pardo-amarellentas
em vez de brancas. Especie dos mattos de S. Paulo, Rio
de Janeiro e Bahia.
Mus. Paul. Iguape.
* 280. Formicivora malura (Temm.).
Ellipura malura Burmeister HI p. 68.
Formicivora malura Pelzeln p. 83 (Ypanema).
Formicivora malura Berlepsch u. lhering p. 150.
Formicivora malura Cat. Br. Mus. XV p. 254 (Ypanema).
Especie de 110 mm. de comprimento, distinguindo-se
pela cauda uniforme de côr bruno-denegrida sem pontas
brancas. O macho é de côr cinzenta nas costas; a cabeça
é preta em cima com estrias brancas. As azas são pretas
com pontas brancas das coberteiras exteriores. O lado
inferior é branco com manchas pretas até a barriga, que
é cinzenta. A femea é semelhante, de côr mais parda.
Essa especie é distribuida desde o Norte do Rio Grande
do Sul até a Bahia. —
Mus. Paul. Piquete; Iporanga; Ypiranga.
* 281. Rhamphocaenus melanurus Vieill.
Troglodytes gladiator Wed WI p. 751.
Rhamphocaenus melanurus Burmeister II p. 72.
Rhamphocaenus melanurus Pelzeln p. 84.
Rhamphocaenus melanurus Cat. Br. Mus. XV p. 260.
Este passarinho de 120—130 mm. de comprimento é
bem caracterisado pelo seu bico delgado e comprido, de
21 mm. de comprimento, e pela cauda uniforme preta e
não curta. À côr é pardo-azeitonada em cima, branco-cin-.
zenta na garganta, no pescoço anterior e no meio do peito
e da barriga. As partes lateraes da barriga e do peito são.
de côr pardo-avermelhada. As rectrizes lateraes são mais
curtas do que as do meio. A rectriz exterior é na ponta
e na borda exterior de côr cinzenta. A especie occorre
desde o litoral de S. Paulo até Matto Grosso, Pernambuco
e Amazonas.
Mus. Paul. Iguape.
* 282. Pyriglena leucoptera (Vieill.).
Papa-formiga; Papa-taoca (Iguape).
Myiothera domicella Wied II p. 1058. ,
Pyriglena domicella Burmeister Il p. 59.
Pyriglena domicella Brehm Thierleben Bd. V 1879
p. 614 e figura.
Pyriglena leucoptera Pelzeln p. 85 (Matto Dentro,
Ypanema).
Pyriglena leucoptera Berlepsch I p. 254.
Pyriglena leucoptera Cat. Br. Mus. XV p. 260.
Passaro de 170—190 mm. de comprimento. O macho
é preto com uma manchano meio do dorso e duas faxas
nas azas de cor branca e com a iris do olho vermelha.
A femea é parda em cima, pardo-cinzenta em baixo e tem
a cauda denegrida. Não encontrei a especie no Rio Grande
do Sul, donde o catalogo do British Museum a indica. A
especie occorre desde S.“ Catharina até a Bahia, Minas,
Goyaz e Bolivia.
Mus. Paul. Piracicaba; Iguape; S. Sebastião; Ypiranga.
* 283. Myrmeciza squamosa Pelz.
Papa-formiga.
Myrmeciza squamosa Pelzeln p. 87 e 162 (Matto Den-
tro, Ypanema).
Myrmeciza squamosa Berlepsch u. lhering p. IST.
Myrmeciza squamosa Cat. Br. Mus. XV p. 281 (Ypa-
nema).
Passaro de 150—160 mm. de comprimento, caracteri-
sado pelo bico fino e pelos tarsos compridos de cor ama-
rella. O macho é pardo em cima com uma mancha branca
orlada de preto no dorso. As azas e a cauda säo de cor
bruno-denegrida, as coberteiras exteriores das azas tém as
pontas brancas. A garganta e o pescoço anterior são de
côr preta, o peito tem as pennas pretas orladas de branco,
a barriga é branca. A femea é semelhante, mas sem a
a cor preta da garganta e do pescoço. Essa especie é
encontrada desde o Rio Grande do Sul até o Rio de
Janeiro. Do Rio de Janeiro até a Bahia ella é substituida
por M. loricata (Licht.), cujo macho tem de côr preta só
a garganta e as pontas das coberteiras exteriores de cor
amarellenta. O Sr. Valencio Bueno que observou em
Piracicaba M. squamosa, disse-me que este passaro não
pula no chão como os outros passarinhos, mas que anda
como as gallinhas.
Mus. Paul. Ypiranga; Piquete; Iguape, ae
* 284. Formicarius colma (Gm.).
Gallinha do matto.
Myiothera ruficeps Sfzx I p. 72 Pl. 72 fig. 1.
Myioturdus tetema Wied II p. 1038.
Myiothera tetema Burmeister WI p. 46.
Formicarius ruficeps Pelzeln p. go.
Formicarius colma Cat. Br. Mus. XV p. 302 (S. Paulo).
Passaro de 170 mm. de comprimento, com a cauda
curta e a região atraz do olho nua. A cor é pardo-bruna,
mas a cabeça em cima e a nuca são de côr castanha. A
— 246 —
face, a garganta e o pescoço anterior são de côr preta. A
cauda é denegrida. Este passaro, que nos mattos grandes
procura insectos no chão, occorre desde o litoral de São
Paulo até Pará e Matto Grosso,
Mus, Paul. Iguape,
SUBFAM. 3. GRALLARIINAE
* 285. Chamaeza brevicauda (Vieill.).
Tovacca.
Myioturdus marginatus Wied II p. 1035.
Chamaezosa marginata Burmester HI p. 47.
Chamaeza brevicauda. Pelzeln p. gr (Matto Dentro,
Ypanema).
Chamaeza brevicauda Berlepsch wu. lhering p. 157.
Chamaeza brevicauda Cat. Br. Mus. XV _ p. 307 (São
Paulo).
A cauda é no genero Chamaeza de comprimento
regular, sendo bem pequena e mais curta do que o tarso
no genero Grallaria. A especie presente é passaro de
210—220 mm. de comprimento, de côr parda em cima com
a cabeça pardo-avermelhada e ás vezes com uma mancha
preta na fronte, que parece ser signal da ave adulta ou
do macho adulto. As rectrizes têm as pontas pretas orladas
de amarello. A garganta é branca. O peito e a barriga
são de cór branca, sendo cada penna munida de orlas
pretas nos lados. A especie occorre desde o Kio Grande
do Sul até a Bahia, nos mattos grandes, procurando no
chão e sob as folhas cahidas insectos. O Sr. Krone obser-
vou essa especie em Iguape, o Sr. Valencio Bueno em
Piracicaba.
Mus. Paul. S. Paulo; Iporanga.
* 286. Grallaria imperator Lafr.
Tovaccassu.
Myioturdus rex Wied HI p. 1027.
Grallaria rex Burmeister Ill p. 49.
Grallaria imperator Burmeister HI p. 50.
Grallaria imperator Pelzeln p. 91 (Ypanema).
Grallaria imperator Berlepsch 1 p. 255.
Grallaria imperator Berlepsch u. lhering p. 151.
Grallaria imperator Cat. Br. Mus. XV p. 316.
Passaro grande de 200 mm. de comprimento, que no
Brazil meridional corresponde à G. varia Bodd. do Brazil
do Norte e da Guyana. A cor é parda nas costas, cinzenta
na cabeça. Quasi todas as pennas do lado dorsal têm na
margem uma estria escura e no meio uma linha amarella.
À cauda e as azas são de cor pardo-avermelhada. No lado
ventral a côr é amarellenta com faxas escuras. À garganta
é denegrida orlada de cada lado por uma estria branca.
O comprimento do tarso importa em 58 mm., e do bico
em 27 mm. À specie occorre desde o Rio Grande do Sul
até a Bahia. O Sr. Krone caçou-a em Iguape, o Sr. Va-
lencio Bueno em Piracicaba.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 287. Grallaria ochroleuca (Wied).
Myioturdus ochroleucus Wed HI p. 1032 (S. Paulo).
Chamaezosa ochroleuca Burmeister Ul p. 48.
Grallaria ochroleuca Pelzeln p. 91 (Ypanema).
Grallaria ochroleuca Cat. Br. Mus. XV p. 324.
Especie menor de 130—140 mm. de comprimento. O
tarso mede 35 mm. A cor é pardo-azeitonada em cima; as
remiges são orladas de pardo-avermelhado. Em baixo é a
cor branca no meio, pardo-amarella nos lados. No peito
e nos lados da barriga notam-se manchas pretas. Sobre o
olho corre uma estria amarellenta. A especie occorre nos
Estados de S. Paulo, Minas e Bahia.
. Mus. Paul. Est. de 5. Paulo.
FAM. CONOPOPHAGIDAE.
* 288. Conopophaga lineata (Wied).
Chupa-dente (Iguape); Guspidor (Piracicaba).
Myiagrus lineatus Wied Ul p. 1046.
Conopophaga lineata Burmeister IN p. 52.
ABS
Conopophaga lineata Pelzeln p.92 (Mogy das Cruzes,
Casa Pintada, Ypanema).
Conopophaga lineata Cat. Br. Mus. XV p. 333.
Passarinho de 130 mm. de comprimento com o tarso
alto, medindo 28 mm. A cauda é curta. A côr é pardo-
azeitonada em cima, branca no meio da barriga, pardo-
castanha na garganta, no pescoço anterior e no peito. Uma
estria de pennas brancas observa-se atraz do olho. Essa
especie é distribuida desde o Rio Grande do Sul até o
Mexico e Bahia. O Sr. Krone obteve-a em Iguape, o
Sr. Valencio {Bueno em Piracicaba. Os nomes acima
indicados referem-se 4 singular voz do passarinho.
Mus. Paul. Ypiranga; Piquete; Tieté.
* 289. Conopophaga nigrigenys Less.
Myioturdus perspicillatus Wied II p. 1042.
Conopophaga maximiliani Pelzeln p. 92.
Conopophaga nigrigenys Cat. Br. Mus. XV p. 334
(S. Paulo).
Passaro de 110 mm. de comprimento, pardo-azeitonado
nas costas, com manchas pretas em exemplares novos. A
cabeça é castanho-clara em cima, desde a fronte até a
nuca. A face e a regiäo loral säo decor preta. A garganta
e o pescoço anterior são brancos, o peito e a barriga de
cor cinzenta. Essa especie occorre desde o Rio Grande
do Sul até Belmonte no Est. da Bahia. Mais ao Norte, em
Bahia, essa especie é substituida por C. melanops (Vieill.)
(= perspicillata Burm.), com a fronte preta.
Mus. Paul. Iguape.
290. Corythopis calcarata (Wied).
Myiothera calcarata Wied II p. rror.
Corythopis calcarata Burmeister HI p. 58.
Corythopis calcarata Pelzeln p. 92 (Ypanema).
Corythopis calcarata Cat. Br. Mus. XV p. 335.
Passaro de 140 mm. de comprimento, semelhante as
especies de Conopophaga, mas distinguido pela unha pos-
terior comprida e direita. A cor é pardo-azeitonada nas
costas, esbranquiçada no lado ventral com o peito preto
e manchas pretas em baixo do peito. A especie é distri-
buida desde S. Paulo até a Bahia e Matto Grosso, e vive
nos mattos, no chão.
Mus. Paul. —
FAM. PTEROPTOCHIDAE.
* 291. Scytalopus indigoticus (Wied).
Macuquinho (Iguape).
Myiothera indigotica Wied III p. togt.
Scytalopus indigoticus Burmeister HI p. 63.
Scytalopus indigoticus Pelzeln p. 46 (Matto Dentro,
Ypanema).
Scytalopus indigoticus Cat. Br. Mus. XV p. 341.
Passarinho de 120—130 mm. de comprimento, com a
cauda curta e o bico fino, assemelhando-se á curruira.
Cinzento-escuro em cima, até o uropygio, que é pardo-
avermelhado. Em baixo, a garganta, o pescoço e o peito
são brancos. As partes lateraes do peito e do pescoço
são de cor cinzenta, as da barriga pardo-avermelhadas com
faxas pretas. Passarinho pouco commum dos mattos do
litoral do Brazil, desde S. Paulo até a Bahia.
Mus. Paul. Iguape.
* 292. Merulaxis rhinolophus (Wied).
Myiothera rhinolopha Wied II p. 1o51.
Scytalopus rhinolophus Burmeister WI p. 62.
Scytalopus ater Burmeister IT p. 6r.
Merulaxis rhinolophus Pelzeln p. 46.
Merulaxis rhinolophus Cat. Br. Mus. XV p. 343.
Passaro de 180 mm. de comprimento, formando como
monotypo o genero Merulaxis, caracterisado pelas pennas
Revistafdo Museu Paulista. Vol. III 16
estreitas, sediformes e dirigidas para diante" da região loral.
A cauda é comprida. A côr do macho é cinzento-escura
em cima até o dorso inferior e o uropygio, que são de
cor pardo-azeitonada como a barriga. O peito é azul-cin-
zento, a cauda denegrida. À femea é de côr pardo-azeito-
nada com a garganta e o peito de cor castanha. A especie
occorre no matto virgem do litoral do Brazil, desde São
Paulo até a Bahia.
Mus. Paul. Iguape.
Il. Ordem. Macrochires.
As aves que compõem esta ordem estão mais ou menos
intimamente ligadas aos passaros, dos quaes differem pela
estructura do larynge e pelos tarsos. São todos excellentes
voadores, que vivem exclusivamente de insectos, tendo
as azas compridas e pontagudas com as coberteiras exteriores
mais compridas e mais numerosas que os passaros. No
chão pouco se movem, não prestando os pés, que são
fracos, para regularmente caminhar. O bico é tenuirostro,
quasi sempre comprido, nos beija-flores, e fissirostro, curto,
com a bocca aberta, enorme, nas outras duas familias. Esta
differença está em relação com o seu modo de viver, visto
como os beija-flores tiram com a lingua comprida os insectos
das flores, em quanto as Cypselidas e Caprimulgidas os
caçam voando. Na aza ha to remiges de mão, raras vezes
9, na cauda 10 rectrizes. Ha uma singularidade no esqueleto
dessas aves: cada metade da maxilla inferior consiste em
duas peças ligadas por articulação, e no braço o humero
é, relativamente, muito curto.
A familia das Trochilidas abrange os beija-flores, uma
das familias maiores, comprehendendo cerca de 500 espe-
cies e uma das mais caracteristicas da America meridional.
O bico é estreito e comprido, a maxilla superior muitas
vezes abraçando lateralmente a inferior. As margens das
maxillas são em grande parte ou só na ponta, denteadas
e ás vezes lisas. A lingua é comprida, bifida na ponta
e capaz de ser extendida do bico como a dos pica-paos,
offerecendo o osso hyoide a mesma disposição singular.
O numero das remiges do braço é reduzido a 6, que são
pequenas, mais ou menos escondidas pelas coberteiras. O
numero das remiges da mão é ro ou raramente 9.
O nome que os indios guaranys do Rio Verde dão
ao beija-flor é maenó. Montoya escreve mainumbi. Não se
entende a etymologia, mas lembro .a palavra manimbé
(Coturnicuius manimbe) de outro passarinho do nosso Es-
tado, que porem vive no chão como o tico-tico.
A familia das Cypselidas contem passaros que muito
se assemelham as andorinhas, sendo como ellas excellentes
voadores e fissirostros, com o bico pequeno, curto, mas
largo. A aza assemelha-se muito a das andorinhas, sendo
muito comprida e pontaguda, contendo 10 remiges da mão
e 7-8 do braço. As coberteiras exteriores compridas são
alongadas, extendendo-se sobre mais da metade das
remiges do braço, o que está em contraste com o que se
observa nas andorinhas que têm estas coberteiras curtas.
Na cauda ha ro rectrizes, tendo as andorinhas 12. Outras
differenças são dadas pelo larynge e pelos tarsos que são
curtos e não têm as lamellas lateraes das andorinhas, sendo
em geral nús, sem escudos, ou vestidos de pennas. Pouco
se sabe da vida destes passaros, que o povo não sabe
distinguir das andorinhas.
A familia das Caprimulgidas consiste em aves de
tamanho maior que o das outras familias desta ordem. Ao
contrario do que se dá com os representantes das outras
duas familias de que tratei e cuja vida é diurna as Capri-
mulgidas são aves nocturnas, tendo, como as corujas e
outras aves nocturnas, a plumagem molle fazendo o vôo
imperceptivel. A cabeça é grande, os olhos grandes, o pes-
coço curto. O bico é chato, curto, muito largo com a
bocca muito grande. Na base do biee. ha, em geral, de cada
lado uma porção de cerdas rijas, muito fortes e compridas,
que porém nos generos Chordeiles, Podager e Lurocalis
são bastante fracas ou faltam. Na aza notam-se 10 remiges
da mão e t2—13 do braço, na cauda to rectrizes. Os pés
são fracos, os tarsos curtos e mais ou menos revestidos
de pennas. Distinguem-se duas subfamilias: Nyctibiinae,
com o unico genero Nyctibius e Caprimulginae. Estas
ultimas têm no dedo exterior só quatro segmentos ou
phalanges e a unha do dedo mediano no lado interior
denteada, em fórma de pente. As Nyctibiinas, conhecidas
sob o nome de urutau, têm no dedo anterior exterior cinco
phalanges e a unha do dedo mediano sem dentes. Os
Urutaus, que pela sua voz desesperada e funesta nós
assustam á noite, são os maiores membros desta familia
e notaveis pelo modo de pôr os seus ovos em cima de
um tronco ouco ou toco de arvore. Os representantes das
Caprimulginas, conhecidos sob as denominações de curiango,
bacurau etc. pôem os ovos no chão sem fazerem ninho.
FAM. TROCHILIDAE.
SUBFAM. I. THALURANINAE (Serrirostres).
* 293. Heliothrix auriculatus (Nordm.).
Trochilus auritus Wied IV p. 104.
Heliothrix auritus Burmeister Il p. 336.
Heliothrix nigrotis Pelzeln p. 34 (Ypanema).
Heliothrix aurita Pelzeln p. 34 (Ypanema, Rio Paraná).
Heliothrix auriculatus Cat. Br. Mus. XVI p. 32.
Beija-flor de t10—120 mm. de comprimento, bem
caracterisado pelo bico diminuindo em largura desde a
base até a ponta fina. A cor é verde em cima, lustrosa
na cabeça, no mento e nas partes lateraes da garganta.
As remiges e as rectrizes medianas são pretas. A face
atraz dos olhos é preta. O lado inferior, excepto o mento,
é branco, como tambem são brancas as duas rectrizes
exteriores de cada lado. A especie affim do Amazonas e
da Guyana, H. auritus (Gm.), tem todo o lado inferior
branco. H. auriculatus é especie do Brazil meridional, desde
S. Paulo até a Bahia.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo,
* 294. Rhamphodon naevius (Dumont).
Beija-flor do matto (Iguape).
Grypus ruficollis Spix I p. 79 PI. 80 fig. 3.
Grypus naevius Burmeister I p. 320.
Grypus naevius Pelzeln p. 27.
Ramphodon naevius Berlepsch I p. 273.
Ramphodon naevius Cat. Br. Mus. XVI p. 37.
Especie grande, de 150 mm. de comprimento. A cor
é verde-dourada em cima, tendo as pennas orlas amarel-
lentas. Uma estria sobre e atraz dos olhose os lados do
pescoço são pardo-amarellos. Atraz dos olhos uma mancha
preta. O meio da garganta e o resto do lado ventral säo
pretos com orlas esbranquiçadas das pennas. As rectrizes
exteriores tém pontas pardo-amarellas. O comprimento do
bico é de 35—-40 mm. O macho tem a ponta do bico
revirada em fórma de gancho. Especie do Brazil meridio-
nal, desde S.* Catharina até o Rio de Janeiro, Minas e
Goyaz, que Lichtenstein obteve de S. Paulo e R. Krone
de Iguape.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 295. Chlorostilbon pucherani (Bourc.).
Hylocharis prasinus Burmeister II p. 50.
Hylocharis flavifrons Pelzeln p. 33 (Matto Dentro,
Ypanema, Irisanga, Rio Paraná).
Chlorostilbon pucherani Cat. Br. Mus. XVI p. 50.
Beija-flor de go mm. de comprimento, com o bico
medindo 17—18 mm. de comprimento. A côr é verde-
dourada no lado dorsal, verde-lustrosa em baixo, com
lustro azul na garganta e no pescoço anterior. A cauda,
cujas penas lateraes são mais compridas que as do meio,
é de côr preto-azul. O bico é preto na ponta, vermelho
na metade basal. E essa a especie de S. Paulo, Rio de
Janeiro e Bahia, substituida na Bolivia, Argentina e Rio
Grande do Sul por especie pouco differente, maior e com
o lado inferior verde-dourado, Ch. splendidus (Vieill.), cujo
bico mede 19—20 mm. O genero Chlorostilbon distingue-se
pela falta de pennas na base do espaço entre as duas
maxillas inferiores.
Mus. Paul. Ypiranga; Piracicaba; Piquete.
* 296. Thalurania glaucopis (Gm.).
Guainumbi segunda species Marcgrav p. 197.
Trochilus glaucopis Wied IV p. 85.
Glaucopis frontalis Burmerster H p. 333.
Thalurania glaucopis Berlepsch I p. 274.
Thalurania glaucopis Pelzeln p. 29 (Ypanema, Irisanga).
Thalurania glaucopis Cat. Br. Mus. XVI p. 77 (São
Paulo, Itapetininga).
Especie bastante commum no Estado de S. Paulo. O
comprimento é de 110—115 mm., o do bico de 18—20
mm. À cauda tem as pennas lateras mais compridas do
que as do meio e a cor della é azul-preta. A côr do
macho é verde-lustrosa, mas a fronte e o vertice são de
côr azul-roxa. À femea tem o vertice verde, o lado inferior
esbranquiçado e as pontas das rectrizes exteriores esbran-
quiçadas. Essa especie occorre desde o Rio Grande do
Sul até a Bahia.
Mus. Paul. Ypiranga; Piquete; Cachoeira.
297. Thalurania eriphile (Less.).
Glaucopis eriphile Burmeister II p. 334.
Thalurania eriphile Pelzeln p. 30 (Rio Paraná).
Thalurania eriphile Cat. Br. Mus. XVI p. 80.
Especie semelhante a precedente, especialmente no
sexo feminino, de 100 mm. de comprimento, mas com o
bico um pouco mais comprido (22—23 mm.). O macho é
verde-metallico, mais lustroso na fronte e na garganta. O
peito e a barriga são azues, o bico é preto. Essa especie
apparece mais no interior do Brazil, em Matto Grosso etc. e
foi no Est. de S. Paulo caçada na zona do Rio Paraná,
mas no Est. do Rio de Janeiro caçou-a Burmeister em
Nova Friburgo. A femea é quasi a mesma como a da
especie precedente.
Mus. Paul. —
* 298. Lampornis violicauda (Bodd.).
Guainumbi quinta species Marcgrav p. 197.
Trochilus mango Wied IV p. 47.
Lampornis mango Burmeister IL p. 331.
Lampornis mango Pelzeln p. 28 (Porto de Jacarehy,
Goyaba, Ypanema, Irisanga).
Lampornis violicauda Cat. Br. Mus. XVI p. 93.
Beija-flor grande, de 110—120 mm. de comprimento,
com o bico medindo 24 mm. O macho é verde-dourado
em cima e nos lados, preto-azul na garganta, no pescoço
anterior e no peito. Das rectrizes as do meio são verdes,
as lateraes vermelho-roxas orladas de azul-escuro. A femea
tem o lado inferior branco, com uma estria larga, preta
no pescoço anterior e as rectrizes exteriores com as pontas
“brancas. A especie occorre desde o Panamá até o Rio
Grande do Sul, sendo na Jamaica substituida por outra
muito semelhante, mas com a femea não differente do
macho, L. mango L.
Mus. Paul. Piquete.
* 299. Petasophora serrirostris (Vieill.).
Colibri crispus Spix I p. 80 PI. 8r.
Trochilus petasophorus Wied IV p. 76.
Petasophora crispa Burmeister Il p. 335.
Petasophora serrirostris Pelzeln p. 28 (Matto Dentro,
“Ypanema, Itararé).
Petasophora serrirostris Sclater a. Hudson Il p. 3.
Petasophora serrirostris Cat. Br. Mus. XVI p. 106.
Especie grande, de 120—130 mm. de comprimento.
Os dous sexos quasi não differem no colorido. À côr é
verde-dourada em cima, verde-azul lustrosa na garganta e
no pescoço anterior. O crisso e as coberteiras inferiores
da cauda são brancas. A cada lado do pescoço ha, atraz
do ouvido, uma mancha grande de pennas esplendidas
roxas. As rectrizes são de côr verde-azul mais escura na
ponta. Pelzeln (p. 407) diz que Lund obteve essa especie
em Campinas, Ytú, Araraquara. A especie occorre em
Tucuman e Bolivia, em Matto Grosso, Goyaz e desde S.
Paulo até a Bahia.
Mus. Paul. Cachoeira.
SUBFAM. 2. ARGYRTRIINAE (Intermedii).
* 300. Lepidolarynx mesoleucus (Temm.).
Calothorax mesoleucus Burmeister I p. 339.
Heliomaster squamosus. Pelseln p. 31 (Taipa, Ypanema,
Irisanga).
Lepidolarynx squamosus Cat. Br. Mus. XVI p. 120.
Especie de 110 mm. com o bico direito, preto, de 30
mm. de comprimento. No genero Lepidolarynx extendem-se
as pennas da fronte sobre a base do bico, cobrindo as
ventas. O macho é bem distinguido pelas esplendidas pen-
nas de côr encarnado-roxa que cobrem a garganta e o
pescoço anterior, e pelas coberteiras inferiores da cauda
verdes com orlas de côr branca. As rectrizes são verdes,
as do meio verde-claras douradas, as dos lados verde-pretas.
No meio da barriga uma estria branca. A femea tem as
pennas da garganta escuras com orlas brancas e as rectrizes
exteriores com pontas brancas. É essa uma especie dos
campos do interior do Brazil, desde S. Paulo e Minas até
Goyaz e Bahia.
Mus. Paul. Piracicaba.
* 301. Leucochloris albicollis (Vieill.).
Colibri albogularis Spix I p. 81 Pl. 82 fig. 1.
Thaumatias albicollis Burmeister Il p. 342.
Argyrtria albicollis Berlepsch I p. 276.
Argyrtria albicollis Pelzeln p. 29 (Taipa, Ypanema).
Leucochloris albicollis Sc/ater a. Hudson Il p. 7.
Leucochloris albicollis Cat. Br. Mus. XVI p. 178.
Especie de 100—110 mm. de comprimento, medindo
o bico 21—22 mm. O bico é chato, direito e a metade
basal da maxilla inferior é amarella. A cor é em ambos
os sexos verde-lustrosa em cima e no mento, no peito
e na barriga, branca no pescoço anterior. As rectrizes
medianas são verdes, as lateraes são preto-azues com
pontas brancas. O crisso e as coberteiras inferiores são
esbranquiçadas. E essa especie do Brazil meridional e do
Paraguay, commum desde o Rio Grande do Sul até o
Rio de Janeiro. O catalogo do British Museum menciona
por engano sob essa especie o Trochilus vulgaris Wied,
“que é tambem notado sob Argyrtria tephrocephala, a qual
pertence.
Mus. Paul. Rio Grande.
* 302. Argyrtria brevirostris (Less.).
Thaumatias brevirostris Burmeister Il p. 343.
Argyrtria brevirostris Pelzeln p. 29 (Ypanema).
Argyrtria brevirostris Berlepsch 1 p. 276.
Argyrtria brevirostris Cat. Br. Mus. XVI p. 178.
Beija-flor de go mm. de comprimento total e de 16—17
mm. de comprimento do bico. A cor é verde-metallica,
mas a garganta e o resto do lado inferior são brancos no
meio. As coberteiras inferiores da cauda são de côr cin-
zenta com orlas brancas. As rectrizes são de côr verde-
cinzenta com uma mancha escura perto da ponta. O bico
é preto em cima, amarello em baixo na base. Essa especie
occorre desde o Rio Grande do Sul até a Bahia. Uma
especie bem semelhante que differe por terem as pennas
do pescoço anterior e do peito uma mancha verde na ponta
é A. affinis (Gould), que temos, provavelmente do Estado
de S. Paulo, mas que por não ter indicação certa da
proveniencia por ora não acceito nesta lista. A. affinis é
especie de Minas e Rio de Janeiro.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 303. Argyrtria tephrocephala (Vieill.).
Trochilus vulgaris Wied IV p. 72.
Argyrtria albiventris Pelzeln p. 28.
Pr ue
Argyrtria tephrocephala Cat. Br. Mus. XVI p. tor.
Especie de 110 mm. de comprimento. O bico, que
mede 21—22 mm., tem a base da maxilla inferior amarella.
A cor é uniforme, verde, a excepção da barriga e das
coberteiras inferiores da cauda que são brancas. As rectrizes
são preto-azues, tendo as lateraes as pontas cinzentas. Essa |.
especie, que é commum em São Sebastião e que Wied
obteve no Rio de Janeiro, parece principalmente especie
do Norte do Brazil e de Matto Grosso.
Mus. Paul. S. Sebastião; Ilha de S. Sebastião.
304. Eucephala caeruleo-lavata Gould.
Eucephala caeruleo-lavata Gould Proceed. Zool. Soc.
London 1860 p. 306.
Eucephala caeruleo-lavata Cat. Br. Mus. XVI p. 244
(S. Paulo, Brazil).
Especie de 95 mm. de comprimento. O bico mede 20
mm. À côr é verde-dourada em cima, verde-azul em baixo
quasi preta na barriga. As coberteiras inferiores e as
rectrizes medianas são roxas, as rectrizes lateraes preto-
azues. O genero Eucephala distingue-se de Hylocharis
pela cauda um pouco dividida. Uma especie, E. cyanogenys
(Wied), verde, com o mento azul, occorre no Rio de Ja-
neiro. O exemplar typico dessa especie obteve Gould do
Rio de Janeiro pelo Sr. Thomas Reeves, que a elle com-
municou que a especie occorre em S. Paulo.
Mus. Paul. —
* 305. Hylocharis sapphirina (Gm.).
Trochilus latirostris Wied IV p. 64.
Hylocharis sapphirina Burmeister Il p. 346.
Hylocharis sapphirina Pelzeln p. 33.
Hylocharis sapphirina Sclater a. Hudson Il p. 8.
Hylocharis sapphirina Cat. Br. Mus. XVI p. 245.
Especie de 95 mm. de comprimento. O bico, que
mede 20 mm., é vermelho com a ponta preta. A cor do
macho é verde-dourada em cima e na barriga. O mento
e as coberteiras inferiores da cauda são castanhas, o pes-
coço anterior e o peito são azues. À femea é no lado
inferior cinzenta, mas com o mento castanho e a garganta
azul. À especie occorre desde Buenos Ayres até a Guyana;
não é rara no Rio e na Bahia, mas no Estado de S. Paulo
não foi observada, senão pelo Sr. Krone em Iguape. Temol-a
da Bahia.
Mus. Paul. —
* 306. Hylocharis lactea (Less.).
Trochilus sapphirinus Wed IV p. 61 (S. Paulo).
Hylocharis lactea Burmeister Il p. 347.
Hylocharis lactea Pelzeln p. 33 (Taipa, Goyaba, Irisanga).
Hylocharis lactea Cat. Br. Mus. XVI p. 247.
Essa especie assemelha-se em tamanho etc. a prece-
dente. A côr é verde-dourada com a garganta e o peito
azues e a barriga no meio branca. As coberteiras inferiores
da cauda são escuras com orlas brancas. À especie occorre
desde S. Paulo e Minas até a Bahia. Uma outra especie
semelhante que occorre desde Rio de Janeiro até Amazonas
e que provavelmente tambem occorrerá em S. Paulo, é
‘H. cyanea (Vieill.), que se distingue pelo vertice azul e pela
côr preto-azul das coberteiras inferiores da cauda.
Mus. Paul. Matiba; Cachoeira.
SUBFAM. 3. PHAETHORNINAE (Laevirostres).
* 307. Phaethornis eurynome (Less.).
Phaethornis eurynomus Burmeister I p. 324.
Phaethornis eurynome Pe/zeln p. 27 (Matto Dentro,
| Ypanema).
Phaethornis eurynome Cat. Br. Mus. XVI p. 276.
As especies do genero Phaethornis são bem caracte-
risadas pelo bico comprido e curvo e pela cauda comprida
na qual as rectrizes medianas são muito alongadas. As
pennas do lado dorsal são orladas de amarello-pardo, sendo
= 260 —
a côr escura na cabeça, verdejno dorso. A região atraz
dos olhos é preta, orlada em cima como em baixo por uma
estria amarellenta. O lado inferior é amarello-cinzento,
tendo as pennas da garganta o centro escuro. As rectrizes
são verdes na base, pretas no meio e brancas na ponta.
O bico é preto a excepção da maxilla inferior, que desde
a base até perto da ponta é amarella. O comprimento
total é 160 mm., o do bico 31 mm. Essa especie occorre
desde o Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
308. Phaethornis squalidus (Natt.).
Phaethornis squalidus Burmeister II p. 325.
Phaethornis squalidus Berlepsch I p. 273.
Phaethornis squalidus Pelzeln p. 28 (Matto Dentro,
Pahor, Ypanema, Irisanga).
Phaethornis squalidus Cat. Br. Mus. XVI p. 276.
Especie muito semelhante a precedente, porem um
pouco menor, medindo 110—120 mm. de comprimento
total e 22—25 mm. do bico. As pontas das rectrizes lateraes
são pardo-vermelhas. A especie é encontrada desde 5.º
Catharina até o Rio de Janeiro, Minas e Matto Grosso.
Mus. Paul. —
* 309. Phaethornis pretrii (Less. et Del.).
Trochilus superciliosus Wied IV p. 116 (nec L.).
Phaethornis superciliosus Burmeister Il p. 323.
Phaethornis pretrii Pelzeln p. 27 (Irisanga).
Phaethornis pretrii Cat. Br. Mus. XVI p. 277.
Essa especie distingue-se das duas precedentes pela
cauda, na qual, alem das duas rectrizes medianas mais
compridas, tambem as que se acham ao lado dellas são
alongadas. São, pois, nessa especie as quatro rectrizes
medianas munidas de pontas alongadas, estreitas e brancas.
A côr é verde em cima até o uropygio, que é pardo-ver-
melho. O lado inferior é de côr castanho-amarella. Todas
— 261 —
as rectrizes têm pontas brancas. O tamanho regula com
o de P. eurynome. Essa especie occorre desde S. Paulo
até Goyaz, Matto Grosso e Bahia.
Mus. Paul. Piquete.
310, Campylopterus largipennis (Bodd.).
Campylopterus largipennis Pe/ze/n p. 28 (Ypanema).
Campylopterus largipennis Cat. Br. Mus. XVI p. 288.
Especie de 130—140 mm. de comprimento, com o
bico um pouco curvo medindo 28 mm. A cauda é com-
prida, sendo as rectrizes lateraes mais curtas do que as
medianas. Das remiges da mão têm as tres primeiras a
haste entumecida como no genero Eupetomena, onde, po-
rém, estão as duas primeiras. As quatro rectrizes medianas
são verdes como todo o lado superior, as outras são pretas
com pontas brancas. O lado ventral é cinzento. E’ essa
especie da Guyana e do Norte do Brazil, que Pelzeln diz ter
sido caçada em Ypanema por Natterer. Outra especie deste
genero, com a qual acontece o mesmo, é C. lazulus (Vieill.)
da Venezuela, que Burmeister descreveu sob o nome de
C. falcipennis referindo-se a um exemplar da Nova Fri-
burgo. À occorrencia da especie de Campylopterus no
Brazil meridional precisa de mais esclarecimentos,
Mus. Paul. —
* 311 Eupetomena macrura (Gm.)
Guainumbi tertia species Marcgrav p. 197.
Trochilus macrourus Wied IV p. 93.
Prognornis macrurus Burmeister Il p. 330.
Eupetomena macroura Pelzeln p. 28 (Mogy Mirim,
Irisanga).
Eupetomena macrura Cat. Br. Mus. XVI p. 295.
Um dos maiores entre os beija-flores, medindo 170
mm. de comprimento. O bico, que é pouco curvo, é rela-
tivamente pequeno, medindo 25 mm. A cor é verde-dourada
nas costas e na barriga, azul na cabeça e no pescoço
anterior. A cauda, de côr preto-azul, é dividida, sendo as
— 262 —
rectrizes exteriores quasi tres vezes mais compridas do
que as medianas. E especie dos campos do interior do
Brazil, desde Minas, Matto Grosso ete. até a Guyana e
na região occidental do Est. de S. Paulo foi encontrada
por Natterer. | e
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
312. Aphantochroa cirrhochloris (Vieill.).
Campylopterus campylostylus Burmeister Il p. 329.
Aphantochroa cirrhochloris Berlepsch 1 p. 274.
Aphantochroa cirrochloris Pelzeln p. 28 (Ypanema).
Aphantochroa cirrochloris Cat. Br. Mus. XVI p. 297
(Ypanema).
Especie de 1t10o—120 mm. de comprimento, com o
bico preto, medindo 22 mm. A cauda é curta não dividida.
As rectrizes são uniformes, sem pontas brancas. A cór é
verde em cima, cinzento-verde em baixo. As coberteiras
inferiores da cauda são cinzentas com orlas brancas. A
especie occorre desde S.“ Catharina até Pernambuco e
Matto Grosso.
Mus. Paul. —
* 313. Clytolaema rubinea (Gm.).
Calothorax rubineus Burmeister IL p. 340.
Clytolaema rubinea Pelzeln p. 31 (Monjolinha, Ypa-
nema).
Clytolaema rubinea Berlepsch I p. 275.
Clytolaema rubinea Cat. Br. Mus. XVI p. 311.
Especie de 120 mm. de comprimento, com o bico
medindo 20 mm. As rectrizes são castanhas com orlas
verdes. O macho é verde em cima com lustro de cobre,
a garganta é verde com lustro esplendido, vermelho-me-
tallico. A femea é verde em cima, castanha em baixo. A
especie occorre desde o Rio Grande do Sul até o Rio de
Janeiro, Minas e Goyaz.
Mus. Paul. Piquete.
2 269
* 314. Florisuga fusca (Vieill.).
Colibri leucopygius Spix I p. 81 Pl. 8r fig. 3.
Trochilus ater Wied IV p. 52.
Florisuga atra Burmeister Il p. 338.
Florisuga fusca Pelzeln p. 30 (Ypanema, Taipa).
Florisuga fusca Cat. Br. Mus. XVI p. 331.
Especie de 130 mm. de comprimento. O bico é direito,
medindo 20 mm. A cor é uniforme, preta, sem lustro. Só
as coberteiras exteriores das azas e o uropygio são verde-
escuros. As quatro rectrizes exteriores de cada lado são
brancas, com pontas pretas. Essa especie occorre desde
S. Paulo até a Bahia.
Mus. Paul. Ilha de S. Sebastião; Cubatão; Piquete.
* 315. Cephalolepis delalandi (Vieill.).
Orthorhynchus delalandit Burmeister H p. 351.
Cephalolepis beskii Pelzeln p. 33 e 58.
Cephalolepis delalandii Pelzeln p. 33 (S. Paulo).
Cephalolepis delalandii Cat. Br. Mus. XVI p. 356.
Especie de 80—go mm. de comprimento, medindo o
bico, que é quasi cylindrico e preto, 13—14 mm. O macho
tem atraz do vertice um pennacho formado por algumas
pennas alongadas das quaes a mais comprida é preta. O
_ lado dorsal é verde, o lado ventral roxo-azul no meio,
cinzento nos lados. As rectrizes lateraes são azul-pretas. A
femea é destituida de pennacho e tem o lado ventral cin-
zento. Especie de S. Paulo e do Rio de Janeiro.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
316. Cephalolepis loddigesi (Gould).
Orthorhynchus loddigesi Burmeister IL p. 352 (S. Paulo).
Cephalolepis loddigesi Pelzeln p. 33.
Cephalolepis loddigesi Berlepsch u. 1hering p. 153.
Cephalolepis loddigesi Cat. Br. Mus. XVI p. 357.
Especie muito semelhante a precedente da qual diftere
pela côr azul do vertice e de seu pennacho no sexo mas-
culino e pelas pontas brancas das rectrizes exteriores. Nao
é rara no Rio Grande do Sul. Natterer obteve-a em Cu-
rityba e parece que perto da divisa com o Estado do
Paraná é encontrada em S. Paulo, visto como Burmeister
diz que essa especie occorre em S. Paulo.
Mus. Paul. —
* 317. Calliphlox amethystina (Gm.).
Trochilus brevicauda Spix I p. 79 Pl. 80 fig. 2 (2).
Trochilus campestris Wied IV p. 73 (Q).
Trochilus amethystinus Wed IV p. go (o).
Calliphlox amethystoides Burmeister II p. 359.
Calliphlox amethystina Pelzeln p. 32 (Oudaria, Ypa-
nema, Rio Parana).
Calliphlox amethystina Cat. Br. Mus. XVI p. 366.
Este beija-flor é singular pelo facto de ter a femea a
cauda simples e o macho a cauda dividida, sendo as
rectrizes exteriores alongadas. O comprimento do macho é
80 mm.,o do bico 15 mm. O macho é verde em cima e tem
a garganta e o pescoço anterior rubim-roxos, o peito bruno.
A femea tem o lado inferior cinzento no meio, castanho
nos lados e as rectrizes lateraes pretas com pontas ama-
rellentas. O macho quando novo assemelha-se a femea.
A epecie occorre desde o Rio Grande do Sul até o Ve-
nezuela. |
Mus. Paul. Ilha de S. Sebastião.
318. Ptochoptera iolaema (Reich.).
Thalurania iolaema Pelzeln p. 30 e 57 (Ypanema).
Ptochoptera iolaema Cat. Br. Mus. XVI p. 389.
Especie rara, de 110 mm. de comprimento, encontrada
só uma vez por Natterer em Ypanema. O lado superior
e a garganta são de côr verde-dourada, o peito e a barriga
são pardo-cinzentas. As pennas cinzentas do lado inferior
tem orlas verde-metallicas. A cauda é dividida; as rectrizes
medianas são verdes, as lateraes roxas e estreitas. O bico
que mede 18 mm. é preto.
Mus. Paul. —
.— 265 —
* 319. Lophornis magnificus (Vieill.).
Colibris helios Spix I p. 81 Taf. 82 fig. 2.
Trochilus magnificus Wed IV p. 79.
Lophornis magnificus Burmeister Il p. 353.
Lophornis magnificus Pelzeln p. 32 (Oudaria, Ypanema,
Rio Parana).
Lophornis magnificus Cat. Br. Mus. XVI p. 422.
Uma das especies mais bonitas e mais pequenas de
beija-flores, de 75 mm. de comprimento. O macho, como
em todas as especies desse genero, tem as pennas lateraes
do pescoço alongadas, sendo em cima verde-metallico, com
uma faxa transversal branca no uropygio e com um topete
de pennas castanhas no vertice. As pennas alongadas do
pescoço são brancas, com a base castanha e a ponta verde-
preta. As rectrizes lateraes são castanhas com orlas verdes.
O bico é avermelhado com a ponta preta. À femea carece
do topete e das pennas alongadas do pescoço e tem a
face e a garganta pardo-amarellas e as rectrizes verdes
com pontas castanhas. A especie está distribuida desde o
Rio Grande do Sul até a Bahia e Matto Grosso.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 320. Lophornis chalybaeus (Vieill.).
Colibri mystax Spix I p. 82 Pl 82 fig. 3 (S. Paulo).
Lophornis festivus Burmester IL p. 354.
Lophornis chalybea Berlepsch I p. 275.
Lophornis chalybea Pelzeln p. 32 (Ypanema).
Lophornis chalybaeus Cat. Br. Mus. XVI p. 426.
O macho é verde em cima, cinzento em baixo e tem
as pennas alongadas do pescoço verdes, com pontas
brancas, as rectrizes pardo-roxas. Ambos os sexos têm
entre o dorso e o uropygio uma faxa branco-amarella. A
femea tem a garganta e o pescoço anterior escuros no
meio, amarellentos nos lados sem pennas alongadas e as
rectrizes anteriores com pontas pardo-amarellas. O bico é
direito, preto, medindo 12 mm. de comprimento. Essa
especie occorre desde S.“ Catharina até S. Paulo.
Mus. Paul. Piquete.
Revista:do-Museu Paulista Vol. III. 17
= 266
321. Heliactin cornuta (Wied).
Trochilus cornutus Wed IV p. 99.
Heliactinus cornutus Burmeister I p. 356.
Heliactina cornuta Pelzeln p. 32 (Rio das Pedras).
Heliactin cornuta Cat. Br. Mus. XVI p. 433.
Especie de too mm. de comprimento, distinguida pela
cauda comprida cujas rectrizes medianas são mais com-
pridas do que as lateraes, e pelas pennas alongadas que
o macho tem atraz dos olhos, variando de verde-dourado
até roxo. O macho é verde em cima, branco em baixo,
com a garganta preta eo vertice azul. As rectrizes lateraes
são brancas. À femea tem o vertice verde, uma estria em
baixo dos olhos e a garganta amarellentas e uma faxa trans-
versal preta nas rectrizes exteriores. E essa especie dos
campos centraes do Brazil, de Minas, Goyaz, Matto Grosso
e Bahia, que Natterer encontrou perto do Rio Grande, no
Estado de S. Paulo.
Mus. Paul. —
BAM: CYPSEEIDÃE:
* 322. Chaetura zonaris (Shaw).
Taperussu. |
Cypsellus collaris Wied HI p. 344.
Acanthylis collaris Burmeister H p. 364.
Chaetura zonaris Pelzeln p. 15 (Ypanema).
Chaetura biscutata Sclater Cat. Br. Mus. XVI p. 479
(Ypanema).
Chaetura biscutata Pelzeln p. 15 (Ypanema).
Chaetura biscutata Berlepsch u. lhering p. 155.
Hemiprogne zonaris Sclater a. Hudson p. 11.
Chaetura zonaris Cat. Br. Mus. XVI p. 476.
Como todas as especies do genero Chaetura tem essa
as hastes das rectrizes na ponta sobrepujantes e sobre-
sahindo a ponta em fórma de espinho, o que não se dá
com as especies do genero seguinte. Essa especie é
— 267 —
grande, de 220 mm. de comprimento, de cor negro-bruna
com uma colleira branca que, no lado anterior, é mais larga.
A distribuiçäo geographica dessa especie extende-se do
Rio Grande do Sul e o Norte da Argentina até o Mexico.
A colleira é, as vezes, completa e larga, as vezes estreita,
ou interrompida nos lados. Exemplares com a colleira
incompleta descreveu Sclater como Ch. biscutata, porém
sem razão, visto como essas variedades, tanto na nossa
collecção como na de Natterer, occorrem juntas e na mesma
localidade, representando apenas variedades individuaes.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 323. Chaetura pelasgia (Wied).
Cypselus pelasgius Wied Ul p. 347.
Acanthylis oxyura Burmeister II p. 366.
Chaetura poliura Pelzeln p. 16 (Borda do Matto, Ypa-
nema, Itararé, Irisanga).
? Chaetura cinereicauda Cat. Br. Mus. XVI p. 482.
Especie de 120 mm. de comprimento, medindo a aza
128 mm. A côr é bruno-denegrida em cima, com lustro
verde-metallico até ao dorso baixo, que é bruno-cinzento,
com mistura de amarello, devido ás orlas pardo-amarellas
de parte das pennas, e o mesmo refere-se ao uropygio e
as coberteiras superiores da cauda. As rectrizes medianas
são pardo-cinzentas, as exteriores bruno-denegridas, com
lustro verde. As pontas das rectrizes sahem em forma de
espinho de 3 mm. de comprimento. O lado inferior é
pardo-cinzento na garganta, no pescoço anterior e nas
coberteiras inferiores da cauda, bruno-escuro no peito e
na barriga.
Creio que é a essa especie que se referem Wied e
Pelzein, mas não estou certo que aconteça o mesmo com
o catalogo do British Museum redigido, quanto a essa
familia, por Hartert. Diz elle, que a côr em cima até ao
dorso baixo é preta com lustro azul e que o lado inferior
é uniforme, não sendo a garganta mais clara do que a
barriga. Isto não corresponde ás aves observadas por mim
— 268 — k
e Wied. Hartert por engano menciona Ch. poliura Pelzeln |
duas vezes (p. 482 e 484) descrevendo sob Ch. poliura
uma especie que tem o mento, garganta etc. até o crisso
de côr preta, o que não corresponde a que Pelzeln p. 16,
nota, diz de Ch. poliura. |
Ch. cinereiventris Scl., que Natterer obteve no Rio
de Janeiro, tem as coberteiras exteriores da cauda com-
pridas, escuras, da côr do dorso, as coberteiras inferiores
da cauda denegridas e a barriga cinzenta.
Em vista das duvidas que ainda existem a respeito
das especies do grupo de Ch. poliura Temm., prefiro o
nome dado por Wied.
Ch. pelasgia occorre desde S. Paulo até a Bahia e
Matto Grosso.
Mus. Paul. Piracicaba.
* 324. Cypseloides fumigatus (Streubel).
Cypselus fumigatus Burmeister IL p. 365, nota.
Nephocaetes fumigatus Pe/zeln p. 16 (Ypanema, Itararé).
Cypseloides fumigatus Cat. Br. Mus. XVI p. 496.
Especie de cor bruno-denegrida uniforme, de 140 mm.
de comprimento, com a aza medindo 150 mm. As rectrizes
são todas do mesmo comprimento. Especie distribuida
desde Curityba até o Equador.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
325. Cypseloides senex (Temm.).
Acanthylis senex Burmeister I p. 365.
Chaetura senex Pelzeln p. 16 (Ypanema, Irisanga).
Cypseloides senex Cat. Br. Mus. XVI p. 496.
Especie semelhante a precedente, sendo, porém, bas-
tante maior, de 200 mm. de comprimento, com a aza
medindo 170 mm. <A cabeça e o pescoço são um pouco
mais claros. Especie de S. Paulo e das regiões centraes
do Brazil.
Mus. Paul. —
— 269 —
FAM. CAPRIMULGIDAE.
* 326. Caprimulgus rufus Bodd.
Antrostomus rutilus Burmester IL p. 385 (9).
Antrostomus ornatus Sclater Proc. Zool. Soc. 1866
p. 586 Pl. 45 (01).
Antrostomus cortapau Pelzeln p. 13 e 53.
Antrostomus ornatus Lerlepsch u. Ihering p. 156.
Caprimulgus rufus Cat. Br. Mus. XVI p. 566.
Especie grande, de 270 mm. de comprimento e com
a aza medindo 170o—180 mm. A côr é parda em cima
com faxas pretas, finas e transversaes. As pennas do vertice
e do dorso têm cadauma uma mancha comprida preta no
meio. As remiges e as rectrizes são castanhas, com faxas
transversaes e manchinhas pretas. As rectrizes exteriores
têm as pontas pardo-amarellas. O lado inferior é amarel-
lento com faxas pretas, finas; no meio do pescoço anterior
nota-se uma faxa amarellenta. O macho tem nas rectrizes
exteriores grandes manchas brancas. Essa especie occorre
desde o Panamá até o Rio Grande do Sul.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
327. Caprimulgus sericeicaudatus (Cass.).
| Curiango.
Antrostomus sericeocaudatus Pelze/n p.13 (Ypanema).
Caprimulgus sericeocaudatus Cat. Br. Mus. XVI p. 567.
O genero Caprimulgus comprehende as especies mu-
nidas de cerdas rijas ao lado da bocca, com o tarso, mais
curto do que o dedo mediano, munido na frente de pennas
e com a cauda näo muito comprida arredondada na extre-
midade. Na maior parte das especies desse genero tém os
machos manchas brancas nas rectrizes exteriores e nas
remiges da mão, que fazem falta ás femeas. Essa especie
tem o comprimento de 300 mm., medindo a aza 180 mm.
A cor é bruna em cima. As pennas da cabeça são dene-
gridas aos lados da haste. O lado inferior é bruno, com
manchas pardas. Especie do Brazil, que Natterer caçou em
Ypanema.
Mus. Paul. =
* 328. Caprimulgus parvulus Gould.
Stenopsis parvulus Pelzeln p. 12 (Ypanema, Itararé,
Irisanga).
Antrostomus parvulus Sclater a. Hudson IL p. 14.
Caprimulgus parvulus Cat. Br. Mus. XVI p. 574.
Especie menor, de 190 mm. de comprimento, parda
em cima com manchinhas pretas e a cabeça com manchas
pretas; amarellenta em baixo com faxas transversaes pretas
e na garganta com uma mancha branca, cuja continuação
nos lados do pescoço é uma colleira branca. As coberteiras
exteriores das azas têm as pontas amarellentas. O macho
tem manchas brancas nas quatro primeiras remiges da
mão e pontas brancas nas rectrizes.
Essa especie é distribuida desde a Argentina e Brazil
até a Colombia e Perú.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 329. Caprimulgus ocellatus Tsch.
Ibiyau Marcgrav p. 195.
Antrostomus ocellatus Burmester Il p. 386.
Antrostomus ocellatus Pelzeln p. 13 (Ypanema).
Antrostomus ocellatus Cat. Br. Mus. XVI p. 578.
Especie menor, de 210 mm. de comprimento, medindo
a aza 125 mm. À côr é pardo-avermelhada com numero-
sissimas faxas pretas. No dorso ha grandes manchas prêtas
redondas com orla castanha. No pescoço anterior ha uma
faxa branca semilunar. As remiges e rectrizes são castanhas
com faxas transversaes pretas. As rectrizes exteriores são
mais curtas que as outras e munidas de pontas brancas.
Parece que essa é a unica especie do genero na qual o
macho não differe da femea. A especie occorre desde S.
Paulo e por todo o Norte do Brazil até Equador.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
330. Stenopsis candicans Pelz.
Stenopsis candicans Pelzeln p. 12 e 49 (Irisanga).
? Stenopsis langsdorffi Pelzeln p. 12 e 52.
— 271 —
Stenopsis candicans Cat. Br. Mus. XVI p. 582.
A cauda, que é arredondada no genero Caprimulgus,
com as rectrizes lateraes um pouco mais curtas é, nesse
genero, um pouco entalhada, sendo as rectrizes lateraes
um pouco mais compridas do que as medianas. O com-
primento total é nessa especie 220 mm., 0 da aza 150 mm.
A côr é cinzenta com manchinhas amarellentas e pretas
em cima. No meio do vertice corre uma estria preta. As
coberteiras exteriores grandes das azas são brancas como
o são as remiges da mão na base. O pescoço anterior e
o peito são de côr castanha com faxas pretas, a barriga
é branca. As rectrizes exteriores são brancas. Especie das
regiões centraes do Brazil, especialmente do Matto Grosso,
que Natterer obteve em Irisanga.
Mus. Paul. —
* 331. Stenopsis platura Pelz.
Stenopsis platura Pelzeln p. 12 e 53 (Ypanema).
Stenopsis platura Cat. Br. Mus. XVI p. 584, nota.
Pelzeln descreveu apenas a femea dessa especie que
tem o comprimento de 200 mm. A côr é preta em cima
salpicada de castanho, amarellenta com faxas escuras em
baixo.
O macho differe pelas pontas brancas das quatro
rectrizes exteriores, que na barba exterior têm manchas
castanhas e na barba interior duas grandes manchas brancas.
Na rectriz exterior a ponta branca mede 16 mm.; segue
um intervallo preto da barba interior de 20 mm. e depois
a mancha branca de 7 mm. de diametro e na mesma dis-
tancia a segunda. O vertice entre as duas estrias supra-
oculares amarellentas é preto, com salpicos cinzentos na
nuca, seguindo no pescoço posterior a larga faxa castanha
de colleira incompleta. A face é preta, com algumas man-
chinhas amarellas. As remiges da mão são pretas, com
grandes manchas castanhas, as remiges do braço têm as
pontas amarellentas. As coberteiras exteriores da cauda e
as duas rectrizes do meio são cinzentas com salpicos e
faxas pretas. As rectrizes são quasi todas iguaes em com-
primento, sendo a exterior talvez 2 mm. mais curta do
que a central.
Hartert, no catalogo do British Museum, emittiu a
opinião que essa especie seja identica com S. ruficervix o
que, porem, não é exacto. Para completar a diagnose de
Pelzeln noto as differenças do macho com a femea e com
St. ruficervix.
St. platura 3 differt a St. ruficervice Scl. deficiente
fascia alba gulari necnon maculis albis remigum primario-
rum; rectricibus exterioribus utrinque quatuor apice albo,
pogonio exteriore ochraceo-fasciato, interiore maculis duabus
albis notato.
Long. tot. 211 mm.; alae 141 mm.; caudae 114 mm.
Mus. Paul. Cachoeira (51).
* 332. Nyctidromus albicollis (Gm.).
Bacurau; Curiango (Piracicaba). Coriavo (S. Sebastião).
Caprimulgus guianensis Wed HI p. 318.
Nyctidromus albicollis Burmeister Il p. 380.
Nyctidromus guianensis Burmeister II p. 391.
Nyctidromus guianensis Pelzeln p. 13 (Ypanema, Iri-
sanga).
Nyctidromus albicollis Coues Key p. 450.
Nyctidromus albicollis Cat. Br. Mus. XVI p. 587 (São
Paulo).
O genero Nyctidromus, do qual a presente é a unica
especie, differe do Caprimulgus por ter o tarso sem pennas
e do comprimento do dedo mediano com a unha ou maior.
E essa especie grande, de 300 mm. de comprimento, com
a aza medindo 175 mm. A cor é cinzenta em cima da
cabeça, com manchas compridas escuras, bruna com manchas
escuras e amarellas em cima, amarellenta com taxas escuras
no lado ventral. Uma mancha grande semilunar, de côr
branca, é notavel no pescoço anterior. As tres rectrizes
exteriores são em grande parte brancas, estendendo-se a
côr branca mais com a idade. O macho tem manchas
grandes e brancas nas remiges da mao. A especie occorre
esde S. Paulo e Norte do Brazil até o Mexico e Texas.
Mus. Paul. Tieté; S. Sebastião.
* 333. Eleothreptus anomalus (Gould).
Curiango.
Eleothreptus anomalus Burmeister IL p. 383.
Eleothreptus anomalus Pelzeln p. 12 (Matto Dentro,
Goyao, Ypanema, Cemiterio, Itararé, Irisanga).
Eleothreptus anomalus Sclater a. Hudson I p. 16.
Eleothreptus anomalus /lartert Thierreich, Caprimul-
gidae p. 31.
Eleothreptus anomalus Cat. Br. Mus. XVI p. 593
(Irisanga).
O genero Eleothreptus, semelhante quanto ao tarso a
Nyctidromus, é bem caracterisado pela configuração sin-
gular das azas no sexo masculino, visto como as seis
primeiras remiges da mão são iguaes em comprimento,
excedendo ellas, porem, em comprimento as tres seguintes.
Essa especie monotypica mede 180—190 ium. de compri-
mento, sendo o da aza 130 mm. À côr é pardo-cinzenta
salpicada de preto em cima, bruna em baixo, com manchas
amarellentas compridas no peito e faxas transversaes escu-
ras na barriga. As primeiras seis remiges da mão têm as
pontas brancas. As rectrizes exteriores têm pontas esbran-
quiçadas. A especie é distribuida desde o Brazil central e
meridional até Buenos Ayres.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 334. Hydropsalis torquata (Gm.).
Hydropsalis torquata Pelzeln p. 11 (Ypanema, Itararé,
| Irisanga).
Hydropsalis torquata Cat. Br. Mus. XVI p. 598.
No genero Hydropsalis tem o macho a rectriz exterior
muito alongada e a rectriz mediana mais comprida do que
a que ao lado della se segue. No genero Macropsalis são as
rectrizes medianas as mais curtas e as outras successiva-
mente mais compridas. A especie presente tem o compri-
mento total de 380 mm. e a aza mede 160—170 mm. A
côr é pardo-cinzenta em cima com salpicos escuros e com
manchas amarellentas nas coberteiras exteriores das azas.
O peito tem faxas escuras, as coberteiras inferiores da
cauda são amarellentas. A rectriz exterior do macho mede
280—300 mm. e tem a ponta e a margem interior esbran-
quiçadas. O pescoço posterior é cingido por uma colleira
pardo-vermelha. É essa a especie de S. Paulo, do Rio de
Janeiro e do Norte do Brazil. No Rio Grande do Sul, na
Argentina, no Paraguay, Bolivia e Matto Grosso occorre
outra especie muito semelhante, H. furcifer Vieill. (= pal-
lescens Pelzeln), cuja rectriz exterior mede 380 mm. e
que tem a colleira amarellenta.
Mus. Paul. S. Sebastião.
* 335. Macropsalis creagra (Bp.).
Curiango tesoura (Piracicaba).
Hydropsalis forcipatus Burmeister IL p. 380.
Hydropsalis forcipatus Pelzeln p. 11 (Ypanema).
Hydropsalis ypanemae Pelzeln p. 11 (Ypanema).
Macropsalis creagra Hartert Thierreich, Caprimulgidae
poem:
Macropsalis forcipata Cat. Br. Mus. XVI p. 603 (São
Paulo).
Especie semelhante na côr a Hydropsalis torquata,
mas bem differente pela cauda, como já expliquei, e pelo
comprimento extraordinario da rectriz exterior de 600 mm.
Esta rectriz é direita, tem a- haste e a barba exterior
denegridas e a barba interior esbranquiçada. Especie
conhecida de S. Paulo e Rio de Janeiro. O Sr. Valencio
Bueno caçou-a em Piracicaba. Os guaranys do Rio Verde
chamam-n'a Coriava coariarú.
Mus. Paul, Est. de S. Paulo.
336. Chordeiles virginianus (Gm.).
Chordeiles popetue Coues Key p. 454 fig. 290 e 295.
Chordeiles virginianus Sc/ater a. Hudson Il p. 13.
Chordeiles popetue Pe/ze/n p. 14 (Ypanema, Itararé,
[risanga).
Chordeiles virginianus Cat. Br. Mus. XVI p. 610.
Especie de 230 mm. de comprimento, com as azas
medindo 200 mm. À côr é preta em cima, salpicada de
bruno. As azas são pretas, com uma faxa larga branca na
base das primeiras cinco remiges da mão. As rectrizes
são pretas com faxas transversaes brunas e uma taxa
branca perto da ponta. O lado inferior é branco, com nu-
merosas faxas pretas e com uma faxa no pescoço que é
branca no macho, amarellenta na femea.
É essa especie da America do Norte, que alli não
permanece no inverno, extendendo as suas migrações até
ao Sul do Brazile da Argentina, onde apparece em Janeiro
e Fevereiro. Uma especie affim é Ch. acutipennis Bodd.
(Ch. brasilianus Wied e semitorquatus Wied) com as azas
de 160 mm. e a taxa branca extendendo-se só sobre as
quatro primeiras remiges, que occorre desde o Rio de
Janeiro até o Norte do Brazil.
Mus. Paul. —
* 337. Podager nacunda (Vieill.).
Corucão (Piracicaba).
Caprimulgus diurnus Wed II p. 326.
Podager nacunda Burmeister Il p. 400.
Podager nacunda Pelzeln p. 15 (Mogy das Cruzes,
Sorocaba, Ypanema, S. Paulo).
Podager nacunda Sclater a. Hudson Il p. 12.
Podager nacunda Cat. Br. Mus. XVI p. 619.
Especie de cerca de 300 mm. de comprimento, parda,
com manchas e salpicos pretos e amarellos. Uma taxa do
pescoço anterior, a barriga e as coberteiras inferiores da
cauda são brancas. As remiges da mão são brancas na
276) —
base. As rectrizes exteriores têm as pontas brancas no,
macho. O tarso é nú, sem pennas. À especie occorre desde
a Patagonia até a Guyana. É a primeira a começar a voar
ao pôr do sol e ás vezes de dia, em tempo de chuva.
Mus. Paul. Ypiranga.
* 338. Lurocalis semitorquatus (Gm.).
Tuju (Piracicaba).
Chordeiles semitorquatus Burmeister Il p. 397.
Chordeiles nattereri Burmeister II p. 398.
Lurocalis semitorquatus Pelzeln p. 15. :
Lurocalis nattereri Felze/n p. 15 (Ypanema, Irisanga).
Lurocalis nattereri Berlepsch u. [hering p. 155.
Lurocalis semitorquatus Cat. Br. Mus. XVI p. 621
(Ypanema).
Especie de 240 mm. de comprimento, com as azas
medindo 200—210 mm. A côr é bruno-denegrida, salpicada
de pardo-vermelho. Uma faxa semilunar branca occupa a
garganta. A barriga é de cor pardo-avermelhada com largas
faxas transversaes pretas. As ultimas remiges do braço
são branco-cinzentas com manchas pretas.
Essa especie occorre desde o Rio Grande do Sul até
a Guyana. Os guaranys do Rio Verde chamam-n'a Cu-
riango guariava.
Mus. Paul. Piquete.
* 339. Nyctibius jamaicensis (Gm.).
Urutau pequeno.
Nyctibius cornutus Burmeister IL p. 376.
Nyctibius cornutus Pelzeln p. to (Ypanema).
Nyctibius jamaicensis Cat. Br. Mus. XVI p. 625.
Essa especie é a menor entre as tres de Urutau que
occorrem no nosso Estado. O comprimento total é de’
380—390 mm., o das azas de 270—280 mm. A cor é pardo-
cinzenta, com manchas pretas. A garganta, a barriga e as
coberteiras inferiores da cauda são de côr alvacenta, o
— 277 —
vertice é preto. No peito tem cada penna uma grande
mancha preta perto da ponta. As remiges e rectrizes são
escuras com faxas transversaes cinzentas. Os encontros são
esbranquiçados.
Encontrei essa especie em S. Lourenço, no Sul do
Rio Grande do Sul. Ella occorre desde alli até o Mexico
e Jamaica.
Mus. Paul. Piquete.
* 340. Nyctibius aethereus (Wied).
Urutau.
Caprimulgus aethereus Wed III p. 303.
Nyctibius aethereus Burmeister Il p. 375.
Nyctibius aethereus Pelzeln p. to (Ypanema).
Nyctibius aethereus Cat. Br. Mus. XVI p. 627.
Especie muito grande, de 500 mm. de comprimento,
a aza medindo 340 mm. e a cauda 300 mm. A cor pre-
dominante é pardo-avermelhada em cima, com estrias lon-
gitudinaes e salpicos pretos. O vertice é bruno-escuro, a
garganta cinzenta, a barriga esbranquiçada. As pennas do
peito são pardo-cinzentas e têm manchas grandes, dene-
gridas na ponta e perto dessas outras amarellentas. As
rectrizes têm faxas largas, de côr escura. Os indios gua-
ranys do Rio Verde chamam-n'a urutau.
Essa especie é conhecida no Brazil, desde S. Paulo
até a Bahia.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
3H. Nyctibius grandis (Gm.).
Urutau.
Ibiyau magnitudine noctuae Marcgrav p. 196.
Caprimulgus grandis Wed II p. 295.
Nyctibius grandis Burmeister Il p. 374.
Nyctibius grandis Pelzeln p. 10 (Matto Dentro).
Nyctibius grandis Cat. Br. Mus. XVI p. 628.
de see
Especie um pouco menor do que a precedente, com
a aza um pouco mais comprida, medindo 350 mm. A côr
predominante é cinzento-branca, com estrias e salpicos
denegridos. E' essa especie mais do Norte do Brazil, Matto
Grosso etc. atéa Venezuela, que Natterer caçou em Matto
Dentro, onde a chamavam Urutau e preguiça. O principe
Wied diz que na Bahia denominavam essa ave de Man-
dalua ou Choralua.
Mus. Paul. —
HI. Ordem. Pici.
As aves que compõem esta ordem formam um grupo
bem natural, tendo parentesco intimo com as aves das
duas ordens que se seguem. Alguns naturalistas acceitam
uma ordem immensa Picariae, reunindo nella as nossas
ordens II—V. Elles reconhecem entretanto que tal classifi-
cação é pouco natural e não pode ser caracterisada de
modo preciso. fürbringer na sua obra classica constrée
uma ordem maior ainda, Pico-passeriformes, reunindo aos
Passaros os pica-paos, tucanos, beija-flores etc. e dividindo
as aves de rapina em duas secções, uma composta das
corujas e das caprimulgidas, contendo a outra os gaviões
e as garças. Outros autores elevam grande parte das
antigas familias á categoria de ordens. Deixando o escla-
recimento ao futuro acceito aqui um systema que me
parece bem justificado e que foi acceito pela União dos
Ornithologistas americanos.
Os pica-paos têm os pés typicos dos trepadores com
dous dedos dirigidos para diante e dous para traz, sendo
além do pollegar o dedo que corresponde ao anterior
exterior dos passaros dirigido para traz nessa familia. Os
dedos anteriores são ligados entre si na base. O bico é
comprido e forte, direito, paragnatho, aquilhado em cima
e em baixo, truncado na ponta. Na aza ha to remiges de
mão, das quaes a primeira é pequena e 9—12 do braço.
eee fi, ,
A cauda tem 12 rectrizes que no genero Picumnus são
molles com a ponta redonda e nos outros generos fortes
com o cano rijido e proprios para dar apoio á ave quando
trepa. As coberteiras exteriores das azas são curtas como
nos passaros. No esqueleto é notavel o grande desenvol-
vimento dos ramos posteriores do osso hyoide que entre
o craneo e a pelle em grande curva dirigem-se até a base
do bico, facilitando o protrahimento e a retracção da lingua
até a distancia de algumas pollegadas. A lingua é pequena
triangular, denteada nas margens, servindo para pegar os
insectos nos buracos que fazem na cortiça e. na madeira
das arvores velhas. Em buracos de páos oucos fazem o
seu ninho, sendo aves de biscato, isto é, os filhotes recem-
nascidos são nús e precisam ser criados.
E esse um grande grupo de aves distribuido em
todas as regiões e zonas do mundo. Em Portugal denomi-
nam-se essas aves picanços, no Brazil pica-paos. O nome
indigena de pica-páo «ipecu » vem de ipé == casca de
arvore. Marcgrav escreve ipecú. Os indios guaranys do
Rio Verde deram-me para os pica-paos os seguintes nomes:
pécu-anti para Celeus, pecu-nauta para Ceophloeus, pecu-
rupacân para os outros a excepção: de Melanerpes flavi-
frons que é curutui ou pecu-rutui? Pecu-nteré é Melanerpes
candidus. E’ bem possivel que tenham dito ipecu quando
eu apenas entendi e notei pécu. Afinal o ino começo da
palavra é sem importancia e Montoya escreve pé e ipé
para casca de arvore. O nome do pato é ipeg.
* 342. Colaptes campestris (Vieill.).
Pica-pao do campo; Chan-chan (Piracicaba).
Picus campestris Sgix I p. 57 Pl. 46 (9).
Picus campestris Wied IV p. 409.
Colaptes campestris Burmeister Il p. 235.
Pediopipo campestris Pelzeln p. 249 (Taipa, Matto
Dentro, Goyaba, Ypanema).
Colaptes campestris Cat. Br. Mus. XVIII p. 23 (Taipa).
<=! 260 EE
Especie grande, de 300 mm. de comprimento, medindo
a aza 160 mm., o bico 40 mm. A fronte, o vertice e a
garganta são pretas. À nuca, o pescoço e parte do peito
são amarellas. O dorso e a barriga são esbranquicadas
com faxas pretas transversaes, o uropygio é branco com
faxas pretas. As hastes das remiges são amarellas.
E' esse um pica-pao um pouco fora do commum no
seu modo de viver preferindo os campos, vivendo em
bandos e andando no chão a procura de formigas e cupins.
No Rio Grande do Sul e na Argentina é substituida essa
especie por outra pouco differente que tem a garganta
branca, C. agricola Malh., sendo C. campestris a especie
do Brazil central e septentrional, desde S. Paulo até a
Bolivia e Pernambuco.
Mus. Paul. Cachoeira.
* 343. Chloronerpes erythropsis (Vieill.).
Picus icterocephalus Spix I p. 62 Pl 54 fig. 1, 9.
Picus erythrops Wied IV p. 427.
Chloronerpes icterocephalus Burmeister IL p. 228.
Chloronerpes erythropes Pelzeln p. 244 (Monjolinho,
Matto Dentro, Rio Parana).
Chloronerpes erythropsis Cat. Br. Mus. XVIII p. 75.
Especie pequena, de 180 mm. de comprimento, me-
dindo o bico 22 mm. O dorso e as azas são verde-amarellas,
o peito ea barriga são amarellentas com faxas transversaes
de côr bruno-azeitonada. A cabeça é amarella com o ver-
tice vermelho no sexo feminino, extendendo-se a côr ver-
melha no sexo masculino tambem sobre a fronte ea gar-
ganta. As remiges têm a base pardo-amarella.
Essa especie é encontrada desde 5S. Paulo até o Norte
do Brazil.
Mus. Paul. Piracicaba; Cachoeira.
* 344. Chloronerpes aurulentus (Temm.).
Chloronerpes aurulentus Burmeister Il p. 227 (partim).
Chloronerpes aurulentus Pelzeln p. 243 (Jacarehy,
Ypanema).
À — 281 —
Chloronerpes aurulentus Sclater a. Hudson It p. at.
Chloronerpes aurulentus Berlepsch u. lhering p. 158.
Chloronerpes aurulentus Cat. Br. Mus. XVIII p. 70.
Especie de 210 mm. de comprimento, com o bico
medindo 25 mm. O macho é ‘verde-azeitonado em cima,
brancacento em baixo, com faxas transversaes pretas. A
garganta é amarella, a cabeça em cima e uma estria nas
bochechas são vermelhas. A face é cinzenta, orlada em
cima e em baixo de amarello. As rectrizes são pretas, as
remiges pretas com faxas transversaes pardo-vermelhas. A
femea tem só a nuca vermelha, o resto da cabeça em cima
é preta. Essa especie está distribuida desde o Rio da Prata
até o Rio de Janeiro, Minas e Paraguay.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 345. Chrysoptilus melanochlorus (Gm.).
Picus melanochlorus Wied IV p. 423.
Chrysoptilus melanochlorus Burmeister p. 242.
Chrysoptilus chlorozostus Pelzeln p. 249 (Monjolinho,
Matto Dentro, Ypanema, Itararé).
Chrysoptilus chlorozostus Berlepsch u. Lhering p. 158.
Chrysoptilus chlorozostus Cat. Br. Mus. XVI p. rr1.
Especie maior, de 290 mm. de comprimento, medindo
o bico 28 mm. À cor é amarello-verde no corpo com faxas
transversaes pretas no lado dorsal e com manchas redondas
pretas no lado ventral. A fronte e o vertice são pretos, a
nuca é vermelha, a face branco-amarella. O uropygio é
_amarello. As remiges são escuras com faxas verdes e
hastes amarellas. O macho tem as bochechas vermelhas.
Essa especie occorre desde o Rio Grande do Sul até o
Paraguay, Minas e Bahia, sendo representada no Rio da
Prata por especie muito semelhante, Ch. cristatus Vieill.,
amarella no lado inferior.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
Revista do Museu Paulista. Vol. III ; 18
— nba
* 346. Melanerpes candidus (Otto).
Biro (Piracicaba).
Picus candidus Wed IV p. 415.
Picus dominicanus Spix 1 p. 59 Pl 50 fig. 1Peza.
Leuconerpes candidus Burmeister Il p. 237.
Leuconerpes candidus Sclater a. Hudson p. 23.
Leuconerpes candidus Pelzeln p. 247 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé, Irisanga).
Melanerpes, candidus Cat. Br. Mus. XVIII p. 148.
Pica-pao de 280 mm. de comprimento, medindo o bico
34 mm. As azas são muito compridas extendendo-se quasi
até a ponta da cauda. Ao redor dos olhos nota-se uma
zona núa, de côr amarella. A côr é branca, uma linha ao
lado do pescoço, o dorso e as azas são de côr preta. As
rectrizes são pretas, com taxas brancas. A barriga é ama-
rella e no sexo masculino a nuca. A especie está distri-
buida desde o Rio da Prata até a Bolivia, Matto Grosso
e Bahia.
Mus. Paul. Itatiba.
* 347. Melanerpes flavifrons (Vieill.).
Picus flavifrons “Sp7x-1-p: 60: Plica-hg. ri Pere Gt.
Picus coronatus Wied IV 419.
Tripsurus coronatus Burmeister Il p. 239.
Melanerpes flavifrons Pe/ze/n p. 248 (Ypanema, Itararé).
Melanerpes flavifrons Cat. Br. Mus. XVIII p. 161 (S.
Paulo).
Especie de 200 mm. de comprimento, o bico medindo
25 mm. O macho é preto nas costas, branco no uropygio
e nas coberteiras superiores da cauda. Asazas e a cauda
são pretas. A fronte e a garganta são amarellas, a face é
preta, o vertice e.a nuca são vermelhas. O peito-é ver-
melho, a barriga é amarellenta, com faxas transversaes
pretas. A femea tem o vertice e a nuca pretas, a fronte
amarella. Essa especie occorre desde o Rio Grande do
Sul até Paraguay, Goyaz e Bahia.
Mus. Paul. Piquete; Piracicaba.
—'283 —
348. Dendrocopus cancellatus (Wagl.).
Dendrobates maculatus Burmeister Il p. 224 (nec
Vieill.) S. Paulo.
Picus cancellatus Pelzeln p. 245.
Dendrocopus cancellatus Cat. Br. Mus. XVIII p. 260.
Especie pequena, rara, de 140 mm. de comprimento.
O bico mede 16 mm. A primeira remige é muito curta, a
cauda é mais comprida do que a segunda remige. O
angulo mental é coberto por cerdas dirigidas para diante.
A côr é denegrida, com faxas transversaes brancas no dorso
e com manchas compridas, brancas no peito e na barriga.
A cabeça é bruno-preta em cima, tendo cada penna uma
estria branca e as pontas vermelhas no sexo masculino; a
femea tem só na nuca as pontas das pennas vermelhas.
Uma estria branca corre dos olhos até o ouvido. As remiges
são escuras, as rectrizes brancas, com faxas pardo-cinzentas.
Natterer caçou essa especie em Matto Grosso e Goyaz,
Azara no Paraguay. O Museu de Berlim obteve-a de S.
Paulo por Sellow, provavelmente proveniente da zona
occidental do Estado. Especie semelhante da Argentina e
do Chile é D. mixtus Bodd.
Mus. Paul. —
349. Dendrobates olivinus (Malh.).
Campias olivinus Pelzeln p. 246 (Rio Paraná).
Dendrobates olivinus Cat. Br. Mus. XVIII p. 356.
Especie semelhante a que se segue, tendo porem todo
o lado inferior riscado por faxas transversaes. O dorso e
as coberteiras superiores da cauda são uniformes, o uro-
pygio é riscado por faxas. Nesse genero, como no prece-
dente, Dendrocopus, é a primeira remige da mão extrema-
mente curta, não excedendo a parte livre della o compri-
mento do culmen do bico. Em ambos esses generos é o
dedo posterior exterior mais comprido do que o anterior
exterior. A cauda é no genero Dendrobates mais curta do
que a segunda remige.
a sy pee
Essa especie occorre em Goyaz, Matto Grosso e Bolivia
e foi por Natterer caçada no Rio Parana.
Mus. Paul. —
* 350. Dendrobates spilogaster (Wagl.).
Dendrobates passerinus juv. Burmeister (nec L.) Il
p. 223 partim.
Campias spilogaster Berlepsch I p. 281.
Campias spilogaster Pelzeln p. 247 (Ypanema).
Chloronerpes spilogaster Berlepsch u. lhering p. 158.
Dendrobates spilogaster Cat. Br. Mus. XVIII p. 358.
Especie de 170 mm. de comprimento, medindo o bico
23 mm. À côr é verde-azeitonada em cima, com manchas
amarellas. A garganta é branca, com estrias escuras, O
resto do lado inferior é verde-azeitonado, com manchas
amarellentas isóladas, que só na barriga formam faxas. A
cabeça é denegrida em cima, com estrias estreitas longi-
tudinaes que são amarellas no sexo feminino, vermelhas
no sexo masculino. É essa especie do Brazil meridional,
desde Montevideo até S. Paulo. Uma especie semelhante
que talvez seja encontrada em S. Paulo é D. affinis Swains.,
que tem na nuca uma faxa amarella e o lado inferior
riscado por toda a parte de faxas transversaes.
Mus. Paul. Piracicaba; Iguape; Cachoeira.
* 351 Celeus flavescens (Gm.).
Pica-pao de cabeça amarela; João velho (Piracicaba).
‘‘Picus flavescens Sgix pr58 Dlisohe mate ue
Picus flavescens Wied IV p. 396.
Celeus flavescens Burmeister I p. 221.
Celeus flavescens Pelzeln p. 250 (Ypanema). , |
Celeus flavescens Cat. Br. Mus. XVIII p. 423 (S. Paulo).
No genero Celeus, como nos dous que se seguem, é
o pescoço muito estreito em comparação á cabeça, que é
larga. Toda a cabeça é amarello-clara, com as pennas do
vertice alongadas, formando um topete. O corpo é preto,
— 285 —
a excepção do uropygio que é amarello. As pennas do
dorso e das azas tém orlas amarellas. O macho tem a
bochecha vermelha. O comprimento total é 290 mm., o
do bico 35 mm. Essa especie occorre nos mattos, desde
o Rio Grande do Sul até a Bahia e Par aguay.
Mus. Paul. Cachoeira,
352. Campophilus melanoleucus (Gm.).
Ipecu Marcgrav p. 207.
Picus albirostris Spix I p. 56 PL 45 fig. 1 fie 2 9.
Picus comatus Wied IV p. 393.
Dryocopus albirostris Burmeister IL p. 221.
Campephilus melanoleucus Pelzeln p. 242 (Rio das
| Pedras).
~Campophilus melanoleucus Cat. Br. Mus. XVIII p. 470.
As especies do genero Campophilus tém o dedo exte-
rior posterior mais comprido do que o exterior anterior,
que é mais comprido do que o exterior posterior no genero
seguinte. Especie grande, de 340 mm. de comprimento,
medindo o bico, que é brancacento, 45 mm. A côr do
macho é preta em cima, correndo a cada lado do pescoço
e do dorso uma estria branca que, com a do outro lado,
se reune no meio do dorso. À cabeça com o seu topete
é vermelha. A garganta e o pescoço anterior são pretos,
o peito e barriga são esbranquiçados, com faxas pretas
transversaes. A femea tem a fronte e parte do topete
- pretas. Essa especie é do Brazil central e da Guyana.
Natterer obteve-a no Rio Paraná.
Mus. Paul. —
* 353. Campophilus robustus (Licht.).
Picus robustus Spix I p. 56 Pl. 44 ©.
Picus robustus Wied IV p. 385.
Campephilus robustus Burmeister II p. 217 (S. Paulo).
Campephilus robustus Pelzeln p. 243 (Cemiterio, Ypa-
nema).
Campephilus robustus Cat. Br. Mus. XVIII p. 477.
— 286 —
A especie maior entre os pica-paos do Brazil, medindo
360 mm., sendo o comprimento do bico de 53 mm. A cor do
corpo é amarellenta, uniforme em cima, com faxas escuras
transversaes em baixo. A cauda e as azas são pretas, as
remiges têm faxas pardo-vermelhas na barba interior. A
cabeça e o pescoço são escarlates. À femea tem o topete
menor e em baixo dos olhos uma estria desmaiada com
orlas pretas. O bico é branco-amarellento. Essa especie
está distribuida desde o Rio Grande do Sul até o Para-
guay e Bahia.
Mus. Paul. S. Sebastião.
* 354. Ceophloeus lineatus (L.).
Picus lineatus Sfzx T p. 58 Pl. 48'fig: 1 tez,
Dryocopus lineatus Burmeister II p. 219.
Dryocopus lineatus Pelzeln p. 243 (Ypanema).
Ceophloeus lineatus Cat. Br. Mus. XVIII p. 508.
Especie grande, de 350 mm. de comprimento, medindo
o bico, que é preto, 40 mm. O macho é preto em cima
com uma mancha branca nas azas, sendo a barba exterior
de algumas pennas scapulares branca. A cabeça é escarlate
em cima até a nuca, cujas pennas formam o topete. A
garganta é branca, com estrias pretas, o peito e o pesçoço
anterior são pretos. À face é cinzenta. Uma estria branca
corre ao lado do pescoço e sob o ouvido até o bico, onde
começa com côr amarella. A bochecha é vermelha. A
barriga é amarello-branca, com faxas pretas transversaes. :
A femea tem o vertice e a fronte cinzento-pretas. Esse
grande pica-pão é commum nos mattos do Brazil, desde
S. Paulo até o Pará e Guyana. A especie seguinte é apenas
uma variedade meridional.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 355. Ceophloeus erythrops (Valenc.).
Picus lineatus Wied IV p. 389.
Dryocopus erythrops Burmeister II p. 220.
Dryocopus erythrops Sclater a. Hudson II p. 18.
— 287 —
Dryocopus erythrops Berlepsch u. lhering p. 157.
Dryocopus erythrops Pelzeln p. 243 (Ypanema).
Ceophloeus erythrops Cat. Br. Mus. XVIII p. 513.
É essa uma variedade da especie precedente, que tem
as azas todas pretas. As faxas transversaes da barriga são
pallidas ao lado de cada penna, mais escuras no centro.
Não tenho de modo algum a convicção de que essa «espe-
cie» realmente seja differente da precedente, sendo a falta
das orlas brancas das pennas scapulares a unica differença.
Tão pouco parece differente a distribuição geographica,
sendo C. erythrops observada desde o Rio Grande do
Sul até Pernambuco. O assumpto merece estudos, sob o
ponto de vista aqui indicado. Provavelmente a extensão
da mancha branca das azas é variavel.
Mus. Paul. Est. de 5. Paulo.
356. Ceophloeus galeatus (Temm.).
Picus galeatus Burmeister Il p. 222, nota.
Dryocopus galeatus Pelzeln p. 243 (Ypanema).
Dryocopus galeatus Berlepsch wu. lhering p. 157.
Ceophloeus galeatus Cat. Br. Mus. XVII p. 513.
Especie de 300 mm. de comprimento, medindo o bico
35 mm. À côr é preta entre as azas, amarellenta no dorso
baixo e no uropygio. As azas e a cauda são pretas, as
remiges são amarellentas na base da barba interior. A
cabeça é vermelha em cima: Uma estria branca corre
do ouvido á nuca. O lado inferior é amarellento, com taxas
transversaes pretas. O macho tem as bochechas vermelhas,
a femea amarello-cinzentas. Essa especie rara foi caçada
por mim no Rio Grande do Sul e por Natterer em São
Paulo.
Mus. Paul. —
* 357. Picumnus temmincki Lafr.
Pica-pão anão.
Picumnus temmincki Burmeister IL p. 246.
Picumnus temmincki Pe/ze/n p. 240 (Ypanema).
2000
Picumnus temmincku Berlepsch u. Zhering p. 156
Fak g fig2 ot.
Picumnus temmincki Cat. Br. Mus. XVII p. 530
(Ypanema). |
Os pequenos pica-paos do genero Picumnus distin-
guem-se de todos os outros pela cauda pequena, molle e
sem pontas sobresalientes rijidas das rectrizes. P. temmincki
tem o comprimento de 9go—100 mm., medindo o bico 12
mm. À côr é pardo-cinzenta no dorso, esbranquiçada, com
faxas pretas transversaes, em baixo. A face e o lado do
pescoço são uniformes, pardo-amarellos. A cabeça é preta
com pontas brancas das pennas no sexo feminino. O
macho tem na fronte e no vertice as pontas das pennas
vermelhas, no resto da parte superior da cabeça pontas
brancas. À cauda é preta, com pontas brancas das rectrizes
exteriores. Essa especie occorre desde o Rio Grande do
Sul até S. Paulo. Temos no Museu um lindissimo ninho
excavado num tronco e que nos offereceu o Sr. Krone.
Mus. Paul. Iguape.
\
* 358. Picumnus cirrhatus Temm.
Picumnus minutissimus Wied IV p. 378.
Picumnus minutus Burmeister II p. 245 (nec L.).
Picumnus azarae Pelzeln p. 442.
Picumnus cirrhatus Pelzeln p. 241 (Ypanema).
Picumnus cirrhatus Cat. Br. Mus. XVIII p. 531.
Especie extremamente semelhante 4 precedente, da
qual differe pelo lado dorsal mais pardo-avermelhado com
faxas pouco distinctas transversaes e pela face e os lados
do pescoço amarellentos, com faxas escuras transversaes.
Essa especie occorre desde o Paraguay, Tucuman e
S. Paulo até a Bahia.
Mus. Paul. S. Sebastião; Tieté; Cachoeira.
IV. Ordem. Coccyges.
É esse um grande grupo de aves que com preferencia
habitam as regiões mais quentes do globo. São na maior
parte aves trepadoras, sendo em geral as pernas e os pés
pouco fortes ou bem pequenos e fracos. Num dos grupos
(C. anisodactylae) são tres dedos dirigidos para diante,
sendo entretanto o terceiro e quarto dedo ligados na base.
Nos outros membros da familia são dous dedos dirigidos
para diante, dous para traz, mas assim mesmo ha uma
differença notavel, sendo na familia Trogonidae alem do
pollegar ou primeiro dedo dirigido para traz o segundo e
nas outras familias o quarto. Por essa razão separam-se as
Trogonidas como C. heterodactylae das outras familias
que formam os C. zygodactylae. +3
Quanto aos outros caractereres são relativamente com-
pridas as coberteiras exteriores das azas. O bico é grande
mas leve, ás vezes duas vezes mais comprido do que a
cabeça e em diversas familias são as margens cortantes
denteadas. A cauda contem 10o—r2 rectrizes, sendo esse
numero reduzido a 8 nas Crotophaginas. Varias entre essas
familias são na sua distribuição restringidas á America
meridional como as Momotidae, Galbulidae, Bucconidae,
Rhamphastidae.
_ Coccyges anisodactylae. São representadas por duas
familias Momotidae e Alcedinidae, caracterisadas, como já
disse, pelo syndactylismo dos dous dedos exteriores. As
Momotidas têm as tomias ou as margens cortantes do bico
denteadas, as Alcedinidas têm as tomias simples, o bico
direito e comprido. Á primeira familia pertence apenas
entre nossas aves a Juruva, a segunda é formada pelas
aves denominadas «Martim pescador» e que abundam ao
longo dos rios, dos quaes tiram o seu nutrimento, que
consiste em peixes e em cujos barrancos cavam os seus
ninhos.
Coccyges heterodactylae são apenas as aves que formam
a familia Trogonidae. O bico é curto com cerdas rijas na
base e com as tomias denteadas. As pennas säo molles, a
pelle é delgada, difficil de ser preparada. À cauda é com-
prida consistindo em 12 rectrizes. Pertencem a esse grupo
os surucuás, as aves mais bonitas e mais estupidas de nosso
matto virgem. 3
Coccyges zygodactylae. É grande o numero das familias
dessa secção.
A familia Galbulidae está entre nós representada apenas
por 2—3 especies, por nenhuma no Rio Grande do Sul. A
cauda tem só Io rectrizes, o bico é direito e comprido, as
azas são curtas. Os dous dedos anteriores são unidos na
base. Em um dos generos, Jacamaralcyon, existem só tres
dedos, faltando o pollegar. Essas aves assemelham-se ao
Martim-pescador e aos Beija-flores.
A familia Bucconidae contem aves com o bico mais
forte, cuja maxilla superior na ponta é virada para baixo.
Na base do bico notam-se numerosas e fortes cerdas. Os
dedos anteriores não são unidos. A cauda contem 12
rectrizes. São aves pouco intelligentes como os surucuás
e por essa razão denominadas João bobo, João doudo etc.
A familia Cuculidae assemelha-se no bico as Bucconi-
dae, tendo cerdas na base do bico e este arqueado e
lateralmente compresso. À cauda tem geralmente 10 rectri-
zes, mas nos generos Crotophaga e Guira apenas 8. Nos
generos Diplopterus e Dromococcyx são as coberteiras
exteriores da cauda muito compridas, extendendo-se até
perto da ponta da cauda. A cauda é comprida e molle.
Fazem parte dessa familia de aves insectivoras o sacy ou
sem fim, alma de gato e os anus.
A familia Rhamphastidae é bem caracterisada pelo
bico immenso, cujo comprimento é 1—2 vezes maior do
que o da cabeça. Na cauda ha to rectrizes. Os tarsos
são relativamente fortes e compridos. São bem conhecidos
os tucanos e os araçaris.
SUBORDEM De CoccyGEs ANISODACTYLAE.
FAM. MOMOTIDAE.
* 359. Baryphthengus ruficapillus (Vieill.).
Jeruva ou Juruva.
Prionites ruficapillus Wed II p. 1257.
Prionites ruficapillus Burmeister 1 p. 411.
Momotus Lavaillanti Pelzeln p. 19 (Matto Dentro,
Ypanema, Rio Paraná).
* Momotus ruficapillus Berlepsch I p. 268.
ns es ruficapillus Cat. Br. Mus. XVII p. 330
(Rio Grande do Sul).
Ave grande, de 440 mm. de comprimento. O bico,
que tem as margens denteadas, mede 45 mm.; a cauda
comprida mede 250 mm. A côr é verde-azeitonada, a
barriga e a cabeça em cima são castanhas, a região ao
redor, adiante e atraz dos olhos é negra, como tambem
uma mancha do peito. As margens exteriores das remiges
da mão e as pontas das rectrizes são azues. A garganta
é cinzento-amarella. Especie que occorre em todo o Brazil
no matto virgem. O nome indigena, e o que é usado em
S. Paulo, é Jeruva. Os indios guaranys do Rio Verde cha-
“mam-n'o jiru. Dizem que na lingua geral tem tambem o
nome de pira-paya ou guira-paya. No Rio de Janeiro e
Bahia tratam-n'o de «taquara» ou gallo do matto. O Sr. Krone
caçou essa especie em Iguape, o Sr. Valencio Bueno em
Piracicaba.
Mus. Paul. Piquete.
FAM. ALCEDINIDAE.
* 360. Ceryle torquata (L.).
Matraca (Itatiba); Martim grande. (Iguape).
Alcedo cyanea Wied IV p..-5.
Megaceryle torquata Burmeister Il p. 404 e 405, 2
(caesia).
Ceryle torquata Pelzeln p. 23 (Ypanema).
Ceryle torquata Berlepsch | p. 269.
Ceryle torquata Sclater a. Hudson I p. 26.
Ceryle torquata Cat. Br. Mus. XVII p. rat.
Entre as diversas especies de Martim-pescador é essa
a maior, facil de conhecer pela côr cinzento-azul do
dorso. O comprimento total importa em 440 mm., o do
bico em 75—80 mm. As azas e cauda são pretas, com
faxas transversaes brancas. À garganta e uma colleira que
della sahe são brancas. O macho tem o peito e a barriga
castanhas, o crisso branco, a femea tem o peito cinzento
e o crisso amarellado.
Essa especie está distribuida por toda a America central
e meridional. Uma variedade della, var. stellata, é encon-
trada na Patagonia e no Chile. O nome das especies de
Alcedo é jaguacati na lingua geral ou jaguati como me O
indicaram os guaranys do Rio Verde. Natterer diz (Pelzeln
p. 23) que na lingua geral o nome para o Martim-pescador
é uarirama.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 361. Ceryle amazona (Lath.).
Martim-pescador.
Alcedo amazona Wied IV p. 12.
Chloroceryle amazona Burmeister II p. 405 e 406
(leucosticta).
Ceryle amazona Pelzeln p.23 (Matto Dentro, Ypanema,
Itararé, san
Ceryle amazona Sclater a. Hudson II p. 27.
Ceryle amazona Berlepsch I p. 270.
Ceryle amazona Cat. Br. Mus. XVII p. 129.
Especie menor que a precedente, medindo 330 mm.
sendo o comprimento do bico 7o mm. À côr é verde-me-
tallica em cima e nos lados, branca em baixo. Da garganta
sahe uma colleira branca.. As azasea cauda têm manchas
brancas. O macho tem o peito castanho. A especie occorre
desde o Rio da Prata até o Mexico.
Mus. Paul. Iguape.
* 362. Ceryle americana (Gm.).
Martim-pescador pequeno.
Alcedo americana Wied IV p. 17.
Chloroceryle americana Burmeister Il p. 407 e 408
(chalcites).
Ceryle americana Pelzeln p. 23 (Taipa, Ypanema,
7 Irisanga).
Ceryle americana Sclater a. Hudson | p. 27.
Ceryle americana Berlepsch I p. 270.
Ceryle americana Cat. Br. Mus. XVII p. 131.
Das tres especies de Ceryle que no Brazil meridional
occorrem por toda parte, entre o Rio da Prata e o Rio
de Janeiro, é essa a especie menor e a mais commum. O
comprimento total é 200 mm., o do bico 40 mm. À cór é
mais ou menos a mesma da especie precedente, mas as
azas têm as pontas das coberteiras exteriores brancas. A
especie occorre desde o Rio da Prata até a Guyana e
Colombia. O macho tem o peito castanho, a femea o tem
verde. As rectrizes medianas são verdes, as lateraes têm
manchas brancas.
Mus. Paul. S. Sebastião; Itatiba.
* 363. Ceryle inda (L.).
Alcedo bicolor Wied IV p. 23.
Chloroceryle bicolor Burmeister Il p. 406.
Ceryle bicolor Pelzeln p. 23.
Ceryle inda Cat. Br. Mus. XVII p. 137.
Especie de 22 centim. de comprimento, com o bico
medindo cerca de 5 centim. O macho é verde e tem uma
estria dos olhos até o bico e todo o lado inferior castanho.
As azas e a cauda têm salpicos brancos. A femea é seme-
lhante, tendo, porém, no peito uma larga faxa transversal
verde. Essa especie foi caçada na Ilha de S.“ Catharina
por Lesson e occorre em Goyaz, Bahia, Pará e Panamá.
No interior do Estado de S. Paulo não parece occorrer,
mas em Iguape obteve-a o Sr. Krone.
Mus. Paul. Iguape.
SuBORDEM 2. CoccYGES HETERODACTYLAE.
FAM. TROGONIDAE.
x
364. Trogon atricollis Vieill.
Surucud dourado.
Trogon atricollis Wied IV p. 309.
Trogon atricollis Burmeister Il p. 279.
Trogon atricollis Pelzeln p. 20 e 403 (Lages).
Trogon chrysochlorus Pelzeln p. 20 (Ypanema)
Trogon chrysochlorus Berlepsch u. lhering p. 160.
Trogon atricollis Cat. Br. Mus. XVII p. 456.
Ave bonita, de 260 mm. de comprimento. O macho
é verde-metallico em cima e no peito, tendo a fronte, a
face e a garganta pretas. As coberteiras exteriores das
azas são pretas, com salpicos brancos. As rectrizes medianas
são verdes, as exteriores pretas, com faxas transversaes
brancas. A barriga é branco-amarella. O bico é alvacento.
A femea é bruna, tendo tudo pardo-avermelhado o que é
no macho de côr verde, sendo no mais igual ao macho.
Essa differença na côr das rectrizes medianas é observada
geralmente entre os dous sexos no genero Trogon. Essa
especie occorre desde o Rio Grande do Sul até a Ame-
rica central.
Mus. Paul. S. Sebastião; Iguape.
* 365. Trogon viridis L.
Surucua amarello.
Trogon violaceus Spix I p. 50.
Trogon violaceus Wied IV p. 297.
Trogon viridis Burmeister IL p. 277.
Trogon viridis Pelzeln p. 20 (Monjolinho, Matto Dentro).
Trogon viridis Berlepsch I p. 271.
Trogon viridis Cat. Br. Mus. XVII p. 458 (S. Paulo).
Especie de 300 mm. de comprimento. O macho é
verde-lustroso em cima, com o vertice e a nuca metallico-
azues. A fronte, a face e a garganta são pretas. O peito
é azul, a barriga amarella. As azas são pretas, as rectrizes
medianas são verdes com pontas pretas, as exteriores são
pretas com pontas brancas. A femea é cinzento-fusca, com
a barriga amarella, as coberteiras exteriores das azas são
riscadas por linhas brancas e as rectrizes exteriores além
das pontas brancas têm faxas brancas. Tr. viridis occorre
desde S.“ Catharina até Venezuela e Equador, Parece que
no Rio Grande do Sul não foi encontrado,
Mus. Paul. Iguape.
* 366. Trogon surucura Vieill.
Trogon surucura Burmeister Il p. 274.
Trogon surucura Pelzeln p. 19 (Matto Dentro, Ypanema).
Trogon surucura Berlepsch u. lhering p. 160.
Trogon aurantius Berlepsch u. [hering p. 161.
Trogon surucura Sclater a. Hudson Il p. 29.
Trogon surucura Cat. Br. Mus. XVII p. 471.
O macho dessa especie é verde-metallico nas costas,
preto-azul com lustro roxo na cabeça, no pescoço e no
peito, encarnado na barriga. As coberteiras exteriores das
azas são pretas com salpicos brancos. As rectrizes media-
nas são azues com pontas pretas, as exteriores pretas com
pontas brancas. A femea é cinzento-escura, com a barriga
encarnada. Essa especie occorre desde o Rio Grande do
Sul e as Missões argentinas até o Paraguay e S. Paulo.
Uma figura que o Sr. von Berlepsch descreveu como T.
aurantius julgo presentemente ser T. surucura.
Mus. Paul. Piracicaba.
367. Trogon aurantius Spix.
Trogon aurantius Spix I p. 47 Pl. 36 (fig. pessima ?).
Trogon aurantius Burmeister Il p. 279.
Trogon aurantius Pelzeln p. 20 (Monjolinho).
Trogon aurantius Cat. Br. Mus. XVII p. 471.
E’ essa apenas uma variedade de T. surucura, sub-
stituindo-a no Rio de Janeiro, no Norte do Brazil e na
Guyana. Parece que a côr de laranja da barriga representa
— 296 —
a unica differença e a figura de Spix, pouco caracteristica
nesse sentido, podia tambem referir-se a T. surucura. Pare-
ce-me haver engano quando Goeldi, p. 182, diz que o dorso
é vermelho. Não conheço essa especie que desde a divisa
de S. Paulo com Rio de Janeiro parece. substituir a T.
surucura. À indicação de Berlepsch u. Ihering (Rio Grande
do Sul), refere-se a uma figura incompleta e diz respeito,
a meu vêr, a T. surucura,
Mus. Paul. —
SUBORDEM 3. COCCYGES ZYGODACTYLAE.
FAM. GALBULIDAE.
* 368. Galbula rufo-viridis Cab.
Guainumbi-guassu; Beija-flor do matto virgem.
Galbula viridis Wied IV p. 436.
Galbula viridis Burmeister IL p. 299.
Galbula ruficauda Burmeister Il p. 300.
Galbula macuticauda Pelzeln p. 24 (Rio Pardo, Rio
Parana).
Galbula rufo-viridis Cat. Br. Mus. XIX p. 165.
Ave de 220 mm. de comprimento, que vive no matto
virgem. A palavra guainumbi-guassu quer dizer beija-flor
grande. O bico é direito, lateralmente compresso, preto,
medindo 50 mm. A cor é esplendida, verde-dourada no
peito, no lado dorsal e nas rectrizes medianas. A barriga
é pardo-avermelhada e da mesma côr são as rectrizes
lateraes que têm as pontas verde-escuras. À garganta do
macho é branca, da femea amarellenta. Essa especie é do
Norte do Brazil e da Bolivia. Natterer caçou-a no Est. de
S. Paulo, perto do Rio Paraná. Galbula viridis, a que se
refere o Jacamaciri de Marcgrav, p. 202, é especie do
Norte do Brazil, differindo pelas rectrizes exteriores, de
cor denegrida.
Mus. Paul. —
369. Brachygalba melanosterna Scl.
Brachygalba melanosterna Burmeister Il p. 526.
Galbula melanosterna Pe/ze/n p. 24 (Rio Parana).
Brachygalba melanosterna Cat. Br. Mus. XIX p. 174.
O genero Brachygalba distingue-se de Galbula pela
cauda mais curta e de Jacamaralcyon pela presença de
quatro dedos. Essa especie tem o comprimento de 150
mm. e o bico mede 48 mm. A côr é fusca em cima, preta
em baixo; a garganta e o meio da barriga são de cor
branca. O bico é branco. Essa especie é da Bolivia e de
Matto Groso. Natterer caçou-a no Rio Paraná, onde
apparece com frequencia.
Mus. Paul. —
* 370. Jacamaralcyon tridactyla (Vieill.).
Galbula tridactyla Spix Ip. 55 Taf. 57 fig. 3 (S. Paulo).
Galbula tridactyla Burmeister IL p. 303.
Galbula tridactyla Pelze/n p. 25 (Monjolinho, Cemiterio,
Ypanema).
Jacamaralcyon tridactyla Cat. Br. Mus. XIX Pp: 174.
Especie monotypica bem caracterisada pelos pés que
têm só tres dedos, faltando o posterior interior ou pollegar.
O comprimento total é de 170—190 mm:, o do bico, que
é preto, de 47 mm. A côr é denegrida, com lustro verde-
metallico em cima. À cabeça é bruna com estrias ferrugi-
nosas longitudinaes, o peito e a barriga são no meio
esbranquiçados. Essa especie é encontrada em S. Paulo,
Rio de Janeiro, Minas e Bahia.
Mus. Paul. Piquete.
FAM. BUCCONIDAE.
* 371. Bucco swainsoni Gray.
| João do matto (Piracicaba).
Capito macrorhynchus Burmeister II p. 283.
Bucco swainsoni Pelzeln p. 21 (Ypanema, Antonio Dias).
Bucco swainsoni Cat. Br. Mus. XIX p. 183.
Revista do Museu Paulista Vol. III. 19
+ apg ies
Especie grande, de 220 mm. de comprimento. O bico
que tem o comprimento de 30 mm., € preto e mais largo
na base do que na especie seguinte. A cor é preta em
cima, a excepçäo da fronte e da colleira que sao brancas.
A garganta, o pescoço anterior e a face são brancas, o
peito é preto, a barriga amarello-parda. A maxilla superior
é curvada para baixo na ponta; na base do bico vêm-se
cerdas compridas e rijas que dão motivo ao nome «capi-
tão de bigode» dado por alguns a essa especie, que foi.
observada em S. Paulo e Kio de Janeiro, mas que Natterer
caçou tambem na barra do Rio Negro.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 372. Bucco chacuru Vieill.
4
Sucuru; Jodo bobo.
Capito melanotis Wied IV p. 359.
Capito melanotis Burmeister II p. 287.
Bucco chacuru Pelzeln p. 22 e 403 (Taipa, Matto Dentro,
Mogy das Cruzes, Ypanema, Itararé, Campinas, Ytü).
Bucco chacuru Cat. Br..Mus. XIX p. 191 (S. Paulo).
Especie de 180—190 mm. de comprimento. O bico
que mede 30 mm., é vermelho. A cor do lado dorsal é
pardo-avermelhada, com faxas pretas transversaes. A face
é preta, com uma mancha branca no ouvido, sendo brancas
tambem as regiões loral e supraocular. O lado ventral é
branco e delle sahe uma colleira estreita, de côr branca.
A especie é commum no Brazil central, desde S. Paulo
até a Bahia, Matto Grosso e Bolivia. Não é rara perto do
Ypiranga, construindo o ninho em galeria subteranea. As
especies de Buceo são pouco timidas e tratadas de João
bobo ou doudo e dormião. O nome indigena é sucurú
em S. Paulo; parece que era chacurú em Paraguay, tamatia
no Norte do Brazil.
Mus. Paul. S. Carlos do Pinhal; Piquete; Ypiranga.
* 373. Malacoptila torquata Hahn u. Küst.
Joao barbudo.
Bucco striatus Spix I p. 52 Taf. 40 fig. 2.
Capito fuscus Wied IV p. 364.
Monasa fusca Burmeister I p. 290.
Monasa torquata Pelzeln p. 23 (Matto Dentro, Ypa-
nema, Itararé).
Monasa torquata Berlepsch I p. 271.
Malacoptila torquata Cat. Br. Mus. XIX p. 195.
Especie de 200 mm. de comprimento, com o bico
preto, no culmen medindo 20 mm. A cor é bruna, com
estrias longitudinaes amarellas na cabeça e nas costas. O
loro é ferruginoso. Sobre o peito corre uma larga faxa
branca orlada para baixo por outra preta. Essa especie
occorre desde S.“ Catharina até a Bahia e Goyaz.
Mus. Paul. Piquete; Itatiba; Piracicaba. |
* 374. Nonnula rubecula (Spix).
Bucco rubecula Spix I p. 51 Taf. 39 fig. 1.
Monasa rubecula Burmeister I p. 292.
Monasa rubecula Pelzeln p. 23 (Ypanema).
Nonnula rubecula Cat. Br. Mus. XIX p. 200.
Especie de 140 mm. de comprimento. A cor é bruna,
mais escura nas azas e na cauda. À região loral é branca.
O lado inferior é amarello-ferruginoso, a barriga é branca
no meio. O bico, que no genero Bucco é direito, com a ponta
da maxilla superior recurvada para baixo, é nesse genero
“como nos outros da familia um pouco curvo, pontagudo
e paragnatho.
N. rubecula, que temos da Bahia é especie do Norte
do Brazil e do Ric de Janeiro, que Natterer caçou em
Ypanema.
E” possivel que seja encontrada nesse Estado tam-
“bem Chelidoptera tenebrosa Pallas var. brasiliensis Scl.—
preta com a barriga amarella e o crisso e o uropygio
brancos—denominada andorinha do matto ou tatéra, e que
não é rara no Est. do Rio dé Janeiro.
Mus. Paul. —
FAM. CUCULIDAE.
* 375. Crotophaga major Gm.
Anum guassu; Anum peixe (Piracicaba).
Crotophaga major Wied IV p. 319.
Crotophaga major Burmeister IL p. 253.
Crotophaga major Pelzeln p. 268 (Tibaya, Irisanga).
Crotophaga major Cat. Br. Mus. XIX p. 428.
Especie grande, de 450 mm. de comprimento. O bico
tem no meio uma crista alta e mede 45 mm. A côr é
uniforme, preta, com lustro verde e roxo furtacôr. Essa
especie occorre desde S. Paulo até a Guyana e Equador.
O Sr. Valencio Bueno obteve-a em Piracicaba. O catalogo
do British Museum diz que essa especie está distribuida
até o Rio da Prata, o que parece engano, visto como nem
Sclater and Hudson obtiveram-n'a do Rio da Prata, nem
eu do Rio Grande do Sul. Os indios guaranys do Rio |
Verde tratam as especies de Crotophaga de «Anú-un» ou |
anu preto. |
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 376. Crotophaga ani L.
Anum.
Ani Marcgrav p. 193.
Crotophaga ani Wied IV p. 314:
Crotophaga ani Burmeister IL p. 254.
Crotophaga rugirostris Burmeister Il p. 255.
Crotophaga ani Pelzeln p. 269 (Ypanema).
Crotophaga ani Coucs Key p. 472 fig. 323.
Crotophaga ani Sclater a. Hudson Il p. 31.
Crotophaga ani Cat. Br. Mus. XIX p. 429.
Especie menor do que a precedente, de 320 mm. de
comprimento, com o bico mais curto e a crista mediana
do bico alta extendendo-se até perto da ponta, sendo ás
vezes sulcada de rugas, ás vezes quasi lisa. Assemelha-se
no mais a especie precedente que, porém, é mais rara do que .
ella. O anum é commum nos campos e na capoeira, chega
perto as casas. As vezes vé-se o anum no dorso de uma vacca
tirando-lhe os carrapatos. A distribuição dessa especie é
mais vasta do que a da precedente. Cr. ani occorre desde
o Rio Grande do Sul até a Florida.
Mus. Paul. S. Sebastião; Ypiranga.
* 377. Guira guira (Gm.).
Anum. branco.
Guira-acangatara Marcgrav p. 216.
Coccyzus guira Wied IV p. 335.
Ptiloleptis guira Burmeister IL p. 257.
Octopteryx guira Pelzeln p. 269 (S. Paulo, Ypanema).
Guira piririgua Sclater a. Hudson I p. 32.
Guira guira Cat. Br. Mus. XIX p. 433 (Ypanema).
O genero Guira tem como Crotophaga o bico com-
presso, porém, menor e não em fórma de crista; ambos
os generos têm apenas 8 rectrizes na cauda, que é com-
prida; o loro é nú. O anum branco é ave de 400 mm. de
comprimento. O bico, que mede 30 mm., é amarello. As
pennas do vertice e do occiput são alongadas. formando
um topete de côr pardo-amarella. O dorso é bruno, com
estrias longitudinaes amarellentas. O uropygio e a base da
cauda são brancos. O lado inferior é branco-amarellento, com
estrias escuras ao longo das hastes. As rectrizes exteriores
têm as pontas brancas. Essa especie occorre no Brazil e
nas republicas Argentina e do Chile.
Goeldi diz que os guaranys dão a essa especie o nome
de peririguiá, mas isto parece referir-se só ao Paraguay e
não notei este nome aqui; os guaranys do Rio Verde
designaram essa e a especie semelhante Diplopterus naevius
como «andirá» ou «sacy». Referindo-se, entretanto, a deno-
minação de sacy mais a especie seguinte pode-se considerar
andirá como o nome indigena do anum branco.
Mus. Paul. Ypiranga.
= 302 =
* 378. Diplopterus naevius (L.).
Sacy; Sem fim.
Coccyzus naevius Wied IV p. 341.
Diplopterus naevius Burmeister IL p. 261.
Diplopterus galeritus Burmeister Il p. 262.
Diplopterus naevius Pelzeln p. 271 (Pahor, Matto
Dentro, Ypanema, Itararé).
Diplopterus naevius Sclater a. Hudson II p. 35.
Diplopterus naevius Cat. Br. Mus. XIX p. 423 (Ypa-
nema).
Especie semelhante ao anú branco, mas com a cauda
menor. Nesse genero e no seguinte a cauda é caracterisada
pelo comprimento extraordinario das coberteiras exteriores
da cauda que se extendem até perto da ponta das rectrizes.
O comprimento total é de 280 mm., c do bico, que é
arqueado, compresso, amarellento, de 15 mm. A côr é
pardo-cinzenta em cima, branca em baixo. As pennas do
dorso têm manchas longitudinaes escuras. A cabeça é
castanha em cima, com estrias pretas e com uma estria |
alvacenta supraocular, que corre até a nuca.
Essa especie está distribuida desde a Argentina até o
Mexico. É ‘ave notavel pela sua voz que consiste em duas
syllabas e que é imitada nas diversas denominações sa-cim
ou maty no Brazil, cho-chim no Paraguay e cris-pin na
Argentina. A palavra usada aqui de sem fim é da mesma
categoria. A superstição popular faz do sacy um demonio
que praticando malefícios pelas estradas illude pelas suas
notas a gente que afinal perde o caminho. A melhor |
exposição que conheço na nossa litteratura sobre caipora
e sacy é a que deu Barbosa Rodrigues na sua excellente
Paranduba (Annaes da Bibliotheca Nacional. Vol. XIV, Rio
de Janeiro, 1890 p. 13 ss.). Enganou-se entretanto o autor
dando (p. 19) como nome scientifico do sacy o de Cuculus
cayanus L. que é o nosso Piaya cayana L. Provavelmente
e só por engano Martius (Beiträge z. Ethnographie Brasi-
liens II Sprachenkunde Leipzig 1867 p. 474) indica como
nome do Sacy Coracina ornata (== Cephalopterus ornatus
Geoffr.). O Sacy é Diplopterus naevius (L.). E geralmente
usado o nome de Sacy no litoral (S. Sebastiäo, Iguape),
sendo no interior do Estado mais conhecida a denominaçäo
Sem fim.
Mus. Paul. S. Sebastiäo; S. Paulo.
* 379. Dromococcyx phasianellus (Spix).
? Cuco.
Macropus phasianeilus Sfzx I p. 53 Pl. 42.
Dromococcyx phasianellus Wied IV p. 353.
Dromococcyx phasianellus Burmezster IL p. 260.
Dromococcyx phasianellus Pe/ze/n p. 270 (Ypanema,
Rio Parana).
Dromococcyx phasianellus Cat. Br. Mus. XIX p. 426.
Ave de 370 mm. de comprimento, com as pennas da
nuca alongadas, em forma de poupa e com os tarsos rela-
tivamente altos. A côr é bruno-cinzenta em cima, branca
em baixo, a excepção do peito, que é amarellento. A
cabeça, em cima, é castanha. As coberteiras exteriores das
azas e as rectrizes têm as pontas esbranquiçadas. As
rectrizes são compridas, largas e molles. Essa especie
occorre desde o Rio Grande do Sul até o Mexico. Não
conheço o nome indigena.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 380. Piaya cayana (L.).
Alma de gato.
Atingaçu camucu Marcgrav p. 216.
Coccyzus cayanus Wied IV p. 329.
Coccyzus cayanus Burmeister Il p. 265.
Piaya cayana Pelzeln p. 272.
Piaya macroura Pelzeln p. 272 (Matto Dentro, Ypa-
nema, Itararé).
Piaya cayana Sclater a. Hudson II p. 36.
Piaya cayana Cat. Br. Mus. XIX p. 373 (S. Paulo).
Ave conhecida sob o nome de alma de gato e que
no Rio Grande do Sul chamam rabo de palha. O com-
primento total é de 500 mm., o da cauda de 340 mm.
A côr é castanho-parda em cima, cinzenta em baixo, a
excepção do pescoço e do peito que são vermelho-cinzen-
tos. As rectrizes têm as pontas brancas. À especie occorre
desde o Rio da Prata até o Mexico.
O nome indigena é no Norte do Brazil tinguassu. Os |
guaranys do Rio Verde chamam-n'o cantiú.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 381. Coccyzus melanocoryphus Vieill.
Cuco.
Coccyzus seniculus Wied IV p. 348.
Coccyzus seniculus Burmeister Il p. 267 (nec Vieill.).
Coccyzus melanocoryphus Pelzeln p. 273 (Ypanema).
Coccyzus melanocoryphus Sclater a. Hudson X p. 38.
Coccyzus melanocoryphus Cat. Br. Mus. XIX p. 307.
Entre as nossas Cuculidas a especie menor, de 270
mm. de comprimento. O lado dorsal é bruno-cinzento com
reflexo verde, o vertice cinzento. À região adiante e atraz
dos olhos é preta. As rectrizes são pretas, as lateraes têm
pontas brancas. O lado inferior é amarellento, o bico é
preto, medindo 23 mm. Essa especie está distribuida desde
o Rio da Prata até a Guyana. Desde o Amazonas até o
Mexico e Luisiana essa especie é substituida por outra
muito semelhante com a maxilla inferior na maior parte
amarella, C. minor Gm. == seniculus Vieill. Como existem
exemplares de C. melanocoryphus com uma mancha ama-
rella na base da maxilla inferior apresenta-se essa ee.
apenas como variedade meridional de C. minor.
Mus. Paul. Piquete.
382. Coccyzus americanus (L.).
Coccyzus americanus Coues Key p. 476 fig. 326 e 327.
Coccyzus americanus Sclater a. Hudson I p. 37.
Coccyzus bairdi Pelzeln p. 273 (Paciencia, perto de
Irisanga).
Coccyzus americanus Cat. Br. Mus. XIX p. 308.
Especie semelhante a precedente, mas com o lado
inferior branco. A cabeça não differe pela cor do dorso que
é bruno-azeitonado e não tem mancha preta ao lado dos
olhos. As remiges têm a barba interior castanha. O bico
é preto, com a maxilla inferior e as margens superiores
amarellas. Da especie semelhante C. cinereus Vieill. da
Argentina differe pela cauda comprida com pontas grandes,
brancas, e pelo bico que é preto em C. cinereus, especie
que tem a cauda curta.
C. americanus occorre desde Nova York até Buenos
Ayres. Natterer caçou-a na região uccidental do Est. de
S. Paulo. |
Mus. Paul. —
FAM. RHAMPHASTIDAE.
* 363. Rhamphastos toco Mill.
Tucan-ussu. Tocano grande.
Ramphastus toco Wied IV p. 271.
Ramphastus toco Burmeister IL p. 203.
Rhamphastos toco Pelzeln p. 233 (Ypanema, Itararé,
Borda do matto, Paciencia, Rio Paraná).
Rhamphastos toco Sclater c. Hudson II p. 40.
Rhamphastos toco Cat. Br. Mus. XIX p. 124.
À especie maior, entre os tucanos, mede 550 mm. de
comprimento. O bico, que tem o comprimento de 150 mm.,
é côr de laranja, com uma mancha preta na ponta da maxilla
superior. À côr é preta, sendo a garganta, o pescoço
anterior e o uropygio brancos, o crisso vermelho. A especie
occorre desde o Rio Grande do Sul e as Missões argentinas
até a Guyana. Essa especie occorre no Est. do Rio Grande
do Sul, mas na publicação de Berlepsch e Ihering (p. 162)
é por engano indicada com o nome do Tucano grande
R. ariel, especie da qual não posso dizer se alli é encon-
trada ou não.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 384. Rhamphastos ariel Vig.
Tucano de bico preto.
Ramphastus temmincki Wied IV p. 272.
Ramphastus temminckii Burmeister I p. 205.
Rhamphastos ariel Pelzeln p. 234 (Matto Dentro).
Rhamphastos ariel Berlepsch | p. 277.
Rhamphastos ariel Cat. Br. Mus. XIX p. 131 (S. Paulo).
Especie muito semelhante 4 seguinte, porem com o
bico preto, com uma zona amarella na base. Embora
occorrente desde S." Catharina até o Pará parece essa
especie pertencer mais ao litoral do Norte, occorrendo em
S. Paulo e S.“ Catharina quasi só na zona do litoral. Em
todo caso tanto no Rio Grande do Sul como no interior
de S. Paulo é a especie mais commum R. dicolorus. O
Sr. Krone observou ambas as especies em Iguape.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 385. Rhamphastos dicolorus L.
Tucano.
Ramphastus discolorus Burmeister II p. 204.
Rhamphastos dicolorus Fe/zeln p. 235 (Matto Dentro,
Unaiva, Ypanema, Itararé).
Rhamphastos dicolorus Berlepsch 1 p. 277.
Rhamphastos dicolorus Cat. Br. Mus. XIX p. 133
(S. Paulo).
O tucano é preto, com o pescoço anterior amarello-
carregado, mais claro para cima e em baixo. O peito, o
crisso e o uropygio são vermelhos. O bico é verde, com
uma zona preta na base e mede 100—120 mm.
Esse tucano é commum desde o Rio de Janeiro até
o Rio Grande do Sul. A indicação Bahia, de Gould, precisa
como as outras referentes a Cayenne, ser confirmada. O
principe Wied encontrou entre Rio e Bahia só R. ariel.
Mus. Paul. S. Paulo.
Tr (2 es
* 386. Andigena bailloni (Vieill.).
Tucaninho (Iguape).
Pteroglossus bailloni Burmeister H p. 209.
Pteroglossus bailloni Pelzeln p. 238 (Pahor, Antonio
Dias).
Pteroglossus bailloni Berlepsch I p. 279.
Andigena bailloni Cat. Br. Mus. XIX p. 136.
Especie de 360—380 mm. de comprimento, medindo
o bico 7o mm. A côr é verde-azeitonada em “cima, ama-
rella em baixo. O uropygio é vermelho. O bico é verde
com a base pretae provida de uma mancha vermelha.
“No genero Rhamphastos é o bico immenso e as \entas
estão situadas atraz delle. No genero Andigena e nos dous
que se seguem o bico é menor e as ventas estão situadas
numa incisão da base delle. O nome geral desses peque-
nos representantes de tucanos é arassari.
An. bailloni occorre desde S.“ Catharina até o Rio
de Janeiro. No Rio Grande do Sul não a encontrei; o
Sr. Krone obteve-a em Iguape.
Mus. Paul. Piquete; Piracicaba.
* 387. Pteroglosus wiedi Sturm.
Arassari.
Aracari Marcgrav p. 217.
Pteroglossus araçari Wied IV p. 283.
Pteroglossus aracari Burmeister IL p. 207.
Pteroglossus wiedii Pelzeln p. 235 (Matto Dentro, Ypa-
nema, Itararé, Irisanga).
Pteroglossus wiedii Berlepsch Ip. 277.
Pteroglossus wiedii Cat. Br. Mus. XIX p. 139.
Especie de 450 mm. de comprimento. O bico, que
mede 95—110 mm., tem a maxilla inferior e uma estria
mediana em cima da maxilla superior pretas. A maxilla
superior é branco-amarella. A côr é verde-cinzenta em
- cima, a excepção do uropygio que é vermelho. A cabeça
e o pescoço anterior são pretos, o resto do lado inferior
é amarello-claro, correndo, porém, uma larga fita vermelha
sobre a barriga. |
Essa especie é encontrada desde 5.º Catharina até
o Pará.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 388. Selenidera maculirostris (Licht.).
Arassari-pocca; Saripocca.
Pteroglossus maculirostris Wied IV p. 290.
Pteroglossus maculirostris Burmeister II p. 210.
Selenidera maculirostris Pelzeln p. 238.
Selenidera maculirostris Berlepsch I p. 279.
Selenidera maculirostris Cat. Br. Mus. XIX p. 149 :
(S. Paulo).
Qualidade de arassari bem caracterisada pelo bico não
muito grande, munido na maxilla superior, que é alva-
centa, de cada lado de tres grandes manchas escuras e
pela diiferença sexual, que se não observa entre os outros
representantes dessa familia. O macho é verde-escuro em
cima, a excepção da cabeça e do pescoço que são pretos.
Atraz dos olhos nota-se uma estria larga amarella. O peito
é preto, a barriga verde, o crisso vermelho. As rectrizes
têm as pontas castanhas. O comprimento total é de 320—.
* 340 mm., o do bico de 50—60 mm. À femea é semelhante
tendo porem a cabeça e o lado inferior castanhos. No
macho estas partes são pretas. Esse arassari occorre desde
o Rio Grande do Sul, onde o obtive, até a Bahia. O
Sr. Krone caçou-o em Iguape, onde o denominam de
saripocca, nome corrompido de arassari-pocca.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
V. Ordem. Psittaci.
Os papagaios formam uma ordem grande e natural
que antigamente foi reunida com os Ppica-pãos, tucanos,
etc. num grupo de Scansores ou aves trepadoras. Hoje -
esse agrupamento é reconhecido pouco natural, visto como
— 309 —
os papagaios têm, relativamente á sua anatomia, mais rela-
ções com as aves de rapina. São dois caracteres que
especialmente distinguem os papagaios: o pé eo bico. As
pernas são curtas, carnosas, os pés têm dous dedos diri-
gidos para diante e dous para traz, sendo dirigidos para
traz o pollegar e o quarto dedo. O pé do papagaio serve-
lhe bem para agarrar frutas, sementes etc. que quer comer,
serve-lhe como a mão ao macaco, mammifero com o qual
muitas vezes se poz em comparação o papagaio.
O bico é munido, como entre as aves de rapina, na
base, por uma membrana grossa chamada cera e na qual
estão situadas as ventas, dirigidas para cima. O bico é
extremamente curto e grosso, mais alto do que comprido.
A mandibula superior é ligada por uma charneira com o
osso frontal e arqueada, com a ponta curvada para baixo
e nas especies americanas a superficie inferior opposta a
lingua e a ponta truncada da maxilla inferior, é munida
de sulcos transversos. É singular tambem a lingua que é
grossa, carnosa, movel, facilitando a faculdade de falar mais
ao papagaio do que acontece com outras aves.
Nas azas ha 10 remiges da mão, to—14 do braço. Na
cauda contam-se 12 rectrizes. Constróem o ninho com pre-
ferencia em buracos de arvores, pondo ovos brancos em
numero pequeno, criando os filhotes como aves de biscato.
Os papagaios formam um grupo grande de 500 especies
mais ou menos, distribuidas sobre as regiões tropicaes e
subtropicaes do globo. No Brazil ha cerca de 150 especies
das quaes 23 estão representadas no Estado de S. Paulo
Das seis familias de Psittaci tem na America meridional
“apenas representação a das Psittacidae, e das seis sub-
familias dessa familia occorrem na America apenas duas:
Conurinae e Pioninae.
Conurinae. São os generos caracterisados pela cauda
comprida, com as rectrizes lateraes mais curtas do que as
medianas. À cera é provida de pennas que escondem as
ventas, ou nua. Pertencem a esse grupo as araras, as ma”
racanãs, tiribas e os periquitos.
Pioninae. Subfamilia que contem os papagaios com a
cauda curta e como truncada, sendo mais ou menos do
mesmo comprimento todas as rectrizes. À cera é sempre
núa. Pertencem a esse grupo os verdadeiros papagaios, o
sabia sicca e as maitaccas.
E de certo bastante incompleto o nosso conhecimento
dos papagaios que occorrem no Estado de S. Paulo e
peço ás pessoas que ligam attenção ao assumpto que me
obtenham couros ou exemplares vivos das especies não men- .
cionadas. Não tenho certeza de que realmente occorre no
litoral no Estado o moleiro ou jurá (Chrysotis farinosa
Bodd.). O Sr. Xrone communicou-me que perto da Estação
Rio Grande caçou em 1882 um papagaio que chamavam
papagaio inglez e que em Iguape tratam de papagainho,
com a fronte e os encontros vermelhos. É muito incom-
pleto o nosso actual conhecimento das especies dos rios
Paranapanema, Tieté Baixo, Rio Grande,
Supram. CONURINAE.
* 389. Anodorhynchus hyacinthinus (Lath.).
Arara-una.
Anodorhynchus maximiliani Spix I Taf. 11.
Anodorhynchus augusti Sfzx I p. 25.
Macrocercus hyacinthinus Burmeister IL p. 159.
Sittace hyacinthina Pelzeln p. 254.
Sittace hyacinthina Brehm Thierleben Bd. IV. 1878
p. 114 e figura.
Anodorhynchus hyacinthinus Cat. Br. Mus. XX p. 147.
Arara grande, de 85 até 100 centim. de comprimento,
uniforme, azul. À região núa ao redor dos olhos e a base
da maxilla inferior : ão amarellas, o bico é preto. Essa especie
procedente de Matto Grosso e do Amazonas, no territorio
do Est. de S, Paulo é encontrada na região do curso
Inferior do Rio Tieté especialmente em Itapura, como me
participou o Sr. Coronel Cornelio Schmidt dizendo, entre-
tanto, que os respectivos exemplares são mais azul-escuros
do que o nosso exemplar, que é de côr azul-cobalto.
Espero que o Sr. Coronel Schmidt ha de conseguir para o
Museu um exemplar dessa e de outras especies communs
em Matto Grosso, mas que na zona de Itapura existem no
territorio de S. Paulo.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo,
* 390. Ara arauna (L.).
Caninde.
Ararauna Marcgrav p. 206.
Psittacus ararauna Wied IV p. 153.
Macrocercus ararauna Burmeister Il p. 157.
Sittace ararauna Pelzeln p. 255.
Ara ararauna Cat. Br. Mus. XX p. 152.
Arara grande e bem conhecida, cujo comprimento
total chega a perto de 80 centim. A côr é azul em cima,
amarella em baixo. A fronte é verde, a garganta preta. O
bico é preto.
Por numerosas pessoas fidedignas estou informado que
o canindé occorre junto com a Arara-vermeiha, a especie
seguinte, nos mattos do Rio Paranapanema e do Rio Paraná.
Natterer ainda em 1818 ou 1820 caçou o ararauna perto
do Rio de Janeiro, onde não foi raro no tempo da des-
coberta como o sabemos por Jean Lery. Nada me consta
nesse sentido sobre o Estado de S. Paulo. O canindé
occorre desde Panamá até a Bolivia e Matto Grosso. E
tratado tambem, as vezes, de ararauna, o que porém é antes
a denominação do A. hyacinthinus, especie toda azul.
Observo que no Paraguay e Matto Grosso existe outra
especie semelhante, Ara caninde Wagl., que tem a fronte
azul e a garganta verde e será bem possivel que occorra
tambem no Oeste do Estado de S. Paulo, Espero que
estas linhas terão como effeito informações exactas por
pessoas habitantes naquella região e se for possivel a
remessa de couros preparados para a collecção do Museu.
Obtive informaçôes valiosas do Sr. Coronel Cornelio
Schmidt do Rio Claro que varias vezes tem percorrido o
Rio Tieté até Itapura e que alli caçou e obteve vivo o
canindé de garganta preta. Os guaranys do Rio Verde
conhecem a especie que all vive e que chamam canindé,
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 391. Ara chloroptera G. R. Gr.
Arara vermelha; Arara piranga.
Arara-canga Marcgrav p. 206.
Ara macao Spix II p. 27.
Psittacus macao Wied IV p. 138.
Macrocercus macao Burmeister IL p. 155.
Sittace chloroptera Pelzeln p. 255 (Serra de Cubatäo,
Rio Parana, Murungaba).
Ara chloroptera Cat. Br. Mus. XX p. 156.
Arara grande, de 85 centim. de comprimento, com a
cauda comprida medindo 52 centim. A côr é escarlate. O
uropygio e as coberteiras da cauda são azul-claras, as
remiges e as rectrizes lateraes são azues, as rectrizes me-
dianas são vermelhas. As coberteiras das azas são no
meio dellas verdes. A face é núa, com linhas de pennas
vermelhas. O bico tem a maxilla superior branca, a infe-
rior preta. |
Essa especie occorre desde a America central até
Matto Grosso e S. Paulo. No Est. de S. Paulo, entretanto,
não occorre na região do litoral, mas sim no valle do Rio
Paranapanema e do curso inferior do Rio Tieté. O Sr.
Coronel Cornelio Schmidt observou essa arara desde o
Rio Morto até Itapura. Se bem entendi os guaranys do
Rio Verde chamam essa especie gua-á.
Existe uma especie semelhante, Ara macao L., que é
na sua distribuição limitada ao Norte do Brazil, e que
tem as coberteiras exteriores das azas, em parte, côr de
laranja e a face nia sem sºries de pennas vermelhas.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
— 313 —
* 392. Ara maracana (Vieill.).
Maracana.
Arara purpureo-dorsalis Spix I p. 26 Tal. 24.
Psittacus illigeri Wed IV p. 160.
Macrocercus illigeri Burmeister Il p. "161.
Sittace maracana Pelzeln p. 255 (Matto Dentro, Ypa-
nema, Itararé).
Ara maracana Berlepsch u. lhering p. 162.
Ara maracana Cat. Br. Mus. XX p. 163.
O maracaná tem o comprimento de 400 mm. À côr
é verde, com o uropygio e a barriga no meio escarlates.
A fronte é vermelha, a cabeça verde-azul. As bochechas,
o loro e a região ao redor dos olhos são núas e de côr
branco-amarella. As remiges são azues, as rectrizes tam-
bem, mas com a base vermelho-bruna. O lado inferior da
cauda e das azas é verde-amarello. O bico é preto. Essa
especie occorre desde o Pará até o Rio Grande do Sul.
Os indios guaranys do Rio Verde chamam-n'a maracaná.
A especie semelhante A. severa L. tem a fronte castanha
e o lado inferior da cauda e das azas avermelhado.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
393. Ara nobilis (L.).
Arara macrognathos Spix I p. 26 Taf. 25 fig. 1—2.
Psittacus nobilis Wed IV p. 165.
Macrocercus nobilis Burmeister p. 162.
Sittace nobilis Pelzeln p. 256 (Rio das Pedras, Rio
Parana).
Ara nobilis Cat. Br. Mus. XX p. 167.
Especie semelhante á precedente, porém menor. A
parte núa da face é branca, a fronte azul. As rectrizes são
verdes como o corpo. O lado inferior das remiges e
rectrizes é amarello. Os encontros e as coberteiras inferiores
das azas são vermelhas. O bico tem a maxilla superior
branca, a inferior denegrida. Essa especie, que occorre
desde Matto Grosso até Pará e Bahia, foi por Natterer
caçada na zona do Rio Paraná.
Mus. Paul. —
Revista do Museu Paulista. Vol. III 20
* 394 Conurus auricapillus (HSE):
Jandaya.
Aratinga aurifrons Spix I p. 32 Taf. 16 fig. 1—2.
Psittacus auricapillus Wied IV p. 178.
Conurus auricapillus Burmeister Wp. 167.
Conurus jendaya var. meridionälis Pelzeln p. 257
(Ypanema, Tijuco).
Conurus auricapillus Cat. Br. Mus. XX p. 178.
Especie de 300 mm. de comprimento. A cor é verde.
As pontas das remiges e das rectrizes exteriores são azues.
O vertice é amarello, a fronte e o loro são laranjo-ver-
melhos. A barriga é vermelha e verde. As coberteiras
exteriores das azas são vermelhas. Essa especie occorre
desde S. Paulo e Minas até a Bahia. No Pará e Pernambuco
é substituida por especie muito semelhante C. jendaya
Gm. que tem tambem a nuca, a garganta e todo o lado
inferior amarello.
Creio que é por engano que o catalogo do British
Museum menciona essa especie de Pelotas no Rio Grande
do Sul. Sou informado que o Jandaya é commum no mu-
nicipio de Itapetininga. O Sr. Coronel Cornelio Schmidt
encontrou-o commum no curso inferior do Rio Tieté.
Mus. Paul. Est. de .S: Paulo.
* 395. Conurus leucophthalmus (Müll.).
Araguahy.
Aratinga nobilis sive guianensis Spix I p. 36.
Psittacus guianensis Wied IV p. 169.
Conurus guianensis Burmeister Il p. 164.
Conurus pavua Pelzeln p. 256 (Matto Dentro, Ypanema).
Conurus pavua Berlepsch u. Lhering D. den
Conurus leucophthalmus Cat. Br. Mus. XX p. 187.
Especie de 350 mm. de comprimento, uniforme verde
com os encontros vermelhos e as coberteiras interiores
das azas amarellas. O bico é encarnado-esbranquiçado, como
tambem a zona nua ao redor dos olhos. A especie occorre
desde o Rio Grande do Sul até a Guyana.
Observo nessa occasião que as.especies de Conurus
tém a cera cobertade pennas que escondem as ventas. Ao
contrario as especies de Pyrrhura têm a.cera desprovida
de pennas e as ventas expostas, visiveis. Alem disso no
genero Conurus é a quarta remige da mão na ponta sin-
gularmente attenuada. Os guaranys do Rio Verde chamam
essa especie aruai. Tratam essa especie tambem de ma-
racananti.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 396. Conurus aureus (Gm.).
Jandaya.
Tui apute-juba Marcgrav p. 206.
Aratinga aureus Spix I p. 37.
Psittacus aureus Wied IV p. 173.
Conurus canicularis Burmester IL p. 169.
Conurus aureus Pelzeln p. 258 (Irisanga, Rio Parana).
Conurus aureus Cat. Br. Mus. XX p. 199 (Rio Parana).
Especie de 270 mm. de comprimento, verde, com a
fronte e a zona ao redor dos olhos, que tem pennas,
laranjo-amarellas e o vertice azul. O pescoço anterior é
verde-cinzento, a barriga verde-amarella. As pontas das
remiges da mão são pretas, as das remiges do braço azues.
O bico é preto. Essa especie occorre desde o Paraguay e
Bolivia até a Bahia, Pará e Guyana. Natterer observou-a
no Oeste do Est. de S. Paulo, onde vive nos capões e
capoeiras dos campos, em bandos. Tenoi-a da Bahia.
Mus. Paul. —
* 397. Pyrrhura cruentata (Wied).
Tiriba grande.
Aratinga cyanogularis Spix I p. 33 Tal. 17.
Psittacus cruentatus Wied IV p. 183.
Conurus cruentatus Burmeister Il p. 176.
Conurus cruentatus Pelzeln p. 259.
Pyrrhura cruentata Cat. Br. Mus. XX p. 213.
Especie de perto de 30 centim. de comprimento, de
cor verde. A cabeça é bruno-denegrida em cima, bruno-
vermelha na face, seguindo mais para traz do ouvido e
no lado do pescoço uma grande mancha côr de laranja.
As bochechas são verdes. O pescoço anterior, até o peito,
é azul. À barriga e o dorso baixo são vermelho-escuros.
Os encontros são escarlates, as remiges azues. A cauda
é verde-azeitonada em cima, vermelho-escura em baixo. O
bico é cinzento-denegrido.
Esse tiriba é commum nos Estados de Rio de Janeiro
e Bahia. Natterer caçou-o no Est. de Rio de Janeiro, em
Araras, perto da divisa de S. Paulo. Provavelmente occorre
pois perto de Bananal etc. no Est. de S. Paulo, faltando,
porém, mais ao Sul. Reapparece no curso inferior do Rio
Tieté como me affirmou o Sr. Coronel Cornelio Schmidt
do Rio Claro.
Mus. Paul: Est; de S.Paulo!
* 398. Pyrrhura vittata (Shaw).
Tiriba.
Aratinga fasciatus Spix I p. 35 Taf. 21 fig. 1—2.
Conurus vittatus Burmeister IL p. 178 (S. Paulo).
Conurus vittatus Pelzeln p. 259 {Matto Dentro, Ypa-
nema, Itararé).
Pyrrhura vittata Cat. Br. Mus. XX p. 215 (S. Paulo).
Especie de 260 mm. de comprimento, verde, com a
margem da fronte bruno-vermelha. O pescoço anterior e
o peito são verde-azeitonados, com faxas amarellentas,
orladas de escuro. A barriga é vermelha. As remiges são
azues, as rectrizes verdes em cima, vermelho-escuras em
baixo e na ponta. O bico é escuro. Essa especie occorre
no Brazil meridional, desde o Rio Grande do Sul até
Minas Geraes e Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul
chamam-n'a periquito. Os guaranys do Rio Verde cha-
mam-n'a tiriba.
Mus. Paul. S. Sebastião; Ilha de S. Sebastião.
399. Pyrrhura leucotis (Licht.).
Tiriba pequeno.
' Psittacus leucotis Wied IV p. 188.
Aratinga ninus Spix I p. 34 Taf. 19 fig. 2.
Conurus leucotis Burmeister IL p. 177.
_ Conurus leucotis Pelzeln p. 259.
Conurus leucotis Cat. Br. Mus. XX p. 216.
Especie pequena, de 200 mm. de comprimento, verde e
que se distingue por uma mancha branco-cinzenta na região
do ouvido. A cabeça é bruna em cima, seguindo-se na nuca
uma faxa azul. A fronte e a face são bruno-vermelhas. O
peito tem faxas transversaes cinzentas e denegridas como
a especie precedente. O dorso baixo e a barriga no meio
são vermelhos. Os encontros são vermelhos, as remiges
azues." As rectrizes são em cima verdes na base, vermelhas
na ponta, sendo tambem vermelho o lado inferior. É essa
especie do Norte do Brazil, commum na Bahia e Rio de
Janeiro, que não é conhecida até agora no Est. de São
Paulo, mas que o Sr. Kyone me affirmou ter caçado em
Iguape. Nesse caso essa especie extende-se na sua distri-
buição desde o Rio ao longo do litoral até Iguape, sem
occorrer, segundo penso, no interior do Estado.
Mus. Paul. —
* 400. Psittacula passerina (L.).
Tuim.
Tui-eté Marcgrav p. 206.
Psittaculus passerinus Spix I p. 38 Taf. 33 fig. 1.
? Psittaculus gregarius Spix I p. 39 Taf. 34 fig. 3 e 4.
Psittacula passerina Burmeister IL p. 197.
Psittacus passerinus Wied IV p. 260.
Psittacula passerina Pelzeln p. 267 (Ypanema, Santos).
Psittacula passerina Cat. B. Mus. XX p. 245 (S. Paulo).
Unico representante no Brazil meridional do genero
Psittacula, notavel a respeito de sua anatomia pela falta
da furcula e quanto 4 plumagem pela differença entre os
Sr
sexos. Especie pequena, de 120—130 mm. À côr da femea
é uniforme, verde-clara. O macho tem as azas e o uropygio
azues. O bico é alvacento. Essa especie está distribuida
desde Pernambuco até o Rio Grande do Sul, onde fui
informado da sua existencia na colonia do Mundo Novo
sem que, porem, me fosse possivel obtel-o. No Amazonas
e na Guyana é substituida por P. guianensis Sw., especie
na qual tambem o macho tem o uropygio verde.
Parece que no Estado de Minas ha varias especies
semelhantes e incompletamente conhecidas que Spix des-
creveu sob os nomes de Psittaculus xanthopterygius e
eregarius. Os indios guaranys do Rio Verde chamam essa
especie «bem-bel».
Mus. Paul. Poço Grande; valle do Rio da Ribeira; S.
Sebastião. |
* 401. Brotogerys tirica (Gm.).
Periquito.
Tui tirica, tertia species Marcgrav p. 206.
Aratinga acutirostris Spix I p. 32 Taf. 15 fig. 1.
Psittacus viridisssmus Wied IV p. 198.
Conurus viridissimus Burmeister IL p. 172.
Brotogerys tiriacula Pelzeln p. 260. ,
Brotogerys tirica Brehm Thierleben IV. 1878 p. 136
. | e figura.
Brotogerys tirica Cat. Br. Mus. XX p. 254.
Especie pequena, mas com a cauda comprida, sendo
© comprimento total de 250 mm. A cor é verde-clara, a
face, a garganta e o lado inferior são verde-amarellos. As
remiges são azues, as coberteiras interiores das azas verde-
azues. O bico é branco-encarnado. A cera é esbranquiçada,
sem pennas, deixando bem visiveis as ventas. A especie
occorre desde S.“ Catharina até Amazonas. Não a encontrei
no Rio Grande do Sul, não julgando exacta a indicação
« Pelotas » do catalogo do British Museum. Os guaranys
do Rio Verde chamam essa especie trintserará.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 402. Brotogerys chiriri (Vieill.).
Periquito de encontro amarello.
Aratinga xanthopterus Spix I p. 31 Taf. 15 fig. 2.
? Psittaculus xanthopterygius Spix Ip. 38 Tat. 34
Hen E (JW: 1):
Conurus xanthopterus Burmeister I p. 174.
Brotogerys xanthoptera Pelzeln p. 260 (Rio Paraná).
Brotogerys chiriri Cat. Br. Mus. XX p. 255.
Especie de 200 mm. de comprimento, verde, com as
grandes coberteiras exteriores das azas amarello-claras. O
bico é encarnado-esbranquiçado. À especie occorre desde
Matto Grosso e Bolivia até a Bahia e Amazonas. No Est.
de S. Paulo é encontrada na zona occidental.
Mus. Paul. S. Carlos do Pinhal.
SUBFAM. PIONINAE.
* 403. Chrysotis vinacea (Wied).
Jurucba.
Psittacus columbinus Spix I p. 40 Taf. 27.
Psittacus vinaceus Wied IV p. 220.
Psittacus vinaceus Burmeister Il p. 184.
Chrysotis vinacea Pelzeln p. 265 (Pahor, Ypanema,
Itararé).
Chrysotis vinacea Sclater a. Hudson I p. 46.
Chrysotis vinacea Cat. Br. Mus. XX p. 275 (Itararé).
Papagaio grande, de 350 mm. de comprimento. À côr
é verde, tendo as pennas da cabeça e do dorso orladas
de preto. A fronte e o loro são escarlates. O peito e o
pescoço anterior são roxo-claros, com orlas escuras das
pennas. Parte das remiges do braço tem as barbas exte-
riores vermelhas, o que produz uma mancha vermelha nas
azas. São vermelhas tambem na base as rectrizes exte-
riores. O bico é encarnado. Esse bonito « papagaio de
peito roxo » occorre desde o Rio Grande do Sul e as
Missões argentinas até a Bahia. Os guaranys do Rio Verde
chamam-n'o paracauai.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 404. Chrysotis aestiva (L.).
Papagaio; papagaio-collaretro.
Aiuru-curau Marcgrav p.:205.
Psittacus aestivus Spix I p. 44
Psittacus amazonicus Wied IV p. 213.
Psittacus amazonicus Burmester II p. 187.
Chrysotis aestiva Pelzeln p. 267 (Itararé).
Chrysotis aestiva Sclater a. Hudson Il p. 47.
Chrysotis aestiva Cat. Br. Mus. XX p. 285.
Este é o bem conhecido « papagaio » ou « papagaio
verdadeiro », verde, com as pennas orladas de preto, a fronte
azul-clara, o vertice, a face, a garganta amarellos e os
encontros vermelhos. As remiges são preto-azuladas, com |
uma mancha vermelha nas primeiras do braço. As rectrizes
são verdes com as pontas amarelladas e com a base das
exteriores vermelha. O bico é denegrido, o iris côr de
laranja. Macho e femea não differem na côr, exemplares
novos têm a cabeça toda verde.
Essa especie vive no Brazil meridional e central, desde
as Missões do Rio Grande do Sul e da Argentina até
Pernambuco. No Est. de S. Paulo occorre perto-de Itararé,
no valle do Rio Paranapanema e no curso inferior do Rio
Tieté. Os guaranys do Rio Verde chamam-n'a parauatá.
Convem observar que existe outra especie que muito
se assemelha a essa, tendo o nome de Chrysotis amazonica
Briss., differindo pelos encontros verdes e pela mancha
vermelho-laranja das azas. Ella é conhecida no litoral, entre
Rio de Janeiro e Bahia, sob o nome de Curica e prefere
os mattos visinhos ao mangue. É especie da Guyana e do
Norte do Brazil, que me não consta fosse encontrada ao
Sul do Est. de Rio de Janeiro.
Outra especie que occorre no Rio de Janeiro e mais
ao Norte do Brazil é Chr. farinosa Bodd. (pulverulenta
Gm.), a especie maior, toda verde, mas um pouco cinzenta
como polvilhada de farinha, tendo por essa razão o nome
de moleiro. O nome indigena é jurú. Dizem que, ás vezes,
foi encontrada no litoral do Est. de S. Paulo, mas não
tenho disso prova fidedigna.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 405. Chrysotis ochrocephala (Gm.),
Papagaio campeiro (Itapura).
Chrysotis ochrocephala Pelzeln p. 267.
Chrysotis ochrocephala Cat. Br. Mus. XX p. 289.
Especie semelhante á ‘precedente, differindo pela
cabeça, que é verde, tendo apenas a margem da fronte
azul-verde. o resto da fronte e o vertice amarello-claros.
O bico é escuro, com a base da maxilla superior encar-
nada. Essa especie é da Venezuela e do Norte do Brazil.
Existe no baixo Tieté, entre Guamicanga e Itapura como
me affirmou o Sr. Coronel Cornelio Schmidt e, por con-
seguinte, deve existir em Matto Grosso e Goyaz. Natterer
obteve-a no Rio Branco. |
Temos na collecção outra especie de Chrysotis, seme-
lhante a Ch. auropalliata G. R. Gr., tendo como ella todo
o pescoço posterior amarello, mas differindo pelos encon-
tros, que não são vermelhos, mas verdes. O Sr. Coronel
C. Schmidt disse-me que tambem conhece entre o Rio
Morto e Itapura essa especie, que alli tem o nome singular
de papagaio inglez. Dei a essa especie nova o nome de
Chr. Schmidti sp. n. em honra do excellente observador
e caçador Sr. Coronel Cornelio Schmidt do Rio Claro e
espero que nos ha de conseguir exemplares authenticos,
visto como ao nosso falta a cauda e as necessarias indi-
cações sobre a procedencia.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 406. Chrysotis brasiliensis (L.).
Psittacus cyanotis Burmeister II p. 185, nota.
Chrysotis erythrura Pelzeln p. 265, nota.
Chrysotis brasiliensis Pelzeln p. 265.
Chrysotis brasiliensis Cat. Br. Mus. XX p. 305.
Papagaio grande, todo verde, a excepção da cabeça
que tem o loro e a fronte vermelhos, o vertice roxo-ver-
melho, a face roxo-azul, a garganta roxa, com orlas azues
das pennas. As remiges da mão são preto-azues. As rectri-
zes lateraes têm a base roxo-preta, seguindo-se uma parte
vermelha e depois a ponta verde-amarella. Em baixo do
encontro é a margem das azas vermelha. O bico é dene-
grido. É essa uma especie bonita e pouco conhecida que
Natterer colleccionou perto de Paranaguá e o Sr. À. Krone
perto de Iguape, no braço grande do Rio Pariquera Mirim
onde vivem e criam com regularidade. Não occorre no
interior do Estado e parece na sua distribuição limitado
ao litoral dos Estados de Paraná e S. Paulo.
Mus. Paul. Iguape (3 e ©).
{
* 407. Chrysotis pretrei (Temm.).
Chorão.
Chrysotis pretrei Pelzeln p. 265, nota.
Chrysotis pretrei Berlepsch u. Lhering p. 164.
Chrysotis pretrei Cat. Br. Mus. XX p. 320.
Papagaio um pouco menor do que o precedente, dif-
ferindo das outras especies mencionadas pela falta da
mancha vermelha no meio das azas, nas remiges do braço,
e pelas rectrizes verdes sem base vermelha. A côr é verde;
a fronte, parte do vertice, o loro e a região ao redor e
atraz dos olhos são vermelhos como tambem os encontros.
As remiges da mão são preto-azuladas, o bico é amarello.
Essa especie occorre desde S. Paulo até o Rio Grande
do Sul e Estado Oriental (Montevideo). É ave de arribação
que no Rio Grande do Sul apparece no verão na costa
da Serra e até á colonia de S. Lourenço perto de Pelotas,
sendo a opinião geral que vem do Paraguay. E singular
que a mesma affirmaçäo, provavelmente falsa, reappareça
aqui em S. Paulo, onde o chorão segundo informações
recebidas pelo Sr. major Cornelio Vieira de Camargo é
observado no municipio de Apiahy 2 outros visinhos desde
uns 10—15 annos. Na Argentina ha uma especie affim
Ch. tucumana Cab. cujos encontros e a região atraz dos
olhos são verdes.
Mus. Paul. Piracicaba.
* 408. Pionus maximiliani (Kuhl).
Maitacca.
Psittacus flavirostris Spix I p. 42 Taf. 31 fig. 2.
Psittacus flavirostris Wied IV p. 243.
Pionus flavirostris Burmeister II p. ro.
Pionus maximiliani Berlepsch u. Lhering p. 165.
Pionus maximiliani Sclater a. Hudson p: 217.
Pionus maximiliani Pelzeln p. 264 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé).
Pionus maximiliani Cat. Br. Mus. XX p. 327 (Ypanema).
Especie de 280—300 mm. de comprimento, verde, com
a fronte, o vertice e o loro denegridos. O pescoço anterior
e o peito são azues, o crisso e as coberteiras inferiores
da cauda são escarlates. As partes lateraes do pescoço
são verdes. As remiges da mão são verdes, com a base
preto-azul. As rectrizes exteriores têm a margem exterior
azul, a interior vermelha. O bico é amarello, excepto a
base da maxilla superior que é escura. À especie occorre
desde o Rio Grande do Sul, o Norte da Argentina e
Paraguay até a Bahia. No Norte do Brazil, na Bolivia e
na America central é essa especie substituida por outra
semelhante, P. severus L., que tem toda a cabeça, todo o
pescoço e o peito azues.
Os guaranys do Rio Verde chamam-n'a arabatsai.
Mus. Paul. Poço Grande (Valle do Rio da Ribeira).
* 409. Triclaria cyanogaster (Vieill.).
Sabia-sicca.
Psittacus malachitaceus Spix I p. 40 Taf. 28 (SG! juv.).
Psittacus cyanogaster Wied IV p. 203.
Triclaria cyanogastra Burmeister Il p. 181.
Triclaria cyanogastra Berlepsch u. Jhering p. 164.
Pionias cyanogaster Pelzeln p. 261 (Ypanema).
Triclaria cyanogaster Cat. Br. Mus. XX p. 337 (Ypa-
nema).
Especie de 280 mm. de comprimento, verde-clara,
uniforme. As primeiras remiges da mão tem a margem
anterior azul. As rectrizes exteriores são azues, as outras
têm a ponta azul. O macho tem a barriga azul-roxa. O
bico é branco-amarello. Especie do Brazil meridional que
occorre desde o Rio Grande do Sul até Minas e Espirito
Santo. Natterer diz que em Ypanema o seu nome é araçuay-
ava; ha nisso engano no modo de escrever, que devia
ser aruai, como Montoya o escreve e ainda hoje o pro-
nunciam os guaranys do Rio Verde. Aruai é zombador,
aba é homem e muito. Observo porem que essa especie
não falla, assobiando como o homem. Não entendo a
etymologia sabia-sicca. |
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 40. Pionopsittacus pileatus (Scop.).
Cuyuyu.
Psittacus maitaca Spix I p. 41 Taf. 29 fig. 1, df ad. e
Taf. 30 9.
Psittacus pileatus Wied IV p. 247.
Psittacula pileata Burmeister H p. 194.
Pionopsitta pileata Berlepsch u. 1hering p. 165.
Pionias mitratus Pelzeln p. 262 (Cemiterio, Ypanema).
Pionopsittacus pileatus Cat. Br. Mus. XX p. 340.
Especie menor, de 230 mm. de comprimento, com
diferença pronunciada dos sexos. O macho é verde, com
a fronte, o vertice, o loro, a região ao redor dos olhos e
o ouvido escarlates. As remiges são azul-escuras, com a
margem anterior verde, as coberteiras exteriores eos en-
contros são tambem azul-escuros. As rectrizes são curtas,
estreitas, pontagudas, azul-escuras. O bico é cinzento, com
a ponta mais clara e o culmen: sulcado. A femea não tem
pennas vermelhas na cabeça, tendo a fronte azul. Especie
do Paraguay e do Brazil meridional, desde o Rio Grande
do Sul até a Bahia. Na Bahia chamam-n'a maitacca da
cabeça vermelha, no Rio Grande do Sul cattorita. O nome
geralmente usado no Estado de S. Paulo é Cuyu-cuyu ou
cuyuyu, sendo essa ultima palavra, embora não se entenda
a etymologia, preferivel por ser usada por Montoya.
Mus. Paul. Iguape.
Hi. Urochroma wiedi Allen.
Psittacus melanotus Wied IV p. 256.
Psittacula melanonota Burmeister ll p. 196.
Psittacula melanonota Pelze/n p. 268, nota.
Urochroma wiedi Cat. Br. Mus. XX p. 352.
Especie elegante e pequena, medindo apenas 150 mm.
A cor é verde, a excepção do dorso, parte das azas e O
uropygio, que são bruno-denegridos. A barriga é verde-
azul. Os encontros são vermelhos. As rectrizes medianas
são verdes, as lateraes são vermelhas na base, com uma
faxa transversal preta perto da ponta. O bico é amarellado
com a ponta mais escura. ;
O Sr. À. Krone participou-me que obteve viva essa
especie do Rio Iririaia, onde costuma apparecer nos mezes
de Julho e Agosto. E" tão pouco arisco como o cujuyu,
de modo que foi possivel pegar por laço alguns sem que
os outros fugissem, nem mesmo quando se matou parte
delles por tiro. O mesmo diz o principe Wied que ob-
servou a especie na Bahia.
Mus. Paul. —
* 412. Urochroma surda (IL).
Periquitinho.
Psittacus surdus Wied IV p. 252.
? Psittacula surda Burmeister IL p. 195.
Psittacula surda Pelzeln p. 258.
Urochroma surda Cat. Br. Mus. XX p. 354.
ao
Especie pequena de 170 mm. de comprimento, verde
com a fronte e a face amarellentas, o pescoço verde-ama-
rellento e as pennas scapulares das azas bruno-amarellas.
As remiges são pretas, com a margem exterior verde. Das
rectrizes são as medianas de côr verde, as lateraes amarella-
das, tendo todas a ponta preta. O bico é amarellento. A
especie occorre desde o Pará até o Rio de Janeiro e certas
regiões do Est. de S. Paulo, como o sei pelo Sr. Coronel
Cornelio Schmidt, que me affirmou ser essa especie com-
mum no baixo Tieté.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
VI. Ordem. Striges.
Esta ordem contem as corujas, mochos, caburés e
outras aves nocturnas de rapina. A cabeça bem grande
com os olhos grandes e dirigidos para diante, o desenvol-
vimento extraordinario do ouvido, a plumagem macia
caracterisam a ordem. Ao redor dos olhos ha uma coroa
de pennas erectas, em parte com as pontas em fórma de
sedas e para fora dessa segue-se outra corôa de pennas em
4—5 fileiras que correspondem ao ouvido e formam o
véo. O bico é curto, arqueado, côm a cera que cobre sua
base e que contem as ventas, em parte escondida pelas
pennas rijidas do loro ea da coroa facial. Ás vezes existe
de cada lado, em cima do ouvido, um froco de pennas
alongadas chamadas as orelhas. As pernas são curtas, os
tarsos quasi sempre cobertos de pennas e muitas vezes
a plumagem extende-se sobre os dedos tambem. Dos tres
dedos anteriores do pé, que não são unidos por membrana
na base, póde o exterior ser virado para traz ou para
diante. Nas azas ha ro remiges de mão e 12—16 do braço,
na cauda ha 12 rectrizes. Ao apparelho digestivo falta o
papo. | |
Distinguem-se nessa ordem duas familias. A das Stri-
gidae, que abrange apenas a suindara, tem a margem
posterior do sternum inteira ou sem incisões e a furcula
, THA: dl STE
concrescida com a quilha do sternum. O dedo interior tem
o mesmo tamanho como o do meio e este tem a unha
com a margem interior denteada. O véo é triangular e
completo,
A familia Bubonidae tem na margem posterior do
sternum duas ou mais incisões profundas, a furcula livre,
o dedo do meio mais comprido do que o interior e a
“garra do dedo mediano não denteada. Das duas sub-familias
têm as especies que compõem as Syrniinae o ouvido
exterior muito grande com um operculo que tapa a aber-
tura. A corôa facial extende-se tanto em cima, como em
baixo dos olhos. O genero Asio tem orelhas, Syrnium
não. Nas Buboninae é o ouvido menor, do tamanho dos
olhos mais ou menos, sem operculo e a corôa facial é
desigual, sendo muito mais desenvolvida em baixo do que
em cima dos olhos. Nessa sub-familia são providos de
orelhas os generos Bubo e Scops.
E’ bem representada no Estado de São Paulo essa
ordem por 14 especies. Pelzeln enumera de todo o Brazil
17 especies das quaes duas como variedades devem ser
reunidas em uma especie, Scops brasilianus, de modo que
em verdade são 16 especies do Brazil. Todas são de
grande distribuição geographica e duas especies, Strix
flammea e Asio accipitrinus, occorrem tambem na Europa.
-FAM. STRIGIDAE.
* 413. Strix flammea L.
Suindara.
Tuidara Maregrav p. 205.
Strix perlata Wied Ill p. 263.
Strix perlata Burmeister IL p. 137.
Strix perlata Berlepsch I p. 281.
Strix flammea Pelseln p. to (Ypanema).
Strix flammea Sclater a. Hudson I p. 48.
Strix flammea Cat. Br. Mus. II p. 291.
e aa B
Coruja conhecida geralmente pelo nome de suindara,
que vive nos campos, entrando nos edificios, sendo, por
exemplo, habitante regular do Monumento do Ypiranga,
onde faz o seu ninho nos capiteis das columnas. E’ ave
de 35 centim. de comprimento. Os dedos do pé são des-
providos de pennas e a unha do dedo mediano é denteada
no lado interior. À côr é cinzenta e amarella nas costas,
com salpicos brancos e pretos. À região ao redor dos olhos
é escura e orlada de larga corôa branca seguindo para
fora e de modo concentrico o véo, que é amarello, com
manchas pretas. Todo o lado inferior é branco ou branco-
amarello na barriga com algumas pontas isoladas escuras.
E' essa uma especie de distribuição vasta ou quasi
cosmopolita, sendo na Europa conhecida sob o nome de
mocho velado. Na America extende-se até a Patagonia e
o Chile. Os guaranys do Rio Verde chamam-n'a suindá.
Mus. Paul. Ypiranga.
FAM. BUBONIDA E:
SUBFAM. SYRNIINAE.
* 414 Asio mexicanus (Gm.).
Mocho orelhudo.
Strix longirostris Spzx I p. 21 Taf. 9, a.
Strix maculata Wied III p. 281.
Otus americanus Burmeister Il p. 143.
Otus mexicanus Pelzeln p. 10 (Ypanema).
Asio mexicanus Cat. Br. Mus. II p. 231.
Bonita coruja de orelha, tendo de cada lado em cima
e atraz dos olhos um comprido froco de pennas alongadas
de 5—6 centim. de comprimento que são pretas na barba
exterior, brancas na interior. O comprimento da ave im-
porta em 35—40 centim. A côr é amarellenta em cima,
com largas estrias longitudinaes escuras. O lado inferior
é branco-amarellento e as pennas do peito e da barriga
tém ao longo das hastes das pennas manchas escuras. As
— 329 —
remiges e rectrizes são pardo-cinzentas, com faxas tran-
sversaes escuras, cujo numero é de 5 na"primeira remige
da mao. A face, ao redor dos olhos, é alvacenta, orlada
para fora pelo véo denegrido. Os dedos são munidos
de pennas até perto da unha,
Essa especie occorre desde o Rio Grande do Sulaté
a America Central. Especies muito semelhantes são Asio
wilsonianus Less. da America do Norte e Asio otus L.
(Otus vulgaris Brehm V p. go fig.) da Europa.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
415. Asio accipitrinus (Pall.).
Otus brachyotus Burmeister Il p. 125.
Otus brachyotus Lrehm Thierleben Bd. V. 1879 p. 94
e figura.
Otus brachyotus Pelzeln p. 10 (Ypanema, Morungaba,
Itararé, Matto Dentro).
Asio brachyotus Sc/ater a. Hudson II p. 49.
Asio accipitrinus Cowes Key p. 507 e fig. 355.
Asio accipitrinus Cat. Br. Mus. II p. 234. -
Especie de 350 mm. de comprimento, differindo da
especie precedente pelos frocos das orelhas curtas, formados
apenas por 2—3 pennas brancas, de 20 mm. de compri-
mento. Os dedos são cobertos de pennas. A côr é em
cima amarellenta, com estrias escuras, mais clara no lado
inferior especialmente na barriga, onde as. estrias quasi
desapparecem. A face é alvacenta, com uma grande man-
cha central ao redor dos olhos. O bico é preto. As remiges
e rectrizes são esbranquiçadas, com algumas faxas tran-
sversaes escuras.
E' essa outra especie mais ou menos cosmopolita,
commum na Europa e distribuida na America desde o
Norte até o Estreito de Magalhães. No Estado de S. Paulo,
onde Natterer a caçou, não parece ser commum.
Mus. Paul.
Revista do Mnseu Paulista Vol. III. 21
* 416. Asio stygius (Wagl.).
Mocho diabo (Piracicaba).
Otus stygius Pelzeln p. to (Itararé).
Asio stygius Berlepsch u. lhering p. 166.
Asio stygius Cat. Br. Mus. Il p. 247.
Especie de 45—50 centim. de comprimento, uniforme
bruno-denegrida em cima, com algumas manchas amarel-
lentas nas coberteiras das azas e da cauda. As primeiras
remiges säo uniforme-escuras, com a ponta attenuada, as
outras têm algumas manchas amarelladas. As rectrizes são
bruno-escuras, com algumas faxas amarellentas transversaes.
A face é escura, o veo bruno-escuro, com numerosas man-
chas amarelladas. Os frocos das orelhas são brunos, com
margens amarelladas e medem 50 mm. de comprimento.
O lado inferior é amarellento, com largas estrias escuras,
as pennas e as coberteiras inferiores da cauda são ferru-
ginoso-amarellas. O bico é cinzento-denegrido, os dedos
são, só na base, providos de pennas. |
Especie rara, que occorre desde o Rio Grande do
Sul, por todo o Brazil e até Cuba. O nosso exemplar é
de Curityba. |
Mus. Paul. —
* 417. Syrnium hylophilum (Temm.).
Ciccaba hylophila Burmeister p. 133.
Syrnium hylophilum Pe/zeln p. 9 (Ypanema).
Syrnium hylophilum Berlepsch wu. Ihering p. 166.
Syrnium hylophilum Cat. Br. Mus. II p. 269.
Especie de 400 mm. de comprimento. Todo o lado
superior é pardo-avermelhado, com largas laxas transversaes
pretas, que são na cabeça e no pescoço mais estreitas do
que no dorso e nas azas. À face eo véo são amarellentos,
com faxas esbranquiçadas e escuras. No pescoço anterior
ha uma larga faxa branca. O lado inferior é branco, com
largas faxas transversaes amarellas e brunas. As pernas
ão alvacentas, com faxas pardas e estreitas. Os dedo s
são nus. As remiges e rectrizes são escuras, com faxas
amarellentas. Essa especie occorre desde o Rio Grande
do Sul até a Guyana e Colombia. Os guaranys do Rio
Verde designaram essa especie de urucurua-cucu e as do
genero Pulsatrix de urucuruá-guassú.
Mus. Paul. S. Carlos do Pinhal.
-* 418. Syrnium suinda (Vieill.).
‘Ciccaba suinda Burmeister II p. 135.
Syrnium suinda Berlepsch wu. lhering p. 166.
Syrnium fasciatum (Vieill.) Pelzeln p. 9 (Ypanema).
Syrnium suinda Cat. Br. Mus. II p. 272.
Especie um pouco menor que a precedente; o com-
primento das azas é de 260 mm. Todo o lado superior é
bruno-escuro, com numerosas faxas amarellentas e finas.
As remiges e rectrizes são bruno-escuras, com faxas ama-
rellentas. A face é pardo-castanha, com manchinhas escuras,
o véo amarello-ferruginoso. Sobre o olho corre uma estria
branco-amarella. O lado inferior é amarellento com estrias
largas, longitudinaes, pardas, no peito e na barriga. As
pernas são amarello-escuras. Os dedos são nús.
A especie occorre no Rio Grande do Sul, por todo
o Brazil e no Paraguay, sendo especie rara. Pelzeln a ella
referiu a Strix fasciata (Vieill.), não posso dizer se com
razão ou não. Sharpe no catalogo do Br. Museum p. 273
refere a especie de Vieillot ao Syrnium virgatum Cass.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 49. Syrnium huhulum (Daud.).
Mocho negro.
Strix albomarginata Spix I p. 23 Taf. 10, a.
Ciccaba hulula Burmeister II p. 132.
Athene huhula Pe/zeln p. 8.
Syrnium huhulum Cat. Br. Mus. I p. 275.
Coruja de 420 mm. de comprimento, toda preta, com
numerosas linhas brancas transversaes, tendo cada penna
3—5 dessas estreitas faxas arqueadas. Tambem as remiges
e rectrizes têm faxas transversaes brancas. A face e o
véo são pretos, com salpicos brancos. O bico é alvacento,
os dedos são amarellos e desprovidos de pennas. À especie
occorre desde S. Paulo até o Nórte do Brazil e a Guyana.
O nosso exemplar é de Piracicaba, onde o caçou e preparou
o Sr. Valencio Bueno.
Mus. Paul. Piracicaba.
* 420. Syrnium perspicillatum (Lath.).
Mocho matteiro.
Strix pulsatrix Wied HI p. 268.
Ulula torquata Burmeister Il p. 130.
Syrnium pulsatrix Berlepsch | p. 282.
Syrnium pulsatrix Berlepsch u. Lhering p. 166.
Athene torquata Pelzeln p. 8.
Syrnium perspicillatum Cat. Br. Mus. II p. 277.
Coruja grande de 50—57 centim. de comprimento com
a aza medindo 36 centim., bem caracterisada pelos dedos
cobertos de pennas até perto da unha, atraz da qual se
notam 2—3 escudos. O lado superior é bruno, côr de café,
com salpicos e faxas indistinctas nas azas e na cauda. À
face é bruna; sobre os olhos corre da fronte ao occiput uma
larga estria branca. O peito é bruno, a garganta e o
pescoço anterior e lateral são brancos, a barriga e as pernas
são ferruginoso-amarellas. |
Essa especie occorre desde o Rio Grande do Sul até
Mexico. |
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 421. Syrnium melanonotum (Tschudi).
Athene melanota Pelzeln p. 9 (Ypanema).
Syrnium melanonotum Cat. Br. Mus. II p. 280.
Especie um pouco menor do que a precedente, com
a aza medindo 31 centim., bem distinguida pelos dedos
nús, providos de pennas só na base. A cor é mais escura,
bruno-denegrida em cima. O pescoço anterior é bruno em
Takes ur
cima, branco em baixo formaudo uma larga faxa ou col-
leira que nos lados é amarella. As rectrizes têm finas
faxas transversaes e as pontas esbranquicadas. A barriga
é uniforme, amarella, como na especie precedente. Parte
das coberteiras exteriores da aza tem uma mancha ama-
rella na ponta. A estria que do bico corre sobre os olhos
é amarella.
O Snr. von Berlepsch diz que pulsatrix Wied e pers-
picillatum são especies differentes. Como nada diz sobre
os dedos não sei se trata ou não de S. melanonotum,
deixando indecisa esta questão.
S. melanonotum occorre desde S. Paulo até o Peru.
Mus. Paul. Piracicaba (Rio das Pedras) 9 e df.
SuBram. BUBONIDAE.
422. Bubo magellanicus Gm.
Jacurutu.
Jacurutu Marcgrav p. 190.
Strix nacurutu Wed IT p. 274.
Bubo crassirostris Burmeister II p. 127.
Bubo magellanicus Pelzeln p. 9.
Bubo virginianus Sclater a. Hudson II p. 50 (nec Gm.).
Bubo magellanicus Cat. Br. Mus. II p. 29.
Coruja de orelhas, de 50 centim. de comprimento,
que na Argentina e no Brazil substitue o B. virginianus
Gm. da America do Norte, do qual parece uma variedade.
Os dedos são densamente cobertos de pennas. Os frocos
da orelha são pretos, com orla amarella na barba interior. A
côr é amarellada em cima com numerosos salpicos e faxas
estreitas de côr bruno-denegrida. As remiges e rectrizes
têm faxas largas. A face é amarellenta, o véo bruno-dene-
grido. À garganta e o pescoço anterior são brancos, o peito
e a barriga amarellos com estreitas faxas pretas e estrias
pretas longitudinaes. As pernas são amarellas, o bico e as
garras pretas. Essa especie corresponde ao bufo da Europa
RARE pue
que, porem, é maior e occorre desde o Estreito de Maga- —
lhães e Chile até o Amazonas. Na America do Norte é
substituida por B. virginianus Gm.
Mus. Paul. —
* 423. Scops brasilianus (Gm.).
Coruja.
Caburé Marcgrav p. 212.
Strix crucigera Spx 1p. 22: PL 9:
Strix undulata Spix I p. 23 PI. ro.
Strix brasiliana Wed IT p. 286. |
Scops decussata Burmeister p. 126. ,
Scops atricapilla Burmeister I p. 128.
Ephialtes choliba Pe/ze/n p. 9. (Ypanema).
Ephialtes atricapilla Pe/zeln p. 9.
Scops brasilianus Sclater a. Hudson 1 p. 51.
Scops brasilianus Cat. Br. Mus. II p. 108.
Coruja de orelhas com os dedos nus. O comprimento
total é de 25 centim., o da aza de 17 centim. Essa coruja
é bem caracterisada pelas estrias ramificadas das pennas
do lado inferior, tendo cada penna no meio uma estria
longitudinal da qual, de cada lado, sahem 2—4 estrias trans-
versaes. A côr é pardo-cinzenta em cima. com salpicos
pretos, amarello-cinzenta em baixo com estrias pretas ra-.
mificadas. A cor do lado dorsal é bruno-cinzenta no macho,
bruno-avermelhada na femea. Os frocos da orelha são
pretos, com salpicos amarellos. Essa especie occorre desde
a Argentina, por todo o Brazil e até a Venezuela. Pelzeln.
e outros autores distinguem duas especies, sendo S. ni-
gricapilla mais escura no vertice, correspondendo talvez á
femea. Os nossos exemplares do Ypiranga são mais claros
do que o de Iguape. Acceito a opinião de Sharpe que no
Catalogo do British Museum não admitte S. nigricapilla
nem como variedade. Essa coruja bonita vive com a suin-
dara no edificio do Museu, no Monumento do Ypiranga.
Mus. Paul. Ypiranga; Iguape.
“ot <i 9s % —
* 424. Speotyto cunicularia (Mol.).
Coruja do campo.
Strix grallaria Spix I p. 21.
Strix cunicularia Wed HT p. 248.
Noctua cunicularia Burmeister Il p. 139.
Athene cunicularia Pelzeln p. 9. (Rio Verde, Itararé,
Irisanga).
Speotyto cunicularia hypogaca Cowes p. 516 fig. 361.
Speotyto cunicularia Sclater a. Hudson Il p. 52.
Speotyto cunicularia Cat. Br. Mus. II p. 142.
Coruja de 20-22 centim. de comprimento com a aza
“medindo 18 centim. e o tarso 5 centim., caracterisada pelo
tarso comprido, incompletamente coberto de pennas e os
dedos nús e pela cera entumescida ao redor das ventas.
O lado dorsal é pardo-cinzento com grandes manchas
redondas esbranquiçadas, o lado ventral é branco-amarel-
lado com manchas pardo-avermelhadas transversas. As
remiges e rectrizes têm manchas alvacentas formando
faxas transversas. À garganta é branca, o crisso e as per-
nas são uniformes, amarellentas. O bico é esbranquiçado.
Essa especie occorre desde a America do Norte até a
Patagonia e o Chile. Os nossos exemplares argentinos são
um pouco maiores e têm as manchas brancas que, nos de
S. Paulo, são branco-amarelladas. E’ especie commum em
nossos campos onde faz o ninho no chão em buracos
que forra com excrementos seccos de gado vaccum.
Mus. Paul. Ypiranga; Itapetininga; Piquete.
* 425. Glaucidium pumilum (Temm.).
Cabure.
Strix minutissima Wed HI p. 242.
Glaucidium pumilum Burmeister Il p. 144.
Athene minutissima Pelzeln p. 9.
Glaucidium pumilum Cat. Br. Mus. II p. 198.
Entre as nossas corujas a menor, de 13 centim. de
comprimento, medindo a aza 8—g centim. A côr em cima
“F980 a :
é bruno-cinzenta com manchinhas ou pingas amarelladas
na cabeca e maiores branco-amarellas nas coberteiras das
azas. Na nuca e no pescoço posterior são as pennas em
parte pretas e munidas de grandes manchas brancas. A
garganta e o pescoço anterior são brancos, o peito é pardo,
a barriga branca com estrias longitudinaes pardas. As
rectrizes têm as pontas esbranquiçadas e quatro series de
manchas brancas que são maiores na barba interior da
rectriz e se não estendem até a haste. Essa especie oc-
corre desde S. Paulo até o Amazonas. Pelzeln diz, p. 399,
que Lichtenstein obteve-a de S. Paulo; o Snr. Krone
obteve-a em Iguape.
Mus. Paul. Estado: de q Paulo.
* 426. Glaucidium ferox (Vieill.).
Caburé.
Strix passerinoides Wed HI p. 239.
Strix ferruginea Wied WI p. 234.
Glaucidium passerinoides Burmeister Il p. 143.
Glaucidium ferrugineum Burmeister Il p. 141.
Athene ferruginea Pe/ze/n p. 9 (Matto Dentro, Ypa-
nema, Irisanga, Rio Paraná).
Glaucidium ferrugineum Cowes p. 514.
Glaucidium ferox Cat. Br. Mus. II p. 200.
Especie maior, de 200 mm. de comprimento ou mais,
medindo a aza 10 centim. ou mais. À côr é bruna ou
bruno-avermelhada em cima. As pennas do vertice têm
estrias claras ao longo das hastes. O lado inferior é bran-
co-amarellado, com estrias longitudinaes escuras. Sharpe
no Catalogo do British Museum distingue duas variedades
uma bruna e outra castanha. Esta ultima é a St. ferruginea
de Wied e tem a: cauda uniforme, pardo-avermelhada, se-
gundo Sharpe, sendo, segundo Burmeister, a cauda do ma-
cho uniforme, da femea transversalmente riscada. À cauda
de G. passerinoides tem manchas brancas como a de G.
pumilum, mas em maior numero, de 5—6. Acceitando aqui
SANTE ya
a opinião dos especialistas competentes não posso deixar
de emittir as minhas duvidas a respeito da reunião de
todas essas variedades em uma especie. Os guaranys do
Rio Verde chamam essas especies de Glaucidium caburé.
Mus. Paul. Iguape; Est. de S. Paulo.
VII. Ordem. Accipitres.
As aves de rapina diurnas são caracterisadas pelo
bico forte, alto na base, recurvado e afiado, que na
base é revestido de uma membrana, denominada cera ou
cerume, quasi sempre de côr differente da do bico, as
mais vezes amarella, e na qual estão situadas as ventas. A
região loral é núa ou revestida de cerdas rijas. Os olhos
estão situados lateralmente e não são cingidos por uma
corôa de pennas formando o véo, que caracterisa as corujas.
Só no genero Circus ha uma disposição analoga, uma
qualidade de véo incompleto. De conformidade com essa
circumstancia as orelhas não têm o desen\ olvimento extraor-
dinario que se nota entre as corujas.
Nas azas notam-se 10 remiges da mão, 12—16 do braço.
A cauda contem 12 rectrizes. As pernas e pés mostram
grande variabilidade. O tarso é ás vezes provido de pen-
nas, ás vezes nú, sendo revestido de escudos que são
menores e hexagonaes ou maiores e semicirculares. As
pennas do lado exterior da perna são, ás vezes, engrande-
cidas e pendentes formando os «calções». Os pés são nús
e notaveis pela força e pelo tamanho das garras, que
servem para agarrar a presa, e entre as quaes especialmente
a posterior é grande. Muitas vezes são dos tres dedos
anteriores os dois exteriores na base entre si ligados por
uma curta membrana. Só no genero Pandion, a aguia
pesqueira, pode o dedo exterior ser virado para traz, como
o fazem as corujas.
As aves de rapina diurnas, a excepção dos urubús,
estão distribuidas sobre todas as zonas, tendo muitas espe-
cies entre ellas uma distribuição geographica vasta. Grande
numero das especies da America meridional occorrem
tambem na America do Norte e algumas até na Europa.
Representam entre as aves o papel que os carnivoros
fazem entre os mammiferos, vivendo de outros animaes
especialmente de aves e insectos. As pennas, cabellos, ossos
e outras partes refractarias a digestão são lançados fora
em forma de bolas, como costumam fazer tambem as co-
rujas. Vivem isolados respectivamente aos casaes. Em geral
a femea não differe do macho no colorido, mas sim no
tamanho, sendo quasi sempre a femea maior do que o
seu companheiro. Ao contrario é bem differente muitas
vezes no colorido o filhote da ave adulta, o que bastante
difficil torna a determinação. A excpção dos urubús, que
fazem o seu ninho muito simples no chão, constróem os
ninhos em cima de arvores altas.
Distinguem-se, ao menos quanto ás especies repre-
sentadas no Est. de S. Paulo, duas familias, as Cathartidae
e as Falconidae.
As Cathartidae, abrangendo os urubús, têm a cabeça
e parte do pescoço nús e escamosos ou munidos de ver-
rugas. O bico é comprido, menos forte e menos curvo do
que o das Falconidae, um pouco contrahido na base e
mais alto perto da ponta. As ventas são permeaveis de
um lado do bico ao outro. Os pés têm o dedo posterior
menor e collocado mais elevado do que os anteriores
sendo todos na base unidos por membrana. As garras são
pouco fortes, pouco curvas. Falta aos urubús o larynge e
a voz. E’ essa familia exclusivamente americana, differindo
das Vulturidae ou. abutres do velho mundo. E' familia que
abrange pequeno numero de especies entre ellas o condor
dos Andes, representado na collecção do Museu por bonito
exemplar, o urubu-rey e os urubús. Vivem de animaes
mortos ou moribundos.
As Falconidae são os rapineiros verdadeiros, não vi-
vendo de animaes mortos. O bico, por essa razão, é mais
forte, mais recurvado, alto na base. A margem cortante
da maxilla superior tem, às vezes, no meio um dente obtuso,
Ro ee NE
como no genero Accipiter, ou perto da ponta um dente
agudo como na sub-familia Falconinae. Esse dente em geral
é simplés, sendo duplo no genero Harpagus. O cerume
é às vezes molle, ás vezes duro, como a base do bico
mesmo. À cabeça é bem munida de pennas. O larynge é
pouco especialisado. São aves de rapina que caçam de
dia. Não temos no Brazil verdadeiras aguias do genero
Aquila, mas temos os gaviões de pennacho que os sub-
stituem aqui, as harpias e apacanim, que são aves magni-
ficas, soberbas. Não duvido que seja bastante incompleta
a lista aqui apresentada.
FAM. SARCOKHAMPHIDAE.
* 427. Sarcorhamphus papa (L.).
Urubu-rei ; Corvo branco.
Cathartes papa Spix I p. 1 Taf. 1.
Cathartes papa Wed HI p. 56.
Sarcorhamphus papa Burmeister I p. 28.
Sarcorhamphus papa Pelzeln p. 1 (Itararé, Morungaba).
Cathartes papa Cat. Br. Mus. I p. 22.
O Urubú-rei ou Corvo-rei é pouco maior do que o
urubú preto, mas se distingue dos urubús, além do colorido,
pela crista e pelas verrugas vermelhas que se notam na
base do bico. À cabeça e o pescoço anterior são nús, ver-
melhos e, em parte, côr de laranja. No pescoço começa
. a plumagem que forma um collar cinzento de pennas
maiores. As remiges, o uropygio e a cauda são pretos, o
dorso e o lado ventral são branco-amarellados. O bico que
é amarello-cinzento, mede 5 centim. no culmen.
O Urubu-rei occorre no Rio Grande do Sul até 30
grãos de L. S. como sei por observadores de confiança,
não tendo o mesmo caçado. Occorre, pois, por todo o Brazil
e até o Mexico. Os guaranys do Rio Verde chamam-n'o
urubú-inti.
Mus. Paul S. Paulo.
Tt Ode Te
* 428. Catharista atrata (Bartr.).
Urubu; Corvo.
Cathartes foetens Wed HI p. 58.
Cathartes aura Sfzx I p. 2.
Cathartes urubu Burmeister H p. 32.
Cathartes atratus Sclater a. Hudson II p. 89.
Cathartes foetens Pelzeln p. 1 (Ypanema). -
Catharista atrata Coues p. 560 fig. 388.
Catharistes atratus Cat. Br. Mus. I p. 24.
O urubú ordinario é todo preto, tambem na cabeça,
que é nua. As pennas do pescoço posterior ascendem
com uma ponta triangular dirigida para a nuca. As remiges
da mão são em baixo esbranquiçadas. As hastes das remiges
da mão são brancas em cima e em baixo, as das rectrizes
são brunas em cima, brancas em baixo. As azas medem
42-44 centim., o tarso 7—8 centim. À cauda é curta e
truncada. O bico e os pés são negros. Especie commum
desde o Chile e a Patagonia até a America do Norte. Os
guaranys do Rio Verde chamam-n'a japina.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 429. Cathartes aura (L.)
Urubi-peba; Urubii campeiro; Corvo de cabeça vermelha.
Cathartes ruficollis Spix I p. 2.
Cathartes aura Pelzeln p. 1 (Ypanema, Matto Dentro,
Itararé).
Cathartes aura Sclater c. Hudson H p. 89.
Cathartes aura Berlepsch I p. 292.
Cathartes aura Coues p. 558 e fig. 387.
Oenops falclandica Sharpe Cat. Br. Mus. I p. 27
EEE
Oenops aura Cat. Br. Mus. I p. 25.
Ave de 7o—75 centim. de comprimento com a aza
medindo 52—54 centim. e a cauda 26—28 centim. A cor
da plumagem é preta, mas as pennas em parte são bruno-
sik) Sr
cinzentas ou bruno-orladas especialmente as das coberteiras
das azas. A cabeça e o pescoço são nús, encarnados. As
pennas no pescoço inferior, onde começam, formam um
collar regular ao redor do pescoço. As remiges da mão
têm as hastes brunas em cima, brancas em baixo. As has-
tes das rectrizes são pretas em cima, brancas em baixo.
O lado inferior da cauda é cinzento, o das azas esbranqui-
çado. O bico é muito mais curto do que na especie pre-
cedente, medindo na curva do culmen 52 mm. contra 64
em C. atrata. A distancia do ponto do bico até o princi-
pio da venta é 25-26 mm. em C. aura, 34—36 em C.
atrata. As ventas são lineares em C. atrata, largas e bem
permeaveis de um lado ao outro em C. aura. O bico e
as pernas são amarellentas.
A cauda, que mede em C. atrata 18—20 centim., tem
o comprimento de 26-28 em C. aura, sendo na primeira
especie a sua margem posterior concava, visto como as re-
ctrizes lateraes são inais compridas do que as centraes,
dando-se no genero Cathartes o contrario, sendo a cauda
redonda com a margem posterior convexa e as rectrizes
lateraes mais curtas do que as centraes.
- Não é, pois, só a cor da cabeça que distingue essas
duas especies e mal procedeu o preparador do antigo Museu
do Sr. Sertorio, quando pintando de vermelho a cabeça de
um urubú preto julgou ter representado o urubú campeiro.
Além das differenças notadas ha outras biologicas. O urubú
commum anda em bandos, o urubú campeiro em casaes
e dizem que não vive só de cadaveres, mas tambem de
reptis. C. aura tem grande facilidade em voar sem movi-
mento das azas, dando-as ao vento como velas, o que o
urubú commum só pode fazer por pouco tempo. C. aura
occorre desde a Patagonia até a America do Norte. Os
exemplares das ilhas Falkland separou Sharpe como especie
falclândica, como acredito sem razão.
Mus. Paul. Piquete; S. Sebastião.
mue —
430. Cathartes urubutinga Pelz.
Urubu-tinga.
Urubu Marcgrav p. 207.
Cathartes aura Wied Ill p. 64.
Cathartes aura Burmeister IL p. 30.
Cathartes urubutinga Pelzeln p. 1 (Irisanga).
Cathartes pernigra Sharpe Cat. Br. Mus. I p. 26.
Cathartes urubitinga Cat. Br. Mus. I p. 28 PI. II fig. 2.
Especie muito semelhante 4 precedente da qual differe
pelas hastes das remiges da mão que são brancas em ci-
ma e em baixo, pelo pescoço posterior que no meio tem
pennas até a nuca como em C. atrata e pela cor da ca-
beça que é roxa ou azul no vertice, côr de laranja nos
lados. Observo que na especie C. aura a côr não é uni-
forme na cabeça e que nos diversos exemplares que della
temos a côr das hastes das remiges da mão varia de bru-
no-escuro até amarello, quasi branco. Isto devia impor
cuidado na creação de especies novas. Sharpe ao contrario
augmenta ainda o numero das especies descrevendo os
exemplares do Amazonas sob o nome de C. pernigra, que
. tem as hastes das remiges em cima brunas, a cabeça ama-
relia, o iris branco. C. urubutinga occorre no norte e no
centro do Brazil e foi encontrado por Natterer no oeste
do Estado ‘de S. Paulo.
Mus. Paul. —
FAM. FALCONIDAE.
SUBFAM. POLYBORINAE.
* 431. Polyborus tharus (Mol.).
Carancho; Chimango; Caracará; (Iguape).
Polyborus vulgaris Spix I p. 3 Pl.
Falco hrasiliensis Wired HI p. 190.
Polyborus vulgaris Burmeister IL p. 31.
Polyborus tharus Brehm Thierleben IV p. 734 e figura.
Lars a
Polyborus brasiliensis Pe/ze/n p. 2 (Ypanema, Itararé).
Polyborus tharus Sclater a. Hudson p. 8r.
Polyborus tharus Cat. Br. Mus I p. 37.
Especie de 55 centim. de comprimento, com o “bico
alto, lateralmente compresso, e as ventas estreitas e com-
pridas. O dorso e o peito são brancos, com faxas brancas
transversaes. À face é nua, o ouvido e o pescoço são
branco-amarellados, a cabeça em cima é bruno-denegrida.
A barriga e as coberteiras das azas são uniforme-brunas.
As remiges da mão são escuras na ponta e brancas, com
faxas escuras, no meio. As rectrizes são brancas, com nu-
merosas faxas escuras e com a ponta bruno-denegrida. O
bico é cinzento, a face, a cera e as pernas são amarellas.
O carancho está distribuido desde a Patagonia até o Ama-
zonas, sendo substituido na Guyana e até o Mexico por
especie affim, P. cheriway Jacq., que tem o uropygio uni-
forme e bruno em vez de branco com faxas escuras, como
na especie presente. E especie que se observa muitas ve-
zes no chão, caminhando á procura de reptis e amphibios.
Voando costuma erguer as pennas do vertice como penna-
cho. À ave nova não tem as faxas transversaes do peito
etc, mas estrias escuras e longitudinaes. Os guaranys do
Rio Verde chamam-n'o Caracará.
Mus. Paul. S. Sebastião; S. Paulo.
* 432. Ibycter chimachina (Vieill ).
Caracará branco; Caracara.
Gymnops strigillatus Spix I p. 10 Pl. 4, a (juv.).
Milvago ochrocephalus Spix I p. 12 Pl. 5.
Falco degener Wied I p. 162.
Milvago ochrocephalus Burmeister IL p. 36.
Milvago chimachima Brehm Thieileben IV p. 731 e fig.
Milvago chimachima Pelzeln p. 2 (Ypanema).
Ibycter chimachima Cat. Br. Mus. II p. 39.
Ave de 40 centim. de comprimento. O genero Ibycter
tem as ventas, que são ovaes em Polyborus, redondas,
com a margem entumescida. À ave adulta é bruna no lado
oe o
dorsal. A cabeça é amarello-clara, com uma estria escura
atraz dos othos. O pescoço e o lado inferior são uniformes
amarello-claros. As remiges da mão têm a base amarel-
lada, com faxas escuras. As rectrizes são na ponta escuras,
nos ‘; basaes brancas, com faxas transversaes brunas. A
cera e a face nua são côr de laranja, as pernas são cin-
zento-azues. À ave nova é bruna, com estrias amarellas
longitudinaes na cabeça, no pescoço e no peito. É especie
do Brazil que occorre desde o Rio Grande do Sul até
Panamá. E ave dos campos onde paira no chão à procura
de insectos. Gosta de procurar no dorso do gado vaccum
os carrapatos.
Mus. Paul. Ypiranga.
433. Ibycter americanus (Bodd.).
Caracará preto.
Gymnops aquilinus Spix I p. 11.
Milvago nudicollis Burmeister I p. 37.
Ibycter formosus Pelzeln p. 2 (Ypanema).
Ibycter americanus Pelzeln p. 2 (Rio Paraná).
Ibycter americanus Cat. Br. Mus. I p. 35.
O Caracará preto mede 50—60 centim. de compri-
mento. À cór é uniforme preta, com lustro verde-metallico.
Os ouvides são cinzentos, a barriga, as pernas e as cober- :
teiras inferiores da aza são brancas. A face e a garganta
são núas e côr de laranja, a cera é azul, o bico amarellado.
Os tarsos e pés são côr de laranja.
E ave do Norte do Brazil que vive nos mattos e come
insectos, especialmente abelhas e vespas. Desde S. Paulo,
onde Natterer a caçou, mas onde parece ser rara, visto
que até agora não a pude obter, está distribuida até a
America Central. Goeldi diz que tem o nome indigena de
Urucaçu.
Ha outra especie semelhante a essa, I. ater Vieill.
(Milvago aterrimus Burm.), toda preta a excepção da base
da cauda, que é do Norte do Brazil e da Guyana e que
Pelzeln diz ter sido encontrada por Souza no Rio Grande do
Sul. Como ninguem mais encontrou essa especie no Rio
Grande do Sul ou no Brazil meridional creio que ha en-
gano, sendo S. ater especie exclusivamente do Norte do
Brazil.
Mus. Paul. —
2. Supram. ACCIPITRINAE.
434. Circus maculosus (Vieill.).
Falco palustris Wied II p. 224.
Circus superciliosus Burmeister Il p. 116.
Circus macropterus Pelzeln p. 8 (S. Paulo, Irisanga).
Circus macropterus Sclater a. Hudson II p. 58.
Circus maculosus Cat. Br. Mus. I p. 62.
Gaviäo de 50 centim. de comprimento, distinguido
como as outras especies desse genero por uma corôa ao
redor dos olhos, um véo, que nessa especie é bruno-dene-
grido com manchinhas alvacentas. A côr é pardo-denegrida
em cima. Sobre os olhos corre uma estria esbranquiçada
desde a fronte até ao véo. As remiges e rectrizes são
cinzento-azues, com faxas transversaes escuras. O pescoço
é bruno, o peito e a barriga são brancos, com algumas
estrias longitudinaes escuras. As azas estendem-se até a
metade da cauda, que é comprida. Os tarsos são nús e
compridos. Essa especie occorre desde a Argentina até a
Venezuela vivendo em localidades ricas, em lagoas e ba-
nhados, onde caça amphibios e aves aquaticas. A especie
affim C. cinereus Vieill., que é da Argentina, cacei no Rio
Grande do Sul.
Mus. Paul. —
* 435. Micrastur semitorquatus (Vieill.).
Astur brachypterus Spix I p. 9.
Climacocercus brachypterus Burmeister II p. 88.
Micrastur brachypterus Pe/zeln p. 7.
Micrastur semitorquatus Berlepsch I p. 288.
Revista do Museu Paulista Vol, III. , 22
MD
Micrastur melanoleucus Berlepsch u. Lhering p. 177.
Micrastur melanoleucus Cat. Br. Mus. I p. 75.
Gavião de 50 centim. de comprimento. O lado dorsal
e a cabeça em cima são denegridas como tambem uma
estria larga, que desce do occiput sobre o ouvido. À face é
branca, uma colleira do pescoço e todo o lado inferior o são
igualmente. O bico e a cera são cinzento-denegridos, os tar-
sos são altos (8 centim.), amarellentos. Essa especie occorre
desde o Rio Grande do Sul até o Mexico. As azas são
curtas no genero Micrastur estendendo-se só até a parte
basal da cauda, que é comprida e tem as pennas lateraes
muito mais curtas do que as medianas. Os tarsos são altos
e cobertos de escudinhos hexagonaes.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 436 Micrastur ruficollis (Vieill.).
Gavião matteiro; Gavião cabure.
Falco xanthothorax .Spix I p. 19.
Climacocercus xanthothorax Burmeister IL p. 85.
Micrastur xanthothorax Pelzeln p. 7 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé).
Micrastur ruficollis Berlepsch I p. 287.
Micrastur ruficollis Cat. Br. Mus. I p. 77.
Gavião de 33 centim. de comprimento, bruno no lado
dorsal excepto na cabeça, que é pardo-cinzenta. As rectrizes
são bruno-cinzentas com as pontas e quatro faxas trans-
versaes estreitas e brancas. O lado inferior é castanho desde
a garganta até o peito e no resto branco com numerosas
faxas pretas transversaes. O tarso que mede 6 centim. é |
amarello. O bico é cinzento-denegrido. O lado dorsal é
branco-cinzento no macho, bruno-avermelhado na femea.
A ave nova tem faxas transversaes tambem no pescoço
anterior e no lado dorsal.
Essa especie occorre desde o Rio Grande do Sul até
Venezuela.
Mus. Paul. Piquete,
ciate df pp
* 437 Micrastur gilvicollis (Vieill.).
Climacocercus concentricus Burmeister II p. 86.
Micrastur concentricus Pelzeln p. 7.
Micrastur gilvicollis Pelzeln p. 7.
Micrastur gilvicollis Cat. Br. Mus. I p. 78.
Especie de 34—36 centim. de comprimento, bruna ou
pardo-cinzenta em cima. As rectrizes têm as pontas e
quatro faxas estreitas e transversaes brancas. O lado ven-
tral é branco, com numerosas faxas estreitas, escuras e trans-
versaes que diminuem ou desapparecem na barriga inferior
e no crisso. À ave nova tem o lado inferior amarellado,
com faxas transversaes e ao redor do pescoço uma colleira
indistincta de manchas esbranquiçadas.
Essa especie do norte do Brazil foi observada na
Bahia e no Rio de Janeiro e occorre tambem no Estado
de S. Paulo. |
Mus. Paul. Piracicaba.
* 438. Geranospizias caerulescens (Vieill.).
Falco hemidactylus Wied Ill p. 97.
Nisus gracilis Burmeister IL p. 77.
Geranopus gracilis Pelzeln p. 7.
Geranopus hemidactylus Pelzeln p. 7.
Geranospizias caerulescens Sclater a. Hudson II p. 67.
Geranospizias caerulescens Cat. Br. Mus. I p. 8r.
O genero Geranospizias é bem caracterisado pelo dedo
exterior anterior que é relativamente muito pequeno, muito
mais do que o interior anterior, pela falta de calções na
tibia cujas pennas são curtas e pelos tarsos muito com-
pridos. Esse gavião mede 42(c%)—50(@) centim.. A côr é
azul-cinzenta, com estrias brancas transversaes no lado
inferior, que porém no macho adulto quasi completamente
desapparecem. As remiges da mão são pretas, com uma
grande mancha branca na barba interior. O crisso e as
coberteiras inferiores da cauda são ferruginoso-amarellas.
As rectrizes têm duas faxas pretas, largas sobre um campo
uit
que é cinzento nas medianas, amarellado nas exteriores.
O bico é preto, os tarsos e dedos são amarellos.
Não tenho plena certeza de que o nosso exemplar
provenha do Estado de S. Paulo, mas tambem não ha razão
especial para duvidas, visto a especie occorrer desde a
Argentina e por toda a America Meridional. Cacei-a no sul
do Estado do Rio Grande do Sul. Burmeister obteve-a no
Estado do Rio de Janeiro. Vive nas mattas caçando passa-
rinhos, insectos e caracoes.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 439. Antenor unicinctus (Temm.).
Asturina unicincta Burmeister II p. 82.
Urubitinga unicincta Pelzeln p. 3.
Buteo unicinctus var. harrisii Coues p. 542.
Antenor unicinctus Sc/ater a. Hudson H p. 63.
Erythrocnema unicincta Cat. Br. Mus. I p. 85.
Gavião de 57 centim de comprimento, bruno-denegrido,
com as coberteiras dos encontros castanhas. A cauda é
preta, com a base e a ponta brancas, os calcões das pernas
são castanhos, com taxas transversaes pretas. Essa especie,
que occorre desde o Rio da Prata até a America do Norte,
parece no Estado de S. Paulo habitar a zona do norte.
A ave nova é differente no colorido e tem as rectrizes
pardo-cinzentas, mais avermelhadas na barba interior, com
pontas amarelladas e 16—17 faxas transversaes escuras.
Mus. Paul. Piquete.
440. Astur poliogaster (Temm.).
Accipiter poliogaster Pelzeln p. 8 (Ypanema).
Accipiter poliogaster Berlepsch I p. 285, nota.
Astur poliogaster Cat. Br. Mus. I p. 120.
O macho tem o comprimento total de 42 centim.,
o tarso medindo 5, as azas 25 centim. O unico exem-
plar typpico se acha no Museu de Leyden e Pelzeln
considera essa especie como a ave nova do Accipiter
pileatus. À côr é escuro-cinzenta em cima, mais escura na
cape é Dr
cabeça. As coberteiras exteriores da cauda têm as pontas
cinzento-claras. As remiges da mão são brunas, com as
hastes bruno-avermelhadas e tém algumas faxas escuras,
transversaes. A cauda é preta, com as pontas das rectrizes
brancas e com tres estreitas faxas transversaes cinzentas,
que são avermelhadas perto das hastes. O lado inferior é
todo cinzento-claro, com as hastes mais escuras.
Nada posso dizer a respeito dessa especie rara e, como
parece, duvidosa.
Mus. Paul. —
441. astur pectoralis Bp.
Astur pectoralis Felzeln p. 6 (Ypanema).
Astur pectoralis Cat. Br. Mus. I p. rar.
Especie de 48 centim. de comprimento, com o tarso
medindo 6 centim. A femea é bruna em cima, com o
uropygio e as coberteiras exteriores da cauda pretas, com
pontas . brancas. O vertice da cabeça é preto, com as
pennas alongadas em fórma de pennacho curto. O pescoço
é castanho nos lados, formando larga colleira. Em baixo
dos olhos ha uma estria preta. À garganta é branca, o pes-
coço anterior e o peito são avermelhados, com manchinhas
pretas e brancas no centro. O resto do lado inferior é
branco, com largas faxas pretas, transversaes nos lados e
calções. As remiges são brunas, com faxas escuras. A
cauda é pardo-cinzenta, com quatro faxas largas, pretas,
transversaes. O bico é preto, com a base amarella.
Os exemplares de Natterer provêm de Ypanema e
de Borba no Estado de Amazonas.
Mus. Paul. —
* 442. Accipiter tinus (Lath.).
Nisus tinus Burmeister II p. 70.
Accipiter tinus Pe/zeln p. 8 (Ypanema, Rio Paraná).
Accipiter tinus Cat. Br. Mus. I p. 130.
Gavião pequeno, medindo o macho 22, a femea 26—
28 centim. A côr é pardo-cinzenta em cima, mais escura
71350
na cabeca. A face é cinzenta, a garganta branca. O lado
inferior é branco, com numerosas faxas escuras transversaes.
As remiges e rectrizes têm faxas escuras, cujos intervallos
são brancos no lado inferior. O nosso exemplar, uma
femea de 26 centim. de comprimento, tem na cauda quatro
faxas largas, escuras, mas na barba interior da rectriz
exterior o numero dellas eleva-se a 7. À cauda é nessa
especie mais curta do que na seguinte. Essa especie occorre
desde S. Paulo até a Guyana e Guatemala.
Mus. Paul. Cachoeira (9).
* 443. Accipiter erythrocnemis Gray.
Falco nisus Wied HI p. 111.
Nisus striatus Burmeister I p. 71.
Accipiter erythrocnemis Pe/ze/n p. 399 (S. Paulo).
Accipiter erythrocnemis Burmeister 1 p. 286.
Accipiter erythrocnemis Cat. Br. Mus. I p. 147.
Especie de 29—31 centim. de comprimento. A côr é
pardo-cinzenta em cima, branca, com numerosas faxas
pardas transversaes em baixo, excepto nos calções das
pernas que são uniformes, castanho-claras. A cauda é
pardo-cinzenta, com quatro faxas largas, transversaes pre-
tas. Essa especie é do Brazil meridional, occorrendo desde
o Rio Grande do Sul até a Bolivia e Bahia. À ave nova
differe no colorido e tem, além das faxas no peito, man-
chas escuras.
Mus. Paul. Cachoeira.
444. Accipiter pileatus (Temm.).
Falco pileatus Wied IN p. 107.
Nisus pileatus Burmeister Il p. 73.
Accipiter pileatus Pe/ze/n p. 8 (Morungaba, Rio Parana).
Accipiter pileatus Berlepsch I p. 284.
Accipiter pileatus Cat. Br. Mus. I p. 153.
O macho desse gavião mede apenas 34, a femea 44—
46 centim. A cor é cinzenta em cima, mais escura quasi
preta no vertice e nas azas. O lado inferior é mais claro-
M tee 0 ee
cinzento, a excepção dos calções, que são castanhos. As
remiges e as 1ectrizes têm faxas transversaes que são cin-
zentas em cima, brancas em baixo. As coberteiras infe-
riores da cauda são brancas, as das azas castanhas. O
bico é preto, os tarsos são vermelho-amarellos. A especie
occorre desde o Rio Grande do Sul até o Amazonas e
Bolivia.
Mus. Paul. —
3. SuBFAM. BUTEONINAE.
* 445. Heterospizias meridionalis (Lath.).
Gavião caboclo; Gavião puva.
Aquila buson Spix I p. 6.
Falco rutilans Wed HT p. 218.
Asturina rutilans Burmeister H p. 80.
Urubitinga meridionalis Pelzeln p. 2 (S. Paulo, Ypa-
nema, Itararé, Rio Parana).
Heterospizias meridionalis Sc/ater a. Hudson I p. 63.
Heterospizias meridionalis Cat. Br. Mus. I p. 160.
Gavião de 50—60 centim. de comprimento. A côr é
pardo-cinzenta em cima, mais escura no dorso baixo, mais
avermelhada na cabeça. O lado inferior é castanho, com
faxas transversaes estreitas, escuras, que se notam tambem
no pescoço posterior. As coberteiras das azas são castanhas
nos encontros. As remiges são na base castanhas, com
faxas escuras, na ponta pretas. As rectrizes são pretas,
com pontas brancas e uma taxa branca transversal no
meio. O bico é preto, os tarsos, que são muito compridos
e só em cima providos de pennas, são amarellentos. A
ave nova tem estrias longitudinaes no pescoço e peito.
Obtive essa especie no Rio Grande do Sul em Pedras
Brancas e occorre desde Buenos Ayres até o Mexico. É
ave dos campos que gosta de caçar nos banhados rãs e gafa-
nhotos. O Sr. Valencio Bueno caçou-a em Piracicaba, onde
a tratam de Gavião caboclo.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
a Soe
* 446. Buteo albicaudatus (Vieill.).
Buteo pterocles Burmester II p. 49.
Buteo pterocles Pelzeln p. 3 (Mogy das Cruzes, Ypa-
nema, S. Paulo, Itararé, Irisanga, Morungaba,
Rio Parana).
Buteo albicaudatus Sclater a. Hudson 1 p. 61.
Buteo albocaudatus Cowes p. 542.
Tachytriorchis albicaudatus Cat. Br. Mus. I p. 162.
Gavião um pouco menor do que a especie precedente.
A côr é cinzento-denegrida em cima, com as coberteiras
acima dos encontros castanhas. O uropygio e a cauda são .
cinzento-brancos. As rectrizes têm perto da ponta uma
larga faxa preta e numerosas faxas escuras transversaes,
que com a edade da ave mais desapparecem. O lado infe-
rior é alvacento, com faxas transversaes pardas nos lados.
A ave nova tem as bases das pennas brancas no lado
dorsal, a garganta preta, o lado inferior amarellento, com
estrias escuras longitudinaes. O bico é preto, os pés são
amarellos. Essa especie occorre desde a Argentina até O
Mexico.
Nessa especie e na precedente é a cauda curta e as -
azas extendem-se até a ponta da cauda. As ventas são
ovaes, simples na especie prêsente e com uma eminencia
interior excentrica no genero Heterospizias. :
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
447. Buteo melanoleucus (Vieill.).
Haliaétus melanoleucus Burmeister II p. 54.
Geranoaétus melanoleucus Pelzeln p. 4 (Itararé, Mo-
rungaba).
Geranoaétus melanoleucus Sclater a. Hudson II p. 64.
Buteo melanoleucus Cat. Br. Mus. I p. 168.
Gavião grande, do tamanho d’uma aguia, medindo
65 centim., sendo conhecido sob a denominação de aguia
chilena, visto que é encontrado no Chile, na Patagonia e
no Brazil meridional até S. Paulo. A ave adulta é uni-
000
forme-cinzenta em cima, branca em baixo. Os exemplares
menos velhos são bruno-denegridos em cima e têm parte
das coberteiras exteriores das azas cinzenta, com estreitas
faxas transversaes pretas. As rectrizes são pretas, com
pontas brancas. A garganta e a face são branco-cinzentas,
o pescoço anterior é cinzento-denegrido, o resto do lado
inferior é alvacento, com numerosas taxas escuras trans-
versaes. O bico é cinzento, os tarsos são amarellos. Caça
com preferencia pombos.
Mus. Paul. —
* 448 Buetola brachyura (Vieill.).
Falco albifrons Wed II p. 187.
Buteo minutus Pe/zeln p. 3.
Buteola brachyura Berlepsch u. Lhering p. 168.
Buteola brachyura Cat. Br. Mus. I p. 207.
Gavião de 39 centim. de comprimento, com as azas
estendendo-se quasi até a ponta da cauda. À côr é bruno-
denegrida em cima. A região loral, a borda da fronte e
todo o lado inferior são brancos. Os lados do pescoço são
da côr do dorso. As rectrizes têm as pontas esbranqui-
cadas e tres faxas transversaes pretas sobre o campo
pardo-cinzento.
Essa especie occorre desde o Rio Grande do Sul até
Guatemala. Natterer obteve-a em Matto Grosso, Wied na
Bahia.
Mus. Paul. Piracicaba.
* 449. Asturina nattereri (Scl. a. Salv.).
Gavião carijó.
Falco magnirostris Spix I p. 18 (partim.).
Falco magnirostris Wied HI p. 102.
Nisus magnirostris Burmeister I p. 76.
Astur magnirostris Pelzeln p. 6 (Matto Dentro, Ypa-
nema, Itararé, Irisanga).
Asturina nattereri Berlepsch u. Lhering p. 168 nota.
AND ENS
Asturina nattereri Berlepsch I p. 289.
Asturina nattereri Cat. Br. Mus. I p. 208.
Gavião de 33—25 centim. de comprimento. A ave
adulta é pardo-cinzenta em cima. As remiges são castanhas,
com faxas transversaes pretas, estreitas e com as pontas
pretas. As rectrizes são pardo-cinzentas, com tres faxas
transversaes pretas; as coberteiras exteriores da cauda são
amarellentas. O pescoço anterior é castanho com estrias
longitudinaes escuras, o resto do lado inferior é amarel-
lento com faxas pardo-vermelhas transversaes que são mais
escuras, brunas nas aves novas, que tambem differem pela
falta da côr castanha das remiges. Essa especie occorre
desde o Rio Grande do Sul onde é encontrada a varie-
dade satuata e desde S.* Catharina até Matto Grosso e
Bahia, sendo substituida na Argentina por A. pucherani
Verr. e no Amazonas por A. magnirostris Gm.
E provavel que occorra no Estado de S. Paulo A.
leucorrhoa Quoy et G., especie do tamanho de A. natte-
reri, preta, com a base da cauda branca, que occorre desde
o Rio Grande do Sul até a Venezuela. Outra especie
deste genero, A. nitida Lath., cinzenta, com estrias brancas,
transversaes em cima e que occorre no Rio de Janeiro e
no norte do Brazil não foi observada ainda no Est. de
S. Paulo. |
A. Nattereri foi caçada em Iguape pelo Snr. R. Krone,
em Piracicaba pelo Snr. Valencio Bueno.
Mus. Paul. S. Paulo; Piracicaba.
* 450. Busarellus nigricollis (Lath.).
Aquila milvoides Spix I p. 5 Taf. I, d.
Falco busarellus Wed Ill p. 213.
Buteo nigricollis Burmeister I p. 47.
Ichthyoborus nigricollis Pelzeln p. 3.
Busarellus nigricollis Cat. Br. Mus. I p, 217.
Gaviäo de 45—55 centim. de comprimento, que se
distingue pelas verrugas finas, em forma de espinhos, que
cobrem a sola dos pés. A cor é pardo-castanha no corpo,
jet is
amarellada na cabeça. As pennas do lado dorsal tém, ao
longo da haste, uma estria escura. É notavel uma grande
mancha escura no meio do pescoço anterior. As remiges
da mão são pretas, as do braço e as rectrizes são casta-
nhas, com faxas pretas e têm a ponta preta. Essa especie
occorre desde S. Paulo e Rio de Janeiro até a Guyana.
Mus. Paul. Piracicaba. ,
451. Buteogallus aequinoctialis (Gm.)
Gavião do mangue.
Urubitinga aequinoctialis Pe/ze/n p. 3.
Buteogallus aequinoctialis Cat. Br. Mus. I. p. 212.
Gaviäo de 48 centim. de comprimento, preto em cima,
com orlas castanhas das pennas do dorso. As remiges
são castanhas, as da mão com a barba exterior preta. A
cauda é preta com as pontas e uma faxa no meio das
rectrizes esbranquiçadas. À garganta é denegrida, o resto
do lado ventral é castanho, com faxas pretas transversaes.
O bico é preto, com a base amarellada, os tarsos e os pés
são amarellos.
Essa especie do Pará e da Guyana occorre na costa
do Estado de S. Paulo, onde o Snr. R. Krone a caçou em
Iguape e ainda mais ao sul em Paranaguá, onde Natterer
a obteve. Prefere a zona do mangue.
Mus. Paul. —
* 452. Urubitinga zonura (Shaw.).
Urubitinga Marcgrav p. 214.
Aquila urubitinga Spix I p. 4 Taf. I, b.
Aquila picta Spix I p. 5 Taf. I, c. (juv.).
Falco urubitinga Wed III p. 196.
Hypomorphnus urubitinga Burmeister I p. 43.
Urubitinga brasiliensis Pelzeln p. 2 (Itararé).
Urubitinga zonura Cat. Br. Mus. I p. 213.
Gavião grande, preto, de 55—63 centim. de compri-
mento. A ave adulta é preta tendo só a base, a ponta e
uma larga faxa no meio da cauda brancas. A ave nova
0
é bruno-amarellenta, com estrias escuras. O bico é preto,
os tarsos são amarellos. Os tarsos são altos, tendo duplo
comprimento como o dedo mediano sem garra. O bico e
a região loral, quasi nua, offerecem certa analogia com o
caracará. Essa especie occorre desde a cidade do Rio
Grande do Sul, onde a cacei, até a America Central. Vive
nos mattos, mas tambem nos campos e banhados.
Mus. Paul. \guape.
* 453. Leucopternis palliata (Pelz.).
Gavião pombo.
Leucopternis palliata Pelzeln p. 3 (Ypanema).
Leucopternis palliata Berlepsch I p. 291.
Urubitinga palliata Cat. Br. Mus I p. 218.
Gavião forte de 52—55 centim. de comprimento que :
tem a cabeça, o pescoço e todo o lado inferior brancos.
O dorso é cinzento-denegrido com laxas transversaes
brancas no dorso baixo e uropygio. As azas são da côr
do dorso com pontas brancas das remiges do braço. A
cauda é preta na metade basal, branca na metade distal.
O Snr. von Berlepsch obteve essa especie de S.º Ca-
tharina e diz que no Museu de Lisboa existe um exemplar
do Rio Grande do Sul. É conhecida tambem em S. Paulo
e Rio de Janeiro.
Miss: Paul “sts de Se Patio,
454. Leucopternis lacernulata (Temm.).
Gavião pombo.
Falco skotopterus Wied II p. 204.
Buteo scotopterus Burmeister IL p. 51.
Leucopternis scotoptera Berlepsch 1 p. 290.
Urubitinga lacernulata Cat. Br. Mus. I p. 278.
Especie muito semelhante à precedente da qual differe
pela cauda que na metade distal é branca, tendo perto da
ponta uma faxa preta, larga, de 20 mm. de largura. Tendo
essa especie a mesma distribuição como a precedente,
oc ZA o 5 en
sendo observada em Rio de Janeiro e S.º Catharina
acceitei-a nessa lista, não obstante não ter ainda exemplar
authentico.
Mus. Paul. —
455. Harpyhaliaetus coronatus (Vieill.).
Harpyia coronata Burmeister I p. 61.
Harpyhaliaétus coronatus Sclater a. Hudson Il p. 66.
Circaetus coronatus Pelzeln p. 4 (Rio Paraná, Itararé).
Harpyhaliaetus coronatus Cat. Br. Mus. I p. 221.
Grande gavião cujo pennacho mede 80 centim. de com-
primento ou mais. O tarso é em cima provido de. pennas,
em baixo de escudos amarellos. É grande o pennacho de
pennas alongadas, bruno-denegridas, da nuca. A cor é pardo-
cinzenta em cima, cinzenta em baixo. A garganta e o
pescoço anterior são brancos, os calções e o crisso são
denegridos. As remiges são cinzentas, com pontas negras.
A cauda é preta com uma faxa larga transversal e as
pontas brancas. O bico é preto. É esse o unico gavião de
pennacho que vive nos campos. Obtive-o em S. Lourenço,
Rio Grande do Sul, onde caça os zorilhos fedendo como
estes.
Mus. Paul. —
* 456. Thrasaetus harpyia (L.).
Harpia; Gavião real; Cutucurim.
Harpyia destructor Burmeister p. 59.
Morphnus harpyia Pelzeln p. 4.
Harpyia destructor Brehm IV p. 649 e figura.
Thrasaetus harpyia Comes p. 553.
Thrasaetus harpyia Cat. Br. Mus. I p. 224.
Aguia grande e magestosa de cerca um metro de
comprimento, medindo entre as pontas das azas extendidas
dous metros. É a aguia maior da America que seria bem
digna de figurar nas armas do Brazil. As pennas da nuca
formam um pennacho largo, o tarso é em cima provido de
pennas, na metade “inferior de escudos. As garras, espe-
cialmente a posterior, são muito fortes. A cabeça e o pes-
coço são cinzentos, com pontas pretas das pennas do pen-
nacho. O dorso, as azas, a cauda e o peito são cinzento-
pretos. O resto do lado inferior é branco, com algumas
manchas pretas na barriga e com faxas transversaes pretas
dos calções. O bico é preto, os tarsos são amarellos.
Quanto mais velha fica a ave tanto mais desapparecem
as manchas, ficando cinzento o lado dorsal, branco o lado
ventral, a cabeça e o pescoço.
A Harpia occorre desde S. Paulo e Paraguay até o
Mexico. É provavel que occorra tambem no Estado de
S. Paulo Morphnus guyanensis Daud. (cf. Brehm IV p. 648
e figura), que obtive no Rio Grande do Sul, gavião branco,
com as pennas do pennacho escuras e faxas transversaes
pardas no lado inferior.
O nosso exemplar mais bonito de Harpia foi obtido
por intermedio do Snr. Mario Rodrigues, de S. José do
Rio Pardo. Os guaranys do Rio Verde chamam-n'o japa-
canim. O nome de harpia vem da mythologia greca sendo
applicado ás deusas do tufão e da morte, mandadas como
praga à terra. Na heraldica a harpia consiste em uma
combinação de aguia e moça. Foi idéa feliz quando Linneu
designou essa especie magestosa como Vultur harpyia. -
Mus. Paul. S. José do Rio Pardo.
SUBFAM. AQUILINAE.
* 457. Spizastur melanoleucus (Vieill.)
Gavião pato.
Spizaetus atricapillus Burmeister Il p. 65 nota.
Spizaetus atricapillus Pelzeln p. 4 (Ypanema).
Spizaetus melanoleucus Berlepsch u. lhering p. 170.
Spiziastur melanoleucus Cat. Br. Mus. I p. 258.
Gavião de 53—60 centim. de comprimento com a
garra do dedo interior enorme e do tamanho da garra
posterior. O tarso, como no genero Spizaetus é provido de
CS > ir
pennas. O pennacho da nuca, que é curta e larga, consiste
em pennas pouco alongadas e pretas. O dorso e as azas
são bruno-denegridas, a cabeça é branca com excepção
das pennas pretas, alongadas, da nuca. São brancos como
a cabeça tambem o pescoço e todo o lado inferior. As
rectrizes são pardo-cinzentas com 4 faxas largas, transver-
saes, pretas. Os loros e o bico são pretos, a cera e os
dedos amarellos. A especie occorre desde o Rio Grande
do Sul até a America Central. O Snr. Valencio Bueno
caçou essa cspecie em Piracicaba onde a tratam de apaca-
nim o que parece ser o nome indigena de todos os gaviões
de pennacho. Notei o nome de japacanim que derão os
guaranys do Rio Verde ao Thrasaetus.
Mus. Paul, Est. de S. Paulo.
* 458. Spizaetus mauduyti (Daud.).
Apacanim; Nhapacanim branco (Iguape).
Harpyia ornata Spix I p. 8.
Urutaurana Marcgrav p. 203.
Falco ornatus Wed HI p. 78.
Spizaetus ornatus Burmeister UL p. 64.
Spizaetus ornatus Pelzeln p. 4 (Ypanema).
Spizaetus ornatus Berlepsch | p. 289.
Spizaetus ornatus Berlepsch u. Thering p. 169.
Spizaetus mauduyti Cat. Br. Mus I p. 262.
Gavião grande e bonito, de 65—7o centim. de com-
primento. A cabeça em cima é preta como tambem as
pennas alongadas pouco numerosas de 6—7 centim. de
comprimento, que no occiput formam o pennacho. O pes-
coço lateral e posterior e os ouvidos são castanhos, o
dorso é bruno, com algumas manchas pretas. Em baixo do
olho ha uma estria preta. O lado inferior é branco, com taxas
transversaes pretas, nus lados do peito, da barriga e nos
calções. À cauda é bruna, com cinco faxas denegridas
transversaes. As remiges são brunas, com faxas escuras.
O bico é preto, os dedos são amarellos.
Essa especie occorre desde o Rio Grande do Sul até
a America Central nas mattas virgens onde de preferencia
caça macacos.
Mus. Paul. Iguape.
* 459. Spizaetus tyrannus (Wied).
Apacanim; Nhapacanim preto (Iguape).
Harpyia braccata Spix I p. 7 Taf. 3 (5. Paulo).
Falco tyrannus Wied HI p. 84.
Spizaetus tyrannus Burmeister II p. 64.
Spizaetus tyrannus Pelzeln p. 4 (Matto Dentro, Ypa-
nema).
Spizaetus tyrannus Berlepsch u. lhering p. 169.
Spizaetus tyrannus Cat. Br. Mus. I p. 264.
Gavião de pennacho, um pouco maior do que o pre-
cedente, de côr quasi uniforme preta. Os calções e as
coberteiras da cauda têm algumas estrias transversaes
brancas. As remiges são pardo-cinzentas, com faxas escuras,
as rectrizes são pretas, com quatro faxas transversaes
pardo-cinzentas. Os dedos são amarellos, o bico é preto.
A femea e a ave nova têm a côr mais bruna, a garganta
alvacenta, o peito amarellado, com estrias escuras.
A distribuição geographica e o modo de viver é o
mesmo como na especie precedente do mesmo genero. O
Sr. Krone obteve essa especie em Iguape.
Mus. Paul; Est. de 5. Paulo:
* 460. Elanoides forficatus (L.).
Tapema ou Tapenna.
Falco yetapa Wed HI p. 141.
Nauclerus furcatus Burmeister I p. 110.
Nauclerus forficatus Brehm Thierleben IV p. 681 e
figura.
Nauclerus furcatus Pelzeln p. 6 (Matto Dentro, Ypanema).
Elanoides forficatus Coues p. 526 fig. 366 e 367.
Elanoides furcatus Cat. Br. Mus. I p. 317.
apr
Gaviäo tesoura, com as azas e a cauda muito alon-
gadas, medindo 52 centim. À cor é branca, so as azas, 0
dorso e a cauda são pretos. O bico é preto, os tarsos são
cinzentos. A especie occorre desde o Rio Grande do Sul
até a America do Norte. Parece que aqui essa especie é
ave de arribação, apparecendo no estio. Vive da caça de
passaros e insectos que voando apanha. Persegue. com
preferencia as içás, isto é as femeas aladas da sauva (Atta
sexdens L.). Os guaranys do Rio Verde chamam esse
gavião tapem. O Sr. Krone caçou-o em Iguape, onde o
chamam tesoura, o Sr. Valencio Bueno em Piracicaba, onde
o tratam de tapenna.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 461. Rostrhamus sociabilis (Vieill.).
Cymindis leucopygus Spix I p. 7 Taf. II.
Falco hamatus Wied Ill p. 182.
Rostrhamus hamatus Burmester It p. 46.
Rostrhamus hamatus Pelzeln p. 6.
Rostrhamus sociabilis Berlepsch I p. 283.
Rostrhamus sociabilis Sclater a. Hudson I p. 72.
Rosthramus sociabilis Cat. Br. Mus. I p. 327.
. Rostrhamus leucopygus Cat. Br. Mus. I p. 328.
Gavião de 44 centim. de comprimento, com as azas
medindo 33 centim., distinguido pelo bico delgado, muito
curvo, com a ponta da maxilla superior comprida. A regiäo
loral é quasi núa, a cauda é truncada, com as rectrizes
exteriores um pouco mais compridas do que as medianas,
A côr é bruno-denegrida, sendo notavel a côr branca da
base da cauda. As rectrizes têm a parte terminal preta,
com a ponta cinzenta. O bico é preto, a cera e os tarsos
são amarellos. À ave nova tem no lado dorsal as pennas
com orlas ferruginosas e no lado, ventral, que é branco-
amarellado, fortes estrias escuras no peito. Duvido que a
distincção que Sharpe fez seja exacta, R. sociabilis está
distribuido desde a Argentina até a America do Norte.
Revista do Mnseu Paulista Vol. III. 23
LES
Observer esse gavião no Rio Grande do Sul, em bandos
de 12—20 e vi que elles se nutriam de grandes caramujos
dos rios, do genero Ampullaria.
Mus. Paul. Iguape.
* 462. Leptodon uncinatus (Temm.).
Falco uncinatus Wied HI p. 172.
Falco vitticaudatus Wied HI p. 178.
Cymindis uncinatus Burmeister IL p. 108.
Cymindis uncinatus Pelzeln p. 5.
Cymindis vitticaudatus Pelzeln p. 6.
Leptodon uncinatus Cat. Br. Mus. I p. 330.
Gavião de 40—42 centim. de comprimento. O genero
Leptodon é caracterisado pela ponta comprida da maxilla
superior, pelas ventas obliquas cobertas de membrana e
pela falta de membrana conjunctiva entre as bases dos
dois dedos exteriores. A ave adulta é cinzenta, mais escura
no lado dorsal. As remiges da mão têm manchas ou faxas
na barba interior que são cinzentas em cima, brancas em
baixo. As rectrizes têm pontas esbranquiçadas e 1—2 faxas
brancas no meio. À ave nova tem o lado dorsal bruno, o
lado inferior amarellento, com faxas transversaes pardas ou
cinzentas. Os tarsos e dedos são amarellos, o bico é preto
excepto a maxilla inferior que é amarella. |
Essa especie esta distribuida desde S. Paulo até a
America Central.
Mus. Paul. Iguape.
* 463. Leptodon cayennensis (Gm.).
Astur cayennensis Spix I p. 13 Pl. 8, e.
Falco palliatus Wied WI p. 148 (juv.).
Cymindis cajanensis Burmeister IL p. 107.
Cymindis cayanensis Pelzeln p.5 (Matto Dentro, Ypa-
nema).
Leptodon cayennensis Cat. Br. Mus. I p. 333.
Gaviäo maior e mais forte do que o precedente, com
o bico mais alto e curto. O macho tem o comprimento
de 45, afemea o de6ocentim. A cor é cinzenta na cabeça,
cinzento-denegrida no dorso, branca em todo o lado infe-
rior, Sobre as remiges correm faxas cinzentas, as rectrizes
têm duas faxas alvacentas. A cerae a maxilla inferior são
amarellas, o bico, os dedos ea parte distal e nua do tarso
são cinzento-denegridos. A ave nova tem a cabeça e o
pescoco brancos, com o vertice bruno.
Essa especie occorre desde o Rio Grande do Sul, onde
a obtive em S. Lourenço, até a America Central.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
464. Elanus leucurus (Vieill.).
Elanus leucurus Burmeister Il p. 113.
Elanus leucurus Pelzeln p. 6 (Itararé, Irisanga).
Elanus glaucus Coues p. 525.
Elanus leucurus Sc/ater a. Hudson I p. 71.
Elanus leucurus Cat. Br. Mus. I p. 339.
Gaviäo de 35 centim. de comprimento, affim ao genero
precedente, mas com a regiäo loral provida de pennas. A
cauda € um pouco entalhada, tendo a borda posterior
concava. As pontas das azas transpassam a ponta da cauda
que é curta. A cor é cinzento-clara em cima, branca em
baixo. Uma mancha preta cinge os olhos. As coberteiras
das azas da região dos encontros são pretas. O bico é
preto, os tarsos são amarellos. A especie occorre desde a |
America do Norte até o Chile e Argentina.
Observo que uma especie affim talvez occorra tambem
no oeste do Est. de S. Paulo, Gampsonyx swainsoni Vig.,
que apenas mede 20 centim. representando o gavião menor
do Brazil e do que tive noticia no Rio Grande do Sul
sem poder obtel-o e que occorre tambem na Argentina.
Mus. Paul. —
or —
5. SUBFAM. FALCONINAE.
* 465. Harpagus diodon (Temm.).
Bidens femoralis Spix I p. 15 PL. 8.
Falco diodon Wied HI p. 138.
Harpagus diodon Burmeister IL p. 102.
Harpagus diodon Pelzeln p. 5 (Ypanema).
Harpagus diodon Berlepsch wu. Lhering p. 172.
Harpagus diodon Cat. Br. Mus. I p. 36r.
A maxilla superior tem de cada lado, atraz da ponta,
dois dentes iguaes. Ave de 30 centim. de comprimento,
cinzenta em cima, branco-cinzenta em baixo, com as pernas
castanhas. As remiges e rectrizes säo brancas, com faxas
cinzentas. O bico é preto em cima, amarellento em baixo.
Os tarsos e pés são amarellos. A ave nova é bruna, em
cima, branca, com estrias escuras longitudinaes, em baixo,
e com as pernas castanhas. Essa especie occorre nos mattos
do Brazil meridional, desde o Rio Grande do Sul até a
Bahia.
Outra especie desse genero com o lado inferior cas-
tanho e o posterior dos dois dentes do bico maior, H.
bidentatus Lath., do Norte do Brazil, mas observado por
Euler e Goeldi no Estado de Rio de Janeiro, não foi até
hoje observada no Est. de S. Paulo.
Mus. Paul. S. Paulo (S.° Amaro).
* 466. Ictinia plumbea (Gm.).
Sovi.
Falco plumbeus Spix I p. 12 PL 8, b.
Falco plumbeus Wied p. 126.
Ictinia plumbea Burmeister Il p. 104.
Ictinia plumbea Pe/ze/n p.6 (Matto Dentro, Ypanema).
Ictinia plumbea Cat. Br. Mus. I p. 364.
Ave de 35 centim. de comprimento, com as azas
muito compridas, extendendo-se até a ponta da cauda. O
bico tem um dente. A côr é cinzento-uniforme. As azas e
a cauda são pretas. As rectrizes têm 3 faxas transversaes
PURE
brancas, mais desenvolvidas no lado inferior do que no
superior. As remiges da mão são no meio castanhas. Os
tarsos são amarellos, o bico é preto. E ave dos mattos
que se nutre, como a especie precedente, de passaros e
insectos, e que occorre desde o Rio Grande do Sul até
o Mexico, sendo na America do Norte substituida por 1.
missisippiensis Wils; (cf. figura Brehm IV p. 681). O Sr.
Valencio Bueno obteve o sovi em Piracicaba. Os guaranys
do Rio Verde chamam-n'o Sami, ao menos assim julguei;
pode ser que elles houvessem dito Sovi.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 467. Falco fusco-caerulescens Vieill.
Falco femoralis Spix I p. 18
Falco femoralis Burmeister II p. 96.
Hypotriorchis femoralis Pelzeln p. 5 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé).
Falco fusco-caerulescens Sclater a. Hudson II p. 96.
Falco fusco-caerulescens Cat. Br. Mus. I p. 400.
Gavião pequeno, de 33 centim. de comprimento. A
côr é pardo-cinzenta em cima, com faxas brancas no uro-
pygio. Sobre os olhos corre uma larga estria amarella que na
nuca se torna castanha, aproximando-se á do outro lado. A
garganta e o pescoço anterior e lateral são amarellados.
Dos olhos corre uma curta estria preta para baixo. As
partes lateraes do peito e da barriga são pretas, com
estreitas faxas transversaes brancas, o resto do lado inferior
é amarello-ferruginoso. As remiges são brunas, com pontas
brancas das da mão. As rectrizes têm 6 faxas brancas e
pontas brancas. O bico é escuro, com a base amarella, a
cera e os pés são amarellos. A ave nova differe pelo peito
escuro, com orlas amarellas, das pennas. Entre os nossos
exemplares ha um que é anormal, tendo atraz do dente
da maxilla superior outro menor e mais largo na base
como no genero Harpagus.
A especie está distribuida desde a Argentina até o
Mexico.
ah ei cheat
Noto que parece provavel que sejam ainda caçadas
neste Estado duas outras especies de Falco, sendo Falco
peregrinus L. (communis Gm.), gavião maior, de 40—50
centim. de comprimento, cinzento em cima, com a cabeça
preta, esbranquiçado em baixo, com a barriga e as pernas
ornadas de faxas escuras, e À aurantius Gm. (deiroleucus
Temm.), que é semelhante a especie seguinte, porem maior,
medindo o macho 30, a femea 37 centim. e tendo todo o
pescoço castanho. F. peregrinus é especie da Europa e.
da America do Norte, que na America do Sul foi encon-
trada no Pará, no Chile e na Argentina. F. aurantius
occorre desde Guatemala até o Rio Grande do Sul.
tMus. Paul. Est; dés Paulo.
* 468. Falco albigularis Daud.
Colleirinha; Tentensinho.
Bidens aurantius Sfzx I p. 17.
Falco aurantius Wed HI p. 120.
Falco aurantius Burmeister II p. 98.
Hypotriorchis rufigularis Pelzeln p. 5 (Rio Paraná).
Falco albigularis Cat. Br. Mus. I p. 401.
Gaviäo pequeno, do tamanho do quiri-quiri, medindo
o macho 23, a femea 30 centim. A cor é denegrida em
cima, branca na garganta e no pescoço anterior, amarello-
castanha nos lados do pescoço. O peito e a barriga são
pretos, com faxas transversaes brancas, o crisso, as cober-
teiras inferiores da cauda e os calções são castanhos. As
remiges e rectrizes têm manchas ou faxas transversaes
brancas. O bico é cinzento-azul, os tarsos e os pés são
amarellos. E gavião dos mattos, onde caça passarinhos e
que occorre desde o Norte da Argentina até o Mexico.
No Estado de S. Paulo occorre só no oeste. O Sr. Valencio
Bueno obteve-o em Piracicaba. Não tenho informações
exactas sobre as especies que se entendam sob a denomi-
nação de tenten.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
= 267 —
* 469 Tinnunculus cinnamominus (Swains.).
Ouiri-quirr.
Bidens sparverius Spix I p. 16.
Bidens dominicensis Spix I p. 16.
Falco sparverius Wied HI p. 116.
Falco sparverius Burmeister I p. 93.
Tinnunculus sparverius Pelzeln p. 5 (Matto Dentro,
Ypanema).
Tinnunculus cinnamominus Sclater a. Hudson I p. 69.
Cerchneis cinnamomina Cat. Br. Mus. I p. 430.
Gavião pequeno, de 27 centim. de comprimento. O
macho tem a cabeça em cima e as coberteiras exteriores
das azas azul-cinzentas. O dorso é castanho, com algumas
manchas pretas. A cada lado da cabeça notam-se tres
estrias largas, pretas. À cauda é castanha, com uma larga
faxa preta, perto da ponta. O lado inferior é branco-ama-
rello, com manchas pretas no peito e na barriga. O bico
é cinzento-escuro, a cera e os tarsos são amarellos. A
femea tem o dorso e as rectrizes castanhas, com numerosas
faxas transversaes. Essa especie occorre desde a Patagonia
até a Venezuela, sendo substituida na America do Norte
por T. sparverius L., cuja cabeça, em cima, é castanha. O
quiri-quiri representa entre nós o francelho da Europa
T. tinnunculus L. O nome quiri-quiri, usado tambem pelos
guaranys do Rio Verde, imita a voz desse gavião.
Mus. Paul. Ypiranga.
VIII. Ordem Steganopodes.
Aves aquaticas que vivem nos rios e lagoas ou na
costa do oceano. O caracter distinctivo é formado pelos
pés, cujos quatro dedos são todos unidos entre si por uma
“membrana. O dedo posterior, livre nos outros palmipedes,
é intimamente e até a ponta, ligado por membrana com
o dedo interior. As pernas são curtas, situadas muito para
traz. A forma do bico é differente nos, diversos generos,
mas as ventas são sempre estreitas, situadas á base do bico,
sendo, 4s vezes, completamente fechadas. Na base do bico,
o espaço comprehendido entre as duas metades da maxilla
inferior, desprovido de pennas, é occupado por uma mem-
brana que pode ser bastante extendida. As margens cor-
tantes do bico são lisas no genero Phalacrocorax, denteadas
nos outros generos. O bico é paragnatho na familia Plotidae, |
epignatho nas outras familias. Nas azas ha 10 remiges da /
mão e 26-30 do braço. O numero das rectrizes é, nos /
generos aqui representados, 12 (Sulidae, Plotidae) ou 12—14.
As aves desse grupo são nadadoras, nutrindo-se quasi
exclusivamente de peixes, e ao mesmo tempo voam per;
feitamente. O bigua-tinga é encontrado só nos rios grandes
o bigua é encontrado nas mesmas circumstancias e tam
bem na costa do mar, o mergulhão e o alcatraz são SE
maritimas.
Temos no Estado de Säo Paulo quatro representante
do grupo. Não me consta terem sido observados em noss
costa exemplares do genero Phaeton, distinguido pelo com
primento extraordinario das rectrizes medianas da cauda,
que são quasi desprovidas de barba e de côr branca ou
vermelha.
FAM. TACHYPETIDAE.
* 470. Tachypetes aquilus (L.).
Alcatraz; Tesoureiro.
Tachypetes aquila Wied IV p. 885.
Tachypetes aquila Spix II p. 82 PI. 105 (9).
Tachypetes aquilus Burmeister HI p. 459.
Tachypetes aquilus Pelzeln p. 326.
Tachypetes aquilus Brehm Thierleben HI p. 586.
Tachypetes aquilus Æ. Coues Key p. 730 (com figura).
Fregata aquila Sclater a. Salvin Nomenclator p. 124.
O alcatraz é ave maritima, distribuida desde os Estados
meridionaes da America do Norte até Paranaguá, donde
temos um exemplar, procurando na nossa costa os logares
= 369 —
menos accessiveis, tendo uma ilha, por essa razäo, o nome
de Ilha dos Alcatrazes. O macho é preto, com os pés e
a garganta, que é núa, de côr vermelha; a femea tem o
peito e o pescoço brancos. À cauda é dividida como a da
tesoura e muito comprida. O bico tem a ponta recurvada
para baixo. Recebemos os ovos desse passaro que nós
foram enviados pelo Sr. R. Xrone, que os colheu perto de
Iguape. São brancos, medindo 6,5: 4,9 até 7,5: 4,8 centim.
O nome grapira que Wied indica, não parece ser conhecido
na costa de S. Paulo.
Mus. Paul. S. Sebastião; Iguape.
FAM. SULIDAE.
* 471. Sula fiber (L.).
Mergulhão.
Sula brasiliensis .Spix II p. 83 Pl. 107.
Dysporus sula Wired IV p. 897.
Sula brasiliensis Burmeister Ul p. 458 (S.* Catharina).
Sula leucogastra Comes Key p. 720.
Sula fusca Pelzeln p. 325.
Sula fiber Sclater a. Salvin Nomencl. p. 124.
O bico no genero Sula é direito, sem a ponta recur-
vada e sem ventas, com as margens cortantes denteadas.
À garganta e o loro são nús, branco-encarnados. Na cauda
são as rectrizes medianas um pouco mais compridas do
que as lateraes.
O mergulhão é, como a especie precedente, ave ma-
ritima e distribuida desde a Florida e Georgia até Santa
Catharina. A côr é pardo-escura, a barriga é branca. Voando
em bandos formam a figura de um V. O ovo que temos
de Iguape é verde-azulado, sendo coberto de uma crôsta
calcarea, branca, medindo 6: 4,1 centim. Natterer obteve
essa especie no Rio de Janeiro e Paranaguá, R. Krone
em Iguape.
Mus. Paul. São Sebastião,
ask Lie
FAM. PHALACROCORACIDAE.
* 472. Phalacrocorax brasilianus (Gm.).
Bigua ; Corvo marinho.
Carbo brasilianus Sfvx II p. 83 PL 106.
Halieus brasilianus Wed IV p. 895.
Halieus brasilianus Burmeister Ill p. 460.
Graculus brasilianus Pe/zeln p. 325 (Ypanema).
Phalacrocorax brasilianus Sc/ater a. Hudson I p. gr.
Phalacrocorax brasilianus v. Berlepsch II p. 282.
O Bigua é encontrado desde a Guiana até a Patagonia.
O colorido é preto, o bico amarello e recurvado na ponta, o
loro e a garganta são nús e amarellos. As pennas compridas
da cauda caracterisam bem essa ave, que vive tanto na
costa do mar como nas lagoas e rios do interior do Brazil.
Não conheço o ovo. A ave nova é bruna, com o peito
branco. O Sr. R. Krone obteve-a em Iguape, o'Sr. Valencio
Bueno em Piracicaba. |
Mus. Paul. Iguape.
FAM. PLOTIDAE.
* 473. Anhinga anhinga (L.).
Biguá-tinga.
Anhinga Marcgrav p. 218.
Plotus anhinga Wed IV p. goo.
Plotus anhinga Burmeister Ul p. 46r.
Plotus anhinga Pelzeln p. 325.
Plotus anhinga Cowes p. 730.
E essa uma segunda especie de Biguá que não é toda
preta como a outra, tendo parte do pescoço, dorso e azas
riscados de branco, sendo por essa razão denominada
Biguá tinga. O bico é recto, não sendo recurvado na
ponta, e tem as margens masticatorias denteadas.
O principe Wied diz que esse Biguá, como o preto,
dorme a noite em arvores do matto e alli constróe o seu
ninho. Näo conheco o ovo. Natterer encontrou essa
especie em Matto Grosso e Amazonas, o Sr. Valencio
Bueno em Piracicaba.
Mus. Paul. —
IX Ordem. Herodiones.
Aves aquaticas, na maior parte grandes, caracterisadas
pelas pernas compridas, excedendo em tamanho o tronco,
que lhes servem para caminhar na margem dos rios e
lagoas, onde procuram o seu alimento, que consiste em
rans, cobras, peixes e outros animaes da agua. É por essa
razão que têm o nome de pernaltas. À perna é núa na
parte inferior, os tarsos são compridos, munidos de escudos
hexagonaes em frente ou « reticulados », isto é, com escu-
dinhos pequenos, irregulares, os pés são na base munidos
de uma membrana curta que liga entre si os tres dedos
anteriores, que são compridos. O dedo posterior é grande
e toca no chão. Os pés servem só para caminhar, sendo
a presa agarrada pelo bico. O bico é comprido, paragnatho,
com as margens cortantes e largo na base, onde passa sem
limite marcado no craneo, que é menos comprido do que o
bico. Na base do bico não ha cera, sendo as ventas es-
treitas, situadas na base do bico referido. A região loral e
a face, especialmente ao redor do olho, são núas. O pes-
coco é comprido, composto de 15—19 vertebras. Nas azas
ha to—1r remiges da mão, 16-24 do braço. As ultimas
remiges do braço são muito alongadas igualando em com-
primento ás primeiras remiges da mão. À cauda é curta
contendo 12 rectrizes, excepto nas Botaurinae que têm Io.
A lingua é grande, comprida nas garças, menor nas
cegonhas e extremamente curta nas Ibididae. Não ha papo
no esophago. O nutrimento é apenas cortado em alguns
pedaços e engolido. Não sabem nadar ou pouco apenas,
mas voam bem, com as pernas extendidas para traz. São
em parte aves de arribação, comparecendo depois de
chuvas prolongadas nos campos inundados. Costumam
= 372 —
descançar no chão, pousadas n'um pé, recolhendo o outro.
Deitam-se com facilidade em arvores, onde constróem os
seus ninhos de galgos, pondo ovos de côr uniforme, branca
ou verde-azul. Os filhotes ficam muito tempo no ninho,
para onde os pais lhes trazem o nutrimento. Sendo pouco
desenvolvido o larynge, têm apenas uma voz simples, rouca,
que poucas vezes fazem ouvir, distinguindo-se apenas nesse
sentido as garças denominadas socó-boi pela voz forte.
As especies encontradas no Estado de S. Paulo per-
tencem ás cinco familias seguintes:
Ardeidae. O bico é mais comprido do que a cabeça,
directo e pontagudo, com uma fossa nasal comprida na
maxilla superior e as ventas pequenas, lineares. Os loros
são nús, o resto da cabeça é provido de pennas. Os tarsos
têm escudos grandes na frente. À unha posterior é mais
curva e mais forte do que as outras, a unha do dedo me-
diano tem o lado interior denteado. As remiges do braço
são muito compridas, cobrindo as da mão quando a aza
descança. O pescoço é delgado nas garças do genero
Ardea, grosso, com pennas mais erectas nos socós.
A cauda tem ro rectrizes na subfamilia Botaurinae e
na subfamilia Ardeinae. Durante o tempo nupcial appa-
recem em muitas especies pennas especiaes que faltam ás
aves novas. Ora são pennas alongadas da nuca ou do
pescoço, ora pennas singulares, compridas, no dorso, como
entre as garças brancas. O macho é maior do que a femea.
As especies do genero Nycticorax, que têm o bico um
pouco mais largo e curto, descançam durante o dia, caçando
á noite. Pertencem a essa familia cosmopolita, as garças e
socós. Ao contrario das cegonhas, que andam com o pes-
coço extendido, costumam aproximar a cabeça aos encon-
tros, pondo o pescoço em curvas em forma de S, exten-
de-o rapidamente quando querem pegar uma presa, perfu-
rando-a com a ponta do bico.
Cancromidae. Pequena familia creada por uma só es-
pecie da America do Sul. O bico é bem singular, largo, con-
vexo em cima, plano em baixo. As pernas são providas
“gree VS a
de pennas até os tarsos. À unha do dedo mediano é
denteada. Tratam essa ave de savacu na Guyana, de co-
lhereiro aqui. Representa uma modificação dos socós do
genero Nycticorax.
Cicontidae. Assemelham-se as garças tendo, porém,
o bico mais grosso e sem fossa nasal. A unha do dedo
mediano é sem margem denteada. Os tarsos säo compridos
e reticulados. As unhas säo largas e achatadas. O dedo
posterior é collocado mais alto e não toca no chão. O bico
é recurvado para baixo na subfamilia Tantalinae com o
genero Tantalus, direito ou curvado para cima nas Cico-
niinae. Fazem parte dessa familia cosmopolita as cegonhas
e jabirus.
Ibididae. E’ o bico comprido, recurvado, mais ou
menos cylindrico, com a ponta obtusa, que caracteriza essa
familia. As ventas são situadas na base do bico, mas a
fossa nasal que delles sahe, extende-se por toda a extensão
do bico, de cada um de seus lados. A fronte, o loro e a
garganta são nús, ás vezes toda a cabeca. As unhas são
lateralmente compressas, curvadas. O dedo posterior é
pequeno, quasi não tocando no chão. Pertencem a essa
familia, mais ou menos cosmopolita, de nossas aves os
tapicurús, guarás e curicacas.
Plataleidae. Familia pequena, contendo as especies
de Platalea do velho mundo e da Ajaja da America, com-
prehendendo os colhereiros, que são bem caracterisados
pelo seu bico largo, achatado, mais largo e arredondado
na ponta, sendo por essa razão comparado a uma colher
chata. À fossa nasal corre na margem lateral da maxilla
superior até a ponta, mostrando que o colhereiro é apenas
uma forma especialisada das Ibididae. O dedo posterior é
bem desenvolvido.
0 JR
PAM. A REED:
SUBFAM. I. ARDEINAE.
* 474. Ardea cocoi L.
Jodo grande; Baguari (Piracicaba).
Cocoi Marcgrav p. 209.
Ardea maguari Spix Il p. 171 Taf. go (nee Linn.).
Ardea cocoi Wied IV p. 598.
Ardea cocoi Burmeister Ill p. 415.
Ardea cocoi Pelzeln p. 300 (Ypanema).
Ardea cocoi Sclater a. Hudson Il p. 93.
Ardea cocoi Berlepsch 1 p. 269.
A especie maior entre as nossas garças, medindo 110
centim. ou mais de comprimento, sendo o das azas 46, o
do bico 14 centim. A côr é cinzenta no dorse, branca em
baixo e no pescoço. A cabeça é preta em cima, como são
pretas tambem as pennas alongadas da nuca que formam
um pennacho pendente. Os lados do pescoço anterior e
do peito são preto-estriados. As remiges e rectrizes são
denegridas. O bico é amarello, as pernas são escuras. A
ave nova é pardo-cinzenta, com o pescoço anterior estriado.
A especie é commum desde a Patagonia até a Guyana,
sendo encontrada nos rios e lagos. Tratam-n'a de Baguari
no norte do Brazil e aqui de João grande, ás vezes, de
Baguari, o que antes parece ser uma das denominações
da Ciconia. Ouvi tambem o nome de Tabuyaya.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 475. Ardea egretta Gm.
Garça branca grande.
Guiratinga Marcgrav p. 210
Ardea egretta Wied IV p. 607.
Ardea leuce Burmeister Ul p. 416.
Ardea egretta Pelzeln p. 300 (Ypanema).
Ardea egretta Sclater a. Hudson. II p. 98.
Herodias egretta Coues p. 658.
Ardea egretta Berlepsch 1 p. 265.
Pah:
O comprimento total é de 82 centim., o das azas de
35—37, o do bico de 11 centim. Faltam pennas alongadas
da nuca. A cor é branca, as pernas são pretas, o bico é
amare!lo. A especie é commum desde a Patagonia até a
America do Norte. O Sr. R. Krone caçou essa especie e
a seguinte em Iguape, onde colleccionou tambem os seus
OVOS.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 476. Ardea candidissima Gm.
Garça branca pequena.
Ardea candidissima Wied IV p. 612.
Ardea nivea Burmeister IL p. 417.
Ardea candida Burmeister HI p. 417, nota.
Ardea candidissima Pelzeln p. 300 (Ypanema).
Ardea candidissima Sclater c. Hudson. p. 99.
Ardea candidissima Berlepsch 1 p. 267.
Garzetta candidissima Comes p. 660.
Especie menor do que a precedente, medindo 56
centim. O comprimento das azas é de 25, o do bico de
8 centim. A cor é branca. Na nuca ha algumas pennas
alongadas. O bico e as pernas são pretos, mas o loro e
a base da maxilla inferior são amarellos. Parece que essa
especie não está distribuida até a Patagonia, sendo em
geral a sua distribuição geographica a mesma. O Sr. Va-
lencio Bueno diz que a tratam em Piracicaba de garceta
real.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 477. Ardea caerulea L.
Garça azul.
Ardea caerulea Wied IV p. 604.
Ardea coerulea Burmeister Il p. 414.
Ardea coerulea Pelzeln p. 301 (Ypanema).
Ardea caerulea Sclater a. Hudson. II p. 99.
Florida caerulea Coues p. 661.
Especie de 50 centim. de comprimento, de côr azul
escura ou cinzento-azul, com a cabeça e o pescoço roxo
ou, ás vezes, roxo-castanho. As pernas são pretas. O bico
é azul, com a ponta denegrida. À ave nova é branca.
Essa especie occorre desde a Patagonia até a America
do Norte. Obtive-a no Estado do Paraná.
Mus. Paul. Iguape.
* 478. Ardea virescens L.
Ardea virescens Burmeister II p. 412.
Butorides virescens Coues p. 662.
Ardea virescens Check List N. American Birds II p. 73.
Especie pequena, de 40—45 centim. de comprimento,
pardo-cinzenta em cima, com o vertice e as pennas alon-
gadas da nuca preto-verdes. As coberteiras exteriores das
azas têm as margens e as pontas ferruginosas. As remiges
têm um lustro verde-metallico e as pontas brancas. A
garganta é branca, o pescoço anterior castanho, com estrias
amarelladas no meio das pennas. À ave nova tem o pes-
coço anterior bruno-cinzento. O bico é escuro em cima,
amarello em baixo; os loros e as pernas são amarellas.
À especie parece não occorrer ao Sul de S. Paulo,
sendo mais do norte do Brazil até a America do Norte.
Temos um couro de «S. Paulo», mas sobre cuja procedencia
não ha informações exactas.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 479. Ardea striata L.
Ardeola Marcgrav p. 210.
Ardea scapularis Wied IV p. 623.
Ardea scapularis Burmeister II p. 411.
Ardea scapularis Pelzeln p. 301 (Ypanema, Itararé,
Borda do Matto).
Butorides cyanurus Sclater a. Hudson Il p. tot.
Butorides cyanurus Berlepsch I p. 270. |
Butorides striata Berlepsch u. lhering p. 174.
TERME LC
Especie semelhante 4 precedente, de 35—45 centim.
de comprimento, medindo as azas 16—18, o bico 5—6
centim. A côr é cinzento-clara no peito e na barriga, cin-
zento-azul em cima. A cabeça em cima é preta, como
tambem as pennas alongadas da nuca. As azas são pretas
com lustro verde-metallico, as coberteiras exteriores das
azas têm orlas amarelladas. A garganta é branca, o pescoço
anterior tem manchas pretas e as pontas das pennas em
srande extensão castanhas. As pernas são cor de laranja,
o bico é bruno-denegrido. A especie occorre desde a Ar-
wentina até a Venezuela. O Sr. Krone diz que em Iguape
dão a essa especie o nome de João Manoel.
Mus. Paul. Iguape.
* 480. Tigrisoma brasiliense (L.).
Soco-boi; Tavassu (Piracicaba).
Socó Marcgrav p. 210.
Ardea brasiliensis Burmeister WI p. 410.
Tigrisoma brasiliense Pelzeln p. 302 (Taipa, Ypanema).
Especie de 75 centim. de comprimento, differindo
pela cauda e pelos pés dos socó-boi do genero Botaurus.
A cor é pardo-cinzenta nas costas, com numerosos salpicos
e faxas transversaes amarelladas. O pescoço anterior é
branco, com largas estrias pretas. O peito e a barriga são
pardo-cinzentos. As pennas da cabeça são pardas, com
fixas pretas. As remiges e rectrizes são uniformes, bruno-
clenegridas. A ave nova tem a côr amarello-vermelha, com
faxas pretas, largas e as rectrizes pretas, com quatro faxas
brancas transversaes. à
O Sr. von Berlepsch (Berlepsch u. Ihering p. 174),
distingue dessa especie outra affim, T. fasciatum Such.
(— lineata Wied), que tem na base lateral do bico duas
estrias de pennas que á especie presente faltam. A ave
adulta de T. fasciatum tem a cabeça em cima uniforme,
preta. Os nossos exemplares não têm estrias de pennas
entre os olhos e o bico. Falta-me a necessaria litteratura
e o material para formar uma opinião propria. Observo,
Revista do Museu Paulista Vol. III. 24
en Ve
entretanto, que Pelzeln diz que as duas pretendidas espe-
cies apenas representam differentes fórmas de idade e sexo
de uma unica especie que habita todo o Brazil e a Guyana.
O Sr. Krone obteve essa especie em Iguape, onde a deno-
minam Socó-gato.
Mus. Paul. Est. de 5. Paulo.
481. Nycticorax pileatus (Bodd.).
Garça real.
Ardea pileata Wied IV p. 617.
Ardea pileata Burmeister HI p. 406.
Nycticorax pileatus Pelzeln p. 302 (Ypanema).
Nycticorax pileatus Berlepsch I p. 271.
Especie semelhante a precedente, toda branca, tendo
só a cabeça em cima preta. As pennas alongadas da nuca
são brancas. O bico e o loro são azues, as pernas são
cinzentas. O comprimento do bico é de 7 centim. E ave
arisca e elegante, que está distribuida desde 5.º Catharina
até a America Central.
Mus. Paul. —
* 482. Nycticorax violaceus (L.).
Ardea cayanensis Wied IV p. 652.
Ardea violacea Burmester Ill p. 407.
Nycticorax violaceus Pelzeln p. 303.
Nycterodius violaceus Coues p. 663.
Outra especie semelhante em tamanho e modo de
viver as duas precedentes. A cor é cinzenta, com manchas
escuras no dorso. A cabeça é preta, com o vertice e uma
estria larga, que corre de cada lado na face, brancos. As pennas
alongadas da nuca são brancas. O bico é preto, as pernas
são amarellentas. A especie occorre desde Paranaguá, onde
Natterer a caçou, até a America do Norte.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
Oo,
483. Nycticorax sibilatrix (Temm.).
Soco.
Ardea sibilatrix Burmeister WI p. 407, nota.
Nycticorax sibilatrix Berlepsch wu. Ihering p. 174.
Ardea sibilatrix Pelzeln p. 301 (Itararé).
Ardea sibilatrix Sclater a. Hudson W p. 100.
Socó de 55 centim. de comprimento, cinzento em
cima, a excepçäo da cabeca que é preta e tem pennas
alongadas na nuca. As remiges são denegridas. Atraz dos
olhos uma mancha avermelhada. A base do bico e o loro
são azues. As coberteiras exteriores das azas são averme-
lhadas, com estrias escuras. O lado inferior é branco,
excepto o peito e parte do pescoço que são amarello-claros.
As pernas são pretas. O bico é vermelho, com a ponta preta.
E' especie do Brazil meridional, da Argentina e do Para-
guay, que Natterer obteve em Itararé, R. Krone em Iguape.
Mus. Paul. —
* 484. Nycticorax nycticorax naevius (Bodd.).
Soco-gallinha (Iguape); Guacuru (Piracicaba).
Ardea nycticorax Wied IV p. 646.
Ardea gardeni Burmeister HI p. 405.
Nycticorax griseus naevius Berlepsch u. lhering p. 174
Nyctiardea grisea naevia Coues p. 662.
Nycticorax gardeni Pelzeln p. 303 (Ypanema, Irisanga).
Socé de 60 centim. de comprimento, branco, com as
azas e a cauda cinzentas, o dorso e a cabeça em cima
pretos. Na nuca notam-se algumas pennas estreitas, muito
compridas e brancas. As pernas são amarelladas, o bico
é preto. A ave nova é amarellada, com estrias escuras
longitudinaes nas pennas. E' essa especie apenas uma
variedade da JN. nyeticorax L. da Europa e da America
do Norte. E' ave nocturna que dorme de dia em arvores
e caça de noite peixes e rãs nos banhados. Occorre por
toda parte no Brazil, sendo substituida na Argentina por
especie pouco differente, N. obscurus Bp.
Mus. Paul. S. Paulo.
Go
SuBrAM. 2. BOTAURINAE.
* 485. Botaurus pinnatus (Wagl).
Soco-bot.
Ardea brasiliensis Wed IV p. 642.
Ardea pinnata Burmeister IH p. 408.
Botaurus pinnatus Pelzeln p. 302.
Os socó-boi do genero Botaurus distinguem-se dos do
genero Tigrisoma além da differença já notada na cauda,
pelos dedos que são muito compridos com as unhas pouco
arqueadas, mais compridas no genero Botaurus. Na especie
presente são as medidas do comprimento total 62 centim.,
do bico 10, do tarso 10, do dedo mediano com a unha
12 centim. A côr é amarello-ferruginosa, com numerosas
manchas e faxas transversaes pretas. As rectrizes são
pretas, com as pontas orladas de amarello. As remiges do
braço têm na ponta manchas castanhas.
E' essa especie do Norte do Brazil e da America
Central, que diversos caçadores me affirmaram existir no
curso inferior do Rio Tieté. O principe Wied obteve-a
na Bahia, Natterer no Amazonas.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo (?).
* 486. Ardetta exilis (Gm.).
Ardea erythromelas Pelzeln p. 302.
Ardetta exilis Comes p. 664.
Especie pequena, de 30—35 centim. de comprimento,
medindo o bico 4,5—5 centim. A cabeça é em cima preta
no meio, castanha nos lados. O pescoço posterior e parte
das coberteiras das azas são castanhas. O dorso e a cauda
são pretos, com lustro verde. O lado inferior é amarellado
com uma grande mancha escura ao lado do peito. O bico
é amarello, com o culmen denegrido, as pernas sao verde-
amarellas. | .
Essa especie occorre desde S. Paulo até a America
do Norte. Parece que Wied e Burmeister a confundiram
com a especie seguinte, que se distingue pelas pontas
castanhas das remiges cinzento-brunas.
Mus. Paul. Iguape.
* 487. Ardetta involucris (Vieill.).
Ardea erythromelas Wied IV p. 629.
Ardea erythromelas Burmeister Ill p. 413 (nec Vieill.).
Ardetta involucris Sclater a. Hudson Ip. tor e Pl. XVII.
Especie muito chegada a precedente. A cor é pardo-
cinzenta no lado dorsal. A cabeca em cima é preta no
meio, castanha na fronte e nos lados. O dorso é preto-
estriado, occupando uma larga estria preta o meio de cada
penna. Parte das coberteiras exteriores e as pontas das
remiges são castanhas. O lado inferior é alvacento, com
estrias longitudinaes escuras no pescoco, no peito e nos
lados da barriga. O bico é amarello, as pernas são dene-
gridas. Essa especie que occorre na Argentina e no Para-
guay e que eu obtive no Rio Grande do Sul, temol-a de
Iguape.
Mus. Paul. Iguape.
FAM. CANCROMIDAE.
* 488. Cancroma cochlearia L.
Colhereiro.
Tamatia Marcgrav p. 208.
Cancroma cochlearia Wied IV p. 660.
Cancroma cochlearia Burmeister WI p. 404.
Cancroma cochlearia Pelzeln p. 303.
Cancroma cochlearia Srehm Thierleben VI p. 391 e
figura.
O bico grande e largo, convexo em cima, plano em
baixo, assemelhando-se a uma canoa virada distingue esse
singular genero. A côr é cinzenta, com a barriga castanha
no meio, preta nos lados. O vertice é preto, a fronte, a
face, a garganta e o pescoço anterior são brancos, o peito
é bruno-amarellado. As pernas são amarelladas, o bico é
bruno em cima, amarello em baixo.
E Bo e
Essa ave é commum em Matto Grosso, no Norte do
Brazil e na America Central. Segundo informações que
tenho occorre no baixo Rio Tieté. O Sr. Krone obteve
um ou dois exemplares em Iguape.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
FAM. CICONIIDAE.
* 489. Mycteria americana L.
Jabira.
Jabiru Marcgrav p. 200.
Mycteria americana Wied IV p. 675.
Ciconia mycteria Burmeister Ill p. 418.
Mycteria americana Pelzeln p. 305 (Rio Paraná).
Mycteria americana Comes p. 653.
Mycteria americana Sclater a. Hudson II p. 106.
Especie grande, branca, cujas azas medem 60-65 e
o bico 25—30 centim. A cabeça e o pescoço são nús,
pretos, só a parte inferior do pescoço, perto do peito, é
encarnada. As pennas são brancas, as pernas pretas. O
bico é forte, immenso, direito e um pouco recurvado para
cima. À especie occorre desde o Rio da Prata até Texas.
O nome indigena della é jabirú, mas em geral essa e as
duas seguintes especies são confundidas pelo povo e de-
nominadas jabiru, tuyuyú ou baguari. Parece conveniente
restringir a applicação do nome jabirú á especie presente
que as vezes é encontrada em tempo de chuvas nos
arrabaldes da capital.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 490. Ciconia maguari Gm.
Biguari;- Cegonha; Jabiru moleque.
Maguari Marcgrav p. 204.
Ciconia jaburu Spix Il p. 71 Tat. 89.
Ciconia maguari Wed IV p. 677.
Ciconia maguari Burmeister Il p. 419.
— 383 —
Ciconia maguari Pelzeln p. 304 (Irisanga).
Euxenura maguari Sclater a. Hudson p. 106.
Essa ave é menor do que o jabirú, medindo cada uma das
azas 50 contim. É uma verdadeira cegonha e tem a cabeça
e o pescoço providos de pennas, ficando nús apenas a gar-
ganta e a região loral, que são encarnadas. O bico é menor
do que no jabirû e bruno-cinzento. A côr é branca, só as
remiges e rectrizes são pretas. À especie está distribuida
desde a Argentina, por toda a America do Sul. E ave
arisca, rara e pouco conhecida. Os guaranys do Rio Verde
chamam-na guara-vae.
Mus. Paul. Estado de S. Paulo.
* 491. Tantalus loculator L.
Tuyuyu.
Jabiru-guaçcü Marcgrav p. 200.
Tantalus plumicollis Spix IT p. 68 Taf. 85.
Tantalus loculator Wied IV p. 682.
Tantalus loculator Burmeister I p. 420.
Tantalus loculator Pelzeln p. 305 (Rio Parana).
Tantalus loculator Sclater a. Hudson I p. 108.
Tantalops loculator Coues p. 653, fig. 455.
O bico no genero Tantalus é na base muito grosso,
da largura da face, comprido, recurvado para baixo e mais
ou menos cylindrico. A cabeça e parte do pescoço são
núas, escamosas na ave adulta, tendo pennas quando a ave
é nova. À côr é branca. As remiges e rectrizes são pretas.
O bico e a cabeça são cinzento-denegridos, as pernas cin-
zentas. É especie commum nas lagoas e nos banhados
desde a Argentina até Nova York. O Sr. Valencio Bueno
que a caçou em Piracicaba diz que a tratam de Curicaca,
o que porém fazem com engano, confundindo-a com uma
especie das Ibididae. Sobre a trachea, veja-se o que digo
do colhereiro p. 387. O Sr. Krone diz que em Iguape
tratam essa especie de jabiru, e a Mycteria de Tuyuyu.
Mus. Paul. São Paulo.
ae ae
FAM. IBIDIDAE.
* 492. Guara rubra (L.).
Guard.
Ibis leucopygus Spix IL p. 7o Taf. 87 (juv.).
Ibis rubra Burmeister II p. 425.
Ibis rubra Pelzeln p. 306.
Guara rubra Chek List. of N. American Birds II Ed.
1895 p. 67.
Eudocimus ruber Cowes Key p. 651.
O guará é especie facil de conhecer, devido á cor uni-
forme encarnada, a excepção da ponta e da barba interior
das remiges, que são pretas. A região da fronte, do loro
e a garganta são nús, vermelhos. As pernas são vermelhas,
o bico é preto. As pernas são como no genero Plegadis,
com o qual talvez essa especie deve ser reunida. O guará
é ave do Norte do Brazil, distribuida até as Antilhas, que,
porém, desce até Iguape e mais ainda, ás vezes, até Pa-
ranaguá, onde Natterer o caçou. Estas migrações só acon-
tecem no verão.
Mus. Paul. Costa do Estado de São Paulo.
* 493. Plegadis guarauna (L.).
Tapicuru (Piracicaba); Curicaca (Rio Claro).
Ibis guarauna Burmeister Ill p. 424.
Ibis falcinellus Pe/zeln p. 306 (Ypanema).
Falcinellus igneus Sc/ater a. Salvin Nomencl. p. 126.
Plegadis guarauna Comes Key p. 649.
Plegadis guarauna Sclater a. Hudson. Il p. 109.
O genero Plegadis tem as pernas e o pescoço mais
compridos do que as especies seguintes. O tarso é munido
na frente de escudos grandes em uma serie. Só a região
loral é núa. À côr é pardo-cinzenta ou bruna com reflexo
metallico de côr roxa em baixo, verde nas azas e na cauda.
As pennas da cabeça e do pescoço têm orlas brancas.
As pernas são roxo-brunas, o bico é pardo-cinzento e tem
— 385 —
o comprimento de 1ro—130 mm. Esta especie occorre
desde o Rio da Prata até Paraguay, S. Paulo e Matto
Grosso. O Sr. Valencio Bueno disse-me que conhece essa
especie e a seguinte como aves de arribação em Piracicaba.
E possivel que tenhamos aqui as duas especies semelhantes
Pl. guarauna e falcinellus, mas falta-me a necessaria litte-
ratura para decidir a questão.
Mus. Paul. Estado de S. Paulo.
* 494. Phimosus infuscatus (Licht.).
Tapicuru (Piracicaba); Cardo (Iguape).
Ibis nudifrons Sprx Il p. 69 Taf. 86.
Ibis infuscata Wied IV p. 699.
Ibis infuscata Burmeister HI p. 422 (S. Paulo).
Geronticus infuscatus Pelzeln p. 307. (Rio Paraná).
Phimosus infuscatus Sclater a. Hudson Il p. 113.
Essa especie distingue-se bem pela cara encarnada
e núa desde a garganta e a fronte até atraz do olho, e
pelo bico alvacento-encarnado. A côr é bruno-denegrida
com reflexos metallicos, verde e roxo. As pennas são
bruno-encarnadas. Essa especie é encontrada desde o Rio
da Prata, por todo o Brazil, até a Columbia. O Sr. Valencio
Bueno caçou-a em Piracicaba, o Sr. Krone em Iguape.
Mus. Paul. Estado de S. Paulo.
495. Theristicus caudatus (Bodd..
Curicaca.
Curicaca Marcgrav p. 191.
Ibis albicollis Wied IV p. 698.
Ibis melanopis Burmeister WI p. 421.
Geronticus albicollis Pe/ze/n p. 207 (Itararé).
Theristicus melanopis Sclater a: Salvin p. 127.
Theristicus caudatus Sclater a. Hudson II p. t1o.
Esta especie, que é pardo-cinzenta nas costas e nas
azas, é bem caracterisada pela côr branco-amarella do
pescoco e pela cor pardo-castanha do peito e do vertice.
aha
A garganta tem de cada lado uma zona nua, que é preta
como a região núa do loro e ao redor do olho. O bico é
preto na base, verde na ponta. As coberteiras exteriores
são esbranquiçadas, as remiges e as rectrizes são pretas,
com lustro verde. O peito e a barriga são preto-cinzentos.
O comprimento do bico é 17o mm., o da aza 400 mm.
Essa especie está distribuida por toda a America meridional
até a Patagonia. O Sr. Krone affirma tel-a observado em
Iguape.
Mus. Paul. —
* 496. Harpiprion cayennensis (Gm.). |
Tapicuru.
Ibis sylvatica Wied IV p. 702.
Ibis cayennensis Burmeister HI p. 423.
Geronticus cayennensis Pelzeln p. 207 (Matto Dentro,
Ypanema, Irisanga).
Especie um pouco maior do que Phimosus infuscatus.
A cor é bruno-denegrida, com lustro metallico-verde e
roxo. A regiäo loral e a circumferencia do olho säo nuas
como tambem a garganta sendo de cor verde como o bico e
as pernas. E’ especie dos mattos, onde vive a borda dos
rios ou em banhados, distribuida desde Parana e S. Paulo
até a Guyana.
Mus. Paul. Iguape.
FAM. PLATALEIDAE.
* 497. Ajaja ajaja (L.).
Colhereiro.
Ajaja Marcgrav p. 204.
Platalea ajaja Wied IV p. 668.
Platalea ajaja Burmeister HI p. 427.
Platalea ajaja Pelzeln p. 304 (Ypanema).
Ajaja rosea Sclater a. Hudson Il p. 114.
O colhereiro tem a garganta, a fronte e o loro nus,
o bico largo e achatado. A côr é esbranquiçada na cabeça
— 387 a
e no pescoço, côr de rosa no corpo, mais vivo escarlate
nas azas. Conforme a edade muda o colorido. O colhereiro
está distribuido por toda a America meridional e pelos
Estados meridionaes da America do Norte. No genero
Platalea, representado na Europa por P. leucorodia, é a
trachea, que é simples no genero Ajaja, mais comprida e
enrolada no thorax. E’ singular que encontremos a mesma
differença nas especies do genero Tantalus, sendo a trachea
do T. loculator do Brazil simples, a do T. ibis do mundo
velho complicada, enrolada.
Mus. Paul. S. Paulo; Iguape.
X. Ordem Anseres.
Aves aquaticas, com a membrana natatoria estenden-
do-se entre os dedos anteriores, desde a base até o
segmento que prende a unha, sendo por essa razão deno-
minadas palmipedes. É, porém, preciso notar que a antiga
ordem dos palmipedes abrangia tambem os steganopodes,
as gaivotas e os penguins. Outro nome dado a essa ordem
é o de Lamellirostres, referindo-se ás lamellas curtas,
transversaes e dentiformes, que, em grande numero, occupam
as margens das maxillas, entrando as da maxilla inferior
nos intervallos das da maxilla superior. O bico é largo, mais
ou menos do comprimento da cabeça e revestido de uma
membrana molle, que corresponde á cera das aves de
rapina. Na base do bico estão situadas as ventas, que são
permeaveis, communicando-se ambas, devido a uma abertura
no septo que as separa. Só na ponta do bico nota-se uma
chapa cornea, dura, da maxilla superior, que é chamada
«unha ». Tambem a lingua, carnosa, tem nos lados lamellas
correspondentes, servindo todo esse apparelho para retirar
da agua introduzida na bocca os pequenos organismos de
que se nutrem, sahindo, como numa peneira, a agua pelos
lados. As pernas, não estão curtas, situadas mais para traz
do que nas outras aves, os pés servem de modo excellente
para nadar; o dedo posterior é livre e pequeno.
Ro
As azas são pouco compridas, contendo Io remiges
da mão e 14—24 do braço. À cauda é pouco comprida e
forte, contendo 12—24 rectrizes, sendo em geral o numero
dellas de 14—16. É grande o numero das vertebras do
pescoço comprido, variando de 14—17 e elevando-se a
21—26 nos cysnes. Procuram o seu nutrimento nas lagoas,
nos rios e banhados e a maior parte d'ellas voa rapi-
damente, o que é a razão da distribuição vasta das diversas
especies. Constróem seus ninhos com preferencia no chão,
pondo ovos de côr uniforme, brancos ou verdes. Vivem
em monogamia. À femea choca extrahe-se parte das pen-
nas da barriga para mais facilitar a incubação. Os filhotes
são revestidos de uma pennugem densa e logo nadam
nos primeiros dias a procura de nutrimento, sendo pois
aves larga-ninhos.
A plumagem é espessa e entre as pennas nota-se
ainda, na base dellas, uma pennugem bem desenvolvida.
Com o sebo segregado pela glandula adiposa encobrem a
plumagem, tornando-a impenetravel á agua. Quando voam,
não retiram as pernas para o peito, como os passaros, mas
estendem-as como as garças e as cegonhas.
Se a ordem, no sentido como aqui a acceitei, é uma
das mais naturaes, é de notar, entretanto, que diversos
autores a ella dão conteudo mais variado, reunindo-lhe
a familia Palamedeidae, que classifiquei entre as Paludi-
colae, e as Phoenicopteridae que combinam caracteres dos
lamellirostros e das pernaltas, não sendo aqui representadas,
mas sim por uma especie no Rio Grande do Sul (Phoe-
nicopterus ignipalliatus Geoffr.). Nesse sentido limitado,
essa ordem é formada por uma familia só, a das Anatidae,
com as seguintes sub-familias :
Cygninae. O pescoço é muito alongado, do compri-
mento do corpo ou maior. Os loros são, em regra, nús nas
aves adultas. O dedo posterior é simples. O bico é na
base mais alto do que largo e, visto de cima, é na ponta
tão largo como na base, sendo a unha situada no meio
da ponta. O tarso é reticulado e mais curto do que o dedo
mediano com a unha. A cauda tem 20—24 rectrizes. Os
sexos não differem na côr. Uma especie do Rio da Prata,
o pato arminho, apparece, ás vezes, em nossa costa.
Plectropterinae. Especies semelhantes ás Anserinae, dis-
tinguindo-se pela cauda mais comprida e por uma verruga
carnosa na fronte. Na cauda ha 18 rectrizes. A esse grupo
pertence o pato.
Anserinae. O bico é mais alto na base do que largo,
mas torna-se mais estreito para diante, occupando a unha
toda a largura da ponta. Os loros são providos de pennas.
O tarso é alto, mais comprido do que o dedo mediano
com a unha e reticulado. O dedo posterior é simples.
O pescoço é mais curto do que o dos cysnes, mais com-
prido do que o das marrecas, tendo essas aves a singula-
ridade de assobiar com o pescoço extendido, quando in-
commodadas. À cauda tem 16—18 rectrizes. Pertencem a
essa familia, entre as aves de nossa fauna, duas especies
de Dendrocygna. Os sexos não differem entre si no colo-
rido e cuidam ambos dos filhotes.
Anatinae. O bico é mais largo do que alto na base.
O tarso é na frente munido de escudos e mais curto do
que o dedo mediano com a unha. O dedo posterior é
simples. Assemelham-se no mais ás Anserinae, mas os
sexos são difterentes, ganhando o macho no inverno e
primavera, no tempo nupcial, um colorido mais esplendido
do que a femea. A cauda contem 14—16 rectrizes.
Nas azas observa-se muitas vezes uma grande mancha
de cor metallica ou branca, uma marca que é chamada
espelho. Ao contrario dos gansos, que preferem viver
nos campos e não mergulham, as marrecas preferem viver
n'agua nadando e mergulhando.
Erismaturinac. Os tarsos são providos de escudos
na frente. O dedo posterior é lobado, munido de uma
membrana alta. A cauda é composta de 18 rectrizes es-
treitas e rigidas. O bico é depresso como o das Anatinae.
Os sexos são differentes.
Merginae. O dedo posterior é lobado, o bico late-
ralmente compresso, quasi cylindrico, com as lamellas
pontagudas como dentes, dirigidas para traz. Os tarsos
são compressos, providos de escudos na frente. A ponta
da maxilla superior, ou a unha, é recurvada para baixo.
À cauda é comprida e formada por 16—18 rectrizes largas.
São essas aves os mergulhões que perseguem os peixes em
baixo d'agua, vivendo nos rios e tambem no mar. Os
sexos são differentes no colorido.
É essa familia das Anatidae pouco caracteristica na
fauna do Estado de S. Paulo. Deixando de lado as espe-
cies de Dendrocygna, encontradas na zona occidental do
Estado e o pato arminho, cysne que só excepcionalmente
apparece na costa, donde provavelmente provem tambem
o mergulhão do genero Merganser, temos apenas duas
especies communs por toda a parte, o pato e a marreca do
genero Nettion. A essas especies temos de ajuntar mais
duas especies que occorrem perto do Rio Grande ou Rio
Paraná. Ao contrario obtive no Estado do Rio Grande do
Sul 16 especies pertencentes a essa familia. Excusado é
dizer que a razão dessa differença é dada apenas pelas
condições hydrographicas, sendo o territorio de S. Paulo
quasi privado e o do Rio Grande do Sul riquissimo em
lagoas grandes e menores e banhados extensos.
E AME ACN AVE DAE.
SUBFAM. I. CYGNINAE.
* 498. Cygnus melanocoryphus (Mol.).
Pato arminho.
Cygnus nigricollis Burmeister HI p. 432.
Cygnus nigricollis Sclater a. Hudson II p. 124 Pl. 18.
Cygnus nigricollis Brehm Thierleben VI p. 447 e Taf.
Cygnus melanocoryphus Cat. Br. Mus. XXVI p. 30.
Cysne grande e bonito, de r', m. de comprimento,
medindo o bico 85 mm. e o tarso go mm. O bico tem na
base uma excrescencia como uma verruga. Os loros na
ave adulta são nús e encarnados como a base do bico.
A côr é branca, sendo pretas a cabeça e a parte superior
do pescoço. À garganta e uma estria atraz do olho são
brancas. O bico é cinzento, os pés são encarnados. É essa
especie da Republica Argentina e do Chile, commum
tambem no litoral do Rio Grande do Sul que, ás vezes,
apparece em S.“ Catharina e na costa de S. Paulo, em
Iguape e Santos. A outra especie de cysne do Rio da
Prata e do Rio Grande do Sul, onde é denominada capo-
roroca, Coscoroba candida (Vieill.) ou anatoides King, branca
com as pontas das remiges da mão pretas e com os loros
providos de pennas, não foi observada na costa de São
Paulo.
Mus. Paul. Iguape.
SUBFAM. 2. PLECTROPTERINAE.
* 499. Cairina moschata (L.).
Pato do matto.
Anas sylvestris Marcgrav p. 213
Anas moschata Wied IV p. gto.
Cairina moschata Burmeister Ill p. 440.
Cairina moschata Pelzeln p. 320 (Itararé, Ypanema,
Rio Parana).
Cairina moschata Sclater a. Hudson Il p. 129.
Cairina moschata Berlepsch u. Thering p. 175:
Cairina moschata Cat. Br. Mus. XXVII p. 51.
É a maior especie das marrecas, medindo 76 centim., que
tem os loros nus e a base do bico munida de verrugas
carnosas ou «carunculos » no sexo masculino. A cor é
bruno-denegrida com lustro metallico verde e roxo no
dorso. As coberteiras exteriores das azas são brancas. As
pernas são pretas, o bico é preto com marcas alvacentas
e com a base e as verrugas encarnadas. À especie occorre
desde o Rio Grande do Sul e Tucuman até o Mexico.
Em estado domesticado é o pato hoje distribuido por todo
= 392 —
o mundo, sendo denominado na Allemanha marreca da
Turquia por engano, visto ser ave sul-americana. Vive nos
mattos e em bandos tambem perto desta capital.
Mus. Paul. Sao Paulo.
SUBFAM. 3. ANSERINAE.
* 500. Dendrocygna viduata (L.).
Marreca do Pará (Piracicaba).
Anas viduata Wied IV p. gat.
Anas viduata Burmeister Ill p. 434.
Dendrocygna viduata Pelzeln p. 319 (Rio Paraná).
Dendrocygna viduata Sclater a. Hudson Il p. 128.
Dendrocygna viduata Cat. Br. Mus. XXVII p. 145.
As especies do genero Dendrocygna assemelham-se
mais aos gansos do que ás marrecas pelos tarsos altos e
reticulados. Distinguem-se tambem das marrecas pelo seu
modo de viver nas arvores, onde constróem os seus ninhos.
O bico é mais comprido do que a cabeça. À presente
especie, de 44 centim. de comprimento, tem a cabeça
branca até a nuca, que é preta como a parte superior do
pescoço, sendo o pescoço inferior e o peito cistanhos. .
O dorso é bruno com orlas amarelladas das pennas, as
azas, o uropygio e a cauda são pretos. As coberteiras
pequenas e exteriores das azas são castanhas. A barriga é
preta no meio, amarella, com faxas pretas, nos lados. O bico
e os pés são pretos.
Essa especie occorre desde Buenos Ayres até :: Guyana
e as Antilhas, faltando na America do Norte e 1eappare-
cendo na Africa central e em Madagascar. O mesino acon-
tece com D. fulva que além disso é encontrada na India.
D. fulva (Gm.) é castanha, com faxas transversaes escuras
no dorso e estrias amarelladas longitudinaes nos lados da
barriga. Cacei-a no sul do Rio Grande do Sul, mas nao
foi ainda encontrada no Est. de S. Paulo. D. viduata oc-
corre no Est. de S. Paulo desde Piracicaba até o Rio
Parana.
Mus. Paul. Estado de S. Paulo.
yet
Es 2e na
* 501. Dendrocygna discolor Scl. a. Salv.
Anas autumnalis Burmeister Ill p. 436 (nec L.).
Dendrocygna autumnalis Pe/ze/n p. 320 (Rio Paraná).
Dendrocygna discolor Sclater a. Salvin Nomenclator
Dp. 120 e "OT,
Dendrocygna discolor Cat. Br. Mus. XXVI p. 161.
O dorso é castanho, as azas são pardo-cinzentas, com
as remiges pretas. O pescoço é cinzento-amarellado, a
cabeça em cima bruno-escura. O uropygio e a barriga são
pretos. A cauda é preta, o crisso branco. O bico é ver-
melho, os pés são branco-encarnados. E' essa especie do
Norte do Brazil e da Guyana, que Natterer caçou no Rio
Paraná. A especie semelhante, D. autumnalis L., é da Ame-
rica Central. Os nossos exemplares de D. discolor são do
Amazonas.
Mus. Paul. —
SUBFAM. 4. ANATINAE.
* 502. Nettion brasiliense (Gm.).
Marreca.
Marreca alia species Marcgrav p. 214 (9).
Anas paturi Spix Il p. 85 Taf. 109.
Anas brasiliensis ed IV p. 933.
Anas brasiliensis Burmeister Ill p. 437.
Querquedula brasiliensis Pelzeln p. 320 (Sao Paulo,
Ypanema).
Querquedula brasiliensis Sclater a. Hudson IL p. 133.
Nettion brasiliense Cat. Br. Mus. XXVI p. 265.
Especie commum, de 42 centim. de comprimento. A
côr é pardo-cinzenta, mais clara no lado inferior, bruno-
denegrida em cima da cabeça e do pescoço superior. A
face é castanha, a garganta alvacenta. O uropygio e a
cauda são pretos. No peito, que é bruno-avermelhado, e
na barriga notam-se manchas ou faxas transversaes. As
remiges são bruno-denegridas, as coberteiras exteriores
Revista do Mnseu Paulista Vol. III. 25
das azas em parte pretas, em parte verdes e azul-metal-
licas. As remiges da mão são na ponta brancas, no meio
verdes e na divisa entre as duas côres pretas. O bico é
denegrido, os pés são vermelhos. A femea differe por uma
mancha branca adiante e outra em cima dos olhos.
E essa a marreca mais commum por toda a parte do
Brazil, boa.caça e comida. A especie occorre desde o
Estreito de Magalhães e por toda a America do Sul.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 503. Dafila spinicauda (Vieill.).
Erismatura spinicauda Pelzeln p. 321 (Itararé).
Dafila spinicauda Sclater a. Hudson H p. 134.
Dafila spinicauda Cat. Br. Mus. XXVII p. 279.
As especies de Dafila distinguem-se com facilidade
pela cauda não pequena e pontaguda, sendo as rectrizes
acuminadas e as do meio mais compridas do que as late-
raes. À côr da especie presente, que tem o comprimento
total de so centim., é bruno-escura nas costas, com orlas
mais claras, castanha com manchas pretas em cima da
cabeça. Sobre as azas correm duas taxas amarelladas que
incluem no sexo masculino um espelho verde-preto. O
lado inferior é alvadio, com manchas escuras. As rectrizes
são pardo-cinzentas. As pernas são cinzentas, o bico é
preto, com a base amarella. Essa especie occorre desde
S. Paulo, onde Natterer a caçou em Itararé, mas onde é
rara, até o Estreito de Magalhães e o Chile.
* Julgo provavel que occorra no Est. de S. Paulo tam-
bem D. bahamensis, especie semelhante, com a cauda aver-
melhada e a face branca, que, a meu vêr, sem necessidade,
foi incluida em outro genero, Poecilonetta, e que occorre
desde a Patagonia até as Antilhas e que Wied obteve na
Bahia e eu no Rio Grande do Sul.
Mus. Paul, —
TAN Sata
SUBFAM. 5. ERISMATURINAE.
* 504. Nomonyx dominicus (L.).
Patury (Piracicaba); Caucau (Matto Dentro), Marrequinha.
Anas dominica Wied IV p. 938.
Anas dominica Burmeister Ill p. 439.
Erismatura dominica Pelzeln p. 320 (Matto Dentro,
Ypanema).
Nomonyx dominica Cowes p. 715.
Nomonyx dominicus Sclater a. Hudson 1 p. 138.
Nomonyx dominicus Cat. Br. Mus. XXVII p. 440.
O genero Nomonyx, formado por essa unica especie,
é bem caracterisado pela cauda composta de rectrizes estrei-
tas e rijidas expostas até a base, por serem extremamente
curtas as coberteiras da cauda. E especie pequena; mede
38 centim. À côr é bruno-castanha, mas a cabeça é preta
em cima. O dorso é notavel pelas manchas pretas que possue.
As remiges e rectrizes são denegridas. Nas azas ha uma
mancha branca sobre as coberteiras exteriores. O bico é azul,
com a ponta preta. A especie occorre desde a Patagonia
eo Chile até a America do Norte. O Sr. Valencio Bueno
obteve-a em Piracicaba, onde a tratam de patury que é
a palavra tupy para marreca, sendo, entretanto, duvidosa
a etymologia de pato e de patury.
Mus. Paul. Piracicaba.
Supram. 6. MERGINAE.
505. Merganser brasilianus (Vieill.).
Mergulhador.
Mergus brasiliensis Burmeister p. 441 (S. Paulo).
Mergus brasiliensis Pelzeln p. 322 (Itararé).
Mergus brasiliensis Berlepsch Il p. 281 (juv.).
Merganser brasilianus Cat. Br. Mus. XXVII p. 485
(Itararé).
O genero Merganser differe de Mergus L. pelo bico
mais comprido do que o tarso. O bico é estreito, com os
dentes das maxillas pontagudos e dirigidos para traz. M.
brasilianus é especie de 48—56 centim. de comprimento,
medindo o rosto 53, 0 tarso 4o mm. A côr é bruno-cin-
zenta em cima, branca, com faxas pretas transversaes, em
baixo. À cabeça, que na nuca tem um martinete de pennas
alongadas, é preta em cima, com lustro verde, como tam-
bem parte do pescoço posterior. São pretos o bico, as
pernas e as remiges. Nas azas nota-se uma nodoa branca.
A femea tem a cabeça bruna em cima.
Essa especie occorre em S.º Catharina e S. Paulo.
Natterer obteve-a tambem em Goyaz. E mergulhão dos
rios e lagoas e que talvez occorra tambem na costa. Não
pude obtel-o até agora, nem o observei no Rio Grande
do Sul. Parece-me, que, conforme as regras da nomen-
clatura, o nome dessa especie deveria ser M. octosetaceus
(Vieill.).
Mus. Paul. —
XI. Ordem. Columbae.
Os pombos formam uma ordem bem natural, otfere-
cendo relações com os gallinaceos, dos quaes, alem de
outros caracteres, differem. pela semelhança externa dos
sexos e pela monogamia fiel em que vivem. São aves de
tamanho regular, com a cabeça pequena, o pescoço curto,
revestidas por pennas grandes e fortes sem pennugem
entre as suas bases. O bico é curto, menos comprido do
que a cabeça, mais alto do que largo, um pouco mais
delgado no meio, duro na ponta, molle na base onde estão
collocadas as ventas estreitas, que são cobertas por uma
escama cartilaginosa. As pennas da fronte extendem-se
com uma ponta triangular sobre a base do bico na linha
mediana. O tarso é pouco alto, do comprimento do
dedo mediano ou menor, revestido na frente por escudos
transversaes. Os tres dedos anteriores são livres, sem
membrana na base, o dedo posterior toca no chão quando
PERES | NES
a ave caminha e serve como o dos passaros quando paira
nas arvores. Nas azas ha to remiges da mão, 11—15 do
braço; na cauda contam-se 12 rectrizes nos generos repre-
sentados no Brazil. j
Os pombos nutrem-se de fructas e sementes. Cons-
tróem nas arvores os seus ninhos simples, de raminhos
seccos pondo dois ovos brancos. O macho ajuda a femea
a chocal-os. Os filhotes sahem delles em estado nú e
cegos, sendo a principio nutridos pela mãe mediante um
liquido leitoso que segrega no papo onde fica misturado
com restos da comida. Vivem em monogamia, sendo o
macho muito affeiçoado à femea, arrulhando com voz especial.
No chão, à procura das sementes, não pulam, mas andam
abaixando singularmente a cabeça, em cada passo.
À ordem contem cerca de 460 especies, das quaes a
maior parte vive nas Ilhas Mollucas’ ete, entre ellas muitas
verdes e com as cores mais bonitas. Na America Meridional
vivem apenas representantes das duas familias seguintes.
Columbidae. O tarso é pequeno, em geral mais curto
do que o dedo mediano, provido em cima de pennas, em
baixo nú, com escudos transversaes. Temos dessa familia
duas especies de «pombas legitimas», do genero Columba.
A palavra legitima refere-se ao facto que ao genero Co-
lumba pertence o pombo domestico.
Peristeridae. O tarso é mais comprido, do comprimento
do dedo mediano e revestido na frente de escudos trans-
versaes. Os pés são maiores e mais fortes do que na
outra familia mencionada. Das diversas sub-familias têm
as Zenaidinae uma ou duas manchas, de cor metallica, de
cada lado do pescoço, as Geopelimae não têm lustro me-
tallico em parte alguma do corpo e a cauda bastante
comprida, as Peristerinae têm manchas metallicas nas azas,
as Geotrygoninae assemelham-se as Peristerinae carecendo,
entretanto, das manchas nas azas. A primeira remige da
mão é singularmente attenuada na ponta, nos generos
Peristera e Leptoptila.
BON
FAM. COLUMBIDAE.
* 506. Columba rufina Temm.
Pomba legitima.
Columba rufina [Ved IV p. 453.
Chloroenas rufina Burmester HI p. 291.
Chloroenas rufina Felzeln p. 275 (Taipa, Jacarehy,
Ypanema, Itararé).
Columba rufina Cat. Br. Mus. XXI p. 287.
Pomba grande, de 34 centim. de comprimento, cuja
côr predominante é cinzenta. A fronte, o pescoço, o peito
e parte do dorso adiante das azas são roxas, o occipicio
e a nuca são verde-metallicos. As remiges e rectrizes são
pardo-cinzentas, as pontas das rectrizes mais claras. As
pernas são vermelhas, o bico é preto. À especie occorre
desde o Rio Grande do Sul até a America Central, sendo
commum nas mattas. O principe Wied diz que na Bahia
tratam-n'a de pomba caçaroba ou pucassu. Aqui e geral-
mente conhecida como pomba legitima ou ás vezes pomba
trocaz.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 507. Columba plumbea Vieill.
Pomba legitima; pomba preta; pomba amargosa.
Columba locutrix Wed IV p. 455.
Chloroenas infuscata Burmeister IN p. 292.
Chloroenas plumbea Peleeln p. 274 (Matto Dentro,
Itararé).
Chloroenas plumbea Berlepsch II p. 241.
Chloroenas vinacea Burmeister H p. 292.
Columba plumbea Cat. Br. Mus. XXI p. 323.
Pomba do matto, do tamanho da especie precedente,
com a cor predominante pardo-cinzenta, com lustro roxo.
A cabeça, o pescoço e o lado inferior são roxo-cinzentos.
No pescoço posterior observam-se manchas redondas ama-
relladas, que caracterisam a femea segundo Salvadori, fal-
PTS pe AIR
tando ao macho, não podendo eu presentemente dizer se
isso é exacto. Os exemplares em que a côr vermelha da
barriga é mais pronunciada foram descriptos sob o nome
de Columba vinacea Temm. As rectrizes são bruno-dene-
gridas, com lustro roxo. As rectrizes são mais compridas
do que na especie precedente, sendo as lateraes mais curtas
que as centraes. À especie occorre desde o Rio Grande
do Sul até a Guyana. Natterer diz que a tratam em Matto
Dentro de capaçaroba ou picazuroba. O nome de pomba
amargosa refere-se a carne um pouco amarga. Desconfio
que na zona occidental do Estado occorre tambem Col.
picazuro Temm. (— Patagioenas loricata Burm.), que em
vez de manchas redondas tem taxas semi-lunares pretas
no pescoço posterior, o bico preto e que é denominada
pomba trocaz. O Sr. Krone escreve-me que C. piumbea
é denominada pomba amargosa em Iguape.
Mus. Paul. S. Paulo.
FAM, PERISTERIDAE.
SUBFAM. I. ZENAIDINAE.
* 508. Zenaida auriculata (Des Murs).
Parary.
Zenaida maculata Burmeister HI p. 302.
Zenaida maculata Pe/zeln p. 276 (Matto Dentro, Ypa-
nema, Itararé).
Zenaida maculata Sclater a. Hudson Il p. 141.
Zenaida auriculata Cat. Br. Mus. XXI p. 384.
Especie de 22—25 centim. de comprimento. Como
todas as especies dessa sub-familia essa tem em baixo dos
olhos, de cada lado do pescoco, duas manchas pretas, uma
em baixo da outra. As rectrizes são estreitas e pontagudas.
Das coberteiras exteriores das azas têm as «escapulares»,
que mais se approximam ao dorso, perto da ponta, uma
grande mancha preta. A côr é pardo-cinzenta no dorso,
roxo-pallida na cabeça, no pescoco e no peito, amarellada
E hye
oe
21
ee.
a. 400 Le,
na barriga. As rectrizes medianas sao da côr do dorso, as
lateraes tém as pontas cinzentas, as mais exteriores bran-
cas. Adiante da ponta branco-cinzenta nota-se uma faxa
preta.
A especie occorre desde o Chile e a Patagonia atéo.
Equador, não é especie do matto virgem, mas dos campos
e capoes.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
SUBFAM. 2. GEOPELIINAE.
* 509. Scardafella squamosa (Temm.).
fogo apagou.
Picui-pinima Marcgrav p. 204.
Columba squamosa Wed IV p. 469.
Columbula squamosa Burmeister U1 p. 298.
Scardafella squamosa Pelzeln p. 277 (Irisanga).
Scardafella squamosa Cat. Br. Mus. XXI p. 464.
Especie pequena, de 200 mm. de comprimento. A
cauda é. comprida, contendo 12 rectrizes das quaes as
exteriores são mais curtas do que as medianas. A côr é
pardo-cinzenta em cima, branca em baixo, um pouco aver-
melhada no peito e todas as pennas têm orlas pretas, dando
essas faxas semi-lunares à plumagem a apparencia de ser
escamosa. As grandes coberteiras exteriores são brancas,
as remiges são bruno-denegridas, orladas na barba interior
de castanho. As coberteiras inferiores da cauda são bran-
cas, as rectrizes exteriores são pretas com pontas brancas.
A especie occorre desde S. Paulo até a Venezuela e Co-
lombia. O nome refere-se 4 voz que consiste em quatro
notas como «fogo apagou».
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
SUBFAM. 3. PERISTERINAE.
* 510. Chamaepelia talpacoti (Temm.).
Rolinha; rola.
Columbina caboclo Spix II p. 58 Taf. 75, a fig. 1.
Columba talpacoti Wed IV p. 465.
Chamaepelia talpacoti Burmeister HI p. 297.
Chamaepelia talpacoti Pe/ze/n p. 277 (Ypanema).
Chamaepelia talpacoti Berlepsch {1 p. 247.
Chamaepelia talpacoti .Sclater a. Salvin. I p. 144.
Chamaepelia talpacoti Cat. Br. Mus. XXI p. 48s.
Especie de 16—17 centim. de comprimento, de cor
roxo-avermelhada. A cabeça é azul-cinzenta. As grandes
coberteiras exteriores das azas têm perto da ponta uma
mancha alongada roxo-preta. As remiges são pardo-cin+
zentas. As coberteiras interiores das azas são pretas. A
garganta e a fronte são avermelhado-brancas. As rectrizes
medianas são da côr do dorso, as outras pretas, com as
pontas avermelhadas. As pernas são encarnadas, o bico é
bruno-escuro. A femea não e avermelhada, mas pardo-cin-
zenta. À especie está distribuida desde o Rio Grande do
Sul até a Guyana e Venezuela. No seu modo de viver e
na sua voz assemelha-se à rôla da Europa.
Mus. Paul. S. Sebastião.
* Sil. Peristera cinerea (Temm.).
Rola azul (Piracicaba).
Peristera cinerea Burmeister Ill p. 491.
Peristera cinerea Pelzeln p. 278 (Jacarehy, Ypanema,
| Irisanga).
Peristera cinerea Cat. Br. Mus. XXI p. 491.
As especies do genero Peristera assemelham-se ás de
Zenaida, differindo pelo bico mais forte e alto. A cauda
é mais curta do que as azas, a primeira remige da mão é
attenuada na ponta. P. cinerea mede 210 mm. de comprimento
e differe da especie seguinte pelas rectrizes uniformes, sem
pontas brancas. O macho é cinzento-azul, com a fronte e
a garganta esbranquiçadas. As coberteiras exteriores das
azas têm manchas roxo-pretas. As rectrizes medianas são
cinzentas, as exteriores e as remiges pretas. A femea é
bruna, com o uropygio avermelhado, com as manchas das
coberteiras das azas castanhas e com as rectrizes lateraes
orladas de castanho. A especie está distribuida desde São
Paulo até o Mexico.
Mus. Paul. Piracicaba.
* 512. Peristera geoffroyi (Temm.).
Pararu.
Columba geoffron Wed IV p. 461.
Peristera geoffroyi Burmeister Ul p. 304.
Peristera geoffroyi Pelzeln p. 278 (Ypanema, Matto
Dentro).
Peristera geoffroyi Berlepsch H p. 242.
Peristera geoffroyi Cat. Br. Mus. XXI p. 494.
Especie um pouco maior que a precedente, de 23
centim. de comprimento, differindo pelas pontas brancas
das rectrizes, sendo as .exteriores quasi todas brancas. O
macho é cinzento, com a fronte, a garganta e a barriga
brancas. Nas azas notam-se tres grandes manchas roxo-cas-
tanhas, À femea é bruno-amarella, com as mesmas manchas
nas azas e tem as rectrizes lateraes pretas, com a ponta ama-
rella. A especie occorre desde S.” Catharina até Minas
e Bahia. ;
Mus. Paul. Piracicaba.
SUBFAM. 4. GEOTRYGONINAE.
* 513. Leptoptila reichenbachi Pelz.
Juruty.
Columba rufaxilla Wied IV p. 474.
Peristera frontalis Burmeister HT p. 305 partim.
Leptoptila reichenbachi Pe/ze/n p.279 e 337 (Y panema).
Leptoptila erythrothorax Serlepsch Up. 247.
Leptoptila rufescens Berlepsch Il p. 246-247.
Leptoptila reichenbachi Berlepsch u. Thering p. 177.
Leptoptila reichenbachi Cat. Br. Mus. XXI p. 553
(Matto Dentro).
Especie de 26—27 centim. de comprimento com a aza
medindo 143—148 mm. A primeira remige da mão é
attenuada na ponta e a cauda mede mais do que a metade
da aza no genero Leptoptila. O dorso é bruno-azeitonado
ou bruno-avermelhado. A fronte é alvacenta, o vertice
cinzento, a nuca, o pescoço posterior e o dorso até as
azas são bruno-purpureos com lustro roxo. À garganta é
esbranquiçada, o pescoço anterior e o peito são roxo-ver-
melhos, escuros. A barriga é branca, as coberteiras infe-
riores da cauda são bruno-cinzentas com a barba interior
das pennas branca. As remiges são brunas, as coberteiras
mteriores das azas castanhas. As rectrizes medianas são
uniforme-brunas, as tres exteriores de cada lado são de-
negridas com a ponta branca. O bico é preto, as pernas
são encarnadas.
Essa pomba é commum nas mattas desde o Estado
Oriental e Rio Grande do Sul até Bahia.
Mus. Paul. Iguape.
* 514. Leptoptila chloroauchenia Gigl. et Salv.
Juruty.
Peristera frontalis Burmeister HI p. 305 partim.
Leptoptila ochroptera Pelzeln p. 278 (Matto Dentro,
Ypanema).
Engyptila chalcauchenia Sclater a. Hudson Il p. 144.
Leptoptila chalcauchenia Berlepsch IL p. 243-247.
Leptoptila chalcauchenia Berlepsch u. 1hering p. 177.
Leptoptila chloroauchenia Cat. Br. Mus. XXI p. 554.
Leptoptila ochroptera Cat. Br. Mus. XXI p. 555.
Especie do tamanho da precedente, muito asseme-
lhando-se a ella, differindo pela côr pardo-cinzenta do
lado dorsal e pelo lustro verde-metallico, furta-côr da nuca
e do pescoço posterior. A côr do peito é mais pallida,
roxo-avermelhada, a das coberteiras inferiores da cauda,
branca com a barba exterior das pennas cinzento-pallida.
Essa especie, confundida muito tempo com a prece-
dente, foi descripta em 1870 sob tres nomes differentes
como L. chlorauchenia por Giglioli e Salvadori, L. chal-
cauchenia por Sclater and Salvin e L. ochroptera por Pel-
zeln. Tendo Sclater and Salvin por engano escripto chal-
cauchenia em vez de chloroauchenia, este ultimo nome deve
ser conservado. Não foi feliz, porém, Salvadori, dividindo
essa especie em duas, chloroauchenia da Argentina e do
Brazil Meridional e ochroptera de 5. Paulo e Norte do
Brazil, differindo apenas pelo tamanho, que era de Tr
pollegadas na primeira e de 10,5 pollegadas na segunda.
O tamanho é variavel entre os nossos exemplares e a
medida da aza varia de 144—150 mm.
Mus. Paul. Cachoeira; S. Sebastião.
* 515 Geotrygon violacea (Temm.).
Juruty piranga; Juruty vermelha.
Columba cayanensis Burmeister HI p. 307.
Oreopeleia violacea Pelzeln p. 279 (Ypanema).
Geotrygon violacea Cat. Br. Mus. XXI p. 565.
Especie de,25 centim. de comprimento. No genero
Geotrygon é a primeira remige da mão simples e não at-
tenuada como no genero Leptoptila. A cauda é curta e
contem 12 rectrizes. G. violacea deve o seu nome a es-
plendida cor roxa, com lustro metallico, do pescoço poste-
rior e parte do dorso. A fronte é alvacenta, o vertice
cinzento. À cauda é castanho-purpurea, as remiges são
castanhas. À garganta é branca, o pescoço anterior e parte
do peito são roxo-cinzentos, a barriga e as coberteiras in-
feriores da cauda são brancas. O bico, os tarsos e os pés
parecem ser amarellados. A especie occorre desde São
Paulo até a America Central.
Mus. Paul. Estado de S. Paulo.
* 516. Geotrygon montana (L.).
Juruty piranga; Juruty vermelha.
Columba montana Wed IV p. 479.
Oreopelia montana Burmeister UI p. 306.
Oreopeleia montana Pelzeln p. 279 (Matto Dentro,
Ypanema, Morungaba).
Geotrygon montana Berlepsch Up. 248.
Geotrygon montana Cat. Br. Mus. XXI p. 567.
Fspecie do tamanho da precedente, com a côr do lado
dorsal bruno-purpurea e com a barriga e as coberteiras
inferiores da cauda amarelladas. Em baixo do olho corre
uma estria branco-amarella e em baixo d'essa outra ver-
'melho-purpurea até a nuca. A garganta é alvacenta, o
peito purpureo-avermelhado. As remiges são avermelhado-
brunas, as rectrizes purpureo-castanhas. O bico e as pernas
são encarnadas. A femea é no lado dorsal bruno-azeitonada
com lustro verde-metallico. A especie occorre desde o Rio
Grande do Sul até o Mexico. E” especie dos mattos, que
no chão procura o seu nutrimento. Wied diz que a ouviu
chamarem pariri, mas sendo esse o nome tupy de pomba,
pode ser applicado tambem a outras especies, sendo essa
denominação no Est. de 5. Paulo usada para ‘as especies
de Peristera. O Sr. Krone communicou-me que em Iguape
é tratada de rola de Matto Grosso,
“Mus. Paul. Iguape.
XII. Ordem. Gallinae.
As gallinaceas são aves fortes, que caminhando no
chão procuram o seu nutrimento, que consiste em sementes
e insectos. O bico é forte, duro, curto, do comprimento
apenas da metade da cabeça; só a base é mais molle,
contendo as ventas, que são cobertas por uma escama.
O bico é arqueado com a ponta recurvada para baixo e
com as margens da maxilla superior sobrepostas ás da
maxilla inferior. A cabeça é pequena, sendo muitas vezes
nua a região loral e ao redor do olho.
As pernas são fortes, os dedos em geral unidos na
base por uma membrana. O dedo posterior é só nos mu-
tuns e jacús grande e collocado no mesmo nivel com os
outros, sendo nas outras familias pequeno e collocado mais
para cima do que os outros dedos, não tocando no chão.
Os dedos pouco compridos, as unhas fortes e curvas ser-
vem-lhes bem para ciscar, procurando sementes e bichinhos.
As azas são curtas, arredondadas e convexas, contendo
Io remiges da mão e 12-20 do braço. A cauda, que é
comprida na familia Cracidae, contem nos generos sul-ame-
ricanos 12 rectrizes.
No sentido restricto, como aqui acceitei essa ordem
não abrange ella os inambús e perdizes, que formam a
ordem dos Crypturi, que se distingue pelo dedo posterior
rudimentario e pela falta de rectrizes na cauda, que é
extremamente curta.
As gallinaceas têm o vôo pesado ou nem sabem voar.
Procuram no chão o seu nutrimento, empoleirando-se de
noite sobre as arvores. Para beber, enchem o bico de agua
levando-o em seguida para cima. Não gostam de banhar-se e
nem sabem nadar, mas costumam revolver-se na areia que
pelos pés atiram na plumagem. Constroem o seu ninho
simples no chão, a excepção dos mutuns e jacús que estão
mais acostumados a viver nas arvores, onde tambem fazem
o seu ninho. Muitas das gallinaceas vivem em polygamia.
Os filhotes são cobertos de pennugem densa e seguem já
nos primeiros dias aos pais em procura de nutrimento.
Quasi todas as gallinaceas são estimadas como saborosa
comida e excellente caça.
Das duas familias representadas na nossa fauna, a das
Phastanidae, distingue-se pelo dedo posterior situado mais
alto do que os outros tres. O unico representante desta
familia é aqui o urú.
As Cracidae têm o dedo posterior grande, articulado
na mesma altura, com os outros e a cauda comprida. No
genero Crax, que comprehende os mutuns e pertence à
sub-familia Cracinae é o bico mais alto do que largo. Na
sub-familia Penelopinae é o bico menos forte, mais largo
do que alto. Pertencem a essa sub-familia os jacús e ara-
cuans. Nos jacús dos generos Penelope e Pipile toda a
garganta é nua, munida de uma membrana pendente no
meio. No genero Ortalis, ao contrario, corre uma serie de
pennas na linha mediana sobre a garganta, dividindo a
parte nua em duas secções lateraes.
FAM. PHASIANIDAE.
917. Odontophorus capueira (Spix).
Uru; Capoeira.
Perdix ~capucira Spi: Ip. 59, Vat. 76, a.
Perdix dentatus Wed (nec Temm.) IV p. 486.
Odontophorus dentatus Burmeister Ul p. 333.
Odontophorus dentatus Pe/ze/n p. 289. (Casa pintada,
Ypanema).
Odontophorus dentatus Berlepsch p. 251.
Odontophorus dentatus Berlepsch u. lhering p. 179.
Odontophorus capueira Cat. Br. Mus XXII p. 434.
Gallinha do matto de 25—28 centim. de comprimento,
com o bico curto, de 20 mm. e o tarso medindo 41—45
mm. O bico é alto, arqueado com dous dentes na margem
da maxilla inferior. A cauda é curta. O lado ventral é
cinzento, o dorsal bruno-avermelhado com manchas escuras
e uma estria amarellada ao longo da haste de cada penna.
A região loral ao redor do olho é nua, encarnada. A
cabeça é bruno-avermelhada em cima com uma estria
castanha com salpicos amarellos que corre desde o bico
sobre o olho e até a nuca. As azas são bruno-denegridas
com manchas e salpicos castanhos e amarellentos. As
pernas são cinzentas, o bico é preto. O macho tem as
pennas do occipicio alongadas.
O urú substitue aqui a gallinha d'avelleira da Europa
representando como ella excellente caça, que pelo seu
gosto saboroso, pela carne branca e tenra parece-me ser
a melhor entre o grande numero de saborosas aves galli-
naceas que abrangem nossas mattas.
Vivem nas mattas em casaes ou em pequenos bandos
procurando no chão ou nas arvores bagos e fructas e
tirando da madeira podre as larvas gordas de celeopteros.
Na madrugada e depois da entrada do sol pousam sobre
um galho de arvore baixa, fazendo o gallo ouvir a sua
voz. O ninho é feito no chão e contem 10o—15 ovos
J oR EE
brancos. A especie occorre desde o Rio Grande do Sul
até Goyaz e Bahia.
Mus: Paul. S. Paulo.
FAM. CRACIDAE.
* 518. Crax carunculata Temm.
Mutum.
Crax rubrirostris Spix II p. 51 Taf. 67.
Crax rubrirostris Wied IV p. 528.
Crax blumenbachii Burmeister WI p. 345.
Crax rubrirostris Pelzeln p. 287 nota e p. 452.
Crax carunculata Cat. Br. Mus. XXII p. 481.
Ave grande, de 80 centim. de comprimento. As pennas
do vertice são no genero Crax erectas com a ponta cur-
vada para diante. O macho velho tem adiante da fronte
um lobulo carnoso na base da maxilla superior e outro
de cada lado da base da maxilla inferior. As pennas ere-
ctas do vertice são pretas nos machos, pretas com algumas
faxas brancas nas femeas. No nosso exemplar da especie
presente, entretanto, são as pennas erectas do vertice
pretas e Wied diz que são « indistinctamente » riscadas
por faxas brancas. Talvez que só à ave velha tenha as
faxas.
O macho desse mutum é preto com lustro verde nas
costas, a barriga, as coxas e coberteiras inferiores da cauda
são brancas. A cor da membrana nua que cinge o olho
é azul, os carunculos da base do bico são vermelhos. Noto,
entretanto, que aos nossos exemplares faltam os carunculos,
os quaes, como Burmeister diz, SO apparecem nos machos
velhos. A femea differe do macho pela barriga e as cober-
teiras inferiores da cauda amarelladas.
O mutum no Est. de S. Paulo so é encontrado na
zona occidental onde ha mattas compactas, cerradas. Essa
especie occorre desde S. Paulo até Bahia. Ha muitas ou-
tras especies no Norte do Brazil, mal estudadas. Temos
na nossa collecçäo outra especie indicada como proveniente
do Est. de S. Paulo que não combina com descripçäo al-
guma das outras especies e que descrevo em seguida, pe-
dindo aos caçadores do interior do Estado o fornecimento
de mais materiaes para o estudo dos mutuns.
Mus. Paul. —
* 519. Crax sulcirostris Sp. »
Mutum.
Temos uma femea que é do tamanho da especie pre-
cedente. De cada lado corre da fossa nasal um sulco largo
sobre o bico até perto da ponta. Os tarsos assemelham-se
aos da especie precedente sendo cobertos na frente por
r1—12 escudos. As pennas a frente do vertice até a
nuca são pretas com duas largas faxas brancas no meio.
O pescoço e a cabeça são pretos. O dorso e as azas são
pretos, com numerosas linhas transversaes brancas. Algumas
dessas linhas notam-se nas rectrizes medianas, sendo as
outras uniformes pretas, tendo todas a ponta branca. O
peito, as partes lateraes do corpo e as pernas são ama-
rellados com largas faxas transversaes pretas, a barriga e
as coberteiras inferiores da cauda são amarelladas e unifor-
mes. À aza mede 34, O tarso Io centim.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo. (?)
* 520. Penelope superciliaris Il.
Jaci peba.
Jacu pema Marcgrav p. 198.
Penelope jacupemba Spix I p. 55 Tal. 72.
Penelope superciliaris Hied IV p. 539.
Penelope superciliaris Burmeister HI p. 337.
Penelope superciliaris Pe/ze/n p. 282 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé).
Penelope superciliaris Cat. Br. Mus. XXII p. 491.
Jaca de 60 centim. de comprimento, que se distingue
bem das outras especies pelas orlas castanhas das coberteiras
exteriores das azas. A côr predominante é bruno-denegrida,
Revista do Museu Paulista Vol. III. E 26
com reflexo verde-metallico no dorso, nas azas e na cauda.
As pennas da cabeça, do pescoço e do peito têm orlas
branco-cinzentas. Sobre os olhos corre uma estria branca.
A barriga, o crisso e o uropygio são bruno-avermelhados,
O bico e as pernas são cinzento-denegridas, a garganta
nua é vermelha. A especie occorre por todo o Brazil no
matto virgem, desde o Rio Grande do Sul até o Pará. O
Sr. Krone obteve-a em Iguape.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 521. Penelope obscura III.
Jacii-guassu.
Penelope obscura Burmeister Ul p. 340, nota.
Penelope nigricapilla Pelzeln p. 281 e 341 (Itararé).
Penelope obscura Sclater a. Hudson p. 146.
Penelope obscura Cat. Br. Mus. XXII p. 497 (S. Paulo).
Especie maior, de 7o—74 centim. de comprimento,
bruno-denegrida em cima com lustro verde-metallico, bru-
no-avermelhada no dorso baixo, no uropygio e na barriga.
As pennas do dorso e do peito e as coberteiras das azas
são nos lados orladas de branco, mas as do pescoço são
uniforme-escuras. As pennas da fronte e do vertice são
orladas de cinzento. As bochechas e ouvidos são bruno-
denegridos. Os exemplares de S. Paulo têm, como os do
Rio Grande do Sul, o dorso baixo, bruno-avermelhado, mas
os que Natterer caçou em Itararé têm essas partes da cor
do dorso. Essa especie occorre desde o Rio Grande do
Sul e o Norte da Argentina até S. Paulo, Rio, Paraguay,
Bolivia, sendo de certo os exemplares do Norte do Brazil
descriptos sob outro nome, talvez o de P. ochrogaster
Pelzeln. Especie affim é P. jacucaca Spix, que tem a estria
branca supraocular melhor definida. Não sei como é o
Jacu-caca; será differente do jacu-guassu ?
Mus. Paul. S. Paulo,
* 522. Pipile jacutinga (Spix).
Jacu-tinga.
Penelope jacutinga Spix Il p. 53 Taf. 70.
Penelope leucoptera Wied IV p. 544.
Penelope pipile Burmeister Ill p. 336.
Penelope jacutinga Berlepsch II p. 250.
Penelope jacutinga Berlepsch u. Jhering p. 178.
Penelope jacutinga Pelzeln p. 283 (Ypanema).
Pipile jacutinga Cat. Br. Mus. IT p. 518.
O jacu-tinga tem as primeiras remiges da mao um
pouco mais excisas e attenuadas na ponta do que os outros
jacus, tendo sido por essa razao feito typo de um novo
genero Pipile, que bem poderia ser dispensado. E' ave de
75—78 centim. de comprimento e a especie mais elegante
e bonita dos jacús. A cor é preta, com lustro azul. A ca-
beça é branca em cima, sendo as pennas estreitas, no meio
bruno-denegridas, nos lados branco-cinzentas. As pennas
do peito são orladas de branco; as coberteiras exteriores
das azas são na barba exterior brancas. O bico é preto,
o loro e a região ao redor do olho são azues, a garganta
é vermelha e núa como nos outros jacús. Essa especie
occorre desde o Rio Grande do Sul até Bahia e Paraguay.
O Sr. Krone obteve-a em Iguape.
P. cumanensis de Matto Grosso, Amazonas e Guyana
é preta, com lustro verde e tem as coberteiras exteriores
compridas, brancas nas duas barbas e P. cujubi do Pará
tem tambem a barba exterior preta e só orlada de branco.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 523. Ortalis squamata (Less.).
Aracuan; Jacucaca.
Ortalida squamata Berlepsch u. [hering p. 179.
Ortalis squamata Cat. Br. Mus XXII p. 509.
Como ja disse, o genero Ortalis distingue-se do Pe-
nelope pela garganta que é nua só nos lados, provida de
pennas no meio, onde uma estria de pennas de 8—12
mm. de largura se extende do pescoço anterior ao mento,
sendo composta de pennas iguaes as do pescoco e nao de
cerdas como se observa nas especies de Penelope. A
cor predominante nessa especie é bruno-azeitonada, mas
as pennas do peito têm as margens cinzentas. A barriga
é cinzento-amarellada, as coberteiras inferiores da cauda
são castanhas. As tres rectrizes de cada lado têm a metade
apical castanha.
Obtivemos essa especie, conhecida no Rio Grande do
Sul e em S.“ Catharina, do Estado de S. Paulo e se essa
proveniencia não é garantida não deixei de acceital-a em
vista de informações de caçadores, que me affirmaram que
esse aracuan occorre aqui. Especie parecida é O. albiventris
Wagl., que se distingue pela barriga branca, occorrendo
de Minas Geraes até Pernambuco. A descripção dada por
Ogilvie-Grant não combina perfeitamente com o nosso
exemplar. As especies de Ortalis necessitam de mais estudos
e peço aos caçadores no interior que tiverem occasião de
obtel-as o fornecimento de couros.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
XIII. Ordem. Paludicolae.
São essas aves aquaticas com o pescoço e as pernas
compridas, que ás margens das lagoas e banhados pro-
“curam o seu nutrimento que consiste em amphibios,
insectos, caramujos e vermes. O bico é forte, mais ou
menos comprido, duro na ponta, revestido na base por uma
membrana molle na qual estão situadas as ventas compridas
e estreitas. À região loral é provida de pennas, a excepção
da seriema. As azas são curtas, extendendo-se só até a
base da cauda, que em geral é molle e curta. Além dos
tarsos, que são revestidos de escudos, são núas tambem
as pernas na sua parte inferior. Os pés têm os dedos
muito compridos e delgados, ás vezes com uma membrana
estreita longitudinal, de cada lado, em outros generos sem .
ella. O dedo posterior é bem desenvolvido. Differente é
o pé só na seriema, que tem os dedos curtos represen-
tando um typo exquisito.
A aza contem to remiges da mão e mais de 15 do
braço que são notaveis pelo seu extraordinario compri-
mento. À cauda tem 10 ou 12 rectrizes.
Essa ordem das Paludicolae, Alectorides ou Gerano-
morphae subdivide-se nas duas seguintes sub-ordens:
Ralli. Aves de tamanho regular ou pequeno com o
corpo compresso e as pernas fortes, que com facilidade
podem correr sobre as massas molles das plantas aquati-
cas, no meio das quaes passam a vida. O ninho é uma
construcção simples no chão ou nas plantas aquaticas.
Dos ovos, cujo numero não é pequeno, sahem os filhotes
ja em estado adiantado, cobertos de pennugem densa. A
secção Rallinae contem as saracuras e parte dos frangos
d'agua, aves que têm a fronte provida de pennas e sem
escudo frontal. O bico é mais comprido do que o dedo
mediano com à unha nos generos Limnopardalus e Ara-
mides, os dedos são simples, delgados, compridos. Nos ge-
neros Porzana e Creciscus é o bico mais curto do que o
dedo mediano côm a unha. As Gallinulinae têm os dedos
simples ou com uma estreita margem lateral e a base do
bico forma na fronte um grande escudo frontal de mem-
brana molle, Esse escudo é pequeno e triangular no ge-
nero Porphyriops, grande nos outros. As Fulicinae com o
unico genero Fulica, têm os dedos nos lados lobados, sendo
cada phalange munida de cada lado de uma membrana
arqueada.
Grues. São aves maiores, assemelhando-se ás garças
pelo pescoço e pelas pennas mais compridos. Os loros são
em alguns dos generos nús, em outros providos de pennas.
Não se pode dizer que esse seja um grupo bem natural,
mas a classificação não é ainda definitiva nessa ordem.
A familia Aramidae contem só o genero Aramus, o carão.
A familia Cariamidae é pequena tambem, contendo a se-
riema. As Palamedeidae são aves grandes com o bico
curto como o das gallinaceas, com a cauda mais comprida
e com um ou dous esporões no encontro. Faz parte da
familia o anhiuma.
SUBORDEM. Ratti.
EAF Me RUA E DEBATES
* 524. Limnopardalus rytirhynchus (Vieill.).
Saracura.
Rallus zelebori Pelzeln p. 315.
Rallus rytirhynchus Sclater a. Hudson Il p. 149.
Limnopardalus rytirhynchus Cat. Br. Mus. XXIII p. 29.
Especie semelhante a que se segue, um pouco menor,
de 26 centim. de comprimento, medindo o bico 47—50
mm. À côr é bruno-azeitonada em cima, com bases pretas
das pennas do dorso baixo. A cabeça é bruno-denegrida,
o lado inferior cinzento. À cauda e as remiges são bruno-
escuras, as coberteiras inferiores da cauda têm orlas ama-
relladas. O bico é verde, com a base azul em cima, ver-
melha em baixo. A especie occorre desde Buenos Ayres
até o Rio de Janeiro, Paraguay e Perú, sendo, entretanto,
mais rara do que a seguinte. Natterer caçou-a no Rio de
Janeiro, onde a tratam de saracura.
Mus. Paul. Ypiranga.
* 525. Limnopardalus nigricans (Vieill.).
Saracura; Jassanã (Piracicaba).
Gallinula caesia Spix Il p. 73 Taf. 05.
Rallus nigricans Wied IV p. 782.
Aramides nigricans Burmeister HI p. 385.
Rallus nigricans Pe/ze/n p. 315 (Matto Dentro, Ypanema).
Rallus nigricans Sclater a. Hudson Il p. 150.
Rallus nigricans Berlepsch p. 274.
Limnopardalus nigricans Cat. Br. Mus. XXIII p. 31.
Especie de 28—31 centim. de comprimento, semelhante
à precedente, da qual differe pela falta da mancha vermelha
na base do bico, pela garganta branca e pela cauda toda
preta. O bico é verde, as pernas são vermelhas. A especie
occorre desde S.* Catharina até a Bahia, Paraguay, Perú
e Surinam. Não occorre no Rio da Prata e não a obtive
no Rio Grande do Sul, acreditando que seja falsa a indi-
cação de Pelotas do British Museum Catalogue. No genero
Limnopardalus é o tarso mais curto do que o dedo
mediano com a unha, sendo mais comprido no genero
Aramides.
Mus. Paul. Ribeirão Pires; Cachoeira; São Paulo;
Ypiranga. |
* 526. Aramides cayanea (Mill).
| Saracura.
Gallinula ruficeps Spix I p. 74 Taf. 96.
Gallinula cayanensis Wed IV p. 798.
Aramides cayennensis Burmeister Ill p. 384.
Aramides cayennensis Pelzeln p. 315.
Aramides cayennensis Berlepsch u. Ihering p. 180.
Aramides cayanea subsp. chiricote Cat. Br. Mus. XXIII
| p. 58.
Especie de 34 centim. de comprimento, medindo a
aza 205 € O bico 56 mm. A côr é bruno-azeitonada no
dorso, cinzenta na cabeça e no pescoço, a excepção do
occipicio, que é bruno. O peito e as remiges são casta-
nhos, a barriga e a cauda são pretas. O bico é verde-
amarellento, as pernas são vermelhas. A especie occorre
desde o Rio Grande do Sul até a America Central. Os
exemplares typicos da Guyana têm o occipicio cinzento.
E' ave dos mattos e dos banhados cingidos de mattas,
cuja voz alta — um pot, tres pot — é considerada como
signal da vinda de chuva.
E" possivel que occorra na costa de S. Paulo, onde
ha mangue A. mangle Spix, observada no Rio de Janeiro
e Bahia, que tem todo o lado inferior e tambem o pescoço
anterior pardo-avermelhado e a Saracura grande, A. ypa-
caha Vieill., especie maior, de 41 centim. de comprimento,
=— 416 —
medindo o bico 7o mm., com o peito roxo-encarnado,
pallido, a barriga branco-cinzenta, as coberteiras inferiores
da cauda pretas, que occorre desde Buenos Ayres até o |
Paraguay e Minas. |
Mus. Paul. S. Paulo. |
* 527. Aramides saracura (Spix). |
Saracura. |
Gallinula serracura Spzx Il p. 75.
Gallinula plumbea Wied IV p. 795. an]
Aramides plumbeus Burmeister UI p. 383. /
Aramides saracura Pelzeln p. 316 (Ypanema). |
Aramides saracura Berlepsch H p. 275. |
Aramides saracura Cat. Br. Mus. XXIII p. 61.
Especie de 35—42 centim. de comprimento, que se dis-
tingue das outras pelo lado ventral cinzento, sendo ayenas
a garganta branca, o crisso e a cauda pretos. A cábeça
é cinzento-escura em cima, sendo pardo-avermelhados a
nuca, o pescoço posterior e o dorso superior. O dorso é .
verde-azeitonado. As coberteiras interiores das azas são
castanhas, com faxas pretas. O bico é verde, as pernas
são vermelhas. Essa especie esta distribuida desde 4 Rio
Grande do Sul até a Bahia, Paraguay e Perú. |
Mus. Paul. Tieté. |
* 528. Porzana albicollis (Vieill). |
Ortygometra albicollis Burmeister HI p. 387.
Porzana albicollis Pelzeln p. 316 (Ypanema, Irisanga).
Porzana albicollis Cat. Br. Mus. XXIII p. ro.
Especie pequena, de 20—23 centim. de comprimento,
medindo o bico 25—28 mm. A cor é no lado dorsal bruno-
azeitonada, tendo cada penna o centro denegrido. O lado
ventral é cinzento, a garganta é alvacenta. Os: lados da
barriga e as coberteiras inferiores da cauda são brunas,
com faxas transversaes brancas. As remiges e rectrizes são
bruno-denegridas, com orlas mais claras. O bico é verde,
as pernas são vermelho-escuras. À especie occorre desde
QE 41] ss
S. Paulo e Paraguay até Venezuela. O Sr. Arone observou-a
em Iguape. Observo que no genero Porzana são as remi-
ges do braço mais curtas do que as da mão igualando a
“differença entre as suas pontas ao comprimento do dedo
- posterior. Ao contrario, no genero Creciscus ambas são
iguaes em comprimento. E” preciso bem observar essas
differenças para que nos não enganemos na determinação.
Temos alem de um exemplar typico, outros de Cachoeira,
variedade que tem as remiges do braço do comprimento das
da mão ea base do bico entrando com uma grande ponta
triangular na plumagem da fronte. Voltarei ao assumpto.
Mus. Paul. Piquete.
* 529. Creciscus melanophaeus (Vieill.).
Gallinula lateralis Ved IV p. 805.
Ortygometra lateralis Burmerster HI p. 387.
Porzana melanophaea Pelzeln p. 317.
Creciscus melanophaeus Cat. Br. Mus. XXIII p. 139.
Especie pequena, de 14—18 centim. de comprimento,
“sendo o macho - menor do que a femea. A côr é bruno-
azeitonada em cima, com as remiges e as rectrizes mais
escuras. À garganta e o meio do peito são brancos, os
lados do pescoço e do peito são castanhos. A barriga é
preta, com faxas brancas transversaes, as coberteiras infe-
riores da cauda são castanhas. O bico e as pernas são
bruno-azeitonadas. A especie occorre desde o Rio Grande
do Sul até Surinam. No Rio Grande do Sul e na Argen-
tina existe outra especie affim, C. leucopyrrhus Vieill., que
tem o vertice amarellento e as coberteiras inferiores da
cauda no meio pretas, nos lados brancas.
Mus. Paul. Cachoeira.
* 530. Gallinula galeata (Licht.).
Frango d'agua.
Gallinula galeata Wied IV p. 807.
Gallinula galeata Burmeister IN p. 389.
Gallinula galeata Pelzeln p. 318 (Ypanema).
PRO
Gallinula galeata Cones p. 675. .
Gallinula galeata Sclater c. Hudson H p. 156.
Gallinula galeata Cat. Br. Mus. XXIII p. 177.
Especie de 35 centim. de comprimento. A côr é cin-
zento-denegrida, sendo nas azas e no dorso baixo bruno-
azeitonada. As pennas da barriga têm orlas brancas, as
dos lados da barriga têm a barba exterior branca. Às
coberteiras inferiores da cauda são pretas no meio, brancas
nos lados. O bico é vermelho, com a ponta amarella. As
pernas são verdes, com uma faxa vermelha na tibia. A
especie occorre desde o Chile e o Norte da Argentina até
a America do Norte. E’ commum nas lagoas, onde é
encontrada nadando, fazendo em cima de plantas aquaticas
o seu ninho. O Sr. Krone obteve-a em Iguape, o Sr. Va-
lencio Bueno em Piracicaba. Essa especie differe pouco
da G. chloropus da Europa, na qual a margem posterior
do escudo frontal é arredondada, sendo truncada na G.
galeata.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 531. Porphyriops melanops (Vieill.).
Porphyriops melanops Pe/ze/n p. 318, nota.
Porphyriops melanops Sclater a. Hudson II p. 156.
Porphyriops melanops Cat. Br. Mus. XXIII p. 182.
Especie pequena, de 23 centim. de comprimento, me-
dindo o bico 28 mm. O pequeno escudo frontal é na ex-
tremidade posterior angulado ou acuminado, sendo largo
nas outras especies. A côr é bruno-azeitonada em cima,
cinzenta em baixo. As coberteiras exteriores das azas são
castanhas. A barriga é branca no meio. As coberteiras
inferiores da cauda são brancas. Os lados do corpo em
baixo das azas são brunas, com pingas brancas. O bico e
as pernas são bruno-azeitonados. À especie occorre desde
o Chile, a Argentina e Rio Grande do Sul até Bogotá,
mas a distribuição no Brazil é pouco conhecida. Existindo
na collecção do Museu varios exemplares como provenientes
deste Estado, acceitei a especie nesta lista sem ter certeza.
Provavelmente occorre na zona occidental do Estado.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo (?).
* 532. Porphyriola martinica (L.).
Frango d'agua verde-azul.
Gallinula martinicensis Wed IV p. 812.
Porphyrio martinica Burmeister II p. 392.
Porphyrio martinicus Pelzeln p. 317 (Ypanema, Irisanga).
Jonornis martinica Coues p. 676.
Porphyriola martinica Cat. Br. Mus. XXIII p. 130.
Especie bonita, de 25 centim. de comprimento, que se
distingue das outras gallinhas d'agua pelos dedos compridos,
simples, sem membrana alguma e pela esplendida côr
metallico-verde e azul. O bico, com o escudo frontal, mede
40 mm. A côr é verde no dorso, nas azas e na cauda,
azul na cabeça, no pescoço e no peito. A barriga é bruno-
denegrida, as coberteiras inferiores da cauda são brancas.
O bico é verde na ponta, vermelho na base e azul no
escudo frontal; as pernas são amarellas. A ave nova é
bruno-cinzenta, com a barriga branca. A especie occorre
desde S. Paulo até Florida, sendo rara no Estado de São
Paulo. O Sr. Valencio Bueno encontrou-a em Piracicaba, o
Sr. Krone em Iguape.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 533. Fulica armillata Vieill.
Carqueya (Iguape); Mergulhão.
Fulica armillata Burmeister II p. 390.
Fulica armillata Pelzeln p. 318 (Irisanga).
Fulica armillata Sclater a. Hudson II p. 157.
Fulica armillata Cat. Br. Mus. XXIII p. 218.
A especie maior entre os frangos d'agua, de 45 centim.
de comprimento. O tarso é mais curto do que o dedo me-
diano. Os dedos têm nos lados membranas arqueadas cujo
numero corresponde ao das phalanges dos dedos, menos
a da unha. O bico com o escudo frontal mede 56 mm.
A côr é cinzento-escura com a cabeça e o pescoço pretos.
As coberteiras inferiores da cauda são brancas. As pernas
são verdes, o bico é amarello com uma grande mancha
vermelha no meio da maxilla superior. À especie occorre
no Chile, Paraguay e desde a Patagonia até S. Paulo.
O Sr. Krone obteve-a em Iguape, o Sr. Valencio Bueno
em Piracicaba, onde lhe dão o nome incorrecto de frango
do Pará naquelle Estado, porém, ella não occorre.
Mus. Paul. S. Sebastião.
SuBoRDEM. GRUES.
AMS ARAME
* 534. Aramus scolopaceus Vieill.
Carao.
Guarauna Marcgrav p. 204.
Rallus ardeoides Spix II p. 72 Taf. gr.
Natherodius guarauna Wied IV p. 777.
Aramus scolopaceus Burmeister II p. 380.
Aramus scolopaceus Pe/ze/n p. 314 (Rio Parana) e 458
(S. Paulo).
Aramus scolcpaceus Sclater a. Hudson W p. 159.
Aramus scolopaceus Berlepsch II p. 273.
Aramus scolopaceus Cat. Br. Mus. XXHI p. 237.
Ave grande de 60-67 centim. de comprimento, asse-
melhando-se as pernaltas da ordem Herodiones, das quaes
differe pelos loros providos de pennas e pelos dedos com-
pridos e desunidos na base. O bico, que é forte e um
pouco curvo, mede rr centim., o tarso um pouco mais.
As ventas são lineares, pérmeaveis, situadas quasi no meio
do bico. A cor é bruno-denegrida, a fronte e a garganta
são esbranquiçadas, a nuca e o pescoço posterior são es-
triados de branco. O bico é bruno, as pernas são verdes.
Essa especie occorre desde o Rio da Prata até a
Venezuela, vivendo ás margens dos rios e banhados,
onde á noite procura as conchas e caracoes aquaticos dos
quaes vive. A sua voz melancolica é «cará-u », do que
por corrupção foi feita a palavra carão. Parece que no
Est. de S. Paulo é encontrado só na zona occidental.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
FAM. CARIAMIDAE.
* 539. Cariama cristata (L.).
Seriema.
Cariama Marcgrav p. 203.
Dicholophus cristatus Wied IV p. 570.
Dicholophus cristatus Burmeister Ul p. 4or.
Dicholophus cristatus Pelzeln p. 299 (Nas Lages) e
455 (Araraquara).
Cariama cristata Sclater a. Hudson II p. 16%.
Cariama cristata Cat. Br. Mus. I p. 42.
Ave grande dos campos cujo comprimento total im-
porta em 80—go centim., sendo o das azas 36 e o do tarso
19 centim. A regiäo ao redor do olho e o loro säo nus,
de cor azul, as pennas da fronte são erectas. A côr é cin-
zento-amarellada com numerosas faxas transversaes escu-
ras, que faltam na barriga. As pennas do peito têm no
meio uma estria clara. As remiges são pardo-cinzentas com
faxas esbranquiçadas, as rectrizes lateraes escuras com a
base e a ponta alvacentas, as medianas uniformes, pardo-
cinzentas. O bico e as pernas são encarnados.
A seriema é ave dos vastos campos do interior do
Brazil desde o Rio Grande do Sul até Paraguay, Matto
Grosso e Pernambuco. E’ ave que não vôa mas correndo
foge, ave util que vive de gafanhotos, cobras e lagartos.
Constroe o ninho em arvore baixa, os seus ovos ainda não
pude obter. No Est. de S. Paulo occorre nos campos de
Araraquara, Rio Claro etc. até o Rio Paraná.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
FAM. PALAMEDEIDAE. ,
* 536. Palamedea cornuta L.
Anhuma.
Anhima Marcgrav p. 215 com figura.
Palamedea cornuta Wied IV p. 585.
Palamedea cornuta Burmeister Ill p. 396.
Palamedea cornuta Pelzcln p. 313 (Ypanema).
Palamedea cornuta Brehm Thierleben VI p. 408 com
figura.
Palamedea cornuta Cat. Br. Mus XXVII p. 3.
O anhuma é ave grande, de 80—85 centim. de com-
primento, do tamanho do perú, distinguida pelo «chifre» da
fronte, um processo flexivel fixado no couro, de 1o—12
centim. de comprimento. O loro é provido de pennas, a
cauda tem 14 rectrizes. Não se conhece a significação
physiologica do chifre. Os dous esporões dos encontros são
armas valentes. A côr é bruno-denegrida em cima excepto
o vertice que é cinzento com pontas pretas das pennas
como tambem a parte superior do peito. A cabeça, o pes-
coço e parte do peito, as azas e a cauda são pretas, a
barriga é branca. O bico e as pernas são cinzentas, o chifre
é amarellado. O anhuma é ave do Norte do Brazil que
occorre desde S. Paulo até a Guyana. E’ ave dos mattos
onde procura os banhados e rios vivendo de plantas
aquaticas.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 537. Chauna cristata (Sw.).
Chaga.
Palamedea chavaria Wied IV p. 584.
Palamedea chavaria Burmeister HI p. 397.
Chauna chavaria Pelzeln p. 314.
Chauna chavaria Sclater a. Hudson Il p. 119.
Chauna cristata Cat. Br. Mus. XXVI p. 6.
Especie semelhante a precedente, mas sem o chifre
frontal, com os loros nús, encarnados e 12 rectrizes na
cauda. Na nuca nota-se um pennacho de pennas alongadas.
No meio do pescoço observa-se um annel nú, encarnado,
desprovido de pennas. À côr é cinzenta, mais escura no
dorso. À garganta e o pescoço anterior superior são
brancos, o pescoço em baixo do annel nú é bruno-dene-
grido. As pernas são encarnadas.
Essa especie é commum nas republicas platinas e no
Rio Grande do Sul, onde a tratam de «tachä », occor-
rendo desde a Bahia Blanca até Matto Grosso e Amazonas.
No Estado de S. Paulo é rara, occorrendo só na zona
occidental, onde a chamam chagá ou chajá. Pelzeln diz
(p. 459) que um exemplar proveniente de S. Paulo existe
no Museu de Leyden.
É ave dos banhados e lagoas vivendo de plantas
aquaticas. Vive aos casaes sendo onde existe bem conhecida
pela sua voz forte que com preferencia faz ouvir ás nove
horas da tarde e à madrugada. Serviu-nos por annos na
nossa Ilha no Rio Camaquan como signal para marcar
as horas de deitar e levantar. Observei que a capa
cornea dos esporões em certa epoca é descornada e sub-
stituida por outra. À especie affim P. chavaria L., com a
garganta branca, o pescoço preto e sem annel nú, é de
Venezuela.
Mus. Paul. —
XIV Ordem: Eimicolae:;
As aves que formam essa ordem ligam-se ás da pre-
cedente de Paludicolae, com as quaes por alguns autores
são reunidas numa ordem Grallae. A cabeça é nos mem-
bros dessa ordem provida por toda a parte de pennas que
são pequenas. Os olhos são nas gallinholas situados bastante
para traz, de modo que o ouvido não é situado atraz, mas
em baixo dos olhos. O bico é delgado e só na ponta
duro, molle na base, onde estão situadas as ventas. As
azas são finas e pontagudas, distinguidas pelo extraordinario
comprimenta das remiges do braço. Das dez remiges da
mão são as primeiras as mais compridas, diminuindo as
seguintes em tamanho, as do braço, ao contrario, começam
curtas ficando as outras successivamente mais compridas.
A cauda consiste em geralem 12 rectrizes, mas no genero
Gallinago o numero é maior, sendo de 16 nas nossas
especies. As pernas são delgadas e têm a parte inferior
da tibia nua. Os tarsos são reticulados ou revestidos de
escudos. Os dedos são de comprimento regular, livres ou
ligados na base dos dedos exteriores ou dos tres anteriores
por membrana. O dedo posterior é pequeno e collocado
alto, de modo que em geral não toca no chao e ás vezes
falta completamente, como nos generos Charadrius, Cali-
dris, Haematopus, Himantopus, Hoploxypterus, Aegialeus,
Aegialitis.
São essas aves que vivem em banhados e campos
humidos ou as margens das lagoas, procurando na lama
ou na areia o seu nutrimento que consiste em vermes e
outros bichinhos. Nas mesmas localidades constróem os
seus ninhos simples no chão. Os filhotes seguem já depois
de poucos dias aos paes.
Das diversas familias dessa ordem que na nossa fauna
têm representantes são as tres primeiras pequenas, con-
tendo no territorio de S. Paulo só uma especie. As res-
pectivas familias são:
Jacanidae ou Parridae com o genero Jacana (ou Parra),
representado na nossa fauna pela piassoca. Os dedos são
compridos, as unhas direitas e muito alongadas, especial-
mente a do dedo posterior. Os tarsos são munidos de
escudos em frente e atraz. Jacana tem um escudo frontal
de membrana molle na base da maxilla superior e esporões
nos encontros. À posição systematica da familia é duvidosa,
porque offerece relações com as Limicolae e com as Pa-
ludicolae. |
Haematopidae, contendo o unico genero Haematopus,
que é um membro aberrante da familia Charadridae. As
pernas são fortes e curtas. Os tarsos são reticulados na
fronte e atraz. O bico é compresso, duro, comprido. São
— 425 oar,
os ostraceiros da Europa. A unica especie da nossa costa
é conhecida sob o nome de baiacú.
Recurvirostridae. Outra familia pequena, caracterisada
pelo comprimento extraordinario das pernas. Os tarsos são
providos de escudos. O bico é comprido, delgado, direito
ou recurvado para cima. O genero Himantopus, repre-
sentado pelo «pernilongo» da nossa costa, tem apenas tres
dedos.
Charadriidae. O bico é curto, menos comprido do que
a cabeça; a fossa nasal estende-se só na metade basal de
cada lado da maxilla superior. Os tarsos são reticulados
ou munidos de escudos hexagonaes. As pernas são pouco
compridas. Os pés têm quatro dedos nos generos Arenaria
e Belonopterus, 3 nos outros generos, faltando o dedo
posterior. Os dedos anteriores são na base munidos de
membrana, excepto no genero Arenaria. As aves dessa
familia são conhecidas sob as denominações de massarico
e batuira.
Scolopacidae. O bico é nessa familia mais comprido,
ás vezes duas vezes do comprimento da cabeça e mais.
O bico é direito, molle, no genero Gallinago um pouco
alargado na ponta, chamada então dertrum, onde depois
da morte apparecem impressões punctiformes. A fossa nasal
estende-se além da metade da maxilla superior ou até a
sua ponta. Os tarsos são munidos de escudos na frente e,
a excepção de Numenius, tambem atraz. Os dedos ante-
riores são ligados por membrana na base na subfamilia
Totaninae, livres na sub-familia Scolopacinae. O dedo pos-
terior existe quasi sempre, fazendo excepção o genero
Calidris. Pertencem a essa familia as estimadas gallinholas
e narsejas.
FAM. JACANIDAE.
* 538. Jacana jacana (L.).
Piassoca; Jassanã.
Jaçana Marcgrav p. 190.
Parra jacana Wied IV p. 786.
Parra jacana Burmeister HI p. 394.
Revista do Mnseu Paulista Vol. III. 27
Parra jacana Pelzeln p. 313 (Ypanema, Rio Parana).
Parra jacana Sclater a. Hudson HI p. 163.
Parra jacana Brehm VI p. 409 e figura.
Jacana jacana Cat. Br. Mus. XXIV p. 82.
Ave commum nas lagoas, de 20 centim. de compri-
mento. O bico, cpm o grande escudo frontal, mede 4o mm.
O escudo frontal é no meio da borda posterior inciso e
dividido, cor de laranja. Os dedos são muito compridos,
as unhas direitas, compridas. A cor é denegrida na cabeça,
no pescoço e no lado inferior. O dorso, as azas, a cauda,
os lados do corpo e as coxas são castanhos, as remiges
da mão verde-claras. No encontro nota-se um esporão
forte e comprido, amarello. O bico é cor de laranja, as
pernas são cinzentas. A especie está distribuida desde
Buenos Ayres até Venezuela.
Masi Pan, est; de 5. Paulo.
FAM. HAEMATOPIDAE.
* 539. Haematopus palliatus Temm.
PBaraci (Iguape).
Haematopus palliatus Wied IV p. 746.
Haematopus palliatus Burmeister HT p. 366.
Haematopus palliatus Pelzelm p. 298.
Haematopus palliatus Comes p. 606.
Haematopus palliatus Sclater a. Hudson I p. 176.
Haematopus palliatus Cat. Br. Mus. XXIV p. 114.
Ave forte, de 37—42 centim. de comprimento. O bico
é duas vezes mais comprido do que a cabeça, compresso
dos lados como uma faca, e tem o comprimento de 8 centim.,
sendo mais comprido do que o tarso. Ao pé falta o dedo
posterior, sendo os anteriores na base reunidos por mem-
brana. À cór é preta na cabeça e no pescoço, bruno-cin-
zenta no dorso, nas azas e na cauda, cuja ponta é preta-
O lado inferior desde o peito, as coberteiras exteriores
grandes das azas e as coberteiras exteriores da cauda são
brancos. O bico e as pernas são cor de laranja. Essa ave
occorre desde a Patagonia até a America do Norte; vive
na costa do mar, procurando bichinhos, mas não come
ostras, como o seu nome de ostraceiro faz crêr. Natterer
diz que ouviu tratal-o de batuira-do mar grosso e de perú-
perú. O Sr. Krone diz que em Iguape tem o nome de
baiacú, o que, alias, é nome de peixe.
Mus. Paul. Iguape.
FAM. CHARADRIIDAE.
I. SUBFAM. ARENARIINAE.
* 540. Arenaria interpres (L.).
Batuira.
Strepsilas collaris Wied IV p. 730.
Strepsilas collaris Burmeister HI p. 364.
Strepsilas interpres Pelzeln p. 297.
Strepsilas interpres Brehm VI p. 270 e figura.
Strepsilas interpres Comes p. 608.
Arenaria interpres Cat. Br. Mus. XXIV p. 02.
Ave da costa da mar, de 20-22 centim de compri-
mento, distinguida pelo bico recto, mais curto do que a
cabeça, duro, com a ponta acuminada e pelos pés despro-
vidos de membrana entre os dedos. Os tarsos são curtos.
O dorso e as coberteiras exteriores das azas são pretas
com manchas castanhas, o dorso baixo é branco. A cabeça
é branca com estrias e manchas pretas. O lado inferior é
branco, excepto os lados do pescoço e do peito que são
pretos. No pescoço posterior ha uma colleira branca. As
coberteiras exteriores da cauda são pretas. As rectrizes
são escuras, as lateraes com pontas brancas. O bico é
preto, as pernas são côr de laranja. À ave nova tem as
pennas do dorso e do. peito pardo-cinzentas.
Ave de distribuição quasi cosmopolita que na costa
do Brazil occorre desde S.“ Catharina até o Pará, donde
a temos. Não a temos ainda da nossa costa. Natterer ca-
çou-a em Rio de Janeiro.
Mus. Paul. —
PCT IE
o. SUBFAM. CHARADRIINAE.
541. Hoploxypterus cayanus (Lath.).
. Charadrius spinosus Wied IV p. 764.
Charadrius cayanus Burmeister Ul p. 358.
Hoplopterus cayanus Cat. Br. Mus. XXIV p. 135.
Ave de 20—24 centim. de comprimento, caracterisada
pela presença de um pequeno esporäo no encontro. As
pernas são altas, tendo o tarso duas vezes o comprimento
do dedo mediano com a unha. Os pés têm só os tres
dedos anteriores, dos quaes só os interiores na base são
unidos por membrana. A côr é bruno-cinzenta no vertice
e no dorso. Da fronte, que é preta, sahe de cada lado
uma larga fita da mesma côr, passando pelos olhos ao
longo do pescoço até o peito, onde ‘se reune com a do
outro lado. O vertice é orlado de branco. As remiges são
pretas. A cauda é branca na -base, preta na ponta. As
grandes coberteiras exteriores das azas são brancas. O pes-
coço e o lado inferior são brancos. O bico é preto, as
pernas são vermelhas. A especie está distribuida desde
S. Paulo e Minas até Guyana.
Mus. Paul. —
* 542. Belonopterus cayennensis (Gm.)
Quero-quero.
Vanellus cayennensis Wied IV p. 754.
Vanellus cayennensis Burmeister Ill p. 363.
Vanellus cayennensis Pe/ze/n p. 296 (Ypanema, Itararé.
Irisanga.
Vanellus cayennensis Sclater a. Hudson Il p. 165 e fig.
Belonopterus cayennensis Cat. Br. Mus. XXIV p. 163.
Ave conhecida, de 31—34 centim. de comprimento,
distinguida por um esporão encarnado no encontro e pelo
pennacho formado pelas pennas da nuca. À côr é cinzenta
a excepção da fronte e do pennacho que são pretos. A
garganta, o peito e as remiges são pretos, as rectrizes são
brancas na base e na ponta, pretas no meio. As coberteiras
VAR
à
pequenas das azas são verde-metallicas, as maiores são
brancas. A barriga é branca, o bico e as pernas são ver-
melhas.
Essa especie, cujo nome se refere á sua voz, está dis-
tribuida desde o Rio da Prata até Guyana e Colombia.
O Sr. Krone caçou-a em Iguape.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 543. Charadrius dominicus Mill.
Massarico.
Charadrius virginicus Wed IV p. 767.
Charadrius virginianus PBurmeister I p. 357.
Charadrius pluvialis Pe/ze/n p. 297 (Ypanema).
Charadrius virginicus Berlepsch I p. 254.
Charadrius dominicus Sclater a. Hudson Il p. 170.
Charadrius dominicus Coues p. 599 e fig. 418.
Charadrius dominicus Cat. Br. Mus. XXIV p. 195.
A falta do dedo posterior e o bico mais curto do que
a cabeça caracterisam essa especie. O tarso é reticulado.
O dedo exterior é ligado na base por membrana ao me-
diano. À ave adulta no tempo do estio tem o seguinte
colorido. O lado dorsal é bruno-denegrido com manchinhas
redondas, amarellas. A fronte, uma estria supraocular e a
face são brancas. O lado inferior é preto. As rectrizes são
escuras com algumas faxas incompletas amarellas. O bico
é preto, as pernas são cinzentas. À ave nova e a adulta
no inverno têm o lado inferior branco com manchas pardo-
cinzentas no peito. É essa especie de distribuição quasi
cosmopolita, que é commum na America do Norte donde
emigra ao fim do verão para a America do Sul, sendo
nos mezes de Setembro em deante commum em Buenos
Ayres. No Est. de S. Paulo parece ser rara; Ch. pluvialis
L. da Europa tem as pennas axillares, em baixo das azas,
brancas em vez de pardo-cinzentas na especie presente,
que apenas representa uma variedade pouco menor della.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
FAO
* 544. Aegialeus semipalmatus (Bp.).
Batuira.
Charadrius brevirostris Wed IV p. 769.
Charadrius brevirostris Burmeister Ul p. 359.
Charadrius semipalmatus Pe/ze/n p. 297.
Aegialites semipalmatus Coues p. 602.
Aegialeus semipalmatus Cat. Br. Mus. XXIV p. 250.
Especie pequena, de 160 mm. de comprimento, o bico
mede 12—14, O tarso 21—23 mm. À membrana entre os
dois dedos exteriores extende-se na segunda phalange. A
cor é pardo-cinzenta em cima, com pontas brancas das
coberteiras exteriores grandes das azas. À fronte e o lado
inferior são brancos. Uma faxa transversal corre no vertice
de um olho ao outro, extendendo-se para traz até a nuca.
Outra faxa larga preta percorre o peito extendendo-se ao
pescoço posterior, onde é acompanhada por outra branca,
As rectrizes medianas são escuras, as outras pardo-cin-
zentas, com pontas brancas, a exterior é branca. As pernas
são amarellas, o bico é preto, com a base côr de laranja.
A ave nova falta a faxa do vertice. A especie occorre
desde o Rio Grande do Sul, onde a obtive, na costa do
Brazil e até a região arctica da America do Norte.
Mus. Paul. Costa do Est. de S. Paulo.
# 545. Aegialitis collaris (Vieill.).
Batuira.
Charadrius azarae Wied IV p. 772.
Charadrius azarae Burmeister Ill p. 360.
Charadrius azarae Pelzeln p. 297 (Cemiterio).
Aegialitis collaris Sc/ater a. Hudson II p. 173 e figura.
Aegialitis collaris Cat. Br. Mus. XXIV p. 288 (S. Paulo).
Especie do tamanho da precedente, a qual é seme-
lhante. O tarso mede 25 mm., o bico, que é todo preto,
mede 16—17 mm. A cor é pardo-cinzenta no dorso, com
orlas amarellentas das pennas. A fronte é branca, o vertice
preto, o occipicio avermelhado-pallido. Uma estria preta
ot © Ses
corre do bico aos olhos. O lado inferior é branco, com uma
faxa preta transversal entre 0 peito e o pescoço anterior,
que perto dos encontros fica mais larga e acaba. As pernas
são avermelhadas. Entre os dedos exteriores existe na
base uma pequena membrana, que nos exemplares da
Bahia falta, segundo Wied. A especie occorre desde Buenos
Ayres até o Mexico, não só na costa, come tambem nos
lagos e rios.
Mus. Paul. S. Sebastião; Iguape.
FAM. RECURVIROSTRIDAE.
* 546. Himantopus melanurus Vieill.
Pernilonga.
Himantopus mexicanus Wed IV p. 741 (nec Miill.).
Himantopus mexicanus Burmeister Ill p. 367.
Himantopus nigricollis Pelzeln p. 310 (Ypanema, Iri-
sanga).
Himantopus brasiliensis Sclater a. Hudson Il p. 179
e figura.
Himantopus melanurus Cat. Br. Mus. XXIV p. 316.
Ave singular pelas pernas altas, nuas e pelos tarsos
do duplo comprimento do dedo mediano com a unha. Aos
pés, cujos dedos não são ligados por membrana, falta o
dedo posterior. É ave de 35 centim. de comprimento, sendo
o do bico de 6 centim. O bico é recto, delgado, preto. O
lado dorsal até a nuca é preto, a cabeça e o lado inferior
são brancos. Dos olhos corre uma estria branca á nuca.
Uma faxa branca corre entre o pescoço posterior e o
dorso. A cauda é branca, as remiges são pretas, as pernas
cor de laranja. Especie do Brazil, da Argentina e do
Chile, que nesta parte da America do Sul está substituindo
a especie semelhante H. mexicanus (Miill.), distribuida da
America do Norte até o Amazonas e que tem a cabeça
em cima preta até a fronte, que é branca.
Mus. Paul. Iguape.
ou
FAM. SCOLOPACIDAE.
E: SUBFAM. TOTANINAE.
* 547. Numenius borealis (Forst.).
-Limicola brevirostris Burmeister HI p. 375.
Numenius brevirostris Pelzeln p. 208 (Ypanema).
Numenius borealis Cowes p. 646.
Numenius borealis Sc/ater a. Hudson H p. 192.
Numenius borealis Cat. Br. Mus. XXIV p. 368.
O genero Numenius é caracterisado pelo bico com-
prido e arqueado, recurvado para baixo. O tarso é na
frente revestido por escudos, no lado posterior reticulado.
As menbranas entre os dedos são curtas. A especie pre- |
sente tem o comprimento de 29 centim., o bico mede 6
centim., o tarso é um pouco menor. A cor é Iruno-escura
no lado dorsal, com, orlas pallidas das pennas. A cauda é
bruna, com faxas transversaes pretas. À garganta é branca,
o resto do lado inferior amarellado, com manchas escuras
anguladas. As coberteiras interiores das azas são castanhas,
com faxas pretas. As remiges são uniformes, sem as faxas
que caracterisam a especie affim N. hudsonicus Lath. E
essa especie da America do Norte, que extende as suas
migrações ao Sul, até a Patagonia, não passando o inverno
na America do Norte. N. hudsonicus que occorre até a
Bahia e que temos do Pará não foi observada em São
Paulo ou Rio.
Mus. Paul. —
* 548. Limosa hudsonica (Lath.).
Massarico.
Limosa hudsonica Pelzeln p. 308.
Limosa haemastica Comes p. 635.
Limosa haemastica Sclater a. Hudson Il p. 191.
Limosa hudsonica Cat. Br. Mus. XXIV p. 388.
O bico é no genero Limosa comprido, excedendo a
cauda em comprimento, direito, um pouco curvado para
Ve fo
cima. Na especie presente mede 8 centim., sendo o com-
primento total da ave de 35 centim. A ave é differente
no colorido no verão e no inverno. A côr no verão é
bruno-denegrida no lado dorsal, com estrias alvacentas e
castanhas. As remiges e rectrizes são pretas, a base da
cauda é branca. A garganta é branca, o resto do lado
inferior castanho, com faxas transversaes pretas. No inverno
é o lado dorsal bruno-cinzento, o ventrale a cabeça bran-
co-amarellado. E’ essa especie da America do Norte, que
-extende as suas migrações até a Patagonia. Não acredito
que se trate de migrações regulares de inverno. O nosso
exemplar parece proveniente do Est. de S. Paulo, mas
não tenho certeza. Natterer obteve a especie em Matto
Grosso nos mezes de Setembro e Outubro. No Est. de
S. Paulo parece rara, faltando-me informações.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
549. Totanus melanoleucus (Gm.).
Massarico.
Totanus maculatus Wed IV p. 727.
Totanus melanoleucus Burmeister HI p. 368.
Totanus melanoleucus Pe/ze/n p. 308.
Totanus melanoleucus Coues p. 638 e figura.
Totanus melanoleucus Sclater a. Hudson p. 186.
Totanus melanoleucus Berlepsch II p. 257.
Totanus melanoleucus Cat. Br. Mus. XXIV p. 426.
O tarso é no genero Totanus muito alto, mais com-
prido do que o dedo mediano. A côr é pardo-cinzenta em
cima, com manchas brancas, branca em baixo, com estrias
brunas no peito. O dorso baixo e o uropygio são brancos.
A cauda é pardo-cinzenta, com faxas estreitas, transversaes
brancas. O bico é preto, as pernas são amarelladas. O
comprimento total é de 35 centim., o do bico de 54—58
mm. Especie americana distribuida desde Canadá até o
Estreito de Magalhães. O Sr. Krone obteve-a em Iguape.
Mus. Paul. —
RDA
* 550. Totanus flavipes (Gm.).
Massarico.
Totanus flavipes Wed IV p. 723.
Totanus flavipes Burmeister WT p. 360.
Totanus flavipes Pelzeln p. 309 (Ypanema, Irisanga).
Totanus flavipes Coues p. 638.
Totanus flavipes Sclater a. Hudson Il p. 187.
Totanus flavipes Cat. Br. Mus. XXIV p. 431.
Especie semelhante 4 precedente, porem, menor, de
23—24 centim. de comprimento. A côr é cinzenta em cima
com manchinhas pretas e brancas no dorso e nas azas,
branca em baixo, excepto no peito que é cinzento. A cauda
é branca, com faxas transversaes pardo-cinzentas. Uma
estria branca corre do bico até os olhos. O bico mede
38—40 mm. Essa especie vive como a precedente na
visinhança da agua, tanto no interior como na costa. À
distribuição geographica é a mesma da especie precedente.
Mus. Paul. S. Sebastião.
* 551. Helodromas solitarius (Wils.).
Tringa macroptera Sfzx II p. 76 Taf. 92.
Totanus caligatus Burmeister Ill p. 370.
Totanus solitarius Pe/ze/n p. 309 (Ypanema, Irisanga).
Rhyacophilus solitarius Cowes p. 639 e fig. 446.
Rhyacophilus solitarius Sclater a. Hudson Il p. 188.
Helodromas solitarius. Cat. Br. Mus. XXIV p. 444.
Especie menor, de 18—19 centim. de comprimento,
differindo das especies typicas de Totanus pelos tarsos
menos altos, mais ou menos iguaes no seu comprimento
ao dedo mediano com a unha. O bico mede 30 mm., O
tarso um pouco menos. À côr é pardo-cinzenta em cima,
com manchinhas escuras e alvacentas que occupam as
orlas das pennas. O lado inferior é branco, com estrias
cinzentas no peito. Uma estria branca corre do bico aos
olhos. As rectrizes medianas são uniformes, escuras, as
lateraes brancas, com faxas transversaes escuras. O bico
Pitts ce 2
é preto, as pernas são amarelladas. A especie está distri-
buida desde a America do Norte até Buenos Ayres.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 552. Tringoides macularius (L.).
Tringoides macularius Pe/ze/n p. 309 (Ypanema).
Tringoides macularius Comes p. 640 e fig. 447.
Actitis macularia A. O. U. Chek List. II p. 97.
Tringoides macularius Cat. Br. Mus. XXIV p. 468 e
762 (Santos).
O bico no genero Tringoides é mais curto do que o
comprimento da cabeça ou do tarso. O tarso no seu compri-
mento iguala o dedo mediano com a unha. A côr é cinzento-
azeitonada em cima, com estrias escuras, branca, com
numerosas manchas pretas redondas no lado ventral. Sobre
os olhos corre uma linha branca. As rectrizes lateraes têm
as pontas brancas. O bico é preto, coma base encarnada,
as pernas são encarnado-amarellas. Especie da America
do Norte que na America do Sul está distribuida até
Paranaguá, onde Natterer a caçou. O comprimento total é
de 160 mm., o do bico de 24 mm.
Mus. Paul. Est. de S. Pavlo.
* 553. Bartramia longicauda (Bechst.).
Batuira do campo.
Tringoides bartramius Pe/ze/n p. 310 (Matto Dentro,
Irisanga).
Actiturus bartramius Sclater a. Hudson II p. 189.
Actiturus longicaudatus Berlepsch Il p. 260.
Bartramia longicauda Cowes p. 641.
Bartramia longicauda Cat. Br. Mus. XXIV p. 509
(Irisanga).
O bico é neste genero mais curto do que a cabeça, do
tamanho do dedo mediano, que é muito mais curto do que
o tarso. À cauda é mais comprida do que o bico e tem
as pennas lateraes mais curtas do que as medianas. A
unica especie do genero, que occorre em grande parte
400 =
da America, tem o comprimento de 28 centim.; o tarso
mede 45, o bico 29 mm. À côr é denegrida em cima, com
orlas amarelladas das pennas. O uropygio é preto. As
coberteiras das azas são brunas, com faxas pretas. O lado
inferior é branco, a excepção do peito que é amarellento
com manchas e faxas pretas. As rectrizes medianas são
escuras, as lateraes amarelladas, com faxas transversaes
pretas. O bico é amarellento, com a ponta preta, as pernas
são amarellas. À especie occorre desde os pampas argen-
tinas até Nova York. A ave cria na America do Norte,
donde se retira no inverno, comparecendo aos pampas da
Argentina nos mezes de Setembro até Março.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
2. SUBFAM. SCOLOPACINAE.
* 554 Tringites subruficollis (Vieill.).
Tringoides rufescens Pelzeln p. 310 (Ypanema).
Tryngites rufescens Coues p. 642 e fig. 449.
Tryngites rufescens Sclater a. Hudson II p. 190.
Tringites sub-ruficollis Cat. Br. Mus. XXIV p. 521.
O bico é nesse genero monotypico mais curto do que
a cabeça e o tarso, que é mais comprido do que o dedo
mediano com a unha. Entre os dedos anteriores não ha
membrana. O comprimento total é de 200 mm., o do bico
de 22-24 mm. A côr é bruno-denegrida em cima com
orlas amarelladas das pennas, amarellenta no lado inferior,
mais escura ou avermelhada no peito. As remiges da mão
são escuras e têm a barba interior branca salpicada de
preto. À cauda é escura com as rectrizes exteriores cin-
zento-amarellas com uma faxa preta e'a ponta clara. O
bico é escuro, as pernas são esverdeadas. À especie está
distribuida na America desde Alaska até Buenos Ayres,
retirando-se da America do Norte no inverno, compare-
cendo aos pampas argentinos nos mezes de Outubro até
Abril.
Mus. Paul. Est. de S. Pavlo.
RES PARE
555. Calidris arenaria (L.).
Calidris arenaria Wied IV p. 750.
Calidris arenaria Burmeister Ill p. 371.
Calidris arenaria Pelzeln p. 312 (Ypanema).
Calidris arenaria Comes p. 633 e fig. 440.
Calidris arenaria Sclater a. Hudson Il p. 186.
Calidris arenaria Brehm VI p. 291 e fig.
Calidris arenaria Cat. Br. Mus. XXIV p. 526.
No genero Calidris é o comprimento do bico igual ao
da cabeça e do tarso; ao pé falta o dedo posterior. O
comprimento total é de r8—20 centim., o do bico de 25
mm. À côr é no estio avermelhado-bruna em cima com
manchas pretas e cinzentas. À face e o lado inferior são
brancos. As coberteiras exteriores das azas têm as pontas
brancas, as remiges as bases. As rectrizes lateraes são
cinzentas, com orlas brancas. O bico e as pernas são pre-
tas. No inverno é a côr do lado dorsal cinzenta. Esse mas-
sarico não é raro nas costas do Brazil. O Sr. Krone ca-
cou-o em Iguape. A especie é cosmopolita e occorre na
America desde o Norte até a Patagonia.
Mus. Paul. —
596. Heteropygia maculata (Vieill.).
Tringa maculata Pelze/n p. 311 (Ypanema).
Tringa maculata Berlepsch II p. 261.
Tringa maculata Sc/ater a. Hudson I p. 183.
Actodromas maculitta Cowes p. 626.
Heteropygia maculata Cat. Br. Mus. XXIV p. 562.
As especies de Heteropygia têm os dedos anteriores
livres, sem membrana na base, distinguindo-se assim de
Tringoides e outras aves analogas. O bico é do compri-
mento da cabeça e do tarso. Essa especie tem o compri-
mento total de 200—220 mm., sendo o das azas 144 mm.,
o do bico 26 mm. À côr é bruno-denegrida em cima com
orlas cinzentas ou castanhas das pennas. O uropygio é
preto, as coberteiras exteriores lateraes da cauda são
ae
brancas, as medianas pretas. Sobre os olhos corre uma
estria branca. O lado inferior é branco. O peito é cinzento,
com estrias pretas. A especie occorre na America do
Norte de onde se retira no inverno buscando a America
do Sul até a Patagonia,
Mus. Paul. —
* 597. Meteropygia fuscicollis (Vieill.).
Batuirinha.
Tringa minutilla Wied IV p. 736 (nec Vieill.).
Tringa campestris Burmeister XL p. 374.
Tringa bonapartu Pelzeln p. 311 (Ypanema).
Actodromas bonapartii Coues p. 627.
Tringa fuscicollis Berlepsch H p. 263.
Tringa fuscicollis Sclater a. Hudson H p. 185.
Heteropygia fuscicollis Cat. Br. Mus. XXIV p. 574.
Especie pequena, de 180 mm. de comprimento, me-
dindo as azas 120, o bico 23—25 mm. À cor é pardo-cin-
zenta em cima com manchas escuras, branca em baixo
com manchas brunas no peito. As coberteiras exteriores
da cauda são brancas. Sobre o loro, que é cinzento, corre
uma estria branca ao olho. As rectrizes medianas são acumi-
nadas, mais compridas do que as outras e escuras, as lateraes
são cinzentas com pontas brancas. O bico e as pernas são
escuros. No verão é a cor no lado dorsal mais escura, com
orlas cinzentas e avermelhadas nas pennas. Não parecem
estar bastante estudadas as differenças de colorido conforme
os sexos, estações e idade. Essa especie é da America do
Norte, de onde se retira no inverno extendendo as suas
migrações até a Patagonia. Ha quem pense que essas ‘aves
da America do Norte se retiram no inverno para a Ame-
rica do Sul. Mas temos um exemplar dessa especie caçado
no dia 2 de março em Iguape e Natterer caçou exemplares
em Ypanema nos mezes de Maio, Setembro e Novembro.
Parece pois que a especie vive aqui todo o anno, criando
tambem aqui provavelmente.
res DORE
Outra especie semelhante a essa, distinguida pela cor
preta do uropygio e das coberteiras exteriores da cauda,
H. bairdi Coues, mais ou menos da mesma distribuição,
não observei em S. Paulo e nem foi observada em Santa
Catharina e Rio Grande do Sul. Tringa canutus L., mas-
sarico de 23—25 centim. de comprimento cujo bico mede
30—35 mm. e que Wied obteve na Bahia, eu no Rio
Grande do Sul, não: foi ainda observada no Estado de
SU aula.
Mus. Paul. Ypiranga, Iguape.
* 558. Gallinago frenata (IL).
Narseja.
Scolopax frenata Wied IV p. 712.
Scolopax frenata Burmeister Ul p. 377.
Scolopax frenata Pelzeln p. 312 (S. Paulo, Ypanema,
lrisanga).
Gallinago frenata Berlepsch Il p. 252.
Gallinago frenata Cat. Br. Mus. XXIV p. 646.
O tarso é no genero Gallinago mais curto do que o
dedo mediano com a unha, o bico é muito comprido, um
pouco alargado na ponta, onde é molle e provido de im-
pressões punctiformes. A especie presente mede 25—28
centim., o bico 7o—72 mm. A cor é bruno-denegrida no
lado dorsal, com manchas e estrias amarelladas. O vertice
.é preto, com uma faxa amarellenta longitudinal no meio.
A face e uma estria que corre sobre os olhos são amarel-
lentas. O peito é bruno com manchas brancas, a barriga é
branca. As rectrizes são castanhas com faxas pretas, as
remiges uniforme-escuras. Essa especie occorre nos banha-
dos e campos alazados desde o Rio Grande do Sul até
Venezueia. Na Arzentina é substituida por G. paraguayae
Vieill., especie que tem as primeiras remiges do braço
curtas, do tamanho das compridas coberteiras exteriores
das azas que cobrem as remiges da mão, sendo as remi-
ges do braço mais compridas do que essas em G. frenata
e AO,
e G. delicata Ord. (G. Wilsoni Coues). Esta ultima é es-
pecie da America do Norte que occorre tambem no Brazil
até Bahia e Rio e que tem as rectrizes exteriores da lar-
gura de 7—8 mm., medindo 5 apenas na G. frenata.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 559. Gallinago gigantea (Temm.).
Gallinhola.
Scolopax gigantea Burmeister Il p.376.
Scolopax gigantea Pelzeln p. 312 (Ypanema, Itararé,
“Murungaba).
Gallinago gigantea Cat. Br. Mus. XXIV p. 659.
Especie grande, a maior do grupo, medindo 47 centim.
O tarso mede 54, o bico 130 mm. À côr é bruno-dene-
grida no lado dorsal, com grandes manchas e faxas trans-
versaes castanho-amarellas. As coberteiras exteriores da
aza e as remiges tem faxas alvacentas. A cabeça é ama-
rellenta, com duas largas estrias pretas que correm da fronte
sobre o vertice, uma estria preta que corre do bico ao
olho e outra correndo em baixo do olho. O lado inferior
é alvacento, com taxas largas escuras. As rectrizes media-
nas são castanhas, as lateraes esbranquiçadas, todas com
taxas escuras. As pernas e o bico são escuros. Especie
do Brazil e do Paraguay, que, ás vezes, é encontrada em
Buenos Ayres. Natterer diz que em Itararé foi denominada
rapaz, aqui é conhecida sob o nome de gallinhola, appa-
recendo, porém, raras vezes no mercado.
Mus. Paul. S. Paulo.
AN Order: Gaviae.
As aves que compõem essa ordem, que contem as
andorinhas do mar e as gaivotas, são caracterisadas como
aves nadadores com as azas desenvolvidas extraodinaria-
mente e com os pés fracos. As tibias são providas de
pennas, os tarsos pouco compridos são reticulados ou
munidos de escudos. Nos pés é o dedo posterior pequeno,
Te
os anteriores são ligados entre si por membrana. A cabeça
é forte, o pescoço curto. O bico é mais ou menos do
comprimento da cabeça, duro nas Laridae, provido de cera
na base nas Lestridae, differente na fórma, contendo em
regra as ventas, que são permeaveis, na metade basal. As
azas têm to remiges da mão, das quaes a primeira é a
mais comprida e mais uma rudimentar. As azas são
compridas, pontagudas, planas, e extendem-se sobre a base
e ás vezes além da ponta da cauda, que contem 12 rectrizes.
São essas aves aquaticas e de preferencia maritimas,
sendo pequeno o numero das especies que no interior são
encontradas ao longo dos grandes rios. São excellentes
voadores que vivem de peixes e outros organismos da
agua. Constróem o seu ninho no chão, pondo os ovos em
numero de tres numa cova na areia. Os filhotes alli ficam
até que estejam bem desenvolvidas as azas.
Temos representantes das seguintes familias:
Rynchopidae. É o bico bastante singular, que caracterisa
essa familia, sendo comprido e compresso como uma faca.
A maxilla inferior é mais comprida do que a superior. À
unica especie dessa familia é o talhamar. O nome refere-se
à singularidade de pescar a ave com a maxilla inferior
entrando na agua e sulcando a superficie.
Laridae. O bico é simples, sem cera na base. O sterno
tem na margem posterior duas incisões de cada lado. As
unhas dos pés são fracas. Na sub-familia .Sterninae é o
bico paragnatho, drieito, sendo as duas maxillas iguaes em
comprimento. À cauda é dividida ou excisa no meio. Na
sub-familia Larinae é a cauda truncada e o bico epignatho,
sendo a ponta da maxilla superior recurvada para baixo.
Stercoraridac. O bico é provido na base de cera. A
ponta da maxilla superior é recurvada para baixo. Os pés
são providos de unhas fortes e curvas. O sternum tem
na margem posterior de cada lado só uma incisão. São
essas as gaivotas de rapina que quando se offerece a
occasião perseguem outras gaivotas, roubando-lhes a presa
Revista do Museu Paulista Vol. III. 28
442 —
e obrigando-as até a lançar o peixe ja engolido que então
com segurança infallivel agarram no ar. As aves dessa
familia ainda foram pouco caçadas e observadas na costa
de S. Paulo.
FAM. RYNCHOPIDAE.
* 560. Rynchops nigra intercedens Saund.
Talhamar; Cortamar.
Rhynchops brevirostris Spix II p. 80 Taf. 103.
Rhynchops cinerascens .Spix Il p. 80 Taf. roa.
Rhynchops nigra Wied IV p. 877.
Rhynchops nigra Burmeister Ul p. 454.
Rhynchops nigra Pelzeln p. 324 (Ypanema, Irisanga).
Rhynchops nigra Berlepsch Il p. 279.
Rhynchops melanura Sc/ater a. Hudson Il p. 193.
Rhynchops nigra intercedens Cat. Br. Mus. XXV
pe 855) (6) Paulo}
O bico compresso, com a maxilla inferior muito mais
comprida do que a superior, caracterisa bem o singular
genero. O comprimento é de 41 centim.; o bico mede 62
mm. na femea, 80—90 no macho. A côr é preta ou bruno-
denegrida em cima, branca em baixo e na fronte. As
rectrizes são na barba exterior orladas de branco. As remi-
ges do braço têm a ponta branca. As coberteiras interiores
das azas são brancas. O bico é côr de laranja na base,
preto no meio e na ponta. Essa especie occorre desde
Buenos Ayres até o Pará. Saunders distingue da especie
R. nigra L. da America do Norte, com as rectrizes quas!
todas brancas, R. intercedens de S. Paulo e R. melanura
Sw. com a ponta branca das remiges da mão muito estreita,
de 3 mm. apenas, e com as coberteiras interiores das azas
escuras. A descripção de Spix referindo-se a exemplares
do Amazonas é considerada como referente a R. melanura
não obstante de Spix dizer que as coberteiras interiores
das azas são brancas, como as tem tambem o nosso ex-
Raio
AIS
emplar do Amazonas. A extensão da ponta branca das
remiges do braço é variavel nos exemplares de S. Paulo.
Não posso pois considerar feliz a opinião de Saunders. O
Sr. Valencio Bueno observou essa especie em Piracicaba,
em tempo de enchente.
Mus. Paul. Iguape.
FAM. LARIDAE.
SuBFAM. STERNINAE.
* 561. Phaéthusa magnirostris (Licht.).
Andorinha do mar.
Guaçu-guaçu Marcgrav p. 205.
Sterna magnirostris Spix II p. 81 Taf. 104.
Sterna magnirostris Wied IV p. 861.
Sterna magnirostris Burmeister HI p. 450.
Sterna magnirostris Pelzeln p. 324.
Phaëthusa magnirostris Berlepsch II p. 278.
Phaéthusa magnirostris Sclater a. Hudson Il p. 194.
Phaéthusa magnirostris Cat. Br. Mus. XXV p. 23.
No genero Phaéthusa é a cauda curta, importando o
seu comprimento menos do que a metade da aza, o bico
é muito forte, duas vezes ou mais comprido do que o
tarso. O comprimento total é de 36—4o centim., o do bico
de 62—66 mm. A cor é cinzenta no dorso, preta em cima
da cabeça e na nuca. O loro e o lado inferior são brancos.
As remiges são pretas, as coberteiras das azas brancas,
as rectrizes cinzentas. O bico é amarello, as pernas são
verde-amarellas. A especie occorre desde o Rio da Prata
até Venezuela na costa do mar e no curso inferior dos rios.
Mus. Paul. Iguape.
* 562. Gelochelidon anglica (Mont.).
Sterna anglica Wied IV p. 867.
Sterna aranea Burmeister Ill p. 452.
Sterna aranea Pelzeln p. 325.
Rte
Sterna anglica Coues p. 757.
Gelochelidon nilotica A. O. U. check list II p. 22.
Gelochelidon anglica Cat. Br. Mus. XXV p. 25.
O genero Gelochelidon, considerado por muitos autores
como sub-genero, é caracterisado pela cauda curta, o bico
grande, preto e o tarso preto mais comprido do que o
dedo mediano com a unha. À unica especie do genero é
cosmopolita e occorre na America, desde a Bahia Blanca na
Argentina até Texas e Virginia. O comprimento total é
de 36—38 centim., o do bico de 5 centim. A côr é preta
em cima da cabeça e na nuca, branco-cinzenta no resto
do lade dorsal, branca no lado inferior. O bico e as pernas
são pretas. Não temos ainda essa especie, que possuimos
do Amazonas, da costa de S. Paulo, onde, porem, não
pode fazer falta, visto como a obtive no Rio Grande do
Sul e foi encontrada em S.“ Catharina e no Rio de Janeiro.
Mus. Paul. —
* 563. Sterna maxima Bodd.
Trinta réis.
Sterna erythrorhynchus Wied IV p. 857.
Sterna erythrorhynchus Burmeister Ul p. 451.
Sterna galericulata Pelzeln p. 324.
Sterna maxima Coues p. 759 € fig. 513.
Sterna maxima Sclater c. Hudson Il p. 195 e fig.
Sterna maxima Cat. Br. Mus. XXV p. 8o.
A especie maior deste genero mede 52 centim. O
comprimento das azas é de 37 centim., o do bico de
60—65 mm. A côr é preta em cima da cabeça, branco-
cinzenta no lado dorsal, branca no lado ventral e na
fronte. As pennas pretas da nuca são acuminadas e alon-
gadas. As pernas são pretas, o bico é côr de laranja. A
especie occorre desde o Rio da Prata até Massachusetts,
nas costas de Perú e da California e tambem na Africa
occidental. O British Museum obteve-a de S.º Catharina
e Rio de Janeiro.
Mus. Paul. Iguape.
— 445 —
564. Sterna eurygnatha Saund.
Sterna cayanensis Pelzeln p. 324.
Sterna eurygnatha Cat. Br. Mus. XXV p. 85.
Especie de 44 centim. de comprimento, cuja aza mede
3º centim. e o bico 65 mm., e que pouco differe da espe-
cie precedente. O tamanho é menor, a côr é a mesma,
mas o uropygio e a cauda são brancos, contrastando com
a côr cinzenta do dorso. O bico é amarello-claro, as pernas
são escuras. Essa especie occorre desde a Patagonia até
Venezuela e está criando na costa do Brazil. Natterer
obteve-a no Rio de Janeiro, o Museu Britanico tem-n'a de
S.™ Catharina. Na costa de S. Paulo, onde pelas informa-
ções da litteratura deve existir, não foi ainda observada.
Outra especie affim que na costa de S. Paulo talvez
occorra e que Natterer obteve no Rio de Janeiro é St.
cantiaca Gm., do tamanho de St. eurygnatha e da mesma
cor, mas com o bico preto, com a ponta amarella.
Mus. Paul. — |
* 565. Sterna hirundinacea Less.
Trinta reis.
Sterna hirunda Wied IV p. 865.
Sterna wilsoni Burmeister UI p. 451.
Sterna wilsoni Pelzeln p. 325.
Sterna hirundinacea Sclater a. Hudson IH p. 196.
Sterna hirundinacea Cat. Br. Mus. XXV p. 53.
Especie de 40 centim. de comprimento. A aza mede
28-29 centim., o bico 42 mm, A cabeça é preta em cima
e tambem a nuca, o lado dorsal é cinzento, o uropygio
e a cauda são brancos, mas a barba esterior das rectrizes
exteriores é cinzenta. O lado inferior é branco-cinzento
ou branco. O bico é vermelho, as pernas são côr de
laranja. A ave nova tem o bico menor e preto e o lado
dorsal mais escuro, com manchas ou faxas pretas no dorso
e nas azas. Essa especie occorre desde o Estreito de Ma-
galhães até a Bahia. Natterer obteve-a no Rio de Janeiro.
Mus. Paul. S. Sebastião.
a
* 566. Sterna superciliaris Vieill.
Trinta reis.
Sterna argentea Wied IV p. 871.
Sterna argentea Burmeister III p. 552.
Sterna argentea Felzeln p. 325 (Ypanema).
Sterna superciliaris Sclater a. Hudson II p. 197.
Sterna superciliaris Cat. Br. Mus. XXV p. 124 (3. Paulo).
Especie pequena, medindo apenas 22 centim., visto a
cauda ser curta. O bico mede 37 mm., a aza 180 mm. À
fronte e o lado inferior são brancos. O vertice com a
nuca e uma estria que corre da venta aos olhos são pretos.
O lado dorsal é cinzento, a excepção das quatro primeiras
remiges da mão que são bruno-denegridas. O bico, os tarsos
e os pés são amarellos. Essa especie occorre desde o Rio
da Prata até Venezuela na costa do mar e nos rios que
nelle desaguam. Especie affim da America do Norte e das
Antilhas é St. antillarum Less., que tem só as primeiras
duas remiges da mão pretas.
Mus. Paul. S. Sebastião.
567. Sterna trudeauii Andub.
Trinta réis,
Sterna trudeauii Coues p. 767.
Sterna trudeauii Sclater a. Hudson II p. 195.
Sterna trudeauii Cat. Br. Mus. XXV p. 130.
Especie de 35 centim. de comprimento, cuja aza mede
250 mm. e o bico 45 mm. A côré cinzento-clara em cima
e em baixo, a excepção da cabeça e do uropygio que são |
brancos. Uma estria preta corre pelos olhos. Os tarsos e
pés são amarellos. O bico é amarello, com uma zona preta
no meio. A cabeça toda branca caracterisa bem essa
especie, que occorre nas costas do Brazil meridional e da
Argentina, desde Buenos Ayres até o Rio de Janeiro, e
que ás vezes extende as suas excursões até a America
do Norte; Chile e Perú. Parece que na costa de S. Paulo
ainda não foi observada.
Mus. Paul. —
ME malt im
Supram. LARINAE.
* 568. Larus dominicanus Licht.
Gaivotao.
Larus dominicanus Wied IV p. 850.
Larus vociferus Burmeister WI p. 448.
Larus azarae Pelzeln p. 323.
Larus dominicanus Sc/ater a. Hudson Il p. 197.
Larus dominicanus Cat. Br. Mus. XXV p. 245.
Gaivota grande, de 47 centim. de comprimento. A
aza mede 41 centim., o bico 50—55 mm. A côr é branca
excepto no dorso e nas azas que são bruno-denegridas. As
primeiras duas remiges da mão têm na ponta uma mancha
branca. Os tarsos são cinzentos, o bico é amarello, com
uma mancha vermelha na base. À ave nova tem o dorso
pardo-cinzento e a cauda bruna. A especie occorre desde
o Estreito de Magalhães nas costas da America do Sul até
o Rio de Janeiro e Perú, reapparecendo na Africa meri-
dional e na Nova Zealandia.
Mus. Paul. Iguape.
* 569. Larus maculipennis Licht.
Gaivota.
Larus poliocephalus Wied IV p. 854.
Larus maculipennis Burmeister Il p. 448.
Larus serranus Burmeister Reise La Plata II p. 519.
Larus maculipennis Pe/ze/n p. 323 (Ypanema).
Larus maculipennis Sclater a. Hudson Il p. 198.
Larus maculipennis Cat. Br. Mus. XXV p. 200.
Especie de 37 centim. de comprimento. O bico mede
25—38 mm., a aza 30 centim. O macho adulto em tempo
da propagação tem a cabeça bruno-escura, mais escura
na garganta e na nuca, o dorso e as coberteiras das azas
cinzentas, o resto do corpo branco. À barriga tem um fraco
lustro de encarnado. As remiges são pretas, com grandes
manchas brancas. A primeira remige da mão tem a ponta
= 448 —
na extensão de 8 centim. branca, com uma mancha preta,
ás vezes incompleta ou faltando, perto da ponta. Nas
seguintes remiges da mão é a ponta branca separada da
mancha branca por faxa preta. Os adultos no inverno e
as aves novas têm a cabeça branca. Á ave nova faltam
as pontas brancas das remiges da mão e a cauda tem
perto da ponta uma larga faxa transversal escura. O bico
e as pernas são vermelhas.
Essa especie é commum na costa de S. Paulo e do
Rio Grande do Sul, occorrendo desde o Norte do Brazil
até a Patagonia e tambem no Chile. O British Museum
obteve-a de Alagoas e Rio.
Existe outra especie affim que os autores julgam
representada tambem na costa do Brazil, L. cirrhocephalus
Vieill., que não tem as pontas brancas das remiges da
mão, cuja cabeça é sempre branco-cinzenta e que tem as
coberteiras inferiores das azas escuras. Saunders no Cata-
logo do Brit. Museum diz, p. 199, que essas coberteiras
são cinzentas «lead grey», sendo as de L. maculipennis :
«grey». Não tenho por ora a convicção de que essas duas
especies realmente sejam differentes e que a synonymia de
Saunders seja exacta. Todos os exemplares que no Rio
Grande do Sul obtive foram considerados como L. macu-
lipennis por von Berlepsch e tudo que tenho aqui é uma
especie so. Se L. cirrhocephalus é boa especie não vejo
prova de que ella occorra no Brazil, os exemplares do
Brit. Museum são da Argentina, do Perúe da Africa. Não
tenho duvidas quanto á identidade especifica do L. macu-
lipennis que Pelzeln obteve em S. Paulo e dos nossos:
exemplares. Pelzeln rejeita a opinião que a especie obser-
vada por Wied seja outra. Wied observou exemplares com
a cabeça preta que não podem ser, pois, considerados
como exemplares de L. cirrhocephalus. O unico exemplar
que temos de L. maculipennis com a cabeça bruno-dene-
grida tem as pontas das remiges da mão quasi completa-
mente pretas, sendo a ponta hranca reduzida a uma orla
terminal ou faltando. Varia, pois, nos exemplares adultos
— 449 —
a ponta desde toda branca até toda preta. E’ preciso
ligar-se mais attenção a essas variações.
Mus. Paul. Iguape.
FAM. STERCORARIIDAE.
570. Megalestris chilensis Saund.
Gaivota rapineira.
Stercorarius chilensis Oustalet Miss. Cap. Horn VI
po aye:
Megalestris chilensis Cat. Br. Mus. XXV p. 318.
No genero Megalestris é o tarso quasi do tamanho
do dedo mediano com a “unha e as rectrizes medianas
que ultrapassam as outras apenas 12 mm., contrastando com
as condições no genero Stercorarius onde sobresahem na
extensão de 7—8 centim. O comprimento total é de 52
centim., o do bico de 55 mm. A cor é bruno-denegrida
na cabeça, bruna, com estrias longitudinaes castanhas no
lado dorsal, castanha no lado ventral. As remiges da mão
são brancas na base. O bico e as pernas são escuras. - É
essa especie das costas da Patagonia que tambem foi
encontrada nas costas do Brazil, no Rio de Janeiro e Santa
Catharina. Provavelmente a especie, que até hoje não foi
observada na costa de S. Paulo, na qual tambem deve
occorrer, só apparece nas costas do Brazil no inverno,
como o penguim. A especie affim M. antarctica Less., com
o dorso pouco estriado e o lado ventral bruno-escuro, tam-
bem da Patagonia, não parece extender suas migrações
até o Brazil. |
Mus. Paul. —
571. Stercorarius crepidatus (Banks).
Gaivota rapineira.
Stercorarius parasiticus Coues p. 736.
Stercorarius crepidatus Cat. Br. Mus. XXV p. 327.
Ave de 50 centim. de comprimento. O bico mede
30—35 mm., a aza 32 centim. As retrizes medianas são
ie
alongadas e ultrapassam de 7—8 centim. as outras. A côr
é bruno-escura, as vezes esbranquicada no peito. As hastes
das primeiras remiges da mão são brancas. O bico e os
pés são pretos. Especie de distribuição quasi cosmopolita,
especialmente nas regiões arcticas. O British Museum
obteve-a do Rio de Janeiro e eu no Rio Grande do Sul,
onde não apparece frequentemente. Deve, portanto, occorrer
tambem na costa de S. Paulo. |
Mus. Paul. —
XVI. Ordem. Tubinares.
Aves oceanicas que passam a maior parte da sua
vida voando no oceano, do qual tiram o seu nutrimento.
São semelhantes as da ordem precedente differindo, porem,
por um caracter bem pronunciado, pelas ventas alongadas
em forma de tubos. Esses dous tubos estäo collocados um
ao lado do outro em cima da maxilla superior nas Pro-
cellariidae e Puffinidae, no lado do bico na base da maxilla
superior nas Diomedeidae. O bico é recto, epignatho, com
a ponta recurvada para baixo e separada do resto da
maxilla superior por um sulco. O tarso é na frente reti-
culado, a excepção do genero Oceanites onde é coberto
por uma membrana dura e lisa. Os dedos anteriores são
unidos na base por membrana, o dedo posterior é rudi- |
mentar ou falta. A cauda contem 12—16 rectrizes, sendo
nos generos aqui tratados o numero de 120 ordinario. O
numero das remiges da mão é de ro. Só no tempo da
propagação procuram a costa em regiões deshabitadas ou
ilhas pequenas, onde a femea põe no chão um ovo branco.
Os filhotes são criados por bastante tempo antes que
possam seguir os paes. Creio que ha mais especies dessa
ordem na costa de S. Paulo do que aqui indiquei, mas
não podem ser obtidas facilmente e poucas são as pessoas que
a taes assumptos ligam attenção. As quatro especies, cuja
existencia na costa de S. Paulo foi verificada, pertencem
a tres familias, |
— 451 —
Procellariidae. As ventas são reunidas na base em
cima da maxilla superior. Das remiges da mão a segunda é
a mais comprida. O dedo posterior existe, sendo pequeno.
Puffinidae. As ventas como na familia precedente. Das
remiges da mao é a primeira a mais comprida ou igual a
segunda. O dedo posterior existe, sendo pequeno. A ma-
xilla superior tem na sub-familia Fulmarinae, da qual faz
parte o genero Daption, lamellas transversaes do osso
palatino mais ou menos como as marrecas, sendo as mar-
gens lisas na sub-familia Puffininae e no genero Majaqueus.
Diomedeidae. Cada venta está situada no respectivo
lado da maxilla superior, distante do outro lado. A pri-
meira remige da mão é a mais comprida. O dedo posterior
falta.
FAM. PROCELLARIIDAE.
572. Oceanites oceanicus (Kuhl).
Alma de mestre.
Thalassidroma wilsoni Burmeister WI p. 446.
Thalassidroma oceanica Pelzeln p. 322.
Thalassidroma pelagica Brehm Thierleben VI p. 572
e figura.
Oceanites oceanicus Coues p. 782.
Oceanites oceanicus Cat. Br. Mus. XXV p. 358.
Dos outros generos desta familia distingue-se Ocea-
nites pelas pernas compridas e pelos tarsos cobertos na
frente e nos lados por uma lamina näo dividida em escu-
dos. A parte inferior da tibia é desprovida de pennas. O
dedo interior é menor do que os dois exteriores que são
iguaes. As unhas são chatas. O comprimento total é de
170 mm., o do tarso de 34, das azas de 150 mm. À côr
é denegrida, um pouco mais clara no lado ventral. As
grandes coberteiras exteriores das azas são cinzentas, as
coberteiras exteriores da cauda brancas. O bico e os tarsos
são pretos. Especie commum nos oceanos Atlantico e
me
Indico, que na costa da America do Sul foi observada em
Montevideo, Rio e Bahia e que o Sr. Krone obteve em
Iguape.
Mus. Paul. —
FAM. PUFFINIDAE.
* 573. Majaqueus aequinoctialis (L.).
Procellaria aequinoctialis Wied IV p. 840.
Procellaria aequinoctialis Burmester Il p. 445.
Majaqueus aequinoctialis Cat. Br. Mus. XXV p. 395.
Os tarsos são no genero Majaqueus arredondados na
frente, os tubos nasaes reunidos n'uma abertura commum
dirigida para deante. O bico é comprido e amarello. Na
cauda, que é arredondada, excedem as rectrizes medianas
em 2 centim. as lateraes. À côr é bruno-denegrida, a gar-
ganta e as hastes das remiges da mão são brancas. É essa
especie das regiões antarcticas, da Terra do Fogo, da
Nova Zealandia etc., que ás vezes é encontrada nas costas
do Brazil. Wied obteve-a perto da Bahia.
Mus. Paul. Iguape.
574. Daption capensis (L.).
Daptium capense Comes p. 770.
Procellaria capensis Pelzeln p. 323 (Ilha de S. Sebastião).
Daption capense Brehm Thierleben VI p. 570 e fig.
Daption capensis Cat. Br. Mus. XXV p. 428.
O genero Daption, formado por uma especie só, é
caracterisado pelo bico curto e grosso e pela cauda curta
arredondada, contendo 14 rectrizes. À côr é branca, com
manchas escuras das pennas no lado dorsal. À cabeça, o
pescoço posterior e as remiges são pretos. O lado ventral
é branco. À cauda é branca, com a ponta escura. O com-
primento total é de 40 centim., o das azas de 26 centim.
e o do bico de 42 mm. E essa ave de grande distribuição
nos mares do hemispherio meridional, que muitas vezes
aconipanha os navios, apparecendo, entretanto, só no
AM
oceano aberto e não nos portos. Observei-a perto da barra
do Rio Grande do Sul. Natterer obteve-a perto da Ilha
de S. Sebastião. E’ ave commum na Patagonia e na zona
antarctica que na costa occidental da America é encontrada
até o Perú e ás vezes na California, sendo geralmente
conhecida sob o nome de pomba do Cabo. Natterer diz
que ouviu os marinheiros tratarem-n'a de fecha fradinho.
Mus. Paul. —
FAM. DIOMEDEIDAE.
* 575. Diomedea melanophrys Temm.
Albatroz.
Diomedea melanophrys Z 1. Green. Ocean Birds London
1887 p. 15 Pl. II fig. 6.
Diomodea melanophrys Cat. Br. Mus. XXV p. 447.
O albatroz da costa de S. Paulo, tratado as vezes de
gaivotão, é ave de 75 centim. de comprimento total, me-
dindo a aza so eo bico 12 centim. À côr é branca, o
dorso e as azas são bruno-denegridas. A cauda é cinzenta,
as hastes das rectrizes são brancas. Os tarsos e pés são
amarellos, o bico é amarello, com a ponta mais escura. E
essa especie commum na região antarctica, que obtive na
costa do Rio Grande do Sul e de S. Paulo. Pelzeln diz
que a expedição da Novarra obteve-a no Rio de Janeiro.
A especie affim, D. exulans L., da mesma região, que é
maior com o bico que mede 17 centim. e o dorso branco,
não foi até agora observada na costa do Brazil.
Mus. Paul. Santos (Guarujá).
XVII. Ordem. Pygopodes.
Aves aquaticas dos rios e das lagoas, que com grande
facilidade submergem, devendo a esse costume que torna
difficil a sua caça o nome de mergulhões. Os tres dedos
anteriores são unidos na base por uma membrana que se
prolonga na extremidade livre dos dedos em fórma de orla
— 454 —
larga até a unha, que é chata e larga. O dedo posterior
é livre. O nome da ordem refere-se a posiçäo das pernas
collocadas muito para traz. O tarso é comprimido pelos
lados. A cauda falta completamente, caracter que serve
bem para distinguir essas aves de certos frangos d'agua,
que. pela formação dos pés a ellas se assemelham. As azas
são pequenas, mas aptas para voar; só do pequeno Tachy-
baptus dominicus L. não sei se elle com as pequenas azas
quasi rudimentares é capaz de voar. O bico é epignatho
no genero Podilymbus, paragnatho nos outros.
FAM PODICIBITIDAE
* 576. Tachybaptus dominicus (L.).
Mergulhão pequeno.
Podiceps dominicus Spix II p. 78 Taf. rot.
Podiceps dominicus Wied IV p. 835.
Podiceps dominicus Burmeister IL p. 463.
Podiceps dominicus Pelzeln p. 322 (Taubaté, Ypanema).
Tachybaptes dominicus Coues p. 796.
Tachybaptes dominicus Sclater a. Hudson II p. 205.
E' essa a menor especie dos mergulhões, medindo o
bico em cima apenas 17 mm. E’ commum desde o Texas
até a Patagonia. Temos a especie deste Estado sem indi-
cação de localidade, mas Natterer obteve-a em Taubaté e
Ypanema. A côr é cinzenta, mais escura no lado dorsal.
A garganta é branca. As pernas são pretas. A maxilla
superior é preta, a inferior esbranquiçada. Natterer indica |
como nome vulgar dessa ave «pica-barra».
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 577. Podiceps Rollandi Quoy et Gaim. ?
Mergulhão.
Podiceps Rollandi Sclater a. Hudson I p. 204.
Se a minha determinação é exacta seria melhor por
essa especie no genero Podilymbus, visto como o bico é
epignatho, embora menos do que na especie P. podiceps.
errado do
+
O nosso exemplar que foi morto em Iguape pelo Sr. Arone
as de Junho de 1896, isto é, no inverno, tem a garganta
branca, © pescoço no lado ventral pardo-vermelho, as
pennas da fronte setiformes e elevadas; o comprimento do
bico é de 25 mm.
“Mus. Paul. Iguape.
* 578. Podilymbus podiceps (L.).
Mergulhão.
Podiceps carolinensis Sfzx IL p. 78 Taf. 100.
Podiceps ludovicianus Wied IV p. 830.
Podiceps ludovicianus Burmeister Il p. 463.
Podilymbus podiceps Pelzeln p. 322 (S. Paulo, Ypanema).
Podilymbus podiceps Cowes p. 796.
Podilymbus podiceps Sclater a. Hudson H p. 206.
De todas as outras especies se distingue pelo bico
que no meio é atravessado de cima para baixo por uma
faxa escura. O comprimento do bico é de 21 mm. Natterer
obteve a especie no Rio Tieté, na capital. A cor é bruno-
denegrida em cima, cinzenta em baixo. O peito é amarel-
lento, a garganta preta. A especie occorre desde a Pata-
gonia até Canadá.
Mus. Paul. S. Paulo.
XVII. Ordem. Impennes.
Aves do mar conhecidas sob a denominação de pen-
guins, que vivem nos mares arcticos e antarcticos. As
pernas estão situadas muito para traz como nos Pygopodes.
O bico é comprido e epignatho. A cauda é curta, composta |
de numerosas pennas. Bem caracteristica é a pequena aza,
impropria para voar, coberta de pennas chatas, em fórma
de escama. Essas azas rudimentares servem como remos
para o movimento na agua. Nos pés os tres dedos ante-
riores são ligados entre si por uma membrana, o posterior
é virado para deante, sendo situado ao lado interior do
tarso, que é curto.
AS —
A occorrencia de um penguim da Patogonia na costa
de S. Paulo é um dos factos mais surprehendentes que
nos offerece a distribuiçäo geographica das aves do Brazil.
Alias nao foi descoberta de todo inesperada, visto como
ja na costa do Rio Grande do Sul encontrei a mesma
especie,
FAM. APTENODYTIDAE.
* 579. Spheniscus magellanicus (Forst.). .
Penguim.
Aptenodytes demersa 4bbot Ibis 1860 p. 336.
Spheniscus magellanicus Sclater a. Hudson I p. 206.
O bico é na base munido de sulcos longitudinaes. A
cor é em cima azul-escura, em baixo branca. O primeiro
exemplar obtivemos do Sr. Guilherme de Mello em Santos, |
que o caçou na praia de Guarujá. O segundo compramos
na Ilha de S. Sebastião, onde foi encontrado e empalhado.
No Est. do Rio Grande do Sul encontrei um exemplar
perto da cidade de Rio Grande do Sul, na costa do mar,
no inverno, depois de um temporal, vendo outro exemplar
na collecção do Sr. H. Ritter em Pelotas, que o obteve
dos pescadores que o encontraram na rede, o que ás vezes
acontece com penguins e mergulhões.
De outras aves patagonicas cacei na costa do Rio
Grande do Sul ou encontrei-as mortas na praia depois de
um temporal: Diomedea melanophrys Boie, uma especie de
Puffinus e uma de Lestris que o Sr. Conde Berlepsch
determinou de Lestris parasiticus Coues. Noto presentemente
que é grande o numero dos molluscos da costa argentina
que occorrem tambem na costa do Est. de S. Paulo.
E’ facto summamente interessante o apparecimento de
grande numero de penguins nas costas do Brazil meridional
durante os ultimos annos. O Jornal Lavoura e Commercio
de S. Paulo, de 28 de Agosto de 1898, diz que segundo o
Commercio de Espirito Santo têm apparecido ultimamente
Roc ne
na costa do Estado de Espirito Santo entre o pharol de
S.“ Luzia e a ponta de Itapoan alguns penguins, aves até
aquella data alli desconhecidas. O Sr. À. Krone escreveu-me
que em Iguape neste anno têm apparecido penguins e
que pessoas que chegaram em romaria para Iguape, em
principio de Agosto deste anno, affirmaram que na costa
ao Sul de Paranaguá encontraram penguins mortos na
praia em milhares. Qual será a razão destas emigrações?
Mus. Paul. a. Ilha de S. Sebastião
b. Guarujá (Guilherme de Mello leg. 1897)
c. Santos (Almeida de Moraes leg. 1898)
d. Iguape (R. Krone leg. 1898).
XIX. Ordem. Crypturi.
A ordem dos Crypturi com a unica familia Tinamidae
comprehende os macucos, inambús, perdizes e codornas.
Antigamente considerada como uma familia das gallinaceas,
com as quaes são ligadas, foram essas aves separadas em
fórma de uma ordem especial porque offerecem tambem
caracteres anatomicos que as prendem ás abestruzes. A
cabeça é pequena, coberta de pennas pequenas. O bico é
delgado, do comprimento da cabeça, mais ou menos, duro
na ponta, molle na base. As pernas têm os tarsos fortes,
cobertos de escudos hexagonaes; os pés têm tres dedos
fortes anteriores, livres e um pequeno dedo posterior,
collocado alto, que não toca no chão. As azas são curtas,
redondas, concavas, extendendo-se só até o dorso baixo.
Das remiges da mão que são acuminadas e estreitas é a
quarta ou quinta a mais comprida. A cauda falta ou, quando
existe, são as 10—12 rectrizes tão curtas que as cober-
teiras da cauda as escondem.
Os sexos não são differentes no colorido que é pouco
notavel, prevalecendo as côres fuscas. São aves que vivem
no chão, onde procuram fructas e sementes o que fazem
“correndo, voando pouco. Os ovos são lisos e lustrosos,
verde-azues ou bruno-roxos. Os filhotes são cobertos de
Revistagdo Museu Paulista Vol. III. 29
a
densa pennugem e acompanham ja nos primeiros dias os
paes. São essas aves da America meridional, sendo conhe-
cidas 65 especies. Quasi todas são estimadas como excel-
lente caça.
FAM. TINAMIDAE.
* 580. Tinamus solitarius (Vieill.).
Macuco.
Macucagua Marcgrav p. 213.
Pezus serratus Spix II p. 61 Taf. 76.
Tinamus brasiliensis Wied IV p. 496 Taf. I figura 2
(larynge).
Trachypelmus tao Burmeister UI p. 324.
Tinamus solitarius Pelzeln p. 290 (Matto Dentro, Ypa-
| nema, Itararé).
Tinamus guttulatus Pe/zeln p. 292 e 453.
Tinamus solitarius Berlepsch IL p. 251.
Tinamus solitarius Berlepsch wu. Mering p. 182.
Tinamus solitarius Cat. Br. Mus. XXVII p. sor e
PLN AS: Paulo)
Ave grande de 48—50 centim. de comprimento, cuja
aza mede 26 centim. e o bico 38 mm. A côr é bruno-
avermelhada no lado dorsal, com faxas transversaes pretas.
A cabeça em cima é bruna, com manchinhas mais claras.
De cada lado do pescoço posterior corre uma estria ama-
rellada. O lado inferior é cinzento-amarellado, com faxas
escuras na barriga e estrias longitudinaes amarellentas
nas coberteiras inferiores da cauda. As remiges são pretas;
a cauda é bem desenvolvida com as rectrizes um pouco
mais compridas do que as coberteiras. O bico é escuro,
nos lados mais claro.
O macuco é ave bem conhecida, do tamanho de uma
gallinha, ave das mattas onde corre no chão, elevando-se
a noite num galho para pernoitar. Põe em Setembro no
chão 8—10 ovos verde-azues. É caça estimada. No Norte
ET
Hub à
MASON TT
do Bruzil vive outra especie affim, T. major Gm. (brasi-
liensis Burm.), com a cabeça castanha e o lado inferior
branco-cinzento. T. solitarius occorre desde o Rio Grande
do Sul até a Bahia e Amazonas.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 581. Crypturus obsoletus (Temm.).
“Inambii-guassi.
Crypturus obsoletus Burmeister II p. 316.
Tinamus obsoletus Pelzeln p. 292 (Matto Dentro, Ypa-
ê nema, Itararé).
Crypturus obsoletus Sclater a. Hudson II p. 207.
Crypturus obsoletus Cat. Br. Mus. XXVII p. 519.
Entre os nossos inambus é a especie maior, de 28—31
centim. de comprimento. O bico mede 25 mm. A cor é
cinzento-denegrida na cabeça e no pescoço, bruno-averme-
lhada no dorso. A garganta é cinzenta, o peito bruno-
castanho, a barriga amarellenta, com largas faxas pretas
na barriga posterior e nas coberteiras inferiores da cauda.
O bico é bruno em cima, encarnado-escuro na base. As
pernas são verde-azeitonadas. Essa especie occorre no Norte
da Argentina, no Paraguay, Bolivia e no Brazil meridional
desde o Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro e Minas.
Caça boa que sempre apparece no mercado de S. Paulo.
E' ave do matto. O ovo é de côr bruno-roxa, pallida. Os
guaranys do Rio Verde chamam-n'a inambu-eté, referindo-se
inambú-guassú ao macuco.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 582. Crypturus tataupa (Temm.).
Inambuú chintam.
Pezus niambu Sfzx Il p. 63 Taf. 58, a.
Tinamus tataupa Wied IV p. 515.
Crypturus tataupa Burmeister WI p. 314.
Tinamus tataupa Pelzeln p. 294 (Matto Dentro, Ypa-
nema).
bo —
Cryturus tataupa Sclater a. Hudson II p. 208.
Crypturus tataupa Cat. Br. Mus. XXVII p. 525.
Especie menor, de 250 mm. de comprimento. A côr
é cinzento-escura na cabeça e no pescoço, bruno-castanha
no dorso. À garganta e a barriga no meio são brancas, o
resto. do lado inferior é cinzento. Os lados da barriga, o
crisso e as coberteiras inferiores da cauda são pretas, com
orlas alvacentas largas. O bico é vermelho e mede 22-23
mm. no culmen, as pernas são roxo-encarnadas.
Esse inambú pequeno vive nas mattas. A distribuição
geographica é a da especie precedente, extendendo-se,
porem, mais ao Norte do Brazil.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 583. Crypturus parvirostris Wagl.
Inambu chororo.
Crypturus parvirostris Burmeister HI p. 315, nota.
Crypturus parvirostris Pelzeln p. 294 (Ypanema).
Crypturus parvirostris Cat. Br. Mus. XXVII p. 526.
Especie um pouco menor do que a precedente, com
a qual se assemelha muito. O bico mede 16—19 mm,
sendo vermelho. Os tarsos, que na especie precedente são
vermelho-azues, são nesta escarlates. A côr é a mesma,
sendo um pouco mais pallida no lado dorsal. A ave nova
tem o dorso e as coberteiras exteriores das azas munidos
de estreitas faxas pretas, das quaes as que acompanham
a margem posterior da penna são orladas de alvacento. —
Essa especie não é limitada como as precedentes ao matto,
mas prefere a capoeira dos campos. À especie occorre
desde S. Paulo até Goyaz, Matto Grosso e Bahia.
Mus. Paul. S. Paulo; Cachoeira.
* 584. Crypturus adspersus (Temm.).
Pezus yapura Spix II p. 62 Taf. 78.
Crypturus vermiculatus Burmeister HI p. 318.
Crypterus adspersus Burmeister HI p. 319.
ay | eee
Tinamus undulatus Pe/ze/n p. 292 (Rio Paraná).
Crypturus adspersus Cat. Br. Mus. XXVII p. 529.
Especie de 32 centim. de comprimento; o bico mede
28 mm. À côr é no lado dorsal bruno-azeitonada, com
numerosas faxas pretas que são estreitas e onduladas. O
lado inferior é cinzento, mais escuro no peito. A barriga
posterior, as pennas das pernas, o Crisso e as coberteiras
inferiores da cauda são bruno-avermelhadas. As coberteiras
inferiores da cauda têm algumas faxas pretas. As pernas
são bruno-azeitonadas, o bico é escuro. Essa especie occorre
desde S. Paulo e Matto Grosso até o Norte do Brazil. No
Est. de S. Paulo parece occorrer só na zona occidental.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 585. Crypturus noctivagus (Wied).
Jaho.
Pezus zabele Spix Il p. 62 Taf. 77.
Tinamus noctivagus Wed IV p. 504 Taf. I fig. 1 (larynge).
Crypturus noctivagus Burmeister II p. 320.
Tinamus noctivagus Pe/zeln p. 293, nota.
Crypturus noctivagus Berlepsch u. Lhering p. 183.
Crypturus noctivagus Cat. Br. Mus. XXVII p. 539.
Especie do tamanho da precedente, mas differindo
pelas faxas largas do lado dorsal de 2—5 mm. de largura,
quando as numerosas de C. adspersus têm a largura de
1 mm. ou menos. À cabeça em cima e o dorso superior
são bruno-cinzentos. O dorso baixo e a cauda são castanhos,
com faxas transversaes pretas. As coberteiras exteriores
das azas são pretas, com faxas amarellentas. A face, uma
estria que corre sobre os olhos e a garganta são vermelho-
amarellas. O pescoço anterior é cinzento, o peito castanho,
a barriga amarellenta, as coberteiras inferiores da cauda
são amarellentas, com faxas pretas. À nuca e o pescoço
posterior são vermelho-roxos. O bico é pardo-cinzento, as
pernas são amarellentas. A especie occorre nos mattos
desde o Rio Grande do Sul até Bahia e mais ao Norte
do Brazil. Os ovos dessa especie são verde-azues. No
Estado de S. Paulo occorre no litoral e em São Simão.
Obtivemos do Sr. Coronel /. Sertorio um exemplar vivo
proveniente de Peruhybe. Burmeister diz que o nome
dessa especie é zabelé.
Mus. Paul. Peruhybe.
* 586. Rhynchotus rufescens (Temm.).
Perdiz.
Rhynchotus fasciatus Spix II p. 60 Taf. 76, c (São
Paulo).
Rhynchotus rufescens Burmeister UI p. 327.
Rhynchotus rufescens Pelzeln p. 294 (Matto Dentro,
Ypanema, Itararé).
Rhynchotus rufescens Brehm Thierleben VI p. 189 e
figura.
Rhynchotus rufescens Sclater a. Hudson II p. 209.
Rhynchotus rufescens Cat. Br. Mus. XXVII p. 548
(Itararé).
Ave grande, de 35—42 centim. de comprimento, me-
dindo o bico 40 mm. A cabeça e o pescoço são amarel-
lentos, tendo a cabeça estrias pretas no vertice. O dorso
e as azas são cinzento-amarelladas, com largas faxas pretas
transversaes. As remiges da mão são castanhas. A cauda
é cinzenta, com faxas pretas. O peito é avermelhado, a
barriga amarellenta, com faxas brunas e alvacentas. O bico
é cinzento com a base amarellada, as pernas são encar-
nado-escuras. À femea é um pouco maior do que o macho.
E" essa especie da Argentina, do Paraguay, do Brazil me-
ridional e da Bahia.
E' ave dos campos que pouco vôa e com grande
difficuldade. Tendo necessidade de voar eleva-se para
deitar-se numa distancia de 8001400 m. quando muito,
podendo, quando obrigada, repetir esse vôo por tres vezes.
O ovo é grande e avermelhado-roxo. O nome indigena é
enapupéz segundo Spix, corrompido como parece de inam-
bu-pé. Os indios guaranys do Rio Verde chamam-n'a
mocoim-cove. Mocoim quer dizer dois, cové amanhecer,
Eua —
mas em geral essa ave vive solitaria e não em casaes ou
bandos, de modo que não sei bem explicar a denominação.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 587. Nothura maculosa (Temm.).
Codorna.
Tinamus major Spix Il p. 64 Taf. 80.
Tinamus maculosus Wed IV p. 519.
Nothura maculosa Burmezster WI p. 330.
Nothura major Pelzeln p. 295 (Ypanema, Cemiterio,
Itararé).
Nothura maculosa Sclater a. Hudson Il p. 211.
Nothura maculosa Cat. Br. Mus. XXVII p. 559.
Especie de 25—27 centim. de comprimento, cuja aza
mede 137 mm.eobico18 mm. A côr é pardo-amarellenta
em cima, com manchas e faxas transversaes pretas no
dorso, que occupam o meio da penna e estrias amarelladas
nos lados das mesmas. As remiges são cinzento-denegridas
com faxas transversaes amarellentas. A garganta é alva-
centa, o pescoço e o peito são bruno-amarellentos, com
largas estrias pretas, a barriga é uniforme-amarellada. O
bico e as pernas são bruno-amarellentas. A femea é um
pouco maior do que o macho. À especie occorre desde a
Argentina até Paraguay, S. Paulo, Minas e Bahia, onde
Wied a caçou. E’ especie dos campos que vive solitaria
e vôa pouco e só a pequena distancia.
Mus. Paul. S. Paulo.
* 588. Nothura media (Spix).
Codorna mineira.
Tinamus medius Spix II p. 65 Taf. 81.
Tinamus minor Spix II p. 65 Taf. 82.
Nothura minor Burmeister II p. 331.
Nothura media Pelzeln p. 295 (Rio Verde, Itararé,
Irisanga).
Nothura media Cat. Br. Mus. XXVII p. 563.
cay ange
Especie menor do que a precedente, de 1g centim. de
comprimento. A aza mede 11 centim., o bico 18 mm. A
côr é semelhante á da especie precedente, mas em cima
da cabeça e no dorso é castanha, com numerosas faxas e
salpicos pretos. Sobre as coberteiras exteriores das azas
correm faxas pretas, transversaes, estreitas. Essa especie
occorre no Estado de S. Paulo, mais na zona occidental,
parecendo o nome indicar que é considerada. como immi-
grada do Mexico, onde Spix a observou. À especie occorre
desde S. Paulo e Minas até Matto Grosso.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
* 589. Taoniscus nanus (Temm.).
Codorna buraquetra.
Nothura nana Burmeister HI p. 331.
Nothura nana Pelzeln p. 295 (Itararé, Irisanga).
Taoniscus nanus Cat. Br. Mus. XXVII p. 564.
A especie menor entre as nossas codornas, de 150
mm. de comprimento total, medindo a aza 80 e o bico 14
mm. O dorso é preto, com estreitas faxas transversaes
brancas, a cabeça e o pescoço são pardo-amarellados,
tendo as pennas do vertice o centro escuro. À garganta
e o meio da barriga são brancos, o peito e os lados da
barriga são branco-amarellos, com largas faxas pretas
transversaes. As coberteiras exteriores da cauda são com-
pridas. As remiges da mão são uniformes, pardo-cinzentas.
O bico é escuro em cima, pallido em baixo; as pernas são
amarelladas. Essa especie occorre nos grandes campos de
Paraná, S. Paulo, Minas e em Paraguay. Azara diz, que
o nome dessa especie é inambu-carapé, mas esse mesmo
nome me deram os guaranys do Rio Verde para o inambú
chororó, talvez por engano. Essa pequena codorna escon-
de-se, quando perseguida, em buracos no chão, tendo por
essa razão obtido o nome de buraqueira.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
PEU. TO
XX. Ordem. Rheae.
Aves grandes que não voam, mas correm ligeiramente.
Junto com os Struthiones, representados pela abestruz da
Africa, forma a sub-classe dos Ratitae a qual são oppostas
como Carinata todas as outras ordens de aves. Essa dis-
tincção é em primeiro logar baseada na ausencia da lamella
ossea ou crista que nas aves geralmente se eleva no meio
do sterno ou osso do peito. A todas essas aves faltam as
remiges da mão nas azas, que são providas de pennas
compridas e molles, de modo que não podem voar. Na
cauda fazem falta as rectrizes. Ao contrario são muito
fortes as pernas; aos pés falta o dedo posterior. O nutri-
mento consiste em hervas, sementes, insectos e outros
animaes pequenos dos campos. Vivem em pequenos bandos.
O macho ajuda na incubação dos ovos, se não encarrega-
se della sdsinho. Os ovos são grandes e brancos. Os
filhotes já seguem nos primeiros dias os paes. Essa ordem
contem só uma familia, da America do Sul, com duas
especies.
FAM. RHEIDAE.
* 590. Rhea americana (L.).
Ema; Nhandu.
Nhandu-guassu Marcgrav p. 190.
Rhea americana Wied IV p. 559.
Rhea americana Burmeister Il p. 352.
Rhea americana Pe/zeln p. 295 (Itararé).
Rhea americana Sclater a. Hudson II p. 216 e fig.
Rhea americana Brehm Thierleben VI p. 208 e Taf.
Rhea americana W. von Nathusius. Zur Oologie der
Rhea-Arten. Journal f. Ornithol. v. A. Reichenow
44 Jahrg. 1896 p. 257 ss.
Rhea americana Cat. Br. Mus. XXVII p. 578.
Rhea macrorhyncha Cat. Br. Mus. XXVII p. 582.
66 !
Ave grande, de 1,3 m. de comprimento, cujo tarso
mede 30 centim. O bico mede no culmen 78-86 mm. e
nas margens 110 mm. O bico é do comprimento da cabeça,
achatado, munido na ponta de uma unha e contem a fossa
nasal mais ou menos no meio. A côr é bruno-cinzenta
em cima, alvacenta em baixo. A cabeça em cima e a nuca
são pretas. O pescoço inferior e o dorso entre as azas
são denegridos. O bico e os pés são amarellentos. Essa
especie occorre nas republicas Platinas e no Brazil.
Sclater (Ann. and Mag. N. H. III vol. 6, 1860 p. 14255.)
distingue da Rh. americana do Rio Grande do Sul e do
Rio da Prata a tórma de S. Paulo, Bahia e Pernambuco
como Rh. macrorhyncha. A comparação das figuras parece
instructiva, mas os nossos exemplares de S. Paulo e do
Rio Grande do Sul mostram grande variabilidade nesse
sentido. Em geral é o bico nos exemplares de S. Paulo
adiante da fossa nasal mais comprido e um pouco mais
estreito do que nos da região platina, mas os craneos do
Rio Grande do Sul differem tambem entre si bastante,
e não convem basear especies entre aves tão grandes em
differenças de alguns millimetros. Quando muito se poderá
distinguir como variedade os exemplares de São Paulo e
Bahia,
Ligando-se demais importancia a pequenas differenças
ha de acontecer que essa boa especie seja dividida numa
duzia de especies. A prova disso é o trabalho de Nathusius
que refere certas differenças na estructura do ovo á exis-
tencia de differentes especies, julgando a Rhea do Para-
guay differente das outras duas especies. Observo que os
ovos de Rhea americana que tenho de Paraná na Argentina
bem poderiam servir para criar mais especies ainda, dif-
ferindo notavelmente entre si. Outro engano foi commettido
por Lydekker que sobre um ovo abnormal (basilisco) da
Rhea Darwini Gould da Patagonia baseou uma supposta
nova especie Rh. nana‘) A meu vêr não podem ser
:) ef. C. Berg. Communicaciones oologicas. Anales del Museo
Nacional, Buenos Ayres. Tom. 5 1897 p. 33 ss.
sd
Re
ey
GT —
distinguidas senão duas especies de Rhea, Rh. darwini e
americana, precisando a variabilidade da ultima ainda mais
estudos e medições comparativas.
Rhea americana é commum nos campos entre Piraci-
caba e Rio Claro. O povo chama-n'a ema, não sei porque
razão. O macho reune 3—4 ou mais femeas que põem os
seus ovos todos no mesmo ninho. Cada gallinha põe 10o—12
ovos e o numero total pode elevar-se até 60 ou mais. É
o macho que se encarrega da incubação. É essa uma ave.
util, cuja destruição devia ser prohibida. O nome indigena
é nhandu no Norte do Brazil. O nome indigena em São
Paulo é guaripé, como os guaranys do Rio Verde a cha-
mam. Ema é o nome da abestruz da Australia e talvez
foi aqui introduzido pelos europeus. De outro lado temos
o nome de ema tambem em seriema, o que faz crer que
ema seja palavra tupy.
Mus. Paul. Est. de S. Paulo.
Neste catalogo enumerei 590 especies de aves como
occorrentes no Est. de S. Paulo, que se distribuem do
modo seguinte pelas 20 ordens de que tratei.
a. Oscines 12
HU Clamatores ie ! a
PIU TENTE O e PRO UR LOS 49
PCE RATE TAPA RN A TS ASE a 67
CORP ae lei Lon MR RA ÀS 30
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Descrevi apenas duas especies novas: Crax sulcirostris,
(p. 409) e Chrysotis Schmidti (p. 321), deixando de lado
2—3 especies talvez novas sobre as quaes preciso obter
informaçôes. Em todo caso é isso mais um signal do que
as aves do Brazil meridional, na zona do litoral especial-
mente, ja säo bem conhecidas. Ao contrario tive de por
na synonymia varias especies descriptas como viventes em
S Paulo. -
Procedendo a uma analyse zoogeographica dessa rica
ornis observo que ha em nossa lista 10 especies que até
hoje conforme me consta só foram encontradas no Estado
de S. Paulo, pertencentes aos generos Basileuterus, Sper-
mophila, Hapalocercus, Elaenea, Anabazenops, Eucephala,
Ptochoptera, Stenopsis, Astur, Crax. Das nove especies
desse grupo que Natterer caçou no Estado de S. Paulo
obtive até hoje só uma, devido de certo ao facto do que
quasi todas pertencem á fauna occidental do Estado, sendo
a maior parte caçada no Rio Paraná, de onde não temos
ainda recebido collecções. A especie a que me refiro,
Stenopsis platura Pelz., foi até hoje incompletamente co-
nhecida e confundida com outra, mas o nosso exemplar
decidiu que ella é bem caracteristica.
Entre as especies enumeradas é a terça parte de uma
distribuição vasta e em parte cosmopolita. Occorrem por
todo o Brazil desde o Sul até o Pará 93 especies, sendo
68 além do Brazil encontradas tambem na Argentina, em
Venezuela etc., 29 na America Meridional e do Norte e
8 ainda na Europa ou em outras regiões do globo. São,
pois, 198 especies da ornis de S. Paulo que têm uma
distribuição geographica vasta. É, porem, muito differente
a porcentagem dessas especies de distribuição vasta nas
— 469 —
differentes ordens. As aves de rapina, corujas e todas as
aves aquaticas têm enorme distribuição sobre a America do
Sul ou em toda a America. Ao contrario, não encontramos
entre os Passeres, que correspondem á metade de todas
as especies do Estado, especie alguma cosmopolita, e só
notamos uma, Petrochelidon pyrrhonota uma Andorinha,
que é encontrada tambem na America do Norte.
É por essa razão que para o estudo dos districtos
naturaes da fauna, das regiões e provincias zoogeographicas
a maior parte das ordens discutidas é sem importancia,
merecendo consideração especial só as primeiras cinco e
em parte ainda as das Gallinae e Columbae.
Em geral divide-se o territorio do Brazil relativamente
á sua aviaria em duas regiões, a amazonica e a do Brazil
meridional. e oriental. Esta ultima comprehende o litoral
desde o Rio Grande do Sul até o Rio Parnahyba e o
Brazil central. Se nesse sentido acompanhamos a Sc/ater e
Pelzeln não podemos de outro lado deixar de reconhecer
que a sub-divisão em 6 districtos feita por Pelzeln é de
pouco valor, visto como não é baseada no estudo da ornis
de todo o Brazil, mas sim apenas das collecções feitas por
Natterer, que não viajou nos Estados do Rio Grande do
Sul e de S.º Catharina, nem naquelles que são situados
na costa entre Rio de Janeiro e Pará. Assim a fauna me-
ridional de Pelzeln extende-se desde Curityba e Paranaguá
até o Rio de Janeiro, divisão que não tem razão de ser,
porquanto o sul do Brazil desde o Rio Grande do Sul até
o Rio forma uma unica sub-divisão bem naturai. A fauna
central de Pelzeln, que comprehende os Estados de Minas,
Matto Grosso e Goyaz, extende-se segundo elle no
Estado de S. Paulo até Itá. Conforme as minhas expe-
riencias isso não é exacto. Ainda em Tieté e Piracicaba
o caracter geral da fauna é o mesmo que em S. Paulo.
É, porem, certo que a zona occidental e os rios Tieté e
Paranapanema nos seus cursos inferiores abrangem uma
fauna que contem numerosas especies que em S. Paulo,
Rio de Janeiro e S.“ Catharina não occorrem. Algumas
Fio. —
especies dessa fauna, entretanto, foram tambem encontradas
por Natterer em Ypanema.
Além de muitas especies caracteristicas como Rham-
phocoelus jacapa, Tachyphonus melaleucus, Nemosia pileata
e guira, Brotogerys chiriri, Thalurania eriphile, Stenopsis
candicans, Nothura media etc. podemos notar como cara-
cteristicos dessa fauna os generos Polioptila, Agelaeus,
Icterus, Tiaris, Taenioptera, Muscipipra, Hapalocercus,
Habrura, Piprites, Metopia, Casiornis, Geobates, Herpsi-
lochmus, Lepidolarynx, Campylopterus, Eupetomena, He-
liactin, Galbula, Brachygalbula, Taoniscus. Creio que a
esses temos de reunir tambem as tres especies de Corvidae,
as araras das especies Anadorhynchus e Ara, o papagaio
Chrysotis aestiva e outras especies de Chrysotis. Nao sendo
a distribuiçäo geographica de todas essas especies bem
conhecida é bastante difficil dizer de muitas entre ellas se
pertencem a fauna central ou se apenas são especies do
Norte do Brazil que na zona occidental attingem o territorio
paulista. As especies não encontradas no Rio de Janeiro e
S.“ Catharina, nem na zona oriental do Estado de S. Paulo,
mas que vivem no Norte do Brazil, em Matto Grosso, em
Goyaz etc., considerei como fazendo parte desse elemento
centro-brazileiro da nossa fauna.
Calculando essas especies da fauna central em 70 das
mencionadas restam 520 que podem ser consideradas como
elementos da fauna meridional do Brazil. Ha entre ellas,
como ja disse, 198 especies distribuidas por todo o Brazil
ou mais ainda além dos seus limites. Das 322 especies
que restam cerca de 160 estão distribuidas desde S. Paulo
até Bahia ou Pará, faltando ao sul de S. Paulo; a outra
metade consiste em especies do Brazil meridional, distri-
buidas desde o Rio Grande do Sul até o Rio e Bahia.
Algumas entre ellas occorrem tambem na Republica Ar-
gentina e se essas, na maior parte, são especies brazileiras
que ao sul transpassam os limites politicos, ha entre ellas
outras, que são especies platinas, encontradas em alguns
dos Estados meridionaes do Brazil. Assim noto além de
ee
diversas especies de Poospiza, Coryphospiza e Spermo-
phila as especies enumeradas dos generos Culicivora, Ser-
phophaga, Cyanotis, Phloeocryptes, Anumbius, Cistothorus,
Stephanophorus, Aphobus, Cnipolegus, Mionectes, Tripo-
phaga, Sittosomus, Batara, etc. Anumbius acuticaudus é
especie dos campos da Argentina e da campanha do Rio
Grande do Sul, notavel pelo enorme ninho que constróe
de ramos seccos, e que foi observada em Curityba e
Itararé, perto da divisa com o Estado do Paraná. De Iguape
obtivemos Cyanotis azarae e Phloeocryptes melanops, espe-
cies que vivem nos banhados da campanha do Rio Grande
do Sul e da Argentina, extendendo-se nesta ao norte até
a Bolivia. E' esse um facto notavel porque em Iguape
occorrem tambem muitas especies da Bahia que nas outras
zonas de S. Paulo não foram observadas.
Entre esses elementos da fauna do Norte do Brazil
que alcançam o territorio de S. Paulo, noto muitas das
especies citadas de Donacobius, Hylophilus, Dacnis, Cal-
liste, Nemosia, Diucopis, Legatus, Rhynchocyclus, Mega-
rhynchus, Muscivora, Pipra, Chiromachaeris, Hadrostomus,
Lathria, Lipaugus, Tijuca, Attila, Philydor, Dendrocincla,
Urochroma, Crax, Palamedea e muitas especies de For-
micariidae, Galbulidae e Bucconidae. Muitas entre essas
especies são no presente estudo pela primeira vez men-
cionadas como occorrentes em S. Paulo, tornando-se digno
de attenção o facto, que muitas especies caracteristicas da
Bahia e do Rio de Janeiro estão distribuidas na estreita
zona da costa até Iguape e Paranaguá, que sob a mesma
latitude não occorrem no interior do Estado. Excusado é
dizer que a razão desse facto é a temperatura alta dessa zona,
que se eleva em Iguape á media annual de 20º 86 centigrados
contra 18º 04 na capital de S. Paulo. Naturalmente deve ser
outra a explicação do facto singular já mencionado de
Cyanotis e Phloeocryptes occorrerem em Iguape. Estas duas
especies vivem exclusivamente nos banhados cheios de
sapé, juncos etc. e a sua existencia em Iguape, onde
criam, é a meu vêr mais uma prova para a hypothese
He =
por mim defendida que ao fim da epoca terciaria o con-
tinente sul-americano se extendia muito mais a Leste.
Naquelle tempo formava o litoral de Iguape e Paranaguá
uma campanha cheia de banhados e lagoas pelos quaes
grandes rios desaguaram no (Oceano, reunindo-se talvez
os cursos inferiores dos rios Jacuhy e Ribeira, caso Já
existissem taes rios. Temos o facto singular que em
Iguape se observam as mesmas conchas e caramujos da
agua salobre, Azara labiata, Paludestrina etc. como nas
barras do Rio Grande do Sul e do Rio da Prata. Além
disso encontram-se nos banhados de Iguape grandes con-
chas bivalvas (Glabaris exotica Lam.) que tambem são
communs nos banhados, rios etc. do Rio Grande do Sul,
mas que faltam completamente nas aguas do interior de
S. Paulo, occorrendo o mesmo com Chilina fluminea Mat,
que temos tambem de Iguape.
Fechando esse trabalho chamo ainda a attenção para
as observações que fiz (p. 219 e 322) sobre as modificações
pelas quaes a fauna do Estado passou durante o nosso
seculo. Parece que as migrações de certos papagaios se
accentuaram só nos ultimos decennios e que grandes dis-
trictos de campos onde actualmente o João de barro é
commum não foram habitados por essa ave no principio
do seculo. Vale a pena ligar attenção ao assumpto e col-
ligir os dados quanto fôr possivel.
Espero tambem que encontre apoio o meu grito de
alarme (p. 123) contra os destruidores da nossa aviaria,
contra os caçadores de sabiás e tico-ticos.
As collecções do Museu Paulista já contêm boa repre-
sentação das especies que occorrem neste Estado, a ex-
cepção das que só são encontradas na região occidental
do mesmo. Desse modo a publicação presente já póde
contribuir bastante para desenvolver o conhecimento da
aviaria deste Estado. Se até agora tudo que neste sentido
foi feito se deve ao trabalho de extrangeiros é com satis-
fação que estamos vendo ser publicado por Estabelecimento
Nacional o presente trabalho, que de certo está bem longe
MNT
de apresentar um quadro completo, mas que no aprofun-
damento dos nossos conhecimentos da ornis do Brazil de
certo representa um bom passo. Para que a nossa obra
possa continuar do mesmo modo desejamos que ao Museu
do Estado não falte no futuro o apoio dos competentes
poderes e das pessoas illustradas que á exploração scien-
tifica do paiz ligam importancia.
S. Paulo 28 de Dezembro de 1898.
Lista alphabetica dos nomes vulgares dos passaros.
PAG. | PAG.
Albatroz 453 | Batuirinha 438
Alcaide 145 | Beija-flor do matto 253
Aleatraz 368 | Beija-flores 250
Alegrinho 188 | Beija-flor do matto virgem 296
Alma de gato 303 | Bemtevi 197
» de mestre 451 » de bico chato 199
Andorinha 140 | Bemtevi do matto 199
» grande 139 | Bemtevisinho 196
» do mar 443 | Bico-pimenta 159
Anhuma 422 | Bicudo 159
Anicavara 157 | Bigua 370
Anum 300 | Biguari 374, 382
>» guassû 300 | Bigua-tinga 370
» peixe 300 | Biro 282
» — branco 301 | Bonito 145
Apacanim 359, 360 » do campo 143
Aracuan ~ 411 | Borralhara 234, 235
Araguahy 314 | Borralhara pintada 235
Arapassu 230, 234 | Burrajara 236
» de bico comprido 233 | Caboclinho 161
Araponga, 218 | Caburé SoD, 990
Araponguinha 206 | Cagasebinho 191
Araponguira 211 | Caga-sebo 134, 183, 201
Arara-una 310 | Cambacica 142
» — vermelha 312 » do campo 335
» -piranga 312 | Caminheiro 132, 133
Arassari 307 | Canario da terra 164
» pocca 308 » do campo 167
Avinhado 159 | Canelleiro 211
Azulão 149, 159 | Canelleirinho 213
Bacurau 272 | Canjica 211
Baguari 374, 382 | Canindé 311
Baiacú 426 | Capitão de sahyra 214
Barbudinho 209 | Capoeira 407
Batuira 427, 430 | Caracará 342, 343
Batuira do campo 435 » branco 343
Revista do Mnseu Paulista Vol. III. 30
Sh a up
PAG.
Caracara preto 344
Carancho 342
Carao 385, 420
Cardeal 168
Carqueija 419
Caucau 395
Cegonha 382
Chaga 422
Chan-chan 279
Checheu 173
Chibante 206
Chimango 342
Choca 236, 238
Chopim AA als
» do brejo 172
Chorão 322
Chupa-dente 247
Codorna 463
» mineira 463
» buraqueira 464
Colhereiro 381, 386
Colleira 162
» do brejo 161
Colleirinha 366
Coriavo 272
Corocochó 216
Corrupião 173
Cortamar 442
Corucäo 275
Coruja 334
Coruja do campo 335
Corutié 221, 222
Corvo 340
» branco 339
» de cabeça vermelha 340
marinho 370
Cuco 303, 304
Curiango 269, 272, 273
» tesoura 274
Curicaca 384, 385
Curió 159
Curruira 131, 132
Curruiraçú 130
Cutucurim 357
Cuyuyu 324
Ema 465
Encontro 17
Fecha fradinho 453
Ferreiro 218
Fogo apagou 400
Frango d’agua 417
» » verde-azul 419
Gaivota 447
» rapineira 449
Gaivotão
Gallinha do matto
Gallinhola
Gallito
Garça branca grande
Garça branca pequena
» azul
Su real
Gaturamo
» miudinho
Gavião matteiro
» caburé
» caboclo
» puva
» carijó
» do mangue
» pombo
» real
» pato
Gralha
» do matto
» do campo
Guache
Guainumbi-guassu
Guacuru
-Guara
Guaracavucu
Guerin
Guracava
Gurundi preto
» azul
Guspidor
Harpia
Inambú guassu
» chintan
» chororó
Jabirú
» moleque
Jacú-peba
» guasst
» tinga
Jacucaca
Jacurutü
Jahó
Jandaya
Japú
>» guassu
Japuira
Jassana
Jeruva
Joao pobre
» de barro
» velho
» do matto
PAG.
447,
144, 145,
357,
410,
314,
414,
453
245
440
179
374
375
379
378
146
144
346
346
351
351
353
355
356
378
358
174
174
175
170
296
379
384
202
163
193
153
159
247
357
459
459
460
382
382
409
410
41
411
333
461
315
169
169
170
425
291
188
219
284
297
tipo ep pe
PAG.
João bobo 298
» barbudo 299
» grande 374
Jurú 320
Jurueba 319
Juruty 402, 403
>» — vermelha 404
» piranga 404
Jurnva 291
Juruviara 136
Macuco 458
Macuquinho 220, 249
Maitaca 323
Maracana 313
Mariquita 133, 142
Marreca 393
» do Para 392
Marrequinha 395
Martim grande 291
» pescador 292
> pescador pequeno 293
Massarico 429. 432, 433, 434
Matraca 234, 291
Melro ’ 169
Mergulhäo 369, 419, 454, 455
» pequeno 454
Mergulhador 395
Mocho orelhudo 328
» diabo 330
>» negro 331
» matteiro 332
Mutum 408, 409
Narseja 439
Nhandü 465
Nhapacanim branco 359
> preto 360
Pae augustinho 204
Papa-arroz 159, 160
>» capim 162
» » colleiro 162
» piry 189
» mosca real 200
» formiga 229,241, 242, 243,
244, 245
» taóca 244
Papagaio 320
» campeiro 321
» collareiro 320
» inglez 321
Parart 402
Parary 399
Patativa 160
Pato arminho 390
»8 do-matto 391
PAG.
Patury 395
Pavao 217
Pavo 217
Penguim 456
Perdiz 462
Periquito 318
Periquito de encontro ama-
rello 319
Periquitinho 325
Pernilonga 431
Piassoca 425
Pia-cobra 134
Pica-barra 454
Pica-pâo do campo 279
« » decabeça amarella 284
» » anão 287
Pichochó 165
Pincha-cisco 229
Pintasilgo 163
Pomba legitima 398
preta 398
» amargosa 398
» do Cabo 452
Pombinho das almas 177
Porocoché 216
Prebixim 157
Puvy 144
Quero-quero 498
Quiri-quiri 367
Rabilhao 234
Rendeira 209
Rola 400
» azul 401
Rolinha 400
Sabia 126
» laranjeira 126
» colleira 126
» branco 127
» do Matto Grosso 213
» una 128
» da praia 128
» do campo 129
» pocca 129
» sicca 323
Sacy 302
Sahy 142, 146
» azul 141
» andorinha 143
» de sete cores 146
>» militar 147
» verde 147
>» amarello 148
» guaçú 148
Sahyra 143, 146, 148
oA O
PAG.
Sanhact 149
» frade 149
» dos coqueiros 150
de encontros 150
Saracura 414, 415, 416
Saripocca 308
Sem-fim 302
Seriema 421
Siriri-tinga 199
Siriri 205
Socó-boi 377, 380
Socó 379
» gallinha 379
Soldado 169
» do bico preto 172
Sombrio 132
Sovi 364
Sucurú 298
Suindara 327
Suiriri 180
Surucuá dourado 294
» amarello 294
Tachan | 423
Talhamar 442
Tangara 208
Tangarasinha 208
Tapema 360
Tapenna 360
Taperá 139
Taperussu 266
Tapicurú 384, 385, 386
Tayassu Sol
Tentensinho 366
Teque-teque 183
Tereno 144
Tesoura 205
» do campo 179
Tesourinho Ep)
Tesoureiro 205, 368
Tia-tam 162
preto 163
Tico-tico 165
> rey 168
PAG.
Tico-tico do piry 220
Tié sangue 151
» fogo 151
» do Matto Grosso 152
» preto 153
Tié de topete 153
» tinga 157
Tieté 145.
Tinguassu 214
Tiriba 316
Tiriba grande 315
» — pequeno 317
Tiribinha 316
Tizio 163
Tocano 306
» grande 305
Tovacca 246
Tovaccassu 246
Trinca ferro 156
Trinta réis 444, 445, 446
Trovoada 241
Tucano do bico preto 306
Tucaninho 307
Tucano 306
Tucan-ussu 305
Tujt 276
Tuim 317
Turucuhé 221
Tuyuyú 383
Uru 407
Urubú-re 339
Urubá 340
» —peba 340
> campeiro 340
» tinga 342
Urutau DT
>» pequeno 276
Velhinha 178
Velho 178
Vira-bosta 17473
Virussu Raso ES:
Viuva 146, 178, 182
Viuvinha 182
"6 E EST
As grutas calcareas de Iporanga
POR
- RICARDO KRONE.
Com estampas VI je VII.
O maior rio costeiro do Estado de São Paulo, o Rio
Ribeira de Iguape, recebe no seu decurso medio alguns
affluentes da Serra do Mar, cuja origem foi ignorada du-
rante muito tempo, por tornar-se quasi impossivel sua
exploração e o seguimento do seu curso, que em parte é
subterraneo. São estes o rio de Pilões, o Iporanga, o
Bethary e o Palmital.
Cidade de Iguape
NOT
— 478 —
Tendo conhecimento d’essas cavernas emprehendi uma
viagem de inspecçäo para poder formar uma idéa exacta
d’esse phenomeno, partindo do meu domicilio fixado na
cidade de Iguape.
- No Rio Ribeira ha uma boa navegação a vapor até a
cidade de Xiririca e percorre-se a distancia de 130 kilo-
metros em dia e meio de viagem. |
De Xiririca, pequena cidade de 600 habitantes, con-
tinua-se a viagem em canôa e passando a Villa de Jaguary
e a Capella de Yvapurundúva, effectua-se em 3 a 4 dias
a viagem de 74 kilometros até a Villa de Iporanga, sym-
pathico logar de 500 habitantes.
Durante a viagem de canôa tem-se de subir diversas
cachoeiras, das quaes as mais temidas são o Caracól, o
Funil e o Poço Grande. '
Em Iporanga o viajante ainda tem occasião de com-
pletar sua provisão para o sertão e de levar sempre
bastantes mantimentos, porque chuvas torrenciaes que na
serra são frequentes, prendem muitas vezes o explorador
Cidade de Xiiirica
A a
durante dias em paragens completamente deshabitadas,
tornando-se impossiveis e perigosas as passagens de simples
riachos, que se convertem em verdadeiras cachoeiras.
Subindo o curso do Rio Iperanga, que ao pé da Villa
do mesmo nome, desagua na margem esquerda no Rio
Ribeira, segue-se a estrada, que une esta villa á cidade
de Faxina, passando por uma zona despovoada, de cerca
de 20 kilometros.
Seja-me permittido intercalar aqui algumas observações
sobre o terreno em questão: Entre o Rio do Palmital e
o Rio dos Pilões acha-se, formando grandes cordilheiras
de morros, uma rocha calcarea microcrystalina. O seu
peso especifico é de 2,8, sua dureza entre 3 e 4 e sua
estratificação vae de leste para oeste e cahe entre 45 e
85º para norte.
O subsolo d'esta cal, que por causa de diminutas
particulas de carvão e pyrito, com ella intimamente mix-
turadas, mostra uma côr cinzento-azulada, até preta, parece
ser o grez, que encontramos no trecho correspondente ao
leito da Ribeira e que mostra a mesma estratificação.
A coberta desta camada de cal não pude observar em
parte alguma, por causa de extensas mattas em toda a
região. Algumas rochas descalvadas mostram a cal até o
topo do morro, tendo já sido desnudados de alguma for-
mação mais moderna pela influencia das aguas.
É de suppor que a coberta tenha sido a mesma pedra
de areia, que forma o planalto dos confluentes originaes
da Ribeira no Estado do Paraná e no qual se achem pedre-
factos, que provem ser de formação devoniana resultando
d’ahi ser a cal do periodo siluriano.
N’estas rochas calcareas acha-se espalhado vieiros de
quartzo de diversas grossuras, que ás vezes incluem ga-
lena e pyrito de ferro e de cobre em quantidade, sempre
são auriferos e só por falta de meios de transporte ainda
não se aproveitam essas riquezas naturaes.
No meio dessa zona calcarea acham-se entre os ribei-
rões do Farto, Sumidouro e Ribeirãozinho os morros de
= ap =
Arataca e do Chumbo, que são ramificações da Serra da
Duvida, grande contraforte da Serra do Mar, com 1200
m. de altura sobre o mar.
Villa de Iporanga
O morro do “Chumbo forma. uma cordilheira de ex-
tensão de 7 kilometros na direcção SO-NE e seus bicos
alcantilados se conhecem pelos nomes de morro do Sabão,
dos Agudos e de morro do Chumbo propriamente dito;
todos da altura de 650 m.
A estrada passa em uma depressão entre as duas
ultimas elevações e verifica-se facilmente em logares la-
vados pelas aguas serem formadas por rochas calcareas e
diabasicas. |
Descendo do passo do morro do Chumbo chega-se
ao fertilissimo valle do Ribeirão do Monjolinho.
À caverna do mesmo nome é a mais importante, que
nesta região pude explorar. Sua posição é na face norte
dos Agudos e acha-se sua entrada a 30 m. acima do nivel
actual do Ribeiräo do Monjolinho, bastante entulhada por
ruinas do frontespicio, apresentando ainda um claro de
5 m. de largura por 3 m. de altura.
Atravessando o muro da entrada desce-se a vasta sala
luxuriosamente revestida de stalagtites e stalagmites.
A caverna do Monjolinho pertence as cavernas seccas
em contrario as cavernas de agua pelas quaes ainda hoje
desagua alguma corrente habitualmente. Não faltam porem
as provas que foram fortes correntes de agua, que cava-
ram e formaram essa caverna.
Caverna do Monjolinho
Assim se acha 5 m. acima do solo (nivel) da primeira
sala e inaccessivel sem escada de madeira, a sahida de
uma larga galeria, pela qual em outros tempos se despe-
java forte corrente. O impeto deste confluente era em
sentido contrario á direcção do riacho de baixo, resultando
d'ahi medonhos turbilhões, que finalmente acabaram de
alargar a sala da entrada.
= aba et
Mais adiante, no meio do antigo leito do ribeirão,
patenteia-se por suas bizarras formas num resto de rocha
calcarea, toda carcomida pela correnteza, a antiga direcção
das aguas.
Naturalmente deram origem d'essa caverna as infiltra-
ções de agua (Tagwaesser) e não havendo uma estratificação
perceptivel n'essa rocha compacta e de mixtura homogenea,
seguia a agua sem curso para horizontes inferiores por
onde encontrava partes mais permeaveis na montanha.
Quanto mais agua passava pelas fendas, mais ellas se
alargavam, formando canaes francos e, finalmente, galerias.
Acontecia depois que as condições dos logares, que for-
neciam a agua para a formação dessas galerias, mudava
no correr dos millenios, ou que por causa de entupimento
parcial parava de ser frequentemente occupada alguma
d'ellas, podendo desenvolver-se com mais rapidez a formação
dos calcitos nas suds diversas variedades.
Provam-nos isto diversas galerias lateraes, que são
quasi fechadas por conglomerações immensas de stalagtites,
outras com toda certeza jazem no seu socego atraz de
impenetravel traperia de calcito até — outra era.
Cem metros distante da entrada da gruta fechou-se
completamente o corpo principal da caverna pela abun-
dancia de formação de calcitos, que parecem vir do tecto
como um salto de agua petrificado. Alli pode observar-se
como a natureza se remedeia e involuntariamente tive que
me lembrar que acontece aqui o mesmo que ás opera-
ções dos varizes, onde uma veia reseccionada manda do
seu fim obrigado uma porção de pequenos canaes para
diante, que todos finalmente se unem com a antiga con-
tinuação do vaso sanguineo. Diversas pequenas galerias
se abriram, quando depois de algum repouso a caverna
se encarregou novamente de dar passagem á grandes quan-
tidades de agua, e todas estas galerias, que correm em
diversos horizontes, tornam a se unir á caverna mestra
depois de ter rodeado o obstaculo.
‘Hi
ies
No fim desse labyrintho de pequenas galerias está-se
já a 15 metros abaixo da entrada da gruta. Nesse logar,
sondando a espessura da terra, que cobre o solo da ca-
verna, uma argila solta, de côr rubro-pardacenta, encontrei
grupos de crystaes de Gypsspath, que por estarem coilo-
cados nessa camada porosa e macia podiam se formar e
crescer desembaraçadamente em todas as dimensões. Ve-
rifiquei a presença de stalagtites acima do logar e notando
a ausencia de stalagmites correspondentes por baixo das
mesmas, conclui que o carbonato de cal (Ca CO’) em
dissolução na agua, que em pingos cahe das stalagtites
(Tropfwasser), achava na mencionada terra, que se compõe
dos residuos da rocha calcarea decomposta pelas aguas
filtrantes, bastante H? SO+ para poder converter-se em
sulfato de cal ou Gyps (CaSO+ + 2 Hº0), que «in estado
nascendi» crystallisou. E o pyrito nos residuos da rocha
que fornece o acido sulfurico necessario para essa meta-
morphose. Diminuta quantidade de ferro hydratado dá a esses
crystaes uma cor de amarello-clara até pardo-clara.
Con auxilio de 20 metros de cabo desce-se depois
como sobre uma cascata congelada para o fundo de uma
vasta sala de 40 m. de comprimento para 20 m. de largura.
Immenso, medonho deve ter sido aqui o furor das
aguas na queda! Até a rocha viva por baixo da grossa
crosta de stalagmite, sobre a qual se effectua a descida,
está fendida, de maneira que essa fenda serve de uma
altura em diante para descer com mais facilidade e menos
perigo.
Ao redor desse salão acham-se algumas pequenas
galerias, extraordinariamente ricas em stalagtites, que ter-
minam em fundo de sacco. Não é a forma gigantesca de
columnas colossaes, que produz o bello effeito; é a gran-
diosa variedade e multiplicidade de formas e figuras bizar-
ras. Cortinas de quasi r metro de largura e de 3 metros
de altura, tendo só 546 millimetros de espessura, guarne-
cem e escondem os paredões de um dos cantos da ma-
gestosa sala.
Uma prova que galerias, durante millenarios abando-
nadas pelas aguas, podem tornar as suas antigas funcçôes,
acha-se em um conducto lateral, cujo solo formado por
uma crosta stalagmitica de to cm. de espessura, soffreu
uma interrupção de continuidade numa extensão de 3
metros. Durante o tempo de descanço tinha-se formado
uma camada de 2 metros de terra cavernaria, que ficou
coberta finalmente com o auxilio de aguas estagnadas pelo
Caverna do Monjolinho (fr)
calcito, fingindo ser este o verdadeiro solo da caverna.
Quando depois a corrente das aguas novamente se dirigiu
por este caminho, rompeu sua impetuosidade essa camada
postiça em parte, formando revessas que tornaram a trans-
locar a argila descoberta e a carregaram para diante,
deixando livre o espaço entre o verdadeiro solo do con-
ducto e a stalagmite interposta. Como confirmação desta
asseveração acha-se na embocadura desta galeria na caverna
principal possante derrubada dos stalagtites que em tempo
ja a haviam fechado e que foram forçadas pelas aguas.
Deixo de mencionar miudamente as modificações de
direcçäo no seguimento da caverna, explicando isso melhor
os mappas annexos.
No lado opposto á entrada acha-se na referida sala
a continuação da caverna, que se effectua por uma galeria
estreita no fim da qual se chega a um terceiro alargamento
da gruta — a terceira sala.
A desembocadura do conducto abre-se 5 m. em baixo
do tecto e nova cascata congelada torna com forte declive
a descida perigosa. Neste logar precisa-se de boa escada de
corda, porque o sinter mais recente da camada stalagmitica e
escorregadio e com simples cabo podia o fouriste arriscar-se
em rolar em fendas batidas pelas aguas. Depois de ex-
tensa passagem iniciada sobre os degraos da escada, con-
tinúa esta dependurada perpendicularmente; nós ganhamos
porem, atravessando um espaço de um metro, uma pla-
taforma de rocha no lado opposto, da qual, com boa luz
de magnesium, se pode estudar bem as condições dessa
3.* sala
Ella abre-se com as dimensões de 20 m. de largura
por 30 m. de comprimento sobre o antigo escoadouro da
caverna, que é a fenda sinistra de um metro de largura,
e representa o logar de barra de um antigo confluente do
Ribeirão da caverna do Monjolinho.
Em vão tentei, amarrado no cabo, seguindo pelo
escoadouro abaixo, de alcançar horizontes inferiores da
gruta. Apenas pude seguir o conducto até uns 20 metros
de fundura, formando elle um simples canal tortuoso, tudo
revestido de argila lamosa, que não permittia affirmar a
mão ou o pé em saliencia alguma, e estreitando-se cada
vez mais não dava passagem, sem comtudo estar comple-
tamente fechado. É claro que em tempo de muita chuva,
quando ha maiores infiltrações de aguas pluviaes pelas rochas
o escoadouro estreito não póde de prompto dar vasão á
esses liquidos, que trazem muitas partes organicas em
RA
suspensão e estando elles obrigados a estagnar depositam
os seus residuos em todas as sinuosidades do receptaculo
temporario.
Com custo voltei 4 plataforma da qual sem maior |
difficuldade se sobe na embocadura do antigo confluente
referido e seguindo por um tortuoso conducto chega-se
em uma pequena sala ricamente ornada de todas as qua-
lidades de artetactos calciticos. A diversidade das fórmas
é tal, que a cada instante se crê de ver imitações de
objectos usados na nossa vida terrestre: columnas, altares,
nichos com precepios, consoles, flores, passaros, animaes,
instrumentos de musica, velas, etc. No meio da sala porem
tem o ornamento mais precioso de toda a caverna do
Monjolinho: é um stalagtite isolado, que vindo do alto da
abobada se uniu com seu stalagmite correspondente, sem
ter mais adherencias, Rodeado de outras formações for-.
Caverna do Monjolinho (Gigante)
SANT CES
mosas, iguaes collinas majestosas de neve, supera todos,
parecendo ser revestido de uma camada brilhante de crystaes
deslumbrantes de alvura e na occasiäo de illuminação
fortissima para uma reproducçäo photographica a sala com
esse Gigante do Monjolinho nós parecia superior ao erario
das narrações de mil e uma noite.
Medindo achamos o pé da columna com 8,5 m. de
circumferencia e numa entalha em 2 m. de altura, mede
ainda 5,5 m. em volta. Admittimos o peso especifico do
calcito igual 2,277, que é a media dos resultados de diversas
experiencias, e sendo seu conteudo de 22,75 metros cubicos,
temos um péso da columna total de 54 mil kilos.
Fatalmente não se póde calcular o crescimento dos
stalagtites por regras geralmente validas, sendo evidente
que já em diversas partes de uma caverna, quando mais
em diversas cavernas, variam muito as condições funda-
mentaes. Baseando entretanto nas experiencias engenhosas
e medições de exploradores de cavernas provados e de
nome, como Dawkins, Krauss, Kriz e Martel, ausadamente
podemos affirmar, que a idade do nosso Gigante não será
inferior á 25 mil annos; uma bagatella em comparação
dos milhões de annos, que as cavernas acantiladas das
rochas calcareas necessitavam para sua formação.
Seguindo depois no funesto silencio da galeria, che-
ga-se a uma divisão. À direita passa-se por baixo de bellos
stalagtites finos por conductos tortuosos e de solo humido,
que conduzem a horizontes inferiores, estreitando-se cada
vez mais até não dar mais passagem. Em algumas depres-
sões achamos aqui a primeira agua potavel desde que
entramos na caverna.
Voltando para seguir a ramificação 4 esquerda sobe-se
lentamente até ao pé de uma cascata congelada, que in-
tupiu a continuação da galeria e que forma o fim da
caverna por esse lado.
As distancias horizontaes percorridas summam em
550 metros. Es
Na volta para traz mandei perforar 4 picareta em quatro
diversos logares que tinha escolhidos, a dura crosta sta-
lagmitica em baixo da qual o barro ainda se achava bas-
tante duro por estar fortemente impregnado de infiltrações
calcareas, porem profundando mais tornava-se a argila
cada vez mais solta, estando só em alguns logares ainda
atravessado de crostas mais finas de calcito, que em tempo
representavam o solo da galeria. Em vão procurei de
descobrir alguma ossada.
Cincoenta metros distante da entrada da caverna, e
ainda na primeira sala, acha-se uma cova rodeada por tres
lados de paredões impinados, accessivel pelo lado opposto
à entrada da caverna, porem, desce-se facilmente sobre
15 m. de escada em forte declive, restando depois só 6
m., que precisa ganhar com escada dependurada.
Achamos no fundo uma camara de 4 por 8 metros e
no solo um montão de stalagtites quebrados, que cahiram
da abobada da sala e alguns pedaços de pão, em parte
carbonisados, tições certamente accesos ahi por caçadores,
que visitaram a caverna e que de cima procuraram de
conhecer a profundidade do poço. Em um dos cantos
estavam os esqueletos de 2 porcos do matto (Dicotyles
torquatus) ambos de individus novos, cahidos aqui como
num fajo, não ha muitos annos, porque não estavam ainda
calcinados. Achamos mais alguns esqueletos incompletos
de morcegos, rattos e camundongos, já mais ou menos
calcinados, e finalmente em uma pequena depressão,
mixturado com alguma lama, o craneo de um edentado
antidiluviano de bonitas dimensões. Em parte elle está
coberto de uma camada de calcito, em outra parte o
osso parece limpo de côr amarello-crême e sem mostrar
o menor indicio de petrificação, metamorphose observada
frequentemente nas ossadas achadas nas cavernas calcareas
do Estado de Minas Geraes.
A fórma do craneo é comprida, cylindrica e baixa. A
dentadura, que é monophyodonta, mostra 4 molares na ma-
xilla superior direita; a esquerda está quebrada. Esses
molares que têm simples travessas correspondem talvez a
3 molares da maxilla inferior, que não pude achar. O pri-
meiro molar parece ser pouco fracturado, em todo o caso
o quarto é o menor de todos. Acha-se quebrado em ambos
os lados a grossa arcada zygomatica. O comprimento actual
é de 25 cm.; porem vê-se claramente, que as “ nasalia ,
soffreram consideral acortamento pelo attrito na occasião
de translocação pelas aguas. Achei mais do mesmo animal
algumas vertebras da columna cervical.
Julgo serem restos de uma Megatherida achada já pelo
Dr. Lund nas cavernas do valle do Rio das Velhas em
Minas, de nome Nothrotherium coclodon Lund.
Profundamente e com todas as cautelas revirei o barro
no solo desta camara (caverna), porem não obtive mais
resultado algum.
Com grande trabalho de alavanga e picareta abrimos
brecha em uma cortina stalagtitica, que vedava a entrada
para a outra camara 2 m. abaixo da primeira, de dimen-
sões inferiores; achamos porem só alguma ossada recente
de tatú e ratto, estando d'aqui para diante tudo fechado
por paredes de calcito.
Ainda hoje desagua o Ribeirão do Monjolinho por
uma caverna inaccessivel, cuja entrada se acha perto da
caverna secca descripta e não é desconhecida a sua sahida
no Ribeirãozinho do Rio de Iporanga ao pé do morro do
Chumbo, unindo-se ainda neste trajecto com aguas que
ao abrigo da luz do dia descem do carrego do chumbo.
A differença em nivel da entrada e sahida destas aguas
é de mais de 200 metros.
O valle do Monjolinho tem diversos habitantes, e
annualmente sobem moradores do Rio Iporanga, conhe-
cendo a fertilidade do solo, para aqui fazerem suas plan-
tações. Resulta d’ahi que se acham caminhos e picadas
abertos por todos lados o que bastante facilita o reconhe-
cimento deste terreno exquisito e interessante.
Subindo por um corrego pequeno, confluente do
Monjolinho, que corre ao pé do morro da Arataca, pode-
Revista do Museu Paulista Vol. III. 31
= Ce cvs
mos apreciar a formaçäo de valle em terrenos permeaveis
em todo seu desenlace: Paredões escarpados de rocha viva
representam ainda os antigos acantanamentos da abobada
da caverna destruida, os blocos esporadicamente espalhados
pelo solo do valle e que ainda resistiram à força das
aguas, säo fragmentos da arcada cahida.
Nos paredôes lateraes acham-se as embocaduras dos
antigos confluentes, cavernas de todas as dimensôes, que
em parte ainda hoje servem de aqueductos, pelo menos
nos tempos de chuvas, e nao se deve extranhar de achar
estes conductos as vezes subir e descer para diversos
horizontes; a agua enche a gruta no trajecto que vae ‘su-
bindo e desagua assim que venceu este syphon natural.
Entre estas grutas é a maior a do Maximiano é do
lado da Arataca visitamos dois, que em vão remechemos
para achar algumas ossadas.
Continuando no referido caminho attravessamos a
divisa das aguas entre o Ribeirão do Monjolinho e o do
Sumidouro, que por sua vez, já respeitavel ribeirão, sahe
de uma caverna de agua, que se abre na ladeira do morro
‘da Arataca. Este ribeirão junta-se com outro ainda mais
possante, que tem sua origem na Serra da Duvida, e em
todas estas barrocas achamos incontestaveis provas da
formação de valle pela destruição de cavernas.
E' verdade que isto é uma das razões porque não se
deve esperar alli grande colheita palaeozoologica.
À parte mais interessante do Ribeirão do Sumidouro
é a caverna de Santo Antonio, cuja parte de cima (Wasser-
schwinde) se chama no povo a /greja.
Grandiosa é a primeira impressão, que se recebe. ao
aproximar-se deste maravilhoso brinco de natureza, porque
numa subita volta do ribeirão, pelo qual se tem de seguir,
chega-se repentinamente ao pé da Igreja ou Casa de
pedra, como se denomina tambem: Num penedo descalvado
de mais de 200 m. de altura abre-se um enorme portico
de 150 m. de altura, apresentando em baixo 100 m. de
largura e medindo no seu tecto collosal, que é formado
ig Gch ame
por quasi plana chapa gigantesca de rocha calcarea, ainda
80 m. de lado a lado. Estreitando-se cada vez mais finalisa
esta fenda enorme com 100 m. em abrupto paredão, ao
pé do qual se acha o actual escoadouro,
Entrada da caverna de Santo Antonio
Pelo desenho do perfil longitudinal se comprehendera
facilmente as disposições locaes. Da corôa do salto, pelo
qual o ribeirão cahe, para chegar 4 abertura do Sumidouro,
fixei esta paizagem grotesca e romantica em uma chapa
photographica; era este o unico ponto possivel para fazer
uma vista e mostra esta perfeitamente a estratificação das
rochas.
Ao lado esquerdo do salto conseguimos a descida por
meio de escada de corda e cabos sobre matações enormes,
lisos de limo, e chegamos à entrada da gruta, pela qual
seguimos com custo por meio das pedras e andando sem-
pre dentro de agus, que cobria todo o solo da galeria.
Depois de ter andado uns 40 m. chegamos a um outro
salto, em baixo do qual, a luz de magnesium, se distinguia
uma vasta sala, ornada de alguns stalagtites nas paredes,
e abobada, cujo fundo porem mostrava uma larga super-
ficie de agua agitada, da qual só a 20 m. de distaucia do
salto se divulgava o topo de algumas pedras.
A nosso pezar tivemos que voltar para traz.
Acima do salto de fora subi depois um outeiro de
terra polvorosa mixturada com fragmentos de chapas finas
de pedra calcarea e tive a satisfacção de achar no topo
do muradal a entrada da antiga caverna de agua. Esta
collina de uns 40 m. de altura. formou-se de poeiras de
rocha decomposta e quebras do paredão e tecto e deve,
em camadas inferiores, dar rica colheita paleontologica ;
as minhas pesquizas só podiam ser superficiaes e não
deram resultado.
A entrada da referida caverna secca tem ainda uma
altura de 2 m. e uma largura de 1,5 m., vê-se porem
claramente, que o muradal entupiu grande parte da entrada
de outros tempos e desce-se sobre elle, num declive de
30 °/, em uma grande sala. Seu comprimento é de 40 m.
e do fundo calcula-se 30 m. até a abobada. O solo acha-se
igualmente coberto por forte camada de stalagmite, não
abundam porem muito os stalagtites nas paredes nem no
tecto. Em ambos os lados acha-se nos paredões galerias
408 =
fundas, abertas como alpendres e aqui acham-se mais for-
maçôes calciticas, sobresahindo principalmente uns stalag-
mites, e como se criaram sobre argila solta, na qual se
assentam com um pé largo e chato, pode-se com facilidade
transferil-os de um para outro logar.
A continuação tortuosa e empinada da caverna não
offerece mais nada que fosse digno de menção, ella se
acha entupida por grandes blocos de rocha, e creio que
quando as aguas a primeira vez ficaram repressadas por
este obstaculo, subiram até a altura vertiginosa do tecto
da Casa de pedra, operando uma pressão em horizontes
inferiores, que foi sufficiente para criar e alargar um escoa-
douro novo pelo qual se lançam as aguas para tornar de
apparecer na gruta de Santo Antonio, numa distancia de
mais de dois kilometros.
Sendo consideravel a differença de nivel entre estes
dois pontos pode-se concluir que o grande trabalho e os
riscos de explorar esta caverna de agua em toda a sua
extenção não será recompensado, porque as aguas não
deixaram formar depositos, que podiam offerecer interesses
paleontologicos. :
Com grande rodeio sobre a montanha, que em muitos
logares na superficie mostra os diversos signaes de falhas
subterraneas (Karsterscheinungen) chega-se a um paredäo
de mais de 100 m. de altura ao pé do qual se acha a
sahida do Ribeiräo do Sumidouro, a gruta de Santo An-
tonio, com sua entrada de 8 m. de largura por 10 m. de
altura.
Logo na entrada alarga-se a caverna formando uma
vasta sala de 30 m. de largura e uns 20 m. de altura, que
tem ainda diversos curtos conductos lateraes, que terminam
em fundo de sacco, com bonitas formações calciticas.
Na sua continuaçäo torna-se a caverna mais estreita
e só da passagem ao ribeirão, que por ella passa, e dentro
do qual com custo caminhamos sobre as lisas pedras.
Um ruido na nossa frente augmentava sempre e com
80 m. percorridos tivemos de repente uma vista linda para
— 494 —
diante; 20 m. distante de nós precipitava-se o ribeirão
num gigantesco salto de uma altura de 6 m., occupando
a metade da largura da caverna. Por cima do salto avis-
tava-se os paredões perpendiculares de uma furna ou
cheminé, que ia até o dia e da qual se espalhava uma
vaga claridade sobre esta parte romantica da gruta. Fica-
mos pasmos e mudos de admiração! Um effeito theatralico
de luz electrica com auxilio de vidros azulados não podia
ter sido melhor combinado para illuminar mysticamente
esta gigantesca paizagem subterranea. Desejamos de trans-
por o obstaculo, que o salto nos apresentava, porem era
impossivel escalar as lagens, que se mostravam lisas como
sabão. Estes pedaços de rochedos cahiram pela furna abaixo
e possantes de mais para serem carregados pelas aguas,
formaram a muralha do salto, e causavam forçosamente
uma represa das aguas na parte superior, que tornavam
inuteis maiores esforços para a continuação dos trabalhos.
Não posso deixar de mencionar uma linda formação
de stalagmite em uma das galerias lateraes; á primeira
vista parece impossivel sua estabilidade. Dois tectos de
barraca de campo ou de pavilhão, um suspenso por cima
do outro, de uma alvura deslumbrante e ornados nas bordas
de finas franjas, formadas de pequenos stalagtites, cobrem
um terceiro stalagmite largo e chato, que se extende ainda
por baixo delles. Naturalmente formou-se primeiro o sta-
lagmite de baixo, que durante um tempo de descanço da
caverna se cobriu com barro cavernario, seguiram-se assim
os outros dois, que por infiltração calcarea parcial assen-
taram-se firme um no outro e agora que as aguas tiraram
as camadas de barro permanece esta rica formação, ornan-
do-se de stalagtites em roda pela agua, que sobre ella
cahe do tecto.
Achei aqui tambem confirmado, que a agua para a
erosão das rochas ainda pede contar como ajudantes. Com
interesse entomologico procurei pelas paredes e suas
fendas e introduzindo a mão em uma dellas, que estava
pouco acima da actual linha de agua, mal cabia meu braço,
Tas de CE
achei dentro uma excavação de pelo menos 40 cm. de
diametro, manifestamente produzido pelas circumvoluções
de um quartzo, que introduzido pela fenda em tempo de
cheias, descançava agora no fundo do alargamento. E' isto
um typico exemplo de uma panella de bruxa ou gigante
(Hexen — ou Riesen-topf) como Escher von der Linth as
descobriu no Gletschergarten de Luzern e das quaes nos dão
relação circumstanciada o Dr. Theile e Prof. Krone (sen.)
das montanhas do Rio Elbe. :
Logo depois da sahida da gruta encontra-se a barra
que o Sumidouro faz com o Iporanga.
A origem do nome da caverna de Santo Antonio
prova o poder que a superstição exerce sobre os sertanejos.
Caçadores, que por tradiçäo ou por acaso conheceram a
entrada da gruta e que tiveram a coragem de ahi entrar
até onde a luz do dia os guiava, acharam em um dos
stalagmites transferiveis, como descrevi da caverna secca
da Casa de Pedra, tanta semelhanca com uma imagem de
Santo Antonio, que trataram de leval-o com sigo para seu
bairo. O santo de calcito pesava muito e estando as pas-
sagens do Rio Iporanga bastante penosas não alcançaram
a povoação e deixaram a columna depositada no matto.
Durante a noite seguinte formou-se e desaguou grande
tempestade, que como sempre, seguida de cheias dos rios,
ameaçava de destruir todas as plantações das varzeas e
os moradores fazendo-se escrupulos do roubo da columna,
fervorosamente prometteram ao Santo Antonio de trans-
portar o stalagmite para o seu antigo logar, o que se
efectuou porque Santo Antonio ouviu as preces do povo.
. Uma outra caverna, a do morro do Chumbo, merece
ao meu ver especial interesse e não sinto ter perdido dois
dias, que gastei para desencantal-a e tiral-a do esquecimento
em que estava ameaçada de cahir. Ella abre-se na flarda
do sul do segundo monticulo do morro do Chumbo, a
direita da estrada que de Iporanga vae para Faxina.
Hoje se compõe só de um largo conducto de entrada
e de uma sala de 65 m. de comprimento. Me parece fora
pe han
de duvida que alli era logar de barra de dois corregos,
e quasi sempre pode-se verificar esta circumstancia em
grandes alargamentos de grutas. Do lado da entrada de
hoje adiantou-se a formaçäo do valle aberto e um dos
corregos abandonou a caverna. Depois fechou-se por gigan-
tescas formaçôes calciticas a galeria que ao segundo cor-
rego dava entrada na sala e os novos conductos, em logar
de unirem-se com a caverna principal, passam por baixo
della e levam suas aguas ao primeiro corrego, que hoje
corre à luz do dia, uns 40 m. abaixo da entrada da ca-
verna secca.
O fundo da grande sala acha-se coberto com alta
camada de barro cavernario, formando este um monticulo
de mais de 2 m. de altura, cuja base chega ao pé dos
paredôes, que formam os lados da sala, e por onde côa-se
alguma agua que constantemente filtra pelas rochas.
Temos aqui uma caverna, que por causa deste grande
deposito de argila, está nas condições de ser trabalhado,
para ver se dá alguma colheita ossea e penalisado larguei
do trabalho depois de uma pequena tentativa, não dispondo
desta vez do tempo necessario.
No fim da referida collina de argila acha-se no solo
uma abertura, que serviu de conducto (coadouro) para as
aguas da caverna e pela qual distinctamente se ouve a
bulha de agua que passa em horizontes inferiores. Alar-
gando a embocadura consegui de passar, achei porem só
6 m. abaixo um corrego em direção ao valle externo.
O fechamento final da caverna representa com grandes
columnas de stalagtites e cascatas congeladas um lindo
altar de igreja, do qual porem mãos de profanos roubaram
grende parte das velinhas, como se vê pelos destroços.
Duas leguas distante de Iporanga acha-se o valle do
Rio Alambary atravessado por um dique de rochas calca-
reas, que as aguas romperam por uma caverna de grandes
dimensões e quando por extensas quedas do tecto entupiu-se
esta sahida, forçou a agua outro arrombamento em hori-
zontes inferiores.
Wali RR
A primeira destas duas cavernas é conheida pelo nome
de Caverna do Alambary, a segunda não é accessivel.
Ainda no anno trazado houve um desmoronamento
dentro da caverna, que bastante assustou os moradores
ao redor, que tiveram receio até hoje de tornar a visitar
a gruta. Entrei mais de 200 m. nesta caverna, que se
compõe de diversas grandes salas com galerias lateraes,
devido porem á pouca espessura do tecto não se acha
muitas formações calciticas e creio que esta mesma cir-
cumstancia causa os repetidos desmoronamentos, dos quaes
dão prova os rochedos soltos, espalhados por toda a ca-
verna e que impossibilitam um trabalho no solo - natural
da gruta. Na parte mais baixa desta caverna acha-se uma
pequena lagôa com agua aparentemente parada.
O explorador acostumado de cavernas achará, uma
vez familiarisado com esta formação calcarea, um cem
numero de cavernas pequenas, que na maior parte repre-
sentam antigos confluentes de trajectos subterraneos hoje
convertidos em valles abertos.
De cavernas maiores conhecidas pelo menos na sua
posição, porem ainda não exploradas, menciono :
Caverna da Pescaria e Caverna do Sumidouro, ambas
no Ribeirão do Farto.
Caverna das Arêas
» das Furnas
» da Lavrinha
» do Chapeo
Aos amigos da natureza abre-se pelo conhecimento
das grutas calcareas de Iporanga uma novidade apreciavel
e tenho certeza de que muitos entre elles extenderão
agora as suas excursões para o lado do. sul do nosso
Estado.
Não precisa ser naturalista de profissão para alli prestar
grande serviço ao conhecimento da nossa fauna antiga, 4
s
TA
paleozoologia. do Brazil; o investigador cuidadoso não
deve porem deixar de trabalhar com certa circumspecção
e para estes homens, que ao lado do agradavel não des-
presam e procuram o util escrevo as segnintes linhas: Uma
excavação em cavernas, seja na entrada, seja dentro dellas,
sempre deve ser feita seguindo um certo plano de traba-
lho, que a vista do logar a atacar se deve formar com
toda a calma e circumspecção.
Será o primeiro trabalho, depois de ter-se certificado,
que não haja alguns ossos 4 flor do solo, de levantar um
mappa o mais exacto possivel do logar onde se tenciona
de remover a terra. Sobre uma linha representando o eixo
longitudinal constróe-se depois em certas e iguaes distan-
cias secções transversaes e transferindo tudo isto no ter-
reno, marca-se com tinta branca nas paredes os logares
correspondentes um metro certo acima do solo actual.
Sobre estas linhas, começando pelo eixo principal, man-
da-se abrir valletes de pouca largura, observando cuida-
dosamente os pás de terra que os trabalhadores jogam.
Chegou-se em camada que contem ossos nivela-se com
regoa e nivel de agua, com addição de um metro para a
maica da parede mais proxima e toma-se a devida notação
na planta. Assim continúa-se em todas as linhas ou em
algumas dellas até a primeira camada de ossos, podendo
assim facilmente formar uma idéa sobre a possança da
camada esteril sobreposta, que sendo precisa e possivel
convirá remover para outra parte da caverna onde não
poderá causar estorvo. Segue depois o fundar dos vallinhos
de sondagem e escolhendo algum dos quinhães vae-se
descobrindo camada por camada.
“Tomando nota de cada objecto achado e numerando
este com lapis em ordem chronologica não omittindo de
observar e notar sempre a fundura em que foi achado,
prosegue-se na excavação com toda a cautela e convirá
mandar transportar para longe a terra do primeiro quinhão
para o logar delle depois servir para os residuos do se-
gundo.
RÉ ve ANT
As ossadas achadas devem ser examinadas quando
sua estructura por causa de sua perfeita conservação: Em
logares onde ha infiltraçäo de aguas calcareas pela argila
porosa acha-se as vezes a substancia ossea substituida por
spath calcareo, causando esta metamorphose um augmento
consideravel de peso especifico e de solidez.
Em outros logares acham-se os ossos quebradiços, por
falta de seus elementos organicos, que desappareceram
deixando só o tecido osseo, que mostra uma fractura ter-
rosa e sem brilho. Estes ossos necessitam de prepáração
immediata para alcançar uma boa conservação. Um banho
de agua de colla, com preferencia de temperatura media,
será sufficiente para tornar de dar uma resistencia regular
ao tecido. Se as peças achadas foram grandes e sua ex-
tracção difficil e ariscada por causa de fragilidade manifesta,
embeba-se o respectivo logar todo com a agua de colla
retirando os objectos no dia seguinte.
Acrescento aqui o que para a equipagem achei con-
veniente levar :
Uma boa escada de corda de 20 á 25 m.
Dois cabos, que aguentam o peso de 2 pessoas cada
um de 15 ou 20 m.
Novello de corda de 100 m., marcado de metro em
metro, que tambem serve para a Lanterna de sondagem.
Lanterna boa para vela ou lampeão, para uso em
cavernas de agua onde ás vezes ha forte ventilação.
Instrumentos geodesicos, conforme os trabalhos, que
se querem executar e os férramentas necessarios.
Para illuminar salas extensas occupa-se arame ou fita
de magnesium.
Castiçaes de folha com pratos largos para velas de
stearina.
Recommendo tambem nunca estar sem uma caixa de
bons phosphoros, hermeticamente condicionada, para a
ultima reserva.
Até hoje basea-se o nosso conhecimento da fauna de
mammiferos da epoca quartenaria do Brazil nos resultados
que obtiveram os Drs. Lund e Prof. Reinhardt nas suas
investigações das cavernas calcareas do Rio das Velhas
de Minas Geraes, effectuadas em 1825 até 1854. |
Não são menos de 55 generos que representam a fauna
brasileira das cavernas e onde podemos estudar este ma-
terial precioso ? Acha-se tudo reunido no Museu Lundi
em Copenhague na Dinamarca.
Temos agora nas cavernas de Iporanga a probabilidade
de alcançar outra collecção; vamos procurar de conservar
esta para a sua patria!
Infallivelmente trará uma exploração methodica destas
cavernas grandes e valiosos thesouros paleontologicos á
luz do dia e finaliso declarando, que os meus fracos esfor-
ços apenas visam constituir o nosso Museu Paulista um
ponto de reunião para todo o material sobre a fauna do
periodo post-plioceno do nosso Estado.
Iguape, 19 de Abril de 1898.
CET | TRY VO PLEIN ASS
MAIS ALGUMAS COCCIDAE
Colligidas pelo Dr. F. NOACK
Por T. D. A. Cockerell
Entomologista da Estação Experimental de agricultura do N. Mexico, E, U, de America
(x) Chaetococcus bambusae (Mask.) Mask. Nos bambús
em Campinas, Brazil. (Noack 75). Novo na região neo-
tropical.
(2) Asterolecanium miliaris Boisd. Nas folhas de bam-
bús em Campinas. (Noack 74).
(3) Lecanium (Calymnatus) rhizophorae, n. sp na folha
de Rhizophora mangle Cubatão, perto de Santos, Julho
1898. (Noack 55).
Um insecto só, da parte inferior da folha junto 4 ner-
vura mediana.
9 Elliptico, symetrico, chato, pardacento-escuro, um
tanto lustroso; a superficie coberta de pequenas manchas
asperas, a segmentação caracterisada por fortes rugas ra-
diando do centro, long. 3 '», lat. 3 mm.;a pelle depois de
fervida em agua, d'uma côr parda, excepto nas bordas onde
torna-se descorada; no dorso é fortemente tingida duma
côr pardo-vermelha; não é dividida em laminas, mas os
segmentos são indicados pelas rugas radiaes. A pelle da
area dorsal e ao longo das rugas se acha de modo escasso
coberta de orifícios glandulares. A area sub-marginal, ex-
cepto nas rugas já mencionadas, se acha profusamente
coberta de poros glandulares, grandes, redondos e arran-
jados em linhas mais ou menos radiaes. As laminas anaes
são pequenas, juntas formando uma quadra. As partes
bocaes são extremamente pequenas. A margem é provida
de cabellos singelos, compridos e curtos, sendo os mais
compridos um pouco inclinados a ter as pontas nodosas
e tendo duas vezes o comprimento dos curtos.
As antennas têm 6 segmentos, sendo o terceiro muito
mais comprido do que os outros, tendo quasi duas vezes
o comprimento de 6 e mais ou menos o comprimento de
I, 2 e 4 juntos. Os segmentos são quasi iguaes, tendo o
5 exactamente a metade do comprimento de 2; sendo a
formula 362145; alguns dos cabellos no segmento 6 são
bem grossos. As pernas são bem desenvolvidas, mas a tibia
e o tarso não são bem separados; a coxa é um pouco
mais comprida do que a tibia; o femur é forte e o trochanter
tem um comprimento quasi ' maior que o da tibia, o
tarso é de cerca de */; do comprimento da tibia. A pinça
é forte. As digitulas são regularmente fortes, as da pinça
tendo um nó na extremidade; as do tarso têm mais de 2
vezes o comprimento da pinça, 3
L. rhizophorae se parece com o L. tesselatum, porem
distingue-se delle por näo ser tessellado (marchetado). Dif-
fere de L. impar pelo tamanho maior e pelos bem visiveis
poros glandulares sub-marginaes. É tambem ligado ao ZL.
melaleucae Maskell.
(4) Aulacaspis boisduvalii (Sign.) Ckll. var. maculata,
v. nov. Achado nas folhas d'uma planta Lauracea em Cam-
pinas (Noack 69). Tanto os escudos cs! como as 9 têm as
excuviae duma côr pardo-escura, tornando-se, ‘as vezes,
pallida. Os escudos o! em grande numero, agrupados em
massas formam malhas, bem alvas e bem marcadas nas
folhas, — as de © são d'um amarello-chromatico tocadas
d'uma matriz de côr laranja escura. À estructura geral é
como a da boisduvalir, porém, com os lobos medianos
muito estreitos e inteiros ou fracamente denticulados, o
segundo e terceiro lobo são cadaum divididos em tres
lobulos, como na variedade tentaculatus (Morgan), os do
terceiro sendo bastante largos; um quarto lobo é repres-
entado por dois lobulos. Ha cinco grupos de glandulas
circum-genitaes, sendo formado o mediano de 8 eg, os
anteriores lateraes de 17 a 19 e os posteriores lateraes de
r2 glandulas.
(5) Chionaspis minor Maskell. Na casca da Melia azeda-
rach, Campinas (Noack 77). Uma variedade com o escudo
mais largo e mais transluzento que do costume.
(6) Pseudoparlatoria parlatorioides (Comst.) Ckll Na
folha de Drimys, — uma variedade com mais glandulas nos
grupos caudo-lateraes do que costuma haver; Morro Pel-
lado (Noack 58). No lado inferior da folha duma planta
myrtacea, Campinas, Setembro 1898 (Noack 85). Esta ul-
tima collecçäo abrange as larvas recentamente fixadas,
que estão cobertas no dorso e nos lados de filamentos
felpudos que cobrem a superficie e fazem com que pare-
ce-se com as Aleurodidae. Estes filamentos que, na sua
disposição, fazem lembrar da flôr de Chrysantemun, va-
riedade com as petalas cumpridas e irregulares, ficam até
o segundo periodo da vida, mas desapparecem inteiramente
no adulto. Esta estructura é analoga a da Greeniella corniger
(Green.), com a differença que os processos são fragis e
rijos em vez de serem felpudos e filamentosos.
Esta larva é descripta agora pela primeira vez. Não
posso comprehender porque não a tenho observada antes,
pois têm passado pelas minhas mãos tantas amostras de
Pseudoparlatoria. Sendo possivel que a tenho visto e
confundida com os Aleurodes.
(7) Fiorinia fioriniae (Targ.) Ckll. Nas folhas da He-
dera helix, Campinas (Noack. 76).
. Mesilla Park., New Mexico (U. S. A.) 3 de Outubro
de 1898. :
= =.
BIBLIOGRAPHIA
(HISTORIA NATURAL E ANTHROPOLOGIA)
Peco mais uma vez a todas as pessoas que ligam attenção a
esta Bibliographia, que pretende ser um relatorio annual de litte-
ratura referente 4 natureza do Brazil e dos paizes visinhos, observar
que só posso referir-me a obras e artigos que recebi, e peço quanto
mais possivel mandar-me á Bibliotheca do Museu os periodicos,
obras, artigos, etc. que contribuem nesse sentido para o progresso
da sciencia.
A. Periodicos da America do Sul
Boletim do Museu Paraense de Historia Natural e
Ethnographia Vol. IT Nº 2 (outubro 1897) e 3 (junho 1898)
Pará.
A parte scientifica da excellente Revista contem os
estudos seguintes: 7. Meerwarth trata dos simios do novo
mundo. É essencialmente .um artigo litterario, publicado
como «chave para a obra monographica de H. Schlegel,
Les Singes ». As duas estampas referem-se ao cuxiu (Pi-
“thecia satanas Hoff. et Schl.). Noto que o autor está sen-
tindo como eu a difficuldade do estudo dos nossos maca-
cos etc., achando-se em estado lastimavel a respectiva lit-
teratura. Pelzeln que tantos serviços tem prestado com o
seu trabalho sobre as aves colligidas por Natterer desem-
penhou-se de modo insufficiente da tarefa de estudar os
mammiferos da mesma collecção. Alguns generos e certas
especies são bem facil de conhecer, mas as especies de
Cebus e Mycetes de modo algum. Temos uma especie de
Revista do Museu Paulista Vol. III. 32
— 506 — ‘
Cebus com crista sagittal do craneo, outra sem ella; — não
sera este um caracter dos mais importantes, mas em vao
procuram-se indicações dessa ordem naquella obra. Será
preciso colligir mais materiaes, series dos “diversos sexos,
idades,etc., aranjar materiaes para comparações e — come-
çar de novo. Assim se apresenta o assumpto para nós aqui
e como estou vendo, para os collegas do Pará tambem.
Segue a publicação dos trabalhos restantes ineditos da Com-
missão Geologica por F. Hartt e o estudo do Dr. Fr. Katzer
sobre a fauna devonica do Rio Maecuru, artigo provisorio
ao que, como é de esperar, seguirá um trabalho extenso e
illustrado, contendo as descripções das numerosas especies
novas, que em grande parte são até agora só nominaes.
O Dr. S. Huber publica materiaes para a flora ama-
zonica e estudos sobre o muricy da Serra dos Orgãos
(Vochysia Goeldii sp. n.) e as especies de seringueiras do
Amazonas. Do Dr. Goeldi noto artigos sobre o Lepidosi-
ren e sobre Mesomys ecaudatus, ratto de espinho sem cauda.
A respeito do ultimo assumpto estou agora duvidando que
tanto meu illustre amigo como eu estamos enganados. Cha-
mou a minha attenção a um facto curioso o eminente co-
nhecedor de mammiferos Dy. Allen em Nova York que
— no artigo del. A. Allen and Frank M. Chapman «on a
collection of Mammals from Trinidad» Bull. Amer. Mus. Nat.
Hist. Vol. V pag. 203—234 Nova York 1893 — observou,
que nas especies Loncheres castaneus Allen: a. Chapman
e Echimys trinitatis Allen a. Chapm. occorrem ao lado de
individuos com cauda outros sem ella, e que a 5.º vertebra
caudal é nessas Echimyidas extremamente fraca, de modo
que com a maior facilidade o rabo se desprende nesse
lugar. Continuando nos meus estudos sobre Echimyidae de
S. Sebastião obtive tanto de Loncheres nigrispina como
de Echimys fuliginosus exemplares: com e sem rabo, sem
que a dentadura e outros caracteres permittissem distincção
segura. Acredito, pois, agora que o meu Mesomys Thomasi
é apenas a forma ecaudata de Loncheres nigrispina e creio
que proseguindo nesses estudos acontecerá ao Dr. Goeldh
o mesmo como a mim e que ha de achar tambem a forma
caudata do Mesomys ecaudatus.
Merecem ainda menção especial as illustrações boas
de que são acompanhadas as publicações do Museu do
Pará e são de valor especial as figuras referentes á vege-
tação e especialmente a arvores da flôra do Amazonas que
acompanham os estudos do Dr. Huber. Vale a pena con-
tinuar com essas excellentes figuras de « habitus ».
Revista do Museu nacional do Rio de Janeiro Vol. J.
Rio de Janeiro 1896. (Seguimento aos Archivos do Museu
nacional Vol. IX).
É só agora que posso referir-me a essa importante pu-
blicação por tel-a recebido só neste anno. Deixando de lado
artigos de interesse pessoal, apenas não posso deixar de
lamentar a modificação do titulo da publicação, exprimindo
o desejo que na continuação seja conservado o dos « Ar-
chives », periodico conhecido e bem acreditado no mundo
scientifico por numerosos artigos valiosos. O volume con-
tém um estudo illustrado por duas estampas de John M.
Clarke sobre as trilobitas do grez de Ereré e Maecuru,
Estado do Pará, estudos do Dr. Derby sobre a geologia e
paleontologia do Matto Grosso e sobre o afamado meteo-
rito Bendegó e o Relatorio do Sr. E. Ule sobre uma ex-
cursão botanica feita na Serra do Itatiaia. Todos esses
estudos são de grande interesse e especialmente o do Dr.
Derby que pela primeira vez traz informações exactas so-
bre a composição e a idade geologica do grande planalto
que occupa o centro do Brazil, partindo da cabeceira do
Paraguay, estendendo-se para Norte até o Amazonas e
cujas camadas horizontaes acabam em brusca terminação
na assim chamada Serra dos Parecis do Matto Grosso. Os
petrefactos provenientes dessas camadas foram achados
pelo Sr. Herbert Smith em massas de grez ferruginoso em
Chapada. São 14 especies de Bellerophon, Tentaculites,
Lingula, Spirifera etc. mal conservadas mas sufficientes
— 508 —
para reconhecer a idade das respectivas camadas como
devoniana, apresentando os fosseis relaçäo intima se nao
identidade com os fosseis do Ereré no Amazonas e com
os do grupo Hamilton ou Devoniano medio de Nova York.
Sobre essa mesma formaçäo de Chapada publicou em
1894 o Dr. von Ammon um artigo (cf. esta Revista II
p. 461) que o Dr. Derby não conheceu quando escreveu
o seu artigo, que não tem data assignalada. Será necessario
proceder a um novo estudo do assumpto, visto que pro-
vavelmente haverá especies synonymas e que os autores
divergem quanto a idade, julgada devoniana inferior por
Ammon.
Revista Brazileira IV anno. Tom. XITT— XVI. Rio de
Janeiro 1898.
Os numeros do corrente anno contém pouco que re-
fere aos assumptos de que aqui tratamos. Mencionamos
os artigos de Carlos Euler Palestras ornithologicas escriptos
como introducção ao conhecimento das aves do Brasil mas
sem referir-se aos trabalhos sobre o Rio Grande do Sul e
Santa Catharina, do Conde Berlepsch e o referente, e outro
artigo de Calogeras «a proposito do Museu Paraense »
tratando das publicações de 7° Katzer, que infelizmente já
fechou o periodo de seu trabalho no Brazil, fixando a sua
residencia em Serajevo, Austria.
Revista do Instituto Historico e Geographico de São
Paulo. Vol. IT 1896-1897. S. Paulo 1898.
Os artigos referem-se quasi todos á historia. De as-
sumptos que podem ser tratados aqui menciono os map-
pas das regiões de Cananéa, Assunguy e do valle da
Ribeira, o estudo dos Drs. 7%. Sampaio e O. Derby sobre
a orthographia da palavra Guayaná eo do Sr. Hollender
sobre moedas obsidionaes do Brazil.
Boletim da Commissäo Geographica e Geologica de S.
Paulo. Nº 14 Flora Paulista HI. S. Paulo 1897.
Este fasciculo de 128 paginas trata — sem indicar o
autor, que provavelmente será o Sr. A. Loefgren — das
familias Campanulaceae, Cucurbitaceae, Calyceraceae e
Valerianaceae.
Brasilianische Bienenpflege. Herausgegeben von E.
Schenk. Curitiba 11. Jahrgang 1898.
Orgäo dedicado aos interesses da apicultura no Brazil.
Varios artigos (N.° 3 etc.) tratam tambem das ‘abelhas
indigenas.
Annuario do Estado do Rio Grande do Sul para 1898
publ. por Graciano A. de Azambuja. Anno XIV. Porto
Alegre 1897.
Entre os artigos de valor scientifico menciono além
de um artigo meu sobre os peixes de agua doce do Rio
Grande do Sul a continuação do valioso estudo do Dr.
Fr. Araujo sobre plantas medicinaes do Brazil; do Sr. Julio
Vasques sobre um pinheiro secular do arroio pinheiro na
Serra do Erval que tem a altura de 24,5 m. não obstante
ser defeituoso o cume e sob cujas ramificações na circum-
ferencia de 72 m. cerca de mil pessoas podem ser abri-
gados. Um pequeno artigo sobre a formiga de correição
refere-se ás formigas do genero Eciton, cujos costumes são
bem conhecidos, sendo porem, mais representadas nos Es-
tados do Norte do Brazil. O Dr. Araujo Ribeira publica
uma carta do Dr. Branner a respeito do livro «O fim da
creação» do Visconde do Rio Branco, que julga dirigido
contra o juizo do Dr. Derby, mas que no meu vêr só em
outras palavras diz o mesmo: « que por falta de escolas
em condições de dar a devida orientação á mocidade
estudiosa e por falta de condições propicias do meio intel-
lectual, o Brazil tem perdido e está perdendo aptidões
scientificas de primeira ordem. »
ATOS Es
Annuario do Estado do Rio Grande do Sul para 1899
publicado por Graciano A. de Azambuja. Anno XV. Porto
Alegre 1898.
Artigo de grande interesse é o de P. F. Affonso
Mabilde, continuação e fim dessa interessante serie de arti-
gos escriptos em 1866. O autor narra os acontecimentos
havidos entre os Caciques Dobre e Braga e trata da
cultura dos Coroados de um modo excellente. Merece men-
ção a marcação dos pinheiros, que demarcam a zona ter-
titorial de cada tribu. Não fabricavam louça, preparando
agua quente em gommos de taquara. Conhecem uma herva
que faz supprimir a menstruação. Nada plantavam e pouco
caçavam, sendo o seu nutrimento principal o pinhão. En-
terrando um cacique pôem-lhe no lado o varapau, afim
de que ninguem mais delle faça uso.
A. Ferreira Rodrigues trata do nome da lagoa dos
patos, apresentando documentos antigos que se referem ao
grande numero de patos que alli houve e em S.* Catha-
rina, importados (?) pelos Hespanhoes. Já em 1516 deu
João Dias de Solis a Ilha de S.”“ Catharina o nome de
Ilha dos Patos. D. Alvares Nunes Cabeça de Vacca em
1541 diz que os guaranys de S.“ Catharina «criam galli-
nhas e patos á maneira da Hespanha.» O pato dos mattos
do Brazil é ave sul-americana que veu da America á Hes-
panha e França. Foi criado pelos antigos peruanos. Na
Europa a primeira descripção della deu V. Gesner 1555.
Parece neste sentido evidente que tive razão quando disse
que o nome da lagoa dos patos não podia provir do pato
do Brazil (Cairina moschata). Se os Hespanhoes alli deixa-
ram fatos que procrearam maravilhosamente, então não
foi a ave brazileira. Resta a indigar se em 1515 já houve
no Brazil patos. domesticados, criados pelos guaranys ou
se os hespanhoes importavam marrecas que denominavam
patos. O que o Sr. A. F. Rodrigues parece ter provado é
que a tribú dos patos não é mencionada pelos historiadores
antigos—e o que resta duvidoso é o lado ornithologico da
controversia.
O artigo do Padre A. Schupp é traducçäo de outro
publicado em allemäo, a que ja me referi, tratando do
Louva-Deus.
Segue a continuação do valioso artigo do Dr. /. Araujo
sobre plantas medicinaes do Rio Grande do Sul. Com
referencia as plantas mencionadas observo que Drymis
granatensis L. é synonymo do Dr. Winteri Forster, nome
da unica especie sul-americana desse genero.
Quanto ao Myrrhinium é certo que com as minhas
observações, contestadas pelo autor, tenho razão. O nome
generico de Myrrhinium é o unico que pode e deve ficar
applicado, por ter a prioridade. Quanto á especie parece
que tambem é preciso uma modificação. Segundo Berg
existem tres especies de Myrrhinium, sendo atropurpureum
Schott em Minas e Rio, rubriflorum (Camb.) Berg do Rio
Grande do Sul e Uruguay e peruvianum Berg do Perú.
Não duvido que a especie observada por mim e determi-
nada como M. sp. por Taubert (e não como M. atropur-
pureum) seja a mesma que o Dr. Araujo examinou e
exactamente determinou cujo nome, pois, é Myrrhinium
rubriflorum (Camb.).
Desejamos que o Dr. Graciano de Azambuja continúe
bem com essa valiosa publicação e que continua a inte-
ressante serie de artigos do Dr. Araujo.
A Lavoura. Boletim da Sociedade de Agricultura Bra-
zileira. Anno Il. Rio de Janeiro 1898.
Boletim do Instituto Agronomico do Estado de S. Paulo
em Campinas. Vol. IX 1898. (Cada mez um numero).
Revista Agricola. S. Paulo Anno III e IV 1898.
Não entra em nossa tarefa tratar de agronomia, mas
as utilissimas publicações em cima indicadas encerram
tambem numerosos estudos que tratam de assumptos scien-
tificos, zoologico-botanicos. Assim o Boletim do Instituto
de Campinas publica excellentes artigos do Dr. Noak, cuja
mudança para a Europa representa como a do Dr. Dafert
uma perda bastante sensivel para aquelle importante esta-
belecimento. Em N.º 2 trata Noak dos cogumelos parasitas
das plantas, especialmente das encontradas nos pomares e
jardins, fornecendo uma importante contribuição ao conhe-
cimento da flora mycologica do Brazil e descrevendo nu-
merosas novas especies, mas sem illustrações. As deter-
minações foram em parte feitas pelo autor, em parte pelos
Drs. Lindau em Berlim e Allescher em Munich. Em N.º 4
e 6 trata o mesmo autor das molestias do trigo e especial-
mente dos insectos damninhos, acrescentando boa estampa.
Entre os artigos publicados na Revista Agricola men-
ciono os seguintes: em N.º 30 do Dr. D. Jaguaribe Arbo-
ricultura florestal no Brazil, assumpto importantissimo,
ventilado desde mais de 16 annos por mim e por outros
companheiros de propaganda esteril. Diz o Dr. Jaguaribe
que os dormentes para a estrada de ferro que percorre a
Serra entre Santos e S. Paulo chegaram da Inglaterra.
Veja-se o que eu disse sobre a questão no Vol. II desta
Revista p. 452 e o que segue aqui p. 513. Em N.º 32 dá
o Dr. Th. Sampaio um extracto de meu artigo sobre os
piolhos vegetaes, e em N.º 35 acha-se meu artigo sobre a
doença das Jaboticabeiras. Em N.º 34 trata o Dr. Gomes
Carmo da introducção da phylloxera vastatrix no Estado
de Minas, em N.º 37 e 38 publicou o Sr. 4. Hummel a
traducção de meu artigo sobre a saúva.
Revista Agricola do Rio Grande do Sul. Anno I. Pe-
lotas. Publicada pelo Lyceu de Agronomia e Veterinaria.
Anno Î 1897-1898 e Anno II 1698.
Entre as publicações uteis desse novo e sympathico
periodico merecem menção especial os do Dr. F. Araujo
sobre as arvores do Rio Grande do Sul, artigo que está
baseado em grande parte numa publicação minha sobre o
mesmo assumpto, do mesmo autor, sobre as raças bovinas
mais apropriadas para os campos do Rio Grande do Sul
e especialmente as raças Devon e Heresford; do Dr. João
Dutra sobre as arvores do Rio Grande do Sul; do Dr. A.
Graciano de Azambuja sobre a cultura de Eucalyptus; dos
Drs. G. Ahrons e Minssen sobre a influencia dos mattos
sobre o clima. E notavel a tendencia de adiantar a ques-
tão da floresticultura sendo de summo interesse o artigo
do Sr. S. Kniestem os ns. 6 e 7 «um passo para diante na
questão sylvicola» que se refere á « Sociedade livre de syl-
vicultura », organisada nas colonias de Maratá e Harmonia,
obrigando-se cada socio á plantação de matto no seu ter-
reno. Veja-se tambem o artigo Sylvicultura em II N. 3.
Anales del Museo Nacional de Montevideo publicados
por d. Arechavaleta. Vol. IT fasc. VIII e Vol. HI fasc. IX
Montevideo 1898.
O fasciculo VIII trata da flora uruguaya e especial-
mente das familias Ranunculaceas, Menispermaceas, Ber-
berideas, Ninfeaceas, Papaveraceas, Cruciferas. O fasciculo
seguinte contem a continuaçäo deste artigo do Dr. Are-
chavaleta contendo as Caparideas, Cistineas, Violarieas,
Bixineas, Poligaleas, Cariofileas.
Anales de la Sociedad Cientifica Argentina. Tomo 45
e 46 Buenos Ayres 1898.
O volume 45 contem necrologios de Fritz Müller e
Juan Valentin, o talentoso moço que durante uma explo-
ração scientifica na costa da Patagonia perdeu sua vida.
Seguem informações sobre o Congresso Cientifico Latino-
americano, que nesse anno e com successo completo or-
ganisou essa eminente Sociedade em Buenos Ayres. Segue
a continuação do excellente artigo de S. 4. Lafone Que-
vedo « Tesoro de Catamarqueñismos » e um artigo do Dr.
O. Nordenskjóld «Sobre supuestas trazas de uma epoca
glacial en la Sierra del Tandil en la Argentina.» O autor
combatte as indicações de Santiago Roth e Siemiradski
que julgavam ter achado signaes de glaciação na Serra do
ERRADA. Tan à \
Tandil, que elevada apenas a 500 m., não foi coberta de
gelo no tempo da formação dos pampas.
No Vol. 46 apresenta /. Kyle a analyse de amostras
de lignita achadas na Terra do Fogo. Uma, que é preta,
tem apenas 2 por cento de cinza, tendo a força calorifica
(Berthier) de 3482; a outra, com 32 por cento de cinza, é
imprestavel.
Boletin del Instituto Geografico Argentino. Tomo 19.
N. r—6. Enero à Junio. Buenos Ayres 1898.
Grande parte do volume é dedicado 4 memoria do
celebre explorador scientilico Ramon Lista que na explo-
ração do rio Pilcomayo falleceu, victima da perigosa em-
preza e no mesmo territorio do Chaco em que acabou a
vida Crevaux. Realmente o trabalho scientifico na Re-
publica Argentina, nesse anno de 1898, foi pago com sacri- '
ficios crueis, perdendo-se no exercicio dos seus estudos e
explorações as vidas preciosas de Ramon Lista, Alboff e
Valentin. Honra 4 memoria dos excellentes naturalistas e
exploradores !
Entre outros artigos merecem menção especial o
estudo do Dr. Felix F. Outes sobre os querandies, a que
na secção de Anthropologia tenho de voltar, de S. 4.
Lafone-Quevedo sobre El Barco y Santiago del Estero; de
A. Quiroga « Monumentos megaliticos de Colalao » figu-
rando inscripções em rochas ou petroglyphas e as « Notas
de Arqueologia Calchaqui » do Sr. Z. B. Ambrosetti. Um
estudo admiravel é especialmente este ultimo artigo desti-
nado não só a fornecer materiaes novos, mas servindo-se
delles, para estudos critico-comparativos. Assim, pelos ob-
jectos achados e pelas pinturas etc. dos vasos reconstróe
o autor o modo como os calchaquis tratavam os seus ca-
bellos, figurando as cabeças caracteristicas e as pinces para
depilação e os topos de prata que foram fixados nos ca-
bellos. Seguem artigos referentes a amuletos e idolos phal-
licos, discos de bronze etc.
Chamo ainda a attenção para o artigo de /. Chirapozu
« Ortografia de los nombres geograficos guaranies » o
qual, de mesmo modo que eu, insiste na necessidade de
fixar essa orthographia.
Communicaciones del Museo nacional de Buenos Ayres:
Tomo I Nº 1 Agosto 1898
Publicação periodica destinada a receber communica-
ções menores, continuando ao lado della a comparecer
os Anales do mesmo Museu, cujo Tomo VI não recebe-
mos ainda. Este fasciculo de 24 paginas contem a des-
cripção de novas especies de Hydrometridae e varias outras
notas do Dr. Berg, entre as quaes seja mencionada a sobre
Aeglea laevis, dizendo o autor que Aeglea odebrechti Fr
Mill. considera como synonymo da outra especie. Do
Sr. Carlos Moreira, a cuja administração estão confiados
no Museu nacional os typos de Fritz Müller esperamos os
necessarios esclarecimentos.
Communicaciones del Museo nacional de Buenos Ayres..
Tomo I N. 2º Dezembro de 1898.
O Dr. Berg trata dos inimigos pequenos do gafanhoto
Schistocerca paranensis (Burm.), que são um verme Mermis
acridiorum (Weyenb.), uma mosca Agria acridiorum (We-
yenb.) eum besouro Trox suberosus F., chamado Champi,
que come o envolucro exterior dos ovos do gafanhoto. A
um artigo de Silvestri sobre Tysanuros voltarei. O Sr.
Spegazzini descreve plantas novas, o Sr. Berg trata de
Cerambycidae, Telyphonus maximus e Dolichotis salinicola
Burm. Dr. Berg trata das langostas e dos camarões de
Bahia Blanca e Montevideo que são Pleoticus Miilleri Bate,
o langostin e Artemesia longinaris Bate, o Camaron. Seguem
notas sobre substituição de nomes genericos, sendo Ihe-
ringia Lahille (nec Keys.) e Iheringiella Berg (nec lherin-
gella Pilsbry) substituido por Iheringiana.
nn be
Revista Chilena de Historia Natural. Publicada por
Carlos E. Porter. Anno 11. Valparaiso 1896.
O Museu de Valparaiso publica desde Outubro de 1897
Boletim e uma Revista, da qual não pudémos obter o N.º 1
de out. 1897. O Boletim publica pequenas noticias sobre
o Museu e seu augmento em livros e collecções; a Revista
dá estudos referentes á natureza do Chile. Menciono entre
outros artigos os dos Srs. E. C. Reed sobre Mutillidae da
obra do Gay; de F. Albert sobre a langosta de Juan Fer-
nandez (Palinurus frontalis); do mesmo autor sobre a or-
nithologia chilena; de Æ. C. Reed sobre Hemipteros chi-
lenos, de À. A. Philippi descripção de novas especies do
Estreito de Magalhães (Echinus fueginus, Cardita magella-
nica, Saxicava truncata); de Bartlett-Calvert Catalogo dos
lepidopteros chilenos que faz evidente de modo claro a
escassez da fauna chilena em comparação com a nossa.
Actes de la Societé Scientifique du Chili Tom. VIL. San-
tiago 1897.
Os Srs. Lataste e Gicrd tratam de um caso de scole-
ciasis, tendo uma pessoa expirado pelo nariz larvas de uma
borboleta. O Sr. Lataste trata de certas larvas de insectos e
descreve o macho de Margarodes vitium. O. Nordensjkoeld
trata da geologia da parte meridional da America do Sul;
F. Riggenbach descreve Bothriotaenia chilensis, parasita
de um peixe do mar chileno; P. Germaim trata de sua
viagem à Bolivia e especialmente ao rio Beni e A. Finot
publica a continuação de seu utilissimo catalogo dos or-
thopteros da America meridional, contendo a secção refe-
rente ás Blattidae. /. Germain publica um artigo sobre o
genero Brachidia.
B. BOTANICA.
Note-se o que já foi observado sobre as publicações
de Ule (p. 507), Huber (p. 506) e da Commissão Geogra-
phica (p. 509).
Arechavaleta, J. Las Gramineas Uruguavas. Monte-
video 1898.
Volume forte de 552 paginas, ricamente illustrado, que
reune os artigos publicados nos Anales do Museu de
Montevideo e a que ja nos referimos. Felicitamos ao autor
da importante obra por vel-a acabada.
Ule, E. Dipladenia atro-violacea Mill. Arg. und Be-
gonien als Epiphyten. Berichte d. Deutschen Botan. Gesell-
schaft. Bd. XV. Berlin 1897 p. 79—86 e Taf. 20.
Ule, E. Symbiose zwischen Asclepias curassavica und
einem Schmetterling, nebst Beitrag zu derjenigen zwischen
Ameisen und Cecropia. Ibidem p. 385—387.
Ule, E. Ueber Bliiteneinrichtungen einiger Aristolo-
chien in Brasilien. Ibid. Tom. XV. 1898 p. 74—91 e Taf. HT.
Devido ao pouco tempo que A. F. W. Schimper dedi-
cou no Brazil a um estudo das plantas parasitas a sua obra,
«Die epiphytische Vegetation Amerikas» é bastante incom-
pleta. O autor indica as plantas mencionadas e Begonia
attenuata A. D. C. como epiphytas das mattas de Rio de
Janeiro.
Das outras publicações trata a ultima das flores do
genero Aristolochia e a outra das flores da Asclepias
curassavica L., que são fecundadas pela borboleta Danais
erippus Cram (não euripus como o autor escreve) cujas
larvas vivem nas folhas da mesma planta. O autor ajunta
observações sobre imbaubas, Cecropia sp., dos banhados,
encontradas em certa epoca sem formigas no interior do
tronco oco.
O autor examinou o modo da fecundação das flores
de diversas especies de Aristolochia de Rio de Janeiro
especialmente as de A. macroura Gomez. O autor verificou
nessa especie que é proterogyna, observando em flores
com o pistillo bem desenvolvido e munido no estigma de
pollen, que as antheras não eram ainda maduras. É pois
— 518 —
impossivel nessa especie que a flor seja fertilizada pelo
pollen da mesma flor. A transmissão do pollen é feita
por moscas.
J. Barbosa Rodrigues. Palmae mattogrossenses novae
vel minus cognitae. Rio de Janeiro. Typographia Leuzinger
1898. 4.º XX e 89 p. e 27 Estampas.
O distincto autor, bem conhecido e estimado por seus
estudos referentes as palmeiras e orchideas do Brazil/fez
uma viagem aos Estados de Paraguay e Matto Grosso, que
deu bom resultado. O Dr. Barbosa Rodrigues avalia em
1200 0 numero total das especies de palmeiras até hoje
conhecidas, das quaes 410 são brazileiras, entrando pro-
vavelmente parte desse grande contigente na synonymia.
O numero das especies de palmeiras ja encontradas e
examinadas pelo autor eleva-se 4 134.
« Säo pois, diz o autor, as palmeiras membros de
uma grande familia que tem o cunho da distincção, o
orgulho da força e da belleza, e que não se confundem
com a multidão que as rodeia. Se o gigante Jiquitibá
disputa o sceptro da realeza pela sua força e crescimento,
a esbelta e fina yussara, que cresce a seu lado ergue-se
à mesma altura, eleva a sua corôa acima da folhagem
delle, com toda a elegancia e quando o furacão a quebra
e a desgalha, está meneando airosamente a cabeça, resiste
à sua furia, e passada a tempestade, olha incolume e orgu-
lhosa para os destroços que apresenta ") o rei das florestas e
para os da sua vassallagem. »
1) Os moradores desta capital têm um bom exemplo desse
crescimento das Jissaras e Jerivás no viaducto do Chá, que ele-
gantemente transpassa na altura de cerca de 30 metros um valle,
vendo-se ao lado um elegante coqueiro chegar á altura dos
transeuntes. E” certo que essa palmeira só pôde chegar a tamanha |
altura elevando-se acima do matto, ha muito desapparecido, no
meio do qual se creou. Os coqueiros que crescem sem o abrigo
do matto têm o tronco mais grosso e curto.
e +
— 519 —
E para patentear o contraste que nessa familia existe
entre os membros extremos, cita o exemplo da pequena
palmeira ariry (Cocos petraea), que, humilde, parece fugir
do fausto das companhenas e no meio das gramineas se
occulta e dellas se não distingue: — a mais modesta das
palmeiras.
As palmeiras são as arvores da vida como as chamam
os colonos da Guyana Ingleza.
« São ellas que fornecem o fio com que tecem as rêdes
em que descançam o corpo; que lhes dão a linha para
pescar, a isca para o fogo, o tecto para os abrigar, as
paredes que os livra do vento e dos animaes, os soalhos
que os privam da humidade, o lenho para as suas armas,
os preparos para os seus ornatos, a palha para os diversos
utensilios, a cêra, o oleo e o sal com que se alumiam e
temperam as suas iguarias; que lhes dão a agua para saciar
a sêde, o vinho para as suas festas; que os alimentam com
os seus fructos e seus palmitos e até lhes fornecem reme-
dios para seus soffrimentos e doces para seus bailes.
Não ha familia vegetal que tanto offereça ao homem.
Quanto não soffreria o pobre viajante pelas nossas selvas
se não fosse a protecção das palmeiras. »
Das cerca de 60 especies de que trata esse estudo
boa parte são novas, bem descriptas e illustradas e com
as diagnoses em latim. De grande valor são as notas syno-
nymicas. Assim é que o autor reune com a Cocos Romant-
zoffiana Chamisso, a conhecida Jerivá, as especies Cocos
australis Mart., plumosi Hook, datil Grisebach, geriba
Barb. Rodr., acrocomioides Dr. e Martiana Dr. — A Jerivá
conforme o solo e mais condições da localidade e do
clima assume aspecto um pouco differente, como bem o
illustra a Estampa N.º 4.
E" afinal uma publicação importante e que registramos
com prazer.
— 520 —
W. Schwacke. Plantas novas mineiras. Fascic. I. Ouro
Preto 1898 (Imprensa official do E. de Mimas). 8.º 10 pag.
e 3 Estampas.
Essa nova publicação do activo botanico pretende
successivamente dar as descripções e figuras de plantas
novas. O primeiro fasciculo contem as de Cinnamodendron
Dinisii (Dinizi ? Ih.) da familia Canellaceae, especie dedi-
cada ao Dr. H. Diniz, Quina Magellano-Gomesi(i) da fam.
Quiinaceae, Myrsine congesta da fam. Myrsinaceae e Coc-
coloba cereifera da fam. Polygonaceae. Segue-se a enu-
meração das Sapindaceas, observadas pelo autor em Minas.
São bem feitas as estampas, desenhadas pelo habil artista
Sr. 4. Avé-Lallemand. Desejamos bom andamento 4 nova
publicação. Como o autor o diz no prefacio deve-se aos
esforços de diversos illustres mineiros, entre os quaes
sobresahem os Drs. Francisco e Carlos Th. de Magalhães
Gomes progresso regular na exploração botanica do Estado
de Minas, cuja flora é de grande riqueza, tendo-se só nos
ultimos annos descoberto 7 generos novos e todos ende-
micos.
Gallardo, Angel. Algunos casos de teratologra vejetal,
fasciacion, proliferacion y sinantia. Anales del Museu
nacional de Buenos Ayres Tom. VI. 1898 pag. 37-45 €
Estampas 1—3.
Observações sobre vegetações phenomenaes.
Spegazzini, Carlos. Plantae Patagoniae australis.
Revista de la Faculdad de Agronomia y Veterinaria N.
30 e 31 La Plata 1897.
Enumeraçäo de 441 especies de plantas da Patagonia
e descripçäo de especies novas. |
Engler, A. Beitraege zur Kenntniss der Araceae VIII.
15. Revision der Gattung Anthurium Schott. Botan. Jahr-
bücher Bd. 25 Leipzig 1898 p.352—476.
O autor da primeiro uma chave para a distincçäo das
17 secções do genero e depois a enumeração systematica e
distribuição geographica de 308 especies distribuidas na
America merional e central. Do Est. de S. Paulo encontro
enumeradas: A. scandens (Aubl.) com duas variedades
(violaceum, virgosum), A. affine Schott, Wildenowi Kunth,
Olfersianum Kunth, var. leptostachyum, Regnellianum Engl.
O maior desenvolvimento mostra este genero na região
andina.
F. Decaux. Die Orchideen-Wespe (Isosoma Orchida-
carum Westw.) Naturaliste 1897. p. 233 SS. 0 Naturwiss.
Wochenschrift 1897 N° 47 p. 557.
Uma pequena vespa de 5 mm. de comprimento, de
côr preta pertencente 4 familia das Chalcididae causa es-
tragos nas culturas de orchideas na Europa, especialmente
nas Catleyas, sendo importada do Brazil. A vespa pôe os
ovos nas plantas parasitas e alli desenvolvem-se as larvas
produzindo deformidades nas bases das folhas. E’ preciso
cortar e destruir as folhas e bulbos atacados.
Parece que aqui na sua propria patria essa vespa até
hoje nao foi observada.
Hieronymus, G. Erster Beitrag zur Kenntniss der
Siphonogamen-flora der Argentina. Englers botanische Jahr-
bücher Vol. 22, 1897 p. 672—798.
Nesse primeiro fasciculo de um estudo extenso dedi-
cado a flora sifonogama da Argentina, do Brazil, Bolivia,
etc. o autor enumera 206 especies de Vernonieas e Eupa-
torieas, e entre ellas muitas novas.
Revista do MuseufPaulista Vol. III. 33
Bettfreund, C. Herbario Bettfreund, 2° edicion. Buenos
Ayres 1896.
Enumeraçäo systematica das plantas que occorrem na
provincia de Buenos Ayres.
C. GEOLOGIA etc.
: Siemiradzki, J. von. Geologische Reisebeobachtungen in.
Südbrasilien. Sitzungs-Ber. d. K. Akad. d. Wissenschaften
in Wien. Math. — nat. Cl. Bd. 107. Wien 1898 p. 23—39
com estampa. |
O autor viajou nos Estados meridionaes desde S. Paulo
até o Rio Grande do Sul. Chama a attençäo a um facto até
agora despercebido, tal como a existencia de diversas extensas
perturbaçôes geologicas, apresentando-se como fendas que
separam as serras e planaltos. O autor examinou os depo-
sitos devonianos do Estado do Paraná, que consistem em
schistos argillosos de côr pardo-escura em Palmeira com
Spirifer antarcticus e em schistos pretos em Ponta Grossa
com petrefactos pertencentes aos generos Ligula e Discina.
Ao devoniano pertencem tambem segundo Derby as ca-
madas diamantiferas de Tibagy. Camadas carboniferas ex-
istem no Estado do Paraná no curso inferior do Rio Tibagy
em Guarapuava, no Rio Ivahy, na colonia Prudentopolis e
no Rio Iguassu (Porto Amazonas). As figuras da estampa
carecem da explicação, não se sabendo pois a que especie
se referem.
A respeito dos sambaquis diz o autor que a maior
parte entre elles, especialmente os maiores, são de idade
quartario-antiga, formados pelo mar e de modo algum pelos
indigenas.
Derby, O. A. Decomposition of rocks in Brazil. The
Journal of Geology Vol. IV N. 5 1896 p. 529—540.
Derby, O. 4. Monazite and Xenotime in European
Rocks. The Mineralogical Magazine Vol. XIN. 53 p. 304—311.
O primeiro dos dous artigos é uma discussäo critica
do artigo de Branner sobre o mesmo assumpto, o segundo
um estudo comparativo para a verificaçäo de monazite e
xenotime, e dos posphatos de cerium e yttrium que têm
grande distribuição nos granitos e no gneiss do Brazil.
Derby, O. A. Brazilian evidence on the genesis of the
Diamond. The Jornal of Geology Vol VI 1898 p. 121—146.
É este um artigo summamente interessante sobre a
origem dos diamantes do Brazil em comparaçäo com os
resultados bem divergentes obtidos pelos geologos que o
assumpto estudaram em Kimberley na Africa meridional onde
os diamantes apparecem ligados a uma pedra eruptiva de
composição ultra-basica. No Brazil um caso analogo existe
só numa localidade, a das minas de Agua Suja no districto
de Bagagem, sobre a qual existem excellentes estudos ‘).
Em geral o material de que se tira os diamantes no Brazil
são areias e pedregulhos, que accumulados depois de
transportes, contem residuos de diversas pedras e entre
ellas sem duvida da rocha da qual provem o diamante.
Até hoje não se descobriu diamantes incluidos na rocha
primitiva. O pequeno numero de casos de diamantes in-
cluidos em mineraes de ferro ou quartzos referem-se a con-
crescencias secundarias. O exemplar descripto por Lsch-
wege?) e conservado no British Museum é considerado
como falsificado por Derby, visto que é incluido o diamante
no scorodite caracteristico da mina de ouro de Antonio
Pereira perto de Ouro Preto onde não ha diamantes.
1) Veja Gonzaga de Campos. Jazidas diamantiferas de Agua
Suja. Rio de Janeiro 1891. — Hussak E. Relatorio da Commissao
Exploradora do Planalto. Rio de Janeiro 1894. — J. P. Calogeras
Revue Universelle de Mines Vol. 29. 1895.
2) Eschwege. Geognostisches Gemaelde von Brasilien und
wahrscheinliches Muttergestein der Diamanten. Weimar 1522.
Eschwege. Beitrage zur Gebirgskunde Brasiliens. Berlin 1832
p. 210 —216,
Para conhecimento da genese dos diamantes do Brazil
a localidade mais importante é a de S. João da Chapada
perto de Diamantina e da qual o autor trata de modo
extenso. E
Derby, O. A. On the accessory elements of Itacolumite
and the secondary Enlargement of Tourmaline. American
Jornal of Science Vol. V. 1898 p. 187—192.
O typo singular de rocha granuloso-quartzosa dos dis-
trictos auriferos e diamantiferos da Serra do Espinhaço
em Minas Geraes, que em 1822 foi denominado por Esch-
wege itacolumita, originou muitas discussões, sendo consi-
deradas por Eschwege, Helmreichen e outros como membro
do grupo primitivo de rochas, e por outros autores como
Harrt, Gorceix e Derby considerado como um grés meta-
morphisado. O novo artigo de Derby contem mais provas
em favor desta ultima opinião estudando especialmente as
modificações secundarias de granulos de turmalina.
Katzer, Fr. Das Amazonas-Devon und seine Bezie-
hungen zu den anderen Devon-gebieien der Erde. Sitzungs
Ber. der K. Boehms. Gesellsch. d. Wissensch.; Math. naturw.
Classe. Prag. 1897 p. 1—s0 com Estampa.
Entre os materiaes em que é baseado esse estudo
occupam o primeiro lugar as collecções do Museu do Para,
devidas ao Dr. Jodo Coelho no Para, e que provém da
25." cachoeira do Rio Maecurú.
O autor menciona numerosas especies novas e conclue
que o caracter dos depositos devonianos do Maecurú e do
Curuá seja identico, quasi o mesmo podendo dizer-se da
fauna da Serra de Ereré, que antes por differenças de
«facies » do que de idade differe um pouco.
Segue então uma comparação da fauna devoniana do
Amazonas com as que se conhecem do Matto Grosso,
Parana, Bolivia, Ilha Falkland etc., da America do Norte
e de outras regides do globo. Resulta dessa comparaçäo
que a fauna devoniana do Amazonas corresponde ao
Hamilton-group da America do Norte representando por
conseguinte o devoniano medio.
São intimas as relações com o devoniano medio do
Cabo da Boa Esperança, emquanto o devoniano asiatico
offerece mais relações como da Europa. O autor afinal dis-
cute a distribuição do mar e dos continentes durante a
epoca devoniana, reconhecendo a grande transgressão do
mar que se deu durante o devoniano medio como o
demonstrou Swess e explica por mappa a paleogeographia
devoniana. Não existia naquella epoca o Oceano Atlantico
cujo lugar occupava o continente Atlantico-aethiopico, do
qual a maior parte do Brazil fez parte e que ao Sul foi
separado do continente austral por um mar de connexão
denominado brazileiro e pelo qual entravam em contacto o'
Mar Pacifico e o Mar do Sul.
Desejamos que o autor seja feliz na continuação de
seus estudos sobre a epoca primaria da região amazonica,
e que a essa publicação provisoria se siga breve o estu-
do definitivo e ilustrado, visto que as «novas especies »
na maior parte são apenas nominaes, faltando as neces-
sarias diagnoses e figuras. Uma traducção desse estudo
está publicada no Boletim do Museu Paraense Vol. II 1897
p. 2086-246.
Katzer, Dr. Fr. Ein eigenthümliches Manganerz des
Amazonas-Gebietes. Oesterr. Zeitschr. für Berg und Hüt-
tenwesen. 46. Jahrg. Wien 1898 16 p. e Taf. II.
O ‘autor descreve um mineral de manganez commum
no valle do Amazonas e que consiste principalmente em
Psilomelanio. A estampa explica a constituição microsco-
pica. Embora se apresente abertamente o mineral parece
ao autor que por ora não pode ser vantajosa a sua explo-
ração technica.
ER 526 —
Katzer, Dr. Fr. Relatorio resumido sobre os resultados
geologicos praticos da viagem de exploração ao Rio Tapajoz
e à região de Monte Alegre. Belem 1898 (Typ. do “Diario
Official,). 8º 36 pag.
E’ um erro lamentavel que na região amazonica e
especialmente no Estado do Pará já mais de uma vez
despertou esperanças irrealisaveis, identificar-se a extensão
do systema carbonifero com a existencia de carvão de
pedra. No E. do Pará todas as rochas estratificadas do.
terreno carbonifero até agora conhecidas são de origem
maritima, sendo muito improvavel que nelles possam ser
descobertas camadas de hulha. De resultado negativo
eram tambem as explorações destinadas para achar ouro.
A parte mais singular desse pequeno estudo feito por
ordem do Dr. José Paes de Carvalho, Governador do Es-
tado, é o exame do poço de cerca de 20 metros de pro-
fundidade excavado em Ereré perto de Monte Alegre. Foi
apresentado para a exposição de Chicago um perfil referente
a esse poco que contem schistos com Posidonomyia, Tur-
ritella etc. e na base «camadas carboniferas», sendo evidente
pelo exame do Dr. Katzer que todas as camadas pertu-
radas pertencem a rochas mediodevonicas. E' pois, com-
pletamente falsa a indicação de «uma grande bacia carbo-
nifera» ao norte do Ereré, manifestando o autor as suas
duvidas justas sobre «se tudo isto foi feito unicamente
por ignorancia», acrescentando que o proprio concessionario
tem sido victima do «erro». —
Florence, W. Darstellung mikroscopischer Krystalle in
Loethrohr-perlen. Neues Jahrbuch f. Mineralogie 1898 Band
Lp. 102 T6 os Tay) Vi
O autor continuou os estudos experimentaes comecados
por Rose e aqui por Hf. Bauer sobre os crystaes micros-
copicos que se formam sob a acção do maçarico nas perolas
de saes ou oxydos mineraes. São estudos que se completam
e se combinam com o exame chimico das soluções e o
ees
NCH
estudo presente, utilisando em parte as preparações de
Bauer, parece-me ser uma contribuiçäo das mais impor-
tantes para o aprofundamento dos conhecimentos minera-
logicos referentes ao Brazil.
Hussak, E. Das Zinnober-vorkommen von Tripuhy in
Minas Geraes. Zeitschr. f. prakt. Geologie 1897 p. 65 ss.
(cf. Petermanns Mittheilungen Vol. 44. 1898 p. 68).
O cinabrio que em Tripuhy é encontrado em alluviões
proveniente, provavelmente, de itabirita, não apparece em
quantidade sufficiente para ser utilisado.
A. Smith Woodward. Stereosternum from Brazil. Geo-
logical Magazine. March and April 1897 (cf. Science Vol.
VII. Nº 162. Febr. 1898 p. 165).
| À noticia refere-se a um novo exemplar de Stereos-
ternum tumidum do É. de S. Paulo. A especie foi descripta
em 1886 por Cope e no mesmo anno Baur baseou nella
a ordem dos Proganosaurios. Woodward diz que esse ge-
nero offerece relações para com os antecessores dos Ple-
siosaurios. À cabeça é triangular, muito mais curta do que
o pescoço. À cauda tem 60 vertebras das quaes as primeiras
7 têm fortes processos transversaes. A cauda corresponde
mais ou menos a */; do comprimento total do animal. Tendo
o Dr. Derby recebido o dente de um Labyrinthodonte de
«Conchas», Woodward affirma que a formação de Karoo
da Africa meridional é bem representada e »by homotaxial
deposits» no Brazil meridional e em certas partes da Re-
publica Argentina.
Jones, T. Rupert. On fossil entomostraca from Brazil.
Geological Magazine p. 195—202 Pl. VIII. London May 1897.
Jones, T. Rupert. Fossil entomostraca from South Ame-
rica. Geological Magazine June, July 1897 p. 259—26$ and
p. 289—293. Pl. X—AXI1.
— 528 —
Esse estudo refere-se a entomostracos cretaceos da
Bahia, colligidos pelo Sr. I. Mawson, Superintendente da
Bahia and S. Francisco Railroad, no Estado de Bahia,
e offerecidos ao British Museu. O autor descreve o novo
genero Estheriina, ao qual pertencem duas especies affins
europeas E. Freyensteini Geinitz e limbata Goldenberg.
As especies novas da Bahia são Estheriina bresiliensis,
expansa e astartoides, cujo comprimento varia de 3—7 mm.
A segunda communicação contem a descripção da
Estheria Mawsoni Iones de Bahia e de varias especies do
Chile e da Republica Argentina. E’ interessante o facto de
ter a Estheria mangaliensis lones da formação rhaetica da
India central sido encontrada tambem em Mendoza. Confir-
mam-se assim tambem por descobertas zoopaleontologicas
as importantes descobertas do Dr. Fr. Kurtz em Cordoba
sobre a analogia e em parte identidade da flora permo-
carbonica da Republica Argentina e da India, a que me
referi no Volume II desta Revista p. 462—464.
O mesmo autor publicou (Ann. and Mag. Nat. Hist,
VII Ser. Vol L 1898 p. 333343 uma boa synopse das
familias e dos generos dos ostracodos fosseis e de sua dis- |
tribuição pelas formações geologicas.
Kayser, E. Beitráge zur Kenntniss einiger palacozoischer
Faunen Süd-Amerikas. Zeitsch. d. Deutsch. geolog. Gesell-
schaft Jahrg. 1897 p. 274317. Taf. VH-—XI.
Da Provincia de Salta na Rep. Argentina obteve o
autor conchas de Iruya e Ojo de Agua que pertencem a
fauna cambrica. À nova collecção contem o genero Lios-
tracus que é restringido a camadas que em outros paizes
são caracterisados por Paradoxides 1. e. Medio-Cambrium.
Segue-se uma parte que trata da fauna do silurio in-
ferior das provincias de Salta e S. Juan. O autor descreve
uma especie de Didymograptus, sendo o primeiro repre-
sentante dos Graptolithos, conhecido na Rep. Argentina.
Os trilobitos Megalaspis, Illaenus etc. demonstram a ana-
logia com o calcareo com Orthoceras da Europa.
A ultima parte trata da fauna devoniana das regiôes
centraes da Republica Argentina perto do Rio Jachal, con-
tendo especies dos generos Liorhynchus e Pholodella. Da
lista de cerca de 24 especies são 9 ou quasi ‘; tambem
encontradas nas camadas de Hamilton na America do
Norte, que representam a parte mais antiga do Devoniano
medio, (aelteres Mittel-Devon). O autor refere-se, nas con-
clusôes, ao Devoniano do Para (Ereré e Maecurú) e do
Matto Grosso e defende a opinião de que todas essas forma-
ções fazem parte do horizonte superior do Devoniano in-
ferior ou do horizonte inferior do Devoniano medio. Todas
essas camadas das Republicas Argentina, Bolivia e Brazil
apresentam analogias com a fauna correspondente do Cabo
de Boa Esperança e da America do Norte (ober-Helder-
“berg and Hamilton-Schichten). Faunas devonianas mais an-
tigas ou mais novas não existem na America meridional,
sendo interessante o facto da transgressão marinha do De-
voniano medio, porque corresponde a phenomeno identico
da Europa.
Kayser, E. Weiterer Beitrag zur Kenntniss der älteren
palacozoischen Faunen Stid-Amertkas. Zeitschrift d. Deutsch.
Geolog. Gesellschaft. Jahrg. 1898 p. 423—429 e Taf. XVI.
O autor diz que na Republica Argentina as camadas
devonianas seguem immediatamente acima das do siluriano
inferior. Camadas pertencentes ao siluriano superior fazem
falta, sendo as respectivas indicações contradictorias de
Frech talsas.
Gerhardt, K. Beitrag zur Kenntniss der Kreideforma-
tion in Venezuela und Perú. Neues Jahrbuch fiir Minera-
logie Beil. Band XI Stuttgart 1897 p. 65—119 Taf. le
IT. (tambem como dissertação inaugural de Freiburg 1. Br.)
Descripção de conchas cretaceas provenientes da Cor-
dilheira de Merida na Venezuela e de Morococha no Perú
correspondendo as de Venezuela ao aptien e santonien,
as do Pert ao gault e albien. As conchas säo todas ma-
rinhas. A fauna marinha do albien peruano demonstra rela-
côes evidentes com a do albien da Europa e da Africa
septentrional. Além disso existem relações com a fauna
cretacea do Brazil, descripta por White. O autor refere-se
a uma publicação de Kossmat sobre a formação cretacea da
India (Jahrb. d. K. K. Geolog. Reichs-Anstalt Wien 1894.
44. Heit 3) no qual o autor diz (p. 466) o seguinte, sobre
o estudo de White: « As conchas cretaceas descriptas por
White pertencem a dous horizontes: as que provêm do
E. de Sergipe são da formação cenomana, as do E. de
Pernambuco representam uma formação intermediaria en-
tre o cretaceo e o terciario. »
A Smith Wodward. Gcology and Paleontology of Ar-
gentina. Geological Magazine Vol. IV N° 391. 1897 p. 4
KH. (cf. Science Vol. VIL. 1898 165).
Traducção do estudo de Florentino Ameghino com ob-
servações criticas. O autor não acceita a grande edade que
Ameghino attribue a formação do Pyrotherium e julga o
genero Pyrotherium intimamente ligado aos grandes Dipro-
todontes da Australia, e não aos Proboscidios, Nos grés
vermelhos e junto com os Dinosaurios achou Santiago Roth
(Ceraterpeton Galvani Huxley. Geological Magazine July
1897) uma rica collecção de pequenos reptis. Os Crocodilios
são pequenos e são Mesosuchias typicas, alliadas ao ge-
nero Theriosuchus do Purbeek, formando o novo genero
Notosuchus. Existe tambem nessa collecção uma. cobra,
ainda não examinada.
Steuer, À. Argentinische Jura-Ablagerungen. Palacontol.
Abhandl. von Dames und Koken N. F. Bd. Ill p. 1—96
Taf. I—XXIV.
Tornquist, A. Der Dogger am Espinazito-Pass, nebst
emer Zusammenstellung der jetzigen Kenntnisse von der
Er gar
argentinischen Jura-for;mation. Palaeontolog. Abhandlungen
von Dames u. Koken N. F. Bd. IV p.rss. Taf. XIV —XXIV.
(veja-se o relatorio referente a esses dous artigos no Zoolo-
gisches Centralblatt V. Jahrg. 1898 p. 382 ss.).
Os petrefactos descriptos por A. Steuer pertencem a
uma rica fauna de Ammonites do “Thiton cu Jura superior
dos Andes argentinos. O autor enumera 80 especies per-
tencentes aos generos Hoplites, Perisphinctes, Aspidoceras
etc., provenientes de pedras calcareas pretas, encontradas
no E. dos Andes na Serra Malargue entre o Rio Grande
eo Rio Diamante. Os petrefactos foram colligidos pelo
Dr. Bodenbender em Cordoba, a quem se deve tambem a
outra fauna de cephalopodos jurassicos de que trata o ar-
tigo de Tornquist, colligidos ao Oeste de Mendoza. Diz
Tornquist que essa fauna corresponde ao Dogger, (estrata
de concavum e Callovien). A collecçäo é mais rica do que
a que foi estudada por Gofsche, contendo além dos ammo-
nitidos tambem outros molluscos.
« E” singular, diz Tornquist, que o caracter desta fau-
na não é alpino, mas que corresponde ao de certos depo-
sitos europeus de dogger extraalpino. Explicara-se este
facto pela concordancia climatica nessas duas regides du-
rante o periodo do dogger ou por ligação dos mares.
Até hoje não se conhecem depositos jurassicos desde
Bolivia até Portugal. »
Os naturalistas que pretendem estudar os ammonitos
argentinos devem comparar as observaçôes criticas sobre
as determinações de Steuer que £. Haug publica na
Revue critique de Paléozoologie de M. Cossmann, II, Paris
1898 D. 114—116.
Roth, Santiago. Catalogo de los mamiferos conservados
en el Museo de La Plata. Grupo Ungulata, Ordem Toxo-
dontia. La Plata 1896.
Volume de 128 paginas e munido de oito estampas
e numerosas figuras impressas no texto em que o novo
encarregado da secçäo paleontologica do Museu de La
Plata, offerece uma monographia ricamente illustrada do
genero Toxodon, figura saliente entre os mammiferos ex-
tinctos da formaçäo pampeana. E summamente interessante
a estampa N.° I que apresenta um dos thesouros mais
notaveis daquelle Museu: o esqueleto completo do Toxodon
Burmeisteri. As estampas phototypicas bem executadas são
feitas nas officinas daquelle rico Museu, que occupa o pri-
meiro logar entre os da America meridional.
Hatcher, I. B. On the Geology of Southern Patagonia.
American Journal of Science. IV Ser. Vol. IV Nov. 1897
p. 327—354-
Ortmann, A. E. On some of the large Oysters of
Patagonia. American Journal of Science Vol. IV. 1897
pag. 355—356 e Pl. XI
Lahille, F. Notes sur le nouveau genre Lheringia. Re-
vista del Museo de La Plata. Tom. VIII p. 437—452 €
Pl. Te II. La Plata 1698.
Nordenskjüld, O. Ueber die post-tertiaeren Ablagerungen
der Magellansländer. Svenska Expeditionen till Magellans-
länderne. Ba. I N° 2. Stockholm 1898.
Tendo ja tratado de modo extenso da Geologia da
Patagonia limito-me desta vez a poucas palavras. O artigo
de Ortmann appareceu antes do que o meu, de modo que
o nome por elle proposto de Ostrea Hatcheri tem priori-
dade do meu «percrassa». O artigo de Hatcher deu logar
a discussão entre elle e Florentino Ameghino com refe-
rencia ás camadas de S.“ Cruz eás de Pyrotherium, tendo
conforme Ameghino affirma, o unico supposto dente do
genero mencionado e figurado por Hatcher nada que vêr
com o genero Pyrotherium. As camadas de Pyrotherium
seriam segundo Hatcher (p. 331) mais modernas ainda do
que as de S.“ Cruz. O Sr. Lahille diz que as chamadas
Scutellas da Patagonia não pertencem a esse mesmo genero,
formando um genero distincto, ao qualteve a gentileza de
rar: =
dar o meu nome. Berg (Communicaciones I 1898 p. 16
e II p. 41) modificou esse nome ja preoccupado por Key-
serling para uma aranha em Iheringiana.
O Dr. Nordenskjóld trata da epoca glacial na Patagonia.
Pela primeira vez foi a Patagonia coberta por gelo durante
a ultima parte do Plioceno. O continente extendia-se entäo
muito mais ao Leste. A segunda e ultima glaciação deu-se
mais tarde e coincidiu com uma submersäo das costas, do
que é prova que se acham na terra firme pedras trans-
portadas pelo gelo até a altura de 55 m., devendo, por
conseguinte, a terra naquella região ter subido mais tarde
até a actual altura.
Pilsbry, H. Patagonian tertiary fossils. Proceedings
Acad. Natural History Philadelphia 1897 p. 329—330.
As conchas terciarias do Cabo Fairweather colligidas
por Hatcher consistem em Trophon laciniatus, Cardium
_sp., Pecten actinodes, Ostrea Ferrarisi, Magellania venosa,
Pinna sp. e duas especies novas Turritella innotabilis e
Trophon inornatus que é no meu vér synonymo do Trophon
varians Orb. A formaçäo do Cabo Fairweather parece pois
identica 4 tehuelcha.
Lhering, Fl. von. Zur Geschichte der marinen Fauna von
Patagonien. Zoologischer Anzeiger 1897 N° 548 p. 530—535.
Resumo em allemäo do artigo publicado nesta Revista
Vol. II.
D. GEOGRAPHIA, VIAGENS.
o
Coudreau, Henri. Voyage au Xingu. Paris 1897 4.
230 pag. e I mappa.
Essa viagem de exploraçäo da parte do curso inferior
do Rio Xingu foi feita por ordem do Governador do E.
do Para, Dr. Lauro Sodré, de 30 de Maio até 26 de Outubro
ST TT
do anno de 1806. E’ volume bem impresso e illustrado por
68 clichés. Tem como appendice um mappa da parte do
rio explorada pelo autor e vocabularios de duas tribus de
indios mansos, isto € dos Jurunas e Araras.
O texto escripto como o autor diz de 1 até 26 de
Novembro, isto € em menos de quatro semanas e sem
referir-se as obras de Castelnau, von den Steinen etc. nao
tem a pretençäo de adiantar a sciencia. E de um interesse
especialmente local e topographico. A exploração exten-
deu-se até á cachoeira denominada Pedra Secca, percor-
rendo zonas quasi deshabitadas, sendo o numero total dos
habitantes entre a foz do Rio Tucuruhy e Pedra Secca
de 981 habitantes civilisados entre elles 177 indios mansos.
Esses na maior parte pertencem ás tribus dos Jurunas e
Araras. O autor fornece algumas figuras de Jurunas (p. 33,
54, 80 e 133) e Araras (p. 35) que nos fazem duvidar das
vantagens qne a nossa celebre «cultura» trouxe a esses
miseraveis vagabundos. Com os indios Carajás, cujo domi-
cilio se acha alem da cachoeira da Pedra Secca o autor
não teve relações. Entre as figuras noto a (p. 71) de uma
ponta de lança de pedra lascada, achada numa ilha e as
de diversos petroglyphos, sobre os quaes os Jurunas nada
pouderam informar, sendo a origem provavelmente de
outras tribus. Os petroglyphos ou pedras pintadas de
Itamaracá são notaveis tambem pelo facto de darem essas
pedras, quando batidas, um som metallico. A pedra pro-
vavelmente será a mesma ita-una que na ilha de S. Sebastião
constitue as «pedras de sinos« das quaes tratei nessa Re-
vista Vol. IT p. 146. O proprio nome de itamaracá indica
essa propriedade: ita (pedra) e maracá (cabaça servindo
para fazer musica), sendo pois essa palavra formação ana-
loga á de phonolitho.
O autor acredita (p. 35) que os Carajás sejam identicos .
aos Botocudos—Suyas visitados por C. von den Steinen. Não
conhecendo o vocabulario dos Suyas nada posso dizer a
respeito, mas não acredito que essa opinião seja exacta.
Os Suyas são conforme von den Steinen Gés e intimamente
ons à NT
ligados aos Cayapós. Sobre a lingua dos Carajás não achei
indicações exactas nos livros de Steinen, mas Martius
classificou os Cayapós e Carajás em dois grupos bem
differentes.
Steinen, C. von den. Coudreaus Xingureise. Globus
Vol. 74. 1898 p. 12I—124.
O artigo de Steinen completa de modo excellente a
obra de Coudreau e tira della diversas conclusdes de in-
teresse geral. O diccionario Juruna torna evidente que per-
tencem ao grupo tupy.
Os indios Araras ao contrario pertencem ao grupo
Caraibo, sendo as palavras recolhidas quasi identicas ás
da lingua Apiaca. Esse resultado já foi supposto por
Stemen e Ehrenreich em vista da tatuagem delles. Quanto
aos Suyás resta a examinar o seu parentesco limitando-se
Steinen a rejeitar a confusão que Coudreau fez, identi-
ficando-os com os Carajás. Quanto a estes ultimos — que
têm o tembetá mas não o bodoque dos Suyás — têm elles
as bonitas lanças ornadas de pennas etc., tacapes acanel-
lados e rico enfeito de pennas. Uma valiosa collecção de
objectos de Carajás comprou-o Museu Paulista no anno
passado. *
. Coudreau, Henri. Voyage au Tocantins-Araguaya. Pa-
ris 1897.
Volume elegante de 298 paginas com mappa e nume-
rosas illustrações. A viagem era dedicada a exploração de
parte do Rio Araguaya e de sua navegabilidade. Deste
modo o valor do estudo está todo do lado da geographia
e hydrographia, mas o autor fornece tambem informações
sobre os indigenas, especialmente os Carajás e Cayapós.
Infelizmente é bem triste o que nos diz delles. Reduzidos
extremamente em numero, quasi nús e sem as industrias
esplendidas que antigamente os distinguiam, são os actuaes
Carajas meio-civilisados apenas um resto triste e decadente
dos seus valentes antepassados. O autor não estava bem
preparado para essa viagem e nem ao menos conhece
a obra de Castelnau. Seria de muito mais valor a obra
se o autor tivesse o conhecimento necessario da litteratura;
assim como é, apresenta-se o livro apenas como de notas
de viagem aos quaes o autor ajuntou vocabularios das
linguas dos Cayapós e Carajás.
A pequena villa de Leopoldina creada pelo General
Couto de Magalhães quando Presidente do Estado e des-
tinada por elle para ser a futura capital do Estado de
Goyaz, está cahindo em ruinas. S.* Izabel é tapera. O
“povo desses campos a não fallar dos castanheiros está tirando
o leite das mangabeiras, mas o producto a «mangaba» é
muito inferior 4 borracha, não obtendo mais de 2$000—
28500 Rs. no Pará como preço por kilo. Os arbustos têm
em geral 5 m. de altura e não têm a resistencia dos se- —
ringueiros, seccando quando se tira muito leite ou só.
quantidade regular. Não se conhece por ora outro modo
de coagular o leite se não cozendo-o.
Quanto á navegabilidade do Rio Araguaya o serviço
de vapores que regularmente funccionava entre Leopoldina
e S.º Maria e ás vezes até o Porto do Rio Grande — e,
querendo-se até Macedina — foi extincto por falta de sub-
venção em 1896.
Goeldi Dr. E. A. Eine Naturforscher-Fahrt nach dem
Litoral des südlichen Guyana zwischen Oyapock und Ama-
zonenstrom. (October bis November 1895). Jahresber. der
St. Gallischen Naturwissensch. Ges. 1896—1897. St. Gallen
1698. | f
O artigo de Goeldi refere-se 4 expediçäo feita em 1895
por elle e diversos outros empregados do Museu 4 região do
Rio Amapá, conhecida pelos conflictos havidos sobre os
limites com a administração da Guyana franceza. Um bom
mappa acompanha o artigo. A expedição dirigiu-se pri-
DRE Po 4 TT
meiro ao Rio Amapa depois ao Rio Coanany e ao bonite
e interessante lago Tralhoto. O autor da varias informações
geographicas corrigindo indicações de viajantes francezes,
especialmente de Coudreau. Sobre os resultados scientificos
dessa expedição já o Boletim do Museu Paraense Vol. I.
1896 publicou um artigo referente a geographia botanica
daquella região escripto pelo Dr. /. Huber.
Goeldi E. A. Vorläufige Mittheilung über cine For-
schungsreise nach dem Oberlauf des Rio Capim, Staat Pará
(Petermanns Mittheilungen. Bd. 44. Gotha 1898 p. 36—40.
O Rio Capim, pouco conhecido até agora, foi explo-
rado pelo Dr. Goeldi e mais pessoal do Museu do Pará
nos mezes de Junho e Julho de 1897, tanto no sentido
geographico como para o fim de fazerem-se collecções
zoologicas. E' esta uma primeira communicação sobre a
expedição, que teve bom resultado.
eatery F. Der streitige Golddistrikt von Brasilianisch-
Guyana. Globus Vol. 74, 1898 Nº 11, p. 147—150.
O artigo, que se refere ao do Dr. Goeldi sobre oyapock
discute a existencia e proveniencia do ouro nesse dis-
tricto, sustentando a opinião que a producção em ouro
alh nunca chegará a ser muito importante.
Rimbach, A. Reise im Gebiet des oberen Amazonas.
Zeitschr. der Gesellsch. f. Erdkunde zu Berkin Bd. 32. 1897
p. 360—409 e Taf. XII.
O autor é botanico e fez uma viagem da Serra de
Cuenca ao Rio Maranhäo no interesse de seus estudos
botanicos. O mappa annexo fornece entretanto dados novos
tambem sobre os systemas hydrographicos dos rios San-
tiago, Morona, Pastaza, Chambira e Tigre. Entre as obser-
vacoes botanicas achei uma que vale a pena registrar
Revista do Museu Paulista Vol, III, 34
aqui. Na altura da bacia do Cuenca precisa o milho nove
mezes para a completa maduração contra tres mezes na
zona quente, na base da Cordilheira.
Siemens, Alex. Cable laying on the Amazon River.
A paper read May 15 th. 1896 before the Royal Institution.
8.º 16 pag. (cf Petermanns Mittheilungen Bd. 44. 1898 p. 66).
O cabo entre o Pará e Manaos foi collocado no Rio
Amazonas nos mezes de Janeiro e Fevereiro de 1896.
A temperatura do ar mostrou no periodo quente (Ou-
tubro) e chuvoso (Janeiro-Fevereiro) uma differença de
de 5°,5 C, mas a da agua conservou-se durante todo esse
tempo na mesma altura de 84º F. (Manaos) ou 83° F.
(Breves). Em Obidos é a profundidade do Rio de 58 braças
e a differença no nivel da agua importa em 40 pés. Os va-
pores transatlanticos percorrem a distancia de Manaos ao
Para em 3 dias. Que o Sr. Siemens utilisou essa empreza
tambem para fins de exploração zoologico-biologica sabemos
pelo Boletim do Museu Paraense.
Therese Prinzessin von Bayern. Meine Reise in den
brasilianischen Tropen. Berlin 1897.
Volume de 544 paginas com mappa, quatro estampas
e numerosas illustrações. À princeza chegou a 26 de Junho.
de 1888 ao Pará e deixou o Brazil a 10 de Outubro, tendo
percorrido em tres mezes e meio o Rio Amazonas e o
Rio Negro, visitando os Estados do Amazonas, Para, .
Maranhão, Bahia, Minas, Rio, Espirito Santo e S. Paulo.
Não se pode esperar de uma viagem tão rapida resul-
tados de valor, e se este livro desperta algum interesse
é só devido a algumas illustrações bonitas e figuras de di-
versos objectos de indigenas. A autora fez tambem algu-
mas collecções botanicas e zoologicas e publica a p. 48 a
figura de uma ave do grupo dos arapassus (Dendrexetastes
paraensis Lorenz). O livro talvez offereça interesse aos que
Rit AE À Mira
menos conhecem o Brazil, mas não aos que nelle vivem e
bem o conhecem. Assim tambem pouco satisfaz a parte
referente a S. Paulo. Que S. Paulo seja situado 6 Km.
distante do Rio Tieté, quando a Ponte Grande dista da
Luz menos de 2 Km., que ao redor de S. Paulo existem
depositos terciarios de agua doce dos quaes porém até
hoje nenhuma especie fossil se conhece, não podemos ad-
mittir, nem que a temperatura media do anno seja na
capital de S. Paulo 19º,7 C. quando ella é apenas 18º,04,
segundo os dados recolhidos pela Commissão Geographica
nos annos de 1889-1897. A figura do pinhal é provavel-
mente do Estado do Paraná. Alguns nomes de plantas que
foram colligidas não poderão adiantar ao conhecimento da
flora mais do quea zoologia os de diversas aves e insectos
que a autora viu ou suppõe apenas ter visto.
A parte mais interessante da obra é a excursão aos
botucudos do Rio Doce. E’ certo que a autora observou
bem e que tem ricos conhecimentos, mas o que é certo
tambem é que mais vale deixar de publicar impressões de
uma viagem tão rapida.
Badariotti, Pre. Nicoldo. Exploração no Norte do Matto
Grosso. São Paulo, Typographia Salesiana, 1896.
Volume elegante de 212 paginas com uma estampa
que se refere á expedição que na região do Alto Paraguay
e Planalto dos Parecis foi feita em Julho até Dezembro
de 1896, sendo conhecidas pelo Banco Rio Matto Grosso
afim de serem examinadas as riquezas naturaes e especiai-
mente a borracha. A empreza foi confiada ao Sr. Affonso
Roche e o Revmo. Pre. Badariotti acompanhou-o como
missionario, dedicando-se nas horas vagas a estudos e
fazendo collecções de insectos. O autor já se fez conhe-
cido como coleopterologo e especialmente pelas descober-
tas que fez de pequenos besouros que vivem nos formi-
gueiros e foram descriptas pelo sabio Pre: Wasmann S. J.
O mappa refere-se especialmente ás cabeceiras dos Rios
PUR
Paraguay e Cuyaba, as Serras e aos territorios occupados
pelos Parecis e outros indios. Quanto a geographia da zona
percorrida o autor considera como resultado mais impor-
tante o calculo da altura da Serra de Tapirap uam (região
dos tapiras ou antas), a cerca de 680 m. acima do
nivel do mar. Essa Serra pertence inteiramente á bacia
do Paraguay e nada tem que ver com o planalto de Pa-
recis. Grande ajuda teve de um «regulo no sertão », o
Dr. Marcellino Prado, descendente dos Prados de S. Paulo.
De muito valor é a parte segunda do livro, na qual
o autor trata de varias tribus de Indios e especialmente
dos Parecis, a cuja vida, costumes e linguas são dedicados
numerosos capitulos. Devia ser extenso de mais para dar
um relatorio completo. Não podemos acompanhar o autor
nas hypotheses sobre a origem judaica dos Parecis, mas
temos bastante apreciado a parte positiva, da qual tiro
o seguinte trecho (p. 210) sobre as crenças religiosas dos
Parecis. « São monotheistas (?) acreditando em Enoré ou
Deus e Uamoti, genio do mal.
Dalucanaitere (Adão) foi o pae de todas as gentes,
O primeiro que morreu foi justo (Abel) e foi morto.
pelo seu perfido irmão (Caim).
Zucutahuië foi o unico que se salvou e com a sua.
familia da grande innundação (diluvio) e por isto foi cha-
mado avô das gentes.
Todos os homens estariam perdidos pelos seus crimes,
mas ha ‘le vir o Utariti, santo que salvará a todos, elle ee
nascer em Balaata Uëtegu.
Balaata é o nome de uma cidade fundada por siim »
Parece-me que essas tradições religiosas apresentam
relações intimas demais com o christianismo para não se-
rem suspeitas de influencias modernas ou antigas dos mis-
sionarios e da escravidão em que por muito tempo viveram
os parecis, sujeitos aos portuguezes nas lavagens de ouro
e de diamantes. Se é certo que os indigenas do Brazil
acreditam em demonios bons e mãos (Deus e Diabo) nada
nos auctorisa para acceitar como pertencentes á sua pri-
ab awe
mitiva cultura intellectual as lendas de Adäo, Abel e Caim.
E’ preciso notar que von den Steinen (Unter den Natur-
voelkern Centralbrasiliens Berlin 1894 p. 424—440) tratando
mais extensamente dos Parecis pouco observou dessas ideas
“religiosas. «Palata» conforme elle é «palacio» referindo-se
ao palacio do Presidente e Enuhare para elle não é Deus,
mas trovoada.
Observo ainda que das collecções feitas nesta viagem
o Revmo P. Badariotti mos mandou os coleopteros que
estamos estudando, verificando entre elles ao lado de es-
pecies que temos do Estado de São Paulo outros que
para nós e provavelmente para a sciencia são novos.
Meyer, Dr. H. Meine Reise nach Brasilien. Berlin
1897.
Conferencia referente 4 expedição que o autor fez em
companhia do Dr. K. Ranke no anno de 1896 ao rio Xingu.
A expedição sahiu de Cuyaba a 17 de Maio e voltou a
mesma cidade a 2 de Dezembro 'com ricas collecções
ethnographicas e observações. O Sr. Meyer acha-se actual-
mente em viagem a Cuyaba para fazer outra exploração
na zona do Rio Xingu e depois da sua volta poder-se-á
esperar publicação mais extensa.
\
Detmer, W. Botanische Wanderungen in Brasilien.
Leipzig 1897.
Volume de 188 paginas em 8.° que se refere 4 viagem
que o autor fez durante alguns mezes pelos Estados de
S. Paulo, Minas, Rio e Bahia. Impressôes de viagens e
observações sobre as formas caracteristicas da flora: mattos,
catingas, restingas etc. — mas sem enriquecer a sciencia
de observações novas segundo o juizo competente do Dr.
Drude.
Ha
Montenegro, 1. Arthur. Notas para a Carta Geogra-
phica do Rio Grando do Sul. Rio Grande 1895 (Livraria
americana).
Contem um extenso e interessante artigo sobre o Rio -
Ibicuhy e seus affluentes. Em 1893 o Dr. Carlos Antonin
estabeleceu com dous vapores e quatro chatas de ferro a
navegação entre Santa Maria e os rios Cacequi, Saycan e
Ibicuy, e em 1894 os Srs. Barbara e Irm. em Uruguayana
estabeleceram uma carreira Female de vapores entre Uru-
guayana e Cacequi.
É interessante o artigo sobre o arroio Tahim, que
desappareceu em 14 de Novembro de 1878 devido a uma
chuva torrencial enchendo de areia e tapando o arroio,
que até então ligava as lagoas Cayuva e Flores com a
lagoa Mirim.
Moreno Fr.. P. Appuntos preliminares sobre una ex-
cursion à los territorios del Neuquen, Rio Negro, Chubut
y Santa Cruz. La Plata 1897.
O relatorio official publicado pelo Museu de La Plata
referente à expedição feita em 1895—96 pelo Dr. Moreno
e mais pessoal do Museu para examinar os systemas e
divisas hydrographicas entre os rios chileno-argentinos.
O livro contem numerosas determinações de posição e al-
tura, um mappa e numerosas vistas photographicas. Co-
nheço-o até agora só pela critica favoravel contida em
Petermanns Mittheil., 44, 1898 p. 69 e por outra no Glo-
bus Vol '73, 1696, N27'p; 333.
Lahille KF. Fines de verano en la Tierra del Fuego.
Revista del Museo de La Plata Tom. VIII. 1897 p. 1 ss.
A expedição composta dos Srs. Lahille e Alboff tinha
por fim fazer explorações botanicas, zoologicas e geo-
logicas da Terra do Fogo, mas devido a difficuldades de
TRADE.
transporte, limitou-se especialmente ao exame da região de
Ushunrá. Essa primeira parte trata da climatologia da
Onisia, como o autor denomina a grande ilha da Terra
do Fogo.
E. ANTHROPOLOGIA, ETHNOGRAPHIA
Ehrenreich, Paul. Anthropologische Stuaien über die
Urbewohner Brasiliens. Braunschweig 1897.-4.° 168 pag. e
39 estampas (cf. Globus Vol. 72, 1897 Nº 9)
Essa obra é destinada a completar as publicações de
©. von den Steinen sobre a ethnographia dos indigenas do
Rio Xingú na parte relativa ao lado physico-anthropologico.
Foram especialmente as viagens que o autor fez na região
dos rios Araguaya e Purús nos annos de 1887—1889 que
forneceram o material para essa obra. O autor trouxe a
Berlim tres esqueletos, oito craneos e grande numero
de medições feitas em pessoas vivas. Foram tiradas vistas
photographicas de numerosas pessoas que em 30 estampas
excellentes e numerosos clichés estão reproduzidos. Das
tribus visitadas em Goyaz, Matto Grosso e Amazonas
foram 184 individuos examinados e medidos.
A côr da pelle achou o autor amarello-cinzenta, clara.
Entre os Paumaris era commum uma doença de nodoas
da pelle. A altura do corpo importou de 159,1 até 173,7
centim., sendo a tribu de altura menor a dos Trumai e de
maior a dos Bororó. A fórma da cabeça foi encontrada varia-
vel, sendo representadas as differentes fórmas de brachy-
cephalia e dolichocephalia, sendo a mesma variabilidade
observada quanto 4 face.
E’ com summo prazer que registramos a publicação
de obra tão importante sobie os caracteres physicos
dos nossos indigenas. O mesmo autor já publicou « Bei-
traege zur Voelkerkunde Brasiliens, Berlin 1891 » e um
artigo sobre a classificação e a distribuição das tribus in-
digenas do Brazil em Petermanns Mittheilungen Vol. 37,
1891.
M DA Ta
Ranke, Dr. K. Ueber bevülkerungsstatistische Be-
obachtungen aus den Indianer-Dérfern am Schingu im
Innern Brasiliens. Globus Vol. 74, 1898 N° 8 p. 135.
(cf. Correspondenz Blatt d. Deutschen Gesellschaft p. An
thropologie 1898 Nº 11. |
O pequeno artigo refere-se a outro publicado no Re-
latorio do Congresso Anthropologico em Braunschweig.
O autor procurou offerecer dados estatisticos sobre as
aldeas dos Indios do Xingu, o numero dos habitantes em
cada rancho e a duração da vida. O indio vive menos
tempo do que a mulher, sendo entre os de mais de 40
annos o numero de mulheres muito maior. Grande mortan-
dade produz a malaria, especialmente entre os meninos.
Ranke, Dr. K. Einige Beobachtungen über die Seh-
schaerfe bei südamerikanischen Indianern. Correspondenz
Blatt d. Deutsch. Anthropol. Gesellschaft Bd. 28 1898 N.º ro.
O Sr. Ranke, companheiro do Dr. Meyer na expe-
dição de 1896 ao Xingu verificou por numerosas provas
que a superioridade incontestavel do orgam visual nos
selvagens não provém de faculdades naturaes ou conge-
nitaes, mas do habito; não porque tenham a vista melhor
do que os outros individuos, mas porque se servem della
com maior proveito.
O Sr. Ranke, para convencer-se disto, submetteu a
diversos ensaios muitos caçadores indios, empregando os
instrumentos de optica que foram inventados para se co-
nhecer exactamente o bom ou o mau estado da vista, e
chegou á conclusão referida.
Mas comprovou tambem que elles são infinitamente
mais habeis para observar as modificações de fórma e de
côr que soffrem os objectos, confórme a distancia a que
estão collocados.
O Dr. Ranke declara que a maior parte dos euro-
peus teria na vista tanta força de percepção como os in-
E
dios, se desde a infancia fossem exercitados na observação
continua dos objectos que o rodeiam.
Por um acaso singular aconteceu que o Dr. Ranke
nesta viagem em que examinou a vista dos indios soffreu
grande préjuizo na propria vista, perdendo na caça um
dos olhos.
Friderict. Der Gang der Indianer. Globus Vol. 74
FSQV Gp. 273:
O artigo trata do modo como os indios caminham e
refere-se especiaimente aos indios da America do Norte,
fazendo, entretanto, observações referentes aos da America
meridional. Os indios quando caminham não viram a ponta
do pé para fóra mas directamente para diante ou para dentro.
Muitos costumam collocar separado dos outros o dedo gran-
de. Na marcha caminham em serie, um atraz do outro.
Bach, Dr. J. O telegrapho dos indios Catuquinaru (Bo-
livia) Geographical Journal Vol. 12 1898 p. 63 e Globus
Vol. 74, 1898 N.º 6 pag. Tor:
Os indios Catuquinaru têm a sua moradia entre os
rios Embyra e Embyrassu (9º L S e 71 ou 72° O), afflu-
entes do Rio Juruá. Elles têm uma qualidade de telegrapho
primitivo com o qual se podem entender á distancia de
1 Km. O instrumento chamado cambarysú é feito do
modo seguinte: no meio de uma.cova de 1,1 m. de pro-
tundidade é collocado um cylindro ôco de coqueiro que
enchem até o meio de pedaços de madeira e carvão.
À parte superior vasia é fechada por uma tampa de couro
ou borracha. .
Quando uma « maloca » quer corresponder-se com a
outra, batem fortemente com um pesado martello sobre o
« cambarysú »; e o som transmitte-se immediatamente ao
acampamento vizinho. Logo que neste se ouve o signal
de chamada, responde-se com outro egual, e os dous cor-
SAO a
respondentes, applicando o ouvido ao apparelho, conversam
á distancia como si fosse por meio de dous telephones.
O Sr. J. Bach, que visitou a região do Amazonas,
attfibue a facilidade da transmissão. dos sons 4 natureza
do sólo, quasi exclusivamente de rocha.
Polakowsky, H. Gab es cine prackolumbische Lepra in
Amerika? Petermanns Mittheilungen Bd. 44. Gotha 1898
p. I88— 190.
O autor discute a questao, se na America, antes da
descoberta, era conhecida a terrivel doença chamada lepra,
decidindo-se em sentido negativo, referindo-se especialmente
a publicações de Virchow e Ashmead. O problema está
baseado na explicação difficil de figuras de barro cosido
encontradas junto com mumias em antigas sepulturas do
Perú. Parte destes vasos representa figuras humanas e
entre estas ha diversas que offerecem signaes de graves
doenças que destruiram o nariz e os pés.
Se apenas se tratasse de destruição do nariz podia-se
pensar em lupus. Sabe-se entretanto que no Perú existe
uma forma terrivel e endemica de lupus, chamada « uta »
ou «llaga ». A destruição do nariz, beiço superior e dos
pés, que parece bem representada nas figuras peruanas do
Museu em Berlim, não pode ser attribuido a lepra. Virchow
declara que em grande numero de ossos de mumias pe-
ruanas nunca observou indicações de atfecções leprosas ou
syphiliticas, e tão pouco neste sentido informam as publi-
cações e documentos antigos do tempo da conquista. Por
ora não existem provas de que em tempo prehistorico.
houvesse na America lepra ou syphilis.
Compare-se a discussão na sociedade anthropologica
de Berlim (Verhandlungen 18 Dez. 1897 p. 612—621) e O
artigo do Dr. Lehmann-Nitsche: Ha existido la lepra en
America en la epoca precolumbiana? Semana med. Buenos
Ayres Bd. 5, 1898, p. 182.
M
Lehmann-Nitsche. El medico mas antiguo de la Repu-
blica Argentina. Semana medica, Buenos Ayres 7898 Vol.
V p. TAQ
Descripção de dous craneos trepanados. Sobre o mes-
mo assumpto foram publicados no mesmo ‘anno artigos de
Lumholtz reterentes ao Mexico e de E. Schmidt reterente
aos Incas do Perú. Na exposição de Chicago em. 1893
estavam expostos 19 craneos trepanados peruanos.
Veja-se Globus Vol. 73, 1898 N° 3 p. 52 e N° 11
p. 177:
Lehmann-Nitsche, R. Lepra precolombiana. Revista
del Museo de La Plata. Tom. IX p. 337 ss. La Plata 1898.
O autor publica uma estampa com figuras instructivas
peruanas, vasos anthropomorphos com falta de nariz, e
opina que esse defeito não é proveniente de lepra mas de
mutilação, podendo ter sido cortado o nariz como acto de
punição. |
Brinton, D. G. On two unclassificd recent Vocabularies
from South America. Proc. Amer. Philos. Soc. Vol. 37,
1898 N° 158.
O artigo trata das observações feitas pelo Dr. Rimbach
sobre a lingua « Gay» ou « Gae » que acha que faz parte
do grupo Zaparo, e pelo Dr. 7. Bach sobre a lingua dos
Catuquinará ou Cataquinas. O vocabulario do Sr. Bach
aponta esses indios como parte da familia Arawack, notan-
do-se-lhe mistura de palavras tupí. E interessante que es-
sas palavras da lingua tupy se refiram a objectos que aos
Catuguinarú foram transmittidos pelos tupys como oca
== casa e ouysa, correspondendo, a quiha dos tupys, = rede.
Kate, Dr. H. ten. Notes ethnographiques sur les indiens
Guayaquis. Annales del Museo de La Plata (Anthropologia)
ARS e
1897 38 pag. e 8 estampas. Vide tambem Ehrenreich, P.
Neue Mittheilungen über die Guayaki in Paraguay. Globus
Vol. 73, 1898 p. 73 Ss.
Conheço a publicação só pelo relatorio dado por
Ehrenreich. Os Guayakis no S E do Paraguay, notaveis
por viverem ainda no estadio da pedra polida não são
quanto á sua posição ethnographica bastante conhecidos.
A expedição organisada pelo Museu de La Plata adianta
um pouco o assumpto, deixando entretanto muito a fazer-se,
sendo especialmente lamentavel a falta de um vocabu-
lario de sua lingua. Notaveis entre os seus utensilios são
os vasos feitos por cestos revestidos de uma camada de
cera. O craneo do Guayaqui é brachycephalo como o do
Caiguá. Ehrenreich diz que o seu parentesco parece ser
com os bugres de Santa Catharina, do grupo Gés, não
conhecendo elles como estes o uso de canoas e redes para
dormir que é tão geral entre as tribus do grupo tupy.
Lahille, F. Guayaquis y Anamitas. Revista del Museo
de La Plata Tom. VIII p. 453 ss.
Discussão de certas analogias linguisticas entre as
linguas tupy e anamitica referente a uma carta do general
Frey.
Outes, Felix F. Los Ouerandies. Buenos Ayres 1897.
Outes, Felix F. Ethnografia Argentina, segunda con-
tribucion al estudio de los Indios Querandies. Buenos Ayres
1898.
Monographia que reune os materiaes necessarios para
o conhecimento dos Querandis. Esses antigos indigenas
da provincia de Buenos Ayres säo considerados como pa-
rentes dos Pampas-Araucanos por Lozano, Moreno e Bur-
meister como Guaranis por 7relles, Ameghino e outros,
e como de origem Guaycuru (raça pampeana) por S. Lafone
Quevedo e o autor. O autor pensa que acceitaram por
me a
mistura palayras do Guarani e que tem parentesco com
os Charruas” Havendo certa differença nas opiniões do
autor e dos Srs. Lafone Quevedo e Brinton, a questão
parece por ora ficar aberta. Brinton (Chaco 12 p. 24)
chama a attenção a occurrencia frequente da syllaba pen
nos nomes proprios dos querandis o que não combina com
os guayeurús, mas com o dialecto araucano das tribus
pampeanas.
Philippi, R. A. Sobre el verdadero significado de la
palabra Cordillera. Santiago del Chile 1898.
O autor que, como um dos primeiros contribuiu para
o conhecimento mais exacto das Cordilheiras do Chile,
examina a significação desta palavra, que provem de «cor-
del», referindo-se à disposição serial do cumes da Serra.
Neste sentido não correspondem as Serras até hoje explo-
radas no Chile á idéa que conforme esta designação estão
acostumados a fazer os que não conhecem pessoalmente
estas serras.
Brinton, D. G. A Record of Study in aboriginal ame-
rican languages. Media, Pa. 1898.
Brinton, D. G. The Linguistic Cartography of the
Chaco Region. Proceed. Amer. Philos. Soc. Vol. 37. 1898
p. 1—30 e com Mappa.
O autor, sem duvida a autoridade mais compétente
em questões linguisticas da America e autor da estimada
obra: The American Race. New York 1891, examina nestes
dois artigos a litteratura moderna referente ás linguas
americanas e especialmente as do Gran Chaco. Como
autor que mais tem adiantado esses estudos na America
meridional reconhece como de outro modo não o pode ser
a S. Lafone: Quevedo, mas a sua classificação, baseada
na applicação de prefixos e suffixos conforme as particulas
prenominaes são postas adiante ou atraz da respectiva
RR DOUTE
palavra, não acceita, mostrando não ser esse caracter bas-
tante firme e importante. ê 2
O autor (Chaco p. 10) parece-me confundir os Cayuas,
que são guaranys, com os Kaingangues ou Coroado-Camés, -
que nada com elles tèm que vêr. Os Guyanás do Rio
Paraguay são considerados como tupys.
F. ZOOLOGIA
F. Lahille. Una estacion maritima provincial. Ministerio
de obras publicas de la Provincia de Buenos Ayres. La Plata
1698. 8º 48 pag. e 9 laminas.
E este o relatorio official apresentado ao Governo do
Estado de Buenos Ayres pelo Dr. F. Lahille sobre a or-
ganisação de uma estação maritima perto do Mar del Plata,
projectada, e para cuja realisação o Governo autorisou
o pagamento de 7000 pesos. O fim do Estado é o estudo
da vida animal do mar e especialmente as condições da
pescaria a cujo adiantamento em primeiro lugar visa o
projecto para cujo feliz exito fazemos votos.
Ergebnisse der Hamburger Magelhaensischen Sammel-
reise. Hamburg 1896.
A primeira parte dessa obra publicada pelo Museu
de Hamburgo e baseada nas collecções feitas no Estreito
de Magalhães pelo Dr. Michaelsen contem as seguintes
partes:
Beddard, F. A. Naides, Tubificidae, Terricolae.
Ude, H. Enchytraeidae.
Fischer, W. Gephyreae.
Lénnberg, E. Cestodes.
Braun, M. Trematodes.
v. Linstow Nemathelminthes.
’ CS Vo ET
Nordenskjéld, Dr. O. Uebersicht der Zoologischen Ar-
beiten während der schwedischen Expedition nach den Ma-
gellanslacndern 1895-1597.
O pequeno artigo é tirado da obra « Observações
scientificas feitas durante a expedição sueca ás terras de
Magalhães », Vol. II N.º 1 e pretende dar um resumo dos
estudos zoologicos baseados nos materiaes obtidos por
aquella expedição. O estreito de Magalhães forma uma
divisa para a flora e fauna mas só no sentido de que a Terra
do Fogo é muito menos rica em especies terrestres do que
a Patagonia, não formando uma provincia especial cara-
cterisada por typos proprios e especiaes.
Hochstetter, F. Ein Betirag zur vergleichenden Ana-
tomie des Venensystems der Edentaten Morpholog. Jahr.
buch Bd. 25, 1897 p. 362376. Taf. XV.
O autor examinou as veias de numerosos mammiferos
achando que as preguiças distinguem-se pela falta da veia
azygos e hemiazygos, e demostra que as condições singu-
lares na circulação das preguiças estão em relação com o
modo de viver. À bonita preparação figurada na estampa
refere-se a uma preguiça de S. Paulo (Bradypus tridactylus)
“que por esse Museu foi fornecida ao autor.
Goeldi, E. A. Ein erstes authentisches Exemplar eines
echten Wiesels aus Brasilien. Zoologische Jahrbticher Vol. X
1987 D. 556——562 e Taf. 21:
Putorius Brasiliensis Merriam foi descripto como pro-
veniente do Brazil mas sem indicaçäo especial da locali-
dade. Goeldi obteve um exemplar no Para. Observo que
o exemplar que se acha exposto no Museu Paulista é pro-
veniente de Venezuela e foi adquirido por compra. E" o
carnivoro menor do Brazil.
=
Thomas, O. On some small mammals from Salta N.
Argentina. Annals and Mag. Natural History Ser. 6 Vol.
20, 1897 p. 214—216.
Thomas, O. Descriptions of four new South-American
Mammals. Ibidem p. 218 —221.
Descripçäo de diversas especies novas de roedores da
Argentina e do Peru.
Thomas, O. and Lydekker, R. On the number of Grin-
ding-Teeth possessed by the Manatee. Proceed. of the Zoo-
logical Soc. London 1897 p. 595—600, Pl. 36.
Os autores examinaram a dentadura do peixe-boi, Ma-
natus ou como agora escrevem Trichechus, sendo o nome
de Trichechus substituido por Odobaenus.
Não ha nesses mammiferos uma substituição de den-
tes no sentido vertical, mas desapparecem os primeiros
dentes, desenvolvendo-se outros em seguida sendo o nu-
mero total de dentes que se formam successivamente em
cada metade de maxilla de 20 ou mais, de modo que o
animal adulto entre todos tem tido 80—100 dentes. Os
autores examinaram Trichechus senegalis da Africa occi-
dental e Tr. inunguis do Amazonas.
Truessart, E. L. Catalogus Mammalium tam viventium
quam fossilium Fascic. I—-V Berolini 1897-1898.
Obra de grande utilidade e indispensavel para o
estudo dos mammiferos do Brazil, reunindo a necessaria
litteratura e informações sobre a distribuição geographica.
Infelizmente a determinação de diversos grupos ainda dei-
xa muito a desejar, especialmente nos generos Cebus, My-
cetes, etc. Sem conhecimento exacto da synonymia não
se pode nesse sentido chegar a resultados satisfactorios e
esse é apenas um estudo litterario, uma compilação, que
quanto à distribuição e 4 synonymia só deve ser usado
com grande precaução. Existe na litteratura boa porção
EN 8 Mages
de enganos fataes e que o autor repete. Assim foi por
Fitzinger indicado Bradypus tridactylus var. dorsalis do
«Rio Grande do Sul, Para, Venezuela.» Ora no Rio
Grande do Sul nao ha preguicas, nem nos Estados de
Santa Catharina e Parana.
Ameghino, Florentino. Premiére notice sur le Neomylo-
don Listai. La Plata Aout 1898. 12.° 8 pag.
O autor annuncia a descoberta sensacional de um re-
presentante vivente dos antigos desdentados gravigrados
fosseis da Argentina. Foi achado apenas parte do couro
grosso de um animal desconhecido na Patagonia, que con-
tem os conhecidos pequenos ossos endermicos dos Gravi-
grados. Trata-se de um primeiro aviso, devendo esperar-se
que seja encontrado um exemplar completo, intacto.
Paraná, Barão de. Le Zebroide, produit du Zébre et
de la jument, obtenu au Brésil. Bull. Soc. Nat. Acclimat.
44. Ann. 1897 p. 124—125.
Não tendo recebido o mencionado periodico só posso
indicar-lhe o titulo. :
Thering, H. von. Ueber die Verbreitung der Singvoegel
von S. Paulo. Journ. f. Ornithologie. 46 Jahrg. 1898 p.
6—24.
Sobre a distribuição geographica dos passaros de São
Paulo, tratando de assumpto largamente discutido no vo-
“lume presente. Veja-se tambem uma nota tirada de uma
carta minha e publicada no Jornal « The Ibis» (7) Vol. 4
Pp. 456.
Goeldi, E. A. Das brasilianische Schopfhuhn (Opistho-
comus cristatus). Zoolog. Garten 39. Jahrg. 1898 p. 262.
Artigo que se refere a cigana do Pará conforme o
artigo publicado pelo autor no Boletim do Museu Paraense
Vol. I 1895 p. 167 ss.
| Revista do Museu Paulista Vol. III. 35
DO eee
Meerwarth, H. Beobachtungen über Verfarbung (ohne —
Mauser) der Schwanzfedern brasilianischer Raubvôgel nebst
einem Beitrag zur Phylogenese der Raubvogelzeichnung.
Zoolog. Jahrbücher Vol. XI 1898. p. 65—8&8 e Taf. 8—710.
O autor observou vivas certas aves de rapina especial-
mente Heterospizias meridionalis, e verificou que o colo-
rido e as manchas, fachas, etc. das rectrizes da cauda mu-
daram sem que houvesse mudança ou substituição das
mesmas. São boas observações biologicas que contribuem
para decidir uma questão muitas vezes discutida. Seguem
observações sobre o desenvolvimento phylogenetico do colo-
rido, especialmente com referencia ás bem hypotheticas
« leis » de Eimer.
Ihering, H. von. Contributions to the Herpetology of
S. Paulo, Brazil. I. Proceedings Acad. Natural Sciences.
Philadelphia 1898 p. 107—110.
Enumeraçäo dos reptis, com excepçäo das cobras, que
até agora foram observados no Estado de S. Paulo. A lista
contem 29 especies, entre ellas uma de jacare, 4 de ka-
gados, sendo os outros lagartos e cobras de duas cabeças.
Seguem notas sobre a distribuiçäo geographica e em ap-
pendice a descripçäo do jahu de Piracicaba reconhecido
como especie nova de um genero novo Paulicea jahu
Ihering.
Goeldi, E. A. Die Eier von 13 brasilianischen Reptilien
Zoologische Jahrbücher Vol. X 1897 p. 640-676 e Taf. 26-27.
Estudo que é dedicado a um assumpto bastante des-
cuidado, tal o dos ovos dos nossos reptis. Os dados que o
autor publica referem-se a observações feitas nos annos de
1884—1897 e não se limitam a descripçäo dos ovos de 13
especies (5 de lagartos etc., 1 do jacaré Caiman sclerops,
5 de tartarugas e kagados, 2 de cobras) mas ajuntam.
interessantes notas sobre a propagação e a biologia em
geral.
x
DNS Te
Berg, C. Contribuciones al conocimiento de la Fauna
erpetologica Argentina. Anales del Museo Nacional de
Buenos Ayres. Tom. II 1898 p. 1—35.
Artigo que trata de numerosas especies de reptis e
especialmente de cobras que até agora não eram conhecidas
como existentes na Argentina ou cuja distribuição e syno-
nymia precisavam de esclarecimentos.
Bottger, O. Winke für die Haltung brasilianischer
Kriechthiere.. Zoolog. Garten 39 Jahrg. 1898 p. 100.
Notas sobre o melhor modo de tratar e observar vivos
certos reptis com referencia ás experiencias feitas pelo .
Dr. Goeldi.
Boulenger, G. A. On a collection of fishes from the
Rio Juruá, Brazil. With 4 plates. Transact. Zoolog. Soc.
London Vol. 15 p. 421—428.
A collecção de peixes do Rio Juruá estudada nesse
artigo que não obtive, consiste em 51 especies, 9 das quaes
são novas,
Goeldi, Emil A. On the Lepidosiren of the Amazonas.
Trans. Zool. Soc. London Vol. 14, 1898 p. 413—420 com
duas estampas.
O artigo refere-se a cinco exemplares obtidos em
18951897 e a um que foi observado vivo no Museu do
Pará e designado. Sobre o mesmo exemplar veja-se Meer-
warth no Zoolog. Garten 38. Jahrg. 1897 p. 282.
Perugia, A. Di alcum pesci raccolti nell’ Alto Paraguay
dal Cav. G. Boggiani. Ann. Mus. Civ. Stor. Nat. Genova
(2) Vol. 18 (58) p. 147—150.
Trata de 11 especies de peixes descrevendo o novo
genero Boggiania,
Boulenger, G. A. On a collection of fishes from the
Island of Marajó, Brazil. Ann. a. Mag. of Nat. Hist. (6)
Vol. 20, 1897 p. 294299.
Enumeração de 68 especies da ilha de Marajó, entre
ellas duas novas e mais uma especie nova do Rio Cunani
Heros Goeldii, dedicado ao Dr. Goeldi que reuniu essas
collecções.
Kerr, J. Graham. On the development of Lepidosiren.
Proceed. Zoolog. Soc. London 1897 p. 921—923.
Kerr, J. Graham. On the nest of Lepidosiren. Proceed.
Zoolog. Soc. London 1598 p. 41—44, with 4 figs.
Não conheço ainda as publicações originaes do Sr.
Kerr, e essas mesmas parecem ser apenas provisorias. Ha
de esperar-se com summo interesse a publicação defimtiva,
Já agora sabemos que o Sr. Kerr achando o ninho, o
modo de propagação e as larvas de Lepidosiren, que
apresentam analogias com as dos batrachios, adiantou de
um modo extraordinario o nosso conhecimento desse sin-
gular typo de peixe que vive nos systemas hydrographicos
dos Rios Amazonas e Paraguay, faltando, porem, no litoral
do Brazil, ao Sul do Amazonas.
Nobili, Giuseppe. Sopra alcuni Decapodi terrestri e
d'acqua dolce dell America meridionale. Annali del Museo
Civico di Storia Naturale di Genova. Ser. IT Vol. 19. 1898
Po GAG
O pequeno artigo refere-se a diversas especies de
siris d'agua doce da Bolivia e Argentina: Orthostoma
septemdentatum Herbst, pictum Milne Edw. e Cameroni
sp. n., Trichodactylus borellianus Nobili e Aeglea laevis.
HAE fers
Lénnberg, Dr. E. Some biological and anatomical facts
concearning Parastacus. Zoologischer Anzeiger 1898 Nº
559 p. 334 € N° 560 p. 345352.
O autor confirma as minhas observações sobre os
orificios genitaes de Parastacus, coexistindo no mesmo indi-
viduo os dos dous sexos. Distinguem-se, entretanto, macho
e femea, sendo fechados os orificios q! na femea e os da
® no macho. Parece tambem que os productos genitaes
são de uma qualidade só em cada individuo mas os con-
ductos das glandulas coexistem. O hermaphroditismo é,
pois, incompleto.
Pocock, À. J. Descriptions of some new Scorpions from
Central and South America. Annals and Mag. of Natural
History VII Series Vol. 1. 1898 pag. 384—394.
Entre as novas especies descriptas nesse artigo ha
uma do Brazil: Diplocentrus politus. A especie brazileira
Urophonius Iheringii Pocock entra na synonymia de U.
brachycentrus Thor.
O autor fornece chaves analyticas para a determinação
dos generos Urophonius e Diplocentrus.
Daday, E. von. Eine neue brasilian. Pseudoscorpion-
Art. Természetr. Fiizetek Vol. 12 1889 p. 23.
Descripçäo da nova especie Chernes brasiliensis.
Silvestri, F. Diagnosticos de nuevos diplópodos sudame-
ricanos. Anales del Museo Nacional de Buenos Ayres Tom.
VI, 1898 p. 53—71.
O Dr. Felipe Silvestri, chefe da secção zoologica do
Museu em Buenos Ayres, descreve nesse artigo numerosos
generos e especies novas de centipeios, provenientes da
America do Sul e especialmente da Venezuela.
— 558 —
Silvestri, F. Nova Geophilidea Argentina. Communt-
caciones del Museo Nacional de Buenos Ayres Tom. I. 1898
Nº 2 p. 39-40. |
Descripçäo do genero novo Aphilodon e duas espe-
cles novas.
Goeldi, Dr. E. A. Merkwiirdiger Mimetismus bei einer
brasilianischen Kreuzspinne aus der Gattung Cyclosa. Zoo-
logische Jahrbiicher Vol. X 1897 p. 563— 568 e Taf. 22.
Como a aranha Eripus heterogaster se esconde entre
as flores da laranjeira, 4s quaes se assemelha em forma
e cor, assim outra do genero Cyclosa tem costume mais
singular ainda para se defender e fazer-se imperceptivel.
A respectiva aranha colloca na sua rede uma fita de restos
de insectos comidos etc. deixando no meio uma lacuna na
qual se colloca, de modo que muito custa vél-a. Chama-
se mimetismo essa semelhança util aos objectos em meio
dos quaes o animal, assim protegido, vive.
Wasmann, É. Die Gáste der Ameisen und Termiten.
/llustrirte Zeitschr. f. Entomologie Bd. II. Neudamm 1898
Nero-TÓ. |
Nesse estudo referente aos insectos que vivem como
parasitas nas colonias das formigas e cupims o autor men-
ciona (p. 196) um pequeno coleoptero de 15 mm. de com-
primento que se assemelha um pouco ás formigas sauva
em cujos ninhos vive e que foi determinado como Cordy-
laspis pilosa F. (Smilax americanus Lap.). O insecto foi
colligido pelo Pre. Badariotti em Lorena. O autor menciona
(p. 243) uma especie nova de Antennophorus vivente en-
tre as formigas « correição » Eciton praedator em S.º. Catha-
rina. O Coleoptero Smilax pilosus F. vive nas colonias
da sauva (Atta sexdens), as especies de Xenocephalus
vivem nas colonias de Eciton, formando a familia Xeno-
cephalidae com os generos Xenocephalus, Cephaloplectus
cies! Siena
e Ecitoxenus. Ha especies de coleopteros que entre os
Eciton vivem como parasiias e que a ellas se assemelham
extremamente, como especies de Ecitomorpha e Mimeciton.
Veja-se o interessante artigo do autor («Die Ameisen und
Termitengäste von Brasilien I.» Verh. Zoolog. Botan. Ges.
Wien 1895; cf. esta Revista I p. 245).
Cockerell, T. D. A. Three new Coccidae of the Subfa-
mily Diaspinae. Psyche Vol. 8 1898 p. 201—202.
Contem a descripção de Pseudoparlatoria Noacki e
de Mytilaspis prolonga.
Giard, À Sur deux Cochenilles nouvelles, Ortheziola
fodiens n. sp. et Rhicoeucus Eloti n. sp. parasites des racines
du cafeier a la Guadeloupe. Comp. rend. Soc. Biolog. Paris
1897 3 p. (cf. Zoolog. Central Blatt V. Jahrg. 1898 p. 417.
O autor desejava verificar se é exacto ou não que a
Coccida Dactylopius citri Risso (== destructor Comstock)
encontrada sobre cafeeiros desce durante a epoca das
chuvas ás raizes do cafeeiro. Nas raizes de cafeeiros doentes
o autor não encontrou Dactylopius, mas os dois insectos
mencionados que pertencem a generos que até agora não
eram conhecidos na America nem por especies subter-
raneas. O autor descreve tambem duas especies novas de
Margarodes provenientes da Africa meridional parecidas
com as especies americanas: Marg. (Sphaeraspis) vitium
Guild. das videiras do Chile e Marg. formicarum Guild.
das Antilhas.
Zehnter, L. De Plantenluizen van het Suikerriet op
Java. Archif voor de Java-Suikerindustrie. Soerabaca 1896
—1897 com 4 estampas. (cf. Zoolog. Centralblatt V. Jahre.
1898 p. 417.)
O autor trata de Aleurodes Bergi Sign., Chionaspis
sachari folii n. sp., Chionaspis depressa n. sp., Aspidiotus
— 560 —
sachari sp. n., piolhos vegetaes da canna que em Java pre-
judicam a lavoura. À femea do Aleurodes Bergi põe 200
ovos que apenas precisam 27 dias para a metamorphose
completa, o que explica a multiplicação colossal.
Brunner, Lawrence. Pruner informe de la Comision
del Comercio de Buenos Ayres para la investigacion de la
Langosta. — Buenos Ayres 1898. 8º 98 pag. con numerosas
figuras e uma estampa colorida.
O gafanhoto que devasta as plantações na Argentina -
é pelo autor classicado como Schistocerea paranensis Burm.,
differente da S. peregrina. Quanto a biologia e distribuição
da especie o estudo não achou acolhimento lisongeiro, ao
menos a julgar pela critica publicada nos « Anales de la
Sociedad cientifica argentina» Tom. 46, 1898 p. 244 ss.
Veja-se sobre o mesmo assumpto o relatorio sobre as
« Communicaciones del Museu de Buenos Ayres» N.º 2.
Sem ter a competencia para formar-me opinião a res-
peito da discussão causada pelo Relatorio do Sr. Brunner,
não posso deixar de dizer que é um excellente meio para
informar sobre a questão, sobre a especie e as que com
ella são ligadas, sobre a sua biologia e sobre os principaes
inimigos desse terrivel gafanhoto, tanto do reino animal
quanto de parasitas vegetaes.
Schaeffer, C. Apterygoten der Hamburger Magalhaen-
sischen Sammelreise. Hamburg 1897 48 pag. und 3 Taf.
(cf. Mustr. Zeitschr. f. Entomologie Bd. IH Neudamm
1898 p. 236).
O material colligido pelo Dr. Michaelsen ao Sul do
37° L S. comprehende 26 especies de Collembola entre
estas 19 novas e 3 de Thysanura. Sobre o mesmo assumpto
versa o estudo de Nicolet reterente ao Chili e de Parona
referente ao Rio da Prata. Parte das especies é identica ás
conhecidas da Europa, talvez devido a migrações passivas.
7 a ne
— 561 —
Silvestri, F. Primeira noticia acerca de los Tisanuros
argentinos. Communicaciones del Museo nacional de Buenos
Ayres Tom. 1 Nº 2 1898 bp. 33—36.
Da familia Campodeidae: Campodea staphylina Westw.,
Lepidocampa Weberi Oudms., da familia Japygidae Japyx
sp., das Lepismatidae Lepisma sp., Nicoletia phytophila
Gerv. e Grassiella praestans sp. n., gen. nov. (= Lepis-
mina Grassi e Rovelli, nec Gerv.), das Machilidae Machilis sp.
O autor nao conheceu ainda a publicaçäo de C. Schaeffer
acima indicada de 1897.
Magalhães, Dr. PS. de. O Berne; Additamento. Re-
produzido do Jornal do Commercio de Rio de Janeiro de
2 de Janeiro de 1897.
Esse pequeno artigo representa um additamento ao
assumpto de que me occupei no Vol. II desta Revista p.
423. O « ver macaque » não representa a larva de outra
especie mas apenas o primeiro estado de larva, do qual
por via de muda se desenvolve a segunda forma de
larva, que é o Berne. Esse transforma-se em pupa da qual
sahe o insecto alado, a mosca Dermatobia noxialis Gou-
dart, que é provavelmente identica e synonyma do D.
cyaneiventris Macquart.
Kriechbaumer, I. Beitrag zu einer Monographie der
Joppinen, einer Unterfamilie der Ichneumoniden. Berliner
Entomologische Zeitschrift Vol. 43, 1898 p. 1—166.
Monographia valiosa que contem a descripçäo de nu-
merosas especies novas, entre ellas muitas de Santos col-
ligidas por Dr. Brauns.
“Middleton, R. M On a remarkable use of ants in Asia
minor. Jornal of the Linneam Society Vol. 25 London 1896
p. 405—407. |
Em Smirna os cirurgiôes usam formigas do genero
Camponotus para reunir as margens de uma ferida em vez
as 562 —
de ligal-as com a agulha por ponto. O mesmo conta Moc-
query dos indigenas do Brazil que para tal fim se apro-
veitam das obreiras da sauva, cortando da cabeça o corpo —
quando a primeira por mordedura esta fixada na ferida
(veja Moquery. Ann. Soc. Entomol. France II Ser. Tom. 2
Paris 1844 p. LXVII).
Nao achei na litteratura noticias que confirmassem pa-
ra os indigenas do Brasil essa noticia. Valia a pena me
communical-as se um dos leitores desta Revista a respeito
puder informar.
- Rudow, Dr. Einige auslaendische Nester von Haut-
flliiglern. Mustr. Zeitschrift f. Entomologie Vol. HI 1898
po 24-20.
O autor obteve vespeiras e formigueiras da Bahia e
Santa Catharina e descreve-as, sem porém dar estampas e
referir-se 4 litteratura. As vespeiras são das seguintes es-
pecies : Polybia cayennensis Fbr. (fasciata Ol.) que constroe.
o seu ninho de barro; Nectarinia scutellata e Polybia se-
dula. Além disso descreve o ninho da formiga Prenolepis |
fulva.
O mesmo autor publicou em 1898 no periodico Insek-
ten-Boerse artigos sobre ninhos de abelhas exoticas e so-
bre a persistencia de Polistes no inverno, as quaes não co-
nheço.
Fox, William I. Contributions to a knowledge of the
Hymenoptera of Brazil N° 3 Proceedings of the Academy
of Natural Sciences of Philadelphia 1897 p. 373389 (Sphe-
gidae) e N° 4 Ibidem 1898 p. 72—75 (Thynnidae).
Continuação dos artigos a que me referi nesta Re-
vista vol. II pag. 486. O artigo N.º 4 trata das Thynninae
e ajunta addicções. Descreve 3 novas especies de Ela-
phroptera e uma de Telephroromyia, e numerosas de Sphex,
Gorytes Ammophila, Trypoxylon, Crabro.
: Ev ng =>
Friese, H. Monographie der Bienengattungen Mega-
cilissa, Caupolicana, Diphaglossa und Oxaca. Annalen d.
kh. k. Naturhistor. Museum in Wien Bd. 13, 1898 p. 59-86.
O Dr. Friese apresenta nessa publicaçäo a primeira
de uma serie de monographias referentes as abelhas tro-
picaes etc., as quaes muito contribuirão para o conheci-
mento tambem da nossa fauna, tendo o distincto espe-
cialista tambem recebido materiaes do Museu Paulista.
Os generos tratados são especialmente bem representa-
dos no Chili, mas ha especies entre elles tambem do Brazil.
Thering, Dr. H. von. Die Anlage neuer Colonien und
Pilzgaerten bei Atta sexdens. Zoologischer Anzeiger 1898
NE S56: po: 238 —245.
Hering, Dr. H. von. A formiga Sauva. Revista Agri-
cola. Anno IV S. Paulo 1898 p. 255—259 e p. 293—299.
(trad. por A. Hummel).
Sabe-se agora que as sauvas não comem as folhas
que carregam mas que dellas se servem para criarem
cogumelos, que formam o seu nutrimento. O cogumelo
é Rhozites gongylophora. A biologia da sauva mostrou
entretanto uma lacuna que o presente estudo encheu, dan-
do resposta 4 pergunta « como começa o novo jardim de
cogumelos ». À içá que sahe fecundada do ninho, cons-
trôe um poço na terra cuja entrada fecha e onde fica
sósinha e sem carregar folhas até que dos ovos que poz
sahiam as primeiras obreiras. Mesmo assim tem ella um
pequeno jardim de cogumelos, nutrido por ovos desman-
chados e o mysterio foi saber como elle pode, afastada
do primitivo ninho, começar essa cultura. A resposta é
dada pela descoberta, que a içá carrega comsigo na cavi-
dade da bocca, sahindo da colonia antiga, uma pequena
bola formada dos respectivos cogumelos e que deita no
poço depois de tapado para começar a nova cultura de
cogumelos.
Como curiosidade seja mencionada que o Dr. L. Reh
n'um artigo sobre observações biologicas feitas em formigas
do Brazil (Ill. Wochenschr. f. Entomologie Bd. II, 1897
p. 600—603 e 612—616), que nada de novo contem, declara
francamente que não foi capaz, de separar na observação
biologica as duas especies de Atta, a sauva eo quen-quen,
e isso em «estudos» feitos na collina do Ypiranga.
Seyffert, W. Tropideres coffeae. Hlustrirte Zeitschrift f.
Entomologie Vol. LIL, 1898 p. 287.
O autor obteve uma porção de exemplares desse
pequeno coleoptero de amostras de café. Não me consta
que no Brazil seja observado o mesmo.
Kerremans, Ch. Voyages de Mr. E. Gounelle au Brésil.
Buprestides. Mémoires de la Soc. Entomolog. de Belgique
Tom. VI Bruxelles 1897.
O Sr. Gounelle durante as suas viagens pelo Brazil
nos annos de 1884—1895, nos Estados de Pará, Pernam-
buco, Bahia e Minas, fez riquissimas collecções de coleop-
teros, dos quaes o Sr. Kerremans estudou as Buprestidae,
das quaes obteve boa collecção tambem de Goyaz pelo
explorador Sr. Ch. Pujol. O numero total de especies
conhecidas do Brazil é elevado pelo presente estudo de
565 a cerca de 800.
Será de grande interesse para nós o resultado da
nova expedição que o Sr. Gounelle fez ao Estado de S.
Paulo onde actualmente está viajando.
6) Maur. Xylophilides (Coleopt. Hétéromères) du
Brésil. Ann. Soc. Entom. Belg. Tom. 42, 1898 p. 260-268.
Descripçäo de 10 especies novas.
oe
Druce, Herbert. Description of some new species of
Syntomidae, chiefly in the Oxford Museum. Annals and
Magas. of Natural History. VII Ser. Vol. I. London 1898
p. 401—408.
Descripçäo de 26 especies novas de Borboletas hete-
roceras da familia Syntomidae (ou Phalaenidae) provenientes
em grande parte do Brazil.
Staudinger, Dr. O. Einige neue stidamerikanische Pa-
pilio-formen. Deutsche Entomologische Zeitschrift. Berlin
1898 p. 138—148.
Fruhstorfer, H. Eine neue Ithomiide aus Minas Geraes
(Napeogenes vanetta richardi) Berliner Entomologische
Zeitschrift. Vol. 43, 1895 p. 200.
Schroeder, Ch. Papilio hectorides Esp. (Brasilien) in
verschiedener Beleuchtung. Ill. Wochenschr. f. Entomologte
Bd. IL, 1898 p. 485 e 487 ss. com 4 figuras.
Kobelt, W. Ueber Bulimus ridleyi. Globus Vol. 73, 1898
16 pag. 264.
Bulimus ridleyi Smith da Ilha Fernando de Narant
é o representante vivo de um grupo de Bulimulus, sub-
genus Hyperaulax, que nos depositos miocenos da Plorida
é representado por uma serie de especies, conforme a
descoberta de Pilsbry. E’ essa uma bonita confirmação
das ideas expostas por mim sobre a supposta antiga con-
nexão da referida ilha com o continente americano. Veja
Pilsbry Proceed. Acad. Natural Sciences Philadelphia 1897
p. Io.
We
Simroth, H. On Neohyalimax brasiliensis n. gen., n.
sp. from Brazil. Proc. Malacolog. Soc. London Vol. IT.
1896 p. 39—45 e PI.
Refere-se a um lesma, affim de Hyalimax, do Brazil
que mandei ao autor. Não conheço o artigo se não pelo
titulo. Veja-se tambem Sitzungs. Ber. naturf. Ges. Leipzig
Jahrg. 22—23, 1897 p. 29—32.
Costa, S. J. da. Remarks on some species of Bulimu-
lus, Sect. Drymaeus. Proceedings Malacolog. Soc. London
vol. 3, 1898 p. So.
Descripçäo de 12 novas especies da America do Sul,
especialmente da Bolivia. |
Pilsbry H. A. New species of Mollusks from Uruguay.
With Pl. Proc. Acad. Nat. Sc. Philadelphia 1897 p. 290—
298.
Veja-se tambem essa Revista Vol. II p. 494.
Pilsbry, H. New Brazilian Streptaxidae. Proceedings
Acad. Natural Sciences. Philadelphia 1897 p. 477—480.
Streptaxis helios, tumulus, capillosus, decussatus sao
as especies novas descriptas nesse artigo e pertencentes
ao grupo de Str. candidus Spix.
Pilsbry H. Descriptions of new South American Bu-
limuli. Proceedings Acad. Natural Science Philadelphia
1897 D. 19—22.
Descripçäo das especies novas Bulimulus rushii e
gorritiensis do Uruguay, corumbaensis de Corumbá, an-
grandianus da Bahia e outras que o autor pretende fazer
figurar no seu Manual.
Magalhães, P. S. de. Notes d'Helminthologie brésilienne
8. Deux nouveaux Ténias de la poule domestique. Archives
de Parasitologie. [, Paris 1898 p. 442—451.
O autor observou desde 1888 os parasitas intestinaes
das gallinhas no Rio de Janeiro. Sao communs Dicranio-
taenia cuneata von Linstow, Davainea proglottina Davaine,
Davainea bothrioplitis Piana, Davainea cestillus Molin e
Depranidotaenia infundibuliformis Goeze, sendo os tres
primeiros os mais communs. As especies novas são Davai-
nea paraechinobothrida, Davainea oligophora medindo 2—3
mm., e Davainea carioca medindo 28—35 mm. Boas estampas
illustram o artigo.
Esperamos que o illustre lente da Faculdade de Me-
dicina em Rio de Janeiro com o tempo nos offereça reu-
nidas em livro e completadas por novas ou ineditas ob-
servaçôes as suas importantes publicações referentes a
parasitologia do Brazil.
Magalhães, P. S. de. Notes d'Helminthologie brésilienne
7. Archiv. d. Parasitolog. Tom. I. 1898 p. 361—368 c. 8
heuras.
Esse artigo trata do Gigantorhynchus monihformis
Bremser, parasita do rato e de sua larva que é encontrada
na barrata, Periplaneta americana Fabr.
Frenzel, J. Untersuchungen über die mikroscopische
Fauna Argentiniens, I. Die Protozoen. 1 und 2. Abth. Die
Rhizopoden und Heliamoeben. Bibliotheca Zoologica 1897.
O Dr. Frenzel que durante annos era professor de
zoologia em Cordoba estudou na Rep. Argentina os or-
ganismos microscopicos dos banhados, lagoas etc. e pu-
blicou uma excellente monographia sobre o assumpto.
O autor descreve 88 especies de rhizopodos, entre ellas
44 novas. O autor entende que o tempo por elle dedicado
ao assumpto não bastava para estudos completos, tendo-se
neste sentido a considerar essa publicação como um começo
bem util. Em todo caso não temos até hoje outra obra que
a essa seja comparavel relativamente ao Brazil ou a outros
paizes sul-americanos.
O autor é da opinião que nem todas as especies de
rhizopodos d'agua doce são cosmopolitas, tendo sido ge-
neralisadas demais certas experiencias feitas neste sentido.
De generos novos são descriptos Gringa, Aboema,
Eickenia.
INDICE
Periodicos recebidos em permuta para a bibliotheca
O Museu Paulista no anno de 1897 por H. von Jhering
Fritz Mueller, necrologio por H. von Lhering
Observações sobre a fauna marinha da costa de S.*
Catharina pelo Dr. Fritz Mueller ;
Some new Coccidae, collected at Campinas, Brazil,
by F. Noack. By T. O. A. Cocherell .
Some Coccidae collected by Dr. F. Noack at Cam-
pinas, Brazil. By 7. D. A. Cockerell .
A doença das jaboticabeiras por H. von Lhering.
Notas sobre Capulinia Jaboticabae Ihering por 4.
Hempel. Com estampa I
Considerações sobre alguns peixes one dos
schistos de Taubaté, Estado de S. Paulo, Brazil,
por 4. Smith rob diva Pas SR Gog estam-
pas II—IV.
Observações sobre os aie one ae seta ae
HH. von Lhering .
Contribuiçäo para o RED E Sean ae
S. Paulo por W. J. Moenkhaus. Com estampa V.
As aves do Estado de S. Paulo por H. von lhering
As grutas calcareas de Iporanga por Ricardo Krone.
Com estampas VI—VII . .
Mais algumas Coccidae colligidas pelo Dr. Nogek —
por 7. D. A. Cockerell .
Bibliographia por À. von Îhering .
60e —
PAG.
477
501
595
TETE TRE
e NR ANS 4.
eA 3 +:
,
Estampa TI.
Revista do Museu Paulista. Vol. III. 1898
Revista do Museu Paulista. Vol. TIT. 1898 Estampa TIT.
< CR À re Ha :
… Revista do Museu Pauli
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It 1898.
1
Museu Pia I 1898
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Planta do Rio Iporanéa
e de suas cavernas
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