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DO
MUSEU PAULISTA
E: PUBLICADA
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POR
H. von IHERING, Dr. med. et phil.
Director do Museu Paulista, socio honorario da Sociedade Anthropologica Italiana,
da Academia de Sciencias em Cordoba,
da Sociedade Geographica de Bremen, da Sociedade Anthropologica de Berlim,
da Academia de Sciencias de Philadelphia, da Sociedade dos Naturalistas
de Moseow, da Sociedade Entomologica
de Berlim, do Museu Ethnologico de Leipzig, da Sociedade Scientifica do Chile,
da Sociedade Senckenberg dos naturalistas de Frankfurt a. M.
e do Museu zoologico do Pará.
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1898
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Director do Museu Paulista, socio honorario da Sociedade Anthropologica Italiana,
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da Sociedade Nacional de Agricultura e do Instituto Archeologico
de Pernambuco.
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REVISTA
DO .
MUSEU PAULISTA
PUBELICADA
POR
H. von IHERING, Dr. med. et phil.
Director do Museu Paulista, socio honorario da Sociedade Anthropologica Italiana,
da Academia de Sciencias em Cordoba,
da Sociedade Geographica de Bremen, da Sociedade Anthropologica de Berlim,
da Academia de Sciencias de Philadelphia, da Sociedade de Naturalistas de Moscow,
da Sociedade Entomologica de Berlim,
do Museu Ethnologico de Leipzig, da Sociedade Scientifica do Chile,
da Sociedade Senckenberg dos Naturalistas de Frankfurt a. M., do Museu Zoologico
do Para, da Sociedade Scientifica Argentina, da Sociedade Zoologica de Londres,
da Sociedade Nacional de Agricultura e do Instituto Archeologico
de Pernambuco.
VOLUME IV
S. PAULO
TYPOGRAPHIA DO «DIARIO OFFICIAL»
1900
INDICE
SS
O Museu Paulista no anno de 1898, por ZI. von
lhering
Descripçäo de ninhos e ovos das Aves do Bra-
zil, por Carlos Euler :
Aves observadas em Cantagallo e Nova Fri-
burgo, por À. von Ther (03 AE
Joaquim Correia de Mello, por José de Cam-
pos Novaes
Catalogo critico- “comparativo dos ninhos e ovos
das Aves do Brazil, por H. von Ihering .
Alguns Fosseis paleozoicos do Estado de Para-
na, por L. Kayser É : 3
Nota sobre o Curare, pelo Dr. J. Bach .
A Hyla pulchella Dum. Bibr. e a funcçäo
chromatica, por P. A. Schupp
Observações sobre alguns Caracóes dass
do Brazil, por Henry Suléra ON:
Archeologia Rio Grandense, por Z A1. Paldaof
Sobre alguns Peixes de S. Paulo, Brazil, por
Cart H. Eigennann & E. Allen A. Norris
Notas sobre Coccidas, por 7. D. A. Cockerell
+ Às Coccidas brazileiras, por Adolph Hempel
Os Caracões do genero Sola ve por H. von
Lhering : :
Bibliographia
Periodicos recebidos em permuta para a Bi
bliotheca do Museu . À :
Errata -. . : : : - .
PAGS.
ee ue AS. De
E. a
0 Museu Paulista no anno de 1898
H. VON IHERING
A reducçäo da verba a menos da metade da que
teve no exercicio anterior e a reducçäo do pessoal scien-
tifico-technico da repartição, prejudicaram muito o ser-
viço e o progresso do Museu no anno passado. Não
continuaram a ser preenchidos os logares de entomolo-
gista, de naturalista viajante e de preparador. Sahiu
do serviço o custos Sr. W. Moenkhaus, sendo substi-
tuido pelo Sr. A. Hempel. Dessa maneira, o Museu
sentiu, mais do que as outras repartições congeneres, a
difficuldade da situação e fazemos votos a fim de que
esse periodo não continue por muito tempo.
Nessas circumstancias as acquisições feitas foram
limitadas a um quadro de C. Parlagreeco Na roça, com-
prado por 2:800$000reis e a uma valiosa colleeção de
- objectos ethnographicos dos indios Carajás, do Rio To-
cantis, comprada ao Sr. José M. Palmeira da Silva
por 2:000$000 reis. Noto entre esses objectos duas
grandes mascaras. para dança, como são figuradas na
obra de Castelnau II Pl. 9, um machado de peara semi-
lunar com cabo enfeitado, lanças, instrumentos de mu-
RUA
sica etc. Sabemos pelas publicações de Coudreau que
esses indios Carajás, um dos typos mais nobres e sym-
pathicos dos nossos indigenas, admiraveis pela belleza
de suas industrias, estão hoje reduzidos a alguns grupos
de miseraveis vagabundos «civilisados». Nao podemos
deixar de lastimar esse facto, sentindo que delle não
curassemos em tempo. a fim de reunir materiaes re-
ferentes à cultura desses antigos donos do paiz. Tudo
o que nesse sentido se fez pertence à iniciativa de viajan-
tes extrangeiros. Nao será possivel que participemos
dessa tarefa? Nao se achará uma unica pessoa illus-
trada, cujo patriotismo seja capaz de offerecer os meios
que expedições dessa ordem exigem ?
Essa idéa se nos apresenta por que ao mes-
mo tempo em que tratamos desse assumpto acha-se
de novo em viagem, na região do Rio Xingu, o Dr.
Hermann Meyer para completar os seus estudos sobre
os indigenas do Brazil.
Entre os objectos adquiridos mencionamos mais os
seguintes :
Do Sr. Chr. Enslen, em S. Lourenço. Rio Grande
do Sul, mammiferos. reptis, e diversos ninhos do pequeno
marsupialio Micoureus pusillus Desm., especie de gam-
basinho que no inverno se esconde num ninho con-
struido na macega de capim secco e onde o Sr. Enslen
encontrou até seis animaes dos dois sexos reunidos.
Observei ao mesmo tempo um ninho da mesma especie,
no Ypiranga, que era mais pequeno e continha um ani-
mal só; o ninho é globuloso, feito da massa densa de
um cipó ot de capim e folhas seccas.
Do Sr. Zsl, S. Paulo, uma collecçäo de borboletas
cacadas em Ubatuba.
Do Sr. 4. Devantier, S. Lourenço, Rio Grande do
Sul, uma colleeção de borboletas.
Do Sr. R. Krone, Iguape, um craneo de Notro-
therium. (Coelodon Lund) e mais ossos de mammiferos
tirados da gruta do Monjolinho, perto de Yporanga,
um craneo do homem prehistorico tirado de um samba-
qui, couros e ovos de aves. Os ossos petrificados foram
Se ORS
transmittidos ao eminente especialista Dr. Florentino
Ameghnio que os estuda e delles tratará nesta Revista.
Entre os objectos offertados sejam mencionados:
Dos Srs. Lion e C., S. Paulo, amostra dos sa-
es mineraes de Stassfurth, Allemanha.
Do Dr. H. Stempelmann, Santa. Fê do Rosario,
83 especies de coleopteros argentinos.
Dos Srs. Drs. Howard, Washington, Cockerell
Mesilla Parck Noak em Campinas, Edrcall S. Paulo,
Capps em Poços de Caldas, Ule no Rio de Janeiro,
Alvaro da Silveira, S. João del Rey, piolhos vegetaes
da familia Coccidae.
Do Sr. Al. Hummel, S. Manoel do Paraiso, re-
ptis e ovos de curiangos e de outras aves.
Do Sr. E. Gounelle, Pariz, diversos coleopteros
e lepidopteros.
Do Sr. P. Mabilde, Porto Alegre, hymenopteros
e outros insectos vivendo de parasitas em larvas de
borboletas.
Do Dr. J. Dutra, S. Leopoldo, Rio Grande do
Sul, abelhas indigenas e dipteros.
Do Dr. M. Weber, Amsterdam, conchas d'agua
doce do Java.
Do Sr. Valencio Bueno, Piracicaba, uma coruja
preta (Syrnium huhulum Daud).
Do Sr. major Cornelio Vieira, Tatuhy, um chopim
do brejo (Pseudoleistes guirahuro Vieill).
Do Sr. major Cornelio Schmidt, Rio Claro. uma
cobra sucury, viva.
Do Sr. Carlos Bruch, La Plata, 22 couros de
aves argentinas.
Do Sr. Mario Rodrigues, S. José do Rio Pardo,
um magnifico gavião de pennacho, Thrasaetus harpyia
L. morto na fazenda Santa Aliceaos 15 de Agosto de
1897 e exposto agora em cima do armario das aves
de rapina.
Do Museu Nacional do Rio de Janeiro, 6 espe-
cies de crustaceos marinhos.
Do Sr. Jacintho B. de Godoy, St. Antonio da
Vargem Alegre, Minas, um mico, Cebus sp., um saguim,
a
MY ve.
Hapale aurita Geoffr. e diversos reptis e morcegos. O
mesmo Sr., cuja coadjuvação ao Museu nos é de grande
valor, remetteu-nos outro caixão que não chegou às
nossas mãos por ter-se desviado a carta que continha
o conhecimento.
Do Dr. Francisco Cavalcanti, S. Paulo, uma
grande cobra boi-peba (Xenodon sp.) de Piracicaba.
Do Dr. Alfredo de Carvalho. Recife, um cai-
xão contendo conchas marinhas e d'agua doce de Per-
nambuco.
Do Dr. ©. Sapper, Coban, Guatemala, conchas
d'agua doce de Nicaragua.
Do Dr. Florentino Ameghino, La Plata, ostras
da formação guaranitica na Patagonia que por mim
foram reconhecidas como especie nova e deseriptas
como (Ostrea guaranitica nos Annales de la Socie-
dade Cientifica Argentina tom. 47, Buenos Ayres,
1899, p. 61— 62.
Do Dr. Z Bach, La Plata, amostras de turfa
de Irara, Minas Geraes. O sr. Bach julgou essa turfa
de valor industrial, mas a analyse que, conforme o meu
pedido, foi feita no Instituto Agronomico de Campinas
não confirmou essa idéa, mostrando que a turfa con-
tem 382°, de cinza. A turfa européa contem muito
menos cinza. A turfa européa é formada de
raizes duras da Erica, a nossa pelas de Gramineas e
Cyperaceas, que são mais ricas em saes mineraes. Hs-
sas turfas representam pois, mesmo quando não estão
muito misturadas com terra, um combustivel de quali-
dade inferior, que entretanto na localidade onde é abun-
dante, poderá servir de base ao desenvolvimento da in-
dusiria.
Do Banco União de S. Paulo, uma collecçäo de
amostras de marmore de Itupararanga perto de So-
rocaba, que está exposta no armario n. 27, na sala B.
Do capitão F. W. Hutton, Christchurch, Nova
Zealandia, conchas miocenas da Nova Zealandia.
Dos Drs. M. Cossmann em Pariz, P. Oppenheim
Berlim, A. Zittel Muenchen, E. Suess, Vienna, con-
chas fosseis, terciarias.
E
Do Sr. Manoel Lopes de Oliveira, S.. Paulo
um tembeta (enfeite para o beiço inferior perfurado)
feito da resina de Jatahy pelos indios Cayuás do Esta-
do de S. Paulo.
Do Sr. Benedicto Camargo, S. Paulo, busto
do Tiradentes, obra de phantasia visto que não existe
retrato authentico, mas de interesse e uma bandeira
do Club Republicano de S. Paulo offerecida ao mesmo
tempo.
Do Dr. Antonio Ignacio de Oliveira Campos,
Monte Mór uma pedra schistosa, polida, comprida, de
uso desconhecido, que aos indigenas talvez servisse para
o preparo de fibras vegetaes.
Do Sr. John C. Mather, Taubaté, uma collec-
ção de peixes fosseis e impressões de plantas schis-
tos betuminosos de Taubaté. De um interesee es-
pecial são os restos vegetaes que mandei ao habil
conhecedor das plantas fosseis da America do Sul, Dr.
Fr. Kurtz Cordoba, que os está estudando.
Seja-me permittido repetir a expressão da nossa
gratidão a todos esses distinctos senhores que tanto
contribuiram para o progresso do Museu.
Infelizmente perderam-se diversas caixas destinadas
ao Museu, tendo as cartas que continham os conheci-
mentos, por descuido no Correio, sido postas em caixa
falsa cujos donos, pouco escrupulosos, retiraram da Es-
tação as encommendas. Refere-se isso especialmente à
encommendas que nos mandaram de Minas, o Sr. Ja-
cintho B. de Godoy e do Recife, o Dr. Alfredo de
Carvalho.
"Tivemos durante o anno o prazer da visita de
varios sabios europeus como do Dr. Hermann Meyer
que estudou com interesse especial a nossa collecção
ethnologica, achando nella diversos objectos que julgou
de summo interesse e valor, do Dr. Z Bach de La
Plata, do dr. Hr. Ohaus, de Hamburgo, que veio ao
Brazil só na intenção de estudar os coleopteros da fa-
milia Rutelidae e sua biologia e do Sr. E. Gounelle,
de Pariz, que estudou por mezes os coleopteros deste
Estado. Os dois ultimos especialistas me felicitaram pelo
Lan ae
desenvolvimento da nossa collecçäo entomologica, di-
zendo que ella, embora ainda pequena, era a unica
no Brazil que para o especialista europeu, merecia essa
denominação e o adeantaria nos seus estudos especiaes.
Realmente, dedicamos muita attenção no anno
passado a essa secção e especialmente à entomologia
economica. O Sr. 4. Hempel estudou com dedicação
os piolhos vegetaes da familia Coccidae, sobre a qual o
leitor achará informações extensas por elle fornecidas
neste volume. Tive occasião de verificar a. existen-
cia da phylloxera em videiras americanas importadas
de Rochester, N. J., pelo Sr. Nelson Smith e que
em Minas o Sr. Dr. Alvaro da Silveira reconheceu
phylloxeradas. Do mesmo Dr. Alvaro da Silveira como
de muitas outras pessoas, recebemos plantas doentes
para examinar, especialmente videiras. Assim, os nos-
sos laboratorios para entomologia systematica e econo-
mica prestaram bons serviços à agricultura. Neste
sentido, a Sociedade Nacional de Agricultura do Rio de
Janeiro, que me distinguiu com a eleição de socio hono-
rario, exigiu a dn coadjuvação para a elaboração
de um projecto de lei cujo fim seria acabar a impor-
tação continua de pestes vegetaes.
Alem da secção entomologica ficou mais desenvol-
vida a das aves do Brazil, como se verificará no pre-
sente volume desta Revista e no do anno passado. A
colleeção consta agora, além de aves extrangeiras,
pouco numerosas, de tres salas com exemplares empa-
cs e numerosos couros guardados em armarios de
gavetas. De 602 especies de aves observadas até ago-
ra neste Estado, 510 se acham representadas na col-
lecção do Museu. As especies não representadas são
quasi exclusivamente as que se encontram na fronteira
com o Estado do Paraná, no Rio Tieté baixo e na
zona occidental perto do Rio Grande, de Franca ete.,
e onde por falta de naturalistas viajantes e de meios não
podemos mandar fazer collecçäo. A secção ornitholo-
gica completamente classificada e descripta com Cata-
logo conservado em dia é, nesse sentido, a que mais
adeantada se acha; outras secções do Museu bem dis-
lod
(
tinctas são as de conchologia e paleontologia. Menção
especial merecem tambem as aranhas, bem estudadas
pelo Sr. W. Moenkhaus, existindo materiaes ricas não
determinados ainda e que se acham entregues aos
Srs. Eugen Simon em Pariz e W. Moenkhaus em
Cambridge, Mass., afim de serem estudados.
Um acontecimento desagradavel, que se deu no prin-
cipio do anno seja aqui mencionado, o roubo que se
deu na secção numismatica, entrando os gatunos, subindo
pelo para-raio, e roubando moedas de ouro no valor de
8004000 reis. Em vista deste facto foram defendidas
por grades de ferro as respectivas janellas e foi creado
um destacamento policial ao qual está confiado o poli-
ciamento nocturno do Monumento.
De grande valor são as numerosas obras e perio-
dicos apresentados à Bibliotheca do Museu, merecendo
menção especial a obra sobre a Patagonia e Cabo Horn,
do Governo Francez, as publicações officiaes dos Esta-
dos Unidos da America do Norte sobre Ethnographia,
Geologia e Agricultura, manuscriptos hieroglyphicos
mexicanos reproduzidos por Sua Alteza o Duque de
Loubat, a serie completa dos Annaes do Museu em
Marselha e as publicações das Academias em Berlim e
Pariz.
A Bibliotheca do Museu em troca da sua Re-
vista, geralmente bem acceita, recebe cerca de 150
periodicos scientificos referentes a historia natural, an-
thropologia e geologia. KE’ preciso accrescentar que
muitas Sociedades, Academias etc., com a maior libe-
ralidade possivel nos deram series completas de suas
publicações e deste modo, com despesas realmente pe-
quenas, a Bibliotheca do Museu está se desenvolvendo
em uma bibliotheca de historia natural que de modo
excellente está representando certos ramos da sciencia
menos cultivados nas outras bibliothecas publicas e
especiaes desta capital.
O Museu foi visitado no anno de 1898 por 32965
pessoas.
São Paulo, 30 de Setembro de 1899.
DESCRIPÇÃO
DE
NINHOS E OVOS DAS AVES DO BRAZIL
POR
CARLOS EULER
= e
O presente estudo compõe-se das partes :
A) PARTE DESCRIPTIVA
B) PARTE COMPARATIVA
C) PARTE BIOLOGICA
Segue, servindo como annexo, o artigo do Dr. H. von Ihering sobre as aves de Canta-
gallo e Nova Friburgo
PARTE DESCRIPTIVA
| ORDEM: PASSERES, A. OSCINES
Fam. Turdidae
Turdus rufiventris (Vicill)
Sabii-laranjeira
E" o mais commum dos nossos sabiás e passaros de
gaiola.
Nidifica em arbustos isolados, cercas vivas, de
preferencia nas laranjeiras, dentro da folhagem basta,
em alturas variaveis de 2 a 4 metros; às vezes mais
alto. Já encontrei um n'uma mangueira a mais de 10
metros de altura, outros sobre tocos de apenas meio
metro.
Sempre com base muito solida, o ninho é posto ora
livre sobre uma forquilha de galhos fortes, ora encostado
no tronco mesmo, mas sempre escondido na folhagem.
A construcção tem a forma de um cesto com espaçosa
— 10 —
tigela e bastante volumoso. O exemplar que tenho à
vista é positivamente de forma oval, que encontrei já
outras vezes. Na sua base mede 17 centim., ao com-
prido, e 15 ditos na largura. Na superficie o seu maior
diametro é de 15 ditos, e o menor de 11 ditos. O diame-
tro interior da tigela é de 11 sobre 8 centim., a sua
profundidade é de 5 ditos, quando a altura exterior do
ninho mede 11 ditos. A base é feita de diversos ramos
flexiveis (faltam os rijos), que são presos por uma solida
argamassa de barro ou terra humida. Esta mesma
ligac ‘40 tambem se observa na parede lateral onde,
porem, os ramos são substituidos por raizes. O barro
transborda em parte no exterior e na orla; nesta é
misturado com raizes finas e brunido. Por fora a
parede traz um basto enfeite de musgo verde; o inte-
rior da tigela é bem acolchoado com fibras de raizes
finas e macias, mas não leva barro. O) todo é pesado e
solido, a parede é rija e grossa, offerecendo em todas
as partes boa resistencia. Poe 4 ovos de campo verde-
amarellado coni numerosas manchas e pintas cor de
ferrugem, claras e escuras, que terminam em dentes
pontudos, repartidas sobre a totalidade do ovo. A
forma do ovo é um pouco bojuda, com pontas alon-
gadas. O seu comprimento orca em 29 ™/,3 a sua
largura em 20 ditos. Não encontrei ovos de Turdus rufi-
ventris de campo azul-verde com desenhos pretos, como
Wied os descreve para esta especie, nem posturas
de 5 ovos como pretende Burmeister.
Turdas albicollis (Vicill)
Sabiá poca
Menos frequente que o sabia-laranjeira reparte
com este o modo de viver e de nidificar, habitando nos
mesmos logares. Os seus ninhos acham-se nas mesmas
condições, e suas dimensões, material e feitio são
as descriptas para T. rufiventris, embora um pouco
menores e mais relaxadas, A forma dos ovos é mais
redonda com pontas avolumadas; têm 27 ™/m de com-
yh | ge ES
primento e 20 ditos de largura. O seu campo é de linda
côr verde-mar ; as manchas vermelho-escuras acham-se
repartidas symetricamente sobre a superficie total,
e säo mais tenues do que as do T. rufiventris, no qual
às vezes, attingem o comprimento de 5 m/m.
Ludwig Holtz, Jl. f. Ornith, 1870, pags. 22 e 25
descreve os ovos d’estes dois sabiäs com accurada
exactidão e que combina perfeitamente com a minha
definição ; confunde, porem, os de leucomelas com os de
rufiventris, devido à designação erronea de quem lhos
remettera.
Turdus fumigatus (Licht.)
O Principe Wied (Beitr. 3, p. 649) achou o seu
ninho posto em arvores copadas, nas forquilhas ou sobre
um galho grosso. KH’, segundo o seu dizer, de todo
semelhante ao do T. merula da Europa, feito com
pequenas raizes e mesmo alguns talos verdes, bastante
espaçoso e acolchoado com raizes finas e raminhos
seccos. Em Dezembro continha 3 ovos alongados,
de linda cor verde, cobertos de manchas côr de couro,
principalmente na sua ponta grossa.
Fam. Timeliidae
Mimus saturninus (Licht.)
Sabii do sertão
Burmeister (HI p. 127) refere que esse sabia faz o
seu ninho nos bosques do campo e põe 4—5 ovos es-
verdeados com manchas cor de ferrugem, cerredas na
ponta anterior. Sobre a fórma do ninho nada adeanta.
Azara deu uma descripçäo que se não acha de accôrdo
com outra dada por Molina que lhe empresta um feitio
artistico. Em Cantagallo não encontrei nenhuma das 3
especies brazileiras do genero.
L. Holtz dá as seguintes informações sobre o ovo
do Mimus modulator (Gould) : Forma oval, curta ;
Pann LES
côr: campo branco-amarello com tinta verde. Desenho :
manchas alongadas de cor de vinho e outras azuladas,
desbotadas, cobrindo o ovo inteiro, com concentração.
na ponta superior.
Comp. 25 m/m, largura 20 d.º (J.! f. Orn. 1890. 22).
Troglodytes musculus Naumann
Guaricho, Cambaxirra (Rio-Jan.°) Curwira (S. Paulo)
Nidifica em buracos, cavidades de toda especie, de-
baixo dos telhados, em arvores Ocas etc. Com rami-
nhos seccos forma uma base chata e larga, e sobre esta
confecciona uma escudella da raizes finas, cabel-
los e pennas. Põe 4 ovos de côr vermelho-clara,
pintados densamente de salpicos mais escuros. Na
parte posterior destaca-se uma corôa pouco distincta, de:
pontos pardo-escuros. Forma arredondada; comprimen-
to: 17mm, largura 13 ditos.
Uma vez escolhido o logar para a construcçäo do.
seu ninho, é de uma obstinação que vai atê a teimosia:
em conserval-o. Tive uma notavel prova disso. Ne
portão da nossa chacara existe uma caixa para receber:
a correspondencia. E° um receptaculo de madeira, quasi
un com 35 centim. de altura sobre 25 ditos de
largura, coberta em fórma de telhado. Tem uma porta
que só se abre uma vez por dia para retirar a corres-.
pondencia, e ao lado uma fresta de 23 centim. de com-
primento para 24m/m de abertura. Um casal de cam-
baxirras achou este pequeno edificio apropriado para
nelle constituir familia, introduzindo-se pela fresta e af-
frontando os numerosos inconvenientes e perigos inhe-
rentes ao lugar. Começou em Dezembro. a trazer mate-
riaes. Assim que havia uma pequena accumulação destes,
a pessoa encarregada de retirar as cartas se apressava
a proceder à limpeza da caixa, atirando para fóra o:
chamado lixo. Isso durou até fins de Janeiro sem que o
passaro desacoroçoasse do seu plano. Quem afinal deu-
se por vencido fomos nós, resolvendo recompensar tanta
constancia pela ulterior não intervenção. Assim que o
passoro não encontrou mais obstaculos, concluiu em
ee A ee
poucos dias a sua tarefa, redobrando de actividade. En-
cheu totalmente o fundo da caixa com material gros-
seiro (ramos seccos ) na altura de cerca de 8 centim. e no
canto opposto à fresta que dava passagem ás cartas e
jornaes ; installou sobre esta base o ninho propriamente
dito, sendo este uma tigela de 9 centim. de diametro
e 5 ditos de fundo, Ei com raizes bem torneadas e ali-
zadas, algumas pennas, e ahi deitou uma postura de 4
ovos. Mas as constantes e inevitaveis perturbações
não lhe permittiram incubal-os devidamente, e a postu-
ra gorou.
Faz pelo menos 3 posturas por anno de 3a 4
ovos cada uma. Nunca encontrei posturas de 5 ovos,
como indica Burmeister. Quasi que não descança na
sua vida reproductiva. Já em Junho começa a tratar
da nidificação e até Abril é encontrado ou incubando,
ou criando. Todavia, o maximo dos ninhos corresponde
ao periodo de Outubro a Março. — As noticias que dão
Wied, (Beitr. 3,b.745) e Burmeister (S. u. 3.137) con-
firmam as minhas.
Thryophiius longirostris (Vieill.)
Encontrei-o em principios de Agosto construindo o
seu ninho na capoeira perto de um corrego, seu domicilio
favorito. Estava suspenso a menos de 1 metro de al-
tura num pequeno arbusto e formava uma tigelinha
oblonga, assaz funda, aberta por cima e presa a uma
forquilha horizontal. O material consistia em talos e
raizes, tecidos frouxamente e entufados. Ficou destrui-
do antes da postura e nada della posso dizer.
Fam. Motacillidae
Anthus luteseens Puch.
Segundo Azara, faz o seu ninho bem escondido na
moita do capim e põe 2 ovos esbranquigados com pin-
tas pardas concentradas em corda na parte posterior,
esparsas na anterior. L. Holtz, J.! f. Orn. 1870, p. 9
da as seguintes medidas pee esses OVOS :
Compr. 19/,-, larg. 14 d.º, casca lisa, lustrada,
SAUT RE
Quanto a côr e o desenho combinam com a descripção
de Azara, accrescenta porem desenhos azul-cinzentos e
garatujas pretas. A postura em Buenos-Aires é de 3
e 4 ovos. Segundo Sternberg, J.! f. Orn. 1869, p. 268.
A. lutescens faz nas moitas uma pequena excavação que
guarnece de talos e raizes, formando uma tigela bas-
tante funda.
Fam. Mniotiltidae
Geothlypis velata (NVicill.)
Esse excellente cantor esconde o seu ninho nas moitas
de capim no pasto, jardim, plantações e sobretudo no canni-
co do brejo. Consiste em uma tigelinha muito bem feita de
folhas de junco secco artisticamente trançadas, por fóra,
e no interior de raizes finas. A parede é densa e re-
sistente. A tigela acaba numa ponta, tem 8 centim. de
altura exterior e 4!/, ditos interiormente. Diametro ex-
terior: 9 centim., interior 6 ditos. A borda não é tra-
balhada, as pontas das folhas resaltam. Põe3 ovos de
campo branco com uma meia tinta linda e fraca en-
carnada. © desenho mostra poucas manchas violêtes
diluidas, e numerosos pontos vermelhos escuros, que
se reunem em corda na parte superior. Fórma nor-
mal; comprimento; 19m/m. largura. 13 ditos.
Basileuterus stragulatus (Licht.)
Vive na visinhança dos corregos e rios e nunca a
abandona. Achei o seu ninho em Outubro num barranco
à margem de umcorrego, escondido por verduras pendentes
ac.* 2 metros de altura, posto numa saliencia do barro.
Representa uma bola relativamente grande de diversos ma-
teriaes seccos e frouxamente reunidos. Entrada no centro
muito larga, quasi do tamanho do interior da bola. Esta
é trabalhada mais cuidadosamente, tecida e revolvida de
finas gramincas. Diametro da bola: cerca de 15 centim.,
da camara 7 ditos, da entrada 6 ditos; continha 2 ovos
de forma normal, de 20 m/m. de comprimento e 15 ditos
ea dp
de largura. Cor branca, salpicada de manchas e pon-
tos de côr violeta e ferruginosa, formando corda na
ponta posterior.
Basileuterus auricapillus (Sw.)
Nidifica na matta ou na capoeira no chão em moi-
tas de folhas seccas ; sua construeção lembra a da Py-
riglena leucoptera.
O ninho consiste em uma tigela com coberta in-
teira posta sobre uma camada de folhas, e feita de
capim finissimo. Forma uma perfeita e macia almofa-
da artisticamente preparada. A coberta é formada de
diversos materiaes seccos, como talos, raminhos, corti-
ças etc. e distingue-se pelo seu grande tamanho. Não
encobre totalmente a tigela, deixando aberta a sua par-
te anterior, na extensão de cerca de 3 centim. Altura total
do ninho sem a base das folhas: 14 centim.; largura :
10 ditos; diametro interior da tigela : 7 ditos; fundo: 4
ditos ; espessura da base: 4a 9 ditos; dita da parede da
tigela: 2 ditos; diametro interior da camara : 7 ditos. Es-
ta é bem acolchoada com talas finas, cortiças e perfei-
tamente alizada. Poe 2 a 3 ovos de forma normal, um
pouco cheios no centro. Comprimento : 17m/m; largu-
ra: 12 1/2 ditos; sobre campo branco destaca-se uma co-
roa larga de pontos azul-cinzentos, misturados com ou-
tros côr de vinho, que tambem envolvem a parte pos-
terior e alguns escassos na parte anterior.
Fam. Vireonidae
Wireo chivi (Vicill.)
O Principe Wied (III p. 795) encontrou o ninho
suspenso na forquilha de um galho, collocação identica
com o do Oriolus galbula L. Tinha a forma semi-es-
pherica, sendo feito artisticamente de fios de tillandsia
verde e paina branca, entremeiados e fortemente ligados
com talos de gramineas.
a 200
Era bastante fundo e guarnecido interiormente com
aquelles. Em Deze ubro continha 5 filhotes.
Do genero Hylophilus, Temm. que pertence a essa
sub-familia e cujos representantes não são raros na nos-
sa zona, não pude observar a nidificação e nem tão
pouco achei observações alheias,
Fam. Hirundinidae
Progne domestica (Vicill.)
O seu logar favorito é o telhado das igrejas, onde
ajuntam-se aos centos. Em Setembro arribava todos os
annos um casal delles na nossa fazenda onde escolhiam o
cano do telhado ou alguma cavidade na parede para es-
tabelecer o seu ninho. Ulteriormente o faziam na va-
randa sobre um caibro debaixo da telha. Era uma tigela
chata feita de palha e excremento de gado, solidamente
argamassada, mas sem ser brunida. O caibro redondo
obrigou a andorinha a munir a tigela de duas pequenas
pernas que abraçavam o caibro. A gamella, com 10
centimetros de diametro interno, estava bem forrada com
pennas. N’essa singela construcção o casal empregou um
tempo relativamente longo. Absorveram cerca de 8 dias
em escolher o lugar proprio, começaram a trazer o pri-
meiro material em 6 de Outubro. Decorridos 20 dias
parecia o ninho concluido, pelo menos d'ahi em deante
não trabalharam mais, o que d'antes faziam diariamen-
te, porem nunca alem das 10 ou 11 horas da manhã.
Somente a 3 de Novembro achei o primeiro ovo no
ninho; a 7 o segundo, e o terceiro a 11. Na
noite de 16 para 17 a femea foi assassinada pelos ra-
tos, e de manhã achei o seu cadaver jazendo no soalho
da varanda. Na autopsia encontrei o quarto ovo per-
feito e prestes a ser posto no dia seguinte e completar
a postura de 4, que é anormal. Os ovos são de côr
branca pura e lustrados, com a ponta anterior muito
delgada e fina; comprim.° 25 m/m, largura 16 1/2 ditos
RR HE iss
Tachycimeta albiventris (Bodd.)
Wied (Beitr. 3. p. 364.) descreve do seguinte modo
o ninho dessa especie: «Encontrei o seu ninho num
tronco de arvore velha, que as aguas haviam arrancado
e enterrado na areia. Estava collocado entre a casca
e a madeira e consistia em um punhado de palha e her-
vas seccas, misturadas com pennas, entre as quaes dis:
tinguiam-se as encarnadas da arára e as verdes do suru-
cud. Era muito pouco fundo, e em principios de Ou-
tubro continha 2 ovos brancos».
Tachycineta leucorrhoa (Vicill.)
L. Holtz (Journ. f. Orn. 1870.11) descreve os ovos
colhidos por Ch. Sternberg em Buenos Ayres: Fórma oval
conica, cor branca, casca forte, um pouco aspera, pouco
lustrosa. Comprimento 20 m/m, largura 14 ditos.
Atticora cyanoleuca (Vicill.)
Tem o mesmo habito como a Pr. domestica, da
qual parece uma reducção, niditicando nos telhados
das casas, nas villas e fazendas.
Seu ninho é identico em forma e material com o
da Pr. chalybea, porém sem argamassa. A gamela,
pelo seu interior bem acabado e liso, contrasta com
o seu exterior disforme e mal feito.
Tem 8 centim. de diametro, por 4 ditos de fun-
do. Este é bem atapetado com pennas de pato. A
postura é de 4 ovos brancos lustrosos, de forma bojuda
e de 15 m/m de comprimento sobre 12 1/2 ditos de
largura.
Stelgidopteryx ruficollis (Vicill.)
Essa é a especie mais numerosa das nossas ando-
rinhas. Em Fevereiro vinham aos milhares pernoitar
no tabual do brejo. Cava galerias, por vezes bem com-
pridas, em todos os barrancos, tanto de barro como de
areia, ao longo dos caminhos, vallas etc., na altura de
DES
1 a 2 metros, assim como se aproveita de cavidades já
existentes, como as galerias de Galbula tridactyla,
canos de telhados e outras. As suas proprias galerias
excedem as vezes de 1 metro de extensão; tambem ja
achei seu ninho em cavidade apenas coberta, com me-
nos de 10 centim. de fundo. No fim da galeria pre-
para um espaço mais largo que guarnece com pennas
e algumas palhas, e ahi põe 4, 9,e até 6 ovos brancos,
de forma normal. Comprimento : 19 m/m; largura 13 1/2
ditos.
Fam. Caerebidae
Certhiola chloropyga (Cab.)
Jai em Junho começa a construir seus ninhos nos
jardins, pastos, arbustos e cercas vivas. Colloca-o quasi
sempre à pouca altura, em logares abertos e expos-
tes, fora da folhagem. Consiste numa bola de mate-
rial macio, como palha, folhas de junco, cortiças, ca-
pim etc. que no seu centro encerra a camara. Tambem
emprega algodão em rama, quando ao seu alcance,
usando-o então com grande prodigalidade para cobrir
todo o exterior do ninho, como em geral a abundan-
cia e a superfluidade são característicos deste ninho.
A entrada acha-se no centro da bola e, em alguns ca-
sos, é protegida por pequeno alpendre feito com as pa-
lhas que circumdam a abertura As paredes são gros-
sas e compactas, o seu material solidamente reunido.
A camara não tem enchimento, mas o material ahi
acha-se cuidadosamente alisado. O ninho não se acha
preso n'alguma forquilha, mas simplesmente sobreposto
num galho extremo. Tem 10 a 12 centim. de dia-
metro exterior; o da camara mede 5 à 6 ditos e o da
entrada 3 ditos. O ovo, dos quaes costuma por 5, é de
forma alongada com pontas obtusas; o seu compri-
mento é de 17 m/m, a largura de 12 ditos. São de
campo branco esverdeado e inteiramente salpicados de
linhas e pontos pardo-amarelios; na parte posterior
existe, quasi escondida debaixo do desenho geral, uma
coroa de manchas azul-cinzentas desbotadas ; algumas
d'estas extendem-se para a parte anterior.
Da Te MES
Os ninhos do sai amarello ou caga-cebo são de
erande frequencia, ja porque o passaro tambem o e,
já porque elle nunca o esconde, utilisando-se quasi sem-
pre de arbustos à beira dos caminhos. ‘Tanto mais ex-
tranhavel é a sua exagerada sensibilidade relativa a
sua construcção. O mais leve toque nesta o faz aban-
donal-a irrevogavelmente. Por isso o povo pretende
que elle, para cada postura, faz varios ninhcs com o
tim de enganar os curiosos. Seja como for, o facto
de construir mais de um ninho cada vez observei-o
frequentemente, e a sua sensibilidade não deixa de con-
trastar fortemente com o seu habitual comportamento
que é todo de grande familiaridade, assim como com
a escolha do logar sempre exposto para a collocação
do seu ninho. Ha certos passaros conhecidos por con-
struirem ninhos de mero recreio (Spielnester) ; 0 nosso
sai parece fazer parte d'esta categoria. Tambem deve
notar-se que mostra uma habilidade e agilidade espan-
tosas na construcção dos seus ninhos; em menos de 2
a 3 dias o aprompta, e, para ir mais depressa, vi-o
varias vezes utilisar-se simplesmente do material do
seu ninho abandonado na construccäo do novo. Bur-
meister affirma que o ninho do caga-cebo é por vezes
aberto por cima; provavelmente refere-se aos ninhos
não acabados, pois o ninho com ovos é sempre uma
bola fechada, collocada por cima de um galho extre-
mo, e não dependurado deste, como erradamente o
disse E. Goeldi na sua monographia, pag. 267.
Creio que varios autores confundiram o ninho do
Todirostrum poliocephalum Wied, que é uma bolsa
suspensa, com o ninho desta Certhiola. Assim Vieillot
conta que em Cayenna, Certhiola chloropyga faz um ni-
nho artistico que suspende num cipô, o que aqui se
di com Todirostrum e não com Certhiola. Ainda mais,
no ninho daquelle nota-se por fóra os seus excremen-
tos accumulados em uma especie de estalactite, como
pode formar-se n'uma vela exposta accesa ao vento, 0
que justificaria o appellido de caga-cebo para o Todi-
rostrum. Nos ninhos de Certhiola nunca observei esse
facto, e visto a grande semelhança, embora superficial,
=e CODE cad
dos dois passaros, é provavel que haja confusão entre
elles relativamente ao appellido.
Fam. Tanagridae
Ramphoccoelus brasilius (L.)
Tre-sangue
A sua parada favorita é nos logares pantanosos e ter-
ras baixas. Alli encontra-se o seu ninho mettido nas moitas
de capim ou junco. E' formado com este material e
representa uma tigela aberta. Embora bem e cuidado-
samente trancadas as folhas, o ninho não offerece so-
Jidez bastante para que se possa levantal-o. O interior
é guarnecido com finos pedunculos, sem arte. Tem 7
centim. de diametro, e somente 3 ditos de fundo. O
material é empregado com prodigalidade, principalmen-
te no lado exterior e froma um tufo, escondido nos
canniços. Põe 2 a 3 ovos de linda cor verde-azul e
bem lustrosos que mostram diversas pequenas manchas
e pingos inteiramente pretos e intermeados com alguns
trasos muito finos da mesma cor. Forma normal com
pontas suaves e agudas. Comprimento: 22 m/m; lar-
cura: 16 ditos.
FTanagra sayaea (L)
Sanhacu. Sanhaco
Cominum em todas as localidades abertas. Seu ninho
encontra-se no jardim, nos cafezaes e plantações, ora
baixo, ora em alturas, onde gosta de disfarçal-o na folha-
gem dos galhos extremos. O material principal é com-
posto de pedunculos da planta Lippia urticoides, que
aqui cobre exclusivamente grandes espaços de terreno.
As suas flores seccas são conservadas pelo passaro e co-
brem a parte exterior do ninho, que, alem disso, é en-
feitado com musgos, lichens, cortiças e flocos de paina.
Os pedunculos são bem trançados, juntamente com rai-
zes e hervas diversas. A paina é cardada em pequenos
flocos e cuidadosamente introduzida no tecido. O ninho
oi | a
forma uma tigela que tem 11 centimetros de diametro,
tanto no alto como na base; a sua altura é de 8 d.s, o
diametro da gamella de 7 d.s e o do fundo de 4 d.s.
A espessura da parede comporta 2 centim. O interior
é guarnecido com poucas raizes finas. Põe 3 ovos de
cor branco-amarellada e cobertos de numerosas man-
chas e pontos cor de couro, com logares mais escuros,
Na parte posterior existe uma fraca corda de garatujas
pretas. O desenho é muito conchegado e mal deixa ver
o campo, dando ao ovo um aspecto fortemente mos-
queado. Forma alongada com a ponta anterior obtusa
estirada. Comprimento: 24 1/2 m/m, largura 17 ditos.
Tachyphonus coronatus (Vcill.)
Tehá
E" uma das mais frequentes Tanagras que o povo
chama de Tjá por causa do seu pio habitual. Vive nos
jardins, plantações e capoeiras e move-se muito no
chão. Esconde o seu ninho na espessura do sarçal.
Achei-o em Outubro no toco de uma arvore derru-
bada que mal tinha 40 centim. de altura, e na vizi-
nhança do corrego. Estava occulto entre os renovos da
cepa. A base muito frouxa do ninho consistia em ta-
los e folhas seccas; a tigela, com diametro de e.? 7
centim. era feita de algumas raizes e bem alizada.
Põe 3 ovos muito lindos. Sobre campo côr de carne
clara, de tom quente, estão distribuidas espaçosamente
grandes e largas manchas vermelho-escuras, com con-
tornos ora diluídos, ora bem limitados, ora intensos,
ora mais pallidos e misturados com vigorosa garatuja
e pingos côr de sepia escura. Na parte posterior esses
desenhos concentram-se. O aspecto é muito harmonico,
produzido pela transição dos differentes tons do encar.
nado. E” um dos mais lindos ovos que eu conheço. Fôr-
ma alongada, ambas as pontas egualmente obtusas. Com-
primento: 23 1/2 mm; largura: 17 ditos.
Trichothraupis melanops (Vicill)
Embora frequente no matto virgem, encontrei só-
mente uma vez o seu ninho. Era uma tigela ordina-
ria, sem arte, feita de raizes sobre uma base frouxa de
raminhos. Era posto a 1 metro da altura num peque-
no arbusto dentro de um taquaral. Quando o achei em
Novembro continha 3 filhotes.
Phoenicothraupis rubica (Vicill.)
E" muito mais raro do que o precedente. Achei
o seu ninho na boscagem de uma plantação antiga,
escondido nos galhos de um arbusto muito copado,
apenas a 1 metro de altura. Como todos os ninhos de
Tanagridas conhecidos até hoje, tem a forma de tigela
cuja base e parede é feita com ramos seccos fortes,
em parte ainda providos das suas folhas. São ligados
entre si por meio de raizes, e finas plantas trepadeiras.
O interior é forado com abundancia de cabellos vege-
taes compridos e finos, e tem o diametro de 7 centim.
com 4 ditos de fundo. Altura exterior do ninho: 7 cen-
tim. e diametro da base 14 ditos. Põe 3 ovos de campo
branco com tom azul-cinzento sobre o qual achão se os-
palhadas numerosas manchas e pingos pardo-amarellos,
que se concentram na parte superior, formando uma
cupola. Por baixo desta distingue-se um cordão estreito
de pontos escuros azulados. (Comprimento: 24 #/n5
largura: 18 ditos.
Calliste tricolor (Gm.)
Sete cores
Quasi tão frequente como o Sanhaço, porem mais
retirado nas capoeiras. Sempre encontrei os ninhos nas
bananeiras, postos entre o talo da folha ou tambem en-
tre as fructas verdes do cacho, e egualmente na
secção do tronco cortado à foice. Construcçäo e mate-
rial são identicos com as do T. sayaca, sómente as
raizes do fundo da tigela são substituídas por cabellos
e hervas finas, e no enfeite exterior falta o musgo, e
HAN fo Se
notam-se cortiças, folhinhas seccas e um pouco de paina.
A altura da tigela mede 7 centim., o diametro exterior:
8 a 9 d.8,o interior: 6 d.® e o fundo: 3 1/2 ditos. Põe
3 ovos; campo côr de carne clara, salpicada totalmen-
te de pontos mais escuros. Sobre estes vê-se uma du-
zia de manchas largas de cor pardo-amarella, realçadas
de fina garatuja preta. Toda a coloração é viva e
de tom quente. Fórma oval com pontas quasi eguaes.
Comprim: 20 ™/,,; largura: 15 ditos.
Calliste brasiliensis (L.)
O Principe Wied (Beitr. 3p.477) descreve o seu ni-
nho. Encontrei, dizelle, o ninho desse lindo passaro em
Novembro num arbusto copado, posto n'uma forqui-
lha de 4 galhos. Era em fórma de tigela, e feito ar-
tisticamente de paina branca, misturada com poucas
raizes, musgo e cortiça. ( interior achava-se guarne-
cido desta ultima. Continha 2 ovos de forma alongada
e campo branco, com marmoreado roxo e pequena ga-
ratuja preta.
Arremon semitorquatus (Sw.)
Seu ninho acha-se sobre a terra n'uma moita de
capim ou de folhas seccas, e consiste em uma espacosa
tigela coberta cujo tamanho surprehende em relação ao
do passaro. KE’ uma volumosa agelomeração de ma-
terial secco, como folhas, talos, juncos, frouxamente
reunidos, mas fincados cuidadosamente uns nos outros.
A cavidade do centro é feita exclusivamente de radicu-
las trançadas e bem alisadas.
O todo descança sobre uma base, construida pelo
passaro, feita de folhas seccas, que tem 30 a 40 cen-
tim. de diametro e 70 ditos de espessura. A altura do
proprio ninho é de 19 a 20 centim. e a largura de 13
a 19 ditos. Altura da caverna: 8 centim. ; largura: 7
d.°° ; Diametro da abertura: 6 d.º ; espessura da parede
tambem 6. Em 4 de Novembro achei-o occupado com a
RE AE
construeção quasi terminada. Ainda que não tivesse
tocado no ninho, o passaro abandonou-o. Em 11 de
Novembro achei segundo com o passaro incubando 2 ovos.
São de forma alongada com pontas suaves. Campo
branco lustrdos; na ponta posterior uma frouxa corôa
de manchas e pontas pardo-vermelhas e escuras e bem
marcadas, das quaes algumas poucas se extendem para
a ponta anterior. Um dos ovos mostrava na corôa
uma fina garatuja de traços pardos. Comprimento :
23 1/2 m/m; largura: 17 ditos.
Saltator similis (Lafr. et Orb.)
Trinca-ferro
Frequente na capoeira. Achei allio seu ninho no
chäo sobre um grosso galho cahido e posto sobre uma
das suas forquilhas. A parte essencial da espaçosa
tigela são folhas sêccas, muito grandes e largas, bem
juntadas e seguras por alguns talos. O interior é guar-
necido de raizes, elos, e hervas miudas; o caracter da
construeção é frouxo e de pouca arte. Altura do ninho :
8 centim. ; diametro da gamella: 8 d.s ; fundo: 4 1/2
d.® ; espessura da parede: entre 1 e3 ditos. Os seus 2
ovos são realmente lindos, de campo azul-verde, tom
muito agradavel, casca lisa e lustrosa. Na parte pos-
terior existe uma estreita corda de curiosos rabiscos
finos e pretos, muito intrincados, sobresahindo alguns
pontos mais vigorosos. Forma alongada com a parte
anterior muito obtúsa. Comprimento: 28 m/m; largu-
ra: 20 ditos. Wied ( Beitr. 3.525.) achou o ninho collo-
cado n'um tronco de arvore velha, feito de musgo e
contendo em Dezembro 2 filhotes.
Saltator caerulescens (Vicill.)
Habita o Sul do Brazil. Burmeister (S.U. 110 p. 201)
conta que se acha o seu ninho nos arbustos e arvores
pequenas, em férma de tigela feita de ramos e folhas
seccas e que põe 2 ovos verdes com linhas e pontos
TANT ee
finos na ponta grossa, conforme relata D'Orbigny (Voy.
pl. 28 fig. 4)
Procnias tersa (L.)
Nidifica nas cavidades de arvores velhas, mas de
preferencia nos buracos de barranco de barro e nas ga-
Jerias do Galbula e Ceryle, onde põe 3 a 4 ovos bran-
‘cos sem lustro, sobre uma ligeira camada de talos e
raizes. A fórma do ovo é alongada com a ponta an-
terior fina e estirada. Comprimento 25 mm; largura :
47 ditos. A côr dos ovos e sobretudo o seu modo de
midificar não estão de accôrdo com o logar que este
passaro occupa actualmente no systema da classificação,
porque as Tanagrinae e Euphoninae constroem todos
os seus ninhos abertos em forma de tigela, postos nos
arbustos e poem ovos de variada e linda coloração.
(Ao publicar esta observação no Journal fiir Ornithologie
‘do anno 1867, o seu editor, Professor Dr. I. Cabanis
julgou dever acompanhal-a da seguinte annotaçäo :
« Uma valiosissima observação, que faz lembrar as an-
dorinhas, Hirundo viridis Temm., Procnias IL») Devo
‘consignar aquio facto de ter 27 annos depois E. Goeldi,
em suas monographias, reproduzido litteralmente essa an-
motação, assim como a minha observação relativa, sem
designar a fonte.
Chiorophonia viridis (Vicill.)
Essa especie e os gaturamos Euphone violacea
(L.) e E. pectoralis Lath. são muito frequentes no
Estado do Rio, principalmente a primeira especie; mas
-apezar disso nunca consegui encontrar os seus ninhos.
Burmeister (S. U. 3.193) fallando do genero, disse que
midificam nos bosques espessos e que poem ovos muito
alongados de forma, e de côr vermelho-pallida com pon.
tos pardo-vermelhos na parte superior. Thienemann,
ma sua obra: Fortpf. d. ges. Voegel, tab. 32. f. 17-20
representa esses ovos.
PR
Fam. Fringillidae
Swealis flaveola (L.)
Canario da Terra
O canario faz seu ninho em cavidades de arvores,
em páus cos de cercados do pasto onde gosta de fazer
companhia aos vira-bostas, e tambem em ninhos fecha-
dos de outros passaros quando os encontra abandona-
dos. Assim o achei de posse do ninho de Arundini-
cola leucocephala e sobretudo da Synallaxis cinnamomea
Gm., cuja confortavel morada lhe parece agradar devéras.
Quando se resolve a construir casa propria elle dontenta-
se com uma ruim camada de palhas e pennas que deita
no fundo do buraco escolhido. az uma postura de 4
ovos de côr pardo-clara, pintados com numerosas man-
chas e pontos cor de sépia, às vezes bastante grande e
cobrindo todo o campo irregularmente de modo a mal
deixar vêr a côr do fundo. Esses desenhos agglome-
ram-se na parte superior. Forma normal. Comprimen-
io: 20 mio largura: 15'/ditos. E dloliz sro one
1870, 14, descreve o campo dos ovos que recebeu de
Buenos Aires (1) como sendo azulado ; aqui sempre o
achei pardo-claro.
Swealis arvensis (Nilll.)
(S. luteoventris, Meyen.) D'essa especie, com-
mum no Rio da Prata, C. Sternberg e L. Holtz dao as
seguintes noticias: (J.! f. Orn. 1869, 271e¢1870. 13.):
Nidifica nos cardaes e suspende o ninho entre os car-
dos ou colloca-o nas moitas de capim. E’ feito de
talos de capim e raizes em fórma de tigela, guarnecida
interiormente com clinas e radiculas. E' funda e cui-
dadosamente alizada, de parede espessa, porêm frouxa-
mente trançada. Em Novembro continham os ninhos 3 à
D ovos alongados de casca lustrada e de campo branco
(1) A observação refere-se a S. pelzelni Sel. (Ihering).
com fraco tom azul-esverdeado, coberto totalmente de
manchas variadas no tamanho e cor, umas pardo-ver-
melhas e outras azul-cinzentas diluídas, formando corôa na
parte superior. Comprimento : 19” /m; largura : 15 ditos.
Embernagra platensis (Gm.)
Burmeisters S. u. 3.224. Vive no Rio Grande do Sul
e La Plata, nos rios e lagos e ahi faz o ninho nos bosques
espessos em forma de tigela. E" grande, feito de ta-
los de gramineas e contem 5 a 6 (2) ovos de campo
branco com manchas de varias formas pardo-roxas re-
partidas egualmente sobre a superficie total. Sclater
and Hudson dizem que o ninho é construido bem
escondido no chão em baixo do capim.
Zonetrichia capensis (Miill.)
Tico-lico
Figura obrigada de todos os jardins, campos,
pomares etc. é o tico-tico, que assim quasi se torna
domestico. O seu ninho acha-se naturalmente nos
mesmos logares, jardins, pastos, caminhos, plantações
etc; posto nos pequenos arbustos, roseiras, laranjeiras,
nas moitas de capim, no chão, debaixo dos repolhos na
horta, nas saliencias dos barrancos ete., emfim em
toda parte mais ou menos coberta, nunca passando de
alturas medias. Hm relação ao tamanho ea qualidade
do material existem grandes divergencias nos ninhos.
Assim dos dois exemplares que tenho à vista, .o ta-
manho de um é justamente o dobro do outro. Um
repousa sobre um largo embasamento de folhas seccas
e outros vegetaes, o que falta inteiramente no outro. A
tigela e a sua parede são construidas cuidadosamente
com raizes e talos, principalmente a orla e a cavidade
que contem uma macia almofada tecida com hervinhas
e cabellos. As medidas são as seguintes: Diametro
exterior : 9 centim. no primeiro e 12 d.ºs no segundo ;
do interior: 6 em ambos; altura: 6 e 8 d.; fundo 5
ae
d.os em ambos. A parte exterior do primeiro mostra
um curioso enfeite. Achava-se posto n'uma laranjeira
da qual algumas folhas haviam cahido na areia, que
destruiu o seu limbo deixando intacto a nervura, es-
branquiçada pelo tempo. Estes esqueletos, com aspecto
de finissimas rendas, o tico-tico os empregou em grande
quantidade para adornar todo o lado exterior do seu
ninho que desapparecia completamente debaixo deste
delicado e original ornato. Os ninhos postos na terra
ou nos barrancos levam de preferencia enfeites de mus-
go verde, e em todo caso o tico-tico deve ser incluido
no numero dos artistas em construcção de ninhos. As
mesmas importantes variações que se notam nos ninhos
repetem-se nas posturas dos ovos, quanto a sua forma
e côr, destacando-se em dois typos tão constantes, que
me levaram a principio a suspeitar duas especies di-
stinctas, suspeita que mais tarde verifiquei ser improce-
dente.
O primeiro typo tem 21 m/m de comprimento e 15
d. de largura, o segundo tem 191/22 e 15 ds. A
forma do primeiro é oval, alongada, com as pontas an-
teriores estiradas ; a do segundo é oval, curta, com pon-
tas obtusas quasi eguaes às posteriores. O campo do
primeiro é de pronunciada côr verde-amarella clara, e
do segundo de lindo verde-agua, sem o tom amarello.
No primeiro notam-se pingos e pontos de côr pardo-ver-
melha que abrangem a superficie total do ovo, em par-
te diffundidos, e que cobrem a ponta posterior em forma
de cupola e não de corda. No segundo este desenho
tem a cor de vinho, escura, concentra-se n'uma corda
fortemente demarcada na parte posterior, deixando po-
rém ambas as pontas sem manchas, salvo alguns pin-
gos raros e fracos. Essas differenças, que se observam
logo à primeira vista, são constantes nas diversas pos-
turas, e nunca achei estas com os dois typos mistura-
dos. L. Holtz J.!f. Ornith. 1870 p. 12. tambem encontrou,
nos ovos recebidos de Buenos Aires, os dois typos
acima descriptos, mas não vai até attribuil-os a duas
especies. Burm. J.' f. Orn. 1853 p. 162 egualmente
salienta grandes differengas no tamanho e desenho dos
a) ae
ovos de diversas posturas. O facto é pois notavel, mas
em geral os autores não o avaliam como anormal, por
ser observado em muitas outras especies em maior ou
menor gráu.
N’esses dias tive ensejo de verificar a exactidão
desta opinião. Um casal de tico-ticos fez o seu ninho
n'um arbusto do nosso jardim. Poz 3 ovos em dias
consecutivos: 18, 19 e 20 de Agosto. Quanto a côre
desenho, são bem concordantes, apresentando os do meu
segundo typo. Na forma e dimensões surgem as va-
riações. (O 1.º posto em 18 é o mais pequeno, tem a
forma curta e mede 18 m/m sobre 15 ditos. O 2.º & o
maior: 21 m/m, 15 ditos e o 3.º 19 m/m, lóditos. A forma
destes dois & normal alongada e contrasta com a do
primeiro. Como se vê a differença no comprimento
destes 3 ovos de uma mesma postura é bastante sen-
sivel e corrobóra a opinião citada.
A postura do tico-tico aqui é de 3 ovos, e faz
pelo menos 3 daquellas ; outros anctores fallam em 4
ovos e até 5, o que para mim deve ser originado pelo
que vou expôr. Os seus ninhos são dos mais victi-
mados pelo vira-bosta (Molothrus). E’ muito raro
achar-se, nas localidades onde este habita, um ninho de
tico-tico que não contenha um ou mais ovo deste in-
trujão. Esta preferencia deve ter a sua razão, além
da grande frequencia e favoravel exposição dos ninhos,
na ilimitada e nunca assaz provada dedicação do tico-
tico para a sua próle. A consequencia d'esta é em
geral a anniquilação parcial ou total da mesma em be-
neficio do usurpador. A desgraça já começa com os
ovos, que o vira-bosta não hesita em destruir para dar
espaço ao seu. Si consegue tirar ambos, o filhote
vira-bosta prejudica enormemente os seus companheiros,
filhos legitimos, pela sua monumental voracidade e su-
premacia do tamanho e forças, abusando destas ao
ponto de expulsal-os do berço. Presenciei a morte dos
pequenos tico-ticos dentro do ninho por inanição e falta
de alimentação, consequencia do feroz egoismo do seu
funesto camarada hospede. Muitos d’elles devem suc-
cumbir mais tarde por anemia e miseria, pelo menos
aS (J oa
encontra-se o joven vira-bosta perseguindo com imper-
tinente insistencia e por muito tempo, às vezes mezes,
os seus pacatos tutores sem que appareçam os filhos
legitimos. Já o vi accossar a sua madrasta quando
esta já estava incubando uma segunda postura, e a sua
caradurice vai até mendigar a qualquer pequeno pas-
saro que lhe atravessa o caminho.
Ammodromas manimbe (Licht.)
Não encontrei essa especie em Cantagallo. Bur-
meister 4/1 Orn. 1895. 105 e 48: U:05:228 da uma
deseripção do ninho que achou em Nova Friburgo.
Estava posto num arbusto perto do Rio e consis-
tia em uma tigela cuidadosamente feita de finos talos
seccos entremeiados com paina de Asclepiadeas, preso
pela sua parede num galho fino que, com algumas das
suas folhas, fazia parte integrante do ninho; a orla
era bem trançada e alizada. Continha 2 ovos de campo
branco rosado, com uma corda de manchas bem mar-
cadas de cor bruno-vermelha de differente força.
VWolatinia jacarini (2,
Serra-serra ou serrador
Todos conhecem esse frequentissimo passaro, cujo
macho, posto num galho s3cco, executa com invejavel
perseverança aquella curiosa gymnastica, dando um
salto de 1 metro de altura para recahir logo no mesmo
logar, e acompanhando-o infallivelmente com um curto
pio.
O seu pequeno ninho é posto nas cercas de espi-
nheiras e arbustos onde o esconde à pouca altura do
solo.
Forma uma tigelinha chata, feita frouxamente de
pedunculos no interior e de finas raizes e elos exte-
riormente. Tem 7 centimetros de diametro e apenas 3
1/2 ditos de fundo. Os 2 ovos são redondos, com 16
m/m de comprimento sobre 12 1/2 de largura. São
brancos, fortemente esverdeados, salpicados de man-
a Do ee
chas cor de vinho e bruno-vermelhas, que na extremi-
dade posterior se reunem em cupola.
Paroaria cucullata (Lath.)
Cardeal
Habita o Sul. Disse d'Orbigny que faz o ninho nos
bosques à pouca altura, sendo uma tigela espaçosa de
talos seecos, e que põe 3 a 4 ovos alongados, de cam-
po branco com salpicos cerrados de côr pardo-verde,
mais escuros na parte grossa. Medem 27 por 20 m/m.
Paroaria capitata (Lafr. et d'Orb)
Cardeal
Nidifica nos bosques à altura media e põe 3 a
4 ovos brancos com pingos pardo-cinzentos. (D’Orbi-
gny Voy. Ois. 278, 167.)
Coryphosphingus cucullatus (Miill.)
Cardeal
Habita o sul e nidifica na capoeira à certa altura,
pondo 3 a 4 ovos brancos com salpicos pardo-cinzentos,
cerrados na parte posterior e diminuindo na direcção
da ponta anterior.
Spermophila caerulescens (Bonn. et Vieiil.)
Colleira
Muito commum na nossa zona, onde vive nos
jardins, capinzaes, etc.e gosta de fazer o seu ninho nas
roseiras e outros pequenos arbustos.
k' uma tigelinha relativamente funda, trabalhada
com certa arte, embora de parede transparente. Em-
prega exclusivamente finas radiculas como material.
Tem 5 centim. de diametro e outrotanto de altura,
com 4 ditos de fundos. Os 2 ovos de campo branco
esverdeado são inteiramente cobertos com manchas
alongadas e pontos de côr pardo-amarella, distribuidas:
irregularmente, entre as quaes notam-se algumas poucas.
azul-cinzentas, e na parte superior pequena garatuja:
preta. Comprimento 17 m/m., largura 12 1/2 ditos.
FAM. ICTERIDAE
Ostinops decumanus (Pall.)
Guäxe
Ninguem que andou pelo interior aesconhece os:
ninhos do guáxe, suspensos das arvores gigantes do:
matto, no meio das barbas de velho, de que são feitos,
em forma de bolsa comprida, cuja extensão às ve-
zes é maior de 1 metro, balançando no vento. Só na
occasião de derrubadas é que se pode obter semelhan-
te ninho, e casualmente faltou-me essa occasião e com.
ella o ensejo de observação e descripção minucio-
sai Por isso seguirei a que deu o Principe Wied, co-
mo sendo a mais fiel (Beitr. III p. 120).
O Japú (O. cristatus) disse o Principe, faz o ni-.
nho em fórma de bolsa estreita, comprida, arredondada.
na base que tem 10 a 16 centim. de largura, solida-
mente atada a um galho da grossura de um dedo, e
tendo uma entrada lateral em forma de fenda. O ma-
terial consiste exclusivamente em barba de velho (Til-
landsia usnoides) tecida mui artisticamente e tão solido.
que só com muita difficuldade se rasga. No fundo da
bolsa o passaro faz uma forte almofada com musgo,
folhas seccas e cortiças, onde põe os seus 2 ovos de:
forma alongada. Sobre campo alvacento mostram uma
marmorização de côr vermelho-violeta, desbotada e al-
guma garatuja mais escura. Em Novembro achei ni-
nhos vasios, outros com ovos, e outros com filhotes.
Presumo que faz até 3 posturas annuaes.
Cassicus haemorrhous aphanes (Perl.
Guaxe. Japira
Segundo Wied (Ill p. 1230) faz um ninho de
todo identico ao do precedente, sómente um pouco me-
nor, chegando o seu comprimento até 70 centim. O
Principe encontrou-os em Novembro e Dezembro com
2 ovos. Sua côr era branco-azulada, salpicada de
pingos violêtes. O tecido do ninho é um pouco trans-
parente de modo que se percebe o passaro incubando,
sobretudo o seu dorso encarnado.
Cassicus persicus (L.)
Japur
Wied Beitr. 3,b p.1234.
O seu ninho é ainda identico ao dos precedentes,
porem mais curto (30 centim.) O Principe Wied
(IU p. 1284) não obteve os ovos. Burmeister (II p.
74) os descreve como sendo bastante esphericos, de
campo branco-azulado e salpicado com pontinhos pardos.
Icterus jamacai (Gm.)
Soffré
E” ainda ao Principe Wied a quem devemos a de-
scripçäo deste ninho, embora não bem authentica. No
Beitr. II p. 1199 diz o Principe: Um dos meus ca-
cadores trouxe-me o ninho, que porem não corre-
spondia ao que se conhecia delle até lá. Achava-se
posto nos galhos horizontaes de uma arvore, a c.* 9
pes de altura; e não estava suspenso. Era uma bola
de ramos seccos, fechada por cima, com uma entrada
lateral. Em Fevereiro estava vasio.
Icterus xanthornus (Gm.)
Habita a Amazonia. Burmeister III p. 269 refere
y (led
que faz o ninho, semelhante ao dos guäches, em fór-
ma de bolsa comprida suspensa livremente. Os ovos
são de campo branco-azulado com muitos salpicos par-
do-vermelhos e manchas maiores na ponta posterior.
Icterus cayannensis (L.)
Encontro. Pega
Burmeister. (IH p 271.) denominando essa especie
NX. chrysopterus, disse que faz uma bolsa frouxa
de talos seccos, que suspende e põe ovos de campo
branco-azulado salpicados de vermelho-pardo.
Aphobus chopi (Vcill.)
Vira-bosta
Azara refere que esse passaro nidifica em galerias
nos barrancos e põe 4 a 5 ovos inteiramente brancos.
Burmeister viu-o sahir dos buracos de um barranco;
outros pretendem que põe em arvores ócas.
Pseudoleistes guirahuro (Vicill.)
D Orbigny representa na sua obra (Voy. Am. Mer.
Ois. pl. 48. f. 4) o ovo branco-azulado salpicado de
vermelho. I'órma fortemente espherica.
Pseudoleistes virescens (Vicill.)
Do ninho dessa especie que habita o Rio (Grande
do Sul e La Plata, Chr. Sternberg J. f. Orn. 1869,
273, disse o seguinte: Escolhe os cardaes espessos e
suspende ahi o seu ninho entre os talos de 3 a 4 car-
dos approximados, inserindo-os solidamente na parede
do ninho. O ninho é uma tigela funda artisticamente
feita com raizes, talos de gramineas, acolchoada com
radiculas e clinas. A parede é espessa, solida e cul-
dadosamente trançada e alizada. Em Dezembro con-
tinha 3 ovos, além de um quarto introduzido pelo
NT | EE
Molothrus, ra LeawHoltgeno--Us'f; Orme A870, Lo da
a seguinte descripçäo d'esses ovos: Fôrma alongada e
casca lustrosa. Comprimento: 29 m/m.; largura: 19
d.º. Campo branco: desenho: manchas compridas côr
de vinho, outras cinzentas desbotadas, cobrindo vunifor-
memente toda a superficie.
Molothrus bonariensis (Gm.)
Vira-bosta
Não faz ninho, mas põe seus ovos em ninhos
alheios. Nesses achei duas variedades ou typos con-
stantes dos seus ovos, o que a principio me induziu a
suppor duas especies differentes de vira-bostas, hypo-
these que abandonei posteriormente. Na realidade o
nosso virabosta, como o cuco da Europa, possue posi-
tivamente a faculdade de adaptar o colorido dos seus
ovos ao dos ovos do passaro que escolha para tutor,
facto hoje admittido pelos ornithologistas.
No primeiro typo a forma do ovo é fortemente
oval, pouco alongada com ponta obtusa; comprimento :
24 m/m ; largura: 19 d%. No segundo, a forma é es-
pessa, curta, redonda, quasi espherica e ambas as pon-
tas egualmente obtusas, medindo 21 1/2 m/m de com-
primento sobre 18 d.s de largura. A coloração do
primeiro é de tom geral vermelho, a do segundo:
verde. No primeiro o campo é de côr branca com
tom vermelho e o desenho consiste em manchas e
pintas de cor violete diluida, com outras de côr pardo-
vermelha, clara, de contornos fixos. Ambas pequenas,
numerosas, denteadas e repartidas com grandes interval-
los sobre o total da superficie com uma ligeira con-
centração na parte posterior. No segundo o campo é
de côr branco esverdeada e os desenhos de côr pardo-
amarella com poucas manchas azul-cinzentas. Todas
as manchas são menores do que as do primeiro typo
e distribuidas sem intervalios maiores. A casca do
primeiro typo é aspera, sem lustre, a do segundo é
lisa e lustrosa.
A frequencia dos dois typos é quasi egual.
on 7 Ee
Otypo vermelho acha-se exclusivamente nos ninhos
do tico-tico, que raras vezes escapa a essa violação ; 0 typo
verde encontra-se em outros ninhos, como Trichas ve-
lata, Tanagra, Spermophila caerulescens etc. Muitas
vezes acha-se mais de um ovo de vira-bosta n'esses ni-
nhos; o maximo que encontrei foi de 3 em ninhos de
tico-tico. N'um desses os vira-bostas haviam, respeitado
os 3 ovos do proprietario, de modo que este teria de
incubar 6 ovos e criar 6 filhotes si eu não lhe tivesse
alliviado a carga; no outro, 2 dos 3 ovos do tico-tico
estavam atirados fóra do ninho e jaziam perto quebrados.
Em outro caso encontrei o tico-tico incubando, e
mais tarde criando, 2 dos seus e 2 do vira-bosta. Pa-
rece-me que o vira-bosta ora respeita os ovos, ora Os
destróe ; algumas vezes achei-os apparentamente respei-
tados, mas depois verifiquei que tinham um pequeno
furo e o seu conteudo derramado no ninho. Duvido
que elle ponha em ninhos vazios. Ch. Sternberg remetteu
ao dr. L. Holtz 58 ovos deste Molothrus collec-
cionados em Buenos Aires, e este publicou no IL f.
Orn. 1870, 15, um estudo valioso sobre os mesmos,
comparando-os com a minha deseripção. Opina o Sr.
Holtz (o que de bom grado acceito) que os meus dois
typos pertenciam a uma só especie, M. bonariensis.
Em 22 ovos coloridos achou os predicados des-
criptos por mim para ambos os typos quanto a forma
e cor; 26 dos ovos remettidos, eram porèm, interramen-
te brancos, sem colorido nem desenho! Em presença
deste facto o auctor absteve-se de pronunciar ulterior
juizo, convindo os respectivos naturalistas procederem
a experiencias de incubação com estes ovos brancos.
Este appelo dirige-se ao Sr. Sternberg, pois que eu
nunca achei ovos brancos de virabosta e não tenho es-
perança de achal-os.
Molothrus badius (Jeill.)
Como a especie precedente, põe em ninhos alheios.
Existe em Minas Geraes e vai até o Rio da Prata. L.
Holtz, Il. f. Ornith. 1870, 19, dá a seguinte descripção
AE a
do ovo: «Forma oval curta. Campo amarellado, manchas
pardo-amarellas e outras cinzentas diluídas, cobrindo
cerradas a superficie total do ovo, mais densas na parte
posterior. Comprimento: 24 m/m; largura: 18 d.™».
Cassidix oryzivora (Gm.)
Melro. Recenxão
Nada se conhecia do seu modo de reproducçäo
até que E. Goeldi publicou nas suas monographias a
interessante observação que segue:
«Em Dezembro foi-me trazido um ninho de guaxe
(O. cristatus) com 2 filhotes, dos quaes um legitimo
guaxe e outro quasi do mesmo tamanho com falta de
pennas amarellas na cauda. Criei-os e no fim desen-
volveu-se o perfeito melro. Do que ficou demonstrado
que essa especie de Cassidix procede como os seus parentes
os vira-bostas, confiando os seus ovos aos cuidados de
outros passaros.
Fam. Corvidae
Cyanocorax chrysops (Viill.)
Gralha
Burmeister III p. 3284 dá a seguinte e laconica
observação sobre o seu ninho: « Nidifica sem arte em
arvores altas e põe 2 ovos branco-azulados com man-
chas pardas ». Melhores informações encontram-se nas
Monographias Brazileiras de E. Goeldi, que diz: «O ni-
nho é disposto em arvores compridas e espinhentas, sin-
gelamente composto de fortes varas, tão ralo que as
vezes os ovos cahem atravez. A postura consta de 6
a 7 ovos grandes, de bello campo azul-celeste, ornado
- de desenhos brancos, côr de cal». C. pileatus vive no
Sul e não o encontrei no Estado do Rio.
eee a
1 ORDO: PASSERE®. B. CLAMATORES
Divisão IL. Oligomyodae
Fam. Tyrannidae
Taenioptera nengeta (L.)
Burmeister (11 p. 516) refere que esse passaro, um
dos mais communs nos campos geraes de Minas, faz o
seu ninho perto das habitações sobre as palmeiras ma-
cahubas entre os talos das suas folhas e põe 4—5 ovos
brancos, esphericos, segundo D'Orbigny.
Fluvicola albiventer (Spir)
Burmeister descreve (II p. 520) 0 seu ninho que é
posto nos arbustos baixos, feito quasi exclusivamente
de algodão e contem 2—3 ovos esbranquiçados com
manchas pardas na parte posterior. (D'Orbigny).
Sisopygis icterophrys (NVicill.)
Faz o seu ninho nas margens dos corregos onde
vive; poe 4 ovos esbranquiçados com manchas e pingos
pardo-escuros que se concentram na ponta posterior.
(D'Orbigny)
Arundimicola leucocephala (L.)
Burmeister: SUN 812; JL Orns, S030 Gm
Wied (III p. 822) descreve o ninho do seguinte
modo : «Estava coliocado na forquilha de um pequeno
arbusto no brejo e consistia em uma bola fechada, com
pequena entrada, feita de paina, pennas e talos, mistu-
rados com poucos fios de Tillandsia ; o interior alcochoa-
do e forrado com lã e pennas. Em Dezembro, continha
2 ovos inteiramente brancos.»
Burmeister refere que esse passaro põe 4 a ovos
brencos -e curtos com casca gredosa (II p. 518 e I. f.
Orn. 1853 p. 166).
CEIA CRUE
Casualmente escapou-me a descripção d’esse ninho
nas minhas publicações. Tive, porem, muitos exempla-
res em mão, sendo o passaro muito frequente e sendo
raro o brejo que 240 seja habitado por um casal d'elle.
Posso confirmar o que Wied disse, quanto à po-
sição, forma e material do ninho; o numero de ovos
porém excede geralmente a 2. Burmeister fallaem 4 a 5;
eu nunca achei mais do que 3. Nos meus apontamen-
tos encontro os seguintes dados: 1863, 24 de Out.° em
construccäo. 3 de Dez.º idem; 16 d.º incubando 3 ovos.
1864, 10 de Out. incubando ; 2 de Nov. construindo ;
1865, 6 de Fev.° construindo: 2 de Out.” construindo ;
1866, 29 de Jan. construindo ; 1867, 4 de Jan. construin-
do nos juncos. 13 de Março, 3 filhotes em companhia
dos paes que os alimentam; os 3 ainda têm a pluma-
gem da femea adulta: cinzenta com a cabeça branca.
Dos 3 filhos criados em Out.” pelo mesmo casal e que
ainda andavam na vizinhança, juntos, o macho mostrava
já em Março grandes manchas pretas no colorido cin-
zento primitivo. Ovos brancos alongados; comprimento :
15 m/m, 1argura: 12 ditos.
Copurus colonus (Vicill.)
Nidifica em arvores ócas, utilisando-se geralmente
de ninhos abandonados dos picapäus pequenos (P. mi-
nutus). Em vista das suas pennas caudaes extrava-
gantes, essa escolha não deixa de admirar. Elle limita-se
a guarnecer o fundo da cavidade com algumas folhas
e Eis. e põe 3 ovos brancos, sem lustre e de
fórma Dons com pontas obtusas. (Comprimento :
18 a 19 m/m; largura : 15 ditos.
Machetornis rixosa (Vcill.)
Habita os campos do interior e limpa o gado dos
carrapatos, como os Ants. D' Orbigny viu-o incubando
À a5 ovos que tinha posto n'um ninho abandonado
do João de barro (Furn. rafus); os ovos eram de cor
rosa pallida, cobertos intensamente com manchas ver-
melho-ferrugineas, parte compridas e parte redondas e
concentradas na ponta posterior.
e
Todirostrum poliocephalum (Wed)
Seu ninho é uma bolsa curta e redonda que elle
suspende de preferencia num limoeiro na visinhança
de um corrego, a 1 ou 2 metros de altura. A esphera
tem 9 a 10 centim. de diametro exterior; a entrada
praticada no centro, tem 3 centim. sendc protegida por
um tecto saliente. A camara redonda tem 6 centim.
de diametro, e a parede, em partes, vai até a espessura
de 2 ditos. O material principal é paina misturada com
talos e palhas. O alpendre é feito exclusivamente com
palhas; a camara é guarnecida de lã vegetal. O lado
é molle, porém espesso e de grande solidez. Exterior-
mente é adornado de varias pequenas folhas e pedaci-
nhos de cascas, e por baixo pende uma cauda deste
material de 7 a 8 centim. de comprimento. Põe 3
ovos de linda côr encarnada com tom amarelo; na
parte superior existe uma corôa estreita de manchas
escuras e garatujas. Fôrma oval. longa, com pontas sua-
ves. Comprimento: 16 m/m; largura: 12 ditos. O Pr.
Wied, Beitr. 3, p. 964, dá uma descripção exacta d’esse
ninho. Os habitantes contaram-lhe que esse passaro
procura sempre collocar o seu ninho na visinhança de
um outro de marimbondos, facto que não observei.
Euscarthmus nidipendulus (Wied)
O Principe Wied (Il p. 950) descreve o seu
ninho como segue: «Esse ninho artistico estava sus-
penso n'um galho delgado e feito exclusivamente da
paina branca prateada de uma graminea em fórma de
bolsa alongada com a parte inferior espherica e fechada,
e uma pequena entrada lateral protegida por um al-
pendre. Todo o material se achava solidamente feltrado
e misturado com folhasinhas e flóres e parece ter sido
trabalhado em estado humido, sendo duro e solido.»
Orchilas auricularis (Vicill.)
Faz egualmente um ninho suspenso em fórma de
bolsa, 6 que parece ser caracteristico do genero, e
mesmo das Platyrhynchinae em geral. Este está pen-
BS | QUE
durado a pouco mais de 1 metro num arbusto. Tem
16 centim. de comprimento, e na base 6 a 7 d.* de
largura. A entrada redonda acha-sea 6 centim. acima
da esphera e tem 3 d. de diametro. E” egualmente
protegido por um alpendre construido com finos ta-
los e raizes encruzadas e tem 4 centim. de saliencia.
A parede do ninho é formada com ramagem, talos,
folhas seecas e lã, solidamente tecida, e exteriormente
enfeitada com cascinhas, levando um appendice do mesmo
material de 10 centim. de comprimento. E’ mais cui-
dadosamente feito do que o do T. poliocephalum. Inte-
riormente existe um forro de paina. A camara tem
3 1/2 centim. de fundo abaixo da entrada e 6 d.” acima
da mesma. Põe :3 ovinhos ovaes com pontas finas de
linda côr branca semeado de alguns riscos vermelhos
claros. Comprimento 14—15m/m: largura: 10—11
ditos.
Hapalocercus meloryphus (Wicd)
Achei em Outubro o seu pequeno ninho suspenso em
um arbusto de uma roçada, a 1 metro de altura e fóra
da sua folhagem. O ninho consiste em poucos talos
seccos, porem elasticos, que se achavam frouxa, mas
artisticamente torneados e tecidos formando uma leve
meia esphera. Este tecido tem maiores malhas do que
o tamanho dos ovos. Estes são protegidos por um li-
geiro colchão de finas radiculas enroladas. A altura
exterior da tigelinha mede 4 centim., o seu diametro
superior : 9 1/2 d.- eo fundo 21/2 a3 ditos. Os 2 ovos
mostram, sobre campo branco, ligeiramente amarellado,
uma corôa pequena de pintas pardas, mal visiveis. A
sua forma é reforçada com ponta fina anterior; 0 seu
comprimento 15 m/m ; largura: 12 ditos.
Serphophaga nigricans (Vicill.)
2
Esse passaro esperto e vivo é encontrado sempre
na vizinhança da agua corrente e ahi nidifica, suspen-
dendo o seu ninho por baixo das pontes, nas ribancei-
ras excavadas, debaixo dos telhados dos moinhos, enge-
bee
nhos ete., sempre em posição coberta e protegida. E” um
cadinho fundo quasi sempre fixado a duas fibras ou
raizes, a modo de um balanço. O cadinho tem na sua
abertura 9 centim. de diametro, e 10 ditos de com-
primento. O diametro interior é somente de © decim.
e a profundidade egualmente de 5 decim. A espessura
da parede comporta entre 2 a 3 centim. E” construido
quasi exclusivamente com punhados de musgo, entre-
meados com alguns talos e raizes. Interiormente tem
um basto colchão de pennas de pato e gallinha. A
construccäo é frouxa, sendo o material usado com
grande prodigalidade; o todo tem o aspecto de uma
bola de musgo. Poe em Julho, Setembro e Dezembro
cada vez 3 ovos brancos com tom esverdeado, e sem
desenho. Iórma arredondada com Jens obtusas. Gom-
primento : 16 m/m; largura: 12 1/2 ditos.
Ornithion obsoletum (Temm.)
Tive occasiäo de observar o ninho deste pequeno
passaro, assaz frequente nos arrabaldes do Rio de Ja-
neiro, no corrente anno. N'uma mangueira da nossa
chacara vi em principios de Julho um grande tufo de
cabellos de Tillandsia suspenso num galho fino a cerca de
10 m. de altura, que, embora não tivesse form a decisiva,
me prendeu a attenção pelo facto de não existir aquel-
la parasita na mesma arvore nem nos seus arredores.
Não tardei em verificar que era obra da O. obsoleta
que entrava e sahia daquelle mólho. Em fins daquelle
mez vi-os alimentar filhotes e em 6 de Agosto toda a
familia tinha abandonado o ninho. Dias depois um for-
te vendaval derrubou o galho e com elle o ninho veio
abaixo.
E” uma enorme agelomeração de fios de uma ro-
busta Tillandsia de côr verde, fortemente tecidos e en-
trelagados, semelhante aos ninhos de guache, separada
em duas metades eguaes pelo ponto onde se acha fixa-
da no galho, caindo cada uma do seu lado, e dos quaes
uma encerra o ninho comquanio a outra pareça unica-
mente servir de contrapeso. Ambas têm 25 centim.
de comprimento. O ninho acha-se completamente es-
condido na extremidade de um d'estes pennachos. EK’
de forma espherica com o diametro de 7 centim.
faltando-lhe uma secção que representa a entrada do
ninho. Esta tem um diametro de 3 centim. e a cama-
ra é de 5 ditos. A esphera é solidamente fixada nos
fios da Tillandsia, e confeccionada com finos talos,
pedunculos e paina amarella, tudo perfeitamente amal-
camado e feltrado, formando parede espessa, embora
macia. (O interior é totalmente atapetado com paina ;
na orla da entrada os talos e raizes são cuidadosamente
torneados e alizados. A entrada, como o ninho intei-
ro, está escondido debaixo do envolucro de fios de Til-
landsia, que ultrapassam de 5 centim. o ninho. A
factura d'essa pequena habitação, tão bem protegida e
escondida, classifica o seu minusculo autor entre os
grandes artistas em nidificação, e o que mais surpre-
hende é a notavel desproporção existente entre o seu
tamanho e o da sua casa. À posição do ninho não
me permittiu verificar o numero e fórma dos ovos,
nem o dos filhotes, que julgo ter sido de dois; um
destes, ao deixar o ninho, enforcou-se no emmaranha-
do dos fios de Tillandsia da entrada e achei a sua mu-
mia presa nos mesmos.
Elainea pagana (Licht.)
E” um verdadeiro artista na confecção do seu
ninho e nao fica atraz dos beija-flores neste sentido.
Representa o seu ninho uma linda tigelinha feita com
grande elegancia, de 5 centim. de altura sobre o dia-
metro de 6 d.º e com a profuadidade de 3 d.” , sendo
a gamella um perfeito segmento de esphera. © esque-
leto é formado de finas raizes muito bem e solidamente
entrancadas. A sua parte exterior é adorvada e embu-
tida totalmente com pequenos musgos e lichens perfei-
tamente lavradas com consistencia de papelão. Este
gracioso ninho acha-se collocado sobre algum ramo de
mediana grossura de uma arvore, perto das casas ou
+10 pasto ou capoeira, às vezes nas alturas, às vezes
mais baixo, e perfeitamente adaptado ao logar por meio
wa AA ee
de duas pernas que abrangem solidamente o galho.
Alem disso, o ninho, pela sua forma e cor é tão iden-
tico com a casca do galho, que o supporta, que muito.
difficil se torna distinguil-o, mesmo a curta distancia,
julgando-se vêr uma simples crescencia do galho. A
orla superior do ninho tem c.* 1 centimetro de espessura,,
é cardada, bem lisa, e em todo o ninho não se salienta
uma unica palhinha desegual, denotando grande pacien-
cia e arte. A tigela é acolchoada com pouca pennugem
e cabellos, e contem 3 ovos de fórma reforçada, com
pontas finas, de côr branca salpicada na parte superior
de algumas manchas violètes e vermelho-escuras, em
parte desbotadas. O seu comprimento é de 21 à 22
mm e a sua largura de 16 d.º
Elainea brevipes (Wied.)
Euler, JL f. Ornith. 1867 pag. 229.
Egualmente um artista. O seu ninho é em forma
de bolsa, sempre preso por baixo dos barrancos e sus-
penso nas raizes pendentes e ao abrigo da chuva e do
vento. Tem 22 centim. de comprimento. A parte su-
perior é estreita e alarga-se para baixo até 12 centim.
onde termina em esphera. A entrada é praticada na:
metade inferior da bolsa; é redonda com 3 1/2 centim.
de diametro, sendo protegida por um alpendre que desce
suavemente ao longo da parede na extensão de cerca de 2
centim. A camara ë espaçosa, tem 7 a 8 centim. de
profundidade. O material consiste em musgo, paina e
cortiça fina, trabalhado frouxamente e não feltrado. O
interior é guarnecido exclusivamente de paina. Põe 3
ovos de cor branco-nivea, sem lustro nem desenho. Fór-
ma normal, pontas arredondadas. Comprimento 19 m/m;,
largura”: (14 ja tio dd,
RRhynchocyclus olivaceus (Temm.)
Confecciona tambem um ninho notavel em férma
de bolsa qne suspende n'um galho extremo de uma ar-
vore de capoeira a 6 e até 10 metros de altura. O ninho,
a =
não é suspenso a modo dos do guache à mercê dos
ventos, porque o galho que o sustenta fica enterrado
na sua parede até ao meio do ninho e dá-lhe assim
certa estabilidade. À sua forma é a de uma esphera com
um comprido tubo que serve de entrada. A esphera
tem 10 centim. de altura e 9 d.º de largura e forma
a camara de quasi eguaes dimensões porque a parede
é muito delgada. No plano da extremidade inferior
existe a entrada com 6 centim. de diametro para a qual
conduz o tubo de 15 d.s de compr'mento. Este repre-
senta um cylindro suavemente recurvado até 45º cuja
abertura cahe abaixo do nivel da esphera. A melhor
idéa da forma geral desse ninho daria a de uma pipi-
nha com uma longa torneira curva. Acima da esphe-
ra o galho, que o sustenta, é enlaçado pelo material na
extensão de 12 centim., o que dá ao ninho o aspecto
de bolsa. O material é composto de cabellos vegetaes,
pretos misturados com alguns talos; a esphera é soli-
damente tecida, o tubo muito mais frouxamente ; a pri-
meira sem enchimento. Em Novembro achei um ninho
com 4 ovos fortemente incubados. São de lindo colo-
rido. Sobre campo de cor amarello-avermelhada bem
pronunciada, um pouco mais intensa que a côr de carne
clara, achão-se espraiadas grandes manchas da mesma
côr mas de tom mais escuro e em grandes intervallos,
realçadas por alguns pontos mais escuros ainda. Não
se reunem em corda, mas se tornam mais juntas na
parte posterior. Casca lisa e lustrosa; forma oblonga
com pontas ligeiramente obtusas. Comprimento 19 m/m;
largura: 14 ditos. E” facto que todos os seus ninhos
que achei em numero superior a 10, estavam sempre
collocados na immediata vizinhança de um ninho de
marimbondos, dos quaes uns occupados, outros não.
Pitangus sulphuratus maximiliani
Cab. et Hein.
BEMTEVI
Assim como o passaro, o seu ninho é dos mais
frequentes. Acha-se nas localidades abertas, de prefe-
a IG ae
rencia em arvores seccas isoladas, às vezes altas, ou-
tras vezes baixas, posto na forquilha dos ramos fortes,
e consiste sempre em uma perfeita esphera. O mate-
rial são vegetaes seccos de varias qualidades, bem e
solidamente ligados entre si, denotando pronunciado
instincto artistico. A bola tem um diametro geral de
cerca de 29 centim. À vasta camara oceupa o centro com
um diametro de cerca de 10 centim.; sem enchimento, po-
rém, com a parede bem alisada e composta de mate-
rial mais fino do que o exterior. A larga entrada
tem 8 centim. de diametro e é protegida por um al-
pendre pouco saliente. (reralmente a postura consta
de 4 ovos oblongos com pontas agudas, de 31 a 32 m/m.
de comprimento sobre 20 a 21 m/m. de largura. Cam-
po branco com uma corda de pontos pardo-escuros e
outrosa zulados, deixando cerca de 3/4 partes da superficie
immaculada. No ovo fresco o campo branco já tem
um tom amarello que augmenta com a incubação.
O Principe Wied (Beitr. 11], 338), e apoz delle, Bur-
meister (11 p. 361) chamam a cor do campo dos ovos de
Bemtevi de azul pallida, o primeiro, e de verde pallida
o segundo, o que não concorda com as minhas obser-
vacoes. Autor mais moderno, porém, L. Holtz, JL f.
Orn. 1870.4, dá para os 14 ovos colhidos em Buenos
Ayres por Ch. Sternberg, o campo de cor amarella
esbranquiçada, o que vem confirmar a minha descripção.
Myiozetetes similis (Spir)
O seu ninho e a sua frequencia são eguaes ao
precedente, e assim como o passaro, poderia-se consi-
derar a sua reducção. Escolhe as mesmas localidades e
muitas vezes acham-se os ninhos de ambas as especies
na mesma arvore. A bola com 14 centim. de largura,
tem a altura de 20 centim., sendo, pois, menos espherica
do que a do Bemtevi. A camara é proporcionalmente
ainda maior, tendo o mesmo diametro que a do
Bemtevi, apesar das dimensões menores do ninho. EK’
tambem central e revestida de talos de capim secco.
FAST A
O alpendre do Bemtevi transformou-se aqui em ca-
nudo em posição quasi horizontal de 13 centim. de
comprimento com 8 centim. de diametro. E' feito, com
bastante engenho, de talinhos seccos e finos e apresenta,
não obstante a sua transparencia, boa solidez. A sua
ligação com a parede do ninho é suavemente fundida
na parte superior. Nem todos os ninhos mostram este
appendice com as dimensões indicadas, mas elle sem-
pre existe em maior ou menor escala. Põe 4 ovos
de forma normal, um pouco ponteagudos. De campo
branco, mostram raras manchas de cor de vinho com
logares mais escuros e irregularmente distribuidas, na
parte superior mais densas; a inferior é immaculada.
O seu comprimento é de 23 a 24 m/m., e a sua lar-
gura de 16 a 17 m/m.
Pitangus lictor (Lichl)
O Principe Wied, Beitr. 3, p. 846, Muse. cayennensis,
disse que achou seu ninho em fevereiro com filhotes
voando pela primeira vez, e que o ninho era uma
meia esphera aberta por cima.
Os ninhos que observei aqui sempre eram fechados
na forma descripta.
Myiodynastes solitarius (NViill.)
Faz o seu ninho na forquilha de uma arvore sec-
ca isolada, consistindo em uma tigela chata feita ne-
eligentemente com poucos ramos seccos juntados sem
arte, e que não se pode levantar sem destruir o ninho.
Ahi põe 3 ovos pontudos com 23 m/m de compri-
mento e 17—18 m/m. de largura. Sobre campo branco
são cobertos de manchas compridas de cor vermelho-
parda-escuras, umas por cima das outras e que se reu-
nem na parte grossa em uma corda larga e muito
malhada.
a a
Megarhynchus pitangua (L.)
NEI-NEI
Achei diversas vezes o seu ninho nos galhos cul-
minantes de arvores isoladas e de pouca folhagem, na
capoeira, na visinhança d'agua. E” pequeno. de con-
strucção relaxada, feito com poucos raminhos seccos que
fcrmam um pequeno giräu, que mal segura os 2 ou 3
ovos. Estes são de forma oval e as suas pontas pouco
differem. Medem 26 m/m. ao comprido e 19 a 20
m/m. na largura. O seu campo tem um fraco, mas
agradavel tom vermelho-amarellado, e sobre elle são
distribuidas regularmente manchas de côr pardo-elara
e azul-cinzenta, em parte desbotadas, e de forma alon-
cada, com pontas agudas e curvadas, que se condensam
um pouco na parte superior. Os desenhos azues são
tão numerosos como os pardos; estes encobrem em
parte aquelles, ambos são fortes e bem demarcados, o
que di ao ovo um aspecto excessivamente mesclado.
Como todos os ninhos dos tyrannos, o de Nei-nei é
sempre construido em localidades abertas, muitas vezes
em arvores seccas e nunca escondido. Si nenhum au-
tor o menciona é porque a sua posição elevada e a
sua insignificancia o subtrahe à vista, protegendo-o ef-
ficazmente apesar da sua collocação exposta.
Hirundimea bellicosa (Vieill.)
Sempre encontrei este passaro nos telhados das
fazendas e povoações e nunca nos bosques. O Princi-
pe Wied fez a mesma observação e disse que onde
não ha edificios, isto é na matta, elle escolhe os ro-
chedos para a sua moradia habitual. Este amor às
pedras vai ao ponto de elle leval-as para o seu ninho.
Pude observar um casal, durante alguns annos, nos te-
lhados da fazenda, que nunca abandonava, onde proce-
dia à caça dos insectos volantes e chilrava constante-
mente. Num dos paioes uma das janellas do primeiro
andar conservava-se sempre fechada por um contra-
vento de madeira, sendo o peitoril egualmente de ma-
deira. Um dos cantos foi escolhido pelo casal para
assentar duas vezes por anno o seu ninho.
Começava por guarnecel-o com uma camada de pe-
drinhas de diversos tamanhos até o de uma nôóz. Eram
pedaços de tijolo, de reboco, seixo etc., em numero de
30 a 40 cada anno. Dispunha-os irregularmente ladea-
dos até encher o canto totalmente.
Sobre esta camada deitava palhas e pennas e for-
mava com ellas uma tigela chata de cerca de 7 centim.
de diametro e apenas 3 cent. de fundo. No interior da
gamella as palhas estavão bem alizadas; no exterior
sobresahiam irregularmente entre as pedras. Ahi poz
cada vez 2 ovos alongados com pontas bastante obtusas
de 22 a 23 m/m. de comprimento sobre 15 a 16 m/m.
de largura. Campo branco com tom amarellado, e na
parte superior uma corda larga de manchas escuro-ver-
melhas com algumas poucas côr de violéta e uma gara-
tuja preta. Alguns pingos escuros na parte anterior.
Quando tinham filhotes e nas horas de maior sol, vi
muitas vezes a mãe protegel-os por largo tempo dos
seus raios, abrindo e extendendo as azas sobre o ninho.
Mwiobius barbatus (Gm.)
Encontrei o seu ninho na matta virgem, suspenso
cerca de 10 metros de altura num taquaral.
Achava-se escondido numa moita de folhas e cipds
seccos e não poderia ter dado com elle sem o repetido
entrar e sahir do passaro. A sua forma é a de uma
bolsa estreita, alargada na base, com vasta entrada late-
ral, e mettido inteiramente dentro de um involucro de for-
ma conica que o esconde e ultrapassa de 3 a 4 centi-
metros. Visto de lado, o ninho, apparece como um feixe
de crina vegetal preta, e sómente visto pela base verifi-
ca-se a sua verdadeira construcção. Ahi a metade da
base do cartuxo é fechada pela base da bolsa interna;
a outra metada serve de entrada. O material consiste
quasi exclusivamente em fina crina vegetal preta, tanto
na bolsa como no cartuxo ; na base deste os cabellos ap-
parecem como penteados. O tecido é bem feito, espesso
ee |) a
e solido, sobretudo na base da bolsa, onde constitue
uma almofada macia. O interior é bem guarnecido de
cortiças. O tubo acha-se suspenso num galho fino e fle-
xivel que entra em parte dentro do tecido. © compri-
mento total deste edifício é de 22 centimetros, o diame-
tro da base do cartuxo tem 13 centim., o da bolsa 10
centim., inclusive o espaço que fica entre esta e o cartuxo.
Largura da bolsa : 5 centim.; diametro da entrada es-
condida: 3 1/2 centim.; espessura da almofada: 2 1/2 cen-
tim. e da parede: 1 1/2 centim. Em fins de outubro estava o
passaro incubando 2 ovos de forma alongada com 18 m/m.
de comprimento e 13 m/m. de largura. O Principe Wied,
que achou varios destes ninhos e dá uma extensa noticia
sobre elles (Beitr. 3, p. 934) descreve os ovos como
brancos, sem desenho. Os que eu achei têm campo branco
com ligeiro tom vermelho, que augmenta de intensidade
na ponta posterior. Pouco atraz do centro do ovo nota-
se uma coroa da largura de 5 m/m. formada de manchas
e pontos de cor violéte-avermelhada e de encarnado-es-
cura, muito apertadas, das quaes algumas poucas se ex-
tendem sobre a ponta anterior. A posterior está cheia
de pingos identicos ; a anterior é branca. À corda des-
taca-se com grande vigor e separa o ovo em duas me-
tades, das quaes uma malhada e a outra sem malhas.
Empidonax bimaculatas (Lafr. et d'Or.)
(Empidochanes Euleri Cab.)
Sem ser frequente esse passaro tambem não é raro
no Estado do Rio ; habita tanto na matta ccmo nas lo -
calidades abertas. Constroe o seu ninho em pequenas
cavidades e sobre saliencias dos barrancos à beira dos
caminhos e corregos, geralmente a pouca altura, e sabe
adaptal-o com tal perfeição ao seu ambito que difficil se
torna distinguil-o do mesmo. (Consiste numa pequena ti-
cela chata, feita de finas raizes solidamente trançadas.
O interior é guarnecido de talos, e o exterior re-
vestido amplamente com musgos verdes. O seu tama-
nho varia muito, conforme as localidades a que se acha
— dl —
adaptado. A gamella mede geralmente 5 centimetros de
diametro, a cavidade 2 1/2 centim. e a parte exterior tem
até 6 cent. de altura. Na maioria dos casos a_ parte
posterior falta e é substituida pela superficie do barranco.
Em setembro. outubro e novembro contém 3 ovos
arrendondados com a ponta fina suavemente obtusa. O
tom do campo é amarello-avermelhado, claro e quente
que vae morrendo aos poucos pela ponta anterior até
deixar a sua extremidade totalmente branca.
Na ponta opposta existe uma corda de manchas ir-
regulares, largas e bem marcadas, de côr vermelho-es-
cura e azul-cinzenta, estas em parte diludas. O com-
primento do ovo éde 16 !/, m/m, a largura 12!/,m/m.
Pyrocephalus rubimeus (Lodd.)
C. Sternberg e L. Holtz, (Jl. f. Orn. 1869 e 1870),
dão noticias mais minuciosas sobre a mesma especie e
sob o nome de P. coronatus. Sternbere achou nos
arredores de Buenos Ayres varios dos seus ninhos pos-
tos sobre as acacias de 8 a 20 pés de altura nas for-
quilhas horizontaes afastadas do tronco. E' uma tige-
la muito chata, feita exteriormente com raizes, lã e
musgo, e interiormente com lã, crina e paina, tudo
cuidadosamente tecido e alisado. (Contém em novem-
bro 3 ovos alongados de casca lustrada e de campo
cor de barro amarello com manchas pardas, pardo-
pretas e cinzentas desbotadas, formando larga cinta na
parte posterior e escassas na anterior. Comprim. 17
m/m. Larg: 15 m/m. As posturas variam na côr do
desenho.
D'Orbigny achou varias vezes o ninho deste lindo
e nos campos geraes do sul bem conhecido passaro,
dizendo que continha 4 a 5 ovos esbranquicados com
manchas rubro-pardas e pretas.
Myiarchus ferox (Gin.)
Habita este passaro exclusivamente localidades
abertas e baixas capoeiras, onde é muito frequente, es-
colhendo para o seu ninho de preferencia cavidades
E im
bem abertas ou saliencias em arvores seccas. Ahi ap-
plica uma camada de materiaes macios, como paina,
cabellos e algumas pennas. Sobre estes achei sempre
collocados pedaços de pelle de cobras ou lagartos de
diversos tamanhos em immediato contacto com a pos-
tura de 4 ovos, adherindo geralmente a estes. São de
forma normal com pontas finas e medem 22a 23 m/m
no comprimento e 16m/m na largura. Sobre campo
amarello mostram garatujas de côr azul-cinzento e fus-
co-vermelho que encobrem v ovo inteiro com excepção
das duas extremidades. Burmeister (Il p. 471) pre-
tende que o ninho é bastante grande e feito de talos
sem arte e a pouca altura, contendo 3 a 4 ovos es-
branquiçados com numerosas pintas pardo-vermelhas e
pretas, sobretudo na ponta posterior.
Eyrannus melancholicus ( Vicill.)
Constrôe o seu ninho a pouca altura nas arvores
isoladas da capoeira ou no pasto, colocando-o numa
forquilha fora da folhagem. Consiste em uma base de
pouca solidez feita de poucos raminhos e sem revesti-
mento. E’ quasi plano e a gamella tem cerca de 12 cen-
tim. de diametro. Põe 3 ovos de fórma curta, redonda, com
pontas obtusas de côr branca. Na parte superior exis-
te uma coroa irregular de manchas cinzentas e côr de
vinho desbotada e poucas cor de sepia que se perdem
na ponta em pingos miudos. (Comprimento: 22 m/m ;
largura: 18 m/m. O Principe Wied Beitr. (3. b. 884 e
Burmeister IL p. 464) dão deseripções identicas deste
ninho.
Milvulus tyrannus (/.)
Sternberg, Jl. f. Orn. 1869, 259 e L. Holtz 1870, 5,
achou os ninhos sobre arvores isoladas nos campos de
Buenos Ayres a alturas que variam entre 8 e 40 pés.
E” posto numa forquilha em forma de tigella cuidado-
samente feita de talos, la e muito musgo pardo e bem
guarnecido com crinas, pennas e paina. Põe 4 a 5
ovos, e-raro é o ninho que não tenha um ou mais
fado Gay orm
ovos do Molotkrus sericeus. Os ovos são de forma
alongada, casca lustrada e tem 21 m/m. de compr. e 16
m/m. de larg. Campo branco amarellado, manchas alon-
gadas côr parda, pardo-preta e cinzento-desbotada, em
larga corda na ponta superior.
Burmeister, (2 p. 467) conta sobre o seu ninho o
que disse D'Orbigny, a saber: «Esconde o seu ninho
em arbustos copados a pouca altura. Os seus ovos
parecem-se muito com os do T. melancholicus e são
um pouco menores. Sobre campo branco são cobertos
de pingos de côr de ferrugem que se condensam na
parte superior e ahi se reunem em manchas maiores.»
Fam. Pipidre
Chiroxiphia caudata (Shaw)
O seu ninho é encontrado no matto em pequenas
arvores e arbustos, suspenso numa forguilha horizontal
=~
em forma de cadinho. Tem sómente 7 centim. de
diametro e é muito acanhado para o tamanho do pas-
saro. O tecido é frouxo e transparente. feito de elos
seccos e fibras vegetaes; no angulo formado pela for-
quilha o passaro pendurou um penacho comprido de
fibras e na parte inferior do cadinho algumas pequenas
folhas seccas em forma de appendice. Falta lã ou
musgo. Os dois ovos são relativamente grandes, de fórma
normal com pontas um tanto obtusas. A sua cor é de
branco-amarellada e na parte superior destacam-se man-
chas pardas, claras e diluidas, misturadas com pingos
escuros. Este desenho vae diminuindo brandamente em
direcção da ponta anterior, onde se dissolve em raros
pingos. Todo o colorido é muito harmonico e de tom
quente. (Comprimento: 23 m/m; largura: 16 a 17
mm. O Principe Wied, (Beitr. 3.413,) achou este ni-
nho em março com a femes incubando 2 ovos. Es-
tava collocado na forquilha de um arbusto, n'uma pi-
cada. A sua descripção confere com a minha, salvo a
presença de musgo e lã.
ee —
Chiroxiphia pareola (L.)
Burmeister (2 p. 442) menciona que R. Schomburgk
achou em fins de abril e maio, na matta, este rie
feito de musgo e contendo 2 ovos.
Chiromachaeris gutturosa (Desmn.)
(Pipra manacus, Euler, Jl. f. Ornith. 1867, 223.)
,
() seu ninho é muito semelhante ao da Ch. cau-
data quanto à sua forma e collocação. A sua profun-
didade porém é do dobro: 4 centim. com o diametro
de 6 ditos. Acha-se na capoeira, nos arbustos baixos,
feito de talos finos de capim, sem arte e sem enchi-
mento. Tambem põe 2 ovos de fórma alongada. Sobre
campo branco são salpicados totalmente com pintas
compridas pardo-amarellas, ora claras, ora escuras, e
na parte superior observam-se alguns desenhos de cor
cinzento-desbotada. Comprimento: 19 a 20 m/m; lar-
gura: 14 m/m.
Fam. Cotingidæ
Attila cinereus (Gim.)
Esse original passaro faz o seu ninho na matta,
em pequenas cavidades nos barrancos. Achei-o em
novembro num buraco de 20 centim. de fundo na
ribeira vertical de um riacho a 3 metros acima do
nivel d'agua, e escondido pelas raizes e hervas penden-
tes. No plano humido desta caverna estava posta a
tigela, espaçosa e solida, em posição bem nivelada, apesar
de forte declividade do solo que o passaro soube cor-
rigir admiravelmente pelo emprego judicioso do mate-
rial. Este consiste para a base em raizes e; para a
parte superior em folhas e pedunculos. O exterior é
totalmente revestido de finas radiculas pretas, bem tor-
cidas e atadas e adaptanto-se às asperidades da terra.
Na frente a parede é enfeitada com musgo verde. O
interior do ninho é guarnecido de finos pedunculos.
Diametro exterior da tigela na base: 15 centim.; na
orla: 13 centim.; no interior : 10 centim.; fundo : 3 1/2
centim, Altura na frente, 7 centim. e atraz 6 centim.
Em 6 de novembro este ninho continha 1 ovo; cem 11
de novembro 4. Sao de linda cor de carne com uma corôa
na ponta posterior composta de largas manchas pardo-
vermelhas que variam entre claro e escuro e penetram
se umas às outras. Notam-se ainda algumas poucas de
cor azulado-desbotada. Estas manchas de 5 tons saem
da coroa e passam com largos vazios para a parte an-
terior, dando ao ovo um aspecto muito malhado. For-
ma grossa com pontas obtusas. (Comprimento 24 1/2
m/m, largura 19 1/2 ditos.
Rupicola crocea (L.)
O gallo do Pari que antigamente fornecia seus
pellos para o manto imperial, faz um ninho aberto col-
locado nos rochedos: faz duas posturas nos mezes de
dezembro e abril de 2 ovos esbranquicados cobertos de
pontos pardo-amarellos.
Pachyrhamphus polychropterus (Neill.)
3athmidurus melanoleucus Euler Jl. f. Orn. 1867
p. 223. Esse passaro faz um ninho fora de proporção
com o seu tamanho, o que parece ser caracteristico do
genero porque o seu parente, P. viridis, tem a mesma
inclinação. Achei-o em meado de outubro occupado
com a construcção do seu lar. Formava um grande mon-
tão de diversos materiaes, collocado cerca de tres metros
de altura sobre o caminho do nosso jardim na extre-
midade dos galhos de uma pitangueira. Apesar das
suas dimensões exageradas, o ninho ficou concluido em
12 dias de trabalho. Ambos os passaros eram muito
activos e traziam às vezes molhos de material que exce-
diam o seu proprid tamanho. © todo apresentava uma
massa redonda de cerca de 30 centim. de altura com 2º
centim. de largura. No centro acha-se a camara, relati-
vamente pequena, com 9 centim. de diametro, cujo ac-
Nr
cesso é dado por uma abertura redonda de 5 centim.
de diametro e collocada na metade inferior do globo.
O material é grosseiro, mas macio, isto é, não contém
galhos nem ramos. E” uma accumulação de talos,
folhas, lã, corticas, ete., reunidas sem arte, mas com
grande solidez. Parece-me que o passaro aproveita
tudo quanto lhe cãe no bico, pois que na construcção
deste ninho tambem entraram algumas tiras de panno
morim branco apanhadas na vizinhança da casa. À ca-
mara esta atapetada com folhas seccas de junco. N’este
edificio, balougado pelo vento, o passaro começou a
incubar 4 ovos em 2 de novembro. São de fórma
estirada com pontas delgadas e de côr clara de choco-
late com um tom cinzento, sem lustre nem desenho.
O seu comprimento é de 22 a 23 m/m. e a largura
de 15 a 16 m/m.
Pachyrhamphus viridis (Vicill.)
Seu ninho assemelha-se muito ao do precedente e dif-
re somente pela sua collocação que, em vez de ser
pendurada na extremidade de um galho, é fixa numa
forquilha superior de uma larangeira. O material é da
mesma especie, porém falta a li e a cortiça, e a sua
forma é a de um globo de 25 centim. de altura sobre
18 centim. de largura. A camara é redonda, com o
diametro de 9 centim., egualmente atapetada de folhas
de junco. A abertura mede 5 centim. de diametro e
acha-se praticada na metade superior do globo. Este
ninho, principiado em 29 de Setembro, continha em 7
de Novembro 2 ovos do mesmo tamanho, aspecto e
cor como os de P. polychropterus. P. viridis era menos
activo do que o seu parente; levou mais de um mez
para concluir o seu ninho e fazia varias vezes dias
feriados, 2 ou 3 seguidos. Burm. S. U. 2.455 attri-
bue um ovo representado na obra de Thienemann,
tab. 27 fig. 19, a P. viridis, resp. nigriceps. segundo
o qual seria de côr verde-pallida com uma forte corôa
de manchas verde-pretas, quasi no centro do ovo. Nao
sei de que passaro será este ovo, mas affirmo que não
é de P. viridis.
ND is
Pyroderus scutatus (Saw)
O Principe Wied (Beitr. 5.406) ouviu contar que
o Pavão do mato nidifica nas arvores e põe 2 ovos.
Cephalopterus ornatas (Gcojfr.)
Burmeister (S. U. 2 p. 420) pretende que esta
especie faz um ninho sem arte, com ramos seccos nas
culminancias das arvores mais altas, e que põe 2 ovos.
22
Divisão II. Tracheophones
Fam. Dendrocolaptidæ
Furnarius rufas (Gm.)
João de barro
Burmeister Jl.f. Orn. 1853, 168 e S. U. 3p.3. Pela
originalidade do seu ninho este passaro occupa um dos
primeiros logares, e chamou a attenção, não só dos na-
turalistas, mas do povo sobre si. Não habita a zona
da matta; por isso não o pude observar em Cantagallo;
mas encontrei-o em viagem no Estado de Minas, na re-
gião dos campos, onde é muito frequente e conhecido
por todos, porque procura de preferencia a vizinhança
das habitações e povoações.
A mais circumstanciada noticia sobre o seu curio-
so ninho é Burmeister quem a dá do seguinte modo :
Ninguem persegue-o porque é tido como passaro «ca-
tholico», pois que o povo pretende que elle não traba-
lha no seu ninho aos domingos e faz sempre a entrada
deste do lado exposto ao oriente. Verifiquei logo a
inexactidäo do ultimo dizer; quanto ao primeiro pôde
ser explicado pela grande celeridade com a qual costu-
ma construir o seu voluminoso ninho, não levando mais
MOST cics
de 5 a 6 dias para acabal-o. Principiando-o por acaso
numa segunda-feira, terminarä antes de domingo.
Este ninho é realmente uma obra estupenda
para tão pequeno obreiro. O seu comprimento na base
passa de 30 centim., a sua altura attinge até 23 centim.
e a largura a 18 centim. e assim é colocado em forma
de forno de barro subre um forte ealho horizontal d’al-
euma arvore secca, isolada, ou algumas vezes na cu-
mieira de um telhado ou cruz de uma egreja. «Accres-
centarei que depois que se construiram as estradas de
ferro, escolhe de boa vontade as travessas dos postes
telegraphicos, muitas vezes no centro das estações e no
meio do seu ruidoso movimento.
Na face comprida, e sempre do lado esquerdo, des-
te edificio feito exclusivamente de barro, acha-se a en-
trada, sendo uma abertura vertical semi-elliptica e bas-
tante alta para admittir o passaro em pé. O interior
é dividido em dois compartimentos deseguaes por uma
parede de meia altura que principia na entrada, servin-
do um de corredor e o outro de camara. Nesta o pas-
saro dispõe | um leito de hervas seccas, cabellos e pen-
nas e põe 3 e 4 ovos inteiramente brancos. A primeira
postura é em setembro, a segunda em janeiro e já em
agosto trata da construcção do ninho. Tanto o macho
como a femea oceupam-se activamente da mesma, levan-
do grandes bolas de barro que vão buscar nas estradas,
amassando-as com o bico e com os pés e dispondo-as
em camadas successivas de cerca des centim. cada uma até
fechar a aboboda. A grossura da parede é de 5 a 4
centim. e o peso de um destes ninhos foi de 9 libras.
A indole do passaro é das mais familiares; é corajoso
e defende a sua casa contra qualquer agressor.
O Principe Wied e Burmeister dão mais duas espe-
cies como construindo identicos ninhos de barro, send
porém, o facto duvidoso por não se firmar em ob-
servações proprias.
Ch. Sternberg no Jl. f. Orn. 1869, 262 faz uma
-descripção identica deste ninho do Hornero, como o cha-
mam em Duenos-Ayres, onde é commum.
SS 2
Somente contesta que o passaro empregue pennas
para o seu leito, facto que lá não encontrou uma só vez,
apesar de ter examinado mais de 100 ninhos. Attri-
bue-o a algum hospede, como Tachycineta leucorrhoea
ou Troglodytes musculus, que se approveitam do ninho
do Eurnarius inhabitado.
L. Holtz, Jl. f. Orn. 1860, 8, da a seguinte de-
scripçäo dos ovos: Forma ora oval alongada, ora curta ;
casca fragil, lustrada, um pouco aspera: cor branca sem
desenho. Médidas medias de 58 ovos: comprimento :
21 mim Jareura; 21. m/m.
Lochmias nematura (Licht.)
Passaro e ninho acham-se na margem dos rios pe-
quenos e corregos. Encontrei este em principios de Ou-
tubro num barranco perpendicular cerca de 3 metros aci-
ma do nivel d'agua. A cavidade em que estava collo-
cado era proveniente de uma raiz grossa que tinha apo-
drecido ; media horizontalmente 40 centim. de fundo.
Ahi o passaro tinha estabelecido uma insignificante e
frouxa camada de musgo e pennas para por 2 ovos. Es-
tes são relativamente grandes, sendo de comprimento
26 m/m e de largura 19 m/m: a sua côr é branca pura.
Sclerurus umbretta /Licht.)
E. Goeldi (The Ibis, Julv 1896) achou o seu ninho
em dezembro numa picada de matto virgem na serra
dos Orgãos. Num barranco vertical a 40 centim. aci-
ma do solo o passaro tinha praticado uma galeria ho-
rizontal de 5 centim. de diametro, que terminava nu-
ma cavidade espherica, onde se achava o ninho com 21
centim. de diametro. Este formava uma camada chata
de galhos seccos e continha 2 ovos brancos, com 28 m/m
de comprimento e 21 m/m de largura.
Em 1834 Ménétriés achou e descreveu 2 ovos aver-
melhados com manchas escuras dentro de uma abertura
de ninho de cupim, que passiram por pertencer a Se.
ey) ee
umbretta, até que a descoberta de Goeldi veiu demons-
trar o engano do naturalista francez.
Synallaxis cinnamomea (Gm.)
Povoa todos os nossos brejos e constrôe ahi o seu
extraordinario ninho, semelhante ao que Burmeister
(S. U. 3p. 36) descreve para Anumbius frontalis, com-
quanto eu não possa concordar com a descripção do Prin-
cipe Wied Beitr. 3, b. 692.
O ninho acha-se collocado ora n'algum arbusto
secco ou em folhado no meio do brejo, e, n'este caso, a
pouca altura acima do nivel d'agua, ora n'alguma ar-
vore baixa, muitas vezes 'arangeira, quando as ha, na
immediata vizinhança do brejo. Em ambos os casos é
um immenso amontoado de ramos seccos que encerra
no seu bojo o pequeno ninho propriamente dito. Póde
comparar-se a sua forma com a de uma grande retorta
cujo gargalo é virado para cima, porque o todo repre-
senta uma esphera dca com um tubo de entrada appli-
cado verticalmente ao longo da sua parede exterior. As
dimensões destes ninhos variam muito; a maior que
achei era de 60 centimetros para o comprimento, e 30
centim. para a largura; o tubo tinha um comprimento de
28 centimetros com 7 centim. de abertura na extremidade
superior, e que mais em baixo alargava-se para o dobro.
Este volumoso edificio repousa sobre alguns galhos
fortes que o possam bem sustentar pela sua posição.
Como ficou dito, o material é composto exclusivamente
de ramos seccos da grossura de um cano de penna e
vão até o comprimento de 40 centim. O transporte
destes pesados materiaes exige certamente grandes es-
forços; por isso vi o passaro, neste afan de arrastar e
carregal-os, fazer frequentes pousadas em caminho para
o ninho, afim de tomar folego. Elle finca estes ramos
uns dentre vs outros, cruzando-os apparentemente sem
plano, até formarem aquelle amontoado, e sem auxiliar-
se de qualquer outra materia para a sua ligaçäo. Ape-
sar disso - o edificio é muito resistente e solido, e a pa-
+ Or
rede não permitte em parte alguma uma vista para o
interior. O tubo da entrada, collocado sempre no fim
do eixo longitudinal da casa, é egualmente feito de ra-
mos encruzados; na sua ligatura com a parede a sua
construeção participa da irregularidade desta; na sua
parte superior, porém, os ramos acham-se fincados com
certo methodo e lembram, pela sua disposição, a entrada
de certas ratoeiras de arame. Fora desta parte todo
o exterior é eriçado das pontas soltas dos ramos. No
centro deste castello existe o verdadeiro ninho, uma
pequena tigela feita com talos e folhas seccas, e atape-
tada levemente de paina, onde o passaro põe 3 a 4
ovos de forma oval com pontas obtusas. Sua cor é
branca com tom verde; seu comprimento 19 1/2 m/m ;
sua largura 15 1,2 m'm. Emquanto o edificio se con-
serva habitavel o passaro se utiliza delle; porém sem
augmental-o, como dizem que o faz o Phacelodomus
rufifrons. Elle tambem não é sensivel às visitas per-
turbadoras. Aberturas que pratiquei, para examinar o
interior, elle as reparava constante e rapidamente.
Synallaxis albescens (Temn.)
O seu ninho é da mesma especie do precedente.
Consiste tambem em um grande castello de ramos sec-
cos com um tubo de entrada comprido. A principal e
quasi unica differença é representada pela construcçäo
e posição deste tubo. Syn. cinnamomea o faz em for-
ma de chaminê collocada em posição vertical; no ninho
de S. albescens elle é deitado horizontalmente em con-
tinuação do eixo longitudinal do edificio. A extremi-
dade do tubo de S. cinnamomea é formada de ramos
fincados verticalmente; a do S. albescens, de ramos
cruzados em todos os sentidos, o que faz d'este tubo
um cylindro eriçado de pontas. Como sustentaculo do
ninho S. albescens procura uma forquilha horizontal
algum arbusto enfolhado na capoeira ou plantações
perto da agua e prefere exposições encobertas e altu-
ras menores, que raras vezes passam de 1 metro. Achei
os ninhos de muito variadas dimensões, conforme os
BE
logares. Naturalmente não se pode esperar grande ac-
cordo no seu modo de construcção, pois que um mon-
tão de gravétos difficilmente obedece a medidas rigo-
rosas. (O que surprehende é a grande aceumulação de
material por cima do ninho verdadeiro, onde às vezes
attinge a uma grande excrescencia de forma conica.
Mais surprehendente ainda é o facto de encontrar-se sem-
pre pedaços de pelle de cobra, menores e maiores, in-
troduzidos e fincados nos ramos do ninho. Pode ser
que o seu fim seja afastar a cobra cipó, que é grande
consumidora de ovos de passarinhos. — Às medidas nor-
maes d'estes ninhos são as seguintes : comprimento do
castello, inclusive o tubo da entrada: 42 a 50 centim.:
largura: 23 a 30 centim. altura: 40 centim.; diametro
interior: 7 ditos; diametro da extremidade do tubo : 4 a 5
centim. A caverna é relativamente pequena, de cerca 10
centim. de altura sobre 7 a 8 centim. de largura. O seu
fundo é formado de ramos postos com regularidade em
ordem concentrica, inclinados para o centro, onde dei-
xam uma ligeira cavidade. Esta é forrada com uma
camada de folhas verdes e frescas de uma planta da
familia das solaneas, formando almofada. Na orla são
empregadas inteiras; mas no centro são picadas em
pequenos fragmentos e trabalhadas solidamente, consti-
tuindo uma especie de feltro, de modo que se póde
retirar a almofada inteira sem quebral-a. Em novem-
bro achei-o incubando 4 ovos brancos sem desenho. A
sua casca é muito delicada, sem lustre e transparente.
Forma normal. Comprimento 20 m/m; largura 14 m/m.
Hallando de Syn. cinnamomea, o seu S. caudacutus,
Beitr. 3, b. p. 692,0 Principe Wied refere-se do seguinte
modo ao seu ninho: «Encontrei o seu ninho n'um pas-
to bastante afastado da agua, na forquilha de um ar-
busto, feito de la animal e vegetal em grande quanti-
dade. E' uma bolsa grossa feita sem arte, tem uma
pequena entrada, e em fins de novembro continha Z ovos
brancos arredondados. Supponho que teria posto mais
2.»—Como se vê, esta descripção não combina com a
minha, mas adapta-se perfeitamente ao ninho de Arrun-
a: ae
dinicola leucocephala, do qual aliás o Principe dá por
sua vez uma descripção exacta. Accrescentarei que as
duas especies e seus ninhos acham-se nas mesmas lo-
calidades.
Phacellodomus rufifrons (Wicd)
O Principe Wied dá uma descripção do seu ninho :
«Este passaro é interessante pela curiosa construcção
do seu ninho. Achei-o em meado de Fevereiro quando
continha ovos. Nos galhos inferiores e flexiveis de ar-
vores de média altura achei muitos delles depois de
sahir da região da matta. Elle forma uma grande ag-
glomeracio de ramos seccos da grossura de meio dedo,
entrelaçados e accumulados em todos os sentidos e mo-
dos, cujas extremidades sobresahem por todos os lados,
e têm 3e mais pés de comprimento. Os ramos são li-
gados entre si por diversos materiaes. Perto da base
ou lado inferior o passaro deixa uma pequena entrada
redonda, por onde sobe no interior até a camara ata-
petada de musgo, la, cortiça, fios e capim secco, na qual
repousam 4 ovos brancos e redondos. Quebrando o
grande involucro, encontra-se este pequeno ninho arre-
dondado e egualmente fechado por cima, no qual o pas-
saro assenta mollemente e seguro. Augmenta annual-
mente o edificio, de modo que se acham estas casas do
comprimento de 3 a 4 pés, suspensas num galho, e
tão pesadas que um homem mal as carrega. Abrindo-
as encontra-se primeiro o novo, e em seguida a serie
de ninhos antigos, que às vezes servem de habitação a
ratos sylvestres».
Burmeister disse que nos campos de Minas este
passaro é conhecido por todos por causa do seu enor-
me ninho que se avista de longe e se destaca na pai-
zagem.
Automoilus leucophthalmus (Wied)
Encontrei o seu ninho na matta virgem, sempre perto
do corrego, semelhante ao de Lochmias nematura, no
ee) a
fundo de uma cavidade n'um barranco vertical, a cèrca
de 2 metros acima do nivel d'agua. O ninho, porém, é feito.
com mais cuidado do que o d'aquelle. Era composto
exclusivamente dos pedunculos de uma 2specie de Ver-
benacea, sobrepostos uns aos outros sem ligamento,
mas formando assim mesmo uma tigela chata de bas-
tante resistencia que, se pode levantar sem quebral-a.
A gamella tem 8 centim. de diametro e não contém
enchimento. Quando o solo da cavidade tem grande
declive, o passaro sabe corrigil-o por meio da accumu-
lação do material, dispondo-o de modo a que a super-
ficie da tigela fique em plano horizontal. Assim o ni-
nho que medi tinha na sua parte anterior 5 1/2 cen-
tim. de altura e na posterior sómente 2 centim., no dia
1 de outubro continha 3 ovos inteiramente brancos, de
fórma alongada, com pontas quasi eguaes. Comprimento:
29 1/2 m/m; largura: 19 m/m.
Thripophaga erythrophthalma (Wied)
Relata o Principe: «Numa roçada, com algumas
arvores altas, achei o seu ninho. De um dos galhos
dependurava-se um fino e comprido cipó, e na sua ex-
tremidade achava-se fixado o ninho formando uma bola
alongada feita com pequenos ramos seccos, sobrepostos
uns aos outros, com entrada lateral. Não pude colher
o ninho, por sua posição alta. Em janeiro continha fi-
lhotes».
Xenops genibarbis (7/1)
Constou ao Principe Wied (Beitr. 3 b. 1155) que
nidifica em arvores ocas.
Dendroplex picus (Gm.)
Disse o Principe Wied (Beitr. 3 b. 1134) que incu-
ba em arvores ocas.
Picolaptes tenuirostris (Licht.)
E' a-especie mais frequente dos nossos trepadores
E: 1e
e habita tanto na matta como na capoeira, onde achei
o seu ninho em fendas de diversas arvores em altura
média do solo.
Sobre um leito de poucas folhas seccas põe 2 ovos
brancos de fórma normal, seu comprimento é de 25 m/m
a largura de 18 ditos.
Fam. Formicarüdæ
Grallaria imperator (Zafr.)
Wied (HI p. 1027) conta que os Botocudos lhe
asseveraram que este passaro faz o seu ninho no chão, o
que combina perfeitamente com o seu modo de viver,
e que põe ovos de cor azul-verde.
Myrmeciza loricata (Licht.)
Vive exclusivamente no chão, na matta virgem, on-
de encontrei o seu ninho num taquaral, posto sobre ra-
mos e folhas cahidas, em forma de tigela bastante mal
feita de talos e raminhos sem ligação entre si. Em no-
vembro continha 2 ovos incubados, de fórma normal
com pontas obtusas. O seu comprimento é de 21 1/2 m/m,
a sua largura de 16 m/m. O campo branco do ovo é
tão estreitamente salpicado de finos pontos vermelhos
que o ovo parece de côr encarnada. Na ponta posterior
esta côr é misturada com um lindo tom violete. Alguns
pontos e traços mais escuros destacam-se espaçadamente
sobre este colorido agradavel e harmonico.
Formicivora squamata (Licht)
Segundo Burmeister, vive embrenhado na espessura
dos bosques e nidifica na terra, onde poe 4 e 5 ovos
brancos, com manchas pretas e encarnadas.
Pyriglena leucoptera (Vicill.)
Constantemente na terra ou regides baixas da matta,
este genuino papaformigas constréde o seu ninho no sar-
eal ou na terra mesmo. Achei-o no chão, encostado a
— 66 —
uma arvore, ou em cima de um toco baixo, ou nas sa-
mambaias. A sua forma é a de uma bola fechada, com
entrada no centro, composta de palhas e folhas seccas
de Maranthaceas.
Apresenta grande falta de solidez pois o seu mate-
rial não é tecido nem torcido, mas simplesmente sobre-
posto. Querendo levantal-o desmorona completamente,
o que impediu-me de medil-o. As suas dimensões são
relativamente grandes e a camara é bastante espaçosa.
Poe 2 ovos de forma normal com pontas obtusas.
Sobre campo branco são marmoreados por fina gara-
tuja vermelha, e na metade superior existem manchas
irregulares côr de vinho com pontos mais escuros e entre-
meados de outros cinzentos. Não se formam em corôa.
O comprimento é de 25 m/m, e a largura de 19 m/m.
Thamnophilus palliatus (Licht.)
Encontrei um ninho escondido numa cérea de es-
pinhos a cerca de 2 metros de altura, suspenso numa for-
quilha horizontal, em forma de cadinho fundo e espa-
coso. A factura é exclusivamente de finas hervas e talos,
ligados com muita arte e formando um tecido apparen-
temente frouxo, mas realmente solido e resistente, em-
bora transparente e leve Por fôra existem varios
enfeites de musgo verde © interior bem alisado é
enarnecido totalmente com crinas de cavallo, que são
introduzidas no tecido, e não tem colcha. Os dous
calhos da forquilha são enlaçados do mesmo material
e no seu ponto de intersecção a parede do ninho é bem
arredondada. Na frente, pelo forte espaço que os se-
para, a dita parede corre quasi em linha recta de um
œalho ao outro. © diametro superior do cadinho mede
12 centim.; a altura no exterior: 8 centim. e a profun-
didade : 6 centim.
Em 15 de outubro encontrei o passaro construin-
do; em 25 estava incubando sobre 2 ovos de forma
alongada com pontas obtusas. que mediam 22 m/m de
comprimento, e 16 m/m de largura. Campo branco
ligeiramente avermelhado; casca lisa, lustrada. O de-
senho consiste em tracos e garatuja encruzados de cér
violête escura, cobrindo o ovo todo, deixando, porém.
grandes vazios. Na ponta grossa formam uma fraca
coroa. Por aqui e acolà notam-se algumas manchas cin-
zentas desbotadas. Os dous ovos são deseguaes no seu
desenho ; no segundo quasi não se distingue a coroa,
os traços são muito mais finos, desbotados e cobrem o
ovo totalmente sem deixar claro algum.
Thamnophilus ambiguus (Swv.)
Encontrei o seu ninho num pequeno arbusto na
capoeira. EK egualmente uni cadinho suspenso nos dois
galhos de uma forquilha horizontal, e esta forma de
ninho parece ser propria ao genero Thamnophilus. Aqui
o material é composto de palhas finas e de peduneulos.
O interior é feito com raizes finas em pequena quanti-
dade ; por fora acham-se alguns elos seccos. O tecido
é frouxo, embora bem feito, transparente em toda parte.
A ligação com os galhos da forquilha tambem é fraca
e pouco solida. () aspecto geral é de um molho de
palha e mostra prodigalidade no emprego do material.
O diametro superior do cadinho tem 7 centim. ; assim
como a sua altura tambem é de 7 centim.: o interior
tem 4 centim. de fundo, e a parede tem partes com 3
centim. de espessura. Poe 3 ovos de cor branca, com
manchas numerosas e pontos azulados e diluidos, prin-
cipalmente na parte superior. Algumas outras vermelho-
escuras reunem-se numa _ coroa irregular; as pontas
ficam inteiramente brancas. O seu comprimento é de
19 m/m e a sua largura de 14 1/2 ditos. O Principe
Wied, Beitr. 3, b. 1006, disse ter achado o seu ninho
posto entre as folhas de wna Bromelia mal feito de
musgo, talos e pennas, contendo em dezembro 2 ovos
alongados, com manchas cor de azeitona cinzenta sobre
campo amarello sujo e com corda na parte posterior.
|” evidente que se trata de uma outra especie.
Thamnophiius torquatus (Sv.)
E’ rara esta batära. Encontrei o seu ninho na
matta n'um pequeno arbusto a cerca de 1 metro de altu-
ra. E’ um cadinho espaçoso e fundo, firmado numa
forquilha vertical e preso num dos galhos como uma
bandeira na -ua haste. Este galho entra no compri-
mento todo do ninho e no logar onde este toca no
galho da frente, é preso neste sómente num ponto. O
ninho é construido com finos pedunculos de graminea
e solidamente tecido, embora um pouco transparente.
O exterior é revestido de palhas e cortiças, o interior
com delicados cabellos vegetaes rubros. A fórma do
ninho é a de uma esphera da qual se cortou a ul-
tima quarta parte, de modo que a entrada do cadinho é
mais estreita do que o seu diametro no centre. À con-
strueção é solida e resistente, apesar da fragilidade do
material empregado. Altura exterior: 9 centim; lar-
gura no centro : 9 centim. ; na superficie: 7 centim.; fundo
6 centim. A parte superior é tenue; no centro e na
base a parede attinge até 2 centim. de espessura. Em
principio de outubro continha 3 ovos relativamente
grandes, de fórma oval, grossa, com pontas obtusas.
Comprimento 23 m/m; largura 17 m/m. São brancos,
salpicados com raras manchas cinzentas e cor de vinho,
em parte largas, que engrossam na parte superior.
Dysithamnus mentalis (Temm.)
Encontrei o ninho deste pouco frequente passaro
num arbusto baixo da capoeira, a cerca de 2 metros de
altura. E” uma tigela funda suspensa como uma rède
numa forquilha horizontal, cujos galhos entram em
cerca de 3/4 partes da orla do ninho. Este é feito com
raizes e cabellos muito finos: o tecido é frouxo e trans-
parente, embora artistico. A parte exterior traz um
lindo enfeite de finos musgos, o que faz tomar o ninho
por uma simples bola do. mesmo. O arbusto que o
supportava tinha fornecido este material, pois que se
achava coberto delle. A bocca da tigela tem 7 centim.
ae Le
de diametro, ea sua profundidade é de 6 centim. Neste
gracioso ninho achei em novembro 2 ovos ligeiramente
incubados. Sobre campo branco mostra um desenho
côr de vinho claro, parte em fórma de manchas, parte
em finas linhas dispostas em zig-zag. Este desenho
abrange o ovo todo, sendo mais intenso na parte su-
perior. A forma do ovo é rigorosamente oval com
pouca differença nas duas pontas. O seu comprimento
é de 18 1/2 m/m e a largura de 14 1/2 mm.
Hf. ORDO: MACROCHIRES
Fam. Trochilidæ
Beija-flores
As phrases inspiradas que Buffon dedicou aos bei-
ja-flores na sua obra monumental, tornaram-se classicas
e conhecidas por todos. Para estas despretenciosas ob-
servações bastará destacar as seguintes palavras, que
caracterizam perfeitamente o modo de nidificação da fa-
milia: «O ninho que elles constroem corresponde à
delicadeza do seu corpo.»
E effectivamente assim é; a mesma elegancia, arte
e harmonia, que se acham reunidas em tão alto grau
nesta obra prima da natureza que se chama beija-flor,
tem o seu reflexo na forma e estructura do seu ninho.
Feito quasi sempre de fina paina branca ou amarella,
em forma de taça ou de cadinho, <pas plus gros que la
moitié d'un abricot,» como disse Ieuillée, com o seu lado
exterior sempre adornado de multiplos enfeites, posto
delicadamente sobre um pequeno arbusto ou suspenso
elegantemente nalgum raminho; o seu aspecto sempre
sorprehende e encanta ainda os mais indifferentes pelas
coisas da natureza.
Hoje conhecem-se perto de 500 especies desta familia
exclusivamente neo-tropical, que os auctores modernos re-
|) 1
partem em numeros os generos. Bullon contentou-se em
dividir as poucas especies, conhecidas, no seu tempo, em
dois grupos : os «oiseaux-mouches», que comprehendiam
as especies com bico recto, e os colibris, as especies
de bico curvado. Sob o ponto de vista da nidificação
esta divisão é racional, pois que os ninhos dos beija-
flores de bico recto são geralmente em forma de tigella
ou taça, e os de bico curvado, têm forma de maçã,
ornada de appendices mais ou menos compridos em que
termina o ninho propriamente dito.
Glaucis hirsuta (Gin.)
E o Trochilus brasiliensis de Wied (IV. p. 115.)
que descreve e representa © ninho (Abb. tab. 2) do segninte
modo: Achei o ninho preso às folhas de uma arvore. Era
sa sobre tres folhas, ou melhor, seus peciolos, conjuncta-
mente com o galho. Era feito totalmente com paina aver-
melhada, ornado exteriormente com escamas de feto, e
fortalecido por alguns talosinhos e fios. De pouca profun-
didade, continha 2 ovinhos brancos. Vive só na matta
virgem.
Este beija-flor & talvez o mais pequeno passaro da
mundo.
Phacthornis eurynome (Less.)
Segundo Burmeister (II p. 324.) nidifica somente
no matto virgem e faz um ninho de finos musgos, en-
tremeados com a conhecida lichen encarnada (Spiloma
roseum) em cujo contacto os ovos, pelo calor da incu-
bação, ficam inteiramente tingidos de vermelho. O ni-
nho é em forma de maçã.
Phacthornis squalidus (Nalt.)
Em Novembro encontrei-o construindo o seu ninho
no matto. Tinha-o atado ao lado inferior de uma fo-
lha estreita e comprida, a cercade 4 metros de altura.
Era um cadinho aberto por cima, preso por um dos lados
à superficie da folha. © material principal consistia em
paina amarella, e todo o lado exterior era coberto com
finos musgos e seguros por grande quantidade de tèas
de aranha, e presenciei o passaro voando com estas no
bico e em volta enroscando-as assim em redor do ni-
nho e da folha, para segurar e prender aquelle a esta.
A parede do ninho é trabalhada com grande perfeição
e cuidado, e em geral pôde-se afirmar que o genero
Phaethornis possue em maximo gráu o sentido artis-
tico quanto à ornamentação dos seus ninhos. Afora os
enfeites já mencionados este ninho não mostrava outros,
faltando-lhe as escamas de samambaias e lichens que se
uotam no do eurynome. A parte inferior do cadinho é
frouxa e termina em um curto appendice de musgo e
folhinhas seccas. O seu interior ¢ atapetado de fina e
luzida paina branca. O comprimento total do ninho era
de 12 centim.; diametro superior externo : 5 centim.; in-
terno: 3 centim.; fundo : 8 centim., e a espessura da pare-
de: Icentim.; a largura da folha que supporta o ninho era
de 4 centim. Esta é adherente ao ninho em todo o com-
primento deste, e a sua extremidade coincide com a
deste ultimo. Quando descobri o ninho, o passaro ain-
da trabalhava na sua construcção, em vista do que dei-
xei de verificar a presença de ovos. Esperei 3 dias
para a sua conclusão e dar-lhe o tempo para a postura.
No quarto dia subi e tive a grande sorpreza de encon-
trar, no lugar do ovo esperado, dois filhotes da edade
presumivel de cerca de 8 dias.
O beija-flor portanto tinha continuado no aformosea-
mento do seu ninho depois da postura dos ovos, da sua
incubação e do nascimento dos filhotes. Burmeister ja
relata este curioso facto e attribue a necessidade de al-
tear a borda do ninho à proporção do crescimento
dos filhos, que se faz com certa rapidez. Depois soube
que era uma particularidade, conhecida dos meninos que
vendião estes ninhos äquelle naturalista, e como elle só-
mente pagava os minhos perfeitos, elles esperavam que
os filhotes voassem para colher então o ninho, introdu-
zindo fraudulentamente ovos estranhos à especie e apa-
Te, ae
nhados em qualquer outro ninho de especie commum,
o que prova que em materia de ninho e ovos a obser-
vação directa e pessoal é a unica que póde fazer fe.
Lampornis violicauda (Jcdd.)
(L. mango V. Euler, Jl. f. Ornith. 1867. p. 221.)
Desta especie, muito frequente, achei o ninlio em 1 de
março num pequeno araçäzeiro do nosso jardim. Era
posto na forquilha de um dos galhos inferiores, a pouco
mais de um metro de altura do solo, inteiramente ex-
posto fora da folhagem. Consistia numa elegante ti-
gelinha feita de finas raizotas, sem enchimento algum.
Exteriormente porem achava-se enfeitado mui artistica-
mente com variadas lichens. Quando o descobri a fe-
mea incubava 2 ovos; não se mostrava expantadiça,
deixando que eu me approximasse a menos de 3 passos
Em 7 de Março nasceram os filhotes e 20 dias depois
deixaram o ninho.
Leucochloris albicollis (Vicill.)
Sobre o ninho desta especie muito commum es-
creve Burmeister Il p. 342. O seu ninho é feito com
arte. Acha-se geralmente na forquilha horizontal de
aleum arbusto do jardim, construido de paina e re-
vestido totalmente de lichen branco-cinzenta, de tal
modo que a paina desapparece. KH’ exposto livremente
debaixo da folhagem.
Argyrtria brevirostris (Less.)
O seu ninho é identico ao precedente, paina e
lichen, sendo preso numa folha de samambaia.
Vhalurania glaucopis (Gm.)
(Euler, JL f. Ornith, 1867 p. 222.) Muito com-
mum em toda parte. O seu ninho acha-se escondido
em pequenos arbustos ; tem a forma de tigela, é feito
com lã vegetal e adornado exteriormente com musgo
Don a
e lichen. Contem 2 ovos brancos em junho, setem-
bro e janeiro, fazendo 3 posturas annuaes. Burmeis-
ter S. U. 2.333 dá a mesma descripção, notou porém
o emprego de muitas escamas de feto na borda da ta-
ca, com o que se distingue de L. albicollis, que não
mostra esta particularidade.
Florisuga fusca (Vieill.)
Tanto o Principe Wied como Burmeister dão a des-
cripção do ninho, divergindo sómente na posição do
mesmo. O Principe (Beitr 4.59) achou o lindo ninho em
principios de janeiro no matto ao sul da Bahia, sobre
uma pequena arvore de 4 pês de altura, posto por ci-
ma de uma folha grande, estreita e comprida. Era
pequeno, chato e feito de paina amarella afeltrada,
pregado na superficie das folhas. O tamanho deste
ninho era relativamente grande. O ninho que Burmeister
achou tambem era feito de paina, com enfeite de es-
camas, mas achava-se collocado entre grandes folhas
de uma planta, reunidas em fórma E cartuxo. O
ninho do Principe Wied continha dous filhotes cobertos
de grandes vermes brancos. E" isto um facto muitas
vezes observado; os vermes vivem provavelmente dos
excrementos dos passaros e são ahi postos pelas mos-
cas varejeiras.
Clytolaema rubinea (Gm.)
Burmeister (2.340) achou o ninho num pé de sa-
mambaia, mettido dentro de uma bolsa formada pela
reunião de algumas pontas de folhas. O material era
paina e escamas.
Lophornis magnificus (Vicill.)
Burmeister 2.835. Esta bem conhecida especie,
bem merecedora do seu nome faz o ninho propor-
cional à sua propria exiguidade. O que Burmeister
recebeu era de feitura frouxa, formando uma ta-
casinha composta com talos e fios finos e alguma
paina.
+e
Cephalolepis delalandi (Vicill.)
Burmeister (II p. 331) descreve o seu ninho como
sendo grande, maior do que os outros, mas identico
em forma e material, paina, lichen e escamas.
Hylocharis sapphirina (Gm.)
Burmeister (11 p. 346) obteve o seu ninho em
Nova Friburgo. Disse que é de tamanho abaixo da
media, e contém poucas partes de paina.
Heliothrix auriculatus (Nordm.)
Segundo a deseripçäo de Burmeister (II p. 236) o
ninho tem a forma de taça sendo de dimensões peque-
nas em relação ao tamanho do passaro. O material
consiste n'uma mistura do talos, folhas, pennas e paina
muito bem unidas e artisticamente tecidos. Os ovos
egualmente são pequenos relativamente.
Fam. Cypselidæ
Chaetura pelasgia (Wccd)
Este andorinhão faz um ninho realmente extrava-
zante. Consiste em um cylindro ôco de cerca de 30
centim. de comprimento com 10 centim. de diametro, que
suspende no matto na face inferior de algum grosso galho
de arvore alia, de modo que a abertura do cylindre
acha-se virada verticaimente para baixo. Este não tem
divisões ou paredes internas, mas fórma um tubo liso
e aberto. O material desta construcção tambem é muito
singular. A parede é feita das sementes aladas da plan-
ta Trixis divaricato, e, trabalhando esta paina com
a sua saliva glutinosa, o passaro consegue e: um
tecido forte e grosso da consistencia do feltro. Na fa-
ce interior do tubo os grãos daquella cents ficam
salientes; a face exterior é totalmente atapetada com
grande numero de pennas miudas multicolores de di-
versas proveniencias, emprestando ao todo um aspecto
tar =
— de) en:
muito hirsuto. Percebe-se logo que o material deste
edificio foi pescado no ar. A abertura inferior tem S
centim. de diametro. Dahi vae o cylindro alargan-
do-se brandamente até o diametro de 10 cent. que en-
tão conserva atê o logar onde se acha grudado no
galho. Até a altura de 4 cent.a parte inferior da pa-
rede é de tecido mais frouxo do que o resto, e pude
verificar que annualmente é restaurada pelo passaro.
Por muito tempo não pude comprehender como o pas-
saro pudesse proceder à incubação dos seus ovos neste
‘anudo hiante, e cheguei a suppor que elle vinha a
erudal-os na superficie interna, como pratica uma es-
pecie africana que fixa assim seus ovos no seu peque-
no ninho collocado nas folhas muito flexiveis de uma
palmeira. Mais tarde verifiquei que no interior do cy-
lindro existe uma pequena saliencia que pôde servir
para sustentar um ou dois anon; mas não estou longe
de crer que ahi mesmo o nosso andorinhão empregue
o processo do seu collega africano. Sendo a posição
dos ninhos de difficilimo accesso, não pude obter os
ovos, que julgo ser em numero de dous e de côr bran-
ca, por analogia.
Chaetura zonaris (Sha)
Wied (Beitr. 3 p. 346) presume que esta espe-
cie nidifica em buracos dos barrancos ou rochedos.
Fam. Caprimulgidae
Nyetibius jamaicencis (Gm)
Urutai
Goeldi (Ibis 1896) relata que, em novembro de
1894, na colonia «: pra em Theresopolis, um menino
trouxe-lhe um N. Jamaicencis macho, que acabava de
matar em cima de um tronco de arvore morta, onde,
trepando achon um ovo que julga ser o da mesma
ave. O tronco tinha 1 m. S0 de altura e a cabeça um
pouco cavada, onde repousava o ovo. Este era de for-
ma elliptica, de côr branca com algumas manchas vio-
letes, e irregularmente distribuidas algumas outras
mais largas de côr bruno-vermelho-sanguinea. Com-
primento 41 1/2 m/m, largura 30 1/2 m/m.
Nyctibius grandis (Gm.)
No Jornal f. Ornith. 1853 pag. 169, Burmeister
dá a seguinte noticia sobre o ovo desta especie:
Como sendo de N. grandis, recebi do sr. Beske, em
Nova Friburgo, um ovo de 60 m/m de comprimento
sobre 42—44 m'm de largura, de forma oval alongada
e côr branca com pintas negras e violêtes ou cinzentas,
distribuidas escassamente sobre o ovo. As mais escuras
achavam-se concentradas na ponta posterior. Este ovo
tinha sido achado dentro de um galho oco, aberto e
sem camada alguma.
Nyctidromus albicollis (Gm.)
Achei varias vezes os seus ninhos na capoeira, ao
pé de uma arvore, ou nos cafesaes, por baixo de um
pé de café. Este bacurau evita a matta fechada, pre-
ferindo os lugares abertos, onde se o encontra tanto
nos morros como nas varzeas. Os seus 2 ovos pousam
sem preparo na terra numa ligeira excavação. Elle
é extremamente sensivel no choco; tocando nos ovos,
raras vezes os achei outra vez no dia seguinte, o que
me faz crêr que elle sabe transportal-os de qualquer
modo. Irequentemente encontrei os ovos escondidos
debaixo de folhas seccas, mas não posso affirmar que o
facto era oriundo da ave, apesar de que não hesito em
acredital-o, pois que caçadores me asseveraram que o
bacuräu tem este costume, que quadra perfeitamente
com os ares mysteriosos proprios da familia. Em fins
de setembro achei ninho com filhotes recemnascidos ;
fins de outubro outros com ovos, e mais tarde em
Janeiro, de modo que se deve admittir 3 posturas por
anno. A fórma dos ovos é perfeitamente elliptica ; o
seu comprimento é de 26 1/2 mm e a largura: 20
ze 7 ARS
ditos. Cor branca; na extremidade posterior vê-se al-
guns pingos de cor vermelho-violête, dos quaes alguns
passam para a ponta anterior. O tom destes desenhos
é muito fraco e desapparece quasi depois do ovo es-
vasiado. O Principe Wied, Ill p. 340, e Burmeister,
Il p. 389, dão descripções resumidas dos ovos desta
especie, de accordo com as minhas observações.
Podager Nacunda (Viecill.)
Criangú
Burmeister (Jl. f. Orn. 1853 p. 170) recebeu o
ovo desta especie em Congonhas (Minas Geraes). Acha-
va-se numa ladeira descampada posto sem preparo
numa moita de capim, e em estado muito adeantado
de incubação. Fôrma ainda mais alongada do que a
de N. grandis; campo branco-amarellado, coberto de
desenhos cerrados de côr pardo-escura muito pronun-
ciada. Excepcionalmente a ponta grossa deste ovo é
onde o colorido é mais fraco e menos manchado.
Chordeiles acutipennis (Bodd.)
O Principe Wied, (Beitr. 3. p. 336) achou na
praia do mar 2 ovos postos simplesmente sobre a areia,
e pensa que pertencem a este bacuráu. Eram de for-
ma alongada e de cor branca. Accrescenta o autor
que muitas vezes encontrou esta especie em pleno dia
dormindo na areia da praia.
IH. ORDO : PICI
Fam. Picida.
A familia dos picapáus, sendo ainda mais homo-
genea de que a dos papagaios, é no seu modo de ni-
dificação inteiramente concordante, com a differença que,
acostumados a trabalhar a madeira, elles praticam as
cavidades necessarias para a sua postura, escolhendo
para isso as partes podres das arvores. A posição
BET (hg +t
destes ninhos e a sua natureza difficultäo muito a sua
observação ; por isso nada se sabe ainda a respeito das
posturas dos nossos picapäus. A unica que pude ob-
servar foi a do Picumnus, que é de 2 ovos. Proce-
dendo por analogia deve-se admittir pelo menos 4 ovos
para as especies mmiores; as curopéas e norte ameri-
canas poem entre 4e S ovos. O caracteristico dos seus
ovos é a cor branca purissima e a casca fina, muito
lisa e lustrada. Uma das nossas especies, o P. candi-
dus, talvez faça uma excepção no seu modo de nidifi-
car, porque em tudo o mais é uma forma ambigua
na familia. Diflerencia-se pela côr e modo de viver.
Anda quasi sempre em pequenos bandos, fora do mat-
to em logares descampados, visita as plantações, jar-
dins e já o vi empoleirar no telhado da nossa casa.
Raras vezes trepa nas arvores, caça marimbondos e
engole as suas casas, e por cumulo vi-o comer laran-
jas. Por isso duvido que seja carpinteiro como os
seus parentes e penso que o seu modo de midificar
deve ser normal.
O peqüeno Preunnus corrhatus (Temin.) è muito
frequente em toda a costa e interior; nem nas chaca-
ras do Rio de Janeiro falta. Como todos da familia,
fura buracos nos galhos mortos e troncos finos, a va-
rias alturas, para fazer a sua postura. Em 7 de no-
vembro observei um casal principiando o seu trabalho ;
em 27 do mesmo mez continha este ninho 2 ovos ligeira-
mente incubados. A entrada circular media 3 centimetros
de diametro; a cavidade tinha 15 centim. de fundo e
achava-se alargada em forma de sacco no seu fim, com
uma camada de farinha de páu. Os ovos eram de côr
branco-neve, de forma redonda alongada com ponta
obtusa e casca lisa, delicada e lustrada. Mediam 16
m/m de comprimento e 12 m/m de largura. Em Ja-
neiro observei um par com 2 filhotes percorrendo a
capoeira, que interessou-me pelo modo de os alimentar
que ao mesmo tempo era uma lição. (Cada um dos
paes tinha um filhote comsigo. Quando o velho desco-
bria a presença de-um verme debaixo da casca da ar-
— 49) —
vore, chamava o filho que o seguia, ficando este então
presenciando a operação da extracção. Apparecendo
afinal o verme, o velho o deixava meio tirado, e o
iho vinha concluir a obra.
IN. ORDO: COCCIGES
Ram. Cueúlidas
Crotophaga ami (L.)
Ant preto
Achei os seus ninhos de setembro a marco, no
pasto, mettidos principalmente nos limoeiros e laran-
geiras.
Muito ja se escreveu relativamente à reproducçäo
do anu preto, e os antigos auctores francezes, principal-
mente, contam factos extravagantes observados nas An-
tilhas e outras colonias, que não se verificam aqui no
Brazil. O que observei em 3 ninhos resume-se no se-
guinte: o primeiro continha em setembro 7 ovos, cuja
incubação terminou normalmente. O segundo achei-o
em 5 de Outubro egualmente com 7 ovos. No dia se-
guinte estavam augmentados de 4, mantendo-se depois
a postura em 11 ovos. Visitando o ninho em 31 de
outubro achei os filhos nascidos, parte deles no ninho
e parte fóra, nos galhos proximos. Eram ao todo 10;
o 11º. ovo estava no fundo do ninho e verifiquei que
havia apodrecido ; não apresentava a camada calcarea
caracteristica dos ovos do Ant preto. O terceiro ninho
continha em 20 de novembro 5 ovos. No dia 24 os
filhos estavam nascidos e já em 3 de dezembro aban-
donaram o ninho, trepando na arvore. No 1º. e 2°
ninhos observei sempre um bando de 6 a 10 anús adul-
tos na arvore; no 3º. sómente 4. Em nenhum dos 3
ninhos achei mais de um ant incubando, e não pude
verificar si Os passaros revezavam-se neste mister, O
que, porém, não padece duvida porque posteriormente
Es oa
todos elles participavam da faina de cevar os filhotes.
De mais o modo de viver dos anus é absolutamente
sociavel. Geralmente os ninhos estão collocados nos ga-
lhos superiores dos arbustos e escondidos na sua folha-
gem. © seu material consiste de grossos talos e gra-
vetos. IFormam uma bacia larga e chata que repousa
sobre uma base solida. Sempre achei os ninhos guar-
necidos de folhas, e vi o passaro colhel-as verdes, de
preferencia de laranja. Os ovos, dispostos em camadas
de 4 a 5, estavam misturados com estas folhas, e con-
tam que o ani sempre cobre-os com folhas quando se
ausenta. Não encontrei ninhos rebocados com barro,
como disse Burmeister.
Este autor tambem põe em duvida a postura em
sociedade, mas os factos acima descriptos não me dei-
xam hesitar pela affirmativa. Acredito que não seja
absoluto e que existem posturas singelas, mas o caso
referido para o segundo ninho é incontestavelmente o
de uma postura social. Nos meus apontamentos encon-
tro outro caso de um ninho que se encheu de 9 ovos
em 9 dias consecutivos sem uma falha. Além disso
ouvi os habitantes falar em ninhos de anu com 15 a
20 e mais ovos. — E” muito conhecida a côr dos ovos
do anu. Campo de linda côr verde-azul coberto com-
pletamente de uma camada calcarea branca. A forma
é perfeitamente elliptica e medem 34 m/m de compri-
mento sobre 24 a 25 mjm de largura.
Crotophaga major (Gn.)
Anú-guassú
Este anit preto grande não existia em Cantagallo.
Azara diz que não faz posturas em commum, como o
pequeno e o branco ; Schomburgk, porém, affirma o con-
trario para a Guyana. O ovo é descripto por Thiene-
mann (Fort. Tab. 15 f. 8) como sendo de tamanho quasi
em dobro do que o do Anú preto, mas tambem de cam-
po verde-azul com coberta calcarea branca
MY" (RER
Guira guira (Gm.)
Ant branco
Vive do mesmo modo e nos mesmos logares como
o Anu preto, e ja achei o seu ninho e o deste conjun-
ctamente posto e funccionando na mesma arvore. E
construido de identico material, sendo porém alguma
cousa maior e mais fundo. Por motivos que não pude
conhecer, frequentemente achei o ninho destruido mal
tinha principiado a incubação, e infelizmente isto se deu
com os 4 ninhos que tive occasião de observar. O
primeiro ninho achei-o em 27 de Agosto com 8 ovos;
em 31 do dito continha 10, e um dos passaros cho-
cando. Até 9 de Setembro sempre encontrei um só
passaro sobre o ninho. No dia seguinte o ninho esta-
va desfeito no chão e dos 10 ovos restavam apenas 2.
Um segundo ninho com8 ovos frescos teve a mesma
sorte. O terceiro encontrei-o em 20 de Fevereiro ape-
nas acabado e ainda sem ovos. No dia 22 continha 2
ovos; no dia 23 5 ovos; no dia 24, todos atirados por
terra,o ninho abandonado. Quando descobri o quarto ninho
os filhotes já se achavam espalhados sobre os galhos
do arbusto. Não pude atinar com a causa destes fa-
ctos, que não podem ser a regra, pois que o ant bran-
co pouco fica atraz do preto como numero de indivi-
duos, e tem o mesmo instincto de sociabilidade, como
attestam as mencionadas posturas. Affirmavam-me que
antigamente o ant branco era desconhecido em serra
acima e que em Cantallo a sua presença datava de cerca de
“O annos apenas. Como o seu collega preto tambem
guarnece o ninho e os ovos ae folhas verdes, de pre-
ferencia de salva. O interessante e lindo ovo é de cam-
po verde-marinho claro, e sobre toda a superficie acha-
se desenhada, em relevo, uma redea branca calcarea e
a moda de uma fina renda. São egualmente de forma el-
lipticae medem 47 m/m de comprimento sobre 34m/m
de largura.
aD EE
Coceyzus melanocoryphus (Viill.)
Azara descreve os seus ovos. Noticias mais mo-
dernas dão C. Sternberg e L. Holtz. O sr. Sternberg
achou em novembro o ninho no campo de Buenos Ay-
res, num bosque de Durasno na forquilha de uma pequena
arvore acerca de 8 pés de altura. Este ninho, porém, não
era o proprio deste Coccyzus, mas um de uma pomba (Ze-
naida auriculata) do qual tinha elle retirado os ovos 8
dias antes, e que achou agora substituidos por 3 ovos
da C. melanocoryphus, que em 1 de dezembro já se acha-
vam com principios de incubação. Si este facto é regra
para o Coceyzus, ficou indeciso, por tratar-se de uma
unica observação.
_ OS ovos são de forma alongada, approximando-se
da cylindrica, e de côr fraca amarello-esverdeada, sem
desenho. O seu comprimento é de 30 m/m e a sua lar-
eura de 23 ditos.
Piaya cayana cabanisi (Allen)
Alma de gato.
Embora bem frequente nas nossas capoeiras, nunca
encontrei o seu ninho; apenas o observei em novem-
bro com uma folha no bico, destinada naturalmente a
construcção. Spix e Martius obtiveram o ninho em Mi-
nas Geraes, com 6 ovos verdes com marmorizações.
Fam. Trogonidæ
Trogon aurantius (Siz)
Encontrei em Cantagallo sómente 3 especies do Su-
rucua, a saber : Tr. viridis, Tr. atricollis, e Tr. auran-
tius, e unicamente esta ultima forneceu-me occasião de
observar o seu modo de nidificação, que, por analogia
e vista a grande unidade do modo de viver que se ob-
serva na familia, deve pouco variar. —Num grande ni-
nho de cupim que se achava collado a mais de 2 metros
de altura huma grossa arvore da matta, os dois passa-
— 83 —
ros desta especie haviam praticado em sentido horizon-
tal uma excavação irregular de cerca de 20 centimetros de
fundo. Examinando-a, achei-a vazia: parece, porém, que
o passaro é sensivel a qualquer perturbação, pois que
não voltou mais ao ninho. São frequentes estas excava-
ções nos ninhos de cupim, eo facto à referido por di-
versos auctores.
Azara conta-o e diz que o Surucui põe ahi em se-
tembro 2 a 4 ovos brancos. Uma especie africana põe
o mesmo numero de ovos brancos, quasi redondos, em
ocos de paus.
Fam. Bucconidæ
Chelidoptera tenebrosa brasiliensis (Scl.)
O principe Wied achou o ninho do João tolo, como
aqui o chamam, em setembro, no rio Belmonte, ao sul
da Bahia.
Era uma galeria de 60 centimetros de compri-
mento, cavada no barranco arenoso do rio, e terminava
em uma panella, contendo 2 ovos brancos. Tambem
aqui achei estas galerias, porém não nos barrancos, mas
sim na praia arenosa do rio Macuco. Depois de entrar
obliquamente no terreno plano, segue por baixo deste
em direcção horizontal até a panella, e muitas vezes a
tão pouca profundidade que, ao pisar no logar, o pê
afunda-se. Não tive a ventura de achar os seus ovos.
Fam. Galbulidae
Jacamaraleyon tridactyla (Vicill.)
Semelhante à Chelidoptera e ao Stelgidopteryx ru-
ficollis, pratica galerias, menos na areia, do que nos
barrancos argilosos e verticaes à beira dos corregos e
caminhos. Sendo um passaro relativamente dehil, não é
de admirar que leve tempo consideravel neste trabalho
de cavoqueiro. Segui um casal por mais de dois mezes
nesta operação. Infelizmente, quando principiou a incu-
EX SA
baçäo, a topographia do logar näo me permittiu exami-
nar o ninho e colher os ovos. Consta que põe dois ovos
brancos.
Goeldi pretende que a cavadeira faz diversas entra-
das ou galerias para o seu ninho com o fim de desorien-
tar os seus inimigos.
Fam. Rhamphastidae
Da familias dos tucanos conheci em Cantagallo 2
especies de egual frequencia, a saber: R. dicolorus,
L. e R. ariel Vig. Dos arassaris egualmente 2: Pte-
roglossus wiedi Sturm e Selenidera maculirostris,(Licht.).
Nunca pude descobrir um ninho de tucano ou de
arassari; as informaçõos que colhi eram todas de ac-
cordo que nidificam em arvores ôcas, 4 moda dos Pi-
capäus. E”. porém, de suppor que não praticam elles
proprios as cavidades, como fazem os Picapäus, porque
o seu grande, porém muito fraco bico não está orga-
nizado para semelhante empresa, mas que se utilizam
de cavidades existentes. Na literatura não existem in-
formações positivas sotre esta materia. Burmeister
(II. p. 202) affirma, não sei com que fundamento, que
elles poem 2 ovos brancos, o que seria de perfeito ac-
cordo com o modo de nidificação que se lhes attribue.
Um viajante inglez, Edwards, pretende ter visto no
Amazonas um ninho do tucano grande pendurado
numa arvore alta. Como o faz E. Goeldi, considero
esta informação como duvidosa. O tucano é grande
amador de ovos e filhotes de outros passaros e destrôe
e come quantos acha. E” provavel que o tucano do sr.
Edwards se achava nessa occupaçäo n'algum ninho de
Cassicus.
Y. ORDO : PSITTACI
Fam. Psittacidae
Para uma familia täo rigorosamente demarcada
como o-ë a dos Papagaios, o modo de nidificação
ee RR ata
deve ser mais ou menos uniforme, e assim realmente
acontece, pois com uma unica excepção conhecida, a
regra geral para elles é o aproveitamento de cavida-
des em arvores velhas, de preferencia nos galhos gros-
sos, onde os papagaios póem os seus ovos sem apresto
e criam seus filhos. Os ovos, de accordo com este modo
de nidificação, são brancos, lustrados, sem desenho e
de forma mais espherica do que alongada.
A excepção é representada por uma especie do
Sul: Myiopsittacus monachus (Bodd) que constroe um
ninho independente, de grandes dimensões, feito com ra-
mos seccos e suspenso nas arvores mortas isoladas do
campo. Este ninho é social, mas com separação, e
serve para um certo numero de casaes, tendo outras
tantas entradas, à moda de um pombal. Foi observado
e descripto por Darwin e Burmeister. Outra especie do
Chili, segundo Poppigs não se utiliza das arvores 6cas,
mas constróe galerias nos barrancos altos, onde estabe-
lece grandes colonias.
As grandes especies como as Aráras fazem postu-
ras de 2 ovos; as menores, como papagaios, maitacas
e periquitos, de 2 e 4. Na Australia vivem especies
que fazem posturas de 10 ovos.
A incubação e criação é relativamente curta; os
paes alimentam os filhotes à moda dos pombos, pelo pa-
po. Schomburgk observou que isto se dava sómente
duas vezes por dia; as 11 horas da manhã e 5 de
tarde.
kK” notavel que para uma familia de passaros tão
em evidencia tão pouco se conheça dos seus ovos. Na
litteratura respectiva, de mais de 100 especies sulame-
ricanas, ha apenas 9 ou 10 menções, ainda que defici-
entes. Eu nunca tive a fortuna de achar um ninho
que fosse accessivel, com excepão da P. passerina. As
melhores observações hoje vem dos jardins zoologicos
europeus. São os seguintes os dados que pude colher :
Ara macao (L). Arára vermelha. 2 ovos bran-
cos de 48 e 52 mm de comprimento, e 33 à 35 de
largura.
|
of)
ES
|
Ara ararauna (L) Caninde. Arára azul. 2 ovos
brancos de cerca de 60 m/m de comprimento.
Anodorhynchus glaveus ( Viell,). Azara refere que
esta especie pratica a cavidade para o seu ninho nas
arvores ou mesmo barrancos e põe 2 ovos.
Conurus solstitialis (L.). Poe 2 a 3 ovos redondos
do tamanho dos de Turturauritus.
Conurus jendaya (Gm) Nandaya. Poe mais de
2 ovos de 22 a 24 m/m sobre 16 a 18 m/m de lar-
gura.
Conurus aureus (Gin.) Periquilto-rei. Poe 2 a 3
ovos brancos.
Brotogerys terica (Gm.) Poe mais de 2 ovos de
29 a 26 m/m de comprimento, e 22 a 23 m/mode
largura.
Myropsittacus monachus (Bodd.} Catorra. Faz o
ninho de que acima falei, Põe 3e 4 ovos de 30 m/m
de comprimento e 21 m/m de largura.
Deroptypus aceipelremus (L.) Vanaquid. R. Schom-
burgk refere que põe 2 a 4 ovos.
Chrysotis farinosa (Bodd.) Na occasiäo de uma
derrubada obtive um ninho com 2 filhotes já empen-
nados, que conservei por annos em casa.
Chrysotis aestiva (L.) Poe 2 ovos.
Chrysotis amazonica (Bress.) Curica. Põe 2 a3
ovos de 30 mm de comprimento sobre 28 m/m de
largura.
Psiltacula passerina (L.) Ciútapado. De outubro
a março achei frequentes vezes os seus ninhos no jar-
dim, no pasto, nas plantações, sempre em buracos de
galhos ocos, de hastes seccas da pita e postes de ma-
deira. Soube de um amigo que, tendo pendurado no
pomar um pedaço de madeira dea, um casal fez nelle
2 posturas consecutivas. Sempre encontrei as posturas
de 4 ovos, ou melhor, filhotes, porque o acaso assim
o quiz. Notei que a primeira plumagem era muito
mais escura do que a dos adultos, quasi verde—preta.
|. Goeldi dá as seguintes medidas para os ovos, que
designa como relativamente grandes : comprimento: 17
a 49 m/m ; largura: 14 a 16 m/m.
eo oe
VE ORDO : STRIGES
Fam. Bubonidæ
Afóra uma unica especie, o Bubo magellanicus, ou
nacurutu, si a relativa observação de Azara é exacta,
fazem as nossas curujas seus ninhos em cavidades de ar-
vores, muros ou tambem buracos de tatús etc., na terra.
A sua postura varia entre 2 a 4 ovos, sempre brancos.
As minhas observações restringem-se ao ninho do Scops
brasilianus, unico da familia, que encontrei. A vida ex-
clusivamente nocturna das cornjas torna a observação
dos seus costumes muito difficil.
Speotyto cunicularia (Jfl.)
Caboré do campo. Urucurea. Coruja buraqueira
O Principe Wied Beitr. 3.253 falando do ninho desta
especie, exprime-se do seguinte modo: Para pôr seus
ovos esta coruja aproveita os buracos que fazem os ta-
tus nos ninhos do cupim e não os Cake ella mesma,
como pretende Vieillot. Segundo Azara, põe 2 ovos
brancos.
Burmeister 1, 140, conta que esta coruja habita em
buracos na terra com profundidade de cerca 2 pés, que ella,
porém, não excava, aproveitando-se dos buracos dos ta-
tás e das casas de cupim vazias.
Em plena contradicção com estes dois auctores
acham-se as observações de ( a Sternberg, publica-
das Jl. f. Ornith. 1869, p 188. e fei itas em Buenos Ay-
res nos annos de 1867 e 1868.
Diz este auctor: sobre a posição e successiva exe-
cução do ninho da Noctua cunicularia pude fazer observa-
goes diarias. Ella escolhe um logar adequado e secco no
terreno, e ahi cava seu buraco. Muitas vezes este acha-
se na visinhança de algum buraco da Viscacha, porque
este tambem procura logares enxutos. A Lechusa
cava ella mesma o seu edificio e nunca se serve dos bu
racos da Viscacha. A cavidade tem 6a 8 pollegadas de
diametro, forma uma galeria horizontal debaixo da terra
ES O io Tel ae
de cerca de 4 a 6 pés de comprimento e termina n'uma pa-
nella redonda de 14a 16 pollegadas de diametro,. Ahi
faz um leito assaz espesso com esterco de cavallo picado,
com que tambem cobre a galeria e a sua entrada, e põe 5
a 7 ovos, sendo a postura normal de 6. Para estabele-
cer ou cavar esta residencia a coruja levava entre 4 e
6 dias. Os ovos são de forma oval curta, de côr branca
pura sem desenho e medem, segundo Holtz : média de
11 ovos: comprimento: 33m/m.; largura : 27 m/m.
Darwin tambem observou a Sp. cunicularia em Mon-
tevidéo, vendo-a cavar o buraco. Embora eu não a en-
contrasse, parece-me que, para a nossa zona, 0 apro-
veitamento por parte della de buracos de tatús não sof-
fre duvida.
Glaucidium ferrugineum (Wied.)
Caburé
Nidifica em arvores ôcas. À postura é provavel-
mente de 2 ovos, pois que em março encontrei n'uma
cerca viva uma sociedade de 4 individuos, os dois pais
e 2 filhotes sentados juntinhos no mesmo galho. (Jl. f.
Ornith. 1869, p. 244.)
Bubo magellanicus (Gm.)
Nacurutu
Pelo que refere Azara esta coruja faria uma ex-
cepção na familia quanto ao modo de nidificar, formando
o seu ninho com ramos nos galhos de uma arvore copada.
Scops brasilianus (Gm.)
Em Setembro e Outubro encontrei sempre esta pe
quena coruja incubando em arvores ôcas, altas ou baixas,
perto da casa ou nas plantações. Põe 2 a 3 ovos por
cima de uma camada de madeira podre, esfarelada. Em
23 de Setembro achei uma chocando sobre 3 ovos. A
cavidade que encerrava o ninho era de cerca de 1 metro
elevada do. chão, apenas de 1 palmo de fundo e aberta por
cima.
ier" meal
O toco era isolado dentro de um mattagal. Quando
approximei-me da coruja, voou e empoleirou na distan-
cia de cerca de 10 passos, n'um arbusto, donde observou-me
com os olhos arregalados e as orelhas erriçadas. Em-
quanto eu permanecia na visinhança, ella não voltava para
o ninho. Visitei este quasi diariamente, e sempre dava-
se o mesmo facto. Assim decorreram 41 dias até 3 de
novembro, quando ella abandonou a postura para sempre.
Colhi os ovos e achei o conteudo apodrecido. Os
ovos são de forma oval reforçada com ambas as pontas
egualmente obtusas. A casca é forte e aspera; a sua
côr branca pura, sem lustre. (Comprimento : 33 a
34 m/m ; largura : 28 a 29 mjm.
VIE. ORDO : ACCIPITRES
Fam. Sarcorhamphidae
Esta familia cosmopolita acha-se representada no
Brazil por algumas especies. Destas, uma unica observei
no Estado do Rio, o Urubu commum, mas não tive oc-
casião de observar o seu modo de reproducção. Sabe-se
que as 3 especies escolhem logares inaccessiveis para
nidificar e fazem posturas de 2 ovos.
Comparando este numero escasso com o grande
numeros de individuos que se oberva, deve-se attribuir
ao Urubu pelo menos 2, senão 3 posturas annuaes,
Sarcorhamphus papa (L.)
Urubra rea
Segundo Burmeister, o Urubú rei fazo seu ninho
na extremidade dos galhos de arvores altas mortas e
põe 2 ovos inteiramente brancos. Esta côr viria em au-
xilio de alguns auctores que sustentam que este abutre põe
em arvores ocas ; porém nenhum fala de visu proprio.
Cathartes aura (L.)
Diz Burmeister que o seu ninho é sem arte e os ovos
CEO) —
cor de carne pallida com grandes manchas pardo-escuras
e algumas menores azuladas, mais reunidas na ponta
posterior.
O) ovo desta especie que existe no museu de Paris
tem os diametros de 77 m/m sobre 48 a 50 m/m.
Catharista atrata /Bartr.)
Urubi
Jurmeister relata que o Urubti não constroe ninho
e põe os seus ovos em logares retirados e inaccessiveis
nas serras em fendas ou cavidades de rochedos. Pre-
para uma camada no caso que não ache uma superficie
plana adequada. Os ovos são do tamanho de um forte
ovo de pato Cor branca esverdeada com manchas par-
das, claras e escuras; entre ellas se acham distribuidos
alguns pontos azulados sobre toda a superficie do ovo,
com concentração na ponta grossa. Acham-se ovos em
Novembro e Janeiro, disse Burmeister e eu não duvido que
tambem em Setembro ou em Março. Os ovos respectivos
no Museu de Paris medem 70 m/m sobre 43 a 45 di-
tos. O Museu Paulista possue ovos desta especie.
Fam. Falconidae
Grande familia cosmopolita no sentido mais lato da
palavra, pois que não ha zona alguma da terra onde
não existissem seus representantes. (Gray a divide em
7 subfamilias com 105 generos e 390 especies. "Todas
as 7 subfamilias têm representantes na America do Sul
em mais de 70 especies ; uma das subfamilias, a dos Poly-
borinae (Caracarás) é exclusivamente sulamericana.
Como as Vulturinae, todos os gaviões nidificam em
logares de accesso difficil, rochedos ou arvores muito
altas, mas ao envez daquelles, sempre constroem o
ninho aberto por cima feito de ramos seccos em forma
de simples taboleiro, às vezes guarnecido de material
macio para receber a postura, que geralmente não ex-
cede a 3 ou 4 ovos, havendo porém especies que vão
até 7.
oot ONS —
O unico ninho de gavião que tive ensejo de obser-
var foi o do Asturina nattereri, o gavião carijo. Sobre
outras especies brazileiras, em numero de cerca de 15,
existem na literatura resumidas noticias relativas aos
seus ninhos e ovos. Alguns destes acham-se reprodu-
zidos na obra de Thienemann (Fortpil. ete.)
Ebycier chimachima (Vicill.)
Caracard branco
Refere Burmeister que esta especie faz grandes ninhos
de ramos seccos em arvores altas e logares retirados,
rm
e põe 5 a T ovos de côr pardo-amarella com manchas
pardo-vermelhas e da forma caracteristica aos falcões.
Polyborus tharus (1/6.
Caracará
O ninho do Caracará, disse Burmeister, acha-se em
arvores altas nas mattas e pouco accessivel porque es-
colhe os troncos cobertos de cipós. A sua postura cahe
em principios de Setembro e seu ninho contem neste
tempo 2 ovos de cor pardo-violéte, coberta de manchas
e pingas escuras e de forma alongada. Na ponta pos-
terior o desenho é mais homogeneo. (Thienemann Fortpfl.
0, fig. 4).
É. Goeldi na sua monographia exprime-se do se-
gunte modo sobre o ninho do Caracara: «Em uma
construcção cha de garranchos, forrada no meio de ma-
terial mais macio, como musgo e raizes, põe a femea
2, 3, às vezes 4 ovos piriformes, que na media têm
45 m/m de comprimento e no logar do maior eixo
transversal, 35 m/m de largura. A cor dos ovos varia
muito; ora o campo é amarellado, ora brunaceo-violé-
te; notam-se nelle manchas e pingos, ora bruno-escu-
ros, ora vermelho-sanguineos ».
No J.' f. Ornith. 1869, p. 179, Chrys. Sternberg
descreve sob o nome de Polyb. vulgaris, Carancho, 2
ninhos dessa especie achados nas pampas argentinas,
feitos de ramos e talos de junco. O primeiro achava-
DEDO hi,
se collocado no chão, o segundo a 12 pés de altura
numa arvore, sobreposto a um uinho de Anumbius acu-
ticaudatus.
Ambos continham 2 ovos cada um. O autor admitte
posturas de 3 ovos no maximo, mas não dá a descri-
pção dos avos.
Para o Zbycter Chimango, o mesmo autor des-
creve o ninho feito no chão com palhas e lã, contendo
em regra 2, às vezes 3 ovos, dos quaes tambem não
dá a descripção.
No anno seguinte 1870 do J! f. Ornith. L. Holtz,
a quem Sternberg havia remettido, os descreve assim :
Polyb. vulg. Forma oval curta. Cor: campo branco
amarellado ; manchas e pontas pardas claras e escuras
espaçadas pelo total da superficie. Media das dimen-
sdes de 2 ovos: comprimento: 50 m/m; largura: 47
ditos.
Os ovos de Ibycter chimango (Vieill.): media de
22 ovos, comprimento 41 mm, largura 33 ditos. Cor
e desenho eguaes aos precedentes.
Urubutinga zonura (Shaw)
Cauã, em Minas
Burmeister IT p. 43. «Faz o seu ninho nas arvo-
res mais altas e inaccessiveis; contem 2 ovos alonga-
dos, brancos, com manchas e pingos pardo-vermelhas,
claras e escuras. (Thienem. Fortpfl. 49, 1.)
Busarellus nigricollis (Lath.)
Burmeister Il p. 47, refere que R. Schomburgk
na Guyana achou o seu ninho no rio Rupununi n’uma
arvore de altura mediana, feito de ramos seccos e con-
tendo 2- filhotes recemnascidos, cobertos ainda de pen-
nugem.
— 93 —
Spizaëtus tyrannus (Wicd)
Gavido pega macaco
A unica noticia que temos do seu ninho é dada
pelo Pr. Wied. Beitr. 3, 84, onde disse: «Faz o seu
ninho em arvores altas, de ramos seccos, e põe 2 ovos ».
Spizaétus mauduyti (Daud.)
Urutaurana, Gavião de pennacho
Principe Wied, Beitr. 3, 83 informa o seguinte:
«Os cagadores disseram-me que faz um ninho grande
eom ramos seccos, onde cria 2 filhotes». Parece-me
porem que o Principe confundiu Spiz. ornatus com
Thrasaetus harpya. H. von Ihering, que o observou
no Rio Grande do Sul, refere que o seu ninho é feito
no mais denso da matta nas arvores mais altas e mais
grossas, de modo que os caçadores, para matar uma
dessas aves, têm de trepar em uma arvore vizinha de
mais facil accesso para d'ahi disparar o tiro. No es
sencial consta o ninho de grande numero de fortes va-
ras, assentadas em um garfo constituido por diversos
galhos e forradas com Tillandsia, (Barba de velho), que
se vê pender das extremidades. As especies de Spizae-
tus perseguem, segundo o mesmo autor, principalmente
os macacos da sub-ordem das Cebidas.
Thrasaêtus harpya (L.)
Uraci
Refere Goeldi que, em Margo de 1830, Natterer
observon, proximo de Borba, um casal de Harpyas no
ninho, construido em um taquaré de enorme altura.
Quanto ao numero e forma dos ovos, nada se sabe até
hoje.
Morphnus guyanensis (Daud.)
Disse o Pr. Wied, Beitr. 3, 95, que viu no rio
Ihéos (Bahia) dous indios matar um desses gaviões
com flechas, quando sentado no seu grande ninho, feito
de ramos nos ultimos galhos de uma arvore collossal.
— 94 —
Tinnunculus cinnamominus (Sws.)
Quareguera
Burmeister II, p. 94; Pr. Wied Beitr. 3, 119.
Sobre o ninho desse pequeno gavião muito com-
mum, disse Burmeister apenas : «seu ninho acha-se na fo-
lhagem de arvores altas e dizem que põe 3 ovos». O
Pr. Wied não encontrou o ninho, mas informaram-no
que é feito de ramos e tem ovos malhados.
Harpagus bidentatus (Lath.)
Burmeister 1, p. 100, menciona o seu ninho coma
segue: «Acha-se o seu ninho em arvores altas com 3
a 4 ovos cobertos de manchas pardo-vermelhas, e que
se assemelham muito com os do Falco subbuteo». Thie-
nem. Fortpfl. 52, 6.
Elanoides forficatus (L.)
Tesoura
Pr. Wied 3 p. 146, disse a respeito desse lindo
gavião o seguinte: «Em Dezembro encontrei num valle,
circundado de mattas, um ninho da Tesoura, col-
locado à grande altura numa arvore isolada dentro
de uma plantação abandonada. Era feito de ramos gros-
sos. Os 3 ou 4 filhotes, já crescidos, estavam sentados
à borda do ninho emquanto os pais voavam perto».
Ectinia plumbea (Gm.)
Gavião pomba
Burmeister II p. 104, refere que Schomburgk en-
controu o ninho numa arvore de Anacardium muito
alta, feito de ramos.
Asturina nattereri (Sc. e Salv.)
Achei o seu ninho em principios de Outubro cons-
truido n'uma arvore isolada à beira do pasto da fazen-
da. Numa das forquilhas extremas, escondido na fo-
— Je) —
lhagem, era o ninho formado com poucos galhos grossos,
ajuntados sem arte, e continha 2 ovos. A forma des-
tes era redonda curta com a ponta branda, casca forte
e um pouco aspera ao tacto. Mediam 47 m/m de com-
primento e 38 ditos de largura. Ambos, identicos em
tamanho ; divergiam, porem, muito no seu colorido. So-
bre campo branco e sem lustre, commum aos dois,
mostrava o primeiro diversas pintas, umas de côr ver-
melho-pallida, outras de côr violête e de fôrma, ora
redonda, ora pontuda, distribuidas escassas sobre a to-
talidade do ovo entremeadas de manchas pardo-claras,
assemelhando nodoas. No segundo ovo faltavam as pin-
tas avermelhadas e eram substituídas por complexos de
manchas rigorosamente limitadas e de côr sepia escura,
rodeadas de pequenos pingos da mesma cor. Por aqui,
por alli alguns pingos pretos espalhados. Na parte supe-
rior do ovo destaca-se um desenho de linhas pretas
delgadissimas em ziguezague. Faltam a este tambem
as manchas pardas que se notam no primeiro. À disse-
melhança do colorido dos dois ovos é tão pronunciada
que facilmente poderiam passar por ovos de differentes
especies de aves, si não fizessem parte da mesma pos-
tura. Esse facto, porem, é frequente n'essa familia.
Hieterospizias meridionalis (Lath.)
D'Orbigny achou o seu ninho extraordinariamente
voluminoso sobre arvore muito alta, feito de ramos
seccos e contendo 4 ovos.
Antenor unicinctus (Temm.)
D'Orbigny relata que essa especie faz o seu ninho
em Outubro ou Novembro sobre arvores altas que
emergem da matta baixa de acacias espinhosas, e que
contem 4 a 5 ovos inteiramente brancos, como dizem.
D'Orbigny põe esta côr em duvida. Essa especie, assim
como a procedente, vive na vizinhança da agua.
Oe =
Circus cinereus ( Vicill.)
Dizem os habitantes do Rio Grande do Sul que
essa especie faz o seu ninho no chao.
Pandion haliaëtus (L.)
Águia pesqueira
O Pr. Wied encontrou-a na Bahia, Natterer em
Matto Grosso. E. Goeldi dá a seguinte noticia sobre o
seu ninho: «Mede 1 metro de diametro, é feito de
varas que costuma pescar na agua, e de musgo que
às porções vai arrancando dos troncos das arvores.
A postura consta de 2, 3, 4 ovos que têm 99 —70
m/m. de comprimento e 44—52 m/m de largura, apre-
sentando campo branco com manchas azul-cinzentas e
côr de ferrugem. À incubação leva 22 a 26 dias».
Vill. ORDD : STEGANOPODES —
Fam. Plotidae
Plotus anhinga (L.)
Myud
Vive nos rios do interior quando estes atraves-
sam mattas virgens, que nao abandona.
Os indios, contaram ao Principe Wied, que o
anhinga constroe o ninho de ramos nas arvores perto
do rio, nas quaes tambem se empoleiram 4 noite.
Fam. Fregatidee
Fregata aquila (L.)
Tesoura, Grapirá
Commum na costa toda e nos portos, vão a gran-
des distancias no alto mar. Os pescadores informaram
o Pr. Wied (Beitr. 4.885) que o grapirá faz um
grande ninho de ramos e cacheiras nos arbustos da ve-
cetação maritima e põe 1 ovo grande, de linda cor
verde, que tem uma gemma escarlate.
—— OR
IX. ORDO : HERODIONES
Fam, Ardeidae
Butorides striata (/.)
Soci-bor Soca
Veja Wied (Beitr. 4.628.) Muito commum na
nossa zona onde habita todos os brejos, mas não pude
encontrar o seu ninho.
O Principe Wied achou-o num arbusto na vizi-
nhança da agua, que em Dezembro continha 2 ovos de
cor verde clara.
Nycticorax tayazu-guira (Azara)
E' uma garça nocturna que pude observar todas
as tardes sahindo dos brejos de Caravelas. O Prin-
cipe Wied encontrou no Parahyba em Outubro uma
colonia de ninhos, dispostos nas arvores (Bignonia) do
brejo. Consistiam em grandes agglomerações de ramos
seccos, e continham filhotes.
Nyctanassa violacea (/.
O Principe Wied (Beitr. 4.652) diz que em Can-
navieiras achou em Dezembro o seu ninho num peque-
no arbusto, perto da praia. Era feito sem arte, de ra-
mos seccos, e continha 2 ovos de cor verde-clara.
Fam. Phoenicopteridae
Phoenicopterus chilensis Mol.
Flamengo
Encontra-se principalmente nas praias do Sul, mas
tambem nos rios do centro do Brazil. Jaz um ninho
alto no chão de talos de junco no qual; para incubar,
se assenta a cavalleiro, pernas pendentes. Consta que
põe 2 ovos brancos.
— 98 —
À. ORDO : PALAMEDEE
Fam. Palamedeidæ
Palamedea cornuta (L.)
Aniiuna
Essa magnifica ave habita os rios e brejos do ser-
tão do Norte. Os indios asseveraram ao Principe Wied
(Beitr. 4. 585) que o aniúma faz um ninho de poucos
ramos seccos no solo do brejo e põe 2 ovos grandes,
brancos.
Chauna cristata (Sr.)
Chajá
E' o representante da precedente no Sul; commum
nas lagoas do Rio Grande do Sul e do Rio da Prata.
CG. Sternberg e L. Holtz descrevem ninho e ovos.
(Jl. £ Orn. 1869, 277 e 1870, 20). Escolhe um lugar
retirado no centro do juncal e ahi faz uma construeção
com talos de junco sobre o chão. EK’ uma gamella de
cerca 1 metro de diametro e de 1/2 metro de altura, sem
enchimento. Jim Setembro, faz a primeira postura de
7 a 9 ovos, de forma alongada, casca forte, em parte
oleosa e lustrosa. Campo branco, com sujidades ama-
rellas e algumas raras manchas pardas que sahem pela
lavagem. Comprimento: 90 m/m; largura: 59 ditos.
AH. ORDO: COLUMBE
Fam. Peristeridæ
Chamaepelia talpacoti (Temm.)
Pomba-rola
Em Cantagallo encontrei as seguintes especies de
pombas : Peristera cinerea e Geoffroyi, Geotrygon
montana, Leptoptila reichenbachi e Ch. talpacoti. Hs-
tas duas ultimas são mais frequentes, durante o anno
— 99 —
todo; quanto às outras considero-as de arribacäo, e
não achei os seus ninhos. Pouco interesse, porém,
offerece o ninho da pomba, sempre egual para todas
as especies: um girau feito sem arte nem ordem, com
2 ovos, eis o typo geral, do qual não me consta ex-
cepção.
O da pomba rola acha-se em todos os logares de
vegetação baixa, nos jardins, plantações, cercas vivas
etc. E” feito com poucos galhosinhos seccos negligen-
temente reunides em fôrma de tigela chata. Os dois
ovos brancos são de fórma alongada e com a ponta
anterior obtusa, e medem 22 1/2 m/m de comprimento
sobre 18 ditos de largura. Deve fazer 3 e 4 posturas
annuaes e desde Julho até Abril ouve-se o seu canto.
Ecptoptila reichenbachi (Pel:.)
Juri
A jurity habita mais as capoeiras e roças do que
a rola. Faz o mesmo ninho, embora maior. Põe 2
ovos brancos ovaes pontudos ; a ponta posterior é muito
mais delgada do que nos outros ovos, a anterior muito
estirada e aguda. (Comprimento: 33 m/m; largura:
Bo liZ atos:
AM. ORDO: GALLINE
ÉameCracidæ
D'essas havia em Cantagallo 3 especies: o Jacii-
acu, O Jacú-pemba e o Jacti-tinga, este ultimo ficando
mais raro. Nunca encontrei os seus ninhos. O que
ha nos autores é o seguinte :
Penelope jacucaca (Spir.)
2
O seu ninho é encontrado nos arbustos à pouca
altura, e, segundo Schomburgk, às vezes por terra
mesmo, e contem 2 a 3 ovos inteiramente brancos,
cujo tamanho excede o do perú domestico.
— 100 —
Penelope superciliaris (//l.)
Jacu-pemba
Veja Pr. Wied, Beitr. 4, 53. Faz o seu ninho
de ramos seecos sobre as arvores e põe 2 a 4 ovos.
Pipile jacutinga (Spir)
Jacilinga
Veja Pr. Wied, Beitr. 4. 544 (P. leucoptera.)
Os seus caçadores acharam o ninho feito de ramos, que
em Fevereiro continha 2 a # ovos brancos.
Ortalis albiventris (Wagl.)
E’ a Penelope aracuan do Principe Wied (Beitr.
4. 549) que diz que faz um ninho de ramos em arvo-
res baixas e põe 2 a 3 ovos brancos.
Crax carunculata (Zen.
Mutium
Um vizinho nosso possue 4 mutins femeas que
havia comprado ha cerca de 5 annos no Rio de Janeiro.
O primeiro anno achou-se um delles no jardim
incubando 2 ovos. No segundo anno havião feito 2
posturas, em Setenibro e Dezembro, cada vez de 4 ovos.
Tinha escolhido uma arvore cortada e feito entre os
renovos um ninho de grossos ramos seccos. Em Se-
tembro, as 4 femeas revezavam-se na incubação durante
mais de 6 semanas, naturalmente sem resultado. Em
Dezembro, recolhi os 4 ovos da nova postura para a col-
lecção. Erão de tamanho e forma variavel. Um da
forma de ovo normal; 2 de ambas as pontas agudas,
e o 4º muito menor, com pontas obtusas. Na media,
o seu comprimento era de 86 m/m a sua largura de
60 1/2 ditos. Maxima do comprimento: 89 m/m, mi-
nimo dito 80 ditos maxima da largura : 63 m/m, minima
99 ditos. A sua casca, puramente branca, distinguia-
se pela superficie aspera e granulosa; os granulos
— idl —
miudos e cerrados com alguns maiores do tamanho de
uma cabeça de alfinete que em partes se reunam.
Além disso, o quarto ovo mostra varias rugas longitu-
dinaes enroscadas parte concavas, parte em relevo. A
casca é extraordinariamente dura e forte e de quasi
um millimetro de espessura.
Fam. Phasianidæ
Odontophorus capueira (Six)
Capoeira
Muito commum em nossas mattas, porém nunca
encontrei o seu ninho. O Pr. Wied (Beitr. 4. 486)
dá a seguinte descripção do mesmo: «Encontrei o seu
ninho na matta virgem no chão, contendo 10 a 15
ovos inteiramente brancos, e posso contestar Azara
quando elle os chama de côr roxo-azul. E” provavel
que se equivocasse com ovos de inambu.
XV. ORDO: RALLI
Fam. Rallidæ
Limnopardalus nigricans (Vicill.)
Saracura
A saracura pequena dá preferencia aos brejos para
nidificar. Constroe o seu ninho com poucos ramos no
meio dos juncos e canniços. Põe 4 ovos, ovaes. alon-
gados com as duas pontas egualmente obtusas. Campo
branco com poucos pingos cinzentos e pardo-escuros.
Comprimento: 41 m/m; largura: 32 ditos.
Aramides saracura (Spir)
Saracura
Seus logares favoritos são as margens dos corre-
gos e brejos cobertos de vegetação densa, onde nidifi-
ca. Achei o seu ninho diversas vezes posto em tocos
Law) a
de arvores ou em arbustos a 1 ou 2 metros de altura
do solo, sempre retirados da agua e em logar enxuto.
Esta especie é menos aquatica do que a precedente.
O ninho é uma forte agglomeraçäo de ramos grossos
presa por alguma forquilha perpendicular, e forma uma
camella chata, guarnecida de folhas sèccas. A sua
postura é de 4 ovos de campo vermelho-amarellado
claro ccm pontos e manchas de cor roxa, azul-cinzenta
e vermelho-escura; as azul-cinzentas mais numerosas
e espaçadas, as outras raras, por aqui-acolã. A sua
forma é egual a do ovo da gallinha; comprimento :
48 m/m ; largura: 39 ditos.
Burmeister no J.' £ Orn. 1853. 176, descreveu
esse ovo como sendo do L. nigricans, e dá-lhe a fórma
espherica, campo branco, amarello-avermelhado com
pontos e manchas côr de ferrugem. No S. U. 3.388,
corrige esse engano.
Porzana albicollis (Vicili.)
Essa pequena gallinha d'agua vive no capim 4
beira dos brejos e corregos, onde pratica galerias de
passagem. Põe 8 ovos numa moita calcada sem ninho.
Campo branco com forte tom amarello-vermelho. com
manchas largas e pingos de côr azul-cinzento diluida e
algumas poucas cor de tijollo, tudo muito semelhante ao
ovo das saracuras. © desenho concentra-se na parte
posterior. Forma oval, alongada, com as duas pontas
egualmente obtusas. Comprimento: 30 m/m:; largura
22 ditos.
Gallinula galeata (Licht.)
Frango d'agua
Nunca sahe dos juncos do brejo e nada perfeita-
mente. O seu ninho, uma simples tigella feita de folhas
de junco, é posto sobre os juncos immediatamente
sobre a agua que toca na sua base. Põe 4 ovos de
linda côr clara, pardo-amarella, salpicada densamente
com pingos e finos pontos pardo-escuros, que em algu-
mas partes se reunem em manchas mais largas; na
parte anterior existem algumas espiras mais claras e
desbotadas. O desenho todo é repartido, uniforme,
sobre a superficie, deixando alguns claros. Korma
normal, ponta anterior comprida e fina, um pouco obtu-
sa na extremidade. Comprimento: 48 mm; largura
32 ditos.
Fam. Heliornithidee
Heliornis fulica (Bodd.)
Podoa surinamensis de Wied IV, p. 823. Pati
nho d'agua, Mergulhão, Picapare. O Principe Wied
di uma interessante noticia sobre o mergulhão. Diz:
«No tempo do verão tem os seus filhotes, que traz, em-
quanto não são empennados, debaixo das suas azas
onde elles se agarram com o bico. Quando mais cres-
cidos, trepam nas costas da mãe e assim mergulham
com ella.»
AVI. ORDO: GRUES
Fam. Psophiidee
sophia crepitans (/.)
Juiz de paz
E ave do Norte do Brazil que figura aqui nos
gallinheiros. Consta que nidifica no chão pondo ovos
de cor e manchados.
Fam Cariamidæ
Cariama cristata (L.)
Servema
Vive só nos campos geraes e ahi constroe o
ninho sobre os galhos de arvores medianas. Consiste em
um girau mal feito com ramos séccos e guarnecido de
barro ou estrume de gado, contendo 2 a 4 ovos esbran-
quiçados. Em fins de Fevereiro o Principe, Wied (IV p.
970) achou um ninho com dois filhotes pequenos. Bur-
meister refere que os ovos são do tamanho dos do pavão
=|
AVI. ORDO: LIMICOLA
Fam. Jacanidæ
Jacana spinosa (L.)
Piassoca
Näo ha brejo em que falte esse interessante passa-
ro; passeia aqui sobre as plantas aquaticas, mas não
entra no juncal. Naquellas plantas põe os seus 4 ovos
a ceu aberto, em contacto com a agua e sem cama
alguma. Principe Wied e Burmeister descrevem estes
ovos como sendo de cor esverdeada ou azulada com
pingos pardos. Os que aqui encontrei erão sempre de
campo pardo-amarello escuro e de tom forte, sobre o
qual se destacam numerosas e largas linhas pretas, on-
duladas e entrelaçadas, cobrindo a superficie total do
ovo. Por baixo destas linhas, notam-se alguns pontos e
rabiscos mais fracos e outros azul-cinzentos. Fôrma
oval alongada, extremidade anterior estirada com ponta
muito obtusa, Cu nprimento 31 m/m; largura : 22 1/2
ditos.
O Principe Wied, Beitr. 4. 786, pretende que a
Piassoca põe 4 a 6 ovos esverdeados ou azulados em
terra enxuta, fazendo um ninho sem arte. Aqui não
observei semelhante facto.
Fam. Charadriidae
Belonopterus cayennensis (Gm.)
Quer-quer
Commum em toda a America do Sul, todavia falta
no interior do Estado do Rio. O Principe Wied achou
em Setembro o seu ninho num brejo em logar sécco,
entre os juncos, contendo 2 ovos côr de azeitona com
manchas pretas. CG. Sternberg (J'. f Orn. 1869 p. 275)
referindo-se a essa ave, uma das mais communs em
Buenos Ayres, dá noticias mais circumstanciadas sobre
o seu ninho. All sempre escolhe logares séccos no meio
— 105 —
dos brejos, pouco grammados ou ainda sem vegetaçäo
alguma, que permittam a vista aberta para todos os
lados. Esgravata uma pequena panella, que guarnece de
poucas hervas séccas, e poe em Outubro e Novembro
4 ovos de forma de pera, sempre viradas com as pontas
para o centro do ninho. L. Holtz (J.’ f. Orn. 1890,
20) da a cor des ovos como inteiramente identica a dos
do pavãosinho (Vanellus cristatus) da Europa, tão apre-
ciados pelo Principe de Bismark ; campo pardo-amarello
e verde com desenhos pretos, sendo, porem, um pouco
maiores, medindo : 45 m/m de comprimento e 33 ditos
de largura.
Hicploxypterus cayanus (Lath.)
Maçarico
Pr. Wied Beitr. 4. 704. Vive nas praias mariti-
mas e das lagoas. Ahi achou o Principe em setembro
o seu ninho que consistia em uma ligeira excavação
na areia, contendo 2 filhotes.
Arenaria interpres (L.)
Maçarico
| Vive exclusivamente nas praias do mar, onde põe so-
bre a areia seus ovos de forma de pera e de côr de azeito-
na, manchadas de pardo-claro. Comprimento: 40 m/m.
Gallinago frenata (lll.)
Narceja
Acha-se o minho da narceja nos brejos onde
habita, em moitas de capim, que o passaro deita
e dobra para nella pôr os seus 2 ovos. São relativa-
mente grandes, de côr de couro clara no campo. So-
bre este existe um desenho de manchas grandes e lar-
gas, cor pardo-escura, sobretudo na ponta posterior,
«que além disso mostra uma corda de garatujas, com-
posta de linhas fortes e espiras pretas. A ponta ante-
rior é estirada, sua extremidade chata e obtusa. Com-
primento: 40 m/m; largura: 27 m/m.
Sia Ss
AVI. ORDO: GAYLE
Fam, Laridæ
Rhynchops nigra intercedens (Saund.)
Toalha-mar
Vive nas praias do mar e dos rios costeiros onde
procura sua alimentação na vasante e põe nestes lo-
gares.
Larus dominieanus (Licht.)
E" a gaivota que vive no porto do Rio em gran-
des bandos. Vai reproduzir nas ilhas desertas à en-
trada da bahia.
AIX. ORDO : TUBINARES
Fam. Puffinidæ
Prion vittatus ((m.)
Faizão
Vive nos mares do Sul e chega à costa para re-
produzir. Constou ao Principe Wied (II p. 846) que
põe nos rochedos dois ovos brancos, de tamanho enor-
me relativamente à ave.
XX. ORBO: PYGOPODES
Fam. Podicipedidæ
Podiceps dominiens (L.)
Era frequente em Cantagallo nos tanques e açu-
des. Em Novembro, observei um com 4 filhotes pe-
quenos. O Principe Wied (IV p. 835) assevera que
elle faz o ninho fluctuante e põe até 7 ovos.
SS UU
AMI. ORDO: CRYPTURI
Fam. Tinamidæ
Todas as especies dessa familia exclusivamente
sul-americana mostram grande homogeneidade, tanto
na sua forma exterior, côr da plumagem, modo de
vida, como na nidificação e feição dos ovos. Vivem
no matto e capociras, salvo o genero Nothura que é
proprio dos campos, não constroem ninhos, mas fazem
as suas posturas no chão, a modo dos gallinaceos, e
os seus ovos se distinguem pela forma espherica,
casca lustrosa e côr uniforme viva. Estes predicados,
conjunctamente com a relativa facilidade de os achar,
fazem-os bem conhecidos, figurando na sua maior par-
te na obra de Thienemann (l'ortpti. d. Voegel).
Em Cantagallo, existiam 4 especies de Tinamus.
As posturas conhecidas são as seguintes :
Wimamus solitarius (Vicill.)
O representante do imacico nos Estados do Sul e
Paraguay. Nidifica no matto, no chão e põe, segundo
o Principe Wied, 9 a 10 ovos de linda côr azul-verde,
que igualam em forma e tamanho os do pavão.
O Principe relata que varias vezes os seus cães
perdigueiros apanhavam a macúca viva sobre o ninho,
tão aferrada se mostrava na incubação. Põe em Se-
tembro e Dezembro ou Janeiro.
Tinamus major ((14.)
O macúco do Norte do Brazil pouco differe da
outra especie relativamente aos ovos.
Crypturus cinereus (Gm.)
Inhambu do Norte do Brazil. Ovos fortemente es-
phericos, de linda côr azulada.
— 108 —
Crypturus tataupa (Zemm.)
Inhambi
Quasi durante o anno inteiro encontram-se os ni-
nhos do inhambü pequeno e commum no solo das ca-
poeiras. Como todos os seus congeneres contenta-se
em esgravatar na terra uma pequena cova, quasi sem-
pre ao pé do tronco de uma arvore e põe alli sem
cama, os seus 4 ovos de fórma totalmente oval ou eli-
ptica, e de côr de chocolate com leite, sem desenho.
Casca lisa e perfeitamente lustrosa. Comprimento : 41
m/m; largura: 30 1/2 m/m.
Crypturus undulatus (Temm.)
Inhanbu
Burmeister S. U. 3.322. E’ uma especie do Sul.
Poe 4 a 6 ovos de linda côr arroxeada bem lustrosos.
Não é certo a que especie se refira a descripção de
Burmeister.
Crypturus obsoletus (Temm.)
Inhambu-agu
Euler, Jl. f. Ornith. 1867. 418. O Inhambu gran-
de é menos frequente do que o pequeno e prefere os
capoeirões e mattos. Põe 4 ovos da mesma forma elli-
ptica e cor de chocolate lustrado. São maiores e tem
90 m/m de comprimento sobre 35 m/m. de largura.
Crypturus pileatus (Dodd.)
Tururi
(Burmeister 3. 316.) Vive mais no Norte, onde
substitue o C. Tataupa. Ovos esphericos lustrados cor
de chocolate com leite.
Crypturus adspersus (7emm.)
Ovos côr de chocolate com leite.
— 109 —
Crypturus strigulosus (Tcomnm.)
‘Veja Burmeister II] p. 322.) Vive no sertão do
Norte. Põe ovos esphericos côr de chocolate claro.
Crypturus variegatus (Gmn.)
Chororão. (Veja Burmeister III p. 321) Especie do
Norte. Põe 5a Sovos côr de chocolate muito claro.
Crypturus noctivagus (Wied)
Zatelé ; Chad
Ovo de forma espherica com pontas apenas pro-
nunciadas. (Cor linda, verde-azul, dominando a ultima
nuança. Casca lisa e lustrosa, porém menos do que
nos inhambús. Comprimento: 51 m/m; largura: 44
ditos.
Rhynehotus rufescens (Tm.)
Perdiz
Vive nos campos de S. Paulo, Minas, Goyaz ete.
e taz o ninho no chão debaixo dos arbustos. Poe 7 a
9 ovos de fórma oval alongada, de côr roxo-clara e de
casca lisa e admiravelmente lustrosa. Sao do tamanho
de um ovo de gallinha.
Nothura maculosa (Temmn.)
Codorniz
Vive nos mesmos logares com a precedente. Tam-
bem é muito frequente em Buenos Ayres onde C.
Sternberg achou seus ninhos nos campos de alfafa.
(Jl. f. Orn. 1869, 274.) Um destes continha em No-
vembro 7 ovos. O ninho era uma pequena excavação,
guarnecida de algumas folhas e hervas. No Jl. f. Orn.
1870. 19 L. Holtz dá a seguinte descripção dos ovos:
Fórma oval alongada. Casca forte; superficie tão lus-
trosa que póde servir de espelho. Cor: chocolate es-
cura. (Comprimento : 42 m/m., largura : 32 ditos. Sem
desenho.
= AE
Nothura boraquira (Spi)
tepresentante da perdiz nos campos do Brasil cen-
tral. Os ovos são de cor de chocolate escuro, esphe-
ricos, do tamanho do ovo de faizão.
Burmeister, que trata dos ovos das Tinaminae com
certa extensão, applica-se em dividir essa sub-familia
em 3 grupos, conforme a cor dos seus ovos: o pri-
meiro com ovos de tom avermelhado claro; o segundo
com o de chocolate, e o terceiro com o de verde-azul.
Essa divisão não concorda com a actual acceita no sys-
tema dos generos, misturando o genero Tinamus com
o de Crypturus. Parece-me que se pode reduzir os 5
grupos de ovos a 2, sendo um de tom azul-verde, e o
outro de tom vermelho nas suas differentes graduações
de roxo ao chocolate-escuro. N’este caso o genero Ti-
namus comprehende todas as especies com ovos azul-
verdes, e os generos Crypturus, Rhynchotus e Nothura
as especies de ovos vermeihos com apenas duas exce-
pções: Crypt. cinereus e noctivagus que têm ovos ver-
des. Essas duas especies, alem dos ovos, têm grande
parentesco com os ‘Tinamus, relativamente ao seu modo
de viver e essa indicação da zoologia merece ser to-
mada em consideração.
NM. ORDO: STRUTHIONES
Fam. Rheidae
~
ricana L., acha-se nos campos dos Estados do Sul
e nos de Minas Geraes, onde o Principe Wied a en-
controu até nos limites do Estado da Bahia; a segunda,
R. Darwini habita o extremo Sul como a Patagonia.
Das 2 especies d’essa familia a primeira, R. ame-
Rhea americana (L.)
Ema
Diz o Principe Wied (4 p. 599) : «Em Setembro,
o macho e-a femea esgaravatam uma pequena cavi-
dade na terra do campo em logares de solidäo onde a
— Jil —
femea põe 28, 30 e até 60 ovos brancos. Alguns
desses ovos não ficam incubados e sim reservados para
a alimentação dos filhotes. Para esse fim a mãe os
parte e traz a ninhada para devorar os insectos que o
conteúdo attrahe. O Principe da as seguintes medidas
para os ovos: Comprimento: 4,1 a 5 pollegadas; lar-
gura: 3,4 ditos. (CG. Sternberg, Jf. f. Ornith. 1869.
275 e L. Holtz, ibidem 1870. 24 dão a seguinte de-
seripção do ovo: forma oval alongada: casca forte;
superficie porcellanea, muito porosa, lustrosa e lisa; côr:
branco-amarellada ; comprimento: 138 m/m; largura :
97 ditos. |
Veja-se tambem von Ihering nesta Revista vol. HI
p. 465.
B) PARTE COMPARATIVA
O numero das especies observadas em relação ao
seu modo de nidificar, apontadas na presente synopse,
sobe a 222, das quaes mais da 3.º parte em descripções
originaes minhas.
Synthetisando-as pela classificação de I. R. Gray
que segui neste trabalho, obtemos o seguinte quadro :
| | sup |
Wy Ne YR TER
| FAMILIAS FAMILIAS | ESPÉCIES
1.2 Accipitres . | 3 HOR ico
2a Passeres. 20 40 | 128
3.2 Scansores 4 7 21
4a Columbae 1 1 2
5.2 Galline . 2 3 6
6.4 Struthiones . 2 aa Ja 10
7.2 Grallæ 11 Lo o UP 17
8.1 Anseres . 6 men | 7
49 82 | 222
Fazendo abstracção do limitado numero das espe-
eles que não habitam o Brasil e que julguei dever men-
“ionar, vê-se que o presente quadro abrange apenas
cerca a “.º parte das especies brasileiras, adoptando para
— 112 —
essas o total de 1680, geralmente notado, proporção
certamente insuficiente para constituir desde já uma re-
presentação exacta da nidologia e oologia brasileira.
Esse tão desejavel tentamen fica reservado para fu-
turos investigadores que tenham material mais completo,
à sua disposição.
O que, porém, pode dar algum valor à presente sy-
nopse é que ella quanto ao numero de familias e gene-
ros é mais completa do que relativamente ao das espe-
cies, o que permitte sem duvida formar uma idéa ap-
proximativamente justa do conjuncto geral, embora fa-
lho de numerosos detalhes. Gonvem ainda considerar:
que, sob o ponto de vista nidologico é a ordem dos pas-
seres que desperta o maior interesse, sendo ella a unica
que poderá offerecer-nos formas novas ou originaes.
Ora, essa ordem conta mais da metade das nossas. obser-
vações. As outras não comportam valiosas divergencias
do já conhecido, e as suas familias, sendo em geral
representadas tambem em outras zonas, seguem principios.
invariaveis na Construcçäo dos seus ninhos, e não podem.
produzir typos caracteristicos para o Brazil.
Analysando o modo de nidificar das crdens repre-
sentadas no Brazil, e comparando-o com o que se obser-
va nas outras zonas, verificamos logo que as leis que:
regem a materia actuam aqui do mesmo modo, produ-
zindo os mesmos effeitos e consequencias, e que asdiffe-
renças climatericas pouco ou nada influem na fórma dos.
ninhos. Se podemos notar algum excedente nas fórmas
fechadas e nos incubadores em cavidades, creio que a
causa desse facto incontestavel deve ser procurada na
maior necessidade de protecção que existe para os nos-
sos passaros, expostos relativamente a maior numero:
de inimigos, e constitue uma adaptação a um meio mais
hostil. Basta lembrar os nossos numerosos Ophidios,
Simiae, Felinae, Marsupalia, etc. Poderia dar-se ainda
outra interpretação a grande frequencia do que chama-
rei o occultismo no modo de nidificação dos nossos pas-
saros. Segundo a moderna concepção evolutiva, as aves
desenvolveram se de antepassados immediatos que viviam
— 113 —
sobre as arvores, o que importa para aquelles a utili-
saçäo das cavidades nestas existentes, e a mencionada
preponderancia seria, então, um atavismo, favorecido pelo
caracter selvoso do nosso continente.
Afóra disso o conjuncto dos ninhos brasileiros offe-
rece o mesmo aspecto como o de outras zonas. Obser-
vamos aqui as mesmas proporções nas duas grandes
divisões que repartem as aves em: Heterophagos (Nest-
hocker) e Autophagos (Nestfluechter). Os primeiros fa-
zem parte, quasi que exclusivamente, das 4 primeiras
ordens, e os segundos das 4 ultimas. Nascendo os he-
terophagos em estado nú e cego, que perdura por espaço
“mais ou menos longo, é natural que sejam entre elles
encontrados os constructores de verdadeiros ninhos.
Nos autophagos, cujos filhos são logo aptos a dei-
xar o ninho e a procurar a sua alimentação, a con-
strucção daquelle é sempre muito rudimentar ou mesmo
de todo ausente. Nas 4 ordens que encerram os hete-
rophagos a 2.2, passeres, é a unica que apresenta verda-
deiras construcgdes, com o fim supremo de obrigar a
postura e subsequente prole. A creações de «homes»
ou edificios adequados a todos os misteres da procreação
e criação, testemunhas muitas vezes de apurada intelli-
gencia e real raciocinio, sobretudo no que diz respeito
à escolha da localidade mais propria, tendo estylo ada-
ptado às necessidades e no qual descobrimos não raras
vezes desenvolvido sentimento artistico, que da parte do
passaro, porém, não passa de meio de defesa.
As especies das outras ordens, ou são incubadores
em cavidades, naturaes ou artificiaes, ou se contentam
em construir uma simples base mais ou menos volumo-
sa, ds vezes guarnecida com material macio, nas ar-
vores, rochedos, juncos ou excavações feitas no chão.
Dir-se-hia que a perfeição dos ninhos acompanha as es-
pecies em escala descendente na properção do seu ta-
manho. As mais pequenas são geralmente os maiores
artistas. Parece que a consciencia de sua força dispensa
as aves fortes de rodear os seus ninhos das precauções
que a fraqueza das pequenas outorga a estas.
Les TIME
Considerando em seguida o modo de nidificar das
especies brazileiras conforme a ordem a que pertencem,
verificamos a grande concordancia que existe entre este
e o dos seus congeneres das outras partes do mundo.
A primeira ordem, Acciprtres, comprehende os
diurnos e nocturnos. Os primeiros, de accordo com o seu
temperamento bellicoso, collocam os seus ninhos nas al-
turas que permittem vista franca para os arredores, em
arvores ou rochedos inaccessiveis, e a forma predomi-
nante é a de um simples giriu feito com ramos e ga-
lhos, sem arte ou ligação e sem preoccupacäo de escon-
del-o. Como em outras zonas, os nossos representantes
do genero Circus fazem excepção dessas regras, collo-
cando o seu ninho no chão. Nas grandes especies, como
Morphnus e Spizaetus, esses ninhos são de dimensões
enormes com diametros superiores a um metro e altu-
ras proporcionaes. Os Vulturinae não constroem ninhos
e contentam-se de por os seus ovos nas fendas ou sali-
encia dos rochedos. Os Nocturnos, em consequencia
da sua vida nocturna são todos incubadores em cavida-
des ; as nossas especies de preferencia em arvores ôcas.
Na 2.º ordem, Passeres, achamos representadas
todas as formas de ninhos das outras ordens, desde a
simples excavação que caractepisa as ordens inferiores
até a perfeição dos leteridie e Trochihd:e, mostrando
com grandes variações os typos de cavidades, ninhos
fechados e abertos, no que se acham os nossos Pas-
seres de perfeito accórdo com o que se di nessa ordem
em outras zonas.
Das 4 tribus, em que se subdivide essa ordem, a
dos Fissirostres & a unica que apresenta homogeneidade
no seu modo de nidificar, sendo todos os generos que
a compõe, incubadores em cavidades, facto que se en-
contra outra vez na ordem dos Scansores, salvo os
Guculidee. E” de notar que familias exclusivamente
brazileiras como Rhamphastus, Galbula e Bucco sejam
occultistas, forma inferior de nidificação e que denota
grande antiguidade.
Com a tribu dos Jissirostres achamo-nos em pre-
sença de exclusivos incubadores em cavidades, como já
ficou dito. Em alguns generos ha modificações para
localidades simpiesmente encobertas (Hirundo, Cypselus).
Da familia Caprimulgid:, as especies maiores (Nyctibius)
utilsam-se de arvores ócas ou cepos abrigados pelos
renovos ; as pequenas poem no chão, mas sempre prote-
gidas por um tronco de arvore. De Chaetura ou Cy-
pselus as especies do velho mundo incubam em fendas
de muros, cavernas etc.; uma unica especie da Africa
colloca o seu ninho ao ar livre nas palmeiras. Das
especies brazileiras conhece-se sómente o ninho que
descrevi para Chaetura pelasgia que, embora obra do
passaro, equivale bem a uma cavidade. De Hirundo, a
St. ruficollis V. cava galerias nos barrancos, as outras
especies põem em cavidades e esconderijos existentes.
Trogon pratica cavidades nos ninhos do cupim; Bucco,
Ceryle e Galbula são exclusivamente cavadeiras. Está,
pois, fora de duvida a homogeneidade dessa tribu.
Na tribu dos Temwirostres encontramos pela pri-
meira vez a verdadeira construccäo em alto gradu de
perfeição nos ‘Trochilidse, tendo todas as suas especies
ninhos abertos em fórma de tigela, feitas principal-
mente de paina, e quasi sempre enfeitadas exteriormente
como adaptação ao ambiente. Os outros generos da
tribu têm ninhos fechados ou escondidos em cavidades.
Certhiola constrôe um ninho fechado. assim como o
genero Synallaxis. Dendrocolaptes incuba em arvores
ocas; Troglodytes e Anabates aproveitam cavidades
existentes ; Sclerurus cava galerias, e Furnarius realisa
o artifício e resolve o difficil problema de collocar uma
cavidade terreal no cume de uma arvore. Em summa,
predomina ainda nessa tribu a tendencia occultista.
Na 8.º tribu. Dentirostres, continuam a avultar
os bons architectos. A familia dos Mniotiltidie cara-
cterisa-se pelo habito de collocar os seus ninhos no
chão de conformidade com o seu modo de vida. O
mesmo é applicavel às familias dos Formicarina e For-
micivorina. Seus ninhos são em forma de tigela, quasi
sempre com superstructura. As nossas Turdidæ nidi-
— 116 —
ficam nas arvores copadas, como vos seus congeneros
de outras partes, e fazem ninhos identicos : tigelas aber-
tas, cuidadosamente confeccionadas e argamassadas com
barro.
Thamnophilus enceta o modo suspenso que appa-
rece mais frequentemente nas seguintes familias. O seu
modo de suspensão ainda não é o absoluto dos Icte-
rine, mas representa uma forma transitoria entre a
tigela aberta e a bolsa fechada e suspensa.
E” um cadinho fundo fixado na forquilha de um
galho.
Na familia dos Tyrannidæ a variedade na con-
strucçäo é grande, denotando numerosas differenças de
temperamento e organisação das especies que a com-
põem e a tornam bastante heterogenea. Attila esconde
o ninho nos barrancos; nos Taentopterinæ predomina
o modo fechado, em forma de bolsa lisa (Arundinicola).
Copurus e Machetornis vão até a occupaçäo de ninhos
abandonados de picapäu ou Furnarius. Os Platyrhy-
nchinæ distinguem-se pelos seus ninhos artísticos, sem-
pre fechados, bolsas suspensas cuidadosa sente tecidas.
As Elaineinse são ainda mais apurados artistas, e entre
os seus ninhos acham-se verdadeiras obras primas. O
da E. pagana rivalisa com o da Fringilla cœlebs da Eu-
ropa, citado como um dos mais notaveis. E. brevipes,
E. obsoleta e Rhyn. olivaceus são dignos de nota pela
sua originalidade e perfeição. Os dos Bemtevis (P.
sulphuratus, Myiozetetes) não deixam de mostrar grande
talento, embora a natureza do seu material não se
preste a effeitos artísticos. Myiodynastes solitarius é o
unico da familia que destoa pelo desmazelo da sua
construcçäo que o classifica antes nas Tyranninæ ge-
nuinas, cujos ninhos são em grande parte tigelas aber-
tas e mal feitas, quando o das Elaineinæ são todos ar-
tisticos e fechados, com excepção da E. pagana. As
Tyranninæ pois são mediocres constructores ; seus m-
nhos, baldos de conforto, não passam de simples cama-
das de material grosseiro, salvo o do Myicbius barba-
tus, que, pelo: primor do seu ninho, parece ser uma
Elainea deslocada entre os Tyrannos. Nestes sobresahe
a Hirundinea com o sen singular habito de estabelecer
uma base de pedras para o seu ninho.
Da familia das Cotingidee sômente pude observar
ninhos das sub-familias Tityrinæ e Piprinæ. As espe-
cies da primeira estabelecem ninhos em fórma de es-
pheras fixas; na das Piprinæ encontra-se outra vez a
forma de cadinho suspenso, commum a todas as suas
especies, como a vimos no Thamnophilinee.
Passando à tribu dos Conirostres achamos em
primeiro logar Cyanocorax, cujos ninhos singelos, em
forma de girau, justificam a sua natureza de corvo. Com a
seguinte familia, Icteridae, estamos em presença de
artistas consummados cujos productos não ficam atraz dos
celebres artefactos dos Ploceidae africanos. Toda a
sub-familia das Icterinæ nidifica em forma de bolsas
compridas, suspensas ao jogo do vento nas arvores al-
tas e tem o habito de reunil-os em colonias. Os ge-
neros Cassicus e Icterus, participam desse estylo. A
excepção apontada pelo Principe Wied para let. jama-
cai não tem valor pela origem dubia da relativa ob-
servação. Na seguinte sub- ER Agelainae, nota-
mos Aphobus que nidifica em galerias de barrancos ;
Leistes, que faz um cadinho suspenso nos carda-
es do Sul, e chegamos ao mal notado genero Molothrus que
adoptou os modos pouco leaes do Guculus canorus, O
cuco europeu, como meio facil da propagação da sua
especie, embora parentesco algum possa justificar seme-
lhante plagio. As causas que dão origem a essa ano-
malia na procreação dv cuco, apezar de numerosas con-
troversias, ainda não estão satisfactoriamente elucidadas ;
é, prrem, indubitavel que as que fizerem aqui do nosso
virabosta um emulo do cuco devem ser identicas.
Alem do M. bonariensis encontrou-se o mesmo habito.
no M. badius, e a observação posterior das outras es-
pecies do genero ha de provavelmente extendel-o ao
genero inteiro. Ultimamente, E. Goeldi verificou-o tam-
bem no Cassidix oryzivora. As ultimas familias da
tribu dos Conirostres, e com esta, da ordem dos Pas-
=.
seres, as Tanagridae e Fringillidae, já preparam a ho-
mogeneidade que vamos encontrar daqui por deante, e
abandonam, com apenas duas excepções, a grande va-
riabilidade de formas que caracterisam a 2.º, 3.º e 4? tri-
bu dos Passeres. O typo dos ninhos de Tanagra e Frin-
villa é o da tigela aberta, posta nas arvores, arbustos
e, raras vezes, no chão. São os ultimos artistas da serie.
As duas excepções a que me referi são o genero Arre-
mon que estabelece um tecto para a sua tigela, posta
no chão, e o de Procnias tersa, que cavando, galerias
nos barrancos, destoa completamente dos companheiros
que o actual systema lhe da.
Na 3.º ordem, Scansores, representada no Brasil
pelas 4 familias dos Rhamphastidae, Psittacidae, Pici-
dae e Cuculidae, familias rigorosamente limitadas e de-
marcadas, encontramos os mesmos caracteres no seu
modo de nidificar. As 5 primeiras são occultistas, in-
cubadoras em cavidades; a quarta, as Cuculidae, não
podia deixar de apresentar as anomalias que nessa
materia a distinguem por toda parte. Achamos, pois, o
genero Crotophaga fazendo ninhos sociaes ; Coecyzus
que incuba os seus ovos sem construir ninho, apro-
veitando ninhos alheios e apresenta tal irregularidade
nas suas posturas que se encontra no mesmo ninho
ovos e filhotes já crescidos. Daqui por deante não en-
contramos mais ninhos fechados nem incubadores
em cavidades. Tudo se passa a céu aberto; a con-
strucção é frequentemente nulla. Às especies crescem
em tamanho e força e dispensam as precauções usadas
até ahi. Apenas as menores ainda escondem os seus ni-
nhos nas brenhas, juncaes, etc.
As Columbidae, que constituem a 4º ordem, são
homogeneas nos seus ninhos, como nos seus caracteres.
Quem viu o ninho de uma das suas especies, conhece
os de todas as outras.
Nas Gallinae, 9.º ordem, as familias Penelope e
Crax ainda constroem ninhos toscos nas arvores. Odon-
tophorus, o nosso unico representante das Phasianidae,
segue o exemplo dos seus parentes exoticos, e faz um
ninho primitivo no chão.
— 119 —
Na 6.º ordem, Slrullhiones, não ha mais construc-
cio. Tanto Rhea como Tinamus reduzem os seus
ninhos a uma simples excavacäo no chão, mal guarne-
cida de material macio.
O mesmo se observa na 7.* ordem, Grallae, quan-
to as familias Charadrius, Haematopus, Psophia, Scolo-
pax e Jacana. As outras como Cariama, Ardea, Rallus,
Gallinula, Palamedea e Heliornis constroem ninhos muito
simples nas arvores e arbustos dos brejos, à beira dos
rios e riachos que habitam, e outras nos juncos.
Na ultima ordem, a dos Azseres, notamos o
Plotus anhinga que assemelha o seu ninho ao dos Ac-
cipitres diurnos, collocando-o nas arvores altas do mat-
to. Phoenicopterus constrée o ninho no chão com
folhas de junco; o mesmo fazem Cygnus. Anser, Anas
e Podiceps; o deste ultimo é fluctuante na agua.
As outras familias são exclusivamente maritimas e pro-
cream nas praias e ilhas do oceano, onde se utilisam dos
rochedos e areias sem proceder à construcções. Uma
excepção é representada pela Fregata aquila, o alcatraz,
que estabelece um ninho chato de ramos nos arbustos
daquellas localidades.
Comparando agora os nossos ninhos com os das
outras zonas vemos que os das especies, que fazem par-
te de familias cosmopolitas ou representadas em outras
zonas, são identicas entre si. Assim os ninhos dos nos-
sos Accipitres diurnos e nocturnos não differem dos
dos gaviões ou corujas exoticas. O mesmc se verifica
nos de Caprimulgus, Ceryle, Troglodytes, Turdus,
Corvus, I*ringilla, Picus, Columba, Ardea e outras
familias palustres ou aquaticas. Entre as familias e
generos brazileiros ou sul-americanos avulta o numero
de incubadores em cavidades e constructores de ninhos
fechados ou cobertos, constituindo este facto um traço
caracteristico da nossa ornis em relação com outras.
Já dissemos que pode ser considerado como mais uma
prova da relativa antiguidade da nossa fauna, ou attri-
buido a maior necessidade de protecção no meio da
grande intensidade daquella.
O =.
Como notabilidades em construcção possuimos bom
numero, mas sem levarmos a palma a outras terras,
especialmente a Africa, Australia e Oceania. O afamado
ninho do nosso João de barro, Furnarius rufus, é certa-
mente uma obra prima principalmente pela sua divisão
interna que o faz superior em conforto a muitas habita-
ções humanas. Tem porem sua analogia aperfeiçoada
no ninho de uma especie de garça africana, Scopus ui-
bretta Gm. que faz um ninho enorme, de cerca de 2 metros,
de diametro, fechado, composto de ramos e barro, apre-
sentando 3 divisões internas, das quaes a mais afastada
da entrada, como no Furn. rufus, serve de camara de
incubação. Os ninhos dos nossos guáches (Cassicus) e
Icterus acham seus equivalentes nos ninhos dos tecelões
africanos (Ploceus). Talvez que o dos nossos Synalla-
xinae (cinnamomea e albescens) sejam unicos pela sua ori-
ginalidade, e certamente o são os dos nossos beija-flores
pela sua delicadeza e elegancia. O ninho da nossa
Chaetura pelasgia póde perfeitamente rivalisar com o
celebre ninho do Parus pendulinus da Europa, citado
como o nec plus ultra da textura.
Entre nós são as tribus dos Fissi e Dentirostres da
ordem dos Passeres que mais se distinguem pela fórma
original dos seus ninhos, e entre estes são as Trochi-
lidae e Tyrannidae que contam o maior numero de ar-
tistas Com ellas rivalisa ainda a familha Icteridae da
tribu dos Conirostres. Nas outras ordens ou tribus pro-
curamos em vão ninhos artisticos.
Fica assim demonstrado que a zona neo-tropical, se
não é inferior a outras em relação a fórma e qualidade
dos ninhos, tambem não se separa d'ellas por typos
novos e originaes. E” porque não se pode esperar im-
portantes divergencias e innovações n'um assumpto d'essa
natureza. A sua origem é restricta, o seu fim rigoro-
samente limitado, sendo sempre e em toda a parte a
realisação do modo mais adequado de protecção e se-
gurança da prole. As variações que se observam na reali-
sação d'esse fim são productos da idyosincrasia do pas-
saro, assim como da natureza do ambiente em que este
vive. Sendo estes dois factores muito variaveis, tambem
o seräo os seus effeitos, e A. Brehm tem razäo quando
affirma :
«O parentesco dos passaros como familia e genero
não permitte concluir que elle deve manifestar-se pela
identidade na construccão dos seus ninhos. Gs diversos
membros de uma familia, ou mesmo genero divergem
frequentes vezes n'esse assumpto».
E assim deve ser, porque a architectura do ninho
nao passa de manifestação exterior de faculdades adqui-
ridas pelo passaro e por isso não póde ter grande valor
biologico. Isto, porém, não obsta a que em muitos casos
exista concordancia em alto grau entre as especies de
uma mesma familia ou genero, e que se esta não póde
ser criterio absoluto de classificação, pode e deve ser-
vir de guia auxiliar nos casos duvidosos, porque o
ninho, como manifestação do temperamento e como
producto do modo de viver do passaro. funda-se em
elementos vivos que deixam de acompanhar a sua pelle,
privando o systematisador de valiosos testemunhos e
argumentos.
Outro caracter apresenta o ovo. Este é um pro-
ducto organico, ligado intimamente à physiologia do
passaro; um producto do seu organismo e como tal
um elemento serio para estabelecer a sua differenciação
e fixação do seu lugar na serie, um producto de real
valor biologico. Sei que, externando-me deste modo,
vou de encontro ao estabelecido e que Brehm, por exem-
plo, estende o que a respeito dos ninhos já referi,
até o ovo, negando a este tambem valor classificador.
Estou, porem, convencido que ainda é cedo para pro-
nunciar-me em absoluto e definitivamente nesta materia,
em vista da actual deficiencia do material oologico, e da
relativa minoridade em que é tida a oologia.
A logica quer que haja connexão entre as causas
e seus effeitos.
Se aquella nem sempre se descobre nas familias e
seus ovos, ousarei apenas lembrar que a classificação é
obra humana e como tal convencional, e que quem põe
OS OVOS são OS passaros.
Devemos admittir que os ovos das poucas especies
primitivas, que na evolução serviram de troncos a actual
ornis, eram incolores e brancos como os que se observam
na classe dos reptis, seus antepassados. As cores, os de-
senhos originaram-se como meio de protecção para os
ovos das especies que, por diversas circumstancias e no
correr dos tempos, chegaram a adoptar ninhos abertos,
perpetuando-se o facto pela selecção das raças (Rassen-
zuchtwahl) e ar se pela selecçäo da estr uctura (Ge-
fiiegezuchtwahl). Na transformação lenta daquellas espe-
cles primitivas em n generos e e familias a natureza dos seus
ovos, fixada anteriormente, deve ter passado, ou ter
sido transmittida para os ovos destas, o que traz a
consequencia da conformidade dos ovos nos generos e
atê familias naturaes, que a conservaram por meio da
hereditariedade, como caracter physiologico, que não
pode ser desprezado como meio de differenciação.
Assignalada, assim, a importancia systematologica
que a meu vêr deve ser attribuida, em maior ou menor
erau, ao ovo, façamos um exame na oologia brazi-
leira pus pelas observações reunidas no pre-
sente trabalho. Convem, porem, fazel-o preceder de algu-
mas reflexões de caracter geral.
O que constitue a variabilidade do ovo é, de um lado,
a instabilidade na forma, e de outro lado, a da côr da
casca. A forma tem por origem a construcção do orgam
conductor, que leva o ovo desde o ovario até a cloaca.
As differencas desta produzem as variações na forma.
A cor e os desenhos são produzidos na cloaca. Ad-
mittia-se que o colorido do ovo provinha directamente
dos numerosos vasos sanguineos daquelle orgam. Uma
exacta analyse chimica, feita pelo Prof. Wilke, demons-
trou, porém, que esia opinião era inexacta. À côr par-
do-vermelha é constituida pela «Cholephyndina», e a
verde-azul pela «Biliverdina», ambas substancias com-
ponentes da bilis. Mas os mais sensiveis reagentes não
puderam patentear o menor vestigio de ferro, o que se
daria infallivelmente si a cór das manchas fosse um
producto directo do sangue.
As cores que se apresentam nos ovos da nossa
ornis são as mesmas que se observam na oologia exo-
tica; encontram-se todas as existentes e não se desco-
bre nenhuma nova, o que demonstra perfeitamente a
origem commum dos respectivos troncos. Como em ou-
tras zonas, os nossos incubadores em cavidades põem
ovos incolores brancos, os nossos Accipitres diurnos
conservam os ovos mesclados e os nocturnos, os ovos
brancos. As nossas andorinhas põem ovos brancos, como
as suas congeneres de outras zonas. © mesmo se da
com OS Nossos pica-paus, que até apresentam o lustre
commum a toda familia.
E” de notar que os beija-flores ponham ovos bran-
cos, apezar dos seus ninhos abertos em fórma de tigela.
Affirmam, deste modo, de um lado a sua antiguidade
e. de outro lado, o seu parentesco com os pica-paus.
Outra familia sul-americana, os Tracheophones,
tem, na grande maioria das suas especies, ovos bran-
cos incolores.
Corvus, Turdus, Fringilla, Charadrius, Ardea, como
cosmopolitas, conservam o typo dos seus congeneres, que
é verde.
As unicas familias brasileiras que se destacam pelo
typo sui generis dos seus ovos são Tinamus e Crotophaga.
Na occasiäo de descrever os ovos das Tinaminae,
já me externei sobre a conveniencia de reduzir o co-
lorido dos ovos a typos geraes. E de facto, as côres
que se notam nos ovos são: encarnada, amarella, parda,
preta, cinzenta, rosa, azul e verde, todas ellas nas suas
diversas escalas do claro para o escuro.
Como vimes, essas diversas cores têm somen-
te duas origens: a Cholephyndina e a Biliverdina
contidas na bilis. Da primeira destas substancias Geri-
vam-se o vermelho, o pardo, o preto e o amarello ;
este ultimo nunca apparece puro, mas sempre como
nuança clara do pardo, assim como o preto, nas man-
chas dos ovos, é antes uma nuança muito escura da-
quelle. O verde, azul, cinzento e rôxo, são productos
da segunda substancia.
— 124 —
O enfeixamento dessas cores em dois typos, ten-
do cada um determinada origem, é, pois, bem justifi-
cado. Além disso, a apreciação. de uma nuance de: côr
é geralmente toda subjectiva; dahi geram-se grandes.
divergencias nas descripções existentes. Por isso, pare-
ce-me racional, proveitoso e correspondente à realida-
de estabelecer 3 typos: o branco, o vermelho e o
verde.
Quanto à forma dos nossos ovos, esta, como em
outras partes, deriva-se do conhecido typo do das gal-
linhas, indo em numerosas graduações, de: um lado,
para a esphera do quiriquiri (Tinnunculus), e de outro:
lado, até a forma da pera (Gallinago frenata), mani-
festando-se a variabilidade de preferencia. pela forma:
mais ou menos aguda ou obtusa da ponta anterior do.
ovo, sendo a posterior muito mais estavel. Os ovos da:
oruis sul-americana apresentam todas as formas. conhe-
cidas em outras zonas.
Considerando os nossos representantes das & or-
dens em relação a seus ovos, notamos o seguinte à
Na 1.º ordem, Accipitres, os typos são homoge-
neos nas duas divisões: diurnos e nocturnos. Os. ovos.
da primeira são do typo vermelho malhado, os da se-
gunda do typo incolor. As Vulturidae parecem. desta-
car-se dos Falconidae pelo tom mais ou menos azula-
do do campo, quando estas mostram todo o decidido:
typo vermelho. Entre ellas, as Polyborinae, familia sul-
americana, distingue-se pela cor carregada do campo-
dos seus ovos, que vai até o pardo. O typo incolor:
dos ovos das Strigidae corresponde ao seu modo de ni-
dificar em cavidades, como com a sua vida nocturna.
Na 2.º ordem, Passeres, a 1.º tribu, os Fassiros-
tres, conserva as tradições da ultima divisão dos Acci-
pitres, sendo todas as familias que a compõe incubado-
res em cavidades naturaes ou artificiaes e como taes.
põem ovos brancos. Caprimulgus faz excepção, approxi-
mando se os seus ovos do typo vermelho, por meio. de:
raras manchas sobre o campo branco.
Na 2.º tribu, os Zenwrostres, a homogeneidade
— 125 —
desapparece. ‘Trochilus e a maior parte dos Anabates
pôem ovos incolores, constituindo uma continuaçäo dos
Fissirostres, emquanto Gerthiola e Troglodytes abrem
a série dos ovos pintados, que encontramos na seguin-
te tribu. Certhiola tem ovos do typo verde, Troglody-
tes do vermelho, ambos tmalhados.
Na 3.º tribu, Denterostres, apparecem todos os
typos bastante baralhados, e às vezes em desaccordo
com a classificação. às Mniotiltidae pertencem ao ty-
po vermelho, sendo os seus ovos de campo branco,
com manchas pardas. As Turdidae tem os ovos do ty-
po verde-malhado e nas Formicarüdae predomina outra
vez 6 typo vermelho. () mesmo se observa na familia
das Tyrannidae, onde o typo vermelho existe em todos
os generos. com exclusão do verde. O campo dos seus
ovos, quasi sempre malhados, mostra tons de cor de
carne ou amarello e pardo-claro. Na sub-familia das
Taeniopterinae nota-se, além do vermelho, o typo Inco-
lor para as especies incubadoras em cavidade, como
Copurus, ou em ninhos equivalentes, como Arundinicola.
el Platyrhynchinae destoa o ovo do Serphophaga nigri-
canis pela sua cor esverdeada e a falta de desenho, e nos
iaineinae o do E. brevipes, sendo incolor. As Tyran-
ninae são homogeneos no typo vermelho. Da familia dos
Cotingidae conheço somente os generos Pachyrham-
phus e Pipra; ambos tem ovos do typo vermelho, o
primeiro unicolor e o segundo malhado.
Na 4º. e ultima tribu dos passeres, os Concrostres,
é o typo verde o predominante. Cyanocorax distingue-se
por um ovo dos mais lindos: campo azul celeste com
desenho branco (2) Na familia das Icteridee encontra-
mos os generos Cassicus e Icterus, tão notaveis pela
sua nidificação, com ovos de campo branco-azulado e
malhados de roxo. Agelaius, com seus costumes disso-
lutos, não podia sujeitar-se a regras; pertence ora a um
ora a outro typo, como disse quanto ao Molothrus bona-
riensis, ou mesmo ao incolor, como o refere Sternberg. Na
familia das Tanagridae os generos Rhamphocoelus, Tachy-
phonus e Saltator são de typo verde; Thraupis, Calliste,
EEG: —
Arremon e Euphonia do vermelho. Sobre o incolor, Proc-
nias, mettido nessa companhia, já me pronunciel. As Ta-
nagridae têm todas os ovos malhados ; o mesmo se obser-
va nas Fringillidae, pois todas as suas especies procream
em ninhos aber tos. Os generos Volatinia e Sporophila são
do typo verde; Sy calis, Zonotrichia e Paroaria dão os
2 typos alternados.
Na 3.º ordem, Scansores, notamos as familias dos
Rhamphastidae, Psittacidae e Picidae como rigorosos in-
cubadores em cavidades e portanto todas do typo branco
em relação aos seus ovos. A familia das Cuculidae, ulti-
ma desta ordem, pertence ao typo verde exclusivamente.
Portanto esta ordem nãc tem um unico representante do
typo vermelho. Entre as suas familias destaca-se sob o
ponto de vista oologico como sob o do modo da incu-
bação, o notavel grupo das Crotophaginae, cujos interes-
santes ovos offerecem a singularidade de uma camada
calcaria branca sobreposta à casca lisa colorida. O ovo
da Guira ainda se avantaja pelos seus desenhos em relevo.
Sobre os ovos da 4.º ordem, Columbidae, que são
todos incolores, nada se offerece a dizer.
A 92 ordem, Gallinae, apresenta a mesma homo-
seneidade ; Penelope, Crax e Odontophorus poem ovos
brancos sem desenho.
Se na 6.º ordem, Struthzones, continua a serie in-
color com a familia Rheidae com as Tinamidae chega-
mos a mais interessante de todas relativamente ao colo-
rido dos seus ovos. Estes são, indubitavelmente, os mais Jin-
dos conhecidos até hoje. De grande homogeneidade no
seu aspecto, são sem rivaes na vivacidade e brilho das
suas cores, e sobretudo no notavel e extraordinario lus-
tro que realça aquellas. Nelles, os 2 typos, o vermelho
e o verde, attingem a sua maior pureza e intensidade.
O primeiro vai do.rosado, (chocolate com leite) no Crypt.
tataupa, até o pardo escuro, (chocolate puro) na No-
thura maculosa. O segundo manifesta- se em tom verde-
azul muito intenso. Todos esses ovos são unicolores, sem
desenho, a sua forma approxima-se da espherica.
Do tamanho do da pomba (Cr. tataup2) vão até o
— 127 —
do macuco (Tinamus solitarius). O fortissimo lustro é com-
mum a toda familia. São realmente unicos no seu genero,
sem equivalentes em outras zonas e constituem um verda-
deiro ornamento da oologia brazileira.
Na 7.º ordem, Grallae, o typo verde é represen-
tado pelos generos Charadrius, Arenaria, Psophia e Ar-
dea;o vermelho pelo Scolopax, Cariama, Rallus, Galli-
nula e Jacana, e o incolor por Palamedea.
Na 8.º e ultima ordem, Anseres, encontramos quasi
exclusivamente familias incolores, sendo excepção o ge-
nero Fregata que põe um ovo verde e além disso di-
stingue-se pela construccäo de um ninho nas arvores.
Por este resumo deprehende-se que a homogenei-
dade existente entre familias e generos quanto aos ovos
é muito mais pronunciada do que a que se observa em
relação aos ninhos, o que não é de extranhar conside-
rando a origem dos dous productos. Em todas as 8 or-
dens avultam familias e generos rigorosamente delimi-
tados e caracterisados pela cor dos seus ovos que assim
offerecem incontestavel elemento para a differenciação das
especies que as compõem.
Devemos concluir que a forma dos ninhos e, so-
bretudo, a cor dos ovos obedecem a leis naturaes que as
regem. Por emquanto, essas leis conservam-se obscuras
para o nosso entendimento e constituem um problema
a resolver. Por mais que se procure coordenar e sys-
tematisar esta materia a nenhum resultado satisfactorio
ainda se chegou. O que se deve fazer, por em-
quanto, é accumular materiaes para futuros obreiros.
Nesse sentido, sera proveitoso condensar as precedentes
observações na seguinte synthese :
Minhos brazileiros
1.0 typo: Cavidades naturaes e artificraes—Es-
conderijo coberto
Strix, Nyctibius, Chaetura, Hirundo, Trogon, Buc-
co, Galbula, Ceryle, Lochmias, Sclerurus, Dendrocolaptes.
Taenioptera, Procnias, Rhamphastus, Psittacidae, Pici-
dae, Troglodytes.
eS
~
2.º rypo: Æsphera, lclsas fechadas, fixas ow suspensas
Furnarius, Certhioa, Synallaxis, Pyriglena, Tae-
nioptera, Platyrhynchus, Elainea, Tyrannus, Pachyrham-
phus, Icterus.
3.º ryvpo : T'igela ow cadinha abertas
Falco, Trichas, Turdus, Attila, Platyrhynchus, El-
ainea, Tyrannus, Trochilus, Coracina, Pipra, Rupicola.
Muscicapa, Gyanocorax, Agelaius, Tanagra, Pytilus, Eu-
phonia, Fringilla, Porphyrospiza, Crotophaga, Coccyzus,
Columba, Penelope, Crax, Cariama, Ardea, Botaurus, Ral-
lus, Gallinula, Palamedea, Heliornis, Phoenicopterus,
Podiceps, Plotus, Fregata.
4,9 Typo: Ærcaraçoes no chão, mais ow menos quarnecidas
Caprimulgus, Tetrao, Rhea, Tinamus, Charadrius,
Arenaria, Psphia, Scolapax, Ortigometra, Jacana, An-
ser, Anas, Prion, Larus.
Generos que conta.n especies contendo ninhos de mais
de um typo. : Taenioptera: 1.º e 2º typo. Copu-
rus e Machetornis pertencem ao 1.º; Arundinicola ao
2° typo.
Platyrhynchus: 2.° e 3.° typo; Triccus ao 2.° e
Kuscarthmus e Serphophaga ao 3.° typo.
Elaineinae : 2.º e 3.º typo; E. brevipes, E. obso-
leta, Rhynchocyclus olivaceus e Pitangus ao 2.º, E. pa-
gana e Myiodynastes ao 3.º typo.
Tyranninae: 2.º e 3.º typo. Todas as especies
descriptas são do 3.° typo, com excepcão de Myiobius
barbatus, que faz parte do 2.º Os outros generos de-
scriptos são homogeneos quanto à forma dos seus ni-
nhos e a classificação das suas especies se encontra
na mesma
Ovos brasileiros
1º rypo: Incolor, branco sem desenho
Strix, Chaetura, Hirundo, Trogon, Bucco, Galbula,
Ceryle, Trochilus, Furnarius, Lochmias, Sclerurus, Sy-
= 16) —
nallaxis, Dendrocolaptes, Taenioptera, Platyrhynchus,
Hlainea,Agelaius, Procnias, Rhamphastus, Psittacus, Pi-
cus, Columba, Penelope, Crax, Tetrao, Rhea, Palame-
dea, Anser, Anas, Prion, Larus.
2.º mypo: Vermelho, wnicolor e malhado
Vultur, Falco, Nyctibius, Caprimulgus, Troglody-
tes, Trichas, Myrmonax, Pyriglena, Thamnophilus, At-
tila, Taenioptera, Pachyrhamphus, Elainea, Tyrannus,
Platyrhynchus, Pipra, Rupicola, Tanagra, Pytilus, Por-
phyrospiza, Euphonia, Tinamus, Cariama, Scolopax.
Rallus, Ortigometra, Gallinula, Jacana.
3. TYPO: Verde, unicolor e malhado
Certhiola, Turdus, Cyanocorax, Icterus, Agelaius,
Pitylus, Fringilla, Zonotrichia, Crotophaga, Coccyzus,
Tinamus, Charadrius, Arenaria, Psophia, Ardea, Botau-
rus, Fregata.
Generos que contam especies de differentes typos :
Taenioptera : 1.º e 2.º T. nengeta, Arundinicola e
Copurus sao do 1.º: Suiriri e Machetornis do 2.°
Platyrhynchinae : 1.º e 2.º Serphophaga ao 1.º, os
outros a0 2.º
Elaineinae : 1.º e 2.º Todas as especies do 2.º com
excepção de E. brevipes que faz parte do 1.º
Agelainae: 1.”,2.° e 3.º; Aphobus : 1.º; Leistes, 2.º
Molothrus : os 3 typos
Pitylimae: 2.º e 3.º Arremon : 2° Saltator : 3.º
Tinaminae : 2.º e 3.º : 11 especies do 2.º e 4 es-
pecies do 3.º typo.
Os outros generos são homogeneos em relação a
cor dos seus ovos.
PARTE BIOLÓGICA
| Desde 0 principio do nosso seculo Natterer, o
Principe zu Wied, Freyreiss, Sellow, Saint-Hilaire,
Spix, Martius, Swainson, Langsdorf, Ménétriés, Lund,
Reinhardt, Castelnau e Deville, Wallace, D'Orbigny,
= nL e
Burmeister, von Tschudi e outros naturalistas viajantes
percorreram o nosso continente, explorando a sua flora
e fauna, e construíram a ornithologia sul-americana.
Tornaram assim bem conhecidas as suas imimensas ri-
quezas, de modo que hoje muito pouco ou quasi nada
resta a descobrir e a accrescentar ao quadro. As suas
colleeções acham-se repartidas entre os museus euro-
peus e norte-americanos que apresentam uma imagem
do mundo dos nossos passaros certamente mais exacta
e completa do que os nossos proprios institutos con-
generes.
Se, porém, a representação e classificação da nossa
fauna ornithologica pouco deixa, a desejar, o mesmo
não acontece com o conhecimento dos seus costumes e
sobretudo com o que diz respeito ao seu modo de re-
produeção.
Além de grandes lacunas encontram-se numerosos
erros neste importante assumpto. E não é extranhavel
esse facto, pois que o respectivo estudo exige antes de
tudo prolongada residencia no mesmo logar, com re-
petidas e continuadas observações, factores irrealisaveis
para o viajante. Este geralmente depende das in-
formações dos habitantes que nem sempre merecem
confiança, por não ligarem a devida importancia a ma-
teria, e quando elle não tem a rara fortuna de achar
por si um ninho com os seus ovos e apanhar o pas-
saro proprietario, os que elle possa obter indirecta-
mente não podem, com poucas excepções, fazer fé na
sciencia. Sômente observações de pessoa competente
tem valor. .
Convencido desta verdade dediquei-me nos annos
de 1862 a 1866 ao estudo do modo de reproducçäo dos
passaros do districto de Cantagallo, na então provincia
do Rio de Janeiro, residindo na minha fazenda do Bom
Valle,e em 1867 e 18€8 publiquei parte do resultado
obtido no «Journal fiir Ornithologie, orgão central para
a ornithologia» redigido e editado pela notavel auctori-
dade ornithologista, o Dr. Jean Cabanis, em Berlim.
Embora sem outro merecimento do que o que pos-
— 131 —
sa resultar da prolongada e exacta observação dos fa-
ctos, o que não era dado aos viajantes, teve o meu mo-
desto trabalho boa acceitacäo nos circulos competentes.
O eximio director do Museu Paulista, o Sr. Dr. II.
von Ihering, pensou que elle devia occupar um logar
na sua excellente revista como contribuição para a or-
nithologia patria, e me incumbiu da honrosa tarefa da
sua traducção em lingua vernacula. Desempenhando-me
della, julguei conveniente adduzir às minhas proprias ob-
servações as que por outros naturalistas foram publica-
das sobre o mesmo assumpto e constituir assim uma
exposição summaria do estado actual da nidologia e 00-
logia sul-americanas que poderá servir de embryão para
ulteriores trabalhos.
Cantagallo está situada na encosta norte da serra de
Nova-Friburgo cerca de 22.º de latitude sul. O districto é
limitado ao norte pelo rio Parahyba do Sul, e a sua
altura media acima do nivel do mar é de 300 a 400
metros. © seu caracter orographico é o de um ter-
reno montanhoso, de altura mediana. cortado por fun-
das grotas e desfiladeiros, sem valles notaveis, banha-
do por numerosos corregos e pequenos rios que des-
embocam no Parahyba, e coberto de mattas e planta-
ções.
Ha relativamente poucos annos que o districto
formava uma não interrompida matta virgem, frequen-
tada por poucos garimpeiros do visinho Estado de Mi-
nas Geraes à procura do ouro. Quando, em 1819, fun-
dou-se a colonia suissa no Morro Queimado, hoje No-
va-Friburgo, muitos colonos abandonaram esta e des-
ceram para as terras quentes do districto, abrindo
numerosas, e mais tarde prosperas fazendas de café.
A fazenda do Bom Valle, theatro das minhas opera-
ções ornithologicas, apresenta as seguintes conforma-
ções de terreno e vegetação: Nos limites de uma ses-
maria alternam as plantações de café com a matta vir-
gem, capoeirões, capoeiras, pastos e um pequeno brejo.
Na visinhança, corre o pequeno rio Macuco. A tempe-
ratura media annual, segundo as minhas observações,
— 132 —
é de 22,5? C. sendo a minima de 7,7° em Julho e a
maxima de 37,9º em Outubro e Janeiro. De Abril a
Setembro reina tempo seeco; com o augmento do ca-
lor em Outubro apparecem frequentes trovoadas, e de
Novembro a Janeiro as grandes chuvas, que, às vezes
caem durante semanas, sem interrupção.
As minhas observações foram feitas exclusiva-
mente ahi e no districto de Cantagallo; são, portanto,
de caracter puramente local. Se ellas muitas vezes vão
de encontro a observações alheias, será isso devido a
esse caracter, abrangendo as outras quasi sempre ter-
ritorios mais extensos. (Considero, porem. o meu districto
como sendo de posição eminentemente favoravel para
estudos ornithologicos, porque a vizinhança do Tropico
faz que aqui se opere uma especie de fusão das faunas
respectivas, e assim encontrei muitas especies que
na literatura dos exploradores figuram como pertencen-
cendo exclusivamente a zonas septentrionaes ou meri-
dionaes. Penso mesmo que, abstrahindo da zona do
Amazonas e do Prata, o modo de viver dos passa-
ros, que occupam a zona intermediaria d'estes dois rios
deve ser geralmente concorde com o que observei
em Cantagallo.
Encontrei n’esta restricta zona cerca de 250 especies,
numero relativamente pouco avultado. Attribuo-o ao con-
stante progresso das culturas. As nossas mattas virgens
não são mais compactas, cobrindo grandes extensões 0
que afasta muitas especies que disso fazem condição da
sua permanencia. Assim retiraram-se no correr da in-
vasão da lavoura as diversas especies de Aräras que
habitavam aqui em grande numero; todas as especies
dos generos Crax, e Urax Cuv. (mutuns) assim como
algumas dos generos Crypturus e Penelope. Depois de-
vemos desfalcar, na ausencia de extensos brejos, quasi
todas as grandes especies palustres, as aquaticas e, na-
turalmente, as maritimas. Avaliando as especies, que
me escaparam, em 100, não deixa o nosso districto, com
390 especies, de dar demonstração de boa riqueza or-
nithologica.
— 133 —
A observação da vida dos passaros nos tropicos
é, certamente, mais penosa do que nos climas tempera-
dos. Numerosos são os obstaculos e entre elles avulta
a uberrima vegetação. A matta virgem é em grande
parte, impenetravel para o observador e allisempre ha um
acaso feliz quando se lhe depara um ninho. Por isso,
não é de extranhar que, na lista dos ninhos descriptos
por mim os dos passaros da capoeira e plantações este-
jam em maioria.
Procurei agrupar as minhas observações sobre a
reprodueção dos nossos passaros em Cantagallo nas 3
tabellas juntas, que têm por base 4 annos de investi-
gações. Apezar da sua imperfeição e das grandes, mas
inevitaveis, lacunas que n'ellas se notam, não duvido que
possam prestar-se a endireitar algumas idéas erroneas
que até hoje dominam nesta materia, e a servir para
esclarecer pontos obscuros do thema.
A primeira tabella mostra a repartição das postu-
ras sobre os 12 mezes do anno.
Por ella pole-se affirmar que a postura da maio-
ria dos nossos passaros coincide com o periodo que de-
corre de meiados de Agosto até fim de Fevereiro, sal-
vo numerosas excepções que tiram a esta affirmação o
caracter de absoluta. Taes excepções são as que notei
para Troglodytes musculus e Certhiola chloropyga, cujos
ninhos sempre encontrei já em Julho durante os 4 an-
nos; Serphophaga nigricans V. que construia com gran-
de regularidade debaixo do nosso telhado em principios
de Julho; além dessas varias especies de pombos, sobre-
tudo a Jurity e a rola, e a maior parte dos beija-flo-
res que já em Junho e Julho procedem à incubação.
A pequena differença que existe entre as estações ex-
plica suficientemente estes factos, e na zona de serra
abaixo, onde ella é ainda menos sensivel, notei que a
época da reproducçäo ainda é mais cedo.
Todavia as posturas de Agosto e Setembro podem
ser consideradas como temporas. pois que as que fi-
guram na columna de Agosto pertencem quasi todas
ao ultimo terço do mez. Sômente em Outubro a in-
cubação toma o caracter de geral para perdel-o em
Fevereiro. Na tabella, o mez de Outubro apresenta o
maximo; parece-me, porém, que Dezembro e Janeiro
devem ser de egual valor, porque o deficit que n'elles
se nota pode ser attribuido às dificuldades de observa-
ção, oriundas das chuvas que geralmente reinam, naquel-
les mezes.
Como se vê, os meus dados concordam geralmente
como os affirmados por outros autores, entre estes O
Principe Wied e Burmeister.
Em estreita connexão com o tempo da procreação
acha-se a mudança de domicilio dos passaros. Esta é
facil de notar-se eo foi tambem pelos dois citados au-
tores, que a attribuem, porém, a varios factores que, não
parecem fundados. Para mim, a unica causa da-
quella mudança &, a necessidade que tem o pas-
saro de proceder à sua procreação e aos cuidados : in-
herentes a esta. O Principe Wied opina que o tempo
da chuva obriga os nossos passaros a abandonar a matta
e a procurar os logares descampados ; Burmeister af-
firma que elles sahem do matto em Novembro ese appro-
vimam então das habitações. Ambos raciocinam com
o calor humido daquelle mez que torna o matto inhabitavel
para os passaros, e com a maturação das fructas, que, se-
gundo elles, tem logar em Novembro e os attrahe para
as plantações.
Ora, realmente, existe um periodo onde os nossos
passaros abandonam os bosques para percorrer em ban-
dos mais ou menos numerosos as localidades abertas,
mas esse periodo é em Maio e vai até Setembro, e não
no tempo das chuvas. Aquella época é appelidada pelo
povo de tempo dos passarinhos; a época em que se vai
«passarinhar». N’esse periodo, a reproducção acha-se
concluida e pais e filhos reunidos visitamentão os campos,
plantações e jardins. No tempo do estio, de Outubro a
Abril, observa-se o contrario. Os bandos dissolvem-se
em pares, que, solicitados pelo instincto da reproducção,
se internão no matto e esquivam à observação do
homem. - Além disso, o tempo da maturação das fru-
ctas cae geralmente aqui no inverno e não pdde, por-
tanto, influir sobre os passaros em Novembro. O principal
factor do movimento notado, mas em sentido inverso,
é o cuidado da procreação que muda o habito do pas-
saro. Nem essa mudança tem grande saliencia, porque
afora daquella, motivada pela reunião dos pais e filhos,
pouca variação se nota na residencia das especies.
Passaros genuinos da matta virgem nunca sahem desta,
e os da capoeira e do campo têm a mesma tenacidade
quanto aos logares que lhes convêm.
Ao lado d'esse movimento geral, facil é distinguir
outros, embora parciaes, que tambem se operam no
inverno. Exceptuadas as especies que se observam durante
o anno inteiro, vê-se então apparecer pequenos bandos
de outras que aqui não procream nem residem habi-
tualmente. São diversas Fringillas, Tanagras, Musci-
capas e beija-flores. Estas migrações, sim, são origi-
nadas pelas attracçües do alimento, apezar de que não
faltam exemplos de passaros que preferem mudar de
alimento a emigrar. Assim, achei o Procnias tersa
no inverno nutrindo-se exclusivamente de fructas, mas
em Novembro os seus estomagos estavam repletos de
insectos. Chiromachaeris gutturosa, insectivoro no ve-
rão, come no inverno bagos que colhe, voando, em redor
do arbusto. Celeus flavescens e Melanerpes candidus,
embora insectivoros genuinos, comem fructas no in-
verno, e até o Bemtevi de quem ninguem poderia sus-
peitar relativamente à natureza da sua alimentação, ven-
do-o tão acodado na caça dos insectos, abstem-se dos
seus costumes quando sitiado pela falta daquelles, pois
o estomago de um, morto em Julho, continha uma
não pequena fructa verde.
Emigração e immigração absoluta e regular só as
pude verificar com certeza para duas especies, attribu-
indo-as à influencia da temperatura da estação. A
primeira é Tyranus melancholicus, que, muito frequente
até principios de Maio, desapparece subitamente para
voltar em fins de Setembro aos mesmos logares.
A outra é um pequeno papa-moscas, o Myiocha-
nd ©
nes cinereus Spix, que arriba em Maio, tomando posse
de todos os cepos à beira dos caminhos, e que, em fins
de Agosto, some-se completamente. Parece que ambas
emigram para o norte à procura do calor, com diffe-
rença que a primeira tem aqui a sua patria onde pro-
crea, e a segunda vem emigrada do sul. Cito essas
duas especies porque pude observar 0 seu movimento
todos os annos com grande regularidade; nao duvido,
porem, que esses dois casos não sejam isolados, pois
que durante o inverno notei outras ausencias, como
seja a de Myiodynastes solitarius, Sisopygis icterophrys,
Conurus leucophthalmus, Butorides striata, Pipridea
melanonota, Euphonia violacea, Helothrix auriculatus,
Clytolaema rubinea, e a de Chasmorhynchus nudicol-
lis, ete.
Na segunda tabella expuz a data (mez) da desco-
berta dos respectivos ninhos, segundo as diversas espe-
cies, com o intento de illustrar a controversa questão
do numero de posturas annuaes dos nossos passaros.
Bajou pretende que os pequenos passaros da Guya-
na Franceza fazem 4 e 5 posturas por anno. Para a
mesma zona R. Schomburgk ad nitte uma segunda pos-
tura como excepção da regra geral. O Principe Wied
e Burmeister concedem 2 posturas annuaes como re-
gra geral para os pequenos passaros do Brasil, e não
negam a possibilidade de uma terceira.
A minha experiencia approxima-se bastante da dos
dois ultimos autores, porem com a modificação de con-
siderar-se uma terceira postura como regra para varios
generos e de admittir a segunda como absoluta. Duas
posturas annuaes é a lei normal dos passaros da nossa
zona; se ha alguma rara excepção deve ser procurada
talvez, nos grandes rapineiros diurnos.
As lacunas que se notam na minha tabella, e que
parecem em contradicçäo com esta these são unicamente
provenientes do relativo curto espaço das observações ;
ulteriores investigações hão de confirmal-a com certeza.
A procura dos ninhos aqui offerece grandes diffi-
culdades, e tempo ainda passar-se-ä antes de obtermos
-- 157 —
um quadro completo sobre o modo de procreaçäo dos
nossos passaros. Geralmente, o povo mostra-se indif-
ferente a nossa opulenta natureza, e o observador fica
reduzido aos seus proprios esforços, ainda para as
cousas mais elementares.
Considero, pois, uma segunda postura annual como
regra fixa para os passaros de Cantagallo, sendo, para
os que se contentam com duas posturas, a primeira em
Setembro ou Outubro e a segunda em Dezembro ou
Janeiro. Para os que fazem mais de duas posturas o seu
periodo se estende de Agosto atê Fevereiro ou Março.
Entre estes conto especialmente os seguintes: Hirundo,
Pipra, Fringilla, Tanagra, Synallaxis, Troglodytes, a
maior parte das muscicapas e Tyrannus, Trochilus,
Crotophaga, as pequenas especies do Picus, Columba,
Crypturus, Jacana etc. Encontrei 4 posturas na Zono-
trichia, Synnalaxis cinnamomea, Leptoptila reichenhachi,
Chamaepelia talpacoti e Crypturus tataupa.
Rarissimas v2zes me foi dado observar o mesmo
casal em suas consecutivas posturas; além disso é ma-
nifesto que a natureza tropical não se cinge a regras
rigorosas, o que muito difficulta a exacta observação do
numero de posturas de uma mesma especie. Se, porêm, eu
encontro os ninhos de Sycalis flaveola, por ex., em Outubro,
Dezembro, Fevereiro e Março não terei errado admit-
tindo 3 posturas annuaes para esse canario, sobretudo
tomando em consideração outros factores, como sejam
a mudança no modo de viver durante esses 6 mezes, O
apparecimento dos filhotes em companhia dos pais ete.
Em alguns poucos casos tive a fortuna de poder
seguir o mesmo passaro no intervallo de duas posturas.
Em 17 de Novembro, encontrei o ninho do Sanhaço,
Tanagra sayace, com 3 ovos. Em 2 de Dezembro, nasce-
ram 2 filhotes, o 3." ovo estava gorado. Em 15 de De-
zembro, os filhotes voaram. Em 8 de Janeiro, achei o
mesmo passaro no mesmo ninho incubando 3 ovos que
nasceram em 11 dias. Admittindo 16 dias de incubação,
(17 de Novembro a 2 de Dezembro) o começo da 2.
incubação encontraria o 27 de Dezembro e, portanto, 0
— 138 —
tempo decorrido entre a partida dos primeiros filhotes
e o começo da 22 incubação não seria maior do que
11 dias. Entretanto, esse sanhaco completou duas postu-
ras em menos de 2 mezes. Encontra-se, porém. os seus
ninhos frequentemente já em principios de Setembro o
que até fim de Janeiro perfaz 5 mezes para o periodo
da sua procreação, e considerando os factos acima re-
latados, perfeitamente exactos, não será exagerado admit-
tir 3 posturas annuaes para essa especie. Um outro
exemplo me offereceu um casal de tico-ticos, (Zonotri-
chia). Encontrei o seu ninho em 10 de Dezembro com
4 filhotes recemnascidos, dos quaes 2eram virabostas,
Molothrus bonariensis. Depois de haver criado todos os
4, achei a mesma femea, facilmente reconhecivel pela
falta das penas caudaes das quaes conservava uma unica,
em 30 de Janeiro, incubando no mesmo ninho 2 ovos,
sendo outra vez 1 do virabosta. Ambos nasceram no dia
seguinte. Portanto, ahi houve tambem 2 posturas no
espaço de 2 mezes, quando o seu periodo de procreação
é não menos de 6 mezes. Turdus rufiventris em 19 de
Setembro com 4 ovos; em 16 de Outubro voaram os 4
filhotes e em 24 dito o sabiá havia começado segunda
postura com um ovo no mesmo ninho.
Pode-se, pois, affirmar que a 3.º postura não é caso
raro e que nas especies numerosos em individuos tor-
na-se geral, assim como naquellas cujas posturas não
excedem de 2 ovos.
Parece-me isto tanto mais natural quanto é sabido
que varias especies européas, em verão favoravel, fazem
3 posturas, sendo pouco provavel que a poderosa natu-
reza tropical produza em menor escala, sobretudo tendo
em vista que o numero medio dos ovos de cada postura
aqui é inferior á media europea.
A forma e feitio dos nossos ninhos é de grande
variedade e afóra dos já conhecidos achei outros dignos
de menção. Devo notar que é nesta materia que se en-
contram as maiores divergencias nos autores, e varios
ovos representados na obra de Thienemann (Iortpfl. der
Voegel) não combinam com os originaes que aqui colhi.
ae BG 1 amis
Pelo que diz respeito ao numero de ovos de cada
postura, a terceira tabella demonstra que as minhas ob-
servações não concordam com as de R. Schomburgk
e de Wied. Esses dois autores affirmam que a maioria
dos nossos passaros põe apenas 2 ovos em cada postu-
tura, quando, na realidade, póde-se considerar as pos-
turas de 3 ovos como regra geral. Mais da metade
das especies que o Principe Wied menciona na sua
lista com 2 ovos, deve ser promovida para a columna
das de 3. Além disso, tenho fundada esperança que ul-
teriores investigações façam passar muitas especies da
minha columna com 2 ovos para a de 3, principalmente
entre os generos Fringilla, Tanagra e Muscicapa.
Somente 2 ovos poem os beija-flores, pombas, as es-
pecies maiores dos papagaios e provavelmente os tuca-
nos, aracaris e quasi todos os pica-paus. Posturas de
3 e 4 ovos são muito mais frequentes do que as de 2,
e mesmo no exiguo Orchilus auricularis achei uma pos-
tura de 3 ovos minusculos.
Para Crotophaga ani e Guira guira, o Anum preto
e o branco, adoptei o numero de 3 ovos, porque creio
que cada femea não concorre com maior numero para
as suas posturas sociaes. Ha pouco tive occasiäo de ob-
servar um ninho de anuas pretos, construido e servi-
do por 2 casaes, que não tinha mais do que 5 ovos.
Nas especies que figuram na rubrica dos 4 ovos.
achei este numero com grande regularidade nas suas
posturas. embora as terceiras posturas dos Megarhyn-
chus pitangua e dos Sisopygis icterophrys constem, às
vezes, de 3 ovos. Stelgidopteryx ruficollis/põe normal-
mente 4 ovos, raras vezes 5 e uma unica vez a encon-
trei com 6 ovos. Os Inhambtis fazem posturas de 4 a
12 ovos. Na pequena gallinha do brejo, Porzana albi-
collis, extranhei o numero de 8 ovos que encontrei,
quando seus proximos e grandes parentes, as saracu-
ras, poem sómente 4 ovos. E” possivel que aquelle ni-
nho fosse social.
Thienemann julga que as aves carnivoras fazem
posturas menores do que as fructivoras. Nao posso ex-
— 140 —
ternar-me sobre este ponto, por falta de material; das
minhas resumidas observações, porém, resulta que para
o Brasil ha excepções a essa regra. Muitos dos nossos
insectivoros fazem tantas e tamanhas posturas como os
fructivoros. A maior parte das Muscicapas, Tyrannos,
batára, andorinhas, etc., figura nas rubricas dos 3 e 4
ovos, emquanto, por exemplo, os pombos poem geralmen-
te so 2 ovos e as Tanagras e Fringillas nunca mais de 3.
Resumindo agora as obser vações contidas nas mi-
nhas 3 tabellas, poderei tirar as seguintes conclusões, não
sem grandes reservas, visto suas numerosas lacunas.
O periodo geral da procreação dos passaros da
zona de Cantagallo coincide com o periodo quente e
humido do anno, e dura de Setembro a Março. Creio
hoje que esta afirmação se pode extender a toda Ame-
rica do Sul. Varias especies não se prendem a estes
limites, o que no nosso clima não póde ser estranho.
Neste periodo todos os nossos passaros procream
no minimo duas vezes, e 3 posturas são tão frequen-
tes que perdem o caracter de excepção da regra.
O numero dos ovos, embora inferior na sua me-
dia ao dos climas temperados, é, todavia, maior do
que se computava até hoje.
Emigração e mudança de residencia maiores são
positivamente excepções. O movimento geral que se
observa de Maio até Setembro, e que é conhecido pelo
termo de «tempo dos passarinhos» é devido, principal-
mente, à terminação das posturas que se dá nesta epo-
ca e à apparição dos seus productos.
Finalmente, a opinião geralmente admittida atè
hoje e que attribue aos passaros do tropico menor
força de reproducção, deve ser substituida pela opposta,
sendo a media inferior do numero de ovos compensa-
da e superada pelo maior numero das posturas como
pela sua extensão em maior periodo, e que tambem
nesta classe de animaes e nesta materia a natureza
tropical sabe conservar o seu caracter sobrepujante e
seus incontestados privilegios.
— 141 —
Terminando assim este despretencioso trabalho,
não posso apresentar cutra justificação da sua grande
deficiencia, que sou o primeiro a reconhecer, a não
ser as numerosas difficuldades que sempre acompanham
as primeiras tentativas num terreno novo. E o terre-
no que aqui investi é virgem e ainda esta à espera do
seu lavrador, porque atê hoje não existe um tratado
da nidologia e oologia brasileira independente. Os seus
elementos andam esparsos em multiplas publicações ex-
trangeiras, e não permittem formar-se uma idéa justa
e exacta do Importante assumpto. Além disso, as gran-
des lacunas existentes nas observações atê o presente
conhecidas não deixam esperança que por ora se possa
emprehender de modo satisfactorio tal obra, e serão
ainda por muito tempo um serio obstaculo a tão util
quão desejavel empreza.
Possa ao menos o presente esboço servir de in-
citamento, senão de ponto de partida, à realisação de
semelhante feito patriotico.
Novembro de 1898.
ee
Tabella n.º 1
Epoca das posturas segundo os mezes
JANEIRO
Asturina nattereri, Scl. Salv.
x
Tanagra sayaca, 4.
Saltator similis, Lafr. O.
Spermophila coerulescens, B. e V.
Zonotrichia capensis, (Müil.)
Turdus rutiventris, V.
Megarhynchus pitangua, L.
Myiozetetes similis, (Spix)
Arundinicola leucocephala, (L.)
Tyrannus meiancholicus, V.
Molothrus bonariensis, Gin.
Chrysoptilus melanochlorus, Gm.
Chamaepelia talpacoti, 'T.
Leptoptila reichenbachi, Pelz.
Crypturus tataupa, V.
Jacana jacana, L.
Porzana albicollis, V.
Gallinula galeata, Licht.
Nettion brasiliense, Gm.
FYEVEREIRO
Chiromachaeris gutturosa, Desm.
Calliste tatao, L.
Guiraca cyanea, L.
Volatinia jacarini, L.
Sycalis flaveola, L.
Psittacula passerina, L.
Leptoptila reichenbachi, Pelz.
Odontophorus capoeira, (Shaw.)
Crypturus tataupa, V.
MARÇO
Sycalis flaveola, L.
Lampornis violicauda, (Bodd.)
Psittacula passerina, L.
Crotophaga ani, L.
Leptoptila reichenbachi, Pelz,
Crypturus tataupa, V.
ABRIL
Megarhynchus pitangua, V.
Dendrobates affinis, Sws.
Crypturus tataupa, V.
|
i
|
|
|
MAIO
Troglodytes musenlus, Naum.
Leptoptila reichenbachi, Pelz.
JUNHO
Thalurania glaucopis, Gm.
Crypturus tataupa, V.
JULHO
Certhiola chloropyga, Cab.
crypturus tataupa, V.
AGOSTO
Catharista atrata, (Bartr.)
Zonotrichia capensis, Mill.
Troglodytes musculus, Naum,
Thryophilus longirostris, V.
Synallaxis cinnamomea, Gm.
Certhiola chloropyga, Cab,
Thalurania glaucopis, Gm.
Ostinops decumanus, Pall.
Guira guira, Gm.
SETEMBRO
Ictinia plumbea, Gm.
Scops brasilianus, Gm.
Stelgidoptery ruficollis, V.
Tanagra sayaca, L.
Zonotrichia capensis, (Miill).
Turdus rufiventris, v.
Serphophaga nigricans, V.
Empidonax bimaculatus (Lafr. O.)
Sisopygis icterophrys. V.
Megarhynchus pitangua, L.
Myiozetetes similis (Spix)
Elainea pagana, Licht.
Hirundinea bellicosa, V.
Pitangua sulphuratus, L.
Molothrus bonariensis, Gm.
Ostinops decumanus (Pall.)
Cassicus haemorrhonus, L.
Thalurania glaucopis, Gm.
Ror.
mr Ãçcvcoesas
Trogon viridis, L.
Trogon aurantius, Spix.
Crotophaga ani, L.
Guira guira, Gm.
Chrysoptilus melanochlorus, Gm.
Leptoptiia reichenbachi, Pelz.
Chamaepclia talpacoti, Temm.
Crypturus noctivagus, Wied.
Crypturus tataupa, V.
Crax carunculata Temm.
Penelope superciliaris, Ill.
Gallinago frenata, Ill.
Limnopardalus nigricans, V.
Jacana acana, L.
Nettion brasiliense, Gm.
OUTUBRO
Tinnanculus cinnamominus, Sw.
Asturina nattereri, Sel. Salv.
Ibycter chimachima, V.
Polyborus tharus, Mol.
Scops brasilianus, Gm.
Progne domestica, V.
Stelgidopteryx ruficollis, V.
Atticora cyanoleuca, V.
Chaetura pelasgia, Wied.
Procnias tersa, L.
Chiromachaeris gutturosa. Desm.
Rhamphecelus brasilius, L.
Callist» tatao, L.
Tanagra sayaca, L.
Tachyphonus rufus, Bodd.
Saltator similis, Laf.
Sycalis flaveola, L.
Zonotrchia capensis, Miill.
Turdus rufiventris, V.
Turdus albicollis, V.
Synallaxis cinnamomea, Gm.
Geothlypis velata, V.
Troglodytes musculus, Naum.
Certhiola chloropyga, Cab.
Basileuterus stragulatus, Licht.
Sisopygis icterophrys, V.
Megarhynchus pitangua, L.
Myiozetetes similis, (Spix).
Elainea pagana, Licht.
Elainea brevipes, Wied.
Empidonax bimaculatus, (Lafr. O.
Myiarchus ferox, Gm.
Myiobius barbatus. Gm.
Copurus colonus, V,
Arundinicola leucocephala, L.
Pachyrbamphus viridis, V.
Myiobius naevius, Bodd.
Tyrannus melancholicus, V.
Hapalocercus meloryphus, Wied.
Orchilus auricularis, V.
Todirostram poliocephalum, Wied.
Myiodynastes solitarius, V.
Rhynchoeyelus olivaceus, Temm.
Thamnophilus ambiguus, Sw.
Thamnophilus torquatus, Sw.
Thamnophilus palliatus, Licht.
Pyriglena leucoptera, V.
Picolaptes tenuirostris, Licht.
Lochmias nematura, Licht.
Automolus leucophthalmus, Wied.
Molothrus bonariensis, Gm.
Pteroglossus wiedi, Sturm.
Crotophaga ani L.
Chrysoptilus melanochlorus, Gm.
Leptoptila reichenbachi, Pelz.
Chamaepelia talpacoti, Temm.
Crypturus noctivagus, Wied
Tinamus solitarius V.
Jacana jacana, L.
Aramides saracura, Spix
Gallinula galeata, Licht.
NOVEMBRO
Progne domestica, V.
Stelgidopteryx ruficollis, V.
Calliste tatao, I.
Tanagra sayaca. L.
Phoenicothraupis rubica, V.
Trichothraupis melanops, V.
Zonotrichia capensis Mill.
Turdus rufiventris, V.
Synallaxis albescens, Gm.
Geothlypis velata, V.
Empidonax bimaculatus (Lafr. Orb.
Pachyrrhamphus viridis, V.
Pachyrrhamphus rufus, Bodd.
Myrmeciza loricata, Licht.
Rhyachoeyelus sulphuratus, Spix.
Tyrannus melancholicus, V.
Attila cinereus, Gm.
Phaéthornis squalidus, Natt.
Basileuterus auricapillus, Sw.
Hirundinea bellicosa, V.
Arremon semitorquatus, Sw.
Thamnophilus ambiguus, Sw.
— 144 —
ES
Molothrus bonariensis, Gm.
Crotophaga ani, L.
Guira guira, Temm.
Chelidoptera tenebrosa brasilien-
sis, Sel.
Picumnus minutus, L.
Odontophorus capueira Spix
Chamaepelia talpacoti, Temm.
Jacana jacana, L.
Porphyriola martinica, 1.
Podiceps dominicus, L.
DEZEMBRO
Nyetibius aethereus, Wied.
Nyetidromus albicollis, Gm.
Atticora cyanoleuca, V.
Chiromachaeris gutturosa, Desm.
Tachyphonus rufus Bodd
Cissopis major Cab.
Spermophila caerulescens, B. V.
Sycalis flaveola, L.
Zonotrichia capensis Müll.
Synallaxis cinnamomea, Gm.
Synallaxis albescens, Gm.
Troglodytes musculus, Naum.
Elainea pagana, Licht.
Copurus colonus, V.
Arundinicola leucocephala, L.
Phyllomyias brevirostris, Spix.
Todirostrum poliocephalum Wied.
Hirundinea bellicosa, V.
Pyriglena leucoptera, V.
Molothrus bonariensis, Gm.
Psittacula passerina, L.
Leptoptila reichenbachi, Pelz.
Chamaepelia talpacoti, Temm.
Tinamus solitarius V.
Butorides striata L.
Serphophaga nigricans, V.
ee
— 145 —
Pabella n° 2
ESPECIES
POSTURAS ENCONTRADAS EM
Catharista atrata, Bart. . .
Asturina nattereri, Scl. Salv.
Ictinia plumbea, Gm. :
Tinnuneulus DUR, Sw.
Ibycter chimachima, V.
Polyborus tharus, Mol.
Scops brasilianus, Gm. .
Nyctibius aethereus, Wied. .
Nyctidromus albicollis, Gm.
Stelgidopteryx ruticollis, V..
Progne domestica, V.
Atticora cyanoleuca V. .
Chaetura pelasgia, Wied.
Chiromachaeris gutturosa, Desm.
Procnias tersa, III.
Tanagra sayaca, L.
Saltator similis, Spix.
Calliste tatao, L. :
Rhamphocoelus brasilius, ry
Tachyphonus rufus, Bodd.
Phoenicothraupis rubica, V.
Trichothraupis melanops, V.
Spermophila caerulescens, B. V.
Zonotrichia capensis, Mall. .
Guiraca cyanea, L. .
Volatinia jacarini, L.
Sycalis flaveola, L. . ... .
Turdus rufiventris, V.
Turdus albicollis, V..
Synallaxis cinnamomea, Gm.
Synallaxis albescens, Gm.
Geothlypis velata, V. -
Myrmeciza loricata, Licht. .
Troglodytes musculus, Naum.
Thryophilus longirostris, V.
Serphophaga nigricans, V. .
Myiobius barbatus, Gm. . .
| Setembro,
Agosto
Outubro e Dezembro
Setembro
Outubro
| Outubro
Outubro
Setembro e Outubro
| Dezembro
Dezembro
| Setembro, Outubro e No-
vembre
| Outubro e Novembro
| Outubro e Dezembro
Outubro
Outubro, Dezembro e Fe-
vereiro
Outubro
Outubro, No-
vembro, Dezembro e da-
nviro
Outubro e Janeiro
Outubro
Outubro
Outubro e Dezembro
Novembro
Novembro
Dezembro e Janeiro
Agosto até Janeiro
Fevereiro
Fevereiro
Outubro, Dezembro, Fe-
vereiro e Março
Setembro, Outubro, No-
vembro e Janeiro
Setembro, Outubro, No-
vembro e Janeiro
Agosto, Outubro e De-
zembro
Novembro
Outubro e Novembro
Novembro
Maio, Agosto, Outubro e
Dezembro
Agosto
Julho, Setembro ce De-
zembro
Outubro
ESPECIES
Myiobius naevius, Bodd.. . . . .
Certhioia chloropyga, Cab. . . . .
Basileuterus stragulatus, Licht.. . .
Basileuterus auricapillus, SW. . . .
Megarhynchus pitangua, L. .
Myiozetetes similis, Spiz. . - . .
[a
»
.
Arundinicola leucoceshala, LL.
Elainca pagana, Licht. . . « . -
Sisopygis icterophrys, V. . . + >
Elainca brevipes, Wied. . - . .
Myiarchus forox, Gm. . . - . .
Aria Reimereus Eps 6 A og a a
Copurus colons Me 2 |=
Pachyrhamphus viridis, V.. . - :
Pachyrhamphus rufus, Bodd. .
Phyllomyias brevirostris, Spix. + .
Tyrannus melancholieus, V. . - .
Myiodynastes solitarius, V. EU
Hapaloe ercus meloryphus, Wied. ce ic
Orchilus auricularis, V. . o
Empidonax bimaculatus, Lafr. ct Orb.
Todirostrum poliocephalum, Wicd. .
Rhynchocyclus sulphurescens, Spix. .
Pitangus sulphuratus, lL. + . - -
Pyriglena leucoptera, V. . - -
Lochmias nematura, Licht. 1 eS was
Hirundinea bellicosa, V.. . . + -
Thamnophilus ambiguus, Sw. + +
Thamnophilus torquatus, Sw. . +.
Thamnophilus palliatus, Licht. - -
Arremon semitorquatus, SW. . -
Picolaptes tenuirostris, Licht. . :
Automolus leacophthalmus, W ied.
Molothrus bonariensis, Gm. ACT
Ostinops decumanus, Pall. . +. + +
Cassicus haemorrhous, L. . - =: -;
Lampornis violicauda, Bodd. . +: -
Thalurania glaucopis, Gm. . +.
Phaethornis squatidus, Natt: RER
Psittacula passerina, L. . . -
Pteroglossus wiedi, Sturm. . . - -
ros on viridis, Wie TE RC
| POSTURAS ENCONTRADAS EM
Outubro
Julho Agosto e Outubro
Outubro
Novembro
Setembro, Outubro, Ja-
neiro e Abril.
Setembro, Outubro e Ja-
neiro
Outubro, Dezembro e Ja-
neiro
Setembro, Outubro e De-
zembro
Setembro e Outubro
Outubro
Outubro
Novembro
Outubro e Dez2mbro
Outubro e Dezembro
Novembro
Dezembro
Outubro, Novembro ce Ja-
neiro
Outubro
Outubro
Outubro
Setembro, Outubro e No-
vembro
Outubro e Dezembro
Outubro e Novembro
Setembro
Outubro e Dezembro
Outubro
Setembro, Novembro e
Dezembro
Outubro e Novembro
Outubro
Outubro
Novembro
Outubro
Outubro
Setembro até Janeiro
Agosto e Setembro
Agosto e Setembro
Março
Junho, Agosto e Setembro
Novembro
Dezembro, Fevereiro e
Março
Outubro
Setembro
POSTURAS ENCONTRADAS EM
Trogon aurantius. Spix. .
Crotophaga ani, L, . . .
Guira, guirã Gly . a
Chelidoptera tencbrosa brasiliensis,
Picumnus minutus, L.
Chrysoptilus melanochlorus, Gm.
Dendrobates passerinus, L.
Leptoptila reichenbachi, Peiz.
Chamaepelia talpacoti,
Odontophorus capueira, Spix.
Crax carunculata, Temm. .
Crypturus tataupa, Temm..
Crypturus noctivagus, Wied.
Tinamus solitarius, V. . .
Butorides striata, L. . .
Gallinago frenata, Il. . .
Porzana albicollis, V. .
Limmopardalus nigricans,
Aramides saracura, Spix. .
Gallinula galeata, Licht.
Porphyriola martinica, L. .
Jacana, Jacana SLi o ao 00
Podiceps dominicus, L. . .
Nettion brasiliense, Gm. .
Temm.
Setembro
Setembro, Outubro,
vembro ce Marco
Agosto, Setembro e
vembro
Novembro
Novembro
Setembro, Outubro e
vembro
Abril
Setembro, Outubro, De-
zembro, Janeiro, Feve-
reiro, Março e Maio
Setembro, Outubro, No-
vembro, Dezembro e Ja-
neiro
Novembro e Fevereiro
Setembro
Junho, Julho, Setembro,
Janeiro, Fevereiro, Mar-
ço e Abril
Setembro e Outubro
Outubro e Dezembro
Dezembro
Setembro
Janeiro
Setembro
Outubro
Ontubro e Janeiro
Novembro
Setembro, Outubro,
vembro e Janeiro
Outubro
Setembro e Janeiro
No-
No-
No-
No-
pe
Tabeligalm: é
Numero maximo dos ovos por cada postura nas especies observadas
PÕEM 2 OVOS:
Catharista atrata, Bartr.
Asturina nattereri, Sel. Salv.
Chiromachacris gutturosa,
Saltator similis Lafr. Orb.
Volatinia jacarini, L.
Spermophila caerulescens, B. V.
Basileuterus stragulatus, Licht.
Arundinicola leucocephala, L.
Arremon semitorquatus, Sw.
Pachyrhamphus viridis, V.
Myiobius naevius, Bodd.
Myiobius barbatus, Gm.
Hapalocercus meloryphus, Wied.
Hirudinea bellicosa, V.
Pitangus sulphuratus, L.
Pyriglena leucoptera, V.
Lochmias nematura, Licht.
Myrmeciza loricata, Licht.
Picolaptes tenuirostris, Licht.
Thamnophilus palliatus, Licht.
Trochilidae.
Chelidoptera tenebrosa brasilien-
sis, Sel.
Picumnus minutus, L.
Chrysoptilus melanochlorus, Gm.
Dendrobates passerinus, L-
Columbidae.
Gallinago frenata, Ill.
POEM 3 OVOS :
Ibycter chimango, V.
Tinnunuculus cinnamoninas, Sw.
Scops brasilianus, Gm.
Tanagra sayaca, L.
Rhamphocoelus brasilius, L.
Calliste tatao, L.
Tachyphonus rufus, Bodd.
Phoenicothraupis rubica, V.
Trichothraupis melanops, V.
Zonotrichia capensis, Mill.
Serphophaga nigricans, V.
Empidonax bimaculatus Lafr. O.
Synallaxis cinnamomea, Gm.
Hapalocercus meloryphus, Wied.
Geothlypis velata, V.
Certhiola chloropyga, Cab.
Sisopygis icterophrys, V.
Desm.
Elainea pagana, Licht.
Elainea brevipes, Wied.
Basileuterus auricapillus, Sw.
Basileuterus stragulatus, Spix.
Copurus colonus, V.
Tyrannus melancholicus, V.
Myiodynastes solitarius, V.
Orchilus auricularis, V.
Todirostrum poliocephalum, Wied.
Thamnophilus ambiguus, Sw.
Thamn:philus torquatus, Sw.
Automolus leucophthaimus, Wied.
Crotophaga ani, L.
Guira guira, Gm.
PÕEM 4 Ovos:
Polyborus tharus, Mol.
Progne domestica, V.
Atticora cyanoleuca, V.
Sycalis flaveola, L.
Turdus rufiventris, V.
Turdus albicollis, V.
| Trgolodytes musculus, Naum.
Synallaxis albe:cens, Temm.
Megarhynchus pitangua, L.
Myiozetetes similis Spix.
Rhynchocyelus sulphurescens, Spix.
Myiarchus ferox, Gm.
Attila cinereus, Gm.
Pachyrhamphus rufus Bodd.
Psittacula passerina, L.
Crypturus tataupa, V.
Limnopardalus nigricans, V.
Gallinula galeata, L.
Aramides saracura, Spix.
Porphyriola martinica, L.
Jacana jacana, L.
Podicepes dominicus L.
POEM DE 6 Ovos:
Stelgidopteryx ruficollis, V.
POEM MAIS DE 6 OVOS:
Ibycter chimachima, V.
Odontophorus capueira Spix.
Crypturus noctivagus, Wied.
Porzana albicollis, V.
Nettion brasiliense, Gm.
Tinamus solitarius, V.
==
Aves observadas em Cantagallo e Nova Friburgo
POR
H. VON IHERING
O presente artigo apresenta-se como um appendice
ao precedente do Sr. Euler. Procurando eu exa ninar
de modo minucioso a nomenclatura por elle usada foi
necessario organisar a lista completa das aves daquella
zona para formar uma segura base systematica para as
interessantes co nmunicações biologicas do Sr. Euler.
E' grande o nu nero das especies descriptas como
provenientes do Rio de Janeiro e parece que entre el-
las ha algumas que em verdade não occorrem naquel-
la região. A seguinte lista de 368 especies refere-se,
entretanto, apenas às aves que vivem no interior mon-
tanhoso do Estado mencionado, na região de Canta-
gallo e Nova Friburgo.
O que sabemos sobre a ornis de Cantagallo estã
quasi exclusivamente baseado nas observações de Car-
los Euler, excepto algumas poucas indicações feitas por
Lund e Burmaister. As collecções reunidas por Euler
foram determinadas no Museu de Berlim por Cabanis
que dellas tratou em varios artigos publicados no Jor-
nal fuer Ornithologie. Esforce-me por verificar com
exactidão o verdadeiro significado das denominações
usadas por Cabanis, o que quasi sempre me foi possi-
vel. Não sei, entretanto, dizer o que significa :
Penelope jacquaçu Spix
Elainea brevipes Wied
— 150 —
Como as collecções reunidas por Euler estão guar-
dadas no Museu Zoologico de Berlim é provavel que
ali seja possivel esclarecer as duvidas que se pren-
dem a essas especies, que Euler afirma ter obtido em
Cantagallo. Onde houve conveniencia ajuntei na se-
guinte lista as denominações usadas por Euler nas suas
antigas publicações.
Parte dessas correcções estou devendo ao Sr.
Euler mesmo como as de Tachyphonus coronatus, My-
iozetetes similis e Saltator similis. Sobre Euscarth-
mus orbitatus Wied, communicou-me o Sr. Euler a se-
guinte observação de Cabanis, tirada de uma carta: «O
exemplar de E. orbitatus do Sr. Euler combina perfei-
tamente com os nossos typos de E. limbatus. Parece-
me que o Sr. Euler tem razão comparando o seu passa-
rinho ao E. orbitatus de Wied ao qual pertence tal-
vez, como synonymo, tambem E. zosterops Pelz.»
Sobre Atticora tibialis Cass. escreve-me o Sr. Eu-
ler «Observei-a só uma vez em Cantagalo, isto é, nos
mezes de Marco até Maio de 1868. N'um barranco
alto onde se achavam 4—5 canaes excavados pelo cui-
tellão (Jacamaralcyon tridactyla) appareceram, à tarde,
antes do por do sol, em numero variavel até 40 ou
mais, voando e gritando até que uma depois da outra
desappareceram nos buracos mencionados do barranco.
No mez de Maio, desappareceram e nunca as vi mais».
Parece, pois, que se trata de uma migração excepcional,
não me constando que essa especie da America Cen-
tral tenha sido encontrada no Brazil. O Sr Euler ca-
çou um exemplar do sexo feminino que mandou ao
Museu de Berlim.
Philydor lichtensteini Cab. Hein. considero agora
como uma boa especie que recebi do Estado de São
Paulo (Alto da Serra e Iguape) e que é intermediaria
entre as outras duas.
Elainea brevipes Wied que Euler obteve em Can-
tagallo é, segundo a communicação que me fez o Sr.
von Berlepsch, considerada por Allen como ave nova de
Neopelma. aurifrons Wied. Se Euler realmente teve
— 151 —
a mesma especie com Wied, não póde ser exacta a
opinião de Allen visto que Euler observou bem o ni-
nho e os ovos.
A cidade de Nova Friburgo está situada na mesma
região como Cantagallo à distancia de apenas 8 le-
œuas mais ou menos, de modo que se póde presumir
que a fauna seja mais ou menos identica, o que está
provado pelas indicações que reuni pelo estudo da li-
teratura. Burmeister passou algum tempo em Nova
Friburgo e além das proprias colleeções estudou as que
um naturalista ali estabelecido, Beske, possuia. O British
Museum em Londres obteve por Youds e Reeves aves
de Nova Friburgo, mencionadas no respectivo catalogo.
Tambem o Museu em Vienna obteve aves de Nova
Friburgo sobre as quaes Pelzeln publicou um artigo no
periodico «Nunquam Otiosus» por L. W. Schaufuss
Dresden 1872 p. 291—292 no qual se acham enume-
radas 50 especies.
Algumas das especies mencionadas precisam de nova
confirmação como, p. expl., Pionus menstruus L. que
Burmeister iz ter caçado em Nova Friburgo, quando
essa especie parece ser do Norte do Brazil e Euler
obteve P. maximiliani,
Na seguinte lista significa B. Burmeister, P. Pel-
zeln, L. Lund, Y. Ycuds como observadores das respe-
ctivas especies.
A lista consiste em 368 especies. E” provavel
que seja bastante completa e que a avifauna aaquella re-
2140 consista mais ou menos em 400 especies. Entre
ellas ha algumas que não são proprias à região como
a andorinha Atticora tibialis Cass., especie de Columbia
e do Peri que só em um verão foi observado por Eu-
ler, mas então em bando não pequeno.
As observações de Lund sobre aves de Nova Fri-
burgo são incluídas no artigo de Reinhardt sobre as
aves dos campos de Minas publicado em 1870 em Ko-
penhague nas Videns Kabelige Meddelerser, as de
Burmeister são contidas no seu livro Systematische
Uebersicht der Vogel Brasiliens.
Oe 2
i. A. Passeres: Oscines
Turdus rufiventris ( Vierll.) Gantagallo, N. Friburgo P.
Turdus albicollis V. ( crotopezus Euler Ill p. 404)
Cantagallo.
Turdus albiventer Spixæ N. Friburgo P.
Turdus leucomelas Vieill. (albicollis Euler) Cantagallo
Merula flavipes (Viell.) Gantagallo ; N. Friburgo B. e P.
Donacebius atricapillus (L.) Cantagallo.
Thryophilus longirostris (Vieill.)
(Thryophilus striolatus Euler.) Cantagallo; N. Friburgo B.
Troglodytes musculus Nawm. (T.furvus Euler) Cantagallo
Anthus lutescens Puch. N. Friburgo B.
Parula pitiayume (Vieill.) Cantagallo.
Geothlypis velata ( Vieill.) Gantagallo; N. Friburgo B.e P.
Basileuterus stragulatus (Licht.) Cantagallo ; Nova
Friburgo Lund.
Basileuterus leucoblepharus ( Vieull.) N. Friburgo B. e P.
Basileuterus auricapillus (Sws.) (B. vermivorus Euler)
Cantagallo; N. Friburgo B.
Vireo chivi (Vieill.) Cantagallo.
Hylophilus poecilotis (Temm.) N. Friburgo B.
Cyclorhis ochrocephala (Tsch.) Cantagallo ; N. Fri-
burgo B. e P.
Tachycineta albiventris (Bodd.) Cantagallo.
Progne domestica (Vieill.) (P. dominicensis Euler)
Cantagallo.
Atticora cyanoleuca ( Viel.) Cantagallo ; N. Friburgo B.
Athcora tibialis (Cass.) Gantagallo.
Stelgidopteryx ruficollis (Vieill.) (Cotyle flavigastra
Cab.) Cantagallo.
Dacnis cayana (L.) Gantagallo ; N. Friburgo B.
Certhiola chloropyga ( Cab.) Cantagallo (G.flaveola Euler)
Chlorophanes spiza (L.) Gantagallo.
Procnias tersa (L.) Cantagallo; N. Friburgo B.
Chlorophonia viridis ( Vieill.) Cantagallo; N. Friburgo B.
Euphonia æanthogastra (Lund) N. Frigurgo Y.
Euphonia chlorotica (L.) (violaceicollis Cab. Euler)
Cantagallo.
Euphoniu nigricollis ( Viel.) Cantagallo.
— 155 —
Euphonia violacea (L.) Cantagailo; N. Friburgo Be Y.
Euphonia pectoralis (Lath.) Gantagallo ; N. Friburgo B.
Hypophaea chalybaea (Mik.) N. Friburgo Y.eP.
Pipridea melanonota ( Vierll.} Gantagallo; N. Friburgo B.
Calliste tricolor (Gm.) Cantagallo; N. Friburgo B.
Calliste festiva (Shaw.) Cantagallo; N. Friburgo B. e Y.
Calliste thoracica (Temm.) Cantagalo; N. Friburgo B.
Calliste cyanerrentres (Vieill.) Gantagallo (O. citri-
nella Euler.)
Calliste flava (Gm.) N. Friburgo B. e Y.
Calliste brasiliensis (Li) N. Friburgo B.
Stephanophorus on (Vierll.) Cantagallo ; N.
Friburgo B. e Y.
Tanagra sayaca (L.) “antagallo.
Tanagra cyanoptera ( Vieill.) N. Friburgo Y.
Tanagra palmarum (Wired) Cantagalo.
Tanagra ornata (Sparrm.) Cantagallo ; > N. Friburgo Y.
Rhamphocelus brasilius (L. ) Cantagallo: N. Friburgo Y.
Phoencothraupis rubica ( Vierll.) Cantagallo; N. Fri-
burgo B. e Y.
Tachyphonus cristatus (Gin.) Gantagallo; N. Friburgo Y.
Tachyphonus coronatus ( Viedll.) (nigerrimus Euler nec
Gm.) Cantagallo ; N. Friburgo Y. e P.
Trichothraupis melanops ( Vierll. ) (T. quadricolor Euler)
Cantagallo; N. Friburgo B à Yael:
Pyrrhocoma ruficeps (Str ick.) N. Friburgo P.
Nemosia ruficapilla (Val) ste th SN. Fri-
burgo Ÿ+e1P.
Nemosia flavicollis ( er ) Gantagallo ; N. Friburgo P.
Thlypopsis sordida ( Lafr. et d Orb.) FR ne
Arremon semitorquatus (Sw.) Gantagallo; N. F ribur oi.
Saltator similis (Lafr. et d'Orb.) N. Friburgo Lund
e P.; Cantagallo (S. magnus Euler nec Gm.)
Sallator maximus ( Mill.) (S. magnus Gm.) N.Friburgo B
Orchesticus abeillei (Less.) N. Friburgo Lund.
Cissopis major (Cab.) Cantagallo; N. Friburgo Y e B.
Pitylus fuliginosus (Daud.) Gantagallo ; N. Friburgo B.
Pitylus brasiliensis ( Cab.) Cantagalo; N. Fr iburgo B.eY.
Guiraca cyanea (L.) Cantagallo : N. Friburgo Y.
Oryzoborus torridus (Scop.) Cantagallo.
— 154 —
Spermophiia superciliaris (Peiz.) (S. euleri Gab.) Can-
tagallo.
Spermophila nigroaurantia ! Bodd.) Cantagallo ; Nova
Friburgo B.
Sperimophia cwrulescens (Bonn. et V.) (S. ornata Eu-
ler) Cantagallo.
Spermophila faleirostris (Temm.) N. Friburgo P.
Phonipara fuliginosa (Wred) Cantagallo.
Voiatinia jacarinr (L.) Cantagallo; N. Friburgo Lund.
Sycaiis flaveola (L.) (S. brasiliensis Euler) Cantagallo.
Zonotrichia capensis (Mit; (Z. matutina Euler ; Z. pi-
leata aut.) Cantagalo; N. Friburgo P.
Poospiza thoracica (Nordm.) N. Friburgo B.e Y. e P.
Ammodromus manimbe (Lacht.) Cantag.; N. FriburgoB.
Coryphosphingus preatus Wired. Cantagallo
Paroaria iarvata (Bodd.) N. Friburgo Y.
Ostinops decumanus (Pail.) Cantagallo.
Cassicus hæmorrhous aphanes (Beri.) Gantagallo.
Motothrus bonariensis (Gm.) (M. sericeus Euler) Can-
tagallo; UN. Friburgo B.1e Y. e P:
Icterus tibiairs (Sw.) Cantagallo ; N. Friburgo B.
Aphobus chop: (Veerii.) Cantagallo.
E, B. Passeres: Clamatores
ad. OLIGOMYODAE
Arundinicola leucocephala (L.) Cantagallo.
Alectrurus tricolor (Vieill.) Cantagallo.
Cybernetes yetapa (V.) (Alcetrurus risorius Euler nec
V.) Cantagallo.
Sisopygis icterophrys ( Viel.) Cantagallo; N. Friburgo
B. Je E
Cnipolegus cyanirostris (Vieiil.) N. Friburgo Mus. H.
von Berlepsch. e P.
Muscipipra vetula (Licht.) Cantagalo.
Copurus colonus ( Vieill) Cantagalo; N. Friburgo B.
Piatyrhynchus mystaceus ( Vieril.) Cantagallo.
Todirostrum poliocephalum (Wied). Gantagallo ; Nova
Friburgo P.
Euscarthinus orbitatus (Wied.) (imbatus Cab. H.) Can-
tagallo.
Euscarthmus guiaris (Temim.) N. Friburgo P.
Ceratotriccus furcatus (Lafr.) Cantagallo.
ig meee ventralis (Temm.) N. Friburgo P.
Jrchilus auricutaris (Vierlt.) Gantagallo.
Hapaloce ‘cus melorhyphus (Wied) Cantagallo.
ja ogonotr ICCUS CXIMIUS (Temin.) Cantagallo ; N. Fri-
burgo Bs.e P.
Serphophaga nigricans (Veerli.) Cantagalo; N. Fri-
burgo P.
Serphophaga subcristata (V.) N. Friburgo P.
Mionectes rufiventiris - (Licht.) Cantagallo; N. Fri-
burgo P.
Capsiempis flaveola (Licht.) Cantagallo; N. Fri-
burgo B.
Phyilomytas brevirostris (Spix) Cantagallo ; N. Fri-
burgo Baresiks
Phyliomyias griseocapilla (Lafr.) Cantagallo.
Elainea caniceps. (Sw.). Cantagallo.
Elainea pagana (Licht.) Cantagallo.
Legatus aibicolits Vest. Cantagallo.
D ii similis (Spix) (Saurophagus lictor Euler
Il p. 226) Gantagallo ; N. Friburgo Y.
Rhynchocyclus sulphurescens (Sp'x) Cantagallo.
Pitangus sulphuratus masiniliant (Cab. Hein.) Gan-
tagallo.
Sirystes sibilator (Viertl.) Gantagallo ; N. Friburgo P.
Myiodynastes solitarius ( Vedi.) (Scaphorhynchus audax
Euler) Cantagallo; N. Friburgo B. e Y.
Megarhynchus pitangua (L.) Cantagallo; N. Friburgo
yew. :
Muscivora swainsont (Peiz.) Cantagallo ; N. Friburgo B.
Hirundinea belitcosa (Vieill.) (Muscivora ferruginea
Kuler) Cantagallo.
Myiobius bar batus (Gm) (M. xanthopygius Euler) Ganta-
gallo; N. Friburgo.
Myobius nævius (Bodd.) Cantagallo; N. Friburgo B.
Einipidonax. bimaculatus (Lafr. et @ Orb.) (Empido-
chanes euleri Cab.) Cantagallo.
— 156 —
Empilochanes fuscatus (Wied) N. Friburgo P.
Myrochanes cinereus (Spix) Cantagallo.
Myiarchus ferox (Gin.) Gantagallo ; Nova Friburgo P.
Tyrannus melancholicus ( Vrerll.) Cantagallo.
Milvulus tyrannus (L.) Cantagallo.
Oxyrhamphus flammiceps (Temm.) N. Friburgo Y.
Pipra rubricapilla ( Briss.) Gantagallo ; N. Friburgo B.
Pipra leucocila (L.) Cantagallo ; N. Friburgo B.
Machaeropterus regulus (Hahn et K.) Cantagallo; N.
Friburgo B. e Y.
Chiroxiphia caudata (Shaw.) Cantagallo; N. Fri-
burgo P.
Chiroxiphia pareola (L.) N. Friburgo Y.
Iheura militaris (Shaw.) N. Friburgo Y. e B. e P.
Chiromachaeris guiturosa (Desm.) (Pipra manacus.
Euler) Cantagallo; N. Friburgo B. e Y.e P.
Ptilochloris squamata (Wired) N. Friburgo Y.
Heteropelma virescens (Wied) Cantagalle; N. Fri-
burgo P.
Neopelma aurifrons (Wied) (Elainea brevipes, Wied,
Euler) Cantagallo; N. Friburgo P.
Tityra inquisitor (Licht.) Cantagalo.
Tityra brasiliensis (Sw) N. Friburgo B.
Pachyrhamphus viridis (Vieill.) P. nigriceps Euler)
Cantagallo; N. Friburgo Y.
Pachyrhamphus rufus (Bodd.) (Bathmidurus melano-
leucus Euler) Cantagallo; N. Friburgo B. e P.
Pachyrhamphus polychropterus (Vieill.) Gantagallo.
Lathria virussu (Pelz.) Cantagallo
Attila cinereus (Gm.) Cantagallo; N. Friburgo P.
Lipaugus simplex (Lacht.) Cantagallo.
Plubalura flavirostris (Vierll.) Cantagallo; N. Friburgo
Ba ey ON
Xipholena atropurpurea (Wired) N. Friburgo B.
Ampelion cucullatus (Sw.) N. Friburgo B. e Y.
Aimpelion melanocephalus (Siw.) N. Friburgo B.
Tijuca nigra Less. N. Friburgo Y.
Cotinga cincta (Kuhl) Cantagallo ; N. Friburgo B.
Calyptura cristata (Vieill.) Cantagallo; N. Friburgo
Be Y.
— 197 —
Jodopleura pipra (Less.) Cantagallo ; N. Friburgo Y.
Pyroderus scutalus (Shaw) Cantagallo ; N. Friburgo B.
Chasmarhynchus nudicollis (Veerll.) Cantagallo ; N.
Friburgo B e P.
C. Tracheophones
Lochmias nematura (Licht.) Cantagallo ; N. Friburgo
Lund.
Synallaxis ruficapilla (Veerll.) Cantagallo; N° Fri-
burgo Lund.
Synallaxis cinerascens Temm. Cantagallo.
Synallaxis spixr Scl. (albescens Euler) Cantagallo ; N.
Friburgo B.
Synallaxis connamomea (Gin.) (S. mentalis Euler) Can-
tagallo; N. Friburgo B.
Siptornis pallida (Wied) N. Friburgo B. e Lund.
Automolus ferruginolentus ( Wired) Cantagallo.
Automolus leucophthalmus (Wied) Cantagallo.
Philydor atricapillus (Wied) Cantagallo.
Philydor rufus (Vieill.) Cantagallo; N. Friburgo Lund.
Philydor lichtensteini Cab. et H. Cantagallo.
Heliobletus contaminatus Pelz. N. Friburgo B.
Xenops rutilus Licht. Cantagallo.
Xenops genbarbis Ill. N. Friburgo B.
Anabatordes fuscus (Vieill.) Cantagallo.
Anabazenops rufo-superciliatus Lafr. N. Friburgo
Bye: Pi
Sclerurus umbretta (Licht.) Cantagallo; N. Fri-burgo
B. e P.
Sittosomus erithacus (Licht.) Cantagallo.
Xiphocolaptes albicollis (Veerll.) Cantagallo; N. Fri-
burgo B.
Picolaptes squamatus ( Licht.) Cantagallo ; N. Friburgo B.
Picolaptes tenuirostris ( Licht.) Cantagallo;N. Friburgo B.
Xiphorhynchus procurvus (Temm.) Cantagallo ; N.
Friburgo B. e Y.
Dendrocincla turdina (Licht.) Cantagallo.
Dendrocolaptes picumnus \ Licht.) Cantagallo ; N. Fri-
burgo Lund.
Batara cinerea ( Viel.) N. Friburgo B.
Thamnophilus quitatus Veil. Cantag rallo.
Thamnophiius leachi Such. N. Friburgo ves:
Thamnophilus doliatus (L.) Cantagallo.
Thamnophilus palliatus (Lacht.) Cantagallo; N. Fri-
burgo B.
Thamnophilus torquatus Siw.) T. scalaris Euler) Cantagallo.
Thamnophilus severus (Lachi.) Cantagalo,
Thamnophilus coerulescens ( Vierll.) Cantagallo.
Thamnophilus naevius Licht. N. ¥ riburgo Ber
Thamnophilus ruficapilus V. N. Friburgo P.
Thamnophilus ambiguus Sw. (T. nigricans Euler) Can-
tagallo.
Biatas nigropectus (Lafr.) Cantagallo; N. Friburgo B.
Dysithamnus xanthopterus Burm. N, Friburgo B.
Dysithamnus gulluraiis (Lacht.) Cantagallo.
Dysithamnus mentais (Temm.) Cant tagallo.
Myrmotherula melanogaster (Spr 2) Cantagallo.
Myrmotherula brecicauda (Sin) C Cantagallo.
Myrmotherula qularrs (Sprx) Cantagallo ; N. Friburgo B.
#Herpsilochinus rufinarginatus (Temin.) Cantagallo.
Herpsilochmus pileatus (Licht.) N. Friburgo B.
Formicivora rufalra (Lajr et d Orb.) Cantagallo.
Formacivora genaer De Fil. N. Friburgo P
Formicivora squamata (Licht.) Gantag allo: N.Friburgo P.
Formicivora malura (Terin.) N. Friburgo ds
Formicivora ferruginea (Licht.) Cantagallo.
Terenura maculata (Weed) Cantagallo.
Pyriglena eee (Veell.) (P. domicella Euler)
Cantagallo; N. Friburgo P.
Rhopocichla ai desaen (Wired) Cantagallo.
Myrmeciza loricata (Licht.) GU Cantagallo ; N. Friburgo
B. e”.
Percnostola funebris (Licht.) Gantagallo.
formicarius colma Gm.) Cantag allo: N. Friburgo B-
Chamaeza brevicauda (Vieill.) Cantagallo ; INS Egas
burgo P.
Grailaria vinperator (Lafr.) Cantagallo.
Conopophaga lineata (Wied) Cantagallo ; N. Friburgo
Bier.
EN —
Conopophaga melanops ( Vierll.) Cantagallo.
Corythopis calcarata (Wied) Cantagallo.
Hi Macrochires
Heliothrix auriculatus (Nordm.) Cantagallo; N. Fri-
burgo B.
Rhamphodon nevius (Dummont) Gantagallo; N. Fri-
burgo B.
Glaucis hirsuta (Gin.) Cantagalo; N. Friburgo.
Chlorostilbon pucherani (Bowrc.) Gantagallo.
Thaiuranca glaucopis (Gin.) (Glaucopis frontalis Euler).
Cantagallo; N. Friburgo Y.
Thalurania erephile (Less.) N. Friburgo B. e Y.
Lampornis volicauda (Bodd.) Cantagallo ; N. Fri-
burgo B.
Petasophora serrirostris ( Veeili.) Cantagallo.
Polytmus thaumantias (L.) N. Friburgo B.
Leucochloris albicollis ( Vieril.) Cantagalo.
Argyrtria brevirostris (Less.) Gantagallo; N. Friburgo B.
Argyrtria tephrocephala ( Vierii.) Cantagllo.
Eucephaia smaragdinea (Gould) N. Friburgo Reeves.
Hylocharis sapphirina (Gin) N. Friburgo B.
Hylocharis cyanea (Vreull.) N. Friburgo B.
Phaethornis eurynome (Less.) Gantagallo ; N. Friburgo
Eyes:
Phaethornis squalidus (Natt.) Gantagallo; N. Friburgo B.
Pygmornis pygmaeus (Spix) Cantagallo; N. E riburgo
ne
Aphantochroa cirrhochloris Vierll. N. Friburgo Y.
Ciytolaema rubinea (Cm) Gantagallo ; N.F ribur go B.
Floresuga fusca ( Vierll.) Gantag allo: N° Friburgo B. e Y.
Cephalolepis delalandii ( Vieill.) Cantag gallo : N. Fri-
burgo B.
Calliphlox amethystina (Gin.) Cantagallo.
Smaragdochrysis wridescens Gould N. Friburgo Reeves.
Lophorns magmficus ( Veerll.) Gantagallo ; N. Friburgo
ONE
Prymnacantha langsdorffi (Bonn. et V.) Cantagallo ;
N. Friburgo B. e Y.
— 160 —
Chaetura zonaris (Shaw. Cantagallo; N. Friburgo B.
Chaetura pelasgra (Weed) (Acanthylis oxyura Euler)
Cantagallo; N. Friburgo B.
Caprimulgus rufus Bodd. N. Friburgo B.
Nyctidromus albicollis (Gim.) Cantagallo.
Macropsalis creagra (Bp). Cantagalo; N. Friburgo B.
Lurocalis semitorquata (Gin.) N. Friburgo B.
Nyctibius aethereus (Wed) Cantagallo.
Nyctibius grandis (Gm.) Cantagallo; N. Friburgo B.
III. "ici
Chloi onerpes erythropsis (Vieill.) Cantagallo.
Chloronerpes aurulentus (Temim.) N. Friburgo Y.
Chloronerpes brasiliensis (Sw.) Cantagallo.
Chrysoptilus melanochlorus (Gm.) Gantagallo ; N. Fri-
burgo Y.
Melanerpes candidus (Otto) Gantagallo ; N. Friburgo B.
Melanerpes flavifrons (Vieill.) Gantagallo; N. Fri-
burgo Y
Dendrobates maculifrons (Spix) Cantagallo; N. Fri-
burgo B.
Celeus flavescens (Gin.) Cantagallo; N. Friburgo Y.
Campophilus robustus (Licht.) Cantagallo.
Ceophlowus lineatus (L.) Cantagallo; N. Friburgo B.
Ceophlous erythrops (Valenc.) Cantagalo.
Picumuns cirrhatus (Temm.) Cantagallo; N. Fri-
burgo Y.
Picumnus pygmaeus (Licht) N. Friburgo Y.
IW Coccyges
Boryphthengus ruficapillus (Vieill.) Cantagalo.
Ceryle torquata (L.) Cantagallo; N. Friburgo.
Ceryle amazona (Lath.) Cantagallo; N. Friburgo
Be" Xe
Ceryle americana (Gm.) Cantagallo; N. Friburgo B.
Ceryle inda (L.) Cantagallo.
Trogon atricollis Vieill. Cantagallo; N. Friburgo
B. ey.
Trogon viridis (L.) Cantagallo; N. Friburgo Y.
— 161 —
Trogon aurantius Spix. Cantagallo; N. Friburgo B.
Galbula rufoviridis Cab. Cantagallo ; N. Friburgo Y.
Jacamaralcyon tridactyla ( Vieill.) Cantagalio : N.
Friburgo: Bi. e Y.
Bucco swainsont Gray. Cantagalo; N. Friburgo Y.
Malacoptila torquata Hahn et JK. Cantagallo; N.
Friburgo Y.
Nonnula rubecula (Spix) Cantagallo; N. Friburgo B.
Chelidoptera tenebrosa brasiliensis Sel. Cantagallo.
Crotophaga ani (L.) Cantagallo.
Guira guira (Gm.) Cantagallo; N. Friburgo Y.
Diplopterus naevius (L.) Cantagallo; N. Friburgo
Bi e ¥.
Dromococcyx phastanellus (Spix) Cantagallo.
Piaya cayana cabanisi (Allen) Cantagallo; N. Fri-
burgo Y.
Neomorphnus geoffroyi (Temm.) Cantagallo.
Coccyzus euleri (Cab.) Cantagallo.
Rhamphastos ariel ( Vig.) Gantagallo ; N. Friburgo B.
Rhamphastos dicolorus (L.) Cantagallo; N. Fri-
burgo Y.
Andigena barllon (Veell.) Cantagallo; N. Friburgo
e Vo
Pteroglossus iviedi (Sturm) Cantagallo.
Selenidera maculirostris (Licht.) Cantagallo; N. Fri-
burgo Y.
WV Psittaei
Ara maracana (Veil) N. Friburgo B.
Conurus leucophthalmus ( Viecll.) Cantagalo ; N. Fri-
burgo B.
Conurus aureus (Gm.) Gantagallo ; N. Friburgo B.
Pyrrhura cruentata ( Wied) Cantagalo; N. Fribur go B.
Pyrrhura vittata (Shaw) Cantagallo.
Pyrrhura leucotis (Licht.) N. Friburgo B.
Psittacula passerina (L.) Cantagallo.
Brotogerys tirica (Gm.) Cantagallo.
Brotogerys chiriri ( Vieill.) N. Friburgo B.
Chrysotis farinosa (Bodd.) Cantagallo.
ieee
Chrysolis aestiva (L.) Cantagallo.
Chrysotes vinacea (Weed) N. Friburgo Lund.
Pionus maximeliant (Vreril.) N. Friburgo Lund.
Pionus menstruus (L.) N. Friburgo B.
Triclaria cyanogaster (Vreill.) Cantagalo; N. Fri-
burgo B.
Pionopsittacus pilealus (copo Cantagallo ; N. Fri-
burgo B.
Urochroma surda (Jil.) N. Friburgo Y.
WE Striges
Strix flammea (L.) Cantagallo; N. Friburgo B.
Asio mexicanus (Gm.) N. Friburgo B.
Syrnium perspicillatum (Lath.) Cantagalo.
Syrnium hylophilum (Temin.) N. Friburgo B.
Scops brasilianus (Gin.) (S decussata Euler) Cantagalo.
Glaucidium ferox ( Veerll.) Cantagallo.
Giaucidium punuilum (Temm.) N. Friburgo B.
WIT Accipitres
Catharista atrata (Bartr.) Cantagallo.
Cathartes aura (L.) Cantagallo.
Polyborus tharus (Mol.) Cantagallo
Lbycter chimachima ( Vieril.) Cantagallo.
Micrastur ruficollis ( Vierll.) Caïtagallo ; N. Friburgo B.
Antenor unicinctus ae Cantagallo.
Geranospizias caerulescens ( Vieill.) N. Friburgo B.
Astur pectoralis (Bp.) Cantagallo.
Accipiter tinus (Lath.) Gantagallo.
Accepiter erythrocnemis (Gray) (A. striatus Euler) N.
Friburgo B.
Accipiler pileatus (Temm.) N. Friburgo B.
Heterospisias meridionalis (Lath.) Cantagallo.
Buleola brachyura (Vieill.) Cantagallo.
Asturina natterer: (Sel. Sale ) Cantagallo.
Asturina nitida (Lath.) Cantagallo; N. Friburgo B.
Busarellus nigricollis (Lath.) Gantagallo ; N. FriburgoB.
Leucoplernis lacernulata (Temm.) Cantagallo.
Thrasaetus harpyra (L.) Cantagallo.
— 165 —
Morphnus quianensis (Daid.) Cantagallo Kuler e B.
Spistastur melanoleucus ( Veeril.) Cantagallo.
Spisaetus tyrannus (Weed) Cell N. Friburgo B.
Hlanoides forficatus (L.) Gantagallo ; N. Friburgo E
Leptodon cayennensis (Gin.) Cantagallo.
Harpagus diodon (Temin.) Cantagallo.
Harpagus tidentatus (Lath.) Cantagallo.
Ictuna plumbea (Gm.) Cantagallo ; N. Friburgo B.
Falco aurantius (Gin) Cantagallo.
Tinnunculus emnamominus (Sis s.) Cantagallo; N. Fri-
burgo B.
E% Hlerodiones
Leucophoyx candidissima (Gin.) Cantagallo; N. Fri-
burgo Y.
Butorides striata (L.) (Ardea scapularis Euler) Cantagallo.
K Anseres
Carrina imoschata (L.) Cantagallo.
Nettion brasiliense (Gm.) Cantagallo.
KE Columbae
Coluinba pluinbea ( Viecll.) Cantagallo ; N. Friburgo B.
Zenaida auriculata (Des Murs) Cantagallo.
Chamaepelia talpacoti (Temm.) Gantagallo; N. Fri-
burgo Y.
Peristera cinerea (Teinm.) Gantagallo ; N. Friburgo B.
Peristera geoffroy: (Tenin.) Cantag calo; NE riburgo B.
Leptoptila veichenbachi (Pelz. ) (Peristera frontalis
Euler) Cantagalo.
Geotrygon violacea (Temin.) Cantagallo.
Geotrygon montana (L.) Cantagallo; N. Friburgo B.
XII Gallinae
Odontophorus capueira (Spix) Cantagallo; N. Fri-
burgo B.
— 164 —
Cras carunculauta (Ternm.) (G. rubrirostris Euler) Can-
tagallo.
Penelope superciliaris (JU.) Gantagallo («Jacupemba»).
Penelope jacquacu (Sprx) Gantagallo («jacu-açu»).
Pipile jacutinga (Spx) Cantagallo.
XIII Paludicolae
Linnopardalus nigricans ( Vieill.) Cantagallo; N. Fri-
burgo B. °
Aramides saracura (Spix) (A. plumbeus Euler) Can-
tagallo ; N. Friburgo B.
Porsana albicollis ( Viel.) Gantagallo ; N. Friburgo
Lund.
Creciscus inelanophaeus (Vierll.) Cantagallo.
Gallinula galeata (Lath.) Cantagallo.
Porphyriola martinica (L.) Cantagallo,
XIV Limicolae
Jacana jacana (L.) Gantagallo.
Belonopterus cayennensis (Gm.) Gantagallo.
Totanus flavipes (Gin.) Gantagallo ; N. Friburgo B.
Gallinago frenata (Jll.) Cantagallo.
X VII Pygopodes
Podiceps domimeus (L.) Cantagalo.
XIX Crypturi
Tinamus solitarius ( Veeill.) Cantagalo.
Crypturus obsoletus (Temm.) Gantagallo; N. Friburgo B.
Crypturus tataupa (Temm.) Cantagallo ; N. Friburgo.
Crypturus noctivagus (Weed) Cantagallo.
Cryplurus pileatus (Bodd.) Cantagallo.
LO
4
EI
A DE M
ORREL
1
A
AQUIM (
Jf )
Joaquim Correia de Mello «
JOSE’ DE CAMPOS NOVAES
Entre todas as personalidades, que illustraram Cam-
pinas—este fôco da vitalidade mais pujante do Estado
de S. Paulo, nenhuma mais modesta pela vida recata-
da, nenhuma mais operosa, nenhuma conseguiu fora do
paiz um respeito mais profundo pelos seus meritos de
observador sagaz.
Nessa mesma penumbra de modestia que o cercou
e da qual foi forçado a sahir nos seus ultimos dias, é
que se torna tão sympathico obrigando aquelles que de-
sejam reconstruir a série de suas descobertas a um tra-
balho difficultosissimo ; porque pareceu sempre escon-
der aos olhos profanos a serie de seus escriptos, que
será sempre uma mina inexgottavel de agradaveis sor-
presas quando os annaes da sciencia botanica forem com-
pulsados com a tenacidade necessaria para de lá trazer-
mos à luz os seus trabalhos espalhados na Europa entre
seus numerosos correspondentes.
(1) A redacção desta Revista com a publicação do presente trabalho
deseja prestar justa homenagem 4 memoria do benemerito botanico cam-
pineiro J. Correia de Mello e agradece ao distincto auctor a auctori-
zação de reproduzir o artigo acompanhado do retrato que foi estam-
pado no DIARIO DE Campinas aos 16 de Abril de 1899. — 77. von Ihering.
— 166 —
Era uma série de diamantes amorosamente lapida-
dos com os quaes elle mimoseava, ora um, ora outro
dos seus pares e profundos admiradores.
A série de elementos biographicos que consegui
colligir dará, assim o espero, uma idéa bastante exacta
das suas descobertas mais notaveis.
Quanto ao retrato moral do bondoso velhinho, que
tantas creanças fez novamente sorrir a seus paes au-
xiliados perante as creaturinhas, cuja pathologia elle
tanto e tão desveladamente soubera aprofundar e revi-
gorar com os expedientes do seu espirito inventivo e
perspicaz, já a penna fulgurante do poeta campineiro,
Dr. Francisco Quirino dos Santos, (*) que pessoalmente
o conheceu, nos deixou fielmente burilado.
Resta a fazer ainda uma tarefa mais urgente, qual
a de congregar e enfeichar na sua biographia os seus
titulos scientificos, como existe já para Frei Velloso e
Freire Allemão, nos annaes do Instituto Historico do
Rio de Janeiro.
Essa tarefa tomo-a agora em proporções mais con-
sentaneas com minhas forças; maximé attendendo à im-
possibilidade de remontar às fontes e aos annaes das
sociedades scientificas todas das quaes era elle membro
proeminente.
A sua existencia perpassou sem incidentes nota-
veis, como convem a um excellente burguez e amoro-
so pai de familia.
Não me consta que lhe tivesse acontecido incidente
algum sensacional. Sua vida não differe das niuitas outras,
de paulistas bem educados, porém sempre guiados pela
mais estreita honestidade, como convém a todo o bom
cidadão que sabe ser util, merecendo o respeito dos
seus contemporaneos.
(*) F. Quirino dos Santos—Almanak de Campinas seguido do ae
Rio Claro para 1873, pagina 81.
— 167 —
Nasceu J. Correia de Mello em São Paulo, a
10 de Abril de 1816 e falleceu a 20 de Dezembro
de 1877.
Seu pai, portuguez, tornou-se brasileiro adoptivo,
depois de ter sido na sua patria capitão de cavallaria,
e ter prestado bons e perseverantes servigos na conta-
doria da fazenda provincial.
Fôra o preceptor de seu filho nas primeiras letras ;
entregando-o mais tarde aos cuidados do latinista André
da Silva Gomes, muito apreciado educador, que o pre-
parou para encetar a carreira juridica na nossa Academia.
Já se tinha bem iniciado no terceiro anno lectivo
no Corpus Juris, quando falleceu seu progenitor, que
lhe legou a orphandade e a pobreza, apanagio forçado
dos empregados publicos, deixando-o sem meios de pro-
seguir na carreira encetada.
Cogitou de se fazer militar, carreira para a qual
a sua constituição debil não o tinha predestinado.
Nesse momento critico deparou-se-lhe em S. Paulo
um dos patriarchas da Independencia, F. Alvares Ma-
chado de Vasconcellos, que reconhecendo no Joven
Mello uma capacidade singular e aproveitabilissima,
chamou-o para juncto de si, levando-o para praticar em
sua pharmacia de Campinas.
Affeiçoando-se a elle, levou-o ao Rio de Janeiro,
em 1844, afim de inicial-o no curso regular de phar-
macia.
Recebeu seu diploma, optime cum laude, das mãos
do Dr. J. V. Torres Homem.
De volta a Campinas em 1836, o illustre parla-
mentar offereceu-lhe sociedade na botica, emquanto ia
à Corte trabalhar pelo Brasil.
Durante os vinte annos seguintes continuou na faina
quotidiana das manipulações chimicas, exercitando-se,
ao mesmo tempo, na cura gratuita, especialmente das
creanças, em que se tornou insigne; assim como na
applicação da medicina popular da nossa materia me-
dica da flora inexgottavel e mysteriosamente desconhe-
cida do Brasil.
168 —
Lentamente foi colligindo factos e observações de
pathologia e os effeitos beneficos obtidos pelos cwran-
deiros, que com boa critica foi annotando até se accu-
mular no repertorio de medicina domestica que appa-
receu editado sob o escudo do diploma dontoral do
dinamarquez Dr. Langaard.
O Dr. Theodoro J. H. Langaard era um desses
espiritos vastos e observadores, que vindos do estran-
geiro no meiado do seculo, se congregaram em Cam-
pinas numa pleiade illustre entre os quaes ennumera-
mos: Hercules Florence e o Dr. Ricardo O’Conor
Gumbleton Dauntre.
Todos, ao lado de J. €. de Mello, elaboravam ale-
vantados problemas scientificos, quer nas sciencias na-
turaes, medicas e historicas cujos especimens ora davam
em resultado no Diccionario de Medicina Popular—
ora em excavações de ineditos, como a Genealogia
Paulista, offerecida pelo Dr. Ricardo e editada pelo
Instituto Historico do Rio; ora em experiencias chimi-
cas, como as feitas em collaboração com Hercules Flo-
rence sobre a Photographia.
Os documentos sobre esta ultima descoberta scien-
tifica, das mais uteis do nosso seculo XIX, e que foi
effectuada em Campinas por Hercules Florence e com-
pletada pelas subtilissimas manipulações chimicas de J.
C. de Mello, estão em poder dos seus netos que devem
dar-lhe a publicidade que merece
Não reivindicaram publicamente a invenção, por
coincidir com identica descoberta de Daguerre e Niepce
em França.
Este facto só, devidamente explanado, dará idéa
da profundeza das pesquizas a que se entregavam
neste recanto provinciano esse conjuncto de homens
superiores.
O preclaro Dr. CG. F. Philippe von Martius agra-
decendo em carta, ao editor Henrique Laemmert, da-
tada de 18 de Novembro de 1867, usa de phra-
ses alevantadas referindo-se a essa bella obra do Dr.
Langaard :
to
«Ao auctor e ao editor de uma importante obra
nova, quasi sempre me trazem à memoria aquelles dois
herdes homericos que pelejam juntos num carro de
guerra, um, brandindo as armas valorosamente, o outro
dirigindo ousado os cavallos frementes.
Do mesmo modo ayisto daqui, por occasiao da pu-
blicação do sr. Dr. Langaard, v. s. unido com um va-
loroso combatente, sentindo-me irresistivelmente levado
a applaudir a ambos em testemunho de minha sympa-
thia e approvação de uma grande empreza literaria
digna de louvor».
O leitor, à primeira vista, pensaria que cabe ao
collaborador modesto que nem quiz que se offerecesse
aos olhos de von Martius a parte que lhe cabia no
triumpho desse magno prelio; elle sô deixära a seu
amigo referir-se a elle na 2.º edição, cujo prefacio re-
fere-se à parte botanica sómente; quando é notorio, em
Campinas, que seu trabalho se extendeu a uma colla-
boração effectiva sobre toda a obra:
«Sendo as plantas medicinaes indigenas do Brazil,
diz o Dr. Langaard, de grande importancia medica, e
tendo muita applicaçäo, maxime no interior do paiz,
lembrei-me de as tornar mais conhecidas ; e, para esse
fim, de muito me valeu o auxilio do meu distincto e
sabio amigo o Hlmo. Sr. Joaquim Correia de Mello,
ilustrado pharmaceutico da cidade de Campinas».
A modestia excessiva, e o desprendimento com que
alienava de si os seus trabalhos e descobertas, foi sem-
pre um predicado indelevel de seu caracter.
Von Martius cuja obra classica sobre a Materia
medica brasileira tão bem soube prezar o seu conti-
nuador campineiro, por elle aliás então ignorado, en-
carregou um seu collega de Munich (Baviera) o Dr. J.
B. Ullersperger, de dar um parecer critico.
Referindo-se à contribuição da botanica medica in-
digena, reconhece o relator o merito da tentativa e as
lacunas forçadas do nosso meio scientifico ainda embryo-
nario : |
« Naturalmente, diz este relator, näo podemos exi-
— 170 —
gir que todos esses novos corpos tenham passado pela
analyse chimica e pela physiologia experimental, como
acontece sempre, quando o medico europeu descobre
no velho mundo alguma planta medicional ainda des-
conhecida; muitas vezes, pelo contrario, somos obriga-
dos a contentar-nos com os resultados do empirismo
menos scientifico.»
Aquillo que lá é a excepção, por aqui é e será a
regra, por muito tempo.
No dominio da chimica medica, sous serviços são
notorios. Procurou Mello isolar corpos e extractos di-
versos que elle enviava perfeitamente acondicionados
para os especialistas européus, que consignavam nos
annaes da pharmacopéa as suas valiosas contribuições ;
pelas quaes mereceu ser nomeado membro correspon-
dente da British Pharmaceutical Conference, de Lon-
dres.
Quanto não me foi grato ler na obra classica de
Flukiger, (*) tratando dos balsamos, o topico seguinte
sobre o Cabureiba preto :
«Um bello exemplar desta substancia Myrocarpus
frondosus Allenão, acompanhado de elementos de her-
bario, foi offerecido a um de nós (Hambury) por Mr.
J. Correia Mello, de Campinas, Brasil.
E' uma resina com o aspecto do «Balsamo de
Toulou», mas tinto com uma côr mais escura, e me-
nos vermelha e de uma dureza maior».
Na literatura medica do seu tempo será facil col-
ligir muitos outros exemplos das suas investigações ex-
perimentaes sobre os medicamentos indigenas ; dominio
scientifico esse onde conta bem poucos successores na
classe medica brasileira.
*
* *
Durante a elaboração do Diccionario de Medicina
Popular, as aptidões especiaes para a sciencia das
plantas se revelaram aos olhos dos amigos intimos.
(*) Flukiger et Daniel Hambury —Histoire des drogues d'origine
vegetale, volume I, p. 379.
Mais tarde, apôs a diffusäo pelo Brasil dessa obra
tão necessaria de vulgarisação de tantos segredos cio-
samente armazenados na tradição dos curandeiros e
empiricos, que de um momento para outro tiveram que
rever as suas plantas ao lado da correcta classificação
scientifica, mais notoriedade ainda adquiriu pela sanc-
ção e approvação dos extrangeiros, que nesse reposito-
rio botanico iam se orientar “sobre as propriedades das
plantas medicinaes indigenas, ou acclimadas, ou usadas
nas drogarias do interior do paiz.
Começaram a aflluir ao seu gabinete as corres-
pondencias cheias de pedidos, e de problemas cuja so-
lução esperavam não só da sua competencia, como da
sua posição sedentaria numa região tropical apenas
herborisada às pressas por viajantes que não podiam
acompanhar a evolução embriogenica e morphologica
de diversas classes de plantas, mal representadas em
especimens seccos nos Museus Europeos.
Logo começaram a prezar o seu concurso nos
problemas propostos pelos especialistas que pediam os
seus pareceres sempre proficuos; e foram estes amigos
longinquos que o propuzeram como membro de varias
sociedades scientificas, entre as quaes se conta a Li-
nean Society de Londres, em cujos annaes (*) pude eu
colligir as memorias botanicas assaz interessantes, que
procurarei summariar nas notas que seguem :
I. No volume X, pag. 1, do Journal linneano o
celebre viajante Spruce, que colligiu e classificou os
Musgos e as Hepaticas da America Meridional, leu
perante a sociedade um trabalho de Correia de Mello
sobre as Papaiacee.
Esta memoria descreve o Jaracatiá (“aracatiá do-
decaphylla P. DG.), que por sua inconsistencia na
fructificação, desfaz-se toda depois de secca; o que im-
possibilita sen estudo nos herbarios, pelos botanicos
que não podem estudal-o na planta viva.
(*) The Journal ot the Linnean Society — Botany—volume X—XVIII.
Demonstrou as aflinidades das Papaiace:e com as
Pasifloraceas.
Desereveu tambem o Mamão (Carica Papaia L.)
«Em resumo, diz Spruce, apenas pode-se dizer que
as Papaias possam ser ditas «bem conhecidas».
Porque de muito poucas dentre ellas nossos her-
barios contêm especimens de ambos os sexos, e suas
inflorescencias, mesmo daquellas tidas e havidas como
as mais communs, ainda não tinham sido traçadas em
todas as suas faces embriogenicas evolutivas antes do
trabalho do Senhor Mello, o qual, esperamos, conti.
nuará suas interessantes investigações não só sobre as
Papaiacee, como sobre todas as plantas a seu alcance,
que por suas proporções e sua perecivel natureza, não
podem ser estudadas em herbarios seccos.»
Eis, portanto, traçado o elogio e o quanto se espe-
rava da sua capacidade de observação nas regiões tro-
picaes, onde todas as arvores estão vivas, e não são
simples mumias de museus, cuja evolução só aqui póde
ser acompanhada e descripta à medida que passam por
diversas phases morphologicas e embriogenicas.
Il. No volume XIV pagina 4, do mesmo Journal,
se encontra uma optima e longa diagnose sobre a Ci-
sampelos vitis de Velloso, que Miers (*) reconheceu
ser a sua Odontocarya ocuparata Miers, que esta de-
senhada na sua obra monographica sobre as Menis-
perimacee.
Tal diagnose o botanico inglez diz ser a exacta
contraprova das suas observações e analyses desse ge-
nero diclinio, da familia das Menispermiaceas.
No volume anterior, no XJ, do mesmo Journal
da sociedade Linneana, pagina 261, onde estudou uma
serie de plantas dos arredores de Campinas, elle ja
tinha dito que «acreditava pertencer ao genero Odon-
tocarya de Miers»; mas que por outros motivos revi-
sou levando a especie para o genero Durasua de
(*) Miers--Contributions to Botany, taboa 100, vol. II.
Thouars. A retificação do especialista inglez deante da
bella diagnose de Mello reunindo a fôrma feminina à
fórma masculina da especie, bastam para demonstrar a
rigorosa perfeição das suas descripções.
HJ. Nesse mesmo volume XI, lemos uma longa
carta enviada a G. Bentham intitulada — Notes on
some Brazilian plants from the neighbour hood of
Campinas — lida a 4 de Novembro de 1869.
Referem-se estas notas a colleccdes de plantas de
varias familias, interessantes sob diversos aspectos.
Observou a immersäo das flores da Arachis hy-
pogea L., vulgo Mendom, sob a terra, e comparou-a
com a Voandzeia subterranea que os africanos aceh-
maram aqui.
Reviu a serie de Cucurbilaceas dos arredores
que Pacifico Mango, de terrivel memoria em Campi-
nas, classificira e estudára segundo as propriedades
medicinaes.
Diagnosticou minuciosamente em latim a especie
unica do genero Anisosperma de Manco, que desde
então se tornou definitivamente constituido e acceito
na sciencia.
Referiu-se ao Pacovi do genero Aflpinim cultiva-
da nos quintaes e pertencente à familia das Zingê-
beraceæ ; enumera as Cannaceas, vulgo biry; e as
Maranthaceas cultivadas como a araruta, e o Caeté
das mattas.
Sobre as Musaceas cultas, e sobre as Heliconias
das circumvisinhangas da capital paulista, e muitas ou-
tras plantas interessantes ou pouco estudadas fornece
noticias uteis aos phytologistas.
IV. Segue à pagina 263 do mesmo volume XI,
a diagnose da Myrocarpus frondosus Allemão já as-
signalada atraz.
Essas dissertações, todas de valor scientifico pelas
novidades emittidas, dão perfeita idéa das suas predi-
lecções e dos seus recursos bibliographicos ; assim como
das lacunas insanaveis de que se achavam, ha 30 annos,
— 174 —
rodeados os botanicos brasileiros antes da vasta publi-
cação da Flora Brasiliensis.
Armado desse repertorio, as numerosas duvidas.
que, a cada passo, detinham a penna de Mello, cessariam
em grande parte.
Onde o Podromus dos De Candolle nada adian-
tava ha 30 annos, agora encontramos explanado, sys-
tematisado e gravade em grandes planchas no formato
folio maximo dos herbarios seccos.
Nas monographias mais recentes é facilimo reco-
phecer, com sufficiente probalidade de certeza, se temos.
uma especie nova ou mal descripta para offerecer aos
especialiastas europeus.
Na cryptogamia microscopica ainda laboramos nas:
mesmas condições de Correia de Mello.
Se de um lado as novidades scientificas são mais
numerosas; de outro lado, os meios de classifical-as
ainda não estão elaborados de modo sufficiente para po-
dermos desbravar o terreno ainda maninho dos seres.
inferiores.
ie
A obra capital, na qual se absorveram todos os
lazeres de Meilo, que nella concentrou toda a activida-
de intellectual do seu ultimo decennio de vida operosa
em pról da sciencia, foi sobre as bellas e matisadas
campanulas de colorido, proporções, attitudes e nume-
ro que attingem os mais altos cimos das florestas, so-
bracando com seus multiplos ramos até encobrir a fo-
lhagem dos maiores gigantes das selvas; quando não
são arvores como as Zecomariæ (Ipê) que se revestem
exclusivamente de esplendidas flóres antes de desenvol-
verem as folhas.
Havia muita confusão nos generos e muitas incer-
tezas nas especies, distribuidas sem precisão alguma nos
herbarios ; porque não estavam acompanhados das ca-
psulas multiformes alongadas e lineareas até cerca de 50
centimetros ou echinadas e ovaes, como as que deno-
minam pinturescamente—«pentes de macaco».
Quanto as tiges, de uma estructura anatomica curio-
sissima, com lenhos sobrepostos cruzados e alternados
com o liber da casca; estavam dispersas nas collecções
sem ser possivel aproveital-as por falta de indicações
que as identificassem com as flores classificadas nos
herbarios.
Um dos mais auctorisados botanicos francezes, O
venerando Mr. Dr. Edouard Bureau, professor do Mu-
seu de Paris, deliberou dirigir-se aos naturalistas, mais
sedentarios e residentes nas regiões tropicaes da Ame-
rica, onde fulguram as bellas flóres das Bignonias
para que com mais cuidado e certeza reunissem as
flores aos fructos maduros e não se olvidassem tam-
bem de addicionar a estas os lenhos da base dos
caules.
Para que essas pesquizas viessem a tomar as pro-
porções duma monographia de especies bastante com-
pleta que viesse servir de complemento à sua Mono-
graphie des Bignonacêes, obra primorosa em que es-
tabeleceu apenas os generos, acudin-lhe a idéa de apro-
veitar os naturalistas que conhecia na America Meri-
dional.
Essa empreza scientifica tornou-se, tanto para o
respeitavel especialista francez como para o seu colla-
borador brasileiro, a norma e fim de todas as suas fa-
culdades mentaes, dirigidas para a elaboração de um pro-
blema vasto como a bella e rica familia vegetal que, ao
lado das Orchideas, mais exorna de cores brilhantes a
primavera eterna do Brasil.
Eis como o proprio Mr. E. Bureau (*) narra a sua
feliz correspondencia ligada com o nosso modesto e ope-
roso conterraneo : —- «Occupando-me desde muito tem-
po da monographia das Bignoniaceas, tive que dar
uma attenção especial ao estudo das tiges. Quando co-
mecei este trabalho, muitos dos fragmentos de lenho
x
pertencentes a esta familia existiam, é verdade, nos
(*) E. Bureau—Buletin de la Societé Botanique de France- Sé-
ance du 5 Janiver 1872, pag. 15.
museus botanicos ; mas a maior parte dos especimens
estavam sem denominação e indeterminaveis. Não se
podia, portanto, cogitar de extrahir do exame delles
conclusões applicaveis a uma classificação natural. Nes-
se ponto de vista, a colleccäo de tiges de Bignoniaceas
deveria ser refeita inteiramente e em condições de dif-
ficuldades de todo peculiares.
Effectivamente, os fructos são, em muitos casos,
indispensaveis para darem-se ao trabalho de marcar os
pês sobre os quaes elles colheriam os especimens em
flores e voltarem n'uma outra estação para colher os
fructos e cortar a tige.
Estas, por causa das differenças que apresenta a
madeira, segundo a edade, deveriam ser representa-
das por pedaços que indicassem a madeira segundo
as diversas épocas do seu desenvolvimento ; deve-
riam ser tiradas amostras de todas as grossuras, des-
de a parte mais espessa do tronco até os ramusculos
mais gracis.
Certamente era exigir muito.
tedigi, todavia, instrucções nesse sentido, e as en-
viei para todos os correspondentes que pude encontrar
na America do Sul e na America Central. Minhas pri-
meiras tentativas nesse sentido datam de 1868.
Hoje possuo (1872) mais de 150 especies de Bi-
enoniaceas, cuidadosamente recolhidas com flor, fructo
e tige, ramos e muitas vezes tambem com raizes.
Tres quartas partes (3/4) approximadamente desta
colleccäo provêm das pesquizes de Mr. Correia de Mel-
lo, que reside em (Campinas, provincia de S. Paulo,
no Brasil, e de Mr. Glaziou, director do Jardim Publico
do Rio de Janeiro.
Graças ao zelo e à actividade destes dois botanicos,
haverá d'ora em diante pouca cousa a ajuntar para a
historia do Sul do Brasil».
A colleeção de Mello foi numerada até a 65° especie
recolhida por elle, e acompanhada de notas numerosas
distribuidas em uma serie de correspondencias ou me-
morias, que se foram completando umas às outras du-
ee el =
rante um decennio, notas estas que estão em poder do
signatario destas linhas.
As discussões sobre os caracteres genericos for-
mam o conteudo de longas dissertações, que receberam
completa acceitacäo por parte de Mr. Bureau que del-
las se aproveitou largamente nos seus estudos sub-
sequentes.
Mr. Glaziou , recolheu em suas vastas excursões
botanicas outro tanto, até aquella data; e como perse-
verasse a colligir mais de duas dezenas de milheiros
de plantas, conseguiu addicionar ainda, durante os 15
annos seguintes, antes de partir do Brasil, uma serie
riquissima em novas especies.
Pena foi não lhe ser permittido juntar a seus im-
mensos trabalhos de herborisador, notas mais minucio-
sas sobre a procedencia de grande parte das Bignonia-
ceas ; pois lemos a cada momento nas listas dos her-
barios citados na Flora Brasiliensis, à pagina 245—
Bigroniaceas, por exemplo :
Lunvia NITIDULA, J. C. Mello, a Provincia Sante
Pauli prope Santos, N. 49—Glaziou Ns. 4105, 4711,
6645, 11249 e 12993, locis haud accuratius addicts
grobabile maxima pro parte e Provincia Rio de Ja-
nero.
Isto prova, que seas colheitas foram mais nume-
rosas, e levadas a cabo num espaco maior de tempo
e de territorio, näo foram acompanhadas de commen-
tarios, où mesmo de annotações comparaveis às profun-
das confrontaçües diagnosticas de Mello.
A correspondencia de Mello com Mr. Bureau pro-
seguiu activamente de 1868 até o cerco a Paris em
1871, em que enviou de uma só vez, uma grande me-
moria contendo ao lado dos especimens floristicos, bel-
los desenhos que Mr. Bureau destinava às Transactions
da Linnean Society, devidos ao habil pincel «shvl full
pencil» de Miss Francisca Correia da Silva Mello, na
phrase de J. Dalton Hooker, o patriarcha dos botani-
cos inglezes.
O intermediario que se encarregara de remetter o
— 178 —
precioso deposito scientifico. Mr. A. L. Garraux, (que
nao cheguei a conhecer, por ter se retirado de S. Pau-
lo ha muitos annos) por um motivo qualquer indepen-
dente da sua vontade, não conseguiu rehaver noticias
do manuscripto entregue aos seus cuidados.
Esse facto foi um golpe tremendo no animo de
Correia de Mello, que se descurou d’ahi em deante de
seus estudos predilectos, com grave damno para sua
fama e para a sciencia brasileira.
Durante vinte annos ouvi circular em Campinas
versões e lendas sobre esse precioso monumento scien-
tifico ; até que, em 1895, resolvi utiliser os meus estu-
dos botanicos na reivindicaçäo dos restos que ainda po-
dessem ser aproveitados desses trabalhos.
Recebi de D. Candida da Silva Mello um maço de
papeis repletos de entrelinhas, de notas à lapis, divi-
vidos em séries de annotações distribuidas em cadernos
sem nexo apparente.
Encontrei o fio de Ariadne desse labyrintho, pela
numeração dos especimens de herbario enviados em
memorias successivas a Mr. Edouard Bureau.
Bastava, portanto, um pesado trabalho de coorde-
nação e de eliminação das repetições, baseado na esco-
lha das melhores lições do texto definitivo.
O que me custou de trabalho para elaborar em
ordem scientifica nesses rascunhos informes em que os
orgãos nem ao menos eram observados e descriptos
segundo o methodo usual; só aquelle que for exami-
nar essas notas multiformes poderá julgal-o pelo que
valem.
Depois de passado a limpo em um volume folio
da minha penna, procurei saber se ainda seria tempo
de enviar essas notas impressas a Mr. Bureau que pos-
suia, quando menos, os originaes anteriores a 1871.
E enviei uma respeitosa carta a Mr. Bureau, que
devia ser-lhe entregue de mão propria; mas della não
recebi resposta.
Em compensação, a outra copia identica da mes-
ma carta, foi mandada para Berlim onde está de posse
— 179 —
dos papeis de Correia de Mello o Dr. Karl Schu-
mann, a quem Mr. Bureau encarregou de dar a ultima
de mão ao seu manuscripto das Bignonias, para que
fosse publicado, em nome conjuncto, na monumental
Flora Brasiliensis.
Este illustre botanico do Museu de Berlim res-
pondeu ao Senhor Dr. Alberto Lofgren que, effectiva-
mente, possuia muitos manuscriptos acompanhando todo
o herbario de 65 especies de Correia de Mello; mas
que lhe não servia de auxilio algum, por não entender
o portuguez.
Isto escrevia elle um anno antes de sahir o 1.
fasciculo das Bignonias; razão pela qual sustive qual-
quer publicação até poder junctar o texto latino, tra-
duzido por mim, às notas preciosas, que demonstra 0
valor e importancia irrecusavel que pelo confronto de
ambos se transformam em commentarios mutuos.
Ora, é obvio que Mr. Bureau já tinha expremido
todo o succo das annotações de Mello; e que, portanto,
é inutil cogitarmos até que ponto fora isso feito, visto
o Dr. Karl Schumman ter apenas coordenado as ulti-
mas novidades na materia.
Desses factos, até a minha tentativa de fazer valer
os trabalhos do conterraneo antes de sahir do prelo o
f.º fasciculo na Flora Brasiliensis, haviam decorrido
bons vinte e seis annos; por isso nada parecia poder
reviver na memoria dos dois sabios collaboradores eu-
ropeus, e vir reclamar o logar especialissimo que lhe
cabe na turba multa dos viajantes que colligiram sem
notas os especimens mal coordenados dos berbarios de-
positados nos museus europeus.
Lê-se no prefacio devido à penna de Karl Schu-
mann:
(*) «Nenhum orgäo ha de maior peso no systema,
quando se tem de coordenar as Bignoneaceas, do que
a indole e a forma dos fructos.
O preclaro M. Bureau examinou e pintou em sua
(*) Flora Brasiliensis — Bignoniaceæ, pag. 12., prefacio.
a
obra excellentissima e esplendidissima Monographie
des Bignoniacces as capsulas de muitos generos desta
familia com maximo cuidado.
Durante muitos annos recebeu, principalmente
da America do Sul, maleriaes wmmensos de capsulas
que teve sob seus olhos prescrutadores ; com estudo
diligentissimo este auctor celeberrimo resolveu as fór-
mas mais intrincadas de diversos generos que na flo-
ração se parecem tanto umas com as outras, € que
nem o preclaro Pysamus De Candolle no Prodromus,
nem os celebres Hooker e Bentham nas suas (Genera
Plantaruin conseguiram confeccionar e que só elle
conseguiu bem dividir e circumscrever».
Só falta nesse esplendido e resonante latinorio O
nome daquelle modesto coleccionador desses thesouros
da flora americana que permittiram tirar do cahos
uma das mais bellas familias de Phanerogamos tro-
picaes.
Apenas encontramos Mello citado na serie de via-
jantes apressados que tudo reuniram às carreiras €
sem critica.
Ha, nesta emissão, uma injustiça clamorosa, e uma
preterição que a publicação da monographia das Big-
noniaceas na Hora Pavista ha de tirar do nada para
a claridade dos archivos da sciencia.
Algumas conjecturas são permissiveis de se emit-
tir a respeito do destino ulterior do manuscripto en-
viado a Mr. Bureau, por intermedio de Mr. A. L.
Garraux.
Ha ao menos um ponto de partida bem firmado
pelas palavras seguintes encontradas, numa nota sobre
o genero Haplolophinin de Kunth:
«Sendo esta planta interessante não só pela sua
"aridade nos herbarios, como porque ella firma o ge-
nero Hapolophiun de Kunth, até agora duvidoso; €
sendo possivel que por causa da guerra com a Prus-
sia se tenham perdido os opontainentos que sobre es-
ta planta remet a Mr. Bureau datado de 9 de
Julho de 18703 por isso aqui reproduzo todo o con-
teudo desses apontamentos que não continham a de-
seripção das corollas, com as necessarias addicgoes e
alterações».
Ahi esta firmado o facto da perda de parte das
dissertações. que foram novamente recopiadas das no-
tas refundidas e melhoradas.
Observando as datas e os papeis usados nas notas
em meu poder, torna-se desde iogo patente tres ma-
nuscriptos principaes. O primeiro contem uma alluviäo
informe de rascunhos no primeiro periodo dos seus
estudos, que motivaram a carta honrosissima de Mr.
Bureau, datada de 20 de Novembro de 1868.
O segundo, que denominarei suppiemento a esses
rascunhos, contem melhor texto em papel azul, de
carta, em que recopiou e melhorou grande parte
das notas anteriores. Este manuscripto é anterior a
1870.
O terceiro, em papel de requerimento, é posterior
a essa data, e a nota acima citada pertence à desser-
tação bellissima sobre o genero duvidoso que elle elu-
cidou, o qual esta contido nas paginas 89—95 dessa
3.2 parte.
A metade, portanto, do manuscripto, contendo a
materia mais largamente explanada é certamente ine-
dita; ou antes não chegou às mãos de Mr. Bureau
conjunctamente com as plantas estudadas nos ultimos
annos.
Mas, ha um segundo facto importante que a mo-
nographia publicada na Flora Brasiliensis nos attesta.
_ Consiste esse segundo ponto firme da questão, na
citação, senão de todos os numeros do herbario de
Gorreia de Mello, ao menos da maior parte inciu-
sive a ultima 652 especie colhida e descripta nos ma-
nuscriptos.
Se não ha engano nas informações que colhi a esse
respeito, esses ultimos numeros do seu herbario foram
— 182 —
enviados a Europa depois do fallecimento de Correia
de Mello.
Donde se conclue: que effectivamente alguma par-
te importante das dissertações poderia se ter perdido
em companhia dos desenhos e das plantas cujas dupli-
catas Correia de Mello conservou para si.
Neste caso, segundo uma versão, consta ter sido
perdido em naufragio o precioso manuscripto, essa
perda foi restituida pelas duplicatas; segundo outras
conjecturas gratuitas, houve desvio devido a algum in-
termediario infiel que o quizesse usar sobrepticiamente,
o que se torna possivel tambem.
Mas eu positivamente affirmo, fundado nas mais
pacientes pesquizas bibliographicas que essa obra
nunca foi nem poderia ser publicada durante a vida de
Mr. Ed. Bureau, que é a unica pessoa que pode-
ria della usar sem ser denunciada por qualquer bo-
tanico.
Primo: consegui reunir todas as memorias de
alguma importancia sobre Bignonias ; nellas nada denun-
cia o uso desses apontamentos perdidos.
Secundo : entre os botanicos qualquer planta só
tem valor acompanhada de notas sobre a procedencia,
e com nome certo de quem a apanhou. Se notas como
as de Mello fossem publicadas, acompanhando taes
plantas, seriam desde logo reconhecidas por Mr. Bureau,
por serem taes dissertações escriptas em resposta às
suas questões, que suggeriam ao nosso patricio a for-
mula exacta das replicas.
Tercio: um especialista domina a sua provincia
tão despoticamente ou mais do que o Czar os seus do-
minios.
Nada escapa às suas vistas de argos, que prescruta e
rectifica, segundo seu systema, todas as plantas novas, to-
das as collecgdes de viajantes, que são os primeiros a sub-
metterem às suas denominações todas as especies novas.
Um tal arbitro existe vivo ha 30 annos de 1868 —
1898, para nada ter deixado passar despercebido, e
esse é o proprio Dr. Edouard Bureau
— 183 —
Na communicação à Socrelé Botanique, acima ci-
tada, elle diz possuir tres quartas partes de suas 150
especies enviadas por Mello e Glaziou.
Mostrando-se Mr. Bureau tão satisfeito do seu
thesouro não accusou omissão de especie alguma em
1872; portanto, em data posterior ao facto do desvio
do manuscripto, elle devia tel-as todas.
Desse conjuncto de circumstancias creio poder
acreditar que, se os seus papeis existem, elles chegaram
às mãos do destinatario.
Em breve, poderei enviar a Monographia da Flora
Paulista contendo as bignoniaceas, acompanhadas das
notas todas de Mello. So então poderá Mr. Bureau ou
o mais accessivel Dr. Karl Schuman nos informar a
verdade deante das notas impressas, e dizer-nos quanto
ha de inedeto na publicação das notas ultimas de Mello.
Correia de Mello, tal como o vi, era um velhinho
modestissimo.
Nunca seus comtemporaneos suspeitaram todo o me-
rito intrinseco desse bemfeitor das creanças e dos pobres.
Só muito no fim da vida começou a transparecer
a aureola de celebridade que da Europa culta se refle-
ctia sobre sua personalidade.
Não tenho senão vagas recordações desse excel-
lente velho, que veio preoceupar-me tanto posterior-
mente com os seus valiosos estudos botanicos.
Todavia, lembro-me das suas visitas ao Culto à,
Screncias, onde os directores o recebiam com todas as
deferencias devidas a um espirito superior.
Via-o encetar discussões com o Dr. Moretson e
com Mr. Bentley sobre darwinismo, e evolucionismo
e outras questões das quaes nada pescava então.
— 184 —
Sei, por tradiçäo, que Mello tomava o partido dos
Cuvierianos de velha e solida tempera.
Esse velhinho, que nunca conheci pessoalmente,
tinha então cerca de 60 annos, magro, com uma testa
oval, firme, serio e prescrutador, mas de maneiras lha-
nas e prasenteiras.
Delle conta-se como facto authentico, que D. Pe-
dro II fora visitar a galeria de retratos da Linnean
Society de Londres, da qual era socio (fellow) muito
admirado e prezado pelas suas valiosas contribuições.
Os sabios ciceroni que informavam sobre os va-
rios socios que tinham a subida honra de figurar nessa
selecta galeria de retratos, conduziram o monarcha
brasileiro deante de um semblante para elle totalmente
desconhecido.
Com indescriptivel assombro os sabios inglezes,
verificaram que era um desconhecido essa personalidade
para todo o sequito imperial, inclusive o proprio D.
Pedro II, que conhecia na ponta dos dedos as obras
e os feitos mais ou menos notorios das mais obscuras
figuras do mundo scientifico europeu, aos quaes D.
Pedro Il costumava embasbacar enumerando-as aos
proprios autores.
Shocking ! Most shocking !
Que fiasco para um monarcha tão salvo que não
conhecia um subdito desse valor !
Voltou ao hotel e tratou de indagar quem era
esse senhor Joaquim Correia de Mello, de Campinas.
Dentre varios paulistas houve um que escovando
bem a memoria exclamou:
-—Ora, conheço-o muito. O Joaquinsinho da Botica.
O Imperador tomou a serio a licçäo.
Vindo a Campinas em 1876, na occasião da inau-
curação do gaz, mandou que o fossem procurar.
E desde esse momento collocou-o ao seu lado na
mesa e nas viagens de troly.
Tive occasiao de acompanhal-os numa excursão à
— 185 —
fazenda Sete-Quedas, do Visconde de Indayatuba, em
que o monarcha não o abandonou um momento.
Queixou-se Mello, então, que seus numerosos cor-
respondentes não conseguiram enviar-lhe nenhuma das
erandes obras de von Martius.
Effectivamente, nunca deparei em seus escriptos
com uma unica citação desse autor fundamental sobre
as nossas plantas conhecidas.
O imperador apressou-se em enviar-lhe esse pre-
cioso repositorio da botanica brazileira.
Mello, mostrando o presente inestimavel aos ami-
cos, exclamava :
—Que pena que me viesse isso às mãos tão tarde,
quando já me sinto cançado e desilludido. Se o pos-
suisse quando trabalhava com ardor, ter-me-hiam sido
poupados tantos erros e repetições de cousas já sabidas
e descriptas por outrem.
Nenhum obice é mais insuperavel do que essa
ausencia de bibliothecas especiaes de sciencias natu-
raes, para não fallarmos nos herbarios authenticos dos
Museus.
Desde o momento em que seus talentos de obser-
vador se patentearam perante as sociedades scientificas,
uma multidão de pedidos de plantas lhe foi encher o
gabinete de trabalho.
Especialistas de todas as classes de plantas pediam
o seu concurso, afim de recolher novos materiass.
Cercavam todos o pedido de encomios que enca-
reciam o seu desejado concurso.
Edouard Marren pedia-lhe Bromelias, Nylander
Lichens, Cogmaux Cucurbitaceas, Miers Menispermea-
ceas, Spruce Papayaceas, Reichenbach Orchidaceas,
Bentham, Hooker, tudo quanto pudesse addicionar ao
herbario de Kew.
A todos satisfazia liberalmente; mas se esque-
cia do modo convencionado de fazer relembrar seu
nome nas publicações, enumerando a serie das plan-
tas em ordem continua para ser citado nos herbarios
geraes.
— 186 —
O desprendimento com o qual alienava de si todas
as novidades scientificas parecia aconselhal-o a esque-
cer o lemma dos De Candolle :
Nomina mutant, numera manent.
+
Os nomes variam segundo o progredir da sciencia ;
mas a numeração pura e simples dos especimens floris-
ticos depositados nos herbarios dos Museus, é immuta-
vel como a procedencia e o nome do viajante que os
recolheu
Dahi, o facto de só ser lembrado o nome de Mel-
lo nas 65 plantas do herbario de Mr. Bureau, especial
às Bignoniaceas; ao passo que os numeros de André
Regnell, em Caldas,e os de Pacifico Mango enumera-
das nas plantas que enviou de Cuyabä a von Martius,
são lembrados em todos os tratados e monographias
de flores Universaes ou Brasileiras conhecidas.
Como prova demonstrativa do desapparecimento
de seu nome nas obras em que collaborou enviando
plantas, desenhos e notas, basta relatarmos os resulta-
dos praticos do estudo sobre o genero Alberta.
José Dalton Hooker, filho, o coripheu darwiniano
da botanica, recebeu e publicou nas Transactions da
Linnean Society, Secção Botanica, do volume XXVII,
pagina 520, sobre a Marmeladinha do campo, Ru-
biacea que erradamente denominavam Gardneria ses-
silis, e que com os desenhos e diagnoses de G de
Mello foi collocado no genero Alberta com o nome
especifico, de Melloana, Hooker.
Karl Schuman refundindo essa classe das Ru-
biaceas na Flora Brasiliensis, com quanto reconheces-
se o valor da contribuição, foi forçado, apezar de um tal
padrinho, a restituir o nome especifico—sessvlis-quod
maxime doleo, pondo na synonimia, verdadeiro hospi-
tal de invalidos, o nome especifico-Melloana.
Conservou o genero Alibertia assignalado por
Hooker, mas regeitou o novo nome de Melloana, por-
que já existia um outro (sessilis) que forçoso era con-
— 187 —
servar para obedecer às leis da nomenclatura e ao
direito de prioridade.
Prevalece, portanto, agora a especie Alibertia ses-
silis Schumann.
Nem Mello nem Hooker têm mais direito algum de
ser lembrados a proposito dessa especie rara e curiosa.
Se Correia de Mello, pelo contrario, tivesse posto
um simples numero ao lado do seu preparado, seu no-
me ahi teria sempre permanecido ao par das denomi-
nações novas.
Eis o valor do aphorismo botanico de Pyramus
De Candolle :
Nomina mutant, numera manunt.
O circulo dos seus amigos não podia, excepto nos
poucos mencionados acima, acoroçoal-o e excital-o ao
trabalho botanico senão de um modo todo platonico.
As sciencias naturaes têm no Brazil riquezas inex-
gottaveis; mas força é confessar que esses estudos es-
tão ainda apenas theoricamente recommendados pelos
jornalistas, que os encarecem como si se tratasse de bel-
las artes, que são boas para se applaudir como espec-
tador, mas nunca para participarem desses labores de
valor apenas recommendavel como ornamento só pro-
prio de povos excessivamente civilisados.
Um sabio, authentico como Correia de Mello, era
um objecto de curiosidade com o qual a Nação nada
tem que vêr, nem cousa alguma a esperar delle.
Os proveitos promettidos são tão longinquos que
não mereciam no seu tempo attenção alguma especial,
anão ser a admiração de um caso raro e inexplicavel no
nosso meio provinciano de ha trinta annos atraz.
Agora começa a mudar um pouco a face das cousas.
Com a federação dos Estados, o Pará e São Paulo
têm Museus e commissões scientificas.
Minas tentou esse luxo e foi a primeira verba
188 —
que em momento de apuros se lembrou de supprimir
ex-abruplo.
Mas, para Correia de Mello bastava a sua filha e
dedicada collaboradora, a desenhista aprimorada que
seguia os vôos mais ousados das meditações do sabio
paulista.
Ajudava-o carinhosamente a preparar as bellas e
raras flores que trazia das suas excursões nos campos e
mattas da visinhança, desenhando e colorindo com es-
mero flores exoticas, tão diversamente lindas das nos-
sas feracissimas selvas primitivas, já bem devastadas
agora.
Para julgar da proficiencia artistica da senhcra d.
Francisca de Salles Mello, dou a palavra a J. Dalton
Hooker. talvez o botanico que maior quantidade de mi-
lheiros de gravuras e planchas lithographadas coloridas
tem publicado neste seculo tanto no Bolanical Magasine,
como nas floras das colonias inglezas, e em Icones
diversas :
«Tenho o prazer de fazer chegar-lhe meu caloro-
so agradecimento pelo bonito e exacto desenho da Mas-
melladinha do Campo, que tanto por habil arte, quanto
por semelhança botanica e utilidade nada deixa e desejar.
Peço-lhe dar licença de enviar meus cumprimentos
à linda artista D. Francisca de Salles Mello».
A este gracioso cumprimento correspondeu a in-
serção dos desenhos nas Transactions da mais respel-
tavel sociedade de sciencia naturaes que existe.
À apotheose final veio alcançal-6 no seu recanto, onde
sempre se conservou alheio à va popularidade das massas.
Compatriotas, naturalistas como elle proprio, La-
dislau Netto, Capanema, e José de Saldanha da Gama,
recebiam cartas com honrosissimas referencias a esse
patricio de Campinas, ou antes, iam como este ultimo
sorprehender nos museus as riquezas desencavadas das
nossas selvas por um patricio ignorado dos proprios
brasileiros :
«Tantas vezes, diz Saldanha da Gama, apreciei em
Pariz os bellos especimens por V. S. enviados ao senhor
— 189 —
Bureau, auctor da Monographia das Bignoneaceas, amos-
tras tão sabiamente preparadas e tão admiradas pelos
hotanicos da Europa, que, como brazileiro, sinceramente
felicito-lhe pelos assignalados serviços prestados por v.
s. à sciencia, para nesta occasizo offerecer-lhe algumas
das minhas publicações sobre a flora do nosso paiz,
esperando que as acceite como um signal de apreço
para com sua pessoa».
Estava bem de volta a celebridade, que sua mo-
destia e repulsão pelo ruido espalhafatoso da nossa im-
prensa diaria, o faziam sempre excusar-se de amenisal-a
com suas contribuições.
Mas, o publicista, o velho e denodado apostolo da
Republica, Dr. Francisco Rangel Pestana, concitou-o a
romper o silencio systematico com a carta honrosissima
para ambos, de onde extrahimos estas palavras :
«Creio que V. S. conhece o jornal A Provincia
de São Paulo e seu programma; por isso não me
julgará importuno vindo solicitar a sua valiosissima col-
laboração na—Secçäo scientifica. Sei que V. S. tem
trabalhos importantes que dão muita gloria a si e à
sua Patria e que uma excessiva modestia e desconfiança
de não encontrarem elles acceitação real da parte de
seus compatriotas fazem V.S. não entregal-os à publi-
cidade entre nós.
Permitta-me, porém, que eu ouse contrarial-o no
seu proposito, pedindo alguns desses trabalhos para a
Provincia de São Paulo.
Tenha paciencia; V. S. já não tem direito a que-
rer a obscuridade em seu paiz; o mundo scientifico
proclamou-o uma gloria brasileira e os paulistas da
geração nova reclamam com enthusiasmo para si um
pouco dessa gloria».
Não sei si um tão caloroso appello o demoveu a
enviar ao ilustre mestre do jornalismo alguma contri-
buição (*). A conservação desta preciosa carta demons-
(*) Apenas conheço como vulgarisação a lista de plantas campi-
neiras, postas em seguida á biographia do nosso botanico por F.
Quirino dos Santoz, no Almanack de 1878.
Eu
tra ao menos que, commoveram as palavras affectuosas
cheias de profunda admiração, da parte de um patricio
illustre.
Campinas conserva d'elle duas memorias.
Uma :— a arborisação do jardim da Praça da Ln-
prensa do Rio desenhada pelo Dr. Alberto Lofgren,
quando engenheiro da Paulista; outra: —a Escola
Correia de Mello, que tantas creanças tem iniciado
nas letras.
Resta um monumento que desejo seja — ere pe-
rennius—são as dissertações ineditas que os competen-
tes archivaram como um commentario ao lado do texto
da Hlora Brasiliensis para a qual foi escripta.
Esse livro não estava redigido, nem nunca deveria
seu auctor preparal-o em fôrma systematica.
Mais uma vez elle se esqueceu de si para só se
lembrar da Patria e da Sciencia que o reconfortou nos
ultimos dias.
Catalogo critico-comparativo dos ninhos ¢ ovos
das aves do Brasil
POR
EE VON DHE RENG
O presente artigo está ein connexão intima com o
do Sr. Carlos Euler, adeante publicado neste volume, e
a respeito do qual ajunto algumas observações.
Nos annos de 1867 e 1868 publicou o Sr. Carlos
Euler, então consul suisso em Cantagallo no Estado do
Rio de Janeiro, no Journal für Ornithologie de Caba-
ms, quatro artigos sob o titulo «Contribuições para a
historia natural das aves do Brazil». Esses artigos re-
presentam, sem duvida, o melhor que foi publicado sobre
a biologia das aves do nosso paiz e por essa razão era
de lastimar que tão importante estudo, publicado em al-
lemão e num periodico pouco accessivel, não fosse co-
nhecido entre nós.
Nessas circumstancias será bastante agradavel para
os amadores da historia natural que tendo o Sr. Euler ac-
ceitado o meu pedido, resolvesse publicar uma traducçäo
ampliada e modificada nesta Revista. O manuseripto foi
por mim revisto e modificado quanto à denominação das
especies, de modo que o preste artigo corresponde
na sua classificação moderna, ao estudo que publiquei no
volume terceiro desta Revista sobre as aves de S. Paulo,
que, na sua grande maioria, são identicas às do Es-
tado do Rio de Janeiro.
=—— 192 —
Como appendice accrescentei uma lista de todas as
especies de aves até hoje observadas no interior do Es-
tado do Rio de Janeiro em Cantagallo e Nova Friburgo.
Espero que essa publicação contribuirá para animar
mais estudos analogos. Se as pesquizas systematicas em
vista do grande apparelho que exigem em colleceções e
literatura quasi se prohibem às pessoas que vivem longe
dos grandes centros da civilisação, ao contrario, a ob-
servação biologica recommenda-se aos mesmos de um mo-
“do bem especial. Ha de fazer-se ainda muito e uma mul-
tidão de descobertas interessantes neste sentido promet-
te recompensar os esforços do habil e zeloso observador.
E” singular, mas é verdade, que a maior parte de aves
tão caracteristicas do Brazil como os tucanos e arassa-
ris, gaturamos, papagaios, sassys, pica-paus, gaviões etc.
não seja ainda conhecida ou estudada com relação à
sua biologia e propagação. As pessoas que neste sentido
se dedicarem a novas observações podem, para o exame
scientifico do material obtido, francamente contar com
o auxilio deste Museu.
O presente artigo fornece-me occasiäo para des-
crever ninhos e ovos até hoje desconhecidos, segundo
os materiaes do Museu Paulista, e de referir-me à li-
teratura de um modo mais extenso do que foi pos-
sivel ao Sr. Euler. Entre a literatura por mim citada
menciono alem de varios artigos insertos nesta Revista
vol Eos Hao à
Allen, I. A. On a collection of Birds from Cha-
pada, Matto Grosso, Brazil made by M. H. A. Smith
Part I Bolletin American Museum of Nat. Hist. New
York Vol. HI, 1891 p. 337 ss.; Part II Ibid, vol. IV
1892, p. 330-350; Part. Tl e IV Ibid. Vol. V, 1898
p. 107-158.
Aplin. O. V. On the Birds of Uruguay. Ibis 1894,
VI Ser. Vol. 6, London 1894, p. 149-214 e PI. V.
Bertepsch, H. von und Jhering, H. ron.. Die
Viegel der Umgebung von Taquara do Mundo Novo
Zeitschr. f. ges. Ornithologie 1885 p. 97-184 e Taf.
VI-IX.
— 195 —
Brehm's Thierleben. II Aufl. vol. 4-6, Leipzig 1879.
Cowes, H. Key to North American Birds. Il Edit.
London 1884.
Dalgleish I I N.º I. Notes on the Birds of Pay-
sandu, Republic of Uruguay by. E. Gibson. «The Ibis»
1885 p. 275-283.
Dalgieish, I. I. N.º I. Notes on a Collection of
Birds and Eggs from Central Uruguay. Proc. Royal
Physical Society of Edinburgh Vol. VI, 1880-1881 p-
232-204, Pl. VII and VII.
Dalgleish, I. I. N. Ul. Notes on a: second Col-
lection of Birds and Eggs from Central Uruguay.
Proc. Royal Phys sical Society of Edinburgh Vol. V lll,
1883—1884 p. 77-88.
Dalgleish I. I. N.º IV Notes on, a Collection of
Birds and Eggs from the Republic of Paraguay. Proc.
Royal Physical Society of Edinburgh Vol. X 1888—
1889, p. 75—88.
Euler, C. Descripcäo dos ninhos e ovos das aves
do Brazil. Neste Volum. pg. 9ss.
Goeldi, E. As aves do Brazil I. Rio de Janeiro,
1894.
Ihering, H von. As aves do Est. de 8. Paulo. Nesta
evista, Vol, III, 1898, p. 113 ss.
Nehrkorn, A. Katalog der Eiersammlung, Braun-
schweig 1899.
Reinhardt, 1. Bidrag til Kundskab om Fuglefau-
næn 1 Braziliens Campos. Videnskabs Meddelser f. d.
Naturh. Vorening. Kjébenhavn I e IL 1870.
Sclater, PL and Hudson, W. H. Argentine
Ornithology. London vol. I, 1888 e II 1889.
Em geral, não tratei das especies das quaes Euler
communicou as suas observações, sendo raros os casos
em que elle parece ter-se enganado. Assim trocou
elle as medidas das duas especies de urubü e a des-
cripção dos ovos do pequeno frango d'agua Porzana
albicollis refere-se na minha opinião ao Creciscus me-
lanophaeus. Enganos desta ordem são sempre possi-
veis quando não se obtem a ave do respectivo ninho,
et: ae
mas alem deste unico caso não sei outro em que o
Sr. Euler, observador habil e consciencioso, pareça ter-
se enganado, visto como a descripção inexacta dos evos
de urubú é devida a indicações erradas da literatura.
Resultado tão lisongeiro o Sr. Euler só poade obter por
ser seu proprio colleccionador.
A colleccäo do Museu Paulista não foi tão feliz.
Sabendo os colleccionadores que só ovos acompanhados
pela ave de que provêm para nós são de valor, em caso
que não puderam obter, apresentaram outra, confiando
em aflirmações de caçadores ou outras pessoas. Acon-
tece o mesmo com os naturalistas que fazem collecções
para vendel-as e assim não foi só este Museu varias
vezes illudido, mas dá-se o mesmo caso com outros
tambem, sendo prova disto as numerosas correcções,
que tenho de apresentar com referencia ao Catalogo
do Sr. A. Nehrkorn, especialista dos mais notaveis
neste ramo de sciencia. cuja colleeção é uma das
mais completas que existem e a cuja liberalidade a
nossa collecção esta devendo specimens raros e inte-
ressantes.
E' esse, pois, o fim especial do presente artigo
de comparar com a nossa colleccäo as informa-
ções reunidas na literatura e por meic de um estudo
critico e comparativo separar as observações exactas e
confirmadas das falsas. Ajuntei numerosas descripções
novas e julguei conveniente indicar as medidas dos
ovos e as variações nelles observadas, visto como é pre-
ciso conhecer os limites dentro dos quaes se movem
as variações.
Ha ovos que já foram duas vezes descriptos e
nunca de modo correcto como o de Ammodromus ma-
nimbe, outros a respeito dos quaes divergem as de-
scripções de differentes observadores. Parece, pois, que
Já era necessario proceder, afinal, a um exame critico
como é o presente. Espero que esse estudo e o do
Sr. Euler possam contribuir para que mais observado-
res liguem attençäc a um dos capitulos mais attrahen-
tes e amaveis da nossa natureza—a biologia das nossas
— 195 —
aves. Comquanto nem do sabiá-una e do gaturamo,
nem da gallinhola ou do sassy, do tucano, do papagaio
e de numerosissimos outros typos geralmente conhecidos
se conhegam os ovos e ninhos—ha um campo vasto
aberto ao estudo.
Entre as observações communicadas em seguida
ha duas que merecem ser notadas especialmente; re-
ferem-se a materiaes applicados na construcção de ni-
nhos. O primeiro são umas fitas finas, lustrosas e es-
tiradas, brunas, que são por muitos beija-flores usadas
para o ninho, representando material extremamente ap-
propriado, fino e molle. São essas as escamas terminaes
da samambaia arborescente do matto.
O segundo é a conhecida barba de pau, a Brome-
liacea Tillandsia usnoides. E’ com esse material macio
que algumas aves constroem o ninho, sobresahindo
entre elles o japu, Ostinops decumanus, cujos ninhos
pendentes, em forma de bolsa comprida são quasi ex-
clusivamente feitos de barba de pau, que é applicado
como a arrancam das arvores, de modo que continua
no ninho a viver e, às vezes, a florescer.
A grande maioria dos outros passaros que deste
material fazem uso para a construcção dos ninhos ap-
plica somente o fio axial solido bruno ou preto da
barba de pau. Examinando massas velhas e mortas de
barba de pau encontram-se fios que perderam completa-
mente a derme, a casca cinzenta, e são esses fios que
servem aos guaches para fazer as bolsas elegantes
dos seus ninhos. E” singular que essa observação seja
tão pouco conhecida que nem Euler nem Goeldi a te-
nham feito e que ainda ha pouco no Museu Paráense
esses esqueletos axiaes da barba de pau fossem conside-
rados como um typo novo de lichen (cf. Ibis 1897 p.
364). Não são só os guaches e japuis do genero Cas-
sicus que fazem uso deste elegante material. Muitos
dos ninhos mais simples que no interior são forrados
de ,,crinas de cavallo” o são em verdade de fios axiaes
da barba de pau e ha um passarinho que delles constroe
um ninho extremamente ortificial, uma especie ou talvez
— 196 —
todas as especies do genero Rhynchocyelus. O ninho é
suspenso como o do guache, mas a entrada é debaixo
e lateralmente.
Muito melhor do que do Brazil é conhecida a bio-
logia das aves da Argentina e do Uruguay. Aprovei-
tando-me da respectiva literatura pude dar informações
sobre muitas especies, cuja propagação no Brazil ainda
não foi observada. Do mesmo modo procedi com as
especies cosmopolitas ou distribuidas até a America do
Norte referindo -me à respectiva literatura. Proceden-
do assim, quiz apenas informar o leitor do que está co-
nhecido sobre a propagação dessas especies, mas sem af-
firmar que ellas procriem tambem no Brazil, o que é possi-
vel, mas não provado. Acceitei, pois, todas as especies
já observadas no Brazil, às vezes só no Rio Grande do
Sul ou só na Amazonia, e bem possivel é que parte
dellas só temporariamente occorra no Brazil e não se
propague nelle.
Em alguns casos, notei differenças pronunciadas
entre os ovos da mesma especie, mas de provenien-
cia differente, seja entre S. Paulo e Rio Grande do
Sul ou entre a America do Norte e o Brazil. Limito-
me, entretanto, apenas a tocar no assumpto, por não dis-
por das necessarias series para um estudo comparativo
exacto.
S. Pauls, 7 de Setembro de 1899.
L ORDEM PASSERES
L. Sub-ordem Oscines
Fam. Turdidæ
Não obstante serem os sabiás, que pertencem a
essa familia, das aves mais conhecidas do Brazil, não
está bem examinado e descripto o ninho das diversas
especies e o mesmo acontece com os ovos. Na constru-
cção da parede e da base do ninho os sabiäs gostam de
applicar barro para a ligação dos ramos e raizes, mas
essa massa argillosa falta no interior do ninho, segun-
do as minhas observações, confirmando as do Sr. Euler.
O Principe Wied, porem, diz que o ninho é forrado
de uma camada de barro na especie Turdus rufiventris
e que contem dois ovos que são verde-azues, às vezes
com alguns pontos pretos. Tudo isso refere-se prova-
velmente e por engano a uma outra especie de Turdus
e de modo algum ao sabia laranjeira. Como, entretan-
to, Goeldi (Aves I p. 253) tambem descreve o ninho
do sabiä-laranjeira como «cuidadosamente rebocado de
barro por dentro» limito-me a notar essas diver-
gencias e a exigir novas averiguações. Das especies do
Norte do Brazil nada consta sobre a nidificação.
* Turdus leucomelas Vieull. Selater and Hudson
p. 1. O ninho é feito a pouca altura em arvores ou
arbustos, medindo o diametro exterior 14 centimetros,
o interior 8 ditos e a altura 13 ditos. E” uma tigela funda
bem trabalhada de raizes de paredes grossas reforçadas
— 198 —
pelo revestimento de barro e enfeitadas exteriormente
de musgo. No interior do ninho e na orla não repara -se
barro. Os ovossão :
um pouco menores
doque osgido RE.
rufiventris. Temos
uma postura com
3 ovos medindo os
ovos 28—29 X 20
mm. tendo sobre
campo verde-azul
claro salpicos finos,
brunos. Os ovos da
outra postura, de >
ovos tambem, me-
dem 29 21—22
mm. sendo, pois,
maiores e tendo
tambem as man-
chas maiores, asse-
melhando-se aos
ovos da especie se-
guinte.
* Turdus albe-
FIGURA 1 collis Vierll. Nehr-
korn p. 36; Allen
Ninho do sabiä branco Ip. 341. O ninho
Turdus leucomelas Vieill assemelha-se ao da
especie preceden-
te, sendo, porem, feito com menos cuidado. A cavi-
dade interior é formada não só de raizes, como tambem
por talos e algumas folhas. O nosso continha 2 ovos
cujas dimensões são de 29—30> 22 mm. A côr é
verde-azul, clara, com numerosas manchas e salpicos de
côr clara bruno-vermelha mais numerosas e contluentes
n'uma cupola no polo rombo, sendo algumas das man-
chas mais escuras. As medidas dadas por Nehrkorn
são 29 > 20— 22 mm. e as dadas por Allen parecem
ser um pouco menores ainda.
— 199 —
« Turdus rufiventris Vieill. Euler p. 3. Nehrkorn
Dr OT.
Turdus crotopesus Licht. Euler p. 3. Nehrkorn
p. 30.
Turdus funngatus Licht. Euler p. 5.
* Turdus albienter Spx. Allen I p. 341. Allen
diz que o ovo é bastante variavel em côr, medindo
1, 15 x 0.90 pollegadas, sendo de forma alongada, azul-
esbranquicado, com manchas avermelhadas.
De Merula flavipes (Veerli.) o sabiá-una, não se
conhece o ninho e ovos. Em geral, não são bastante
estudados e conhecidos os ninhos e ovos das diversas
especies de Turdidee do Brazil e as descripções, em
parte, são contradictorias.
Fam. Timeliidae
+ Thryophilus longirostres Vieul. Euler p. 8;
Nehrkorn p. 45. O ovo que temos, de Iguape, mede
18 X 14 mm. e tem sobre o campo brancacento man-
chas profundas roxas e superficiaes bruno-amarelladas
que na ponta obtusa formam uma corda densa, às vezes
indistincta. O ninho, que é maior do que o do curruira,
é mal feito de talos e raizes.
x Troglodytes muscuius Nawi. Euler p. 7; Nehr-
korn p. 47. Dalgleish HI p. 81. O curruira é outra
especie commum cuja biologia não esti bem estudada.
Goeldi diz que o tempo da propagação é de Maio até
Dezembro. como parece enganado por um erro na ta-
bella de Euler. Que o curruira ponha ovos em Maio
de certo é um caso excepcional e não os põe nos me-
zes de Junho e Julho, começando a construccäo do ni-
nho em fins de Julho e continuando com a criação até
Março ou Abril. O numero de ovos, é em geral, de
3—4 às vezes D ou 6, mas não 9 como o diz talvez
por engano Hudson na Argentine Ornithology I p. 15.
O Sr. Euler escreve-me que no Rio de Janeiro
encontrou curruiras pondo ovos em Junho e Julho, mas
que em Cantagallo não. No Rio Grande do Sul, o
D ls
periodo da propagação é interrompido no inverno e
aqui em S. Paulo tambem. No Rio Grande do Sul e
nas Republicas do Rio da Prata o tempo da propaga-
ção do curruira restringe-se aos mezes do verão.
Troglodytes genibarbis Sws. Nehrkorn p. 46. O
ovo mede 20,5 X 14,5 mm. sendo branco com salpicos
pardos que, na ponta obtusa, formam uma corsa.
Thryothorus rutilus V. Nehrkorn p. 47. O ovo
que mede 17—20 X 13—15 mm. tem o campo branco
ou avermelhado-esbranquigado e numerosos pontos rôxo-
pardos que na ponta obtusa formam uma corsa. Nehr-
korn descreve, p. 46, tambem os ovos de Th. amazo-
nicus Shp. e griseipectus Shp. provenientes da Amazonia
mas não me consta que essas especies sejam encontra-
das na parte brazileira da Amazonia.
Cistothorus polyglottus V. Nehrkorn p. 47. O
ovo, que mede 16,5 X 13 mm, assemelha-se ao do
curruira.
x Momus saturninus (Licht.) Euler p. 6; Nehrkorn
p. 49. O ninho do sabiä-pôca é um girão simples e
grande, mal feito, de ramos seccos.
Um ninho que em Ypiranga obtivemos a 13 de
Outubro de 1899 mede cerca de 30 centim. no diame-
tro exterior, 10 centim. no interior e tem a altura de
17 centim.; é feito de ramos seecos, compridos, haven-
do entre elles um de 35 centim. de comprimento. Es-
tava collocado a 2 m. de altura num arbusto entre 3
galhos divergentes; é forrado de raizes finas. A postura
consistia em 3 ovos cujas dimensões são 29— 30 X21 —22
mm. O ovo é de campo verde-claro, coberto de nu-
merosas manchas bruno-avermelhadas, mais numerosas
no polo rombo e outras, profundas, cinzento-roxas.
E’ pois evidente que os ovos que Nehrkorn referiu
a esta especie medindo 25 X 18 mm. pertencem a ou-
tra especie, provavelmente lividus.
Em outra postura de 3 ovos já chocados as me-
didas variavam de 29 —31 X 20, em outra de cinco ovos
de 29 de Outubro as medidas eram de 27—29X 20 — 21
mm. Dois entre estes ovos eram mais escuros e já
— 201 —
chocados, os outros mais verdes e sem embryão. A côr
do ovo é bastante variavel neste genero sendo alguns
ovos mais claros, verdes, com manchas ora maiores e
desbotadas, ora menores, e outros mais escuros, visto
como as numerosas manchas se confundem numa rede
irregular, bruno desbotada. Muitas vezes, os ovos têm
manchas calcareo-brancas superficiaes.
FIGURA 2
Ninho do Sabiá póca
Mimus saturninus (Licht.)
Mimus modulator (Gould) Euler p. 6; Nehrkorn p.
49; Aplin p. 162; Allen I p. 342; Dalgleish TI p. 244.
O ovo mede 28—30X20—21 mm. Dalgleish diz que
a postura é de 4 ovos.
Mimus triurus V. Nehrkorn p. 49. O ovo mede
27X20 mm.
: 282
Mimus lividus (Licht) Nehrkorn p. 49. O ovo mede
25x18 mm. Não se conhece o ninho do «Sabiá da
praia».
Donacobius atricapillus (L.) Nehrkorn p. 50;
Goeldi p. 259. (Goeldi diz «dispõe o ninho em touceiras de
junco bem escondidas e de accesso não muito facil». O
ovo, caso não haja engano, segundo Nehrkorn mede
24x16 mm. e tem sobre campo azul-cinzento numero-
sas manchas castanhas, tão densamente collocadas que
o ovo parece quasi bruno-uniforme.
Fam. Sylviidee
Polioptila dumecola V. Nehrkorn p. 27. O ta-
manho do ovo é de 15, 5 X 11, 5 mm. Nehrkorn diz
que todas as especies de Polioptila têm o campo do ovo
azul-claro ou branco-azulado com manchas bem mar-
cadas bruno-escuras. Não se conhecem bem os ninhos.
Fam. Motacillidæ
* Anthus lutescens Puch. (rufus Gm.) Euler p. 9;
Nehrkorn p. 93. O ninho é feito de talos de gramineas,
sem cuidado, contendo, às vezes, misturadas algumas pen-
nas e mede 9 centim. no diametro exterior, 6,9 centim.
no interior. A cavidade é funda; o ovo mede 19—
20 X 14 mm.
* Anthus nattereri Scl. O ninho é maior e mais
chato, com a cavidade pouco funda, feito de talos, às
vezes com raizes de gramineas sendo para fora collo-
cados os mais grossos e mais escuros, para dentro os
finos e mede 14 centim. no diametro exterior, 9 no
interior. O ovo mede 2i—22X 15 mm. e tem sobre o
campo cinzento-esbranquiçado numerosos pontos e sal-
picos bruno-cinzentos.
Anthus correndera V. Nehrkorn p. 93; Sclater
and Hudson I p. 19; Aplin p. 163 Pl. V fig. 1; Dal-
gleish III p. 81. O ovo é branco-azulado com salpicos
cinzentos e bruno-pallidos. A postura é de 3 a 4 ovos,
cujas dimensões são de 20 X 14 mm.
roger
09
Noto que os ninhos de Anthus que aqui observei
são mal construidos e sem cuidado, de talos de grami-
neas, o que se observa tambem nos canarios do genero
Sycalis, em Ammodromus e outras especies que vivem
nos campos no chão e alli constréem o ninho.
Fam. Mniotiltidæ
* Parula pitiayume V. Nehrkorn p. 88. Não co-
nheço o ninho desse passarinho não raro do matto. O
Principe Wied diz (IL p. 707) que o achou collccado
numa forquilha, mas não o descreve, dizendo apenas
que era bonito e pequeno. Os nossos ovos medem
19X 13 mm. e são lranco-amarellados com salpicos
roxo-brunos pouco numerosos. Nehrkorn diz que o ovo
é branco com algumas manchas roxo-brunas, medindo
16 X 12 mm. Sera, pois, preciso fazer observações no-
vas exactas.
* Geothlypis velata (V.) Euler p. 10; Nehrkorn p.
90. O ninho é bem caracteristico e facil de conhecer
pelo revestimento exterior de largas folhas de grami-
neas do banhado. O ovo mede 19X 13 mm. segundo
Euler, 20 X 14,5 mm. segundo Nehrkorn, 19X 14 mm.
segundo os nossos exemplares.
Basileuterus stragulatus (Licht.) Euler p. 10.
Basileuterus flaveolus Baird. Allen I p. 345. O
ovo mede 20 X 15 mm., é branco, com salpicos bruno-
avermelhados mais numerosos e densamente agrupados
no polo obtuso.
Basileuterus auwricapillus (Sws.) Euler p. 11;
Nehrkorn p. 90; Goeldi p. 269. O nosso ninho tem
a coberta formada essencialmente de talos finos de ca-
pim que sobre a entrada circular sobresahem, diver-
gindo, em fórma de alpendre. Tenho duvidas se esse
nosso ninho effectivamente é o de B. auricapillus.
* Basileulerus leucoblepharus (Vieill.) Nehrkorn
p. 90. O ninho corresponde bem à descripcao feita por
Euler relativamente ao da especie precedente. Um que
conseguimos em Itatiba, em Novembro de 1899, foi con-
struido no chão e o Sr. João Lima que o obteve admi-
— 204 —
rou a coragem do passarinho, que em vez de fugir, pro-
curou resistir. O ninho é uma tigela bem elaborada
de talos de capim misturado com algumas raizes finas.
e crina vegetal, medindo 10 centim. o diametro exte-
rior, 6 ditos o interior e 6 ditos a altura. Do lado de:
traz nota-se um prolongamento da parede do ninho
destinado a cobril-o de cima e feito de modo pouco.
cuidadoso de talos, folhas e raizes. Deste modo é co-
berta a parte posterior apenas do ninho, ficando livre
e aberta a anterior. A postura consistia em 3 ovos
de forma oval, curta, brancos, com numerosos salpicos e
pontos vermelhos que no polo rombo formam uma larga
cupola. O ovo mede 20—25 X 15—15,5 mm.
Fam. Vireonidæ
* Vireo chive (V.) Euler p. 12; Nehrkorn p. 73.
O ninho esta suspenso na forquilha de um ramo e forma
uma tigela funda feita de capim e folhas largas de jun-
cos para fóra e revestida de musgo verde, forrada do
capim fino por dentro. E” parecido com o da Geothlypis.
mas delle se distingue pelo musgo que reveste a superficie:
exterior, e que alli está segurado mediante fios prove-
nientes de teias de aranha e de casulos tecidos por la-
gartos de borboletas, notando-se entre elles esses casu-
los mesmo e os saccos em que as aranhas guardam os.
seus ovos. (O ninho tem a altura de 8 centim., o dia-
metro exterior é de 8, o interior de 5 centim. O ovo
mede 205 mm., sendo branco com pontos e salpicos.
pretos pouco numerosos na metade do polo obtuso. Ha
ovos com as manchinhas mais numerosas e outros quasi
sem ellas.
* Vireo olivaceus (L.) Nehrkorn p. 73. Pouco:
differente. Allen obteve essa especie da America do
Norte e do Matto Grosso.
Hylophilus awrantufrons Lawr. Nehrkorn p. 74.
O ovo mede 19 X 13 mm., é branco-amarellado, com
uma corda de salpicos roxos e pretos no polo obtuso.
EK’ essa especie da Venezuela e Guyana que tambem
occorre no Brazil na região do Rio Negro. Das nu-
merosas especies brazileiras desse genero não se co-
nhecem os ninhos e ovos.
Hylophilus poecilotis Temm. Temos na collecçäo
um ninho que é indicado como proveniente desta es-
pecie. EH’ uma bola fechada, construcção grande, de 21
centimetros de altura e 10 de largura, de paredes gros-
sas feitas com folhas de gramineas molhadas e em
parte sujas de lodo. Parece que o material consiste
em folhas molhadas de Cyperaceas e Gramineas tiradas
da agua. O ninho está collocado entre os galhos diver-
gentes de um arbusto. A entrada & na frente, em
baixo do cume e bastante pequena, medindo apenas tres
centimetros de diametro, e sendo por cima abrigado
por um vestigio de alpendre. À cavidade do ninho é
funda não chegando o dedo ao receptaculo dos ovos e
às paredes lisas, brunidas.
Cyclorhis viridis V. Nehrkorn p. 74. O ovo mede
24> 18 mm. sendo de cor branco-avermelhada com
alguns salpicos roxos e brancos como os de Vireo.
Cyclorhis cearensis Baird. (albiventris Sel. Salv.)
Nehrkorn p. 74. Ovo semelhante ao precedente medin-
do 23 X 16,5 mm. Não é conhecido o ninho das espe:
cies de Cyclorhis.
Fam. Hirundinidæ
* Cotyle riparia (L.) Brehm V. p.514. Essa an-
dorinha cosmopolita cava nos barrancos, à beira do rio,
um canal de 5-6 centimetros de largura e um metro
de comprimento que no fim se alarga em furna para
receber o ninho. O ovo, que é branco, mede 17 x 12
mm. E” especie do hemispherio septentrional que no
inverno extende as suas migrações até a India e na
America atê o Amazonas e Matto Grosso, mas não se
sabe se nidifica na America do Sul.
* Tachycineta albiventris (Bodd.) Euler p. 14;
Nebrkorn p. 85.
O ovo mede 19X 13,5 mm. O Sr. A. Hempel
observou essa especie no Rio Mogy Guassú. Os ninhos
que encontrou no mez de Setembro estavam collocados em
— 206 —
trencos mortos ou ócos, feitos de capim e formados
de pennas e continham 4—5 ovos brancos cujas dimen-
saes variam de 17 X 13 até 20 13,5 mm.
Tachycineta leucorrhoa (V.) Euler p. 14; Nehr-
korn p. 89., Sclater and Hudson | p. 52., Aplin Ip. 166
Essa andorinha faz com capim secco e algumas pennas
um ninho simples em baixo do telhado ou em arvo-
res ôcas e põe 9—T ovos brancos do tamanho dos da
especie precedente.
Ihrundo erythrogastra Bodd. Nehrkorn p. 85.
Especie da America do Norte que é encontrada tam-
bem no Amazonas e em Matto Grosso. Não conheço o
ninho que provavelmente é feito de barro como o da
H. rustica da qual é apenas uma variedade americana.
O ovo mede Z0 X14 mm.
+ Progne purpurea (L.) Nehrkorn p. 86. O ovo,
que é branco, mede 25—27 X 18 mm., às vezes sô
22X17 mm. O ninho é feito em cavidades de arvores
ou em baixo das casas e consiste em talos e capim com
algumas pennas. |
* Progne domestica (V.) Euler p. 15.; Dalgleish TI
p. 79; Sclater and Hudson I p. 26; Nehrkorn p. 36.
Quando o ninho esta collocado em logar abrigado é fei-
to apenas de capim e raizes finas com algumas pennas e
cabellos, medindo o diametro exterior 18 centimetros.
Hudson diz que quando a entrada do ninho é larga de-
mais o passarinho fecha-a em parte por uma mistura
de barro e palha, devendo nesse sentido ser re&tificad
a descripçäo de Euler caso ella não se refira a Tr.
chalybea, o que acho bem possivel. O ovo mede 24X17
mm. conforme os nossos, 29 X 16, 9 mm. segundo Euler.
A postura consiste em 5 ovos (Hudson) ou 4 (Euler).
Progne chalybea (Gm. Nehrkorn p. 86. O ovo
mede 23 X 15 mm.
Progne tapera (L.) Nehrkorn p. 56; Sclater and
Hudson I p. 27. Na Argentina essa andorinha para fazer
o ninho toma conta do ninho do João de barro (Fur-
narius rufus), às vezes pondo fóra da propria moradia
o casal que o fez. Não conheço observações relativas
ao Brazil. O ovo é do tamanho do da especie prece-
dente. A postura consiste em 4 ovos.
Alticora melanoleuca (Wied) Nehrkorn p.86. O
ovo mede 18 X 12, 5 mm., sendo de presumir que o
ninho seja feito em buracos ou galerias subterraneas.
* Atticora cyanoleuca ( V.) Euler p. 15., Nehrkorn
p. 86; Aplin p. 166; Sclater and Hudson | p. 33. Goeldi
e eu encontramos essa especie nidificando em baixo dos
telhados. No Museu nidifica desde meiado de Agosto entre
os capiteis das columnas. E” singular que na Argentina
essa especie tenha outro costume. Apline Hudson dizem
que essa andorinha faz o seu ninho em canaes subter-
raneos, aproveitando-se das que por outras aves ou mam-
miferos foram feitos. O ovo do que Euler diz que mede
15,9 X 12,5 mm. acho de 18 14 mm. e Nehrkorn diz
que mede 17X 12 mm. Em todo caso, é essa uma das
especies cuja biologia carece de mais informações.
* Allicora fucata (Temi.) Aplin p. 167. Como
Aplin achei tambem aqui em S. Paulo essa especie cons-
truindo o seu ninho em canaes subterraneos feitos no
barranco do rio Tamanduatehy. Ocanal teve o compri-
mento de meio metro alargando-se afinal em furna que
continha o ninho, que mede 14 centimetros no diame-
tro exterior, 7 no Interior, sendo construido de capim
e forrado de pennas, contendo 4 ovos. O ovo é branco e
mede 18X 13 mm. Aplin achou a postura composta de
5, Euler de 4 ovos. Em Mundo Novo, Rio Grande do
Sul, obtive em Novembro de 1882 um ninho com filho-
tes e com o passaro, e que foi feito numa arvore ôca.
* Petrochelidon pyrrhonota (V) Nehrkorn p. 87,
Coues p. 23 (P. lunifrons). Especie da Americo do
Norte que alli se produz fazendo ninho de barro e
pondo ovos de 17X 12 mm. brancos, com algumas
manchinhas pardas. No inverno emigra para a Ame-
rica meridional e até Buenos Aires, mas não me cons-
ta que alli se reproduzisse.
* Steigidopteryx ruficollis (V.) Euler p. 15; Nehr-
korn p. 18. Nidifica em canaes subterraneos como diver-
sas especies de Atticora. Nehrkorn diz que o ovo mede
— 208 —
20% 14, eu achei 20X 13,5 mm. A essa especie refere-se
o que Goeldi, p. 206, diz de «Cotyle flavigastra».
Fam. Coerebidae
+ Dacnis cayana (L.) Obtivemos do Sr. R. Kro-
E roe ne, em Iguape, o ninho
a QE 7 eo ovo. O primeiro con-
LES é À siste apenas numa mas-
a sa de barba de pau ex-
am. tendida na altura de 47
Sy centim., como uma cor-
à tina, entre os galhos de
uma arvore, contendo no
meio a pequena camara
que mais ou menos tem
6 centim. de altura e ou-
tros tantos de largura. O
ovo é de fórma curta,
com a ponta aguda ar-
redondada mais romba
do que entre os outros
passarinhos é a regra
e mede 17K 13 mm. O
campo é branco-esver-
deado, com numerosos
a a
OF i pontos e manchinhas pro-
SS fundas, desbotadas, cin-
Ninho do Sahy-azul zentas, que formam na
Daenis cayana (L.) ponta obtusa uma corôa e
manchinhas e garatujas pretas superficiaes. A ponta aguda
é quasi isenta de pontos.
Coereba cyanea (L.) Nehrkorn p.94 Taf. HI fig.
26; Allen, I p. 347. Nada consta sobre o ninho. Nehr-
korn diz que o ovo mede 20 X 14, sendo de côr branco-
escura ou uniforme preta. Segundo Allen, o ovo mede
0.75 X 0,59 «inches» ou 19 X 14 mm. e tem a cor branca,
com manchas rochas que só na ponta romba são densamen-
te distribuidas. Como Allen diz que este ovo foi obtido
em 13 de Outubro d2 1882, em Chapada, Matto Grosso,
— 209 —
junto com as aves do mesmo ninho, parece-me certo que
o ovo figurado por Nehrkorn pertence a outra especie.
Certhiola chloropyga Cab. Euler pag. 6.
Mam, | Lanagridac
* Procnas tersa (L.) Euler p. 25. Um dos nossos
ovos mede 24X 18 o outro 25 X 18 mm.
Hypophaea chalybea (Mik.) Nehrkorn p. 95. O
ovo desse gaturamo é amarellado com manchinhas
roxas, medindo 17,5 X 13 mm., caso não haja engano
como o desconfia Nehrkorn, que descreve os ovos de
duas especies da America Central como uniforme azues.
Não se conhecem, pois, até hoje, os ninhos e ovos dos
gaturamos, passarinhos tão característicos e conheci-
dos do paiz. Veja-se Euler p. 26.
Tanagrella vela (L.) Nehrkorn p. 95. Ovo de
22 >< 17 mm., branco-cinzento com numerosas manchi-
nhas pardo-cinzentas.
Calliste tricolor (Gm.) Nehrkorn p. 95; Euler p. 28.
Calliste brasiliensis (L.) Euler p. 23.
Calliste margaritæ Allen. Allen I p.354 O ovo
mede 21 X 13—15 mm. e tem o campo amarellento com
numerosas manchinhas rôxo-brunas.
Stephanophorus leucocephalus V. Nehrkorn p. 95;
Sclater and Hudson I p. 38. O ninho é enconirado em
cima de arvores na altura de 3-4 m.; é simples, pou-
co fundo, forrado de capim e contêm 4 ovos que são
branco-azulados com manchas profundas, cinzento-roxas
e com salpicos e garatujas pretas, superficiaes. O ovo
mede 24 X :7 mm.
* Tanagra suyaca (L.) Euler p. 19; Nehrkorn p. 96;
Allen I p.355. O nosso ninho mede no diametro exterior
11 centim., no interior 7 centim. O musgo que o reveste
exteriormente é em parte atado por teias de aranha.
Tanagra episcopus (L.), *cyanoptera V., coelestis
Spix, cana Sw., palmarum Weed, * ornata Sparrm.,
bonarvensis Gm. Nehrkorn p. 95-96. Os ovos de
todas essas especies são semelhantes entre si em tamanho
e desenho, que consiste em manchas numerosas, cinzen-
— 210 —
tas, sobre campo esbranquiçado e com salpicos e gara-
tujas ou linhas curtas, pretas. O de T. palmarum é
branco, com manchinhas avermelhado-pallidas, medindo
22 X 15,9 mm.; o de T. ornata mede 25 X 17 mm.
* PRhamphocoelus brasilius (L.) £uler p. 19; Nehr-
korn p. 96. As medidas do ovo indicadas por Nehr-
korn são 2417 mm. Isso combina com os nossos,
mas um delles mede 25 X 18 mm. As medidas dadas
por Euler säo menores.
O ninho que temos näo corresponde bem à de-
scripçäo de Euler, por ser maior. Mede 14 te no
diametro exterior, 7 centim. no interior e tem 4,5 cen-
tim. de altura interior. E’ feito de folhas de junco e e de
cipos molles com as suas folhas ; as paredes grossas e
forradas de fibras vegetaes, talvez de Tillandsia des-
cascada. A ligação dos elementos é perfeitamente boa.
Rhamphocoelus ctrosericeus Lafr. et @ Orb. Allen
I p. 397. O ovo assemelha-se ao da especie precedente.
Phomicothraupis rubica V. Euler Bs 20; Nehr-
korn p. 97. O tamanho dos nossos ovos é de 25—26 X 18
mm., parecendo ser 24-25 X 18 a regra.
* Tachyphonus rufus Bodd. (T. melalencus
Sparrm.) Allen 1 p. 359; Nehrkorn. p. pi O compri-
mento do ovo ¢, segundo Nehrkorn., 22-20 AMIE
* Tachyphonus coronatus (V.) Euler p. 20; Nehr-
korn. p. 97. O ninho, de que temos varios exemplares
de S. Paulo e Piquete, é parecido com uma tigela, cujo
diametro extericr é de 11—1% e interior de 6—7 cen-
tim., feito de raminhos e cipós em parte providos com
suas folhas e muitas vezez por fóra feito de folhas de
junco e forrado dentro de talos de raizes fixas. Os ovos
são branco-encarnados, com manchas e salpicos branco-
vermelhos e algumas manchinhas e garatujas pretas. O
tamanho varia de 24—26,9 X 17— 18,5 mm.
* Tachyphonus cristatus Gm. Os ovos que de Igua-
pe recebemos do Sr. R. Krone são de forma curta, brancos,
pouco lustrosos e medem 22—23 >< 17mm. Sobre cam-
po branco existem pontos e manchinhas avermelhadas,
profundas, e mais algumas maiores, superficiaes, pretas.
— 211 —
+ Trichothraupts melanops V.(T. quadricolor V.)
Euler p.21. Os ovos que recebemos do Sr. Krone de
Iguape assemelham-se aos do Tachyphonus coronatus
e medem 25X 18 mm. O campo é branco, um pouco
encarnado, as manchas profundas são roxas, as exterio-
res bruno — escuras e muito mais numerosas n'um
delles do que no outro. Em baixo do polo obtuso
nota-se uma corda pouco distincta.
Pyrrhocon« ruficeps (Streckl.) Nehrkorn p. 97
Taf. Ill fig. 28. O ovo mede 19,5 X 14,9 mm. e tem
o campo branco com poucas manchas escuras, mais
numerosas no polo obtuso.
Arremon seimitorquatus Si. Euler p. 23.
Arremon polionotus Bp. Allen Tp. 363. O ovo é
de forma muito alongada, medindo 25 X 16 mm., branco,
com salpicos brunos, mais numerosos no polo obtuso.
Saltator maximus Mull. Nehr Korn p. 88. O
nosso ovo mede 27 X 20 mm.
Saltator similis Lafr. et @Orb. Euler p. 24;
Allen I p. 365. Segundo Allen o ovo mede 25 X 18
—20 mm., sendo de cor azul-clara com garatujas pre-
tas. O ninho achava-se n'uma moita espessa à altura
de um metro. Euler dá as medidas do ovo de 28 x 20 mm)
Tres ovos que obtivemos no Ypiranga, a 12 de
Outubro de 1899, são de forma bastante alongada, me-
dindo 29X 18 e 28X 19 mm., sendo de côr linda
azul-clara, com algumas manchinhas e garatujas
grossas que no polo rombo formam uma corda. O ni-
nho estava collocado entre tres galhos divergentes
de um arbusto a 2 metros de altura; é uma tigela bem
feita, de 11 centim. dealtura, com o diametro exterior
de 12 e o interior de 8 centim., construida de talos
e macega e forrado de raizes finas.
Saltator caerulescens V. Euler p. 25. Bur-
meister (Reise La Plata II p. 480) diz que d'Orbigny
figurou 6ovo (Ois. Pl. 28 fig. 3) e que o obteve tam-
bem. O ovo, diz elle, é verde com garatujas pretas
na ponta romba.
Saltaior atricollis V. Nehrkorn, p. 98. Os ovos
— 212 —
säo brancos com algumas manchas brunas na ponta
> romba e medem
26,9 X 20 mm.
Julgo provavel
que esses Ovos
só por engano
fossem attribui-
dos a essa espe-
cie, visto como
os das outras
especies todas
combinam bem
tre si.
Cissopis ma-
jor Cab. Nehr-
korns op. 198: 10
ovo é um pouco
maior de que o
de C. leveriana
cujas medidas são
3020 mm. A
côr é cinzento-
avermelhada com
manchas deshota-
das, pardas. Rein-
hardt (IL p. 320)
FIGURA 4 observou em Mi-
Saltator similis Lafro ct d'Ort. pas Ol nna
era pequeno, feito
de palha de taquaraçu, sendo uma simples tigela que con-
tinha dois ovos brancos densamente cobertos de salpi-
cos bruno-amarellos.
Schistochlamys ater (Gm.) Allen I. p. 367. O ovo
mede 23— 25X 15-17 mm., sendo sobre o campo
branco-amarellado coberto de numerosissimos salpicos
bruno-escuros.
Das especies brazileiras de Pitylus, Orchesticus,
Lamprotes, Thlypopsis, Nemosia, Eucometis, Orthogonys,
Pyranga, Pipridea não se conhecem os ninhos e ovos.
— 213 —
Fam Fringillidae
Guiraca cyanea (L.) Nehrkorn P. 105. O ovo
mede 22,9 X 15 mm. e tem o campo cinzento-azul com
mumerosissimas manchinhas cinzentas.
* Oryzoborus torridus Scop. O ninho é feito sem
arte de talos e raizes mais grossas para fóra, mais finas
para dentro. O ovo, que mede 19 X 14 mm. é bran-
co-cinzento com manchinhas bruno-cinzentas e alguns
ae e garatujas pretas que faltam em parte dos ovos.
« Spermophila caerulescens Bonn. et V. Euler p. 32;
Nehrkorn p. 105; Sclater and Hudson I p. 46. O ninho,
que é tecido de raizes finas, mede Saté 7 centim. O nosso
tem o diametro exterior de 7,0 interior de 4 centim. Os
ovos são em numero de 3 e mede n 17—18 & 13 mm.
Spermoplula superciliaris Pelz. Nehrkorn p.
105. O ovo é semelhante ao da especie precedente po-
rem um pouco maior, de 19,5 X 16 mm.
Spermoplula ngroaurantia (Bodd.) Nehrkorn p.
405. O tamanho do ovo é de 16,5 X 12,5 mm. O
desenho & o mesmo, as manchinhas são cinzentas.
Spermophila castanerventris Cab. Nehrkorn p.
105. O ovo mede 17 12,5 mm.
Spermophila gutturalis Licht. Nehrkorn p. 100.
O campo do ovo é cinzento-avermelhado, o desenho o
das especies precedentes,as medidas são 16,5 x 12,5 mm.
Spermophila minuta L. Nehrkorn p. 105. Ovo
como o da Sp. castaneiventris.
Spermophila lineola L. Nehrkorn p. 106. O ovo
é brancacento com manchas profundas roxas e super-
ficiaes escuras, medindo 17,5 X 13 mm.
* Volatina jacarin: (L.) Euler p. 31; Nehrkorn
p. 106. Nehrkorn diz que as dimensões dos ovos são
de 16—18 X 12 mm. O numero de ovos da postura é
de 4, medindo os nossos 18 X 11,5—12,5 mm.
Chrysomitris ecterica (Licht.) Nehrkorn p. 107;
Aplin p. 170 ; Sclater and Hudson I p. 65. O ninho é feito
na altura de alguns metros na forquilha de alguns galhos,
de talos e capim e forrado de crinase pennas. Os ovos,
— 214 —
que medem 16,5 '< 12 mm., são frageis e brancos segundo
Hudson, brancos com pontos finos escuros segundo Nehr-
korn que porem se refere a exemplares obtidos do Chile.
* Sycalis flaceola (L.) Euler 26; Nehrkorn p. 110.
Nehrkorn descreve de um modo um pouco differente o
ovo em comparação com o de Euler. Segundo elle o
ovo mede 19-22 14—15 mm., sendo branco com
manchinhas mais ou menos escuras. Os nossos medem
19—20 x 15 mm. e são brancacentos com manchinhas
branco-cinzentas, às vezes distantes e às vezes tão che-
gadas que a superficie do ovo parece ser parda.
Sycalis pelzelni Scl. Nehrkorn p. 110; Sclater
and Hudson I p. 66. Hudson, diz que essa especie faz o
ninho bastante grande, forrado de cabellos de cavallo e
põe 5 ovos densamente salpicados de branco-escuro. O
ovo mede 17,5 X 13 mm. segundo Nehrkorn. Hudson
observou que esse canario de preferencia faz o seu ni-
nho no do João de barro.
* Sycalis arvensis (Kutl.) Nehrkorn p. 111; Dal-
gleish TI p. 84; Sclater and Hudson I p. 69 (S. lu-
teola). Hudson diz que essa especie põe 5 ovos alon-
gados, brancos, com manchinhas brunas. Eu acho o ovo
da nossa variedade de S. Paulo, maior Cab., como
Nehrkorn diz, branco com numerosos pontos e salpicos
bruno-avermelhados que na ponta romba formam uma
cupola ou corda larga. As medidas variam de 17—18
X-18—14 mm. Dalgleish achou o ninho no chão fei-
to de capim fino e contendo 4 a 5 ovos.
« Zonotrichia capensis Mill. (pileata Bodd.) Euler
p: 275 Dalgleish Il p. 2465 Nehrkornp. 1145 "Aplin
p. 170; Allen I p. 372. Um ninho feito no fim do
verão é mais simples e descuidadosamente composto do
que os outros. Vale a pena observar se os ninhos do
verão e das ultimas posturas são feitos com mais des-
cuido do que os da primavera.
Poospiza personata (Siws.) Sclater and Hudson T p.
90 (P. nigrorufa). O ninho é feito no chão ou pouco
acima delle num arbusto. O ovo é azul-claro com sal-
picos brancos e pretos, irregulares.
Poospiza assimilis Cab. Nehrkorn p. 115, Taf IV,
fig. 50. O ovo, que mede 19,0 x 15 mm., é azul carre-
gado com alguns pontos ou manchinhas pretas,
FIGURA 5
Ninho do Tico-tico do campo
Ammodromus manimbe ( Licht.)
+ Ammodromus munimbe (Licht.) Euler p. 31;
Nehrkorn p. 116. O ninho é feito no chão com talos
e capim secco, construcçäo simples, um pouco escondi-
da por um tufo de macega. Contem 2 ou 3 ovos de
forma curta, medindo 19--20 * 15 mm. e de cor uni-
forme branca. Sendo assim tres posturas que obtive-
mos junto com o passarinho estou certo que a descri-
pção de Burmeister a que Euler se refere e a de Nehr-
korn são falsas, referindo-se a outras especies.
Embernaga platensis (Gin.\ Nehrkorn p. 113; Dal-
gleish IV p. 77; Holland Ibis VII Ser. Vol. I, 1895 p. 215.
Holland achou na Argentina o ninho no chao, embai-
xo de hervas, no mez de Novembro; era uma tigela
feita de capim que continha 3 ovos. Esses são brancos
Si
com numerosas riscas lineares e com manchas bruno-
roxas na ponta romba. A descripçäo que Nehrkorn da
do ovo, que mede 23x 17 mm. sendo pardo-cinzento
com manchas escuras desbotadas parece-me referir-se a
outra especie, não correspondendo com a de Holland.
Burmeister (Reise La Plata II p. 483) diz que o ovo
é espherico, amarello, com linhas e manchas cinzentas.
Dalgleish diz que @Orbiguy figurou o ovo na sua obra
de viagem Pl. 22 e diz mais que o ovo mede 26 X 19
mm., que é pyriforme-oval, branco, com salpicos e li-
nhas róxo-escuras no polo rombo. As descripções de
de Nehrkorn e de Burmeister referem-se, pois, em ver-
dade, não a essa especie.
Coryphospingus cucullatus (Mill) (CG. cristatus Gm.)
Euler p. 32; Nehrkor p- 19; Allen I p. 371... Allen
diz que o ovo mede 0.83—0. sms 620.63 inch. o
que será mais ou menos 21—22 X 16 mm. e que são
de côr branco-azulada e cobertos por toda a parte de
salpicos e manchinhas castanhas. Nehrkorn diz que o
ovo é branco, medindo 18 X 14 mm. Referindo-se a
descripção de Allen ao seu collecionador excellente e que
sobre os ovos que collecionava ajuntou dados minuciosos,
data etc. não duvido que Nehrkorn foi illudido. A des-
cripção de Allen está conforme com a de Burmeister.
Paroaria cuculata (Lath.) Euler p. 32, Dalgleish
Ip. 246, Pl Vi fie. 9: Nebrkorn p; 119, Aplin p.
168; Sclater and Hudson I p. 47. As medidas dadas por
Euler não combinam com as de Nehrkorn que são
23,9—25,5 X 17.5 mm. O ninho que Dalgleish obteve
era feito de elos e forrado de cabellos de cavallo e con-
tinha 3 ovos. Dalgleish denomina essa especie, por en-
gano, de P. dominicana.
Paroaria capitata (Lafr. et d’Orb.) Euler p. 32.
Paroaria larvata (Bodd.) Nehrkorn p. 119. O
ovo, que mede 21,9 X 17 mm., é um pouco mais escuro
do que 0 da P. cucullata.
Gubernalrix cristata (V.) Nehrkorn p. 119. O
ovo, que mede 25 x [8 mm., é azul-claro, com poucas
manchas pretas, regularmente distribuidas.
— 217 —
Fam, Ieteridee
FIGURA 6
Ninhos de japú collocados num coqueiro
* Ostinops decumanus (Pall.)
“Euler, p. 33; Nehrkron p. 99;
Allen I p. 376. O ninho do
Japú, que mede um metro ou
mais, é feito essencialmente de
barba de pau, mas não exclusi- _ FIGURA 7
e Ninho do Japú
wamente como .o diz Euler, Ostinorsdecnmanus (ale
| es
entrando na construcção da parede talos,. capim: ow
macega e folhas. E' suspenso com preferencia em co-
queiros. Os ovos que medem 32—34 X 25—26 mm.
parecem bastante variaveis nas manchinhas roxas que:
em um dos nossos são desbotadas, faltando no outro.
Na nossa figura marca a flechinha a entrada do ninho.
, + Cassicus haemorrhous aphanes (Berl.) Euler p.
34 ; Nehrkorn p. 99. O ninho do guache-é feito de-
capim e barba de päu ,ás vezes ainda viva
com a epiderme cinzenta bem conservada.
O ovo mede 28—30 X 19—20 mm, Ê tem
manchas profundas roxas.
e superficiaes brunas, re-
unidas às vezes na ponta.
obtusa em corda. O Sr.
Hempel viu muitos desses
ninhos suspensos em ar-
vores no rio Mogy-guas-
su no mez de Setembro e
especialmente em ingás.
São bolsas suspensas, cur-
tas, de 40 centm. mais ou
menos de comprimento e
feitas quasi exclusiva-
mente de capim.
Cassicus albirostris
Veesll. Nehrkorn p. 99;
Dalgleish) IV p. TE O
FIGURA 8 É :
Ninho de guache ninho é uma bolsa estrei-
Cassicus haemorrhous ta e comprida feita exclu-
aphanes (Berl.) 5 a
sivamente de fibras des-
cascadas de barba de páu. Parece que
essa observação, facil de verificar, não
foi ainda publicada por outros autores.
Goeldi (Ibis 1897 p. 364) trata esse ma-
terial como sendo novo e interessante
typo de lichen. Os fios da barba de ét te
pau ou de Tillandsia usnoides tem um Cassicus albirostris Vieill
eixo central preto que se apresenta em massas mortas de:
— 2i9 —
parba de pau e que pode ser preparado com facilidade
em plantas vivas. Esse fio central assemelha-se muito
à crina de cavallo, differindo, porem, pelas ramificações.
O ninho mede 50—80 centim. e ha de mais de um me-
tro de comprimento. A entrada como em todos esses
ninhos suspensos das Icterinas é uma fenda na parte
estreita e superior do ninho. O ovo mede 23X 16,5
mm., é de forma oval-alongada, esbranquigado, com
numerosos salpicos bruno-avermelhados.
Cassicus persicus (L.) Euler p. 34; Nehrkorn p
99; Allen I p. 377; Goeldi Ibis 1897 p. 361-365.
Allen diz que o ninho é feito de capim ; segundo Wied,
porem, consiste em fios descascados da Tillandsia (barba
de pau). O ovo mede 27—30 X 19 mm. segundo Nehr-
korn, 25,5—27,5 X 18 —19 segundo Goeldi.
Amblycercus solitarrus (V.) Nehrkorn p. 99;
Aplin p. 171. Aplin considerou como feito por essa
especie um ninho feito de fibras vegetaes e compridas
«cabellos de cavallo» em forma de bolsa, de 50 centim.
de comprimento. O ovo mede 2919 mm. sendo
branco com poucas manchas e garatujas branco-escu-
ras. Burmeister (Reise La Plata Staaten II, 1861, p.
494) diz que os ovos são alongados, esverdeado-claros,
com manchas grandes, vermelhas,
Cassidix oryzivora ((rm.) Euler p. 38; Goeldi p.
284. Goeldi e Kuschl disseram no periodico Ibis que
os ovos dessa especie são postos nos ninhos do che-
cheu, Cassicus persicus e japu, Ostinops decumanus.
Goeldi, entretanto, ja em 1894 publicara o facto. A
descripção do ovo deu Kuschl no Journal e ( Jrnitholo-
gie vol. 4—5, 1897 p. 169. O ovo mede
—24 mm. e a sua côr é verde com ee e garatujas
isoladas, pretas . Loyd e Barshall (Ibis 1898, p. 166)
observaram ovos de Cassidix em ninhos de Cassicus
persicus e affinis e de Ostinops decumanus.
Dolichonyx oryzivorus (L). Coues p. 401; Nehr-
korn p. 99. Passaro conhecido na America do Norte
sob o nome de bobolink. Nidifica alli no chao, na ma-
cega, pondo 4—6 ovos de 21 X 16 mm., de côr cin-
— 220 —
zenta com manchas brunas. A especie occorre na Ama-
zonia e em Matto Grosso, mas nao sei se alli nidifica:
ou se comparece sO em certa epoca do anno.
* Molothrus bonariensis (Gin.) Euler p. 36 ; Nehr-
korn p. 100 ; Sclater and Hudson I p. 72; Aplin p. 172,
Burmeister (Reise La Plata I p. 495) diz que oovo foi.
figurado por d’Orbigny (Ois. Pl. 45 fig. 4). As medidas
do ovo variam em geral de 23 -25 X 18-21 mm. Ao
lado dos ovos descriptos por Euler occorrem no Rio
Grande do Sul eno Rio da Prata ovos brancos com
poucos salpicos ousem elles uniformes branco-esverdea-
dos, lustrosos.
Molothrus rufoaxillaris Cass. Nehrkorn p. 100;
Selater and Hudson 1 p. 86. Hudson achou que essa
especie tem o costume parasitico do virabosta, mas.
que põe os seus ovos exclusivamente no ninho do Mo-
lothrus badius. O ovo assemelha-se completamente ao:
do M. badius e não ao do M. bonariensis como Nehr-
korn diz e cada uma das duas femeas põe 9 ovos.
Entre os 10 ovos assim reunidos Hudson não poude:
distinguir os das duas especies nem entre os filhotes,
eguaes entre si.
Molothrus badius V. Euler p. 38; Nehrkorn p.
100; Dalgleish I p.245 Pl. VIT fig. 4; Aplin p. 173 ;:
Sclater and Hudson I p. 95. Não é exacto o que Euler
diz sobre o modo parasitico da propagação dessa especie.
Toma, às vezes, conta do ninho do Anumbius, mas, em:
geral, constrôe na forquilha de um galho o seu ninho;
forrado de cabellos de cavallo. Assim o declaram Aplin’
e Hudson. A postura consiste em 5 ovos. A postura
de quatro ovos que Dalgleish obteve era tirada de um.
ninho da Taenioptera, mas de certo o casal do Molothrus
só tomara conta do ninho. As medidas do ovo são:
24-26 X 18—19 mm.
Agelaeus thilius (Mol.) Nehrkorn p. 100; Scla-
ter and Hudson I, p.97. O ninho é feito de capim em
arbustos à margem de rio ou banhado, e contem 4
ovos que segundo Nehrkorn medem 21—24 X 16—
18 mm. e são pardo-cinzentos com manchas profun-
— 221
das roxas e superficiaes brunas. Hudson diz que só na
ponta romba säo salpicados de bruno e preto sobre
campo branco. E” possivel que essas descripções se re-
firam a especies differentes.
Agelaeus flavus ((rm.) Nehrkorn p. 100; Sclater
and Hudson | p. 98; Dalgleish I p. 228. O ninho é
feito de capim, cerca de | m. de altura acima do chão,
em arbusto, e contem 4 ovos brancos, salpicados de
bruno, especialmente na ponta romba. O ovo mede
23 X 17mm. A postura é de 3—5eem geral de 4 ovos.
Agelaeus ruficapillus V. Selater and Hudson p. 99.
O ninho é feito a pouca altura, nos banhados, e muitos
se acham reunidos no mesmo logar. Os quatro ovos
são de côr branco-azuiada com manchas pretas na
ponta obtusa.
Leistes superciliaris (Bp.) Sclater and Hudson I p.
100. O ninho é feito de capim no chão e contem quatro
ovos brancos salpicados de bruno-vermelho.
Amblyrhamphus holosericeus (Scop.) Sclater and
Hudson I p. 101. O ninho é feito de capim e fixado
em arbustos no banhado, à pequena altura. A postura
consiste em quatro ovos de campo azul-claro com pou-
cas manchas pretas. Burmeister (Reise La Plata IL, p.
491) diz que o ovo é por toda parte densamente sal-
picado de vermelho.
Pseudoleistes quirahuro (V.) Euler p. 35; Nehr-
korn p. 101. O ovo mede 25 X 19 mm. e tem salpi-
cos roxos e brunos mais numerosos no polo obtuso.
Pseudolerstes virescens (V.) Euler p. 36; Dal-
gleish 1 p. 279; Sclater and Hudson I, p. 103; Nehr-
korn p. 101. Oovo mede 24—25 X 17-20 mm. Dal-
eleish achou o ninho a 2 pés acima do chão feito de
capim, com uma camada grossa do lodo, e forrado de
cabellos, contendo 5 ovos.
Trupialis defilippir (Bp.), Holland p. 215. O ni-
nho é feito de capim, no chão e contem 3-4 ovos
brancos, alongados, com numerosos salpicos bruno-ver-
melhos. Nehrkorn diz, p. 101, que o ovo dessa espe-
cie se assemelha ao do Tr. militaris L. que descreve
como cinzento-enearnado com manchas brunas, medindo
29—30 X 20—21 mm.
Sturnella magna (L.) Nehrkorn p. 101. Especie
da Guyana e do Rio Branco. O ovo mede 29 X 22 mm.
e tem sobre campo branco salpicos roxos e brunos.
Gymnomuystax melanicterus (V). Goelti Ibis 1897
p. 369. O ninho é uma tigela feita de macega e cipó.
O ovo é branco-azulado com grandes manchas escuras.
Icterus pyrrhopterus (V.) Sclater and Hudson I
p. 107; Nehrkorn p. lul. O ninho é suspenso na
extremidade de um galho e construido de lichens. O
ovo é parecido ao dol. baltimore que mede 22,5 X 16
mm. sendo esbranquiçado com manchas e garatujas
roxas e brunas.
Icterus jamacam (Gm.) Euler p. 30.
Icterus cayanensis L. Euler p. 39; Nehrkorn p.
102. O ovo mede 22 18 mm.
Icterus xanthornus (Gm.) Euler p. 35 ; Nehrkorn p.
102. Nehrkorn diz que o ovo mede 25 X 17,9 mm. e
que tem sobre campo pardo-cinzento garatujas grossas
bruno-denegridas. Essa descripção pouco combina com
a de Burmeister.
Lamprosar tanagrinus (Spix) Nehrkorn, p. 125. O
ovo, que Nehrkorn obteve do Pará, mede 21 17,5mm.,
é de forma bastante arredondada e tem o campo pardo-
claro com manchas brunas e salpicos pretos distribuidos
sobre toda a superficie sendo mais densas na ponta romba.
Aphobus chopi (V.) Euler p. 35; Sclater and Hudson
I p. 109; Dalgleish IV, p. 78. Hudson diz que o ovo é
branco, mas Dalgleish achou diversos ninhos com 4 ou
D ovos que medem 24-26 X 18—19 mm., sendo de
cor azul-clara com linhas finas e algumas manchas roxas
no polo rombo. O ninho é uma tigela feita de capim
e folhas de coqueiro, collocado nos coqueiros com prefe-
rencia.
Fam. Corvidee
. Cyanocorax coeruleus (V.) Nehrkorn p. 17. Taf.
I fig. 1 Nehrkorn descreve o ovo recebido por mim
Seana
do Rio Grande do Sul; mede 36% 23 mm. Os que de
Iguape obtivemos do Sr. Krone medem 33 X 23-24 mm.
e tem o campo azul-verdoengo com numerosas manchas
pardo-claras.
Cyanocorax chrysops (V.) Euler p. 40.
Uroleuca cyanoleuca (Wied) Allen 1 p. 153. O
ovo mede 33 X 25—24 mm. e tem o campo azul-claro
e numerosas manchas brunas que são maiores na ponta
romba.
II. Sub-ordem. Clamatores
DIVISÃO 1. OLIGOMYODAE
Piana. ee ann dee
Sub-fam. Wseniopterinze
Tenioptera nengeta (L.) Euler p. 41; Dalgleish
1, p. 2497 Aplin po tio El Ve -fie..3-4. O ninho
é feito em arvores e consiste em talos e raizes, sen-
do forrado de cabellos e pennas. O ovo, que mede
27—30 X 20-21 mm., é branco com manchas pouco
numerosas, roxas profundas, e brunas superficiaes na
metade romba. |
Burmeister (Reise La Plata Il p. 460) diz que
d'Orbigny (Ois. Pl. 57 fig. 4) figurava o ovo que é
globuloso liso, Justroso e uniforme-branco com tom azul.
Burmeister diz que obteve o ovo dessa especie e o de
Teenioptera coronata V. e que ambos são uniformemente
brancos. Não sei explicar essa differença na descripção
senão presuminlo que as manchas do ovo indicadas por
Dalgleish e por Hudson às vezes fazem falta. Creio que
não pode haver duvida de que as descripções e figuras
de Dalgleish e Aplin que bem combinam entre si devem
ser consideradas como exactas e caracteristicas.
Tenoptera wupero(V.) Aplin p. 176; Nehrkorn,
p. 136; Dalgleish II p. 244, Pl. VII, fig. 2. Aplin obser-
vou um casal que o seu ninho teve no de João de barro.
,
O ovo mede 2º—24 X 17 mm.; a côr é branco-amarel-
lada, uniforme, ou com algumas manchas escuras. Bur-
meister (Reise La Plata IT p. 460) diz que o ovo é mais
alongado do que nas outras especies e branco uniforme.
Toemoptera dominicana (V.) Nehrkorn p. 136.
O ovo é branco-amarello claro com algumas manchas
brunas e mede 24 X 13,5 mm.
Eluvicola pica (Bodd.) Nehrkorn p. 136. O ovo
é branco com algumas manchas brunas é mede 17,5
X 13 mm.
Fluvicola albiventer (Spix) Euler p. 41; Nehrkorn
p. 137. O ovo assemelha-se ao da especie precedente.
F:GURA 10
Ninho da viuvinha
Arundinicola leucocephala (L.)
* Arundimecola leucocephala (L.) Euler p. 42; Nehr-
korn p. 137. O ninho, que é bem caracteristico, foi
= DU) —
bem descripto e figurado (Abbildungen Lief. 14) por
Wied. E' collocado entre os galhos divergentes de
um arbusto ou de um pé de junco construido de talos
e capim e forraao de pennas. A entrada nessa bola
fechada è na frente pouco embaixo da cupola e mede
3—4 centim. de diametro. As dimensões do ninho
são 18 centim. de altura, 9 de largura.
Quanto aos ovos parece-me que houve engano por
parte de Euler quanto às medidas. As nossas combinam
com as que Nehrkorn indicou, sendo 19 —20 < 14—15.
Alectrurus risorius (V.) Sclater and Hudson I p.
124 ; Dalgleish I p. 279. O ninho é feito no chão, de
capim secco e contem 3 ovos branco-amarellados.
« Svsopygis icterophrys (V.) Euler p. 42; Sclater
and Hudson I p. 126; Nehrkorn p. 147. O ovo, que
mede 21 X 16 mm., é de côr branco-amarellada com
poucas manchas que são grandes e avermelhadas. Essa
descripçäo não combina bem com os ovos que obtive-
mos do Sr. Krone e cujo campo é branco com
manchas pequenas branco-amarelladas. Burmeister (Reise
La Plata II p. 461) diz que d'Orbigny figurou o ovo
(Ois. Pl. 45 fig. 3) que é branco com uma corôa de
salpicos pretos na ponta romba.
Cnipolegus cyanirostris (V.) Burmeister (Reise
La Plata Il p. 457) obteve os ovos que são brancos
com pontos pardo-pretos, pouco numerosos, na ponta
romba.
Cnipolegus comatus (Licht.) Nehrkorn p. 157. O
ovo que mede 18,5 xX 13,5 mm. é branco amarellado
com poucas manchas bruno-claras, bem marcadas, que
são mais numerosas no polo obtuso.
Lichenops perspicillatus (Gin.) Sclater and Hudson
I p. 181; Nehrkorn p. 137. O ninho é feito de capim
e contem quatro ovos brancos com algumas manchas
na ponta romba, segundo [udson. Nehrkorn descreve
o vvo de modo differente, dizendo que é branco ama-
rellado com manchas roxas profundas desbotadas e bru-
nas, grandes, que na ponta romba formam uma corôa,
medindo 21,5 X 15,5 mm. A descripção de Burmeister
(Reise La Plata Il p. 458) combina com a de Hudson
dando como medida de comprimento 7°”. o que é me-
nos do que Nehrkorn diz.
Copurus colonus (V.) Euler p. 43; Nehrkorn p.
137. A descripcäo do ovo cuja côr é branca, é bem
differente entre esses dois auctores. Segundo Euler é de
forma curta medindo 13—195X 15 mm. Nehrkorn, ao
contrario, o descreve como muito alongado medindo
19— 20,5 X 14 mm.
Machetoris rixosa (V.) Euler p. 43; Aphn p.
178; Sclater and Hudson I p. 133; Nehrkorn p. 137. O
ninho é feito em päus ocos ou em ninhos deixados de
João de barro ou de Anumbius. O ovo é branco-ama-
rellado com numerosas manchas alongadas, roxas e bru-
nas e mede 23-24 18,5 mm. Burmeister (Reise La
Plata Il p. 459) diz” que VOrbigny figurou os ovos (Ois.
Pl. 51 fig. 3 e t)e que são ambos dessa especie e não
do Tyr. melancholicus cujo ovo @Orbigny figurou, PI.
34, TO, o,
Subfam. Platyrhynchinæ
* Platyrhynchus mystaceus V. Temos um ninho e
um ovo colligidos em Iguape por R. Krone. O ninho ê
uma tigela bem feita cujo diametro exterior é de 6
centim. e o interior de 4 cent., sendo a altura de 4
cent. As paredes são construidas com pedaços curtos
de folhas de macega e junco fixados exteriormente por
fios finos de fibras vegetaes e forrado com fios pretos
descascados de barba de pau. Contrasta singularmente a
cor alvacenta da parede com a preta do revestimento
interior do ninho. O ovo, que mede 18><14 mm., é de
côr branco-amarella, sem lustro e tem entre o meio e
a ponta romba uma zona pouco marcada de finas man-
chas vermelho-claras. A fórma do ovo é curta, sendo
a ponta aguda relativamente bem obtusa.
Esse ovo assemelha-se aos do genero Todirostrum;
quanto aos ninhos são muito differentes.
* Todirostruin poliocephalum ( Wied.) Euler p. 43;
— 227 —
Nehrkorn p. 138. O ovo que mede 16 X 12 mm. é de
cor branco-encarnada com manchinhas avermelhadas
bastante numerosas na ponta romba, onde formam uma
larga coroa. O ovo descripto por Nehrkorn de Chiriqui
é menor e com menos manchinhas.
Todirostrum cinereum (L.) Nehrkorn p. 138. O
ovo é branco com pontinhas vermelhas no polo obtuso
e mede 1712 mm.
Todirostrum maculatum (Desm.) Goeldi Ibis 1897
p. 368, fig. J. O ninho as-
semelha-se ao descripto por
Kuler por ter alpendre sobre
a entrada e appendice caudal.
Os ovos medem 16 X 11,5
mm. e são brancos com nu-
merosos pontos vermelhos.
* Huscarthmus nidipen-
dulus Wied. Euler p. 44.
O Principe Wied descreve,
HI, p. 952, o ninho e diz que
ia figural-o na obra «Abbil-
dungen» mas não o acho re-
presentado naquella obra. O
que obtive em principio de
Outubro do anno corrente
com dois ovos é uma bolsa
pyriforme, suspensa num ra-
minho. O ninho tem o com-
primento de 13 centm. sem
o appendice de algumas fo-
lhas seccas de 26 centim.
e mede 8 cent. de diametro
na parte inferior. A entrada
é uma abertura redonda de
3 cent. de diametro, coberta
por um alpendre de 4 cent.
de comprimento. O ninho é
feito de talos, raizes e folhas Freura 11
d ) Ninho do Cagasebo
e macega, etc. e forrado de Euscarthmus nidipendulus Wied.
— 228 —
paina. Este ninho estava collocado a cerca de 1,5 M. aci-
ma do nivel de um arroio e continha dois ovos. Estes
são brancos com tom esverdeado e cobertos de sal-
picos finos vermelhos, que deixam livre o polo acumina-
do e são mais numerosos no polo rombo onde formam
uma corda. As medidas são 28X 14 mm. Foi morta a
femea quando sahia do ninho, mas o macho encontrado tres
vezes com ella e afinal morto ao lado do minho era
da especie E. gularis.
+ Huscarthmus gularis Temm.Berlepsch und lhering,
Pme mNehricorn/;p. yilies.
O ninho assemelha-se ao
da especie precedente na fôr-
ma e nas dimensões differin-
do pelo alpendre que é fraco
composto apenas de talos e
espigas de capim. O ninho
é forrado tambem de capim
e não de paina e mede 8 cen-
timetros no diametro em bai-
xo tendo o comprimento de
26—28 centimetros. E" una
bolsa que em baixo é arre-
dondada e sem appendice fei-
ta de macega e capim, barba
de pau, talos e raizes. O ovo
mede 16 —i7 X 12 mm. e
tem sobre campo branco com
tom amarellado inanchinhas
roxas e brunas, mais nume-
rosas no polo rombo.
Kuscarthmus margari-
tacewenter (Lafr. et d Orb.)
Nehrkorn p. 138. O (ovo
assemelha-se ao da especie
precedente e mede 19X 13.
FIGURA 12 Kuscarthmus striaticollis
Ninho do Euscarthmus gularis (Laf vr.) Nehrkorn p. 138.
Temm. O ovo mede 17 X 13 mm.
229 —
Orchilus awricularis (V.) Euler p. 45. O ninho
combina com o de Todirostru:n.
Hapalocercus meloryphus (Wied). Euler p. 43.
Hapalocercus flaviventres (Lafr. et d'Orb.) Sela-
ter and Hudson I p. 138. O ninho é feito em pouca
altura na forquilha de um arbusto e construido de
capim. A postura foi encontrada no mez de Outubro
e consistia em 3—4 ovos branco-amarellados com o
polo obtuso mais escuro, amarello-cinzento.
+ Serphophaga mgricans (V.) Euler p. 46; Sclater
and Hudson Ip. 41; Dalgleish I p. 248, Pl. Ill fig. 3.
Os nossos ninhos medem 9—10 centimetros no diame-
tro exterior, 4,3 centimetros no interior, sendo feitos
de raizes e lichens e forrados de paina. Os ovos me-
dem, em regra, 16—1T7X 12—13 mm., mas temos um
de 18 X 13 mm. A cor do ovo é uniforme, branco-
esverdeada ou branco-amarella, mas não amarello de
enxofre como Nehrkorn diz. (Combina com a nossa
descripção a de Dalgleish, mas não a de Hudson que
de certo se refere a outro passarinho, dizendo Hudson
que o ovo é branco com manchinhas cinzentas e pre-
tas no polo obtuso. Os ninhos que o Snr. A. Hempel
trouxe do Rio Mogy-guassu são feitos de musgo verde
e forrados de paina e pennas medindo o diametro inte-
rior 4—s centimetros e exterior 8—10 centimetros,
sendo o tamanho do ninho bem variavel. A postura é
de 2 ou 3 ovos.
+ Serphophaga subcristata V. Sclater and Hudson I
p. 147; Dalgleish IV p. 82 ; Nehrkorn p. 138. O
ninho é menor e feito com mais cuidado do que o da
especie precedente. O diametro exterior é de 7 centi-
metros, o interior de 3,5 centimetros. E’ uma tigela
funda, feita de capi n, musgo, lichens e pennas e forrada
de pennas brancas. O ovo mede 14—15 X 11— 12
mm. Temos dois ovos que são de pontas bem obtusas,
de forma curta, medindo 14 X 12 mm. A côr é branco-
amarellada. O revestimento exterior do ninho de lichens
E)
parece caracteristico. A postura é de dois ovos.
DD
Subfam. Elaineinæ
Cyanotis azaræ (Licht.) Selater and Hudson I p.
144; Nehrkorn p. 139. O ninho é uma tigelinha bem
e artisticamente elaborada, as paredes
compactas feitas de pedaços de folhas
de junco reunidas em estado humido
e talvez de algum modo grudadas. Está
fixado de um lado a um tronco triangu-
lar de junco, medindo 7 centimetros na
altura e 5—6 no diametro. A borda
da entrada é muito estreita quasi li-
near. Para baixo o ninho fica mais
estreito, formando afinal apenas um en-
volucro delgado do tronco do junco. O
ovo que mede 15,5xX12 mm. é branco-
amarellado e tem, às vezes, na ponta
romba uma corôa estreita, pallida e
desbotada. A postura consiste em dois
Ovos.
FIGURA 13 Leptopogon amaurocephalus Cab.
Ninho do papa-piry. Allen IV p. 153. O ovo, que mede
Rn ai “re 49--20xX14 mm., é branco, uniforme.
Não se conhece o ninho.
Phyllomyias burmeisteri. Cab. et Heine. O ni-
nho é uma tigela simples, feito de alguns talos e rai-
zes e forrado de talos grossos de barba de páu des-
cascada. Exteriormente, é enfeitado com pedaços de
lichen. E” pouco fundo e mede 9—10 centimetros no
diametro exterior, 5—6 centimetros no interior. Nao
conheço os ovos.
Ornithion obsoletum (Temm.) Euler p. 50. Não
se conhecem os ovos.
* Elainea pagana (Licht.) Euler p. 46; Nehrkorn
p. 139. Os nossos ninhos medem no diametro exterior
7 e no interior 5 centimetros, e têm o revestimento
exterior de musgo e lichen fixado por meio de algo-
dão, sendo forrado de pennas brancas.
O minho é construido de talos e raizes fixas e tem
— 21 —
a borda bem elaborada e revestida tambem de lichen.
As medidas dos ovos são 21—225 16 mm. segundo
Euler, 17—19 X 15 mm. segundo Nebrkorn. A mesma
differença noto entre nossos ovos sendo os do Ypiranga
menores do que os de S. Sebastião que medem 21 >< 16
22 X 17 contra 19—20 5X 15 nos do Ypiranga. A
cor dog ovo é branca com tom encarnado e uma larga
coroa de manchinhas redondas, roxas, profundas, e bruno-
avermelhadas, superficiaes. Em alguns ovos extendem-se
essas manchas sobre a metade aguda. Dous ovos que
em Novembro obtivemos em Itatiba medem 2216
mm. Desconfio que os ovos de 17> 15 mm. de
Nehrkorn se referem a outra especie afim e que como
medidas do ovo de El. pagana deve-se considerar
19—22 15—17 mm.
« Elainea obscura (Lafr. et d O16.) Nehrkorn p.
139. ig: a ninho que em fins de Outubro obtivemos com
dois ovos bem chocados, é feito sem arte. E uma
construcçäo relaxadamente feita entre tres galhos di-
vergentes de um arbusto, uma tigela chata, feita de
talos, raizes e barba de pau descascada e exteriormen-
te enfeitado com pouco cuidado com alguns pedaços
de lichen e musgo. O diametro do ninho é de 8—9,
a altura de 5—6 centimetros. Os ovos medem 21—22
X 15—16 mm., e são branco-encarnados com uma lar-
ga corôa de manchas cinzento-roxas, profundas, e bru-
no-avermelhadas, superficiaes, na metade romba.
+ Hlamea albiceps (Lafr. et @ Orb.) Allen IV p.
153; Nebrkorn p. 139. Um minho que obtivemos
em Ypirang a a 18 de Dezembro de 1899 com 2 ovos
é uma tigela pouco funda, feita de talos, e forrada de
capim fino e talos de efflorescencia de capim. Exte-
riormente, tem enfeite de algumas folhas seccas e teias
de aranha. Os ovos são de forma encorpada, mais
curta do que nas outras especies atins e medem
18 x 14,5 mm. As medidas dos ovos variam nessa es-
pecie de 18-20 14—15 mm. A côr do ovo é bran-
ca, com uma larga corôa de salpicos finos, de cor bru-
no-avermelhada. O minho mede 7 centim. no diame-
— 232 —
tro exterior, 5 no interior e 7 na altura. Outro ni-
nho recebido em Janeiro tem exteriormente enfeite de
alguns pequenos pedaços de lichens.
Nota-se a differença entre esses ninhos das espe-
cies alliadas de Elainea. Feitos com capricho e arte e
enfeitados exteriormente de lichens são os de Elainea
mesoleuca e pagana distinguindo-se o ultimo por ser
forrado de pennas; os de obscura e albiceps são mais
simples, feitos com pouca arte e com pouco ou sem
enfeite algum. Entre os ovos distingue-se o de E.
obscura pela cor amarellada. Os de albiceps e meso-
leuca são semelhantes, mas a corda extende-se na pri-
meira especie atê ao equador do ovo e na outra limi-
ta-se ao polo rombo consistindo em manchas maiores
e mais escuras.
+ Hlainea mesoleuca (Cab. w. Heine) Nehrkorn p.
139. Pouco differe da especie precedente; o ovo me-
de 18— 19 16—15,5 mm.
As manchas formam no polo rombo uma larga co-
roa de manchas bruno-avermelhadas e outras menores,
roxo-pallidas. © ninho é chato, medindo no diametro
exterior 9, no interior 5 centim. e 4 centim. na al-
tura. E' feito de raizes, de barba de pau descasca-
da, lichens e exteriormente revestido de lichens. Esse
ninho foi apanhado a 22 de Novembro de 1898 com
um ovo em Nova Hamburgo, Rio Grande do Sul, pelo
Sr. Schwartz e junto com a ave.
Eluinea brevipes Wied. Euler p. 48. E” essa especie
sobre a qual na literatura näo acho as necessarias in-
formações. O ninho de modo algum corresponde aos
de Elainea e dos generos alliados, não me restando du-
vida alguma que essa especie nada tenha que vêr com
o genero Elainea, mas julgando provavel que seja afim
aos generos Euscarthmus e Orchilus. O Sr. von
Berlepsch escreve-me que, na opinião do Dr. Allen, esta
especie de Wied representa a ave nova de Neopelma
aurifrons Wied, mas, como já observei, Euler obteve a
mesma especie e observou as aves aduitas, o ninho e
OS OVOS.
os 12900
Myiopatis viridicata (V.) Elainea placens Sel.
Nehrkorn p. 139. O ovo corresponde ao de E. albi-
ceps.
«+ Legatus albicollis (V.) Nehrkorn p. 139. O ovo,
segundo esse auctor, é branco-amarellado, com manchas
brunas na ponta romba e mede 20xX15,5 mm. O Sr.
R. Krone mandou-nos sob este nome dois ovos que
medem 2316 mm. e que são de côr bruno-cinzenta
com manchinhas escuras que na ponta romba formam
uma corda. Como os ovos de Elainea e dos generos
afins combinam bem entre si, penso que o engano que
deve formar a razão dessas descripções tão differentes
foi commettido pelo Sr. Krone, talvez por determina-
ção inexacta.
* Myiozetetes similis (Sprx) Euler p. 981; Nehr-
korn p. 139. O ovo é de forma oval-alongada, bran-
co ou encarnado-branco com manchas pardas no polo
rombo e mede 2417 mm. Os nossos medem 25 X 17
mm. e alguns delles têm as manchas mais ou rûe-
nos regularmente distribuidas em toda a superficie, ou-
tros têm-n'as só na ponta romba em forma de cupola
ou de corõa. A Muscicapa cayanensis Wied é Pitan-
eus lictor e não esta especie. que por engano Euler na
sua primeira publicação, II p. 226, tratou de Sauropha-
gus licter.
Myiozetetes cayennensis (L.) Nehrkorn p. 159.
As manchas, que são roxas e pardas, formam na ponta
romba uma corôa. O ovo mede 22,5 X 17 mm.
Myiozetetes texensis (Gir) Nehrkorn p. 139. O
ovo assemelha-se ao de M. similis, mas as manchas são
mais escuras e mais numerosas.
Rhynchocyclus olivaceus (Temm.) Euler p. 48;
Nehrkorn p. 140. Segundo Nehrkorn o ovo mede
20,9x15,9 mm. e tem sobre campo encarnado-branco
manchas profundas roxas e superticiaes, bruno-pretas,
menores. E” provavel que os ninhos que desse genero
temos e que correspondem à descripcäo de Euler pro-
venham da especie seguinte, KR. sulphurescens Spix.
— 234 —
Esses ninhos medem cerca
Figura Id
Ninho de Rhynchocyelus sul-
phurescens (Spix)
de 30 centim. na altu-
ra 20 na base e são fei-
tas de fibras descascadas
de Tillandsia. (Barba de
pau.
Rhynchocyclus sulphu-
rescens (Spec) Allen IV
p. 153. O ovo é parecido
com o da especie preceden-
te. As manchas bruno-cla-
ras são só um pouco mais
escuras do que o campo
branco-encarnado. A fór-
ma do ovo, que mede
20X17 am je alongar
da.
= Pitangus sulphuratus
maximilrant (Cab. et Her-
ne) Euler p. 52; Nehr-
korn p. 140. As medidas
dos nossos ovos variam
de 27 X 20 mm até 30 X
21 mm. e segundo Euler
de 51—32 >< 20—21 mm.
As medidas de 27 24
mm. que Nehrkorn publi-
ca, parece-me, referem-se
a um engano, talvez typo-
eraphico.
Pilangus sulphuratus
bolivianus (Lafr.) Aplin
p. 179 ; Dalgleish IT p. 247
PI. VIII fig. 1; Sclater and
Hudson I p. 150; Nehr-
korn p. 140. Nehrkorn diz
que o ovo mede 29 >< 20 mm., sendo no mais semelhante
ao da especie precedente.
Dalgleish diz que o ninho
é grande, fechado em cima e com entrada lateral e
que a postura consiste, em 4 raras vezes em 5 ovos.
FIGURA 15
Ninho de Bemtevi
Pitangus sulphuratus maximiliani (Cab. et H.)
Pitangus lictor (Lacht.) Nehrkora p. 140 Nehr-
korn achou as medidas 2518 mm.
* Myiodynastes solitarius (V.) Euler, p. 20.
Subfam. Tyranninae
* Megarhynchus pitangua (L.) Euler p. 54; Nehr-
korn p. 14. Segundo Euler, o ovo mede 2619—20
mm.; segundo Nehrkorn, 295<22 mm. Os nossos me-
dem 28—2921 mm.
Muscivora siwainsont Pelz. Nehrkorn p. 140. O
ovo que mede 22,515 mm., é pardo-cinzento com
manchas e garatujas pardo-vermelhas, que, embaixo
da ponta romba, formam uma corôa densa.
Hirundinea bellicosa (V.) Kuler p. 55; Nehrkorn
a
— 236 —
* Myiobius naevius (Bodd.) Nehrkorn p. 141;
Allen IV p. 153; Sclater and Hudson I p. 102. O ni-
nho é suspenso na forquilha de um arbusto, mediante
aleumas fibras e teias de aranha e mede 8 —10 centim.
no diametro exterior, 4 centim. no interior e 7 centim..
na altura. E” uma tigela funda, feita de talos de capim:
e macega com paina, revestida por fora, às vezes, com
musgo e forrada de talos finos de capim. Essa descri-
pção combina com a de Hudson, excepto que esse au-
tor o achou forrado de pennas. Os ovos medem 18—
19<13—14 mm. e são amarello-pallidos ou branco-
amarellados, com manchas bruno-avermelhadas situa-
das em baixo da ponta romba, numa corda vermelho-
deshotada.
Myiobius barbatus (Gin.) Euler p. 56. O ninho é
bastante differente do da especie precedente.
* Pyr ocephalus rubineus (Bodd.) Euler p. 593.
Nehrkorn p. 141; Dalgleish III p. 83; Sclater and Hud-
son I p. 154 O ninho é construido sómente pela fe-
mea e feito de raizes de paina e lichens, fixados por
teias de aranha + forrado de pennas. A postura con-
siste em 3 ou 4 ovos de 15—12,5 mm., de forma oval
arredondada, de campo branco-amarellado e com man-
chas roxas e pretas, formando, às vezes, uma coroa.
Dalgleish diz que o ovo é bruno-amarello, com uma
coroa de manchas bruno-escuras.
Empidochanes fuscatus ( Wied) Nehrkorn p. 141.
O ovo que mede 20,5*X 16 mm., é branco-amarellado,.
com pintinhas isoladas, roxas e brunas. Os que obtive-
mos do Sr. Krone, de Iguape, medem 23X16 mm. e
têm manchas fortes, brunas. Acho bem differentes es-
sas descripções, provavelmente devido a algum engano.
Como o ninho que acampanhou os ovos é 0 de Elai-
nea pagana, especie à qual podem ser bem attribuidos
tambem esses ovos, não duvido que houve engano por
parte do Sr. Krone.
Empidonax bimaculatus Lapr. et d'Urb. Euler
p. 58; Allen IV, p. 153. As medidas indicadas por Al-
len são 18-94 mm.
* Myiarchus ferox (Gin.) Euler p. 58; Nehrkorn
p. 42; Dalgleish IV, p. 29. Os nossos ovos medem
23-2417 mm. As observações de Dalgleish sobre M.
tyrannulus Mull., de certo se referem a essa especie.
As medidas do ovo são um pouco menores,
Empidonomus varius (V.) Nehrkorn p. 143. O
ovo é branco-amarellento, com manchas alongadas, re-
gularmente distribuidas e que são roxas, profundas, e
brunas, superficiaes. O ovo mede 21x16 mm. Os nos-
sos ovos confirmam esta descripção de Nehrkorn.
Empidonomus aurantio-alro-cristatus Lafr. et
d’Orb. Nehrkorn p. 143; Sclater and Hudson I p. 158.
O ninho é uma construeçäo relaxada de alguns talos.
A postura consiste em 4 ovos, que são brancos com
manchas roxas e brunas, medindo 1914,5 mm.
« Tyrannus melancholicus ( V.) Euler p. 60; Nehr-
korn p. 143; Dalgleish IV p. 83 ; Sclater and Hudson,
I p. 159. Hudson dia que a postura é de 4 ovos. Es-
tes parecem bem variaveis no tamanho, sendo as medi-
das representadas na serie que temos de 23—2717—19
mm., sendo 23X17—18 a regra. Dalgleish diz que
o ovo é figurado em «Ibis» 1859, PL V, p. 121.
* Milvulus tyrannus (L., Euler p. 60; Nehrkorn
{4355 Dalgleish,. |] p;280 e dl, p. 248, PL VII tg.
2; Sclater and Hudson Ip. 161. D'Orbigny figura o ovo
(Ois. PL 44, fig. 3) segundo Burmeister que diz ser
o ovo figurado mais salpicado do que é a regra. A
postura é de 3 ou 4 ovos.
Fam. Oxyrhamphidae
Nada consta sobre a biologia.
Fam. Pipridae
Metopia galeata (Licht.) Allen IV p. 154. Dois
ovos foram encontrados no mez de Outubro, que me-
dem 23X16,5 mm. O ovo é branco-amarellado com
numerosas estrias e manchas brunas, densamente co-
bertas, que formam no polo obtuso uma corôa larga.
Pipra fascrata Lafr. et d’ Orb. Allen. p. 154 O
ovo, que mede 2116 mm., tem o campo. branco-cin-
zento coberto quasi por toda parte de estrias longitu-
dinaes e manchas pequenas, alongadas, bruno-roxas.
Chiroxiphia pareola (L.) Euler p. 62.
* Chiroxiphia caudata (Shaw). Euler p. 61; Nehr-
korn p. 144 Nehrkorn diz que as manchas são
alongadas e formam no polo obtuso uma corôa e que
as medidas são 23—25X16—17 mm.
Chiromachaeris manacus L. Nehrkorn p. 144
Taf. VI, fig. 38. O ovo, que mede 20X15 mm., é cin-
zento ou esverdeado-cinzento, com manchas alongadas,
desbotadas, bruno-cinzentas, mais numerosas no polo
obtuso.
+ Chiromachaeris quiturosa (Desin.) Euler p. 62.
Dos nossos dois ovos, mede um 2014 mm., o outro
22% 15 mm. Um tem o polo obtuso quasi privado de
manchas, o outro tem-n'o denfamente salpicado. As
manchas formam, em baixo do polo obtuso, uma corôa
pouco distincta. O ninho que temos está collocado na for-
quilha horizontal de um galho e mede 8 centim. no dia-
metro exterior, 6 centim. no interior. A profundidade
interior é de 3 centim. O ninho é transparente. feito
de raizes e talos e forrado com alguns talos de capim.
Exteriormente, é revestido de varias folhas seccas de
arvores,
Sobre ninhos e ovos dos generos Piprites, Ma-
chaeropterus, Ilicura, Ptilochloris, Heteropelma e Neo-
pelma, nada consta.
Fam. Cotingidae
Tyra cayana (L.) Segundo Lloyd (Ibis 1898, p.
166), essa especie põe em cupins ou em termiteiros.
Assim o observou na Guyana.
* Tityra brasiliensis (Sw.) Obtivemos do Sr. Krone,
em Iguape, o ovo, que é de forma oval alongada, com
pouca differença entre os dois polos, medindo 32 >< 22
mm. A superficie é lisa e lustrosa, a cor cinzento-en-
carnada pallida, com manchinhas profundas branco-cin-
— 239 —
zentas, desbotadas, que formam uma corda pouca dis-
tincta em baixo do polo obtuso e com garatujas, linhas
e manchinhas bruno-escuras, irregularmente distribui-
das. Nada me consta sobre o ninho.
* Hadrostomus atricapiltus V. Nehrkorn p. 144
O ovo, que mede 26 < 18 mm., é cinzento-claro, com
manchinhas e garatujas cinzento-escuras, especialmente
no polo obtuso, e, às vezes, com algumas ees hi-
neares pretas. Os nossos medem 26><18 e 27i9 mm,,
e as manchas são restringidas à corôa em dit
das sobre toda a superficie em outros. O minho, caso
o nosso seja authentico, é uma simples construcção de
fibras vegetaes, dispostas symetricamete, em circulos ou
espiraes. O ninho é pouco fundo, quasi chato e mede
18 centim. no diametro.
Pachyrhamphus viridis (V.) Nehrkorn p. 144;
Euler p. 65. Nehrkorn diz que o ovo mede 22x16
mm. e que é branco-cinzento com manchas e garatujas
cinzento-escuras, às vezes com garatujas bruno-pretas,
formando em alguns exemplares uma coroa.
Pachyr hamphus niger (Spix ) Nehrkorn p. 144
Taf. IV pag. 40. Ovo de 2116 mm., de cor bruno-
cinzenta com salpicos bruno que em cima formam
uma corôa pouco marcada.
. Pachyrhanphus polychropterus (V) Euler p.
65. Os nossos dois ovos, que recebemos do Sr. Krone,
medem 23x16—17 mm. e são cinzento-claros com
manchinhas alongadas e estrias cinzento-escuras e bru
nas irregularmente distribuidas, mais fortes e numero-
sas no polo obtuso. Segundo Euler, os ovos das espe-
cies de Pachyrhamphus seriam bruno-chocolate unifor-
mes, mas creio que isto só por excepção aconteça. Pa-
rece, segundo diz Nehrkorn, que os ovos dos generos
Pachyrhamphus e Hadrostomus se assemelham mas são
bastante variaveis.
+ Pachyrhamphus atricapillus (Gm.) Nehrkorn p.
144. O ovo assemelha-se ao do P. niger, sendo um
pouco mais claro.
Attila cinereus (Gin.) Euler p. 65.
— 240 —
Attila citriniventris (Scl.) Nehrkorn p. 145 Taf. IV
>. 39. O ovo assemelha-se ao da especie precedente e
mede 24<19,5 mm.
Rupicola crocea (L.) Euler p. 64; Lloyd (Ibis
1896 p. 429). O ninho é feito, segundo Lloyd, nos ro-
chedos e construido de pedaços de fibras de coqueiros
que são grudados por meio de massa. A postura consiste
em dois ovos salpicados, um pouco maiores do que os
dos pombos.
Phibalura flavirostris (V.) Goeldi. On the Nesting
of Phibalura. Ibis, 1394, p. 484—490 e figura. Goeldi
observou essa ave na Serra dos Orgams, onde apparece
só no verão, criando duas vezes no anno, nos mezes
de Novembro e Setembro. O ninhu é apenas uma massa
de lichens, wsnea longissima. A postura consiste em
dois ovos de 22-23X19 mm. que são de campo azul-
verde-claro com uma corda de manchas escuras no
polo obtuso.
« Ampelion cucullatus (Sw.) O ovo que do Sr. Krone
obtivemos é de forma oval-alongada com dois polos
quasi eguaes com a superficie lustrosa e mede 3423
mm. O campo é cinzento-amarello e coberto de nume-
rosos salpicos e manchas bruno-cinzentas, desbotadas, em
parte confluentes. Nada me consta sobre o ninho.
Pyroderus scutatus (Shaw) Euler p. 66. Nehr-
korn descreve o ovo de P. orenocensis Lafr. que é
cinzento-amarello com algumas manchas brunas e mede
4532 mm.
Cephalopterus ornatus (Geoffr.) Euler p. 66.
A familia das Cotingidas é uma das que menos
são conhecidas quanto à sua propagação e biologia.
Nada é conhecido relativamente aos ninhos e ovos dos
generos Lathria, Lipaugus, Casiornis, Phoenicocercus,
Tijuca, Cotinga, Xipholena, Jodopleura, Calyptura, Hæ-
matoderus, Querula, Cephalopterus, Gymnoderus, Chas-
marhynchus. Ao ultima desses generos pertence o fer-
reiro ou Araponga.
on
Divisäo IL Tracheophones
Fam. Dendrocolaptidæ
Os ovos säo sempre uniformes nesta familia e quasi
sempre brancos, sendo notavel a excepção que esta fa-
zendo o genero Phloeocryptes com os seus ovos de côr
verde-azul escura.
Geositta cunicularia (V.) Aplin p. 181; Sclater
and Hudson | p. 166; Nehrkorn p. 148. O ove mede
24X19 mm. O ninho é feito subterraneamente em canaes
que na Argentina são feitos como dependencias das ex-
cavações do viscacha. O canal mede 1—2 m. e alarga
em furna que contém o ninho forrado de capim. A
postura consiste em 5 ovos.
* Furnarius ie (Gin.) Euler p. 67; Dalgleish
Dey "248. Aplin p. 181; Sclater and Hudson I p. 166:
Nehrkorn p. 148;
Goeldi Der Zoo-
logische Garten
yale: 27/1866, p-
265. O ovo mede
29X21,0 mm. se-
gundo Nehrkorn.
Noto como sin-
gularidade que te-
mos um ninho de Gu
Joao de barro du-
plo ou de sobrado, Ninho do João de barro
um em cima de Furnarius rufus (V.)
outro. A postura
é de 4 ovos, segundo Dalgleish. As medidas do ovo
variam de 28-—30x21— 22 mm.
Furnarius figulus (Licht.) Nehrkorn p. 148. O ovo
mede 30x 22 mm.
Furnarius albogularius (Spix) Allen. IV p. 154.
Os ovos medem 25—30x20 mm.
== Dine
* Lochnias nematura (Licht.) Kuler p. 69; Allen
IV p. 154; Goeldi, «Ibis», 1894 p. 490, ss. e fig. 2—3.
O passaro excava no barranco um canal de 20—40
centim. de comprimento em cujo fundo alargado esta col-
locado o ninho bem feito de folhas, macega e taquara,
sendo uma bola fechada com entrada lateral. A pos-
tura consiste em dois ovos
de 24—26X19 mm., segundo
Nehrkorn, de 25—26X19 se-
gundo OS Nossos ovos.
* Phioeocryptes melanops
(Veecll.) Aplin p. 182; Scla-
ter and Hudson I <p. 166%
Nehrkorn p. 148. O ninho é
uma obra de arte feito de fo-
lhas de macega e plantas aqua-
ticas misturadas com lodo. O
ninho é uma bola alongada e
irregular com pequena entrada
lateral fixada sobre a agua num
arbusto e forrado de pennas.
A postura consiste em tres ovos
de campo azul-escuro ou ver-
* de-azul que medem !9,5X16
FIGURA 17
mm. segundo Nehrkorn, me-
Ninho de Phloeocryptes dindo os nossos 20—21><16
melanops (Vieill,) mm. Temos tambem o ninho
de Iguape.
+ Synallaxis ruficapilla (V.) Berlepsh und Thering
p. 142; Nehrkorn p. 148. O ovo mede 19X15 mm:
sendo branco-esverdeado, segundo Nehrkorn, sendo
as medidas dos nossos 20X16 mm. O ninho é uma
construcção singular de ramos seccos e muitas vezes
ornado pela mistura de cascas velhas de cobras, pe-
daços de caracões etc. (O nosso mede 42 centim.
de altura, 30 centim. de largura e tema entrada situada
+ cima, de um lado, ou excentrica. A postura é de
Ovos.
oy: ae
* Synallaxis cinnamomea (Gm.) S. ruficauda
Spix. Euler p. 69; Nehrkorn p. 148. A entrada do
ninho é de cima
como na especie
precedente Os
ovos medem 19
== 2) Clone
são mais esver-
deados do que o
das outras espe-
cies affins.
+ Synallaxis
albescens Temm.
Nehrkorn p. 148;
Sclater and Hud-
S@ueeeyep. 179:
Holland !bis 1895
p.216. Holland e
Hudson afirmam
que a entrada do
ninho é de cima.
O ovo mede 23
X 19, à mm. se-
gundo Nehrkorn,
2a (—13. mm.
segundo os nossos
OVOS. FIGURA 18
A descripção
de ninhos e ovos sie
que Kuler deu de
S. albescens não se refere a esta especie mas a se-
guinte.
* Synallaxis sprxr Sel. Euler p. 69 («S. albes-
cens»); Nehrkorn p. 148. O ovo mede 20 X 14 mm.
segundo Euler, 19X14 mm. segundo Nehrkorn, 20X15
mm. segundo os nossos ovos. © ninho que ha pouco
obtivemos corresponde à descripçäo de Euler e tem
a entrada do lado.
da Synallaxis cinnamonea V.
FIGURA 19
Ninho da Synallaxis spixi Sel
Synallaxis azarae Orb. (frontalis Pelz.) Allen IV p.
154; Nehrkorn p. 148. A descripçäo do ninho dada por
Allen é insufficiente, não indicando a situação da entrada.
Como, porém, as medidas do ninho são 12 de altura, 8 de
largura parece fora de duvida que a entrada é de cima. O
ovo mede 20 —2116 mm.
Siptornis pallida (Wied) Nehrkorn p. 149. O ovo
mede 11X17 mm.
7
op 2
©
Anumbius anwmbi (V.) Ihering Voegei d. Lagoa
dos Patos p. 144; Sclater and Hudson I p. 189; Aplin
p. 183; Nehrkorn p. 149. O ninho é feito de espi-
nhos, ramos ete num arbusto, medindo 50-60 centim.
na altura e 30 na largura. A entrada é em cima e
o canal desce em linha espiral à camara que é forrada
de capim. A postura consiste em cinco ovos que me-
dem 1919 mm.
Phacellodomus rufifrons ( Wired) Euler p. 73.
Phacellodomus striaticollis (Lafr. et @ Orb.) Aplin
p. 183; Dalgleish I, p. 281e, IV p. 79; Sclater and
Hudson I p. 195; Nehrkorn p. 149. O ninho corre-
sponde ao da especie precedente, mas no interior con-
tem duas camaras ligadas entre si por um canal es-
treito. Como Aplin encontrou os ovos na camara
exterior parece que a interior representa o primeiro
ninho já deixado, mas de certo a respectiva observação
não é exacta. Dalgleish e Gibson affirmam que ha
duas camaras entre si ligadas por canal horizontal e
que a interior, forrada de raizes finas, cabellos e pen-
nas, recebe a postura. Dalgleish trata a primeira ca-
mara apenas como passagem ao ninho, de que diz que
suspenso na extremidade de um galho é feito de ra-
mos seccos. A postura consiste em 4 ovos branco-
amarellados cujas medidas indica Nehrkorn de 2416
mm. e Dalgleish de 25X17—18 mm. Dalgleish com-
para com razão esse ninho ao de Anumbius com a dif-
ferença de entrar o canal em rumo vertical. Ao
mesmo grupo de ninhos e ligado especialmente aos
de Phacellodomus temos de notar o que em seguida
descrevo de Tripophaga.
* Tripophaga selateri Berl. O ninho deste passaro
é uma massa grande composta de ramos seccos entre-
lacados em forma de botina suspensa na ponta de um
galho e com a entrada na ponta anterior inferior. Essa
entrada da a uma sala profunda torrada de capim e da
qual em cima uma entrada pequena de 3 centim. de
diametro conduz à camara interior que é forrada tam-
bem de capim e na qual é depositada e chocada a pos-
RR Emo
tura. A dimensäo maior no ramo diagonal é de 40
centim., a da base de 30 centim. A entrada na ponta
anterior mede 6 centim. de diametro. O Sr. Joao L.
Lima, que descobriu esse interessante ninho, observou
que o passarinho quando sentiu a presença de gente
desceu da camara interior e superior à outra situada
logo atraz da entrada, esperando alli algum tempo antes
de fugir. Esse ninho é, por conseguinte, composto de
sala e alcova. E’ assim que o temos observado em
tres ninhos absolutamente iguues entre si.
FIGURA 20
Ninho de Tripophaga
sclateri Berl.
A 12 de Outubro o ninho descripto continha 3
ovos lisos brancos, de fórma oval, com pouca differença
entre os dois polos medindo 23X16—17 mm.
— 247 —
Temos na collecçäo outro ninho desse grupo e do
mesmo tamanho, differindo pelo revestimento exterior
de musgo verde
e pela camara an-
terior mais chata
ecoberta de excre-
mentos, oquenun-
ca occorre nos ni-
nhos de Tr. scla-
teri. Creio, por
conseguinte, que
será de outra es-
pecie esse ninho.
O Principe Wied
observou o ninho
de Tr. erythro-
phthalma mas não
poudeobtel-o, por
estar collocado alto
de mais. Pela descripçäo parece que foi um ninho
semelhante ao nosso.
Tripophaga erythrophthalma (Wied) Euler p. 75.
Automolus leucophthalmus (Wed) Euler p. TA.
Xenops genibarbis (Il) Euler p. 75. Noticia in-
completa.
Sclerurus umbretta (Licht.) Nehrkorn p. 149.
O ovo mede, segundo Nehrkorn, 26,521 mm. Os
que de Iguape recebemos do Sr. Krone säo maiores
medindo 30x22 mm.
Dendroplex picus (Gm.) Euler p. 75. Noticia in-
completa.
Picolaptes tenwirostris (Licht.) Euler p. 75. O
ovo da especie argentina P. angustirostris V. mede
2065 19 fam:
Xiphocolaptes major (Vreill.) Dalgleish IV p. 80.
Dalgleish obteve os ovos do Paraguay. O ninho é feito
em pau Ôco sem ser forrado. A postura consiste em 3
ovos brancos, de forma oval, e de superficie escabrosa.
As dimensões do ovo são 35—38x25—26 mm.
FIGURA 21
Secção mediana do mesmo ninho (fig. 20)
= ei
Fam, Formicariidæ
Thamnophilus guttalus (V.) Nehrkorn p. 150.
O ovo, que mede 27X21 mm., é brancacento ou cin-
zento-encarnado, variado com manchas, garatujas e li-
nhas roxas e brancas.
Thamnophilus major (V.) Nehrkorn p. 150. O
ovo é bastante variavel assemelhando-se em tamanho
e côr ao da especie precedente.
x Thamnophilus naerius (Gm) O Sr. J. Zech trou-
xe nos de Piquete um ninho com tres ovos que obteve
no mez de Outubro de 1896. O ninho é uma tigela
profunda, feita de capim e revestido por fóra de musgo,
com pouca arte. O ninho mede no diametro exterior
12 centim., no interior 7 centim., sendo a altura no
interior de 4 centim. A postura cons.ste em tres ovos
que medem 22—23x17 mm. e são brancacentos com
salpicos bruno-vermelhos e com manchas grandes, da
mesma cor, que são limitados à metade romba, for-
mando em baixo do respectivo polo uma coroa irregular.
Outro ninho que obtivemos com 2 ovos é semelhante,
porém menor; é suspenso entre dois galhos horizontaes
e divergentes.
Thamnophilus maculatus (Lafr. et d Orb.) Nehr-
korn p. 150. O ovo assemelha-se no desenho ao da
especie precedente e mede 22,5 X 17 mm.
Thanmophilus ambiguus (Sie) Euler p.67; Allen
IV p.499. O ovo mede, segundo Euler, 19x14,5 mm:
e segundo Allen 21X16 mm. e assemelha-se ao do
Th. naevius.
Thannophilus cirrhatus (Gin.) Nehrkorn p. 150.
O ovo mede 23X17 mm. e assemelha-se ao do Th.
naevius, sendo porem marcado alem das manchas de
garatujas e linhas brunas.
* Thanmnophitus ruficapilius (Veedll.) Em fins de
Outubro do anno corrente recebemos um ninho com
tres ovos. O ninho é suspenso entre dois galhos hori-
zontaes. E’ uma tigela com o diametro exterior de
10 centim.; o interior del ela altura” de'9 “centimã
WR 2 (0 Yala
feita de capim enfeitada de musgo e forrada de cabel-
los caudaes de cavallo. Os ovos são de forma curta,
encorpada, de campo branco, quasi sem lustro, e cobertos
de numerosas manchas, salpicos e linhas de côr roxo-
bruna maiores e mais numerosas no polo rombo onde
formam uma larga corôa ou cupola de manchas con-
fiuentes. As medidas do ovo são 2317 mm. O tom
das manchas que é avermelhado-quente entre as Ty-
rannidas costuma ser frio, azulado-cinzento nos ovos do
genero Thamnophilus.
FIGURA 22
Ninho da Choca
Thamnophilus ruficapillus (Vicill.)
Lhamnophilus doliatus (L.) Nehrkorn p. 150. O
ovo não differe do da especie precedente, como tambem
o da especie seguinte.
Thamnophilus migricristatus Laicr. Nehrkorn
p. 150.
— 20 —
pan radiatus V. Allen IV p. 155. O
ovo que, mede e 22,517 mm., assemelha-se ao do Th.
ambiguus, sendo porem mais densamente e por toda par-
te coberto de estrias e sae ale roxas e bruno-escuras.
Thamnophilus torquatus Sic, Euler p. 79.
Thamnophilus palliatus (Licht.) Euler p. 77; Nehr-
korn p.151. O ovo assemelha-se ao de Th. cirrhatus
e mede 19,5 X 15,5 mm. segundo Nehrkorn, 22 x 16
mm. segundo ar
Dysithamnus mentalis (Temin.) Euler p. 80.
Formicivora squamata (Licht.) Euler p. 76.
* Formicivora ferruginea (Licht.) Do Sr. Krone
obtivemos de Iguape dois ovos que medem 21—22X16
mm. São de forma um pouco curta com o polo an-
terior bastante obtuso, de cor branca, com salpicos e
manchas roxo-brunas e linhas desbotadas, irregulares,
formando uma rede. As manchas são num dos ovos
maiores e restringidos ao polo obtnso, no outro me-
nores e distribuidas sobre toda a superfície,
* Pyriglena leucoptera (V.) Euler p. 76 ; Nehrkorn
p. 151. As medidas do ovo são, segundo Euler, 20x19
mm. segundo Nehrkorn 24+17 mm. Os nossos, que são:
de Iguape medem 25-2619 mm.
Pyriglena atra (Sw.) Nehrkorn p. 151. O ovo não
differe do da especie precedente.
Myrmeciza loricata (Licht.) Euler p. 76.
+ Myrmeciza squamosa Pelz. auge no dois ovos
de Iguape pelo Sr. Krone que medem 2216 mm. e
correspondem à descripção que da especie precedente
deu Euler. Um é mais pallido, com as manchas desbo-
tadas e quasi faltando no polo attenuado, o outro é por
toda parte densamente coberto de salpicos e garatujas
bruno-vermelhas superficiaes e roxo-claras profundas.
« Chamaeza brevicauda (V.) De Iguape recebemos.
pelo Sr. Krone dois ovos que são brancos, lisos, pouco:
lustrosos e sem poros grandes, de forma curta, encor-
pada, com os polos quasi iguaes e que medem 2824 mm.
x Grallaria imperator Lafr. Euler p. 70;
Nehrkorn p. 151. O ovo é uniforme verde-azul claro,
= Sat oe
de forma curta, com o polo anterior bem obtuso. As
medidas do ovo de Nehrkorn são 3630 mm., as do
nosso proveniente de Iguape 35x28 mm. O campo é
pouco lustroso e provido de poros largos, chatos.
Fam Conopophagidæ
* Conopophaga lineata (Wed) Nehrkorn p. 151.
Nehrkorn diz que o ovo é branco-amarellado, ou côr de
carne clara com uma corda indistincta de manchinhas
e que mede 20,5—21X17— 17,9 mm. Temos quatro ovos
que em Outubro de 1896 o Sr. Zech collecionou em
Piquete e que medem 22 — 23518 mm. O ovo é
branco amarellado e tem no polo rombo uma corûa
de manchinhas desbotadas e confluentes de côr bruno-
- lara ou parda e algumas manchinhas isoladas.
Dois ovos que recebemos de Iguape do Sr. Krone
medem 23—24x18 mm. e são de côr encarnada-ama-
rella com as manchas da coroa bem profundas, desbo-
tadas. Caso a descripçäo de Nehrkorn não se refira
a outra especie, as medidas indicadas são menores do
que de costume. Talvez que nas diversas regiões essas
medidas e cores variem. O ninho, que temos do Pi-
quete, é uma tigela cuidadosamente trabalhada que
parece ter sido collocada sobre uma pedra ou no chão,
visto que é livre de todos os lados e achatado no fundo.
Q diametro exterior é de 11 centimetros, o interior de 6
centimetros, a profundidade interior de 3,5 centimetros.
As paredes são feitas de folhas largas de plantas aqua-
ticas que foram ligadas em estado humido. O interior é
bem forrado de grossas fibras vegetaes.
* Conopophaga nigrogenys Less. Obtivemos do
Sr .Krone dois ovos colligidos em Iguape que medem
22-21X17 mm. e dos quaes um tem o campo branco-
amarello e outro amarello-encarnado-claro. As man-
chinhas desbotadas da corôa são menores e mais isola-
das do que na especie precedente. Talvez os ovos des-
criptos por Nehrkorn sejam provenientes dessa especie.
O59 _
IT ORDEM MACROCHIRES
Fam: Trochilides
São bastante insufficientes os dados que existem
na literatura com referencia aos ninhos e ovos dos
beija-tlores. Não é possivel determinar os ninhos das
especies mais conhecidas com essas indicações às vezes
contradictorias e incompletas. Nehrkorn diz que as dif-
ferenças do tamanho dos ovos são tão insignificantes
nesta familia que deixava de indicar as medidas. Creio
que mesmo assim as especies que aqui temos podem ser
distinguidas segundo seus ovos, mas muito mais acontece
isso qnando aos ninhos. Como, porem, a nossa serie não
é grande, desisti de dar as correcções e notas comple-
mentares que posso offerecer para outra occasiäo
Heliothrix auriculatus (Nordin.) Euler p. 86.
Rhamphodon naevius (Dumont) Nehrkorn p. 152.
Temos o ninho que é suspenso n'um cipó e munido de
uma cauda comprida de folhas sec-
cas e raizes, medindo 24 centim. O
ninho proprio é pequeno, feito de
raizes finas, sem ser forrado e me-
dindo > centim. no diametro exterior.
Glaucis hirsuta (Gin.\ Euler p.
82 ; Nehrkorn p. 152.
Chlorostilbon splendidus * V.)
Dalgleish HI p. 79; Nehrkora p. 152
=
(pucherani). No Rio Grande do Sul,
donde Nehrkorn obteve os respectivos
ovos não vive pucherani, mas a espe-
cie ou variedade afim Ch. splendidus.
Dalgleish descreve o ninho e os ovos.
Thalurana glaucopis (Gin.) Eu-
ler p. 85, Nehrkorn p. 192., Goeldi
FIGURA 23 p. 227. Os ovos medem 13 X 8 — 9
Ninho do Beija flor Tha- mm. O ninho mede 40—43 mm,
turania glaucopis (cM) no diameiro exterior, 20—27 mm.
no interior, variando na altura de 35—50 mm. E° feito
de paina branca e revestido exteriormente por pedaços
ORO
299 —
cinzentos de casca fina de arvores, mas nao de lichens.
Ao menos acho assim cs nossos. Alem disto, é notavel
o emprego de fitas castanhas na orla da tigela que pro-
vêm de escamas de feto e samambaia. E” preciso com-
parar mais ninhos e de diversas localidades para conhe-
cer as variações e os caracteres significativos.
« Lainporms migrecollis V. (violicauda Bodd.) Euler
p. 84. Os nossos medem 1610 mm. Euler diz que o
ninho é feito de raizes; 0 nosso é construido de paina aver-
melhada e enfeitada por fora de lichens e mede 43
mm. no diametro exterior 27 mm. no interior.
Chrysolampis moschita (L.) Goeldi p. 230. O ni-
nho, segundo Goeldi, é figurado por Gould; tem a for-
ma de calice e consta de li com enfeite exterior de
lichens.
« Leucochloris albicollis (V.) Kuler p. 85; Nehrkorn
p. 192 ; Goeldi p. 226. Os ovos medem 14X10 mm.
Argyrtria brevirostris ( Less.)
Euler p. 85.
+ Argyrtria lactea (Less.) Te-
mos um ninho de Itatiba que é seme-
lhante ao da Thalurania glaucopis, sus-
penso como elle na ponta de um galho.
E” uma tigela de 40 mm. de altura cujo
diametro exterior mede 40 e o inte-
rior 20 mm. E’ feito de paina e ex-
teriormente revestido de pedaços finos
de casca de arvore. O ovo é cylin-
drico e mede 13,9xX8 mm.
Huylocharis sapphirina (Gin.)
Euler p. 86.
« Phaethornis eurynome (Less.)
Euler p. 82; Nehrkoru p. 155.
Phacthornis squalidus (Naltt.) FIGURA 24
Euler De S2 Ninho do Beija - flor
Phacthornis pretrii (Less. et agen da tie
Del.) Allen IV p. 155. O ninho éar- (ess. et Del
queado, medindo 13 centim. no comprimento e estava
collocado n'uma raiz pendente de um barranco de um rio.
— 294 —
Não sei se o ninho figurado pertence a essa especie ou
a Ph. squalidus.
Cyylolaema rubinea (Gm.) Euler p. 86.
Flovisuga fusca (V.) Euler p. 85; Wied (Abbil-
dungen Lief. 15) figura o ninho.
Lophornis magnificus (V.) Euler, p. 86. Goeldi
p. 233 diz, que o ninho é figurado por Gould, cuja
obra não posso consultar.
à « Hupetomena macr-
ura (Gm.) O Sr. Hem-
pel, achou no mez de Se-
tembro o ninho figurado
à margem do Rio Mogy
guassi. E' bem trabalha-
do, de paina e enfeitado
por fora de lichens fixa-
dos por teias de aranha.
A altura é de 54, o dia-
metro exterior de 52, 0
interior de 30 mm. Os
Winhp db Pointer dois ovos são alongados
Eupetomena macrura (Gm.) medindo 15,9xX11 mm.
FIGURA 25
Fam. Cypselide.
Todos os ovos dessa familia são brancos e mais
ou menos ellipticos. Todas as especies fazem uso pro-
fuso de saliva viscosa para a fabricação do ninho.
Tanyptila cayanensis (Gm.) Sclater Bull. Orni-
thol-Club. VI, 1897 p. XXVI. Goeldi, A lenda ama-
zonica do Cauré. Bol. do Museu Paraense, vol. Il, p.
430 s. s. e Estampa; Nehrkorn p. 153.
Goeldi verificou que o ninho desse andorinhão
corresponde completamente a descripçäo que da espe-
cie afim T. sancti-hieronymi, da Guatemala, deu
Salvin. Esse singular ninho é uma bolsa de cerca de
1 M. de comprimento collocada em altura consideravel
no tronco de uma arvore. As paredes do ninho säo
feitas de la vegetal ou paina, formando 1 tecido de 1
centim. de espessura e grudado ao tronco. A entrada
é em baixo ; no Lerço superior existe uma divisão in-
terna horizontal, formando uma tigelinha destinada a
receber os ovos. Pedacinhos do ninho deste pseudo-
cauré (o «cauré» do Amazonas, é o gavião Falco albi-
gularis aud.) vendem-se no mercado do Pará, porque
a superstição lhes attribue a propriedade de augmentar
a fortuna e dar felicidade. O ovo, que Nehrkorn obte-
ve da Guyana, mede 18xX11,5 mm.
Chaetura cinereicauda Cuss. (pelasgia Wired,
Acanthylis oxyura auct.) Euler p. ST; Goeldi 1. c. p.
438. Euler, observou um ninho não acabado ao qual
faltava a tigela do ninho. A especie afim da Ame-
rica do Norte Ch. pelagica L. faz o mesmo ninho e o
ovo mede 25X17 mm.
Chaetura zonaris (Shaw) Allen IV, p. 195;
Euler, p. 86; Nehrkorn, p. 154; Goeldi p. 431. Não
se conhece ainda o ninho. H. Smith obteve os ovos,
mas nada disse sobre o ninho. Os ovos medem
S7X24,9 mm. segundo Allen, 33 22,5 mm. segundo
Nehrkorn. A differença é notavel. Na colonia de
Mundo Novo, Rio Grande do Sul, entravam esses an-
dorinhões em grande quantidade de algumas centenas
de noite em grandes arvores ocas. Parece que os an-
dorinhões da familia Cypselida são os unicos passaros
que têm esse costume de entrar para pernoitar em ar-
vores ocas e em bandos numerosos.
Cypseloides senex (Temm.) Allen IV,p. 150. O
collecionador H. Smith, que notou «o ninho era feito de
materias frouxamente unidas e collocado num logar
abrigado embaixo de uma pedra sobre o qual passava
a agua de uma cachoeira». O ovo mede 28X18 mm.
Fam, Caprimulgidæ
Caprimulgus rufus Bodd. Nehrkorn, p. 146. O
ovo mede 3022,5 mm. é branco-amarello com man-
chas roxas e bruno-pallidas, pouco visiveis.
— 256 —
Caprimulgus nigrescens Cab. Nehrkorn, p. 156.
O ovo é amarello-cinzento com manchinhas e garatu-
jas bruno-pallidas desbotadas e mede 24,5x18,5 mm.
Caprimulqus parvulus Gould. Allen IV, p. 106;
Nehrkorn, p. 150. O ovo corresponde na côr e no
desenho ao da especie precedente e mede, segundo Ailen,
2621 mm., segundo Nehrkorn 24,919 mm.
Caprimulgus oceliatus Tsch. Nebrkorn p. 196.
O ovo assemelha-se ao precedente e mede 20><17 mm.
Stenopsis longirostris (Bp.) Nehrkorn p. 156 O
ovo assemelha-se ao da especie precedente e mede
21,9 20,9 mm.
* Nyctidromus albicollis (Gin.) Nebrkorn p. 156 ;
Allen IV p. 156; Euler p. 89. Nehrkorn diz, que as
medidas variam de 28—3221—22 mm, os que temos
de S. Paulo medem 28—31%X22-23 mm., 0 que com-
bino com as indicações de Allen. As medidas dadas por
Euler, 26,5><20,5 mm., são menores do que corresponde
à regra O campo não é branco como Euler diz; mas
branco-amarello ou amarello-encarnado com as manchas
às vezes pouco visiveis, às vezes numerosas e grandes,
mas sempre desbotadas.
Hydropsalis torquata (Gin) Nehrkorn. p. 197.
O ovo que mede 27x20 mm., é cinzento-claro com
manchas profundas rôxas e manchas e garatujas super-
ficiaes amarello-cinzentas ou pardas desbotadas.
Hydropsalis climacocerca Tsch. Nehrkorn p. 157.
O ovo pouco differe do da especie precedente e mede
26,9X20mm.
Hydropsalis furcifera (V.) Aplin p. 188 Pi. V.
fig. 5; Nehrkorn p. 157. O ovo mede 2ë—29X21 mm.
A cor é amarellada com numerosos pontos, linhas e
garatujas cinzento-pardas. Nehrkorn, descrevendo o ovo
de Macropsalis forcipata Nitsch, diz que a figura do ovo
dessa especie dada por Aplin é escura demais. Parece
assim que Nehrkorn quiz tratar de H. furcifera e não
de forcipata e a descripção corresponde com ade Aplin,
mas Macropsalis forcipata é ave maior, cujo ovo, com
toda probabilidade, excede a 30 mm. no comprimento.
Chorderles vm ginianus (Gim.) Nehrkorn p. 157.
Ovo de côr cinzenta com numerosas manchas roxo-cin-
zentas profundas e cinzento-pardas superficiaes, medin-
do, segundo Nehrkorn, 29xX22 mm., segundo os nos-
sos exemplares provenientes da America do Norte
30—532x22—25 mm.
* Chordeiles acutipennis Bodd. Euler p. 99;
Nehrkorn p. 157. O campo é cinzento-amarello, e não
branco como Wied o disse, coberto de manchinhas rô-
xas profundas e de garatujas superficiaes bruno-cinzen-
tas. O tamanho dos nossos é de 26 X 19 mm., sen-
do a indicação 36 X 19 mm. de Nehrkorn, erro ty-
pographico.
x Chordeiles rupestres (Spix) Nehrkorn p. 158.
O ovo assemelha-se ao da especie precedente e mede
28xX20 mm.
Nannochordeites pusillus (Gould.) Nehrkorn p.
158. O ovo mede 23X17,5 mm., tem sobre campo
branco-amarello manchinhas profundas roxas e superti-
ciaes bruno-pretas.
Podager nacunda ! V.) Euler p. 90; Dalgleish TI
da Amin, paisey PLV fies 7: nee and Hud-
son Il p. 15. As medicas do ovo são 34—357 >< ?4—25
mm. Dalgleish encontrou nos mezes de Outubro e No-
vembro varias posturas de dois ovos. '
Nyctibius jamacensis (Gin.) Euler p. 89; Goeldi
Ibis 1896 p. 299 ss. e fig. 1—2. As especies de Ny-
ctibius poem os seus ovos em arvores, troncos etc.,
em contraste com todos os outros generos de familia
que nidificam no chão.
Nychbius aethereus (Weed) Nehrkorn p. 158.
O ovo assemelha-se ao da especie precedente e mede
oo X20 mm.
Nyctibius grandis (Gin) Euler p. 90.
Nada me consta sobre os ovos das especies dos
generos Eleothreptus, Lurocalis e Macropsalis.
e oye) 2
~
Ili, ORDEM PICI
Fam. Picidæ
Os ovus de todos os pica-paus são brancos e em
geral lustrosos, excepto nos generos Celeas e Picumnus
nos quaes o lustro falta eu é pouco notavel.
Colagadas campestres (V.) Allen IV p. 156; Nehr-
korn p. 164; Dalgleish IV p. 81. O ninho é feito
em cupins. A postura consiste em 4—6 ovos, cujas
medidas são 2824 mm. segundo Allen, 29x21! mm.
segundo Nehrkorn. Dalgleish obteve do Paraguay uma
postura de 3 ovos achados no tronco de um coqueiro.
O ovo é de forma alongada, oval, de superficie lustrosa,
medindo KE mm. Na indicaçäo do cumprimento
do ovo de 1 pollegadas, de certo ha um engano.
Cao ae icola (Malh.) Sclater and Hudson J;
pag. 24; Aplin p- 189 PL V fig. 6; Nehrkorn p. 164;
Dalgleish HI p. 87. Esse pica-pau “do campo constróe
o seu ninho, em barrancos, cupins ou en arvores ôcas
de madeira molle. A postura consiste em 4—5 ovos.
que medem 29X23 mm.
Chloronerpes aurulentus (Temin.) Nehrkorn p.
165. O ovo mede 23,5X19 mm.
* Chrysoptilus melanochlorus (Gm.) Nehrkorn, p.
165, diz que o ovo mede 53X20 mm., havendo de
certo occorrido algum engano. Os nossos de Iguape
medem 27—2 2842] — 22 mm. e os da especie afim
Ch. cristatus do Rio da Prata medem 31X23 mm.,
segundo Nehrkorn. Com referencia a especie mencio-
nada argentina diz Hudson que em Setembro ou Ou-
tubro excava n’uma arvore uma cavidade perpendicular
de um pé de couprimento na qual põe 4 -5 ovos, o
que confirma Dalgleish HI p. 56.
Melanerpes cruentatus (Bodd.) Nehrkorn p. 165
obteve do Pertti o ovo que mede 19X15 mm.
+ Celeus flarescens (Gin.) Obtivemos do Sr. Krone
em Iguape, dois ovos que são de fôrma oval e se dis-
tinguem pela côr branca sem lustro. A superficie é co-
— 299 —
berta de poros finos numerosissimos e outros pouco
numerosos maiores. As dimensões são 31xX22 mm.
Celeus jumana (Spix) Schulz, W. A. Ueber Nest
und Eier von Celeus jumana Journ. f. Truithol. 1899
p. 306—309. O Sr. Schulz obteve, perto do Pará, 4
ovos dessa especie que em presença delle foram reti-
rados da arvore junto com o pica-páu. Gomo, porem,
o respectivo caçador já antes tinha cortado uma aber-
tura na arvore não é certo que os ovos que retiraram
fossem da mesma ave. As dimensões eram 31X20,7...
2 QUI ss PAX ED. 20.5><10 mms, O ultimo ovo
se realmente pertenceu à mesma especie, é abnorme,
talvez o primeiro que a respectiva ave poz. Os ovos
não tiveram lustro, o que combina com a minha ob-
servação e o tamanho regular parece ser 29—51X21
mm., o que está de conformidade com as nossas ob-
servações. sendo essa especie quasi do tamanho de C.
flavescens.
Picumnus cirrhatus (Temm.) Euler p. 91; Nehr-
korn b. 168. Oovo mede 16X12 mm. segundo Euler,
17€ 2,9 mm., segundo Nehrkorn.
+ Picumnus temmincki Lafr. Obtivemos de Iguape
pelo sr. Krone um ninho e dois ovos que são branco-
esverdeados, pouco lustrosos e medem 15X12 mm. O
ninho é feito num tronco de madeira molle. E” uma
cavidade trabalhada com muita arte e symetria em cujo
fundo arredondado sobre algumas serralhas estavam
collocados os oves. O diametro do ninho ou do canal
vertical é de 6 centim., o da abertura redonda de 23
mm. O comprimento do canal ou sua altura vertical
é de 13 centim.
Nada me consta sobre o ninho e ovos dos generos
Dendrobates, Cerchneipicus, Campophilus e Ceophloeus
relativamennte às especies brazileiras.
iV ORDEM. COCCYGES
Fam. Alcedinidae
* Ceryle torquata (L.) Sclater and Hudson II p.
; Nehrkorn p. 160. Essa especie maior entre os
pp =
«martim—pescadores» excava no harranco do rio um
canal de 1—2 metros de comprimento que no fim se
alarga para formar a camara dc ninho. Segundo
Nehrkorn, o ovo mede 42—48 S<62—4 mm, distin-
guindo-se pelos poros numer ‘osos densamente collocados
e pretos no fundo. Os nosscs medem 43—45 >< 33—
39 mm.
* Ceryle amazona Lath. Nehrkorn p. 160. Dos
nossos dois ovos, um mede 35x 26 mm., o outro 33
x 27 mm. Nehrkorn indica as lidas 33 X 2 29 mm.
* Ceryle americana (Gin.) Nehrkorn p. 160 diz,
que as medidas do ovo são 24,5 19 mm. Um que
temos do Rio Grande do Nul, de Nova Hamburgo, pre-
parado pelo Sr. A. Schwartz mede 23 X 17,5 mm. O
polo anterior é nesta especie bastante ponteagudo, sendo
obtuso nas outras duas especies mencicnadas e creio
que por engano foi refirido a essaespecie. Dous ovos
e de Iguape recebemos pelo Sr. R. Krone medem
23 X 19,9 mm.
Fam. Momotidae
= Baryphihengus ruficapillus (V.) Goeldi, p. 178,
(Momotus levaillanti). Não se conheceu até agora o
ovo dessa especie que Goeldi confundiu com Momotus
brasiliensis. Obtivemos os ovos pelo Sr. R. Krone de
Iguape. São brancos, de forma encorpada com os
dois polos subiguaes e com numerosissimos poros fi-
nos e outros maiores que, às vezes, se prolongam em
curtos sulcos. <A superficie é, por essa razão, pouco
lustrosa. As medidas são 40—41 533 mm.
Fam. Trogonidae
Trogon aurantivs Spix. Euler, p. 97.
Trogon collars V. Nehrkorn, p. 463; MO «ovo
branco-amarellado e mede 31 DH TIE
Trogon viridis L. Nehrkorn, p. 163. Como o
precedente, medindo 30528 mm. Um ovo, que de
Iguape nos mandou o Sr. Krone, mede Si GIRO Mans
— 261 —
sendo branco, uniforme; nao duvido que houvesse por
parte delle engano e que a descripção de Nehrkorn
seja exacta.
Trogon surucura V. Nehrkorn, p. 164. O Sr.
Th. Bischoff encontrou em Mundo Novo, Rio Grande
do Sul, um ninho dessa especie com dois filhotes, que
estava feito numa massa de musgo em cima de um
galho forte de uma arvore. Dois ovos, que nos man-
dou o Sr. Krone, de Iguape, medem 35 X 29 mm., e são
brancos com vestigios de algumas manchas roxo-palli-
das deshotadas. Combinam neste sentido e no tama-
nho com os dos japus do genero Ostinops, mas a su-
perficie @ mais lisa. Segundo Nehrkorn, o ovo de Tr.
surucura mede 29X 25 mm., e se elle tem razão, como
parece, houve engano por parte do Sr. Krone.
Trogon atrecollis V. O Sr. Krone mandou-nos
de Iguape um ovo de forma curta e de superficie lisa,
lustrosa, branco-amarellado, que mede 28,5 X 23 mm.
EK” este o unico entre esses nossos ovos de surucuä
do que não duvido da authenticidade, precisando de
mais informações e material seguro para as outras de
que tratei.
Fam. Galbulidae
Galbula ruficanda Cuv. Nehrkorn, p. 170. O ovo
é espherico, de casca delgada, branco com tom ama-
Tellado e mede 20,9 X 18 mm.
Jacamaralcyon tridactyla (V.) Euler,p. 98. Ob-
servamos esse cuitelão entrar em calerias subterraneas
onde constroe o ninho, mas não pudemos ainda obter
OS OVOS.
Nada consta sobre os ninhos e ovos dos generos
Urogalba, Brachygalba, Jacamerops e muito pouco
quanto ao genero Galbula, não se conhecendo a nidifi-
cação.
Ran Bucconiidaie
Monacha nigrifrons Spix. Nehrkorn, p. 170. O
ovo assemelha-se ao de Galbula e mede 27x 23,5 mm.
« Chelidoptera tenebrosa brasiliensis (Scl.) Euler,
— 262 —
p. 97; Nehrkorn, p. 170. O ovo é branco, espherico,
de casca delgada e mede 25 x 20mm. Um dos nos-
sos mede 25 X 21 mm. O ninho estava collocado no tim
de um canal de 70 centim. de comprimento no bar-
ranco do rio.
Bucco jacuru V. Observamos o «João bobo» en-
trar em galerias subterraneas, onde constrôe o ninho,
mas ainda não obtivemos o ovo. O Sr. Alexandre
Hummel escreveu-me que o João bobo aproveita a ga-
leria feita no barranco por uma andorinha.
Não se conhecem os ninhos e ovos dos generos
Nonnula, Bucco e Malacoptila.
Fam, Capitonidae
Nada sabemos sobre a propagação das especies de
Capito, que todas são da região do Amazonas, Guyana etc.
Fam. Rhamphastidae
Pleroglossus flavirostris Fras. Nehrkorn p. 169.
Desta especie amazonica obteve Nehrkorn os ovos. Numa
arvore grande estavam tres buracos occupados por esses
arassaris. Cada ninho continha dous ovos que são bran-
ccs, de casca grossa com poros profondos, ligados entre
si por sulcos, o ovo mede 32 X 29 mm.
« Rhamphastus ariel Vig. O Sr. Krone mandou-nos
de Iguape um ovo desse tucano que diz proveniente
dessa especie e que mede 3728 mm. E’ branco, com o
polo anterior bem obtuso e com poros profundos e iso-
lados. Não corresponde, pois, esse ovo de modo como se
podia esperar ao do arassari e esperava julgar que seria
maior. Precisamos de mais material e informações.
Nada consta sobre a nidificação e os ovos dos ge-
neros Andigena e Selenidera. Quanto aos diversos tu-
canos do genero Rhamphastus, não se conhecem os ni-
nhos nem os ovos a não ser a observação duvidosa aci-
ma exposta e cutra, de certo falsa de Edwards. E' certo
que os tucanos comem ovos e pintos, mas não acredito
que sejam capazes de entrar nos ninhos pendurados dos
japüs e guaches,
— 263 —
Fam. Cuculidae
x Coccyzus meianocoryphus V. Kuler, p. 96; Scla-
ter and Hudson! p.38 ; Nehrkorn, p.172. Hudson diz
que essa ave poe 3—4 ovos num ninho feito muito re-
laxadamente de alguns raminhos seccos de modo que, as
vezes, os ovos delle cahem. Parece, pois, que o ninho por
elle observado era feito pela propria ave e não rinho
abandonado de pomba. Os ovos da nossa collecçäo me-
dem 29—31 23 mm.
Coccyzus minor (Gm.) Nebrkorn, p. 172 O
ovo é branco-azul com nuvens amarelladas e mede
29—31 X23—24 mm.
+ Coccyzus americanus. (L.) Nebrkorn, p. 172. O
ovo assemelha-se ac da especie precedente.
+ Piaya cayana(L.) Euler, p. 96; Nehrkorn, p. 173.
Nehrkorn obteve os ovos da America Central e diz que
são de côr cinzento-azul com nuvens calcareas brancas e
que medem 32,5 X25 mm. Os nossos, que comprämos
ao Sr. Krone, em Iguape, medem 32—53<26—27 mm.
e são brancos com uma, delgada crôsta homogenea,cal-
carea e branco-suja.
Crotophaga an: L. Euler, p. 92 ; Nehrkorn, p. 173 ;
Dalgleish IV, pag. 81; Sclater and Hudson IJ, p. 31. As
medidas dos ovosdo anum preto variam de 32 —27%<24-—27
mm., sendo 20x 26 o mais commum.
Crotophaga major Gin. Euler, p. 95; Nehrkorn,
p. 173. O ovo dessa especie maior de anum preto mede
Al 37 mm.
Guira guira (Gm.) Euler, p. 96 ; Nehrkorn, p. 173;
Dalgleish HI p. 87 e IV pag. 82; Allen IV p. 157;
Sclater and Hudson I. p. 33. Segundo Hudson, o anum
branco vive socialmente só fora do tempo da propaga-
ção, epoca quando se separam os casaes. As medidas do
ovo, indicadas por Nehrkorn, 3932 mm. referem-se a
um exemplar bem pequeno. A regra é que medem
44 —4431—33 mm. Dalgleish observou posturas de 3
e outras de 10 ovos que julga proveniente de varias
femeas.
AO
Observações exactas sobre a propagação social do
anvm branco ainda não temos.
Não se conhecem os ovos do sassy Diplopterus nae-
visus L. nem os das especies de Neomorphnus e Dro-
mococcy x.
VY. ORDEM PSITTACI
Fam. Psittacidae
Anodorhynchus glaucus V. Euler, 101.
Ara arauna (L). Euler, p. 101. hs Date.
O ovo que Nehrkorn obteve da Guyana mede 50 X 39 mm.
Ara macao (L.) Euler, p. 101.; Nehrkorn, p. 175;
o ovo mede, segundo Nehrkor n, 52x 94 mm.
Ara chloroptera Gray Goeldi, P- Re diz que o
tamanho do ovo varia de 48—5233—35 mm.
Ara severa (L.) Nehrkorn p. 175. O ovo mede
pa DX ei mam.
Ara maracana (V.) Nehrkorn p. i75. O ovo mede
36,9 X 29 mm.
Conurus solstitrales (L.) Euler p, 101.; Nehrkorn
p. 175; Goeldi p. 97. O ovo mede 29 23 mm.
Convrus aeruginosus (L.) Nehrkorn p. 175. O ovo
mede 26 ><20 mm.
Conurus jendaya (Gin.) Euler p. 101.
Conurus aureus ((rm.) Euler p. 101; Nehrkorn p.
175. O ovo mede 28 X 22 mm. Um pouco maior é O
ovo de GC. nenday Vieill do Paraguay, especie que não
foi ainda observada no Brazil, segundo Dalgleish
Vip. 82:
Pyrrhura vittata (Shaw) Nehrkorn p. 175; Dal-
gleish IV p. 82.
A postura é de © ovos que são postos numa ca-
vidade de arvore dca que não é forrada. O ovo mede
29X20,9 mm.
Myopsittacus monachus (Bodd.) Euler p. 100 e
161; Nehrkorn p. 175; Dalgleish IN p. 84; Sclater
and Hudson p. 43; Aplin p. 192. Os ovos examinados
,
por Nehrkorn medem 28x20,5 mm. O ovo é, segundo
— 265 —
Daleleish, acuminado em ambos os polos e a postura
consiste em 3-8 ovos. Dalgleish diz que 3-4 e às
vezes uma duzia de casaes inhabitam o mesmo grande
ninho oecupando cada casal duas camaras.
x Psittacula passerina (L.) Euler p. 102; Nehr-
korn p. 176; Goeldi p. 108. Segundo Nehrkorn, o ovo
mede 18x14,5 mm.; o nosso mede 1915.5 mm.
Psillacula selateri Gray. Nehrkorn p. 176. O ovo
mede 18,015 mm.
Brotogerys tirica (Gm.) Euler p. 101; Nehr-
korn p. 176. O ovo mede, segundo Euler, 25—26 X
22-23 mm., segundo Nehrkorn 19 15 mm.
O nosso que de Iguape recebemos do Sr. Krone
mede 2217 mm. Não duvido que Nehrkorn fosse en-
vanado, pois as medidas que indica se referem a uma
especie de Psittacula. As outras especies de Brotogerys,
que Nehrkorn mediu, têm ovos de 2518 mm. e são
especies de tamanho menor do que B. tirica. A diffe-
rença, porém, entre as medidas indicadas por mim e
Euler, fazem crer que houve mais um engano que, de
momento, não posso esclarecer, acreditando, porém,
que Euler deu as medidas correctas.
Brotogerys virescens (Gm.) Nehrkorn p. 176. O
ovo mede 23x 17 mm.
Brotogerys deriilei (Gray) Nehrkorn p. 176. 0
ovo mede 23,5 X 18,5 mm.
Chirysotis farinosa (Bodd.) Euler p. 102.
Chrysotis aestira (L.) Euler p. 102; Nehrkorn p.
176. O ovo mede 37X28 mm.
Chrysotis amazonica (Bross) Euler p. 102.
Chrysotis ochrocephala (Gim.) Nehrkorn p. 176.
O ovo mede 30X29 mm.
Chrysotrs canthops (Spx) Nehrkorn p. 176. O ovo
mede 3225 mm.
Pionus menstruus (L.) Nehrkorn p. 176. O ovo
mede 32X28 mm.
Deroptypus accipitrinus (L.) Euler p. 102.
Nao se conhecem os ovos do Cuyuyu (Pionopsitta-
cus), do Sabiá-cica (Triclaria), dos generos Urochroma,
Caica e da maior parte dos papagaios e periquitos. Além
disto, é preciso notar, que muitas das observações aqui
compiladas são incompletas.
MW ORDEM STRIGES
Fam. Strigidae
Strix flammea L. Essa especie cosmopolita é com-
mum em S. Paulo e vive no Museu, entre cujas co-
lumnas faz o seu simples ninho. Obtivemos, por acaso,
um ovo alli deposto. O ovo é branco e mede 40 X
30—31 mm., a postura consiste em 6 a 9 ovos.
Fam. Bubonidae
Asto accipitrinus (Pall.) Selater and Hudson IT p.
49; Nehrkorn p. 12. Essa coruja nidifica no chão e
põe, segundo Hudson, 3 a 4 ovos, quasi esphericos,
brancos como são os de todas as corujas e que medem
40— 47x24—26 mm. E' essa outra especie cosmopo-
lita que vive de preferencia no brejo. Brehm diz que
a postura consiste em 6 a 10 ovos.
Bubo magellanicus Gm. Euler p. 104; Dalgleish
p. 83. O ovo de una especie pouco differente, da
America do Norte, B. virginianus Gm., mede 57—59
X42—4T mn. A coruja mencionada põe no inverno
ou na primavera seus ovos, no numero de 2 a 6, nu-
ma arvore 6ca ou num ninho feito de raminhos, apro-
veitando às vezes o ninho abandonado de um gavião.
A observação de Azara ha de ser, por conseguinte,
correcta. Dalgleish obteve dois ovos de B. magellani-
cus, que considera apenas uma variedade de B. virgi-
nianus. O respectivo ninho encontrado no Paraguay,
em Outubro, era construido no alto de uma arvore,
feito de ramos e forrado de capim, contendo dois ovos,
de forma arredondada, medindo 5543—44 mm.
+ Scops brasilianus (Gm.). Euler p. 103; Nehrkorn
p. 11. Segundo Nehrkorn, o ovo mede 3530 mm.
— 267 —
+ Speotyto cumcularia (Mol.) Euler p. 103; Dal-
gleish Il p. 240; Nehrkorn p. 11; Aplin p. 193; Scla-
ter ant Hudson TI p. 52. Os ovos que aqui obtivemos
medem 33—34X27—28 mm. Não observei a coruja
do campo, quando fez o seu ninho, mas nunca consi-
derei a sua galeria como buraco de tatu, por ser mais
estreita. Para completar a descripção de Euler, obser-
vo que na entrada do canal e adiante della a coruja
juuta excrementos seccos de gado e restos da sua co-
mida, especialmente pernas de lagartas e azas de co-
leopteros ou cascudos. Um canal, que abri, media cêrca
de dous metros, mas Hudson diz que ha de 4 metros
de comprimento. Um, que observamos, estava curvado
de modo que a furna estava perto da entrada. A pos-
tura é de 5 a 7 ovos. Dalgleish diz que no Uruguay
essa coruja cava as suas galerias de 5 metros de com-
primento, pondo 4 a 5 ovos.
Glaucidium ferruginewm (Wired). Euler, p. 104;
Nehrkorn p. 12 (G. ferox). Nehrkorn diz que o ovo
de Gl. ferox V. da Argentina, mede 28X25 mm. Ob-
tivemos de Iguape, pelo Sr. Krone, dois ovos de Gl.
phalaenoides, que medem 2522 mm. e não duvido que
se refiram a outra especie do que a argentina, de que
Nehrkorn trata e que será Gl. nanum King.
Nada consta sobre os ninhos e ovos das especies
brazileiras do genero Syrnium.
VIE ORDER. ACCIPITRES
Fam. Sarcorhamphidae
Sarcorhamphus papa (L.) Euler, p. 106; Nehr-
korn p. 2. O ovo mede, segundo Nehrkorn, 91,5X62
mm., mas não é fora de duvida a authenticidade dos
respectivos ovos. Seria, pois, de grande interesse, obter
ovos do urubú-rei.
+ Catharista atrata (Bartr.) Euler, p. 106, Nehr
korn p.2; Dalgleish IT p. 236 e IV p. 84; Coues Key
p. 960. Observei o ninho que era uma simples con-
strucçäo de raminhos e folhas, feita no chão, num mat-
eG
to cerrado no meio de um caraguatal. Os ovos säo
brancos, com manchas profundas roxas e outras super-
ficiaes brunas, que, às vezes, formam uma corda no polo
rombo. São muito contradictorias as indica ções dos au-
ctores te as medidas dos ovos. E” certo que as que
Euler deu são falsas e trocadas com as da especie se-
guinte. Em geral, os ovos do urubi preto são maiores
do que os da especie com cabeça vermelha. As medi-
das da especie presente são, segundo Coues, 81 X<91,
segundo Nehrkorn 72—75xX48—52 mm. Entre os
nossos ha alguns mais curtos e outros hem alongados,
variando do modo seguinte T1X91, Tool, SIX4T
mm. O tempo da propagação e o numero das posturas
consecutivas de um anno não é conhecido nem quanto
à esta especie nem quanto à seguinte.
No Diario Popular, desta capital, foi publicada,
a 15 de Agosto de 1896, uma carta do Sr. Vicente
Moreira da Silva, de Agua Suja, Estado de Minas, so-
bre um ninho de urubú collocado numa pequena cavi-
dade, num barranco, onde, sobre a terra e sem preparo
algum, estavam collocados os quatro ovos da postura.
Dalgleish diz que o ovo foi figurado por d'Orbi-
gny. À postura é, segundo Dalgleish, de 2 ovos, que
medem 67—-72X47 mm. O ninho é feito em pau 6co
ou no chão, ao lado das raizes de uma arvore. Os ovos
são muito perseguidos pelos lagartos e pelas cobras.
« Cathartes aura (L.) Euler, p. 106; Dalgleish
IV, p. 84, Coues Key, p. 559; Nehrkorn p. 2. O ovo
assemelha-se ao da especie precedente, sendo um pou-
co menor. As medidas são, ae Nehrkorn, 69—
70 X46—47 mm.; 7048 mm., segundo cos ÊTXAS
mm., segundo um ovo da Ro colleccäo. Faltam-nos
informações sobre o ninho. A postura é de dois ovos,
como na especie precedente. Dalgleish obteve em No-
vembro dois ovos que eram postos no chão, ao lado
de uma arvore grossa. O ovo, figurado tambem por
d'Orbigny, mede 63 —65X45 mm. E bem possivel que
os ovos dos urubis sejam na America do Norte um
pouco maiores do que no Brasil e no Uruguay.
er.
Fam. Falconidæ
Subfam. Polyborinae
Polyborus tharus (Mol.) Euler, p. 108; Dalgleish
YJ, p: 288; Nebrkorn, p. 2; Barrows Auk I, 1884 p.
111: Aplm;p; 196 - Sclater and Hudson, H,*p. 88. O
carancho vive em casaes que são muito dedicados entre
si e usam por muitos annos 6 mesmo ninho, feito com
raminhos em arvores ou, nas regiões dos campos e
pampas, no chão. A postura consiste, segundo Hudson,
em 3—4 ovos que medem 59—62,5 >< 47—50,5 mm.
i” certo, pois, que a descripção do ovo dada por Goeldi
(p. 40) não se refere a essa especie, mas a um caracará
do genero Ibycter, provavelmente J. chimachima, cujos
ovos podem ser designados pyriformes, o que se não
refere aos de Polyborus que são de fôrma oval-curta,
sub-espherica.
Burmeister (Reise La Plata, If, p. 454) descreve os
ovos como pardo-escuros com manchas mais escuras e
diz que d'Orbigny figurou o ovo (Ois., Pl. I, fig. 2) e
que o mesmo autor (Ois., Pl. II, fig. 3 e 4) figurou os
ovos de Ibycter chimango.
Dalgleish diz que a postura é de 3 ovos e que o
tempo da propagação é nos mezes de Agosto até De-
zembro. O ninho é construido em arvores altas feito
de ramos e forrado de capim, contendo ossos, espinhos
de peixe e outros restos da comida. Os ovos, diz o
mesmo autor, são de forma oblonga e medem 56 X47
mm.
lbycter chimachima ( V.) Euler, p. 415; Nehrkorn,
p. 2. O ovo mede 41—44 35—S7 mm.
+ Ibycter chimango (V.) Euler p. 108; Dalgleish
H, p. 237; Nehrkorn, p. 2; Sclater and Hudson, II, p.
7). O ninho é feito no chão ou em arbustos pouco
altos no brejo. A postura consiste em S—4 ovos que
se assemelham aos da especie precedente; o nosso mede
45X 35 mm. Dalgleish diz que o ninho é feito no
chão, de capim, e que contem tres ovos que medem
42 X 34 mm.
Subfam. Accipitrinsæ
Circus cinereus (V.) Euler, p. i12; Sclater and
Hudson Il, p. 58. O ninho é feito no brejo no chão ;
o ovo é branco com manchas pardas.
Antenor umcinctus (Temm.) Euler, p. 112; Nehr-
korn p. 3. O ovo é branco, com manchas desbotadas, e
mede 59 X 40—42 mm.
Subfam. BButeoninase
Heterospizias meridionalis (Lath.) Euler. p. 112;
Nehrkorn, p. 8. O ovo, que mede 59 X 48 mm., &
branco com poucas manchas bruno-desbotadas.
Geranoaetus melanoleucus ( V.) Sclater and Hudson,
II, p. 65; Dalgleish IT, p. 239, PL VII, fig. 3; Nebr-
korn, p. 5. Um ninho observado por Gibson era feito
em cima de uma arvore, construido de ramos, forrado
de la e cabellos e continha dois ovos que sao brancos
com manchas avermelhadas. O ovo mede 65—70 X 52
—93 mm.
Buteo swainsont (Bp.) Sclater and Hudson, I, p.
60. O ovo é branco-esverdeado, com algumas manchas
desbotadas e mede 56 X 43 mm.
Buteola brachijura (V.) Nehrkorn, p. 6. O ovo
assemelha-se aos do genero Buteo e mede 45 X 38 mm.
x Asturina natterero (Sel. and Salv.) Euler, p. 111 ;
Nehrkorn p. 6. As medidas do ovo dadas por Nehr-
korn são 52X 40 mm. Dos nossos dois ovos de «ga-
vido carijó» que medem 47 X 40 e 49X 40 mm. um
é brancacento com salpicos brunos distribuidos sobre
toda a superficie, o outro tem, alem desses salpicos, uma
coroa de manchas brunas no polo rombo. A forma do
ovo é curta, os dois polos pouco differem entre si. Da
especie semelhante A. pucherani obteve Dalgleish um
ninho com dois ovos no mez de Outubro. O ninho era
feito em arvore alta de ramos e forrado de folhas sec-
cas, pouco numerosas. Os ovos medem 50 X 39—41
mm.
— où —
Asturina leucorrhoa (Ouoy et G.) Nehrkorn p. 6.
O ovo que mede 48 X 37 mm. assemelha-se ao da es-
pecie precedente e tem uma coroa de manchas.
Busarellus nigricollis (Lath.) Euler, p. 109. Não
se conhece 0 ovo.
Urubitinga zonura (Shaw) Euler, p. 109.
Morphnus guianensis (Daud.) Kuler, p. 110.
Thrasaetus harpyia (L.) Euler p. 110. Não se
conhece o ovo.
Spizaetus tyrannus (Wied) Euler, p. 109.
Spizaelus mauduytt Daud. Euler, p. 109; Ber-
lepsch und Jhering, p. 169. Fiz observações sobre o ni-
nho desse gaviäo de pennacho (veja Euler p. 110) mas
nao obtive o ovo.
Elanowes forficatus (L.) Kuler, p. 111; Goues, p.
926. A postura consiste em 4—6 ovos que medem
48 X 98 mm. e são brancos com salpicos e manchas
castanhas.
Rostrhamus socrabilis (V.) Bailey Zool. Rec. 1884,
p. 97; Sclater and Hudson, II, p. 73. Gibson achou,
segundo Hudson, uma colonia de ninhos desse gavião
caramujeiro num brejo. Os ninhos estavam a pouca
altura collocados em arbustos. A postura consiste em
3 ovos branco-azues com manchas pardas. O ovo da
variedade da America do Norte mede segundo Coues
44 X 37 mm.
Elanus leucurus (V.) Sclater and Hudson, II, p.
71; Coues, p. 525. O ninho é collocado em arvores e
forrado de capim. A postura consiste em 4—8 ovos
de grande fragilidade, esphericos, brancos, com man
chas e estrias avermelhadas. O ovo mede 40 X 36 mm
Subfam. Falconinsæ
Harpagus bidentatus (Lath.) Euler, p. 110.
« Harpagus diodon (Temim.) Dois ovos, que de
Iguape recebemos do Sr. Krone, medem 42—43 X 34
—35 mm. e são de forma encorpada com os dois polos
pouco differentes, de cor branco-amarellada com nume-
rosos salpicos e manchas brunas em parte confluentes.
= Rie =
Ictinia pluinbea (Gm.) Euler p. 111; Allen IV p.
457. O ovo mede segundo Allen 45 X 35 mm. e a
cor delle é branco-sujo.
Falco peregrinus (L.) O ovo desta especie cos-
mopolita ge foi encontrada no Para e na Argentina
mede Ol X 42 mm., sendo de fórma sub-espherica e
sobre campo av ermelhado, salpicado de bruno.
Falco fusco-caerulescens (V.) Sclater and Hudson,
il, p. 69; Nehrkorn, p. 9. O ovo é bruno-uniforme e
mede 44 X 32 mm.
Falco Done Daud. Nehrkorn, p. 9. O ovo as-
semelha-se ao da especie precedente e mede 42><35 mm.
+ Tinnunc oe dota IC (S2es.) Euler, p. 110);
Dalgleish Ill, p. e IV,p. 84; Sclater and Hudson
ARS Os) OS Ps ae p. 10. O Quiriquiri põe 4 ovos
pardo-salpicados sobre campo amarellento. O ovo mede
39—38 X 28—29 mm.
As indicações vagas de Burmeister e outros autores
parecem ser inexactas. A unica observação que tenho
está de conformidade com as observações publicadas
por Franjoti no Parvo Popular de S. Paulo de 14
de Agosto de 1897, dizendo: «Não tenho observado
seus ninhos senão em päus seccos, isolados, geral-
mente em roças antigas ou em campo natural e dentro
de ôcos e aproveitam quasi sempre o buraco que tenha
sido feito por algum pica-páu de cabeça vermelha.
Tenho encontrado quasi sempre dois filhos...e voltam
sempre todos os annos a aninhar no mesmo logar le-
vando-se em conta que em tres annos seguidos tenho
observado sempre um mesmo casal criar seus filhos no
mesmo logar»
Dalgleish diz que o quiri-quiri de preferencia se
aproveita de ninhos deixados de outras aves, que põe
3 ovos, e que o ovo foi figurado em «Ibis», 1859 PL
"PA digo;
Subfam. Pandioninae
Pandion haliaelus (L.) Brehm Thierleben Vol.
IV p. 669 e Estampa. A bonita figura de Brehm re-
DT
eV ==
presenta o ninho da aguia pesqueira, construcçäo enorme
de galhos em cima de uma arvore alta. A postura
consiste em 3-4 ovos que medem 99—70 X 44—52
mm. e são brancos com manchas brunas, castanhas ou
pardo-cinzentas.
VEEL ORDEM. STEGANOPODES
+ Fregata aquila (L.) Euler p. 115; Nehrkorn
p. 236. O albatroz é commum na costa de S. Paulo
e alli é dado à propagação a fins do inverno nas ilhas
rochosas desertas, das quaes uma tem o nome dessa
elegante ave. O ovo mede, segundo Nehrkorn, 66—69
27 41—49 mm. Os nossos variam entre 6776 (49— 91
mm. A cor é branca uniforme, sem crosta Ee
sendo inexacta a informação dada ao Principe Wied,
que Euler relata.
Phalacrocorax brasilianus (Gm.) (vigua V.) Nehr-
korn p. 255. O ovo do biguä é alongado, de cor verde-azul
clara, revestido de uma crosta branca, calcarea, e mede,
segundo Nehrkorn, 50—62 X 35—37 mm. Não pude
obtel-o até agora. Se a descripção de Nehrkorn é exacta,
o ovo é semelhaute ao de Sula, porem mais estreito.
Plotus anhinga (L.) Euler p. 113; Nehrkorn p.
236; Coues p. 730. A postura do «bigua-tinga», con-
siste em 3—4 ovos que se assemelham aos do bigua
e medem 51-52 < 35 mm. segundo Nehrkorn.
Phaeton aethereus L. Nehrkorn p. 297. Essa ave
tropical observada no Maranhão e em Fernando Noro-
nha, talvez se propague em alguma das ilhas, na costa do
Brazil do Norte. como acontece nas Ilhas de Bermuda. A.
ave põe no rochedo um ovo de côr pardo-cinzenta com
manchas e garatujas pretas | e que mede 64X46 mm. se-
gundo Nehrkorn, 55 X 3% mm. segundo Brehm.
* Sula sula (L.) Nehrkorn p. 236. Obtivemos
numerosos ovos ec! mergulhão da costa ou das ilhas
situadas perto della. O ovo é semelhante ao do biguä
sendo differentes só as medidas que são em geral de
7—60 <40—41 mm.
EN a
IX. ORDEM. HERODIONES
Fam. Ardeidæ
+ Ardea cocoi L. Parece que o ovo deste «João
grande» não foi ainda observado e descripto. Os que
obtive de Pelotas, Rio Grande do Sul, são de linda
côr azul-verde clara, um delles com alguns vestigios de
massa calcarea depositada em fórma de manchas pe-
quenas, o que, às vezes, occorre tambem nas especies
seguintes. As medidas são 62 X°46 mm. em um, 65
SAR mm. no outro dos dois ovos. As especies se-
punks tém quasi todas a mesma cor.
Herodias egretta (Gm.) Sclater and Hudson, IT
Pp. 98; ) Nehrkor n, p. 230. Gibson observou nas pampas
argentinas n'um brejo uma colonia de 300—400 ninhos
dessa especie e de Ardea candidissima e tayazu-guira
Os ninhos de H. egretta estavam feitos à pouca altura
sobre arbustos, os das outras duas especies eram con-
struidos no fundo, elevando-se cerca de 0,5 M sobre o
nivel da agua e sendo feitos de ramos. Eu mesmo
observei no Rio Grande do Sul, n'um banhado extenso,
na barra do Rio Camaquan uma grande colonia de H.
egretta e N. tayazu-guira e sel de outras localidades
no sul do Rio Grande do Sul onde existem taes colo-
nias de garças nidificando em companhia.
O ovo de H. egretta assemelha-se na côr ao da
especie precedente; as medidas são 53—O7 >< 41—42 mm.
* Florida caerulea (L.) Nehrkorn, p. 230. O
ovo assemelha-se aos precedentes, sendo, entretanto, a
cor um pouco mais escura. As medidas são 42—46
X 32—33 mm.
+ Nyctanassa violacea (L.) Euler p. 111; Nehr-
korn p. 231. O ovo mede 46—49 & 34—38 mm.
+ Leucophoyx candidissima (Gm.) Nehrkorn, p.
231. (O ovo mede segundo os nossos exemplares 41
— 45X 81-33 mm.
+ Nycticorax tayazu-quira (V.) Euler p. 114;
Nehrkorn, p. 231. Descrevi esse nesta Revista (III
— 210 —
p. 379) sob o nome de N. nycticorax nævius. Os
ovos, que temos deS. Paulo, medem 48—53 X 35—37
mm., os de Pelotas, Rio Grande do Sul 48—54 X 37
—38 mm. Parece bem possivel que um ovo grande
dessa especie possa ser confundido com um pequeno de
H. egretta, sendo, porem, em geral, a grossura daquella
especie de 4] —42 mm., a da presente de 35—38 mm.
Canci oma cochlearia L. Nehrkorn, p. 231. O
ovo é de côr suja cinzento-azu e mede 45 —50 X 34—36
mm. A’s vezes tem finos salpicos bruno-desbotados.
Syrigma sibilatrix (Temm.) Dalgleish IV, p. 85.
O ninho do que Dalgleish trata era posto n'uma arvore
alta, feito de ramos, sem ser forrado e continha dois
ovos de forma arredondada, ntedindo 45—46 >< 38 mm.
O ovo é de côr bruno-verde, clara, com algumas pe-
quenas manchas vermelhas, differindo pois do typo ordi-
nario dos ovos das garças e socôs, assemelhando-se ao
do genero Cancroma.
* Butorides striata (L.) Euler p. 114; Nehrkorn,
p. 231. As medidas do ovo são 38—39X28—29 mm.
segundo nossos exemplares de Iguape
Tigrisoma lineatum ( Bodd.) Nehrkorn p. 231.
O ovo é branco-verde, cor de azeitona e mede 51—52
X37—38 mm. Em vista das duvidas expostas por
Nehrkorn essas observações precisam de confirmação.
Não conheço o ovo desse «socó-boi» nem o da outra
especie do genero Botaurus.
« Ardetta involucris (V.) Nehrkorn p. 232. O
ovo é de côr clara, verde-amarellada, e mede 33—34,5
X26 mm., segundo Nehrkorn. Um, que temos de Iguape,
mede 35X27 mm.
Observo nesta occasião que a especie que na Re-
vista Ili p. 380, descrevi como A. exilis deve ter o
nome de A. erythromelas V. Não conheço o ovo, mas
desconfio que seja um pouco maior do que o da A.
exilis, que mede 50—31xX24-—26 min., especie que só
occorre na America central e até Florida, sendo re-
presentada no Brasil Meridional por A. erythromelas.
Fam. Ciconiidæ
« Eurenura maguare (Gm.) Sclater and Hudson
Il p. 107. O ninho é feito no banhado um pouco
acima do nivel da agua. À postura consiste em 5—4 ovos
brancos. Dos tres, que obtive de Pelotas, Rio Grande
do Sul pelo Sr. Sebastião Wolf um tem o polo ante-
rior agudo, os outros têm-n'o rombo quasi como o ou-
tro polo. A estructura da casca é a da Ciconia, mas
o ovo é mais ventrudo. As medidas delle são 69—70
XDD—56 mm.
Mycteria americana LL. Selater and Hudson IT
p. 106; Lloyd «Breeding of Mycteria americana» Ibis,
1896 p. 5 981. O ninho é feito em cima de uma ar-
vore com galhos unidos por lodo e capim numa massa
dura. Os ovos são alvacentos, do tamanho do ovo do
ganso. A postura consiste em 4 ovos postos no mez
de Setembro, na Guyana.
Tantalus. loculator «li. JAplin pe 1990. Nebr
korn p. 234. O ninho é feito no brejo. A’ postura
consiste em 2—3 ovos de superficie escabrosa branco,
suja, em parte amarello-suja. O ovo mede 67—T0x44
—45 mm.
Fam. lbididee
Theristicus melanopis (Gim.) (caudatus Bodd.)
Sclater and Hudson Mp 107, Nelrkorn p. 220000
ovo mede 67X42—45 mm. e tem sobre campo branco-
cinzento salpicos roxos e brunos e na ponia romba li-
nhas e garatujas bruno-pretas.
Harpiprion CŒUYENNONSIS (Gin.) Nehrkorn Pp. 229;
O ovo assemelha-se no desenho ao da especie prece-
dente, tendo, porém, o campo cinzento-verde ou azeitonado
e mede 52—95<37—38,0 mm.
Phimosus infuscatus (Licht.) Do Sr. Sebastião
Wolf recebi tres ovos por elle colligidos perto de Pe-
lotas, Rio Grande do Sul. O ovo é de forma elliptica
com os dois polos quasi eguaes, de cor uniforme, azul-
clara e mede 44—4632—54 mm. A superficie é um
pouco escabrosa e sem lustro.
Plegadis guarauna (L.) Holland Ibis 1896 p.
318; Nehrkorn p. 225. Os ninhos säo feitos em gran-
des banhados onde se elevam pouco sobre o nivel da
agua. A postura consiste em tres ovos de cor uniforme
azul-escura. O ovo mede 47—05X33—35 mm.
Evdocimus ruber (L.) Lloyd Ibis 1898 p. 166 ;
Nebrkern p. 229. O guard, que na Revista II p. 384
denominei Guará rubra, não constroe o seu proprio ni-
nho, mas toma conta do da garça Leucophoyx candi-
dissima, que expulsa. O ovo, segundo Nehrkorn, asse-
melha-se ao do Eud. albus L., especie da America do
Norte e talvez ainda encontrada na’ Amazonia; esse ovo,
que mede 56—G61X?8—41 mm., é brancacento-esver-
deado com salpicos e manchas brunas que são maiores
no polo rombo. A postura consiste em 3 ovos.
Fam. Plataleidæ
Ajaja ajaja L. Goues Key p. 621 (rosea);
Nehrkorn p. 229. O ninho é uma construcção chata
em cima de uma arvore baixa e feito de galhos e ra-
mos. A postura consiste em 3 ovos brancacentos com
manchas e salpicos brunos e que medem 61—70xX42 —
45 mm.
Fam, Phoenicopteridæ
Phoenicopterus— ruber L. Coues p. 678 e fig ;
Nehrkorn p. 241. Essa especie de flamengo que vive
do Pará até “lorida constróe o seu ninho no banhado,
amontoando uma massa conica de lodo que na cavidade
apical recebe os ovos cujo numero é de dois. A ave,
quando choca, deixa fóra do ninho e de cada lado da
accumulação terrea as compridas pernas assentado, como
montado, sobre o ninho. O cvo é azulado, mas coberto
de uma camada branca como o de bigu’i. As medidas
do ovo são 83-STX93—5 mm.
Phoente open chilensis Mol. Euler p. 114; Nehr-
korn p. 241; Hollande lbis 1897 p. 286. O ninho é
— 278 —
uma columna de lama perto de meio metro de altura
com uma cavidade especial para os ovos que se asse-
melham aos da especie precedente e medem 89X57.
À ORDHEM. PALAMEDEAE
Chauna cristata (Sw) Euler p. 119; Ihering
Voegel d. Lagoa dos Patos p. 153; Sclater and Hudson
Il pi 1225 Nehrkorn p. 241: Daleleish IV p. Sb. A
postura consiste em geral em 5 ovos que medem 87—
S9X6i—62 mm., segundo os que no Rio Grande do
Sul colligi. A superficie do ovo ë aspera com poros
grossos. Dalgleish diz que o numero de ovos de uma
postura é de 4—6 ovos, que o tempo da propagação
é nos mezes de Julho até Dezembro e que o ninho é
feito de capim. Sendo, segundo as minhas observações,
o tempo da postura nos mezs de Julho e Agosto
decerto os ovos que Dalgleish obteve a 20 de Dezem-
bro eram segunda postura.
Palamedea cornuta L. Euler p. 115. Não conheço
o ovo do anhuma nem encontro uma sua descripção exa-
cta.
Vejo, porém, confirmadoo que disse o Principe
Wied por um artigo publicado no Diario Popular
desta Capital no dia 17 de Maio de 1897 e assignado
Franjotti. O autor obteve em meiados de Agosto, num
charco, quatro pintos de pennugem macia e amarellada,
concluindo que o tempo da postura do anhuma seja
nos fins de Junho e atê meiados de Julho e que con-
siste em 4 ou mais ovos, dos quaes ouvi dizer que
sejam brancos.
XI ORDER. ANSERES
Fam. Anatidæ
Cygnus melanocoryphus (Mol.) Sclater and Hudson
Il p. 125; Nehrkorn p. 242: Gibson observou o ni-
nho que é feito no mez de Julho nos banhados de
79 —
ro)
modo que o pato arminho chega e sae do ninho:
nadando. O ninho eleva-se cerca de meio metro acima
do nivel d'agua. A postura consiste em 3—5 ovos. A
mãe carrega os filhotes recem-nascidos no dorso quando
nada. O ovo é cinzento-azul e mede 92—100 x 65
— 66 mm.
« Coscoroba candida ( V.) Thering Vogel d. Lagoa
dos Patos p. 153; Nehrkorn p. 242. Na segunda metade
de Agosto observei na costa da Lagoa dos patos os
ninhos desse cysne, o capororoca, com ovos. Ao mesmo
tempo já nadava alli o pato-arminho com filhotes nas
costas, de modo que a propagação delle começa mais
cedo. O ninho do capororoca é feito na praia. EK’
uma construcção de juncos, folhas etc. que se eleva
alguns palmos sobre uma collina de areia e que está
forrada de finas pennas brancas que a ave, quando deixa
o ninho, espalha sobre os ovos de modo que não se os
enxerga. A postura consiste em 6—8 ovos brancos
de 89-91 X 60—63 mm. Colligi grande porção delles.
+ Carina moschata (L.) Sclater and Hudson p. 129;
Nehrkorn p. 242. O pato do matto pernoita em arvo-
res e all constroe o seu ninho. A postura consiste
em 10—14 ovos de côr brancacenta que medem 64—71
X46 —47 mm. Os que temos do pato domestico medem
6447 mm. e são branco-esverdeados.
+ Dendrocygna viduata (L.) Nehrkorn p. 243.0
ovo que mede 47X34 mm. é cinzento-amarellado.
Dendrocygna fulva (Gm.) Sclater and Hudson p.
127. Esta marreca é extremamente social e assim tam-
bem nidifica em colonias, aproveitando às vezes varias
aves o mesmo ninho que então contem 20—30 ovos. A
postura, em geral, é de 10—12 ovos brancos. O ninho é
feito de folhas e juncos no meio das plantas aquaticas.
Mareca sibilatrix (Poeppig) Selater and Hudson II
p. 186; Nehrkorn p. 244. O ninho é feito nos ba-
nhados e contem 8—9 ovos brancos, segundo Hudson.
Nehrkorn diz que os ovos que recebeu do Chile são
cinzento-avermelhados e medem 57x42 mm.
— 280 —
Nellion flavirostre (V.) Sclater and Hudson II p-
131; Nehrkorn p. 245. O ninho dessa marreca é feito
à grande distancia da agua no chão, na macega e for-
rado de capim e pennas. A postura consiste em 5, ou
às vezes G—T, ovos encarnado-amarellados e que me-
dem 5635 mm.
* Nelhon brasiliense (Gm ) Nehrkorn p. 245. Não
tenho informações sobre o ninho. Os ovos, que temos
de Iguape, são branco-amarellados e medem 44—46xX
54 mm.
Dafila spinicanda (V.) Selater and Hudson II p.
134; Nehrkorn p. 245. O ninho é feito distante da
agua no chão e forrado de pennas. Os ovos são 7—8
em numero e amarello-escuros, segundo Hudson. Se
elle tem razão, a descripção de Nehrkorn «ovos branco-
cinzentos, medindo 54—40 mm.» não parece ser exacta.
Parece-me provavel que D. spinicauda tenha os ovos
um pouco menores do que seriam segundo as medidas
de Nehrkorn, que correspondem à especie D. acuta,
que é maior do que esta.
Poecilonetta bahamensis (L.) Holland Ibis 1896
p. 319; Nehrkonr p. 245. O ovo mede 53X36 mm.
sendo de côr cinzento-encarnada. O ninho é feito no
campo, na macega. | dad
+ Querquedula versicolor (V.). Obtive do Sr. Sebas-
tão Wolf um ovo tirado de uma marreca morta em
Pelotas, Rio Grande do Sul. O ovo mede 4731, 5 mm.
sendo pois de forma mais alongada do que as outras
especies do genero. A côr é branca com tom encarna-
do-amarello. O polo rombo é mais grosso do que o outro.
* Querquedula cyanoptera( V.) Nehrkorn p. 245 ;
Coves p. 696. Segundo Coues essa especie poe em Ju-
nho, no verão na America do Norte, 9—12 ovos que
medem 48—52 x 35-35 mm. e são branco-amarella-
dos. Os que Nehrkorn obteve do Chili são cinzento-
amarellados e medem 45—47, 5 X 34—36, 5 mm.
Spatula platalea (V.) Holland Ibis 1897 p. 286.
O ninho é feito no chão à pouca distancia da agua,
escondido na herva e forrado de capim. A postura
— 281
consiste em 7 ovos de forma alongada e de cor bran-
co-amarellada.
Metoprana peposaca (V.) Sclater and Hudson I p.
138; Nehrkorn p. 246. O ninho é feito no brejo, de
juncos, e com mais cuidado do que em geral usam as
marrecas. A postura consiste em 12 ovos de fórma
oval, amarellados, segundo Hudson, cinzento-esverdea-
dos medindo 6345 mm., segundo Nehrkorn.
Nomonyx dominicus (L.) Nehrkorn p. 247. Os
ovos são branco-amarellos e medem 54-59 > 39—45
mm. sendo maiores e mais brancos os da Jamaica do
que os do Peru.
Erismatura vittata Phil. Nehrkorn p. 247. O
ovo dessa especie argentina que obtive do Rio Grande
do Sul, mede 61 48 mm.
XII ORDEM COLUNBAE
Fam Columbidæ
Columba picazuro Temi. Sclater and Hudson H
140 ; Dalgleish’ Il) p.. 88; Nehrkorn |p., 1820
ninho é chato, feito de ramos; a postura consiste em
2 ovos brancos que medem 35x 26 mm. segundo Nehr-
korn, 35—40 X 25—8 segundo Dalgleish. O ninho é
feito em altura de 5 M. em arvores.
Columba maculosa Temm.. Sclater and Hudson IT
p. 141: Nehrkorn_ p. 182. Ninho e ovo como. na es-
pecie precedente. As medidas de ovo são 395<29 mm.
Columba speciosa Gin. Nehrkorn p. 182. O ovo
mede 39X29 mm.
Columba rufina Temim. Nehrkonr p. 182. O ovo
mede 3927 mm.
+ Columba plumbea V. Nehrkorn p. 182. Os ovos
que temos de Iguape medem 38 >< 27—28 mm. e são
brancos.
Ram Peristenídale
Zenaida auriculata (Des Murs) (maculate V.;
Sclater and Hudson II p.141 ; Dalgleish I p. 250; Aplin
— 282 —
p. 202; Nehrkorn p. 183. O ninho é a usual construc-
ção de ramos, feita muitas vezes perto das casas. A
postura consiste em dois ovos brancos ou amarellados
que medem 29-315(23 mm. A's vezes, observam-se
2—3 ninhos desse pombo na mesma arvore.
Zenuda ruficauda Gray Nehrkorn p. 183. O
ovo mede 23,5 X 17 mm.
Scardafella squamosa Temm. Nehrkorn p. 184.
O ovo mede 21,5 X 17 mm.
Columbula picui (Temm.) Sclater and Hudson II
p. 143; Nehrkorn p. 184. Hudson observou esse pom-
bo chocando 2—3 vezes até os mezes de Abril ou
Maio. A postura consiste em 2 ovos ellypticos, bran-
cos, que medem 21,5X16,5 mm.
* Chamaepelia passerina (L.) Nehrkorn p. 184.
O ovo mede 22X 16 mm segundo Nehrkorn 23 X 17
mm. segundo os nossos exemplares.
Chamaepelia minuta (L.) Nebrkorn p. 184. O-
ovo mede 21,9 X 17 mm.
* Chamaepelia talpacoti Temm. Euler p. 116;
Nehrkorn p. 184; Dalgleish II p. 86. O ninho é feito
sem arte de ramos seccos e muito sujos, por excre-
mentos. Os ovos são ellypticos, brancos e medem 23—
25 X 18 mm. Obtivemos um ninho feito em cima de
um ninho deixado de outro passaro e que continha 2
ovos que mediam 22 X 17 mm.
Peristera cinerea (Temm.) Nehrkorn p. 185. O
ovo mede 24 X 16 mm.
Leptoptila rufaxilla (Rich. et Bern.) Nehrkorn
p. 185; Allen IV p. 157. O ovo é branco-amarellado:
emede 27 X 21 mm. segundo Nehrkorn, 29 X 21 mm.
segundo Allen.
+ Leptoptila reichenbach: Pelz. Euler p. 116;
Nehrkorn p. 185. O ovo é branco-encarnado e mede:
29 22,5 mm. segundo Nehrkorn, 33 X 22,5 mm. se-
gundo Euler. Os nossos medem 28— 30,5 >< 22 mm.
Leptoptila erythrothorax (Temm.) Allen IV p.
157. O ovo mede 30 X 21 mm. Não sei bem se a
especie é differente da precedente. |
— 283 —
* Leptoptila chloroauchenia Gigl. et S. Sclater
and Hudson II p. 144; Nehrkorn p. 186. Hudson diz
que a postura consiste em dois ovos brancos que são
mais esphericos do que os das outras especies da fa-
milia. As medidas são 29 X 21,5 mm., segundo Nehr-
korn.
Nehrkorn separa dessa especie a L. ochroptera
Pelz., cujo ovo diz ser branco-encarnado e medir 32
X 22 mm.
Geotrygon montana (L.) Nehrkorn p. 186. O
ovo é cinzento-bruno e mede 27 X 21 mm.
All. ORDEM GALLINAE
Fam. Phasianidae
* Odontophorus capueira (Spix) Euler p. 118;
Nehrkorn p. 196. O ovo do urú é branco e mede
40—41 >< 30—31 mm.
Udontophorus stellatus Gould Nehrkorn p. 196.
O ovo é menor do que o da especie precedente, me-
dindo 37 X 27 mm.
Fam. Cracidae
Crax alector L. Mutum do Amazonas. Nehrkorn
p. 197. O ovo, como de todas as especies dessa fami-
lia, é branco e escabroso, medindo 87—93 X 63—66
mm.
Crax sclateri Gray. Berg Ann. Mus. Nac. Bue-
nos-Aires V, 1896— 1897, p. 36. O ovo mede 85—95
X61—64 mm. O mutum que põe esses ovos é domes-
ticado e põe todos os annos 4—5 ovos.
Cras fasciolata Spix. Nehrkorn p. 197. O ovo
mede 37X59 mm. Parece que esta especie seja diffe-
rente da procedente (cf. Ibis 1897 p. 121.)
Cras carunculata Temm. Mutum. Euler p. 117;
Nehrkorn p. 197. Segundo Nehrkorn o ovo mede K4X57
mm.
— 284
Crax globulosa Spx. Nehrkorn p. 198. O ovo
mede 8560 min.
Crax daubentont Gray. Nehrkorn p. 198. O
ovo mede 9U<61 mm.
Mitua mitw (L.) Nehrkorn p. 198. O ovo mede
90x60 mm.
Penelope superciliaris Ill. Jaci. Euler p. 117.
Penelope jacucaca Spix. Euler p. 117; Nehr
korn p. 198. O ovo é liso e mede 725] mm.
« Penelope obscura Hil. Jacü-guassu. Sclater and
Hudson II p. 146. O ninho é grande, feito de ramos,
numa arvore. Os ovos que obtivemos de Iguape, pelo
sr. Krone, medem 76—-80xX50— 51 mm. São brancos,
com tom amarellado e têm a superficie aspera, devido
às largas covas em que são situados os poros e que
em parte se prolongam em sulcos communicando com
os visinhos.
Ortalis motmot (L.) Nehrkorn p. 198. O ovo é es-
cabroso, branco e mede 6446 mm.
Ortalis guttata (Spix). Nehrkorn p. 198. O ovo
assemelha-se ao da especie precedente e mede 68X38
mm.
Ortalis albiventris (Wagl.) Euler p. 117.
Pipile comanensis (Jacquin). Nehrkorn p. 198.
O ovo tem a casca lisa com numerosos poros profun-
dos e mede 6648 mm.
Pipile jacutinga (Spisx). Ihering Ormth. Forschung
p. 8; Euler p. 117. O jacutinga apparece no norte do
Rio Grande do Sul, nos mezes de Maio e Junho, em
bandos de 4—16 aves, desapparecendo em Dezembro.
Numa arvore grossa põe na cova formada por diver-
sos galhos divergentes 2—3 ovos brancos, dos quaes,
em Novembro, sahem os filhotes. Recebi essas infor-
mações do sr. Th. Bischoff.
XIV. ORDEM. OPISTHOCONI
* Opisthocomus hoazin (Müller) Nehrkorn p. 198.
Sobre o ninho, os ovos. os filhotes, etc., da cigarra
existem numerosos artigos. publicados por Young,
Ur
Quelch e outros, cujas descobertas foram confirmadas
por Goeldi. Veja-se, pois, Goeldi Boll. Mus. Paräense
I, 1895 p. 167 vs. e estampa e a figura do ovo dado
no Journ. fur Ornithol. de Cabanis, ISTO, Taf. I. Oovo
que mede 45—48><30-—35 mm., é branco ou branco-
encarnado, com manchas roxas profundas e brunas,
superficiaes. Sobre esses ovos trataram, já em 1881, P.
L. Sclater e Nathusius.
XV. ORDEM. RALLI
tio ie as maculatus (Bodd.) Sclater and Hu-
dson Il p. 148; Dalgleish IV p.86. Essa pequena sa-
racura faz o ninho no meio do banhado, elevando-se
cerca de 0,5 m. sobre o nivel d'agua e põe 7 ovos, des-
criptos por Dalgleish; medem 37><27 mm. e são ama-
rellos, com manchas escuras no polo rombo.
+ Limnopardalus nigricans (V.) Euler p. 119;
Nehrkorn p. 200. Os nossos ovos desta pequena
saracura são brancos com tom encarnado e com man-
chas roxas profundas e brancas superficiaes, formando
no polo rombo uma corda pouco pronunciada, medin-
do 39—41<30—31 mm. O ninho é uma construccäo
simples e chata, feito de juncos, medindo 20 centime-
tros de diametro.
Limnnopardalus rytirhynchus (V.) Não conheço o
ovo dessa especie, mas acho descripto o da sua varie-
dade, L. sanguinolentus, por Nehrkorn p. 201, que in-
dica as medidas 4431 mm. Desconfio que o ovo de
L. rytirhynchus será um pouco menor do que o de L.
nigricans.
Arainides ypacaha (Wieull.) Nehrkorn p. 201 (2),
Dalgleish IV p. 87. E" essa a especie maior entre as
saracuras e que se encontra na Argentina, no Para-
guay e em Minas Geraes. Dalgleish diz que em Outu-
bro e Novembro obteve postura de 5 ovos, aos quaes
como ninho serviu uma massa depremida de capim.
Os ovos são amarellados, com manchas branco-verme-
lhas e medem 5739 mm. Os ovos que Nehrkorn at-
— 286 —
tribue a essa especie, medindo apenas 45 —48X33—35
mm., de certo provêm de outra especie. Talvez sejam
trocados os de ypacaha com os de cayanea, cujas medidas
elle indica de 50—52x30—38 mm. A especie maior,
cujos ovos tambem devem ser os maiores, é A. ypacaha,
e a prova é a observação indicada de Dalgleish.
+ Aramides saracura (Spix). Euler p. 119; Nehe-
korn p. 201. O ovo mede 4835 mm., segundo Eu-
ler; 4955035 -36, segundo Nehrkorn; sendo tão
orande a differença que as indicações de Nehrkorn ca-
recem de confirmação, visto como Euler varias vezes
obteve o ninho, de modo que não ka duvida.
* Aramides cayanea (Müller). Nehrkorn p. 201.
Segundo Nehrkorn, o ovo mede 0U—d2X36—38 mm.,
sendo de côr amarellenta, com manchas roxas e bru-
nas. Os nossos ovos medem 50—52xX37—39 mm., corre-
spondendo à descripção communicada, mas não são
acompanhados da ave.
Amaurolimnas concolor ((rosse). Nehrkorn p. 202.
O ovo é cinzento-encarnado, com manchinhas pardas e
mede 34X31,5 mm.
Anurolimnas hauxwelli (Sel. and Salv.). Nehr-
korn, p. 202. O ovo é amarellado, com manchinhas
brancas e mede 31X22—23 mm.
+ Porzana albicollis (V.) Euler, p. 120; Nehr-
asp p. 202. Os ovos que de Iguape recebemos pelo
R. Krone medem 35-36x27—28 mm. e são bran-
aa er com salpicos e pontos roxos profundos
e pardos superficiaes, que na ponta anterior quasi fal-
tam ; combinam com a deseripção de Nehrkorn, cujas
medidas são 3° <26 mm. Esses ovos, pois, correspon-
dem, nas suas dimensões, aos de P. porzana, que é
especie mais ou menos do mesmo tamanho. As medi-
das, porém, indicadas por Euler, 3022 mm., eviden-
temente se referem à especie menor, que não duvido
seja Creciscus melanophaeus V., a cujos ovos a de-
seripção de Euler bem corresponde.
« Creciscus melanophaeus (V.) Nehrkorn p. 203.
Nossos ovos medem 30—33*X22—24 mm. e são bran-
cos ou branco-encarnados com salpicos roxos profundos
e brunos avermelhados superficiaes, mais numerosos no
polo rombo. Referem-se a essa especie os ovos que
Euler p. 120 descreveu como provenientes de Porzana
albicollis.
Creciscus cayanensis (Bodd.) Nehrkorn, p. 203.
O ovo é igual ao da especie precedente.
* Gallinula galeata (Licht.) Euler p. 120; Nehr-
korn, p. 203. Os nossos ovos do frango d agua me-
dem 46—48X32— 35 mm.; o campo do ovo é mais
escuro amarello-pardo do que nos da Florida, que são
um pouco menores, medindo 45—44*X31—32 mm.
« Porphyriops melanops (V.) Nehrkorn p. 204.
O ovo assemelha-se ao da especie precedente, sendo,
porém, mais escuro e menor, medindo 4128 mm
Temes quatro ovos dessa especie que o Sr. Sebastião
Wolf obteve em Piratiny, E. do Rio Grande do Sul, a
2 de Novembro de 1897 com a ave. Os ovos são
avermelhado-cinzentos com numerosos salpicos e man-
chas brancas e medem 3% X 28 à excepção de um que
mede 38 X 26 mm. O campo do ovo é como o de Gal-
linula chloropus, mas não ha garatujas pretas e as me-
didas são menores do que Nehrkorn as indicou.
+ Porphyriola martinica (L.) Nehrkorn, p. 205.
Os nossos ovos medem 38—41 >< 27—30 mm. Sao
brancos com tom amarello ou FRA e com nume-
rosos salpicos roxos profundos e brunos superficiaes,
especialmente no polo rombo.
+ Eulica armillata (Veell.) Nehrkorn, p. 204.
Sclater and Hudson II, p. 157. Segundo Selater and
Hudson o ovo foi descripto por Dunford (Ibis 1877, p.
175 e 1878, p. 401), dizendo esses autores apenas que
O OVO pelas suas dimensões maiores é facil de distin-
guir dos das duas outras especies. As medidas segun-
do Nehrkorn são 55-61 + 37—39 mm. Um ovo de
Montevidêo que julgo proveniente desta especie mede
DS X 39 mm., o que bem combina com as medidas
dadas por Nehrkorn. (O respectivo ovo é de forma
alongada com o polo anterior acuminado, de campo
— 288 —
avermelhado cinzento com numerosos salpicos bruno-
desbotados e outras branco-pretas, redondas e maiores.
Fulica leucopyga (Viell.) Sclater and Hudson
II p. 157. O ninhe, segundo Dunford, é feito no ba-
nhado pouco acima do nivel d'agua e contem 6--8
ovos de côr branco-cinzenta com salpicos e algumas
manchas maiores brancas. O ovo desta especie e da
seguinte são, segundo o auctor mencionado, menores do
que as de F. armillata. Nehrkorn indicando 59 >< 39
mm. como medidas de exemplares recebidos do Chile
provavelmente foi iludido. Os ovos que eu acredito
ter recebido dessa especie de Montevidêo são semelhan-
tes aos da especie precedente, porem mais claros cin-
zentos e medem 5456 56 mm.
Fulica leucoptera ( Veil.) Sclater and Hudson
II p. 159; Nehrkorn p. 206. Os ovos são de forma
alongada, em numero de 10-12 n'uma postura, ama-
rellentos com salpicos brunos e roxos, Sendo essa a
especie menor não posso acreditar que realmeute a elle
se refiram os ovos que Nehrkorn obteve do Ghilo e
que medem 54—58 x. 36—38 mm. Tambem não jul-
vo exactas as medidas dadas por Nehrkorn por I’. ame-
ricana Gm. que segundo Cones medem 44—50 X 30—
34 mm. e segundo os que nos temos da Florida 44
45 X 31—33. Mas Nehrkorn diz que medem 52-58
X 34-40 mm.; parece-me que esses ovos são de F.
atra L., cujas dimensões variam de 5!- 58 X 36. mm.
A variabilidade na largura de 34—40 mm. parece in-
dicar que nem todos esses ovos provém da mesma es-
pecie, sendo em geral a medida da largura do ovo
mais constante e caracteristica do que a do compri-
mento.
Heliornis fulica (Bodd.) Euler, p. 120.
XVI. ORDEM GRUES
Aramus scolopaceus (Gm.) Sclater aud Hudson
II p. 160; Nehrkorn p. 206. O ninho é feito no jun-
cal, a postura consiste em 10-12 ovos que são alva-
— 289 —
centos com manchas branco-cinzentas desbotadas. As
ae são 60—61 44—45 mm. segundo Nehrkorn,
—59 42 segundo os nossos. As manchas são alon-
g Sm e profundas. No polo rombo notam-se, às vezes,
garatujas pretas.
Eurypyga helias (Pall.) Nehrkorn p. 206. 0
ovo é encarnado-amarellado com manchas grandes ro-
xas profundas, e brunas, superficiaes, medindo 44-45
34—35 mm.
Psophia crepitans (L.) Euler p. 121; Lloyd Ibis
1898, p. 166. O ninho é feito em cina de uma ar-
vore e contem 7 ovos brancos-sujos, um pouco menores
do que os da gallinha.
Cariama cristata (L.) Euler p. 121; Sclater and
Hudson II p. 162; Allen IV p. 157; Nehrkorn p.
3. O ninho é feito de ramos em 3—4 M. de altura
numa arvore. © ovo mede 60-63 X 48-50 mm.
sendo esbranquigado com manchas roxas, profundas, e
brunas superficiaes, sendo por essa razão comparado
por Allen aos dos gaviões do genero Buteo, por Nehr-
korn e Hudson aos das saracuras. O Seriema foi por
alguns naturalistas reunido às aves de rapina, por
outros com os Grues. O ovo foi descripto em 1881
por A. Newton Proc. Zool. Soc. London.
XVIL ORDEM LIMICOLAE
+ Jacana spinosa (L.) (Jacana L.) Nehrkorn p.
2115 Euler p. 122; -Dagleish IV p: 87; Sclater and
Hudson II p. 164. As medidas do ovo de piassoca va-
riam de 23—31 X 22—24 mm. O Principe Wied deu
uma descripcäo errada do ninho e dos ovos, de certo
enganado por seus caçadores e Burmeister repetiu o
erro. Dagleish descreve o ninho do mesmo modo
que Euler.
+ Arenaria interpres or Kuler p. 123; Nehr-
korn p. 211; Brehm VI p. 270. O ovo, que mede
40 x. 30 mm. . é verde-br oe com manchas e garatujas
denegridas. A postura consiste em 4 ovos.
— 290 —
+ Haematopus palliatus Temm. Nehrkorn p. 212 ;
O ovo é branco-amarellado com manchas rôxas pro-
fundas e pretas irregulares, superficiaes e mede 55-57
%X 39 mm. As medidas indicadas por Nehrkorn reve-
lam engano typographico.
Hoploxypterus cayanus (Lath.) Euler p. 123. Não
se conhece 0 ovo.
+ Belonopterus cayennensis (Gm.) Euler p. 122.
Nehrkorn p. 213; Dalgleish II p. 353; Aplin p. 205;
Sclater and Hudson Il p. 169. A postura do quero-
quero consiste em 4 ovos cujas medidas são 45—47 X
82-34 mm. Dalgleish diz que na mesma epoca de
propagação fazem 2 e, às vezes, 3 posturas.
Squatarola helvetica (L.) Nehrkorn p. 213; Bre-
hm VI p. 255. Especie cosmopolita observada no Pará
e Paraguay, cujo ovo se assemelha ao do Quero-quero,
medindo 54X36 mm.
Charadrius dominicus Mill. Brehm VI p. 257;
Nehrkorn p. 113. Outra especie cosmopolita, cujo ovo
é parecido ao precedente e mede 46-51>*33-35 mm.
+ Ochthodromus wilsont (Ord.) Nebrkorn p. 213.
O ovo mede 32—37X24 26 mm. sendo cinzento -ama-
rellado com manchas escuras como as especies prece-
dentes.
Zonibyx modesta Licht. Nehrkorn p. 214.0 ovo
mede 402% mm.
Aegialeus semipalinatus Bp. Nehrkornp. 214.
A côr do ovo é einzento-verde com manchas escuras,
as medidas são 33- 3424 mm.
+ Aegialitis collaris V. Nehrkorn p. 215. Oovo
é cinzento com manchas pequenas roxas e pretas me-
dindo 37X20 mm, segundo Nehrkorn. Os que temos
de Iguape medem 28—30X22 mm. e têm o campo
cinzento-amarello. Burmeister (Reise La Plata II p.
201) descreve o ovo como branco-amarello com salpi-
cos bruno-pretos.
Aegialitis falklandica (Lath.) Sclater and Hudson
Il p. 173. A ave põe numa cova forrada de capim 3
ovos com campo azeitonado e manchas pretas.
ee
Himantopus melanurus V. Sclater and Hudson H
p. 180. O ninho é como na especie precedente. À postu-
ra consiste em 4 ovos pyriformes verde-azeitonados com
manchas pretas que são mais numerosas no polo rombo.
Himantopus mexicanus Mill, Nehrkorn p. 215.
O ovo tem manchas mais numerosas do que a especie
precedente e mede 44 46X31—32 mm.
Numenius hudsoncus Lath. Coues p. 646. O ovo
é verde-amarellado com manchas bruno-pretas e mede
935—58x40 mm.
Numenius borealis Forst. Coues p. 646; Nehrkorn
p. 216. A postura consiste em 4 ovos semelhantes aos
da especie precedente medindo 58—60x39—41 mm.
Limosa hudsonica Lath. Coues p. 635. A pos-
tura consiste em 4 ovos bruno-azeitonados com manchas
pretas que medem 50X86 mm.
Macrorhamphus griseus (Gm.) Nehrkorn p. 216.
O ovo é cinzento-amarellado com manchas escuras mais
numerosas no terço superior medindo 3827 mm.
Symphenia semipalmata Gm. Coues, p. 637 ; Nehr-
korn p.216. A postura consiste em 3-4 ovos seme-
lhantes aos da especie precedente e medindo 51—55X
36— 359 mm.
Totanus flavipes (Gin.) CGoues p. 658. A postu-
ra consiste em 3—4 ovos pyriformes, amarellados, com
manchas brunas e pretas e que medem 40-45x30 mm.
* Totanus melanoleucus (Gin.) "Temos um ovo da
America do Norte, pyriforme de campo cinzento-ama-
rellado, claro, com manchas rôxas profundas e bruno-
cinzentas superficiaes distribuidas com regularidade e
que mede 5438 mm.
« Tringoides macularia (L.) Coues p. 640;
Nehrkorn, p.216. A postura consiste em 4 ovos ama-
rellados com manchas escuras, lustrosos, que medem
31—3822—25 mm.
+ Bartramia longicauda (Bechst.) Coues, p. 641;
Nehrkorn, p. 216. A postura consiste em 4 ovos de
44—45 X 32 mm. que são amarellados com manchas
pequenas, redondas, brunas e rôxas.
“o agp
ÿreunetes pusillus (L.) Coues p. 624; Nehrkorn,
p. 217. A postura é de &—4 ovos amarello-cinzentos
com manchas roxas e pardo-pretas.
Tringres subruficoliis (V.) Coues p. 642 ; Nehr-
korn p. 217. A postura consiste em 4 ovos pyrifor-
mes, cinzento-amarellos, com manchas escuras, mais nu-
merosas no polo rombo, medindo 35-38>(26-28 mm.
Calidris arenaria L. Goues p. 633; Nehrkorn p.
217. Especie cosmopolita que nidifica nas regiões are-
ticas e provavelmente na Patagonia. O ovo é amarel-
lado com manchas roxas e brunas.
Lemonites mmutilla (V.) Coues p. 655 ; Nehrkorn
p. 217. O ovo é cinzento com manchas e garatujas
pardas e mede 29X21 mm.
Heleropygia bard: Comes. Goues p. 625 ; Nehr=
korn p. 217. Nidifica na zona arctica pondo 3—4 ovos
bruno -amarellados com manchas pardas e garatujas pre-
tas no polo rombo. O ovo mede 32X22 mm.
Tringa canutus (L.) Nehrkorn p. 217. Não co-
nheco descripção do ovo.
Gailinago delicata (Ord.) Coues p. 621 (G. wil-
soni); Nehrkorn p. 218. A postura consiste em 3-4
ovos pyriformes verde-cinzentos com manchas escuras
e garatujas pretas especialmente no polo rombo. O
ovo mede 3828 mm.
Galinago paraguaye (Vieill.) Aplin p.207 PL V,
fig. 8; Dalgleish IV p. 88; Sclater and Hudson II p. 182.
O ninho é uma depressão forrada de capim no brejo.
A postura consiste em 4 ovos pyriformes de campo
azeitonado com manchas escuras. Os ovos que Aplin
achou no mez de Novembro medem, segundo a figura,
430v30 mm. Segundo Dalgleish a postura consiste em
3 Kos que medem 42X29 mm.
* Gallinago frenata (ill.) Euler p. 123; Dal-
gleish If p. 203; Nehrkorn p. 218. A côr do campo
do ovo da nárseja varia de cinzento até amarellado,
as medidas de 358-41X27—29 mm. A postura con-
siste em 3 ovos, segundo Dalgleish. Não se conhece o
ovo da gallinhola, Gallinago gigantea Temm.
E DORE a
Rostratula semicollaris V. Sclater and Hudson Il
p. 183; Nehrkorn p. 218. A postura consiste em 2
evos cinzento-amarellos cobertos por toda parte de nu-
merosissimas manchas pretas medindo 5625 mm.
Steganopus tricolor Vieill. Goues p. 612 (S. wil-
soni) ; Nehrkorn p. 219. A postura consiste em 3—4 ovos
de forma alongado-pyriforme que o macho choca. O ovo
é cinzento-amarello com manchas e salpicos bruno-pre-
tos e que mede 31-34x23 mm.
AVI. ORDEM. GAVIAE
« Phaethusa magnirostris (Licht.) Nehrkorn p.
220. O ovo dessa grande andorinha do mar, que te-
mos do Amazonas, é cinzento-amarellado com manchas
profundas rôxas, e superficiaes pardas e mede 45-50
35-38 mm.
Gelochelidon anglica Mont. (nilotica Hasselq.)
Holland Ibis 1897, p. 287; Nehrkorn p. 220. Holland
observou os ninhos no brejo, perto de Buenos Aires,
sendo simples depressões no chão. A postura consiste
em 2 a 3 ovos de côr cinzenta ou azeitonada, com
manchas cinzento-escuras e brunas. As medidas do ovo
são 4433 mm., segundo Coues. referindo-se a exem-
plares da America do Norte; 5230 mm., segundo
Brehm.
Sterna forsteri Nutt. Nehrkorn p. 220. O ovo
é cinzento-amarello, com manchas cinzentas e brunas,
que em baixo do polo rombo formam uma coroa. As
medidas são 40-41xX30-31 mm.
Sterna hirundinacea Less. Sclater and Hudson
H, p. 196; Nehrkorn p. 220. Dunford observou na
costa da Patagonia uma colonia destas andorinhas do
mar na sua nidificação, que consistia em cèrca de
67,900 ninhos. A postura consiste em % a 5 ovos mui-
to variaveis, verde-amarellados com manchas escuras,
medindo 44X32 mm.
« Sterna fluciatilis Naum. Nehrkorn p. 220. Os
ovos, como na especie precedente, medindo 4232 mm.
294 —
* Sterna macrura Naum. Nehrkorn p. 220. Ovo
como na especie procedente. A maior parte destas an-
dorinhas, mais ou menos cosmopolitas e observadas, às
vezes no Brazil, nidifica em outros paizes, faltando,
entretanto, observações relativamente ao Brazil.
* Sterna cantiaca Gm. Nehrkorn p. 221; Coues p.
762. Nidifica em grandes colonias. A postura consiste
em 2 a 3 ovos ponteagudos, amarellados, com manchas
escuras. As medidas do ovo são 92—53xX35 - 36 mm.
« Sterna maxima Bodd. Nehrkorn p. 221 ; Coues
p. 760. O ovo é branco ou branco- do, com
manchas roxas profundas e bruno-pretas superficiaes,
que são irregulares e cingidas de orlas desbotadas
brancas. As “medidas são 99-63xX46— 47 mm.
* Sterna curggnatha Saund. Temos da costa do
Brazil alguns ovos sem indicação da ave, que talvez
provenham desta especie, visto como são um pouco me-
nores do que os da especie precedente, aos quaes mui-
to se assemelham, medindo 60—6445 mm.
Sterna superciliaris Vierll. Nehrkorn p. 222.
O ovo é bruno-cinzento, com manchas escuras e mede
30—3123 mm.
Anous stolidus (L.), Nehrkorn p. 222. O ovo é
branco ou branco-encarnado, com manchas pardas na
metade romba e mede 51—55X37 mm.
Micranous lewcocapillus (Gould). Nehrkorn p.
223. Especie dos mares tropicaes, observada como a
seguinte em Fernando Noronha. O ovo assemelha-se
ao de Anous e mede 41—4631,5 mm.
Gygis candida (Gm.) Nehrkorn p. 223. O ovo é
cinzento-amarello, com manchinhas e garatujas pretas
e mede 40—4430—32 mm.
Rhynchops melanura Sws. Euler p. 124; Nehr-
korn p. 223. O ovo é cinzento-claro, com manchas
roxas profundas e bruno-pretas superficiaes e mede
42—45>31—33 mm. A postura é de 3 ovos. O talha-
mar nidifica em colonias.
+ Larus atricilla (L.) Goues p. 750; Nehrkorn p.
223. O ninho é feito com algas, capim etc., no chão.
E ae
A postura consiste em 2 a 5 ovos de cor cinzenta,
com manchas roxas e brunas. As medidas sao 90 -59
<36—38 mm.
+ Larus cirrhocephalus ( Vierll. ) Holland, Ibis 1895
Pp. 21656 1897 p. 287, Nehrkorn p. 223. Holland achou
os ninhos feitos no chao, em companhia com a especie
seguinte, nas varzeas e nos rios da Argentina. O seu
ovo é branco-esver deado, com manchas cinzentas desbo -
tadas e brunas superficiaes e mede 51 —-55x38 —59 mm.
: * aes maculipennis Licht. Sclater and Hudson
II p. 199; Nehrkorn p.223. O ovo é verde-amarella-
do ou cinzento-verde, com manchas brunas superficiaes
e profundas e mede 48—55><35—37 mm. A postura
é de 4 ovos. Em geral são os ovos dessa especie um
o menores e mais amarellentos do que os da es-
pecie precedente.
dias dominicanus Licht. Euler p. 124; Nehr-
korn p. 224. O ovo é cinzento-amarello, com manchas
e garatujas brancas e mede 68—71X47—92 mm.
Stercorarius crepidatus (Banks). Brehm VI p. 558;
Nehrkorn p. 225. Especie circumpolar e quasi cosmo-
polita, que no mez de Julho observei no Rio Grande
do Sul. O ovo que mede 55x42 mm. é verde-azeito-
nado com manchas e garatujas pretas. A postura é de
2 a 3 ovos e o ninho é feito no brejo, no chão.
XIX. ORDEM. TUBINARES
Oceanites oceanicus (Kuhl) Nekrhorn p. 226. O
‘ovo, que mede 5425 mm. é branco e tem na ponta
romba uma corôa de manchinhas e garatujas encarna-
das e brunas O ovos que R. Hall, Ibis (7) vol. 6, 1900
p. 20) observou nas Ilhas Kerguel:s são menores. O
ninho é feito da planta Azorella.
* Puffinus anglorum (Ray) Nehrkorn p. 236 ; Co-
mes p. 786. O ovo é branco e mede 59X40 mm.
Daption capensis (L.) Nehrkorn p. 227. O ovo é
branco e mede 28x30 mm.
-— 296 —
Prion vettatus (Gm.). Euler p. 124. Provavelmente,
o ovo será branco medindo mais ou menos 45X33
mm. como nas especies affins. Segundo Wied tratam-
no faizão na costa da Bahia.
Diomedea melanophrys Temm. Nehrkorn p. 328.
O ovo do albatroz é branco com manchas runas e
mede 103—104X66—68 mm. Não sei se nidifica na
costa do Brazil, onde talvez só appareça em certa epo-
ca do anno: AR: Hall (ibis (7) vol “6, 1900 ip; 42/85)
descreve e figura o ninho de D. chionoptera das Ilhas
Kergueles, onde tambem foi encontrado D. melano-
phrys.
XX. ORDEM. PIGOPODES
+ Podiceps dominicus (L). Euler p. 124; Nebr-
korn p. 238. O ovo é branco-esverdeado e mede 31 —
39x24—055 mn.
Podiceps americanus Garnot. Sclater and Hudson
IT p. 204 (P. rollandi). Segundo Hudson, este pequeno
mergulhão nidifica nos banhados e lagoas nos mezes de
Setembro e Outubro na Patagonia, construindo um ni-
nho que boia; sahindo do ninho cobre os ovos, como
o faz tambem Aeschmophorus major. Os ovos são bran-
co-azulados e medem 44 X 31 mm. O verdadeiro P.
rollandi é especie das Ilhas Malvinas; não posso neste
momento dizer o que será a ave que sob esse nome
mencionei nesta Revista, vol. IH, p. 454. E' certo que
nem é especie de Podiceps, genero sobre o qual agora
estou melhor informado, devido a exemplares recebidos
do Museo de La Plata e que provam que realmente o
bico é paragnatho nas especies de Podiceps.
« Aeschmophorus major (Bodd.) Sclater and Hud-
SoD il p. 202. Segundo Gibson essa especie faz no Rio
da Prata o seu ninho no mez de Agosto no meio do
juncal. A postura consiste em 3 ovos que medem 04
X 30 mm.
* Podilymbus podiceps (L) Nehrkorn p. 224 O
ovo é branco-esverdeado e mede 42—45x29—51 mm.
XXL ORDEM. IMPENNES
Spheniscus magellanicus (Forst). Nehrkorn p. 241;
Fauvety Ann. Mus. Buenos Aires vol. HI, 1890, p.
Dee. Ss
Nos mezes de Setembro e Outubro sahe o penguim
a costa da Patagonia, 4 praia, para fazer alli, no ro-
chedo, seu ninho. Põe 2 ovos brancos que medem 65
<54 mm. O nutrimento preferido do penguim são os
polvos que abundam nas gigantescas algas Macrocystis
pyrifera. Na costa de S. Paulo appareceram nos mezes
de Julho e Agosto. mas não consta que aqui nidifiquem.
XXIF ORDEM CRYPTURI
+ Tinamus solitarrus( Vieul.) Kuler P- 125; Ber-
lepsch and ihering p. 182; Nehrkorn p. 248. O macuco
põe 10—14 ovos no chao. Os ovos são azues, lustrosos e
medem 68—70><47—48 mm. Temos um que mede
apenas 64x<45 min., sendo um pouco mais claro na côr.
Da especie affim T. suberistatus diz Lloyd (ibis 1898,
p. 166) que põe 8—10 ovos mum ninho chato forrado
de folhas seecas.
Tinamus tam Temm. Nehrkorn p. 247. O ovo é da
mesma cor como o da especie precedente mas de for-
ma mais espherica, medindo 6255 mm.
Tinainus major (Gin.) Ne p248....0 ovo
mede 66—67>46 mm. Veja-se tambem Salvadori, Ibis
1861 p. 356.
Tinamus gultatus (Nati). Nehrkorn p. 248. O
ovo é azul como os das especies precedentes e mede
9]—54X42—43 mm.
Crypturus cinereus (Gin.) Burmeister Ill p. 371 ;
Nehrkorn p.248. Burmeister referindo-se à descripção
de Thienemann diz que o ovo é azul-cinzento, Nehr-
korn diz que é cinzento-roxo, côr de chocolate, medin-
do 47—4939—40 mm. Parece que ha nessa diver-
gencia algum engano.
— 298 —
Crypturus obsoletus (Temm.) Nehrkorn (p. 248)
diz que o ovo é branco, côr de chocolate, as vezes cla-
ro, às vezes escuro, e que mede 49X57—38 mm. Os
ovos de inambu-guassu de S. Paulo são da variedade
clara e medem 50—5235—36 mm.
Crypturus pileatus (Bodd.) Nehrkorn p. 248. O
ovo é semelhante ao da especie precedente e mede 42
—13X32—33 mm.
* Crypturus tataupa (Temm.) Nehrkorn p. 248;
Allen IV, p. 158. O ovo assemelha-se ao das especies
precedentes, medindo, segundo Nehrkorn, 39—43%X31
mm. Segundo Allen 435x31 —82 mm.
+ Crypturus parvirostris (Wagl.) Nehrkorn p.
248; Allen IV, p. 156. As medias. dos ovos são, se-
gundo Nehrkorn, 37—39xX28 mm., segundo Allen
38829 mm., mas recebi ovos de «Cr. parvirostris»
do Perú que medem 4230 mm. "Temos uma grande
serie mas sem indicações da especie e parece-me im-
possivel separal-as só pelas medidas que de certo va-
riam mais. Ha entre os nossos ovos desses pequenos
inambus dois typos, um que em geral é um pouco
maior, de côr cinzento-encarnada clara e outro em
geral de dimensões menores e de côr cinzento-parda.
Talvez provenham os primeiros de C. tataupa, os do se-
gundo typo de CG. parvirostris. Mas sem conhecer
series de determinação exacta nada posso dizer a respeito.
Crypturus scolopax (Bp.) Nehrkorn p. 248. O
ovo mede 47X39 mm.
Crypturus erythropus (Natt.) Nehrkorn p. 248.
O ovo mede 48,5—53 38 —40 mm., a côr é cinzento-
encarnada.
Crypturus scolopax (Bp.) Allen IV p. 158 (C.
undulatus). Os ovos são postos no chão sem ninho
e medem 5041 mm.
Crypturus variegatus (Gm.) Euler, p. 127;
Lioyd Ibis 1898 p. 166. Lloyd diz que a postura con-
siste em um ovo sd, generalisando sem razão uma
observação em contraste com as de Thienemann, que
se refere a 5—8 ovos cinzento-encarnados.
mn
« Crypturus noctivagus (Wied) Euler p. 127;
Berlepsch und Ihering, p. 183; Nehrkorn p. 248. O jahó
pde os seus ovos, em geral no numero de quatro, no
chão. Os nossos medem ©0—5141—44 mm.
« Rhynchotus rufescens (Temm.) Euler p. 127;
Sclater and Hudson II p. 210; Allen, IV p. 158;
Nehrkorn p. 249; Dalgleish lI p. 250 PL VIII fig. 5
e VI p. 88. A postura da perdiz consiste em 5—6
ovos cujas medidas variam de 48—9641—47 mm.
segundo as diversas localidades. Ia tambem grande
variabilidade na forma, às vezes quasi cylindrica como
nos ovos alongados dos Inambus, ás vezes biconica
com a zona equatorial bem cheia. Alem dos ovos
brunos, cor de chocolate escuro ha outros pardo-cin-
zentos e um que temos é cinzento-azul. Dalgleish diz
que no Uruguay o numero de ovos de uma postura é
de 4 e em Paraguay mais, até dez.
* Nothura maculosa (Temm.) Euler p. 127;
Sclater and Hudson II p. 213; Dalgleish II p. 249
Pl. VIII fig. 4; Aplin p. 214; Nehrkorn p. 249. A
postura consiste em 4—5 ovos, às vezes mais, 5—8.
As medidas do ovo variam de 42—16X31—34 mm.
Dalgleish diz que às vezes um ninho contem 8—9
ovos que provem então de duas gallinhas.
Nothura boraquira (Spix) Nehrkorn p. 249,
As medidas do ovo são 4830 mm,
Não conheço os ovos das cadornas mineiro e
barraqueira. |
AXIV. ORDEM, STRUTHIONES
“+ Rhea americana (L.) Euler p. 129; Ihering
Revista HI p. 465; Sclater and Hudson II p. 216;
Nehrkorn p. 200; Dalgleish II p. 251. Hudson diz
que a propagação da ema começa no, mez de Julho,
dando lugar a combates violentos entre os gallos. To-
das as gallinhas d’um bando poem no mesmo ninho que
contem 30—60 ovos e. ds vezes, muito mais. São os
machos que os chocam e que cuidam dos filhotes. E
— 300 —
singular o facto contado por Beerbohm e confirmado
por Dalgleish que o macho que choca fica muito fu-
rioso quando se meche no ninho ou delle retira ovos.
De um ninho feito de capim que continha 41 ovos
foram em Dezembro retirados 6. No dia seguinte, ve-
rificou-se que o gallo irritado tinha completamente
destruido o resto. Dalgleish diz que as pennas se ven-
dem a 1—2 dollars por libra contra 35 dollars que
valem os da avestruz da Africa. Mesmo assim a per-
seguição da ema é tão grande na Argentina que em
erande parte de seu territorio a ema já não existe
mais e que a criação da ave meio-domesticada será o
unico meio para impedir a sua destruição completa.
Alguns fosseis paleozoicos do Estado do Paraná
ROR
E. KAYSER EM MARBURG (Hess)
Com as estampas Te IT
Foi no veräo do anno passado que o Dr. von
Ihering, director do Museu Paulista, me dirigiu uma
carta perguntando-me se queria fornecer-lhe a descri-
pção de alguns fosseis paleozoicos achados no Estado
do Paranã. Ao mesmo tempo, declarou elle, que a
localidade da proviniencia dessas petrificações era nova e
muito importante, não havia porém, por enquanto, es-
perança de obter dalii mais material, visto um empre-
gado do Museu, mandado para colligir naquelle lugar
novas petrificações, ter sido obrigado, por causa de do-
ença, a voltar sem resultado proficuo. Tendo acceitado
a proposta feita pelo Sr. von lhering, recebi. no fim do
anno, uma pequena remessa contendo um exemplar ty-
pico de rocha calcarea crystalina de côr cinzenta, dous
pedaços de silex branco oolithico (provavelmente de
cal siliciosa) com restos de conchas indeterminaveis. O
Sr. von Ihering escreveu-me que essas conchas se as-
semelham às que apparecem no Estado de S. Paulo
nos terrenos permocarbonicos de Piracicaba que consi-
dera como pertencentes ao genero Anthracosia, assim
como cinco grandes moldes de Spiriferos, constando os
tres maiores de gres amarellado, de grãos pequenos e
— 302 —
ricos em chapinhas micaceas brancas, os dois menores
de grès vermelho-amarellado, ferruginoso, mas tambem
micaceo.
Esses Spiriferos foram collecionados pelo Sr. Tele-
maco Borba em Tibagy, Estado do Paranä, que fez delles
presente ao Museu Paulista. O Dr. Derby sujeitou-os a
um exame provisorio e aflirmou ao Sr. von Ihering que
éssas especies foram tambem por elle encontradas no
mesmo Estado em Ponta Grossa e Jaguarahyva e
comparadas com especies do Devoniano inferior da
America do Norte.
Os rotulos ajuntados dizem ser provavel que os
tres pedaços de pedra pertençam à formação carbonife-
ra. Quanto aos Spiriferos, os tres maiores foram de-
terminados por Dr. O. Derby no rotulo como Sprrifer
cf. buarquianus Rathbun, os dois menores come Sp.
cf. duodenarius Hall. Veja-se o estudo do Dr. Orvil-
le A. Derby «A Geologia da região diamantifera da
Provincia do Paraná, » Archivos do Museu Nacional
do Rio de Janeiro, vol. Il], 178 p. 89—99 onde o au-
ctor, pag. 93, se refere ao Spirifer | provavelmente iden-
tico ao S. duodenarius Hall”, por elle encontrado em
Ponta Grossa num leito de schisto intercalado no grés,
sendo estas especies que se encontram no devoniano da
região do Amazonas, achando-se uma (Sp. duodenarius)
tambem no devoniano da America do Norte. Effecti-
vamente, segundo me participou o Dr. von Ihering,
o professor Orville Derby julga os spiriferos menciona-
dos tambem pertencentes à epocha devoniana.
Não haveudo noticias mais exactas sobre a origem
e as camadas que provêm das amostras acima menciona-
das, carecemos de um fundamento seguro para determinar
a edade das camadas respectivas. Os spiriferos, porém,
figurados nas nossas duas estampas com perfeita exa-
ctidão pela mão habil do Dr. E. Beyer, estão conservas
das, ainda que não muito bem. Ainda assim permittem
elles, pelo menos, fazer a tentativa de determinar ap-
proximadamente a edade das camadas das quaes se
originam, No seguinte capitulo descreveremos primeiro
— 303 —
as formas pertencentes, ao que parece, a duas especies
differentes.
SPIRIFER IHERINGI N. SP.
Veja estampa I fig. 1 e 2; estampa IT fig. 1.
Dessa especie grande que tem cerca de 50 mm. de
comprimento e &0 mm. de largura, temos tres exem-
plares, os quaes, como já dissemos, se originam dum
gres molle, amarello. Infelizmente, todos os tres são
representados por moldes incompletos e muito gastos
pelo attrito, sendo assim impossivel de fazer-se uma
idéa exacta da especie. O que está conservado melhor
é o lado ventral do pedaço representado pela segunda
figura da primeira estampa.
A concha apresenta-se mais desenvolvida em di-
recção transversal, arredondada nos cantos lateraes, tendo
a maior largura talvez no primeiro terço do compri-
mento. A area ventral é de altura regular. O sino é
bastante largo, mas pouco profundo. No meio do seu
fundo chato ha uma costa relativamente fraca, desen-
volvendo-se, ao que parece, só à alguma distancia
do bico.
A sella 6 de forma correspondente, pouco elevada
e achatada em cima. Os lados apresentam cerca de
seis costellas muito fortes, um pouco em fórma de
crista (compare-se a segunda figura da primeira es-
tampa,) separadas por sulcos não menos largos e que
estão com fundo chato.
No molde destaca-se o processo muscular que é
forte, longitudinalmente estriado e que occupa muito
mais de um tergo de todo 0 comprimento da concha.
As partes da superficie carecentes de costellas, situadas
aos lados do processo muscular, apresentam uma forte
granulação. Os processos dentiferos são divergentes e
pouco profundos (compare-se a Est. II, fig. 1).
Seja-me permittido denominar essa bella especie
em honra ao distincto director do Museu Paulista. As
— 804 —
propriedades mais caracteristicas della são o tamanho
consideravel, as costellas simples, muito fortes e pouco
numerosas, o sino fraco e dotado de uma fraca costel-
la mediana. assim como o processo muscular comprido
e forte do molde.
Como já dissemos acima, essa especie está deter-
minada no rotulo annexo como Spirifer cf. buarqu-
anus (Rathbun), sendo esta uma especie do territorio
amazonico, a qual, segundo o ultimo tratado de Fr.
Katzer sobre o Devoniano da dita bacia (Sitzungsber.
d. IX. bohm. Ges. d. Wiss 1897), Hrequentemente é
encontrada junto ao rio Maecuru. O Sr. Katzer é de
opinião que esta especie, que elle estudava circumstan-
ciadamente emquanto demorava no Para, é apparenta-
da com o bem conhecido Sp. paradoaus Schl. e ainda
mais, segundo elle me participou, com hercyniae Greb.
iy’ bastante variavel quanto ao contorno e às costellas.
Além de uma variedade de alas compridas, que têm
de 16 a 18 costellas, acha-se outra mais breve e mais
achaparrada, que tem, quando muito, 12 costellas. No
sino esta situada uma costa mediana delgada como nas
especies rhenanas mencionadas. Estas poucas noticias.
já chegam para fazer-nos conhecer que nosso spirifero
paranäense não pode estar intimamente Jigado à especie
de Rathbun. Para convencer-me, porem, da certeza
desse facto mandei as figuras de Sp. jheringr ao Dr.
Katzer pedindo-lhe que me declarasse sua opinião sobre
a relação desse spirifero com Sp. buarquianus. - Elle,
porém, julga tambem não haver parentesco algum entre
as duas especies.
Não existe, pois, connexão mais intima entre a
nossa especie e a do Amazonas, da qual fizemos men-
ção. Quanto, porém aos verdadeiros parentes da nossa
especie, é muito difficil averigual-o em vista do nosso
material, que é muito imperfeito. Pelo tamanho con-
sideravel, pelas costellas poucas e grossas assim como
pelo tamanho do processo muscular, Sp. jheringr as-
semelha-se ao Sper. primaceus Steining. do mais pro-
fundo da região rhenana (Kayser, Abh. d. preuss. gevl.
— 305 —
Landesanst. Bd. II, Heft I, t. 35), o qual, comtudo,
possue uma sella muito mais alta, muito elevada e que
termina numa crista aguda; carecendo tambem da crista
mediana do sino. Sp. arrectus Hall do gres de Oris-
kany na America do Norte poderia ser chamado à
comparação, fica, porém, inferior em tamanho faltando-
lhe tambem a costela no sino. (Hall. Palaeont. of.
Ni one il oro
Spirifer borbai Jhering' sp. n. Veja estampa
LE iG Are ds
A outra especie, differente de Sp. Lherimge como
parece, pertencem dois moldes menores, provenientes
de um gres micaceo, ferruginoso, mais avermelhado,
superficialmente cobertos de uma casca delgada de ferro
oxydado pardo (Brauneisenstein).
Essa especie differe da precedente pelo tamanho
muito menor, tendo de cada lado de 5 a 7 costas mais
agudas e estreitas (veja-se principalmente a figura se-
gunda da estampa segunda) e a sella mais alta e divi-
dida, ao que parece. em duas partes por um sulco
situado no meio. Si a esse sulco corresponde uma
costella mediana no sino fica indeciso, sendo incomple-
tos os dois pedaços que tenho à minha disposição.
Essa especie tambem tem as partes basaes dos
dentes normalmente divergentes, o processo muscular
consideravelmente comprido e grosso, apresentando as
partes carecentes de costellas, situadas aos lados delle,
uma forte granulação.
No rotulo ajuntado está determinada essa especie
como Sp. cf. duodenarius Hall (Palaeont. of N. York,
v. IV, t. 27, 28), que é conhecido como forma do De-
voniano inferior da America do Norte (Schohariegrits
e Corniferous limestone), existindo, porém, tambem na
America do Sul, por exemplo, nas margens do rio
(1) Acceito para essa especie o nome sob o qualo Dr. von Ihering
a tem guardado e exposto no Museu Paulista.
— 306 —
Maecuru (veja-se Katzer, 1. cit. p. 7). Representa uma
especie do parentesco do bem conhecido Sp. speciosus
Schloth. proveniente do meio-devoniano mais antigo do
Eiffel, o qual de cada lado do sino e da sella tem meia
duzia de dobras largas, pouco onduladas, separadas por
sulcos estreitos. A forma da sella é pouco aprofundada,
semelhante à das dobras lateraes. Assim é natural que
não haja parentesco algum entre a nossa fórma para-
naense e duodenarius. Além da sella que parece ser
bipartida, as dobras muito mais elevadas apresentando
mais pronunciada a fórma de crista, separadas por lar-
gos intervalos, ja chegam para não se admittir a exis-
tencia de tal relação. O Dr. Katzer, que examinou
tambem a figura desta forma, é da mesma opinião.
O material da nossa especie é tão imperfeito, que
seria inutil comparar maior numero de fórmas talvez
apparentadas—razão porque me limito a fazer menção
de semelhança que ha entre o pedaço representado pe-
la terceira figura da estampa segunda e o molde do
Sp. vespertilio Sow., tasmaniano, figurado ha pouco
por Fr. Frech (Zeitschr, der deutsch. geol Ges. Bd. L,
1898, T. 4 fig. 3). Essa especie provavelmente permia-
na differe no molde só pelo sino um pouco mais lar-
go e pelas dobras um pouco mais numerosas, estando
porém o sino dobrado mais ou menos distinctamente,
no pedaço, porem figurado por Hrech quasi impercep-
tivelmente. Quanto ao nosso spirifero paranaense, não
se póde dizer nada a esse respeito.
O exame paleontologico dos dois spiriferos não
deu resultados sufficientes para determinar exactamente
a edade das camadas das quaes se originam. Apezar
de termos chegado a concluir que Spirifer jheringe
pertence provavelmente ao Devoniano inferior, este
resultado, comtudo, não é seguro bastante para ser de
valor consideravel, tornando-se assim tanto mais per-
ciso examinar, si o que já antes foi sabido sobre os
— 807 —
depositos mais antigos do Estado do Paraná, talvez se-
ja proprio para dar-nos alguns esclarecimentos acerca
da edade dos nossos fosseis.
O que sabemos até agora sobre as formações pa-
leozoicas do territorio paranaense está fundado nas in-
vestigações do distincto professor Orville A. Derby.
Segundo uma carta dirigida por este sabio ao profes-
sor Waagen (Neues Juhrbuch fiir Mineralogie Bd.
1888, II], V. 172) as camadas paleozoicas d’aquellas
regides säo de grande extensäo, dando logar sobre
uma base de formações archaicas, a dois terraços mui-
to extensos: um mais profundo composto de gres e
schistos argillosos das epochas devoniana e carboni-
fera, e um mais alto composto de gres molle, verme-
lho, das formações permiana e triassica.
Quanto ao Devoniano em particular, sua existencia
foi verificada até agora em dois logares: 1) perto de
Ponta Grossa (veja-se L cit. p. 173) e 2) perto de
Jaguarahyva proximo à fronteira de São Paulo (Arch.
do Mus. Nac. Rio de Janeiro, v.IX, 1890 p. 55). No pri-
meiro logar encontraram-se Spirifer aff. duodenarius,
Homalonotus. Vitulina etc, no segundo em gres ferru-
ginoso pardo-amarellado Dalmanites (gonzaganus Clar-
ke), Vitulina, Chonetes, Streptorhynchus, Amphigenia,
e tambem spiriferos apparentados com duode narius.
Não se póde duvidar que o conjunct desses generos mani-
feste alguma connexão com o devoniano inferior, talvez
tambem com o meo-devontano mais profundo.
São principalmente os Dalmanites e Amphigenia
que decidem a questão em favor do devoniano inferior.
Na America do Norte Vitulima pertence ao meio-devoni-
ano devoniano, (Hamilton) ao passo que na America do
Sul e na Africa do Sul já apparece no devoniano inferior.
Quanto à edade dos spiriferos dos quaes tratamos
aqui, parece ser cousa de importancia cunstarem elles
assim como os de Jaguarahyva de gres amarello, fer-
ruginoso e micaceo, donde talvez se póde, concluir que
são, mais ou manos, da edade daquelles, isto é, que
pertencem ao devoniano inferior.
— 308 —
Parece isso ainda mais provavel, visto tambem, como
ja dissemos na introducção deste tratado, o professor
Derby, talvez o unico geologo que conhece de vista,
as formações devonianas do Paraná attribuir os nossos
spiriferos, depois de tel-os examinado, à epocha devo-
niana inferior.
O Dr. von Ihering participou-me ainda as seguinte
informações que recebeu sobre os dois Spirifer do
Dr. Schuchert em Washington, observando que a minha
REGE II está no Museu Paulista guardado sob o nome
de Spirifer borbai Ihering ; sendo dedicada a especie ao
Sr. Telemaco Borba em Trbagy que colleccionou esses
materiaes.
«Os dois Spiriferos paleozoicos, parece-me, corre-
spondem aos horizontes de Lower Helderberg e Oris-
kany, na America do Norte. Spirifer borbai está in-
timamente allado ao Sp. antarcticus e tambem ao Sp.
arrectus Hall (murchisonianus Cast.) da formação de
Oriskany».
«Spirifer iheringi pode ser comparado ao Sp. ma-
cropleura Conr. da formação de'Lower Helderberg. Es-
sas especies não se assemelham às que, na America do
Norte, occorrem na zona carbonifera e tão pouco no
devoniano superior, mas sim às do devoniano inferior».
Quando já estavam escriptas as deseripções e con-
siderações precedentes, recebi duas novas communica-
ções, referentes ao mesmo assumpto, e que me obrigam
a esta nota supplementar.
Recebi o artigo recem-publicado do Prof. von
Sremiuradzkt 1 sobre a geologia do Estado do Paraná.
Baseando-se em observações proprias, diz o autor que
a serra da zona costeira é formada por uma zona larga
de schistos crystalinos que julga metamorphicos e que
ao Oeste nos «Campos geraes» segue um territorio ex-
(1) Siemiradzki, Jos. von. Geologische Reisebeobachtungen in Siid-
brasilien. Sitzungs.
Ber. d. K. Akad. d. Wissenschaften Wien. Math.-Naturw.
Klasse Vol. CVI, Abth. I, 1898 p. 23--39 com Estampa.
== SUG —
tenso situado menos alto composto de camadas mais ou
menos horizontaes de grés amarellados, ricos em mica,
com os quaes alternadamente são encontrados schistos
argilosos escuros. Segundo Derby, essas camadas são
devonianas, nellas encontram-se em Ponta Grossa, Ja-
guarahyva e nas paredes escarpadas da Serrinha, ao NE
de Palmeira, fosseis que estão distribuidos em dois ho-
rizontes, suppostos de ser da mesma idade. Um delles
consiste em schistos argilosos, ricos em mica, pardos
côr de chocolate e contem exemplares de Spirifer ant-
arcticus Morris et Sharpe; o outro é formado por
schistos pretos contendo petrificações de Lingula, Dis-
cina, Spirifer e outras conchas ainda não determinadas.
Estas communicações do meu collega de Lemberg
me confirmam na opinião de que as duas especies, aci-
ma descriptas, de Spirifer, provêm de camadas da idade
devoniana. A occurrencia nessas formações de Spirifer
antarcticus, especie de vasta distribuição na America
meridional, faz crer que se trate do Devoniano inferior.
Tendo já chegado o postscripto precedente às mãos
do Sr: vn Ihering, este obteve e me remetteu um
outro fossil, da formacäo devoniana do Estado do Parana.
Segundo a indicação do achador a petrificação
provem da mesma localidade como Spirifer Lhering:,
perto de Tibagy. Que provem tambem das mesmas cama-
das, prova a estructura da rocha que a inclue e que repre-
sentao mesmo grés amarellento e rico em mica, no
qual tambem consistem os moldes de Sp. Jheyingr.
Quanto à petrificacäo mesma, trata-se de duas
valvas de uma concha, adherentes à rocha e conser-
vadas como moldes, de cerca de 20 mm. de altura,
35 mm. de largura e 20 mm. de espessura. As duas
valvas corr respondem provavelmente uma à outra; es-
tão porém um pouco deslocadas e tocam-se sómente
pelas extremidades. Da valva direita, resta sómente a
metade, a valva esquerda está completa.
Como a figura junta desta valva mostra, a concha
é de contorno transverso-oval com o lado anterior for-
temente encurtado e o lado posterior alongado. Este
— 310 —
é limitado em cima por uma margem direita cardinal, em
frente por uma fraca crista diagonal,
saindo do bico, sendo atraz obliqua-
mente truncado. Do bico, não muito ARR
. alto, obtuso e arredondado, a valva (SS MAR
inclina-se ingrememente, sendo a SEM
margem inferior em baixo do bico le- k
vemente sinuosa e coherente a um Fholadella riadiata Hall
afundamento chato que se forma aqui. defina Ro
Muito digna de observação é a esculptura. A parte
media de ambas as valvas é guarnecida de 8 a 10 cos-
tellinhas radiaes, separadas por largos intervallos, em-
quanto faltam quasi completamente na parte anterior
e posterior das valvas, parte que, então, apparece lisa.
Fôra das costellas radiaes existem ainda fortes estrias
concentricas de crescimento, um pouco entumescidas
a margem da concha. Impressões dos musculos e li-
nha do manto não se podem reconhecer.
Creio que a nossa concha pôde referir-se à Pho-
ladella radiata Hall (Palaeontol. of N. York V. pt. I,
Lamellibranch. 1, t. 78, fig. 15—21).
E” uma especie dos depositos devonianos inais no-
vos da America do Norte, que, porem, foi achada recen-
temente pelo Professor Bodenbender tambem nas cama-
das devonianas da Argentina e ja descripta por mim
(Zeitsch. d. deutsch. geol. Ges. 1897, p. 290, t. 10,fig. 71).
A forma brasileira é consideravelmente maior do
que os exemplares argentinos e norte-americanos. Entre
os individuos figurados por Hall iguala-a sé um que esse
autor define como sendo “of unusually large size”. De
resto, a concha parandense parece-se com a norte-ame-
ricana. As estrias de crescimento não se apresentam tão
fortemente na ultima especie; mas, em vista das diffe-
renças que os exemplares figurados por Hall mostram
entre si em contorno e esculptura, esta anomalia parece
demasiadamente insignificante para justificar-se, por causa
disso, a separação especifica da forma parandense.
Quanto, emfim, à questão da significação da con-
cha tratada para a determinação da idade das camadas
que a encerram, convem primeiramente constatar, que
é mais uma prova da sua dade devoniana, já con-
cluida dos acima descriptos Spiriferos. Para a determi-
nação mais exacta das camadas é principalmente de im-
portancia, que Phol. radiata occorre na America do
Norte sómente nas camadas Chemung e Hamilton e que
o genero Pholadella não desce alli sob as camadas meio
—devonianas. Podia-se concluir d'isso que tambem os
grés do Estado do Paraná, com Rh. radiatu e Sprr.
theringr mão pertenciam a formação devoniana infe-
rior, mas a metio-devoniana. Um apoio para esta opi-
nião podia-se achar nas relações da Argentina, onde a
mesma concha occorre numa communidade de formas,
que, segundo a minha opinião, indica antes a formação
meio-devoniana ue devoniana inferior. (Neues Jahrb. f.
Min. 1899, I, 255).
Explicação das estampas
EST
Fig. 1. Sperifer Ihering: n. sp. Do devoniano in-
ferior (2) do Estado do Parana.
1. Vista dorsal de um molde muito gasto pelo at-
trito. 1.º vista ventral deste molde.
Fig. 2. A mesma especie, da mesma proveniencia.
Vista ventral de um molde um pouco melhor conservado,
apresentando ainda os vestigios de uma crista mediana.
Os criginaes estão no Museu Paulista.
EST, II
Fig. 1. Spirifer Ihering: n. sp. Do devoniano in-
ferior (?) do Estado do Paraná. Vista pelo lado do
bicco de mn molde um pouco disforme.
Fig. 2 e 3. Spirifer borbai Ih. n. sp. Da mesma
proveniencia.
2. Vista dorsal de um molde um pouco disforme 3
e 3.º vistas ventrale do lado do bico de outro molde.
—Os originaes estão no Museu Paulista.
NOTA SOBRE 0 CURARE
PELO
DR. Je BACH
Nas minhas explorações do anno de 1897, na ex-
pedição que realisei subindo pelo rio (rinoco, passan-
do o rio Cassiquiare, deste ao rio Negro para o ma-
gestoso Amazonas vi preparar esse veneno terrivel
o Curare pelos Indios Guaicas, habitantes das mar-
gens do Alto Orinoco, na Guyana Venezuelana.
Do rio Cassiquiare realisei um trajecto a pé
até entrar no rio Baria, bem abaixo de Solanos, em
cujo ponto entrei no rio Negro deixando a povoação
de Solanos, à minha esquerda, porque me informaram
da existencia, nesta villa, de uma quadrilha de saltea-
dores.
Approximadamente 2 '/, ou 3 leguas antes de che-
gar-se ao rio Cassiquiare existe uma pequena villa,
chamada Buenaguardia que conta cerca de 600 ha-
bitantes sem a menor industria e que passam a vida
entregues à ociosidade e extrema indolencia. Os indi-
cenas chamam ao aldéamento Quajo, devido à exis-
tencia nas cercanias de muitas e extensas mattas de uma
planta com este nome, que produz uma fructa pequena,
do tamanho de uma avelã, extremamente oleosa.
Os indigenas servem-se d'essas pequenas fructas
para com ellas fabricar simples velas que dão realmen-
— 314 —
te uma luz clara, sem fumo e sem cheiro. Elles fabri-
cam essas velas enfiando numa fibra de bambu, rus-
ticamente alisada, as fructinhas umas sobre outras, com-
primindo-as fortemente entre si e dando-lhes, portanto, a
apparencia e o formato semelhantes a uma vela de stea-
rina pura.
Foi nas: cercanias da villa de Buenaguardia
que encontrei os selvicolas denominados Guaicas, os quaes
são regularmente doceis 'e trataveis. Os seus agru-
pamentos são regulares, constituídos na maior parte de
mulheres e creanças ; bem limitado 60 numero de ho-
mens. Esses selvicolas são na maior parte de estatura
mediana, côr de cobre escuro, testa estreita, cabellos ne-
gros e corredios, olhos negros, nariz pequeno, imitan-
do o nariz da raça africana, levemente achatado, den-
tadura bonita e branca, orelhas grandes.
Demorei-me dois dias, apenas entre os Guaicas:
tendo notado que o uso de objectos ethnographicos é
com bem pouca differença, egual ao das outras raças
indigenas dessa zona.
O Curare é differente do que vi usar pelos in-
digenas dos lados do rio Amazonas.
Nos dois dias em que me demorei entre Guaicas pr esen-
ciei uma cerimonia bem curiosa para a fabricação, ou
para melhor dizer, de parte da fabricação d’esse veneno.
O cacique com os outros chefes seus subalternos,
realisaram o sorteio de tres indigenas da tribu, os
quaes teriam de sujeitar-se à fabricação do terrivel
venenQ,
Foram sorteados dois homens e uma mulher para
esse fim.
Reuniram-se, então, 186 indigenas ineluindo os sor-
teados e principiaram a fabricação do Curare com as
seguintes formalidades
O tuchau ou cacique mandou preparar em uma pe-
quena clareira uma fogueira pequena e de fogo lento..
Ao seu lado, elle tinha duas panellas de barro quei-,
mado, de tamanho differente. A maior destas panellas.
estava cheiade uma tintura côr de chocolate claro, na
ae ete
quantidade de pouco mais ou menos 800 grammas ea
menor tinha a capacidade ae 150 grammas.
Por sua ordem, a panella menor foi collocada sobre
a fogueira conservada a fogo lento e um des indigenas
sorteados esvasiou ou verter ncia uma quantidade da
tintura até o meio € introduzindo no liquido uma va-
rinha de madeira resistente ia-a remexendo. A eva-
poração produzida era tão forte que no espaço de 2 1/2
horas o indio tinha vertido totalmente as 300 grammas
da tintura, perfeitamente concentrada. Ao terminar essa
operação o indigena completamente estonteado, devido à
forte evaporação do veneno, foi substituido pelo compa-
nheiro de sorteio. Uma hora e meia depois este Indio
tambem se viu obrigado a abandonar a manipulação
do veneno, victima das mesmas tonteiras, passando a
operação a ser feita pela mulher sorteada, que terminou
a operação ou manipulação sentindo-se tambem atacada
dos mesmos soffrimentos.
Ficando, assim concluida a fabricação do veneno,
as 800 grammas da primitiva tintura foram reduzidas
a um extracto côr de chocolate escuro tendo durado
a terceira e ultima manipulação cerca de 1 1/2 horas.
Durante esse trabalho, o cacique havia formado,
com os 183 indigenas que assistiam à fabricação, um
semicirculo cuja abertura era do lado para onde so-
prava o vento, de forma que os espectadores não absor-
viam as evaporações do veneno.
Não pude saber nem obter os vegetaes compo-
nentes d'esse veneno porque os indigenas se negaram
absolutamente a dar-me esse segrêdo. Pude conseguir
a posse da mesma panellinha que serviu para a fabri-
cação do Curare e conservo-a em minha residencia.
Realmente, vi entre esses indios que o effeito des-
se veneno é bem um effeito violento. Esse mesmo
effeito violento tambem tive occasião de o presenciar
no baixo Orinoco, alguns kilometros acima do Passo
do Inferno, onde, ao desembocar em uma volta do rio,
foram flechados dois remadores da minha canôa, que,
poucos momentos depois de feridos pelas flechas enve-
— 916 —
nenadas com o Curare, deixavam de existir. Deve no-
tar-se que os ferimentos não foram em logares consi-
derados mortaes, pois que um dos remadores foi fle-
chado na perna direita e o outro no antebraço di-
reito. Ambos morreram com o intervallo de poucos
momentos e apresentaram symptomas identicos aos da
estrychnina.
O Passo do Inferno & o ponto mais estreito do
rio Orinoco, sendo a sua corrente de uma violencia
extraordinaria, visto como elle passa apertado entre duas
montanhas talhadas a pique. Tomou tal nome porque
ha muitos annos que constantemente alli têm naufraga-
do as canôas ou pequenas embarcações que se arrisca-
ram a atravessal-o. Deste ponto, tenho uma photographia
que eu mesmo tirei. Para passarem sem risco os
viajantes costumam conduzir as canôas em pequenas em-
barcações por terra, por qualquer das margens e mais
adeante lançal-as de novo no rio e assim proseguirem
a navegação.
O terreno é constantemente montanhoso e mostra
sempre quartzo aurifero. Toda a zona que percorri
nessa minha exploração é quente, febril e paludosa.
Encontrei nella enormes mattas de caji, principalmente
na Guyana Venezuelana e no trajecto pelo Orenoco,
sendo a maior parte de cajú mimoso (pequenino), de
coloração rubra e amarella, sendo mais adstringentes
do que os do Brasil, por conterem muito tanino.
Em toda esta viagem em ambas as margens dos
rios Orinoco, Cassiquiare, Baria e Rio Negro vi ve-
getaçäo variada, soberba, luxuriante e opulentissima,
encontrando-se extensas mattas de borracha, cumarie
immensa variedade de plantas com applicação na medi-
cina e na industria, gommas praciosas etc.
Tive tambem occasião de apreciar interminavel va-
riedade de parasitas, orchideas de aspecto bizarro e
surprehendentes de belleza.
A jauna de todas essas paragens é opulenta pela
quantidade e variedade de passaros de formosissima
plumagem e peixes de muitas especies, formatos e ta-
— 917 —
manhos. Na fauna do Orinoco, junto às margens dos
rios affiuentes, encontrei, em diversos pontos, um passa-
ro muito semelhante a uma pomba róla no tamanho
e formato, mas com uma plumagem totalmente verme-
lha, de um vermelho vivo e brilhante; as pernas e o
bico eram do mesmo colorido. Nao pude perceber- lhe
o canto. Esses passaros andam em pequenos bandos
separados e aos pares Oa em casaes; 0 seu vôo é
rapido,
Atravessei immensas zonas de mineraes e desco-
bri, com frequencia, ouro, prata, ferro, cobre, chumbo,
carvão de pedra, etc. etc.
Na Guyanna Venezuelana estive na pequena cidade
de Bolivar. E” a mais antiga desta Republica e tira o
seu nome do grande general e patriota Simão Bolivar,
que provocou a independencia contra a espanha, a
Metropole, não só da sua patria, como tambem da dos
outros territorios ou vice-reinados pertencentes à Hes-
panha e que são hoje as republicas de Venezuela, No-
va Granada, Equador, Peru, Bolivia, Colombia e Gua-
temala.
As construcções da cidade são no antigo estylo
gothico e na praça principal vê-se a estatua pedestre
de Simão Bolivar, o libertador, cercado de sete esta-
tuas symbolisando cada uma das republicas acima enun-
ciadas.
Emfim, nessa minha viagem pari-passu dos peri-
sos inherentes a todas as explorações identicas, tive
momentos de extasis e pasmo indiziveis em face das ri-
quezas deslumbrantes de uma natureza uberrima e vir-
gem e concentrei-me naquelle recolhimento e adora-
ração intima que em todos os passos da nossa vida
devemos a Deus, o Creador de tantas maravilhas, a
Deus que nunca deve sahir e não sahe do pensamento
e espirito do viajor naquellas immensas solidões.
A Hyla pulchella Dum. Bibr. e a funcçäo chromatica
POR
P, A. SCHUPP
E vm facto conhecido que certos animaes têm a
propriedade cde conformar sua cor com a do meio em
que vivem, donde resulta que os mesmos individuos
apparecem ora com uma, ora com outra côr. Ha ani-
maes em que esta mudança de côr é completamente
independente do concurso do individuo, mas é uma
lei certa e inevitavel à qual está sujeita toda a especie
sem excepção. Assim por exemplo, ha uma especie
de lebre ( Lepus variabilis Pall.) que, pardo-cinzenta
no verão, torna-se, no inverno, branca como a neve.
Do mesmo modo pode-se observar que muitas
aves tomam no inverno um colorido differente daquelle
que tem no verão, harmonizando mais assim com a
monotonia da estação.
Outros animaes ha, em que a mudança de côr
depende de circumstancias inteiramente individuaes,
pelo que, mudando-se estas, muda tambem a côr,o que
pode acontecer em intervallos muito pequenos.
Esta propriedade de mudar a côr conforme as
circunstancias, que se costuma designar pelo nome
de funcção chromatica, é chservada em alguns gene-
ros de peixes, em certos reptis, em muitos amphibios,
como nas rãs e muito em particular nas das moitas e
talvez, entre as ultimas, não haja outra em que a va-
riabilidade chromatica seja tão pronunciada como na
— 320 —
Hyla pulchella Dum. et Bibr. (bracteator Hensel) que,
tantas vezes temos occasiäo de observar, quando nos
dias chuvosos ou tardes humidas do veräo, justamente
ao cahir do sol, sahindo dos seus escondrijos deixa
ouvir, de cima d'uma arvore ou da folhagem larga e
sombria de uma bananeira ou agave sua voz is
sante: gli-gli, gli-gl-gh, gli-gl signal, que já vae fa-
zer a ronda nocturna e tomar conta dos bichinhos,
que a este tempo costumam regosijar-se.
A H. pulchella, quando adulta, chega a 50 mm.
mais ou menos de comprimento. Quando em repouso,
o seu dorso mostra uma dupla convexidade isto é, no
sentido do eixo longitudinal como no do transversal.
A sua figura é sempre muito graciosa. À parte
dorsal da pelle é muito lisa e macia, ao passo que a
abdominal é coberta de eranulações as quaes, junto
com as ventosas dos pés lhe servem de orgãos para se
prender aos objectos lisos e suspender-se.
Quanto à côr, é extremamente variavel; ora é
cinzenta clara e quasi argentea, ora escura, ora ama-
rellada, ora parda de bellissimo verde ou ainda um
conjuncto de todas estas cores que mal se pode de-
terminar. Ha momentos em que o colorido secco com
brilho metallico torna-se logo depois humido, de um
brilho vitreo ou esmaltado. O que é constante é uma
linha escura, a qual, começando nas fossas nazaes, in-
terrompida nos olhos, contintia nos lados em todo o
comprimento do corpo como tambem na parte margi-
nal das extremidades, sendo ella mesma acompanhada,
em toda sua extensão, de outra linha branca.
Nas pernas trazeiras prevalece, na parte inferior,
a cor branca,ao passo que, na região proxima ao cor-
po, se acham muitas vezes coloridos côr de rosa, sem-
pre, porém, salpicados de preto.
Para dar uma idea da mutabilidade da nossa ra-
sinha vou reproduzir umas notas que tomei a respeito
em tempos passados. No dia 13 de Março, nas folhas
de uma Tillandsia tinha eu apanhado uma Hyla brac-
teator ; era de um pardacento claro e tinha differentes
— 321 —
desenhos irregulares no dorso. Metti-a num vidro de
bocca larga e junto com ella um ramosinho d'uma es-
pecie de Hibiscus. No dia seguinte, achei a sua côr
mudada, num lindo verde que se communicou tambem
à listra lateral de que fallamos, com a diflerenca que
esta estava mais escura. Tirei então o ramosinho ver-
de e ainda no mesmo dia começou a côr verde a mis-
turar-se com amarello assemelhando-se assim a rasinha
a uma folha no acto de murchar. Esta côr lhe ficou
até a tarde.
No dia immediato que era 10 de Março, a cor
verde tinha voltado em toda sua belleza ainda que
nada mais de verde houvesse no vidro. Porém já
no outro dia cedo a nossa hyla appareceu parda ama-
rellada com brilho esverdeado, mostrando-se na pelle
alguns desenhos irregulares. Foi tambem nesse dia,
que pela primeira vez na sua prisão, entoou seu canto
costumado.
Durante o dia voltou a linda côr verde e a linha
branca que acompanha a linha lateral, resplandeceu
num brilho de seda; à noite, porém, a cór se mostrou
mudada em um aquoso verde-cinzento.
Nos proximos dias até 21 de Março conservou de
novo um vivo verde mudando-se então em um amarello
cor de laranja, occasionado talvez por ter sido a räsinha,
nesse dia, exposta aos raios directos do sol.
Puz então, um raminho verde, ficando este em
seguida um mez inteiro (21 de Março— 21 de Abril)
no vidro e a hyla todo este tempo esteve com sua
linda côr verde, ora mais clara, ora mais escura. Nunca
porém achei o animalsinho tão bonito como neste ul-
timo dia.
O bello e vigorosc verde que lhe tinge o dorso,
a fita escura ao lado da cabeça, do corpo e das extre-
midades, o risco branco que o acompanha, a mancha
cor de bronze indicando o logar dos ouvidos e o iris
transversalmente fendido com seu brilho metallico, tudo
isto dá-lhe um aspecto tão elegante e direi mesmo en-
cantador, que nos da a entender que este animalsinho
tem o fim de passar seus dias entre flores.
Tirei euntao o ramo do vidro, substituinde-o por
uns pedacinhos de madeira. Pouco depois o uosso
pequeno batrachio começou a mudar de côr, conver-
tendo-se esta em um verde sujo como si fosse mistu-
rado com pardo. Assim conservava-se ainda no dia
seguinte a côr parda, desapparecendo “iteiramente no
dia 30 o verde da mistrra. A razinha mostrava-se
então um pardo claro acinzentado, ficando-lhe sempre
a linha escura, mas não a branca, que sómente era
indicada por um colorido mais claro nos logares res-
pectivos.
Passados mais alguns dias, o variavel bichinho
appareceu com uma nova côr que era semelhante a do
chocolate misturado com imurto leite, passando, porém,
pouco depois para um bem pronunciado pardo, côr de
chocolate.
Durante alguns dias, esta côr ficou constante. Só
no dia 9 de Maio, via-a mudada em um conzento, terante
a pardo, o qual, entremeiado com differentes desenhos
irregulares, tornou a rasinha perfeitamente semelhante
ao pedacinho de madeira ao qual estava pegada.
Depois não observei mais mudança alguma senão
em fins de Setembro.
Continuei ainda as minhas observações, não só-
mente no individuo mencionado, como tambem em ou-
tro exemplar, sempre com os mesmos resultados,
conformando-se sempre as räsinhas, ora mais, ora me-
nos depressa com a côr dos objectos, que as rodeavam.
Consegui, deste modo, vel-as passar por todas as
cores de espectro solar, menos a encarnada, visto como
collocando no vidro uma especie de Hibiscus intensi-
vamente encarnada, a reacção sobre a côr dé nossa
Hyla ficou absolutamente nulla.
tellectindo agora sobre os factos mencionados, sur-
gem espontaneamente duas questões interessantes : como
se ha de explicar, physiologicamente, aquella varia-
bilidade de côr? e qual pode ser o fim da mesma?
Quanto à primeira questäo, as experiencias de dis-
tinctos naturalistas como Pouchet, Lister e ontros po-
zeram fora de duvida
1.º que a mudança de côr nos animacs sujeitos a
ella, se faz mediante o apparelho da visão. Prova-se
isto pelo facto, que o phenomeno da Juneção chromatica
não se da em individuos cegos, nem naquelles aos anaes
se cobrem os olhos.
2.º A impressão, recebida pelos orgãos visuaes, é
então transmittida, por meio do nervo sympathico. Para
verificar isto, basta fazer um córte neste mesmo nervo
e vêr-se-à que immediatamente cessa a capacidade do
animal mudar a côr e isso na sua totalidade, quando
se córta o tronco principal, só parcialmente, porém,
quando somente se córta um ramo.
3.º O orgão proprio da funcção chromatica é a
pelle. : Para formarmos uma idea do modo. como ella
se faz, é mister, lembrarmo-nos que a pelle se compõe
de duas camadas, wma exterior, transparente e muito
fina, a epiderme e outra a cutis.
1 eputerme, que è composta de cellulas epitheliaes,
não contem nem vasos saúgnineos, nem nervos, nem
possue, de ordinario, cor propria. A cutis, pelo con-
trario, alem de vasos capillares, nervos e differentes
glandulas, contem ainda uma multidão de cellulas dis-
postas em camadas e cheias de uma materia corante,
o pigmento, pelo que se deu o nome de chromatophoros
ou porta-côres. E" de observar que as celulas das
differentes camadas não contêm todas a mesma materia
corante, mas cada uma sua propria de modo que, sendo
por exemplo o pigmento de uma camada cinzento, o
de outra é pardo, ou verde, ou azul ou de qualquer
outra côr.
Quanto à suecessão das camadas, porém parece ser
lei, que as infimas alojam o pigmento mais escuro
tornando-se este successivamente mais claro nas cama-
das superiores.
Entretanto, esta disposição das cellulas chromato-
phoras por si só ainda não basta pará explicar perfei-
— 324 —
tamente o phenomeno de que se trata. Para isso é
necessario saber que as ditas cellulas estäo em contac-
to com as ultimas ramificações do nervo sympathico e
que este lhes communica a capacidade de se dilatar,
contrahir, e mesmo, até certo ponto, mudar sua po-
sição.
Dahi resulta que o animal pode, conforme as cir-
cumstancias, augmentar a intensidade de uma cor e
diminuil-a de outra e mesmo misturar as cores das
differentes camadas, e assim produzir, na superficie da
pelle, aquella variedade de coloridos que admiramos.
Todo o processo é pois o seguinte: O animal,
percebendo os objectos da sua visinhança, recebe del-
les uma certa impressão nos seus orgãos visuaes, esta
impressão de continuo se traduz numa disposição corres-
pondente no nervo sympathico, o qual, por sua vez,
actuando sobre as cellulas chromatophoras determina-
lhes aquellas mudanças cujo resultado final & a cor res-
pectiva.
Accrescento aqui uma dupla observação e vem a ser :
1.° que a passagem de uma cor clara para outra
escura, muitas vezes, conforme minhas observações, po-
de ser causada pelo simples facto de tornar-se o ar
mais humido ; pois embebendo-se então a pelie do am-
phibio, em consequencia de seu caracter hygroscopico,
da humidade atmospherica, torna-se escura do mesmo
modo que a cinza de côr clara quando secca, se torna
quasi preta quando molhada.
2.º Em todas aquellas mudanças não se pode pen-
sar em intenção da parte do animal, para isso seria
preciso que este percebesse não somente a cor dos ob-
jectos visinhos como tambem a sua propria e que fi-
zesse então uma comparação de uma com a outra, para
dahi concluir a conveniencia de conformar a sua côr
com a do meio ambiente.
Que este facto na realidade não se da nem pode
dar-se, podemos evidenciar por uma simples reflexão.
Para nos-servirmos de prova da nossa räsinha é um
facto que a mudança da côr se faz principalmente
— 325 —
no vertice e dorso do animalsinho, lugares que, inat-
tingiveis pelo orgão visual do mesmo, não podem ser
objecto de seu conhecimento, e, por conseguinte, nem
de uma comparação, nem tão pouco de qualquer ten-
dencia. —E' pois evidentemente erronea a opinião da-
quelles que querem attribuir a estes animaes uma es-
pecie de juizo e reflexão.
Nem tão pouco pode-se admittir o que outros
querem, que a funcção chromatica seja um processo
meramente mechanico, quer physico, quer chimico-me-
chanico. Combatemos tambem esta opinião, não por-
que julgamos que a necessidade da intervenção de um
acto visual fosse, por si, uma prova em contrario, mas
por outra razão que vamos expôr.
A rásinha. na sua prisão de vidro, recebe os raios
luminosos não só nente dos objectos de sua visinhança
immediata, mas tambem de outros objectos existentes
no quarto, de côres diversas e muitas vezes mais in-
tensas e energicas do que as dos objectos visinhos. Se
a funcçäo chromatica realmente fosse um proccesso
meramente mechanico, deveria, por certo, determinar
ao animal a mudança do collorido aquella côr que
mais energicameute lhe fere a retina. Mas não é as-
sim; não é a maior intensidade da côr mas sim a sua
maior conveniencia que decide o caso, e por conse-
guinte é necessario admittir que aqui intervem uma
outra causa, que podemos chamar physiologica ou de
qualquer outro nome, mas que não seja meramente
mechanica.
A outra questão que não nos interessa menos, é:
qual pode ser o fim daquella mutabiliaade chromatica ?
Sei que ha auctores que negam toda a finalidade
no universo, não sendo para elles o mundo senão uma
successäo de factos sem laço ideal e intencional, uma
machina fria e bruta, cuja unica força motora é a du-
ra necessidade ; estes, naturalmente, nem na questão
presente admittirão finalidade alguma.
Porém a quem attentamente observa os phenome-
nos da natureza, não podem escapar dous factos :
— 326
1.0 que a funcçäo chromatica é propria dos ani-
maes, que della precisão para sua protecção ;
2.º que ella é adaptada ao grau de necessidade
de cada um.
Quanto ao primeiro facto, vemos que os animaes,
que se distinguem pela variabilidade chromatica são
todos fracos e expostos às perseguições de differentes
inimigos.
assim a lebre mencionada acima, tem por inimigos
não somente diversos mammiferos, taes como a raposa,
o cão e outros, mas é tambem perseguida pelo corvo,
o gavião e até, durante a noite, pela coruja. Quanto
aos peixes, não é menos . verdade, que aquelles, que,
conforme os estudos de Agassiz e outros, gozam da
variabilidade chromatica, — como a Perca fluviatilis, o
Gobius Ruthensparri etc. —não tendo outro meio de se
defenderem, necessitam Wella para escaparem aos ata-
ques de seus perseguidores, ou tambem para se sub-
trahirem à attenção dos bichinhos que lhes servem de
alimento. Os pobres batrachios, afinal, que são mais
inermes e ao mesmo tempo mais procurados por uma
multidão de inimigos: aves, cobras ete. não poderiam
subsistir, se a faculdade de imitarem a côr de seu meio
não lhes viesse garantir, de algum modo, a vida.
Para provar o segundo facto, i. é. que a faculdade
de mudar a côr está, em perfeita proporção com o
gräu de necessidade dos respectivos animaes, podemos
distinguir tres grupos de animaes que aqui vêm em
consideração ; o primeiro é daquelles que sempre vivem
no mesmo meio, cuja côr partilham ou então em loga-
res sombrios e escondidos onde a escuridão mesma os
protege. Não conhecemos animal que nestas condições
seja dotado da faculdade de mudar a côr, a não ser em
caso de tee forçada. Assim no Proteus angui-
nus p. e. observa-se uma mudança de côr quando elle,
tirado a interior de sua caverna, fica exposto à luz.
O. segundo grupo é dos animaes, que são sujeitos,
durante o anno,a uma dupla mudança do meio em que
vivem, a qual se dá em paizes da zona temperada quando,
na estaçäo fria, os mattos e campos, depondo sua verdura,
tão rica em escondrijos, se cobrem de neve tão propria
de atraiçoar, por sua candura, os pobres animalejos de
côr diversa, e é outra na volta da primavera, quando
a natureza, torna a pôr seu ornato rico de antes.
Estes animaes, pois, passam tambem sómente por
duas mudanças de colorido, completamente independen-
tes da sua propria actividade, as quaes coincidem com as
alludidas mudanças da natureza. São desta classe aquel
les mammiferos e aves, que, tendo no verão um colorido
pardo ou semelhante, se tornam, no inverno, brancos
como a neve, como acontece, p. e., com a lebre citada e
differentes outros animaes dos Alpes e regiões boreaes.
Afinal ha um terceiro grupo de animaes, que não
têm uma morada certa, mas, levam uma vida vaga, ora
na terra, ora na agua, ora na folhagem das arvores,
ora na casca d'um tronco velho, ora nas fendas d'um
muro, ora na corolla d'uma flor, ficando entretanto ex-
postos sempre aos olhos de seus perseguidores. E” nestes
animaes que a funcção chromatica se observa no seu
maior desenvolvimento, podendo elles mudar de côr,
conforme as circu nstancias, mesmo em pequenos inter-
vallos de tempo, como à o caso com a nossa räsinha.
Considerando agora em resumo mais uma vez
aquelle admiravel encadeamento organico de que resulta
a funcção chromatica e ao mesmo tempo o conjuncto
dos factos de que acabamos de fallar, parece-nos que
um espirito serio e livre de preoccupações não pede
negar, que é impossivel explicar a funcção chromatica
como um effeito do esforço individual dos animaes do-
tados da mesma nem ainda muito menos do acaso, mas
deve-se conceder, que nella se manifesta nm plano sys-
tematico, o qual, presuppondo um perfeito conhecimento
da natureza dos respectivos animaes e um cuidado be-
nevolo do bem estar dos mesmos, nos obriga a admittir,
fóra da serie das cousas visiveis, um ente superior, que'
com summa intelligencia e benevolencia dirige o uni-
verso.
Baie
(et. FE
Observações sobre alguns carações terrestres
do Brazil
POR
EEN Rv SUMTER
CHRISTCHURCHE, Nova ZELANDIA
Com a estampa III
Ha já bastante tempo que o Prof. Dr. von Ihering,
director do Museu Paulista, mandou-me obsequiosa-
mente para investigação, uma porção de caracdes ter-
restres do Brazil, com a supposicäo de que alguns
delles fossem proximamente relacionadas com os gene-
ros da Nova Zelandia. Sou da opiniäo que algumas das
conchas brazileiras descriptas como //yalinia provavel-
mente sejam do genero liaminulina, mas isto não se
pode saber ao certo sem o exame do animal.
O trabalho foi feito debaixo de muitos obstaculos.
Não tinha na minha collecção nenhuma das especies ja
descriptas que me servisse para comparação, e tive que
confiar inteiramente nas descripções escassas e figuras
nem sempre satisfactorias do Manual of Conchology.
de Tryon. Só pude examinar a dentição de duas espe-
cies apenas.
No entretanto espero que, as que considerei como
especies novas, realmente o sejam.
— 330 —
FAM. TESTACELLID E
Genero Streptaxis Gray 1887
Subgenero Happia Bourguignat 1889 (Ammonoceras.
Pfeiffer, 1855 e Scolodonta Déring 1875).
Streptaxis ammonoceras P7/ei/fcr
Os specimens que tenho accommodam-se perfeita-
mente à descripçäo, mas são um pouco maiores. A
protoconcha sub-im nersa é lisa. O umbigo que é largo,
2/7 do diametro, & perspectivo, mostrando todas as vol-
tas. O specimen maior mede: diam. max. 5.25, min.
4.5; diam. do umbigo 1.5".
Hep... Piquete ss. Dano:
Streptaxis tumescens n. sp.
Estampa HI Figs. 4—4,b
Concha um pouco pequena, discoidea, moderada-
mente umbilicada, sub-estriada, transparente, brilhante,
amarellada-cornea ; espira plana de 3 1/2 voltas, con-
vexas ; protoconcha bem lisa; as outras voltas têm
estrias sub-equidistantes, que são bem mais pronun-
ciadas perto da sutura; a ultima volta é mais larga
do que as outras. A sutura é profunda, a abertura
obliqua, larga e redondamente lunar; o peristoma é
simples; a columella é regularmente arqueada com
margens distantes, convergentes; a base ê convexa.
O umbigo é aberto, profando, mostrando uma volta,
correspondendo cerca de 1/6 do diametro da concha.
O animal é desconhecido.
Diam. max. 10, min. 8,5; alt 4,5; diametro do
umbigo 1.5 mm.
Typo. na minha collecção.
Hab. Alto da Serra e Cubatão, S. Paulo.
— 931 —
Streptaxis interruptus 7. sp.
Estampa III Figs. 5—5,b
Concha pequena, discoidea, largamente umbilicada,
sub-estriada, sub-transparente, brilhante, esbranquiçada ;
espira pouco elevada, baixo-convexa ; voltas 4 #/4 con-
vexas, estreitas gradual e regularmente augmentando ;
protoconcha lisa; as outras roscas, levemente estriadas,
com interrupções distantes formadas pela callosidade do
peristoma de estados primitivos de crescimentc, sendo
mais distinctas na base. A sutura é profunda, a aber-
tura obliqua, redondamente lunar com as margens dis-
tantes, convergentes. (O peristoma é ligeiramente di-
latado, com os labios basilar e columellar ligeiramente
callosos. O l:bio columellar é curvado para o umbigo,
que é largo, mostrando todas as voltas.
A base é mais convexa do que o lado superior.
Diam. max. 6.70, min. 6.; alt 3,5; diam. do umbigo
2 mm.
Typo na minha colleeção.
Hab. Os Perts, S.Paulo, {
Esta especie é sem duvida, approximada à S. tro-
chilionoides d"Orb. (spirillus Gould), mas o numero
das voltas é menor, são mais convexas, as voltas sen-
do apenas levemente estriadas e tem as interrupções
caracteristicas dos antigos labios callosos.
FAM. ARIOPHANTIDAE
Genero Vitrea, Fitzinger 1888
Sec. Arnouldia Melvill and Ponsonby 1896 (Conulus
ole kets fo
Witrea semen lini (Moricand)
A concha vista pelo microscopio é claramente de-
cussada. A protoconcha é miudamente estriada radial-
mente tendo linhas espiraes visiveis apenas nas proxi-
midades da sutura. A perfuração umbelical é muito
estreita e quasi completamente coberta pela dobra co-
lumellar. O specimen maior que tenho mede :
Diam:. 440% alts 4 mm:
Hab. Os Perús, S. Paulo.
Genero Stenopus (Guilding) Pilsbry 1891
(Stenopus Guild. + Guppya Mérch + Habroconus C. E.)
Stenopus angasi Tryon
(guildingi Angas non Bland )
Os poucos specimens que recebi accommodam-se
à classificação em Tryon’s Man. Conch. (22 ser. vol.
II pag. 182). A protoconcha é bem lisa; não ha es-
trias microscopicas espiraes ; a extremidade da colu-
mella é levemente callosa e largamente reflexa, cobrin-
do em grande parte a perfuração umbilical. Um callo
fino reune as extremidades do peristoma. A sutura é
distinctamente marginada. O specimen maior mede :
Diam. 3,5; alt. 3,25 mm.
flab. Rio Grande do Sul.
O typo é proveniente da Costa Rica.
Stenopus anguineus (Ancey)
Estampa III Figs. 10 e 11
Um specimen da concha me foi mandado pelo
Dr. von Ihering, do Rio Grande do Sul, e foi obse-
quiosamente identificado por Mr. Ancey como a espe-
cie descripta por elle de specimens encontrados na Bo-
livia.
Consegui extrahir o animal secco, a mandibula e
a radula.
A mandibula (fig. 10) fina, ligeiramente arqueada,
acuminada nas extremidades, com uma projecção me-
diana na margem cortante.
A radula (fig. 11) tem a formula 28—1—28, com
cerca de sete lateraes. O ultimo dente marginal largo,
— 333 —
baixo com dois denticulos separados, o ectocono sendo
menor.
Nos dentes seguintes o ectocono se une com o
mesocono, formando dentes altos, estreitos e bicuspi-
dos; então a base de ligação torna-se triangular e o
mesocono augmenta outra vez, mas continua ser li-
gado com o ectocono; a base dos dentes lateraes é
quadrangular e a parte recurvada se extende até a
margem posterior, com o mesocono reforçado e o
ectocono rudimentar ou obsoleto; o dente rachidiano é
quadrangular, e a parte recurvada é quasi tão comprida
como a base, tendo um mesocono um pouco comprido
e reforçado e duas pepuenas cuspides lateraes.
Hab. Pão Grande do Sul.
FAM. ENDODONTID É
Genero Amphidoxa Albers 1850
( Sec. Stephanoda Albers 1860 )
Amphidoxa pleurophora (Joricand )
Estampa III Fig. 9
Os specimens que tenho se accommodam regular-
mente à pequena deseripção dada por ‘iryon e tam-
bem as figuras; o umbigo, porém, é um pouco mais
largo. A protoconcha é lisa; as costellinhas distantes
e agudas são em numero de sete por millimetro mais
ou menos na ultima volta; entre ellas ha numerosas
linhas microscopicas e incrementaes, mas não ha estrias
espiraes visiveis. O umbigo é profundo e cylindrico.
Diam. 2.5; alt. 2.6; diam. do umbigo 0.75 mm.
Hab. Os Perús, S. Paulo.
Uma das conchas tinha parte do animal secco, de
que consegui preparar a mandibula mas infelizmente
não pude achar a radula.
A mandibula (fig. 9) é arqueada e se compõe de
cerca de 19 chapas verticaes, que são lisas, muito fi-
nas e approximadas.
— 334 —
Seria bastante interessante examinsr a radula e
os orgãos de reproducção, e espero que mais tarde o
Dr. H. von Ihering possa mandar-me alguns animaes
bem conservados.
Genero Pyramidula Fitzinger 18383
Sec. Gonyodiscus Fitzinger 1833
Pyramidula patagonica n. sp.
Estampa II Figs. 6—5,b
Concha exigua, sub-discoidea, umbilicada, exigua-
mente estriada, não lustrosa, fulvo-clara ; espira baixa,
convexa; voltas 3!/2, augmentando regularmente con-
vexas, com costellas finas, equidistantes e levemente sinu-
adas em numero de 25 mais ou menos por millimetro.
A proto-concha é lisa, esbranquiçada, de 1*/2 voltas,
sem estrias, espiraes; a sutura é profunda, a periphe-
ria arredondada.
A abertura é redondamente lunar com a margem
simples, extremidades distantes e convergentes. O labio
columellar é curto, vertical, ligeiramente extendido
sobre o umbigo, que é um pouco largo, cerca de 1/3
do diametro da concha, profundo, sub-cylindrico. A
base é convexa. Diam. 1.75; Alt. 1.; diam. do um-
bigo 0.5 mm.
O animal & desconhecido.
Typo na minha colleeção.
Hab. Santa Cruz, Patagonia, sub-fossil em: terreno
pantanoso.
war. compacta, nov var.
Concha menor que a da especie typica, com o mes-
mo numero de voltas; costellinhas mais finas e mais
juntas ; umbigo um pouco mais largo.
Diam. 1. 5 mm.
Typo na minha collecçäo.
— 399 —
Hab. Foi-me transmittido do Rio Grande do Sul
pelo Dr. H. von lhering.
Pyramidula schuppi 7. sp.
Estampa III Figs. 7—7 b
Concha exigua discoidea umbilicada, estriada, não
lustrosa, fulva; espira quasi plana, de 4 voltas, augmen-
tando paulatina e regularmente, convexas, com costel-
linhas finas, direitas e equidistantes, em numero mais
ou menos de 14 por millimetro; entre estas ha linhas
microscopicas de incremento. cruzadas por linhas espi-
raes. A protoconcha élisa de 1 /2 voltas. A sutura é
muito profunda, a abertura sub-vertical, estreita e re-
dondamente lunar com margens simples, e extremidades
distantes, convergentes. O labio columellar é curto,
vertical, não reflexo, o umbigo bem largo, perspectivo,
mostrando todas as voltas. A base é convexa. Diam.
1. 8; alt. 0.75; diam. do umbigo 0. 75, mm.
O animal é desconhecido.
Typo na minha collecção.
Hab. S. Leopoldo, Rio Grande do Sul, colligido
pelo Rev. Padre Ambros Schupp a quem a interessante
especie é dedicada. Esta concha pode distinguir-se, à
primeira vista, das especies precedentes pelas costelli-
nhas mais distantes e direitas. pelo umbigo mais largo
e perspectivo, e pela decussação microscopica.
PAM. HELICIDÆ
Gen. Thysanophora Strebel e Pfeffer 1880.
Thysanophora caeca Cuppy
Estampa III Figs. 1—3.
Os specimens que tenho accommodam-se em todos
os sentidos com os que tenho na minha collecçäo de
Florida; demais, dou tambem aqui a figura da concha.
A dentição foi publicada por Binney em Ann. N.
Y. Acad. Sci. HI pag. 113, mas não tenho esta publi-
— 336 —
cação à mão, nem a vi nunca. Dou aqui a deseripçäo
e as figuras deste pequeno mollusco do Brazil.
A mandibula (fig. 2) é arqueada, muita fina, for-
mada por cerca de 13 chapas lisas, separadas e verticaes.
A radula (fig. 3) tem a formula 5—4—]—4—5.
O ultimo dente marginal é miudo, com um denticulo
rudimentar; os dois seguintes são largos com quatro
denticulos ; os dois seguintes vão se tornando mais
estreitos e altos e têm apenas tres denticulos cada um ;
os lateraes têm a base quadrada, o mesodonte um pouco
curto, e o ectodonte distante e miudo.
O dente rachidiano, que tem a base um pouco mais
alta do que larga, é tricuspide, tendo o mesodonte um
pouco largo e não attingindo a margem posterior da
base; as cuspides lateraes são pequenas.
Hab. Cidade de S. Paulo.
Esta concha parece ser distribuida por uma area
bastante grande. A dentição assemelha-se bastante à
do genero Hlamimulina.
FAW. PUPIDE
Genero Pupa Draparnaud 1805
Sub-genero Bifideria Slerki 1893
Pupa iheringi n. sp.
Estampa III Figs. 8 e Sa
Concha exigua, cylindrica com o apice conico, obtu-
sa, cinzenta, lisa e fragil; voltas 6, convexas. A sutura
é um pouco funda, a abertura redonda e pentagonal, ver-
tical. O peristoma é extendido, especialmente à base,
levemente calloso, a callosidade unindo às extremidades
convergentes. A bocca tem cinco laminas. A parietal é
larga e collocada ao fundo, especialmente a parte acha-
tada posterior que se extende até a columella ; na frente
é entalhado em cima por uma crista em forma de S
invertido. A sobre-parietal, em frente e à direita da
parietal, desce da parede da abertura formando uma
dobra forte e sinuosa, sendo, ligada à parietal forman-
do assim uma só lamina bifida. Bem no fundo da bocca
e um pouco abaixo da parte esquerda da parietal acha-
se uma lamina pontuda e dentiforme, presa à columel-
la; mais em baixo, perto do meio da base, existe ou-
tra lamina curta, oval, e pendendo para a esquerda ;
no labio exterior notam-se duas laminas, collocadas no
fundo pouco elevadas, quasi parallelas entre si; todas
as laminas paladares correm na mesma direcção. A
perfuração umbilical é pequena e oval. Base convexa
com uma pequena contracção atraz da expansão do pe-
Listoman Wiad 1. alt. 2:o° mm.
Typo na minha collecçäo. — //ab. Cidade de Rio
Grande do Sul (Bollaxa), tirado em estado sub-fossil de
deposito moderno.
Explicação da Estampa III
Fig. 1 Thysanophora coeca Guppy, Concha >< 6
« 2 Qa « » mandibiula augmentada
Gd « « « dentes da radula
muito augmentados
« 4-4b. Streptaxis tumescens Suter concha X 2
« 9—9 b. » interruptus Suter concha X 3
« 6—6 D. Pyramidula patagonica Suter concha X 3
« T—Th. « schuppi Suter concha X 8
« 8 Pupa iheringi Suter concha > 10
«Sa. « « « bocca da concha
muito augmentada.
« 9. Amphidoxa pleurophora Moricand, mandibula
muito augmentada.
« 10. Stenopus anguineus Ancey mandibula, augmentado
ME « « « Dentes da radula
muito augmentados.
ARCHEOLOGIA RIO-GRANDENSE
POR
JM PALDAO F
EM PORTO-ALEGRE
COM A ESTAMPA IV.
Nota da Redacçäc.—0 artigo que segue é a repro-
ducçäo de 3 artigos publicados em 1898 pelo Sr. J. M.
Paldaof em Porto Alegre no «Correio do Povo». Re-
fere-se esse artigo as riquezas archeologicas da impor-
tante colleccäo do Sr. Arnaldo Barbedo.
E’ de summo interesse a occorrencia de tembetás,
almofarizes, zoolithos dos quaes até agora nada obtive
e vi do Estado do Rio Grande do Sul. Observo que a
palavra de zoolitho tomo em sentido mais vasto do que
o Sr. Paldaof, incluindo nessa categoria tambem os al-
mofarizes em forma de aves, peixes e outros animaes.
Esse typo que se conhecia dos sambaquis da costa do
Brazil meridional é representado na colleçäo do Sr. Ar-
naldo Barbedo por varios exemplares; a figura da Est.
IV fig. 8 representa um pombo e a fig. 9 representa
tambem uma ave, correspondendo as expansões lateraes
às azas, a parte co nprida anterior ao pescoço e à ca-
beça. Objecto summamente interessante é figurado em
fig. T representando um disco polido de pedra destinado
a ser perfurado como os machados circulares, mas só
em parte acabado.
— 340 —
Pois que carecemos ainda de investigações minu-
ciosas a respeito dos indigenas do Brazil, tivemos a idéa
de comparar uma das mais importantes colleções archeo-
logicas do Estado com os estudos ethnologicos publica-
dos pelo director do museu paulista, no volume 1.° da
sua Revista, nos quaes são reunidas resumidamente to-
das as observações feitas por archeologos eximios, espe-
cialmente rio-grandenses, como Koseritz, Ihering, Kunert,
etc. Havendo, porém, outras por expor, vamos rela-
tal-as nos presentes artigos.
A colleção, que servirá de base às nossas observa-
ções, é a dos irmãos Barbedo. Percorrendo o Estado
inteiro e os sambaquis das praias atlanticas, chegaram
esses senhores a enriquecer as suas colleçcôes com os
mais raros specimens, dos quaes daremos uma simples
descripção, para auxiliar a archeologia brazileira e o
illustre Dr. H. von Ihering, a quem o Rio Grande do
Sul muito deve.
*
Como ponto de partida, tomaremos os artefactos
mais communs, os chamados Machados quadrangula-
res. Dos oitenta collecionados, e que provêm de todo
o Estado, destaca-se um pela sua grandeza: tem 280
mm. por 120, e foi encontrado em um sambaqui de
Mostardas e o menoor tem 7 por 4 cm. e foi achado
proximo ao asylo de Santa Thereza, desta capital.
Machados entalhados— São sómente cinco os ma-
chados colleccionados, que tem um entalhe rodeando a
extremidade opposta ao gume.
São exemplares magnificos, um dos quaes, o maior,
procedente de Palmares, na costa da Lagoa dos Patos,
tem 30X13 em.
Elles eram adaptados a um cabo, nao ha duvida,
pois que se sabe que o dr. João Paranhos tem um nes-
tas condições. I*olgamos registrar este importante acha-
do, que anulla a supposição emittida de que o entalhe
servisse para apoio do dedo pollegar e do dedo index.
Machados circulares.—Os machados circulares per-
clusos, particularidade rio-grandense, cujo uso ainda
parece mysterioso, são em numero de 9, tendo o maior
140 mm. de diametro e sómente 40 de grossura.
Este machado circular differe muito dos outros por
ser delgadissimo. oi encontrado no municipio de 8.
Sebastião do Cahy, mas a maior parte delles provêm
dos municipios de Bento Gonçalves e Caxias.
Temos a observar que a secção vertical destes ar-
tefactos apresenta tres aspectos, considerado o angulo
formado pelas duas superficies convergentes do machado.
Em uns o angulo é agudo, em outros curvilineo con-
vexo, e, finalmente, em outros, curvilineo concavo.
Machados semicirculares (Ankeraexte. — Infeliz”
mente, a colleção não possue exemplar algum destes
objectos rarissimos. O Dr. von Ihering diz que foi en-
conirado wm unico specimen no Rio Grande do Sul:
nós observaremos que foi achado outro na margem es-
querda do arroio Barrica, affiuente do rio Nhucarã e
confluente do rio Uruguay. EE’ possuidor deste precioso
objecto o illustra ex-presidente do Estado, dr. Julio de
Castilhos.
Machados duplamente entalhados.—Nem von Ko-
seritz, nem von Ihering falam destes instrumentos in-
digenas. Entretanto, é de notar-se que a colleção Bar-
bedo acha-se enriquecida por quatro destes machados.
cuja descripçäo é, em poucas palavras, a seguinte: A
forma e a grandeza são as mesmas que as do machado
quadrangular ; porém, nas bordas lateraes oppostas ao
gume correm duas canneluras parallelas e symetricas.
Além disso nota-se um que tem no meio de uma das
faces a cavidade dos quebra-nozes e é feito de uma pe-
dra siliciosa semelhante ao jaspe. O maior delles pro-
cede da Lagoa dos Quadros e tem 14X10 em.
Machados de ferro (para tirar mel segundo Kose-
ritz).—Devem ter sido empregados para c fim enun-
ciado por Koseritz, estes objectos post-columbianos, pois
que os seis existentes, todos foram encontrados nas ser-
ras e nunca nos sambaquis do Atlantico. O maior spe-
cimen tem 90 mm. por 40.
im ogee
Machados circulares redondos.--Sob este nome
classificamos os artefactos que tem as superficies paral-
lelas e as bordas redondas, os quaes Waitz menciona
(30 vol. 3, pag. 521).
Tres destes objectos, feitos do mesmo mineral, fi-
guram na colleção, tendo um delles o orifício do cen-
tre principiado de ambas as faces. O maior mede 31
cm. de circumferencia e 50 mm. de espessura: são to-
dos provenientes do municipio de Bento Gonçalves, an-
tiga colonia D. Izabel.
Pontas de flechas. —Entre as doze rarissimas acha-
das, siliciosas e lascadas, destaca-se uma ponta de fle-
cha de 80 mm. de comprimento e 40 mm. de largura
maxima, proveniente da Palmeira. A menor tem 3 em.
por 2,9 cm.; a mais bonita, porém, ê uma de quartzo
hyalino, lascada differentemente das outras.
Bolas sulcadas dos charrüas.—Das 40 colleccio
nadas, a maior que é de grés, tem 20 cm. de circum-
ferencia, e 11 cm. a menor. Quasi todas são de grés;
ha todavia algumas de silex e uma de mineral de ferro.
Nenhuma dellas provêm dos sambaquis.
Muito parecidas com as bolas dos charrüas, exis-
tem seis objectos do tamanho de uma avelã. São de
erés e foram encontrados em um sambaqui de Torres:
eram enfeites, certamente, dos indigenas.
Tembetas ou tembetés.—Diz o illustre von Ihering,
na Revista do museu: «Ha duvidas si tembetés são ou
não encontrados no Rio Grande do Sul.»
A alludida colleeção é possuidora de dois destes
adornos, encontrados no municipio do Triumpho, e
ambos de osso.
Em um sambaqui da costa oceanica toi encontra-
do outro de dysthenio.
Parecido com um tembeté, existe um exemplar
de silex liso, que mede em comprido 100 mm. e 17
mm. de diametro.
Perolas venezianas.—Na colonia de Bento Gon-
calves e na profundidade de um metro encontrou-se
um bonito specimen destes artefactos post-columbicos,
que deram logar a tantas conjecturas. Tem 10C mm.
de circumferencia e é um pouco achatada.
A estructura do centro é de vidro, fracamente es-
verdeado; a outra, por cima, é concentrica e de es-
malte vermelho, e a de cima azul escuro.
Tambem no municipio de NS. Leopoldo, a 25 cm.
de profundidade dentro de uma panella, acharam-se
seis perolas do tamanho de um caroço de azeitona.
Uma destas, a mais redonda, é de um azul claro; de
azul escuro outra: as tres restantes, porêm, são eguaes
de cor verde e listradas de um esmalte branco.
Mais adeante compararemos estes importantes acha-
dos com as observações que serão feitas sobre as pa-
nellas.
Cachimbos.—Sao cinco e de barro cs que existem
na colleccao Barbedo.
O receptaculo do maior delles tem 6 cm. deccm-
primento, a chaminé tem só 4 cm. Tem a forma qua-
drangular. sendo a face anterior symetricamente sulcada,
Outro cachimbo, presenteado à collecçäo por Ku-
nert, tem um buraquinho no logar da chaminé e apre-
senta a fórma de um parallelepipedo rectangular.
Um, de barro cinzento. encontrado no Alto Uru-
guay, tem o formato de uma cuia, mede 3 cm. appro-
ximadamente de diametro maximo, mas lhe falta a cha-
miné.
E” mister observar que nenhum delles é oriundo
dos sambaquis ; portanto, é logico o que diz Ihering na
Revista do Museu a pag. 102: «Us homens dos sam-
baquis não conhecem cachimbos, nem bolas.»
Mata antas.— Sob este nome designemos uma bola
de pedra perfeitamente redonda, encontrada no mu-
nicipio de Bento Gonçalves e precisamente em uma
das margens do rio das Antas.
Mede 90 mm. de circumferencia e pesa a Fagate-
la de 7500 grammas.
Suppõe-se que os indignas serviam-se della para
matar a anta, na occasião mesmo em que esta sahia da
,
toca. Outro uso não é rasoavel dar-se a essa pedra.
devido ao seu tamanho: são necessarias as duas mãos
para manejal-a.
Acham-se colleccionadas mais duas bolas, medindo
a menor 190 mm. de circumferencia, que é inteira-
mente lisa e eminentemente espherica, tanto assim que
não diffère das bolas dos nossos Dilhares.
Esses achados são dignos de se verem.
Pilões. —Dos quinze, encontrados em diversos lo-
gares do Estado, destaca-se um do comprimento de 67
em., de 30 cm. de circumferencia média. O tamanho
do objecto e a sua fórma deixam presumir não ter elle
sido empregado como pilão, mas como verdadeira arma.
Em um sambaqui de Torres encontrou-se uma pe-
dra, que figura na collecçäo, de 90 cm. de comprido,
cujo corte transversal apresenta um perfeito triangulo
isoscele. As arestas são bem cortantes e intactas, mas
as extremidades infelizmente estão quebradas; portanto,
ella devia ter sido muito mais comprida e ter tido um
cabo.
facas.-— Todas as existentes provem dos samba-
quis do litoral atlantico.
Quebra-noses.—Mais de vinte specimens enrique-
cem a colleção. O maior tem a forma quadraagular,
apresentando cinco cavidades symetricas sobre um das
faces e uma só na opposta. Mede 360 mm. de compri-
mento e 140 mm. de largura. Provém da costa da La-
goa da Cidreira.
A forma e o tamanho dos outros quebra-nozes varia
muito, tendo alguns a do cubo, do parallelepipedo, ete.
Todos elles foram encontrados nas praias oceanicas.
A explicação de Rath, respeito ao uso destas pe-
dras, é que ellas por certo eram trazidas das serras do
Estado, pelos indigenas, para quebrar especialmente ca-
roças de butia, abundantissimos nas praias do Atlantico.
Ha, ao contrario, alguns archeologos que pensam
que estes artefectos eram empregados na construcção
das redes para pesca.
Almofarizes (segundo von Koseritz, muletas). —
As que logo chamam a attenção do visitante são duas :
an. BAe ese.
uma do formato de uma pomba agachada, proveniente
de Palmares, e outra, encontrada na Vaccaria, que pa-
rece uma cruz. Os braços, mais curtos, são perfoita-
mente iguaes; o mais comprido acaba quasi em ponta
e a cavidade occupa o centro, ou, para melhor dizer,
o ponto de cruzamente.
Igacabas.—A maior, das dez existentes, mede
2,90 m. de circumferencia maxima, 770 mm. de diametro
de boca, 800 mm. de altura e mais de 2 cm. de grossura.
A superficie é lisa e externamente ornamentada
com figuras lineares de côr vermelha.
Foi encontrada em uma fazenda na costa da La-
coa dos Quadros em 1892 e a dois metros debaixo do
solo. Quando fci descoberta, continha o esqueleto inteiro
de um homem, que o fazendeiro mandou novamente en-
terrar no campo, e que, comquanto fosse depois muito
procurado pelos colleccionadores, não foi possivel ser
encontrado.
Panellas. —Si bem que na colleccäo figurem mais
de cincoenta desses artefactos ceramicos, encontrados em
varios logares do Estado, difierem, no emtanto, todos
entre si, quer pela forma, quer pelo tamanho. Todos,
porém, foram encontrados enterrados.
Esta ultima particularidade vem corroborar a nossa
opinião e o que Rath afirma, isto ¢: «que parte dos
nossos indigenas tinha por costume enterrar dentro de
pequenas urnas a cinza dos seus mortos».
Examinando minuciosamente os objectos em questão,
observa-se em geral serem rarissimos aquelles que in-
dicam terem sido postos sobre o fogo, seja pela falta
de fuligem, que se nota, ou seja por apresentar a su-
perficie privada de signaes, que indiquem ter servido a
panella como utensilio domestico.
Nas panellas achadas nunca se encontram ossos :
portanto ellas serviam para conter as cinzas dos falle-
cidos, visto serem as mesmas geralmente pequenas e
haver certas, nas quaes mal cabe uma caveira de creança.
Ainda para mais consolidar a nossa opinião emit-
tida, lembramos que em algumas dessas panellas en-
BG
contraram-se objectos rarissimos de adorno, como: as
seis perolas anteriormente citadas e fielmente descriptas.
No Capäo Grande, perto da Lagoa Itapeva, o ci-
dadão Luiz Bauer encontrou um objecto de barro, que,
segundo a sua opinião, devia ter sido uma vasilha para
depositar agua. Tem de altura m. 0.94 e 0.20 de dia-
metro; a forma é semelhante à de um cupim. A collec-
ção Barbedo possue esse objecto.
Pedras sulcadas. —Quasi todos os exemplares exis-
tentes foram encontrados na Serra dos Tapes. São de
grès, e variam em tamanho, em profundidade, largura:
e direcção dos sulcos.
Ainda, a bem dizer, não se acha sufficientemente:
esclarecido o emprego que tinham as taes pedras ; nós,
porém, julgamos que serviam para alisar a superficie
dos arcos e das flexas, attendendo a que o Sr. G. Koe-
nigswald encontrou sulcos abertos em rocha viva na Serra
do Mar e à beira d'agua, achado que priva de adeptos.
a supposição de Rau.
Zoolithos.—Nas suas Conclusões archeologicas, diz;
o ilustre Dr. H. von Ihering: «Assim pois, alli (Estado
do Rio Grande do Sul) nunca se encontraram os ma-
gnificos zoolithos que, em forma de peixes, passaros,
etc., se conhecem em outros Estados do Brazil e da Ar-
gentina septentrional, sendo até em todos esses logares,
de grande raridade.»
Felizmente, a collecção, que estamos descrevendo,,
possue um bonito zoolitho representando uma cabeça de:
onça.
A pedra é um calcareo, tem o volume approxima-
damente de 509 cm. e foi encontrada no anno de 1880,
em uma igaçaba de S. Gabriel, na margem direita do
rio Vaccacahy, a seis palmos debaixo do solo.
Sabemos tambem que o cidadão Francisco Furtado,
possue um outro zoolitho do Estado, representando a
fórma de um peixe.
Um pequeno peixe de osso foi ainda encontrado
em uma igaçaba. E” pequeno: tem 60° mm. de com-
primento e é habilmente trabalhado.
— 317 —
*
Além dos artefactos citados, enumera-se na collec-
ção uma pedra de grês, sulcada em todas as direcções,
cujos sulcos têm no maximo 4 mm. de largura. Esta pe-
dra procede dos sambaquis de Torres e deve ter servido
aos indigenas para endireitar as pontas de flechas de
ferro, as lanças e os machados.
Tambem nos ditos sambaquis encontraram-se peque-
nos enfeites de pedra, de forma cylindrica e oval, enta-
lhados e furados : indicio certo de terem sido adornos.
Finalmente, para contestar a opinião de A. Loefgren,
que diz, serem os sambaquis pre-columbicos, accrescen-
taremos que no grande sambaqui da Cidreira encontra-
ram-se juntos um pedaço de agatha, os maxillares infe-
riores do gambä, um crystal de quartzo e, o que mais
importa uma bala redonda de chumbo (de espingarda)
*
O fim desta nossa publicação foi pois, auxiliar em
parte as Investigações dos nossos archeologistas, e ser
uteis aquelles que se occupam da historia e cultura do
homo americanus.
Explicação da estampa IV
Fig. 1—4. Machados duplamente entalhados, de pedra
polida.
Fig. o Pedra quebra-noz.
Fig. 6, a —c Machados entalhados de pedra polida.
Fig. 7. Disco de pedra perfurado, meio acabado.
Fig. S—10. Almofarizes.
Fig. 11. Ponta de flecha de pedra agatha.
Fig. 12. Machado de ferro.
Fig. 13. Zoolitho de osso em forma de peixe.
Fig. 14—15. Tembetäs de osso.
Fig. 16. Tembetä de pedra (diasthenio).
Fig. 17. Perola veneziana antiga, chamada de «ageri».
Fig. 18—20. Machados circulares perfurados.
Fig. 24—26. Caximbos de barro cozido.
1 Les AE ‘
a e
» DRA
ear) ae
à db:
dobre alguns peixes de 5. Paulo, Brazil
CONTRIBUIÇÕES DO LABORATORIO ZOOLOGICO DA UNIVERSIDADE
DE INDIANA, N. 33
POR
CARL H. EIGENMANN E ALLEN A. NORRIS
As seguintes notas e deseripções são baseadas nu-
ma collecçäo de peixes feita pelo Dr. H. von Ihering,
do Museu Paulista, nas proximidades de 5. Paulo, em
alguns rios que desembocam directamente no Oceano
Atlantico e em outros que são tributarios do Paraná.
Foram tambem incluidos alguns peixes maritimos de
Santos. Somos altamente gratos ao Dr. H. von Ihering
por esta colecção e sentimos sô que a _ preoccupacao
de outros trabalhos não nos permittisse concluir estas
notas mais cedo.
Sternarchus albifrons Guenther
Colorido uniforme. Barbatana anal 150. Um spe-
cimen de Piracicaba.
Eigenmannia virescens (Valenciennes)
,
O comprimento da cabeça é comprehendido 1 1/3
vezes na maior altura do corpo. Barbatana peitoral 16,
sendo o seu comprimento comprehendido 1 1/3 vezes no da
cabeça, extendendo-se um pouco além da origem da bar-
batana anal. Olho comprehendido 1 1/2 vezes no foci-
nho, que é comprehendido 2 1/2 vezes cabeça, incluive
SO du
a queixada inferior. A distancia do anus ao começo da
barbatana anal é igual ao comprimento do focinho in-
cluindo os olhos. Cor uniforme castanho-escura. Um
sp3cim:n de Piracicaba.
Luciopimelodus platanus (Guenther)
Um specimen de Piracicaba.
Pseudopimelodus zungaro (Humboldt)
Um specimen.
Rhamdia quelen (Quoy et Gaimard)
Um specimen de Taubate.
Nannoglanis Doulenger
A especie seguinte pertence a um genero que evi-
dentemente é relacionado com o Nannoglanis de Bou-
lenger, se não for identico a este, que até hoje só se
conhece do Equador.
Alguns dos caracteres da fontanella podem-se at-
tribuir à edade do peixe. A barbatana peitoral e a dor-
sal não têm espinhas. Ha uma fontanella curta em for-
ma de fenda entre os olhos, outra semelhante na base
do osso occipital. A cabeça é completamente coberta
de pelle solta. Olho sem margem livre. A proeminencia
occipital é curta e extende-se apenas além do craneo.
Barbatana adiposa comprida.
Nannoglanis bifasciatus sp.nov.
T'ypo : Um specimen, 70 mm.
A largura da cabeça é comprehendida 1 1/2 vezes
no seu comprimento, que é 1/4 do comprimento total
sem a barbatana caudal. Corpo comprimido. Olho pe-
queno, comprehendido 7 vezes na cabeça, 3 vezes no fo-
cinho e 2 vezes no espaço interorbitario. A barba maxillar
— 391 —
tem a metade do comprimento da cabeça. As barbas
mentaes não estendem-se até as aberturas branchiaes,
e as postmentaes extendem-se um pouco além dellas. A
inserção da barbatana dorsal é mais ou menos pelo
duplo do diametro do olho mais proximo à ponta do
focinho do que à base do raio mediano da barbatana
caudal. Seu primeiro raio esta em cima das barbatanas
ventraes. A base da barbatana dorsal é um pouco mais
curta do que a distancia entre as barbatanas dorsaes.
A barbatana dorsal adiposa é comprida; seu compri-
mento é comprehendido 4 23 vezes no comprimento
do corpo. A barbatana caudal é troncada; seu raio
mediano é um pouco mais curto do que os raios ex-
teriores. As barbatanas peitoraes, sô um pouco maiores
do que a metade do comprimento da cabeça, são compre-
hendidas 1 35 vezes na distancia de sua base até as barba-
tanas ventraes. As barbatanas ventraes se extendem por
metade do seu comprimento além do anus, chegando mais ou
menos à metade das barbatanas anaes. Uma estria escura
da ponta do focinho atê a base da barbatana caudal.
A região debaixo dessa não tem côr. Uma estria es-
treita acima da mesma tambem não tem cor ; acima
dessa ha uma estria ainda mais estreita, de côr escura,
que se une com o seu companheiro do lado opposto na
nuca, na barbatana dorsal e em frente da dorsal adiposa,
por inter medio de faxas de côr semelhante. A parte
basal das barbatanas dorsaes é de côr bruno-escura,
o resto hyalino, os raios de côr escura. Barbatana dor-
sal adiposa clara, a caudal, anal, as ventraes e peito-
raes escuras. D. 7. A. 9.
Imparfinis Gen. nov.
Relacionado com Rhandella. Uma porção de dentes
no vomer. Cabeça mais comprida do que larga; proe-
minencia occipital exigua ; cabeça coberta de pelle solta ;
espaço orbitario sem margem livre. A fontanella extende-
se ate a base da proeminencia occipital com uma ponte
atraz dos olhos. A barbatana caudal é igualmente lobada,
sendo vu lobo inferior muito mais comprido e largo.
DEAN)
ana D
Emparfinis piperatus sp. nov.
Typo: um specimen. 40 mm. Cabega 42/3; D.
LG: A. 10.
Cabeca um pouco deprimida, queixadas iguaes. À lar-
curada cabeça é cerca de t 1/3 vezes comprehendida no
seu comprimento. O olho é comprehendido 1 1/2 vez no
focinho, um pouco menos de 4 vezes na cabeça; é um pouco
menor do que a largura do espaço jnterorbitario. Asbarbas
maxillares extendem-se mais ou menos até a ponta das
barbatanas peitoraes. As barbas mentaes extendem-se mais
ou menos até a base das barbatanas peitoraes, e as
post mentaes até o meio das barbatanas peitoraes. O
espinho peitoral continuado como um raio carnoso, sen-
do a parte espinhosa mais ou menos 3/5 do seu com-
primento total e comprehendida 2 1/4 vezes na cabeça.
A origem da barbatana dorsal é à meia distancia entre
a ponta do focinho e o centro da barbatana dorsal adi-
posa, seu meio sobre as barbatanas ventraes, seu espi-
nho é menor do que a metade do comprimento dos raios,
e igual à parte post-orbitaria da cabeça. A barbatana
adiposa é igual à sua distancia do espinho dorsal, mas
é um pouco mais comprida do que a cabeça, compre-
hendida 4 1/5 no comprimento total. O quinto raio
desenvolvido da barbatana caudal decima para baixo é
o mais curto, em baixo delle 9 raios, e o maior
e 13 mais comprido do que o maior do lobo supe
rior; comprehendido 4 1/2 vezes no comprimento. As
barbatanas peitoraes não se extendem até as barba-
tanas ventraes que são remotas da barbatana anal.
Os lados são denso-salpicados, de cellulas pintadas,
um pouco maiores e mais numerosas logo em baixo da
linha lateral. No dorso ha uma serie de pintas pretas
como em Rhcindia minuta à qual esta especie muito se
assemelha. As barbatanas peitoraes e ventraes pallidas ; as.
dorsaes e especialmente a caudal são de côr escura.
Nola sobre o genero Pimelodus.
O genero Pimelodus, como se acha definida no South
ome
— De Dr) te
American Nematognathi, pag. 165, contem evidente-
mente varios typos genericos que se podem distin-
guir pelos caracteres seguintes :
a. Barbatana caudal obliquamente arredondada :
Goeldiella.
aa. Barbatana caudal largamente bifurcada
b. Beicos finos, o superior sem margem livre, ca-
beça deprimida, o-focinho um tanto largo .. . .
Pimnelodus.
bb. Beiços largos, o superior com margem livre,
reflexo no focinho, com um entalho pouco profundo no
meio da margem ; focinho comprido, sub-conico e boc-
a estreita
c. Intermaxillar com uma carreira de dentes bem
MOSeEDVONVIGOS OU Dey Dre Le Iheringichthys.
cc. Intermaxillar sem dentes. . . . Bergzella.
Goeidiella Gen. nov.
Este genero tem por typo o Prmelodus eques Mül-
ler und Troschel que é a unica especie que possue os ca-
racteres supra mencionados. Foi denominado Goeldiella
em honra do Dr. Emilio Goeldi, director do Museu Pa-
raense.
Pimelodus Zacipède
Typo: Pimelodus maculatus (claras Bloch.)
Este genero como é descripto aqui comprehende
as seguintes especies :
Pimelodus cyanostigina (Cope).
Pimelodus quadrimaculatus Bloch).
Pimelodus ornatus Kner.
Pimelodus albicans (Guv. & Val.)
Pimelodus pictus Steindachner.
Pimelodus clarias (Bloch)
O unico specimen desta especie é do Iguape e 6
a variedade b. de E. & E.
Pimelodus grosskopfi Steindachner.
ses de
Pimelodus valenciennis Krôyer.
Pimelodus altipinnis Steindachner.
Pimelodus fur Reinhardt.
Pimelodus spegazzinir Perugia.
Pimelodus argenteus Perugia.
FYheringichthys (en. nov.
Typo. Pimelodus labrosus Krôüyer.
Este genero é muito bem definido pela bocca su-
gadora e pelos dentes intermaxillares.
Temos grande prazer em dedicar este genero ao
Dr. H. von Ihering, Director do Museu de S. Paulo,
Brazil.
Iheringichthys labrosus (Aróyer)
Corpo mais profundo que largo, comprimido na
direcção da barbatana caudal. Cabeça granulada pon-
taguda e quasi conica. Sua altura na margem poste-
rior do olho é igual à metade do seu comprimento,
igual à largura, e igual ao focinho. As barbas maxil
lares extendem-se além da base da barbatana caudal e
as postmentaes até ou além das barbatanas peitoraes.
As barbas mentaes são curtas. Bocca estreita, largura
comprehendida 5 2/3 vezes na cabeça. Beiços grossos
e reflexos. © espinho dorsal é tão alto como o com-
primento da barbatana dorsal adiposa. Espinhos peito-
raes denteados de ambos os lados, e a barbatana dor-
sal espinhosa é tão comprida como a sua distancia da
barbatana dorsal adiposa. A barbatana caudal é pro-
fundamente fendida. A metade superior do corpo é
coberta de. manchas escuras que se tornam mais claras
em baixo. Olho comprehendido 4 2/3 vezes na cabeça
e 1 1/2 vez no espaço interorbitario. Cabeça 3 1/2; altura
5.1/2. . Dol; 6; A. 10/1870)... Um specimen) de) Pira-
cicaba. 226 mm.
oes.
— 4 De) —
Bergielia Gen. nov.
Typo: Pimelodrs westermanne Reinhardt.
Este genero consiste em uma só especie e distin-
gue-se dos parentes pela falta de dentes intermaxilla-
res. EF dedicado ao Dr. Carlos Berg, director del
Museu Nacional de Buenos Aires.
Perugia (ren. nov.
Typo: Pirinampus agassizr Steindachner.
Este genero foi definido por Eigenmann e Eigen-
mann mas nao foi denominado. Os seus caracteres
distinetivos são: a primeira barbatana dorsal espinhosa,
as barbas semelhantes fitas, focinho largo e deprimido,
“beiços finos e a superficie postorbital granulosa. E” dedicado
a A. Perugia do Museu Civico di Storia Naturale di
Genova, em reconhecimento do seu trabalho sobre os
peixes da America do Sul.
Macrodon malabaricus (Bloch)
Um specimen do Rio Tieté e outro de Iguape.
Curimatus spiluropsis Ligenmann e Eigenmann
Quatro specimens do Rio Tietê e dois specimens
de Alto da Serra.
Curimatus gilberti Guoy e Gaimard
Um specimen de Taubaté.
Curimatus gilberti brevipinnis LZi-
genmann e Eigenmann
Um specimen de Piracicaba.
Prochilodus serofa Sleindachner
Um specimen de Piracicaba.
== SO
Parodon affimis Steindachner
Tres specimens de Piracicaba.
D. Ty A Oui 2 ENS Pate PE: cd GEI vere
Uma faxa lateral escura extende-se da ponta do foci-
nho até a ponta dos raios medianos da barbatana cau-
dal, e uma tenue estria escura acha-se no meio da
carreira de escamas, logo acima da lista lateral, no
meio anterior do corpo. Uma estria escura mais es-
treita e mais apagada do que a estria lateral, entre a
primeira e segunda carreira de escamas, extende-se da
cabeça à barbatana dorsal adiposa. Quatro faxas es-
curas, apagadas, atravessam o dorso, até a lista lateral ;
a primeira esta na metade da distancia entre a cabeça
e a barbatana dorsal; a segunda em baixo da barba-
tana dorsal; a terceira atraz das pontas da barbatana
dorsal e a quarta em frente da barbatana adiposa.
Parodon tortwosus sp. nov.
D. 1, 10 1/2; A. 1,7 1/2. Escamas 4— 37—4. Altura
comprehendida 4 vezes no comprimento. Dentes no inter-
maxillar 8,no maxillar 2,em cada lado da queixada inferior
i. O posterior destes ultimos é de forma conica, re-
curvado, e os outros são obliquamente troncados. Ca-
beça comprimida, fusiforme, comprehendida 5 1/3 vezes
no comprimento, sub-conica, inclusive a queixada infe-
rior. Olho pequeno comprehendido 4 3/4 vezes na ca-
beça, 2 1/2 vezes no interorbital. A barbatana dorsal
inserta à meia distancia entre a barbatana dorsal adi-
posa e a abertura anterior do nariz. A altura do pri-
meiro raio dorsal é igual ao comprimento da cabeça.
Barbatanas peitoraes e ventraes pesadas, as ultimas inser-
tas no meio do corpo, em baixo da margem posterior da
barbatana dorsal. Uma faxa escura extende-se em
ziguezague das aberturas branchiaes para atraz, tornan-
do-se em faxa continua nos lados da canda. Ha nove
manchas escuras sobre o dorso, e uma mancha maior
em cada. lado da base da barbatana caudal. Barbatanas
sem cor.
Typo: um specimen de 140 mm. de comprimento
do Rio" Tete;
Anostomus nasutus Aner
Um specimen.
Characidium fasciatum Penh.
Um specimen do Rio Tiete.
Barbatana! dorsal VIAS q. Escamas, 5—35—4.
Outro specimen.
Barbatana dorsal 11, Ay S ls le 33:
Leporinus conirostris S/eindachner
Tres specimens de Taubate.
E eporinus frederici Bloch.
Um specimen de Taubate.
Leporinus copelandi Seindachner
Dois specimens de Piracicaba.
Hetragonopterus scabripinnis Jenyns
Dois specimens do Rio Grande do Sul.
Tetragonopterus rutilus Jenyns
Um specimen de Taubaté e outro do Rio Tietê.
Vetragonopterus jequitinhonhae Sin-
dachner
Dois specimens de Piracicaba.
Fetragonopterus fasciatus Cuvier
Um specimen de Iguape.
Wetragonopterus lacustris Liilken
Dois specimens de Piracicaba.
— 39
6)
Wetragonopterus maltifasciatus sp. nov.
Linha lateral incompleta, mais ou menos sete es-
camas perfuradas. O maxillar tem dentes em quasi
todo seu comprimento e extende-se quasi atê o meio da
pupilla. Cabeça comprehendida 3 1/2 vezes, altura 2 2,3
vezes no comprimento. Olho 3 [/4 vezes na cabeça e
1 1/3 vez no interorbital. A. 2% D. 11. L. 1. 40. Con-
torno dorsal e abdominal quasi igualmente curvos. A
frente da barbatana dorsal é equidistante da ponta do
focinho e da base dos raios caudaes medianos. A cor
do dorso é escura; os lados são muito mais claros e
têm uma serie de oito ou nove riscos bruno-escuros
entre as carreiras de escamas. Uma mancha funda e
escura se acha em cada escama na parte inferior do
corpo. Ia duas manchas verticaes sobre o humero,
que são apagadas no adulto.
Um adulto 70 mm. e dois novos 32 mm. Cubatäo.
Catabasis Gen. nov.
Typo: Calabasis acuminatus Sp. nov.
Um genero de Hydrocyoninae relacionado ao Sal-
minus de que differe pela disposição dos dentes.
Nao tem dentes no palato. Queixada inferior com uma
serie dupla de dentes; os da serie interior säo exiguos
e os da exterior säo grandes e conicos, regularmente
diminuindo em tamanho do segundo dente a partir da
symphysis para traz. Os dentes do intermaxillar for-
mam uma serie dupla, os da serie exterior são exiguos
e os da serie interior são curtos e conicos. A barba-
tana dorsal acha-se atraz das barbatanas ventraes.
As escamas são moderadas em tamanho.
Catabasis acuminatus sp. nov.
Comprimido ; cabeça deprimida e um pouco acha-
tada em cima; focinho comprido e agudo; bocca
grande.
D.-11. A. 25. Barbatana peitoral 12. Escamas 10
—59—6. Cabeça igual à altura do corpo, comprehen-
— 359 —
dida 3 1/2 vezes no comprimento. Olho comprehen-
dido 3 3/4 vezes na cabeça. Espaço interorbitario igual ao
focinho e comprehendido 3 1/2 vezes na cabeça. Quei-
xadas sub-iguaes e o maxillar extende-se alèm do meio
do olho. A origem da barbatana dorsal é equidistante en-
tre a abertura anterior nasal e a base do raio me-
diano da barbatana caudal e seu segundo raio é pouco
maior do que a barbatana peitoral. A distancia entre
as barbatanas dorszes é igual ao comprimento da bar-
batanana anal. O raio maior da barbatana ventral é
comprehendido 2 vezes no comprimento da cabeça. A
barbatana caudal é profundamente bifurcada. Cor escu-
ra em cima, prateada em baixo ; existo uma mancha
escura na base da cauda.
Typo: um specimen de 165 mm. de comprimento
do Rio Tieté.
Cynopotamus knerii Sfeimdachner.
Um specimen de Piracicaba.
Salminus hilarii Cuv. Val.
Os specimens differe n da descripçäo desta especie
mas linhas lateraes e pelo facto de não terem os raios
medianos caudaes prolongados.
Um specimen do Rio Tiete. L. ]. 64.
Um specimen do Ypiranga. L. 1. 60.
Myletes tieté sp. nov.
D. 1, 26; ATI, 35. Serras abdominaes 46. Esca-
mas pequenas. Altura comprehendida 1 */, vez no com-
primento; cabeça 3 vezes. O perfil é direito desde acima
dos olhos atê a barbatana dorsal. decurvo no focinho ;
sobe directamente desde a origem da barbatana dorsal
até a barbatana adiposa. [la quatro dentes grandes em
forma de seta na frente da queixada inferior e quatro
dentes menores de forma conica em cada lado da mes-
ma. Dois dentes pequenos de forma conica atraz da pri-
meira serie no meio. Os dentes da serie exterior da
— 360 —
queixada superior são subconicos, estreitos e têm a for-
ma de seta. Os dentes da serie interior são muito
mais largos do que os da serie exterior e têm a forma
de seta. O olho tem duas vezes o comprimento do
focinho e é comprehenáido 2 !/; vezes na cabeça e
*/; vezes na largura do espaço interorbitario. Ha uma
faxa estreita adeante dos olhos ao redor da ponta da
queixada inferior e outra que se extende desde os olhos
até o angulo superior das aberturas branchiaes. Uma
faxa larga triangular atravessa o dorso em frente da
barbatana dorsal e tem a ponta encostada ao angulo
superior da abertura branchial. Uma faxa larga ex-
tende-se desde a origem da barbatana dorsal até a
linha lateral abaixo da qual se desfaz em manchas.
Outra faxa, que tem a metade da largura da primeira
extende-se desde o meio da dorsal até a linha lateral
abaixo da qual continua em serie de manchas. Ha
outra faxa que se extende desde a parte posterior da
barbatana dorsal e a região entre as barbatanas dorsaes
até a barbatana anal, e para frente ao longo de sua
base ; outra atravez do pedunculo caudal; outra na base
da barbatana caudal. Os cinco primeiros raios anaes
e as bases dos cinco seguintes têm a côr castanho-escu-
race os cinco primeiros raios dorsaes tem a mesma côr.
As outras barbatanas não têm côr. Os lados da cabeça e
os espaços entre as manchas e as barbas são prateados.
Typo: um specimen de Piracicaba.
Stolephorus clupeoides (Samson)?
Cabeça 4; altura 4 !/;: D. 14; A. 32. Focinho com-
prehendido !/, vez nos olhos. Aberturas branchiaes mais
curtas do que os olhos. Inserção da barbatana dorsal
no meio do corpo. De outra maneira, do que em Stole-
phorus clupeoides (Swainson).
Um specimen de 115 mm.
Girardinella janeiro Zigenmann.
Dois specimens de 8. Vicente e um specimen de
Santos.
— 561 —
Girardinus candomaculatus (/ensel)
Quatro adultos e seis novos de Ribeirão Pires.
Geophagus brasiliensis Ono ct G.
Um specimen de Taubate.
Mugil brasiliemsis Agassiz.
Um specimen de S. Paulo.
Isopisthus parvipinnis (Cuv. d Val.)
D. VII, 19; a distancia entre as barbatanas dorsaes
é comprehendida 1 !/, vezes no diametro dos olhos.
Um specimen de Santos.
Warimwus stahli Pocy
Cabeça 3! ; altura 3. Olho comprehendido 4 ve-
ves na cabeça. D. X—I. 23; A. II, 7; escamas (con-
tando do terceiro espinho dorsal obliquamente para
traz.) 9—46—4.
Focinho curto comprehendido 4 !/, vezes na cabeça.
Maxillar comprehendido um pouco menos de 2 vezes
na cabeça. Os raios branchiostegos maiores são com-
prehendidos 1 !/; vezes no olho. Altura do pedunculo
caudal comprehendida 3 vezes na cabeça. Barbatana
peitoral comprida e delgada; seu comprimento é maior
do que sua distancia da ponta do focinho. Terceiro
espinho dorsal comprehendido 2 !/; vezes na cabeça, não
extendendo-se até a ponta do maior dos raios molles.
Barbatanas ventraes comprehendidas 1 !/; vezes, na ca-
beça. Escamas do dorso contêm vestigios de riscos
escuros e uma mancha axillar de côr morena; a re-
cião acima das pseudobranchias é preta,
Ponta da lingua e queixada inferior de eûr escura;
barbatanas pallidas. Relacionado com o breviceps do
qual differe principalmente nas barbatanas.
~
Um specimen de 7 pollegadas de comprimento de
Santos.
— 362 —
Gerres brazilianus Cuwv. & Val.
Um specimen de Santos.
Eucinostomus pseudogula Poey.
Um specimen de Santos.
Pomatomus saltatrix (Linnaeus).
Um specimen de Santos.
Caranx hyppos (Linnaeus).
Um specimen de Santos.
Notas sobre Coccidas brazileiras
POR
E. D.A: COCKERELL
I Uma lista de algumas Coccidas colligi-
das pelo Dr. Emil A. Goeldi, no Pará
Brazil
(1) Orthezia praelonga Donglas. Sobre Citrus
limetia Risso.
(2) Lecanium coffeae Walker. Sobre Psidium
guajava L.
(2) Lecannm nigrum Nietn. var depressum Tar-
gioni-Tozetti. Sobre Hebrscus sabdariffa L.
(4) Vinsonia stellifera Westwood. Sobre Lucuma
caimito R. S.
(9) Mytilaspis citricola Packard. Sobre Citrus li-
metta Risso.
(6) Aspidrotus articulatus Morgan. Sobre Cordy-
line terminalis. Kunth.
IX Um novo Eriococeus (Fam. Cocei-
dae) do Brazil
Eriococcus brasiliensis n. sp.
Saccos da femea de côr de creme, 2 ‘/2—3 mm. de
comprimento. perfeitamente da forma e textura ordina-
rias (1 e. compactamente feltrados) muitas vezes junta-
mente aggregados. A femea fervida em soda caustica,
não tinge o liquido. Espinhos da derme ordinarios,
Og
21—36 micromm. de comprimento, femur com trochan-
ter 147, tibia 78, tarso com unha 105 micromm. Unha
com denticulo minuto justamente antes da ponta.
Digitulos delgados, principalmente os da unha, dis-
tinctamente nodosos ; digitulos tarsaes 51 micromm. de
comprimento. Antennas de 7 articulações, formula 37 (24)
56, variando a 3 (72) (49) 6, a primeira articulação
sendo omittida em todo o caso, por causa da difficul-
dade de medil-a satisfactoriamente. As articulações me-
dem então em micromm.: (2) 27-39, (3) 39-45, (4) 27,
(D) 21-27, (6) Wo-22, (7) 180:
Hab. Ypiranga, Brazil, sobre ramos de Baccharis,
(A. Hempel. N. 314a; tambem colligido por Dr.
IH. v. Ihering.)
E” uma pequena especie ordinaria, distinguida pela
combinação de caracteres, mas não tem particular proe-
minente.
AS COCCIDAS BRAZILEIRAS
COM AS ESTAMPAS V—XII
POR
ROGER eM Fee
Introducção
Em geral, pode-se dizer que os insectos são bene-
ficos em dois modos distincta e largamente especiaes :
o primeiro, na propagação das plantas, por meio de
transfertilisação das flores, geralmente feita por abelhas,
vespas, moscas e mariposas; o segundo, por regularizar
e fixar o crescimento da vegetação, conservando o ne-
cessario equilibrio na natureza, tão essencial para o me-
lhor e mais amplo desenvolvimento de ambos : plantas
e animaes. EK’ nesta ultima capacidade que os insectos fre-
quentemente mallogram os esforços do homem na pro-
pagação das plantas, e muitas vezes causam enormes
estragos.
Tem-se registrado muitos casos de grande destrui-
ção por cupim, gafanhotos, largatas e coccidas, ou in-
sectos de escamas ou escudos, estes pertencentes às Ho-
moptera, uma divisão das Hemiptera ou percevejos;
Icerya purchasi Maskell, e Aspidiotus perniciosus Gom-
stock, servindo de exemplos familiares deste grupo.
Nenhuma familia de insectos é tao importante sob
o ponto de vista economico, como as coccidas, por cau-
sa da faculdade que possuem de causar grandes estra-
— 566 —
gos, destruição e perdas a qualquer paiz onde a agricul-
tura ea horticultura constituem pingues fontes de renda ;
por conseguinte, pareceu-me de importancia reunir e
classificar para referencia futura todas as notas que se
referem ao conhecimento, habitos e distribuição das coc-
cidas brazileiras.
Em 1897, o Dr. H. v. Ihering, digno director do:
Museu Paulista, publicou um artigo sobre «Os Piolhos.
vegetaes.» no Vol. IT, da Revista do estabelecimento.
citado. Nesse artigc, estão catalogadas 21: especies de
coccidas. Hoje, conhecemos seis vezes este numero ; sen-
do a maior parte dellas encontrada na visinhança de São.
Paulo, com algumas addicções dos Estados de Minas.
Geraes, Bahia e Rio de Janeiro.
Aproveito a opportunidade de agradecer aos amigos.
que me auxiliaram e de vez em quando me tem enviado
specimens de varias localidades. Tambem muito me pe-
nhoraram o Prof. T. D. A. Cockerell, do New Mexico
Agricultural College, que me tem prestado auxilio de
muito valor identificando especies e mandando speci-
mens para comparar; e o Sr. Gustavo Edwall, botanico.
systematico da Comissão Geographica e Geologica de
São Paulo, que tem gentilmente identificado as plantas
alimentares para mim. Transmitto tambem os meus agra-
decimentos às auctoridades da repartição de Agricultura
dos Estados Unidos, que gentilmente me remetteram
specimens e litteratura.
Remedios
| O estudo dos methodos e meios de destruir as coc-
cidas e de prevenir seus damnos tem occupado a at-
tenção de muitos entomologistas economicos por alguns
annos e tem-se obtido numerosos e permanentes resul-
tados. Infelizmente, porém, a maior parte destas expe-
riencias foram feitas em climas temperados, de modo
que pouco ou nada se sabe dos effeitos dos insecticidas
nem nos insectos nem nas plantas, quando empregados
em paizés tropicaes e em condições differentes. Ainda
mais, é um facto bem conhecido que insectos que são,
— 367 —
comparativamente, inoffensivos no seu paiz natal, quando
introduzidos e 1 outros paizes, em condições favoraveis,
se propagam tão rapidamente que, em pouco tempo,
tornam-se muito perniciosos. Portanto, não ha necessi-
dade de argumento para mostrar que o melhor meio de
evitar perdas, por causa de semelhantes insectos, é evi-
tar que sejam introduzidos e espalhados pelo paiz.
Estações de quarentena para plantas e fumigatorios
têm sido postos em pratica em diversos logares e especial-
mente em California, Estados Unidos da America do
Norte, Cap-Town na Africa do Sul, e tem sido efficazes
em prevenir a introducção de insectos nocivos. Cada
estação está sob a direccão de um entomologista com-
petente, e todas as plantas e fructos importados são
examinados. Apparelhos e mechanismos para desinfe-
ctar e fumigar todas as plantas, sementes e fructos im-
portados estão a mão. O agente empregado é o gaz de
acido hydrocyanico. * Este gaz tem-se mostrado excel-
lente para este fim, matando todos os insectos, não fa-
zendo damno algum permanente às plantas e arvores e
não estragando os fructos.
Tem-se empregado varios liquidos para lavar e es-
pargir, para destruir os insectos depois que se estabe-
lecem nas plantas ou arvores crescentes ou pomares. Os
dois que tem sido mais effectivos são o sabão de azeite
de baleia, e uma emulsão de kerosene. Uma solução
feita dissolvendo-se 3/4 a 1 kilo de sabão em 4 litros de
agua em ebulição, e então applicada às arvores infecta-
das por meio de uma bomba em forma de borrifo de
modo que toda a parte fique completamente molhada
pela solução, tem destruido todos os insectos sem fazer
damnos às arvores.
A emulsão de kerosene, geralmente, se prepara
com a formula seguinte : sabão 250 gramma, kerosene
8 litros, agua potavel ou de chuva 4 litros. Derreta-se
* Para uma descripção do tratamento de arvores infectadas pelo
gaz de acido hydrocyanico, vede meu artigo sobre Capulinia jaboti-
cabae Ther.no Vol. III da Revista do Museu Paulista, 1898,.p. 56-61,
— 368 —
o sabão em agua fervente; mecha-se a mistura ao fogo
e ajunte-se-lhe o kerosene, emquanto ainda quente
vê-se que ella é violentamente agitada, devendo depois
do seu preparo, ser usada por meio de uma bomba de
força. Este processo de mexer e misturar deve ser
feito perfeitamente, visto como delle depende a forma-
ção da emulsão. A mistura torna-se branca e da con-
sistencia de nata e neste estado conserva-se indefinita-
mente. Para uso mistura se de 9 a 20 partes de agua
e applica-se às arvores em forma de borrifo. Bombas ou
pulverizadores podem ser comprados por cerca de 80
mil reis, sendo este o preço da bomba menor feita para
tal fim. Póde-se tambem fazer emulsão substituindo
leite doce ou azeite pelo sabão e agua. Não é neces-
sario aquecer o leite, porêm a mistura muito bem me-
xida quando ajunta-se o kerosene. A mistura não se
conserva por muito tempo, portanto deve ser feita na
oecasiao. Para espargir dilue-se em 9 ou 10 partes
d'agua.
Espargir é mais efficaz quando as larvas novas estão
nascendo e antes de adquirir o escudo protector.
Em São Paulo, encontraram-se alguns insectos que
produzem sómente uma vez por anno; geralmente em
Maio. Outros foram encontrados que produzem durante
todo o anno ; emquanto a maior parte das conhecidas estu-
dadas produziam duas vezes por anno, de Maio a Julho
e de Novembro a Marco. Deve-se espargir a emul-
são durante o tempo ennublado e deve-se repetir essa
operação uma ou duas vezes, com intervallo de uma
semana ou dez dias, para attingir as novas larvas que
nasceram depois da primeira vez.
Deve-se ter cuidado em não usar excesso de kero-
sene, sinão pode-se fazer damno permanente às arvo-
res tratadas.
As coccidas são tambem combatidas por inimigos
naturaes. No Brazil, são infectadas por parasitos das
ordens Hymenoptera, Diptera, Lepidoptera e Coleoptera.
Muitos individuos dos parasitos creados das coc-
cidas brazileiras foram mandados ao Dr. L. O. Howard
369 —
da Repartição de Agricultura dos Estados Unidos, po-
rèm nenhum relatorio preciso a seu respeito tem-se rece-
bido até hoje. O successo do Sr. A. Koebele em intro-
duzir o pequeno coleoptero Nocius cardinalis nos dis-
trictos de California infectados pela coccida Zcerya pui-
chasi Mask. e o exterminando, foi um grande triumpho
no dominio de Entomologia economica. ‘Tém-se reali-
zado experiencias mais recentes em Ceyl3o e outros
paizes, expondo as coccidas aos ataques de um fungo
parasitico, com resultados apparentemente bons.
CLASSIFICAÇÃO
Chave das coccidas encontradas no Brazil ©
Srmbfamilias
Macho com olhos compostos
Macho com olhos simples ROY ORICON A
1. — Annel anal da femea com pelos. Ortheszinae.
Annel anal da femea sem pellos, rostro pre-
sente na femea adulta, pernas presentes em
todas as phases. . . . Monophlebinae.
2. —O abdomen da femea terminando num segmento
composto, designado pygidium ; o orificio anal
sem pellos, a femea adulta sem pernas; 0 in-
secto com o escudo em parte feito de pelli-
CUS sions AU sarin Cu Dice es
O abdomen da famea não terminando num pe
miento composto. 12 “3. 3.
3. —Os insectos fechados numa cella : resinosa, com
tres aberturas ; o abdomen da femea terminando
num orgão parecendo como um rabo, que traz
na extremidade o orificio anal; na base da
extensão caudal ha uma espinha erecta; per-
nas ausentes, ou presentes só com tuberculos
CUrtOSMP MEN car A) tise Baehardenae:
me
* Na preparação das classes tenho emprestado livremente dos arti-
gos publicados por Srs. E. E. Green, Prof. T. D. A. Cockerell, e Prof.
J. H. Comstock.
— 370 —
Insectos que não têm este caracteristico . . 4.
4 —A femea com a extremidade posterior partida ;
o orifício anal fechado em cima com um par
de laminas triangulares . . . Lecanunae.
A femea é differente e as laminas triangula-
res são auSentes AV APA LY! / 2 0.) 0h Me eee
5. —A femea chata, fechada num sacco de’ material
corneo ou de cera : pernas ausentes ou presentes
so como tuberculos curtos.—Asterolecaninae.
A femea coberta com uma secreção empoada
ou fechada num sacco, ou numa casca esphe-
rica de material corneo ou de cera; pernas e
antennas ausentes ou presentes. Coccinae.
Todas as medidas dos pellos curtos e das articu-
lações das antennas e pernas são feitas em micromilli-
metros.
Subfamilia Monophlebinae
A femea adulta com um comprido ovi-sacco pos-
terior; e com antennas de onze articula-
ções idada dei oe . Icerya Sign.
A femea adulta sem ovi-sacco, globosa, e com
antennas de nove articulagdes. Crypticerya
Ckll.
Genero Icerya Signoret
1. Icerya brasiliensis 7. sp.
Estampa V figs. 1 a 5 e Estampa IX fig. i—1, b
A femea adulta elliptica, cor de rosa, as antennas
e as pernas de côr pardo escura. Coberta inteira-
mente de uma secreção branca, que consiste em um
topete caudal comprido, um topste cephalico, uma car-
reira lateral e sub-lateral de nove topetes de cada la-
do, e uma massa central, longitudinal. Um topete de
cada. lado dos topetes, caudal e cephalico, é maior do
que os outros topetes marginaes. Ovi-sacco grande,
— 371 —
branco, mostrando, as vezes, uma tinta côr de creme,
com a ponta distante curvada para cima. Em baixo é
convexo e levemente estriado longitudinalmente. O dor-
so e os lados säo longitudinalmente marcados com 14
ou 15 estrias. No individuo maior, que examinei, O
topete caudal tinha 20,5 mm. de comprimento. Os
topetes, caudal e cephalico, são geralmente marcados
com quatro costellas longitudinaes. O ovisacco tem
uma ou duas fendas longitudinaes na linha mediana
dorsal donde sahem as larvas. Acharam-se 44 ovos
em um só sacco.
As antennas têm, em geral, 11 articulações. A
quinta articulação é mais curta e, às vezes, se une à
quarta, formando assim antennas de 10 articulações. As
articulações 2, 4, 6—10 são quasi iguaes em compri-
mento. A articuiação 11 é igual ou excede um pouco
as articulações 9 e 10 em comprimento. O compri-
mento das antennas é variavel; o maior comprimento
observado foi de 1,1 mm. Cada uma das articulações
de 1 a 10, tem uma volta de cerca de 6 pellos, e a
articulação 11 tem uma moita terminal de 15 ou 16
pellos. As pernas tem a forma geral; o tarso é cur-
vado perto da ponta distante; faltam os digitulos. Os
digitulos da unha são finos, filiformes e curtos. O
rostro é grande e está collocado entre o primeiro par
de pernas. O mento tem cerca de 28 pellos. O laço
rostral se extende alêm da inserção do segundo par de
pernas. Numerosos pellos se acham espalhados em am-
bas as superficies e ao redor da margem; o corpo
acaba por dois topetes ter ninaes de cinco pellos com-
pridos. Toda a superficie dorsal é coberta de glandu-
las. Estas glandulas são redondas e, segundo me pa-
rece, poderão comportar de 6 até 9 partes dispostas
em circulo, com um filamento comprido e vitreo no
centro.
O comprimento do insecto e ovisacco, excluindo
os topetes, é de 10,5 mm.
A larva, recem-nascida, tem a fórma elliptica,
cor vermelha com uma tinta côr de rosa. No dorso
: — 372 —
ha quatro topetes de céra amarellenta, que com o ce-
phalo-caudal do diametro, faz uma mancha da forma
de um diamante. Antennas de seis juntas. Articula-
ções de 2 a 4 sub-cylindricas e quasi iguaes em com-
primento que é de 66.
A articulação 1º é convexa no lado interior; a
articulação 6.º é de forma de clava, comprimento de
164. Cada uma das articulações. de 2 a 5, tem “um
pello comprido e fino, e varios outros mais curtos. A
articulação 6.º tem © pellos bem compridos (mais com-
pridos do que as antennas) de 640, e cerca de 12 pel-
los es
O dorso tem muitos pellss finos dispostos. em 10
carreiras mais ou menos longitudinaes e irregulares.
Na cabeça ha quatro pellos que ficam entre os
olhos; os dois do meio são muito. compridos e se ex-
tendem quasi até a ponta das antennas. a seis pelios
anaes de 1,35 mm. mais ou menos de comprimento
que é quasi o dobro do comprimento do corpo. Ha tam-
“bem seis pellos mais curtos de cada lado do abdomen,
que tem menos de um terço de comprimento dos pel-
los anaes. As margens lateraes do thorax e da cabe-
ca tambem têm alguns pellos curtos. O dorso tem
muitos poros redondos e secretorios dispostos mais ou
menos em carreiras transversaes. Olhos 2, pequenos,
conicos, pardacentos, quasi pretos.
As antennas e as pernas são de côr pardo-eseura.
As tibias de 2.4 e 3.º pares de pernas são de 200 de com-
primento; os tarsos e as unhas são um pouco mais
curtos; a unha é comprida, delgada, ligeiramente cur-
va e entalhada na ponta. Os digitulos da unha são
delgados, abotoados, e um pouco mais compridos do
que a unha. Não ha digitulos tarsaes.
O Comprimento é de 730 mm.
Femea do terceiro periodo ; corpo oval; secreção
ou cêra geralmente de amarelo clara disposta em
duas carreiras lateraes com cerca de 10 topetes cada
uma, e duas carreiras sub-lateraes com 8 topetes cada
uma, um topete terminal em cada ponta e uma carrei-
9-9
— )/) —
ra mediana longitudinal de 5 topetes. As antennas têm
9 articulações, sendo a articulação 9.º a mais comprida.
As pernas, mais curtas que as da larva. O laço rostral
se extende até a inserção do terceiro par de pernas. O
mento tem cerca de uma duzia de pellos curtos.
Ambas as superficies do corpo são cobertas de pel-
los; os do dorso são em menor quantidade e mais com-
pridos.
A superficie dorsal tambem contem uma grande
porção de poros redondos e secretorios, cada um achan-
do-se em cima de um grupo de cinco ou seis cellulas.
Estes poros têm a mesma estructura que os dos adul-
tos e são mais abundantes na cabeça e nas margens do
corpo.
Hab. Mandado do Iguape, pelo Sr. E. Young, on-
de se acha em tal abundancia sobre o Codiocum sp.?
que até mata as plantas. "Tambem se acha no Ypiran-
ga e em São Paulo sobre Jecus sp., a roseira e ou-
tras plantas cultivadas. "Tem matado diversas arvores de
sombra em São Paulo, e está nos casos de produzir cou-
sideravel damno para os parques.
Os individuos geralmente se agrupam em quanti-
dades enormes no lado inferior dos ramos e galhos das
plantas.
Tambem acham-se em grandes numeros no Lirio-
dendron tulipifera L., Lawus camphora L. e numa
especie de palmeira. Muitas parasitas Hymenopteras tem
se desenvolvido desta especie, mas as parasitas produ-
zem pouco damno no insecto, visto que os ovos não são
afectados e sahem mesmo quando o adulto está cheio de
parasitas. Uma especie de larva de coccinella tem sido
observada tambem alimentando-se do insecto emquanto
está crescendo.
o
æ. Heerya schrottkyi n. sp.
3)
Estampa IX figs. 203
A femea adulta apparece em massas cobertas de
uma secreção branca de formas que é difficil distinguir-
— 374 —
se os caracteres individuaes. E' certo, porem, que ca-
da um dos insectos é coberto de uma massa espessa
de filamentos compridos e brancos de uma secreção
que parece ser produzida por glandulas que formam
dois anneis concentricos no dorso; todos os filamentos
se dirigem para o posterior, e alguns attingem o com-
primento de 30 mm. No abdomen ha duas manchas
de secreção branca. O ovi-sacco é segregado por de-
baixo do abdomen e consiste em uma massa espessa de
secreção branca e lanigera, muito visgosa, adherindo a
tudo que lhe vem em contacto. Despido da céra, é de
côr amarello alaranjada, com as pernas e as antennas
de cor pardo-escura. Corpo oval, mais largo no pos-
terior do que no anterior. O dorso contem dois anneis
concentricos de cavidades ou glandulas que o divide
em tres areas. O abdomen é enrugado transversalmen-
te. Comprimento 7,50 mm. largura, 5 mm. altura,
3 mm. Fervido em uma solução de K O H, tinge o
liquido de côr amarellada, e a derme é fina e trans-
parente.
Antennas, variaveis, de 10 ou 11 articulações; 11
porêm, parece ser o numero typico de articulações,
das quaes a ultima ê a mais comprida. Articulações
de 1 a 10, cada uma tem uma rosca de 7 ou 9 pellos,
e a articullação 11 tem uma moita de muitos pellos.
Comprimento de cerca de 1,10 mm. Comprimento das
articulações = (1), 110; (2), 123: (3), 97; (4), 665 (0);
66; (6), 75; (7), 98; (8), 98; (9), 93; (10), 84;
(11), 173. Formula approximada 11, 2, 1, 3, (7,8,9),
10, 6, (4,9). Pernas, compridas e pelludas. Compri-
mento das articulações do primeiro par de pernas :
coxa, 191; femur com trochanter, 594; tibia, 604;
tarso, 252; unha, 66; digitulos tarsaes faltam; digitu-
los da unha, curtos e filiformes. Olhos, pertos da
base das antennas, pequenos, conicos, de côr pardo-es-
cura. Rostro grande, situado entre o primeiro par
de pernas. Laço rostral se extende até o segundo par
de pernas. Mento, com cerca de 20 cabellos. As su-
perficies: dorsal e ventral são cobertas de pellos e
— ST) —
grandes glandulas redondas; os pellos porém, da su-
perficie ventral são menores do que os da superficie
dorsal.
Larva, recem-nascida, de cér vermelho alaranjada,
elliptica, de 812 de comprimento e 400 de largura.
Tem muito pouco de uma secreção branca no dorso.
Antennas tem 559 de comprimento, de 6 articulações
sendo a terminal mais comprida e claviforme.
Comprimento das articulações: (1), 97; (2), 70;
(3), (9.2 (2, (9: O), 143. (6), LOL. "Todas as. rh
ções tem pellos; articulação 6 tem 6 pellos muito
compridos e diversos outros mais curtos; articulaçäo
5 tem tambem um pello muito comprido. Olhos pe-
quenos, conicos, de côr pardo-escura. Os seis pellos
centraes caudaes são muito compridos, chegando a
ter o comprimento de 1,46 mm. Alem destes ha seis
pellos mais curtos nos lados mas estes são muito cur-
tos tendo apenas 1,5 do comprimento das outras. A
margem do corpo e a derme tambem tem numerosos
pellos, muitos dos quaes são bem compridos. Ha tam-
bem muitas glandulas redondas na derme. Pernas,
compridas e finas, com muitos pellos. Comprimento
das articulações do primeiro par de pernas: coxa, "9;
femur com trochanter, 222; tibia, 244; tarso, 164;
unha, 40. Digitulos da unha, compridos, delgados,
com as pontas ligeiramente dilatadas. Digitulos tar-
saes, ausentes. Unha ligeiramente entalhada. Laço
rostral curto, extendendo-se um pouco além do tercei-
ro par de pernas.
Hab. Jundiahy, Estado de S. Paulo. N'uma ar-
vore das mattas, especialmente nos ramos. Colleccio-
nados pelo Snr. C. Schrotiky. E” raro.
Algumas centenas de especies de Hymenopteros
parasiticos foram gerados desta especie. Como no Z
brasiliensis, as parasitas são presentes nos adultos, mas
não impedem os ovos de sahirem, e por consequencia
produze.n pouco damno para este insecto.
— 376 —
Genero Crypticerya Ckll.
3. Crypticerya hempeli Ck.
A femea adulta esta pegada na casca, sub-globosa,
comprimento de 8 mm.; largura de 7,5 mm.; altura
de 9,39 mm., de côr cinzento escura, com uma camada
fina mas espessa de uma secreção pulverulenta de côr
de creme. Areas sub-dorsaes marcadas com series lon-
gitudinaes de manchas pequenas e redondas, livres de
secreção. Pernas de côr pardo-escura. Fervida numa
solução de KOH, tinge o liquido de cor de rosa clara.
Antennas e pernas depois de fervidas, de côr pardo-
avermelhada. Antennas pequenas e curtas, de 9 arti-
culações. Formula approximada : (219) (345678). Seg-
mentos sub-iguaes em comprimento ; 1.* sendo quasi duas
vezes tão largo como comprido; 9. curto e largo, inver-
samente cordiforme. Pernas pequenas mas fortes; fe-
mur duas vezes mais grosso do que a tibia; tarso pouco
menos do que a metade do comprimento da tibia; unha
grande e moderadamente curva.
Derme chitinosa, especialmente nas margens, tor-
na-se pardo-escura depois de fervida por muito tempo
e tem numerosas glandulas pequenas. Na região sub-
lateral da superficie ventral, ha grande quantidade de pellos
pequenos e curtos, de cor pardo-avermelhada.
Hab. Campinas. Nos ramos da Mimosa.
Subfamilin Ortheziimae
A femea adulta ordinariamente coberta com lami-
nas de secreção branca; ovi-sacco presente; antennas
com oito articulações. Orthesia Bosc.
Genero Orthezia Bosc.
4. Orthezia imsignis Douglas.
A femea adulta tem o corpo largamente oval, de
1,9 mm. de comprimento, e 1,2 mm. de largura, ex-
cluindo as placas de cera, e varia de cor entre ama-
— OTT —
rello-clara e verde escura. A superficie ventral é geral-
mente mais escura e uniforme. A segmentação, espe-
cialmente para a extremidade posterior, é bem distincta.
Olhos pequenos e simples, conicos, situados pertos das
antennas.
Antennas de 8 articulações. todas fulvas excepto
a ultima que é preta; a primeira articulação é muito
grossa; a segunda é a mais curta de todas e muito mais
grossa do que as seguintes; a terceira é a mais com-
prida de todas menos a ultima; a quarta, quinta, sexta
e setima são quasi iguaes em comprimento ; a oitava é
comprida e ligeiramente fusiforme.
Pernas de cor pardo-amarello-clara com tarso es-
curo; coxa forte; femur e tibia de comprimento quasi
igual; o tarso tem 3/5 do comprimento da tibia. À su-
perficie do corpo é ligeiramente coberta de placas de
uma secreção branca, cerosa. Os lados e as superficies
ventraes tambem contêm algumas placas pequenas de
cera. (O ovi-sacco tem de 3 a 5 mm. de comprimento
e é composto de placas de uma secreção branca, é fi-
xado à extremidade do corpo e geralmente tem a ponta
curvada para cima. Os lados são ligeiramente conver-
gentes; a superficie inferior é lisa e arredondada; a
superficie superior é ligeiramente achatada e marcada
com rugas longitudinaes ; a ponta, é truncada, com uma
abertura rectangular por onde as larvas sahem.
Hab. Mandado das Aguas Virtuosas, Estado de
Minas Geraes pelo Sr. Alvaro da Silveira. Tambem
encontrado em Campinas pelo Dr. Noack.
> Orthezia pracionga Douglas
Adulto feminino comprido e estreito, preto, côr de
piche, coberto de placas cerosas e brancas, côr de neve.
Duas placas grandes e espessas se projectam por cima
da cabeça.
A superficie superior do corpo é coberta de uma
substancia espessa e cerosa, formada da conglomeração
de placas, cujas pontas redondas quasi não se extendem
até as margens do corpo, deixando assim a derme ex-
— 378 —
posta dentro das margens lateraes; o meio desta massa
é atravessado por um sulco longitudinal; na margem
do corpo ha diversas placas estreitas que se extendem
para traz e que augmentam em comprimento até a
região anal, projectando-se muito e deitando-se nos sul-
cos do ovi-sacco. O ovi-sacco é muito mais curto em
cima do que em baixo; a superficie inferior é lisa e
curvada para cima, especialmente na ponta, de sorte
que é mais alto do que qualquer outra parte da super-
ficie; entre este e a extremidade da superficie superior
ha uma grande cavidade aberta. Os lados e a
superficie superior do ovi-sacco são finamente riscados
longitudinalmente.
Antennas compridas, delgadas de 3 articulações, a
articulação 8 sendo a mais comprida, de côr amarel-
lada; base e apice finas. Pernas delgadas, de côr
amarellada. Comprimento do corpo 2 mm.; com o ovi-
sacco, 4.0 mm.; largura 2 mm.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de Hypts sp. Man-
dado ao Prof. T. D. A. Cockerell do Pará pelo Dr. E.
A. Goeldi, onde se acha no Citrus limetta Risso. No
« Here der schweiz. Entomolog. Gesellschaft »
Band 7 Heft 6, 1886, pp. 250—255, o Dr. Goeldi pu-
NA uma dsscripção de uma Orthezia que achou
perto do Rio de Janeiro, e a classificou como Orthezia
urticae 1. Mas o Prof. Cockerell acha pouco prova-
vel que esta especie exista no Brazil.
Nos «Zoologische Jahrbiicher, Abtheilung für Sys-
tematik, Geographie und Biologie der Thiere», XII
Band 1899 p. 168, Dr. Goeldi falla de uma Orthezia
achada no Pará, que ao principio pensava ser a Orthezia
urticae L. O Sr. Jules Lichenstein porém, diz que pode:
ser identica com a Orthezia americana, Walker. Esta
opinião, no entretanto, carece de confirmação.
Subfamilia Coccinae
Annelcamal com: 'pelless sujeita a do M
Annel anal sem pellos . . o
1. — A femea com um sacco de ale eodão, ou uma
caso Om. 2) VR 0. OLS pao Rai Ri eee
— 319 =>
A femea näo assim, mas coberta com uma
secreção de algodão pe ordinariamente
em borlas. É do
2. —A femea secreta um sacco de algodao : as an-
tennas com sete articulações; O ee anal
com seis pellos. Eriococcus Targ.
A femea secreta uma casca cornea com uma
eminencia caudal terminando num orificio ;
as antennas säo rudimentares ou com seis
articulações ; o annel anal tem oito pellos.
Solenococcus Ckll.
3. —As pernas e antennas da femea adulta são bem
POCO ASE POULIN) WS! LAT re io 2
As pernas e antennas da femea adulta säo ru-
dimentares ou ausentes; o annel anal com
seis pellos. Chaetococcus Maskell.
4. —QO annel anal da femea com seis pellos; as
antennas de oito articulações.
Dactylópius Costa.
O annel anal da femea com seis pellos; as
antennas de nove articulações.
Phenacoceus Ckll.
D. —A femea adulta com as EA e antennas bem
formadas . SE pee at Sat
A femea adulta con as pernas e antennas ru-
dimentares ou ausentes
6. —A femea adulta com antennas de nove articu-
lações; as pernas bem formadas; o insecto
coberto com uma secreção branca.
Pseudococcus Westw.
A femea adulta com antennas de seis articu-
lações; as pernas são presentes; o Insecto
faz uma galha na forma dum disco nas
folhas. Tectococcus Hempel.
A femea adulta com antennas de oito articu-
lações; as pernas são presentes; o insecto
secreta uma casca globosa e tem o abdo-
men com oito pares de espiraculos.
Stiginacoccus Hempel.
— 380 —
7. —A femea adulta nua, ou fazendo uma galha-. 8
A femea adulta secreta uma casca globosa . 9
8 —A femea adulta é nua, triangular, as antennas
são como tuberculos pequenos; as pernas são
ausentes. Carpochloroides CkN.
A femea adulta fazendo uma galha ou não;
as antennas com 4—6 articulações; só O
ultimo par de pernas é presente.
Capuluua Signoret.
9. —A femea adulta secreta nma casca globosa e
dura; as antennas e pernas são rudimentares ;
o abdomen tem sete pares de espiraculos.
Cryplokermes Hempel.
A femea adulta secreta uma casca flexivel;
as antennas são rudimentares; as pernas são
ausentes; o abdomen sem espiraculos.
Aprococcus Hempel.
Genero Pseudococcus Westwood
G Pseudococcus cacti L.
A femea adulta é oval, convexa, de côr de car-
mezim, coberta duma massa feltrada de secreção branca.
A derme é molle, não chitinizada. As antennas de 9
articulações, comprimento 5 mm., largura 3 mm.
Hab. Rio Grande do Sul. Nas folhas do cacto,
Opuntia sp.
Encontrado 14 pelo Dr. H. v. Ihering.
Genero Eriococcus Targ.
—_
>. Eriococcus brasiliensis Chil,
Fstampa V, fig. 9
A femea adalta é de cor pardo-avermelhada e de
forma oval. O annel do anus tem6 pellos compridos.
Antennas variaveis. Em algumas especies a arti-
culação 3 é a maior e em outras a articulação 4 é a maior,
— DSL —
sendo 48 de comprimento. Articulagio 1 tem 22 de
comprimento. Todas as articulações, excepto a 3*, tem
um ou mais pellos.
Os saccos do macho são da mesma consistencia e côr
que os da femea, mas um pouco menores. O macho adulto
éde cor pardo-escura. As antennas são variaveis, e ge-
ralmente tem 30 articulações, mas às vezes tem só 8
ou 9. As articulações 2 a 9 são dilatadas nas extremi-
dades distantes. A articulação 2 é muito grossa e tem
o dobro do diametro da articulação 3. A formula é
approximadamente, 10, 2 (93) 87 (456) 1. Todas as
articulações têm muitos pellos exiguas, e alem destes,
as articulações 8 e 9 têm 1,e a articulação 10 tem 5 pel-
los grandes e grossos. O thorax é grande ; abdomen lar-
go com varios pellos nas margens de cada segmento. A
espiga genital é curta e eacuminada. Azas regulares; a
bolsa da inserção dos balanços é grande, e estes são com-
pridos e delgadosna ultima articulação, com um gancho
na ponta distante. Unhas dentadas como na femea. Com-
primento de 0,95 mm. Extensão de 1,87 mm.
Hab. Ypiranga. Geralmente se acham apinhados
nas extremidades dos ramos da Baccharis dracuncu-
tefolia DC.
O insecto é activo até pouco antes da gestação,
quando constroe um sacco bem teltrado, em que gasta
de tres a quatro dias para fazel-o.
&. iEriococcus perplexus 7. sp.
Estampa V figuras 7 a 9
Os saccos da femea têm até 11 mm. de compri-
mento e 5.5 mm. de largura com 1.75 mm. de altura :
são fusiformes, mais largos no meio, côr de neve, bem fel-
trados, pontudos e tem uma pequena abertura na ex-
tremidade posterior. A superficie dorsal pode ser um
pouco achatada, e mostra os vestigios de estrias trans-
versaes.
A femea é de côr amarello-alaranjada com uma
listra mediana longitudinal de côr parda. Depois de ser
fervida numa solução de KOH mede até 4.5 mm. de
comprimento e 2.75 mm. de largura. Tinge o liquido
amarello-claro. Antennas variaveis, tem 7 articulações
de 30 de comprimento.
As articulações 1.5 e 4 são quasi iguaes em com-
primento ; formula 1 (34) 27 (96) variando para 3 (14)
27 (65) As antennas são grandes e são pouco reduzidas
nas quatro primeiras articulações. Todas as articulações,
exepto a 3º, contém pellos. Pernas curtas e reforçadas;
a coxa tem 2 pellos e 3 ou 4 espinhos curtos; o tro-
chanter tem 2 pelios terminaes e um espinho.
O femur é duas vezes mais comprido do que largo ;
tibia e tarso são iguaes em comprimento e têm cerca
de 7/10 o comprimento do femur; a unha é comprida
e curvada ; todos os digitulos são delgados e tem as
pentas dilatadas. O annel do anus tem 6 pellos. O
mento se acha em frente do primeiro par de pernas;
o laço rostral se extende atê a metade da distancia para
o par mediano de pernas. Toda a superficie do corpo
é coberta de espinhos direitos e curvos, e de glandulas
bem pequenas e redondas. O abdomen acaba por um
par de pequenos tuberculos.
Larva recem-nascida, é de côr de laranja, pyri-
forme; o abdo nen acaba por um par de tuberculos
que terminam por uma cerda comprida. Entre os tu-
berculos ha dois pellos compridos e quatro mais curtos.
A superficie do dorso tem seis carreiras longitudinaes
de espinhos grandes e agudos, e numerosos pequenos
tuberculos. As antennas têm seis articulações ; a arti-
culação 3 é a mais comprida. Pernas pequenas; unha
comprida, delgada e um pouco curva; digitulos delga-
dos. O annel anal ten seis pellos. Ha dois pellos
conspicuos na margem da frente entre as antennas. Olhos
pequenos. esphericos e pouco conspicuos. O laço rostral
extende-se quasi até o annel anal.
Hab. Ypiranga. No lado inferior das folhas de
uma planta da ordem Myrtaceae. E' gregario e as
vezes solitario. Acha-se tambem em Bello Horizonte,
Estado de Minas Geraes, sobre a casca e as folhas de
Eugenia jaboticaba.
= Jon —
9. Eriococcus armatus 7. sp.
Estampa V, fig. 10
Saccos da femea ovaes, achatados com uma aber-
tura grande de forma elliptica na ponta caudal ; com-
poem-se de uma substancia grossa e feltrada. Cor
branca com uma tinta de creme; tem 3.25 mm. de
comprimento e 2.25 mm. de largura. A femea adulta
tem a forma ova ; cor pardo-avermelhada ; o abdomen
é enrugado transversalmente. Fervida numa solução
de KOH da ao liquido uma cor vermelho-clara.
As antennas são bem juntas uma à outra e têm
7 articulações variaveis, 3.20 mm. de comprime_to. A
articulação 7 é a mais comprida. Formula approximada
7 (12) 4635. Todas as articulações tem pellos. Com-
primen o dos segmentos :— (1) 44, (2) 44, (3) 36, (4)
40, (5) 31, (6) 38, (7) 89. Pernas, curtas; tibia e
tarso quasi iguaes ao femur e trochanter. Digitulos
tarsaes delgados e com extremidades nodosas, e exten- |
dendo-se até as pontas das unhas. Digitulos das unhas
maiores e com as extremidades dilatadas. Rostro pe-
queno e collocado entre as antennas e o primeiro par
de pernas.
Mento grande e dimero. O laço rostral é bem
comprido. (Olhos pequenos e ovaes. Annel anal tem
6 pellos. Ha dous tuberenlos anaes, que terminam
por uma setta comprida e contêm varios pellos, e 4 ou
o espinhos curtos e grossos. Os ultimos 5 ou 6 seg-
mentos do abdomen contêm nas margens lateraes e no
dorso varios grupos de espinhos curtos, grossos e lan-
ceolados; cada um desses grupos se compõe de 4 ou
D espinhos. Espalhadas sobre ambas as superficies do
corpo se acham fieiras redondas, pellos lanceolados e
muitas glandulas pequenas de forma cylindrica. Estas
glandulas são mais numerosas nas margens lateraes e
caudaes do abdomen. ‘Tein o comprimento de 2.70 mm.
A larva tem 0.440 mm. de comprimento e a forma
oval. As antennas têm 6 articulações; a articulação 6 é
a mais comprida. Pernas curtas e grossas; digitulos
— 384 —
bem delgados. (O annel annal tem 6 pellos. Os tuber-
culos anaes não são conspicuos; cada um destes ter-
mina por uma setta e contem dois espinhos curtos e
agudos. O dorso contem cerca de 16 carreiras trans-
versaes de pellos curtos. |
Hab. Ypiranga, sobre Baccharis sp. Os individuos
se reunem em grupos ao redor do caule perto do chao,
ou nas extremidades dos ramos e tambem nas raizes.
Genero Dactylopius Costa
HO Bactylopius citri Poisd
Adulto feminino de corpo alongado, de cor pardo-
avermelhada, coberto de uma secreção branca e pulveru-
lenta, muito fina, de sorte que apparece uma listra
mediana longitudinal de cor escura. A margem do
corpo contem um grande numero de appendices bran-
cos e lanigeros, geralmente em numero de 17 em cada
lado ; os da extremidade posterior do corpo são mais
compridos do que os outros.
Antennas de 8 articulações, das quaes a 3° e a 8º
são as mais compridas ; a segunda é um pouco menor
do que a terceira, e a quarta e a sexta são as mais curtas.
O tarso tem 2/3 de comprimento da tibia, com os di-
gitulos filiformes e muito compridos. Os digitulos da
unha são muito curtos. Os lobulos posteriores do corpo
contêm, aos lados dos pellos compridos, muitas fieiras
redondas, dois espinhos conicos e dois ou tres pellos
curtos ; os lobulos lateraes tambem apresentam os mesmos
caracteristicos, porem, os espinhos conicos são menores,
e as fieiras redondas em menor numero.
Hab. Encontrado nas laranjeiras e limoeiras na
Colonia Novo Mundo, Rio Grande do Sul, pelo Dr. H.
v. Ihering.
Af. Dactylopius grandis 1. sp.
Estampa V. fig. 11.
A femea adulta tem a forma oval, o dorso convexe
e arredondado ; cor de laranja escura. O dorso é co-
berto de uma secreção branca pulverulenta, disposta
em uma carreira sub-mediana e outra sub-lateral lon-
gitudinal de cada lado. Em roda da margem lateral
ha uma guarnição de topetes curtos e brancos. Os
dois topetes anaes são compridos e acuminados. A se-
creção às vezes tem uma tinta de amarello. O adulto
descança sobre uma massa de substancia branca felpu-
da, que contem os filhos. Esta pennugem adhere fa-
cilmente a todos os objectos com que vem em contacto.
Os specimens maiores têm 7.90 mm. de comprimento,
9.00 mm. de largura e 3.00 mm. de altura.
As antennas tem 8 articulações, a 8º sendo a
maior. Articulação 1 é grossa, tendo quasi duas vezes
o diametro da articulação 2. O comprimento das arti-
culações é variavel; articulações 3, 5, 6 e 7 são quasi
iguaes; articulações 1 e 2 são quasi iguaes ; as vezes
articulação 1 é maior e outras vezes é a 2º que é maior.
Formula approximada 8215 (367) 4 O comprimento
medio das antennas é de 0.48 mm.
Todas as articulações contêm pellos. Comprimento
das articulações (1) 67, (2) 71, (3) 49, (4) 36, (5) 53,
(6) 47, 17) 49; (8) 98. Qlhos pequenos e conicos.
Pernas curtas e reforçadas, contendo poucos pellos ;
coxa mais larga do que comprida ; tarso e tibia quasi
iguaes em comprimento ao femur ; unha pequena; digi-
tulos curtos e delgados com as pontas abotoadas. Os di-
gitulos tarsaes são delgados e quasi não chegam até a
ponta da unha.
O laço rostral é muito curto. O annel do anus
tem 6 pellos. Os dois tuberculos anaes não são cons-
picuos, mas cada um tem diversos pellos, diversas
elandulas de forma triangular e cerca de 15 espinhos
curtos, grossos e agudos.
Na superficie dorsal do corpo, perto das margens
lateraes ha cerca de 32 grupos de glandulas e espi-
nhos ; cada um destes grupos se compõe de 8 ou 12
pequenas glaudulas ou poros e de 5 a 8 espinhos cur-
tos e agudos. A margem lateral tambem é guarneci-
da de uma porção de pellos curtos. A superficie dor-
— 386 —
sal contem muitas glandulas triangulares, e espinhos
curtos e agudos, collocados um a um apparentamente
em carreiras transversaes. A superficie ventral do cor-
po contem glandulas e muitos pellos curtos.
As larvas recem-nascidas: têm a torma elliptica,
côr amarella, olhos pequenos, conicos, de côr pardo-
escura.
As antennas têm 6 articulações: articulação Gé a
mais comprida e é igual às articulações 3, 4 e 9 jun-
tas. O laço rostral é comprido e extende-se quasi até
o annel do anus. [Pernas compridas; unha delgada ;
os digitulos da unha e do tarso são compridos, finos e
abotoados. Os tuberculos anaes não são conspicuos e cada
um tem uma setta terminal. Em roda da margem do
corpo ha diversos espinhos curtos e agudos, e cada
um dos ultimos dcis segmentos abdominaes contem
dois espinhos de cada lado. O comprimento é de 0,46
mim.
Hab. Ypiranga e São Paulo, nas folhas e ramos
de goiabeira e outras plantas da ordem Myriaceae.
Não é commum.
12. Dactylopius setosus 7. sp.
Estampa V fig. 12
A femea adulta tem a forma elliptica e achatada,
côr de laranja avermelhada. Pernas e antennas ama-
relladas. Thorax e abdomen enrugados em sentido
transversal. O abdomen termina em dois filamentos
curtos e agudos de secreção branca; ambas as super-
ficies do corpo são cobertas de um pó branco. No
dorso ha uma carreira sub-lateral e marginal, de fila-
mentos vitreos que sobresaem em todas as direcções
e dão ao insecto nma apparencia de ouriço
O specimen maior tem 5 mm. de comprimento e
2,19 mm. de largura.
Antennas delegadas e geralmente têm 8 articula-
ções; às vezes porém as articulações 3 e 4 se unem
entre si formando uma só articulação ; as articulações
— 387 —
4 a7 são ligeiramente dilatadas nas extremidades dis-
tantes. Todas as articulações têm pellos; a articulação
8 é a maior. Formula approximada & 83 (21) 54 (67).
O comprimento das antennas varia de 0.60 a 0.70 mm.
Comprimento medio das articulações (1) 89, (2) 89,
(3) 102, (4) 64, (5) 84, (6) 62, (7) 62, (8) 133.
Pernas compridas e delgadas com muitos pellos.
A coxa é curta e larga. As articulações do primeiro par
de pernas medem :—femur 335 de comprimento; ti-
bia 312; tarso e unha 125. Os digitulos tarsaes são del-
gados com pequenos botões nas pontas, e se extendem
até a ponta da unha. Digitulos da unha bastante di-
latados nas pontas. Olhos, pequenos e conicos O laço
rostral é bem curto. (O annel anal tem 6 pellos. Os
tuberculos anaes são presentes; cada um termina por
uma setta comprida e contem dois espinhos curtos e
agudos, uma porção de pequenos pellos e varias glan-
dulas exiguas de forma triangular. Ao redor do ori-
ficio do anus em grupos, e dispostas em linha singella
na margem lateral da superficie dorsal, ha umes glan-
dulas caracteristicas de forma cylindrica; cada uma
destas glandulas tem 35 de comprimento e 9 de lar-
gura. De 3 a D pellos curtos se acham dispostas em
roda da abertura destas glandulas. A superficie dor-
sal tambem contem muitos poros exiguos de forma
triangular, e ha muitos pellos na região cephalica. Ha
tambem pellos e glandulas espalhados sobre a superfi-
cie do ventre.
Hab. —São Paulo. Nas ramas de uma especie de
Ficus que se acha plantado como arvore de sombra
x
em algumas ruas da cidade. Nao é muito abundante.
13. Dactyvlopius secretus 1. s/.
Estampa VI fig. 1
A femea é activa; corpo oval e estriado em sen-
tido transversal; côr amarello-clara ; o dorso é coberto
de uma secreção branca, fina e pulverulenta. A mar-
gem lateral contem uma guarnição de pequenos tope-
tes de cèra branca. Um par destes topetes que fica na
extremidade caudal é maior do que os outros, e entre
estes ha um outro par de topetes finos e filiformes.
O specimen maior tinha 2.26 mm. de comprimento e
1.25 mm. de largura, mas é provavel que não esteve
bem maduro. Mora em galhas de forma espherica ou
cylindrica, que forma engrossando uma parte da folha
e dobrando-a sobre si, com o eixo maior parallelo com
o eixo maior da folha.
A galha se acha no lado inferior da folha com a
abertura no lado superior, e mede às vezes 12 mm.
de comprimento.
As antennas são curtas, grossas e têm 8 articula-
ções; cada uma das articulações tem diversos pellos
grossos; a articulação 8 é mais comprida. As anten-
nas têm mais ou menos 0,42 mm. de comprimento.
Formula approximada é 8213 (57) (46). O comprimento
dos segmentos das antennas é (1) 57, (2) 62, (3) 45, (4)
30, (5) 40, (6) 35, (7) 40, (&) 98. Pernas curtas; as
articulações do primeiro par de pernas medem : femur
191, tibia 182, tarso com a unha 102. Os digitulos
tarsaes são finos, delgados com as pontas um pouco
dilatadas, e não se extendem além da ponta da unha.
Os digitulos da unha são grossos e dilatados extenden-
do-se alem da ponta desta. O laço rostral é comprido
extende-se até a metade da distancia entre o segundo
e o terceiro par de pernas. Olhos bem pequenos e
ovaes. Annel anal com 6 pellos. Os tuberculos anaes
não são conspicuos; cada um termina por uma setta
erande e contem dois pequenos espinhos agudos, pellos
pequenos, glandulas pequenas de fórma triangular e
outras elandulas maiores de fórma redonda. Todas as
superficies do corpo contêm pellos e espinhos espalha-
dos, e numerosas glandulas pequenas e grandes.
O macho adulto tem a côr amarello-clara ; olhos
pretos. Comprimento incluindo o estylo é de 0.85 mm.
Extensão das azas de 2,25 mm. Ag antennas tem 10
articulações ; a articulação 10 é a mais comprida; as
articulações 3 até 9 são quasi iguaes. Malteres curtos
SS
augmentados no meio; a cerda é fina com um gancho
na ponta. Pernas compridas e delgadas com numero-
sos pellos. A tibia tem o dobro do comprimento do
tarso. Unha comprida e delgada, tem 1/3 do compri-
mento do tarso. Digitulos curtos e filiformes. Estylo
muito curto eacuminado. O ultimo segmento do corpo
contem em cada lado do estylo um pello comprido e
diversos pellos mais curtos. Os outros segmentos abdo-
minaes tambem contêm varios pellos curtos nas mar-
gens lateraes.
Hab. : Ypiranga. Em galhas nas folhas de uma
planta da ordem Solanaceae. Poucas galhas apenas
têm insectos, e é provavel que as galhas são feitas por
outros insectos e apropriadas por estes. Dactylopius.
Esta especie é acompanhada por uma formiga. (Cer-
matogaster ? )
Genero Phenacoccus Cockerell
14. Phenacoceus spiriferus n. sp.
Estampa VI fig. 2
_ À femea adulta de forma oval e não muito con-
vexa; côr de rosa; ambas as superficies são cobertas
de um pó branco. Ia cerca de 36 topetes curtos, bran-
cos, de fórma redonda na margem lateral; os 4 tope-
tes anaes são um pouco mais compridos do que os
outros.
As femeas parasiticosas tomam a fórma cylindrica,
e sua derme torna-se glutinosa. Os topetes marginaes
são um pouco maiores na margem posterior do que
no resto do corpo.
As antennas têm 9 articulações; a a ane 5 69
major. O comprimento das antennas varia de 0,50 mm.
até 0,93 mm. Formula approximada de 3 (12) 9786
(45). O BOL Ent dos segmentos dns _antennas (D
67; (2) OT (Du Ths (4); 42, (5) 142106) 45,..(7) 153) (8)
49, (9) 64. Todos os seamentos das pitas Ho
pellos. Pernas de tamanho regular e não contem mui-
— 0e
tos pellos. © comprimento dos segmentos do primeiro
par de pernas é: femur com trochanter 292; tibia
com tarso 312. Unha curta e digitulos grandes com
as pontas dilatadas. Digitulos tarsaes, filiformes com as
pontas abctoadas. Olhos pequenos e conicos. O rostro
é curto, quasi tão largo como comprido e contem
dois pellos. O mente é dimero e contem numerosos
pellos. O laço rostral extende-se atê o segundo par
de pernas. O annel do anus contem 6 pellos grandes.
Os tuberculos anaes não são conspicuos ; cada um ter-
mina por uma setta comprida e contem dois espinhos
curtos e agudos, e muitos pellos e pequenas glandulas.
Na superficie dorsal perto da margem lateral ha cerca
de 35 grupos de espinhos, cada grupo contendo dois
espinhos curtos e agudos. Ambas as superficies con-
têm pellos e numerosos poros pequenos de forma tri-
angular. Além destas ha na superficie ventral dos
ultimos cinco segmentos do abdomen muitas carreiras
transversaes de fieiras maiores de forma redonda.
Larva recem-nascida : tem a fórma oval, côr ama-
rello-clara, olhos pardos. Os tuberculos anaes são sa-
lientes, terminando cada um por uma setta comprida.
Antennas de 6 articulações; a articulação 6 é a
maior. As pernas são grandes, e os digitulos finos e
filiformes. O annel do anus é munido de 6 pellos. O
laço rostral é comprido e extende-se até a extremidade
do corpo. O comprimento é de 0,810 mm.
Hab. São Paulo. Acha-se nos entalhos dos pe-
ciolos das folhas de uma arvore cultivada.
Genero Solenococ us Ckll.
15. “olenococcus tuberculus 7. sp.
Estampa VI fig. 3
A casca da femea adulta é oval, e o dorso bem con-
vexo. Ha uma carreira mediana longitudinal de sete tu-
berculos sobre o dorso; e mais duas carreiras de cada
Jado, a dorso-lateral com 6 tuberculos ea lateral com 3
— 391 —
tuberculos. Em roda da margem lateral ha uma car-
reira de 18 a 20 tuberculos. A ponta caudal é ligei-
ramente recurvada e tem uma abertura de forma re-
donda. A casca é elastica, rija e tem a cor parda; ha
porêm- umas linhas de cêra branca radiantes dos tuber-
culos, que lhes dão uma apparencia geral de côr de
cinzas. Ha duas linhas brancas pouco conspicuas no lado
perto da margem ; estas linhas convergem na superfi-
cie ventral. A casca é bem segura no galho; no inte-
rior é lisa, brilhante e de uma côr pardo-escura. Tem
7 mm. de comprimento, 5 mm. de largura e 3,75 mm.
de altura,
A femea adulta é lisa brilhante, azulada em cima,
amarellada em baixo, e enche completamente a casca,
Fervida numa solução de KOH tinge o liquido de uma
côr pardo clara. As antennas são representadas por dois
pequenos tuberculos, contendo cada um uma moita de
pellos. Faltam-lhe as pernas. O rostro é bastante re-
movido das antennas, e está situado à metade da dis-
tancia entre os dois pares de espiraculos. O mento é
pequeno e dimero. O annel anal tem apparentemente
S pellos grandes, os lobulos anaes são grandes, tendo
a margem interior serrada, e contendo diversas settas.
Logo acima do annel anal ha uma chapa dura de for-
ma semi-circular que contem % pellos na base. Na super-
ficie dorsal adiante do annel anal e tuberculos anaes ha
quatro grupos de glandulas grandes e redondas; cada
um destes grupos se compõe de 8 até 13 glandulas.
Ha carreiras duplas de poros pequenos e redondos ex-
tendendo-se dos espiraculos e das antenas atéa margem
lateral. De cada lado perto dos espiraculos ha 3 ou 4
grupos de fieiras redondas.
Ambas as superficies contêm muitasg landulas fila-
mentosas, varias fieiras simples e redondas e outras fiei-
ras dobradas em forma do algarismo 8; estas, porêm,
são mais numerosas no lado dorsal.
A larva recem-nascida, tem a forma elliptica, côr
amarella e os olhos pequenos e pardos. Antennas curtas
e grossas, de 6 articulaçães; a articulação 3 é a mais
— 392 —
comprida. O laço rostral é comprido e extende-se quasi
até o annel anal. O annel anal contem 6 pellos grossos.
Os tuberculos anaes são grandes e cada um termina por
uma setta comprida, e contem dois espinhos curtos e
grossos na margem interior, e varios pellos na base.
A margem lateral é serrada e contem varios pellos finos.
Sobre o dorso ha 6 carreiras longitudinaes de glan-
dulas dobradas na forma do algarismo 8. Pernas cur-
tas e os 4 digitulos são bem compridos e delgados.
O comprimento é de 0.52 mm.
Hab. São Paulo. Sobre Baccharis. Vive solitari-
amente no caule psrto do chão. Os filhos saem da casca
pela abertura caudal. Não é commum.
16. Solenococceus baccharidis n. sp.
Estampa VI fig. 4
A casca da femea adulta tem a côr pardo-clara, a for-
ma oval, lisa, e o dorso muito convexo. Os specimens
novos têm as vezes alguns tuberculos pequenos no dorso.
Radiando das margens lateraes ha de 1! até 13 fila-
mentos ou processos curtos de côr branca, A casca é
fina elastica e rija; a ponta caudal é ligeiramente recur-
vada, e contem um pequeno orifício de forma redonda.
Em baixo ha duas linhas brancas convergentes de cada
lado. Tem 4 mm. de comprimento, 3.20 mm. de
largura e 2.50 mm. de altura.
A femea adulta despida de cera, tem a côr parda
e a derme lustrosa. Iervida numa solução de KOH, tinge
o liquido de uma cr amarello-parda. Antennas repre-
sentadas por dois tuberculos, cada um contendo uma
moita de pellos. (Geralmente faltam-lhe as pernas, mas
às vezes se encontram nos individuos novos em forma
de tuberculos terminados por unha.
tostro grande e situado entre o primeiro par de
espiraculos. O mento é dimero. =s
Rio
A ponta posterior do abdomen é chitinosa e pro-
longada em fórma de cauda, que contem o annel anal
e os tuberculos anaes. O annel anal tem 8 pellos gran-
des. Logo acima do annel anal ha uma chapa chitinosa,
semi-circular com dois pellos na base. Os tuberculos
anaes são salientes, cada um terminando por uma setta
grande, tendo outras settas menores. Ha uma carreira
dupla de fieiras redondas que se extende dos espiraculos
e das antennas até a margem lateral. Ambas as super-
ficies contêm muitas glandulas filamentosas, fieiras em
forma do numero 8,e alguns pellos e fieiras simples de
forma redonda. As glandulas eas fieiras são mais nu-
merosos na superficie dorsal.
A larva recem-nascida é muito activa ; tem a forma
elliptica, côr amarella e olhos pequenos e pardos ; as
antennas tem 6 articulações; a articulação 6 é a mais
comprida. A articulação 3 é quasi igual à 6 em com-
primento. O laço rostral é comprido e extende-se quasi
até o annel anal. O annel anal tem 6 pellos. Os tuber-
culos anaes são salientes, e cada um termina por uma
setta comprida e contem na margem interior dois espi-
nhos curtos e curvados e varios pellos na base.
Pernas compridas e reforçadas, e os quatro digitu-
los compridos e delgados. A margem lateral do corpo
é dentada e tem pellos curtos. O dorso contem 6 car-
reiras longitudinaes de glandulas na fórma do algarismo
S. O comprimento é de 0,44 mm.
Hab. Ypiranga e São Paulo. Sobre o tronco e os
galhos de Baccharis dracunculifolia D G. Acha-se às
vezes em grandes quantidados, e está bem pegado a
casca das arvores.
£7. Carpochloroides viridis Cill.
Estampa VI fg. 5
A femea adulta tem a côr verde-clara, forma irre-
gular, approximando-se a uma pyramide triangular. E”
mais larga antes do meio. A parte posterior do dorso é
— 394 —
marcada com 6 ou 7 estrias tranversaes. Quando remo-
vido do galho deixa uma mancha de pennugem branca.
A derme é grossa, mas fervida numa solução de
KOH, torna-se transparente e mostra claramente as re-
ticulações
As antennas são representadas por dois tubsrculos
que terminam por uma moita de pellos grossos. As par-
tesboccaes são bem desenvolvidas e muitas vezes despren-
dem e ficam cravadas na casca da planta quando o in-
secto é removido. Faltam-lhe as pernas. À superficie
ventral contem uma porção de cerdas agudas na mar-
gem anterior. Tem 3,5'mn.de comprimento, 4,5 mn.
de largura e 3,0 mm. de altura. E' viviparo.
Hab. Ypiranga e Campinas. Acha-se nos renovos
de varios arbustos da ordem Myrtaceae.
Genero Capulinia Sign.
iS. Capulinia jaboticabae v. Lhering
Adulto feminino, de contorno oval, de côr amarello-
clara, geralmente com uma secreção fina pulverulenta
de cor branca na superficie.
Antennas peqnenas, de cerca de 0.075 mm. de
comprimanto, de 4--© articulações; a ulti na articula-
ção tom una moita terminal de pellos. Faltam o pri-
meiro e o segundo par de pernas. O corpo termina por
2 paquenos tuberculos, cada um dos quaes termina por
um pello comprido. Na superficie dorsal e nas margens
lateraes do corpo ha diversas carreiras de pellos com-
pridos, cada um dos espiraculos contem um grupo de
18--25 fieieiras em roda das aberturas externas.
Os quatro pellos anaes são curtos, fortes e agudos. Ros-
tro grande, situado perto das antennas. Mento, ligeira-
mente dimero, com a ponta um pouco recurvada. Laço
rostral comprido. (Comprimento 2,40 mm.; largura
1,25 mm.
O casulo do macho é pequeno, elliptico, de côr
branca, feita de um material fino e feltrado com uma
— 395 —
abertura na ponta posterior. Comprimento 1,34 mm. ;
largura 0,46 mm. Geralmente collocado entre as
camadas de casca da arvore.
Hab. Capoeira Grande, Sao Paulo, Ypiranga, e
nas mattas à beira do rio Mogy-Guassu perto da cida-
de de Mogy-Guassu. E” geralmente encontrado debaixo
de pedaços de casca, ou nas fendas e gretas do tronco
e dos ramos de Eugenia jaboticaba. Os ovos são pos-
tos numa massa espessa de uma substancia branca e
lanigera, secreta pelo adulto e que geralmente se pode
vêr nos intersticios da casca. Onde este insecto appare-
ce em grande numero produz muito estrago nas ar-
vores.
19. Capulinia crateraformans KHempel
Estampa IX, fig. 4
A temea faz umas pequenas galhas em forma de
cratera na casca dos galhos e ramos. Esta galha tem
cerca de 1,5 mm. de altura, e consiste em um annel
exterior de 1mm. ou 1,5 mm, de diametro, e uma
pequena eminencia coniforme no centro que pode ser
facilmente removido.
A cavidade occupada pelo insecto é lisa e forrada
de um pó branco.
Adulto feminino pequeno, de contorno oval, de
côr de rosa, coberto de um pd branco de secreção.
Fervido em uma solução de KOH torna-se incolor. To-
manho depois de ser fervido: comprimento 0.96 mm,
largura 0,73 mm.
Antennas pequenas, variaveis, geralmente de cinco
articulações, às vezes, porém, a articulação 3 se divide,
formando antennas de 6 articulações. Comprimento,
0.096 mm. Formula approximada 31 (24) 5. Compri-
mento medio das articulações : (1), 27: (2), 13; (5), 35;
(4), 13; (5), 9. A ultima articulação contem uma moita
terminal de pellos grossos,
Não ha vestigios do primeiro e do segundo par
de pernas; o terceiro par de pernas, defeituosos, sem
— 396 —
alguma articulação visivel, sem unha, é geralmente col-
locado tão perto à extremidade do corpo que a metade
do comprimento se extende além da margem posterior.
Comprimento das pernas 0.177 mm. Rostro grande e
bem desenvolvido; mento apparentemente dimero ; laço
rostral, comprido, enrolado e extende-se até o segundo
par de espiraculos. O abdomen é dividido em segmen-
tos e termina em duas cerdas curtas. A abertura anal
é guardada por quatro pequenos espinhos. Em roda da
margem do corpo e na superficie dorsal, se acham es-
palhados pellos pequenos e espiniformes. Os estigmas
são chitinosos e bem desenvolvidos, e cada um tem
de uma a quatro fieiras pequenas e redondas.
A derme @ enrugada transversalmente.
Hab. São João d’el Rei, Estado de Minas Geraes.
Nos ramos e galhos de Hugena jaboticaba. OSE:
Alvaro da Silveira fez a colleeção desta) especie, eames.
creve que produz muito estrago nesta arvore fructifera.
De uma nota publicada pelo Prof. T. D. A. Cockerell
no « Journal of the New York Entomological So-
ciety.» Vol. VI, Sept. 1698, pp. 174 e 175, & appa-
rente que esta especie foi encontrada tambem no Estado
de Sao Paulo, pelo Dr. J. de Campos Novaes. Fallando
de C. jaboticabæ v. Ihering, o Prof. Cockerell diz:
«o Dr. Noack tambem me enviou alguns specimens
collecionados, 27 situ pelo Dr. José de Campos No-
vaes em Itatiba, Estado de Sao Paulo, e tenho des-
coberto que moram em pequenos galhos de forma de
crateras. As femeas têm antennas de à ou 6 seg-
mentos. »
Ki” muito evidente que as especies examinadas por
Prof. Cockerell não eram C. jaboticabe, mas sim
C. crateraformans. toi encontrado tambem em São
Paulo.
As especies de Capulinia podem ser facilmente
distinguidas pela seguinte tabella de caracteristicos.
Não tenho exemplos de C. salle: Sign. e os caracteres
dados aqui são tirados de Signoret, e Townsend &
Cockerell.
MR dE
Comprimento 2.40 Comprimento 0.95 Comprimento 1.50
mm. Antennas 4—5 | mm. Antennas,de 5 a6 | a 1.67 mm. As anten-
articulações. Compri- | articulações. Compri- | nas, são pequenos tu-
mento das antennas 75 | mento das antennas, | berculos. Primeiro e
Faltam o primeiro e o , 97. Yaltam o primeiro | segundo par de pernas
segundo par de pernas, | e o segundo par de per- | representado por um
as pernas posteriores | nas. As pernas poste- | tuberculo pequeno co-
articuladas esem unha. | riores não são articula- | nico. Pernas posterio-
O ultimo par de pernas | das e sem unha, Com- | res não articuladas e
tem 0.302 mm. de com- | primento das pernas | terminando em uma
primento. Uitimo par | do ultimo par 9,1Yimm | unha. Ultimo par de
de pernas removido da | Ultimo par de pernas pernas removido da
margem posterior. A | muito perto da margem | margem posterior. A
femea não faz galha, | posterior. A femea faz | femea se cobre de um
nem sacco definido: os | uma pequena galha em | succo de substancia
ovos são depositados | forma de cratera. De | branca e lanigera, tra-
em uma massa fofa de | 1 a 4 espinhos nos espi- | zendo um filamento
uma substancia branca | raculos. Pellos curtos | simplese comprido des-
e lanigera. Tem de 18 | nas margens do corpo. | de a ponta.
a 39 fieiras em roda de |
cada um dos espiracu-
los. |
Genero Chaetococeus Maskell
20. Chaectococeus bambusae Maskell.
O adulto feminino produz uma lã branca que forma
uma almofada debaixo, que às vezes parcialmente encobre
o insecto; esta 1a frequentemente apparece muito dura
e solida. Insecto de côr pardo-escura, alongado, ligei-
ramente convexo o geralmente afinando para o lado
posterior ; a parte cephalica é muito grande; os seg-
mentos do abdomen, curtos e comprimidos. Compri-
mento de cerca de 5 mm. Derme muito dura e solida.
Antennas, quasi completamente atrophiadas, redonda-
mente conicas, compostas apparentemente de tres ou
quatro articulações confusas, com alguns pellos termi-
naes. As pernas faltam completamente. Annel do anus
com 6 ou 8 pellos. A derme contem grande quanti-
dade de pellos exiguos e finos no dorsc; na superfi-
cie ventral e nos segmentos de cada lado ha um grupo
de pequenos orifícios ellipticos collocados bem juntos.
— 398 —
Hab. Campinas, Estado de Säo Paulo. Nos ramos
do Bambu.
Genero Cryptokermes n. g.
A femea adulta é semelhante ade Xermes ; fechade
em uma casca rude de forma espherica. Pernas e an-
tennas quasi obsoletas. A parte caudal da derme tem
massa densa de espinhas agudas. O abdomen contem
sete pares de ospiraculos. Typo Cryptokermes brasili-
ensis n. Sp.
21. Cryptokermes brasiliensis 1. sp.
Estampa VI. figs. 6 e 7
A casca da femea adulta é aspera, dura, quebra-
diça, de forma espherica com um orifício redondo na
extremidade caudal, de côr pardo escura e semi-trans-
parente; tem 6 mm. de diametro.
A femea adulta tem a côr amarello clara e enche
completamente a casca. A derme é molle, menos na
parte caudal, onde se torna chitinosa e apresenta uma
massa com grande numero de espinhos agudos. As an-
tennas não apparecem. As pernas são representadas por
pequenos tuberculos com unhas, serreados na margem
interior. Dois pares de espiraculos grandes apparecem
no thorax, e sete pares menores no abdomen.
O- annel anal não tem pellos. A extremidade
caudal do intestino é chitinosa por uma pequena dis-
tancia e tem um collar espesso que às vezes mostra
umas reticulações. Ambas as superficies do corpo são
cobertas de pequenas e grandes fieiras de forma redon-
da, e de pellos de bases tuberculadas.
A femea do segundo periodo tem a casca alon-
gada, elliptica com as pontas quasi acuminadas. E'
aspera como a do adulto, mas não é tão quebradiça.
A aspereza é devida ao facto da casca ser formada pela
— 399 —
secreção de pequenos glohulos de cèra. Despido da
casca, o Insecto tem a forma oval, a côr amerellada e
tem 8 ou 9 estrias transversaes no dorso. O dorso
contem tambem perto da margem lateral sete pares de
espiraculos que se abrem nas estrias. As aberturas
exteriores são cercadas por uma pequena quantidade de
secreção pulverulenta de côr branca., que se avistam cla-
ramente por meio da lente. Debaixo do insecto ha uma
massa pequena de secreção pulverulenta de côr branca.
Fervido em uma solução de K O H, torna o liquido
turvo, dando-lhe uma côr de amarello-clara. As antennas
são representadas por tuberculos curtos e grossos que
terminam por moitas de pellos duros. As pernas são re-
presentadas por tuberculos grossos com unhas exiguas,
O rostro é grande e extende-se das antennas até além
do primeiro par de pernas. O mento é grande dimero.
O laço rostral é muito comprido e em geral se acha
enrolado. Dois olhos pequenos de forma oval se acham
situados logo em frente ás antennas. O collar do in.
testino, os espinhos e as fieiras, são iguaes aos do adulto.
O abdomen tambem contem na superficie ventral, massas
de pellos exiguos.
Hab. Poços de Caldas, Estado de Minas Geraes.
E' muito abundante nos ramos e caules de Schinus,
especie de Mate. Muitas vezes as cascas de 2 até 6
individuos se unem entre si formando uma só massa.
A femea no segundo periodo, secreta na extremidade
caudal um tubo de cêra branca que contem na ponta
uma gottasinha de um liquido transparente. Ao princi-
pio julguei que este insecto fosse um Hermes, mas,
com um exame mais detido, achei que era necessario
constituir um novo genero para poder classifical-o. O
Prof. T. D. A. Cockerell, a quem mandei alguns especi-
mens, tambem pensa que deve pertencer a um novo
genero.
Genero Stigmacoccus n. g.
O adulto feminino forma uma casca mais ou menos
espherica, que tem uma grande abertura no apice. An-
— 400 —
tennas de 7 ou 8 articulações. Annel do anus, sem
pellos. Abdomen com 8 pares de espiraculos. Typo
Stigmacoccus asper n. sp.
op oP
ce =
- Stigmacoceus asper i. sp.
Estampa IX figs. 5 e 6
,
A casca do adulto feminino, é amarella côr do
Chromo, com o exierior coberto de bolor e muito as-
pero; o interior liso e lustroso, de forma mais ou me-
nos espherica ligeiramente comprimida nos iados e com
um furo redondo ou alongado no apice. Este furo tem
de | a 1.5 mm. de diametro.
O interior da casca é espherico, com duas carrei-
ras de pequenas manchas de secreção correspondendo
aos estigmas do abdomen. I'requentemente uma grande
parte do abdomen se acha projectada fora do buraco
do apice, mas, geralmente apenas um fio de cor branca
sae delle. Comprimento 9 mm.; largura 7 a 8 mm.;
altura 8.90 mm. Espessura das paredes das cavidades
da casca de 1.25 mm. a 2 mm. Acêra é quebradiça.
Diametro da cavidade 5 mm. A femea removida
da casca é chata de forma quasi elliptica, com o ab-
domem ligeiramente attenuado.
Attinge o comprimento de {1 mm. e a largura
de 6.5 mm., de côr amarella com uma tinta ou som-
bra cor de rosa; derme muito molle, menor na cabeça,
onde ha uma area de derme chitinisada e achatada de
cor pardo-escura. O abdomen é enrugado transversal-
mente. Fervido numa solução de KOH, tinge o liquido
de roxo escuro, quasi preto.
A derme torna-se molle e incolor, excepto na re-
gião cephalica.
Antennas variaveis, de 7 ou de 8 articulações, sendo
de 8 o numero typico. Comprimento de cerca de 0.950
mm. Cada articulação tem 30 ou mais pellos. Compri-
mento Jas articulações: (1), 178; (2), 110; (2), 110;
(4), 110; (5), 110; (6), 110 (7), “89: (8) A1 ; : Formula
= 401 —
approximada : 18 (23456) 7. Pernas compridas e cheias
de pellos; a coxa ê quasi duas vezes mais larga do
que comprida; o trochanter tem cerca de 36 elandulas
redondas ; a bia é geralmente arcada para traz perto
da ponta distal e o tarso é sempre curvado. Compri-
mento das articulações do primeiro par de pernas:
coxa 187, femur com o trochanter 812, tibia 688 ;
tarso 390: unha 97. Unha curta, aguda, curvada, e
com dois digitulos curtos e filiformes. Faltam os digi-
tulos tarsaes.
Rostro regular e situado perto das antennas. O
abdomen contem 8 pares de espiraculos, cada um dos
quaes contem uma porção de fieiras pequenas e pen-
tagonaes em roda da abertura externa. Na região do
thorax tambem ha dois pares de estigmas, os quaes
são grandes e chitinisados, e têm o orifício externo em
forma de frasco, com grupos de muitas fieiras peque-
nas. Annel do anus sem pellos. A derme na extre-
midade posterior do corpo é espessamente coberta de
elandulas especiaes, discoides e apparentemente de tres
cellulas. O resto da derme contem numerosas glan-
dulas e pellos pequenos.
Hab. Nas margens do rio Mogy-Guassi, perto de
Pirassununga, Estado de S. Paulo. Na casca do ingä,
Inga sp. Geralmente são apinhados ao lado inferior
dos galhos e ramos. São cobertos de um bolor de
cor preta e são acompanhalos de muitos individuos de
uma formiga, (Camponotus sp.) Não é commum.
Genero Apiococeus n. gs
A femea constroe uma casca flexivel de forma
espherica. Faltam-lhe as pernas. As antennas são re-
presentadas por pequenos tuberculos. O annel anal
não tem pellos. A parte cephalica da derme contem
uma massa de fieiras pequenas de forma redonda. Ty-
po Aprococcus gregarius n. sp.
— 402 —
233 Apiococeus gregarius n sp.
Estampa VI. fig. 8
A casca da femea adulta tem a forma espherica,
é dura e rija, e tem um pequeno orifício redondo
de um lado; a superficie é um pouco aspera, não é
lustrosa e tem a côr pardo-escura. O interior da
casca é liso e pintado de uma secreção branca. Tem
de 2 a 3 mm. de diametro.
A femea adulta tem a férma espherica e enche
completamente a casca. Tem a côr pardo-clara com
uma tinta amarella. Fervida numa solução de KOH,
tinge o liquido de amarello claro. A parte cephalica da
derme é glutinisada e contem um grande numero de
fieiras e alguns pellos. As antennas são representadas
por pequenos tuberculos, que terminam por uma moita
de pellcs espessos e duros. O rostro é grande, rectan-
e occupa o espaço entre os dois pares de espiraculos.
gular O mento é dimero coma ponta bifida. O annel
anal não tem pellos. Os tuberculos anaes não são cons-
picuos e cada um contem cerca de 12 espinhos agudos.
Ao redor do orificio do anus, ha mais 50 espinhos
agudos e cerca de 80 pequenas glandulas redondas,
dispostas em duas massas alongadas. A derme, espe-
cialmente perto da região caudal, contem muitas fieiras
pequenas e redondas e alguns pellos. A derme contem
tambem inuitas pequenas invaginações que formam pe-
quenos bolsos. Espalhados em ambas as superficies, ha
muitos espinhos especiaes deforma conica. Estes espinhos
são caracteristicos e pertencem a todos os individuos
deste genero.
As larvas recem-nascidas têm a forma ovale a côr
de laranja amarellada. As antennas têm 6 articulações ; a
articulação 6 é a maior. Pernas curtas e grossas. As
unhas são muito curvadas; os 4 digitulos são compri-
dos e têm as extremidades abotoadas. O abdomen ter-
mina por duas settas compridas. Os tuberculos anaes,
não são desenvolvidos. Na superficie dorsal entre as
settas, ha oito espinhos agudos. A margem lateral
— 103 —
tambem contem varios espinhos agudos. Em roda da
margem lateral do abdomen e da cabeça, ha cerca de
24 espinhos grandes e embotados, em forma de clava ;
na superficie dorsal, ha cerca de 16 espinhos mais com-
pridos do que os primeiros. Os espinhos do dorso são
dispostos em uma carreira transversal de 6, sobre o
ultimo segmento do thorax; e de duas carreiras sub-
lateraes de 5 espinhos cada uma sobre a cabeça e o tho-
rax. O laço rostral é comprido e extende-se até a ex-
tremidade do abdomen. Tamanho de 0.360 mm.
Hab. Ypiranga. Encontram-se apinhados nos re
novos de uma planta da ordem Myrtaceae. Não são
communs.
Æ4. Apiococeus singularis 1. sp.
A casca da femea adulta tem a forma espherica
e contem um pequeno orifício redondo de um lado. A
superficie exterior é aspera e tem a côr preta, um
pouco abaixo da superficie a cor torna-se parda ou côr
de café. No interior a casca tem a côr pardo-
escura; é lisa e coberta de uma secreção de côr branca,
e pulverulenta. O specimen maior tem 5 mm. de dia-
metro.
A femea adulta tem a forma espherica, côr ama-
rello-clara, e enche completamente a casca. IT ervida
em uma solução de KOH, tinge o liquido de um ama-
relle-dourado. A derme é semi-chitinisada e tem
muitas fieiras pequenas e redondas apinhadas na re-
gião cephalica. As antennas são representadas por peque-
nos tnberculos com a moita habitada de pellos duros.
O rostro é granae, mas é situado mais ao lado do ce-
phalo do que na especie precedente. Faltam-lhe as
pernas. O annel anal não tem. pellos.
Os espiraculos são tubos com ambas as extremida-
des dilatadas formando disco. O disco exterior é bem
coberto de fieiras de fcrma redonda. Grande numero
de trachéas finas partem da abertura interior, formando
raios. Os tuberculos anaes não são desenvolvidos, mas,
a Wes
são indicados por uma massa de 6 ou 7 espinhos de
cada lado. Ao redor do orificio anal, ha cerca de 16
espinhos pequenos e agudos: duas settas maiores, e
algumas fieiras massiças, pequenas, de forma redonda.
A derme contem as habituaes fieiras de pellos, invagi-
nações e os espinhos especiaes de forma conica. As
invaginações da derme são grandes e quasi esphe-
ricas. Um individuo que examinei tinha quasi qua-
renta destes bolsos.
A larva recem-nascida, tem forma e elliptica, cor
amarello-clara. As antennas têm 6 articulações ; a arti-
culação 6 é a maior, mas a articulação 1 é quasi igual
Pernas curtas e grossas. Os 4 digitulos são delgados.
O laço rostral é comprido. Os tuberculos anaes não são
desenvolvidos. O abdomen termina em duas settas com-
pridas. Entre as settas, ha 6 espinhos curtos e agu-
dos e dois pellos compridos. Em volta da margem,
ha de 28 a 30 espinhos curtos e grossos. No thorax
e na cabeça, ha dez espinhos curtos e grossos; estes
espinhos são dispostos em duas carreiras sub-medianas
e longitudinaes de cinco espinhos cada uma. Tem (0,540
mm. de comprimento.
Hab. Ypiranga. Acham-se espalhados solitaria-
mente sobre os renovos de um arbusto da ordem Myr-
tacae. São muito raros.
2> Apiococeus asperatus n. sp.
A casca da femea adulta é espherica, dura, grossa,
preta e aspera no exterior devido a uns pequenos tu-
berculos. Em baixo da superficie tem a côr pardo-
escura. O interior da casca é lisa e é coberta de uma
camada fina de uma secreção branca. Tem 3 mm. de
diametro.
A femea adulta tem a forma espherica, a côr ama-
rello-clara e enche completamente a casca. Fervida
numa solução de KOH, tinge o liquido de amarello
claro. A derme & parcamente chitinizada e tem uma
massa grande de fieiras redondas na parte cephalica.
— 405 —
As antennas säo bem unidas e säo representadas por pe-
quenos tuberculos com moitas terminaes de pellos du-
ros. Faltam-lhe as pernas. O rostro é grande e é situa-
do entre os dois pares de espiraculos. Os espiraculos,
menores do que nas especies precedentes, mas, comtem
uma porção de fieiras ao redor do orifício exterior e
uma grande quantidade de trachéas radiantes no orifi-
cio interior.
O annel do anus não tem pellos. Os tuberculos anaes
não são desenvolvidos, mas, são indicados por uma
massa de cerca de 10 espinhos de cada lado. Ao redor
do orifício anal, ha mais 30 espinhos, 2 settas compri-
das, 2 curtas e cerca de 80 fieiras redondas, dispostas
em massas alongadas. A derme contem as habituaes
fieiras, pellos e espinhos de fórma conica. As invagina-
ções da derme são poucas, pequenas e são semelhantes
ds do A. singularis. Hab. Ypiranga. Solitariamente
sobre os renovos de uma planta da ordem myrtacene.
Não é commum.
<6. Apiococeus globosus n. sp.
A casca que envolve a femea adulta é espherica
dura e rija; é lisa tanto no exterior como no interior;
tem a côr branca com uma tinta côr de creme. Num
lado tem um orifício pequeno de fórma espherica. Tem
2.7) mm. de diametro. As cascas novas tem a forma
oval. A casca não dissolve na solução de KOH.
A femea adulta é globosa, enche completamente a
casca, tem algumas rugas transversaes no abdomen e é
de côr amarello-clara. A derme é molle e contem uma
grande quantidade de fieiras pequenas e redondas, api-
nhadas sobre a área cephalica. As antennas são peque-
nas, de dois segmentos e tem uma moita terminal de
pellos duros. As pernas, faltam. O rostro é grande,
rectangular e estã situado entre os dois pares de espira-
culos. O mento é dimero. O laço rostral é comprido e
dobrado sobre si. O espiraculos são tubos com ambas as
extremidades dilatadas, formando discos. O disco exterior
— 406 —
contem muitas fieiras redondas e da ponta interior par-
tem trachéas em grande numero, formando raios. O annel
do anus não tem pellos. O orifício do anus é guarne-
cido com 4 espinhos agudos. Além destes ha cerca de
uma duzia de espinhos e numerosas fieiras ao redor do
orificio anal. A derme contem um grande numero de
ficiras, alguns pellos e os espinhos caracteristicos de
fórma conica. As invaginações da derme são pequenas,
mas numerosas.
Hab. São Paulo. Acha-se na casca de um arbus-
to da orden Myrtaceae. E' muito raro.
Genero * Teciscocens” a). os
A femea é constructora de galhos e tem o corpo
oval. Pernas presentes. As antennas têm 6 erticulações.
O annel do anus é destituido de pellos. Typo Tectococ-
cus ovatus, N sp.
27. Wectococeus ovatus 2. sp.
Estampa VI fig. 9
A femea adulta forma galhas circulares, convexas
de ambos os lados à semelhança de uma lente. A ga-
lha é formada em ambos os lados da folha, mas, tem a
abertura só no lado inferior. Os lados da galha em ge-
ral são um pouco elevados em roda da abertura que esta
cheia de uma massa de secreção solta de côr branca.
O interior da galha é liso, de fórma espherica, e co-
berto de um pó de côr branca. As galhas maiores teem
8 mm. de diametro e 5 mm. de espessura.
A femea adulta é oval, entumecida e tem a ponta
caudal acuminada. Tem a côr parda, coberta de um pó
branca. A derme é molle. O dorso tem rugas trans-
versaes. Tem 2,1 mm. de comprimento e 1,50 mm.
de largura.
As antennas são bem unidas, curtas, grossas e tem
6 articulações ; a articulação | @ a mais comprida.
tg te
O comprimento das antennas éde 0.217 mm. O compri-
mento das articulações das antennas: (1) 49, (2) 30,
(3) 30, (4) 36, (5) 30, (6) 36. Todas as articulações
das antennas, e excepto a articulacäo 3, tém pellos. A for-
mula approximada é de 1 (46) (235). Pernas, de ta-
manho regular. O comprimento das articulações do pri-
meiro par de pernas é o seguinte: femur com trochanter
tem 151, tibia tem 98, tarso e unha têm 84. Os digi-
tulos do tarso e da unha não são muito compridos, mas,
reforçad.s e têm as pontas dilatadas. O trochanter tem
um pello bem comprido e um outro mais curto. O
rostro é grande e esta situado perto das antennas. O
mento é apparentemente monomero. O annel do anus é
destituído de pellos. O orifício anal é guarnecido com
quatro espinhos agudos. Os tuberculos anaes não appa-
recem. O abdomen termina por duas settas pequenas.
A derme contem muitas fieiras pequenas de fórma re-
donda, e pellos compridos. Os ovos são pequenos, el-
lipticos e de côr amarello-clara.
Hab. São Paulo e Ypiranga. As galhas se acham
nas folhas de uma planta da ordem Myrtaceae. Não é
commum.
Subfamilia Asterolecaniinae
O insecto tem uma franja de varinhas crystallinas ;
antennas 3 pernas rudimentares Asterolecaniwm Targ.
O insecto sem a franja, e com antennas e pernas
bem formadas Lecaniodiaspis Targ.
Genero Lecaniodiaspis Targ.
238. Lecaniodiaspis rugosus n. sp.
Casca da femea adulta oval até sub-circular, côr
pardo-clara. Dorso enrugado transversalmente, com um
leve sulco longitudinal e coberto de uma secreção fina
de cera. Margens lateraes ornadas de 20 até 30 pin-
= AO =
tas’ de cera. Comprimento 3.25 mm.; largura 2.75
mm.; altura 0.50 mm.
"A femea adulta é largamente oval no contorno. An-
tennas cylindricas, variaveis, de 8 articulações; com-
primento medio 0.302 mm. A formula approximada é
4 (2396) 178 ou 34 (25) 61 (78). Comprimento das ar-
ticulações : SR) 496 (3) 45 ; (4) 49: (5) 45;
(6) 45; (7) 25; (8) 25. Todas as articulações, excepto
avos e 4.º têm pellos. Rostro grande; laço rostral
comprido. Pernas presentes como tuberculos curtos e
cylindricos, terminados por uma unha comprida. Espi-
raculos pequenos, juntos e com algumas fieiras peque-
nas e redondas ao redor do orifício. Annel do anus
apparentemente com 10 pellos. Logo atraz do annel
do anus ha uma chapa chitinosa ccm um corte pro-
fundo. O abdomen acaba por dois tuberculos inconspi-
cuos cada um com algumas cerdas terminaes e alguns
espinhos.
Cercando a margem lateral ha alguns pellos cur-
tos e espiniformes. De cada lado da região cephalica
ha na superficie dorsal um grupo de dois espinhos
grandes. um mais comprido do que o outro; atraz des-
tes ha outro espinho e atraz deste um outro, formando
assim duas carreiras longitudinaes de quatro espinhos
em cada uma. Estes espinhos são grandes, ligeiramente
curvados, com pontas arredondadas e ligeiramente di-
latadas; o comprimento é de 53 a 66. Toda a su-
perficie do corpo é coberta de pequenas fieiras em
forma de V, e de numerosas glandulas finas e filamen-
tosas ; comprimento cerca de 44.
Casca do macho de côr creme, forma elliptica ar-
redondada em ambas as extremidades ; enrugada trans-
versalmente, tendo um sulco mediano longitudinal e um
pequeno entalho ao redor do dorso perto da margem
lateral. Gomprimento 1.50 mm.; largura 0.81 mm.
Hab. Ypiranga. Cobrem espessamente a casca e
os ramos de uma arvore silvestre não identificada.
Si atacar as arvores cultivadas, ha de produzir
muito damno em razão do grande numero. Esta especie
= 409
tem uma apparencia superficial com a L. celtides CkIl.
mas se distingue desta pelos segmentos das antennas,
a falta de pernas funccionaes, e a presença de fieiras e
glandulas.
Genero, Asterolecanium, Targ:
29. Asterolecanivm pustulans CA.
Casca do adulto feminino quasi circular, de côr
amarello-esverdeada, com uma pequena margem côr
de rosa.
Hab. Campinas, Estado de S. Paulo, nos ramos
do pecegueiro.
Infelizmente, a descripção original desta especie
não me é accessivel e por consequencia não posso dar
aqui uma observação satisfactoria.
350. Asterolecanium bambusae Boisd.
Casca do adulto feminino oval, arredondada, muito
convexa, de cor amarello-cinzenta, ligeiramente trans-
parente. A casca forma um sacco completo, convexo
em cima e chato em baixo, com uma abertura na ex-
tremidade posterior para a sahida das larvas. Ao redor
da margem da casca ha uma orla curta e fina. Faltam
as antennas e as pernas. O abdomen termina por dois
tuberculos, tendo cada um tres pellos compridos.
Hab. Campinas. Ramos do bambu.
«SH. Asterolecanium miliaris Poised.
Casca do adulto feminino amarellada, mais ou
menos oval, convexa, os lados irregulares, larga na frente,
attenuada atraz; margem da casca com uma orla fina
e curta. Faltam as antennas e as pernas. Annel do anus
com seis pellos. O abdomen termina em dois lobulos
exiguos, cada um dos quaes tem um pello comprido.
Hab. Cubatão, Cachoeira e S. Paulo. Nas folhas
e no tronco do bambu.
— 410 —
Subfamilia Tachardiinae
O annel anal com dez pellos compridos; as an-
tennas e pernas rudimentares. — Tachardia, Blanchard.
Genero Tachardia Blanch.
32. Tachardia cydoniae 7. sp.
Estampa VI, fig. 10.
Casca da femea escura, côr de caté, lisa, lustrosa,
ligeiramente alongada, com tres processos ou raios de
cada lado. Dorso pouco convexo, com uma pequena
proeminencia no meio, atraz da qual se acha uma
abertura em roda da qual a laca é um pouco elevada.
A laca não é fragil. Comprimento 3.75 mm., largura
2.90 mm.; altura 1.50 mm.
A femea adulta fervida numa solução de KOH, dá
ao liquido uma côr vermelho-escura. O insecto é um
pouco mais comprido do que largo e tem tres lobulos
de cada lado. As antennas são curtas e grossas, tendo
cerca de 0.93 mm. de comprimento, e são apparentemen-
te compostas de quatro segmentos. A ultima articulação
tem diversos pellos curtos e terminaes. O mento e o
rostro são bem desenvolvidos, e situados perto das an-
tennas. O iaço rostral é bem curto. As duas glandulas
laccaes são grandes e têm as aberturas guardadas por
seis ou mais espinhos curtos e agudos. Perto das
glandulas laccaes ha dois grandes espiraculos, ao redor
das aberturas dos quaes se acham de 40 a 50 fieiras
redondas. Perto do rostro ha um outro par de espira-
culos menores. As pernas se acham presentes às vezes
como pequenos tuberculos agudos. O espinho dorsal é
forte e direito, obtuso e tem 0,110 mm. de compri-
mento. O annel annal tem 10 pellos compridos. Ao
redor do annel anal ha um como ou collar chitinoso que
tem 12 pequenas chapas. Estas chapas são de numero
variavel. Os lados são quasi parallelos e as extremida-
— AU —
des finamente dentadas. O collar traz na base muitos
tuberculos exigtos e diversos pellos curtos. Sobre o
dorso, entre o collar e o espinho dorsal, ha quatro tuber-
culos, cada um dos quaes tem de 59 a 60 fieiras gran-
des e redondas. Na superficie ventral perto das anten-
nas e dos espiraculos ha quatro grupos de cerca de 15
glandulas pequenas e alongadas. A derme tem muito
pouco pellos e fieiras. Comprimento 2 mm; largura
1,90 mm. A larva recemnascida, pequena, alongada, de
côr roxo -escura, quasi preta. As antennas têm 6 articu-
lações. À 5.º articulação tem dois pellos bem compridos.
Laço rostral comprido. Pernas compridas e delgadas.
O tarso e a unha ambos com um par de digitulos.
O corpo termina em duas cerdas compridas, na base
das quaes ha diversos espinhos curtos. Entre estas está
o annel chitinoso, com 6 ou 8 proeminencias. Dentro
deste annel está o annel do anus que contem 6 pellos.
De cada lado do prothorax ha um entalho, em que estão
situados os grandes espiraculos. As aberturas destes es-
piraculos são providas de cerca de 10 fieiras redondas.
De cada lado do dorso ha 3 ou 4 carreiras longitudi-
naes de pequenos tuberculos cada um dos quaes termina
por um pello. Na superficie ventral ha 2 carreiras me-
dianas longitudinaes de pellos curtos. Comprimento
0,440 mm.
Hab. S. Paulo sobre o marmeleiro cultivado. Cydo-
nid sp.
Os insectos geralmente se acham solitarios no lado
inferior dos ramos. A's vezes, a lacca de dois ou tres
individuos se confunde em uma só massa.
33 Wachardia rubra n. sp.
Estampa VI, fig. 11.
A casca da femea, quando solitaria, é quasi circular
com uma pequena tendencia de formar 5 ou 6 lobulos.
A laca de differentes individuos geralmente se funde,
mas não forma grandes massas. O exterior é escuro e
liso e tem muitos filamentos de uma secreção branca
Se Sp
espalhados sobre a superficie. A lacca, da cor de la-
ranja, é quebradiga só em specimens muito velhos.
Tamanho dos individuos maiores: comprimento 5 mm. ;
largura 4,25 mm.; altura 2.5 mm.
A femea adulta, despida de cera, é sub-circular, con-
vexa, com a tendencia de formar seis lobulos. Fervida
numa solução KOH, tinge o liquido de uma côr ver-
melho-escura. As glandulas laccaes são grandes, clavi-
formes, e não têm os espinhos na abertura externa
como na 7. cydoniae. As antennas têm apparentemente
A segmentos ; têm 0,084 mm. de comprimento; são
claviformes e a articulação terminal traz dois pellos cur-
tos. Rostro e mento pequenos. Laço rostral curto. Per-
nas ausentes. Annel do anus tem 10 pellos curtos e
grossos que se prolongam pouco além do annel chitinoso.
As placas chitinosas sobre o annel caudal. são em nu-
mero de dez; os lados são quasi parallelos e as ex-
tremidades grossamente dentadas. O espinho dorsai tem
0,089 mm. de comprimento; é obtuso e ligeiramente
curvado na base. O par de espiraculos grandes se acha
perto das glandulas laccaes e tem grande numero de fi-
eiras ao redor do orificio externo; o outro par é pe-
queno e se acha perto do rostro com 12 ou 15 fieiras
ao redor do orifício externo. Os quatro tuberculos entre
o annel caudal e o espinho dorsal são bem desenvolvi-
dos e têm bastantes fieiras redondas. A superficie do
corpo tem muitos pequenos tuberculos, cada um dos
quaes termina em um pello. Os 4 grupos de glandulas
alongadas da superficie ventral da 7. cydoniae não se
acham nesta especie. (Comprimento 3 mm.; largura 3
mm. ; altura 2 mm.
As larvas como na 7! eydoniae. Comprimento
0,900 mm. As partes boccaes são bem grandes, e os fi-
lamentos rostraes são maiores do que na 7! cydoniae.
Hab. Cachoeira, Estado de S. Paulo; agrupados
sobre o tronco e os ramos de uma planta indigena,
Croton sp. e na Villa Americana. Este insecto appa-
rece em- grandes numeros e podia talvez ser utilizado
pela sua lacca ou tinta.
— ‘413 —
34 Tachardia parva n. sp.
Estampa VIfig. 12
As femeas novas têm uma casca de lacea parda,
alongada com um tuberculo de mais ou menos a meta-
de do dorso e tres saliencias nas margens lateraes de
cada lado. A casca dos specimens mais velhos é globosa
etem a côr de laranja escura. Os specimens variam
entre 2mm a27ómm de comprimento ede 1,25 a
2 mm de largura.
A femea destituida de cera, tem tres lobulos cons-
picuos de cada lado. Comprimento 1,25 mm; largura
0,75 mm Fervida em uma solução de KOH, tinge o
liquido de côr de rosa. As antennas são curtas e têm mais
ou menos a mesma grossura em todo o seu comprimento.
As glandulas laccaes são grandes e estão muito perto
dos grandes espiraculos. Ao redor da abertura dos
grandes espiraculos e na superficie entre estes e os outros
espiraculos ha muitas fieiras redondas. Rostro e mento
grandes. O laço rostral é curto. Pernas separadas por
tubsrculos inconspicuos curtos e agudos. Na superficie
ventral em frente às antennas ha dois grupos de cerca
de 16 glandulas alongadas, e atraz das antennas ha mais
dois grupos de 8 a 10 glandulas em cada um. O
espinho dorsal tem 0,146 mm de comprimento, é
agudo e tem dois pequenos tuberculos na base. O an-
nel do anus tem 10 pellos compridos, que se prolon-
gam quasi a todo comprimento além do collar chitinoso
e do annel caudal, e se curvam para o lado de fora. O an-
nel caudal é grande e tem muitos tuberculos exiguos e
alguns pellos na base. Este annel termina em 10 placas
curtas e chitinosas que tém os lados quasi parallelos
e as extremidades profundas e irregularmente recortadas.
Os quatro tuberculos na superficie dorsal entre o annel
caudal a o espinho dorsal säo pequenos, mas trazem 40
a 50 fieiras redondas em cada um. Toda a superficie
do corpo é coberta de pequenos tuberculos, cada um
dos quaes termina num pello. A superficie ventral tem
a apparencia de estar coberta de muitas carreiras trans-
versaes de pellos exiguos.
Hab. Cachoeira e Ypiranga, sobre os ramos
de um arbusto da ordem Myrtaceae. Muitos dos in-
sectos estão cobertos de bolor preto. Os individuos ge-
ralmente são independentes e a lacca raras vezes se
funde.
3%. Wachardia rosae n. sp.
Estampa VI, figs. 13 e 14
A casca da femea é alongada, cor de laranja escura,
com uma bola sobre o dorso e tres proeminencias ra-
diantes das margens lateraes de cada lado, dando-lhe
uma apparencia de estrella. Ha geralmente dois fila-
mentos de secreção branca, logo em frente à elevação
dorsal, provenientes talvez dos grandes espiraculos.
Muitos dos individuos estão independentes e a lacca é
molle e plastica, mas nos specimens mais velhos a lac-
ca é dura e quebradiça e geralmente se acha fundida
em grandes massas. Tamanho medio: comprimento 4
mm.; largura 3 mm.; altura 1,75 mm.
A femea adulta, despria de cèra, tem tres peque-
nos tuberculos em cada lado. Fervida numa solução de
KOH tinge o liquido de um vermelho escuro, cor de
clarete. Antennas pequenas, claviformes, com dois ou
tres pellos curtos na ultima articulação. As articula-
ções são confusas e pouco distinctas, mas parecem ser
em numero de quatro; comprimento 89. Rostro e
mento regulares. Laço rostral curto. Pernas ausentes.
As aberturas externas dos grandes espiraculos são cer-
cados de mais ou menos 60 fieiras redondas. Os esp-
iraculos pequenos são bem juntos e têm apenas 5 ou
6 fieiras nas aberturas externas. Os quatro tuberculos
dorsaes entre o annel caudal e o espinho dorsal são
pequenos e cada um traz cérca de 40 fieiras. O espi-
nho dorsal é direito e agudo e tem 0,151 mm. de com-
primento. Annel do anus tem 10 pellos grandes, que
não se extendem muito além do annel caudal. Annel
caudal chitinoso, terminando em 10 placas chitinosas e
— 415 —
trazendo na base muitos tuberculos exiguos e diversas
fieiras pequenas. As placas chitinosas são curtas, estrei-
tas na base e têm as extremidades dilatadas e dentadas.
Na superficie ventral, perto das antennas e espiraculos,
ha quatro grupos de cêrca de 16 grandulas alongadas.
Espalhadas pelo corpo ha seis ou mais arcas ovaes em
que a derme em parte é chitinosa e tem alguns pellos
exiguos e algumas glandulas. As larvas têm a fórma
elliptica como T. cydoniae. Comprimento 0,45 mm.
Hab. S. Paulo, agrupados sobre os ramos de ro-
seiras cultivadas, em diversas partes da cidade.
36. Tachardia ingae. n. sp.
Estampa IX, fig. 7
Casca do adulto feminino sub-globosa, com o dor-
so ligeiramente achatado e uma abertura perto do cen-
tro. Lacca escura, lustrosa, quando a casca é espigada,
semi-transparente, grossa, quebradiça, de côr verde-
clara, com listras pardas. Alguns filamentos finos de
cor branca, geralmente sahem pelo orifício do dorso.
A lacca de diversos individuos geralmente se funde,
fazendo massa confusa. Diametro 5,25 mm.; altura
3,10 mm. Despido da laeca, o insecto é tribolado. Os
tubos laccaes e o osso caudal são do mesmo comprimento
e ficam erectos sobre o dorso. Comprimento 3,5 mm.;
largura 3 mm.; altura 2,50 mm. Fervido numa solução
de KOH tinge o liquido de côr roxo-escura. As anten-
nas, pequenos tuberculos, têm cerca de 0,110 mm. de
comprimento, e apparentemente 6 articulações. Pernas
representadas por tuberculos muito pequenos e conicos,
com unhas; comprimento do primeiro par 184. Anten-
nas muito juntas. Rostro grande e situado logo atraz
das antennas. Laço rostral situado muito perto do
rostro. Os estigmas grandes tê dem 140 a 150
fieiras ao redor dos orifícios; os pequenos têm
de 10 a 12 ao redor dos orifícios. O espinho dorsal,
direito, obtuso e tem cerca de 0.173 mm. de compri-
mento. Glandulas laccaes grandes,com orifício oval for-
— 46 —
rado de numerosas glandulas. Annel do anus com 10
pellos compridos e divergentes ; as placas do annel chi-
tinoso são profundamente recortadas; Os tuberculos
posteriores têm, cada um, de 45 a 70 glandulas redon-
das. A derme contem muitas glandulas e fieiras peque-
nas.
Hab. Nas margens do rio Mogy-guassú, perto
da cidade de Mogy-guasst, nos ramos de Inga sp.
Este insecto tem uma apparencia especial e parece
tanto a uma baga ou uma semente que se confunde com
estas. Não ê commum.
Subfamilia Lecaniinae
A femea adulta secreta um ovi-sacco; o dorso
é nú ou coberto com uma secreção felpuda 4
A femea adulta sem o ovi-sacco; o dorso é co-
berto com uma secreção cornea, vitrea ou cerosa À
A femea adulta sem o ovi-sacco; o dorso é nú
com uma secreção folgada e lanosa ou com
delgadas laminas cerosas. Lecanium Iliger
1. — A femea é oval e chata e secreta um ovi-
saeco que está alongado para traz, mas que
nuncaNcobre LOMINSECIO NE. MAN od DN RR
A femea secreta um ovi-sacco; mas 0 insecto é
inteiramente ou quasi inteiramente coberto com
uma secreção de algodão bem unida ou folgada 3
2— À femea é oval ou alongada; o ovi-sacco es-
ta estendido para traz. Pulvinaria Targ.
A femea é oval ou triangular; 0 ovi-sacco esta
pouco desenvolvido, fazendo uma franja em torno
da margem posterior. Protopulvinaria Ckll.
A femea é oval; o ovi-sacco tem a fórma de
um cone, é estuado e secretado debaixo o in-
secto, levantando-o inteiramente do galho ou
da folha. Pulvinella Hempel.
3. — A femea é alongada; o ovi-sacco está muito
estendido para traz, a secreção é bem unida
e cobre o insecto ordinariamente, deixando ex-
posta a região cephalica. lachtensia Sign.
= Sai
A femea é oval; o ovi-sacco não é muito esten-
dido para traz, o insecto é inteiramente co-
berto com uma massa de secreção branca e
felpuda e com uma escama folgada e transpa-
rente. Tectopulvinaria Hempel.
4. — A femea adulta é coberta com cera, às vezes
grossa; a margem não tem uma franja ou
eminencias radiantes; se a cera é tirada enxer-
ga-se um corno caudal. Ceroplastes Gray
A femea adulta é coberta com cera, não grossa,
e tem sete eminencias radiantes e compridas
na margem, dando ao insecto o aspecto de
uma estrella. Vinsonia Sign.
A femea adulta é coberta com uma secreção
delgada e vitrea, ou ao menos quebradiça .
O. — A femea adulta tem as pernas e antennas
bem formadas, a casca tem a fórma dum co-
ne com estrias radiantes, as antennas tem cin-
co articulações e a casca é sem cellulas de ar.
Edwallia Hempel.
A femea adulta tem as pernas e antennas au-
sentes ou rudimentares RENE STAND Deus À
6— A femea adulta é chata e circular, com a casca
vitrea em duas partes, desunida longitudinal-
mente na linha central e com cellulas de ar,
presentes; as pernas são ausentes, as antennas
são pequenos tuberculos. Platinglisia Ckll.
A femea adulta é muito convexa, com duas
eminencias em fórma de um cone; a casca es-
ta em duas partes, mas sem as fileiras de
cellulas de ar; as antennas e as pernas são
ausentes. Psendokermes Ckll.
Todas as especies desta sub-familia, que foram
observadas, tinham duas linhas convergentes e brancas,
formadas de secreção, empoada, a cada lado. Parece
que esta secreção esta formada pelas fieiras stigmataes
e serve como uma media porosa, atravez da qual o ar
alcança os espiraculos.
Ol
©ù
— AIR —
Genero Lecariuml Wliger:
37. Lecanium branfelsia n. sp.
Estampa VI, figs. 15 e 16
A femea adulta chata, de contorno subcircular, de
côr pardo-avermelhada, com uma carreira dobrada lon-
gitudinal, de cinco ou seis manchas pretas, de forma
oval sobre o dorso, e ccm um annel mais claro nas
margens. Ligeiramente asymetrica; diametro de 9
mm. Fissura anal tem 1.55 mm. de comprimento.
Fervida em uma solução de KOH, a derme dor-
sal permanece grossa e de côr pardo-escura ; compõe-se
de cerca de 34 placas irregulares arranjadas do modo
seguinte: uma area mediana dorsal de 12 placas, ao
redor da qual as outras estão dispostas em carreira sin-
gela como as escamas no dorso da tartaruga. Os es-
paços entre as placas são estreitos e semi-transparentes.
Ha tambem uma carreira mediana longitudinal de 50
a 60 pequenos poros redondos.
Antennas variaveis, de 6 articulações ; comprimento .
de cerca de 0,200 mm.; formula approximada: 36 (12)
(45). Comprimento dos segmentos: (1), 31; (2), 31;
(3), Tl; (4), 18; (6), 38. A 3.º articulação: “tem às
vezes uma articulação falsa. Todas as articulações têm
pellos. O primeiro par de pernas é inserto perto das
antennas. O segundo e o terceiro par de pernas, bem
junto sentre si, mas bem distantes do primeiro par. Per-
nas muito curtas e um tanto defeituosas. A divisão
entre O tarso e a tibia é geralmente obliterada, e este
segmento é geralmente curvado. Comprimento das ar-
ticulações do primeiro par de pernas: coxa 44; femur
com trochanter 71; tibia, tarso e unha 88. Todos os
digitulos têm as pontas dilatadas, e se extendem além
da ponta das unhas. Os digitulos das unhas são iguaes
em tamanho. Rostro pequeno e situado logo atraz da
inserção do primeiro par de pernas. O laço rostral se
extende por metade da distancia para o segundo par de
pernas. O primeiro par de espiraculos está situado fóra
— 419 —
do primeiro par de pernas. O segundo par d+ espira-
culos está situado fóra do segundo par de pernas, mas
proximo destas. As placas anaes pequenas, com os
angulos exteriores pouco arredondados e as margens
antero-lateraes mais compridas do que as postero-late-
raes. Annel anal tem apparentemente 10 pellos. Ao
redor das margens lateraes ha uma carreira de pellos
finos, collocados longe uus dos outros. A area estigma-
tal è caracterizada por um grupo de tres espinhos cla-
viformes, dois curtos e um mais comprido, e quatro
pellos pequenos. Espalhados sobre a superficie dorsal,
ha alguns pellos curtos.
A casca do macho é oval, um pouco achatada,
composta de céra muito fina, branca e lustrosa. As
escamas consistem em uma placa dorsal estreita e sete
placas lateraes. (Comprimento 2 mm.; largura 1,5 mm.
Larva recem-nascida de fórma elliptica, côr ama-
rello-clara ; olhos pequenos, irregulares, de cor parda.
Comprimento 592. O corpo termina em duas pla-
cas, cada uina acabando em uma cerda comprida e
conspicua. As margens lateraes são finamente dentadas.
O abdomen tem diversos pellos na margem. Cada area
estigmatal é caracterizada por um espinho grande e
claviforme e dois outros muitos pequenos. As anten-
nas têm seis articulações ; as articulações 3 e 6 são as
mais compridas e tem mais ou menos o mesmo con-
primento. Pernas compridas e delgadas; os digitulos
da unha e do tarso são muito compridos.
Hab. Pilar e Alto da Serra, Estado de S. Paulo.
Nos lados superiores das folhas de Brunfelsia sp Os
primeiros specimens foram mandados para o Museu
pelo Sr. Gustavo Edwall. São raros.
$3. ELecanium gracile n. sp.
Estampa VII, fig. 1
A femea adulta asymetrica, oval, achatada, de côr
pardo-amarellada. Co nprimento 3,50 mm.; largura
2,90 mm.; altura 0,50 mm.
Fervida numa solução de K O H da ao liquido uma
cor de ambar. Depois de ser fervida a derme dorsal per-
manece dura e: opaca. KH’ semelhante a L. brun-
felsia, mas a porção central da derme se funde em uma
sO peça; ao redor da margem ha uma carreira de cerca
de 20 suturas, indicando as divisões das placas. Ha di-
versos pellos finos espalhados pela superficie. Ha tambem
uma carreira irregular longitudinal de 18 a 24 peque-
nos poros redondos entre a cabeça e a placa anal.
As antennas têm seis articulações, variaveis em com-
primento. e medindo de 0.301 a 0.554 mm de compri-
mento. Todas as articulações têm pellos. Formula
approximada: 3 (26) 145 ou 326 145. - Comprimento
dos segmentos: (1), 40; (2), 49; (3), 102— 144: (4),
24: (9), 26 ; (6), 91. Pernas regulares. Comprimento
das articulações do primeiro par de pernas : coxa 120 ;
femur com tochanter 178; tibia 129; tarso e unha
102. Digitulos da unha grandes, com base balbiforme
e as extremidades largamente dilatadas, do duplo
comprimento da unha. Digitulos tarsaes compridos,
delgados, com as extremidades abotoadas. Mento pe-
queno e situado entre o primeiro par de pernas. Laço
rostral curto, extende se por metade da distancia até
o segundo par de pernas. Espiraculos pequenos, com
uma carreira singela de cerca de 36 pequenas fieiras re-
dondas que se extendem da abertura externa até a mar gem
do corpo. À fissura anal tem 0.730 mm. de comprimento
e tem os lados contiguos. O annel do anus tem apparente-
mente 10 pellos. Placas anaes pequenas, com fórma trian-
cular e os angulos exteriores ligeiramente arredondados,
os lados antero—lateraes mais compridos do que os
postero—lateraes. Ao redor da margem do corpo ha
uma carreira dupla de pellos finos, cada um dos quaes
surge de um pequeno tuberculo. A margem é ligei-
ramente intercalada nas areas estigmataes, e ahi tem
um grupo de um espinho comprido e curvo e dois
mais curtos.
Larva recem-nascida de fôrma elliptica, côr de laran-
ja, cerca de 0.450 mm. de comprimento. Antennas de
= Mops
seis articulações ; articulação 3 e 6 de quasi igual compri-
mento. Laço rostral não enrolado, curto e não se ex-
tende até as placas anaes. O corpo termina em duas
cerdas compridas. A margem é dentada e tem uma
carreira de pellos finos. Os espinhos estigmataes estão
em grupos de tres; dois bem curtos e um comprido.
Pernas regulares; unha comprida e curva; digitulos
da unha compridos e com as pontas grossas; digitnlos
tarsaes compridos, filiformes e com as pontas grossas.
Hab. Villa Americana, ou Santa Barbara, Estado
de S. Paulo. No lado superior das folhas de uma plan-
ta da ordem Sapindaceae.
39. Lecanium ornatum 7. sp.
Estampa VII, fig. 2 e à.
A femea adulta oval, asymetrica, dorso pouco con-
vexo; de cor pardo—escura com um annel claro na
margem. Nos specimens mais velhos a derme é dura
no derso e traz cerca de 24 sulcos radiantes perto da
margem, e alguns sulcos irregulares na parte central.
Toda a derme é coberta de uma secreção fina, branca
e pulverulenta. Tamanho: comprimento 4 mm.; lar-
gura 3 mm.; altura To mm. A fissura anal tem 0,625
mm. de comprimento ; lados não contiguos.
Fervida numa solução de KOH, tinge o liquido de
uma côr pardo-clara. Depois de ser fervida, a derme
perde a côr nos specimens mais novos; nos mais ve-
lhos, porêm, continua parda e dura. A derme tem car-
reiras de glandulas, dispostas em grupos especiaes, de
forma redonda ou oval, correspondendo aos sulcos. A
derme fica assim dividida, em 24 areas marginaes e
22 a 24 areas centraes, no dorso. Destes grupos, ha
alguns grandes e outros pequenos, e cada um contem
de 10 a 30 pequenas manchas ellipticas e hyalinas. A
derme ventral contem muitas glandulas grandes e tubi-
formes, e grupos de fieiras, singelas de forma ae
especialmente perto da margem.
Antennas variaveis e têm geralmente 8 articula-
ções, alguns individuos tem antennas de 7 articulações.
Todas as articulações têm pellos, mas as vezes faltam
esses nas articulações 3 e 4. Compri nento de cerca de
0.330 mm. Formula approximada : 312 (48) 567 ou 31
248) 567. Comprimento das articulações : (1), 53; (2),
42; (8), 625'(4), 43; (0), 96; (6), 275 (A 205085
4. Pernas compridas. Trochanter, com um pello com--
prido terminal. Unha pequena; digitulos da unha, do
duplo comprimento desta, com as extremidades muito
dilatadas. Digitulos tarsaes delgados, com as extremi-
dades levemente nodosas, não extendem-se além dos di-
gitulos da unha. Comprimento das articulações do pri-
meiro par de pernas: coxa 133; femur com trochanter
244; tibia 187; tarso com a unha 124. Partes boccaes
pequenas e situadas entre o primeiro par de pernas.
Estigmatas muito pequenos. Annel de anus com 6 pel-
los grandes. Placas anaes pequenas; as duas juntas
formando um quadrilatero; os dois lados exteriores,
iguaes em cumprimento. Na superficie dorsal de cada
placa anal ha quatro pellos curtos perto da extremidade
posterior. A margem está espessamente coberta de pel-
los compridos, curtos, dispostos em uma carreira dupla
ao redor do corpo, cada um dos quaes nasce de um
tuberculo. Alguns destes pellos tem 133 de compri-
mento e são muito delgados.
Hab. S. Paulo. No lado inferior das folhas da ar-
vore fructifera Eugenia jaboticaba. Quasi todos os spe-
cimens examinados eram parasitados.
4 O. Lecanium perconvexum Chill.
Estampa VII, fig. 4
A femea adulta muito convexa, de côr pardo-es-
cura, pouco lustrosa, com pintas exiguas de côr mais
clara, e manchas irregulares de uma secreção cerosa
de côr esbranquiçada. Comprimento 3,25 a 4,5 mm.;
largura 2 a 3 mm.; altura 2,25 a 3,25 mm. Fervida
em uma solução de KOH, tinge o liquido de uma côr
— 423 —
pardo-escura. Antennas cerca de 0.089 mm. de compri-
mento, representadas por uma protuberancia curta, gros-
sa e cerdosa de 5 ou 6 articulações. Pernas muito
curtas, afinando para as pontas, de fórma mais ou me-
nos de uma cenoura; fermur e tibia mais largos do
que compridos; digitulos presentes, curtos e filiformes.
Partes boccaes pequenas. Derme chitinosa, de côr par-
do-amarella, com numerosas covas glandulares, gran-
des, de forma redonda ou oval, e algumas glandulas peque-
nasentremeadas. Hspinhas marginaes muito pequenas e
singelas ; placas anaes triangulares com os cantos arredon-
dados, e os lados antero-lateraes mais compridos do que
os postero-lateraes ; annel do anus com poucas cerdas.
Casca do macho bem pequena, excedendo pouco a 1
mm. de comprimento e cerca de 2/3 de mm. Ge largura, de
côr pardo-clara, lustrosa, rugosa, coberta de uma camada
de secreção esbranquiçada, que é facilmente cahidiça.
Hab. Campinas, Estado de S. Paulo, e S. Paulo.
Abundantes sobre os ramos de Nectandra.
Al, Leeanium urichi Chil.
A femea é de côr pardo-avermelhada, muito Ins-
trosa, quasi circular, regular mente convexa ; os segmeu-
tos, marcados na superficie superior por linhas pretas
ou escuras, transversaes, interrompidas com intervallos
regulares. A fissura anal tem 1 mm. de comprimento, e
tem os lados contiguos. Comprimento 4,75 mm ; altura
quasi 2,25 mm. As pernas e as antennas faltam. As in-
cisões lateraes são muito profundas e grandes, bulbosas,
com as margens do bulbo grossas e de côr apparentemente
pardo-escura. A margem tem numerosos espinhos pe-
quenos e curtos. A derme não é marchetada, mas é co-
berta de covas glandulares, grandes, que na luz transmitti-
da parecem de côr pardo-escura num fundo de pardo-claro.
Hab. Trindade e as Antilhas, na casa duma for-
miga, Cremaslogaster brevispinosa Mayr. var. Rio
Grande do Sul, Brazil, sobre Smilax campestris,
Griesel. e em Campinas, Estado do S. Paulo, Brazil.
— 424 —
42. Lecanium silveirai Hempel
Femea de contorno sub-circular ou oval, côr ver-
melho-clara. Dorso convexo, lustroso, com a derme
dura, e é coberto de uma camada fina de secreção ce-
rosa. Sobre o dorso ha um sulco mediano, longitudi-
nal, mas a derme é depremida ao redor das partes
anaes. Fissura anal tem 0,60 mm. de comprimento e
os lados são contiguos. Duas linhas de secreção branca
e pulverulenta partindo da superficie ventral sobem pelos
lados. Quando removido do seu logar de descanço
deixa uma mancha redonda de cera branca. Tamanho
dos specimens ; comprimento 9 mm.; largura 3,5 mm. ;
altura 2 mm. E' provavel que estes specimens fossem
immaturos, visto que nenhum delles continha ovos ou
larvas.
Fervido em uma solução de KOH, a derme torna-
se molle e transparente, ficando chitinisada sómente ao
redor das placas anaes.
Antennas e pernas ausentes. Rostro grande e bem
desenvolvido, situado entre o primeiro par de espira-
culos. Laço rostral comprido, extende se alèm das pla-
cas anaes. Annel anal contem apparentemente 10 pellos.
Placas anaes pequenas com os cantos exteriores arre-
dondados, e os lados antero-lateraes um pouco mais
compridos do que os postero-lateraes. Nas margens
ha duas incisões em fórma de ferradura, de cada lado,
oppostas aos espiraculos, e nestas a derme é grossa e
chitinisada. (s espiraculos estão perto destas incisões
e se acham ligados com ellas por meio de fieiras pe-
quenas e redondas. As tracheas são grandes e multi-
formes. Ao redor da margem do corpo ha duas ou
tres carreiras de pellos finos, cada um dos quaes nasce
de um tuberculo. Toda a derme é coberta de nume-
rosas glandulas grandes e redondas em fórma de mam-
mas. Estas têm a côr pardo-clara com um centro
claro. Espalhados por meio destas glandulas ha diver-
sos pellos e numerosas glandulazinhas filamentosas e
delgadas.
Eos
Hab. Sete Lagoas e Diamantina, Estado de Minas
Geraes. Nas raizes das videiras onde causa muito pre-
juiso. As raizes da videira, Izabella, parecem ser mais
affectadas. Os specimens foram collecionados pelo Sr.
Alvaro da Silveira, mas o Sr. Amandio Sobral e dr.
Campos da Paz conhecem uma doença por muitos annos
attribuida a este insecto. Esta especie é de interesse
particular para os agricultores e entomologistas sob
o ponto de vista economico, e será difficil de combatel-a
por causa de seus costumes subterraneos.
Parece intimamente relacionada com L. wrichi,
mas infelizmente não temos nenhum specimen dessa
especie na nossa collecção.
43. EHecanium oleae Barnard
Adulto feminino de cor pardo-escura ou preta,
quasi hemispherico, 4 a 5 mm. de comprimento ; cerca
de 4 mm. de altura. O dorso tem um sulco mediano
longitudinal, e dois sulcos transversaes formando as
vezes um H proeminente. Antennas de 8 articulações,
das quaes a 5.º é a mais comprida, e a 6.º ea 7.º as
mais curtas. Comprimento medio é de 0.390 mm. For-
mula approximada : 30 48 21 (67). Placas anaes com
os angulos exteriores arredondados e os lados antero-
lateraes mais curtos do que os postero-lateraes. Annel
do anus com oito pellos.
Hab. Esta especie & quasi cosmopolita, sendo en-
contrada na Europa e na America do Norte onde ataca
uma grande variedade de plantas. No Brazil tem sido
encontrada em Campinas 2 no Ypiranga, nas laranjei-
ras, goyabeiras e Nerium sp.
“4.4. Leeanium nigrum Nic. var. depressum Targ.
Adulto feminino pardo-escuro, côr de chocolate,
alongado, oval, convexo, com diversos sulcos transver-
saes obscuros sobre o dorso, e tem a derme fortemente
— 426 —
reticulada. Comprimento 4 mm ; largura 2 mm;
altura 1.50 mm.
Hab. O Prof. Cockerell achou esta especie no Para
sobre Hibiscus sobdariffa L.; foi encontrada tambem em
Campinas, Estado de S. Paulo, em outras plantas cul-
tivadas.
4d Leeantium coffeae Walker.
Adulto feminino de côr pardo-escura, convexo,
hemispherico, com as margens achatadas. Comprimento
ao (im largura, o mm > altura. 2 nr O
dorso é liso e lustruso, mas a derme é fortemente re-
ticulada. Antennas de 8 articulações, sendo a articula-
ção 3 a mais comprida. Annel do anus com 8 pellos
grandes.
Hab. Achado na India e no Geyläo sobre o caféeiro.
Na America do Norte é encontrado na larangeira e ou-
tras plantas. No Brazil foi achado na Bahia no caféeiro,
no Pará sobre Psidium, em Poco Grande, Estado de S.
Paulo, sobre o caféeiro e em Campinas sobre Cycas sp.
4G. Leeanium reticulatum Chil.
Estampa VII, fig. 5.
Adulto feminino elliptico, liso, sem rugosidades,
lustroso, de côr pardo-escura, pintado com manchas
inconspicuas de uma secreção cerosa de côr branca.
Comprimento 11 mm; largura 5 mm; altura 3 mm.
Fissura anal 2 a 3 mm. de comprimento e tem os
lados contiguos. A derme é fortemente reticulada ; re-
ticulações grandes com 3, 4, 5 ou 6 lados; cada re-
ticulação tem uma pinta glandulosa grande, de fórma
oval, collocada mais ou men9s num lado. As paredes
das reticulações muito grossas. Fervido em uma solu-
ção de KOH, a derme torna-se semi-transparente mas
retem sua côr pardo-escura.
Antennas de 3 articulações. Comprimento medio
de cerce de 0,416 mm. Formula approximada 5 (34)
— 427 —
826 (17). Em alguns specimens as articulagdes 3, 4 e
o são sub-iguaes Em À pers à Comprimento das
articulações: (Rip 365: (2), 44: (3), OF CANOE 0 (o),
16; (6) 405 (7), e (8), 53. Todas as articulações
excepto as articulações 3 e 4, têm pellos. Pernas re-
gulares, de côr parda. Comprimento das articulações
do primeiro par de pernas: coxa 110; femur e tro-
chanter 198; tibia 132; tarso com a unha 119, Di-
gitulos tarsaes muito compridos e delgados, com nós
regulares que se dilatam gradualmente. Unha curta e
reforçada, curvada, com digitulos desiguaes em tama-
nho, grandes e largos, com as pontas dilatadas. Par-
tes boccaes grandes, situadas entre o primeiro e o se-
gundo par de pernas. Laço rostral curto, não exten-
denno-se até o segundo par de pernas. Placas anaes
pequenas com os angulos externos arredondados e os
dois lados lateraes iguaes em comprimento. Ao redor
das margens lateraes ha uma carreira de pellos curtos,
grossos, agudos e lanceolados, collocados à distancia de
10.015 mm. entre si. As areas estigmataes são mar-
cadas por dois pellos curtos e um outro obtuso de cer-
ca de0,160 mm. de comprimento.
Hab. Ypiranga. Sobre os ramos de uma arvore
da ordem Myrtaceae. Não é abundante.
4%. Lecanium durum 1. sp.
Estampa VII, fig. 6.
Adulto feminino de côr pardo-escura, irregular, às
vezes asymetrico, de contorno oval ou oblongo, acha-
tado com a margem posterior ligeiramente entalhada e
a extremidade anterior estreita e arredondada. A super-
ficie superior é aspera e desigual, com um sulco me-
diano longitudinal e uma area dorsal reticulada, cer-
cada por pequenos sulcos; e coberta de pequenas man-
chas de cera branca. Comprimento 5,75 mm.; largura
3,90 mm.; altura 1 mm. Fissura anal 0,75 mm. de
comprimento e tem os lados contiguos.
esis
Removido da casca da arvore, deixa uma camada
fina de cera branca. Fervido em uma solução de KOH,
tinge o liquido de uma côr pardo-clara. A derme fica
erossa e retem uma côr pardo-escura. E' muito dura e
contem numerosas glandulas irregulares de forma oval,
cada uma das quaes tem uma grande mancha hyalina
collocada quasi no centro.
Antennas variaveis com 7 articulações, de cerca
de 0,45 mm de comprimento. Formula approximada :
4327 (195). Comprimento das articulações: (1), 44;
(2), 53; (3), 67: (4), 146; (D, 44; (6), 44;
(7), 49; todas as articulações, excepto a 3.º, têm pellos.
A articulação 4 às vezes contem uma ou mais articu-
lações falsas. Pernas regulares. Comprimento das arti-
culações do primeiro par de pernas: coxa 111 ; femur
com trochanter 204; tibia 146: tarso com unha 160.
A coxa tem um espinho curto na extremidade proxi-
mal. A unha é inuito ligeiramente entalhada. Digitulos
tarsaes compridos, delgados e abotoados nas extremi-
dades. Digitulos da unha mais curtos, desiguaes em ta-
manho e têm as extremidades dilatadas. Rostro pe-
queno. Respiradouros pequenos, com muitas fieiras re-
dondas ao redor dos orifícios externos. Annel do anus
apparentemente com oito pellos.
Espalhados pela superficie ventral estão alguns
pellos, espinhos curtos e glandulas tubulares. Ao redor
da margem lateral ha uma carreira de espinhos agu-
dos. Estes são mais ou menos tão compridos como a
distancia que os separa; mas são mais numerosos per-
to da fissura annal. As areas estigmataes contêm tres
espinhos grandes em cada uma.
Hab. Ypiranga, na casca de Baccharis dracun-
culifolia DC. Não é abundante.
4%, Lecanium gianulosum n. sp.
Estampa VII, figs. 7—9
Femea oval chata, às vezes asymetrica; margem
adornada com 28 ou 30 pintas de cera, de fórma trian-
429 —
gular, dorso coberto de pequenas escamas irregula-
res de cera cinzenta, dando-lhe a apparencia da pelle
de uma lagartinha. A derme é dura, aspera, rugosa
e reticulada, de côr vermelho-parda, com um sulco me-
diano longitudinal e uma grande area central de fór-
ma triangular. Ao redor da margem do abdomen ha
uma guarnição fina de côr branca. Removido do ramo
deixa uma mancha branca de cera. Comprimento 4,50
mm.; largura 3,90 mm.; altura 1 mm. A fissura an-
nal tem cerca de 1,1 mm. de comprimento.
Fervida em uma solução de KOH, a derme per-
manece parda, grossa e chitinosa com uma margem fina
e transparente.
Toda a superficie é coberta na derme de grandes
glandulas em forma de frasco, dispostas geralmente em
muitas rosetas irregulares com a abertura perto da
margem. Em cima das glandulas ha uma camada fina,
composta de peças exiguas de forma quadrada.
Antennas variaveis, de 7 articulações. Compri-
mento de 0,437 mm. a 0,448 mm. Formula approxi-
mada: 34(12)756. (Comprimento medio das articula-
Ges (nO (e OMY (21429;:(4;,68:, 40 (6)
37; (7), Ol. As antennas são compridas e delgadas,
tendo quasi a mesma largura em toda a sua extensäo.
Todas as articulações, excepto a 3.º, têm pellos; das ar-
ticulações 2, 4 e 7, cada uma tem um pello bem com-
prido. A 4º articulação tem às vezes uma ou mais
articulações falsas. A’s vezes apparece num individuo
uma antenna de 8 articulações distinctas. Pernas cur-
tas e delgadas. A margem externa da tibia é leve-
mente concava. (omprimento das articulações do pri-
meiro par de pernas: coxa 89; femur com trochanter
196; tibia 135; tarso com a unha 153. Digitulos do
tarso, compridos e delgados com as extremidades dila-
tadas. Digitulos da unha grandes, grossos, desiguaes
em tamanho, com as extremidades dilatadas e se exten-
dem alem da unha.
Partes boccaes pequenas, situadas 4 meia distan-
cia entre o primeiro e segundo par de pernas. O laço
— 450 —
do rostro se extende até o ultimo par de pernas. An-
nel do anus tem apparentemente 10 pellos. Placas
anaes pequenas, com os angulos externos arredondados
e os lados lateraes iguaes em comprimento. A super
ficie ventral tem alguns pellos e algumas glandulas pe-
quenas e tubulares. Ao redor da margem lateral ha
uma carreira de muitos espinhos pequenos e agudos
de forma conica. As areas estigmataes são marcadas
com dois ou tres espinhos curtos e um bem comprido.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de uma planta da or-
dem Myrtaceae. Não é abundante.
49. Lecanium zanthoxylum 7. sp.
Estampa VII fig. 10
Adulto feminino de cor vermelho-parda, irregular,
asymetrico, oblongo, ou sub-circular no contorno, cha-
to com um pequeno entalho na margem caudal. Margem
fina. Derme do dorso reticulada, dura, aspera, não lustro-
sa, com o meio um pouco elevado formando uma ruga
longitudinal; é geralmente coberta de pequenas man-
chas de cera, dando ao insecto uma apparencia aspera
cinzenta, semelhante a uma cicatriz ou botão de flor.
As cellulas ou reticulações são pequenas e verme-
lhas, e as repartições são grossas e pretas. Na super-
ficie ventral a derme é parda, cor de chocolate. A
abertura da cavidade que contem os ovos é pequena,
de largura de 1,75 inm., e de forma quasi quadrada.
Ha uma guarnição estreita de côr branca ao redor da
margem ventral. Removido do galho deixa sempre
uma mancha de cera de côr branca. Comprimento 5
mm.; largura 4 mm.; altura 1.25 mm. A fissura anal
tem 1,20 mm. de comprimento, e os lados contiguos.
Fervido numa solução de KOH, tinge o liquido de uma
côr vermelho-escura. A derme do dorso permanece
dura e parda. A parte central é composta de grandes
glandulas irregulares de forma oval, com uma pequena
mancha hyalina sub-circular perto da extremidade.
Perto da margem ha uma guarnição composta de qua-
— 451
tro ou cinco carreiras de pequenas glandulas sub-cir-
culares. A mancha hyalina nestas glandulas é appa-
rentemente a sua abertura. A porçäo externa da der-
me ventral é chitinisada, formando uma guarnição de
cerca de 1 mm. de largura.
As antennas são dele adas e têm 7 articulações.
Todas as articulações, excepto a 3.º têm pellos; a arti-
culação 2 tem um pello comprido. Comprimento das
antennas cerca de 0,84 mm. Formula approximada :
4 (1237) 56. Comprimento das articulações: (1), 44 ;
(2), 443 (3), 44; (4), 98; (5), 36; (6), 31; (7), 44.
Pernas curtas e finas, de comprimento variavel. O
tarso com a unha é igual ao comprimento da tibia.
Comprimento medio do pri neiro par de pernas pelas ar-
ticulações : coxa 93; femur com trechanter 164; tibia
102; tarso com unha 102. A coxa tem um espinho
curto na extremidade proximal. Tanto a coxa como o
trochanter terminam num pello comprido terminal na
ponta distal. Digitulos tarsaes, muito en e delga-
dos com as extremidades dilatadas, e tem 9,053 mm. “de
comprimento. Os digitulos da unha são grandes, desiguaes
em tamanho, com as extremidades dilatadas. Rostro pe-
queno, situado entre as inserções do segundo par de per-
nas. Mento monomerc, com a ponta bifida e com 8 pel-
los. Lago rostral pequeno. Respiradouros pequenos. Ao
redor da margem lateral ha uma carreira de espinhos
curtos, Judo, grossos, collocados com intervallos de
0,111 mm. entre si. Placas anaes pequenas, com os
angulos externos arredondados, e os lados antero-late-
raes mais compridos do que os postero-lateraes.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de Zanthoxylum sp.
Situado na casca onde tanto se asemelha às cicatrizes
e aos botões das folhas que quasi é imperceptivel. Não
é commum.
50. Lecanium infrequens n. sp.
Estampa VIII, fig. 1
Adulto feminino grande, de côr pardo-escura, de
contorno irregular, dorso convexo, tendo às vezes pe-
— 432 —
quenas manchas de cera branca. O dorso tem seis
covas dispostas em duas carreiras longitudinaes e pa-
rallelas. As duas covas anteriores são razas, mas as
outras quatro são profundas. Entre estas covas a der-
me se levanta em rugas grossas e transversaes. A der-
me é grossa, não lustrosa, e tem numerosas glandulas
ovaes. (Comprimento 8 mm.; largura 6 mm.; altura
4 mm. Fissura anal tem 1,60 mm. de comprimento,
com os lados contiguos. Fervido em uma solução de
KOH, tinge o liquido de côr pardo-escura. Depois de
ser fervida a derme torna-se semi-transparente, mas
continua parda, grossa e dura.
As antennas têm seis articulações, das quaes a 3.º é
a mais comprida. O comprimento medio das antennas
é de 0,380 mm. Formula approximada: 31 (245) 6
ou 31 (56) 24. As articulações 2, 4, 5 e 6 são quasi
iguaes. Comprimento das articulagdes: (1), 53; (2),
40-44; (3), 156—173 ; (4), 30—44: (9), 443; (6),
40—44 ; todas as articulações têm pellos. Pernas re-
gulares; todas as articulações têm pellos na extremi-
dade distal. Unha curta e aguda e bastante curvada
na ponta. Os digitulos da unha são largos e bastante
dilatados nas extremidades. Os digitulos tarsaes são com-
pridos, delgados e têm as extremidades dilatadas, ex-
tendendo-se além dos digitulos da unha. Comprimento
das articulações do ultimo par de pernas: coxa 111;
femur com trochanter 209; tibia 133; tarso com
unha 124. O primeiro e o segundo par de pernas são
largamente separados um do outro; o segundo e o ter-
ceiro par, bem perto um ao outro. Partes da bocca
pequenas e situadas entre o primeiro par de pernas.
Laço do rostro pequeno. Estigmatas grandes com glan-
dulas especiaes de forma de bolsas ao redor do orificio
externo. Estas glandulas tambem se acham na superfi-
cie ventral perto da margem lateral. O annel do anus
tem 10 pellos. As placas anaes têm a forma de
um hemispherio. A derme dorsal contem grandes glan-
dulas irregulares com centros ovaes e manchas hyali-
nas dentro destes. Sobre estas glandulas, ha uma casca
(
O
sa MAS Bie
muito fina, composta apparentemente de peças exiguas
de forma quadrada. Ao redor da margem lateral ha
uma carreira de pellos ralos, curtos e grossos.
Hab. Ypiranga. Na casca de Zanthoxylum sp.
E' raro.
SEI. Leeanium discoides n. sp.
Estampa VIII fig. 2
Adulto feminino de côr pardo-avermelhada, sub-
circular, chato, com um pequeno entalho na margem
posterior. A derme é dura e reticulada : as reticulações,
de cor alaranjada, e as repartições grossas e pardas. Su-
perficie pouco lustrosa, levemente enrugada por sulcos
muito rasos e raiados. Muitos dos specimens mostram
tambem uma ruga mediana longitudinal. Os specimens
mais novos geralmente são adornados de pequenas man-
chas de cera parda, especialmente na margem, que
contem de 16 a 20 peças triangulares. Nos specimens
mais velhos esta cera geralmente desapparece. Ha tam-
bem uma guarnição estreita ao redor da margem do
abdomen, de côr branca. Removido do galho, deixa
uma mancha de forma oval, de cera branca. Compri-
nenoro mm larcuraii.co mim altura 01,90 mm:
Fissura anal 2,75 mm. de comprimento, com os lados
contiguos.
Fervido em uma solução de KOH tinge o líquido
de cor vermelho-escura. A derme continua grossa e
parda. A côr é differenciada em uma serie de anneis
concentricos de côr parda, clara e escura. O annel da
margem é estreito, de côr pardo-clara; dentro delle
ha um estreito de côr pardo-escura; depois um annel
largo de côr pardo-clara, depois um outro estreito de
cor escura : depois um outro claro da mesma largura, e
finalmente uma mancha parda central de fórma oval.
Toda a derme é coberta de grandes glandulas irre-
gulares, com as aberturas perto de um lado. Tres
ou quatro carreiras das glandulas da margem são me-
nores do que as outras.
Em
As antennas são pequenas e variaveis, e têm seis ar-
ticulações. A articulação 3 é a mais comprida e tem às ve-
zes uma articulação falsa. Todos os segmentos tem
pellos. Comprimento cerca de 0.258 mm. Formula
approximada : 31 (26) (45) ou 316 (24) 9. Comprimento
das articulações : (1), 36; (2), 31; (8), 106; (4), 27; (9),
27; (6), 31. Pernas curias. À coxa coniem dois, “emo
trochanter um pello comprido. Comprimento das arti-
culações do primeiro par de pernas: coxa 49; femur
com trochanter 124; tibia 57; tarso com a unha 84.
Unha pequena, muito curvada; digitulos desiguaes em
tamanho, com as extremidades dilatadas. Digitulos do
tarso compridos e delgados, com as extremidades di-
latadas. O segundo e o terceiro par de pernas, bem jun-
tos. Partes boecaes pequenas e collocadas perto da in-
serção do segundo par de pernas. Placas anaes peque-
nas, com os angulos externos arredondados e as mar-
gens lateraes de comprimento igual. Os estigmatos são
grandes e discoides, com mais ou menos uma duzia de
pequenas fieiras redondas ao redor do orificio externo.
Ao redor da margem lataral ha uma carreira singela
de pequenos pellos coniformes, separados pelo espaço de
0.120 mm.
Ovos de forma elliptica, lisos, escuros, côr amarello-
alaranjada.
Hab. Ypiranga. Na goyabeira, Psidium sp. e ou-
tras plantas da ordem Myrtaceae. Esta especie eviden-
temente segrega grande quantidade de mel, pois que é
frequentemente coberta de nm mofo preto, e é accom-
panhada de uma formiga, (Camponotus sp.) que às ve-
zes constroe uma coberta de terra ou de gramma sobre
ella. Esta ccherta pode servir de protecção contra a chuva
e o sol, e contra Hymenopteros parasiticos.
3%. Lecanium viride Green.
Adulto feminino elliptico chato, de cor verde-cla-
ra, cerca de 4,50 mm. de comprimento, e 2,20
mm. de largura. A fissura anal tem 0,85 mm. de com-
primento, com os lados não contiguos.
— 435 —
As antennas tém cerca de 0,400 mm. de compri-
mento e são de 8 articulações. Formula approximada:
32 (14) 85 67. Comprimento das articulações : (1), 97,
(2), 66; (3), 16; (4)57; (5), 40; (6), 31; (7), 26;
(8), 48. Comprimento das articulações do primeiro par
de pernas: coxa 114; femur com trochanter 185; ti-
bia 141; tarso com unha 92. Annel do anus com 8
pellos. Placas anaes pequenas, com os angulos externos
arredondados, as margens lateraes iguaes em compri-
mento, e as margens lateraes posteriores um tanto con-
cavas. Ao redor da margem ha uma carreira de pellos
pequenos e juntos entre si.
Hab. Descripto primeiro pelo Snr. Green, em 1886
de Ceylão, onde causa muito prejuizo para as planta-
ções de café. Dr. Noack tambem o achou em Santo
Antonio, perto de Campinas, e nos terrenos do Institu-
to Agronomico da mesma cidade.
5353. Lecanium baccharidis Chil.
Adulto feminino de fórma oval, chato, de côr
pardo-escura, com manchas de céra branca, espalhadas
pela superficie; quando uma escama traspassa sobre
outra, a parte coberta tem a cor alaranjada com uma
sombra esverdeada. A derme é dura e enrugada, com
um leve sulco longitudinal mediano e grandes covas
glaudulares, mas não é reticulada. Comprimento 4,5
mm ; largura 2.00 mm.; altura 1,25 mm. Fissura
anal 1,10 mm. de comprimento, com os lados conti-
gnos.
As antennas são muito variaveis e têm geralmente 8
articulações ; alguns BR ans têm antennas de 7
articulações. (Comprimento O. 420 mm. O Sr. Co-
ckerell da como formula: 3 (24, (18) 567; mas eu te-
nho achado muitas vezes 358 (124) (67). Compri-
mento das articulações: (1), 53; (2),033 (3), 76; (4),
93, (5) 66; (6),31; (7), 31 ; (8), 57. Pernas regulares, de
côr pardo-clara. Comprimento das articulagdss do pri-
meiro par de pernas: coxa 1:32; femur com trochan-
ter 229; tibia 154; tarso com unha 136. Digitulos
— 436 —
tarsaes compridos e delgados, com as extremidades.
dilatadas. Digitulos da unha muito fortes, com grandes
nós. Partes boccaes pequenas, situadas logo atraz da
inserção do primeiro par de pernas.
Laço rostral curto, não extendendo-se até o segun-
do par de pernas. Placas anaes, largas, e quando
achatadas, quasi equilateraes. O insecto é viparo.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de Baccharis dra-
cunculifolia DC.
34. Lecanium hesperidum (L.)
Adulto feminino oval chato, de cor amarellada
ou parda. Dorso molle, liso e lustroso. Comprimen-
to de 3 a 4 mm.; largura cerca de 2 mm.; altura
de 0,80 a 1 mm. A fissura do anus 0,625 mm; de
comprimento, com os lados contiguos.
Antennas, variaveis. de sete articulações. Com-
primento, cerca de 0.335 mm. Formula approxima-
da: 34712 (06). (Comprimento das articulações: (1),
48; (2), 44; (3), 76; (4), 62; (5), 26; (6), 26; (7),
93, Comprimento das articulações do primeiro par de
pernas: coxa 79; femur com trochanter 154; tibia
106; tarso com unha 88. Digitulos’ tarsaes compri-
dos e delgados com as extremidades ligeiramente dilata-
das. Digitulos da unha grandes com as extremidades
largamente dilatadas. Partes boccaes pequenas e situa-
das entre o primeiro par de pernas. O laço rostral
extende-se atê o segundo par de pernas. Annel do anus
com 6 pellos compridos Placas anaes curtas, com os
lados anteros-latereaes mais curtos do que os postero-
lateraes.
Ao redor da margem ha uma carreira singela de
pellos, collocados bem juntos uns aos outros.
Hab. Esta especie é bem conhecida e produz bas-
tante damno em diversas partes da America do Norte.
Hoi achada em Ypiranga sobre o Oleander (Nerium sp).
e em Capoeira Grande sobre as laranjeiras.
ASUS
5> Lecanium rhizophorae. CA.
Femea elliptica, asymetrica, chata, de côr pardo-
escura, com a superficie coberta de manchas pequenas
e asperas e a segmentação marcada de sulcos fortes e
radiantes. Comprimento 3,00 mm.; largura 3, mm.
A derme, depois de ser fervida em solução de KOH,
torna-se pardacenta, excepto nas margens extremas,
onde se torna incolor; no dorso é fortemente sombrea-
da de côr pardo-avermelhada, não está dividida em
placas, mas os segmentos são indicados pelos sulcos
radiantes. A derme da area dorsal, accompanhando os
sulcos, é esparsamente coberta de pequenos orificios
elandulares de forma redonda. Area sub-marginal,
excepto nos sulcos, é esparsamente coberta de grandes
covas glandulares de forma redonda e cor parda, dis-
postas mais ou menos em carreiras radiantes. Placas
anaes pequenas, formando juntas um quadrado. As
partes boccaes são muito pequenas. À margem com cerdas
singelas de dois tamanhos; as maiores são um pouco
nodosas nas pontas e tem o duplo comprimento das
menores.
As antennas são de Garticulações;a 3° é muito
mais comprida do que as outras, e tem quasi o duplo
es CTE da 6.º, e mais ou menos o mesmo das arti-
culações 1,2 e 4 juntas ; as articulações 1 e 2 tem quasi
o mesmo comprimento ; a 5.º tem justamente a meta-
de do comprimento da 2.º; formula: 362145. Alguns
dos pellos no segmento 6 são muito curtos e fortes.
Pernas bem desenvolvidas, mas a tibia e o tarso não
distinctamente separados; coxa um pouco mais
comprida do que a tibia; o femur é forte e está junto com
o trochanter quasi um quinto mais comprido do que a
tibia; otarso tem quasi 5/8 do comprimento da tibia ;
unha é forte; os digitulos ordinariamente fortes ; os
da unha têm grandes nós; os do tarso têm mais de duas
vezes o comprimento da unha.
Hab. Gubatão. Estado de S. Paulo. No ladc in-
ferior das folhas de Rhizophora mangle.
— 438 —
36. Lecanium erythrinae v. Jhcring.
Femea grande, de cor pardo-avermelhada ou preta,
sub-globular, com as margens achatadas. Comprimento
6 mm.
Hab. Rio Grande do Sul. Na casca vermelha da
arvore de cortiça (Hrythrina crista gall L.)
37. Lecanium mayteni n. sp.
Estampa VII fig. 3
Adulto feminino de cor roxa escura, quasi preta,
oval, pouco convexo, com a superficie dorsal dura, um
tanto lustrosa e um pouco aspera por causa das covas
glanaulares ; a margem é fina e enrugada, com duas
linhas brancas calcareas em baixo de cada lado. O
dorso tem um vestigio apagado de um sulco mediano
longitudinal. O insecto é viviparo. Comprimento 6 mm. ;
largura 4 mm. ; altura 1,25 mm. A fissura anal tem
cerca de 1 mm. de comprimento, com os lados conti-
guos. Fervido nu na solução de KOH, tinge o liquido
de uma côr pardo-avermelhada escura. A derme dor-
sal continua chitinosa. Ao redor da margem ha uma
tira estreita de côr clara e semi- “transparente, mas 0
resto é escuro e opaco. A superficie dorsal é perfura-
da com muitas pequenas cavidades e traz alguns pellos
esparsos.
Antennas variaveis, geralmente de 7 articulações,
mas às vezes tam só 6. Todas as articulações, excepto
a 3.º, têm pellos. (Comprimento cerca de 0,385 mm.
Formula aproximada: 4 (27) 3156 ou 4 (27) (31) (06).
Comprimento medio das OE (1), dio (o ata
ido Ace LO si ASIE MG) Sie mae. Parnes re
gulares; coxa e trochanter, ambos com um pello com-
prido. Comprimento das articulações do primeiro par
de pernas: coxa 111; femur com trochanter 213, tibia
138; tarso com unha 102. Digitulos da unha grandes,
de tamanho iguale com as extremidades dilatadas. Di-
gitulos tarsaes compridos, com as extremidades dilata-
das. Partes boccaes pequenas e situadas logo atraz do
— 439 —
primeiro par de pernas. Espiraculos pequenos, com uma
carreira dupla de cerca de 30 fieiras pequenas e redon-
das que se extendem até a margem lateral. Annel do
anus tem apparentemente 8 pellos. Placas anaes pequenas,
triangulares, com os angulos externos ligeiramente arre-
dondados, e as margens antero-lateraes um pouco mais
compridas do que as postero-lateraes. Na superficie ven-
tral ha diversos pellos compridos em frente às placas
anaes, e dous grupos de 20 a 25 fiejras pequenas e
redondas logo atraz das placas anaes. Ao redor da mar-
gem lateral ha uma carreira de pellos pequenos, cada
um dos quaes nasce de um tuberculo. A margem é
ligeiramente deprimida nas areas estigmataes, e cada
uma destas traz um grupo de dois espinhos curtos e
direitos e um comprido e curvo.
Larva recem-nascida oval, chata, de côr parda, de
0.415 mm. de comprimento. Olhos pequenos de cor
pardo-escura, de forma conica. Antennas irregulares e
apparentemente com 6 articulações. O corpo termina
em duas cerdas compridas. A margem do corpo é
dentada e traz uma carreira de pellos curtos. Áreas
estigmataes, caracterizadas por um grupo de dois es-
pinhos curtos e um comprido e obtuso. Laço rostral
comprido, extendendo-se até as placas anaes. Pernas com-
pridas, unhas delgadas. Digitulos da unha compridos,
desiguaes, um grosso e um outro delgado, e ambos com
as pontas dilatadas. Digitulos tarsaes, 2, compridos,
delgados, com as pontas dilatadas.
Hab. Ypiranga. Apparecem solitarios na casca de
um arbusto. Maytenus sp. Foi tambem encontrado em
Jundiahy pelo Sr. CG. Schrottky.
38%. Leeanium eugeniae n. sp.
Estampa VIII fig. 4
Adulto feminino elliptico, com a parte media do dorso
enchada, muito convexo, lustroso, de côr pardo-amarel-
lada, liso ou pouco perfurado, e com um sulco leve e
longitudinal em cada lado da linha mediana; as extre-
— 440 —
midades são um pouco achatadas ; os lados contrahidos
e de côr pardo-escura, têm a derme aspera por cau-
sa de pequenas covas e rugas.
Ao redor da margem do corpo ha uma borda de
côr branca, muito exigua, e um topete de cera branca
e lanigera acima das placas anaes. O abdomem tem
duas linhas brancas em cada lado. Removido, o in-
secto deixa uma mancha pequena de uma substancia
branca e lanigera. Comprimento 5.25 mm.; largura
do dorso 4 mm., do abdomen 2.5 mm.; altura 3.9
mm. Fissura anal 1.25 mm. de comprimento, com os
lados contiguos. Fervido em uma solução de KOH,
tinge o liquido de cor pardo-clara. A derme continua
dura e parda, e em cada lado do centro ha 7 ou 8
carreiras longitudinaes de pequenas pintas escuras ra-
diantes das placas anaes. Contem tambem moitas pin-
tas hyalinas de fórma redonda. A derme do ventre,
especialmente perto da margem, contem muitas glan-
dulas grandes e tubulares.
Antennas variaveis, geralmente de 8 articulações,
alguns specimens têm só 7 articulações. Todas as
articulações têm pellos. Comprimento de cerca de 0.360
mm. Formula approximada: 31 (58) 24 (67). Com-
primento medio das articulações: (1), 98; (2), 44;
(By ilies Gye 405) ADE O), 2 TELA TUE ae
Pernas regulares, trochanter com um pello com-
prido e terminal, e diversos espinhos; coxa com um
pello mais curto; unha grande e levemente entalhada.
Digitulos da unha, de tamanho igual, grandes, quasi do
duplo comprimento da unha, bulbosos na base, cur-
vos, com as pontas abotosdas. Digitulos do tarso com-
pridos e delgados, com as pontas dilatadas. Com-
primento das articulações do primeiro par de per-
nas: coxa 89: femur com trochanter 222: tibia
169; tarso com unha 111. Rostro pequeno, situado
entre o primeiro par de pernas. O laço do rostro é
curto e não se extende até o segundo par de pernas.
O annel do anus tem apparentemente 6 pellos peque-
nos. Placas anaes pequenas, com o angulo externo
arredondado, e as daas margens lateraes quasi iguaes
em comprimento. A superficie ventral tem duas carrei-
ras medianas e longitudinaes de pellos. A margem la-
teral & espessamente coberta de pellos grandes e espi-
niformes. Os ovos são ellipticos e brancos, quando
postos ha pouco; mais tarde tomam uma côr amarello-
clara.
Larva recem-nascida elliptica, de côr amarello-
clara, com olhos pardo-claros.
Antennas compridas, apparentemente de seis arti-
culações, sendo a articulação 3 a mais comprida. Per-
nas regulares; unha comprida; os quatro digitulos da
unha e do tarso são muito compridos e delgados e têm
as pontas ligeiramente dilatadas. O corpo termina em
duas cerdas compridas, e têm alguns pellos compridos
e espiniformes na margem. O laço rostral não é enro-
lado e não se extende até as placas anaes.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de um arbusto do ge-
nero Eugenia. Não são communs. Encontram-se mui-
tos juntos nos ramos, mas raras vezes se amontoam,
uns em cima de outros. Seus corpos duros. lustrosos,
de côr pardo-escura. têm a apparencia de sementes.
SD. Lecanium obscurum Hempel
Estampa VIII fig. 5
Adulto feminino preto, elliptico, com o dorso ar-
redondado, convexo, lustroso, com manchas exiguas de
uma secreção cerosa. A derme é dura e finamente gra-
nulada no dorso, e enrugada nos lados. O abdomen
tem duas linhas brancas em cada lado. Os individuos
mais novos têm a cor verde-escura. Tamanho dos spe-
cimens maiores : comprimento 4.4 mm.; largura 3 mm.;
altura 2 mm. Pissura anal 0,94 mm. de comprimento
e tem os lados contiguos.
Fervido numa soluçäo de KOH, tinge o liquido de
cor esverdeada. A derme continua dura ede côr escura.
Antennas variaveis, de 7 articulações, das quaes
a 4.2 é a mais comprida, e a 5."e a 6.2 são as mais
a Os
curtas. Todas as articulações, excepto a 3.º, têm pel—
los. Comprimento 0.550 mm. a 0.361 mm. Formula ap-
proximada: 423 (17) (56) ou 472 (13) (56). Compri-
mento das articulações: (1) 49; (2), S8—62; (4),
49—62; (4), 80—89; (5), 22—29; (6), 27—29; (7),
49—62. Pernas regulares ; a coxa do primeiro par de
pernas tem un pello curto e lanceolado e diversos espi-
nhos curtos ; o trochanter tem o lado comprido convexo:
e traz um pello comprido; a articulação entre a tibia
e o tarso não é distincta; o tarso tem uma constricção
perto do meio; unha curta; os digitulos vêm mais ow
menos duas vezes o comprimento da unha e são de
tamanho igual, grandes, com as basesbulbosas e as extre-
midades largas e achatadas. Digitulos do tarso delga-
dos, com as extremidades ligeiramente dilatadas. Os
tarsos das outras pernas não têm a constricçäo. Com-
primento das articulações do primeiro par de pernas ::
coxa X0; femur com trochanter 200; tibia 120; tarso:
com a unha 111; tarso sem unha 89.
Annel do anus com 10 pellos. Placas anaes pe-
quenas, com o angulo externo arredondado e as duas
margens lateraes quasi iguaes. Partes boccaes bem,
desenvolvidas e situadas logo atraz do primeiro par de
pernas. O laço do rostro é curto e não se extende
até o segundo par de pernas. Ao redor da margem;
lateral ha uma carreira singela de pequenos pellos, col--
locados longe uns dos outros.
Casca do macho pequena, plana, de côr branea,.
muito fragil e composta de 7 pacas lateraes e 2 dor-
saes; elliptica no contorno, com o dorso convexo e a
parte posterior um pouco mais estreita do que a an-
terior. Comprimento 1,355 mm.; largura 0.830 mm.
Encontrado nos ramos e nos lados inferiores das folhas.
Larva recem-nascida oval, de cor verde-amarella-
da, com a ponta posterior do abdomen um pouco acu-
minada e terminando em duas cerdas compridas. Olhos.
de cor pardo-escura. A margem do corpo dentada,.
com alguns pellos curtos, Ha dois grupos de espinhos
estigmataes em cada lado, cada um dos quaes se compõe:
as BB
de dois espinhos muito curtos e outro comprido e cla-
viforme. Antennas de 6 articulações, sendo as articu-
lações 3 e 6 quasi iguaes em comprimento.
Pernas regulares; unha comprida; a ponta bem
curvada e ligeiramente entalhada; os dois digitulos de
tamanho desigual; sendo um pequeno e fino, com a
extremidade pouco dilatada; o outro mais comprido,
com a extremidade chata e largamente dilatada. Digi-
tulos do tarso tambem desiguaes nc tamanho, sendo um
delles mais comprido e mais grosso do que o outro.
Laço do rostro comprido, dobrado sobre si e exten-
dendo-se até as placas anaes. (Comprimento da larva
0.335 mm.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de Maytenus sp.
Esta especie é muito abundante e se acha tão apinha-
da nos ramos que cobre completamente a casca. E,
acompanhado de uma formiga. (Camponotus sp.)
GO. Lecanium jaboticabae 1. sp.
Estampa VIII figs. 6 e 7
Femea asymetrica, sub-circular, chata, de côr
verae-clara amarellada, com algumas marcas de cor
pardo-clara sobre o dorso. A derme coberta com uma
pequena secreção cerosa de 3 mm. de diametro. Fissu-
ra anal 0.47% mm de comprimento, com os lados não
contiguos. Fervida numa solução de KOH, a derme
torna-se molle e transparente. Não é nem tesselada, nem
composta de placas, mas é hcmogenea e espessamente
coberta de glandulas exiguas e tubulosas, e contem alguns
pellos curtos. Ao redor da margem lateral ha uma carrei-
ra de pellos curtos e uma outra de pellos compridos, ambas
nascendo de um tuberculo. Os grupos estigmataes con-
sistem de tres espinhos grossos e obtusos, sendo dois
curtos e um comprido. De cada um dos grupos para
seu respectivo espiraculo, se extendem cerca de 70
fieiras pequenas e redondas, collocadas em diversas
carreiras irregulares. A derme na superficie ventral
contem um risco marginal ligeiramente chitinoso, e é
AR
espessamente coberta de grandes glandulas tubulares e
de fieiras complexas e redondas. De cada lado da
abertura genital ha um grupo de 50 ou 55 destas
fieiras.
Antennas grandes, de 8 articulações ; todas as arti-
culações, excepto a 3.º? e a 4.º têm pellos ; das articu-
lações 2 e à cada uma tem um pello comprido. Compri-
mento das antennas 0.513 mm. Formula : 231 (498) (67).
Comprimento das articulações: (1), 67; (2) 120; (3),
985 (4), DB; (0), 06300), 27 M) TES). DS meras
compridas e finas, com poucos pellos; a coxa tem um
pello e diversos espinhos curtos ; o trochanter tem um
pello comprido e terminal; o femur não tem pellos ; o
tarso e a tibia têm apenas dois ou tres pellos curtos cada
um. (Comprimento das articulações do primeiro par de
pernas: coxa 111; femur com trochanter 293; ti-
bia 213; tarso com a unha 164. Digitulos da unha
de tamanho desigual, com as pontas nodosas ; não se
extendem quasi além das pontas das unhas. Digitulos
do tarso compridos e delgados, com as pontas dilata-
das. O rostro regular e situado em frente do primei-
ro par de pernas. Lago rostral curto. Annel do anus
com 10 pellos. Placas annaes de forma triangular, as
duas juntas formando um diamante. Na superficie
dorsal, perto da margem lateral, ha uma carreira de
glandulas especiaes de forma conica. Estas glandulas,
em numero de 24, têm cerca de 0.018 mm. de largura
e 0.022 mm. de altura, e formam um annel ao redor do
corpo. Estas glandulas distinguem facilmente esta es-
pecie de todas as outras especies deste genero.
Hab. Ypiranga. Debaixo da casca de Eugema
jaboticaba. A descripçäo é tirada de um specimen
talvez immaturo. EH’ raro.
61. Lecanium pseudosemen (ill.
Estampa VIII fig. 8
O adulto feminino tem 7,5 mm. a 10 mm. de
diametro, é globoso, de côr amarella ou pardo-escura.
— 445 —
O dorso é lustroso e exiguamente tuberculado. A
derme é grossa e contem muitas glandulas de tamanho
medio, em forma de bolsas. Nos specimens mais ve-
lhos a derme é chitinisada, mas nos mais novos é molle
e transparente ; depois de ser fervida em uma solução de
KOH, yinge o liquido de uma côr pardo escura. An-
tennas variaveis, de 8 articulações, de comprimento
de cerca de 0.6 mm. Formula approximada : (23) (14)
5867. Articulações 1, 2, 3 e 4, comtudo, variam con-
forme os individuos. dE a medio das articu-
lachesa (hoor. (2), 110s (oy PGS 883° (6), 668
(Om 48 (7), 40 : (8) 53. Todas as ar ticulações, excepto
ada ea 4 tem pellos. Pernas regulares, trochanter
grande; femur largo. Comprimento das articulações
do primeiro par de pernas: coxa 132; femur com
tronchanter 300; tibia 242; tarso 132; unha 31.
Digitulos do tarso compridos e delgados, com as pon-
tas ligeiramente dilatadas. Digitulos da unha largos,
com as pontas largamente dilatadas. Rostro grande e
situado atraz da inserção do primeiro par de pernas.
Estigmas grandes, com o orifício externo largamente
dilatado e com muitas fieiras de forma redonda perto
delle. Annel do anus com 10 pellos. Placas anaes
de forma triangular, com o angulo externo arredon-
dado e as margens antero-lateraes mais compridas do
que as postero-lateraes. Ao redor da margem lateral
ha uma carreira de pellos exiguos, collocados longe
um do outro. A derme dorsal é espessamente coberta
de pequenas glandulas tubulares. As areas estigma-
taes são profundamente recortadas e são marcadas
por tres grandes pellos espiniformes, e 5 ou 6 pe-
quenas bolsas contendo algumas centenas de fieiras
redondas.
Hab. Ypiranga, e Poços de Caldas, Estado de
Minas Geraes. Numa planta da Ordem Solanaceae.
Foi tambem encontrada em Jundiahy, sobre Solanum
paniculatum L, pelo Sr. C. Schrottky.
=> BES —
G2. Leeanium monile Cill
A casca da femea adulta na madeira tem 4 mm.
de comprimento, 3,90 mm. de largura, e cerca de 2,50
mm. de altura, é arredondada, sub-globosa, regularmente
lustrosa, de cor pardo-avermelhada, irregularmente tin-
gida. Fissura posterior distincta. Derme não reticu-
lada, com poucos pequenos poros glandulares de fôrma
redonda, mas contem tambem grandes manchas ovaes
ou sub-circulares de reticulações, com intervallos regu-
lares; isto @ um caracter especial. Não se encon-
tram nem pernas nem antennas no adulto.
A larva se acha na casca; esta larvaem embrião
tem antennas de 6 articulações; a articulação 3 é a mais
comprida; a 6º é quasi tão comprida como a 3"; a 12,
a 2, a 4* ea o são quasi iguaes. Os digitulos tar-
saes são tambem muito compridos e delgados; os digi-
tulos da unha não são semelhantes; um é filiforme,
emquanto que o outro é bem reforçado.
Hab. S. Paulo. Numa planta que não está iden-
tificada. E” raro.
63. Lecanium lanigerum 1. sp.
Adulto feminino de cor amarello-clara, grande,
sub-espherico, 7 mm. de diametro, coberto completa-
mente duma massa de secreção densa de cor branca.
Fervido numa solução de KOH, tinge o liquido de côr
pardo-amarellada escura. A derme é chitinizada só em
manchas, e depois de ser fervida torna-se molle, transpa-
rente e incolor.
Pernas e antennas rudimentares. As antennas são
tuberculos, com uma moita terminal de pellos. As per-
nas têm 0. 133 mm. de comprimento, são curtas e cylindri-
cas, e têm unhas e digitulos. O rostro é pequeno. Laço
rostral curto. Os estigmas são grandes, e ao redor do
orificio externo de cada um se acham reunidas algumas
centenas de fieiras redondas e algumas outras menores
de fórma tubular. A superficie ventral do abdomen
está dividida em segmentos por sulcos transversaes, e
— 447 —
a parte posterior é espessamente coberta de fieiras
redondas.
Placas anaes pequenas, com as margens postero-
lateraes convexas e tão compridas como as antero-late-
raes. Ao redor da margem lateral ha um carreira de
pellos exiguos, collocados longe wa do outro. A derme
dorsal é espessamente coberta de pequenas glandulas
tubulares.
Hab. Num arbusto da matta que não está inden-
tificado, nas margens do rio Mogy-guasst, perto de
Itapira, Estado de S. Paulo. E” raro.
64. Lecanium campomanesiae 7. sp.
Estampa VII fig. 9.
Adulto feminino elliptico, lustroso, muito convexo,
“o mm. de comprimento, 0 mm. de largura e 4 mm.
de altura. Fissura anal 2 mm. de comprimento com
os lados não contiguos. O dorso é branco, côr de cre ne
coberto de algumas pintas irregulares de côr verde-es-
cura, e tem quatro sulcos irregulares e longitudinaes,
formados por algumas cavidades glandulares. A derme
não é muito dura, é enrugada e dentada por cavida-
des glandulares. Em baixo é concava, de côr amarello-
clara, com duas linhas calcareas proeminentes, de cor
branca, de cada lado. Fervido em uma solução de
KOH, tinge o liquido de côr pardo-clara. A derme
torna-se molle e transparente, mas mostra algumas man-
chas pequenas, escuras, de forma sub-circular.
Antennas variaveis, geralmente de 8 articulações,
às vezes têm sd 7. Comprimento cerca de 0.5 mm.
Todas as articulações, excepto a 3.º e a 4.º, têm pel-
los. Formula approximada: 3 (21) 8 (45) (67) ou
3 (21) (845) (67). Pernas regulares; coxa com di-
versos pellos, e cerca de quatro espinhos curtos; tro-
chanter com dois espinhos curtos e um pello lan-
ceolado ; tibia mais comprida do que o carso. Digitu-
los do tarso compridos, delgados, com as pontas dila-
tadas ; digitulos da unha grandes e grossos com as
— 448 —
pontas achatadas e dilatadas. Todos os digitulos se
extendem muito além das pontas das unhas. Compri-
mento das articulações do primeiro par de pernas:
coxa 186; femur com trochanter 267; tibia 191;
tarso com unha 142. Rostro bem desenvolvido e
situado entre o primeiro par de pernas; muito gran-
de, com 8 pellos perto da ponta. Laço do rostro
curto. Espiraculos grandes, com os orificios externos
muito dilatados e achatados. Aoredor dos espiraculos
ha muitas feiras pequenas e redondas. Annel do anus,
apparentemente com 8 pellos, posto-que, fosse encontrado
num individuo com 9. Placas anaes pequenas, com a mar-
gem antero—lateral mais comprida do que a postero—
lateral. Ao redor da margem lateral do corpo ha uma
carreira dupla de pellos curtos. As areas estigmataes
são caracterizadas por grupos de tres espinhos grandes
e obtusos, um dos quaes é mais comprido do que os
outros e tem a ponta ligeiramente curvado. Ao redor
de cada grupo de espinhos estão agglomeradas cerca
de 30 fieiras redondas. Sobre as superficies do ventre
e do dorso se acha espalhada uma porção de espi-
nhos curtos. A superficie ventral tambem contem uma
carreira dupla longitudinal mediana de pellos com-
pridos.
Hab. Ypiranga. Nos ramos da Campomanesia
sp. um arbusto muito commum nos campos. E’ raro.
Genero Pseudokermes Ckill,
65. Pseudokermes nitens Ciil.
Estampa VIII figs. 10 e 11
Escama da femea adulta lisa, vitrea, fina, inco-
lor, muito lustrosa, sub-globosa, levantando-se em fór-
ma de um cone duplo com os apices divergentes,
dividida anterior e posteriormente por um enta-
lho raso. Os apices são obtusos e asperos, com
algumas linhas ou estrias radiantes e convergentes. A
casca é marcada tambem por numerosos anneis con-
ceniricos. Comprimento 3 mm.; largura 3 mm.; al
tura 2,25 mm. A casca compõe-se apparentemente de
22e
duas metades, porque se divide facilmente pelo entalho
antero—posterior.
Adulto feminino de côr pardo-avermelhada clara,
com uma linha mediana de côr preta passando entre
os dois cones, e enche completamente a casca. A
ponta posterior é ligeiramente fendida, e as margens
da fenda são pretas. Fervido numa solução de KOH,
a derme torna-se molle e transparente. As pernas
e as antennas faltam. Espiraculos pequenos e collo-
cados longe um do outro. O rostro é distincto e bem
desenvolvido. Laço do rostro curto. Ao redor da mar-
gem lateral ha uma carreira de espinhos pequenos e
curtos e de orifícios glandulares. A derme tambem
contem alguns orificios exiguos de forma redonda. An-
nel do anus com 6 pellos compridos. Placas anaes
pequenas, com a margem antero-lateral mais com-
prida do que a postero-lateral. Logo em frente das
placas, cercando estas em parte, ha uma meia-lua chi-
tinosa, larga, de côr parda, cuja largura no centro é
um pouco maior do que o comprimento das placas.
Removido da casca da arvore, o insecto deixa uma man-
cha oval de cêra branca. E’ viviparo.
Casca do macho pequena, elliptica, convexa, bran-
ca, fina e muito tragil. O dorso e a margem são or-
nados de diversos pequenos tuberculos. A ponta pos-
terior é curvada para cima e contem na superficie
dorsal uma pequena placa chata e redonda, que é der-
rubada quando o macho sai. Comprimento 1,25 mm.;
largura 0,50 mm,
Adulto masculino dimorpho; alguns têm azas e
outros não. Corpo de côr pardo-escura, oval, mais
largo atravez do thorax, e truncado posteriormente.
Comprimento total 1,041 mm. ; largura 0,416 mm. Com-
primento da espiga genital 0,312 mm. Os individuos
alados saem uma semana ou 10 dias depois dos ou-
tros. Antennas pelludas, de 10 articulações ; as articn-
lações 1 e 2 são curtas e as duas juntas não têm o
— 450 —
comprimento da 10.% As outras articulações são alon-
gadas ; articulação 10 é terminada por um ou dois
pellos compridos e nodosos. Azas regulares; não foi
encontrado nenhuma haltera. Cabeça pequena, com qua-
tro ocellos pequenos. Espiga genital larga e chata,
obtusamente pontada. Pernas compridas delgadas e
pelludas. Unha comprida e levemente entalhada. Os
quatro digitulos são delgados e nodosos; os digitulos
tarsaes não se extendem até as pontas das unhas.
Nos individuos sem azas, as antennas são de nove
articulações : ao resto as duas formas são iguaes.
Larva recem-nascida oval no contorno, amarella,
com olhos pequenos e pretos. Antennas de 0.152 mm.
de comprimento, de 6 articulações, sendo a articulação
3 a mais comprida. O corpotem 0.5 mm de compri-
mento, 0.270 mm. de largura, e acaba em duas cerdas
compridas. Na margem ha uma carreira de cinco
pellos. Cada uma das areas estigmataes é caracteri-
zada por um espinho comprido. Pernas compridas e
delgadas; unha entalhada. Digitulos tarsaes muito
compridos, delgados, com as pontas nodosas. Digitulos
da unha, de tamanho desigual, sendo um grande com
as pontas largamente dilatadas. O laço do rostro é com-
prido, e extende-se até as placas anaes. O annel do anus
tem seis pellos.
Hab. Rio Grande do Sul. Nos ramos de Myrtius
(Blephorocalyx) tweedir. Em São Paulo, na goyabeira
e varias outras plantas. Não é commum.
Genero Ceroplastes Gray
A maior parte dos representantes deste genero tem
antennas com seis articulações ; alguns porêm tem an-
tennas de sete articulações; e um tem antennas de oito
articulações. E’ um facto curioso que naquellas espe-
cies que têm antennas de seis articulações, todas as
articulações têm pellos; nas antennas de sete articula:
ções, a articulação 3 não tem pellos; e nas antennas
de oito ~ articulações, as articulações 3 e 4 não têm
pellos.
— 451 —
GG. Ceroplastes janeirensis Gray
Segundo o Prof. T. D. A. Cockerell, esta especie
é provavelmente identica com Ceroplastes psidi Chav.
Temos em nossa colleeção alguns specimens que nos
foram enviados de Campinas pelo Dr. F. Noack e que
foram classificados pelo departamento de Agricultura
dos Estados Unidos como C. psidii. Tenho achado
tambem no Ypiranga muitos specimens iguaes a estes.
A casca da femea adulta é de côr branca suja,
com duas linhas calcareas em baixo de cada lado. A
margem inferior da casca é ligeiramente recurvada, e
as linhas calcareas se extendem por cima destas coroas,
O nucleo dorsal é pequeno, elevado, geralmente branco,
mas frequentemente de côr pardo-escura de bolor e de
sujeira. A cera ê dura e é distinctamente dividida em
sete placas; uma dorsal, uma anterior, uma posterior,
e duas lateraes de cada lado. Os nucleos lateraes são
inconspicuos. A superficie da cera é enrugada e ligei-
ramente deprimida ao rodor dos nucleos, e mostra uma
porção de anneis concentricos no dorso. A fórma ge-
ralédeun rectangulo com os cantos redondos. Os la-
dos quasi perpendiculares. Comprimento 9 mm. lar-
gura 8 mm. altura 7 mm.
A femea adulta despida de cera é de côr parda-
centa, com o corno caudal reforçado, preto, de cerca
de 1.1 mm. de comprimento, e virado directamente para
traz. Duas carreiras de pequenas cellulas glandulares
de côr preta divergem do corno. Fissura anal de cerca
de 1 mm. de comprimento. Ha cinco pequenas corco-
vas; uma anterior e terminal, e duas lateraes de cada
lado. A derme dorsal é chitinisada, e tem uma guar-
nição estreita cerca a margem ventral. Essa tem
cinco lobulos correspondentes às corcovas do dorso.
Fervida em uma solução de KOH, tinge o liquido de
cor pardo-escura, côr de café, e o liquido tambem
torna-se turvo.
Antennas variaveis, de 7 articulações, de cerca de
0,395 mm. de comprimento ; a articulação 46 a mais
aay eee
ub-iguaes em compri-
, sub-iguaes tambem.
17 65. Comprimento
comprida; as articulações 1, 2
mento, e as articulações 5, 6
Formula approximada: 4 (22
E articulações : (1), 97—66: (eh © 93—66: (3), 62—
(Ay, OVA TOS (6) 26 AOL (6) PS0 ENTRE
Todas as articulaçôes, excepto a Ex têm pellos. Pernas
curtas; comprimento das articulações do primeiro par
de pernas; coxa 120; femur com trochanter 198 ;
tibia 158; tarso 97; unha 22. Digitulos tarsaes com-
pridos com as pontas abotoadas. Digitulos da unha
muito grandes e largos, com as pontas dilatadas. Men-
to bem desenvolvido e situado logo atraz do primeiro
par de pernas. Laço do rostro comprido, extendendo-se
alem do segundo par de pernas. As areas estigmataes
são caracterizadas por muitos espinhos lanceolados. Ao
redor da margem lateral ha uma carreira de pequenos
pellos. A derme contem numerosas glandulas exiguas.
Hab. Descripto primeiramente do Rio de Janeiro.
Encontrado em Campinas pelo Dr. Noack sobre Psrdium
sp. No Ypiranga apparece em outras plantas da ordem
Myrtaceae.
ots
CT
)
67. Ceroplastes cassiae Chavannes
Chavannes diz que esta especie se assemelha à pre-
cedente, mas é maior e mais rara e se distingue desta
por ter a parte anterior da casca fuliginosa. A casca
do adulto feminino tem 10 a 12 mm. de comprimento,
6 a 8 mm. de largura e 6 mm. de altura.
Hab. Encontrado nos lados dos morros ao rodor
do Rio de Janeiro nos ramos de Cassia sp. O Prof.
Cockerell julga que esta especie é provavelmente iden-
tica com C. ceriferus Anderson.
GS. Ceroplastes iheringi CA.
Estampa VII[ fig. 12
Casca cerosa do adulto feminino de côr verde-cla-
ra, molle, muito irregular, nodosa, sem placas distinc-
— 495 —
tas, com duas linhas de secreção branca em cada lado.
Comprimento de 4 a 5,9 mm.; largura de 4 a 5 mm,.;
altura 3 mm. Femea despida da cera tem de 3a 4 mm.
de comprimento, 2a 3 mm. de largura, é de côr parda-
centa. Fissura posterior de quasi 1 mm. de comprimento.
Corno caudal distincto, mas muito curto e largo. Ker-
vido em uma solução de KOH, tinge o liquido de côr
pardo avermelhada. A derme torna-se molle e trans-
parente. Antennas variaveis e geralmente de 7 articu-
lações; às vezes, porem, é encontrado um individuo que
tem uma antenna de 8 articulações ; todas as articula-
ções excepto a 3.º têm pellos. A 2.º é bulbosa e sempre
mais larga do que comprida. Comprimento medio : 0,325
mm. Formula approximada: 4 (13) 7 (25)6 ou 4(13)
lal a4
12 (56). Comprimento das articulações. (1) 93; (2).
3) 3 (3), 44—53 ; (4), 70—79 ; (5) 381 —39 ; (6), 26—31 ;
(7), 40. Pernas compridas. (Comprimento das articula-
ções do primeiro par de pernas : coxa 110; femur com
trochanter 176; tibia 114; tarso 92: unha 26. Digitulos
da unha grandes com as pontas redondas e largamente
dilatadas, comprimento 0,04 mm. Digitulos do tarso de
comprimento desigual, sendo um mais comprido do que
os digitulos da unha. Rostro bem desenvolvido e situado
entre o primeiro par de pernas. Mento com 8 pellos
curtos perto da ponta. Laço rostral extendendo-se até
o segundo par de pernas. Aninel do anus apparentemente
com 8 pellos. As areas estigmataes são marcadas por
C0 a 40 fieiras e de 17 a 22 espinhos grossos e agudos.
Destes espinhos o 7º atê o 10º são muito grossos, e os
restantes collocados geralmente em carreiras, são mais
delgados. Ao redor da margem ha uma carreira sin-
gela de pellos, cada um dos quaes nasce de um tuber-
culo.
Hab. Conhecido primeiramente do Rio Grande do
Sul sobre Bacharis platensis Griset, onde foi colleccio-
nado pelo Dr. H. v. Ihering. Em São Paulo apparece
sobre Baccharis dracunculifoliae, e tem sido achado no
Ypiranga, Cachooira, Itapira e Capoeira Grande. Esta
especie secreta uma grande quantidade de mel e como
consequencia é geralmente coberta de um bolor preto.
Quando um ramo ou galho for coberto destes insectos,
as formigas, moscas, vespas e besouros se ajuntam em
grande numero para comer o mel. A formiga que
acompanha esta especie é Cremastogaster sp. E' com-
mum.
69. Ceroplastes amazonicus Nn. sp.
Casca do adulto feminino muito convexa, oval, com
as margens infero-lateraes muitq prolongadas. A margem
anterior é juntada e finamente prolongada ; a margem
posterior é finamente nodosa; o dorso é obliquamente
truncado; a cera é um pouco mais alta atraz do que
adiante; a parte central é um tanto cavada e contem o
pequeno nucleo elliptico. A côr é branca suja, com um
tinto pardacento na parte posterior. Tamanho dos maiores
individuos : comprimento 11 mm.; largura 8.25 mm. ;
altura 8 mm.; A cera é dura e quebradiça ; é distincta-
mente dividida em sete placas, das quaes a placa dorsal
é a maior. Um pequeno nucleo de côr escura é situado
no centro da placa dorsal. Outros nucleos não existem.
A superficie é aspera por anneis concentricos e por cor-
covas lateraes. Na superficie ventral existem duas linhas
brancas, parecidas com grede, as quaes, porém não se
extendem até os lados.
O adulto feminino, despido da cera, tem 6.5 mm.
de comprimento, 4.5 mm. de largura e 4 mm. de altura ;
com um nó fino na margem de cada area stigmatal,
mas sem corcovas distinctas. A derme é de côr casta-
nha=clara, delgada e chitinisada. O corno caudal é
castanho-claro, tem 2 mm. de comprimento e está em
posição horizontal. Fervido numa solução de KOH, o
liquido torna-se turvo e da côr de laranja, tinto com
cor de rosa. A derme dorsal fica dura, emquanto a
derme ventral torna-se molle.
As antennas têm 8 articulações; todas, excepto
as articulações 3 e 4, têm pellos. (Comprimento cerca
de 0.380 mm. Comprimento das articulações : (1) 66;
(2) 93-66 ; (3) 66-70; (4) 35-40; (5) 57-66; (6) 26;
— 439 —
(7) 26; (8) 40. Formula approximada : (3125) (84) (67).
Pernas ordinarias, curtas. Comprimento das articu-
lações do primeiro par: coxa 111; femur com tro-
chanter 222; tibia 147; tarso 79; unha 24; digitulos
da unha 40. Digitulos tarsaes finas, um tanto mais
compridos do que os digitulos da unha, com as extre-
midades finamente dilatadas. Digitulos da unha gran-
des, com as extremidades largamente dilatadas. Ao re-
dor da margem lateral do corpo ha uma fileira densa
de agudos e curtos espinhos conicos. Ao redor de cada
area stigmatal ha um grupo de cerca de 50 espinhos
maiores. A derme de ambas as superficies tem mui-
tas glandulas pequenas.
Hab. Manãos, Estado de Amazonas. Provavel-
mente sobre um arbusto ou uma arvore não cultivada.
370. Ceropiastes grandis mn. sp.
Estampa VIII figse 13—14
Casca do adulto feminino muito grande, oval,
truncada, e ligeiramente excavada na margem posterior,
acuminada na anterior, com o dorso muito convexo,
convergindo em uma ponta no nucleo dorsal. A cêra
é muito molle e contem muita agua, e tem um cheiro
pungente caracteristico. E” branca no dorso, mas tor-
na-se cor de rosa ou de salmão nos lados e nas mar-
gens inferiores, e é claramente dividida en placas. Nu-
cleos de cor parda, mas os lateraes não são conspicuos.
Ha duas linhas brancas calcareas em cada lado até os
nucleos lateraes. A superficie é lustrosa e desigual,
sendo deprimida perto dos nucleos e do arco caudal, e
ligeiramente elevada nos outros pontos. Tamanho dos
specimens maiores : comprimento 18 mm.; largura 14
mm.; altura [1 mm. Despido de cera é mais ou menos
elliptico em forma, de cor vermelho-clara, como o lacre;
comprimento 9 mm.; largura 6, 50 mm.; altura 5,50
mm. (O corno caudal é preto grosso e conico, com a
ponta ligeiramente elevada, de 2,25 mm. de compri-
mento, e de 2 min. de largura na base, Ao redor da
margem lateral ha uma guarnição que é excavada nas
areas estigmataes; a ponta posterior formando assim cinco
lobulos. Ha seis tuberculos on bolas. Esses estão situa-
dos,umsobre o dorso, um na extremidade anterior e dois
lateraes em cada lado. A derme é pintada de covas exi-
guas, e regularmente lustrosa e molle ; sendo chitinisada
só perto do corno caudal e das areas estigmataes. Fer-
vido em uma solução de NOH, tinge o liquido de côr
vermelha. A derme torna-se molle e transparente. An-
tennas, de 8 articulações; das articulações 2 e 5,
ambas tem dois pellos muito compridos; as articula-
ções 3 e 4 não têm pellos. Comprimento medio 0,500
mm. Formula approximada: 53 (12) 84 (67) ou (53)
(12) 84 (67). Comprimento das articulações : (1), 66 ;
(2), 66; (3), 84—88; (4), 40=44 (5), 845-9356);
31---40 ; (7), 31—40; (8), 44—48. Pernas regulares;
trochanter comprido; coxa com dois pellos compridos
e sub-terminaes. (Comprimento das articulações do pri-
meiro par de pernas: coxa: 164; femur com trochan-
ter 280; tibia 182; tarso 106; unha 22. Digitulos da
unha, 44. Digitulos tarsaes compridos, delgados, com
as pontas dilatadas, extendendo-se até as extremi dades
dos digitulos da unha; estes ultimos são grandes e têm
as pontas redondas e largamente dilatadas. Rostro bem
desenvolvido e situado atraz da inserção do primeiro
par de pernas.
Mento com 8 pellos perto da ponta. Annel do
anus apparentemente com seis pellos grandes. Placas
anaes com tres pellos perto das pontas. Ao redor da
margem ha uma carreira singela de pellos peqnenos,
cada um dos quaes nasce de um tuberculo. Das areas
estigmataes cada uma é caracterizada por 70 até 75
espinhos curtos, redondos e de diversos tamanhos, e por
mais de cem fieiras pequenas e redondas. A derme na
superficie dorsal é espessamente coberta de curtos pel-
los espiniformes e de fieiras.
Casca masculina pequena, branca, elliptica, com
sete moitas marginaes e duas moitas dorsaes de cêra
branca; as marginaes ficam dispostas em uma carreira
BIE Sh Mas
de 3em cada lado, e uma na ponta anterior. A ponta
posterior tem alguns filamentos brancos. Despida das
moitas a casca é chata e muito fina. Comprimento 1.5
mm.; largura 0.80 mm.
Larva recem-nascida pequena. chata, elliptica, de
0,425 mm. de comprimento, e de 0,220 mm. de largu-
ra, de côr de laranja-amarellada, com os olhos pardos.
Antennas apparentemente de seis articulações. Pernas
curtas; os dois digitulos da unha e os dois digitulos
tarsaes são delgados com as pontas dilatadas. À mar-
gem do corpo é dentada e tem uma carreira de pellos
finos. As areas estigmataes são caracterizadas por 3 ou
4 espinhos curtos e obtusos. O corpo termina em duas
cerdas compridas. O laço rostral extende-se quasi até
as placas anes.
Hab. Ypiranga e São Paulo, nos ramos de Zan-
thoxylum sp. Ilex. sp., Psidium, sp, Mechilia flava,
Baccharis sp., e em diversas outras plantas, especial-
mente nas da ordem Myrtaceae. Foi encontrado tam-
bem em Iguape. As cascas dos machos são geralmente
collocadas no lado inferior das folhas e bem juntas; as
cascas das femeas raras vezes se acham juntas. Não são
communs. Esta especie foi primeiramente colleccionada
pelo Dr. H. v. Ihering e foi classificada pelo Prof. Co-
ckerell como €. albolineatus Ckll., especie das Aniilhas.
Um exame ulterior, porém, mostra que a especie
Brazileira é differente.
71. Cerosplastos novaesi n. sp.
Estampa IX fig. 8 & 9.
A casca da femea é muito variavel em tamanho e
côr; porém, em geral tem a côr de rosa clara com
duas linhas brancas en cada lado até os nucleos late-
raes; a forma geralmente é oval, ou sub-circular, ou
pentagonal. O dorso é muito convexo. O nucleo dorsal
é conspicuo. A cera é deprimida ao redor do nucleo,
e elevada, formando sobre o dorso tres tuberculos, pro-
duzindo uma apparencia aspera, irregular.
A cera é de cor de rosa, amarellada ou roxa, não
está dividida em placas, e contem pouca agua. Nos
specimens mais velhos, o dorso torna-se mais con-
vexo e as bolas de cere se tornam menos conspicuas.
Comprimento dos specimens maiores 7,5 mm, largura
7 mm. altura 5,75 mm. O interior da casca é ama-
rella. Despido da céra, a femea é lisa, de cor parda
ou cor de café, com uma area mais clara no meio do
dorso. Placas anaes curtas; corno caulal curto, forte,
de cor preta. A derme é dura e chitinisada ao redor
dos nucleos lateraes, e é ligeiramente elevada for-
mando duas bolas inconspicuas em cada lado e uma na
extremidade anterior. Ha uma pequena guarnição de
cinco lobulos ao redor da margem lateral do corpo que
corresponde aos tuberculos lateraes. Comprimento 9,19
mm. largura 5,29 mm. altura 4 mm. Fervida em uma
solução de KOH, tinge o liguido de côr pardo-clara ou
avermelhada. A sen dorsal continua dura, e se.ni-
transparente,
Antennas variaves, de 0,206 mm. a 0,225 mm. de
comprimento ; tem seis articulações. Formula approxi-
mada: 361 (245). Comprimento das articulações : (1)
31; (2), 20-31; (3), 70-75; (4), 22-26; (9), 22-26; (6).
39-40. Pernas cur tas e apparentemente defeituosas. As
tibias do primeiro par de pernas e às vezes tambem as
tibias das outras pernas são concavas na margem ex-
terna. Comprimento das articulações do primeiro par de
pernas; coxa 66; femur com trochanter 93; ubia 46;
tarso 44; unha 18. Digitulos da unha 34. Digitulos
torsaes delgados, com as pontas os os digitulos
da unha sao largos, de tamanho desigual e com as pon-
tas dilatadas. Partes boccaes pequenas e situadas atraz
do primeiro par de pernas. O laço rostral é curto. Às
areas estigmataes são caracterizadas por cerca de 40
espinhos conicos e muitas fieiras pequenas. Annel do
anus com seis pellos compridos. A derme dorsal é ho-
mogenea, mas contem uma porção de glandulas pequenas.
Ao redor da margem ha uma carreira singela de pe-
quenos pellos.
— 459 —
Larva recem-nascida de côr amarella ou alaran-
jada, de forma elliptica, achatada, comprimento 0,444 mm.
largura 0.204 mm ; a extremidade posterior do corpo um
pouco acuminada. Antennas apparentemente de seis ar-
ticulações; as articulações 3 e 6 são quasi iguaes em com-
primento. Pernas curtas. Os quatro digitulos são com-
pridos, delgados, com as pontas um pouco dilatadas. O
corpo termina em duas cerdas compridas e tem as mar-
gens lateraes dentadas e guarnecidas de alguns pellos
compridos. O laço rostral extende-se até o annel do
anus. As areas estigmataes são caracterizadas por 2:
ou 3 espinhos curtos e obtusos.
Hab. Capoeira Grande, Campinas, São Paulo e
Cachoeira. Sobre Abutilon sp., Baccharis dracunculi-
foliae e Baccharis sp. e sobre Vernonia riedeliw. De-
nominado em honra do Sr. Joséde Campos Novaes que
muito tem contribuido para o adeantamento do estudo
da sciencia no Brazil. Ataca os galhos e os ramos das
plantas e parece reproduzir-se com muita rapidez, pois,
contei mais de 1300 ovos de um só individuo. Muitos
dos specimens dos adultos, porém, são parasitados. Esta
especie é tambem acompanhada de uma formiga, Cre-
mastogaster sp. Não são muito abundantes, mas se
acham muito espalhados.
32. Ceroplastes communis n. sp.
Estampa X fig. 1
Casca do adulto feminino, de contorno oval, dorso
convexo, cera côr de rosa clara, geralmente coberta
de mofo preto, e dividida em sete placas distinctas ;
não é lustrosa. A cera é dura e muito fina, de sorte
que nos specimens mais velhos a derme é frequente-
mente exposta. Removido da casca da avore, deixa
uma mancha de cera branca de forma oval. Compri-
mento 6,25 mm., largura 5,50 mm., altura 4,75 mm.
Despido de cera o insecto é oval; dorso convexo; nu-
cleo dorsal alongado e elevado; os outros nucleos não
são apparentes. Derme, de côr amarella clara, lustrosa,
lisa, um pouco chitinosa, e com poucas covas. Não tem
— 460 —
bolas. Fervido em uma solução de KOH, tinge o liquido
de côr amarello-clara. A derme torna-se molle e semi-
transparente.
Antennas, variaveis, geralmente de articulações,
mas frequentemente têm uma articulação falsa. Compri-
mento de 0,460 a 0,495 mm. Todas as articulações,
pee a 3.º têm pellos. Formula approximada : 4 (312)
7 (06). Comprimento das ae (1), 10—75 ;
(2), 66—70 ; (3), 70—79 ; (4), 129—133 ; (5), 39—40 ;
* (6), 35—40 ; (7,) 40—46. Pernas regulares; compri-
mento das articulações do primeiro par de pernas ;
coxa 155; femur com trochanter 245; tibia 168;
tarso 114; unha 3i; digitulos da unha 48. Digitulos
tarsaes delgados, com as pontas dilaladas, extendendo-
se até as pontas dos digitulos da unha; estes ultimos
são largos e têm as pontas redondas e dilatadas. Rostro
bem desenvolvido, situado atraz da inserção do pri-
meiro par de pernas. Laço rostral curto. (Corno cau-
dal muito curto e largo, e inconspicuo. Annel do anus
com 6 pellos compridos. Areas estigmataes caracteri-
zadas por uma depressão em fórma de ferradura na su-
perficie ventral, com cerca de 20 espinhos coniformes,
e de 40 a 50 fieiras redondas. A margem do al é
coberta de uma carreira dupla de espinhos curtos, agudos
e coniformes, e de alguns pellos compridos. A “derme
no dorso é homogenia, sem glandulas apparentes. Ovos
pequenos, ellipticos, lisos, lustrosos, quasi branco, quando
brancos, quando postos, mas tornam-se amarello-claros
depois.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de Maytenus sp.
Acha-se em grande abundancia neste arbusto. E' acom-
panhado de uma formiga, Cremastogaster sp.
=~
73. Ceroplastes confluens Chil. & Tinsley
Cascada femea adulta geralmente sub-circular, con-
vexa, com uma pequena depressão ao redor do nucleo
dorsal. Nucleo dorsal pequeno, oval, branco, com oito
pequenos nucleos dispostos ao redor do nucleo dorsal,
tres em cada lado e um em cada ponta. A côr é amarella
— 461 —
ou branca suja, com uma mancha oval de mofo preto
no meio do dorso. Duas linhas brancas se extendem de
cada lado quasi até o dorso. A cera é dura enão se divi
de em placas distinctas. Comprimento 4.5 mm, largura
4 mm., altura 2,75 mm. Despido da cera it Ancor,
pardo-clara, e tres bolas pontudas em cada lado, uma
sobre o dorso e uma outra na ponta anterior. O corno
caudal é perpendicular, muito curto, de côr pardo-escura.
A superficie ventral é ligeiramente constringida. com
uma pequena guarnição de cinco lobulos ao redor da
margem. Derme lustrosa; nos specimens mais novos
é molle; nos specimens mais velhos, porém, torna-se
dura e chitinisada, especialmente nos tuberculos. Com-
primento 3 mm., largura 2,75 mm., altura 2,50 mm.
Fervido em uma solução de KOH, tinge o líquido de
cor pardo-amarellada.
Antennas variaveis, de 6 articulações ; comprimento
de 0,310—0,360 mm. Comprimento das articulações :
(1), 44— OT ; (2), 44— 93; (35, 128—141 ; (4), 81—35 ;
(5), 26—31 ; (6), 40—44 Formula approximada : 3126
(49). Pernas regulares. Comprimento das articulações
do primeiro par de E coxa 106, femur com
trochanter 158; tibia 123; tarso 93; unha 20; ditulos
da unha 29. Digitulos do tarso, compridos, Digi-
tulos da unha largos, com as pontas arredondadas. 0
rostro esta situado logo atraz da inserção do primei-
ro par de pernas. As areas estigmataes são caracteri-
zadas por numerosos espinhos coniformes. A superfi-
cies dorsal bem como a ventral contêm glandulas tubu-
lares muito pequenas. Uma carreira singela de pequenos
pellos extende-se ao longo da margem lateral.
Hab. Cachoeira, Ypiranga, Mogy- -Guasstt. Nos ra-
mos do Ingaserro, Mimosa sp. e em outras plantas
indigenas. Esta especie foi primeiramente descripta da
Jamaica, mas a especie brazileira parece conformar-se
com esta. A cêra de 60 ou mais individuos frequen-
temente se funde e às vezes o galho inteiro é cerca-
do. E” acompanhado de uma formiga, Cremastogaster
sp. Duas especies de parasitas hymenopteras fréquen-
temente emergem do adulto.
— 462 —
74. Ceroplastes floridensis Comstock.
A casca do adulto feminino é pequena, sub-circu-
lar, convexa, de côr de creme ou branco-rosada, com-
primento 3 mm., largura 2,5 mm., altura 1,5 mm. A
cêra nãc é muito molle, e nao está dividida em placas
distinctas. O nucleo dor sl é elevado, elliptico, branco;
os nucleos lateraes não são distinctos.
Despida da cera a derme é lustrosa e de côr pardo-
clara, não é dura e não tem bolas conspicuas; o corno:
caudal é é pequeno e de cor pardo-escura. Antennas va-
riaveis, de seis articulações, de 0.273 a 0.298 mm. de
comprimento. Comprimento das articulações : Ge 44 3
(2), 44; (3), 110128; (4), 18; (5), 22; (6), 35—42.
Formula approximada: + (12) 654. Pernas de
coxa larga e muito coneava na extremidade proximal.
Comprimento das articulações do primeiro par de per-
nas: coxa 66; femur com trochanter 169; tibia 110;
tarso 70; unha 18; digitulos da unha 55; digitulos
tarsaes 48. Digitulos tarsaes muito compridos, com.
as pontas dilatadas; digitulos da unha grandes e lar-
gos com as pontas redondas e dilatadas. Rostro situado
entre o primeiro par de pernas. Ao redor da margem
lateral do corpo ha uma carreira singela de pellos com-
pridos, colocados bem juntos entre si As areas estig-
mataes são caracterizadas por espinhos coniformes e
fieiras redondas. A derme ventral contem pequenas
fieiras e grandes glandulas tubulares perto da margem
lateral.
Hab. São Paulo. Nas folhas e ramos de Ficus sp.,
Hedera sp. e Citrus sp.
Za. Ceroplastes vuriegatus n. sp.
Estampa X fig. 2
A casca da femea oval na base, o dorso elevado,
formando uma pyramide. Céra lustrosa, distinctamen-
ts dívidida em sete placas, sendo uma dorsal e seis
Jateraes, Os nucleos dorsaes e lateraes são presentes,
— 463 —
contém cera deprimida ao redor de si. A cera tem a
cor branca e rosa em anneis concentricos ao redor da
superficie de cada nucleo; na margem e na ponta an-
terior a cor é mais clara. Ha tambem diversas linhas
finas, radiantes dos nucleos. O nucleo dorsal é muito
deprimido, mas a cera o encobre detraz, formando um
capuz. A ponta anterior da casca é acuminada ; a pon-
ta posterior truncada, e ambas as extremidades são
entalhadas. O interior da cera é da cor de rosa. Re-
movido do galho, deixa uma camada de cera branca.
Nos specimens mais velhos as linhas radiantes e os
anneis concentricos tornam-se obsoletos, e a cera toma
uma cor de creme clara. Comprimento 8,25 mm., lar-
gura 790 mm., altura 9,75 mm. Despida de cera a
derme é lustrosa, côr de salmão, pouco dura, e tem
duas bolas proeminentes em cada lado, uma sobre o
dorso e uma outra pequena na ponta anterior. O corno
caudal é pequeno, largo e chato, de côr preta. Dorso
longitudinalmente enrugado, com uma carreira de pro-
fundas covas glandulares em cada lado. A margem
abdominal é levemente guarnecida e granuiada. KFervida
em uma solução de KOH, tinge o liquido de côr de
rosa clara. Nos specimens mais velhos a derme é par-
da, cor de chocolate, e as bolas são quasi obsoletas.
Comprimento 4,50 mm., largura 2,50 mm., altura 1,75
mm.
Antennas variaveis, de sete articulações; todas as
articulações, excepto a 3," têm pellos. Comprimento de
0,335 mm. a 0,384 mm. Comprimento das articuções:
(1), 44—48 ; (2), 58—57 ; (3), 97—62: (4), 89—102 ;
(9), 26—31 ; (6), 26—81 ; (7), 40—03. Formula ap-
proximada : 4 (32) (17) (56) ou 43217. (56). Pernas
compridas ; coxa com um espinho curto na extremidade
proximal. Comprimento das articulagdes do primeiro
par de pernas : coxa 128; femur com troahanter 200;
tibia 138; tarso 89; unha 22; digitulos da unha
40. Digitulos tarsaes muito compridos, com as pontas
ligeiramente dilatadas ; digitulos da unha grandes, com
as pontas largamente dilatadas; um sendo um pouco
— 464 —
menor do que o outro. Rostro pequeno, situado entre
o primeiro par de pernas. O laço do rostro se extende
alem do segundo par de pernas. Cada uma das areas
estigmataes é caracterizada por cerca de 50 espinhos
agudos e coniformes, de diversos tamanhos, os maiores
tendo 0.053 mm. de comprimento; e de 60 a 70 fieiras
redondas.
A margem lateral tem alguns pellos curtos. A
derme da superficie ventral e da dorsal tem numerosas
elandulas pequenas.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de Miconia sp., e de
outras plantas da ordem Myrtaceae.
36. Ceroplastes speciosus 2. sp.
Estampa X fig. 3
A casca do adulto feminino quadrada ou rectan-
gular no contorno; dorso chato; lados irregulares,
perpendicularmente entalhados ; bem mais largos do que
a base do abdomen. Cera parda, transparente, molle e
rija; não esta dividida em placas; com uma area
branca de forma rectangular no meio do dorso. Nucleo
dorsal branco, um pouco elevado, com uma porção de
linhas finas, radiantes, e anneis concentricos em roda.
Comprimento 4,9 mm.; largura 4 mm.; altura 2,5
mm. Despido da cera, a forma é rectangular, com
centros redondos, os lados quasi perpendiculares ; dorso
ligeiramente convexo. Comprimento 3 mm.; largura
1,75 mm.; altura 1,75 mm. Derme molle, de côr
pardo-escura, com uma pequena area dorsal de forma
oval, de côr mais clara e cercada de uma pequena de-
pressão longitudinal, contendo cellulas dermes.
A margem ventral tem uma guarnição estreita e
fina de cinco lobulos ; corno caudal curto, de cor pardo-
escura. Fissura anal del mm. de comprimento. Fervido
numa solüçäo de KOH tinge o liquido de côr pardo-
clara.
Antennas de 6 articulações; todas as articulações
tém pellos. Comprimento 0,200 até 0,220 mm. Com-
primento das articulações : (1), 35—40; (2), 26—31 ;
(3), 66— 70; (4), 18; (5), 22—26 ; (6), 31—35. For-
mula approximada : 316254 ou 3 (16) (25) 4. Pernas
regulares. Comprimento das articulações do primeiro
par de pernas: coxa 70; femur com trochanter 120 ;
tibia 75; tarso 48; unha 18; o maior digitulo da unha
26. Digitulos tarsaes muito compridos e delgados,
com as pontas dilatadas, um dos digitulos da unha é
grande, largo, com a ponta redonda e dilatada ; o outro
tem a metade do tamanho deste. Rostro grande e si-
tuado entre o primeiro par de pernas. Laço rostral
comprido; em alguns specimens extende-se até o ter
ceiro par de pernas. Cada uma das areas estigmataes
é caracterizada por cerca de 20 espinhos curtos e re-
dondos, e por 16 ou 20 fieiras grandes e redondas. A
margem lateral do corpo contem alguns pellos curtos.
Na superficie dorsal e na ventral ha algumas glandulas
espalhadas.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de diversos arbustos
da ordem Myrtacew. Os specimens são geralmente
cobertos de um mofo preto.
à
w
45. Ceroplastes lucidus 7. sp.
Estampa X fig. 4
Casca do adulto feminino sub-globosa, céra fina
e quebradiça, semi-transparente, de côr pardo-averme-
lhada ou pardo-amarellada.
Nucleo dorsal proeminente; nucleos lateraes in-
conspicuos; a céra é deprimida ao redor dos nacleos,
fazendo a superficie aspera e nodosa. Divisões das pla-
cas indistinctas ou obsoletas. Nos specimens mais no-
vas a céra é de côr de ambar, e a superficie é mais
nodosa; nos specimens mais velhos, a superficie tor-
na-se mais igual. Comprimento 4,75 mm, largura 4,50
mm. altura, 3,75 mm. Despido da eéra o inscto é de
— 466 —
côr pardo-clara, com 9 pequenas bolas, duas de cada
lado e uma na extremidade anterior. Dorse convexo;
derme lustrosa, dura. O corno caudal muito pequeno
e de côr pardo-escura. Na margem abdominal ha uma
guarnição de cinco lobulos. Fissura anal curta, quasi
não chega a ter t mm. de comprimento. Tervido em
uma solução de KOH, tinge o liquido de côr pardo-
avermelhada.
Antennas, variaveis, de 6 articulações; todas têm
pellos. Comprimento 0,198 0,250 mm. Comprimento
das articulações; (1), 31; (2), 26-31; (3), 19 80;
(4), 18 22; (5), 22; (6), 26-35. Formula approxi-
mada: 36 (12) 54 ou 3 (612) (54). Pernas curtas.
iad eben das articulagdes do aie par de per-
nas: coxa 79; femur com trochanter 114; tibia 79;
tarso 53; unha 18; digitulos da unha 26, Digitulos
da unha grandes, com as pontas largamente dilata-
das ; digitulas tarsaes compridas e delgadas, com as
pontas dilatadas. Rostro bem desenvolvido é situado
logo atraz da inserção do primeiro par de pernas.
Cada uma das areas estigmataes é caracterizada por
cerca de 36 espinhos conicos e pelo mesmo numero
de fieiras grandes e redondas. Ao redor da margem
lateral do corpo ha alguns pellos curtos. Espelhadas
pelas superficies dorsal e ventral ha muitas grandulas
pequenas.
A casca do macho é branca, muito pequena e
elliptica. Comprimento 1,25 mm. ; largura 0,50 mm.
Hab. Ypiranga. E’ muito abundante sobre Bac-
charis dracunculifolia, mas tambem se acha em outras
plantas do mesmo genero. E” commum.
3%. Ceroplastes purpureus n. sp.
Estampa X fig. 5
Casca do adulto feminino pequena, fina, de côr
pardo-clara e dividida em sete placas distinctas. O con-
— 467 —
torno geral e rectangular com os lados mais ou menos
perpendiculares. Nos specimens mais novos as placas
são bem distinctas e são separadas por linhas de cor
pardo-escura. Nos specimens mais velhos o dorso tor-
na-se mais convexo, as placas tornam-se indistinctas e
a cor é roxa. Nucleo dorsal presente, branco e ligei-
‘amente elevado ; nucleos lateraes indicados por peque-
nas depressões. Cera, muito fina e secca, mas bem rija.
Comprimento 2,75 mm., largura 2,10 mm., altura 2.10
mm. Despida de cêra, a Naide é dura, lustrosa, de
cor vermelho-escura, e enrugada por muitas covas glan-
dulares. O corno caudal muito pequeno e de côr es-
cura. Jervido em uma solução de KOH, tinge o li-
quido de côr vermelho-escura. A derme é chitinizada
e toma a cor pardo-clara.
Antennas de seis articulações, todas têm pellos.
Comprimento 0,178—0,206 mm. Comprimento das arti-
culações : (1), 22—26; (2), 22-26: (3), 70-79; (4),
18-—22; (0), 18-22; (6), 28-81. Formula approxi-
mada: 36 (12) (45). Pernas curtas. Comprimento das
articulações do primeiro par de pernas: coxa 53; fe-
mur com trochanter 102; tibia 66; tarso 48; unha 13;
digitulos da unha 25; coxa com um espinho curto na
extremidade proximal. Digitulos tarsaes compridos e
de tamanho igual, com as pontas dilatadas; um dos
digitulos da unha é grande, o outro é pequeno, ambos
com as pontas largamente dilatadas. Rostro bem des-
envolvido, e geralmente situado a meia distancia entre
o primeiro e o segundo par de pernas. O laço rostral
extende-se alem do segundo par de pernas. Cada uma
das areas estigmataes é caracterizada por 20 ou 25 es-
pinhos conicos e pelo mesmo numero de fieiras. Ao
redor da margem lateral do corpo ha uma carreira sin-
gela de pellos curtos e juntos.
A derme com uma porção de pequenas glandulas.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de Miconta sp. e de
outros arbustos.
79. Ceroplastes formosus 7. sp.
,
A casca do adulto feminino é rectangular; dorso
convexo ; cera de cor ainarella clara, desigual, dividida
em sete placas distinctas, das quaes uma é situada, no
dorso, duas em cada lado, uma na extremidade anterior
e uma na extremidade posterior. Nucleo dorsal grande,
branco, geralmento coberto de um mofo preto; os nu-
cleos lateraes não são visiveis. A cera é mais clara no
centro das placas lateraes do que nas suas margens, é
dura, rija e muito deprimida ao redor do nucleo dorsal.
“omprimento 4 mm., largura 3 mm. e altura 2,75 mm.
fervido em uma solução de KOH, a derme torna-se
molle e transparente © corno caudal tem 0,500 mm.
de comprimento; é de cor pardo-escura.
Antennas variaveis, de 6 articulações ; todas tem
pellos. Comprimento das articulações: (1) 31-35; (2)
26; (3) 1079; (4) 18 —22; (5) 22; (6) 35 - 40. Formula
approximada . 3612 (45) ou 3 (61) 2 (45). Pernas cur-
tas. Comprimento das articulações do primeiro par de
pernas : coxa 75, femur com trochanter 93, tibia 75, tarso
66, unha 18, digitulos da unha 31, digigulos tarsaes
44. Digitulos da unha de tamanho desigual, um gran-
de e largo, com a ponta dilatada, o outro menor e mais
estreito. Digitulos tarsaes muito compridos e delgados,
com as pontas dilatadas. Coxa com dois espinhos
curtos na extremidade proximal; o tarso frequente-
mente tem uma incisão na margem, donde parece ser
articulado. Rostro entre o primeiro par de pernas
O laço rostral se extende até o terceiro par de per-
nas. Annel do anus apparentemente com 6 pellos.
Cada uma das areas estigmataes é caracterterizada
por cerca de 20 espinhos conicos e algumas fieiras
redondas. Os espinhos conicos são situados em toda
a margem do corpo, excepto na região cephalica e
na caudal. A derme contem numerosas fieiras pe-
quenas.
Hab. Poços de Caldas, Estado de Minas Geraes.
Nos ramos de Eugenia sp.
AG
SO. Ceroplastes rarus n. sp.
Estampa X fig. 6
Casca do adulto feminino oval. com o dorso muito
convexo, de fórma conica, fazendo uma ponta. Gera fi-
na, secca e quebradiça, de cor branca, dividida em se-
te placas distinctas, duas lateraes em cada lado, uma
dorsal, uma na ponta anterior e uma na ponta poste-
rior. Nucleos grandes, conspicuos, ovaes, de côr pardo-
escura ; placa posterior com dois nucleos. Placas sepa-
radadas por areas de cera parda.
A cera das placas é disposta em camadas concen-
tricas, as do dorso são redondas, as dos lados são
quadradas. Numerosas linhas finas tambem radiam
dos nucleos. Comprimento 95,15 mm; largura 4,50
mm.; altura 4 mm. Despida de cera, a derme é dura
e lustrosa, lisa, de cor pardo-clara, com oito pequenas
bolas; duas em cada lado, uma na extremidade anterior,
uma no dorso e uma de cada lado do corno caudal.
O corno caudal é pequeno, curto, de côr pardo-escura
e collocado horizontalmente. Comprimento 5 mm., lar-
gura 4 mm.: altura 3,50 mm. Fervido em uma so-
lução de KOH, tinge o liquido de côr amarello-clara.
A derme dorsal continua chitinizada e opaca.
Antennas de 7 articulações; todas as articulações,
excepto a 3º têm pellos. Comprimento 0,350—0,391
mm. (Comprimento das articulações: (1), 535— 66; (2),
A4 ; (3), 48—57; (4), 97—106; (4), 34—35; (6), 31--
30; (7), 44--48. Formula approximada; 41372 (56)
ou 4 (13) (72) (96) Pernas regulares. Comprimento
das articulações do primeiro par de pernas: coxa 133;
femur com trochanter 191; tibia 123: tarso 97; unha
22; digitulos da unha 36. Digitu'os tarsaes muito
compridos e delgados, com as pontas largamente dila-
tadas. Digitulos da unha de tamanho igual, grandes,
largos, com as pontas redondas e largamente dilatadas.
tostro, collocado mois proximo ao segundo par
de pernas do que ao primeiro ; laço rostral curto; não
se extende atê o segundo par de pernas.
Hab. Ypiranga. Nos ramos dum arbusto indigena.
Baro.
ST. Ceroplastes cuitus n. sp.
Estampa X figs. 7 e 8
A casca do adulto feminino, é irregularmente oval,
truncada posteriormente, com o dorso convexo, lisa,
lustrosa, branca, côr de creme, dividida em sete placas
por linhas de côr pardo-clara. A cera é fina e ligei-
ramente deprimida ao redor de cada um dos nucleos.
Nucleo dorsal oval, grande; nucleos lateraes e termi-
naes pequenos e sub-circulares ; todos os nucleos são
de cor pardo-clara, com uma pequena mancha de cera
branca no centro. A placa caudal tem dois nucleos.
A placa dorsal é a maior; é sub-circular no contorno.
Dos nucleos radiam linhas finas; ha tambem alguns
anneis concentricos. Ao redor da margem lateral a
cera é mais grossa e quasi branca. Comprimento 5
mm.; largura 4 mm.; altura 5,6 mm. Despida da
cera a femea tem a derme dura e parda; o corno
caudal é pequeno e preto. Ha tres pequenos tuber-
culos em cada lado eum na extremidade anterior.
Comprimento 4 mm.; largura 3 mm.; altura 2,5 mm.
Fervida em uma solução de KOH, a derme continua
dura e opaca.
Antennas variaveis, de 7 articulações; todas as
articulações, excepto a 3.º têm pellos. Comprimento
0,272 —0,307 mm. Comprimento das articulações : (1),
44: (2), 30 —44 (3), 40 —48 5 (4), 60 79% (0), 26 —ols
(6), 26, (7) 35. Formula approximada >. 4 (o12)%
(96). Pernas compridas. Comprimento das articula-
ções do primeiro par de pernas: coxa 128; femur
com trochanter 168; tibia 135; tarso 84; unha 26;
digtulos da unha 44. Digitulos tarsaes muito com-
pridos e delgados, com as pontas dilatadas. Digitulos
da unha de tamanho igual, grandes, com as pontas
largamente dilatadas. Rostro situado a meia distancia
entre o primeiro eo segundo par de pernas; laço ros-
tral curto, um pouco maior do que o rostro eo mento.
»
Cada uma das areas estigmataes é caracterizada por
cerca de 30 espinhos conicos, e outras tantas fieiras
grandes e redondas. Ao redor da margem lateral ha uma
carreira singela de pellos curtos e tuberculados na base.
A derme dorsal é composta de placas polygonaes e con-
tem muitas glandulas pequenas. A derme ventral tam-
bem contem algumas glandulas perto da margem.
A casca do macho é pequena, alongada, chata, com
sete topetes de secreção branca, cerosa ao redor da
margem, e com um. topete alongado no dorso. À ex-
tremidade posterior tambem contem alguns fios de se-
creção branca. Comprimento 1,50 mm.; largura 0,75 mm.
Hab. Ypiranga. Nos ramos da planta Eregeron
canadensis L. Raro.
s2. Ceroplastes cuneatus 1%. sp.
Estampa X tig. 9
A casca do adulto feminino é irregular, oval no con-
torno, truncada posteriormente, convexa; a cera fazendo
uma ponta obtusa no dorso, é dividida em sete placas indis-
tinctas. Cér branca ou creme, com linhas pardo-claras
entre as placas. Placa caudal com dois nucleos. Todos os
nucleos de côr pardo-escura, com uma pinta de secreção
branca no centro. A cera é muito deprimida ao redor
dos nucleos e grossa nas margens. Um sulco profundo
cerca a placa dorsal, dando à superficie uma apparencia
aspera e nodosa. Frequentemente um capuz de cera é
formado de traz sobre o nucleo dorsal, às vezes cobrin-
do-o em parte. (Comprimento 4,25 mm; largura 3,75
mm. ; altura 3,25 mm. Despida da cera, a femea tem
a derme parda, lustrosa e dura. Os tuberculos lateraes
são levemente indicados, mas não são distinctos. Com-
primento 3,25 mm.; largura 2,50 mm.; altura 2 mm.
O corno caudal é muito pequeno e pardo.
As antennas são variaveis e de sete articulações. Todas
as articulações, excepto a 3.” têm pellos. Comprimento
0,812-— 0,864 mm. Formula approximada : 431 (72) 65 ou
4 (317) 265. Comprimento das articulações : (1), 44—
a
5 (2), 39—44; (3), 48—57 ;( 4), 84--101 ; (5), 26;
(6 31--35; (7),44--48. Pernas compridas; coxa com
dois pequenos ae na extremidade proximal.
Comprimanto das articulações do primeiro par de
pernas : coxa 106; femur com trochanter 194; tibia
120; tarso 97; unha 20 ; digitulos da unha 35. Di-
gitulos tarsaes muito compridos, com as pontas dilata-
das. Digitulos da unha de tamanho igual, grandes, com
as pontas largamente dilatadas. Rostro situado entre o
primeiro par de pernas. O laço rostral extende atê o se-
gundo par depernas. Annel do annus apparentemente
com 6 pellos. Cada uma das areas estigmataes é cara-
cterizada por cerca de 30 espinhos conicos, e por 40 a
90 fieiras redondas. Ao redor da margem lateral ha
uma carreira singela de pellos compridos, tuberculados
na base. A derme é homogenea, e contem numerosas
elandulas.
Hab. A cis Nos ramos de Ærigeron cana-
densis L. E” raro
8.3. Ceroplastes formicarius n. sp.
A casca do adulto feminino é oval ou subcircular,
convexa, irregular, ncdosa, com a cera dividida em
sete placas, com uma margem lateral mais grossa.
A placa caudal é a mais comprida e tem dois nu-
cleos. Todos os nucleos têm a côr pardo-clara, e às vezes
um - pequeno vestigio de uma secreção branca. Céra
molle e humida, de cor de rosa clara, deprimida ao redor
dos nucleos, tomando uma apparencia nodosa. Compri-
mento 4 mm.; largura 3,20 mm.; altura 2,10 mm.
Despida da cera a femea é lustrosa, com a derme chiti-
nosa, mas pouco dura, de côr pardo-clara, com um pe-
queno tuberculo dorsal. O corno caudal é pequeno, um
pouco mais escuro do que a derme. Comprimento da fe-
mea 3,9 mm.; largura 2,5 mm.; altura 1,75 mm.
Antennas variaveis, de sete articulações ; todas as
articulações, excepto a 3.2 têm pellos. Comprimento 0,327
--0,389 mm. Comprimento das articulações : (1), 53 ; (2,)
hm
= tipo ee
93--66 ; (3), 62-75; (4), 70--89, (5), 28 -35 3 (6), 26--
31; (7), 35-40. Formula approximada: 43217 (56.)
Pernas compridas ; a coxa com diversos espinhos curtos.
Comprimento das articulações do primeiro par de pernas :
coxa 102; femur com trochanter 204; tibia 146; tar-
so 93; unha 28; digitulos da unha 41. Digitulos tarsaes
compridos, com as pontas dilatadas. Digitulos da unha
compridos e grandes, com as pontas largamente dila-
tadas. Rostro situado entre o primeiro par de pernas ;
o laço rostral extende-se até o terceiro par de pernas.
Annel do annus com seis pellos. Gada uma das areas
estigmataes é caracterizada por uma depressão em fór-
ma de uma ferradura na superficie ventral, por cerca
de 20 espinhos conicos, e por 30 a 35 fieiras grandes
e redondas. A margem lateral contem uma carreira do-
brada de espinhos conicos collocados bem juntos, espe-
cialmente nos lados. Na margem anterior a carreira
de espinhos é singela e tem alguns pellos com-
pridos.
Na margem posterior ha poucos espinhos, mas ap-
parecem mais pellos compridos. Ha tambem uma car-
reira de pellos curtos na superficie ventral, logo dentro
da carreira de espinhos. A derme contem muitas glan-
dulas exiguas.
Hab. Ypiranga. Na casca de Maytenus sp. Esta
especie é acompanhada de uma formiga, Camponotus
sp. que constroe uma casa de capim ou de terra ao
redor dos ramos onde os insectos se acham congrega-
dos. A larva dum pequeno lepidoptero, parece ser-lhe mui-
to nociva. Não é commum.
34. Ceroplastes rotundus 7. sp.
A casca ds adulto feminino é oval no contorno;
o dorso convexo e redondo; cêra lisa, fina dura e que-
bradiça, dividida em sete placas destinctas de côr par-
do-clara, com linhas pardas entre as placas. Placa cau-
dal com dois nucleos. Nucleo dorsal oval, grande; os
outros nucleos são pequenos e quadrados ; todos de côr
pardo-escura, com uma pequena pinta de secreção branca
np, D
no centro. Todas as placas tem linhas. radiantes dos nu-
cleos e anneis concentricos que lhes dão a apparencia de:
escamas de peixe. Comprimento 5 mm.; largura 4mm.;,
altura 3, 50 mm. Despida da cêra a femea é parda, com e
derme chitinisada ; o corno da cauda é escuro igualmente:
como a derme e pequeno; não ha tuberculos distinctos.
Antennas variaveis, de sete articulações ; todas as ar-
ticulações, excepto a 3º, têm pellos. Comprimento 0,530)
— 0,348. Comprimento das articulações: (1), 44 ; (2),
4A (DB) DS OF (4), SO ON (O), 20 La 16) a
(7), 40 -44 Forma approximada : 43 (127) (69). Per-
nas regulares. Comprimento das articulações do primeiro:
par de pernas; coxa 97; femur com trochanter 1783.
tibia 114; tarso 97; unha 20; digitulos da unha 39.
Digitulos tarsaes compridos, muito delgados, com as
pontas dilatadas. Digitulos da unha grandes, com as pon-
tas largamente dilatadas. Annel do annus com 6 pellos.
Rostro situado entre o primeiro e o segundo par
de pernas; laço do rostro curto, extendendo-se além do
segundo par de pernas. Gada uma das areas estigmataes.
é caracterizada por cerca de 25 espinhos conicos e al-
gumas fieiras redondas. A margem lateral contem al-
guns pellos compridos e tuberculados. A derme tem
muitas pequenas glandulas.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de Maytenus sp. E' raro..
Mi. Ceroplastes albolineatus CA.
Examinando o material do Museu achei uma fórma:
que parece ser identica com esta especie. Infelizmente:
não tenho nenhum specimen authentico para comparação.
A casca do adulto feminino é de côr de rosa
clara, oval no contorno, convexa, indistinctamente divi-
dida em sete placas. Nucleos presentes, pardos, às vezes.
cobertos de uma secreção de cor branca. Placa caudal
apparentemente com dois nucleos. Cera molle, grossa, des-
igual, deprimida ao redcr de cada um dos nucleos. A
casca é apontada anteriormente, truncada e levemente:
entalhada posteriormente. Comprimento 6,50 mm.; lar-
gura D mm. ; altura 3,80 mm.
— 475 —
Despida da céra a femea é de côr amarello-clara,
com oito tubereulos salientes, collocados tres em cada
lado, um no dorso e um na extremidade anterior. O
corno caudal é curto e largo, de côr pardo-escura.
Derme dorsal dura com uma porção de pequenas
covas glandulares, fundas, de côr parda acima dos tu-ber
culos lateraes. A margem lateral é ligeiramente enru-
gada. Comprimento 4,80 mm. ; largura 8,50 mm.; altura
3 mm. Fervida em uma solução de KOH, a derme torna
-se molle e transparente nos specimens mais novos.
Antennas variaveis, de sete articulações; todas as
articulações excepto a 3º têm pellos. Comprimento 0,350
— 0,384 mm. (Comprimento das articulações : (1), 44—
933 (2), 58—07; (3), 62-70; (4), 89—102; (5), 31 ;
(6), 31; (7) 40. Formula approximada : 43217 (56) ou
43 (21) 7 (56). Pernas fortes. Comprimento das articula-
ções do primeiro par de pernas : coxa 97; femur com tro-
chanter 211; tibia 168; tarso 89; unha 22; digitulos do
tarso 50. Digitulos da unha grandes com o dobro do
comprimento da unha e as pontas largamente dilatadas.
Digitulos tarsaes muito compridos e delgados, com as pon-
tas dilatadas. Rostro grande e situado logo atraz do pri-
meiro par de pernas; o laço rostral extende-se até o
segundo par de pernas. Annel do annus com seis pellos.
Cada uma das areas estigmates é caracterizada por
30 ou 35 espinhos curtos, agudos e conicos e por cerca
de cem fieiras redondas. A margem lateral tem uma
carreira destes espinhos agudos, que se tornam mais ra-
ros na região anterior e na posterior, e têm pellos com-
pridos interspersos entre elles. Na superficie ventral ha
uma carreira singela de pellos no lado interior dos espi-
nhos. A derme contem numerosas glandulas exiguas.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de Maytenus sp. EF?
raro.
SG. Ceroplastes simplex n. sp.
Estampa X fig. 10
>
A casca do adulto feminino é oval, convexa, ligei-
ramente depremida ao redor do nucleo dorsal, de côr
ge ee
pardo cinzenta. Sd o nucleo dorsal é visivel; é pequeno
elliptico, de côr branca pura. A céra não é lustrosa, h-
geiramente enrugada por sulcos e depressões radiantes,
não é quebradiça nem está dividida em placas. A cêra
é ligeiramente engrossada ao redor da margem lateral.
Comprimento 1,9 mm.; largura 3 mm.; altura 2,60
mm. Despida da cèra a derme é dura, lustrosa, de
côr pardo-clara com pintas exiguas de côr mais escura.
Ha dois pequenos tuberculos em cada lado e um no
dorso. |
O corno caudal é agudo, curto, apsnas 0,500 mm.
de comprimento, de côr pardo-escura. Comprimento da
femea 3,50 mm.; largura 2,25 mm.; altura 2, mm. Fer-
vida em uma solução de KOH, a femea tinge o liquido
de côr de rosa-escura. A derme continua dura e semi-
transparente.
Antennas variaveis, de sete ariculações. Todas as
articulações, excepto a 3.º, têm pellos. Comprimemto;
0,273— 0,807 mm. Comprimento das articulações : (1);
44, (2), 44; (3), 44—48; (4), 66—79; (5), 22—31; (6),
22—26; (7), 31—35. Formula approximada: 43 (12) 7
(56) ou 4 (812) 7 (56). Pernas regulares. Comprimento
das articulações do primeiro par de pernas: coxa 79;
femur com trochanter 182; tibia 123; tarso 79; unha 22;
digitulos da unha 35. Digitulos tarsaes compridos e
delgados, com as pontas dilatadas. Digitulos da unha
grandes, com as pontas largamente dilatadas. Rostro:
grande, situado logo atraz do primeiro par de pernas;
o laço do rostro se extende um pouco além do segun-
do par de pernas. Cada uma das areas estigmataes é
caracterizada por cerca de 50 espinhos conicos e obtu-
sos, e pelo mesmo numero de fieiras grandes e redon-
das. A margem lateral tem uma carreira singela de
pellos collocados longe um dos outros. A derme con-
tem muitas glandulas exiguas.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de uma planta da or-
dem Myrtaceae. Colleccionado pelo Dr. von Ihering. E
raro.
aa ah et
Genero Vinsonia Sign.
87. Vimsomia stellifera JVestwood
A casca do adulto feminino é estrellada, de sete
placas; uma na frente e tres em cada lado; dorso con-
vexo, hemispherico, transparente; nos specimens mais
velhos a cêra se espalha entre os appendices lateraes,
que se tornam mais curtos. Antennas de seis articula-
ções, das quaes a 3.2 é a mais comprida, sendo igual
às ultimas tres articulações. A tibia é tão comprida
como o tarsc; pernas curtas e delgadas.
Hab. Pará. Sobre Lucuma caimito. D. C. Collec-
cionado pelo Dr. E. A. Goeldi e mandado ao professor
T. D. A. Cockerell.
Genero Platinglisia Ckll.
SS. Platinglisia noacki Chill.
O adulto feminino é chato, circular, de 6,50 mm.
de diametro, de côr pardo-avermelhado, com as areas
marginaes desmaiadas e uma casca vitrea transparente,
cada metade da qual tem estrias leves, mas facilmente
visiveis, concentricas e radiantes, que nascem de um
centro que se acha um pouco no lado da linha mediana
do insecto. Com o auxilio do microscopio a casca vitrea
mostra linhas de cellulas de ar como a Inglisia, e outras
cellulas de ar irregularmente collocadas na area sub-
marginal. O insecto tem um sulco profundo, longitudi-
nal no dorso, espessamente coberto de poros glandula-
res e terminando nas placas anaes. Este coincide com
a sutura entre as placas vitreas.
O rostro é muito pequeno, com filamentos rostraes
curtos, collocados num lado do insecto, perto do centro.
A derme, depois de ser fervida, continua de côr par-
do-amarella, excepto uma area diferencial marginal in-
color; a area parda apresenta grupos de covas glandu-
lares irregulares e a arca marginal apresenta grandes
covas glandulares de fórma redonda.
As antennas são representadas por uma pequena
protuberancia perto da margem anterior; são apparente-
mente de duas articulações; a primeira articulação tem
um ou dois pelos curtos e a segunda tem cerca de seis
pellos. As pernas faltam. Aberturas estigmataes peque-
nas, globulares e largamente separadas umas das outras.
Placas anaes regulares, com os dous lados externos
mais ou menos regulares em tamanho. Annel do anus
com seis pellos. A margem lateral do corpo contem
cerca de cem espinhos agudos, pequenos e grandes, al-
ternados e collocados com intervallos regulares. As
areas estigmataes são marcadas de um espinho compri-
do e curvado na ponta. Mento monomero, com 8 pel-
los curtos.
Hab. Campinas. Na parte superior de uma planta
Myrtacea ; colleccionado pelo Dr. I. Noack. Achado
tambem pelo sr. G. Edwall em Alto da Serra, na parte
superior de uma arvore da ordem Thymeleaceae. Se
acha tambem em S. Paulo, sobre Laurus sp. E raro.
Genero Edwallia Hempel
Apparentemente relacionado com Marmaisia Sign.
Casca do adulto feminino cerosa, dura e quebradiça, de
forma conica, com sulcos e rugas radiantes. Antemnas
de cinco articulações. Placas anaes curvadas; as duas,
juntas, formam um annel. Cada uma das placas contem
dez pellos compridos. Typo Ædivallia rugosa Hempel.
sy Edwallia rugosa Hempel
dstampa X fig. 11—15
A casca do adulto feminino é de côr branca; a céra
dura e quebradiça, de fórma conica, tendo a apparen-
cia de uma bernaca e é enrugada radialmente, como a
concha de Pecten. A base é ligeiramente oval, mais larga
no lado anterior do que no posterior; o lado anterior
é ligeiramente convexo, de sorte que o apice da casca
fica atraz do meio. Não apparece nenhuma cellula de
ar. Uma porçäo de anneis concentricos e finos rodeiam
a casca parellamente com a base. O interior da casca
é liso e lustroso. O adulto feminino enche completa-
mente a casca e tem a derme lisa, de côr amarella,
cor de limão. Ao redor da margem do corpo ha uma
carreira de cerca de 210 pequenos espinhos, de fórina
conica, e perto da margen, na superficie dorsal, ha
uma carreira dupla de pellos exiguos. As areas estig-
mataes são caracterizadas por um grande espinho curvo,
com uma pinta redonda na base e um grupo de 13 ou
19 glandulas redondas. A fissura caudal é muito curta
e cada lobulo tem um pello mais comprido do que os
espinhos marginaes. O orificio anal & cercado de um
annel chitinoso, dentro do qual está o annel do anus com
6 pellos compridos. Placas anaes curvas, irregulares,
triangulares, com o lado dorsal mais comprido do que o
lado ventral. Gada uma das placas tem 10 pellos com-
pridos, dois dos quaes são direitos e espiniformes, em-
quanto que os outros são mais compridos e flexiveis.
Tres destes se acham na superficie dorsal e sete na su-
perficie ventral. As placas são collocadas de modo que
juntas formam um segundo annel anal con 20 pellos.
Logo em frente ao annel do anus ha um grupo de 20
pequenas fieiras redondas.
Antennas de cinco articulações, de cerca de 0,1%0
mm. de comprimento; todas as articulações têm pellos ;
a articulação 3 tem dois pellos, um dos quaes é bem
comprido. (Comprimento das articulações : (1), 22—26 ;
(2), 13—15; (3), 31-33; (4), 18—20; (5), 22 —24,
Formula approximada: 31542 ou 3 (51) 42. ternas
regulares; coxa e trochanter com um pello sub-termi-
nal; femur largo, com um espinho curto e agudo perto
da extremidaae distal. (Comprimento das articulações
do primeiro par de pernas: coxa 62; femur com tro-
chanter 106; tibia 84; tarso 57; unha 9; digitulos da
unha 17. Digitulos tarsaes muito compridos e delgados,
com as pontas dilatadas; os digitulos da unha têm
cerca a metade do comprimento dos outros, são ovaes
e falhosos. Mento grande, situado à meia distancia en-
— 480 —
tre o primeiro e o segundo par de pernas. O laço
rostral extende-se atê a metade da distancia para o ter-
ceiro par de pernas. Casca do adulto feminino 5 mm.
de altura; 1,90 inm. de largura; 2,79 mm. de compri-
mento. E” viviparo.
Gasca do macho branca, muito fina, elliptica, pouco
convexa. Dividida em placas; uma no dorso, duas la-
teraes em cada lado e uma terminal em cada extremi-
dade. A placa dorsal tem um topete de cera quebra-
diça. Comprimento de 1,75 mm., largura de 0,75 mm..
Larva recem-nascida de côr pardo-amarellada, oval,
com a margem dentada: o abdomen termina em dois
lobulos inconspicuos, cada um dos quaes tem um pello
comprido e terminal. O annel do anus tem seis pellos
compridos, e no abdomen logo em frente ao annel do
anus ha dois pellos curtos. As placas anaes são indi-
cadas por cerca de seis pequenos pellos. As areas es-
tigmataes no pro-thorax e meso-thorax são caracteri-
zadas por um espinho curto e grosso. Antennas appa-
rentemente de cinco articulações; as articulações 5 e
3 são quasi iguaes no comprimento. "Todas as articu-
lações têm pellos; a articulação O tem seis pellos, um
dos quaes é tão comprido como as antennas. Pernas
compridas ; o trochanter tem um pello comprido e sub-
terminal; todas as outras articulações têm dois ou mais
pellos. A unha é comprida e delgada ; os digitulos são de
comprimento desigual e ligeiramente dilatados ; digitulos
tarsaes muito compridos e capilliformes, com as pontas
ligeiramente dilatadas. Sobre o dorso não ha espinhos,
A margem do corpo contem uma carreira singela. de pel-
los curtos. Comprimento 0,575 mm., largura 0,250 mm.
Hab. São Paulo, Brazil. Nos ramos pequenos de
Eugenia jaboticaba. Devo a acquisição desta especie
ao Sr. Gustavo Edwall. Koi elle quem o primeiro achou
e me chamou a attenção para ella. Não é commum.
Genero Pulvinella Hempel
E' semelhante a Pulvinaria, mas o ovisacco é
segregado em baixo do insecto e não atraz delle. O ovi-
LR
sacco é coniforme, e quando completado o insecto des-
cança sobre elle como numa almofada. Typo Pulwi-
nella pulchella Hempel.
90. Pulvinella pulchella ZZmypel
Estampa XI figs. 1—3
Adulto feminino lustroso, duro, elliptico, com o
dorso pouco convexo, de cor branca suja, semeado de
preto nas rugas perto das margens. Derme irregular
e transversalmente enrugada, uma ruga proeminente
se extende atravez do dorso logo em frente ao meio.
Em baixo é de côr de chocolate, excepto uma listra
marginal que é de côr branco-escura. [issura caudal
de cerca de 1 mm. de comprimento. (Comprimento
6 mm.; largura 4,50 mm.; altura 2 mm. Fervido em
uma solução de KOH, tinge o liquido de côr de ambar
escuro.
Antennas variaveis, de oito articulações e de 0,441
—0,499 mm. de comprimento. Todas as articulações,
excepto a 3.º têm pellos. Comprimento das articulações :
(1), 62—66; (2), 53; (3), 84—102 ; 14), 66—84; (5),
66; (6), 35—44; (7), 3813 (8), 44—53. Formula appro-
mmmada vor (Oly 267 ou 54) (oly (es YOu.” Pemmas
regulares ; acoxa tem varios pellos e um espinho curto
e agudo perto da extremidade proximal; o trochanter
tem um pello comprido no apice e dois mais curtos.
Comprimento das articulações do primeiro par de per-
nas: coxa 141; femur com trochanter 306; tibia 198;
tarso 119; unha 35; digitulos da unha 62. Digitulos
tarsaes muito compridos e delgados, com as pontas no-
dosas ; digitulos da unha menos de duas vezes do com-
primento da unha, com as pontas dilatadas. Rostro
situado entre o primeiro par de pernas ; laco do rostro
comprido. extendendo-se até a meia distancia para o ter-
ceiro par de pernas. Annel do anus com dez pellos
compridos. Ha na margem uma carreira singela de
pellos compridos e finos, misturados com alguns espi-
nhos curtos. Ha 3 espinhos estigmataes; um comprido
e ligeiramente curvado, e dois curtos e grossos. De
cada uma das areas estigmataes para os espiraculos se
extende uma carreira de cerca de 50 fieiras pequenas
e redondas. Espalhadas pela superficie ventral ha nu-
merosas glandulas tubulares e pellos. Placas anaes
pequenas, com as duas margens lateraes iguaes em com-
primento.
Ovisacco coniforme, sulcado longitudinalmente com
cerca de 16 rugas. A parte anterior é segregada mais
ligeira do que a parte posterior de fórma que a mar-
gem anterior torna-se convexa, e quando completada,
o insecto descança sobre elle numa posição obliqua. As
rugas estão mais perto uma à outra na margem pos-
terior do que na anterior. A côr é branca com um
colorido fraco de creme. Comprimento do insecto 5 mm. ;
largura 3.75 min. ; altura 7 mm.
Larva recem-nascida de côr pardo-clara, elliptica ;
margem do corpo finamente serrada; um pello curto
está situado em cada lado de todos os segmentos abdo-
minaes; oito pellos curtos na margem anterior entre
as antennas. O corpo é terminado posteriormente por
duas settas compridas e alguns pellos pequenos. Ha um
espinho estigmatal, comprido e direito em cada lado do
corpo no pro-thorax e no meso-thorax. Antennss com-
pridas de 6 articulações; articulação 3 a mais com-
prida, articulação 6 & a seguinte em respeito ao com-
primento ; as outras sub-iguaes Pernas ordinarias, di-
gitulos tarsaes compridos, delgados, com extremidades
finamente dilatadas ; um delles do comprimento do tarso.
Unha comprida, curvada; digitulos da unha delgados,
com extremidades dilatadas. Laço rostral comprido.
Comprimento 0,480 mm. ; largura 0,250 mm.
Hab. Ypiranga. Nos ramos de Baccharis dracun-
culifolia DG. Não ê commum.
Genero Tectopulvinaria n. g.
Adulto feminino segregando um ovisacco como
Pulvinaria. Inteiramente coberto com secreção branca,
— 483 —
semelhante a feltro. Antennas de 8 articulações. Typo
Tectoputvnara albata n. sp.
SK. Tectopulvinaria albata 1. sp.
Estampa XI fig. 4
Adulto feminino oval, dorso convexo, inteiramente
coberto com secreção branca semelhante a feltro. A se-
creção é evidentemente em duas partes; uma ao redor
da margem, a outra cobrindo o dorso. Esta segunda
parte parece ser segregada em camadas concentricas.
Na secreção no dorso estã usualmente uma fina escama
transparente, atravez da qual o nucleo dorsal de côr
castanho-escura pode ser visto. Irequentemente a secre-
ção sobe ao redor das bordas da escama, deixando o
centro do dorso abaixado. Nos specimens mais velhos
a escama desce usualmente. Margem do corpo abai-
xado. Placas anaes de côr castanho-escura, expostas ;
quando afastadas das costas deixa um annel espesso de
secreção branca. Privado da cera é oval em contorno,
sendo mais largo posteriormente, de côr de laranja-es-
cura, com as antennas e as pernas pardas. A margem
lateral é abaixada, formando uma borda ; dorso convexo
com costella mediana longitudinal e 4 ou 5 sulcos trans-
versaes. Fissura anal mais ou menos de 0,5 mm. de com-
primento.
Comprimento do insecto 3,75 mm., largura 3 mm.,
altura 1,25 mm. O ovi-sacco é curto, convexo, amarel-
lento, transversalmente estriado; de 3 mm. de compri-
mento e de 3 mm. de largura. Fervido numa solução
de KOH, tinge o liquido de côr de laranja com sabor cor
de rosa. A derme torna-se molle e sem côr.
Antennas variaveis de 7 ou 8 articulações ; sendo
8 o numero typical. Todas articulações têm pellos.
Comprimento 0,476 —0,564 mm. Comprimento das articu-
lações (1) 79-89: (2) 5T— TO; (3) 9B—111; (4) 5T—
66; (5) 53—66:(6) 85—48 ; (7) 40—44; (8) 62—70.
Formula approximada 51 (2845) 67. Pernas grandes ;
Bt MS Ps
tarso curvado. (Comprimento das articulações do pri-
meiro par de pernas: coxa 178; trochanter com femur
400 ; tibia 289, tarso 173; unha 62; digitulos da unha
19: ’ Dicitulos tarsaes delgados, curtos, com extremi-
dades levemente dilatadas ; näo se extendem alem da
ponta da unha. Digitulos da unha estreitos, com ex-
tremilades levemente dilatatas. Rostro pequeno, situado
justamente atraz da inserção do primeiro par de peraas.
O laço rostral extende-se ao segundo par de pernas. Pla-
cas anaes triangulares, o lado autero-lateral mais curto
do que o postero-lateral. Annel anal com 6 pellos.
Ao redor da margem lateral do corpo estão algumas,
(3 ou 4) fileiras confusas de pellos compridos e agudos.
A superficie ventral tem muitas fieiras redondas e al-
gumas glandulas menores ; emquanto a superficie dor-
sal tem numerosas pequenas glandulas ovaes.
Adulto masculino de côr de laranja, oval, mais
largo transversal do thorax, Antennas de 10 articula-
ções, toaas têm muitos pellos; a articulação 10 tem
alem disto 5 pellos compridos nodosos. Comprimento
das articulações: (1) 62; (2) 70; (3) 102; (4) 159;
(5). 2182 (6) 1784" G) ATS (Ses 10780 JOAO:
Pernas compridas e pilosas.
Espiga genital estreita, de 0,488 mm. de comprimento-
O ultimo segmento do corpo com tres pellos compri-
dos em ambos os lados da espiga genital; os outros
segmentos têm 4—6 pellos mais curtos em cada lado.
Halteres faltam. Comprimento do corpo exclusivo da
espiga genital 1.450 mm.; largura 0,730 mm.
Larva recem-nascida oval, de côr de laranja-ama-
rellada. O abdomen termina em duas placas grandes,
tendo cada uma dellas uma comprida setta terminal e
alguns pellos mais curtos. Ao redor da margem lateral
do corpo ha uma fileira simples de pellos compridos.
Antennas de seis articulações, a terceira articulação a
mais comprida. Pernas curtas, unha comprida, com digi-
tulos delgados e finamente nodosos. Digitulos tarsaes
muito compridos e delgados, com as extremidades fi-
HO e
namente dilatadas. Laço rostral muito comprido, sendo
enrolado num circulo no abdomen.
Hab. Ypiranga e Jundiahy, nos troncos de Ver-
nonia polyanthus Less. e Trichogonia salviaefolia.
Usualmente acompanhado de uma especie de Cremu«-
togaster.
Genero Protopulvinaria Ckll.
92. Protopulvinaria conwexa n. sp.
Adulto feminino elliptico ou oval, dorso convexo.
Um ovisacco branco ê segregado em baixo do insecto,
levantando a extremidade caudal 2 mm.. mas deixando
a extremidade cephalica ligada à casca.
Dorso duro e brilhante, usualmente coberto duma
secreção branca, fina e empoada ; esta às vezes sómente
existe em bocados, às vezes cobre o animal inteiro. Ha
uma fina costella mediana longitudinal, e em cada lado
duas fileiras longitudinaes de marcas glandulosas pouco
fundas. Os lados são finamente franzidos. Cor em cima
escuro-vermelha, usualmente com ume estria mediana
de côr pardo-escura; em baixo côr de laranja-averme-
lhada. Comprimento 5,10 mm.; largura 4,50 mm.; al-
tura 2 mm. Fervido numa solução de KOH tinge o
liquido fracamente pardo. A derme fica chitinisada e
opaca.
Antennas variaveis de 7 ou 3 articulações. Antennas
de 7 articulações : 0,381— 0,405 mm. de comprimento. To-
das as articulações, excepto articul. 3 com pellos.
Comprimento das un (46 (2 SDS
(4) 106—123, (5) 35, (6) 24—81, (7) 31. Antennas
de 8 articulações : 0,455—0,467 mm. de comprimento.
Todas as articulações, excepto articul. 5 e 4 com pel-
los. Comprimento das articulações: (1) 66—75, (2) 66,
(3) 79—84, (4) 48 —58, (5) TI—8A4, (6) 35, (7) 31—35,
(8) 31—35. Formula approximada (85) 1 2 4 (678).
Pernas pequenas; comprimento das articulações do pri-
— 426 —
meiro par: coxa 84; femur e trochanter 191; tibia
151; tarso 75; unha 24; digitulos das unhas 42. Unha
muito delgada e fina; digitulos das unhas finos, com
extremidades finamente dilatadas. Rostro grande, si-
tuado entre o primeiro par de pernas. Laço rostral
muito curto. Placas anaes pequenas, triangulares, os dois
lados exteriores são iguaes em comprimento. Annel do
anus com 6 pellos. Ao redor da margem do corpo ha
uma dupla fileira de pellos compridos e agudos. A derme
na superficie ventral tem numerosas glandulas compri-
das filamentosas. Na superficie dorsal ha algumas fi-
leiras longitudinaes de pequenas glandulas redondas.
Larva recem-nascida elliptica chata, de côr escuro-
vermelha ; olhos grandes, conicos, pardo-escuros. An-
tennas compridas, de seis articulações ; articulações 3 e
6 as mais compridas e quasi iguaes em comprimento.
O corpo termina em duas placas, cada uma com uma setta
comprida terminal e alguns pellos mais curtos. À mar-
gen do corpo serrada, tendo uma fileira simples de
pellos bastante compridos. Pernas compridas e delgadas,
os digitulos da unha e do tarso compridos e finos, com
extremidades finamente dilatadas. O laço rostral não
extende-se às placas anaes.
Hab. S. Paulo. Nos troncos de Smilax sp. Algu-
mas pequenas dipteras parasiticas foram creadas dos
ovi-saccos desta especie.
Genero Pulvinaria Taro.
Sit. Aulvimnaria ficus n. sp.
Estampa XI fig. 5
Dr. F. Noack em Campinas me contou que ti-
vesse achado Pulvinaria psidir Maskell em Campinas
e S. Paulo nas folhas de Psidium sp. e specimens de
nossa collecção, tambem achados sobre Psidium foram
identificados como os mesmos.
Um estudo mais preciso dos specimens mostra to-
davia que não estão de accordo com a descripção e as
— 487 —
figuras de P. psedi Maskell. Os specimens são des-
criptos aqui como especies novas.
Adulto feminino antes da gestação elliptico ou
oval, deprimido, pardo-amarellado, a derme finamente
arrugada perto da margem. Lobos anaes pardo-escuros,
fissura anal apenas | mm. de comprimento. Comprimento
do corpo 5 mm., largura 2,25 mm. O ovisacco é branco,
homogeneo, oval, convexo, comprimento com o animal
seccado e restringido 5 mm., largura 3,25 mm., al-
tura 2 mm. A cera do ovisacco é flocosa e adhere
firmemente a qualquer objecto que attinge. O insecto
começa a segregar o ovi-sacco, segregando pri-
meiramente uma franja curta de cera branca ao redor da
margem inteira do corpo. Fervido numa solução de
KOH participa ao liquido uma côr clara de palha. A
derme fica delgada e transparente.
Antennas variaveis, de 8 articulações, todas têm
pellos; articulação 2 e 5 cada uma com um pello
bem comprido. Por acaso e individualmente só se
acham 7 articulações nas antennas. Comprimen-
to: 0,425—0,540 mm. (Comprimento das articula-
ções (1) 48-53, (2) 66—70, (3) 97—110, (4) 53—70,
(5) 93—79, (6) 31—48, (7) 31—44, (8) AS—66. For-
mula approximada 3 (524) &1 (67). Pernas compridas ;
trochanter com um pello muito comprido; tarso um
tanto curvado. Comprimento das articulações do pri-
meiro par de pernas: coxa 156; trochanter e femur
326; tibia 267; tarso 120; unha 31; digitulos da unha
62. Digitulos tarsaes curtos, delgados com extremida-
des finamente dilatadas. Rostro ordinariamente situado
entre o primeiro par de pernas; o laço rostral extende-
se até além do segundo par de pernas. Placas anaes
pequenas, triangulares. o lado antero-lateral mais curto
do que o postero-lateral. Annel do anus com 8 pellos.
Ao redor da margem lateral do corpo ha uma fileira
densamente guarnecida de pellos curtos com bases tu-
berculadas e extremidades laminadas, dilatadas e fran-
gidas. © abdomen tem alguns pellos compridos em
frente das placas anaes e entre as antennas; sendo a
— 488 —
forma daquellas entre as antennas muito comprida e
caracteristica. Cada uma das àreas stigmataes é carac-
terizada por um grupo de tres espinhos, dois bem cur:
tos e um comprido e curvado, e por uma fileira dupla
de 30—35 fieiras pequenas. Na superficie dorsal ha uma
fileira sub-marginal de 11—12 glandulas pequenas de
forma conica. A superficie ventral tem muitas glan-
dulas pequenas e fieiras grandes arredondadas na re-
gião anal; no dorso ha alguns pellos exiguos.
Hab. São Paulo; no lado superior e inferior das
folhas e dos ramos de /veus sp., Psidium sp, Man-
gifera sp. (Mango) e Lvora coccinea. Muitos indivi-
duos estão pegados nas folhas e nos ramos, causando
damno consideravel, especialmente nas arvores de som-
bra em algumas partes da cidade.
94. Pulvinaria eugeniae 7. sp.
Estampa XI figs. 6 e 7
Adulto feminino antes da gestação oval ou ellip-
tico no contorno, dorso brilhante, finamente encrespa-
do de covinhas glanulosas; não é muito convexo; côr
pardo-clara, com estrio longitudinal mediano amarello.
Os segmentos do corpo são indicados por sulcos trans-
versaes pouco profundos e por linhas finas de côr
pardo-escura. Alguns individuos têm duas manchas
dos olhos de côr pardo-escura na região cephalica. Em-
baixo fracamente amarello. Comprimento 35—45 mm.;
largura 2—3 mm.; altura 1 mm. Depois da gestação
o insecto fica amarello e arrugado. Ovi-sacco branco,
densamente felirado, direito ou um tanto curvado,
um pouco mais largo na extremidade distal, do que
naquella na qual se acha o insecto; estriado transver-
salmente e tem tambem duas costellas longitudinaes ;
dividindo-o em 3 areas sub-iguaes, a do meio sendo
um tanto elevada. (Comprimento 5— 7,50 mm.; lar-
gura 2—2,29 mm.; altura 1 mm. Antes da gesta-
ção o insecto infecciona usualmente os ramos; mas os
Ovi-saccos estão quasi invariavelmente collocados nos
— 489 —
lados inferiores das folhas. Um individuo segregava
um ovi-sacco de 7,25 mm. de comprimento em 19 dias.
Fervido numa solução de KOH, tinge o liquido ama-
rello claro; e a derme fica delgada e transparente.
Antennas variaveis, usualmente de 8 articulações,
todas têm pellos. As vezes sómente 7 articulações
estão presentes. Comprimento 0,321—0,395 mm. Com-
primento das articulações: (1) 44—53 ; (2) 4 — 57;
(3) 66—70 ; (4) 50—5T: (5) 55—48; (6) 24-81;
(7) 24—31 (8) 44 — 48. Formula approximada: 3
(21485) (67). Pernas regulares; trochanter com nm
peilo comprido. Comprimento das articulações do pri-
meiro par de pernas: coxa 110; trochanter e temur
209 ; tibia 156; tarso 79; unha 26; digitulos da unha
48. Digitulos tarsaes compridos, com extremidades
finamente dilatadas ; digitulos da unha grandes, as ex-
tremidades redondas e dilatadas. Rostro situado entre
o primeiro par de pernas; laço rostral extende-se ao
segundo par de pernas. Placas anaes pequenas, o lado
antero-lateral mais curto do que o postero-lateral. An-
nel do anus com 6 pellos. Ao redor da margem la-
teral do corpo ha uma fileira de pellos compridos,
laminados e frangidos nas extremidades, postos bastante
longe uns dos outros; e dentro desta ha uma segunda
fileira de pellos mais curtos, pontagudos. Cada area
estigmatal é caracterizada por dois espinhos bem cur-
tos, e um comprido, curvado, e por uma flleira dobrada
de 30—50 fieiras redondas, estendendo-se ao respira-
douro. A superficie ventral tem um grupo de cerca
de 100 fieiras redondas ao redor da abertura genital,
bem como muitas glandulas pequenas. Tem tambem
uma fileira dupla de 6 pellos compridos em frente da
abertura genital, e 4 pellos compridos e alguns mais
curtos entre as antennas e o rostrum.
A lavra recem-nascida, é pequena, elliptica, ama-
rello-clara; margem finamente serrada, tendo pou-
cos pellos muito curtos. O abdomen termina em duas
placas, cada uma com uma comprida setta terminal.
Areas estigmataes caracterizadas por um espinho gros-
— 490 —
so. Antennas evidentemente de 6 articulações, das
quaes 3 e 6 são quasi iguaes no comprimento. Per-
nas curtas; digitulos tarsaes compridos e delgados. Di-
gitulos da unha mais curtos, de tamanho desigual, com
extremidades dilatadas ; unhas compridas, delgadas, fina-
mente curvadas. Laço rostral comprido, extendendo-
se às placas anaes. Comprimento 0,356 mm., largura
0.244 mm.
Hab. Ypiranga e S. Paulo. Sobre Æugenria jabo-
ticaba e outros arbustos da ordem Myrtacece. As folhas
e os ramos infeccionados por esta especie são usual-
mente cobertos d'um fungo preto.
oS. Fuivinaria depressa n. <p.
Adulto feminino pardo, com estria mediana ama-
rello-clara, elliptico, chato; superficie arrugada por cos-
tellinhas finas, sahindo em forma de raios d'uma estria
central ; estas costellinhas são mais escuras do que o
resto da derme. E n baixo esbranquiçado. A superficie
dorsal usualmente coberta de particulas de cera, dando-
lhe por isso uma apparição branca. Comprimento 3,5
mm ; largura 2 mm. O ovisacco é branco, chato, é
molle con os lados parallellos; não ha nem costellas
nem covinhas. (Comprimento 7 mm; largura 2 mm.
Fervido numa solução de KOH a derme fica delgada e
transparente.
Antennas variaveis, de 8 articulações; todas ten-
do pellos. Comprimento 0,546 - 0,591 mim. Comprimento
das articulações: (1) 39—44; (2) 44-53; (3) T0 - 79;
(4) 44-53; (0) 48; (6) 31-35; (7) 20; (8) 48-98.
Pernas ordinarias; comprimento das articulações do
primeiro par de pernas: coxa 79; trochanter e femur
231; tibia 156; tarso 89; unha 24: digitulos da unha
48. Digitulos tarsaes compridos, com extremidades fina-
mente dilatadas ; digitulos da unha grandes, com ex-
tremidades redondas e dilatadas. Rostro situado entre
o primeiro par de pernas; laço rostral extendendo-se
apenas ao segundo par de pernas. Placas anaes peque-
— 491 —
nas, O lado antero-lateral um tanto mais comprido do
que o postero-lateral. Annel do annus com 8 pellos. Ao
redor da margem lateral do corpo ha uma fileira sim-
ples de pellos compridos pontagudos, postos assaz den-
samente. Cada area estigmatal é caracterizada por dois
espinhes chatos, e um mais comprido; e por uma filei-
ra dupla de cerca de 30 fieiras, extendidas ao respira-
douro. A derme no abdomen tem algumas glandulas
tubulares.
Hab. Ypiranga. No lado inferior das folhas de M-
conta sp.
96. Puivinaria grandis n. sp.
Adulto feminino oval até alongado em contorne ;
dorso convexo, mais alto no meio, côr de laranja-ama-
rellada. Placas anaes muito pequenas, pardo-escuras. Na
margem anterior-lateral estão situadas duas pequenas
manchas pretas de olhos. Comprimento 6mm.‘ largura
4,5 mm. ; altura 2,5 mm. O ovisacco é d'um branco sujo,
comprido, convexo, usualinente curvado ; soltamente te-
cido, com uma costella mediana, proeminente branca em
fórma de ziguezague. Fibras soltas de algodão, parecidas
com téas de aranha extendem-se sobre o comprimento total
do dorso. Comprimento 19,5 mm, largura 3,75 mm ; altu-
ra 2,90 mm. Uin individuo construiu 3,5 mm. do ovisac-
co num dia. O algodão é solto e adhere a qualquer cousa
que toca.
Fervido numa solução de KOH tinge o liquido de
cor amarello-clara. A derme fica del yada e transparente.
Antennas variaveis, de 8 articulações; todas têm
pellos. Comprimento 0,551—0,564 mm. Comprimento
das articulações (1) 70-75 ; (2) 79-88; (3) 114—120 ;
(4) 79-93; (5) 66; (6) 40 44; (7) 35; (8) 48. For-
mula approximada : 34215867. Pernas comprilas ; tarso
finamente curvado. Comprimento das articulações do
primeiro par de pernas: coxa 123 ; trocnanter e femur
404: tibia 276; tarso 123; unha 40; digitulos da unha
79. Digitulos tarsaes não muito compridos, delgados,
com as extremidades só um ponco dilatadas. Digitulos
— 492 —
da unha de comprimento desigual, estreitos com as ex-
tremidades redondas e dilatadas. O rostro é situado en-
tre o primeiro par de pernas; o laço rostral é curto,
extendendo-se um pouco mais do que à metade entre o
primeiro e o segundo par de pernas. Placas anaes pe-
quenas, tri jangular es, 0 lado antero-lateral mais comprido
do que o postero- lateral. Annel do anus com 10 pellos.
A margem lateral do corpo tem uma fileira dupla de
pellos muito curtos e agudos. Cada area estigmatal é
entalhada na margem e tem 3 atê 4 espinhos muito
pequenos e um mais comprido; tem uma fileira de 45
—60 fieiras pequenas redondas, que se extendem até
o respiradouro. A superficie ventral tem uma fileira
dupla de pellos compridos entre o ultimo par de pernas
e a abertura genital, e 4 pellos compridos entre as an-
tennas. O abdomen tem muitas glandulas pequenas
tubulares e numerosas fieiras grandes redondas estão
collocadas ao redor da abertura genital.
A larva recem-nascida é elliptica de côr parda ou
amarello-clara. Antennas de seis articulações ; a tercei-
ra e a sexta são as mais compridas e quasi iguaes em
comprimento Pernas delgadas, todos os digitulos finos
com terminações finamente nodosas. Margem do corpo
finamente serrada; com poucos pellos exiguos. Cada
area estigmatal tem um espinho curto, boto e curva-
do. Cada placa anal tem uma setta comprida termi-
nal. O laço rostral extende-se à fissura anal. Olhos pe-
quenos conicos, pardo escuros. Comprimento 0,453 mm.
largura 0,276 mm.
Hab. Ypiranga. Nos ramos e nas folhas de Myr-
cia sp. e outras plantas da ordem Myrtaceae. Raro.
Genus Lichtensia Sign.
97. Lichtensia argentata n. sp.
Estampa XI. figs. 8—10
O ovisacco, cobrindo o adulto feminino, é curvado,
8, o mm. de comprimento, 4,25 mm. de largura e
gs =
1,50 mm. de altura. O lado interior é duma estructu-
ra branca, solta, parecida com algodão, que adhere a to-
dos os objectos que toca; em cima díisto ha um ma-
terial miudo, compactamente feltrado, de côr de creme ;
que por sua parte é coberto d'uma camada muito fin
de secreção vitrea dando ao sacco um apparecimento
brilhante, pardo-argenteo. Adulto feminino elliptico, de
côr de laranja, lado posterior do corpo amerello-claro,
e mais largo do que o lado anterior. Comprimento, de-
pois de ser fervido em solução de KOH, 6 mm.; largu-
ra 3,9 mm. A derme fica delgada e transparente.
Antennas variaveis, de 8 articulações, todas exepto
3.º e 4.º têm pellos. Comprimento 0,019—0,556 mm.
Comprimento das articulações: (1) 48-57, (2) 66; (3) 141-
146; (4) 75-84; (5) 53-64; (6) 48; (7) 35. 40: (8) 93.
Formula approximada : 342 (518) 67. Per nas compri-
das; comprimento das articulações do primeiro par de
pernas: coxa 146; trochanter e femur 364; tibia, 244,
tarso 110; unha 31; digitulos da unha 53. Digitulos
tarsaes muito compridos com extremidades dilatadas.
Digitulos da unha curtos, de forma de trombeta, com
as extremidades obliquamente truncadas e largamente
dilatadas: O rostro é situado entre o primeiro par de
pernas; laço rostral curto, não extendendo-se à meta-
de da inserção do segundo par de pernas. Fissura anal
curta, apenas 0.75 mm, de comprimento. Placas anaes
triangulares, cada uma com pellos curtos; o lado an-
tero-lateral mais curto do que o postero-lateral. Annel
do anus com 10 pellos. Ao redor da margem lateral
do corpo estão duas fileiras de espinhos; uma consiste
de espinhos grandes, botos, erectos de cerca de 0,044 mm.
de comprimento, postos regularmente em intervalos
maiores do que o comprimento dos espinhos; a outra
consiste de pellos menores, mais delgados, de fórma de
espinhos, postos irregularmente. Cada area estigmatal é
caracterizada por 3 ou 4 espinhos mais compridos, com
extremidades curvadas e 20 ou 30 fieiras pequenas re-
dondas. Na superficie dorsal, perto da margem poste-
rior, ha glandulas finas, pequenas, pyriformes, duas
— 494 —
num lado e 3 no outro; perto da margem anterior
existem tambem cinco destas glandulas. A derme dorsal
porta tambem numerosas glandulas finas; filamentosas,
O abdomen tem muitas fieras redondas, collocadas ao
redor da abertura genital, e uma fileira dupla de pellos
compridos.
Hab. Ypiranga. No lado superior de folhas d'uma
arvore da ordem d/zconece. Raro.
9S. Lichtensia ? attenuata n. sp.
Adulto feminino com casca cerosa, branca, elliptica,
molle, dorso um tanto convexo, extremidades redondas;
extremidade caudal com incisão curta <A casca é ap-
parentemente composta de 4 placas; uma dorsal, uma
lateral em cada lado e uma terminal anterior. A placa
dorsal e a lateral são estreitas e allongadas. A placa
anterior é pequena e de forma mais ou menos trian-
gular. A cera é fina, dura e viscosa. O insecto é
collocado na extremidade anterior da casca, o espaço
que resta é occupado pelos ovos. (Comprimento da
casca 6 mm., largura 3 mm., altura 1,5 mm. O adulto
feminino, fervido numa solução de KOH, torna-se del-
gado e transparente na derme, excepto uma estria es-
treita marginal, qual é chitinisada. O corpo é oval, a
extremidade posterior attenuada. A fissura anal muito
larga; o corpo termina então em duas pontas conspi-
cuas. Comprimento da femea 4 mm., largura 2,25 mm.
Antennas variaveis, de S articulações, tendo
todas pellos excepto a terceira. Comprimento. 0,385—
0,423 mm. Comprimento das articulações: (1)
40—44; (2) 53-57; (3) 84—89; (4) 62—75; (5)
53; (6) 31-35; (7) 22—26; (8) 40—44 Formula
approximada : 84 (25) (18) 67. Pernas ordinarias ;
coxa e trochanter com um pello comprido. Compri-
mento das articulações do primeiro par de pernas:
coxa 89; trochanter e femur 182; tibia 110; tarso
102; unha 22; digitulos da unha 35. Digitulos tar-
saes muito compridos, com extremidades um tanto di-
SAT ee
latadas ; digitulos da unha de tamanho desigual, as
extremidades redondas e dilatadas. O rostro é situado
entre o primeiro par de pernas; o laço rostral exten-
de-se ao segundo par de pernas. Placas anaes peque-
nas, 0 lado antero-lateral mais curto do que o postero-
lateral. Annel do anus com 10 pellos. Margem late-
ral do corpo com uma fileira de numerosos espinhos
curtos, grossos e poucos pellos curtos. (ada area
estigmatal é caracterizada por 3 ou 4 espinhos lamina-
dos e 20-25 fieiras pequenas redondas A superficie
dorsal tem uma fileira submarginal de cerca de 26 glan-
dulas da fórma especifica pyriforme, como a especie
precedente. O abdomen tem um grupo de fieiras
redondas ao redor da abertura genital; emquanto a
derme de ambas as superficies tem numerosas glan-
dulas grandes tubulares.
Hab. Ypiranga. Nos troncos de Baccharis genas-
telloides var. trimera Baker. Muitos individuos são
infeccionados por pequenos Hymenopteros parasiticos.
Não é commum.
A presente especie está collocada neste genero,
provisoriamente; talvez ella pertencia mais exactamente
ao genero Ceroplastodes Ckll.
Subfamilia Piaspinae
Esta subfamilia consiste de insectos dos quaes to-
dos vivem sob um escudo verdadeiro, de tamanho, fór-
ma e textura variavel, mas nunca mais comprido do que
790 mm. O ultimo segmento do abdomen da femea,
denominado «pygidium» é especialmente modificado ;
e as differenças, o numero, o tamanho e a posição dos
diversos appendices e glandulas deste segmento, bem
como o tamanho, a fórma, a textura e a côr do es-
cudo servem para distinguir os diversos generos e as
especies que compõem esta divisão. Alguns dos inse-
ctos mais nocivos pertencem a este grupo; por isto
deve ter um interesse especial para o fazendeiro e o
cultivador das arvores fructiferas.
6 EE
Chave dos generos da sub-familia Deaspine.
O escudo do macho é igual, na forma e na estru-
ctura geral ao escudo da femea . . . .
O escudo do macho é branco, alongado e es-
treito, os lados geralmente quasi parallelos;
muitas vezes com uma ou mais carenas
longitudinaes ; a forma ea estructura disse-
melhantes ao escudo da femea. . . . .
1 —O escudo da femea é subcircular, com as pel-
liculas perfeitamente sobrepostas . . . . .
O escudo da femea é mais alongado, com as
pelliculas sobresahidas, é em ambos os se-
xos collocadas perto da extremidade anterior.
O escudo da femea é muito alongado com as
pelliculas perfeitamente sobrepostas, e ex
ambos os sexos collocadas perto da extre-
midade anterior. Pseudischnaspis Hempel.
2 —O escudo da femea é sub-circular, com as
pelliculas pequenas, cercado com uma larga
margem da secreção. Aspidiotus Bouche.
O escudo da femea circular e sub-circular,
composto inteiramente ou quasi inteira-
mente da grande pellicula segunda . . .
3 —O escudo da femea é sub-circular, composto
quasi inteiramente da augmentada pellicula
segundo; a margem de secreção é apertada ;
o escudo do macho é sub-circular, a pellicula
cercada por uma larga margem de secreção.
Aonidia Tare.
O escudo da femea é duro, circular, composto
inteiramente da segunda pellicula ; o escudo
do macho é semelhante ao escudo da femea
na forma e estructura.
Gymnaspis Newstead.
4 —QO escudo da feméa é largamente elliptico; a
segunda pellicula é grande ; o pygidium tem
uma serie marginal continua de placas e lo-
bulos largos e franjados, e grandes poros se-
milunares. As glandulas circum-genitaes são
a
~
6
mimo
= AG —
em 4 grupos. O escudo do macho é irregu-
larmente elliptico e pouco depressado.
Parlatoria Comstock.
O escudo da femea é largamente elliptico,
mas o pygidium é differente do pygidium
do genero Parlatoria. As elandulas cir-
cum-genitaes são em 4 ou 5 grupos.
Pseudoparlatoria CKI.
Os escudos das femeas e dos machos säo com-
PRIMO me RESTÉS RPM ES) TTC ks
D —O escudo de ambos os sexos é alongado é my-
tiiforme; as glandulas circum-genitaes são
em 5 grupos Mytilaspis Sign,
O escudo de ambos os sexos é preto, alongado
e muito estreito, com os lados parallelos.
O pygidium da femea tem uma area nota-
vel, grosseiramente reticulada, na superficie
dorsal. Ischnaspis Douglas.
6 —O escudo da femea é sub-circular
O escudo da femea é alongado ou elliptico,
geralmente alargado na margem posterior ;
as glandulas circum-genitaes são geralmen-
te em 5 grupos. Hemichonaspis CKI.
O escudo da femea é oval, composto princi-
palmente da grande pellicula segunda, que
completamente cobre o insecto adulto e os
ovos. As glandulas circum-genitaes são ge-
ralmente em 5 grupos das quaes os tres
erupos mais anteriores são frequentemente
confluentes. Frorima Targ.
7 —O escudo do macho é sem carina; a superfi-
cie torna-se aspera, pelos pequenos nós de
secreção. O pygidium da femea tem uma
franja marginal de placas e lobulos.
Diaspidistis Hempel.
O escudo do macho tem uma carina.
Draspis Costa.
O escudo do macho tem tres carinas.
Aulacaspis CkIl.
1
= Ae —
Genus Aspidiotus Bouché
99. Aspidiotus cyanophylli Signoret
Escudo do adulto feminino sub-circular ou oval,
convexo, duro, tino, amarello-claro, semi-transparente.
Pelliculas centraes ou algum tanto marginaes, de
um amarello um pouco mais escuro do que o do es-
cudo. (Comprimento 3 mm., largura 2,50 mm.
Adulto feminino oblongo ou ova , de côr amarello-
clara, cerca de 1,50 mm. de comprimento e 1 mm. de
largura. Antennas rudimentares; as glandulas parestig-
maticas faltam. Pygidium com 3 pares de lobos. O
par do meio é bem largo e tri-lobado. Os outros são
mais pequenos e pontagudos. As placas são compri-
das e profundamente entalhadas ; estão postas duas en-
tre o primeiro par de lobos, duas entre os primeiros
lobos e os segundos; tres entre os segundos lobos e
os terceiros e quatro ou cinco entre os terceiros lobos
e o penultimo segmento do corpo. Glandulas circum-
genitaes grandes, em quatro grupos. Em specimens
typicos as antero-lateraes consistem de 3 até 9 glan-
dulas cada uma, e as postero-lateraes de 5 ou 6 glan-
dulas cada uma. Nos specimens brazileiros as antero-
lateraes consistem de 7—11 e as postero-lateraes de
8—14 glandulas cada uma.
Hab. São Paulo; nas folhas de Laurus sp. e
outras plantas cultivadas. Esta especie foi achada em
Laurus e remettida ao Prof. T. D. A. Cockerell por
identificação. Desde aquelle tempo foi achada em nu-
mero consideravel em outras arvores cultivadas.
100. Aspidiotus (Morganella) maskelli
Chill.
Escudo feminino circular ou largo-oval, convexo,
1 mm. em diametro; pelliculas concolores, muito in-
conspicuas, postas ao lado. Femea pequena; o pygidium
con um só par de lobos, os quaes são grandes, com
— 499 —
os lados interiores contiguos e os outros lados enta-
lhados. Ha quatro pares de espinhos simples em cada
lado; o primeiro par é curto, os outros muito compri-
dos; fora destes estão mais treze placas compridas e
profundamente incisas em cada lado. As glandulas circum-
genitaes faltam. Orificio anal situado na base dos lobos,
Hab. Campinas. Nas folhas de Michela flava.
101. Aspidiotus (Selenaspidus) articu-
latas Morgan
Escudo do adulto feminino muito chato, de côr
branco-parda; appacente rufo ou de cor de laranja no
meio, principalmente onde o insecto transluz; circu-
lar, cerca de 2 mm. em diametro. Adulto feminino de
cor de laranja, o corpo com uma constricção funda,
entre o cephalothorax e o abdomen; o cephalothorax
tem um esporão em cada lado; a derme é espessa,
os lados do corpo finamente estriados. O pygidium
tem dois pares de lobos largos incisos e um par de
lobos estreitos triangulares. Entre os lobos ha uma
porção de placas profundamente incisas. Existem dois
grupos de glandulas circumgenitaes, cada um consis-
tindo de 4 atê 8 glandulas.
Hab. Pará. Sobre Cordyline terminalis Kunth.
10'2. Aspididiotus (Pseudaonidia) trilo-
bitiformis Green
Escudo feminino largo, chato, semicircular ou oval,
de cor pardo-clara, usualmente coberto com uma se-
creção delgada branquinha. Pelliculas amarelas. Dia-
metro do escudo 3 até 4 mm.
Escudo masculino pequeno, alongado, chato, pardo-
claro, 1,50 mm. de comprimento e 0,75 mm. de largura.
Adulto feminino pardo, a derme dura e brilhante,
transversalmente estriada, oblonga, arredondada em
parte, pontaguda atraz, os segmentos distinctos; um
sulco profundo, transversal, entre o segmento protho-
racico e o mesothoracico. Pygidium com 8 lobos pro-
— 900 —
eminentes, obscuramente incisos; 0 par do meio o mais
rijo, os outros delgados. Placas profundamente incisas;
duas entre o primeiro e o segundo par de lobos e tres
entre o segundo e o terceiro e outras tantas entre o tercei-
ro e o quarto par de lobos. Na superficie dorsal ha uma
area limitada reticulada, occupando o meio do pygidium.
Glandulas circumgenitaes em 4 grupos, variando 2%.
Muitas glandulas tubulares filiformes abrem-se na su-
perficie dorsal do pygidium e dos outros segmentos ab-
dominaes. 12—20 pequenas fieiras redondas estão col-
locadas ao redor de cada orifício do primeiro par dos
estigmatas. Comprimento do corpo cerca de 1,60 mm.;
largura 1,15 mm.
Hab. Rio de Janeiro, no lado superior e inferior
das folhas de Cajú, Anacardium occidentale L., e na
Bahia nas folhas de um arbusto da ordem Myrtaceae.
103. Aspidiotus (Odonaspis) janeirensis
ie Sp.
Escudo do adulto feminino alongado, branco, a
margem posterior arredondada, as pelliculas situadas na
extremidade anterior. Comprimento 3,50 mm; largura
1.25 mm. Escudo ventral espesso, formando um sacco
completo junto com o escudo dorsal; o sacco inclue o
insecto. Pelliculas amarello-claras.
Adulto feminino oval, da cór de rosa; compri-
mento 1.770 mm.; largura 1.230 mm. O pygidium é
espesso, castanho-claro e chitinisaio. KE’ differenciado
em cinco placas; sendo a mediana a mais comprida e
a mais estreita e com tres Icbos. As outras placas são
irregularmente nodosas e dentadas. A margem lateral
dos dois segmentos precedentes o pygidium é tambem
chitinisada e semelhante às placas. Na superficie dorsal
bem como na ventral, entre os segmentos abdominaes
ha apparentemente estreitas faxas chitinosas; mas real-
mente estas faxas são fileiras estreitas de pequenas
glandulas ou fieiras. Ha tres grupos de glandulas cir-
cumgenitaes, formando muitas vezes uma continua fi-
= O01 —
leira curvada. O grupo anterior consiste de cerca de
27 glandulas, os grupos lateraes de cerca de 106 glan-
dulas cada um. Cada um dos respiradouros anteriores
tem um grupo de cerca de 45 fieiras; e cada um dos
posteriores tem um grupo de cerca de 36 fieiras. A
derme é delgada e transversalmente estriada. As anten-
nas existem em fórma de tuberculos exiguos com um
pello. A margem dos segmentos abdominaes e do py-
oidium tem muitas glandulas. Rostro muito grande. O
orificio anal é situado logo atraz do grupo anterior de
fieiras.
Hab. Ilha das Flores, Bahia do Rio de Janeiro.
Ao redor dos juntos duma especie de gramma.
104. Aspidiotus (Hemiberlesia)
camelliae Sign. (*)
Syn. Aspidrotus (Hemiberlesia) rapax Comstock
Escudo feminino pardo, um tanto transparente, fina”
mente alongado, muito convexo; cerca de 1,5 mm:
de diametro. As pelliculas estão postas um pouco para
um lado, e são usualmentos cobertas d'uma secreção
branquinha; quando esta é esfregada, apparecem escu-
ras, brunas ou morenas.
Adulto feminino amarello ; pygidium com grandes
lobos medianos, largos e entalhados nas extremidades.
Segundo e terceiro par de lobos rudimentares. Em cada
lado dos lobos medianos ha duas incisões largas e pro-
fundas, com as margens chitinisadas. Entre os lobos
medianos ha um par de placas simples; e nos lados
destes lobos ha 5 ou 6 placas, assiz largas, profunda-
mente incisas. As glandulas circumgenitaes faltam.
Hab. Ypiranga sobre Baccharis dracuncultfolia,
Erigeron canadensis L., Trichogona salviae folta Garda.
e sobre a banana. Rio de Janeiro num arbusto iniden-
tificado.
(*) Sigo ao Sr. Marlatt e ao Sr. Green na synonymia desta es-
pecie e da seguinte: porque não tenho o material necessario para fa-
zer um estudo critico das varias formas incluidas.
— 502 —
105. Aspidiotus (Hemiberlesia) lata-
niae Sign.
Syn. Aspiodotus (He miberlesia) cydoniae Comst.
2 greeni Ck.
punicae CHI.
Escudo feminino do mesmo tamanho, core textura
como a precedente; é não obstante mais estreitamente
circular e não tão convexo.
Adulto feminino redondo, amarello ; pygidium com
o par mediano dos lobos bem desenvolvido, e inciso em
cada lado. A margem do corpo tem duas largas inci-
sões profundas, com as margens chitinisadas, em cada
lado dos lobos medianos.
Quasi o mesmo numero de placas profundamente
incisas é situado na margem, como na especie precedente ;
mas são mais curtas. Ha quatro grupos de glandulas
circunsgenitaes. O numero das glandulas em cada grupo
varia consideravelmente ; alguns specimens foram acha-
dos com as glandulas dispostas + se
Hab. De Uberaba e são João del Rei, “Minas (re-
raes, nos ramos da videira ; aquelles de São Joao d’el-
Rei foram colligidos pelo Sr. Alvaro da Silveira.
“ “
106. Aspidiotus (Chrysomphalus)
aonidum UL.
Syn. Aspidiotus (Chrysomphalus) ficus Ashmead
Escudo feminino circular, um tanto chato, molle,
de côr morena até negrinha. Pelliculas avermelhadas,
amarellentas, quasi centraes, a primeira com uma peque-
na mancha elevada de secrecção branca. Diametro cerca
de 2 mm.
Adulto feminino branco ou amarellento, oval até
sub-circular em contorno; o mesothorax tem uma man-
cha espessa em cada lado, tendo um curto espinho
grosso. Pygidium com 6 lobos bem desenvolvidos, de
tamanho quasi igual e entalhados nas margens exterio-
res; usualmente com 12 espessuras lineares oblongas na
margem do corpo, na base dos lobos; as duas espes-
— 503 —
suras exteriores ou ultimas faltam porém as vezes.
A margem do pygidium é serrada e entalhada entre
o ultimo par de lobos e o penultimo segmento. À mar-
gem do corpo é finamente estriada. As glandulas cir-
cumgenitaes estão em quatro grupos ==. O pygi-
4
dium tem tambem numerosas glandulas compridas, fi-
liformes e tubulares.
Hab. Ypiranga, Campinas, Estado de São Paulo, e
Barra do Pirahy, Estado do Rio de Janeiro ; nas folhas
da hera, Hedera sp.; laranja, Citrus sp.; rosa e camellia.
Foi nos mandado da Barra do Pirauhy pelo Sr. Alvaro
da Silveira.
107. Aspidiotus (Chrysomphalus) scuti-
formis Ckll.
Escudo feminino sub-circular até hemispherico em
contorno, chato, de côr pardo-escuro até negrinha. Pel-
liculas amarello-claras, postas lateralmente; não co-
bertas com secreção. Escudo ventral muito fino, branco.
Diametro 2 até 2.76 mm.
Adulto feminino amarello, oval, com a extremidade
posterior attenuada. Pygidium com tres pares de lobos
curtos. O par mediano estreito e finamente entalhado
em cado lado, o segundo e o terceiro par largo com as
margens serradas. Existem 7 pares de estreitas espessu-
ras alongadas na margem dc corpo, nas bases dos lobos.
O primeiro é curto, o segundo comprido, o terceiro
curto, o quarto mais comprido, o quinto comprido, o
sexto curto e o setimo comprido. Lateral dos ultimos
lobos e entre cada par de lobos ha apparentemente uma
placa curta bifida. As margens lateraes do pygidium são
chitinisadas, serradas e incisas, para uma distancia con-
sideravel lateral do terceiro par dos lobos. O pygidium
tem tambem numerosas glandulas compridas, filifor-
mes, e tubulares. Existem quatro grupos de glandulas
circumgenitaes, as anteriores lateraes, variando de 6a 11;
as posteriores lateraes det a R O orifício anal é perto
das glandulas posteriores lateraes. As antennas existem
— 504 —
como tuberculos curtos com um pello erecto. A derme
é estriada transversalmente, e tem muitos pellos assaz
compridos.
Hab. Colligido em S. João d'el Rei, Minas Ge-
raes, nas folhas de Laurus sp. pelo Sr. Alvaro da Sil-
veira. Foi tambem achado em S. Paulo nas folhas de
Laurus sp. e Persea agratissima |. Identificada pelo
Professor T. D. A. Cockerell.
108. Aspidiotus (Chrysomphalus) pau-
listus 7. sp.
Estampa XI figs. 11 e 12
Escudo feminino circular, chato, preto-trigueiro,
coberto com uma secreção cinzenta ou pardo-clara. Pel-
liculas negrinhas, postas centralmente ou nm tanto
para um lado, e cobertas de uma massa pequena de
secreção, parecida com mamellas. Diametro cerca de 2,50
mm.
Escudo masculino da mesma côr e da mesma fórma
como o feminino. Diametro 1,50 mm.
Adulto feminino oval. Pygidium com tres pares
de lobos, um tanto mais largos do que compridos ; sub-
iguaes em tamanho; o par mediano é um pouco mais
largo do que os outros, com as margens finamente
dentadas. Ha quatro espessuras na margem do corpo,
muito compridas e conspicuas nas bases dos lobos, e
diversas mais curtas. As margens lateraes do pygidium
são espessas e chitinosas, lateral do ultimo par de lo-
bos existem 4 ou 5 lobos pontagudos, com as mar-
gens serradas. Entre os lobos medianos e entre o
mediano e o segundo par de lobos ha duas placas
profundamente incisas e uma simples. Existem qua-
tro grupos de glandulas circumgenitaes; as anterio-
res lateraes variando de 6 a 10, as posteriores la-
teraes de 3 a 7. O orifício anal é perto dos gru-
pos posteriores lateraes. Numerosas glandulas muito
compridas, delgadas e tubulares estão situadas no py-
gidium, e poucas estão tambem situadas nos outros
segmentos abdominaes. As antennas existem em férma
de curtos tuberculos ccm um pello grosso e curvado.
A margem posterior do cephalotorax é modificado em
cada lado mum tuberculo curto, não tem porém
nem um corno, nem um espinho. A derme é estriada
transversalmente e tem poucos pellos. Comprimento
1,90 mm.; largura 1,50 mm.
Adulto masculino amarello-claro, com uma es-
treita cinta escura atravez. Thorax comprido ; segmen-
tos do abdomen enrugados. Antennas de 10 articulações ;
articulações 1 e 2 curtas; todas as articulações têm
muitos pellos ; articulação 10 apparentemente com 1 ou
2 pellos nodosos. Pernas compridas pelludas, unhas muito
compridas e estreitas, com digitulos que se extendem
até o ponto. Os digitulos tarsaes não extendem-se até o
ponto da unha. As azas ordinarias, as halteras existem.
Espiga genital comprida, estreita, pontaguda 0,400, mm.
de comprimento. Comprimento total, incluindo a espiga
genital, 0,950 mm., largura 0,350 mm.
Larva recem-nascida pequena, de côr de laranja,
elliptica, chata, de cerca de 0,275 mm. de comprimento
e 0,190 de largura.
Hab. Ypiranga e S. Paulo, nas folhas de Laurus
sp. e de outros arbustos cultivados e incultivados.
109. Aspidiotus (Chrysomphalus) die-
tyospermi Morgan
Escudo feminino sub-circular até oval, deprimido,
de côr cinzenta branquinha até pardo-clara. Pellicu-
las centraes de côr amarello-clara. A primeira pelle
de côr de laranja e usualmente coberta com uma massa
pequena, de secreção parecida a mamellas. Diametro
cerca de 1.50 mm.
Adulto feminino amarello claro, quasi circular, os
segmentos abdominaes usualmente encolhidos, e o py-
gidiam em parte incluido pelas prégas do cephalotho-
rax. Pygidium com tres pares de lobos bem definidos,
entalhados no lado exterior; o par do meio é o maior.
— 906 —
A margem é finamente chitinisada e serrada alem do
terceiro par de lobos. Existem cinco pares de espes-
suras estreitas e alongadas na margem do corpo. Um
par de placas profundamente incisas está situado entre
os lobos medianos e entre o par mediano e o segundo
par de lobos, tres entre o segundo e terceiro par; e
lateral do terceiro par existem duas placas grandes,
largas e serradas e uma ou duas mais pequenas. Exis-
tem muitas glandulas compridas, filiformes, e tubulares.
Ha quatro grupos de glandulas circumgenitaes; as an-
teriores lateraes variam de 2—5 ; as posteriores lateraes.
de 1—5. A derme é finamente estriada transversal-
mente. As antennas existem em fórma de tuberculos
pequenos com um pello assaz comprido. Diametro do:
insecto é cerca de 0,900 mm.
Hab. Ypiranga. Nas folhas de duas especies de:
Latania, crescendo no Monumento.
Genero Pseudischnaspis n. g.
Escudo do adulto feminino pardo, chato, comprido
e estreito; tem a apparencia superficial de Ischnaspis.
As peliculas, de côr de laranja, não sobresahem e es-
tão postas na extremidade anterior extrema do escudo.
O escudo masculino é semelhante em fórma e estru-
ctura ao do feminino, porêm muito mais curto. O py-
gidium do adulto feminino tem tres lobos bem definidos,.
e as espessuras do corpo como Chrysomphalus. Existem,
quatro grupos de glandulas circumgenitaes. Nao ha
area nenhuma reticulada no dorso do. pygidium. Typo:
Pseudischnaspis linearis n. sp.
HO. Pseudischnaspis linearis n. sp.
Estampa XII figs. 1—3
Escudo feminino alongado, estreito, chato, os la-
dos parallelos, a extremidade posterior as vezes obliqua-
mente truncada, de côr pardo-escura. As pelliculas de
côr de laranja e estão postas na extremidade anterior.
A primeira pellicula é mais escura do que a segunda
com um pequeno annel circular no dorso. Compri-
mento 2—3 mm., largura 0,750 mm.
Escudo masculino de côr mais clara, da mesma
textura e forma do escudo feminino. Comprimento
1,25 mm.; largura 0,500 mm.
Adulto feminino alongado, chato, branco. Pygi-
dium com 3 pares de lobos bem desenvolvidos; o par
mediano é o mais estreito, o terceiro par o maior. A
margem posterior do segundo e do terceiro par é serrada ;
a do par mediano é inteira ou finamente entalhada. Ha
seis pares de espessuras alongadas na margem do corpo
na base dos lobos; estabelecidos assim : o par mediano
curto, o seguinte comprido, o seguinte curto, o seguinte
mais comprido, o seguinte comprido o e ultimo curto.
Entre os lobos medianos ha uma placa profundamente
incisa, bifida; entre o par mediano e o segundo ha uma
placa profundamente incisa; entre o segundo e o ter-
ceiro par de lobos ha duas placas e um pello e lateral
do terceiro par de lobos ha duas ou tres placas e um
pello. A margem é chitinisada, entalhada e serrada,
lateral do terceiro par de lobos. Existem quatro pares
de glandulas cireumgenitaes. As antero-lateraes variam
de 6 a 8; as postero-lateraes de 4a 7. O orificio anal
é situado entre os grupos posteriores de glandulas. O
pygidium tem numerosas glandulas finas tubulares.
Algumas destas glandulas existem tambem nos outros
segmentos do abdomen. As antennas existem em forma
de tuberculos pequenos com um pello comprido curvado.
A derme é estriada transversalmente e tem poucos
pellos.
Larva, recem-nascida, chata, oval, de côr amarel-
lo-clara, 0,262 mm. de comprimento e 0,178 mm.
de largura. Antennas compridas. delgadas, arruga-
das como em Aspidiotus. Pernas curtas. Os lados
do abdomen são entalhados; a derme é arrugada
transversalmente. O par mediano de lobos abdomi-
naes é largo, grande e serrado. As settas abdomines
curtas.
SUS =
Hab. Ypiranga. No lado superior das folhas de
Myrcia sp. Usualmente postos ao longo da nervura
mediana da folha,
Genero Aonidia Targ.
HGF. Aonidia lauri Bouché
Escudo feminino redondo, pardo escuro, a primei-
ra pellicula central pardo-amarellenta. Diametro cerca
de 0,900 mm.
Adulto feminino circular atê oval em contorno,
de côr de laranja avermelhada. Pygidium com tres
pares de lobos, o par mediano é bastante comprido ;
os outros mais curtos, todos finamente entalhados. A
margem é serrada lateralmente do ultimo par de lobos.
Nao ha glandulas circumgenitaes.
Hab. Achado pelo Dr. H. v. Ihering nas folhas
de loureiro (Laurus nobilis L.), as quaes vinham em
latas de estanho com azeitonas confeitadas da Italia.
Identificado pelo Prof. T. D. A. Cockerell.
Genero Gymnaspis Newstead
Escudo do adulto feminino inteiramente composto
da pelle nua e esfolada do segundo estado, não ha
pelliculas larvaes ou secreção. Escudo masculino com
pelliculas larvaes e a margem secretada como em Aont-
dia. Typo Gymnaspis aechneae Newst..
112. Gymnaspis aechmeae Newstead
Escudo do adulto feminino circular, convexo, duro,
negro como pez, extremidade caudal finamente puxada
adeante. O dorso tem uma costella longitudinal, é de-
primido entre a costella e a margem lateral. Escudo
ventral forte, usualmente coberto com fina secreção
branca. Diametro 0,500—0,900 mm.
Adulto feminino mais ou menos circular, os seg-
mentos do abdomen restringidos. A margem posterior
do pygidium apresenta uma série de 36—38 tubercu-
ii (|O LEE
los agudos ou extensões da margem do corpo e pou-
cos pellos curtos. Existem tambem poucas glandulas
compridas tubulares; não existem, porém, glandulas
circumgenitaes. As antennas apresentam-se como tu-
berculos curtos com tres pellos botos.
Hab. Colleccionado no Rio de Janeiro pelo Sr.
Ernesto Ule nas folhas duma planta apparentemente
cultivada.
Genero Fiorinia Taro.
His. Fiorinia fioriniae Tyg.
Escudo do adulto feminino delgado, chato, trans-
parente, de côr amarello-parda com a base um pouco
mais escura; os lados quasi parallelos.
Adulto feminino amarello-pardo, alongado, tendo
na margem lateral de cada segmento abdominal um
espinho e no penultimo segmento dous ou tres. O py-
gidium com 9 ou 6 espinhos; as glandulas circumge-
nitaes consistem de dois grupos postero-lateraes de 5
ou 6 cada uma, e os grupos antero-lateraes modifica-
dos numa linha continua curvada de cerca de 15 fiei-
ras.
Hab. Colligido em Campinas pelo Dr. Le Noack,
nas folhas da hera (Hedera helix).
Genero Ischnaspis Douglas
124. Eschnaspis longirostris Sign.
Escudo do adulto feminino muito comprido e es-
treito, preto, usualmente coberto com uma fina secreção
branquinha. Pelliculas sobresahindo, postas na extre-
midade anterior; de côr de laranja-escura. Compri-
mento 2—2,90 mm.; largura 0,850 mm.
Escudo masculino da mesma forma e côr como o
feminino, porém menor.
Adulto feminino branquinho, muito alongado. O
pygidium com um grande par mediano de lobos com
as margens serradas, e dois outros pares menores; 0
— O10 —
segundo par com a margem do corpo espessada na
base. Existem cinco grupos de glandulas circumgenitaes.
O grupo anterior consiste de 3, os antero-lateraes de
4—5 e os postero-lateraes de 2—3. Na superficie dor-
sal do pygidium ha uma area grossa reticulada. A
derme é estriada transversal nente ; as antennas apre-
sentam-se como tuberculos curtos com um pello erecto.
Os respiradouros anteriores usualmente com uma fieira
redonda. A margem lateral dos segmentos abdominaes
tem glandulas e tuberculos agudos e de fórma de pla-
cas; o pygidium tambem tem um numero «estes tu-
berculos.
Hab. Ypiranga. Nas folhas de Latania sp., vege-
tando no Monumento; e São Paulo nas folhas de outras
palmas.
Genero Parlatoria Sign.
115. Parlatoria pesgandii Comstock
Escudo do adulto feminino subeircular até alonga-
do em contorno, chato, pardo-sujo. As pelliculas mar-
ginaes; a primeira nua, a segunda coberta com uma
pellinha muito fina de secreção. Comprimento do es-
cudo 1,6 mm.
Escudo masculino pardo-claro, alongado, estreito
sem carina longitudinal. Comprimento 1 mm.
Adulto feminino subeircular variando de branco a
amarello e purpureo. Olhos pretos. Pygidium com tres
pares de lobos bem desenvolvidos, e um par de lobos
rudimentares. Ha duas placas entre os lohos medianos,
duas entre os primeiros e os segundos lobos, e tres
entre os segundos e os terceiros lobos. Estas placas
todas são oblongas com lados parallelos e extremidades
frangidas. Entre os terceiros lobos e os quartos ha
tres placas e lateral do quarto lobo ha mais tres; estas
são usualmente de forma de palmeda. As placas são
ligadas na base com espessuras da margem do corpo
semilunares. Os tres segmentos abdominaes precedentes
ao pygidium têm usualmente 5 ou 6 placas arredon-
— oll —
dadas cada um. Emquanto o quarto precedente ao al-
timo, tem muitas vezes uma placa ou duas. Ha quatro
grupos de glandulas circumgenitaes, variando usualmente
em cada grupo de 4 a 10.
Hab. Remettido ao Museu pelo Dr. F. Noack de
Parahyba do Sul, Estado do Rio de Janeiro, onde oc-
corre na cortiça de Citrus sp.
Genero Pseudoparlatoria Ckll.
I16. Pseudoparlatoria parlatoroides
Comstock
Escudo do adulto feminino circular, fino, amarello-
claro, chato; diametro cerca de 1,60 mm. As pellicu-
las são marginaes, grandes, extendendo-se da margem
do escudo ao centro; côr amarello-clara com tintura
trigueira. Adulto feminino subcircular ; pygidium usual-
mente com tres pares de lobos. Os pares medianos são
grandes e entalhados em cada lado; o segundo e o
terceiro par de lobos são profundamente incisos, e fre-
quentemente entalhados no lado exterior. O terceiro
par é às vezes obsoleto. Entreo par mediano de lobos
ha um par de placas; entre os lobos medianos e os
segundos uma placa, e entre os segundos e os terceiros
uma placa. Todas as placas são simples e convergindo
a um ponto. Existem quatro grupos de glandulas cir-
cumgenitaes ; os antero-lateraes variam de 9 a 15 e os
postero-lateraes de 7 a 10.
Hab. Sao Paulo, Ypiranga e Cachoeira no Estado
de Sao Paulo e Nova Friburgo, Estado do Rio de Ja-
neiro, em goyaba, Psrdiwm sp., numa planta da ordem
Hesmeriaceae e numa planta não identificada do matto.
Determinado pelo Prof. T. D. A. Cockerell.
17. Pseudoparlatoria noacki CA.
Escudo do adulto feminino circular até subcircular
em contorno, chato e finamente convexo, de côr clara
de café, as margens brancas ; às vezes o escudo inteiro
— 912 —
é branquinho. As pelliculas säo centraes ou submar-
œinaes, bastante grandes, expostas, de cor de laranja
parda até amarello-verdoenga. Escudo ventral muito
fino, branco. Escudo masculino menor, largo-oval,
chato, branco semitransparente; pelle larval grande,
um tanto verdoenga, manchada com amarello.
Adulto feminino pardo. Pygidium com tres pares
de lobos; o par mediano não entalhado, os outros lo-
bos e placas quasi iguaes aos da especie precedente.
A margem lateral dos segmentos abdominaes prece-
dentes ao ultimo puchados adiante. os contornos são se-
melhantes a um nariz humano. Existem cinco grupos
de glandulas circumgenitaes ; o grupo antero-mediano
consiste de 7 glandulas; os grupos antero-lateraes de
cerca de 20 e os grupos postero-lateraes variando de
IS:
Hab. Campinas, Estado de São Paulo. Nas folhas
de Nectandra sp. e em outras arvores do matto. Os
escudos occorrem principalmente na nervura mediana
do lado inferior das folhas.
Genero Mytilaspis Sign.
IS. Mytilaspis pomorum Louclc
Escudo do adulto feminino comprido, estreito,
posteriormente alargado, mais ou menos curvado, de
cor cinzenta com as pelliculas amarelladas. Compri-
mento cerca de 2 mm.
Escudo masculino da mesma forma e côr como
o do feminino, mas muito menor, direito ou quasi
assim.
Adulto feminino allongado, branco amarelado.
Pygidium com dois pares de lobos bem desenvol-
vidos; o par mediano grande e largo; com um ou
dois entalhos em cada lado; segundo par de lobos
profundamente inciso, sendo as duas partes desiguaes
em comprimento. Ha duas placas simples muito com-
pridas entre os lobos, e mais algumas na margem
lateral do segundo par de lobos. O penultimo seg-
— 919 —
mento tem dois pares de placas em cada lado.
Existem cinco grupos de glandulas cireumgenitaes.
O grupo antero-mediano consiste de 9a 17; e cada
um dos antero e postero-lateraes de 16 a 21. A derme
é arrugada transversalmente; as margens lateraes dos
quatro segmentos abdominaes, precedentes o penultimo,
têm muitas glandulas e 5 a 7 placas. As antennas
existem em fórma de tuberculos curtos com 3 pellos
grossos. Cinco ou seis fieiras redondas estão situadas
ao redor do orifício do primeiro par de respiradouros.
Hab. Esta especie é muitc commum em Europa
e America do Norte. Foi achada sobre maçãs, compra-
das no mercado de São Paulo e importadas de Bue-
nos-Ayres.
119. Mytilaspis citricola Packard
Escudo do adulto feminino comprido, estreito,
mais ou menos curvado, alargado posteriormente ;
pardo com uma margem delgada de secreção. As
pelliculas são pardas e expostas. Comprimento 3 mm.
Escudo masculino usualmente direito ou sómente
um tanto curvado, alongado, pardo, as vezes quasi
preto; pelle larval amarello-clara.
Adulto feminino branco-amarellado, alongado
mais largo atraz do que em frente. Pygiduim com tres
pares de lobos; o par mediano grande, com as mar-
gens dentadas; o segundo par profundamente inciso,
bilobo ; as margens dos Jobos inteiras ou dentadas; o
terceiro par inconspicuo, simples, com a margem den-
tada. As placas são compridas e convergentes, e estão
situadas assim : duas entre o primeiro par de lobos;
duas entre os primeiros lobos e os segundos, duas en-
tre os segundos lobos e os terceiros, e quatro lateraes
do terceiro lobo. As margens lateraes dos quatro seg-
mentos precedentes, o pygidium tambem, têm 5d
até 7 placas, bem como um numero de glandulas.
Existem cinco grupos de glandulas circumgenitaes ; o
antero-mediano consiste de 5 ou 6; os antero-lateraes
— 914 —
de JO—18, os postero-lateraes de 8 ou 9. A derme é
estriada transversalmente, As antennas existem em fór-
ma de tuberculos pequenos com 2 pellos grossos, 7 ou
8 fieiras redondas estäo situadas ao redor dos orificios
do primeiro par de respiradouros.
Hab. Campinas e São Paulo. Nos ramos, nas folhas
e frutas das larangeiras (Citrus sp.)
120. Mytilaspis perlonga CA.
Escudo do adulto feminino comprido e estreito 3,5
mm. de comprimento, apenas | mm. de largura, convexo,
direito, muito pallido-ochraceo ; pelliculas brilhantes, côr
de albricoque, com colorido quasi de côr de cobre, a pri-
meira pellica exposta, a segunda coberta com secreção.
Escudo masculino semelhante, mais muito menor.
Adulto feminino de côr de laranja trigueira; py-
gidium com tres pares de lobos; os inedianos grandes
e largos, os segundos largos e os terceiros divididos
em dois ou tres lobulos. Lateral do terceiro par de lobos
a margem é espessada e irregularmente serrada. Os
espinhos ou pellos verdadeiros são bastante pequenos e
ordinarios, mas os pellos ou placas glandulosas, seme-
lhantes a espinhos são extremamente grandes, bem gros-
sos, extendendo-se muito alem dos lobos e são mais ou
menos guarnecidos na extremidade com espinhos pe-
quenos. As glandulas circumgenitaes existem em cinco
grupos; o antero-mediano consiste de 7 glandulas; os
antero-lateraes de 14; os postero-lateraes de 14 ou
menos. Existem tambem fileiras de numerosas glandu-
las dorsaes transversalmente alongadas. As antennas
são representadas por tuberculos redondos, dos quaes
saem numerosas settas.
Hab. Campinas e Ypiranga. Nos ramos de Bac-
charis dracunculifolia D C.
121 Mytilaspis argentata CA.
Escudo do adulto feminino cerca de 2.50 mm. de
comprimento, muitas vezes curvado, muito estreito,
— 915 —
pardo-escuro, coberto e vastamente marginado com uma
pellinha de secreção argente a semi-transparente, a qual
sob o microscopio tem uma estructura reticulada, pare-
cida com uma folha esqueletizada ; as pelliculas de cor
de laranja pallida.
Escudo masculino branco, curto e mais largo, com
a margem membranosa bastante larga para ser signi-
ficada «oval» ou às vezes sub-circular, com pellicula de
côr de laranja, projectada à extremidade anterior. Os
escudos masculinos e femininos congregam em massas
grandes nas folhas e até mesmo a area entre elles é
coberta com a secreção argentea.
Adulto feminino muito comprido e estreito, ver-
melho escuro, com a parte posterior amarellada, a der-
me chitinisada, excepto as partes candaes e cephalicas.
Em cada lado justamente em frente do pygidium está
um processo parecido à extremidade de um dedo; e em
frente deste ha um segundo processo rudimentario. Py-
gidium com dous pares de lobos bem desenvolvidos e
com um numero de placas. As placas são grandes, sim-
ples, pontagudas e estão situadas uma entre os pri-
meiros lobos e os segundos e cinco ou seis lateraes do
segundo lobo. Não ha glandulas circumgenitaes.
Hab. Campinas. colligido pelo Dr. Noack, no lado
superior das folhas d'uma arvore do matto.
122. Mytilaspis bambusicola (ill.
Escudo do adulto feminino muito estreito, de lar-
gura uniforme, pouco convexo, branco; um povco mais
de 2 mm. de comprimento; as pelliculas de cor de
sepia escura.
Adulto feminino muito alongado; pygidinm com
dois pares de lobos redondos distinetos, todos muito
afastados uns dos outros; o par mediano maior. No
intervallo entre os lobos ha um curto processo bifido.
Entre os lobos medianos e os segundos ha uma placa
muito comprida; e lateral do segundo lobo ha mais
quatro placas. Não ha grupos de glandulas cireumge-
nitaes ; mas existem muitos pares de orifícios glandu-
— 916 —
losos, transversalmente alongados, dissipados sobre o py-
gidium.
Hab. Campinas, no tronco de bambu.
Genero Hemichionaspis Ckll.
I23. Hemichionaspis aspidistrae Sign.
Escudo do adulto feminino fino semi-transparente,
de côr amarella tostada até bruna; a extremidade pos-
terior alargada e redonda. Comprimento 1,8 até 2,90
mm. As peliiculas da mesma cor como o escudo ; a se-
œunda muito grande, ambas formam juntas 1/3 do com-
primento do escudo.
Escudo masculino estreito, branco, os lados paral-
leis, dorso tricarinato, cerca de 1,25 mm. de compri-
mento. Pelliculas amarellas.
Adulto feminino amarello, alongado; segmentos ab-
dominaes bem distinctos, as margens lateraes são pro-
longadas em lobos proeminentes. Pygidium com dois
pares de lobos bem desenvolvidos; o terceiro par é ru-
dimentar ou falta. Os lobos medianos são grandes com
tres entalhos na margem exterior; o segundo par de
lobos consiste de dois lobulos cada um; estes são com-
pridos e estreitos, com extremidades espessadas. 6 até
9 espinhos glandulosos, compridos, pontagudos ou placas
estão situados na margem de cada lado. As glandulas
circumgenitaes em cinco grupos, o antero- mediano va-
ria de 8 a 9, os antero-lateraes de 18 a 24 e os pos-
tero lateraes de 15 a 18; os grupos lateraes säo ds ve-
zes quasi continuos.
Hab. Ypiranga e S. Paulo, nas folhas e fructos
de larangeiras (Citrus sp.) ;
124. Wemichionaspis aspidistrae
var. brasiliensis Sign.
Este insecto assemelha-se em grande parte ao pre-
cedente. O escudo do adulto feminino é branco e ama-
rellento, fino, a extremidade posterior larga e arredon-
— ol7 —
dada. As pelliculas são amarellas tostadas; ambas jun-
tas são de cerca de 1/5 do comprimento total do es-
cudo. Tamanho, o mesmo como na especie procedente.
Adulo feminino alongado, os segmentos abdomi-
naes bem distinctos. O pygidium com dois pares de
lobos bem desenvolvidos; os lobos medianos são muitos
curtos. Existem cinco grupos de glandulas circumgeni-
taes; o antero-mediano consiste de 8 glandulas, os an-
teros-lateraes variam de 14 a 15 e os postero-lateraes
de 15 a 16.
Hab. Bahia, onde foi achado numa planta cultiva-
da, não identificada.
E23. Flemichionaspis minor Maskell
Escudo do adulto feminino alongado, alargado e
arredondado posteriormente, fino, branco, branco sujo
ou trigueiro; as pelliculas são amarellas tostadas. Gom-
primento 2—2,25, Escudo masculino alongado, branco,
tricarinato; pellicula amarella tostada. (Comprimento
cerca de 0,90 mm.
Adulto feminino alongado, os segmentos abdomi-
naes distinctos. Pygidium usualmente com um par de
lobos bem desenvolvidos; o segundo par desenvolvido,
rudimentar ou falta. Os lobos medianos distinctamen-
te mais escuros do que o resto do pygidium e tém a
margem exterior dividida em 2 a 4 retalhos. Os pellos
elandulosos ou as placas são compridas e pontagudas
e consistem de 6 ou 7 em cada lado. Existem cinco
erupos de glandulas circumgenitaes; o grupo antero-me-
diano varia de 6 a 11; os antero-lateraes de 12 a 23,
e os postero-lateraes de 10 a 23. A derme é estriada
transversalmente; as antenas existem em fórma de tu-
berculos curtos com um pello. Ao redor do primeiro
par de respiradouros ha 5 ou 6 fieiras redondas.
Hab. Campinas sobre Melica azederach, colligido
pelo Dr. F. Noack; Rio de Janeiro, sobre Bryophytun
collycirum, colligido pelo Sr. Ernesto Ule. Tambem
abundante em Cachoeira, Estado de S. Paulo, numa
planta não identificada.
— ols —
Genero Aulacaspis Ckll.
126. Aulacaspis boisduvalii Sign.
Escudo do adulto feminino circular ou sub-circu-
lar, variando de branco a pardo-amarellado em côr,
cerca de 2 mm. em diametro. As pelliculas estão quasi
centraes, de côr amarellada.
Escudo masculino estreito, branco, fortemente tri-
carinato, frequentemente accumulados em grande nu-
mero e cobertos de uma quantidade de pellos soltos,
brancos e encrespados e duma secreção polvorosa.
Adulto feminino oval, amarello-claro, com a ex-
tremidade do pygidium pardo-pallida. Pygidium com
quatro pares de lobos. O par do meio grande, com as
margens interiores divergentes e serradas e as mar-
gens exteriores ligadas ao corpo no seu comprimento
total. Os segundos lobos e os terceiros são curtos,
usualmente bilobados; o quarto lobo é, às vezes, fina-
mente bilobado numa parte, sendo larga e com a mar-
gem serrada. A margem tem tambem 8 ou 9 placas
parecidas com espinhos em cada lado. As antennas exis-
tem em fórma de tuberculos curtos, com um pello
grosso curvado. A derme é espessa e transversalmente
estriada. O pygidium contem tambem numerosos poros
transversalmente alongados. As glandulas cireumgeni-
taes em 5 grupos. O antero mediano de 7 a 15, os
antero-lateraes de 15 a 27, os postero-lateraes de 4 a
18.
Hab. Alto da Serra, S. Paulo, sobre Plezochiton
ebracteatum (G. Edwall); Capoeira Grande, S. Paulo,
numa orchidea (Sr. José de Campos Novaes), e Poços
de Caldas, Minas Geraes, num arbusto não identificado
(Sr. Henrique Capps Junior).
127%. Aulacaspis boisduvalii Sign. var.
maculata Ci,
Escudos masculinos e femininos como em A. bors-
duvalii, mas com pelliculas pardo-escuras, 4s vezes va-
riando até pallido.
— 919 —
Adulto feminino de cor amarella de chromo, diffu-
sa com côr de laranja escura. Lobos medianos muito
estreitos, com a margem inteira ou fracamente serra-
da; os segundos e os terceiros lobos são divididos em
tres lobulos. As glandulas circumgenitaes existem em
cinco grupos; o antero-mediano variando de 8 a 9; 0s
antero-lateraes de 17 a 19; e os postero lateraes con-
sistem de 12.
Hab. Campinas. Nas folhas duma planta da ordem
Lamaceae.
Genero Diaspis Costa
Ies. Diaspis pentagona “Yang.
Syn. Draspis amygdali Tryon
Escudo -do adulto feminino irregularmente circu-
lar, mais ou menos convexo, branco. branco-amarella-
do ou pardilho ; frequentemente coberto com boccados
de pellos e de epidermis da planta. Pelliculas pardo-
avermelhadas, expostas ou cobertas com secreção bran-
ca, central ou subcentral. Diametro 2 a 2, 90 mm.
Escudo masculino alvo, unicarinato, escudo ven-
tral bem desenvolvido, formando um sacco. Pellicula
de cor palhete. Comprimento 1 a 1,50 mm.
Adulto feminino varia de branco-creme pallido à
cor de rosa, a extremidade posterior ê sempre parda
avermelhada. Fórma largamente oval, mais larga an-
teriormente ; segmentos distinctos, as margens lateraes
são proeminentes e armadas com placas parecidas com es-
pinhos. Pygidium com dois pares de lobos bem desen-
volvidos. O par mediano é grande pontagudo, diver-
gente, com as margens interiores inconspicuo - den-
tadas, o segundo par é pequeno, parecido a dentes ;
lateral do segundo par ha tres processos parecidos a
lobos. Placas compridas com as extremidades divididas
em 3 ou 4 pontos, variaveis, usualmente 7 ou 8 em
cada lado. Glandulas circumgenitaes em cinco grupos; o
antero-mediano variando de 12 a 25; os antero-lateraes
de 30 a 46 e os postero-lateraas de 28 a 38. Existem
— 920 —
tambem muitas curtas fieiras tubulares. A derme é du-
ra; as antennas existem em fórma de pequenos tuber-
culos irregularmente lobados com um pello. Um gru-
po de 4 até 8 fieiras redondas é situado ao redor de
cada uma das estigmas anteriores. Comprimento 1,39
mm; largura 1 mm.
Hab. Campinas, São Paulo (Dr. F. Noack) e São
João d'el Rei, Minas (Sr. Alvaro de Silveira) nos ra-
mos de pecegueiro. Barra de Pirahy, Estado Rio de
Janeiro (Sr. Alvaro de Silveira) nos ramos de Morus
sp. (Amoreira).
129. Diaspis cacti Comstock
Escudo do adulto feminino circular, variando de
branco pardilho a verde claro em côr. As pelliculas
são quasi centraes, pardo-escuras em côr, diametro
cerca de 1,75 mm.
Escudo masculino branco, unicarinato, estreito;
pellicula amarellada atê parda. Comprimento cerca de
1,20 mm:
Adulto feminino mais ou menos circular, branco,
com a extremidade posterior do abdomen pardo, os
segmentos do abdomen não são conspicuos; o pro-
ximo ao pygidium tem 5 ou 6 placas parecidas com es-
pinhos na margem lateral. O pygidium com 3 pares de
lobos bem desenvolvidos. O par mediano pequeno, a mar-
gem é inteira. O segundo e o terceiro par são bilobados,
Existe tambem um quarto par simples e rudimentar
de lobos. Ha de 8 a 11 placas simples parecidas com es-
pinhos em cada lado, usualmente situadas separadas na
margem. As glandulas circumgenitaes existem em cin-
co grupos; o antero-mediano variando de 3 a 11; os
antero-lateraes de 12 a 25 e os postero lateraes de 6
a 7. O pygidium tem tambem algumas glandulas tu-
bulares. A derme é fina e transvelsamente estriada ;
as antennas existem em forma de tuberculos exiguos
com um pello curvado. Uma ou duas fieiras re-
dondas estão situadas perto de cada orifício do par an-
terior dos respiradouros.
Hab. Rio de Janeiro. Sobre Cereus macroconus
colligido pelo Sr. Ernesto Ule. Infelizmente todos os
specimens recebidos eram velhos e cobertos dum fungo.
A forma differe um tanto da descripção feita par Com-
stock; mas não basta para formar uma nova varie-
dade.
150. Hiaspis australis ». sp.
Estampa XII fig. 4.
Escudo do adulto feminino branco, opaco, oblon-
go até subcircular em contorno, muito convexo, cerca
de 2,15 mm. de comprimento. Pelliculas pardo-claras,
usualmente expostas, situadas perto da margem.
Escudo masculino branco, estreito, unicarinato,
formando um saeco completo, inchado anteriormente e
deprimido posteriormente. Pellicula pardo-clara. CGom-
primento 1,50 mm.
Adulto feminino amarellado, a extremidade poste-
rior do abdomen pardo-elara, oval, mais larga ante-
riormente ; os tres segmentos antes do pygidium avan-
gados lateralmente. Pygidium com tres pares de lo-
bos. O par mediano longe à parte, grande, as mar-
gens interiores divergentes e inteiras ou finamente
dentadas, as margens exteriores em parte unidas com
a margem do corpo. O segundo par é curto e usual-
mente bilobado, mas ás vezes trilobado. O terceiro
par é bilobado. Ia tambem dois pares de curtas pro-
jeccdes parecidas com dentes lateraes, do terceiro par de
lobos. Ha uma placa grande com extremidade incisa
em cada lado, entre os primeiros lobos e os segundos,
uma entre os segundos lobos e os terceiros e duas ou
tres lateraes dos terceiros lobos; fôra destas existem
cerca de vinte placas simples parecidas a cones em
cada lado. O segmento proximo ao pygidium tem em
cada lado cerca de 22 destas placas e a seguinte cerca
de 10. Entre os lobos medianos existem dois pellos
agudos. O pygidium e os segmentos abdominaes têm
numerosas glandulas tubulares, grandes e tambem pe-
quenas. As glandulas circumgenitaes existem em 5 gru-
— 522 —
pos; o antero-mediano variando de 15 a 28; os antero-
lateraes de 17 a 45 e os postero-lateraes de 17 a 32.
Ao redor de cada respiradouro anterior existem 20
até 25 fieiras redondas. A derme é transversalmente
estriada e têm poucos pellos curtos. As antennas exis-
tem em forma de tuberculos pequenos com um pello.
Hab. Ypiranga. Nos ramos d'um arbusto da ordem
Myrtacee.
Genero Diaspidistis n. g.
Escudo feminino sub circular, pelliculas sobrepos-
tas como em Aspidiotus, centraes. Glandulas circum-
genitaes em quatro grupos. Pygidium do adulto fe-
minino com uma serie continua marginal de lobos.
Escudo masculino branco, formando um sacco
completo, convexo, não carinato, mas a superficie as-
pera por pequenos nós de secreção. Pellicula posta
mais ou menos no centro.
Typo. Diaspidistis mullilobis n. sp.
13H. Diaspidistis multilobis n. sp.
Estampa XII fig. 5
Escudo do adulto feminino sub-circular, um tanto
convexo, de côr pardo-clara. O escudo ventral é uma
pellinha muito fina. Diametro cerca de 2,30 mm. Pel-
liculas amarellas de chromo, centraes, sobrepostas,
usualmente expostas.
Escudo masculino branco, mais ou menos alon-
gado, não carinato, mas a superficie é aspera por nós
de secreção. Pellicula amarello clara. com uma costel-
la dorsal longitudinal, e está situada mais ou menos
no centro. Comprimento do escudo 1,50.
Adulto feminino cordiforme até sub-circular em
contorno; a margem anterior é sempre entalhada no
meio. Pygidium com cerca de 36 lobos ou processos
— 923 —
parecidos a lobos; o par mediano de lobos é o maxi-
mo, margem entalhada. Os outros lobos têm a mar-
gem ou inteira ou finamente serrada. Todos os lobos
têm finas estrias longitudinaes. Tres pares de agudas
placas simples e tres pares de papillas glandulosas ou
projecções existem tambem. Os tres segmentos prece-
dentes ao pygidium têm as margens Jateraes extendidas.
O pygidium e outros segmentos têm numerosas glan-
dulas tubulares. Ha quatro grupos de glandulas, cir-
cumgenitaes os antero-lateraes variando de 10 a 28,
os postero-lateraes de 18-27. A derme é visivel
mente estriada transversalmente. As antennas | exis-
tem em forma de tuberculos pequenos com 3 pellos.
Ha 10 ou 12 fieiras redondas ao redor do orifício
do primeiro par de respiradouros. Diametro 0,90 —
1,10 mm.
Adulto masculino pequeno, amarello claro, a faxa
thoraxica da mesma côr. Antennas 0,870 mm. de com-
primento, de 10 articulações, das quaes todas têm
pellos; a ultima articulação apparentemente com um
pello nodoso. Corpo alongado. A espiga genital é com-
prida e fina. Pernas não muito compridas, todas as
articulações têm muitos pellos, mais especialmente o
tarso, o qual é guarnecido espessamente com pellos
compridos. Unha fina e delgada ; os digitulos da unha
e os digitulos tarsaes tambem só um pouco mais com-
pridos do que a unha. Azas bastante compridas. Hal-
teras existem. (Comprimento do corpo inclusa a espiga
genital 0,890 mm., comprimento da espiga genital
0,265 mm.
Hab. Ypiranga. Num arbusto da ordem Myrta-
ceae. As femeas se acham no lado superior das fo-
lhas, emquanto os escudos dos machos usualmente es-
tão collocados ao longo da nervura mediana do lado
inferior das folhas.
São Paulo, Brazil, 25 de Abril de 1900.
BIBLIOGRAPHIA DAS COCCIDAS BRAZELEIRAS
Campos Novaes, José de, 1897.—Uma Doença das
Jaboticabeiras. Revista Brazileira, Tomo XI, Fasciculo
62, pp. 113—118, Julho de 1897. Participa-se os
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e da-se remedios contra o insecto.
Campos Novaes, José de, 1899.—A Molestia das
Jaboticabeiras. Revista Brazileira, Tomo XVII, Fasci-
culo &6, pp. 227—244. Tem uma discussão da historia
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Am. Ent. Soc., Philadelphia, April 1893, pp. 49—56.
Tem notas sobre Lecanium, e uma lista das Coccidas
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XXVH, pp. 201—204. London, Ontario, August, 1895
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canium monile CklL, e Lecaniuin (Pseudekermes) na
tens Ckll
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Vol. I, pp. 65—72, São Paulo, 1897. Tem notas e
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Cockerell, T. D. A., 1897,—Further Notes on Coc-
cidae from Brazil. Revista do Museu Paulista. Vol. II,
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Cockerell, T. D. A., 1898.-—Coccidae or Scale In-
sects.—XIT. Bulletin of the Botanical Dept., Jamaica,
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1898. Aspidiotus punicae Ckl., Syn. de Aspidiotus
lataniae Sign., menciona-se.
— 926 —
Cockerell, T. D. A., 1898.—-Three New Coccidae
of the Sub-family Diaspinae. Psyche, Vol. VIII, pp.
201—202. Combridge, Mass., April, 1898. Tem des-
cripções de Pseudoparlatoria noacki Ckll., e Mytilas-
pis perlonga Ckll.
Cockerell, T. D. A., 1898.— Some New Coccidae
collected at Campinas, Brazil, by Dr. F. Noak. Re-
vista do Museu Paulista, vol. HI, pp. 41—42. São P au-
lo, 1898. Tem descripções de Lecanium perconvexuim
Ckll., Pseudoparlataria noacks Ckll.,e Mytilaspis per-
longa Ckll.
Cockerell, T. D. A., 1898. Some Coccidae collected’
by Dr. F. Noack, at Campinas, Brazil. Revista do
Museu Paulista, vol. IT pp. 43—44. São Paulo, 1898.
Tem descripções de Mytilaspis argentata OKI , e men-
cionam-se Lecanium depressuw Targ., Asterolecanium
pustulaus Ckll., Pseudoparlatoria noacks Ckll., Asp
diotus ficus Ashmead, Aspidiotus maskelli Ckll., Dias-
pis amygdali Tryon, e Mytilaspis citricola Packard.
Cockerell, T. D. A. 1898.—Mais algumas Coccidae
colligidas pelo Dr. F. Noack. Revista do Museu Pau-
lista. Voll HI, pp. 501—505. São Paulo, 1898. Tem.
descripções de Lecanium (Calymnatus) rhizophorae
Ckll., Aulacaspis borsduvali Sign. var. maculata Ckll.,
e mencionam-se Chaetococcus bambusae Maskell, Aste-
rolecanum nilaris Boisd. Hemichionaspis minor
Maskell, Pseudoporlatoria parlatorioides Comstock, e
Fiorinia fiorimae Targ.
Cockerell. T. D. A. {898.— Some New Coccidae
of the Subfamily Lecaniinae. The entomologist. pp. 130
a 132. London, England, Jan. i898. Tem uma des-
cripçäo de Lecanium perconvexum Ckil.
Cockerell, T. D. A., 1899.— Two New Genera of
Lecanine & Coccine Coccidae. The entomologist pp.
12—13. London, England, Jan. 1899. Tem descripções
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Cockerell, T. D. A. 1899.—Three New Goccidae
from Brazil The Canadiam Entomologist, Vol.
RS
XXXI, N. 2, pp. 43—45. Londun. Ontario, Feb. 1899.
Tem descripções de Crypticerya hempels CkIL, Mryte-
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e mencionam-se Asterolecanium bambusae Boisd. e
Aspidiotus dictyospermi Morgan.
Cockerells 'F. D. A., and P. J. Parrott. 1899.—
Contributions to the knowledge of the Coccidae. The
Industrialist, pp. 276—284; May 1899. Mencionam-se
Diaspis amygdali Tryon, Fiorina fiormae Targ.,
Pseudoparlataria nacki Ckll., Aspidiotus maskelli OKI.
and Aspidiotus greenm Ckll.
Cokerell., T.D. A., 1900.— Notas sobre Coccidas bra-
zileiras. Revista do Museu Paulista, Vol. IV. pp. 363 e
364 S. Paulo, 1900. Tem uma descripção de Æriococus
brasiliensis Ckll., e mencionam-se Orthesia praelonga
Douglas, Lecanium coffeae Walker, Lecamum ni-
grum Nietn. var. depressum Targ., Vinsonia stellifera
Westwood, Mytilaspis citricola Packard e Asprdrotus
articulatus Morgan, de Para.
Goeldi, Dr. E. A., 1886.—Beitraege zur Kenntniss
der kleinen und kleinsten Gliederthierwelt Brasiliens.
Mittheilungen der Schweiz. Entomol. Gesellchaft. Bd
7, :886 pp. 283—355. Menciona-se Orthezia sp.
Goeldi, Dr. E. A., 1886.—Apontamentos de zoolo-
gia Agricola e horticultura. Jornal do Agricultor, To-
mo XIV, n. 346, pp. 110 111. Rio de Janeiro, Fev.
de 1886. Menciona-se Orthezia urticae. L.
Goeldi, Dr. E. A., 1399. — Æperroides bahrensis
Keyserling, — Eine Daemmerungs Kreuzspinne Brasi-
liens. Zoologische Jahrbiicher, Band XII, pp. 161—
169, Jena 1899. Menciona-se o facto que o macho
duma especie de Orthezia serve como comida para esta
aranha.
Hempel, Adolph, 1898. — Notas sobre Capulinia
jaboticabae Ihering. Revista do Museu Paulista, Vol.
HI, pp. 91—62. São Paulo, 1898. Tem uma des-
cripção de Capulinia jaboticabae Thering.
Hempel, Adolph, 1899. — Two New Coccidae of
the sub-family Lecanvinae. The Canadian Entomolo-
— 928
vist, Vol. XXXI, N. 6, pp. 131--133, London, Onta-
rio, June 1899. ‘Tem Ru de Ædivallia rugosa
Hempel, e Pulrinella pulchella Hempel.
Hempel, Adolph, 1900. — Descriptions of Three
New Species of Coccidae from Brazil. ‘The Canadian
Entomologist, Vol. XXXII, N. 1, pp. 3—7, London,
Ontario, Jan., 1900. ‘Tem descripções de Capulinia
crateraformans Hempel, Lecaniin silveira Hempel,
e Lecanium obscurum Hempel.
Ihering, Dr. H. v., 1897. — Os piolhos vegetaes
(Phytophthires) do Brazil. Revista do Museu Paulista,
Vol. Il, pp. 585—420. Sao Paulo, 1897. Dá-se uma
lista de todas as Coe cidas conhecidas no Brazil
Ihering, Dr. H. v., 1898. — A doença das Jaboti-
cabeiras. Revista Agricola, Vol. 1V, N. 35 pp. 189
— 189. São Paulo, Junho de 1898, e tambem Revista
do Museu Paulista, Vol. IT, pp. 49— 49, São Paulo,
1898. O nome Capulinia jabolicabae, esti aqui empre-
gado pela primeira vez a designar o insecto que pro-
duz a doença das a A rns
Ihering, Dr. HH. v., 1899.—Prejuizos causados em
S. Paulo as laranjeiras pisa piolhos vegetaes. Revista
Agricola, Vol. V, N. 44, pp. 89—91, São Paulo, Março
de 1899. A -se leerya, Hemichionaspis aspi-
distrae Sign., Mytelaspes citricola Packard, Lecanium
hesperidum L., e Lecanium oleae Barnard.
Ihering, Dr. H. v., 1899. — Notas sobre as espe-
cies de Aspiditus. Revista Agricola, Vol. VI, N. 54,
pp. 19—13. Contem uma discussão sobre Aspidiotius
camelliae Sign., e Asprdiotus lataniae Sign.
Moreira, Carlos, 1899. — Contra os inimigos. A
Lavoura V, 2.º serie, pp. 140—144. Rio de Janeiro.
Agosto de 1899. Contem uma discussão de alguns in-
sectos de genero Aspidiotus.
d'Utra, G., 1899. — A fumagina ou morphéa das
Laranjeiras. Boletim do Instituto Agronomico do Estado
de São Paulo, Vol. X, Ns. 9 e 10, pp. 604— 610. Cam-
pinas, Set. e Out., de 1899. Tem uma discussão da
fumagina causada por Lecanewin.
— 529 —
Litteratura geral sobre as Coccidas
Cockerell, T. D. A, —1894.--A Check-List of the
Coccidae of the Neotropical Region. Journal of the
Trinidad Field Naturalists Club. Vol. I, pp. 311--312
Port of Spain, Trinidad, 1S94.
Cockerell, T. D. A., 1895--Notes on the Geographical
Distribution of Scale Insects. Proceedings of the U.S. Natio-
nal Museum. Vol. XVI. pp. 615--625. Washington 1895.
Cockerell, T. D. A., 1896--A Check-List of the
Coccidae. Bulletin of the Illinois State Laboratory of
Natural History.. Vol. IV, Article XI, pp. 318--339.
Urbana, Illinois, July, 1896.
Cockerell, T. D. A., 1897.--The Food Plants of Scale
Insects (Coccidae.) Procceedings ofthe U. S. National
Museum, vol. XIX, pp. 725—785. Washington, 1897.
Cockerell, T. D. A., 1897--The San José Scale and
its Nearest Allies. U. S. Dept. of Agriculture. Division
of Entomology. Technical series, N. 6, Washington, 1897.
Cockerell, T. D. A., 1899.—Tirst Supplement to
Check-List of the Coccidae. Bulletin of the Illinois State
Laboratory of Natural History. Vol. V. Article VII,
pp. “S9—398. Urbano, IDinois, Jan. 1899.
Comstock, J. H., 1881]. —Report of the Entomo-
logist of the U.S. Dept. of Agriculture for the year
1880. Washington, 1881.
Comstock, J. H., 1883. — Second Report of the Cornell
University Experiment Station. Ithaca. N. J. 1883.
Green, E. Ernest, 1896—1899.- -The coccidae of
Ceylon. Part I, London, 1896. Part II, London, 1899.
Signoret, V.. 1868 — 1876. —Essai sur les coche-
nilles. Annales de la Societé Entomclogique de France.
Paris, 1868 — ISTO.
Tambem se acham muitos artigos sobre coccidas
nas seguintes publicações :
Reports and Bulletins ofthe U. S. Departament of
Agriculture, Washington, U. S. A.
Reports and Bulletins of the Massachusetts Agri-
cultural College, Amhurst, Mass. U. S. A.
— 530 —
Transactions and Procceedings of the New Zealand
Institute. Wellington, New-Zealand.
The Entomologists Monthly Magazine. London,
England.
The Canadian Entomologist. London, Ontario.
The Entomological News. Philadelphia, Pa., U.S. A.
Psyche. Cambridge, Mass., U. S. A.
Bulletin e Annales de la Société Entomologique
de France. Paris.
Explicação das estampas
ESTAMPA V
Fig. 1. Iceryu brasiliensis n. sp. . . A femea adulta. Tamanho
natural.
> 2. Icerya brasiliensis. . . . . A antenna da femea adulta.
Ss a > . . + + O'tarso da femea adulta.
ALS Ory, > ate es Red ADO lan vets
e Do Em > + dut + Ar unha da larva.
» 6. Eriococcus brasiliensis Ckll. . A antenna da femea adulta.
>» 7. Eriococus perplecus n. sp. . O sacco da femea adulta.
Tamanho natural.
>» 8. > . « . . A antenna da femea adulta.
moO: > > . . . . A tibiae otarso da femea
adulta.
» 10. Eriococcus armatus n. sp. . . A antenna da femea adulta.
>» 11. Dactylopius grandis n. sp. . . A antenna da femea adulta.
>» 12. Dactylopius setosus n. sp. . . A antenna da femea adulta.
ESTAMPA VI
Fig. 1. Dactylopius secretus n. sp. . . A antenna da femea adulta.
>» 2. Phenacoccus spiniferus n. sp. . A antenna da femea adulta.
» 3. Solenococcus tuberculus n. sp. . A femea adulta. Tamanho
natural.
» 4. Solenococeus baccharidis n. sp. . A femea adulta. Tamanho
natural.
> 5. Carpochloroides viridis CkI].. .. A femea adulta. Tamanho
natural.
» 6. Cryptokermes brasiliensis mn. sp. O annel do intestino da fe-
mea.
ee > > . + A femea adulta. Tamanho
natpral.
Fig. 8. Apiococeus gregarius n. sp. . . O espinho conico.
» 9, Tectocococcus ovatus n. sp. . . A antenna da femea adulta.
> 10. Tachardia cydoniae n. sp. . . As placas chitinosas do cor-
no caudal.
> 11. Tachardia rubra n. sp. « . . As placas chitinosas do cor-
no caudal.
E
QE)
VV vv yr
v
vu Ov ye
— 531 —
. Tachardia parva n. sp... + +
. Lachardia rosea n. sp. .
> >» u .
. Lecanium brunfelsia n. sp. .
> > .
As placas chitinosas do cor-
no caudal.
As placas chitinosas do cor-
no caudal.
A femea adulta. Tamanho
natural.
O contorno da femea adulta.
A antenna da femea adulta.
ESTAMPA VII
1. Lecanium gracile n. sp. . A antenna da femea adulta.
2. Lecanium ornatum n. sp. O contorno da femea adulta.
3. > > - A antenna da femea adulta.
4. Lecanium percoverum Ckll . A antenna da femea adulta.
5. Lecanium reticulatum Ckll . A antenna da femea adulta.
6. Lecanium durum n. sp.. . . A antenna da femea adulta.
7. Lecinium glanulosum n. sp. . A antenna da femea adulta.
8. > > A tibia, o tarso e a unha da
femea adulta.
9. > » Uma porçäo da derme mos-
trando as glandulas.
10. Lecanium zanthoxylum n. sp. A antenna da femea adulta.
ESTAMPA VIII
1. Lecanium infrequens n. sp.. . A antenna da femea adulta.
2. Lecanium discoides n. sp. . A antenna da femea adulta.
3. Lecanium mayteni n. sp. . A antenna da femea adulta.
4. Lecanium eugeniae n. sp. . . A antenna da femea adulta.
5. Lecanium obscurum Hempel. A antenna da femea adulta.
6. Lecanium jaboticabae n. sp. . A antenna da femea adulta.
re » > Uma glandula da margem.
8. Lecanium pseudosemen CKll . A antenna da femea adulta.
9. Lecanium campomanesiae n. sp. A antenna da femea adulta.
10. Pseudokermes nitens Ckll. Vista lateral da femea adul-
ta, augmentada tres vezes.
11. Pseudokermes nitens Ckll. . Vista terminal da femea adul-
ta augmentada tres vezes.
12. Ceroplastes iheringi Ckll. A antenna da famea adulta.
13. Ceroplastes grandis n. sp. . . A femea adulta Tamanho
natural.
14 > » : A antenna da femea adulta.
ESTAMPA IX
1. Icerya brasiliensis n. sp. . A temea adulta. tamanho
| natural.
2. Icerya schrottkyi n. sp. . Massa das femeas adultas.
Tamanho natural.
3 > » ae A PR À antenna da femea adulta.
4. Capuliniacrateraformans Hempel. A antenna da femea adulta.
5. Stigmacoccus asper n. sp. A antenna da femea adulta.
6. » di US sd, A perna da femea adulta.
>
E
VM SM VV ve yw 0g
vw
Be Bee: eee
. Tachardia ingae n sp. «im
Ceroplastes novaesin. sp. . .
> > > >. .
A femea adulta. tamanho
natural.
A perna da femea adulta.
A antenna da femea adulta.
ESTAMPA X
. Ceroplastes communis n. sp..
. Ceroplastes variegatus n. sp.
. Ceroplastes speciosus n. sp..
. Ceroplastes lucidus n. sp. . .
. Ceroplastes purpureus n. sp..
. Ceroplastes rarus n. Sp. .
. Ceroplastes cultns n,Sp. 20 ON
Jeroplastesveulhus Mi Sp... = 1%
. Ceroplastes cuneatus n. sp. . .
. Ceroplastes simplex n. sp. .
. Edwallia rugosa Hempel.
antenna da femea adulta.
antenna da femea adulta.
antenna da femea adulta.
antenna da femea adulta.
antenna da femea adulta.
A antenna da femea adulta.
A antenna da femea adulta.
Um pedaço da derme dorsal.
A antenna da femea adulta.
A antenna da femea adulta.
A femea adulta. Cineo vezes
da tamanho natural.
O espinho dos respiradouros
da femea adulta.
A chapaanalda femea adulta.
A antenna da femea adulta.
Espinhos da margem da fe-
mea adulta.
A perna da femea adulta.
femea adulta. Tamanho
natural.
antenna da femea adulta.
perna da femea adulta.
antenna da femea adulta.
antenna da femea adulta.
antenna da femea adulta.
antenna da femea adulta.
antenna da femea adulta.
glandula da margem da
femea adulta.
perna da femea adulta.
A
rerrrrepyr p>
>
nee > > > oi Ms
BA » > » A
14. » » »
a > > > ee
16. > > > Vis
ESTAMPA XI
1. Pulvinella pulchella Hempel.
A > > yee
3. > > ar
4. Tectopulvinaria albata n. sp. .
D. Pulvinaria ficus mM. Sp. 9. =.
6. Pulvinaria eugeniae n. sp.
ic » » ree Sle We
8. Lichtensia argentata n. sp. .
9. > > SSE OPT eb
10. > > > Dia. =
11. Aspidiotus (Chrysomphelus) pau-
eo
=
O BEN
listus n. sp..
. Aspidiotus (Chrysomphalus) pau
listus n. Sp.. CR
>
femea adulta.
margem do pygidium da
femea adulta.
ESTAMPA XII
. Pseudischnaspis linearis n. sp. .
> > » >
> > > PU o
+ Diasms australis VD." Spe gies e
. Diaspidistis multilobis n. sp.
A margem do pygidium da
femea adulta.
A casca do macho.
A casca da femea.
A margem do pygidium da
femea adulta.
A margem do pygidium da
femea adulta.
UD LD]
=— Ob)
Indice as Coccidas.
PAGINA
MONTRE RS PARU ike Ol ONE 505
ROSES ey eee a ye a We si ad. Se Oc DOS
POMOC CMCC Mpa amma Cs ty AU a ool SOIT
DER DU CEE DE eee Soda ra CINE OE
LG CSD PET PE SR SG O] ERRA
EAU SE Slay AMEN CU Qu Le at go ae À SES SAN
E NOTION Shee see alae SOR ot ack RP OR E RAD
Aspidiotus Er DR EN VE TR Ag SATA AE AO CE RS
eyanophy RA RE a eee ee HAT Sees ESS
(Chry Somphalus) 20 AMENER EN AE o BOB
(Chrysomphalus) dictyospermi . . . . .. 505
(Chrysomphalis): paulistis; 2...) 2 2. : 504
(Chrysomphalus) scutiformis sc a 508
Grlenmubenesia)camelliag: o so sas qe 501
(Eemiberlesta) atamane, sal dE as wn oe 502
(Morpanena) masKel-=012 0 acct ay BAL A 498
(Odonaspis) janeirensis . De Po AA O0
(Pseudaonidia) trilobitiformis BPC a SANT eal ee
(selengspidus)articulatus.. st oye ey 499
D LOPOIeCAMTAE me sli ak AUS AN AT CP Om
Role ter Un D EE AU aM nb SE AE ALG
POUR AN AMENER AP akg boop salty MR do PRADO
MARIE EAN Sen OP RUE A et UT LO 400
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OC ISO TES ON RCN RSR Ga a O RE 7 EN It)
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Capulinia. .: . SIME aR cad A ON SE AM MS NP
CHATErALOPMAUS do pra Es soho LINE 395
ADIDAS DUR LUE UE NME 394
CROCODILE Ar Jain gil MEL ANT Te 595
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CÉROCOR OT EL NSP Care) 0 oa pel AA Le AO SAR A PU PATES
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COESO | VR A pe go q TA ho ele Er se AGO.
CAMES CAE PEU oes de PR Uy cue MA 470
URGENT EE CET PRE ENST: | ee PES 471
fioridensis
formiearius .
formosus
grandis .
iheringi .
janeirensis
lucidus
novaesi .
purpureus
rarus
rotundus
simplex .
speciosus
variegatus
Chaetococeus
bambusae
Coccinae .
Crypticerya
hempeli .
Cryptokermes
brasiliensis .
Dactylopius
er.
grandis .
secretus .
setosus
Diaspidistis
multilobis
Diaspinae.
Diaspis
australis.
cacti.
pentagona
Edwallia .
rugosa
Eriococcus
armatus .
brasiliensis .
perplexus
Fiorinia
fioriniae .
Gymnaspis
PAGINA
462
aechmeae
Hemichionaspis
aspidistrae
aspidistrae
minor
Icerya .
brasiliensis
schrottkyi
Ischnaspis
1580
var. brasiliensis
longirostris .
Lecaniinae
Lecaniodiaspis
rugosus .
Lecanium.
baccharidis .
brunfelsiae
campomanesiae.
coffeae
discoides
durum
erythrinae
eugeniae
glanulosum .
gracile
hesperidum .
infrequens
jaboticabae .
lanigerum
mayteni .
monile
nigrum var
obscurum
oleae
ornatum.
. depressum
perconvexum
pseudosemen
reticulatum .
rhizophorae.
silveiral .
UTC Lee
viride ..
zanthoxylum
PAGINA
508
516
516
216
D7
370
370
aie
209
909
416
407
407
418
435
418
447
426
433
427
438
439
428
419
436
431
443
446
438
446
425
441
425
421
422
444
426
437
424
423
434
430
Lichtensia
argentata
attenuata
Monoplebinae
Mytilaspis
argentata
bambusicola
citricola .
perlonga
pomorum
Orthezia .
insignis .
praelonga
Ortheziinae
Parlatoria.
pergandei
Phenacoccus .
spiniferus
Platinglisia
noacki
Protopulvinaria .
convexa.
Pseudischnaspis .
linearis .
Pseudococeus
cacti.
Pseudokermes
nitens
Pseudoparlatoria
noacki
parlatorioides
Pulvinaria
depressa.
eugeniae
ficus .
grandis .
Pulvinella
pulchella
Solenococcus.
baccharidis .
tuberculus
Stigmacoccus.
= Ton —
PAGINA
492
492
494
asper.
Tachardia
cydoniae
ingae
parva
rosae
rubra
Tachardiinae.
Tectococeus .
ovatus
Tectopulvinaria .
albata
Vinsonia .
stellifera.
— 931 —
PAGINA
400
410
0S GARACOES DO GENERO SOLAROPSIS
POR
H. VON IHERING
O presente artigo é destinado a fornecer dados
anatomicos sobre um genero de caracoes terrestres
brazileiros da familia das Helicidas, sobre o qual até
agora nada nesse sentido constava, excepto uma infor-
mação sobre a mandibula, que é falsa. Não é raro no
Estado de S. Paulo Solaropsis feisthameli Hupé, mas
mesmo assim custou-me esforços de annos até que afi-
nal consegui obter o caracól vivo, o animal.
O animal de Solaropsis feisthameli não offerece
exteriormente caracteres que o distinguem dos do genero
Helix a não ser que se nota no lado dorsal uma larga
fita brancacenta, orlada de preto, na linha mediana,
que começa entre os ommatcphoros e segue para traz
até o manto. Um sulco profundo limita de cada lado
essa faxa dorsomediana. O pé é de côr pallido-cin-
zenta, a cabeça pigmentada de preto-azul. Atraz do
ommatophoro direito nota-se nos exemplares examina-
dos como uma hernia o atrio genital que esses ani-
maes, mortos por suffocação em agua, tinham expellido.
N'um dos dois notava-se um orifício feminino e outro
masculino, no segundo a expressão do atrio chegou
ao ponto de mostrar separados dous orifícios do appa-
relho masculino e a esse exemplar refere-se a figura
que segue,
— 540 —
A mandibula (fig. 1) é molle e delgada, uma peça
cornea, pardo-amarella, arqueada, de 4 mm. de largu-
ra e 0,8 mm. de comprimento
na qual se distinguem cerca
de 38 chapas intensamente li-
gadas representando «costel-
las». A borda anterior da
mandibula é concava, a pos- a
terior convexa e prolongada Mandibula de Solaropsis
em uma membrana transpa- ER
rente.
A radula contem na parte anterior cerca de 120
fileiras transversaes e outras tantas na parte immatura
posterior. Cada fileira trausversal tem 113 dentes
sendo a formula 15—41—1-—41—15. As chapas den-
taes são curtas, quadradas, E do ;
mas com o augulo exterior
mais pronunciado e acu- )
minado. Os dentes säo to-
dos uaicuspides, com o me-
socono forte nao sobrepas- FIG. 2.
sando a chapa basal. Os Radula de Solaropsis
feisthameli
dentes marginaes só têm o
mesocono alongado e sobrepassando com a sua metade
distal a chapa basal. Nossa figura dá o dente central,
o primeiro lateral e um dos marginaes.
O apparelho genital é bem complicado. Observo
que não o pude preparar por inteiro por faltar a parte
terminal com as glandulas hermaphroditica e da albu-
mina, mas as partes essenciaes e importantes para a
classificação foram bem preparadas. A parte masculina
compõe-se da glandula prostatica (pr. fig. 3) situada
ao lado do utero e do vaso deferente, que nasce da
extremidade inferior da prostata. Esse conducto esper-
matico alarga-se em baixo, formando o penis que para
traz se prolonga num appendice grosso, o flagellum.
Ao lado do orificio do penis acha-se outro que é o do
ephiphallus outro appendice destinado à formação da
spermatophora, um tubo largo em cuja extremidade
....
Ts. livre se insere o mus-
À culo retractor. Um
"canal curto que re-
ga cebe as embocaduras
desses dous canaes
prolonga-se para reu-
nir-se com o condu-
cto feminino num
canal commum, cur-
| --spp to e largo, o atrio
genital, que ao lado
do ommatophoro se
abre para fora. Quan-
do o atrio todo é
expresso do corpo,
* . como acontece por 0c-
casião da copula, for-
ma elle uma proemi-
nencia conica como
uma hernia, na qual
bem se distinguem
os orificios separados
do penis, do epiphal-
lus e da vagina.
“Do orificio femi-
nino sai a vagina
que sucessivamente
se modifica em ute-
ro e ao lado delle o
conducto da sperma-
totheca (sp. d. fig. 3)
Apparelho genital de Solaropsis feisthameli ou do receptaculum
seminis, que se di-
vide em dous canaes, um estreito, intensamente ligado
a parede do utero (di. fig. 3) que representa apenas um
appendice glandular ou diverticulo e outro engrossado
subcylindrico, curto, que é a spermatotheca e em cujo
fundo insere-se um fino e comprido musculo retractor.
Entre esses caracteres anatomicos são varios que têm
Er
CN
RE
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wt .
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Ae /
ans ’
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EIG. 3
importancia para a classificação. Esses são: a faxa
mediana do collo limitado por sulcos, a mandibula mu-
nida de numerosas costellinhas, os dentes unicuspi-
des da rapula o epiphallus e o flagellum do penis, a
Inserção do musculo retractor no fundo do epiphallo e
o diverticulo do conducto da spermatotheca.
O conjuncto desses caracteres permitte precisar
mais ou menos a posição systematica do genero, mas
sO «mais ou menos», porque não ha outro genero que
oiterecesse a mesma combinação de caracteres anato-
micos. A unica noticia contida na litteratura com re-
terencia à anatomia de Solaropsis é falsa. Diz Fischer
no seu Manual que a mandibala é lisa. Pilsbry tam-
bem repete o engano, não sei por quem commettido.
Comparando o nosso genero com a classificação das
Helicidas que Pilsbry deu no seu excellente Manual de
Conchology Vol. IX, 1894 pag. XXXII ss. verifica-se,
que Solaropsis não entra em nenhum dos cinco erupos
alli creados. Das Helicinae belogona destingue-se So-
laropsis pela falta da flecha amatoria e pelos dentes
lateraes unicuspides, offerecendo entretanto na presença
do diverticulo da spermatotheca um caracter proprio a
esse grupo e não observado nos outros.
O grupo dos Macroogona offerece bastante analo-
fia, especialmente quanto à radula, mas não offerece
exemplos de flagello e diverticulo spermatothecario. O
apparelho masculino assemelha-se bem ao dos Epiphal-
logona, mas o conducto spermatothecario entre elles
não tem diverticulo o os dentes lateraes da radula não
são unicuspides. Pcndo assim provisoriamente o ge
nero Solaropsis no grupo dos Epiphallogona observo
que existem tambem relações com os Macroogona e
especialmente com o genero Ghloritis. Solaropsis é,
pois, uma forma antiga, isolada e de grande interesse
anatomico.
E" preciso entretanto observar que tomo o genero
Solaropsis em sentido limitado a S. serpens, braziliana,
feisthameli e especies alliadas. Creio que as especies
menores delgadas sem esculptura notavel formam ou-
Le SEE ace
tro genero para o qual
acceito o nome de Psa-
dara proposto por Miller.
A razão desse procedimen-
to é a grande differença
que na dentadura existe
segundo a communicação ric. 4
que segue. Mandibula de Psadara derbyi
Psadara derbyi, cuja descripçäo dou em seguida,
foi por mim examinada em 1892, O unico exemplar
era novo e o aparelho genital não se achava desenvol-
vido. A mandibula é
arqueada, delgada de Eca Gi apy
1.5 mm. de compri- Pl
mento e com 16 cos- | y/\ yf | A7"
tellas bem desenvolvi- LH seit
, AE TE 4 20
das mas não sobresa- o
FIG. 5
hindo a margem ante-
rior. A radula tem ‘na
serie transversal 57 dentes, sendo a formula de 28—1
— 28. (O dente mediano tem o mesocono forte, com
prido, extendendo-se até a base da chapa dentaria e de
cada lado um ectocono curto, agudo. Os dentes lateraes
são bicuspides tendo o mesocono forte e um curto ecto-
cono. Os dentes marginaes têm a chapa dentaria curta,
transversa, alongada, duas pontas compridas curvadas
e o lado exterior dellas um curto ectocono.
Infelizmente não pude examinar o apparelho ge-
nital por ser o respectivo animal novo, não tendo os
orgãos da geração bem desenvolvidos. A mandibula com-
bina com a de Solaropsis mas a radula é bastante dif-
ferente, de modo que acceito o grupo generico propos-
to por Miller, devido a caracteres da concha.
Dou em seguida a synopse das especies brazilei-
ras desses dous generos e chave para a sua classifica -
cão e indicação de tudo que se conhece de sua distri-
buiçäo geographica, esperando que o presente estudo
contribuirá para tornar melhor conhecido esse grupo
do caracões. São animaes um pouco raros por serem
Radula de Psadara derbyi
— 044 —
encontrados só nos grandes mattos. Pouco é o que se
sabe de sua vida e nada consta sobre a sua propaga-
ção, seus ovos especialmente.
Em primeiro lugar dou a descripçäo de diversas
especies novas.
Solaropsis pilsbryi n. sp.
Especie grande, solida, assemelhando-se à S. bra-
ziliana, da qual differe pelo umbigo estreito, fechado quasi
completamente pela margem reflexa da borda columellar
da abertura, de modo que do umbigo resta apenas uma
fenda estreita. Alem disso é maior e mais elevada do
que S. braziliana e tem a abertura, que é mais comprida
do que alta na outra especie, tão alta como comprida.
tem as medidas: diam.
maior 48, menor 42, al-
tura 30 mm. e a abertura
mede de comprimento 25,
e de altura 24 mm.
Habitat: Bahia.
Recebi essa linda es-
pecie do Snr. Dr. Estellita
em S. Paulo que me disse
tel-a recebido da Bahia. Dediquei-a ao Ilm. Snr. H.
A. Pilsbry em Philadelphia a cujo excellente trabalho
esse ramo da malacologia deve um grande progresso.
rig. 6—8.
Solaropsis pilsbryi Ih. (1/1)
— 549 —
&olaropsis bachi n. sp.
Especie intimamente ligada à Solarapsis gibboni
Pfr., da qual differe pela espira mais aplanada, de modo
que a concha vista do lado apresenta apenas as duas
ultimas voltas, não apparecendo por serem deprimidas
as outras. Alem disso essa especie brazileira é muito
mais pequena do que a da Nova Granada e Equador,
sendo as medidas: diam. maior 44, menor 38, altura
22 mm. No lado inferior notam-se faxas e linhas
brunas em parte simples, em parte interrompidas; no
lado superior observam-se manchas anguladas pardas
como em S. gibboni. Um dos exemplares, entretanto,
tem o lado superior uniforme pardo-amarello.
Habitat: Araguary, Estado de Minas.
Tenho muito prazer em dedicar essa notavel es-
pecie ao illustre explorador argentino Dr. J. Bach que
por numerosas offertas valiosas tem enriquecido as col-
lecções do Museu e que especialmente nas suas viagens
aos Estados de Minas e Goyaz tem feito e ainda está
actualmente continuando a fazer interessantes collecçôes
generosamente offerecidas a este Museu.
FIG. 9—10
Solaropsis bachi Ih. (1/1)
A presente especie pertence ao grupo da Solaropsis
gibboni Pfr., que não posso por ora comparar com ella,
por não ser representada na colleeção do Museu e da
qual talvez representa apenas uma variedade. E” esse
o primeiro representante no Brazil do grupo das espe-
cies de Solaropsis com a superficie lisa ou apenas es-
triada do qual S. gibboni é o typo. A differença no
tamanho e na configuraçäo da espira parecem-me suffi-
cientes para considerar essa forma mineira especie dis-
tincta, o que tambem parece provavel em vista da grande
distancia que separa as localidades de proveniencia.
Psadara derbyi ne sp.
Concha delgada, deprimida, umbilicada, transpa-
rente, um pouco lustrosa, cornea, uniforme, sem manchas.
A superficie é transversalmente estriada e ornada de
granulos finos, for-
Tiare rugas Ro
não visiveis pela
vista não armada.
A espira é plana,
um pouco concava
em cima, à sutura
é profunda. As voltas em numero de 4 1/2 (até 5) são
regularmente convexas, a ultima não descendente, mais
convexa em baixo. A abertura é arredondado-lunar, a
margem columellar expansa, cobrindo um pouco o um-
bigo. O peristoma não se conhece, porque os exempla-
res não são adultos.
Drm: maior 12. mm,: menor 10° mmisseAltura
T mm.
Hab. Ilha de S. Sebastião.
O typo descripto acha-se no Museu Paulista. Al
guns exemplares novinhos foram colligidos em 1891
pelo pessoal da (ommissão Geographica e Geologica
de S. Paulo a cujo illustre chefe, Dr. Orville A. Derby,
é dedicada essa especie nova, que é de um interesse
bem especial por representar no territorio do Estado
um grupo de Helicidas, conhecido até agora quasi só da
região andina do Perú e Equador. Obtive tambem o
animal sobre cuja anatomia já dei as necessarias infor-
mações.
rig. 11 e 12: Psadara derbyi Jh.
— AT —
Chave para a classificacäo das especies
brazileiras de Solaropsis
a Superficie superior lisa ou apenas estriada;
medidas 44—38—22 mm. bachr Th.
aa Superficie superior rugoso— granulada.
b a granulação irregular.
c a ultima volta com duas fossas irregula-
res às vezes faltando; o umbigo estreito;
medidas 50—45—25 mm. serpens Martyn.
cc a ultima volta subangular ou subcarina-
da, o umbigo bem estreito; medidas 37
—31—18 mm. vipera Pfr.
bb as granulações dispostas em series transversaes
d a ultima volta arredondada, o umbigo
largo; medidas 42—34—19 mm.
brazilianä Desh.
dd a ultima volta arredondada, o umbigo
muito estreito, quasi fechado; medidas
48—42—30 mm. pelsbra Th.
ddd a ultima volta sub-angular, as granulações
formando linhas elevadas de zigzag. O
lado inferior ao redor do umbigo liso ; me-
didas diam. 37; alt. 16 mm. helzaca Orb.
bbb granulações irregulares em parte formando
linhas curtas elevadas.
e granulaçäo irregular; peristoma pardo-
roxo-escura ; medidas 40—35—17 mm.
pascalia Caill.
ce granulação forte irregular, formando linhas
transversaes elevadas.
f concha grossa, medidas 53—41 -23
amazonica Pfr.
// concha delgada, medidas 35—31—17
feisthamel: Hupé.
= AS! 2
Chave para a classificação das especies
brazileiras do genero Psadara Miller
a Espira convexa, pouco elevada ; diversas faxas
pardas mais ou menos interrompidas, espiraes.
b forma depressa; medidas 21—17—9 mm.
rosarium Pfr.
bb forma globulosa; medidas 14,5—14—
10,5 mm. | elaps Dohrn.
aa Espira chata, aplanada; medidas 12—-10—7
mm. derby: lh.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRAPHICA DAS ESPECIES BRAZILEIRAS
Solaropsis bachi Ih. Araguary, Est. de Minas.
Solaropsis serpers Martyn. Pfeiffer, Drouet e ou-
tros autores tratando dessa especie da Guyana dizem que
ao lado dos exemplares com fossas na ultima volta (S.
pellis-serpentis Ch. 1795) ha outras, sem vestigio del-
las (S. serpens Martyn 1784). Trata-se, pois, apenas
de um caso de variabilidade individual e não de duas
especies differentes. Recebi do Dr. von Martens um
exemplar do «Brazil» e tambem Pilsbry diz que a es-
pecie é encontrada no Brazil. Não conheço, porém, in-
dicação alguma com localidade exacta que confirmasse
a existencia dessa especie da Guyana no Brazil.
Solaropsis vipera Pfr. «Brazil».
Solaropsis braziliana Desh. d'Orbigny obteve essa
especie em Rio de Janeiro e Santa Cruz âe la Tierra em
Bolivia, Hidalgo colligiu a em Rio de Janeiro, nós
temol-a do Estado de S. Paulo. A especie que Spix
denominou serpens e Wagner pellis-serpentis (Tab. 17
fig. 1) é sem duvida S. braziliana e foi colligida em
ai SAO vacates
Pará e Maranhão por Spix. A especie occorre pois da
Amazonia até o Estado de S. Paulo e a Bolivia.
Solaropsis pilsbryi Ih. Bahia.
Solaropsis heliaca Orb. Corrientes até Bolivia.
Solaropsis pascalia Caill. Pará (segundo Hupé).
Solaropsis amazonica Pfr. Amazonia.
Solaropsis feisthameli Hupé. Pertence a essa especie
S. serpens Spix (Tab. 17 fig. 2) que Spix obteve em
Pernambuco e Piauhy. De Bahia a mencionam Hupé
e Moricand. EK’ commum no Estado de S. Paulo, donde
a temos de Rio Grande, S. Paulo, Piquete. No Estado de
S. Paulo só occorre a variedade A, de espira achatada.
Os exemplares que temos da Bahia pertencem à varie-
dade B, considerada por Dohrn e outros autores como
amazonica Pfr., o que me parece não ser exacto. Es-
ses exemplares da Bahia têm a espira convexa, mais
elevada do que em A e combinam com um exemplar de
S. serpens Spix, cotypo de collecçäo de Spix e que recebi
do Museu Zoologico de Munich. Parece que a fórma A
extende-se até a Bahia, mas é certo que no Estado de
S. Paulo só occorre a var. plana (A).
Psadara rosarium Pfr. Amazonia, Surinam.
Psadara elaps Dohrn Para.
Psadara derby: Ih. S. Sebastião, S. Paulo.
S. Paulo, Maio de 1900.
BIBLIOGRAPHIA
“(HISTORIA NATURAL E ANTHROPOLOGIA)
POR
H. VON [HERING
Por falta de espaço vejo-me obrigado a limitar essa bibliographia
ás publicações que se referem ao Brazil, ou citando apenas algumas
sobre o terciario da Patagonia porque se referem a assumpto tratado
por extenso nessa Revista.
A. Periodicos da America do Sul
Archivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro
Volume X, 1897—1899, R. de Janeiro 1899.
Esse volume, alem de um pequeno artigo do Sr.
E. Ule sobre Utricularias epiphytas e outro de D Maria
do Carmo de Mello Rego “Artefactos indigenas de Matto
Grosso” contem especialmente os valiosos estudos de
J. M. Clarke. “A fauna siluriana superior do Rio Trom-
betas” e “Molluscos devonianos do Estado do Pará”.
Esses artigos ha muito tempo esperados e acompanha-
dos de 8 estampas, referem-se a materiaes colhidas em
1876 pela Commissäo Geologica do Brazil, então sob a
direcção do fallecido Prof. Ch. Fred. Hartt.
— 992 —
Boletim do Museu Paraense, Pard Vol. 2, N. 4
ISVS e Vol. TH. N°1, 4900.
O 1.º dos dous fasciculos contem um artigo do Dr.
Goeldi. “O estado actual dos conhecimentos sobre os
indios Jo Brazil” relatando os resultados do respectivo
estudo do Dr. Ehrenreich, do que ja tratamos nessa
revista Vol. 3. pag. 545. Seguem a continuação do artigo
do Dr. Goeidi: Estudos arachnologicos relativos ao
Brazil, um artigo do Dr. Goeldi sobre os peixes da Ama-
zonia e outro do Dr. Huber: Materiaes para a fiora
amazonica. E” de um interesse especial o artigo do Dr.
Goeidi, a lenda amazonica do Cauré, acompanhado de
uma instructiva estampa, dando a descripção e a figura
do singular ninho de Panyptila cayanensis Cab., ando-
rinhão da familia das Cypselidas. Esse ninho representa
uma bolsa comprida, tecida e fixada na casca de uma
arvore alta, tendo a entrada na extremidade inferior.
Por engano attribue-se na Amazonia esse ninho singu-
lar ao gavião colleirinha, Falco albigularis Daud. (ou
rufigularis), que na Amazonia tratam de Cauré.
Observo que o respectivo nome de Caburé aqui
significa a especie menor de corujas do matto do genero
Glaucidium.
O outro fasciculo do anno corrente contem um inte-
ressante artigo do Dr. J. Huber, sobre a borracha ou
caucho e mais dous artigos do mesmo autor tratando
da flora da Amazonia.
Notamos mais um artigo illustrado do Sr. H. Bré-
leman, “dous myriapodes noiaveis do Brazil”, referindo-
se a Polydesmus clarazianus Humb. e Saussure e Tri-
goniulos Goesii Porat.
Annuaric do Estado do Rio Grande do Sul, de
1899, publicado por Graciano A. de Azambuja.
Porto-Alegre, Typographa Gundlach e Comp.
Entre os artigos desse volume merecem menção
o de P. I. A. Mabilde sobre os Coroados (conclusão).
— JJ) —
o do Jr. F. Araujo. sobre Plantas medicinaes e o do
Rev. P. 4. Schupp. sobre o Louva-a-Deus do Brazil.
São figuradas, na pg. 262, 4 especies: Coptopteryx ar-
centina (Burm.) Sauss. Stagmatotera annulata (Stoll.)
Sauss., Theoclytes parallela (Baan n) Sauss., Zoolea ma-
croptera (Stoll) Berg.
Alfredo F. Rodr zzwes (pg. 194) insiste num pe-
queno mas interessante artigo, na aflirmaçäo que o no-
me da Lagoa dos Patos não lhe provem duma tribu de
indios Patos, tribu imaginaria que nunca existiu mas
sim das aves do grupo dos patos.
Annuario do Estado do Rio Grande do Sul, de
1900, publicado por Graciano de Azambuja. Porto-
Alegre, Typographia Gundlach e Krahe.
Entre os artigos de interesse scientifico desse vo-
lume mencionamos os seguintes :
As arvores do Est. do R. Grande do Sul pelo Dr.
João Dutra, continuação do util artigo começado em
volumes anteriores, tratando de 8 especies.
As aves do Estado do Rio Grande do Sui pelo
Dr. H. von lhering, artigo ao qual me referirei na
secção de zoologia.
Geologia da Lagoa dos Patos pelo P. A. Schupp,
par ticipando o facto de terem sido encontradas ostras
fosseis na Barra' do Pibeiro. Observo que das respec-
tivas ostras, algumas me foram mandadas para serem
examinadas; embora mal conservadas creio poder re-
feril-as à Ostrea puelchana Orb.
Plantas medicinaes do Rio Grande do Sul pelo
Dr. F. Araujo.
A Lavoura. Boletim da Sociedade Nacional de
Agricultura, 2.° tos Rio de Janeiro 1898 e 3.º anno
(2 Sr. Vol 11) 189
Entre os us do primeiro volume de nova se-
ric noto os do Dr. G. Vert sobre Heliconius eucrates
— 994 —
Hübn., praga do maracujá, acompanhado de boa estam-
pa, do Dr. von Ihering "a lavoura e os insectos noci-
vos” e do Di. Aristides Caires sobre a molestia do
cafeeiro participando uma carta do Dr. HF. Noack que
«não se mostra muito disposto a acceitar a Meloidogyne
exigua como causa do mal», duvidas que não posso ad-
mittir, pondo-me nessa questão ao lado do Dr. Goeldi.
E" de summo interesse o artigo do Barão de Pa-
rand, “Os Zebroides”, producto de cruzamento de zebra
com egua acompanhado de figuras de dous zebroides
criados na Fazenda Lordello, municipio de Sapucaia, Es-
tado do Rio de Janeiro. O zebra macho é de especie
Equus burchelli. O zebra não é como o cavallo e o
touro que cobrem as femeas em qualquer época. O cru-
zamento experimentado na Europa sem resultado do
zebra com a egua só se consegue quando coincide o
cio dos dous, separados fóra do tempo do cio. Depois
de 12 mezes nasceu o zebroide que é de côr de pinhão
claro com as listas ou zebruras do zebra. O autor
acredita que o zebroide supplantará as mulas actuaes.
Veja-se tambem essa Revista Vol HI p. 555.
Não podemos referir-nes ao segundo volume sem
exprimir a nossa profunda e sincera afilicção pela perda
lamentavel que a Sociedade Nacional de Agricultura
teve pela morte do Dr. Campos da Paz, vulto eminente
na propaganda pelo progresso da agricultura em nosso
paiz, verdadeiro e digno rival do Dr. Luz Pereira
Barreto. Lembro aqui que um bom retrato esboço
biographico do finado foi publicado na Lavoura, Vol.
1131808 p. 4.
Entre os artigos de interesse scientifico mencio-
no aqui com referencia ao anno 1899 o do Dr. Luiz
Pereira Barreto sobre sericicultura publicando uma
carta referente ao bicho de seda do Brazil (Attacus). O
Sr. 4. Miranda Azevedo (p. 58) publica um artigo
acompanhado de uma estampa referindo-se a um coleo-
ptero da familia Cantharidae que devasta as pimenteiras
Cantharis atomaria Germ., especie da qual provavel-
mente C. nigro-punctata Blanch. é synonymo. As lar-
— 909 —
vas vivem nos ninhos de abelhas que constroem «col-
meias no solo como Anthophora». Isso parece referir-se
a observações feitas em Europa, dizendo entretanto O
autor : “Anteriormente a Newport e e a Favre, Guil-
ding em uma breve noticia nas Transactions of the Lin-
nean Soc. of London Voi. 19 fizera parecer os habitos
parasitarios das larvas das Cantharidas com uma espe-
cie brazileira, do Rio de Janeiro, pertencente ao genero
Horia : H. maculata, cuja larva foi por elle encontrada
vivendo a espensas das larvas do nosso Mangagá ou
Mangangava, Xylocopa brasilianorum L. (teredo Guild.).
Observo que vi Gantharis atomaria causar grandes
estragos nas plantações da batata ingleza no Rio Gran-
de do Sul e que o Dr. Noack a observou em Campinas
em 1897, mandando exemplares ao Museu. Aqui obser-
vamos Cantharis aterrima Klug em pimenteiras, toma-
teiros e sobre diversas especies de Solanum.
Sob o titulo «as pestes importadas» o Dr. Germa-
no Vert publicou à p. 67 um estudo referente ao Mar-
garodes vitium do Chili acompanhado de uma estampa
N.º Il, mostrando as larvas fixadas na cepa da videira.
Segundo informaçõos do autor esta estampa é cópia de
uma publicada por Giard. No Brazil até agora Marga-
rodes não foi encontrado. O nome de especie não é
vitium Giard, mas vitis (#. Philippi), estabelecido em
1884.
No anno de 1900 em n. I da 1.2 serie—de certo
engano, difficultando mais ainda entender o complicado
systema da numeraçäo desse periodico e de suas series,
annos, numeros, supplementos etc....- acha-se pag. 12
um artigo interessante do Dr. G. dUtra sobre a la-
garta cornuta do fumo que pertence à borboleta Pro-
toparce carolina L., sendo a mesma especie como na
America do Norte e que se debella como a praga do
curuquerê, applicando-se por meio de um pulverisador
nas plantas attacadas verde de Pariz finamente moido,
em suspensão n’agua, na proporção de 500 germs. por
990 - 600 litros de vehiculo. O autor refere-se ao
excellente artigo do Dr. Howard no Yearbook of the
— 906 —
Dep. of. Agriculture. Washington 1898 p. 121--151
sobre insectos nocivos ao fumo e onde essa borboleta
e suas larvas são figuradas à p. 128.
Revista Agricola. São Paulo Anno V 1899.
Diversos artigos desse periodico sao referidos na
parte Saar Alem desses noto ainda os seguintes :
Loefgren, A. Um inimigo das macieiras, p. 130 tra-
tando da Schizoneura lanigera (cf esta Revista I] p. 399)
e de um tratamento simples e e efficaz. A. Gomes Carmo
trata (p. 453) da Sericicultura. O autor diz «uma ou
duas crianças tratam commodamente de cerca de 40.000
sirgos (bichos da seda) que produzem de 40 a 50 kilos
de seda em casulos e estes se vendem de 34000 a 48000
rs. o kilo». As experiencias que tenho sobre o assumpto
não são favoraveis. Colonos que no Rio Grande do Sul
no decennio passado tiveram producção regular de bi-
chos de seda a deixaram por não ser lucrosa. Real-
mente não é um preço animador—3$000 por kilo ou
540 casulos mais ou menos!
Boletim do Instituto Agronomico em Campinas
Vol Mes Paulo. 1 GOO:
Entre os numerosos interessantes artigos do pre-
sente volume mencionamos especialmente: G. dUtra.
Os microparasitas do trigo e da canna d'assucar—d.
de Campos Novaes. Cryptogamos microscopicos das
videiras p. 91 ss.—/. Noack. Molestias das videiras
p. 91 ss. e acompanhado de duas boas estampas. —N.
Potel o Lecanium viride e sua destruição. —O Dr.
Rs descreve como especies novas Botrytis novaesi
> Apiosporium braziliense, a fumagina da videira. O
seu artigo foi publicado tambem em allemão Zeitschrift
für Pflanzen-Krankh. von P. Sorauer vol. IX, 1899 p-
1—10. e Taf. 1.
— 991 —
Quanto aos artigos dos Drs. G. d'Utrae F. Noack,
escriptos sem conhecimento da minha publicaçäo, veja-
se o que segue na parte zoologica sobre o artigo do
Sr. Noack. O Sr. G. @Utra trata p. 319 ss. Sobre
as anguillulas do cafeeiro, o Dr. Noack p. 224 ss.
sobre «a podridäo da raiz mestra do cafeeiro».
B. Botanica
Huber, I. Beitrag zur Kenntniss der periodischen
Wachsthums-erscheinungen bei Hevea brasiliensis.
Botanisch. Central-Blatt vol. 76, 1898 n. AT
p. 1—6.
Huber, I. Dipterosiphon spelaeicola. Bull. de
V Herbier Borssrer vol. VIT, 1899 (Genève p. 124 ss.
Pe LV.
Huber, I. und Boscalioni, L. Eine neue Theorie
der Ameisenpflansen. Botan. Central Blatt, Beiheft
Bd. IX, 1900 Heft 2. p. 1—4.
O primeiro desses artigos trata do crescimento
periodico da Hevea brasiliensis que fornece a borracha
do Pará e que no mez de Junho esta sem folhas, o
segundo descreve uma nova Burmanniacea que vive na
Guyana brazileira numa gruta da Serra do Laranjal.
O terceiro artigo é de grande valor porque é
destinado » substituir a theoria de Schimper segundo
a qual as formigas das imbaubas do genero Cecropia .
servem para a defesa contra as formigas cortadeiras,
theoria bem fraca como demonstrei no meu estudo
sobre as formigas do Rio Grande do Sul (Rerlin. En-
tomolog. Zeitschr. Bd. 39. 1894 p. 364 ss.) e no
Ausland 1891 p. 474 ss. Os autores observaram que
na Amazonia as plantas e especialmente as arvores
myrmekophilas “habitadas por formigas) só se obser-
vam na zona de inundação e concluem logicamente
que procurando essas plantas as formigas aproveitaram
se de cavidades naturaes que offerecem abrigo contra
— DD8 —
as enchentes dos rios. Será conveniente para o Sr.
Huber tomar conhecimento dos meus estudos citados
que na parte critica se combinam. Lembro aqui outra
nova publicação sobre o assumpto: Heim. The biolo-
gic Relations between Plants ond Ants. Washington
Reports of Smithsonian Instit. 1898 p. 1—456 Plates.
Miller, Carolo. Pryologia Serre, Itatiacae, Minas
Geraes, Erazilhe; Bulletin de l’Herbiér Boissier,
Vol. VI, 1898 pg. 148S—126. Genéve.
Esse estudo do conhecido especialista contem a
descripção de numerosas especies de musgos, na maior
parte novas e collegidas pelo Sr. E. Ule. na Serra dos
Orgãos, do Rio de Janeiro, e nas Serras dos Estados
de Santa Catharina, Minas Geraes e Goyaz, tendo sido
especialmente rica a Serra do Itatiaya. O numero das
especies tratadas é de 154, sendo apenas lastimavel
que o estudo não é accompanhado de illustrações.
Peckholt, Theod. e Gust. Historia das plantas
medicinaes e uteis do Brazil, 7.º Fasciculo. Rio de
Janeiro 1899.
O novo fasciculo da excellente monographia dos Srs.
Peckolt, trata das familias: Phytolaccaceas, Nyctagi-
naceas, Alismaceas, Mesembryanthaceas, Portulaccaceas,
Tropoolaceas, Lauraceas, Hernandiaceas, Berberidaceas,
Menispermaceas e Myristicaceas.
De cada especie é indicado 0 nome scientifico, e
vulgar, a synonymia e a distribuição geographica. E”
dada uma pequena mas concisa descripção das respecti-
vas plantas, seguindo-se informações sobre o seu em-
prego e suas propriedades therapeuticas e tambem em
muitos casos a analyse chimica. E” com summo prazer
que estamos observando o illustre Dr. Theodoro Pe-
ckolt, continuar, coadjuvado por seu filho, nesses estu-
— 999 —
dos botanicos e pharmacolocicos, pelos quaes já tem
prestado serviços relevantissimos ao paiz e cuja publi-
cação começou em 1871.
Foshe, M. New or critical calcareous algae. Det
Kgl. Norske Videnskabers selshabs Skrifter. Trond-
ghem 1899 N° 5 p. — 154.
Entre as especies novas de algas calcareas acha-se
a de Lithothamnion braziliense Fosl., n. sp., commu-
nicado a elle por este Museu sob N. 1047 e 1048 e
proveniente de S. Sebastião.
E. Ule. Beitrag zu den Blütheneinrichtungen
von Aristolochia clematitis L. Berichte der Deut-
chen Botanischen Gesellschaft, Jahrgang. 1898, Band
XVI. pg. 236—239.
E. Ule. Ueber Standortsanpassungen erniger
Utricularien in Brasilien; Berichte der Deutschen
Gesellschaft. Jahrgang 1898, Band X V1 pg. 308-314.
E. Ule. Werteres über Bromeliaceen mit Bli-
thenverschluss und Blitheneinrichtungen dieser Fa-
milie, Berichte der Deutschen Botanischen Gesell-
schaft, Jahrg. 1898, Band XVI pg. 346-362.
E. Ule. Ueber einge neve und interessante Bro-
meliaceen. Berichte der Deutschen Botanischen Ge-
sellschaft, Jahrg. 1898 Band XVII pg 1—6.
E. Ule. Ueber einen experimentell erzeugten
Aristolochienbastard ; Berichte der Deutschen Bota-
nischen Gesellschaft, Jahr. 1898, Band XVII pg.
39-40.
E. Ule. Emige Bromeliaceen aus Brasilien,
glatter und steiler Felswände ; Berichte der Deut-
schen Botanischen Gesellschaft Jahrg. 1899, Band
X VII, pg. 43—44.
E. Ule. Ueber spontan entstandene Bastarde von
Bromeliaceen ; Berichte der Deutschen Botanischen
Gesellschaft, Jahrgang 1899 Band XVII pg. 51-64. Err
— 560 —
E. Ule. Verschtedenes ueber den Ernfluss der
There anf das Pflanzenteben ; Berichte der Deuts-
chen Botanschen Gesellschaft, Jahrg. 1900 Band
X VIII. pg. 122—130.
E. Ule. Die Verbreitung der Torfmoose und
Moore in Brasilien; Englers Botanische Jahrbücher ;
Band 27, Heft 3. 1899 pg. 238—258.
E. Ule. Cardamine africana L. in Brasihen ;
ÿnglers Botansche Jahrbiicher, Band 28, Hefti 2.
1900.
Entre os numerosos estudos publicados pelo Sr.
Ule, alguns são dedicados apenas à descripção de es-
pecies novas e de fórmas hybridas dos generos Aristo-
lochia e Nidularium, outros tratam da familia das
Bromeliaceas e de outros assumptos de interesse geral.
O artigo que trata da “ Verbreitung der Torfmoose ,,
refere-se às plantas Cryptogamas que formam camadas
extensas de turfa nas Serras de Santa Catharina e Rio
de Janeiro e Minas. O sr. Ule colleccionou 43 espe-
cies de Sphagnum, grande parte das quaes eram novas
e foram descriptas por C. Müller e C. Warrentorf. Ba-
nhados em que occorrem especies de Sphagnum foram
encontrados tambem no Estado de São Paulo. Em
geral as Serras altas de 2000 metros ou mais de altura
e com uma temperatura annual de 14°, offerecem as
condigdes mais favoraveis aos Sphagnos. Parece que
os Estados de Matto-Grosso, Goyaz, Ceara e outros
com um clima bastante secco, são privados desses
musgos. E um facto novo e interessante que as es-
pecies de Sphagnum, ricamente desenvolvidas nas zonas
septentrionaes, têm uma representação tão rica em cer-
tas Serras humidas do Brazil. Um facto singular é a
occurrencia da Crucifera Cardamine africana L na
Serra geral do Estado de Santa Catharina; o Sr. Ule
é da opinião que essa singular distribuição geographica
explica-se pela antiga connexção geographica entre o
Brazil e a Africa. E’ de um interesse especial o ar-
tigo sobre «Einíluss der Thiere auf das Pflanzenleben»
Ee Bob
no qual o autor trata da defeza das Imbaubas do ge-
nero Cecropia contra as formigas cortadeiras do gene
ro Atta exercida pelas formigas que inhabitam o tronco
co da arvore e da dispersão de sementes por inter-
medio de sauvas e de morcegos.
Rehm, I. Beitraege zur Pilzflora von Sidamertha.
V.— VIT Hysteriaceae, Microthyriaceae u. Coryne-
haceae gesaminelt von H. Ule in Brasilien. Hedwi-
gia, Dresden 1898 p. 1—16 e PI I
Não conheço essa publicação tratando dos cogu-
melos do Brazil e baseada nas collecções do Dr. KE.
Ule.
C. Geologia ete.
Segundo Censo de la Republica Argentina. Mayo
10 de 1895. Tomo I Territorio. Tomo II Poblacion
Tomo III Censos complementarios. Buenos Aires 1898.
À Bibliotheca do Museu do Estado recebeu do
Governo Argentino essa nova e importante publicação
que muito honra o paiz que o publicou e a cujo co-
nhecimento mais exacto está destinado. O primeiro
volume contem os dados topographicos e climatologicos
e capitulos extensos sobre geologia, paleontologica, zo-
ologia e botanica, ricamente illustrados.
O segundo volume contem dados sobre a população e
os diversos elementos que o compõem, construeção publica
etc. O numero total da população era em 1895 de
quatro milhões (3.954.911) habitantes, dos quaes 42,8
porcento pertenciam a população urbana.
hatzer, F. Uber die rothe Farbe von Schichtge-
steinen. Neues Jahrbuch fim Mineralogie. 1899.
p. 177-181.
O autor trata do facto por elle observado em Pará
que as camadas depositadas sedimentarias ricas em ferro
— 062 —
ganham a cor vermelha intensiva mediante a decom-
posicão do oxydo-hydrato de ferro, devido à eliminação
da agua. Esse processo está se effectuando devido à
acção intensive. da luz e do calor, sendo pois este pro-
cesso differente da calcinação. A temperatura do chão
e sob a influencia do sol não excede em Óbidos à 42.º
Hussak, E. Der goldführende, hiesige Quarzla-
gergang von Passagem in Minas Geraes, Brasilien.
Zeitschiift fir praktische Geologie p. 545-3558.
1598.
Descripção geologica e mineralogica da mina de
ouro de Passagem, situada a 7 kilometros de Ouro
Preto, que, explorada desde o fim do seculo passado, é
além da mina do Morro Velho a mais rica do Brasil.
Nos annos de 1864—1875 a producção de ouro era
de 793 1/2 kgr., e em 1334-1893 de ¥375 ker. e
além disso foi separado annualmente do ouro cerca de
36 ker. de Bismutho metallico.
Hatcher, I. B. Die Conchylien der patagoni-
cchen Formation von H. von Ihering. Science 16
Fever. 1900.
O autor combate os dados geologicos a mim dados
por Florentino Ameghino, dizendo que as formações
patagonica e suprapatagonica (a nossa de Santa Cruz)
representam apenas differenças de facies e que no mesmo
bloco de material achou reunidas Struthiolaria ornata e
ameghinoi e assim outras conchas consideradas de
importancia stratigraphica. Nada posso dizer neste
sentido visto que nunca estive naquella localidade e que
o nosso collecionador Bicego não era pessoa de conhe-
cimentos scientificos, de modo que só compete ao Snr.
Ameghino defender as indicações que me deu e que
publicou. O Dr. Hatcher diz que não o entendi bem
o
relativamente à formação de pyrotherium e que elle a
— 063 —
colloca ao cretaceo, mas que Ameghino comprehendeu
nelle dous horizontes bem differentes, pertencendo os
mammiferos em parte ao mioceno como as camadas de
Santa Cruz. A que me oppuz e que parece não ser
contestado por Hatcher é a idade praemiocena e talvez
cretacea das camadas que forneceram a Ostrea pyrothe-
riorum.
Hatcher, I. B. Sedimentary Rocks of Southern
Patagonia. The American Journal of Science IV. Ser.
vol. IX N. 50 Febr. 1900. New Haven, Conn. p.
85—108 with 1 Plate.
O Dr. Hatcher gastou novamente dous annos para
estudar a geologia da Patagonia, reunindo ricos mate-
riaes. O resultado principal é a descoberta de camadas
terciarias no Estreito de Magalhães em Sandy Point
chamadas «Magellanian beds» e que são mais antigas
do que as formações de Santa Cruz, que em parte são
sobrepostas a ellas. Perto do Lago Puerredon foram
descobertas horizontes cretaceos.
O autor reune as formações «patagonica» e «su-
prapatogonica», representando apenas variedades de
facies e diz que a formação «de Santa Cruz» não con-
tem concha alguma mas somente ossos de mammiferos.
Nesse caso é evidente que o Dr. Hatcher applica o
nome da formação santacruzense de outro modo como
usado até agora, especialmente por Ameghino e Ihering.
Não me parece isso um procedimento correcto, porque
vae augmentar a confusão, já bastante grande.
Duvido que o autor tenha razão quando julga a
formação eocenica não representada na Patagonia e
não acho satisfactoria a discussão da formação do
Pyrotherium. Não se entende porque o autor não se
refere a Ostrea pyrotheriorum, especie bem caracteris-
tica. Tambem não posso achar justificadas certas mo-
dificações de synonymia. Rhynchonella plicigera Ih. é
bem differente de nigricans, especialmente pelo deltidium;
2
Magellania lenticularis é apenas variedade de cor da
— Ele
globosa e não pode por essa razão ser comparada à
especie fossil. Julgo bem differente a Ostrea ingens
Zattel de hatcheri Ortm. e acho tambem os exemplares
de Limopsis insolita Sow. que recebi da Nova Zelandia
differentes dos specimens typicos da Patagonia.
Se não posso deixar de mencionar essas divergen-
cias não quero do outro lado negar que esse novo es-
tudo representa um grande passo adeante na importante
mvestigação geologica da Patagonia.
lhering, H. von. Die Conchylien der patagoni-
schen Formation. Neues Jahrb. f. Mineralogie. Jahrq.
1899 vol. IT p. 1—46, Taf. 1—11.
Îhering. H. von. Descripcions de la Ostrea qua-
ranttica. Anal Soc. Cientif. Argent. Tom. 47. Buenos
Ayres 1899 p. 03-64. |
Cossmann, M. Description de quelques coquilles
de la formation Santacrusienne en Patagonia. Journ.
de Conchylioi. Vol. 47 Paris 1899 n. 3 p. 223—242
HERO Cpl:
Novas contribuicdes ao conhecimento das camadas
terciarias da Patagonia e especialmente das suas con-
chas ; completando o artigo publicado no segundo vo-
lume dessa revista. Outras publicações referentes às
conchas terciarias da Patagonia foram publicadas por
Ortmann e Pilsbry. Os typos das novas especies des-
criptas por ron lhering e Cossmenn acham-se guar-
dados no Museu Paulista.
Ortmann, A. H. Prehminary report on some
new marine tertiary horizons discovercd by Mr. 1.
B. Hatcher near Punta Arenas Magellanes, Chi.
American Journ. of Science vol. VI1898 p. LTS —AS82.
Dos cinco horizontes contém o segundo e terceiro
conchas marinas e tambem o quinto. Esse ultimo cor-
responde aos “sprapatagoniun beds”, (miocene) os outros
a parte mais inferior das camadas de Navidad (eocene?).
— 969 —
D. Acthropologia
Ambrosetti, Juan B. Notas de Arqueologia cal-
chaque. 1º serve Buenos Ayres 1900.
Volume de 241 paginas com 262 figuras impres-
sas no texto, dedicado ds antiguidades calchaquis da
Argentina; é essa uma contribuição de summa impor-
tancia para a archeologia da America do Sul. Os di-
versos artigos que compõem o volume em parte foram
publicados no Boletim do Instituto Geographico de
Buenos Ayres (veja-se essa Revista II p. 472). Não
posso deixar de entrar aqui num assumpto de interesse
geral. O autor combate a opinão por mim emittida
nesta Revista vol. I p. 79 ss. que o uso de caximbos
para fumar seja na America meridional postcolombiano,
figurando caximbos de barro cozido e um de steatito
de origem calchaqui. Diz mais o autor que no Chaco
os indigenas atê hoje usam de caximbos ou pipas para
fumarem uma raiz excitante denominada koro, acrescen-
tando que o Padre Lozano affirma que entre os cal-
chaquis era conhecido tambem o uso do koro.
Vê-se por esse exemplo de novo confirmado a ne-
cessidade que existe para nós de uma relação intima
com os resultados dos estudos archeologicos nos paizes
limitrophes. No Brazil não foram achados caximbos
nas localidades precolombianas como nos mounds de
Marajó e nos sambaquis da costa. E porém bem pos-
sivel que isso ainda se modifique em parte, visto que
as communicações commerciaes já estabelecidas em tempo
prehistorico podem ter trazido a essa zona caximbos e o
uso de fumar. Influencia de cultura vindo da região an-
dina relevam tambem os poucos objectos de cobre entre
nos achados e a distribuição do uso da coca, como
demonstrei nessa Revista vol. I p. 124—145.
Lhering, H. von. Ueber die vermeintliche Ervich-
tung der Sambaquis durch den Menschen. Verhand-
— 566 —
lungen d. Berliner anthrcpol. Gesellsch. Vol. 30, 1898
p. 454 -460.
O autor examinou o Sambaquy do Rio Boguasst
na bahia de Paranaguá, ligando attençäo especial às
conchas que o compõem. São essas em parte ostras e
em parte birbigãos que, porém, não apparecem mistu-
rados mas em camadas sobrepostas que têm de ter sido
depositadas em modo natural e não pelo homem. Acha-
ram-se alguns objectos de pedra e um esqueleto humano,
nada de carvão e cacos de igaçabas. Os restos humanos
podem ser provenientes de pessoas mortas ou sepultadas
depois de elevado o sambaqui. O autor volta a idéa de
Carlos Rath: que parte dos sambaquis e especialmente
os maiores não foram construidos artificialmente.
Antonio de Araujo, Padre. Catecismo Brazilico
da Doutrina Christa. Lisboa 1680 Publicado de
novo por Julio Platzmann. Leipzig 1898.
Julius Platzmann. Der Sprechstoff der guara-
nischen Grammatik des Antonio Ruiz überselzt und
erläutert. Leipzig 1898.
Duas novas publicações do incansavel sabio que
toda a sua vida dedicou ao conhecimento das linguas
tupy -guarany. De um interesse especial é a segunda
que representa uma excellente introducção grammatical
no conhecimento da lingua guarany e com tradueção
em allemão.
Siemiradzki, J. von, Beitraege zur Ethnographie
der südamerikanischen Indianer. Mittheil. der an-
thropol. Gesellsch. in Wien. Vol. 28, Wien 1898 p.
127—170, com 39 figuras.
O autor que viajou em varias partes da America
do Sul divide o elemento indigena em quatro typos
separados que correspondem a tantos periodos de immi-
gração.
— 967 —
1. Hyperboreos esquimoides e mongoloides pro-
venientes do periodo paleolithico ( Patagones, Botocu-
dos e Aruak).
2. Caraibas corr espondendo : ao periodo neolithico.
3. Mongoloides brachycephalos de que fazem par-
te os povos de cultura elevada (Tupis, Muiscas) corres-
pondendo ao periodo neolithico e em parte do bronze.
4 Guerreiros nomades do typs turano-fennico dos
inüios Dacota e dos Aztecos (Quichua, Aymara, Arau-
canos) correspondendo ao periodo do bronze.
Não me julgo competente para emittir opinião
sobre esse systema, que foi rejeitado por Ehrenreich
na respectiva critica em Petermanns Mittheilungen.
Noto que os «Cainguas» de S. Paulo são identicos com
os «Caingue» do Paraguay. A idea «de Ewerton Qua-
dros» que os Coroados sejam descendentes dos Caingues
do Paraguay parece-me toda falsa e provêm talvez de
troca das palavras Kaingangues (coroados) e caingues
(cayuäs).
De valor são: as numerosas e boas figuras de arcos,
flechas etc., des cayuäs, coroados e outras tribus.
Steinen, K. von den. Indianerskizzen von Her-
kules Florence. Globus Vol. 75, Braunschweig 1899
p. 9—9 e 30-35.
Publicação bem interessante pela reprodueçäo de
10 ilustrações referentes a indigenas do Brazil feitas
pelo Sr. Hercules Florence e acompanhadas de notas
de viagem do mesmo desenhista e de interpretações por
parte de GC. von den Steinen. As figuras referem-se
aos Apiakas, Bororós, Munduructis e Tschamacocos e
foram feitas na viagem da expedição de Langsdorff que
de Porto Feliz, em Junho de 1826, seguiu à Cuyabä e
até ao Amazonas. Sobre a viagem referiu H. Florence
na Revista do Instituto Historico do Rio de Janeiro
em 1875.
— 968 —
E. Zoologia
Goeldt, E A. Verzeichniss der bisher avissen
schaftlich beschriebenen neuen Ter und Pflanzen-
forimen welche waehrend der Jahre 1SS41—1S99 in
Brasilien von E. A. Goeldi gesammelt und entdeckt
worden sind. Bern 1899.
Folheto de ‘9 paginas indicando as especies novas
descriptas por diversos especialistas segundo as collec-
cões do autor nos Estados do Rio de Janeiro, S. Paulo,
Minas, Espirito Santo, Bahia e Pará.
Das Tierreich. Deutsche Zoologische Gesellschaft.
Uma obra importantissima para todos os zoologis-
tas do mundo; consiste em monographias dos diversos
erupos do reino animal e cada uma dessas monogra-
phias tem por auctor um especialista que conhece per-
feitamente o grupo de que trata. Successivamente estas
são publicadas independentes dc systema, sendo feitas
primeiramente essas que foram promptas. Até agora
estão publicadas os seguintes fasciculos.
Lief. 1.—Podargidae, Caprimulgidae & Macropte-
rygidae (Aves) por E. Hartert.
Lief. 2.— Paradiseidae (Aves) por W. Rothschild.
Lief. 34. —Eriophyidae (Acarina) por A. Nalepa.
Lief. 6.—Oribatidae (Acarina) por A. D. Michael.
Lief. 5.—Sporuzoa (Protozoa) por A. Labbe.
Lief. 6. —Copepoda I. (Crustacea) por W. Gies-
brecht & O. Schmeil.
Lief. 7.—Demodicidae & Sarcoptidae (Acarina) por
G. Canestrini & P. Kramer.
Lief. 8.— Scorpiones & Pedipalpi (Arachnoidea) por
KX. Kraepelin.
Lief. 9.—Trochilidae (Aves) por E. Hartert.
969
Thomas, Oldfield. On new small Mammals from
South America. Annals ant Magazine of Natural
History Ser. 7 Vol. II 1899 London pg. 152— 155.
Descripção de diversas especies novas de roedores
e marsupiaes, entre ellas uma (Peramys rubidus) da
erg
dahia.
Goeli, E. Monographias Brasileiras. As aves do
Brasil. Segunda Parte; Rio de Janeiro 1900.
Com esta segunda parte, publicada 6 annos depois
da primeira está acabado o compendio do Dr. Goeldi,
referindo-se à ornithologia do Brazil. Não tivemos até
agora na nossa literatura, livro que como este pudesse
servir para o estudo da nossa aviaria.
O presente volume trata dos passaros, pombas,
gallinaceos, pernaltas, palmipedes e avestruzes. Seguem
então a enumeração da literatura e os indices dos ge-
neros e dos nomes triviaes. Parece que esse volume ja
foi escripto ha muito tempo, visto nao ter a nomencla-
tura que hoje & usada, de modo que por exemplo
das tres especies de Euscarthmus, que o autor encon-
trou na Serra dos Orgãos, nenhuma pertence ao gene-
ro mencionado e uma (E. aurifrons) até a outra fami-
lia. A obra contem varios dados novos referentes 4
propagação das nossas aves, sendo tambem de interesse
especial a informação exacta que o autor di sobre as
especies por elle colligidas na (Colonia Alpina perto
de Theresopolis na Serra dos Orgãos.
Essas informações completam a lista que neste vo-
lume dei das aves de Cantagallo e Nova Friburgo.
Em geral são as mesmas especies que o Sr. Euler
observou em Cantagallo, mas notei varias que não são
contidas na minha mencionada lista e que são as se-
œuintes :
Orthogonys viridis Spix.
Spermophila gutturalis Licht.
Chrysomitris icterica Licht.
Cassidix oryzivora Gmel.
— 970 —
Cnipolegus comatus Licht.
Hemitriccus diops Temm.
Phyllomyias burmeisteri Cab.
Ornithion obsoletum Temm.
Empidonomus varius Vieill.
Furnarius rufus Gm.
Lathria plumbea Licht.
Caprimulgus ocellatus Tsch.
Nyetibius jamaicensis Gm.
Colaptes campestris Vieill.
Picumnus temmincki Lafr.
Ara nobilis L.
Rhostramus sociabilis Vieill.
Nao acceitei nessa lista Arremon silens porque as
informações dadas sobre a côr do bico demonstram
não tratar-se dessa especie da Bahia, mas sim de A.
semitorquatus que tambem Euler obteve nessa região.
Parece que ha entre essas especies algumas que sô des-
de pouco tempo invadiram essa Serra em consequencia
da devastação das mattas, attrahindo as aves dos campos
como por exemplo: Furnarius rufus, o João de barro
e Colaptes campestris, o Picapão do campo.
As descripções de ovos e ninhos são baseadas na
maior parte nas observações de Euler. As observações
proprias já são communicadas em outros artigos, mas,
entre as que são novas noto a do ninho da Geotrygon
montana e a descripçäo do ovo do jacü-tinga. Goeldi
cbteve no mez de Março duma ave captiveiro uma pos-
tura de 6 ovos cujas medidas eram de 10—7T3X93—54
mm. Os ovos são brancos.
Ihering, H. von. Asaves do Estado do Rio Gran-
de do Sul. Annuario do Estado do Rio Grande do
Sul para o anno de 1900 publ p. Graciano de Azam-
buja. Porto Alegre 1899 pg. 113—154.
Depeis de uma pequena introducçäo explicando as
divisas principaes na distribuição geographica naquelle
T1 —
O
Estado e dada a enumeração systematica de todas as
especies de aves observadas até agora em territorio
rio-grandense. Observo aqui que alem das 363 especies
enumeradas ainda depois de publicado este artigo re-
cebi mais as seguintes: Dacnis cayana L., Macropsalis
creagra, Asio accipitrinus, Falco fuscocaerulescens col-
ligidas em Nova Hamburgo pelo Sr. A. Schwartz,
Porphyriola martinica L. caçado em Piratiny pelo Sp.
Sebastião Wolf e Gisella iheringi Sharpe do Sr. Chr.
Enslen em S. Lourenço.
Ihering, H. von. Critical Notes on the Zoo-geo-
graphical Relations of the Avifauna of Rio Grande
do Sul. The Ibis July, London, 1899 pgs. 432-—436.
O catalogo das aves do «British Museum» contem |
numerosas especies indicadas como provenientes de Pe-
lotas, Rio Grande do Sul e colligidas por Joyner, e
que segundo as experiencias expostas neste artigo, não
occorrem naquella região, dando lugar a conclusões
completamente falsas quanto a distribuição geographica.
A redacção do Jornal Ibis ajunta algumas notas confir-
mando a exactidão dessa argumentação. Alem disto
observo que desde a publicação deste artigo foi verifi-
cado que Joyner, que viveu por annos como engenheiro
em S. Paulo, nunca esteve em Pelotas e que elle por via
de compras adquiriu de diversas partes do Brazil cou-
ros de passaros, explicando-se deste modo com facilidade
a occorrencia de alguns enganos com referencia ás lo-
calidades.
Ihering, H. von. On the Ornis of the State ‘of
São Paulo, Brazil. Proceedings of the Zoological So-
ciety of London April 1899 pgs. 508 —517.
As indicações dadas neste artigo sobre as aves do
Estado de S. Paulo baseam-se principalmente no meu
trabalho publicado nesta Revista no Vol. Ill sobre as
— 972 —
aves de S. Paulo. Accompanha este artigo um mappa
geographico indicando as divisas e regiões geographi-
cas por mim descobertas.
Thering, fl. von. Zur Biologie der brasilianischen
Glaucidiuim-Arten. Zoolog. Garten. LO Jahrg. N.º 12
Frankfurt a M. 1899 p. 376-380.
Participa o autor que o Museu Paulista obteve
um exemplar de Glaucidium, do caburé do matto, que
o Sr. Capitão José da Costa Leite Sobrinho observou
e matou na occaslão que se precipitava e começava a
devorar um macuco.
Berlepsch, Hans Graf von. On the rediscovery
of three remarkable species of Birds of South America.
The Ibis VII Ser. vol. 4 London 1898 pag. 60 ss.
and Pl. LL.
Trata de um novo exemplar de Pipra opalizous
Pelzeln do Pará, dando boa figura dessa especie rara e
de Chrysolampis chlorolaemus Elliot da Bahia.
Sclater, P. L. Onthe Psophia obscura of Natterer
and Pelzeln. The Ibis VII Ser. vol. 4 London 1898
p. 220—521 Pl. XL
Figura bem essa especie do Pará que foi por en-
gano no catalogo do British Museum reunida com Ps.
viridis.
Bowdler Sharpe. Gisela theringt. The Ibis VIT
Ser. Vol. V. London 1899 p. 439.
Descripcäo de uma coruja nova allada e talvez
identica com G. harrisi da Columbia e obtida em São
Paulo e S. Lourenço, Rio Grande do Sul por H. von
Ihering que no mesmo periodico vol. VI, 1900 p. 21%
informa sobre a proveniencia da especie.
Peracca, Dr. M. Descrizione di una nuova spe-
cre di Amfisbena del Brazile. Bolletino dei Muser di
Zoologia e Anatomia comparata della R. Universitá
di orno, cont No 326 Ott. 18968;
Descripção de Amphisboena mattogrossensis.
Boulenger, G. A. Descriptions of tivo new Siluroid
Fishes from Brasil. Ann. and Mag. Nat. Hist. (7) Vol.
2 p. 177—478.
Descripção de Brachyplatystoma platynema e do
novo genero Leptodoras com a especie nova L. jur-
nensis.
Boulenger. G. A. Descriptions of three new spe-
cies of Siluroid Fishes from Southern Brasil. Ann.
a. Mag of Natural Host (7) vol 5, 1900 p. 165—106.
As especies novas Plecosfomus heylandi, Loricaria
latirostris e Loricaria paulana foram colleccionadas perto
de Cubatäo, neste Estado, pelo engenheiro Snr. Heyland.
Kerr, I Graham. The external Features in the
Development of Lepidosiren paradoxa Fitz. Zoolo-
guscher Anzeiger Vol. XXT N 597, 1899 np. 292
— 294
O) pequeno artigo refere-se ao que ha de apparecer
nas publicações da Royal Society em Londres, comple-
tando ao que nesta Revista vol. I p. 556 já nos re-
ferimos. O ovo desse singular peixe do Amazonas e Pa-
raguay mede 6—7 mm. e passa por uma segmentação
completa como o de Amia. A larva assemelha-se ao gy-
rino da rã e tem de cada lado quatro guelras ou bran-
chias externas, que correspondem aos arcos branchiaes
I—IV. A existencia de branchias externas nas larvas
dos Crossopterygios dipnoos e Amphibios demonstra esses
orgäos como de grande idade phylogenetica e faz pre-
— OTA —
sumir que os typos mais primitivos de que descendem
eram munidas de branchias externas em todos os arcos
branchiaes em confirmação da theoria de Gegenbaur.
Géldi, E. Dr. Ueber die Entwicklung von Sipho-
nops annulatus. Zoologische Jahrbiicher. Band XI
1899, Jena pg. 170—173, mit Tafel IX.
Géldi, E. Dr. Further Notes on the Amazonian
Lepidosiren. Proceedings of the Zoological Society of
London. Nov 1898, pg. 892— 857.
Géldi, E. Dr. Epeirodes bahiensis Keyserling,
eine Dimmerungs Kreuzspinne Brasiliens. Zoologische
Jahrbücher, Band XI 1899 Jena pg. 161—169 mail
Tafel X.
No primeiro desses estudos descreve e figura o Dr.
Goeldi o embryão de Siphonops annulatus, que é notavel
pela existencia de branchias externas em numeros de 2
no lado esquerdo, de 3 no lado direito.
O autor recebeu do Sr. Andreas Góldi em There-
rezopolis 6 ovos, que acompanhados da mãe, foram en-
contrados em terreno secco na occasião de ser lavrado.
Os ovos de 10 mm. de comprimento, são transparentes.
E” interessante a observação biologica referente à
aranha Epeirodes bahiensis, que Góldi viu caçar in-
sectos na madrugada mediante sua rêde e que ao levan-
tar-se o sol, recolhia-a e levava comsigo a rede para
no seu escondrijo com todo vagar devorar durante 0
dia os insectos que nella tinha caçado.
Bassett-Smith, P. W., A systematic description of
Parasitic Copepoda found on Fishes, with an Enu-
meration of the Known Species. Proceed. of the Zool.
Soc. London, 1899, Part II, March & April.
Catalogo bem valioso dos Crustaceos parasitas da
ordem dos Gopepodes, que vivem sobre peixes. O artigo
— 979 —
trata deste grupo em geral; tirei as especies brazileiras
com os seus resp. hospedes, a saber: Da familia Lrga-
siidae: Ergasilus longimanus Kr. que vive nas guel-
ras de Mugil sp. Da familia Caligidae : Caligus trachy-
noti Heller nas guelras de Trachynotus sp., Caligus cho-
rinemi Kllr. nas guelras de Chorinemus saliens, Cali-
gus irritans Heller nas guelras de Serranus; Lepeoph-
theirus monacanthus Heller nas guelras de Pimelodus
sp., Lepeophtheirus bagri Dana schre Bagrus sp, Anu-
retes heckeli (Kllr.) nas guelras de Ephippus gigas
Perissopus armatus (Dana)sobre Mnstelus vulgaris.
Da familia Dichelestudae : Lernanthropus pupa
Burm. nas guelras de Platax; Lernanthropus belones
Kr. nas guelras de Belone almeida; Lernanthropus pa-
godus Kr. nas guelras de Eques balteatus ; Lernanthro-
pus nobilis Heller nas guelras de Temnodon saltator.
Da familia Lernæidae : Lernacocera lagenula Heller.
Da familia Chondracanthidae : Trichthacerus periste-
dii Kr. nas guelras de Peristethus sp., Trichthacerus
molestus Heller nas guelras de Prionotus punctatus ;
Blias prionoti (Kilr.) nas guelras de Prionotus puncta-
tus. Da familia Lernaeopodidae : Thysanote lobiven-
tris (Heller, nas guelras de Rhypticus saponaceus.
Sars, G. O. Description of Iherinqula paulensis
G. O. Sars. Archiv for Mathematik og Naturvidens-
hab Bd. XXII N° 6. Krishania 1900 p. 1—27 Pl.
III.
Descripção de um novo typo generico de crustaceos
cladoceros da familia Macrothricidae de S. Paulo. FE?
interessante que o autor examinou vivos esse e outros
Cladoceros de S. Paulo, criando-os de lodo secco que
daqui a elle remettemos e que tirado da margem de pe-
quenas lagoas etc. contendo ovos bem conservados em
numero sufficiente para posto nos aquarios povoal-os de
numerosas colonias dessas pulgas d'aguas paulistas.
— 916 —
Giesbrecht, Dr. W. & Schineil, Dr. O. Copepoda
(rymnoplea. Das Tierreich, 6. Lieferung. Berlin 1898.
Uma monographia destes pequenos Crustaceos que
dá a descripçäo e chaves para determinação da tribu
Gymnoplea. Os representantes desta tribu não são pa-
rasiticos mas vivem no mar, na agua doce e em salinas.
Distinguem-se dos outros da tribu Podoplea pela falta
de pernas no ultimo segmento do abdomen e pela pri-
meira perna do cephalo-thorax que serve como orgão
de copulação. As seguintes especies occorrem no Brazil :
Familia Centropagidae :
Pseudodiaptomus richardi (F. Dahl) I'óz do Ama-
zonas.
Pseudodiaptomus acutus (IF. Dahl) Ióz do Ama-
zonas.
Pseudodiaptomus gracilis (TF, Dahl) F6z do Ama-
zonas.
Diaptomus henseni (F. Dahl) F6z do Amazonas.
Diaptomus deitersi Poppe Cuyabi.
Diaptomus gibber Poppe Brazil.
Familia Pontellidae :
Labidocera fluviatilis (F. Dahl) F6z do Tocantins.
Bouvier, E. L. Les crustacés parasites du genre
Dolops Audouin, Bull. de la Soc. Philomal. de Paris.
6 Ser. Tome X, 1897—1898 pag. 53—81 et 9 Ser
Tome I 1898— 1899 pag. 12—10
A familia dos crustaceos parasitas das Argulidas
contem os generos Argulus Mill. e Dolops Audouin
(Gyropeltis Heller); o segundo par de mandibulas tem
a forma de ventosa no primeiro genero sendo allongado
e terminando em gancho no segundo. O autor fornece
uma excellente monographia e divide o genero em dous
grupos: armados e inermes. As especies do primeiro
erupo têm os lobos caudaes curtos e a face ventral do
escudo provido de espinhos que fazem falta às do segundo
erupo cujos lobos caudaes são-compridos. Do primeiro:
— ii —
(3)
erupo existe no Brazil Dolops kollari Heller, do segundo
Dolops longicauda Heller que vive sobre peixes. Dol. gayi
Bouvier que vive sobre ras representa na America Meri-
dional D. ranarum Stuhl da Africa central. Observo que
Gyropeltis koseritzi Ihering de Porto Alegre, descripto
em 1880 em um jornal allemäo da mesma cidade e en-
contrado na cabeca e nas guelras de bagres e outros pei-
xes do mercado, parece-me ser synonymo de D. longi-
cauda Heller, descripto em 1857. Talvez seja o mesmo
que Hensel (Archiv f. Naturg. vol. 34, 1868 p. 358)
encontrou na bocca do Dourado, Salminus orbignyanus.
Doflein, I. Amerikanische Decapoden d. K. bayer.
Staatssammlungen. Sitsungs Ber. math=phys. Classe
KH. bayer. Akad. 1899 pag, 177—195.
Contem entre outras a descripcäo da especie nova
Uca amazonensis.
Rathbun, M. J. A contribution to a Knowledge cf
the fresh water crabs of America— The Pseudotelphu-
sidae. Proceed. U.S National Musewi Washington Vol.
21, 1899 N. 1158 pag. 507-537.
O autor diz que o estudo do rico material do Museu
de Washington deu resultados um pouco diversos dos
de Ortmann. As Pseudotelphusinae são para o autor
uma sub-familia bem caracterisada dos Potamonidas com
os generos Epilobocera, Potamocarcinus, Rathbunia.
São enumeradas 52 especies da sub-familia que na maior
parte vivem no Mexico, America central e Norte da
America Meridional. No Brazil é só encontrada uma
especie nova, Pseudotelphusa agassizi do Pará.
— 578 —
Nobili, G. Intorno ad alcuni Crostacei Decapodi
del Brasile. Eolletino dei Musei di Zool. ed Anat. de
Torino Vol. XIV N. 355, 4899 p. 1=6.
Estudo baseado em material que o autor recebeu
do Museu Paulista. As especies estudadas são Tricho-
dactylus dentatus var. cunninghami Goeldi do Rio de
Janeiro, Trichodactylus fluviatilis Latr. de os Perus,
Dilocarcinus petropolitanus Goeldi de os Perus, Dilo-
carcinus panoplus (Mart.) do Rio Grande do Sul e Rio
de Janeiro substituido no Paraguay pela especie affim
D. leorellianus Nob., Sesarma rubripes Rathb. de Cu-
batão e Uca gibbosa Smith da Bahia.
Fox, William T Contributions to a knowledge
of the Hymenoptera of Brazil n. 5 Proceedings of
the Academy of Natural Sciences of Philadelphia
1898 p. 445—460 (Vespidae), n. O Ibidem 1899
p. 195—200 (A collection from Rio Grande do Sul
and S. Paulo) e n. 7 Ibidem 1899 p. 407—464
(Humenidae, Genera Zethus, Labus, Zethoides, Eu-
menes, Montezuma and Nortonia).
Continuaçäo dos artigos tratando dos Hymenopte-
ros colligidos pelo Sr. Herbert Smith em Chapada,
Santarem, Rio de Janeiro etc. e uma lista de Hyme-
nopteros colligidos em Rio Grande do Sul e em São
Paulo, provenientes do Museu Paulista. No artigo n.
D o autor descreve 2 novas especies de Polistes, 8 de
Polybia, 1 de Chatergus e 3 do novo genero Chater-
ginus. O artigo n. 6 trata da collecçäo que o autor
obteve do Museu Paulista; contem a descripção das
novas especies Salius (Priocnemis) apicipennis, tincti-
pennis, iheringii, Pompilus hempelii e Sphex subhya-
linus, todas colligidas em Ypiranga; tambem algumas
novas especies de Rio Grande do Sul. N.º 7 contem
a descripção de numerosas especies novas dos generos
Zethus e Eumenes e a do novo genero Zethoides.
== ang —
Friese, H., Monographie der Bienengattungen
Megacilissa, Caupolicana und Oxaea (1. Nachtrag)
Annalen d. k. k. Naturh. Museum in Wien Bd. XIV,
1899, p. 239 -246 e Monographre der Bienengat-
tungen Exomalopsis, Pthilothrix, Melitoma und Tetra-
paedia Ibidem p. 247-—304.
O primeiro artigo é o supplemento da monographia
publicada no XII. Vol. dos mesmos «Annalen»; o se-
gundo contem a descripção de numerosas especies novas
do Brazil; entre as quaes do Estado de São Paulo :
Tetrapaedia rugulosa, clypeata, pyramidalis, maculata,
piliventris e iheringi.
Friese H., Monographie der Bienengattung Euglos-
sa Latr. Termesc. Fizetek XXII 1899, p. 117—17 2.
Continuação da serie de monographias referentes ás
abelhas tropicaes. O genero Euglossa é exclusivamente
neotropical e por isto de sum no interesse para todos
que se occupam com a entomologia no Brazil. O dis-
tincto autor descreve no presente artigo varias especies
novas do Brazil.
Friese, H Neue Arten der Brnengattungen
Centris und Epicharis. Termesz. Hizeteh XXIII
1900. p. 39 48 e 117-120.
Descripções de 51 especies novas de abelhas da região
neotropica, especialmente do Brazil. Eis os nos nes das
especies occorrentes no Estado de São Paulo: Centris
mocsaryl. proxima, minor, pauloensis; Epicharis iheringi,
schrottkyi, cockerelli.
Friese, H., Neue exotische Schmarotzerbienen.
Entom. Nachr. XXVI 1900 p. G5—G67.
Descripções de algumas abelhas parasiticas do
Brazil e da Argentina; do Estado de São Paulo são:
Melissa maculata, violacea e viridis.
=v ASO se
Forel, Aug., Von Ihrer Koenigl. Hoheit der
Prinzessin Therese von Bayern auf einer Reise qm
Siidamerica gesaminelle Insecten. I. Hymenopteren
a. Fournus. Berliner Entom. Zertschr. XLIV. p.
Ape hs
A lista das formigas colligidas pela princeza The-
rese de Baviera; são tambem descriptas 3 especies
novas de Equador e de Colombia.
Bünninghausen, V. o. Die Uraniden der alten
und der neuen Welt. Verh. d. Ver. f. Naturwiss.
Unterh. Hamburg Bd. X.
E” um estudo importante sobre a posição syste-
matica dessa dificillima familia de Lepidopteros e a
enumeração das especies conhecidas.
Binninghausen, V. v. Beitrag sur Nenntnis der
Lepidopteren-Fauna von Rio de Janeiro. Tribus
Sphingidae. Entom. Zeuschr. «Iris» 1899 p. 107—
150:
Grande parte das borboletas enumeradas e descriptas
do Rio de Janeiro tambem occorre no Estado de São
Paulo; o autor que vivia muitos annos no Rio da de
quasi todas as especies a descripção não só do insecto
completo, mas tambem a das larvas e chrysalides.
Buysson, R. Le nid et la larre de Trypoxylon
albitarse F. Avec 2 Pl. Ann. Soc. Entom. France
Vol. O7, 1898 pe SA SO:
Descripção do ninho e da larva da mencionada vespa
solitaria, que nas casas applica frequentemente os mi-
nhos feitos de barro nas paredes.
— DSL —
Wasmann, E. Ein neuer Meliponengast aus Pará
Deutsche Entomolog. Zeuschr. 1899 p. 114.
Descripção de um insecto (Scotocryptus goeldi) que
vive no uinho de uma abelha social indigena do Pari.
Stichel, H. Neue Heliconius aus Stidbrasclien.
Entomol. Nachr. von Karsch, 25 Tahrg. 1899:p. 28
oF
mOi
Descripcäo da especie nova Heliconius nanna do
Espirito Santo que talvez não é differente de H. phyllis.
Druce, Herbert. Description of some new Ge-
nera and Species of Heterocera froin South America.
Annals and Mag. of Nat. Mist. (7) vol. à, 1900 p.
DOT —I 27.
*
Contem entre outras as descripções das novas es-
pecies Cerura phyllis de Porto Alegre, Rio Grande do
Sul e de Bapta erina de Rio de Janeiro.
Boileau, I Note sur auelques Lucanides nouceaux
ow peu connus de VAmérique du Sud. Bulletin de la
Soc. Entomol. de France 1899 Paris N. 15 p. 296
ites
HU
Descripcäo das seguintes especies de coleopters do
Brazil: Pholidotus lindei, Metadorcus rotundatus Parry
do Rio Grande do Sul, Sclerostomus aurocinctus, Scor-
tizus gounellei. As ultimas duas especies foram colli-
gidas pelo Dr. Gounelle, a primeira a 2300 m. de
altura no itatiaya, a ultima na fazenda do Dr. José A
Cerqueira Cezar «val do Rio Paranapanema», nesse
Estado.
— 982 —
Fleutiaux, Ed. Voyages de M. E. Gounelle au
Brésil. Eucnemidae. Ann. Soc. Entomol. de France
vol. 68, 1899 p. 44- 49.
Enumeraçäo de muitas especies colligidas pelo Dr.
Gounelle em Pará, Pernambuco, Bahia e Rio de Ja-
neiro entre ellas 4 novas.
Gounelle, E. Note sur le genre Migdolus. Bull.
Soc. Entom. de France 1899 p. 221—222.
O autor achou neste Estado na fazenda do Dr. José
A. Cerqueira Cezar onde estava hospedado, entre ou-
tras numerosos coleopteros novos uma Prionida que
julgou nova descrevendo-a sob o nome de Paulistanus
no mesmo Bulletin 1899 p. 6. Mais tarde verificou
elle que esse typo um pouco aberrante, ja foi descripto
sob o nome de Migdolus fryanus Westw. O autor des-
creve a femea que não era conhecida.
Ohaus, Fr. Bericht über eine entomologische Reise
nach Central Brasilien. Stettiner Entomolog. Zeitung
1899 p. 204245.
O autor esteve desde Julho de 1898 até Fevereiro
de 1899 em Petropolis, dedicando seu tempo quasi ex-
clusivamente ao estudo do desenvolvimento dos besouros
Lamellicornios da familia Rutelidas. As larvas *vivem
em troncos velhos e podres de arvores e devem ser
guardadas isoladamente porque são muito rixosas e
mordazes. As larvas foram matadas em solução de
formalina de |-2º/ aquentada em tubinho de vidro
e depois conservadas em solução fria da mesma com-
posição. Foram especialmente estudadas as larvas de
Macraspis cincta e variabilis que são encontradas em
troncos podres da figueira brava. Os ovos que medem
2,5 mm. são depositados em distancia de 10 a 10 cen-
timetros no canal que o besouro está excavando e 3
semanas depois sahem delles as larvas. As larvas vivem
da madeira mas atacam-se tambem uma à outra. Esse
cannibalismo das larvas foi observado entre as larvas
ee ae
das Rutelidas e Melolonthidas mas näo naquellas das
Cetoniidas, Copridas e Dynastidas. A larva adulta de
Macraspis cincta mede 7—8 centim. e assemelha-se à
de Parastasia figurada por Schiddte18 74 vol. VIII PL X
fig. 1. Quando a larva se transforma em nympha a cuti-
cula da larva conserva-se ao redor della em contraste ao
que occorre nas outras familias dos Lamellicornios onde
essa cuticula se enrola numa massa pequena.
Os stigmas da nympha são dispostas numa fileira
mas a forma dellas é caracteristica para as diversas fa-
milias dos Lamellicornios. O tempo total do desen-
voivimento das larvas das Rutelidas é calculado em 2
—3 annos pelo autor, que com esse estudo bem infor-
Mou-nos sobre a metamorphose de uma familia sobre
cuja biologia quasi nada até hoje se soube.
Ohaus, Dr. Fr. Beitraege zur Kenntniss der Rute-
liden. Stettiner Entomolog. Zeitung 1897 p. 341—440.
Ohaus, Dr. Fr. Ruteliden der neuen Welt.
Stettiner Entomolog. Zeitung 1898 p. 12-03.
O Dr. Fr. Ohaus offerece nesses dous estudos ma-
teriaes para o conhecimento da familia mencionada de
Coleopteros, da qual é especialista. Podemos esperar
mais contribuições do mesmo autor e de um interesse
especial visto que no anno passado tem estudado em
Petropolis a biologia dos besouros desse grupo.
Schulz, W. A. Zur Biologie der südamerikaniphen
Cerambyciden Gattung Hippopsis. Entomolog. Nach-
rechten von Karsch vol. 25, 1899 p. 193 195.
Figura de H. truncatella Bates que se agarra num
raminho da capoeira pondo a cabeca e as antennas ao
longo do galho e para cima o abdmen, de modo que se
assemelha a um curto raminho secco. Caso bonito de
mimicry.
ai ieee
Hempel, A. Descriptions of three new species of
Aleurodidae from Brazil. Psyche vol. S N. 280. Aug.
1899 p. 394-395.
Aleurodes horridus occorendo no lado inferior da
folha da goiabeira, Al. fumipennis que vive sobre
gramma e Al. parvus nas folhas de Maytenus. De to-
das as tres especies é dada a descripçäo da nympha e
da femea. Foram achadas em S. Paulo.
Hempel, A. Descriptions of two new Coccidae of
the Subfamily Lecaniinae. Canad. Entomol. Vol. 30,
dO ON A men 7e
Descripção de Edwallia rugosa e Pulvinella pulchella
representantes de dous novos generos e especies. Veja-
se o artigo do mesmo autor nesta Revista.
Cockerell T. D. A. Three new Coccidae from
Brazil. Canad. Entomol. Vol. 31 1899 p. 43—45.
Descripção das especies novas Icerya hempeh,
Mytilaspis bambusicola e Mytilaspis argentata.
Rübsaamen E. H. Mittheilungen über neue und
bekannte Gallen aus Europa, Asien, Afrika und
Amerika. Entomolog. Nachrichten von H. Karsch vol.
25, 1899 p. 225—282 mit 2 Tafeln und 18 Figuren.
Entre as poucas galhas americanas descriptas nesse
importante estudo ha diversas recolhidos na Argentina
e uma em Sapindus sp. produzida por uma Cecidomyia
cuja larva é descripta. A galha consiste em deforma-
cao da flore foi recolhida em Rio de Janeiro pelo Snr.
Ule. A’ pagina 277 o autor trata das galhas de folhas
de Schinus molle colhidas em 1892 na Bolivia por O.
Kunze. A larvaé a de uma Psyllidae figurada p. 278.
— 985 —
O autor não conhece bem a respectiva littera-
tura. E” bem possivel que as especies de Psylla ob-
servadas por Scott (Transact. Ent. Soc. London 1882
p. 443 ss. Taf. 18) e von Ihering Entomol. Nachr.
{885 p. 129) sejam identicas.
lhering, H. von. Prejurzos causados em S Paulo
as laranjeiras por piolhos vegetaes. Revista Agricola
Seale, Vol UV, IS99 pe S92 GT:
thering, H. von. Praga do curuqueré. Revista
Agricaa, Sm Pato Vol ViASID pg. 231-23 3.
Hering, IH. von. Notas sobre as especies de As-
pideotus. Revista Agricola Vol. VI, 1900 p. 13-18.
Os piolhos vegetaes que mais communs se encon-
tram em laranjeiras na capital de S. Paulo são Chio-
naspis aspidistrae Sign., Mytilaspis citricola Pack.,
Lecanium hesperidum L. e Lecanum oleae Bern. A
esses tem de ajuntar-se ainda Ceroplastes floridensis
Comst. |
A praga de Curuquerê segundo lagartas e borbo-
letas remettidas 20 Musen Paulista pelo Dr. Francisco
Salles Gomes em Tatuhy é devida à Alletia argillacea
sendo pois alagarta amesma que na America do Norte
produz numerosos estragos sob a denominação de «cotton
worm.» Os processos para o tratamento da praga são
explicados no mencionado artigo.
As Coccidas que em Minas Geraes estragam as vi-
deiras segundo informações do Dr. Alvaro da Silveira
são determinadas pelo autor de Aspidiotus lataniae Sign.
Ha outra especie simillima em que as glandulas ceri-
feras faltam e que é A. camelliae Boisd. (1867), da
qual rapax Comst. é synonymo, sendo A. convexus
e cydoniae Comst. synonymos de lataniae. Em vista
da variabilidade das glandulas ceriferas o autor reune
as duas «especies» em uma.
— 586 —
Moreira, Carlos. Cuntra os inimigos. A. La-
voura Il Ser. Vol. V. Rio de Janeiro Agosto 1899
p. 140—144.
O autor tratando do Aspidiotus das videiras de
Minas determincu-o de A. cydoniae Comst. <A diffe-
rença entre a sua determinação e a do Dr. von Ihering
é só apparente em vista da synonymia acima exposta.
Pilsbry, H. A. and Vanattr, E. G. Morphological
and systematical notes on South American Land-
snails: Achatinidae. Proc. Ac. Nat. Science. Philadel
phia 1899 p. 366—374. Pl. XV—XVI
Esse importante estudo refere-se a animaes de cara-
codes do Brazil que para o respectivo estudo anatomico
foram pelo Museu Paulista remettidos ac Snr. Pilsbry.
Para Obeliscus calcareus Born da Bahia os auto-
res formam o genero Neobeliscus.
Para uma nova Stenogyra de Piquete é formado
o novo genero Callionepion com a unica especie CU, ihe-
ringi.
Pilsbry, H. A. New Species of Odontostomus from
Brazil and Argentina. Proceed. Acad. Nat. Sciences
Philadelphia 1898 p. 471—475.
Descripçäo das especies novas Od. paulista Pilsbry
e von Ihering de Iguape, Od. dautzenbergianus da Raiz
da Serra, degeneratus de Palmeiras, E. do Paraná, e
Od. iheringi Pilsbry e Vanatta da Sierra Ventana.
Pilsbry, H. A. Relations of The Land Molluscan
fauna of South America. Proceed. Acad. Natural
Screnees Philadelphia 1899 p. 226.
O animal de Partula como o do genero alliado
Achatinella tem o ureter direito e não reflexo, não
— 987 —
mostrando nesse sentido relaçäo alguma com os Bulimu-
lidas. Esses factos fallam em favor da antiga conne-
xão da America do Sul mediante terras antarticas
com a região australo-zelandica e polynesica. Partula
é um typo bem primitivo e antigo.
Noack, Fritz. Dic Pfahlwurzelfiule des Kaffees
eine Nematoden-Krankheit. Zeitschrift für Pflanzen-
Krankheiten Vol. VIII, Stuttgard 1998 p. 1—7 und
Tafel IV. Traduzido em Boletins do Instituto Agro-
nomico de Campinas 1899 p. 224
Referindo-se 4 doenga observada em Araraquara e
Campinas diz o autor «a podridäo da raiz mestre é
causada por nematoides que modificam a casca da raiz
de maneira caracteristica e accelerada por um cogu-
melo cujo mycelio penetra facilmente na casca cortical
espojosa, muito humida e anormal. A molestia é con-
tagiosa, as arvores doentes morrem».
No postscripto, acompanhado da estampa, o autor
“propõe o nome de Aphelenchus coffeae para o nema-
matoide sem figural-o ou descrevel-o.
O Snr. Noack, embora que era por annos empre-
gado do Instituto de Campinas, não conhece a publi-
cacão feita sobre o assumpto por aquelle Instituto. Seja
ella aqui registrada e isso especialmente porque é de
valor, contendo além das observações confirmadas por
Noack informações que faltam no estudo do Snr. Noack.
E” o «Relatorio sobre a molestia do cafeeiro no muni-
cipio de Araraquara» apresentado por H. Potel a 31
de Julho de 1895 e publicado no «Diario Official» de
10 de Agosto de 1895 em S. Paulo e no Relatorio do
Instituto de Campinas. Para esse estudo o Snr. Potel
teve a minha collaboraçõo como declara a p. 14328,
onde o nematoide é descripto e denominado Diplogaster
suspectus v Ih. Se o Snr. Noack tem razões certas
para collocar o nematoide no genero Aphelenchus o
nome devia ser Aphelenchus suspectus (Ih.). Não sou
de modo algum convencido de que esse verme produz
a doença em vez de entrar numa raiz ja doentia, mas
o insufliciente material que obtive não permittiu chegar
a conclusões certas e tambem o estudo do Snr. Noack
não foi acabado. Se o Dr. Germano Vert e outros
conhecedores da doença do cafeeiro do Rio do Janeiro
duvidam que a Meloidogyne exigua de Goeldi seja ©
causador daquella doença—ponto em que sou ao lado
do Dr. Goeldi, sem entretanto julgar bastante elncidada
a questio—quanto mais não serão permittidas as duvidas
por mim emittidas. Tive occasiäo de examinar raizes
doentes de Impatiens sultana em cujas nodosidades achei
a Meloriogyne exigua Goeldi. Isso deu-se no anno
passado nesta capital, tendo-me o respectivo jardineiro
da chacara do Dr. Antonio Prado exprimido a idéa
que as nodosidades pudessem ser provenientes de phyl-
loxera. As plantas affectadas morriam e essa observação
directa da influencia fatal da Meloidogyne não pode ficar
sem influencia sobre meu juizo. Quanto ao Diplogaster
suspectus o caso é bem differente. Voltarei ao assumpto.
Em compensação o Dr. Noack (veja aqui p. 560) duvida
que a Meloidogyne cause a doença do cafeeiro do Rio
de Janeiro! :
Michaelsen, W. Zur Kenntniss der Geoscoleciden
Südamerikas. Zoologischer Anzeige. Bd. 22, 1900
p. 93-50,
Descripçäo de algumas minhocas colligidas em
Nova-Petropolis pelo Dr. Ir..Ohaus; as especies são
Amyntas pallidus (Mchlsn.) de uistribuição vasta na
America do Sul e Fimoscolex ohausi representante de
nova especie e de novo genero.
Graff, L. von. Monographie der Turbellarven II
Triclada terricola (Landplanarien) Leipzig 1899.
Volume forte bem impresso e illustrado, de 574
paginas e accompanhado de um atlante de 58 estam-
— 989 —
pas dedicado às Planarias terrestres, lesmas tenras,
molles e frageis que no Brazil estão bem representadas
por numerosas especies de Geoplana. A boa represen-
tação do Brazil nessa magnifica monographia é devido
essencialmeute à collaboração dos Dis. Fritz Müller,
von Ihering e froeldi. Dispondo o Museu Paulista
da boa collecção e diversas especies bonitas novas pre-
tendo tratar em artigo especial do assumpto. Obser-
vo aqui apenas que o autor aproveitou bem tambem
as observações biologicas por mim feitas, mas deixou
de mencionar uma bem interessante, que talvez esque-
ci-me participar ao meu collega e amigo, referente ao
cannibalismo dessas lesmas. E’ o caso que observei
numa Geoplana que devorou outra, da qual a metade
ainda nac digerida pendurou para fora da pharynge.
Magalhães, P. S. de. Notes dW Helminthologie
Brésilienne, N° 9 et 10. Archives de Parasitologie,
II n. 2 anné 1899 pag. 2598-201.
Magalhães, P. $S. de. Hine sehr seltene Anomale
von Taenia solium. Centralblatt fiir Bakteriologie, Para-
sitenkunde und Infektionskrankheiten, Band XX VIT
1900 Jena pg. 00-08.
No primeiro desses artigos o autor trata da suffo-
cação de marrecas devido aos numerosos parasitos que
enchiam as vias respiratorias. O parasita é um Monos-
tomum de 12 mm. de comprimento que o autor deter-
minou de M. flavum Mehlis, julgando-o variedade de
M. mutabile Zeder. Na trachea duma gallinha Dr.
Magalhães achou outro parasita atê agora não obser-
vado no Brazil Syngamus trachealis von Siebold.
Na segunda nota citada o autor descreve uma
anomalia de Taenia solium dizendo o que posso confir-
mar que essa solitaria é bem rara no Brazil sendo a
especie commum Taenia saginata que é adquirida pelo
consumo de carne crua de gado vaccum. Não vi outro
estudo do mesmo auctor que tem o titulo: — Davainea
— 540 —
oligophora de Magalhães, 1898, et Taenia contaniana
Polonio 1860. Arch. de Parasitologie, tomo H, 1899,
p. 480—482t.
Heider, A. R. von. Ueber zwei Zoantheen. Zert-
schr. f. weiss. Zoologie Bd. 66, 1899 pg. 269—288
mit. 2 Tafeln,
Descripçäo das novas especies Palythoa brasilien-
sis e Gemmaria variabilis.
Periodicos recebidos em Permuta para a
Bibliotheca do Museu
America do Sul e Central
BRAZIL
Revista trimensal do Instituto Geogra-
phico e Historico Bahia
Boletim do Instituto Agronomico Campinas
Revista trimensal do Instituto do Ceara Fortaleza
Boletim do Museu Paraense Pará
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Revista do Instituto Archeologico e
Geographico Pernambuco
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Boletim da Commissäo Geographica e
Geologica São Paulo
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Revista do Instituto Historico e Geo-
graphico » »
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— 992 —
ARGENTINA, CHILI ete.
Anales del Museo Nacional Buenos Ayres
Comunicaciones del Museo Nacional
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‘evista Farmaceutica » »
Bolletin del instituto Geografico Ar-
gentino » »
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gentina » »
Bolletin de la Academia Nacional de
Ciencias Cordoba
Revista del Museu de la Plata La Plata
Anales del Museu de la Plata » »
{evista de la Faculdad de Agronomia
y Veterinaria » »
Actes de la Societé Scientifique du Chili Santiago
Anales de la Universidad »
Revista Chilena de Historia Natural Valparaiso
Bolletin del Museu de Historia Natural »
Anales del Museo de Montevideo
Bolletin del Instituto Geologico de
Montevideo
Mexico Mexico
Anales del Museu Nacional »
Memorias y Revistas de la Sociedad
Cientifica «Antonio Alzate» »
La Natureza »
Bulletin of the Botanical Department
of Jamaica Kingston
Proceedings of the Victoria Institute Trinidad
Annual Report of the Victoria Institute
America do Norte
Hatch Experiment Station, Massachu-
setts Agricultural College
Massachusetts Crop Report
Proceedings of the Boston Society of
Natural History |
Bulletin of the Museum of Comparative
Zoology at Harvard College
»
Amherst, Mass.
Boston Mass.
» »
Cambridge Mass.
— 093 —
Annual Report of the Curator of the
Museum of Comparative Zoology Cambridge Mass.
Memoirs of the Museum Comparative
Zoology » »
Publications of the Field Columbian Mu-
seum Chicago ill.
Bulletin of the Chicago Academy of Sei-
ence « »
Journal of the Cincinnati Society of
Natural History Cincinnati, Ohio
Proceedings of the Davenport Acade-
my of Science Davenport, lowa
Towa Academy of Science Desmoines »
Proceedings of the Indiana Academy of
Science Indianopolis, Ind.
Bulletin of the Experiment Station of
Florida Lake City, Fl.
The Kansas University Quaterly Lawrence, Kansas
Annual Report of the Public Museum Mihoaukee, Wis.
Publications of the Geological and Na-
tural History Survey of Ganada Montreal, Canadii
Transactions of the Connecticut Acade-
my of Science New Haven, Conn.
Transactions of the New-York Acade-
my of Sience New-York, N. Y.
Annals of the New-York Academy of
Science » »
Bulletin of the American Museum of
Natural History » »
Annual Report of the American Mu-
seum of Natural History » »
Journal of the New-Vork Entomologi-
cal Society » »
Rapport Annuel de la Commission Géo-
logique de Canada Ottawa, Canadá
Transactions of the Wagner Free Ins-
titute of Sciences Philadelphia, Pa.
Proceedings of the Academy of Natu-
ral Sciences » »
— 994 —
Proceedings of the American Philoso-
phical Society Philadelphia, Pa.
Proceedings of the Rochester Academy
of Science Rochester, N. Y.
Proceedings of the Californian Acade-
my of Sciences S. Francisco, Calif.
Annual Report of the Missouri Botani-
cal Garden St. Louis, Mo.
Transactions of the Kansas Academy of
Sciences Topeka, Kansas
Transactions of the Canadian Institute | Toronto, Canada
Proceedings of the Canadian Institute » »
Report of the Entomological Society of
Ontario » »
Bulletin of the Illinois State Laborato-
ry of Natural History Urbana Il
Biennal Report of the Biological Ex-
periment Stations » »
Smithonian Report, U. S. National Mu-
eum Washington, D.C.
Proceedings of the Biological Society » »
Annual Report of the Bureau of Eth-
nology by I. W. Powell » »
Annual Report of the Geological Sur-
vey by I. W. Powell » »
Report of the U. S. Commissionar of
Fish and Fishery » »
Bulletin of the U. S. Department of
Agriculture » »
Yearbook of the U. S. Department of
Agriculture » »
Bulletin of the U. S. National Museum » »
Europa
ALLEMANHA
Sitzungsberichte der Gesellschaft natur-
forschender Freunde Berlin
— 095 —
Mitteilungen aus der Zoologischen Samm-
lung des Museum fuer Naturkunde
Zeitschrift fuer Ethnologie
Sitzungsberichte der K. Akademie der
Wissenschaften
Sitzungsberichte des Naturhistorischen
Vereines
Verhandlungen des Naturhistorischen
Vereines
Abhandlungen des Naturwissenchaftli-
chen Vereines
Deutsche Geographische Blaetter
Mitteilungen aus dem Kgl. Zool. Museum
Publicationen des Kgl. Ethnologischen
Museum
Abhandlungen und Berichte des Kel.
Zool. Anthropologischen Museum
Berlin
»
»
Bonn
»
Bremen
»
Dresden
»
»
Der Zoologische Garten Frankfurt a. M.
Berichte ueber die Senckenbergische
Naturforschende Gesellschaft
Abhandlungen der Senckenbergischen
Naturforschenden Gesellschaft
Berichte der Naturforschenden Gesell-
schaft
Petermanns Geographische Mitteilungen
Berichte der Oberhessischen (Gesell-
schaft fuer Natur-und Heilkunde
Mitteilungen des Naturwissenschaftli-
chen Vereines für Neu-Vorpom-
mern und Ruegen
Nova Acta Academiae Caes. Leop. Carol.
Mitteilungen aus dem Naturhistorischen
Muserm
Jahrbuch der Hamburgischen Wis-
senschaftlichen Anstalten
Verhandlungen des Vereins fuer Natur-
wissenschaftliche Unterhaltung
Mitteilungen aus dem Rémer-Museum
»
Freiburg 1. Br.
Gotha
Giessen
Greifswald
Halle a. S.
Hamburg
»
Hamburg
Hildesheim
— 996 —
Jenaische Zeitschrift fuer Naturwissen-
schaften
Abhandlungen und Berichte des Verei-
nes fuer Naturkunde
Sitzunesberichte der Naturforschenden
Gesellschaft
Zeitschrift fuer Naturwissenschaften
Denkschriften der K. Akademie der
Wissenschaften (math. phys.
Klasse)
Hlustrirte Zeitschrift
Berichte des
Vereines
Mitteilungen aus dem Kgl. Naturalien-
kabinett
fuer Entomologie
Naturwissenschaftlichen
GRAN-BRETARHA
The Scientific Transactions of the Royal
Dublin Society
The Scientific Proceedings of the Royal
Dublin Society
Journal of the Linnean Society
Proceedings of the Linnean Society
Novitates Zoologicae
FRANÇA
sulletin de la Société d'Histoire Na-
turelle
Memoires de la Société Linnéenne de
Normandie
Bulletin de la Société Linnéenne de Nor-
mandie
Mémoires de VAcademie des Sciences
Annales de l'Université
Annales du Musée d’ Histoire Naturelle
Bulletin du Musée d'Histoire Naturelle
jomptes Rendues de Académie des
Sciences
Jena
Nassel
Leipzig
»
Muenchen
Neudamm
Regensburg
Stutigart
Dublin
»
London
»
Tring
Autun
Caen
»
Dijon
(Grenoble
Marseille
Paris
»
— 997 —
O
Bulletin Scientifique de la France e de
la Belgique
Revue des Cultures Coloniales
Revue des Travaux Scientifiques
AUSTRIA-HUNGRIA
Mitteilungen der Kgl. Ungarischen Geo-
logischen Anstalt
Jahresberichte der Kgl. Ungarischen
Geologischen Anstalt
Aquila
Természetrajzi Füzetek
Bulletin International de | Académie des
Sciences de Cracovie
Die Chronik d. Sevcenko Gesellschaft
«Lotos», Sitzungsberichte des Deutschen
Naturwissenschaftlich-medicinischen
Vereines fuer Bohmen
Jahresbericht der Kel. Béhmischen Ge-
sellschaft der Wissenschaften
Sitzungsberichte der Kel. Bohmischen
Gesellschaft des Wissenschaften
Evkônyve. Jahresheft des Naturwis-
senschaftlichen Vereines
Verhandlungen der K. K. Zool. Bota-
nischen Gesellschaft
Jahresbericht des Wiener Entomolo-
gischen Vereines
Jahrbuch der IX. IX. Geologischen Reichs-
anstalt
Verhandlungen der K. K. Geologischen
Reichsanstalt
Sitzungsberichte der K KR. Akademie
der Wissenschaften
Annalen des K. Ix. Naturhistorischen
Hofmuseum
Paris
»
»
Budapest
»
»
»
Crocovia
Leimberg
Prag
»
»
Trencsin
Ween
»
»
»
»
»
a
SUISSA, ITALIA, ete.
Boletin de la Real Academia de Cien-
cias y Artes
Bergens Museums Aarbog
Archiv for Mathematik of Naturvidenskab
Annali del Museo Civico di Storia Na-
turale
Géteborg Kôngl. Vetenskaps och Vit-
terhets-Sanhalles Handlinger
Entomolcgiske Meddedelser
Ryks Ethnographische Museum
Communicações da Direcção dos Tra-
balhos Geologicos de Portugal
Jornal de Sciencias Mathematicas, Phy-
sicas e Naturaes da Academia Real
das Sciencias
Annales de la Sociedad Española de
Historia Natural
Mitteilungen aus der Zoologischen Sta-
tion zu Neapel
Annaes de Sciencias Naturaes
Mitteilungen aus der Schweizer Ento-
mologischen Gesellschaft
Boletino dei Musei di Zoologia ed Ana-
tomia Comparativa
Tromsés Museums Aarshefter
Bulletin of the Geological Institution
of the University of
Raboti iz Laboratorii Zooloiczescago Ca-
bineta
Asia, Australia ete.
Annals of the Soath African Museum
Report ot the South African Museum
Annotationes Zoologicae Japonicae
The Zoological Magazin
Barcelona
Bei gen
Christiania
Genova
Goteborg
Kjobenhavn
Leiden
Lisboa
Lisboa
Madrid
Napoli
Porto
Schaffhausen
Torino
Tromsé
Upsala
Varsovia
Cape Town
»
»
Tokio
»
mr
Mitteilungen der Deutschen Gesellschaft
fuer Natur-und Voelkerkunde Ost-
asiens
The Journal of the College of Science
Proceedings of the Linnean Society of
New South Wales
Records of the Geological Survey of
New South Wales
Memoirs of the Geological Survey of
New South Wales
Records of the Australian Museum
Memoirs of the Australian Museum
Annual Report of the Trustees of the
Australian Museum
Annual Report of the Department of
Mines and Agriculture of New
South Wales
Transactions and Proceedings of the
New Zealand Institute
Tokio
»
Sydney
»
»
Weliington
— 600 —
ERRATA
No artigo do Dr. von Ihering, catalogo dos ninhos
etc. p. 191 foram por engano indicadas as paginas do
manuscripto do artigo do Sr. Euler. Assim por exem-
plo pag. 199 deve-se lêr na primeira linha Euler p. 9
em vez de Euler p. 3. Como o artigo do Sr. Euler
se acha no mesmo volume não será difficil rectificar a
paginação.
Pag. 158, linha 16, leia-se :— Dysithamnus guttulatus,
em vez de gutturals.
» 204, linha 13, leia-se :— 2015, em vez de 20—
| Pas) CL:
» 204 linha 27, leia-se :— “015, em vez de 20X95.
» 245, linha 8, leia-se :—25X 19, em vez de 15X19.
» 248, linha 5 leia-se :—cinzento-escuro, em vez de
brancas.
» 297, linha 21, leia-se :—täo, em vez de tam,
REVISTA DO MUSEO PAULISTA IV,1900
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REVISTA DO MUSEO PAULISTA: Iv. Est.
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Revista do Museu Paulista IV, 1900. Est.V.
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Revista do Museu Paulista IV, 1900. Est MES
A, Hempel del. Lith. Lichtenberger.
Revista do Museu Paulista 1V,1900. AMAR SENIE
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Revista do Museu Paulista IV, 1900. E st VII.
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Revista do Museu Paulista IV,1900. Est IX.
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Revista do Museu Paulista 1V,1900,
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Revista do Museu Paulista IV. 1900.
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