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REVISTA
- DO —
MUSKU PHULISWH
“TOMO XI
SÃO PAULO
TYP: DO “DIARIO OFFICIAL”
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or
PREFACIO
Dada a longa serie de annos em que esteve a
publicação de nossa Revista interrompida ainda sahe
o presente tomo com perto de mil paginas de texto,
avclumado sobretudo pela necessidade de se dar à
parte bibliographica consideravel extensão visto
como no tomo X, não se poudera por excesso de
trabalhos extraordinarios, fazer a critica, nem o re-
sumo, das obras recebidas pela Bibliotheca do Mu-
seu, relativas aos estudos das Sciencias Naturaes no
Brazil. O tomo XII, que a este seguirá e cuja
impressão deverá estar terminada dentro de poucos
mezes, terá approximadamente 760 paginas.
E’ o nosso intento publicar maior numero de
volumes com menor numero de paginas. Os nove
volumes da serie publicada de 1895 a 1914 — ou
seja um volume de dous em dous annos, ou mes-
mo um pouco mais do que isto — representam uma
média de 598 paginas, apenas, por volume, menos
de trezentas por anno, de trabalhos do Museu ou
de collaboração.
Pretendemos ao regularisar a publicação do
nosso orgão, fazer com que annualmente se edite
um tomo da Revista com 600 paginas de texto.
Entregando a publicidade o tomo XI da Re-
vista do Museu Paulista seja-nos permittido, antes
do mais, agradecer, penhoradissimo, a0 eminente
zoologo e nosso bom amigo sr. Prof. Alipio de
Miranda Ribeiro. a offerta da sua bella memoria
« Os veados do Brazil segundo as collecções Ron-
don e de varios Museus nacionaes e estrangeiros »
AT q
em que, com a sua grande autoridade, analysa os
pontos controvertidos que sobre as questões referen-
tes aos nossos cervideos existem. E tambem, pode-
mos affirmal-o, um trabalho do Museu Paulista pois
do nosso avaitado material, manipulado durante uma
estada de muitas semanas entre nós, em 1918, ser-
viu-se para as suas deducções e conclusões.
O sr. Julius Melzer é por assim dizer um na-
turalista honorario do nosso Museu onde, ha longos
annos, estuda, com afinco e amor, o ramo de ento-
mologia em que adquiriu fundos conhecimentos: a
coleopterologia. O seu bello estudo com que temos
o prazer de abrir o presente volume: Os longi-
corneos brazileiros da sub-familia Prionine & um
trabalho do Museu Paulista. Realisado em grande
parte nos nossos laboratorios e na nossa bibliotheca
representa o aturado esforço do nosso brilhante
collaborador de cuja companhia desde muito nos
ufanamos e comprazemos.
Os Manguesaes de Santos representam interes-
santissimo estudo physico-zoo-botanico de uma re-
gião de aspectos curiosissimos e tão mal conheci-
dos como essa dos mangues do nosso littoral. Le-
vado a cabo com extrema consciencia pelo distincto
e infatigavel naturalista do Museu, o sr. H. Lue-
derwaldt, é de leitura a mais amena e agradavel e
revela uma série de conhecimentos realmente pre-
ciosos. Verteu-a com extrema fidelidade para um
portuguez saboroso, dotado de verdadeiro realce
vernaculo e litterario o sr. dr. Edmur de Souza
Queiroz, perfeito conhecedor da correspondencia dos
dous idiomas.
Além destas tres volumosas memorias que to-
mam mais de 400 paginas do tomo citemos ainda:
as duas contribuições do dr. John T. Nichols, o
eminente ichtyologo do American Museum of Na-
tural History, em que nos revela a existencia de
um genero e tres especies novas de cascudos bra-
zileiros, descobertos no material do nosso Museu, os
tres valiosos artigos do sr. Luederwaldt Sobre os
SO la
crustaceos do Estado de S. Paulo, a « Influencia da
geada sobre a tiora indigena e estrangeira dos ar-).
redores de S. Paulo especialmente no Ypiranga » eu
sobre a biologia de um lepidoptero. Ze
Duas novas especies de coccidas revela-nos o 7
Sr. Dr. Adolpho Hempel, cuja palavra é tão auto- +.
risada no assumpto, como sabem todos. O nosso
tão prezado quanto erudito collaborador Dr. Mello
Leitão com a competencia que todos lhe conhecem
no assumpto escreveu uma serie de excellentes notas
sobre uma collecção do Museu anteriormente ma-
nipulada pelo eminente arachnologo E. Simon.
A’ série de novos trabalhos scientificos liga-se
o artigo do nosso douto e prezado collaborador Dr.
I’. C. Hoehne que descreve uma Alstromenria nova
dos arredores de S. Paulo com a segurança e
minucia que lhe são peculiares.
A’ grande jornada de Neiva e Penna que tantas
revelações scientificas veio trazer consagra o signa-
tario destas considerações algumas paginas, dese-
jando resumir. para que se lhe dê maior divulgação,
pelo orgão da Revista, o monumental Relatorio dos
dous illustres scientistas e patriotas.
Completaram esta parte do tomo as homena-
gens prestadas as memorias do nosso joven, ines-
quecivel e eminente collaborador de tantos annos o
Dr. João Florencio Gomes, do sabio mineralogista
patricio o Dr. Costa Sena, do incançavel e douto
| botanico Alberto Lüfgren (cuja vida fiel e expres-
sivamente descreveu Julio Conceição ), do notavel
paleo-icthyologo Dr. Charles R. Eastman que du-
rante mezes trabalhou comnosco.
A’ Bibliographia relativa aos annos de 1913 a
1919 precisamos dar larga extensão, resolvendo
“além de tudo fazer, dos livros apontados nos seus
diversos artigos um resumo orientador dos nossos
leitores. (remos com isto prestar real’ serviço aos
que, no nosso paiz se occupam de sciencias naturaes
sobretudo pelo facto de lhes apontarmos a existen-
cia de obras de que talvez não tivessem conheci-
mento, não fossem as nossas indicações.
UP
N'um paiz como o nosso. immenso, ha a maior
dispersividade. Innumeras são as obras, por vezes
valiosas, publicadas nas suas diversas regiões e que
nem siquer frequentemente chegam aos maiores esta-
belecimentos para onde naturalmente deviam ter a
primazia do encaminhamento e da natural concen-
tração como a Bibliotheca e o Museu Nacional por
exemplo.
Bem sabemos quanto a nossa bibliographia é
lacunosa, mas acreditamos que em todo o caso re-
presenta uma contribuição de pequeno valor para a
organisação de trabalho identico, effectuado algum
dia em larga escala por especialista que a elle se
consagre, de corpo e alma. Já a seara é immensa
e precisa desde logo ser trabalhada.
Para a confecção do nosso modesto ensaio ti-
vemos a valiosa collaboração dos Srs. Drs. Adolpho
Hempel, F. C. Hoehne, H. Luederwaldt e Julio
Melzer a quem penhorados agradecemos o excel-
lente auxilio que nos prestaram.
A’ bibliographia segue-se a relação summaria
dos documentos pertencentes à doação tão valiosa
feita ao Museu pela Exma. Sra. D. Lydia de Souza
Rezende. A falta de tempo — observamo-lo na in-
troducçäo a tal catalogo —, não nos permittiu fazer
o exame dos papeis, de que agora só damos o ar-
rolamento.
Completa emfim o volume o relatorio a que ti-
vemos a honra de apresentar ao Exmo. Sr. Dr.
Oscar Rodrigues Alves, Dignissimo Secretario do
Interior do Estado de sao Paulo e relativo ao anno
de 1918, relatorio que traz em appenso o summario
das reclamações feitas à Directoria do Museu pelo
antigo Director do Instituto o Dr. Ihering e da so-
lução que tiveram.
Desejavamos muito poder illustrar a nossa Re-
vista profusa e brilhantemente, mas não foi possivel
ainda desta vez faze-lo pela extraordinaria carestia
das contribuições das artes graphicas.
Penhorados agradecemos aos dignos Srs. Dire-
ctor e Gerente do Diario Official, Sr. Horacio de
4
— Vil —
Carvalho e Dr. Bento Lucas Cardoso o servicalismo
com que nos ajudaram. Ao Sr. Ruben Leal, ze-
loso chefe das officinas os nossos agradecimentos
pelo cuidadoso carinho com que encaminhou o tra-
balho da impressão do presente volume. Assim
tambem a seus auxiliares Srs. P. Gonzalez, Albino
Collazzi e Antonio Correia Netto.
E seja-nos ainda permittido consignar os nossos
agradecimentos a0 digno chefe do serviço de enca-
dernação do Deario, Sr. Julio Moreira e ao pessoal
a quem dirige, pela presteza e amabilidade com que
fizeram a encadernação do volumoso tomo X, grosso
livro de mais de mil paginas, num lapso de tempo
realmente curto, antes do prazo anteriormente fixado
como indispensavel para a confecção do volume.
Neste trabalho desvelou-se o Sr. Moreira em servir
ao Museu. Atrazada, e muito, como estava a dis-
tribuição da Revista foi-nos a antecipação muito
proveitosa pois graças a ella pudemos dar mais ra-
pidamente aos nossos correspondentes de todo o Uni-
verso uma nova prova de real e forte vitalidade
do Museu.
Affonso d'Escragnolle Taunay
Professor na Escola Polytechnica de São Paulo,
Director do Museu Paulista, em Commissão.
São Paulo. 1.º de Dezembro de 1919.
e
RPA TOY
INDICE GERAL
PREFACIO . SAN va Ed ae US Ne
Junius MeLZER: Os longicorneos brazilerros
da subfamilia Prionine (com dez es-
tampas fóra do texto ).
ALrrrio DE MIRANDA RiBEIRO: Os veados do
Brazil segundo as collecções Rondon
e de varios Museus nacionaes e estran-
geiros ( com vinte estampas e um mappa
fora do texto) .
HERMANN LUEDERWALDT: Os manguesaes de
Santos (com uma estainpa fóra do texto) .
JoHN TREADWELL NícHoLS: Cascudos bra-
zileiros do genero Plecostomus do Mu-
seu Paulista.
HERMANN LuEDERWALDT: Lista dos crusta-
ceos superiores (Thoracostraca) do Mu-
seu Paulista que foram encontrados no
Estado de S. Paulo .
HERMANN LUEDERWALDT: Observações sobre
as consequencias da geada, sobre a flora
indigena e estrangeira representada no
Horto Botanico do Museu Paulista e suas
mmunedeações.
ApotpHo HempeL: Duas novas especies de
Coccidas (com uma estampa fóra do
texto) . ER PSA ARR ce UE A OS "th
HERMANN LUEDERWALDT: Sobre a biologia do
Tanaphysa adornatalis, Warren (Lep.)
(com uma estampa fóra do texto )
ho
=)
IF
MeLLo Lerräo (GC F. pe): Legeiras notas
sobre uma pequena collecçäo de «ra-
neidos do Museu Paulista determinados
por S. Simon (com uma estampa fora
do texto ). aa
Frenerico C. HoranNE: Uma alsiromenra
nova dos arredores de S. Paulo ( com
uma estampa fóra do texto )
AFFONSO D EscRAGNOLLE TAUNAY: Uma gran-
de jornada scientifica: a vagem de
Neroa e Penni vi ee Lee ale Meee
JoHN TREADWELL Nicnors: Um novo ge-
nero de cascudos da familia Loricari-
e Rn Oh Derk!
Necrologios :
Juzio Conceição : Dr. Alberto Lofgren.
Arronso DE. Taunay: Dr. João Florencio
Gomes. ETC PRN a One
Arronso DE. Taunay: Dr. Joaquim Candi-
do da Costa Senna RAS ASTM
Arronso DE. Taunay: Dr. Charles Roches-
ter Eastman |
Bibliograplua :
Anthropologia, Ethnographia etc.
Botanica
Geologia, Mineralogia ete.
AQolomiaris Rd
Appendice.
Indice de autores aa
Relação dos documentos doados 20 Met por
d. Lydia de Souza Rezende
Relatorio da Directoria do Museu e referente
ao anno de 1918 io E
Annexo ao Relatorio: Reclamações do antigo
director Dr. Ihering
463
481
JULIUS MELZER
OS LONGICORNEOS BRAZILEIROS DA NUB-FAMILIA
“PRIONINZ ”
OSS)
0s Longicornos Brazileiros da sub-familia
“PRIONINÆ ”
Tomando em consideração particular as especies
DO
ESTADO DE SÃO PAULO
As Prioninæ formam a primeira das tres sub-
familias, que constituem a familia dos Longicornios ou
Cerambycidos e em comparação com as duas outras
riquissimas em generos e especies, são pouco nu-.
merosos. Assim o «Coleopterorum Catalogus aus-
piciis et auxilio W. Junk editus a S. Schenkling,
Pars 92, 1913, A. 1 ameere : Prioninse » está enu-
merando um total de 620 especies, porém, ro Brasil
encontram-se apenas 69, sendo entretanto provavel,
que novas descobertas augmentem ainda tal nu-
mero um pouco.
Os Prionideos em geral são de tamanho bem
acima da media e tem vida escondida por baixo da
casca das arvores etc., pouco habeis no uso das
azas e apparecem sómente de noite ou ao escurecer.
Estas especies tem geralmente côr mais ou menos
escura e raras vezes, sômente, mostram um desenho
nos elytros, emquanto as especies diurnas, que for-
mam a minoria, se distinguem pelas cores mais
vivas e atè metallicas.
Já o tamanho destes longicornios permitte julgar
que necessitam condições especiaes para a vida, exi
gindo a larva abundancia de madeira para seu nu-
trimento, e como os adultos, pesados e pouco ageis
mostram pouca habilidade no vôo, sómente as mat-
tas virgens pódem offerecer estas condições, e isto
Ne"
tanto mais, quanto as larvas, como na maioria dos
casos talvez seja, se aproveitam sómente dos troncos
mortos para a alimentação.
As condições para colleccionar estes ceramby -
cideos são por tal causa pouco favoraveis e é este o
motivo pelo qual até hoje tão pouco se sabe da biologia
dos mesmos e muitas especies quasi estão desco-
nhecidas e d'uma raridade extraordinaria nas col-
lecções. O attributo «raro», porém, não é admis-
sivel para os insectos, pois, onde encontram as
condições sufficientes para sua vida, hão de ser
achados en. abundancia, é necessario sómente, co-
nhecer-lhes os costumes e a biologia. Um bom exem-
plo, a favor desta hypothese, fornece. o Quercivir
Zikani, descripto mais além, e que, até hoje des-
conhecido, foi collecionado pelo sr. Zikän em quan-
tidade regular, depois que conseguia descobrir as
arvores de alimentação, das quaes tirou larvas,
nymphas e imagines. |
O meio mais pratico e mais efficaz para col-
leccionar os adultos das especies nocturnas deve ser
o emprego d'uma lampada forte ( ca. de 200 velas )
ao escurecer nas mattas, e um habil coleccionador
“dest'arte juntará facilmente uma immensidade de
todas as especies de insectos.
Sobre os Prionideos encontram-se na literatura
diversas obras. Os auctores mais antigos que se oc-
cuparam com esta materia são Olivier, Latreille e Ser-
ville. Mais tarde, nos annos de 1860 e 1864, J.
Thomson tratou outra vez da mesma e no anno de
1869 Lacordaire publicou sua afamada « Genera ».
Recentemente A. Lameere se dedicou novamente a
este assumpto n'uma obra, publicada nos « Annales »
respectivamente « Mémoires de la Société Entomo-
logique de Belgique » nos annos de 1903 até 1912,
editado tambem num livro sob o titulo « Révision
dos Prionides », fornecendo o auctor nos « Annales
de la Socièté Entomologique de France, Vol.
LXXXIV, 1915, p. 282 » sob o titulo « Note, sur
quelques PRIONINAE de la collection E'm. Gou-
nelle » um valioso supplemento. Esta excellente mo-
SS -—
nographia junto com o catalogo, acima mencionada,
hoje formam a base mais fundamental para o es-
tudo desta subfamilia, e é deste catalogo, que tomei
os dados sobre as synonymias, completados, onde o
caso o exigir, seguindo tambem a classificação, que
o auctor da « Révision » deu.
Para a facil comprehenção das descripções julgo
de conveniencia, offerecer algumas explicações da
nomenclatura empregada.
O corpo é dividido em 3 partes: cabeça, thorax
e abdomen.
I. Cabeça Na cabeça são de importancia: O
apparelho buccal composto do labro, das mandibu-
las, das maxillas com os respectivos palpos, do mento
com a lingueta, e o labio, sendo este munido tambem
com um par de palpos, e do submento. O epistomo ou
clypeo é a parte anterior da fronte e geralmente bem
distinctamente separado desta por uma sutura. O
vertice é a parte occipital que segue a fronte. As
antennas, de 11 ou mais articulos nascem numa
cavidade apropriada, cujas bordas são obtusas ou
mais ou menos salientes e irregulares, formando as
vezes tuberculos. O primeiro articulo antennar, ge-
ralmente bastante grosso, é denominado « scapo »,
o segundo em geral é muito pequeno e até as ve-
zes escondido na ponta do scapo, os restantes podem
ser de forma e comprimento diversos, cylindricos ou
comprimidos, com ou sem carenas, com ou sem uma
ponctuação fina e densa, e assim chamada ponctua-
ção porifera. Frequentemente os cantos postero-in-
ternos dos mesmos são salientes em um dente mais
ou menos desenvolvido, dando assim a antenna o
aspecto d'uma serra, e em diversas especies espe-
cialmente os 4 4 mostram nestes artículos um pro-
cesso laminar, dando assim a antenna o aspecto
d'um pente ou até d'um leque; si assim for, as an-
tennas são pectineas ou flabelliformes. Os olhos
sempre transversaes, as vezes são muito volumosos
e em certas especies de tal maneira, que elles estão
separados na fronte bem como em baixo apenas por
uma pequena carena, sua granulação pode ser grossa,
aly Ce
meio ou sub-grossa ou fina. A borda anterior do
olho forma uma linha mais ou menos recta ou mostra
um forte sino ou recorte no terço superior, sendo
então denominado «fortemente sinuoso ». A parte
lateral da cabeça limitada em cima pela inserção da
antenna e posteriormente pela borda anterior do olho,
a face, é mais ou menos saliente e aguda e tem o
nome : « processo jugular ».
ll. Thorax. O thorax compõe-se de 3 seg-
mentos ( anneis) denominados: Prothorax, meso-
thorax e metathorax, tendo a parte dorsal o nome:
«noto» (notum ) e a parte ventral o de «sterno»
(sternum ). Assim temos os: pronoto, mesonoto e
metanoto bem como os: Prosterno, mesasterno e
inetasterno. As partes lateraes, bem separadas nesta
subfamilia do respectivo noto por uma carena e do
respectivo sterno por uma sutura são denominados :
«episterno ». Estes episternos encontra-se nos 3
segmentos do thorax e por conseguinte ha episternos
pro-meso e metasternaes. De particular interesse são
os episternos metasternaes para a classificação, poden-
do elles ter a forma d'um parallelogrammo, isto é, com
as bordas lateraes parallelas por todo o seu compri-
mento e então a face posterior larga, ou uma ou as
duas bordas lateraes ; podem declinar em curva mais
ou menos suave posteriormente e formar um ponto
mais ou menos agudo ; neste caso elles são « restrin-
gidos posteriormente ». As pernas, os elytros e as azas
estão fixadas ao thorax, sendo uma de cada das tres
pares de pernas no pro-respectivamente meso-resp.
methatorax, no mesothorax encontram-se ainda os
elytros e no metathorax as azas, as quaes estão escon-
didas pelos elvtros. Entre a base das pernas anteriores,
as coxas, ve-se uma saliencia do prosterno geralmente
em forma de arco, denominado « processo proster-
nal». Esta mesma parte do mesosterno, com o nome
de « processo mesosternal » forma uma lamina ou
chapa mais ou menos larga, inclinada ou horizontal.
Do prothorax toda a parie dorsal ou pronoto
é visivel, mas em geral no mesonoto a maior parte
está coberta pelos elytros ficando a vista sómente
(oom
uma chapa relativamente pequena e mais ou menos
triangular, que tem por nome: « scutello ». O meta-
noto, geralmente completamente coberto pelos elytros,
só excepcionalmente está visivel em parte.
Os articulos das pernas são denominados : Coxa,
trochanter, femur, tibia e tarso, sendo o ultimo ar-
ticulo tarsal munido de unhas.
HI. Abdomen. O abdomen mostra em baixo
D ou 6 segmentos. O primeiro segmento visivel
tem entre as pernas posteriores uma saliencia, que
em geral é de fórma Jum triangulo estreito e
agudo, mas excepcionalmente póde ser bastante largo
e arredondado posteriormente. Esta saliencia é de-
nominada : « processo intercoxal do abdomen». O
ultimo segmento dorsal do abdomen tem por nome
de: « pygidio ». ,
Lacordaire classificou da seguinte maneira as 3
subfamilias dos Cerambycideos :
]. Ultimo articulo dos palpos não agudo. Ti-
bias anteriores sem sulco obliquo na borda
interna.
1. Lingueta córnea; pronoto distincta dos
epipleuros prosternaes. (Coxas anterio-
res fortemente transversaes.
Prionine.
2. Lingueta geralmente membranifórme ;
pronoto só raras vezes distincto dos
epipleuros prosternaes. (Coxas anterio-
res de forma muito variavel.
Cerainbycine.
II. Ultimo articulo dos palpos agudo. Tibias
anteriores com um sulco obliquo na borda
interna.
Lamune.
Sendo assim as Lamiinæ bem nitidamente clas-
siflcadas, com as outras duas subfamilias podem
ES do
aparecer duvidas, pois existem especies da segunda,
que tem as coxas anteriores transversaes, ou as bor-
das lateraes do prothorax distinctas ou a lingucta
córnea. Não ha porém especies,. que mostrem
estas qualidades conjunctas e que pertence a subfa-
milia das Cerambycinæ, offerecendo por causa disto
a classificação poucas difficuldades.
Convem mencionar ainda, que diversos ento-
mologistas admittem sómente duas subfamilias, as
Cerambycitæ e Lamiitæ.
Seja-me permittido ainda, assis aqui os
meus sinceros agradecimentos ao Exmo. Sr. Dr.
Affonso dE. Taunay, muito digno director do Museu
Paulista, que, alem de outras finezas, gentilmente
poz ao meu alcance a rica bibliotheca bem como
as collecções do Instituto, aos Srs. Lüderwald, E.
Garbe e Dó, pelas amabilidades, que me dispensa-
ram, ao eminente botanico Sr. Dr. F. C. Hoehne,
a gentil determinação de plantas, que lhe pedi,
assim como ao talentoso desenhista Sr. J. Domingues
dos Santos, autor das estampas annexas.
JULIUS MELZER,
I.
JE
CHAVE
Bordas lateraes do prothorax näo dilatadas, sim-
ples, nem crenadas nem munidas com espinhos.
Terceiro articulo dos tarsos não bilobado.
a)
b)
Antennas curtas, os articulos a contar do
3.º, na borda interna com 2 fossos pori-
feros separados por uma carena. Todas as
tibias com dois espinhos na ponta. Pro-
cesso intercoxal do abdemen nas ¢¢ nor-
mal.
Parandrina.
Antennas sem fossos poriferos na borda
interna. Tibias posteriores com sO um ou
sem nenhum espinho na ponta. Processo
intercoxal do abdomen nas ¢¢ muito lar-
go e arredondado.
Anoploderminr.
Bordas lateraes do prothorax mais ou menos
dilatadas, crenadas ou espinhosas. 3.º articulo
dos tarsos fortemente bilobado.
A.
Borda anterior dos olhos não ou apenas
sinuosa (1). Olhcs sempre grossamente
granulados.
c) Primeiro articulo das antennas do com-
primento ou mais comprido que o 3.º
Bordas lateraes do prothorax crenadas.
d) Cantos anteriores do prothorax salien-
tes, mais ou menos avançando aos la-
dos da cabeça. Tuberculos antenniferos
(1) Excepto algumas especies do genero Strongylaspis,
que tem os olhos fortemente sinuosos na borda anterior.
— 10 —
frequentemente salientes por cima da
‘ . Ea
cavidade da inserção das antennas.
Slenodontini.
d') Cantos anteriores do prothorax
obtusos. Tuberculos antenniferos
deprimidos.
e) Lingueta grande e bilobada.
Bordas lateraes do prothorax
fortemente dilatadas ou pros-
terno lateralmente fortemen-
te engrossado.
Busitomine.
e) Lingueta pequena e inteira.
Bordas lateraes do prothorax
não dilatadas nem o prosterno
engrossado nos Jados.
Raphipodine.
c) Primeiro articulo das antennas mais
curto que o terceiro. Bordas lateraes
do prothorax crenadas ou espinhosas.
f) Bordas lateraes dos elytros não
ou apenas dilatadas. Lingueta
pequena e inteira. Scutello muito
convexo e coberto com uma gra-
nulação muito rugosa.
Architypini.
f’) Bordas lateraes dos elytros dila-
tadas. Lingueta grande e bilobada.
Scutello declivo, plano, no maxi-
mo grossamente ponctuado.
Titanene.
B. Borda anterior dos olhos fortemente sinuosa.
Granulação dos olhos grossa, subgrossa
ou fina.
a Dr
g) Palpos de comprimento normal, menos
compridos que a cabeça, este sem es-
pinho em cada lado por traz dos olhos.
h)
Primeiro articulo tarsal largo e
não ou apenas do comprimento
dos 2º e 8.º conjunctos.
i)
Olhos grossamente granula-
dos.
3° articulo das antennas
muito comprido.
Callipogoninr.
Olhos finamente granulados.
3° articulo das antennas de
comprimento diverso, geral-
mente sO pouco mais com-
prido que o 4º.
R)
k )
Bordas lateraes do pro-
thorax normaes, dilata-
das e crenadas anterior-
mente até os cantos
lateraes. Olhos não cir-
cundando em baixo a
cavidade da inserção :
das antennas. Cor em
geral metallica.
Derancistrini.
Bordas lateraes do pro-
thorax não ou apenas
- dilatadas e fortamente
abaixadas anteriormen-
te. Olhos circumdando
em baixo a cavidade da
inserção das antennas.
Côr em geral não me-
tallica.
Anacoli.
ae ES
h') Primeiro articulo tarsal ao menos
das pernas posteriores estreito e
mais comprido que os 2º e 3º
conjunctos.
Closter.
Palpos do comprimento ou mais com-
prido que a cabeça, esta munida em
cada ladoe um pouco aquem do olho
com um forte espinho.
Psalidognathine.
PARANDRINTI
Lmr. Ann. Soc. Ent, Belg. XLVI 1902,
p. 59). ( Rév. p. 1) Mem. Soc. Ent.
Belg. XXI, 1912, p. 113 ( Rév. p.
977), p. 180 ( Rév. p. 1044) Col. Ca-
talog. Junk-Schenkling, 1915 Pars.
52 Lmr. Prion, p. 3.
Parandree
Blanch. Hist. Nat. Ins. II, 1845, p. 134.
— J. Thoms. Classif. Céramb. 1860,
p. 262; Mus. Scient. 1860, 73; Syst.
Céramb. 1864, p. 316. — Lacord Gen.
Col. VIII, p. 21. — Lmr. Mém. Sc.
Ent. Belg. XXI, 1912, p. 180. ( Rév.
p- 1044). Col.— Catalog. Junk-Schen-
kling, 1913, Pars 52, Lmr. Prioni-
nae, p. 4.
Sob a denominação « Parandrini » (Révision
des Prionides, p. 1, 977 e 1.044) Lameere juntou
. os dois generos Parandra e Erichsonia, dos quaes
sómente o primeiro tem representantes no Brazil,
emquanto o segundo é conhecido do. Mexico.
O genero Parandra foi fundido por Latreille, e
na sua monographia sobre o mesmo J. Thomson
(1360) descreve 17 especies e, tratando do mesmo
assumpto ( Physis I, 1867). numa nova revisão, ja
indica 39. Este auctor julgou ( Classif, Céramb.
1860, p. 262, e Syst. Céramb. 1862, p. 316) pre-
cisar excluir este genero dos longicornios a que
Lacordaire na sua obra ( Gen. Col. VIII, 1869, p.
21) juntou às Prioninae, denominando-o « Prioni-
des aberrantes », devido o estado primitivo dos tar-
sos e a pubescencia incompleta dos mesmos.
A questão, si estes coleopteros deviam ser in-
cluidos ou não na familia dos Cerambycidos, oc-
cupou ainda diversos outros auctores, por exemplo
RATE AVE
H. W. Bates ( Trans. Ent. Soc., 1869, parte I, p.
39) e definitivamente foi assentada com a desco-
berta e a descripção das larvas e nymphas, que
forneceram (1) Usten-Sacken, Lameere, Synders,
Gahan, Hart e Heller, e dos quaes ultimamente
tambem se occupou Fred B. Brooks numa interes-
sante brochura « The Parandra Borer As An Or-
chard Enemy » — United States Department of Agri-
culture, Bulletin n. 262, Washington D. C. July 19,
1915, tratando a Parandra brunnea Fabr.e forne-
cendo bonitas estampas.
Na sua «Révision des Prionides» Lameere
viu-se na necessidade de supprimir muitas das es-
pecies, criadas por Thomson etc., e tornou publicas
diversas especies novas, sendo 30 o numero das por
elle descriptas.
Genero Parandra Latreille
&. Cabeça valida, moderadamente mais estreita
que o prothorax. Mandibulas de cérea do compri-
mento da cabeça, quasi sempre falcatas e então com
a borda interna e particularmente na sua base di-
latada, horizontaes e com alguns dentinhos na bor-
da interna; a borda externa mais ou menos des-
envolvida, e com uma carena geralmente semi-ob-
tusa na face superior. Boca larga, palpos mediocres,
superando os maxillares aos labiaes com o ultimo
articulo, o ultimo articulo oblongo-oval, labio fre-
quentemente densamente hirsuto. Olhos transver-
saes, fortemente granulados, só ligeiramente sinuo-
sos na borda anterior. Antennas curtas, chegando
approximadamente ao meio do pronoto, de 11 arti-
culos, sendo o scapo cylindrico, grosso, curto e um
1) Osten-Sacken, Proc. Ent. Soc. Philad. I, p. 1862,
p. 118, t. I, f. 6 m - Lameere, Mém. Soc. Liége 2 XI, 1884,
11; p.1.-- K.M. Heller, Stett. Ent. Zeit. LXV, 1904, p. 385.
Snyder, U. S. Dept. Agric. Ent. Bull. 94, I, 1910, p. I, fig.
t. 1-2 - Gahan, Journ. Econom. Ent. IV, 1911, p. 299. Hart.
Rep. Ent. Illinois: XXVI, 1911, p. 68, fg..., conforme indica
Lameere Col. Catalog. Junk-Schenkling, Pars 52, p. 4 e 5.
a (UE) —
pouco mais comprido que o 3.º articulo, os 3.º até
10.” articulos sub-eguaes e ligeiramente dentados in-
teriormente, o 11.º articulo do duplo do 10.º, os
3.º até 11.º munidos na borda interna de dois fos-
sos (1) poriferos. Prothorax transversal, os cantos
posteriores distinctos ou não, as bordas lateraes sim-
ples, anteriormente mais larzas e volumosos, o pro-
noto liso sem granulação e irregularidades; os an-
gulos lateraes ligeiramente marcados, às vezes fal-
tam por completo. Scutello mediocre, em triangulo
curvilineo. Elytros paralielos, um pouco mais lar-
gos que o prothorax, mediocremente convexos, con-
junctamente arredondados posterior: ente. Pernas
mediocres, comprimidas, femora sublineares, tibias
consideravelmente comprimidas. Tarsos mediocres,
muito estreitos, a pubescencia da sola incompleta,
entalha do terceiro artículo imperfeita ou quasi
nulla, 4.º articulo tarsal na sua base com um nó-
dulo bem visivel a este articulo mais comprido que
os tres precedentes conjuncios, entre as suas unhas
munido com um paronychiun com ou sem cerdas
na ponta. Ultimo segmento abdominal do mesmo
comprimento que o penultimo. Processo prosternal
pouco amplo, sobrepassando um pouco as coxas an-
teriores, a ponta inclinada e moderadamente dilata-
da. (O processo mesosternal estreito, obliquo e ca-
niculado. A cavidade coxal anterior aberta ou fe-
chada posteriormente, a cavidade coxal média aber-
ta lateralmente. Corpo glabro, lustroso e comprido.
2. As mandibulas, sensivelmente mais curtas
e massiças, não mostram mais a forma falcata. La-
bio sempre glabro. Prothorax na parte anterior
menos desenvolvido e assim mais delgado. Ultimo
segmento abdominal do duplo mais comprido que o
penultimo.
São todos coleopteros de tamanho médio e de
côr uniforme rufo-flava ou ferruginea, com o matiz
mais claro ou mais escuro, e sujeitos a variar con-
(1) Em algumas especies extrangeiras consta só um
fosse porifero na borda interna destes articulos.
D) —
sideravelmente nem sómente no tamanho mas sim
tambem na fórma do prothorax e das mandibulas o
que se observa particularmente na Parandra glabra
especie mais commum e espalhada por todo o Brazil.
As 30 especies enumeradas por Lameere estão en-
contradas em America, Africa, Australia, tendo tam-
bem representantes na Persia, nas ilhas Sandwich, Fi-
dji, Gelebes etc., o mundo novo porém contêm a maior
parte das especies, conhecendo-se até hoje 5 no Bra-
zil e que descreverei aqui. Não está porém fora da
possibilidade, que qualquer dia tambem seja achada
no territorio brazileiro, uma ou outra especie dos
paizes vizinhos, por exemplo a P. punclatissima
de Cayenne.
O genero Parandra foi repartido por Lameere
em quatro subgeneros, mas sómente dois dos mes-
mos têm representantes no Brazil, a saber: subgen.
Archandra Lmr. com P. expectata, P. longicollis,
P. glabra, P. Degeert e o subgen. Parandra com
P. Murrayi.
Estes longicornios vivem escondidos por baixo
da casca de arvores podres e, seguindo uma vida
nocturna, pódem ser colleccionados tambem de noite
na luz. Os adultos apparecem nos mezes de No-
vembro até Fevereiro. Sobre as especies das arvo-
res, que servem à larva como alimento, nada me
parece conste de positivo até hoje. As especies divi-
dem-se em duas secções.
I. SECÇÃO
Cavidade coxal anterior fechada posteriormente ;
o apice do processo prosternal sensivelmente dilatado.
Os articulos à até 11 das antennas na borda inter-
na com 2 fossos poriferos, separados por uma carena.
O paronychium tarsal bem visivel e munido com 2
cerdas, nascendo nos dois cantos extremos da ponta.
Esta secção classifica-se em duas divisões :
I. DIVISÃO
O submento sem sulco transversal perto da bor-
da anterior mas com ponctuação grossa e aspera. O
SPT ne
quadro dos olhos nos &< sensivelmente dilatado
posteriormente.
1. Parandra expectata, Lamecre
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVI, 1902,
p. 69 (Rév. p. 11). — Col. Catal.
Junk--Schenkling, 1915 Pars 52.
Lmr. Prion. p. 4. — Lmr. Ann. d. 1.
Soc. Ent. d. Fr. LXXXIV, 1915,
p. 283.
S Trapeziforme, comprida, rufo-flava ou fer-
ruginea, cabeça e antennas mais escuras, muito lus-
trosa e sem pontuação. Mandibulas falcatas, do
comprimento da cabeça, a borda interna bem dila-
tada na base, com um dentinho geralmente bem
visivel um pouco além do meio e mais alguns den.
tinhos perto da ponta, que em exemplares menores
desapparecem, a ponta bifida. a pontuação bem fina
e dispersa, a carena da face superior obtusa. Labio
densamente hirsuto. Olhos insignificantemente si-
nuosos na borda anterior, ovaes, com o quadro me-
diocramente dilatado posteriormente, passando com
o canto superior um pouco acima do nivel da in-
serção das antennas. Fronte ligeiramente sulcada
entre os olhos com uma pontuação finissima e muito
dispersa, observando-se sómente alguns pontos grossos
por traz dos olhos. Antennas do comprimento da
cabeça incluindo as mandibulas, os articulos com
algumas cerdas na ponta interna. Prothorax trans-
versal, 1/3 mais largo de que comprido com os
cantos posteriores bem desenvolvidos e marcados,
sendo os cantos anteriores abaixados e ligeiramente
arredondados. A ponctuação do proncto minutissi-
mo e perceptivel sómente com uma lente bem forte,
a borda anterior do pronoto ligeiramente sinuada.
O prosterno liso, o processo prosternal parallelo e
inclinado posteriormente. Scutello glabro, sem pon-
ctuação. Elytros parallelos, apenas um pouco mais
largos que o prothorax, base recta, apice conjuncta-
mente arredondado, convexos, um pouco aplanados
no meio, glaberrimos com uma ponctuação minu-
E | Mur
tissima e dispersa, só perceptivel mediante uia lente
forte. Processo mesosternal estreito, canaliculado e
ligeiramente obliquo. Metasterno glabro, lustroso,
sem ponctuação. Abdomen glabro, lustroso com
uma ponctuação finissima e dispersa no meio e que
é mais densa e grossa nos lados. Femora glabros,
subparallelos, sem ponctuação ; tibias bem compri-
midas. Os tarsos muito estreitos, o primeiro artículo.
um pouco mais comprido que o segundo e o ter-
ceiro um pouco menor que este, entalha do 3.º ar-
ticulo incompleta, estendendo-se sómente sobre a
parte antero-snperior, ficando assim a sola inteira e
não bilobada. A pubescencia da sola é incompleta
e muito curta deixando uma linha no meio glabra.
©. Mandibulas muito menores, sem dilatação
na borda interna e com um forte dente interno
basal. Quadro dos olhos diminuto na borda pos-
terior.
æ compr. 18-26 mm. larg. 5 1/4—7 1,3 mm.
q compr. 20-25 mm., larg 53/4-7—mm.
Hab. Passa Quatro, Estado de Minas idea
altura. de cerca de 1500 metros sobre o nivel do
mar. 10 dé e 7 GS, um d offerecido ao Mu-
seu paulista. — Lameere indica como patria desta
especie Argentina, Paraguay e o Brazil sem poder
detalhar a procedencia deste ultimo paiz. Sabe-se
agora, que este longicornio se encontra em Passa
Quatro, devendo porém ter um habitat muito mais
dilatado. Os adultos furam encontrados nos: mezes
de Dezembro, Janeiro e Fevereiro.
2. Parandra longicollis, Thomson
Mus. Scient. 1860, p. 83. — Lmr. Ann.
Soc. Ent. Belg. XLVI, 1902, p. 75
{ Rév. p. 17). — Col. Catalog. Junk-
Schenkling, 1913, Pars 52, Lmr. p. 4.
Parandra gracillima Bates, Trans. Eat.
Soc. Lond. 1869, p. 38.
&. Trapeziforme, comprida. rufo-flava, cabeça
e antennas mais escuras, lustrosa, com uma pon-
ctuação forte na cabeça e nos elytros. Cabeça com:
DTA
uma ponctuação grossa porém dispersa, mandibulas
falcatas, de comprimento da cabeça, finamente pon-
ctuadas, a borda interna bem dilatada com um den-
‘tinho um pouco além do meio e em exemplares
maiores observa-se ainda alguns dentinhos perto da
base, carena da face superior mais forte que na es-
pecie precedente, a ponta bifida. Labium rufo hir-
suto. Antennas chegando ao meio do pronoto. Olhos
pequenos, em fórma de pera, transversaes e seu
quadro muito desenvolvido na borda posterior de
moao que, vendo o besouro por traz, os olhos ficam
invisiveis, o canto superior não passando o nivel da
inserção das antennas. Prothorax subtrapeziforme,
geralmente um pouco mais comprido que largo (1)
com os cantos posteriores distinctos porém ligeira-
mente arredondados. A ponctuação do pronoto é
fina e dispersa. O prosterno é liso e o processo
prosternal parallelo ccm a ponta decliva e dilatada.
Scutello liso e glabro. Os elytros são parallelos,
rectos na base e conjunctamente arredondados pos-
teriormente, com uma ponctuação forte e profunda
e moceradamente densa. Metasterno com uma pon-
ctuaçäo finissima e dispersa, ficando um pouco mais
densa nos episternos metasternaes, glabro e lustroso.
Abdomen com uma ponctuação mais grossa e mais
densa que o metasterno. Femora glabros, subparal-
lelos com uma ponctuação identica a do metasterno.
Tibias fortemente compridas. ‘Tarsos muito estrei-
tos, os tres primeiros articulos curtos, decrescendo
proporcionalmente, o terceiro articulo com a entalha
para a inserção do ultimo articulo incompleto e
somente na parte antero-superior, a pubescencia por
baixo, embora mais desenvolvida que na P. expectata,
incompleta, deixando uma lirha no meio glabra.
2. Mandibulas curtas, com um forte dente
ligeiramente bifido interno basal. Quadro dos olhos
(1) Vi tambem exemplares 4 4, cujo prothorax es-
tava um pouco mais largo que comprido, correspondendo
porém todos os demais caracteristicos exactamente a diagnosa
de P. longicollis.
E Us
menos desenvolvido. Prothorax muito mais delga-
do com uma ponctuação medoradamente mais forte.
S. comp. 17—25 min. larg. 5 1/4—7 mm. q
comp. 18 mm. larg. 5. mm.
Hab. 2 4 & Piracicaba, 1 & Assis (Sorocabana
Est. S. Paulo) 1 & Mar de Hespanha ( Minas), 1
& Ypiranga (Est. S. Paulo, Museu Paulista), 1 q
Nova Friburgo (Est. Rio de Janeiro). Lameere
assignala o insecto do Estado de Espirito Santo e
Gounelle (Ann. d. 1. Soc. Ent. d. Fr. LXXVII.
1908, p. 590) registra elle de Jatahy, Estado de
Goyaz. Bates de sua parte colleccionou este longi-
cornio em Ega, Amazonas, dizendo textualmente:
« | took one exemple only of this species ( the only
Parandra found on the Amazonas) at Ega, under
the bark of a dead tree». A. P. longicollis além
disto encontra-se tambem, conforme Lameere avisa,
em Cayenne, Surinam e Columbia.
Esta especie facilmente se distingue da prece-
dente pela pontuação dos elytros. Os adultos appa-
recem nos mezes de Novembro, Dezembro e prova-
velmente até Fevereiro.
1.º DIVISÃO
O submento com um sulco transversal perto da
borda anterior e com uma pontuação mais dispersa, e
as vezes nulla. Quadro dos olhos quasi nullo nos &'d.
3 Parandra glabra, De Geer.
Mém. Ins. IV, 1774, p. 351, t. 19, fig. 14-
16. -- Gyll. em Schénh. Syn. Ins.
I, 3, App. 1817, p. 145. -- Lmr. Ann.
Soc. Ent. Belg. XLVI, 1902, p. 76.
-- Col. Catalog. Junk--Schenkling,
pars 52 Lmr. Prion. p. 5.-- A. lista
seguinte das synonymas é tirada de:
Lmr. Rev. p. 18
Attelabus glaber Degeer, Mém. IV, 1774,
D SL; ERIK EE: STA Le:
Scaritis testaceus Fabr., Eutom. Syst., IV,
1794, p. 437; Syst. Eleuth., I, 1801,
p. 123.
ra ©
Parandra glabra Gyll. Schônh.. Syn. Ins.
App., p- 145. — Thoms, Mus. scient.,
1860, p. 78.
Parandra ferruginea Sturm, Catal., 1826,
p. 78, t. IV, f. 33.
Parandra mandibularis Perty, Del. Anim.,
1830, p. 84, t. XVII, ft. 1. -- Toms.
Mus. scient, 1860, p. 78.
Parandra maxillosa Casteln, Hist. nat., II,
1840, p. 387. -- Thoms., Physis, I,
1867; p. 109.
Parandra lineolata Gory, Incon. Reg.
anim., 1844, p. 207, t. XLII, f. 7.
-- Thoms. Mus. scient. 1860, p. 79.
Parandra grandis Thoms., Mus, sciet.,
1860; pied:
Parandra colombica, Thoms. Mus. scient.
1860, p. 80.
Parandra barbata, Thoms. Mus. seient 1860,
p- 95.
Parandra occipitalis, Thoms. Physis, I,
1867, p. 108.
d. Trapeziforme, comprida, rufo-flava ou fer-
ruginea, cabeça e antenas mais escuras, muito lus-
trosa, com uma pontuaçäo fina e dispersa na cabeça
e nos elytros e que muitas vezes falta até completa-
mente. Cabeça valida, com uma pontuação mais
grossa porém dispersa por traz dos olhos.
Mandibulas falcatas, do comprimento da cabeça
e com uma pontuação finissima e dispersa, a borda
interna bem dilatada com um dentinho um pouco
além do meio, que em exemplares menores falta, a
carena da face superior mediocre, a ponta bifida.
Labio rufo birsuto. Submento liso ou com uma pon-
tuação fina e pouco desenvolvida, opaco. Antennas
chegando ao meio do prothorax. Olhos grandes,
reniformes, transversaes e seu quadro quasi nullo na
borda posterior, o canto superior passando sensivel-
mente por cima da inserção das antennas. Protho-
rax transversal, 1 1/2 mais largo de que comprido,
com os cantos posteriores arredondados e as bordas
lateraes a principio parallelos até o angulo lateral,
declinam dahi bruscamente, o canto anterior abai-
xado e a borda anterior ligeiramente sinuada. O
Lo Jy
pronoto tem uma pontuação finissima e dispersa,
imperceptivel a olhos nús. Scutello liso e glabro.
Os Elytros são parallelos, rectos na base e conjun-
ctamente arredondados posteriormente e apenas mais
largos que o prohorax, a pontuação está variando
consideravelmente, assim ha exemplares sem traços
da mesma bem como taes com uma pontuação re-
gularmente desenvolvida senão muito dispersa. Me-
tasterno lustroso com uma pontuação fina e dispersa
porém mais densa nos episternos metasternaes. Ab-
domen com a mesma pontuação como o metasterno
e lustroso como este, sendo porém o ultimo se-
gmento mais rugosamente pontuado e munido com
algumas cerdas rufas na ponta. As pernas são como
nos precedentes, mostrando os tarsos caracteristicos
identicos, com uma pubescencia incompleta e dei.
xando uma linha glabra no meio da sola, o terceiro
articalo tem a entalha para a inserção do ultimo
articulo sômente na parte antero-superior, ficando
assim a sola deste articulo inteiro.
©. Mandibulas curtas com um forte dente in-
terno basal. Prothorax mais delgado e as vezes um
pouco mais comprido variando assim consideravel-
mente a forma.
&. Comp. 21-31 mm. larg. 6 1/4—9 mm. 9.
Comp. 15—35 3/4 mm. larg. 44 — 11 + mm.
Hab. Vi exemplares de muitas procedencias do
Estado de São Paulo, assim como da Capital, de
Santos, Campinas, Piracicaba, Assis, Matto ‘rosso
de Batataes e Cotia. Do Estado de Minas Geraes:
Passa Quatro e Mar de Hespanha. Do Estado de
Santa Catarina: Joinville. Do Estado de Goyaz,
Gouneile assignala este cerambycido como commum
em Jatahy (Ann. d. 1. Soc. Ent. d. Fr. LXXVII,
1908, p. 590) e falta tão pouco nos demais Esta-
dos do Paiz. Além disto o insecto esta conhecido
no Paraguay, Argentina, Columbia, Guyana, Equa-
dor, Mexico, S. Vicente, Guadeloupe. |
Sobre a biologia K. M. Heller ( Stett. Ent. Zeit.
LXV, 1904, p. 383, t. 5, f. 2-4) deu valiosas in-
formações com minuciosas descripções da larva e
a Ga
da nympha, colleccionadas pelo dr. Fr. Ohaus no Es-
tado do Rio de Janeiro.
As mandibulas dos *% bem como o prothorax
e a pontuação dos elytros estão sujeitos a variar
consideravelmente, dando isto motivos para criar as
differentes especies e que Lameere na sua impor-
tante « Révision des Prionides » designou synonymas
da conhecida especie de Degeer.
4 Parandra Degeeri, Thomson.
L
J. Tomson, Pysis, I, 1867, p. 111.- Lmr.
Ann. Soc. Ent. Belg. XLVI, 1902,
p. 78 (Rév. p. 20). -- Col. Cata-
log. Junk-Schenkling, pars 52, 1913
Lmr. Prion. p. 5.-- Lmr. Ann.
Soc.“ Ent. Pro LXXXIV, 1915, p.
283.
Esta especie tem summas affinidades com a P.
glabra e distingue-se do mesmo pelas seguintes par-
ticularidades : A borda lateral do prothorax nos & 4
de cerca do angulo lateral e que fica um pouco
aquem do meio, até o canto anterior desapparece
completamente, sendo o canto posterior geralmente
um pouco mais desenvolvido que na P. glabra. A
porda anterior do pronoto geralmente está comple-
tamente recta, sem a ligeira sinuosidade que dis-
tingue os precedentes. Os tarsos tem uma pubes-
cencia muito mais densa e mais desenvolvida, des-
apparecendo assim quasi totalmente, ao menos no
terceiro articulo, a linha glabra mediana. O ter-
ceiro articulo tarsal, um pouco mais largo que o
precedente, mostra a entalha tambem por baixo
ficando assim com a borda anterior ligeiramente
bifida nas duas faces. A pontuação dos elytros é
mediocre e perceptivel, sendo o corpo um pouco mais
convexo que em P. glabra. Nas ¢¢ a borda la-
teral é inteira como nas outras especies.
&. Comp. 18-23 mm, larg. 6-7 mm, ¢ Comp.
15-24 mm. larg. 4 3/4-7 1/2 mm. ( Lameere viu
um d& de 32 e uma ¢ de 26 mm. de comprimento,
procedentes de Bello Horizonte ( Minas ).
ER =
Hab.: 3 & % de São Paulo ( Capital), 1 a de
Piracicaba, 1 o& Hamonia ( Sta. Catharina no Museu
Paulista), 1 o& de Passa Quatro ( Minas), 2 ¢¢ de
de São Paulo ( Capital), 1 ¢ São Paulo ( Ypiranga
no Museu Paulista ). |
ll. SECÇÃO
Cavidade coxal anterior aberta posteriormente.
Os articulos 3 até 11 das antennas na borda interna
com 2 fossos poriferos separados por uma carena.
O paronychium tarsal pouco visivel e sem cerdas.
o. Parandra Murrayi, Lameere
«e
Lmr. Mem. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p.
115 ( Rev. p. 979.)-- Col. Catalog.
Junk -- Schenkling, pars 52, Lmr.
Prion. p. 6.
&. Trapeziforme, comprida, ferruginea escura
(1), pernas mais claras, lustrosa, com uma ponctua-
ção grossa na cabeça, no prothorax e nos elytros.
Cabeça valida, fronte sensivelmente sulcata entre os
olhos, formando assim duas proeminencias oz giba-
cinhas bem distinctas, o sulco liso o muito lustroso,
a ponctuação da cabeça bem grossa porem dispersa.
Mandibulas não falcatas, grossas, de 3/4 do compri-
mento da cabeça fina e densamente ponctuadas, com
um dente grande, ligeiramente bifida intero basal e
uma forte carena na face superior chegando até o
primeiro dentinho da bifurcação da ponta. Labio sem
pubescencia. Submento com uma depressão canalicu-
lada transversal perto da borda anterior e com uma
ponctuação grossa, ligeiramente dispersa. Antennas
curtas chegando ao meio do prothorax. Oihos grandes,
transversaes, reniformes, o seu quadro moderada de-
senvolvido posteriormente, o canto superior passando
sensivelmente por cima do nivel da inserção das an-
tennas. Prothorax de 1/3 mais largo que comprido,
(1) Lameere viu tambem especies de côr preta.
A js
com os cantos posteriores bem marcados, as bordas
lateraes dos cantos anteriores até os angulos late-
raes, que estão consideravelmente aquem do meio,
parallelas declinando então fortamente até os cantos
posteriores, os cantos anteriores, um pouco abaixa-
dos, são bem distinctos. O pronoto, no meio bem
lustroso e munido com uma ponctuação grossa e
dispersa, mostra lateralmente uma ponctuação mais
confluente, ficando assim subopaco, a horda anterior
bem volumosa e no meio quasi. recta, perto dos can-
tos anteriores mostra uma sinuosidade distincta. O
prosterno é lustroso e mostra uma ponctuação grossa e
dispersa somente lateralmente. Scutello lustroso com
alguns pontos grossos. Os elytros são parallelos e
lustrosos, rectos na base e conjunctamente arredon-
dados posteriormente e têm uma ponctuação grossa
e mediocremente dispersa. A ponctuação do meta-
sterno e do abdomen, no meio quasi nullo lateral-
mente está mais desenvclvida. Femora subparallelos
com uma ponctuação fina e quasi nulla, as tibias
no canto exterior com uma depressão canaliculada
longitudinal mediocremente desenvolvida. Os tarsos
com uma pubescencia incompleta, sendo o terceiro
articulo entalhado sómente na parte antero-superior.
2. Mais delgada. Mandibulas mais curtas, pon-
ctuação da cabeça e do pronoto sensivelmente dos ely-
tros moderadamente mais fina. Esta © correspon-
dendo no resto completamente a diagnosa do auctor
nas tibias não mostra a depressão canaliculada lon-
gitudinal no canto exterior.
S. Comp. 15 1/4 mm. larg. 14 1/2 mm. ¢
Comp. 15 1/2 mie., larg 4 mm. ( Lameere indica que
o comprimento está variando de 15 até 17 mm.)
Hab. : 1 & de Raiz da Serra (linha ingleza)
no Estado de São Paulo. — 1 q de Passa Quatro
( Minas ) colleccionada pelo Sr. J. F. Zikän em 1 de
Marco de 1918. Os exemplares, por Lameere es-
tudados, provinham de São Paulo, do Estado de
Espirito Santo e de Caraça ( Minas ).
A
E
Lier ss
Chave
Cavidade coxal anterior fechada posieriormente.
Mandibulas dos falcatas. O parenychium
tarsal bem visivel e munido com uma cerda
em cada canto extremo da ponta. Tibias sem
depressão canaliculada longitudinal no canto
exterior.
A. O submento sem depressão canalicuiada
transversal perto da borda anterior. O qua-
dro dos olhos nos 4 & sensivelmente dilatado
posteriormente.
a) Cantos posteriores do prothorax bem
marcados. P onctuaçäo dos elytros nulla.
P. expectata.
b) Cantos posteriores do prothorax mo-
deradamente arredondados. Ponctuação
dos elytros grossa.
P. longicollis.
AA. O submento com uma depressão canali-
culada transversal perto da borda anterior.
O quadro dos olhos nos & a quasi nullo.
c) 3º articulo dos tarsos sem entalha em-
baixo. As bordas lateraes nos dd
inteiras.
P. glabra.
d) 3º articulo dos tarsos mediocremente
entalhado embaixo, 4 com as bordas
lateraes do prothorax nullas anterior-
mente.
P. Degeeri.
Cavidade coxal anterior aberta posteriormente,
mandibulas dos JJ não falcatas. Parony-
chium tarsal meio escondido e sem cerdas. Ti-
bias com uma depressão canaliculada longitu-
dinal no canto exterior.
P. Murray.
MACROTOMINI, Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 180
(Rév. p. 1.044.) -- Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Prion. p. ti
Sob esta designação Lameere reuniu uma quan-
tidade de Prionidos, cujas antennas no d são mais
compridas que no ¢, cujas bordas lateraes são in-
teiras, crenadas on espinhosas, e cujos olhos são
grossamente granulados e com a borda anterior ou
não ou apenas sinuosa.
Este conjuncto, assim definido por Lameere foi
por elle dividido nas 8 secções seguintes: 1. Ar-
chetypi. 2. Basitoxri. 3. Stenodontes. 4. Titan.
D. Cnemoplites. 6 Macrotome. T. Rhaphipodi.
8. Xixuthro.
As especies brasileiras pertencem as sessões 1,
2, 3, 4 e 7 e todas são de grande tamanho, algu-
mas até devem ser reunidas aos gigantes entre os
coleopteros. O seu tegumento em geral é muito
modesto, de castanho, mais ou menos escuro uni-
forme ou com os elytros mais claros e sómente a
Macrodontia cervicornis mostra um desenho nos
elytros.
Muitos d'estes longicornios e especialmente os
peculiares ao valle do Amazonas são pouco conhe-
cidos, e infelizmente atê hoje não tive a sorte de
estudal-os em natura.
Archetypini
Archetypi Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg.
XXI, 1912, p. 180 (Rév. p. 1.044).
Col. Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
2915; Lrort'Prionit pit
Denominada assim pelo genero Archetypus, co-
nhecido de Queensland, Nova Guiné etc., esta secção
LI apr
inclue diversos outros generos igualmente austra-
lianos e alêm disto os americanos Strongylaspis e
Aplagiognathus, sendo este porém, até hoje, sómente
conhecido da Guatemala e do Mexico.
Lameere indicou o significativo seguinte para
esta seccão : Bordas lateraes do prothorax dilatados
1.º e 3.º articulos das antennas não allongados em
principio, tuberculos antenniferos não salientes, lin-
gueta pequena e inteira, intumescencias do pronoto
se tocando na linha mediana, quando a ponctuação
sexual fôr completa.
Lacordaire juntou o genero Strongylaspis a seus
« Macrotomides », mas Lameere se viu na necessi-
dade de tiral-o de lá. Todas as especies são de ta-
manho regular e bem raras nas collecções.
O unico genero brasileiro, pertencente a esta
secção facilmente se póde identificar pelas antennas,
cujo primeiro articulo, ( ao menos nas especies bra-
sileiras até hoje conhecidas), é mais curto que o
3.º e particularmente pelo scutello muito convexo e
fortemente granuloso, como a chave explica.
Genero Strongylapis, /. Thomson
Classif. Céramb. 1860, p. 313. -- Lmr. Mém.
Soc. Ent. Belg. XI, 1903, p. 24 (Rév.
p. 218) -- Col. Catalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, 1913, Lmr. Prion. p. 9.
3g. Cabeça mais ou menos vertical, mediocre.
Mandibulas verticaes, curtas, grossas, com um forte
dente nas bordas internas. Palpos mediocres, ro-
bustos, os maxillares mais compridos que os labiaes,
o ultimo articulo triangular'e ligeiramente arqueado.
Labro trucado e densamente ciliado anteriormente,
epistomo triangular, concavo, sinuoso na borda an-
terior. Fronte sulcada e com uma amolgadura entre
os olhos, vertice finamente sulcada. Antennas de
comprimento diverso, filiformes e robustas, 1.º ar-
ticulo sobrepassando ou não a borda posterior do
olho, grosso, mais curto que o 3.º. — ( ha especies
come a St. Lime Guër. do Chile, cujos articulos 1
DA. à DRE
ow
e 3 são do mesmo comprimento), —o 3.º mais
comprido (as vezes pouco) que o 4.º, os 4.º até
10.º decrescendo proporcionalmente, o 1.º mais com-
prido que o precedente; os articulos 3 até U na
ponta interna, os 7 até 9 em toda a borda in-
terna e os dois ultimos inteiramente munidos com
a pontuação porifera. Olhos transversaes, grossa-
mente granulados, volumosos, ao menos ligeiramente
— ( no St. Brunni elles são fortemente sinuosos )
— sinuosos na borda anterior. Prothorax transversal,
coberto com a ponctuação sexual além d’uma gra-
nulação mais ou menos grossa e densa, as bordas
lateraes crenadas, gradualmente restringidas ante-
riormente, os cantos anteriores salientes, os lateraes
que sempre estão bastante aquem do me:o & mais
ou menos approximados aos cantos posteriores, sa-
lientes em espinho. Pronoto com um desenho lus-
troso, mais ou menos nitido e grossamente rugoso,
Processo prosternal ao menos mediocre, fortemente
arqueado. Scutello fortemente convexo, de fórma
diversa, grossamente granuloso e com ou sem a li-
nha mediana lisa. Elytres compridos, parallelos,
conjunctamente arredondados posteriormente, os
cantos suturo-apicaes inermes ou salientes em dente.
Processo mesosternal mediocre, horizontal, parallelo,
sinuoso posteriormente. Pernas robustas, mediocres,
as anteriores muito rugosas e munidas com espinhos
bem curtos na borda interna. Tarsos curtos e bem
largos, especialmente os anteriores.
¢. Mais delgada, antennas mais curtas. Pro-
noto completamente rugoso. Pernas delgadas, tarsos
mais estreitos.
Lameere divide o genero em 3 subgeneros, sendo
Chiasmetes com uma especie do Chile é Perú, Cu-
ritiba com uma especie do Paraná e Strongylaspis
com 8 especies do Equador, Guatemala, Guyana,
Nicaragua, Cuba, sendo 2 das mesmas brasileiras.
Os Chiasmetes e Curitiba divergem do Stron-
gylaspis pelo scutello, que é cordiforme com a linha
mediana lisa naquelles, não cordiforme e com a linha
mediana coberta com a mesma rugosidade como o
IUT. | Mouue
resto neste. O Chiasmetes distingue-se principal-
mente do Curitiba pelo scapo muito curto e não
chegando ao bordo posterior do olho, sendo tambem
o 3.° articulo -antesnar apenas mais comprido que
o 4.º, pelos olhos mais volumosos e apenas sinuosos
na borda anterior e pelos cantos lateraes do pro-
thorax apenas distantes dos posteriores.
Subgenero Curitiba, Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XI, 1913, p. 26.
(Rév. p. 220). -- Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, 1915, Lmr. Prion,
pong:
Seutello cordiforme, com uma pontuação con-
fluentec e a linha mediana lisa. Os cantos lateraes
do prothorax distantes dos posteriores. Antennas
(9) curtas, não sobrepassando o primeiro quarto dos
elytros, grossas, 1.º articulo um pouco dilatado na
ponta. chegando à borda posterior do olho, 3.º mais
comprido que o 1.º e mais de duas vezes do com-
primento do 4.º. Olhos estreitos e fortemente si-
nuosos. 1.º articulo dos tarsos curto, o ultimo quasi
do comprimento dos outros conjunctos. Episterno
metathoracico apenas restringido posteriormente.
|. Strongyvlaspis Brunni, Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XI, 1903, p. 26
( Rév., p. 220). -- Col. Catalog. Junk
Schenkling, pars. 52, 1913, Lur.
Eron peo
Lameere viu sómente uma unica ¢, procedente
de Curityba e que faz parte do Museu de Hambur-
go. O auctor assim descreveu este longicornio :
« La longueur est de 32 millimètres ; la teinte
d'un brun obscur avec les élytres fauves.
La tète n'est rugueuse que jusqu'au niveau du
bord postérieur des yeux ; en arrière, elle n'offre que
de gros points qui se changent en granulations der-
riére les yeux; les processus jugulaires ne sont pas
avancés et ils sont mousses.
9
— wo —
Les antennes offrent de gros points plus ou
moins serrés sur le 1.º article; les deux derniérs
seuls sont entièrement couverts par le réseau pori-
fère.
L'angle latéral du prothorax offre une forte
dent dirigée obliquement en arrière; le pronotum est,
comme le prosternum, entièrement rugueux; on
distingue mal sur le pronotum, qui est assez inégal,
un dessin en croix de Malte moins rugueux.
Les élytres, inermes à l’angle sutural, sont ccu-
vertes d'une forte vermiculation qui leur donne un
aspect peu gaufré.
Il y 2 une grosse ponctuation sur les côtés du
métasternum, sur les épisternum métathoraciques,
sur les côtés de [abdomen et même au milieu des
derniers arceaux; cette ponctuation est accompa-
gnée d’une pubescence clairsemée.
Les pattes, inermes, offrent de gros points qui
sont plus nombreux sur les tibias, principalement
sur les tibias antérieurs. » Lameere.
Subgenero Strongylaspis, J. Thomson
Classif. Céramb. 1860, p. 313; Syst. Ce-
ramb. 1864, p. 477. — Lacord. Gen.
Col. VIIT, 1869, p. 100. -- H. W.
Bates, Biol. Centr. Amer. Col. V,
1879, p. 6. -- Lmr. Mém. Soc. Ent.
Belg. XI, 1903. p. 27 (Rev p. 221.)
-- Col. Catalog. Junk-Schenkling,
pars. 52, 1913, Lmr. Prion, p. 9.
Scutello não cordiforme e a linha mediana do
mesmo granulosa como o resto da sua superficie.
Cantos lateraes do prothorax distantes dos posterio-
res. Antennas compridas e robustas, o 1.º articulo
sobrepassando a borda posterior do olho, o 3.º sen-
sivelmente mais comprido que o 4.º. Olhos ligei-
ramente sinuosos na borda anterior, volumosos. 1.º
articulo dos tarsos mais comprido, o ultimo muito
mais curto que os outros conjunctos. Episterno me-
tathoracico sensivelmente restringido na borda in-
terna.
BOL 3 el
2. Strongylaspis Fryi, Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p.
133 ( Rév., p. 997). -- Col. Catalog.
Junk-Schenkling, pars. 52, 1913,
Lmr. Prion, p. 9.-- Lmr, Ann. Soc.
int, Fr. LXXXIV, LOTS) Up. 282;
Uma © é conhecida, procedente do Brazil, e
que faz parte da colleeção do « British Museum », e
um «, procedente de Matto Grosso. se encortra na
collecção Gounelle, conforme Lameere avisa.
Conforme Lameere ella tem um comprimento
de 20 mm., é dum piceo-preto e coberto duma pu-
bescencia dourada que forma manchas no proncto e
nos elytros. As antennas não chegam ao ultimo
terço dos elytros e o seu 3.º articulo é do compri-
mento do 4.º e mais a metade do 5.º, sendo os ul-
timos 3 inteiramente cobertos com a ponctuação
porifera. Sobre o pronoto coberto de granulos muito
grossos, se vê um desenho lustroso e estreito em
forma de «Y », e coberto duma ponctuação grossa :
e rugosa. Us elytros cobertos de granulos muito
grossos têm os cantos suturo-apicaes salientes em
dente. Sobre o & o auctor avisa, que as antennas
chegam ao ultimo quarto dos elytros e o 3." arti-
culo antennal, pouco engrossado tem quasi o mes-
mo comprimento que os 4.º e 5.º conjunctos. Os
tarsos anteriores são muito dilatados.
3. Strongylaspis Batesi; Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XI, 1903. p. 34
(Rev. p., 228.) — Col. Catalogo. Junk
Schenkling, pars, 52, 1913, Lmr.
Prion. p. 10. —
d'. Opaco, castaneo avermelhado, elytros e
tarsos mais claros. (Cabeça munida com granulos
finos, mais densos por traz dos olhos. Antennas che-
gando ao ápice dos elytros, os 2 primeiros articulos
densamente granuloso-rugosos, o 3.º, dispersamente
granuloso, é-do comprimento do 4.º e mais 2/3 do
— 33 —
D. Processo jugular largo e obtuso. Prothorax
ligeira e gradualmente restringido anteriormente, os
cantos medianos, pouco distantes dos posteriores,
são salientes em espinho; as bordas lateraes care-
nadas e os cantos anteriores agudos. Pronoto con-
vexo, coberto de granulos grossos entre os quaes
se vê uma finissima ponctuação sexual, com algu-
mas intumescencias pequenas, irregulares e lustro-
sas, grossamente rugosas, mas que não formam um
desenho definivel. O prosterno bem como o processo
prosternai, que é bastante largo e fortamente ar-
queado, cobertos com a ponctuação sexual mistura-
da dispersamente com granulos finos. . Scutello, em
semicirculo e coberto com granulos muito grossos.
Os elytros mostram £a base e particularmente perto
do scutello a imesma granulação que o pronoto,
sendo o resto coberto com uma ponctuação grossa
mas pouco densa, e os pontos são muito rasos, os
cantos suturo-apicaes são apenas salientes. O meta-
sterno é coberto com uma ponctuação sexual muito
fina e com uma pubescencia flava bem comprida.
As pernas anteriores são densamente granuloso-ru-
gosas e brevemente espinhosas na borda interna, os
femora entremeiados mostram esta rugosidade só-
mente em baixoe os posteriores são quasi comple-
tamente lisos. As tibias entremeiadas e posteriores
são rugosas e todas na borda interna flavo-pubescen-
tes. Os tarsos, especialmente os anteriores são muito
dilatados. :
2. Mais delgada e mais escura, especialmente os
tarsos. Cabeça grossamente ponctuada. Ponctuagao
dos 2 primeiros articulos antennaes muito mais fina.
Antennas chegando ao ultimo terço dos elytros. Pro-
noto grossamente confluenter ponctuado. Metasterno
aos lados fina e dispersamente ponctuadorugoso. Per-
nas delgadas, os femora quasi lisos, as tibias fina-
mente rugosas.
d. Comp. 31 mm., larg. 10 1/2 mm.; 9 comp.
28 mm., larg. 9 mm.
Hab. & 1 de Campinas, 1 ¢ de Piracicaba.
Lameere viu exemplares do Estado de Espirito Santo
“a. Be
bem como de Buenos Aires. Gounelle, Bull. Mus.
Hist. Nat. 1913. p. 195 avisa o insecto do terri-
torio Missiones (Argentina), alto Paraná, Teju-Cuaré,
perto de San Ignacio.
Chave
Scutello cordiforme e com a linha mediana:
lisa. Antennas (¢) não sobrepassando o
primeiro quarto dos elytros.
St. Brunni.
Scutello não cordiforme com a sua linha-
mediana rugosa como o resto de sua £u-
perficie. Antennas mais compridas.
a) 3.º articulo antenrar ao maximo da
comprimento do 4.º e mais a metade
do 5.º. Um desenho bem nitido no
pronoto.
St. Fryi.
b) 3.º articulo antennar mais comprido
que o 4.º e mais a metade do 5.º. De-
senho do pronoto apenas distinguivel.
St. Batesi.
BASITOBINI
Basitoxi. Lmr, Mem. Soc. Ent. Belg. X XI,
1912, p. 180 (Rév. p. 1044), — Col.
Catalog. Junk-“chenkling, pars 52,
1913, Lmr. Prion. p. 10:
Os caracteristicos, que distinguem os «basztoxi»
de Lameere, conforme elle explica, säo os seguintes:
Lingueta grande e bilobada, ponctuaçäo sexual nunca
completa. — F'azem parte desta secção os generos:
Archodontes. Mallodonopsis, Basitoxus e Mecosar-
thron, todos americanos, só os dois ultimos porém
tem representantes no Brasil.
Lameere trata o genero Basitoxus, que Lacor-
daire incluiu nos seus « Remphanides », immedia-
mente em continuação de seus « Stenodontes ». O
Mecosarthron porèm, juntado por Lacordaire e
outros no grupo dos « Ctenoscélides ». aquelle auctor
primeiro incluiu como subgenero ( Rév. p. 177 )
aos Stenodontes, tirando elle depois de lá, para in-
corporal-o a um grupo, tratado na 8.º memoria
(Rév. p. 411), e que denominou « Mecosarthrena ».
Finalmente Lameere viu-se na necessidade, de juntar
este genero nos seus « Basitoxi » ( Rév. p. 1018),
demonstrando isto claramente as grandes difficulda-
des, que a classificação dos Prionidos offerece.
& Cabeça valida. Mandibulas robustas, medio-
cres, fortemente uni ou bidentadas na borda interna.
Palpos mediocres, robustos, os maxillares mais com-
pridos que os labiaes. Antennas de comprimento
diverso, filiformes, robustas; 1.º articulo mais com-
prido que o 5º, este e o 4.º quasi iguaes. Olhos
transversaes, distantes em cima. Prothorax trans-
versal, as vezes pouco, as bordas lateraes crenadas,
os cantos anteriores obtusos em geral, as vezes
porém ligeiramente ( Basitoxus ) salientes; pronoto
deprimido e mais ou menos rugoso. Prosterno as
aoa
vezes nos lados fortemente engrossado, ficando porém
a sutura, que separa os episternos prosternaes do
prosterno, visiveis. Scutello grande, arredondado
posteriormente. Elytros compridos, mediocremente
convexos, quasi parallelos, conjunctamente arrédon-
dados posteriorinente, os cantos suturo-apicaes iner-
mes ou salientes em espinho. Pernas mediocres e
mais ou menos robustas e espinhosas.
¢. Antennas mais curtas. Episternos proster-
naes nunca engrossados. Pernas menos rugosas.
E Chave
A, Antennas curtas, não chegando ao meio
dos elytros no g, seu primeiro artículo
no & chegando a borda anterior do pro-
noto, na q sómente a borda posterior do
olho. Prothorax sómente um pouco mais
largo que comprido. Episterno prosternal
no 4 muito engrossado nos lados.
Basitoxus
A’. Antennas mais compridas, sobrepassando
o meio dos elytros nos & d&'. seu primeiro
articulo nes dois sexos sobrepassando a
borda anterior do pronoto, Prothorax muito
mais largo que comprido. Episternos pros-
ternaes normaes.
Mecosarthron.
1. Genero Basitoxus, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p. 174--J.
Thoms. Classif. Céramb. 1860, p°
293; Syst. Céremb. 1864, p. 479.
-- Lacord. Gen. Col. VIII, 1869,
.° 119. --Imr. Ann. Soc. Ent;
Belg.’ XLVII, 1903, p. 220 (Rev.
p. 190) — Col. Catalog. Junk-Schen,
kling, pars 52, 1913, Lmr. Prion.
bull
d. Cabeça grossa e dispersamente ponctuada
anteriormente, granulosa por traz dos olhos, mos-
EN SE
trando além disto um espaço granuloso no meio,
finamente sulcada em cima. Mandibulas unidentadas
na borda interna, grossamente ‘ponctuadas, labro
transversal, arredondado anteriormente. Epistomo
concavo, sinuoso anteriormente. Antennas chegando
ao primeiro quarto dos elytros, primeiro articulo
comprido, chegando à borda anterior do prothorax,
grossa e dispersamente ponctuado, sendo porém na
borda externa mais densa e mais confluente, os ar-
ticulos 3 até 11 iguaes em comprimento. Protho-
rax sómente um pouco mais largo que comprido,
as bordas lateraes crenadas, os cantos lateraes sa-
lientes em espinho, os anteriores ligeiramente proe-
minentes, os posteriores marcados. Pronoto gros-
samente ponctuado nos lados. muito dispersamente
. no disco; prosterno hirsuto, muito engrossado nos
lados, de sorte que, visto o insecto de cima, enxer-
ga-se ligeiramente os episternos prosternaes, 0 pro-
cesso prosternal direito, a ponta obtusa. Elytros
compridos, rugosos, pouco convexos, o canto suturo-
apical inerme. Pernas curtas, tibias mais curtas que
os femora, estes grossos. os anteriores daquellas na
borda externa e interna as entremeiadas na borda
interna espinhosas. ‘Tarsos curtos e largos. Metas-
terno hirsuto, grossamente vonctuado. Abdomen
dispersamente ponctuado e pubescente.
¢. Antennas mais curtas, primeiro articulo
das mesmas chegando 4 borda posterior do olho.
Prosterno não engrossado nos lados. Tibias entre-
meiadas inermes. Tarsos mais estreitos.
1. Basitoxus megacephalus, Germar
Ins. spec. nov. 1824, p. 468. -- Lmr.
. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVII, 1908,
p. 222. (Rév. p. 192.) -- Col. Catalog.
Junk-Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Prion, p. 11 —
armatus Serv. Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832,
p. 175. — Cast. Hist. Nat. II, 1840,
p. 404. — Lmr. Ann. Soc. Ent. Fr.
LXXXIV, 1915, p. 284.
DS cs
A côr é dum pardo-rufo ou d’um preto com os
elytros flavos.
&. Comp. 55 mm., &. comp. 44 mm. con-
forme Lameere avisa.
Hab. Lameere viu um «&*, colhido no Rio de
Janeiro. Este longicornio é pouco conhecido nas
collecções. Lameere encontrou na collecção de Gou-
nelle um exemplar procedente de Loja ( Equador ).
2. Genero Mecosarthron, Buquet
Rey. Zool. 1840, p. 172. -- J. Thoms.
Classif. Céramb. 1860, p. 292: Syst.
Ceramb. 1864, p. 476. -- Lacord.
Gen. Coll. VIII, 1869, p. 89º— Lmr.
Ann. Soc. Ent. Bel. XLVII, 1903,
p. 136 ( Rév. v. 178); p. 318 ( Rév.
p. 422). -- Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913, Lmr. p. 11.
J. Gabeça sulcada. Mandibulas bidentadas na
borda interna. Labro transversal, truncado e ciliado
anteriormente. Epistomo concavo, triangular, si-
nuoso anteriormente. Olhos volumosos, transversaes
não sinuosos na borda anterior. Processo jugular
agudo. Antennas sobrepassando o meio dos elytros,
1.º articulo ao menos do comprimento do 3.º e 4.º
conjunctos. Prothorax fortemente transversal, as
bordas lateraes dilatadas, crenadas, a borda anterior
sinuosa, os cantos anteriores arredondados, os me-
dianos pouco distantes da base. Scutello grande,
arredondado . posteriormente. Elytros compridos,
conjunctamente arredondados posteriormente, os cantos
suturo-apicaes salientes em espinho. Pernas me-
diocres, robustas, rugosas, inermes ou brevemente
espinhosas na borda inter a e externa, especialmente
si assim for, as anteriores e entremeiadas.
2. Antennas mais curtas, pernas mais del-
gadas e menos rugosas. Cantos medianos do pro
thorax bastante distantes da base.
1. Mecosarthron buphagus, buquet
Rév, Zool. 1840, p. 172; Meg. Zool.
1840," €." 52. — Lmr. Ann. “Soe.
EO -—
Ent. Belg. XLVII, 1903, p. 136,
(Rév. p. 178), p. 318 {( Rév. p:
422). — Col. Cavalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, 1913, Lmr. Prion.
Tiss, Als
&. Castanho escuro, elytros castanho-rufos até
rufôs-flavos, semiopaco, ablomen lustroso, ligeira-
mente pubescente. Mandibulas grossamente pontuadas.
Cabeça grossamente pontuado-rugosa, finamente gra-
nulosa por traz dos olhos, submento grossamente
confluenter-rugoso. Antennas sobrepassando ligeira-
mente o meio dos elytros, 1.º articulo sobrepassando
a borda anterior do prothorax, deprimido, ligeira-
mente conico, a borda interna mais ou menos cor-
tante, dispersa e grossamente pontuado em cima,
granuloso e espinhoso em baixo, do comprimento
do 3.º, 4.º e mais a metade do 5.º conjunctos, 0 3.°
um pouco mais comprido que o 4.º e | geiramente
engrossado. Prothorax fortemente sinuoso na borda
anterior; pronoto fortemente vermiculado rugoso,
com uma depressão longitudinal mediana, os cantos
medianos brevemente espinhosos, prosterno rugoso.
processo prosternal ligeiramente arqueado. Scutello
finamente rugoso. Elytros grossamente rugosos na
base, finamente porém posteriormente. Episternos
metasternaes finamente rugosos, metasterno fina e
dispersamente pontuado. Pernas, especialmente as an-
teriores e entremeiadas grossamente rugosas, os femo-
ra na borda interna, as tibias na borda interna e exter-
na brevemente espinhosos. Tarsos mediocres o ultimo
articulo mais comprido que os outros conjunctos.
¢. Antennas não chegando ao meio dos elytros.
Espinhos lateraes do prothorax mais fortes e mais
afastados da borda posterior. Pernas mais delgadas
e menos rugosas.
do. Comp. 42-51 mm., larg. 13 1/2-17 mm.;
2. comp. 65-68 mm., larg. 22 mm. O insecto de- -
scripto por Buquet tinha 75 mm. de comprimento
por 26 de largo.
Hab. 1 & de Piquete ( Estado de S. Paulo ), 1
9 de Cotia (linha Sorocabana, Est. de S. Paulo),
= ps
1 q de Santos, 1 4 e 1 q de Pouso Alegre, no
Museu Paulista. |
2. Mecosarthron Gounellei, Lameere
Ann. Soc. Ent. Belg XLVII, 1903, p.
135 (Rév. p. 177); p. 318 ( Rév.
p. 422). — Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Prion. p. 11.
Um unico exemplar, &, parece conhecido, co-
lhido por Gounelle em Santo Antonio da Barra
( Bahia). O insecto tem muitas afinidades com o
precedente, os principaes caracteristicos, conforme o
auctor indica são os seguintes :
Antennas sobrepassando ligeiramente o meio dos
elytros, 1º articulo forte e densamente ponctuado,
ligeiramente deprimido mas não cortante na borda
interna, somente do comprimento do 3° e 4º con-
junctos, 3º pouco engrossado e mais comprido que
o 4º, este um pouco mais curto que o 5º. Mandi-
bulas curtas e robustas, grossamente ponctuadas e com
uma carena obtusa. Cabeça grossamente ponctuada,
porem, finamente granulosa, posteriormente. Pro-
thorax muito menos sinuoso na borda anterior que
na especie precedente, pronoto muito grossamente
ponctuado, com 2 intumescencias e uma linha basal
mais lustrosas. Metasterno nos lados e episternos me-
tasternaes muito fina e densamente ponctuados. Scu-
tello grossa e dispersamente ponctuado. Elytros
grossamente ponctuados, sendo os pontos posteriores
muito rasos. Pernas anteriores muito rugosas e as
tibias anteriores somente mostram na borda interna
alguns espinhos muito finos. O comprimento é de
32 mm.
Chave
A. 4º articulo antennar somente do com-
primento dos 3’ e 4º conjunctos. Per-
nas não espinhosas. Scutello grossa-
mente ponctuado.
M. Gouneller.
RAID
1.° articulo antennal mais comprido
que os 3º e 4º conjunctos. Femora em
baixo e as tibias na borda externa e
interna espinhosas. Scutello finamente
rugoso.
M. buphagus.
STENODONTINT, Lameere
Mem. Soc. Ent. Belg. IX, 1902, p. 63
(Rèv. p. 123).
Os Stenodontint, — todo o conjuncto da 3º sec-
ção dos Macrotominz, ( Rev. p. 1044 e Col. Catal.
p. 11), recebeu por Lameere o nome de « Steno-
dontes » — depois de ter dos mesmos tirado os ge-
neros Mecosarthron e Basitoxus estão limitados a
4 especies brasileiras sômente. Algumas destas es-
pecies estão distribuidas" por uma região enorme,
sendo, por exemplo, o bem conhecido Stenodontes
spinibarbis que é tambem tão commun no Estado
de São Paulo, conhecido da Argentina e do Uruguay
até o Mexico.
&. Cabeça mais ou menos horizontal, volumoso.
Mandibulas grandes, grossas e proeminentes, com
uma carena em cima, mais ou menos concavas na
borda interna, a qual é geralmente tomentosa. Tu-
berculos antenniferos salientes, ou não, por cima da
cavidade da inserção das antennas. Processo jugular
saliente em um ou mais dentes. Antennas de com-
primento diverso, filiformes, primeiro articulo mais
comprido que o terceiro. Prothorax transversal, as
bordas lateraes crenadas, coberto com a ponctuação
sexual. Elytros compridos, parallelos, dilatados nas
bordas lateraes, da largura ou apenas mais largos
na base que o prothorax, conjunctamente arredon-
dados posteriormente, a ponta suturo-apical inerme
ou saliente em espinho. Pernas mediocres, robustas,
simples ou munidas com espinhos na borda externa,
as tibias na ponta externa com um espinho, tarsos
curtos. Processo prosternal direito, processo me-
sosternal largo, horizontal.
©. Cabeça menor. Mandibulas sensivelmente,
antennas moderadamente mais curtas. Prothorax mais
NET
estreito e mais fortemente crenado lateralmente e
sem a ponctuação sexual. Pernas mais delgadas.
Chave
A. Pernas simples e não munidas com
espinhos na borda externa. Sutura que
separa o episterno prosternal do pro-
sterno normal. Tuberculcs antennife-
ros salientes por cima da cavidade da
inserção das antennas.
Stenodontes.
B. Pernas, especialmente as tibias ante-
riores, espinhosas na borda externa.
Sutura que separa o episterno pro-
sternal do prosterno, nulla. Tuberculos
antenniferos por cima da cavidade da
inserção das antennas obtusas.
Physopleurus.
1. Genero Stenodontes, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p. 173. — Lmr.
Mém. Soc. Ent. Belg. IX, 1902,
p. 67 (Rév. p. 127). — Col. Ca-
talog. Junk-Schenkling, pars 52,
1913, Emr;,Prion: po 11:
&. Cabeça transversal. Mandibulas muito gran-
des e grossas, as vezes do comprimento da cabeça,
com uma forte carena em cima, a ponta aguda, com
2 dentinhos perto da mesma, a borda interna con-
cava e frequentemente pubescente. Processo jugular
largo, proeminente em um ou mais dentes. Palpos
mediocres, comprimidos, o ultimo articulo triangular.
Labro transverso, concavo, não soldado ao epistomo,
este transverso, sinuoso na borda anterior, trequen-
temente pubscente. Olhos transversaes, não sinuosos
na borda anterior, muito distantes em cima e em
baixo ; tuberculo antennifero por cima da cavidade
da inserção das antenas salientes em um tuberculo
mais ou menos agudo. Antennas de comprimento
D: REA
diverso, robustas, 1.º articulo grosso, conico, forte-
mente arqueado, sensivelmente mais comprido que o
3.º, este as vezes um pouco mais comprido que o
4.º os 4.º até 11.º iguaes ou crescendo ligeiramente.
Prothorax fortemente transversal, os cantos ante-
riores bem marcados e as vezes avançando mais ou
mencs aos iados da cabeça, os cantos posteriores
obtusos ou salientes em espinio curto. As bordas
lateraes parallelas, crenadas. Pronoto subplano, den-
samente coberto com a pontuação sexual salvo duas
entumescencias obtusas. Processo prosternal largo
e comprido, arredondado posteriormente. Scutello
mediocre, em semicirculo. Elytros parallelos, com-
pridos, mais ou menos deprimidos na sutura, as
bordas lateraes, ligeiramente dilatadas, os cantos
suturo-apicaes inermes ou salientes em espinho. Epis-
ternos metasternaes com as bordas lateraes paral-
lelas, truncados posteriormente. . Tarsos curtos, o
ultimo artículo, cujo vodulo basal é bem visivel mais
comprido que os outros tres conjunctos.
o. Mais delgada. (Cabeça menor, mandibulas
curtas, não concavas na borda interna que é munida
com dentinhos quasi deste a base. Antennas mais
curtas e mais delgadas. Prothorax muito mais es-
treito, mais fortemente crenado lateralmente, pronoto
grossamente rugoso aos lados, o disco quasi comple-
tamente liso e muito lustroso. Pernas mais delgadas.
Este genero estã repartido nos 3 subgeneros
« Mallodon, Nothopleurus e Stenodontes » e as 16
especies conhecidas fóra da America são encontradas
na Africa, na Arabia, nas ilhas Fidji etc. mas a
maior parte é americana ea Columbia, a Venezuela,
o Equador e diversos paizes da America Central são
especialmente munidos dellas. As especies brasileiras
pertencem ao subgenero « Mallodon ».
Subgenero Mallodon, Serville
“Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p. 176. — J.
Thoms. Classif. Ceramb. 1860, p.
293, 320; Syst. Ceramb. 1864, p
480; Physis I, 1867, p. 92. — Lacord.
OMS
Gen. Col. VIII, 1869, p. 125. — Lmr.
Mém. Soc. Ent. Belg. IX, 1902. p.
71 (Rév. p. 131). — Col, Catalog.
Junk-Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Prion. p. 12.
1. Stenodontes spinibarbis, Linn
Syst. Nat. ed. 10, 1758, p. 390. — Fabr.
Syst. Ent. 1775, p. 163. — H, W.
Bates, Trans. Ent. Soc. Lond. 1869,
p. 46.—-Lmr. Mém Soc. Ent.
Belg. IX, 1902 p. 75 (Rév. p. 135).
— Col. Catalog. Junk Schenkling,
pars 52, 1918, Lmr. Prion, p. 12.
frangens Voet, Cat. Col. II, 1778, p. 2,
ea eas eae Q 3
miles Voet, ibidem p. 2, t. 1,f.3. 5;
maxillosus Oliv. Ent. IV, 1795, 66, p.
1696. MISES Fab 4
dentatus. Syst. Eleuth. II, 1801, p. 263 © ;
similis Schônh. Syn. Ivs. I, 3, 1817, p. 545;
gagatinus Germ. Ins. spe. nov. 1824, p.
468 © ;
Germari J. Thoms. Physis I, 1867.
subcancellatus p. 100; J. Thoins. ibdem
p. 102’;
bonariensis var. J. Thoms. ibidem p. 99;
D'Orbignyi J. Thoms. ibidem p. 101.
&. D'um castanho muito escnro até completa-
mente preto, glabro, com as mandibulas nas bordas
internas densamente, o epistomo ligeiramente e o
metasterno aos lados rufo flavo pubescente. Mandi-
bulas mais ou menos do comprimento da cabeça,
lustrosas, grossa e muito dispersamente ponctuadas,
geralmente muito concavas na borda interna, muni-
das com uma forte carena em cima, que desaparece
um pouco antes da ponta, e mais uma na borda
externa em baixo. Processo julgular saliente em um
dente agudo, só. Epistumo grossa e dispersamente
fronte e vertice, grossa e rugosamente ponctuados ;
submento grossamente rugoso. Autennas robustas,
lustrosas, chegando apenas ao meio dos elytros,
grossa e muito dispersamente ponctuadas, 1º articulo
grosso e fortemente arqueado, de cerca do compri-
ET | wee
mento dos 3° e 4° conjunctos, os articulos 4 até 10
na borda interne o 11° inteiramente munidos coma
ponctuaçäo porifera. Tuberculos antenniferos salien-
tes e agudos. Prothorax fortemente transversal e
dilatado lateralmente, inteiramente coberto com a pon-
ctuação sexual e assim opaco ou quasi opaco, salvo
o seguinte desenbo liso e lustroso: uma linha es-
treita e longitudinal no meio, que perto da borda
pesterior está mais ou menos dilatada, enviando
daqui, parallelo a borda posterior, e para cada lado,
um estreito ramal, mais ou menos abreviado, e às
vezes pouco destinguivel, uma placa quadrada ou
trapeziforme, muito despersamente ponctuada, em
cada lada da linha mediana e um pouco alem do
meio, uma carena abreviada pertc e parallela da
borda externa de cada placa e mais uma carena
obliqua e curta no meio de cada dilatação lateral.
Scutello lustroso, quasi completamente liso. Elytros
lustrosos, na base da mesma largura que o protho-
rax, quasi completamente lisos, os cantos suturo-api-
caes brevemente espinhosos. Metasterno coberto igual-
mente com a ponctuação sexual ficando liso e lus-
troso um triangulo largo no meio. Pernas robustas,
com uma ponctuação grossa mas muito dispersa.
q. Mais delgada. Mandibulas muito mais curtas
que a cabeça, as bordas internas parallelas e conti-
guas, munidas com 3 ou 4 dentinhos. Antennas che-
gando ao primeiro quarto dos elytros, mais delga-
das. Prothorax mais estreito que os elytros na base,
grossamente rugoso nos lados, liso, lustrosu e muito
dispersamente ponctuado no disco, os seus episternos
opacos e mais ou menos rugosos; o processo pros-
ternal liso e lustroso. Metasterno fina e densamente
ponctuado, salvo no meio, aonde a ponctuação é mais
dispersa. Pernas mais delgadas.
&. Comp. 36 — 60 mm.; largura 13 — 22 mm.
2. Comp. 43 — 54 mm.; larg. 15 — 19 mm.
Hab. Muito commun em todo o Estado de S.
Paulo. Vi tambem exemplares de Minas, Sta. Ca-
tharina, Rio de Janeiro bem como do Ceara, que
o Snr. Dias da Rocha, m. d. director do Museu
DO a
Rocha teve a fineza de me enviar. Gounelle ( Ann.
Soc. Ent. Fr. LXXVII, 1903, p. 590) assignala
este longicornio como commun em Jatahy, Estado | ~
de Goyaz, e Bates no Amazonas encontrou o mesmo, |
igualmente, em quantidads.
Sobre a biotogia informam : Rojas, Ann. Soc.
Ent. Fr. (4) VI, 1866, p. 238 e Heller, Stett. Ent.
AeivecLX Vo 1004, per ted Bib, O, É 12
O Snr. Gregorio Bondar, então lente da Escola
Agricola « Luiz de Queiroz» de Piracicaba. teve a
fineza, de me enviar duas larvas e uma nympha
deste longicornio, avisando, que enconträra os mesmos
no tronco da laranjeira (Citrus aurartium L) e no
d'uma especie de « Urostigma », observando ainda,
que a madeira já se achava apoderecendo.
A grande divergencia entreo 4 ea Q bem
como a consideravel variabilidade dos & & deram
motivo para as diversas descripções, que constam da
lista dos synonymos.
2. Stenodontes dasystomus, Say
Journ. Acad. Philad. III. 1823, p. 326. --
Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. IX, 1902,
p. 77 ( Rév. p. 137.) — Col. Catalog.
Junk-Schenkling, pars 52,1913, Lmr.
Prion. p:-12,
masticator subsp. J. Thoms. Physis I, 1867,
p. 99. — Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg.
LA SU Da tO eV aod, © DIS), dá
Thoms.
angustatus Physis 11867, p.100.-- H. W.
Bates, Biol. Centr. Amer. Col. V,
1879, D.. 9: 1884 ep, 2363
dasystomus subsp. Say, Journ. Acad. Philad.
HI, 1823, p. 326. -- J. Lee. Journ.
Acad. Philad. (2) II, 1852, p. 112.
-- Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. IX, p.
1902, p. 79 ( Rév. p. 139), Haldem,
melanopus. Trans. Amer. Phil. Soe. X,
TS47, D. Od,
spiniburbis Haldem, ibidem p. 31.
costulatus J. Lee. Journ. Acad. Philad. (2)
II, 1852, p. 111.
degeneratus J. Thoms. Physis, I, 1867,p. 95.,
plagiatus subsp. J. Thoms. ibidem p. 95. --
CN Ce
Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. IX, 1902,
p. 80, ( Rév. p. 140),
bajulus subsp. Er. Arch. f. Naturg, XIII,
1847, I. p. 138. -- H. W. Bates,
Trans. Ent. Soc. Lond. 1869, p. 47.
-- Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. IX,
1902, p. 80 ( Rév. p. 140),
occipitalis J. Thoms. Physis I. 1867, p. 93.
Chev olati J. Thoms, ibidem p. 94.,
columbianus J. Thoms. ibidem p. 98.
Esta especia, que Bates encontrou em São Paulo
( Amazonas), é conhecida tambem na Venezuela,
Columbia, America Central, Mexico, Luisiana e Geor-
gia e devido a esta distribuição enorme varia con-
sideravelmente. Assim Lameere criou as 4 subespe-
cles seguintes: masticator, dasystomus, plagialus e
bajulus, e é a esta ultima que pertence o insecto
do Amazonas.
Conforme Bates o & tem mandibulas curtas,
em cima e na borda interna grossamente ponctua-
das. A cabeça é confluenter e grossamente ponctuada.
O thorax mostra 7 placas lustrosas, sendo o espaço,
que as mesmas separa rugosamente ponctuado. Ely-
tros distinctamente ponctuados. Processo prosternal
convexo e apenas ponctuado.
Da g Erichson informa: que é deprimida, fusco-
preta, lustrosa, processo jugular bidentado. Disco
do prothorax Instroso, tendo porém, no meio uma
ponctuação obsoleta, a ponctuação nos lados é grossa
e rugosa e as bordas lateraes são obtusamente cre-
nadas, sendo os cantos posteriores salientes em um
dentinho. Elytros ligeiramente ponctuados.
Conforme Lameere esta especie differe da pre-
cedente pelo processo jugular, que mostra 2 ou 3
dentes, pelo epistomo mais densamente pubescente,
pela ponctvação da cabeça, que é muitc confluenter,
pela ponctuação mais forte e mais visivel dos lados
do abdomen, e, pelo comprimento do primeiro arti-
culo antennar, que & mais curto e não sobrepassa
a borda posterior do olho.
Conforme Lameere o comprimento é de 22 — 00
mm.
1. e
Chave
A. Processo jugular saliente em um só
dente agudo.
St. spinibarbis.
B. Processo jugular saliente em dois ou
tres dentes. Peida
St. dasystomus.
2, Genero Physopleurus, Lacordaire
Gen. Col. VIII, 1869, p. 120. — Lmr. Mém,
Soc. Ent. Belg. IX, 1902, p. 86,
( Rév. p. 146); XXI, 1912, p. 125-
( Rév. p. 989). — Col. Catalog. Junk.
Schenkling, pars 52, 1913, Lmr. Prion.
p. 14.
Lacordaire colloca este genero ao lado do Ba-
sitoxus que igualmente faz parte de seus « Rem-
phanides », emquando Lameere classifica elle pri-.
meiro ( Rév. p. 146) como subgenero ao Steno-
dontes, separandol-o ( Rév. p. 990 ) depois do mesmo
avisando : «Ces Insectes, ont le bord antérieur de
la languette prolongé de chaque côté en un lobe
tringulaire, de sorte qu’il y a lieu d'en faire un
genre distinct des Stenodontes ». As especies bra-
sileiras são do Amazonas e raras nas collecções, e |
até hoje não me foi dado, poder estudal-as in natura.
O genero tem grandes affinidades com o Ste-
nodontes e differe pelas pernas, que são, — e prin-
cipalmente as tibias anteriores, — espinhosas na borda
externa, fortemente pubescente na borda interna,
pelas mandibulas muito mais curtas e pela falta da
sutura, que separa os episternos prosternaes do
prosterno.
1. Physopleurus crassidens, H. W. Bates
Trans. Ent. Soc. Lond. 1869, p. 45. — Lmr.
Mém. See. Ent. Belg. IX, 1902, p.
85. (Rév. p. 145); XXI, 1912, p.
125 (Rév. p. 990). — Col. Catal. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913, Lmr. Prion.
p. 15.
Le En
Bates colleccionou sómente um unico exemplar
$ em Ega, Amazonas e Lameére não corsegoiu
estudar esta especie in natura. Conforme Bates,
que juntou esta especie ao genero « Mallodonho-
plus », ella é d'um piceo-preto, parallelo e convexo.
A cabeça muito grossamente ponctuada, o labro an-
teriormente e a lingueta fulvo-hirsutos. As mandi-
bulas são mais curtas que a cabeça e na base ex-
terna fortamente dilatadas, a ponta mais aguda, em
cima rugosas, internamente concavas e apenas hir-
sutas e bidentadas. As antennas sobrepassam o meio
do corpo e tem o 1.º articulo grossamente ponctua-
do. O thorax é quadrado, rug:so em ciina e com
duas intumescencias no meio, pouco distinguiveis,
mais lisas. Os elytros apenas lustrosos, rugoso-pon-
cluados, e com os cantos suturo-apicaes salientes
em espinho. Todos os sternos grossamente pon-
ctuados. Tarsos piceo-rufos. Segmentos do abdo-
men fortamente convexos. Comp., incluindo as man-
2999
.
dibulas, 2” 4
2. Physopleurus rugosus, Gahan
Ann. Mag. Nat. Hist. 6 XIV, 1894, p.
224, -- Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XLVII, 1903, p. 214 (Rév. p. 184).
--Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912,
p. 126 (Rév. p. 990). -- Col. Ca--
talog. Junk-Schenkling, pars. 52,
1918; Lmr./Prion., 1p, LS.
Conforme Gahan elle é dum castanho escuro.
A cabeça é grossamente rugoso-pontuada, processo.
jugular saliente e agudo. Mandibulas fortes, consi-
deravelmente arqueadas, a ponta aguda, as bordas
internas com dois dentes fertes, serdo um basal e
outro perto da ponta. Antennas do g apenas che-
gando ao meio dos elytros, 1.º articulo de 1 1/2 do.
3.º no sentido do comprimento, 3.º do comprimento
do 4.º, os restantes crescendo proporcionalmente,
porém muito moderadamente. Pronoto do ¢ densa-
mente ponctuado, excepto duas placas no disco e
uma linha estreita basal, que são muito dispersa-
CO." gp
mente ponctuadas e lustrosas: as bordas lateraes
quasi parallelas, crenadas. Sobre cada dilatação la-
teral entre a borda e a placa lustrosa se vê uma
depressão mais ou menos forte. Elytros fortamente
rugoso-ponctuados. Prosterno grossamente ponctua-
do, muito convexo, engrossado nos lados, sendo po-
rém estes apenas visiveis de cima. A 9 sem a pon-
ctuação sexual tem todo o disco do pronoto lus-
troso. |
Comp. 4 62 mm., 9 68 mm.
Hab. Rio Purús, conhecido tambem de Cayenna.
Chave
A. Mandiulas dilatadas na borda basal ex-
terior ( @ desconhecida ).
Ph. crassidens.
B. Mandibulas de forma normal.
Ph vugosus.
TITANINI
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVIII,
1904, p. 309 ( Rév. p. 497); Mem. Soc.
Ent. Belg. XXI, 1912, p. 180 ( Rév. 1044).
— Col. Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
Lmr. Prion. p. 15.
Os « Titan: » de Lameere comprehendem os
generos Macrodontia, Chalcoprionus, Ancistrotus,
Titanus e Ctenocelis, todos americanos e é sômente
o Chalcoprionus, que até hoje não tem representan-
tes no Brasil e cuja unica especie, Ch. Baden: Ba-
tes, é conhecida da republica da Colombia.
As particularidades, que levaram o sabio ento-
mologo a juntar estes generos aos seus « Titan »
são os seguintes ( Rev. p. 1014); lingueta grande
e bilobada, as pernas geralmente munida de espi-
nhos, corpo sensivelmente deprimido e chato, a bor-
da epipleural dos elytros dilatada, e os olhos mais
ou menos globulosos, grossamente granulados e
com a borda anterior pouco ou não sinuosa.
Cabeça valida, horizontal, proeminente. Mandi-
bulas grandes e de fórma variavel, do comprimento
da cabeça ou maior e então a sua borda interna em
quasi toda a extensão crenada on mais curtas
que a cabeça e neste caso com um forte dente in-
terno mediano. Antennas compridas,as dos oo mais
compridas que as das 9, chegando ao menos a9
primeiro terço dos elytros, o scapo mediocre, o 3.º
articulo em geral sensivelmente mais comprido que
o 4.º. Prothorax transversal, mais estreito ( as ve-
zes pouco) que os elytros, com as bordas lateraes
munidas com crenas só ou com estas junto com es-
pinhos. O pronoto ao menos em parte aspero. Os
elytros geralmente pouco convexos, a borda lateral
sensivelmente dilatada. As pernas delgadas e com-
pridas, simples ou munidas com espinhos. Ellas são
wee ARDE AE
simples no genero Macrodontia, os & & deste gene-
ro porém mostram às vezes as pernas anteriores
bem asperas e munidas de espinhos curtos.
Chave
A. Mandibulas ac menos de comprimento da cabeça
com a borda interna em quasi toda a extenção
crenada. Pernas sem espinhos nem nas tibias
nem nos femora.
Macrodontia.
AA. Mandibulas mais curtas que a cabeça. Pernas
com espinhos -nas tibias ou nas tibias e nos
femora, ao menos nos & J na borda interna.
a) As bornas lateraes do prothorax simples-
mente crenadas (as vezes só ligeiramente).
As tibias só nos dois sexos com duas filas
de espinhos bem compridos. Abdomen nos
dois sexos com 5 segmentos visiveis em
baixo.
Ctenoscelis.
b) As vordis lateraes do prothorax perto do
canto anterior com um forte espinho re-
curvado em gancho. Os tibias só nos dois
sexos com duas filas de espinhos curtos.
Abdomen nos dois sexos com 5 segmentos
visiveis em baixo.
Ancistrotus.
€) As bordas lateraes do prothorax munidas
de 3 fortes espinhos. Os femora e as
tibias munidos com espinhos na borda in-
terna ao menos nos Jd. Abdomen dos
dd com €, das ¢¢ com 9 segmentos
‘ visiveis em baixo.
Titanus.
EP = AD
Genero Maerodontia, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p, 139. —Gory,
Ann. See. Ent. Fr. VIII, 1839, p.
124. — J. Thoms. Classif. Ceramb.
1860, p. 294; Syst. Cer. 1864, p.
475. — Lacord. Gen. Col. VIII, 1869,
p. 78. -- Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XLIX, 1906, p. 322 ( Rév. p. 510).
-- Col. Catalog. Jung-Schenkling.,
pars 52, Lmr. Prion. p. 15. |
&. Cabeça valida, horizontal. Mandibulas muito
mais compridas que a cabeça, horizontaes, mais ou
menos parallelas e a ponta bruscamente dobrada, a
borla interna de pouco além da base até a ponta
crenada, sendo alguns dentinhos mais desenvolvidos,
a ponta agada, a carena da face superior obtusa ou
não, a borda externa no angulo da dobradura da
ponta com ou sem dente. O labro não soldado ao
epistomo, pequeno, triangular, fimbriado. Fronte
larga porém planamente sulcada entre os olhos.
Antennas sobrepassando o primeiro terço dos elytros,
de 11 articulos, o scapo curto, não chegando a borda
posterior do olho, o 3.º articulo moderadamente
mais comprido que o 4.º, os artículos 4 até 10 sub-
iguaes, o 11º um pouco mais comprido que o pre-
cedente, os articulos 5 até 11 com uma ponctuação
densa e porifera. Os olhos volumosos, globulosos
insensivelmente sinuosos na borda anterior, grossa-
mente granulados. Os palpos compridos, o ultimo
articulo triangular. O prothorax transversal, quasi
plano, as bordas lateraes crenadas e com ou sem
espinhos, coberto com uma pontuação sexual, ficando
sem a mesma apenas no pronoto algumas placas
longitudinaes e que são rugosas e lustrosas. Scutello
mediocre, arredondado posteriormente. Elytros com-
pridos e amplos, as bordas lateraes sensivelmente
dilatadas, deprimidas, apenas mais largas que o pro-
thorax, subparallelos, conjunctamente arredondados
ou semi-rectos posteriormente, a ponta suturo-apical
producto em dente. As pernas compridas e delga-
das, mais ou menos rugosas e a ponta externa das
tibias producta em espinho. Tarsos curtos e muito
largos. O prosterno plano, o processo prosternal
estreito e curto e com a ponta arredondada, o pro-
cesso mesosternal mais largo, obliquo, com a ponta
entalhada. Metasterno mediocr>, os episternos me-
tasternaes largos, truncados posteriormente, finamente
pubescente. Abdomen lustroso, o ultimo segmento
arredondado posteriormente. A cavidade coxal an-
terior aberta posteriormente.
Q. Mandibulas mais curtas, de cerca do com-
primento da cabeça. Antennas mais curtas, chegando
até o primeiro terço dos elytros. Pronoto sem a
ponctuação sexual. Pernas menos rugosas. Ultimo
segmento abdominal truncado posteriormente.
São todos besouros bem grandes e pelos man-
dibulas bem como a sensivel depressão do corpo
facilmente distinguiveis. 5 especies até hoje foram
descriptas, das quaes A. Dejant Gory da Republica
da Columbia e M. Bates: Lmr. de Panama e Nicara-
“gua, sendo as restartes conhecidas tambem do Bra-
zil. Encontram-se porem sômente M. flavipennis e
M. cervicornis no Estado de S Paulo emquanto que
M. crenata habita o Amazonas,s endo duma rari-
dade extraordinaria.
Lacordaire informa, conforme o participa Ser-
ville (Ann. Soc. Ent. Fr. I 1832, p. 139): «On
trouve ordina rement ces -Prioniens dans les planta-
tions sous les écorces et au pied des arbres. Ils
ne fonte usage de leurs ailes que le soir et rare-
‘ment. Leur vol est lourd, bruyant, peu élevé au
dessus de terre et de courte durée. »
1. Macrodontia flavipennis, Chevrolat.
Ann. Soc. Ent. Fr. II, 1833, p. 65, t.
3, f, 1. — Gory. Ann. Soc. Ent. Fr.
VIII, 1839, p. 128. — Lmr. Ann.
Soc. Ent. Belg. XLIX, 1906, p.
323. (Rev, p. 511.) — Col. Catalog.
Junk - Schenkling, pars 52 Lmr.
Prion, p. 16.
S. Glabro, castanho-ferruzineo, cakeça, man-
dibulas e antennas mais escuras, elytros flavos e
RE =
lustrosos, o metasterno ligeiramente flavo-pubescen-
te. Mandibulas grossamente rugosas e opacas, a
carena da face superior obtusa, a da face inferior
bem mais marcada e no angulo da dobradura da
ponta interrompida por uma entalha, formando as-
sim um canto obtuso em forma de dente. Fronte
largamente sulcada entre os olhos, lustrosa e com
uma pontuação muito dispersa. Antennas sobre-
passando ligeiramente o primeiro terço dos elytros,
lustrosas, o scapo curto com uma pontuação muito
diminuta, o 3.º articulo moderadamente mais com-
prido que o 4º, os articulos 3 até 9 na borda in-
terna e os articulos 10 e 11 completamente cober-
tos com uma pontuação porifera, os tuberculos
antenniferos deprimidos e obtusos. Olhos grandes,
largamente separados em cima e em baixo. O
submento triangular, semiopaco, a gula lustrosa e
profundamente transverso-plicada. Prothorax trans-
versal, trapeziforme ligeiramente convexo, com uma
densa pontuação sexual, as bordas lateraes crenadas
com os cantos anteriores e posteriores productos
em espinho, sendo os posteriores sensivelmente ma-
iores e dirigidos ligeiramente para cima; os cantos
anteriores avançam moderadamente aos lados da ca-
beça em forma de triangulo. O pronoto opaco com
4 placas e a parte central da borda posterior lus-
trosas e grossamente pontuadas, sendo duas placas
maiores e longitudinaes, em cada lado uma e pou-
co distante da linha mediana, em triangulo agudo
e chegando da borda anterior até um pouco alem
do meio; das duas placas menores uma em cada
depressão postero-lateral e ligada em linha estreita
ao canto postero-lateral respectivamente a borda
posterior. A borda anterior do pronoto moderada-
mente sinuada. O prosterno subopaco e ligeira-
mente transverso rugoso. Scutello mais largo que
comprido, arredondado posteriormente, lustroso, dis
persa e finamente. ponctuado. Elytros fina e disper-
samente pontuados, cada com 3 costelas obtu-
sas, conjunctamente arredondados posteriormente, a
ponta suturo-apical ligeiramente producto em dente,
at
As pernas compridas, os femora delgados, paralle-
los, os anteriores por cima rugosos e opacos, os
outros bem como as tibias ponctuados, estas na
borda interna ligeiramente flavo pubescente. A bor-
da interna das pernas anteriores rugosa gracas a
muitos dentinhos. Metasterno densamente ponctua-
do e flavo pubescente. Abdomen lustroso e glabro.
gq Cabeça menor, mandubulas do comprimento
da cabeça, antennas chegando apenas ao primeiro
terço dos elytros. Prothorax sem ponctuação sexual,
os espinhos latero-posteriores mais desenvolvidos,
pronoto liso e lustroso no meio, grossa e rugosa-
mente ponctuado lateralmente. Pernas mais curtas,
as anteriores sem a rugosidade na borda interna.
J. Comp. (não incluindo as mandibulas ) 65
mm., larg. 21 mm. ( mandibulas, 14 mm.) ¢. Comp.
01-65 mm., larg. 16 1/2-21 mm. (mandibulas 6
1.2. mm.)
Hab. 1 & no Museu Paulista sem indicação pre-
cisa, 1 Q de Piracicaba, 1 q de Campinas, 1 9 de
Piassaguera no museu paulista. Gounelle ( Ann.
Soc. Ent. Fr. LXXVII, 1908, p. 591 ) avisa ter re-
cebido o besouro de Jatahy, Estado de Goyaz, e
Lameere ( Rev. p. 911) de Rio de Janeiro e de S.
Antonio da Barra ( Estado da Bahia .)
2. Macrodontia cervicornis, Linn.
Syst. Nat. ed. 10, 1758, p. 389. — Fabr.
Syst. Ent. 1775, p. 161 — OI. Ent.
IV, 1795, 66, p. 13, t. 2, f. 8.º-b. —
Cast. Hist. Nat. II, 1840, p. 390, t.
25. — H. W. Bates, Trans. Ent. Soc.
Lond. 1869, p. 41. Lmr. Ann. Soe.
Eut. Belg. XLIX, 1906, p. 333 (Rév.
p. 521). — Col. Catalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, Lmr. Prion. p. 16.
d. Glabro, opaco, prosterna, metasterno e a
cabeça por baixo castanhos, cabeça por cima, man-
dibulas, pronoto e abdomen rufo-flavo e castanho
variegados, antennas flavas, pernas flavas e castanho
varigadas, elytros flavos com 5 traços longitudinaes,
SS Ge
muitos irregulares e frequentemente intercalados de
castanho-escuro. Mandibulas mais compridas que a
cabeça, — variando o comprimento conforme o des-
envolvimento do exemplar de pouco mais comprido
que a cabeça de atê 2 1/2 vezes mais longas que a
mesma, — rugosas, com as carenas das duas faces
bem desenvolvidas e com as bordas cortantes, mais
ou menos perallelas e com as pontas. bru:camente
dobradas, no angulo da dobradura, na borda ex-
terna, munidas com um dente. a borda interna cre-
nada com alguns dentes mais desenvolvidos. A fronte
largamente sulcada entre os olhos, sendo este sulco
que se estende tambem sobre todo o vertice, limi-
tado lateralmente por uma carena Justrosa e irre-
gular e que no limite do nivel dos olhos forma um
dente, perto da linha mediana duas carenas obtusas
e lustrosas. Olhos volumosos, porém, menos globu-
losos que na especie precedente, o espaço por traz
dos olhos opaco e aspero. O submento trapeziforme,
rugoso e opaco, a gula lustrosa. Os tuberculos an-
tenniferos proeminentes em cone agudo. Antennas
chegando ao meio dos elytros, o scape conico, ru-
goso, opaco e con o canto externo proeminente, o
o 3.º articulo moderadamente mais comprido que o
4.º. Prothorax transversal, com as bordas lateraes
parallelas, moderadamente convexo, as bordas late-
raes crenadas e cada qual com 3 espinhos compri-
dos, sendo um em cada canto anterior e posterior
e o terceiro, o maior de todos, um pouco além do
canto posterior, o pronoto opaco e coberto de fina
ponctuação sexual salvo um traço mediano: longitu-
dinal, que é lustroso e rugoso, o prosterno subopa-
co e ligeiramente transverso sulcado. O scutello e.
os elytros finamente rugosos, estes semi-rectos pos-
teriormente. O metasterno no meio glabro, lustroso e
dispersamente ponctuado lateralmente porêm cpaco, e
finamente rugoso e os episternos metasternaes ainda
curto rufo pubescentes. O abdomen Justroso. As per-
nas, principalmente as anteriores, finamente rugosas.
2. Mandibulas mais curtas, de cèrca do com-
primento da cabeça. Antennas chegando ao pri-
PE 150 Eve
meiro terço dos elytros, prothorax sem a ponctua-
ção sexual, o pronoto finamente rugoso lateralmente,
prosterne mais profundamente transverso plicado.
d. Comp. não incluindo as mandibulas 92-110
1/2 mm., larg. 28-35 1/2 mm, as mandibulas do &
maior tem 42 1/2 mm. de comprimento. ©, comp.
82 mm., larg. 26 mm..
Hab. 3 d'a da Colonia Hansa ( Est. Santa Ca-
tharina) 1 Q do planalto de Paracis ( Est. de Matto
Grosso), | Q de Santos. O besonro se encontra
tambem em Cayenna, assim como no Amazonas,
aonde H. W. Bates o colleccionou, avisando ( Trans.
Ent. Soc. Lond. 18969, p. 41): «A rare insect
on the Amazons; on dead trees, banks of the Ta-
pajos and at Ega». H. Lucas, (Ann. Soc. Ent.
Fr. 4, VII, 1867, Bull., p. LXXXII) descreve a
nympha. procedente do Amazonas, e que tinha um
comprimento de 20 cm. e uma largura de 40 mm.
E. de Moult ( Bull. Soc. Ent. Fr. 1909, ». 55) as-
signala este cerambycido tamhem de Gourdonville
da Guyana franceza tendo visto um 4 de 15 1/2 e
uma © de 12 1/2 em. de comprimento Conforme
este entomologo informa, os indigenos daquella zona
attribuem a este besouro estragos nos cafesaes, cor-
tando os galhos dos caféeiros. O verdadeiro inimi-
go dos cafesaes porém é um longicornio no grupo
dos Oncideres.
3. Macrodontia crenata, Olivier
Emis LV 00. Gé nt. 12,7 £401
— H. W. Bates, Trans. Ent, Soc.
Lond. 1869, p. 41.— Lmr. Ann.
Soc. Ent. Belg. XLIX, 1906, p.
330 ( Rév. p. 518) — Col. Catalog.
Junk-Schenkling. pars 52, Lmr.
Proa pr 16: |
quadrispinosa Schünh. Syn. Ins. I, 3,
1817, p. 348.
castanea Blanch. Ann, Sc. Nat. Zool.
1846, p. 210.
Ehrenreichi Kolbe, Stett. Ent. Zeit. LV,
1894, p. 42.
SN: ee
Sinto muito näo ter tido a felicidade de poder
estudar este rarissimo longicornio do Amazonas, dou
aqui as descripções, fornecidas por Oliveir e Bates
e que são suficientes para o reconhecer.
2. «Similis Priono cervicornis at duplo fere
minor. Corpus nigro-brunneum. Mandibulae exser-
tæ capite longiores, intus crenatae, apice arcuate.
Antennae breves. Thorax rugosus utrinque bispi-
nosus, spinis acutis. Elytra castanea, lineis quatuor
parum elevatis, apiceque subspinosis ». Olivier.
g. «A Q differt spina anteriore thoracis bre-
vissima, et mandibulis multo longioribus. Oblonga,
depressa, fusco-castanea, elytris cinnamoneis. Caput
supra concavum, grosse punctatum, mandibulis ca-
pite sesqui longioribus, triquetris, cum antennarum
basi (articuli reliqui desunt ) nigris. Thorax trans-
versus, quadratus, basi valde angustatus, lateribus.
inter spinas rectis, crenulatis, angulo antico spina
minuta acuta oblique antrorsum spectante armato,
spina postica majore sed brevi, angulis posticis
distinctis acutis; supra creberrime punctatus, medio.
plaga longitudinal; lineisque aliquot elevatis nitidis,
sparsim punctatis. Elytra marginibus pone humeros
valde explanatis, margine foliaceo usque ad apicem
extenso sed sensim angustato, apice late rotundato,
angulo suturali spinoso ; supra opaca, subtiliter alu-
tacea, cinnamonea, absque lineis elevatis. Corpus.
subtus nitidum, impunctatum, castaneum. Pedes
nigrocastanei, nilidi». Bates.
Comp. de 52-€4 mm.
Hab. Ega Amazonas, Cayenne. Columbia.
Guyana franceza. Foi encontrada tambem sobre di-
versos afluentes do Amazonas.
Chave
A. Mandibulas no anglo da dobradura na
-borda externa com um forte dente.
Elytros flavos com 5 traços longitudi-
naes e irregulares, castanho escuros.
M. cervicornis.
D a
AA. Mandibulas sem dente no angulo da
dobradura na borda externa. Elytros
unicolor.
a) mandibulas opacas, pronoto trapeziforme.
M. flavipennis.
6\ mandibulas lustrosas, pronoto com as bordas
lateraes parallelas.
M. crenata.
Genero. Ancistrotus, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p. 135. — Lmr.
Ann. Soc. Ent. Belg. XLIX, 1906,
p. 340 ( Rév. p. 528 ).— Col. Catalog.
Junk-Schenkling, pars 32, Lmr. Prion.
Pears.
Neste genero Lameere reuniu os «Ancistrocides»
de Lacordaire, juntando o genero « Acanthinodera »
Hope como subgenero ao « Ancistrotus ». A unica
especie deste é brasileira, emquanto que as duas da-
quelle são conhecidas da republica do Ghile.
Subgenero Ancistrotus, Serville.
Ann. Soc Ent. Fr. J, 1832, 135 — J. Thoms
Classif. Ceramb. 1860, p. 290; Syst.
Ceramb. 1864, p. 476. — Lacord. Gen.
Col. VIII, p. 82. — Lmr. Ann. Soc.
Ent. Belg. XLIX. 1906, p. 342 ( Rév.
530 ). -- Cul. Catalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, Lmr. Prion. p. 17.
d. Cabeça mediocre, horizontal. Mandibulas
mais curtas que a cabeça, com as pontas fortemente
dobradas e agudas, a carena da face süperior obtusa,
a borda interna com um forte dente no meio, a base
fortemente rugosa e tenue flavo pubescente. Labro
não soldado ao epistomo, curto e transversal, a
borda anterior sinuada e flavo fimbrada. Os pal-
pos mediocres, os maxillares do comprimento
das mandibulas, o ultimo articulo subtriangular.
A fronte sulcada entre os clhos grossamente rngosa
bem como o vertice e subopacos, com uma longa
eas ee
pubescencia flava e dispersa. Olhos grandes. mode-
radamente aproximados em cima, transversaes. gros-
samerte granulados. Os tuberculos antenniferos
proeminentes, approximando-se, separados por um
sulco profundo. Antennas compridas, de 11 articulos ;
sobrepassando o apice dos elytros com os ultimos 3
articulos; o primeiro articulo comprido, chegando
quasi ao meio do pronoto, conico, opaco, grossa-
mento ponctuado ; o 3.º artículo 1 1/2 vezes do com-
primento do 4.º, os 4.º até 10.° subeguaes, o 11.º um
pouco mais comprido que o precedente, os 3.º até
9.º na borda interna e os 10.º e 11.º completamente
cobertos com uma pontuação porifera, os articulos
2 até 9 lustrosos. O submento opaco. O prothorax
transversal, cerca de 3 vezes mais largo que com-
prido, com os cantos anteriores proeminentes e findos
por dentes robustos, armado com um par de espinhos
sendo o anterior recto e menor e o posterior maior
e fortemente curvado para traz em gancho, as bordas
lateraes simples e os cantos posteriores ligeiramentes
salientes em dente. O pronoto rugoso como o ver-
tice e assim pubescente. Scutello mediocre, arre-
dondado posteriormente, tenue flavo pubescente. Ely-
tros mais largos que o prothorax, muito dilatados
lateralmente, conjunctamente arredondados posterior-
mente, com a ponta suturo-apical ligeiramente saliente
em dente, subopacos, glabros, na base grossamente ru-
goso-confluenter-ponctuados, as rugosidades e a sutu-
ra lustrosas, o resto finamente aspero. O metasterno |
fina e densamente pontuado e longo flavo-hirsuto. O
abdomen glabro e lustroso e com uma pontuação
fina e densa, o apice do ultimo segmento abdominal
sinuado. Pernas delgadas, compridas, os femora
anteriores asperos e opacos em cima, as bordas in-
feriores finamente crenadas, os femora intermeiados
e posteriores lustrosos e dispersamente pontuados,
todos os femora com a borda inferior aplanada, as
tibias, na borda interna com duas filas de espinhos
curtos, as anteriores mais asperas as restantes mais
dispersamente pontuadss. Os tarsos mediocres, pouco
‘argos. O processo prosternal estreito, obliquo no
ee
começo e a ponta inclinada, o processo mesosternal
nm pouco mais largo, curto, obliquo e sulcado. A
cavidade coxal anterior aberta posteriormente, a ca-
vidade coxal intermeada aberta lateralmente,
7. Antennas mais curtas, sobrepassando o se-
gundo terço dos elytros, ultimo segmento abdominal
arredondado posteriormente.
|. Aneistrotus uncinatus, ‘lug.
Nova Acta Acad. Leop. XII, 2, 1825, p.
454. — Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XLIX, 1906, p. 343. ( Rév. p. 531).
— Col. Catalog. Junk-Schenkling.
pars 52, Lmr. Prion. p. 17: ‘
hamaticollis Serv. Aun. Soc. Ent. Fr., 1832,
p. 137. — Cast. Hist. Nat. 1], 1840,
p. 393;
uncinatus Bue. Ann. Soc. Ent. Fr. (3) I,
1853, p., 41:,5., 1,1 1,
aduncus Bug. id. Bull. XXIV,
Castanho-ferrugineo, com a cabeça, o pronoto
e o scapo mais escuros e os- elytros ferrugineos,
variando a matiz de ferrugineo até ferrugineo-flavo
e atê um flavo puro, dando esta ultimo côr junto
com algumas differenças na ponctuação e na gra-
nulação motivo a Buquet, de fundir a especie adun-
eus, a qual, porém, é considerada como simples
variedade.
S. Comp. 37-49 1/2 mm., larg. 14-22 1/2
mm. (Lameere indica o comprimento de 40-65 mm.)
A @ não tive a felicidade de estudar.
Hab. 2 &o& de Passa Quatro ( Est. de Minas
Geraes ), 1 & de St. Anna (Est. de Rio de Janeiro)
no Museu Paulista. O longicornio é conhecido tam-
bem das republicas de Columbia e Venezuela. O
exemplar, descripto por Buquet teve um compri-
mento de 72 mm. por 28 mm. de largo.
Genero Titanus, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p. 133. — J.
Thoms. Classif. Ceramb. 1860 p. 295;
Syst. Ceramb. 1864, p. 475. — La-
Se, wee
cord. Gen. Col. VIII, 1869, p. 80.
— Lmr. Aun. Soc. Ent. Belg. XLIX,
1906, p. 317, ( Rév. p. 505). — Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
Dirt rien.p. PS:
Lameere junta ao genero Titanus, conservando-o
como subgenero, o Braderochus de Buquet, cujas
especies, o B. mundus White de Venezuela e B.
Levorturieri Bug. de Columbia, parece que são igual-
mente tão raras como a unica especie: do Titanus.
Infelizmente não conheço nenhum destes preciosos
longicornios necessitando assim seguir as descripções
de Serville, Thoms., Lacord., Bates e Lmr.
d. Mardibulas mediocres, horizontaes, com a
ponta aguda e bruscamente dobrada, um forte dente
na borda interna. Labro transversal, concavo, trun-
caao na borda anterior. Olhos aproximados em cima
e grossamente granulados. Antennas chegando ao
primeiro terço dos elytros. primeiro articulo grosso,
mediocre, conico e curvado, de comprimento do
5.º articulo e este mais curto que o 4.º e 5. con:
junctos, os articulos 4 até 10 diminuindo gradual-
mente no comprimento, 11.° mais comprido que o
precedente. O processo jugular agudo e o mento
pubescente. Prothorax transversal, mediocremente
convexo, as bordas lateraes ligeiramente crenadas
e alèm disto com 3 fortes espinhos sendo o do meio
o mais desenvolvido. Scutello arredondado poste-
riormente. Elytros mais largos que o prothorax,
dilatados lateralmente, conjunctamente arredondados
posteriormente e a ponta suturo-apical brevemente
dentada. Pernas compridas, os femora parallelos,
em baixo com 2 filas de espinhos bem curtos, tibias
munidas em toda a borda interna com espinhos.
Tarsos muito largos, o ultimo articulo com o pa-
ronychium visivel porém sem cerdas. Abdomen
com 6 segmentos visíveis, sendo o ultimo curto e
com a ponta sinuada. Corpo comprido e glabro.
2. Antennas chegando apenas ao primeiro
quarto dos elytros, abdomen de 5 segmentos visiveis,
tarsos mais estreitos, tibias inermes.
O)
1. Titanus giganteus, Lenn.
Mant. Plant. VI, 1771, p. 531.-- Fabr.
Syst. Ent. 1775, p. 161. -- O1. Ent.
LV: 1195,.66 o pa12, tia Gaw tO,
Cast. Hist. Nat. II, 1840, p. 391.
-- H. W. Bates, Trans. Ent. Soc.
Lond. 1869, p. 42. -- Lmr. Ann. Soc.
Eut. Belg. XLIX, 1906, p. 318
( Rév. p. 506 ). -- Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, Lmr. Prion.
py LS,
« &,9. fusco-castaneus, thorace lateribus trispi-
nosis, supra punctato-r'igoso, medio late impuntato,
tibiis & in'us multispinosis, ¢ laevibus, anteunis
utroque sexu dimidium corporis haud excedentibus,
segmento ultimo ventrali 4 in medio late exciso, q
integro ». Bates.
Comp. 100—150 mm.
Hab. Amazones e Cayenne. H. W. Bates (Trans.
Ent. Soc. Lond., 1869, p. 42), participa: «On the
Amazons this colossal longicorn was found only
near Manaos, on the Rio Negro; where it is occa-
sioually picked up on the shore of the river after a
stormy night, the insect being cast into the water
whilst flyng across». E. de Moult assignala este
insecto tambem. ( Bull. Soc. Ent. Fr. 1909, p. 55),
de Gourdonville ( Guyana franceza), de onde rece-
beu um & de 14 1/2 e uma ¢ de 18 cm. de com-
primento.
Genero Ctenoscelis, Serville
Ann; Soc. Ent. Pr. J, 1832, p. 134. --
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLIX,
1906, p. 311 ( Rév. p. 499). -- Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars. 52,
Link Pons pos ES.
Ao genero Ctenoscelis Lameere reuniu o ge-
nero Apotrophus de Bates, conservando o como sub-
genero junto com aquelle. Todas as 4 especies co-
nhecidas até hoje são do Brasil.
MES
d. Cabeça valida, horizontal. Mandibulas me-
diocres, fortes, parallelas, a ponta bruscamente do-
brada, a borda interna com um ou dois dentes, a
carena da face superior desenvolvida. Labro trans-
versal, não soldado ao epistomo. Palpcs medio-
cres. Olhos transversaes, volumosos, grossamente
granulados, a borda anterior ligeiramente sinuada, o
mento glabro. As antennas de comprimento varia-
vel, simples ou dentadas em serra, o scapo grosso,
em core, o 3.º articulo de cerca do duplo do 4.º
sentido do comprimento, o prothorax transversal, com
ou sem ponctuação sexual, as bordas lateraes mais
ou menos crenadas e com os cantos anteriores e
posteriores bem como o angulo mediano marcados.
Scutello mediocre, arredondado posteriormente. Ely-
tros apenas mais largos que o prothorax, sensivel-
mente alargados lateralmente, conjunctamente arre-
dondados posteriormente e a ponta suturo-apical
producto em dente ou não, pouco convexos, ru-
gosos e mais ou menos asperos na base, com 3
costellas geralmente obtusas. Pernas compridas, ro-
bustas, os femora parallelos, as tibias na borda in-
terna com 2 filas de espinhos bem compridos. Tar-
SOS, ao menos os anteriores, largos. Processo pros-
ternal estreito, obliquo na base e com a ponta medio-
cremente inclinada, o processo mesosternal moderada-
mente mais largo com a ponta arredondada. Os epister-
nos melasternaes truncados posteriormente. Abdo-
men lustroso, «de 5 segmentos visiveis, o ultimo seg-
mento na ponta fortamente sinuado. Cavidade coxal
anterior aberta posteriormente, cavidade coxal entre-
meiada aberta lateralmente.
6. Cabeça menor, antennas mais curtas. Pro-
thorax mais estreito, simplesmente ponctuado ou as-
pero. Ultimo segmento abdominal mais comprido e
arredondado posteriormente.
I. Subgenero Apotrophus, H. VW. Bates
Ent. Monthly Mag. XII, 1875, p. 48. — Lmr.
Aun. Soc. Ent. Belg. XLIX, 1906, p.
310 ( Rév. p. 498). — Col. Catalog.
ey am
Junk-Schenkling, pars 52, Lmr.
Prion. p. 18.
Paranaccus, J. Thoms. Rév. Mag.
Zool. 1877, p. 269.
Mandibulas fortes, grossa porém dispersamen-
te ponctuadas, a borda interna com dous dentes,
sendo um basal e menor e outro mediano e bem
forte, as pontas bruscamente dobradas. Epistomo
triangular, grossa e dispersamente ponctuado. Fronte
profundamente sulcada entre os olhos, rugosa; ver-
tice finamente rugoso. Palpos grossos, o ultimo ar-
ticulo dos maxillares subtriangular, o dos labiaes
subparallelo. Mento scabroso. Tuberculos anten-
niferos deprimidos, obtusos. Antennas curtas, che-
gando ao meio dos elytros, o primeiro articulo curto,
não chegando à borda posterior do olho, conico e
curvado, o 3° articulo do duplo do scapo, os arti-
culos 4 até 10 na borda interna productos em serra
do 11.° articulo Lameere ( Rév., p. 499) informa :
«Le 11.° articule est différencié au bout en un 12.
articule incomplètement séparé chez la feimelle. »
Olhos grandes e transversaes, mediocremente apro-
ximados em cima e em baixo, a borda anterior li-
geiramente sinuada. Prothorax transversal, cerca
de 2 1/2 vezes mais largo que comprido, o prono-
to lustroso, convexo, grossa e dispersamente pon-
ctuado no meio ficando esta ponctuação mais densa
e mais rugosa aos lados, as bordas lateraes só ligei-
ramente crenadas. os angulos latero-medianos ape-
nas marcados, os cantos anteriores ligeiramente ar-
redondados, a borda anterior ligeiramente sinuada.
O prosterno convexo e finamente rugoso. Elytros
compridos, lustrosos, mediocremente dilatados late-
ralmente, a ponta suturo-apical producto em dente
pequeno, ponctuados, rugosos, cada qual com tres
costellas incompletas. Pernas lustrosas, finamente
ponctuadas, os tarsos mediocremente largos, o ulti-
mo articulo mais cemprido que os outros conjun-
ctos e com um paronychium bem visivel mas sem
cerdas. O metasterno fina e densamente ponctuado.
Abdomen lustroso, a ponta do ultimo segmento sinuosa.
=== 69 <=
g. Antennas chegando ao primeiro quarto dos
elytros, menos fortemente dentadas em serra: na
borda interna, o ultimo articulo apendiculado. Ul-
timo segmento abdominal arredondado posteriormente.
Tarsos mais estreitos.
1. Ctenoscelis simplicicollis, H. W. Bates
Ent. Monthly. Mag. XII, 1875, p. 48. --
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belo. XLIX,
1906, p. 310 ( Rév., p. 498) -- Col.
Catalog. Junk -- Schenkling, pars 52.
Lmr. Prion, p. 18.
Olivieri J. Thoms, Rév. Mag. Zool.
1877, p. 2.10!
Castanho, lustroso, elytros mais claros, cabeça
e mandibulas mais escuras, glabro, metasterno té-
nue pubescente nos lados. As costas dos elytros são
bem distinctas.
¢. Comp. 72 1/2 mm., larg. 23 3/4. Lame-
ere indica o comprimento de 50 --60 mm..
Hab. 1 q de Itapura ( Estado de S. Paulo ).
Gounelle (Annu. Soc. Ent. Fr. LXXVII, 1908, p.
991) assignala o longicornio de Jatahy { Estado de
Goyaz) e o insecto, descripto por Thomson ( Rev.
Mag. Zool., 1877, p. 270) era do Paraná e tinha um
comprimento de 44 1/2 mm. por 18 mm. de largo.
O insecto é conhecido tambem da Republica Argentina.
IH. Subgenero Ctenoscelis, Ser ville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p. 134, — Bug.
Ann. Soc. Ent. Fr. (2) I, 1832, p.
134. — Bug. Ann. Soc. Ent. Fr, 2.
I, 1843, p. 231. — J. Thoms. Classif,
Ceramb. 1860, p. 291; Syst. Ceramb.
1864, p. ‘477. - Lacord. Gen. Col-
VIII, 1869, p. 87 — Lmr. Ann. Soe.
Ent. Belg. XLIX, 1906, p. 311 (Rév.
p. 499). — Col. Catalog. Junk-Schen.
kling, pars 52, Lmr. Prion. p. 18.
Este subgenero differe do precedente pelas an-
tennas simples e não dentadas em serra na borda
st” UN
interna e que são sensivelmente mais compridas e
com o scapo chegando ao menos a borda posterior
do olho, tendo tambem o ultimo articulo sem apen-
diculo; pelos olhos mais globulosos, pelo pronoto
mais rugoso e distinctamente crenado lateralmente.
Pelos elytros sensivelmente dilatados lateralmente.
Este subgenero se divide em duas secções :
I SECÇÃO
O scapo não ou apenas sobrepassando a borda
posterior do olho. Prothorax nos &d' sem pon-
ctuação sexual, sendo portanto a ponctuação do pro-
noto identica nos dois sexos.
2. Clenoscelis Coeus, Perty
Delect. Anim. Art. 1830, p. 86, t. 17, f. 5.
— Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XXI,
1912, p. 166. (CRhév.2p., 1.080), Cal,
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52.
Lmr. Prion., p. 18.
Dyrrachus Buq. Ann. Soc. Ent. Fr. (2)
byl 8434p -e2o0n tf. Oty 1. Ho W.
Bates, Trans. Ent. Suc. Lond. 1869,
p. 43.-- Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XLIX, 1906, p. 312 ( Rév.- p. 500).
Nuusithous Bug. Ann. Soc. Ent. Fr.(2)1,
1843, : p.-236,:t.,:9,:f. 2,-=H. W.
Bates, Trans. Ent. Soc. Lond. 1869,
p. 44.
S Castanho escuro, os elytros ligeiramente
mais claros e semiopacos, glabros e lustrosos. Ca-
beça valida, horizontal. Mandibulas grossas, com
2 dentes na borda interna como no precedente, a
ponta bruscamente dobrada e aguda, a base densa
e grossamente ponctuada e a ponta e os dentes li-
sos e lustrosos. t) epistomo e a fronte, com exce-
pção do profundo sulco e que é liso e lustroso,
grossamente ponctuados, o vertice finamente esca-
broso, com uma depressão meciana longitudinal e
uma pubescencia curta e rufa por traz dos olhos.
Estes bem volumosos, distantes em cima e em baixo
= 00 =
e grossamente granulados. O tuberculo antennifero
deprimido e obtuso. Antennas compridas, chegando
quasi ao apice dos elytros, o scapo sobrepassando
um pouco a borda posterior do olho, grosso, conico,
fina e dersamente ponctuado, o 3.º artculo do com-
primento dos 4.º e 5.º conjuncto, o submento finamente
escabroso e opaco. Prothorax transversal, mais de
2 vezes mais largo que comprido, convexo, com os
angulos lateraes marcados, os cantos anteriores avan-
cando sensivelmente ao lado da cabeça, o pronoto
com toda a parte mediana, formando assim um largo
traço longitudinal, liso e lustroso e só muito dis-
persamente, ponctuado, lateralmente o pronoto é gros-
samente rugoso-contluenter-ponctuado, a borda ante-
rior sinuada. O prosterno lustroso, finamente pon-
ctuado e ligeira transversalmente rugoso. Scutello
mais largo que cumprido, arredondado posterior-
mente, glabro e ponctuado. Elytros compridos, um
pouco mais largos que o prothorax, sensivelmente
dilatados lateralmente, a ponta suturo-apical sem
dente. finamente rugosos, a rugosidade na base um
pouco aspera. () metasterno fina e densamente pon-
ctuado e ténue rufo pubescente. Abdomen lustroso,
dispersamente ponctuado, o ultimo segmento abdo-
minal sensivelmente siruada, a ponta rufo fimbria-
da. Pernas compridas, lustrosas. Os tarsos, princi-
palmente os anteriores largos, o ultimo articulo
tarsal apenas do comprimento dos cutros conjun-.
ctos.
¢. A côr é mais clara, d'um rufo ferrugineo.
Mais delgada, antennas, mais delgadas, chegando ao
meio dos elytros, estas bastante mais largas que o
prothorax. Ultimo segmento abdominal. mais com-
prido e arredondado posteriormente.
d. Comp. 96 mm., larg. 31 mm. ¢. Comp.
95 mm, larg. 29 3/4 mm.
Hab. 1 4 no Museu Paulista sem determinação
precisa da localidade, 1 q de Ypiranga, ( Estado de
São Paulo), 2 99 do planalto de Paracis do Est.
de Matto Grosso. O exemplar descripto por Perty,
era procedente de Minas Geraes. Bates colleccionou
o insecto no Amazonas em Santarem, Obidos e Ma-
naos bem como em Serpa, perto da embocadura do
Rio Madeira no Amazonas. Gounelle, conforme La-
meere indica, encontrou o mesmo em Santo Antonio
da Barra, Est. da Bahia, sendo além disto o insecto
conhecido de Cayenne e da Bolívia.
a toda a probabilidade que os Ct. Dyrrachus
e Nausithous são synonymos do Coeus, existem po-
rém certas diferenças, pelas quaes, tendo a dispo-
sição um material do vulto e de muitas proceden-
cias, talvez se verifiquem certas raças locaes. Assim
observa-se uma certa divergencia das antennas dos
Sd. No &, que tenho em mãos, as antennas não
chegam completamente ao apice dos elytros. Con-
forme Perty as antennas são « corporis longitudine »,
e no Ct. Nausithous, conforme a diagnose do auctor,
as antennas são mais compridas que o corpo. Alem
disto, o scapo das especies examinadas é um pouco
mais comprido, sobrepassando um pouco a borda
posterior do olho.
Il SECÇÃO
O scapo mais comprido e inais delgado, sobre-
passando sensivelmente a borda posterior do olho.
Prothorax dos 4 4 coberto com uma ponctuação
sexual, o pronoto das qo grossa e rugosamente
ponctuado.
3. Ctenoscelis acanthopus, Germar
Ins. spee. nov. 1824, p. 467. — Cast. Hist.
Nat. II. 1840, p. 467. — Bug. Aun.
Soc. Ent. Fr. 2 I, 1843, p, 327. —
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLIX,
1906, p. 314 (Rév. p. 502). — Hey-
ne e Taschenb. Exot. Kafer 1906,
p. 237, t. 34, f. 6, q. — Col. Cata.
log. Junk-Schenkl. pars 52, Lmr.
Prion,fp:119:
& Castanho escuro, prothorax, cabeça e anten-
nas mais escuras, elytros rufo-ferrugineo escuros,
glabro e opaco. Cabeça mediocre, mandibulas ro-
stone
bustas, grossa e dispersamente ponctuadas, as pontas
abrupto-dobradas e agudas, a borda interna com um
dente grande e mediano, a fronte grossamente ru-
gosa com um profundo sulco longitudinal entre os
olhos e que se projécta para traz sobre o vertice,
este finamente escabroso. Olhos transversaes, volu-
mosos, distantes em cima e em baixo, grossamente gra-
nulados. Antennas delgadas, chegando ao segundo
terco dos elytros, primeiro articulo comprido, che-
gando a borda anterior do pronoto, grossa e dis-
persamente ponctuado, o “3.º articulo de cerca do
duplo do 4.º. O submento finamente rugoso e glabro.
O prothorax transversal, as bordas lateraes densa-
mente crenadas, o angulo latero-mediano pouco mar-
cado, os cantos anteriores pouco avançando aos lados
da cabeça. O pronoto convexo, opaco e densamente
coberto duma fina ponctuação sexual, ficando sem a
mesma 6 placas pouco espaçosas, a saber: 2 em
forma de triangulo agudo, mediocremente distantes
e ao lado da linha mediana longitudinal, chegando
da borda anterior até cerca ao segundo terço do
pronoto, uma em cada depressão latero-posterior em
forma de traço e chegando até a borda posterior,
e uma, pequena, no meio de cada dilatação lateral.
Estas placas, bem como a parte central da borda pos-
terior, são lustrosas e grossamente ponctuadas. Pros-
terno opaco e densamente coberto com a ponctuaçäo
sexual. Scutello mais largo que comprido, arredon-
dado posteriormente, finamente escabroso. Elytros
opacos, um pouco mais largos que o prothorax,
erossamente rugosos na base e finamente rugosos
na parte posterior, bastante dilatados lateralmente e
a ponta suturo-apical producto em dente pequeno.
Pernas compridas, delgadas, fina e densamente pon-
ctuadas. Tarsos delgados, os anteriores mediocre-
mente dilatados, o ultimo articulo mais comprido
que os outros conjunctos, o paronychium bem visi-
vel e sem cerdas. Metasterno densa e finamente
ponctuado e tenue flavo pubescente. Abdomen lus-
troso com uma ponctuaçäo identica do metasterno,
o ultimo segmento abdominal profundamente sinuado.
ei
— de —
q. Mais delgada. A cor geralmente mais clara.
Pronoto lustroso, com uma ponctuação grossa e
aspero-confluenter, o angulo :atero mediano bem
marcado. O prosterno lustroso e finamente rugoso.
Antennas chegando ao meio dos elytros apenas e
mais delgadas. O ultimo segmento abdominal arre-
dondado posteriormente.
&. Comp. 38 3/4-66 mm., larg 12 3/4-22 mm.
¢ Comp. 42 1/2-88 1/2 mm., larg. 13-29 1/2 mm.
Comimum nos arredores da Capital de S. Paulo
hem como no interior deste Estado. Vi tambem
exemplares de Joinville (Santa Catharina), Porto
Alegre (Rio Grande do Sul), Passa Quatro ( Minas
Geraes ), e falta tão pouco aos Estados de Rio de
Janeiro e Paraná, sendo assignalado tambem na re-
publica Argentina.
4. Ctenoseelis atra, Olivier
Ent EX. 4705, (66, po tt, do as, do 280
Bug. Ann. Soc. Ent. Fr. (2) 1843,
p. 233.--H. W. Bates, Trans. Ent.
Soc. Lon. 1869, p. 43.-- Lmr. Ann.
Soc. But. Belg. XLIX, 1906, p. 314,
( Rév. p. 502 ). -- Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, L'or. Prion
pro:
Bates dá a seguinte descripçäo, preferivel a de
Olivier, deste insecto, que parece commum no Ama-
zonas.
« Piceo-niger, tarsis posticis lobis angustissimis
et longe spinosis; elytris apice apud suturam si-
nuatis, angulo suturali spinoso.
d. Thorax minutissime et creberrime pun-
ctatus, disco utrinque plagis angustis tribus grosse
scabrosis nilidis ; antennæ longitudine corporis, intus
denticulatæ ; tarsi lobis intermediis et posticis spinosis.
2. Torax omnimo grosse scabrosus; antennæ
dimidium corporis attingentes, puntactæ ; tarsis om-
nibus spinosis». Bates. Comp. até 90 mm.
Hab. Bates collecionou muitos exemplares em
Ega sobre o Amazonas. E. de Moult (Bull. Soc.
no Et
Ent. Fr. 1909, p. 55) avisa o insecto de Gourdon-
ville, Nouveau Chantier et Saint Laurent-du-Maroni
Guyana Franceza.
Heller descreve a larva e a nympha ( Stett. Ent
Zeit. 1904, p. 383) proced-ntes de Petr. polis e que
foram colhidas no pän de uma « figueira », sendo
a madeira classificada como extremamente dura.
Parece tratar se d'um engano, pois ao que saiba, e
como o sr. dr. Hühne afirma à madeira da figueira
não compete esta classificação, isto é, ser « extre-
mamente dura », e, si effectivamente o besouro se
aproveita desta arvore. extranhavel é, que o mesmo
não seja assignalado ainda no Estado de São Paulo,
onde a Figueira não é rara. Sera possivel pois tratar-
se dum engano de determinação e que provavel-
mente o material, então colhido pelo Dr. Ohaus,
seja do Ctenoscelis Coeus Seja, porém, como for,
as descripções de Heller são summamente minuciosas
e de alto valor.
Chave
A. Antennas curtas, o primeiro articulo não
chegando a borda posterior do olho. As
bordas lateraes do prothorax apenas cre-
nadas. Pronoto dispersa e grossamente
ponctuado no meio.
C. semplicicollis.
A.A. Antennas compridas, o primeiro articulo
chegando ao menos à borda posterior do
olho. As hordas lateraes do prothorax for-
temente crenadas.
B. Prothorax nos &d' sem ponctuação
sexual, igual nos dois sexos com um
largo traço liso e lustroso longitudinal
no meio e rugoso-contluenter-pontuado
nos lados.
C. Coeus.
BB.
mener 2
Prothorax nos d' 4 com uma fina e
densa poncimação sexual, o pronoto
nas Z9 grossa e rugosamente pon-
ctuado
a)
Antenuas nos d & chegando ao
segundo terço dos elytros apenas.
3.º articulo dos tarsos posteriores
de forma normal
C. acanthopus.
Antennas dos 44 do compri-
mento do corpo. 3.º articulo tar-
sal com as azas, formadas pela pro-
funda entalha, nas pernas poste-
riores estreitas e productas em
espinho.
C. atra.
RILAPILIPODINI
Raphipodi Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XXI,
1912, p. 181 ( Rev. p. 1045) -- Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
1913: mr. Prion. po 30:
Os Rhaphipodi, denominados assim pelo genero
Rhaphipodus, formam a 7.º secção dos Macrotomine
de Lameere e suas especies são todas asiaticas ou
australianas com excepção unica do Jalyssus tuber-
culatus Oliv., conhecido do Amazonas bem como de
Cayenna.
Lemeere avisa como significativo characteristico
se seus Rhaphipodi, que as bordas lateraes do pro-
thorax não são dilatadas, a lingueta pequena e in-
teira, corpo convexo, o primeiro articulo das anten-
nas comprido.
Lacordaire juntou este genero americano a seus
« Cténoscélides » e Buquet relacionon o insecto com
o genero Mecosarthron.
O habito do Julyssus effectivamente é bastante
semelhante ao Mecosarthron, mas embora seja sua
lingueta bilolada, a grande differença sexual entre
J e q do Jalyssus demonstram, que o mesmo não
deve ser relacionado com aquelle genero.
Jalyssus, /. Thomson
Syst. Ceramb. 1864, p. 296. — Lacord. Gen.
Col. VIII, 1869, p. 88. — Lmr. Mém.
Soc: Ent. Bele. XL 1903, pb
( Rév. p. 261). — Col. Catal. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Prion. p. 33.
4. Cabeça moderadamente comprida, com uma
ponctuaçäo rugosa anteriur e fina posteriormente,
fronte sulcada. Mandibulas compridas, ponctuadas,
DECS me
dentadas na borda interna. Epistomo triangular,
plano. Antennas chegando ao segundo terço dos
elytros, lustrosas e dispersamente ponctuadas, 1.º ar-
ticulo sobrepassando consideravelmente a borda pos-
terior do olho, d’um terço mais comprido que o 3.º,
este do comprimento do 4.º e mais de 1/3 do 5.º
Olhos volumosos, ovaes, distantes da borda anterior
do prothorax. Este fortemente tra nsversal, os cantos
anteriores arredondados e nullos, os posteriores mar-
cados, as bordas lateraes crenadas, coberto com uma
finissima ponctuação sexua: ficando sem a mesma,
lustrôsas e grossamente ponctuadas no pronoto duas
placas triangulares no disco, duas linhas de cada
lado, sendo uma direita e outra obliqua, e uma
linha trasnsversa e basal. Scutello grande, arredon-
dado posteriormente, grossa mas muito dispersa-
mente ponctuado. Elytros parallelos, convexos,
compridos, conjunctamente arredondados posterior -
mente, a ponta suturo apical saliente em espinho, as
bordas lateraes não dilatadas, fortemente rugosas e
um pouco lustrosas na base e na satura, finamente ru-
gosas e granulosas bem como opacas posteriormente.
Metasterno nos lados cobertos com a ponctuação
sexual e finamente pubescente, no meio densamente
ponctuado e hirsuto, seus episternos finamente gra-
‘nulosos e dispersamente pubescentes Pernas rugo-
sas, os femora espinhosos em baixo, as tibias espi-
nhosas na borda externa e interna.
¢. Antennas chegando ao primeiro terço dos
elytros. Prothorax lustroso, pronoto fortamente ru-
goso, as bordas lateraes mais fortemente crenadas,
1. Jalyssus tuberculatus, Olivier,
Ent. IV, 1795, 66, p. 20,t.6,f. 22 — Bug.
Avn Soc. Ent. Fr. (2) I, 1843, p.
239.— J. Thoms. Syst. Ceramb. 1864,
p. 294. — H. W. Bates, Trans. Ent.
Soc. Lond. 1869, p. 45. — Lmr. Mem.
Soc. Ent. Belg. XI, 1903, p. 67. (Rév.
p. 261). — Col. Catalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, 1913, Lmr. Prion.
p. 33.
SR Ass
A côr é dum castanho-fusco ou d'um piceo-
preto, com os elytros d'um rufo-flavo, marginados
de preto. Comp. 58 — 63 mu.
Hab. Bates encontrou um unico & perto de
Ega ( Amazonas ) na beira do rio Teffé.
CALLIPCGONINI Lameere
Ann, Soc. Ent. Belg. XLVIII. 1904. p.
7 ( Rév. p. 425): Mém. Soc. Ent.
Bol AXL 1912, p--188 (Revo p.
1045 ). ---- Col. Catalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, 1913, Lmr. Prion p 36.
Os Callipogonint de Lameere incluem uma
certa quantidade de generos, que tem ccmo cara-
cteristicos, conforme o auctor avisa: Olhos grossa-
mente granulados e a borda anterior fortemente si-
nuosa desde o começo. O primeiro articulo das an-
tennas sempre é curto emquanto o 3.º é muito
comprido. As pernas são sempre inermes e a bor-
da lateral do protorax a principio crenada. A lin-
gueta é grande e as mandibulas mostram a carena
primitiva das Parandre.
Lameere repartiu os Callipogonini nas 5 divi-
sões: gurypodae. Megopides. Jamivoni. Callipo-
gones. Hoploderes, tendo sómente a segunda e a
quarta representantes no Brasil.
Cabeça horizontal ou sub-horizontal. Mandibulas
curtas, com a ponta bruscamente dobrada e a borda
interna ao menos com um dente, a carena da face
superior obtusa. Palpos mediocres. Olhos grossa-
mente granulados, de tamanho diverso, a borda an-
terior fortemente sinuosa. Antennas robusias, compri-
das, chegando ao menos ao meio dos elytros nos oo’,
o 1.º articulo em compsração ao 3.º, que é muito
comprido, curto. Prothorax transversal, com ou
sem ponctuação sexual nos d'&, as bordas lateraes
crenadas sémente ou tambem munidas com espi-
nhos. Scutello medriocre, arredondado posterior-
mente. Elytros compridos, de cerca da largura do
prothorax na base, convexos, com ou sem costellas,
parallelos lateralmente, conjunctamente arredondados
posteriormente, a ponta suturo-apical inerme ou pro-
Es A) es
ducta em espinho Episternos metasternaes mais ou
menos restringidos na borda interna. Abdomen nos
SS com 5 ou à segmentos em baixo. Processo
prosternal estreito, a ponta arqueada; processo me-
sosternal pouco mais largo, obliquo. Tarsos estrei-
tos ou largos.
Corpo comprido, convexo, glabro cu pubescente.
Chave
A. Abdomen dos gg com 9 segmentos visi-
veis. Primeiro articulo antennar curto não
chegando ou apenas sobrepassando a borda
posterior do olho. Tarsos estreitos. Epi-
sternos metasternaes na borda interna sen-
sivelmente restringidos, sendo portanto a
ponta aguda.
Megopides.
B. Abdomen dos &“& com 6 segmentos
visiveis. Primeiro articulo antennar
sobrepassando sensivelmente a borda
posterior do olho. Tarsos largos. Epi-
sternos metasterraes moderadamente
restringidos na borda interna e a pon-
ta truncada.
Callipogones.
1 Megopides, Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 181
( Rev., p. 1045). — Col. Catalog.
Junk-Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Prion, p. 37.
Os Megopides americanos, — o nome se rela-
ciona ao genero Megopis, Serv., conhecido da Asia
etc. — estão limitados ao genero Stictusomus com
os dois subgeneros Sleclosomus e Anacanthus, pois
o genero respectivamente subgenero Hephialtes ficou
supprimido por Lameere.
el
O insecto, antigamente conhesido sob o nome
de Heplualles sulcatus, Oliv., indicando o auctor
como patria Gayenna, devido a descripção incom-
pleta e o desenho pouco exacto ( Ent. IV, 1795, 66,
p. 39, t. 8, £ 27) deu motivo a muitas duvidas.
Assim Palisot de Beauvois considerou 'o mesmo sy-
1onymo do Derobrachus (subgen. Orthosoma) Brun-
neus Forst., conhecido dos Estados Unidos, emquanto
Schônherr (Syn. Ins. 3) enumerou este bem como
aquelle como duas especies differentes. Lacordaire
( Gen. Gol. VIII, 1869, p. 147), julgou como Schi-
nherr e declarou por causa disto o JZ. tricostatus,
Thoms. synonymo do H. sulcatus, Oliv.. Gahan po-
‘rém numa obra (Trans. Ent. Soc. Lond., 1895, p.
84, conforme Lameere indica), infelizmente agora
não ao meu alcance, defende a opinião, que o He-
phialtes tricostatus, Thoms., não deve ser conside-
rado como identico ao Prionus sulcatus, Oliv., hy-
pothese esta acceita por Lameere, que declarou o
insecto synonyino do Derobrachus brunneus, Worst
Por falta de material suficiente nada presentemente
posso dizer a respeito desta interessante questão.
Os Megopides americanos se distinguem pelo 1.º
articulo antenna muito curto e grosso, pelos episternos
metasternaes na borda interna sensivelmente restrin-
gidos, pelo abdomen sómente com 5 segmentos ven-
traes nos dois sexos e pelos tarsos muito estreitos,
Genero Stictosomus, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. 1832, p. 153. -- Lmr.
Aun. Sie. Ent. Belg. XLVIII, 1904.
p. 27 ( Rév. p. 445). -- Col. Catalog.
Junk-Schenkling, pars 52, 1913, Lmr. .
Prion. peo;
S. Glabro, lustroso. Cabeça valida obliqua. Man-
dibulas robustas, de formas diversas. Antennas medio-
cres, de 11 articulos, 1.º não chegando ou sobre-
passando apenas a borda posterior do olho, 3.º muito
comprido, ao menos do comprimento dos 4.º e 5.º
conjunctos. Submento glabro ou densamente hirsuto.
ProtLorax transversal, as bordas lateraes crenadas
Re Hu
ou cada com 3 espinhos mediocres. Scutello peque-
no, arredondado posteriormente. Elytros compridos,
parallelos, conjunctamente arredondados posterior-
mente, a ponta suturo-apical mais ou menos saliente
em dente, convexos, munidos com costellas. Pernas
curtas, robustas, as anteriores às vezes com uma
granulação sexual, tarsos delgados Processo pro-
sternal mais ou menos largo e com a ponta arquea-
da, processo mesosternal estreito e obliqno. Ultimo
segmento abdominal sinuoso posteriormente.
¢. Antennas mais curtas e delgadas. Cabeça
menor. Pernas mais delgadas. Ultimo segmento
abdominal arredondado posteriormente.
Subgenero Stictosomus, Serville
Ann. Soc.. Ent. Fr. I, 1832, p. 153. -=- J.
Thoms. Classif. Céramb. 1860, p.
297 ; Syst. Ceramb. 1864, p. 471 --
Lacord. , Gen. Col. Vial T0 aps
144. -- Bates, Trans. Ent. Soc. Lond.
1869, p. 47. -- Lmr. Ann. Soc. Ent.
Belg. XLVIII, 1904, p. 28 ( Rév. p.
446, ) -- Col. Catalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, 1913, Lmr. Pion. p. 38.
& Lustroso. Mandibulas compridas, obliquas,
ligeiramente curvadas para baixo, as pontas gradual
e mediocremente arqueadas, a borda interna denta-
da. Palpos bem compridos, os ultimos artículos cy-
lindro-conicos. Labro transversal, curto, sinuoso na
borda anterior. Epistomo triangular, ' truncado an-
teriormente. I*ronte rugosa, ligeiramente sulcada
longitudinalmente, vertice grossamente rugoso. Olhos
transversaes. Antennas attingindo apenas o meio
dos elytros, primeiro articulo grosso, quasi cylindri-
co, não chegando a borda posterior do olho, 3.º do
comprimento dos 4.º 5.º e 6.º conjunctos. Protho-
rax com as bordas lateraes crenadas e em cada 3:
dentes mediocres, sendo o primeiro um pouco aquem
do canto anterior, o segundo ligeiramente aquem do-
meio e o terceiro no canto posterior. Pronoto no-
meio dispersa porém grossamente ponctuado, a pon--
= DO) —
ctuaçäo nos lados é grossa e confluenter ; prosterno
rugoso. Scutello transversal e liso. Elytros fina-
mente ponctuados, a ponta suturo-apical saliente em
dente, deprimidos, cada qual com 4 costellas incom-
pletas. Metasterno e abdomen lisos e glabros. Per-
nas mediocres, robustas, o ultimo articulo tarsal
muito mais comprido que os outros conjunctos.
@. Cabeça sensivelmente menor. Mandibulas
e antennas mais cnrtas. Pernas mais delgadas.
1. Stictosomus semicostatus, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p.. 154. --
M Cast.” Hist. Nat. II, 1845, p. 402.
-- Lacord. Gen. Col. VIII, 1869, p.
Pb Mt 820818. HW. Bates, Trans.
Ent. Soc. Lond. 1869, p. 48. - Lmr.
Ann. Soc. Ent. Belg. XLVIII, 1904,
p. 128 (Rév. p. 446). -- Col. Catalog.
Junk-Schenkling, pars 52, 1913,
p. 38. —
Não conheço esta especie, encontrada no valle
do Amazonas e em Cayenna. A côr é de um cas-
tanho mais claro ou mais escuro, sendo os elytros
geralmente mais escuros que o resto do corpo. O
comprimento, conforine Lameere avisa é de 40 até
45 mm.. H. W. Bates colheu o insecto perto de
Mon:es Aureos, Estado do Para.
Subgenero Anacanthus, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p. 165.-J,
Thoms. Classif, Ceramb. 1860, p.
290; Syst. Ceramb. 1804, p. 471. --
Lacord. Gen. Col. VIII, 1869, p.
147.--Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XLVIII, 1904, p. 28, ( Rév. p. 446).
-- Col Cotalog. Junk-Schenkling,
pars 52,.1913,-Lmr. Prion. p. 38.
Hephialtes J. Toms. Syst. Ceramb. 1864,
p. 286.-- Lacord. Gen. Col. p. 146.
Este subgenero se destingue do precedente pelas
seguintes particularidades : mandibulas mais curtas
mais grossas, a ponta bruscamente dobrada e não
sou
curvada para baixo. Antennas mais compridas.
Submento do 4 hirsuto. Cada elytro no maximo
com 3 costellas e a ponta suturo-apical apenas sa-.
liente. Tarsos ligeiramente mais largos, seu ultimo
articulo mais curto que os outros conjunctos.
Das 3 especies, pertencentes a este subgenero,
sómente duas são encontradas no Brasil, sendo St.
aquilus, J. Thoms. conhecido da Columbia.
2, Stictosomus ruber, Thunberg
Mém. Acad. Peter. VIII, 1822, p. 305. —
Lmr, Mém. Soc. Ent. Bel. XXI, 1912,
p. 164 ( Rév. p. 1028). -- Col Catolog.
Junk-Schenkling, par 52, 1913, Lmr.
Prion.PogoS. -
Tricostatus J. Toms. Syst. Ceramb. 1864,
p. 286. -- Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.)
XLVIII, 1904, p. 28. ( Rév. p. 446).
Cadius J. Toms. Syst. Ceramb. 1865, p. 577.
Sulcatus Lacord. Gen. Col. VIII, 1869, p.
147. -- Heyne e Taschenb. Exot. Kä-
fer:11906,1p:4258 1. Soy fey Ag
&. A cor varia d’um castanho escuro até um
rufo bem claro. As especies escuras tem os tarsos
rufo flavos e as antennas, a contar do 4:º articulo
bem como os femora rufos. Mandibulas grossa-
mente ponetuadas, a ponta bruscamente dobrada e
aguda, a borda interna com 2 dentes fortes. Epis-
terno liso, transversal, a borda anterior sinuosa.
Fronte plana, dispersa e grossamente ponctuada e
mediocremente sulcada no sentido longitudinal, ver-
tice dispersa e grossamente ponctuado, ficando as
ponctuação mais densa por traz dos olhos, estas
transversaes, a borda anterior fortemente sinuosa.
Antennas sobrepassando o meio dos elytros, 1.º ar-
ticulo grosso, não chegando à borda postericr do
olho, quasi cylinárico, fina e dispersamente pontuado,
3.º de cerca do comprimento dos 4.º e 9.º conjuntos,
os 3.º até 9.º fina e muito dispersamente pontuados,
os articulos, 3 até 11, na borda interna com uma
carena limitada lateralmente por um fosso porifero,
sendo nos articulos 3 até 6 desenvolvidos sómente
pe RE) re
na ponta. Os 3 ultimos articulos completamente
cobertos com ponctuação prorifera.
{y submento longa porém pouco densamente rufo
hirsuto. Prothorax como na especie precedente porem
com os dentes um pouco menores, pronoto convexo e
muito dispersamente grosso -ponctuado, ficando lisas
duas ligeiras intumescencias obtusas no disco e um es-
paço irregular em cada lado perto do dente mediano,
prosterno fina e dispersamente ponctuado. Scutello
transversal, liso. Elytros apenas mais largos na base
que o prothorax, a ponta suturo-apical ligeiramente
saliente, convexos, mediocremente deprimidos na su-
tura, mediocre e profunda porém pouco dersamente
ponctuados, cada qual com duas costellas mais ou me-
nos proeminentes, que se juntam posteriormente, antes
de chegar ao apice. Metasterno e abdomen disper-
sa nente ponctuados. Pernas finas e dispersamente
ponctuadas, tarsos estreitos e compridos, os primei-
ros articulos das pernas entremeiadas e posteriores
quasi do comprimento dos dois seguintes conjunctos,
o ultimo apenas mais curto que os outros conjunctos.
Processo prosternal esteito, a ponta decliva, processo
mesosternal muito estreito, quasi nullo e fortemente
canaliculado.
2. Muito mais delgada. Cabeça menor, submento
elabro, antennas chegando ao raio dos elytros, per-
nas mais delgadas.
&. Comp. 19 1/4 — 33 mm., larg. 6 — 10 mm;
¢. comp. 20 — 28 mm., larg. 6 1/2 —
Hab. 2 do de Cotia ( Est. de S. Paulo), 5 dd
de Passa Quatro ( Minas ), 1 q de Cotia, 1 Q de As-
sis E. de S. Paulo, 6 ¢¢ de Ba Quatro. O insecto é
conhecido do E. da Bahia, de Cayenne e de Guadeloupe.
Stictosomus reticulatus, Dali.
Em. Schéuh Syn. Ins. I, 3, App. 1817, p.
147.
Costatus Serv. Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832,
E 166. — Cast. Hist, Nat. II, 1840,
. 403. — Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XLVIIL, 1904, p. 30 ( Rév. p. 448 ).
Heyne e Taschenb. Exot. Kifer, 1906,
oo, ee
p. 238, t. 34, f. 12. — Col. Catalog.
Junk--Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Priou. p. 39.
&. Piceo-preto com os palpos eos tarsos flavo-
rufos. O submento densamente rufo hirsuto. Mandi-
bulas. grossas, curtas, rugosamente ponctuadas.
Epistomo concavo, triangular. Fronte quasi plana,
grossa e dispersamente ponctuada e longitudinalmente
sulcada, vertice com uma ponctuação grossa e dis-
persa. Antennas compridas, attingindo o ultimo
quarto dos elytros, 1.º articulo grosso, conico, ru-
goso, sobrepassando ligeiramente a borda posterior
do olho, 3.º do comprimento dos 4.º e 5.º conjunctos.
Prothorax com as bordas lateraes arredondadas e
só ligeiramente crenadas. Pronoto plano, um pouco
inegual, muito dispersamente ponctuado, os cantos
anteriores sensivelmente abaixados, prosterno liso e
muito dispe samente ponctuado. Scutello transversal,
liso. Elytros com as pontas suturo-apicaes apenas
salientes, com uma ponctuação fina e mediocremente
densa, cada com 3 costellas bem fortes. Pernas
curtas e robustas, as anteriores densamente rugosas,
as entremeiadas e posteriores fina e dispersamente
ponctuadas, tarsos curtos e sensivelmente mais lar-
203 que nas especies prececentes, ultimo articulo
muito mais curto que os outros conjunctos Metas-
terno e abdomen fina e dispersamente ponctuados.
Processo prosternal largo, processo mesosternal es-
treito, horizontal, a ponta bifida.
©. Mais delgada, antennas attingindo o meio
dos elytros, 1.º articulo não chegando a borda pos-
terior do olho. Submento glabro, pernas mais del-
gadas, as anteriores lisas. á
J. Comp. 31-45 mm., larg. 10-13 mm;
9. comp. 25-35 mm., larg. 7-11 mm..
Hab. Não é raro nos arredores da Capital de
São Paulo. Vi exemplares dos seguintes lugares
do mesmo estado: Cotia, Campinas, Piracicaba e
Assis. Do Estado de Minas Geraes: Passa Quatro e
Mar de Hespanka. Do Estado de Rio de Janeiro: Rio
de Janeiro. Do Est. de Santa Catharina: Joinville.
HET
Chaves
A. ada elytro com 4 costellas. Ultimo ar-
ticulo tarsal muito mais comprido que os
outros conjunctos. Antennas curtas, o 3.º
articulo de quasi do comprimento dos 4
até 6 conjunctos.
St. semicostalus.
B. Cada elytro com 3 costellas no maximo.
Ultimo artículo tarsa! no maximo do com-
primento dos outros conjunctos. Antennas
mais compridas, seu 3.º articulo de cerca
do comprimento dos 4.º e 5.’ conjunctos.
a. Prothorax de cada lado com 3 es
pinhos curtos. Costellas dos elytros
obtusas. Tarsos delgados, seu ultimo
articulo de cerca do comprimento dos
outros conjunctos. Mento do 4 dis-
persamente hirsuto.
St. ruber.
6. Prothorax sem espinhos lateraes. Cos-
tellas dos elytros bem fortes. Tarsos
mais largos e curtos, o ultimo arti-
culo sensivelmente mais curto que os
outros conjurctos. Submento do 4
densamente hirsuto.
SE. reticulatus.
Il. Callipogones, Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 181
( Rév. p. 1045). — Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913; Lmr.
Prion.. p. 43:
Lameere reuniu ao Callipogon sob titulo de
subgenero os seguintes generos : Dendrobluptus, Cal-
lomegas, Orthomegas, Spiloprionus, Enoplocerus e
RSR ES
Navosoma, dos quaes no Brasil somente os Ortho-
megas, Enoplocerus e Navosoma, tam representan-
tes, sendo todas as demais especies, salvo uma unica,
da Siberia oriental, igualmente americanas. |
Todas as especies tem como caracter commum,
que o abdomen dos 44 mostram 6 segmentos vi-
siveis em baixo, sendo 0 5.º segmento sensivelmente
entalhado posteriormente e a ponta do 6.º 30 menos
sinuoso. O primeiro articulo antennar é muito mais
comprido e em principio muito mais delgado que
no genero Stictosomus. Os episternos metasternaes
tem a borda interna só moderadamente restringida,
ficando assim a ponta posterior mais larga e ao
menos um pouco truncada. As pernas são muito
mais compridas e mais delgadas, e os tarsos, ao
menos os anteriores, sensivelmente mais largos.
Genero Callipogon, Serville
Ann. soc. Ent. Pr li 1892; pdd
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVIII,
1904, p. 50 ( Rév. p. 468). — Col,
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52
1913, (Lime. Prion. p43.
5. Cabeça mais ou menos horizontal. Man-
dibulas no maximo mediocres, robustas, frequente-
mente denso-hirsutas na base, a ponta bruscamente
dobrada e aguda. Palpos mediocres. Olhos trans-
versaes, volumosos, a horda anterior profundamente
sinuosa aproximados ou não em cima. Antennas
compridas, sobrepassando ao menos o meio dos
elytros, 3.º articulo muito comprido, de cerca do
comprimento dos 4.º e 5.º conjunctos, os 4.º até
10.º subiguaes. Prothorax transversal, convexo, as
bordas lateraes crenadas e com: ou sem espinhos,
com ou sem pontuação sexual. Scutello mais largo
que comprido, arredondado posteriormente. Elytros
compridos, apenas mais largcs na base que o pro-
thorax, parallelos, conjunctamente arredondados pos-
teriormente, a ponta suturo-apical saliente em es-
pinho, com ou sem costelas. Pernas compridas,
delgadas, as vezes e então as anteriores rugosas.
RC =" e
Processo prosternal es reito, processo mesosternal
pouco mais largo.
q. Cabeca menor. Mandibulas mais curtas.
Antennas mais curtas e mais delgadas. Abdomen
em baixo com 9 segmentos visíveis.
Subgenero Orthomegas, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I; 1832, p. 149. -- J.
Thoms. Classif. Céramb. 1860, p. 293 ;
Syst. Céramb. 1864, p. 475. — La-
cord. Gen. Col. VIII; 1869, p. 77. —
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVIII,
1904, p. 58 ( Rév. p. 476 ).
Mandibulas mediocres, grossas. densamente hir-
sutas na parte interna, a borda interna com um
dente mediano e com ou sem dente vertical perto
da ponta. Palpos mediocres, grossos, 9. ultimo ar-
ticulo suboval. Labro pequeno, transversal, arre-
dondado anteriormente. IEpistomo densamente hir-
suto, concavo, separado da tronte por um sulco an-
galar, a borda anterior profundamente sinuosa.
- Fronte com uma depressão profunda entre as
antennas e um sulco entre os olhos. Estes mais ou
menos aproximados em cima e em baixo. Tuberculos
antenniferos mediocremente proeminentes. Antennas
um pouco mais curtas que © corpo, 1.º articulo grosso
sobrepassando sensivelmente a borda posterior do
olho, com ou sem pubescencia na borda interna,
3.º de cerca do comprimento dos 4.º e 5.º conjunctos ;
3.º articulo na ponta interna. os 4.º até 11.º em
todo o seu comprimento na borda interna com uma
carena, limitada lateralmentê por um fosso porifero
o 11.º appendiculado. Prothorax convexo, as hordas
lateraes mais ou menos densa e irregularmente cre-
nadas e ao menos os cantos posteriores productos
em espinho, o pronoto no disco com duas intu-
mescencias obtusas. Elytros muito compridos. os
cantos espadicaes obtusos, o canto suturo-apical pro-
ducto em espinho. Pernas compridas delgadas com-
primidas, os 4 femora posteriores na ponta armados
com 2 espinhos, a ponta externa das tibias saliente
en: espinho. Tarsos mediocres, ao menos os ante-
riores largos, 9 ultimo articulo do comprimento dos
outros conjunctos. Corpo comprido, coberto com
uma pubescencia curta e densa.
Das 4 especies, até hoje descriptas, sómente o
C. Pehlhe: Lmr. é alheio do Brasil, sendo encon-
trado no Perú e na Columbia. Das restantes os C.
similis e C. Jaspideus são conhecidas tambem do
Estado de São Paulo, emquaato o C. cinainomeus
habita as regiões do norte.
1. Callipogon similis, Gahan
Ann. Mag. Nat. Hist. 6 XIV, 1894, p-
p. 223. -- Lmr. Ann. Soc. Ent. B-lg:
XLVIII, 1904, v. 61, (Rév. p. 479):
Col. Catalog. Junk-Schenkling, pars
52; 1913, Lmr. Prion. p. 45.
S. Opaco, castanho, cabeça, prothorax, an-
tennas e pernas inais escuras, abdomen ferrugineo,
densamente flavo rufo pubescente, mandibulas por den-
tro e e—pistomo densamente hirsutos, antennas, per-
nas parcialmente, mandibulas exterior e.inferiormente,
os episternos prosternaes e algumas placas no pronoto
elabias. Mandibulas compridas e com um forte dente
vertical perto da ponta. Olhos mediocremente aproxi-
mados em cima e embaixo. Antennas chegando ao ul-
timo quarto dos elytros, 1.º articulo glabro, muito dis-
persamente ponctuado, opaco, os 2.º até 11.º lustrosos,
5.º mais comprido que os 4.º e 5.º conjunctos, as
duas carenas em baixo nos 3.º, 4.º e 5.º ligeiramente
crenadas. As bordas lateraes do prothorax crenadas,
seudo alguns dentinhos mais desenvolvidos, os cantos
posteriores, moderadamente afastados dos elytros,
salientes em espinhos, os anteriores proeminentes em
dente. Os episternos prosternaes e as placas gla-
bras do pronoto. cobertos com uma ponctuação sexual
fina e densa, as duas intumescencias do pronoto
bastante elevadas. Elytros fina e densamente ponc-
tuado-rugosos. Metasterno fina e densamente ponc-
tuado e flavo-rufo hirsuto. Abdomen finamente
RE. —
ponctuado e hirsuto. Pernas semilustrosas, os femora
anteriores em cima, os entremeados e posteriores
em baixo e as tibias finamente ponctuados e com
uma pubescencia muito curta e dispersa.
2. Mandibulas sem dente vertical perto da ponta.
Antennas sobrepassando um pouco o meio dos ely-
tros, os articulos 4 até 5 não crenados em baixo.
Episternos prosternaes opacos e lisos.
S. Comp. 59 — 78 1/2 mm.. larg. 16 3/4 — 22
mm. ; 2. Comp. 61 — 74 1/2 mm., larg. 17 — 21 mm.
Hab. 1 & de Monte Santo ( na fronteira dos Esta-
dos de S. Paulo e Minas Geraes ), 1 4 de Joinville
( E. de St.* Catharina), 1 ¢ de mar de Hespanha
( Minas Geraes), 1 5¢ no museu paulistasem indi-
cação precisa.
2. Callipogon jaspideus, Buquet
Em Guér. Icon. régne anim. Ins. 1844, p.
212. -- Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XLVIIT, 1904, p. 61, Rév. p. 479.
-- Col. Catalog. Junk-Schenkling,
pars 52, 1913, Lmr. Prion. p. 45.
Esta especie tem muitas afinidades com a pre-
cedente e differe pelas seguintes particnlaridades.
Mandibulas dos 4 4 mais curtas, o dente vertical mais
curto e mais obtuso. Os olhos em cima mais apro
ximados. O 1.º articulo antennar na borda interna
e em todo seu comprimento densamente hirsuto.
Os cantos posteriores do prothorax menos afastados
dos elytros, as bordas lateraes do prothorax mais
densamente crenadas, a ponctuação sexual no pro-
noto no & menos desenvolvido.
S. Comp. 55 mm., larg. 16 3/4 mm.
Hab. 1 & de Campinas. 2 gd no museu pau-
lista sem indicação precisa
3. Callipogon cinnamomeus, Lin
Syst. Nat. ed. 10, 1758, p. 389. -- Drury,
Hlustr. Ins. 1, 1773, p. 89, ti, 40, f.
2.—— Fabr. Syst. Ent. 1775, p. 163.
---H. W. Bates, Trans. Ent. Soc.
ADS
Lond. 1869. p. 41 ; Biol. Centr. Amer.
V, 1884, p. 232.---- Lmr. Ann. Soc.
Ent. Belg. XLVIII, 1904, p. 62, (Rév.
p. 480). — Heyne e Taschenb. Exot.
Käfer 1906, p. 237, t. 33, f. 18. ---
Col. Catalog. Junk--Schenkling, pars
52, 1913, Lmr:,Prion; p. 45,
Mucronatus Fabr. Syst. Ent. 1775, p. 160.
Cinctu< Voet, Cat. Col. II, 1778, p. 16, t.
LEO
Corticinus Oliv. Encyel. méth. V, 1790, p.
294: Hut. IV, 1795;:66, ip. 21, tu 9;
fs OAS er OM Apoio dt 4 FIOS ee
Cast. Hist.Nat II, 1840. p. 401.
Spadiceus Dalm. em Fchünh. Syn. Ins. I,
2, + Apps STA, “pos.
Cor de canela, mais claro que os precedentes.
— À côr dos exemplares de Goyaz e de Matto Grosso
apenas differe da dos precedentes. — Este longi-
cornio differe dos precedentes pelas seguintes parti-
cularidades: Mandibulas curtas, o dente vertical ape-
nas marcado, a pubescencia por dentro bem como
a do epistomo um pouco menos desenvolvida. Olhos
em cima e em baixo sensivelmente mais aproxima-
-dos, mais volumosos. Primeiro articulo das antennas
na borda interna pubescente apenas da base atê um
pouco além do meio. Prothorax do d sem ponctua-
çãs sexual, os cantos posteriores sensivelmente afas-
tados dos elytros e salientes em espinho mais com-
prido, existindo um outro espinho, porém mais curto
um pouco alem do canto posterior, as bordas late-
raes apenas crenadas; todo o pronoto coberto com
uma pubescencia uniforme; os episternos proster-
naes são ligeiramente rugosos e pubescentes. No
resto elle confere com os precedentes.
d'. Comp. 38 — 59 mm., larg. 11 — 16 1/2 min.,
Lameere indica como comprimento 60 — 85 mm.
Hab. 2 dd do Estado de Goyaz no museu paulista
sem indicação precisa, 1 4 do Estado do Matto Grosso.
Commum no valle do Amazonas e conhecido tambem
de Cayenna, Venezuela, Columbia. Nicaragua, Guyana
Hollandeza. Aurivillius, ( Ark. f. Zool. 5, n. 1, 1909 p.
2, previne que o viu) exemplares de Caquimayo. (Peru ).
UN —
Subgenero. Enoplocerus, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I 1832, p. 146. --- J.
Thoms. Classif. Céramb. 1860, p. 290 :
Syst. Céramb. 1864, p. 474..--Lacord.
Gen. Col. VIII, 1869, p. 75. ---- Lmr.
Ann. Soc. Ent. Belg. XLVIII, 1904,
p. 63 (Rév. p. 481). --- Col. Catalog.
Junk--Schenkling, pars 52, 1913. Lmr.
Prion. p. 45.
d. Cabeça horizontal. Mandibulas curtas e
grossas, a ponta bruscamente dobrada e aguda, a
borda interna com um dente forte e mediano, gla-
bras, gross» e dispersamente ponctuadas. Labro trans-
versal, estreito, a borda anterior ligeiramente sinuosa.
Palpos mediocres, o ultimo articulo suboval. Epis-
tomo fortemente “sinuoso na borda anterior. Fronte
largamente sulcada, finamente ponctuada e pubescente.
Vertice convexo, fina e densamente ponctuada e pu-
bescente. Olhos volumosos, largamente separados em
cima e em baixo. Tuberculos antenniferos obtusos.
Antennas glabras-e lustrosas, compridas, sobrepas-
sando o apice dos elytros com os dois ultimos ar-
ticulos e uma parte do antepenultimo, 1. robusto,
comprido, sobrepassando a borda posterior do olho, o
canto externo saliente em forte expinho, a borda
externa cortante e grossa e dispersamente pon-
ctuada, 3.” articulo do ‘dobro do 4.º no sentido
do comprimento, os 3.º até 11.º na borda interna
mais ou menos crenados, os 4 até 11 na base e na
ponta, internas, 0 3.º sOmente na ponta interna com
uma curta carena limitada lateralmente por um fosso
porifero. Prothorax com as bordas lateraes paral-
lelas, cada qual com 4 espinhos compridos e em
distancias iguaes um do ontro, sem ponctuação se-
xual, pronoto com 2 intumescencias no disco, no
meio ligeiramente rugoso, fina e densamente pon-
tvado nos lados, ligeiramente pubescente, a borda
anterior sinuosa, prosterno convexo. finamente
ponctuado e pubescente, os episternos prosternaes
fina e densamente ponctuados e glabros. Scutello
mediocre, finamente ponctuado e pubescente. Elytros
convexos, glabros, os cantos espadicaes productos
em espinho curto finamente rugosos, 0 canto suturo-
apical saliente em espinhos. Metasterno fina e den-
samente pontuado e pubescente. Abdomen com a
mesma pontuaçäo e pubescencia como o metasterno.
Pernas compridas, comprimidas as anteriores mais
compridas e robustas que as outras, os femoras ante-
riores fortemente granulosos em cima lisos em baixo,
os femora entremeiados e posteriores lisos e- glabros
em cima, fina e dersamente ponctuados e pubescentes
em baixo e com o apice biespinhoso. As tibias ante-
riores na borda interna fortemente scabrosas, as res-
tantes dispersamente ponctuadas e pubescentes. Tar-
sos mediocremente largos, o ultimo articulo mais
comprido que os outros conjunctos.
2. Mandibulas mais curtas. . Antennas sobre-
passando um pouco o meio dos elytros. Pernas an-
teriores de comprimento normal, não scabrosos.
4. Callipogon armillatus, Linn.
Syst. Nat. ed. 12, 1767, p. 622. — Fabr.
Syst. Ent. 1775, p. 162. — Oliv. Ent
IV 1795506, p. OL 0b. SABE ETES
Cast, Hist. Nat. II, 1840, p. 393, +.
46. — H. W. Bates, Trans. Ent. Soc.
Lond. 1869, p. 40. — Goeldi, Bolet.
Mus. Para, II, 1897, p. 64, fig. —
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVIII,
1904, p. 64, ( Rév. p. 482.); Mem.’
Soc. Ent. Belg. XXI, 1912. p. 165
( Rév. p. 1029). Heyne e Taschenb.
Exot. Kafer. 1906, p. 237, t. 33. f.
15. -- Csiki. Ann. Mus. Hung. VII,
1909, p 343, t. 6. f. 1. — Col. Cata-
log. Junk-Schenkliug, pars 52, 1913 :
Lmr. Prion. p. 45.
Octodentatus Sehônh. Syn. Ins. I. 3, 1817,
p. 342.
Ggas Csiki, Ann. Mus. Hung. VII, 1909,
p. 249; -t.40. É. . 22
Castanho escuro até preto, finamente griseo pu-
bescente, prothorax nos lados com diversas manchas
vermelhas. Elytros glabros, flavos, pretos margina-
dos. Opaco, mandibulas, antennas e pernas lustrosas.
en. —
cf. Comp. 85-112 1/2 mm., larg. 26 - 51
mmssO competi mm, oJdargs 22.1/2 mm, La:
meere indica como comprimento 80 - 120 mm..
Hab. 1 & de Bebedouro ( Est. de S. Paulo ),
1 4 de Santarem (Amazonas) no museu paulista.
Gounelle ( Ann. Soc. Ent. Fr. LXXVII, - 1908, p.
O9! ) registra o insecto d> Jatahy ( Est. de Goyaz),
Bates ( Trans. Ent. Soc. 1869, p. 40) encontrou o
insecto no Alto Amazonas, sendo elle tambem co-
nhecido do Estado do Pará. Vi tambem 2 dd
procedentes de San Ignacio, Missiones, Rep. Ar-
gentina. Gveldi (Bolet. Mus. Pará Il, 1897, p.
64, fig.) informa sobre uma nynpha que tinha um
conprimento de cerca de 150 mm.
subgenero Navosoma, Blanchard
Hist. Nat. Ins. II, 1845, p. 141. -=J. Tho-
ms. Classif. Céramb. 1860, p. 291;
Syst. Ceramb. 1864. p. 477. — La-
cord. Gen. Col. VIII, 1869. p. 94.
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVIII
1904, p. 67. ( Rév. p. 485). — Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
1913, Lmr. Prion p. 46.
&. Cabeça mediocre. Mandibulas curtas, ro-
bustas, a ponta bruscamente dobrada e aguda, gros-
sa e dispersamente ponctuadas. Labro estreito, tran-
sversal, ligeiramente sinuoso anteriormente. Epis-
tomo concavo, triangular, quasi recto na borda an-
terior, grossa e dispersamente ponctuado. Ironte
sulcada entre os olhos, dispersamente ponctuade,
vertice com uma ponctuação identica. Palpos cur-
tos, o ultimo articulo subtriangular. Olhos distan-
tes em cima e em baixo. Submento grossamente
ponctuado-rugoso. Tuberculos antenniferos obtusos.
Antennas chegando ao segundo terço dos elytros,
1.º articulo conico, sobrepassando a borda posterior
do olho, grossa e dispersamente ponctuado, 3.º um
pouco mais comprido que os 4.º e 5.º conjunctos, os
3.° até 7.º grossa e dispersamente ponctuados, os
8.º até 11.’ completamente cobertos com a pontua-
ção porifera, os 3.º e 4.º na ponta da borda inter-
na, os 5.º até 7.º na base bem como na ponta, os
8.º até 11.º em todo seu comprimento interno com
uma carena limitada lateralmente com um fosso po-
rifero. Prothorax amplo, mais largo que os elytros,
convexo, as bordas lateraes ligeiramente crenadas,
os cantos posteriores agudos, os anteriores arredon-
dados, coberto com uma ponctuação fina e conflu-
enter salvo no pronoto a linha mediana longitudi-
nal e 4 depressões profundas em cada lado desta
linha. e no prosterno a linha mediana longitudinal
e as suturas, que separam os episternos do prosterno.
Scutello mediocre, liso. Elytros mediocremente com-
pridos, convexos, o canto suturo-apical producto em:
espinho, cada um com 4 costelles, mais accentua-
das posteriormente, entre as quaes ha outras muito
mais obtusas, a parte basal quasi lisa, posteriormen-
te cobertos com uma ponctuação tinissima. Metas-
terno fina e densamente ponctuado e flavo hirsuto.
Abdomen sómente com poucos pontos, nos quaes
nasce um cabello flavo. Pernas deigadas, dispersa-
mente porctuadas. Tarsos pouco largos, o ultimo
articulo muito mais curto que os outros conjunctos.
2. Cabeça menor. Antennas não chegando ao
meio dos elvtros. Prothorax menor, de largura dos '
elytros, as bordas lateraes densamente crenadas, pro-
noto no disco grossamente confluente rugoso, liso
nos lados; prosterno rugoso, os episternos proster-
naes lisos.
9. Callipogon luctuosus, Schünherr
Syn. Ins. 1, 3, 1817, p. 346, ( Oliv. Ent.
IV; 1795,» 66;! to (14, fo 15.9) Lim,
Ann. Soc. Ent. Belg. XLVIII, 1904,
p. 67 ( Rév. p. 485). — Col Catalog.
Junk--Schenkling, pars * 52, 1913,
o Lmr? 4Priont, Opt’ 46t
Huberti Bug. Ann. Soc. Ent. Fr. IX, 1840,
Bull. p, XXVIII ¢.
Tristis Blanch. Voy. DUrb. Ins. 1843, p.
206/06. POI";
. Blanchardi J. Thoms. Rév. Mag. Zool.
1877, p.270.
Eu ENT me
Glabro, opaco, piceo-preto, metasterno modera-
damente flavo-hirsuto.
Esta especie differe sensivelmente das outras
especies e é facilmente distinguivel pelas mandibulas
elabras, pela forma do prothorax, pelas costellas dos
elytros, e pelo ultimo articulo tarsal, que é muito
mais curto que os outros conjuctos.
d' Comp. 28 3/4 até 34 1/2 mm., larg. 10 até
12 mm. 4. comp. 30 1/2. até 40 mm., larg. 11
1/2 até 14 mm.
Hab. Não é raro no Estado de São Paulo ;
assim vi exemplares da Capital, de Piracicaba,
Matto Grosso de Batataes e Assis. Recebi tambem
taes de Passa Quatro e Marianna do Estado de Mi-
nas Geraes.
Chave
I. Ultimo articulo tarsal ao menos do comprimento
dos outros conjunctos. Elytros sem costas.
A. Mandibulas e epistomo longa e densamen-
te hirsutos. Primeiro articulo das anten-
nas comprido, conico e simples. Elytros
pubescentes, os cantos espadicaes obtusos.
a). Primeiro articulo das antennas glabro.
b). Olhos moderadamente distantes em
cima. Mandibvlas do & com um for-
te dente vertical na face superior perto
da ponta. Prothorax do & com a
ponctuacão sexual.
C. sinalrs.
aa). Primeiro articulo das antennas na
borda interna ao menos parcialmente
longa e densamente hirsuto.
c). Primeiro articulo das antennas na
borda interna em todo seu comprimen-
to longa e densamente hirsuto. Olhos
em cima mais aproximados. Canto
CR
posterior do protborax pouco afastado
dos elytros. Mandibulas dc 4 com
um dente vertical porém mediocre
perto da ponta. Prothorax do & com
a ponctuação sexual.
C. jaspideus.
d). Primeiro articulo das antennas na
borda interna da base até mais ou
menos o meio hirsuto. Olhos em cima
muito aproximados. Cantcs posterio-
res do prothorax bastante afastados
dos elytros. Mandibulas do q sem
dente vertical. Prothorax do & sem
a ponctuação sexual.
C. cinnamomeus.
AA. Mandibulas glabras, epistomo simplesmen-
te pubescente. Primeiro articulo das an-
tennas grosso e com um forte espinho
externo-apical. Elytros glabros, os cantos
espadicaes salientes em espinho.
e). Prothorax em cada borda lateral com
4 espinhos compridos.
C. armillatus.
i]. Ultimo articulo tarsal mais curto que os outros.
conjunctos. Elytros com costellas.
/). Glabro. Prothorax do & com a pon-
ctuação sexual.
C. luctuosus.
DERANCISTRINI, Lameere
Mem. Soc. Ent. Belg. XVII, 1909, p. 1
( Rév. p. 585), XXI, 1912, p. 181
(Rév. p. 1045). — Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913. — Lmr.
Pricn.. ps. 49:
Os Derancistrini de Lameere, representados no
Brasil pelos generos Poecilosoma, Calocomus e Py-
rodes. sendo que o genero Derancistrus tem 33
especies conhecidas principalmente da America Me-
ridional e das ilhas das Antilhas, formam um grupo
assim natural.
Cabeça proeminente, fortemente sulcada entre
os olhos, mandibulas mediocres, verticaes. Palpos
mediocres, olhos transversaes, finamente granulados
e fortemente sinuosos na borda anterior na altura
do nivel da inserção das antennas. As antennas de
comprimento variavel, de 10 até 13 artículos, sim-
ples ou comprimidas, pectineas ou flabeiliformes ; o
primeiro articulo mediocre, o 3.º em geral muito mais
comprido que o 4.º. Prothorax transversal, as bordas
lateraes em geral ao menos do canto anterior até
um forte dente ou espinho mediano crenadas. O
processo prosternal saliente para traz entrando a
ponta em um sulco do mesosterno ( Pyrodes) ou
ficando mediocremente afastada do mesmo ( Poeci-
losoma, Culocomus ). Elytros convexos, pouco com-
pridos, os cantos espadicaes geralmente salientes.
Os episternos metasternaes largos, as berdas lateraes
parallelas, truncados posteriormente. Pernas com-
pridas e delgadas, as tibias com as pontas externas
mais ou menos salientes em espinho, os tarsos pouco
largos, o ultimo artículo tarsal de comprimento va-
riavel, em geral mais comprido que os outros arti-
culos conjunctos.
— 100 —
São insectos em geral hem grandes, glabros e
lustrosos e tem com poucas excepções um tegu-
merto ao menos parcialmente de cores metallicas
bem vivas, e. per causa disto são dos mais bonitos
besouros que se conhecem, a côr porém, como se
di em geral com besouros, tintos destas córes, varia
extraordinariamente na mesma especie e apresenta
todas as matizes entre verde, azul e purpura etc.
Todos são, o que já indica a fina granulação
dos olhos, diurnos e encontrados nas mattas sobre
as folhas e troncos das arvores, e observei diversas
especies comendo o suco de diversas arvores, fura-
das por larvas.
Chawve
A. Scutello arredondado posteriormente. Can-
tos posteriores do prothorax dirigidos para
traz e entrando nos elytros numa exca-
vação apropriada. Elytros na sutura
por baixo da ponta do scutello não con-
tiguos, ficando assim um estreito pedaço
em triangulo agudo do metanoto visivel.
Antennas dos flabelliformes.
Poecilosoma.
AA. Scutello grande, triangular, agudo poste-
riormente. Cantos posteriores do prothorax
normaes. Elytros na base da sutura fe-
chados.
a) A ponta do processo prosternal obtusa
e näo entrando no mesosterno. An-
tenas pectineas.
Calocomus.
b) A ponta do processo prosternal aguda
e entranlo num sulco do mesosterno.
Antennas simples.
Pyrodes.
— 191 —
Genero Poecilosoma, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. J, 1832, p. 184. — J.
Thoms. Classif. Ceramb. 1860, p.
287; Syst. Ceramb. 1864, p. 467. —
Lacord. Gen. Col. VIII, 1869, p.
187. — Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg.
XVII, 1909, p. 28 ( Rév. p. 612). —
Col. Catalog. Junk-Schenkling, pars
52, 1913, Lmr. Prion. p. 52.
& Ceroctenus Serv. Ann. Soc. Ent. Fr. I,
1832, p: 196. — J. Thoms. Classif.
Ceramb. 1860, p. 287; Syst. Ceramb.
1864, p. 466. — Lacord. Gen. Col.
VIII, 1869, p. 186.
Graça aos minuciosos estudos de Lameere fi-
cou assentado que o até là conhecido Ceroctenus
abdominalis Serv. é o & do Poecilosoma ornatum,
os quaes, devido a enorme variabilidade de suas
cores, foram descriptos este sob 5 aquelle sob 6
nomes differentes. O com as antennas flabelli-
formes e um tegumento muito lustroso, a q com as
antennas simples e um tegumento opaco divergem
entre si tanto, que nada de estranhavel ha que os
entomologos antigos não hajam descoberto o intimo
parantesco entre os dois longicornios. O q infe-
lizmente não conheço
4 Lustroso. Cabeça mediocre. Mandibulas cur-
tas, verticaes, rugosas, as pontas bruscamente do-
bradas e agudas, a borda interna com um dente
mediano. Epistomo ligeiramente concavo e apenas
sinuoso na borda anterior, zrossamente ponctuado ;
labro estreito, transversal, ligeiramente sinuoso an-
teriormente. Fronte mediocremente sulcada entre os
olhos, grossamente ponctuada; vertice grossa e dis-
persamente ponctuada. Olhos mediocres, transversaes.
Antennas robustas, chegando ao pririeiro quarto dos
elytros, os dois primeiros articulos lustrosos, os res-
tantes 9 opacos; o primeiro articulo curto e grosso
e dispersamente ponctuado, o 3.º não chegando ao
comprimento dos 4.º e 5.º conjunctos e a sua ponta
interna saliente em dente forte, os 4.º até 10.° ar.
ticulos flabelliformes, sendo o flakelio de cerca do
D
comprimento do respectivo articulo, o 11.º simples.
O submento rugoso ; o processo jugular largo e obtuso.
Prothorax transversal, com as bordas lateraes do
canto anterior até o espinho mediano, o qual está
dirigido para traz e fica um ponco aquem do meio,
crenadas e gradualmente curvadas, e do espinho
mediano atê os cantos posteriores fortemente res-
tringentes. Os cantos posteriores sãc dirigidos para
- traz e entram numa excavação dos elytros. Pronoto
lustroso, final dispersamente ponctuado no meio e
mais densamente nos lados. Prosterno rugoso. Scu-
tello lustroso, mais comprido que largo, arreaon-
dado posteriormente, fina e dispersamente ponctuado.
Elytros lustrosos, gradualmente restringidos poste-
riormente, a borda lateral do lado do apice mais ou
menos crenada, sendo a parte crenada lateralmente
limitada na borda por um espinho, geralmente
obtuso. Os elytros na sutura, por baixo da ponta
do seutello não são contiguos, ficando assim aberto,
em triangulo muito agudo, um pequeno espaço, per-
mittindo de enchergar o metanoto.
Metasterno avançando sobre o mesosterno em
triangulo curvilineo. Ultimo segmento abdominal
transversal, sinuoso posteriormente. Pernas curtas,
robustas, comprimidas; tarsos curtos, o ultimo ar-
ticulo mais comprido que os precedentes conjunctos.
Processo prosternal horizontal, a ponta largamente
truncada e apenas sinuosa; processo mesosternal de
cerca do mesmo nivel e sulcado na parte horizontal.
q. Opaca. Antennas simples e ligeiramente
mais curtas. Scutello grosso e dispersamente pon-
ctuado. Elytros fina e densamente ponctuado-rugosos.
posteriormente apenas crenadas. Metasterno opaco, fi-
na e densamente rugoso. Abdomen mais dispersamente
ponctuado que o metasterno, o ultimo segmento trun-
cado posteriormente. Pernas delgadas e compridas.
Até hoje conhece-se sOmente uma especie.
Poecilosoma ornatum, Dalman
Anal. Ent. 1823, p. 62. — Lmr. Mém. Soc.
Ent. Belg. XVII, 1909, p. 31 ( Rév.
— 103 —
p. 615 ). — Col. Catalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, 1913. Lmr. Prion,
p. 52.
q. flammigerum Perty, Delect. Anim. Art:
RODO, Wa Ong to LA
. abdominale Serv. Ann. Soc. Ent. Fr.
[*1832;" pe 19k
Haviventre Bug. em Guér. Icon. règne
anim. Ins. 1844, p. 215.
. unicolor Bug. ibid. p. 215.
. equestre Bug. ibid. p. 215.
. latifascia White, Cat. Col. Brit. Mus.
VII, 1853; p.58:
mixtum White, ibid. p. 58.
semirufum Newm. Ent. Mag. V. 1858,
p. 492.
rufipenne Guér. Icon. règne anim. Ins.
1844, p. 213.-- Blanch. Voy D’Orb.
Ins. 11843; 4:4205 109:
SR SAIS à Oy
)
Pela lista dos synonymos, tirado do col. cat.
pars 52, p. 52, já fica demonstrada a enorme va-
viabilidade deste cerambycidos. O 4 é bem lus-
troso, preto e em parte ferrugineo. Assim o P.
abdominale, Ser. : «Cabeça, pronoto, elytros, scu-
tello e os sternos d'um castanho um pouco rufo, o
pronoto lateralmente rufo assim como o abdomen,
as pernas e as antennas, mostrando os elytros esta
mesma côr na borda externa do canto espadical até
o meio.» O P. flaviventris, Bug. está designado
da manetra seguinte: « Rufo, os 5 ultimos articulos
das antennas. cabeça, elytros, exceptuando a borda
externa e uma grande mancha basal perto do scu-
tello e chegando ac meio dos mesmos, — d'um preto
bem vivo. Abdomen dum amarello flavo ». A
especie, denominada por Buquet « unicolor » é com-
pletamente preta, descrevendo este auctor tambem
uma variedade que tem a base das antennas, as
pernas e uma pequena mancha em cada elytro, perto
do scutello, rufo-ferrugineos. Sob o nome de «eques-
tris» Buquet descreve além disto uma especie preta
com os 6 primeiros articulos das antennas, as bor-
das lateraes do pronoto anteriormente rufas, os
— 104 —
elytros rufos com a parte posterior e um largo
traço transversal que lateralmente esta chegando até
.os cantos espadicaes pretos. O «latifascia » de
White tem a base das antennas e uma faxa trans-
versal nos elytros rufos, tendo o « mzxlus» do
mesmo auctor duas faxas desta côr, uma basal e a
outra aquem do meio. Assim, com bastante mate-
rial certamente será possivel, demonstrar todas as
transições entre os typos acima mencionados.
2. Opaca, preta, com um brilho ou verde ou
azul metallico, sendo os sternos, o abdomen e as
pernas em geral desta ultima côr. Os elytros são
d'um verde escuro e em cada com duas manchas
rufas transversaes mais ou menos no meio, — «flain-
miger » de Perty, — podendo ser estes manchos con-
fluenter e assim formar uma faxa. À cor rufa pode
predominar nos elytros, — « semirufum » de New-
man, — ou occupar todos os mesmos, — « rufipen-
ne» de Guérin. — A ospecie, que tenho às mãos é
desta ultima cor.
S. Comp. 22 — 258 mm., q. Comp. 15 — 22
mm., conforme Lameere indica. A ¢. que tenho a
vista tem um comprimento de 28 mm. por 10 1/2
mm. de largura.
Hab. 1 q no Museu Paulista sem indicação
precisa. Conforme Lameere o insecto se encontra
nos Estados de Espirito Santo e Rio Grande.
Genero Calocomus, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p. 194. —-J.
Thoms. Classif. Céramb. 1860, p.
287; Syst. Ceramb. 1864, p. 266. --
Lacord Gen. Col. VIII, 1869, p. 178.
--- Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XVII,
1909 p. 32, (Rév. p. 616 ). ---- Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
1915, Lmr. Prion. p. 52.
Das 3 especies até hoje descriptas sômente uma
o OC. morosus, à conhecido do Brasil, sendo C. Xreu-
chelyi, Bug. assignalado da repablica da Columbia
eo C. Desmaresti, Guér. da Bolivia e da Argentina.
Si
Pela forma do scutello, agudo posteriormente,
e as antennas pectineas nos dois sexos se distingue
facilmente este genero do precedente. O sulco um
tanto desenvolvido sobre o ultimo articulo dos palpos
maxillares é tamben uma particularidade, porém,
tambem encontrado em certas especies do genero
Pyrodes.
&. Cabeça mediocre. Mandibulas verticaes, a
ponta bruscamente dohrada e aguda, com um forte
dente interno mediano, grossamente pontuadas na
base e aos lados e dispersamente pubescente. Labro
transversal, estreito, fortemente sinuoso e longamente
fimbrado na borda anterior. Epistomo deprimido,
triangular, grossamente rugoso, a borda anterior si-
nuoso. Fronte profundamente sulcada e grossa-
mente pontuada; vertice grosssmente confluenter-
rugoso. Antennas de 11 até 13 articulos, sobre-
passando apenas o meio dos elytros, primeiro articulo
conico, comprido, sobrepassando sensivelmente a
borda posterior do olho, grossamente pontuado, 3.º
articulo quasi do dobro do 4.º no sentido do com-
primento, o 3.º até 8.º d'uma pontuação apenas mais
dispersa que o scapo, os restantes munidos com uma
pontuação porifera; o 3.º articulo na borda interna
saliente em forte dente, os que seguem, — o ultimo
excepto, — pectineos, sendo o processo pectineo mais
comprido que o respectivo articulo e na borda 1in-
terna munido com uma carena, limitado nos lados
por um fosso porifero. O ultimo articulo mostra
um processo pectineo imperfeito. Olhos mediocres,
transversaes finamente granulados. Mento rugoso e
dispersamente pubescente. Prothorax transversal, as
bordas lateraes crenadas, do canto anterior até o
espinho mediano curvadas gradualmente e do espinho
mediano até o canto posterior fortemente restrin-
gentes; o pronoto convexo, glabro, . grossamente
confluenter-rugoso pontuado, semilustroso ; prosterno
finamente rugoso e dispersamente cinzento hirsuto.
Scutello grande, triangular, glabro, grossamente
rugoso pontuado. Elytros compridos, convexos, se-
miopacos, gradualmente restringentes posteriormente,
— 106 —
a ponta suturo apical apenas saliente, os cantos es-
padicaes obtusos — em outras especies elles säo sa-
lientes, — a pontuação grossa e densa. Metasterno
fina e densamente pontuado e cinzento hirsuto. Per-
nas compridas, delgadas, densa porém mediocremente
pontuadas ; tarsos anteriores largos, os outros mais
delgados, o ultimo articulo mais comprido que os
outros conjunctos. Abdomen fina e dispersamente
pontuado glabro, o ultimo segmento abdominal for-
temente sinuoso posteriormente.
©. Antennas não chegando ao meio dos ely-
tros e com o processo pectineo mais curto. Tarsos
mais estreitos; ultimo segmento abdominal arre-
dondado posteriormente.
Calocomus morosus, White
Proc. Zool; Soc. Mond. 1850, p. 1 at eta,
f. 2. -- Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg.
XVI 0909; p 55 REV pias
— Col. Catalog. Junk-Schenking,
pars 52, 1913, Lmr. Prion. p. 52.
Rugosipennis Lucas, Voy Castelnau 1859,
ps tel, t. II i saan,
Coriaceus Fairm. Ann. Soc. Ent. Fr. (4)
IV, 1864, p. 240:
Coriaceus Burm. Stett. Ent. Zeit. XXVI,
1865, p. 160.
A côr varia de preto até ferrugineo escuro,
sendo os palpos, as antennas a contar do 2.º ou 3.º
ou 4.º articulo e os tarsos rufos. Os elytros variam
de preto até ferrugineo e sendo desta ultima côr
muitas vezes tem a parte posterior enfuscada. Bur-
meister, descrevendo exemplares da Argentina, diz,
que os elytros dos 4 são d'um ferrugineo escuro,
os das 99 desta côr porém enfuscados posterior-
mente. A © entretanto, que tenho às mãos, pro-
cedente da provincia de Catamarca, Argentina, tem
os elytros d'um ferrugineo uniforme.
Lameere indica como comprimento 27 - 40mm.,
Burmeister 2-2 1/2 polegadas, o &' por Lucas de-
scripto media 25 mm., em comprimento por 11 de
largo; tive o de Fairm, procedente de Mendoza, 29
\
— 107 —
mm., a 9 a minha disposição e que faz parte da
collecçäo do Museu Paulista tem um comprimentc
de 36 mm. por 14 de largo.
Hab. Lameere indica: Interior do Brasil, Perú,
Bolivia e Argentina. Gounelle ( Ann. Soc. Ent. Fr.
LXXVII, 1908, p. 592) assignala este longicornio
de Jatahy ( Estado de Goyaz ).
Genero, Pyrodes, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p. 186. -- Lumr.
Mém. Soc. Ent. Belg. XVII, 1909,
p. 37, (Rév. p. 621). -- Col. Catalog.
Junk-Schenkling, pars 52, 1915, Lmr.
Prion. p. 53.
Ao genero Pyrodes, bem rico em especies, La-
meere addicionou, conservando-os como subgeneros,
os generos Mallaspis Serv. e Esineralda Thoms.
As antennas simples e não flabelliformes ou
pectineas mas as vezes ligeiramente na borda interna
dentadas nos dois sexos e a forma particular do pro-
cesso prosternal, que, prolongado posteriormente em
ponta aguda, entra em um sulco profundo do meso-
sterno, são os distinctivos principaes, que separam
o genero Pyrodes dos procedentes.
No genero Mallaspis antigamente se incluiu
todas as especies com o scutello inteiramente ou em
parte pubescente, particularidade esta que em certas
especies distingue sómente os 4 g', formando-se des-
tarte um conjunto de especies que tambem pela forma
das antennas etc. não harmonisavam, dando-se isto
atè com certas especies com o scutello pubescente
nos dois sexos, cujas antennas, filoformes, estão es-
tranhas ao typo do Mallaspis.
A definição de Lemeere, que admitte ao: sub-
genero Mallaspis unicamente as especies, cujas an-
tennas nos dois sexos, contado do #.° articulo, são
deprimidas e dilatadas e cujo scutello é pubescente
nos dois sexos, merece todo o applauso. A dilatação
dos articulos antennares manifesta-se mais nas 99
de que no outro sexo, mas, é bem distinguivel tam-
bem nestes. Das 9 especies (sendo P. Bourgoin
— 108 —
synonymo de P. Argodi), pertencentes a este sub-
genero sómente duas, leucaspis, Guêr. e scutellaris
Oliv., foram encontradas no Brasil e só o primeiro
no Estado de São Paulo. O subgen. (s. str.) Py-
rodes esta um pouco mais rico em especies, 12,
(sendo o P. Gouneller synonymo de P. Iris) mas
no Estado de São Paulo se conhece unicaments até
hoje a especie P. nilidus. As especies deste subge-
nero tem as antennas simples ou si o terceiro arti-
culo antennar for dilatado, o que acontece por exem-
plo no & do Pyrodes pulcherrinus, o sentello é
completamente glabro. Nos dois subgeneros acima
mencionados os 3 ou 4 uitimos articulos antennares
só são densamente cobertos e portanto opacos com
a ponctnação pcrifera, sendo os outros mais ou me-
nus lisos e lustrosos.
O metasterno mostra a tendencia de desembocar
sobre o mesosterno e a saliencia, que para este fim o
metasterno forma, está no seu estado rudimentar ainda.
nas especies dos subgeneros Mallaspis e Pyrodes,
bem desenvolvido porem geralmente nas do subge-
nero Esmeralda. Proporcional ao desenvolvimento
da saliencia do metasterno esta a diminuição do me-
sosterno e do processo prosternal, sendo esta parti-
cularidade muito accentuada por exemplo no 2. lae-
tificus, pouco ao contrario porem no P. auratus.
Alem desta qualidade, que distingue o subgenero
Esmeralda ha de se enumerar a da ponctuação po-
rifera que cobre totalmente vs articulos antennares
a contar do 4 { 3 ) articulo nos Sd. As antennas
das SG estão ne com esta ponctuação sômente
nos ultimos 4 articulos.
&. Cabeça mediocre, proeminente. Mandibulas
verticaes, mediocres, robustos, a borda interna den-
tada ou inerme. Palpos curtos, robustos, o ultimo
articulo suboval. Labro curto, transversal na borda
anterior fimbriado e ligeiramente sinuoso. Fronte
profundamente sulcada atravessando o sulco no sen-
tido longitudinal igualmente e quasi completamente
o vertice. Olhos transversaes, mediocres. Antennas
de comprimento variavel filiformes ou deprimidas e
— 109 —
dilatadas, as vezes ligeiramente dentadas em serra
na borda interna. Prothorax transversal, hexagonal,
os bordas lateraes com um forte dente mediano ou
postmediano e mais ou menos crenadas. O processo
prosternal saliente em ponta aguda posteriormente e
entrando num sulco profundo do mesosterno. Scu-
tello grande, condifome, agudo posteriormente, gla-
bro ou tomentoso. Elytros convexos, glabros, mais
ou menos restringidos posteriormente, os cantos es-
padicaes salientes ou obtusos, a ponta suturo-apical
salienta ou inerme, posteriormente mais ou menos
truncados e o angulo latero-posterior da borda externa
frequentemente marcado por um dentinho, o espaço
limitado por este dentinho e a ponta suturo-apical
as vezes crenado. Pernas compridas, delgadas, as
anteriores as vezes rugosas tarsos curtos e mais
ou menos largos, o ultimo articulo frequentemente
mais comprido que os outros conjunctos. Ultimo
segmento abdominal ligeiramente sinuoso posterior-
mente.
©. Antennas mais curtas. Bordas lateraes do
prothorax mais fortemente crenadas. Pernas lisas,
mais delgadas, tarsos mais estreitos. Ultimo se-
emento abdominal trancado posteriormente.
A maior parte destes longicornios é de tama-
nho bem grande e ao menos em parte de cores
metallicos, variando de matiz extraordinariamente, e
isto se dá, até um certo ponto, tambem com a pon-
ctuação dos elytros que em exemplares da mesma
especie pode ser mais fina ou mais grossa. Por
causa disto a sua determinação offerece dificuldades,
exigindo já alguma pratica e um imaterial de mais vul-
to para as devidas confrontações, sendo de grande
utilidade a presença dos dois sexos para garantir 0
resultado.
Subgenero Pyrodes, Serville
Ann. Soc. Ent. lr. I, 1832, p. 186.--J.
Thoms. Classif. Céramb. 1860, p.
287; Syst. -Ceramb. 1864, p 466.
— Lacord. Gen. Col. VIII. 1869 p.
— 110 —
177. — Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg.
ARI, 1912 pl Rev mp OSs)).
-- Col. Catalog. Junk-Schenkling,
pars 52, 1913, Emr.” Prion: ps 5a"
Os S&S são muito mais robustos em geral que
as qq e se distinguem frequentemente pela pon-
ctuação sexual do prosterno assim como pela rugo-
sidade das antennas e das pernas anteriores. As
mandibulas tem um forte dente interno mediano. As
antennas são de comprimento variavel, geralmente
nos dé um pouco mais curtas que o corpo em
certas especies ellas alcançam o comprimento do
mesmo e podem até sobrepassar, por exemplo no
P. pictus, consideravelmente os elytros. O scapo
sobrepassa ou não a borda posterior do olho e é
deprimido e clavado; o 3.º articulo das antennas é
mais comprido que o 4.º e ao menos os dois ulti-
mos articulos das mesmas, — em geral porem os 3
ou 4 ultimos, — são cobertos de uma ponctuação
porifera e, nos oo, sensivelmente deprimidos com
os cantos basaes salientes em dentinhos ; neste sexo
todos os articulos antennares são mais ou menos
rugosos e até levemente espinhosos em baixo. O
prothorax, nos 4 & geralmente mais dilatado late-
ralmente de que no outro sexo, è de forma hexa-
gonal, o pronoto é mais ou menos plano e com a
borda anterior sinuoso, sendo o angulo mediano das
bordas lateraes, saliente em espinho, as vezes col-
locado bastante a quem do meio.
1. Pyrodes nitidus, Fabricius
Mant. Ins. I, 1787, p. 128.-- Oliv. Ent.
IV; 1795, 66, p: 90, te 12 Dines
Lmr. Mém Soc. Ent. Belg. XVII,
1909, p.. 38 (Rév; p. 622). --- Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
1913 MEME Prion: p: 05:
speciosus Oliv. Ent. IV, 1795, 66, p. 31,
toi Auto 13.—-.Gast. Mist, nate il
1840, p. 407, t. 29, f 2. Heynese
Taschenb. Exot. Kafer 1906, p. 25
t. 24,4, 12: 4e “e enpripennisho 4,70.
— 111 —
angulatus Oliv. Ent. IV, 1795, 66, p. 51,
t. 1, f. 2. Pallasi Germ. Ins. spe.
nov. 1824, p. 469.
aeneus Bug. Ann. Soc. Ent. Fr. (3)
VIII, 1860, p. 618.
g. A côr é completamente metallica e lustro-
sa, sendo o de bronze uniforme ou de verde escuro
na cabeça, no pronoto e no scutello bem como no
abdomen e de um cyaneo escuro no prosterno, nas
pernas e nas antennas, — exceptando os 3 ultimos
articulos que são pretos e opacos, — tendo os ely-
tros uma côr ou de purpura ou de verde dourado
até verde. As vezes o cyaneo predomina tambem
no pronoto e no scutello. A côr de bronze unifor-
me distingui principalmente os 4 4 encontrados na
visinhança da capital de S. Paulo, emquanto as ¢ ¢
são de verde dourado ou cyaneo. com os elytros de
purpura ou de verde.
Glabro. Mandibulas grossas, mediocres, rugo-
sas. Epistomo, fronte e vertice grossa e densamente
ponctuados ; submento fina e dispersamente rugoso e
hirsuto ; processo jugular grande e simiobtuso. An-
tannas de 11 artículos, chegando ao segundo terço
dos elytros, robustas, primeiro articulo sobrepas-
sando sensivelmente a borda posterior do olho,
grosso, deprimido, subtriangular, grossa e disper-
samente ponctuado em cima, rugosamente em baixo
o 3.º articulo bastante mais comprido que o 4.º, os
4,º até 11.º decrescendo proporcionalmente, os 8.º
até 11.0 cobertos com a ponctuação porifera, de-
primidos e os cantos basaes dentados; todos os ar-
ticulos, contados do 3.º espinhosos, em baixo. Pro-
thorax mais largo que os elytros, sensivelmente
dilatado lateralmente, as bordas lateraes do canto
anterior, que avança um pouco ao lado da cabeça,
até o angulo mediano, que está bem aquem do meio
gradualmente arredondadas e ligeiramente crenadas,
do angulo mediano atê o canto posterior sensivel-
mente restringidas; o pronoto plano, grossamente
confluenter-ponctuado e a borda anterior profunda-
mente sinuosa; o prosterno mais dispersamente
= Ho o
ponctuado e os episterros prosternaes com uma densa
vonctuação sexual. Scutello finamente rugoso. Ely-
tros convexos, ligeiramente restringidos posterior-
mente com a borda latero-posterior bem como a
ponta suturo-apical inermes, grossamente vermicu-
lado-ponctuados, os cantos espadicaes salientes. Me-
tasterno aos lados fina e densamente no meio dis-
persamente ponctuado. Pernas robustas, os femora
anteriores por cima e inferiormente rugosos e até
brevemente espinhosos; os femora entremeiados e
posteriores grossa e dispersamente pontuados, as
tibias rugosas e dispersamente pubescentes, as an-
teriores espinhosas na borda inferior. Os tarsos lar-
gos, o ultimo articulo mais comprido que os outros
conjunctos. Abdomen fina e densainente ponctuado, o
ultimo segmento ligeiramente sinuoso posteriormente.
2. Mais delgada. Mandibulas e cabeça dis-
persamente ponctuadas. Antennas sobrepassando ape-
nas o meio dos elytros, lisas e muito mais delgadas.
Prothorax menos dilatado lateralmente, o angulo
mediano das bordas lateraes fica bem no meio e
esta saliente em espinho comprido, o espaço limi-
tado por este espinho e o canto anterior densamente
crenado. Pronoto mais dispersamente ponctuado,
episternos prosternaes quasi lisos. Metasterno e abdo-
men com uma ponciuação fina e dispersa, o ultimo
segmento abdominal truncado posteriormente. Per-
nas delgadas e lisas.
S. Comp. 23-40 mm., larg. 10 1/2 e 17 mm. ©.
comp. 29-36 mm., larg. 14-16 1/2 mm.
Hab. Esta especie não é rara na visinhança da
capital d: São Pauio. Vi tambem exemplares de
Piracicaba, Assis, Alto da Serra, Cotia, Campinas
e Santos. Do Estado de Minas conheço elle de Passa
Quatro e tenho as mãos uma q de Joinville, Santa
Catharina.
2. Pyrodes pictus, Pe ty
Delect. Anim. Art. 1830, p, 85, t. (17, f.
3.--- Bug. Ann, Soc. Ent. Fr. (3) I,
1853, Bull. p. XLIV. -.- Lacord. Gen.
Col. VIII, 1869, p. 167, nota I. ---
— 113 —
Heyne e Taschenb. Exot. Kaefer
1906, p. 238, t. 34, f. 5. Lmr. Mém.
Soc. Ent. Belg. XVII, 1909, p. 10
( Rév. p. 624). --- Col. Catalog Junk-
Schenkling, pars 52, 1913, Lmr. Prion.
p. 53.
J. As cores não são metallicas. Lustroso, cas-
tanho, antennas, — exceptuando o primeiro e os dois
ultimos articulos, — e os tarsos rufo-flavos; cada
elytros com 3 manchas (traços) amarellos o pri-
meiro basal, obliquo, seguindo do canto espadical
obliquamente até perto da sutura, o segundo menor,
mediano, perto da borda externa, o terceiro pos-
terior, mais ou menos parallelo da sutura e não
muit) distante da mesma. Cabeça em cada lado e
mediocremente distante da linha mediana com um
traço longitudinal pubescente que continua sobre o
pronoto e acaba no canto antero-lateral do scutello,
as bordas lateraes do pronoto são da mesma ma-
neira, porém, mais largamente pubescente. A côr
da pubescencia é d'um amarello muito claro. Uma
pubescencia identica se encontra sobre os sternos,
especialmente nos episternos metasternaes e as bor-
das lateraes do abdomen.
Mandibulas compridas, dispersamente ponctuadas
em cima, densamente lateralmente, o processo ju-
gular grande e agudo. Ironte e vertice dispersa-
mente ponctuados. Antennas delgadas, de 11 arti-
culos, sobrepassando os elytros com os 6 ultimos
articulos, o primeiro pouco robusto e sobrepassando
consideravelmente a borda posterior do olho, den-
samente ponctuado e rugoso em baixo; 3.º articolo
pouco mais comprido que o 4.º, os dois ultimos
deprimidos, cobertos com a ponctuação porifera e
com os cantos basaes salientes em dentinhos. Pro:
thorax mediocremente dilatado lateralmente, as bor-
-das lateraes um pouco além do meio com um forte
espinho, o espaço, entre este espinho e o canto an-
terior, o qual avança ligeiramente ao lado da ca-
beça, recto e crenado, o espaço do espinho até o
canto posterior sensivelmente restringido. Pronoto
— 114 —
com uma ponctuação identica a do vertice, epister-
nos prosternaes com uma ponctuação sexual pouco
desenvolvida. Scutello com a parte glabra finamente
ponctuada. Elytros grossa e dispersamente ponctua-
dos, os cantos espadicaes salientes, a ponta suturo-
apical ligeiramento saliente, a borda postero-lateral
sem dente. Metasterno e abdomen finamente pon-
ctuados. Pernas delgadas, compridas, os femora an-
teriores rugosos, os entremeados e posteriores pon-
ctuados; as tibias ligeiramente ponctuadas, as das
pernas anteriores rugosas na borda interna. Tarsos
delgados, o ultimo articulo mais curto que os outros
conjunctos. Ultimos segmento ventral sinuosd pos-
teriormente. |
¢. Antennas chegando ao apice dos elytros,.
pernas sem rugosidades. Ultimo segmento ventral
truncado posteriormente.
&. Comp. 30-34 mm., larg. 12-15 mm.; ©.
comp. 30 mm., larg. 14 3/4 mm.
Hab. 1 “gq de Mar de Ilespanha, Estado de-
Minas Geraes. 2 dd no Museo Paulista sem in-
dicação precisa.
3. Pyrodes pulcherrimus, Perty
Delect. Anim. Art. 1830, p. 86, t. 17,
f. 4. —H. W. “Bates, Trans. inte
Soc. Lond. 1869. p. 50. — Lmr. Mém.
Soc. Ent. Belg. XVII. 1909, p. 47
(Rév, p. 631). — Col Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, (1913, Lmr.
Prion. p. 54. — Lmr. Ann. Soc. Ent.
Fr. LXXXIV, 1915, p. 284. — La-
meere indica os seguintes sinonymos,
fastuesus Er. Arch. f. Naturg. XIII, 1847,
Ly Pea loo:
heterocerus Er. ibid. p. 139.
petalocerus White, Cat. Col. Brit. Mus.
VII, 1853, p. 50.
antennatus White, ibid. p. 51 t..2, f. 6.
— Lucas Voy. Castelnau, 1859, t. 10,
E Oo
formosus H. W. Bates, Trans. Ent. Soc.
Lond. 1869, p. 51.
— 115 —
Tendo sômente as mãos 2 99 do typo pul-
cherrimus Perty, dou aqui a diagnosa, que Bates
forneceu do &. ( Trans. Ent. Soc. Lond. 1869, p. 50).
4. « Medio valde convexus, colore variabilis,
fusco-ferrugineus vel aeneofuscus, vel antice ferru-
gimeo-cupreus ; scutello apice prolongato; antennis
articulo tertio magno lato compresso, azureo, reli-
quis rufis; capite thorace et scutello crebre «equa-
liter punctatis ; elytris vermiculato-coriaceis ; femo-
ribus cyaneis. » Bates.
gq. Às qo variam bastante de cor, sendo ella
d'um verde ou azul metallico mais ou menos claro,
geralmente com (pulcherrimus) uma larga faixa
transversal, antemediana d'um amarello muito claro
nos elytros. Ha porèm tambem especies cujos ely-
tros são de côr uniforme metallica. Frequentemente
o pronoto mostra duas manchas vermelhas não me-
tallicas perto da base. O exemplar, que faz parte
da collecçäo do Museo Paulista, tem o pronoto quasi
totalmente desta côr ficando apenas as bordas e a
emolgadura no centro de verde metallico.
Lustroso. Mandibulas mediocres, fina e dis-
persamente ponctuadas mostrando a fronte e o vertice
uma ponctuação identica. Processo jugular agudo.
Antennas curtas, de 11 articulos, não chegando ao
primeiro quarto dos elytros, o primeiro artículo
curto e não chegando a borda posterior do olho,
deprimido e sensivelmente curvado, fina e dispersa-
mente ponctuado, o 3.º articulo do duplo do quarto
no sentido do comprimento, e ligeiramente mais
grosso que este, os 4 ultimos deprimidos e muni-
dos de ponctuação porifera. Prothorax transversal,
dilatado lateralmente, as bordas lateraes do canto
anterior até o espinho mediano, o qual esta consi-
deravelmente aquem do meio, crenadas e gradual-
mente arredondadas, e sensivelmente restringidas
do espinho mediano até o canto posterior. O pro-
noto fina e densamente ponctuado, ficando a ponc-
tuação nos lados mais grossa e confluenter, o centro
com uma emolgadura mediocre e irregular. Pros-
terno finamente rugoso. Scutello fina e dispersa-
— 116 —
mente ponctuado, glabro, saliente posteriormente em
ponta bem comprida. Elytros mediocremente ru-
gosos, ligeiramente mais largos que o prothorax,
restringidos posteriormente, a borda postero-lateral
com dentinho, sendo o espaço entre este e a ponta
suturo-apical ligeiramente crenado, os cantos espa-
dicaes salientes. Metasterno e ablomen fina e densa-
mente ponctuados. Pernas delgadas, fina e dispersa-
mente ponctuadas. Tarsos delgados, o ultimo articulo
do comprimento dos outros conjunctos.
2. Comp. 32-- 38 1/2 mm., largura 13 1/2
até 19 1/2 mm.
Hab. 1 q do Estado de Matto Grosso sem in-
dicação precisa da localidade. 1 q de Amazonas
(Rio Juruá) no Museu Paulista. Bates encontrou o
insecto em Ega, sendo o P. formosus encontrado
por elle em S. Paulo, no alto Amazonas. Lameere
ainda indica Equador, Perú, Bolivia e o norte da
Republica Argentina.
As informações de Lameere — Ann. Soc. Ent.
Fr. LXXXIV, 1515, p. 284 -- são de alto valor para
quem quer estudar a fundo esta especie. :
4 Pyrodes smithianus, Write
Proc. Zool. Soc. Lond. 1850, p. 12. — H.
W. Bates. Trans. Ent. Soc. Lond.
1869, p. 51. Lmr. Mém. Soc. Ent.
Belg. XVII. 1909, p. 48.. ( Rév., p.
632). — Col. Catalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, 1913, Lmr. Prion.
p. 54. — Lmr. Ann. Soc. Ent. Fr,
LXXXIV, 1915, p. 284.
Deste rarissimo insecto se conhece sómente al-
gumas QQ procedentes de Pará, não sendo descri-
pto até hoje o &. Elle tem muitas affinidades com
o precedente como se verá da diagnose dada por
Bates (Trans. Ent. Soc. Lond., 1869, p. 91.)
¢. «P. Pulcherrimo ( 2) forma similis, tho-
race latiori, lateribus antice rotundato-dilatatis. Gupreo
aeneus, elytris aureo-viridescentibus ; antennis brevi-
bus tenuibus ; thorace elytris latiori, cum capite et
=e ==
scutello crebre distincte puctatis ; scutello elongato ;
elytros sutura et costis duabus utrinque elevatis,
crebre rugosis. » Bates.
O comprimento, conforme Lameere, é de 30
até 37 mm..
Hab. Bates colleccionou o insecto em Caripi
perto do Para, tendo visto Lameere uma ¢, que
faz parte da collecçäo Gounelle, procedente de Be-
nevides, Estado do Pará.
Subgenero Mallaspis, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. 1, 1832, p. 188. — J.
Thoms. Classif. Céramb., 1860, p.
287; Syst. Céramb. 1864, p. 466..—
Lacord. Gen. Col. VIII, 1869, p. 175.
— Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XVII,
190%. pr AJ (nev. poyodo) MAI.
1912, p. 171 ( Rév. p. 1035). — Col,
Catalog. Junk-Schenkling. pars 52,
D 13; Emr: Prionp py) 55.
Como já foi explicado mais acima, este subge-
nero, conforme Lameere uv admitte, distingue-se pe-
las antennas deprimidas e dilatadas a contar do 3.º
articulo nos dois sexos e pela pubescencia do scu-
tello nos & # bem como nas gg.
D. Pyrodes leucaspis, Guérin
Icon. règne avim. Ins. 1844, p. 214. —
Heyne e Taschenb. Exot. Kaefer,
1906,0p-=238, Mt 33,0 £417. = Lmr:
Mém. Soc. Ent. Belg. XVII, 1909,
pag. 53 ( Rév. p. 637). -- Col. Cata-
log. Junk-Schenkling, pars 52, 1913.
Lmr. Prion., p. 55.
&. Castanho, lustroso, elytros mais claros,
com Ou sem reflexo metallico ou de bronze ou de
verde ou de cyaneo, os 6 primeiros articulos an-
tennares desta ultima côr si o tegumento for me-
taltico. Scutello, mesosterno lateralmente, os epi-
sternos metasternaes, o abdomen lateralmente e as
— 118 —
coxas densamente pubescentes dum branco um pouco
amarellado. Mandibulas robustas, curtas, dispersa-
mente ponctuadas bem como o processo jagular,
que é bastante grande e agudo. Antennas chegan-
do ao segundo terço dos elytros, o primeiro arti-
culo curto, chegando apenas a borda posterior do
olho, o canto postero-exterior saliente; o 3.º do du-
plo do 4.º no sentido do comprimento, os 3 ultimos
cobertos com a ponctuação porifera. (Cabeça disper-
samente ponctuada, ponstuação esta mesclada com
uma outra mais fina e sexual e particular igual-
mente ás antennas e ao pronoto. Prothorax trans-
versal, dilatado lateralmente, as bordas latêraes do
canto anterior até o espinho mediano, que está muito
aquem do meio, arredondadas e crenadas, muito
restringidas do dente mediano até o canto posterior.
O pronoto, com uma ponctuação como acima indi-
cada, lateralmente está ligeiramente rugoso, prosterno
finamente rugoso. Klytros grossa e profundamente
ponctuado-rugosos, convexos, ligeiramente restringi-
dos posteriormente, os cantos espadicaes ligeiramente
salientes, a borda postero lateral com um dentinho e o
espaço entre estee a ponta sutnro-apical, a qual está
apenas saliente mais ou menos crenado. Pernas del-
gadas, fina e densamente ponctuadas ; tarsos delgados,
o ultimo articulo mais comprido que os outros con-
junctos. Metasterno e abdomen fina e densamente
ponctuados.
@. Nas ¢¢ predomina a côr metallica sendo
as especies sem esta mais raras. Mais delgada. An-
ternas chegando apenas ao meio dos elytros.
S. Compr. 31 -- oe eim dare Mere
16 1'2.. mm. 2. Comp. 23--42 mm,, larg. 9 1/2--
17 mm.
Hab. Commum ros arredores da capital do
Estado de Säo Paulo assim como no interior deste
Estado. Vi exemplares do Alto da Serra, Cotia,
Assis, Campinas, Piracicaba e é-me conhecido tam-
bem de Joinville, Santa Catharina. Guérin indica
tambem Cayenna como um dos seus habitats.
— 419 —
6. Pyrodes scutellaris, Over
Ent, AN, 1795,.66, pa I4 6.2, £..9.° -- bh.
Cast. Hist. Nat. II, 1840, p. 406. — H. W.
Bates, Trans. Ent. Soc. Lond. 1869,
p. 50. — Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg.
XVII, 1909, p. 55 ( Rév., p. 639).
— Col. Catalog. Junk-Scheukling,
pars 52, 1913, Lmr. Prion, p. 55.
Buckley! C. O. Waterh. Ann. Mag. Nat.
Hist. (5) V, 1880, p..290.
Este insecto no Brasil conhece-se sómente do
valle do Amazonas, aonde, conforme Bates participa,
parece ser de grande raridade. Por falta de mate-
rial dou aqui a diagnose deste auctor (Trans. Ent.
Soc. Lond. 1869, p. 50 ).
« Obscure aenea, elytris basi excepta cinnamo-
neis, thorace lateribus antice rotundatis et multiden-
ticulatis, antennis articulis 4--7 basi et apice 8 --
11 totis rufis, & corpore multo longioribus articulis
compressis denticulatis, q brevioridus articulis di-
latato compressis. » Bates.
Este insecto é conhecido tambem conforme avi-
sa Laméere no Equador, Guyana e Chile. O exem-
plar por Olivier descripto era de Cayenne. O com-
primento conforme Lameere é de 40— 60 mm.
Bates colleccionou este longicorneo em Nauta no
Alto Amazonas.
Subgenero Esmeralda, Thomson
Classif. Céramb. 1860, p. 303; Syst. Cé-
ramb. 1864, p. 466. — Lacord. Gen.
Col. VIII, 1869, p. 178. — Lmr. Mém.
Soc. Ent. Belg. XVII, 1909, p. 57
(Rév., p. 641); XXI, 1912, p. 171
(Rév., p. 1035). — Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913,Lmr. Prion,
p. 55.
As especies pertencentes a este subgenero são
todas de tamanho ao maximo mediocre e tendo um
habito identico ao dos dois subgeneros precedentes,
— 120 —
delles differem pelas particularidades já enumeradas.
Completamente glabros, tambem o scutello, e de te-
gumento metallico, algumas das especies estão su-
jeitas a uma variabilidade extraordinaria de cores,
offerecendo assim a sua determinação serias difficul-
dades. Sômente 3 das 4 especies até hoje descri-
ptas se encontra no Brasil, sendo o P. coeruleus
conhecido da Guyana.
7. Pyrodes auratus, Linné
Syst. Nat. ed. 19, 1758, p. 395. — Lmr.
Mém. Soc. Ent. Belg. XVII, 1909,
p. 58 ( Rév. p. 642). — Col. Catalog,
Junk--Schenkling, pars 52, 1915, Lmr.
Prion. p. 55. — Lmr. Ann. Soc. Ent.
Fr. LXXXIV, 1915. p. 285. — La-
meere indica os seguintes synonymos
resp. subspecies.
Subsp. nigricornis Guér. Verh. zool. — bot.
Ges. Wien, V, 1855, p. 598. — H.
W. Bates, Trans. Soc. Lond. 1869,
p. 53. — Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg.
XVII, 1909, p. 59 ( Rév. p. 643 ).
rubrozonatus Lucas, Voy. Castelnau 1859,
p. 180, t. 11, f. 2— var, Candzei
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XXIX,
1885, Bull., p. XII.
Subsp. gratiosus H. W. Bates, Trans. Ent.
Soc. Lond. 1869, p. 51. — Lmr. Mém.
Soc. Ent. Belg. XVII, 1909, p. 59
( Rév., p. 643).
insignis Nonfr. Ent. Nachr. XX, 1894, p.
136.
Subsp. auratus L. Syst. Nat: ed. 10, 1798:
p. 395. — Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg.
XVII, 1909, p. 60 (Rev., p. 644).
bifasciatus L. Syst. Nat. ed. 12, 1767, p.
624. — Fabr. Syst. Ent. 1775, p. 162.
= Oliv. Ents ON, 4795,-66, p.152
1, f. 4.°-b.
amazonus Voet, Cat. Col. 1778, p. 3, t. 3,
f. 8. — Fabr. Syst. Eleuth. IJ, 1801,
A p. 262.
Var dispar H. W. Bates, Trans. Ent. Soc.
Lond. 1869, p. 54. -
Ab. nodicornis H. W. Bates, ibid., p. 53.
Devido a rugosidade divergente dos elytros e a
consideravel variabilidade das cores Lameere dis-
tingue as 3 subspecies nigricornis, gratiosus & au-
ralus, tendo as duas primeiras as antennas de 11 e
a auratus de 10 articulos. As antennas pódem ser
mais delgadas ( gratrsus ) ou mais robustas (qiugrz-
cornis ). Do typo migricornis tenho à minha dispo-
sição sómente ô ¢¢ que correspondem à diagnosa de
Bates 4 dellas são dum aznl metallicc escuro, os ely-
tros na base com um brilho de purpura e um pouco
aquem do meio com uma larga faixa transversal rufa,
interrompida na sutura, os tarsos rufos; a 9.º ©
é da mesma côr metallica, tendo porém cada elytro
uma mancha na base entre o scutello e o canto es-
padical bem como a borda lateral rufos e a faixa
transversal apenas tuarcada, os tarsos são dum azul
metallico. Esta ¢, que faz parte da collecção do
Museu Paulista, é do Rio Napo, é similhaste ao P.
rubrozonatus de Lucas.
Os & & da subspecie « nigrocornis » assim estão
descriptcs por Bates (a diagnose de Guériu não a
tenho ao meu alcance ): « Breviter oblougus, variat
vel fulvo-testaceus aeneo tinctus, antennis ( basi exce-
pta ) violaceo-nigris. vel aureo-viridis splendens, ely-
tris semifascia rufa, vel cupreo-violaceus fascia ely-
trali integra, vel pallidus, pedibus rufis, vel ut ante
coloratus, pedibus rufis femoribus tibiisque posticis
plus minusve violaceo-metallicis. P. gratiosus differt
antennis magis robustis, articulis brevioribus, elytris
grossius punctato-scabrosis, thoracis angulis posticis
dentiformibus. Latitudo thoracis variat. » Bates,
Trans. Ent. Soe.-Lond. 1869, p. 53. Da côr dos
elytros do «rubrozonatus » Lucas assim falla : Les
elytres sont vertes, avec leur partie anterieure d'un
rouge cuivreux, e leur ;nilieu traversé par une bande
rougeatre, large, interrompue par la suture ».
Da subspecie «gratiosus » techo ds mãos3 da
e uma 2. 2 Sd são dum testaceo-claro com um
reflexo de verde metallico, sendu as antennas — ex-
ceptuando o scapo, — pretas e a contar do 3.º ar-
ticulo com um brilho de azul cyaceo; o outro 4 é
Mn TRES
d'um verde aureo com uma larga faixa mediana e
transversal nos elytros, a qual de cor testacea, não
esta interrompida na sutura, as antennas são pretas
tendo os 4 primeiros articulos um reflexo cyaneo.
As pernas são flavo-rufas com a base dos femora
posteriores e a ponta de todos bem como a base de
todas as tibias cyaneos. A Q é d'um azul cyaneo
escuro com os elytros rufos e tendo apenas um
traço perto do canto espadical enfuscado. Os elytros
são na base lustrosos e opacos posteriormente. Esta
@ é de Santarem.
A subspecie « auratus » se destingue facilmente
das outras pelas antennas JO articuladas, sendo o
11.° soldado ao 10.º e isto as vezes ( P. dispar )
sómente em estado imperfeito. O P. nodicornis tem
(9) o ultimo artículo antennar curto e mais largo
que o precedente. A côr, conforme as descripções
do P. amazonus, P. bifasciatus, P. nodicorris e
P. dispar, assimilha-se mais frequentemente a do
P. nigricornis.
S&. Glabro, lustroso. Cabeça mediocre. Mandi-
bulas grossamente ponctuadas. Fronte e vertice
grossa porém pouco densamente ponctuados. Anten-
nas attingindo quasi o apice, dos elytros, o primeiro
articulo chegando a borda posterior do olho, grossa
e dispersamente ponctuado o 3.º quasi do compri-
mento do 4.º e 5.º conjunctos, grossa e dispersa-
mente ponctuado e com uma ponctuação porifera
na ponta interna, os articulos 4 até 11 (19),
salvo a base do 4.º, — completamente cobertos de
ponctuação porifera. As antennas são mais robustas
nas subspecies migricornis e auratus que na de gra-
trosus. Prothorax transversal, as bordas lateraes com
o espinho mediano aquem do meio, sendo o espaçe
do canto anterior, que avança ao lado da cabeça até
o espinho fortemente crenado, e o espaço do espi-
nho até o canto posterior consideravelmente restrin-
gido ; o canto posterior ligeiramente saliente. O pro-
noto grossamente ponctuado-rugoso e no meio com
3 amolgaduras em forma de trifolio ; prosternos dis-
persamente ponctuado. Scutello . grossamente ponc-
— 123 —
tuado. Elytros completamente grosso-rugosas ( n1-
gricornis) ou grosso-rugosas na base e finamente ru-
gosas posteriormente ( graliosus ) ou mediocremente
rugosas ( auratus ), os cantos espadicaes salientes e a
ponta suturo-apical ligeiramente saliente em dente.
Metasterno e abdomen quasi sem pontuação. Pernas
mediocres, delgadas, variando a ponctuação, que póde
ser fina e dispersa ou (dispar) grossa e profunda.
Tarsos mediocres, o ultimo articulo do compri-
mento dos outros conjunctos.
2. Mais larga, antennas mais curtas, chegando
ao segundo terço dos elytros. Cantos posteriores do
pronoto salientes em espinho.
d. Comp. 16-20 mm., larg. 7-9 mm.; 9,
comp. 22-23 mm., larg. 10-11 mm..
Hab. 3 &do& de Santarem { Para), 1 q do Rio
Napo (Columbia), 3 9¢ de Santarem, 1 Q do Rio
Juruá ( Amazonas), | q da capital do Estado de
São Paulo. Bates colleccionou o seu «gratiosus »
no Pará, o « nodicornis » em São Paulo ( Amazo-
nas ), aonde, conforme elle avisa, 0 « nigrecornis »
é bastante commum. O «dispar» de Bates foi
achado em Pebas sobre o Amazonas. Gounelle,
(Ann. Soc. Ent. Fr. LXXVII, 1908, p. 591 ), sabe
deste longicornio «nigricornis» em Jatahy ( Es-
tado de Goyaz ). Encontra-se o mesmo no Peru,
Bolivia, Equador e Guayana.
8. Pyrodes laetificus, Dates
Trans. Ent. Soc. Lond. 1869, p. 56. —
Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XVII,
1909, p. 61 ( Rév. p. 645). — Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
1913, Lmr. Prion. p. 56.
A côr do o&, unico sexo que tenho as mãos,
é dum flavo-rufo, sendo a fronte, o vertice, o pro-
cesso jugular, o meio do pronoto d'um verde aureo,
o scutello d'um verde de bronze. os elytros, — ex-
cepto a borda lateral na base, — as tibias, — as an-
teriores e intermeiadas na borda inferior breve
rufo-hirsuto, — o ultimo terço dos femora posterio-
res e a ponta extrema dos femora anteriores e in-
tremeiados, azul cyaneo, as antennas pretas com os
dois primeiros articulos e a base do terceiro cyaneos ;
o metasterno no meio, — excluindo a saliencia que
sobrepassa o mesosterno, — as suturas dos episternos
metasternaes e os ultimos dois segmentos ventraes
verde. A côr da q Bates assim descreve. « Lacete
cyanea, scutello et corpore subtus violaceis ».
&. Glabro, lustroso, antennas a contar do 3.º
articulo e elytros, exceptuando o primeiro quarto
basal-opacos. Mandibulas fina e densamente pon-
ctuadas ; labro grande, em semicirculo, epistomo
finamente ponctuado e sinuoso na borda anterior,
fronte grossa e dispersamente, vertice fino e disper-
samente ponctuados. Processo jugular mediocre e
obtuso. Olbos grandes, sensivelmente aproximados
em cima, antennas compridas, attingindo quasi o
apice dos elytros ; primeiro articulo finamente pon-
ctuado. chegando quasi a borda posterior do olho,.
3.º articulo mediocremente mais comprido que o 4.º,
o 11.º appendiculado, os 3 atê 10 ligeiramente den-
tados em serra na borda interna e todos a contar
do 3.º com uma ponctuação densa e porifera. Pro-
thorax transversal, as bordas lateraes dilatadas, não
crenadas, o dente mediano bem aquem do meio, o
canto anterior saliente ao lado da cabeça. O Pro-
noto com uma profunda amolgadura trilobada no
meio, grossa e muito dispersamente ponctuada, sendo
a ponctuação um pouco mais densa na amolgadura
e lateralmente. Prosterno finamente rugoso. Scutello
muito grande, em triangulo agudo, sómente com
alguns pontos finos aos lados. Elytros ligeiramente
restringidos posteriormente, os cantos espadicaes
obtusos, as pontas suturo-apicaes inermes, com uma
ponctuação grossa e profunda porém mediocremente
dispersa na base e fina e rugosa posteriormente e
em cada duas costellas apenas perceptiveis. A pon-
ctuação do metasterno e do abdomen é finissima e
muito dispersa. Pernas mediocres, comprimidas. Os
femora anteriores e intermeiados fina e dispersamente
ogre
ponctuados, os posteriores bem como as tibias fina-
mente rugosos, estas muito comprimidas. U processo
prosternal muito largo e com a ponta inclinada, o
processo mesosternal completamente coberto pela
saliencia do metasterno.
Comp. 15 mm., larg. 6 mm..
Hab. 1 & do Rio Juruá ( Amazonas), collec-
cionado pelo Sr. Garbe e pertencente ao Museü
Paulista. — Bates encontrou o insecto em S. Paulo.
9. Pyrodes costulatus, //. VW. Bates
Ent. Monthly Mag. 2 II, 1891, p. 158. —
Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XVII,
1909, p. 61 ( Rév. p. 645). — Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
1913, Lmr. Prion. p. 56.
Infelizmente não conheço nem este longicornio,
nem a diagnosa de Bates. Lameere participa o se-
guinte: «Je ne connais pas cette espèces; d'après
la descrivtion de Bates, la femelle, seul sexe connu,
est d'un vert doré brillant en dessus, d'un vert bleu
en dessous ; les elytres offrent chacune quatre cotes
lisses, raccourcies en avant et en arrière, entre les-
quelles elles sont chagrinées, la base étant ponctuée
plus fortement, inais très éparsément ; l’écusson offre
quelques points. Le pronotum (1) est élevé en une
forte saillie conique entre les hanches antérieurs ».
Hab. Rio Madeira ( Amazonas). —
Chave
I. Antennas nos dois sexos filiformes ou apenas
alguns articulos deprimidos e sómente os ul-
timos 3 ou 4 articulos com a ponctuação pori-
fera. Scutello glabro ou pubescente. Metaster-
no não avançando sobre o mesosterno.
(1) Em vez de « pronotum » é preciso ler « pros-
ternum.
— 126 —
A. Tegumento näo metallico, scutello pubescente.
a). Cada elytro com 3 traços amarellos,
cabeça e pronoto com traços pube-
scentes dum branco amarellado.
P. pictus.
AA. Tegumento ao menos parcialmente metal-
lico. Scutello glabro.
b). Primeiro articulo anternar sobrepas-
sando a borda posterior do olho. Cor
completamente metallica.
P. nitidus.
bb). Primeiro articulo antennar não at-
tingindo a borda posterior do olho.
3.º articulo antennar sensivelmente de-
primido e dilatado nos oo.
c). Elytros sem ccstellas.
P. pulcherrimus.
cc). Elytros com costellas.
P. smithianus.
Il. Antennas nos dois sexos a contar do 3.º arti-
culo deprimidas e dilatadas e sômente com os
3 ou 4 ultimos articulos com a ponctuação
porifera. Scutello pubescente. Metasterno não
avançando sobre o niesosterno.
d). Antennas mais curtas que o corpo nos
dois sexos. Pronoto finamente ponctnado.
P. leucaspis.
dd). Antennas dos dd sensivelmente mais
compridas que o corpo das 99 do com-
primento do mesmo. Pronoto grossamen-
te ponctuado.
P. scutellaris.
HI.
Eee o e
Antennas nos dois sexos filiformes, as dos S %
a contar do 4 (2) articulo, as das ¢9 do 8º
com a ponctuação porifera. Scutello glabro e
muito grande. Metasterno avançando sobre o
mesosterno.
e).
BE
Saliencia do metasterno não cobrindo todo
o mesosterno. Antennas dos dd com a
ponctuação porifera a contar do 4 artículo.
Tibias posteriores mediocremente depri-
midas.
P. auratus.
Saliencia do metastermo cobrindo com-
pletamente o mesosterno. Antennas dos
Sd com a ponctuação porifera a contar
do 3.º articulo. Tibias posteriores muito
deprimidas e dilatadas.
/). Costellas dos elytros muito obtusas.
Prosterno não saliente em cone.
P. laelificus.
//). Gostellas dos elytros bem desenvol-
vidas. Prosterno saliente em cone.
P. costulatus.
PRIONINI, Lr.
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 182
(Rév. p. 1046). Col. Catal. Junk--
Schevkling, pars 52, 1913, Lmr.
Prion. p. 56.
No quinto grupo da « Révision » Lameere reu-
ne os Prionini, definindo assim os caracteres : «Pro-
thorax com as bordas lateraes tridentadas em prin-
cipio, olhos sinuosos; 3.º articulo das antennas
comprido. » Os Prionini estão repartidos nas 4
divisões: Nothophysies. Acanthophorr. Derobracha
e Prioni, bastante ricas em especies, mas unicamente
6
a 3.º está representada no Brasil, pelo genero Psa-
lidognathus, com uma especie no Am»zonas e que
li parece sor bastante rara. Assim sendo, parece
dispensavel, de tratar minuciosamente aqui os dis-
tinctivos especificos do grupo inteiro, podendo limi-
tar-me, sem prejuizo algum ao genero Psalido-
gnathus e isto um tanto mais, quando ha pouca
probabilidade que dos Prionini, em geral e dos
Derobrachi em particular (no sentido de Lameere)
sejam descobertos novos generos no Brasil.
Lacordaire ( Gen. Col. VIII, 1869, p. 37),
incluiu este genero em sua Légion 11, « Prionides
vrais souterrains », pois elles mostram as particula-
ridades de todas as especies, que seguem uma vida
subterranea ao menos no estado larval. Assim as
QQ são apteras e o processo intercoxal do abdomen
das mesmas é muito largo e a ponta largamente
arredondada.
Sob o titulo de subgenero Lameere reuniu ao
Psalidognathus o genero Prionocalus White, e o
genero Apterocaulus Fairm. ( Micropsalis Burm. )
- A especie brazileira pertence ao subgenero (s. str.)
Psalidognathus.
O Genero é facilmente distinguivel pelos palpos
e mandibulas muito compridos e estas curvas para
baixo e pelo forte espinho em cada lado da cabeça,
um pouco aquem dos olhos. Estes dois ultimos
característicos faltam em diversas especies estran-
geiras. Alem destas particularidades mais salientes
existem muitas outras e estes longicornios perten-
cem aos mais interessantes do grupo.
Psalidognathini, Lacordaire
Ger. Col. VIII 1869, p. 39.
Psalidognathus, Gray:
Gray em Griff. Anim. Kingd. Il, 1832, p.
115. — J. Thoms. Arcana Nat. 1859,
p. 37: Classif. Céramb. 1860, p. 297.
Syst. Ceramb. 1864, p. 408. — La-
cord. Gen. Col. VIII, 1869, p. 40. —
Lmr. Ann. Soe. Ent. Belg. LIV, p.
310 e 371. (Rev. p. 725 e 726.) —
Col. Catalog. Junk--Schenkling, pars
52, 1913, Lmr. Prion, p. 64.
d. Cabeça valida, fortemente rugosa, opaca,
mais larga que o prothorax. Mandibulas muito sa-
lientes, rugosas, mais compridas que a cabeça e a
ponta, que é aguda, curva para baixo, a borda in-
terna mais ou menos dentada na base. Palpos niui-
to compridos, os maxillares sobrepassando sensivel-
mente as mandibulas, sendo os labiaes ao menos do
comprimento das mesmas, o ultimo articulo depri-
mido e ligeiramente dilatado na ponta. Olhos trans-
versaes, finamente granulados e fortemente sinuosos
na borda anterior. Processo jugular muito saliente,
a ponta aguda. Fronte profundamente sulcada, lon-
gitudinalmente. Um forte espinho em cada lado da
cabeça um pouco aquem dos olhos. Antennas fili-
formes, de 11 articulos, robustas, de ce:ca do com-
primento do corpo, primeiro articulo grosso, conico
e rugoso, sobrepassando sensivelmente a borda pos-
terior do olho, 3.º de cerca do duplo do 4.º, os ar-
ticulos 3 até 10 biespinhosos, o 3.º com um fosso
— 130 —
porifero, os 4.º e 5.º com 2 divididos por uma ca-
rena na ponta e nos restantes articulos os fossos
poriferos se estendem sobre toda a borda. Protho-
rax transversal, convexo, em cada borda lateral com
4 espinhos, sendo o do canto posterior pequeno e os
restantes muito grandes. os cantos anteriores avan-
cando ligeiramente ao lado da cabeça. Pronoto muito
rugoso, opaco, com uma amolgadura longitudinal,
no meio, dividida por uma carena. Prosterno lus-
troso e dispersamente ponctuado. Scutello largo, em
triangulo curvilineo, arredondado, posteriormente.
Elytros compridos, convexos, gradualmente restrin-
gindo-se posteriormente, cobrindo todo o pygidio,
na base mais largos que o prothorax, conjuncia-
mente arredondados posteriormente, os cantos su-
turo-apicaes salientes em dente, os cantos espadicaes
salientes em forte espinho recurvado, rugos'dade na
base grossa mais fina posteriormente. Pernas com-
pridas, os femora mais ou menos parallelos e com-
pridos, os anteriores rugosos na borda interna, as
tibias anteriores dilatadas e densamente hirsutas em
baixo; tarsos muito compridos, a entalha do 3.º ar-
ticulo ponco funda e as duas azas formadas pela
mesma espinhosas, o 4.º articulo bem como as unhas
muito grandes. Metasterno mediocr: com os seus
episternos parallelos. Uitimo segmento abdominal
curto, transversal, trungado e ciliado posteriormente.
Processo prosternal estreito, obliquo e saliente pos-
teriormente em ponta obtusa. Processo mesosternal
estreito, horizontal; processo intercoxal do abdomen
em triangulo agudo. Corpo glabro, com azas.
q. Mandibulas, palpos e antennas mais curtas.
Scutello muito mais curto e mais largo. Processo
jugular mais curto. Elytros mais largos, ovaes, não
cobrindo completamente o pygidium. Ultimo se-
gmento abdominal mais comprido, arredondado pos-
teriormente. Processo intercoxal do abdomen muito
largo e arredondado posteriormente. Aptera.
As especies deste genero, — conhecem-se até
hoje 14, sendo-6 do subgenero Psalidognathus, 7
do Prionocaulus e 1 do Apterocaulus, — parecem
— 151 —
preferir regiões com um clima mais moderado pois
são encontradas principalmente nas montanhas do
Equador, Peru, Colombia, Panamá, Gosta Rica, Ve-
nezuela, sendo o P. { Apterocaulus) Germaini Fairm,
conhecido da Argentina e do Chile, e até hoje do
Brasil se assignalou sómente o P. superbus Eries,
que se encontrou no Alto Amazonas.
Sobre o Psalidognathus Salle: Thoms, À. Ro-
jas nos Ann. Soc. Ent. Fr., 1866, p. 237, participa
os interessantes dados seguintes: «Il vit dans les
climats froids. Jusqu'ici on ne l’a trouvé que sur
deux points, Galipan et Agua Negra. Il se rencon-
tre sur une espèce de Cedrelacées, cèdre connu vul-
gairement sous le nom de cedra manteca. On le
prend regulièrement pendant le crépuscule ou dans
la nuit. Attiré par la lumière il vient en volant
s’abattre sur les toits et les murs des habitations.
La femelle, etant aptère, se tient au pied des arbres.
où les males, plus nombreux, volent autour delle,
et s’y livrent des combats pour se la disputer. On
les voit rarement pendent que le soleil darde ses
rayons, mais il sort particuliérement à l'entrée des
pluies, en juin et juillet, et on le prend parfois à
Galipan en septembre et en octobre. »
Galipan é uma serra na Venezuela, parallela
à costa e ergue-se a cerca de 2000 metros acima do
nivel do mar.
Algumas das especies tem um tegumento me-
tallico e estas variam consideravelmente a respeito
da côr. Assim se encontra da mesma especie exem-
plares de côr, verde atê auriverde, violacea até a
purpura, podendo porém, excepcionalmente faltar
completamente o lustro metallico, sendo então a côr
castanha escuro.
A descripção, como acima concebida, é adaptavel
sómente à especie brasileira e os seus parentes mais
intimos como os P. Friendi. Gray e P. Salle,
Thoms., que pertencem ao mesmo subgenero. As
restantes especies deste já differem dellas pelo te-
gumento não metallico e pelas antennas, que são
sómente uniespinhosas, sendo o processo jugular
— 152 —
tambem mais curto. As especies, pertencentes ao
subgenero Prionocaulus são apteras nos dois sexos
e desprovidos de côres metallicas, o ultimo articulo
dos ‘palpos além disto é consideravelmente dilatado
na ponta, sendo um distinctivo especifico ainda o
desenvolvimento nos d'4 das pernas anteriores e
posteriores, que estão sensivelmente mais compridas
que nas especies daquelle subgenero. As mandibulas
dos Prionocaul: são semelhantes às dos Psalidonathi,
mas o seu metasterno é mais curto que nestes, ca-
racteristico, muito mais pronunciado ainda nos Apte-
rocauli. Kstes mostram as mesmas particularidades,
que acima estão enumeradas do segundo subgenero
e differem deste além de outros caracteristicos, me-
nos salientes, pelas mandibuias, que são curtas e
grossas nos dois sexos.
Psalidognathus superbus, /rres.
Vet. Acad. Handl. 1833, p. 325, t. 8. — J.
Thoms. Rev. Mag. Zool. 1877, p.
254. — Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
LIV, 1910, p. 374. — ( Rév. p. 729),
Col. Catalog. Junk-Schenkling, pars
52, 1913, Lmr. Prion. p. 65.
limenius Er. Arch. f. Naturg. XIII, 1847,
Fp. 1499:
Incas J. Thoms. Arcana Nat. 1859, p. 42.
— H. W. Bates, Trans. Ent. Soc.
Lond. 1869, p. 40
Boucardi J. Thoms. Pet. Nouv. Ent. VI,
1874, p. 427; Rév. Mag. Zool.
1877) p.255:
gloriosus J. Thoms. Ann. Soc. Ent. Fr.
(6) X, 1880, Bull. p. LX.
A cor é d'um verde, violaceo ou purpurino mais
claro ou mais escuro, sendo o violaceo mais com-
mum e o verde mais raro.
Comp. 47 — 65 mm.; larg. 17 1/2 — 21 mm.
Hab. 2 oo do rio Juruá, Amazonas. Bates
encontrou uma © em Tabatinga, na fronteira do
Brasil e Peru. O besouro é conhecido ainda do
Equador, do Perú e da Columbia.
ANACOLINT, Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. le
182 (Rév. p. 865 e 1.046 ) — Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
1913, lumr, Prion: po 78.
« Olhos circundando as antennas embaixo » é o
significativo, que Lameere dá ao sext> grupo, de-
nominado « Anacolinri », no qual estão incluidos os
« Cantharocnemes, Closteri, Delochili, Sobari, Tra-
gosome, Teretici, Monodesmi e Anacolr ».
Os olhos, fortemente sinuosos na borda anterior,
tem a parte de baixo em geral muito volumosa (1)
e esta mostra a tendencia, de circundar a cavidade
da inserção das antennas. Esta cavidade afasta-se
sensivelmente da base das mandibulas, o que, ao
contrario, não se dá nas demais secções desta sub-
familia. Mais um característico do conjuncto pre-
sente, e que Lameere tambem destaca devidamente,
é a carena lateral do epistomo, tauito obtusa ou
imperceptivel, porém, nas especies do genero Me-
roscelisus.
Dos 8 grupos acima mencionados sómente dois,
os Closteri e os Anacoli tem representantes no
Brasil. Estes divergem entre si consideravelmente.
4. Cabeça mediocre, vertical ou subvertical.
Mandibulas curtas, grossas. Palpos mediocres ou
curtos, os maxillares geralmente um pouco mais
compridos que os labiaes. Processo jugular de ta-
manho diverso. Olhos grossa, subgrossa ou fina-
merte granulados, contiguos em cima e em baixo
ou não. Antennas de comprimento diverso, filifor-
(1) Uma exepção faz a q do Meroscetisus violaceus,
= F3
cujos olhos não cireundam em baixo a cavidade da inserção
das antennas.
— 134 —
mes, dentadas em serra ou flabelliformes ; o pri-
meiro articulo curto, grosso, conico, o 3.º mais
comprido, às vezes só muito pouco. que o 4.º. Pro-
thorax transversal, as bordas lateraes normaes ou
a sua parte anterior abaixada e com um ou dois
espinhos ou dentes mais ou menos desenvolvidos -e
curvados para cima. Elytros compridos ( Closteri )
ou curtos e frequentemente “imperfeitos ( Anacoli ).
Pernas comprimidas e delgadas, as tibias as vezes
muito comprimidas. Os processos pro e mesosternal
de forma diversa, as vezes muito largos e foliaceas.
Metasterno de tamanho normal, os episternos metas-
ternaes mais ou menos restring#los na borda externa’
Munidos de azas.
¢. Antennas mais curtas, simples ou raramente
flabelliformes, às vezes apteras.
Chave
A. Primeiro articulo tarsal das pernas entre-
meiadas e postériores ao- menos do compri-
mento dos dois seguintes conjunctos. Olhos
grossa ou subgrossamente granulados. Bor-
das lateraes do prothorax normal.
Closter'i.
B. Primeiro articulo tarsal das pernas inter-
meiadas e posteriores mais curto que os
dois articulos seguintes conjunctos. Olhos
finamente granulados. Bordas lateraes do
prothorax abaixadas na sua parte anterior.
Anacols.
I. Closteri, Lacordaire
Gen. Col. VIII, 1869, p. 149. -- Lrar. Mém.
Soc... Ent Bel. XAI Montana
(Rév. p. 869).--- Col. Catal. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913. Imr.
Prion. p. ole
+,
Aos « Clostérides » de Lacordaire, nos quaes
este sabio entomologo comprehendeu sômente os
— 135 —
generos Hlaptus, conhecido da Australia, Sarmy
dus, com representantes da Asia, da ilha de Borneo,
etc.. e da Africa do sul, Closterus, com muitas es-
pecies de Madagascar e Polyoza com 2 represen-
tantes brasileiros, Lameere junta ainda, além de
outros, os seguintes generos americanos : Querciver,
Sarifer, Meroscelisus e Prionapterus, tendo, porém,
sómente o primeiro e o terceiro representantes no
Brasil, pois a unica especie conhecida do Sarzfer
é columbiano e o Prionaplerus staphylinus, Guër.
é assignalado da Argentina e do Paraguay.
&. Mandibulas curtas, robustas, agudas na ponta
em geral com um dente interno perto da ponta.
Paloos no maximo mediocres, o ultimo articulo
truncado e pouco dilatado. Olhos distantes ou não
em cima e em baixo, grossa ou subgrossamente
granulados. Fronte sulcada longitudinalmente. An-
tennas de 11 articulos, filiformes, dentados em serra,
às vezes só ligeiramente ou fiabelliformes. Proiho-
rax transversal mais ou menos plano em cima, as
bordas lateraes normaes e com um até S espinhos
mais ou menos dilatados e ligeiramente curvados
para cima. Pronoto mais ou menos pubescente. Scu-
tello no maximo mediocre, arredondado posteriormen-
te. Elytros compridos, parallelos ou ligeiramente res-
tringidos posteriormente, pouco convexos, os seus epi-
pleuros dilatados na base cu não, mais largos na base
que o prothorax. Pernas compridas, comprimidas, os
femora liniares. as tibias dilatadas na ponta, tarsos
compridos, ao menos os entremeiados e posteriores.
Processo prosternal estreito, fortermente arqueado,
processo mesosternal estreito, inclinado. Processo
intercoxal do abdomen em triangulo agudo; ultimo
segmento do abdomen truncado e sinuoso posterior-
mente. Munidos com azas.
2 Antennas mais curtas e nunca flabelliformes.
Corpo em geral mais largo. Processo intercoxal
do abdomen às vezes muito largo e arredondado
posteriormente. Ultimo segmento abdominal arre-
dondado posteriormente. A’s vezes apteras.
Os 3 generos brasileiros Quercivir, Polyoza e
— 156 —
Meroscelisus tomando em consideração as formas
geraes e deixando à parte as antennas, o volume bem
como a granulação dos olhos, são bastante homo-
geneos, ao menos os dd. Assim a forma da ca-
beça e do prothorax, os espinhos lateraes deste, o
comprimento e a fórma dos elytros, as pernas del-
gadas e compridas e os tarsos mostram o intimo
parentesco dos mesmos. As Sg, que mostram as
differenças habituaes dos rospectivos oo nos ge-
neros Quercivir e Polyoza, no genero Meroscili-
sus porém muito divergem do outro sexo no ta-
manho, na ponctuação, e, sendo apteras, mostram
igualmente o processo intescoxal do abdomen de
todos os longicornios subterraneus, isto é, muito
largo e largamente arredondado na ponta: Assim
não parece estranhavel, que os entomologos antigos
descrevessem os dd e as 9% como especies dif-
ferentes.
Chave
A. dd egG com azas Antennas dos Jd
flabelliformes ou fortemente dentadas em
serra na borda interna. Olhos sempre gros-
samente granulados. Tarsos anteriores e en-
tremeiados dos dd delgados, não dila-
tados.
a) Episternos metasternaes fortemente
restringidos na borda interna. Pro-
cesso dos articulos anternares nos & &
mais curto que o respectivo artículo,
3.º articulo inermo. Elytros glabros.
Quercivir.
b) Episternos metasternaes não ou apenas
restringidos na borda interna. Fla-
bellos dos articulos antennares nos
Sd mais compridos que o respectivo
-articulo, 3.º articulo flabelliforme. Ely-
tros finamente pubescentes.
Polyoza.
— 137 —
B. &dJ com azas, SG apteras. Antennas fi-
liformes ou ligeiramente dentadas em serra
na borda interna. Olhos grossa ou sub-
erossamente granulados. Tarsos anteriores
e intermeiados dos & 4 dilatados.
Meroscelisus.
1. Genero Quercivir, Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 37
( Rév. p. 901).-- Col. Catal. Junk--
Schenkling; pars 52, 1913, Lmr.
Prion, p. 83.
Lameere na sua « Révision» faz publico duas
especies brasileiras, Q. Dohrni e Q. Gouneller,
que parecem ser d'uma raridade extraordinaria,
sendo desconhecido até hoje o & da primeira. Te-
nho em mãos uma terceira especie, mas, infeliz-
mente não conheço as do auctor deste genero e
assim estou privado dos meios, de offerecer aqui
as comparações tão minuciosas quanto o caso exige.
&. Cabeça mediocre, fortemente rugosa. Man-
dibulas curtas, grossas, agudas na ponta, com um
dente na borda interna um pouco aquem da ponta.
Labro transversal, recto na borda anterior. Episto-
mo concavo, triangular, a borda anterior sinuosa.
Fronte e vertice sulcados longitudinalniente. Olhos
volumosos mais ou menos aproximados em cima e
em baixo. processo jugular muifo curto e agudo.
Palpos mediocres, os maxiliares sensivelmente mais
compridos que os labiaes, o ultimo articulo subcy-
lindrico, truncado. Antennas robustas, compridas,
sobrepassando os elytros com os 2 ultimos articulos
nas especies conhecidas, de 11 articulos, o 11.º apen-
diculado. o 1.º curto. grosso e conico, 3.º até 10.9,
iguaes, 11.° consideravelmente mais comprido que
o 10.º, o apice interno somente ou tambem o ex-
terno dos articulos 3 até 10 salientes, sendo a sa-
liencia interna crescendo de tamanho e formando um
processo consideravel a contar do 5º, ficando o
3.” simplesmente angulado. A saliencia externa,
— 138 —
aonde tiver, cresce igualmente nos ultimos articulos
mas só moderadamente. Os articulos antennares a
contar do 3.º na horda interna só ou na borda in-
terna e externa crenados. Prothorax fortemente
transversal, gradual mas moderadamente restringido
anteriormente, as bordas lateraes com os cantos an-
teriores e posteriores bem marcados e com um es-
pinho mediocre e ligeiramente curvado para cima
um pouco aquem do meio. Pronoto convexo, ru.
goso, hirsuto. Prosterno finamente rugoso e hirsuto.
Scutello mediocre, rugoso: e hirsuto, arredondado
posteriormente. Elytros muito compridos, parallelos
conjunctamente arredondados posteriormente, scabro-
sos. Os epipleuros dilatados nas espaduas. Metas-
terno hirsuto, os seus episternos na borda interna
fortemente na borda externa mediocremente restrin-
gidos e agudos posteriormente. Processo prosternal
mediocre, sensivelmente inclinado no começo e a
ponta fortemente curvada, processo mesosternal es-
treito, inclinado, a ponta sinuosa. Pernas compridas,
delgadas, comprimidas, o primeiro articulo tarsal
das pernas entremeiados e porteriores mais compri-
do que os dois seguintes conjunctos, o ultimo bem
comprido. O ultimo segmento abdominal truncado
e sinuoso posteriormente.
2. Antennas mais curtas e mais delgadas,
3.º articulo de 1/3 mais comprido que o 4., os 4.º
até 10.º decrescendo proporcionalmente, 11.º mode-
radamente mais comprido que o 10.º, os articulos 3 ou
6 até 10 na borda interna dentados em serra, os arti-
culos 5 até 11 com ou sem uma carena dorsal. Ulti-
mo articulo abdominal arredondado posteriormente.
Por falta do material julgo conveniente de com-
municar aqui as descripções originaes do sabio auctor
dos Q. Dohrm e Q. Gouneller.
1. Quercivir Dohrni, Laimeere
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p: 37
( Rév. p. 901.)-- Col. Catal. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913; Lmr.
Prion. p. 83.
— 139 —
« Une femelle de Rio m'a- été communiquée
par M. le Dr. I. Dohrn, de Stettin. L’insecte avait
été vu par Lacordaire qui l'avait considéré comme
appartenant à un genre nouveau. Le nom généri-
que de Quercivir lui a été donné in lúlteris par le
Dr. Dohrn père. »
«La longueur est de 34 millimètres, la teinte
d'un brun rougeatre clair avec les élytres testacées ; la
poitrine est recouverte d'une abondante pilosité jaune.»
«Les yeux sont assez largement séparès en
dessus et en dessous, leur lobe supérieur ne dépas-
sant pas le niveau de la base interne du tubercule
antennifere. »
« Les antennes atteignent le milieu de élyires
seulement ; elles offrent un espace finement poreux
limité par une carêne à partir de l'extrémité inter-
ne du 3.º article, les quatre derniers articles étant
complètement porifères, la carène des 8.º à 10.° étant
médiane, le 5.° article est d’un tiers plus long que
le 4.º, les autres allant en décroissant de grandeur,
le 11.° étant à peine plus long que le 10.°; le som-
met des articles est avancé à partir du 3.º, mais il
ne devient anguleux, et progressivement, qua à par-
tir du 5.º; le 1.º article est rugueusement ponctué,
le 3.º offre de gros points épars. »
«La tête et le pronotum sont très rugeux ; le
rebord latéral du prothorax est anguleux près du
bord antérieur, puis dirigé un peu obliquement jusqu’à
une dent médiane relativement forte et relevée en
avant ; au delà de cette dent, le rebord est dirigé à
peu pres en droite ligne jasqu’a l'angle postérieur
qui est droit et bien marqué, le on postérieur étant
notablement plus large que le bord anterieur. La
partie des épisternums prothoraciques qui précède la
dent médiane est rugueuse, tandis que la partie pos-
térieure est lisse. »
« Les élytres, en peu luisantes, sont frangées
sur les bords,; langle satural est inerme ; elles sont
couvertes de gros points et sont un peu rugeuses en
arrière ; elles montrent trois côtes longitudinales ob-
solètes entre lesquelles elles sont sillonnées ».
— 140 —
« L’abdomen est peu luisant et presque glabre ;
le 5.° arceau ventral est légèrement échancré ; le 5.º
arceau dorsal arrondi au bout ».
«Les pattes sont pubescentes avec les tibias
rugeux ; les tarses ont le 1.º article plus long que
les 2.º et 3.º réunis, le 2.º étant de la longueur du
3.º, le dernier à peu près aussi long que le 1.º;
les lobes du 3.º article sont étroits ». Lameere.
2. Quercivir Gounellei, Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 38
( Rév. p. 902). — Col. Catal. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Prion. p. 83.
«M. Gounelle m'en a commmniquê une femelle
de Caraça ( Minas Geraes ) et un male de Campos
de Jordão ( Etat de Saint-Paul) ».
« Le male a 32 millimètres, la femelle 36 mil-
limètres ; la teinte est d'un brun de poix avec les
antennes rougeatres et les elytres un peu plus claires »
« Les yeux sont presque contigus en dessus et
en dessous ».
« Les tarses sont plus allongês et plus grèles que
dans l'espèce précédente, le 1.º article étant notable-
ment plus long que les 2.º et 3° réanis, le 2.º
plus long que le 3.º, le dernier plus long que le
premier ».
« Chez la femelle, qui est plus étroite que celle
du Q. Dohrni, les antennes atteignent les deux tiers
des élytres ».
« Chez le male, les antennes dépassent l’éxtré-
mité du corps de leurs deux derniers articles; tous
les articles, à partir du 3.º, sont égaux, sauf le der-
nier qui est plus long et appendiculé; ils sont mat
et carénés seulement au côté interne; le 3.º est an-
guleux au sommet interne, les suivants sont den:és
en scie progressivement, de manière à offrir, à partir
du 5.º, un long processus ». Lameere.
— J41 —
3. Quercivir Zikani, nova especies.
Q. Gounelleo affinis, differt antennis & ¢ art.
3-11 supra nullo modo intus atque extus longitudi-
naliter carinatis. &º art. 3-10. 2 art. 6-10 apice ex-
terno breviter aculeatis, & art. 3-10 apice interno
valde dilatatis et serratis, @ art. 6-10 apice interno
serratis.
d'. Castanho muito escuro, quasi preto, elytros
ligeiramente mais claros, antennas a contar do 3.º
articulo, as pontas enfuscadas exceptas, rufas, pro-
noto dispersamente, scutello e os .sternos densamente
flavo hirsutos. Mandibulas curtas, grossas fortemente
ponctuado-rugosas na base e lisas na ponta, disper-
samente flavo pubescente, cabeça grossamente rugosa
e dispersamente flavo hirsuta. Olbos quasi contiguos
em cima e em baixo, muito volumosos, processo
jugular muito curto, agudo. Antennas compridas, so-
brepassando os elytros com os ultimos dois articulos,
os primeiros dois articulos e a base do 3.º lustrosos,
os restantes opacos e cobertos com uma ponctuação
porifera finissima. O 1º articulo ponctuado rugoso
e ligeiramente flavo pubescente, a parte lustrosa do
3° dispersa porem grossamente ponctuada, os 3 até
10 subiguaes, o 11º de 1 1/2 do comprimento do
10°, apendiculado, sendo a apendicula as vezes ape-
nas perceptivel e em outros exemplares muito desen-
volvida e tenho em mãos um «&' cujas antennas são
francamente 12 articuladas; o 3.º articulo é sim-
plesmente proeminente ou angulado na borda interna,
o 4º proeminente em dente e assim crescendo esta
saliencia proporcionalmente nos articulos que seguem
até o 10º, cujo processo interno é de quasi da me-
tade do comprimento do respectivo articulo ; borda
externa as pontas igualmente são proeminentes aug-
mentando os dentinhos da mesma maneira, pois, no
3° muito diminuto no 10” forma um dente bem re-
gular. Os 6 ultimos articulos são curvados duma
maneira particuiar e sensivel de cima para baixo,
formando, visto de lado, um segmento. As bordas
interna e externa, — excepto a parte externa, que
— 142 —
fica lustrosa, do 3°, — a contar do 5° articulo anten-
nar são munidas com uma carena, Prothorax for-
temente transversal, pronoto convexo, subopaco, for-
temente rugoso as bordas lateraes com um espinho
pouco desenvolvido e ligeiramente curvo para cima
um pouco a quem do meio, daqui até os cantos pos-
teriores ligeiramente até os cantos anteriores mais sen:
sivelmente gradualiter restringidas, os cantos an-
teriores e posteriores bem marcados mas não salientes.
O prosterno finamente rugoso e densamente flavo hir-
suto. Scutello grossamente porctuado e densamente
flavo hirsuto. Elytros muito compridos, paralleios, con-
junctamente arredondados posteriormente, lustrosos,
fortemente ponctusdos na base e grossamente ru-
@osos posteriormente, cada qual com duas costellas
longitudinaes, pouco proeminentes, e vestigios de uma
terceira, externa, muito dispersamente munidos com
cerdas flavas semi-erectas e as bordas externas
flavo fimbriadas ; os epipleuros nas espaduas muito
dilatados. Metasterno fino e densamente ponctua-
do e flavo hirsuto. Abdomen lustroso, finamente
ponctuado, nascendo em cada ponto um cabello flavo
e curto. Ultimo segmento abdominal fortemente si-
nuoso posteriormente. Pernas compridas, delgadas, ©
comprimidas, os femora parallelos, lustrosos, ponctua-
dos e flavo hirsutos; as tibias opacas, fortemente
rugosas e flavo hirsntas; tarsos compridos e delga-
dos, o primeiro articulo mais comprido que os dois
seguintes conjunctos, o ultimo de cerca do compri-
mento do primeiro.
Q. A côr em geral um pouco mais clara.
Antennas chegando ao segundo terço dos elytros,
muito mais delgadas, articulos 1 até 7 lustrosos,
excepto os lados da carena interna, que são muni-
das de finissima ponctuação porifera, os restantes
opacos e inteiramente cobertos com a mesma pon-
ctuação, a ponctuação do scapo mais fina e disper-
sa, 0 3.º articulo 1/3 mais comprido que o 4.º ea
carena externa visivel sômente na ponta, a ponta
interna do 3.º e 4.º arrredondada, a do 5.º ligeira-
mente proeininente e aos dos 6.º até 10.” salientes
em serra; a proeminencia nas pontas externas é
bem marcada sômente nos articulos 8 até 10. Pu-
bescencia do pronoto menos densa. Ultimo seg-
mento abdominal arredondado posteriormente.
J. Comp. 25 — 36 mm., larg. 7 — 10 mm,
Comp. 32 — 45 mm., larg. 9 — 12 mm.
Hab 16 gg e 12 qq da fazenda dos Campos
perto de Passa Quatro Minas Geraes. Um dg
apresentado ao Museu Paulista. Os typos se en-
contram na colleção do Museu Paulista, na do Sr.
Zikan bem como na minha.
Dou a este longicorneo o nome « Zikani « em
honra ao seu descobridor, o incansavel naturalsta o
Sr. J. . Zikän, que teve a felicidade de achar
tambem a larva e a nympha, participando-me o se-
guinte: « As larvas 2 nymphas desta especie encon-
trei-as principalmente nos tocos da canella (Lauraceas)
os vezes até em abundancia consideravel (até 15
exemplares ), nutrindo-se aquella da madeira ainda
boa, emquanto as partes podres estavam atacadas por
larvas de lamellicorneos como Pelidnota pulchella,
P. nitescens, de uma especie dos generos Antichira
e Phileurus alem de outros. Que a larva do Quer-
civir viva na canella, é fóra de duvida, pois pela
casca, que encontrei nos tocos bem como pela ma-
deira, que em parte ainda estava boa, podia reco-
nhecer a especie da madeira, mas a larva evidente-
mente é polyphaga, pois alem dos tocos das diver-
sas especies da canella encontrei-a igualmente em
outros de « Caroba », que me foi possivel identificar
tambem. »
Na interessante obra « Flora do Brasil» de M.
Pio Corrêa encontro as seguintes especies da Ca-
nella pertencentes às Lauraceas : Canella amarella
( Nectandra nitidula Nees ), Canella batalha ( Ne-
ctandra robusta Lof. e Eve.) Canella branca (Ne-
ctandra leucothyrsus Meissn.) Canella parda ( Ne-
ctandra amara Meissn. ) Canella preta ( Nectan-
dra mollis Nees ). Canella sassafraz ( Ocotea pre-
tiosa Meissn) mas ignoro presentemente, quaes as
especies, que se encontram naquella fazenda. Sob
\
pe
o nome « Carobeira » o auctor acima indica as se-
guintes especies da familia das Bignoneaceas : Cy-
bistax antisyphiitica M., Jacaranda puberula
Cham., J. semiserrata Cham., Tecoma caraiba M.,
e faliam igualmente dados minuciosos sobre a es-
pecie, que servem ao insecto de alimento. Todas as
arvores acima estão distribuidas sobre vasta zona do
Brasil, conforme Pio Corréa indica, de maneira que,
sem duvida alguma o Q. Zikani deve ter uma dis-
tribuição identica, preferindo talvez um clima mais
moderado, pois o lugar aonde foi encontrado é hem
elevado, ca. de 1900 metros acima do nivel do mar.
De uma das especies da Canella, que o Sr. Zi-
kan diz haver naquella zona com o nome de « Ca:
nella Bugre » este snr. enviou-me umas flores e uma
folha secca, que o Snr. Dr. Hoehne teve a gentileza
de determinar, embora o material insufliciente e
pouco prestavel para este fim. Mas ainda assim 0
Snr Ur. Hoehne conseguiu verificar, que tal « Ca-
nella Bugre » é uma especie do genero Sloaned da
familia « Hlaeocarpaceae »
O estado nymphal é de cerca de 44 dias. As-
sim o Sr. Zikän tomou nota dos seguintes dados :
A larva se transformou em nympha no dia 20 de
Outubro de 1917, acabando o periodo de metamer-
phose no dia 2 de Dezembro, dia em que o besouro
nasceu. Nos primeiros dias depois de nascido o inse-
cto é ponco habil, o abdomen muito volumoso, a côr
branca, e leva bastante tempo, até ficar apto a aban-
donar o berço onde nasceu. Em condições norinaes o
besouro precisa furar a casca da arvore, e para obter
dados semilhantes, o Sr. Zikän deixou-o em caixi-
nhas de phosphoros, onde sobre uma camada de
serragem, elle se transformou. Foi sómente no dia
29 de Dezembro, que o adulto perfurou a caixinha
para ganhar a liberdade.
O Q. Zihkani é bem semelhante ao Q. Gouneller
e differe deste pelas antennas, que mostram uma ca-
rena na borda interna e externa a contar do 3.º ar-
ticulo, sendo estas nas ¢¢ não munidos com uma
carena no dorso. Às saliencias das pontas na bor-
— 149 —
da externa tambem permittem distinguir esta nova
especie sem diffculdade,
Chave
A. Olhos bem distantes em cima e em baixo.
Antennas curtas, chegando na 9 ( d des-
conhecido ), ao meio dos elytros sómente.
Q. Dohrni.
B. Olhos quasi contiguos em cima e em bai-
xo. Antennas mais compridas.
a. Antennas com uma carena inter-
na sómente e as das $$ a con-
tar do 3.º articulo com mais uma
carena dorsal.
Q. Gounellei.
b. Antennas com uma carena interna
e externa, as das ¢¢ sem ne-
nhum vestigio de uma carena
dorsal.
Q. ZLZikant.
2, Genero Polyoza, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. 1, 1832, p. 166. -— J.
Thoms. Classif. Céramb., 1860, p.
289; Syst. Ceramb., 1864, p. 470. —
Lacord. Gen. Col. VIII, 1869, p. 152.
— Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XXI,
1912, p. 41 (Rév., p. 905). — Col.
Catal. Junk -- Schenkling, pars 52,
1913, Lmr. Prion., p. 84:
g. Cabeca e mandibulas como no genero pre-
cedente. Palpos curtos, o ultimo articulo subcylin-
drico, truncado na ponta. Epistomo concavo, tri-
angular, recto na borda anterior. Fronte sulcada
longitudinalmente. Olhos grossamente granulados,
muito volumosos, quasi contiguas em cima, ligeira-
— 146 —
mente distantes em baixo. Processo jugular curto,
arredondado na ponta. Antennas de comprimento
diverso, 1.º articulo curto, grosso, conico, 3.º do
comprimento do primeiro e mais curto que o 4.º,
este um ponco mais curto que o 5.º, os 5.º até 10'
iguaes em comprimento, o 11.º flabelliforme e mais
comprido que a flabella do 10.º, os articulos 3 até
11 com uma carena nas bordas interna e externa
e no dorso, os 3 até 10 além disto em baixo com
uma flabella, que tem mais de duas vezes o com-
primento do respectivo articulo; a ponta das flabel-
las arredondada. Prothorax fortemente transversal ;
o pronoto convexo, as bordas lateraes vem marca-
das, cada um com dois espinhos curvados ligeira-
mente para cima, sendo o do canto posterior, — que
está bastante afastado do elytro. — o maior, o se-
gundo mediano. Scutello mediocre, estreito, em tri-
angulo curvilineo, arredondado posteriormente. Ely-
tros mais largos na base que o prothorax, compri-
dos e mediocremente convexos, conjunctamente ar-
redondados posteriormente, os epipleuros muito di-
latados nas espadoas. Pernas compridas, delgadas,
comprimidas, tarsos muito compridos, os entremeia-
dos e posteriores muito mais compridos que os dois
seguintes conjunctos. Ultimo segmento abdominal
truncado e ligeiramente sinuoso posteriormente. Cor-
po comprido, ligeiramente pubescente.
q. Mais robusta. 3.” articulo das antennas do
dobro que o 4.º no sentido do comprimento, os 3
até 10 dentados em serra na borda interna, em baixo
com uma saliencia muito curta, que indica as la-
mellas tão desenvolvidas nos dd, o 11.º do com-
primento do precedente. Ultimo segmento abdomi-
nal arredondado posteriormente.
As duas especies conhecidas são brasileiras.
1. Polyoza lineata, H. W. Bates
Traus. Ent. Soc. Lond. 1869, p. 48. --
Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XXI,
1912, p. 43 ( Rév. p. 907.)-- Col:
Catal. Junk-Schenkling, pars 52.
1913, Lmr. Prion. p. 84.
— 147 —
Esta especie, que Lameere não conhecia, parece
ser de uma raridade extraordinaria, pois conforme
me consta, nunca mais foi reencontrada desde que
Bates, que conseguiu capturar um unico exemplar
S, fez a sua viagem ao Amazonas. Forneceu o
celebre naturalista inglez a seguinte descripção :
« Oblongo-linearis, rufo-fulva, elytris utrinque
sutura et carinis quatuor elevatis, interstitiis nigris :
antennis (oc) dimidium corporis vix superantibus,
articulis 3-9 basi laminas elongatas emittentibus. »
Bates.
« Long. 11 lin. (&)» — cerca de 20 mm.
Bates encontrou este iongicornio n'ama arvore
morta em Ega ( Amazonas ).
2. Polvoza Lacordairei, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr.I, 1832, p. 167.—Cast.
Hist. Nat. II, 1840. p. 396.--Heyne
e Taschenb. Exot. Käfer 1906, p.
238, t. 34, f. 13. -- Lmr. Mém. Soc.
Ent. Belg. XXI, 1912, p. 43 ( Rév.
p. 907 ).-- Col. Catal. Junk-Schen-.
kling, pars 52, 1913, Lmr. Prion.
p. 84.
Dejeani Gray em Griff. Anim. Kingd, II,
LS to Gos Pari RS É A.
3S. Opeco, castanho-rufo, cabeça, prothorax e
pernas mais enfuscados, elytros marginados de preto
ou pardo escuro. Cabeça rugosa e flavo pubescea-
te; mandibulas grossamente ponctuadas e dispersa-
mente flavo pubescente. Antennas do comprimento
do corpo, scapo grossamente rugoso. Pronoto com
"duas intumescencias obtusas, rugosas e glabras e
com uma pubescencia flava e bastante densa lateral
e posteriormente. Scutello densamente flavo hirsuto.
Elytros finamente rugosos e pouco densamente flavo
pubescente, cada um com duas costellas longitudinaes
muito obsoletas. Metasterno e abdomen finamente
rugosos e flavo hirsutos. Pernas rugosas e flavo
pubescentes. |
Q. Mais clara e mais robusta. Antennas de
cerca do mesmo comprimento, elytros não ou ape-
— 148 —
nas marginados de preto, mais finamente rugosos.
Espinhos do prothorax mais fortes.
g. Comp. 18-25 mm., larg 5 1/4-7 mm.;
©. Comp. 26-31 mm., larg. 7 1/2 -9 1/2 mm.
Hab. 1 & da Capital de São Paulo colleciona-
do no dia 16. XE 18s 4 q de Santos: 15 gode
Mar de Hespanha (Minas), 1 4 da Colonia Hansa
(Santa Catharina, no Museu Paulista), 2 a e 1
q de Puerto Cantera (Paraguay), 1 ¢ de Mar ae
iiespanha, 1 © de Raiz da Serra (Linha ingleza, no
Musen Paulista.
Heller, —Stett. Ent. Zeit. LXV, 1904, p. 392,
t. 5, f. 1,—forneceu uma descripçäo minuciosa da
larva, que o Dr. Ohaus encontrou perto de Petropolis
em diversos exemplares n'uma madeira muito humida,
Chave
A. Antennas sobrepassando apenas o meio dos
elytros, estes com 4 costellas em cada, sen-
do os lugares circumscriptos- pelas mesmas
pretos.
P. linecta.
B. Antennas do comprimento do corpo. Ely-
tros marginados somente de preto. tendo
cada somente duas costellas muito obtusas.
P. lacordairer.
3. Genero, Meroscelisus, Serville.
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832. p. 157. — J.
Thoms. Classif. Céramb. 1860, p. 285;
Syst. Ceramb. 1864, p. 468. —Lacord.
Gen. Col. VIII, 1869. p. 47. — Lmr.
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912,
D. 45 (Rév. p. 909). — Col. Catal. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913, mr.
Prion. p. 84. —
Syennesis Pasc. Trans. Ent. Soc. Lond,
1888, p. 511.
&. Cabeça mediocre, ligeiramente pubescente.
Mandibulas curtas, grossas, a ponta aguda, com dois
dentinhos na borda interna Labro transversal, ar-
PL AS
redondado na borda anterior. Epistomo concavo, si- |
nuoso anteriormente, fronte sulcada longitudinalmente.
Olhos grossa ou subgrossamente grunulados. mais
ou menos distantes em cima e em baixo. Antennas
ao menos do comprimento do corpo, filiformes, den-
tadas em serra na borda interna, 1º artigulo medio-
cre, grosso, conico, 3’ de um terço mais comprido
que o 4º, os 4’ até 10º decrescendo gradualmente,
o 11º mais comprido que o precedente, os 3º até 11,
multicarenados em cima e em baixo. Prothorax
fortemente transversal, ligeiramente hirsuto, as bor-
das lateraes com um dente mediocre e mediano,
curvado para cima, os cantos posteriores bem. mar-
cados e os anteriores mais on menos arredondados ;
pronoto quasi plano. Scutello mediocre, em trian-
gulo curvilineo, arredondado posteriormente. Elytros
compridos, ligeiramente convexos, parallelos ou li-
gelramente restringidos posteriormente, com ou sem
costellas longitudinaes e mais ou menos rugosos,
cobrindo completamente o pygidio. Pernas como nos
generos precedentes, os tarsos anteriores e intermeia-
dos curtos e dilatados as vezes pouco, os posterio-
res compridos, sendo o primeiro artigulo muito mais
comprido que os dois seguintes conjunctos. Processo
prosternal estreito com a ponta fortemente curvada,
processo mesosternal estreito, canaliculado. Processo
intercoxal do abdomen estreito, em triangulo agudo.
Ultimo segmento abdominal truncado, sinuoso pos-
teriormente. Delgado, com azas.
2. Consideravelmente maior, mais robusta e
mais larga. Antennas mais grossas, não ou apenas
dentadas na borda interna, lisas e sômente os 3 ou
4 ultimos articulos multicarenadas. Olhos menos
volumosos. Prothorax mais dilatado lateralmente, o
pronoto mais plano. Elytros mais on menos dilata-
dos posteriormente, não cobrindo completamente o
pygidio, cada us separadamente arredondado. Pernas
mais robustas, os tarsos anteriores e intremeiados
delgados e mais compridos. Processo intercoxal do
abdomen largo e largamente arredondado na ponta. :
Glabra, aptera.
— 150 —
1. Meroscelisus Servillei, /. Thomson
Syst. Céramb. 1865. p. 577. -- Lmr. Mém.
Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 46
( Rév. p. 910). -- Col. Catal. Junk-
Schenkling, pars 52. 1913, Lmr.
Prion. p. 84.
Dispar Pase. Trans. Ent. Soc. Lond.
1888, p. 512, t. 14, f. 6-7.
&. Castanho em cima, rufo-ferrugineo em
baixo, cabeça, prothorax e antennas opacos, elytros,
metasterno,—seus episternos exceptos,—e abdomen
lustrosos. Cabeça e pronoto punctado-rugosos e com
uma pubescencia flava mediocremente densa. Olhos
muito volumosos, muito aproximados em cima e em
baixo, grossamente granulados. Antennas compridas,
sobrepassando os eiytros com os ultimos dois articu-
los. Prosterno finamente rugoso e flavo hirsuto.
Cantos posteriores do protuorax um pouco distantes
dos elytros e bem marcados, espinho mediano das
bordas lateraes mediocre, os cantos anteriores ligei-
ramente marcados e mediocremente dilatados Scu-
tello grossamente ponctuado e flavo hirsuto. Elytros
mais largos na base que o prothorax, compridos,
deprimidos, ponctuados e ligeiramente rugosos, cada
um com uma ou duas costellas longitudinaes muito
obsoletas, muito dispersamente flavo hirsutos. Metas-
terno fino e dispersamente, seus episternos mais
densamente ponctuados e flavo hirsutas. Abdomen
dispersamente ponctuado e flavo hirsuto. Pernas
flavo pubescentes, os femora lustrosos e dispersa-
mente ponctuados, as tibias subopacas e fortemente
rugosas. Tarsos anteriores e intermeiados pouco
dilatados e mais delgados que nas especies que
seguem.
92. À © infelizmento não conheço e tambem
presentemente não estã ao meu alcance a descripção
de Pascoe. Conforme Lameere ella tem os olhos
mediocremente distantes em cima, chegando até o
meio da cavidade da inserção das antennas Estas
tem os articulos delgados e multicarenados sômente
+
a contar da ponta do 7.º articulo. A cabeça é ru-
— 151 —
gosamente ponctuada. O thorax é largo e curto,
com os cantos anteriores formando uma larga sa-
liencia arredondada, sendo as bordas até o espinho
mediano um pouco sinuosas, daqui até os cantos
posteriores, pouco salientes, as bordas são fortemen-
te sinuosas; o pronoto é finamente ponctuado mais
ou menos dispersamente sobre o disco, densamente
porém aos lados. (s elytros são estreitos, com a
carena epipleural bem marcada sobre as espaduas,
e elles são cobertos de grossos pontos dispersos. O
primeiro articulo tarsal posterior é ao maximo duas
vezes do comprimento dos dois seguintes conjunctos.
J. Comp. 21 — 253 mm., larg. 6—7 1/2
mm. © conforme Lameere tem 25 mm., de com-
primento.
Hab. 1 & dos Campos do Jordão ( Estado de
São Paulo, no Museu Paulista) 1 & dê Joinville
(Santa Catharina), 1 4 do interior do Estado de
Säo Paulo sem indicaçäo precisa.
2. Meroscelisus apicalis, Wiute
Col. Cat. Brit. Mus. VII, 1853, p. 26. —
Lur. Mem. Soc. Ent. Belg. XXI,
1912, p.47 ( Rév. p. 911). Col. Catal,
Junk--Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Prion. p. 84. À
©. Violaceus o Serv. Ann. Soc. Ent. Fr.
I, 1832, p. 158.
d'. Opacus Bug. Ann. Soc. Ent. Fr. 3 VIII,
1860, p. 618.
Sd. O &, do qual Lameere viu apenas dois
exemplares, não podia estudar.
Buquet avisa: « Nigro-piceus, opacus. Capite,
thorace elytrisque fere punctatis. Corpus subtus ni-
gro-nitidus ». Junto aqui mais os seguintes dados,
de que Buquet e Lameere participam. D’um preto
castanho, opaco em cima, com elytros ligeiramente
azulados. O: corpo é comprido, parallelo. A cabeça
e o pronoto são densamente ponctuados. Os olhos
são um pouco menos volumosos que na especie
precedente e menos fortamente granulados. As an-
Male da
tennas säo do comprimento do corpo, os dois pri-
meiros articulos ponctuados, multicarenados os res-
tantes. Prothorax com 2 espinhos em cada lado,
um no canto posterior, o,outro, que é o maior,
mediano. Pronoto plano. Scutello pequeno, pon-
ctuado. Elytros compridos, planos, conjunctamente
arredondados posteriormente, fina e dispersamente
ponctuados, sem costellas, a carena epipleural bem
marcada nas espaduas. Corpo em baixo muito fi-
namente ponctuado. Pernas rugosas. Os femora
às vezes parcialmente de côr rufa.
¢ Glabra, preta, ligeiramente azulada e opaca
em cima, lustrosa em baixo, os ultimos 3 ou 4
articulos antennares mais ou menos ferrugineos.
Mandibulas grossamente ponctuadas assim como o
epistomo. Cabeça, pronoto e elytros muito fina e
muito dispersamente ponctuados. Os 7 primeiros
articulos das antennas lustrosos e muito disperse-
mente ponctuados, os 4 restantes meio opacos e
completamente cobertos de carenas. Os olhos medio-
cres, subgrossamente granulados. Os elytros gradual
e mediocremente alargados depois do primeiro quarto.
J. Comp. 16 — 17 mm. conforme indica La-
meere, o exemplar, descripto por Buquet teve 16
mm. de compr. por 5 de largo; 9. compr. 21 - 27
mm. (30 mm. conforme Lameere ), larg. 6 -- 7 mm.
Hab. 2 ¢¢ de Alto da Serra (Linha Ingleza,
Est. de S. Paulo), 2 ¢¢ no Museu Paulista sem
indicação precisa. |
As duas "Z 9 foram encontradas de dia, atra-
vessando uma picada e a granulação dos olhos faz
Julgar, que estes longicornios são diurnos, tomando
em consideração, que nas mattas virgens a luz sempre
esta bastante diminuida.
3. Meroscelisus violaceus, Serville
Ann. Soc. Ent. Fr. I, 1832, p. 158 { 9)
E — Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XXI,
1912, p 48. (Rév. p. 912). — Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars. 52,
1913, Lmr. Prion. p. 84.
— 155 —
&. Preto, elvtros azulados; cabeça. pronoto,
antennas a contar do 3.º articulo e tibias meio opacos,
o resto lustroso, os femora as vezes parcialmente
rufos. Cabeça grossa e densamente ponctuados-ru-
gosa, olhos mediocres, menores que na especie pre-
cedente e ligeiramente mais finamente granulados.
Antennas sobrepassando os elytros com os dois ul-
timos artículos, robustas, primeiro articulos grossa
mas pouco densamente ponctuado, 3.º de 1/4 mais
comprido quo o 4.º, o 4.º até o 10.º iguaes, o 11.º
muito mais comprido que o precedente, os a contar
do 3.º multicarenados, mas as carenas pouco densas
e assim semelhante as de M. Serviller, podendo-se
distinguir, além da carena interna e externa, em
principio 3 carenas principaes no dorso; processo
jugular bem grande A ponctuação do pronoto igual
a da cabeça. As bordas lateraes do prothorax com
os cantos anteriores mediocres e arredondados, o es-
pinho mediano bem desenvolvido e os cantos pos-
teriores mediocremente saliente; a ponctuação do
prosterno mais fina. Scutello no meio liso e disper-
samente ponctuado aos lados. Elytros grossamente
ponctuado-rugosos, com 4 costellas longitudinaes bem
marcadas, a carena epipleural não subindo sobre as
espadoas. Metasterno muito fina e dispersamente
ponctuado e hirsuto, abdomen com uma ponctuação
e pubescencia identica. Os tarsos anteriores e entre-
meiados curtos e sensivelmente dilatados, os poste-
riores delgados e o seu primeiro articulo de cerca
do dobro dos dois seguintes conjunctos no sentido
do comprimento. A pubescencia da cabeça e do pro-
noto é quasi nulla nos dois exemplares a minha
disposição.
Do precedente facilinente distingnivel pela pon-
ctuação, pelo lustro dos elytros, pelos olhos menos
volumosos e mais finamente granulados e pelo com-
primento das antennas.
92. Muito maior. mais robusta. Opaca, preta,
ligeiramente azulada em cim?, olhos menores. Ca
beça grossamente pouctuada ; antennas curtas, che-
gando ao terceiro quarto dos elytros, 3.º articulo do
— 154 —
dobro do 4.’ no sentido do comprimento, conico, os
7 primeiros lisos e muito dispersamente ponctuados,
os restantes, — o 8.º porêm sómente na ponta, —
multicarenados e o ultimo respectivamente os dois
ulimos mais ou menos rufos. Prothorax mais curto
porém mais dilatado lateralmente que na P de WM.
apicalis, ponctuação do pronoto identica a da ca-
beça. Prosterno dispersamente ponctuado. Eiytros
dispersa mas muito mais distinctamente ponctuados
e mais dilatados que na q de M. aprcalis, tarsos
anteriores relativamente curtos os posteriores mais
compridos. Processo intercoxal do abdomen mais
largo e mais arredondado que na ¢ de M. apicalis.
Da ¢ de M. aprcalis differe pela ponctnação
mais densa e mais forte na cabeça, no pronoto e
nos elytros, pelos olhos muito menores e mais fina-
mente granulados, pelas antennas mais curtas, cujo
3.º articulo é muito mais comprido que o 4.º e de
forma conica, emquanto no MM. aprculis este articulo
é mais parallelo, pelo prothorax mais curto e os
cantos anteriores mais largamente arredondados, pelos
elytros mais amplamente dilatados, começando a di-
latação perto da base, e pela tórma do processo in-
tercoxal do abdomen,
S. Comp. 1i--17 12 mm., larg. 4112--5 814
mm.. ©. Comp. 23 mm., larg. 7 mm.
Hab. 1 4 de Assis ( Linha Sorocabana, Est. |
de S. Paulo), 1 & e 1 q de Passa Quatro (Minas.)
4 Meroscelisus Zikani, nova species
&. M. violaceo similis; brunneo-niger, elytris,
abdomine tarsisque flavo-fuscis vel fusco-brunneis,
nitidis. Caput crebre punctatum, sparsim flavo-
hirsutum, subopacum ; oculi parvi, mediocriter gra-
nulat', lobis superioribus late distantes. Antennæ
plus quam duobus articulis apicem elytrorum supe-
rantes, articulo 1.º crebre punctato, 2.º minuto, 3.º
4.º longiore, 4.º -- 10 inter se fere æquilongis, 11.
praecedente longiore 4.º -- 41.º Jlongitudinaliter
dense striatis. Prothorax transversus, lateribus me-
— 199 —
dio dente forte armato, angulis posticis dentiformi-
bus, pronotum crebre punctatum, subopacum, spar-
sim longe flavo hirsutum. Scutellum subtiliter pun-
ctatum et pilosum, apice rotundatum. Elytra thorace
latiora, subdepressa, parallela, leevia, rugoso-puncta-
ta, epipleura ad humeros dilatata. Metasternum
abdomenque leviter puactulata. Tarsi antici mediique
dilatati, postici elongati.
Long. 13 — 15 mm., lat. 4 1/2 -- 5 mm. Os typos
se encontram na collecção do Sr. Zikan bem como
na minha.
Facilmente distinguivel do & de M. violaceus
pela côr, pela pontuação muito mais densa e mais
rugosa na cabeça, no scapo e no pronoto. pelos
elytros sem costellas e cuja carena epipleural está
subindo consideravelmente sobre as espadoas, pelo
primeiro articulo tarsal posterior, que em proporção
é mais curto. As autennas além disto são mais
delgadas.
Do & de M. apicalis elle differe pelo compri-
mento das antennas, pela ponctuação e pela cor.
Dos 5 gg ao meu dispôr, 4 tem os elytros, o
abdomen e os tarsos duma côr amarello sujo, o 5.º
porem tem estas partes tinto de castanho-fusco, e é
admissivel, que nos outros a côr ainda não esteja
completamente desenvolvida, embora hajam todos os
exemplares sido colleccionados nas mesmas condições.
A granulação e o tamanho dos olhos de JM.
Zikani são como no M. Violaceus, mas as carenas
nos articulos 3 até 1! das antennas são muito mais
finas, muito mais numerosas e densas. O primeiro
articulo tarsal das pernas posteriores de M. Violaceus
é cerca do duplo dos 3.º e 4º conjunctos no sen-
tido do comprimento, o do M. Zkani, porém, e
apenas um pouco mais comprido que os dois se-
guintes articulos conjunctos.
O Sr. Zikän collecionou estes interessantes lon-
gicornios nas picadas do matto, de dia voando a
pouca altura acima do chão e evidentemente em
procura das 99, as quaes infelizmente até hoje não
se conseguiu de achar.
Chave
A. Olhos grossamente granulados, muito volumosos,
pouco distantes em cima e em baixo, mesmo
nas ZZ, as quaes não tem os elyiros dilatados
posteriormente.
M. Servilles.
AA. Olhos subgrossamente granulados, mediocres,
bastante distantes em cima e em baixo. Elytros,
das ¢¢ dilatados posteriormente.
a) Epipleuros dilatados na espadoa. Elytros
dos dd sem costellas.
b) Tegumento opaco em cima nos dois
sexos. Elytros nos dois sexos muito
nna e dispersamente ponctuados. An-
tennas do # do comprimento do corpo.
M. apicalis.
c) Elytros lustrosos no o unico sexo
conhecido, grossa e rugosamente pon-
ctuados. Antennas do & mais com-
pridas que o corpo.
M. Zikana.
aa) Epipleuros não dilatados nas espadoas. Ely-
tros do J com costellas bem marcadas.
M. violaceus.
Il. Anacoli, Lameere
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 90
( Rév. p. 954). — Col. Catal. Junk-
Schenkling, pars, 52, 1913, Lmr.
Prion. p. 89. —
Dos 12 generos que pertencem a este grupo,
cada com uma só ou pouco mais especies, sendo o
Miyzomorphus com 4 o mais rico, a maior parte é
— 197 —
americano, e sómente 3 são alheios a este conti-
nente. No Brasil foram encontrados sómente os se-
guintes: Anacalus, Rhodocharis, Myzomorphus e
Nicias.
Lacordaire ( Genera VIII) collocou o Rodocha-
ris no 9. grupo de seus « Prionides vrais souter-
rains », denominado Méroscelisides, Nicias faz parte
de seus Poecilosomides, e os Anacolus e Myzomor-
phus estão collocados nos seus Anacolides, que for-
mam junto com os Pyrodides, Solénoptérides e
Poecilosomides seus « Prionides vrais Poecilosomes».
Os generos Anacolus, Myzomorphus e Rhodo-
charis tem um facies analogo, o Nicias porém dif-
fere consideravelmente daquelles.
&. Cabeça mediocre, mardidulas em geral
curtas e robustas, às vezes porêm delgadas e pro-
eminentes, a ponta aguda ou bfida. Olhos fina-
mente granulados, bastante volumosos, a parte de
baixo fortemente circumdando a cavidade da inser-
ção das antennas; estas de comprimento diverso,
flabelliformes. Prothorax transversal, convexo, bor-
das lateraes quasi sempre com um espinho fraco e
mediano, as bordas a contar deste espinho até os
cantos anteriores mais ou menos abaixadas e às
vezes obtusas. Scutello grande, arredondado poste-
riormente. Elytros frequentemente não cobrindo o
abdomen. Pernas mediocres, as posteriores em ge-
ral: bem compridas, comprimidas; tarsos curtos.
9. Antennas mais curtas, flabelliformes ou só-
mente dentadas em serra na borda interna. Ely
tros maiores, mas cobrindo tambem em geral in-
completamente o abdomen. O processo intercoxal
do abdomen mais largo e as vezes da fôrma das
especies subterraneas.
Deste conjuncto no Estado de S. Paulo encon-
trei até hoje sómente o Myzomorphus quadrima-
culatus, Gory.
Chave
A. Metasterno de fórma normal, não avan-
cando em saliencia sobre o mesosterno.
— jos —
Elytros do & em geral não cobrindo com-
pletamente o abdomen.
a) 2.º articulo das antennas normal, bem
visivel. Corpo lustroso.
b) Mesosterno de forma normal.
Anacolus.
c) Mesosterno proeminente em uma
saliencia globulosa.
Rhodocharis.
aa) 2.º articulo das antennas muito peque-
no e encaixado na ponta do scapo.
Corpo opaco.
Myzomorphus.
B. Metasterno avançando em saliencia sobre o
mesosterno. Elytros cobrindo completa-
mente o abdomen nos dois sexos.
Nicias.
1. Genero Myzomorphus, J. Thomson
Arch. Ent. I, 1857, p. 11; Classif. Céramb.
1860, p. 286; Syst. Ceramb. 1864, p.
468. -- Lacord. Gen. Col. VIII, 1869,
p. 172. - - Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg.
XXI, 1912, p. 96 ( Rév3 p. 960). --
Col. Catal. Junk-Schenkling, pars 52,
1913, Lmr. Prion, p. 90.
&. Mandibulas muito curtas e grossas 04 del-
gadas e proeminentes. Labro transversal, truncado
na borda anterior. Epistomo sinuoso anteriormente.
Fronte e vertice sulcados longitudinalmente. Palpos
muito curtos. o ultimo articulo cylindrico. Olhos
muito distantes em cima e em baixo, a parte de
baixo bem volumoso. Processo jugular curto. An-
tennas ao menos do comprimento do corpo, primei-
ro articulo curto, grosso, conico, 2.º muito pequeno
e escondido na ponta do primeiro, 3.0 de cerca do
comprimento dos 4.º e 5.º conjunctos, os 5.º até
— 199 —
10. subiguaes, c 11.° mais comprido de que o pre-
cedente e de forma de flabello, os 3 até 10 flabellifor-
me, sendo o flabello do 3.º curto e crescendo os
outros proporcionalmente sendo os -ultimos de cerca
de 1 1/2 do comprimento do respectivo articulo ;
os flabellos, arredondados na ponta, mostram uma
carena na face externa e uma pubescencia pouco
densa. Prothorax transversal, convexo, as bordas
lateraes descendo consideravelmente na parte ante-
rior até o espinho latero-mediano, collocado um pouco
aquem do meio si elle existir. Scuteilo em trian-
gulo curvilineo comprido, arredondado posterior-
mente. Elytros mais largos na base que o protho-
rax, consideravelmente mais curtos que o abdomen
e ficando a maior parte das azas descoberta, os can-
tos espadicaes arredondados, dehiscentes na sutura,
cada em fórma de triangulo e ligeiramente arredon-
dado na ponta. Pernas anteriores e entremeiadas
mediocres, as posteriores compridas, as tibias pos-
teriores muito compridas e dilatadas, gradualmente
da base até a ponta. Tarsos muito curtos. Processo
prosternal em forma de disco, piano, muito largo e
cobrindo parcialmente o mesosterno. Processo meso-
sternal largo, horizontal, arredondado posteriormente.
Corpo curto e largo, ligeiramente pubescente.
Q. Mais comprida e maior. Antennas | geira-
mente mais curtas, 3.º articulo inerme, 5.º dentado,
flabellos dos-6.° até 10.º mais curtos. Elytros co-
brindo completa ou incompletamente o abdomen, dei-
xando em geral parte das azas descobertos. O pro-
cesso intercoxal do abdomen em triangulo muito
mais largo.
Das 4 especies até hoje descriptas 3 são brasi-
leiras sendo o M. scutellatus, Sallé, conhecido da
Venezuela.
1. Myzomorphus quadrimaculatus, Gory
Mag. Zool. 1832, Cl. IX, t. 31. — Ménétr.
Bull. Acad. Petr. IV, 1838, p. 131;
Mém. Acad. Petr. (6) Se. nat. III.
1840, p. 292, f. 5. — Lmr. Mém. Soc.
— 460 —
Ent. Belg. XXI, 1912, p. 97 ( Rév.,
p, 961). Col. Catal. Junk-Schen-
kling, pars 52, 1913, Lmr. Prion, p.91.
quadripunctuatus Gray em Griff. Anim.
Kingd: FL1882/1p Dis, ft OEM
quadrinotatus Ménétr. Bull. Acad. Petr.
IV, 1838, p. 131; Mém. Acad. Petr.
(6) Se. nat. II, 1840, p. 294, f. 6.--
J. Thoms. Arch. Ent. I, 1857, p. 14,
t. BE 8-80 Sins
pygmaeus Bug. Rev. Zool. 1840,. p. 254;
Ann. Soc. Ent. Fr. IX, 1840, p.
283.
necydaloides J. Thoms. Syst. Ceramb. 1864,
TRS
S. Opaco em cima, lustroso em baixo. A côr
varia consideravelmente. Assim, um dos exemplares
que tenho em mãos é dum preto uniforme com as
mandibulas e o epistumo rufos e as pernas ante-
riores e entremeiadas d'um amarello claro, corres-
pondendo ao Jl. pygmaeus de Buquet. Conforme
Thomson a côr mais commum é a seguinte: Fronte
fulva, vertice preto, antennas exteriormente pretas
e interiormente castanhas; prothorax fulvo com uma
mancha grande e preta no meio; scutello e elytros
pretos, estes na borda interna fulvos; pernas ante-
riores e entremeiadas d'um fulvo pallido, as poste-
riores quasi sempre inteiramente pretas. O mesmo
auctor indica as seguintes variedades :
a) Mancha do prothorax pequena, elytros com-
pletamente marginados de fulvo ;
b) Elytros como na variedade a, Prothorax
sem mancha, base dos femora e os joelhos poste-
riores fulvos.
Tenho mais um & colleccionado no dia 9 de
Janeiro de 1919 no Parque Jabaquara, perto da ca-
pital de S. Paulo, que é d'um flavo bem claro com as
antennas, — scapo parcialmente ïflavo excepto, os
elytros, — a borda interna estreitamente flavo mar-
ginada excepta, — a metade apical dos femora pos-
teriores, os tarsos, a ponta das mandibulas e os olhos
bem como os dois ultimos segmentos ventraes pretos.
ae OM) =
Cabeça em cima, scapo, pronoto, scutello e per-
nas posteriores grossamente ponctuado-rugosos, ely-
tros grossamente e confluenter ponctuados. A pon-
ctuação em baixo, — processo prosternal muito gros-
samente ponctuado excepto, — fina e dispersa. As
antennas sobrepassam ligeiramente o abdomen. A
dilatação das tibias posteriores mediocre.
¢. Dum amarello laranja com os olhos, as
antennas, 4 manchas grandes nos elytros, — sendo em
cada uma basal e a outra apical, — as tibias com
os tarsos e as pontas dos femora pretas. As man-
chas pretas dos elytros variam consideravelmente
em tamanho, assim ha exemplares com manchas
muito reduzidas, e taes, cujas manchas são muito
desenvolvidas, occupando todo o primeiro e ultimo
terço. Todas as graduações entre estes extremos
se encontra, e será difficil, encontrar dois exemplares
com um desenho inteiramente identico. A ponctua-
ção é mais fina e as antennas ligeiramente mais
curtas.
&. Comp. 10 mm., larg. 4 1/2 mm. (La-
meere indica 10 - 12 mm. de comprimento, o exem-
plar descripto por Buquet, tinha 9 mm. de compri-
ments por 4 mm. de larg.). ¢. Comp. 16 mm.;
larg. 7 mm. ( Lameere avisa 15-18 mm. de com-
primento ).
Hab. 1 g de Mar de Hespanha ( Minas), 1 &
da Capital de São Paulo, 1 q de Alegre ( Estado
de Esp. Santo), 2 ¢¢ de Alto da Serra (Linha
2
Ingleza, Est, de S. Paulo ). O insecto é conhecido
tambem de Cayenna.
2. Myzomorphus Poultoni, Lameere
fém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 98
( Rév. p. 962 ).-- Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Erion. po 92.
Um unico & parece conhecido, procedente do
Brasil e que faz parte da collecção do Museu d'Oxford.
A descripção do auctor resa: «Long de 10 milli-
an
mètres, d'un jaune roussitre, avec la tête, les côtês
de la poitrine, la moitié terminale des fémurs pos-
térieurs et les tibias postérieurs noirs; les anten-
nes sont noires avec les lamelles blanchatres; les
élytres sont noires avec une bordure et l'épaule
jaunátres.
Les tibias postérieurs sont tres dilatés, foliacês,
comme dans l’espèce suivante.
La saillie posternale est restée large; le pro-
thorax est sans dent latérale; le prouotum montre
une dépression médiane limitée de part et d'autre
par une carène saillante, lisse et luisante.
Les élytres sont courtes, régulièrement cour-
bées au côtê interne.
Les antennes, de la longueur du corps, ont les
lamelles larges et arrondies comme dans les espèces
précédentes.
La ponctuation est réticulée sur le pronotum
et sur les élytres.» Lameere.
3. Myzomorphus Gounellei, Lameere
Mém. Soe. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 98
{ Rév. p. 962), p. 178 Rév. p. 1042).
-- Col. Catal. Junk-Schenkling, pars
52/4913, Time.) Prion:,.p. ‘91.
EK’ esta a descripcäo original desta especie,
que me & igualmente desconhecida :
« Un couple capturé par M. Gounelle, le mâle
à Caraça ( Minas Geraes ), la femelle à Theresopolis.
Le male a 9 millimètres, la femella 17 1/2
millimètres.
La saillie-prosternale est plus étroite que dans
les autres espèces ; le prothorax n'offre que la dent
médiane qui est peu prononcée ; le pronotum montre
une forte dépression médiane limitée de part et
d'autre par une carène saillante, lisse et luisante, et
une petite gibbosité lisse postérieure.
Les élytres du male ont la longueur de la moi-
tié de l’abdomen ; elles sont fort déhiscentes et ré-
trécies en pointe er arrière.
— 165 —
Les élytres de la femelle couvrent tout l’abdo-
men; elles sont dilatées en dehors, arrondies au
bout et non déhiscentes; la femelle ressemble de ce
fait beaucoup à un Lampyride.
Les tibias postérieurs sont trés élargis chez le
mile, moins chez la femelle.
Les antennes atteignent les 3/4 des élytres chez
la femelle, l'extrémité du corps chez le male; le
3.º article est double du 4.º; les lamelles du sommet
des articles sont longues et étroites.
La ponctuation est celle des autres espèces du
genre, les élytres étant réticulées
La coloration est noiratre avec les pattes jau-
nes, les postérieures en partie noires; les élytres
sont noires avec une bordure jaune. » Lameere.
Chave
A. Processo prosternal muito largo. Klytros
em triangulo curto nos d'a, dehiscentes
na sutura na g conhecida.
a. Dilatação das tibias posteriores ao ma-
ximo mediocre, um dente mediano nas
bordas lateraes do prothorax.
M. quadrimaculatus.
6. Tibias posteriores fortemente dilatadas.
Prothorax sem dente latero-mediano.
M. Poultonr.
B. Processo prosternal estreito. Tibias poste-
riores fortemente dilatadas. Elytros no &
compridos, na ¢ cobrindo todo o abdomen
e dilatados posteriormente.
M. Gounellei.
2. Genero Anacolus, Latreille
Fam. Nat. 1825, p. 399. — Ménétr. Bull.
Acad. Petr. IV, 1838, p. 129; Mém.
Acad. Petr. (6) Se. nat. III, 1840,
— 164 —
p. 277. — J. Thomas. Arch. Ent. I,
1857, p. 8; Classif. Céramb. 1860,
p. 286: Syst. Ceramb. 1864, p. 468.
— Lacord. Gen. Col. VIII, 1869, p.
174. — Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg.
RAI, 441204 7.098, CRETE):
— Col. Catal. Junk-Schenkling, pars
52, 1913, Lmr. Prion. p. 89. —
G'eoprionus Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XXXIV, 1890, Bull, p. CXXI.
Muito semelhante ao precedente differe pelas
seguintes particularidades :
g. Mais largo. Mandibulas mais delgadas,
preeminentes. Ultimo articulo dos palpos maxillares
mais grosso, quasi dilatado, dos labiaes truncado.
Antennas do comprimento do corpo, com o segundo
articulo normal; 3.º articulo de 1/3 mais comprido
que o 4.º, os restantes decrescendo proporcional-
mente, os 4.º até 10.° flabelliformes, sendo os fla-
bellos mais curtos. Processo prosternal largo e curto,
em triangulo curvilineo e liso; processo mesoster-
nal camprido, bilobado posteriormente. Scutello
grande, trapeziforme. Elytros muito curtos, forte-
mente dehiscentes na sutura, cada qual com duas
costellas mais ou menos obtusas. Pernas posterio-
res menos compridas, tarsos anteriores e entremeia-
- dos dilatados.
©. Antennas mais curtas, dentadas em serra
a contar do 5.º articulo. Elytros cobrindo quasi
completamente o abdomen, ficando porem parte das
azas visivel, elles são ligeiramente dehiscentes na
sutura. Processo intercoxal do abdomen largo e
arredondado na ponta.
Devido a grande variabilidade das côres da unica
especie, a mim infelizmente desconhecida, e a diver-
gencia consideravel estre 4 e q ella foi descripta
sob 13 nomes differentes conforme consta da se-
guinte lista dos synony mos.
1. Anacolus lugubris, Serville
* Encycl. méth. X, 1825, p. 200. — Gray
em Griff. Anim. Kiogd. II, 1832, t.
65, f. 4,t. 73, f. 3. — Ménétr. Bull,
— 165 —
Acad. Petr. IV, 1838, p. 130; Mém.
Acad. Petr. (6) Sc. nat. III, 1840,
p. 284, f. 2. — J. Thoms. Arch. Ent.
I, 1857, p. 17. t.3,f.3 — 8, — Lmr.
Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912,
p. 94 ( Rév. p. 958). — Col. Catal.
Junk-Schenkl, pars 52, 1913, Lmr.
Prion. p. 90. —
sanguineus, Serv. Encycl. méth. X, 1825,
p. 200. — Gray em Griff. Anim. Kiu-
gd. II, 1832. t. 85 f. 9. — Ménétr.
Bull. Acad. Petr. IV, 1838, p. 130;
Mém. Acad. Petr. (6) Sc. nat. III,
1840, p 287. — Guér. Icon. règne
anim. Ins. 1844, t. 42, f. 9-a-c.
praeustus, Perty, Delect. Anim. Art. 1830,
p. 87, t. 17, f. 8. — Ménétr. Bull.
Acad. Petr. IV, 1838, p. 131; Mém,
Acad. Petr. (6) Se. nat. III, 1840,
p. 290. —
bimaculatus. Ménétr. Bull. Acad. Petr. IV,
183%, p. 130; Mém. Acad. Petr. 6
Sc. nat. III, 1840, p. 286, f. 1.
lividus, Ménétr. Bull. Acad. Petr. IV,
1838, p. 130; Mém. Acad. Pedr. (6)
Se. nat. IH, 1840, p. 289, f. °3.
nigricollis, Ménétr. Bull. Acad. Petr. IV,
1838, p. 131; Mém. Acad. Petr. (6)
Se. nat. II, 1840, p. 291, f 4.
Menetréesi, Buquet, Rev. Zool. 1840, p.
254; Ann: Soc. Ent. Fr. IX, 1840,
Pp. ZB. -
Scapularis, Bug. Rev. Zool. 1840, p. 254;
Ann. Soc. Ent. Fr. IX, 1840, p. 282.
variabilis, White, Cat. Col. Brit. Mus. VII,
1853, p. 23.
nigrinus, White, ibidem p. 24.
melanocerus, White, ibidem p. 24.
xanthocerus, White, ibidem p. 24.
syntheticus, Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XXXIV, 1890, Bull. p. CXXII.
g. O typo é dum preto lustroso com as an-
tennas a contar do 3.º articulo opaco. Thomson
avisa as seguintes variedades :
a. Vertice, prothorax, scutello e as bordas an-
teriores e lateraes dos elytros dum ama-
rello de laranja.
— 166 —
b. Vertice, mandibulas, labro, prothorax, cor-
po em baixo, — excepto uma mancha preta
em cada lado do metasterno, sendo os fe-
mora na maior parte tambem desta côr,
— dum rufo-fulvo. Os cantos espadicaes
tintos dum vermelho bem vivo.
c. Preto; sómente os elytros com os cantos
espadicaes e lateralmente dum vermelho
bem vivo, podendo esta côr occupar até
quasi todos os elytros.
d. Fronte, bordas lateraes do prothorax e dos
elvtros bem como a parte basal destes,
corpo em baixo e os femora parcialmente
dum amarello de laranja.
O A. Menetriesi, Bug.: Preto, elytros rufos
com uma mancha apical preta.
O A scapularis, Bug. : Testaceo, uma mancha
grande no vertice, antennas e o pronoto no meio,
elytros com uma mancha oblonga, pretos.
A cabeça é grossa mas pouco densamente pon-
ctuado. Scutello sômente com alguns pontinhos muito
finos. Elytros com uma ponctuação grossa e mais
ou menos densa. Metasterno, abdomen e femora
fortamente ponctuados. Tibias finamente rugosas.
©. Dum amarello laranja com as antennas e
uma mancha no apice dos elytros pretas. As varie-
dades, por Thomson avisadas são estas:
e. (Como acima com as tibias e a borda in-
terna bem como a ponta das mandibulas
pretas.
f. Mesmas cores; duas pequenas manchas,
pretas e ovaes, no meio e perto da borda
dos elytros pretas.
g. Differe da variedade “ e ” pela cabeça, o me-
tasterno e as pernas coloridas de preto.
h. Semelhante a variedade “e,” sendo porêm
côr geral dum vermelho bem vivo.
9
A. praeustus Perty: Preto; uma mancha no
“vertice, pronoto, — as bordas lateraes pretas exce-
— 167 —
ptas, — elytros, — apice preto excepto, — e abdomen
testaceos.
A pontuação é mais fina e os tarsos anteriores
e entremeiados delgados.
O & tem um comprimento de 12 — 15 mm.,
a © de 15— 21 min.
Hab. No norte do Brasil atê o Rio de Janei-
ro e na Venezuela.
3. Genero Rhodocharis, Lacordaire
Gen. Col. VIII, 1869, p. 49. — Lmr. Mém.
Doc. Ent. ,Belg. XXI, 1912, p. 95
( Rév. p. 959). — Col. Catal. Junk-
Schenkling, pars 52, 1913, Lmr.
Erro per a0:
A unica especie deste genero é me igualmente
desconhecida. Conforme Lameere elle tem paren-
tesco intimo com o gencro Anacolus, sendo as dif-
fesenças principaes a brevidade do processo proster-
ual e a saliencia em um tuberculo vertical do pro-
cesso mesosternal. Qs principaes dados que Lacor-
daire, que viu a Z só, participa, são os seguintes :
Cabeça e mandibules das do genero precedente. An-
tennas do 4 mais compridas que o corpo da Q so-
brepassando um pouco o meio dos elytros; 3.º ar-
ticulo no 5” é mais curto, na Q mais comprido que
o 4.º, o 3.º dentado, os 4.º até 10.º flabelliformes no
g, os 4º até 10.º dentados em serra na ¢, o 1.º é
comprido, pouco robusto e conico, o 11.º é do com-
primento do 10.º, os articulos 3 até 11 do d&, os
a contar do 5.º na ¢, são multicarenados. Scutello
grande, em triangulo rectilineo, agudo na ponta.
Elytros muito mais largos na base que o prothorax,
mediocremente convexos, restringidos posteriormente
e dehiscentes na sutura, particularmente os do &,
cada qual com à costellas longitudinaes no &, 2
sómente na Q. Pernas compridas. Processo proster-
nal muito curto. Processo intercoxal do abdomen
largo e arredondado na SG.
— 168 —
Rhodocharis anacoloides, Lacordaire
Gen. Col. VIII, 1868, p. 50, nota 2, Atl.
t. 82, f. 4. — Lmr. Mém. Soe. Ent.
Belg. XXI, 1912, p. 95 Rév. p. 959.
— Col. Catal. Junk-Schenkling, pars
52, 1913, Lmr. Prion. p. 90. —
O J é completamente preto, ou desta côr e
com a primeira parte dos elytros somente vermelho.
A q é dum vermelho claro uniforme, ou assim e
com os joelhos, as tibias e tarsos e uma mancha
em cada elytro um pouco aquem do meio pretos.
A cabeça e o pronoto são dispersamente ponctuados,
este, porém, é rugoso dos lados. Scutello dispersa-
mente ponctuado ; elytros grossa e dispersamente
ponctuados na base, rugosos posteriormente.
Comp. 18 mm.
Hab. A G,-descripta de Lacordaire, era de
Nova Friburgo ( Est. do Rio de Janeiro ).
> Genero Nicias, J. Thomson
Arch. Ent. I, 1857, p. 136; Classif. Cé-
ramb. 1860, p. 287; Syst. Ceramb.
1864, p. 467.— Lacord. Gen. Col.
VIII, 1869. p. 188. — Lmr. Mém.
Soe. Ent. Belg. XXI, p. 104, Rév. p.
968. — Col. Catal. Junk-Schenkling,
pars 52, 1913, Lmr. Prion. p. 91. —
Hamadryades J. Thoms. Arch. Ent. I,
1857, p. 22.
Nao conheco este rarissimo insecto do Amazonas
e os dados, que seguem, são tirados das descripções
de Thomson, Lacordaire e Lameere.
d. Cabeça curta, não sulcada em cima. Man-
dibulas curtas e robustas. Palpos curtos, o ultimo
articulo dos maxillares triangular, dos labios conico.
Epistomo sinuoso na vorda anterior. Olhos volu-
mosos, distantes em cima. Antennas curtas, che-
gando ao meio dos elytros. 1:º articulo grosso,
conico, o 3. do comprimento do 4.º, o 3.º até O
40.º flabelliformes, sendo os flabellos de ao menos
2 vezes do comprimento do respectivo articulo. Pro-
— 169 —
thorax transversal, as bordas lateraes gradualmente
restringidas anteriormente, inermes no meio, os
cantos anteriores ohtusos, os posteriores bem marca-
dos. Scutello grande, arredondado posteriormente.
Elytros muito mais largos na base que o prothorax,
curtos, convexos, truncados posteriormente, os an:
gulos da truncadura salientes em dente. Pernas
mediocres, delgadas; tarsos curtos. Metasterno
avançando com uma saliencia sobre o mesosterno.
Processo prosternal curto, não sobrepassando as re-
spectivas côxas posteriormente.
¢g. Antennas chegando ao primeiro terço dos
elytros, 3.º articulo quasi do dobro do 4.º em com-
primento, os 6 até 11 engrossando ligeiramente o
os do até 10º dentados em serra. Elytros sem
dentes nos angulos da truncadura.
1. Nicias alurnoides, /. Thomson
Arch. Ent. I, 1857, p. 23, t. 9, f. 3. — H.
W. Bates. Trans. Ent. Soc. Lond.
1869, p. 58. — Lmr. Mém. Soc. Ent.
Belg. XXI, 1912. 'p. 105 Rév. p.
969. — Col. Catal. Junk- Schenkling,
pars 52, 1913, Lmr. Prion. p. 91. —
&. Lustroso. Amarello, tarsos, as antennas
a contar do 3.° articulo pretos, o meio do pronoto,
uma mancha grande e comprida na base e o apice
dos elytros pretos com um reflexo violaceo. Cabeça
e mandibulas densamente ponctuadas. Pronoto muito
fina e muito dispersamerta ponctuado. Scnteilo liso.
Elytros fina e densamente ponctuados. Metasterno
e pernas ponctuados. Abdomen liso.
9. Cabeça, antennas, prothorax, scutello, os
sternos e as pernas pretos. Elytros dum amarello
muito claro, cada um com uma mancha basal, obliqua
bem como o apice pretas. O preto com um reflexo
mais ou menos violaceo.
Comp. do 4 9 mm, da 9 12 atè 14 mm.
Hab. Bates PA Rs 2 99 em Egas, Ama-
zonos, e Lameere avisa o insecto da Guyana in-
gleza e de Cayenne.
— 170 —
Anoplodermini, Lameere.
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVI, 1902,
p. 191 (Ré .p. 55); Mém. Soc. Ent.
Belg. XXI, 1912. p. 182. (Rév. ip.
1046). — Col. Catalog. Junk-Schen-
kting, pars 52, Lmr. Prion. p. 92.
Neste grupo Lameere incluiu o genero Ano-
ploderma com os subgeneroos Migdolus Westw.,
Anoploderma Guér.. Si ypilus Gèr., Cherrocrius Berg.
Pathocerus G: O. Waterh. e Mysteria ‘Thoms. e o
genero [Hypocephalus.
Devido ao estado incompleto da pubescencia dos
tarsos e da bifurcação do 3.º articulo tarsal, e que
os Parandrini egualmente mostram, e devido a
compressão das tibias, Lacordaire juntou estes lon-
gicornios a sua «Legion I» ou « Prionides Aber-
rantes » addicionando ainda a estas particularidades
o desenvolvimento, que em certas especies (e espe-
cialmente no Hypocephalus) tomou o nodulo do
4.º articulo tarsal.
Lameere indica como distinctivo especifico (Rev.
p. 122) com os Parandrin a forma cavadora das
tibias e que estão munidas na ponta em contorno
com uma corôa de cerdas (une couronne de soles)
a existencia de um só espinho ou a falta completa
dos mesmos na ponta das tibias posteriores e o alar-
gamento do processo intercoxal do abdomen nas SG.
Os grupos de Parandrin e Anoplodermine
possuem certas afinidades e foram tratados como
parentes na sua Revision por Lameere, este porém,
julgou necessario, devido ao fechamento secundario
das cavidades coxaes anteriores, de collocal-os no
seu Essa ( Rév. p. 1048) no fim do subfamília,
conservando aos Anaplodermini este lugar no Co-
leopterorwm Catalogus, Junk-Schenkling, pars 92,
Pp. 92.
O desconhecimento quasi por completo das ¢ ¢
e das larvas não permitte resolver definitivamente
esta questão, — Lamere julga possivel, poder re-
lacional-os com os Anacolini, — hypothese esta que
muito provavelmente mais tarde será adoptada, si
novas descobertas fornecerem base mais apropriada
para a classificação.
1. Prothorax de tamanho normal, menor que
a parte trazelra.
Anoploderme.
I. Prothorax ao menos do tamanho da parte
trazeira nos d d', tarsos francamente 5 ar-
ticulados.
Hypocephals.
Il Anoplodermic
J. Thoms. Classif. Ceramb. 1860, p. 277;
System. Ceramb. 1864 p. 318. —
Lacord. Gen. Col. VIII, 1869, p. 25.
— Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XXE
1912, p. 182 ( Rév. p. 1946 ). — Col.
Catalog. Junk-Schenkling, pars 52,
Lmr. Prion, p.92.
Mandibulas verticaes ou horizontaes, falcatas
ou näo, e geralmente bastante proeminentes. Palpos
compridos, o ultimo articulo dos mesmos de formas
differentes ; labro soldado ou não ao epistomo, de
forma variavel, ou truncado ou triangular e pro-
longado em ponta aguda. Antennas variaveis, mais
ou menos dentadas em serra e as vezes até flabel-
liformes, nos & &º compridos, chegando ao menos ao
meio do corpo, de 11 articulos, nas ¢¢ bem cur-
tas e não chegando à base dos elytros, de 8 até
11 articulos, os articulos 4 (3) até f1 com uma
ponctuação densa e porifera nos Jd, e uma pon-
ctuação diminuta nas ¢¢. Os olhos grossa cu ti-
namente granulados, ou transversaes e mediocres
ou volumosos e contiguos em baixo. Thorax de
forma variavel, com as bordas lateraes simples, pro-
noto sem ponctuação aspera. Elytros convexos, pa-
rallelos, conjuntamente arredondados posteriormente,
as pontas suturo-apicaes simples ou productas, as
azas nas 29 faltando ou não. Femora parallelos e
delgados ou grossos e subovaes, tibias compridas,
as das pernas posteriores com um só espinho nos
SS e sem espinho nas ¢¢. Tarsos estreitos, com-
pridos nos Jd, mais curtos nas ¢¢, decrescendo
gradualmente, o terceiro articulo com a entalha in-
completo, o quarto, de tamanho regular, com o no-
dulo da base desenvolvido. A pubescencia dos tar-
sos incompleta ao menos nos tarsos postericres, dei-
xando assim uma linha no meio glabra, o ultimc
com ou sem paronychium e que pode ser munido
com cerdas. Cavidade coxal anterior fechada por
um filete estreitinho e que chega até a ponta do
processo prosternal, a qual não está dilatada, sendo
isto o motivo de ter classificada esta particularidade
como « secundariamente fechada ».
Conhecem-se até hoje 15 especies que devido
a sua vida escondida e em parte (as ¢¢ ) subter-
ranea são pouco conhecidas nas collecções.
Os 6 subgeneros são pouco, homogeneos tra-
pesiformes ou não, glabros em cima ou com uma
pubescencia bem densa sokro o pronoto, lustrosos ou
opacos. Destes interessantissimos cerambycidos infe-
lizmente pode estudar sómente os seguintes : À. frya-
num, A. Bruch, A. Wagner. A. cylindripenne.
Estes longicornios, particulares 4 America do
Sul, são conhecidos do Brasil, da Argentina, Bolivia,
Paraguay e Perú, fornecendo a Republica Argen-
tina a maior parte de especies. Dos 6 subgeneros
dois ( Sypiluse Cherrocrius ) (1) até hoje não tem
representantes no Brasil e do Estado de São Paulo
se conhece sómente uma especie, Anoploderina
fryanum. Da biologia nada de positivo até hoje
consta.
Os subgeneros se dividam em 2 grupes de ac-
cordo com a forma das mandibulas, falcatas ou não.
As mandibulas falcatas tem os subgem. Migdolus,
Anoploderma e Sypilus, distinguindo-se o primeiro
(1). Aquelle com duas, este com uma especie da Pa-
tagonia, sendo os Anoploderma ( Sypilus) D’ Orbignyi Guér.
e Gounellei Lmr, e o A. (Cherrocrius) Bruchi Berg.
as paro
dos outros em não ter o labro sollado ao epistomo,
e que está assim nos subgen. Anploderma e Sypilus.
Estes tem por distinctivos principaes, que 0 5.º ar-
ticnio antennar está de tamanho normal no Anoplo-
derma, muito abreviado e mais curto que o quarto
articulo antennar porém no Sypilus. Ao grupo que
tem as mandibualas não falcatas pertecem os subgen.
Cherrocrius, Pathocerus e Mysteria. Pathocerus
e Mysteria tem olhos muito volumosos e contiguos
em baixo, €, emquando este tem as antennas denta-
das em serra, aquelle mostra as mesmas flabellifor-
mes, tendo ainda como particularidade commun a
forma das mandibulas, cujas pontas são bruscamente
dobradas para dentro. O subgen. Cherrocrius ao
contrario tem olhos pequenos e as mandibulas pa-
rallelas e sem a dobradura das pontas.
Genero Anoploderma, Guérin.
Guér, Rev. Zool. 1840, p. 276. — Lmr.
Ann. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912,
p. 118 ( Rév. p. 982). — Col. Cata-
log. Junk-Schenkling pars 52, Lmr.
Prion. p. 93.
Subgenero Migdolus, Westiwood
Westw. Journ. of Ent. II, 1863, p. 120. —
J Thoms. Syst. Ceramb. 1864,
319. — Lacord. Gen. Col. VIII, 1869,
p. 28. — Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
MNT 1912, pay 196 CRév.:p. 60 ).
— Col Catalog.’ Junk-Schenkling
pars 52, Lmr, Prion. p. 93.
Paulistanus Gun. Bull. Soc. Ent. Fr.
1899, p. 6.e p. 221.
d. Cabeça valida, vertical, moderadamente mais
estreita que o prothorax. Mandibülas do compri-
mento da cabeça, falcatas, relativamente estreitas,
com uma carena na face superior basal, com um
dente interno basal ou no meio da borda interna,
as pontas agudas. Labro não soldado ao epistomo,
troncado, transverso, trapeziforme; a bocca larga,
os palpos compridos, os palpos maxilares sobrepas-
— 174 —
sando os labiaes com os ultimos dois articulos, o
ultimo articulo subcval. Olhos transversaes, pe-
quenos, reniformes, medianamente granulados. An-
tennas compridas, chegando ao menos ou passando
o meio do corpo, de 11 auticulos, o scapo obconico,
grosso, ligeiramente mais curto que o 3.º e este
subegual ao 4.º, do 4.º (3.º) até o 10.° na borda
interna dentado em serra, o 11.° mais comprido que
o precedente, os articulos 4 até 11 estão munidos
com uma ponctuação densissima e porifera e são
assim opacos, o 3.º artículo ao contrario mostra esta
ponctuação sômente numa região limitada na ponta.
interna. Prothorax tão largo quanto comprido ou
transversal, convexo, as bordas lateraes simples, ar-
redondadas gradualmente, a borda anterior do pro-
noto avançando sensivelmente sobre a cabeça. Scu-
tello pequeno, arredondado posteriormente. Elytros
convexos, do duplo do comprimento do pronoto mais
ou menos, parallelos lateralmente, e conjunctamente
arredondadas posteriormente. Pernas mediocres femo-
ra, grossos, subovaes, tibias fortes, do comprimento
dos femora, comprimidas e particularmente as anterio-
res e intermeadas, com as pontas sensivelmente engros-
sadas, as tibias anteriores no apice externo dilatadas
sensivelmente e assim apropriadas para cavar; a
borda exterior das tibias anteriores e entremeiadas
deticulada, »s tibias posteriores com a ponta sensi-
velmente dilatada, formando uma planura, estas tibias
munidas sômente com um espinho apical. Os tarsos
comprides, os das pernas anteriores e entremeiados
dilatados, os das pernas posteriores estreitos e mais
curtos. Os tarsos das pernas entremeiados são os
mais compridos e um pouco mais longos que as
respectivas tibias emquanto os tarsos anteriores são
do mesmo comprimento das suas tibias, sendo os das
pernas posteriores mais curtos que suas tibias. A
pubescencia dos tarsos anteriores e entreme:ados é
coipleta sendo a dos tarsos posteriores incompleta
e deixando uma linha no meio glabra; o terceiro
articulo com a entalha incompleta e assim não bi-
lobado; o 4.º articulo com o nodulo basal muito
MM es
desenvolvido e munido dentro de suas unhas com
um paronychium bem visivel e com ou sem cerdas
na ponta. Processo prosternal amplo, com as duas
bordas lateraes em carena, subindo obliquamente, li-
geiramente, por cima do nivel das coxas anteriores
e declinando então bruscamente. O processo me-
sosternal estreito, obliquo e canaliculado e sobrepas-
sado na ponta por um estreito filete do metasterno.
A cavidade coxal anterior fechada posteriormente, a
cavidade coxal entremeiada aberta lateralmente. O
metasterno amplo. abdomen curto. do comprimento
do metasterno, o processo intercoxal estreito, o ul-
timo segmento abdominal largo, em triangulo cur-
vilineo, ligeiramente mais comprido que o prece-
dente. Corpo glabro com uma pubescencia curta e
pouco densa sobre os sternos e o abdomen.
¢. As mandibulas mais curtas, de 3/4 do com-
primento da cabeça. Antennas curtas, de cerca do
comprimento da cabeça, de & ( /ryanum e telropi-
oides ) ou de 11 ( quadricolie ) articulos ( unicas & &
conhecidas ). Prothorax transversal. Pernas mais
curtas, os femora posteriores mais volumosos, as
tibias posteriores mais dilatadas e com a planura
sensivelmente mais larga e sem espinho na ponta
tarsos filiformes, estreitos, sensivemente mais curtas
e particularmente os das pernas posteriores, com uma
pubescencia incompleta. Abdomen um pouco mais
comprido que o metasterno, ultimo segmento abdo-
minal conico, do dupl> do penultimo. As PQ apteras.
As à especies, pertencentes a este subgenero
Lameere divide-as em duas divisões, tendo como dis-
tinctivos a primeira: o labium convexo e bilobado
as mandibulas com um dentinho no meio da borda
interna, as antennas dos & & não sobrepassando o
meio do corpo, e o seu 3.º articulo na ponta inter-
na com uma ponctuação porifeira, o prothorax pos-
teriormente. pouco restinguido, os trochanteres pos-
teriores não prolongados em espinhos nos &d' e que
mostram uma divergencia sensivel entre OS tarsos
anteriores e entremeiado com os posteriores, o pa-
ronychium bem visivel e com duas cerdas na pon-
46h
ta. A segunda divisão, ao contrario, tem : o labium
plano e quasi direito na porta, as mandibulas com
um forte dente interno basal, as antennas dos à #
sobrepassendo o meio do corpo, o seu 3.º articulo
sem o systema porifero, o prothorax sensivelmente
restinguido posteriormente, os trochanieres prolon-
gados em espinho nos oo, cujos tarsos anteriores
e intermeados quasi não divergem dos posteriores, 0
paronychium invisivel e sem cerdas.
Da segunda divisão se conhecem 2 especies.
A quadricolle H. W. Bates e À tetropioides Fairm
e que até hoje sómente foram encontrodas na Re-
publica Argentina. Das 3 especies da outra divisão
A. fryanwn, A. thulanum Lmr. e A. exul Lmr.
duas estão averiguadas pertencerem ao Brasil, des-
conhecendo-se a patria do A. exul ( 1), a qual po-
rém, devido as grandes afinidades com as 2 espe-
cies brasileiras provavelmente não sera alheio a este
(1). Anoploderma exul Lmr. (Ann. Soc. Ent. Fr.
LXXXIV, 1915. p. 285). Um mâle sans indication de lo-
calité, long de 25 mm., d'un brun marron uniforme, à pu-
bescence d'un jaune doré asséz dense en dessous.
Cette espéce a Jes caractères du groupe qui renferme
les A. ( Migdolus) fryanum Westw. et thulanum Lameere.
Elle diffère de cellesci par les yeux fortement renflés, par
les palpes plus allongés, par les antennes plus longues et
plus grêles, par l'existence d'une caréue bien distincte entre
les yeux, par le prothorax plus court, brusquement rétréci
en arrière, ressemblant davantage à celui d’ A. bicolor Guér.,
par les élytres acuminés au bout.
Les processus jugulaires sont mousses; les antennes
ne sont pas plus fortement dentées en scie que chez A. thu-
lanum, c'este-à-dire moins que chez A. Fryanum, mais le
3.º article est un peu anguleux au sommet interne, três no-
tablement plus long que le 4.º, aminci dans sa première
moitié, le système porifère couvrant toute son extrémité ; les
pattes sont im édiocrement robustes, semblables à celles d’ A.
thulanum; la gorge est lisse, la tête est finement granu-
leuse ; la ponctuation du pronotum est assez forte et assez
serrée : Jes élytres sont assez mats, non rugueux. mais cou-
verts d'une ponctuation assez forte, assez serrée, dont les
points tendent à-se réunir en linéoles.
C'est un type spécialisé qui ne transite vers aucun
autre et qui se rattache à P 4. fryanum ».
— M —
paiz, sendo assim preferivel, communicar a dia-
gnose do sabio auctor da « Révision des Prionides ».
Os longicornios deste subgenero são de forma
trapeziforme, cylindricos e robustos, de côr unifor-
me, preta ou ferrugineo escura sendo as gq de
um ferrugineo mais claro. As qq de todas as
especies deste subgenero provavelmente são privadas
das azas podendo usar para a locomoção unicamente
as pernas, emquanto que em outras subgeneros (ao
menos Pathocerus) as azas das GG são normaes.
Os besoiros, por cima quasi completamente glabros
por baixo mostram uma pubescencia curta e medio-
cremente densa.
1. Anoploderma fryanum Westiwood
Westw. Journ. of Ent. II, 1862, p. 120.
— J. Thoms. Syst. Ceramb. 1864, p.
319. — Lacord. Gen. Col. VIII, 1869,
p. 8. — Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XLVI, 1902, p. 196 Rév. p. 60. —
Col. Catalog. Junk-Schenkling, pars
52, Lmr. Prion. p. 93. — Goun. Bull.
Soc. Ent. Fr. 1899. p. 221.
Bouvieri Goun. Bull. Soc. Ent. Fr. 1899,
p. 6. fig. — Fairm. Bull. Soc. Ent.
BY: pL S99) ee) Sd
3%. Trapeziforme, cylindrico, preto, lustroso. Man-
dibulas falcutas. do comprimento da cabeça, lisas e
lustrosas, com uma ponctuação fina do lado externo
da carena, a qual na base é bastante elevada ; labro
rugoso, ligeiramente rufo hirsuto e a borda ante-
rior um pouco sinuosa; cabeça com uma ponctua-
ção rugosa, ficando liso porém a custura do epis-
tomo com a fronte, ligeiramente rufo hirsuto fican-
do esta pubescencia um pouco mais densa numa ca-
rena, pouco marcada, que atravessa a fronte à altura
dos olhos, separando a fronte do vertice; o mento
liso e glabro e altamente lustroso; os olhos peque-
nos. transversaes, passando o canto superior um
pouco por cima do nivel da inserção das antennas.
Antennas chegando ao meio do corpo, os tres »ri-
meiros articulos e a base do 4.º ( exceptuando a me-
= ARES
tade terminal da borda interna do 3.º) lustrosos, os
lustrosos, os restantes com uma ponctuação, porifera,
o scapo do tamanho do 4.º articulo, com poucos
pontos finos, nascendo em cada ponto um cabello
curto e rufo, o 3.º articulo 1/4 mais comprido que
o 4.º, os articulos 4 até 10 subiguaes o Ilº de 1
1/2 do comprimento do 10°. Prothorax antes largo
que comprido, convexo, ligeiramente restringido pos-
teriormente, a borda lateral simples, gradualmente
arredondada, pronoto lustroso, fina e dispersamente
ponctuado, glabro e tendo unicamente alguma pu-
bescencia rufa na borda anterior, na curva que
avança sobre a cabeça; prosterno e as coxas an-
teriores finamente ponctuados e assim rufo hirsutos,
Scutello glabro e liso. Elytros mais largos que o
prothorax, lustrosos, parallelos, convexos, conjun-
ctamente arredondados posteriormente e a ponta su-
turo apical ligeiramente marcada, glabros. com uma
ponctuação vermicular formando ranhuras irregulares
e mais densas e mais asperas na base, decrescendo
eradual porém mediocremente até o apice. Processo
mesosternal estreito, canaliculado, obliguo e sobrepas-
sado na ponta pelo matasterno. Este bem volumoso,
finamente ponctuado alem disto rufo hirsuto ; os epis-
ternos metasternaes largos a borba interna gradual-
mente diminuindo em curva desde o meio até a ponta
posterior. Abdomen com uma ponctuação fina e dis-
persa e alem disto rufo hirsuto, lustroso. Iºemora com
uma ponctuação e uma pubescencia ainda mais disper-
sa que o abdomen, muito lustrosos. Tibias com uma
ponctuação grossa e aspera e ligeiramente rufo birsutas.
Q. Ferruginea, sternos, abdomen e pernas
(com excepção das mandibulas das pontas dos fe-
mora, e das tibias, que são escuras ), mais claras.
Antennas de 8 articulos, todos lustrosos. Ponctuação
da cabeça mais densa e mais rugosa, olhos mais
pequenos e insensivelmente chanfrados na borda an-
terior. Prothorax mais grossa e mais densamente
pouctuado, ficando a ponctuação contluente na parte
anterior, a borda lateral muito diminuta. Scutello
em triangulo cürvilineo. Elytros soldados na sutura,
grossa e irregularmente ponctuados, decrescendo a
ponctuação moderadamente para o lado do apice
Prosterno, metasterno e abdomeu mais densa e mais
grossamente ponctuados, episternos metasternaes mais
parallelos, a borda interna ligeiramente encurvada
e assim a ponta posterior iargamente truncada. A
vlanura das pontas das tibias posteriores muito mais
dilatada e estes sem espinho. Os tarscs lineares
com uma pubescencia incompleta, os das pernas pos-
teriores muito mais curtos ; aptera.
at UOIMP Oy o/a-ze v1i/2’"min., "ares Spas
11 mm.; 9 Comp. 22 mm., larg. 8 1/4 mm.
Hab. 1 & Cerqueira Cesar (linha Sorocabana)
Estado de São Paulo, 6 “do de Assis (linha Soro-
cabana) Estado de São Paulo, 3 gg no museu
paulista de Cerqueira Cesar, 1 Q de Assis.
Assis é uma pequena villa sobreo rio dos Dou-
rados, afiluente do Paranapanema e Cerqueira Cesar
esta situado sobre um outro pequeno afiluente du
mesmo, de nome rio Macuco. Este longicornio até
hoje sômente se encontrou no valle do Poranapane-
ma e seus afluentes, seria porem estranhavel, si a
sua distribuição se limitasse a esta região, Conhe-
cendo-se os habitos dos adultos e a biologia do
besouro. o que infelizmente ainda não se dá, mais
facil será julgar e resolver esta questão. Indubita-
velinente a hypothese de Gounelle, de que a ¢ pas
sa uma vida subterranea, ê acertada, e é este o mo-
tivo da sua raridade nas collecções. Os exemplares,
que tenho em mãos, foram juntados pelos lenheiros,
não podendo obter informações seguros sobre os
habitos dos besouros, Gounelle, porém informa:
«Le d est assez vif et vole bien, mais la ¢, qui
est aptère, est lourde. »
2. Anoploderma thulanum, Lameere
Lmr. Ann. Soc., Ent. Belg. XLVI, 1902,
p. 201 ( Rév. p. 65). — Col. Cata-
log. Junk Schenkling, pars 52, Lmr.
Extoni p 99.
— 180 —
Desta especie o auctor teve à sua disposição
somente um «& procedente da. viagem de Castelnau
em 1845, capturado na viagem de Goyaz para Guyabá,
e quo faz parte do museu de Paris. Conforme a
diaguosa de Lameere, esta especie differe do prece-
dente pelos seguintes distinctivos: A cor é d'um
vermelho tijolos e a pubescencia do corpo em baixo
e das pernas d'um amarello dourado. O processo
jugular, arredondado na especie precedente é agudo
no A. thulanum. O 3.º articulo das antennas na
ponta interna não é producto em dente, sendo a
ponctuação porifera diminuta e limitada a um mi-
nutissimo espaço da ponta interna. Os articulos 4
até 19 das antennas escassa e proeminontemente
dentadas na borda interna. Prothorax mais estreito
e mais distinctamente restringido posteriormente. As
pernas mais delgadas, os femora posteriores menos
volumosos, a esculptura dos elytros menos grossa. O
mento com uma ponctuação forte.
d. Comp. 24. mm.
Subgenero Anoploderma, Guérin.
Guér. Rev. Zool. 1840, p. 276. — J. Thoms.
Classif. Céramb. 1860, p. 277; Syst.
Céramb. 1864. p. 519. — Lacord. Gen.
Col. VIII, 1869, p. 27. — Lmr. Ann.
Soc. Ent. Belg. XLVI, 1902, p. 205
( Rév. p. 69). — Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, Lmr. Prion. p. 93.
Os dados seguintes baseiam-se nas com-
municações de: Thoms., Lacord. Lmr.
bem como Guér.
&. Cabeça valida, vertical, mandibulas falcatas
do comprimento da cabeça com um dente interno
basal, palpos compridos, o seu ultimo articulo fusi-
forme. Labro soldado ao epistomo, avançando li-
geiramente em trapezio sobre a base das mandi-
bulas. Os olhos mais grossamente granulados e
maiores que nas especies do subgen. Migdolus e
tem a borda anterior tambem mais sinuosa. À ca-
rena transversal entre os olhos mais desenvolvida.
As antennas chegando ao meio do corpo, o seu 3.º
— 181 —
articulo insensivelmente mais comprido que o 4.º, e
“a ponctuaçäo porifera semelhante: as dos articulos
seguintes, que são completamente cobertos com a
mesma, os articulos 3 até 10 na borda interna den-
tados em serra, o 11.° cerca do duplo do 10.º. Pro-
thorax mais largo que comprido, convexo, sensi-
vemente restringido posteriormente, as bordas late-
raes arrendodadas, cordiformes, a borda anterior
avançando sobre a cabeça. Elytros convexos, paral-
lelos e conjunctamente arredendados posteriormente.
Pernae inediocres, os femora robustos e subovaes,
especialmente os posteriores, as tibias e os tarsos
como no subgen. Migdolus, o ultimo articulo tarsal
com o paronychium pouco visivel e sem cerdas, os tro-
chanteres posteriores não prolongados em espinho.
Os sternos e o abdomen como no subgen. Migdolus.
O corpo por baixo ligeiramente pubescente.
q. E" desconhecida até hoje.
3. Anoploderma bicolor, Guérin.
Guér. Rev. Zool. 1840, p. 276. — Blanch.
Voy: D’ Orb: 1848, p. 206, t. 20, f.
2.— West. Journ, of Ent. II. 1863,
p. 121,t: 7, f. 3a — b. — Lmr. Ann.
Soc. Ent. Belg. XLVI, 1902, p. 205
( Rév. p. 69). — Col. Catalog. Junk-
Schenkling, pars 52, Lmr. Prion. p.
93:
spondylioides. Fairm. Ann. Soe. Ent. Belg.
XXXVIL 1893, p. 610.
Rufo, os elytros mais escuros, existindo porèm
especies de côr uniforme de castanho-escuro ( spon-
dyliordes ) e taes desta mesma côr com as bordas late-
raes do pronoto e os elytros rufos (1). A ponctuação
(1). Aqui a descripcäo dada por Guérim: « Noir,
ponctué, un peu pubescent en dessous. Côtés du corselet et
élytres d'un rougeatre ferrugineux. — Corselet plus large
que long à bord antérieur um peu avancé et arrondi au
milieu. Elytres fortement chagrinées et offrant de três fai-
bles traces de côtes. Tarses bruns à extrémité ferrugineuse.
— Long.: 20, Larg. 8 mm.
EYE
e a esculptura dos elytros säo identicas as do À.
fryanuin. A pubescencia do corpo em baixo é d'um
amarello donrado.
S. Comp. 23 - 26 mm.
Este raro longicornio @ conhecido do Estado de
Matto Grosso, das republicas da Bolivia e da Ar-
gentina, e tem um facies analogo dos Migdolus.
Subgenero Pathocerus, C. C. Waterhouse
C. O. Waterh. Ann. Mag. Nat. Hist. (7)
VII, 1901, p. 521. — Lmr. Mém. Soe.
Ent. Belg. XXI, 1912, p. 120. ( Rév.
p. 984). Col. Catalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, Lmr. Prion. p. 94.
Eumysteria Bruch, Rev. Mus. La Plata
XY” 1908; ps OS,
5 ow. Cabeça mediocre, horizontal. Mandibulas
mediocres, não falcatas, com as pontas agudas e
fortemente curvadas para dentro, o angulo externo,
formado pela dobradura producto em dente ou não,
a borda interna com ou sem dentes, a carena da
face superior bastante elevada porém a sua borda
superior arredondada. Labro endurado ao episto-
mo e avançando em ponta aguda sobre as mandi-
bulas. Os palpos compridos, os maxillares sobre-
passandc as mandibulas, o ultimo articulo subconico.
Os olhos volumosos, contiguos em baixo e muito
approximados em cima, grossamente granulados.
Antennas compridas, sobrepassando o meio dos ely-
tros, flabelliformes, o scapo curto e subcylindrico e
lustroso bem como o segundo articulo, os 3.º até
11.º articulos incluindo os flabellos com uma pon-
ctuação densa e porifera e portanto opacos, o ter-
ceiro articuio de tamanho variavel. (O prothorax
mais comprido que largo, com as bordas lateraes
simples, o pronoto hexagono, convexo, com a borda
anterior avançando sobre a cabeça. Scutello medio-
cre, arredondado posteriormente. Elytros bastante
mais largos que o prothorax, convexos, parallelos e
conjunctamente arredondados posteriormente, com ou
sem costas. Pernas compridas, delgadas, os femora
TON —
parallelos, as tibias comprimidas, mediocremente di-
latadas na ponta; os tarsos muito compridos, sen-
do os da perna posteriores os maiores; a pube-
scencia de ao menos dos posteriores incompleta.
O terceiro articulo tarsal ligeiramente entalhado nos
dois faces. O processo prosternal mediccre, forte-
mente obliquo e subindo um pouco por cima das
coxas anteriores e então bruscamente inclinado. O
processo mesosternal estreito, obliquo, canaliculado
e a sua ponta sobrepassada pelo metasterno. O me-
tasterno mais curto que o abdomen, hirsuto, as bor-
das lateraes dos episternos metasternaes gradual-
mente declinando e formando assim um triangulo.
2. Conhece-se somente q do A. Wagner
desripto por Lameere ( Ann. Soc. Ent. Fr. LXXXIV,
1915, p. 286). Conforme os dados deste sabio a
Q tem os olhos transversaes e muito menores, não
globulosos, e, largamente separados em cima, bem
como em Eaixo. As antennas, não sobrepassando a
base do prothorax, não são flabelliformes mas sim
dentadas em serra do 5.º até o 10.º articulo, o 3.º
é do duplo do 4.º articulo no sentido do compri-
mento e todos os articulos são lustrosos. As pernas
são mais curtas e bem assim os tarsos, os quaes
tem uma pubescencia incompleta. O processo inter-
coxal do abdomen é dilatado e a sua ponta arre-
dondada. O corpo é glabro eo insecto munido com
azas.
Gonhecem-se duas especies deste subgenero, o
A. Humboldt: Lmr. de Matto Grosso e do Para-
guay e oA. Wagner: GC. O, Waterh da republica
Argentina, existindo porém alguma probabilidade de
ser este encontrado tambem no Brasil. Assim julgo
recommendavel, apresentar as descripções das duas
especies.
4. Anoploderma Wagneri C. 0.
Waterhouse.
C. O. Waterh. Ann. Mag. Nat. Hist. 7
VII, 1901, p 523. — Coun. Bul. Soc.
Ent. Fr. 1918, p. 288. — Lmr. Mém.
— 184 —
Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p. 121
Rev. p. 985. — Catalog. Junk-Sehen-
kling, pars 52, Lmr. Prion. p. 94. '
Im. Ann. Soc. Ent. Fr. LXXXIV,
1915, p. 286. — Goun. Bull. Mus.
Hrst. nat: 1913, n. 4 p. 195,
flabelliferum Bruch, Rev. Mus. La Plata
ANS JL GOB, e LO a5) o
&. Comprido, rufo-fiavo, lustroso. Maudibulas
proeminentes, rufo-flavo na base com as pontas pre-
tas, com 2 dentinhos na borda interna e um dente
grande e triangular na borda externa no angulo,
formado pela brusca dobradura da ponta, a base
ponctuada e rufo-hirsuta, as pontas lisas e glabras.
Epistomo com uma forte depressão transversal, lus-
troso ; vertice com uma ponctuação fina e escrabosa
e uma pubescencia rufa porém curta e dispersa.
Palpos compridos, os maxillares sobrepassando con-
sideravelmente as mandibulas, o 2,º articulo dos
mesmos mais comprido que os dois seguintes con-
junctos. Pronoto lustroso, com uma ponctuação fina
e dispersa no meio e densa e confluente perto das
bordas lateraes, formando em cada lado uma linha
semiopaca duas vezes sinuada e que passa do canto
anterior ao canto posterior. Prosterno densamente
ponctuado e escassamente rufo hirsuto. Scutello me-
diocre, arredondado posteriormente e escassamente
rufo hirsuto. Elytros lustrosos, glabros, rugosa-
mente ponctuados e com 4 costellas proeminentes,
os elytros são 3 1/2 vezes mais compridos que o
pronoto. Antennas attingindo 3/4 dos elytros, os 2
primeiros articulos lustrosos, os restantes opacos.
O scapo fina e dispersamente pontuado e assim rufo
hirsuto, o 3.º articulo de cerca de 1/3 mais com-
prido que o 4º e 0 3.º até o 10.º longamente fla-
belliformes, augmentando os flabellos gradualmente
e sendo o do 3.º de quasi do comprimento do 3.º e
4.º artículo conjunctos ; o flabello do 10.º articulo
tem o comprimento do 11. articulo e esta tem a
ponta ligeiramente bifida. Metasterno finamente pon-
tuado e mediocremente rufo hirsuto. Abdomen lus-
troso, com uma pontuação fina e muito dispersa-
— 185 —
nascendo em cada ponto um cabelo curto e rufo, o
ultimo segmento abdominal mais densamente pon-
tuado, do comprimento do penultimo, a sua ponta
arredondada e ligeiramente sinuosa, o processo in-
tercoxal do abdomen estreito. Femora lustrosos com
uma pontiação fina e dispersa e com uma pubes-
cencia identica. As tibias com as pontas só ligeira-
mente dilatadas, com uma pontuação scabrosa e com
uma pubescencia curta, rufa e dispersa. Os tarsos
muito compridos, diminuindo os articulos 1 até 3
gradualmente, a pubescencia incompleta. O parony-
chium do 4.º articulo invisivel. Bruch forneceu um
bonito dezenho do bezouro e da mandibula.
2. Sobre a 2 Lameere informa nos Ann. Soc.
Ent. DE MM px, 286 (1):
d. Comp. 29 mm., Larg. 8 3/4 mm. (Bruch
indica o comprimento de 30 a 33 mm. e a largura
de 8 até 9 mm..
Hab. 1 4 de Chaco de Santiago del Estero
(Argentina), no Museu Paulista, informando Bruch
ainda: « Procede de Suncho Colorado, provincia de
Santiago del Estero, marzo de 1908, donde el do-
ctor Santiago Roth ha tenido la suerte de capturar
tres ejemplares à la luz de la linterna. » — Gounel-
le, Bull. Mus. Hist. Nat., 1913, n. 4, p. 3, assignala
o insecto d'Icaño sobre o rio Salado e de Salavina,
Bañados do Rio Dulce (Argentina).
(1). «La femelle qui n’a pas encore été décrite,
que je sache, est plus grande / 40 mm. /et plus robuste que
le mâle ; elle est. ailée et glabre; le métasternum est très
ample, très convexe, de même que l'abdomen; la saillie in-
tercoxale de "abdomen est élargie et arrondie au bout ; les
yeux sont transversaux, nullement globuleux comme ceux
du male, et largement séparés en dessus et en dessous ; les
antennes ne dépassent pas la base de prothorax; elles sont
simplement dentées en scie, progressivement, mais à partir
du 5.º article seulement; le 3.º article est au moins double
du 4.º qui est plus long que les suivants; de 11.º est fendu
au. bout; les 3.º à 11.º articles sont assez luisants ; ponctués
et poilus, surtout au sommet et au côté interne; les pattes
sont plus courtes et plus trapues que chez le mâle avec les
tibias davantage en lame de couteau ; les tarses sont courts,
à brosses feutrées remplaçéespar des soies ». Lameere.
— 186 —
5. Anoploderma Humboldti, Lameere
Lmr. Mém. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p.
120 ( Rév. p. 984). — Cal. Catalog.
Junk-Schenkling, pars 52, Lmr.
Prion. p. 94.
&. Desconheço esta especie, da qual Lameere
viu sómente 4 exemplares. O auctor indica os se
guintes distinctivos: O corpo ê mais largo que o
do precedente e a côr é dum testaceo-rufo. As man-
dibulas carecem de dentes nas bordas internas bem
como nas bordas externas. Os palpos são menos
compridos e o ultimo articulo dos mesmos é trian-
guiar. As antennas sobrepassam apenas 9 meio dos
elytros eo 3.º articulo é do mesmo comprimento que
o 4.º; flabeliiformes como no precedente, porém com
os flabellos mais curtos, sendo o do 3.º sómente do
comprimento deste mesmo e o do 10.º articulo quasi
do duplo deste. O prothorax tem os angulos late-
raes no meio de seu comprimento emquanto este
angulo no A. Wagneri esta bastante além do meio,
Os elytros são opacos, sem costas e com uma pon-
tuação fina e dispersa. As pernas são mais robus-
tas, os femora fina e dispersamente pontuados e na
face interna pubescente. Os tarsos anteriores tem
uma pubescencia completa ficando os outros incom-
pletamente pubescentes.
&. Comp. 22— 24 mm.
Hab. Lameere viu 4 & &, sendo 2 do Estado
de Matto Grosso e 2 da republica do Paraguay.
Subgenero Mysteria, Thomson
J. Thoms. Classif.. Ceramb. 1860, p. 278;
Syst. Ceramb. 1864, p. 318. — La-
cord. Gen. Col. VIII, 1869, p. 25.
— Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVI,
1902, p. 209, Rév. 73. — Col. Cata-
log. Junk-Schenkling, pars 52, Lmr.
Prion. p. 94.
Prionidium Burm. Stett. Ent. Zeit. XXVI,
1865, p. 159.
DS. D
S. Este subgenero tem muitas affinidades com
o precedente e um facies semelhante ao do A. Hum-
boldti. Assim a forma da cabeça, igualmente hori-
zontal, e do labro, igualmente soldado ao epistomo,
dos olhos e do prothorax são iguaes. As mandibu-
las são mais curtas e as antennas não flabelliformes
mas sim na borda interna dentadas em serra. Os
elytros glabros, lustrosos e com uma pontuação fina
e dispersa e sem costellas. A pubescencia do meta-
sterno é mais densa e mais comprida e as pernas
delgadas como no precedente.
Conhece-se deste subgen., 3 espdcies, duas das
quaes se encontram tambem no Brasil, sendo a ter-
ceira, o A. Lacordairei Lmr., assignalada da Re-
publica Argentina. Não se conhece ainda a ¢ de
nenhuma destas especies, ao menos não me chegou
às mãos qualquer communicação a respeito.
6. Anoploderma cylindripenne, Thomson
J. Thoms. Classif. Ceramb. 1860, p. 279.
— Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVI,
1902, p. 211 ( Rév. p. 75). — Bruch,
Rev. Mus. La Plata XV, 1909, p.
201, fig. — Col. Catalog. Junk-Schen-
kling, pars 52, Lmr. Prion. p. 94. —
Bull. Mus. Hist. nat. 1913 n. p. 194,
Gounslle.
molle Burm. Stett. Ent. Zeit. XX VI, 1865,
p. 160.
Schrüderi Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
ALVE «E902, . ps 21416 Rév.0p+ 75);
Ann. Soc. Ent. Belg. XXI, 1912, p.
119 (REV: p. 98a ).
Ss. Comprido, moderadamente delgado, lus-
troso, flavo, cabeça, pronoto, scutello e antennas
flavo-rufo. Mandibulas mediocres, a base flavo-rufo
e as pontas pretas, com um dente na borda interna
e um dente mediocre na borda externa no augulo,
formado pela brusca dobradura da ponta, a base
asperamente ponctuado e flavo hirsuto, as pontas
lisas e glabras. Epistomo com uma forte depressão
transversal, a qual tem uma ponctuação grossa, 0
— 188 —
labro liso e lustroso avança em ponta aguda sobre
as mandibulas. O vertice lustroso e grossamente
ponctuado ; os palpos compridos com o ultimo ar-
ticulo triangular. Os olhos volumosos, grossamente
granulados, contiguos em baixo e muito approxi-
mados em cima. Antennas chegando a 3/4 dos
elytros, os 2 primeiros articulos lustrosos os res-
tantes com uma ponctuação porifera e densa e assim
opacos. () scapo coniforme, muito mais curto que
o 3.º articulo, o qual é mais comprido de 1/3 que
o 4.º, os de 4 até 11.º crescendo gradualmente no
sentido do comprimento, o 11. apendiculado e quasi
do dobro do 10.º, os articulos 3 atê 10 na borda
interna fortamente dentados em serra. Pronoto tanto
largo quanto comprido, lustroso, hexagonal fina e
dispersamente ponctuado no meio, ficando a ponctua-
ção mais densa nos lados, longa e dispersamente flavo
pubescente, a borda anterior moderadamente avan-
cando subre a cabeça. Prosterno grossamente pon-
ctuado e com uma pubescencia longa e flava. Scu-
tello lustroso, giabro, com alguns pontos grossos,
arrendondado posteriormente. Elytros muito lustro-
sos, parallelos, 4 vezes mais compridos que o pro-
noto, convexos, conjunctamente arredondados poste-
riormente, fina e dispersamente ponctuados. Metas-
terno mediocre, finamente ponctuado e longo flavo
hirsuto, os episternos metasternaes triangulares. Abdo-
men mais comprida que o metasterno, muito lus-
troso, com uma ponctuação finissimo e muito dis-
persa e assim flavo pubescente, o ultimo segmento
do comprimento do penultimo, em triangulo culvi-
lineo. Femora delgados, parallelos, lustrosos, dis-
persamente ponctuados e assim longo flavo hirsutos.
Tibias asperamente ponctuadas e com uma pubes-
cencia mais curta. Os tarsos compridos, do mesmo
comprimento em todas as pernas, com uma pubes-
cencia incompteta, o terceiro articulo tarsal medio-
cremente entalhado nas duas faces, o ultimo sem
paronychium visivel.
S. Comp. 20-21 mm., larg. 6 1/2 mm.
Hab. Tenho em mãos 2 “a procedentes de
— 189 —
Montevideo, este longicornio foi encontrado tambem
em Porto Alegre ( Rio Grande do Sul) e na Re-
publica Argentina.
O sabio entomologo Bruch forneceu desenhos
bem nitidos e instructivos dos palpos e dos pronotos
de A. Wagneri, À. cylindripenne e A. Lacordmres
informando ainda sobre o A. cylindripenne : « No
parece tan raro en las provincias del norte, he col-
leccionado dos ejemplares de noche à la luz en el
Garrapatal, cerca de San Pedro de Jujuy en septiem-
bro de 1904. Mi amigo, señor A. Aula, ha conse-
guido bastante en la misma circumstancia en el chaco
santafecina «La Gallareta » durante el verano de
1906 ».
7. Anoploderma Darwini, Lameere.
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVI, 1902,
p. 210 ( Rév. p. 74). — Col. Cata-
log. Junk-Schenkling, pars 52, Lmr.
Prion. p. 94.
&. Infelizmente não disponho desta rarissima
especie, da qual lameere teve em mãos um unico
d' pertencente ao museu de Dresden e procedente do
Brasil sem indicação precisa da localidade nem do
estado, aonde foi colleccionado. Lameere avisa as
seguintes particularidades : Maior que o precedente
e de côr fusco-acaju. Mandibulas robustas, sem
dente na borda externa. Antennas mais fracamente
dentadas em serra. Os tarsos anteriores e inter-
meados tem a pubescencia completa, cobrindo a sola
inteira, são um pouco dilatados e assim mais largos
que os tarsos posteriores, que tem a pubescencia
incompleta. .O 3.º articulo é ainda mais entalhado
nas duas faces e quasi bilobado nas pernas anterio-
res e intermeadas.
J. Comp. 35 mm.
Chave dos Sd
I. Mandibulas falcatas, do comprimento da cabeça,
olhos pequenos, transversaes, finamente gra-
— 190 —
nulados. Femora grossos, subovaes. Labro tran-
sversal e curto.
A. Labro não soldado ao epistomo. 3.º arti-
culo das antennas com a ponctuação pori-
fera diminuta.
a. Antennas do 3.º até 10.º articulo den-
tados em serra, a ponctuação porifera
no 3.º articulo estendida sobre toda
a ponta e a borda interna. O proces-
so jugular obtuso na ponta.
A. fryanum.
b. Antennas do 4.º até 10.° articulo den-
tados em serra, a ponctuação porifera
no 3.º artículo limitado a um espaço
estreito da ponta interna. O processo
jugular agudo.
A. thulanwin.
AA. Labro soldado ao epistomo. 3.º articulo
das antennas quasi completamente coberto
com uma ponctuação porifera.
A. bicolor
I]. Mandibulas não falcatas, mais curtas que a
cabeça. Olhos volumosos, contiguos em baixo ;
aproximados em cima. Femora delgados, paral-
lelos, labro triangular e endurado ao epistomo,
prolongado em ponta aguda.
B. Antennas flabelliformes, corpo largo.
c. Elytros com 4 costellas, lustrosos e
grossamente ponctuados.
A. Wagner
d. KElytros sem costellas, opacos, ponctaa-
ção fina e dispersa.
A. Humboldt
BB. Antennas dentadas em serra, corpo mais
delgado.
— 191 —
e. Antennas fortemente dentadas em serra,
pubescencia de todos os tarsos incom-
pleta.
A. Cylindi ipenne.
/. Antennas dentadas em serra, pubes-
cencia dos tarsos anteriores e intermea-
dos completa.
A. Darwini.
Il. Hypocephali
Blanch. Hist. Nat. Ins. II, 1845, p. 135.
— J. Thoms. Classif. Ceramb. 1860.
p. 270; Syst. Ceramb. 1864, p. 320,
— Lacord. Gen. Col VIII, 1869, p.
28 — Lmr. Mem. Soc. Ent. Belg.
XXI, 1912, p. 182 ( Rév. p. 1046).
Col. Catalog. Junk-Schenkling,
pars 52, Lmr. Prion. p. 94.
Conhece-se sômente uma especie, o celebre
Hypocephalus armatus, que deu aos entomologos
um serviço extraordinario para a sua systematiza-
ção. Assim foi elle incorporado a diversas familias,
sendo Burmeister o primeiro que designou o Hypo-
cephalus como pertencente aos Cerambycidos,
opinião esta, que achou muitos partidarios, e La-
cordaire se declarou solidario com o maioria dos
sabios de sua epoca que julgaram as explicações de
Burmeister acertadas. (Com a descoberta da q do
Hypocephalus e as 22 dos Anoploderma Fryanum
e quadricolle, que nos characteristicos principaes
mostram muitas affinidades, este assumpto foi defi-
nitivamente resolvido e na sua obra fundamental,
Lameere com grande criterio demonstra convincen-
te, que o lugar systematico deste insecto é ao lado
das Anoploderme.
A adaptação para a vida subterranea modificou
summamente o habito deste besonro e pelas formas
estranhas é elle um dos mais particulares entre
todos os coleopteros. O &, conhecido deste muito
tempo e descripto por Desmarest em 1832 é muito
ae EE
mais commun que a Q, da qual pela primeira vez
se occupou Fairmaire em 1884, e até hoje ficou
constituida uma raridade ext aordinaria nas col-
lecções.
Sobre os costumes dos adultos Gounelle colheu
interessantes dados publicados nos Annales de la
Société Entomologique de France, vol. LXXIV,
1905, p. 105 - 108, dando uma liuda estampa, mos-
trando nitidamente o modo como o besouro se so-
terra. — Os Hypocephal: distinguem-se facilmente
dos Anoploderma pela quantidade dos articulos tar-
saes, que são de 4 sómente nestes e,—devido ao
desenvolvimento anormal do nodulo do ultimo articu-
lo, — de 5 articulos naquelles. O prothorax volu-
moso dos dd dos Hipocephal, e que é maior que
a parte trazeira do corpo é tambem um distinctivo
frisante.
Hivpocephalus, Desmarest.
Desm. Mag. Zool. 1832, CI. IX, t. 24. —
Westw. Arcana Ent. I, 1841, p. 35.
— Burm. Arcaua Ent. I, 1841, p.
37.— Guér. Rev. Zool. 1841, p. 17.
— J. Thoms. Classif. Ceramb. 1860,
p. 263; Syst. Ceramb. 1864, p. 320.
— Lacord. Gen. Col. VIII, 1869, p.
30. — Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg.
XLVI, 1902, p. 217 Rév. p. 81. —
Col. Catalog. Junk-Schenkling, pars
92, Line. Prion. ip. .02.
3s. Cabeça proeminente, vertical. Mandibulas
compridas, parallelas, com um forte dente externo
basal e uma ponctuação grossa e dispersa na base.
Labro não soldado ao epistomo, comprido, porém,
estreito, dispersamente rufo hirsuto. Palpos com-
pridos e grossos, os maxillares sobrepassando as
mandibulas, o ultimo articulo triangular. Olhos pe-
quenos, obliquos, por baixo da borda lateral da ca-
beça, a qual esta bem marcada, finamente granu-
lados. Antennas mais curtas que a cabeça, de 11
articulos, iustrosas, ligeiramente rufo hirsutas, O
scapo grosso e cylindrico, o 2.º articulo relativamente
— 193 —
comprido, o 3.º um pouco mais comprido que 6 4.º,
os artículos 3 até 10 na borda interna dentados em
serra, muito curtos e transversaes, o 11.º um pouco
mais comprido que o precedente. Fronte ligeira-
mente convexa, fina e dispersamente ponctuada. Ver-
tice deprimido, limitado lateralmente por uma forte
carena. O mento transversal, oval, lustroso e dis-
persamente ponctuado. (O processo jugular muito
comprido em angulo quasi recto com as mandibulas,
conico e com a ponta aguda. Prothorax oviforme,
mais comprido que a parte trazeira, as bordas la-
teraes simples. O pronoto lustroso, glabro, convexo,
fina e dispersamente ponctuado. Prosterno lustroso,
glabro, fina e dispersamente ponctuadc, a borda an-
terior com um profundo entalho. Scutello pequeno,
triangular, com a ponta posterior aguda. Elytros
um pouco mais curtos que o pronoto, soldados na
sutura, glabros, convexos, acuminados posteriormente
os cantos externos-anteriores avançando sensivel-
mente sobre o mesonoto em triangulo largo, cada
qual com 4 costellas, das quaes sómente a externa
é bem marcada e chegando quasi até a ponta, sendo
as outras tres obtusas e abreviadas, subopacos e
grossamente ponctuado-rugosos. Pernas muito ro-
bustas e lustrosas, os femora glabros, os anteriores
e intermeados curtos e subovaes, os posteriores vo-
lumosos e grossos com uma larga secção terminal
em baixo, limitada por uma carena em cada lado,
a carena externa perto da base alargada em dente,
a planura com uma ponctnação mediocre. Os tro-
chanteres das pernas posteriores prolongados em es-
pinho conico e agudo. As tibias anteriores e en-
termeiadas comprimidas, com um forte dente no
meio da borda externa, as pontas fortemente dila-
tadas exteriormente, a borda posterior ponctuada e
dispersamente rufo hirsuto, as tibias posteriores for-
temente curvadas, a borda posterior asperamente
ponctuada e ligeiramente rufo hirsuto, as pontas
truncadas, fortemente dilatadas, formando uma secção
terminal consideravel, cujo angulo interno é prolon-
gado em espinho conico, a planura densamente flavo-
BY pe
aureo hirsuto, as tibias posteriores sem espinho na
ponta. Os tarsos compridos, compostos de 5 arti-
culos, os intermeiados os mais compridos e do
tamanho das respectivas tibias, os anteriores os mais
curtos e os posteriores da metade das respectivas
tibias, as pontas antero-lateraes prolongadas em
espinho a pubescencia incompleta e quasi nulla;
os tarsos anteriores e entremeiado um pouco dila-
tados os posteriores mais filiformes. Abdomen muito
pequeno, lustroso, o processo intercoxal do abdomen
estreito e parallelo. Metasterno muito volumoso, lus-
troso, fina e dispersamente ponctuado, glabro. O pro-
cesso presternal canaliculado na base, estreito, pro-
longado em uma ponta posteriormente e aqui brus-
camente declivio. O processo mesosternal estreito,
curto, obliquo, a cavidade coxal anterior fechada
posteriormente, a cavidade coxal entremeiada aberta
lateralmente.
q. Cabeça muito menor, olhos mais pequenos.
Prothorax assim largo que comprido, quasi circu-
lar. Elytros de 1/5 mais compridos que o pronoto,
soldados na sutura, muito mais amplos, lustrosos
e menos rugosos, as costellas muito obtusas. O
metasterno menos volumoso, mais curto que o abdo-
men, o qual é de tamanho normal. Pernas mais
curtas e mais delgadas, os tronchanteres das pernas
posteriores não prolongados em espinho e a carena
externa da secção terminal dos femora posteriores
sem dente. (O processo prosternal sem a canalicu-
lação na base. Processo intercoxal do abdomen
largo coma ponta arredondada. Os tarsos do exem-
-plar a minha disposição infelizmente estão estro-
peados. |
Hypocephalus armatus, Desmarest
Desm. Mag. Zool. 1852, CI. IX, t. 24. —
Lmr. Ann. Soc. Ent. Belg. XLVI,
1902, p. 217, Rév. p. 81. — Heyne
e Taschenb. Exot. Kafer 1906, p.
236, t. 33, f. 1 e 9 — Col. Cata-
log. Junk-Schenkling, pars 52, Lmr.
Prion. p. 95.
MO mica
O ¢ & preto,a 9 ferruginea. O corpo é quasi
completamente glabro. &. Comp. 49 mm, larg. 11
mm. ¢. Comp. 45 1/2 mm., larg. 15 mm.
Hab. 4 4 de Santo Antonio da Barra (Esta-
do da Bahia ) 3 dos quaes na collecçäo do Museu
Paulista, 1 Q da mesma localidade e pertencente
tambem ao mesmo museu.
NOTA
A contribuição acima já estava no prélo, quan-
do recebi a q do Meroscelisus Zikam, gentilmente
enviada pelo sr. J. F. Zikan.
Aqui está a descripção deste interessantissitno
longicornic.
Meroscelisus Zikani, Melz. 9
Nigro-cyanea, opaca, antennis pedibusque niti-
dis, caput: cum scapo sparsim et leviter punctatum,
supra longitudinaliter sulcatum, oculis mediocres,
subgrosse granulatis, lobis superioribus modice se-
paratis, genis oculorum lobis inferiores subaequali-
bus; antennae apicem elytrorum fere attingentes,
art. 7-- 11 longitudinaliter striatis. Prothorax tran-
sversus, lateraliter utrinque in medio obsolete den-
tatus, antice posticeque rotundatus, supra sparsim
et leviter punctatus; elytra abdominis segmentum
secundum vix superantia paulo ante apicem dilatata,
apice ipso oblongo-rutundato in singulis, basi tho-
racis latitudinem maximam fere aequantia, sparsim
et leviter puntata, epipleura ad humeros dilatata.
Abdoniinis processus intercoxalis valde rotundatus.
Long. 24 mm., lat. hum., 6 1/4 mm.
Hab. Um exemplar de Passa Quatro, Minas.
Glabra, preta, ligeiramente azulada, opaca em
cima, subopaca em baixo eas pernas bem como os 6
primeiros articulos das antennas lustrosos. Sob cer-
as condições de polarização o ultimo articulo das
antennas parece ligeiramente avermelhado. Cabeça
fina e dispersamente, porém, por traz dos olhos
mais densamente ponctuada, a pontuação das man-
dibulas grossa; olhos mediocres, subgrossamente
granulados, mediocremente distantes em cima, ver-
pe RE
tice profunda e longitudinalmente sulcado. Anten-
nas curtas, chegando quasi ao apice dos elytros,
delgadas, 4.º articulo de cêrca 2/3 do comprinento
do 3.º, os 3.º e 4.º conicos, os 6 primeiros lisos e
muito dispersamente pontuados, os restantes multi.
carerados. Prothorax transversal, fortemente dila-
tado lateralmente, as bordas lateraes sensivelmente
arqueadas para cima, seus cantos anteriores e pos-
teriores arredondados e o dente mediano muito
obtuso, o dorso mui dispersamente ponctuado.
Scutello sem ponctuação. Elytros muito curtos,
chegando apenas à borda posterior do segundo
segmento abdominal, apenas dilatados no segundo
terço, cada qual separadamente arredondado pos-
teriormente, a ponctuação muito fina e dispersa,
seus epipleuros bem dilatados nas espaduas. Os
tarsos delgados, o primeiro articulo tarsal das
pernas posteriores apenas mais comprido que os
dois seguintes conjunctos. O processo intercoxal do
abdomen muito largo e arredondado. Aptera.
Interessantissima especie que mostra muitas
affinidades com as ¢¢ de M. violaceus e apicalis.
Assim o comprimento e a forma das antennas, em-
bora mais delgadas, e o processo intercoxal do ab-
domen são bem semelhantes às de JM. vrolaceus,
emquanto a ponctuação e a dilatação dos epipleuros
nas espadoas dos elytros são identicas às de M.
apicalis.
As bordas lateraes do thorax, o abreviamento
tão singular dos elytros e o comprimento do pri
meiro articulo tarsal das pernas posteriores são par-
ticularidades, que distinguem esta nova especie.
O exemplar à minha disposição foi colleccio-
nado no dia 19 de Dezembro de 1918 numa picada
da fazenda dos Campos, perto de Passa Quatro pelo
conhecido entomologo sr. Foetterle.
L
vn acl
bu
ñ
EXPLICAÇÃO DAS ESTAMPAS
EXPLICAÇÃO DAS ESTAMPAS
QuaDRO J.
1. Anoploderma ( Pathocerus ) Wagneri Wa-
ter
Anoploderma ( Migdolus) tryanum We-
SIMA do (E).
3. Parandra glabra De Geer q.
4 Parandra glabra De Geer ¢.
(2
Quapro II.
à. Mecosarthron buphagus Buq. dg.
6. Stenodontes ( Mallodon ) spinibarbis L. q.
7. Stenodontes ( Maliodon ) spinibarbis L. &.
Quapro II.
S. Ctenoscelis acanthopus Germ. q.
9. Ctenoscelis acanthopus Germ. q.
r
QUADRO IV.
10. Ancistrotus uncinatus Klug. d.
11. Myzomorphus quadrimaculatus Gory ©.
-
QuapRo V.
12. Macrodontia cervicornis L. g.
Quapro VI.
“13. Callipogon ( Orthomegas ) similis Gah. d.
14. Callipogon ( Orthomegas ) similis Gah.
ce).
(1) A cabeça deste exemplar foi preparada expressa-
mente, que as mandibulas ficaram visiveis. Em posição
normal as mesmas são invisiveis, vendo o besouro de cima.
(2) Esta estampa foi feita, para mostrar o dente ver-
tical das mandibulas.
= DD ==
15. Callipogon (Navosoma) luctuosus Schonh. ¢.
16. Stictosomus ( Anacanihus) reticulatus Dalm.
Quapro VII.
17. Callipogon ( Enoplocerus ) armillatus L. ¢.
Quapro VIII.
18. Pyrodes nitidas Fabr. q.
19. Pyrodes pulcherrimus Perty. 9.
20. Pyrodes ( Esmeralda ) auratus L.
subsp. nigricornis Guér. ¢. (1).
21. Calocomus morosus White g.
22. Pyrodes ( Mailaspis ) leucaspis Guér. ¢.
Quapro IX.
23. Quercivir Zikani Melz. à.
24. Quercivir Zikani Melz. 9.
29. Quercivir Zikani, antenna do &. (2).
26. Polyoza Lacerdairei Serv. dg.
27. Polyoza Lacordairei Serv. 9.
28. Meroscelisus apicalis White. ©.
QuaDRO X.
29 e 31. Hypocephalus armatus Desm. d.
30 e 32. Hypocephalus armatus Desm. g.
(1) Não sendo a chapa photographica bastante sen-
sivel, para reproduzir nitidamente as manchas vermelhas dos
elytros, estas foram retocadas, apparecendo na estampa por
causa disto mais claras, que na realidade se representam,
(2) A estampa mostra nitidamente o processo an-
tennar da borda interna A estampa 23 permitte verificar o
processo da borda externa das antennas.
REGISTRO
Registro
Anacanthus ,
ANACOLI .
ANACOLINI
Anacolus. .
lugubris
Ancistrotus .
uncinatus
Anoploderma
bicolor . :
cylindripenne .
Darwini .
EU CE NS
fryanum
Humboldti .
thulanum
Wagneri .
ANOPLODERMAE
ANOPLODERMINI
Apotrophus . .
ARCHETYPINI
BASITOXINI .
Basitoxus .
megacephalus . A
Callipogon .
armillatus .
cinnamomeus .
jaspideus
luctuosus
similis .
CALLIPOGONES .
CALLIPOGONINI.
Calocomus
morosus
CLOSTERI.
Ctenoscelis ,
acanthopus.
aurea
Coeus
simplicicollis
Curitiba .
104
DERANCISTRINI.
Enoplocerus.
Esmeralda . .
HYPOCPHALI.
Hypocephalus
armatus.
Jalyssus BOULE
tuberculatus
Macrodontia.
cervicornis .
crenata .
flavipennis .
MACROMINI
Mallaspis
Mallodon
Mecosartbron
buphagus
Gounellei .
MEGOPIDES .
Meroscelisus. .
apicalis .
Servillei
violaceus
Zikani .
Migdolus.
Mysteria .
Myzomorphus
Gounellei
Poultoni :
quadrimaculatus
Navosoma .
Nicias à
alurnoides .
Orthomegas .
Parandra É
Degeeri .
expectata
glabra.» «
longicollis .
Murrayi .
PARANDRAE .
PARANDRINI.
Pathocerus .
Physopleurus
crassidens ,
rugosus.
Poesilosoma .
ornatum
Polyoza-.» sm
Lacordairei
lineata .
ai, OO Gee
PRIONUN ESS
PSALIDOGNATHI
Psalidognathus .
superbus . .
Pyrodes .
auratus.
costulatus
laetificus
leucaspis
nitidus .
pictus
pulcherrimus
scutellaris .
smithianus .
Quercivir .
Dohrni.
Gounellei .
Zikani .
RHAPHIPODINI .
Rhodocharis.
anacoloides
Stenodontes,
dasystomus .
spinibarbis. .
STENODONTINI .
Stictosomus .
reticulatus .
ruber ;
semicostatus .
Strongylaspis
Batesi .
Bruoni .
E ara a
TITANINI .
items? 25. ia
giganteus .
— 207 —
1 — Anoploderma Wagneri. 2 — Anoploderma fryanum.
3 e 4 — Parandra glabra.
IT
5 — Mecosarthron buphagus.
6 e 7 — Stenodontes spinibarbis.
TEL
5 e 9 — Ctenoscelis acanthopus.
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IV
10 — Ancistrotus uncinatus.
11 — Myzomorphus quadrimaculatus.
ELLES
PATENTS
TE
e
12 — Macrodontia cervicornis.
13 e 14 — Callipogon similis. 15 — Callipogon luctuosus.
16 — Stictosomus reticulatus.
VII
17 — Callipogon armillatus.
Cope SR DTA toe spa a mr
VIII
18 — Pyrodes nitidus. 19 — Pyrodes pulcherrimus.
20 — Pyrodes auratus, subsp. nigricornis.
21 — Calocomus morosus. 22 — Pyrodes leucaspis.
tes ‘ F E : à ft
93 e 24 — Quercivir Zikani. 25 — Q. Zikani, antenna do o.
Ré b)
26 e 27 — Polyoza Lacordairei. 28 — Meroscelisus apicalis.
29, 80, 81 e 82 — Hypocephalus armatus.
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ALIPIO DE MIRANDA RIBEIRO
OS VEADOS DO BRASIL SEGUNDO AS
COLLECGORS RONDON E DE VARIOS
MUSEUS NACIONAES E ESTRANGEIROS
(25 Estampas e | Mappa)
(Nota lida em Sessão de 5 de Dezembro de 1918 da Sociedade
Brasileira de Sciencias )
eee
ANALYSE
1— ODOCŒLUS SUACUAPARA (Kerr) 2
Odoceelus campestris (Fred. Cuv."” ); O. gymno-
tis 4 Wiegm. )
Nomes VULGARES: Cariacu, Cuguaçu - Apára,
Suaçu-Apára, Veado-Galheiro, Veado dos Mangues.
Diagnose: Medindo 1m.24 da ponta do foci-
nho à da cauda que é de 18 centimetros e tendo
de altura anterior perto de 67 centimetros por 73
de altura posterior, é este veado de côr geral baia
ruiva, quasi perfeitamente egual à da especie ulte-
rior, com excepção do ventre que não é tão branco.
Esta côr apparece na ponta do labio inferior, por
traz do rhinario, em uma facha estreita, em tor-
no dos olhos e no queixo, na pagina interna das
orelhas, lado interno dos braços, das coxas, subindo
dahi à região perianal e lado inferior de toda a
cauda. O focinho é negro em todo o rhinario até
a facha branca transversa e no mento, sendo que,
ahi, aquella côr se estende em facha para os lados,
até perto do beiço. E' tambem escura uma nódoa
sobre o peito, perto da articulação do antebraço e
que se desdobra em trevo. Os cascos são denegri-
dos e cs chifres sépiaceos ferrugineos. A parte supe-
rior terminal da cauda é tambem denegrida.
Em dous craneos, obtidos pela commissão Ron-
don, em Manãos, os pellos existentes na base dos
chifres são de côr ferruginea sépiacea, com um an-
nel largo e baio claro antes da ponta. Em um in-
dividuo figurado por Alexandre Rodrigues Ferreira
a côr é quasi perfeitamente uniforme cinzenta-ca-
murça. t? pello é normal em- todo o corpo. Os
chifres offerecem uma feição caracteristica, incon-
(1) Nec auctorum.
— 214 —
fundivel com as das demais fórmas dos veados brasi-
leiros; são curvos para a frente, num passo irre-
gular de espira; tem a haste uma ponta interna,
ligeiramente antevertida, à 1 ou 1 e meia pollega-
da da base, e uma ou duas pontas superiores. Ella
offerece geralmente uma compressão lateral e um
gume superior. E' deste gume que nascem as
pontas secundarias; quardo a penultima não nasce,
corre do seu logar à ponta principal e terminal uma
obliqua para baixo e para a frente. Aliás, quando a
galhada é muito grande, a haste principal depois
da primeira ponta, curva-se tambem para baixo.
Na apresentação mais vulgar a penultima ponta está
em tal relação para com a haste que esta parece
terminar por uma bifurcação.
Dos craneos consecidos de indubitavel proce-
dencia brasileira e que permittiram medidas, tem-se
os seguintes indices em millimetros :
Museu do Pará (1) | Museu Nacional
Compr. basilar) a Gel so Pe 208 224 206 222 231 =
» total q MER TS 235 247 242 252 234 =
» da orb, á ponta Interm, 124 129 122 135 130 —
Nasaes di NUE Uta es 7 78 66 80 80 =
Largura do craneo , . . . 103,5 103 95 107 119 |* 108
Molares superiores , , . . 66,5 66 69 67 67 68
Molares inferiores, 42/0101 — — — 73 = —
Mandibrilae ME DRESS he — — — 193 — —
DisTRIBUIGAO GEOGRAPHICA: Alexandre Rodri-
gues Ferreira reproduz em seus desenhos, da Ex-
pedição Philosophica ao Rio Negro (est. 43) a tigu-
ra de um macho deste animal, sem comtudo assi-
gnar-lhe a procedencia. Mas nas suas descripções
dos Mammiferos do Brasil, ainda sem ligar impor-
(1) Memorias do Museu Goeldi, (Museu do Pará), pag.
Mir. Ris.0 - VEADOS DO BRASIL ESTA ii
AG OS ne CA de veis VEDA
rim y 4 od : ge
airs. ~ Apes
Craneo e galhada de ODOCŒLUS procedente de Manáos
tancia à zoogeographia, elle diz dos « Ruminantes »,
as seguintes palavras :
« Syst. Nat. Gen. Cervus, sp. capréolus. Para-
ensibus Cugudci-apdra. Lusitan. Veado-Galheiro
Mazama. Iiern., H. Mexico 324 — Cuguaçi-apára
Maregr. Br. 235. Cervus cornibus ramosis tereti-
bus; erectis sumitate bifida — Syst. N., pg. 94, sp.
6.2. Como este animal, exceptuada alguma varie-
dade, que se observa nas pontas, em quasi tudo o
mais perfeitamente se confórma ao Capréolus da
Europa, bastará fazer delle as mesmas ae
que fazem os naturaes, 4 saber :
a — Cuguacu-apdra, ou veado galheiro, assim
dito pelos galhos, que tem nas pontas. E’ veado
grande, de pello avermelhado claro e habita pelas
campinas.
b)— Cuguaci-anhanga, tambem veado gran-
de, vermelho, porém com o fio do lombo e o foci-
nho pretos; as pontas lisas e pequenas.
c)— Cuguaçir-cariaci, menor que o Galheiro
que o Anhanga; tambem com as pontas lisas (se
que o são depois dos primeiros annos) mas com
pello pardo e o ventre mais branco. Habita nas
mattas.
d)— Cuguaçi piranga, Veado pequeno que
habita no matto; e tem as pontas lisas e o pello
muito afogueado.
e)— Cuguacu-tinga, Veado pequeno e branco,
ou antes cinzento claro ».
Eis ahi o que se póde chamar um verdadeiro
chãos, diante de um tal baralhamento de fórmas.
Com efeito, à excepção do Cuguaçi-anhanga e
Cuguaçi -pir anga que podem, respectivamente, ser
attribuidos à Mazama americana e M. rufina,
todos os demais entram no terreno da duvida.
De Cuguaçi-piranga é Rodrigues Ferreira o
unico auctor que o cita; mas a eterna ausencia de
indicação do local não deixa de prejudical-o.
Cuguacu-anhanga é tambem referido por Gor-
réa de Lacerda; e com descripção muito mais de:
talhada que permitte identificação, sem perigo de erro.
© DV o
— 216 —
As demais especies, porém, são levadas por
Ferreira à uma confusão assaz grande; à começar
pela designação «sp. capréolus », atê terminar com
as «distincções que delle fazem os naturaes ». E
sabido que o veado brasileiro que, pelos chifres e
pela côr, mais se aproxima do capréolo européo, é o
veado descripto sob o nome de Dorcelaphus bezo-
articus e de que trataremos adiante, Mas, por seu
turno o Mazama de Hernandez, procedente do Me-
xico, é effectivamente uma variedade de Odocolus
virguuanus Boddaert.
O Cuguaci-apara de Marcgrave, já Cuvier
( Ossements fossiles ) referio ao Carzacu de Dauben-
ton; ainda que pela côr, dita por Marcgrave ser a
mesma do Cuguaçi eté ( Mazama americana ),
fosse forçado à dizer : « pareceria » tratar-se de Dor-
celaphus dichotomus. O texto de Marcgrave é o
seguinte :
« Pouco maior que o su-
perior ( Mazama americana )
e da mesma côr. Os chifres
téem tres braços ou dedos,
sendo o inferior o comprido e
de ponta bifida. Tyrso ou
fuste da grossura de um
pollegar e 8 à 9 dedos de
comprimento.
« Paulo major superiore, et
ejusdem coloris. Cornua tria
brachia seu digitos habent,
nimirum infernum brachium
quod longum et apicem bi-
fidum. Tyrsus seu scapus pol-
licem humanum est crassus
& octo vel novem digitos
Rhynlandicos longus ». (1)
Mas emquanto a diagnose de Ferreira «Veado
de chifres ramosos, cylindricos, erectos e de ponta
bifida e das dimensões do Capréolo » só convem à
D. bezoarticus, a breve descripçäo a, convem toda
ella exclusivamente à Odocolus ; devemos ter em
mente que o matteiro (descrip. 6) tambem é de-
clarado « grande »; e que, das duas unicas especies
figuradas por Ferreira uma é o matteiro e a outra
Odocælus.
Por sua vez, « Cuguacis cariacu, menor que
o galheiro e o anhanga » tambem com as pontas
(1) A traducção de Cuvier é a seguinte: «O Cugu-
acü-apära é um pouco maior mas da mesma cor; seus
chifres, cuja haste mede 8 à 9 pollegadas, têm inferiormente
um forte ramo e são furcados em cima ».
Mir. Ri8.0 - VEADOS DO BRASIL ESTA
S. LAHERA, PHor. REV. MUsEU PAULISTA, TOMO x1
Photographia do ramo direito da galhada de ODOCOELUS para
comprehensão da diagnoze de Marcgrav — “nimirum infernum
brachium quod longum.”
OT
lisas (se é que o são depois dos primeiros annos) 4
mas com o pello pardo e o ventre mais branco,
tanto pôde se applicar à Odocelus como à Maza- |
ma rondon: quando R. Ferreira diz « Habita nas \
mattas ». VA
Cuguaçü-linga tanto pôde ser Dorcelaphus Ss,
bezoarticus, que em Matto Grosso é conhecido por D le AE e
Veado Branco, como o Odocelus gymnotis, ou, final-
mente, Mazama simplicicornis. (2)
Ora, se uma tal confusão é encontrada nas re-
ferencias dum naturalista de coração, como o foi
Rodrigues Ferreira — que esperar dos demais docu-
mentos dos tempos coloniaes ?
Emfim, sempre ficou um documento na estampa
citada, de Rodrigues Ferreira, sem que maior de-
talhe delle póssa ser auferido—senão que no Brasil
éra encontrado Odecolus gumnotis. Mas mesmo
isso soffre um relativo abalo, quando consideramos
que entre aquellas estampas uma representa um
Prosimio, evidentemente estranho 4 fauna brasileira.
Comtudo, Odocælus foi constatado no Brasil ul-
teriormente; e os documentos que a isso se referem
são Incontestaveis.
« Quando em 1895, escreve (roeldi, estivemos
«em exploração scientifica do littoral Guyanense
«entre o Oyapoc e o Amazonas, ouvimos, tanto no
« Cassiporé, como no Conany e no Amapá de um
« — veado galheiro — grande. Ora, do Cervus palu-
« dosus, que no Brasil Central é conhecido com este
«nome, não me constava absolutamente que elle se
«estendesse nem até a margem esquerda do Rio
« Amazonas, quanto mais passasse para o lado da
« Guyana.
(2) Na «Relação indicando os animaes descobertos
nas mattas do E. do Grão Para e que de todos elles se tem
remettido para o RI. Gabinete de Historia Natural, uns pre-
parados e outros conservados em aguardente. » Rodrigues
Ferreira enumera os seguintes veados: Suaçú-tinga (Veado
branco ). Suaçú-cariacu (o mesmo); Suaçú ianga (o mes-
mo ?); Suaçú reté ( V. verdadeiro ); Suaçú apára (o mesmo)
e Suaçú caatinga (Veado Branco).
— 218 —
« Por outro lado, a descripcäo oral que os in-
« digenas e os caçadores me fizeram, mostrava que
«tambem não se tratava do C. cumpestris, (1).
« Bastante intrigado, portanto, puz o maximo
«empenho em obter materiaes para resolver o pro-
«blema. Obtive alguns craneos com as respectivas
« galhadas, no Amapá, e, não com pequena sorpreza
«minha, vi ainda la em viagem, que tinha diante
«de mim o veado chamado «de orelhas núas »
«( Gymnotis Wiegmanni), descripto pela primeira
«vez em 14833 e bastantemente caracterizado por
« Fitzinger em 1898. Posteriormente obtive mais
« material, ainda da região entre o Amapá e o Ara-
« guary, de Macapá e um couro com craneo e ga-
lhada da ilha de Maracä. São ao todo 9 craneos
com galhadas — material de proveniencia garan-
tidamente conhecida e colhido on lóco por nós
«pessoalmente ow por gente digna de nossa con-
« frança.
« À caracteristica torsão para a frente da haste
« principal, à modo de costelas n'um thorax hu-
«mano, não me tirava desde o primeiro momento
«a menor duvida de que enfrentava com um espe-
«cimen de veados Mazama ( Cariacus ) numeroso
«grupo norte americano que sobrepuja por assim
«dizer, o C. virginianus, como typo e que possue
« representantes algo degenerados — pelo menos à
«julgar pelas dimensões das galhadas ainda no norte
«da America meridional nas especies (ou raças )
«savannarum e gymnotis. Não tenho a menor von-
« tade de metter-me n'esta contenda de synonymia,
«reunião e scisão de especies. Quem se interessar
« por este assumpto, leia o bem redigido e ampla-
« mente illustrado capitulo American deer na grande
«obra de R. Liddeker, pag. 243 e seg., os tra-
« balhos monographicos ( pags. 305-374 ).
« Cervus gymnotis ou Gymnotis Wiegmann
« foi fundado sobre um individuo proveniente da Co-
«lumbia. Diversos autores, porém, dão-lhe um ha-
le)
lei
nt RE 3
AAA
(1) Dos auctores, não de Fr. Curvier.
— 219 —
«bitat até «Cayenne et Terre Ferme » ( Fitzinger,
«pg. 48 e Pucheran pg. 363). Si apezar desta
«apparente difficuldade geographica, identifico os
«meus veados galheiros guayanezes, com o (y-
mnotis Wiegmannr, é porque a isso me levaram
pacientes comparações do meu material com as
figuras de Pucheran, Est. XXV, de Schreber Wa-
«ener Est. 245-I e 247-K e G. 8. Hilaire e Cuvier
« Est. 352 -e os cuidadosos estudos sobre o desen-
« volvimento da galhada confórme Est. XXIII, fig.
«2-10 do primeiro d'esses auctores ( Que a figura
«392 de St. Iilaire-Cuvier se refere a um membro
«do grupo Cariacus e não ao Cervus campestris,
« como erroneamente diz no texto o grande Cuvier,
«é uma verdade indiscutivel para quem tiver a mi-
«nima experiencia pratica e um certo tirocinio em-
«pirico neste terreno) O couro da Ilha de Mara-
«cà concorda com as ditas figuras coloridas, de
« Pucheran, Schreber, Wagner e Cuvier reforçando
«assim os meus resultados obtidos do estudo com-
« parativo das galhadas.
« Aliás parece que o cerf des Paleluviers ou
«cerf blanc, mencionado já pelos antigos auctores
«francezs (Barrère, Buffon, De La Borde), dos
«brejos littoraes da Guyana não é outra cousa se-
«não o C. gymnotis. E nesta occasião julgo tam-
«bem ser do meu dever declarar que, uma vez en-
« contrado por mim pessoalmente, um veado do grupo
« Cariacus em territorio brasileiro, principiei à com-
« prehender outra estampa no antigo atlas manus-
« cripto do Dr. Alexandre Rodrigues Ferreira, acerca
«dos animaes e plantas colligidas durante a expe-
«dição philosophica, ao Rio Negro (em ins do
«seculo passado ), que representa um veado com a
« galhada fortemente curvada para frente. Este ze-
«loso colleccionador tinha observado o veado em
« questão, ou no Rio Negro ou no Rio Branco, em
«todo o caso na parte continental da Guyana bra-
« sileira.
«Sem jamais ser acompanhado do texto im-
« presso, a dita pagina ficou esquecida e com ella a
A À
«
À À
RS
Aa
wz
res
BR
RB
lai
«
«
AAA
AAA ARB AR
— 220 —
verdadeira interpretação, além da prioridade. Cu-
rioso é que, desde aquelle tempo até hoje nenhum
naturalista mais chegon à verificar a existencia de
um cariacus na margem esquerda do Amazonas :
devo frisar, que esta especie de veado escapou à
attenção do proprio Johs Natterer.
« Que maravilha que eu mesmo delle não son-
besse quando redigi o meu livrinho «Os Mam-
miferos do Brasil» ? Eu porém nunca perdi de
memoria a tal figura no Atlas de A. R. Ferreira
e, se me coube a dita de ter sido o primeiro zoologo
que demonstrou de facto ser o Gymnotis Wi.gmanne
um habitante do littoral guyanense e, portanto,
um elemento faunistico do Brasil, seja feita esta
reivindicação com a merecida reserva e resalva a
fovor da figura manuscripta do nosso precursor
luso-brasileiro, dos tempos coloniaes.
« E não queremos passar em silencio que tam-
bem Pucheran, em 1852, na sua bella monogra-
phia, fez a sagaz declaração, à qual não podemos
negar inteiro applauso, por concordar exactamente
com a realidade: « Gonstatemos, por emquanto,
que o limite meridional nos paizes situados ao sul
dos Estados Unidos, parece ser a margem esquerda
do Amazonas à Oeste da Cordilheira dos Andes » etc.
Veremos mais adiante à quem competem as
elucidações do caso do veado dos mangues, quando
tratármos do catingueiro e seus congêneres e reco-
nhecemos o facto da constatação de Odocælus gym-
notis no Amapà por Goeldi ccmo uma próva de real
valor (Mem. do Mus. Goeldi — HI — Estudos sobre
O
desenvolvimento da armação dos Veados Galhei-
ros do Brasil — pgs. 1-37 est. III — 1902): mas,
além de Rodrigues Ferreira outros naturalistas já
haviam tratado do Cariacú de modo inilludivel e, o
que é mais, levando a sua área de dispersão, no N.
E. brasileiro, atê o 17.° parallelo de lat. Sul.
— 221 —
« Independentemente dos
subulos ou veados de chifres
simples, o Brasil possue vea-
dos de chifres ramificados e,
pela natureza dos chifres, estes
veados se dividem em duas
secções comprehendendo os
Cariacus, de que o Brasil en-
cerra pelo menos uma especie.
N'esta secção, os chifres são
curvos, epresentando sua con-
vexidade para diante e são
bastante elevados sobre a ca-
beça. Elles tem adiante uma
haspa bastante proxima da
base ow sub-basilar ; e sobre o
lado posterior convexo, junto
à ponta e segundo a enade,
uma wu duas hastes ou ada-
gas e, ainda mais, situadas
sensivelmente no mesmo plano
que a haspa anterior.
A especie do Brasil é co-
nhecida em certos pontos do
valle de 8. Francisco sob o
nome de Caracú, e sobre ou-
tros pontos Cayapu, alteração
do primeiro nome. E’ a me-
nor de todas porque seu porte
é ainda inferior à do Cervus
rufus. Ella vive nos cerrados
ou campos abertos semeados
de numerosos grupos de gran-
des arvores florestaes, espe-
cies de florestas abertas bem
distinctas, afinal, das florestas
virgens. As hastes posterio-
res sobre a convexidade da
haste principal são em numero
de uma ou duas, e, no conjun-
cto seus chifres não são muito
grandes. Sua côr é cinerea
arruivada escura no dorso,
alvadia inferiormente, fulva
sobre a parte thoracica e no
interior das pernas. Seu no-
me indio de Cariacú, de-
riva, segundo A. R. Ferreira
(1) de caa, arvores, folhagem,
«Independamment des Da-
guets ou cerfs à cornes sim-
ples, le Brésil possède des
cerfs à bois ramifiés, et, par
la nature des bois, ces cerfs
se divisent en deux sections.
L’une de ces sections com-
prend les Cariacus, dont le
Brésil renferme au moins une
espèce. Dans cette section, les
bois sont courbes, présentent
leur concavité en avant et
sont assez dressés sur la tête.
Ils ont en avant un andouiller
assez près de la base ou soub-
basilaire ; et sur le côté poste-
rieur convexe ils portent, près
de la point: e suivant l’âge,
un ou deux andouillers ou da-
gues, et même plus, situés sen-
siblement dans le même plan
que l’andouiller anterieur.
L'espèce du Brésil est co-
nue dans certains points du
val du $. Francisco sous le
nom de Caracú, et sur d'au-
tres points Cayapu, alteration
du prémier nom. C'est la
plus petite de toutes, car sa
taille est encore inferieure à
celle du Cervus rufus. Elle
vit dans les serrados ou champs
ouverts parsemés de nombreux
groupes de grands arbres fo-
restiers, espèces de forêts
ouverts bien distinctes d'ail-
leurs des forêts vièrges. Les
dagues posterieures sur la con-
vexité de la tige sont au
nombre de une ou deux, et,
dans l’ensemble, ses bois ne
sont pas très grands. Sa
couleur est gris-roussatre foncé
sur le dos, il est blanchâtre
en dessous, fauve sur la partie
thoracique et à l’interieur des
jambes. Son nom indien de
cariacu dérive, d'aprés A.
R. Ferreira, de caa, arbres,
(1) Liais obteve esta infarmacäo do Diccionario da lingua tupy, de Gon-
çalves Dias, pag. 57,
— 222 —
ri, muito e acú, que se oc-
culta, e significa por conse-
guinte que se occuita nas moi-
tas.
Este nome provém de seu
habito de se collocar, para
dormir, nos tufos espessos de
folhagem formados pelos ci-
pós no meio das quaes elle des-
apparece quasi inteiramente.
Lund cita no valle de S.
Francisco, como quinta espe-
cie, independentemente dos
Cervus rufus, simplicicornis,
paludosus e campestris, um
veado anão chamado por elle
Cervus nanus e do qual eu
não encontro descripção.
Como, segu do as minhas in-
formações, só existem n'esta
região o Cariacu e as quatro
especie precedentes e como
Lund não cita o nome de Ca-
riacu, não duvido que o seu
Cervus nanus não seja o Ca-
riacu. Eu o designarei sob
o nome de Cervus cariacu.
Não se encontra ao Sul do
17.° de latitude austral. Elle
me parece existir em todo o
norte do Brasil e sem duvida
alguma na Guyana, pois que
entie os Cariacus vindos de
Cayenna encontra-se seus
caractéres e, eu estou conven-
cido que é a unica espe-
cie de Cariacu existente na
Guyana, conjuntamente com o
veado dos mangues de Cuvier
Cervusgymnotisde Wiegmann
ou Cuacu-tinga, veado branco
dos indios, pouco mais ou me-
nos do mesmo talhe e cujo cor-
po é fulvo pallido quasi branco
inferiormente. Este me foi in-
dicado como habitando para os
limites septentrionaes do Bra-
sil. Ignoro até que latitude se
o encontra». Liais, Fauna do
Brasil, pgs. 409 4 410. — 1872.
feuillage, ri, beaucoup, et
acu, qui se cache et signifie
dès lors qui se cache das les
buissons.
Ce nom provient de son
habitude de se placer, pour
dormir, dans les amas épais
des feuillages formés par les
lianes au milieu desquels il
disparait presque entièrement.
Lund cite dans le val du S.
Francisco, comme cinquième
espèce, independament des
Cervus rufus, simplicicornis,
paludosus et campestris, un
cerf nain appelé par lui Cervus
nanus, et dont je ne retrouve
pas la description. Comme,
d'après mes informations il
n'existe dans cette région que
le Cariacu et les quatres es-
péces precedentes, et comme
Lund ne cite pas le nom de
Cariacu, je ne doute pas
que son Cervus nanus est le
Cariacu. Je le designerai
sous le nom de Cervus ca-
riacu. On ne le trouve guère
au sud du 17.° degré de la-
titude australe. I] me parait
exister dans tout le nord du
Brésil et, sans nul doute, à la
Guyane, car, parmi les Ca-
riacous venant de Cayenne,
on retrouve ses caractères, et
je suis ecnvaincu qu'il est la
seule espèce de Cariacous exis-
tant à la Guyane, conjointe-
ment avec le cerf des pale-
tuviers de Cuvier Cervus gym-
notis de Wiegmann, ou Quaçu
tingu, Cerf-blane des Indiens,
à peu près de même taille,
et dont le corps est fauve
pâle presque blanc en dessous.
Celui-ci m'a été indiqué com-
me habitant vers les limites
nord du Brésil. J’ignore
jusqu’à quelle latitude on le
rencontre.
PRO > 17 LP RES
ne fon €
O erro de Liais considerando Odocælus gy-
mnotis Mazama nana de Lund., não me parece ex-
plicavel pelo facto de se acharem escriptas em hollan-
dez as «Contribuições para o conhecimento dos Ma-
miferos do Brasil» de Lund; porque outros trechos
do mesmo trabalho foram apresentados traduzidos
por Liais. Seja como fôr, mais adiante, no artigo
em que me occupo detalhadamente de Mazama ru-
fina, encontrar-se-à uma versão de 'um texto fran-
cez, pelo Dr. Leonidas Damasio, em transcripção do
trecho que se refere à Mazama nana de Lund ( es-
pecie alias inidentificavel) e que, de módo algum
permittiria tal confuzão por parte de Liais.
Por sua vez extraordinaria é a informação, des-
te auctor, sobre a presença de Odocvlus gymnotis
no valle do S. Francisco.
Comtudo, ella parece sustentada por uma pelle,
em série, de um filhote de veado, existente no Mu-
seu Nacional e que, segundo o testemunho do Snr.
Eduardo Teixeira de Siqueira, contemporaneo de
Freire Allemão n'esse Museu, foi trazida pela Com-
missão Scientifica ( que este botanico chefiou) do
Ceara.
Este filhote, em tudo semelhante à um joven
de Dorcelaphus bezourticus, delle differe por ter o
pello da parte anterior do dorso e do pescoço no
sentido normal, não revertido; e as suas maculas
brancas muito mais nitidas, não apparecem no annel
periophthalmico, nem na nodoa entre os olhos e as
orelhas, nem na do tufo articular do calcaneo; e
visto rao poder identifical-o à nenhuma das outras
especies de veados conhecidos do Brasil, em face dos
documentos que possuo, só lhe resta a possibilidade
de ser um filhote de Odocælus gyimnotis.
Na minha viagem pelo interior do Brasil, du-
rante a Expedição Rondon de 1908-1910, colligi 2
craneos de Odocelus sucuapara em Manäos que
me foram obtidos pelo Sr. Bahia, sem maior detalhe.
Em 1911 vi varios exemplares procedentes do
Equador e levados para o Museu de Florença pelo
Dr. Enrico Festa. Reproduziam a côr exacta da
gr M
estampa de Rodrigues Ferreira, isto é, cinéreo ca-
murça uniforme. Os poucos pellos existentes em
torno da base dos chifres dos craneos que obtive
em Manãos. reproduzem a coloração dada por Liais.
E a referencia de Goeldi mostra que o couro obtido
em a ilha de Maracä, reproduz o colorido dado por
Pucheran.
O'ra, esse colorido já o vimos no inicio do
presente artigo 1 ).
Assim, desprezando as variedades locaes para
não prejudicar o consenso de especie, pôde-se. con-
siderar como habitat reconhecido do Suaçú-Apara, a
região sul americana ao Norte do Amazonas, à par-
tir da Cordilheira dos Andes e Panamá.
Como conjectura, a região brasileira dos Cam-
pos geraes, à direita do Amazonas, até o valle de
S. Francisco.
Independentemente do que já sabemos como
certo da sua presença ao Norte do Amazonas ( Ama-
pá, Guyana Brasileira, ) todos os elementos ainda
nos induzem à admittir que Odocælus yymnotes
teve a sua área de dispersão estendida até o valle
de S. Francisco, se é que delle já desappareceu.
Além da asseveração cathegorica de Liais, do joven
existente no Museu e que Siqueira assegura ser pro-
veniente do Ceará, pela Expedição Scientifica, ha
mais os textos de Rodrigues Ferreira e especial-
mente de Marcgrave (não o de Piso) que, como
se sabe, esteve confinado no N. E. do Brasil ao
Sul do Amazonas.
SYSTEMATICA. — Qual deve ser a designação
attribuida à esta especie ?
Dä-se geralmente à Daubenton a primazia em
descrever O. gymnotis dum exemplar femea, remet-
tido da Guyana, conservado no Museu de Paris e,
1) Por ahi deve-se conciuir a mudança de colorido
d'essa forma.. Será a sua variação produzida pela edade ou
pelas estações ? Sabe-se que Odocolus virginianus muda
com as estações — resta saber se o clima sul-americano de-
termina a mesma variabilidade no O. gymnotis.
— 225 —
depois, estudado por G. Cuvier que o identificou ao
Odocælus virginanus,
d’essa especie, segundo
« Assim, ficamos na duvida
se este veado branco e este
veado dos mangues de Ca-
yenna é uma especie diffe-
rente ou bem se não é mais
que uma especie da Virginia
diminuida, sobre tudo quanto
à seus chifres, pelos ardores
da zona torrida. Para resol-
ver este problema, fizemos a
mais escrupulosa comparação
destes animaes, sem encon-
trar ahi distineção um pouco
sensivel, além da da cauda
que, é proporcionalmente mais
curta nos individuos de Ca-
yenna; corresponde à 1/4 de
comprimento do tronco, ao
passo que a dos individuos da
Luiziania apenas representa
1/3 ».
como variedade
o que aqui se constata :
meridional
« Ainsi, nous avions à nous
demander si ce cerf blanc, ce
cerf des paletuviers de Cayenne
est une espèce differente, ou
bien si ce n'est que Vespé-
ce de Virginie rapetissée, sur-
tout quant à son bois, par
les ardeurs de la zone torri-
de. Pour resoudre cette ques-
tion nous avons fait la com-
paraison la plus serupuleuse
de ces animaux sans y trou-
ver de distinction un peu
sensible que celle de la queue,
qui est plus courte à propor-
tion dans les individus de
Cayenne; elle n’y a guère
que le quart de la longueur
du tronc, tandis que celle des
individus de la Luiziane en
fait le tiers ». Ossem foss. pg.
70, VI vol.
E ainda o mesmo Cuvier, tira das palavras de
La Borde que a sua Corsa das savannas seria um
animal joven, em habito de inverno e sua Corea dos
mangues o macho adulto.
Wiegmann fixou-lhe a forma dando-lhe o nome
gymnotis e mais tarde Pucheran esclareceu-lhe a
synonymia e marcou-lhe a area de dispersäo até o
limite constituido pelo Amazonas.
Em geral, o nome vulgar Suaci-Apara è hoje
tambem attribuido ao Cervo ( D. dichotomus ), como
o tem sido ao veado campeiro ( D. bezoarticus ),
tanto pelos leigos como por muitos zoologos.
I
O Cuguaci-Apara não pôde ser Dorcelaphus
dichotomus (Ill.) nem Dorcelaphus bezoarticus (L.)
Veremos, pela descripção daquelle, adiante dada que
as suas dimenções vão à 2 metros de comprimento
por 1 metr e 25 cm. de altura anterior, à | metro
e 40 de altura posterior.
— 226 —
Por seu turno, Mazama americana mede 1 m.
40 de comprimento por Om, 66 à Om, 70 de altura
anterior.
De accôrdo com as mensurações de Pucheran
Odocelus gymnotis mede Im, 24 de comprimento
por O, 66 de altura anterior. |
b’ahi teremos que existe de Dorcelaphus di-
chotomus para Mazama americana uma differença
de GO centimetros em comprimento por outra de
90 na altura; ao passo que as dimensões entre Ma-
sama americana e Odocelus gymnotis oscillam
e em certos cases deixam maior altura à este ultimo,
sobre tudo se consideramos as tabellas dadas para
o primeiro d'esses animaes.
O'ra, não seria n uma diferença como a que se
vio, de 66 ou 50 centimetros dum animal que Marc-
grave iria dizer « Paulo major superioris et ejusdem
coloris» etc.
Il
Entre o Cervo e o Malteiro, Marcgrave não
iria dar à este a prioridade da descripçäo porque
o Cervo pelo seu tamanho e imponencia, pelo seu
corpo vermelho calçado de negro e pela altura da
sua galhada, não podia impressionar menos que o
Matleiro. JJ mais, se não póde aquelle ser contido
na descripçäo do Suaçi-Apúira de Marcgrave, pelo
tamanho do corpo e dimensões do chifre, o Suaçi-
Apdra de Maregrave cujo ramo inferior do chifre
é longo e de ponta bifida, por este ultimo caracter
se afasta de vez de D. bezoarticus.
A galhada do Cervo vae à 19 pollegadas.
MI
Marcgrave colleccionou desde o « Rio Pará até
o Rio Capivary, à 2 leguas do Sul da cidade de S.
Vicente ».
Nem Piso, que foi seu companheiro, nem Ro-
drigues Ferreira, qem Corrêa de Lacerda, que es-
creveram do Nordeste brasileiro, fallaram no Cervo
— Dorcelaphus dichotomus.
Portanto, das fórmas conhecidas para o N. E.
brasileiro apenas resta Odocælus gymnotis para as
citações que vamos estudando.
Liais, applicando o nome de Suaçu-Apära ao
Dorcelaphus dichotomus do valle do S. Francisco,
traduz o termo tupy como «veado do rio », o que
não corresponde à verdade philologica.
O « Cerf-blanc» de G. Cuvier tambem é co-
nhecido por « Cerf des Paletuviers ou Veado dos
mangues » dos escriptores francezes antigos, póde
ser traduzido por Veado dos charcos ou paúes ou
d'agua. Mas não é disso que se trata: Suacu-apdra
(e não suacu-pard ) (+) é traduzido por Martius
por « Veado de chifre torto, ramoso, de Caa-apira ».
( Glossario, pg. 476 ).
Retrogrademos o nosso inquerito para melhor
achar o fio de Ariadne. Já conhecemos a diagnose
de Marcgrave, de 1648. Em 1658 vemos outra vez
o nome Suaçü-apära em Piso; a descripção, porém,
discorda da de Marcgrave, à ponto de merecer as
seguintes observações de Cuvier que queria identi-
fical-as :
« Piso, às pgs. 97 e 98, lem-
bra estes dous nomes ( Cu-
guagu-eté e Cuguaçi-apára )
mas faz o Cuguaçú-apara me-
nor que o eté ; descreve-lhe o
chifre segundo um individuo
que o tinha ainda villoso e,
por um quipróquo de impres-
sor. dá sob o nome de Cuguaçã
eté UMA FIGURA COM OS CHI-
FRES DE TRES RAMOS, BAS-
TANTE SEMELHANTE A DO NOS-
SO VEADO BRANCO ».
« Pison, pages 97 et 98 ra-
pelle ces deux noms, mais il
fait le Couguaçi-apára plus
petit que Couguoçú-eié ; il
en decrit le bois d’après un
individu ou il etait encore
velu, et, par un quiproquo
d’imprimeur, donne, sous le
nom de Clouguaçú-eté, une
figure à cornes à trois bran-
ches, assez semblable à celle
de notre cerf blanc.» Ussem.
foss., pg. 115.
Em 1756 Buffon repisava o mesmo assumpto ;
leiamos a sua descripçäo do Capreolo, esse mesmo
(1) Contrariamente 4 Liais, Azara traduz ( Quadr. Para-
guay, pg. 58) Guazupára por veado pintado de branco; e
diz que este nome só se applica aos filhotes, por esse signi-
ficado.
Capreolo (à que se referia Alexandre Rodrigues
Ferreira) à respeite do qual Buffon fala à pg. 211
pelo seguinte modo :
« São encontrados no Bra-
sil, pois que o animal cha-
mado Cuguaçú-apára só dif-
fere do nosso capréolo como
o veado do Canada differe do
nosso ; ha sómente alguma dif-
ferença na fórma dos chifres
como se póde ver na estampa
do veado do Canadá dada
por Perrault e na estampa
XXXVII, figs. 1 e 2, em que
fizemos representar dous chi-
fres d'esses capréolos do Bra-
zil, que nós reconhecemos fa-
cilmente pela descripção e fi-
gura que delles deu Piso ».
« Ils se retrouvent au Bré-
sil, car l'animal que l’on ap-
pelle Couguaçi-apára ne dif-
fère pas plus de notre Che-
vreuil, que le cerf de Canadá
diffère de notre cerf: il y a.
seulement quelque différence
dans la forme de leur bois,
comme on peut le voir dans
la planche du cerf de Ca-
nadá donnée par M. Per-
rault, & dans la planche
XXX VII, figs. 1 & 2 où nous
avons fait réprésenter deux
bois de ces chevreuils du Bré-
sil, que nous avons aisement
reconnus par la description
& la figure qu'en a donné
Pison ». Buffon, Hist. Nat.
VI, pgs. 211 et 212 — 1756 ».
Adiante veremos que a descripçäo dada por Piso
muito mais detalhada que a de Marcgrave e a fi-
gura com que a illustrou, não justificam o « reco-
nhecimento facil» de Buffon, porque, de modo al-
gum pertence à especie por elle figurada. E foi
por isso que elle encontrou «alguma differença na
fórma dos chifres ».
Os auctores que succederam à Buffon e que
fizeram uma critica severa dos elementos anteriores
— guardaram reserva a respeito da indicação da
estampa XXXVII do tomo VI, etiquetada e repro-
duzida como « Chevreuil d'Amerique », naturalmente
porque a influencia da idéa principal de Buffon ahi
dominava.
Mas Buffon, entretanto, é cathegorico quando
diz «fizemos repsesentar dous chifres de capréolus
do Brasil, que reconhecemos facilmente pela des-
cripção e figura de Piso ».
Parece que a falta d'uma asseveração mais po-
sitiva, acompanhada do nome de quem obtivera as
— 229 —
galhadas e local de proveniencia, detinha o espirito
de quem gostava de aflirmar as cousas com a próva
material à mão e talvez por isso e porque Buffon
poderia fallar das galhadas influenciado por Piso,
Cuvier, de quem já lemos os trechos em que
elle
identifica a corça de Daubenton ao veado da
Virginia, julgando-o uma variedade diminuida pelos
ardores equatoriaes, antecede esse capitulo com as
seguintes palavras :
« De ha muito encontra-se
galhadas semelhantes nos ga-
binetes, sob o ncme de chi-
fres do capreolo d' America e
Daubenton representou-o, t.
VI, est. XXXVII ( Pennant
refere erradamente esses chi-
fres ac seu O. mexicanus ).
Damos na est. 105, figs. 19,
20, 21 e 22, os que possui-
mos; é verdade que sua se-
melhança com os da Virgi-
nia, das figs. 3 e 4 é muito
grande, mas são menores em
cerca de metade. As porções
de craneo agarradas a taes
chifres são tambem muito se-
« Depuis longtemps on a
des bois semblables dans les
cabinets, sous le nom de bois
de chevreuils d'Amérique, et
Daubenton en a réprésenté,
t. VI, pl. XXXVII ( Penuant
rapporte tout à fait à tort ces
bois à son Cervus mexicanus ).
Nous donnons, pl. 166, figs.
19, 20, 21 et 22, ce que nous
en possedons ; il est vrai que
leurs ressemblances avec ceux
de Virginie, des figs. 2, 3 et
4, est fori grande, mais ils
sont de prês de moitié plus
petits. Les portions de crane
restées à ces bois, sont aussi
três semblables et seulement
un peu plus petites. » Geo.
Cuvier, Ossem. foss, pg. 70.
melhantes e sómente um pou-
co menores. »
Mas na explicação das reproducções 19 à 22
da estampa 1c6, elle diz que esses chifres prôvein
provavelmente do veado dos mangues de Cayenna.
(Atlas, IE pe: 4€ \
Cuvier ignorava ou desprezava a designação de
Kerr, dada no seu Reino Animal em 1792 — fixando
em Suaçi-apara de Marcgrave o nome especifico
do animal em questão; mas, foi o proprio Cuvier
o primeiro à ident'fical-o com a fôrma caracteristica
que mais tarde Wiegmann chamava de Cervus gym-
notas.
E” verdade que Linneu tambem cita Marcgrave ;
a sua referencia, porém, parece exclusivamente hau-
rida de Piso, cuja descripção, muito mais extensa e
* — 230 —
detalhada e seguida de uma figura bastante apre-
ciavel, nenhuma duvida deixa sobre a especie pre-
tendida, do mesmo modo que se afasta da que deu
oO seu antecessor.
Este veado de chifre torto, Suaci-Apara dos
tupys e de Marcgrave e Kerr. é que é o Cervus
campestris de Frederico Cuvier :
«O Mazama, Cervus cam-
pestris — Chifres curvos para
a frente, separando-se desde
a base e se approximando
pelas pontas; um ramo na
face interna, elevando-se obli-
quamente; um ou dous ou-
tros superiores na externa di-
rigindo-se para traz. O chi-
fre é rugoso na sua parte in-
ferior. Foi ainda d'Azara que
nos deu a descripção deste
veado; elle o chama Guazuti.
Antes delle Daubenton, Hist.
Nat., t. VI, fizera figurar um
chifre como pertencendo à
um capreolo d'America. Vi
tambem a cabeça desse vea-
do guarnecida desses chifres
e que estava no gabinete de
Tenon e tive um grande nu-
mero desses chifres. O gua
zuti mede cerca de quatro
pés de comprimento por dous
de altura e seus chifres nove
à dez pollegadas, seguindo as
curvas. Seu pello é curto e
basto de um baio avermelha-
do; as nadegas e a parte in-
ferior do corpo muito bran-
cas; as glandulas lacrymaes
são muito desenvolvidas. Os
filhotes nascendo têm man-
chas brancas. Não é raro ver
guazutis inteiramente brancos
e albinos. Este veado habita
em grandes rebanhos os cam-
pos, nunca, porém, as m2ttas.
Distingue-se por uma grande
agilidade. (Quando é per-
seguido espalha um cheiro
« Le Mazama, Cervus cam-
pestris. — Bois courbés en
avant, s'écartant dês leur ba-
se, et se rapprochant par leurs
pointes; un andouiller à la
face interne, s'élevant obli-
quement; un ou deux sur
andouillers à la face externe
se dirigeant en arritre. Le
bois rugueux à sa partie in-
ferieure. C’est encore M. d’A-
zara qui nous a douné la de-
scription de ce cerf; ii le
nomme gouazuti. Avant lui,
Daubenton, Hist. Nat., t. VI,
en avait fait figurer un bois
comme appartenant à un che-
vreuil d'Amerique. J’ai aussi
vû la tête de ce cerf garnie
de ces bois, qui se trouvait
dans le cabinet de Tenon et
j'ai eu à ma disposition un
graude nombre de ces bois.
Le gouazuti a environ qua-
tre pieds de long et deux
pieds de haut et son bois a
neuf à dix pouces, en sui-
vant les courbures. Son poil
est court, serré, d'un bai rou-
geatre ; les fesses et le des-
sous du corps très blancs:
ses larmitres sont assez de-
veloppées. Les petits, en naïs-
sant, ont de tacies blanches.
Il n’est pas rare de voir des
gouazoutis entièrement blanes
et albinos. Ce cerf habite en
grande troupe les champs,
mais jamais le bois. Il se dis-
tingue par une grande lege-
reté. Lorsqu'il est poursuiv
Mir. Rig.0 « VEADOS DO BRASIL EST. III
REV. MUSEU PAULISTA, Tomo x!
REPRODUCÇÃO PHOTOGRAPHICA COM A QUAL FREDERICO CUVIER ILLUSTROU
A ESPECIE QUE DESCREVEU SOB O NOME DE CERVUS CAMPESTRIS
— 23) —
muito mão. Foi talvez delle
que Marcgrave quiz fallar
sob o nome de Cuguaçú-apá-
ra, e Hernandez sob o de
Mazama ; é este ultimo nome
que no Mexico significa Vea-
do que nós acreditamos de-
ver dar-lhe. »
il repand une très mauvaise
odeur. C'est peut-être de lui
dont Maregrave a voulu par-
ler sous le nom de Coguaçi-
apdra, et Hernandez sous ce-
lui de Mazame, c’est ce der-
nier nom, qui, au Mexique
signifie cerf, que nous avons
cru devoir lui donner.» Fred.
Cuvier, Dictionaire des Sei-
ences Naturelles, vol. VII.
pags. 484 à 485 — 1817.
Neste descripçäo encontra-se, em primeiro lo-
gar
bezoarticus de Linneus.
C. suachapara de Kerr; em segundo o €.
Georges Cuvier, não obstante a clareza do que
acima se leu, e por causa da citação do guazuti,
deixou as duas especies sob a designação dada por
seu irmão (Ossements fossiles — VI, pg. 107 e
outras) O que acarretou toda uma série de citações
erradas e o seguinte artigo de Frederico Cuvier:
«Mazama: Até agora não se
havia publicado deste veado
senão os chifres. E toi Dau-
benton quem os fez represen-
tar e os descreveu como per-
tencendo à uma especie de
Capréolo d'America ( Buffon,
t. VI, pag. 243, n. 640, est.
37, fig. 1). Depois acredita-
mos reconhecer a especie que
se caracterisa por essa quali-
dade de chifres no veado de-
seripto por Azara sob o nome
de Guazuti: e apresentando
um quadro geral do genero
Cervus ( Dict. de Seis Nat.
t. VII, pag. 484) distingui-
mol-a sob o nome de Maza-
ma, que Hernandez pareceu
dar não só como um nome
commum aos veados do Me-
xico e da Nova Hespanha
mas como nome particular a
um veado, cujos chifres lem-
bram inteiramente aquelles de
que acabamos de fallar. Ti-
« Mazama : Jusqu'à présent
on n'avait publié de ce cerf
que les bois. C'est Dauben-
ton qui les fit représenter et
les decrivit comme apparte-
nant à une espèce de Che-
vreuil d'Amerique ( Buffon, t.
VI, pg. 243, n. 640, est. 37,
fig. 1). Depuis, nous avons
cru reconnaitre l'espèce qui
se caracterise par ces sortes
de bois dans le cerf décrit
par d’Azara sous le nom de
Gouazouti: et presentant un
tableau généra! du genre Cerf
(Dict. des Sciences Naturelles,
t. VII, pag. 484), nous avons
distingué cette espèce sous
le nom de Mazama qu Hernan-
dez a paru généralement don-
ner, non seulement comme
nom commun au Cert du Me-
xique et de la Nouvelle Es-
pagne, mais comme nom par-
ticulier à un Cerf dont les
bois rappellent tout à fait ceux
4
veramos então a opportuni-
dade de observar uma cabeça
desse Mazama na collecção
anatomica do fallecido Tenon
e esta hoje se acha na col-
leecio do Museu. Eis ahi as
unicas noções que puderam ser
adquiridas sobre essa especie
de veado; e por mais impro-
prias que fossem para dar uma
idéa nitida etal que a imagi-
nação pudesse represental-a,
os naturalistas não deixaram
menos ue recebel-ano seu cata-
logo, onde ella se encontra sob
o nome de Guazuti — nome
que não havemos admittido
por causa de sua forma extra-
nha e dificil yronuncia em nos-
sa lingua. Não é que a existen-
cia do Mazama fosse duvido-
sa, mas ella era obscura como
o é sempre a existencia das
especies de que o espirito não
póde constituir a imagem;
porque em historia natural a
idéa d'um objecto só é clara
quando este tenha sido visto,
uer em natureza, quer em
desenho e que a memoria con-
serve a sua lembrança.
Podemos, então, completar
em grande parte, hoje, as no-
ções que faltam para o co-
nhecimento do Mazama, ao
menos no que concerne as
suas formas, proporções e cô-
res, pois que possuimos delle
um bello individuo macho, na
menagerie imperial, desde mui-
tos annos : e é deste individu)
que damos a figura.
Mo aan ara nua nana asas mn rene esses
dont nous venons de parler.
Nous avions eu alors Vocea-
sion d'observer une tète de
ce Mazame dans la collection
anatomique de feu Tenon, et
cette tête est aujourd’hui
dans la collection du Musé-
um. C'etait là les seules no-
tions qui avaient pu être
acquises sur cette espèce de
Cerf; et, tout impropres qu'el-
les etaient pour en donner
une idée nette, et telle que
l'imagination put se la repré-
senter, les naturalistes ne l’a-
vaient pas moins reçue dans
leur catalogue, où elle se trou-
ve sous le nom de Gouazouti,
nom que nous u'avons pas ad
mis, à cause de son étrangeté
et de la difficile prononciation
dans na notre langue. C’est
qu’en effet existence de les
pèce du Mazame n'etait pas
douteuse, mais elle etait ob-
secure, comme l’est toujours
l’existence des espèces dont
Vesprit ne peut point se re-
tracer l’image; car en his-
toire naturelle l’idée d’un ob-
jet n’est claire que quand cet
objet a été vu lui-même, soit
en nature soit en dessin, et
que la mémoire en conserve
le souvenir. Nous pouvons
done completer en grande par:
tie aujourd’hui les notions qu!
manquent à la connaissanc®
du Mazame, du moins en cê
qui concerne ses formes, ses
proportions et ses couleurs ;car
nous en possedons un bel in-
dividu mâle dans ia ménage-
rie du roi depuis plusieurs
années, et c’est de cet indivi-
du dont nous donnons la fi-
gure.
Mir. Ri8.0 - VEADOS DO BRASIL EST. IV
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TRE OT
S. LAHERA, PHOT. ET. COP. REV. MUSEU PAULISTA, TOMO XE
Copia da figura do galheiro, dada por Alexandre
Rodrigues Ferreira que, para ser bem julgada, vae
reunida á uma photographia duma armação de
ODOCOELUS novo, de procedencia brasileira.
— 233 —
Dei à especie de Mazama J'ai donné à Vespéce du
o nome latino de campestris ». Mazame le nom latin de cam-
pestris ».
Fred. Cuvier, Hist. Nat. des
Mammiferes Livraison LXV,
Jan., 1832, com estampa.
Em summa, procurando firmar o nosso con-
ceito atravéz dos documentos que viemos discutindo,
temos à nos guiar — primeiro o significado da pa-
lavra tupy, segundo a dignose de Marcgrave para
essa palavra, em terceiro o facto de. Ferreira só
fallar n'um galheiro chamado cuguaçi-apara e
figurar um Odocælus (1) e em quarto logar a iden-
tificação de Georges Cuvier, que acceitamos como
uma restricçäo exclusiva daquella diagnose.
Os factos positivos de nossos dias que susten-
tam semelhantes hypotheses são :
Os termos das affirmativas de Liais e a pelle
existente no Museu Nacional e trazida do Ceara
pela Commissäo Scient'fica Freire Allemão.
Assim, o resultado final a que chegamos, é o
seguinte: Reconhecendo que Suacu-Apdra de Mare-
grave não é o de Piso, a diagnose do primeiro tem
sobre a do segundo uma prioridade de 10 annos.
A primeira designação binaria que apparece para
aquella é a de Kerr — 1792 — que fixou o termo
Suaçu-Apára ; é a que deve ser adoptada.
E” preciso não esquecermos que o terreno da
controversia apenas vae sté 1817; dahi por diante
domina a chrisma Ge Cervus campestris de Fre-
derico Cuvier, de novo confundida com o Guazuti
ou Campeiro por culpa desse mesmo auctor e des:
canso de muitos outros que ainda hoje repetem se-
melhante erro.
A” titulo illustrativo do assumpto, referimos aqui
o que à respeito de Dorcelaphus dichotomus diz
Griffith à pag. 135 do seu Animal Kingdom; (2)
(1) Aires de Casal reforça este conceito : «Ha cinco castas
de veados: galheiros, que são grandes; Suçuaparas ; do matto ;
catingueiros e campeiros (Chorographia brasilica, pag. 71 ).
(2) Cervus comosus, Wagner, Schrebers, Säugethiere,
IV (Suppl.) pag. 368 e est. 241-A (chifre).
« Um exemplar vivo exhi-
bido em Londres, evidente
mente pertence à esta especie.
E'ra aígo menor que a esta-
tura aqui dada; o focinho não
descomunalmente largo, com-
quanto muito conspicuo e as
marcas da cara, bochechas
e pés semelhantes; os chifres
cahidos provavelmente em seu
crescimento durante a viagem
de mar, eram aproximados e
reclinados e curvos para fóra
com uma pequena ponta à
curta distancia da base; ahi
sua direcção, ainda que irre-
gular, tinha principalmente
as partes concavas para fren-
te. Um tinha tres pontas ter-
minaes e outro sómente uma
furca; porém a maior diffe-
rença provinha de uma gran-
de quantidade de longos ca-
bellos prateados no baixo ven-
tre, desde o prepucio, entre
as coxas e passando para cima
até a raiz da cauda, correndo
dahi por ambos os lados até
a sua ponta; como o animal
a tivesse erecta, mostrava uma
apparencia singular. Tinha
quatro a cinco annos presu-
miveis. Sabemos que o vea-
do da Virginia, às vezes tem
um tal pello branco e longo
no ventre e, por isso, não tem
nenhum caracter de impor-
tancia. Seria para desejar que
pudesse ser determinada exa-
ctamente de que parte da
America do Sul fôra trazida,
apenas supponho que foi de
Pernambuco. »
i
«e A living specimen shewn
in London evidently belong
to this species. [t was so-
mewhat less than the stature
here given; the muzzle was
not unusually broad, though
very conspicuos, and the mar-
kings on the face, cheeks and
feet similar: the horns che-
eked, most likely in their
growth during the seavoyage,
stood rather approximating,
and were reclined and bent
outwards. with a small antler
a short way up the beam:
from hence their direction
though rather irregular was
chiefly with the cone ve parts
to the front and side. One
had three terminal snags, the
other only a fork; but the
principal difference arose from
a great quantity of long sil-
very hair on the lower abdo-
men, extending from the pre-
puce between the thighs, and
passing up the root of the
tail, and from thence lining
each side of it to the point:
as the animal carried it erect,
this long white fringe gave
him a very singular appea-
rance. It was judged to be
four years old, rising five.
We have seen that the Vir-
ginian Deer sometimes has a
similar white and long fur
on the belly, and therefore
no character of importance
belongs to it. It where to
be wished that we could have
determined exactly from what
part of South-America he had
been Frought, but think it
was Pernambuco. »
O exemplar desenhado e colorido do natural
pelo auctor, representa uma forma realmente singu-
lar e que referida à fauna do Brasil, só poderia cor-
— 235 —
responder a0 Odocolus gymnotis de chifres aber-
rantes ou à algum cruzamento entre este e Dorce-
lapius azarae. Quanto à D. dichotomus, oppõe-se
a isso, além da fórma e tamanho, a cauda branca
e os pês alvadios com os cascos negros. Quanto à
D. bezoarticus a coloração do thorax e a direcção
do pello do dorso que é figurada como normal.
Não se póde julgar bem das descripções de I.
Smith por causa da confusão produzida por Fr.
Cuvier, identificando o seu Mazaina ao Guazuti de
Azara e sob o none de Cervus campestris. De
modo que o caracter do pello do dorso revertido,
tão bem notado por Georges Cuvier para o Guazuti,
“não éra observado pelos autores d'esse tempo. As-
sim, as tres especies de H. Smith (C. paludosus —
exempl., por elle descripto e figurando como tal)
e mesmo o seu C. campestris, juntos à C. nemora-
les, só produzem indecisão e duvida no estudante que
o consulte,
Foi por isso que Wiegmann aproximou do pri-
meiro o seu 6. gymnotis ao passo que Burmeister
o refere à Dorcelaphus bezoarticus velho, como se
pode verificar da sua Descripção Physica da Rep.
Argentina.
2 — DORCELAPHUS BEZOARTICUS (L.)
Dorcelaphus azarce, Wiegm., et Dorcelaphus
campestris, auctorum, nec Fred. Cuv.
Nomes VULGARES: Guaçu-Ty; Veado-Branco ;
Veado-Campeiro.
Diagnose: E’ pela forma, o mais gracioso dos
veados brasileiros, sendo de estatura mediocre e co-
loração ruivo-baia, com as partes inferiores brancas.
Esta segunda côr occupa a pagina interna e um
pouco do lado infero-externo das orelhas, uma nodoa
entre os olhos e as orelhas, nas femeas ( justamente
o local onde nasce o chifre, ro macho), um annel
periophthalmico. uma nodoa ao lado e abaixo das-na-
“ rinas no beiço superior, todo o beiço inferior, queixo
e garganta, toda a parte inferior do tronco, e parte
interna das patas até pouco acima da articulação do
corpo e do tarso, uma nodoa do lado interno do
calcaneo, região perianal e sub-caudal. A côr preta
só apparece na parte núa nas narinas, na palpebra
superior e nas pestanas da inferior e nos cascos. O
lado supero-terminal da cauda é sépiaceo escuro. 9
caracter mais notavel do pello deste animal é a sua
direcção antevertida, do meio do dorso ao meio
do pescoço, numa facha dorsal d'uns dez centime-
tros de largura. Todo o pello ruivo-baio tem a base
alvadia e a ponta denegrida; o pello branco é uni-
forme e o que fica nos limites entre a zona baia
das partes posteriores do corpo e a branca dessa
região, tem a base mais largamente fusca. O pello
das orelhas é muito curto no lado externo; o do
corpo é basto e o das regiões thoraco-abdominal e
sub-caudal mais longo. O macho tem os chifres
sub-cylindricos ou prismaticos e tri-ramosos, da mes-
ma teição geral de Dorcelaphus dichotomus ; a sua
direcção é uniformemente divergente para cima; Os
Mir. Ri8.0 - VEADOS DO BRASIL ESTE V.
S. LAHERA, PHor. REV. MUSEU PAULISTA, Tomo xt
CRANEO E CHIFRE DE DORCELAPHUS BEZOARTICUS DE LINNEU
Lah wake
A ORA
— 237 —
seus galhos 1 e 2 são sempre os mais fortes, ante
e supravertidos, sendo raro que um terceiro ramo
appareça nessa posição, antes da ponta terminal que,
ceralmente, é inclinada para traz; além dessa di-
recçäo dominante, as pontas offerecem uma ligeira
curva para dentro. Nas partes mais grossas e infe-
riores, bem como na reseta são os chifres deste
veado mais rugosos e sobretudo mais nodulados que
em qualquer das outras especies brasileiras.
O filhote tem todas as caracteristicas de pello
e de feições da femea adulta e, à mais, uma pontuação
de manchas brancas que se estendem pelos flancos, à
partir duma linha que vae da base das orelhas à
da cauda.
No pescoço sé ha essa série que às vezes se
reduz de módo à tornal-a pouco perceptivel. A ca-
racteristica inversão do pello ahi se encontra da
mesma maneira.
Das medidas que mais de perto nos interessam
temos o seguinte quadro comparativo :
| a | E | i |
=a 7 Ea e =
| SE | E | É | = | PROCEDENCIA
se ES Es
Mr Ea A
|
Comprimento , . . . .||1m, 38 | im,260| im, 465 | 1m,333 O material
Godan gee NU 7 16 092 410) aan de Agara fp
E Rengger proce-
Altura anterior. e = «+ q 73 71 — 0,660
de da Rep. do
» posterior. mea 82 755 == 0,770 Paraguay ; o de
Cabeça até a orelha . . . 23 225 | = 0,230 | Natterer e o
@relhade es ONE acess 15 130 130 0,130 | meu de M.
Eacrymalia io ==, 02 — -— 0,025 Grosso,
Do material colligido pela Commissão Rondon
e hoje no Museu Nacional, podemos comparar os
seguintes indices craniometricos.
— 238 —
DORCELAPHUS
MILLIM
|
aalielialid|rs
ï |
Compr. total (1). . . | 244 Zaz 240 il 228
» até a orbita 195 126 13% 135 125
gnatbion Cane 74 67 74 75 66
serie dentaria maxillar. 71 73 68 68 75
extensão palatal (3). .! 143 ee 1p 143 140
> basilar aCe). ||? 224 202 206 216 204
» hemirostral (5), 37 34 39 39 ot
» premaxillar . 58 53 61 49 62
compr. ant. ao extre- | |
mo dos pterygoides . | 164 158 161 159 156
compr. antor, à linha das
ap. paraoccipitaes .| 217 204 | 211 21K 205
compr: dos 3 “p.m, >: BD 22 30 30 34
» D OMIS 36 AL 42 39 44
largura entre os p.m 1. 26 23 30 27 59
» 2 > Part we 34 33 39 33 31
» 57s TM 34 33 40 32 Sb)
maior largura malar. . 93 92 93 89 88
» » LE
HEA : 93 86 95 88 95
distancia entre as para-
pophyses. . . : 40 40 41 42 39
compr. dos maxilares. 119 105 119 116 118
» >» palatinos . 57 — — — 54
» >» hAS4eS 0 A 76 10 81 O a Oi
> » | frontaes: .| 108 90 96 100 90
» » frontal na
linha mediana. . . 74 65 64 ÿ T9
Orbita, diametro vert . 34 36 30 36 37
» » hor . 40 36 3 37 ao
Mandbulart6), Us vi] 1192 180 187 173
> até p, m 1. 65 60 66 LENS
» » m 3 incl. | 145 134 140 154 —
Chifre (maior compr.) .| 240 | 202 — 250 | 248
Procedencia .: . «cs Cab, Arinos | Parana- | Vilhena | Barran-
Parana- | Tapajóz | tinga Matto- | quinho
tinga Grosso | Caiçara
(1) Da orla anterior dos intermaxillares á ponta da protuberancia occipital,
(2300 » » » » linha anterior do 1.º premolar,
TO eg gds wl pk oe » » » posterior do ultimo molar,
(4) ns » » » até o foramen occipital,
(5) | o» » » » » alveolo do canino,
(6) om E» » de base dos incisivos à linha postero inferior,
— 239 —
BEZOARTICUS
ETROS
telushslislis|ko ie ne
|
226 214 222 217 221 216 214 219
124 ala ly 122 123 125 118 119 120
10 66 65 65 70 5 ) 65
70 6% 67 71 69 73 (al 70
145 131 13 135 135 150 131 134
216 182 195 196 193 190 182 189
36 32 ESE (hy ER Fa) 40 33 36 at
51 51 50 OL 54 52 48 50
158 147 146 153 151 149 143 146
207 189 198 199 192 ros 188 185
a 29 3 a ai 92 o1 32
40 42 41 42 41 A4 43 44
24 25 PAU 22 26 23 22 2
ul 32 29 28 32 28 30 26
32 30 40 ol 36 dl 45 29
89 33 80 83 82 82 82 £0
90 83 83 90 82 85 80 83
40 40 35 se — =— 38 —
106 100 100 105 105 102 105 105
57 50 ol 48 54 Do 48 48
64 70 67 70 75 el 61 3
94 76 81 87 88 80 81 83
65 62 63 65 60 65 75 63
32 32 34 39 33 34 31 33
34 do 35 36 35 Do 39 34
183 172 Loue 179 168 172 188 —
63 58 54 57 SE. E 54 —
Ear Pad 125 135 132 133 128 —
Vilhena | Porto | Vilhena | Vilhena | Parana- | Parana- | Parana- | Parana-
Matto- | Esperi- | Matto- | Matto- tinga tinga tinga tinga
Grosso | dião — | Grosso | Grosso
Jaurú
|
NE ET SSR CL SD
“
— 240 —
Costumes: O campeiro vive em nequenas ma-
nadas nos campos do interior, raramente penetran-
do nos cerrados. Encontrei-o aos pares em Vilhe-
na, Matto-Grosso, no mez de julho de 1909 e col-
ligi um feto à termo n'esse mesmo mez. EK’ muito
perseguido pela onça parda que procura justamente
esses momentos de isolamento ou dos amores para
atacal-o, o que tive ensejo de observar.
Quando presente o perigo, da signal batendo
com as patas anteriores no chão; e uma vez des-
coberto. aquelle parte em disparada. Quando em
bandos que, às vezes, constão de 8 à 10 animaes,
foge sem dispersar.
Gosta de beber nos logares limpos, nas fon-
tes dos campos, onde os indios fazem chóças para
esperal-o e caçal-o. Isolado pode ser seguido por-
que foge por pequenas corridas; e só quando ataca-
do pelos cães percorre longos trechos sem parar.
A sua corrida é em linha recta, porém, o animal
della se desvia, se outro perigo surge pela frente.
Domestica-se com facilidade, podendo viver em com-
panhia d’outros animaes, sendo um bello ornato para
os parques; mas na epocha da reproducção torna-
se perigoso porque, aproximando-se das pessãas,
principalmente as estranhas, aggride-as de repente,
podendo produzir ferimentos graves com as multi-
plas pontas de seus galhos. Eu proprio já fui ata-
cado por um desses animaes, no jardim zoologico do
Museu do Pará; entrára, em companhia da directo-
ra do Museu, Dra. Snethlage, no cercado d'um Dy-
nomys quando de nós se aproximou um bello veado
branco que tambem alli se achava. Mal a Dra.
elogiava-lhe a mansidão, elle deixava de me lamber,
as mãos para aggredir-me, do que eu só me livrei
por estar prevenido.
SYSTEMATICA : — Allen, referido-se à duas pel-
les d'este veado, levadas para America dc Norte
pelo Snrs. Miller e Cherrie da Expedição de Roose-
velt que desceu o rio da Duvida com o Coronel
Ronden, assim se exprime n'uma nota :
— 241 —
Lydekker ( Veados de todos
os continentes, pg. 289-1598 )
e Thomas, (Pr. Zool. Soc.
London, pg. 151-1911) crêem
que Cervus bezoarticus Lin-
neu (Syst. Nat., pg. 67-1758
— Cervus cuguapara Kerr —
1792) poderia ser adoptado
para o campeiro do Brasil,
tendo sido esse nome baseado
sobre o Cugwacu apdra de
Maregrave ( localidad : do typo
— Pernambuco ), Entretanto,
até que os veados d'este grupo
sejam melhor conhecidos, pa-
rece acertado empregar o nome
campestris baseado no Gua-
zuti— de Azara, como de-
signação sub-espesifica para
a fórma meridional que dif-
ficilmente puderá ser a mesma
de Pernambuco ».
Lydekker ( Deer of all La-
nds, pg. 289-1898 ) and Tho-
mas, ( Pr. Zool. Soc. London,
pg. 151-1911) believe that
Cervus bezoarticus Linné
(Syst. Naturae, pg. 67-1578
« Cervus cuguapara Kerr —
1792) shoul be adopted for-
the pampas deer of Brasil,
this name having been based
on the Cuguacu--apdra of
Marcgrave (type locality —
Pernambuco ) Until however
the deer of this group are
better known it seems well
to employ the name campes-
tris, based on the Guazoute
of Azara as asubspecifie desi-
gnation for the southern form
which can hardly be the
same as the pampas deer of
the Pernambuco district.
( Allen, Mammals of te Roo-
sevelt Brasilian Expedition —
Bull. Am. Mus. Nat. History
— vol. XXXV — pag. 565 -
1916 ).
Guiado tambem por Thomas, procedi fixando,
com as estampas de ambos os sexos, o verdadeiro
D. bezoarticus de Linneu, quando tratei dos Mammi-
feros da Expedição Rondon, onde reproduzi tres
photographias do veado campeiro &, & e 9, com
as seguintes legendas: D. bezoarticus L. ( C. cam-
pestres, auctorum ).
Linneus caracterisou o seu Cervus bezoarticus :
«O. cornibus ramosis tereti-
bus erectis, ramis tribus. Ma-
« Veado de chifres ramosos
cylindricos erectos, com tres
ramos. Mazama de Hernan-
dez, Mexico 324. Cuguacú eté.
Marcgrave — Brasil 235 —
Piso Brasil - 98 - Ray, Quadr.
- 98 - Habita a America do
Sul ».
zama Hern. Mex. 324. Cugua-
cu — etc. Margr. Bras. 235.
Pis. Bras 98 Ray quadr. 90
— Habitat in America aus-
trali ».
Pela synonymia Cervus bezoarticus de Linneus
corresponderia ao Cervus suacuapära de Kerr se,
— 242 —
antes, não correspondesse ao Mazama de Hernandez
que é uma variedade de Odocælus virginianus dos
auctores e que poderia ser admitt:da como Odocelus
( besoarticus ) mexicanus Licht.
Nesta conformidade, Odocælus ( bezoarticus )
cuguaciapara (Kerr) teria por synonymo, em parte,
o Cervus campestris de Fred. Cuvier ( Dictionario,
7. pg. 484-1817 e Mammifères, Mazama, Descr. e
figura, jan.º 1832) se ficasse provado que a descrip-
cao baseada no craneo, de propriedade do Snr. Te-
non, éra o mesmo de O. gymnotis que, como se
sabe, procede de Cayenna.
O’ra, isso é confirmado por Poucheran ( Op. cit.
gs. 329 e 563). Mas a diagnose de Linneu não se
applica nem à de Hernandez, nem à de Marcgrave ;
quer dizer — a synonymia está errada. A diagnose
de Cervus bezoarticus é exclusiva de C. campestris
de George Cuvier e dos auctores que o seguiram e
nunca o foi O. campestris Fred. Cuvier, como este
mesmo o protestou.
Como adaptar pois a diagnose de Linneu à de
Marcgrave que é, aliãz, a de Kerr, quando os seus
termos são diamentralmente oppostos, é cousa diffi-
cil de admittir, parecendo que o assumpto deve ser
resolvido como se vê no artigo sobre o suacuapara.
Quanto a designação especifica canipestris de
Fred. Cuvier, pelos chifres applica-se exclusivamente
à Cervus gymnotis de Wiegu ann ou cuguapara de
Kerr; e pela core citação tanto ao Guaiuty de Azara
como ao Cuguapara de Kerr.
Contrariado por seu irmão, Frederico Cuvier
repetio, a descripçäo do seu Cervus campestris,
acompanhando-a d’uma bonita figura (o que já re-
produzimos ) e na descripçäo explica elle que o co-
nhecia de varias galhadas e da celebre cabeça que
pertenceu ao sr. Tenon (e que Pucheran reconhece
ser de C. gymnotis ).
Mas si é verdade que elle tenha se referido ao
Guazuti de Azára, foi, diz elle, porque as diversas
peças do Gymnotis existentes nos catalogos d'aquella
pia 0 PU
época, traziam o nome de (Guwazuti sendo até que
so não adoptou este nome por ser de muito dificil
pronuncia para os francezes.
D'onde tiraria Linneu a sua diagnose e o nome
de Cervus bezoarticus? Das descripções de Her-
nandez e Marcgrave nada consta de similhante ao
que diz Linneu. O contrario nos parece se pro-
curamos Piso :
«Do grupo das corças européas existem cutras
indigenas, não muito differentes, conhecidas dos bra-
sileiros por Cuguaçi-etê, sem chifres e Cuguaçit-
apára, com chifres e maiores que as precedentes.
O seu peilo é liso e brilhante, cá e lá variegado
de pardo e ae branco, principalmente nos jovens,
porque as manchas brancas desapparem com o
avançar da edade. Teem as patas duas pequenas
unhas negras e sobre estas duas menores. A cauda
é curta como o sõe nas corças. Os olhos são grandes,
negros e as narinas patentes. Os chifres mediocres,
compostos de tres ramos, villosos, de côr cinzenta
e que elles mudam todos os annos, depois do que
se tornam medrosos. Quando tem os chifres entram
em amores, durando a gestação pelo menos seis
mezes, tempo que é maior nas regiões mais frias da
Europa. Não são muito ariscos pois que se deixam
apanhar com facilidade. Devastam os fructos e as
folhas e tudo depois ruminam como alimento; as
visceras tambem são dispostas naturalmente, como nos
demais ruminantes; e como no gado vacum distri-
buem-se os dentes em ambas as maxillas.
Como constasse, segundo os velhos phi-
losophos que, não sómente algumas aves mas outros
animaes terrestres, entre os quaes os veados e as
corças, fossem desprovidos de vesicula biliar, eu
examinando mais attentamente aquellas duas regiões
em que a Natureza os collcca, figado e intestino,
verifiquei a sua inexistencia, e porque, a não ser
que escapasse à vista ou então fosse substituido por
outro orgão que lhe supprisse as funcções, tão Im-
portante julgo fél na economia animal, ouso suppôr
que não existindo elle nos logares de costume a
— 244 —
Natureza preferio que se collocasse em outro como
na cabeça mais depressa do que negar um tão im-
portante humor. Ainda mais, ha aves que, segundo
Aristoteles, não tem bexiga nem urina; entretanto
possuem o fel. A carne dos veados brasileiros é de
optimo paladar e nutrição e tanto assada como con-
dimentada para a mesa, tem o mesmo sabor e é tão
boa como a dos nossos. Assim como aquellas es-
pecres que tem os chifres cabelludos fornecem um
alimento com a sua carne, tambem se lhes en-
contra no bucho wma pedra que encerra um me-
dicamento que se não deve desprezar, isto é, a
pedra Bezoardica Occidental, por agora menos
celebre que a Oriental e entretanto empregada
pelos indigenas como efficaz contra molestias e
envenenamentos. Esta pedra os caçadores sO mul
difficilmente a conseguem, pois o proprio animal em
que ella se géra quando ferido foge com grande
rapidez e a vomita; e quando isso não é visto pelo
caçador, toda esperanço de possuil-a está perdida,
como se deu commigo e com outros varias vezes ».
Não é portanto, necessario grande esforço para
reconhecer a origem do nome especifico dado por
Linneu ao veado branco, bem como a descripção
que apenas se refere ao chifre.
E da comparação do que diz Piso com o que diz
Marcgrave, tambem se conclue pela diversidade das
especies que essas diagnoses referem e, consequente
impropriedade da synonymia fornecida por Linneu.
Agora, se os auctores que à exemplo de Pucheran
e guiados por Georges Cuvier ( Ossements fossiles,
loc. cit.) insistem em conservar campestris para O
nome especifico de veado campeiro, têm um meio de
evitar a confusão que Thomas veio evidenciar na
sua analyse da 10.* edição de Linneu, adoptando o
alvitre proposto por Wiegmann—o Guazuti de Azära
ter a designação de C. azarce. Eiso texto de Piso:
« Praeter Dorcades Europaeas Brasiliensibus non
multum dissimiles Capreae Indigenae Cuguaci-etê
non cornutae & Cuguaci-apira cornutae praece-
dentibus minores existunt. Pilis sunt splendentibus
Mir. Ris. - VEADOS DO BRASIL EST
|
|
REV. MUSEU PAULISTA, TOMO x1
Copia da figura do Cuguaçú apára de Piso
am
glabris, hine inde fusco & albo variegatis, in pri-
mis si juvenes sint, nam maculae albae accrescente
aetate pereunt. Pés quilibet duas habet ungulas
nigras, & supra has duas minores supra se invicem
positas. Cauda sunt brevi, ut solet in Capreis.
Oculis magnis nigris, naribus patentibus. Cornibus
mediocribus ex tribus ramusculis fabricatis, villosis,
cineratii coloris quae quotannis admitunt; postea
defervescunt & meticulosae fiunt. In uteri cornibus
concipiant, sexque mensibus, & minus aliquando,
in utero gerunt quod tempus in frigidioribus Eu-
ropae regionibus tardus absolvitur. Non adeo sil-
vestres sunt, quin facile circurentur.’ Fructus et
frondes quas depopulantur, omnem denique cibum,
ruminant; viscera quoque naturalia more aliorum
ruminantia disposita sunt, sicut in cornutis, altera-
que tantum maxilla dentatis solet fieri. Quum porro
à veteribus Philosophis testatum sit, quasdam non
solum aves, sed & animalis terrestria nonnulla, in-
terquae Cerva et Capreae, felle carere; ego attentius
eirca duo potissimum loco illis 4 Natura concessa,
hepar & intestina inquirens fel nullum quidem su-
binde comperi; quia forte visum eflugerat, atque
alia aliqua parte diffusam latitaverat, quod fellis
vices illis suppleret, tanto interim feltis necessitas
in corporibus animalium mihi videtur, ut eo non
apparente locis solitis, Natura maluerit collocasse
in capite quorundam pisciculorum, quam in totum
denegasse viscus tam nobile. Imo sunt aves que
teste Aristoteles vesica et urina destituuntur ; tamen
fel ipsis perpetuo concessum esse fatetur. Caprearum
Brasiliensium caro est optimi paiati & nutrimenti,
quae vel assatur, vel aromatibus conditur pro epulis,
ejusdemque plane saporis et dignitatis cum nostra-
tibus. Verum sicut haec capreae species quae vil-
losis est cornibus, carne suam alimeotum, ita lapide
ventriculo contento, medicamentum, praebet baud
contemnendum silicet lapidem Bezoardicum Occi-
dentalem, nunc Orientali minus celebrem quidem,
attamen apud incolas contra mala quoque venerata
in pretio habitum. Quo lapide venatores difficilius
— 246 —
aliquando potiuntur quam ipso animali in quo gene-
ratur, vulneratum enim telo aufigit summo studio,
eructaque e ventriculi fundo per os ipsum lapidem,
quem si non sagaciter observet venatur, spe omni
excidit eo potiundi ut mihi aliisque contigit subinde.»
Piso — Hist. Nat. & Medic. Lib. III pgs. 97-
98 e. fig. — Cuguagi-ete.
3 — DORCEPHALUS DICHOTOMUS (llliger)
Nomes VULGARES : Guaçu-pucü ; Cervo.
DrAGNosE : E' o maior e o mais bello de todos
os veados do Brasil e da America do Sul. Da con-
sulta às auctoridades que o tiveram ao seu alcance,
temos a seguinte tabella de dimensões, na qual tam-
bem incluo os dados directamente obtidos por mim.
Ex Ree) Ê
| Es sem NATTERER MIR. RIB.| PROCEDENCIA
=
de Azara e
| |
of | rot JS g fet O material
Comprimento . +... 1m,880 1m,932 2m,070/2m,100 (3 1m,830/Rengger pro-
cede da Repu
Camda a.) ey 2 ele = Om,190 (1) Om,120} Om,160|/Om,310 (4) Om,120| ..
; | i ; ? blica do Para-
Altura anterior . . . . 11,250! se 1m,270 1m,240 1m,100) suay, o doNat-
E terer d Ara-
Altura mediana . . . . === 1m,040 =— me = ——— e De a
guaya eo da
Altura posterior. . . . “at ——— 1,320 1,475 1m,160|¢ > mmissao
Cobeça, até a orelha . . Om,310, Om,330| Om,340| Om,350| Om,310/Rondon do rio
| | 4 Jaurú (Perto
Orelhas E a ss de Om,190 Om,165 Om,205 Om,215 Om,200 à
; | Esperidião-
| ET ro Sn las lamers — |Matto Grosso.)
IDEA pe CAL A RS Na ,030 (2
Como se vê, seu comprimento maximo vae à
2,m10, da ponta do focinho à dos pellos da cauda,
sua altura anterior vae à 1,25 centimetros e a
posterior à 1,32. Todo o seu pello longo aspero
e lanoso, é geralmente castanho claro unifor me, com
excepção do das patas que são calçadas de sepiaceo de-
negrido, até acima da articulação tarsal ou carpal, su-
bindo essa côr um pouco mais pelo lado interno; e no
focinho, onde ella cireumda a bocca, logo por traz do
1) 5 centimetros pertencem ao pello.
2) Azara encontrou corças com féto a termo em Qutubro e nessa épo-
cha, machos com os chifres cobertos e machos com cs chifres já completamente
desenvolvidos.
3) Até a ponta dos pellos da cauda.
4) Natterer falla em 11 314 pollegadas.
— 248 —
rhinario e se estende atè entre as orbitas em alguns
exemplares do sexo masculino. Em torno dos olhos
um annel branco, por tóra das pestanas que são
negras. Egualmente branco é o pello do lado in-
terno das orelhas. A parte inferior da cauda é se-
piacea denegrida, ao passo que a parte interior das
coxas, o baixo ventre e a garganta são brancos.
Quando o animal está bem desenvolvido, os pellos do
baixo ventre são bem mais longos do que os demais.
Os chifres no primeiro anno simples, porém,
longitudinalmente rugosos e comprimidos na ponta
que é geralmente truncada, desenvolvem-se, depois, de
anno para anno, attingindo em meia edade um maximo
em comprimento que não passa de 50 centimetros ;
e contendo, na forma normal, duas pontas, uma an-
terior e outra posterior, sobre o eixo longitudinal
mediano; assim, cada chifre offerece tres pontas,
sendo a primeira bifurcação à 12 e a segunda à 23
centimetros da roseta basilar. Nos annos subse-
quentes decresce o eixo principal, engrossando mais
e mais, ao passo que augmenta o numero de pontas
atê um maximo de seis para cada lado; já então
perderam elles a regularidade primitiva e, em vez
da dichotomização elegante da meia edade, offerecem
uma galhada menos regular, às vezes achatada e
sempre muito rugosa no sentido longitudinal.
A apparição dos chifres dá-se no mez de Agosto,
devendo a sua queda realizar-se em Dezembro.
Azara affirma serem-lhes os filhotes desprovidos
das manchas brancas, communs às especies adiante
descriptas ; eu proprio recebi um filhote que é total-
mente castanho ferrugineo vivo, com a garganta,
até o pescoço e a pagina interna das orelhas e o ob-
domen, da região umbilical para traz, completamente
brancos; o queixo tem a facha sépiacea transversa
e os olhos, com vestígios do circulo branco tem as
palpebras negras. Dessa côr é uma estreita fimbria
das orelhas.
Não obstante, vi no Museu de Vienna um filhôte
em cujos flancos havia fracos vestigios de macula-
ção alvadia.
Mir. RiB.º
VEADOS DO BRASIL EST. 7
DO a TUE ME on AE PES D
EEE
Fou: Craneo e Chifres de DORCELAPHUS DICHOTOMUS Gu.» PERRET SES
Tomo XI
mr EO
Gosrumes : O primeiro filhóte acima descripto
procede do Rio Paranätinga ; foi conservado vivo al-
guns dias após o da captura, não procurando fugir e
acompanhando as pessôas com grande docilidade. Isso
confirma a asseveração de Rengger de que o cervo,
apanhado vivo, domestica-se com facilidade; 6 de pre-
sumir, porém que, com a edade se torne um animal
perigoso, attendendo-se às suas armas e à sua força.
Em Outubro e Novembro andam os Cervos
em amor, parecendo que os machos não se entre-
gam aos furiosos combates conhecidos para os vea-
dos da Europa e da America do Norte, pois, nessa
épocha, encontrei eu bellos exe: nplares masculinos
‘em sociedade, dormindo à sésta pelo sol das onze,
nos banhados de Porto Espiridião, sobre o rio Jau-
ri. No mez de Outubro encontrei fétos ainda não
revestidos de pello, ao passo que em Novembro vi
pégadas de pequenos cervos ao lado das de adultos.
Embóra em Casalvasco, nos confins do Brasil
com a Bolivia, seja facil encontrar pequenos bandos de
cervos que, ao longe, se deixam ver como gado nos
campos, nas margens do Paraguay sempre os vi solita-
rios. As femeas, principalmente, assim se mostravam.
Em Paratudal, ao Sul de Caceres uns 54 ki-
lometros, não éra raro encontrar-se o Cervo no
meio do gado.
De dia sempre o vi deitado. E’ seu costume
procurar moitas de plantas seccas, onde sua côr se
confunde com a do meio e os chifres com os ga-
lhos, de módo à não ser ráro surgirem elles de re-
pente, fugindo por cima da vegegetação meiã em
saltos tão grandes quão graciosos. Vivem nos campos
alagados ou cheios de corixas; e deitam-se na mar-
gem humida dos charcos. Nos logares onde haja
gado, deixam aproximar os cavalleiros com facilidade.
Rengger diz que o Cervo acuado se defende à mo-
do dos touros, com os chifres, bem como 4 golpes das
patas anteriores, cujos cascos tem os bordos cortantes.
DisTRIBUIÇÃO GEOGRAPHICA :. A zona de distri-
buição deste bello animal, estende-se dos pantanaes
do Chaco paraguavo e argentino, Uruguay, pelos
— 250 —
banhados brasileiros do Rio Grande do Sul e Mat-
to-Grosso ; sertõas interiores de S. Paulo, Minas Ge-
raes pelo valle de S. Francisco até Bahia — Banha-
dos do Araguaya e Paranatinga em Goyaz. Em
Matto Grosso elle acompanha os banhados das mar-
sens do Jaurú e Guaporé até Casalvasco e os do
Mamoré na Bolivia.
Para comparação craneometrica julguei oppor-
tuno reunir os dados constantes das tabellas juntas :
Dorcelaphus dichotomus (Ill.)
CRANEOS adglbæ led ag lea td q RQ
Syn PET Anes A pad) |
Comprimento total . =, SD | 389) 1910) 1305) 805082581807 292
» até a orbita.| 178 | 180 | 170 | 172 176 187 178 164
Gnathion . : 4 98 104 97 92 100 104 103 93
Série dentaria maxillar . 86 85 86 86 84 84 81 86
Extensäo palatal || 183 195 188 180 180 189 182 175
» basilar 4 2734102884 02701106 2624)1/275110 28411278 260
» hemirostral 2 49 54 47 49 50 50 51 45
Comprimento anterior ao
extremo dos pterygoi-
despair É é sl) = — — 2005] 204] rede RO
Comprimento anterior 4
linha das apop. para-
occipitaes . à al == = = 267127012720 270 258
Comprimento anterior 3
D'une ! ' : 40 39 35 40 38 39 37 “4
Comprimento anterior 3 m. 48 48 50 52 4S 50 48 48
Largura entre os p. m. 1 40 45 39 40 40 40 40 35
» » » p.m. 3 49 54 49 44 47 50 44 44
» » PAUL ws If 51 55 49 46 47 51 44 47
Maior largura malar . apa Sik toe 124 105 109 112 112 107 108
» » zygomatica .|| 121 128 117 112 117 417 | 115 110
Distancia entre as para-
pophyses . é || — — |? 60 51 57 = AS =
Comprimento dos maxil-
lares . à «|| 150 | 152 | 156 | 146 | 159 | 161 152 148
Comprimento dos palatinos 77 = == 76 77 WG | = =
» » nasaes 95 95 96 92 103 109 100 88
» » frontaes|| 128 | 137 132 127 121 133 | 117 107
Comprimento dos frontaes
na linha mediana E 85 97 84 83 85 95 83 79
Orbita, diametro ver. ; 40 42 4A 37 39 37 43 37
» » hor. ‘ 38 40 38 38 39 38 38 38
Mandibular A É a, 241 | — 242 | 230 | — 242 DA DNS
» atéeupe me, iia): 88 — 88 83 89 88 ==
» » m, 3 incl, 177 | — 178.) 17 | — 184 AGN Matas
Chifre ( maior compr, ) .|| 440 443 400 132 |(°)275 257 — =
Rio
Piaba,' Para- Porto Porto | Para-| Porto
affl |tudal - Espe- Espe-|tudal -| Espe-
ER )| Para-| Rio |R. S.| ridião rid'äo| M. | ridiao
rs Tenet * ‘l|matin-| Para-| Lou-| Rio | Piuval Rio | Gros-| Rio
ga. |guay .|renço.| Jauru| Rio | Jaurú so. Jaurú
Coll, Mir. |Hoe- |Mir, Para-|Mir, |Mir. |Mir.
Pires | Rib.| hne.| Rib.lguay | Rib.| Rib.| Rib.
RR 222 DE A D LA D SE ART LL DL RE SE ES TT NE e
(4) 1.9 anno, os dentes em muda,
2) Em desenvolvimento não concluido
Dorcelaphus dichotomus (III.)
— 291
MILLIMETROS
NEHRING
GoLor ()
Sexo . A
PU
Compr, basilar , : .|(8) 277
» total ei ADSL
» da orbita a ponta:
intermaxillar E 179
Nasaes, na linha mediana , 92
Largura entre as orlas or-
bitaes posteriores, : 116
Comprimento da série den-
taria maxillar, nos al-
veolos . A 85
Idem mandibular SE
Comprimento da mandibula
( da base dos incisivos
ao condylo ). . 250
J)
290
330
185
97
SDE RE ER LE EP ETT STE ERE EO SESE ST SGA TS CDS EEE SRE Re er ii
(:) Exemplar das collecções da Escola Superior d’Agricultura, sem proce-
dencia, (2) Exemplar de Piracicaba, (3) Nehring mede o compr. basilar do fo
ramen magnum
procedentes de Goyaz, pelo Tocantins,
(4) Craneos comprados no Mercado do Pará, provavelmente
4 — MAZAMA AMERICANA ( Exl.)
Nomes vULGARES : Guaçü-Pita (Sul); suagu-
Pita, Guaçü-êté ( Norte ), Guata-Para, Veado Mat-
teiro ou Matteiro ; Veado-Pardo.
DiasnosE: O pello dos lados da cabeça e es-
pecialmente do pescoço muito curtos e reduzidos,
sendo na região cervical de direcção antevertida,
formando ahi uma roseta mais ou meros dilatada ;
pellos do corpo desenvolvidos e de direcção normal.
O colorido é o castanho ferrugineo intenso, às ve-
“zes a cabeça e o pescoço cinéraceos ; os beiços são
negros bem como uma nodoa nos lados do queixo,
no labio inferior; garganta e mento mais claros, às
vezes baios como o é, de resto, a região interna das
coxas. A cauda tem os pellos da região postero
inferior brancos.
As suas dimensões são dadas na seguinte
tabella :
— 253 —
a
E Si ed ee E E Eê =
AUCTORES SR a a5 E SE Rel SE
RE AR 7 7 ne IEA A ee 2 oe rot A
Compr. total m52 — 12400) — | 17,34) 1",1171",238/1,332/1,206/1,119
> HO tEDAGO,~ 5 + 02,92 0,900! — ae —
RR a grs 8 ge a es .100",2610",118 07,118). — 07 12) 0",162/07,167/0,355/0,191
Altura anterior -, «cv. : “(O28 Pi — o» 685! 07,62] 0", 074/0",071/0,698,0,712/0,68%
PU MEN soa “+ | — 0,86 0,820
He Postenar «Ut a di .| 07,92] — — — om" 65 (00",860 0" ,890/0,810/0,834/0,815
Focinho até a orbita. . . aj — — cm 0™,124/0™,125|0™,101/0™,094
Cabeça até a base da orelha | 07,22) — — — = | O™ 1ST 02,205
2. total oe eee aes | — |0™,224 0" 23717) 07,235] — — —
Grelha; compra === ca .10",110/0",099/0",085 4 0,1]. — [07,095] 0",095/0",090/0,098 0,098
q lates ET Meter ce à .10",060,0",056 0,064) — — — — [0,059
Fos lacrymale Ses: » .10,006| — — — — — —
Cite RE RL RATE os [07,080] — — — ~~ — —
Série premolar superior . . | — e = OC — —
Orbital inferior . . +. | — — — 0%,090,0",095 — —
|
a IS Se
(1) Os pellos da cauda occupam metade dessa extensão (Azara),
(2) Em linha recta,
(2) Até a abertura lacrimal.
(4) Aproximando-se, porque as medidas de Wied vão até a articulação do braço e da coxa respectivamente,
— 254 —
Mazama americana (Erxl.)
CRANEOS ja diba cs laales| ie loo
Comprimento total (4) .|0m,227/0m,208] Om,210 0m,194/0m,207] 0m,208/0m,214
” até a orbita .|0m,113/0m,102] Om,110| Om,101/0m,106| Om,104|0m,113
Gnathion (2) À .[Om,070|/0m,065| Om,069/ 0m,061/0m,066| 0m,163/0m,072
Série dentaria maxillar|0m,064/0m,061| _%,060} Om,061| — Om,067|0m,068
Extensão palatina (3) |0m,132/0m,126| Om,130| 0m,121/0m,125] 0m,129/0m,136
” basilar (4) .|Om,200|0m,187| Om,183| 0Om,173/0m,182} 0Om,182/0m, 190
” hemirostral(5)|Om,037|0m,035| Om,035| 0m,033/0n,083] 0m,036/0m,039
Premaxillar (face pa-
latina) |0m,046/0m,043] Om,041| 0m,038/0m,057) — —
Premaxillar proj. lat./0m,054/0m,054| Om,049 == = = =
Compr. anterior ao
extr. dos ptery-
goides , à -|0m,154/0m,140] Om,143| 0m,050/0m,058] 0m,052/0m,057
Compr. anterior à li-
nha das ap. para-
occipital A .[Om,200|0m,187| Om,187| Om,173|0m,172| Om,180|Om,190
Compr. dos 3 p. mo-||
lares É -|0m,030/0m,029] (Om,027| 0m,028/0m,029] Om,031|0m,031
Compr. dos 3 molares 0m,036/0m,034| 0m,035] 0m,03 = 0m,036/0m,039
Largura entre os Pp.
m 1 E «| 0m,028/0m,026| Om,020| Om,026/0m,022; 0m,025/0m,031
Largura entre os p
m 3 4 3 .|Om,036|0m,032| Om,038| Om,035|0m,040| | 0m,030/0m,039
Largura entre os m. 3/0m,039/0m,035] Om,044| Om,036|/0m,039| 0m,035/0m,040
Maior largura malar |0m,029/0m,095| Om,094| 0m,084/0m,093] | 0m,089/0m,101
” ” zygom.|1m,098/0m,091] Om,093| 0m,085/0m,092] 0m,089/0m,100
Distancia entre as pa-
rapophyses . 0m,027/0m,040 — 0m,040/0m,036) Om,044) —
Compr. dos maxillares|0m,102/0m,0:5| 0m,099] 0m,094/0m,099] | 0m,098/0m,108
» » palatinos .|0m,050/0m,045 Om,046| Om,049|0m,045 — —
” » nasaes |0m,067/0m,062) Om,063| Om,059/0m,062| Om,057|0m,068
” » frontaes ,|Gm,099/0m,096| Om,091| Om,085|0m,094| %m,085|0m,094
Comprimento des fron-
taes da linha me-|
diana .|.0m,074/0m,068] Om,072| Om,062/0m,063| Om,060|0m,967
Orbita, diametro vert |Om,035|/0m,035| Om,03%| Om,032/0m,035, Om,034|0m,035
» ” hor. . {Om,037 0m,035| Om,032| 0m,032/0m,035] 0m,035!0m,034
Mandibular (8) ./0m,180/0m,162] Om,166| 0m,151/0m,156) 0m,150/0m,171
” até os p.
m 1 c 4 .|0m,059/0m,052| Om,057| Om,054|0m,045| Om,054|0m,060
Mandibular até os m.
aumel: - «| 0m,128/0m,120) Om,‘27| Om,117|0m,117| Om,124|0m,131
Chifre ,|,0m,069/0m, 117 — Om,083 Om,074 (*)|Om,080
(o es-
querdo
duplo ) Entre
Rio de Entre Ja-| Jama-
Procedencia -||Matto Matto (8)] Janei-| mary e | ry e
\Grosso| Brasil|Goyaz (7)| Grosso ro Gy Gy
(1)
(2) » ” ”
(8) » ” »
(4) ” ” ”
(8) » ” ”
(6) ” ” ”
(7) Pelle
” ”
” ”
” ”
Pará ( Leg. Herique Silva ).
(8
(*)
Da orla anterior dos intermaxillares 4 ponta da protuberancia occipital.
» linha anterior do 1.° premolar.
» » posterior
do ultimo molar,
até o foramen occipital.
» » alveolo do canino.
da base dos i&cisivos a linha postero-inferior.
da variedade escura a que alguns caçadores chamam de Guata-
Craneo de exemplar morto no Rio Jaurú, com chifre pela primeira vez;
(9) Chifre ainda em formação, devendo ser a 2.8 ou 3.8 muda.
10 ” ” ” ”
, a
anhanga de Rodrigues Ferreira.
pelle deste
craneo representa o Suaçü-
Gray deu desta especie algumas bellissimas es-
tampas, executadas por Wolf nos Proc. Zool. “oc.
London (est. XXII, XXIV e XXVII, figs. 1e 2),
fazendo notar muito bem, nestes dous nltimos so-
bre tudo, a mancha denegrida do terço inferior da
concha auditiva pelo lado interno. Além disso, a
estampa XXII reproduz uma variedade mais escura
desse veado, cujos jarretes ahi são perfeitamente sé-
piaceos. Pelles mais escuras ainda vi eu em mãos
dum caçador goyano que insistia na existencia de
outra especie de Matteiro grande, propria daquelle
Estado. Effectivamente essas pelles reproduziam
bem aproximadamente o colorido de Mazama ron-
dont mais adiante descripto, com porte muito maior
e sem a lunula branca da região antocular superior.
Felizmente o unico craneo que acompanhava taes
pelles pertence hoje ao Museu Nacional e é obje-
cto das mensurações contidas no quadro junto, let-
tra C.
A mais antiga estampa que se conhece desta
especie é dada por Seba, no tomo III do seu « The-
saurum, pg. 71 e est. 44, attribuida, em duvida,
vor Goldfuss à Moschus delicatulus de Shaw e de-
pois à Cérvus nemorivagus.
Pelo que se lê a respeito de Dorcelaphus be-
soarticus, sabe-se que a especie de Shaw póde ser
um filhote daquelle veado ou de Odocelus ; e pelo
que adiante se lê a respeito de Mazama simplici-
corms tambem se conclue nada ter que ver C. ne-
morivagus com M. americana.
A estampa de Seba reproduz os caracteristicos
do filhote de Mazama americana, de que Azara,
o descobridor da especie, refere da côr dos paes com
os flancos maculados de branco.
Cuvier refere exemplares recebidos de Cayen-
na com as cores reproduzidas por Seba, aos quaes
reune um exemplar procedente do Brasil ( « Osse-
ments fossiles », VI, pgs. 113-1832), cujas man-
chas são avermelhadas.
Belg
O Museu Nacional possue um exeniplar colori-
do como o figuram Seba e Cuvier, mas differindo
em ter a linha interna das maculas dorso-lombares
se estendendo, fundidas em linha, até perto da base
das orelhas, como succede em Dorcelaphus bezo-
arlieus ; não ha, porém, a macula branca perioph-
talmica nem a dentre os olhos e as orelhas, nem a
outra, mais nitida, da glandula do tendão de Achil-
les. ;
,
O pello da região cervical é revertido, como
no adulto.
Um exemplar, pouco maior e procedente de
Urucum, M. Grosso. pela Commissäo Rondon, tem
us pellos do tronco, parte posterior, terminando em
cor escura em grande proporção; a cabeça e O
pescoço com o denegrido característico e a caracte-
ristica faixa de pellos revertidos da região cervical;
os pellos do baixo ventre são brancos; a linha de
maculas dorsaes internas vão até perto da base das
orelhas, sendo porém muito estreitas e quasi im-
perceptiveis. Outro exemplar, procedente de Matto
Grosso, pela mesma Commissäo, tem as cores assi-
gnaladas por Alexandre Rodrigues Ferreira para o
Suaçú-anhanga, isto é vermelho, de lombo preto,
donde se conclue que esse nome tupy procedente
do Norte, só se applica à M. americana, ao con-
trario do que pretendem alguns escriptores pirra-
ceútos.
Da tabella de mensuracdes dos craneos, dada,
conclue-se que a apparição dos chifres coincide com
o fim da muda dos dentes; e que, emquanto a ar-
mação, ella se desenvolve até meia edade em com-
primento decrescendo dahi para engrossar na base
e mesmo multiplicar-se ( exempl. a). Um craneo
imperfeito e colligido por mim em Carvão, perto
de Cáceres (ilha da Caiçára), Matto Grosso, tem a
haste esquerda com uma ramificação analoga à que
se observa em. Dorcephalus bezoarticus, ou mais
Justamente como o figurou Saussure para M. tol-
teca.
Cosrumss : — O veado pardo vive solitario nas
mattas densas da America do Sut, procurando, nos
logares habitados, as proximidades das planiações
que elle gosta de percorrer pela madrugada, fa-
zendo estragos sobre tudo nos feijoaes. Durante
o dia dorme no interior das mattas, procurando os
logares seccos.
Conhecedores desses costumes, os sertanejos
usam, às vezes, esperal-os em girãos eievados, para
evitar que o animal, extremamente cauteloso e
muito arisco, não dê pela sua proximidade, quer
pela vista quer pelo olfacto. Fôra dessas circum-
stancias, o veado pardo só póde ser desalojado dos
seus retiros por meio de cães, os quaes elle pro-
cura iludir, buscando o curso dum rio, em cujas
aguas se deixa carregar para sahir em ponto dis
tante do que se fazia a batida. Tambem é uso ca-
çal-o com armadilhas, em que se deixa apanhar
com relativa facilidade.
Quando estã em repouso, pela manhã, no cen-
tro das mattas, deixa-se aproximar com facilidade,
e, em Matto Grosso, no alto Juurú ( Salto Alegre);
matei um novo (cujas dimensões do craneo vão re-
produzidas na tabella sob a lettra d) depois de lhe
ter andado proximo e abatido à tiro, à sna vista,
um dos tres Hapale melanurus que figuram na
minha memoria sobre os Mammiferos da Commis
“são Rondon.
A épocha do parto é assignalada por Azara,
Rengger e Pucheran, para Dezembro e Abril.
“A pelle procedente de Urucum, acima referida,
foi obtida no mez de Janeiro, outra do Jamary tem
a data de 17 de Julho.
DIsTRIBUIGAO GEOGRAPHICA: — O Suaçú-Pitá,
nome que Azara diz significar veado vermelho,
é o maior veado de chifre simples de todo o Bra-
sile paizes limitrophes, vindo a sua área geogra-
phica desde as Guianas e Perú, ao Norte, até o
Rio Grande do Sul, Paraguay e Argentina Septen-
trional, ao Sul.
— 2598 —
SYSTEMATICA : — « Moschus rufo-fuscus, ore
nigro, gula alba» foi a primeira e mais succinta
descripção dada por Erxleben em 1777 de um mat-
teiro, devendo a designação supra prevalecer sobre
a M. rufa de Illiger, de 1811, conforme reconhe-
ceram Osgood (1) e Thomas (2) por uma sim-
ples questäo de prioridade (3).
Allen, ( American Deer of the Genus Mazama ;
Bull. Amer. Mus. of Nat. History — vol. XXXIV
— 1915) dá uma detalhada mensuração de varios
craneos que obteve na America do Sul e, especial-
mente no Brasil. O material do Brasil provém da
Commissäo Roosevelt-Rondon, de que foram colle-
ctores dous preparadcres do Mus. de N. York (Cher-
rie e Miller ).
Transcrevendo esses dados devemos declarar
que consideramos Mazama trimtates, M. juruana,
M. fucata e M. zainora boas variedades de M.
americaca, que não separamos de M. rufa, como
o faz Allen para o material de Matto-Grosso. Âfa-
zama gualea, no nosso intender deve ser levada 4
synonymia de M. simplicicornis ( ger) como va-
riedade local :
(1) Field Columbian Museum Publication — 1912 —
vol. X n. 5 — pg. 43 nota.
2) Annals Mus. Nat. History, vol. II, 8.º Ser. n. 66 —
pg. 585 — 1915.
(1) Veja-se na pg. 264, a transcripçäo de Illiger.
Allen, Amer. Deer Gen. Mazama
| ES les SES ses es | | S ss
r |ES ES Esse ESE Si: < E E E E ES ES =
Formas SEO ot SE OTESSC+ Eds re OF SO RÃS) =O ë 3 SE O4
Bs AS Is sy SEE [EE | à este
ies | E 3
CORPO :
Compr. total . . . 3 : A á im,118 — 1m,140 — im,100| 1m,420} 1m,050 — 1m,350 — im,370
» verts cauds = : : ' E Om,127 = Om,164 — — — — — — 1m ,080
Altura nas espaduas à k = E 5 Om,645 — Om,812 — EE ES = E = 23 psi
Circumferencia , = a ng a . Om,711 — Om,785 — = = = = = = =
Membro anterior ‘ ‘ S ú E . Om,396 — — — = = ES, = == = +
» posterior , > 3 5 : = — — = — = = = = = 2 =
Orelha A - 2 See - - 5 Om,089 — — — = = = — = = =
Da ponta do focinho a base da orelha , : Om,205 — = — = = = = = as =
CRANEO ;
Compr. total . - . . : . . Om,220| Om,210; 0m,228) Om,234| Om,207| Om,217| Om,213| Om,206| 0m,209) 0m,210) ‘Om,201
» condylo basal , . | Om,210| 0m,203] Om,214| Om,222| Om,198| 0m,208] 0m,203] Om,193| 0m,196] Om,200| Om,193
» occipito-nasal + « + || Om,188| 0m,178] Om,194| Om,#90| Om,175] 0m,184] 0m,184] Om,172| Om,198| — Om,174
» preorbital . . = E É = Om,115| 0m,104] Om,116| Om,124| 0m,107] Om,113| Om,111| Om,102} Om,106| Om,105; Om,104
Largura zygomatica . é À 2 A . Om,099 — Om,100| Om,092| 0m,090] Om,093| Om,090| Om,091| 0m,093] Om,096| Om,087
» orbital ë - E 5 É . || 0m,100) 0m,092] Om,1C0 Om,091| Om,086| 0m,092] Om,092| :Om,091| 0m,094| Om,09%| Om,87
» interorbital. . . LE . || Om,048| Om,042) Om,045| Om,051| Om,044| 0m,045] Om,045| 0m,045] 0m,049] Om,056| Om,040
» occipital É : É : - . || Om,065| Om,061| Om,065 Om,072| Om,058| 9m,059} 0m,059] Om,057| 0m,052] Om,064| Om,061
» da caixa craneana , = E E Om,062| 0m,067] Om,065 0m,067| Om,065! Om,059| Om,061,5! 0m,062] Om,067| Om,061| Om,061
Nasaes . : 2 . ‘ , : . ||0m,068X | 0m,068X| Om,023 — —|0m,062X| 0m,066X| 0m,078><| 0m,058><| Om,065>< — |0m,064X
Om,029 |0m,025 Om,028 |Om,020 |0m,028 |0m,021 |Om,026 Om,022
Fila dentaria maxillar . . . . || Om,068| 0m,062] Om,061| Om,073| 0m,062.5| Om,061.5| 0m,060/0m,065.5] 0m,059] 0m,065] Om,65
M 18, : é : ; = : : . || Om,030| Om,028} Om,027| Om,042| Om,029| 0m,027.5 — — = 0m,029) Om,030
Chifre direito, desde a rosa , : - : Om,118 — — — = = Om,094| Om,078 == Om,066 E
Diameiro da rosa , : : : : . | Om,021.6 = = = = — — — = Om,019 —
Base ossea (1, interna) , E 5 : E 0m,012 = — — = = == = = Om,011 =
CRE) 5,0 — S 2 #66 um aro ibe o al A
“RE DE Es E 6 | 4 8 |US Sioa Siva 8) Sa
Procedencia 2 6 : : - a > S35 E 228 ER eo FE ees efsk cÊes TE =
RTE E Rss E dE E HOUR | 50 | BOS De 5
Sis = iq (6) DE Da vp So | reek ey SE es) a
5 — MAZAMA SIMPLICICORNIS (lil. )
Nomes vuLGAREes : Veado-Virä; Catingueiro ;
Suaçu-Catinga ; Virôte, Guaçú-Bira.
DraGNosE: Pela estatura este veado é o que mais
se aproxima do « Matterro », anteriormente descri-
pto, se bem que menor em porte; e tanta relação
ha nas suas formas anatomicas que muitos auctores
o consideram, apenas, como veriedade d'aquella es-
pecie.
Os dados que podemos auferir de diversos au-
ctores que delles se occupäram, vão reunidos na
tabella junta :
=e | SE Es - | Natterer ool,
A IAE ES SE & su
uctores | E2| SE | £2) à sso
= =— Vw S DS
E pee: | St q [Bs
h
Cabeca, . E .|Om,198 |0m,229 |0m,204/0m,200; — |Om,209()| 0m,200
Orelha 3 à .| 0m,098 |Om,112 |Om,083| — — |Om,114 —
Comprimento total .|| 1m,082 |1m,242 = — 44m,050/1m,195 im,139
Corpo A 3 dl — — Om,782 — — — =
Altura anterior, «| 0m,672 |Om,610 — Om,535 |0m,698 | Om,672 —
» média , RE — Om,685| — — = Om,580
Cauda, sem pello — |Om,152(2)|Om,076 — — |0m,090 Om,100
» com pello .||0m,178 |Om,229 — — Om,160 Om,160
Chifre 4 4 — 0m,095 — |0m,085 — —
Dist entreas bases , — Om,057 — -— — = =
» » » pontas ,|| — 0m.060 — — — — —
A coloracão dum adulto, colligido por mim em
Tapirapuan, Matto-Grosso, é canellina sépiacea para
o dorso, amarellada-mate para a garganta e parte
inferior, ferruginea para a axilla e para as ancas;
fronte, pagina externa das orelhas, sépiaceas; mãos
e pés sépiaceos anteriormente, ruivo-canellinas pos- -
(1) Goldfuss refere essas medidas segundo Azára.
(2) Ha differença de 2 4 2 e 1/2” de pello ou 77 mm.
(3) Mus. d’Hist. Nat. de Paris (n, 525 do Cat ) e Mus, d’Anat, Comp.
de Paris (ns. 2.208 e 2.225) St Hilaire e Delalande.
(4) Até a orelha.
(5) Exemplar levado de S, Paulo e conservado no Museu de Berlim
onde tomei as medidas supra. A coloração era a commum do Catingueiro um
pouco mais viva, o pescoço mais grisesccente, os pellos das coxas e da cauda
bem fornidos.
— 261 —
teriormente ; supercilios canellinos, orelhas amarel-
ladas internamente, pello inferior da cauda amarel-
lado albicante. O pello do tronco tem a base al-
vadia, o meio sépiaceo e a ponta amarellada, donde
o resultado grisecente da côr geral deste veado.
Dos auctures antigos, Rengger é quem melhor o des-
creveu e assim largamente lhe refere a cor: « Pellos
no lado superior e parte externa do corpo, geralmente
cinéreo vardacento com uma mistura de vermelho
amarellado, de que se encontra um annel em cada
fio, logo abaixo da ponta; a fronte é cinérea par-
dacenta, o contorno dos olhos vermelhc amarella-
do, o lado interno das orelhas, branco amarellado ;
desta ultima côr são egualmente a garganta, o pei-
to, entre as articulações dos membros anteriores, o
ventre até o anus, o lado interno das extremidades
e inferior da cauda. O lado superior desta e al-
guns longos pellos da orla posterior das ancas, tem
uma coloração vermelha. Vê-se lhe, porém, com
frequencia, modificações da côr; assim, em alguns
individuos, os beiços são brancos amarellados, em
outros toda a cabeça e parte inferior das extremi-
dades pardacenta cinérea; ainda noutros mostra-se
o lado inferior do pescoço de um cinéreo pardo
cambiante para vermelho amarellado e, finalmente,
em muitos a região perianal é amarella alvadia e o
lado superior da cauda da mesma côr que o dorso.
A côr dos filhotes différe da dos adultos do modo
seguinte :
As orelhas são cinereo-pardas internamente, so-
bre a linha dorsal mediana corre uma estria parda,
os lados do pescoço vão do cinereo pardo intenso
ao cinzento puro, o ventre é branco amarellado,
bem como o lado interno das extremidades na sua
metade superior e no resto vermelho amarellado ;
finalmente, tres filas de manchas ovoides, brancas,
correm de cada lado do tronco — das espaduas à
orla posterior das coxas». (1)
(1) Naturg d. Seaugethiere von Paraguay, pg. 350-
1830,
ose
Muito propositalmente transcrevi as palavras de
Rengger que, alêm de exactas referem-se à mesma
especie de Azára e de llliger, sobre a qual vieram
depois fallar quasi todos os auctores que se lhes
seguiram.
Examinemos agóra o craneo do Suacu- Virá.
Uma série de 7 craneos, offerece os seguintes
indices numericos.
ng g O AU d eg ofe
Comprimento total, \ Gm,182| 0m,172| 0m,187 |Om,173|0m,172 |Om,175| Om,183
» até a orbita || 0m,089| 0m,''84! Om,089 | Om,085|0m,085 |Om,082| Om,09%
gnathion [0m,057| 0m,053 | Om,051 | Om.055 |0m,055!/2| 0m,054 | 0m,058
série dentaria maxillar . 0m,054 | 0m,052 | 0m,056 | Om,052|0m,050 |Om,051 | 0m,057
extensão platal i «| 0m,106| Om, 103} Om,107)0m,105}0m,107 |Om,105|0m,113
» basilar’ . Om,152) 0m,152/0m,164|0m,148/0m,158 |0m,153|0m,164
» hemirostral — .|,0m,031 | 0m,030 | 0m,026 | 0m,027|0m,032 |0m,026} 0m,027
» premaxilar (Fa-
ce palatina) .|Om,034| — Om,036 | Om,039 | Om,0311/2|0m,028 | 0m,035
» proj. lateral .|/0m,037) 0m,044 |Om,042 | 0m,038 | Om,041:/2|0m,040|Om,048
comp. anterior ao extre-
mo dos pterygoides |0m,124 | 0m,116|0m,124|0m,111/0m,116 |0m,113/0m,119
ant. da linha das
apop. paraoccipi-
taes , 0m,160) 0m,155/ 0m,163/0m,147|0m,158 |0m,151|0m,168
dos 3 premolares. 0m,024| 0m,025 | Om,023 |0m,024 |0m,025 | 0m,024 | Om,027
» dos 3 molares | .|0m,030| 0m,030 | 0m,033/0m,030| 0m,028 |0m,029|0m 033
Maior largura malar .||Om,077| Om 075 | 0m,082/0m,059| 0m,075 |(m,069|0m,074
Fv yw,
» » zygomatica | 0m,083 | 0m,074 |0m,083 | 0m,075|0m,076 |0m,071|0m,078
Distancia entre os para-
occipitaes . .|Om,058| — 0m,049/ 0m,026|0m,033 |0m,033/0m,036
Comp. dos maxilares .|'0m,092 Co 0m,089/0m,083}0m,085 | 0m,085|0m,090
» » palatinos . |0m,042 0m,042|0m,041|0m,044 |Om,042|0m,042
» » nasaes , «| 0m,055 Om, 054 | 0m,056/0m,049]0m,050 |9m,050|0m,051
» » frontaes |! 0m,080| 0m,075|0m.098 |0m,070|0m,075 |0m,079|0m,076
» » » linha
mediana | 0m,059/0m,059/ 0m,067 |0m,057,0m,056 |Om,060|0m,063
Orbita, diam, vert. - ||0m,028 | 0m,028 | Om,028 | 0m,026| 0m,029 |0m,028] 0m,028
» » hor. . |/0m,029| 0m,029 | 0m,024 | 0m,030| 0m,028 |Om,028 | Om,030
Mandibular , a ./0m,141/0m,133] — 0m,137/0m,144 |0m,134/0m,145
» até p. m. 1,/0m,046/0m,040) — 0m,044 | 0m,045 |0m,042| 0m,051
» » m3 inclu-
sive .||Om,106|Om,095| — 0m,100/0m,102 |0m,099| 0m,112
Chifre . 4 . || 0m,088 | Om, 104 | Om, 123 — — — —
ais n | à º
a a Sa de ER
Sie NN IPS nie = = =
Procedencia , EO) As ES a 35 E É 2
‘Bo Em i? no E u Le
ag | Sa | © a2 a A sa
E E A & ° O
|. à MINES =
(1, Exemplar do Museu Paulista,
(2) » » » » ‘coll. Koseritz.
(3) O animal estava entrando na muda dos dentes,
(4) » » » no meio da muda dos dentes,
GP “Sed YXINNV VTTAAVL VA & OINVHO
IZHISZOY “VA (///) SINHOOIOMIANIS VWVZVNW
IX owoL ‘VISTINVS NASNW “AIN ‘LoOHd 'SINONINWOCG ‘|
z 4 y ? OS : gt it OT L ) : 6
1aSS4M
INA “LSA USVIS Od SOGVIA - o MY “WW
— 263 —
Costumes: — O Catingueiro é um dos veados
mais familiares ao viajante das regiões campestres
e catingueiras do interior e do Sul do Brasil, por-
que a sua apparição é frequente e porque os logares
que prefere não tem o matto elevado que o occulte
à vista.
EK’ muito mais diurno que o Matteiro e gosta
de percorrer as estradas pela tarde e pela manhã.
A sua defesa consiste na rapidez da fuga: im-
possibilitado d'esta. porém, resiste com o gume cor-
tante das patas ou com os chifres, com os quaes
póde produzir ferimentos perigosos.
Obtive filhotes de cerca de 1 mez em Novem-
bro. Em Março, Natterer obteve uma femea prenhe
com o féto ainda nú e pequeno. Rengger da De-
zembro e Abril para a epocha do parto.
DiSTRIBUIGAO GEOGRAPHICA : — O Virá encon-
tra-se na mesma área de dispersão do Matteiro,
exceptuada talvez a zona de mattas do Nordeste
brasileiro.
SysTEMATICA: — À série de auctores que se
tem occupado do Virá, tem lhe produzido a con-
fusão com a que se segue, evidentemente baralhada
pelo recurso de que todos se valiam de descripções
anteriores.
Fitzinger que foi o re que mais extensa-
mente se occupou deste grupo, antes de Lydde-
kee, assignála-lhe uma extensa lista de synoymos,
encabeçados pelo titulo Doriceros nemorivagus (Fr.
Cuv. ),
Todas as suas citações Ora se E a M.,
nemorivaga ora à M. simplicicornis; e as que fo-
gem d'esses dous titulos são: 1.º Cer surinamen-
sis Seba, Thes. T. 1, pg. T1 — est 44 — fig. 2, TSA.
2º Moschus delicatulus Shaw., Gen. Zool. vol.
II, pt. II, pg. 259 — ( 1802 ).
3.º Tragulus meminna. Sundv. Vetensk. Akad.
Hand]. 1815 — pg. 523, n. 3.
— 264 —
Como é sabido, foi Azára quem primeiro se
occupou do veado — Verá do Paraguay, nas me-
morias escriptas de 1783 atê 1796, traduzidas do
manuscripto inédito desse autor por Moreau Saint
Meri em 1801 (anno IX da Republica Franceza —
vol. I, pgs. 2 2°36 2 vole 08;
Em 1811 Illiger deu ao veado em questão o
nome de Cervus simplicicornis, ( Abhandlungen
Akadem. Berlin, pgs. 107 e 116 — 1811):
« Porém Cervus rufus, « Aber Cervus rufus, ( Gua-
( Guazú -pitá Azära) e Sim-
plicicornis ( Guazubira Azá-
ra), tem apenas chifres lisos
e simples e de algumas pol-
legadas de comprimento. Ao
zü-pità Azära) und Simpli-
cornis ( Guazubira-Azára ) ha-
ben nur einige zoll lange
spitze glatte ungetheilte Hér-
ner. Zu den Rufus rechne
ich als Weibchen den Mos-
chus americanus des Systems,
und als junges den Moschus
delicatulus Shaw. »
Rufus reúno eu como femea
o Moschus americanus dos
Systemas e como joven o Mos-
chus delicatulus de Shaw. »
Como se vê, pelo que diz Illiger, não ha fu-
gir — a primeira designação binaria do Virá é C.
semplecicornis Mliger. Mas nem isso está em du-
vida — está em duvida que a partir de 1817 —
depois que Frederico Cuvier confundiu com essa es-
pecie a do « Veado-Roxo», a maior confusão tem
vindo até hoje ministrada pelos auctores — inclusive
Brooke e Lyddeker que, embóra reconhecendo a
distincção entre as duas, conservaram para a se-
gunda o nome de nemorivagus e de modo algum
resolveram este problema de Taxonomia.
Gomo Fitzinger e, antes delle já Goldfuss im-
plicitamente, em 1836 tambem o fizéra, os aucto-
res modernos (1) têm toda a razão em reunir &
(1) Desse numero não é Allen ( Bull. Amer. Mus.
Hist. Nat., vol. XXXIV, pgs. 523 e outras (1915):
«Como o nome Cervus simplicicor-
nis, Ill, e Cervus nemortvagus F. C.,
foram dados à especies inteiramente dis-
tinctas, ambos os nomes são respeita-
weis »,
«As the names Cervus simplicicor-
nis, Ill., e O. nemorivagus F. Cuv.
were given to quite different species,,
both names are available »,
Ono VASTAV DASOW "Aa IZ}U8Z0H 24 (111) SINHOOIONIANIS VINVZVIN tona ÉSANONINO( “Í
XI ‘157 IISVUY OG SOQVAA = os ‘IN
— 265 —
synonymia de M. simplicicornis Mazama nemori-
vaga de I’. Cuvier; leiamos este ultimo auctor :
«O « cariacú », Cervus ne-
morivagus. Chifres em forma
de adaga, rectos, sem den-
tes caninos; um « rhinario ».
Daubenton deserevera a fe-
mea deste veado mas foi ain-
da à D’ Azdra que nós deve-
mos a descripção completa da
especie. Os caractéres que eu
lhe dou foram tirados de
muitas cabeças de cariacús
que possue o Museu. (1)
Este” animal tem cêrca de 40
pollegadas de comprimento e
dous pés de altura. Seus chi-
fres têm 2 ou 3 pollegadas ;
sua côr é de um pardo ciné-
reo. A cauda é branca infe-
riormente ; os labios e a parte
inferior da garganta são ama-
rellados ; o contorno dos olhos,
o interior dos membros ante-
riores e o peito até as coxas
são dum branco canellino, A
femea, diz M. d'Azúra, pare
dous filhotes pintados. Esta
especie, segundo o mesmo au-
ctor vive solitaria no meio
dos bosques ; mas parece, se-
gundo outros, que tambem se
encontra no meio dos panta-
nos e junto do littoral. En-
contra-se nas mesmas partes
da America como a especie
precedente. O nome de ca-
riacú é o que ella tem na
Guyana e foi deila provavel-
mente que fallou Hernandez,
sob o nome de Tema-maza-
ma. Comquanto tenhámos pa-
ra cada especie que descre-
« Le Cariacou, Cervus ne-
morivagus. Des bois en for-
me de dagues, droits, point
de dents canines; um mufle.
Daubenton avait décrit la fe-
melle de ce cerf; maïs c'est
encore à D’A:dra que nous
devons la description com-
plète de l'espèce. Les cara-
ctères que je lui donne ont
eté pris sur plusieurs tètes
de cariacou qui posséde le
Museum. Cet animal a en-
viron 40 pouces de longueur
et deux pieds de hauteur.
Les bois ont deux et trois
pouces ; la couleur est dun
brun grisâtre. La queue est
blanche en dessous ; les lèvres
et le dessous de la gorge sont
blanchatres: le contour de
l'oeil, interieur des membres
anterieurs et la poitrine jus-
qu'aux cuisses sont d'un blanc
teint de canelle. La femelle,
dit M. d'Azára, met bas deux
petits tachetés. Cette espèce,
suivant le même auteur, vit
solitaire au milieu des bois,
mais il parait, suivant d'au-
tres, quelle se rencontre aussi
dans les terrains noyés, et
près des bords de la mer.
Elle se trouve dans les mé-
mes narties de l’Amerique
que l’espèce precedente. Le
nom de cariacou est celui
qu'elle porte à la Guyane
et c'est d'elle vraisemblable-
ment dont Hernandez a par-
lé sous le nom de Temama-
(1) Além da amplitude de tal diagnose, se considerarmos as 3 primeiras li-
nhas de F. Cuvier como sufficientes, quando, na verdade ellas se applicam a
todo o genero Mazama, «as muitas cabeças de Cariacou que o Museu de Paris
possue, são da Guyana e do Brasil (Minas Geraes).
na diagnose de F. Cuvier.
Todas ellas estao incluidas
/
266 —
vemos, as que estão indicadas
com uma verta clareza nos
autores, não pensamos que sua
identidade seja fora de du-=
vida; e, como ha muitas ou-
tras nótas sobre os veados da
America de que não nos foi
possivel fazer applicação, é
muito provavel que haja ain-
da, no novo continente, vea-
dos que nos são inteiramen-
te desconhecidos. Entretanto.
delles não faremos menção
aqui porque nada poderiamos
dizer com exactidão bastante
e sufficiente ».
Fr. Cuvier — Diction. des
Sciences Nat... vol. XVII —
pags. 485 e 486 — 1817.
zame. Quoique nous avons à
chacune des espèces que nous
venons de décrire celles que
se trouvent indiqueés avec
une certaine clarté dans les
auteurs, nous ne pensons pas
que leur identité soit hors de
doute ; et comme il se rencon-
tre beaucoup d’autres notes
sur les cerfs d'Amérique dont
il ne nous a pas eté possible
de faire application, il est as-
sez vraisemblable qu'il existe
encore dans le nouveau con-
tinent des cerfs qui nous sont
entièrement inconnus. Ce-
pendant nous n’en ferons po-
int mention ici, paree que
nous ne pourrions rieu dire
d'assez exact e d'assez pré-
cis.» (Fr. Cuvier, Dict. des
Scienc. Naturelles, vol. XVII,
pags. 485 et 486 — 1817. »
E” evidentemente impossivel dizer que esta des-
Era se refira ao carvacu guarapi «quando for
i DAsdra que nôs devemos a descripção da es-
hee » e quando os caractêres, tirados das muilas
cabeças que o Museu (de Paris ) possue — encerram
depois disso,
Paraguay.
tudo quanto se refere
a forma do
Ainda com referencia ao Cariacow de Dauben-
ton diz G. Cuvier:
« Nos nos asseguramos pri-
meiro relativamente ao Ca-
riacou ou corça de Cayenne
descripte porDaubenton, t. XII
XLIV. Sew esqueleto que
ainda existe no Museu, com-
parad» com o da nossa corca
da Luzziania, não offerece dif-
ferenca alguma; e lendo a
descripção de Daubenton vê-
se que é a do nosso animal
em habito de inverno sem que
d'elle possa ser differenciado».
E mais adiante:
« Nous nous en sommes as-
suré a'abord relativement au
cariacou, ou biche de Cayenne
décrit par Daubenton, t. XII,
pl. XLIV. Son squelette, qui
existe encore au Muséum,
comparé avec celui de notre
biche de la Luisiane, n offre
point di différence; et en li-
sant la déscription de Dau-
benten ou voit que c'est celle
de notre animal en habit d’
hiver, sans qu'on puisse l’en
différencier ».
VISHIAVE MASOW AM IZ}H0ZOM VPA (7) SINHODIDNAIAIS VIAVZVIN ron ‘sanontwod 1
IISVHY Od SOUVAA © o' Aly SIW
Sas ia
ho Eta Ts Mp A
— 267 —
« Não é tão pouco o caria-
cou de Daubenton que, como
acima dissemos, é a especie
de veado da Virginia, vw ao
menos o veado branco ou dos
mangues que re resenta em
Cayenna o da Virginia ».
« Ossements Fossiles pgs.
68 e 111 VI vol. — 1835.
Ce n’est pas à beaucoup
près le cariacou de Dauben-
ton, qui est, comme nous
l'avons dit ci-dessus, de l’es-
pèce du cerf de Virginie, ou
du moins de ce cerf blanc,
ou des Palétuviers, qui re-
présente à Cayenne celui de
Virginie.
Lyddeker assim se exprime
sobre o assumpto :
«O typo do Genero Dory-
ceros que, segundo Fitzinger
distingue-se de todas as fór-
mas precedentes pela ausen-
cia de glandulas e tufos tar-
saes. Tamanho pequeno, côr .
geral da fórma typica varian-
do de pimenta e sal pallido
e bruno ao cinzento e esbran-
quiçado, com uma estria in-
distincta na frente dos olhos ;
jamais o vestigio de averme-
thado em qualquer estação.
Cabellos do dorso annelados
de amarellado ruivo junto à
ponta; chifres curtos. Com-
pleição esbelta e agil. Na fór-
ma conhecida como O. sim-
plicicornis que é considerada
por Fitzinger, Goeldi e Ihe-
ring como especificamente in-
separavel de nemorivaga, com-
quanto considerada distincta
por Victor Brooke, a risca da
fronte falta. Como ambas as
fórmas são encontradas na
Guyana Ingleza ellas não pa-
recem dignas de uma sepa-
ração mesmo subspecifica.
Os especimens typicos de
ambas as fórmas são conser-
vadas no Museu de Paris,
sendo o de nemorivagus da
Guyana e o de simplicicornis
do Brasil. A occurencia de
ambas as fórmas na Guyana
Ingleza é mencionada por
Quelch, na memoria citada».
The type of the genus Do-
ryceros, which, according to
Fitzinger is distinguished
from all the proceding forms
by the absence of the tarsal
gland and tuft. Sise small,
typically 19 inches at the
shoulder. (General colour of
the typical form variing from
pale peper and salt brown to
grayish or whitish, with a dis-
tinct streak on the forhead
before the front of the eyes;
never any sign of reddish at
any seasson ; hairs of the back
ringed whit yellowish red be-
low the tip; antlers short,
fine and dirty white in colour.
Build light and slender. In
the form known as ©. sim-
plicicornis, which is regarded
by Fitzinger, Goeldi, and Ihe-
ring as specifically insepara-
ble from nemorivaga, although
kept distinct by sir Victor
Brooke, the streak on the for-
head is wanting As both fo-
rms are met with in British
Guiana, they seem scarcely
worthy even of sub specific se-
paration. The type specimens
of both forms are preserved
in the Paris Museum that of
nemorivaga being from Gui-
ana and that of simplicicornis
from Brasil. The occurence of
both forms in British Guiana
is mentioned by Mr. Quelch
in the passage cited.
— 268 —
E' evidente que Lyddeker errou quando attri-
buio typo à especie de Fred. Cuvier, à vista da
declaração do mesmo, como confundio que as fórmas
separadas por Brooke fossem as reunidas por Fit-
zinger, Ihering e Goeldi. As descripções, exclusive
a de Brooke, & que são inseparaveis. E n'esse sen-
tido não póde haver duas opiniões. A citação de
Quelch, ao contrario, merece melhor estudo.
Cervula surinamensis sub-rubra de Seba (Thes,
tomo I pg. T1—est. 44 fig. 2)—e Tragulus suri-
namenis de Brisson. Règne Anim., pg. 96 n. 3, é
a citação que agora devemos considerar.
« Caput, pectus abdomen & pedes exceperis,
que unicoloria sunt, reliquum ex rufo-luteum ma-
culis albis undique Tygridis in modum variega-
tum. Auriculæ grandes, longe, cauda brevis,
cbtusa, cursus rapiditate incredibile vel magnum
cervum superat. Memorabile est cervos americanos
adeo pusillos esse quum dentur, leporem qui magni-
tudine haud excedunt, & omnium maxima species
altero tanto circiter major sit quam que hac tabula
representantur. Cornua vero nunquam gerunt &
pro sapidissima ferina habetur ».
Basta a descripção para que se veja a referencia
à um joven de Matteiro que a figura mostra ser de
am filhote à termo.
O curioso ê que Seba se refere à estampa de
Moschus delicatulus de Shaw—Mus. Leverian, 3,
pg. 143 est. 12, egualmente attribuido por Gold-
fuss à C. nemorivagus «como joven». Leamol-o :
« O moscho de Surinam « Das surinamische Mos-
(Tab. CCXLV) B. Moschus chusthier. Tab. CCXLV. B.
delicatulus; Moschus fusco Moschus delicatulus ; Mos-
ferrugineus, supra maculis chus fusco-ferrugineus, supra
albis notatus — Shaw, Mus. maculis albis notatus, SHAW.
Leverian, 3, pg. 149 — est. mus. Leverian. 3. p. 149. tab.
12 — Cervula surinamensis 12. Cervula surinamenis sub-
— 269 —
sub-rubra, albis maculis no-
tata, Seba— Mus. I — pg. 71
— Tab. 44? (1)
O exemplar do Museu Le-
verian, do qual foi desenhada
a figura aqui dada, não exce-
de as dimensões do moscho
tem como elle dous largos
dentes anteriores medianos e
tres estreitos em cada lado,
d'esses falta-lhe porém o ca-
nino lateral.
Sobre o dorso é elle de côr
parda escura, densamente sal-
picado de manchas bravcas,
ovoides ; inferiormente é mais
claro. A cabeça é pequena,
a cauda mediocre, as patas del-
gadas e todo o animal de con-
stituição muito delicada e ten-
ra. Assim o descreveu Shaw.
No desenho notase mais
que as orelhas são ovoides e
pequenas, as unhas pequenas,
as unhas posteriores muito
pequenas ou totalmente au-
sentes, alêm disto ha sobre
os olhos um supercilio branco
e sob os mesmos, assim como
entre elles e as orelhas, uma
nódoa branca, o queixo e
região perianal brancos haven-
do, porém, sobre o labio in-
ferior uma nódoa negra, os
lados anteriores da garganta
tambem são brancos separa-
dos em semicirculo da região
immaculada do pescoço; e
que além d'isso a cauda é de
pellos curtos e parda unifor-
me e sobre cada unha ha um
circulo branco em todo o pé
e ao contrario os pequenos
cascos negros se afilam de
maneira desusada--tudo quan-
to não se lê na descripção
devendo ter sido esquecido.
rubra, albis maculis notata.
Seb. mus. 1. p. 71,t. 44? (1)
Das exemplar in Leveris-
chen Kabinet, nach welchem
unsere Figur gezeichnet ist,
uberurift das Zwerg — Mos-
chusthier kaum an Grüsse,
und hat auch, wie dasselbe,
zween breite Vorderzáhne in
der Mitte und drey schmale
an jeder Seite derselben, aber
keine hervorragende Seiten-
zühne. Auf dem Rücker ist
es dunkel rostfirbig, mit ey-
formigen weissen Flecken
dicht bestreut ; unten blässer.
Der Kopf ist klein, der Sch-
wanz mittelmassig, die Fiisse
dunne, und das ganze Thier
sehr zierlich und zart gebil-
det. So beschreibt es Hr.
Shaw. In der Abbildung be-
merkt man noch, dasz die
Ohren eyfürmig und klein,
die Klauen klein, die After-
klauen aber sehr klein oder
vielleicht gar keine vorhan-
den sind; ferner, dasz úber
den Augen ein weisser Bogen,
und uvter denselbed, so wie
zwischen ihnen und den Oh-
ren, ein weisser Fleck stehet,
dasz die Gegend der Unter-
kinnlande und der Umfang
des Maules weisz auf der Un-
terlippe aber ein schwarzer
Fleck, die Vorderseite des
Halses auch weisz, aber bo-
genformig von der braunen
ungefleckten Fliche des Na-
ckeus abgesondert, dasz fer-
ner der Schwanz kurzhaarig
und einfärbig braun ist; und
dasz über jeder Klaue ein
weisser Zirkel um den Fusz
gehet und gegen die kleine
schwarze Klaue ungemein
(1) Não; — C. rufus seu Mazama rufa juv.
eI) pe
O animal encontra-se na Ame-
rica do Sul especialmente no
Brasil nas regides montanho-
sas e pedregosas, sendo muito
ligeiro.
A figura acima citada de
Seba parece à Shaw perten-
cer a este animal.
Pennant refere a seguinte
especie (1) e Shaw pensa
não ser impossivel que se
trate de filhote de Wirrebo-
cerra. Pallas, ao contrario,
tem-n’o pelo desenho d’um
joven capreolo americano. So-
breleva de tudo isto, como
bem o nota Zimmermann,
muita escuridão no que res-
peita aos Mochos.
artig absticht; welches all:s
in der Beschreibung nicht
hätte vergessen sein sollen.
Das Thier so!l in Súdame-
rika, besonders in Brasilien
in gebirgigen felsigen Ge-
genden wohnen, und sebr
schnell seyn.
Die oben angeführte Figur
des Seba scheint dem Hernn
Shaw zu diesem Thie-e zu
gehóren. Herr Pennant bringt
sie zur folzenden Art, und
Hr. Shaw meint, es sey nicht
unmôglich, dasz sie einen jun-
gen Wirrebocerra vorstelle.
Der Herr Stastarath Pallas,
hingégen, hilt si für die Zei-
chunng von einem jungen
amerikanischen Rehe. Uebe-
rhaupt herrscht, wie der Herr
Hofrath von Zimmermann
richtig bemerkt in Ansehung
des Moschusgelchlechts noch
viele Dunkelbeit ! »
A descripção dada por Goldfuss (a que se re-
fere Cuvier ) e o exame da md estampa. mostram
o annel branco periophthalmico e a pinta branca
entre os olhos e as orelhas que logo fazem iembrar
Dorcelaphus bezoarticus.
Comtudo Cuvier ( Ossements fossiles, VI, pg.
113-1832 ) escreve:
« Temmink deu-nos um in-
dividuo ainda mais joven que
o nosso garantindo-nos ter sido
o proprio original do « Mos-
chus delicatulus de Shaw
( Mus. Lever. est. 36 e Shaw,
Gener. Zool., I, vol. pt. Il,
est. CLXXIIT) copiado sob
o mesmo nome mas mal illas-
trado por Schreber est.
CCXLV, B ».
«M. Temmink nous en a don-
né un individu encore plus jeu-
neque le notre, qu'il nous assu-
re avoir até le propre original
du Moschus delicatulus de Sh-
aw ( Mus.. Lever., pl. XXXV;
et Shaw, Gener. Zool., I, vol.
IT. part. UR pl ACT Orig
copié sous le méme nom, mais
mal enluminé, par Schreber,
pl. CCXLV B Pis
1) Wirrebocerra que não é mais que o Mazama americana.
DE a
— "4
Não é possivel que Cuvier tenha passado pelo
caracter do pello do dorso ante-vertido, e isso le-
va-me à admittir antes 0 joven em questão como
pertencente à Odocelus.
Seja como for: ou Goldfuss errou — Moschus
delicatulus é egual à Mazama americana, o que
foi constatado por Cuvier; ou Cuvier
chus delicatulus & um joven de Odocelus.
Em qualquer dos dous casos Moschus delicatulus
fica fora da questão de Mazaina simplicicornis.
Abordando, por fim. Zragulus meminna de Sun-
deval verificamos não ser o de Erxleben que procede
de Ceyläo.
A” synonymia de Ma sama ea conus llliger,
reuni Er Lol: Soc:
London, pg. 212 ests. XIV e XXVII fig. 4-1&50 )
quando tratei dos Mammiferos da Commissao Ron-
don, o que verifiquei não sé em face das figuras e
descripções d'aquelle auctor inglez, como por ter
visto O respectivo typo do Museu Britannico; Allen
se oppõe à isso porque Brooke considera Coassus su
perciliaris especie valida.
Sob o nome de Nanelaphus, Fitzinger descre-
veu um veado da Caiçära de que Natterer falla do
seguinte modo:
« NANELAPHUS NAMBI» Natt. N. 187
Nhambi Bororóca ( Caigara ) (1) Cervus Nambr. Nat-
terer, Cat. msc. Cervus nanus Lund. .msc. Bur-
meister, Thiere Bras. 318.— Gray, Cat. Ungu-
lata Furciped. 240. Cervus ( Subulo ) nanus Wag-
ner, Säugethiere, Suppl. V, 386. (2) Cervus rufi-
nus. Puch. Hensel, Säugethiere Siid. Bras 99. Na-
(1), Encontra-se no catalogo, não do punho de J. Nat-
terer mas provavelmente do seu irmão José, a seguinte obser-
vação: Um éra da Villa Maria, 16 de SERIO de 1825 ; 0
craneo comeram-n'o os cães durante a noite, segue porém
um craneo de um mesmo veado sem pelle que póde servir.
Estes veados estão todos adultos, deve entretanto havel-os com
chifres. » (Nota de Pelzeln.)
OTe.
nelaphus Nambs. Sitzungsber. d. k. Akad. wien
LXXIX — 1879. 26.
Caicara, Margo; Villa Maria, Setembro, 2 exem-
plares.
Macho. Caigara, na orla da matta, perto da La-
eda do Matto, 12 de Março de 1826. Sobre a fonte
ha no logar dos chiffres elevações que se aprecia ao
tacto. Em cada lado de ambas as maxillas quatro
maxillares ; os dous dentes na maxilla superior ainda
não nascidos, emquantc já presentes. Anteriormente,
sobre os olhos uma nodoa branca. Iris parda escura,
Pupilla oval. Focinho ( narinas ) cinzento denegrido,
para sobre os labios branco sujo, os labios em toda
a extensão brancos. A pagina interna das orelhas
branca azulada mate, a externa castanho ( escura ).
Sobre o lado interno do jarrete das partes posterio-
res, mesmo onde nasce o tendão de Achilles, ha um
facho de cabellos mais brancos dirigidos para cima.
O lado inferior da cauda é branco. As unhas muito
pontudas pardas escuras, com a orla e a ponta muito
transparente de um branco corneo, branco sujo. Bolsa
testicular muito pequena. Comprimento até a ponta
dos pellos da cauda 2 8 1/2”, da cauda até a
ponta das ultimas vertebras 3” os mais longos pel-
los na ponta da cauda 2”. Comprimento das orelhas
3” 8”, maior largura 2 1/4. Da ponta da focinho
até a orelha 5 3/4”, da orelha até a articulação das
espaduas 6 1/4”. Circumferencia do pescoço no meio,
7”, 9”; circumferencia atraz das patas anteriores
16” 4°; adiante das patas trazeiras 17”. Altura
d'entre as espaduas atê a ponta dos dedos das patas
anteriores (esticadas) 1” 7 4/2” altura posterior 1’
RSA pe
Macho (2), Villa Maria, 25 de Setembro de
1824. Comprimento até a ponta da cauda 2” 9”,
cauda 2” atè a ponta da ultima vertebra, compri-
mento das orelhas 4 e 1/4”, largura 2 1/2”. Com-
primento do pescoço da orelha até a articulação das
espaduas 5 3/47. Circumferencia do pescoço no meio
8 1/2”. Circumferencia atraz das patas anteriores
1 e 1/2’ adiante das patas posteriores 1’ 7”. Altura
r
Pie Polito « Pat
| RE r o É 7 | ' TU i 4
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nélaphus Nambi. Siwungsber. d. k. Akad. ‘wien
LXXIX — 1879. 26.
Caiçära, Margo; Villa Maria, Setembro, 2 exem-
nlares. | ~
Macho. Caiçara, na orla da matta, perto da La-
côa do Matto, 12 de Março de 1826. Sobre a fonte.
ha no logar dos chiffres elevações que se aprecia ao
tacto. Em cada lado de ambas as maxillas quatro.
maxillares ; os dous dentes na maxilla superior ainda
não nascidos, emquantc já presentes. Anteriormente,
sobre os olhos umaznodoa branca. Iris parda escura,
Pupilla oval. Focinho ( narinas ) cinzento denegrido,
para sobre os labios branco sujo, os labios em toda
a extensão brancos# A pagina interna das orelhas
branca ayuiada maté, a externa castanho ( escura ).
Sobre o lado interag do jarrete das partes posterio-
res, mesmo onde nage o tendão de Achilles, ha um
facho de cabellos mis brancos dirigidos para cima,
O lado inferior da schuda é branco. As unhas muito
pontudas pardas egchras, com a orla e a ponta muito |
transparente de ump fargo corneo, branco sujo. Bolsa
testicular muito peguefha. Comprimento até a ponta
dos pellos da cagda ® 8 1/2”, da cauda até a
ponta das ultimas ns “” os mais longos pel-
los na ia da chula é” . Comprimento das orelhas
+”, maior lorguãa ? 1/4. Da ponta da focinho
aé à orelha 5 34% ds orelha até a articulação das
espaduas | 6 1/4". Cike uimierencia do pescoço no meio,
en | circumferehcia atraz das patas anteriores
16" 4; adianto das patas trevelrae 177: Altona
d'entre as espa nas Baie 4 ponta dos dedos das patas
anteriores ( esticadad ) i 7 4/2" altara posterior 1
10 4727
Macho (*%), Wille Mavis, 25 de Setembro MM
1824. Comprimento até a ponta da cauda 2’ 9”,
cauda 2” até a ponta da ultima vertebra, compri-
mento das orelhas 4 e 1/4”, largura 2 1/2”. Com-
primento do pescoço da orelha até a articulação das
ço ra D 3/4”. Circumferencia do pescoço no meio
1/2”. Circumferencia atraz das patas anteriores
à e 1/2’ adiante das patas posteriores 1” 7”. Altura
[|6| Ja OLSODW aa Ç - VNNAIA Ja NaSNN - Z8l oN “LLVN ‘IENVN SAHdVTANVN
Al
oe OTe oe
anterior 1’ 8 1/4” (até a origem das patas anterio-
res.) Altura posterior 2’. Natterer. Cat. Mus.
Isto é o que se lê em von Pelzeln. Eu vie
medi o exemplar preservado no Museu de Viennae |
das medidas abaixo podemos concluir.
Cabeça . . A ee ie
Du ponta do focinho aos olhos. CARRO O
Jeito CRAN q PRP RP « uu 04
(3111) PER Om, 018
Da ponta do focinho á base da orelha. 0", 145
Largura (maior) da cabeça . . . O, 07
Comprimento Daiana te hauts 0 OF 40
amora rorelha Siva tee te, OM). 055
BREGA LS NP TR PRET RP O saat É
Oo a, |» - SOPRA D oats ew
Cauda até a ponta das vertebras’. wo eae ON
Cauda comprimento do pello da ponta 0", 05
Minar anterior Ss Saio eee es OR, dB
ETR OB COBRAR 27215! Cao (Uh Pca 4-0) oe OA) BD
AN OPERA ad et sens) RR 29
AE O CHICARBO ara! NU ee OM, Uae
Allen referio-o à Mazama simplicicornis e
eu concorde com o auctor norte americano porque
via pelle do typo de Fitzinger no Museu de Vienna,
e do qual fiz o desenho junto que poderá permittir
um julgamento seguro. Mas se assim é, tambem a
razão invocada para a validez de C. superciliaris
deixa de ter a infallibilidade allegada, porque Broo-
ke tambem considera AN. múumb: uma forma va-
lida. |
6 — MAZAMA RONDONI, Mir. Rib.
Do material que pude reunir, na minha tra-
vessia de Sul a Norte, pelo Brasil Occidental, sa-
lienta-se um pequeno veado de chifre simples que
occorre numa zona, cujo limite mais meridional é
a facha dos contrafortes dos Parecis que se estende
transversalmente, do Rio Paraguay 90 Guaporé e
cujo limite septentrional é constituido pelas Guya-
nas.
O primeiro exemplar por mim colligido pro-
cede da matta do Piroculuina, proxima da estação
telegraphica de Vilhena, Matto-Grosso ; ulteriormen-
te recebi pelles do Aripuanan pelo Tenente Pyri-
neus de Sousa e vi no Museu Paulista outras pro-
cedentes do Rio Doce, Kspirito-Santo. Assim a
zona geographica ocenpada por esta especie, vem
pelo lado oriental ou littoral brasileiro até o Esta-
do do Espirito Sarto.
Os matto - grossenses chamam-n'o « Veado-
Negro », os amazonenses « Veado-Rozo », os para-
enses Phoboca e os piaubyenses Guarapi. Esta
ultima designação deve ter ligações com a designa-
ção Gariacú, das Guyanas, devendo ser um dos du-
plos empregos communs na zoologia vulgar.
Disanosp : No macho adulto procedente do Pi-
roculuina a côr fundamental 6 séópiacea, abdomen
fulvescente canellino. Olhos negros. Em animaes de
outra procedencia, os pellos da côr dominante desta
especie são sépiaceos tendo, os dos flancos, a base e um
annel junto ao apice respectivamente branca e baio.
Na linha mediana, da nuca ao extremo da cauda, O
annel baio desapparece, como succede egualmente
— 275 —
nas canellas, fronte e lado externo das orelhas. Os
da garganta bem como a parte inferior do ventre
para traz, tornam-se alvadios ou completamente bran-
cos na região interna e posterior das coxas e lado
inferior da cauda. O exemplar que colligi em Pi-
roculuina, macho adulto, não tinha quasi essa cor,
sendo, ao contrario mais tendente para o sépiaceo
castanho. Dentro d'esses limites, o que se torna
mais saliente no colorido é a facha sépiacea cervico
dorsal que toma uma intensidade sufliciente para
destacal-a. Uma pequenina nodoa alvadia fica sobre
a região ocular anterior, como que à marcar o ini-
co dum supercilio.
Quem conhece a figura dada por Gray (Es-
tampa XXIII) nos Proceedings da Soc. Zool. de
Londres de 1850, tem bem justa idéa do colorido
do animal que óra nos occupa. A fórma tambem
ali está bem representada, sobretudo a inclinação
anterior, devido ao encurtamento dos membros an-
teriores,
O traço mais notavel do seu facies é dado pelos
olhos que são grandes e negros, em relação com
as orelhas mediocres e grande desenvolvimento da par-
te posterior do corpo que é muito robusta, Este veado
não ten a glandula tarsal nem a do calcaneo. Os
caninos, presentes nos jovens, às vezes permanecem
no adulto.
O couro dum filhote que veio do Aripuanan
tem o seguinte colorido :
Pequenas manchas baias que se distribuem em
cinco series pelos fllancos. Lados do thorax, do
abdomen, e das coxas mais grisescentes, sendo os
pellos mais longos e com a metade exterior baia,
as partes alvadias no adulto são amarelladas no jo-
ven e só os pellos inferiores da cauda brancos. Alto
da cabeça, bem como um debrum pelo lado interno
das orelhas tão intensamente sépiaceos como o dor-
so; mancha antocular anterior amarella ; patas mais
rufescentes que sépizceas, as posteriores com O lado
E pe
interno mais claro. Um filhote morto nas margens
do Sacre à 27 de Abril de 1909, tinha as maculas
da primeira série dorso-lombar confluentes numa
estria.
As dimensões do macho adulto são as seguintes :
Comprimento da cabeça, da ponta do
focinho à base dos chifres. . O, 17
Comprimento do focinho ao angulo
etat AMLERLGE Mi ANS o DES, ae
Comprimento do focinho ao angulo an-
terior da fossa lacrymal. Aju 08009
PITAL ws inc, RE a A VANS RE Wel e AU RCE ND
Diametro ocular (longitudinal) . . O, 034
Maior: altura da cabeça (da base dos
chifres ao angulo mandibular), O0", 10
Orelha |e hr Da Re
Abertura desta (diametro longit. do
“meio do entalhe inferior ponta O”, 097
Diametro | transyerso 1) 0 JOR 095
Da; MRCS a cespadaa 640 la EN Ex Poke a
Da espadua à base da cauda. . . O, 62
Mão (até a articulação glenoidiana) 0", 34
A E, 8 th AR | ets NS PURO En)
BRUNET See Ls RO NR MATE EUR EN
(andas me ais AE sate a | as Pe (DO) Die,
Cintura na reg. dodiaphragma . O, 40
Bainha de penis. o to aah on.) O ee
Serobain 351/212 Vee Mt) te.) OS
Chifre, so SE DORA ra Nee ey O
Uma série de 7 craneos que pude medir, offe-
rece os seguintes indices :
Mazama rondoni,
Mir. Rib.
CRANEOS |
Compr. total «|| Om, 187
» até a orbita , «|| Om,098
Gnathion .|| 0m,059
Serie dentaria maxiltar .||0m,055
Extensão palatal . || Om, 113
» basilar .||Om,165
» hemirostral .||0m,085
» premaxillar (face
palatina). Om,035
Extensão projecção lateral Om,045
» anterior ao ex-
tremo dos pterygoides .| Om,128
Extensão anterior a linha
das apophyses paraocci-
pitaes Om,162
Extensäo dos 3 premolares Om,025
» » 3 molares .|0m,031
Maior largura malar. .||Om,078
» » zygomatica|| 0m,072
Distancia entre as apo-
physes paraoccipitaes .|| Om,032
Comprimento dos maxil-
lares Om,092
Comprimento dos palatinos Om,045
» » nasaes .||0m,063
» » frontaes.||(m,080
» » »
linha mediana «|| 0m,061
Os diametro vertical .||Om,030
» horizontal 0m,030
Mandibular - : «|| Om,140
» Demy te «|| Om,042
m. 3 incl. .|/0m,107
Chifre 5 «| 0m,059
Largura entre Pp. m, 1 .|/0m,023}
» » p.m, 3 ./0m,026
» MAIN Le «|| Om,029
©
se
Procedencia ‘ a EU
59
Es
ae
Om,181
Om,092
Om,057
Om,054
Om,109
Om,156
Om,031
Om,033
Om,041
Om,121
0m,156
Om,025
Om,031
Om,078
Om,075
Om,033
Om,087
Om,045
Om,055
Om,080
Om,064
Om,030
0m,030
0m,135
Om,045
Om,104
Om,076
Om,021
Om,025
Om,033
N.
Matto Grosso
Om,181
Om,093
Om,054
Om,053
0m,108
Om,155
Om,030
Om,034
Om,040
Om,119
Om,156
Om,024
Om,030
Om,078
Om,077
Om,035
Om,086
0m,043
Om,058
Om,080
Om,062
Om,030
Om,030
Om,135
Om,043
Om,101
Om,057
Om,021
0m,026
Om,029
N.
Matto Grosso
dual DIS c gd
Om,162
Om,079
Om,049
Om,050
Om,097
Om,141
Om,029
Om,029
Om,034
Om,108
Om,140
Om,026
Om,069
Om,069
Om,030
Om,074
Om,045
Om,040
Om,069
Om,062
Om,028
Om,029
Om,122
Om,040
Om,088
Om,025
Om,031
N
Matto Grosso
S x
Om,173
Om,084
Om,052
Om,054
Om,108
Om,156
Om,022
Om,035
0m,040
Om,115
Om,154
Om,024
Om,031
Om,074
Om,072
Om,034
Om,077
Om,045
Om,057
Om,080
Om,051
Om,027
Om,029
Om,139
Om,038
Om,102
Om,069
Om,022
Om,021
Om,033
LA
Amazonas
Rio Juruá
o il
0m,175
0m,089
Um,054
Om,054
Om,105
Om,154
Om,025
Om,032
Om,039
Om,114
Om,158
Om,024
Om,030
Om,075
0m,075
0m, 037
0m,087
Om,042
Om,057
Om,080
Om,059
Om,028
Om,029
Om,135
Om,047
Om,106
Om,069
Om,019
Om,028
Om,028
Bonifacio
Matto Grosso
Campos J.
a — typo.
b — caninos presentes,
a — Material do Museu Paulista (n. 921).
a’’ — Craneo semidigerido, retirado do bucho d’uma giboia de 6 m. ( BOA
CONSTRICTOR ) cujo couro está no Museu.
d — Serie maxillar incompleta :
presentes,
mol 4 e 2, este nascendo.
Caninos de leite
Costumes: EE’ solitario e parece ser diurno,
vive exclusivamente nas flurestas. A temea deve
parir no mez de Março, à julgar pelas datas em que
foram vistos ou mortos filhotes; sendo que o acima
referido éra um féto à terme.
DisTRIBUIÇÃO GEOGRAPHICA : Encontra-se em toda
a região septentrional do Brasil, e America do Sul
ao Oriente dos Andes, parecendo não passar os pa-
ralellos de 12.º pelo lado occidental e 20 pelo
oriental.
SYSTEMATICA : Como se verifica do artigo de
Mazama simplicicornis, esta especie confundida com
M. rondont ainda que sob o nome novo de M. ne-
morivaga, foi dissociada por Victor Brooke em
1878. (1)
Comtudo, este naturalista conservou o nome de
nemorivagus que, sO em parted mesma se applica
e isso mesmo pelos auctores mais modernos.
Allen pensa que Mazama nemorivaga & uma
designação especifica respeitavel, porque se applica
à especies perfeitamente differentes.
Devemos agôra examinar as bases dessa asse-
veração. No mesmo trabalho diz elle:
«O nome « Cervus nemo- « The name « Cervus n:-
rivagus » foi commummente
empregado com um refugium
para todos os subulos brunos
da America do Sul. E' evi-
dente, da propria asseveração
do auctor que os seus Cervus
rufus e Cervus nemurivagus
foram ambos baseados primi-
tivamente sobre especimens
no Museu de Paris, de Cayen-
na, colligidos por Piteau (Cf.
G. Cuvier Ossements fossiles,
ed. II IV pg. 55. Pucheran
Arch. Mus,, VI, 4852 pe.
474, Brooke, Pr. Zool. Soc.
(1) Pr. Zool. Soc. London, pg.
morivagus » has been usual-
ly employed as a blauket.
name for all the brown bro-
ckets of South America. It
is evident, from the author's
own statement, that his Cer-
vus rufus and Cervus nemo-
revagus were both based pri-
marily on specimens in the
Paris Museum from Cayenne,
collected by M. Piteau ( Of.
G. Cuvier. Ossements fossiles,
ed. II, IV, pg. 55; Pucheran
Arch. Mus., VI, 1852 pg.
474; Brooke, Proc. Zool. Soc.
925.
— 21
London - 925-1878. E por
isso inteiramente sem impor-
tancia que elle acreditasse
que o Guazubirá de Azára
fosse a mesma especie e com-
pilasse sua notecia de Azdra.»
à a
London, 925-1878). Isthe-
refore quite unimportant that
he believed the Guazoubira
of Azära to be the same spe-
cies and corapiled is account
in part from Azára >. ( Bull.
Amer. Mus. of Nat. History
vol. XXXIV - pgs. 548-549-
1915 ).
Ora, é curioso qua Allen diga ser evidente da
propria asseveração do auctor que nós ja conhe-
cemos e, em vez de citar-lhe a diagnose de 1817,
venha referir Cuvier, Pucheran e Brooke que são
ulteriores.
O que Cuvier diz, já na 4.º edição do
; Ç
V tomo dos Ossements fossilles, é o seguinte:
« Os srs. Poit au e Martin
nos enviaram tambem de Ca-
yenna, mas sob o nome de Ca-
riacow ( Cervus nemorivagus,
Fréd. Cuv.) e considerando-o
como especie particular, um
veado cujos chifres, (fig. 43,
44 e 45), pello e côres são
por tal f rma semelhantes aos
do precedente (M. americana)
que não seriamos tentados à
distinguil-o, se mesmo quando
adulto nao fosse constante-
mente menor de um quarto
aproximadamente e se lhe não
faltassem sempre os cani-
nos. SEU ruivo bain é um
pouco mais vivo que na es-
pecie grande. Não é o Ca-
riacou de Daubenton que, co-
mo já dissemos acima é a es-
pecie de veado da Virginia,
ou ao menos este veado brau-
co ou dos mangues que re-
presenta, em Cayenna, o de
Virginia. Não é tão pouco o
Cariacú de Laborde ( Suppl.
HI - 127), cujo pello é cin-
zento cambiando para o bran-
co; mas lendo com attenção
a noticia obscura e embru-
«M. M. Poiteau et Martin
nous ont envoyé aussi de Ca-
yenne, mais sous le nom de
Coriacow ( CERVUS NEMORIVA-
aus, Fréd. Cuvier) et en le
considérant comme espèce par-
ticulière, un cerf dont les bois
(fig. 43, 44, 45) le poil et
les couleurs sont tellement
semblables à ceux du pré é-
dent que l’on ne serait pas
tenté de Ven distinguer, si
même à l’état adulte il n’était
pas constamment plus petit
d'environ un quart et s’il ne
manquait pas toujours de ca-
nines. Son rouge bai est un
peu plus vif que dans la gran-
de espèce. Ce n’est pas à
beaucoup près le Cariacou de
Daubenton, qui est, comme
nous l’avons dit ci dessus, l’es-
pèce du Cerf de Virginie, ou
du moins de ce cerf blanc
ou des Pulétuviers qui repré-
sente à Cayenne celui de
Virginie. Ce n'est pas non
plus le Cariacru de Laborde
( Suppl. III, 127), dont le
poil est gris tirant sur le
blanc; mais, en lisant avec
— 280 —
*
lhada deste auctor, vê-se que
elle estabelece dous veados
vermelhos, um maior, que elle
chama veado de « barallou »
e outra menor à que chama
«dos bosques». Attribue a
ambas uma glandula em cada
lado do focinho e nossas duas
especies têm com effeito essa
parte mais nua e mais glan-
dulosa que as outras; diz que
ellas se batem entre si o que
faz suppôr que habitam as
mesmas paragens; sou, por-
tanto, muito inclinado a ad-
mittir que são esses dous vea-
dos que temos sob os olhos.
Quanto à D'Azára é incons
testavel que uma dellas é o
seu guazou-pitd ; mas seria
bem difficil dizer positiva-
mente qual dellas, se o com-
primento de cincoenta e seis
pollegadas que elle lhe attri-
bue não serve mesmo á maior
dellas,
ENTRETANTO FOI A PEQUE-
NA, E NÃO A MAIOR, QUE LA-
LANDE E AUG. SAINT-HiLAIRE
ENVIARAM DO BRASIL. »
attention la notice obscure et
embrouillée de cet auteur, on
voit qu'il établit deux biches
rouges; l’une plus grande,
qu'il nomme biche de barallou;
l’autre, plus petite, qu'il ap-
pelle biche des bois. Il don-
ne à l’une et à l’autre une
glande de chaque coté du nez,
et nos deux espèces ont en
effet, cette partie plus nue
que les autres ; il dit qu’elles
se battent ensemble ce qui
suppose qu'elles habitent les
mêmes lieux; je suis done
très porté à que ce sont ces
deux biches que nous avons
sous les yeux.
Quant à d’Azara, il est in-
contestable que c’est l’une des
deux espèces qui est son gua-
zou-pita ; mais il serait bien
difficile de aire positivement
laquelle, si la longueur de
cinquante-six pouces qu'il lui
attribue ne convenait devan-
tage à la plus grande. Ce-
PENDANT C'EST LA PETITE ET
NON PAS LA GRANDE, QUE M.
M. pe LALANDE ET AUGUSTE
DE SAINT-HILAIRE ONT ENVOYÉ
pu Brésiz (Op. cit., pags.
110-112, 1835.)
Portanto, o que ahi está escripto é: I—que os
Snrs. Poiteau e Martin enviaram de Cayenna, mas
sob o nome de Cariacou ( Cervus nemorivagus,
Fred. Cuvier) e considerando como especie parti-
cular, um veado constantemente sem caninos e de
um vermelho um pouco inais vivo que a especie pre
cedente (à que está declarada ser o C. rufus de
Fred. Cuvier). If Que Cuvier identifica à pequena
especie, aquella que Saint Hilaire e Delalande en-
viaram do Brasil.
Isso no que se refere à Cuvier; no que con-
cerne à Pncheran o que se lê é a transcripção do
trecho supra de Cuvier dos Ossements Fossiles e
mais as seguintes considerações :
— 281 —
« Os logares de procedencia
eram Cayenna e o Brasil, os
collectores Poiteau e Martin
para a primeira d'essas loca-
lidades. Delalande e St. Hi-
laire para a segunda. Mas ao
passo que os dous primeiros
haviam enviado egualmente
exemplares do grande pita,
os dous outros não tinham
remettido senão exemplares
do pequeno; Cuvier não li-
gava, com effeito, ao maior
d'esses typos o individuo ma-
culado de que elle falla mais
em baixo. Remontando, em
seguida, as indicações infe-
lizmente tão curtas e tão bre-
ves, de Laborde à Buffon, en-
contrava ahi dados à propo-
sito dos dous veados chamados
por Laborde — corças verme-
lhas — de que uma, a maior é
chamada «de Barallou », e a
outra, pequena, «dos bosques».
Encontrava motivo para dis-
tinguil as. E verdade que Cu-
vier fôra arrastado à esta dia-
lyse pela persuasão em que
se achava de que o typo pe-
queno era identico ao Cervus
nemorivagus de Fr. Cuvier.
Precisamente pelo facto de
que elle se assemelha ao Pita,
é impossivel confundil-o com
o Bird d'Azára ad que Fr.
Cuvier impôz a denominação
acima referida. »
Portanto, Pucheran que tinha à
« Les lieux de provenance
etaient Cayenne et le Brésil,
les collecteurs Mr. M. M. Poi-
teiau et Martin, pour la pre-
miére de ces localités. M. M.
Delalande et Auguste de Saint
Hilaire, pour la seconde. Mais
tandis que les deux prémiers
avaient également envoyé des
exemplaires du grand Pita, les
deux autres n'avaient fait par-
venir que des exemplaires du
petit: M. Cuvier ne rattachait
pas,en effet, au plus grand de
ces types l'individu tacheté
d'ont il parle plus bas Re-
montant ensuite aux rensei-
gnements malheurensement si
courts et si brefs communiqués
par Laborde à Buffon, il trou-
vait dans les notions don-
nées à prôpos des deux biches
appeleés par Laborde Biches
rousses, et d'ont l’une, grande,
est nommée Brche de Baral-
lou, Vautre petite, Biche des
bois, il trouvait des motifs
pour distinguer ces deux ty-
pes. Il est vrai que M. Cu-
vier était entrainé vers cette
distinction par la persuasion
ou il était que le petit type
était identique avec le Cervus
nemorivagus de M. Fredéric
Cuvier. Précisement, par celà
même qu'il ressemble au Pita
il est impossible de le con-
fondre au Bira d'Azara, au-
quel M. Fredéric Cuvier a
imposé la denomination cittée
plus haut». Pucheran, pgs.
474 e 475 Monogr. du genre
Cerf.
,
seu dispôr O
material do Museu de Paris, vae à ponto de decla-
rar o Cervus nemorivagus Poiteau & Martin diffe-
rente do Cervus nemorivagus de Fréd. Cuvier
No que se refere à Brooke já dissemos o ne-
cessario para não voltar ao assumpto; e para con-
eo agonia
cluir sobre a opinião do Prof. Allen, referimos que
a sua Mazama nemoriraga, tem a seguinte ex-
plicação « Cervus nemorivagus, F. Cuv., Dict. Se.
Nat., VI, 1817, pg. 485 — parte, os especimens de
Cayenna sómente » isto é, aquelles especimens que
Puchberan diz serem differentes de Mazama ne-
morivaga de Fred. Cuv.
7 — MAZAMA RUFINA, Bourcier & Pucheran
Nomes VULGARES : — Bororó (Tambem Pororó-
ca?); Mäo-Curta ; Suaçú-Piranga ?
O Museu de S. Paulo possue tres bellos couros
de um pequeno veado cujo caractéres podem ser resu-
midos do seguinte modo :
Focinho e orelhas pelo lado externo bem como
a região periophtahlmica denegridos: os pês mais
escuros que as mãos. A côr do corpo é intensa-
mente vermelha de terra de Sienne queimada ; a re-
gião mentoniana, gular e a femuro-tibiana anterior
são de cor de ochre esbranquiçado. O ventre é egual-
mente ruivo. Os chifres são pequenos. Ha um forte
pincel de pellos sobre o calcaneo, no lado de dentro do
vão formado pelo teudão de Achilles. A cauda tem a
ponta branca ( muito poucos pellos ). O pello é denso
e lustroso, de direcção normal tanto na nuca como no
pescoço e d'uma só côr. No corpo, espetialmente nos
flancos elle tem a base branca. Os chifres são fracos
e curtos, mal attingindo as dimensões de M. rondoni.
O exemplar montado tem cerca de 46 ems. de
altura anterior.
CRANEOS a, d',n. £19 |b, 5%, n. 3186) 6, ,n. 3187
Compr. total . ll Om,164 Om,153 —
Maior larg. zygom.| Om,076 Om,074 Om,076
Arcada dentaria .| . Om,053 Om,051 Om,048
Gnathion . . «| Om,044 Om,043 ——
Compr. palatal .| Om,099 Om,092 —
Frontaes . . «| Om,064 Om,058 Om,068
Orbitasiye 4 ai Om,027 Om,028 Om,030
pme oie a) n0m:023 Om,024 Om,030
m 1-3 So qa sai OB OSO Om,027 Om,027
Altura anterior (1)| Om,046 1/2 — =
» posterior .| Om,057 | ~- —
(4) Na pelle montada.
pon
Os tres craneos tem as dimensões constantes
nas estampas que d'elles adiante encontraremos.
CostuMEs : — Pela sua extrema raridade pouco
se sabe deste veadinho. E' o habitante dos bos-
ques das montanhas e só se encontra nos logares
elevados — eis tudo.
DisTRIBUIÇÃO GEOGRAPHICA : — Até agora foi en-
contrado nos Andes do Equador, Venezuela e no Brasil
em Piracicaba — S. Paulo, donde procedem os exem-
plares acima descriptos. Parece que existem na Serra
dos Orgãos e, a julgar pela descripção, deve ser o
Suaçú Piranga de Rodrigues Ferreira.
SYSTEMATICA : — A’ seguir o consenso de mui-
tos auctores, Mazama
nana deveria ser a desi-
gnação para a especie de Bourcier e Pucheran.
Vejamos o que vem a ser:
«O Brasil conta um gene-
ro unico de Ruminantes — o
genero Cervus apresentando
cinco especies, das quaes uma
do talhe de Moschus moschi-
ferus, não foi ainda descri-
pta. Estes animaes não pe-
netram nas grutas; apenas
nos logares em que ellas se
abrem e se dilatam em com-
partimentos espaçosos e cla-
ros, vê-se muitas vezes o seu
rasto. N'uma gruta unica
achei rastos de um individuo
pertencente á uma especie :
deste genero — ©. rufus —
e, ao descrever esta lapa (La-
pa nova do Maquiné ) procu-
rei explicar similhante facto».
(Trad. de um texto francez
inedito, pelo Dr. Leonidas
Damasio. Revista do Archi-
-vo Publico Mineiro. Anno V,
fase. I e IT, pag. 24 1900.
« Af de drovtygendes Fa-
milie gives i Brasilien ikkun
een Slaegt, Hjorteslaegen,
der taeller 5 Arter, hvoraf
een af Stowelse son Moskus
dyret er ubeskrevet. Disse
Dyr gaae ikke ind i Hulerne,
men hvor disse aabne sig med
rummelige lyse Kamre, seer
man ofte deres fodspor i dis-
se. Kun i een Hule har jeg
fundt Levninger af eet Individ
af en af denne Slaegts Arter,
Cervus rufus, og jeg har i
Beskrivelsen as denne Hule
(Lapa nova de Maquiné )
sógt at forklare denner Om-
staendighed ». (Texto ori-
ginal dinamarquez — « Blik
paa Brasiliens Dyreverden for
sidste Jordomvdeltnig-Kngl.
Danske Videnskabernes Sel-
skabernes Selskabs Naturvi-
denskabelige og Mat. Afhan-
dl. 8de Deel — (1839).
Foi esta a primeira e unica referencia feita por
Lund de uma forma de veado que, por ser a unica
Mir. RiB.9 - VEADOS DO BRASII EST. XII
J. DOMINGUES, rHor. REV. MUSEU PAULISTA, TOMO x1
MAZAMA RUFINA, Bourc. & Pucheran; CRANEO N. 3187
DAS COLLECÇÕES DO MUSEU PAULISTA. PELLE EM SERIE
Mir. RiB.º - VEADOS DO BRASII EST. XIU
J. DOMINGUES, rHor. REV. MUSEU PAULISTA, TOMO XI
MAZAMA RUFINA, Bourc. & Pucheran; CRANEO N. 3187
DAS COLLECÇÕES DO MUSEU PAULISTA. PELLE EM SERIE
Mir. Ri8.© - VEADOS DO BRASII EST. XIV
REV. MUSEU PAULISTA, TOMO x1
MAZAMA RUFINA, Bourc & Pucheran; CRANEO N. 3187 DAS
COLLECÇÕES DO MUSEU PAULISTA. PELLE EM SERIE
CRE TOC
See
dita inedita foi identificada ao
nomen nudum-Cer-
vus nanms, depois encontrado em todas as listas com
que fazia seguir as suas memorias sobre «o reino
animal do Brasil antes da ultima revolução do mundo».
Depois de Lund, Burmeister escreve. na pagi-
na 318 do seu I vol. sobre os Animaes do Brasil :
Cervus nanus, Lund, Blik
paa Brasiliens Dyrev I, 53;
WS lod DE 265; Tl 239;
IV, 62, etc.. Sob o nome aci-
ma, induz o sr. dr. Lund nos
logares citados, à uma espe-
cie de veado do Brasil Inte-
rior, da qual eu não encontro
uma referencia mais ampla
do que a da pagina 53 da I
memoria, onde elle diz que
tal especie chega ao tamanho
de um Moschus. Não me toi
dado apprehender melhores
dados sobre esta nova espe-
cie ; ella parece fundada mais
sobre informações dos brasi-
leiros do que sobre qualquer
exame do dr. Luna, porque
o auctor não se estende mais
amplamente a respeito e Au-
gusto de St. Hilaire faz uma
identica communicação na sua
primeira viagem (II, pg. 336),
sobre os veados peculiares do
interior do Brasil, cujo nu-
mero elle diz mesmo ser seis.
Tres elle denomina pelos seus
nomes systematicos; são as
tres especies até agora aqui
descriptas; sob as tres ulti-
mas está o galheiro, nosso
Cervus paludosus ; as duas
restantes, o Suçu-apira e o
veado camocica devem occor-
rer sómente na região supe-
rior e interior que constitue
o Sertão (o deserto ) aquelle
gosta da floresta das margens
do rio S. Francisco, esta não
maior do que 2 4 2 e 1/2 é
muito rara « precisa ainda em
Cervus nanus, Lund, Blik
paa Bras. Dyrev. 1, 53; II,
133:; EH; 265 + "Pill, 283,4 DVe
62, ete.. Unter vorstehendem
Namen führt Herr dr. Lund
an den angegebenen Stellen
eine Hirschart aus dem In-
nern Brasiliens auf, von der
ich keine nähere Bezeich-
nung angegeben finde, als die
I, S. 53, wo es heisst dasz
der selben die Grüsse eines
Moschusthieres zukomme. Es
ist mir nicht gelungen, bes-
timmtere Nachrichtem über
diese neue Art einzuziehen;
sie scheint mehr auf Angabe
der Brasilianer, als auf ei-
gne Beobachtungen dr. Lund’s
gegrundt zu sein, weil der
Verfasser ihrer sonst nicht
weiter gedenkt, und Aug. de
St. Hilaire eine ähnlische
Mittheilung in seiner ersten
Reise (II, S. 336) uber die
im Innern Brasiliens ausäszi-
zigen Hirsche macht, derem
zahl er sogar auf 6 aufligt.
Drei nennt er bei ihren sys-
tematischen Namen; es find
das die drei zunächst vorher
beschriebenen Arten; unter
den drei auderen ist: der Ga-
lheiro unser Cervus paludo-
sus. Die zwei noch erwähn-
ten, der Veado Suçu-apära,
und der Veado Camocica, sol-
len blosz in den oberen in-
neren Gegenden, welche den
Sertong (die Miiste ) bilden,
vorkommen ; jener liebe die
Välder am Ufer des Rio S.
— 286 —
relação à sua real caracteri-
sação, de um exame mais de-
talhado e segura diagnosis.
O nome Suçú-apára pertence
de resto ao Cuguacu-apara de
Maregrave que é o nosso Cer-
vus campestris, e assim sen-
do, cahe o veado camocica no
Cervus nanus do dr. Lund.
Nada mais sei eu a res-
peito, para que o diga; pro-
vavelmente é esta especie
identica ao gracioso veadi-
nho que Pucheran descreveu
como Cervus rufinus, na sua
bella monographia (Mon. d.
genre Cerf, pg. 491 - est. 30) ;
é de côr parda vermelha, es-
cura, com as patas, labio su-
perior e bochechas denegri-
das, mede apenas 2 pés em
comprimento, 1 e 1/2 em al-
tura e encontra-se no Equa-
dor, onde foram obtidos 2
exemplares por Bourcier, na
vertente occidental do Pe-
chincha ».
“Francisco; dieser sei nicht
linger als 2-2 1/2’ komme
hüchst selten vor und bediir-
fe in Bezug auf seine wirk-
leche Selbständigkeit noch
einer genauern Untersuchung
und sicheren Begrundung.
Der Name Suçuapara erin-
nest ubrigens sehr an Marc-
graf's Cuguaçú-apara, der
unser Cervus campestris sein
wird, und wire dasz, so kôn-
nte der Veado camocica Herrn
dr. Lund’s Cervus nanus wor-
stellen. Etwas weiters weisz
ich über ihn nicht zu sagen ;
vielleicht ist diese Art iden-
tisch mit dem zierlichen klei-
nen Hirsch, welchen Puche-
ran in seiner schénen Mono-
graphie als. Cerv. rufinus ges:
childert hat. (a. a. D. 491,
Taf. 30); er ist dunkelroth
braun von farbe, mit Schwär-
zlichen Pfoten, oberlippe und
Wange, nur 2 lang, kaum 1
1/2? hoch und stammt aus
Equador, wo am Westabhange
des Pechincha 2 Exemplare
von Bourcier erlegt wurden. »
Burmeister, Systematische Ue
bersicht der Thiere Brasiliens
— 1854.
Effectivamente, Augusto de St. Hilaire refere-se
à 6 especies do genero Cervus, mais propriamente
com as seguintes palavras :
«As especies de Cervus
( Veados) são em numero de
seis, a saber; os matteiros
(Cervus rufus, ilk ex Spix. )
catingueiros ( Cerv. simplici-
cornis Ill. ex. Spix ) Campei-
ros (Cervus campestris, F.
Cuv. ex Spix) Camocicas,
Galheiros, Suçuaparas; os
dous ultimos são, diz-se, pro-
prios do sertão e os Suçua-
paras em particular habitam
« Les espèces de Cerfs
( Veados) sont au nembre de
six, savoir: les matteiros (Cer-
vus rufus Ill. ex. Spix) Ca-
tingueiros ( Cerv. simplicicor-
nis, Ill. ex. Spix ) campeiros
( Cervus campestris, F. Cuv.
ex Spix ), Camceicas, Galhei-
ros, Suçuaparas: les deux
dernières espèces sont, dit-on,
propres au Sertäo, et les Su-
çuaparas en particulier habi-
de (DAT
as margens do S. Francisco;
o camocica que não tem mais
de 2 pés e meio de altura é
muito raro e talvez mesmo
sua existencia mereça ser me-
lhor constatada ».
tent les bords du Rio S. Fran-
cisco; le Camocica qui n’a
pas plus de deux à deux pieds
et demi, est fort rare et peut
être même son existence mé-
1ite-t-elle
d’être mieux con-
29
statèe ». pg. 336 - Voyage au
Brésil, vol. 11-1830.
Ora, como se vê, as allusões cahem todas sobre
a altura da pretensa especie, dita sempre de 2 pés
e meio à -& pés ; e uma vez que é este o caracter
acceito pelos auctores que se referem à C. nanus, não
sei porque não o referirem egualmente à C. nemo-
rivagus de F. Cuv., um identico de C simplicicornas
Hlger. Effectivamenie assim se exprime 1, Cuvier:
« Este animal tem cerca de
quarenta pollegadas de com-
primento e dous pés de al-
tura >.
«Cet animal a environ qua-
rante pouces de longuer et
deux pieds de hauteur ».
Diet. des Sciences Naturel-
les, tomo VII pg. 486-1317.
E por esta forma verificamos que O. nanus de
Lund póde ser um synonymo de C. nemorivugus
de F. Cuvier, por ser a citação de Lund de 1539.
Mas C. nemorivagus de F. Cuvier é por sua vez
e em parte um synonymo de C. simplicicornis; é
um nome que não póde permanecer porque não
ficou claro à que especie pertença e é tambem appli-
cavel à muitas formas. De modo que estariamos
neste dilema :
I— Ou C. nanus é um nomen nudum por não
ser seguido d'uma descripção ( diagnose ) ou estampa.
H— Ou C. nanus se applica à qualquer espe-
cie de veado de 2 pês à 2 pés e meio de altura.
Já vimos que Burmeister indentificou-o com
Mazama rufina Puch. et Bourcier e com o camo-
cica de Aug. de St. Hilaire. Estes nomes vulgares,
de grande importancia para as designações locaes,
são comtudo, muito relativos no seu valor proprio.
1 identificação feita por Burmeister foi acceita por
Pelzeln para o Namby-Pororéca de M. Grosso, ou
— 288 —
Nannelaphus nainbi de Fitzinger de 1879. Ora
ainda aqui pôde haver erro pois eu recebi da Cai-
cara uma pelle de M. semplicicornis que trazia
a mesma designação vulgar de Pororóca.
Sem nos esquecermos das tabellas comparativas
da diagnose d'este genero, dada à pg. 305, vemos
que a designação de Lund póde recahir nas seguintes
formas:
EE
H 02 DD pa
Cervus nanws ai,
A’ qual d’ellas
C. nemorivagus, F. Cuv.
Mazama rufina, Boure. & Pucher.
Mazama nambi, Fitz.
Mazama simplicicornis, Illiger.
se refere a especie de Lund ?
Dos auctores modernos que tem se occupado
do assumpto, Lydekker (1) é quem da as mais
amplas referencias :
« O veadinho pigmeu (Ma-
zama nana). O menor repre-
sentante do grupo é o ainda
mal conhecido veado pigmeu
das florestas de M. Grosso e
talvez de outras partes do
Brasil. Sua côr é parda es-
cura com um laivo averme-
lhado em cima; e diz-se que
differe do veadinho peruano
pela presença de uma pequena
glandula tarsal e por um pin-
cel de pellos no lado interino
do calcaneo, assim como pelo
tamanho relativamente maior
das glandulas lacrymaes ».
« The pigmy Brocket (Ma-
cama nana). The smallest re-
presentative of the group is
the still imperfectly known
pigmy brocket of the forest
of Matto Grosso and perhaps
other parts of Brasil. Ist co-
lour is dark brown, with a
tinge of reddish above; and
it is reported to differ from
the Peruvian brocket by the
presence of a small tarsal
gland and tuft on the inner
side of the hock,.as well as
by the larger relative size of
the face glands ».
Este « veado peruano » outra cousa não é senão
Mazamá simplicicornis var, tschudi (Wagn.) ou o
representante no Perú, do nosso Catingueiro.
Parece que Lyddeker refere-se ä descripção do
original do Nanelaphus nambi de Natterer o qual
foi identificado por Allen, como já vimos, à Maza-
ma semplicicorns, Iliger.
(1) Lydekker Game of Europe, W. & N. Asia and
America pg. 375 - 1901.
Mir. Ri8.9 - VEADOS DO BRASIL EST. XV
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prep.
REV. MUSEU PAULISTA, tomo xi
MAZAMA RUFINA-(Bourc. & Pucheran), n. 419 das collecções do Museu Paulista.
Tem a pelle representada na photographia que adiante se vê.
Mir. RiB.º - VEADOS DO BRASII EsT. XVI
MAZAMA RUFINA - (Bourc. & Pucheran), n. 419 das collecções do Museu
Paulista. Tem a pelle montada e em exposição. (vide estampa n. xxv)
Mir. Rig.0 - VEADOS DO BRASII EST. XVII
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REV. MUSEU PAULISTA, tomo x1
MAZAMA RUFINA - (Bourc. & Pucheran) - Craneo n. 419 das collecções do
Museu Paulista; tem a pelle em exposição. (Vide estampa n. )
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Le
— 289 —
Assim, verificada a impossivilidade de identifi-
cação de Cervus nanus, vamos deixal-o de lado para
nos occuparmos com uma das especies à que foi ella
attribuida.
Mazama rufina, Hensel,
(1872).
(Bororé ou «mão curta »
dos Brasileiros ).
E' o menor d’entre os vea-
dos de chifre simples do Sul
do Brasil e provavelmente o
Cervus nanus de Lund cuja
diagnose porém jamais foi
feita. Elle se salienta pela
reducção de suas patas ante-
riores, d'onde provém o seu
nome brasileiro. A sua côr é
vermelha. Uma femea obtida
em meiados de Dezembro tem
o seguinte aspecto. O ver-
melho pardacento do lado su-
perior é, no ventre, apenas
mais claro é só claro entre as
coxas e o ubre. O pescoço é
cinzento, comtudo sobre o lado
dorsal um pouco mais pardo
avermelhado. A fronte, o alto
da cabeça e 9 pescoço par-
dacento cinéreos. À parte dor-
sal das narinas parda dene-
grida, entre os olhos averme-
lhado. As bochechas cinéreas
amarelladas, em torno dos
olhos um annel avermelhado
esmaecido que desenha uma
nódoa nitida sobre os mesmos
e de côr avermelhada. A man-
dibula cinérea amarellada. No
labio superior e no queixo
uma nódoa, comquanto de
modo pouco nitido, mais es-
branquiçada. A cauda colo-
rida como o corpo, comtudo
ha no seu lado inferior al-
guns cabellos longos brancos.
O lado posterior das pernas
trazeiras, desde o tarso nara
baixo, pardo denegrido, dos
dedos collateraes para baixo
Cervus rufinus Pucheran.
Bororó order mão curta (kur-
zer hand) der Brasilianer.
Diese Kleinste unter dem
Spiesshirsschen Sud-Brasiliens
ist wahrscheinlich der O. na-
nus Lund’s, dessen diagnose
aber niemals mitgetheilt wor-
den ist. Er zeichnet sich durch
die Kurze seiner Beine aus,
daher auch sein brasilianis-
cher Name. Von farbe ister
roth.
Ein in der mitte des De-
cember erlegtes Weibchen
hatte folgendes Aussehen ;
das bráunliche roth der Ober-
seite ist am Bauche kaum
heller, nur zwischen den Hin-
terbeinen und um das Euter
hell. Der Hals ist grau, doch
auf der Ruckenseite etwas
mehr rotlich braun. Die Stirn,
der Scheitel und Nacken
braunlich grau. Der Nasen-
rucken schwarzhraun, zwis-
chen den Augen rótlich. Die
Backen gelblich grau, un die
Augen ein verwaschener ró-
thlicher Ring, der uber den
selben einen deutlichen rü-
thlichen Fleck bildet. Der
unterkiefer hell graulichgelb.
An der Oberlippe und dem
Kinn ein heller, jedoch nicht
wirklich weiser Fleck. Der
Schwanz wie der Kürper ge-
farbt, doch sind and seiner
Unterseite einzelne lange wei-
se Haare. Die Hinterseite der
Hinterbeine von der Ferse ab-
wärtz Schwarzlichbraur, von
ihren Nebenklauen ein Se-
wärzlicher Streifen abwärts.
Die fast nackten Ohren sind
— 290 —
uma estria denegrida. As ore-
lhas quasi núas são menores
do que em ambas as especies
anteriores ( M. americana e
M. simplicicornis) e chegam,
qusndo esticadas, ao meio dos
olhos.
Foram colligidos 1 esque-
leto, 2 craneos 1 § el Ge
um féto em alcool.
Quando se queira distinguir
estas tres especies pela côr,
póde-se chamar a primeira
brunnea, a segunda cinzenta
e a terceira vermelha ».
kleiner als bei den beiden
vorhergehencen Arten und
reinchen (an dem abgezo-
genen Fell) bis zur Mitte des
Auges,
Gesammelt wurden 1 Ske-
let, ©, 2 Schädel, 1 ¢ und
1 ©, und 1 Foetus in Spi-
ritus.
Wili man diese drei Spies-
shirsch kurz durch die Farbe
von einander unterscheiden,
so kann man die erst Art
braun die zweite grau und die
dritte roth nennen ». (1)
(1) Abhandl. Akad. Berlin, 1872—
pg. 99
Justamente da descripçäo supra eu vi em Ber-
lin os dous craneos que aqui vão figurados e que,
no Museu für Naturkende tem os numeros 23.048
e 23.049, a designação de Coassus rufinus, crelo
que do proprio punho de Hensel.
Conforme as declarações deste auctor acima
transcriptas, não foram colligidas pelles. O prof.
Matschie facultou-me o estudo dos tres craneos, dous
dos quaes fiz photographar em tamanho pouco me-
nor que o natural e para os quaes Ilensel da 107
e 153 1/2 mm. para o comprimento basilar.
O craneo, de uma femea, tinha as seguintes
dimensões :
Da orla ant. dos intermaxillares à
ponta prot cecip. ALT ta
a orla ant. dos intermaxillares 4
linha anterior dos molares . 50 mm.
Da orla ant. dos intermaxillares à
linha posterior dos molares . 105 mm
Da orla ant. dos intermaxillares ‘ao
foramen*eccipital . posse. 156 mm
Da orla ant. dos intermaxillares
208) Sendas (al. ) ei, 27 mm.
Da orla ant. dos intermaxillares ao
extremo dos pterygoides . . 120 mm.
Da orla ant. dos intermaxillares a
linha das parapophyses. . . 150 mm.
aa + qr
Largura entre os primeiros molares 23 0»
» » » terceiros » AO
» » » ultimos » a Da
Maior largura zygomatica . . . RME
D stancia entre os stylloides É ion
Comprimento dos maxillares . . 84 1/2 mm
» » palatinos : 30 >
D PES A RE A EAN EE wc ADO wil te DO >
FROM MEN ef see) aes se INNER
> linha; medianas. 1". ss 61;»
Orbita ( diam. hor.) F e e . . 238i fs
> POMP MEN ey per et A 27 1/2 »
Mandibulas ( da orla dos incisivos à
linha posterior) . . 144 mm
Da orla dos incisivos aos primeiros
TOTAL lel Pes 42 mm.
Da orla dos incisivos aos ultimos
EPOIATES hae pet ume | sollte atari la 105 mm.
Como se vê essas dimensões quasi se confun-
dem com a Mazama simplicicornis, sendo a con-
formação semelhante, à ponto de parecer-me tal es-
pecie, em Berlin; deve-se notar, comtudo a presença
de dous dentes caninos bem visiveis nas photogra-
phias. Procuremos, portanto, a fonte limpa, a des-
cripção original de
Mazama rufina, Bourcier & Pucheran.
( DEZEMBRO DE 1891 )
« Nota sobre uma especie
nova do veado ( Cervus rufi-
nus, Boure. & Puch.) Este
veado que pertence a secção
dos Subulos, é inferior em
vulto à variedade pequena do
Cervus rufus de que Hamil-
ton Smith (2) fez uma es-
pecie sob o nome de Cervus
simplicicornis. Como o veado
ruivo elle é d'um vermelho
baio bastante vivo sobre os
« Note sur une espéce nou-
velle de Cerf (Cervus rufi-
nus, Boure. & Puch.). Ce
cerf, qui appartient à la se-
ction des Daguets, est infé-
rieur en taille 4 la petite va-
rieté du Cervus rufus, dont
M. Hamilton Smith a fait
une espéce sous le nom de
Cervus simplicicornis (O. Com-
me le Cerf roux, il est d'un
rouge bai assez vif sur les
(2) O Cervus simplicicornis de Hamilton Smith é o mesmo e anterior--
mente conhecido \Cervus simplicico nis Illiger ou melhor Mazama simplicicornis
Illiger ),
— 292 —
lados da cabeça atraz do pes-
coco, sobre a parte superior e
inferior do pescoço, sobre o
meio do dorso e flancos. Nes-
tas regiões só a ponta dos
pellos é vermelha baia; no
resto de seu comprimento elles
são brancos. À garganta, as re-
giões thoraco-abdominal são
de ruivo menos vivo ; o mesmo
succede com a região anoge-
nital, cuja tinta se enfraquece.
Sobre os membros reina, na
visinhança do tronco, a mesma
côr que occupa os flancos ; mas
aproximando-se da articulação
este matiz se obscurece. Esta
ultima côr occupa o resto das
patas até os cascos, mas, ao pas-
so que nas anteriores ella só oc-
cupa a parte exterior do mem-
bro, sendo o lado interno da
mesma côr que todas as re-
giões inferiores do tronco,
atraz, ella irvadio tudo. As
partes lateraes medianas do
focinho, ADEANTE DOS OLHOS,
são de côr negra. O rhinario
é bem formado; uma nódoa
denegrida occupa a extremi-
dade da maxilla inferior ; per-
cebe-se uma outra da mesma
cor na extremidade da ma-
xilla superior, embaixo das
narinas. O bifurcação da ma-
xilla inferior é limitada pos-
teriormente e dos dous lados,
por uma nódoa denegrida. O
lacrymal é muito pequeno.
Os chifres de côr branca, são
muito inclinados para traz e
lisos em quasi toda a exten-
são.
As dimensões do individuo
que acabamos de descrever são
as seguintes: Comprimento da
ponta do focinho à base da cau-
da, (medida directa, estan-
do a cabeça virada para a es-
querda ) 65 centms.. Idem ao
côtés de la tête en arrière du
cou, sur le dessus et le des-
sous du cou, sur le milieu du
dos et les flancs. Dans ces
régious, la pointe des poils
est seule rouge bai; dans le
reste de leur étendue ils sont
blancs. La gorge, les régions
thoraciques etabdominale sont
d'un roux plus terne; il en
est de même de la partie ano-
génitale, dont la teinte est
plus affaiblie. Sur les mem-
bres règne, dans les voisina-
ges du tronc, la même cou-
leur qui occupe les flancs ;
mais, en approchant de l’ar-
ticulation cette couleur se nu-
ance de noirâtre. Cette der-
nière couleur occupe le reste
des pattes jusqu'aux sabots ;
mais, tandis qu’en avant elle
n'oceupe que le dehors du
membre, le dédans étant de
même couleur que toutes les
régious inférieures du tronc,
en arrière, elle a tout enva-
hi. Les parties laterales et
medianes du museau, en avant
de l’oeil, sont de couleur noire.
Le muffle est bien formé;
une tache blanchatre occupe
l’extremité de la machoire in-
férieure ; on en aperçoit une
autre de même couleur à l’ex-
tremité de la machoire supé-
rieure, au dessous des naseaux.
Le chevron de la machoire
inferieure est borné, en ar-
rière et des deux côtés, par
une tâche noirâtre. Le lar-
mier est très petit. Les da-
gues, de couleur blanche sont
fort inclinés en arrière et lisses
dans presque toute leur eten-
due. Les dimensions de Vin-
dividu que nous venons de
décrire sont les suivantes :
longueur du bout du mu-
seua à la base de la queue
‘alias WA ad “VISINVA nasnpw
OP S20399/[09 sep OSJ'E ‘U OaUBID “(ULIIPNA Q Ono) ‘YNILTAU VNVZVI
IX OWOL ‘YLSIINVA NASAW “AIN
13S$S3M
IHIAX “IST TISVUY Od soava, = oa AW
Es
Mir.
Rip.º - VEADOS DO BRASIL EST.
MAZAMA RUFINA (Bourc. & Pucheran) craneo n. 3.186 das collecções
do Museu Paulista. Pelle em serie.
‘IIS WD 24 ‘VISE NosnyW op
S20329/[09 SEP O8l'E ‘U OQULIS ‘(UPIAHON x» DIM) WNIWOW VWAVZVIA
—
x ‘ISJ | USVI Od SOAVAA - o SIM ‘HW
— 293 —
angulo anterior do olho 84
mill. Idem a base dos chifres
13 centimetros. Idem a base
da orelha 155 millimetros.
Comprimento das dagas, 62
mm. Altura, anterior 435 mill.
posterior de 495 mill.
Este subulo tem eviden-
temente relações muito inti-
mas com o Cervus rufus.
D'elle se destingue :
1.º — Pelo talhe menor.
2.º — Pela côr ruiva da
garganta que é branca em C.
rufus.
3.º — Pelo vermelho baio
da parte anterior do pescoço ;
em O. rufus esta região é de
um brunno que se torna de-
negrido em certos individuos.
4.º — Pelo denegrido de
seus membros e de seu foci-
nho.
Esta especie é originaria
da republica do Equador.
Bourcier que soube se tornar
tão util à zoologia, durante a
permanencia, infelizmente tão
breve, em Quito, na qualidade
de Consul! da França, matou os
2 individuos que offertou ao
Museu de Paris, no valle de
Llva, vertente occidental da
cordilheira do Pechincha. A
especie é bastante rara, pouco
selvagem e vive em pequenas
florestas, sobre os valles altos
das montanhas cuja elevação
não é menor de doze mil
pés. Não é afinal, o unico typo
de veado que possue esta par-
te da America do Sul. O vea-
do d'Antis (Cervus antisien-
sis D'Orb.) ahi passa egual-
mente nos arredores do Chim-
borazo e nas montanhas do
Pechincha, do Cotopaxi e do
Cuyambé. Segundo esses no-
vos documentos, póde-se con-
jecturar que este veado habite
prise directement, la tête étant
tournée à gauche, 65 cents..
Id., à Vangle antérieur de
Voeil, 84 mill.. Zd., à la ba-
se des dagues, 13 cents. Id.
à la base de Voreille, 155
mill. Longueur des dagues,
62 mill. Hauteur en avant,
435 mill., en arriére, 495
mill..
Ce daguet a évidemment
des rapports trés intimes avec
le Cervus rufus. Tl s’en dis-
tingue :
1. — Par sa taille moindre ;
2. — Par la couleur rousse
de sa gorge, qui est blanche
chez le O. rufus ;
3. — Par le rouge bai du
devant du cou; chez le Cer-
vus rufus, cette région est
d'un brun qui devient noirâ-
tre chez certains individus ;
4. Par le noiratre de ses
membres et de son museau.
Cette espèce est originaire
de la République de l’Equa-
teur. M. Bourcier, qui a su
se rendre si utile à la zoolo-
gie vendant le séjour, ma-
lheureusement si court, qu'il a
fait à Quito, en qualité de
consul de France, a tué les
deux individus qu'il a donné
au Musée de Paris dans la
vallée de Llva, sur le versant
occidental de la cordillière du
Pichincha. L'espèce est assez
rare, peu sauvage, et vit dans
les petites forêts, sur les hau-
tes vallées de montagnes, dont
Velévation n'est pas moindre
de douze mille pieds. Ce n’est
point, du reste. le seul type
de Cerf qui possè de cette par-
tie de Amérique du Sud. Le
Cerf d’Autis (Cervus antisi-
ensis, d’Orb, ) y séjourne ége-
lement aux environs du Chim-
borazo, et dans les montagnas
PAU 75) Aa
a cadeia dos Andes em toda
a ext nsão da America Me-
ridional: Tschudi, com effeito,
observon-n no Perú; Pent-
land, D'Orbigny e Bridges,
na Bolivia e não está ainda
bem claro se o Guemul, re-
centemente trazido do Chile
por Gay, seja delle differente
especificamente. »
Pucheran, Mongr. Gen. Cerf.
du Pichincha, du Cotopaxi et
du Cuyambé. D’après ces nou-
veaux documents, on peut
conjecturer que ce Cerf ha-
bite la chaine des Andes dans
toute Vétendue de l Amérique
Mérid onale: M. Tschudi, en
effet, l’a observé au Pérou ; M.
M. Pentland, D'Orbigny et
Bridges, en Bolivie, et il n'est
pas encore bien prouvé que
le Guemul, récemment rap-
porté du Chile par M. Gay,
en soit spécifiquement diffe-
rent. » |
— 1852.
Bem pezadas todas as palavras, temos de pôr
de parte — primeiro as considerações de Pucheran
desde o ponto em que se refere aos «novos docu-
mentos »; — e em segundo logar fazer notar que o
auctor de M. rufina não lhe descreveu o craneo,
faltando-nos portanto um termo de comparação até
quando Olfield Thomas, referindo-se à Pudua me-
phistopheles de De Winton, diz que o craneo des-
cripto e figurado por este auctor, para tal especie,
«é, provavelmente de M. rufina.» (1)
Devemos, ainda mais considerar que as descri-
pções, de Pucheran e de Hensel não coincidem ponto
por ponto, havendo discrepancias nos detalhes o que,
naturalmente, conduzio Thomas à considerar M. ru-
fina de Hensel como uma variedade de M. amer-
cana (2) e portanto differente de M. rufina Pu-
cheran.
Segundo Pucheran e Hensel, temos um veado
pequeno, de 43 centimetros nas espaduas e 49 nas
ancas, de cor vermelha intensa, focinho, orelhas,
metecarpos e metatarsos denegridos.
Falta agóra a consideração dos craneos. Tho-
mas confessa a difficuldade do estudo dos veados do
genero Mazaima, « devido à sua notavel variabili-
dade de caractères» —o que devemos ter em men-
(1) Annals & Mag. Nat: History—vol. 11, n. 66, pg. 588.
(2) op. cit. pag. 588.
Mir. Ri8.9 - VEADOS DO BRASII EST, XX]
REV. MUSEU PAULISTA, TOMO xi
MAZAMA RUFINA, (Bourc. & Pucheran)
CRANEOS 23048 E 23049 DAS COLLECÇÕES DO MUSEU DE BERLIN
‘UIPlag Op nosnyW OP saodsoajjoo sep GHPOEZ 9 SPOET SOoURID (URIOYING @ ‘91N04) - VNILANH VINVZVIN
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WIND PP Nasnyw OP saodssajjoo sep HPN'ET 9 SFO'ET SOUL ‘(UEIHUHONY @ 21104) - YNTANH VAVZVW
AIXX “ISq TISVHY Od SOAVIA - ot HW
— 295 —
te sem, comtudo, pormos de parte o maior rigor na
exigencia dos confrontos; e Allen refére um exem-
plar de M. rufina procedente do Pechincha, dando
informações sobre a direcção dos pellos da nuca
além de bôa diagnose.
Assim, valendo-nos d'essas informações, temos 0
seguinte primeiro resultado no cotejo das fórmas :
Mazama rufina De Winton (estampa), Mazama
rufina, Hensel, M. rufina de Allen — e nesse co-
tejo incluimos MZ. briceni de Thomas, da Venezuela.
AUCTORES | De Winton | Hensel Allen Gi Hi
— ee A) = meme == =
Compr. total . .| Om,160.| Om,173 | Om.151 Om,159
> occipito-na- | |
151 PA A ee Om,142 5 Om,143
Maior larg. zygo-
matica 1 = «| Om,01 Om,077 Om,072 Om,070
Arcada dent. ma- |
Raul 0-10 os OT; 05 0/4) Om 050 Om,048 Om,048
Gnathion . . .! Om,050 | Om,050 (até p,m.2)
Compr. palatal .| Om,093 | Om.085
» frontaes .| Om,069 Om,063
Crbita. capa di) OmO027 Om,028
pa FS) 00 2), 0m:022 Om,020
Mo Dar 00,080) |? 0m,0300) -0m,029:) 513?)
Pellos da
nuca nor-
maes
|
O exame detido de todos os ossos mestra uma
articulação premaxillo-nasal cheia no exemplar de De
Winton e parcial no de Hensel; uma direcção ver-
tical nas apophyses paraoccipitaes nestes e obliqua
naquelle; lacrymal mais ou menos bem excavado
em ambos. Presença de caninos no exemplar de
Hensel. Ha a consideração de que os exemplares
de Iensel estão na muda. A sutura maxillo-palati-
na é transversalmente recta no exemplar de De
Winton — em dous arcos, no de Hensel. E” claro
que todas essas differenças não pódem ser tomadas
à rigor, uma vez que uma tal somma de outros
caractéres coincidindo.
— 296 —
Thomas attribuindo à Mazama americana ju-
cunda, M. rufina de, Hensel, leva-a naturalmente
para o typo semplicicornis, mais similhante áquella
especie; contra isso se oppõe a forma dos pedicel-
los dos chifres no craneo do macho joven do Museu
de Berlim ( n. 23.049) que o conduz antes ao typo
de M. rondoni, euja conformação & caracteristica e
se approxima muito de M. rufina. ( chifres 62 cen-
timetros, lisos e brancos. )
À epecie de Nehring ( Gesellschaft Naturfors-
chender Freunde, Sitz 21 Oct. 1884 — Sitzungsberz.
N. 8— 132 — 1884) é referida assim:
« Cervus (Coassus) rufi-
nus, Puch.
O menor craneo de Piraci-
caba, que eu ja recebera de
meu irmäo no anno de 1878,
escrevi entäo mostrar uma
grande semelhanca com o de
C. rufinus, porque não co-
nheco outra especie a que
possa ser attribuido. Elle diffe-
re do craneo do C. rufinus
de Hensel em muitos pontos
importantes; ccmtudo, o,pro-
prio Hensel, a quem eu man-
dára o craneo para determi-
nação, em 1878, escreveu-me
dizendo que provavelmente
pertencia äquella especie. O
craneo de Piracicaba tem os
nasaes muito curtos em con-
| traste com uma muito mais
larga capsula craneana do que
o exemplar do O. rufinus de
Hensel. Além disso, é a orla
das choanas do palatino cons-
tituida totalmente em angulo
agudo.. Os molares superiores
(1) são totalmente desprovi-
dos dos tuberculos basilares,
ao passo que ao menos no cra-
neo do de IHensel. são delles
(4) A mandibnla falta infelizmente,
jinus.
« Oervus (Coassus) rufinus,
Puch.
Den kleinsten Schädel von
Piracicaba, den ich schon im
Jahre 1878 von meinem Bru-
der erhalten habe, schreibe
ich trotz mancher Eigenthüm-
lichkeiten dem ©. rufinus zu,
da ich nicht weiss, welcher
anderen Species er sonst an-
gehüren kônnte. Er weicht
freilich von den Hensel’schen
des O. rufinus in manchen
wichtigen Punkten ab; doch
schrieb mir Hensel selbst,
dem ich den Schädel 1878
zur Bestimmung übersandt
hatte, dass derselbe warschein-
lich zu jener Species gehôürt.
Der Schädel von Piracicaba
hat viel kürzere Nasalia, da-
gegen eine viel breitere Ge-
hirnkapsel als die Hensel's-
chen Exemplare von C. ru-
Ausserdem ist der
Choanenrand der Gaumenbei-
ne von einer auffallend spi-
tzwinkligen Gestalt; di oberen
Molaren (1) entbehren vüllig
der Basalwarzen, wihrend
letztere bei den Hensel'schen
(1) Der Unterkiefer fehlt leider,»-
OUT qui
providos, ainda que com fra-
co desenvolvimento.
Em relação as multiplas
variações que deixam perceber
as differenças especificas nos
craneos de O. rufus e O. ne-
morivagus por mim examina-
dos, detenho-me até que tenha
reunido mais vasto material
para analysar os craneos em
questão e mostrar as diffe-
renciações de O. rufinus.
A seguir dou as dimensões
dos craneos comparados: (2)
Comprimento basilar 158;
total 177; da ponta interma-
xillar à orbita 84; nasaes 52;
largura entre as orbitas 77;
serie dentaria maxillar 55,5. »
Schädeln, wenn auch sehwach
entwickelt, zu beobachten
sind.
Im Hinblick auf die viel-
fachen Variationen, welche
die von mir untersuchten
Schädel von O. rufus und
C. nemorivagus innerhalb der
Species erkennen lassen, halte
ich mich bis zu Beschaffung
weiteren Materials fiir bere-
chtigt, den vorliegenden Schä-
del trovz der hervorgehobenen
Abweichungen auf O. rufinus
zu beziehen.
Ich lasse zuniichst die Di-
mensionen der verglichenen
Schädel folgen.
Basilarlänge 158; Total-
länge 177; Vom Auge bis
Spitze d. Intermaxillaria 84;
Nasalia 52; Breite an den
Augenhühlen 77; Obere Ba-
ckzahnreihe 55,5. »
Por esta attitude duvidosa de Hensel, Nehring
e pelo criterio actual de se filiar as formas à pro-
cedencia exacta indo ao exagero de trocar o signi-
ficado de especie pelo das variações locaes, foi essa
duvida resolvida por Thomas do seguinte modo :
Typo — Femêa nova ( com
os dentes de leite ainda pre-
sentes, porém com a sutura
basilar fechada ); pelle e cra-
neo. M. Britannico n.......
3.7.1.103 — N. original 836
— colligido em Setembro de
1901 por Alphonse Roberts.
Um craneo masculino adulto
tambem examinado. Póde ser
o pequeno veado rufo que os
escriptores allemães chamaram
de M. RUFINA, porém que cer-
tamente nada tem que ver com
esta especie, sendo referida a
« Type — Immature female
_ (milk teeth in place, but ba-
silar suture clossed ) skin and
skull B. M. n. 3:7.11403:: Ori-
ginal number 836. Collected
Gth. September 1901 by al-
phose Robert. An adult male
also examined. This may be
the small rufons deer wich
German writers have assigned
to M. rufina, but it has cer-
tain by nothing to do with
that species being related to
M. americana, of wich forms
a small short headed race,
(2) Damos apenas a de Nehring que póde ser comparada com as outras,
nos quadros respectivos.
— 298 -
M. AMERICANA de que forma
uma RAÇA DE CABEÇA CURTA.
Craneos adultos de M. ame-
ricana vão de 205 à 210 mm.
na extensão condylo basal e
um exemplar femea, mais jo-
ven do que o typo de jocunda
tem essa dimensão de 202
mm. ( Olfield Thomas -— An-
nals & Mag. Nat. History Sei.
Adlt skulls of M. americana
are about 205-210 mm. in
condylo-basal length, and a
female specimen, younger
than the type of jucunia-has
this dimension 202 mm. (Tho-
mas, Mazama american ju-
cunda, Annals & Mag. Nat.
History. Ser. 8.º vol. 11 n.
66 pg. 558-1913 ).
8 vol. 11 — pg. 580 — 1913).
E como tal foi riscada da Fauna Brasiliense
Mazama rufina, p x serem as allegações que lhe
pertenciam, de procedencia brasileira, incluidas na
synonymia de M. americana.
E" de extranhar que contra isso não protes-
tasse Ihering, tendo em seu poder as próvas da exis-
tencia, no Brasil, dessa nova especie; e se submetesse
às conclusões de Thomas que. ao confrontar as pho-
tographias e numeros aqui exhibidos, será o primei-
ro à reconhecer a impossibilidade do que affirmou.
Isto próva tambem que se não deve abusar do
criterio da restricção de áreas geographicas em con-
tinentes vastos, para os animaes capazes de se des-
locar com grande facilidade e que constituem a prê-
za preferida dos grandes felinos. Uns e outros ven-
cem enormes distancias e se disseminam pela terra
com mais facilidade, por isso mesmo que a sua su-.
perioridade para a resistencia, rezide nessa faculda-
dade de locomoção e simplicidaae de provisão ali-
mentar.
Como muito bem diz Nehring, tudo concorre
para que no veadinho vermelho de Piracicaba, de
que reproduzimos as photographias de tres craneos
e duma pelle montada do Museu Paulista, se con-
firme Mazamna rufina de Bourcier e Pucheran.
lhering(1)—que a referio em duvida e bazeado
em Hensel e Nehring, nada adiantou além de deixal-o
entre essa especie e o novo synonymo inedito de
(1) Mamm. E. S. Paulo; Mamm. R. Grande do Sul
Mir. Ris.0 - VEADOS DO BRASIL EST; XX
| WESSEL
REV. MUSEU PAULISTA, romo x1
MAZAMA RUFINA (Bourc. & Pucheran), n. 419 das collecções do Museu
Paulista. A escála que se vê embaixo, na peanha, é de 50 centimetros.
É To ROUE
wee
Mazama borôro, encontrado num dos rotulos dos
exemplares que obteve.
Com effeito, no rotulo do exemplar em expo-
sição n. 419, aqui reproduzido, lê-se este ultimo
nome, ao passo que nos craneos, tambem se lê, em
parenthesis, o termo anterior de rufinus. Essa du-
vida não tem mais razão de ser pela concordancia
indiscutível dos caractères hoje conhecidos para 27.
rufina Bourc. & Puch. Portanto, embóra se trate
da confirmação d'uma especie nova para a nossa
fauna, não ha nenhuma necessidade da creação de
um termo novo para designal-a. Trata-se de uma
ampliação da área geographica de uma especie sul-
americana.
TS)
SE VNTHESE
f ; RE) be
Da analyse anterior resaltam as seguintes conclusões
sobre os ruminantes da nossa fauna :
Os veados do Brasil se apresentam filiados a dous
grupos, de accordo com a forma dos chifres: Galheiros ou
de chifres ramificados e subules ou de chifres em fórma de
estylete ou sovéla.
O primeiro grupo é representado por 2 generos, (1)
um com uma e outra com duas especies. O segundo grupo,
constituido d’um unico genero, tem quatro especies.
Morphologicamente a chave seria :
(1). Ou subgeneros.
— 304 —
ET RS O CE SMS MEAT LS ES DIET EE PRL |
CHIFRES RAMIFICADOS
ESPECIES
Odocelus su- Dorcelaphus Dorcelaphus
cuapara bezoarticus dichotomus
Craneo :
Comprimento até a orbita Om,133 Om,117 à 137 |Om,164 à 0m,178
Gnathion 5 A 0m ,076 0m,063 4 Om,074|0m,092 4 Om,104
Arcada dentaria maxillar Om,068 Om.067 4 Um,075|0m,081 à 0m,086
Largura malar É 3 Om, 106 Om,080 à 0m,093/0m,105 a Om,124
» zygomatica — Om,080 à Om,095|0m,110 a Om,121
Comprimento 3 p. m, ad Om,031 Om,029 a Om,035,0m,035 4 Om,041
» 3 m, A | Om,038 Om,036 4 0m,044/0m,044 à Om,051
Orbita , : E 0m,038 0m,033 a 0m,040/0m 038 a Om,040
Chifre , A . Om,270 Om,240 à 0m,250/0m,257 a Om,440
Corpo :
Vert. cervicaes .« E — =
8va. costella . 4 A aa ta
Humerus bo a — —
Radio e é — —
Meta-carpo J À É — — —
Femur , 5 A é — — —
Tibia 5 2 5 E — — —
Metatarso o 5 — — —
Dleo-ischion , =, é — _ -—
Altura anterior Om,670 Om,660 à Om,730|1m,100 a im,270
» posterior , z : 0m,730 Om,770 a 0m,820/1m,160 à 1m,475
Da ponta do focinho a da
cauda E 1m,240 {m,360 4 1m,380/1m,830 4 2m,070
Pelo da nuca. 4 Normal Normal Normal
» do dorso, Normal Revertido Normal
Cor ( impressão geral). — Baio mesclado | Castanho ver-
de branco melho
Pello em separado. — Base branca Base clara
» sub caudal , E Branco Branco Sepiáceo dene-
grido
Fórma dos chifres. | Ramificado; ra-| Ramificado di-| Ramificado, di-
i mos em cima |chotomo granu-| chotomo, es-
do estema loso triado
Direcção dos chifres . Inclinado para | Erecto ou in- |Erecto ou incli-
diante clinado paratraz| nado para traz
Filhote . 5 i Maculado Maculado Immaculado
— 305 —
CHIFRES SIMPLES
Mazama Mazama à A É
americana simplicicornis Mazama rondoni | Mazama rufina
|
101 à 113 82 a 94 84 a 98 65 a 75
60 a 78 51 a 58 52 à 59 43 à 44
60 à 7 50 à 57 54 à 55 48 à 53
89 à 101 69 à 82 Ta a iD 74
89 a 100 71 a 83 72 à 76 74 a 76
27 à 31 23 à 27 23 à 25 21 à 23
34 à 39 28 à 33 30 à 31 30
32 à 35 26 à 30 27 à 31 27 à 30
69 à 117 88 à 123 59 à 61 62
227 195 à 230 197 =
178 142 142 =
155 143 123 =
174 155 145 =
109 118 108 =
197 174 165 EVA
203 191 182 =
142 154 13% =
219 185 182 =
620 a 780 580 a 690 500 435
640 a 920 680 a 860 600 495
1.400 1.200 990 730
Revertido Normal Normal Normal
Normal Normal Normal Normal
Castanha ruiva Baia Moura Castanha ruiva
Base branca Base branca ponta | Base e annel pre-
denegrida terminal brancos
Branco Branco Branco (pouco) Branco (pouco)
Recta-rugosa Recta-rugosa Curva Recta
Parallela Divergente Convergente Î Parallela
Maculado Maculado Maculado Maculado
TE CIRAD GT LOST VI ED CC AD SORT NE LL NI em me ai
— 906 —
I
A distribuição geographica dos veados brasi-
leiros obedece às seguintes condições mesologicas :
mattas elevadas ou as montanhas cobertas de mattas,
M. rufina; as mattas dos planaltos e das colinas,
M. americana e M. rondom ; as caatingas os campos
e os campos alagados, em visinhança das mattas hu-
midas, as demais especies.
4 especies : Odocelus suaçuapara, Dorcelaphus
bezoarticus, D. dichotomus e Mazama simplica-
cornis pódem ser chamados de planicie e 3 de mon-
tanha ( M. americana, M. rondoni, e M. rufina ).
Só uma especie parece confinada ao Norte da
America do Sul. Outra vae att o parallelo 12, E.
dos Andes e 21 no littoral. Só uma especie esta
confinada ao centro da America do Sul.
As 4 outras vão do Paraguay e Argentina às
Guyanas confórme o mappa annexo.
HI
A origem dos veados do Brasil não parece dif-
ficil de ser apprehendida.
Atravéz do crescimento vemos que tcdos recem-
nascidos, a excepção de um, são maculados de mddo
uniférme. E o que é immacalado apresenta, às
vezes, vestigios d'esta maculação. Deve ser a forma
mais recente.
Vemos no typo subulo reapparecer, atavicamente,
exemplares de chifres triramosos de módo anormal
denunciando impropriedade e apparencia de D. be-
zoarticus. E essa ramificação indica que d'elles
decorra. |
Atravéz dos caracteres craneologicos Rutmeyer
encontrou-os ligados aos Muntjacs, do sul da Azia;
Nehring com toda a razão filiou-os à Odocælus.
Os chifres dos galheiros repetem, nas suas aber-
rações, o typo do Odocelus ; a dentição e consi-
deração acima os dispõe n'essa confórmidade. Neste
Leur ee
grupo teriamos pois a série evidente Odocælus n.º
1; Dorcelaphus, n. 2 e 3. O Dorcelaphus cujos
filhos, unicoiûres, mostram uma progressão mais
recente é o n.º 3 e esse é D. dichotomus, O nosso
Cervo.
No grupo subulone dous typos se apresentam ;
a — Formas de pello não annellado no extremo livre
de focinho curto, regiäo premaxillare caixa cra-
neana dilatadas........ . M. americana M. rufina
b — Formas de pel'os annellados no extremo livre, de
focinho longo e região premaxillar e caixa cra-
neana NOTMAES. ...:-.....-.- M. simplicicornis e M.
rendoni.
O apparecimento hereditario de pontas na haste
principal do chifre imitando a forma de D. bezoar-
ticus, junta à degenerecencia do chifre por outro
lado, nas outras fórmas, deixa M. americana e M.
simplicicornis mais antigas que M. rifina e M.
Rondon. A conclusão vem :
7 — M. rendoni
=
Especies
silvaticas / , +. +. . . . « + 6 — Mazama rufina — 5 M, simplicicornis
a z
| Sle. NU NE eh) ue) eh RAI Mazamadamencana!
a
( 3 — Dorcelaphus dichotomus «—— 2 — Dorcelaphus bezoarticus
Especies à
campestres
1 — Odocælus suaçuapara
Assim, a conclusão zoogeographica à que che-
gamos, nessa concatenação de factos, é que, os :u-
minantes brasileiros, longe de procederem do Munt-
jac da fauna asiatica oriental, ou de dependerem
d'alguma forma africana — o que daria força à theo-
ria da Gondwana Land — procedem directamente
d'uma unica fórma central e norte-americana, ainda
viva, notavel pela sua extrema plasticidade, revela-
da pela multiplicidade de variações locaes e mini-
mas que deixam sem tranquilidade a consciencia dos
systematizadores modernos.
Aqui, a fauna do Sul, veio inteira do continen-
te norte-americano.
ot x i GAS TA A/a)
A=7A tS = C. A1 ri — y
A k BRR is
ee E Pe
dis Pá ART
RGN Dorcelaphus |bezoarticus
ESSES
dichotomus
eee Bie americana lmchide Trinidad )
ZA
Sumplicicarnis
‘rondoni
rufina
DISTRIBUIÇÃO GEOGRAPHICA DOS CERVIDEOS DO BRASIL
i ro À H PY +.
: eet: Pia pian à à
= ’ rt ; le | : Y :
OS MANGUESAES DE SANTOS
FOR
H. LUEDERWALDT,
Naturalista do Museu Paulista
ite É Mk
INTRODUCÇÃO
Tentei na presente obra dar uma idêa, quan-
to possivel completa e clara, da fauna e flora dos
manguesaes de Santos, levando em conta tambem
os terrenos adjacentes, quer para completar o qua-
dro que me propuz traçar, quer porque os mangues
não constituem um todo nitidamente delimitado mas,
em relação à flora, vão assumindo gradativamente
os caracteristicos das regiões de agua doce proximas.
O rico material por mim aproveitado foi co-
lhido em cerca de 50 excursões, é verdade que gas-
tando quasi sempre um dia apenas em cada uma.
Com isso, na verdade, está longe de se exgottar o
assumpto. Acham-se as algas, por exemplo, escas-
samente representadas na collecção. Ha lá muito
mais especies de peixes do que as que obtive. Cal-
culam-nas commummente pescadores em numero su-
perior a cem.
Encontram-se com certeza outras especies de
molluscos na grandes lagôas. Aliás não me occu-
pei com a microzoologia e botanica. A biologia da
maioria dos crustaceos é por assim dizer desconhecida.
Assim, existem muitos outros pontos dignos de
estudo, mas cuja investigação demandaria uma per-
manencia de annos no local, o que seria exequivel
residindo-se em Santos.
A’ excepção de duas especies de Coccideos na-
da de novo se descobriu, apesar de ninguem ter
ainda trabalhado sériamente no logar. Comiudo es-
pero que não serão perdidos o tempo e esforço dis-
pendido na labuta.
Os peixes foram determinados para o museu
pelo Dr. Miranda Ribeiro, os molluscos pelo Dr. H.
von Ihering, os crustaceos por Miss Mary Rathbun,
os coccidos pelo Sr. Adolpho Hempel.
LRO
Generalidades e a flora junto à estrada de
ferro Santos-Piassaguéra
A quem viaja na Estrada de Santos a S. Pau-
lo deparam-se-lhe, logo após a partida da primeira
cidade, aqui e alli, pantanaes negros, marginaes à
linha com abundante vegetação arbustiva. São esses
os famigerados manguesaes, que constituiam antiga-
mente o principal foco da febre amarella, a terrivel
peste que deu a Santos uma triste fama, exigindo
um pesado tributo annual de vidas humanas e anni-
quiilando às vezes tripulações inteiras de navios.
Só melhoraram as condições locaes depois que
as auctoridades sanitarias tomaram medidas energi-
cas e providenciaram para que, conservando-se aber-
tos os canaes de communicação entre os pantanos
e o mar, houvesse sempre livre sahida e entrada de
agua.
Devido a isso inapropriou-se o meio ao desen-
volvimento dos factores da molestia. que desappare-
ceu de alguns annos a esta parte, só se verificando
fórmas de malaria.
A planicie na qual se estendem os pantanaes,
acha-se numa ampla enseada com cerca de 2 leguas
de profundidade, produzida pelo recto da Serra do
Mar, montes costeiros que se elevam na região de
Santos a uma altura de mil metros e mais.
Esta planicie acha-se, em geral, a poucos me-
tros acima do nivel do'mar e é quasi inteiramente
circumdada de morros, mesmo do lado voltado para o
oceano. Cobrem-lhe as elevações, plantações, prados,
mattas e moitas, ao passo que os manguesaes, com a
extensão de muitos kilometros quadrados, se limitam
aos trechos mais baixos, ao alcance das marés, e se
communicam directamente com o mar pelos canaes
Grande e da Bertioga.
Quem só conhece os mangues, por tel-os avis-
tado à nassagem, no percurso ferro-viario, não pode
fazer uma idéa. dos idyllios encantadores, da opu-
lenta vida animal que abrigam no seu seio. E’ certo
que da janella do carro a sua vista nada tem de
— 313 —
convidativa, além do que a maioria dos homens
nutre a conviccão do seu nenhum valor, quando não
os considere apenas como uma ameaça perenne à
saúde.
Entretanto, não é assim.
Não só fornecem os arbustos dos mangues quasi
todo o material necessario à industria de um cor-
tume, onde encontram trabalho, nas épochas pro-
picias, de 500 a 600 pessõas, mas ainda é certo
que as suas aguas são muito abundantes em peixes,
elevando-se a muitos contos de réis o valor annual
dos animaes colhidos nellas. Demais, a Rhizophora
mangle produz um extracto empregado no trata-
mento da lepra e a respectiva madeira, bem como
a da Avicennia tomentosa, fornece um excellente
combustivel, do qual se transportam não poucos car-
regamentos para Santos etc., onde alcançam bons
preços.
Quanto à sua pouca influencia sobre o estado
sanitario já foi dito linhas atraz.
Entretanto, antes de penetrar propriamente no
assumpto e de dar a conhecer ao leitor os manguesaes,
seja-me permittido descrever em largos traços os
seus arredores nos limites em que me foi dado
observal-cs, pois elles, constitiem a moldura do
quadro a se esboçar.
E” admissivel que as baixadas em questão, eram
outrora, nas partes não invadidas pelo mar, cober-
tas de matta virgem, da qual ainda ha vestigios
consistentes na maior parte em arvores rachiticas e
disformes, não raro, de todo em todo, tomadas por
epiphytos.
Actualmente está tudo mudado.
Nos tempos presentes foram as florestas substi-
tuidas por extensas plantações de bananeiras cujos
fractos são consumidos, parte em S. Paulo. parte
na Republica Argentina. Onde quer que a terra
cansada já não produz, crescem densos arvoredos
ou se estendem varzeas quasi destituidas de valor,
emquanto a floresta em outros pontos reconquista
terreno.
Des
Ha muitas capoeiras de extensão maior ou me-
nor, junto à linha ferrea que atravessa a campina
até o sopé da serra maritima. Além de represen-
tantes das familias das Myrtaceas, Myrsinaceas, Lau-
raceas, Euphorbiaceas, e anda da Cecropia ade-
nopus. Mart., de varias especies de Ingá, Canella,
Urostigma, e (edrella fissilis Vell., etc. crescem
alli tambem muitas palmeiras e samambaia-assus dos
ultimos sobretudo Alsophila atrovirens Presl. e Cya-
theas, schanschin, Mart.
Em primeiro plano vêem-se com mais frequen-
cia maricäs selvagens, Muinosa sepraria Bth., que
nas epochas proprias desabrocham em flores alvas
de que se cobrem inteiramente e grupos extensos
de Melastomaceas ( Tibouchina azaleaforme ) de
flores grandes, quasi sempre roxas.
Varias trepadeiras não raro lindamente floridas
e uma Bambusacea de haste delgada de muitos me-
tros de cumprimento enredam-se e dominam as ar-
vores e os arbustos e ameaçam abafal-as.
Com essas mattas alternam se os manguesaes,
arvorêdos, varzeas. Aqui e alli, isoladas ou reuni-
das, sobrelevam as outras velhas arvores, poupadas
pelo machado, colgadas geralmente de densas Til-
landsia usneoides L., cuja longa trama fluctuante
pardacenta offerece protecção bem acceita às ni-
nhadas de um passaro negro, de bico esbranquiçado,
nidificando em sociedade, à semelhança do tecelão
africano, — o guache ou japuira, Cacicus homor-
rhous aphanes Berl.
Crescem nas campinas muitas plantas bellas e
interessantes. Encontra-se com frequencia o lyrio
do brejo, Hedychium coronarium oen., ao lado
de uma variedade maximum? Hichl., productora
de flores amarellas, que supprimiu em largos tra-
ctos de terreno qualquer outra vegetação. Agglo-
meram-se tambem as tabôas, Typha domingensis
Pers., em logares humidos ou brejos, o capim de
miolo, Juncus glaucus (?) Ehrhardt, e o Cyperus
princeps Kunth, uma Cyperacea que attinge até
metro e meio de altura e cujo caule tem até um
— 315 —
dedo de grossura. Abunda, ao menos em certos
pontos, o magnifico caprm dos pampas, Gynerium
argenteum Nees., bem como outra graminea, se-
melhante ao milho, que procura às vezes a agua,
o capim de contas, Coëx lacrima L. Esta ultima
é tida pelas populações ruraes em conta de sagrada,
e considera-se auspicioso o seu crescimento junto
às habitações. Essa vizinhança livra dos malefícios
do diabo !
E” notavel entre todos, porém, o uba Gyne-
rium sacharoides H. B. W., uma linda gramínea,
parecida com a canna de assucar, de à a 8 metros
de altura, que ostenta no outono pendões de metro
e meio de comprimento, de côr roxo-parda ou
branca, aqui bem como na Europa muito usados no
arranjo de b»uquets Makart e que, ao menos em ou-
tros tempos, eram largamente exportados. Esta gra-
minea de elevado porte, occupa de preferencia as mar-
gens arenosas dos ribeiros e riosinhos que descendo
das montanhas, desembocam nos mangues e são
transpostos pela estrada de ferro.
Caracteristicamente de campos pantanosos é um
feto baixo de raiz reptante e folhas uni-pennadas a
Dryopteris gongylodes O. Hize, que viceja em
massa, entre gramineas baixas, proximo à estação
de Piassaguéra, à ouréla da linha ferrea.
São essas as especies de plantas mais conheci-
das e que mais chamam a attenção de quem viaja
no comboio.
Notarei apenas mais uma gigantesca Aracea
Philodendion bipinnatifidum Schott., porque é um
testemunho eloquente da existencia em tempos idos
de florestas virgens nas áreas em que hoje só se
avistam confusões de brenhas e plainos escalvados.
Observam-se no solo, junto à estrada de ferro, nu-
merosos desses vegetaes de folhas grandes, ovaes,
profundamente recortadas, verde-escuras. Mas não
é essa a sua patria de origem, senão que são filhas
legitimas da floresta, na realidade. epiphytas que
tiveram outr'ora seu berço nos cimos das frondes
umbrosas das arvores. (Com a quéda destas foram
— 316 —
ao chäo; muitos pereceram emquanto que outros
sobreviveram resistindo tenazmente aos revezes,
agarraram-se ao solo com novas raizes, adaptaram-
se ao novo habitat desbravado e 1a estão reliquias
da antiga pompa florestal.
Offerece um quadro encantador a estação de
Piassaguéra, acostada à raiz da serra, distante me-
nos de meia hora de viagem do ponto inicial em
Santos. E” a ultima no terreno plano, pois dahi
em deante o trem ascende colleante, preso ao cabo,
em varias secções, por elevados viaductos e atra-
vessando mais de doze tunneis, até chegar ao Alto
da Serra, onde começa o planalto em que assenta
a cidade de S. Paulo.
Avistam-se de Piassaguéra as mattas intermi-
nas sobre os pendores das montanhas e trechos da
estrada de ferro, em torcicollos. Cercam inteira-
mente a estação extensos bananaes e mattos. O rio
Mogy com os seus ubázaes, coptribue para o en-
canto da paysagem. Constitie objecto de enthu-
siasmo para o astrangeiro, sobretudo para o filho
do Norte que pela primeira vez avista regiões tro-
picaes, um grande numero de Palmeiras de desen-
volvidos estipes e outras arbustiformes, que flan-
queiam a estação em desordem natural, cuidadas
pela administração da estrada. |
A montanha e seus contrafortes que limitam
os manguesaes acham-se ainda revestidos de densa
matta virgem, apesar da qualidade das suas terras,
em geral má. Tentou-se, é certo, explorar-lhes a
lenha e as madeiras. Felizmente deram em nada
taes emprehendimentos, ( antes da guerra universal !),
não obstante a proximidade de Santos com os. seus
90.000 habitantes e os preços exorbitantes que se
pagam tanto ahi como em S. Paulo pela lenha. Só
são ou foram parcialmente cultivados os morros mais
baixos à beira da linha e os contrafortes da serra
maritima fronteiros, do outro lado dos manguesaes.
Além da bananeira cultivam-se na zona principal-
mente milho e canna de assucar. Não ha plantações
de café. Nos mattos vicejam Palmeiras notada-
LES Le
mente Æulerpes edulis Mart. que porém, por serem
dominadas pelas arvores frondosas, quasi não appa-
recem. Tambem se encontram muitas Cyathaceas e
bambusaceas, entre as quaes a Bambusa lagoura
Nees., cujos caules da grossura de 5 a 6 cm. attin-
gem a altura de 20 metros. Distingue-se facilmente
esta graminea gigante das cutras especies por ter
nós nos feixes de ramusculos inclinados para traz,
por meio dos quaes se alça até as franças das ar-
vores, e das formas apparentadas tambem munidos
dos taes ramusculos, pelo caule volumoso e Ôco.
A fauna da mattaria convizinha aos mangaes
nada tem de notavel. E” a mesma das outras re-
giões litoraneas do nosso Estado. A grande perse-
œuiçäo dos caçadores rareou a caça de vülto. Por
vezes algum jaguar ou «tigre» ronda na região,
e ainda ha pouco foram mortos por um desses ani-
maes salteadores diversos cães e tambem cabras e
porcos. Até um poldro foi victimado. Existem cinco
especies de simios, entre as quaes o « meno », talvez
a maior do Brasil, e ainda monos berradores (bugios)
e macacos. Todavia estes animaes, por muito acos-
sados, são vistos e ouvidos raras vezes. Capivaras,
segundo consta, vivem ainda em regular quantidade
nas varzeas do sul da linha ferrea. Terei ainda oc-
casião de me referir a varios outros animaes.
Tratemos agora dos mangues. Os brejaes, cor-
tados que são por canaes mais ou menos largos
que às vezes se espraiam formando lagos, constituem
has rasas, apatiladas, cobertas de arbustos, seccas
na. vasante, mais ou menos submersas nas cheias.
Somente algumas dessas ilhas se alteiam ou formam
outeiros, ficando então geralmente habitadas, como
acontece com as ilhas do Casqueirinho, Quilombo,
Barnabé, perto de Santos a ilha allemã e outras.
Os canaes são em parte prolongamento dos re-
gatos e ribeirões que descem da montanha, e têm
por isso a agua salobra. Os afiluentes maiores que
se derramam nos paatanos correndo do Sul, deno-
minam-se rio Cubatão e rio Casqueiro ; um dos meno-
res, que não tem nome inscripto nos mappas, é cha-
— 318 —
mado pelos pescadores rio Mogy Velho, porque era
outrora um prolongamento do verdadeiro rio Mo-
ey, o qual, nascendo nas proximidades da estação
do Alto da Serra, do outro lado do aterro, foi por
este cortado.
A este ribeiro serão dedicadas as linhas que se
seguem, por isso que, em virtude de sua exube-
rante vegetação, constitue um dos pontos mais in-
teressantes da região dos pantanos, principalmente
na maré cheia, em que a agua lhe cobre as margens
barrentas, negras e feias, porque facilita no seu
curso a observação da passagem paulatina da flora
de agua doce e salobra para a região propriamente
de mangues, e ainda porque mostra como muitos
vegetaes proprios de zonas de agua doce se acos-
tumam com a composição salina da agua.
O rio Mogy Velho e sua flora
E” hoje pequena a contribuição de agua doce
do rio « Mogy Velho». Nascendo agora nas pro-
ximidades da estação de Piassaguéra, manando so-
bre uma lama escura, na vasante elle apresenta meio
metro apenas de largura e mal tem meio palmo de
profundidade. O leito mede no começo metro e
meio de profundidade e de cinco a seis metros de
largura e se enche mais ou menos de agua salobra
nas horas de maré cheia.
Nesse corrego é que se encontra o « porto » —
assim denomina orgulhosamente o sr. Pedro, um
sueco de nascença enriquecido no cultivo de bana-
nas, a poça lamacenta em que se firmam as suas
canôas — do qual, vindo de 3. Paulo, fiz em outros
tempos o ponto de partida das minhas excursões nos
pantanos. Tinha entretanto a medalha o seu rever-
so. Quantas vezes falharam os meus projectos ao
ver, chegando de trem pela manhã às nove horas
à estação de Piassaguera, que o refluxo do mar ti-
nha deixado o porto quasi secco, de modo a se tor-
nar impossivel a navegação ! Ou então não encon-
>
trava a canôa, posta gratuitamente 4 minha disposi-
— 319 —
ção pela boa vontade do Sr. Pedro, por estar ella
empregada algures. Não foi, pois, pequena a mi-
nha satisfação ao encontrar um compatriota, o Sr.
José Bertrand, estabelecido em logar apropriado e
proprietario de duas canôas, uma das quaes foi posta
permanentemente ao meu serviço, de modo a se
obviar dos inconvenientes referidos. Demais foi-me
dado pernoitar em sua casa e guardar nella os obje-
ctos necessarios a laes excursões, OS quaes antes eu
tinha de trazer cada vez de S. Paulo.
O matto marginal ao corrego foi parcialmente
derrubado e substitnido por bananeiras. Tambem
aqui surgem grandes áreas de terrenos em capoeira,
que nas depressões ao alcance das marês se mesclam
com a vegetação commum de agua salobra e até
com vegetaes proprios dos mangues. Estes se apro-
ximam do corrego em certos pontos, occultos, purém,
pelos barrancos altos cobertos de moitas.
Quando o rio Mogy-Velho se enche torna-se
interessante, sobretudo no verão, um passeio de canûa,
tanto no ponto de vista botanico como no zoologico.
Da embarcação se observam com toda a commodi-
dade plantas e animaes e se colhem pbjectos para
colleções, o que não é tão facil ao pedestre, além
de se poder penetrar mais fundo nos alagadiços.
Gasta-se na excursão uma boa meia hora ou
tres quartos de hora, andando-se devagar, e passa-
se pelas choças pittorescarnente descuidadas de um
preto e de um brasileiro e depois pela morada mais
afastada de José Bertrand.
Não obstante o grande numero de especies ve-
getaes da zona das marés, lidamos aqui sómente
com quatro plantas marinhas legitimas, isto é, plan-
tas que dependem do sal de tal forma que as suas
sementes não medram mais na região de agua doce.
Isso não impede, todavia, que ellas se possam trans-
plantar do logar de origem para se cultivarem sem
nenhuma agua salgada, como se dá com certas plan-
tas de mangues, entre as quaes varias ornamentaes,
como a Cycas cyrcinalis, Pandanus e outros.
No jardim botanico do Museu Paulista foram
cultivadas com exito completo varias plantas de
agua salobra.
Observamos então o seguinte: Os vegetaes des-
habituados ao sal, tornam-se ao cabo tão incompa-
tiveis com elle como os proprios de agua doce.
Dous exemplares viçosos de Acrostichum morreram
inesperadamente por lhes ter o jardineiro ministrado
a titulo de experiencia uma dôse branca de sal.
As quatros plantas de agua salobra em questão
são :
O Crinum attenuatum, (*) uma Amaryllidacea;
O Hibiscus tiliaceus, embira do mangue, uma
Malvacea, bem como os dous fetos: Acrostichum
aureum e excelsum. A primeira tem por patria,
segundo a « Flora Brasiliensis », todo o littorial bra-
sileiro; o Hibiscus à cosmopolita nos tropicos; o
Acrostichum aureum (8 p. 5 ("*) pertence aos tro-
picos e subtropicos, emquanto que o 4. excelsum
(8 p. 160), só vive na America, desde o Brasil
meridional até a Florida. |
O Crinum attenuatum é inconfundivel. Suas
flores são de tamanho regular, brancas, odorosas e
apparecem no semestre queute, mas desabrocham
tambem esporadicamente no inverno.
Esse vegetal se reproduz por meio de bulbos
contendo ar nos seus tecidos, o que augmenta a sua
fluctuabilidade. O fluxo da agua leva-os para longe.
e Wettstein (I), cujo livro me forneceu a indicação,
vio-os lançados 4 praia proxima de Santos em con-
sideravel quantidade.
O Hibiscus tiliaceus é um arbusto esparralhado
que mede de tres a quatro metros de altura. O
effeito que elle causa não é tanto devido às bellas
flores, primeiro amarellas e depois (mas não só-
mente antes do anoitecer ) passando a cor de laran-
(*) Por-amor á brevidade foram omittidos os nomes
dos autores junto äquellas especies que constam das listas
respectivas.
(**) Vide Bibliographia.
— 321 —
ja, e finalmente rubras, que nascem em pequeno
numero junto às capsulas seccas, pardas da ultima
inflorescencia, mas principalmente à linda e cerrada
fronde semelhante à da Tila. Os troncos ou os
ramos, como se queira, productores de um bom
tecido fibroso, que se presta à fiação, têm a gros-
sura do pulso, ora se endireitam verticaes, ora jazem
no solo, lançando a espaços, novos rebentos apru-
mados que mais tarde se curvam para o solo, e
nella, quando possivel, mergulham novas raizes e
continuam a se desenvolver, de tal fórma qne afinal
se enredam numa confusão inextricavel de ramos
emmaranhados em todos os sentidos que tolhem o
passo ao caminhante. A madeira desse arbusto é
branca e molle, a casca é lisa e egualmente muito
clara.
Parece que houve muitos enganos em relação
a esse vegetal. A descripçäo que se encontra na
«Flora Brasiliensis» (2) Vol XII3 p. 567 serve-
lhe, mas segundo Engler e Prantl (a. V:,3, Ov p.
49, trata-se de uma arvore, com o accordo de
menmnper (4) D dele Peckoli (5) p. 419. 40
ultimo assim se exprime:
« Foi considerado um arbusto na « Flora Bra-
siliensis », mas é sempre uma arvore, da altura da
macieira, de folhas ásperas, produzindo flores gran-
des, amarellas, tocadas de vermelho na base », em-
quanto Schimper apresenta na fig. 226 o. Hib. bilia-
ceus com aspecto nada menos que de arvore, e ou-
tra vez, no quadro 228 representa um arbusto com
a denominação de Hibiscus sp., o qual pelo vulto
bem poderia corresponder ao nosso vegetal. Loe-
foren e Everett (6), pag. 248, affirmam egualmente
que o A. tiliaceus é uma grande arvore originaria
das Indias, com flores amarellas vermelhas na base,
ao passo que a «embira do mangue », tão vulgar
em Santos no estado selvagem, se acha no herbario
da «Commissio Geographica e Geologica », que
por tantos annos teve por chefe a Loefgren, com a
denominação de Hb. tiliaceus L.. Como se diz, a
nossa planta é empregada no Rio frequentemente
— 322 —
na arborização de alamedas. Eu mesmo conheci à
planta, que Martius descreve como H. tiliaceus L.,
tanto no Estado de S. Paulo como no Paraná e
Santa Catharina, apenas como arbusto sem nunca
ter observado a sua tendencia de arvore de flores
inteiramente amarellas e presumo por isso tratar-se
de uma confusão com uma outra especie semelhante.
E isso com tanto melhor razão quanto o nosso Mu-
seu possue um exemplar mais novo de um Arbiscus
proveniente do Rio de Janeiro e ahi cultivada que
parece ter de commum com a especie referida por
Peckolt ao menos as flores de base purpurea, nada
se podendo por ora dizer no tocante ao crescimento.
A copa e a casca branca são perfeitamente Fa
às da malva do mangue santense.
Os dous exemplares de 7. tiliaceus cultivados
no horto botanico do Museu Paulista, mal tendo at-
tingido um metro de altura, já floresceram muito.
As flores conservam-se de tres a cinco dias e mu-
dam de côr à tarde do ultimo dia.
O Acrostichum aureum e excelsum, samambaia
do mangne, tornam-se interessantes por serem os
dous unicos fetos do mundo que se dão bem com
o sal. Mas um delles, o aureum, avança muitas
vezes na região de agua doce.
Elle prefere evidentemente as sanjas lamacentas
de agua doce, que quando muito se enchem de agua
salobra na maré alta, aos locaes muito salgados !
Justamente ahi é que se encontram às vezes plantas
de dimensões e belleza extraordinarias. Uma folha
de um exemplar crescido à meia sombra media mais
do que trez metros de altura e 45 centimetros de
largura, com tres centimetros de diametro no pé,
Encontram se por vezes pês de Acrostichum,
aliás robustos, na praia sobre rochedos, como por
exemplo em Conceiçäo de Itanhaem, notando-se que
a uma altura só attingida pelas espadanas das vagas
nas mais fortes tormentas.
Tambem'o Hibiscus e a Laguncularia race-
mosa crescem, às vezes, directamente na praia, na
ASE RS
restinga, como por exemplo na Praia Grande, pro-
xima a Santos.
As folhas do Acrostichum são fasciculadas, uni-
pennadas. As partes ferteis cobrem-se, quando ma
duras, densamente, de uma massa parda de sôro. A
consistencia é rijamente coriacea e a plania inteira
glabra. Ella vegeta ora isolada ora aggrupada em
massiços de maior ou menor extensão, em que se
vêm geralmente representadas ambas as especies.
Em geral cresce inteiramente livre, mais raramente
à meia sombra.
As duas especies foram por muito tempo con-
sideradas como pertencentes a uma só, até que
Wettstein eslareceu este ponto. Segundo elle (7)
p. 94, o excelsum, abstrahindo de outros caracteres,
maior do que o aureum ; as folhas estereis são mais
curtas que as ferteis e o dimorphismo é rigoroso :
Nunca se encontram, como acontece com 0 aureum,
folhas ferteis na face superior e estereis na face in-
ferior. As pinnas são muito mais numerosas e se
imbricam umas nas outras.
Todas estas quatro plantas de agua salobra pó-
dem ser observadas já no porto das canôas de Pe-
dro e tambem a montante. Entretanto não ha en-
sejo de se notarem legitimos mangues, só se depa-
rando aqui e alli exemplares isolados da Laguncu-
larva racemosa.
Cobrem as margens, em compensaçäo, outras
especies de vegetaes, arvores, arbustos, hervas etc.,
que se habituaram à agua salina, algumas das quaes
surgem no alto, no campo. Junta-se adeante uma
lista, se bem que incompleta. Nomeiem-se aqui somente
aleumas das mais frequenies : O Sapiuin biglandulo-
sum, leiteira, Schimus terebinthifolius, aroeira ver-
melha, a Alchornia sidæfolia, M. Arg., tapia-mi-
rim, diversas especies de ingäs, arbustos, pequenas
arvores e trepadeiras diversas. bignoneaceas, entre
as quaes a Tabebuia cassinoides, — cacheta, ora ar-
bustiva, ora arborea, que produz de Outubro a De-
zembro, pouco enfolhada, flores grandes e bellas,
brancas, com o interior amarello. E ainda a Cas-
— 324 —
sia corymbosa ; uma Bromeltacea, que cresce na
terra, Bromelia faustosa, caraguata, cujas bracteas
na época da florescencia se tingem de um verme-
lho lindissimo, e finalmente o Philodendron bipin-
natifidum, imbé, que mergulha as suas raizes ad-
venticias de um dedo de grossura nas aguas do rio
Mogy, para se arraigar no lodo salgado.
Aqui, ao alcance das marés, se topa como ra-
ridade com um ou outre exemplar de Alsophila
atrovirens e de leucolepis, mas destituido de tronco.
Espraia-se e reprofunda-se aos poucos o ribei-
rao, que serpenteia em voltas caprichosas e na
composição de cuja agua entra maior quantidade de
sal à medida que a gente se aproxima da sua foz
e em consequencia dos mangaes propriamente. O
terreno aplaina-se cada vez mais e mais de ambos
os lados, fica em consequencia mais exposta ao fluxo
do mar e cobre-se de mangues, no começo princi-
palmente da Laguncularia racemosa.
Justamente aqui, mas só ainda nos terrenos
elevados, assume a flora um caracter mais accen-
tuado de exuberancia tropical, e bem se percebe,
que aqui ha muito não trabalham o machado e a
fouce.
Entre altas arvores copadas, rarisemeadas, en-
tre as quaes as imbahúbas de aspecto particular que
logo da na vista, Cecropia adenopus Mart. e pal-
meiras, vicejam ao lado de arbustos de toda a es-
pecie desenvolvidas herbaceas e gramineas. Aqui
Marantaceas e Heliconias de folhas largas, além o
Costus spiralis Rosc., de flores alvas, ao lado o
elegante Panicum sulcatum Aubl.. Tambem a ta-
bia Typha dominguensis, surge a espaços, assim
como a planta forrageira, capim d'Angola, Panicum
numidianum Lam.; a primeira mesmo dentro da
agua salobra. :
Mas tambem a baixada se cobre de densa, alta
vegetação arbórea atê onde só chegam as enchen-
tes fracas. Com excepção do Crinum, do Acrosti-
chum e do Hibiscus, todas as plantas que ahi vi-
oie
vem, no emtanto, pertencem a especies para as
quaes o sal não é de modo algum condição de vida.
Observam-se com notavel frequencia palmeiras-
jeriva, Cocos romanazoffiana, que têm a propriedade
de se adaptar às mais variadas condições de exis-
tencia. Ellas vegetam não só na mais esteril e secca
terra de campo como ainda no brejo de agua doce,
dando-se egualmente bem na zona de agua salobra,
se bem que aqui diminua de estatura. Só domina-
das por algumas arvores frondosas, estas plantas
reaes erguem os seus espiques direitos e robustos
encimados por cocares de folhagens, espalhando em
torno numerosa prole de todos os tamanhos, ao
passo que uma palmeira espinhosa, de dous a tres
metros de altura, a tucum mirim, Bactris setosa
var., em certos logares, formando grupos cerrados,
oppõe à passagem os seus espinbos longos e agu-
dissimos. Acha-se, em um exemplar apenas, 4 ou-
rela do Mogy, tambem uma outra palmeira em ve-
getação exuberante, a indayä, Attalea indayd, cujas
raizes profundas se acham continuamente em con-
tacto com a agua salgada.
O quadro se modifica paulatinamente. Os vege-
taes citados vão rareando outra vez, e pelo desap-
parecimento de arvores de vulto a paisagem vae
ficando mais franca. Se atê agora não fora possi-
vel attentar para a multidão de especies, a tarefa
vae-se facilitando, pois a cada remada se torna a
agua mais salgada e se empobrece a flora.
Tanto mais frequentes surgem os vegetaes pro-
prios da agua salobra. Verdes, ricos de seiva, adu-
nam-se o Crinwm orlando as margens chatas e lo-
dosas, animadas tambem pelo Ærbiscus que impera
sózinho em largos trechos.
Que a agua normalmente salobra é a verdadei-
ra patria destas plantas verifica-se aqui claramente
pelo seu encontro frequente e pelo crescimento nor-
mal, ao contrario do que se dá na agua do mar
pura ou quasi pura, em que se estiolam.
Agora já apparecem brotando directamente na
agua do ribeirão que alcança na maré cheia a lar-
po di
gura de 20 a 30 metros as primeiras Rhizopho-
ras, e tambem augmenta o numero das Laguncu-
larias, formando numa ilha iodosa um grupo com-
pacto. Chama a attenção ainda uma outra planta,
o já nomeado Juncus sp., com o qual tecem-se as
suas esteiras, geralmente encontradiça na agua doce,
constituindo um grupo na mesma ilha.
Passada a ilha diminuem o Crinum, e Acrosti-
chum e o Hibiscus ; o terreno mais se complana,
se achata e empantana ; tornam-se mais abundantes
os mangues legitimos, a principio ainda mesclados
de outros arbustos e pequenas arvores atrophiadas
às duas margens, até que o mangue afinal domina
sozinho tolerando apenas, excepcionalmente, samam -
baia de mangue ou Æibiscus no seu meio.
Como guardas avançadas extremas da flora de
agua doce, adeantam-se aqui alguns jerivás, em uma
região na qual apenas lhes fazem companhia algu-
mas plantas de agua salobra. Mas o aspecto des-
ses vegetaes denuncia a sua existencia precaria nesse
logar.
Os mangaes e a sua flora
Antes de penetrarmos mais nos mangaes pro-
priamente ditos, com os seus canaes e lagos, seja
dito de passagem que, apesar do calor reinante em
Santos, uma excursão por agua, mesmo no verão e
com o céo desnublado, não é muito de temer por
soprar quasi sempre uma brisa fresca. Nos mezes
quentes, comtudo, mais ou menos de Novembro a
Abril, devem-se ter em conta as chuvas tropicaes
frequentes, pois nada é aqui tão prejudicial à saúde
como permanecer com as roupas molhadas durante
algum tempo. Verifiquei por experiencia propria
confirmada por José Bertrand que nenhum ou pouco
mal advém de se conservarem no corpo roupa en-
charcadas pela agua salgada.
Depois de se ter deixado o rio Mogy-Velho,
que tem na foz cerca de 40 metros de iargura, pe-
netra-se numa bacia, formando uma especie de iago
deixa-se à direita a pequena Ilha dos Amores e logo
— 327 —
após a ilha Casqueirinho, muito maior, com as quaes
mais tarde travaremos melhor conhecimento, nave-
ga-se mais meia hora no maior dos largos, que tem
15 metros de profundidade, o Largo Bagerinho,
como o chamam os pescadores, o qual é official-
. mente denominado Largo Caneú e alcança-se o centro
dos mangaes, ao norte da estrada de ferro ingleza.
Emmoldurada pelas montanhas Jongiquas am-
plia-se a região pantanosa em pittoresca irregulari-
dade! A” retaguarda a vultuosa Serra do Mar com
os alcantis do Morrão sobranceiando as grimpas mais
proximas, à frente uma superficie liquida com a
largura de varios kilometros e comprimento ava-
lado em uma legua ou legua e meia, a qual se
estende até Santos, à esquerda, atrahido o olhar
por uma collina, a ilha Barnabé. Vê-se logo à es-
querda uma grande extensão repleta de mangues
cintada por uma tira verde ora mais larga, ora
mais estreita de uma Cyperacea, a Spartina bra-
siliensis, em frente à qual a vasante deixa uma
larga faixa pantanosa. Limitam-se nos fundos con-
trafortes da serra em parte despidos da arborização
e cultivados, semeados de choupanas de lavradores.
Adeante, à direita de Santôs, prolonga se uma linha
de outeiros tendo por ponto terminal o Morro de
S. Vicente, de forma pyramidal, que sobreleva fran-
camente os demais. A' direita novos mangues, ao
lado de uma ilha chata, a Ilha das Cobras, densa-
mente vestida de mattas baixas, infestada, segundo
contam, de cobras, notadamente de jararacas.
O azul do cêo povoado de nuvens brancas re-
flecte-se nitidamente na agua escura; negrejam ao
longe as cumiadas alterosas; verdejantes se avistam
as collinas mais proximas; e os manguesaes apre-
sentam uma cór verde clara.
| À magnifica paisagem que temos deante dos
olhos anima-se com as canôas e barcos de vela,
bem como com as grandes lanchas que singram a
vasta superficie liquida, ora isoladas, ora em grupos.
De vez emquando perpassa tambem algum barco a
vapor com excursionistas de Santos.
— 328 —
O ar deste lago não é o do abrigado Mogy
Velho, e não seria aconselhavel aventurar-se alguem
mais ao largo em uma fragil canôa, quando sopra
um vento mais forte.
Poucas moradas humanas se descobrem nestas
paragens, e além das já referidas casas de colonos
vèem-se apenas alguns edificios a meia encosta da
Ilha Casqueirinho atraz do observador e, mais ao
fundo, as amplas edificações do cortume anterior-
mente citado, de propriedade de um allemão.
Os terrenos de mangues constituem por si só
aspecto particular nunca visto pelo habitante de pai-
zes septentrionaes. O solo de tejuco negro geral-
mente de pouca profundidade despe se de todo ou
quasi de todo de vegetação. Os arbustos crescem
tão espaçados que um homem curvado, ao menos
na hora da vasante, consegue frestar por elles até
a uma distancia relativamente consideravel.
Nem sempre é o solo formado por lodo puro,
mas num ou noutro trecho alternam-se camadas de
lodo com camadas de areia acarretada pelas vagas,
e onde a areia aflora à superficie o chão offerece
um piso firme ao passeiante.
De caminho seja lembrado que o manguesal,
por se achar sujeito ao fluxo e refluxo do mar, as-
sume feições diversas conforme se encontram ou não
submersas ilhas, bancos e baixadas. Direi ainda
que a duração das marés, commumeate de seis horas,
nas épocas de lua cheia ou nova é de cerca de duas
ou tres horas apenas, elevando-se e refluindo a agua
às vezes em pequena quantidade, e que o tempo das
marés fortes é mais ou menos de tres dias.
A flora torna-se muito escassa em especies.
Nessa agua do mar. quasi sem mistura, desappare-
cem, quasi que de todo, as plantas de agua salobra
atraz citadas, e à excepção das duas algas às quaes
se vae fazer referencia mais adiante e da Cypera-
cea Spartina brasibensis, descobre o olhar unica-
menie tres especies:
[9 — A Laguneularia racemosa, «mangue
manso», que, segundo Engler e Prantl (3) cresce
— 329 —
na costa oriental da Africa tropical e nas duas cos-
tas da America tropical e se encontra subindo para
o Norte até a Florida.
2º — A Rhizophora mangle, «mangue bravo»,
que só vegeta nos mangues americanos, e
3.º — À Avicennia lomentosa, « seriúba », pro-
pria da America Meridional tropical.
Segundo Loefgren e Everett (6) p. 162 tem
tambem a Avicennia nitida Jacq. o seu habitat no
Estado de S. Paulo, mas foi debalde que a procurei
insistentemente nos arredores de Santos. Sua ver-
dadeira patria é na opinião dos auctores ha pouco
citados, a parte septentrional da America do Sul, e
Martius dá como limite meridional, no Brasil, a
Bahia.
A primeira forma na região santista moitas al-
gum tanto densas e frondosas de dous a tres metros
de altura, de ramos um pouco escanchados cujos
renovos e peciolos têm um colorido vermelho-pardo
e que têm cor de azeitona esverdeadas as folhas,
que são oppostas, coriaceas, ellipticas, inteiras, pe-
cioladas. As flores são pentameras, pouco apparen-
tes, pequenas, brancas e erupadas. Os fructos são
alongados engrossando gradativamente na extremi-
dade, com nervuras longitudinaes, coreados pelo
calice persistente; tendo cerca de dous cm. de com-
primento e um de grossura. As sementes não são
providas de cilios e a planta não é vivipara. Co-
lhem-se as folhas deste arbusto em grande copia
para serem enviadas em carregamentos inteiros des-
tinados aos cortumes. As hastes tintas de negro
pelo lodo, quando o mar baixa, elevam-se a um
metro ou mais acima da. agua ou do lodo, como
tambem acontece com as especies seguintes, cober
tas não raro por densas camadas de cracas ( Bala-
nus ). Revestem-nas tambem duas especies de algas
das quaes virei a tratar mais tarde. Peckolt (5)
p. 273 diz dessa planta que a decocção das suas
folhas serve para bochechar quando dentes cariados
produzem dor de dentes, que a casca, rica em sub-
stancias usadas no cortume, é empregada como
— 330 —
energico adstringente, e que o lenho é utilisado
como archote.
Um mangue bravo, cujos troncos na parte in-
ferior attingem a grossura do femur do homem e
a altura de cinco a seis metros, e cujos ramos, à
altura de 3 metros ainda despedem as suas raizes
adventicias escarranchadas, pardo-claras, geralmente
dichotomicamente divididas, as quaes se arraigam
na terra e contribuem tanto para a nutrição como
para a fixação da planta, tem a copa esparramada
e gomos fusiformes inchados. Suas folhas são si-
milhantes às da especie anterior, mas sem peciolos
vermelhos e brotos novos, assim como a especie
seguinte. As flores insignificantes, amarelly-esver-
deadas, solitarias, tetrameras e o embryão que surge
no apice brota já na arvore. À planta é pois vi-
vipara, como é tambem a seguinte. O fruto attinge
o seu desenvolvimento mais ou menos em Março e
começa depois a cahir, desprendendo-se paulatina-
mente a tres cm. da base e pedunculo, que mede
de 4 ao cm. Elle cde geralmente em sentido ver-
tical e enterra-se na lama, onde não tarda arraigar-
se. As moutas denso-cobertas delles, fazem a im-
pressão de uma leguminosacea. O seu comprimento
maior, sem 0 pedunculo, chega a medir 35 c., tendo
só o enbryão 31 cm. Este ultimo é um pouco
curvo, arredondado, engrossa no ultimo terço e mede
até um cm., de diametro, afina-se absolutamente na
extie nidade e é liso e, brilhante; ao principio verde
tornando-se mais tarde pardo. No mez de Junho
encontram-se no lodo numerosos embryões, uns ar-
raigados, outros não. Acontece ás vezes que o sys-
tema de raizes adventicias da Rhizophora é mais
amplo do que a propria copa e capaz de alimentar
a planta por si só mesmo depois de ter sido cortedo
o caule. Só a casca desta planta se presta para O
cortume, ao passo que : tronco desnudado é utili-
sado como combustivel. Já se referio que desse vege-
tal se esträe um producto medicinal contra a lepta.
Avicennia tomentosa, tambem um arbusto que
attinge a altura de cinco e seis metros, com um
a 3) ee
bello aspecto de pyramide, com folhas menores e de
um verde mais vivo, oppostas, obovatas e com as
sementes armadas de cilios, näo contem cortume em
nenhuma das suas partes, mas em compensação con-
tem um excellente e muito procurado combustivel,
O vegetal é viviparo, como já se disse, pois o fructo
brota e se abre ainda na arvore. O calice com-
põe-se de cinco peças e a c rolla apresenta quatro
fendas. O fructo é capsular. apertado, dehiscente
por meio de duas grossas valvulas, arredondadas na
extremidade inferior, fortemente arqueado na supe-
rior, cahindo abruptamente do apice, com tres cm.
de comprimento, dous de largura, um de grossura.
Collocadas no alcool, partes dessa planta tingem-na
de negro, como tinta. Torna-se a seriuba notavel
pela formação dos chamados pneumatophoros, raizes
secundarias de um dedo de comprimento e grossura,
que surgem do solo em grande copia e que, segundo
dizem, têm propriedades venenosas. Estas formações
servem para fornecer oxygenio às partes subterra-
neas. Tambem a Laguncularia produz pneumato
phcros, mas longe está de produzir tantos como a
Avicennia. As flores são pequenas, brancas. A flo-
rescencia em Fevereiro e Dezembro, juntameute com
fructos meiocrescidas.
Laguncularia racemosa & a que se encontra
com mais frequencia e occupa não rara grandes
áreas com exclusão das outras. Aqui e alli erguem-se
no meio dessa vegetação avicennias e rhizophoras,
porém mais vezes aquellas do que estas. Deprehen-
de-se dahi que os mangues de Santos differem dos
outros, por exemplo, dos do Norte, dos quaes Mar-
tus (9) p. 106 relata, que muitas vezes, ao baixa-
mar, se pode andar durante horas sobre as raizes
em candelabre dos vegetaes, e Warming (10) p.
312, que a Rhizophora mangle, em logares pro-
picios, como por exemplo no litoral de Venezuela,
ajunta-se fermando mattas de elevado porte. Ahi,
portanto, constitue a Ryzophora amplos cerrados,
emquanto que Santos apparece em relativo isola.
mento. Segundo Schimper ( 4) p. 436, a Rizophora
— 382 —
toma a orla externa dos massiços, ao passo que a
Laguncularia recemosa occupa principalmente o
bordo interior, muitas vezes sem mistura de outras
plantas, constituindo a Avicennia um meio termo.
Mas essa roticia refere se aos mangues existentes
nas proximidades do mar, quando as Rhizophoras
têm de supportar o primeiro embate dos ventos do
mar. Formações com esse caracter não são de se
encontrar nos pantanos de Santos, circumdados de
moutanhas quasi por todos os lados.
Explica-se o minguado crescimento dos man-
gues de Santos pelo tacto de serem cs arbustos fre-
quentemente despidos das folhagens e cortados com
intervallos de poucos annos. Nes pontos, em que
não são perturbados em seu desenvolvimento, como
acontece, por exemplo, em Conceição de Itanhaem,
no Rio Branco, têm os mangaes um aspecto muito
diverso do acima descripto. Ahi crascem as plan-
tas, por vezes, em massigos umbrosos e chegam a
se tornar pequenas arvores. Ahi a Laguncularia
alcança a altura .de oito metros com a grossura do
femur, e a Rhizophora e Avicennia, dez metros
com a grossura do corpo de um homem. A ultima
ds vezes apresenta-se stê maior. À primeira e a
ultima erguem-se direitas,.ao passo que a Rezophora
cresce bem nodosa.
Em geral não se encontram Hpiphytos nos ar-
bustos ou arvores dos mangues; mesmo nos cerra-
dos sombrios citados, de Conceição de Itanhaem,
mas muitas vezes se revestem escassamente de pe-
quenas lichens. A razão disto encontra-se por certo
na casca lisa dos arbustos, que não dá péga às se-
mentes trazidas pelo vento. Comtudo ha excepções. .
Assim é que Wettstein (1) mostra nas tabulas
XVII e XVIIL robustas Avicennias tomentosas pro-
venientes dos arredores de Santos sobrecarregadas
de Bromeliaceas, Araceas e Orchidiaceas. Entre
as ultimas acham-se Cattleias e Laelias de grandes
flores. Eu mesmo tive ensejo de observar uma ou
outra vez Bromeliaceas nos arbustos de mangue,
— 333 —
mesmo a larga distancia da terra firme, mas as
plantas apresentavam um aspecto doentio.
Todavia viceja muitas vezes sobre elles, ao
menos sobre a Laguncularia, uma parasita, uma
Loranthacea (6.415 ) cujas hagas são comidas pelos
passaros, cujos excrementos as disseminam.
As folhas de seriuba e do mangue manso co-
brem-se frequentemente de cogumelos. As folhas
da primeira só os apresentam na pagina inferior ;
manchas grandes, deslavadas, mais ou menos reu-
nidas, de côr parda ou negra, que no ultimo caso,
semelham borrões de tinta misturados. As folhas
do mangue manso apresentam tanto na face supe-
rior como na inferior, sobretudo nos bordos, man-
chazinhas mais ou menos numerosas, circulares, ne-
gras, que lembram os excremertos das moscas. O
mangue bravo, ao contrario, parece não ter cogu-
mellos nas suas folhas. As pequenas saliencias de-
licadas, bastante proxima uma da outra, em forma
de pontos, escuras, semeadas com regularidade na
pagina inferior das folhas, não são cogumelos, como
poderia parecer a primeira vista, mas elementos das
proprias folhas.
As duas Algas, que crescem nos troncos e ra-
izes dos mangues situados ao alcance das marês
pertencem à familia das Floridaceas. As duas de
um verde sujo, forram compactamente os objectos
que as sustentam. A de folhagem mais ampla é
a Catenella impudica, a de folhagem mais fina a
Bostrychia brasiliana. Na agua lodosa encontra-
se com frequencia uma alga verde, Compsogon sp,
provavelmente C. leptoclades, que se tornou conhe-
cida em Cayenne, ou sp., nova, como me commu-
nicou gentilmente o sr. Mobius, professor no lüsti-
tuto de Senckenberg de Francfurt sobre o Meno. a
quem enviei para determinação as duas especies de
algas referidas.
As ilbas
Vale a pena estudar mais detidamente ao menos
algumas das ilhas às quaes já me referi.
— 334 —
A pequena ilha Allema — situada perto de San-
tos encontra-se actualmente deshabitada. Em parte
acha-se ella coberta de mattas, em parte inculta,
parecendo a terra inteiramente esgotada.
Não estive nella. Avistei-a apenas 4 passagem.
Não era o seu aspecto muito convidativo.
A Ilha dos Amores é nma ilha pantanosa ex-
tensa, plana, quasi toda coberta de mangues, na qual
se estabeleceu um pescador, um portuguez que lá
mantém, ao lado do seu principal serviço, uma venda
provida de cerveja, soda, vinho, cigarros e, suben-
tende-se, aguardente, além de outros pequenos ar-
tigos procurados pelos pescadores e operarios.
A pequena collina situada no meio dos brejos
sobre a qual se erigio a modesta casa e o armazem,
ergue-se artificialmente por meio de aterros e muros
de pedra e tem de tres a quatro metros de altura.
Diversas e outras pequenas construcções se prolon-
gain com ella mais embaixo. Junto à morada, além
de uma bella figueira brava de grandes folhas, uma
Urostigma sp. que florece na base da collina, bem
como de diversas palmeiras jerivás e outras arvores
e arbustos, entre as quacs tambem a aroeira ver-
melha, existem mamoeiros, Carica papaya L., goya-
beiras, Psidium quayara Raddi, algumas laran-
jeiras, e touceiras de canna de assucar, que foram
plantadas.
Não vi animaes domesticos, além de gatos e
cachorros, alguns suinos e gallinhas.
O que mais desperta o inseresse aqui é um vi-
veiro de peixes, cuja communicação com a agua de
fora se faz por uma grade de ferro e cujo destino
principal é conservar os peixes vivos para vendei-os
por bons preços por occasião de certas solennidades
durante as quaes os brasileiros, como bons catholicos
que são, não comem carne. Juntamente com ani-
maes de pequeno pórte observei um exemplar de
um metro de comprimento nadando na agua turva,
de preferencia junto à grade, a procura de uma
sahida. O aterro é cercado por um Gynertwm sa-
charoides que forma uma sébe viva.
— 339 —
Extensas áreas dos pantanos limpos de matto
nas proximidades da casa cobrem-se de uma vege-
tação densa de uma grama apreciadora da agua sa-
lina — o Paspalum distichum, que viceja a miudo
em toda a parte e tambem na praia e, de par com
as arvores e arbustos, notadamente o ubá, dá ao
pequeño estabelecimento um aspecto aprazivel.
Em pequenos trechos do tejuco negro viceja
uma Juncaginacea, Triglochin montevidense de fo-
lhas baixas, estreitas, verdes.
A Spartina brasiliensis forina (2) gracilis apre-
senta um certo numero de exemplares sempre iso-
lados emquanto o typo reponta directamente da
agua num recanto da ilha.
Para um leigo seriam as duas especies inteira-
mente diversas: aqui, na terra firme, tufos hirtos
de 60 a &0 cm. de altura, de regularidade agrada-
vel, com pedunculos roliços da grossura de meio
cm. e com folhas estreitas, de 2 x 3 mm. de lar-
gura; além, na agua, um canaiço elevando-se a
um metro de altura, muitas vezes deitado, cujos pe-
dunculos attingem a grossura até de um e meio
cm. e cujas folhas tem a largura de um cm. e mais.
Não muito distante, a ilha do Casqueirinho,
medindo 45) metros de comprimento e 320 de
largura e que se avista tambem da linha férrea,
offerece uma perspectiva incomparavelmente mais
attrahente. E” incontestavelmente a perola dos pon-
tos amenos da região e contêm sitios encantadores.
E” férmada na parte principal por duas lombas de
serra reunidas, das quaes a mais alta terá 100 me-
tros de altitude. Pelo lado do Poente, no viso do
morro, luzem atravez da verdura vultuosos penhas-
cos escalvadus. Fragmentos de rocha rolados de
cima salpicam em varios pontos as margens cinta-
das por uma faixa de mangues que ora se estreila
ora se alarga, ligando-se à ilha, na face que da
para o mar, um extenso manguesal. Nessa face
avistam-se mais 20 alto, nos mares, as edificações
do proprietario — duas quintas separadas.
— 386 —
A flora é a mesma da terra firme, da mais
pomposa exuberancia em virtude do calor humido
que reina. Florescem em grande copia nas encos-
tas palmeiras e Cecropias deparando uma paysa-
gem que não se poderia conceber mais genuinamente
tropical. E' a Oeste, onde tem mais realce a exu-
berancia da vegetação, que o scenario magnifico
mais enleva o expectador. Os alentados galhos das
arvores recamados ae epiphytos ensombram as pe-
dras tombadas, dispersas em pittoresca desordem.
Um pequeno massiço de ubäs cobre a orla depri-
mida produzindo um effeito deslumbrante quando
floresce alçando os seus longos pendões pardos ou
brancos em nitido destaque sobre o fundo verde-
negro. Em certo trecho estas plantas aproximam-
se da beira muito juntas com alguns Hhbiscus e
Acrostichum, se bem que pareça que não se dão
bem com a agua salgada.
Toda a especie de fetos, Aroidaceas e Maran-
taceas, de folhas largas, medram nas escarpas bai-
xas talhadas a pique, pendem dos ramos as corti-
nas formadas pelos longos filamentos cinzentos da
Tillandsia usneordes L. Adunam-se como pingentes
verde-escuros Polypodiuin geminatus Schrad. le-
vando os olhos do conhecedor de Pteridophytas,
luxuriantes, como ainda não os vi em parte alguma.
Não longe dos ubás, vindo dos montes, des-
emboca um ribeirão de boa agua potavel e mais
acims, na matta. divisam-se as ruinas de um edi-
ficio que se diz provir dos jesuitas. Uns poucos de
pilares baixos remanescentes, de rocha mal ajustada,
cobrem-se de musgos e de bromeliaceas. Nem a
feição romantica falta, pois, aqui, e quem sabe as
scenas de que terão sido protagonistas os aborige-
nes. A’ pouca distancia desta local historico vis-
lumbra-se atravéz da verdura um monticulo irregu-
lar de terra fresca, vermelha: um castello de saú-
vas, — a Atta laevigata Sm., cujos operarios e sol-
dados surgiram immediatamente do fundo, com as
suas enormes cabeças cordiformes, polidas, em atti-
tude de defesa, logo que, na minha primeira visita,
Me. «wy PE
me puz a examinar mais de perto a sua constru-
cção.
Faço deste formigueiro especial menção por
ter reflectido sobre as dificuldades que a sua fun-
dadora deve ter vencido no seu vôo nupcial para
transpôr a distancia, talvez de um kilometro, que
separa a ilha da terra firme, e por se encontrar
num capoeirao.
Os logares em que o matto foi derrubado para
deixar espaço para a cultura, como por exemplo a
leste, foram de novo invadidos por capoeiras e ca-
poeirões entre os quaes sobre sdem touceiras de ba-
naneiras volvidas ao estado selvagem. Chamam a
attenção junto à beira duas grossas figueiras, bem
como um certo numero de cedros Cedrela fissilis,
Vel., arvores altas que perdem as folhas no inverno.
Das varias plantas uteis ou ornamentaes refiram -
se apenas pés de baunilha, de canelleira da India,
de cacao, de jaca, e finalmente um coqueiro da Bahia
de cerca de 12 metros de altura, que se apruma
adeante, junto à praia, no ponto em que se acha o
o porto das canôas. Quando a vi pela ultima vez
ostentava a arvore diversos fructos verdes meio
desenvolvidos.
E' pena que o actual proprietario bem pouco
se importe com os seus esplendidos dominios. Uma
das quintas ameaça ruina e ninguem cuida das
plantações, de modo que não tardarão a ser suf-
focadas pelas hervas invasoras. Ultimamente começou
elle a destruir a magnifica matta para negociar com
a lenha, o que prenuncia o fim de tantas bellezas
naturaes. Embora não incorra o homem em cen-
sura, é de se lastimar profundamente que um re-
canto ideal como esse não possa ser conservado na
sua belleza primitiva.
A terceira ilha que visitei foi a Ilha das Flores.
Ella faz jas ao nome que lhe foi posto pelos pes-
cadores por cansa da multidão de ipés ou piúvas
Tecoma sp. uma Bignoniacea arborescente, que lá
cresce e quando em florescencia, mais ou menos de
Outubro a Janeiro fica crivada de grandes flores ama-
— 338 —
rellas visiveis à distancia. (Contém a ilha varios
hectares, mas é tão baixa que nas grandes marês
fica a pique de ser submergida. Reside neila o
pescador Vicente, um robusto, atarracado italiano
do Norte, de physionomia sympathica, queimada de
sol, ao qual o nosso Museu deve quasi todos os
peixes dos brejos de Santas,
Retrospecto das plantas de agua salobra ou
salgada examinadas
A legitima flora dos mangues é pobre em es-
pecies em toda a parte do globo. Segundo Warming
(1.º) p. 312 comprehende ella 26 especies apenas
de nove familias as quaes são quasi todas arbóreas
ou arbustivas, com excepção de uma herbacea —
Acanthus ilicifolius. Destas 26 especies sómente 4
se encontram em toda a America. Os mangues de
Santos são os que se encontram na nossa lista sob
-
OS nse parda
Os algarismos romanos junto aos numeros si-
gnificam os mezes nos quaes foram eacontradas
com flores.
| — PHANEROGAMAE
1. Avicennia tomentosa Jacq. ( Verkenac. ) XII-
11.
2. Crinuin allenuatum Willd. ( Amarylidac. ) If-
IV. |
3. ÆFwrena brasiliensis Pall. ( Cyperac. )..
4 Hibiscus tilaceus (L.) St. Hil. (Malyact)
XII -1V.
D. Laguncularia racemosa Gaert. ( Gombretac. )
X -II.
6. Paspalum distichum L. Gram.
7. Rhizophora mangle L. ( Rhizoph. ), XILII.
8. Spartina brasiliensis Raddi. N. 6700 e var. ?
gracias, N#6%01.(:Gram: a TERRE
9. Trinbeistylis sp. N. 6697 ( Cyperac. ).
10.
Pi.
pa:
13.
14.
Lista
SRE
— 339 —
I] — CRYPTOGAMAE
Acrostichum aureum L. ( Polypod. ), II.
Acrostichum excelsum Maxon. ( Lomarzoides
Jenin. ( Polypod. ) II.
Bostrychia brasiliana Müeb. ( Florid. ).
Catenella impudica Witz. ( Florid. ).
Compsopogon ? leptoclades Mont.
das plantas santenses habituadas à agua salobra
e que se encontram ainda ao alcance das fortes
marés :
I — PHANEROGAMAE
Anona paludosa Aubl. ( Anonac. ).
Atalea indayá Drud. ( Palm. ).
Alchornea sidaefora M. Arg. ( Euphorbiac. ).
Bactris setosa Mart. var. ( Palin.) Flcrescen-
cia: X-XII; maturação dos fructos : IV.
Fôrma noutras partes como aqui vegeta-
ções inteiras.
Bromelia fastwosa Lindl. ( Bromeliac. )
Cassia corymbosa Lam. ( Leguminosac.) IV.
Chiococca brochiata R. et P. ( Rubiac. ).
Cuspidaria multiflora P. D. CG. ( Bignoniac. ).
Condylocarpum rauwolfiae Mill. (Apocynac.).
Cocos romanzoffiana Cham. (Palm.). Flo-
rescencia : X-XII, maturação dos fructos : IV.
Cedrela fissilis Vell. ( Meliac. ).
Dahlbergia ecastophylluim Taub. (Leguminosac.
Lirvanthus asper Nees. ( Gramin. ).
Ficus eximia, Schott. ( Morac. ).
Gyneriuim sacharoides, H. B. K. ( Gramin. )
1-111.
Ypomea sp. ( Convulvulac. ).
Juncus ? glaucus (Juncac. ).
Lagenoscarpus oocarpus G. B. Clarke. (pau-
lensis Pall. } ( Cyperac. ) II. A’ beira dos pan-
tanos.
Norontea brasiliensis Chois. ( Maregraviac. ).
40.
— 340 —
Psidium guayava Raddi. ( Myrtac. ).
Passiflora edulis Sims. ( Passiflorac. ).
Philodendron bipinatifidum, Schott ( Arac. ).
Rubus brasiliensis L. (Rosac. ).
Rapanea parviflora Mez. ( Myrsinac.) X-I.
Caracteristica das mattas do littoral.
Rapanea villosissima Mart. ( Myrsinac. ).
Stigmatophyllum cillittum A. Juss. ( Malpi-
ghiac ).
Sida acuta Burm. ( Malvac. ).
Sapium biglandulosum M. Arg. (Euphorbiac. ).
Schinus terebinthifolius Raddi. (Anacardiac.).
Tabebuia cassinoides D.C. (Bignoniac.) X XII.
Triglochin montevidense Spr. ( Juacaginac. ).
Tecoma sp. ( Bignoniac. ) XII.
Typha dominguensis Pers. ( Typhac. ).
Vernonia Westiniana Less. ( Composit. ).
Edwall (24) cita ainda as especies seguintes :
Maytenus semiscandens Loes. ( Celastrinac. )
p. 69.
Myrsine leuconeura Mart. ( Myrsinac. ) San-
tos, Cubatão, p. 126.
Dioscorea priperifolia Willd. ( Dioscoréac.)
Santos; Conceição de Itanhaem, p. 169.
Maranta arundinacea L. (Marantac.) Santos ;
Conceição de Itanhaem, p. 178.
If — CRYPrOGAME
Alsophila leucolepis Mart. ( Cyathac. ).
Alsophila atrovivens Prsl. (Cyatnac. ).
Dryopteris 2 sp. ( Polypodiac. ).
Lygodium volubile Sw. ( Schizaeac. ).
E” uma lista volamosa de especies que se ada-
ptaram às modificações das condições de existencia
na zona de agua salobra, a qual ainda está longe
de esgottar o assumpto.
Dou um exemplo da acção prejudicial da agua
salina nos organismos vegetaes não habituados a
= Sit o
ella: Uma enchente extraordinaria, a maré grande,
em Junho de 1914, que cobriu com um palmo de
agua a Ilha das Flores, fez um grande mal à res-
pectiva flora. Não sómente plantas delicadas, como
fetos, hervas e capins soffreram grandemente, ficando
murchas e e com as folhas crespas, como tambem
arvores e arbustos de florestas se resentiram, o que
manifestaram pela quéda de folhagens As folhas
de uma dilatada plantação de pananeiras amarelle-
ceram, de modo que, se não temia a morte das
plantas, contava-se pelo menos com um anno de
colheita falha.
A fauna dos mangues
E o que dizer da fauna em torno! Como pulsa
a vida em um sem numero de individuos! Que
formas esplendidas e attrahentes: Na agua uma
multidão de peixes, as ilhas apauladas, chatas, po-
voadas por myriades e myriades de caranguejos,
os bancos de areia, ao menos em certas épocas,
animados pelos formas brancas das aves marinas e
palustres.
Mas apesar desta riqueza ê pequeno o numero
dos especies propriamente de mangues. De verte-
brados apenas uma poderá talvez, ser levada em
conta. Poderá quando muito constituir excepção a
saracura do mangue, Aramides mangle, si é que
ella se encontra em Santos. Todas as outras aves
vivem tambem em outras partes do paiz, podendo-
se dizer o mesmo das numerosas especies de peixes.
Dos invertebrados são os mais caracteristicos
habitantes do mangue os caranguejos. Tambem é
um genuino animal do mangue um pequenc caran-
guejo do lodo, o Kalliapseudes sp.... (?) A este
numero pertence tambem o Balanus eburneus.
Os insectos fornecem duas cóccidas e um certo
numero de Hipteros, entre estes notadamente o Cu-
licoides marwim, os Moslluscos de 4 a 5 especies,
(vid. as listas abaixo ).
Mammiferos são raros ou só encontrados ex-
cepcionalmente, por levarem uma vida nocturna. A
— 942 —
pequena lontra, Lutru bvasiliensis Rengg. encon-
tra-se apenas de passagem.
O Mão peliada ou cachorro do matto, Procyon
cancrivorus Cuv. não é raro, segundo affirmam.
Encontram-se rastos marcados na lama, devidos, seja
a esse animal, seja aos coatis, que tambem gostam
de farejar por tudo. Habitam esses animaes as bre-
nhas vizinhas, das quaes säein à noite afim de visi-
tar os alagadiços. Ê
Pode-se dizer o mesmo dos gambas ou raposas,
a Didelphys aurita Weed. Estes animaes são apri-
sionados lá, como em toda a parte, quer para pôr
um paradeiro ao seu officio — o furto de gallinhas
—, quer para aproveital-os como alimento.
A sua fome insaciavel leva-se com certeza a
penetrar mais adeante nos brejos ao cahir da noite,
pois ahi encontram infallivelmente o que devorar, al-
gum peixe morto, caranguejo etc.
Acontece tambem às vezes que um veado ou
paca perseguida pelos cães se acolhe aos paues, onde
os caçadores lhes vão no encalço em canôas.
Um delphin de comprimento avaliavel em 3 ou
4 metros, cor cinzento escura, encontra-se muitas
vezes nos alagados mais fundos. Estes animaes são
vistos frequentes vezes de bordo dos navios, quasi
sempre em grupos, nos portos meridionaes do Brasil.
Na foz do Itajahy, em Santa Catharina, eram tão
mansos que poderiam facilmente ser arpoados de
bordo. Essa mansidão tem uma razão plausivel.
Acredita-se que o boto, nome pelo qual este delphim
é geralmente conhecido em Santos, é um inimigo
figadal dos tubarãos, e que os persegue implaca-
velmente onde quer que elles se aproximem das
costas. Goza porisso o bôto de protecção legal, de-
pendendo a sua pesca de licença das autoridades.
Na foz do Canal Grande nos mangues avistei numa
occasião um cardume de cerca de meia duzia que
se desviou. brincando, de uma rêde colossal que se
recolhia. Na märé cheia, em perseguição de peixes,
visitam elles as pequenas enseadas e podem até ser
avistados das vizinhanças da ilha do Casqueirinho.
— 343 —
Quer-se suppôr que o bôto é lerdo, quando se avista
esse peixe, flanando à vontade, com a grande bar-
batana dorsal fora da agua on mergulhando tran-
quillamente. Mas nas suas caçadas mostram elles a
sua verdadeira natureza. Cortam então as vagas com
a rapidez de séttas, ora isoladas, ora em cardumes.
Em geral, nessas occasiões só deixam à mostra a
barbatana maior, mas muitas vezes elevam tambem
metade do dorso acima da superficie da agua. Um
grande exemplar que recebeu um tiro do nosso col-
leccionador, o sr. E. Garbe, deu um salto em que
surgiu para fóra com todo o corpo, notando-se que
dobrou a parte posterior pela maneira a mais curiosa.
Os botos, quando mergulham, reapparecem às vezes
em direcção muito diversa da esperada. Emquanto
se aguarda a sua volta anciosamente, ouve-se de
repente, talvez pelas costas, o bufo violento que elle
produz ao resurgir. O nosso Museu ainda não possüe
esta especie, abstração feita de dous craneos, um do
Guarujá, o outro da ilha de S. Sebastião. Os dous
craneos trazem a designação de Tursvops tursio Gerv.,
uma especie existente nos mares do Norte, ao passo
que o Sr. Rod. von Ihering (11) denomina o nosso
animal Tursiops delphis com o adderdo : no Atlan-
tico (sul do Brazil e Argentina ).
As aves
E' ao contrario muito rica a ornithologia, pois
às variadas aves existentes por toda parte nos bosques
e plantações ajuntam-se habitantes emplumados e
aquaticos.
E" curioso que aqui faltam justamênte aquellas
aves que deveriam presumivelmente ser encontradas
nestes sitios paludosos por lhes ser o elemento li-
quido a verdadeira patria. a saber — os marrecos.
Como já referi, já emprehendi cerca de 50 excur-
sões de canôa sem jamais ter visto um só pal-
mipede, salvo trez «inarrecos» que uma vez vi
passar voando ao lado dos pantanos. O que os pes-
cadores de Santos chamam «pato do mato », isto
— 344 —
é, a Cavinia moschata L. não é aliás um pato, mas
o biguá, Carbo wvgua.
O esboço que se segue dará ao leitor uma idéa
da vida e costumes dos pernaltas e aves marinhas.
Na occasião da vasante, quando emergem os
baixios nos quaes habitualmente remanescem toda
especie ae animaes aquaticos, emprazam-se para ahi
varias aves para o grangeio do sustento facil. Vêem-
se então, junto dos grupos das pequenas batuiras,
das garças brancas de neve ou escuras, de elevada
estatura, uma meia duzia de gaivotas em vôos mais
ou menos amplos.
E’ um quadro que prende o naturalista o des-
tas sociedades aladas. Quando se passa ao golpe
tardo dos remos por um desses bancos de areia, dão
na vista de longe as figuras alvissimas das garças
brancas, espelhando-se nitidamente nas poças escuras.
Bandos de gaivotas assediam os lameiros €
charcos que séccam lentamente ou as orlas do bai
xio que se vão alargando à medida que as aguas
refliem, umas passeando de vagar nos logares en
xutos, outras indo aos peixes ou banhando-se a pa
tinhar na agua raza. Destaca-se aqui e alli no meio
um socô de côr escura caminhando gravemente a
largas passadas ou esgaravatando na agua ou na
vaga com o seu bico de lança.
Graciosas, ao lado dessas aves relativamente gi-
gantescas e pesadonas, as batuiras Aegzaléus semi
palmatus, do comprimento de um palmo se tanto,
sempre lepidas e alegres, frouxamente reunidas aos
seis ou aos dez, contribuem para a animação da
paisagem com as suas caçadas aos pequenos animaes
que as aguas retirantes deixaram ficar.
Surge agora à distancia um pequeno bando da
Sterna magnirostris de fortes bicos, do tamanho de
pombas, que, em vôo baixo e rapido, saudado por
viva gritaria dos socios, pousa sem cerimonia na
superfície arenosa.
Por fortuna é-nos tambem dado avistar uma
thesoura, Hregata aquila, bordejando em considera-
vel altura, o pescoço retrahido no seu vôo, indo:en-
— 345 —
te de falcão, a explorar a região a ver se encontra
algum peixe morto, abandonado no terreno.
Será ainda obra do acaso observar-se o grande
socd cinzento, proximo parente da Ardea cmerea
L., da Europa, a descoberto nos bancos de areia.
Esta ave, assim como a outra, é desconfiada e aris-
ca, e prefere por isso dedicar-se às snas pescarias
occultas, pelos arbustos do mangue ou carriçaes.
Se a canôa se aproxima, infunde eila temor às
garças em primeiro logar. Ellas continuam aga-
chadas, na apparencia adormecidas, mas na realida-
de em observação attenta, com o pescoço encolhido,
immoveis. Quando menos espera o caçador bisonho
que já contava ter engazopado uma das lindas aves
e mandar-lhe uma carga de chumbo, eis que se ani-
mam de repente os vultos hirtos; o longo collo dis-
tende-se, uns passos adiante, e là se vão ellas, pri-
meiro uma, lcgo outra, depois duas, trez juntas,
collocar-se fora do alcance da espingarda.
Seguem-se as aves marinhas mais proximas da
embarcação. Si são atiradas ou perseguidas seria-
mente de qualquer maneira, ausentam-se definitiva-
mente; quando não, cessada a perturbação, voltam
de novo, após alguns vôos em torno, a proseguir na
sua tarefa.
Soa um tiro, e uma gaivota precipita-se do es-
paço perpendicularmente, de bico para baixo na agua
que espadana, e deita-se moribunda de costas depois
de ter mergulhado a cabeça e o peito. Tem então
o caçador um facil jogo, podendo derrubar quantas
convenha ao seu intento, pois que as companheiras,
longe de se afastar, demoram-se em vôos circulares
no local funesto, lamentando a victima com grasnidos
estridentes.
A caça espanta até as batuiras em geral tão
mansas. Um bando levanta um vôo subitamente,
seguem-lhe as outras, ora isoladas, ora reunidas em
numerosa companhia, deslisando a pouca altura e
fazendo ouvir ininterruptamente o piado sororo:
« tvi-tvit, tvi-tivi-tivi» ou «tvit-tvit », o qual nunca
— 346 —
ou raro soltam quando correm sobre o solo em busca
de alimento.
A scena descripta só se verifica nos mezes de
inverno, pois no verão, tempo em que as gaivotas
ete., procuram a solidão das ilhas penhascosas justo
às costas do Atlantico para chocar, aunca ellas se
avistam em tão grande numero. O mesmo se da
no tempo da maré alta que immerge os baixios que
a vasante deixära em secco, proporcionando farta
presa a estes animaes piscivoros.
Tambem as garças que emprestam um tão par-
ticular encontro ao scenario, faltam ou rareiam pelo
mesmo motivo.
Vem a proposito uma outra descripção, de mo-
do algum imaginaria como accentúo, a de uma ex-
cursão de colleccionador que emprehendi no dia 18
de Dezembro de 1910 em companhia do sr. C., en-
tão secretario do nosso Museu, apaixonado caçador,
e que importa dar a conhecer de modo expressivo
a vida das aves nos pantanos.
Como de outras vezes, partiramos de S. Paulo
pelo primeiro trem e tiveramos a ventura de en-
contrar em Piassaguéra uma canda e agna suff-
ciente para a partida immediata.
No trajecto do Mogy Velho já o Sr. O. con-
seguiu atirar a um Tringiodes macularius e em
seguida a outro. lístes lindos passarinhos muito
pouco ariscos, de longas pernas, preferem a estadia
is margens de braços de rios estreitos, encobertos
por tufos de vegetaes, a se expôrem livremente nos
bancos de areia desnudos. Assim os encontrámos
muitas vezes nesses locaes, sózinhos ou aos pares,
poucas vezes diversos reunidos. Por varias vezes
os avistâmos descançando ou talvez de atalaia pou-
sados em galhos seccos rentes com o solo.
Entre outros passaros observâmos nas arvores
ou em moitas amenas à ourela do ribeirão, tira-
fogos, Rhamphocelus brasilius-dorsalis Sel, cuja
côr vermelha os assignalava à distancia. Além disso
colibris e pombas. Vimos tambem um pequeno
— 347 —
bando de periquitos e sabiás, andando os ultimos no
chão às bicadas na lama.
Vozes de aves soavam : de um bananal abando-
nado o «tit-tit» particular e saudoso do sem-fim
Tapira naevia L, e dos morros o martellar sono-
ro da araponga Chasmorhinchus nudicollis Vieill.
Adeante um pombo amoroso arrulhava e grasnava
uma gralha azul, Cyanocorax ceruleus Vieill. A
espaços cortava os ares o grito penetrante e aspero
de um «socó» ou o claro «kik kik kik» de um
pequeno Æalconideo, passando eu vôo célere ou
então o lamentoso «tê» do gavião Mcrastor ru-
ficollis Vieill.
De:xando o Mogy-Velho parämos num banco
de areia com um lamaçal annexo, tencionando o
Sr. M. ir às batuiras e garças, eu para dar caça a
animalejos menores. Mas a fortuna não nos sorria
desta vez.
À garça pôz-se logo a seguro dos tiros, se-
guindo as batuiras o seu exemplo. No entanto tra-
vava o sr. M. desagradavelmente conhecimento com
um grande caranguejo que se tinha refugiado num
buraco e que, ao ser retirado, o ferrou no dedo a
ponto de fazer sangue. Quanto a mim, só catei al-
gumas conchas na agua raza.
Como nas viagens anteriores abicâmos a Ilha
dos Amores para nos refrescarmos com algumas
garrafas de agua de Selters. Partimos apôs uma
visita à piscina e à coiheita de algumas cuperaceas
para o nosso herbario.
Da ilha do Casqueirinho soava um vivo canto
de passaros, sobre tudo de sabiás e o pio folgazão
do bem-te-vi. Agora arrulou uma pomba do matto
cujo huc cuuec longo e velado pareceu-nos a prin-
cipio a vôz de algum batrachio. Estavamos ainda à
escuta do appello amoroso quando saracuras entra-
ram a soltar o seu canto especial, que fere o ouvido
de modo extranho e domina os outros sons. Estas
aves abundam nos pantanos mas, de prudente que
são, subtrahem-se quasi totalmente à observação. As
vezes perpassam agachadas, ligeiras como séttas por
— 348 —
entre as moitas. Mas em geral só se percebe del-
las a vôz aspera audivel de longe, que se pode re-
presentar por estas syllabas: U’ôc, U’ôc, ôc dc oc
oe U’ôc U’ôc de de oc dc.
Eis levantam o vôo da margem, assustados por
um rumor qualquer, dous magnificos martim-pesca-
dores grandes Ceryle torquato e se dirigiram para
nós fazendo ouvir ininterruptamente o seu grito de
aviso alarmado e chiante, mantendo-se a certa altura
-no vôo semelhante ao do picanço. Antes de che-
garem ao alcance de espingarda, porem, torceram
de subito, avisadamente, e voltaram para outro pon-
to da Ilha.
Em toda a parte se manifestam movimentada a
vida animal. Por cima do cortume circulavam uns
cem urubus, e viamos varios desses abutres negros
exhibir as suas habilidades de voadores acima das
arvores mais altas da ilha.
Na extremidade das varas cravadas pelos pes-
cadores na agua, junto à margem, afim de assigna-
larem as suas rêdes e as suas linhas de pescar, aco-
corava-se aqui e alli um martim-pescador. Ao con-
trario do seu grande parente, a Ceryle torquata
mostravam-se estes muito confiantes e deixavam-se
observar de muito perto, até que algavam o voo zu-
nido, rapido como uma sétta, rente com a superficie
liquida. Poderiamos ter morto a muitos delles, mas
deixamol-os em paz, preferindo admirar-lhe as bellas
cores e nos devertirmos com a sua maneira de
cahirem de chofre na agua para apanharem algum
peixe.
As duas especies, Ceryle amazona e Cameri-
cana por nós observadas adeantam-se por vezes até
longe da margem comtanto que se lhes offereça
um bom pouso, afim de se entregarem à faina de apa-
nhar peixes. Vi uma occasião um a meio kilome-
tro da terra empoleirado nos destroços de um navio
naufragado e outros transporem largas porções de
agua. Essas aves, assim como as congeneres euro-
péas, precipitam-se às vezes a subitas, interrompendo
o vôo, em direcção à agua, ao lobrigarem um peixe
AR |. DU
em situaçäo propicia, ou entäo tocaiam de dentro
das moitas, de onde sáem rapidas em busca da
presa avistada à superficie. Tambem as vi espa-
nejando-se ( ruetteln ).
Certa vez, observei um exemplar da Ceryle
torquata que, no acto de atravessar um largo braço
de mar, estacou subitamente e flechou para a agua
de uma altura de 10 a 10 metros.
De vez em quando passava uma pomba, um
sabiá, uma andorinha, tambem uma vez um pe-
queno gavião; numerosas tainhas grandes e peque-
nas saltavam rumorosamente, muitas vezes a altura
de um metro, talvez para escapar à perseguição de
peixes vorazes, borboletas de côres variegadas, so-
bretudo Nymphalidos ou agitados Papzlionideos,
porém, com imais frequencia Prerides, modestamente
vestidas de branco, voejavam brincando sobre cs
canaes e enseadas.
Prolongando-nos com as margens da ilha do
Casquerinho, agora pompeando a sua mais formosa
vestimenta de flores, azou-se-nos o ensejo de acom-
panhar com a vista alguns grandes Morphos azues
e uma trepadeira crivada de flores rubras diversos
beija-flores. Ao demais apanhâmos num largo braço
de mar uma medusa em forma de tulipa que tanto
se deixa levar pela correnteza na agua profunda
como na raza, Ja tinhamos em anteriores passeios
encontrado, mas não collecionado, desses interessan-
tes animaes incolores, gelatinosos, com leves estrias
interiores roxas ou esverdeadas. Chama-lhes o povo
agua viva e, como de costume, acerta.
Não divisämos desta vez aves oceanicas. A
tarde chegára, crescera a maré, os bancos acha-
vam-se encobertos, as aves tinham-se ido embora
para pescar algures. Só à distancia se distinguia
uma ou outra ave marinha a deslisar na altura, re-
cortando vivamente a plumagem alvinitente no azul
escuro do firmamento.
Um bando de periquitos, provavelmente Pyrhura
vittata Shaw., la bem no alto, sobre as nossas ca-
beças, cortava os ares com velocidade quasi verti-
— 390 —
ginosa, e passado algum tempo chegou até nós,
após o estampido de um tiro, o grasnido de uma
outra especie maior de papagaios, a maitaca, Pronus
naximiliant Kuhl.
Em uma espaçosa bacia atraz da ilha do Cas-
querinho chamou-nos já de longe a attenção um
ponto negro bem no meio da agua, que parecia
mover-se. (Como presumiramos ao nos aproximar-
mos, tratava-se de um biguä, que repousava sobre
uma pedra ou outro objecto emergente à superficie
da agua. Faltavam ainda de 150 a 200 metros
para o alcançarmos quando a grande ave negra
pôz-se a salvo de tiros num rapito bater de azas
o pescoço longamente distendido.
Num braço estreito de communicaçäo matou o
Sr. M. mais dous Tringoies macularius, uma es-
pecie da região de Santos que ainda faltava em
nosso Museu, e ao passarmos de novo pela ilha re-
ferida, um socé-boi novo mas completamente des-
envolvido, parecido com o alcaravão, Tegresoma
brasiliensis L. bDeixou-se matar a bella ave sem
grande trabalho. Mais custou nos apoderarmos della,
pois para se chegar ao logar em que cahira era
preciso vadear uma nesga pantonosa em que as per-
nas mergulhavam até os joelhos.
Nas visinhanças da ilha vimos tambem duas
outras garças pequenas, de côr escura ponsadas nos
mangues, o socózinho, Butorides striata L,
Nada de novo succedeu à volta. O calor pro-
vocära-nos fadiga e sède, e porisso nos démos pressa
sem mais nos preoccupar em colher objectos de
collecçäo, somo se acontecer depois de excursões
dessa natureza.
Entretanto, antes de chegarmos ao porto do
Sr. Pedro, como presa ultima e bemvinda, consegui-
mos haver às mãos um martim pescador grande.
Além das aves retro referidas ha nos pantanos
diversas out as, como se verá pela lista annexa no
fim. Limitar me-ei agora a citar sómente algumas
dellas.
Assim o lindo colheireiro cor de rosa, a Ajaja
ajaja L. que affirmam só apparecer com frequencia
no verão. O Sr. Fr. Günther contou-me ter visto
bastantes vezes essas aves, e sempre sómente aos
pares. Conhecem-nas tambem muito ospescadores.
Depois o córta-mar Rhynchops migra incerdens
que se movimenta à noite exclusivamente, passando
o dia a dormit nos bancos de areia.
Ouvi dizer que as garças-brancas apparecem ds
vezes em numerosos bandos de modo a cobrir lite-
ralinente o arvoredo sobre o qual descem, mas que
pouco tempo se demoram nos brejos. Longe de ser
tão ariscas como os grandes socôs cinzentos, per-
mittem ao caçador aproximar-se a distancia de tiro.
As vezes parecem de repente transportadas por uma
alegria transbordante. Então saltam ou volteiam,
dão bicadas no solo, atiram pandegamente gravetos
para o ar e chegam até a ensaiar passos de dança.
Um espectaculo encantador !
Sobretudo ao subir a maré vêem-se muitos
biguäs, on isolados ou aos pares, mais raramente
de 5 a 6 individuos juntos. Gostam de se empo-
leirar nas estacas fincadas das armadilhas de peixes,
reconheciveis de longe pela sua attitude, estatura e
côr escura.
As fragatas ou alcatrazes, «aguias do oceano »
como Brehm as denomina com acerto, em certas
occasiões não se vêem ou são raras, em outras appa-
recem em maior numero. Contrariamente às gai-
votas, etc. ellas nidificam nas arvores. E” possivel
que a ilha dos « Alcatrazes », isolada no Oceano a
uma distancia de cerca de 20 milhas mariti nas da
costa, na altura de Santos, como uma vez o Sr.
Dr. H. v. Ihering já fez notar na nossa Revista,
tenha recebido o seu nome por cansa destas aves,
que a procuram frequentemente para chocar. Fr.
Giinther vio-as accorrer sem demora afim de obter
o seu quinhão quando se pescava por meio de bom-
bas. Quanto a mim, observei no mez de Dezembro
do anno passado junto à foz do rio Cubatão, onde
tinha havido uma pescaria, provavelmente tambem
— 392 —
a dynamite, em numero aproximado de 30, estes
volateis negros, de avantajado porte, na faina de
agarrar os «bagrinhos » de cerca de um dedo de
comprimento, que boiavam mortos à mercê das ondas.
A cada instante descrevia um delles uma elegante
curva afim de, rasando a superficie liquida, tomar
no bico um desses peixes, apezar dos espinhos pe-
rigosamente eriçados, aos quaes acto continuo de-
elutiam sem esforço. Sd se via entre elles um
macho adulto que se destacava pela côr inteiramente
negra e carunculas vermelha da guéla, ao passo que
todos os cutros, femeas ou aves novas, tinham bran-
cos o ventre ou a cabeça ou da mesma côr nos
encontros das azas. Tambem no «Canal Grande »
proximo ao caes de Santos podem-se observar estes
magnificos animaes, quando se entregam à pesquiza
de peixes mortos na agua, acamaradados com 0
Larus e a Sterna, sem se lhes dar a proximidade
do homem, taes quaes as aves oceanicas referidas
em Hamburgo e outras cidades européas. Como aos
urubus, não é permittido matal-as, Dizem que as
fragatas, ao cahirem mortas, produzem um ronco
surdo.
Colonias numerosas de garças e biguás não
existem aqui como na Europa. As garças constróem
os seus ninhos espaçosos, toscos, isolados e espaça-
damente nos mangaes.
D'entre as outras aves que armam ahi os seus
ninhos só notei o «bem-te-vi », que tem sempre
nos brejaes a mesa posta e fartamente provida.
Muitas vezes lhes encontrei os ninhos relativamente
grandes, mal acabados, formados de toda especie de
palhinhas ajuntadas, cobertos, eventualmente a gran-
de distancia da terra firme.
Como os biguás, as Slernas e Larus gostam
de descançar sobre as estacas fincadas das armadi-
lhas de peixes que se elevam a dous ou tres metros
sobre a agua. A pequena Sterna superciliaris par-
tindo desses pontos, emprehende curtas caçadas e é
visto muitas vezes precipitar-se de uma altura de
15 a 20 metros afim de arpoar a presa.
— 393 —
Refira-se tambem um grande falconideo, o Bu-
teogallus aequinoctialis Gm., gavião do mangue
que escolhe de preferencia por logar de morada os
mangues. Mede 48 cm. de comprimento e, em geral,
tem a parte superior negra e a inferior parda. En-
contra-se em toda a parte nas costas do Paraná até
as Guyanas e tambem no Paraguay. Obtivemol-o
por intermedio do saudoso Krone, de Iguape. Na
região de Santos nunca o vi.
Quasi que não se encontram ontros passarinhos
nos mangues puros, emquanto que elles não são
raros nas proximidades de terra. O Sr. Garbe co-
lheu aqui regularmente as seguintes especies: Py-
riglena leucoptera Vieili., papa-formiga ( Formica-
ridce) o Blacicus cinereus Spix., e o Mionectes
rufiventris Cab., ambos Tyrannideos.
Lista das Aves Observadas
I — INSESSORES
Fam.: Aleenidae.
1. Ceryle torquata L. «Martim pescador grande».
2. Ceryle amzona Lath., «Martim pescador ».
3. Ceryle americana Gm., « Martim pescador »,
pequeno.
I — GRALLES
Fam: Rallidae
4 Rallus longirostris crassirostris Law.
D. Aramides saracura Spix. « Saracura ».
6. Porzana albicollis Vierll., «Sana de samam-
baia ».
7. Creciscus melanophaius Gray, «Frango d'a-
gua ».
Fam.: Charadriidae.
8. Gallinago paraguaiae Vieill. «Narceja ou
bico rasteiro, ou agachada ».
15.
18.
20.
23.
— 394 —
Observada só uma vez junto à linha fer-
rea, onde a ave procurava vermes no mangue.
Aegilaeus semipalmatus Bp. « Batuira ».
Tringoides macularius L.
Fam.: Piataleidaes.
Ajaja ajaja L., « Colhereiro ».
Observada por Günther varias vezes.
Fam.: Ardeidae
Tigrisoma brasiliensis L., «socô-boi » ou « ta-
yassu ».
Ardea socor L., «Socd», «João Grande»,
« maguary ».
Butorides striata L., « Socózinho ».
Florida cœrulea L., «Garça azul ».
Herodias egretta Gm., «Garça branca» grande.
Leucophrys candidissima Gim., «Garça bran-
ca», pequena.
[HI -— NATATORES
Fam.: Anatidae
Nettium brasiliense Gm., « Marreca ».
Fam.: Laridae
Rynchops nigra-incerdens Saund, « Talha-
mar », bico rasteiro.
Larus maculipennis Licht, «Gaivota ».
Sterna superciliaris Vvell. «Trinta réis ».
» hirundinacea Less. « Trinta réis ».
» maxima Boss. « Trinta réis ».
Phaethusa magnirostris Licht. « Andorinha
do mar.
Fam.: Fregatidae
Fregata aquila L.. « Thesoura», «alcatraz »,
« fragata ».
— 355 —
Fam.: Carbonidae
26. Carbo vigua Vieill. « Biguä ».
‘Querendo-se melhores informes sobre as aves
aqui observadas, consulte-se a bibliographia abaixo
soh os ng 12 01810814:
Animaes rasteiros
Faltam em absoluto na região, até onde chegam
as marés, bratachios, excepto as rãs arboricolas.
Observe-se de passagem que o Bufo typhonicus Schn.
que até hoje, que eu saiba, só no Norte do Brazil se
tornára conhecido, vive tambem na zona do mangue
santense. ‘) nosso Museu possue dois exemplares
de Raiz da Serra um apanhado por M. Wacket, e
outro pelo auctor. Possuimos tambem uma pega
proveniente do Espirito Santo.
De repteis encontra-se uma especie de tartaruga,
o kägado Hydromedusa techfera Cope., e tambem
jacarés (arman latirostris Dund., não são raros.
E” verdade que se vêm só excepcionalmente, mas
são frequentemente apanhados pelos pescadores. Em
Maio de 1913 foi aprisionado um jacaré de grande
porte e o Sr. José Bertrand mostrou-me o couro
de um exemplar do comprimento de metro e meio,
que nha morto nas vizinhanças de sua casa. Tinham
lhe cahido nas mãos na mesma época varios filhotes
de jacaré, dos quaes um se conservou em sua casa
durante algum tempo. As creanças relatam que o
gato brincava com o animalzinho, mas que por fim
lhe devorou a cauda.
Vi tambem uma vez um lagarto de um metro
de comprimento Z'upinanbis tequixim L., atravessando
o ribeirão em fuga espavorida. Relembro este facto
porque os lagarios estão se tornando bastante raros
nas proximidades das povoações maiores em con-
sequencia da grande perseguição que soffrem por
causa de sua carne muito apreciada,
— 396 —
Peixes
Peixes ha em quantidade em todas aguas dos
pantanos. Tanto na agua salgada como na salobra
existem muitas especies iguaes às que se encontram
junto as costase que penetram do mar nos mangues
pelos dous canaes. A agua salobra abriga tambem
muitos peixes de agua doce que se criam na agua
dos ribeirões, como seja a pequena Poecilia januaria
e o Geophagus brasiliensis, o Hoplias malabaricus
tambem vive, ao menos temporariamente, na agua
pouco salobra. Trouxe-me o Sr. Bertrand varias
vezes mussuns novos apanhados na lama de uma exca-
vação de agua doce que se enchia regularmente de
agua salobra durante a maré. Os minusculos guari-
guarüs ( N. 804) evoluem durante a vasante muitas
vezes nas poças de agua remanescentes ou nos escor-
derijos de caranguejos em cujo fundo se escondem
quando os ameaça algum perigo.
O Mugil platanus, do Rio Grande do Sul,
segundo Ihering, (15) p. 29, frequenta tambem a
agua doce; em Santos, ao menos tambem a agua
pouco salobra. Colhemos por mais de uma vez um
bagre ( Luciopimelodus platanus ) com anzul em
um fosso de agua doce que desembocava nos pan-
tanos, e que em algumas ocasiões continha agua sa-
lobra. Fº preciso cautela, no pescar esses peixes que
com os ferrões produzem ferimentos horrivelmente do-
lorosos. Só não se incommolam com elles as fregatas
Póde-se dizer que não apparecem tubarões,
dizem os pescadores que por causa dos botos, que
os hostilisam onde quer que se deixem ver.
Nas aguas mais salgadas, notadamente no largo
de Cancú, vive o notavel « morcego do mar» e O
baiacú de espinho. Consegui tambem um exemplar
do «cavalinho do mar da região, assim com di-
versas « agulhas do mar ».
Além do Chilomycterus spinosus encontram-se
ainda dous vutros baiacús, um dos quaes o varie-
gado Spheroides adspersus, que multas vezes se ve
no fundo raso da agua salobra aquecendo-se ao sol.
— 357 —
Torna-se notavel esse peixe porque elle se intumesce
quando retirado da agna e produz um leve ronquido
quando se passa de manso com o dedo pelo seu
ventre, agora tenso como um tambor.
As tainhas, Mugil plalanus, fazem-se notar em
toda a parte, principalmente em bellas noites, sal-
tando rumorosamente para fóra da agua. Nos bra-
ços mais estreitos e rasos, como acontece por exem-
plo no rio Mogy-Velho, vêm-se, não raro, grandes
cardumes dellas nadando velozmente rente à super-
ficie em fuga deante da canda. Durante alguma
caçada, quando se rema com cuidado e evitanto
qualquer ruido, acontece formar-se de repente um
redomoinho proviniente quasi sempre de tainhas
grandes. .
Quem quizer se convencer da grande riqueza
ichthylogica dos mangues, que assista a uma grande
pescaria. Tem as rêdes às vezes 200 metros de com-
primento por varios de largura. O recolhimento
toma mais ou menos uma hora. Ella arrasta tudo
que consegue abarcar. Só as solertes tainhas as
evitam cuidadosamente ou põem se à salvo de um
salto. Dentro da rêde recolhida é um fervilhar in-
descriptivel. Debatem-se em sua malhas centenas
de peixes. Tomei no pescador Vicente, numa occa-
sião dessas, 18 especies differentes e contei mais
seis. Portanto 24 especies num só lanço de rêde.
Fora os peixes apanham-se naturalmente toda
a sorte de animalejos, como sejam Cephalopodos,
estrellas do mar, a Renilla reniformis, conchas e ca-
racões, camarões e siris e medusas esmigalhadas,
em pasta informe.
Depois de uma dessas redadas surgem systema-
ticamente numerosas gaivotas etc., tambem frequen-
temente fragatas, afim de se apoderarem dos peque-
nos peixes esmagados, inutilisados, que são de novo
atirados à agua, em cuja superficie ficam a boiar
resupinos, e ventre branco para cima.
Fora as redes pesca-se muito com anzóes e es-
pinheis, e às vezes com a rêde de arremesso, a
E LE
tarrafa. Com esta é se muitas vezes bem succedido
em buracos e braços estreitos; em logares largos
fica-se inteiramente dependente da sorte. Vi num
destes, um preto arrojar sem nenhum exito a sua
tarrafa, bem umas dez vezes.
Pegam-se tainhas de um modo fora do com-
mum, levando em conta a sua extraordinaria apti-
dão para o salto. Levanta-se uma rêde a um metro
de altura mais ou menos de um lado da canôa, e
assim apparelhado, a noitinha ou noite fechada, na
hora da vasante, visita-se cautelosamente os loga-
res mais profundos e as enseadas à margem dos
braços estreitos, principalmente onde accumularam
paos fluctuantes e folhas e galhos seccos. Bate-se
de subito com os remos com o maximo estardalhaço
em todas as direcções. As tainhas que aguardavam
ahi o preamar assustam-se e pôem-se a saltar para
fora da agua, cahindo muitas dentro da canôa. A
réde tem por fim impedir que os peixes cáiam
na agua do outro lado, passando por cima da em-
barcação. Uma vez dentro desta, os peixes não se
podem mais salvar por lhes ser impossivel retroce-
der pelo caminho por onde vieram. Assisti a uma
pescaria dessas, mas com resultado inteiramente ne-
gativo. Fui porém, horrivelmente picado, de mos-
quitos e maruins e voltei para casa encharcado para
gaudio dos meus dous companheiros.
Fiz, comtudo, nessa occasião uma curiosa ob-
servação : de dous grandes morcegos, vampiros, que
voejavam em torno de nós, um desceu repentinamente
em linha obliqua para a superficia liquida, de uma
altura de 2 a 3 metros, de modo que a agua espa-
danou. © rapazola que me acompanhava garantio,
naturalmente, que elle tinha agarrado um peixe.
Com certeza foi um insecto cahido na agua que
elle buscava, tendo entrado em contacto involuntario
com esta.
Bons resultados obtem-se com as armadilhas
automaticas espalhadas por toda a parte da região
pantanosa nos portos convenientes, e cujas grades
consistem de taquaras entretecidas com arame.
Cx
~
.
— 399 —
Lista dos Peixes Colleccionados
Fam.: Belonidae
Tylosurus marinus Walb. Em agua salgada.
Fam.: Hemirhamphidae
Hyporhamphus sp. Agua salgada.
Fam.: Elopsidae
Elaps saurus L. Agua salgada.
Fam.: Mugilidae
Mugil platanus Günth. «Tainha ».
Fam.: Syngnathidae
Hippocampus punciulatus Guich. « Caval-
linho do mar», Agua Salgada.
Fam.: Cheilodipteridae
Cheilodipterus saltator L. « Enxova», «en-
xovinha». Agua salgada.
Fam.: Trichiuridae
Trichiurus lepturus L. « Peixe-espada ».
Fam.: Carangidae
Caranx chrysos Mitch. « Xerelete ». Agua sa-
lobra.
Caranx hippos L. « Xaréo». Agua salgada.
» lugubris Poey. Agua salgada.
Oligoplites saliens Bl. Agua salobra.
Carangops amblyrhynchus C. et V. «Cara de
gato». Agua salgada.
Trachynotus carolinus Gml. « Palameta »,
« Pampo ». Agua salgada.
Fam.: Scombridae
Scomberomorus cavalla Cuv. « Cavalla-pre-
ta». Agua salgada.
15.
18.
Rob
Fam.: Diodontidae
Chilomycterus spinosus L. «Baiacú de espi-
nho ». Agua salgada.
Fam.: Tetrodontidae
Lagocephalus pachycephalus Ranz. «Baiacú».
Agua Salgada.
Spheroides adspersus Schr. et M. Rib. « Ba-
iaci». Agua salgada.
Fam.: Ephippidae
Chaetodipterus faber Brous., « Enxada ».
Agua salgada.
Fam.: Serranidae
Haliperca radials Cr. et G. « Michole » ?.
Agua salgada,
Fam.: Eucinostomidae
Eucinostomus harensulus G. et B. «Cara-
picu». Agua salgada.
Diapterus rhombeus C. et V. «Cara-Peba ».
Agua salgada. f
Fam.: Lujtanidae
Neomaens aya Bloch. Agua salgada.
Fam.: Sparidae
Archosargus probatocephalus Walb. « Sargo-
de dente». Agua salgada.
Fam.: Haemulidae
Brachydeuterus corvinaeformis Sleind. Agua
salgada.
Fam.: Scinidae
Menticirrhus marticinensis C et V. Agua
salgada.
31.
38.
39.
— 361 —
“Menticirrhus americanus L. «Papa-terra ».
Agua salgada.
Stellifer rastrifer J. et Hig. « Cangangua ».
Agua salgada,
Stellifer nasa J. et Eig. Agua salgada.
Polyclemus brasiliensis Steind. Agua salobra.
Bairdiella ronchus C. et V.. «Congoá ». Agua
salgada.
Mcropogon opercularis Or. et G. « Corvina»
Agua salgada,
Fam.: Cichlidae
Geophagus brasiliensis Or. et G. « Acará-
Topète ». Agua salobra e doce.
Fam.: Gobiidae
Microgobius mechi Ev. et Marsh. Agua forte-
mente salobra.
Gobius oceanicus Pall. Agua salgada.
Fam.: Oncocephalidae
Oneocephalus longrrostris C. et V. «Morcego
do mar ». Agua salgada.
Fam.: Cephalacanthidae
Cephalacinthus volitans L. «Voador». Ag.
salgada.
Fam.: Pleuronectidae
Cytharichthys spilopterus Gimth. « Lingua-
gem». ? Agua salgada.
Et) opus crossotus J. et Gill. « Linguagem ».?
Agua salgada.
Fam.: Soleidae
Symphurus plagusia Bl. et Schn. «Lingua
de Mulata». Agua salobra.
Achirus punctifer Cast. «Tapa». Agua sa-
lobra.
— 362 —
40. Achirus lineatus L. «Tapa». Ag. salgada.
Fam.: Characinidae
41. Hopl'as malabaricus Bloch. «Trahira ». Ag.
doce e fracamente salobra.
Fam.: Cypridontidae
42. Poecilia januaria Hens. « Guarü-Guaru ». Ag.
salobra.
Fam.: Syimbranchidae
3. Symbranchus marmoratus L. « Mussum ».
Agua salobra.
Has
Fam.: Situridae
44. Tachysurus grandoculis Steind. « Bagrinho ».
Agua salgada,
45. Tachysurus luniscutis C. et V. Bagre-Gury.
Agua salgada.
46. Luciop melodus platanus Gimth. « Bagre d'a-
gua doce». Agua salobra.
Fam.: Loricariidae
el
We
Callichthys callichthys L. «Cascudo ». Ag.
salobra.
Caracões e conchas
Colleccionei até agora de 12 a 15 especies de
molluscos. Na verdade, poucos desses animaes nos
cáem sob as vistas quando não se vae intencional-
mente a sua procura, pois a maioria ou se enterra
na areia ou na lama ou habita o fundo da agua.
Em toda a parte se encontram, é verdade, deslava-
das e vazias, as cascas de varias especies. O que
mais chama a attenção são, na vasante, as colonias
de ostras adherentes às pedras, arbustos dos man-
gues, troncos velhos e objectos semelhantes. Exis-
tem nos pantanos em grande quantidade, talvez por-
— 363 —
que o fluxo do mar acarreta de Santos uma grande
massa de immuadicies que turvam em muitos pontos
a agua e servem de alimento aos animaes. Estes
são levados ao mercado em regular quantidade.
O Tagelus gibbus é encontrado frequentemente
na agua em vastas colonias, e uns muito juntos dos
outros verticalmente a uma profundidade de 30 cm.
dentro da areia ou de lama arenosa, muitas vezes
na foz de ribeiros, de modo que na vasante se en-
contra mais na agua doce do que na salgada. O
logar de sua morada é facilmente reconhecivel pelos
iunumeraveis pequenos buracos no solo, da largura
approximada da metade de um lapis. Tambem a
concha é comestivel.
Tambem dous Mytilideos fornecem um alimento
muito apreciado. Em Santos chamam tanto a um
como ao outro « marisco. » Um delles, Modzolus
quyanensis raramente vive isolado, mas quasi sem-
pre em numerosas colonias, na lama, a uma distan-
cia de cerca de um metro da linha mais baixa das
marés. Cada concha acha-se mettida de per si em
um ninho largo, arredondadc de lama consistente e
fibras de raizes e só deixa ämostra a extremi-
dade anterior. Taes colonias se estabelecem de pre-
ferencia nas raizes dos mangues, e faz-se mistér
um esforço relativamente violento para arrancal-as
de seu leito lodoso sem o auxilio de um instrumento.
As conchas encontram-se muitas vezes cobertas de
cracas.
O outro, menor, o Metylus edulis, L. não se
encontra sómente aqui no Brasil etc., mas tambem
nos mares europeus. Na Allemanha, segundo Leu-
nis (16) p. 1040, é conhecido com o nome de
Pfahlmuschel ( concha de estaca ) ou Miesinuschel
( ameijoa ), e por amor delle, por exemplo no mar
Baltico, se cravam estacas e mourões no mar, nos
uses elles se fixam em multidão e podem ser co-
lhidos facilmente depois de arrancados os supportes.
Aqui, porém, não occorre a nizguem tal systena de
apprehensão. Tambem ell: vive nos pantanos a um
metro de distancia da linha mais baixa do mar em
— 364 —
grandes agglomeraçües, presos a raizes ou a ma-
deiramentos au mesmo a pedras, livremente, não na
lama, formando massas irregulares maiores, forte-
mente ligados entre si pelos péios de barba, exem -
plares novos e velhos, tudo de mistura. Dizem que
no interior das conchas européas se acham não raro
perolas escuras, sem valor. Não sei se o mesmo se
da com as daqui.
Nas vizinhanças de Santos emprega-se com fre-
quencia este animal como isca para a pesca.
A Macoma constricta, Barnea costata, o Pitar
fulminatum e a Mulinia guadelupensis, vivem nas
aguas mais fundas e salgadas dos pantanaes, assim
no largo Caneú. Os meus exemplares foram acha-
dos pela maior parte em bancos de areia. :
O Phacoides pectinatus, ameixa, merece at-
tençäo por ser elle quem denuncia a propria presenga
e a dos brejos, quando ainda se caminha no matto,
ao lado destes, pelos fortes estalidos especiaes, com-
paraveis ao ruido de osculos, qu2 podem ser assim
representados : clac. Estes animaes não vivem na
areia mas sim na lama, a uma profundidade de 30
a 50 cia. Diz-se que perecem em pouco tempe
quando na areia. São tambem comestiveis.
De caracões cabe-me citar apenas duas ou tres
especies: Purpura haemastoma e a Lattorina an-
gulifera. Da primeira, pertencente à familia dos
Purpurideos saguaritá, interessante por possuirem
algumas especies no interior das branquias uma
glandula cujo conteúdo serve para o preparo da
purpura, só encontrei algumas poucas de peças
vasias. Um exemplar que apanhei em hora de va-
sante num bancc de areia, servia de morada para
um carangueijo solitario.
A outra, Lattorina angulifera, vive nos man-
gues, notando-se que até hoje só a encontrei na
Laguncularia racemosa e na Avicennia tomentosa,
representada por seis exemplares. Em todo o caso
observo que os encontros se deram no semestre de
inverno. O meu antigo chefe, Sr. Dr. H. von Ihering
disse-me que estes caracões vivem geralmente na
— 365 —
agua pastando entre as algas das bases dos arbus-
tos. Prestei especial attenção a isso e no baixamar
fiz muitas buscas sem nenhum resultado.
Os tocos mortos dos mangues expostos às ma-
rés, quando estas baixam, apparecem muitas vezes
inteiramente esburacados, como costumam fazer os
Térmitos, e a um exame mais cuidadoso, encon-
tram-se na madeira tubos calcareos brancos, de casca
fina, irregularmente curvados, de comprimento vario
(até 30 cm. de comprimento e mais) e de diversos
diametros (até um cm.), os quaes são habitados
por um animal alongado, vermiforme, esbranqui-
gado, de cabeça solida. Tracta-se da anomia «Teredo
sp.» proxima parente da :emivel Zeredo navalis L.
européa. o gusano contra cujos ataques se costumam
proteger os cascos dos navios com finas chapas de
cobre. De mais a mais, nas aguas de Santos, segun-
do contam, uma anomia faz de vez em quando gran-
des estragos entre as embarcações desprotegidas.
Tabella de determinação dos conchylios
1. Anomia. Concha não bivalve e não em ca-
racol, mas consistente de um tubo calcareo de
comprimento até 30 cm. e mais ou menos 1 cm.
de diametro, branco, direito cu então mais ou
menos curvado, não raro formando cotovelo.
Animal muito fino e longo vermicular. Vive
no lenho dos arbustos dos mangues etc. : Teredo
sp. (fam. Teredide ).
2. Conchas. Bivalves. 4.
3. Caracões. Casa não bivalve, porém mais ou
menos espiralada. 19.
4. Concha externamente coberta com cerca de vinte
carenas alinhadas, regularm ente espaçadas, em
cujos dorsos se erguem folhinhas com inter-
vallos certos, um tanto densas e mais ou menos
erectas. Paredes bastante delgadas. Dimensão :
o e meio cm. por 2 cm. e mais Barnea cos-
tata L. (fam.: Pholadide ).
Qt
D = o>
SE
40.
15.
16.
— 366 —
Lisa externamente ou quasi lisa, ou carenosa
de modo pouco apparente. Carenas sempre
desprovidas das folhinhas verticaes. 6.
Casca relativamente delgada, fragil. 14.
Grossa, resistente. 8.
As duas valvas de egual tamanho, livres, não
presas a suportes; pouco arqueadas, pouco mais
compridas que largas. 1".
Uma valva maior e quasi sempre mais arqueada,
fixa-se em pedras ou paus.
A outra, menor, mais fina, chata, com feitio de
tampa, adaptando-se à primeira, livre. No
mais, as peças diversamente formadas, com
folhas escamiformes ondeadas.
Attinge o tamanho de 9 X 10 cm. e mais,
Nas pedras. madeiramentos, raizes de mangues.
etc. Ostrea parasitica Gm. rhizophorae Grild.
arborea Ch. Brasiliana Lm. ( Fam. Ostreidae )
Concha com esirias apagadas. quasi | sas,
2,8 X 2 em.: Mulinia quadelupensis Reclus.
( Fam.: Mactride. )
Com estrias bem visiveis, carenosas 12.
Concha tendo quando muito 2/1 x 2 em. : Pitar
fulminatum Mke. ( Fam. : Verenidae ).
Tendo dimensões : 5,6 X 5 em. Phacoides pec-
tinatus Gn. — Lucina jamaicensis Lam. (Fam.:
Lucinideæ ).
Valva alongada, triangular, com angulos arre-
dondados ; externamente, quando frescos, côr
clara ou pardo - escura, brilhante, finamente
estriada. Forte reflexo de madreperola, inter-
namente. 17
Larga, de forma de ovo, estreitando-se na ex-
tremidade anterior. Quando fresca, parda,
4,3 X.3 em. : Macoma constricta Brug. ( Fam.
Tellide ).
Alongada, mais ou menos trez vezes mais com-
prida que larga, largura uniforme ; superficie
finamente estriada, no mais lisa e brilhante.
Por fóra de côr amarello - pardo - suja ou
branca (total ou parcialmente ); internamente
— 367 —
branco refulgente, com fracos reflexos de ma-
dreperola. 7 X 2,5 cm.: Tagelus gibbus Spglr.
(Fam. Psammobide ).
17. Vertice situado um ponco atraz da extremida-
de anteroir, a ultima estreita-se menos. 6 X3 cm.
Isoladas no lodo: Modiolus guia nensis Lam.
(Fam.: Mytilidee.
18. Situado na extrenidade anterior, a ultima es-
treita-se mais. Reunidos em blozos pelos « bys-
sos » ( pêlos de barba ). 4,5 X 2,3 cm. Mytilus
edülis L. (Fam. Mytiledee ).
19. Concha de paredes delgadas. contornos em fór-
ma de pera, labio exterior não denticulado, liso
sem gibas, lisas. Abertura lisa, não côr de
rosa. Mais de 3X 1, 1/2 em. Lattorina an-
gulifera Lam. (Fam. Latlorinideæ ).
20. — de paredes grossas, em forma de ovo. Aber-
tura de bella côr de rosa, carenado-riscada na
parte externa, mais lisa na parte interna. La-
bio externo provido de dentes curtos. Concha
com gibas fortes, rombas, dispostas, com 1n-
tervallos que vão diminuindo, em espiral. Es-
ee com riscos espiraes carinoso-crenados.
2X 3, 3- cm. Purpura hemastoma L. (Fam :
de JE
Pertence aqui mais um caracól, muito vulgar
nos mangues nas vizinhanças de Conceição de Ita-
nhaen, vivendo alias no chão mesmo ou na parte
inferior dos troncos dos arbustos e que é encontrado
provavelmente tambem em Santos. Mede o animal
1,9 X 1,1 cm. A concha tem as paredes grossas,
a forma oval, é algum tanto lisa e levemente sul-
cada, externamente cinzenta. Abertura interior, pos-
terior ao bordo escuro, liso brancacenta e carenosa-
mente riscada. Labio exterior liso. A volta é muito
pequena: Melampus coffeus L. (Fam. Auriculidæ).
Crustaceos
Ao lado das aves säo principalmente os caran-
guejos que contribuem para movimentar os mangues.
— 368 —
Como os insectos, são elles tambem mais numerosos
e espertos durante o verão do que durante o in-
verno, e não poucas especies, como por’ exemplo
os ucas-unas e os guaiamús, ao menos, os adultos,
só são vistos durante os mezes quentes, ao passo
que durante a quadra fria se conservam nos seus
buracos, para se dedicar, consoante affirmam os
pescadores, à criação. Em tempo de inverno só
observei ucas-unas novas à entrada de suas mora-
das. Mas tambem os «carangueijos » de inverno
só se deixam ver nessa estação, em dias frios,
quando o sol alto aquece o ar, emquanto que à
noite ou pela manhã, estando ainda o cêo encon-
berto, se deixam ficar occultos nas suas tocas na
lama. Nos mezos de calor, ao contrario, fervilham
nos pantanos os caranguejos ( de todos os tamanhos )
a qualquer hora do dia, exceptuadas talvez as ma-
tinaes mais frescas. Constitüem então legiões innu-
meraveis e as suas tócas cobrem o sólo tambem nos
logares onde não chegam ou excepcionalmente che-
gam as marés. As especies menores, como a Uca
vocator e outras, cavam as suas tócas sem medidas
de precaução em toda parte na areia ou no lodo ;
tambem nos logares desabrigados; as maiores e as
grandes, porém, mais ladinas, dão preferencia ao
raizame dos mangues para se estabelecerem ahi em
logares mais seguros, como a raposa na sua toca.
Sob o arvoredo se descobrem não raro meia duzia
de buracos e mais. O inquilino acha-se muitas ve-
zes em frente a morada, porém some-se com a maior
rapidez se a gente se approxima de mais. Como
quasi todos os buracos das especies maiores se apro-
fundam bastante e se perdem na vasa, torna-se muito
dificil, por causa das raizes dos mangues, sondar-
lhes o fim para se fazerem pesquizas quanto a re-
servas alimenticias armazenadas ou outras seme-
lhantes. |
Os caranguejos menores são em geral animaes
muito azeis e ligeiros, como revelam no perigo.
Apertados, disparam celeres como camondongos,
ora para traz, ora de lado, e, correndo no chão, se
— 369 —
põe a salvo o mais depressa possivel num buraco,
sob um objecto qualquer ou no entrançado de rai-
zes de arbustos ou na agua, onde se somem na
vasa sem deixar vestigio. Quando se penetra nos
seus dominios nota-se sobretudo a abundancia do
Uca vocator, apezar de, da canôa, se terem avista-
do poucos delles. A’s duzias, ou antes, às centenas
correm pelo chão negro os pequenos entes cor de
de lama, de mistura com outras especies, produzin-
do um leve rumor raspante. Avé-Lallement (17)
p. 179 relata atê que os caranguejos, pela enormi-
dade do seu numero, produzem, ao caminhar um
son sibilante. E, preciso muita presteza de mãos
para se conseguir agarral-os. Nem isso é tão facil
com a pinça, da qual sabem se desviar habilmente.
Antes, para apresal-os. é o meio mais adequado
compri nil-os contra o chão com a palma da mão
esquerda, impedindo-os de se servirem dos tenazes,
para prendei-os depois com a pinça. Vi varias ve-
zes esses an'maes, para se subtrahirem à persegui-
ção, pela urgencia do caso, desapparecerem no pri-
meiro orifício avistado e resurgirem acto continuo,
ficando immoveis junto à entrada. Evidentemente
tinham entrado em casa habitada, e, percebida a
presença do morador, se tinham posto em fuga
deante deste. A” porta onde por certo nada tinham
que temer do legitimo proprietario, que de certo
evitava dar um ar de sua sua graça, esperavam
talvez passar despercebidos.
Todos os caranguejos desta região, à excepção
sómente do gigantesco Cardisoma guanhum, ha-
bitam mais frequentemente os pontos um pouco mais
elevados dos brejos, muitas vezes ao alcance das
marés communs. Entretanto os logares tj"quentos
dos quaes x agua não se escôa na vasante, são
quando muito visitados transitoriamente.
Além de pão ( confira mais atraz), que decerto
não lhes ê proporcionado todos os dias, os caran-
guejos terrestres, segundo dizem, alimentam-se de
folhas de mangues etc., o que, porém, até agora
só verifiquei em relação a algumas esnocies. Com-
— 310 —
tudo parece que alguns, talvez eventualmente, comem
lodo. O Uca vocator e outros têm ao menos o cos-
tumes de pôr constantemente a extremidade dos
membros em contacto com a lama e de levai as
em seguida à bocca. Mas como observei claramente
quanto a carangueijos arboricolas ( Aratus pisone )
presos na gai:la, elles mal molham as pontas dos
dedos, e por certo tomam outros alimentos mais
solidos. Assim muitos caranguejos terrestres comem
bananas, que vi muitas vezes, bem como pedaços de:
folhas de bananeira, levadas para os buracos que
pareciam pertencer à Sesarma recta.
Nas tócas de muitos caranguejos vivem varios.
pequenos Dipteros que, ao menos em parte, se criam
nas substancias alimentícias armazenadas por elles.
Em Outubro e depois ainda em Fevereiro topei
centenas de caranguejos novos, de cor esbranquiçada,
numa praia arenosa elevada, povoada de fetos de
mangues, livre da invasão mesmo das marés fortes.
Faltava-me o tempo para caçal-os, mas parecia tra-
tar-se do Uca vocator.
Uma especie, ha pouco referida Uca vocatur,
constrõe com lama tubos verticaes, que chegam a
attingir 5 cm. de comprimento, de paredes grossas,
cujas aberturas medem de 2 a 3 cm. de diametro
e terminam numa galeria subterranea. Como se en-
contram em taes tubos, na primavera, principal nen-
te 9¢, na maior parte das vezes cheios de ovos, é
admissivel serem tubos de incubação, pois os dd,
as estereis 2% e os novos habitam buracos simples
dos quaes os retirei muitas vezes de pequena pro-
fundidade. A’ lama retirada é dada a forma de
ergozinhos arred ndados, de 6 a 8 mm. de diametro
e ella é depositada a pouca distancia da abertura
em um monticulo, à semelhança do que fazem as
grandes 22 das formigas saúvas, Atta, na constru-
cção dos primeiros canaes dos seus ninhos. Este
pequeno caranguejo vive, é certo, em regiões alcan-
cadas pelas pequenas marés, que submergem as suas-
moradas, mas tambem algumas vezes em pontos
onde não chega o preamar, em poças cheias de
— 371 —
agua doce ou quasi doce. Muitas vezes, quando a
maré desce, vêm-se esses animaes agitarem-se ale-
vremente nos sulcos das enxurradas de agua doce.
O Uca vocator macho, que tem uma das tenazes
muito atrophiada, ao contrario da outra que é pro-
porcionalmente colossal, quando em repouso se
aquece ao sol e faz com esta curioscs movimen-
tos, às vezes acompanhados mechanicamente pelo
membro atrophiado. Em certos intervallos estende
a sua gigantesca tenaz com os dedos fechados,
afastando-a muito do corpo, e a colloca de novo
vagarosamente transversalmente ao peito, modo de
trazer a arma que usa tambem na carreira mais
rapida. Têm estes gestos em si um que de alia-
mente humoristico : Dir-se-ia que os animaezinhos
acenam aos seus camaradas, motivo pelo qual são
chamados acertadamente « caranguejos acenatorios »,
se nos ê permittido a expressão que iembra um ca-
racteristico frisante do crustaceo, sempre a mover
as pinças. (« Winkkrabben » }. São creaturas in-
teiramente inoffensivas, que nunca são vistas brigar-
entre si, a não ser quando a mesa está posta, pela
rivalidade em questão de alimento. Dous robustos
Sd, que eu em certa occasiäo observava e que
moravam um muito perto do outro, estendiam -se
reciprocamente as tenazes saudando-se como dous
bons. vizinhos, ao voltarem para casa e antes de se
sumirem nos buracos. Além de bananas, trazidas
de vez em. quando pelo fluxo do mar, esta especie
come tambem pão e cadaveres de animaes. A cor
destes crustaceos é a azeitona-parda, o escudo com-
mummente semeado de pequenas manchas claras,
irregulares. O braço mais desenvolvido do & de um
amarello esbranquiçado sujo, os dedos, em sua parte
maior, brancos. Mas o colorido varia muito e ao
menos temporariamente, no estio, vêm-se muitos
Sd com o thorax claro. quasi branco. O Uca vo-
cator ê uma das especies menores, medindo o ce-
phalo-thorax de largura no maximo 3 cm., emquan-
to que o braço mais desenvolvido do & com o
ferrão é muto mais longo. Um caranguejo parecido
com o Jeca vocator mas muito menor — seu escudo
só tem um cm. de laagura — com braço deanteiro
mais delgado e dedos longuissimos finos, e typica-
mente inermes no seu corte, é o Ucu leptodactyla.
Vive nas mesmas localidades que aquelle mas é
mais raro.
Do mesmo tamanho que essa especie é o Uca
uruguayensis, um caranguejo de bello colorido, um
tanto similhante ao Uca vocator até no tamanho e
côr. E’ tão commum como este, com o qual se
associa, nos brejos santenses. Até na conhecida
praia de banhos do Guarujá, aonde os manguesaes
se estendem, observei os em abundancia. A côr do
escudo varia e parece modificar-se conforme a
estação. No inverno é acinzentada; porém na pri-
mavera ( talvez vestes aupciaes ) pinta n-se os bordos
posterior e lateraes atraz muitas vezes largamente
de branco em contraste vivo; da mesma côr apre-
sentam-se as laminas boccaes e os dedos. No mais
o par de pernas armadas de tenazes, no &, e não
raro tambem as oito pernas trazeiras, são inteira-
mente ou quasi inteiramente de uma bella côr de
coral. As 99 que apanhei juntamente com esses
Jo têm o tamanho ea mesma cor cinzenta simples
do ceph lothorax. Encontrei-os repetidamente em,
buracos simples a pouca profundidade como os do
U. leptodactyla.
O Aralus prison: não mora em buracos, mas se
tornou verdadeiramente um animal arboricola, e é
um espectaculo particularmente extrarho o destes ani-
naes pousados em cima dos mangues ou correndo
com extraordinaria agilidade de cá para lá, mesmo
pelos troncos verticaes ou ramozinhos finos e lisos.
São elles os macacos entres os crustaceos ; ape-
nas não se dão ao luxo de saltar de arbusto para
arbust:, de ramo para ramo, mas se contentam em
caminhar nos troncos e galhos. Quando inquietados,
fogem agilmente para o outro lado do ramo. Aper-
tados mais de perto, procuram ganhar 6 solo dispa-
rando pelo tronco abaixo ou descem simplesmente
de um salto. Em geral porém, a ultima hypothese
— 313 —
só se verifica quando sob elles ha terra e não agua.
Só excepcionalmente os vi pular na agua, e, quando
isso se dava, procuravam com a maior rapidez at-
tingir um ramo, ao qual se agarravam snbmersos
até julgarem pessado o perigo. Uma vez apenas vi
un desses caranguejos, em um logar muito raso,
saltar directamente na agua de uma altura de um
metro e enterrar-se immediatamente no lodo. Muitos,
perseguidos, descem rapidamense pelo tronco e mer-
gulham, no mais correndo sobre o mesmo; outros
não se abalançam a tanto e preferem deixar-se apre-
sar, ou então trepam .pelo arbusto acima o mais alto
possivel e se agarram tão fortemente com as unhas
que não cahem por mais que se sacudam os ramos.
Parece attrahirem-nos especialmente as fructas gran-
des, pardas de uma Bignonacea de vasta folhagem,
Adenocalymina sp. Achei uma vez em uma dellas
dez ou doze individuos, perto da praia da ilha do
Casqueirinho. Vivem tanto na Rhizophora mangle
como na Laguncularza racemosa, parecendo, com-
tudo, preferir o primeiro desses arbustos. Vêm-se
muitas vezes bando de 30 a 50 exemplares ou mais
trepar pressurosa-mente por elles quando a canôa se
approxima. Fritz Miiller, cujo trabalho sobre o as-
sumpto não conheço, relata de Sta. Catharina de
um caranguejo de mangue habitante de arvores e
folivoro, e tambem José Bertrand o affirma em rela-
ção à especie existente em Santos. Da minha parte
nunca fiz tal observação nem vi signaes de tal modo
de alimentação nas folhas dos mangues. Poucas vezes
notei em moitas de Laguncularia racemosa habitadas
por essa especie cascas raspadas de fresco. Dentro
da agua são elles bastante lerdos, ao menos em
logares mais profundos. Nadam pessimamente ba-
tendo com todas as pernas como um cão d'agua, pro-
gredindo devagar, junto à superficie, e procuram logo
que possam agarrar-se a um objecto qualquer. Um,
que lancei à agua, porfiou por subir pelo costado
da canda, fatigou-se depressa, e se foi afundando
cada vez mais, atê que o perdi de vista. São inte-
ressantes animaezinhos, não muitos grandes, quando
ER to ANO
muito tendo 3 cm. de comprimento e com tenazes
pouco desenvolvidas. A cor predominante do cepha-
lothora é pardo-clara, a zona central semeada de
manchazinhas amarello-esbranquiçadas ; no meio da
parte anterior nota-se uma mancha preta, grande,
que vae até o bordo posterior da fronte, e de cada
lado della, assim como atraz, uma mancha menor
da mesma côr. As tenazes são pela maior parte
vermelhas, mas a sua cór varia.
Fora o Aratus pisont, vive tambem nos arbustos
a Metasesarma rubripes, entretanto, parece que mais
durante os mezes de verão, sendo menos frequentes
nos mangues genuinos do que em outros arbustos e
hervas. Assim encontrei-o varias vezes no Acros-
tichum, cujas massas de sôro verdes ou maduros.
que cobrem densamente a parte inferior dos foliolos,
elles devoram. Encontrei tambem os seus excre-
mentos, similhantes aos do camondongo, grudados
no mesmo feto. Observei-os tambem seguramente
nas esteiras Scirpus riparius Presl., às quaes rôem
a casca e mesmo mais profundamente os tecidos.
Num logar vi muitos pés privados de sua verde
vestimenta e como que seccos. A qualquer hora do
dia encontrei exemplares trepados nas esteiras, pa-
recendo que só se retiravam para o sólo, sua mo-
rada habitual, ao começar a escurecer. Nunca, com-
tudo, pude observar si cavam buracos. Passeiam
tambem muito commummente no Azbiscus. Pilhei-os
em varias occasiões no meio das flores desse arbusto.
com ares de quem lambiscava das delicadas petalas,
assim como dos renovos tenros e macios.
A’s especies maiores pertence a Goniopsis cru-
entata. EK’ um dos mais lindos caranguejos, que
tem a cara e pernas de uma cor vermelha magni-
fica, ao passo que o ceph lothoras lateralmente, as-
sim como os quatro pares de pernas trazeiras, ador-
nam-se superiormente com diversas manchas gran-
des, brancas. Infelizmente a cor, principalmente a
vermelha, desbota- sempre no alcool, e finalmente
fica o animal com uma apparencia tal que não póde
dar uma idéa do ser vivo. E” das especies mais
vulgares e encontradas tambem no inverno. Nos
logares em que são frequentes esses animaes são
vistos deslisar ligeiramenle sobre o negro chão lo-
doso mal se approxima alguem, quando desappare-
cam, apesar de não ser muito timido, nos buracos.
Dão na vista mesmo à distancia pelo vivo da sua
cor vermelha. "Tive ensejo de observar um exem-
plar dessa especie na Ilha dos Amores junto à pis-
cina petiscando de um pedaço de pão amollecido
que jazia na agua junto delle. Com os dous dedos,
graciosamente, como uma criança, elle tirava pe-
quenas migalhas que levava à bocca alternadamente.
Uma scena encantadora !
De colorido semelhante, porém menor, é a
Sezanna recta, cujo cephalothorax mede cerca de
o cm. de largura.
O œdipleura cordata, uca-una, é quanto ao
tamanho, o segundo caranguejo terrestre desta re-
gião, pelo que é notado immediatamente entre a
companheirada. Estes animaes têm os movimentos
tardos, mas em compensação possúem nas suas gi-
gantescas tenazes, uma das quaes sempre menor que
a outra, uma arma nada desprezivel da qual, quan-
do atacados, fazem uso immediatamente e com a
maior energia. Elles ferram de fórma a brotar
sangue no mesmo instante e a se sentir a sua força
mesmo atravéz de grossa sola. A carapaça attinge
muitas vezes o tamanho de um prato de sobremesa
e é esverdeada na parte superior numa variedade
ao lado de cor branca. E' uma vista curiosa 2a
destas figuras esquipaticas, que relembram sempre
os gnerreiros encouraçados da Edade Média, a per-
ambular sizudamente no terreno apaúlado, do qual
se destacam vivamente pela sua cor clara, progre-
dindo constantemente de lado por entre os mangues
espaçados ou à beira da agua. Assisti, às vezes,
combates entre dous, fazendo um ôra de atacante
óra invertendo a subitas o papel de agressor para
atacado. Foi um espectaculo interessante e divertido
o de dous desses formidaveis campeões que uma occa-
sião, erguidos sobre as suas pernas de aranha, se de-
— 876 —
frontaram cara à cara e, fosse declaração amorosa
ou franca hostilidade, applicaram-se com as terazes
reciprocas pancadas que estalaram sobre os dorsos.
Os exemplares adultos parece terem perfeita con-
sciencia da sua força. Quando alguem lhes inter-
cepta a passagem para os seus esconderijos e os
ameaça de perto, não se dão pressa em fugir. Sio
perigo assume um caracter mais grave, acceleram,
é certo, os seus movimentcs ou se abrigam em al-
gum buraco ou se mettem na agua, quer procuran-
do o fundo, quer mergulhando na lama. Sendo o
caso sério, assim que a gente os alcança e ousa
atacal-os de facto, elles alcam-se immediatamente
sobre as pernas em attitude bellicosa e avançam as
gigantescas tenazes espinhentas. Um bom golpe de
remo ou um ponta-pé põe fora de combate o Crus-
taceo ferrabraz, mas pouco resistente. Só em uma
opportunidade vi um exemplar adulto desses Crus-
taceos. que, com os membros encolhidos, parecia es-
tar de tocaia num banco de areia, fugir, quando eu
passava na canoa, com precipitação realmente có-
mica, em direcção à terra. Fosse porque a minha
sombra o assustasse de repente, fosse porque elle já
tivesse a experiencia de maus encontros com os pes-
cadores, o certo é que elle, brandindo alarmado as
tenazes largamente abertas, desunhou desabalada-
mente por sobre a areia branca da praia e se es-
condeu num ápice numa poça de agua. Em fins de
Junho, como quero ainda communicar aqui, desen-
cavel animaes novos de pouca profundidade na terra,
e mais tarde, desde o fim de Julho, observei alguns
com metade talvez do desenvolvimento completo
(mas, como já ficou dito, nunca aduitos) ao ar livre,
parados em frente às tocas ou peregrinando em torno
a pouca distancia das mesmas. Nesta phase da vida
têm os animaes em questão 4 — 5 cm. O cephalo-
thorax é amarello sujo, uma larga zona ao longo
da região do centro tende para uma cor amarello-
verde, as pernas são avermelhadas na base, no resto
roxo pardas, os tarsos rubro-claros, as ten:zes roxo-
pardas e as mãos e dedos geralmente brancos. Sua
— 311 —
captura não é facil, pois desapparecem nos seus es-
conderijos mal se penetra em seus dominios. Mas
surgem de novo com pouca demora si a gente se
conserva quieto. Quando o caranguejo, assentado à
porta da casa da tempo para que se enterre a pá
na sua cova, cortando-se-lhe assim a retirada, para
“a profundidade salvadora, elle vê-se perdido. Como
notei ainda ha pouco tempo, os exemplares mesmos
dos grandes não se afastam de bom grado muito
dos buracos, e todos elles se tornam invisiveis quan.
do se está a uma distancia de 20 a 30 passos quando
se penetra nos mangues, permittindo, entretanto, 4
canôa chegar muito mais perto. O (Edipleura cor-
data adulto forma monticulos irregulares de 30 a
40 cm. de diametro com a lama-extrahida das co-
vas, abrindo-se em cima a entrada. Esta mede 10
em. mais ou menos e é mais larga que alta. Du-
rante o inverno encontram-se muitos desses bura-
cos fechados com lama e sulcos irregulares, pouco
profundos, irradiam do centro da elevação para to-
das as direcções. Tudo indica que a toca foi fe-
chada do lado de fóra e presumo que se trata de
tubos de incubação, pois que, si outros buracos tam-
bem se encontram tapados, isso não se dá por uma
forma tão perfeita, devendo os mesmos pertencer a
mesma espécie de que se trata, à vista do seu ta-
manho. No mais corre que o nosso caranguejo co-
lhe arroz nos campos, (18) p. 625., do que, no
emtanto. não poderá com certeza advir um mal di-
gno de nota.
Ainda maior do que o Ucides cordata é o
Cardisoma guanhumi, o gumami. Este caran-
guejo evita o interior dos pantanos e frequenta mais
as suas beiradas. Segundo o Dr. Lutz 1.c., no Rio
de Janeiro este animal escava a sua cova a certa
distancia da altura média da agua, de modo que a
abertura se encontra até um metro acima da mesma.
A agua dessas covas seria doce ou quando muito
salobra e tambem muito mais pura do que a das
covas das outras especies feitas na lama, por ser
aquella filtrada pela areia. Este bello caranguejo
— 378 —
não é o que se diga commum nos mangues de San-
tos, ao menos na região por mim estudada mais
detidamente. Aqui e alli encontrei as suas moradas:
à margem do rio Mogy Velho e tambem entre os
bosques proximos. A lama retirada dos buracos
fórma um monte, dentro ou ao lado do qual se
abre a entrada. Um canal que eu abri tinha dous
e meio metros de comprimento e se afundava em
meia espiral até um metro de fundo, de modo que
encontrei a camara quasi exactamente embaixo da
entrada. Aquella media cerca de 25 cm. de largura
por 35 em. de comprimento e continha folhas meio
apodrecidas misturadas com bastante lama. Este |
caranguejo apresenta-se quasi todo de um bello azul ;
a zona central do cephalothorax é mais ou menos
cinzento-parda, as mãos e os dedos mais esbranqui-
cados. O nosso Museu possúe grande numero des-
tes monstros, dos quaes'o maior mede de carapaça
11 X 9 em., tendo o braço anterior desenvolvido
32 em. de comprimento, inclusive a mão e dedos
com 17 cm. Esse animal foi morto à bala. Nos
buracos habita a mosca Culicoides reticulatus Lutz.
Das especies do grupo dos Cyclometopos, ao
qual pertencem tambem os siris, poucas observei nas
vizinhanças de Santos. Além daquella, só colhi 4
especies. Uma, Panopeus limosus, é commum, e
ainda em Outubro do anno passado peguei uma
grande quantidade de differentes edade no meio de
páus trazidos pela agua, lascas de taboas e objectos
similhantes, num plaino arenoso coberto de mangues.
Os animaes revelavam pouca vontade de pôr-se em
movimento e, quando postos e liberdade, perma-
neciam a principio quietos, como que offuscados pela
luz do dia, de modo a poderem ser facilmente presos
pela pinça; ou então se encaminh2vam para algum
buraco, em cujo orifício ou proximidade se deixavam
ficar parados. Revelam uma força desproporcionada
quando se quer arrancal-os dos seus esconderijos
entre pedregulhos, e nessa conjunctura não raro ficam
sem pernas e braços. Uma peça de estatura mediana
que se tinha agarrado ao meu dedo não se poude
retirar pela força e só me largou depois de mer-
gulhado no espirito durante alguns minutos. Este
animal tem o cephalotorax com 4 cm. de largura e
mais. À cor deste ultimo é nigrescente com um
reflexo azulado bem perceptivel, cor que tem egual-
mente as pernas das tenazes em muitos deiles. A
mão é de um branco sujo na parte inferior, os dedos
de um branco mais puro, o dedo superior é ver-
melho até metade da base na margem de cima. Esta
especie é mais frequente no verão; encontrei-a pelo
menos, fóra dos seus esconderijos unicamente du-
rante a estação calmosa.
O siri, Callinectes danar — que nunca vae à
terra, mas que se confina sempre na agua, 0 que já
indicam suas largas patas natatorias e o corpo chato
e amplo, acha-se entre os maiores caranguejos da
região, pois um animal dessa especie completamente
desenvolvido chega a abranger com os dous appen-
dices anteriores até 45 cm., portanto quasi meio
metro! Na parte superior elle à de um verde sujo,
inferiormente esbranquiçado, as pernas na maior parte
azues, os dedos rubros nas extremidades. Taes
exemplares velhos, respeitaveis, têm muitas vezes
as carapaças revestidas de Balanus, e nas suas ar-
ticulações vivem parasitariamente vermes sugadores,
pequenos, negros com 20 mm. de comprido.
Além disso encontrei em Julho e Agosto mais
de uma vez em dg, nas coxas e tambem lateral-
mente nos escudos amontoados de formações maiores
ou menores redondas, semelhantes a ovos de borbo-
letas, cuja explicação por ora não encontrei. E”
commum verem-se esses animaes como que a flanar
junto à praia na agua rasa e morna. A’ approxima-
ção de pessõas disparam, velozes como séttas, de lado,
rentes com o fundo lamacento, revolvendo-o quando se
julgam perseguidos e deixando após si uma longa es-
teira turva, para mergulharem afinal de repente no
lodo. Este animal devora cadaveres, mas tambem
apanha peixes. Sobre o ventre de um enorme peixe
que boiava na agua vi uma vez diversos delles pou-
sados, os quaes fugiram precipitadamente ao me.
— 380 —
verem passar de canda. Mas, como referi, vi-os
tambem entregues à pesca, uma vez, na maré baixa,
na desembocadura de um rego d'agua lamacento em
que fervilhavam pequenos peixes retardatarios. Os
caranguejos movimentavan-se apressadamente de
um lado para o outro da foz, meio nadando, meio
andando, com os braços a meaçadoramente abertos,
procurando reter os peixes que tentavam forçar a
passagem. Por vezes elles se atiravam repentina-
mente de lado, mas sem lograr fazer presa. Em
outras occasiões tambein assisti à caçada feita por
esses animaes. Movem-se elles ora para traz, ora
para a frente, ora de lado. Quando acontece cho-
carem-se dous, o menor se detem immediatamente
e azula logo que o outro faz menção de lhe ir ao
pêlo. Os peixes que passam nadando são immedia-
tamente hostilisados, mas não manifestam muito re-
ceio dos caranguejos e se approximam bastante delles.
As pedras jacentes na agua, bem como pedaços de
madeira são palpados cuidadosamente por baixo e os
peixes ahi occultos expulsos e perseguidos. Quando
um peixe vae ao encontro de um caranguejo, este
abre os braços largamente para lhe obstar a passa-
gem e no momento opportuno avança repentina-
mente de lado em linha obliqua e procura apoderar-se
do mesmo com uma das tenazes estendida. Quando
se tira um siri grande da agua e se põe em terra,
elle toma no mesmo instante uma attitude de com-
bate, os braços bem estendidos e as tenazes um pouco
abertas. Si o tocam, elle bate immediatamente vio-
lentamente com as duas tenazes. Entretanto o animal
é ladino. Elle ferra sem detença na mão ou no pé
nú, mas nunca se afoita energicamente contra os
sapatos ou um objecto qualquer que lhe é apresen-
tado. [Exemplares robustos, oem desenvolvidos se
conservam com vida em terra um dia e uma noite.
Demais, elles são encontrados tanto na agua marinha
pura como na salobra. O Museu Paulista deve ao
chefe da estação de Piassaguera, Sr. José Garcia
Hialho, dous bellos exemplares desta especie, de no-
tavel grandeza.
Le HP
Para impedir os siris presos de belliscar, espe-
ta-se-lhes a ultima, aguda articulação do segundo
par de pernas, firmemente na tenaz situada defron-
te a saber no lado de fora da mão, no dedo movel.
Desta maneira o desgraçado caranguejo não só fica
inteiramente inerme como tambem impossibilitado
de fugir,
O grupo dos Oxyrhynchos apresenta ainda me-
nor numero de representantes do que o dos Cyclo-
metopos. Alias nem um só se me deparou. Ape-
nas o sr. Jos» Bertrand me descreveu um caran
guejo habitante da lama, de que vio dous exempla-
res, na vasante, mexendo dentro de uma poça de
agua, de forma que só se podia tratar daquella es-
pecie.
Seja ainda referido que eu colleccionei tambem
o Chasmognathus granulatus Dana. Grapsidie (na
vizinhança de Itajahy, ( Santa Catharina) num pe-
queno conjuncto de mangnes situado a grande dis-
tancia do mar, só tendo, é certo, achado um exem-
plar. E' no mar que essa especie vive, em geral.
O Callinetes danai é levado com frequencia ao
mercado de Santos, e tambem a carne do Cardiso-
ma quanhumr e da Oedipleura cordata não deixa
de encontrar apreciadores. As outras especies de
caranguejos não se da caça.
Tabella de determinação dos caranguejos
1. Cephalothorax (escudo dorsal) com nove es-
pinhos de cada lado. Bordo da frente (entre
os olhos) com seis dentes. Us dous ultimos
articulos das pernas trazeiras, com aspecto de
remos, accentuadamente, alargados e chatos ;
ultimo articulo oval, sem espinhas: Callinectes
dana: Snr. (Fam. Portunidæ ).
Outros característicos. Ultimo articulo das per-
nas trazeiras nunca oval, porém estreito e
longo, terminando por um forte espinho. 3.
vo
— 382 —
À frente, entre os olhos, curvada para baixo
em angulo recto, com bordo superior e infe-
rivr bem distincto. Cephaloth. sem dentes la-
teraes ou sómente com um dente, bem junto
atraz aos dentiformos angulos anteriores. 5.
4. — alli não curvada para baixo ou sômente pouco
D.
inclinada, ausente o bordo superior. 11.
Cephalothorax sem dente lateral atraz dos an-
gulos anteriores. 7.
6. —alli com dente. rente no bordo superior
(entre os olhos) tricrenado. Cephaloth. late-
ralmente com cerca de dez estrias obliquas le-
vemente salientes, parallelas, encurtando-se para
dentro: Gonzopsis cruentata Latr. ( Fam. Gra-
psidee ).
7. Mão (das pernas anteriores ) na parte superior,
na extremidade e na base dos dous dedos ( te-
nazes ) espaçosamente munidos de tufos de ca-
bellos longos, densos, negros: Aratus pisonr
M. Edw. (Fam. Grapsidæ ).
8. — sem tufos de cabello. 9.
9. Cephalothorax munido, um tanto densamente.
de cerdas curtas, negras. Muito rubro na frente
e nas pernas (exemplares vivos ): Sesarma
recta Rand. (Fam. Grapsidæ ).
10. — glabra. Ausencia de vermelho: Metasesarma
Lar
rubripes Rathb. ( Fam. Grapsid. ).
Angulo anterior da frente ( interiormente entre
os olhos) agudo. Cephalothorax com tres den-
tes lateraes, seus angulos anteriores obtuso-
agudos. Dedos sem côr vermelha. 13.
12. — anterior da frente totalmente arredondado. 15.
o
a).
Frente, no bordo anterior, quasi direita, no meio
uma Iraca crena: Panopeus crassus M. Edro.,
com o muito parecido P. americanus B. et
Rthb. (Fam. Cancridae ).
14. — alli no meio com um profundo recorte trian-
gular, junto a este, em direcção aos angules
anteriores, fortemente obliqua e sinuado: Pa-
nopeus rugosus M. Hdw. (Fam. Cancridae ),
— 383 —
Até agora não encontrado na região de Santos,
mis deve existir ahi seguramente.
15. Cephalothorax sem dentes lateraes, apenas com
angulo anterior agudo ( junto do fim dos olhos ).
Li.
16. — atráz, na metade anterior, com dous dentes,
tendo adeante um largo lobo; com brilho azul.
Frente, no bordo anterior, quasi direita, no
meio levemente restricto. Dedo movel, tambem
dos exemplares em alcool, superiormente na
base ver nelho: Hurytium limosum Say., com
o pareeido E. herbotii M. Hdw. ( Fam.Cancriá ).
17. Frente com bordo anterior largo, direito. Olhos
(com os pediculos ) mais curtos, do que o bordo
frontal entre elles. Os quatro pares de pernas tra-
zeiras com cabeilos não muito apparentes : Car-
disoma guanhumi Latr. ( Fam. Gecarcinidae ).
18. — com bordo anterior fortemense encurvado.
Olhos mais longos, do que o trecho da frente,
situado entre elles. 19.
19. As duas tenazes quasi de tamanho egual ( isto
é, uma dellas é, realmente, sempre menor, mas
não atrophiada ); em ambos os sexos tenazes
desenvolvidas. Ao menos a tenaz desenvolvida,
não só na mão e nos dedos, mas tambem no
resto, bem fortemente espinhoso. As oito pernas
trazeiras, nos exemplares maiores, pelo menos
nos dous ultimos articulos, munidas nas mar-
gens de pellos pardacentos, notavelmente longos !
Teides ( Oedipleura ) cordatus L. (Fam. Ge-
carcinide ).
20, Uma tenaz gigantescamente augmentada à custa
da outra, notavelmente atrophiada. Só o & com
tenaz desenvolvida; na 2 as duas tenazes egual-
mente forte atrophiadas. Não ha nellas espi-
nhos dignos de nota. Pernas trazeiras sem ca-
bellos compridos. 21.
21. — Femur do primeiro par de perna no & ( vis-
to de frente ) delgado e estreito, talvez com-
primento duplo, do que a largura no ponto
me ue
mais largo; o seu bordo superior apenas fra-
camente curvado. Ded +s muito compridos e
finos, typicamente desarmados. Ausencia de
côr vermelha; Uca leptodactyla Rat. n. 6.
(Fam. Ocypodidae ) .
.—do mesmo robusta e larga, muito mais curta
do que a anterior; o bordo superior fortemen-
te curvado. Dedos robustos, quasi sempre com
alguns denticulos na corte. 25.
82)
tá
23. — O par de pernas de tenaz, no q, em peças
frescas, não é vermelho. Cephaloth. 2. 5 cm.
de largo ou mais. Articulos tibiaes das per-
nas trazeiras, na margem superior, ao menos
em parte, cobertos de pellos lanosos, densos :
Uca vocator Herbest. (iam. Ocypodidae ).
24. — do mesmo de uma bella côr de coral, frequen-
tes vezes tambem as outras pernas. Cephaloth.
medindo apenas cerca de 1 cm. de largo.
Articulos tibiaes das pernas trazeiras sem pellos
lanosos : Uca uruguayensis Nob. ( Fam. Ocy-
podidæ ).
Segundo Ihering (19) p. 157, é muito fre-
quente nos mangaes da Ilha de S. Sebastião o Uca
moracoani Latr.. e por isso não excluo a hypothese
de se encontrar essa especie tambem nas vizinhan-
cas de Santos. E” muito maior do que o Uca vo-
cator e ambos os dedos da tenaz muito grandes, do
macho tem egual tamanho e conformação : muito
largos e notavelmente achatados, quasi como um
bico de pato. lemais, apparece esse animal tam-
hem nos mangues do Rio de Janeiro. (26) p. 31.
Refiram-se aqui, ao menos de passagem, os
caranguejos de agua doce, Trichodactylinae domi-
ciliados no rio Gubatão e outros affluentes dos man-
gaes, proximo aos quaes muitas vezes são encontra-
dos. Garbe apprehendeu o Trychodactilus dentatus,
M. Etr., no Estado do Rio, na agua salobra. e por-
tanto é admissivel que se possam encontrar ahi
tambem as especies existentes em Santos.
As especies em questão são as seguintes :
— 9308 —
1. Bordos lateraes anteriores do cephalothorax sim-
ples ou quando muito, com tres dentes de cada
lado. 3.
2. Do mesmo com cinco dentes: Tr, panoplus
Mart.
>. Dentes do cephalothorax [francamente desenvol-
vidos ou ausentes; quando existentes, não são
os intervallos arredondados e o terceiro dente
não voltado para fóra; cephalothorax sem intu-
mescencia transversal, ligeiramente arqueada. 5.
ES
Do mesmo bem desenvolvidos e agudos, sempre
tres, o de traz dirigindo-se para fóra; inter-
vallos «rredondados. Cephalothorax tendo trans-
versalmente sobre o dorso, entre os dous der-
tes postericres, uma intumescencia, mais ou
menos perceptivel, que nas peças adultas, se
eleva lateralmente ; approximadamente carenada ;
com convexidade moderada; tão largo quanto
longo ou pouco mais largo, posteriormente só-
mente pouco arredondado ou quasi direito e,
por isso, tomando uma apparencia de quadrila-
tero: Tr. petropolitanus Ratt. 6.
O Cephaloth. manifestamente mais largo do que
comprido, notando-se, que tambem no bordo
lateral posterior, é symetricamente arredonda-
do, e por isso não quadrilateral, mas de forma
largo — oval.: Tr. fluviatilis Latr.
6. — tão largo, quanto longo, ou pouco mais largo ;
no bordo posterior lateral direito ou quasi di-
reito. e por isso, como acontece com o petropo-
litanus de forma mais quadrilatera. : Tr. t-
jucanus Rathb
Macruros não se vêm, como é natural. Elles
não vão à terra, e só casualmente se nos deparam,
justamente quando não são procurados. Assim é que
vi por varias vezes camarões saltarem fora da agua
tocando varias vezes a superficie depois nadarem
apressadament2 abaixo da sua superficie. Eviaente.
mente os animaes tinham sido atacados no fundo
pelos peixes e procuravam a salvação por esse meio.
— 386 —
De uma feita vi o mesmo Crustaceo na maré va-
sante num corrego quasi secco, o rio Pedreira, saltar
às duzias até um pé fora da agua, em consequencia
do susto causado pela nossa canôa, voltando apres-
suradamente para o seu elemento quando acaso cahia
na margem plana. Ao demais podem-se observar
frequentemente tanto camarões como lagostas na
propria agua, como por exemplo no rio Mogy Velho,
occultos a meio sob uma pedra ou raiz ou movendo
as suas antennas longas e delgadas. São apresados
facilmente por meio de cestos profundos que se sub -
me gem lastrados de calhaus. Como em geral não
se usa isca ( carne), é por certo a curiosidade que
attrahe o animal. Passados uns 10 minutos já se
pode contar com a captura de alguns. Pescam-se
muito bem ao menos lagostas, tambem com mi-
nhocas. Garbe apanhou repetidas vezes as ultimas
com grandes ratoeiras armadas debaixo da agua.
No mais pescam-se com rêdes pequenas, e eventual-
mente com rèdes communs de peixes. Lagostas e
camarões assumem no alcool primeiramente uma
côr avermelhada, retomam depois, perdidas as côres
a sua primitiva côr esbranquiçada. A especie de
mais vulto existente é o Palæmon jamaicensis.
Na nossa colleeção encontram-se exemplares de 25
cm. de comprimento. O nome «cavalleiro » ( Rit-
ter ) para este animal aquatico encouraçado, não é
realmente mal escolhido. As peças rúaiores que
possuimos provêm do Rio de Janeiro, de onde nol-
as trouxe o nosso viajante Sr. E. Garbe. Os ca-
marões vivem na agua marinha e salobra, as la-
gostas na agua doce e salobra. Principalmente nos
rics Mogy, Cubatão e Casqueiro vi muitas vezes as
ultimas.
Um outro macruro, Leander potitinga ( N. 736
da nossa collecção ), um animalzinho claro que só
tem negros os olhos e uma mancha na couraça do
peito, vive, de mistura com Palæinon acanthurus
novo, às centenas nos braços mais tranquillos dos
mangues, no fundo dos alagadigos razos, muitas vezes
proximos à margem, como por exemplo no « porto »
— 387 —
de José Bertrand. Tomei a principio os an:maesi-
nhos na agua por peixinhos novos, pois nadavam
exactamente como elles, e depois por um estadio da
juventude das especies já minhas conhecidas, aié que
descobri por acaso que se tratava de uma especie
em si. Além da agua salobra vive o nosso animal-
zinho tambeni na agua doce, como acontece, por
exemplo, perto de Blumenau, em Itajahy ( Santa Ga-
tharina ), de onde o nosso Museu recebeu exempla-
res enviados pelo Dr. Fritz Müller.
Grandes exemplares do Palæinon jamaicensis
são bem vendaveis, e tambem o P. acanthurus é
pescado eventualmente para servir de alimento. Os
mais uteis, no emtanto, são as duas especies de Pe-
neus, os conhecidos camarões que, defumados ou
frescos são levados ao mercado em enorme quanti-
dade.
Lista de Palaemonideos e Peneideos
Fam. : PALAEMONIDAE
» potinua Fr. Mill.
» Leander potitinga Orlm.
1. Palwmon acanthurus Weg.
Za » jamaicensis Host.
3. » natlerert Hell.
A, » olfersi Wiegin.
D.
6.
Palaemon ihering: Ortm. tambem se encontra,
provavelmente; possuimos a especie (N. 710) do
campo de Os Perus ( Est. de 5. Paulo ).
Fam. : PENEIDAE
7. Peneus brasiliensis Latr.
8. » setiferus M. Edw.
9. » hréyert Hell.
— 388 —
Chaves dos Peneideos
1. Par 1 a 3 de pernas thoracicas com tenazes
atrophiadas. Abdomen atraz em cima carena-
do: Fam. Peneidæ. 3.
2. — tres das mesmas-jamais com tenazes. Abdo-
men não carenado: Fam. Palemonide. As
especies desta familia são descriptas por Or-
tmann, vide bibliographia ( 27 ).
3. Rostro, quando muito, do mesmo comprimento
que as escamas antennaes, na parte de cima
com 11 dentes, na de baixo (ao menos os
adultos) com (1) 2 dentes. 5.
. — excedendo muito as escamas antennaes; em
cima com 6 à 7 dentes, embaixo simples; seus
sulcos lateraes attingindo, quando muito, o ul-
timo dente. O sexto segmento abdominal sem
sulco distincto junto à carena mediana: Peneus
krüyerr Hell.
pm
9. Sulco, junto ao rostro, attingindo quasi o bordo
posterior do cephalothorax; o proprio rostro
chegando à mesma distancia, com 8 a 11 den-
tes em cima. Sexto segmento abdominal, junto
à carena mediana, com sulco estreito bem per-
ceptivelmente afundado: Peneus brasiliensis
Latr.
.— ahi pouco perceptivel e attingindo mais ou
menos o dente situado mais atraz; o rostro
mesmo para o bordo posterior do cephalothorax
indistincto, em cima com 8 a 10 dentes. O sexto
segmento abdominal sem sulco junto da carena
mediana: Peneus setiferus M. Edi.
Dos Caranguejos eremiticos ( Panurgidæ ) só
encontrei atê agora um unico exemplar, a saber, na
maré vazante numa casa de purpura haemastoma
que remanescera. Era um Clibanarius vittatus Rose.
ou Cl. sclopetarius Hbst.
De outros Crustaceos notam-se com especiali-
dade colonias de cracas que se encontram em toda
a parte, excepto nos tocos de mangues reverdecen-
©
— 389 —
tes, tambem nos troncos e ramos de arvores etc.
trazidos pelas correntezas, até onde são alcançados
pelas marés. Esses supportes cobrem-se às vezes tão
densamente com as cascas brancas desses animaes
que nenhuma de suas partes se torna visivel. As
agelomerações fazem ouvir, quando em secco, ao
menor toque ou abalo, tambem quando se passa de
canôa na maré baixa, um ruido crepitante singular.
Segundo uma communicação do Sr. W. Weltner,
de Berlim, trata-se de Balanus eburneus A. Gould,
que existe em toda a costa oriental americana.
Entre as suas cascas vive frequentemente um
pequeno bicho de conta ( N. 194).
Apanhei uma vez um exemplar de outro bicho
de conta (n. 489) de 1 cm. de comprido approxima-
damente e cor cinzenta, na praia da ilha do Cas-
queirinho, em agua rasa, onde nadava em linha re-
cta, livremente. Mais tarde encontrei a mesma es-
pecie repetidamente na vazante, em terra, no chão
lodoso sob pedras, em buracos feitos na terra e fi-
nalmente em grandes massas em raizes podres de
arvores ao alcance das marés. Esses animaes esbu-
racam a madeira que fica como uma peneira e ha-
bitam nella aos milhares e milhões. São tardo:hos
e por isso de facil apprehensão, enrolam-se como o
ouriço quando se lhes toca, fingindo-se de mortos.
Cite se ainda um bicho de conta da-praia, a
Ligia sp. (fam. Oniscidee, de 2 a 3 em. de com-
primento, que tem por costume passear à luz do
dia na praia sobre as penhas, em secco, como acon-
tece, por exemplo, na ilha do Casqueirinho. E” so-
ciavel e se refugia celeremente nos intersticios da
rocha quando alguem se approxima, tornando diff-
cil a sua apprehensão. E' muito mais vulgar nas
costas maritimas do que nos pantanos, como, por
exemplo, no Guarujá, onde a cada passo se avista
nos rochedos.
Apparece tambem frequentes vezes um Gam-
marideo (N. 307) sob pedras etc., nos brejos.
Um outro pequeno Crustaceo, de cêrca de 2
cm. de comprido e cor clara, vive frequentenente
— 390 —
na lama, à profundidade de 5 a 10 em. Quando li-
vre na agua nada elle geralmente na superficie com
regular rapidez. Apanhei-o na vazante do rio Mogy
Velho. (Consoante uma informação de 8.ViII.14 do
Sr. Dr. GC. Moreira, pertence elle ao grupo dos 1so-
podos anomulos e talvez ao genero dos Kalliapseu-
des iN.) 918):
Insectos
A fauna entomologica nos mangues mesmo é
pauperrima. Pobre é ella tambem, postas de parte
os mosquitos e outra bicharia hematóphaga, nos ar-
redores dos mesmos, em comparação com outros lo-
gares. E isto não obstante a rica vegetação e o
clima tropical, é verdade que nas noites de inverno
sensivelmente fresco.
Nomeiem-se em primeiro logar os transmisso-
res da febre amareila e da malaria, visto como a
referencia aos mangues evoca a involuntaria lem-
brança dessas temiveis molestias. Entretanto não é
propriamente nos mangues que elles vivem, senão
nas suas margens ena região proxima. À primeira
dessas enfermidades, a temida febre amarella só tem
um productor e propagador, o pernilongo Stegomyza
calopus Meigen. pertencente à sub-familia dos Cule-
cmeos o qual além disso ainda transmitte filariose,
uma doença verminosa. (20) p. 22.
Quanto à malaria, a maleita multiforme ou im-
paludismo, devem ser tomados em consideração di-
versas especies de mosquitos, pertencentes todos à
sub-familia Anophelince mas a sete differentes ge-
neros. A especie mais bem conhecida é Myzomia
lutzi Theo. Uma outra especie egualmente existente
em Santos é a Cyclolepteron mediopunctatum Theo.
O Dr. Peryguassú apresenta em sua obra, além
destas tres especies de mosquitos, 14 entre Culici-
deos que existem na região de Santos, portanto
tambem na por nós estudada. Destas, e Culex fasti-
guns Wied. é tambem transmissor da filariose e o
Taenicrhynchus fasciolatus Arr. transmissor do
— 391 —
dengue, uma febre. Tres especies ao menos vivem
quando jovens, não só na agua estagnada mas tam-
qem nos liquidos das Br omeliaceas, Ericauliaceas,
Araceas. e Typha dominguensis etc. : a Myzomia
lutzi, Culex pleustriatus Theo. e C. secutor Theo.
Não é aqui o logar proprio para entrar no es-
tudo detido desses animaes; seja, comtudo, ainda
referido que Wettstein (1) p. 23 descobrio tambem
larvas de Anopheles no liquido de bromeliaceas
perto do Cubatão.
A esta companhia terrivel associam-se em gran-
de numero outros hematophogos insectos que fazem
jis a uma menção pelo seu apparecimento frequen-
te e incommodo. Mosquitos, ou antes « pernilon-
gos» como são chamados no paiz, são communs nas
ilhas arborisadas e à beira dos mangues, mas não
se vêem no interior destes.
Pode-se dizer o mesmo dos borrachudos Szmu-
lium pertinax Kollar (Fam. Simulidæ), tão nume-
rosos principalmente nas mattas dos arredores, nas
proximidades dos arroios, que näo deixaram de tor-
nar penosas minhas excursões para colleccionar
plantas e insectos. Mostram actividade sobretudo
durante o dia, tempo em que são por demais im-
portunos. Tambem a sua picada produz um pru-
rido assaz desagradavel e deixa de cada vez sob a
pelle uma pequena gotia de sangue, que permanece
visivel por semanas e até mezes. Estas moscazinhas
negras são tão avidas de sangue humano que, uma
vez fixadas, a sugar, não largam mesmo quando sub-
mergidas na agua.
Em parte alguma se está garantido contra
diversas especies de mutucas, que, graças à rapidez
de seu vôo, acompanham a canôa por toda a parte.
Uma das mais communs e importunas é a Ære-
phopsis penicillata, que tem quasi 2 cm. de com-
primento, de cor escura e azas ennegrecidas. Têm
estes animaes uma tromba bastante longa e picam,
quando se lhes dá tempo, mesmo atravez da roupa,
e alias muito dolorosamente !
— 392 —
Quanto a borboletas notaveis, quando se na-
vega no Mogy-Velho, vêem-se com frequencia es-
pecies de Morpho e Papilio. Observei certa vez:
um pequeno Sphingideo — Aellopus fadus Gram.
que se divertia, exactamente à maneira de certos Li-
bellulideos, em espirrar agua com a extremidade:
do abdomen. A faixa abdominal, larga, branca,
desse animal não permittia engano.
Procurar-se-iam debalde no citado ribeirão Dy-
fisideos, Syrinideos e Hydrophylideos bem como
percevejos aquaticos, por causa do sal que contem.
Dos ultimos só existem Hydrobattideos que, em lo-
gares protegidos e socegados, são vistos saltar so-
bre a superficie liquida, em sociedade. : Nunca en-
contrei tambem larvas dos Lihellulideos, lavadeiras,
si bem que o insecto é commummente encontrado.
em varias especies.
As visitas de insectos às flores dos mangues,
foram sempre em numero limitado. Notei com mais
frequencia a Trigona amalthea Ol. e de vez em
quando uma Vespa social ou pequenos Dipteros.
As vezes passava um zangdo zangarreando. Vi as pe-
talas das flores comidas por uma formiga, a Acro-
myrmex mesonotalis Em.
Outras formigas, como a Pseudomyrma e a
Creinatogaster, encontram-se não raro à beira dos
mangues sobre arbustos de mangues legitimos, nos
quaes fizeram os seus ninhos algures, em algum
ramozinho onde as marés não vão perturbal-as. Da
mesma forma verifiquei a existencia nos mangues
genuinos, dos ninhos grandes, descobertos, de uma
termite arboricola, a Hutermes sp.
Em um arbusto que vicejava em agua forte-
mente salobra, achei, não longe da Estação de Pias-
saguéra, uma especie nova de Coccideo, uma lcerya,
que o Sr. Hlempel, especialista de entomologia e
conhecedor de Coccideos, me dedicou. (29) p. 197.
Um outro piolho vegetal o Ceroplastes grandis
Hemp., vive na Laguncularia racemosa, notando-
se que não nas folhas mas no lenho. Chamaram-me
a attenção, na passagem, os envolucros brancos de
— 393 —
piolhos de vegetaes masculinos, localisados em grande
quantidade na parte superior das folhas, e, após
breve pesquiza encontrei duas ©, e em subsequen-
tes excursões muitos outros. E’ um piolho de ve-
getaes de grande porte, que méde 15X 1,2 cm.
tendo quasi 1 cm. de altura o que lhe da uma ac-
centuada fórma convexa. Tambem em outras loca-
lidades é este um dos Coccileos mais vulgares, por
exemplo perto de S. Paulo, na Psidium guayava
Raddi. A cor é branca, muitas vezes avermelhada.
Venha em primeiro logar, na fiada dos legi-
timos insectos do mangue, o Culicoides maruim
Lutz. (Fam. Chironomidae ), porque são os peores
atormentadores logo que se penetra no territorio des
pantanos. Sua verdadeira designação popular é ma-
ruim, resp. muruim ou mosquitinho do mangue, e
não como muita gente de Santos os chama erronea-
mente mosquito polvora ou mosquito de polvora.
Estas duas denominações se empregam, consoante
uma communicação do Sr. Dr. Lutz, apenas em
relação às especies não marinhas. Trata-se aqui
de um diptero exiguo, tão pequeno que exige uma
vista aguda para se distinguir. Não obstante con-
stitúe elle um odiosc flagello, ao menos para quem
ainda não se habituou ás suas picadas peores do
que as de qualquer outro insecto sugador de san-
gue do meu conhecimento.
Ellas produzem um prurido tão insupportavel que
dá vontade de se livrar pela fuga de taes diminutos
algozes, e deixam borbulhas visiveis em alguns dn.
rante horas e até dias. Encontram-se assim no verão
como no inverno, e nos annos que lhes são mais
propícios surgem em multidões tão desmarcadas,
segundo coutam, que os pescadores alimentam nas
canôas fogueiras com madeira que desprende cheiro
activo, ou então, como meio de defesa durante o tra-
balho, envolvem apezar do calor o mais possivel o
rosto e as mãos com pannos. Relata ainda o Dr.
Lutz que por vezes é tão immensc o seu numero
que a população de algumas localidades lançam mão
do expediente de as abandonar durante o periodo
— 394 —
peor. Felizmente a área infestada é limitada e não
são tanto de temer sobre a agua quando se está um
tanto afastado de terra, bem como a certa distancia
dos mangues. Mas tanto que se desembarca e se pisa
o chão lodoso dos mangues, trava-se immediato co-
nhecimente com elle. São molestos como os mosqui- |
tos, e uma vez assentados, podem ser presos sem mais
com a pinça, sem pensarem em se evadir, ainda
mesmo quando são -tocados imprudentemente. São
tão delicados que não se pode empregar a pinça
afim de obte-los para fins scientificos, mas se torna
preciso virar sobre elles um vidrozmho com alcool,
pelo qual são levados ao interior do vaso. Mas
isso logo, pois depois que iniciam a sucção, não
largam tão facilmente ainda mesmo no alcool. Gu
então, como por outros é reco nmendado, passa-se
sobre elles um pincel humedecido. Posso eu con-
firmar que os mosquitos do mangue affluem em
maior numero na lua cheia ou nova. A causa disso
poderá ser a maré cheia mais forte nas mudanças
de lua, pela qual esses animaes, que andam geral-
mente no chão, são afugentados e obrigados à voe-
jar mais do que o costume. Parece confirmal-o a
c:rcumistancia de ser atacado pelos inaruins quando
se navega no meio da agua, longe de terra, justa-
mente sobre ilhas alagadiças não attingidas pelas
marês communs mas que as fortes submergem. Se-
gundo o Dr. Lutz os maruins se desenvolvem pro-
vavelmente em agua marinha na vasa dos pantanos.
Diz elle ainda que, além dos homens, atacam ainda
os animaes domesticos de elevado porte e tambem
passaros e outros animaes pequenos e que elles in-
commodam sobretudo nas horas crepusculares e
nocturnas. Eu mesmo fui por elles atacado à noite
na rêde, e só ao refrescar a manhã desappareceram
os pequenos algozes.
Quanto a outros dipteros genuinos dos man-
gues, recorro ainda ds noticias dadas pelo já citado
naturalista, as quaes, si bem se refiram aos man-
gues existentes perto do Rio de Janeiro, podem va-
ler tambem em relação aos de Santos, isto é que,
— 999 —
como já foi relatado, de passagem, diversas especies,
como Chironomideos, Psychodideos e numerosas
outras moscas, notadamente os Phorideos, habitam
os buracos de varios caranguejos, e em parte se
desenvolvem nos alimentos por elles encelleirados ;
que o Culicoides reticulatus Lutz, mora exclusiva-
mente nas tocas do Cardisoma guanhum: Latr. e
que nestas ultimas se encontram com certa regula-
ridade duas especies de mosquitcs, o Culex corni-
ger Theob. e C. ( Culicelsa ) taeniorynchus, e final-
mente que elle descobriu, sob crostas de lama e al-
gas, larvas marinhas de uma JSorcipomyra e de
duas Ceratopogon.
Um Coccideo, piolho do mangue, vive na Lhi-
zophora mangle. Chama-se elle Mesolecaniuin rhi-
zophorae e foi descripto por Cockerell (21), p. 501
por »m exemplar unico encontrado perto de Cuba:
tão. Mede este animal 3 112 X 3 mm. Procurei-o
debalde por muito tempo até que um dia o achei
em grande numero por ter tido a attenção desper-
tada, em Novembro de 1913, perto de Piassaguéra,
por uma coberta densa, parda, na face superior das
folhas da Laguncularia racemosa. Os animaes,
emquanto jovens, juntavam-se por toda a parte na
face inferior das folhas, emquanto que os desenvol-
vidos ficavam principalmente embaixo, junto às ner-
vuras e tambem, muito isolados, na face superior.
Têm elles de diametro 2 mm. sómente, são arre-
dondados, pouco convexos, de cor parda e brilhan-
te. Quanto à coberta acima referida parda, quasi
negra, trata-se de um cogumelo, o fumagina, que,
como se sabe, gosta das plantas habitadas por pio-
lhos de vegetaes.
Além do Mezolecaniwm rhizophoræ vive no
mangue um outro piclho de vegetal, o Ceroplastes
riuzophoreée Hemp. (29), p. 201. O seu diametro
é de 9 mm., com 1 cm. de altura. E' branco. Só en-
contrei até agora uma unica Z, a saber nas extremi-
dades turgidas dos ramos da Rhizophora mangle.
Ainda desta vez fui guiado pelos & & fixados isolados
Du em pequeno numero na pagina dorsal das folhas.
— 396 —
Das galhas empoladas frequentemente encontra-
das nas folhas de Avicennia tomentosa, criei um
ácaro e uma larva de um coleoptero, cada qual em
um exemplar. Verosimilmente, porém, pertencem
as galhas ao ácaro.
E” possivel tomarmos em consideração tambem
dous lepidopteros. Não conheço a imagem de um
delles, encontrei entretanto os seus casulos muitas
vezes, presos firmemente em ramos da Rhizophora
e da Laguncularia. São casulos longos arredon-
dados, consistentes, de côr esbranquiçada e com mais
de 2 X 11/2 cm., de diametro, muito similhantes aos
construidos por nm Lamacodideo, a Sibina ar-
gentata Walk.
Da outra especie uma borboleta minuscula, cul-
tivei diversos exemplares num broto de Laguncu-
laria racemosa.
Refira-se finalmente uma larva de bezouro que
encontrei, representada por um exemplar, nos tócos
apodrecidos de um arbusto de mangue. Lamento
não poder indicar a que familia pertence o animal.
Outros enimaes inferiores
Lembrarei para terminar diversos animaes in-
significantes, mas não obstante interessantes que
vivem nas aguas dos mangues.
Avistei-me com uma ou duas especies de me-
dusas, notando se que aos milhares e milhões, prin-
cipalmente no verão e no largo do Caneú. Não
me foi dado conseguir a sua denominação scientifica.
Da mesma forma no larzo do Caneú encontra-
se um polvo (Cephalopoda) Loligo brasiliensis Bl.
Esse animal é esbranquiçado e densamente coberto
de manchas maiores ou menores, violetas, juntando-se
muitas vezes. Tem 8 braços e dous tentaculos
longos na parte posterior do corpo, lateralmente,
encontram-se duas nadadeiras largas, arredondadas,
triangulares. . Pertence aos Decapodos e à familia
dos Myopsideos. Com seus olhos volumosos, hirtos,
causa elle uma impressão singular. Chamam-lhe os
UT
pescadores «mãe de camarão » ou «luta» ou «ca-
lamar». Os nossos exempiares apanhados no mangue
attingem o comprimento de 10 cm.
. Nessas mesmas aguas apparece ainda frequen-
tes vezes uma estrella do mar de cinco raios, me-
dindo até 7 cm., avermelhado.
Ha mais uma formação notavel, com o aspe-
cto de cogumelo, de chapéo, com 6 X 7 cm. de
diametro, cor azul arroxeada, forma chata, renifor-
me, e com um pedicello de 1 1/2 em., na face ven-
tral, no recorte. EK’ um Celenterado parasito do
mar, Renilla renformis Poll., pertencente à fami-
lia dos Pennatulideos. A cor destes animaes se
conserva notavelmente bem no alcool, e decorridos
tres annos parece ainda tão fresca como si elles
acabassem de ser pescados.
Alem disso vêem-se em madeirame, ramos etc,
boiantes na agua uma creatura especial, de rija
conformação mais semelhante a um vegetal, a sa-
ber a uma alga marinha do que mesmo a um ani
mal, um Hydr opolypo (mn. 4,) talvez Obelia sp.
pertencente à familia dos Æucopideos. Os tufos
com 40 cm., de altura, variadamente repartidos,
cujas ramificações finas, filiformes são munidas de
rainusculos accessorios muito curtos, dispostos es-
paçadamente dos lados, têm uma bonita apparencia
ao menos no alcool, emquanto que passam quasi
despercebidos quando em liberdade por causa de sua
coloração suja. Deparam-se muitas vezes nesse ani-
mal germens de Mytilus e de Modiolus. Elle vive
tambem na agua marinha pura.
Os Vermes fornecem tres especies. Uma del-
las é um Nereideo (n. 546) com orgams natato-
rios numerosos, lateraes, formados de cordas, que
encontrei uma vez sobre a casca de um tronco de
arvore immerso na agua mas que a vasante deixa-
va livre, muito mais commum, todavia no rio Mo-
gy velho em occasiões de maré baixa na lama da
qual se tinha retirado a agua. Estes animaes ora
são avermelhados, ora amarellados, ora têm um
mixto das duas cores. Na vasilha nadam com sin-
— 398 —
gulares movimentos serpenteantes, e só então é que
se percebem os organs de propulsão que elles, tanta
que se vêm fora da agua, juntam muito ao corpo
de modo a escaparem à vista. |
De uma outra especie de Nerevleo (N. 545),
foi apanhado um exemplar entre as cascas do Ba-
lanus eburneus.
A terceira especie, que, como já foi relatado,
parasita frequentemente nos siris adultos, é negra.
ápoda, se nelhantes a bichas e atingem, completado
e desenvolvimento, apenas 20 mm. de comprimento,
e é bom seja registada aqui ais uma vez.
Lista dos animaes santenses, encontrados regularmente
só nos mangues ou em logares semelhantes
MoLLUSCA
1. Liltorina angulifera | am.
2. acodes pectinatus Gm.
3. Ostrea parasitica Gm.
4. ? Tagelus gibbus Spgir.
CRUSTACEA
O Aratus pisoni M. Edw.
6. Cardisoma guanhumi Latr.
7. Goniopsis cruentata Latr.
N. Metasesarma rubripes Rathb.
9. (Edipleura cordata L.
10. Pachygrapsus gracilis Sauss.
11. Panopeus limosus Say.
12 » herbstii M. Edw.
19: » crassus M. Edw.
ee » americanus Ben et Rathb.
15. Sesarina recta Rand.
16. » augustipes Dana.
17. Uca leptodactyla Ratb.
18. » uruguayensis Nob.
a: » mordax Smith. (?vocator Ubst. }
29,
30.
— 399 —
Balanus eburneus A. Gould.
Kalliapseudes ? (N. 518.)
Bicho de conta (N. 489.) ( Isopoda. )
Dito. GNI 407%)
INSECTA
Um coleoptero, no pau dos arbustos de
mangue.
Um microlepidoptero em excrescencia de
Laguncularia racemosa.
Um diptero, Culicoides maruim Lutz.
Os seguintes Coccideos :
Ceroplastes rhizophoræ Hemp.
? leerya laederwaldti Hemp.
Mesolecanium rhizophore Cock.
ARACHNIDEA
Um äcaro em galha de Avicennia tomen-
losa.
VERMES
Duas especies de Nereideos.
Outros animaes encontrados no mangue brasileiro,
ou em logares semelhantes
AVES
Aramides mangle L., Rio — Bahia, (12), p. 28.
MoLLUSCA
Melampus cofeus L., Conceição de Itanhaem.
Lucina jamarcensis Lam., Jgnape, (19) p. 161.
Mytilus strigatus Haul., Rio.
CRUSTACEA
Callinectes exasperatus Gerst., Rio, (26) p. 31.
Uca moracoant Latr., Ilha de Sao Sebastião,
— 400 —
(19) p. 157, Rio, (26) p. 31. ( Segundo
Rathbun (30) p. 379, habita do Rio até
Cayenna).
Uca heterochelos Lam., Brasil, (30) p. 382.
Uca pugnax rapax Sm., Pernambuco, Bahia
etc. (80) p. 397.
Uca stenodactylus M. Edw. et Lue.. Brazil
(30) p. 416.
Sesarma curacaoense de Man., Bahia (30) p.
293.
Sesarma mrersii Ratb., Cabedeilo, Rio, Des-
terro, (30) p. 303. ;
Pachygrapsus transversus Gibb., Segundo Ra-
thbun, (50) p. 244, tambem em mangues.
A especie é muito commum nas costas
rochosas de Santos na quebrança; mas
nunca a encontrei no mangue, nem de San-
tos, nem de Conceição de Itanhaem etc.
INSECTA
Um microlepidoptero, um minador de foihas em
Rhizophora mangle, encontrado no norte
do Brasil
Os seguintes dipteros :
Culicoides reticulatus Lutz, Rio (26) p. 19.
Culicoides maruim, Rio.
Culex cormiger. Theob., Rio, (26) p. 19.
Culex teeniorrynchus, Rio, (26), p. 19.
Ceratopogon, 2 especies, Rio, (26) p. 19.
Forsipomyia sp., Rio, (26) p. 19.
Diversos Chironomideos, Psychodideos e Pho-
videos; Rio, (26).
Sambaquis
Faça:se neste ponto ao menos uma breve re-
ferencia aos «.sambaquis » ou «ostreiras » que não
raro se encontram nos mangues de Santos. Hoje
já se procuraram provavelmente em todos thesouros
prehistoricos e acham-se mais ou menos destruidos,
— 461 —
pois antigamente se empregavam muito as conchas
para o preparo da cal.
Os sambaquis compõem-se, ou puramente de
cascas de ostras ou destas misturadas com as con-
chas de outros molluscos. Um sambaqui que se
acha em terras de Bertrand é constituido quasi que
completamente de Phaeordes pectinatus.
Quanto à litteratura sobre os mangues v. adeante
os ns. 22 e 23 da bibliographia.
Addendo
Para finalisar seja-me permittido dedicar algu-
mas palavras ao meu compatriota Sr. José Bertrand.
Mora elle alli ha já 15 annos e é por assim dizer
um elemento dos proprios mangues. Devo-lhe não
poucas explicações sobre a flora e fauna local e foi
meu guia no começo em quanto eu mal conhecia a
região em que facilmente se póde perder um ex-
tranho.
Nascido na Saxonia e educado na Polonia russa
emigrou para o Brasil ainda joven, aportando final-
mente, depois de varias peregrinações, em Piassa-
guéra, onde se dedica à cultura de bananas e tra-
balha para o cortume, isto é, fornece ao mesmo
folhas para o preparo de couros e material com-
bustivel.
E" um homem de constituição ferrea que, com
a tez morena pela acção das intemperies. dá uma
impressão de saúde indestructivel. Tambem só a
homens de sua tempera é dado resistir por tempo
prolongado, sem prejuizo da saúde a um tal clima,
empregando-se em trabalhos pesados. Chova em
_torrentes ou arda o sol — eile tem de sahir já para
derrubar arvores, já para colher folhas patinhando
na vasa, em cumprimento das suas obrigações. José,
um robusto rapagão de 15 annos, auxilia diligen-
temente o seu pae nesse labor ao passo que Carc-
lina ajuda a mãe nos serviços domesticos e Maria, a ca-
çulinha, por ora ainda goza a aurea liberdade. Aos
seus cuidados confiam-se apenas os varios animaes
domesticos.
Ti
Proporcionou-me sempre um verdadeiro prazer
compartir a habitação desse homem simples, mesmo.
por amor das creanças, que me encantavam com
sua ingenua expontaneidade e eterna alegria. Além
disto colleccionaram para mim muitos animaesinhos.
satisfeitissimos quando em recompensa receberam
uns tostões. Limitada a sua convivencia, mantêm
ellas perfeita amizade com os cães e gallinhas, com
o gato e com as cabras. Mais tarde juntaram-se a
estes camaradas um porco e diversos coelhos.
Divertiu-me em extremo uma cutia, Dasypro-
cta aguti L. que se criava em casa. O animalzinho,
de extraordinaria mansidão, tinha modos encantado-
res e mantinha boa amizade com o cachorro e o
gato. E' verdade que não gostava que o agarrassem,
mas uma vez seguro, apezar de se agitar, nunca
tratou de fazer uso dos seus dentes agudos de roe-
dor. mesmo quando se tratava de um extranno. A
unica cousa que o indignava devéras era quando se
alisava o seu pêllo cerdoso ao arrepio, das ancas
para a frente. Ao comer gostava de se assentar di-
reito tomando o alimento, como os esquilos, com as
duas mãos. Depois de ter estado, ainda muito novo,
junto dos coelhinhcs, deram-lhe, passado algum tem-
po, uma certa liberdade. Entrava e sahia, demo-
rava se quasi sempre dia e noite no matto ou nas
plantações. Entretanto apparecia em casa com certa
regularidade à hora do almoço, mais ou menos às
9 horas, afim de tomar café com um pedacinho de
pão. Quando era chamado geraimente se chegava
sem demora.
A casa é de construcção muito simples. Parte
coberta de sapé, parte de folha de zinco, formam-
lhe as p:redes varas, ou estipes de palmeiras rachados,
as qu?es são forradas internamente de panno de
saccos e de papel. Não ha asscalho. Naturalmente
penetravain pelos intersticios toda a especie de hos-
pedes intrusos, como sejam cobras, escorpiôes, sapos,
aranbas e lagartas venenosas, e eu achava por esse
motivo prudente todas as manhãs, antes de calçar
as botinas, examinal-as bem a ver si azaso algum
we AOR ri
desses pequenos entes nem sempre inoffensivos não
as teria escolhido para seu domicilio.
Passei noites assaz agradaveis na cabana de José,
e, estirado na sua rêde, escutava com especial agrado
as variadas vozes de animaes que se faziam ouvir
20 cahir da tarde e à noite.
Ouviam-se no crepusculo com certa regulari-
dade o canto de numerosos urús que vinham das
montanhas. Para mim era elle, no tempo das chu-
vas, um signal tranquillisador de que no dia segninte
reinaria bom tempo, apezar de falharem não poucas
vezes as prophecias dessas aves, erro em que tam-
bem incorriam frequentes vezes quando annunciavam
chuva para o dia que nascia, por meio do seu suave
« uruc uruc uruc uruc»!
A’s vezes soava das mattas o grito de uma co-
ruja grande ou © « hululululululu » melodico de uma
outra ave nocturna, provavelmente tambem alguma
coruja. Os mais barulhentos eram, entretanto, nos
dias quentes de chuva, os sapos. O mais commum
era uma ran das moitas verde, Phyllomedusa sp.
que procura especialinente as folhas das bananeiras.
Uma consonancia de cem vozes grasnadas, continuas
desse pequeno caçador de moscas de pelle niia es-
palhava-se no ar abafando todos os outros sons, que
mal se distinguiam. De repente, como por combi-
nação, emmudece tudo. Entra a reinar um silencio
sepulchral. Como que vinda de um outro mundo
chega agora ao ouvido a voz singularmente capri-
citante de uma outra ran das moitas. Ao mesmo
tempo resoa ao longe a voz isolada da untanha mor-
daz, a Ceratophrys dorsata Wied. emquanto que do
fundo do estreito rego de agua que circunda a
morada como protecção contra as formigas, sdbe
abafado o hup hup hup de um Leptodactylus ou
outros surdos gorgolejos.
Ao lusco fusco da manhã bem como nas ho-
ras crepusculares as saracuras elevam o seu canto
como um alarme, ovo João Velho de topete ama-
rello, Celeus flarescens (Gm. me despertava com o
seu agudo pio de sons combinados. Mais exito
— 404 —
ainda obtinha neste ponto uma saracura de um pal-
mo mais ou menos de comprimento Cresciscus me-
lanophaius, cujo canto relativamente muito forte,
vibrante, soava subitamente rente com a casa num
rego entrançado do vegetaes, semelhante a um des-
pertador que dispara — « trrrrrrrr ».
Da casa se cuvia ainda o surdo coaxar de alguns
sapos ou o estridular com intervallos certos e re-
gulares de nm par de grillos que se correspondiam.
Prestei tambem muitas vezes attenção à noite,
à escala de um Caprimulgideo, o urutäu. Nycte-
bius sp., de vez em quando muito perto da casa
sobretudo nos mezes de Outubro e Novembro, que
presumo ser a época da criação. Compôe-se ella de
extranhos pios docemente queixosos com cinco
a sete tons decrescentes. Não posso deixar de re-
lembrar aqui uma cigarra grande que quasi me
atordoou no mez de Dezembro alteiando a sua voz
estridente uma vez no crepusculo da tarde durante
cerca de uma hora e outra vez, pela manhã, durante
meia hora.
Uma vez ou outra penetrava um vampiro ou
outro morcego pelos vãos das paredes nos aposentos
sem causar maior incormodo. Em compensação
fazia-se mistér acautelar contra aquelles o gallinheiro,
pois elles, ao menos na estação fria, em que raros
insectos apparecem, procuram atacar as aves e muitas
vezes lhes sugam tanto sangue que ellas perecem.
Tambem no chiqueiro julgou-se de bom conselho:
um fecho de arame para protecção dos inquilinos
contra taes malfeitores. Ninguem ignora que os
vampiros fartam e dovoram fructos, como tambem
por exemplo a nespera japoneza, Æribotrya japonica.
Foi aqui, porém, que o fiquei conhecendo como apre-
ciador de bananas. Muitas vezes iam aos cachos
dependurados fora para amadurecerem e devoravam
mais de um dos fructos, dos quaes deixavam só as
cascas. De passagem se diga que os damnos cau-
sados aos bananaes pelos passaros etc., é diminuto,
visto como as bananas são colhidas antes da matu-
ração, e nesse estado raros animaes as comem.
— 405 —
Além destes sugadores de sangue perambulam
outros larapios à noite nas vizinhanças, e lhes é
tanto mais facil chegar ao pequeno estabelecimento
quanto elle se acha junto 30 matto. Gambis, gatos
do matto © uma especie de fuinha, o furão, Galictis
vittata Screb. são communs e todos eximios la-
drões de gallinhas.
Os mosquitos nunca me atormentaram em casa,
ao menos no invérno, apezar de pullularem no matto,
ao envez do que se da em: S. Paulo, onde mesmo
de dia nao nos deixam em socego esses pequenos
flagellos.
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Coceidos ». Kev. do Museu Paulista, T. X, 1918,
pag. 195 - 208.
Mary J. Rathbun « The Grapsoid Crabs of America >».
Smithsonian Institution, Un. Stat. Nat. Mas. Bull.
97,1917 pag. 1-461.
INDICE
INTRODUCCAOMES SALE SAT NE TRS ET
Generalidades e a flora junto 4 estrada de ferro San-
tos == Piassacnéra:. LT. "bots ied, PESA Siva
O rio Mogy Velho e a sua flora. . . . . . . .
Os ‘mangues je \a(sua foras. Me Lee nee
Asmilhãs: oh ire Trago, 9 CRAN aed EEE
Retrospecto das plantas de agua salobra ou salgada
observadas” EU, DE ay CES CESR RES
Lista das plantas habituadas à agua solobra e que se
encontram ao alcance das fortes marés . .
AMfama dos mangues: ee shoe wise ce) RR
Mamniferos Ab 2, Ma ri DR ER aA kre NT
ASSVAVER + to Ne Ma Ra ME Soom tet) OP Da AMEN RE
Amimaestrasteiros Ps, 20 PAR a Gage ee) NEENURr
Peixes), = PAY eue COF LUE ieee CR a
Pardeves ler conches CO cows ee Votes a on ee eee caer
Crustáceos, Er) MN dels eee ok ent) ee
Pusectos ao ries, Mus! des Frac eee eee
Outros. animaes, Infertorós a Net, LC eae
Lista de animaes, encontrados na visinhança de San-
tos, presumivelmente genuincs de mangues
D AD DAS hs ce à pute gula (e Ro ek ae AU
PD END O: Wee ern ot Mes ve Saute MNT
BIRCIOGRE PRISES RE, SU E A Sn Te
CASCUDOS BRAZILEIROS DO GENERO
PLECOSTOMUS
DORNTES EE PAO LIS az:
PRO —
DR. 3. TREADWELL NICHOLS
Ichtyologo do American Museum of Natural History
T4
Hit fi
“Caseudos * brazileiros do genero PLECOSTOMUS do Museu Paulista
POR
JOHN TREADWELL NICHOLS
Duranté a sua permanencia no Brazil, de 1917
a 1918, o Dr. Charles R. Eastman visitou o Mu-
seu Paulista em São Paulo, e arranjou que uma
collecção de peixes de agua doce fosse remettida de
là para ser estudada no American Museum of Na-
tural History. Esta collecçäo continha muitos « cas-
cudos », sessenta e cinco dos quaes pódem ser re-
feridos ao genero Plecostomus. Estes representam
dez especies, das quaes tres parecem rão ser des-
criptas. A presente analyse deste material segue a
monographia dos Loricaridiido (1), de Regan.
Plecostomus guacari ( Lacépéde )
Dois exemplares de 6 -» pollegadas ( 162 mm. )
api -- pollegadas ( 169 mm.) de comprimento até
a base da nadadeira caudal, do Estado do Mara-
nhão, dez «e + pollegadas (31 mm.) a 5 —- pol-
legadas (137 mm.), do Estado de São Paulo,
um de 4 = pollegadas (112 mm.) do Estado do
Rio Grande do Sul. Alguns dos exemplares de &.
Paulo têm a nadadeira adiposa mais separada da
caudal, estando a sua distancia daquella nadadeira
mais ou menos egual ao seu comprimento, sendo
neste caracter, semelhante ao comimersont, o que,
entretanto, não se dá com todo o material.
(1) Trans. Zooi. Soc. London, 1903. XVII, pgs. 191
— 350.
— 412 —
Nenhuma cor fica na maior parte do nosso
material. Todo o material adapta-se a Plecostomus
guacari, como diagnosticado por Regar na sua
monographia da familia, com a distribuição mais
para o norte, e não polemos identifical-o com ne-
nhuma das especies descriptas posteriormente, com
a possivel excepção de P. pusarum, ac qual é. pelo
menes muito affim. "Temos 4 nossa disposição para
comparação, diversos exemplares do P. pusarum
Starks, cutypos. Esta especie é descripta como
possuindo grandes escamas abdominaes granulosas,
mas ellas são de egual tamanho daquellas do ma-
terial que chamamos guacari, e em um pequeno
pusaruin, do mesmo tamanho do nosso pequeno
quacari com escamas abdominaes, faltam taes esca-
mas. O material do pusarum, todavia differe um
pouco, mas de modo constinte, do nosso guacara,
em uma nadadeira dorsal um pouco maior, a qual
estende-se mais para traz em relação à nadadeira
adiposa quando deprimida. Como aqui entendido,
então guacar: è uma forma variavel de larga dis-
tribuição, que pôde compor-se de um numero de
castas ou possivelmente especies, mas, quanto O
nosso material, não é possivel reconbecer ou descre-
ver estas formas.
Plecostomus variipictus (von Lhering )
Eu colloco aqui um exemplar 7 1/2 polle-
gadas ( 187 mm.) até a base da nadadeira cadual,
do Estado da Bahia, um outro do mesmo tamanho,
e dois de 5 pollegadas ( 25 mm. ), do Estado des.
Paulo Estes peixes têm a carreira superior de
placas osseas e a carreira inferior, entre a nada-
deira pectoral e a ventral, com angulos, sem serem
ellas verdadeiramente carenadas. O exemplar da
Ba ia tem 28 placas osseas, e os outros têm 27.
O primeiro perdeu toda a côr, dois dos outros mos-
tram signaes brancos, mais ou menos vermiculados,
no dorso. Ha uma unica placa atraz do supraocci-
pitai, e nos dois exemplares maivres, a margem
posterior do supraoccipital é quasi recta, apenas re-
— 413 —
cortando um pouco no centro a placa atraz de si,
uma cocdição differente daquella mostrada pelas es-
pecies alliadas de Plecostomus. Ta tambem um
exemplrar de 4 + pollegadas (112 mm.) do Es-
tado de Minas Geraes, do qual damos uma descri-
pção, visto existir alguma duvida si este material
pode ser propriamente collocado em varcipictus.
Comprimento até a base da nadadeira caudal
114 mm.; a cabeça contida 2,9 vezes nesta medida ;
altura 5,0 vezes; focinho 1,7 vezes na cabeça; es-
paço interorbital 2,7 ; primeiro raio dorsal 1,0; es-
pinho pectoral 1,2: nadadeira ventral 1,4; adiposa
9,1; olho 5,) vezes; ramo mandibular 2,5 vezes no
espaço interorbital; barba 1,8 no diametro do olho.
A base da nadadeira dorsel é egual à sua distancia
da extremidade do espinho da adiposa ; as pectoraes
extendem-se além da base da ventral; a dorsal
com 8 raios. O supra occipital é orlado posterior-
mente por uma uuica placa ossea ; as placas osseas
sem carenas ( com excepção de uma fraca indicação
dellas na caveira superior ) 28 em uma série lon-
gitudinal ; os bordos orbital e supraoccipital um
pouco levantados. O abdomen é nú com excepção
de escamas diminutas granulosas no seu centro e
entre as nadadeiras pectoraes; focinho convexo e
algum tanto agudo. A nadadeira dorsal com man-
chas brancas dispostas mais ou menos em cintas.
Plecostomus brevis, especie nova
Typo collecionado no Estado de S. Paulo; N.
7.100; American Museum of Natural Jlistory. Com-
primento até a base da nadadeira caudal 74 mm.;
cabeça contida. 2,6 vezes nesta medida ; altura, 4,5
vezes; focinho 1,9 na cabeça: olho 6,2 ; espaço in-
terorbital 2,5; largura da cabeça 1,2; a sua altura
1,6; o primeiro raio dorsal 1,0; espinho pectoral
1,0; ventral 1,6 vezes; altura do pedunculo 3,5;
o espinho da adiposa 5,0; ramo mandibular 3,0 no
espaço interorbital ; barba 1,5 no diametro do olho ;
a base da dorsal egual a sua distancia de extremi-
— 414 —
dade da adiposa ; a pectoral estende-se além da base
da ventral, 25 placas osseas em uma série longitu-
dinal; algumas das placas osseas com carenas muito
fracas; a superficie abdominal inteiramente sem es-
camas; o supraoccipital orlado posteriormente com
uma unica placa ossea; o supraoccipital convexo,
quasi angular, o bordo orbital um pouco levantado ;
pequenas manchas escuras nas nadadeiras dorsaes
pectoraes e ventraes, de outro modo sem signaes.
A especie é notavel por ser o seu corpo muito curto.
Ha apenas o typo.
Plecostomus commersonii ( Cuvier
& Valenciennes)
Dois exemplares de 4 > a 7 pollegadas (142
mm. a 175 mm ) de comprimento até a base da
nadadeira caudal, do Estado de Santa Catharina,
dos seus dados de 4 a 6 pollegadis ( 100 a 150 mm. )
e tres de 6 a 7 polegadas (150 a 175 mm.) do
Estado de Minas Geraes.
Os ultimos são intermedios proximos ao Ple-
costomus punclalus, com as carenas das placas os-
seas muito fracas posteriormente, e em um exem-
plar, a base da nadadeira dorsal é apenas egual à
sua distancia da nadadeira adiposa.
Tres pequenos exemplares de 2 + a 2 + polle-
gadas (06 a 62 mm.) de comprimento, do Estado de
São Paulo têm as placas osseas com as carenas muito
fracas, mas o comprimento da base da nadadeira
dorsal é como em ?. comimersoni. Estes têm as
nadadeiras fortemente riscadas com listras escuras.
Plecostomus lacerta, especie nova
O typo N. 7.151, American Museum of Natu-
ral History, é proveniente de Poço Grande ( Estado
de São Paulo), Rio Juquiá, Jan. 1898. Elle tem
67 mm. de comprimento até a base da nadadei-
ra caudal; a cabeça 3,5 vezes naquella medida ;
altura 7,0 vezes: diametro do olho 8,0 na cabeça;
— 415 —
focinho 2,0; altura da cabeça 2,5 no seu compri-
mento ; largura da cabeça 1,6; espaço interorbital
2,6; nadadeira pectoral 1,6; nadadeira ventral 1,8;
altura da nadadeira anal 2,3: primeiro raio dorsal
1,5; lobulo caudal inferior 1,3; espinho da adiposa
4,0 ; ramo mandibular 2,5 vezes no espaçu interor-
bital; barba diminuta. A nadadeira dorsal com 8
raios, a sua base é menos do que a sua distancia
da nadadeira adiposa; o alto da cabeça é chato; o
bordo orbital um pouco levantado; a linha mediana
do focinho um tanto angulada; as placas osseas
atraz do supraoccipital são irregulares, cerca de 5
em contacto com elle; 28 placas osseas em uma
série longitudinal; as carenas faltam; as superfi-
cies inferiores sem escamas. As nadadeiras ven-
traes e a dorsal e anal um tanto pretas perto das
suas extremidades; a nadadeira caudal é um tanto
escura, especialmente na parte distal do lobulo in-
feior; ha uma área incolor, mais ou menos cir-
cular, no centro do lobulo superior; as nadadeiras
pectoraes extendem-se apenas até as ventraes ; a na-
dadeira caudal tem a margem um pouco recortada.
Mais tres exemplares, de 59 a 70 mm. de
comprimento, todos do Estado de São Paulo, con-
formam-se com o typo nos caracteres essenciaes.
Em dois delles o bordo orbital não é levantado.
Elles têm a superficie superior e'as nadadeiras ir-
regularmente marcadas com signaes escuros. A
especie é caracterizada pelas pequenas escamas irre-
gulares atraz do supraoccipital, a caheça chata, um
tanto estreita, barba diminuta, etc.
Plecostomus margaritifer, ( Regan )
Vinte e tres exemplares de 2 a 4 = pollega--
das (50 a 112 mm.) de comprimento até a base
da nadadeira caudal, dos quaes vinte um são do
Estado de São Paulo e dois têm dados que não
podem ser decifrados. A sua terminação como inar-
garitifer em vez de latirostris depende da locali-
dade, e onde se considera o ponto de desapparição
— 416 —
das carenas nas placas osseas. Estas duas especies
são evidentemente muito affins.
Plecostomus macrops, ( Ligenmann &
Eigenmann)
Tres exemplares de 3 1/2 pollegadas ( 87 mm.)
de comprimento até a base da nadadeira caudal, do
Estado de São Paulo.
Plecostomus luetkeni, ( Stendachner )
Dois exemplares com 4 1/4 pollegadas ( 106
mm.) de comprimento atè a base da nadadeira
caudal, do Estado de Santa Catharina. O diametro
do olho é contido 7 em vez de 8 vezes na cabeça ;
uma differença que deve ser esperada do menor ta-
manho dos nossos exemplares do que aquelle que
foi descripto.
Plecostomus scaplyceps, (especie nova)
O typo N. 7152, American Museum of Natural
History, de Cerqueira Cesar ( Estado de São Paulo ),
Dezembro 1896. Elle tem 35:mm. de comprimento até
a base da nadadeira caudal; a cabeça 2,7 vezes em
esta medida; altura 5,6 vezes; o diametro do olho
7,0 na cabeça; focinho 1,7 ; espaço interorbitral 2,2 ;
nadadeira pectoral 1,4; nadadeira ventral 1,5; pri-
meiro raio dorsal 2,0: espinho da nadadeira adiposa
4,2; lobulo candal inferior 1,2 vezes; ramo mandi-
bular 1,4 vezes no espaço interorbital; barba muito
pequena, mais ou menos 1/2 do diametro do olho;
a nadadeira anal muito pequena; o seu comprimento
mais ou menos egual ao diametro do olho. A na:
dadeira dorsal com 8 raios; sua base um pouco
mais comprida do que a sua distancia da nadadeira
adiposa ; a nadadeira caudal um pouco emarginada ;
o lobulo inferior inquestionavelmente o mais com-
prido. Focinho muito largo e arredondado ; o bordo
supraorbital um pouco levantado; o supraoccipital é
orlado posteriormente por uma unica placa ossea ;
— 417 —
as placas osseas sem carenas. Ha poucas manchas
na nadadeira dorsal, ventral e caudal, com a ten-
dencja de formar riscas obliquas e quebradas ou
interruptas ; de outro modo sem manchas. Ha mais
um outro exemplar do mesmo tamanho com os
mesmos dados. Este pequeno peixe suggere. P. Mar-
garitifer na apparencia, e póde ser uma forma
larval deste; mas se assim fôr, elle mostra o con-
trario da tendencia geral de peixes pequenos de
terem os olhos maiores do que os do aduito. As
medidas privcipaes nas quaes um P. margaritifer
de 105 mm. até a base da nadadeira caudal differe
delle, são: cabeça 3,2 no comprimento, diametro do
olho 4,5 na cabeça, espaço interorbital 3,0, primeiro
raio dorsal 1,1, a altura da nadadeira anal quasi o
dobro do olho. Um margaritifer de 61 mm, tem
cabeça 2,7, olho 5,0, espaço interorbital 3,2. pri-
meiro raio dorsal 1,4, altura da nadadeira anal quasi
o dobro do diametro do olho.
Um exemplar de 50 mm. que referimos a P.
scaplyceps, pode representar uma condição inter-
media ou uma terceira especie. () seu focinho é com-
prido, 1,5 na cabeça; a sua cabeça & 2,6 no com-
primento do corpo, o diametro do olho 7 na cabeça,
espaço interorbital 3,0, primeiro raio dorsal 2,0,
altura da nadadeira anal duas vezes o diametro do
olho. Todos estes são do Estado de São Paulo.
Plecostomus wertheimeri (Steindachner)
Q 1 om
Dois exemplares 5 = pollegadas (137 mm.)
de comprimento até a base da nadadeira caudal, do
Estado de Minas Geraes.
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BRAZILIAN CATFISHES OF THE GENUS
Plecostomus
FROM THE MUSEU PAULISTA
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Brazilian Catlishes of the Genus PLECONTOMES,
from the Museu Paulista
BY
JOHN TREADWELL NICHOLS
During his stay in Brazil from 1917 to 1918,
Dr. Charles R. Eastman visited the Museu Paulista
in Säo Paulo, and arranged that a collection of
fresh-water fishes be sent from there for study at
the American Museum of Natural History. This
collection contained many catfishes, sixty-five of
which are referable to the genus Precostomus. These
represent ten species, of which three appear to be
undescribed. The present review of this material
fellows Regan’s monograph of the L: ricariidze. (1).
Plecostomus guacari ( Lacépéde ).
=| vo ES
É > ae = =.
Two especimens 6 5 to 6 + inches long to
base of caudal, from the State of Maranhão ; ten of
1 + to D + inches, from the State of São Paulo.
one 4 = inches from the State of Rio Grande do
Sul. Some of those from São Paulo have the adi-
pose more separated from the caudal, its distance
from that fin being about equal to its length, resem-
bling commersonia in this character, which does
not hold throughout the material, however.
No color remains in most of our material. All
of it fits in Plecostomus guacarz as diagnosed in
Regan’s monograph of the family, with range fur-
ther north, and we can not identify it with any of
the species since described, except possibly P. pusa-
(1). Trans. Zool. Soc. London, 1903, XVII, pp. 191-350.
rum, to which it is at least very close. We have
available for comparison several specimens of 2.
pusarum Starks, cotypes. This species is described
as having large abdominal granular scales, but they
are the same size as those of the material we call
quaçari, and a small pusarum, of the same size as
our small guacari with abdominal scales, lacks such
scales. The pusaruim material rather consistent-
ly differs from our guacarz, however, in a some-
what ampler dorsal which extends further back in
relation to the adipose when depressed. As here
understood, then, guacarz is a widely distributed
variable form, which may consist of a number of
races, or possibly species, but as far as our mate-
rial goes it is not possible to recognize or describe
any such.
Plecostomus variipictus von Ihering.
I place here a specimen ‘7 — inches to base
of caudal from the State of Bahia, another of the
same size, and two of five inches from the State of
São Paulo. These fish have the upper row of
scutes, and the lower one between pectoral and
ventral angled, scarcely keeled. The Baliia speci-
men has 28, the others 27 scutes. The former
has lost ail color, two of the others show more or
less vermiculate white marks on the dorsal. There
is a single plate behind the supraoccipital, and
in the two larger specimens the posterior border of
the supraoccipital is almost straight, merely in-
denting the plate behind it a little in the center, a
condition different from that shown by allied species
of Plecostomus, There is also a specimen of 4 +
inches from the State of Minas Geraes of which we
give a description, as there is some doubt if this
material can be properly placed in varipretus.
Length to base of caudal 114 mm.; head ‘con-
tained 2.9 times in this measure; depth 5.5; snout
1.7 in head; interorbital 2.7; first dorsal ray 1.0;
pectoral spine 1.2; ventral 1.4; adipose 3.7; eye
HE ae
9.0; mandibalar ramus 2.5 in interorbital ; barbel
1.8 in eye. Base of dorsal equal its distance from
tip of adipose spine; pectorals extending past base
of ventral; dorsal with 8 rays. Supraoccipital bor-
dered posteriorly by a singles scute ; scutes without
keels (except for weak indications of same in the
upper row); 28 in longitudinal series ; orbital rims
and supraoccipital somewhat raised. Abdomen naked
except for minute granular scales in its center and
between the pectorals ; snout convex and somewhat
pointed. Dorsal with white spots arranged more
or less in bands.
Plecostomus brevis, new species.
Type collected in the State of São Paulo; N.º
7150; American Museum of Natural History. Length
to base of caudal 74 mm.; head contained 2.6 times
in this measure; depth 45; snout 1.9 in head; eye
6 2; interorbital 25; breadth of head 1.2; itsodepth
1.6; first dorsal ray 1.0; pectoral spine 1,0; ventral
1.6; depth of peduncle 3.5; spine of adipose 5.0;
mandibular ramus 3.0 in interorbital ; barbel 1.5 in
eye; base of the dorsal equal to its distance from the
tip of the adipose; pectoral extending past base of
the ventral; 26 scutes in à longitudinal series ; some
of the scutes with very weak keels; abdominal sur-
faces entirely without scales ; supraoccipital bordered
posteriorly by a single scute ; supraoccipital convex,
almost angular; orbital rim slightly raised; small
dark spots on the dorsal, pectoral and ventral fins ;
otherwise unmarked. The species is notable for its
very short body. There is only the type.
Plecostomus commersonii,
( Cuvier & Valenciennes ).
. 1 =
Two specimens 45 to 7 inches long to base
of caudal from the State of Santa Catharina, two
without data of 4 to G inches, and three of 6 to 7
inches from the State of Minas Geraes.
mou
The latter are intermediate tcwards Plecostomus
punctatus, with keels of scutes very weak posteriorly.
and in one specimen the dorsal base only just equal
its distance from the adipose.
Three small specimens 2 Sto 2% inches in
length from the State of São Paulo have scutes very
weakly keeled but the length of dorsal base as in
P. commersonti. ‘These have the fins strongly
banded with dark.
Plecostomus lacerta, new species.
The type No. 7.151, American Museum of Na-
tural History, is from Poco Grande ( State of São
Paulo), Rio Juquiá, Jan. 1898. It is 67 mm., in
length to base of caudal; head 3.5 in that measure ;
depth 7,0; eye 80 in head ; snout 2.0: depth
of head 2.5 in its length ; breadth of head J .6 ; in-
terorbital 2.6 ; pectoral fin 1.6; ventral fin. L8;
height of anal 2.3; first dorsal ray 1.9; lower
caudal lobe 1.3: adipose spine 4.0: mandibular ra-
mus 2.0 in interorbital; barbel minute. Dorsal with
8 rays, its base less than its distance from the
adipose; top of the head flat; orbital rim slightly
raised; mid-line of snout somewhat augulated; scu-
tes behind supraoccipital irregular, about 5 in con-
tact with it; 28 scutes in a longitudinal series; no
keels ; lower surfaces scaleless. Dorsal, ventrals
and anal more or less blackish towards their tips ;
caudal blackish, especially on the distal portion on
the lower lobe ; a somewhat circular colorless area
in the center of the upper lobe; pectorals barely
reaching ventrals ; caudal slightly emarginate.
Three additional specimens, 55 to 70 mm., in
length, all from the State of Sao Paulo, agree with
the type in essentials. In two of them the orbi-
tal rim is not raised. They have the upper surface
and fins irregularly marked with dusky. The
species is characterized by the small irregular scales
behind the supraoccipital, rather narrow, flat-topped.
head, minute barbel, etc.
— AD de
e
Plecostomus margaritifer Regan.
Twenty-three specimens 2 to 4 1/2 inches in
length to base of caudal, of which twenty-one are
from the State of São Paulo and two without de-
cipherabie data. Their determination as mamrgari-
lier rather than latirostris depends on locality and
where oae considers the vanishing point of keels
on the scutes. These two species are evidently close.
Plecostomns macrops Eigenmann &
Eigenmann.
Three specimens 3 1/2 inches in length to base
of caudal from the State of São Paulo.
Piecostomus luetkeni Steindachner.
Two specimens 4 1/4 inches to base of caudal
from the State of Santa Catharina. The eye is
contained 7 instead of 8 times in the head; a
difference to be expected from the smaller size of
our specimens than the one described.
Plecostomus scaphyceps, new species.
Type N.º 7152, American Museum of Natural
History, from Cerqueira Cezar ( State of São Paulo ),
December, 1896. It is 35 mm. long to base of
caudal; head 2.7 in this measure; depth 5.6; eye
7.0 in head; snout 1.7; interorbital 2.6; breadth
of head 1.2; depth of head 2.2; pectoral fin 1.4;
ventral fin 1.5; first dorsal ray 2.0; adipose spine
4.5; lower caudal lobe 1.2; mandibular ramus 1.4
in interorbital; barbel very small, about 1/2 eye;
anal fin very small; its height about equal to the
diameter of the eye. Dorsal with 8 rays; its base
slightly greater than its distance from the adipose
fin ; caudal slightly emarginate; the lower lobe de-
cidedly the longer. Snout very broad and rounded ;
supraorbital rim slightly raised; supraoccipital bor-
dered posteriorly by a single scute; scutes without
} — 426 —
keels, spinulose; 25 in longitudinal series; lower
surfaces scaleless: A few spots on dorsal, ventral
and caudal, tending to form broken, oblique bands ;
otherwise immaculate. One other specimen of the
same size with the same data. This little fish sug-
gesis P. margaritifer in appearance and may be
a larval form of same; but if so it reverses the
general tendency of young fishes to have larger
eyes than the adult. The principai measurements
in which a P. margaritifer of 105 mm. to. base
of caudal differs from it are head 3.2 in length,
eye 4.5 in head, interorbital 3.9, va dorsal ray
1.1, anal height alas twice eye. À margaritifer
of 61 mm. has head 2. i, eye 9.0, ERA E De
first dorsal ray 1.4, E height almost twice eye.
À specimen of 50 mm. which we refer to P,
scuphyceps. may represent an intermediate condi-
tion, or a third species. Its snout is long, 1.5 in
head. Its head is 2.6 in length, eye 7 in head,
interorbital 3.0, first dorsal ray 2.0, anal height
twice eye. All these are from the State of São
Paulo.
Plecostomus werlheimeri Siendachner.
Two specimens 5 1/2 inches long to base fo
caudal. from the State of Minas Geraes.
LISTA
dos Crustaceos superiores
(THORACOSTRACA) do Museu
Paulista que foram encontrados no
«++ Estado de S. Paulo +++
POR
H. Luederwaldt
NATURALISTA DO MUSEU PAULISTA
ENS)
+? pa o jap. SA,
Ver Tr +
AE DA chet
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Lista dos Crustaceos superiores (Thoracostraca) do
Museu Paulista, que foram encontrados no Estado
de S. Paulo, por H. Luederwaldt, naturalista do
Museu Paulista. (*)
Ordo: Stomatopoda
FAM.: SQUILLIDAE
Lysrosquilla scabricauda Lam.
Ubatuba, Ilha de S. Sebastião.
Chlorodiella dubia M. Edw.
Santos, Iguape, S. Sebastião e Ilha de S.
Sebastião.
Ordo: Decapoda
Sub ord.: Macrura
Fam.: SCYLLARIDAE
Seyllarides aequinoctialis Lund.
Santos. Ilha de S. Sebastiäo.
Fam.: PALINURIDAE
Panulirus argus Latr.
Santos.
FAM.: ALPHEIDAE
Alpheus heterochaelis Say.
Santos, Iguape, Gonceição de Itanhaem,
S. Sebastião e Ilha.
As especies foram determinadas na sua parte maior
por Miss M. Rathbum.
~
+
ù
— 430 —
Alpheus intriseccus S. Bate.
Ilha de S. Sebastiäo.
Alpheus inalleator Dana.
Ilha da Victoria.
FAM.: ATYIDAE
Orlinannia potimirim Fr. Mill.
Iguape, Ilha de S. Sebastião.
Fam.: PALAEMONIDAE
Macrobrachium acanthurus Wiegm.
S. Paulo, Iguape, S. Sebastião e Ilha,
Ubatuba, Santos, Villa Olympia.
Macrobrachium theringi Ortm.
Sorocaba, S. Paulo, Perus, Belém, S. Pau-
Jo: Alto da Serra.
Macrobrachiwm jamaicense Ubst.
S. Sebastião e Ilha, Perús, Ubatuba, San-
tos, Conceição de Itanhaem. S. Paulo.
Macrobrachium natterer: Hell.
Itapura, Jaboticabal, S. Paulo, S. Paulo:
Raiz da Serra.
Macrobrachium olfers: Wiegm.
Icuape, Santos, Sorocaba, Ilha de S. Se-
bastião.
Microbrachinm potinua Fr. Mill.
S. Paulo: Alto da Serra, Santos.
Palaemon paulensis Ortm.
S. Sebastiäo.
Palaemon potitinga Ortm.
Santos.
Fam.: PENARIDAE
Penaeus brasiliensis Latr.
Santos, S. Sebastião e Ilha.
Penaeus setiferus L.
Santos, Iguape.
Xiphopeneus Krüyeri Hell.
Santos, Ubatuba.
20.
ai.
SG —
Sicyonia carinata Oliv.
S. Sebastião e Ilha.
Sub ond: Anomiura
Fam.: GALATHEIDAE
Aeglea intermedia Ch. Gir.
Perús, São Paulo: Alto da Serra,
Paulo.
Aeglea laevis Latr. ( especie duvidosa ).
Franca.
Fam.: PoRCELLANIDAE
Pachycheles moniliferus Dana.
lha da Victoria.
Petrolisthes arinatus Gibb. (especie duvidosa).
Ilha de S. Sebastião.
Petrolisthes galathinus Bosc.
iba da Victoria.
São
Petrolisthes lamarchi Geach. var. asiaticns
Leach.
S. Sebastião e Ilha, Iguape, Conceição de
Itanhaem.
Fam.: PAGURIDAE
Petrochirus bahamensis Hbst.
S. Sebastião e Ilha, Ilha da Victoria.
Dardanus loxochelis C. Mor.
Iguape.
Clibanarius sclopetarius Hbst.
Nha de S. Sebastião.
Clibanarius vittatus Bose.
Santos.
Paguristus puncticeps Ben.
S. Sebastiäo, Ubatuba
Eupagurus criniticornis Dana.
Santos.
1sochiles wurdemanni Stimps.
Santos.
)
=
.
= No =
Fam. : ALBUNIDAE
Albunea pareti Guër.
Santos, Ilha de S. Sebastião.
Lepidops scutellata F.
Santos, Conc. de Itanhaem.
Fam.: HIPPIDAE
Emerita emerita L.
Iguape, Ubatuba, S. Sebastião e Ilha.
Subord: BrachAyura
Fam: PARTHENOPIDAE
Lambrus guerim Br. Cap.
Nha da Victoria.
Fam. : MAIIDAE
Mithrax hispidus Hbst.
Ubatuba, Ilha de S. Sebastião.
Mithrax coronatus Hbst.
Ilha da Victoria.
Pitho lherminier: Schram.
Ilha de S. Sebastião.
Microphrys bicornutus Latr.
Ilha de S. Sebastião.
Laibinia ferreirar Br. Cap.
Santos, Iguape.
Libinia spinosa M. Edw.
Hha da Victoria.
Epialtus bituberculatus M. Edw.
Santos.
Fam. : PoRTUNIDAE
Callinectes danae Sm,
Santos, Iguape, Ubatuba, S. Sebastião e Ilha.
Callinectes marginatus A. M. Edw.
Ilha de S. Sebastião.
na
G1.
=)
— 433 —
Arenaes cribarius Lam.
Santos, Iguape, S. Sebastião e Ilha, Conc.
de Itanhaem.
Portunus ( Achelous) sp'nicarpus Stimps.
Nha da Victoria.
Portunus ( Achel.) spinimanus Latr.
Hha de S. Sebastião.
Cronius ruber Lam.
Iguape, Ilha da Victoria, S. Sebastião e Iiha.
Fam. : PILUMNIDAE
Eriphia gonagra F.
Conc. de Itanhaem, Iguape, Ubatuba, Ilha
dos buzios, S. Sebastião e Liha.
Pilumnus caribaeus Desb. et Schramm. var. ?
Uha de S. Sebastião.
Panopeus americanus Ben. et Ratb.
S. Sebastião.
Panopeus crassus A. M. Edw.
Santos, Iguape, Ilha de S. Sebastião.
Panopeus rugosus A. M. Edw.
Iguape, llha de S. Sebastião.
Eu:yliuin herds M. Edw.
- Santos.
Eurytinin limosum Say.
Santos, S. Sebastiäo.
Eupanopeus ? abbreviatus Stimps.
Iguape, Ilha de S. Sebastião.
Leptodius floridanus Gibb.
Ilha de S. Sebastião.
Menippe ruimphi M. Edw.
Iguape, Ubatuba, S. Sebastião, Ilha dos
Buzios. '
Cancer cf. longipes Bell.
Santos, 1 ex. N. 948.
Fam.: TRICHODACTYLIDAE
Trichodactylus dentatus M; Edw.
Iguape.
65.
66.
OT:
— 434 —
Trichodactylus fluviatilis Latr.
S. Paulo e S. Paulo: Campo Grande e
Rib Pires, Belem, Cerqueira Cezar, Pe-
rús, Piquette, Piracicaba, Ypanema, Soro-
caba, Rio Feio, Cachoeira, Santos, Iguape,
S. Sebastião, Ilha da Victoria.
Trichodactylus petropolitanus Goeld.
S. Paulo, Perus, Sorocaba, Belem, San-
tos, S. Sebastião e Ilha, Conc. de Itanhaem.
Trichodactylus ( Valdivia) tijucanus Rathb.
var.
5. "Paulo.
Trichodactylus ( Vald.) panoplus Mart.
Santos, Iguape.
Trichodactylus ( Dilocarcinus ) argentinianus
- Rathb.
Itapura, Villa Olympia.
FAM.: PINNOTHERIDAE
Pinnotherus geddesr Miers.
Iguape, S. Paulo, mercado (numa ostra ).
Fam.: GRAPSIDAE
Gonispsis cruentata Latr.
Iguape, Santos, Ilha de S Sebastião.
Pachygrapsus transversus Gibb:
Santos, Iguape, Conceição de Itanhaem,
S. Sebastião e Ilha.
Sesarina ( Holometopus) ? angustipes Dana.
Santos, Iguape.
Sesarma ( Holomet.) meersi Rathb. var. lhe-
ringi Rathb.
Conceição de Itanhaem.
Sesarma ( Holomet. ) recta Rand.
Santos, Iguape, S. Sebastião e Ilha.
Metasesarma rubripes Rathb.
Santos, Iguape, S. Sebastião e Ilha.
Aratus pisonai M. Edw.
Santos.
76.
78.
To
85.
86:
ela! eared
Geograpsus lividus M. Edw.
Santos, Iguape, Conc. de Itanhaem.
Planes minutus L.
Iguape.
FAM.: GEGARCINIDAE
Cardisoma guanhumi Latr.
Santos, S. Sebastião, Ubatuba.
Ucides cordatus L.
Santos, Iguape, Ubatuba, Ilha de S. Se-
bastião.
“Fam.: OCYPODIDAE
Uca leptodactyla Rathh.
Santos, S. Sebastião.
Uca uruguayensis Nobili.
Santos, S. Sebastião.
Ucu vocator Ubst.
Santos, Iguape, S. Sebastiäo e Ilha.
Ocypoda arenaria Catesb.
Santos, Cone. de Itanhaem, Ubatuba, Igua-
pe, Ilha de S. Sebastiäo.
Fam.: LEUCOSIDAE
Persephone punctata L.
Ilha da Victoria, S. Sebastião e Ilha.
Persephone cf. lichtensteini Bell.
S. Sebastião.
Fam.: MATUTIDAE
Hepatus princeps Hbst. à
Iguape, S. Sebastião e Ilha, Ilha da Vi-
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OBSERVAÇÕES
SOBRE AS CONSEQUÊNCIAS DA GEADA SOBRE A FLORA INDI-
GENA E ESTRANGEIRA, REPRESENTADA NO
HORTO BOTANICO DO MUSEU PAULISTA E SUAS IMMEDIAÇÕES
= POR
Hi. Luederwaldt
NATURALISTA DO MUSEU PAULISTA
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OBSERVAÇÕES
SOBRE AS CONSEQUÊNCIAS DA GEADA SOBRE A FLORA INDIGENA E ESTRAN-
GEIRA, representada no Horto Botanico do Museu Paulista @ suas im-
mediações.
Em 1918 confirmou-se novamente a velha re-
gra: após chuvoso verão, sde seguir frio inverno.
Decorrida uma série de anncs excepcionalmente
seccos, com invernos pouco intensos e em que se
deram apenas geadas fracas nocturnas, quasi sem
ser innócuas à flora, verificaram-se no verão de
1917/18 chuvas extraordinariamente pesadas, que
no mez de Junho (de 1918), foram seguidas pelas
primeiras geadas.
O frio mais intenso occorreu de 24 a 26 deste
mez, acompanhado de ventos tempestuosos de oëste
(como anteriormente se dera). Na forma do cos-
tume, durou este periodo sómente 3 dias, fazendo,
como sempre acontece, mais frio na segunda noite.
Para a de 25 a 26 de Junho registrou o observa-
torio meteorologico de S. Paulo 3,2° abaixo de zero.
Ainda às 9 1/2 da manhã «floresceram », naquelle
dia, no Ypiranga, apezar da posição alta, em loga-
res umbrosos, os crystaes de gelo, em logares hu-
_midos e nas folhas das plantas. Um prato, ao ar
livre, com agua, mostrou uma camada firme de
gelo de 1 cm. de espessura. Os campos e, espe-
cialmente, as varzeas estiveram cobertos de um ta-
pete de gelo. Dias seguidos, noticias funestas se-
guiram-se provenientes do interior do Estado de S.
Paulo, sobre os estragos, causados pela geada nas
plantações, especialmente nas de café.
Soffreram muito menos de gue o Ypiranga, os
jardins publicos de S. Paulo, o Bosque da Saúde,
— 440 —
bem como uns restos de matta-virgem no campo,
no Matto do Governo, uns 7-8 kilom, pouco mais
ou menos, distantes do Ypiranga. |
Falharam experiencias realisadas no Horto Bo-
tanico do Museu, para salvar varias plantas, me-
diante rega antes do nascimento do sol.
Os prejuizos effectivos em muitas plantas appa-
receram apenas passados varios dias; em varias
sómente após uma semana; p. e. sobre Cycas cyr-
cinalis (* ), Fourcroya gigantea Vent., div. Cacta-
reas e algumas plantas lenhosas, com folhas mais
duras, como p. e. na Goyabeira, sómente depois de
uma semana; nas Palmeiras, como Huterpe edulis
Mart., Glaziova wmsignis Ur. Barboza pseudoco-
cos : com um tronco de 10 cm. de diametro, Tri-
thringo brasiliensis, até decorridos de 1 a 2 mezes,
seccando as folhas de vagar, a começar da ponta.
Arvores e arbustos, que soffreram no seu lenho, co-
mecaram a brotar geralmente no mez de Agosto;
outras, como Cecropia adenopus, apenas em fim de
Outubro, assim tambem Genipa amerie na. Gerto nu-
mero de arvores indigenas, plantadas ha um ann e
medindo até 6 cm. de diametro, pereceram completa-
mente ( desde as raizes ), entre ellas tambem Imbaúba-
Vermelha de cr. 3 m. de altura e 10 cw. de diametro.
Mostraram se especialmente sensiveis todas as
Piperaceas lenhosas indigenas (cerca de 10 espe-
cies ), como tambem as Begoniaceas (cerca de 20
especies ), embora: bem abrizadas, embaixo de ar-
vores e arbustos, no capão do Horto botanico :
Quasi todas perderam as folhas, Begoniaceas tre-
padeiras em parte tambem os ramos; especimens
menos protegidos de ambas as familias, queimaram-
se até a raiz, brotando, porém, novamente mais
tarde. Do mesmo modo perderam-se tambem quasi
todas as Araceas ( cerca de 19 especies) até espe-
cies trepadeiras ou epiphyticas bem protegidas, no
decurso de 2 a 3 mezes, após a” geada, a maioria
das folhas, entre ellas Philodendr on bipinn tufidum
(*) As plantas com o signal * são estrangeiras.
— 441 —.
Schott. e Ph. simsit Kunth. e restabeleceram-se em
parte incompletamente no decurso do verão.
Diversos fétos, poré.n, provenientes do mesmo
bosquesinho, até especies com folhas tenras, reve-
laram-se, em comparaçäo aquelles, mais resistentes.
Os Samambaiuçús. com folhas herbaceas, comc p. e.
Cyathea schauschin Mart., Alsopluls otrovirens
Pr., A. pileoluta Mart. etc., queimaram-se comple-
tamente, como não se'podia esperar differentemente,
mas sem soffrer outros prejuizos. I"êtos com textura
robusta das folhas, como p. e. um exemplar des-
protegido de Blechnuwm schomburghas G. Chr., com
tronco de cerca de 30 cm. de altura, soffreram só
mediocremente. Nephrolepis cordifolia Bak. per-
deu as suas pinas apenas na parte superior. Outros
fétos soffreram egualmente, e tambem quasi sem
abrigo, v. g.: Aneimia flexuosa Pers. div. Dryo
pteris, entre elles Dr. submarg nuta L. et F. e
Palystichum ediant:forine J. Sm.
E” geralmente sabido, que plantas molles, suc-
cosas soffrem mais, de que as duras, seccas menos
expostas; notam-se porêm muitas excepções. As
Cactaceas são, sem duvida, muito succulentas e ape-.
zar disto ficaram umas sem estragos e outras: culti-
vadas nas mesmas condições, com poucos. Pertencem
à primeira categoria: Opuntia ficus — indica L.
e O dilleniz D. C., Cereus peruvianus Mill. \ 0 ul-
timo em parte), Æch nocactus altonis Leh var e
algumas especies, provenientes da Bahia; à ultima :
Opuntia prasnae Speg., Cereus tortuosus forst e
outras.
Resistiram mais as seguintes: Leliwm candi-
cum L.*, Symphutum officinale L.*, Tharaxa-
cum officinarum Web. *, e um capim forrageiro
«Cap m Imperial» * Chloris distichophylla Lag.,
Stachys lanuginosa Jacy, * e Plantago lanceo-
lata L.*, como tambem diversas outras hervas de
folhas molles e Gramimeas, em quanto as seguintes
queimaram-se totalmente (nas folhas): Canna di-
versas especies, Costus sperilis Rosc. (2 ultima
mesmo abrigada, portanto nos ramos, cuja fiorescencia
— 442 —
findou, em quanto as folhas novas nos ramos novos fi-
caram illesos) Hucharis grandiflora Planch., Echa-
nodorus pan cul tus. Mich., ambas as especies do ge-
nero Eichhornia e Pontederia, que se encontram aqui,
Dioscore: heptaneurs, Vell*,e D. batatas D. OS
Datura stramonum L.*, Hedychium coronirium
Rose., Hel.coniaceas, Ipomea batatas L. Musa. *
(nesta ultima tambem diversos troncos velhos até
a terra), Marantaceas, Sorgho *, Pan cum num-
d'anuim Lam. *, Sonchus, Sechium edule Sw., in-
clusive todos os ramos, como tambem TZ’ yoba e
aftins. ( Mangarito, Yama ).
Plantas cultivadas, de regiões ainda mais quen-
tes de que a nossa. reagem consequentemente mais.
ao frio, todavia, se registram tambem aqui exce-
pções. O Cereus p'tatiya, acima mencionado, da
costa do mar de Santos, onde o termometro nunca
desce abaixo de zero e que se cultiva em certo nu-
mero no Horto Botanico, supportou, em geral bem,
os 3 abaixo de zero. Assim tambem succedeu a va-
rias Gactaceas da Bahia.
Isto não me surprehendeu no caso da Gramma
do littoral Paspalum distichum L., e uma outra
graminea do mesmo logar, Spartina brasil ensis
Raddi. por terem ambas folhas seccas, do textura so-
lida. Muitas plantas lenhosas, aqui selvagens, sof-
freram mais ou menos, como se póde verificar da
lista, que inserimos adiante.
Destacou-se a reacção de tres Bromeliaceas ter-
restres. Anan's sativus. Mill. o « Abacaxi » , desde
muitas gerações aqui em cultura e por isto total-
mente acclimatado, perdeu as folhas completamente ;
a forma typica Ananss, bem perto, soffreu relativa-
mente pouco. Dromelia frstuosr Lindl., proxima
parente das anteriores e aqui muito frequente, re-
sistiu perfeitamente. Assim tambem diversas ou-
tras Bromeliaceas epiphyticas regionaes.
Enumeramos ainda varias outras hervas e gra-
miness, sujeitas à nossa cbservação. Para as plan-
tas lenhosas segue uma lista especial.
pay 1
Soflreram bastante: Panicum sulc tum Aubl.,
Cyperus pr nceps Kuuth., e Slenolophrum glibrum
Trin. ; mediocremente : Andropogon scho ninthus
L.*, Hr.ecaulon kunthii Worn., e Aspid stra elat.or
Hort. ; * nada: Bri nthus augustifolius Nees., Eryn-
gium «lo-folum Mart., e E. paniculaluin Cav. ,
Gynerium urgenteur Nees., e Phormium tenra
Forst.*, Hydrocles mart Leub., Myr ophyllum
braslense Gamb., e Azoll: fil.culoides Lam.
Emfim, a geada não se deu por toda a parte
com a mesma intensidade. Varias plantas soffre-
ram manos, do que outros exemplares da mesma
especie, em condições eguaes où apparentemente
identicas. Isto evidenciou-se especialmente quanto
às Begoniaceas e Piperaceas. Hm varios casos era
a distancia sómente de 1 metro! O mesmo occorreu
com varias arvores e arbustos, bastante distantes,
p. e., como Cecropia vdenopus, F cus luschnatiana
e Trea mermtha. Sei que a geada cabe imui-
tas vezes em faixas, mas não, que differe a sua ac
ção em tão curtas distancias, como de 1 m.. Cer-
tamente depende este facto de correntes a reas.
Felizmente as geadas, como a de 1918, são
aqui phenôments meteorologicos bem raros. Não
ha meios de defeza efficaz. Alzumas plantas pe-
quenas preciosas pódem-se facilmente abrigar com
saccos velhos, etc. Em regiões moderadas mantêm-
se de vez fogos bem fumigeros no tempo das gea-
das, na primavera, cujos vapores densos envolvem
toda a região, de modo a impedir o resfriamento
das plantas. Mediante o psychrometro póde-se con-
statar de antemão, a occorrencia de uma geada.
Pouco tempo após a catastrophe apresentou a vi-
zinhanga do Museu, visto da sua torre principal, um
aspecto bem colorido: © campo vasto e onduloso
revestia-se ae cor cinzenta, interrowpido apenas por
grupos ralos, aqui pequenos, alli maiores, de arbus:
tos verde-escuros ou plantações compostas de Euca-
lyptos e arvores frnctiferas e decorativas ao redor
dos sitios ou cd e là pelos. capinzaes e cannaviaes
amarellos, inteiramente queimados, «destacando-se as-
sim os seus quadrados. Os prados queimados, ao
longo do ribeirão do Ypiranga, mostravam um aspe-
cto pardacento, dos quaes se detacavam alegremente
os canteiros verde-claros e incolumes das hortaliças.
O Horto Botanico, porém, apresentava quasi um as-
pecto invernal de regiões frias, em virtude de
muitas plantas lenhosas desfolhadas.
AS SEGUINTES ESPECIES QUEIMARAM-SE MAIS OU ME-
NOS NO PAU, MAIS TARDE RECOMEÇARAM, PORÉM,
A BROTAR, A SABER EM TODOS OS ESPECIMENS,
QUE NÃO TEM INDICAÇÃO EM CONTRARIO.
I. INDIGENAS
Aegiphila sellowrana Cham. Troncos de cerca
de 20-30 cm. de diametro. Quasi todos os galhos
queimados atê a espessura de um dedo.
Alchornea cordata M. Arg. e A. sidefolia M.
Arg. Troncos até 30 cm. de diametro: todos os
calhos de ultimo anno.
Bixa orellana L. Plantinha de um anno, me-
dindo 1 m. de altura: até a raiz.
Boehemeria caudatu Sw. Dois fortes arbus-
tos, um tanto abrigados: queimados ‘até a metade.
Boehemeria nivea Gaud. Até a raiz.
Bombas longiflorum Schum. Varias arvores
robustas com 20 a 30 cm. de diametro: queima-
ram-se muitos ramos de 1 m. de comprimento.
Caesalpinia peltaphoroides Vog. Dois arbus-
tos fortes, um pouco abrigados : varios ramos fortes.
Cassia speciosa Schrad. Um arbusto forte:
muitos da cope.
Cecropia adenopus Mart. Varias arvores ro-
bustas de 20 a 30 cm. de diametro. Queimaram-
se muito irregularmente: em varios especimens to-
dos os ramos até o tronco; algumas arvores, po-
rém, apenas perderam certo numero de seus ramos,
emquan.o conservaram incolumes, contra toda expe-
ctativa, um ou mais ramos ( no mesmo tronco ).
Cecropia hololeuca- Miq. Dois troncos de 25
a 30 em. de diametro: queimaram-se apeuas os
am —
galhos immaduros, até 1/2 m. de comprimento. Esta
especie é mais dura entre as tres, que se encontram
aqui. Brotou antes das outras. |
Cecropia lyratiloba Mig. Duas arvores de 14
cm. de diametro: os ramos atè 2 m. de compri-
mento. Menos sensivel, que adenopus. °
Cuphea melvilla Lindl. Maior numero de for-
tes arbustos: até a raiz.
Genipa americana L. Varias arvoresinhas de
12 cm. de diametro: fortemente nos galhos. Re-
nascimento no começo de Novembro.
Hedysomuwm brasiliense Mart. Varios fortes
arbustos até 2 m. de altura, sob abrigo de outras
arvores e arbustos mais altos: quasi até a raiz.
Rebentos fracos.
Jatropho curcas L. Dois fortes arbustos com
3 m. de altura, mais ou menos: todos os ramos
até o tronco, que tem um m. de altura.
Jatropha urens L. Duas plantas fortes de mais
annos : inteiramente até as raizes.
Joannesia princeps Vell.. Maior numero de ar-
vores robustas, até 40 cm. de diametro: perderam
quasi todos os ramos fortes, atê o tronco. Varios
especimens succumbiram mais tarde às brocas; os
restantes restabeleceram-se no decurso do verão
apenas de vagar.
Latana trefolia L. Varias plantas fortes: até
a raiz.
Pachira insignis Saw. Tres arvoresinhas de
cr. 13 cm. de diametro e 3-4 m. de altura: todos
os ramos até o tronco e este mesmo, pouco mais
ou menos, até a metade. Rebentos : em meiados de
Setembro.
Sapiuin biglandulosum M. Arg. Avultado nu-
mero de troncos de 40 cm. de diametro: muito
irregularmente queimados; quer quantia fortes ra-
mos, quer apenas quantia galhos fracos; mas todo
o páu de um anno.
Schizolobium excelsum Vog. Differentes ar-
vores até 30 cm. de diametro: apenas as brotas
— 446 —
não be: desenvolvidas. até 1 m. de comprimento.
Renascimento forte em Setembro.
Tibouchina pulchra Gogn. e congeneres. Gran-
de numero de arbustos bem fortes de 3 a 5 m. de
altura desamparados om apenas pouco abrigados :
todos os galhos mais fracos, em parte tambem os
ramos até o tronco.
Tibouchina holosericea Baill. Varios arbustos
fortes: até a raiz.
Trema micrantha Sw. Varias arvores, até
40 cm. de diametro: todos os galhos mais fracos.
Arvoresinhas mais novas, de 2 a 3 m. de al-
tura: todos os ramos té o tronco e este mesmo
atê 1 m., da ponta para baixo.
Urostigna eximia Schott. Duas plantas, cr.
14 cm. de diametro: todos os galhos mais fracos.
Il. ESTRANGEIRAS
Anona oblusijolia Tuss. Um forte arbusto, de
3 m. de altura, um pouco abrigado : todos os ga-
lhos até um metro.
Carica papaya L. Dois especimens de tres m.
de altura: o tronco até 1 m.
; Ma f 1
Coffea arab ca L. Varios arbustos até {= m.
de altura, um pouco abrigados: muitos galhos mais
fracos; as folhas nos galhos illesos soffreram ape-
nas em parte.
Dalura arborea L. Diversos arbustos fortes :
em parte até a raiz.
F.cus elast ca Roxb. Algumas arvores até 19
cm. de diametro; em parte um pouco abrigadas.
todos os galhos até
IDbiscus syriacus L. e JF rosa-sinensis L. Ar-
bustos fortes: muitos galhos de um anno.
Manrhat utilissima Pohl. Um arbusto forte
de 7 annos de idade, quasi sem abrigo: sômente
no tronco de um anno. Mas a variedade aipim
Pohl, desabrigada, queimou-se até a raiz. :
— 447 —
Montana sp. Varios arbustos fortes, geral-
mente um pouco abrigados. Tambem em ramos
de mais annos, mas muito irregularmente.
Phyllanthus ? falcatus Lod. Arbustos geral-
mente pouco protegidos: ‘de vez em quando, tam-
bem em specimens adultos.
Ricinus communis L. Em parte, sómente nos
galhos, em parte até a raiz.
Salvia splendens Sell. Até a raiz.
Sanchezia nobilis Hook. Geraimente quando
pouco abrigados: todos os troncos de um anno, e,
em parte, tambem de mais annos.
Synadenium grantii Hook. Fortes arbustos :
queimaram os galhos até a metade.
QUEIMARAM-SE TOTALMENTE AS FOLHAS DAS ESPE-
CIES SEGUINTES ( PLANTAS LENHOSAS, SEMIAR-
BUSTOS E BAMBUSACEAS ) E
I. INDIGENAS
Alchornea triplinervis Müll Are., Apuloea
ferrea Mart., Aristolochia brasiliensis Mart., As-
trocaryum ayri Mart.
Barboza pseudococos Bacc. ( tronco de 16 em.
de diametro). Barnadesia rosea Lindl., Bathysia
australis Hook., (não obstante estarem bem abriga-
das ), Bougainvillea spectabilis W., Bryophyllum ca-
lycinum Salisb., Bactris setosa Mart. .
Cassia multijuga Rich.. Cedrela fissilis Vell.
(nas folhas que se acham ainda nas arvores ), Cordia
verbenacea D C.
Dictyloma incanescens D C.
Euterpe edulis Mart.
Gossypiuin barbadense. L., Gynerium sacha-
roides H. B. K.
Hymenaea stilbocarpa Heyne.
Indigofera amil L. |
Leandra lacunosa Cogn., Lippra salicifolia
Cham.
Passiflora alata Ait., Piper gigantifoliuin O.
— 448 —
DC. P. hilarianuwin Warm. ete. (não obstante bem
abrigadas ), Pithecolobium langsdorffic Benth.
Trithrinax brasiliensis Kerch.
Urera mitis Miq.
Zanthoxylum sp. «Mamica de cadella ».
ll. ESTRANGEIRAS
Acalipha, div. especies, Cycas cyrcinalis L.,
Dracaena fragrans Gaw, ÆEuphorbia pulcherrima
Willd., Ficus roxburghii Wall, Gardenia sp, Ja-
caranda acutifolia H. B. (nas folhas, que se acha-
ram ainda na arvore), Mangifera indica L., Pan-
danus ulihs Bory., Ravenala madagascariensis
Son., Sorbaria sorbifolia A. Br.
MUITO SOFFRERAM AS FOLHAS:
I. INDIGENAS
Bauhinia pruinosa Vog., Cassia splendida
Vog., Cestrum sellowianum Sendt., Psidium gua-
yava Raddi. Numa arvore forte de Persea gra-
hssima Geert., distante apenas uns metros de uma
casa (não na direcção do vento), queimaram-se
apenas as folhas do lado opposto à casa.
Il. ESTRANGEIRAS
Morus nigra L., Melia azedarach L., Pirus
communis L.
SOFFRERAM REGULARMENTE :
I. INDIGENAS
Ambr osta polystachia DC., Bütlners 2a austra-
lis S. Hil., Centrolobrium robustum Mart, Duranta
pe avi Jacq., Enterolobiwm timbauva Mart., hi-
cus luschnatiana Miq., Jacaranda caroba F. D. C.,
(um pouco abrigada ), Psediwin ooideum Berg., Pr-
thecoctenium echinatum K. Sch. (nas folhas, que
se encontraram ainda em bom numero), Pyrostegia
venusta Miers. ( apenas nas folhas e não nas flores ).
— 449 —
II. ESTRANGEIRAS
Bambusa mais Poir. e B. vulgaris Schrad.,
como tambem 4 outras especies, Æuwphorbia «rbo-
rescens Hort., Levistonia chinensis Mart. ( sômente
nas pontas), Michelia champaca L., Pirus malus
L., Platanus orentalis L. ( nas folhas, que se acha-
ram ainda). Rosa div. formas de cultura, Sacha-
rum officinarwn L.
NAO SOFFRERAM, DE MANEIRA ALGUMA, ENTRE
OUTRAS, AS SEGUINTES ESPECIES :
J. INDIGENAS
Abutilon longrfohuin K. Schum., A. regnelle
Mig. e A. venosum Walp., como tambem 3 a 4
outras especies, Araucaria brasiliana Lamb., Ara-
uja sericifera Brot.
Bacharis dracunculifolius DC, B. genistel-
loides Pers. e B. rufescens Spr., Brysonima inter-
media Juss.
Calliandra axiliaris Benth. com a variedade
santipauli Cask., Casearia silvestris Sw., Chorisia
speciosa S. Hil,, Chrysophyllum inaytenoides Mart.,
Cocos eriospatha Mart. e C. romanzofiana Cham.,
Cordyline sellowiana Kunth.
Diodon polyinorpha Sham et Schlecht, Dreiiys
winteri Worst.
Eugenia brasiliensis Lam. e E. mucheha L., Eu-
palorium gaulichaudianum DC,
Galactia speciosa DG., Galphinia brasiliensis
Juss.
Lantana camara L. e L. sellowiana L.eto.
Lithraea molleoides Engl.
Miconia ligustrioides Naud., Mimosa myrio-
phylla Bong., M. sepraria Benth., Myrica sphaero-
carpa, DC.
Podocarpus lamberte Kl.e P. sellowr KI.
Rapanea villosissima Mart, e Rubus brasilien-
ses L., erythrocladus Meissn., roscefolws Sm., com
a var. coronarius Sims. e À. urticaefolius Poir..
— 450 —
Schinus terebinthifolius Raddi, Solanum va-
riabile Mart. e S. auriculatum Ait.
Villaresia cuspidata Miers.
I. ESTRANGEIRAS
Arundo donax L., Araucaria excelsa Aït.
Argemone mexicana L.
Casuaria equisetifolha L., Citrus todas as fór-
mas, Cunninghamia sinensis KR. Br., Cupressus
div. especies, Cycas revoluta Thunb.
Dracaena indivisa Re.
Eriobothrya japonica Lindl.. Eucalyptus ro-
busta Sm., e E. rostrata Schlecht. — As culturas
de Eucalyptus perto da estação Suzano, na E. F.
C. B. pareciam, após a geada, quasi completamente
queimadas. Hoje, 8 mezes mais tarde, não se ob-
serva quasi nada mais dos seus estragos tendo
as folhas brotado de novo. (A. Dó).
Ficus benjammea L. (apenas os brotos mais
finos e immaturos queimaram-se ).
Grevillea robusta A. C., como tambem duas
outras especies aqui mais vezes cultivadas.
Hedera helix L.
Ligustrum japonicum Thunb. e L. lucidum
Ait.
Magnolia grandiflora L., Medicago sativa L.
Nerium oleander L.
Pinus sp., Pelargoniun inquinans Ait. Phila-
delphus cf., coronarius L.
Rhododendron indica L. (div. formas de cul-
tura), Rosa setigera Michx.
Salix sp., Sambucus. sp.
Thea sinensis L., Thuja sp.
Viburnum tinus L.
Yucca fllainentosa L.
DUAS NOVAS ESPECIES DE COCCIDAS
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Dr. Adolpho Hempel
ENTOMOLOCO DO INSTITUTO AGRONOMICO DE CAMPINAS
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Descripção de duas novas especies
de Coccidas
ADOLPHO HEMPEL
SuB-FAMILIA DACTYLOPIN Æ
Erococeus coffeae n. sp.
A femea adulta está envolta em um sacco de
feltro branco tingido de crème. O corpo tem cérca
de 2,9 mm. de comprimento e 1,5 mm. de largura
e tem a fórma oval e a côr vermelha, e está or-
namentado no lado superior por tres fileiras longi-
tudinaes de cera branca, sendo uma mediana e uma
marginal em cada lado.
Fervido em uma solução de KOH, o corpo
torna-se transparente, com a pelle molle, ficando o
liquido tingido da côr bruna. Perto da basa das
antennas ha dois olhos transparentes. As antennas
têm sete articulações, variando o seu comprimento
total entre 0,304 e 0,350 mm., sendo o seguinte o
comprimento medio das articulações; (*) (1) 58;
(2) Biel) ( 4) 395. (0) 32). (Gi); SM:
(7) 78. A formula approximada é 7,1, (2346) 5.
As articulações do primeiro par de pernas têm o
seguinte comprimento; coxa 78; femur com tra-
chanter 208 ; tibia 84; tarso 65; unha 19. Os di-
gitulos do tarso são compridos e filiformes, e os
da unha curtos e mais grossos. O annel anal tem
6 pellos compridos. Na extremidade posterior do
corpo ha dois pellos compridos, cada um do qual
tem, na base, diversos pequenos espinhos grossos.
(*) As medidas das articulações das antennas e per-
nas são em micromillimetros.
— 454 —
Toda a derme tem muitos pequenos espinhos cur-
tos, dispostos em carreiras iransversaes, e grande
numero de glandulos circulares e diminutos.
Hab. Em galhos de cafeeiro, S. Carlos do Pi-
nhal, Campinas e S. Paulo. Os individuos estão,
geralmente, agglomerados nos galhos do cafeeiro
e na base das folhas, mas são tambem encontrados
isoladamente.
Esta especie foi remettida de S. Carlos do Pi-
nhal, em 3 de Set. de 1903, pelo Snr. Heitor de
Sa, sendo mais tarde encontrada em Campinas, e
em 13 de Out. de 1911, foi encontrada em cafeeiros
em S. Paulo pelo Snr. J. Arthaud-Berthet.
Eriococcus coffee n.
ti
T
The adult female is enclosed in a sack of
white felt, tinged with cream. The body is about
2,9 mm. long and 1,5 mm. wide, is oval in form
and of a red color. On the upper surface it is orn-
amented with three longitudinal rows of white wax,
one of which is median and the other marginal,
on each side.
Boiled in a solution of KOH, the body becomes
transparent, and the derm soft, the ïquid being
colored brown. Near the base of the antennae there
is a pair of transparent eyes. The antennae have
7 joints but vary in length from 0,304 to 0,350
mm., the following being the medium length of
thre” joints (MM) OBA (29 99: Soo A to ae
32; (6) 39; (7) 78 The approximate formula
is 7,1, (2346) 5. The joints of the first pair of
legs have the fcllowing lengths: coxa 78; femur
and trochanter 208; tibia 84; tarsus 65; claw 19.
The digitules of the tarsus are long and filiform ;
those of the claw being shorter and thicker. The
anal ring has 6 long hairs. The posterior extrem-
ity of the body ends in two long hairs, each of
which has several short, thick spines at its base.
All the derm of the body contains many smail,
short spines, -arranged in transverse rows, and a
great number of minute circular glands.
ER 1 ae
Hab. On the twigs of the coffee plant. S. Car-
los do Pinhal, Campinas and São Paulo. The in-
divduals are usually grouped on the twigs of the
tree and at the base of the leaves, but are also
found singly.
This species was sent from S. Carlos do Pi-
nhal, on Sept. 3d, 1903, by Mr. Heitor de Sa,
and later it was found in Campinas. On Oct 13 th
1911, it was found in Säo Paulo by Mr. J. Ar-
thaud-Berthet.
SUB-FAMILIA DIASPIN:E
Diaspis flava n, sp.
O escudo da femea adulta é chato, fino e de
forma circular ou sub-circular, com 1,5 mm. de
diametro. A cor é amarello-clara. As pelliculas são
centraes, de cór amarello-clara mais intensa do que
a do escudo.
A femea adulta tem 1,10) cm. de comprimen-
to, com o corpo oval, tendo o pygidio ou ultimo
segmento do corpo os seguintes caracteres : ha quatro
pares de lobos, sendo os medianos compridos e estrei-
tos com a margem interior dentada. O segundo e
terceiro par compõe-se, cada um, de tres lobulos,
todos mais ou menos do mesmo tamanho. O quarto
par compõe-se de dois lobulos, dos quaes o media-
no é o menor e o lateral largo e dentado. A mar-
gem lateral do pygidio, entre o ultimo par de lobos
e o penultimo segmento do corpo, é chitinizada e
dentada, e tem um dente grande equidistante dos
lobos e do segmento anterior. Ha sete pares de pel-
los, sendo o par mediano entre os dois lobos que
constituem o par mediano. O pygidio contem muitos
orifícios transversaes de glandulas. Ha cinco gru-
pos de glandulas circumgenitaes, distantes da mar-
gem posterior. O grupo mediano contem 15-16
orifícios, os grupos anterior-lateraes de 23-24, e os
posterior-lateraes de 16-17. Ha sete pares de pla-
cas simples na margem com as seguintes posições :
um em cada lado entre os segundos e terceiros
A
lobos, um entre estes e os quartos lobos, e cinco
na margem lateral entre estes e o segmento penul-
timo, tendo este segmento tres placas em cada lado,
e o segmento immediato anterior duas: placas.
Hab. Campinas, em folhas de uma arvore syi-
vestre, onde foi colligida em 10 de Junho de 1912,
pelo Sr. G. Bondar.
A femea adulta produz pequenas depressões
nas folhas. onde está fixada, sendo as cellulas vege-
taes inchadas 20 redor.
Diaspis flava n. sp.
The scale of the adult female is flat, thin and
circular or sub-circular in form, with a diameter
of 1,5 mm.. and of a hght vellow color. The lar-
val exuvie are central and of a ligbt yellow color,
more intense than that of the a
The body of the adult female is oval, 1,4 nem.
long, with the last body segment or pygidium with
four pair of lobes, of which the median pair is
long and narrow with the inner margin dentated.
The second and third pairs are each composed of
three lobules all of which are of about the same
size. The fourth pair is composed of two lobules,
the median one of which is small and the lateral
one wide and dentated. The lateral margen of the
pygidium between the last pair of lobes and the pen.
ultimate segment of the body is chitinized and
dentated, and has a large tooth equidistant from the
lobes and the anterior segment. There are seven
pairs of hairs, of which the median pair is. situated
between the median pair of lobes. The pygidinm
contains many transverse orifices of glands. There
are five groups of circum-genital glands situated
rather distant from the posterior margin. The
median group consists of from 15-16 glands, the
anterior-laterales of from 23-24, and the posterior-
laterals of from 16-17. There are 7 pairs of sim-
ple plates on: the margin, one being placed on each
side between the second and third pair of lobes,
one between these last and the fourth pair of lobes,
— 457 —
and 5 on the lateral margin, between the last pair
of lobes and the penulimate body segment, which
also has three plates on each lateral margin, and
the segment anterior of it has two plates on each
side.
Hab. Campinas. On leaves of a forest tree,
where it was collected on June 10, 1912. by Mr.
G. Bondar.
The adult female produces slight depressions,
on the surfaces of the leaves where it is fixed,
with a swelling of the margiral cells.
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I Eriococcus coffeæ n. sp.
Antennas e primeiro par de pernas da femea adulta.
II Diaspis flava n. sp.
Escudo da femea adulta.
S. Paulo, 15 de Julho de 1919,
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SOBRE À BIOLOGIA DE TANAPHYSA ADORNATALN,
WARREN (LEPID.)
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H. Luederwaldt
ENTCMOLOGO DO MUSEU PAULISTA
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Sobre a biologia de Tanaphysa adornatalis
Warren. ( Lepidopt.)
Uma figura de destaque no quadro vegetal da
visinhança de São Paulo, é um arbusto do campo
bem commum de um merro de altara, por mais ou
menos, com pequenas flores amarellas e folhas largo-
lanceolares, o « Murecy » Brysonima spicata Rich.
( Malpighiaceae. ): Emquauto a flora ao seu derredor
se acha em vegetação opulenta, ella mesma parece
quasi secca. Examinando a planta perto, mostram-se
as folhas tecidas, com a epiderme na parte inferior
devorada, de maneira que, restam apenas as costas
e a nervação mais resistente. Isto origina a morte
da respectiva epiderme exterior, tingindo-se parda-
centa, emquanto o proprio lenho continua verde,
brotando mais tarde novas folhas.
As folhas com as suas bordas encontram-se en-
tretecidas, ora duas a duas, ora mais; geralmente
porém estão todas as folhas dos ramos continuamente
entre-tecidas e a saber em regra de modo que, resta
nas pontas das folhas e nas suas bases, um logar
aberto.
Na caverna, assim formada, reside a largarta
de um pequeno lepidoptero Tanaphysa adornatalis
(N 10.571), que se sustenta da substancia da folha
e, principalmente no seu estado immaturo, pretere a
vida social, vendo-se muitas vezes 10 a 12 exem-
plares juntos.
Não se removem os excrementos, que são ac-
cumulados dentro, especialmente nos ramos, no dorso
das folhas entre-tecdas e ligeiramente presos por
fios finos.
— 462 —
Para a transformação a largata fabrica entre as
folhas uma teia propria por fora densamente coberta
em regra de seus excrementos. A chrysalida está
ligeiramente fixada naquella teia, pela extremidade
anal e a saber, sempre com a cabeça para fóra.
As folhas ligadas pela teia, representam um re-
fugio predilecto para aranhas e carrapatos, durante
o tempo frio; tambem hemipteros e outros insectos
se encontram ahi.
A borboleta (com as azas estendidas) de T
adornatalis mede 22-28 mm., tendo um colorido, na
maior parte destas de côr amarella, com tres estreitas
cintas transversaes, fracamente escuras, Das azas an-
teriores e outra nas azas posteriores.
As largartas promptas a se transformar são
amarello-verdes, em cima com 4 carreiras de manchas
de côr olivo-pardacenta ; cabeça vermelho-parda, bri-
lhante. Exemplares mais novos têm a côr seme-
lhante, mas mais amarelladas nos lados e embaixo ;
as manchas na folha superisr são pretas; cabeça,
scutello de nuca pardo-escura ou preto. Compri-
mento 15 mm. pouco mais ou menos.
Chrysalida pardo-clara, brilhante, de 11 a 12
mm. de comprimento e 3,5 mm,, na parte mais larga.
Surgem as largartas no mez de Deze::bro e Janeiro,
as chrysalidas em Janeiro e Fevereiro, as borboletas
no tim de Janeiro e no mez de Fevereiro.
Nota-se, que este phenomeno apparece unica-
mente no referido arbusto e pertence exclusivamente
à acção da mesma largarta.
Biologia de Tanaphisa adornatalis, Warren.
LIGEIRAS NOTAS SOBRE UMA PEQUENA COLLECCAU DE ARA-
NEIDOS. DO MUSEU: PAULISTA DETERMINADOS POR E. SIMON
PELO
BR. MELLO. LEITÃO
Lente de Zoologia da Escola Superior de Agricultura, Director da
mesma Escola
Og — go)
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Liseiras notas sobre uma pequena. colleeção de aranei rm
do MUSEU PAULISTA, determinados por E. Simon ©
PELO
DR. MELLO LEITÃO
Lente de Zoologia da Escola Superior de Agricultura; Director
da mesma Escola
Em Fevereiro do corrente anno tive a feliz
opportunidade de visitar em Ypiranga o Museu
Paulista, sabiamente dirigido pelo Prof. Dr. Affon-
so WE. Taunay, e por este me foi facultado o exame
da ja copiosa colleccäo de Araneidos desse Instituto,
nimia gentileza pela qual deixo aqui registados os
meus sinceros agradecimentos.
Sem bibliographia sufficiente e, o que mais é,
premido pelo espaço demasiado angusto que me era
permittido demorar em São Paulo, apenas poude,
nessa primeira e rapida estadia, separar por fami-
lias o material brasileiro, em grande parte ainda
misturado, deixando-o arrumado em 239 vidros,
representando um numero, pelo menos, duplo de
especies. Esse material me vae sendo aos poucos
enviado para determinação e já neste momento te-
nho em mãos as theraphosoidéas da coliecçäo rela-
tivamente rica desse Museu.
Ao lado desse material não determinado, havia
em tres vidros, uma collecção de 107 tubos com
aranhas determinadas pelo grande mestre da Ara-
(*) Lido na sessão da Sociedade Brasileira de Scien-
cias, de 17 de Março de 1919.
— 466 — °
chnologia moderna, Eugène Simon. A meu pedi-
do, permittiu-me o illustre director do Museu Pau-
lista o exame dessa collecção, infelizmente com al
guns especimens em mão estado de conservação.
O estudo dessa collecção Simon vem propor-
cionar alguns reparos interessantes que julguei op-
portuno trazer a publico. Dos 107 vidros, 8 eram
de aranhas novas, impossiveis de determinar, sendo
2 com Eurypelmas, 1 com Lycosas, 1 com Ctenos,
{ com Olios, 1 com Selenops, 1 com Castaneiras e
1 com Tétragnathas.
Das aranhas adultas contidas nos 99 vidros res-
tantes, algumas permittiram-me corrigir certos lapsos
do excrllente e magistral catalogo de Petrunkevitch,
outras são novidades faunisticas e duas são de aranhas
inda não descriptas, uma Hahnia ( Agelénida ) mar-
cada apenas por E. Simon como species incognita ;
e a outra um Sicarius ( Scytódida), por elle de-
nominado Sicarias patagonicus, mas do qual nunca
chegou a publicar a diagnose. Este Sicarius e um
Araneus audax ( Black) foram colhidos por Bicego
na Republica Argentina.
Em 34 dos 107 vidros não ha referencia do
habitat. Esta colleeção comprehende ( não contando
os jovens) 11 familias com 33 generos e 51 especies
das quaes duas são agora descriptas pela primeira
vez ( Hahma simoni e Sicarius patagonicus ); sete
não tinham sido encontradas no Brasil ( (ÆEcobrus
navus, Achæa acutiventer, Araneus latro, Araneus
truncatus, Araneus inelanocephalus, Eustala cla-
vespinna e Cyriophora selluta ) e quatro eram até
agora consideradas como portencentes a generos dif-
ferentes ( Amaurobius luteipes, Eustala minuscula,
Eustala taquara e Eustala ulecebrosa ). Destas e
de Nephila cruentala daremos mais amplas notas.
Vamos resumir no seguinte quadro, essa colle-
cção dando o habitat até agora registado para as
respectivas especies :
— 46
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NOTAUN, q.
Amaurobins lutepes ( Keyresling ).
Esta especie foi descripta em 1891 pelo conde
Keyserling com a denominação de Titanoeca lutei-
pes, filiando-a ao genero Tetanoeca de Thorell. Em
1911, a pags. 106 de seu explendido catalogo, filia
Petrunkevitch a mesma especie ao genero Auxinus
de Simon. Sendo esta especie das mais communs
no Rio de Janeiro, tive a opportunidade de verifi-
car tratar-se de um Aimaurobins e em meu caderno
de notas encontro, com a data de 1915, Ti noeca
luteipes Keyserl. não ê um Auximus e sim um
Amaurobius. Vendo agora o materiai determinado
em 1901, per Simon, o criador do genero Auaimus
tive corroborada minha opinião. Temos, pois Amau-
robius luteipes ( Keyserling ; = Tvtanoeca luterpes
— Keyserl, = Auximus luteipes (Keyserl. ) — Pe-
trunkevitch.
#
EE =
NOTA CNO 2.
Sicarius Patagonicus Simon ( in manuscripto )
Esta especie foi criada por Simon em 1901
sobre abundante material colhido por Bicego e da-
qui mandado ao grande arachnologo francez pelo
Museu Pauliste. Simon nunca chegou a publicar a
diagnose dessa especie, nem mesmo a lhe fazer qual-
quer allusão em seus trapalhos. IE sobre seus ty-
pos que vae calcada a seguinte descripção :
à e q 10 mm. Cephalothorax e cheliceras la-
bios e maxillares vermelho escuros, cor de mogno ;
pernas esterno e palpos bruneo avermelhados, mais
claros. Abdomen pardo. O cephalothorax é muito
espinhoso, de espinhos curtos erectos, havenlo uma
— 46 —
orla desses espinhos, todos da côr do cephalothorax.
Nas pernas ha duas dorsaes, uma de cada lado e
2 ventraes nas tibias, metatarsos e tarsos seis filas
longitudinaes de pequenos espinhos curvos, obliques,
tendo de distancia em distancia, espinhos um pouco
maiores; nas patellas elles estão mais irregularmente
dispostos e nos femures formam sete filas, havendo
uma entre as duas dorsaes. No abdomen esses espi-
nhos estão irregularmente esparsos, bem menos nu-
merosos e, sendo fulvo escuros, se destacam em con-
traste com c pardo do abdomen. No ventre do ab-
domen ha uma larga faixa densamente pillosa que vai
da fenda genital atè o tuberculo anal. — Esses pel-
los são, na femea, muito mais densos em torno das
fiandeiras, para as quaes se curvam, formando uma
orla quasi velludosa ; as filandeiras contrastam por
seu colorido fulvo-escuro. Cólulo ausente. A fenda
genital é limitada adiante, nos dois sexos por
una densa escópula de curtos pellos. Unhas muito
longas, muito denticuladas na base e os tarsos apre-
sentam pequenos tufos subungueaes de uns 12 a 19
pellos espatulados. Palpo do macho de femur pou-
co mais de duas vezes mais longo que largo, leve-
mente curvo, Ge concavidade superior; patella glo-
bulosa ; tibia em tonél, menos de duas vezes mais
longa que larga; tarso curto, menor que a tibia,
prolongando-se em longa apophyse romba sob o es-
tylete que é simples, lembrando um esporão de gallo,
de ponta virada para baixo e bem recurva. Todo
palpo é muito espinhoso. Hab. Patagonia. Coll.
Bicego. Typos no Museu Paulista.
NOTA N. 3
Nephila cruentata ( Fabr )
Dos dois vidros com aranhas da mesma espe-
cle, um trazia a diagnose de Nephila malabarensis
( Walck ), o outro a de Nephila cruentata ( Fabr. ).
Nephila malabarensis (Walck) é positivamente sy-
nonymo de Nephila cruentata ( Fabr.). Verdade é
que a descripção dada por Fabricius de sua Aranea
cruentata é muito falha, permittindo identificar
como tal quasi todas as nephilas brasileiras. (”)
Dahl, em 1912, faz, nos « Witteilungen aus
den Zoologischen Museum in Berlin », a revisão do
genero Nephila de Leach, subdividindo-o em tres
subgeneros: Nephylengys, Trichonephyla e Pocr-
lonephila. Aranea cruentata pertence ao subgenero
Nephylengys sendo que a variedade de colorido eo
cosmopolitismo lhe proporcionaram rica Synonymia,
na qual entram a Epeira malabarensis de Walckenaer
e a Nephylengys rvculati de Cambridge. Aqui no
Rio de Janeiro essa especie é commummente encon.
trada ao lado de Neplula brasiliensis. Formas cor-
respouderdo às descripções de Walckenaer e Cam-
bridge (por isso que a de Fabricius não permitte
separar nem mesmo a nephila cruentata da nephila
brasthenns ) foram por mim encontradas ao lado
de toda uma serie de fórmas intermediarias. Po-
demos pois considerar como Synonymos :
Arunea cruentata — Fabricius — Syst. Entom.
— 1775, p. 439
Aronea cruentata — Olivier — Encyclop. Me-
thod — 1791, p. 235
Eperra imalabarensis—\N alck — Hist. Nat. Ins.
Apt. — 1835, Vol. H, p. 103
Nephylengis rivulata -- Cambridge — Proc.
Zool. Soc. London — 1871, p. 618, p. 46, pgs. 102
Nephila ( Nephylengis ) cruentata cruentata
Mus. Berlim — 1912, p. 85.
O habitat desta especie, segundo Wahl, é o se-
guinte: Costa do Ouro, Siberia, Togo, Keto, So-
kvde, Barari, Solodorf, Dume, Jaunde, Duala, Bas-
cho. Somie, Barombi, Gabon, Loango, Angola,
Mayumba, Chinchoxo, Freetown, Natal, Moçambi-
que, Inhambane, Sangenburgo, Nyan a Zanzilar,
Dah
(*) Petrunkevitch chega mesmo a dizer da diagnose
de Fabricius: « Worthless description, identification impos-
sible ».
— 478 —
Bagamojo. Amani, Tanga, Amboni, Moschi, Africa
oriental, Madagascar, Java, Bahia, Rio de Janeiro,
a que devemos juntar Ceylão, Natal, Sabuan e cos-
tas de Malabar.
*
RE
NOTA "NS :4
Eustala taquara ( Reyserl), etc.
Keyserling descreveu no genero Epeira a Fpei-
ra taquara, a Epeira minuscrla e a Epeira ulece-
brosa. Petrunkevitch não tendo, naturalmente, os
typos de Keyserling, põe as tres especies no genero
Araneus, do qual Epeira é synonymo. Mas um
exame, mesmo superficial, do cephalothorax destas
especies vem mostrar o engano; e podemos agora,
com a autoridade de Simon, collocal-as correcta-
mente no genero Hustala. Aliás a revisão do ge-
nero Arineus (ou Epeira) cada vez mais se impõe
por isso que nem mesmo como cohorte (*) pode
subsistir como está. Para as tres especies supra-
referidas temos :
Eustala mmuscula ( Keyserl ) = Epeira minus-
cula — Keyserl = Araneus minusculus ( Keyserl )
— Petrunkewitch ;
Eustala taquara ( Keyserl) = Epeira taquara
( Keyserl = Araneus taquara (Keys ) — Petruk.
Eustala ulecebrosa ( Keyserl ) = Epeira ulece-
brosa-Keyserl == Araneus ulecebrosus | Keys ) —
Sctrunk.
NOTA N. 5
Hahnia Simon — (sp. n.)
Nao dando Simon diagnose nem nome a esta
especie, aqui a descrevemos como nova.
(*) Denominaçäo creada por Petrunkevitch.
9 — 3 mm. Cephalothorax, cheliceras, labio,
maxillares, palpos e pernas pardas, pnbescentes.
Abdomen de dorso pardo, com 4 faixas transversaes,
parallelas, formando angulos muito obtusos de ver-
tice anterior e lados obliquamente dirigidos para
fora e para traz. Fiandeiras internas e médias par-
das, as lateraes testaceas com um annel escuro no
ápice do segmento basal e tendo escuros os dois
terços apicaes do segmento apical. Olhos anterio-
res em fila levemente procurva, os medios cerca de
um terço menores que os lateraes; olhos posterio-
res em linha procurva, quasi equidistantes. Clypeo
mais largo que os olhos anteriores. Labio pouco
mais longo que largo. Fiandeiras internas um
pouco menores que as intermédias e bem mais del-
gadas; as fiandeiras intermédias ( correspondentes
ás inferiores das outras aranhas ) são as mais es-
pessas. Segmento basal das fiandeiras externas ( su-
periores das outras aranhas ) levemente mais longo
e um pouco mais delgado que as fiandeiras inter-
medias; segmento apical afilado, quasi igual ao se-
gmento basal Hab.: Ypiranga (S. Paulo), typo
no Museu Paulista.
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Una Alstroemeria nova dos arredores de Vo Paulo
Das 40 — 50 especies de Alstroemerias conha-
cidas até a presente data pela sciencia, pouco mais
da metade são indigenas no Brasil.
De uma grande maioria estão descriptos exclu-
sivamente os caules epigeos, presume-se entretanto
que quasi todas possuem raizes de extremidades es-
pessadas ou tuberiferas. Isto verificamos de facto em
cinco especies differentes que, alem da descripta aqui,
encontramos nos Estados de Minas-Geraes e S.
Paulo. A aqui descripta, encontrada vegetando nos
pantanos dos arredores de Butantan, não apresenta
qualquer espessamento ou tuberosidade em suas rai-
zes. Estas são espessas e abundantes, mas de gros-
sura egual em todo o comprimento.
E" possivel que alguina das especies conhecidas
tenha por isto affinidade com a presente, nós nada
encontramos descripto que se approximasse, e dis-
tinguindo-se a nossa planta por outros caracteres
das demais, julgamos tratar-se de facto de uma
especie nova. Se isto entretanto assim não for o
futuro o revelará, agora é preferivel que a plarta
em questão seja melhor. conhecida por nós.
A planta que aqui descrevemos foi por nós en-
contrada, ha perto de dois annos, e desde então
observada e por mais de uma vez fizemos retirar
varios exemplares della com toda a precanção para
examinar o systema radicifero e sempre o encon-
tramos constituido como o procuramos reprodu-
zir na estampa junta. Durante este espaço de tempo
tivemos tambem ensejo de verificar que as capsulas
maduras da mesma só arrebentam durante a noite
(isto é, ao contrario de multiplas outras que costu-
mam estalar quando bastante aquecidas pelos raios
0,6)
BORA C8 ta
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solares ) e que, abrindo-se, atiram para grande dis-
tancia as conchas de casca em que se separam e com
ellas as sementes roliças e duras.
Outro facto para o qual chamamos a attenção
dos estudiosos é o atrophiamento quasi completo dos
caules estereis que se encontram em dimensões re-
duzidas junto aos caules floriferos e ainda para o
atrophiamento de uma porção de flores de cada raio
floral. Este ultimo phenomeno parece repitir-se em
outras especies, mas não nos consta que alguem ti-
vesse chamado a attenção para elle.
A planta aqui descripta parece ser genuina-
mente paludicula, grande maioria das especies co-
nhecidas caracterizam-se entretanto pela xerophilia,
o que, contribuio para o desenvolvimento das tubéras
nas mesmas, que servem para armazenar a agua.
Alstroemeria butantanensis, [oeline (sp. r.)
Caulis hypogaeus teres, dense longissimeque
radiciferus, caules epigaeus diformes emittens.
Caulis epigaeus stricto-erectus, glaber, teres, infer-
ne squamatus, squamis remotis, glabris, arcte
adpressis, sessilibus, ovatis et obtusis ; sterilis redu-
ctus superficiam terram nom attingens; floriferus
strictus erectus, 1-2 m. altus. Folia oblongo-lanceo -
lata vel oblongo-linearia, acuta, basin versus torta,
resuninata, 12-14 cm. longa et 2 cm. lata. Folia
involucralia caulinis summis similia, erecto patula,
radis longiora. Umbella pauciflora usque multi-
flora, radiis 5-8, bi-trifloris, composita. Radii 2-3
flori; flores in quodque radio tanto modo 1 bene
evolatus. Perigonum foliola 6, libera, 3,5 cm. lon-
gum. Fructus obovatus, longitudinaliter 6—cristatus,
vertice tricostatus, styli basi persistente coronatus.
Semina in loculis 4-6, espheroides.
In paludis prope Butantan, São Paulo; floret
Novembri-Decembri, fructibus maturis Setembri-Oc-
tourr. Ns). 987, 1079 er 3068. * Tab." unical
Planta erecta de rhizoma hypogeo espesso, alvo
de comprimento variavel e mais de 1 cm. de espes-
sura, radicifero; raizes não espessadas em tuberas,
mas carnosas e glabras ou tambem mais curtas e bas-
tamente pubescentes, de 3-4 mm. de espessura e mais
de 20 e até 40 cm. de comprimento, pouco distantes
entre si. Dos lados e parte superior do rhizoma
nascem e se elevam os caules epigeos, ferteis e es-
tereis que nascem do sólo a maneira de aspargos,
são alvos na sua parte enterrada e verde-claros até
verde escuros na parte epigea ; a parte despida de fo-
lhas, quer a enterrada quer a epigea é vestida de
escamas appressas e obtusas, junto ao sólo, depois
da parte alva, um tanto avermelhada e attinge até
40 cm. de comprimento. Os caules estereis juntos
— 486 —
aos ferteis, não se desenvolvem muito, raro attingem
a superficie do sólo, são vestidos de pequenas es-
camas e sempre mais finos que estes ultimos. Os
ferteis teem de 100 até 200 cm. de altura e
quasi um cm. de diametro em sua base, são atte-
nuados para o apice e alli não teem mais de 3-4 mm.
de diametro, são quasi rectos, raro um tanto sinuó-
sos e providos de f lhas desde 20-40 cm. da sua base
até 10-15 cm. abaixo da umbella floral. As folhas
conservam uma distancia de 1-2 cm. entre si, são
dispostas em uina espiral e sesseis, resupiadas e de
forma ligeiramente linear-lanceolar ou oblongada,
attenuadas ligeiramente para a base e agudas no
apice, onde são mucronadas; as inferiores bem
como as floraes, não são resupinadas e meno-
res do que as demais, as primeiras são tambem
mais erectas e relativamente mais largas, as do
meio do caule teem de 12-14 cm. de comp. por 2
cm. de largura. A parte despida sob a inflores-
cencia não excede, senão raramente, de 19-20 cm.
As folhas involucraes, só excepecionalmente desen-
volvidas no material examinado, assemelham-se em
forma e tamanho às ultimas do caule, não são re-.
supinadas e excedem em comprimemento o dos raios
floraes abaixo da sua bifurcação. A umbella floral
se compõe de 5-8 raios, que a 1-2 cm. da sua base
são providos de bracteas que sosteem uma on duas
flores lateraes, menores, atrophiadas, destituidas de
pistillo e de ovario atrophiado, cujos pedicellos são
a metade mais curtos que aquelle da flor fertil, el-
las são de desenvolvimento tardio; as ferteis occu-
pam os extremos dos raios que teem 7-8 cm. de
comp., ellas teem estames e pistillo ferteis e desen-
volvein, ao contrario das inferiores ou lateraes, ca-
psulas com sementes ferteis, ellas existem em ru-
mero de 1-2 em cada raio da inflorescencia, são
bastante maiores que as estereis, isto é teem de
3,8-4,2 cm. de comp. e os segmentos não se sepa-
ram mais do que 3 em. em sua parte terminal. Os
segmentos exteriores do periantho são lahceo espa-
tulares, quasi eguaes entre si, apenas o superior é
+ RE —
um pouco menor, na base säo alvo amarellados
e do meio para o apice gradativamente mais
esverdeados até verde claros nas extremidades,
à forma delles é ob-ovo-lanceolar, comp. 4 cm., e
largura 8-9 mm.. são agudos e destituidos de qual-
quer revestimento, cilios ou maculas. Os segmen-
mentos internos, mais agudos, mais acuminados, são -
deseguaes, os dois lateraes mais espessos e mais
aconchavedos em sua parte inferior, são ahi provi-
dos de pellos papilliformes nas margens, e do meio
para cima tambem verdes, porém ornados de ma-
culas irregulares de vermelho-castanho e um pouco
mais curtos que os exteriores. Os estames e pistillo,
nas flores bisexuaes ou ferteis, são mais curtos que
o periantho e de comprimento egual, raro alguns
delles são mais curtos que os demais, a parte in-
ferior é achatada e iseridos na base dos segmentos
do periantho. Antheras oblongadas, emarginadas
na base e arredondadas em seu apice. As capsulas
oblongo-espheroides são uniloculares depois de ma-
duras, apesar do ovario se apresentar distinctamen-
te trilocular durante a anthese, na parte exterior
são ornadas de seis cristas elevadas que correm em
sentido longitudinal, no vertice tres elevações indi-
cam os septos, ellas attingem até 2-5 cm., de comp.
por 2 cm., de diametro na parte superior, abrem-
se abrnptamente do apice para a base, atirando para
longe as tres partes em que se seccionam quasi
elasticamente devido a pressão exercida pela colum-
na central placentaria; com o estalar das capsulas
as sementes redondas e bastante duras são atiradas
a grandes distancias.
O que-mais caracteriza esta interessante Ama-
ryllidacea é a fórma do rhizoma, que, ao contrario
das demais especies nunca apresenta espessa mentos
tuberiformes, o atrophiamento dos caules estereis e
egualmenie de uma parte das flores, a fórma dos
segmentos internos da flor e a maneira pela que
abrem as capsulas. Estas ultimas se abrem de pre-
ferencia durante a noite. Trouxemos varias para O
nesso gabinete e nunca conseguimos ouvir o estalar
— 488 —
durante o “lia, mas, pela manhã, encontravamos sem-
pre sementes espalhadas pela sala e tambem cascas
das capsulas lançadas pelo chão. EK’ de presumir
que a baixa da temperatura contribua para disten-
der a columna, que do apice das capsulas se exten-
de até abaixo do meio dellas e que se divide lon-
gitudinalmente em tres segmentos com a capsula.
Fig. n.
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Explicação para a estampa:
Alstroemeria butantanensis, HoRnxE
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1e 1.º — Planta inteira cortada em (x),
— reduzida a um quinto do tam. nat.,
mostrando o systema radicifer» e os cau-
les florigeros e estereis, os primeiros q
e segundos 0.
2 — Um parte da umbella floral em tam.
nat, mostrando um raio que ostenta uma
capsula fertil e duas atrophiadas e tam-
bem o involucro da mesma.
3 — Uma folha do meio do caule em tam.
nat.
4 — Flor vista de lado em tam. nat.
5 — Segmentos exteriores do periantho,
em tam. nat. — a) superior, b e c) la-
lateraes
6 — Segmentos internos do periantho, em
tam. nat. — a ) inferior, bec) lateraes.
7 — Estame em tam. nat.
8 — Pisrillo em tam nat.
9 — Gvario pouco ampliado, visto de lado
e em córte transversal
10 — Capsula madura, em tam. nat. vista
de lado e tôpo.
11 — Capsula depois de arrebentada, mos-
trando a concha de frente e com as se-
mentes soltas dentro e depois de lado,
para mostrar a posição em que fica a
columna placentaria depois de separada.
12 — Semente vista de lado e de tôpo, em
tam. nat.
Tudo feito segundo material vivo.
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UMA RECTIFICAÇÃO NECESSARIA
No nosso artigo « Catalogo e revisão das Leguminosas
do Hervario do Museu Paulista. com a descripção de algu-
mas especies e variedades novas encontradas no mesmo »,
publicado nesta Revista (1) descrevemos entre outras, uma
Cassia sob o nome: «ignorata». Dispunhamos então de
pouco material dessa planta, mais tarde porém o ncsso au-
xiliar, o sr. Augusto Gehrt, colleccionando em Bello Hori-
zonte, Minas Geraes, mundou-nos de lã entre varias outras
plantas tambem material della e verificamos enão que a
nossa «Cassia iguorata» da Secção Chamaefistule, série
bijugæ é : penas uma fórma da Cassia pilifera, Vog. da
secção Prososperma da Flora Brasileira de Martius,-da qual
se distingue apedas pelos estames mais longos, antheras um
pouco mas espessas, porte mais rijo dos caules e petalos
mais amplos Aqui corrigimos por isto o nosso engano,
dando a nossa especie como synonymo de Cassia pilifera,
Vogel.
(1) No tomo X da Revista do Museu Paulista.
AFFONSO D E. TAUNAY
UMA GRANDE JORNADA SCIENTIFICA:
À VIAGEM DE NEIVA É PENNA
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Une grande jornada selentifeas à vagem de Usine
¢ Penna pelo nona de abla, sul de Plauhy,
a de norte a sul de Goya,
EMO)
A’ extrema gentileza do illustre scientista a
quem o sr. dr. Oscar Rodrigues Alves, altamente
inspirado, commetteu a direcção do Serviço Sani-
tario do nosso Estado, devemos uma das mais
agradaveis, das mais fortes e ineditas impressões
de leitura, que jamais nos occorreram.
Teve o exmo. sr. dr. Arthur Neiva a amabi-
lidade de nos communicar as provas do relatorio da
grande viagem que, em 1912, a requisição da Inspe-
ctoria de Obras contra as Seccas e a convite directa
do sr. dr. Miguel Arrojado Lisbôa, emprehendesg
em companhia do Dr. Belisario Penna numa fãa
grande quanto mal conhecida zona do nosso immense
paiz, tão cheio ainda de regiões mysteriusas.
Sabedor de quanto nos interessam as cousas de
Brasil proporcionou-nos a leitura de algumas pa
ginas do seu trabalho, em via de imprimir-se nas
« Memorias do Instituto Oswaldo Cruz». Acha
mol-as tão interessantes que, insistentemente, lhe re-
clamâmos o resto do trabalho Passados algumas
semanas, conseguimos obtel-o e o ler de assentada,
deleitado com o descobrir tanta cousa nova sobre
nossa terra, tanto dado curioso e pittoresco.
(1) Série de artigos de analyse, publicados em 1917,
no Correio Paulistano,
— 496 —
Num estylo tão limpido quanto fluente fazem
os A. A. a syntuese de sua excursão de alguns
milhares de kilometros, o itinerario immenso que os
levon de Joazeiro a Araguary atravês do quatro
Estados de nordeste e do centro. E o que mais
agrada em todas essas paginas sinceras é a natu-
ralidade, a verdade com que se enunciam as cou-
sas. Não ha pretenção a armar o effeito : por toda
a parte o vigor da exactidão, a expressão daquilo
que é o que realmente é, e do que foi visto, a tra-
ducçäo de impressões leaes, a communicação de de-
poimentos singelos e veridicos, emfim a marca in-
confundivel do nobre axioma montaigniano : «cecy
est un livre de bonne foy... »
Nas paginas deste monumental relatorio näo se
deixou o scientista e o clinico absorver pela uni-
lateralidade de sens pontus de vista; procura o
patriota desvendar o maior numero possivel de
segredos attinentes às regiões atravessadas. Inte-
ressa-se pela sorte dos abandonados brasileiros
que alli vivem, perscruta-lhes a alma simples e ex-
põe-lhes as condições da vida dura e rudimentar.
Ergue-se uma voz em defesa desses miseraveis
patrícios, victimas da exuberancia da vida tropical,
devorados pelo mal de Chagas, parasitados de mil
modos, habitantes de uma terra safara e sem agua,
alheios já não ao resto do universo mas ao resto
do seu proprio paiz, ilhados, mais pela ignorancia
do que pela distancia, do convivio da nação.
Com a maior franqueza vão os drs. Neiva e
Penna dizendo o que viram, o que ouviram, o que
souberam, o que se desilludiram a respeito dessas
enormes regiões percorridas. este colossal trato de
terras centraes esteril, e frequentemente desolado,
essas interminaveis extensões de quiçassa onde cada
vez mais escasseiam as aguas.
Contribuição preciosa para o conhecimento exa-
cto do nosso paiz, onde tanta gente suppõe que não
haja alqueire de terra esteril, coberto dessa vege-
tação prodigiosa de que tanto se fala nos compen-
dios officiaes de corographia. E’ mais um docu-
= AN =
mento em abono da maxima do escriptor que dizia :
«é o Brasil muito mais povoado e muito mais
pobre do que geralmente se apregõa ».
E assim, livro da sinceridade e da verdade,
contará a « Viagem Scientifica» dos drs. Neiva e
Penna na litteratura geographica como um docu-
mento da maior relevancia, desses que são os pa-
drões das épocas e fazem inteira fé para os pesqui-
zadores do futuro.
Ao terminar a leitura de tão interessante e
attrahente relatorio resta-nos a impressão de que
acabamos de percorrer como que um termo dessa
série de escriptos dos grandes viajantes e scientistas
de antanho cujos nomes a nossos olhos se revestem
de tão prestigiosa significação. E” mais um livro
a ajuntar-se à bibliotheca formosa dos Principe
Maximiliano e dos Pohl, dos Saint Hilaire e dos
Spix e Martius, trazendo sobre os predecessores as
vantagens da modernização e o conhecimento da
technica de hoje — ha um seculo ainda rudimentar
— nas sciencias naturaes e na biologia.
Quando Oswaldo Cruz commetteu a expedição
aos cuidados dos drs. Neiva e Penna bem sabia que
a confiára não só a dois especialistas eminentes mas
tambem a homens de intenso e extenso cultivo ge-
ral, capazes de rigorosas observações climatologicas,
correntes em botanica, conhecedores a fundo da bi-
bliographia referente aos problemas scientificos re-
lativos às regiões a percorrer. E, acima de tudo,
conhecia-lhes a probidade profissional, a indepen-
dencia do caracter, o culto pela verdade desassom-
brada, a consciencia reflectida de observadores in-
cançaveis, de pesquizadores insaciaveis de documen-
tação, todos os caracteristicos que aos apaixonados
da verdade e da sciencia revestem,
Bem previa o grande fundador de Manguinhos
o que seriam os resultados desta expedição atravês do
o sertão e suas esperanças tiveram a mais absoluta
confirmação vendo a massa de conhecimentos re-
cem-incorporados à sciencia pelos illustres discipulos,
— 498 —
a somma de observações preciosas por elles divul-
gadas, o conjuncto de confirmações em sua autoridade
honesta estribadas.
E além do mais a colheita de resultados ine
ditos e originaes que a perscrutação de extensissi-
mas zonas brasileiras à sciencia trouxe...
Permittam-nos os leitores que « pari-passu »
acompanhemos o interessantissimo relatorio. Sera
um meio de os levarmos a palmear tanta terra nova
desse nosso immenso Brasil, tão desconhecido ainda.
Abre a « Viagem Scientifica » com uma série
de observações climatologicas summamente interes-
santes, tanto mais quanto ineditas; de Joazeiro para
oeste não ha um unico posto meteorologico na vas-
tidão dos sertões centraes ! nos « Geraes » desertos,
tão desertos como os encontrou Gardner ha quasi
um seculo, nos taboleiros piauhyenses e nas inter-
minas campinas goyanas...
Constataram os viajantes altas temperaturas men-
saes por toda a parte, medias de 26' em Abril no
norte da Bahia, 24º em Maio e Junho no sul do
Piauhy, de 20° ainda neste Estado Na fronteira
bahiano-piauhyense attingiu a minima, thermome-
trica a 79,9. Uma | Siberia! um’ polo do frio, '6
villarejo de Peripery !
Nos « Geraes » verificaram os exploradores ad-
miraveis condições de salubridade. Augmenta o calor
em terras goyanas, o que é natural: cada vez mais
se torna o clima continental. Agosto representa-se
por uma média de 25°. Em Setembro tem-se 36.º
no Porto Nacional, sobre o Tocatins, o ex-Porto
Imperial, dos ominosos tempos da sediça chapa. O
que os viajantes por toda a parte observaram foi a
assustadora diminuação de aguas em todo o Brasil
central. Innumeros rios perennes de outróra «cortam»
agora annualmenie. Caudaes volumosos de antanho
são hoje magros filetes, até os grandes affluentes do
Parnahyba, pomposa e illusoriamente desenhados por
grandes sulcos nos nossos mappas e atlas.
ie AUD
Il
Goyaz, Estado abundantissimo em aguas, vê O
mesmo phenomeno de diminuição dos seus rics.
Vao desapparecendo ou restringindo-se as áreas dos
buritysaes denunciadores da humidade; por toda a
parte avança o deserto, trazido peia secca. Augmenta
a area semi-arida do Brasil, nascida do fogo e da
destruição consequente da matta. Onde outróra havia
«tanques» e «pueiras», apontavam os habitantes
do sertão aos viajantes magras manchas de terras
humidas. Protestam vehementemente os A. A. con-
tra o descaso com que no Brasil vamos deixando
levar-se a cabo a devastação do solo pelo caipira
boçal e inconsciente, herdeiro dos processos dos seus
ancestraes aborigenes.
Interessantissimo o estudo por elles feito da
vegetação das zonas atravessadas, a flora de cacta-
ceas e bromelias da catinga bahiana, de gramineas
da campenha goyana, a pequenez em geral da flora
do nordeste central. Lançam um aphorismo de dis-
seminação botanica muito preciso e curioso; «a fa-
veleira é a divisa entre a «catinga » e o «agres-
te», as duas zonas sertanejas caracterisadas pelo
seu aspecto diverso.
O campo por toda a parte! geralmente o campo
pobre. Descendo-se a serra do Duro, quer do lado
de Goyaz, quer do lado bahiano, tem-se a campina
a perder de vista; «não existe, em toda a enorme
extensão, arvore alguma ou arvoredo, que dé som-
bra». «O problema das seccas é polyedrico », diz
o dr. Neiva, e parece-nos deverá ser encarado
sob varios prismas e atacado simultaneamente por
todos os lados. A’quelles que, como nós, conheceu
as zonas seccas em pleno periodo de estiagem, acó-
de a idéa de que a reflorestação do nordeste bra-
sileiro é o complemento indispensavel da açudagem,
que, com o estancar progressivo dos mananciaes,
não terá sirão effeito transitor.o.
Um capitulo interessante & o que se refere ds
« plantas venenosas ». Ahi estudam os A. A. os
— 900 —
curiosos effeitos do «canudo » sobre os rebanhos,
a propriedade que leva a ingestão dessa planta a
provocar a embriaguez do gado, e, às vezes, a mor-
te. A «mucunan», cujos effeitos toxicos são te-
midos no Norte, em nada, no emtanto, affectou a
saúde dos animaes do laboratorio de Manguinhos.
Facto não raro é a existencia no Nordeste
central de fontes cujas aguas, pela dissolução de
substancias mineraes, occasionam a morte do gado
que nellas se abebera. Viu o dr. Neiva morrer
rapidamente um cabrito victima da ingestão do lh-
quido que, experimentado mezes mais tarde em
Manguinhos, se mostrou inteiramente innocuo.
Na faina de colher material scientifico de que
se não descudaram os A. A. um sd momento,
exhaustivamente, obtiveram numerosissimos proto-
zoarios e vermes que os tão competentes drs. Mar-
ques da Cunha e Lauro Travassos determinaram em
Manguinhos, Estudaram-lhes a disseminação geo-
graphica, impressionando-os sobremaneira a « car-
rapatagem », o numero colossal dos nojentos e te-
miveis arachnideos causadores de incalculaveis males
à nossa pecuaria. Estudo acurado foi o dos hospe-
deiros dos vermes e carrapatos.
E a par destas questões, quantas mais, interes-
santissimas, foram pelos viajantes ventiladas ! A cada
passo surgem nas paginas do relatorio referencias
a ellas attinentes.
Assim, por exemplo, as curiosas notas sobre
aranhas carangueijeiras, as avicularideas, escorpiões,
etc. ,
Dipterologo eminente, por toda a parte conhe-
cido pelos seus estudos em collaboração com Lutz,
Barbará, ou isolados, era natural que o dr. Neiva
prestasse a maior attençäo a mutucas e mosquitos.
A sua lista de tabanidas regista 35 especies, das
quaes 10 novas.
A questão-do papel das anophelinas, como agen-
te transmissor da malaria, trouxe preciosas confir
mações. A molestia de Chagas prececupava os
A. À. de modo intensissimo. Seriam os moradores
— 901 —
deste enorme tracto de terras sujeitos à aggressão
do « Triatoma megista », degenerador de tantos
brasileiros? Verificaram que infelizmente a sua
zona de propagação é colossal, só a ella escapando
a região entre o S. Francisco e S. Raymundo
Nonato, no Piauhy.
Curioso o capitulo sobre os dphidios, onde se
regista uma série de informações sobre as crendices
populares, os abusões, os enganos e disparates de
toda a especie acerca do ophidismo e methodos the-
rapeuticos populares de o combater. Nada de novo
apresentou o materia: recolhido, a não ser peque-
nas divergencias não especificas da « Lachesis neu-
wiedii » piaubyense, segundo assignalou o joven e
já tão competente herpetologo dz Butantan, dr. João
Florencio Gomes. A avifauna da região é pobre e
o mesmo se dá quanto aos mammiferos, observam
os A. A. Assin mesmo represeniam excelientes
contribuições as notas sobre os ratos sylvestres,
providenciaes devcradores dos triatomas. Insinuam
os A. A. a necessidade de se promover a revisão
dos estudos até agora feitos sobre certos simios, 4
vista de discordancias que assignalaram. Egual-
mente interessante a observação sobre antas e tatús,
em que assignalam quanto ainda é obscura a bio-
logia dos dasypodidos.
Os felinos, procurados pertinazmente pelos via-
jantes, quando muito foram entrevistos uma ou outra |
vez. Entendem as A. A. queaseu respeito existem
numerosos pontus controversos, que exigem lenta e
detida elucidação.
Por diversas vezes encontraram os À. À. ves-
tigios paleontológicos de certo vulto, sobretudo em
S. Raymundo Nonato no Piauhy, onde viram ossos
de grandes mammiferos, « alguns dos quaes perten-
ciam aos representantes dos « Dasypodids ». Todas
as pesquizas sobre a presença de molluscos fosseis
foram infelizmente negativas. © mesmo se deu em
relação à procura do «Psaronius brasiliensis »,
Brogmart, que o dr. Arrojado Lisboa encontrou na
mesma zona.
— 902 —
Mereceu o « Dermatophiius penetrans » ( bicho
de pé) especiaes cuidados dos A. A. Verificaram
sua existencia nas antas de Goyaz e, como até hoje
não se sabe si o insupportavel sifonaptero é impor-
tação africana ou não, entendem os dois scientistas
que o achado possa lançar alguma luz sobre o caso :
« talvez seja o « Tapirus americanus » o hospedeiro
primitivo do ecto-parasita, o qual, depois do desco-
brimento, encontrou nos suinos o meio excellente
para se desenvolver e se propagar. Por informa-
ções souberam serem as « queixadas » tambem ata-
cadas. Novos sifonapteros descobriram-se no ma-
terial recolhido pelos viajantes, que verificaram a
frequencia da escabiose victimadora dos cavallos e
a «Chrysomyia macellaria » responsavel pela mi-
ase humana e animal, muito communs nas zonas
percorridas.
Entre os dipteros hematophagos responsaveis
das tripanosomyases, abundancia de murinharhas se
notou por toda a parte.
A «Musca domestica », senhora de todo o globo ;
esta apresenta-se em « proporções inverosimeis» no
recesso dos nossos sertões. Numerosos foram tam-
bem os ecto parasitas descobertos. Facto cur'oso :
encontraram os A. A. no Alto Piauhy o vocabulo
« berro », archaismo portuguez, que nas demais z0-
nas do paiz degenerou em «berne ».
Identificaram os A. A. o «poto», insecto ve-
sicante e temido pelo seu contacto dolorosissimo com
a epiderme, ora com um coleoptero do genero « Epi-
cauta Redt», ora com estafilinidas do genero « Pæ-
derus Fabr ».
K Lal
Verificaram os À. A. que em Goyaz o veneno
da tocandira « Dinoponera grandis » não parece ter
a mesma toxidade que na Amazonia.
Na travessia dos «Geraes» puderam surpre-
hender a provavel explicação de um facto scienti-
fico muito debatido: o «luminous termite hills »
= DOM 2
referido em 1879 por it. Smith e affirmado e con-
testado por outros autores.
Verificaram os drs. Neiva e Penna, no sul do
Piauhy, innumeras « largartas de fogo », larvas de
coleopteros luminosas, installadas em termiteiros :
dahi a phosphorecencia a estes attribuida e consta-
tada exclusivamente durante a presença de taes lar-
gatas de fogo.
Os hymenopteros não « ffereceram material rico
aos viajantes, pelo numero de especies, embora em
alguns logares pareçam prodigiosamente abundantes.
Verificon o dr. Neiva o papel providencial de uma
pequena abelha, © «piolho de urubú », Monedula
Latr. » incancavel destruidor das mutucas.
Em parte aiguma viu cortços da « Apis melli-
fica» que em 1879 afiangava Linneu ter o seu ha-
bitat em todo o globo, « omnis orbis terrarum culta ».
Diminuem continuamente as meliponidas indigenas,
o que se consubstancia na phrase recolhida de um
cabloco : « Quem quer agora melar tem que laborar »
afirmativa rematada por uma sentença fatalista de
sertanejo : « Neste mundo o que é que não se acaba ?
só a graça de Deus ».
Esquecia-se o homem de dizer que à sua gente
se devia esta escassez de colmeias, graças ao sys-
tema barbaro dos « meladores », destruindo a arvore
para attingir os cortiços.
O capitulo dedicado à « Molestia de Chagas »
tem, como era de esperar, capital importancia. Ob-
servações tão numerosas como carinhosamente feitas
pelos viajantes os levaram à conclusão de que não é
exacto o papel preponderante que, para a propa-
gação da tripanosomyase se attribuiu ao « Triatoma
megista ».
Zonas ha em que este reduzido é raro e mesmo
desconhecido, ao passo que o « Triatoma sordida »
occorre abundantemente.
Conseguiu o sr. dr. Neiva infectar cobaias com
fezes do «Triatoma sordida », portadora do «T.
Grazi », confirmando a descoberta de Brumpt.
— 904 —
Uma conclusão original e interessante é a hy-
pothese que levantam sobre as relações do bocio
com o mal de Chagas. Acha o sr. dr, Neiva que a
hypertrophia da glandula thyroide está intimamen-
te ligada às condições de vida mais ou menos civili-
zada, consentanea com a presença ou ausencia dos
triatomas.
Demos-lhe porém a palavra :
« Ao attingirmos a capital de Goyaz. depois de
tão longo percurso e sempre com a attenção voltada,
principalmente, para a observação do bocio, um facto
se destacava, como constante, não só apoiado pela
observação pessoal e directa, como ainda das infor-
mações obtidas, todas concordes em afirmar que o
bocio, quasi sem excpção. exige para o seu desen-
volvimento e propagação uma condição social inter-
mediaria entre a civilisação primitiva dos indigenas
e as actuaes condições das cidades e villas sertanejas.
Si estas progridem, o mal desaparece, o contrario se
observando com alguns indios que se approximam
do typo de civilisação intermediaria, os quaes podem
tornar-se portadores de bocios, como pudemos ob-
servar em uma india cayapó aldeada desde criança
e vivendo entre habitantes portadores de bocio ; foi
o unico caso que observämos em indios, tendo sido
informados pelos frades dominicanos residentes na
cidade de Porto Nacional que, os indios sómente
nestas condições são portadores do bocio e as veri-
ficações deste genero são raras, mesmo para elles, in-
contestavelmente os melhores conhecedores do ter-
ritorio goyano e que o tem percorrido em todas as
direcções ha mais de 20 annos. O dr. A. Machado
que tambem percorreu grande zona de Goyaz, refe-
riu-nos que apenas observou 3 Cherentes portadores
de bocio no arraial Piabanha ; estes indios já tinham
abandonado a vida primitiva ».
No entanto jamais vira Saint Hilaire nem ou-
vira falar de que um unico indio fosse papudo; nem
tão pouco Pohl, Gardner, Krause, e ainda nltima-
mente o dr. Mandacarú de Araujo, conhecedor per-
feito do aldeamento da ilha do Bananal.
— 505 —
« Pelas nossas observações. o bocio só existe
em uma condição semi-civilisada ; é um mal ligado
de qualquer modo à habitação; inexistente entre os
indios, propegando-se nestes ultimos 89 aunos no
extremu norte de Goyaz, segundo a citação que fi-
zemos de Gardner.e pelo que «de visu» observämos ;
geralmente ausente das zonas onde ha escassez d'agua,
mas podendo-se encontrar em povoações como: Al-
mas, Amaro Leite e Wescoberto, onde aquele ele-
mento é naturalmente escasso.
« A’ medida que a civilisação penetra o bocio
vai desaparecendo, pelo menos a observação do que
se tem passado no Brasil é sem excepção favoravel
a essa theoria; em 1824 o bocio existia no Rio
Grande do Sul e 20 annos mais tarde invadia Rio
Pardo, Cachoeira e Caçapava, segundo nos informa
Sigaud. Em 1844 o bocio era universal nas cidades
paulistas de Jundiahy, Jacarehy e Mogy-mirim e
com a penetração do progresso o mal foi continua-
mente desapparecendo ; era tão commum o bocio na
Provincia de S. Paulo que Martius, ao figurar uma
paulista, desenha-a com o bocio e, mais recente-
mente ainda, vemol-o desapparecer com a transfor-
mação operada na villa do Curral del Rey para dar
logar à cidade de Bello Horizonte.
« Para fugir à conclusão que o bocio está li-
gado à molestia de Chagas, seria preciso admittir
a existencia de outras entidades morbidas, tambem
transmittidas pelos barbeiros, ou, ainda, duma causa
eficiente existindo nas mesmas condições nosologicas
favoraveis ao desenvolvimento daquelle hemipreros ;
em favor destes factos, que lembramos apenas como
uma hypothese, fala a circumstancia da nulla ou pe-
quena proporção de triatomas infectada e encontrada
em localidades onde o bocio é muito abundante, como
Duro e Porto Nacional.
Estudando a dissiminação da febre amarella pelo
interior do paiz acham os A. A. que a endemia in-
negavel e latente do typho icteroide se estabeleceu
em grandes regiões sob a fórma de casos relativa-
mente benignos, confundidos com os de malaria quasi
— 906 —
sempre. Proveio o contagio primitivo do littoral.
Ao surgirem casos graves, fulminantes, inconfundiveis
nascem hypotheses de todos os lados para explanar
o que tão facilmente é explicavel, em terras onde
do se congrega para proteger a aclimaçäo do mal
mississipiano e onde o « Stegomya » existe aos mi-
lhões. Ha porém largo trato de terra como o no-
roeste Bahiano e o sul do Piaahy onde apezar dos
terriveis hematophagos, ainda não houve sombra de
gontaminação, o que de um momento para outro se
poderá dar, occorrendo então entre as desarmadas
populações epidemias furibundas. O tão citado e
conhecido caso Caio Prado, em 1889, na Fortaleza, .
ê para os À. A. mais um argumento em favor da
hypothese que lançaram, tão acceitavel quanto cheia
de logica.
IV
A ankilostomose é um mal incomparavelmente
menos espalhado no região do nordeste do que nas
vizinhanças dos nossos grandes centros civilizados e
nas melhores zonas do paiz, constataram-no os drs.
Neiva e Peana. Nas paragens mais seccas, o mal
diminuia, augmentando nas localidades onde o factor
agua crescia. A bilharziose. pelo contrario, pouco
conhecida no sul, é frequente ao norte.
Parte interessantissima do relatorio é aquelle
em que os A. A. estudam as molestias do ser-
tao: a entalação où o mal de engasgue,
por Taunay pittorescamente revelado em « Innocen-
cio», e o vexame do coração. Era-nos a dispha-
gia espasmodica, conhecida quer pelo romance,
quer pelas referencias de viajantes.
Do vexame jamais ouviramos falar. A nosso
vêr, relevam-no os A. A. ao mundo scientifico, o
que alids indica a ausencia de bibliographia por el-
les citada, escrupulosos como säo em apontar todos
as fontes onde hauriram os apontamentos. colhidos.
E” o vexame uma manifestação nervosa, hysterica
e tão curiosa que preferimos deixar ao leitor todo
o sabor do texto original que lhe diz respeito.
UE
« Trata-se de uma manifestação morkida, rara-
mente mortal, muito frequente entre as mulheres,
rara nos homens, que não podemos identificar à his-
teria, à epilepsia ou a qualqner das nevroses conhe-
cidas. Essa manifestação foi observada nas zonas
flagelladas pelas seccas, por nos percorridas desde
Petrolina até Formosa, desapparecendo inteiramente
desde que penetrâmos nas zonas humidas de Goyaz.
Frequente nas mulheres, ella affecta tambem os ho-
mens, em escala muito pequena, e raramente as
crianças. Na linguagem do sertanejo, a crise ma-
nifesta-se por um baticum no coração (palpitações),
escurecimento da vista e perda dos sentidos, com
ausencia de contractura, convulsões, suores, gritos ou
gemidos. Póde a crise ser provocado por «susto »
ou «rancor», ou qualquer contrariedade, mas
sobrevem constantemente independente de qualquer
pretexto.
Em regra geral, declaram os doentes perem-
ptoriamente que não sentem nem o desejo de gritar
ou de se debater. Não ha reacção termica, nem
perturbação durante a crise, dos rythmos respiratorio
e circulatorio, excepto nos primeiros momentos, em
que ha palpirações cardiacas. A crise póde durar
de minutos a horas. Cessada ella, volta a paciente
aos seus afazeres, sentindo apenas uma certa lassi-
tude on enlanguescimento geral. Em geral, o doente
conserva a memoria e é relativamente frequente o
numero de enfermos que, embora sem poder falar
ou mover-se, ouve O que se passa em torno, con-
servando mesmo certa sensibilidade.
Casos ha em que rao ha perda dos sentidos,
apenas da fala e dos movimentos. Outros ha, raros
porém, em que sobrevèm paresias ou paralysias tem-
porarias de um ou mais membros, que perduram
desde horas até mezes, desapparecendo, afinal, inde-
pendentes de qualquer tratamento. [la tambem os
casos benignos, em que a crise se limita a uma ver-
tigem passageira ».
Acreditam os A. A. que o estranho mal, tão
peculiar às regiões que atravessaram, seja, em parte,
— 508 —
provocado pelo tabagismo, provindo quer do fumo
dos cachimbos, quer da mascagem do tabaco em
corda, embora haja observações em contrario.
Ligam-se frequentemente a entalação eo ve-
xame.
« Raramente um mesmo individuo apresenta as
duas manifestações. Ha, porém, casos desses, tendo
nos occasião de observar dois entalades que sof-
friam tambem do vexame. O vexame é fre-
quente nas mulheres, entalaçäo nos homens, mas
uns e outros embora em pequena proporção, apre-
sentam tambem o mal peculiar a cada um dos sexos.
Vimos uma familia de seis membros; pae, mãe
e quatros filhos (dois casaes ) em que o pae e os
filhos soffriam de entalação e a mãe e as filhas
do avexame ».
Para o caso, chamam os A. A. a attenção in-
sistente dos neuro-pathologistas, e realmente suas
observações desvendam um campo clinico de primeira
ordem, relativo a mais uma affecção desconhecida e
vulgarissimo flagello das nossas pobres populações
sertanejas centraes.
O impaludismo domina soberanamente em mi-
lhões e milhões de kilometros quadrados do nosso
territorio; não ha quem o ignore.
Constataram-lhe os A. A. os males, ora menos,
ora mais violentos, em todo o percurso do seu enorme
itinerario.
E quanta crendice absurda entre as populações
perseguidas ! Quanta ignorancia a combater, e precei-
tos a remover, mesmo entre pessoas de certa cultura.
« As idéas quanto à etiologia da malaria são
das mais primitivas; neste particular as populações
das regiões seccas não fazem excepção ao modo de
pensar generalizado das camadas populares de toda
nação ; ali, como alhures são as fructas locaes as
productoras da malaria; nem remotamente é suspei-
tada a influencia culicideana do mal, facto que não
é de admirar porquanto, com raras excepções, Os
poucos medicos encontrados naqueilas zonas não lhe
dão credito ou a ignoram ».
— 509 —
Ha no emtanto um principio fixo: é que a ha-
bitação junto à agua é perigosa, porque predispõe à
malaria.
Verificam os A. A. que os peixes só destroem
as larvas de cucilinas, a elles escapando as de ano-
phelinas.
Deve-se fazer a maior guerra à vegetação pa-
lustre; é a maior protectora da proliferação dos
mosquitos.
As paginas consagradas ao estudo do impalu-
dismo a sua prophylaxia são das mais instructivas,
nellas revistam os A. A. as hypotheses mais mo-
dernas sobre quinino-resistencia, trazendo in-
formações proprias da maior relevancia, que tornam
este capituto de seu relatorio uma summula bri-
lhante da questão no que tem demais recente, à luz
da sciencia medica e da biologia moderna.
A tuberculose e a syphilis achou as o dr. Neiva
disseminadas nos sertões de nordeste muito mais do
que contava. Já zão tanto a bouba, a lepra e a
leishmaniose, molestias que considera raras naquel-
las regiões longinquas. O mesmo quanto 4 filariose.
Os casos de diptheria e de carbunculo são frequen-
tes; os de dysenteria bacteriana, frequentissimos.
Jämaïs ouviu falar do alastrim ; as epidemias de
variola são frequentes, infestam grandes zonas, mas
geralmente pouco matam. O trachoma está muito
espalhado ; impressiona altamente o numero de pes-
soas atacadas por diversas molestias de olhos. que
occasionam casos frequentes de cegueira.
Aos A. A. impressionou fortemente a formida-
vel mortalidade infantil; communissimos os casos em
que os individuos criam 4 e 5 dos 12 e 15 filhos
que tiveram. O impaludismo, as infecções intesti-
naes, assolam aquellas populações desprotegidas e
miseraveis, onde surge às vezes o typho exanthe-
matico, a causar enormes estragos, como é natural
em logares onde por completo falham os preceitos
hygienicos e a escassez em aguas é prodigiosa, ser-
vindo-se os humanos e animaes do mesmo líquido,
— 910 —
contaminadissimo caldo de cultura da mais letal das
floras e faunas.
No
Importante é o capitulo do relatorio consagra-
do ao estudo das epizootias. Verificaram os viajan-
tes a generalisação enorme do carbunculo bacteriano,
invasor de enormes regiões ceniraes, e baptisado com
uma série de appellações as mais diversas desde o
«mal da guelra » até o «laranjão ».
Frequente é tambem o mormo. De uma epi-
zootia mysteriosa, o «mal de chifre» — muito ou-
viram falar os dois scientistas mas não a puderam
observar. [Fizeram porém, a identificação do «torce»
com o mal de cadeiras, tão conhecido em Matto-
Grosso. ‘Tal identificação chamou-lhes, como era
natural, a attenção para a fauna de tabanidas, ri-
quisssima em largos tractos de terras atravessadas.
Por toda a parte campeia a terrivel tripanosomiase,
hoje felizmente combatida pelo especifico descoberto
pelo dr. A. Machado. Notaram os A. À. que por-
cos e até cães della são victimas.
A «durina », outra tripanosomose equina foi
presente em todo o trajecto, verificando-se tambem
quanto são dizimadoras dos rebanhos a diarrhéa
dos bezerros, a « esponja», de pathogenia ainda du-
vidosa, e a osteoporose ou «cara inchada ».
A raiva encontraram-na espalhadissima : de vez
em quando formam-se enormes fócos, como em
1911, em São Raymundo Nonato, no Piauhy e on-
de centenas de animaes de toda especie a contra-
hiram. Facto curioso: encontraram os viajantes
individuos mordidos por animaes apparentemente
hydrophobos, sem que houvessem manifestado sym-
ptomas da terrivel infecção.
Acreditam os drs. Neiva e Penna que se con-
fundem effeitos da nossa «peste de coçar», freguen-
tissima no Nordeste, com os da hydrophobia. A
pseudo-raiva, lavra intensamente nos rebanhos das
regiões atravessadas.
— oli —
Quanto à febre aphtosa o extremo da sua zona
de disseminação encontraram-na ao sul de Goyaz; ao
resto dos sertões percorridos, pouco é conhecida, e
que se não da com o « mal de cascos » commum
nas catingas bahianas.
Não lhes foi possivel observar o parasita proda-
ctor da «tristeza do gado ».
Uma infecção vulgarissima é a «caruara », epi-
zootia que occasiona enorme devastação entre os
bezerros recemnascidos e que os A. A. julgam ser
a « Pyosepticemia neonatorum», molestia cujo
agente pathogenico ainda mal se conhece, suppon-
do-se que a via de entrada do virus seja effectuada
pelo umbigo. A osteomalacea, commum no norte
de Goyaz, é combatida pela experiencia popular.
com a rotação das pastagens.
Os suinos do sul de Goyaz acharam-nos os À .A.
commummente flagellados por uma serie de epizo-
otias, sobretudo pela nossa tão conhecida « batedei-
ra» e a «cangica» ou cisticercose. A avicultura
é por toda a parte descurada, pois a carne das aves
passa por ser nefasta; não entrando na dieta de
certas riolestias, sobretudo na do impaludismo! O
berne é que domina soberanamente todo esse enor-
me tracto de terras percorridas em Goyaz. À « mi-
iase » asssume proporções de flagello, atacando ho-
mens e animaes. (Que prejuizos immensos causa
äs pobres populações avariando os couros de bois,
ovinos e caprinos, depreciando-lhes enormemente ¢@
valor venal ! Diz a observação popular que as mos-
cas não desóvam unicamente sobre os hospedeiros e
sim sobre as roupas expostas ao ar, o que explica
a infecção de recemnascidos encerrados em casa.
Tiveram os A. A. a occasião de verificar a im-
procedencia relativa às informações prestadas por
naturalistas sobre o papel attribuido a curto culici-
da como vehiculador dos ovos da « Dermatobia ».
Acham os drs. Neiva e Penna mais exacta à
observação popular, registada em São Paulo e no-
roeste de Matto-Grosso sobre a penetração directa
da larva no corpo do hospedeiro.
— 912 —
O capitulo « Therapeutica popular » é dos mais
notaveis de toda a obra, cheio de informações no-
vas e curiosas.
Revela-nos «a inopia de recursos em que vi-
vem as populações do Brasil Central, obrigadas a
procurar auxilio na flora e na fauna locaes, afim
de se tratarem, arsenal therapeutico enormemente
pobre. » Acham os drs. Neiva e Penna que em
nosso paiz muito se exagera a acção curativa das
plantas medicinaes. E” que ainda ha verdadeira
deficiencia de observações e muito se acompanha a
«vox populi ».
«Os productos extrahidos da fauna são em
muito menor numero e não possuem tanto credito.»
O que tem imnenso prestigio são as rezas.
crendices e abusões. O «mau olhado » possue, no
Brasil Central, todo o mysteriose poderio.
Os individuos que se pretendem dotados de po-
deres sobrehumanos para a cura dos accidentes do
ophidismo, estes se encontram frequentemente.
Querer abalar esta influencia é procurar perder
tempo e angariar antipathias. Ha a maior igno:
rancia accerca de cobras; ninguem distingue as ve-
nenosas das não venenosas; as innocuas amphisbe-
nas, as cobras de duas cabeças causam verdadeiro
terror, tendo o povo por terrivelmente perigosos
estes pobres lacertilios.
Alho, alcool, sal, kerozene, são vulgarmente
empregados para accidentes ophidicos e os casos de
hydrophebia.
Para a raiva nada ha porém como fazer mor-
der peio doente a chave do sacrario da egreja pro-
xima.
Os ossos hyoides vesiculares dos guaribas pos-
suem virtudes especificas contra o bócio.
E o mais variado o arsenal therapenticc con-
tra o impaludismo. Infusão de um sem numero de
plantas, de todas as familias vegetaes. A diphteria
é tratada com limão e as pneumonias com o dente
canino esquerdo do queixada, o qual depois de tor-
rado é bebido em alcool. Em certos logares da
,
— 913 —
Bahia em vez disto chupa-se o sangue de uma gal-
linha de Angola, morta na hora. As conjunctivi-
tes tratam-se — remedio barbaro — pelo sarro de
cachimbo com limão e limalha de ferro.
Nas localidades onde ha medicos só se cha-
mam os clinicos quando as medicações caseiras e
rezas «não deram sorte». No Piauhy bebem as
parturientes-do povo uma horrivel beberragem de
pimenta: «a tezoura que serviu para cortar o cor-
dão umbelical é collocada sobre a cabeça da crian:
ça para evitar o mal de 7 dias. E' muito espalhada
a crença de que as fructas provocam sesões e assim
todo o mundo dellas se priva, principalmente das
pinhas, araçãs e melancias.
Acredita-se muito na efficacia do amuleto; en-
tre elles um de incomparaveis virtudes vem a ser o
dente de jacaré. Seria um nunca acabar referirmos
as curiosissimas informações hauridas das paginas
deste capitulo, incontestavelmente um dos mais
attrahentes do Relatorio
VI
Nas « Considerações geraes » fazem os drs. Nei-
va e Penna a synthese das observações apanhadas
na sua tão dilatada digressão atravez dos quatro Es-
tados. Não nos furtamus ao desejo de transcrever
a introducção deste capitulo, tão eloquente na so-
briedade da narrativa dos factos colhidos no longia-
quo hinterland brasileiro. Com um criterio orien-
tado pelo verdadeiro patriotismo, nada accrescentam
os autores ao quadro e em nada lhe restringem as
dimensões ou tentam dissipar-lhe as sombras. Tem
o leitor a impressão de que vê o que os illustres
scientistas presenciaram.
« Mesmo no «verde» que exprime a fartura
naquellas paragens, a alimentação da maioria da po-
pulação é insufficiente e ma. Na zona das catingas
a base é constituida pela carne de bóde, farinha e
rapadura; no Piauhy e certas zoras de Goyaz, 0
xarque é feito com a carne do gado vaccum. Nas
fazendas de gado, o leite é utilizado de varias ma-
neiras e em abundancia. A carne verde e o leite
são excellentes no Piauhy; em certas épocas do
anno, porém, o gado gosta de alimentar-se de uma
planta que impregna a carne e o leite de um sabor
aliaceo quasi intoleravel. Durante os dias que esti-
vemos hospedados na fazenda « Tanque », foi impos-
sivel obter-se leite com outro sabor e, mais de uma
vez, a carne, mesmo bem cozida, em nada masca-
rava o forte sabor de alho que encerrava. A causa
deste facto reside na ingestão, pelas rezes, de uma
begoniacea trepadeira alli vulgarmente conhecida
pelo nome de «cipó d'alho », e que, provavelmente,
é a « Adenocalymma alliaceum » MIERS.
A titulo de curiosidade, transcrevemos o carda-
pio de um vaqueiro das proximidades de Joazeiro,
que pessoalmente nos deu a informação: A’s 6 ho-
ras, café simples; às 10, almoço de carne de sol
( carne de vacca ou de bóde preparada a maneira
de xarque ), farinha e, ás vezes, feijão; às 13 horas,
jantar, que consta da mesma alimentação do almoço,
tendo, poréin, a mais, rapadura e requeijão, como so-
bremesa ; às 19 horas, ceia; café geralmente acom-
panhado de requeijão ou carne. Esta é alimentação
dos abastados, fora das cidades e villas, pois o va-
queiro participa de todas as regalias dos fazendeiros.
Muito menos do que isto constitue a alimenta-
ção dos pobres habitantes do sertão do nordeste;
a frugalidade delles é inevitavel; onde, porém, a
miseria assume proporções dolorosas, é nas regiões.
bahianas e piauhyenses proximas de Goyaz e, prin-
cipalmente, no norte deste Estado, onde grande nu
mero de brasileiros vive ao Deus dará, procurando
mel e comendo o que caça, sem sal, cozido sim-
plesmente nagua e acompanhado de arroz, quando
ha, farinha e alguns côcos, quando é tempo. O sal,
para grande numero de habitantes destas regiões,
não é absolutamente ntilizado, e póde-se calcular
que assim seja, pelo elevado preço que attinge nes-
tas paragens, onde, quando existe, é vendido a 2¢0:J0:
e mais o litro.
== Dto =
Isto só se observa nas moradias isoladas e dis-
seminadas nos «(reraes », mas 0 numero destes é
certamente de alzuns milheiros; em geral, nas pa-
ragens distantes a que agora nos estamos referindo,
co que existe é o agrupamento de algumas casas, a
maior ou menor distancia de uma que serve de
centro; o todo é denominado quasi sempre pelo
nome do morador mais importante; não é bem
uma fazenda, é um punhado de gente que se auxi-
lia reciprocamente. Ahi a alimentação é mais abun-
dante, existe o milho, arroz, feijão, rapadura e cria-
ção « miunça » (gallinhas, porcos, etc. ). Para o
viajante, estes sitios representam muitas vezes a sal-
vação, não ha exaggero; são os unicos logares onde
poderão se abastecer de viveres e do milho impre-
scindivel à tropa. Mesmo assim o uso do sal é
pequeno: é apenas usado em quantidade indispen-
save] para impedir que a carne a se xarquear se
putrefaça. O café não é utilizado, pois o preço é
prohibitivo, sendo vendido, em grão, a 24000 o
kilo, nas proximidades do Porto Nacional. Não
acreditamos haver necessidade de insistir mais neste
capitulo, ainda guardamos vivas as impressões, bem
tristes, da profunda miseria e do abandono em que
Jazem milheiros de seres humanos, e o nosso de-
poimento de forma alguma viria mitigar .as suas
afilicções.
Como se alimentar convenientemente si o sala-
rio é desprezivel? Em Joazeiro e immediações, 0
salario é de 1$000 diarios e 12 horas de trabalho
sem descanço; a 30 kilometros de Petrolina cai a
900 réis e o mesmo tempo de trabalho. sendo a
comida à custa do patrão, chegando à baixar a 300
e 200 réis em varias localidades bahianas e per-
nambucanas. Do Piauhy em deante, começam os
contractos, que continuam presentes na propria ca-
pital de Goyaz, conforme informações insuspeitas.
Na villa do Duro e immediações, paga-se a mensa-
lidade de 78000 por trabalhador; o trabalho é de
8 a 10 horas; a comida é fornecida pelo patrão,
o descanço é obrigado aos domingos e dias santifi-
— 916 —
cados ; nas proximidades das cidades a mensalida-
de mehor»; proximo à capital de Goyaz chega a
204000. O kilo de carne verde na villa do Duro
custa 250 réis, o litro de sal 14900, a lata de ke-
rozene de 15 a 20600 e, de passagem, é bom no-
tar-se que o Duro se abastece facilmente em Barreiras
-Bahia, de onde dista cerca de & dias de viagem
commum. À d9 kilometros da cidade de Porto
Nacional já o sal é vendido a 18500 o litro, o
kerozene a 14000 a garrafa, a creolina, 100 grs. por
18000; no Verissimo o kerozene sche de preço, o
sal attinge2$000 o litro e este preço se mantem até
à distancia de cento e cincoenta kilometros da capi-
tal de Goyaz, começando então a descer.
O alto preço que attinge o vetroleo explica a
iluminação usada no Brasil central; o uso da can-
deia é generalizado, algumas são feitas de ferro e
compradas nos grandes centros, mas a maioria é de
argila, feita toscamente, apenas com a concavidade
necessaria para conter a gordura de qualquer an1-
mal ou cera de abelha, carnaúba, oleo de mamona
é que alimenta o pavio. Longe das cidades e villas
e o que s2 usa, e na parte central de Goyaz não
existe outro meio de illamiraçäo.
A carestia de certos generos só apresenta a
vantagem de não permittir o desenvolvimento do al-
coolismo; os habitantes afastados das povoações
maiores são abstemios forçados; a garrafa de aguar-
dente attinge a 2$ e acima.
Para compensar a ausencia do alcoolismo ha o
tabagismo, que existe em prcporções incriveis; as
mulheres geralmente fumam cachimbo, mascam e
tomam rapé; as crianças mascam occultamente, mas
usam rapé dado pelos paes.
Geralmente o uso da masca começa aos 12
annos e muitas vezes são os proprios paes que ini-
ciam os filhos com o intuito de evitar a geophagia
indicio de provavel ankilostomose. O tabagismo é
muito mais desenvolvido entre as mulheres, sendo
muito commum as que mascam e «pitam » meia
vara e mais de fumo por semana. Pesamos uma
— DIT —
vara e encontrámos 790 grammas de peso. À « mas-
cadeira » não abandona a « masca» ou « brejeira »
nem para cover e muitas dormem com o fumo na
bocca ; no entanto o fumo não deixa de ser caro,
porquanto uma vara custa de 3¢ a 4$.
Antes de chegar a Joazeiro o viajante tem im-
pressão nitida da escassez d'agua da região que per-
corre, pela distribuição d'agua feita pelo trem de
carreira aos moradores de certas estações. De ltu-
merim em deante começa o serviço; o liquido é
transportado em vagão-tanque que comporta 10 me-
tros cubicos e onde os moradores vêm encher as
vazilhas ; para se apressar a operação, alguns indi-
viduos sobem ao deposito d'agua e dali despejam o
liquido, o qual, em grande parte, se derrama no
sólo, acarretando grande desperdício.
Nas cidades, villas e povoações ribeirinhas, a
população se abastece facilmente e em Joazeiro, S.
Raymundo Nonato, Porto Nacional e Goyaz ha ven-
dedores d'agua em barris: nenhuma cidade ou villa
possue agua canalizada, apesar da extrema facilidade
de tal se obter para algumas dellas. ;
Nas fazendas, em geral, o liquido é fornecido
pelos açudes; os habitantes da villa de Parnaguá se
abastecem da lagoa do mesmo nome ou, o que é o
mais natural de cacimbas cavadas em determinados
_logares. Em Caracól a agua existente para todos
mistères procede da Lagoa Raza, procurando os ha-
bitantes, utilizal-a de uma das margens para lavagens
de roupas, abeberar os animaes, emquanto a outra
fica reservada para a população beber. Nem sempre
porém, este cuidado é tomado; pudemos verificar
em grande número de localidades, no unico deposito
d'agua existente, a separação por uma cerca de ma-
deira, ficando a parte interna reservada para os mo-
radores e a externa para os outros usos. Logo
adeante de Petrolina começa-se a conservar esta
pratica. A separação como facilmente se compre-
hende, é perfeitamente theorica e de facto o que se
di é o regimem da aguada commum para homens
e animaes. E inutil lembrar os perigos de tal pro-
— 518 —
miscuidade, pois é crença arraigada que «na agua
nada pêga ».
No povoado Lago, de 25 a 40 fogos, e perten-
cente ao districto de Sant Anna, municipio do Riacho
de Casa Nova, Bahia, a agua utilisada pelos mora-
dores é de inacreditavel polluição. Em Jatobá, lo-
calidade do municipio de Remanso, a agua centri-
fugada deu em 10 cc3. de volume o deposito 0,1
ce. ? o que equivale a 10 ec. por litro a operação
foi executada com uma centrifuga de mão typo
Krause. Em certas zonas maniçobeiras, a agua é
extremamente escassa, sendo vendida pelos « barra-
quistas » por preços exorbitantes. Logares ha, onde
a escassez dagua é tão grande que cada morador
não se póde utilizar de mais de Z a 3 litros diarios;
a inopia deste elemento explicará certamente o de-
sasseio corporal em que encontra a maioria da popu-
lação do Brasil Central, onde o habito do banho só
existe para os habitantes das margens das lagôas e
cursos dagua.
Em certos trechos do caminho, ha necessidade
de se forçar a marcha, afim de se pousar em de-
terminada aguada, em regra de ma qualidade; em
alguns « chapadões » de grande extensão, é impre-
scindivel a utilização de recipientes de couro ou
lona, denominados « borrachas » e que se enchem
dagua, afim de se poder realizar a travessia.
Estas observações só comprehendem as regiões
da Bahia, Pernambuco e Piauhy. Em Goyaz a
agua ainda existe em grande profusão, com excepção
de algumas zonas mais centraes.
Somente nas cidades e villas se encontram ca-
sas relativamente bem construidas; as cidades mais
importantes do percurso são Joazeiro e Goyaz;
nestas existem predios de dous pavimentos; em to
das as villas visitadas, habitações de dous andares
sO existem na de S. Raymundo Nonato e villa do
Duro tambem ;. a iluminação de pequena parte de
Joazeiro é de petroleo e em Goyaz de acetileno
«pro parte», nas outras nada existe a este respeito.
RABID
Em toda a região da caatinga, até às proximi-
dades de S. Raymundo, não existe siquer uma só
casa que não seja coberta de telhas; o facto se ex-
plica pela raridade de palmeiras e do sapé. Isto
obriga a existencia da industria oleira e, vistas de
certa distancia, Petrolina e Joazeiro não deixam
de ser pittorescas com os telhados vermelhos, pois
o clima não permitte o desenvolvimento da vegeta-
ção eryptógama que os escurece. O conforto em
Petrolina já & bem menor que em Joazeiro, e, nas
melhores casas, a criação « meum » invade os apo-
sentos. Longe das povoações, à primeira vista, co-
nhece-se a casa dum grande fazendeiro por ser caia-
da; o imobiliario consta duma grande mesa de ma-
deira, alguns bancos e nas paredes peças ce madeira
que servem para sustentar as redes; a sala é tam-
bem caiada, os aposentos internos em geral são
apenas rebocados ; a iluminação é@ dada por gran-
de candieiro de kerozene, de folha de Flandres, com
pinturas; o chão é revestido de tijolos rectangu-
lares.
Não ha armarios e os moveis que os substi-
tuem, são arcas de couro e madeira. Na zona das
caatingas os caibros e vigas são de mandacarü; a
habitação acima descripta é, comtudo, minoria, pois
a regra é não ser caiada, apesar da cal se vender
a 200. réis a sacca em alguns logares, onde é
abundante; o mobiliario, porém, é sempre o mesmo.
As janellas não possuem vidraças, e, esta pratica,
se observa nas villas e cidades goyanas, com ex-
cepção da capital. Em toda a cidade do Porto Na-
cional, sômente existe uma casa com vidraças.
Logo, porém, que apparecem as palmeiras, des-
apparecem como por encanto as casas de telhas para
darem logar à palhoça; no Piauhy e Bahia, a car-
naubeira e a piassava são utilizadas para este fim ;
além deste material é muito commum habitações
revestidas com a córtice do «pau de casca », espe-
cie vegetal que não conseguimos determinar ao certo.
Alguns barracões de maniçobeiros são cobertos com
gramineas e com um revestimento externo de bar-
PO
rc, o que deve constituir excellente abr'go para os
triatomas; todavia, este modo de proceder é rar
pois só o observamos uma vez.
Moradias ha tão primitivas, que, nem usam o
barro: são entrançadas de varas com cobertura de
« pau de casca», ou de folha de palmeiras, que
tambem completam o revestimento das paredes.
O vestuario é o mais rudimentar possivel, e,
a não ser na zona das caatingas, onde a abundancia
de espinhos torna obrigatorio o uso de alpergatas
de couro, o resto do trajecto os habitantes, em: ge-
ral, andam descalços, e este habito é tão commum,
que as praças de policia, destacadas em S. Raymundo
Nonato e Parnagua, mesmo fardadas, nunca as vi-
mos calçadas. As crianças de ambos os sexos, das
familias inais pobres, andam nüas; mesmo quando
já bem crescidas; os adultos vivem andrajosamente.
Os vaqueiros da Bahia, Pernambuco e Piauhy, quan-
do em trabalho, vestem-se completamente de couro,
unico vestuario capaz de resistir aos espinhos de
flora tão hostil.
Naquellas paragens pobres, e onde o pittoresco
é tão raro, os vaqueiros constituem typos dignos de
toda a sympathia e admiração; por varias vezes,
surprehendemol-os em caminho, no arduo mistér
de vaquejar, e sômente quem assistiu, poderá ava-
liar a extraordinaria energia physica e inegualavel
coragem que possuem ; elles demonstram que aquella
gente tem erergias capazes dos maiores feitos e até
hoje, nada vimos em arrojo, sangue frio, resistencia
e agilidade, comparaveis às façanhas daquell es ho-
mens.
Mas villas e cidades à margem do S. Francisco
o elemento negro é ainda bastante numeroso: à
medida, porém, que o viajante se interna, este vai
se tornando cada vez mais raro, e é quasi total-
mente substituido por um typo acaboclado e que,
pela côr, mod» .de falar compassado e calmo, quast
sem gesticular, denunciam: o. descendente do primi-
tivo hapitante da região; este elemento forma a
maioria da população. Nas regiões anteriores da
ms OAI tio
Bahia, Pernambuco e Piauhy, é muito commum a
presença de um typo ruivo de olhos aznes. e que
são conhecidos pelos naturaes pela designação de
«laranjo ». De ha muito que ouviramos referencias
ao facto, mesmo por escriptor extrangeiro, e a ex-
plicação geralmente adoptada, é de que se tratava
de «descendentes dos hollandezes ; o facto, para nós
tem outra explicação, pois julgamos o apparecimento
espontaneo, e istc, podemos verificar com algumas
crianças louras, descendentes de paes e avós, que,
embora brancos, não eram siquer alourados ; talvez
não seja correcto identificar o phenomeno, com o
que De Vries chamou mutação, mas, sem duvida,
ha analogia.
Não se imagine que se trate de um facto es-
poradico ; ao contrario, em alguns trechos, o facto
chamará attenção de qualquer. Em Goyaz, domina
o elemento resultante da fusão do negro e indio,
prevalecendo o primeiro; isto no norte, é explicavel
peias levas de escravos que serviam na exploração
do ouro, e cujos vestigios se encontram a cada passo.
No sul, o elemento branco já predomina e os ha-
bitantes são mais vigorosos ».
VII
Notaram cs A. A. quanto nos nossos sertões
está a religião eivada de exaggeros e superstições.
Assim, viram capellas decoradas com pinturas re-
presentando animaes e encontraram por toda a parte
a circular rumerosissimas «rezas» grosseiras e
asnaticas.
Em alguns logares as populações tornaram-se
protestantes, mas em nada modificaram os sentimen-
tos religiosos. Visitam-nas ds vezes missionarios
sem escrupulos, provavelmente egressos de ordens
religiosas, outros bem intencionados e legitimos mas
mal preparados e incultos.
Os mais altos elogios consagram-nos os A. A.
à acção dos dominicanos francezes de Goyaz « que
exercem o sacerdocio com toda a dignidade; sua
529 —
o
acção intelligente, humanitaria e civilizadora ha de
certamente inscrever-se na historia da civilisação
brasileira ».
O registo civil é um mytho nessas regiões do
Brasil Nao ba sinão um ou outro apontamento
sobre casamentos e obitos.
Notarain os A. A., porém, quanto é rigorosa
a acção do fisco, que cobra «inauditos impostos ».
Entendem os drs. Neiva e Penna que as cifras re-
ferentes à avaliação dos rebanhos do Piauhy e de
Goyaz são muitissimo exageradas.
A instrucção, mesmo a primaria, é deficientis-
sima. No minimo, nas caatingas, ha 80 °/, de anal-
phabetos. No norte de Goyaz entendem que essa
porcentagem sóbe a 95º/. Os poucos professores
existentes são atrazadissimos e ainda ensinam a
taboada de modo pittoresco, obedecendo às seguintes
normas: «1 cobre, 40 rêis; 2 cobres e meio, 1
tostão; etc ». Em Goyaz o povo ignora por com-
pleto o valor monetario em réis da nossa moeda,
O systema metrico apenas é corrente entre um
certo numero de “pessoas educadas. O «prato», O
«salamim », a «quarta», a «cuia», por toda a
parte imperam e o peor é que correspondendo a
uma serie de valores, de região em região O ser-
viço postal é horrivel; ninguem póde, com segu-
rança, receber jornaes que deseje assignar. [oteis
e hospedarias ainda não se conhecem ; ha uma
hospitalidade relativa entre a gente do povo, o que
se explica pela pobreza em que vive. « Nas villas,
principalmente no sul do Piauhy, a hospitalidade dada
pelas pessoas de influencia é em todos os sentidos
inexcedivel ». Foi a que recebeu Gardner em 1836.
A indole desses brasileiros visitados pelos A. A.
é geralmente pacata; a noliticagem, porém, tem feito
com que entre elles, por vezes, occorram atrocidades
indescriptiveis. KE’ corrente a pratica da emascu-
lação applicada aos conquistadores de mulheres ca-
sadas, attentado applaudido se npre pela unanimidade
das popnlações. Não é raro a criminalidade precoce,
sendo o regimen penal o mais primitivo ainda : basta
dizer que em muitos logares imperam o tronco e a
gargalheira.
Imagine-se o que significa o jury em taes pa-
ragens !
Notaram os drs. Neiva e Penna o grande mi-
soneismo das populações que observaram. Ninguem
quer substituir o pilão pelo moinho de café ; o filtro,
apesar do pessimo aspecto geral das aguas, é ob-
jecto mythico e os engenhos. de assucar não valem
de todo os que existiam em Pernambuco em 1630
e descriptos pelos autores hollandezes. Pao ninguem
o conhece, a não ser nas cidades; em geral não se
usam tulhas para cereaes, que são guardados em
saccos de couro. « Isto aqui é uma sepultura aberia »,
dizia um fazendeiro aos A. A. E realmente não se
vê em parte alguma sombra de progresso. Para-
naguá, creada villa em 1634, posstie hoje 600 ha-
bitantes apenas.
O que se sabe das tradições e dos maiores é
tão pouco que não merece ciração. Attribuem os
viajantes tão grande atrazo, em parte, à ausencia de
contacto com os extrangeiros
Nos 3.000 kilometros percorridos, apenas en-
contraram 19 não brasileiros, dos quaes 12 religiosos.
A divisão da terra em immensos latifindios é outra
causa da estagnação. Ha a crença generalisada de
que o subsólo contêm prodigiosas riquezas e nada
desengana aos ingenucs moradores, que tomam as
mais vulgares demonstrações mineralogicas por es-
pecimens do mais alto valor. A agricultura é atra-
zadissima, impossivel mais. Entretanto aquelle sólo
em grandes extensões é o «habitat» pedido pelo
aleodoeiro.
Por toda a parte nessa terra da pobreza domina
a criação des caprinos propria dos terrenos s-faros ;
no sul do Piauhy a de bovinos dá no emtanto, os
melhores resultados, com facilidade se obtêm bois de
30 arrobas.
O « folk-lore » dessa zona do Brasil acharam-
no os A. A. pauperrimo; e mesmo quanto às lendas ;
apenes registaram ma de maior interesse. Innu-
Ra Se
meros os archaismos correntemente empregados, e
innumeras as palavras desconhecidas do resto das
pessoas que falam o portuguez.
Consignaram-n as numerosas os À. A. À semanti-
ca de varios vocabulos é alterada completament2. En-
tendem os À. A. que não é a falia d'agua a cau-
sadora do atrazo das populações visitadas. Paranaguá,
à margem do seu grande 1ago; e as povoaçõos ri-
beirirhas do S. Francisco são tão atrazadas quanto
as que vivem sequiosas.
Synthetisando impressões, escrevem os drs.
Neiva e Penna:
«No Brasil, 0 “ sertão ” adqueria prestigio através
duma literatura ditirambica ; foi este malsinado modo
de contar as cousas que transformou o “ desertão ”
na Chanaan da rethorica indigena ; aliás foi esta a
feição da literatura nacional desde o seu livro ini-
cial, quando o seu autor Bento Teixeira escrevia o
“ Dialagc das Grandezas do Brasil” ; este feitio mol-
dou o motelo que é seguido até hoje. Em parte
nenhuma do globo existem terras tão ferazes, natu-
reza de tal maneira prodiga ; chega a ser prover-
bial tanta opulencia e, no emtanto, como tudo isto
está longe da verdade! A causa principal do atraso
do Brasil central é a escassa riqueza do sólo; esta
affirmação vai de encontro a uma lenda creada pela
exaltação dus filhos daquellas zonas; o sertanejo
lucta asperamente pela vida, procurando tirar duma
terra ingrata os meios de subsistencia; pastoreia e
cuida da terra da maneira a mais rudi nentar, apro-
veita a “ vasante”, isto é, o logar abandonado
quando as agias descem; moram mal, satisfazem-se
com pouco e são relativamente felizes pela inconscien-
cia da verdadeira situação em que vivem.
A nação não tem consciencia do verdadeiro
estado das zonas flagelladas pelas séccas, utesmos os
filhos daquellas paragens e que a fortuna guindou
às altas posições politicas, en geral, não têm conhe-
cimento do solo nativo. porquanto se crearam nas
capitaes do Estado ou então no sul do paiz; de qual-
quer modo, a unica lembrança que persiste é a da
ED BEN
meninice e, nesta edade, tudo é facilmente porten-
toso. O ryihmo a que obedecem as sèccas acabou
por deixar indiflerentes os compatriotas distan-
tes; a solidariedade humana facilmente se embota
quando o mal é continvo e a distancia em que vi-
vem as populações flageliadas só permitte interesse
sincero por parte dos proprios conterraneos.
Hoje. que nos move profunda syimpathia por
aquella gente iniquamente esquecida pelos poderes
publicos, tivemos a preoccupação de escrever um
depoimento onde a insuspeição da linguagem pudesse
ser de maior utilidade que os faceis e fallazes pe-
riodos encomiasticos. Qualquer que. ao atravessar
aquellas plagas, examinar as condções sociaes da-
quelle povo, logo surprehende uma organização atra-
sada e rudimentar; as caatingas estão povoadas de
habitantes, vivendo à margem da civilização; a or-
ganização da familia legalmente não existe, pois,
sO por excepção, os casaes se unem pelo casa-
mento civil; os filhos quasi nunca são registados,
os enterramentos realizam-se na ausencia de qual-
“quer formalidade legal. O fazendeiro mais abastado
e com um pouco mais de cultura exerce grande in-
fliencia entre os moradores e esta sômente cessa 20
entrar em contacto com a esphera de influencia de
outro proprietario, pelo menos tão abastado; longe
dos nucleos de população. é isto o que se observa ?.
Um facto tristissimo denunciam os drs. Neiva
e Penna: a existencia de verdadeira escravidão na
zona dos maniçobaes bahianos e piauhyenses, con-
finantes entre si, reproducção da sinistra institui-
ção dos seringaes amazonenses, alimentada pelo tra-
fico dos « paroaras ».
« E" inutil qualquer fuga ou rebellião, as tnr-
mas são guardadas à vista por capatazes armados e
o systema é tão generalizado, que, mesmo na fazen-
da Serra administrada por dois inglezes, os capata-
zes fazem o serviço de carabina em punho; aliás
ahi não existe de nenhum modo a escravidão do
pessoal ; trata-se duma plantação, de alguns milhões
de manicobeiras, onde trabalham 400 homens; o
— 526 —
operario podia fazer de 5$ a 60g semanaes, confor-
me a capacidade desenvolvida; no tempo que por
ali estivemos, as plantações tinham 5 atnos e o
pessoal morava em ranchos organizados pela em-
presa. Todos os trabalhadores são nacionaes e os
proprietarios introduziram uma grande leva de ne-
eros de Barbados, a qual, ao cabo de algum tempo,
teve que ser despedida, por se ter mostrado inapta
e incapaz. De toda a zona percorrida, a Fazenda
da Serra, situada no municipio de S. Raymundo
Nonato, constitue a unica exploração systematizada
e intelligentemente feita.
As autoridades prestam mão forte ao maniço-
beiro que procura o devedor fugido, e, na villa de
Paranaguá, tivemos o desprazer de assistir à prisão
de 4 maniçobeiros levados à viva força para o bar-
racão dum « barraquista », já celebrisado em toda
a zona que atravessamos, pelos crimes commettidos.
Nos «geraes », entre Bahia e Goyaz, explora-
se a borracha da mangabeira; os « mangabeiros »
trabalham independentemente e felizmente já se não
verifica a escravidão observada nos maniçobaes ba-
hianos e piauhyenses.
Todavia, mais revoltante ainda é o qu: se da
com as crianças, segundo as informações de varias
pessoas. Certos individuos chegam às moradias mais
miseraveis e, depois de se mostrarem interessados
pela sorte de algum menino, empregam-no imme-
diatamente com um salario, que é pago ao chefe
da familia; em seguida levam-no em sua companhia ;
adeante entregam-no a algum fazendeiro, em troca
de 90$ a 100$, preço das despesas inverosimeis que
teve de fazer para a manutenção do pequeno; o in
feliz, ao entrar para o serviço do novo dono, terá
que trabalhar por miseravei salario, soffrendo ainda
o desconto da roupa e generos fornecidos, até con-
seguir alforriar-se.
A escassez do braço naquellas zonas suggere’
estas infamias; todavia, e somos insuspeitos para
o affirmar, o Norte tem-se mostrado até hoje inca-
paz de progredir com o braço livre, origem do
desenvolvimento material do sul do Brasil. »
Para melhorar as condições de vida das popula-
ções centraes, acham os drs. Neivae Penna que não
basta dar ae tas vias ferreas e açudagem, é preciso
ainda promover o contacto dessa gente ilhada do
resto Go mundo, com 0 immigrante européu. O que
por honra do paiz não se pôde deixar continuar é
que vivam naquelle abandono absoluto. A assisten-
cia medica precisa ser installada de alguma forma
entre essas centenas de milhares de brasileiros que
jamais foram vaccinados, dispondo de quatro a cinco
facultativos formados, apenas! Um medico para cada
cem mil kilometrs quadrados. sinão mais!
« Evidentemente ha necessidade da « Inspecto-
ria de Obras contra a Secca» — opinam os drs.
Neiva e Penna — continuar a estudar por todos os
modos a zona que superintende. Os inglezes instal-
laram grande centro scientifico no interior da India,
afim de pesquizar as questões que interessam äquella
região, e os relatorios publicados pelo « Wellcome
Tropical Research Laboratories at the Gordon Me-
morial College of Khartoum » despertam o interesse
de todo o mundo scientifico. A posse das Philip-
pinas pelos norte-americanos foi acompanhada de
investigações scientificas eff-ctuadas na mais larga
escala e dadas à publicidade em 4 admiraveis pu-
blicações periodicas, representando outras tantas sec-
ções sclentificas e editadas pelo « Bureau of Scien-
ce» — Manilla, sob o titulo de «The Philippine
Journal of Science». Der Pflanzer, Zeitschrift fuer
Lasd und Forstwirtschaft in Deutsch-Ostafrika » é
publicação official e de pesquizas scientificas nas co-
lonias a ricanas allemãs. Os japonezes installaram
laboratorio de pesquizas scientficas no interior de
Formosa e assim por deante.
Com o fim de estudar a fauna e flora a Ins-
pectoria de Obras contra as Seccas poderia contrac-
tar especialistas, tendo o cuidado de installar um
museu para guardar as collecçôes effectuadas, e onde
seriam recolhidos os typos das especies novas, pois
neste particular até hoje o Brasil, embora contrac-
tando bons elementos, tem visto parár em outras
mãos o material colleccicnado por naturalistas por
elle estipendiados, sem que lhe advenha outra van.
tagem que a de saber dos resultados das pesquizas
por elle pagas terem sido publicados em jornal ex-
trangeiro e que o melhor da collecção, sinão toda,
ficou pertencente a este ou äquelle museu, tambem
extrangeiro. À questão do exempiar «typo» é tão
importante que o museu Oberthuer compra por bom
preço qualquer que se lhe offereça.
Ningem, actualmente, será capaz de por si só
estudar e determinar todos os especimens da fauna
e flora brasileiras; sómente o especialista terá ido-
neidade para fazel-o. Sendo assim, bastaria à In-
spectoria contractar naturalistas viajantes, que en-
tregariam o material recolhido à repartição e esta
a enviaria, para os fins de determinação, para os
especialistas mais reputados, que seriam retribuidos,
ficando porém na obrigação de escrever os resul-
tados das pesquizas effectuadas nas publicações da
Inspectoria e de restituir a c llecção e os «typos »
das especies descriptas, podendo reter os « cotypos »
e as duplicatas. Em Setembro de 1918, os norte-
americanos festejarain o 1.º decênnio do « Desert
Laboratory », fundado em 1902 pela « Carnegie In-
stitution ». em Tucson (Arizona); mais um argu-
mento em favor ca impossibilidade de se tentar
qualquer emprehendimento sério sem o concurso de
investigações scientificas effectuadas em todos os de-
partamentos».
IX
Somente com o auxilio de pesquizas seienti-
ficas, — avançam os srs. drs. Arthur Neiva EB:
Penna, ao encerrar o seu magistral relatorio — se
poderá com segurança saber-se qual a possibilidade
economica da região do nordeste e os meios de
desenvolvel-a e explorar as riquezas naturaes que
Use qu
por acaso possua, collocando o homem em si-
tuação de dominar o meio pelo conhecimento per-
feito de todos os factores directos ou não e que
exerçam influencia, proxima ou remota, no desen-
volvimento duma civilização moderna, entre popu-
lações que ha mais de trez seculos quasi nada as-
similaram das grandes transformações operadas em
todo o universo. Isto quando a parcella minima de
aproveitamento, que lhes chega das grandes forças
que realizaram à revolução industrial, como a loco-
motiva, ou lhes é desconhecida totalmente como nos
Estados do Piauhy e Goya”, ou se arrasta morosa-
mente em dias alternados, partindo da Capital da
Bahia, e gastando pelo menos 23 horas a vencer
979 kilometros, a maior parte extendidos em enor-
mes tangentes, afim de levar a Joazeiro, centro de
toda a ‘zona no nordeste, a civilização já adeantada
do littoral.
Ao relatorio segue-se o « Diario da viagem, »
em que dia a dia notaram os excursionistas os pro-
gressos de seu itinerario, os incidentes pittorescos
da viagem, numerosas observações da paisagem e
de costumes em que ha paginas summamente in-
teressantes, anecdoticas, repletas de informações cu-
riosissimas.
Nem deixará de ler essa parte final do « Re-
latorio » quem lhe percorrer as primeiras linhas.
E' a parte documental da obra, constituindo as
« peças justificativas » desse livro notavel que os
drs. Neiva e Penna ajuntaram à bibliotheca scien-
tifica das grandes viagens em nosso paiz.
Obra de patriotismo fará quem, guiado pelos
A. A., procurar, em suas phrases sinceras e lim-
pidamente veridicas, fazer uma idéia do que é a vida
dessas centenas de milhares de brasileiros que elles
conheceram ilhados da civilização pela distancia,
pelo abandono dos poderes publicos, vegetando nu-
ma terra safara e secca, parasitados por mil moles-
tias, pauperrimos e ignorantissimos
Si aos scientistas trouxe a viagem dos drs.
Neiva e Penna opulento material de estudo e o co-
— 930 —
nhecimento de numerosos factos ineditos da sciencia,
e dos mais relevantes, como era de esperar do va-
lor dos observadores, ao commum do publico bra-
sileiro veiu revelar aspecto desconhecidos do paiz,
que não podem deixar de interessar, e muito, a quem
se timbra de brasileiro.
Escrevendo o que escreveram, sem um resqui-
cio de artificialismo a velar a dura e crua, mas ne-
cessaria, mas indispensavel verdade, mostraram os
drs. Neiva e B. Penna auäo esclarecido é o seu
modo de amar a sua patria e a sua gente.
On nova genero de coscudos de familia LORIGARIIDAE
APO: =
Dr. John Treadwell Nichols
ICHTYOLOGO DO AMERICAN MUSEUM OF NATURAL HISTORY
UM NOVO GENERO DE CASCLDOS DA PAMILIA LORICARID ©
JOHN TREADWELL NICHOLS
E' este o segundo pequeno trabalho baseado em
uma collecção de peixes de agua doce gentilmente
emprestada pelo Museu Paulista ao American Mu-
seum of Natural History em Nova York, para ser
estudada nesta instituição.
E’ interessante encontrar mais um genero novo
de cascudos desta familia nas aguas na parte sules-
te do Brasil, onde estas formas estão tão ricamente
representadas.
Pseudotocinclus, novo genero
Um cascudo do familia Loricariidæ com a appa-
rencia de Plecostomus, mas com a parte marginal
da porção inferior transversal dos ossos coracoideos
exposta como uma placa aspera, de forma mais ou
menos a de um losango comprido, incluindo a base
da nadadeira pectoral. A ponte coraco-clavicular
eutre as nadadeiras pectoraes na outra parte é muito
perto da superficie porém coberta pela derme. A
margem do focinho coberta com pequenas placas
granulosas como em Plecostomus. As escamas an-
teriores da serie inferior lateral são separadas da
placa temporal por uma area alongada e nua. Os
premaxillares e dentares com mais où menos ©
(1) O presente artigo deixa de anteceder ao prece-
dente porque um atrazo na sua expedição e as exigencias
da impressão da Revista fizeram com que não fosse possivel
dar-lhe a collocação que lhe cabia. (NS da)
pe eo
mesmo numero de finos dentes agrupados e moveis.
O operculo e interoperculo não são independente-
mente moveis. As placas temporaes são perfurados
como em Olocinclus. Este genero é especialmente
intermediario entre as sub-familias Plecostominæ e
Hypoptopomatine como definidas por Regan; (2)
as suas affinidades mais intimas parecem ser com
Otocinclus da ultima sub-familia.
Pseudotocinclus intermedius, sp. nov.
O typo foi colleccionado em Campo Grande,
perto de S. Paulo, em Janeiro de 1909, por H.
Luederwaldt; No. 7177 American Museum of Nat-
ural History.
. Comprimento até a base da nadadeira caudal
60 min.; cabeça (até a extremidade do osso tem-
poral ) contida 3, 2 vezes nesta medida, altura 6, 2;
focinho 2,1 na cabeça; olho 8; interorbital 2,6;
largura da cabeça 1,3; altura da cabeça 2; pri-
meiro raio dorsal 1,5; espinho pectoral 1,7; ven-
tral 2; altura do peduncalo 4,5; base da nadadeira
dorsal 2,5; ramo mandibular 1,9 vezes no espaço
interorbiial; 27 escamas em uma serie longitudinal.
A nadadeira dorsal com 8 raios, a anal com 6. A
origem da nadadeira dorsal é mais perto do focinho
do que da nadadeira caudal por uma distancia mais
ou menos igual a sua base. Não ha nadadeira adi-
posa. Não ha barba. A nadadeira pectoral attinge
a base da nadadeira ventral a qual estende-se por
2/3 da distancia à nadadeira anal. O espaço inter-
orbital é chato, as margens do orbital levantadas.
A região da cauda é fina, afinando-se, rectangular,
claramente comprimida no sentido lateral na base
da nadadeira caudal, a distancia da axilla da nada-
deira anal até a base da nadadeira caudal e 1, 2
vezes o comprimento da cabeça, a barriga é coberta
com pequenas escamas granulosas. As placas tem-
poraes é supra-occipitaes são levemente carinadas.
(2) Monograph of the Loricarüdæ, 1904.
RP RO
As carreiras inferiores de placas desde a origem
da nadadeira anal, e as superiores desde a origem
da nadadeira dorsal, têm carinas, de modo que dá à
cauda a forma rectangular; as carreiras intermedia-
rias são anteriormente com carinas leves. O supra-
occipital é marginado pesteriormente por una unica
placa grande e por uma ou duas pequenas lateral-
mente no angulo onde se une com o temporal. A
cor não é bem conservada, — ha indicações de cintas
escuras atravez das costas posteriormente, e signaes
escuros nas nadadeiras.
Além do tyro, a colecção contém um exem-
plar deste peixe, com 47 mm. de comprimento, de
Perús ( Estado de São Paulo), 1896, e um terceiro
exemplar com 48 mm. de comprimento, do Alto da
à São Paulo, 1895
Serra, São Paulo, 1890.
A new genus of Loricariid Catfishes
John Treadwell Nichols
À NEW GENUS OF LORICARID CATHINHEN
by John Treadwell Nichols
This is the second short paper based on a col-
lection of fresh-water fishes courteously loaned
by the Museu Paulista to the American Museum
of Natural History in New York, for study at that
institution. It is interesting to find yet another new
genus of catfishes of this family in the waters of
south eastern Brazil where these forms are so rich-
ly represented.
Pscudotocinclus, new genus
Loricariid Catfish with the appearance of Ple-
costomus, but with the marginal part of the lower
transverse portion of the coracoids exposed as a
rough more or less long diamond-shaped plate sub-
tending the base of the pectoral. The coracoid-
clavicle bridge between the pectoruls elsewhere very
near the surface but covered with skin. Margin
of snout covered with small granular plates as in
Plecostomus. Anterior scutes of lower lateral series
separated from the temporal plate by an elongate
naked area. Premaxillaries and dentaries with about
the same number of close set, slender, moveable
teeth. Operculum and interoperculum not indepen-
dently moveable. ‘lemporal plates perforated as in
Otocinclus. This genus is peculiarly intermediate
between the sub-families Plecostominæ and Hy-
poptopomatinæ as defined by Regan; (1) its clo-
sest affinities seem to be with Olocinclus of the lat-
ter subfamily.
(1). Monograph cf the Loricaridæ, 1904.
— 910 —
Pseudotocinclus intermedius nciv especies.
Type collected at Campo Grande, perto de S.
Paulo, Jan. 1909, by H. Luederwaldt; No. 7.177
American Museum of Natural History. Length to
base of caudal 60 mm.; head (to end of temporal)
contained 3.2 times in this measure; depth 6.2;
snout 2.1 in head; eye 8; intérorbital 2 2. ‘6; breadth
of head 1.3; its “depth 2. first dorsal ray Ds
pectoral spine 1.7; ventral 2; depth of penducle
4.9 ; base of dorsal 2.5; mandibular ramus 1.9 in
interorbital ; 27 scutes in a longitudiual series. Dor-
sal with 8 rays, anal with 6. Dorsal origin nearer
snout than caudal by a distance about equal to its
base. No adipose. No barbel. Pectoral reaching
base of ventral which reaches 2/3 distance to anal.
Interorbital flat, the orbital rims raised. Tail re
gion slender, tapering, rectangular, decidedly com-
pressed at base of caudal, from the axil of anal to
base of caudal 1.2 times the head, belly covered
with small granular scales. Temporal and supraoc-
cipital plates slightly keeled. The lower rows of
scutes frori the origin of the anal and upper from
the origin of the dorsal keeled so as to make the
tail rectangular ; intermediate rows slightly keeled
anteriorly. Supraoccipital bordered posteriorly by à
single large scute and one or two small ones laterally
in the angle where it meets the temporal. The
color is not well preserved, — there are indications
of dark bands across the back posteriorly and dark
marking on the fins.
Besides the type the collection contains a spe-
cimen of this fish 47 mm. long from Os Perus
(State of São Paulo) 1896, and a third of 48 mm.
from Alto da Serra, São Paulo, 1895.
NECROLOGIA
DR. ALBERTO LOFGREN
. DR JOÃO FLORENCIO DE SALLES GOMES
- PROF. DR. JOAQUIM CANDIDO DA COSTA SENA .
DR. CHARLES ROCHESTER EASTMAN
ADO:
JULIO CONCEIÇÃO
DR. ALBERTO LÜFGREN
(a (aie À
MÈRE
Vs
DR. ALBERTO LOFGREN
4 Stockolmo, 11 de setembro de 1854
+ Rio de Janeiro, 30 de agosto de 1918
ALBERTO LOFGREN
Os centros scientificos brasileiros cobriram-se
de lucto, em- 1918, com a morte de mais um dos
seus dedicados collaboradores, que foi o ilustrado
botanico Alberto Lófgren, falecido no Rio de Janeiro
em 80 de Agosto desse anno, quando exercia o
cargo de chefe da secção de botanica e physiologia
vegetal do Jardm Botanico de nossa metropole. (1)
Léfgren era um dos mais profundos conhece-
dores desse ramo das sciencias naturaes na America
do Sul, tendo-se especializado no estudo da flora
brasileira, ao qual se dedicou com grande afinco e
assiduidade durante mais de 40 annos de vida la-
poriosa e util.
Nascido em Stockolmo, em 11 de Setembro de
1854, veiu para o Brasil logo depois de ter com-
pletado o curso de philosophia e sciencias naturaes
na Universidade de Upsala.
Trouxe-o para as nossas plagas a notavel missão
scientifica de André Regnell, o grande naturalista
sueco-brasileiro, que, tendo organizado, em 1874,
por conta da Academia das Sciencias de Stockolmo,
uma expedição scientifica para o. Brasil, convidára
Léfgren, como premio à sua dedicação, intelligencia
e competencia, a tomar parte na mesma.
Terminados os trabalhos a que se propunha em
expedição, Lôfgren não mais quiz abandonar o nosso
paiz, tal fora a attracção nelle exercida pela exube-
rancia da flora brasileira, na qual se embevecia,
(1) Com a devida venia passamos para as paginas
de nossa Revista, o excellente estudo necrologico do eminen-
te botanico sueco que tanto trabalhou para o Brasil, traçado
pela penna elegante do illustrado publicista sr. Julio Con-
ceição. (N. da R.).
assay
pois nella via vastissimo campo para dedicar-se aos
estudos de sua predilecçäo. Taes estudos, porém,
numa epocha em que o interesse pelas sciencias,
entre nós, não estava nem mesmo em embryão, não
lhe p diam proporcionar os mei)s de que necessi-
tava para viver, por isso que foi obrigado a desviar
a sua actividade para outras profissões que lhe ga-
rantissem a subsistencia.
Entrou então a trabalhar como engenheiro da
Paulista de Vias Ferreas, ao lado de Rebouças
e de Francisco Lobo Leite Pereira, tendo residido
por alguns mezes na cidade de Pirassununga. Pas-
sando depois a morar em Campinas, alli dedicou-se
ao ensino das sciencias naturas. À esse tempo, como
professor, leccionou particularmente e tambem no
Collegio Morton.
Muitos, que fizeram depois brilhante carreira e
vieram notabilizar-se no mesmo ramo de conheci-
mentos, devem as snas primeiras luzes ao pranteaao
professor.
Em 1878, na cidade de Campinas, Lofgren
contrahiu casamento com d. Emma Bremer.
Em 1886, tendo sido o eminente geologo Or-
ville A. Derby encarregado, pelo Governo de S. Pau-
lo, de organizar a Commissão Geographica e Geo-
logica en Estado, foi Lôfzren chamado para seu
auxiliar, e ahi encontrou campo para a sua rara e
bem orientada actividade, trabalhando ao lado de
Gonzaga de Campos, hoje chefe do Serviço Minera-
logico “do Brasil, Paulo Oliveira, do Museu Nacional,
Theodoro Sampaio, Hussack, etc. Começou por or-
ganizar o serviço de Meteorologia no Estado, pra-
ticando por si proprio e ensinando pessoalmente O
seu corpo de observadores. (Com a distribuição de
instrucções e com uma dedicação sem limites, con-
seguiu estabelecer esse serviço e publicar com assi-
duidade os boletins onde se confrontavam e deduziam |
os resultados, de sorte que hoje se pode dizer:
S. Paulo é, entre os da União, o Estado cuja me-
“teorologia mais se conhece,
SRE ns
Ao mesmo tempo que chefiava a secção me-
teorologica da Commissäo Geographica, dirigia tarn-
bem a “de botanica, percorrendo então o Estado de
S. Paulo em todos os senti los, quasi sempre a pé,
empunhando a pasta e a cavadeira de naturalista e
com a competente saccola às costas, para conseguir
assim colleccionar a maior parte do rico material
que forma hoje um dos mais completos herbarios
de plantas brasileiras, por elle deixado na Commis-
são Geographica, e que se encontra actualmente sob” a
guarda do Museu Paulista.
O enorme cabedal de estudos hoje conhecidos
sobre a meteorologia e a botanica do territorio pau-
lista, cuja existencia se deve innegavelmente ao dedo
organizador, iniciador e activo de Lofgren, não é,
entretanto, a totalidade de sua obra, a qual sómente
se iniciava ainda. Em 1891 lhe foi entregue tam-
bem a direcção do « Museu Sertorio », em cuja for-
mação collaborára incançaveimente, e do qual re-
srltou o nosso já interessante Museu Paulista. Os
seguintes trechos, escriptos pelo punho do chefe da
Cominissäo Geographica Derby e que se encontra à
pagina 14 do volume ‘.° da Revista do Museu,
mostram, de modo irrefutavel, o seu papel saliente
nos primordios da importante obra que todo S Paulo
conhece e adinira — o Musen do Ypiranga: « Tendo,
em fins de 1890, o sr. conselheiro Mayrink adqui-
rido o predio situado no Largo Municipal, cons-
truido pelo Gel. Sertorio para sua residencia e para
accommodar a colleeção que tinha accumulado e que
era geralmente conhecida pelo nome de « Museu Ser-
torio », estando a dita collecçäo incluida na compra
do Conselheiro Mayrink, esta foi offerecida em seu
nome ao Governo do Estado em 23 de Dezembro
de 1890 ».
« Retirando-se c Gel. Sertorio da casa, esta ficou.
fechada, e durante alguns mezes o Governo do Es:
tado nenhuma providencia tomou sobre a dadiva
que tinha recebido ».
« Finalmente, a instancias dc sr Alberto Lofgren,
botanico desta Comissão, que tinha collaborado na
— 948 —
formação do « Museu Sertorio » e que se interessava
para que não fosse deixado assim ao abandono este
cabedal scientifico que podia servir para nucleo de
um museu digno do Estado de S. Paulo, o pre.
sidente dr. Americo Brasiliense, em 7 de Abril
de 1891 providenciou a respeito, encarregando o sr.
Léfgren da sua direcção interina e destinando uma
verba para a sua conservação », etc. etc.
Até principios de 1894, sem descuidar da di-
reeçäo do serviço de meteorologia e botanica a seu
cargo, occupou-se tambem com a sorte do Museu,
que, então, com o desenvolvimento já alcançado, re-
queria uma direcção independente, tendo sido, por
isso,desligado da Commissäo Geographica e instal-
lado no Monumento do Ypiranga, sob a direcção do
dr. H. von Ihering.
Livre da direcção do Museu e continuando ainda
na chefia das suas duas secções na Commissao Geo-
graphica, nova iniciativa fermentava no seu cerebro
a creação do Horto Botanico, onde pudesse dar um
desenvolvimento mais amplo e mais util aos seus
estudos ; onde pudesse formar uma collecção de plan-
tas vivas, do paiz e exoticas, que servissem para a
fonte de saber para os alumnos de suas escolas e
para diffundir o gosto pela botanica e fructicultura
entre nós; onde pudesse, emfim, realizar estudos e
ensaios florestaes e de acclimação de plantas uteis,
extrangeiras.
Em 1897 conseguiu a creação do seu almejado
Horto Botanico, localizado nas immediações da Serra
da Cantareira. Até então já tinha dado à publici-
dade grande numero de trabalhos em artigos sobre
diversos assumptos, insertos em jurnaes, em revistas
e nos boletins officiaes, sobre climatologia e botanica.
Durante a sua permanencia na direcção do
Horto, dedicou-se com extraordinaria tenacidade à
propagação de conhecimentos sobre questões flores-
taes. Lúferen foi dos que Jevantaram os primeiros
brados em pról da protecção das florestas do Estado,
ora ciamando contra a destruição sem methodo, pelo
machado e pelo fogo, das nossas ricas mattas, ora
Rati o QE
estimulando os particulares para a formeção de flo-
restas artificiaes, ora intervindo directamente junto
aos nossos dirigentes para a creação de um serviço
official.
A’ Lôfgren devemos, pelos seus escriptos, a im-
plantação, nas nossas escolas publicas, da solenne e
utilissima «esta das Arvores» tendo saido do
Horto Botanico as primeiras mudas de päu Brasil,
cedro e outras essencias indigenas, plantadas na festa
inicial das arvcres, que se deu em Aráras. Esse
exemplo, que tanta repercussão teve entre nós, foi
tambem devido em sua pratica aos esforços do então
inspector agricola sr. dr. João Pedro Cardoso, pro-
ficiente engenheiro que hoje dirige os trabalhos da
Commissäo Geographica e Geologica.
O interessante folheto publicado pela Secretaria
da Agricultura, « Serviço Florestal para particulares »,
da autoria do professor Lofgren, é um eloquente
attestado da bôa directriz por elle dado à diffusão e
divulgação dos elementares conhecimentos necessarios
à Iniciação de reflorestamento dos terrenos devas-
tados e incultos. A’ sua influencia devemos a elo-
giada inicitiva da Comp. Paulista de Vias Ferreas,
cujos resultados prendem a attenção de todos os
viajantes, que percorrendo syas linhas, têm a vista
bem impressionada pelas florestas artificiaes de eu-
calyptos existentes em diversos pontos atravessados
pelos seus commodos e luxuosos trens. Essas ma-
cestosas florestas, consideraveis reservas de material
de construcção e combustivel, são nada mais nada
menos que o resultado de um magistral artigo da
lavra do eminente professor, intitulado «A Devas-
tação das Mattas », onde elle expunha aos adminis-
tradores das nossas estradas de ferro o perigo a que
estavam sujeitas não só as suas estradas, como tambem
a população do Estado, com a devastação desorde-
nada das nossas riquezas florestaes, sem que se co-
gitasse da rearborisação.
Um outro facto que vem patentear a grande divi--
da do Estado de São Paulo para com o scientista, en-
contramol-o nas extensas plantações de accacias que
— 990 —
hoje cobrem uma vasta área dos terrenos estereis,
de «barba de bôde » existentes no municipio de S.
José dos Campos, onde uma empreza extrangeira,
louvendo-se em estudos e indicações do incançavel
mestre, estabeleceu uma nova industria agricola —
derivada daquellas essencias, cuja casca possue uma
das maiores porcentagens ae tannino existentes em
um corpo vegetal. E isso tudo feito sem o minimo
interesse material em beneficio proprio.
O enthusiasmo de Lofgren pela solução dos
grandes problemas que affectam o nosso Estado e o
Paiz, na parte referente à legislação agricola e flo-
restal, ia tão longe, e a sua vontade de ser util era
tão intensa, que já em 1901 havia apresentado ao
Governo Estadual uma memoria, que depois subiu
à Camara dos Deputados afim de opportunamente
servir na regulamentação e proteção às nossas mattas.
Uma vez feitas as referencias acima sobre o pa-
pel desempenhado no desenvolvimento desse delicado
serviço, vem a proposito a reproducção aqui, pelas
verdades que nelles se contêm, dos seguintes pe-
riodos que se lêm no excellen:e artigo de Leão Vel-
loso, publicado no «Corr-ic da Manhã» tres dias após
a morte de Lofgren: « Lofgren serviu com devoção
à natureza do Brasil, elucidando muitos de seus as-
pectos. Não lhe valeu isso para que-fosse mais
commentada a sua morte. Quasi se pode dizer que
fechou os olhos entre a indifferenga do publico, em-
bora so fizesse por merecer a gratidäo dos brasileiros.
Actualmente servia no Jardim Botanico, que não se
reparará facilmente da sua perda».
«No momento em que se cogita de legislar
sobre a riqueza vegetal do paiz e está-se elaborando
na Camara um Codigo Florestal, a perda considera-
vel de um valor como Lofgren, ligado à natureza
do Brasil pelos serviços que elle prestou, tem uma
significação desoladora. (Quando se pensa em pro-
teger as nossas florestas, a morte do homem que
tanto fez por ellas e ainda mais poderia fazel-v ago-
ra, tem um sentido de um mau agouro. Dir-se-.
que forcas desconhecidas se entenderam para em-
— dol —
baraçar a solução do problema vital da nossa ri-
queza florestal, e começaram por nos ferir no que
possuimos de mais precioso e util ao seu andamento,
que é a sabedoria representada em uma capacidade
scientifica propria como uenhuma outra, para ori-
entar os estudos que deveriam proceder à elabora-
ção de qualquer codigo de florestas ».
Os estudos a que se entregou Lüfgren durante
a sua direeção no grande laboratorio scientifico ve-
getal, que era o Horto Botanico, não se limitavam
às questões florestaes e ao colleccionamento de plan-
tas de interesse puramente scientifico, como o era,
por exemplo, a riquissima collecçäo de orchideas
alli dispostas em pittoresco e original carramanchão,
a qual causava admiração a todos os visitantes, aos
leigos pela sua belleza e aos scientistas pela varia-
dade e raridade dos, exemplares que apresentava.
A fructicultura e acclimacäo de variedades ex-
trangeiras mereceram igualmente o seu especial ca-
rinho, tendo elle conseguido chamar a attenção do
Governo do Estado em prôl do desenvolvimento
desse assumpto. E com tanta felicidade, que, em
l'evereiro de 1904, como um complemento a taes
estudos, foi commissionado para observar a fructi-
cultura na Argentina e acompanhar os trabalhos da
exposição de fructas que por essa occasião se rea-
lizava na cidade de Buenos Aires. O resultado dessa
commissão foi apresentado em um extenso e minu-
cioso relarorio, merecendo este louvores do Gover-
no, que, à vista do seu valor pratico, mandou im-
primil-o em folheto, sob o titulo «A Fructicultura
na Argentina », largamente distribuido pela Secre-
taria da Agricultura.
Iriamos longe, si aqui quizessemos expôr deta-
lhadamente a obra de Lofgren durante o longo
tempo que emprestou a sua intelligencia, a sua acti-
vidade, a sua competencia e a sna vasta cultura ao
nosso paiz.
O que até aqui fica dito parece mais que suf-
ficiente para avaliar-se do reconhecimento a que
fazia jus e que nunca foi officialmente reconhecido.
— 592 —
Si assim não acontecesse Lofgren não abandonaria
o Estado de S. Paulo, onde se estabeleceu, ao che-
gar da sua primeira patria, onde constituiu familia,
onde nasceram tolos seus filhos e onde possuia a
quasi totalidade de suas relações istimas, adquiridas
em 4) annos de moradia entre nós. Deixando de
prestar os seus serviços ao Governo de S. Paulo,
foi, pouco tempo depois, convidado para dirigir a
secção de botanica da Inspectoria de Obras Contra
as Seccas.
O illustre sr. dr. Arrojado Lisboa o chamara
para estudar as condições do sólo e da flóra da re-
gião nordeste do paiz, flagellada pelas seccas, no
sentido de conseguir o seu aproveitamento agricola
e apurar as possibilidades de reflorestamento,
“Percorrendo em 1910 essa região, colleccionou
riquissimo herbario e as suas principaes observações
preliminares sobre a zona visitada acham se regis-
tradas na publicação daquella repartição intitulada
« Notas botanicas » — Ceara.
Em 1911 voltou a percorrer a mesma zona da
secca. Desta vez não limitou seus estudos e obser-
vações ao Ceará; percorreu toda a região da Pa-
rahyba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ba-
hia, onde colheu sempre abundante material herba-
rio. Os resultados da segunda viagem acham-se
resamidos no trabalho denominado « Contribuição
para a questão florestal do nordéste do Brasil ».
Dando inicio a um programma de refloresta-
mento dessa zona, Lüforen creou diversas estações
florestaes que foram installadas nos pontos mais
apropriados, onde, ao lado de experiencias e de-
monstrações culturaes, grandes viveiros foram for-
mados para a multiplicação das melhores essencias.
Em 1913, extincta a secção de botanica de Inspe-
ctoria de Obras contra as Seccas, entrou ao serviço
do Jardim Botanico do Rio de Janeiro, como chefe
contractado da seeção de botanica e physiologia
vegetal, a convite do professor Willis, seu director.
Alli, o principal trabalho do mestre foi o de
organizar o herbario. Collaborou largamente nos dois
— 993 —
volumes publicados dos « Archivos do Jardim Bo:
tanico ».
Apresentando-se em concurso, foi Lofgren efle-
ctivado nesse ultimo cargo em 2 de Janeiro de 1918,
vindo a fallecer em 30 de Agosto desse mesmo anno,
depois de ter concluida um dos mais importantes
trabalhos escriptos em portuguez sobre a botanica
systematica brasileira, o « Manual das Familias Na-
turaes Phanerogamas, com chaves dichotomicas das
familias e generos brasileiros », contendo mais de
600 paginas, e impresso, com especial autorização
do Governo, nas oficinas da Imprensa Nacional ».
Não foram, porém, somente o Estado de S
Paulo e os do Nordéste que se beneficiaram-dos seus
esforços. O Rio Grande do Sul tem a sua vegeta
ção mais conhecida e vulgarizada pelos estudos do
professor Dr. C. Lindman, que Lôfgren verteu do
sueco para o portuguez.
O Estado de Minas conta tambem com o seu
labor na traducção do dinamarquez para o portuguez,
da importante contribuição para a geographia phy-
tobiologica escripta pelo Dr. Eugenio Warming, in-
titulada « Lagõa Santa ».
Serviu efficazmente com seus vastos conheci-
mentos, à Sociedade Nacional de Agricultura, onde
sempre fazia parte das commissões encarregadas de
dar parecer sobre as mais intrincadas questões que
alli são ventiladas, tendo collaborado esforcadamente
na Conferencia Algodoeira e, ainda ha pouco, no
parecer sobre o «Corte das Mattas e a exportação
de madeiras brasileiras ».
Os beneficios trazidos por Lofgren 4 nossa terra,
que elle elegera de coração como sua segunda pa-
tria, não param ahi, na multitude de trabalhos e de
bons exemplos: ha-os indirectos, dos quaes citare-
mos um, occorrido com o que traça estas linhas.
Após concessões e estudos preliminares para se
construir uma estrada de ferro de Santos a Juquiá,
Ribeira de Iguape, eis que escasseava o principal —
o numerario. O meio, já se sabe, era recorrer à
1
— 994 —
nossa sempre bondosa e paternal banqueira, a In-
glaterra.
As coisas por là não eram e não são tão faceis co-
mo se calculam. E, bem a proposito, acabava de dizer,
em assembléa da São Paulo Railway G.º Ltd., o
seu illustre e velho presidente, Sr. D. Fox: que o
dinheiro em Londres, ao contrario do pensar dos
Srs. brasileiros, não é encontrado «como amoras
no campo». Mas para solver as difficuldades dos
organizadores da empreza, os banqueiros pediram
informações idoneas para ca, por intermedio do con-
sulado britannico. O Sr. consul procurou-nos e ex-
poz o motivo da sna visita, ao que respondemos não
conhecer de visu a região da Ribeira de Iguape.
Tinhamos, entretanto, as melhores referencias sobre
a uberdade das terras. Não sendo isso sufficiente,
e recordands-nos que Lifgren, em estudos, já pal-
milhara toda a região, embrenhando-se por longo
tempo nas florestas e campos, promettemos ao Sr.
consul fornecer-lhe um relatorio de pessôa compe-
tentissima, o qual tambem subscreveriamos sem a
minima restricção.
Havia urgencia. Dados os passos necessarios,
eis que nos chega o relatorio Lofgren, o quanto
possivel minucioso e enthusiastico, terminando por
dizer que a região versante às informações seria,
incontestavelmente, o futuro celleiro do Estado de
S. Paulo. O Sr. consul, de posse do documento,
manifestou-se muito satisfeito e agradecido.
E a nossa impressão, talvez não erronea, é de
que a esse tenue fio de luz projectada pelo scientista,
se deve a existencia, hoje, da florescente Southern
São Paulo Railway Company, Ltd.
Quantos outros beneficios indirectos, como esse,
não devemos a Lofgren ?
Tanto em nosso paiz, como no extrangeiro,
numerosas sociedades e institutos scientificos con-
taram Lofgren em seu gremio, tendo sido socio
fundador do Instituto Historico e Geographico de S.
Paulo, da Sociedade Scientifico de São Paulo, do In
stituto de Sciencias, Lettras e Artes, de Campinas,
socio fundador e secretario geral da Sociedade Bra-
sileira de Sciencias, socio correspondente do Insti-
tuto Archeologico de Pernambuco, do Gremio Li-
terario da Bahia e do Instituto Cearense.
No extrangeiro era socio correspondente das
Academias de S'ockolino, Upsala, Christiaria, Cope-
nhagen, Beilim e Helsingfors; socio effectivo da
« Societé Internationale des Botanistes», socio re-
mido da Sociedade Linneana de Londres. Desde
1895 possuia a medalha Regnel:ana da Academia
de Sciencias de Stockolmo, e era tambem Cavalheiro
da ordem da Wasa.
'
* *
A capacidade pro luctora de tão extraordinario
cerebro pode ser avaliada pela relação que em se-
guida reproduzimos, da qual cons‘a a maior parte dos
trabaibos que constituem a Bibl ographia «Lofgren» :
Em 1887, Lofgren publicou A Alimentação
das Plantas (artigo, na «Provincia de Sao Pau-
lo»). Em 1888: A Respeito da Uva de Matto
Grosso, (artigo no «Correio Paulistano »). Em
1890: Dados climatologicos de 1887 e 1888
( Boletim n. 8 da' Commissão Geographica ), /n-
strucções praticas para observações meteorologicas
( Boletim da Comm. Grogr.). Em 1890: Applica-
ções praticas da Meteorologia (artigo no « Estado
de S. Paulo»), Dados climatologicos de 1889 | Bo-
letim n. 6 da Co um. Geogr.), Contribuição para a
Botanica Paulista, Região Campestre ( Boletim r.
6 da Comm. Geogr.). Em 1891: A Sciencia em
S. Paulo (artigo de jornal), Dados climatologicos
de 1840 ( Bol. n. 8 da Comm. Geogr. ). Em 1892:
Dados climatologicos de 1891 (Bol. da Comm.
Geogr.), Os Sambaquis da Costa de K. Paulo
( Bol. n. 9 da Comm. Geogr.), Fléra Paulista, Fa-
milia Composite (Bol. n. 12 da Conm. Geogr. ).
Em 1893: Fragmento Archeologico Paulista ( Ar-
tigo no «Correio Paulistano »). Em 1894: /astruc-
ções para Observações Phaenologicas ( Bolet. da
Comin. Geogr). Em 1895: 0 Manuseripto do Sr
— 996 —
Corréa de Mello, de Campinas ( Artigo no « Cor-
reio Paulistano ». Hygiene e embellezamento das
Cidades ( Artigo no «Diario Popular», Ensaio
para uma Synonimua dos Nomes Popular es das
Plantas Indigenas do Estudo de São Paulo ( Bo.
letim n. 10 da Comm. Geogr.) O aneroide, Guia
Pratico para o Calculo das Altitudes ( Publi-
cação particular em pequena brochura). Em 1896:
A Flora da Lagéa Santa ( Gollaboração na « Re-
vista Brasileira »), Industria Nacional ( « Diario Po-
pular»), Ensaio para wma Distribuição dos Vege-
taes nos diversos Grupos Floristicos do Estado,
Indice das plantas do herbario da commissão ( Bo-
letim n. 11, da Comm. Geogr.). Em 1896: Não
ha nada como um dia depors do outro ( Artigo no
« Diario Popular »), Hora Paulista, Familias Cam-
panulacew, Cucurbitacee e Calyceraceæ. Série Ag-
gregatae Familia Valerianacee (Bol. n. 14 da
Comm. Geogr. ), Do colheita e do preparo das plan
tas para Herbarios ( Trabalho encommendado pelo
governo de S. Paulo para uso das escolas). Em
1898: Uma praga das Roseiras ( Artigo no « Com-
mercio de S. Paulo»). Em 1899: Utopras ( Artigo
na « Cidade de Santos», sobre o Horto Botanico
de Santos). Em 1900: Contra o Carunche ( Coll.
no Boletim da Agricultura). A lenha (4 Artigos
no « Estado de S. Paulo»), Hans Staden, Suas via-
gens e Captiveiro entre os Selvagens do Brasil
( Traducgao do original allemão), Phytographia e
Herborisação ( Publicação particular, 4 edições ).
Em 1901: Conselhos aos Cultivadores de Flores e
Plantas de Ornamentação em geral (Artigo no «Dia-
rio Popular»), Perigo para o Café, Uma molestra da
Manicobeira ( Artigo no «Estado de São Paulo »),
Servico Florestal e Arbor Day Paulista ( Artigo
no Estado de São Paulo»), A Expedição Aus-
triaca, ( Artigo no «Estado de S. Paulo»), Re-
latoreo da Secção Botanica e do Horto Botani-
co (publicado em folheto). Em 1902: A Les-
truiçcao das Formigas (Collaboração no Boletim
da Agricultura), Servico Florestal em S. Paulo
(idem), A Familia Oedogoniaceæ ( Folheto). Hin
1903: Relatorio do Royal Botanic Garden de
Ceyläo, ( Gollaboração no Boletim de Agricultura ),
A Devastacäo das Mattas (artigo no « Estado de
S. Paulo» que provocou nma resposta dada pelo
dr. Adolpho Pinto), À Devastação das Mattas ( ar-
tigo no « Diario Popular », em resposta ao do dr.
Adoipho Pinto, de que resultou agradecimentos ao
autor, apresentados pelos drs. Conselheiro Antonio
Prado e Adolpho Pinto, quando na assembléa geral da
Cia. Paulista, em 23 de Outubro, se deliberou a crea-
ção do Horto Florestal da Companhia, de accôrdo
com o plano publicado no artigo) O Mangue ( Coll.
no Boletim de Agricultura ), Monograplua do «Rhi-
psalis Megalantha» n. sp. ( Coll. no Monatsschrift
. fuer Kakteenkunde Berlim). Em 1904: A IJndus-
tra no Japão (Coll. no Boletim da Agricultura ),
A Arvore do Papel (idem), O Kapok, (idem),
Instruccões para a Cultura do Eucalyptus (idem ),
A Baunilha (idem), Monographia da « Rhipsalis
Pilocarpa » (Coll. no Monatsschrift fuer Kakteen-
kunde, Berlim), Os Sambaquis ( Resposta ao dr.
H. V. Ihering, na Revista do Instituto Historico
de S. Paulo), A Fructicultura na Argentina ( Fo-
lheto). Em 1905: Molestia das Folhas do Pece-
queiro, Leafcurling, Exoascus Deforinans ( Coll.
no Boletim de Agricultura), As Cascas para Cor-
tume (idem) Reservas Florestaes e Serviço Flo-
restal (idem), As Formigas Cuyabanas (idem),
O Carrapato (idem), Preparo Fludo para En-
æertos (idem ), Sementes de Manicoba (idem) A
Vegetação no Rio Grande do Sul pelo professor
K. Lindman, (Traducção do Original sueco). Em
1906: Plantas Uteis Indigenas ow para Introdu-
air, As Ipecacuanhas ( Publicação no Horto Bo-
tanico ), Serviço Hlorestal para Particulares ( Pu-
blicação no Horto Botanico que mereceu um officio
de louvor do Governo), Adubos Chimicos Compa-
hivers e Incompativeis (Coll. no Boletim de Agri-
cultura ), Arvores Fructiferas e o Inverno (idem ),
Uma Observação Phytologica (Dois artigos no «Dia-
— 596 —
rio de S. Carlos), Plantação Sanitaria dos Brejos
( CGollaboração no Boletim de Agricultura). A En-
wertia (idem), La Flore de St. Paul ( l'rabalho
lido no Congresso Latino-Americano pelo dr. J. de
Campos Novaes ). Sobre a Destrução das Mattas
( Coll. na Revista do Centro de Sciencia, Campinas ),
Nova Chave para as Rhipsalideus Paulistas (idem),
O Estado do Direito Entre os Autochtones do
Brasil (Traducçäo da Introdueção da Ethnographia
Brasiliensis de Von Martius. Coll. na Revista do
Instituto Historico de S. Paulo), Viagem ao Inte-
rior do Brasil nos Annos de 1815 e 181% pelo
Núturalista G. W. Freireyss, ( Traducção do Ma-
nuscripto em allemão pertencente à Academia das
Sciencias de Stockolmo. Coll. na Revista do Ins-
tituto Historico de S. Paulo), Systema Analytico
das Plantas ( Publicação particular em collaboraçäo
com o dr. Everett), Ligeiras notas de viagem do
Rio de Janeiro à Capitania de S. Paulo no Bra-
sil. no Verão de 1813, por dr. Gustav: Beyer
( Traduc. do original suéco. Coll. na Revista do
Instituto Historico de S. Paulo). Em 1907: Notas
Sobre as Plantas Exoticas Introduzidas no Fstado
de S. Paulo, ( Publicação do Horto Botanico ), Ser-
viço Florestal ( artigo no « Jornal do Commercio »).
Em 1908: Dois Servicos valiosos e de Actualidade
(artigo no «Jornal do Commercio »). Em 1910 :
Lagoa Santa. Prof. E. Warming (Tradueçäo por
conta do Governo de Minas), A Cobra Musurana
(artigo no « Cearense»). A Flora Brasiliensis do
dr.v6 Ff. Ph, Von Martius (artigo no! «Jornal
Commercio »). Em 1911: Notas Botanicas do Ceará.
Com um Mappa botanico ( Publicação da Ins-
pectoria das Obras Contra as Seccas). A Flo-
ra em uma Região de Seccas (artigo no «Jornal
do Commercio »), Segunda Excursão à - zona da
Secca (idem), À Tamareira e seu Cultivo (idem).
Em 1912: Ensaio Preliminar para uma Phy-
togeographia Brasileira. (Coll. na Revista do
Centro de Sciencias de Campinas), Um perigo Serio
para os Coqueiraes do Littoral Brasileiro (ar-
A As QUE
tigo no «Jornal do Commercio »). À Hlora Bra-
silerra (Coll. na Encyclopedia Portugueza), A Ta-
maneira e seu Cultivo ( Ampliado e publicado em
folheto pela Inspectoria de Ooras contra as Sec-
cas). Em 1913: Contribuições para a Questão
Florestal do Nordeste do Brazil ( publicação da
Inspectoria das Obras Contra as Seccas), Qual é a
Patria do Coqueiro?, Cocos nucifera L. ( Artigo
no «Jornal do Commercio » ), Mars Algumas Ri-
quezas Naturaes do Ceará ( Coll. na « Revista In-
dustrial »). A Magna Questão Florestal, A propo-
sito do Congresso Internacioual de Pariz ( Artigo
no «Jornal do Commercio ». Em 1914: A teak, a
mais util das madeiras ( Artigo no «Jornal do
Commercio » ), Algumas Fontes Economicas para
a Região Nordeste do Brazil (Idem), O Feijão
Teparu (idem), A Flora Brazilerra (Coll. nas
CHACARAS E QuINTAES), ÆEnsaio para Introducção
na Ecologia Botanica ( Coll. na Revista do Centro
de Sciencias de Campinas), Hlora Brazileira, não
Braziliensis, breve historico das explorações bota-
aicas no Brazil ( Coll. na CHaAcARAS E QUINTAES. )
Em 1915: A Paina ( Artigo no « Jornal do Com-
mercio», reproduzido no « O Fazendeiro », As Mat-
tas e o Regimen das Aguas ( Artigo no «Jornal
do Commercio » ), O Homem dos Sambaquis ( Coll.
na CHACARAS E QuINTAES ), O Radium na Agri
cultura ( Artigo no «Jornal do Commercio»), A
Extincção das Saúras ( Coll. na Cracaras E QuIN-
TAES ), O Genero Rlupsalis ( Vol. I dos Archivos
do Jardim Botanico), Mais uma Praxe Empirica
Explicada e Aconselhada pela Sciencia ( Coll. na
«A Lavoura»). Em 1916: A Guerra e as Ma.
deiras ( Artigo no «Jornal do Commercio», A
Gomma Arab ca ( Coll. na Cracaras E QUINTAES ),
A Laranja de Umbigo da Bahia, ( Tradueção do
Inglez americano para a Sociedade Nacional de
Agricultura), Cupi-Aciy (Coll. na CHACARAS E
QuinTAES ), Lorragens para as Seccas ( Idem).
Em 1917: Ænxertia do Limoerro (Idem), 4 Juta
( Parecer apresentado à Sociedade Nacional de Agri-
— 960 —
cultura), Æspecies : Variedades. Hybridos. Muta-
cão. Selecção natural. Hereditariedade. Lei de
Mendel. Chromasomos ( Trabalho apresentado à Soc.
Nacional de Agricultura, publicado na « A Lavou-
ra»), A Juta e parentes americanos ( Coll. nas
CHACARAS E QuintaEs), Ainda os Mandacariis
sem Espinhos (Idem), Horragens para o Nordes-
le do Brazil. A Guerra contra a Malaria. Mor-
cegos e Marrecos (Coll. na «Lavoura e Criação »),
A «Palma» brdzileira sem Espinhos (Coll. nas
Cracaras E QuinTAES), Caapixinqui (Idem ),
Ainda a Gomma Arabica (Idem), Manual das
hamilias Naturaes Phanerogamas, com chaves di-
chotomicas das familias e generos brazileiros ( Pu-
“blicação particular ), Os generos zygocactos e Sch-
lumbergerea (Coll. nos Archivos do Jardim Botani-
co), Subsídios para a Flora das Orchidaceae.
(Idem).
eo
Sem duvida, a morte do sabio Lofgren foi
prematura, e muito contribuiu para ela o esforço.
de que fomos testemunha, ultimamente despendido
no seu monumental trabalho MAsuUAL DAS FAMILIAS
PHANEROGAMAS. Quem o compulsar não deixará
de ter a impressão desse exhaustivo esforço. Ter-
minou seus asperos dias no meio de honestiss ma
pobreza, deixando para o Brasil, um thesouro em
seus livros e, para a nossa sociedade, seis filhos
superiormente educados.
AFFONSO D'E. TAUNAY
o
DR. JOÃO FLORENCIO DE SALLES GOMES
DR. JOÃO FLORENCIO GOMES
© Tatuhy, 3 de setembro de 1886
+ S. Paulo, 29 de Maio de 1919
Dr. João Florencio de Salles Gomes
ER PST PE TP EST AZ “TL, CAE DCE CRC PI ET ASE 20 28
Raras, muito raras manifestações de unanimi-
dade de sentimentos entre nós occorreram, tão in-
tensas e tão extensas, quanto as que provocou o
desapparecimento do joven e mallogrado scientista
dr. João Florencio Gomes.
Ao seu feretro acompanharam centenas de pes-
soas na attitude do maior recolhimento e pesar; os
seus parentes, a classe medica de S. Paulo, em peso,
póde-se dizel-o, algumas das altas autoridades do
Estado, os seus collegas e companheiros de traba-
lho, os seis amigos... E não era só o espectaculo
da dôr de seu pae e irmãos extremosissimos, e pros-
trados pelo soffrimento, a causa de que muitos e
muitos olhos se mostrassem rasos de agua no nu-
meroso cortejo dos que iam a enterral-o. Não havia,
quem ali não estivesse a sentir o maior aperto de
coração ao imaginar que dentro em breve, para
sempre, se apoderaria o tumulo do involucro do
nobre espirito desvanecido de João Florencio de
Salles Gomes...
Seja-me permittido lembrar quanto a esta de-
monstração de tão grande pesar se associaram e se
associam todos os que no Museu Paulista ao seu
lado trabalharam.
Não deploramos apenas o desapparecimento do
collaborador de tão alta valia; sobremaneira nos
punge a irremediavel auseucia do grande e verda-
deiro amigo que acabamos de perder...
Desde muito ao nosso Instituto servia, generosa
e dedicadamente. Desde muito nos compraziamos em
admirar o conjuncto formoso de qualidades e facul-
dades que nelle tão notavelmente se encarnava, a
elevação do homem e a formação do scientista, à
latitude dos seus conhecimentos profundos e a ancia
— 964
incançavel do pesquisador que o inspirava; a no-
breza de sua modestia extrema, a affabilidade e a
gentileza do cavalheiro que era. E tudo ‘isto ao
lado da repulsa absoluta aos dictames dos sen-
timentos inferiores, do desapego completo da vaidace,
do prazer em ser util, imposto por um ser vigalis-
mo sincero.
Muito lhe deve o Museu Paulista, a que o
ligava uma affeição de longos annos. Ah, como
em toda a parte. deixa « sua passagem a mais
suave e reconhecida lembrança. Jamais lhe esque-
ceremos o trato leal e os valiosos trabalhos por elle
levados a cabo nos laboratorios do Ipiranga com a
singeleza e o desinteresse do scientista e do brasi-
leiro que viveu para servir a sciencia e honrar O
Brasil.
Quantos exemplos nobres, em tão curta “vida!
Como filho e como irmão, como trahalhador infa-
tigavel, apaixonado da sciencia e da gloria de nossa
terra! Que futuro lhe divisávamos todos nós, para
maior honra do Brasil !
Todo este porvir, a 29 de maio do 1919, brusca
e cruelmente se anniquilou...
Aos que com João Florencio de Salles Gomes
privaram restam as mais fundas e perduraveis sau-
dades. As dos sens companheiros do Museu Paulista
venho reaffirma-las aqui. Perdemos um companheiro
de quem sobremodo nos desvaneciamos.e um amigo
a quem, si muito queriamos, muito mais ainda ad-
miravamos...
Publicaram os orgams da nossa imprensa dia-
ria algumas notas biographicas sobre o infeliz ex-
perimentador e naturalista que tão cedo foi arreba-
tado à sciencia. Seja-me permittido amplia-las com
alguns elementos ineditos a mais.
Nascido em Tatuhy, a 2 de setembro de 1886,
filho do sr. dr. João Florencio de Salles Gomes e
da exma. sra. d. Anna L. Kenworthy de Salles Go-
mes, teve o dr. João [lorencio Gomes a ven-
Ce c'e
tura de crescer na atnosphera sadia e robustece-
dora de um lar cheio dos mais elevados ensinamentos,
Revelando desde os primeiros annos o maior
pendor pelas letras, foi um excellente estudante de
humanidades, havendo sido, durante longos annos,
o discipulo do seu tio e homonymo, provecto e co-
nhecido educador da capital bahiana. Em S. Salva-
dor, encetou o curso. de medicina, transferindo-se
pouco depois para a Faculdade de Medicina do Rio
de Janeiro, onde, em 1909, doutorou-se, após opti-
mas notas e vigorosa defesa de these sobre assum-
pto muito curioso: Glyeurias normaes.
Não o seduzia à clinica; arrastava-o verdadeira
curiosidade e interesse pelo laboratorio ; assim, fez
o curso de Manguinhos, onde se lhe definiu a verda-
deira vocação e o estabelecimento da directriz da vida
De regresso a S. Paulo, nelle logo divisou
Vital Brasil, com o seu tacto e conhecimento do
officio de homem de laboratorio, o auxiliar excel-
lente que podia adquirir e assim o prendea a Bu-
tantan onde, desde logo, com a sua capacidade de
trabalho, não tardou o joven assistente a tomar no-
tavel papel de destaque, angariando dentro em pouco
uma reputação nacional, e extra-brasileira, em as-
sumptos de kerpetologia. Correu-lhe então feliz a
vida entre o aconchego da casa paterna e ‘as ale-
grias do laboratorio que lhe eram tão intensas.
Na sua rapida e brilhante passagem por São
Paulo quiz Brumpt, absolutamente, tel-o ao seu lado
e assim o fez seu preparador extraordinario, levan-
do-o como auxiliar em diversas e proficuas viagens
de pesquiza.
Membro titular da “ Sociedade de Medicina e
Girurgia de S. Paulo” e redactor-secretario dos
‘ Annaes Paulistas de Medicina e Cirurgia”, a que
frequentemente communicava notas precisas sobre
os seus estudos originaes, ainda, desde muitos annos,
revistava, com afinco, o volumosissimo material de
ophidios concentrado no Ypiranga. Lá ia ter todas
as quintas-feiras, quasi invariavelmente. Milhares de
peças lhe passaram pelas mãos não só do nosso
— 0966 —
Museu como dos museus Nacional, de Buenos Aires;
Rocha, do Ceara, e Goeldi, do Para. :
Por elle professando real consideração e estima,
acabava o sr. dr Darling,o provecto cathedratico de
nossa Faculdade e eminente hygienista, de o con-
vidar, en nome da Rockefeller Foundation, para ir
aos Estados Unidos completar os seus conhecimen-
tos scientificos.
Do espolio de João Florencio Gomes, occorre-
me. nestas notas singellas citar de prompto as se-
guintes memorias: « Uma nova cobra venenosa do
Brasil», em que aponta uma especie nova de « La-
chesis»; a «L. cotiara»; «Contribuição para O
conhecimento dos ophidios do Brasil» (1), em que
revela a existencia de um novo genero e quatro |
novas especies de opistoglyphas brasileiras; « Con-
tribuição para o conhecimento dos ophidios do Bra-
sil» (11), no tomo X da « Revista do Museu Pau-
lista», em que descreve e determina o volumoso
material do Museu Rocha, do Ceará, que lhe veiu
às mãos, memoria de alto valor para o conheci-
mento da fauna do nosso nordéste; « Triatomas e
molestia de Chagas no Estado de S. Paulo », em
que resume os documentos existentes sobre o « bar-
beiro» e a trypanosomiase de Chagas em nosso
Estado Neste excellente estudo compendia uma
série de factos e dados de alta valia sobre a exis-
tencia e disseminação de « chupangas » em territorio
paulista. Já em collaboração com Brumpt havia
determinado uma especie inedita dos temiveis hemi-
pteros portadores do « Trypanosoma cruzi». En- -
contraram-no em Minas na serra do Cabral e de-
ram-lhe o nome de « Triatoma chagasi »,
Sei que tambem descreveu o material ophidico
do Museu do Pará, mas jamais me avistei com a
memoria. Em revistas estrangeiras ha tambem tra-
balhos de sua lavra.
Emprehendeu numerosas excursões scientificas,
entre outras, em Minas, a observar o mal de Cha-
gas e documentar-se sobre o «barbeiro », em S.
Paulo, na Noroëste, a estudar a leishmaniose e no
littoral a ankylostomose.
Com Neiva pesquizou e esclareceu a biologia do
berne do modo mais notavel. Dedicou-se tambem, e
com o maior afinco, à resolução do problema de obten-
ção da vaccina anti- noie havendo chegado
a excellentes resultados.
Preleccionava com a maior fciads e clareza
e por diversas vezes professou no curso instituido
em Butantan para os inspectores escolares, parasi-
tologia e hygiene.
“Um dos seus “ sonhos dourados” era a publi-
cação da grande obra sobre os ophidios do Brasil,
em que diuturnamente trabalhava e em que ia accu-
“mulando, com o maior criterio, os factos e os
documentos que a mais exigente conscienciosidade
lhe apontava. Ha bem pouco falava-me em tal
projecto, animadamente, com a habitual bonhomia
e distincção de expressões. Seria cousa ainda para
varios annos de trabalbo...
Correspondia-se assiduamente com os mestres
da herpetologia universal e tinha muitas consultas
de numerosos institutos scientificos. Ao passar por
Buenos Aires varias duvidas dos naturalistas lhe
foram submettidas à apreciação e a todas respondeu
com brilhantismo. Ainda, ha pouco, disto deu teste-
munho Pedro Serié na sua memoria sobre a Hauna
Erpetologica argentina, inserta no tomo 27 dos
Anales del Museo Nacional de Buenos Aires:
“ Este trabajo, declara, me ha sido singularmente
facilitado por el amable concurso del distinguido
erpetólogo dei Instituto Serotherapico de Butantan
y del Museo de San Pablo ( Brazil) doctor J. Flo-
rencio Gomes, qui en ha tenido oportunidad, duran-
te en ultima estadia en esta, de examinar nuestras
coleciones y de identificar varias especies dudosas. ”
Acatadissimo por quantos no Brasil se dedicam ao
estudo das sciencias naturaes dolorosamente echoará
no recinto dos nossos Museus e no circulo dos na-
turalistas a noticia do seu passamento. Como natu-
ralista não se limitava João Florencio Gomes a
— 968 —
especialidade em que tanto se distinguiu. Corao
tivesse o mais solido arcabouço . de conhecimentos
da zoologia geral, com toda a segurança podia tratar
de varios grupos. Assim o interessavam, muito, os
insectos hematophagos, em geral, os arachnideos,
especialmente os escorpiões.
Norteara a existencia para o trabalho intenso,
este homem que vivia pelo cerebro e numerosos.
projectos afagava a que a fatalidade veio impor o
implacavel veto.
Improficuos todos os esforços enormes da dedi-
cação dos Paes, dos irmãos, dos parentes, de nu-
merosos amigos, incansaveis a se revezar, dia e
noite, à sua cabeceira, improficuos os serviços, de
todos os instantes, de varios dos melhores medicos
de S. Paulo...
Quando, à noticia do seu faliecimento, corri à
sua casa a exprimir os pezames ao seu tão extre-
moso quanto amargurado Pae, disse este como numa
especie de desabafo e- reacção da mais legitiraa
ufania paterna horrivelmente conculcada pela bru-
talidade do golpe recebido: “Sr. Dr., meu filho
nenhum desaffecto deixa!”
Nestas palavras tão exactas, e reilexo de tão
grande dor, retraçou-se-me immediatamente a syn-
these da existencia que. acabava de apagar-se: da-
quelle homem bom e honesto, feito de modestia e
de brandura.... O que, porém, faltava a este elo-
gio, e o pobre pae não ousara dizer era que se de
João Florencio Gomes não ficava um unico des-
affecto hao de longa, inapagavelmente, perdurar,
entre todos os que tiveram a felicidade de o conhe-
cer, o maior respeito e a maior saudade pela sua
intelligencia e o seu caracter.
Bibliographia do Dr. Joäo
Florencio Gomes
Das glycurias normaes — These inaugural —
1910.
Uma nova cobra venenosa do Brasil ( Annaes
Paulistas de Medicina e Cirurgia I — N.3 — Out.
1913 — pags. 65 e 67.
Descripção de uma nova especie de triatoma
(7. Chagast) hospedeiro primitivo do Trypano-
soma Crust, Chagas, em collaboração com o pro-
fessor E. Brumpt. ( Annaes Paulistas de Medicina
e Cirurgia — HI — N. 4 — Out. 1914, pags. 73-77,
Contribuição para. conhecimento dos ofidios
do Brasil. * Descripção de quatro especies novas
e um novo genero de opistoglufos. ( Extrahido dos
Annaes Paulistas de Medicina e Cirurgia — Junho
de 1915 — Vol. IV, N. 6, pags. 121-129.
Triatomas e molestias de Chagas no Estado
de S. Paulo. Memoria apresentada ao 1.º Congresso
Medico Paulista — 1916 — Collectanea de trabalhos
do Instituto Butantan — T. I — Pag. 401- — 1918.
Biologia. da mosca do berne ( Derinatobia ho-
minis) observada em todas as suas phases, em
collaboração com o Dr. Arthur Noiva ( Annaes Pau-
listas de Medicina e Cirurgia — Vol. VIII — N. 9 —
Setembro de 1917.
Contribuição para o conhecimento dos ofidias
do Brasil — Ofidios do Museu Rocha ( Ceará ).
Revista do Museu Paulista — T. X. 1918 — pag 903.
No prélo, por accasião de sua morte:
Tratamento dos accidentes ofidicos pelos soros
especificos. — Memoria apresentada à Segunda Con-
e ee
ferencia Su: Americana de Microbiologia e Hygiene —
1918.
Contribuição para o conhecimento dos ofidios
do Brasil — Ofidios do Museu Paraense — Descri-
pedo de dez especies novas — Yi rabalho inserto no
1.º numero das Memorias do Instituto de Butantan.
Homenagens à memoria do dr. João
Horencio Gomes
Em honra ao nosso saudoso e eminente cullabora-
dor realisou a Sociedade de Medicina e Cirurgia de S.
Paulo, concorridissima sessão funebre secretariada
pelos drs. Oswaldo Portugal e Araripe Sucupira,
onde a seu respeito pronunciaram os drs. Ayres Netto,
presidente de sessão, Arthur Neiva e Celestino Bour-
roul, os discursos que na integra transcrevemos.
Allocução do dr. Ayres Netto :
« A Sociedade de Medicina e Cirurgia recebeu
rude e profundo golpe com o desappareciinento de
um querido companheiro, o Sr. Dr. João Florencio
Gomes.
Muito moço, cheio de talento e de esperanças,
quando ainda não déra tudo quanto se devia espe-
rar de sua incontestavel competencia, vem arran-
ca-lo brutalmente a morte ao nosso convivio, dei-
xando-nos aturdidos pela extensão de tamanha perda.
Outro profiss:onal bondoso e estimado no nosso
meio, succumbio hontem em Santos, após prolongada
molestia, o antigo consocio e presidente Sr. Dr.
Guilherme Ellis, typo perfeito de clinico, illustre re-
presentante das tradições medicas paulistas. Dos
seus prestimos, do seu valor, dos serviços que dei-
- xaram, dirão em breve com eloquencia e verdade
os illustres collegas a quem von dar a palavra ».
Allocução do Dr. Arthur Neiva:
« Em nome do Serviço Sanitario, venho. trazer
à Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo
profunda e commovida homenagem pelo passamento
de um dos seus mais conspicuos membros, o Sr. Dr.
João Florencio de Salles Gomes.
Tendo se iniciado nas pesquizas de laboratorio
no Instituto Oswaldo Cruz, onde realizara um curso
com raro brilho, viera em seguida para o Instituto
de Butantan a que consagrou todo o enthusiasmo
que o animara. Ahi, fez-se um consummado espe-
cialista de ophidios, constituindo-se a maior autori-
dade em herpetologia na America do Sul, levando
suas investigações aos museus de La Plata e de
Buenos Aires, cujas colleeções foram por elle estu-.
dadas com rara proficiencia, como reconheceu o
actual encarregado da sessão do Museu de Bueno,
Aires, o Sr. Seriè, em trabalhos a que deu publi-
cidade.
Foi em nossa terra um naturalista de escól,
pelas pesquizas não só do grupo dos ophidios como
ainda por investigações outras no campo da Parasi-
tólogia, e é com ufania que me recordo ter sido eu
um dos seus guias, quando no curso de Mangui-
nhos, tive de lhe orientar os primeiros passos na
senda que, depois, e tão rapidamente, enchera de
tão grande fulgor.
O Goverzo de São Paulo, conhecedor perfeito
dos peregrinos dotes que exornavam o illustre filho
desta terra, cuja morte agora tanto deploramos, ia
honral-o com um posto de confiança, a que elle ja
tinha dado acquiescencia. Bem senhor da responsa-
bilidade que lhe ia pesar, traçára com raro descor-
tino, um programma de investigações scientificas,
que certamente iria exaitar a sciencia brasileira. Os
primores da sua rara organização de scientista, O
desinteresse com que se entregara, de corpo e alma,
aos trabalhos de laboratorio, eram por certo pe-
nhores seguros para a realização pratica do seu
programma.
E foi tão sómente ao delinear o seu plano de
administração que pude sentir integralmente a capa-
cidade profissional, o enthusiasmo scientifico e o
amor às cousas de nossa terra e da nossa gente,
que animaram o elevado espirito do pranteado collega.
— 573 —
iui seu companheiro de jornada em Manguinhos;
acompanhe! sua brilhante passagem pelos museus da
Argentina; em São Paulo, vi de perto o seu campo
de maior predilecçäo e nara o qual se voltavam
todas as suas energias — Butantan; — depois, con-
vivi dias e dias seguidos na intimidade de longas
excursões scientificas em varios pontos do territorio
paulista, e, de tal convivencia, pude medir a ex-
tensão de seus conhecimentos, a riqueza de sua cul-
tura e a grande bondade e infinita doçura que delle
dimanavam.
Porém, nem o convivio e o conhecimento que
delle tinha, atravez da observação directa e das
pesquizas scientificas, me deram a conhecer à ver-.
dadeira e admiravel personalidade, que, em pontencial,
existia na nobre figura do inditoso scientista pau-
lista. Foi tão sómente revestido da responsabilidade
com que ia enfrentar, que se mostiou em toda a
intensidade o homem capaz de rasgar horizontes
novos aos campos de investigações em nossa terra.
Foi uma revelação ! Transfigurara-se o homem ti-
mido, galvanizado pelo sopro de ideaes que nelle
viviam de ha muito. Era uma força nova que se
erguia diante de meus olhos e que iria certamente
levantar muito alto o nome brasileiro.
Sr. Presidente : pensei, ao iniciar estas palavras,
que iria dizer o muito que o meu sentimento de
amigo e admirador obrigara a proferir.
A emoção. porém, que me invade ao evocar a
admiravel figura do saudoso companheiro, estanca
as expressões verdadeiramente representativas que
eu quizera imprimir a esta allocução que, por meu
intermedio faz o Serviço Sanitario do Estado de São
Paulo, tão rico de tradições, e que vem trazer a
esta Sociedade, para a qual elle concorria com o
prestigio da sua assistencia, o tributo e a homenagem
do sentido pesar que a todos nôs invade, pela perda
tão dolorosa de João Florencio Gomes, diante de
cuja memoria todos nós nos dobramos, cheios de
reverencia, de dôr e de saudades ».
Lea ee
Allocução de Dr. Celestino Bourroul :
« Não podia, sr. Presidente. deixar de trazer
aqui a expressão sincera da saudade pelo amigo e
companheiro que se foi, João Florencio Gomes.
E vai neste doloroso sentimento toda a gratidão à
sua memoria que ha de permanecer sempre entre
nós como exemplo be bondade, saber e de modestia.
E o curso de Parasitologia da Faculdade de Medi-
cina de 5. Paulo muito the deve. Foi um dos seus
primeiros assistentes voluntarios, escolhido pelo pro-
prio Brumpt, e neste ponto se houve com a maior
dedicação. Depois, sea devotamento à nossa Esco-
la nunca afrouxou e se desmentiu. Todos os annos
os nossos alumnos lá iam a Butantan ouvir seus
ensinamentos sobre as nossas cobras, e era de se
ver a boa vontade, a simplicidade com que nol-os
dava. Vez não havia em que o encontrando o mal-
logrado amigo não offerecesse seu rico materiai de
Butantan para c curso de Parasitologia. Numa ex-
cursão a Lassance, descreveu com Brumpt um
novo barbeiro, dedicado a Chagas, triatoma Chaga-
si. Esclareceu com Neiva a biologia da «mosca
do berne ». Manifestando logo depois de formado um
pendor natural para as cousas de laboratorio, fez
em Manguinhos os seus primeiros estudos. Entra-
ra depois para o Butantan e ahi, ao lado de Vital
Brasil, tornou-se o maior conhecedor das serpentes
brasileiras e sul-americanas. Quando a notoriedade
e gloria já lhe sorriam, eis que a morte nol-o ar-
rebatou brutalmente. Mas o seu nome nimbado de
bondade e de saber, ficará nesta casa como exem-
plo vivo do que póde o esforço alliado à intelli-
gencia, ao coração e ao caracter.
Proponho, pois, Sr. Presidente, que aos votos
todos de pesar se associem os da Faculdade de Me-
dicina de São Paulo e especialmente os da cadeira
de Parasitologia. »
A estas homenagens seguiram-se outras, tradu-
zidas nas seguintes moções: do Dr. Oscar Freire de
Carvalho: « Proponho que em homenagem ao sau-
doso scientista brasileiro, br. João Florencio de
STEP
Salles Gomes seja instituido nesta sociedade um
- premio denominado «João Florencio Gomes» e
“destinado ao meihor trabalho sobre zoologia medica,
publicado em São Paulo em cada anno social».
O premio constará de uma medalha de ouro e de
um diploma », e do Dr. Garcia Braga, requerendo
que fosse transcripto no boletim da sociedade um
artigo do Dr. A. de E. Taunay, intitulado — À morte
de um scientista — ainda como justa homenagem
à memoria do presado consocio.
Foram ambas unanimemente approvadas. O
Presidente da sessão scientificou à assembléa de
que não sô visitara o eminente consocio durante a
sua enfermidade como ainda representara a Socie-
dade em seus funeraes.
RAVE
1, ‘
E
AFFONSO D E. TAUNAY
——— qe.
Prot. Dr. Joaquim Candido da Costa Sena
DR. JOAQUIM CANDIDO DA COSTA SENA
© Serro, 10 de agosto de 1852.
+ Bello Horisonte, 20 de junho de 1919.
Dr. Joaquim Candido da Costa Sena
Não houve em todos os institutos e instituições
scientificas do paiz onde não repercutisse, e com 0
maior pezar, o lucto da sciencia nacioral provocado
pelo desapparecimento do illustre mineralogista e di-
rector da Escola de Minas de Ouro Preto cujo nome
encima estas linhas. Nao era só c sabio petrographo
morto que se lastimava; era o homem encantador
pela cultura superior e a affabilidade extrema, o es-
pirito juvenil e a communicatividade amistosa, o
serviçalismo prazenteiro e gentileza rara.
No Museu Paulista, dolorosamente echoou a
lugubre noticia. A quem escreve estas linhas sum-
marias se afigurou que se quebrara um dos elos
fortes da cadeia que prende uns aos outros os in-
stitutos scientificos do Brasil, apagando-se este nome
tão nacionalmente querido.
Ainda havia pouco com elle passara, a © de
Junho de 1918 as horas mais agradaveis, num jan-
tar e numa noite em que o Prof. Bruno Lobo tambem
reunira os Drs. Basilio de Magalhães, Max Fleiuss é
Roquette Pinto, após a magna sessão commemorativa
do primeiro centenario do Museu Nacional, a que com-
parecera Sena representando a Escoia de Minas
Comkinaram que se encontrariam no fim do
anno em Ouro Preto: queria o eminente mineralo-
gista angariar uma collecção valiosa de mineraes
brazileiros para o Museu Paulista. Mas o homem
propõe... Em fins de 1918 soffria o velho e illus-
tre mestre o mais cruel dos golpes com a perda do
seu primogenito, já professor na Escola de Minas,
moço do mais bello futuro; ac seu interlocutor a
mesma enfermidade pandemica quasi arrebatara a
vida. :
E assim jämais lhes caberia o prazer do novo
encontro ... tocando apenas a quem perdera o ami-
— 980 —
co illustre consagrar algumas palavras pallidas de
amizade à memoria do ausente saudosissimo.
Nascido à 10 de Agosto de 1852, na cidade
da Conceição do Serro, no Estado de Minas Geraes,
ahi iniciou Joaquim Candido da Costa Sena. o curso
de preparatorios que concluiu no Caraça. Ao reti-
rar-se para a sua terra natal, deu-lhe o Padre Julio
Clavelin, cuja memoria de philantropo christão e edu-
cador é tão querida, honrosissimo attestado. (4)
Assim terminava: «O alumno Joaquim Can-
dido da Costa Senna concluiu seu curso preparato-
rio, com o maior brilhantismo possivel e, por seu
comportamento exemplar, mereceu sempre a consi-
deração e a estima de seus mestres e -collegas ».
Em 1872, matriculou-se na Escola Polytechnica
do Rio de Janeiro, onde soube honrar com as bellas
notas obtidas o nome mineiro.
Terminado o primeiro aano do curso passou
a frequentar a Escola de Minas de Ouro Preto,
fundada e dirigida pelo sabio Gorceix, auxiliado por
outros professores francezes e brasileiros.
Terminando os estudos em Junho de 1880, em
hrilhante concurso feito no Museu Nacional do Rio
de Janeiro, conquistov o logar desubstituto de Gor-
ceix como reretidor de Mineralogia e Geologia,
logar que .exerceu durante quatorze annos, sendo
tambem em 1885 nomeado professor de Physica e
Chimica na mesma Escola de Minas. A 12 de Ju-
nho de 1890 foi feito cathedratico de Physica e
Chimica.
Ao sabio Gorceix, substituiu na cadeira de Geo-
logia e Mineralogia, por decreto de 15 de Junho de
1893 e na Directoria, em 1900 ao inolvidavel pro-
(1) Para a confecção deste escorço biographico serviu-
seo A. da transcripção de muito largos trechos de um
artigo excellente publicado ha alguns annos na revista te-
chnica « Engenharia» artigo da redacção subordinado ao
titulo Pagina de honra, justa homenagem acs grandes me-
ritos de Costa Sena.
MORT ER
fessor e director Archias Medrado, por decreto de
27 de Agosto daquelle anno. Veiu a morte sur-
prehendel-o na cathedra que durante 26 annos tanto
illustrara.
Incansavel trabalhador, patriota ardente, empre-
gava o tempo que lhe deixava livre o magisterio
em excursões e pesquizas.
Seguindo as indicações de Eschwege, encontrou
nos arredcres de Ouro Preto, Burnier e outros pon-
tos, minerios de manganez, que até então vinham
da Europa para estudos e experiencias nos labora-
torios. Organizando ao lado de Gorceix, Francisco
Veiga e Levindo Lopes, o material para a Exposi-
ção de Pariz, e mais tarde o material para as ex-
posições de Berlim, Chicago. Bruxellas, São Luiz
e outras, remetten em quantidade notavel minérios
de manganez e ferro, para a Europa e para os Es-
“tados Unidos, chamando a attenção dos industriaes
para estas fontes da nossa riqueza, dando hoje logar
a grandes e importantes explorações.
Estudando nossas argilas, reconheceu serem al-
gumas dellas refractarias e, com alguns amigos, es-
tabeleceu uma pequena olaria nas vizinhanças de
Itabira do Campo, onde preparou tijolos refractarios
para fornos altos, material este que nos vinha im-
portado da Inglaterra e outros paizes da Europa.
_ Os industriaes, reconhecendo seus serviços e sua
desinteressada dedicação, qu'zeram que fosse o para-
nympho na ceremonia da benção dos altos fornos
da Esperança e Burnier, emprezas que, como mui-
tas explorações de manganez, são dirigidas habil-
mente por seus antigos discipulos.
Gorceix delle dizia «é um homem que trabalha
com energia pouco commum. Construindo peque-
nos apparelhos, suppre com seu zelo a insufficien-
cia dos gabinetes ». Ra
Notavel professor francez, a quem De Bovet
professor de Costa Senna, expunha o resultado de
experiencias por este feitas com pequenos appare-
lhos que o illustre morto construira, disse: «E' a
“consequencia de um raro merito. »
— 982 —
Respeitado e considerado pelos collegas, queri-
am-no e veneravam-no os discipulos numerosissimos.
Ainda alumno escreveu ‘ Observações sobre mi-
nerios de ferro, como sobre a siderurgia em Mi-
nas.
Sobre este trabalho, disse Gorceix em seu re-
latorio :
« Este anno, o Sr. Joaquim Candido da Costa
Sena, estudou, com o cuidado que este excellente
alumno dedica a todos «s seus trabalnos, as minas
de ouro e fabricas de ferro situadas entre as cidades
de Guro Preto e do Serro. Entregou-me um bom
trabalho, o qual, depois de uma ou outra correcção,
será digno de uma publicidade. que será para mim
um dever solicitar seja a mais ampla possivel. »
Eleito deputado à Constituinte exerceu durante
onze annos, occupou uma das cadeiras do Senado
de sua circumscripção natal, ae 1891 a 1902. Teve
então a occasiäo de revelar os primores da enorme
erudição, das solidas humanidades, da memoria co-
lossal. Tomou notavel parte nas mais importantes
discussões como sobre organização municipal e ju-
diciaria. Ao tratar das leis de terras, pronunciou
discursos que na opinião dos profissionaes são ver-
dadeiras monographias do direito.
Já no congresso de Santiago do Chile, por occa-
sido da Exposição de Mineralogia e Metalurgia,
tomara parte tão saliente na discussão que lhe foi
dirigido o seguinte officio :
« Seccion de Jurisprudencia del Congresso
Minero.
Santiago, 17 de Noviembre de 1894.
Senor
4 Seccion de Jurisprudencia Minera, en
session celebrada en esta fecha, acordo dar a Vd.,
por medio de una nota, las mas expr.sivas gra-
crias por la importante cooperacion que Vd. le ha
prestado constantemente para llevar à feliz têr-
mino sus lareas.
— D83 —
Por solicitação do Conselheiro Affonso Penna,
substituido ro Governo de Minas, pelo Dr. Bias
kortes, representou o Estado de Minas na Exposi-
ção de Santiago do Chile, em 1294. Obrigado a
chegar em tempo marcado, para que o Brasil não
ficasse em falta com a nação amiga, atravesson a
pé os Andes inteiramente cobertos de neve, acto de
extrema dedicação e que lhe valeu da imprensa
chilena as seguintes palavras :
«Para o brasileiro que sabe comprehender o
que seja o cumprimento de um dever, os Andes
com seus abysmos e com seus gelos eternos não
poderão servir de barreira e elle soube encontrar
caminho nas cumiadas em que só o condor levanta
sua cabeça audaz para o céu. Parabens ao Brasil. »
Tomando parte saliente no Congresso por occa-
siäo dessa exposição, depois de notaveis discursos
sobre os recursos do Brasil no reino mineral e so-
bre a legislação de minas no Brasil, no Chile e
noutros paizes, foi acclamado vice-presidente do
Congresso.
O Presidente da Republica -e o Ministro da
Agricultura, por intermedio do Ministro Plenipo-
tenciario do Brasil, o Sr. Cavalcante de Lacerda
enviaram parabens ao Presidente da Republ ca dc
Brasil », «não só pelo brilho e importancia da ex-
posição do Estado de Minas, como tambem pela sa-
bedoria e competencia de seu Delegado Costa Sena ».
Ao partir para o Brasil, dizia a imprensa chilena:
« Elles vieram como arautos do carinho do
Brasil e souberam fazer com que as, affeigdes para
com seu vasto e formoso paiz lancem as mais pro-
furdas raizes no coração do Chile».
Chegando ao Brasil, recebeu do Conselheiro
Affonso Penna uma carta em que este dizia: « Fa-
zendo a escolha de sua pessoa para representar o
Estado de Minas no extrangeiro, tinha certeza de
haver confiado a honrosa tarefa a mãos competen-
tes. O resultado veiu confirmar completamente a
minha confiança. As noticias e communicações vindas
do Chile, deram-mé o grato prazer de verificar que
o representante do Estado de Minas fez uma figura
brilhantissima na sociedade scientifica do Chile,
honrando o nome do Estado de Minas ou antes de
todo o Brasil. Minhas sinceras felicitações e leaes
agradecimentos ».
Eleito Vice Presidente do Estado de Minas no
quatriennio de 1898 — 1902 coube-lhe o ensejo de
occupar a cadeira presidencial durante alguns me-
zes em substituição ao Presidente Silviano Brandão,
mostrando então quanto estava ao par dos proble-
mas de administração e com quanta largueza de
vista os solucionava.
Teve como auxiliares na Secretaria do Interior
o Dr. Wenceslau Braz, Secretaria das Finanças o
Dr. Campista e Prefeito de Bello Horizonte o Dr.
Bernardo Monteiro.
Seu governo, foi incontestavelmente, o governo
da justiça, do direito e da honestidade.
Sua mensagem 20 Congresso Mineiro recebeu
da imprensa e de homens dos mais notaveis os mais
calorosos elogios. Referindo-se a seu governo, dizia
Bias Fortes: «oi uma das melhores administra-
ções que Minas tem tido, lendo-se na imprensa de
Barbacena : «de tal modo se comporta no governo.
que nem siquer uma voz se levanta a elle contraria ».
Carlos Ottoni, em sua obra intitulada « Galeria
Mineira », escreve: « Para com o patriota, scien-
tista e illustre sabio Dr. Costa Sena tem Minas uma
“divida de carinho e, para começo de paga, deve
abrir-lhe as portas do Parlamento Nacional. Minas
precisa ser representada por seus filhos de maior
merecimento. Precisamos saldar essa divida; ja-
2
mais se diga que Minas é ingrata ».
Em 1908, organisou a parte mineralogica da
Exposição Nacional. Fez um resumo de tudo quanto
neste sentido expuzeram os diversos Estados, caben-
do-lhe a honra de pronunciar o discurso inaugural
da Exposição do Estado de Minas e o discurso de
encerramento da Exposição Nacional.
Ra gee
Logo em seguida foi para o Chile representar
o Brasil no Congresso Scientifico Pan-Americano
e ahi apresentou a memoria denominada « Minerias
de Ferro no Brasil», principalmente no Estado
de Minas Geraes. Considerações geraes sobre a
industria do ferro. Influencia que sobre ella exer-
cerá o Brasil, em futuro não remoto ».
Terminada a leitura deste impertante trabalho,
estando ao lado de Costa Sena, o ministro plenipo-
tenciario do Brasil, no Chile, o delegado argentino
Don Emilio Flores, que neste dia presidia a sessão,
levantou-se e disse: « À memoria que acaba de ser
lida é certamente uma das mais importantes do Con-
gresso. Penso que suas conclusões não devem ser
discutidas. ‘Milas procedem de um sabio de reputa-
ção mundial, que consideramos nosso mestre, e pro-
ponho que seja approvadas por aeclamação, entre
uma salva de palmas ao Brazil e ao seu digno filho ».
Em 1911, organisou as collecções de minerios
e mineraes para a Exposição Universal de Turim,
que elle mesmo installou naquelle grande certamen
da industria e do trabalho.
O Professor Jorge Spezia, depois de tel-as mi-
nuciosamente examinado, em companhia de profes-
sores de diverssas nações, felicitando Costa Sena,
disse :
« Bastavam estas collecçôes para salvar a honra
do Brasil ».
Nomeado Commissario Geral, de tal modo se
comportou e se esforçou que foi o Brasil collocade
ac lado da França e da Italia.
A Commissäo Central Italiana, presidida pele
Senador Tomaso Villa, ao enviar-lhe uma placa ar-
tistica que para lhe offerecer havia sido cunhada,
dirigiu-lhe uma carta em que dizia: « E” uma lem-
brança que ao mesmo tempo vos recordará a obra
magnifica de organisação e de direcção por vós exe
cutada em uma secção que tanto contribuiu para e
grande exito da Exposição, o que aqui consignamos
com legitimo orgulho. Ella leva gravado o vosse
— 986 —
nome, do mesmo que gravada fica em nossos cora-
ções a lembrança de tudo o que vos devemos »..
Commemorando em Turim a data de 15 de
Novembro, estando declarada a guerra entre a Italia
e a Turquia, interpretando os sentimentos de hu-
manidade da Republica Brasileira, converteu as des-
pezas que tinha de fazer com festas, banquetes e
bailes em auxilio à Cruz Vermelha. Este bellissimo
gesto do nosso representante valeu ao Brasil os
maiores elogios e altas personagens diziam: «A
missão de Costa Sena na Italia vale para o Brasil
mais do que dez annos da melhor diplomacia ».
Regressando 20 Brasil, foi de novo mandado à
Europa organisar as secções de Mineralogia nos
museus do Brasil em Genebra e em Paris,
Por occasião da solenne inauguração do museu
em Pariz, com a presença do Ministro plenipoten-
ciario do Brasil, sr. dr. Oiyntho Magalhães, em
carta dirigida a Costa Sena, Paul Walle, bem co-
nhecido per seus trabalhos sobre o Brasil, dizia:
« Podeis partir satisfeito, meu caro professor,
porque soubestes cumprir vosso dever. Vós eo sr.
dr. Delfim Carlos tendes, mais do que talvez podeis
suppor, prestado um immenso serviço ao vosso palz ».
Voltando ao Brasil, continuou sua obra na Es-
cola de Minas, que desde tanto a dirigia e onde a
sua acção era applaudida por nacionaes e notabili
dades estrangeiras que constantemente visitam este
notavel instituto de ensino superior.
A montagem de gabinetes e laboratorios, espa-
cosas officinas de metallurgia com fornos electricos,
martello pilão, officina para preparação e ensaios
industriaes de minerios, para electro-technica, tem
sido a constante preoccupaçäo do digno discipulo
e successor de Goceix. Este sabio professor, refe-
rindo-se a Costa Sena, dizia: Ia été toujours mon
bras droit; sans lui je n'aurais rien fait.
Sem hesitações e sem receios, não recuou diante
da prepotencia ameaçadora e salvou a dignidade da
Escola e a moralidade do ensino.
Como bem se sabe, nossos estabelecimentos de
ensino, geralmente, montam seus gabinetes com ma-
terial vindo do estrangeiro.
Animado de vivo e acrisolado patriotismo pro-
cura Costa Sena nacionalisar o ensino de nossas
riquezas, organisando com o material que recolhia
em excursões, numerosas coilecções. | assim que
as escolas de engenharia, as escolas e collegios mi-
litares, gymnasios, escolas normaes, podem hoje
fazer os seus cursos com amostras de rochas e mi-
neraes nacionaes.
Com desinteresse completo prestou sempre aos
industriaes as informações necessarias sobre a natu-
“reza e o valor das amostras que diariamente lhe
eram mandadas de muitos pontos do Brasil. (1)
De 1915 a 1916, mediante auctorização do Mi-
nistro da Agricultura e por solicitação do Prefeito
do Araxá, estudou as aguas mineraes desse prospero
municipio mineiro, elaborando minucioso e interes-
sante relatorio, ainda a publicar-se nos « Annaes da
Escola de Minas ».
Em fins de 1918. passava o nosso illustre bio-
grapbado pela extrema dor de ver. tombar, victi-
mado pela grippe pandemica, seu filho primogenito,
Já professor na Escola de Minas, moço a quem se
abria o mais prospero futuro.
Assim combalido pelo traumatismo moral vin
as forças lhe declinarem progressivamente, mau gra-
do os cuidados e a solicitude de parentes e amigos,
des collegas, discipulos e admiradores.
Partiu para Bello Horizonte a busca de me-
lhoras. Ali se extinguiu a 20 de Junho de 1919.
- Foi o seu enterro o pretexto para a mais tocante
demonstração de affectividade collectiva. Transpor-
tado o cadaver para Bello Horizonte, acompanha-
ram-no amigos innumeros. Milhares de pessoas,
Ouro Preto em peso, esperavam-lhe o feretro e as-
sistiram-lhe a inhumação, no meio do mais grave
recolhimento e no maior e mais sincero pezar.
(1) De pags. 580 até aqui se reproduz ligeiramente mo-
dificado e interpelado o artigo referido da revista Engenharia.
— 988 —
E merecera-o quem na dilatada existencia fóra
sempre um bom e um desinteressado, um affectivo
e um dedicado ...
Jomem de excellentes humanidades, possuidor
de descommunal memoria, já o lembrâmos, da
mais agradavel das verves destacava-se em Costa
Sena, à primeira vista, o conversador brilhante,
inexgotavel, cheio de leveza e de espirito, de varie-
dade e alegria.
Tinha a réplica tão mordaz quanto prompta.
Sabia como raros as cousas do Brasil e com a maior
«propriedade empregava os seus variadissimos conhe-
cimentos nas mais felizes e espirituosas approxima-
ções. y
Ainda na ultima vez que nos encontrámos re-
feriu uma bella resposta a um funccionario de um
Museu de Buenos Ayres que lhe mostrava um velho
estandarte brasileiro a dizer-lhe tola e grosseira-
mente «uma bandeira tomada em Ituzaingo ».
Maliciosamente Jhe respondeu o eminente mi-
neralogista : «Nao, Sr., deve ser engano: esta’
bandeira é alguma das de Tonelero e Caseros, das
que por aqui passaram acclamadas delirantemen-
te pelos buenayrenses a quem acabavam de libertar
dos horrores de Rosas ».
Eram estes os titulos scientificos e as honras con-
feridas ao illustre mineralogista : tngenheiro de
Minas; Lente Cathedratico de Mineralogia e Geo-
logia da Escola de "finas; Cavalheiro da Imperial
Ordem da Rosa; Official da Legião de Honra ;
Commendador da Ordem da Corôa de Italia; Offi-
cial da Academia Franceza ; Membro effectivo da
Sociedade de Mineralogia de Paris; da Sociedade
Imperial de Mineralogia de S. Petersburgo; do
Instituto de Engenheiros do Chile; da Sociedade Geo-
logica de Paris; da Sociedade de Geolcgia de Ber-
lim; da Geological Society of America; Membro
correspondente do Museu Nacional; Membro da So-
— 589 —
ciedade de Mineralogia do Chile; das Sociedades
Scientificas Allemã e Franceza ; de Santiago do Chile ;
Membro effectivo da American Association for Ad-
vancement of Sciences; da Sociedade para Anima-
ção da Agrienltura no Brazil, com sède em Paris ;
Socio honorario da Sociedade Nacional de Agricul-
tura; Membro do Congresso Scientifico Latino Ame-
ricano; Socio Benemerito de Instituto Nacional da
Italia para as Bibliothecas do Soldado ; Socio hono-
rario da Liga Geral dos Operarios da Italia; Mem-
bro da Académia Mineira de Lettras; do Gentro de
Sciencias e Letras de (Campinas; do Instituto do
Ceará; do Instituto Historico e Geographico de
Minas; da Sociedade Real de Artes de Londres;
da Sociedade de Geograpaia de Lisboa; e da So-
ciedade Academica de Historia Internacional.
BIBLIOGRAPHIA DO DR. COSTA SENA
Nos Annaes da Escola de Minas de
Otro Freto::
Viagem de estudos metallurgicos no centro
da Provincia de Minas — Tomo 1.
Noticia sobre a mineralogia e geologia de uma
parte do norie e nordeste. da Provincia de Minas
Geraes — Tomo 2.
Noticia sobre a scorodita — Toino 3.
Nota sobre uma jazida de Stauroditas ; Nota
sobre uma jazida de Actinote — Tomo 5.
Minerios de ferro do Brasil — Tomo 10, Breve
noticia sobre a Columbrita no Estado de Minas
Geraes — Tomo 11.
Nota sobre uma jazida de blenda — Tomo 8,
Dr. Domingos José da Roche — Tomo 5.
Nota sobre a hydrargillite, sobre a cassiterita,
sobre a spathita ; Sobre uma modificação na bussola
portatil do geologo.
O seu ultimo trabalho publicado foi «O bis-
muto em Minas Geraes. »
Em revistas estrangeiras collaborou muito. A
estreitesa do tempo não nos permitte porém rever-
lhes os summarios.
A Sena deve-se ainda um beilo necrologio de
Derby. |
Chamado ao Rio pelo Director do Museu Na-
cional para fazer o elogio do scientista illust e e
pranteado geologo produziu bellissima oração de
CX
reis O ALES
alta erudição e profunda psychologia. Suas pala-
vras calaram fundo no espirito do numeroso e se-
lecto anditorio que enchia o grande salão das con-
ferencias no Museu Nacional.
Sobre o notavel tmineralogista nosso biogra-
phado publicon o dr. Augusto Barbosa da Silva —
o illustre professor da Escola de Minas de Ouro
Preto, cuja reputação justa de didacta emerito cor-
re pareihas com a sciencia do inventor de processos
electrosiderurgicos da maior relevancia — umas pa-
ginas que aqui transcrevemos pois constituem phra-
ses em que a delicadeza e a elevação dos conceitos
se casam do modo mais tocante à demonstração de
uma amizade tão antiga quanto intensa, do discipu-
ko pelo mestre, do professor pelo chefe de sua con-
gregação, do amigo pelo amigo que se foi, deixando
as mais suaves lembranças e a maior saudade.
« A dolorosa impressão, a magua profunda, a
verdadeira angustia que a noticia da morte de Gosta
Sena causou entre aquelles que com elle conviviam
e debaixo de cuja direcção trabalhavam só póde
ser avaliada quando se disser que a quasi totalidade
dos membros do actual corpo docente da Escola de
Minas de Ouro Preto é formada de seus antigos
diseipulos, que desde os tempos escolares aprende-
ram a aprecial-o como professor e como homem, a
amal-o, depois, com affecto impregnado de admiração
pelo seu labor continuo e fecundo durante 38 annos
em que elle foi, em verdade, a alma do nosso instituto.
Costumava dizer Henry Gorceix, o sempre lem-
brado fandador e primeiro director da Escola de
Minas, que a esta sacrificára sua carreira scientifica
querendo significar com isso que os encargos do
magisterio e da direcção da Escola lhe roubavam
o tempo necessario às pesquizas scientificas.
— 593 —
De Gorceix, de quem fora discipulo predilecto
e seu braço direito, como se comprazia em confessar
o sabio professor, herdou Costa Senna a mesma
dedicação carinhosa e desvelada pela Escoia onde se
diplomou e a ella sacrificou sua carreira politica,
despresando posições de relevo a que seu saber e
competencia lhe davam o direito de aspirar e que
facilmente poderia conquistar por sua notoriedade e
vastas relações em todos os meios sociaes.
Exerceu o magisterio durante cerca de 38 annos
e, não falando em sua indiscutivel competencia, era
tido, pelos seus alumaos no mais elevado apreço
pelo methodo com que organizava as lições e pela
clareza na exposição do assumpto, que elle dictava
de modo a permittir-lhes a redação de notas com-
pletas que lhes facilitavam grandemente o estudo da
materia.
Sob sua esclarecida direcção teve a Escola de
Minas notavel desenvolvimento. Poz todo o seu
“esforço e utilisou todo o prestigio de suas raras
qualidades pessoaes em obter as verbas necessarias
à ampliação do ensino pratico que até então, vor
motivos varios se resentia de certas deficiencias.
Nesse sentido sabia tambem estimular a boa von-
tade de seus collegas de magisterio, dispensando-lhes
com enthusiasmo, 'o mais franco e decidido apoio,
sempre que a elle se dirigiam reclamando meios de
trabalho para tornar mais efficaz a a no en-
sino das respectivas cadeiras.
E dest'art» surgiram novos gabinetes, enrique-
cidos outros com inaior cópia de apparelhos, novos
laboratorios foram installados, levantadas novas of-
ficinas para estudos de eletrotechnica, electroside-
rurgia, ensaios industriaes de minerios de ouro,
iniciadas as fundações do observatorio astronomico.
Nos ultimos mezes, presentindo, sem duvida, a
approximação da morte, era de ver-se a sua preoc-
cupação e insistencia em ver ultimadas as installações.
Exerceu a directoria durante 19 annos, inter-
rompidos por varias comm:ssões de alta relevancia
e grandes responsabilidades em paizes estrangeiros,
— 594 —
onde patrioticamente aproveitava a occasião para
fazer conhecido e estimado o nome do Brasil a que
sempre deu grande lustre.
De sua compostura moral, da perfeita compre-
hensão de seus deveres na administração da Escola
dá exemplo frisante o facto escandaloso que ahi se
passou ha poucos annos e que ainda perdura na
memoria de todos: foi 6 caso que servindo-se de
intrigas politicas, quizeram impor-lhe a execução de
um acto afrontoso aos brios daquelle instituto de
ensino. Uma ordem terminante foi dada. Não a
cumpriu elle, consciente da justiça da causa que de-
fendia e do damno irreparavel que o acto, si reali
sado, havia de causar ao estabelecimento que dirigia.
Rugiu então o despeito impotente. Trovejou a pre-
potencia, ameaças de demissões em massa. Calmo
no meio da tempestade, oppôz sempre Costa Senna,
uma resistencia habilmente cautelosa e prudente,
porém firme e tenaz que fez abortar a intriga.
Esta bella attitude provocou geral e justa ad-
miração e proporcionou-lhe a grande satisfação de
ouvir de illustre estadista a phrase mais lisonjeira
para o estabelecimento cujo Lom nome defendera
com tanta dignidade e tamanho ardor : « À Escola
de Minas ‘oi um rochedo no meio da lama»! —
phrase lapidar de que se pôde envaidecer aquella Es-
cola, que ella guardará para sempre como uma
gemma preciosa do seu escrinio moral e que só
podem bem comprehender aquelles que conhecem os
pormenores do facto.
Scientista illustre, estudioso enthusiasta das cousas
da natureza, não era, entretanto, d’aquelles que, em
face dos progressos prodigiosos da sciencia em todos
os seus departamentos a proclamam fonte unica da
certeza, que pensam não haver outro meio de co-
nhecer a verdade a não ser a experimentação scien-
tifica e repellem e negam tudo que não se ve ou não
se toca. Era um crente. E bem o attestam seus nu-
merosos discursos como paranympho onde, em pro-
fusam, se ostentam, viçosas, as flores de sua fé.
Mas era crente sem exclusivismos, tolerante, que
ms
DE PR
concebe a fé sobre bases largas e admitte que todas
as curiosidades, todas as aspirações do homem para
melhor comprehender são bôas e que a bondade
deve ser o fructo sazonado de uma crença sincere.
E era, em verdade, a bondade de coração o
traço caracteristico que lhe constituia a feição mais
solidamente attrahente do temperamento. Nao sabia
recusar. Quem quer que a elle se dirigisse com
um pedido nos labios, era sempre attendido de um
modo ou de outro, porque, quando na impossibili:
dade de satisfazer o pedido, punha todo seu vali-
mento ao serviço do postulante.
Essa bondade não excluia, entretanto, o exer-
cicio de seu estro satirico — que o tinha primoroso
— contra os desaflectos, mas essa manifestação só
se produzia entre os intimos que, sabia não o haviam
de trahir, pois, incapaz de rancor, almejava sempre
o ensejo de reatar as relações amistosas, perdoando
e esquecendo com magnanimidade todas as offensas.
De uma variada cultura litieraria e scientifica
a que a poucos é dado attingir, servido por uma
memoria prodigiosa que lhe permittia citar, de uma
assentada e sem hesiiações, longos trechos dos au-
ctores lidos, sensivel ao sorriso como à melancolia
das cousas, sabia evocar, com rara felicidade, ‘os
aspectos que o impressionavam e, nas palestras, a
todos attrahia pelos conceitos philosophicos, a todos
encantava e seduzia pela graça inimitavel no dizer,
pela espontaneidade e o appropriado das replicas.
E agora que elle se foi reunir às outras formas
familiares que povoam nossos pensamentos e nossas
recordações, no momento em que começa a volta do
seu corpo à terra de donde sahiu, nós todos da Es-
cola de Minas, cheios de desolação e de saudades,
nos que durante tantos annos servimos sob sua ca-
rinhosa direcção, julgamos que a homenagem mais
nobre que nos cabe prestar à sua memoria, a mais
agradavel a seu espirito superior, a que mais grata
seria a seu coração de vivo e a mais digna do amor
ro te
extremado que dedicava aquella Escola, deve erystal-
lizar-se na promessa, mais de que promessa, juramento
solenne perante nossa consciencia e diante do mys-
terio em que elle acaba de entrar, de permanecermos.
sempre dignos delle, de continuarmos sua obra sem
desfallecimentos, trabalhando com o mesmo esforço,
o mesmo zelo, o mesmo carinho de que por tantos
annos elle nos deu o exemplo, para manter as tra-
dições de seriedade na administração e no ensino do
instituto pelo qual tão cioso se mostrava, ao qual
dedicou toda a sua vida e que, si grandes satisfa-
ções Jhe proporcionaram, tambem longas horas de
amargura lhe custaram.
E si alguma vez o sopro empestado aa deshar-
monia procurar insinuar-se entre os membros de
nossa corporrção, relaxando-lhe a solidariedade, di-
minuindo-lhe a cohesão, temos a certeza de que seu
espirito conciliador hade pairar sobre nós, trazen-
do-nos de novo a paz e a concordia.
Innumeras têm sido as manifestações de pezar
que vem recebendo a Escola de Minas pelo desap-
parecimento de seu querido Director e, nestes dias
de pungente tristeza e de infinita saudade, nossos
corações se entumescem, cheios de gratidão, nessa
atmosphera tepida de sympathias que, de todos os
cantos do paiz, desdes os recantos remotos dos mais
remotos Estados, nos trazem o conforto da solida-
riedade de todo o Brasil. |
SS ES
DR. CHARLES ROCHESTER EASTMAN
SS 278 à
Dr. Charles Rochester Eastman
Dão-nos os jornaes norte americanos a triste
nova do fallecimento, por desastre, do eminente z0c-
logo cujo nome epigrapha estas linhas e cuja repu-
tação em sua especialidade — paleo — ichtyologia —
era desde muitos annos mundial. Morreu afogado
suppondo-se que a extrema myopia o haja. feito
cahir à noute num canal onde, pela manhã lhe acha-
ram o cadaver. Teria quando muito 50 annos,
cremos. (1)
Seu desapparecimento contristou a quantos tra-
balham no Museu Paulista que por diversas vezes,
assiduamente frequentou durante dia e semanas a
fio em 1916, sob a direcção do Snr. Dr. Arman-
do Prado, em 1917, e 1918 sob a direcção de
quem redige estas linhas rapidas. Viera ao Bra-
sil em delicada e reservada commissão politica
do seu governo e nos intervallos de suas viagens,
sempre que ficava em S. Paulo, naturalista apaixo-
nado que era, « mergulhava com delícias » como di-
zia — e o verbo era o mais apropriado a um ich-
tyologo — na bibliotheca e laboratorios do Ypiranga.
Apenas nos avistavamos na rua perguntava logo :
« Recebeu o Snr. litteratura nova?»
Era um homem de bella cultura geral: excel-
lente linguista falando bem o francez e o hespanhol,
perfeitamente o allemão e tanto o Snr. Dr. Armando
Prado como eu, aproveitando a presença de um es-
pecialista de sua autoridade lhe confâmos material
ichtyologico a estudar. Realisou aqui muitas deter-
minações e como não tivesse tempo para concluir a
tarefa levou o que ihe restava manipular para Nova
York. D'alli já nos tem sido recambiadas varias e
avultadas parcellas, pelo seu competentissimo substi-
(1) Artigo publicado nº O Estado de 8. Paulo.
— 600 —
tuto, o Dr. John Treadwell Nichols, que graciosa—
mente estuda o resto da remessa, onde fez numero-
sos achados, brevemente divulgadas no tomo XI da
« Revista do Museu Paulista» Interessou-se o Dr.
Eastman immenso pela nossa collecção de peixes
fosseis de Taubaté, já manipulados alias por Wood-
ward. Com a devida venia do Exm.º Sr. Dr. Oscar
Rodrigues Alves, recebeu algumas duplicatas deste
avultado material a tituio de presente do Museu
Paulista ao Museu Nacional dos Estados Unidos.
Da obra avultada do Dr. Eastman onde entre
outras se notam memorias de paleontologia acatadissi-
mas, cremos que fica por concluir o grande dicciona-
“rio bibliographico de ichtyologia de que já publicara
dous grossos volumes. A respeito do naturalista.
estampou Science, a tão reputada revista norte ame-
ricana, o mais elogioso necrologio.
Perdurarä no Museu Paulista entre os que ti-
veram o prazer de privar com o maliogrado e emi-
nente paleontologo, a lembrança agradavel do seu
trato singelo e affavel, de sua cultura vasta e ge-
neralisada, do seu amor intenso às sciencias naturaes.
Deve-lhe o nosso Museu serviços valiosos que
me é muito grato aqui apregoar, reconhecido.
Affonso d' E. Taunay.
Sobre o dr. Eastman escreveu o erudito ichtyo-
logo seu collaborador « n’ A Bibliography of Fishes »,
dr. Bashford Dean, o artigo a que alludimos estam-
pado em Sczence.
“e Nascido a '5 de junho de 1868 em Cedar Ra-
pids, Estado de Iowa, falleceu o dr. Eastman em 27
de setembro de 1918 em Long Beach, N. Y. cedo
demais para a sciencia mundial.
Deste lado do Atlantico existem poucos z00-
logos que devotaram a sua vida ao estudo dos pei-
xes fosseis — assumpto que comprehende uma parte:
dos mais importantes problemas dos vertebrados.
Entre os investigadores já fallecidos lembramos
os nomes de Agassiz, o velho, Cape, Newberry e
Leidy e a essa boa companhia temos que addicio-
nar a de Charles Eastman cujos serviços contri-
— 601 —
buiram larga e profundamente para a sciencia da
paleo-ichtyologia.
A’ esta obra sacrificou tenazmente um quarto
de seculo publicando mais de cem trabalhos, entre
elles uma serie de monographias que figuram entre
as mais eruditas e exactas neste terreno scientifico.
Formou-se Eastman na Universidade de Ilarvard
em 1891, estudou na Universidade John Hopkins e mais
tarde na Universidade de Munich, onde obteve o gráu
de doutor em 1894; trabalhou com o professor Karl
von Zittel, cujo laboratorio attrahia então um nu-
mero de jovens paleontologos americanos. Aqui visto
como o seu interesse já se concentrava sobre os
peixes fosseis, teve o dr. Eastman o unico material
não determinado que essa universidade allemã tinha
à disposição : um conjuncto de dentes isolados prove-
nientes de tubarões da formação cretacea — material
de modo algum attrahente. O joven investigador,
porém, atdcou-o com energia recolhendo logo os
dados para uma these bem promissora.
Occupou em seguida, um logar no collegio de
Harvard, onde revistou no Museum of Compa-
rative Zoology, sob os auspícios de Louis Agassiz
as collecções de peixes paleozoicos encontrando muito
material para publicações.
Interessou-se pelos fosseis devonianos da col-
lecção de Agassiz com o que esclareceu os ricos
achados do oeste central americano então descriptos
pelo dr. Newberry.
A atteição de Eastman era especialmente to-
mada pela classe e caracter de « placodemus », como
grupo dominante dos tempos Devonianos e como
muitos outros scientistas dedicou-se em resolver as
difficuldades das suas linhas de evolução e de seu
parentesco com os peixes modernos.
Aqui procurou elle activamente um material
extensivo e melhor conservado sobre o qual pudesse
buscar os seus achados.
O melhor terreno para collecções das fórmas
americanas está no Ohio, e por essas regiões
Eastman logo fez o reconhecimento dos fosseis e
— 602 —
seus colleccionadores. Seus estudos estendera:n-se,
em seguida, a mais vastos terrenos toruando-os
quasi encyciopedicos: teve a fauna ichthyologica
Devoniana inteira literalmente à mão e, si uma pes-
soa naquelle tempo o houvesse procurado tel-o-ia
encontrado no alto do Museu Agassiz no centro de
um labyrintho feito por fileiras de prateleiras com-
pridas contendo fosseis. Sahia o visitante com a im-
pressão que ahi existia algu na coisa de quasi mys-
teriosa na aptidão com a qual Eastman sabia formar
do schisto barrento essas creaturas prehistoricas, por-
que seus « membra disjuncta » cellocava-os ncs lo-
gares exactos tão rapidamente e sem erro e de vez
com tão notavel precisão que se podia ver o peixe
reviver nas suas prateleiras.
Do exame dos Placodemus estendeu Eastman
os seus estudos pelos Pulmonatas e Saurideos de
então, fazendo numerosas contribuições ao nosso co-
nhecimento daquellas formas prehistoricas. De vez
em quando elle voltava ao grupo dos tubarões sem-
pre procurando lançar luz sobre este grupo primi-
tivo e dificil.
Os de Port Jackson com a sua dentição curio-
samente modificada que lhes facultava quebrar as
escamas de molluscos, sugestionou novas ideas sobre
mudanças evolutivas mostrando a sua obra acerca
deessas formas provenientes do llinois, Towa, Mis:
souri, Kansas e Nebraska novas especies facilitando-
{he o preenchimento de lacunas na sua historia.
Varios desses paleo tubarões tornaram-se tão
semelhantes a Pulmonatas na sua dentição que só-
mente por essa evidencia os dois grandes grupos
de peixes podiam facil nente ser confundidos.
Durante o ultimo decennio dirigiu-se a atten-
ção de Eastman mais para os typos de peixes mo-
dernos. Isso foi talvez devido ao facto de que elle
consegalu trazer para este paiz a celebre collecção
de um paleontologo belga, a de Bayet e installal-a no
Carnegie Museum em Pittsburg. Sobre os peixes
detsa collecção, especialmente os da Italia do norte
-— 603 —
(Monte Bolca), publicou um certo numero de bellas
memorias.
Quanto à philogenia dos peixes, Eastman era
conservador. Assim sustentou, seguindo Smith Wood-
ward, que o grupo de placodermos que este classifi-
cou como Arthodira, foi definitiva nente referido
aos Pulmonados primitivos: não sympathisou com
os que acreditavam ter solvido o enigma de Tre-
mataspis e Botherolepis associando-os aos Artliropo-
dos. Como systematico era Eastman perfeito e as
fórmas por elle descriptas raras vezes precisarão de
revisão.
Mrs. H. J. Wolker revistou-lhe ha pouco os
trabalhos resumindo a sua-contribuição systematica.
Ninguem póde citar o dr. Eastman sem lem-
brar a sna fina erudição da literatura antiga. Lia
os textos classicos fluentemente e Aristoteles e
Plinio tinham para eile o valor de autores moder-
nos. Talvez os conhecesse, e seus confrades, melhor
que qualquer paleontologo vivo. Eastman teve sem-
pre uma certa predilecçäo para trabalhos bibliogra-
phicos, por saber o que outros fizeram em certo
terreno sendo isso o unico começo honesto de qual-
quer exame. Em virtude deste interesse acce.-
tou o convite do American Museum of Natural
History para emprehender a a edição de uma biblio-
graphia de peixes que o Muse estava publicando.
Sob a sua direcção appareceram os dois primeiros
volumes dessa obra — destinados a esclarecer os
trabalhos dos scientistas em tal terreno». (1)
No decurso de seus tão aturados estudos teve
o dr. Eastman o ensejo de enriquecer a systematica
da o ichtyologia com a identificação de tres fa-
milias, 12 generos e 115 especies que o dr. Bash-
ford Dear enumera no fim do seu artigo.
(1) “Traducção do Sur. Andréa Do.
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BIBLIOGRAPHIA
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Bibhographia da Revista do Museu Paulista
(1913-1919 )
Referem-se as presentes notas bibliographicas esclusiva-
mente ás obras que deram entrada na Bibliotheca ce Museu
Paulista, quer por acquisição e offerta quer por permute.
O periodo de intenso trabalho, occorrido nos
annos de 1917, — em que se tornava necessario acti-
var o serviço atrasadissimo da catalogação de uma
bibliotheca de mais de 25.000 volumes, até então
toda por fazer, — foi a causa principal de que a bi-
biographia do tomo X da « Revista», editado em
1918, tão resumida sahisse.
E' o pessoal sientifico e administrativo do Mu-
se muito restricto e tem multiples affazeres. De-
pois do grande ingrerito administrativo ordenado
pelo Governo do Estado, em 1916, verificou-se quanto
era avultado o serviço de inventariação a executar
se no Museu, accumulado, graças a mais de vinte
annos de postergação deste dever elementar da eco-
nomia de um estabelecimento como o nosso. Re-
tirada em Março de 1917, a Commissão Extraordi-
naria que em 1916 e 1917 a mandado do Governo
do Estado servira, substituindo o antigo, defeituoso e
lacunosissimo arrolamento por um inventario me-
thodico, paciente e exhaustivo, ficou o Museu redu-
zido ao seu pessoal ordinário e com grande traba-
lho a concluir sobretudo no tocante a catalogação
da Bibliotheca.
A bibliographia para o tomo X da « Revista »
que o digno Bibhothecario do Instituto Sr. Andréa
Dó chamara a si, ao par dos seus serviços habituaes,
— 608 —
de traductor, expedidor da « Revista », encarregado
da correspondencia para diversos paizes etc. não
podia deixar de se restringir como succedeu, resu-
mindo-se a poucas indicações relativas às diversas
obras citadas.
Mais folgado o serviço, actualmente, resolvemos
dar a esta secção da « Revista » um desenvolvimento
maior do que jamais teve nos numeros anteriores.
E realmente pode prestar e presta grandes serviços
aos que se dedicam ao estudo da Historia Natural
no Brazil indicando-lhes o que se produziu no paiz
e o que fora delle se escreveu sobre a materia e
sobre assumptos que affectam o meio brazileiro.
Assim decidimos que se realisasse o resu-
mo das obras citadas por parecer que semelhante
systema daria aos estudiosos mais clara ideia do
transumpto relativo a cada uma dellas. Quizemos
ao mesmo tempo que se fizesse a revisão dos tra-
balhos apontados pelas referencias bibliographicas
do tomo X afim de que não haja solução de conti-
nuidade com a bibliographia dos volumes anterigres.
Não se trata nat»ralmente de um ensaio com-
pleto relativo à producção total dos naturalistas do
Universo sobre questões attinentes às sciencias na-
turaes no Brasil e regiões pertencentes a zona neo-
tropica. Longe disto... Apenas procurou-se reu-
nir uma documentação volumosa e conscienciosa-
mente examinada. Só se resumiu o que veio ter
ao Museu. Assim mesmo ahi se encerra a maior
parte do que se escreveu no paiz sobre as questões
de historia natural.
Cada um dos artigos leva a assignetura de
quem fez o estudo da obra resumida, collaborando
na nossa Bibliographia alem do pessoal effectivo do
int ou nelle commissionado, o distincto entomo
logo Sr. Julis Melzer, desde muito nosso eita Dare
dor gfacioso, a quem devemos numerosas finezas.
A todos quantos tenham o ensejo de conhecer
o nosso tentamen e-se interessem pelo estudo da
natureza brasileira rogamos encarecidamente o obse-
quio de promover a remessa de litteratura scienti-
"009 —
fica à Bibliotneca do Museu. O nosso escopo publi-
cando os resumos dos trabalhos recebidos é sobre-
tudo concorrer com achegas para a encyclopedia
da produéçäo scientifica brazileira que tarde ou cedo
será certamente redigida no paiz com o fito de reu-
nir elementos dispersos e desaproveitados pela in-
sciencia dos estudiosos a seu respeito ou acerca da
valia do seu conteudo.
Muito mais extensa seria a rossa bibliographia
não fora o lustro de perturbação excepcional porque
acaba de passar a Humanidade. Assim é que desde
principios de Agosto de 1914 deixou a bibliotheca
do Museu de receber a volumosa contribuição scien-
tifica da Allemanha, dos antigos imperios austro-
bungaro e russo etc. que constantemente lhe chegava.
Affonso d'E. Taunay.
Contribuição brazileira
B— SC BH
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Vo”
ANTHROPOLOGIA, ETANOGRAPEIA, ARCHEOLOGIA
CLOUS
CHILDE ( ArBerto ) A dama Takushit ;
Archivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro;
Volume XVII — Rio de Janeiro 1916.
Nesta memoria pretende o A., nosso prezado e
erudito collaborador, Sr. Alberto Childe, identificar
uma bellissima estatueta de madeira da collecção
egyptologica do Museu Nacional com o famoso
bronze do Museu de Athenas: a Dama Takushit.
Diz o A., que para a determinação das diver-
sas peças do rico material egyptologico do Museu
Nacional vê-se c archeologo em serio embaraço
inicial pela ausencia das indicações de origem haven-
do elles sido recolhidos em localidades diversas do
valle do Nilo em época em que as indicações de
lugar não se levavam em conta. Em todo o caso
com o auxilio dos elementos ao seu alcance pre-
tenderá estribar a sua identificação.
Assim pelas descripções dos archeologos, a com-
paração das dimensões, o exame do estylo da obra,
o cotejo com specimens varios da estatuaria egypcia
etc., julga o A. que realmente se acha em face de
nma reproducção do celebre bronze de Athenas.
Tudo isto o leva a emittir uma serie de conside-
rações eruditas sobre o canon hieratico egypcio que
Charles Blanc pretendeu estabelecer e ter descober-
to e o A. critica detida e substanciamente mais
uma vez demonstrando quanto conhece os assumptos
de que trata. Entende o Dr. Childe que a questão
não está definitivamente resolvida. Parece-lhe que
a solução não ha de provir das obras da estatuaria
egypcia e sim da interpretação de textos a desco-
brir e textos puramente nacionaes.
Affonso d'E. Taunay.
— 616 —
CHILDE ( ALBERTO) Archeologia classica e
americanismo. Archivos do Museu Nacional do
Rio de Janeiro, tomo XIX, 1916.
Rebatendo uma opinião que julga talvez cor-
rente — e aliás quiçã apenas compartilhada por in-
dividzos de idéias acanhadas e tacanhas — de que
nada tem o Brasil com as antiguidades das civili-
zações primévas procura nesta bella memoria apre-
sentar o À. os pontos de contacto da archeologia
com o americanismo mesmo deixando de lado a
feição da cultura geral importantissima, seja dito de
passagem, que nos obriga, a todos, da civilisação oc-
cidental a perscrutar os mysterios da vida dos nos-
sos antecessores primévos. :
Comega o A. pesquizando qual seria a origem
do gentio americano, encontrado pelos descobrido-
res, o que o leva a apresentar e discutir as ques-
tões do monogenismo e do polygenismo estudadas
sobre o triplice ponto de vista tradicionalista, bio-
logico e linguistico.
Acha o A. que a Biblia é insufficiente para
explicar o monogenismo que tambem se mostra in-
sustentavel em face do criterio moderno relativo às
questões biologicas. Applicada às linguas america-
nas a linguistica revelou uma forma nova: a forma
polysynthetica ou agglutinante, circumstancia que ao
ver do A. é favoravel ao polygenismo. Discute de-
pois o Prof. Childe as hypotheses do povoamento
da America de accôrdo com as idéias do monoge-
nismo, a existencia da migraçäo pela Atlantida e
da passagem pelo Alaska. Ambas lhe parecem
merecer mais fé do que até hoje se lhes tem cre-
ditado, sobretudo a segunda. O Zlephas priniwge-
nius por exemplo é encontrado em ambos os con-
tinentes.
Numerosos documentos de incalculavel antigui-
dade achados nas duas Americas como que denun-
ciam a presença dos Phenicios no Novo Mundo.
Discute o A. o caso da famosa inseripção phenicia
que Ladislau Netto verificou ser uma impostura e
LT GNT 2
declarou que se ndus phenicias aportaram às nossas
costas devem ter chegado desgarradas.
A archeologia classica não tem unicamente a
vantagem de facilitar approximações ; permitte con-
clusões oppostas, discussões de assimilações improprias
e confusas, como no caso de uma estatueta de marmo-
re preto vinda do Mexico para o Museu Nacional e no
entanto parecidissima com outras do mesmo genero
egypcio. E factos de tal jaez repetem-se a meúdo.
Revista então o A., a seguir, os documentos forne-
cidos pela America; os que se filiam aos Mounds,
Cliff-dwellings e Pueblos e os das civilizações pre-
columbianas. As approximações entre estas diver-
sas civilizações e as do Velho Continente surgem
não abundantes mas até certo ponto frisantes. Presta
o À. uma homenagem aos conhecimentos de Frei
Camillo de Montserrat, o sabio benedictino francez
que foi o director da Bibliotheca Nacional do Rio
de Janeiro, cujas pesquizas sobre as relações entre
a America e a Asia oriental.são ao seu ver nota-
"veis. Entende o monge que houve migração de
asiaticos para a America e documenta-os com sa-
bios argumentos, declarando o A. que numerosas
constatações dos ultimos annos, na Asia Oriental,
Siberia e Pacifico Septentrional dão-lhe razão.
O estudo precolombiano da America do Sul,
avança o Prof. Childe, é muito mais espinhoso do
que o da archeologia das outras Americas. Os do-
cumentos são mais escassos e carecem sobretudo de
classificação, de synthese. Quantas raças distinctas
povoaram estes vastos territorios ? E’ impossivel di-
zel-o hoje.
Continuamente se complica a questão com o se
avolumarem as descobertas dos americanologos. E
quanto ha a fazer ainda para se coordenarem os
“elementos reunidos e dar-lhes racional interpretação ?
A civilização americana pensa Ed. Seler é uma
civilização importada, transplantada. Entende toda-
via o À. que sómente as origens foram transplan-
tadas. Pela collaboração dos indigenas americanos
a evolução tomou um cunho absolutamente particu-
— 618 —
lar, distincto dos berços primordiaes, em que não
collaboraram comtudo todos os grupos, todas as
tribus de incigenas.
Termina o A. a sua bella memoria pondo mais
uma vez em vivo relevo quanto a archeologia do
Velho Continente pôde vir em auxilio da ventilação
dos problemas do americanismo e quanto o mate-
rial reunido ro Museu Nacional tem alto valor do-
cumentario e comparativo.
Affonso d E. Taunay.
CHILDE ( ALBERTO ) Os deuses e os mortos nas
crenças antigas. Archivos do Museu Nacional do
Rio de Janeiro. Vol. XIX, 1916, a pag. 150.
Num erudito estudo -synthetico de psychologia
religiosa prehistorica procura o nosso prezado e dis-
tincto collaborador perscrutar o que na alma confusa
das primeiras gerações surgiu primeiro em materia
de preoccupações: conhecer o porvir dos morios
ou a natureza dos genios antecessores dos Deuses.
O primeiro aspecto da religiosidade é o animismo,
sentimento da vida cosmica na phrase feliz de Hof
fding. Assim serviçaes ou hostis os objectos « os
annaes tornam-se fetiches.
Bem observa o A. quanto é estulto encarar os
systemas religiosos ou primitivos como extrava-
cancias mysteriosas e ridiculas, extranhas ás nossas
concepções de crença. E realmente não cão senão
estadios da intelligencia humana em caminho da
verdade.
Enriquecido de experiencias novas o espirito
humano creou systemas mais logicos e sobretudo
alcançou uma consciencia social mais alta de seus
deveres; tudo isto porém não veio rectilireamente,
perdeu-se em divagações diversas; d'ahi o que o
A. affirma: não sabe qual o mais antigo: c culto dos
genios on o culto dos mortos. E’ admissivel suppor
que os dous são quasi contemporaneos e se influen-
LEGS €
ciaram reciprocamente. Acredita, porém, que o dos
genios é anterior. Julga tambem o A. que o con-
ceito de morte pouco a pouco penetrou nas socie-
dades primitivas, pela interpretação das imagens do
somno. (Quando se acreditou que a influencia dos
mortos, podia ser benefica ou nefasta, começou
em relação a elles um culto de propiciação. Para
o A. a ideia da immortalidade não é um conceito
primitivo. Os deuses de Homero soffrem pelo corpo
e pelo espirito, assim se dá com os do Egypto. Até
Ra, o Deus grande, envelheceu. Os cultos dos genios
e dos mortos embora distinctos, reciprocamente agem
um sobre o outro.
Vemos na mais remota antiguidade, nas mais
diversas latitudes e longitudes, os cuidados consagra-
dos ao cadaver para que se conserve, no Perú e no
Egypto. A morte terminal para db egypcio era
horrenda na sua desolação.
A ideia da immortalidade não se havendo fir-
mado surgiu o derivativo da metempsycose. Para
uns a immortalidade do espirito era um engodo,
para ontros, mais apegados à vida, uma promessa.
D’ahi o redobramento de cuidados para o embalsa-
ments que no Egypto attingiu às proporções de uma
arte inexcedivel.
Pouco a pouco, porém, ganham os deuses a
immortalidade e os vivos, aterrcrisados com a ideia
do aniqnilamento procuram assimilar; de qualquer
modo, a condição humana à divina, assegnrando ao
morto o beneficio da eernidade. D'onde a noção
da divinisação dos heróes, infiltração egypcia sobre
as civilisações occidentaes.
No Egypto o pharaô passa a ser Deus. Traz
a evolução dos tempos para a alma popular o con-
ceito da compensação na vida futura para os pade-
cimentos da existencia terrestre.
E a humanidade quiz que tal galardão fosse o
premio da virtude dos bons.
Os sentimentos e raciocinios dos antigos a res-
peito dos deuses e dos mortos resumem-se em mo-
vimentos de fé, de terror ou de esperança de uma
— 620 —
parte e, por outra, em hypotheses scientifico phi-
losophicas, tentativas de comprehensão racional do
mysterio cosmico.
EK’ por isto que desde a mais remota antigui-
dade ao lado da esperança a que se apega o homem
diz o A. surge o pessimismo que descrê da rea-
lidade dos deuses e da immortalidade da alma e.
este sentimento materialista se consubstancia no
epitaph.o do discipulo de Epicuro : « Nós todos aqui
jacentes somos ossos e pô, nada mais ».
Tai o resumo rapido dos principaes topicos da
magistral memoria desenvolvidos com real brilhantis-
mo pelo nosso prezado e erudito collaborador.
Affonso d’E. Taunay.
CHILDE ( ALserRtTO) Os pretendidos navios
predynasticos. Revista da Academia Brasileira de
SCiencias (IN UE AOL pags ai
Com a sua habitual erudição reforça o A. a
opinião de Cecil Torr de que os pretendidos navios
representados sobre vasos archaicos egypcios não
são realmente barcos destinados à navegação apre-
sentando novas conclusões diversas das do egypto-
logo inglez. Avança ainda a hypothese de que os
barcos pretensos dos vasos predynasticos represen-
tam templos em fórma de navios.
Affonso d’E. Taunay.
CHILDE ( ArBerro) Guia das colleccoes de
archeologia classica do Museu Nacional. Rio de
Janeiro. Imprensa Nacional, 1919, p. 109, in 12.
E” mais. um bello e: utilissimo trabalho do
nosso tão illustrado quanto prezado collaborador
que revela ao publico a existencia das preciosas e
authenticas colleeções do Museu Nacional. Começa
por uma série de considerações geraes muito erudi-
— 621 —
tas e perfeitamente judiciosas e pelo quadro dos pe-
riodos archeclogicos estabelecidos na Europa e no
Egypto, um esboço do synchronismo da chronologia
egypcia com os annaes dos povos antigos para de-
pois fazer a descripção e por em destaque as pe-
ças mais importantes da collecçäo egyptologica, ad-
quirida, sobretudo, por D. Pedro 1. Assim nos aponta
os idolos, os sarcophagos, o material de embalsa-
mamento, os amuletos e escaravelhos, as estelas fu-
nerarias, as estatuetas, figurando entre estas uma
reproducção da celebre Dama Takushit, do Museu
de Athenas.
Passando a descrever o material grego-italiano
etc., indica o excellente guia os vasos antigos, os
objectos de vidro, as figurinas de barro cosido, as
estatuetas de bronze, as lampadas antigas, os uten-
silios de toucador, os anneis, armas, etc., esporas,
cabrestos, chaves, havendo sempre uma rota erudi-
ta a proposito dos numeros mais salientes das col-
lecções. Reserva-se um capitulo às pinturas de Pom-
peia, outro às escripturas antigas egypcias, pheni-
cias, hebraicas, cretenses, babylonicas, emfim todo
o alphabetismo das mais velhas civilisações.
Refere-se o ultimo capitulo ao vestuario anti-
go: tecidos, cabelleiras, penteados, inductos, etc..
Optimas figuras illustram o bello guia, nova demon-
stração da sciencia archeologica do prof. Childe, o
especialista de que se orgulha o nosso Museu Na-
cional.
Affonso d’E Taunay.
ROCHA POMBO (J. F.) Historia de S. Pau-
lo (resumo didactico) S. Paulo, 1919, Weiszflog
& Comp., 124 pp., in 16.
A’s nossas letras didacticas têm os srs. Weisz-
flog Irmãos prestado relevantes serviços. O seu curso
de cartographia, por exemplo, é tão conhecido e
divulgado quando apreciado em todo o Brazil. Os
seus livros de leitura, cartilhas, as suas selectas vão
tendo extracção sempre crescente, organisados como
foram por didactas reputados entre os melbores do
nosso Estado.
Ultimamente, tiveram os dignos editores a ex-
cellente idéa de alargar o seu circulo de edições e,
assim, enveredaram pelo terreno da Historia do
Brazil, estreando, com rara felicidade, vela reim-
pressão da ‘ Historia do Brazil”, de frei Vicente
do Salvador, a saborosa chronica seiscentista, para
a qual escreveu Capistrano de Abreu uns “ Prole-
gomenos ” formidaveis, deante dos quaes os homens
do officio, instinctivamente, repetem o ges'o cyra-
nesco em relação ao “ Dom Quixote”. Descobrem-
se e inclinam-se. Ainda ha dias, escrevia-nos Al-
berto Rangel: “Li os commentarioe de Capistrano.
Como sabe e resabe! KE’ de ficar a gente estarre-
cida! Agora comprehendo porque nao faz uma
Historia do Brazil. Deixa isto para o vulgo.”
Annunciam para breve os esforçados editores
outros livros excellentes, come uma ‘“Histura da
Civilização ”, prestigiada pelo nome illustre de Oli-
veira Lima.
Já haviam imprimido optimo trabalho de Rocha
Pombo sobre a nossa historia nacional e, agora, do
mesmo autor, nos dão uma “ Historia de S. Paulo ”
( resumo didactico ).
O sr. Rocha Pombo pertence a categoria dos
escriptores e especialistas cujos trabalhos é imperti-
— 625 —
nencia a critica elogiar segundo a estafada figura,
estafada mas commoda.
A autoridade da sua “Ilistoria do Brazil” torna-
lhe a voz acatada para qualquer estudo que faça do
nosso passado, sob este ou aquelle ponto de vista.
Procurou na sua * Historia de S. Paulo” expôr
à nossa mocidade escolar uma synthese rapida e
clara das tradições de S. Paulo, pondo no maior
destaque o papel dos paulistas na construcção do
Brazil. Concebeu um plano original e executou-o
com felicidade. A’ historia politica ajuntou uma
série de capitulos utilissimos, indispensaveis, e, no
emtanto, abandonados pelos escriptores de vistas
acanhadas Assim, expõe “o que era uma ban-
deira ”, fala-nos dos costumes coloniaes paulistas e
das festas populares entre outros topicos curiosos e
interessantes, e acaba o livro explicando o que é
hoje S. Paulo e o que será o seu futuro.
A este excellente texto se annexa a mais sa-
borosa imprevista, vultuosa e inedita iconographia.
Uma verdadeira revelação. ha de constituir para o
publico, que, certamente, se espantarä de vêr o que
avistar no bello livro.
E manda a justiça se diga que, si o texto é
de Rocha Pombo, a iconographia foi escolhida com
o maior criterio, a maxima comprehensão do as-
sumpto e verdadeiro bom gosto pelos srs. Walther
Weiszflog e dr. Thiago Pessanha, seu digno auxi-
liar, após detido exime e comparação dos elementos
obtidos. E é com verdadeiro prazer, seja-nos rele-
vada a immodestia, que constatamos os novos e
valiosos fructos das colleccdes que tivemos o ensejo
de reunir no Museu Paulista. Já em 1918 nos
honrára o eminente dr. José Leon Suarez con O
pedido instante da reproducção das velhas cartas
coloniaes de S. Paulo que conhecera durante a sua
visita ao Ypiranga, quando por ahi passära como
chefe da embaixada intellectual argentina.
Aproveitam agora os srs. Weisztlog para a
obra de Rocha Pombo os mesmos elementos e ou-
tros muitos mais numerosos ainda. Assim, fazem
— 624 —
reproduzir dentre as collecções do Musen: as duas
cartas do seculo XVIII, do Museu Britannico, a de
João Teixeira. em 1640, duas setecentistas do litto-
ral, de autor anonymo, existentes em original no
Archivo Militar Nacional, a de Charlevoix, em 1756,
de frei Josê de Santa Thereza, em 1698, a da ques-
tão de limites deS. Paulo e Minas, de 1766, etc., etc.
Aos antigos elementos já colleccionados, os nos-
sos quadros historicos, quasi sempre de Calixto,
addicionaram os editores numerosissimas reprudu-
ecdes ineditas ou menos conhecidas, retratos, esta-
tuas, monumentos varios, vistas de velhos aspectos
e edificios tradicionaes do Estado, destacando-se
neste conjuncto cinco preciosas reproduções de
Hereules Florence e Adriano Taunay, tambem do
Museu Paulista, insubstituiveis para o estudo dos
costumes paulistas, na ép ca da Independencia, uma
vista de S. Paulo ao longe, de 1854, devida a J. V.
Adans, inedita e tambem no Ypiranga. Completam
a série dos documentos iconographicos algumas pe-
cas da mais alta valia: os fac-similes de uma ses-
maria de 1552, assignada por Martim Affonso de
Souza ( colleeção J. J. Raposo), de uma carta de
Braz Cubas ao rei em 1562. Dois numeros do
“ Farol Paulistano ”, de abril de 1880 e do “ 15 de
novembro ”, edição commemorativa da proclamação
da Republica, representam, com a maior proprieda-
de, a parte que cabe à imprensa, no passado paulista.
Setenta e seis são, ao todo, os documentos Ico-
nographices que ilustram a obra do sr. Rocha
Pombo. Delles são ineditos para o publico quasi
todos. Ha de o publico recompensar, certamente,
tão louvavel e patrivtico esforço e, dentro em breve,
estará a “Historia ds São Paulo” em todas as
mãos. Nada mais merecido e mais justo: quem
adquire um volume da edição dos srs. Weiszilog
Irmãos faz jus a ter em casa um evocador do nosso
elorioso passado, digno de verdadeiro apreço pelos
conceitos do texto e a factura do corjuncto icono-
eraphico. |
Affonso d E Taunay.
ROQUETTE PINTO ( Anthropologia: gua
das collecções ) Rio de Janeiro, 1915, p. 74, in 16.
Confeccionou o especialista justamente reputado
que é o prof. Roquette Pinto um guia excellente
para as suas collecções, sob uma fôrma clara, pre-
cisa, interessante, didactica que sobremódo lhe lou-
vamos. Percorrer as salas de sua secção de guia em
punho e ter alguem uma série de licçües de anthro-
pologia tão agradaveis e amenas quanto precisas e
originaes.
Assim começa estudando «o homem e os ty-
pos da série animal », em que nota as approxima-
ções e afastamento do homo sapiens e dos grandes
simios. Passa depois a expôr os typos anthropolo-
gicos — as idades — os sexos — os individuos nos
seus caracteres differenciaes ; occupa-se muito com
a anthropologia dos nossos indios; explica o que
eram os diversos canons da estatuaria, atravéz das
idades e das civilisações; occupa-se da questão da
mestiçagem sobretudo applicada ao Brasil, fala da
questão da -acclimação e dos accidentes por ella pro-
vocados, aponta caracteristicas pathologicas das ra-
ças humanas, os principios da identificação indivi-
dual pela anthropometria, etc.
Termina o guia pela classificação das raças hu-
manas e sua distribuição geographica e por uma
serie de referencias a paleontologia humana e afinal
pela lista das peças principaes das collecções expostas.
Em summa a obra de uma intelligencia clara
e synthetica, inspirada pelo perfeito conhecimento
dos assumptos ventilados.
NEFONSO D &. TAUNAY.
E Ga 2s
ROQUETTE PINTO (Epearp) Rondonia.
Tomo XX dos Archivos do Museu Nacional do Rio
de Janeiro: 1917; pp. 292.in 4°
Verdadeiro triumpho litterario e scientifico, ao
mesmo tempo, conquistou a Rondonia, em rapido
prazo, um renome nacional que uma segunda edição,
facto raro no paiz, para obras de tal natureza, veio
consagrar, ultimamente.
Sobre os meritos do bello livro do Prof. Ro-
quette Pinto largamente se estenderam os nossos
melhores criticos, encarecendo-lhe com toda a jus-
tiça as novidades nelle apontadas no campo da ethno-
eraphia e das sciencias naturaes as observações de
tão variados aspectos colhidos no Brazil central, a
nota inedita tão frequente dentre estes apanhados, a
elevação e segurança dos conceitos e a vivacidade
do espirito de aprehensão dos factos e tantas qua-
lidades mais enaltecedoras da obra do nosso joven
e tão distincto anthropologo. <A tudo isto sobreleva
ainda a elegancia e sobriedade do estylo que veste
a pbrase do Prof. Roquette Pinto, de real brilho, e
lhe torna as paginas da mais agradavel leitura.
Começa o A. por estudar em largos traços a
physionomia geographica e a recordar cs principaes
factos historicos relativos a zona que explorou, por
incumbenciz da Directoria do Museu Nacional, com
o auxilio da Commissão Rondon e a que com tanta
propriedade baptisou Rondon: a vasta região com-
prehendida entre os limites com a Bolivia, o curso
do Juruena e as fronteiras do Amazonas com Matto
Grosso.
A isto se segue a viagem effectuada pelo A.,
do Rio de Janeiro ao Prata, Paraguay, Matto Grosso
e afinal 4 região particularmente estudada. Difficil
seria descrever a multidão e variedade dos elementos
de que trata o À. à med da que se lhe apresentam
à observação. no decorrer dos dias de exenrsão ; innn-
meras as referencias a questões de botanica, Z00-
logia; aos costumes brezileiros, à industria 10cal, à
therapeutica popupular e a pathologia, à agricultura
<a G97 =
regional e assim por deante e, sobretudo, como era
natural, relativos às questô:s da anthropologia con-
cernentes às tribus da Rondona, especialmente aos
tão curiosos Nambiquaras. Avultam os vocabularios,
as mensurações anthropologicas o numero conside-
ravel de apanhados os mais diversos sobre usos e
costumes dos indios, sobre a indumentaria e as armas,
a musica e a coreographia, a agricultara, as crenças
religiosas, a nosologia e a therapeutica etc. ete.
Numerosos phonogrammas tomou o Prof. Ro-
quette Pinto de melodias sertanejas e selvicolas e
foi um elemento original a mais nunca invocado
nem aproveitado pelos nossos ethnographos, ao que
nos parece.
A's seguintes conclusões chegou o Prof. Ro-
quette Pinto: os indios da Serra do Norte inteira-
ramente desconhecidos atè 1907 por assim dizer,
foram postos em destaque pelas descobertas da Com-
missão Rondon. «Vivem num dos estadios mais rn-
dimentares de civilisação, em plena idade lithica,
ignorando até a ceramica, a navegação e a rêde
de dormir. Viviam em quasi absoluta segregação
em grupos isolados, servindo-se de dialectos de uma
lingua geral. Os do valle do Juruera são os mais
atrazados e os mais adeantados os da Serra do
Norte. Approxima-se lhes a lingua do grupo Ge-
Botocudo revelando maiores afinidades com os Suiás
do Araguaya descobertos prr Von den Steinen.
Alem das aflinidades linguisticas tambem as ha ethno-
graphicas com os Gê- Botocudos. Assim são um élo
para Oeste do grande grupo Gê. Os parecys seus
fronteiros pouca influencia sobre elles exerceram,
mostram-se elles absolutamente inconfudiveis com os
vizinhos e de todos os indios americanos os que a
elles mais se assemelham são os Nu-Aruaks pelos
caracteres anetomicos. Parecem os indios da Serra
do Norte haver chegado ao coração do continente
em época remotissima. Sua arte plu maria é pobre
mas a musica tem desenvolvimento apreciavel. Exe-
cutam regularmente desenhos; não existe entre elles
a anthropophagia de que ha contudo vivas remini-
— 628 —
scencias; como religião tem um fetichismo pan-
theista nos grupos mais atrazacos ; nos mais adian-
tados ha signaes de nascente astrolatria.
São affectados por uma dermatose especial, de
etiologia por classificar o baanecedutu revelada
pelo A. e provavelmente uma variedade de tinea
embricata. O facto de serem parasitados por sy-
phonateros como o bicho de pé e o seu isolamento
é mais um argumento a favor da hypothese que
pretende attribuir autochtonia na America inter-
tropical ao Sarcopsylla penetrans que geralmente
passa por ter vindo da Africa como se sabe.
« À agricultura diz o À. na sua synthese, surgiu
temporã na população da Serra do Norte e o facto
parece derivar das solicitações do meio geographico
FE’ quasi certo, todavia que o sirto dessa industria
foi condicionado por inflnencias extranhas, ainda não
conhecidas, por meio das quaes obtiveram os indios
“o material necessario, visto como não se encontram
entre elles senão as mesmas especies cultivadas pelos
seus companheiros de habitat.
A observação destes primitivos da Serra do
Norte veio alterar profunlamente o que se admittia
como certo na ethnographia indigena do Brazil.
Incluidos entre os Gés será dificil admittir por mais
tempo a origem oriental on littoreana do grupo. À
collocal-os entre os Aruaks mais importantes ainda
as consequencias desta descoberta visto como pela
theoria de Von den Steinen a região de origem de
um povo é aquella em que se encontra seus repre-
sentantes em cultura mais atrazada; assim portanto
a migração dos Nu-Aruaks deve ter sido realisada
de Sul a Norte ao inverso do que até agora tem
pretendido a ethnographia classica sul-americana.
D'ahi a conclusão relevante do A. sobre o
conjuncto dos factos observados.
« Possuindo caracteristicos anthropologicos pro-
ximos dos Aruaks, falando idioma isolado, tendo
traços ethnographicos apresentados pelos Gès os
indios da Serra do Norte documentam a realidade
tout ee
de um facto anthropogeographico importante, já
suspeitado desde a exploração do Xingu.
fot no grande plan:llo do Brasil que se pro-
cessou o trabalho de diferenciação ethnica sul
dinreriCan«.
Setenta e duas figuras intercaladas ao texto,
trinta estampas em photogravura, treze paginas com
phonogrammas e uma carta ethnographica da região
ilustram o bello livro do Prof. Roquette Pinto que
se apresenta como uma das mais estheticas produ-
cções da bibliographia brasileira.
Arronso d EscragNoLLE TAUNAY.
BOTANICA
o
| or. 4
Hi
Archivos do Jardim Botanico do Rio de Ja-
neon, Vol sl fase. LL (1917).
Depois do passamento do Dr. Barbosa Rodri-
gues, director do Jardim Sotanico do Rio de Ja-
neiro até 6 de Março de 1909, é esta a primeira
publicação deste Kstabelecimento. EK’ ao mesmo
tempo a primeira vez que publicação do mesmo Ins-
tituto toma uma feição de periodico.
O presente volume, nitilamente impresso e illus-
trado com muitas bellas estampas, contêm dois tra-
balhos que dos demais se distinguem pelo seu valor
e utilidade, são as dos Snrs. A. Ducke sobre plantas
amazonicas e A. Lofgren «O genero Rhipsalis »
que analysamos a parte.
F. C. Homans.
CAMPOS PORTO — « Contribuição para o co-
nhecimento da flora Orchidacea da Serra do Ita-
aya. Archivos do Jardim Botanico do Rio de Ja-
Hero, Voll; dase: D'ACHAT.
Neste trabalho o A. apresenta a lista das.
Orchidaceas registadas como constatadas na Serra
do Itatiaya. Primeiro o faz citando exclusivamente
os varios nomes de accórdo com a ordem em que
os generos se seguem na Flora Brasiliensis de Mar-
tius, segundo o systema adoptado por A. Cogriaux
e depois ainda pela mesma ordem elle apresenta a
literatura para cada especie bem como a procedencia
exacta. Um quadro indicando as altitudes em que
vegetam as varias especies e a época do anno em
que florescem, completa o trapalho, que, comu fonte
de informação, tem o seu valor.
F. C. House,
LU Baa ee
CAM POS PORTO — « Lin caso de hiybridacaäo
natural». Archivos do Jardim Botanico do Rio de
Janeiro — vol. 11, 1918.
Da encosta da Serra do Itatiava, trouxe o autor,
entre varias outras Orchidaceas, uma Cattleya, que
a elle parece ser o resultado de uma hybridação na-
tural entre Cattleya gultata. Ldl. e Cattleya Loddr.
gest, Ldl. a qual elle descreve coma C. statiayae.
Uma boa estampa, illustra este trabalho.
F. C. HogHNE:
DIAS DA ROCHA ( PHarmMaceuTico FRAN-
cisco ). — « Botanica Medica Cearense ».
Depois da necessidade exposta pelo grande na-
turalista allemão, dr. Carlos Frederico Philippe von
Martius, no seu Systema de Materia Medica Vepetal
3rasileira, multiplas têm sido as obras apparecidas
sobre o assumpto da Materia Medica Vegetal. Ne-
nhum delles entretanto tem tratado o assumpto to-
mando por base uma região limitada do Paiz. Se
quizermos fazer cousa aproveitavel isto se torna
necessario em primeiro logar, porque sômente depois
de feitos estes trabaihos preliminares é possivel que
cheguemos algum dia a fazer um estudo geral dos
vegetaes empregados na therapeutica popular entre
nós. Isto foi feito agora pelo autor acima citado
no seu opusculo intitulado « Botanica Medica Cea-
rense ». Nelle trata exclusivamente os vegetaes que
no Estado do Ceara são usados na medicina popu-
lar. De cada especie é dada, além do nome vulgar
e scientifico, uma ligeira descripção e indicações
sobre a dose e partes que devem ser usadas. São
em numero de 166 as especies vegetaes que nelle
enumera, e o summario da obra é o seguinte: For-
mulario, organizado pela ordem alphabetica des no-
mes vulgares; therapeutica, enumerando pela mesma
ordem as varias molestias e plantas com que devem
ser ou são tratadas, e botanica, parte esta em que
— 635 —
a3, pela ordem systematica, os nomes scientificos
das especies estudadas no seu trabalho.
Que o trabalho do benemerito homem de scien-
cia sirva de estímulo a outros e em breve possamos
ver trabalho identico para cada um dos Estados do
Brasil, eis os nossos votos.
É. C. Horane.
DUCKE ( Aporpro ) — « Plantes nouvelles ou
peu connues de la reg on amazontenne». Archivo
do Jardim Botanico do Rio de Janeiro. Vol I fasc. I
Ss E
O art., illustrado com 19 estampas, traz a des-
cripção de varias especies nóvas da flora do
Amazonas e Pará, de enire as quaes se destacam
algumas de arvores gigantes, que talvez justamente
por serem altas de mais conseguiram escapar aos olhos
perscrutadores dos naturalistas que visitaram aquel-
las regiões antes do autor desta monographia. Das
especies descriptas, a grande maioria foi colhida
pelo proprio sr. Ducke, então distincto vice-director
do Museu Paraense e continuador da obra comeca-
da pelo Dr. Jacques Huber, um dos mais abnega-
des e dedicados b tanicos que tem trabalhado na-
quellas latitudes, As seguintes especies são descri-
ptas como novas: Zama Lecointei. — Cephaloste-
mon cyperaceoides, — Alstromeria amazonca, —
Enterotobium maximum, — Pilhecolobiuin racemi-
florum, — Stryphnodendrum purpureuin, — P pta-
dena catenaeformis, — P. amazonica, — Parhia
grganticarpa, — Dimorphondra velutina, — D.
paraensis, — Coparfera reliculata, — Alymenaea
palustris, — Macrotob um Huberianuin, — Palovea
bras liensis, — Cenostigma? locanñtinuinr, — Sclero
lohium myrmecophilum, — Alera grandiflora, —
Tipuana am souca,— Hymenolobum petraeuin,
— fl, modestum, — H. pulcherriinuin, — H. ela-
tum, — Il. excelsuin, — Vochysia paraensis; — V.
exuma, — Qualea gluberrima, — Q. arirambae, —
— 636 —
Q. paraensis. — Q Dinisu, — Lophostoma Denizia,
5 — 8
M. sesseliflora. — Além dessas novas para a sciencia
são feitas varias retificações em descripções de es-
pecies para generos diversos.
E' um trabalho indispensavel e utilissimo a todos
quantos se dedicam ao estudo da nossa flora e es-
pialmente a amozonica. Realmente lamentavel é o
pouco cuidado que presídio a execução das estampas.
F. CG. HogHNE.
DUCKE TI — (Apotpno) Archivo do Jardim Bo-
tanico do Rio de Janeiro, vol. II (1918). — « As espe-
cies de Massaranduba ( genero Mimusops, L. ) deseri-
ptas pelo Botanico brasileiro Francisco Freire Al-
lemão ».
Monographia illustrada com tres estampas e |
varias figuras intercaladas no texto. em que são re-
descriptas : Azmusops elata, (Fr. Al.) Mig. — M.
Rufula, Mig. e M. triflora (Fr. All.) e descripta
pela primeira vez: M. Huberir, Ducke. E um tra-
balho que vem resolver uma certa dificuldade e
confusão reinante nas descripções das especies deste!
genero de Sapotaceas.
F. C. Horse.
C. HOEHNE. Commissão de Linhas Tele-
O e Estrategicas de Matto Grosso ao. Ama-
zonas. Annexo 5, Historia Natural, Botaniea.
Partes: 1a VI Rio, 1910 — 1915.
A obra, de que nos occupamos, compõe-se de
6 partes e 317 folhas de texto; contêm o resultado
botanico de -duzs viagens em Matto Grosso, de 1908
a 1909 e de 1910 a 1912, de que o sr; Hagkne
fez parte como botanico da Commissão Rondon e
em que foram: colleccionadas 1.400 especies de plan-
tas da ordem superior, em sua maior parte Phane-
— 637 —
rogamicas, com cerca de 8.000 exemplares. Destas
especies são mencionadas 600 só, pouco mais ou
menos, por conseguinte nem a metade ainda do
material trazido, e entre ellas SS novas especies e
16 novas variedades. As mais das especies foram
determinadas pelo proprio autor e sómente as Le
guminosas (63) pelo sr. H. Harms em Berlim, as
_ Cucurbitaceas (2), as Melastomaceas (17) e uma
pequena parte das Orchilaceas (1) pelo dr. A. Co-
gniaux na Belgica. Como no relatorio relativo à
expedição scientifica Roosevelt -- Rondon, annexa-se
à obra um bom numero de estampas (131), quasi
todas de excellentes desenhos do proprio autor, entre
“elles 95 das Orchidaceas.
Ha infelizmente incerteza quanto à continuação
de tão bello trabalho; & sempre a velha queixa:
falta a bibliographia indispensavel por carencia de
dinheiro para a acquisição.
Ainda restam para completar o trabalho varias
familias ricas em especies como as Grainineas, Cy-
peraceas, Compositas, Rubiaceas, ete., etc.
As novidades são as seguintes :
Parte I, pag. 19. (Iridaceas) Zygella Mooreana
(O Sn HO.
» » » 25. (Orchidaceas) Habenaria nuda
Lindl, var. pygmaea, var. nov.
» >» » 26. (Orchidaceas) Æprstephium pra-
estans, Sp. nov.
» » » 27. (Orchidaceas) Vanilla planifo-
ba Andr. var. gigantea, var.
nov.
» » » 28. (Orchidaceas) Vanilla Ribeiro,
. Sp. nov.
» » » 30. (Orchidaceas) Physurus Juru-
ensis, Sp. NOV.
» » » 32. (Orchidaceas ) Cranichis glabri-
caulis, Sp. nov.
*) Onde falta o nome do autor, as plantas são de-
terminadas pelo Snr. Hoehne.
Parte
»
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Parte II, pag.
»
Parte III, pag.
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»
Ex
— 638 —
(Orchidaceas) Sobralia Rondonii, |
sp nov.
( Orchidaceas ) Sobralia calara-
ctarum, sp. nov.
(Orchidaceas) Cryplopodium oro-
philuin, sp. nov. -
( Orchidaceas) Mormodes vina-
ceus, Sp. nov.
( Orchidaceas ) Xylobruin Chapa-
dense Cogn. var. luleo album,
var. nov.
( Orchidaceas ) Houletia Juruen-
sis, Sp. nov.
( Orchidaceas ) Aochiophylon cae-
ruleus, Sp. nov.
( Orchidaceas ) Notylia Tapira-
poanensis, sp. nov.
( Orchidaceas ) Zrychocentrum
Matiogrossensis, sp. nov.
( Orchidaceas ) Plectrophora cal-
carhamala, sp. nov.
(Orchidaceas) Oncidimn inacro-
petaluin Lindl. var. fuscopeta-
lum, var. nov.
( Leguminosas ) Cassia forsan
Harms, sp. nov.
( Leguminosas ) Centrosema for-
san Harms, sp. nov.
( Melastomac ) Siphanthera ra-
mosissima Cogn. sp. nov.
( Melastomac ) Macatreu rosea
Cogi., Sp. nov.
(Melastomac) Macairea Hoehnes
Cogn.. sp. nov.
( Melastomac ) Macairea rolun-
difolia Cogn., sp. nov.
( Melastomac ) Comolia Hoehnei
Cogn., sp. nov.
(Orchidae. ) Zygopetalum palu-
dosrim Cogn., sp. nov.
E “a
Î ae
ait st ts
fe o NS
Parte III, pag. 13. (Orchidac.) Leochillus matto-
Parte IV, pag. 9.
»
»
»
»
Parte V, pag.
»
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»
ae
grossensis Cogn., sp. nov
(Orchidac.) Pogonit rosea Reich.
var. augusta, var. nov.
( Orchidac) Sprranthes campos-
novense, sp. nov.
( Orchidac. ) Galeandra coxin-
nensts, Sp. NOV.
(Orchidac. ) Bpidendrum Nuhl-
mani, sp. nov.
( Orchidac. } Cyrlopodiuir palu-
dicoluin, sp. nov.
( Hyridac. ) Abolboda chapaden-
sis, Sp. NOV.
( Hyridac. ) Abolboda chapaden-
sis, Var. pauciflora, var. nov.
(Amaryllidac.) Alstromenria cha-
padensis, Sp. nov.
( Marantac. ) Calathea saxicola,
sp. nov.
( Marantac. ) Saranthe urceolata
Peters. var. gigantea, var. nov.
( Orchidac.) Habenaria aricaen-
S05 SD LOW.
(Orchidac. ) Habenaria jurue-
nensis, Sp. NOV.
( Orchidac. ) AHabenaria poly-
carpa, sp. nov.
( Orchidac.) Habenaria liguli-
glossa, sp. nov.
(Orchidac. ) Habenaria st. Sr-
monensts, Sp. DOV.
(Orchidac. ) Habenaria coxipo-
ensts, Sp. NOY.
( Orchidac.) Habenaria odori-
fera, sp. nov.
( Orchidac. ) Habenaria orchio-
calcar, sp. nov.
( Orchidac. ) Galeandra Xero-
phila, sp. nov.
Parte V, pag. 47.
»
»
»
»
»
»
»
Parte VI, pag.
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
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»
»
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»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
»
— 640 —
( Orchidac. ) Pleurothallis mur-
mecophila, sp. nov.
( Orchidac. ) Catasetum cirrha-
comes, Sp. nov.
(Orchidac.} Calasetum tigrinum,
Sp. nov.
( Orchidac. ) Catasetum juruen-
ensis, Sp. NOV..
( Orchidac. ) Catasetwin incons-
tans, Sp. nov.
( Nyctaginac. ) Pisomia caceren-
sis, Sp. NOV.
( Passitlorac. ) Passiflora crypto-
petila, sp. nov.
( Onagrac. ) Jussieua anastomo-
sans, D. CG. var. obtusifolia,
van. NOV
( Butomac. ) Hydrocleis oblongi-
folia, sp. nov.
( Droserac. ) Drosera. conrinunis
St. Hil. var. alba, nov. var.
( Oxalidac. ) Oxalis coruinbaen-
Ses, “SPU NOV.
( Burserac. ) Prolium unifolia-
tum, Spronue. var. puberu-
luim, var. nov.
(Rhamnac.) Cormonema spinosa
Reiss. var. verrucosa, var. nov.
( Vitaceas ) Cissus pedatifida, sp.
nov.
( Ochnaceas ) Sauvugesia erecta
L. var. parvifolia, nov. var.
( Losaceas ) Mentzélia corum-
baensis, Sp. nov.
( Halorrhagidac. ) Myriophyllum
mattogrossensis, Sp. NOV.
( Araliac.) Didymopanax sim-
plicifoliuin, sp. nov.
(Araliaceas) Didymopanax spru-
ceanum Seem. var. cuyabensis,
var. nov.
— 641 —
Parte VI, pag. 64 (Myrsinac.) Conomorpha utia-
rityt, Sp. nov.
» » » 65. ( Ebenac.) Diospyros coccolobae-
folia Mart. var. pubescens, var.
nov.
>» » » 6. (Ebenac.) Diospyros mattogros-
sensis, SD. NOV.
» » » 68. (Loganiac.) Mitreola paniculata
Wall. var. glabra, var. nov.
» » » 82. (Apocynac.) Echilis ornata, sp.
nov.
H. LUEDERWALDT.
HOEHNE (Freperico CarLOS). Expedição
Scientifica Roosevelt — Rondon. Annexo N.º 2, Bota-
nica, Rio 1914, pp. 1-81.
A expedição, que durou de 25 de Novembro
de 1913 a 20 de Fevereiro de 1914 passou por
Montevideo e Assumpcion e, no trajecto, estacionou
em Corumbá, S. Luiz de Caceres ( onde encontrou o
General Rondon e Coronel Roosevelt), em Porto
do Campo e finalmente em Tapirapoan. Considerando,
que a expedição em Matto Grosso mesmo, demorou
apenas cerca de 2 mezes e que não é tão simples,
colleccionar plantas em viagem especialmente em
regiões tropicaes no tempo chuvoso, convem frisar
quanto foi favoravel o resultado. Digno de ser lido
é a parte sobre “ Observações phytogeographicas,
Physionomia e Aspecto Geral da Vegetação ”, em
que se menciona uma multidão de especies observa-
das, entre ellas a Victoria regia. São citadas ao
total 126 especies entre as quaes uma nova Huphor-
bracea, Croton seputubensis pag. 53, assim como
tambem algumas novas variedades. Alem disso con-
tem a obra 20 photographias, as mais das vezes
quadros vegetaes, como tambem 25 estampas de
plantas, entre ellas duas coloridas — todas feitas
pelo proprio autor.
2 Gao
As variedades novas são as seguintes :
Cataseluin trulla, Lindl. var. vinaceum, var.
nova ( Orchidac.) pag. 38.
Alternanthera paronychoides St. Hil. var. flo-
ribunda, var. vova. ( Amarantac. ) pag. 41.
Zorma virgata Moric. var. major, var. nova
( Leguminosec. ) pag. 48. |
Thiloa gracilis Eichl. var. inojor, var. nova
( Combretac. ) pag. 61
Ruellia glabra Nees ab Es, var. longipetrola-
twin ( Acanthac. ) pag. 73.
H. LUEDERWALDT.
HOEHNE. ( Frenerico C. ). Commissão de Li-
nhas Telegraphicas e Estrategicas de Matto Grosso
ao Amazonas, 1916.
« Monographia das Asclepiadaceas brasileias
ou relação e descripcdo das Asclepidaceas brasiler-
ras, encontradas nos diversos herbarios do Brasil ».
Fasciculo 1, Oxypetalum. pag. 1-131. Com 468
figuras em 52 quadros, distribuidos por 13 taboas
lithographicas e mais 46 phctogravuras.
Fasciculo II, Calostigma, pag. 1-29. Com 64
figuras em 8 quadros. distribuidas por 2 taboas li-
thographicas e mais 10 photogravuras.
Com supplemento do primeiro genero. Rio 1916.
pag. 1-15.
O trabalho trata o grupo das Oxypelalas, com
os generos Oxypelaluin e Calostigma. São des-.
criptas do primeiro genero todas juntas 91 especies
(contra 73 na Flora Brasiliensis); do ultimo 8
(contra 5 na Flora Brasil. ), incl. 2 especies novas :
Oxypelalum mouwrai (pag. 77), da Serra das Ara-
ras ( Est. do Rio) e Calostigma dusenii pag. 23,
do Paraná, como tambem diversas novas variedades
abaixo citadas. O terceiro genero das Oxypetalas, que
esta representado em Spix e Martius, Dustelmu, com
a unica especie conhecida Bust. mwarmingi Fourn.,
BA
falta ainda. De todas as especies, excepto uma, Em
existem photograçhias inteiras, como tambem dese-/5"., te Sg
nhos fornecidos. O autor parte do principio ver/& + ~ ‘a PY
dadeiro, de apresentar tantas estampas, quanto possitus LI oo) Y
vel, porque um bom quadro só, significa geralmentàZ\ = |
mais, que muitas folhas de texte. oO. wre
Ws
Variedades e especie novas :
Oxypetalum parviflorum Dene. var. Kuhlinannir
Hoehne, var. nova. Sal de Matto Grosso, Fasc. I
pag. 105.
Calostigma Dusenii Hoehne, sp. nova. Monte
Alegre ( Paraná). Fasc. IT, pag. 25.
H. LuEDERWALTD.
HOEHNE ( Freperico C. E KuHLMANN (J. G.)
Utricularias do Rio de Janeiro e seus arredores.
Memorias do Instituto de Butantan, tomo I Fasci-
culo I, 1918 pag. 5.
Começam os dous AA. lembrando quanto as
plantas carnivoras tem chamado a attenção dos na-
turalistas, quer sejam Lentibularáceas, quer Dro-
seracers. Assim revistam as especies das primeiras
encetando o seu estudo pelas das circumadjacencias
do Rio de Janeiro, de que conhecem dezesete ; para
estas dão uma chave, notando que tres dellas são
incertas ou menos conhecidas. [Fazem pormenori-
sada descripção destes vegetaes notando-lhes a im-
portancia das folhas e utriculas para a respectiva
identificação scientifica.
Além da extensa bibliographia citada nas refe-
rencias, annexam a taes descripções diversas notas
sobre o seu carnivorismo. Para a confecção da
chave consideram os AA. todos os orgãos das plan-
tas, incluindo folhas e utriculas, pois, assim como
imaginaram demonstral-o, taes elementos são pecu-
liares a todas as especies,
LEE ee
Magnificas pranchas, segundo os desenhos de
Jloehne, illustram este excellente artigo do nosso
dedicado companheiro e censagrado botanico e seu
digno collaborador.
Aeon VE LUENAY:
HOEHNE (FReprerico Carzos ) : Caracteres
botanicos, historia e cultura das cinchonas. São
Paulo, 1913, 39 pags., in-8.º
Ao dr. Frederico Carlos Hoehne devem as scien-
cias naturaes no Brasil assignalados serviços; não
se limita a ser o botanico de reputação consumma-
da que 6; servindo na commissão Rondon deve-se-
lhe tambem a reunião de valioso material zoologico
que trouxe a diversos especialistas, como por exem-
lo a Aragão. Marcaram época na nossa bibliogra-
phia botanica as esplendidas monographias por elle
publicadas como botanico da commissão Rondon.
Assim por exemplo a sua grande memoria sobre as
asclepiadaceas brasileiras, o relatorio apresentado ao
coronel Rondon sobre a flora matto-grossense, as
suas addições copiosissimas aos nessos conhecimen-
tos floraes que occupam seis partes volumosas do
aunexo n. o das publicações da commissão Rondon.
Actualmente botanico do Instituto de Butantan
e prestando valiosos serviços ao nosso Museu desde
1917, entre nós reside. Nesta sua pequena mono-
eraphia revela-se o botanico seguro do que sabe e
‘0 estudioso conscienvioso de sempre.
Depois de descrever os caracteres botanicos das
rubiaceas do genero cinchona faz o dr. Hoehne o
historico do quinino e das quinas, lembrando que
Schumann, na obra monumental de Engler, reputa
utilisaveis de 30 a 40 especies das cinchonas descri-
ptas. Assignala ainda quanto no Brasil diversas ru-
biaceas são erradamente descriptas como cinchonas,
chegando-se a designar pelo nome de quina solana-
ceas, rutaceas, apocynaceas, etc.
Estuda depois o À. a area de dispersão da du-
zia de especies cujos alcaloides são reclamados pela
therapeutica, recordando em largos traços o que é
a historia da cultura das cinchonas em paizes não
americanos sobretudo em Java, na Nova Zelandia,
na Australia, etc. Examinando as primeiras tenta-
tivas enunciadas no reinado de D. Pedro II recorda
sobretudo o A. a tentativa de Henrique José Dias
a meio da Serra dos Orgãos, caminho de Therezo-
polis, local muito apropriado para tal ensaio. Des-
de muito abondonada a plantação e no entanto de-
corridos 30 annos pôde o A. verificar que muitas
quineiras ainda alli vicejam. Entende o dr. Hoehne
que ao Brasi! cabe um logar primacial no commer-
cio dos alcaloides quinicos muito embora reclamem
as cinchonas condições especialisadas de zona com
maltiplos requisitos. A selecção poderá trazer enor-
mes vantagers como as que obtiveram os inglezes
e hollandezes nas suas plantações do Oriente.
Passando à parte especial do seu estudo exa-
mina o À. as circumstancias que devem reger a
cultura racional da cinchona: condições essenciaes
de crescimento (clima, altitude, etc. ), estabeleci-
mento de viveiros, methodo de plantação e processos
de colheita, summula de conhecimentos oriundos da
experiencia propria e dos conselhos das autoridades
cujas obras constam da extensa e exhaustiva rese-
nha documentadora da monographia.
Em summa um excellente trabalho digno dos
mais justos encomios, este com que o sr. dr. Hoe-
hne examina a adaptação da cinchona quinifera aos
nossos climas e terrenos num intuito dos mais pa-
trioticos e dignos de encorajamento.
Arroxso DE. TAUNAY.
HOEHNE ( FReperico C.) Leguminosas. Pu-
blicação n. 45 da Commissäo de Linhas Telegraphi-
cas Estrategicas de Matto Grosso ao Amazonas.
Rio de Janeiro, 1919, pag. 102, in-4.º
— 646 —
Mais um bello trabalho em serie emprehendida
pelo nosso dedicado e erndito botanico sobre a flora
matto-grossense.
Começa expondo a parte importante que as le-
guminosas occupam no conjuncto floral das regiões
que percorreu. Não ha grupo ou formação vege-
tativa em que não estejam representadas ras gran-
des mattas, nas florestas humidas, nos terrenos ala-
gadiços, nos cerrados mais sujos e cerradües, nos
campos.
Assignala a importancia economica de diversos
destes vegetaes entre outros em primeiro logar a
Myroxilon toluifera e a Copaifera Langsdorffa
sem contar uma serie de muitos outros. Acompa-
nha ao intrcito um quadro em que o A. demonstra
quanto se avantaja a sua collecção às demais feitas
em Matto-Gresso mesmo às maiores como as de
Malme e Pilger.
Manipulando tão volumoso material nelle fez o
A. diversas desc: bertas.
Assim entre as Mimosoideas, achou entre as /n-
gee, gen. Inga, Willd Inga arinensis, um ingá das
margens do Arinos, em Prthecolobiuin, P. subco-
rymbosum, arvore de Cáceres; em Calliandra. €.
Huhlmanir, arvore do Arinos; ertre as Acaciew,
gen. Acacia: A. incerta, arvore de Coxipô. Entre
as Humimosece, gen. Mimosa, a var. subglabrata à
M. polycurpa, Cunth. Nas Piptadenieæ em Pi-
ptadenia a var. plurifoliata a P. macrocarpa, Benth.
Passando às Cwsalpiniowdee entre as Cynometre,
gen. Coparfera a especie nova ©. Rondonit, arvore
dos campos dos Urupäs. Nas Amherstie em Ma-
crolobium M. Rondonianum; nas Bauhinieæ B.
calaholo ; nas Cassiew em Cassia C. chrysotingeus e
uma variedade de C. Apoucouita : C. A. plurifoliata.
Nas Papilionatee e Sophorece, gen. Bowdichia B.
racemosa, arvor2 do valle do Sumidouro, aflluente
do Arinos; nas Galegew-Robiniine, gen. Cracca,
C. Corumbe.
Nas Hedysarece- Stylasanthinæ, gen. Arachis :
A. Diogor, planta herbacea da bahia de Guahyba ;
(er
=~
em /ledysareæ Desmodinae, gen. Desmodium : D.
juruenense e D. arinense.
Em Daolbergiæ (D. Plerocarpine ; gen. Dal-
bery a) D. enneandra e D. ferongineo tomentosa,
Em Phaseoleæ e gen. Centrosema : C. macran-
hum ; em Phaseoleæ-Driocleinæ gen. cainptosema :
C. beilatulum no gen. Dioclea: D. erecta ; em Ca-
navalia O. cuspindigera; en Phaseoleæ-Phaseo-
line: gen. Phaseolus: P. sabar ensis.
Vinte e uma grandes estampas em photogra-
vuras segundo photographias de Lahera e oito litho-
graphias segundo desenhos do A. illustram magni-
ficamente este bello trabalho do nosso incansavel
. collaborador, apaixonado desvendador dos segredos
da flora brasileira.
AFFONSO DE. TAUNAY.
HOEHNE (FP. CG.) Catalogo do hervario e
das especies ia no Horto « Osiwaldo Cruz »,
So Faúlo;-4019/ps. 1d - 48:
E" o primeiro catalogo da repartição botanica
do benemerito Instituso de Butantan. O autor é o
proprio chefe da secção fundada ha cêrca de dous
annos, sob o titulo de « Horto Oswaldo Cruz», em
terras do Instituto e com fins mais praticos do que
scientificos. (Com este catalogo. lá o A. um bom
exemplo a quantos institutos botanicos, que não têm
organização assim entendida. Um catalogo das col-
lecções existentes e aparecendo regularmente, tem
sempre valor. Mostra o progresso dos trabalhos,
serve para fins de permuta e é uma guia para os
outros botanicos, ensinando-lhes, onde se vóde en-
contrar esta ou aquella especie de planta, para se
ventilarem questões scientificas.
H. LuzDERWALDT.
— 648 —
LOFGREN (ALBERTO) Notas Botanicas (Ceara).
Publicação n. 2 da Inspectoria de Obras Contra as
Seccas — Rio de Janeiro, Outubro de 1912.
Nomeado botanico da Inspectoria citada o Sr.
Alberto Lofgren, fez sua primeira viagem de estudo
atravessando o Estado de Ceara e neste trabalho
publica elle o relatorio das observações feitas sobre
a tlora da região visitada, apresentando primeira-
mente notas sobre o clima daquelle Estado, nas quaes
é digna de menção a observação feita e por elle
registada sobre a temperatura elevada do sólo em
determinadas épocas do anno, acquecimento este que
elle com justificadas razões considera como factor
primordial da ausencia de chuvas em algumas épocas.
Seguem-se então informações sobre a physionomia
da vegetação e flora daquella região, passando depois
oradativamente à descripção das varias associações
vegetativas e agrupamentos de especies e apresen-
tando finamente a lista das familias naturaes de
que colheu material cujo estudo iria apresentar mais
tarde. Notas economicas e indicação das medidas
a tomar para o melhoramento daquelle Estado,
quanto ao que diz respeito ao combate das seccas e
suas causas, completam o trabalho que, illustrado
com 48 bôas photogravuras, pôde ser considerado
como uma magnifica contribuição para o estudo.
botanico daquella regiäo.
I’. GC. Hogane
LOFGREN :(Argerto) A Tamareira e seu
cultivo. — Publicação n. 13 da Inspectoria de Obras
Contra as Seccas, Rio de Janeiro, em Março de
1912
Convencido da identidade das condições cli-
maticas das regiões em que vegeta espontaneamente
a Phoenix dactylifera, L. nas plagas africanas e
asiaticas com aquellas em qne medra a nossa car-
naubeira a Copernicia cerifera, M., o autor apre-.
— 649 —
senta, nesta memoria, a probabilidade de exito na
cultura da tamareira principalmente no Estado do
Geará. Primeiro descreve elle, reportando-se a va-
rios autores, as condicgdes edaphicas e climaticas
da patria das tamareiras, descrevendo tambem a sua
cultura, irrigação, illustrando tudo com estampas e
depois passa ao processe de plantação e cultivo a
descripcäo das condições climaticas e edaphicas da
zona brasileira por elle considerada propria ao cul-
tivo daquella importante palmeira. Uma tabella das
maximas e minimas médias thermometricas de nove
annos de observaçäo, completam o trabalho.
F. C. Homans.
LOFGREN ( AzgerTo } Contribuições para a
questão florestal da regrão do nordéste do Brasil.
Publicação n. 18 da Inspectoria de Obras Contra
as Seccas. Rio de Janeiro, Dezembro de 1912.
Um trabalho consciencioso e altamente util
representa esta publicação. E' por assim dizer o
complemento da primeira publicação deste mesmo
autor na Inspectoria de Obrus Contra as Seccas e
intitulada ‘ Notas Botanicas” sahido a lume em
1910. Nelle descreve elle a flora da região visitada
na sua segunda excursão pela região flagellada pelas
seccas periodicas, apresenta os resultados a que o
levaram as observações feitas e aponta finalmente a
utilidade e premente necessidade de serem aquellas
regiões dotadas de novas florestas bem como a
urgencia em se regulamentar o corte das mattas,
as quaes com justificadas razões considera como - os
mais importantes factores para a repressão das gran-
des seccas. Documentando o seu trabalho cita varios
autores, reconhecidas notabilidades no assumpto, e
apresentando o resultado obtido com a installação
dos Hortos Florestaes, de Quixadá, no Ceará e Joa-
zeiro, na Bahia, chega a conclusão de que por meio
do refiorestamento e conservação das mattas ainda
existentes, toda aquella regiäo hoje täo diffamada
poderä ser transformada em paiz habitavel e utilis-
simo ao Brasil. Ao lado da questão propriamente
florestal aborda tambem outros assumptos de inte-
resse economico para aquella região, ontre as quaes
a exequibilidade da introdução ali de especies ex-
tremamente xerophitas e uteis a industria como
acontece coma “ Alfa”. Lembra egualmente a neces-
sidade do Governo de desapropriar ali grandes areas
de terrenos para consideral-os reservas florestaes,
tal como têm feito outros muitos paizes e princi-
palinente os Estados Unidos da America do Norte.
Os meios que aponta para a realisação de todos
estes problemas parecem-nos dignos de serem toma-
dos na devida consideração pelos Governes quer
estadoaes quer o Federal.
F. C: HogHnb.
LOFGREN (ALBerto) — O genero Rhipsallis
Archivo do Jardim Botanico do Rio de Janeiro.
Vole Ibase, Ta
Bellissima monographia deste genero de Cacta-
ceas, que nos dá a descripção de 44 especies, das
quaes 25 são acompanhadas de bullas estampas h-
thographadas or'ginaes, sendo cinco das mesmas de-
seriptas pela primeira vez. Esta monographia a ser
continuada como o autor promette (e como de
facto jà o fez no segundo volume) com a descripção
detalhada do genero, historico do mesmo aqui feito,
representa o melhor que se tem conseguido fazer
sobre o assumpto e ao mesmo tempo o melhor tra-
balho publicado pelo autor.
be accordo com alguns autores modernos o À.
fundio sob o nome mais antigo de Rhrpsalia os tres
veneros: Rhepsalis, Gaertn., Pfeifferia, S. D. e
Haiotas Po Ds
Para maior facilidade na classificação das es-
pecies o autor juntou uma magnifica chave dicho-
tomica e descreve cada especie resumidamente em
Dore
latim e mais amplamente em portuguez, KE? tra-
balho que se faz digno de toda a consideraçäo e que
merece os mais enthusiasticos applausos.
I’. C. Hognne
LOFGREN, ( ALBERTO ) — « Manua! das Fa-
inilias Naluraes Phaner ogainas, com. chaves di-
chotomicas das Familias e dos Generos Brasileiros».
Um grosso volume em 8b. com 611 paginas.
Publicação antorizada pelo Governo Federal, 1917
— Como se póde ver pelo proprio titulo é esta uma
obra que se destina a preencher uma lacuna que de
ha muito se vem sentindo ent nosso meio, principal-
mente nas nossas escolas, em que até hoje ainda
são usados systemas considerados ja antiquados e
deficientes pela sciencia botanica e que de modo ne-
abum quadram com a nossa época e muito menos
eom o progresso que tem feito este ramo da historia
natural. Nesta obra que é a ultima escripta por
esse autor, encontramos resumido o essencial da bo-
tanica systematica moderna. Ella se baseia no sys-
tema natural organizado pelo Dr. Engler e exposto
no « Die Natirliche Pflanzenfamilien » e no « Regni
Vegetabilis Conspectus ». E” realmente pena que o
autor não tivesse tido tempo para esclarecer melhor
algumas das chaves que, graças a este facto e à
necessidade de restringir o trabalho a am dado nu-
mero de paginas, ficaram um tanto deficientes. Sendo
a primeira «bra deste genero que apparece em ver-
naculo eila merece os nossos mais sinceros encomios.
Como os demais varios trabalhos publicados por este
autor, ella é uma prova da dedicação e do interesse do
mesmo para a flora e o desenvolvimento do estudo
da botanica em nosso Paiz que elle adoptára como
segunda patria.
F. C. HoEuxeE
— 602 —
LOFGREN, ( ALBERTO) — « Novas contri-
buicdes para as cactaceas brasileiras sobre os ge-
neros Zigocactus e Schlumbergeria » — Archivos do
Jardim Botanico do Rio de Janeiro. Vol II, 1918.
Trabalho illustrado com quatro bellas estampas
lithographadas, em que são descriptas as especies
até hoje conhecidas dos generos Zygocactus, Kk.
Schumann (ex-Æpyphilluin, Haw.) e Schlumber-
geria, Lem. Do primeiro são descriptas, como nóvas
Zygocactus opuntiontes, Lüfgren et Dusen, — Z.
obtusangulus, Lofgren Z Candidus, 1 digren, das
quaes a primeira já havia sido publicada no tomo XIH
dos Archivos do Museu Nacional, pag. 49, sob o titulo
“de Epiphylluin opuntioides Lüfg. et Dusen, em 1905
A segunda tambem já era antes conhecida como Epr-
phylluin obtusangullus, Lindb. e se acha na Monogra-
phia Cactacearum, de Schumann, à pag. 127 como ‘Ce-
reus obtusangullus, K, Schumann., foi porém, agora,
incorporada ao genero Zygacactus. À terceira estava
inedita mas já desenhada por Barb. Rodrigues, que
tambem a denominou Æprphylluin candiduin sem
comtudo ter tido tempo para dar publicidade a ella.
O restabelecimento do genero Zigocactus, IX. Schu-
mann, não é aliás cbra do autor mas elle a attribue
aos srs. Britton e Rose, botanicos cactologcs norte-
americanos que desde algum tempo vêm se oc-
cupando com a systematica deste grupo de plantas.
Somente a titulo preliminar o autor faz algu-
mas referencias sobre o restabelecimento do genero
Schluinberseria, Lem. apresentando-o com tres es-
pecies.
I’. C. Horwne.
LOFGREN (Argerro) Novas contribuições
para o genero Rhipsalis. Archivos do Jardim Bo-
tanico do Rio de Janeiro. Vol II, 1917.
Continuando a monographia iniciada no pri-
meiro volume desta revista, o autor apresenta no
presente trabalho a descripçäo de mais seis novas
especies e duas variedades além da descripção de
— 693 —
mais uma especie já conhecida. Todas as descripções
são ilustradas com bellas estampas que muito re-
commendam o trabalho.
T7
H. C. HOEHNE.
LOFGREN ( Azgerro ) Novos subsídios para
a flora Orchidacea do Brasil. Archivos do Jar-
dim Botanico do Rio de Janeiro. Vol. ll 1917.
Oito são as novas especies de Pleurothalis,
uma de Æprdendruin, uma de Leptotes, uma de
Maxillaxia e uma variedade de Rodriguesa ma-
culata, Reichb. f., descriptas nesta monographia.
Além das quaes são dadas noticias interessantes a
respeito de Pleurothalis montserati, Porsch. e Cry-
ptophoranthus atropurpureus, Barb, Rod. Nove
bellas estampas ilustram esta magnifica contribuição
para o conhecimento das nossas Urchidaceas.
F. C. HoExne.
RANGEL ( Eugenio ) Contribuição para o es-
tudo das Puccinias das Myrtaceas. Archivos do
Museu Nacional do Rio de Janeiro. Vol. XVIII
( 1916).
Depois de apresentar algumas ligeiras notas
sobre as Puccinias que vivem sobre especies de
Myrtaceas e dar varias informações a respeito de
outras especies, 0 autor passa a descrever as seguin-
tes novas especies: Puccinia cambucae, Puttemans,
especie até zgora inédita e encontrada pelo Dr. Pat-
temans em folhas de Myrciaria plicalo-costata,
Berg. Pucc. eugeniae, Rangel, de folhas de Eu-
genia grandis, Wight., Pucc, Brittoi, Rangel, so-
bre folhas de Adbevillea maschalantha, Berg., e
Puce. barbacenensis, Rangel, de folhas de uma es-
pecie de Myrtacea, provavelmente do genero Æu-
genia. Quatro taboas illustram o texto.
F. O. E oRHNE.
— 604 —
RANGEL (Evarnio ) Fungos do Brasi, no-
vos ou mal conhecidos. Archivos do Museu Na-
cional do Rio de Janeiro. Vol. NVI, 1916.
Neste trabalho o autor descreve as seguintes
novas especies de fungos parasitas: Puccinia Mou-
blanchi, Rangel. encontrado sobre folhas de Pas-
palum deusuinr, Uromyces pamci-sanguinalis, Ran
vel. sobre as folhas de Panicum sanguinale ; Ur.
Puttemasii, Rangel, sobre folhas de Setlaria aspe-
rifolia, e Mellmis minuteflor:, ( Panicum imellinis }
— Ur. niterovensis, Rangel, sobre folhas de uma
Setturia, — Uredo duplicata, Rangel, sobre Pa-
nicum sanguinale, — Uredo cubangoensis, Rangel,
sobre folhas de Panicum mandiocanum, — Uredo
Panic max mi, Rangel, sobre folhas de Pan'cumi
mas mun, — Uredo crolalar ae-vitellnae, Rangel,
sobre folhas vivas de Crotalaria v tellina e Cr.
incana, — Mycosphaerella stiginaphyll, Rangel, so-
bre folhas de Slygmaphyllum c latum, (com cer-
teza St gmatophyllon ciliatum ), — Laestadia cum-
bucae. Rangel, sobre as folhas de Myrciar a pli-
cato-costata, — Laestad a cabelludae, Rangel. sobre
as folhas de Hugenia chaellud:, — Phyllost la ica-
rahyensis, angel sobre as folhas de Eugen un-
flora, — Conrothyrium trigonicolum, Rangel, sobre
as folhas de Mugeniu uniflora, — Septogleuin cestre,
tangel, sobre Cestrum sp.? Cercospora sp. sobre
folhas de Æugeni» uniflora, — Cerc. brissicue-cam-
pestris, Rangel, sobre folhas de Brassicu campes-
tris, e um novo genero: Phlaco phleospora, Ran-
gel baseando na unica especie: Phl. eugeniae, Ran-
gel. encontrada sobre folhas vivas de Eugenia uni-
flora. Tres taboas illustram o texto. São dois tra-
balhos que representam uma bella contribu'ção para
o conhecimento do fungos parasitas do Brasil.
I’. C. Horune.
RANGEL (EuGenio ). Alguns fungos novos
do Bris tl. Archives do Jardim Botanico do Rie
de Janeiro: Vol. II, 1918.
— 699 —.
Nesta monographia sobre fungos parasitas e
causadores de molestias nas plantas, o autor des-
creve as seguintes noves especies: Puccinia gru-
mixamae, — P simasti, — P. p ulensis, — Septo-
ra miconoe, — Cercospora gemp e, —e [elinin-
tosporium manihotts. Tres estampas das especies
descriptas acompanham as descripções.
VIII. — Alberto Loefgren. — Observações meteo-
rologicas referentes aos annos de 1915-1916 com-
pletam o volume.
F. G. Hornne.
SAMPAIO (A. J. pe) — « À Flora de Matto-
Grosso » ( Arch. do Mus. Nacional, vol. XIX, 1916 ).
Cap. 11 — « Catalogo das plantas até hoje co-
lhidas no Estado de Matto Grosso segundo a litte-
ratura indicada no capitulo bibliographico ».
Neste capitulo da sua memoria o A. enumera as
especies registadas para Matto-Grosso pelos varios bo-
tanicos que visitaram aquelle Estado até ao anno de
1916. Convém porêm notar que esta lista não enu-
mera especies que foram de facto constatadas alli,
ella enumera apenas os varios nomes das especies
publicados nos varios trabalhos dos citados botani-
cos. O que deu em resultado apparecer nella uma
mesma plauta sob dois ou mais nomes diversos au-
gmentando desta maneira consideravelmente o nu-
mero das especies realmente constatadas # existentes
ali. Para exemplo vejanios algumas destas especies :
Lindmann descreveu Aristolochia burro no seu traba-
lho em i901 publicado no Bull. de "Herb. Bois. ser.
I], to.no I, p. 526, planta que, mais tarde, sendo nova-
mente encontrado por Malme foi descripta como À.
cuyubensis, no Bihang till K. Vet. Akad. clandlingar
vol. 27, Afd. 1H, n. 5, p. 14 e em 1904 no Arkiv
for Botaninik vol. | pag. 233 declarado por elle
igual a especies de Lindmann; em 1910, Hoehne
descrevia ainda esta mesma planta, sob o nome de
A. droseroides, na Parte I, pag. 67 do Annexo n.
— 656 —
D Botanica da Commissão Rondon, e, encontrando
mais tarde os trabalhos acima citados de Lindmann
e Malme e tendo cultivado a planta, elle chegou a
conclussäo de qne tanto uma como outra destas
suppostas novas especies nada mais eram que 4.
ervintho, Mart. o que publicou no Annexo n. 2 da
Exped. Scientifica Roosevelt-Rondon, pags. 40 e 41;
pois bem, na lista do Dr. Sampaio estão estes cinco
synonymos. Existem, porém, tambem citações de
especies que não são synonymos: Cunavaia gla-
drats, D. C. segundo a retificação posterior de
Lindmann, é Cn. pict, Mart.; Biuhinia oblusatr,
Vog. colhida por Lindmann, é segundo a emenda
de Malme ( Die Bauhinien von Matto-Grosso, Ark.
for Botanik, vol. 5 n. 5, pag. 4) Bauhinia Bon-
gurdvi, Steud; Anemopægma brevipe-, S. Moore
e A. bifarium, Bur. et Schum. bem como varias
outras Bignoniaceas de Spencer Moore, são por
Schumann, (Fl. Br. vol. VIII, II), collocados na
synonymia, figuram entretanto na lista do Dr. Sam-
paio.
I’, G. HoEnxxeE.
SAMPAIO ( ALBERTO Josh DE) « Plante no-
me vel minus cogute» — [—: « Orchidaceew »
Archivo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, vol
KML (OO.
Revendo e organizando as collecções das Or-
chidaceas em meio liquido existentes e expostas nos
mostruarios da Secção de que o autor é o chefe
elle encontrou algumas entre ellas, que considerou
novas e que publica na presente monographia Al-
œumas destas são duplicatas de uma collecçäo feita
pelo Dr. Pedro Dusén no Estado do Parana, que
levou para a Suecia.
Neste trabalho figuram as descripções das se-
guintes novas especies: Pleurothaltis Gouvewe, —
Pl., acuminatipetala, — Phymatidium paranaen-
sis € Quekelttia. long'rostris, acompanhadas de de-
senhos dos detalhes,
— 697 —
A collecçäo de Orchidaceas colhida pelo esfor-
cado Dr. Pedro Dusén mo Estado do Paraná e le-
vadas para a Suecia, foram dalh enviadas ao Dr.
Fritz Kraenzlin que as estudou e publicou os resul-
tados no Kungl. Svenska Vetenspsakademiens Han-
dlingar, vol. 46, n. 10. Entre ellas encontra-se ci-
tado O Phymat dium deheatulum, Lal, que a jul-
gar pelas descripções, grande affinidade deve ter
com a especie descripta pelo Dr. Sampaio e que
deve ser addicionada a aquella relação.
A Quekettia longerostris, agora descripta pelo
autor da presente monographia, tem, incontestavel-
mente, grande affinidade com a muito variavel Que
hettia therezie. Cgn., que se encontra com fre-
quencia sobre os raminhos finos e, as vezes, mesmo
sobre as folhas velhas da Kriobotria japonica, Ldi.
e sobre a Myrcinria jubotiouba, B. e não é rara
nos Estados de Minas, Rio, S. Paulo e Paraná.
F. C. Hozxaxe.
SAMPAIO (Arserro Joshi DE) — « Relatorio
da commissão desempenhada na Europa para aper-
feiçoamento de conhecimentos botanicos ». Archivos
do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Vol XVIII
(1916),
Apresentando, com este trabalho, o seu rela-
torio da viagem feita ao velho mundo, onde teve
occasiäo de visitar vinte e tres estabelecimentos
em que se estuda e cuida da Botanica, o pro-
fessor Sampaio expõem os varios’ recursos de que
encoutrou dotado aque:les estabelecimentos e lamenta
a falta ou escassez dos mesmos no Museu Nacional
na secção sob a sua direcção e salienta entre varias
providencias que julga urgente tomar, 2 acquisição
“de livros e assignatura de revistas e publicações.
periodicas que possam interessar a secção que di-
rige. Na lista que apresenta enumera elle 549 pu-
blicações que considera indispensaveis. Estamos de
accordo com o Dr. Sampaio, nada mais necessario
— 608 —
para quem faz systematica ou outros quaesquer es-
tudos botanicos que litteratura completa. A Secção
de Botanica do Museu Nacional do Rio de Janeiro
é, no emtanto, do Brazil, a que dispõe de mais avul-
tada litteratura sonre o assumpto €, assim sendo,
parece-nos que seria muito mais interessante e util
para nós todos, se o dr. Sampaio tivesse apresenta-
do ao lado desta lista do que existe publicado, ou-
tra, daquillo de que a Bibliotheca do Museu e por-
conseguinte a Secção de Botanica já dispõem. Re-
clamando assim multiplas obras que a Bibliotheca
citada possue completas ou pelo menos quasi com-
pletas pode da parte de quem não está, a par do
facto, provocar um juizo menos lisongeiro a respei-
to daquella Secção, pois que, de facto já ella dis-
põe de pelo menos a decima parte das obras e
publicações enumeradas na citada lista. (”)
A descripção que o autor fez dos varios esta-
belecimentos congeneres que teve occasião de visi-
tar durante a sua estadia na Europa é bastante in-
teressante. Uma collecção de Pteridophytas que
levou para determinar junto as collecções-typos che-
gou-lhe infelizmente tarde demais às mãos de modo
que teve tempo apenas para iniciar o estudo da
mesma.
I’, C. Hoenne.
SAMPAIO ( Argerro Josi DE) ( Chefe e pro-
fessor da Secção de Botanica) Contribuição ao
estudo da flora do Estado de Minas-Geraes. Ar-
chivos do Museu Nacional do Rio de Janeiro, vol
XVII (A916...
(*) Veja-se para confronto o que o proprio autor
affirma no vol. XIX pag. 21 destes Archivos quando fala
dos trabalhos de Hoehne e Kuhlmann no Museu Nacional.
« Hoehnne e Kuhlmann tem encontrado no hervario e na
bibliocheca do Museu, se não todos os recursos, pelo menos
os elementos essenciaes para trabalhos phytographicos de
longo folego. Isto é sobremodo auspicioso para o paiz e
honroso para o Museu Nacional. » etc.
vn 1 at E
vy ;
— 699 —
Neste relatorio de uma herborisação effectuada
pelo autor na região comprehendida entre a cidade
de Palmyra e a de Queluz em Minas-Geraes, é de-
scripta a região atravessada pela Estrada de erro
Central do Brazil tal cumo ella se apresenta hoje.
Depois desta ligeira descripção passa o autor a enu-
merar as especies por elle recolhidos de accôrdo
com o seu habitat. Interessante nesta parte do
trabalho é o facto delle registrar varias especies
como campestres que em outras regiões são encon-
tradas nas mattas e vice-versa. Seria isto explica-
vel pelo fasto daquelles campos serem mais artificiaes
que naturaes ? A’ descripção citada segue a relação
‘por ordem systematica das especies recolhidas na
excursão, sendo cada especie acompanhada da pro-
cedencia exacta e nomes vulgares. Uma relação de
nomes vulgares organizada em ordem alphabetica
com a respectiva synonimia dos nomes vulgares
completa o trabalho.
Um trabalho que deverá seguir a este trará a
descripção das novas especies, das quaes algumas
id feram incluidas como constatadas pelo Dr. W.
Ilerter de Berlin, sem comtudo terem sido publica-
das até à data do apparecimento do trabalho. As
seguintes especies novas ineditas estão indicadas :
uma Myrtacea, duas variedades de Leandra, uma
Apocunaces a, uma Convolvulacea, uma variedade de
Lantanu, uma Rvbracea, e uma Composita.
* Considerando ‘que a duração desta excursão foi
de pouco mais de dois mezes, isto é de Novembro
de 1905 até Janeiro de 1906, e examinando a re-
lação do material recolhido constante de 311 espe-
cies já determinadas, não podemos deixar de apre-
sentar ao Dr. Sampaio parabens pelo resultado
obtido para o Hervario do Museu Nacioral. Uma
lacuna apresenta entretanto este trabalho, a falta dos
numeros a que foram sutordinados os varios speci-
mens do Hervario de Museu Nacional ou na col-
lecção daquella excursão, e bem assim a falta da
data exacta da colheita de cada especie; verdade é
que esta ultima deprehende-se facilmente do periodo
— 660 —
do anno em que fei feita a excursão, mas, ainda
assim, não seria superfluo fosse indicado a data
exacta da colheita de cada especie. Quando deter-
minamos material botanico encontramos frequente-
mente pequenas discrepancias nas descripções, cousas
omitidas nas mesmas e outras pequenas variações
etc. que merecem ser mencionadas para melhor
orientar trabalhos posteriores, estas foram igualmente
completamente olvidadas pelo autor.
Alias, esta é uma necessidade que o proprio autor
reconhece no vol. XIX, pag. 12 destes “ Archi-
vos”, quando elle falta das collecções de Riedel
recommendando esta praxe.
F. C. Horan.
SAMPAIO (A. J. pe) Annexo n. 5 Historia
Natural, Botanica, Parte VII Preridophytas. Pa-
blicaçäo n. 33 da Commissäo de Linhas Telegra-
phicas e Estrategicas de Matto-Grosso ao Amazonas.
Rio de Janeiro em 1916.
Um opusculo em 8.º com 33 paginas e cinco
estampas em negro. Neste trabalho o autor dá a
relação de uma parte das Pteridophytas colhidas em
Matto-Grosso pelos Srs. F. C. Hoehne e J. Geraldo
Kuhlrnann, botanicos da mesma Commissão e aquel-
las recolhidas ali pelos Drs. Herbert Smith e Julio:
Cesar Diogo. Trata especialmente das Hymenophyl-
laceas, Cyatheaceas. Polypodiaceas, Parkeriaceas,
Gleicheniaceas, Schizaeaceas e Osmundaceas. Ao lado
das especies já conhecidas que enumera, descreve
como novas: Ad antum multisorum, — A. Rondoni,
— Diplazium mattogrossense, — Hlaphoglossuin ju-
ruence, — Polypodium Hoehnei, e Pol. Kuhlmanni,
F. C. Horune.
ek? Ginn
SILVEIRA — ( Atvaro), « Contribuicão para
as Er.ocaul-ee s brasile ras». Archivos do Jardim
Botanico do Rio de Janeiro, vol. II 1918.
Nelle descrevem-se duas novas especies de Pae-
palunthus — P. densifolius, e P. Cnpimemre. Ambas
encontradas em um hervario pertencente ao Baräo
de Capanema e que ha poucos annos havia sido offer-
tado ao Dr. Alberto Lofgren, o qual o incorporou
ao do Jardim Botanico.
Incontestavelmente o Dr. Alvaro da Silveira é o
maior conhecedor das Ærrocaulrceus brasileiras, para
disto nos c nvencermos, é bastante compulsarmos o
seu trabalho intitulado : «Flora e Serras Mineiras »,
publicado em Bello- Horizonte em 1908, em que des-
creve, além de varias outras, 44 novas especies desta
interessante familia natural de plantas alpinas. Esta
é pois mais uma pequena contribuição que traz para
o conhecimento destas plantas.
F.:C. Horune.
SOUZA BRITO. — « Plantas de Herbirio e
sew valor ». Archivos da Escola Superior de Agri-
cultura e Medicina Veterinaria, Vol. !, Dezembro
1917, n. 2, pag. 105-116.
Ao contrario do que nos diz o titulo, o autor
apresenta-nos neste trabalho, algumas notas inte-
ressantes sobre varias plantas forrageiras, toxicas
ou uteis de qualquer maneira. Em primeiro logar
são relatados os resultados da sua excurção ao
interior do nosso Paiz. Em seguida, destacando
algumas destas plantas recolhidas nesta referida
excur-ão elle trata novamente da Sip'losia lanugi-
nós", Glaz. Composita esta de que teve occasiäo de
se occupar em seu trabalho intitulado: « Notas e
observações microscopicas sobre galhos, Sipolisia la-
nuginos?, Glaziou. Jieterodera radicicola em raizes,
— 662 —
haste e flores de Helianthus ammus, L. (*)». A res-
peito do revestimento lanôso desta planta que o au-
tor considera utilisavel na industria textil, temos a
dizer que consideramos pouco provavel essa appli-
cação, pois as fibras são demais frageis; ainda que
fossem porém aproveitaveis, a cultura da planta seria
problema de dificil solução. Como toxicas para o
gado apresenta elle especies de Dipladenias, mais
communs nos campos de Minas e Sac Paulo. Se-
gue-se depois uma relação de Leguminosas forra-
geiras, de entre as quaes destaca especialmente o
Pochyrrhizus bulbosus, Briton, o « Jacatupé » de
que dá uma bôa relação bibliographica. Segue depois
uma noticia a repeito da Andira ararobr, Aguiar,
referencias a innocuidade da Rhynchosia minima,
D. GC. e voltando então a tratar mais uma vez das
plantas toxicas para o gado elle enumera como prin-
cipal a Psychotria Marcgravi. Spr. Especies de
Hydrocotyle e um Bichoris completam esta lista,
Voltando egualmente as forrageiras destaca de entre
varias Gramineas Milin's mnutiflora, P. Beauv. o
«Capim gordura» ou «Capim mellado », que na
realidade póde ser considerada como uma das mais
uteis forrageiras para o gado vacum.
E” em resumo um trabalho que merece ser lido
por todos quantos se interessam pela questão.
F. ©. Hoexxe.
ZEHNTNER, (Lio) — « Hortos Florestaes
de Joaizeiro,na Bahia e do Quixadä no Ceara».
Publicação n. 40 da Inspectoria de Obras contra as
Seccas. Rio de Janeiro em 1914.
Um volume em 4.º com 45 paginas e illustrado
com 70 bellas phothogravuras, vistas dos mesmos
Hortos. Pelo presente trabalho pode-se avaliar bem
(*) Rio de Janeirro, 1916. Serviço de Informações
do Instituto da Agricultura, Industria e Commercio.
— 663 —
o esforço empregado pela Inspectoria de Obras contra
as Seccas, no sentido de resolver o problema do
reflorestamento do norte do Brasil e principalmente
a zona flagellada pelas seccas periodicas. Ao sr.
Alberto Lofgren, fundador daquelles dois Hortos,
diz o autor, são dedicadas as paginas deste trabalho.
A descripção e as illustrações dadas dos mesmos
não podiam ser melhores e os serviços que ellos de
vem ter prestado e que ainda venham a prestar
para o futuro hão de ser de grande alcance.
F. C. HoEHNE.
ZEHNTNER, ( Lio) — « Estudo sobre as ma-
nicobas du Estado da Bahia em relacäo ao Pro-
blema das Seccas ». Publicação nr. 41 da Serie I,
A,. Botanica, da Inspectoria de Obras contra as Sec-
cas. Dez. de 1914.
Um volume em 4.º com 115 paginas bem im-
pressas e illustrado com 84 estampas de photogra-
phias originaes.
Depois de uma pequena introducção, o autor
descreve, nos varios capitulos em que dividiu o seu
magistral trabalho, : | — O intinerario das viagens que
teve que fazer para recolher os dados para o mesmo.
Estas foram em numero de tres e levadas a effeito
em 1912, occupando cinco mezes. São admiraveis
as descripções que faz dos sertões da Bahia, Estado
este ao qual se prende o trabalho. No cap. IT des-
creve o habitat das maniçobas naquelle mesmo Es-
tado e no III as explorações e o estado actual dos
maniçobaes sylvestres. No cap. IV documenta o
trabalho com experiencias feitas para estudar O
melhor meio de sangrar as maniçobas. Experiencias
estas que fez especialmente em variedades de Ma-
mhot heptaphilla, Ule. No cap. V, trata do estado
das culturas de maniçoba na Bahia. No cap. VI,
sobre o preço de custo e qualidades daquella bor-
racha. No VII trata das molestias e pragas daquella
16404
planta. No VIII, faz conjecturas e calculos sobre c
tuturo da borracha de maniçoba e no: capit. IX re-
produz elle, em vernaculo, as descripções feitas pelo:
Dr. Ernesto Ule das 13 novas especies que descobriu
naquelle Estado.
Documentado e ilustrado como se acha, o tra-
balho do Dr. Léo Zehntner, merece os mais enthu-
siasticos encomios. Sobre o assumpto é um dos
mais completos dos que têm apparecido. Honra
não só ao autor mas tambem a Inspectoria das
Obras contra as Seccas, mormente sabendo-se que
existiu uma Commissão luxuosamente apparelhada
encarregada de realizar trabalhos desta natureza, que,
apezar de despender centenares de contos de réis,
eujo desperdicio é tão justamente lamentado pelo
autor, nunca conseguiu apresentar trabalho que pu-
desse ser comparado ao presente em utilidade
pratica.
F. G Horuxe.
GEOLOGIA, MINERALOGIA, PALEONTOLOGIA, CLT-
MATOLOGIA, COROGRAPEIA DO BRAZIL, VIAGENS
MOOG Ce.
BETIM PAES LEME ( ALBERTO) Commissäo
de linhas telegraphicas e estrategicas de Matto
Grosso ao Amazonas Mineralogia e geologia. Pio
de Janeiro, s. d; 23 pags. in 4.
Havendo fallecido o geologo da sua Commis-
são, o Engenheiro Cicero de Campos commeiteu o
Coronel Rondon ao Prof. Betim Paes Leme a ta-
refa de reconstituir com as notas deixadas pelo
infeliz moço o que seria o seu relatorio e, ao mes-
mo tempo, estudar as rochas por elle colhidas.
Fel-o o illustrado geologo, com a maior acuratez e
habilidade. Como verdadeiro ‘ homem do officio ”
que é Começou analysando o itinerario do Dr.
Cicero de Campos, de Caceres para o N., pelo Val-
le do Sepotuba. a Tapirapoã, ao Juruena e deste
caudal ao ponto de partida. KE’ um percurso cujo
perimetro abrange grande área do coração de Matto-
Grosso. Das amostras—mais de cincoenta—recolhi-
das pelo inditoso geologo da Commissão fez o Dr.
Betim Paes Leme minucioso estudo petrographico
e varias analyses chimicas de diversos calcareos
assim como anaiysou um schisto. Na reconstitui-
ção geologica da zona o estudo dos elementos
hauridos pelo Dr. Campos levou o Prof. Betim a
admittir a existencia do predevoniano ( caracteriza-
do pelo schisto de Cuyabä e a serie crystallina onde
distingue os calcareos de Jacobina e Uacurysal e
os grez do Facão e da Fazenda Velha) em larga
zona em torno de Cuyaba, numa faixa desta cidade
a Poconê. De Caceres para o norte. em faixas
marginaes do alto Paraguay e do Sepotuba, distin-
gue o Dr. Betim o Schisto do Taruman cujas
relações declara não poder estabelecer. O mesmo
se dá com o grez de Diamantino (que acompanha
as encostas da serra de Tapiranuan, o devortiwin
aquarum do Alto Paraguay e do Sepotuba) e o
ECS
Grez dos Parecis, das lombadas da cordilheira
deste nome para o Norte, onde surge em enorme
área. Para o Dr. Betim o devoniano está repre-
sentado no Gres vermelho da Serra da Chapada
e no Schisto da Chapada que se intercalam ao
Schisto de Cuyabd e onde tem as suas cabeceiras
numerosos aflientes do Cuyaba que correm para o
Norte e para o Sul. Quatro excellentes cartas acom -
panham o trabalho do Prof. Betim Paes Leme. Em
duas desenhou os caminhamentos do Dr. Cicero de
Campos, noutro interpretou a geologia de Caceres
ao Rio Sangrador Grande e na quarta a de larga
área central de Matto-Grosso.
A. DE. Taunay.
BETIM PAES LEME ( ALBERTO ) Notas sobre
um mineral radio activo do Brazil Æuxenita do
Pomba eas condições geologicas da sua jazida,
Rio de Janeiro, 1915; 20 pags. in R.º
Antes de tratar do mineral do Pomiba, (Minas
Geraes) escreve o A. algnmas linhas geraes sobre
a especie Husxenita do Pomba. Apresenta-se em
massas de um preto avelludado, englobadas em uma
crosta terrosa pardacenta ou esverdeada e de aspecto
cercso, às vezes em blocos de varios kilos. Faz-lhe
o À. o estudo crystallographico; à perspectiva do
crystal acompanha a sua perspectiva estereogra-
phica. Assim lhe determina a existencia das faces ;
tambem lhe dá a densidade (4,88) e da parte al-
terada do mineral (3,5) e dureza (entre 5 e 6 da
escala Mohs ).
Para a determinação da sua composição chi-
mica serviu-se do processo espectrographico reco-
nhecendo-lhe a existencia de Titanio, Niohio, Yttrio,
Ytterbio, Erbio; Thorio, Uranio, Cerio, Ferro, Chum-
bo, Estanho, Aluminio, Gallio e Silicio. Duvidosa
a presenca do ouro, devendo nelle haver arsenico
em presença diminuta. Impugna o A. a existencia
do tantalo que a analyse qualitativa por via humida
— 669 —
accusara. Entende o Dr. Betim que a formula
predominante de euxenita do Pombo deve ser a dos
titano-niobatos hydratados :
(Ti205)3(Y, Yb, Ce, Er, Ga )?( NbO3)8
(eb? Ce, Er, Ga;
O Sr. L. Sequard, que em Pariz analysou a
euxenita do Pombo, chama-lhe Yttroilmenita e
acha-lhe tambem a falta do tantalo assignalado pelo
A. Discorda Dr. Betim de tal denominação que pelo
facto de conter a palavra ilmenita induz a crer
uma quantidade elevada de ferro ligada ao titanio,
por exemplo, além de outras razões de ordem ana-
lytica referentes à porcentagem em niobio.
A euxenita tem alta radioactividade. O Sr.
Sequard achou-lhe, 0,91 quando o Dr. Feio no
Rio de Janeiro encontrara 0,39.
Estuda depois o A. a geclogia da região onde
se encontra o mineral chegando à seguinte cunclu-
são: a rocha de onde provêm a euxenita pegmatita
do Pomba é um syenito bastante acido contendo
duas gerações de feldspathos — a microclina ( cons-
tituida de orthose e aibita inter penetrada ainda uma
vez por albita, formando a microperthita, “ma hor-
neblenda sodica, spheno e apathito.
A’ memoria do Dr. Betim acompanham duas
reprodncções nitidas de espectrogrammas compara-
tivos de espectros de ferro da euxenita decomposta,
da euxenita, e de uma tantalita.
Termina o trabalho por uma serie de consi-
derações sobre o Gallio, o metal raro de Lecog de
Boisbaudran, hoje frequentemente revelado em nu-
merosos ensaios espectrographicos.
A. DE. Taunay.
BETIM PAES LEME (ALBERTO) Sobre a for-
mação do lenhito de Caçapava. Rio de Janeiro,
1918 — pp, 37 e 5 estampas in 8.º
Maua e
Nesta valiosa contribuição para um estudo com -
parativo entre a geobotanica e a geologia da Ser-
ra do Mar começa o nosso illustrado collaborador
declarando que não considera a geobotanica só em
seu campo limitado de distribuição ou descripção
de uma flora regional e assim procurou estender-
se ao campo muito vasto da geologia.
Na flora recente não ha quem ignore quanto
os accidentes geographicos sobretudo os de altitude
influindo sobre o clima, agem do modo mais dire-
cto sobre a botanica. E’ claro pois, friza o A.
que a geologia póde explicar a evolução botanica e
reciprocamente : a evidencia trazida pelo testemu-
nho, vegetal fossilado, esclarece muitos factos geo-
logicos, indicando a evolução porque passou o cli-
ma. À occurrencia de madeiras fosseis na jazida
cuja exploração o A. dirige em Caçapava nos limi-
tes da bacia terciaria de Taubaté inspirou-lhe o es-
tudo do assumpto de que resultou a sua memoria.
Quiz comparar os elementos recentes e os da
flora terciaria, isto quando já a propria jazida per-
mittira o estabelecimento de hypotheses geologicas
cuja verificação seria de grande alcance scientifico,
interessando como interessa a formação do massiço
da Serra do Mar. Assim declara o Dr. Betim que
coordenou notas que são os dados de um problema
ainda não resolvido, uma hypothese de geologia li-
gada ao estudo da evolução da geobotanica do val-
le do Parahyba. Os terrenos de origem sedimen-
taria marginaes do Parnahyba os vestigios paleon-
tologicos de Tremembé e de outros pontos do Nor-
te ae S. Paulo levaram o geologo a admittir a
existencia de uma grande lagoa de agua doce exis-
tente entre a Serra do Mar e a Mantiqueira, sepa-
rada de outra região paulistana por um isthmo
gneissico entre Jacarehy e Mogy das Cruzes. Uma
terceira bacia apresenta-se já em terra fluminense
entre Campo Bello e Barra Mansa. Abunda a zo-
na como se sabe em schistos impregnados de betu-
me, intercalados nas argilas sedimentarias que con-
stituiram os fundcs da lagoa. Os hydrocarburetos
Pa
[AT
— 671 —
constitutivos deste betume provém certamente de
fermentação de grande massas vegetaes com elimi-
nação do oxygenio cellulotico.
Houve pois enormes selvas pelas encostas da
Serra Maritima sem duvida alguma menos traba-
lhada pela erosão.
O lenhito descoberto em Caçapava encontra-se
associado a argilas e um schisto rico de betume. Es-
tá na Serra do Jambeiro, um dos contra fortes da
Serra do Mar e de constituição gneissica. Acha-se
uma bacia sedimentaria ao pé da Serra do Mar de
forma gneissica isolado pelo granito de larga bacia
sedimentaria do Parahyba geralmente chamada de
Taubaté, com uma separação nitida bem marcada
por uma orla granitica e uma differença de nivel
de mais de 50 metros.
Estudando a vegetação actual da zona utilizou -
se o A. dos trabalhos de Martius, Lofgren, Navar-
ro de Andrade e Vechi, sobre a flora regional con-
statando quanto se acham alli devastados as mattas.
O traço predominante das florestas do norte Pau-
lista vem a ser a abundancia de myrtaceas e legu-
minosas vindo depois as apocynaceas, meliaceas e
lauraceas.
A flora da bacia lenhitifera está «numa phase
visinha da do esgotamento » nota o A.; nella sur-
gem gramineas araceas ou zingiberaceas, cannaceas,
cyperaceas, pequeno numero de especies.
Entre os dycotyledoneos, piperaceas, malva-
ceas compostas, solanaceas, etc. emfim a flora do nos-
so campo queimado onde ha uma ou outra moita
pequena de mediano porte. O material fossil colle-
ctado pelo A. foi estudado pelo Dr. Lüfgren que
declarou vacillar entre a grande serie das Æbenales
na qual a amostra se approxima de familia Æbena-
ceae e a maior ainda das Geraneales, onde fica
proxima à familia Rufaceae e que talvez fosse mais
provavel.
Conhece material paleobotanico dos generos
Diospyros, da familia das ebenaceas no Cretaceo e
Terciario; ÆRoyena no cretaceo da Lybia. Se o
fossil de Caçapava é de uma rutacea da ordem das
(reraniales mais interessaute ainda pois seria a pri-
meira constatação neste sentido declara Lofgren, o
genero a que se podem attribuir fosseis dessa fa-
milia é Lanthoxylum que se suppõe apparecido na
base do oligoceno do periodo Terciario.
Assim como um individuo não caracterisa uma
multidão, pondera o A., uma arvore não póde ca-
racterisar uma floresta.
Cem os dados de que dispõe não póde pois
emittir qualquer opinião sobre o clima terciario nas
encostas da Serra do Mar dominantes do valle do
Parahyba.
A presença de um fragmento de raiz, encon-
trada nas escavações póde, até certo ponto, diz o
A. dar esclarecimentos sobre o modo de formação
do lenhito. () exame desse material evidenciou a
differença notavel existente entre a fossilisação sili-
ciosa e betuminosa dos caules. Na silificação não ha
modificação da estructura molecular exactamente o
inverso do que se da com a betuminisação.
Hspera o Vr. Betim por meio de uma serie
de analyses elementares acompanhar a evolução da
molecula cellulotica até a sua transformação em
lenhito. Termina esta parte do seu trabalho com
o lançamento de uma hyputhese geologica sobre a
formação da região. Apoia-se em uma serie de fa-
etos documentaes de origem paleobotanica e topo-
graphogeologicas etc. e na constatação da tendencia
à submersão evidente na nossa costa Sul, assigna-
Jada por White.
A faixa montanhosa Mantigneira e Serra do
Mar é de idade muito antiga. Num periodo ante
terciario iniciou-se o abaixamento da cadeia de
montanhas, mais accentuado no littorale determina-
dor do accumulo de aguas pluviaes de onde proveio
a trande lagõa de Taubaté. Continuou o movimento
e as aguas de lagóa vieram cobrir florestas; da
maceração destas proveio a transformação em massa
vegetal, em lenhito.
1.
— 673 —
A espessura da camada de lenhito suppõe o
abaixamento do fundo da bacia, base da hypothese
do A. de accôrdo com o modo de ver do Prof.
Permier. Acha o dr. Betim portanto que a forma-
ção do lenhito é autochtona, hypothese confirmada
pela pequena espessura de sedimentos da bacia de
Bomtim, pela presença de detrictos graniticos em
camada sedimentaria, pela accentuada differenca de
nivel entre a mais profundas camadas de sedimentos,
no Bomfim e as camadas da grande vargem, d'ffe-
renga que attinge 60 metros, sobretudo pela pre-
sença entre os fosseis vegetaes de fragmentos ; iden-
üficados como raizes, indicando, provavelmente a
fossilização no ponto onde viveu o vegetal e mostran-
do assim uma transformação 7 seu. Concluindo
diz o A. que ao lado do movimento lento do abai-
xamento da Serra do Mar houve accidentes abrindo
falhas que determinaram manifestações vulcanicas,
de que ha testemunhas 10 longo de toda a Serra,
os veios e diques de diabase e labradorito, revelando
uma mesma idade eruptiva e um mesmo grau de
diferenciação do magma interno. Houve pois tal-
vez no fim da época terciaria uma grande remode-
lação da Serra do Mar em que um accidente creou
a depressão enxugadora da lagoa de Taubaté deter-
minando o cxrso do Parahyba. As encostas sul do
valle, ao longo do rio mostram escarpas sensivel-
mente parallelas testemunhas provaveis dos acciden-
tes determinadores de formação.
Finalisa a memoria do dr. Betim por uma nota
sobre as Bacias terciarias do centro de. Minas, as
de Gandarella, Fonseca e Taquarussü unas visi-
nhanças da Serra do Caraça. Estudadas outr'ora
pelo eminente Gorceix, reproduz-lhe o nosso presa-
do collaborador as conclusões procurando-lhe as il-
lações para o caso de Caçapava. E' diverso o
pr cesso hypotheiico para o esvasiamento das la-
goas de Minas e o de Caçapava, indicado pelo Dr.
Betim. Um facto indica essa differença notavel en-
tre as duas bacias: em Caçapava a camada betu-
minosa é uma, (argila betuminosa, lenhito e schisto) ;
— 674 —
em Gandarella ha alternancia, com argilas, de va-
rias camadas, onde se apresentam manifestações de
hydrocarburetos. E' o que se exelica talvez por
uma oscillação de nivel — notada por Gorceix e des-
conhecida ainda em Caçapava onde o A. foi levado
a admittir um mergulho lento, ininterrupto da parte
littoranea da Serra do Mar.
Arronso DE. TAUNAY.
BETIM PAES LEME (ALBERTO) Analyse
Espectral applicada à Mineralogia. Rio de Ja-
neiro, 1918; pgs. 138, in 8.º.
Dão começo a esta “brilhante memoria — em
que o nosso autorisado collaborador expõe um pro-
cesso original — que lhe valeu as mais honrosas
referencias por parte de scientistas eminentes — con-
siderações diversas sobre a analyse espectral. De-
pois de uma série de generalidades expõe o A. o
fim da espectroscopia, descreve o espectroscopio,
explica o que é a espectrographia e dá pormenores
sobre as diferentes fontes de irradiação luminosa.
Fala da technica do arco voltaico e dá-nos um apa-
nhado do que se faz em espectrographia em mate-
ria de determinações qualitativas.
E’ uma mise au point do que ha de mais mo-
derno sobre o assumpto, summamente synthetica,
clara e attrahente.
Na segunda parte da memoria passa o A. a
estudar as determinações quantitativas, por meio da
espectrographia, expõe-lhes o historico, refere-se aos
effeitos da distillação fraccionada e ao preconceito
da acção de presença e passa a explicar o princi-
pio do seu novo methodo destinado a corrigir taes
causas de duvida.
Numa nota communicada à Academia de Scien-
cias de Pariz, na sessão de 11 de Março de 1918,
em que synthetisa o seu processo, começa o Dr.
Betim allegando que os ensaios quantitativos em es-
pectrochimica baseados unicamente sobre a intensi-
dade variavel dos raios parecem ter geralmente fa-
lhado. Na technica do arco voltaico como fonte de
emissão estes fracassos parecem dever-se a volatili-
sação fraccionada que se produz, a ordem da vapo-
rização dos diversos elementos sendo aliás variavel
segundo as circumstancias. E” com effeito claro que
para um tempo limitado de pose a materia não es-
tando totalmente volatilisada os primeiros elementos
evaporados dariam raios relativamente mais intensos.
« Pelo contrario, para uma pose bastante longa
necessaria à volatilisação completa de nma quanti-
dade apreciavel de materia no limite restricto de
um só espectrogramma as raias teriam frequente-
mente adquirido uma intensidade nor demais forte,
o que exclue toda a sensibilidade como a experien-
cia O prova. »
Afim de escapar ao escolho imaginou o A. o
seguinte: « No espectrographo Iery ha um ante-
paro escordendo a chapa photographica onde se
praticou uma abertura horizontal de bordos paral-
lelos. Deslocando-se verticalmente no seu plano
descobre o anteparo seis bandas correspondentes a
seis paradas no percurso do anteparo o que per-
mitte obterem-se seis espectros juxtapostos.
Tendo diminuido consideravelmente a abertura
horizontal imprimiu o Dr. Betim ao ecran um mo-
vimento vertical continuo de velocidade constante
durante a duração da veporisação ro arco de uma
massa conhecida de um corpo mineral conhecido.
«Se e é a distancia vertical percorrida pela
abertura no tempo t a partir do bordo superior do
espectrogrammo ter se-d e= vl; e exprime pois
o tempo. . Se d é a largura da abertura, fazendo-se
— 1 pode-se dizer que cada ponto do cliché
terá soffrido uma pose igual à unidade de tempo.
Isto posto represente-se um dos elementos do
mineral por uma de suas raias, adoptada uma vez
por todas.
Veremos no espectrogrammo obtido esta raia
estender-se de e, a e». O tempo que o elemento em
= o
questão terá gasto para distillar será representado
por €,— e, |
Por outro lado seja, num momento dado p a
quantidade de elemento fornecido durante a unidade
de tempo; p è certamente juneção de intensidade : de
raia considerada em tal momento.
Admitta-se para mais simplicidade que se trate
de uma funcção linear. ~
p= Ki+G
€. t,
t
2
x= | pires KS + C (to +)
t,
porque a quantidade total do elemento distillado, isto
é, a integral da de-carga é ignal a M.
Assim se póde estabelecer que: em nm mesmo
espectrogramma existe »ma funcção linear entre a
descarga e a iniensidade luminosa de uma raia con-
siderada. E preciso, estã visto, operar sempre nas
mesmas cond ções (temperatura do arco, abertura
da fenda, distancia do arco à fenda, ete. ) de modo a
determinar, uma vez por todas, os vilores de K e
de c para os differentes elementos e a raia typo
adoptada para estes elementos. Uma das principaes
dificuldades da technica do processo está exactamente
na medida das intensidades luminosas das raias pho-
tographadas. Nós o fazemos aliás de modo imper-
feito medindo a largura das raios por meio de uma
ocular inicrometrica. Afim de determinar as con-
siantes de cada elemento calcula-se a área corres-
pondente fidt para quantidades conhecidas deste ele-
mento e assim se traça a curva correspondente».
Referindo-se « às objeeções apresentadas ao novo
processo » entende o A. que não procede a que se
refere ao facto de não terem todas as raias d+ um
mesmo elemento a mesma significação quantitativa
com a exposição do sem «criterio para a adopção
— Qui —
das raias». A escolha da raia typo, isto é a que
deve servir de medida quantitativa exige em pri-
meiro logar que não se trate de uma raia suscepti-
vel de ser influenciada por agentes imponderaveis,
isto é, uma raia livre de anomalias.
A esta primetra cowdiçäo, dictada pela experien-
cia se annexa outra: deve-se tratar Ge uma raia
muito sensivel.
Medindo-se a intensidade pela largura micro-
metrica da raia diz o A. que é preciso afastar as
raias sujeitas à inversão assim cono as nebulosas
sein limites, convindo tambem evitar ralas muito
visinhas de outras. especialmente de outros elemen-
tos que poderiam prejudicar as medidas. »
| Assim expõe o A. uma tabella de onze elemen-
tos estudados com a descriminação das raias ado-
ptadas para cada uma segundo sua experiencia pro-
pria. ;
Uma ontra objecção feita ao Dr. Betim foi a
da acção de mascaramento exercida por alguns ele-
mentos.
E realmente não ha quem haja manejado um
espectroscopio e não saiba quanto o sodio é um
mascarador por excellencta. Lembra e A. que essa
acção apparente é a consequencia immediata da dis-
tillação apparente.
Acha ainda o dr. Betim que os seus espectro -
grammas respondem victoriosamente à objecção mos-
trando quanto o sodie não tem influencia alguma.
sobre as quantidades dos otros elementos a não
ser a do atrazo à distilflação. Entende tambem o
Dr. Betim que não póde haver influencia sobre as
raias, per parte da Ligação mulecular do elemento
estudado por mais complexa e estavel que seja, dada
a formidavel temperatura do arco provocadora da
destruição da melecula inicial. Assim é prodigiosa
a acção reductora do carbono incandescente provo-
cande a uniformisação «do material. A objecção só
seria aceitavel para espectros que não fossem de dis-
soclação, O que não é o caso.
— 678 —
Dando pormenores sobre o processo expõe 0
A. uma série de dados muito interessantes sobre a
quantidade de materia a analysar: tempo de pose,
amperagem e voltagem, afastamento dos electrodos,
velocidade da cortina para cada millimetro explican-
do então a modificação introduzida no seu espectro-
grapho, a conselho de eminentes especialistas, para
a sua adaptação ao novo methodo. "Termina a se-
gunda parte da memoria com os « resultados obti-
dos no processo quantitativo» e ahi se expõem os
dados das experiencias comprobatorias do methodo
na analyse de varias rochas, em cinco amostras.
Obteve o A. differenças zom erros de 1 º/, certa
vez 3 °/,, ete., chegando a um maximo de 9 °/,, com
uma dolomia de Taubaté.
Acredita o Dr. Betim que se trata de perdas
por projecção no arco voltaico e pensa que o pro-
gresso da technica do methodo attenuará muito es-
tas causas de erro. Pensa em todo o caso que taes
perdas se distribuem entre todos os constituintes das
amostras, hypothese que todavia não é rigorosa.
Questão capital para o exito provém da con-
stancia da emulsão photographica, dosagem absoluta
do banho revelador, chronometragem do tempc das
revelações.
Termina o livro do Dr. Betim pela exposição
de dous estudos geologicos como applicação da ana-
lyse auantitativa espectral: o exame das terras ra-
ras das jazidas de Pangarito em Minas Geraes, na
fronteira fluminense, e valle de Muriahé e de um
calcareo crystallino da Serra do Mar no Espirito
Santo.
Estudando a posição geologica das jazidas julga
poder o Dr. Betim dizer das terras raras do Pan-
garito e dos depositos de euxenita do Pomba, que
são «dependencias de um mesmo compartimento
magmatico». Manipulou dons mineraes do Pangarito.
No primeiro identificou elementos euxeniticos e outros
differentes. Quanto ao segundo mineral as divergen-
clas se acentuaram mais.
— 679 —
Acredita poder o A., provisoriamente, pensar
que teve em mãos duas especies differentes entre
si e differentes por sua vez da euxenita.
Quanto ao calcareo de Itapemirim teve o pra-
zer de reconhecer a chlorita num mineral nelle en-
cravado confirmando-se as diversas indicações de
outras procedencias.
A presença da chlorita e posteriores ensaios
espectrographo-quantitativos nas rochas da região
levaram o A. a uma serie de illações valiosas para
seus estudos sobre a região crystallina da Serra do
Mar. Afinal, em appendice, chama o Dr. Betim a
attenção do leitor para a existencia de uma verda-
deira distillação fraccionada durante a electro-vapo-
_rizaçäo dos compostos ou complexos mineraes.
Ainda nada póde adeantar sobre as leis que
presidem ac phenomeno; expõe porém como ele-
mento para a elucidação da questão os factos curio
sos que observou no exame de um syeuito nephe-
jinico da Ilha da Trindade, chegando às seguintes e
interessantes conclusões: o sodio foi o primeiro a
distillar ; excepção feita do silício os outros corpos
só distillaram em quantidade apreciavel depois que
o sodio -attingiu o maximo; cada elemento teve o
seu periodo de iniciação antes de distillar. Os com-
ponentes analysados foram Na?0, APOS, Siv® e Ca 0,
dosados ; Ti®, Mg 0, Fe 0,Kº0, não dosados.
Assim julga o Dr. Betim que parece haver uma
tensão de electrovaporização. «O elemento só ele-
cetro vaporisa quando a sua proporção no residuo,
permanecendo na cratera do electrodo, attinge de-
terminado valor ».
Fazemos muitos votos para que ao processo
ideiado pelo nosso prezadissimo collaborador, com
tanta iutuição dos factos e brilhantismo de technica,
possa dentre em breve o seu inventor dotar com os
aperfeiçoamentos que lhe desvendem extensos campos
da applicação a mais precisa, vencidos os obices que
tão lealmente aponta na sua bella memoria.
AFFONSO D E. TAUNAY.
gees
BEZERRA (Antonio) Notas de viagem ao
Norte do Ceará, 2° edição, Lisboa, 1915 — 415
paginas in 8.°
Num grosso e bem impresso volume surge-nos
a segunda ediçäo de um livro interessante e pouco
conhecido no Brazil meridional, estas Notas de
viagem do escriptor cearense caja obra é bastante
volumosa e de uma valia que certamente merece o
apreço de quantos se affeigoam às cousas nacionaes.
« Estudioso das sciencias naturaes — diz do A. o
Barão de Studart, — historiographo, poeta e prosador,
foram de relevancia os serviços que prestou na cam-
panha abolicionista ». Director do Museu de Manaus
tem publicado umas quinze obras entre livros e
opusculos. Nasceu o Sr. Antonio Bezerra de Me-
nezes em Quixeramobim no anno de 1841 e actual-
mente tem em via de impressão uma corographia
do seu Estado natal, completa quanto possivel.
Não se trata de um livro de naturalista mas
nelle a cada passo se trahe o cultor das sciencias
naturaes, versado em assumptos de botanica e 200-
logia, geologia e mineralogia, familiar às minuden-
cias da systematica e perfeitamente a par da syno-
nymia vulgar. Originariamente escripto em 1884
é natural que toda a sua terminologia precise ser
posta em dia, um pouco atrazada como se acha.
Revela o A. extensos conhecimentos do inventario
tloral e zoologico das regiões percorridas, demonstra
invejavel cultura, extensa e generalisada, sob o pon-
to de vista scientifico, segura e acurada, litteraria-
mente falando. Fornece o livro numerosissimos
dados historicos, geographicos, éstatisticos, sobre os
diversos municipios atravessados pelo itinerante;
nelle se inserem apreciações paizagisticas e climate-
ricas, resenhas agriculturaes e commerciaes, apon-
tamentos biologicos, emfim é um repertorio valioso
e opalento de informes de diversas naturezas.
Trata das questões de viação, e dos recursos
de toda a especie peculiares à região estudada. A
feição anecdotica do livro e o pendor do A. para o
.… 13
— 681 —
estudo de casos psychologicos é igualmente saliente.
Tomam a recordação de questões celebres da cri-
minalidade locel muitas paginas. Colligiu o A. va-
rios documentos geologicos de fonte popular. dignos
de registo, assim como tambem o fez concernentes a
tradições correntes entre as camadas populares re-
lativos 4 biologia de numerosos animaes, tendo com -
tudo a prudencia de se limitar a narração do que
ouviu como no caso do individuo que havendo sida
attingido no pollegar por uma cascavel amputou-o
immediatamente e no emtanto dias depois morria
quasi instantaneamente pelo facto de o haver picado
um maribondo que estando a alimentar-se nas car-
nes putrefactas do orgão cortado lhe vehiculara a
terrivel veneno crotalico.
A..p'E. Taunay.
BRANNER (Jonx Casper) Geologia elemen-
tar, prepareda com referencia especial aos estu-
dantes brazileiros e à Geologia do Brazil. Segunda
edição. Francisco Alves & Comp. 1919. pp. 396 in
8.º com 174 fios.
Ao illustre geologo americano, presidente dessa
grandiosa organização scientifica que é a Universi-
dade de Stanford deve o nosso paiz os mais assi-
gnalados serviços e mais do que isto as maiores
“provas de tão verdadeira quanto esclarecida affeição.
Griticar a obra de que agora nos occupamos, assi-
gnada por nome de autoridade universal, seria es-
tulto. Assignalando o apparecimonto de sua segunda
edição lembremos com prazer quanto a primeira
rapidamente se exgotou. E com efleito este tra-
tado seu em que a sciencia do didacta se une à
particularisação do brazileirismo, merecia o acolhi-
mento que teve. Trata sobretudo da geologia de
Brazil, e as materias nelle accumuladas provém de
todas as fortes existentes sobre o nosso paiz, desde
Eschewege e Lund até Sena, Derby, White, Gonza-
ga de Campos, Lisboa, Paulo Oliveira, Florence e
— 682 —
Amaral Pacheco. Traduziu o livro o erudito lente
da nossa Escola Polytechnica, Sr. Dr. Antonio de
Barros Barreto, apaixonado cultor da sciencia que
com tanto relevo professa. As addicções da segunda
edição foram por elle traduzidas e revistas pelo Dr.
Arrojado Lisboa, uma das autoridades geologicas
nacionaes, como todos sabem. i
Dividiu o Dr. Branner o seu tratado em tres
grandes partes. Na primeira, Geologia dynamica
magistralmente explica os processos pelos quaes os
materiaes que formam rochas sao accumulados e
molificados e expde o papel do homem como agen-
te geologico. Na parte segunda: Geologia estruc-
tural cuida das qualidades, estructuras e modificações
das rochas. |
Na terceira e ultima a Geologia historica faz-
se uma revisão brilhantissima da paleontologia geral
e sobretudo brazileira. Alias em todo o livro in-
numeros são os elementos nacionaes constantemente
aproveitados.
A Geologia elementar do Dr. Branner é um
livre que acima de tudo pertence ao numero dos
tratados indispensaveis para uma bibliotheca brazi-
leira, pelo valor dos ensinamentos do scientista
illustre que o assigna e sobretudo pelc carinho com
que ensina à mocidade brazileira, especialmente, a
conhecer o solo e o sub-solo do Brazil.
AFFONSO DE. TAUNAY.
FONSECA RODRIGUES (J. A.) « As seccas
do Ceard» — S. Paulo 1919; pp. 126 in &.
O sr. dr. Fonseca Rodrigues não se contenta
em ser o professor cujo saber e didacticidade quantos
passaram pela nossa Escola Polytechnica admiram.
Nem tão pouco o profissional competente a quem
devem tantas cidades do nosso Estado os melhora-
mentos da vida moderna. Mantém, com effeito como
todos sabem, com outro professor e engenheiro .
acatadissimo, o sr. dr. Ataliba Valle, um escriptorio
— 685 —
justamente conceituado, onde ha bem pouco traba-
lhava tambem um moço de singular iniciativa e in-
telligencia, cedo arrebatado 4 vida: o dr. Francisco
de Paula Ramos.
No sr. dr. Fonseca Rodrigues, pcrém, corre
parelhas com o preparo e a proficiencia a extrema
modestie. E despretencioso como raros. Esquiva-
se à discussão publica de problemas em que a sua
palavra é autorisada. Isto não o impede comtudo a
que, de vez em quando, se disponha a emittir opi-
niões sobre taes questões.
A proposito do regimen hydrographico lacustre
do Rio Grande do Sul e a barra do Rio Grande,
publicou uma memoria apreciadissima. Ainda ha
pouco, Fernando Gahaglia no seu bello livro sobre as
Fronteiras do Brazil, punha-a em elevado e
Justissimo destaque.
Cearense, quiz o dr. Fonseca Rodrigues tambem
trazer a sua contribuição para o estudo da questão
vital de sua terra e do nordeste brasileiro.
Dahi a bella monographia que, sob o titulo de
As seccas do Ceará, acaba de dar a lume por
inspiração de nosso Instituto de Engenharia, cujo
Boletim, dia a dia, adquire maior e mais justo
prestigio.
E” o livro do dr. Fonseca Rodrigues a obra
de alguem que só escreveu depois de muita ponde-
ração, de grande meditação, de estudo exhaustivo
dos documentos de extensa bibliographia, sob a ins-
piração das observações proprias e sobretudo da pru-
dencia de um caracter intimamente reflectido. En-
ceta a sua bella monographia pelo estudo do clima
cearense, caracterizado pelas chuvas e não pela tem-
peratura : acima de tudo pelas extremas irregalari-
dades pluviaes, as calamidades extremas dos annos
de secca e dos annos iuvernosos, explica as causas
das seccas, pelo globo e aponta a nossa infeliz exce-
pedo, pois o nossso nordéste está exactamente na faixa
altamente chuvosa do Universo. Immensa importan-
cia attribue ao regimen anemographico cearense, sobre
o qual exerce influencia a configuração orographica da
Re es
região, e, graças às observações meteorologicas, julga
poder avançar que todos os ventos chegam ao littoral
com a mesma humidade relativa. Os de sueste e leste
attingem o centro do Ceara aquecendo-se, resecando-
se: são os ventos de verão os que caracterizam as
chuvas; os do norte e nordeste resfriam-se nas
serras altas, extremas, de Ibiapaba e de Araripe; são
os que trazem a chuva; os dos invernos regulares
e os dos copiosos.
No littoral é sempre grande a hrmidade; só
as chuvas distinguem as estações. No sertão chuva
e humidade relativa do ar marcbam parallelas e ca-
racterizam as estações.
Assim, pois, se vê quanto é capital a questão
anemometrica para o desequilibrio climatologico do
nordeste, especialmente do Ceara.
Passa depois o A. a estudar as condições ca-
pazes de provocar a modificação dos climas, que,
como se sabe, absolutamente não são immutaveis.
E ahi está entre nós a differença enorme do São
Paulo moder:0. do São Paulo dos trigaes do seculo
XVI, do seculo XVII, em que as vezes o frio
matava os indios apanhados no campo segundo
affirmam os chronistas. Assim expõe a acção phy-
sica da floresta, que resfria o ar em larga super-
ficie e age, consequentemente, sobre a camada
atmospherica que a cobre; explica a acção chimica
da matia, armazenadora, graças à fancçäo chloro-
vhylliana, de grande parte de energia calorifica solar.
Quanto à acção physivlogica da floresta, explica o
A. quäv formidavel é o seu papel evaporador e re-
gularizador do quantum da humidade atmospherica.
Nada tambem mais util do que o anteparo que elle
exerce sobre o sólo contra o rescaldo solar que
tanto desecca a terra. Capital o papel da floresta
como regularizadora da circulação d'agua. Sem ella
sO as regiões littoraneas teriam atmosphera humida
e o interior dos contirentes seria secco. Ellas trans-
mittem, de mão em mão, a humidade maritima.
Nada mais frisante do qne o exemplo apontado
pelo A. para provar o papel da floresta; o con-
— 685 —
fronto entre o nordeste, além Parnahyba, para o sul,
ea região do noroeste, âquem Parnahyba. A selva
amazonica, a 1.300 kilometros do mar, em Manaus,
provoca enormes precipitações pluviaes.
Não é que a floresta seja um acompanhador
forçado dos grandes cursos fluviaes; está ahi o
exemplo do Nilo e do Ganges. Não é portanto o
Amazonas que faz o clima chuvoso da sua bacia.
A floresta é benefica aos climas seccos pela sua
acção reguladora, por excellencia, da evaporação.
No Ceará impera soberanamente o regimen tor-
rencial. Ha annos em que um rio corre um mez,
tres mezes, seis mezes, ha annos de vinte dias e
annos de zero dias. (O problema cearense é o da
regularisação d-s aguas meteorivas e fluviaes. Não
ha, porém, falta de chuva como no Atacama o Sa-
hara ou o Arizona ou mesmo o Eg gypto. ParaoA.,
o grande problema é no Ceará augmentar as aguas
subterraneas à custa das que se evaporam ou rolam
rapidamente para o Oceano. A evaporação num
clima como o do Ceará é enorme e diminuil-a
para regularizar as aguas pluviaes só se póde, fa-
zel-o pelas florestas. As aguas subterraneas são muito
fracas no Ceara; as mattas, facilitando a embebição
do sólo, facilitam o seu encremento.
Expõe então o A. qual o reservatorio das aguas
subterraneas e como se dá o escoamento subterraneo.
A terra embeñida das encostas e do alto das mon-
tanhas é o immenso reservator.o alimentador dos
cursos tranquillos e perennes.
| Resumindo as condições que regem as aguas
superficiaes cearenses que passam pelos extremos
do «corte» do curso e da torrente, dois fiagellos,
expõe o dr. F. Rodrigues os processos aventados da
creação de grandes reservatorios e accumulação de
aguas correntes e da plantação de florestas. En-
tende que a açndagem pouco valerá para o caso,
dado o facto de extrema caprichosidade das grandes
precipitações, que, as vezes, vên umas sobre as ou-
tras. Só ha um recurso, o da floresta, para a re-
gularisação dos tempos. Ahi está a solnção do pro-
— 686. —
blema das seccas ; sem ella as luctas serão precarias.
EK’ a floresta que tornará o clima cearense menos
secco, as chuvas mais frequentes, os invernos abun-
dantes e annuos.
Estudando a questão da irrigação, aponta o “A,
o exemplo da Hespanha, Italia, Estados Unidos,
Egypto e India. Mas como fazer irrigações sem abun-
dancia de agua e sem haver terras já aproveitaveis ?
Obras immensas foram feitas naquelles paizes.
Não ha quem desconheça as enormes reprezas do
Nilo em Assuan nem as Earragens Roosevelt, no
Arizona, e assim por deanie. Custaram rios de di-
nheiro, mas são empresas remuneradoras e servem
a regiões d> população muito densa, Não é este o
caso do Ceara, onde os alimentadores dos açudes ...
são enchentes rapidas e fugazes.
Prende-se o futuro dos povos à floresta, declara
o sr. dr. F. Rodrigues, com a maior propriedade e
sensatez. Não estão ahi a Mesopotamia, a Lybia e
Chypre anniquiladas pela destruição da matta ? E entre
nos? Haver’ exempio mais triste do que o do valle
do Parahyba, ovtréra prosperrimo e hoje quasi mise-
ravel? E preciso poupar as arvores, sob pena de
arruinar a terra. Quem as extermina entra para a
categoria dos fazendores de deserto, na expressão
energica de Euclydes da Cunha.
Expõe, então, ahi, o sr. dr. F. Rodrigues a
summula das utilidades das florestos, o que :ão a
sivilcultura e o seu ensino nos grandes paizes, cs
seus ensaios no Brazil e o admiravel exemplo da
Companhia Paulista. Resumindo, proclama : a secca
no Ceará, numa área aquatorial que faz excepção à
regra geral, é devida à ausencia da floresta, que
abranda e consome a energia. calorifica do sol.
Já a seu respeito entre nós preconisara o re-
medio homens illustrados, como Caminhoä, Nicolau
Moreira, o senador Pompeu, Antonio Olyntho. Quanto
à área a retlorestar, indica o dr Fonseca Rodrigues
os planaltos da Borborema, as cumiadas das serras
do Pereiro, do Apody e afinal do Araripe. Na esco-
lha das essencias devem predominar as condições de
— 687 —
resistencia à secca, grande vulto e capacidade de
sombra, producção de substancias de valor com-
mencial, cerne aproveitavel para a construcção. Os
productos florestaes hão de dar granda renda, como
em toda a parte, e o governo federal, creando as
Florestas Nacionaes, não poderá deixar de
auferir proventos avultados de sua exploração.
No capitulo «A lucta contra os effeitos das
seccas », assignala o A. a série de medidas com-
pletares indispensaveis para dar combate ao ter-
rivel flagello : multiplicação das vias ferreas e de ro-
dagem, os grandes açudes e as grandes irrigações.
Tudo isto, porém, deverá ser accessorio ao grande
meio, o unico eficaz, que é o reflorestamento.
O exemplo da India é notabilissimo para a illus-
tração do caso ; note se, porém, que a irrigação não
é tudo mesmo na peninsula hindostanica, e onde os
recursos do governo, que é o inglez, são immensos.
Dizem cs autores que si ha diversos annos sem chu-
vas falha de todo o remedio. No Ceará, pensa o A.
que, no estado actual, a irrigação aproveitará mais
ao Estado quando tiver de soccorrer populações
flagelladas do que aos agricultores cearenses.
Ao terminar o seu bello estudo, depois de re-
capitular as vantagens innumeras que trará o reflo-
restamento e lembrar que será elle sómente o salva-
dor da região, recorda o dr. Fonseca Rodrigues as
bellas pallavras dictadas por aquella intelligencia lu-
minosa que era a de Theodoro Roosevelt: «A flo-
resta é a companheira e a base da irrigação. Sem
ella esta falha. O desenvolvimento da irrigação e a
destruição das florestas não podem coexistir ».
A todos quantos se interessem pelas cousas na-
cionaes, é um dever travar conhecimento com o
bello livro do dr. Fonseca Rodrigues. A região das
seccas cresce assustadoramente para o sul, ante a
inconsciencia dos devastadores da floresta. Urge
remediar. Breve poderá ser tarde...
As DE PANA:
— 688 —
LEE ( Tx.) Sobre dous novos inineraes sir-
conicos 1: Orvillita; 11: Oliveiraita. Revista da
Academia Brezileira de Sciencias. N. 1, 1917, pg. 31.
Numa rocha zirconifera da região de Caldas
conseguiu Derby a custa de paciente esforço iden-
titicar uma nova especie mineralogica. Expõe o A.
o resultado das analyses feitas deste mineral, ana-
lyses que justificam a formula para elle estabelecido
Szr OF GSL(R -DH20 e como se deve ao inditoso geo-
logo americano, a identificação propõe que se lhe
de o nome de Orvillita.
Ha tempo diz o A. houve quem pretendesse
haver descoberto. numa euxenita de Minas ( Muni-
cipio do Pomba, estação de Tocantins) um novo
corpo simples. As analyses do Prof. Alberto Be-
lim mostraram o engano do descobridor de elemen-
tos, comprovadas alias pelas da Escola de Minas de
Ouro Preto, da Polytechnica de l'urim e do autor.
No decorrer das analyses verificou o A. a exis-
tencia de um novo mineral am titanato hydratado
de zirconio, hoje identificado perfeitamente com o
auxilio de Derby e a que corresponde a formula
achada pelo A. dzr 0?2 Ti 0?2 H 0 e a que deu o
nome de Oliveraita em hoinenagem ao eminente
“chefe de nosso serviço geologico.
Arronso DE. TAUNAY.
LISBOA ( MigueL ARROJADO). O problema
do combustivel nacional, Rio de Janeiro, 1916, 87
paginas in 8.º. |
O A. é um adversario do emprego do carvão
nacional tal qual o podem fornecer bruto as jazidas
hoje em exploração e sua obra uma exposição dos
motivos desta opposição. Mostra que o seu preço
da extracção, elevado no proprio Rio Grande, antes
da guerra, impuzera aos caminhos de ferro o em-
prego da Jenha. Com 33 por cento de cinzas e
a LUE
seu fraco poder calorifico o carvão rio-grandense só
pôde produzir a evaporação do Cardiff na propor-
ção de 1,7 para 1 em peso.
A lavagem do carvão e a briquettagem acon-
selhados por White para contorno de uma situação
economica detestavel diz o A. seria desastrosamente
impraticavel a não ser em tempos excepcionaes como
os da conflagração mundial.
Estudando as soluções economicas do problema
expô> o A. as condições do emprego do carvão em
blocos e moinha, purificado pela lavagem e depois
briquettado e lembra que em 1918 o chefs da trac-
cão da Central foi aos Estados Unidos estudar a
applicação do carvão em pó e a dos carvões infe-
riores, como os nossos, para productores de força em
gazogeneos. Da viagem deste alto funccionario, dr.
Assis Ribeiro, ficou demonstrado concludentemente
_o aproveitamento economico do carvão brazileiro
pelo processo Muhlfeld, por exemplo.
Analysando o uso de carvão em pó transcreve
o À. os pontos de vista, argumentos e conclusões
do dr. Assis Ribeiro: queimar carvão brazileiro
bruto é uma insensatez economica.
A nossa hulha precisa a todo o transe ser ma-
nipulada antes de ir para a fornalha e exige appa-
relhos especiaes.
Passa o dr. Lisboa a descrever a distribuição
geographica e geologica do nosso combustivel e
trata das actuaes possibilidades : ha os carvões semi-
betuminosos do Rio-Grande, Santa Catharina, Pa-
raná e S. Paulo, o lenhito do Amazonas; os schis-
tos betuminosos e bogheads do Maranhão, Piauhy,
Ceará, Goyaz, Alagões, S. Paulo e Bahia; as ro-
chas petroliferas de S. Paulo, Paraná, Santa Catha-
rina. Os do sul do Brazil se são mäus nas grelhas
mostram-se superiores aos de Cardiff ou aos anthra-
citos para utilização em gazogeneos O lenhito do
Amazonas, assignaiado por Gonzaga de Campos pa-
rece poder ter emprego util nas grelhas. Expõe o
A. as varias hypotheses sobre os. carvões do Sul.
Se White parece considerar a bacia carbonifera
— 690 —
como continua (o que faz antever uma homogenei-
dade desagradavel ) Derby e Gonzaga de Campos
discordam o que nos da esperanças de uma hetero-
genisação de depositos altamente esperançosa, porque
até agora os achados do carvão do Sul são porco
animadores. |
Quanto à formação das jazidas assignaladas é
dificil fazer-se uma estimativa precisa com os da-
dos que se tem até agora. Consideradas as quali-
dades, a espessura das camadas e a extensão das
jazidas, conclue o A., ha actualmente pelo menos tres
districtos carboniferos exploraveis economicamente,
no Rio Grande, Santa Catharina, Paraná. Analy-
sando o custo do carvão na mina acaba o dr. Lis-
boa por affirmar a viabilidade economica do com-
mercio do carvão nacional com boa margem mes-
mo em condições normaes como antes da guerra.
Entende porém que deve haver estreita ligação en-
tre as companhias de carvão e as de navegação.
Terminando pela apresentação das possibilidades
de novas occurrencias carboniferas lembra o autor
a sua identificação de consideravel zona permo
carbonifera no Maranhão, e Goyaz. O psaronius
brasiliensis o gigantesco feto arborescente, tão ca-
racteristico da formação, ainda foi identificado em
extensa região bahiana do nordeste. Assim se ve-
rifica que a ideia antiga de confinação das áreas
carboniferas ao Sul do Brazil não tem razão algu-
ma de ser.
Falando por ultimo das possibilidades do petro-
leo lembra o À. o engano em que White labora
quando predisse que não havia faturo petrolifero no
Brazil por motivo da occurrencia, nos nossos cam-
pos, de rochas eruptivas. Nesta bibliographia ao
tratarmos de um estudo do dr. Eusebic Paulo de
Oliveira encontrará o leitor a brilhante contestação
de tal these exposta para o caso do Mexico, por
aquelle distincto geologo. As suas razões são iden-
ticas às do dr. Arrojado Lisboa.
Synthetisando as suas conclusões termina o A.
quaes são no seu entender as medidas governamen-
— 691 —
taes a adoptar para pôr em pratica o abastecimento
das nossas machinas thermicas pelo carvão nacio-
nal, estudo geologico das questões de exploração, do
transporte do carvão, de manipulação da hulha etc.
Termina o volume, opulenta bibliographia de-
monstradora de quanto foi o problema exhaustiva-
mente estudado; como annexo leva o artigo do
dr. Assis Ribeiro « Novas applicacoes do carvão
pulverisado » em que este eminente engenheiro ex-
poe os aspectos mais modernos de tão importante
questão.
Arronso DE. Taunay.
OLIVEIRA ( Eusesio Pauto DE). Expedição
Screntifica Roosevelt-Rondon, Geologia. Rio de Ja-
neiro, 1915.
Na immensa área matto-grossense equivalente
talvez à da França, Allemanha e Hespanha reuni-
das não houve até agora senão summarios reconhe-
cimentos geologizos; nem podia ser de outro modo.
Contriouição importante é a que nos traz a memo-
ria do Dr. Oliveira o joven e incansavel geologo do
Serviço Geologico do Brazil. Acompanhando a ex-
pedição Roosevelt-Rondon, por incumbencia do illus-
tre Derby, percorreu enormes tratos de terras o que
lhe permittiu observar algumas zonas naturaes do
Brasil, com feições topographicas, climatericas, ve-
getativas e geolugicas typicamente distinctas. Na-
turalmente seria absurdo esperar pormenores geo-
logicos e paleontologicos quando o geologo se achava
adstricto à marcha rapida da expedição. Foi com-
tudo notavel o que poude colher em materia de
observações geologicas, ao longo das estradas per-
corridas a cavallo e nas horas curtas que precediam
a partida diaria dos pousos e acampamentos. E
mais um bello titulo de benemerencia que para a
sua carreira, ja tão largamente preenchida, adqui-
riu O joven geologo.
Depois de expôr o seu itinerario completo, do
Rio de Janeiro a Corumbá, Caceres, Tapirapoan,
— 692 —
S. Antouio do Madeira, Belém do Pará e Rio, em
que quasi cinco mezes gastou, expõe o À. os tra-
cos geologicos do Rio de Janeiro a Porto Espe-
rança. O arenito de Baurii reconheceu-o ao longo
de grande percurso da Noroeste em cujo ultimo
trecho até Itapura constatou a presença de rochas
eruptivas triassicas. Reapparece o arenito de Botu-
catü à direita do Paraná em larga extensão, inter-
caiado ao de Bauru, adiante de Rio Branco, Na
serra da Bodoquena atravessa a estrada de ferro
extenso calcareo. Conhecedor da geologia do sul
brazileiro entende o Dr. Oliveira que o arenito de
Aquidauana é identico ao de Santa Maria da Bocca
do Monte.
Estuda depois o A. a geologia marginal do
Paraguay, do Apa a Caceres, e do Sepotuba, desde
a foz até acima do Tapirapoan. Assignala a im-
portancia geologica dos morros ao norte do Porto
Murtinho; centro vulcanico distincto semelhante aos
de Caldas, Tinguá e Cabo Frio estudados por Derby.
Na vastidão do pantanal percorrido pelo Paraguay
destaca-se o imassiço caicareo de Coimbra. Reappa-
rece o calcareo em Albuquerque e em Corumbá.
A formação geologica do massiço do Urucum é
importantissima e deve sua grande notoriedade às
colossaes jazidas de manganez estudadas por A.
Lisboa. Nas vizinhanças ha indicios de ricos de-
positos paleontologicos, da época pleistocenica, como
os fosseis da estrada de Cáceres a Cuyabä.
Percorrendo a serra de Tapirapoan, contraforte
dos Parecis, assignala o Dr. Oliveira os affloramen-
tos dos folhelhos do Sepotuba já determinados por
occasião de sua viagem por este rio acima e que
elle julga identificar com os Folhelhos da Estrada
Nova, da secção de Santa Catharina, organizada
por White Viu o A. blocos de calcareo roseo se-
melhantes aos da formação permiana de S. Paulo.
Passa depois a expôr o que pensa da geologia
do Planalto dos Parecis, constituido de arenito ver-
melho ou amarello, com escasso cimento feldspa-
thico encerrando sempre numerosas concreções si-
— 693 —
licosas entre as quaes predominam as pederneiras.
Intercaladas na massa de arenito existem camadas
de argila arenosa, cujos afloramentos estão fre-
qzentemente encobertos por depositos superficiaes.
Entende o Dr. Oliveira que esta série é mais re-
cente que o arenito de Botucatü de que differe
pela ausencia de cimento calcareo e presença de
nodulos de pederneiras. E portanto uma série nova
a ser intercalada no quadro das formações geolo-
gicas do Brazil.
Assim os arenitos dos Parecis e da base da
Serrinha no sul de Matto-Grosso differenciam-se
dos de Botucatu e Aquidauana pelo facto de não
serem atravessados pelas rochas eruptivas ao passo
que os dous ultimos o são. Interessantes e porme-
norisadas as partes em que o À. estuda a vegeta-
ção e a physiographia daquella região em que ha
numerosas e grandes quédas d'agua.
Passa depois a examinar a degradação do pla-
nalto em (Campos Novos em que ha fundos val-
les de uma e duas centenas de metros abaixo do
nivel das chapadas, e onde o resultado do trabalho
da erosão foi produzir massiços de feição topogra-
phica uniforme, os chamados taboleiros.
Revista depois o Dr. Oliveira os campos de
Vilhena onde os termitos são prodigiosamente nu-
merosos ao ponto de figurar como agentes geolo-
gicos, facilitando o ataque das rochas do subsolo.
Se augmentam a espessura da terra aravel peioram-
lhe a qualidade pelo grande consumo que do humus
fazem para a sua alimentação. Os capitulos X e
XI tratam dos campos de gordura e aloxitu inter-
calados às admiraveis mattas na região de Barrocas
e Tres Buritys e das grandes zonas dos rios Com-
memoração de Fioriano, Gy Paraná. Revista de-
pois o À. as rochas do rio Roosevelt e as da Es-
trada Madeira Mamoré, as do Jamary e de seu
divisor de agua com o Gy Paraná terminando a
sua memoria por apresentar um esboço geologico
de Matto-Grosso.
GONE
Até agora estão bem definidas às seguintes for-
- mações geologicas no grande estado central, a) o
quaternario no Pantanal, na região do Sepotuba, na
Serra do Norte, D) o cretaceo pelo arenito dos
Parecis na Serra do Norte, planalto dos Parecis e
região fronteiriça amazonica matto-grossense e o
arenito de Baurú no sul do Estado, zona da Ita-
pura-Corumbä, c) o Triassico pelo trapp do Es-
tado do Paraná que atravessa o grande rio da fron-
taira matto-grossense revela-se na serra de Mara-
caju, nas zonas sul e centro matto-grossense, pelo
arenito de Botucati e pelo de Aquidauana no Sul
igualmente, d) o Post permiano surge no Fecho
dos Morros com suas rochas nephelinicas, e ) o Per-
miano no Folhelhos do Sepotuba, /) o Devoniano
no Districto da Chapada, q) as rochas sedimen-
tarias predevonianas nas tres séries de Jacadigo, vi-
zinhanças de Corumbá, no Urucum, da Bodoquena,
no Apa, Corumbá, Coimbra, Massiços de Caceres a
Cuyabá, e de Cuyabä ; em Miranda Cuyabä e d’ahi
para o norte.
Finalmente as rochas crystallinas observadas
em diversos pontos, separados por centenas de kilo-
metros, como Porto Murtinho e as cachoeiras do
Xingü e do Tapajóz. e a fronteira do Gy Paraná.
O Dr. Oliveira ligou agora as rochas da serie
crystallina já desde muito observadas no Araguaya,
Xingu. Tapajoz e Madeira às do Gy Paraná e
Jamary e as do Sul em Porto Murtinho.
Numerosas foram tambem as suas observações
de concordancia quanto às rochas sedimentarias pre-
devonianas e as rochas devonianas e permianas,
triassicas e cretaceas. Assim tambem quanto a lo-
calisação dos depositos quaternarios.
Em summa nova e importante contribuição a
sua, trazendo elementos de real valia e consciencia .
para o conhecimento da geologia ao Brazil central,
tanto por fazer ainda.
AFFONSO DE. TAUNAY.
— 695 —
OLIVEIRA ( Eusneio Pauto DE) Geologia do
Estado do Paraná. Boletim do Ministerio da Agri-
cultura, anno V, n. 1 pags. u- 143.
Nesta extensa e excellente memoria, não as-
signada, que no boletim acima mencionado acoinpa-
nha o estado magistral de Gonzaga de Campos
sobre as condições da industria siderurgica entre
nós, declara o A, que seu fito foi coordenar e re-
sumir os conhecimentos geolvgicos até hoje adqui-
ridos sobre o Parana. Abre-a uma synthese das
explorações coloniaes da região, hespanholas, jesui-
ticas portuguezas, e um esboço dos trabalhos car-
tographicos coloniaes ou effectuados sob o imperio,
on ainda sob o actual regimen, apanhado que mostra
quanto está o A. perfeitamente ao par dos assumptos
ventilados. Excellente tambem o retrospecto histo-
rico-geologico que se segue. Examinando as feições
topographicas da região paranaense divide-a o A.
em tres terraços; o oriental ou de Curytiba, cen-
tral ou dos Campos Geraes e occidental ou de
Guarapuava. O primeiro define-o um complexo de
rochas predevonianas, apresentando, em redor de Gu-
rytiba, com bastante perfeição, os caracteristicos de
antigo peneplain. No terraço central as camadas
proximamente horizontaes com ligeiro declive para
oeste, do devoniano e permiano, tem a feição topo-
graphica de uma planicie primitiva mais ou menos
accidentada. Quanto ao terraço occidental que cobre
mais de metade do Paraná é elle um verdadeiro
planalto que com uma elevação quasi uniforme de
1100 metros na borda oriental; desce suavemente
para o grande rio que o separa do Paraguay e
Matto-Grosso. Muito saliente a grande escarpa que
vindo da serra da Canastra vem formar ahi a Serra
da Esperança, separadora dos valles do Tibagy e
Iguassu.
Os terrenos geologicos no Paraná diz o A.
confirmam do modo mais exacto a relação geral-
mente existente entre a topographia e a geologia
das regiões. Firmado nos estudos de Pissis, Derby,
— 695 —
White, Gonzaga de Campos, Paula Oliveira, Cicero
de Campos, Woodworth e nas proprias observações
inclue o A. todo os terrenos paranaenses nas se-
cuintes formações: Quaternario, no littoral, sobre-
tudo, e no Alto Iguassú; Triassico, Permiano, De-
voniano e complexo predevoniano. Deste ultimo
declara o A. serem-lhe ligeiras as observacoes ;
percebe-lhes comtudo o afiloramento dos schistos
crystallinos na Serra do Mar, nas cabeceiras do
Negro e do Ignassü, no divortiwum aquarum da
Ribeira e do Yapó confluente do Paranapanema
pelo Tibagy. Superpostos a estes schistos vem as
rochas da serie de Assunguy conjuncto de schistos
argilosos pouco metamorphisados, frequentemente.
muito alterado pela acção athmospherica, de quartzi-
tos e calcareos.
O devoniano paranaense foi identificado em
1879 por Derby; Siemiradzki indicou-lhe a corre-
lação com o das ilhas Malvinas e o do sulafricano.
Numerosos fosseis alli achados determinou-os o Dr.
Clarke na sua bella monographia Fosseis devonia-
nos do Paraná Na área devoniana reconheceu o
A. tres subdivisões : o Arenito de Tibagy, Folhelho
de Ponta Grossa e Arenito das Furnas que des-
creve com grande copia de observações e infor-
mes, proprios e alheios,
Entende o br. Oliveira que as identificações
do devoniano perto de Sorocaba e Faxina são erro-
neas. O arenito das Furnas, este entra em territo
rio paulista, entre Itararé eo rio Taquary. consti-
tuindo os leitos do Itararé, Verde, etc. cavados em
profundos cañons. Os cortes da Sorocabana revelam
este arenito que a leste da via ferrea apresenta
_magnificos campos de exposição, O permiano atra-
vessa S. Paulo, os tres estados do Sule o Uruguay.
White, no seu «Systema de Santa Catharina» sub-
dividiu-o em tres series: São Bento, Passa Dous e
Tubarão. Os estudos subsequentes do sabio geologo
americano vieram modificar ligeiramente o agrupa:
mento por elle proposto. Da serie Tubarão destaca-
se outra para a qual propõe o A. o nome de Jtara-
— 697 —
ré. composta de camadas de origem glacial. Assim
tambem a serie. S. Bento, classificada por White
como permiano passou para 0 triassico, della se des-
tacando a unidade Rio Rasto que ficou no permiano.
A serie Itararé, base do terreno permiano, tem
enorme desenvolvimento em territorio paulista e
apresenta os seus afloramentos mais notaveis na
bacia deste affluente do Paranapanema. Estuda-lhes
minuciosamente o A. os caracteres lithologicos e
paleontologicos e os perfis de sondagem. A serie
Tubaräc não lhe merece menor attenção, descre-
vendo com todos os detalhes as pesquizas feitas em
torno de Teixeira Soares. No Paraná esta serie,
segundo. até agora se pôde observar só contem uma
“camada de carvão de certa importancia, sem espes-
sura sufficiente para que a mineração possa ser lu-
crativa.
A serie Passa Dous catharinense. de White, é
concordante com a Tubarão paranaense. Os reptis
dos generos Mesosaurus e Stereostenum caracte-
risticos do grupo chamado Iraty constituem uma
base paleontologica de referencia no estudo do per-
miano sul brazileiro. As rochas do grupo tem a
particularidade de emittirem, quando quebradas,
cheiro de petroleo, evidente.
Varios foram os afiloramentos de folhelhos be-
tuminosos onde o A. encontrou os dous reptis tos-
seis na bacia do Canoinhas, na barranca do Iguas-
su, na estrada Geral de Guarapuava, em Therezina,
à margem esquerda do Tibagy. Por toda a parte
percebeu o cheiro de petroleo pronunciado. Os schis-
tos distiliados embora, grosseiramente, deram oleo
varias vezes.
A Serra Rio Rasto observou-a o À. na estrada
do Rio Negro e Lages e ao longo da linha da
S. Paulo Rio Grande em territorio catharinense,
pa Serra da Esperança, caminho do Guarapuava, no
Ivahy e no Tibagy, e do Cinzas ao Itararé. Pene-
tra por S. Paulo achando-se representada entre Rio
Claro e Annapolis e em Piramboia.
an BOR
O triassico composto de sedimentos e rochas
erüptivas basicas está representado pelo arenito de
Botucatú exposto nos arredores de Porto União, na
subida de serra da Esperança etc. No Rio Grande
do Sul aflora nos arredores de Porto Alegre, Ca-
cequy, Sant Anna do Livramento, etc. O Dr. Joviano
Pacheco, o nosso erudito paleuntologo da Commis-
são Geographica, assignalou-lhe os primeiros fosse s.
No Paraná o arenito de Botucatu tem limitada área,
ao contrario do que se dai em S' Paulo e no Rio
Grande do Sul. Capeia o espesso e vasto deposito
de rochas eruptivas massiças ou amygdaloides que
à falta de estudos microscopicos detalhados são en
globadamente designados sob a denominação geral
de travp do Paraná. Afflora em Curytibanos, Pal-
mas, em S. Catharina, em Guarapuava, no Porto
União, nas cachoeiras do Ivahy, no baixo Tibagy.
A terra é argilosa vermelha mas suas qualidades
variam com a altitude e latitude dos lugares. Nas
rochas eruptivas existem muitos mineraes accesso-
rios em seus géodos, amethista, stibite, agathas,
pyrites ferriferas e cobre nativo. “ste metal occor-
re comtudo em condições de não permittir explora-
ção industrial. Pelo menos até agora. O quaternario
se revela pelas argilas vermelhas e o cascalho dos
arredores de Curityba e as camadas fortemente
arenosas e o cascalh da marinha. Devido a ausen-
cia da glaciação no periodo quaternario offerecem
pouco interesse gcologico.
Uma resenha bibliograph'ca, tão extensa quanto
completa, encerra a excellente memoria do Dr.
Oliveira.
Arronso DE. Taunay.
OLIVEIRA ( Eusepro PAULO DE ). — Pesquizas
de petroleo. Annaes da Escola de Minas de Ouro
Preto tomo: (o, MOT.
Mais uma excellente contribuição para o estudo
da nossa geologia, este artigo do joven e justamente
reputado geologo que para este tomo dos Annaes
— 699 —
da Escola de Minas tambem contribue com uma
parte notavel do seu estudo sobre o permiano para
naense, destacado da sua (reologia do Estado do
Paraná já por nós resumida. Depois de um ligeiro
apanhado acerca das hypotheses principaes sobre a
origem animal ou mineral do petroleo, da sva oc-
currencia nos diversos terrenos geologicos e nas di-
versas regiões do mundo, onde é encontrado, lembra
o autor qu? o estado comparativo dos camvos hoje
explorados mostram que as condições necessarias
para se ter um campo productor de petroleo são: a
presença de rochas porosas e de dobras anticlinaes
e ausencia de rochas eruptivas.
Ora no Sul do Brazil, no devoniano e no per-
miano, as rochas eruptivas em numerosos pontos
atravessam as sedimentarias. Foi isto que levou o
eminente White a afirmar que as camadas sedi-
mentarias do permiano brazileiro contiveram outrora
algum petroleo como o demonstra o schisto preto de
Iraty e o coke natural de Limeira, a Albertita de
Lages. O mesmo se dá quanto ao arenito saturado
com residuos asphalticos do Bofete em 8. Paulo.
Não ha duvida que em grandes àreas não ha occur-
rencia visivel de quaesquer derrames de rochas
eruptivas.
Assim, resumindo as suas observações, acha o
illustre geologo americano que todas as probabili-
dades são contra a descoberta do petroleo em quan-
tidade commercial em qualquer parte do Sul do Bra-
zil sendo até inutil esperar encontrar taes depositos.
O proprio A. fundado sobre as opiniões do
mestre interrompeu uma sondagem pela facto de a
294 metros de profundidade haver encentrado dia-
base. Houve porém verdadeira viravolta nesse an-
tigo dogmatismo geologico com a descoberta destes
campos riquissimos do Mexico, hoje dos maiores e
mais rendosos do Universo. Nelles assignalou Hun-
tley camadas de idade cretacea e terciaria atraves-
sados por numerosos diques e lenções de rochas
eruptivas basicas. O campo petrolifero de Furbero
trouxe as mais originaes e imprevistas descobertas.
— 700 —
Revelaram as sondagens que a chamada areia tem
origem ignea e o chamado auticlinal foi originado
pela intrusão lacolithica da rocha ignea prova de
que o lacolitho é capaz de produzir a estructura an-
ticlinal que a pratica da exploração das minas de
petroleo indica ser a forma estructural mais favo-
ravel à accumulação do liquido. Do conhecimento
dos campos mexicanos acredita Degolyer que o pe-
troleo se originou no calcareo cretaceo e foi con-
duzido à pesição actual pela migração ao longo da zona
metamorphica de contacto nas rochas sedimentarias
e igneas Assim firmados no exemplo mexicano ve-
mos que as rochas igneas não têm nenhuma influencia
nociva sobre os grandes depositos de petroleo.
Depois de estudar as condições estructuraes e
os indicios de petroleo do sul brazileiro, com obser-
vações proprias mito valiosas, insiste o A. nos bons
indícios da impregnação do folhelho de Iraty : as fon-
tes de agua salgada de Barra Grande, das cabecei-
ras do Corimbstä, da margem esquerda do Cinzas
sempre no Paraná e no Bofete, em S. Paulo. Mais
um indicio da maior importancia: a occurrencia de
veias de albertita que o proprio White assignala em
S. Catharina. na estrada da capital a Lages. E'
ainda elle quem acha que em Limeira a Albertita
foi transformada em coke natural pelo calor da rocha
eruptiva, que sobre ella correu, oxydando-a, meta-
morphoseando-a. A Albertita origina-se do petroleo,
demonstram-no evidentemente as sondagens de Rit-
chine na Virginia Occidental.
Como o permiano do Maranhão e Piauhy tem
grande analogia com o do Sul do Brazil os indicios
são analogos aos da zona meridional segundo cs es-
tudos de Arrojado Lisboa. No littoral de Alagoas e
Pernambuco occorrem, como se sabe, folhelhos bitu-
minosos e arenitos contendo residuos de petroleo do
grupo do asphalto. Ha muito que, de vez emquando
trombeteiam os nossos jornaes as descobertas de pos-
santes depositos petroliferos em Alagoas, noticias
precipitadas e talvez frequentemente tendenciosas. (1)
(1) N. da R.
SON
E’ tal a importancia do oleo que se houvesse
alguma veracidade em taes informações o boom ja
haveria precedido a divulgação da descoberta. Em
summa, diz o A. ao concluir o seu artigo excellente
e optimista: não subsistem as razões que outróra
levaram White a affirmar a não existencia do pe-
troleo sul brazileiro. O exemplo do Mexico fez ruir
a antiga theoria da rocha eruptiva. As unicas con-
dições necessarias para a accumulação de largas
quantidades de petroleo são a existencia de rochas
sedimentarias porosas formando anticlinaes suaves de
fraco relevo com uma cobertura sufficientemente im-
permeavel de modo a evitar-se o escapamento do
oleo, circumstancias que no sul brazileiro são fre-
quentemente assignaladas.
AFFONSO DE TAUNAY.
OLIVEIRA ( Eusesio PauLto DE). — Serviço
geologico e mineralogico do Brazil. Regioes carbo
niferas dos Estados do Sul. — Rio de Janeiro, Im-
prensa Nacional, 1918; 125 paginas in 8.º acompa-
nhadas de diversas cartas intercaladas ao texto.
Neste excellente trabalho procurou o joven geo-
logo do Serviço pôr em dia os conhecimentos rela-
tivos aos problemas da carvão brazileiro, e de geo-
logia geral do districto carbonifero, summamente
ampliados, desde a publicação, em 1906, do relatorio
magistral de White.
Gomeça o livro pela Discriminação das for-
mações geologicas do sul do Brazil que segundo nos
diz o A. abrange nove terrenos, do precambriano a0
quaternario recente.
Numa pequena carta faz o A. o esboço geolo-
gico do Paraná e de uma parte restricta de S. Paulo
e S. Catharina. O predevoniano costeiro compre-
hende o nosso valle da Ribeira, os Campos Geraes
paranaenses e prosegue ao Sul pelo littoral catha
rinense, sendo que a região typica deste terreno é
a bacia do Assunguy. O devoniano parandense não
— 702 —
é muito dilatado. Ponta Grossa, Tibagy, Itararé são
os seus principaes pontos de referencia. Quanto ao
permiano nelle distingue o A. as séries do Rio
Rasto, do Passa Dous, Tubarão e Itararé, concen-
tricas no sentido de oeste para leste. Itararê pro-
segue em São Paulo por Faxina, Itapetininga, Ta-
tuny e Tietê. A série de Tubarão não attinge 6
territorio paulista. Passa Dous vem ter a Piraci-
caba e Rio Rasto a Fartura, Itatinga, etc. As ca-
madas do permiano atravessam o Brazil meridional
de Norte a Sul, de São Paulo ao Uruguay. O tri-
assico comprehende a maior parte da nossa zona da
Sorocahana e representam-no as rochas eruptivas da
Serra Geral e do arenito de Botucatu. O cretaceo
define-o o arenito de Baurú apontado por Gonzaga
de Campos. Afflora em Baurú no separador das
aguas do Tietê e do Paranapanema em Monte Alto
e Barretos e o dr. Guilherme Milward o acompa-
nhou ultimamente até Catalão, se não ncs trahe a
memoria. O terciario afflora ao longo do Parahyba,
sobretudo perto de Taubaté onde os seus folhelhos
betuminosos já por vezes tem sido explorados para
fins industriaes. Apparece nos arredores de ão
Paulo e entende o A. que possivelmente nas vizi-
nhanças de Curytiba. Proseguindo faz o Dr. Oli
veira o estudo minucioso das camadas de carvão do
Grupo Bonito, definido por White na região do Tu-
barão, pondo em destaque a importancia da camada
Barro Branco, a de melhor carvão e a mais cons-
tante em quasi todos os afloramentos, S. Jeronymo,
para o Dr. White é um prolongamento de tal hori-
zonte. Revistada esta parte de geologia geral estuda
o A. os afloramentos riograndenses de Herval, Can-
diota, Rio Negro, etc. as jazidas de Butiá e do Ar-
roio dos Ratos reunindo notavel copia de informes
como as analyses do combustivel, notas sobre a
geologia local, área 2 situação, perfil de sondagens,
mergulho do carvão, trabalhos de exploração, ex-
tracção e preparação, carvão disponivel, transporte,
exgotamento, apparelhamento das emprezas explora-
doras etc. Exiaure-se emfim o estudo de questão.
— 703 —
Passa depois o A. a tratar dos depositos carbo-
niferos do sul de Santa Catharina, da região de Tu-
barão onde na opirião de White, tem-se a synthese
de todas as camadas de carvão do sui do Brazil,
pelas occurrencias das cinco camadas, chamadas, de
cima para baixo, Treviso, Barro Branco, Irapuá,
Ponte Alta e Bonito. Expõe o A. os estudos e tra-
balhos feitos sobretudo pelo Dr. Benedicto José dos
Santos, por elle proprio, no districto de Cresciuma,
em onze afloramentos, em Urussanga, Treviso, no
Barro Velho, no Bonito, a todas as referencias acom-
panhando dados completos sobre estructura de ca-
madas. analyse chimica dos combustiveis etc. No
Paraná estudou o A. especialmente a zona de Im-
bituva e Teixeira Soares, os affloramentos do Tibagy
e de Cinzas, sobre as quaes a documentação é bem
menor. No Estado de São Paulo entre o Feio eo
Tatuhy parece haver o afloramento do rio Onça. Sup-
põe-se pertença ao mesmo horizonte que os carvões
do Cedro e Tibagy. O que até hoje se achou em
materia de vestigios de hulha em territorio paulista
é minimc por assim dizer.
Discutindo a « qualidade e usos do carvão bra-
zileirp » declara-se o A. de perfeito accordo com as
corclusões do eminente White. As experiencias e
novos conhecimentos dos ultimos 12 annos demons-
tram que a nossa hulha tem alta porcentagem de
cinza, 20 a 35°/., e enxofre. Este, que varia de 2 a
8 º/, se apresenta principalmente em massas de py-
ritas de ferro hoje eliminaveis pelo britamento e la-
vagem. Os carvões de primeira qualidade de Santa
Catharina e do Rio Grande pódem dar briquettes
comparaveis âs do carvão de Cardiff etc. O carvão
de camada Bonito tem tanto residuc que só poderá
ser utilisado em gazogeneos. Emfim infelismente
os resultados das diversas analyses e ensaios indus-
triaes mostraram que a nossa hulha não póde ser
empregada bruta. «Será sempre um combustivel
pouco valioso, que no entanto poderá ser purificado
afim de ter emprego geral ».
— 104 —
Tal a conclusão a que chegou o Dr. Oliveira
ao terminar a sua conscienciosa e valiosa memoria
Arronso DE. TAunay.
RIMANN ( EserHARD). — À Aimberlita no Brazil
— Annaes da Escola de Minas de Ouro Preto, T.
15, 497,
Determinado por Carwille Lewis, em 1886, como
rocha matriz do diamante sul africano pertence o
Kimberlito à familia dos Peridotitos ( Pikritos ).
Como se sabe, os estudos de Percy Wagner reve-
laram duas variedades de Kimberlito, a basaltica e
a lamprophyrica.
No Brazil ainda não havia sido encontrada on
situ, isto é, em forma de diques ou chaminés embora a
Paula Oliveira se lhe deparassem perto da Serra
da Matta da Corda, rochas pikrito-porphyriticas que
tem relação com os cheminés Kimberliticas.
Em 1913 coube ao dr. Rimann, petrographo do
Serviço Geologico do Brazil, assignalar a Kimberlita,
em diques no tunel da Serra das Lages, no Estado
do Rio de Janeiro. Pouco antes, em 1906 dissera
Hussak que a questão da rocha matriz dos diamantes
brazileiros estava ainda no dominio das conjecturas.
Já desde 1894 estabelecera elle uma certa relação
entre a jazida diamantifera de Agua Suja e as rochas
Kimberliticas sul africanas. A kimberlita da serra
das Lages do typo lamprophyrico tem muita se-
melhança com a do Arkansas.
. Em 1915 conseguiu o dr. Rimann determinar
na Serra de Matta Corda, chaminés Kimberliticas.
Suppõe elle que com o tempo se encontrarão no
Brazil as mesmas variedades petrographicas assigna-
ladas na Africa Meridional.
Numerosas observações acompanham as notas
do petrographo, assim por exemplo em abono das
illações por elle estabelecidas entre a afiinidade de
rochas intrusivas do Triangulo Mineiro e as Kim-
berlitas effusivas da Serra da Matta da Corda, ou
affirmativas de que os diques Kimberliticos flumi-
nenses da Serra das Lages tem a sua origem no
magma alcalino etc.
Arronso DE. TAuNAY.
RIMANN ( EBeRHARD) — « Sobre uma nova
occurrencia de dumortierito ». Annaes da Escola
de Minas de Ouro Preto, n. 15, 1917.
No artigo acima mencionado declara o A. que:
o estudo geologico dos arredores do Rio de Janeiro
levou-o a prestar acurada attenção aos numerosos
diques de pegmatito all existentes. Derby já des-
cobrira dymortierito no pegmatito do Sumaré. Es-
tudando dous diques de pegmatito que atravessam 0
gneiss granatifero e cordieritico de Copacabana, na
avenida Atlantica, descobriu o A. o mineral raro ao
lado do graphito, da andalusite, do beryllo, turmalina,
zircão, pinita, monazite, granada, apathite, ilmenito,
rutilo, musccvite, topazio, etc., compondo-se o material
do dique essencialmente de orthcclasse esverdeada,
quartzo cinzento e mica parda lepidomelana.
Numa pedreira do Ipanema num gneiss com
cordierita e silimanita observou o A. seis diques de
peginatitos ; compostos principalmente de orthoclase
e biotito, onde por vezes predominam massas de quar-
tzo. Em taes diques foram observados, entre outros,
mineraes como a magnetita, spinelia, andalusito, gra-
nada, sillimanita, zircão, rutilo, muscovita, pinita,
monazita, crystaes microscopicos de dumortierito.
Explicando a presença do mineral entende o A.
que sua formação provém provavelmente de uma
anomalidade do magma granitico, devido indubitavel-
mente a um excesso de argila. Nos ineditos dei-
xados por Hussak diz o A. haver lido que este emi-
nente petrographo não só encontrou o dumortierito
num pegmatito alterado do Sumaré, na cidade do
Rio, como tambem julga havel-a assignalado em al-
gumas areias diamantiferas de Viamantina.
— 706 —
Ássim havendo o ainda o dr. Rimann observado
no Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro, este mi-
neral tão escasso deve ter no Brazil maior diffusäo
do que era atê então supposta.
Arronso DE. Taunay.
ROQUETE PINTO ( Epearp ) — Elementos de
Mineralogia (applicada ao Brazil). — Rro de Ja-
nero, 1918; Francisco Alves & Ci4., 212 pags.
en 16.
Novo fructo de bella intelligencia que tem tão
variados aspectos, superiormente demonstrados no ma-
gisterio universitario, na concepção e organisação de
exposições de museus. no estudo de assu:nptos medi-
cos, ethnographicos e anthropologicos, no brilho e
na clareza da palavra do conferencista e do didacta,
vêm estes “Elementos de Mineralogia” trazer mais
um titulo de destaque à reputação que cireumda o
nome do joven scientista seu autor. E’ um livro que
se enuncia bem porque obedece ao immutavel prin-
cipio boileano : foi bem concebido. Palavras, phra-
ses, conceitos acodem a tempo e a talho de foice,
então.
Depois de estudar a posição da Historia Natu-
ral no conjuncto das sciencias, assignala o dr. Re-
quette Pinto a da geologia e suas subdivisões, pas-
sando depois a examinar as propriedades mathema-
ticas dos mineraes, pela descripção dos elementos de
crystallographia, os phenomenos elementares de optica
physica que se relacionam com a mineralogia e os
processos recentes de analyse qualitativa espectrosco-
pica e de analyse quantitativa de espectrographia,
tão moderna e já tão notavelmente efficiente.
As propriedades chimicas dos mineraes occupam
o capitulo seguinte, em que se expõem os processos
de ensaios por via secca e via humida, e a série de
pesquizas expeditas para o reconhecimento dos mi-
neraes. A classificação mineralogica toma a parte
mais importante do livro, como era natural, e a ella
deu o autor uma feição que sobremodo nos agradou,
pelo seu cunho essencialmente brazileiro e moderno.
Summariando os diversos systemas classificadores,
adopta um criterio de systematisação segundo o qual
estuda a principio os corpos simples, achados em
estado nativo, os mineraes combustiveis e os com-
postos classificados em série sobre a base de ele-
mento electro-negativo, e assim passa em revista to-
dos os elementos, por assim dizer, actualmente co-
nhecidos nos dominios da mineralogia brazileira e
os de maior destaque pela superficie do mundo. À
centenas de mineraes se refere em succinta exposi-
ção dos caracteres mais notaveis.
Do mesmo modo procede quanto aos elementos
de fixação das rochas quanto à sua composição, es-
tructura e classificação; da os principaes typos de
rochas endogenas e refere-se em algumas phrases
às rochas mixtas e organicas. Um excellente indice
remissivo completa o volume. Assim, ainda quanto
a este particular, sempre imitassem ao autor os nos-
sos autores. Dão geralmente os nossos livros o maior
trabalho aos seus consultantes pela ausencia das ta-
boas analyticas. Isto até em obras onde sua ausen-
cia como que invalida o livro. A bella e nova pro-
ducção do autor da “Rondonia” sobremodo honra a
nossa literatura didactica e terá certamente a car-
reira que merece.
Arronso DE TAUNAY.
SMALL (Horario L.) Geologia e Supprimento
de agua subterranea, no norte e centro do Piau-
hy e parte do Cerrá. Rio de Janeiro. 1911 ; 146
pags. in 8.
O Piauhy, cuja grande árca é tão imperfeita -
mente conhecida é uma das mais curiosas regiões
brazileiras, sob o ponto de vista geologico. A sua
zona de arenito de onde resultou a formação de
muitas serras, chapadas e escarpas abruptas, re-
vela a sua antiga submersão oceanica. Outro indi-
,
ce de notavel revelancia é a sua paleontologia mui-
— 708 —
to particular. Basta dizer que é a terra do Psa-
ronius e que a sua circumscripção geologica se
prendem os gastrópodos e biivalvos do Araripe, os
grandes depositos de peixes fosseis assignalados, por
Gardner, e outros, como ainda ultimamente Neiva,
que nas visinhanças de S. Raymundo Nonato, en-
controu fragmentos osseos de grandes mamiferos
em que reconheceu restos de. esqueletos de gigan-
tescos Dasypodidae.
— Estudando a geographia piauhyense lembra o
A., geologo da Inspectoria de Seccas, quanto nella
predomina a chapada que tanto a differencia do
Ceará e de Pernambuco, terras onduladas e mon-
truosas. Assim examina o dr. Small os valles dos
grandes afiluentes do Parnahyba: o Longá, o Poty
o Canindé e o Gurgueia. Confeccionou dous map-
pas, um topographico e outro geologico da região
percorrida e para este fim coordenou quantos ele-
mentos anteriores havia, addicionando-lhe numero-
sas observações e determinações proprias. Assim é
que apresenta, cerca de 350 determinações altime-
tricas obtidas pelo aneroide e 30 de latitudes, de
Parnahyba à fronteira bahiana.
Do exame geologico da larga zona costeira do
Ceará deduz o Dr. Small que a costa cearense de
arenito e argilla ( cretaceo) com supprimento de
agua provavel tem quanto muito uma largura mé-
dia de uns #0 kilometros. Granja, Itapipoca, Ma-
ranguape, Pacatuba já estão fóra della. Apenas ao
sul da foz do Jaguaribe penetra um pouco mais
fundainente no interior do Estado. Por traz deste
terreno vem os schistos e greiss, de supprimento de
agua subterranea incerta, onde ha as enormes man-
chas de gneiss e granito com agua improvavel de
Granja, das serras da Meruoca, em face de Sobral,
da Uruburetama, do Machado, de Baturité, com a
mancha de" arenito, quiçá filiada à série da serra
grande, de Sant'Anna. O terreno aliuvial com agua
incerta acompanha o curso do Jaguaribe e o calca-
rec do Rio Grande do Norte, com agua improva-
vel, conforme Ralph Sopper. vem ter no sudéste ds
— 709 —
visinhanças da Ilha do Limoeiro. A esta affirma-
ção do A. acompanha a documentação abundante
que consta do capitulo II «Geologia e aguas su-
bterraneas do littoral do Estado do Ceara» e onde
com a maior consciencia expõe o acurado exame
de suas explorações.
Passando ao exame da geologia do Piauhy,
observa muito bem que não é possivel adaptar a
questão ao capricho da geographia administrativa.
Assim a trata, nella incluindo parte do oeste cearense
e pernambucano e todo o norte bahiano. Adopta o
À. o criterio das divisões geologicas não seguindo
porém a ordem das idades mas o que lhe parece
preferivel: o criterio das feições topographicas da
região. Assim é que analysou: a serie da serra
Grande (Ibiapaba) a do Piauhy, de arenitos e fo-
lhelhos; o gneiss, granito e schisto; a serie sedi-
mentaria cretacea e afinal as rochas igneas. Des-
crevendo a serie da Serra Grande lembra-lhe o
A. a notavel feição topographica, quanto nella se
destacam as escarpas e formas extravagantes, as
suas camadas espessas de arenito calcareo, apre-
sentando como aspecto dos mais caracteristicos a
sua estratificação falsa etc. ; aponta-lhe as grutas
conhecidas de Ubajára e as relações com as cama-
das sedimentarias da margem oriental do Acarahu
no Ceara, da-lhe uma secção geologica da parte
norte e a columna geologica proxima a Ipú em que
ao conglomeratico se sobrepõe os diversos arenitos
encimando-os o quartzito calcareo, a 900 metros do
afloramento. Quanto à sua idade geologica acha se
por emquanto duvidosa pela ausencia de fosseis,
descobrindo-lhe diversos signaes de inconformabili-
dade entre ella e a serie do Piauhy.
Assim entende o A. que é mais antiga que esta
e sendo ella permiana deve ser prepermiana. A
serie do Pianhy de arenitos e folhelhos, occupa
uma superficie de cerca de 80.000 kilometros qua-
drados, no centro Piauhyense, penetrando no Ma-
ranhão e surgindo iambem largamente no sul do
Estado. Consiste em arenito calcareo intercalado e
— O —
folhelhos areientos tendo algumas camadas muito
finas de folhelhos calcareos. As suas divisões geo-
logicas são o arenito vermelho superior, arenitos e
os folhelhos centraes e os arenitos e folhelhos in-
teriores intercalados. Segundo um estudo do Dr.
Arrojado Lisbôa sobre a geologia do Piauhy a pre-
sença do Psaronius brasiliensis, Gardn, feto silici-
ficado não deixa duvida que se trata do permiano.
Comprovou-o Derby identificando outra planta fos-
sil a sígilaria declosticada, achada perto de Va-
lença e indicativa do carbonifero. A seguir refe-
re-se o A. à serie sedimentaria cretacea na serra
do Araripe, cheia de particularidades notaveis e
onde se encontram numerosos depositos paleoich-
tvologicos. Os schistos, gneiss e granito da serie
do Piauhy occupam pequena área. Acredita o Dr.
Small que se prendem à serie de Canudos do norte
bahiano. Quanto às rochas eruptivas da região são
geralmente diabasicas do typo commum de intrusão
em forma de dique. O diabasio a que se sobrepõe
o permiano riauhyense afilora em muitos pontos.
Quanto aos sedimentos recentes marginaes do São
Francisco, e ao norte do grande caudal, é de opi-
nião o Dr. Small que sobre sua idade geologica
nada de certo se póde até agora, dizer. O gneiss af-
flora ao leito do rio em “Petrolina. E’ provavel que
taes sedimentos tenham sido recentemente depo-
sitados pelo rio.
O capitulo IV tomam-no todo as Notas deta-
lhadas tomadas durante a exploração, exposição
de motivos e documentação geologica firmada nos
apontamentos colhidos durante dezesete longos itine-
rarios do littoral à margem do S. Francisco de Amar-
ração a Remanso na Bahia, com um desenvolvi-
mento de milhares de kilometros. Em summa, segun -
do o Dr. Small, o mappa geologico do norte e cen-
tro do Piauhy e regiões adjacentes apresenta a z0-
na littoranea de sedimentos costeiros, de areia e ar-
gilla, talves terreno cretaceo, onde é provavel o sup-
primento de agua subterranea. Esta zona é muito
restricta não terá mais de 1500 kilometros quadrados
TE
com uma frente correspondente aos exiguos o:tenta
ou noventa kilometros, se tanto, da costa piauhyen-
se. Contigua a ella, a noroeste a vasta zona da ser-
ra do Piauby, do permiano marginal do Parnahyba
com -agua provavel, a sudeste os gneiss e schistos
metamorphicos do Geará, com agua “incerta. Sepa-
ram os dous terrenos a Serie da Serra Grande ou
de Ibiabapa, de arenito calcareo, com agua provavel
e cuja idade parece ser a do pre-permiano. Corren-
do quasi de norte a sul esta faixa da Serra Grande
apresenta larguras de vinte, quarenta e sessenta ki-
lometros, alarga-se para o sul, na latitude de Patro-
cinto, attingindo então urs cem kilometros, para re-
duzir-se em Jaicós a uns vinte. O permiano piau-
hyense cobre grande area cujos pontos principaes de
referencia serão o Parnahyba, desde quasi o delta
até Floriano e a leste S. João do Piauhy, Simplicio
Mendes, Picos, Marvão ficando a uns dez ou vinte ki-
lometros, dos limites geographicos do Estado. No
sul do Piauhy nos gneiss e granitos, das cabeceiras
do Piauhy e do Canindé é improvavel o supprimen-
to subterraneo da agua. Num capitulo assaz extenso
sob “agua subterranea e perfuração de poços” por-
menorisadamente estuda o A esta questão, com gran-
de abundancia de dados terminando o volume uns
apontamentos geraes sobre questões economicas. Teve
o Dr. Small a melhor impressão da cordura, lhane-
za e espirito de vivacidade das populações com quem
esteve em contacto. Não ha duvida que é enorme a
sua ignorancia e muito consideravel o seu atrazo.
Encontrou porém entre os fazendeiros ricos os ne-
gociantes das cidades, homens intelligentes e educa-
dos, typo do Coronel O’Donnell de Alercar que a Ar-
thur Neiva causou a melhor das impressões.
Os terrenos argilosos do Piauhy são ferteis co:
mo os do Ceara e nelles vem muito bem os cereaes.
A questão é que sejam irrigados ou pelas aguas dos
poços ou em virtude da açudagem. Nos de natureza
areienta sobresahem aquelles que contem grandes por-
centagens de ferro formando rico solo vermelho de
natureza argilosa e muito productivo; é o das gran-
des plantações de maniçoba; cobrem leguas e leguas
do centro e do sul do Estado e sob elles viça a den-
sa capoeira, sempre verde, de tres a quatro metros
de altura, caracteristica das áreas de arenito. Nos
grandes valles os taboleiros, de arvores esparsas, tem
rica cobertura forrageira e apresentam zones admi-
raveis para a pecuaria. No extremo sul do Estado
apparece e acaba a caatinga bahiana, com sua vege-
tação secca e mirrada. Acha o Dr. Small que o al-
godão tem no Piauhy grande futuro; alli viceja a
malvacea admiravelmente; falta a agua mas como a
zona mais apropriada parece coincidir com a do sup-
primento subterraneo, provavele animador o futuro
desde que se perfurem poços. Acha entretanto o A.
que © isolamento do Piauhy, a falta de capitaes, a
difficuldade do transporte, farão com que tal futuro
seja remoto. Madeiras de lei, é de que ha verdadei-
ra carencia no Piauhy ; o cedro e o que alli existe de
melhor; assim mesmo é escasso; arvores de insigni-
ficante altura. Os maniçobaes viu-os em excellente es-
tado mas como os preços não a remuneram entende
que a industria da gomma elastica periclita.
Preoccupado com a questão do supprimento da
agua subterranea não pode o A. cogitar da pesqui-
za dos mineraes no Piauhy. Nas suas investigações na-
da conseguiu apurar sobre jazidas mineraes de algum
valor. Encontrou o malachito, que como minerio de
cobre, como se sabe, é economicamente muito medio-
cre. Nem sequer é abundante. Por toda a parte viu
referencias a ricas jazidas que suppõe inteiramente
phantasiosas.
Na Favella, no Sul do Estado, mostraram-lhe
hematito preto riquissimo, contendo quasi 70 °/. de
ferro. Viu tambem uma pequena amostra de galena,
excellente, com quasi 85 °/, de chumbo puro. Julga
procedam da Serra do Braz, contraforte da Serra do
Piauhy.
Sendo os terrenos do Estado faceis acha o Dr.
Small que antes de tudo se impõe aos governos o es-
tabelecimento de estradas de ferro e de rodagem.
— WA —
A açudagem no Piauhy é muito mais diffcil
que no Ceará pela falta de rochas crystallinas com-
pactas e a presença do arenito molle pouco consis-
tente para a fundação de barragens. No emtanto a
carencia de taes construcções é immensa. Em com-
pensação presta-se o Piauhy à perfuração de poços
o que se não dá no Ceará.
AFFONSO p E. Taunay.
i
SOPPER (Razrn H.) Geologia e suppra-
mento d'agua subterranea no Rio Grande do
Norte e Parahyba, Rio de Janeiro, 1913; pp. 62,
I Sic:
Ao ver do dr. Sopper, geologo da ' Inspectoria
de Obras contra as Seccas destacam-se nos dous
estados do nordeste tres divisões topographicas ge-
raes: uma zona de baixos sedimentos littoraneos
provavelmente dos periodos cretaceo e terciario,
um grande planalto abrangendo mais de dous ter-
cos da área total das duas circumscripções e uma
serie de taboleiros e serras, alçadas abruptamente
do meio da planicie que os rodeia e cujos cimos se
apresentam em geral achatados de modo notavel.
Na costa apresentam-se à orla do Oceano dunas
movediças, manguesaes extensos e pobres de vege
tação; para o interior, terra sedimentaria mais alta,
de ordinario coberta de densos tojos. A este tojal
se intercalam as vezes collinas rochosas. Ha ahi,
como na chapada do Apody, regiões ricas e no en-
tanto quasi desertas, alguns valles tambem notaveis
pela uberdade, mas infelizmente muito estreitos em
geral. Quanto ao planalto, nelle predomina a ca-
tinga cerrada ou rala na grande e ondulosa plani-
cie de rochas duras e crystallinas. Della emergem
os picos a que nos referimos. Destes taboleiros o
mais notavel é como se sabe, o da Borborema. com
cèrca de 500 metros de elevação. As montanhas
tem constituição identica. Um facto caracteristico
da região é a presença dos serrótes de granito e
-gneiss, irregular e abruptamente emergindo da pla-
LL TIRE
nicie e muito mal vestidos. Algumas cadeias se-
cundarias como a do Martins apresentam-se como
notavelmente achatadas e mostram um capeamento
de arenito com cerca de 50 metros de espessura.
O escoamento das aguas faz-se sempre no sentido
da menor distancia para leste ou nordeste. Não ha
rio perenne naquella grande zona, onde as chuvas
são escassas e irregulares, o clima quente e secco
e o solo se caracterisa pela natureza dura e imper-
via das rochas crystallinas.
Estudando as condições geologicas dos dous es-
tados acha o A. que nelles ha dous grandes grupos
de rochas: crystallinas e sedimentarias. As primei-
ras são schistos, gneiss e granitos.
As rochas da Serie Ceará de Crandall ahi se
revelam em schistos especiaes onde se encontram
laminas ou lentilhas de arenito duro e massas de
pedra calcarea. A's rochas crystallinas antigas tal-
vez archeanas e primitivamente paleozoicas se anne-
xam, no Rio Grande e ua Parahyba, rochas compa-
rativamente modernas (Mezozoico e Recente) rochas
a que o À. denomina series sedimentarias. Resume
assim o A. as suas conclusões sobre a geologia da
zona :
— Os granitos constituem os eixos de algumas
das principaes montanhas. Vêm-se tambem grani-
tos ao longo do contacto de rochas crystallinas com
os sedimentos da costa.
E” impossivel num estudo preliminar classificar
as rochas crystallinas. Ellas foram metamorpho-
seadas e injectadas em tal extensão e parecem ter
sido crystallisadas de modo tão irregular, que seria
pouco satisfactorio um mappa minucioso, attenta a
natureza do caso.
A vegetação typica da area crystallira é uma
esparsa quantidade de arvores rachiticas e baixos
tojos de pouca raiz.
Caracterisa-se a topographia por grandes, on-
dulosas planícies, montanhas, collinas ingremes e
escarpadas, e ponteagudos serrotes.
— 15 —
As rochas crystallinas estiveram sujeitas a grandes
forças compressoras. oram metamorphoseadas, re-
volvidas e esmagadas. Os schistos acham-se ordi-
nariamente situados em um alto angulo e as rochas
são por toda a parte cortadas por veeiros de quartzo,
que variam de poucos centimetros a meio metro de
espessura. Acontece, de vez em quando, haver um
veeiro de pegmatito.
As rochas são ordinariamente decompostas e
molles na superficie, numa profundidade de 3 a 10
metros ou mais.
As series sedimentarias constituem as rochas
comparativamente modernas.
Ellas estão limitadas na sua maior parte a uma
faixa relativamente estreita ao longo da costa.
Estas series estendem-se por todo o compri-
mento da costa dos dous Estados e variam em lar-
gura, sendo de cerca de 120 kilometros em Mos-
soro, de 30 kilometros em Natal e de cerca de 30
kilometros na Parahyba.
Os sedimentos se adelgaçam pelo lado interior,
atê pela margem, occupam pequenas áreas isoladas
onde se acham essas rochas sedimentarias, superpos-
tas ao granito e ao gneiss.
As rochas sedimentarias são susceptiveis de
tres grandes divisões: uma camada de arenito, uma
de pedra calcarea e uma, mais recente, de areias e
argilas.
O arenito assenta directamente sobre a face es-
cabrosa da base crystallina. E” estratificado, de
granulação média, conglomeratico em certos loga-
res e de côr branca ou avermelhada. Este arenito,
tem uma espessura de 30 metros, pelo menos, e
provavelmente mais. Desnuda-se em continua faixa,
de perto de Aracaty e Natal, e provavelmente mais
além, ao sul; sua desnudação é, na média, de 9 a
12 kilometros de largura.
Em geral, tal arenito inclina-se suavemente
para o nordeste Não se sabe de fosseis que se
tenham encontrado nelle; mas, em vista da asso-
ciaçäo desse arenito com a pedra calcarea, é com-
LE AE
mum classificarem-no entre os fins do cretaceo e
os principios do terciario.
Ao arenito superpõe-se uma camada de dura,
amarella e, às vezes, cinzenta pedra calcarea de
granulação fina.
Esta pedra calcarea expõe-se numa continua
faixa desde perto de Aracaty atê Natal, e estende-
se provavelmente até à Parahyba. Sua largura _
varia de cerca de 70 kilometros na visinhança de
Messorô a 25, em Assú e até menos de 10 kilome-
tros em Natal. Tem uma profundidade de 30 a 50
metros. |
Em geral, a pedra calcarea izclina-se suave-
mente para o mar — para « nordeste. E' provavel-
mente do periodo entre os fins do cretaceo e os
principios do terciario.
O contacto entre a pedra calcarea e o arenito,
que está em camada inferior, é assignalado desde
União a Asstt por um baixo escarpamento, que va-
ria, em altura, de 30 a 100 metros.
A pedra calearea está abaixo de um deposito
de areias e argillas, parcialmente consolidado. Onde
estas camadas se acham expostas ao longo da costa
apresentam-se vivamente coloridas e contém quanti-
dade consideravel de ferro.
Desnudam-se estes sedimentos numa faixa con-
tinua de Aracaty, e provavelmente mais ao norte,
até Recife e pela costa abaixo. Tem uma largura
que varia de 35 kilometros, em Mossoró, a cerca de
(5 kilometros, na Parahyba. Tem, na Areia Branca,
uma espessura de mais de 90 metros, em Macau
de 106 metros, emquanto em Natal revela menos
de 108 metros.
Apenas num ou dous logares, ao longo da
praia, estes sedimentos apresentam-se consolidados,
e sua estructura, quando inteiramente digna de
confiança. revela uma estratificação quasi horizontal.
Nunca achou o br. Sopper fosseis nestas camadas,
mas o Dr. J. C. Branner refere-se a fosseis nas
camadas da costa em Ponta de Pedras, que elle
attribue ao periodo terciario. Não é inverosimil
IT
que estas camadas da Parahyba e do Rio Grande
do Norte sejam tambem do periodo terciario.
Corôam as serras do Martins e Porto Alegre
camadas de arenito duro, algumas de 50 metros de
espessura. O Dr. Roderick Crandall refere que a
serra do João do Valle é uma montanha similar.
Nenhum fossil se tem achado no arenito das
serras acima mencionadas.
O fundo do valle da bacia do Rio dos Peixes,
um dos grandes affluentes do Piranhas é composto
de arenito avermelhado, conglomeratico em certos
logares, e frequentemente entremeiado com uma
argilla avermelhada. Esta área é de 9 a 12 kilo-
metros de largura e de cerca de 80 kilometros de
comprimento. E” inteiramente rodeada de rochas
crystallinas.
Alguns geologos attribuem este arenito ao pe-
riodo cretaceo; porém, ao que saiba o A., nelle
nunca se achou fossil alguin.
E' digno de nota que toda a faixa sedimenta-
ria, ao longo da costa, se incline suavemente para
o mar.
Ha um bom numero de camadas de argilla
nos sedimentos ao longo da costa. Alguns delles
podem ter valor economico.
Ha tambem uma linha de dunas de areia movediça
ao longo da costa, especialmente digna de nota nas
visinhanças de Natal.
Passando a estudar a questão do supprimento
d'agua subterranea nos dous Estados começa o À.
a fazer notar quanto a exposição do problema é
ardua pela ausencia quasi absoluta de dados e co-
nhecimentos preliminares, o atrazo da região, à in-
curia geral no que respeita A educação das popu-
lações. São as seguintes as conclusões do Dr. Sopper:
O supprimento d'agua nas rochas crystallinas
é, quando muito, duvidoso. Existe indubitavelmente
um pouco de agua nos seus planos inclinados e nas
fendas e junturas dos sehistos e gneiss ; essa agua,
porém, é de uma quantidade limitada e provavel-
mente de ma qualidade, isto é, salgada, ou sulfurosa.
— 718 —
Existe uma camada de arenito poroso de 30 me-
tros de espessura, pelo menos, snperposia im-
mediatamente à rocha crystallina, a aual, prova-
velmente, se estende abaixo de todos as outros
depositos sedimentarios que ficam para o lado do mar.
Esta camada de arenito contêm uma considera-
vel provisão d'agua.
Onde o arenito está exposto na superficie, a
agua é doce. A qualidade da agua no arenito que
se encontra abaixo das áreas indicadas no mappa
do A, como a pedra calcarea e como areias e argil-
las, ainda se acha indeterminada. Jia duas causas
de contaminação possivel de outras aguas. A mais
importante dellas é a que provêm das aguas que
cescem da pedra calcarea superposta. A segunda
causa possivel de contaminação esta na agua do
mar; mas, isso só se póde dar numa estreita faixa
da costa. Não é provavel que o arenito contenha
muitos mineraes damnosus, taes como os alcalis e
sulfatos.
Com excepção das áreas de arenito actualmente
expostas, o unico meio de desenvolver estas aguas
do sólo são os poços perfurados. Na região exce-
ptuada, um poço commum, ou cacimba, bastaria ;
porém, numa grande parte da área sedimentaria, a
agua ruim da pedra calcarea deve ser interceptada
por meio de revestimento.
A quantidade d'agua no arenito, mesmo na me
lhor hypothese não dá para um grande supprimento,
porque não ha pressão bastante para obter poços
artesianos, embora o liqu'do, provavelmente, suba em
alguns dos peços, como fez em Mossoró e Macäu.
Ha um bom supprimento d'agua ao longo da
costa, nas dunas de areia, supprimento aproveitavel
para o uso local.
Ha ainda outro limitado d'agua nos capace-
tes de arenito das serras do Martins, de Porto
Alegre e João do Valle.
O valle do rio do Peixe póde fornecer liqui-
do em quantidade moderada.
USE
Passa depois o Dr. Sopper a expor os processos
empregados na perfuração dos poços feitos pela Ins-
pectoria de Seccas dando-lhes o perfil geologico e
annotando a seu respeito numerosas observações di-
versas. Entendo que ainda se está bastante no ter-
reno das apalpadellas em tal materia.
Ao livro encerra um capitulo sobre os aspe-
clos economicos da grande região estudada.
Uma das cousas que causaram extranheza ao
Dr. Sopper foi o abandono da faixa de sedimentos
costeiros onde no emtanto a terra é fertilissima.
Attribue o facto à natureza dos terrenos: a terra
alli é verdadeira esponja cujo enxugo de agua se
faz com prodigiosa rapidez.
No arenito e calcareo, alli existentes, a agua
não permanece na superficie. D'ahi o facto de po-
der ser um riacho impectuosa corrente devido à
chuva e meio kilowetro abaixo ter o alveo secco.
A agua nunca chega ao açude feito para recebe-la
ou, se chega, infiltra-se e desapparece nes falhas do
solo. :
Esta região, no emtanto, diz o Dr. Sopper, é
prodiziosamente feraz, podendo tornar-se muito pro-
ductiva. À matta alli nativa é absolutamente ro-
bustissima ; a terra plana e lavradia, quanto possi-
vel. Ha porém, mezes e mezes sem uma gotta de
agua. Assim vive esta grande área deshabitada,
desolada. Entende o A. que a agua subterranea
sendo abundante a perfuração de poços dará o me-
lhor resultado. Esta faixa vem de Aracaty a Ita-
maracá. Concentrica a ella, fica a de areia e argilla
onde ha taboleiros innumeros estereis e desolados
mas onde ainda existem tanibem excellentes terras.
Ahi por exemplo se encontram os proverbialmente
ferteis valles do Ceará-Mirim e du Mamanguape ;
uma infinidade de pequenas bacias aproveitaveis
desde Macäu a Natal, logar de provindencial refu-
gio em tempo de secca, até hoje não aprcveitados,
por assim dizer.
Porque razão observa o Dr. Sopper, falseando
as suas Inspirações naturaes escolheram as popula-
Jo ogres
es parahybanas e rio grandenses do norte para o
u habitat a peior terra? Facto curioso com effeito !
«No mundo inteiro não ha, talvez, zona mais
fertil que a da costa» e se nella se nota o marasmo
e o abandono. Provem isto, do absoluto fatalismo
das populações, do facto de nunca haverem querido
encarar o problema do supprimento subterraneo.
«O sertanejo perdeu o espirito de iniciativa, perdeu
quasi que toda a ambição, e anda «morrendo em
pé». Quando porém, accrescenta o A. expressiva-
mente, um homem de meia idade póde recordar sua
propria existencia, em que por tres vezes abandonou
casas, terras, gado e fugiu à sua verdadeira vida
quem lhe ha de censurar a perda de iniciativa e a
convição de que os esforços humanos são vãos ? »
Entende o Dr. Sopper que ao lado do problema
da agua do nordeste existe outro primordial, o alar-
gamento do espirito do povo que occupa a terra,
«O nordeste é fraco, ineficiente, de conjuncto e con-
tinuará nestas condições emquanto não houver um
aperfeiçoamento geral ».
A açudagem póde tornar aproveitaveis zonas
da região costeira de uma capacidade productiva
prodigiosa. Estradas de ferro, provimento de via-
turas aos sertanejos seriam de enorme allivio para
aquelles nossos patrícios de um Brazil abandonado
pela inclemencia das condições naturaes.
Boas e numerosas photographias e um excel-
lente mappa completam o trabalho valioso do Dr.
Sopper.
cõ
se
Arronso DE. Taunay.
SOPPER ( Razpx. ) — Geologia e supprimento
d'agua subterranea em Sergipe e no nordeste da
Bahia Rio de Janeiro, julho de 1911; 104 pes.
in 8 acompanhadas de numerosas iliustrações e map-
pas e de uma carta geologica da região.
A zona estudada nesta memoria do competente e
consciencioso geologo da Inspectoria de Seccas, abran-
ge quiçá uns 190 mil kilometros quadrados; toda a area
sergipana e a regiãob ahiana que vae das fronteiras de
Sergipe 20 meridiano 40 a O de Greenwich e a um
parallelo correspondente a Valença na Bahia 13° 30°
mais ou menos, e uma faixa ribeirinha do S. KFran-
cisco em Pernambuco e Alagõas, territorio em que
no dizer do A. ha terras das melhores e das peiores
do Brazil e em que occorre a famosa zona catingueira
notabilisada por Canudos e os Sertões. «O sertão nor-
deste do Brazil diz o Dr. Sopper é caracterisado pelo
sol abrazador e o silencio sombrio, de modo peculiar
tão impressionante quão a caprichosa natureza podia
produzir ». Formações geologicas excepcionalmente
erandes, de estructura e distribuição bastante com-
plexas coube 20 A. estudar. Não se abalança por
isto a definir as edades geologicas, apezar dos mui-
tos esforços proprios e os estudos dos geologos que
alli o precederam. O mappa que acompanha o re-
latorio baseou-o o À. nas melhores autoridades geo-
logicas e geographicas e nas observações proprias.
“Assim compulsou os dados fornecidos por Mouchez,
Halfeld, iane, Lassance, Theodoro Sampaio, Van
Ryckevorsel e Engelemburg, Branner, Crandall,
Williams ete.
Acha o A. que a regiäo estudada topographi-
camente pode ser considerada constituida de seis
divisões geraes : os terrenos baixos do littoral e das
margens de alguns dos grandes rios, formados pelos
sedimentos quaternarios, os taboleiros de sedimentos
arenosos e argilosos da edade terciario-cretacea da
zona da catinga de Alagoinhas ao São Francisco,
sobretudo ; as collinas cretaceas do littoral de Ser-
gipe e da Bahia de Todos os Santos; as altas mon-
tanhas quasi parallelas à costa, da idade permiana
que se estende quasi do São Francisco ao Real; os
restos destacados dos quartzitos e arenitos paleozoicos
das serras de Itabaiana, Miaba, Redonda etc. e afinal
as planicies onduladas da região de rochas crystal-
linas, provavelmente da região archeana. Os tabo-
leiros terciario-cretaceos, chapada de 200 a 300
metros de altitude são geralmente de desoladora es-
terilidade. Comportam porém bôas e extensas man-
“STE
chas como em torno de Villa Nova da Rainha. As
collinas cretaceas apresentam frequentemente suc-
cessões bruscas de tloresta tropical e de caatinga.
Nos morros altos permianos abundam os campos es-
tereis e uniformes; nas serras quartzicas a vegeta-
ção é boa até a altitude de 400 metros. Dahi em
diante apparecem regiões estereis e frequentemente
desoladas.
Quanto à região de rochas crystallinas nella se
salientam os gneiss, os schistos crystallinos, rochas
eruptivas. A’ zona cobre geralmente a catinga
espessa, impenetravel. Falando da drenagem da re-
glão traz o relatorio um interessante mappa de-
monstrativo das variações da descarga do S. Fran-
cisco em Joazeiro. Assim em março de 1906, em
grande enchente chegou a mais de 10.000 metros
cubicos por segundo para em outubro attingir na
estiagem a 2.500. Em outubro de 1909 baixava a
menos de mil! Nos annos subsequentes a estiagem
accusava uns 2.000 mais ou menos. Neste momento |
( março de 1919) em virtude de colossal enchente,
talvez hajam rolado 12.000 metros cubicos, exemplo
frisante do grande rio submettido a um regimen
especial que é, com caracteristicos torrenciaes e fei-
ções de Nilo que assume na enorme área que drena
desde o curso superior, ainda no territorio mineiro.
Quadros referentes a 37 estações espalhadas no in-
terior da Bahia e a de Sergipe dão-nos as medias
de precipitação pluviosa, mostrando a enorme irre-
gularidade pluviometrica dessa grande área dos dois
estados, que vae de Caeteté a Joazeiro, de S. Kal-
vador a Remanso, de Aracajú a Simão Dias, e de
Propriá a Campos. Estas precipitações muito di-
versas, com os annos, apresentam comtudo, salvo nas
costas, medias geralmente muito baixas.
Passando a estudar a geologia das terras estu-
dadas assim a comprehende o A.: No littoral de
Sergipe e numa faixa media talvez de uns 30 kilo-
metros de largura observou terreno recente : terciario
e cretaceos (areias, argilas e calcareos). No da
Bahia, desde S. Salvador até a foz do Itapicuru, o pre-
cambriano : schistos crystallinos, gneiss, granitos etc.
numa espessura de uns 10 kilometros. O precam-
briano acompanha o curso do Jtapicurü e apparece
em Sergipe na zona de Gert e Itabaianinha, é in-
terrompido nas vizinhangas do Lagarto e reapparece
em Itabaiana indo ao S. Francisco desde Propria
até além do Xingó em territorio bahiano. No centro
de Sergipe nota o À. a serve da Estancia que julga
ser terreno permiano, com manchas na Estancia.
Serra de Itabaiana e uma àrea extersa cobrindo a
região de Campos, Lagarto e 5. Dias (onde reapparece
um pequeno afiloramento de precarabriano). O ter-
reno recente interpõe-se a estas formações e ao
grande bloco precambriano do far west bahiano. Nelle
vemos situados Valença, Cachoeira o Reconcavo, S.
Gonçalo e a zona de Geremoabo até Curral dos Bois
no S. Franciscc. Já a Feira de Sant'Anna pertence ao
precambriano definida pelos seus schistos crystallinos
gneiss e granitos etc, A linha da Bahia ao Joazeiro
nelle penetra a meio caminho entre Alagoinhas e
Serrinha e não mais c deixa. Monte Santo, Canudos
ambos estão à sua fronteira. Duas secções traz o
mappa, do Dr. Sopper. A primeira de Aracajú, Boa
Vista sobre o S. Francisco em Pernambuco passando
por Laranjeiras, Geremoabo e Varzea da Ema; a
segunda, a esta transversal assignala o corte geologico
Noca Sul de Feira de Sant’ es, Irdra e ie
bupe, Campos, Cuité e Piranhas.
Na primeira, do terciario do littoral passa-se ao
paleozoico do Itabaiana ao precambriano de Itabaiana
ao permiano do Vasa-barris, para depois se attingir
a terciario de Geremoabo e a larga faixa do pre-
cambriano do interior bahiano num desenvolvimento
de cerca de 400 kilometros. Menos extensa, a se-
gunda secção, que tem uns 300 e tantos kilometros,
parte do precambriano de Franca atravessa o terciario
Reconcavo, a grande mancha do permiano da serie
da Estancia e recahe no precambriano marginal do
S. Francisco, de Propriá à cachoeira de Paulo ‘Affonso.
Estudando as diversos formações observadas
fel-o o A. detidamente, considerando-as chronologi-
de GORE
camente : os gneiss, schistos, crystalinos, granitos e
outras rochas eruptivas, a serie de quartzitos de Ita-
baiana, a serra deste nome de que dá uma secção
hypothetica, estudando outra hypothese : a sua re-
lação com a cadeia de Miaba no caso de serem um
anticlinio; a serie de arenitos, calcareos, ardosias
folhelhos em que se incluem as camadas de Estan-
cia, o cretaceo sobretudo da costa do São Francisco
e do Reconcavo. as camadas do Taboleiro, estabele-
cendo, como conclusão, a columna geologica de Ser-
gipe.
Passando a encarar o problema importantissimo
do supprimento subterraneo d'agua entende o Dr.
Sopper que as rochas crystallinas na região consi.
derada contem mais agua do que até agora se pen-
sava. Entretanto é arriscado perfurar nesta rocha.
Na serie dos quartzitos de Itabaiana qualquer sup-
primento regular de agua subterranea parece muito
improvavel. Nos arenitos de Estancia deve haver pou-
ca agua devido à sua inpermeabilidade parcial. Nos
folhelhos desta serie de Estancia ha pequena espe-
rança de se obter o liquido. Nos arenitos e calca-
reos do littoral sergipano póde-se obter agua em
proporções consideraveis a pouca profundidade. As
camadas do taboleiro sergipo-bahiano contem sup-
primento razoavel. Entre os rios da Bahia, S. Fran-
cisco e o Itapicurú entre 50 a 100 metros. Entre o
Itapicuru e a latitude de Geremoabo em profundi-
dade bem maior. Entre Geremoabo e o S. Francis-
co, entre 5!) e 100 metros. No taboleiro de Sergi-
pe a 50 metros, em media. Emfim nas demais do
littoral sergipano acha o Dr. Sopper que se: dará
sempre um supprimento local de agua sufficiente pa-
ra fins domesticos. Completam a monographia um
capitulo referente à perfuração de poços, escavados,
artesianos, abyssinios e perfurados, a que acompa-
nha um quadro relativo a 114 obras desta natureza
executadas na região estudada. Dellas mais de 80
por cento deram bom resultado; passa depoiso À. à
conservação das aguas aproveitaveis (açudes, tanques,
fontes, cacimbas, notas s-guidas de observações judi-
— 725 —
ciosas sobre o resguardo à polluição destas collec-
ções tão facilmente contaminaveis.
No final “Condições economicas” examina 0 A.
as circumstancias que regem a vida das populações
da zona que o occupcu. Acima de qualquer questão
impõe-se alli a da educação do povo “de modo que
se possa utilisar dos processos modernos e luctar
com seus problemas intelligentemente”, O da agua
não é o unico do sertão: ha tambem o do trans-
porte, da alimentação, da hygiene e da cooperação
neste extensissimo nordeste brazileiro onde as popu-
lações são tão atrazadas e ignorantes.
Entretanto estes brazileiros não são preguiçosos
e sim geralmente sobrios e laboriosos ; subjugam-nos
o sentimento de impotencia e abandono em trente à
natureza; estão desanimados de tentar resolver pro-
blemas modernos por meio de recursos antiquados.
Cahiram no mais absoluto fatalismo. Entende o A.
que são incomparavelmente superiores aos mexicanos
com quem alguns escriptores mal informados quize-
ram comparel-os. De Sergipe e da Bahia e de seus
sertanejos voltou o A. gratissimo da gentileza e da
hospitalidade com que durante dous annos o trataram
AFFONSO DE. TAUNAY
WARING (GERALD A.) — Supprimento d'a-
gua no nordeste do Brazil. — Rio de Janeiro 1914
pgs. 78 in. 8.
O que sobre as seccas periodicas do nosso nor-
deste se tem escripto dá para se fazer uma biblio-
theca muito volumosa. Nesta litteratura de tudo se
encontra, das obras mais criteriosas, às mais esdru-
xullas e mesmo calinaticas. A creação da Inspecto-
ra de obras contra as seccas trouxe a grande van-
tagem de se proceder ao estudo acurado, methodico,
de muitas das faces do problema complexo a resol-
ver que provem da situação particular do nosso Nor-
deste, reservatorio de populações cheias das maiores
qualidades de energia e temperança mas tambem
formidavel sorvedouro de dinheiros do paiz.
— 726 —
. Excellentes as contribuições nascidas da acção
da Inspectoria, os estudos geologicos, corographicos,
meteorologicos e climatologicos de Small, Crandall,
Weber, Lisboa, Bezerra de Menezes, H. Williams
Lane, os botanicos de Lofgren Zehntner, as memorias
sobre açudagem de Piquet Carreiro e A. de Souza
etc. Ao Dr. Waring chefe hydrologo da Inspecto-
ria devem-se observações muito valiosas sobre a hy-
drologia da região assolada. Na memoria a que ago-
ra procuramos resumir diz o Dr. Waring que seus
estudos foram feitos em occasião em que durante
dous annos chovera excepcionalmente ao Nordeste.
Percorreu detidamente os Valles de Jaguaribe e va-
rios dos seus grandes affluentes onde notou a pre-
sença de numerosos buqueirões capazes de immen-
sos represamentos, como os de Orós, Poço dos Paus,
Arneirós etc. No Piranhas não ha estas commodi-
dades mas nos seus afflluentes, no Seridó por exem-
plo existe a Gargalheira onde um lago artificial po-
de reter notavel massa de agua. No Mossoró tambem
ha faculdades para obras de defesa contra as seccas e
grandes varzeas irrigaveis. O Parahyba, rio de pla-
nicie não tem muito onde se o represe vantajosa-
mente. Entende o Dr. Waring que o tão falado re-
presamento do Poty é obra sem utilidade. Não ba
bacia hydraulica compensadora, as margens do rio
são escarpadissimas, sua declividade enorme e não
existe em parte alguma terrenos susceptiveis de ir-
rigação util. Quanto ao aproveitamento do baixo Par-
nahyba para a irrigação acha o A. que não só é exe-
quivel à vista da insignificante declividade do rio
como pela difficuldade do estabelecimento de bar-
ragens.
Quanto ac supprimento d'agua subterranea re-
força o A. as idéas já bem assentadas de que os
poços artesianos não darão resultado no nosso nor-
deste. Restringe-se a uma faixa littoranea a area
em que os poços tubulares poderão ser da maior
utilidade. Só os grandes açudes do Vaile de Ja-
guaribe custariam ta'vez uns cincoenta mil contos
de réis, é o que se deduz dos estudos de diversos
engenheiros entre os quaes os do Dr. Waring. Pa-
rece ainda cedo para que se emprehendam obras de
tão notavel magnitude, attendendo a pequena densi-
dade da população brazileira e a pequenez das ba-
cias hydraulicas aproveitaveis. Ao mesmo tempo
cansa dé pensar que naquelle fernl Ceará povoado
por populações tão energicas uma fatalidade geolo-
gica permitta que formidaveis massas de. agua se
escoem em enxurrada para o Oceano num torren-
cialismo que o homem deve vencer. E” desolador
meditar sobre as cifras apontadadas pelo Dr. Wa-
ring no seu excellente trabalho. No inverno de
1910-1911 rolaram pelo boqueiräo do Arneiroz, no
alto Jaguaribe, 170 milhões de metros cubicos de
agua.
Por Lavras sobre o Salgado, aliás rio mui-
to mediocre, no de 1911-1912,. 425 milhões !
Quantos bilhões não teriam entrado no Oceano pela
foz do Jaguaribe ? E tudo isto se foi em pouco
tempo deixando alveos desoladoramente seccos, cor-
tados das magras cacimbas.
Arronso DE. TAUNAY.
WILLIAMS (Horace) Nota sobre a occwr-
rencia de un mineral de nickel. Boletim do Mi-
nisterio da Agricultura; anno V, n. 1.
Neste artigo refere-se o abalisado geologo do
Serviço Geologico do Brazil a uma pequena jazida
de garnierita que estudou e existe perto da Villa
do Livramento, localidade do Sul de Minas, a 55
kilometros do pico do [tatiaya, no valle do Rio
Grande e proximo de Bom Jardim, onde ha gran-
des e boas turfeiras, e ponto de entroncamento da
Rêde Sul Mineira e da Oeste de Minas. Estuda o
A. a geologia da zona « constituida de gneiss e mi-
caschistos com algumas intrusões de granito e rochas
eruptivas basicas, onde abundam os crystaes de
turmalina, rutilo e granadas, sahidas dos gneiss e
pegmatitos. Estão estas rochas profundamente de-
— 728 —
compostas. Um veeiro de graphite assaz saliente
destaca-se na vizinhança. O minerio deu em quatro
amostras as seguintes porcentagens de Ni 0,87—
3,8—8,2 e 15,0. Nada se pôde por emquanto
avançar sobre o valor dos depositos de Livramento
onde explorações e sondagens estão por fazer e a
presença da jazida por calcular ( 1916). Facto im-
portante é porêm constatar-se a existencia de mine-
rios de nickel em nosso paiz. ea rocha Cortlandite
na America do Sul. Pode muito bem ser que o
Brazil venha a ser um productor capaz de concor-
rer com o Canadá e a Nova Caledonia, onde o
minerio tem um teor de 7º/ approximadamente,
diz o A. Finalisando o seu artigo lembra o Dr.
Williams com razão quanto facilitam as explorações
geologicas e mineralogicas os mappas topographi-
cos. E não ha melhor exemplo do que o serviço
prestado pela carta da nossa Commissão Geogra-
phica e Geologica na escala de 1:100.000 com
ourvas de nivel de 25 em 25 metros para o estudo
e exploração das jazidas de zirconio tão abundante
na região do Planalto de Caldas, depositcs que como
se sabe já tem elevado valor e representam uma
riqueza futura da mais real importancia.
AFFONSO DE. TAUNAY.
Nota: — O facto de nos haverem chegado as mãos,
com grande atrazo, alguns trabalhos de valia, como cs dos
drs. Pires do Rio (O combustivel na economia universal),
Rogerio Fajardo ( O carvão de pedra do Rio do Peixe ), ete.,
faz com que lhes publiguemos o resumo em annexo a esta
bibliographia.
ZOOLOGIA
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Periodicos scientificos; livros didacticos
« INSTITUTO DE BUuTANTAN » : Collectanea de
&rabalhos, 1901 — 1917; S. Paulo, Imp. de « Dia-
rio Official », 496 pp. in 8.º
Teve o eminente sr. dr. Vital Brazil a excel-
lente ideia de coordenar em volume vinte e quatro
memorias e artigos produzidos, nos annosacima in-
dicados, pelos pesquisadores do Instituto. Assim neste
tomo figuram sete trabalhos dentre os que tão justo
renome deram ao illustre director do Instituto, so-
bre o ophidismo, além de outros, tambem seus, so-
bre «o mal de cadeiras em S. Paulo», «o enve-
nenamento escorpionico e seu tratamento» e Das
pseudo globulinas especificas dos sóros. Goncorre
o sr. Pharm. Bruno Pestana com os seus dous ex-
cellentes estudos « Notas sobre a acção hemolytica
dos venenos de diversas especies de cobras brazi-
leiras» e o « Nambyuvü », a conhecida molestia de
nossos cães; o sr. dr. Dorival de Camargo Pen-
teado collabora com dous artigos não menos recom-
mendaveis sobre «Accidentes ophidicos » e « Trata-
mento de Peste». O sr. dr. Octavio Veiga estuda
com optimas observações a Strongylose dos cavallos
ea Prophylaxia de mosca. Do dr. Heitor Mau-
rano versou a contribuição sobre «A mosca pe-
rante a hygiene» e o « Envenenamento escorpio-
nico e seu tratamento », memorias para as quaes O
joven e estudioso clinico e cultor das sciencias natu-
raes tambem se serviu do material e apparelha-
mento do Museu. No primeiro dos artigos do sr.
dr. Maurano ha uma interessante resenha da nossa
fauna escorpionologica que elle distribue por seis
familias com quarenta especies ao todo, cerca de
dez por cento das especies conhecidas no Universo
Se One
e affirma que em territorio paulista só occorrem
quatro especies certas e bem identificadas: Trtyus
bahiensis, lsometrus maculatus ( Buttide ), Bro-
thriurus vittatus e Testylus glasiovi (Brothriuridæ).
Não podia ser mais feliz a ideia da redacção
do volume em aproveitar esta parte da these de
dontoramento, tão nova e pessoal do joven clinico
cnja apresentação lhe valeu os mais merecidos ap-
plausos.
Estudando As opestoglyphas brazileiras e seu
veneno recorda o sr. dr. Naur Martins, no capitulo
referente à systematica que se conhecem 59 espe-
cies de taes serpentes em territorio brazileiro; da
uma chave referente a 20 generos da sub-familia :
Dipsadomorphinae e estuda-lhes a distribuição geo-
graphica, descreve as especies Philodryas schotts
e Erythrolampus aesculapri, estuda-lhes a biologia.
em geral, passando entäo a examinar a questäo da
sua nocividade como portadoras de veneno. Termina
o artigo por uma série extersa de experiencias so-
bre a acção do veneno de Philodryas schottr e ob-
servações tendentes a demonstrar que praticamente
as nossas opistoglyphas são innocuas. Assim dei-
xarm-se picar, propositalmente, o dr. Vital Brazil,
o proprio autor da memoria o foi, diversos emprega-
dos do Instituto e um visitante de notoriedade uni-
versal o sr. Joseph Caillaux, o ex-presidente do
conselho em França apanhado por uma Philodryas
olfers: (cobra verde) a quem excitara. leve este
incidente, aliás sem resultado nefasto, repercussão
intensa no paiz da victima provocando, como se sabe.
uma serie de commentarios gaiatos a proposito do
supposto risco corrido peio sr. Caillaux e a sua sal-
vação (2?) pelo serum de Calmette.
Excellente, como se ve, o estudo do Dr. Naur
Martins.
Do nosso saudosissimo e tão reputado herpeto-
logo, o Dr. .joão Florencio Gomes a quem deve o Mu-
seu o grande serviço de revisão de seu material de
ophidios traz o tomo de Butantan dous cptimos ar-
tigos sobre ophidiologia, Uma nova cobra venenosa
— 133 —
do Brazil, jà foi analysada no rosso tomo IX ( pags.
924-535). Na contribuição para o conhecimento
dos ofidios do Brazil descreveu o joven e competente
herpetologo mais quatro especies novas e um novo
genero de opistoglyphas Elanomorphus nasutus do
Triangulo mineiro perto de Uberaba; Apostolapis
cearensis do Ceará; Rhinostoma eglestas: do Piauby
e crea o genero Plychophis com Pluchophis fla-
vovergatus cujo habitat conhecido é o norte de Sta.
Catharina. Em collaboração com o Snr. Prof. E.
Brumpt descreve o Sor. Dr. J. F. Gomes mais uma
especie de Triatoma T. chagas: hospedeiro primi-
tivo de Trypanosoma Crust, Chagas. Como nota
Neiva na sua excellente Revisão do genero Tria-
toma são frequentes as adaptações de especies pri-
mitivamente selvagens de triatomas que acaba: ha-
bituando-se a viver nas habitações humanas. Guia-
dos pela experiencia desse especialista eminente po-
deram os dous A. A. apanhar na Serra do Cabal
uma femea de uma especie differente de 7. brazi-
lrensis e das demais especies communs. Fstava este
barbeiro infectado, era muito voraz e grande vehi-
culador do Mal de Chagas. «O encontro de 7.
chagas: infectado em uma região deserta, mostra
que o virus pode existir longe do homem e viver
fora delle, o que permitte considerar a molestia de
Chagas como uma infecção das regiões virgens, in-
fecção que o homem póde contrahir tornando-se
então o mais importante reservatorio do virus res-
pectivo ».
No seu segundo trabalho sobre os chupanças :
Triatomas e molestia de Chagas no Estado de 8.
Paulo resumiu o Snr. Dr. João Florencio Gomes os
documentos que existem sobre a presença dos Tria-
tomas, e da trapanosomose por elie transmittida, no
nosso Estado e a este proposito revela a exis-
tencia em nosso territorio de T. infestans, T. sor-
dida, T. megista ; sendo que o primeiro é incom-
paravelmente mais comimuin que os mais e T. me-
gista mais frequente que 7. sordida. Facto curioso,
uma grande faixa comprehendendo o littoral do
— 734 —
Estado, os valles do Parahyba e da Ribeira pare
cem estar quasi livre do terrivel hematophago, cu-
jas fronteiras são uma linha que partindo de Pirajú
vae ter a Rebouças, Ressaca e Itapira, notando-se
porém, dous pequenos fócos em Faxina e Itupeva, li-
mite extremo do 7. infestans hoje conhecido em
relação ao littoral. A zona realmente flagellada
pelos fincões são as da Mogyana, bitola estreita da
Paulista, S. Paulo—Goyaz e Estrada de Ferro Ara-
raquara. Pouco estudada eté agora as da Noroeste
e Sorucabana. Documentação recente demonstra po-
rém, que a zona costeira não está indemne do chu-
pança.
Excellente este estudo da desseminação do ter-
rivel Conorrhinus a quem tantos milheres de bra-
sileiros devem a sua degenerescencia.
Arronso DE. TAUNAY.
« MEMORIAS DO INSTITUTO DE BUTANTAN », Tomo
I — Fasciculo I, 1918.
Esperado com anciedade appareceu este primei-
ro tomo das Memoras do Instituto de Butantan
com um excellente numero à altura da espectativa;
são os mais justos os parabens que pela sua publi-
cação endereçamos ao eminente director do Instituto
e a seus superiores hierarchicos que tanto lhe
acoroçoaram e apoiaram a tentativa. Magnificamen-
te impresso, illustram-no optimas pranchas.
A primeira representa uma homenagem justis-
sima à memoria do tão saudoso Director do Insti-
tuto Bacteriologico de S. Paulo, Dr. Theodoro
Bayma, fallecido em fins de 191K, victima do
dever profissional durante a terrivel epidemia de
grippe. Além das contribuições que estão analysa-
das em separado nas diversas secções na nossa Bi-
bliographia, neste primeiro tomo, notamos dous
artigos cujos assumptos são extranhos aos moldes
de nossa Revista. No primeiro da lavra do Dr.
Vital Brazil: Soro anti escorpinico o eminente
scientista summaria os seus processos de obtenção
do novo agente de que armou a nossa therapeutica
contra a picada do escorpião mais espalhado no paiz
o Tityus bahiensis, Perty. No segundo o Sr. Dr.
Octavio Veiga, expôz uma serie de valiosas obser-
vações proprias sobre as experiencias de Iless, afim
de se saber das vantagens da solução da eugiobu-
lina sobre o sôro normal, para fins hemostaticos,
e preparar um producto injectavei como succedanéo
na pratica do soro normal. Comprovadas as expe-
riencias de Hess a respeito do poder coagulante da
euglobina procedeu o Dr. Veiga à prova de toxidez
por meio de injecções em coelhos. Esta contra-
prova foi a mais satisfactoria sendo então a dosagem
da solução de euglobulina entregue ao consummo
sob o nome de Sôro hemostatico.
Arronso DE TAUNAY.
« ArcHivos DO Museu NacioNaL DO Rio DE
JANEIRO » Volumes XVIII (1916) XIX (1916)
XX (1917) Das diversas memorias de que se
compõe estes tomos, damos o resumo nas differen-
tes secções da nossa Libliographia. ARCHIVOS DO
Museu NacronaL do Rio de Janeiro Voi. XXI a
de Janeiro Imprensa Nacional 1918, 227 paginas in 4
Occupa todo o presente volume dos Archivos
a primeira e terceira partes do tomo V da Fauna
Braziliense, Peixes, do nosso eminente zoologo Prof.
Alipio de Miranda Ribeiro que já publicära a se-
gunda no volume XVII da mesma serie. Refere-se
este tomo V ainda aos Eleutherobranchios Aspiro-
phoros tratando especialmente dos Physoclistt. Na
primeira parte — Resenha Eistorica — faz o illustre
ichtyologo, a quem deve o nosso Museu e a nossa
Revista tão assignalados serviços, a revisão dos
estudos de systematica acerca dos Physoclisti bra-
zileiros e a este proposito lembra que de Marcgrav
provêm o assignalamento das primeiras especies
desses peixes de nossa fauna. De sua obra hauriu
Linneu as 6 especies que enfileirou no seu systema,
— 736 —
Rapidameute augmentou este numero com os
estudos de Gmelin, Walbaum, Bloch, Lichtenstein,
Quoy, Gaimard, Agassiz, sobretudo Valenciennes,
determinador de nada menos de 36; Heckele Ran-
zani; Castelnau (19) Gunther (32) etc. Entre os
modernos as maiores contribuições são devidas a
Steindachner (32) aos esposos Eigenmann, a Jordan,
Starks. De 1903 a 1918 pôde o nosso eminente
zoologo descobrir nada menos de T2 especies novas
no já tão explorado campo.
Da sua revisão exclue Miranda Ribeiro diver-
sas formas, umas por insufficiencia de diagnoses,
outras por deficiencia de indicação de procedencia.
Nas ultimas paginas do seu bello historico expõe
as diversas correntes de opiniões motivadas pelas
tentativas de estabelecimento de systematica do
grupo. Modificações notaveis e continuas tem lhe
vindo do conhecimento de novas formas e da acqui-
sição de novos elementos da embryologia, lentamen-
te adquiridos.
As ultimas descobertas e interpretações de fa-
ctos reforçam lhe a segurança dos pontos de vista
expostos, desde 1906, no tomo 1 de sua monumen-
tal obra sobre os peixes brazileiros.
Examinando as concepções recentes dos mais il-
lustres ichtyologos contemporaneos, como Boulenger
sobre os Teleosteos, Regan, sobre os Chameroides
critica o À. as idéas do primeiro sobre a distribui-
ção dos Acanthopterr, que não reputa isenta de in-
convenientes. Entende que as mais modernas di-
visões de Tate Regan são as que mais se approxi-
mam do sentimento recebido da inspecção de todo
o grupo dos peixes a par de uma simplicidade ver-
dadeiramente empolgante». Impugna comtudo a
admissão de tres dos grzpos do notavel ichtyologo
a introducção dos neologismos perfeitamente dis-
pensaveis com que designou dous outros e acha de-
feituosa a nomenclatura. divisional do grupo dos
Neopteryqiz. |
Cento e muitas paginas do volume toma-as a
bibliographia documentadora e as asserções do nos-
so eminente collaborador sobre os Physoclisti, de-
monstradoras da consciercia, do afinco com que le-
vou a cabo tão formidavel trabalho. Um indice
cuidadosamente feito, annexo indispensavel e fre-
quentemente deixado de parte pelos nossos escripto-
res completam a bella memoria unica do tomo XXI
dos Archivos do Museu do Rio de Janeiro.
Arronso DE. TAUNAY.
MEMoRIAS DO Instiruro OswaLpo Cruz — Tomo
VI, fasciculos I, If, III, com 34 estampas, Rio de
Janeiro, Anno de 1914 pp. 251 in 8.º
Neste volume sahiram 4 luz 28 contribuições ;
da maioria damos o resumo nas differentes secções
de nossa Bibliographia. Agui citamos trabalhos cuja
pet os afasta dos moldes de nossa Revista :
1) Sôro de leite de Petruschy — Simplificação da
a para o preparo desse mer «te cultura.
2) Sobre a pesquiza do bacillo da tuberculose nos
escarros, contagem de bacillos, referindo se a de-
terminado peso de material, ambos pelo dr. A.
Fontes. 3) Estudo sobre tuberculose. Variações
do poder bio do sangue na infeccaäo tuber-
culosa e relações que esse poder mantem com a
classe morphologica sanguinea, pelos drs. A. Fontes
e A. Pinto Junior. 4) Do sôrc deagnostico da
gravidez e 5) Estudos sobre immunidade na peste
pelo dr. Arthur Moses. 6) Parasitismo da celula
muscular lisa pela Leishmania braziliensis, pelo
dr. Gaspar Vianna.
A estes artigos juntemos ainda o do dr. Fi-
gueiredo Vasconcellos: Contribuição para o estudo
das dermatomycoses do Brazil (1) em que o A.
descreve um parasito novo, agente de uma modali-
dade dessas terríveis enfermidades de pelle que tanto
horror e repugnancia causam. O parasito foi isolado
pelo dr. Paulo Parreiras Horta; é um 7iicophytun
macroide pertencente ao primeiro grupo: Tryco-
phytum gypsewin, segundo Sabouraud. O A. fez-
LES ae
lhe o cultivo na gelose maltosada e glycosada, na
gelose peptona a tres por cento, na batata, na ce-
noura, no caldo simples e glycerinado estudando-lhe
as formas pleomorphicas. Ao parasito impôz o dr.
Parreiras Horta o nome de 7ricohophytun griseum.
Arronso DE. TAUNAY.
«MEMORIAS DO INSTITUTO OswALDO Cruz», Tomo
VIT, Anno de 1915, pags. 248 in 8.º com 39 estampas.
Neste tomo do täo valioso repositorio de Man-
guinhos ha artigos dos Drs. Adolpho Lutze A.
Machado ( Viagem pelo S. Francisco e por alguns
dos seus afluentes entre Pirapóra e Joazeiro) A.
Lutz ( Tabanidas do Brazil de alguns estados vi-
zinhos ) Magarinos Torres ( Alguns factos que in-
teressam a epidemiologia da molestia de Chagas )
Aristides Marques da Cunha ( Sobre os ciliados in-
testinaes dos mammiferos, 11) Lauro Travassos
( Contribuições para o conhecimento da fauna hel-
minthologica brasileira, V) A. Lutz, Arthur Neiva
e Angelo da Costa Lima ( Sobre «pupipara» ou
« hippoboscidae » de aves brazileiras ) Leocadio
Uhaves ( Processos distrophicos na molestia de Car-
los Chagas ) Oscar d'Utra e Silva ( Sobre a leishma-
niose e seu tratamento). Os dous ultimos traba-
balhos, pela sua natureza puramente especial, escapam
aos moldes de nossa Revista assim não os resumi-
remos, constatando apenas quando resultam de acura-
das e conscienciosas observações e quanto visam
trazer factos e conhecimentos novos à nossa patho-
logia.
Fez-se a viagem dos Drs. Lutz e Astrogildo
Machado, do Rio de Janeiro e Pirapóra, d’ahi ric
abaixo atè Joazeiro. De Joazeiro tomaram os itine-
rantes a estrada de ferro, foram à Bahia de onde
regressaram ao Rio. Durante a descida do 8. Fran-
cisco fizeram tambem excursões por alguns dos seus
grandes afluentes, sobretudo pelo Rio Grande e o
— 789 —
Preto pois subiram até grande distancia da cidade
da Barra.
Tinha a excursão por fim estudar a pathologia
dos homens e dos animaes nas regiões atravessadas.
Assim constataram os À. A. que o mal de Chagas,
vae se tornando cada vez menos intenso de Pirapóra
para o Norte. Verdade é que no territorio bahiano
quasi faltavam as causas as cafüas, à margem dos rios
navegaveis, observando-se o desapparecimento do
transmissor principel: o triatoma mais conhecido sob
o nome: conorrhinus megistus. Entendem os A. A.
que T. sordida embora muito abundante é raramente
infectada, talvez pelo facto de não mostrar prefe-
rencia pelo sangue humano.
Problema de pathologia regional dos mais inte-
ressantes é o do papo endemico. mas tambem quasi
só em territorio mineiro e geralmente attribuido às
aguas impotaveis.
Ora todas as populações ribeirinhas abastecem-
se de agua do S. Francisco assim não é admissivel
attribuir a este facto, a origem exclusiva como fa-
ctor da molestia, como pretendem alguns. “Se esta
observação não exclue absolutamente a ideia de que
a agua do rio contenha alguma substancia chimica
ou algum organismo capaz de produzir a molestia
tambem não falla a favor delle. Antes seria possivel
accusar a falta dum principio antagonistico ao papo,
na agua de curso superior do rio”. Em todo o caso, re-
salvam os AA., as observações ae. não permittem
duvidas estas questões emquanto Continüa incerta a
etiologia do papo commum, endemico em regiões
onde não ha coreotripanose”.
O impaludisino é que é disseminadissimo em to-
do o S. Francisco embora suas formas graves se-
jam raras. A febre amarella é antes rara do que
desconhecida. O typho, embora raro, póde facilmer-
te occorrer de um momento para outro. Fedre de
Malta e leishmaniose e bilharziose não foram obser-
vadas. Não se notou o mal de engasgo tão com-
provado por Neiva e Penna em Goyaz. A ankylos-
,
tiamiase é menos abundante do que em outras zo-
— 740 —
nos do paiz, menos seccas. Algumas dermatomico-
ses um pouco de elephantiasis, provavelmente fila-
rigenica, o alastrim bem conhecido.
Syphilis em formidavel abundancia, com lesões
extensas devidas à falta de tratamento. Não acha-
ram os AA. comtudo maior malignidade às vezes at-
tribuidos aos casos da região do S. Francisco. Quan-
to às epizootias, durina o mal de cadeiras, a osteo-
malacia e mais alguns casos de outras molestias bem
conhecidas. À época era má para se fazerem collec-
ções, dizem os AA., por ser a estação secca. Aliás
é bem sabido que a fauna do S. Francisco é pobre
como de todas as regiões oude não ha mattas e per-
sistem as seccas.
Mammiferos os communs do Brazil todo, mas
pouco abundantes; os felinos abundam, nas serras vi-
zinhas do caudal, antas raras e capivaras escassas.
A fauna ornithologica é mais rica, sobretudo a aqua-
tica. Entre os reptis destaca-se a iguana; tartarugas
quasi não as ha. Os peixes são bastante numerosos
e constituem precioso recurso para os habitantes da
zona.
Entre os insectos destacam os A. A. os lepido-
pteros, dipteros, cicadinos, ephemerides e friganides :
alguns orthopteros communs como certo grilo. Crus-
taceos raros,-e microscopicos, geralmente. Alguns
myriapodes, arachnideos e molluscos.
E” muito interessante o diario dos A. A. em
que destacaremos algumas referencias à grande gruta
de Tatu, caverna de idade antiquissima, muito pouco
conhecida e junto à qual a celebre Lapa é modes-
tissima e onde ha estalagmites formidaveis.
Trinta kilometros a jusante de Januaria só a
Triatoma sordida & conhecida; a megesta quasi
desapparece. No S. Francisco como no resto do
paiz ha o horror instinctivo pelos ophidios, cujos
habitos são por isto pouco conhecidos. Assignalam
os À. À. a presença de uma cascavel de especie di-
versa das do Sul. Prodigiosa a quantidade de car-
rapatos nas margens do Rio Grande e do Preto ;
SULTAN 2
assim tambem a de mosquitos em toda a zona ri-
beirinha, cellias e slegoimyras sobretudo os primeiros.
Innumeras as notas que documentam, dia por
dia, o itinerario dos A. A.; não nos seria posssivel
resumilas, por pouco que “fosse. Lamentamos, po-
rém, qe quasi sempre se resumam os incidentes
da viagem quando poderiam trazer contingente va-
liosissimo de observações dada. a qualidade dos obser-
vadores e a geral ausencia de documentação exis-
tente neste Losso paiz, tão grande e tão ignorado.
Finalisa o trabalho dos Drs. Lutz e Machado
uma lista dos dipteros sugadores de sangue das fa-
milias Limulide, Ceralopogoninæ, Psychodide e
Tabanine ao todo 29 especies onde o Dr. Lutz
descobriu tres formas novas, uma no genero Simu-
liwm e dous em Zrephopsis (Tabaninæ ).
Dos mosquitos ha milhões de Celita argyro-
tarsis por toda a parte; pullulam o Culex fatigans
eo Stegomyia fasciata. A fauna é muito mais
pobre do que a da região guanabarina devido à au-
sencia de innumeras especies criadas exclusivamente
em bromeliaceas e bambus.
Os peixes e os molluscos colleccionados não
trouxeram novidades; curiosas as observações sobre
esponjas de agua doce do Carinhanha e Rio Grande
especie ainda não descripta, do genero Spongilla
franciscana. Descobriu-se uma jararáca nova de-
terminada por Miranda Ribeiro: a Lachesis lutz:
do Rio Corrente na Bahia. E das jararacas brazi-
leiras a que mais se assemelha à cascavel
Em summa realmente proveitosa foi para a
sciencia biologica em geral a grande excursão dos
Drs. Lutz e Machado.
AFFONSO DE. TAUNAY.
« Memorias po Instituto OswaLDo Cruz»,
Tomo VIII 1916 Fascieulos 1, Il, II ( respectiva-
mente 72 pags. e 5 estampas. 13 pags. e 12 est.;
150 pags. e 1 mappa e 28 est.)
ST AUDE
Neste tomo além dos artigos resumidos no
correr desta bibliographia ha ainda os segnintes cujo
assumpto escapa aos moldes de nossa Revista: Dr.
Arthur Moses: Estudo sobre liquido cephalo ra-
chidiano. Reacções de Nonne- a da reacção
de Wassermann, de Weil-Kafka ; Dr. Carlos Cha-,
gas: Processos pathogenicos da ypanosomiase
americana. e Trypanosomiase americana, forma
aguda da doenca: Dr. Arthur Moses: Fixação de
complemento na blastomycose.
O te ceiro fasciculo é todo elle tomado pela
« Viagem scientifica pelo Norte da Bahia, Sudoes-
te de Pernambuco, Sul do Piauhy e de Norte à
Sul de Goyaz pelos Drs. Arthur Neiva e Belisario
Penna que é o assumpto de longa e pormenorisada
analyse especial em outro lugar do presente tomo.
Arronso DE. TAUNAY.
« MEMORIAS DO Instituto OswaLDO CRUZ »
Tomo IX, 1917; pags. 154 com 32 pranchas.
Alèn dos artigos resumidos nas differentes
secções de nossa bibliographia citemos ainda os do
Dr. Magarinos Torres: Estudo do myocardio na
molestia de Chagas ( forma aguda ) (T) Altera-
ções de fibra muscular cardiaca e o do Dr. A.
Fontes: Estudos sobre a tuberculose, artigos «ujos
assumptos escapam ao quadro da nossa publicação.
Arronso DE. Taunay.
« MEMORIAS DO Instituto OswaLDO Cruz» —
Tomo X. Fasciculo I. Anno de 1918, pp. 94 de
texto em portuguez e 72 em inglez, iS estampas
Neste primeiro fasciculo do tomo I collaboram
os drs. Adolpho Lutz e - Angelo Moreira da Costa
Lima ( Contribuição para o estudo das tripaneidas
brasileiras, com 2 estampas ), Gomes de Faria, Mar-
— 743 —
ques da Cunha e O. da Fonseca ( Protozoarios pa-
rasitas de Polydora Socialis com uma estampa ),
Octavio de Magalhães ( Nova inycose humana com
onze estampas ), A. Lutz ( Especies brazileiras de
caramujos aquaticos do genero Planorbis, com
quatro estampas) e A. Lutz e Oswino Penna ( Re-
latorio e Notas de viagens ao Norte ).
No decorrer da presente bibliographia serão re-
sumidos, com maior pormenorisação, os artigos do
drs. Lutz e Costa Lima, Marques da Cunha, Faria e
Fonseca; e Lutz que se prendem a questões de sys-
tematica.
A memoria do Prof. Octavio de Magalhães é
um dos bellos trabalhos realisados no Instituto Os-
waldo Cruz. Em 1912, isolára c A. nos escarros
de um doente da Santa Casa de Misericordia de
Bello Horizonte um cogumelo novo que incluiu na
familia das odraceas e a que denominou onitum
braziliense. Dahi em deante estudou apaixonada-
mente a questão estabelecendo a sua funeçäo de
agente pathogenico de uma nova mycose humana.
Não cabe nos moldes de nossa Revista o exame
detido dos resultados por elle apontados do exame
do oidium braziliense na natureza, nas culturas ar-
tificiaes, nos animaes e no homem; sob o ponto de
vista da anatomia pathologica, do diagnostico, da
etiologia e do tratamento da” doença humana. E
um trabalho magistral de laboratorio e de clinica
que sobremodo honra a cultura brazileira e a re-
putação já elevada do professor da Faculdade de
Bello Horizonte. Como conclusão dos seus estudos
declara o dr. Magalhães que una vez realisado O
diagnostico da mycose pelo novo cogumello, feliz-
mente contra ella existe rapido e segnro tratamento
pelas altas doses dos ioduretos alcalinos, verdadei-
ramente especificos.
Summamente interessantes as notas de viagens
dos drs. Lutz e Oswino Penna, commissionadas ao
Norte para o estudo de um dos nossos maiores fla-
gellos a schistosomose.
NN AE ES
Verminose provocada pelo Sehistosomuin Man-
sanz, e sabendo-se que o helminiho parasita certos.
mollescos de agua doce, sobretudo do genero Planor-
bis, hospedeiro intermediario do nefasto trematodo,
acuradamente procuraram os A. A. nas colleções
d'agua de varios estados do Nordeste a presença de
exemplares infestados.
Seu itinerario foi Ilhéus. Bahia, Aracajú, Ma-
ceio e Recife sempre por mar. Do Recife irra-
diaram por terra para Natal e Ceará Mirim, ponto
extremo da excursão ao Norte, pela antiga Central
de Pernambuco a B-zerros pela antiga Sul de Per-
nambuco e em automovel para Garanhuns e Pedra
quasi à margem da Cachoeira de Paulo Affonso.
D'ahi vieram de Jatoba a Piranhas, desceram o São:
Francisco até Propriá, seguiram por terra a Ara-
caju e à Bahia de onde regressaram ao Rio de
Janeiro.
Em Ilhéus e lavoa da Almada, patria do Pla-
norbis olivaceus, descripto por Spix, não consegui-
ram obter vestigios do caramujo, que desappareceu
da região e tornou-se raro onde era abundantissimo
ha um seculo. Em numerosos pontos dos seis es-
tados visitados foi colhido o gasterópodo, em muitos
casos indemne e, e em ontros, infectado pelo schi-
sostomo. Verificaram os A. A. a frequencia dos
casos de schisostomose, da Bahia ao Rio Grande do
Norte, mas ficaram sobretudo apavorados com a ca-
Jamidade em que no Norte se converten a Ancylos-
tomiase, sobretudo do São Francisco para o Norte.
« E” ridiculo falar em tal flagello em outros
lugares, tal a proporção em numero e gravidade que
ahi assume esse parasitismo. Tambem ninguem se
preocupa com isto; raro o habitante destas paragens
que em toda a sua vida já tenha tomado um anti-
helminthico que se sirva de um apparelho sanitario
ou tenha o habito de andar calçado ». -
Não menos pavoroso o impaludismo contra o
qual ninguem reage. Em toda a excursão atravez
de zonas onde as anophelinas andam aos milhões
apenas verificaram os A. A. em Propriá um tra-
TA es
balho de defesa pelo aterro de uma lagôa junto à
cidade.
Reforçando a opinião de Neiva constataram os
AA. que a seu ver é a febre amarella endemica no
interior dos seis estados, geralmente sob formas frus-
tras que os clinicos teimam em classificar como ca-
sos de febre remittente biliosa: Tambem os stego-
myas por toda a região atravessada vivem aos mi-
lhões, ou aos bilhões.
Desolador o quadro clinico synthetisado pelos
scientistas itinerantes. Vivem os nossos pobres com-
patriotas a braços com a ankylostomiase, o palu-
dismo, a syphilis, a dysenteria amebiana e a schisos-
tomose. E este ainda é o menor mal, embora esteja
agora a propagar-se assustadoramente.
E suspeitam ainda os Drs. Lutz e Penna que
existem notaveis focos de peste bubonica onde por
vezes se dão graves explosões como lhes referiram
do Sul de Pernambuco.
Arronso DE. TAUNAY
i
Revista DA SOCIEDADE BRAZILEIRA DE SCIEN-
cias. N. 1. Rio de Janeiro. 1917.
Brilhante se apresenta o primeiro tomo da
nova revista scientifica nacional, com contribuições
das diversas secçôes em que se subdivide a Socie-
dade. Os artigos cujos assumptos se relacionam
aos do nosso programma são descriptos em diver-
sos outros logares. Ha ainda a mencionar o bello
discurso inaugural de 15 de junho pelo Prof. Hen-
rique Mórize na primeira sessão anniversaria da
Sociedade, suas duas notas sobre «a determinação
da distancia focal a utilisar nos levantamentos
photogrammetricos e Levantamento gecgraphico
e magnetico da região sul do Brazil de sr. Ar-
thur Moses: sobre a Predra do Prof. Roquette
Pinto sobre As anomalias renaes e suas relações
embryogencas. .
Arroxso D E, TAUNAY.
Shorea
« REVISTA DA SOCIEDADE BRAZILEIRA DE Sci-
ENCIAS ». N. 2, 1918. Rio de Janeiro. Imprensa
Nacional; 19H87 mn 2, pas une
Além dos artigos consignados nas differentes
secções de nossa hibliographia ainda traz o segun-
do numero da bella Revista diversas contribuições
que lhe mantém o elevado padrão: M. Amoroso
Costa ( Sobre um theorema de calculo integral),
Octacilio Novaes da Silva ( Somma das potencias
semelhantes dos primeiros numeros inteiros e wm
problema sobre arranjos). Miguel Osorio de Al-
meida ( Sobre a lei que rege as relações entre a
tensão de CO2 no or anspirado e a tensão do mes-
mo gaz no ar expirado ( dous artigos ) Arthur Mo-
ses ( Sobre a presença simultanea de antigeno e
respectivo anti corpo em liberdade no mesmo soro ).
Começa 9 numero pelo discurso do Prof. G.
Dumas, ao ser recebido pela Sociedade, cuja apre-
sentação foi feita pelo Prof. Juliano Moreira de
quem o numero tambem insere o discurso. Ha ain-
da a mencionar a bella conferencia do Sr. Prof.
Bruno Lobo sobre Hugo de Vries esua obra.
AFFONSO DE. TAUNAY.
ARCHIVOS DA EscoLA. SUPERIOR DE AGRICUL-
TURA E MEDICINA Veterinaria. Vol. 1; ns. Le II.
Rio de Janeiro 1917 e 1918, pg. 181, pgs. in 8.
. Além dos artiges resumidos na parte especial
da nossa bibliographia citemos ainda: Generalidades
sobre planimetria do Dr. Plinio de Almeida Ma-
calhães, lente de Topographia e Estradas de Roda-
cem. Estudo sobre o papel dos pneumogastricos
na regulação da forma dos movimentos respira-
torios e Sobre a questão do automatismo dos
centros respiratorios pelo Dr. Miguel Osorio de
Almeida, lente de Physiol: gia de animaes domesticos.
SATA
O artigo do Dr. Almeida de Magalhães, joven
engenheiro que, brilhantemente, por meio de disputado
e porfiado concurso, obteve a cathedra que com
real brilho rege escapa aos moldes da nossa Re-
vista. Obedece ao excellente criterio de por ao al-
cance dos discentes as prelecções da cadeira, geral-
mente hauridas em numeroros autores modernos, ina-
cessiveis aos estudantes. E’ claro, didactico, con-
ciso, e subdivide-se aos paragraphos, Cons derações
Geraes; Planimetria ; Medida dos elementos do
trangulo. Representação plana e quadro synoptico
dos erros.
Quanto ao estudo do Dr, Miguel Osorio de
Almeida « Sobre a questão do automatismo dos
centros respiratorios, nelle o joven e já ha repu-
tado experimentador procura ducumentar a asser-
ção de que não ha automatismo dos centros respi-
ratorios.
Nos seus estud:s de 1914-1916 sobre a apnéa
defendera elle tal conclusão no artigo de que agora
damos noticia; retoma agora a questäo afim de
ver se ha motivos para que mantenha intactas as
antigas idéas ou deva modifical-as. Com a firmesa
de quem se move na propria seara examina 0 À.
as correntes de opinião sobre o assumpto oriundas
de notaveis autoridades em physioiogia; estuda as
experiencias e os pontos de vista de Langendorff,
Pichet, Baglioni, Winsterstein, Luciani, Fredericq
etc., e expõe os proprios processos effectuados so-
bre cães tracheotomisados e soffrendo a ligadura
das arterias vertebraes na sua origem.
« As carotidas, isoladas, ficavam prestes a re-
ceber pinças que temporariamente interro:npessem
nelles o curso do sangae. Durante algum tempo a
respiração era feita com ar carregado de gaz car-
bonico o que augmentava muito sua amplitude e
intensidade. Em um dado momento, ligavain-se as
carotidas e alguns instantes depois fazia-se com que
o animal voltasse a respirar ar atmospherico puro».
Quatro graphicos de movimentos respiratorios
acompanham o artigo do Dr. Miguel Osorio. Mos-
— 148 —
tra o primeiro que a apezar da solução de conti-
nuidade da circulação encephalica a respiração re-
toma rapidamente o aspecto normal. II mostra-nos
um phenomeno curioso; retiradas as ligaduras das
carotidas ha tendencia a formação de una apnéa.
So depois de uma pausa recomeça a respiração nas
condições normaes, examinando o A. diversas hy-
potheses que o caso lhe suggere.
Referem-se III e IV a uma experiencia ante-
rior e o À a invoca para estabelecer as suas con-
clusões. Assim affirma «a apnéa sendo a parada da
respiração por falta de excitações exteriores aos
centros respiratorios é a prova decisiva de que
esses não são automaticos isto é não são produzidos
por excitações autonomas nelles proprias formadas.
As excitações exteriores aos centros producto-
res e reguladores da respiração nas condições nor-
maes são conduzidas pelo sangue.
Os nervos, quer os da sensibilidade geral, quer
mais especialmente os vagos, podem intervir occa-
sionalmente mas não formam parte integrante do
apparelho regulador da respiração.
Arronso DE TAUNAY
Arcuivos DA EscoLA SUPERIOR DE AGRICULTURA
E Mevicina VETERINARIA Vol. Il ns. 1 e 2. Rio
de Janeiro 1918, pags, 93 in 8.º.
Além dos artigos especiaes que se acham
adeante resumidos contem este’ numero a valiosa pu-
blicaçäo os seguintes: Leis de cicalresação das fe
ridas (Dr. Alcindo de Figueiredo Baena) A vacci-
nação anti-rabica dos herbivoros; modificacäo do
processo de vaccinação de Nocard e Roux, (Dr.
Paulo de IF’, Parreiras Horta) e Revista bibliogra-
phica, referente à physiologia (pelo Dr. Miguel
Osorio de Almeida).
Arronso DE Taunay
LM
Revista DO CENTRO DE CULTURA SCIENTIFICA,
V. 1, Anno II, janeiro de 1919. Pelotas, 56 pp. in 16.
Foi este o primeiro fasciculo da Revista da
ageremicção riograndense que nos chegou ás mãos.
No seu summario ha a maior variedade de titulos
assim se occupam articulistas de questões arithme-
ticas e grammaticaes ; de pathologia e physiologia,
etc.; é um periodico de largo eccletismo portanto.
Sobre sciencias naturaes insere duas contribui-
ções do Dr. Ernesto Ronna, que já por diversas
vezes se correspondeu com o Museu Paulista.
Escrevendo sobre os Roedores rio-grandenses
revista o Dr. Roma as 29 especies conhecidas da
fauna do estado do extremo sul. No seu segundo ar-
tigo «os amores das aranhas» organiza 0 A. os co-
nhecimentos até agora obtidos sobre a reproducção '
dos araneidos, e isto de modo attrahente em lin-
guagem correntia e agradavel. Declara haver hau-
rido os principaes elementos de sua exposicão n’o
broscopro do Professor De Gasparis, livro que in-
felizmente não conhecemos e no genero daquella tão
seductora Physique de V Amour do illustre Remy
de Gourmont.
| Arronso DE Taunay
MELLO LEITÃO. — Elementos de Zoologia.
— Rio de Janeiro, 1818 — Francisco Alves, 484
paginas in 8º.
Si nos fosse permittido encetar estes ligeiros
reparos de exame ao livro do professor Mello Leitão
pela repetição de um velho chavão lembrariamos
antes de tudo o antigo e estafadissimo brocardo
inglez que a inopia de idéas e a inercia do pea-
samento fazem com que diariamente o repitam mi-
lhares de articulistas, em todos os cantos do globo.
Aquelle que se refere ao right man. . . E, com
effeito os Elementos de Zoologia são o fructo
do trabaiho do sapateiro que trabalha na chinella ;
do homem de officio, do mesteiral que conhece a
fundo o seu mestér. Adaptados aos programmas da
— 790 —
Escola Normal do Rio de Janeiro e Collegio Pedro II
começam por uma revisão das noções sobre a cel-
lula animal e tecidos animaes para depois estudar a
differenciação progressiva dos animaes em suas
grandes divisões. Seguem-se d'ahi em deante ca-
pitulos successivos referentes aos protozoarios, es-
pongiarios, celenterios, vermes e assim por deante,
em escala ascendente, aos reptis, aves e mammiferos,
o que occupa dois terços do volume. Inspira-se 0
A. num criterio que nos parece excellente, o do re-
gionalismo, de modo a fornecer ao alumno exemplos
communs e que lhe sejam familiares. Não ba como
isto para lbes abrir as idées e provocar a fixação
das noções aprendidas. Vivem os nossos compen-
dios a reproduzir os exemplos da fauna européa.
sobretudo da franceza; d'ahi uma série de equivocos
prejudiciaes como aquelle que o A. tão frisante
quanto espirituosamente aponta: o de um dos nossos
compendios, em que um roedor brazileiro é sup-
posto representado pela estampa de um insectivoro
europeu, pertencente a uma ordem que no Brazil
não occorre. Assim tambem os nossos quadros
muraes estão apinhados de erros pela extravagante
adaptação de legendas de figuras francezas, muitas
vezes ‘litteral e tolamente traduzidas para a nossa
lingua. A este proposito nos .oecorre lembrar o
seguinte facto, que é typico: havendo alguem tra-
duzido uma physica franceza, sliäs excellente, não
se deu ao minimo trabalho da corrigenda das letras
das estampas
Dahi, entre varias, a seguinte e grave cincada :
Ao tratar da desegual refrangibilidade das córes
traz o compendio francez uma figura em que, como
é natural, designa os raios vermelhos pela letra r
OS roxos por v.
Assim, na figura franceza, como é natural, w está
äqem do fóco da lente convergente dispersora, ev
alam. As mesmas letras apparecem na edição bra-
sileira, sómente w agora é inicial de vermelho e r
de roxo ! Muito natural, portanto, a confusão dos
alumnes, que já tivemos o ensejo de rectificar.
— 791 —
E o mesmo se dá nos conhecidos quadros de
Deyrolle, tão espalhados entre nós, observa o pro-
fessor Mello Leitão.
Ainda a tal proposito, cita elle o seguinte e
impagavel facto.
« Ha alguns annos, em publicação official de
um dos nossos ministerios, escrevia alguem sobre a
pesca no Brasil um trabalho rico em trichromias e
disparates. Neste trabalho, o autor teve o cuidado
de não citar para os nessos crustaceos e peixes,
cujo nome vulgar referia, nem uma designação sci-
entifica certa. A estampa era de um animal nosso,
bem como o nome vulgar, mas a designação scien-
tifica era sempre de animal que em Portugal tem a
mesma designação commum ».
Exemplos destas, si os fossemos trazer à collação
tel os-iamos às duzias.
A segunda parte do livro do professor Mello
Leitão, Anatomia e Physiologia Humana,
não é menos digna de ecomios que a primeira.
Clara e precisa, sem demas'as nem restricção de
dados prejudicial à somma de conhecimentos que os
estudantes devem apprehender...
Da grande bibliographia consultada. soube o
A. fazer um resumo muito attrahente e muito mo-
derno. Seu livro é, sobretudo, um livro de hoje, e
a nosso vêr uma das melhores obras da actual li-
teratura didactica brazileira.
AFFONSO DE. Taunay.
VERTEBRADOS
Mammiferos
IGLESIAS ( FRANCISCO) — O cangambi,
mammifero ophiophago. Creador Paulista, anno XIII,
nf;
Da sua viagem pelo Maranhão, o Piauhy trou-
xe o nosso illustrado collaborador snr. Francisco Igle-
sias com a noticia pormenorisada dos habitos pou-
co observados do animal nocturno que é o conepac-
tus chilensis, cangambä, zorrilho, maritafede, ma-
ritataca, jaratataca, etc. (a synonymia valgar de tal
mammifero é abundantissima ) a novidade de que é
um terrivel e preciosissimo ophiophago que não re-
ceia investir com qualquer serpente por venenosa que
seja, como a cascavel ou a urutu.
Parece inmunisado contra o veneno ophidico e
segundo demonstrou o sr. Iglesias é susceptivel de
grande domesticação. Assim em S. Paulo, manteve
em Butantan dous cangambäs summamente mansos
que jamais se lembraram de projectar contra quem
quer que fosse o terrivel liquido de sua glandula
anal. Chamaram os dous cangambás vivamente a at-
tenção do nosso publico sob a sua ophiophagia as-
sim como os artigos do Snr. Iglesias quer a de im-
prensa diaria quer o que analysamos. Preconisa 0 A.
a conveniencia da creação em larga escala do can-
gamba. . |
Teve o A. contestações na imprensa paulistana de
lavradores mineiros, afiançando que o conepactus é
muito abundante no Triangulo Mineiro e nefastissi-
mo à avicultura.
Arronso DE. TAUNAY
MIRANDA RIBEIRO — Dinomys pacarana ?
Archivos de Escola Superior de Agricultura e Me-
dicina Veterinaria. Vol. II, 1918 pags. 15.
Em 1873, diz o A, creou W. Peters o genero
Dinonys, para a especie D. branch para um roe-
dor sul americano do Pará. Era um animal raro de
que jamais se occuparam os naturalistas. Em 1904
Goeldi annunciava à Socieda Zoologica de Londres
duas pacaranas ou falsas pacas como assim lhes cha-
mam na Amazonia identificando-as com o À). brani-
chi. O Prof. Allen, em 1916, obtendo material da
Columbia aventou duvidas se o animal recebido seria
o D. branichi. De coloração absolutamente diversa
deste ainda tinha outros caracteristicos differentes. .
Acha o nosso emerito collaborador que muito pos-
— 795 —
sivelmente lhe assiste de razão devendo haver D. bra-
nich; e D. pacarana. E' o caso de Aguti paca, do
Brazil e A, laczunowsk: do Perú; Zapirus terres-
tris, nosso e 7! pinchagua, peruano. A D. paca-
rana affirma o A. tem o sen systema osseo abso-
‘lutamente diverso do chinchilla, o aspecto externo,
os pês e a cauda lembram positivamente os coen-
. dus, ao passo que o perfil do craneo se approxima
de Hydrochoerus, mais vagamente de Myopotarus
e de Capromus. A dentição e o pello lembram os
octidontideos do grupo Mesomys ou Echymuys. Diz
ainda o Dr. M. R. que as pacaranas e a paca não
podem conviver sendo esta aggredida e morta por
aquella como succedeu no Jardim Zoologico do Rio
de Janeiro.
AFFONSO DE. Taunay
Aves
MIRANDA RIBEIRO ( Arrpro DE). — Contri-
buição para a Oecologia e morphologia da ornis
brazileira. ( Revista da Academia Brazileira de
Sciencias, Tomo II, 1918 ).
Numa breve nota expõe o Prof. Miranda Ri-
beiro as differenças sexuaes exteriores de Cypagus
papa L, o nosso urubiú rei, cuja vistosa plumagem
o colloca immediatamente à testa de todo o grupo
dos abutres ; inclusive o condor. Pouco se sabe dos
seus costumes dada a sua raridade e habitos esqui-
vos. Da ainda o A. algumas notas sobre a incu-
bação do urubú rei, pormenores de uma observa-
ção que infelizmente versaram sobre uma tentativa
falha.
Arronso DE TAUNAY.
Ophidios
GIMES ( João Frorenxcio ). — Contribuição
para o conhecimento dos ophidios do Brazil, MT
— Memorias do Instituto de Butantan, Tomo 1. Fa-
sciculo |, pags. 57.
— 194 —
Nesta memoria, ultima das que devia publicar
o nosso querido e saudoso collaborador, começa elle
estudando a collecção de cobras do Museu Paraense
que lhe fóra confiada para identificação dos exem-
plares. Assim descreve 46 especies, com 139 espe-
cimens, quasi todos da fauna cearense. A esta ajunta
uma lista das especies já registradas no Pará, em-
bora não incluidas no material examinado.
Ao artigo põe fecho a descripção de duas novas
especies brazileiras. Tachymenes braziliensis, que
parece proxima de J. affinis e Drymobius brazda
que parece muito perto de D. boddaert:, a primeira
de Pindamonhagaba e a segunda do Triangulo Mi-
neiro.
Arronso DE TAUNAY.
PENTEADO ( Dorivaz DE CAMARGO ). Estudos
hastulogicos das glandulas da cabeca dos ophidios
brazileiros. Memorias do Instituto de Butantan.
Tomo I, Fasciculo 1.º, pags. 29.
Nesta bella e conscienciosa memoria estuda ©
A. as glandulas da cabeça de cobras nossas, venenosas
e não venenosas: entre as aglyphas: Uryimobius
bifossalus, Raddi, Xenodon merremir, Wagl e Rha-
dine a merremii Wied; entre as opisthoglyphas
Philodryas schoti, Schlegel, Thaimnodynastes dor-
satus (D.e B.) Thamnodynastes nattereri, Mikan.
Entre as boideas estudou Constrictor constrictor, L.
Das diversas especies as differentes grandulas da ca-
beça na crdem seguinte: grandulas maxiliares, ros-
traes, mandibulares, nasaes, anteriores e posteriores,
sub linguaes e lacrymaes.
Arronso DE: TAUNAY.
Peixes
DINIZ (ALBerico). Creação de peixes larvô-
pagos dos açudes, publicação n. 36 da Inspectoria de
Obras contra as Seccas; Rio de Janeiro, 1914.
LE DAS
Medico da Inspectoria publicou o Dr. Alberico
Diniz já conhecido por diversas memorias ichtyo
logicas apreciadas, que infelizmente não consegui-
mos ainda ver como «Peixes venenosos»; «Peixe
Toxicophoro»—um bom estudo sobre uma questão
capital para o nosso paiz, como esta da caça aos ter-
riveis dipteros graças a quem enormes areas brazi-
leiras se acham assoladas pela malaria. Uomeça o
seu estudo assignalando a posição dos culicidios no
mundo zoologico, dá um apanhado de sua biologia,
de suas metamorphoses, da sua acção como vehicu-
lador do plasinodium, tudo isto de modo muito cla-
ro e synthetico. Revista depois a questão da quini-
sação e passa a examinar os diversos processos cu-
licidas A petrolagem, o cuidado em não deixar po-
ças, o emprego do pyretro e outros insectifugas e
insecticidas vulgares, uma serie de outros metho-
dos diversos, todos elles aliás falhos, salvo o da de-
fesa pela tela de malha muito fina. Certos peixes
são auxiliares preciosissimos do homem pela vora-
cidade com que perseguem as nymphas e larvas
dos mosquitos. Relevantes serviços presta o modesto
e flammejante Carassim auratos o peixinho ver
melho do Oriente, hoje por toda a-parte acclimado.
Nas Antilhas preconisou-se muito a creação do mi-
nusculo Million o nosso guarú-guarú (?) devastador
incansavel das legiões nymphaes de anopheles. A’
Italia transportaram o Million com resultados me-
diocres pelas difficuldades da acclimaçäo.
Presta a carpa neste particular assignalados
serviços assim como a Tenca ( Tinca vulgaris )
em França. Entende o Dr. Diniz que os melho-
res larvopagos brazileiros são a piaba e o acará,
de que da a descripção succinta, sob o ponto de
vista da systematica e da bilogia. Interessantes ex-
periencias por elle feitas mostram que a larvopagia
do acará é maior do que a da piaba. Collocando
especimens do mesmo tamanho em aquarios diver-
sos pôde obrervar que a media de larvas destruidas
pela acará ê quatro vezes superior à da piaba. As-
sim opina pola creação em larga escala do primeiro,
sobretudo nos tanques e açudes. Do lambary .e do
guaru não cogitou o Dr. Diniz na sua tão util e in-
teressante monographia vulgarisadora; no emtanto
passam estes dous peixes por ser dos mais encar-
nigados larvépagos,
Arronso DE Tauxay
ALIPIO DE MIRANDA RIBEIRO: Cicaunæ :
Commissão de linhas estrategicas de Matto Grosso
ao Amazoras. Annexo n. 9.
Nesta bella memoria o nosso eminente colla-
borador começa notando que o estudo das formas
novas do material das collecções Rondon levou-o a
modificar o numero de generos e especies consigna-
dos no quadro do tomo V de sua monumental Fauna
Braziliense.
Assim altera-lhe a chave que até 1913 re-
presentava a ultima paiavra para os cichlideos. Re-
fere-se o Dr. Miranda Ribeiro à difficuldade, pela
diagnose, da separaçäo das especies, lembrando quanto
é frequentemente desprezado o preceit» darwinico
de que «as especies mais com uuns são as mais
variaveis». A tal proposito cita as duvidas provo-
cadas por autoridades como Tate Regan ao tratar
de especies como Cremicichla lepidota e C. saxatilis.
Assim entende o nosso sabio ichtyologo que é
preciso muita prudencia para emitlir juizo seguro
na concepção das varias formas da familia. Das
novas, achadas no material Rondon, proveniente
da bacia do Paraguay e do Madeira descreve as
seguintes Aceropsis rondont e Nanacava Hoehner,
que lhe parecem incontestaveis e Aequidens stoller
sobre a qual não emitte juizo definitivo. Appro-
. Xima-se de -Ae. duopunctatus. Isto se não é que
ambas são variedades de Ae tetramerus. De trinta
e dous peixes cuida o A. augmentando-lhes o nu-
mero de pormenores conhecidos ou revendo-lhes a
descripção.
aa apne
Dezeseis estampas com dezesete boas figuras
illustram a memoria.
Arronso DE. Taunay.
MIRANDA RIBEIRO (Atrpio pe) De Sclera-
canthis. Revista da Sociedade Brazileira de Scien-
Cras; Ly PRE iy:
Neste artigo o nosso incansavel e eminente
collaborador descreve entre Loricaridie a especie
nova Pecholtichthys filicandalws, em Trichomucte-
ride o genero novo Plectrochilus, csjo typo é P.
machado: : em Ageneiosidæ, A. melanopogon.
AFFonso DE Taunay.
MIRANDA RIBEIRO ( Arrrio DE). Da exus-
tencia do genero «Thalassophryne» em aguas de
Monlemdeu. « Revista da Sociedade Brazileira de
Sciencias », m 1, 1917, p. 93.
Neste arligo expõe o A. as suas duvidas sobre
a auton mia de Thalassotia montevidense, Berg.,
que julga se trate de uma forma monstruosa de
Thalassophryne ( suspeita de que o digno director
do Museu de Montevideu Dr. G Devincenzi com-
partilha ) e ao mesmo tempo com a lealdade que é
uma de suas feições primordiaes rectifica uma no-
ticia que a tal respeito correu na nossa imprensa
«de que ia contestar as asserções de Berg», re-
pondo a questão nos seus termos verdadeiros.
Arronso DE Taunay.
MiranDa R1BEtRO (ALipIO DE) = Henizpselichtys,
Engen e Eigenm e generos alados; Nova chave
para a deter: minação das especies do genero « Ta-
chysurus» ; Ancrstrus. Revista da Sociedade Bra-
zileira de Sciencias No 2-1918.
— Tos —
Nestes tres artigos do nosso eminente collabo-
rador mais uma vez se evidencia o ardor incansa-
vel com que perscruta a nossa fauna. No primeiro
começa lembrando que o typo do genero Heinipse-
lichtys é o Xenomystus gobio de Lutken, 1873, cuja
diagnose transcreve. Eigenmann e Eigenmann julgam
Hempsilichtys proximo alliado de Pseudancistrus.
Regan encara o H. gobio como o macho e Plecos-
tomus herylandii como a femea de uma unica e
mesma especie, baseando se na descripção e figura
de Lutken e o material escasissimo (um exemplar)
do Museu Britannico. Greou o A. com uns peixes
da Ribeira (4) enviados por Krone o genero e es-
pecie Avonichtys subteres que Eigenmann collocou,
em duvida na synonymia de Hemipsilichtys e do
H. cameroni (H. calmoni) Steindachner.
Visitaudo o conselheiro Steindachner viu oA.
em mão deste mestre uma bella photographia do
PI. heylandii do Museu Britannico e assim não
duvida hoje que o Æ subteres collida com esta es-
pecie. Entretanto, de todo diverge dos demais an-
tores a isto levado pelo facto dos detalhes morpho-
logicos de Aronichthys serem identicos em ambos
os sexos e H. calmoni não ser synonymo de A.
duseni. Justifica a primeira asserção cabalmente a
vista da inspecção rigorosa do material mandado ao
Museu Nacional por Krone.
Quanto ao segundo lembra o A. a primitiva
collisão de Neoplecostomus granosus (Guv. e Valle
Hemipsilichtys dusem Mir. Rib., aventada por
Steindachner que tambem quiz estabelecer a syno-
nymia entre À. calmoni e I. duseni. Depois de
haver acceito o primeiro destes synonymos contra
ella se insurge agora o À. expondo os seus argu-
mentos decisivos. Emíim conclue o Prof. Miranda
Ribeiro : H. duseni à muito menos variavel do que
se presumia 'e que faz pensar que o mesmo deve
succeder às demais especies alliadas. Hemipsilichthas
Eigenman e Eigenman não póde conter H. Calmoni,
H. steindachneri e H. dusenr. Assim, a seu vêr,
impõe-se o estabelecimento do genero Aronichthys,
TR
Mir. Rib. com a sua especie unica A, heylandii ;
de Hemipsilichthys, Eigenman e Eigenman, com a
sua unica especie 7. gobio, Lutken de que é syno-
nymo Z. Garber de R. von Ihering. E ainda aventa
a creação do genero novo: Parciorhaphas.
Termina o artigo pela chave das especies H.
-calmoni Steind. A. Steindachneri, Mir. Rib. e H.
duseni, Mir. Rib. A este artigo segue-se a Nova
chave para a determinação das especies do gene-
ro Tachysurus em que o nosso eminente. ichthyo-
logo facilita o reconhecimento das formas prazilei-
ras em que, alêm da antiga base principal, firmada
no numero de raios das nadadeiras. refere-se a ou-
tros caracteres anatonicos mais palpitantes. Com-
_pleta o artigo uma redescripção da especie 7! ima-
chadoi. Na terceira contribuição : Ancistrus, contes-
ta o A. a autonomia de duas especies estabelecidas
numa chave de Steindachner para o genero. Assim
A. cirrhosus, Guv. e Val. é identica a A. dolicho-
pterus Kuer. e ainda a A. hoplcgenys Gunther e
A. temminhu. Ficam pois tres especies só para O
genero de Steindachner a que se póde annexar ou-
tras duas: o A. damasceni, Steind e A. matlo
grossensis do À.
Uma chave para as cinco especies fecha a dis-
sertação do Prof. Miranda Ribeiro.
Arronso DE Taunay.
INVERTEBRADOS
Molluseos
IHERING ( H vox). Commissão de linhas es-
trategicas de Matto Grosso ao Amazonas, Molluscos.
Rio de Janeiro, 1915.
Lo material collegido em Matto Grosso pelo
Prof. Alipio de Miranda Rioeiro, de conchas de
molluscos terrestres e de agua doce, quando zoologo
da Commissão Rondon, nas cabeceiras do Paraguay
— 760 —
em Caceres, no Jaurú e vizinhanças de Corumba,,
etc. pode o Snr. Dr. Hermann von Ihering desco-
brir entre vinte especies uma nova ao lado de duas
novas sub-espacies. O Museu Paulista possue uma
colleccäo de conchas communs aa região central
angariada pelo colleecionador Seteinbach ; desde
d'Orbiguy aliás ha boas informações sobre a fauna
malacologica matto-grossense, nota o A., O que
de mais importante nos revela o estudo da collec-
ção Miranda Ribeiro vem a ser as notas que della
procedem sobre a distribuição geographica das es-
pecies. Assim certos molluscos se confinam ao Oeste:
matto-grossense; outros se assignalam dentro de
enorme territorio, desde a Venezuela até a Argentina,
como por exemplo Strophocheilus oblongus. Um
outro grupo de especies consiste em elementos ca--
racteristicos da fauna amazonica; ha especies que
parecem ligadas às formas da Argentina, havendo.
outro grupo de especies matto-grossenses communs
a Matto Grosso, ao Brazil meridional e às republi-
cas do Prata. Assim em relação à fauna malaco-
logica verifica-se, diz o A., «que em Matto Grosso
como era de esperar elementos do Brazil, da Argen-
tina e do Paraguay se misturam a outros da Ama-
zonia». Entende o Sur. Dr. Ihering que o dirortiun
aquaruim amazonico-platino não representa uma linna
divisoria da fauna terrestre, o que aliás é perfeita- .
mente explicavel dada a configuração d'aquelles ter-
renos planos bem feitos, de pequena altitude que
permittiriam estabelecer, quasi de nivel, senão de ni-
vel, ligações, por meio de canaes, entre os cursos.
das duas grandes bacias como no caso do Verde,
afluente do Guaporé, e do Aguapehy, afluente do
Jaurú. E além de tudo são geralmente mediocres.
as elevações dos Parecis e seus contrafortes.
Assim, com os elementos da coliecção Rondon,
verificou o A. que nas cabeceiras do Paraguay oc-
correm varias das especies communs nas mattas da
Amazonia.
«A distribuição dos molluscos da agua doce
no Brazil Meridional, em Matto Grosso, não se ex-
TO is
plica pelas actuaes cond ções hydrographicas conclne
o A., mas contém a prova da ligação antiga do sys-
tema do Paraguay com o do Madeira, como tambem
com os do littoral do Brazil aié o São Francisco.
So depois de interrompidas as ligações entre os rios
do httoral e o rio Paraguay estabeleceu-se a com-
municação entre as aguas amazonicas e as do Pa-
raguay. D'abi a razão pela qual, dentro da mesma
provincia faunistica natural se nota a differenga im-
mensa entre as faunas do Paraná e do Paraguay, das
quaes só a ultima foi povoada por innumeros immi-
grantes amazonicos ».
Dentre as Bulimulidæ, sub-familia Buliinuline
descreve o A. uma nova forma Dryimaesus nigro-
cularis ribeiror, sub-especie divergindo de D. migro-
cularis, Pilsbry e Olostomus nigrocularis, H. Dohrn
pela estatura mais elevada e cor das fauces. Entre
os Achatinidee determinou o sr. dr. lhering duas
especies novas Corona ribeiro, de um exemplar de
Ceceres e Corona ducher, colleccionado perto de
Obidos pelo dr. Adolpho Ducke. Entre as Ampul-
laridæ determinou o A. uma nova forma Ampul-
laria meta, colleccionada por Ernesto Garbe junto
à Barra do Rio Grande, Estado da Bahia cuja des-
cripção anuexou à memoria de que tratamos e al-
lada a A. sordida Sioains. Entre as Mutelidæ uma
sub-especie Hossula balsani matlo grossensis do rio
Paraguay. Sete magnificas estampas acompanham a
valiosa memoria do dr. lhering, cuja autoridade:
sobre o assumpto é das maiores, como todos sabem.
Arronso DE TAUNAY.
LUTZ ( Avotpno ). Observações sobre a evolu-
“cão de Schistosomum mansoni. Revista da Socieda-
de Brazileira de Sciencias, N: 1, 1917.
Neste artigo, que é uma nota preliminar, expõe
o À. as suas observações sobre a biologia do conheci-
do verme parasita humaro o Schislosomum manso-
nt. Lembra que o antigo Distomum hoematobium,
— 762 —
Bilharz, 1851 se desdobrou em duas formas hoje per-
tencentes ao genero Schesiosoium, especies, no Egy-
pto, misturadas mas, fóra d'ahi, frequentemente iso-
ladas. Expõe o À. os distinctivos parasitologicos da
especie haematobium, pertubadora das vias genito
urinarias e manson? cujos ovos se acham nas fezes;
delimita o raio de acção do verme, devido a causas
climaticas ao Norte do Brazil e narra o que se sabe.
da sua biologia. Como o seu embryão sô rompe o
ovo quando em contacto com a agua suppôz-se a
principio que uma vez no liquido penetrasse directa-
mente pela pelle humana. Foi Leiper quem verificou
que a evolução do helmitho se faz por meio de mol-
luscos, hospedeiros intermediarios, sobretudo das es-
pecies Planorbis e Bullimus. Descreve o Dr. Lutz
as diversas operações que fez para conseguir a in-
feccäo dos molluscos, em contacto com os miraci-
dios do S. mansoni. São interessantissimas. Curio-
sa e enorme a preferencia de taes emb: yões, pelas
especies de Physa e Planorbis quando não ligavam
importancia à presença de specimens, de Lymnceus,
Ancylus e Ampullaria ; curiosa tambem a descrip-
ção do processo de penetração.
Dos Planorbi o P. olivaceus, de Spix, é o mais
affectado. Segue-se à descripção da evolução das cer-
carias e scolex que, continuando o seu cyclo, dentro
em breve infectam novas victimas- humanas com a
sua presença. D'ahi o perigo de se banhar alguem,
no Norte, em collecções d'agua onde existem Pla-
norbis. O S. mansoni para a evoiução exige tem-
peraturas elevadas.
Summamente interessante e instructiva esta nota
em que o eminente A. expõe as condições evoluti-
vas do terrivel factor da hilharziose.
Arronso DE TAUNAY.
LUTZ ( Apoteno ) Caramujos de agua doce
do genero plamorbis observados no Brazil. Me-
moria do Instituto Oswaldo Cruz. Tomo X, fasciculo
1º. Rio de Janeiro, 1918 (com quatro estampas).
EO 2
O estudo de varios molluscos de agua doce
tem hoje notavel importancia sob o ponto de vista
da zoologia medica visto como taes animaes são
hospedeiros intermediarios de trematodos nefastos
ao homem e causadores de verminoses temiveis como
a schistosomose.
EK’ o genero Planorbis o abrigador principal
do Shistosomum mansoni cujos malefícios são es-
palhadissimos em varios estados do nosso Norte.
Foi o que levou o Snr. Dr. Lutz a fazer a revisão
do genero relativamente às especies brazileiras des-
tes gasterópodos de agua doce.
Na familia das Zemnaeidæ quatro generos
existem Ancylus, Plonorbis, Physus e Linnaeus
cujas especies o A. procurou identificar com afinco
nas suas diversas excursões. De Ancylus obser-
vou uma, talvez inoricandi alem de.outras, de Phy-
sus, duas, de Linnaeus, duas, uma das quaes o
veator, devida a d'Orbiguy, hospedador intermedia-
rio provavel do D. hepaticum, assim portanto de
notavel importancia. De Planorbs estuda quatro
especies fluminenses e seis do Norte. Se o ge-
nero é facilmente reconkecive!, a determinação de
sub-generos e especies frequentemente se mostra di-
flicilima. Entende o A. que as especies numero-
sissimas (120 já em 1850) hão de forçosamente
ccntribuir para extensa synonimia.
As especies brazileiras, dizo Dr Lutz, perten-
cem aos sub-generos Menetus e Taphius e a tal
respeito se estende sobre pormenorisada observação
dos caracteres dos animaes, sua cor e dimensões,
tamanho e aspecto da casca.
Para simplificar o estudo dos caramujos não
ha diz o Dr. Lutz como praticar um corte perper-
dicular, passando pelo meio da casca, abrindo todos
os gyros e expondo a abertura. Grande é a diver-
gencia dos AA. se a casca em Planorbis é dextral
ou sinistral ou se ha especies de uma e outra ori-
entação; devido ao facto que falta um apex bem
definido. E” uma questão de estabelecimento do sen-
tido da observação dos specimens, pensa o dr. Lutz.
Acerca da descripção das especies de Planorbis eu-
ropéas é falha a litteratura acrescenta Assim antes
da parte especial di-corre sobre generalidades ana-
tomicas a seu respeito.
Passa depois à descripção de especie por espe-
cie, começando pelo Plunorbis olivaceus Spix, ty-
pico, um dos maiores transmissores do Schisostomunr
mansoni por quem facilmente se infecta e espalha-
dissimo e todo o norte brazileiro.
A este proposito lembra o A. a diverg ncia de
Wagner e as descahidas para a synonimia de diversas.
pretensas especies. 2. confusus chama o Dr. Lutz ao
caramujo no qual pretendeu d'Orbigny ver a iden-
tificação do ferrugineus. |
Do P. ( Menetus ) africanus, nigricans, Spa,
182% assim como dos dous primeiros dá o A, exhaus-
tiva descripção. Assim como de P. guadeloupensis
Sowerby, descoberto na pequena Antilha que lhe
deu o nome. Aquelle é conhecido do Uruguay, do
nosso Districto Federal, da Bahia; este do Mara-
nhão, Rio Grande do Norte e na opinião de auto-
res é talvez o principal hospedador do schistosomum
HANSON.
Descobriu o Dr. Lutz agora quatro especies de
Planorbis : P. centimetralis, P. ( Taphius ) nigri-
labris e P. ( Taphius) incertus e P. ( Spiralina )
nigelius. A primeira é um caramujo pequeno do.
interior de Pernambuco « occorre d'ahi para o Norte
atê o Maranhão e acredita o A. que no Paraguay
tambem. A segunda, do Districto Federal. tem o”
seu habitat tambem conhecido da Bahia e do Rio.
Grande do Norte,
Sobre a terceira, occurrrente em Pernambuco.
e Parabyba, ainda tem duvidas o Dr. Lutz; não:
lhe foi possivel identifical-a como desejaria. A quarta
foi achada entre Manguinhos e Inhaúma no Districto.
Federal. Já antes descobrira um outro o Planor-
bis: o P. melleus achado no Rio de Janeiro mas.
agora avistado desde Aracajú até a Parahyba. A
elles annexa a descripção de F. Baker sobre uma
especie nova deste malacologo americano a Segmen-
— To —
tina paparyensis e as duas antigas P. (Spiralina)
depressessimaus, Moricande e P. “ Gyraulus ) ana-
tinus VOrbigny.
A primeira, da Bahia, foi agora observada no
Ceará e a outra achada no Rio Paraná, agora apa-
nhada no Para.
Completa a exhaastiva memoria do eminente
autor a Lista de especies sul Americanas de Pla-
norbis encontrada na litteratura e muitas descripções
copiadas de diversos autores e quatro magnificas
pranchas e 72 desenhos diversos devidos a R. Fis-
cher.
Arronxso DE. Taunay.
ARACHNIDEOS
BEAUREPAIRE ARAGÃO ( HENRIQUE DE)
Commissão de Linhas Telegraphidas de Matto Gros-
so ao Amazonas ( Publicacão n, 36; annexo n. 5)
lxodidas Rio de Janeiro, 19 6, 19 pgs. in 8.º.
Com a sna tão conhecida autoridade analysa o
A. e nosso illustre collaborador, o material da Com-
missão Rondon, colleccionado pelos Drs. Alipio de
Miranda Ribeiro, Murillo de Campos e Frederico
C. Hoehne.
Assim den-lhe isto o ensejo de verificar que
Amblyomma humerale, A. maculatum assim como
Ornithodoros talage existem em Matto Grosso onde
foi o primeiro a lhes assignalar a presença
Muito interessante as notas relativas ao ataque
dos carraputos do chão, coincidente com a obser-
vação de Neiva na sua visgem a Goyaz, quer, sobre
o seu modo de ataque ao “homem € animaes quer
sonre o seu habitat na areia geralmente do chão
das taperas. Procurou o A. verificar se Ornitho-
doros rostrutus pode ser o vehiculador do Trepo-
nema yallinarun er Trypanosoma crust, não che-
gando a conclusões positivas.
TOO
Do material Murillo de Campos determinou o
A. uma especie nova Amblyonma conspicuum ;
verifica porém que esta nova forma e o A. pictum
Neumann são synonymos havendo-se Neumann en-
ganado na contagem dos dentes do hypostonio do
seu ixodida. O material M. de Campos demonstra
pela primeira vez a existencia em Matto Grosso de
A. maculatum e A. pictun e A. oblongogutatum
em Goyaz. O da colleeção Hoehne a occurrencia
de À. longirostre em Matto Grosso e o seu para-
sitismo no Ant. O exame das tres series do material
conclue o A., revela a pobreza da fauna ixodidolo-
gica das regiões atravessaGas ; nota-se sobretudo a
ausencia de generos vulgares em outras zonas do
Brazil como /rodes e Hoemaphysalis assim como
de numerosas especies de Amblyonma. A região
fronteiriça de S. Paulo tem muito maior abundancia
de especies diz o Prof. Brumpt.
Arronso DE. TAUNAY.
MELLO LEITÃO (CG. F. DE). Aranhas novas
e pouco conhecidas: Thomisidas e salticidas bra-
silerras. Archivos da Escola Superior de Agricul
tura e Medicina Veterinaria. — N. 2 Rio. Impren-
sa Nacional — 1918 — De pags. 101 a 182. : |
Nas Aranhas novas ou pouco conhecidas Tho-
misidas e salticidas brazileiras, deste tomo dos ex-
cellentes Archivos, se encerra mais uma contribuição
valiosa do nosso illustre collaborador, Dr. Mello Lei -
tão, sobre a fauna arachnologica brazileira.
Assim nas Thomisidas nos revela um novo ge-
nero Acracanthostoma, cujo typo é a A. bicornu-
ta, hab. Pinheiro e uma strophiina Strophias dida-
cticus, de Nova lguassú.
Entre as meswmenmas do grupo das tinareas,
da sua colleceção particular achou v A. uma sp. no-
va Tinarus formosus, de Pinheiro. Ainda nesta lo-
calidade fiuminense encontrou o Dr. Mello Leitão um
TÔT
novo genero de Stephanopsinas, muito affim da Re-
gillure (Cambridge, 1884 ) a que deu 9 nome de
Marxiellia e cujo typo é M. flumainensis. Outra es-
pecie nova é Tobias corticatus havendo ainda o eru:
dito arachnologo determinado duas especies ineditas
do genero Gephyrina a que deu os nomes de G.
embecilla e G. mutilata, ambas da cidade do Rio
de Janeiro.
Dentre as nossas salticidas descreve-nos nume-
rosas formas novas: Lyssoimanes bifascralu, L. de-
votor, L. quadripunctatus e L. leucomelas todas de
Pinheiro Acragas trimaculatus (Pinheiro) Mago
australis ( Nictheroy ) Thiodina inelanogaster ( Pi-
nheiro e Nova Iguasst) 7! punciulata; Cericmura
mathematica ; Cotinusa pulchra de Pinheiro. Crea
o Dr. Mello Leitão o novo genero Arachnomura
cujo typo é A. hyeroglyphica e descreve as novas
especies Stenodozo fallax, Simonella aurantiaca, 8.
bimaculata e S. mastigostyla : Synemosina mela-
nura, Chirotecia crucidta; Maeots fusca, Scoturius
taeniatus e Blanor fimbriatus todas dos arredores
de Pinheiro. Ne grupo das Hasarieae destaca-se por
seus caracteres o novo genero: Gastromicans cujo
typo é G. squamulata e ainda descreve o A. umo
especie nova Bulmaceda vera.
Bellissima colheita fez como vemos o Snr. Dr.
Mello Leitão incorporando à systematica 21 saltici-
das novas e sete thomisidas. A nossa fauna arach-
nologica recompensa fartamente os trabalhos dos que
a ella se dedicam. Novas, avultadas e brilhantes
descobertas estão certamente reservadas ao arachno-
logo tão devotado quanto erudito que é o nosso pre- .
zado collaborador.
Arronso DE TAUNAY.
MELLO LEITÃO (C.F. pe) Drassoideas do
Brazil. Archivos da Escola Superior de Agricul-
tura e Medicina Veterinaria. Vol. Il, 1918; p. 17
— 768 —
Fazendo a revisão deste grupo para o Brazil |
começa o nosso prezadissin o collaborador, cujas
contribuições tanto honram a nossa Revista, pelo
historico da questão. Linneu apenas menciona O
Araneus cenatorius no Syleina natural; e Key-
serling em 1891 nada menos de 111; só o autor
revelou a existencia de treze especies em 1916 e
1917. Estudando depois os caracteres geraes e di-
visão destas aranhas lembra o Dr. M. L. que o ca-
talogo de Petrankevitch menciona 206 especies em
45 generos de. drassoideas brazileiras. A isto se
segue a chave das cinco familias: Gnaphosidas,
Selendpidas, Heteropódidas, Clubiônidas e Clénidas.
As selenopidas, revistadas, em primeiro logar
comprehendem o genero unico S-lenops, Latreille,
1819. Aproveita o A. o ensejo para -rectificar um
erro que commetten incluindo neste genero duas ara-
nhas que hoje colloca em Veclus. “Descreve agora
Selenops maranhensis e S. occultus, formas novas.
Passando às Heteropodidas lembra o A. que
nem todos os grupos em que Linneu as dividiu se
acham representados no Brazil e assim revê a es-
pecie das Heteropodea, das Deleneas (em cujo ge-
nero Ólios descreve quatro formas novas, O. albus,
O. aurantiacus, O. caprinus, O. hyeroglyphicus ),
das Chrostodermateas, das Sparianthideas.
Passando às Gnaphosidás, no grupo das Æche-
meas assignala o Dr. M. L. e no genero Echemus
— Simon 1878 uma espece nova E. pallas, no ge-
nero Precilochroa, outra sp. n. a saber: P. trifa-
sciala.
Numerosas figuras illustram o artigo volumoso
do Dr. Mello Leitão, em que ha a mais abundante
pormenorisação.
Arronso DE. TAUNAY.
MELLO LEITÃO (C. F. ne ) Um novo gene-
ro de Thomisidas da sub-familia Philodrominas
(Revista da Sociedade Brazileira de sciencias. )
Ni 2 4018,
. — 769 —
O novo genero apontado pelo nosso incansavel
collaborador é affin de Gephira (Koch, 1875) e Ge-
phirina (Simon, 1897.) Baptisou-o Gephyrella seu
typo é G. violacea para uma aranha de Pinheiros
{ Estado do Rio de Janeiro ).
AFFONSO DE. TAUNAY.
INSECTOS
Faria (Diogo TRIXEIRA DE) Os inimigos de
nossos livros—S. Paulo. 1919. — Olegario Ribeiro,
Lobato & Gia.
O sr. dr. Diogo de Faria não se contenta em
ser o clinico eminente que não sabe como dispôr
do tempo disputado pela enorme clientela; é tam-
bem um administrador que tanto estimam quanto
admiram seus subordinados e os seus superiores hie-
rarchicos. Chefe de uma repartição importantissima
como o Desinfectorio Central de S. Paulo, posto à
testa de um pessoal avultado de centenas de ho-
mens, impoz aos seus serviços a mais proficua di-
rectriz. O exercicio do cargo levou-o ultimamente
a estudar, tão pertinaz quanto pacientemente, um
problema relevantissimo em qualquer parte do globo
e sobretudo entre nós, habitantes de regiões quen-
tes: o da guerra aos minusculos e incansaveis des-
truidores de livros, que fazem o desespero de li-
vreiros, colleccionadores e bibliophilos, dos simples
ledores e amantes de seus livros. Numerosas expe-
riencias a tal proposito executou o sr. dr. Diogo de
Faria nas suas estufas e é a synthese de suas ob-
servações que em clara linguagem expõe no seu li-
vro, n. 4, da série tão brilhantemente inaugurada
pelos srs. drs. Octavio G. Gonzaga e Carvalho Li-
ma, Araujo Lima e Baptista da Rocha, e Salles
Gomes Junior, sob os auspicios e iniciativa do for-
midavel e esclarecido trabalhador que é o dr. Ar-
thur Neiva.
— 710 —
Acha o sr. dr. Diogo de Faria que é utopico:
erer-se que com o mesmo processo consiga alguem
destruir todos os insectos bibliophagos. que são tão
diversos na sua vida e habitos. E” preciso estudar-
lhes a evolução para uma oceasiao propicia e poder
então guerreal-os com proveito. Versaram as ex-
periencias sobretudo sobre dois coleoptercs, absolu-
tamente damninhos em S. Paulo (o Catorama
herbarium e o Dorcatoma bibliopbagum
brasiliensis, P. S. Magalhães) que foram deter-
minados pelos dois eminentes especialistas que são.
os srs. drs. Costa Lima e Pedro Severiano de Ma-
galhães. 1) lepisma poucos estragos faz entre nds
em relação aos seus companheiros de malefícios.
De ambos traz o livro do sr. dr. Diogo de Faria
excellente prancha a cores, onde se retraça sua evo-
lução de larva a imagem. Descreve-os o A. mi-
nuciosamente é expõe-lhes a biologia com os por-
menores que lhe poude fornecer a observação con-
tinna em mezes e annos, chegando à conclusão que
de outubro a dezembro é o tempo em que taes be-
sourinhos fecham o seu cyclo evolutivo entre nós.
O pleno conhecimento do grau de su: evolução—
declara o sr. dr. Faria—é de maxima importancia
para a efficaz appicação do processo de expurgo.
Assim deve ser feito ro periodo larvavio, de janeiro..
a setembro.
O grande agente desinfectad:r e coleoptericida
e. para o dr. Diogo de Faria, o gaz sulfuroso, pro-
duzido pelos apparelhos Clayton. Desinfectar o livro
sem o agitar e deixar-lhe as paginas entreabertas
é inutil, diz o A.; os bichinhos concentram-se nos
seus escaninhos em que, sem esta precaução, se:
mostram inexpugraveis. Deve o livro estar suspen-
so por um gancho, para que o proprio peso não o.
faça fechar; o expurgo precisa ser feito em quarto.
secco, porque o quarto humido pdde provocar a
formação de um pouco de acido sulfurico muito no-
civo aos livros. Para o caso, imaginou o A. uma
estante com ganchos especiaes.
Verificou ainda que os livros supportam per=
feitamente a operação, sem o menor inconveniente.
Assim tambeni os manuscriptos, por mais velhos
que sejam, e já apagados: os autos do archivo da
Guria. Metropolitana de S. Paulo passaram por suas
mãos; datavam alguns de meados do seculo XVII,
no emtanto, voltaram à Curia incolumes, libertos de
sua galeira, já secular.
Revista o A. os diversos processos para a ob-
tenção, em desinfecção, do gaz sulfuroso; por falta
de meios aprepriados não poude experimentar o de
Raul Pictet. Serviu-se sempre do appar lho commum
de Clavton. |
Pelos perigcs que offerece não preconiza o pro-
cesso da obtenção do anhydrito sulfuroso pelo sul-
fureto de carbono. O gaz, diz o A., precisa sem-
pre penetrar no livro com certa pressão. Estuda lhe,
depois, a questão da dosagem, declarando que após
mnitas apalpadellas, se convenceu de que a porcen-
tagem minima de 12 por cento seimpõe. Deda 7
horas, é o prazo para que se homogeneise o ambien:
te, de modo proveitoso. Para a verificação da dosa-
gem, imaginou o A. engenhoso apoarelho de sonda-
gem da atmosphera da camara, em diversas alturas.
Depois da applicação do gaz sulfuroso, recom-
menda o dr. Diogo de Faria, ainda, a limpeza ri-
gorosa dos livros.
Ao finalizar o seu interessantissimo estudo, ex-
põe os diversos processus de combate aos insectos
bibliophagos, o ar super aquecido, o chloro, o for-
“mol, o cyanogenio, a petrolagem. o processo me-
chanico de bater, etc. e explica-lhes as vantagens
e desvantagens. Resumindo as suas observações,
frisa o dr. Diogo de Faria quanto lhe parece ca-
pital o conhecimento dos elementos entomo-
logicos das especies dos insectos.
Extensa bibliographia mostra quanto estudou
o assnmpto. nas suas differentes e tão variadas faces.
Em summa, um trabalho utilissimo, concebido
e realizado com verdadeira superioridade e que te-
rá certamente a maior repercussão: a que merece.
AFFONSO DE. TAUNAY
— 772 —
COLEOPTEROS
COSTA LIMA (ANGELO M. pa) — Sobre alguns
curculionidas que vivem nos bambis. VI. Memorias
do Instituto Oswaldo Cruz, Fasciculo 3, pags. 224-
230. Rio de Janeiro 1914.
Mais uma contribuição valiosa para o conhe-
cimento dos coleopteros que infestam os bambus,
pois aqui o autor publica notas e observações sobre
mais quatro destes curculionideos. São elles o As-
tyage lineigera Pascoe, encontrado em Manguinhos,
pelo Autor, e Perideraeus granellus, Boheman,
Erethistes lateralis Chu. var. catharinensis nova
e Diomychus parallelogramus German, var. talvez
alternans Desbrochers des Loges.
O primeiro tem mais ou menos os habitos de
Erethistes lateralis Bhn. mas não corta o bambu
para facilitar a sua quéda. Em muitos internodios
o autor encontrou larvas e chrysalidas desta especie
parasitadas e apresentando o mesmo aspecto dos
bichos da seda quando atacados pela flacherie. São
minuciosamente descriptas todas as phases deste
coleoptero.
Nas estampas que acompanham o trabalho são
ilustrados o Astyage lineigera em todas as suas
phases menos a de ovo,e o Derideraeus granellus
o Zrelhustes lateralis var. catharinensis e o Ere-
thistes laleralis em estado adulto.
ADOLPHO HEMPEL.
COSTA LIMA (AxarLo M. DA) — Nota relativa
ao cassid'deo Oinoplata pallidiformis ( Dejean )
Memorias do Instituto Oswaldo Cruz, VI, Fasciculo
2, pags. 112-116. Rio de Janeiro, 1914.
E” esta uma contribuição interessante à biologia
deste coleoptero, pois em um fragmento de galho
quasi secco, encontrado em Petropolis no mez de
dezembro, o qual tinha uma aglomeração de cer 3
— 773 —
de uma ou mais chrysalidas do referido coleoptero,
todas presas pelo abdomen, e um unico exemplar
adulto, o qual o autor verificou ser femea.
Julga o autor que a disposição das chrysalidas
“constituem um meio de defesa contra os inimigos
naturaes da especie; e que todos os individuos cres-
cem de ovos postos pela femea adulta que cs
acompanhou pois parecia vigiar as chrysalidas com
muito cuidado.
Segue uma descripção da chrysalida e do in-
secto adnlto, e uma estampa nitida figura a agglo-
meração de chrysalidas e vu adulto,
ADOLPHO HEMPEL.
COSTA LIMA (ANGELO M. DA) — Deccripção de
um novo genero com wma nova especie de besouro
cholid o ( Fam. Curcutonide, sub-fam. Curculio-
nince). Memorias do Instituto Oswaldo Cruz, VI,
Fasciculo 3, pgs. 217-220. Rio de Janeiro, 1914.
O autor estabelece o novo genero Paranaeno-.
mus para um coleoptero cholideo de 11 mm. de
comprimento, apanhado em Petropolis pelo dr. Os-
waldo Cruz, e o qual têm caracteres pertencentes
aos generos Anaeomus e Ereth'stes, sendo elle de-
-scripte como Paranaenomus lulzt n. sp.
O trabalho dá a diagnose do genero, e uma
descripçäo de Paranaenomus lutar n. sp. e de Ance-
onomus rub g neus Pascoe, sendo estas duas especies
tambem claramente fignradas na estampa annexa.
ADOLPHO HEMPEL.
COSTA LIMA (Ancero MoREIRA DA) Sobre al-
guns curculionideos que vivem nos bainbus. Memo-
rias do Instituto Oswaldo Cruz, VI, Fascisculo 2.
pgs. 117-128, Rio de Janeiro, 1914.
O Dr. Oswaldo Cruz encontrou em Petropolis
uma pequena especie de bambu cultivada, conheci-
— TA —
da pelo nome de canna da ind a, atacada pela lar-
va e o adulto de um coleoptero, o qual foi deter-
minado como Ereth stes laterals (Bhn.), um cur-
culionideo do grupo chol na.
A femea perfura a parede do bambü com o
rostro, e deposita um ovo no interior de cada inter-
nodio, e depois de assim infestar diversos interno-
dios, por baixo do ultimo faz um circulo de
pequenos frros, bem perto um dos outros, fazendo
cour que, mais cedo ou mais tarde o bambuü que-
bre-se neste ponto. Tanto o insecto adulto como a
larva alimenta-se da substancia que reveste O in-
terior do b:mbü. Larvas transferidas para bambü
commum nada soffreram. |
O autor encontrou um pequeno bymenoptero
novo, parasita nos ovos deste coleoptéro, pertencen-
te à superfamilia chale'd o'dea Ashm., e que des-
creve como Prodecatoma erusi n. sp. Este parasi-
ta é de cor preta metalica, durando o sen cyclo
biologico cerca de 15 dias. Tanto o coleoptero em
estado de larva e de adulto, como o parasita são
nitdamente figurados em duas estampas.
O autor ainda assignala duas outras especies
de coleopteros como nocivos à canna da India. sendo:
estes um tenebrionideo Acropteron rufipes Perty,
que infesta os brotos, e um lamelicornio, Bolax sp.
que se alimenta das suas folhas.
ADoLPHO HEMPEL.
COSTA LIMA ( AXGELO Moreira DE ) — Sobre
alguns curcul on das que v vem nos bambis: Me-
morias do Instituto Oswaldo Cruz. Tomo VIII, Fa-
ciculo 1, pags. 4 -43. Rio de Janeiro, 1916.
Neste trabalho o autor accrescenta à lista dos
cholideos que infestam os bambus, mais tres especies
Rhinastus pertusus Dalman, encontrada ainda em
estado larval dentro dos internodios de taquarussts
( Chusquea gaudichaudii) Kunth, em Hansa, Jum-
boldt, Estado de Santa Catharina cuja larva é des-
q pa
RS NT EU) does
cripta; Desinosoinus long pes Perty encontrado em
estado adalto dentro dos interno lios de uma especie
de taquära na Gavea, Rio de Janeiro; e Istyage
punctata n. sp. uma especie minuciosamente des-
cripta encontrada dentro de internodios de taquára
póca (Merostachas claussen: Manso var. moll or Doll)
em São Bernardo, Estado de São Paulo, e enviado
pelo sr. R. von Ihering.
O autor dã ainda uma lista de quatro especies
de cholideos que vivem como parasitas em palmeiras”
ADoLPHo HEMPEL
DIPTEROS
COSTA LIMA (AxGELo Moreira DE). Contribur-
cao para o esludo da bi logia dos culicidas. Ob-
servações sobre a resperação nas larvas. Memorias
do Institut: Oswaldo Cruz. Vill, Fasciculo |, pgs
41-49, Rio de Janeiro, 1916.
O autor,na primeira parte da publicação, res-
ponde às objecções feitas pelo Snr. S. K. Sen em
« The Indian Journal of Medical Research » de Ja-
neiro de 1915, aos resultados obtidos em algumas
experiencias sobre o processo respiratorio das lar-
vas dos culicidas, publicado no vol. VI, fasciculo !,
1914 destas Memorias, e mostra a improcedencia
da critica adversa, pois -as alludidas experiencias
foram feitas com todo o cuidado e em condições
exceilentes. O autor attribue às diversas qualidades
de agua empregada nas respectivas experiencias, as
divergencias nos resuitados obtidos em suas proprias
pesquizas e as do Snr. Sen.
Para corroborar as experiencias anteriores 0
autor procedeu a novas experiencias, 11 em numero,
com a presença do Dr. Lutz, sendo os resultados
publicados na segunda parte do trabalho. Nestas
experiencias foram utilizadas larvas, dos generos
Culex, Stegomya e Gualleria, e ficon mais uma
vez provado o que já havia sido estabelecido, nas
experiencias anteriores; que as larvas dos culicidas
— 116 —
normalmente respiram ar livre, mas que tambem.
especialmente no estado mais novo, absorvem 0 oxy-
genio em solução na agua, e na falta do ar livre
podem ellas viver por tempo variado, utilizando-se
apenas do ar dissolvido na agua.
«A duração da vida das larvas sem respirar ar
livre varia: |
1.0 Conforme a «dade da larva; as mais
novas resistem muito mais que as velhas, prestes a
se transformar ;
2.º Conforme a especie da larva; as com
foliolos de ramificação traqueal abundante resistem
mais que as que têm pequeno numero de ramifica-
ções traqueaes nos foliolos ;
3.º. Conforme a qualidade A aqua em que
ella fica mergulhada ; na agua impura, ou recente-
mente fervida, como tambem em agua impregnada
de gaz carbonico ellas morrem na maioria muito
antes de larvas da mesma idade e procedercia mer-
gulhadas em agua limpa e arejada».
O autor figura um novo apparelho empregado
nestas experiencias, que consiste num cylindro de
vidro de 11 cm. de comprimento e 4 de diametro,
como as duas extremidades fechadas com tela de
seda. As larvas em experiencia são fechadas neste
tubo, o qual é depois suspenso em uma grande cuba
com agua. Um siphäo de vidro e borracha serve
para trocar a agua do cylindro sem tiral-o da cuba,
Nestas experiencias ficou demonstrado que a larva
de Mansonia titillans, por ter os foliolos branchiaes
um systema tracheal pouco ramificado, não pode
manter-se exclusivamente do ar dissolvido na agua,
morrendo pois em poucas horas. Introduzido no tubo -
com Jarvas desta especie, alguns exemplares da planta
aquatica Pista stratotes, as larvas se fixaram nas
suas folhas e raizes e co:servaram-se vivas por 3 a
4 dias.
Estas experiencias realçam ainda mais a repu-
tação do autor como pesquizador meticuloso e exacto:
no terreno de entomologia applicade.
ADOLPHO HEMPEL.
=
‘
i
~
—— { ——
COSTA LIMA (AnGeEto Moreira DA). Contri-
buição para o estudo da biologia dos culicideos. Me-
morias do Instituto Oswaldo Cruz, Tomo VI.
Affirmam os autores que as larvas dos culici”
deos morrem se não respirarem o ar livre, e por
isto vem sempre à tona d'agua. No emtanto larvas
ha de especies como Liinatus que passam uma hora
sem vir à superficie do liquido. Nas suas experien-
cias em Santarém, Pará, verificou o À. que estas
larvas respiram o ar dissolvido na agua, attribuindo
então notavel papel aos foliolos bronchiaes de que
dispõe. Havendo feito a ablação de taes orgãos viu
o animal amiudar immenso as suas vindas à tona.
Na sua opinião as larvas dos culicideos respiram o
ar livre pelas aberturas tracheaes e o ar dissolvido
na agua no nivel dos foliolos broncheaes. Não é
exacto que privados do contacto no ar livre venham
a morrer, como se julgava.
As experiencias do Dr. Costa Lima no Pará
(Santarêm e Obidos) e no Rio (Manguinhos) versa
ram sobre muitos mosquitos (Culex fatigans e Ste-
gomyia sobretudo; Cella, Culex cingulatus Gual-
teria fluviatlis) empregou agua limpa e arejada,
agua recentemente fervida e afinal agua coberta de
kerozene. Inventou um dispositivo interessante im-
pedindo o contacto das larvas com o ar.
Acha o Dr. Costa Lima que à medida que a
larva cresce precisa imperiosamente de maior quan-
tidade de ar livre; assim nas vizinhanças da meta-
morphose em nympha morre se passar um dia sem
respirar o ar livre. Os foliclos bronchiaes são orgãos
puramente respiratorios e não locomotores. À abla-
ção obriga a vinda do animal à superficie. Para po-
der viver à custa do ar da agua, sOmente precisa a
larva de que a agua seja muito arejada. Morrem lo-
go as larvas na agua fervida. O petroleo as mata
por asphyxia pela adherencia ao tegumento externo
do corpo e aos foliolus impedindo a respiração e pe-
la intoxicação. Emfim um trabalho excellente de ob-
servação acurada este do nosso joven e distincto en-
tomologo.
Arronso DE. Taunay.
LUTZ ( Avotpeno ). Notas d pterolog cas; con-
tr bu cio para o conhec mento dos prime:ros esta-
dos de taban deos braz le ros. Memorias do Insti-
tuto Oswado Cruz. VI, pgs. 43-49. Fasciculo 1.
Rio de Janeiro, 1914. |
Ha muitos annos que o autor estuda. os taba-
nideos, sem, entretanto, conseguir obter muitos resul-
tados acerca do seu estado larval. Encontrou muitos
ovos depositados na pagina superior de folhas de
eramineas ou de Hedychiwm corontr win, situadas
à margem de rios e regatos com correnteza forte, e
um pouco acima da agua.
Não foi possivel criar as larvas nascidas destes
Ovos, e nem encontrar jarvas identicas mais cres-
c.das nos lugares onde foram colhidos os ovos, as-
sim decidiu trazer ao conhecimento do mundo
scientifico a existencia destas larvas, descrevendo-
as neste trabalho. São pequenas 0,6 a 0,15 mm.
de comprimento para 0,06 de largura, com o
corpo transperente, com seis pares de falsos pés,
retracteis, e um par no penultimo segmento do
corpo. em forma de Y que não póde ser reco-
lhido. As larvas são muito ugeis mas só vivem
pouco tempo n'agua.
Depeis de muitas tentativas, 0 autor encontrou
perto de Manguinhas algumas larvas de mutucas.
For,m ellas achadas em terra, la wacenta bastante
arenosa, por baixo e ao lado de um rego d'agua.
As larvas têm cerca de trinta mm. de compri-
mento, tendo as pupas pouco mais que a metade.
O estado de pupa dura cerca de 10 dias. Destas
larvas foram criadas duas especies communs do
grupo de Tubanus trlneatus Latr., denominadas
Neotrb nus ochrophilus Lutz e Neotibanus trian-
— 79 —
guluin (Wied). Constituem estes estudos uma va-
liosa contribuição à biologia deste grupo de Dipteros.
ADOLPHO HEMPEL
LUTZ ( Anorpnc ). Contribuição para o conhe-
cimento das Ceratopogoninas do brazil. Additamen-
to terceiro e descripcäo de espectes que não sugam
sangue. Memorias do Instituto Oswaldo Cruz, VI.
Fasciculo 2, pgs. 81-99. Rio de Janeiro, 114.
| Na primeira parte deste trabalho encontramos
uma referencia ao Centrorhynchus setifer Lutz, o qual
é identico ao Cotocripus caridei Brèthes, de
Buenos Ayres, cuja descripçäo foi publicada antes
que a do primeiro, devendo por isto prevalecer este
nome.
Segue a descripção de duas especies novas apa-
nhadas pelo Dr. Carlos Chagas no Estado do Ama-
zonas. São Johannseniella fluviatilis n. sp. de Massa-
raby, nas margens do Rio Negro, e Culicoides pa-
chymerus n. sp. de Camanaos, no Rio Negro.
Na segunda parte dão-se as descripções de dez
especies novas de dipteros pertencentes à sub-familia |
Ceralopogoninæ, as quaes não sugam sangue, são
porem interessantes sob o ponto de vista biologico
ou inorphologico, pois ou são marinhas ou vivem sob
bromeliaceas, como segue:
Ceratopoyon bromel.cola n. sp., em bromelia-
ceas de Manguinhos.
Ceratopogon filibranchius n. sp., Apanhado atra-
hidos pela luz.
Fore pomy a squamosa n.sp., Apanhado no ap-
parelho de luz em Manguinhos,
Forcipomuyia squarnitbia n. sp., Apanhado na
luz em Manguinhos.
Forcipomy a 9 color n. sp., Apanhado na luz
em Manguinhos. |
Str chopogon flavipes n.sp Apanhado à beira-
mar.
— 780 —
Palpomyia sp'nosa n. sp., Apanhado na luz.
Palpomyra inultlineala n. sp. Apanhado na luz
em Manguinhos.
Palpomyia fuscivenosa n. sp. Apanhado na luz
em Manguinhos.
Paipoinyia dorsofasc ata n. sp. Apanhado na
luz, em Manguinhos.
Uina figura no texto e duas estampas magnifi-
cas, illustran: as especies descriptas.
A. HEMPEL
LUTZ ( Apocpro) Sobre a systematica dos
tabanideos, sub-fanulia Tabanine. Memorias do
Instituto Oswaldo Cruz, VI. Fasciculo 3, pgs 163-
168. Rio de Janeiro, 1914.
Em publicações já feitas o autor propôz a di-
visão dos tabanidios em dois grupos, conforme a
ausencia ou a presença de esporos apicaes nas ulti-
mas tibias. No primeiro grupo foram incluidas as
sub-familias Pangonine e Chrysofinæ, e no ultimo
grupo as diachlorince; PP. Lepidoselaginæ e Ta-
banine.
Tendo já publicado a sua monographia sobre
as duas primeiras sub-familias, o autor propõe, no
presente trabalho, estudar a systematica da ultima
sub-familia, Zabanince, comprehendida pelos gene-
ros Zabanus, Dichelacera, Acanthocera e Stiba-
soma, refunde todo o material e indica grande
numero de generos novos.
Diz o A. que «as subdivisões maiores só se po-
dem basear em dois caracteres, à saber: o aspecto
dos olhoseo do ultimo articulo das antennas.» So-
bre este ultimo caracter elle estabelece duas series
paralellas de generos nas divisões Taban nie schis-
tocerae e Tabanine haploceræ, e da as chaves
systematicas para a collocação des individuos nos
generos propostos. Fazem parte do primeiro grupo
os generos Acanthocera, D chetacera, Catachlorops.
— 181 —
Amphichlorops, Chryplotylus, Stbosoma, Rhabdo-
tylus, Dichladocera e Chelotabanus ; e no segundo
grupo os generos Macrocormus, Stenotabanus,
Poecilosoma, Neotabanus, Chlorotabanus, Leuco-
tabanus, Phacotabanus e Tabanus. Os antigos ge-
neros Ther.opletes e Alylotus não foram contem-
plados, por não serem representadas em nossa fauna.
Este trabalho é o resultado de profundos estu-
dos e prolongadas observações, e é de lastimar que
não haja sido baseado inteiramente sobre caracteres
permanentes; pois diz o autor que o desenho dos:
olhos impõe-se no estudo dos exemplares frescos
posto que, infelizmente, este Jesenho possa apagar-
se completamente em exemplares conservados por
muito tempo.
A. HEMPEL.
LUTZ ( Apotpno) Tabanidas do Brazil e de
alguns estados vizinhos, ( segunda memoria ) Me-
morias do Instituto Orwaldo Cruz, tomo VII.
Proseguem nesta memoria os estudos do À. ex-
postos no tomo V, das Memorias, em que tratou
das Diachlorine e Lepidoselagine.
Assim enceta-o uma « Nota addicional 10 ge-
nero Diachlorus» em que o eminente dipterologo
faz notar variações locaes de Diachlorus distenctus
da fauna catharinense.
Passando ao estudo das Tabanidas principia a
rever as Zabanincæ schistocere, pelo genero Acan-
thocera de Macquart; onze especies de que dá nova
chave. Descreve-os acuradamente addicionando-lhes
as descripções das novas formas. A. fenuicorns da
Serra da Mantiqueira A. nigricorpus, de Joinville,
Santa Catharina, A. intermedia, colleccionada em
Goyaz por Neiva, A. quinquecincta de Matto Grosso,
e A. eristallis de Santa Catharina. Chama a atten-
ção, ainda, o A. para uma mutuca do Noroeste de
S. Paulo, colleccionada por Alexandrino Pedroso,
femea de Acanthocera que lembra outra determi-
4
— 482 —
nada como coarclata e apanhada em Subaúna. Julga
o Dr Lutz que não se trata de hybridismo mas
tambem não se julga em condições de fundar nova
especie. E” possivel pois que se trate de um caso.
de aberração.
Passando ao genero : D chelacera, depois de
rigorosa discussão estabelece o A. uma nova chave
para vinte especies das quaes oito novas D. sub-
margnata, para uma mutuca de Venezuela e outra
de procedencia incerta, D. lacer fase a, D. trigo-
nolæn a do Paraguay, Uruguay e iio Grande do
Sul. 2. mult gutlatu, do Rio Grande do Sul, D. sal
radosens s de Acajutla naquella republica da Ame-
rica Central, J. calosa colleccionada por Neiva na
Bahia e em Goyaz; D. m cr'acantha de Goyez;
D. modesta de Matto Grussc.
No genero St bosoma Schiner descreve o Dr.
Lutz novas especies das quaes uma nova S. semi-
flacuin de Santa Catharina (Joinville) e assim se
encerra a excellente memoria onde o A. faz a cri-
tica rigor.sa das generalidades relativas a cada
genero, discutindo as questões de synonymia e a
discripção exhaustiva das especies. Tres magnificas
pranchas com trinta e cinco figuras coloridas de
mutucas, e desenhadas por Fischer e Zucchi com-
pletam o artigo.
A. DE. TAUNAY.
LUTZ ( Aporpno ) Contribuições ao coiheci-
mento dos Oestrideos brazileiros. Memorias do
Instituto Oswaldo Cruz. IX, Fase. 1, pgs. 94-113.
Rio de Janeiro. 1917.
Um importante estudo sobre este grupo de di-
pteros parasiticos, no qual o autor faz um estudo
critico da sub-familia recapitulando os caracteres
mais apreciaveis, dá uma chave baseada nos cara-
cteres dos adultos, para distinguir os 5 generos
observados no Brazil, e publica um catalogo das 20:
especies sul-americanas.
— 783 —
Depois segue uma discussão dos diversos ge-
neros e especies com a discripção das seguintes es-
pecies novas: Cuterebrr mfulata mn. sp.; Cuterebra
nigr cans, Culerebra S rcophagoides n. sp. Cutere-
bra Schumalzin. sp; um estudo sobre o parasitisme
destas especies americanas e no as hiologicas dando
especialmente a conhecer o modo pelo qual a mosca
do «berne» Dermtoba hom n's Say, dissemina os
seus ovos. depositando-os sobre o corpo de outras
moscas. Tambem registra a presença do Rh noes-
trus ovis, uma especie européa, no Rio de Janeiro.
Tres magnificas estampas e uma bibliographia,
contribuem: para realçar o valor deste trabalho.
A. HEMPEL.
LUTZ ( Apocpro) Terceira contr bu ção para
o conhec mento das especes braz le ras do genero
Smulum. O prüum do norte (Smulum amazo-
nicum ). Memorias do Instituto Oswaldo Cruz, IX,
Nasc. 1, pgs. 63-67. Rio de Janeiro, 1917.
O autor notou que os exemplares adultos desta
e de outras especies, modifica a cor do corpo por-
que o piymento da hemoglobina do sangue que lhes
servem de alimento, fica depositado nos tecidos, tor-
nando-se mais escuras as partes claras. Tambem ha
erande modificação na côr dos exemplares conser-
vados em regiões humidas, como ha tambem mo-
_dificagéo no aspecto conforme o reflexo da luz.
Bascado nestes estudos e observações, o autor
dá uma nova descripção do piúm, S mulium ama-
zon cum, Goeldi, e considera como synonymos
desta, as seguintes especies: Sulium ex guum
Lutz, Simulum m nusculum Lutz e Smulium ni-
tidum Malloch. Ao texte esclarece a estampa annexa.
A. HEMPEL.
Pp oa
LUTZ (ApoLrHo) e COSTA LIMA (AnceLo Mo-
REIRA DA) Contribuição para o estudo das Tripa-
neidas (moscas de fructas) brazileiras (com duas
estampas). Memorias do Institato Oswaldo Cruz;
Tomo X. Fasciculo I, 1918.
Versa este estudo sobre o exame do material
colleccionado por Lutz ou pertencente ao Museu
Paulista.
Discutindo as especies brazileiras de Anastre-
pha fazem os À. A. o estudo rigoroso das formas
distinctivas de A. /raterculus à vista da documentação
reunida. Trata-se de uma especie muito variavel,
assim entendem os À. A., examinados os diversos
typos dos antecessores que fixaram as especies se-
riam duvidosas como novas as formas propostas
por Loew so» os nomes À. suspensa, A. ludens, A.
hamata, A. integra, A. consobrina, A. pseudopa-
rallela, A. obliqua | Macquart ) talvez a A. peru-
cvana de Townsend, A. A. parallela de Wied pa-
rece-lhes bem fixa como forma diversa.
As differenças de tamanho entre os diversos
exemplares examinados são enormes; attribuem-nas
os À. A. a melhor ou peor nutrição das larvas ;
tambem não ligam grande importancia ao decurso
das nervuras o que tem impressionado varios espe-
cialistas. Muitas variedades analogas procedem de
pontos muito distantes, o que exclue serem varie-
dades regionaes taes formas. Ao ver dos À. A.
taes considerações parecem de pouca importancia
porém representam uma contribuição à questão da
fixidez das especies.
Uma das formas estudadas merece contudo es-
pecial menção, por não ser ligada às descriptas por
formas intermediarias, tanto no material estudado
como na litteratura. Dão-lhe o nome de A. fenes-
trata sem affirmar contudo se trate de uma especie
de indiscutivel valor.
Do genero Pl giotoma Loew, 1873, acham os
A. A. haver descoberto tres formas novas brazilei-
ra que denominaram P. rudolphi P. jonasi e P,
trivittata. Precisam comtudo de maior material e novas
observações para aflirmar se se trata de especies boas
ou apenas variedades. Das tres vem longa e minu-
ciosa decripção.
Termina o artigo pela descripção de uma es-
pecie nova de uma ortalida da sub-familia Pyrgo-
tinae, genero Apyrgot que os A. A. baptisaram
personata e foi achada em Palmares ( Pernambuco )
e elles descrevem porque a primeira vista pode ser
confundida com uma tripaneida. A isto se junta 0
catalogo das especies até hoje descripto do genero
Anastrepha vinte e uma. A grande bibliographia
annexa demonstra a acuratez com que se documen-
taram os A. À.
Arronso DE. TAUNAY.
LUTZ ( ApoLpHo) e NEIVA (ARTHUR): Ás
tabanidas do Estado do Rio de Janeiro. Memoria
do Instituto Oswaldo Cruz; tomo VI, 1914 pags. 68.
A revisão das mutucas fluminenses dizem cs
A. A. tem muita importancia porque foram ellas
que provavelmente forneceram as primeiras contri-
buições para o estudo do grupo, aus autores anti-
gos cujas indicações são tão vagas: como as habi-
tuaes do «Brazil» ou da « America do Sul».
Na cidade do Rio são raros estes dipteros. No
verão, abundam nas mattas da serra do Andarahy,
como na Floresta Nacional da Tijuca. Os A. A.
acharam no Districto Federal a Ærephops's ( Pan-
gona) venosa Wiedmann que era assignalada no
Espirito Santo. Perto do Mar é frequente o Neo-
banus obsoletes Wicd. cujas larvas ainda não foram
descobertas, tambem ha JNeotabanus comitans e
iayostactes, Wied. etc.
No Xerem colleccionou Neiva 38 mutucas das
quaes uma nova; collecções tambem feitas em Pe-
tropolis, Xarapuhy, Magé, Sant'Anna de Macacu,
Therezopolis, eleva o numero de especies a cerca
de 80, o que dentro de uma área restricta mostra
— 786 —
a grande riqueza faunal indigena de tabanideos. Des-
crevem os À. A. nesta memoria os dous novos ge-
neros Orthostylus com uma especie conhecida 0.
ambiguus e Melanotabanus, typo M. fulig nosus,
mutuca rara.
Impugnam a seguir as ideias de Macquart so-
bre o insecto que chamou Silo us Sylverit, redes-
cripto por Bigot sob o nome de Tabanus siiacro-
ceratus. Acham que não pôde pertencer ao genero
Silvrus e como diverge de todas as especies brazi-
leiras filiam-na ao novo genero Pseudocenthocera
muito proximo de Acanthocera: assim sera P. Syl-
ve ri. A especie e rara; não se conhece o seu ha-
bitat que é attribuido ‘ao sul bahianc. Neiva a
achou no Xerém, depois Aragão na Mantiqueira,
em Minas, Travassos em Angra dos Reis, Zikan no
Espirito Santo, ete. No genero D.cladocera reuni-
ram os AA. as tabaninas esquitoceras de caracteris-
ticos communs. Excluem-se assim os generos Acan-
thocera e D chelacera, Macq. Shbasoima, Schiner,
Rhabdotylus, Catachlorops, Amphichtorops, Or-
thostylus e Chelotabanus Lutz. No Brazil o nume-
ro das especies é grande, alcançando cerca de 20.
Descrevem os AA. uma nova especie da Serra dos
Orgãos D. conspicua vara, com grande minucia de
pormenores.
Arronso DE Taunay
LUTZ (Aporpro) e NEIVA (Artaur). Contri-
buição para o estudo dos Megarrhinine NH. Do
Megarrhinus haemorrhoidalis. ( Vabricius, 1794).
Memorias do listituto Oswaldo Cruz, Tomo VI.
Começam os dous eminentes dipterologos o seu
artigo dando uma synonymia muito extensa que
abrange dezenas de citações. Fabricio fui quem
descreveu o typo mais tarde manipulado por Wied-
man. Neiva. examinou doze exemplares machos e
femeas do Museu Nacional de Washington e com-
paro-os com o typo fabriciano ainda existente no
Museu de Copenhague. Dahi a descripçäo grande-
mente pormenorisada do macho e da femea. Iize-
ram-se comparações com o material do Dr. Lutz
apanhado em Manãos e na Ilha de Marajó e do Dr.
Peryassi do Pará, do Sar. Bilger, de Surinam, do
Dr. Wise, da Guyana ingleza etc. Exemplares exami-
nados foram 23. Avancam os autores que Theobald
na sua monographia commetteu um erro palmar,
quando attribuia a M. haemorrho.dalis, a especie
de Cuba e do Mexico que é M. superbus, Dyar e
Knab. Nella tambem ha outras citações erradas ou
confusões com outras especies.
Sobre os ovos deste mosquito só se conhece a
observação de Goeeldi. As larvas vivem quasi sem-
pre nas bromeliaceas mas não exclusivamente.
Acham os AA. que Goeldi se equivocou quando at-
tribuiu 24 horas para a transformação da pupa em
imagem ; nunca assistiram a tal facto em prazo me-
nor de 4 a 5 dias.
Uuas estampas com tres figuras ilustram o
artigo. |
AFFONSO D E TAUNAY.
LUTZ ( AporpHo), NEIVA (ARTHUR ) E COS-
TA LIMA ( AnceLo M. DA) Sobre « Pupipara »
ou « Hippoboscidæ » de aves brazileiras. Memorias:
do Instituto Oswaldo Cruz, tomo VII (com duas
estampas ).
I
O material revistado compunha-se de uns du-
zentos exemplares de pupiparas colleccionados sobre
aves do Brazil, pelos drs. Lutz e Neiva durante
annos o que representa um real esforço, difficil
como é capturar taes dipteros.
Principia o artigo por uma-iniroducção erudita,
pela pormenorisação e abundancia dos documentos,
em que s? apresentam os resultados das pesquizas
do Dr. Lutz sobre pontos anatomicos e morpholo-
gicos que tem grande importancia para a definição
Jos generos e especies. A isto se segue uma chave
dns pe
para a determinação dos oito generos brazileiros e
a lista das especies observadas, disposta de accôrdo
com os hospedadores. Vem depois a parte especial, '
notando os A. A. quanto até hoje as especies brazi-
leiras são poucas e tem as suas descripções perdi-
das em litteratura vasta e difflcil de se obter além
de em geral se mostrarem insufficientes para a iden--
tificação das especies, tanto mais quanto chega a
sua lacunosidade do ponto de nem indicarem os
hospedadores. Assim parecendo haver especies quasi
cosmopolitas ou de extensão muito vasta — dada a
sua existencia parasitica sobre os hospedeiros mi-
gratorios torna-se necessario, para a identificação,
rever quasi todas as descripções existentes antes de
se pronunciar sobre o estabelecimento de uma nova
forma. Seria mesmo desejavel que houvesse uma
boa e extensa monographia da familia, o que ainda
não realisou, infelizmente, nenhum entomologo.
Descrevem os A. A. com extrema acuratez os cara-
cteres dos dous generos recentes Pseudolfersia e
Stilbometopa addicionando novus caracteres distin-
ctivos aos das diagnoses de Coguillet, seu fundador.
No primeiro aventam a collocação de uma nova
forma P. meleagridas parecida com Lynchia do
pombo. Provém o diptero de Pernambuco, Minas
e Espirito Santo; do Maranhão e foi apanhado so-
bre o peru verificando-se que tambem pica o ho-
mem, aliás seu hospedador casual.
Não se julgam porém os A. A. autorisados
ainda a dizer se esta especie não será a Olfersia
mexicana ou O. bisulcata de Chile descriptos por
Macquart ou a O. coriacea, de Guatemala devida a
Van der Wulp.
Entendem que a O. nigra, Perty, parasita de
corujas tem tres synonymos e descrevem uma nova
forma sob o nome de Olfersia raptatorium, collec-
cionada por Neiva no Piauhy sobre gaviões e uru-
bus. O nome é porém provisoric. Talvez se trate
da especie gallapaguina de Walker ou da outra de
Speiser. Só a confrontação dos typos poderá eluci-
dar a questão. Parece ao ver dos A. A. que os au-
— 189 —
tores frequentemente desprezam a questão, no en-
tanto, capital dos hospedadores, sobretudo sabendo-se
que as olfersias são bastante especialisadas.
Olfersia palustris, especie nova apanhada por
Neiva sobre pernaltas do Piauhy e do S. Francisco,
na Bahia, acham os A. A. que é bem uma forma
nova. Só póde collidir, talvez com a O. ardeae de
Macquart. Ainda mais frisante a originalidade de
O. holoptera que os A. A. obtiveram do Estado do
Rio de Janeiro sebre perdizes e saracuras. Justifi-
cam os À. À. a creação de um genero novo Pseu-
dornithomya intermediario a Olfersia e ornithomya
de que dão definição minuciosa. |
Em imaterial de Minas e S. Catharina, juritvs
e andorinhas, foi encontrada a nova mosca cujo
typo é P. ambigua. ‘Tao diversos os hospedeiros
que os A. À. julgam tratar-se de parasitismo erra-
tico. Ao artigo tiveram os eutores a exceliente
idéa de juntar, em appendice, numerosas descripções
de varios autores, optimo subsidio para os que pre-
tendem estudar as pupiparas tanto mais quanto se
trata de litteratura dificil de obtenção. Duas ma-
enificas pranchas de Fischer com 19 estampas il-
lustram o excellente artigo dos Drs. Lutz, Neiva e
Costa Lima, primeira contribuição brazileira para o
estudo das //ppoboscide.
AFFONSO DE. TAUNAY
NEIVA ( ARTHUR) E BARBARA’ ( BELAR-
MINO ). Mosquitos argentinos, Buenos-Aires, Flai-
ban e Camilloni — 1917.
Nesta memoria recordam os doutos A. A. quão
pouco, após os estudos de Felix Lynch Arribälzaga,
se adeantaram os conhecimentos sobre os culicideos
da Argentina.
Verificaram a existencia no paiz das tres sub-
familias Anophelinæ ; Culicine ; Dendromyne com
respectivamente cinco, onze e uma especies. Destas
poem em destaque Cellia argyrotarsis, Rov. Dev.,
— 190 —
O tarsimaculata, Goeldi e C. albimana. Wied,
abnndantissimos malarigenos que tanto flagellam
enormes regiões da Argentina como nossas. Das
anophelinæ chamam os A. A. especial attenção
para Anopheles pseudopunctipennis. o mais com-
mum e o mais espalhado da Republica.
Teve Neiva ensejo de reidentificar o A. annu
lipalpis de Arribälzaga, que os naturalistas julga-
vam nao existir, dado o extravio dos typos ie seu
creador. Este mosquito só se conhece da Argentina.
Notam ainda os À. A. a perniciosa occurrencia
de duas culicineas; o vosso infelizmente mais que
conhecido Stegomyza calopus vehiculador da febre
amarella e o “uwlex quinquefascialus que, segundo
os estudos de Biglieri y Araoz, transmitte a Micro-
filaria tucumana e o dengue. enfermidade de etio-
logia ainda mysteriosa, como se sabe.
Optima como se vê esta contribuição dos dous
scientistas.
Arrosso DE. Taunay.
NEIVA ( ARTHUR) /nformaroes sobre o berne.
Memorias do Instituto Uswaldo Cruz, tomo VI, 1914
pag. 206.
Começa o A. por lembrar que o eminente Prof.
Bouvier apresentando numa sessão da Academia de
Sciencias de Françca uma nota de Surcouf, o eru
dito dipterologo, felizmente não se esqueceu de
dizer que existiam importantes divergencias entre
as larvas de berne pertencentes ao material do Mu-
seum e as remettidas por Surcouf.
O conhecimento da Dermatobia hominis, L tem
sido até hoje entravado pela aceitação de absurdas
crendices populares. Não é a seu respeito que se
verifica o proloquio que empresta um cunho divino
à voz do povo. Já em 1910 frisara o A. quantos
dipteros tem sido calumniados attribuindo-se-lhes a
vehiculação do berne, o que é perfeitamente inexacto
como no caso de todas as Topulidre, erroneamente
Bf ce
chamadas pelos nossos roceiros: mosquitos berne.
O mesmo succede à Volucella obesa, Fabr. e a va-
rias especies do genero Mesembrinella.
No Mexico tal maleficio é attribuido ao Atra-
ctocerus braziliensis, na Venezuela ao Janthinosoma
lutze, Thes; em Matto Grosso insectos do genero
Echinomauyia, na Amazonia o Carapanan-dra que
não passa de um Ichnewmonido, tambem tem tal
fama.
Declara o A. que os ovos da memoria de Sur-
couf jamais os viu sobre o Janthinosoma luta: (alias
communissimo no Brazil, como o à tambem o berne)
nem sobre nenhum culicida. Lutz só uma vez ve-
riticou o facto sobre Anthomyia Heydeni, Wied.
Entretanto examinando com o À, os ovos viu que
eram differentes dos da Dermatobia. O Dr. Nunez
Tovar citado por Surcouf declara que conseguiu
«embernar» animaes praças aos ovos vehiculados
por J. Lutas. Ao fim de 11 dias nos furunculos
formados havia um ver macaque que este observa-
dor conseguiu crear até mosca. O A. repelle esta
conclusão como improvavel, à vista de experiencia
propria e dos antores. Nunca viu o diptero pene-
trar atravez da pelle, embóra o haja apanhado mui-
tas vezes sobre bois e cavallos. Lutz surprehendeu-o
no acto da desova. |
Na opinião do Dr. Neiva a derinalobia pro-
cura a victima e faz muitas posturas. A desova
sobre folhas que se tornam infectantes tambem a
julga improvavel o A. contrariando o sentimento
popular. Sobre as roupas acha o facto, mais natu-
ral. Isto talvez explique o caso dos rescemnascidos
einbernados, o processo complicado de vehiculação
pelo mosquito tornaria muito mais facil a cmber-
macio para estes pois que se não podem defender
dos dipteros.
No nosso interior é communissimo encontrar-se
nos domicilios o Janthinosoma. As mulheres pouco
sahindo tem mnito menos vezes berne que o homem ;
assim tambem o gato caseiro, em relação ao cão.
Lan Ras
Acha o Dr. Neiva que o caso de Surcouf deve
referir-se a outro diptero que não a dermatobia.
Ninguem mais póde aceitar a existencia de varias
dermatobias ; como suppôz Bouvier. Todas as cul-
turas de larvas demonstram a unidade da especie,
desde os Estados e Mexico até a Republica Ar-
centina.
Para reforçar a sa argumentação, expõe o À:
numa esplendida prancha, os desenhos das larvas
que retirou do labio superior de um homem em
Itapura, lembrando quanto tal localização não po-
deria passar desapercebida muito tempo do hospe-
dado; taes larvas differem inteiramente das de Sur-
cout.
Lutz e Aragão viram em Minas uma Derina-
tobia cavalgando uma Anthomuia : é um facto em
apoio da supposição de Surcouf.
Espera o A. no emtanto que os factos lhe de-
monstrem a vehiculação dos ovos da Dermatobia
pela Janthinosoma lutzi ou qualquer outro insecto.
Estados posteriores realizados em collaboração com
João Florencio Gomes o levariam, dentro em poco
à solução do problema numa demonstração irretor-
quivel de factos, absolutamente brilhante como adiante
veremos.
Arronso DE. Taunay.
NEIVA ( ArrtHUR) E GOMES ( João FLOREN-
cio). Biologia da mosca do berne ( Dermatobia
hominis) observadas em todas as suas phases.
Trabalho do Instituto de Butantan, 12 pags. in %.°;
LHE
O berne é um dos flagellos americanos, cam-
peia dos Estados Unidos à Argentina e nem sequer
os altos planaltos lhe escapam pois existe no Perú
e Bolivia, a mais de 300 metros de altitude. No
Brazil: Minas, Goyaz. Rio Grande do Sul, S. Paulo
e Rio de Janeiro são o seu habitat preferencial.
Ate 1911 nada se sabia do mecanismo segundo o
qual as larvas da derimatobia penetravam no corpo
humano e dos outros vertebrados. Só ha uma es-
pecie do insupportavel diptero em toda a America
demonstrou o Blanchard.
Miguel Pereira, em 1908, identificou o berne
humano e o bovino. Neiva, em 1910, verificou que
uma femea póde conter mais de SOU ovos, postos
parcelladamente. Suppunha-se que estas posturas
eram feitas sobre os animaes, directamente. Lutz
viu uma destas moscas fazel-o sobre um cavallo.
Em 191! Raphael Gonçalez, scientista venezuelano
verificou que os ovos da Dermatobia são vehicula-
dos por mosquitos o que aliás já suspeitára o povo,
mesmo no Brazil, segundo se deprehende de am
trecho de Alexandre Rodrigues Ferreira, citado
pelos A. A. Já em 1900 Blanchard vira ovos ape-
vados ao abdomen de mosquitos. A's observações
de Morales confirmaram as de Gonzalez Rincones,
Zepeda (de Nicaragua) Nunez Tovar verificando-se
que o vehiculador era um culicideo Janthinosoma
lulzi, Surcouf em 1913 figurou um destes mosqui-
tos carregando as larvas do berne. Havia comtudo
um ponto obscuro. Fazia-se a des va sobre folhas
de arvore, ou sobre o culicideo ? Morales e Knab
pendiam para a segunda bypothese. Surcouf e seu
collaborador Gonzalez Ricones para a primeira. Beau-
repaire Aragão teve a feliz ensancha de ver uma
Dermatobra “cavalgando uma Anthomyia e puits viu
em Minas Geraes outra Anthomyza com um agglo-
merado de ovos, preso ao abdomen. A memoria
que analysamos esclarece com notavel luz a biologia
da mosca do berne, resolvendo o mysterioso, e cu-
riosissimo problema da vehiculação de seus ovos.
Em janeiro de 1917 tiveram os AA. a felici-
dade de, à margem do Rio Pardo apanhar um
Slomoxys calcitrans, portador de ovos sobre o
abdomen que lhes pareceram de Dermatob a; logo
depois assistiram ao espectaculo interessantissimo da
espera feita pela Derinatobia de varios mosquitos ;
e consequiram assistir à captura de um Stomoxys
sobre o qual cavalgou a mosca do berne e mais -
— 794 —
tarde ainda viram-na alçar o vôo dentro de uma
redilha onde fcra apanhada e desovar 16 ovos sobre
o abdomen da sua prisioneira. Estava esciarecida
porque a Dermotobia pousa sobre cs vertebrados
de sangue quente; não para depositar os seus ovos
directamente e sim para capturar outros dipteros
sobre os quaes ha de desovar, porque como estes
sugam frequentemente taes animaes fornecem-lhe
às larvas a opportunidade de lhes penetrar na pelle.
O vertebrado era simplesmente um local de espera
como os nossos barreiros para os grandes carnivo-
ros, servatis servandis.
Depois deste primeiro e notavel passo viram os
AA. num local a mosca do berne desovar sobre
outros muitos dipteros culicideos e muscideos a
quem sujeitavam do modo mais curioso embora nem
sempre fosse a operação facil pois as victimas es-
forçavam-se sobremaneira por escapar a ella. Os
ovos adheriam ao vehiculador por meio de um in-
ducto que fazia pega com grande rapidez. Debalde
procurava a victima delles descartar-se. As Derma-
tobias quando não apanhavam os dipteros desova-
vam sobre o papel, sobre o vidro e até sobre as
companheiras, como que levadas por irreprimivel
necessidade. As duas Dermatobias presas puzeram
perto de 40) ovos, uma média de 188 a 189 para
cada uma. As moscas vehiculadoras e os pedaços
de papel foram transferidos para tubos de ensaio €
conservados à temperatura ambiente.
Passados seis dias começaram a surgir as pri-
meiras larvas. Curiosissimo o processo ideiado pelos
AA. e pelo qual sahiam ellas ou procuravam fazel-o
para fora do operculo do ovo, quer as dos dipteros
quer as do papel de filtro, desde que sentiam-ao
alcance a pelle de um animal de sangue quente e
até mesmo o calor do halito.
Tratavam immediatamente de «procurar sua
vida» se nos é permittida a expressão familiar.
Pouderam as larvas subsistir neste estado preali-
mentar cerca de vinte dias. Provocaram depois os
AA. a infestação experimental de animaes (cães >
As larvas procuravam afoutamente attingir um pello
do animal passando rapidamente de pello a pello,
até attingir a pelle, ou então, muitas vezes percor-
riam um pello isolado até a sua raiz. De 5 à 10
minutos durou a penetração ; algumas horas depois
ainda se viam as larvas por transparencia verifican-
do os AA. que o orificio de penetração é conser-
val) aberto. Depositando sobre elle glycerina viram
a larva vir respirar à superficie do liquido.
Interessantissimas as experiencias dos AA. so-
bre o desenvolvimento intracutaneo larval do berne,
a mensuração de suas dimensõos, mudança de pelle,
periodo de abandono do hospedeiro, pesagem em
diversos dias, relação entre o peso da larva e o
sexo da imagem, duração completa do seriodo lar-
val, hora do abandono do hospedeiro, ligação entre
a temperatura do ambiente e a duração do periodo
larval etc., emfim uma serie de porinenores os mais
variados, destes que só occorrem aos experimenta-
dores que possuem uma technica tão extensa quanto
firme, orientada e variada nas suas pesquizas, pelo
rigoroso criterio scientifico e a pratica longa do la-
boratorio. Facto interessante ainda foi o que veri-
ficaram os AA. notando quanto as larvas sabem
procurar os pontos mais perfuraveis da epiderme
dos hospedeiros. Caminham até attingirem de pre-
ferencia as mucosas em que penetram.
Outro facto notavel, agora por elles observado,
parece explicar porque o berne não se desenvolve,
sobre certos animaes como as aves. Acreditam que
isto se dê provavelmente porque a temperatura nor-
mal destes animaes é muito elevada, produzindo con-
dições thermicas ao berne nefasta. Quanto ao facto
de homens apresentarem bernes nos lugares mais
reconditos do corpo, isto se explica pela dehiscencia
das larvas abandonadas ao nivel do pescoço ou dos
pulsos pelos culicideos ou mascideos vehiculadores,
larvas caminhantes à procura de um ponto commo-
do para a intromissão e penetração.
Sobre o periodo nymphal do berne não menos
importantes e ineditas as descobertas Quando as
— 196 —
larvas abandonam o hospedeiro penetram rapidamen-
te no solo sobretudo se a terra é fofa e humida,
Acompanharam os AA. paripassu a transformação
de larvas em nymphas e anthenticaram . a duração
do periodo nymphal tiavendo já o Dr. Neiva notado
que nos lugares quentes este periodo é mais curto,
segundo o que observou no Rio de Janeiro. A du-
ração da imagem parece curta; talvez devido ao
captiveiro ? Resumindo as notas tomadas sobre o
cyclo completo de um dos insectos estudados acha-
ram os dA. que a sua vida deve ter de quatro a
cinco mezes assim: Da postura ao apparecimento da
larva; 7 dias; periodo larval anterior à penetração.
3; periodo larval no cão 35; nymphal 67; como
imagem 8; total 120 dias foi o que notaram de
uma das Dermatobias presas; de outra chegaram
a 140 dias.
Sob a ultima phase verificaram ainda os AA:
que o calor do ambiente parece instigar a activida-
de genesica das dermatobrias. - São lhes as copulas
muito longas, chegando a mais de quarenta minutos
às vezes. Repetem-se a miudo no mesmo dia. Uma
temperatura elevada do recinto tambem parece in-
fluir sobre a necessidade da desova: mostram-se as
temeas muito mais dispostas a capturar os musci-
deos sobre os quaes fazem o deposito.
Tiveram os AA. o ensejo de assistir a nuine-
rosas operações desta natureza a ao carioso espe-
ctaculo do processo de subjugação do futuro vehicu-
lador de ovos pela poedeira.
Nas suas pesquizas sobre os insectos vehicula-
dores dos ovos da derimatobia em diversos lugares
do Estado de S. Paulo ( Butantan, Avaré, Campinas
e Cosmopolis) verificaram os Drs. A. Neiva e J.
Florencio Gomes que entre nós parecem ser os mus-
cideos silvestres os principaes agentes de dissemi-
nação do berne, além dos culicideos habituaes, ja
denunciados como Psorophora ( Janthinosoma ) lu-
{55 o grande disseminador da Venezuela e America
Central o Psophora posticatus, Wied — ( Janthino-
soma musica Peryassi ) apanhado pelos AA. Facto
interessante visto em Butantan : capturados 39 culi-
cideos e 16 muscideos, só entre estes foram achados
ovos de dermatobia.
Terminamos o nosso resumo reproduzindo o
« Summario e Uonclusôes » des AA. tão interessante
e importante o assumpto, tão curiosas, ineditas e
valiosas as descobertas feitas com verdadeira mestria
pelos observadores emeritos que é o illustre amigo
do nosso Museu: Dr. Arthur Neiva e foi o nosso
eminente e saudosissimo collaborador Dr. João Flo-
rencio Gomes.
t.— À Dermatobia hominis pode viver em
condições artificiaes, numa camera humida, durante
19 dias. Os casaes copulam varias vezes por dia ;
a primeira cópula dá-se durante as 24 horas que
seguem à sua sahida dos casulos. A Dermatobia
não começa a desovar senão no 7.º dia, ainda que
seja posta em contacto com o macho, desde o se-
gundo dia da sua vida de imagem. Se a approxi-
mação sexual só se der no 18.º dia da vida adulta
da femea, as posturas começam cerca de 48 horas
depois da cópula.
2. — A Dermalobia effectua as suas posturas
directamente sobre outros dipteros. Para encontrar
estes insectos, frequenta os equideos e os ruminantes
que são assiduamente visitados por moscas sylvestres
e culicideos, nos capões ou bosques e nas mattas,
que constituem o habitat da mosca do berne. Quando
estes dipteros se approximam do lugar onde ella
está pousada no couro do animal, ella os agarra.
vôa com a presa, equilibrando-se no ar, deposita-lhe
num lado do abdomen um cacho de cvos que se
mantém fortemente adherentes graças a um inducto
que os envolve, e que se solidifica rapidamente. A
Dermatobra pode realizar varias posturas; em ca-
ptiveiro, um especimen poz 182 ovos, distribuidos '
em posturas parcelladas sobre 4 moscas domesticas.
Dois exemplares capturados sobre cavallo no mo-
mento em que tentavam agarrar insectos. puzeram
316 a 396 ovos, em 16 posturas sobre 3 muscideos
e sobre as paredes do recipiente.
— 798 —
3. — Na America Central e na Venezuela o di-
ptero encontrado como portador destes ovos tem
sido apenas Psorophora ( Janthinosoma ) lutar. Nos
verificamos no Estado de São Paulo ( Brazil) que
Psor ophor a posticatus (= Ji musa um Peryassú )
e, muito maior numero de vezes, varias especies de
muscideos frequentadores de animaes, tambem ve-
hiculara os ovos de Dermatobia. Os habitos desses
insectos permitem às larvas provenientes desses ovos
porem-se em contacto, seguramente, com a pelle
de vertebrados de sangue quente.
4. — As posturas sobre folhas, assim como sobre
animaes, sobre a terra, e experimentalmente, sobre
o papel e as paredes ce vidro do recipiente, têm a
explicação seguinte. Num dado momento para a
femea fecundada, a necessidade de realizar uma pos-
tura torna-se irreprimivel; se lhe escapa então ©
insecto que tentou agarrar, ella desova onde pousa
Conservadas em camara humida, estas posturas
podem dar larvas; fóra desta condição, os ovos
murcham e esterilisam-se. E” muito provavel que
tenham ordinariamente o mesmo fim os ovos que na
natureza não sejam depostos sobre insectos.
=
D. — Os ovos começam a fornecer larvas cerca
de nma semana depois da postura. Estas larvas que
medem Imm.6 de cumprimento, permanecem no in-
terior do ovo até que o diptero vebiculador pouse
num vertebrado de sangue quente; então ellas aban-
donam os ovos passando à pelle, onde penetram em
5 a 10 minuios. Quando o diptero vehiculador se
afasta do animal, as larvas que não abandonaram
completamente os ovos. voltam para o seu interior
fechando-se o operculo. Estas tentativas podem re-
petir-se varias vezes diariamente; assim podem as
larvas resistir durante 20 dias sem penetrar na pelle
de animaes. . Esta penetração não depende da exis-
tencia de solução de continuidade na pelle.
6. — Muitos mammiferos são susceptiveis ao
berne, particularmente o boi e o cão; o homem é
frequentemente infestado em varias regiões do Brazil.
A duração do periodo larval no cão é bastante va-
A TOO ya
riavel, parecendo depender da temperatura exterior ;
ella foi de 31 a 41 dias numa série de experiencias
ede 64 a 74 em onra. Pesando-se a larva no dia
em que abandona o hospedeiro, pode-se prever 0 sexo
da imagem, em que vai transtormar-se. Às larvas
maduras, de mais de 0,gr.600 dão imagens femeas,
7. — A duração do periodo nymphal é tambem
muito influenciada pela temperatura. Na estufa, a
23-25 grãos, ella foi de 34 dias; no labcratorio du-
rante o inverno (12? a 18 grãos durante o dia)
durou 78 dias. O casulo que se abre por um oper-
culo situado lateralmente na extremidade anterior,
di a imagem ordinariamente nas horas mais quentes
do dia.
S. — Nestas experiencias toda a vida da Der-
matobia, desde o ovo (dia da pcstura ; até a morte
da imagem, durou 120 a 141 dias. Parte da evo-
lução destes especimens deu-se durante o verão e
parte durante o inverno, o que permiite tomar estas
cifras ecmy a media da vida da Dermatobia no Es-
tado de São Paulo.
AFFonso DE. TAUNAY.
HEMIPTEROS
NEIVA (Arruur ). Contribuição pura o es-
tudo dos redüvidas hematophagos (1) Notas so-
bre os reduvidas hematophagos da Bahia com a
descripeäo de nova especie. Memorias do Instituto
Oswaldo Cruz Tomo VI.
A fauna dos hemipteros hematophagos da Bahia
já é regularmente conhecida dizo À. Tratoma ru-
brofasciala e T. megista estavam já bem assigua-
lados. O primeiro é cosmopolita e esta invadindo o
centro do Brazil, 7. sordida tão abundante no valle
do S. Francisco vive em Montevidéo e Buenos Ay-
res como nos altiplanos da Bolivia. Verificou o A. nas
collecções dos museus da Europa que T. geniculuta
e T. maculata tambem vivem no Estado da Bahia.
— 800 —
Acha ainda provavel que 7° vitticeps,o gigante dos
barbeiros brazileiros, viva no Sul do Estado na re-
gião fronteira ao Espirito Santo. Foi o autor quem
verificou a autonomia de 7°! brasiliensis, ao rotar
um insecto das collecções do Museu de Pariz deter-
minado como 7: infestans, redúvida este que não
encontrou na Bahia.
Termina nesta parte do artigo com a descri-
pção da especie nova Triatoma tenus. A segunda
parte da memoria occupa-se da « Evolução de Try-
panosoma cruzi no Triatoma rubrofasciata.
Como se sabe a especie é cosmopolita e accu-
sada por alguns autores como agente de transmissão
do Æala azar leishmaniose visceral commum nas
Índias e já verificada no Sul da Europa, Grecia,
onde é chamado ponos e na peninsula Iberica Lafont
descobriu em seu intestino um trypanosoma novo,
pathogenico o Trypanosoma bouley. Gonseguio pro-
var o A. que o 7. cruz infecta o hemiptero ; as-
sim é preciso incluil-o na lista dos Triatomas como
megista, sordida, genculata, infectans, e na especie
affim Rhodnius prolixus, todos elles excellentes meios
para a evolução de flagellados. Actualmente diz o
A 1914 ) o numero “de triatomas é de cerca de
40 especies; a biologia da maioria continua mal
conhecida. Sobre a sua distribuição geographica diz
o A. que megista vae da Guyana Ingleza a S. Ca:
Ae sordida infesta todo o Brazil; “rubro fasciata
encontra-se de Belém a Santos brasiliensis do Pia-
uhy 4 Bahia; infestans do Rio Grande do Sul a
“Minas; masculata do Pianhy à Bahia; rubrofasciata
é opnneaile do Rio Grande do Sul, iene da Bahia,
vitticeps do Rio de Janeiro e Espirito Santo: Rho-
dnius prolixus do Ceara.
Babia, S. Paulo, Minas e Goyaz são as nossas
circumscripções mais conhecidas em materia da
fauna hemiptero-hematophaga ; pouco se sabe da do
Para, Rio Grande do Norte, Espirito Santos, Rio
de Janeiro, Santa Catharina e Rio Grande do Sul.
Não havia dados em 1914, sobre a do Amazonas.
Maranhão, Parabvba, Alagoas, Sergipe e Parana.
— 801 —
No Norte do paiz abundam especies peculiares como
T. brasiliensis e T. maculata ; no Sul 7. rubrovaria
e infestans. A T. rilliceps parece circumscrever-se
à zona guanabarina de Rio do Janeiro e E. Santo.
Arronso DE TAUNAY.
/
TORRES ( Magarinos ), Memorias do Instituto
Oswaldo Cruz; tomo VII, fase. |. Alguns factos
que interessam « epidemiolega da moleslia de
Chagas.
Traz o artigo do Snr. Dr. Magarinos Torres
dados valiosos e interessantes para o esclarecimento
da propagação do mal de Chagas e relativos à bio-
logia do barbeiro. Explicando o facto de que o
Triatoma megista raramente deixa de ser o vehiculo
do Tripanosoina cruzi ao passo que outros triatomas
como sordida vivendo juntos, com os hemipteros in-
fectados, não o são, entende o Dr. Torres que 7. sor-
dida esti em via de adaptação 4 casa do homem.
Foram todos os estudos do Dr. Torres effectua-
dos na verdadeira patria do barbeiro, desde Lassance,
na Central do Brazil, até à fronteira Bahiana. Ve-
rificou o À. que a idade do animal tem relação di-
recta com a sua infecção pelos flagellados. Ao lado
de adultos todos parasitados, as nymphas o eram
muito menos, as larvas das ultimas mudas ainda
menos e as da primeira muito raramente ou nada
attingidos. Infelizmente desde a primeira muda é
o barbeiro infectante e hematophago, não depen-
dendo o cyclo do Trypanosoma cruz: do estadio
evoiutivo do hemiptero. Guiado por uma de suas
experiencias acha o Dr. Torres que cs vertebrados
gozam do poder de infectar barbeiros nelles ali-
mentados sendo tal infecção de origem sanguinea.
Estende ainda o Dr. Torres que não esti demons-
trada a infecção das larvas pelos excrementos do
insecto já infectado, como se pensou algum tempo.
Constata o A. a experiencia do dr. A. Machado
sobre o cannibalismo das larvas dos triatomas attri-
— 802 —
bnindo-o ao sen pendor pela hematophagia pois o
faziam quando as victimas estavam repletas de sangue
do vertebrado. Este cannibalismo se faz de larva, na
primeira e segunda idade, a larva, a nympha e o
adulto. Observou o dr. Torres que o cannibalismo
se dá entre larvas da mesma idade e que insectos
que nunca absorveram sangue são susceptiveis de
fornecer alimento ao individuo cannibal. Não ad-
quirem, comtudo, o trypanosona deduz o dr. Torres
de suas experiencias. Não ha coprophagia entre os
triatomas megista e sordida diz o À. o que Brumpt
observou em Rhodnius prolixus. Resta-nos par:
explicar a infectação a hypothese da hereditariedade
e a infecção p los vertebrados das cafúas. Chagas
repelle com experiencias concludentes a primeira e
o A. avança com a maior segurança que a segunda
se reatisa. Com as suas principaes experiencias es-
tabeleceu o dr. Torres o seguinte: uma nympha
cujo tubo digestivo continha flagellados em abun-
dancia e transmittia tripanosomiase, quando os ino-
culou a animal sensivel, foi incapaz de infectar, pelo
liquido da cavidade geral larvas que nella fizeram
refeição canibal em tempos differentes de sua di-
gestão. Assim tambem larvas que tiveram alimenta-
ção exclusivamente canibal podem seguir sua evolução
normal. Outras que fizeram canibaismo em differentes
insectos parasitados não se infectaram como o já lem-
brimos. Barbeiros de varias idades e da mesma
procedencia, só se apresentam infectados nos ulti-
mos estadios evolutivos diz o A: larvas novas na
natureza, são indemnes de infecção mesmo nos cascos
em que as nyrophas e adultos se inostram intensa-
mente parasitados.
Acaba o trabalho do Dr. Torres pelo estudo do
mecanismo de transmissão de molestia de Chagas.
E” bem conhecida a hypolhese ce Brumpt, a infec-
ção exclusiva pelo contacto do paciente com as fe-
zes do barbeiro, havendo permeabilidade das muce-
sas ao trypanosoma. Entende o A. que este ultimo
facto é fora de qualquer duvida: o T. crus é ca-
paz de atravessar as mucosas intactas. Acha comtu-
— 893 —
do que a presença de fézes é um agente muito fa-
lho de infectação, o contrario do que se dá com a
picada directa. Reputa portanto pouco aceitaveis as
ideias de Brumpt.
« Finalisando, diz o Dr. Torres cumpre nos de-
clarar que acreditamos que o processo de transmis-
são pela picada se acha na dependencia do estadio
evolutivo do 7° cruzi no invertebrado; é um pro-
cesso biologico. O cyclo do T. cruz? no invertebra-
do é porèm dos problemas que exigem tempo dila-
tado de consulta, além de observação e trabalho con-
sideraveis; e está ainda bem longe de ser questão
techada como querem parasitologistas».
Aproveita o Dr. Torres o ensejo para contestar
em absoluto as affirmações do Dr. Brumpt sobre a
capacidade infectiva para o Tripanosoma cruzi de
, um percevejo chamado finfim no centro de Minas ( ¢/-
nex rotundatus ). Declara então que ao hemiptero é
absolutamente extranho o trypanosoma. Termina o
artigo do Dr. Torres pelo estudo do tal, como de-
positario de virus no mundo exterior. verificado
por Chagas. Hoje dos pontos mais distantes do Bra-
zil, e do continente, estão vindo observações tenden-
tes a aemonstrar que os nossos diversos dasypodidos
hospedam o 7. cruzi e em lugares onde a tripa-
nosomiase não foi assignalada.
Está bem averiguado que a Triatoma gencu-
lata é o heteroprero cuja adaptação biologica no bu-
raco do tati! até agora estã bem estabelecida. «Pos-
sivelmente, diz o Dr. Torres, a T. chagas:, devida
aos Drs. Brumpt e João Florencio Gomes seria um
hospedeiro intermediario do T. cruzi do tatü. As-
sim julga o Dr. Torres muito licita a supposição
sobre o papel do tati como disseminador do mal
de Chagas.
ADE. PAUNAY
TRUE
HYMENOPTEROS
COSTA LIMA ( ANGELOo Moreira DA) Sobre
alguns mero hymenopteros parasitas de ovos de
agrionideos. Revista da Sociedade Brasileira de
SEEN CAS INC EL
Havendo recebido o A. material que verificou
constar de ovos de um agrionideo, provavelmente do
genero Leotes ( Ordem Odonata, s. 0. Zygoptera,
fant. Agrionide encontrou ao cabo de alguns dias
na cuba de vidro com agua onde estavam taes ovos
varios microhy menopteros que verificou delles pro-
virem e pertencerem a tres especies. Uma do ge-
nero Monelata outra de Trichaporus e o outro a
um genero que suppõe seja novo, e é o principal
parasita dos ovos de Lestes. Para o A. os do ge-
nero Trichaporus são hyperparasitas vivendo à cus-
ta de Monelata. « Entre nós diz,o Dr. Costa Lima,
não fora assignalada a existencia de microhymeno-
pteros aquaticos. EK’ bem possivel que haja ainda ou-
tras especies vivendo à custa de ovos collocados de-
baixo d'agua por outros insectos. »
A. DE. Taunay
COSTA L'MA ( AnxcrLo M. DA) Alguns chal-
cidideos parasitas ue sementes de myrtaceas. Ar-
chivos do Museu Nacional. Vol. XIX, pgs. 195--203.
Rio de Janeiro, 1916.
Este trabalho encerra os resultados de estudos
e observações feitos sobre diversas especies de pe-
queaos hymenopteros todas da familia chalcidideæ,
criados e fructos anormaes de uma especie de goya-
beira encontrada na fazenda do Instituto Oswaldo
Cruz, que o antor julga ser uma variedade de goya-
beira commum.
Os fructos parasitados não se desenvolveram,
tendo o seu interior endurecido e transformado em
— 805 —
calha. Foram criadas tres especies e mais duas es-
pecies parasitas nestas.
O autor observou que as femeas de uma espe-
cie preta ( Hurytoma?) forravam a superficie do
ovario como seu ovipositor e depositaram os seus
ovos, em grupos de cerca de 30, sobre os ovulos
da planta, e julga que a especie de Prodecatoma
tambem tem este costume. Botões ainda fechados fo-
ram encontradas perfurados, sendo tambem encon-
trados ovos do insecto sobre os estames.,
As especies encontradas são as seguintes :
Synltomaspris myrtacearuim sp.
Prodecatoma sp.
Eurylona sp.
E parasitas sobre estas foram encontradas Ae-
pocerus talvez variedade de A simples Mayr, e
uma outra especie collocada no genero Hurytoma
sp., mas que provavelmente pertence a um novo ge-
nero muito proximo a este.
Duas estampas e tres quadros que indicam a
epocha do nascimento das tres primeiras especies,
acompanha o artigo.
A. HEMPEL
COSTA LIMA ( AnsEto Moreira ) Considera-
cões sobre a campanha contra a formiga saca.
Archivos do Museu Nacional, Vol. XIX, pgs. 181--
192. Rio de Janeiro, 1916.
Neste artigo o antor da à publicidade os re-
sultados de alguns estudos € algumas pesquizas fei-
tas relativos à destruição da saúva.
Acha que os processos de combate contra esta
formiga que têm dado os melhores resultados, con-
sistem: 1.º na “applicação de liquidos formicidas
directamente nos olheiros do formigueiro, sem in-
tervenção de qualquer apparelho”, e 2.º. no “em-
prego de gazes toxicos que são injectadas no formi-
gueiro, por meio de machinas on apparelhos mais
ou menos complicados”. Tambem externa a opi-
— 806 —
não que o Governo é o principal interessado nos
prejnizos que esta formiga produz.
Descreve um pequeno apparelho “Clayton”, que
iulga podia ser efficaz mente empregado no combate
contra esta praga; e chama a attenção ao emprego
dos gazes asphyxiantes e especialmente do chloro pa-
ra este fim.
Ainda documenta as proprias experiencias com
a formiga cuyabana ( Prenolepis fulva Mayr \, co-
mo agente destruidor da formiga quem-quem ( Atla
e Acromyrmex ) octospinosa ( Reich Em. ), as quaes
deram resultado negativo, em contraste com o resuita-
do positivo obtido pelo dr. v. Ihering, com o narra-
do na carta por este escripta ao Snr. Dr. Carvalho
Borges Junior, e produzida neste trabalho.
O A. refere-se ao moda de vida dos mem-
bros do genero Prenolepis, invadindo as casas a
procura de assucar e doce, o seu habito de prote-
ger os pulgões e cochonilhas em prejuizo às plarta-
ções, devendo elles ser perseguidos como éa formi-
ga argentina ( /ridomyrmex humilis Mayr ) com
habitos analogos. Acha mesmo que a cuyabana de-
ve ser evitada, @ pensa «que a sativa deve ser com-
batida por outros meios mais efficazes e sobretudo
menos perigosos.»
No texto são figurados um apparelho «Clay-
ton», formigas do genero Prenolepis, e o dispositi-
vo do armario no qual foram feitas as experiencias.
A. HEMPEL
DUCKE ( Apocpno ) Hymenoptera. Comanis-
são de linhas telegraphicas Estrategicas de Mat-
to Grossso ao Amazonas. Publicação numero 35;
182 pags. in 8' sem indicação de procedencia ;
1916.
Nesta memoria o eminente hymenopterologo
que é o nosso prezadissimo collaborador Dr. Adol-
pho Ducke, examina o material colligido pela Com
missão Rondon e faz a revisão das especies de
— 807 —
abelhas do Brasil. Assim, graças aos dados colhi-
dos, sabe-se que a fauna amazonica se estende mui-
to mais para o sul do que até agora se suppunha
e que na chapada divisoria das nossas duas bacias
faviaes maximas as faunas meridional e equatorial
se confunde:u. Das 63 especies de abelhas brazi-
letras, 27 foram determinadas no material Matto
Grossense; muito poucos foram os apideos parasi-
torios, descobertos no material Rondon. Estudando as
especies de abelhas brazileiras assignala o A., quan-
to desde 1900, com os trabalhos de Iriese « co-
meçou para os meliponas uma nova era», quan-
to se avançou com as observações de Silvestri e
quanto ainda foram importantes vara o conheci-
mento de nossa fauna hymenopterologica os estu-
dos de Bertoni, Ihering -- que reduzio o antigo ge-
nero Melipona a um simples grupo de especies do
genero Trigona --e José Mariano. Dispondo de
abundante material, entre outras da rica colleccäo do
Maseu Paulista, pôde o Dr. Ducke passar em revis:
ta o nosso mundo de hymenopteros. Interessante a
“ destribuição zoogeographica de taes insectos no nos-
so paiz: 18 especies habitam exclusivamente a
Amazonia e a região guyana; 12 exclusivamente a
região que do limite sul da primeira zona se es-
tende até a zona subtropical do continente ( meio
norte, centro e sul do Brazil; Paraguay, Argen-
tina septentrional; sudeste da Bolivia); 15 tem por
habitat a Amazonia e a segunda zona mas não oc-
correm no extremo septentrional do nosso conti-
nente; 6 a Amazonia, as regiões extremas da Ame-
rica do Sul, a America Central e o Mexico ( paizes
de fauua ainda mal estudada ); 12 a Amazonia e
as regiões ao sul e ao norte. Cabem a Amazonia
9! especies; ao resto do Brazil, 39. Do Pará se
conhecem 47, em S. Paulo 27; na região secca do
nordeste 19, como no Ceará. Ao sul do Capricornio
muitas especies attingem ainda Santa Catharina mas
do Rio Grande do Sul só se conhecem 7. O Sul
do Maranhão, de Goyaz e Matto Grosso. o Norte
da Argentina, o Sudoeste da Bolivia pertencem à
— 808 —
mesma fauna. A maior parte do Maranhão, o cen-
tro e norte de Goyaz e Matto Grosso formar na
opinião do sabio A. uma zona de transição entre as
faunas meridional e amazonica.
im outro capitulo trata o A, da etiologia das
meliponas com aquella segurança que lhe da a posse
completa dos assumptos ventilados, estudando-lhes a
nidificação nos seus caracteres de estabilidade. Acha
o Dr. Ducke que não haja meliponas que produzam
mel venenoso como o affirma a crerdice popular ;
provindo taes elementos toxicos do nectar de flores
nocivas.
Um excellente quadro em tres foihas traz os
nomes das especies e das variedades, a distribuição
geographica, os caracteres nidificedores e a termi-
nologia indigena brazileira das 63 especies nacio-
naes.
Seguem-se-lhe o quadro do grupo das especies
segundo a morphologia das operarias e a descripção
das especies feitas com uma minuciosidade impec-
cavel e acompanhados de numerosas indicações de
procedencia. Sete excellentes estampas coloridas il-
lustram 'a bella monographia e referem-se a um
ninho e a detalhes de pernas e azas de 2% abelhas.
Arronso DE. TAUNAY.
ROQUETE PINTO ( EpcarD), Dinoponera
grandis. ( Memoria apresentada à Congregação da
Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro para obter
a Livre Docencia da Cadeira de Historia Natural ).
Rio de Janeiro, 1919.
Um estudo interessante e valioso no terreno da
Historia Natural applicada, sobre esta formiga gran-
de, vzlgarmente conhecida por tocindira, cuja picada
é toxica e produz manifestações mais dolorosas e
intensas do que as ferroadas dos demais membros
da ordem Hyimenoptero.
O antor faz uma revista da familia Formicide
e assignala outras especies de formigas que interes-
— 809 —
sam a medicina brasileira, especialmente os membros
do genero Æcilon conhecidos por «formigas de
correição », e as formigas de fogo, membros do
genero Solenopsis.
Dä os nomes indigenas pelos quaes esta for-
miga é designada nas diversas regiões do Brazil,
além da sua classificação scientifica, descreve nitida-
mente o insecto e, em particular, o ferrão e as
glandulas accessorias, do qual reproduz uma figura,
e reune os dados biologicos conhecidos, e segue
‘EMERY em considerar que ha apenas uma especie,
representada, porem, por quatro variedades ou sub-
especies regionaes :
Dinoponera grandis australis de Paraguay,
Missões e S: Paulo.
Dinoponera grandis longifex do Perú.
Dinoponera grandis lucida de Matto Grosso.
Dinoponera grandis mutica do Espirito Santo.
O autor é da opinião que estas variedades não
têm a mesma acção toxica, mas que a Dinoponera
grandis lucida é responsavel pelos casos de enve-
nenamento citados da região amezonica e do Brazil
Central; phenomeno este que se manifesta por dor
intensa, febre e reacção lymphatica. A dor é pro-
gressiva alcançando o auge em 12 hcras, durando
assim de 24 a 48 horas Conclue o autor que não
se trata apenas ae uma simples injecção de uma
gotta de scido formico, mas que a « Dinoponera
grandis injecta provavelmente, com o seu liquido
caustico uma toxi-albumina ainda indeterminada,
quicd especifica que talvez se consiga isolar al-
guin dia».
O autor tratou as pessoas picadas dado-lhes
uma injecção de morphina ou de heroina, deixando
à natureza o trabalho da eliminação do veneno du-
rante o somno. Os indios limitam o tratamento
pelo sucção da ferida feita pelo ferrão da formiga
E” descripta a « Festa da Tocandira », praticada
entre os indios Mauhès, pela qual foi feita uma ver-
dadeira selecção de individuos desde a tenra idade
de 8 a 9 annos.
a Sra
Festas semelhantes foram notadas entre outras
tribus sem, entretanto, augimentar os nossos conhe-
cimentos sobre o assumpto.
ADOLPHO HEMPEL.
EBEPIDOPTEROS
COSTA LIMA ( AnGeLo. M. DA). Nota sobre
o microlepidoptero Pyroderces Rileyi, Wlsin. Ax-
chivos da Escola Superior de Agricultura e Medi-
cina Veterinaria. Vol. II, 1918.
Neste artigo affirma o nosso consagrado ento-
mologo que Pyroderces simplex, Wlsm. não é dis-
tincto de P. rileyi Wilsm. Depois de varias des:
cobertas Lord Walsingham estabeleceu a dualidade
das especies smplex, africana; rileyi, america e
oceanica. No decorrer de suas observações como
chefe do serviço de combate à lagarta rosada de-
pois de muita comparação acha o A. que havendo
encontrado no Brazil P. réleyr, ao lado de P. sim-
plex, que ficou' conhecendo bem pela remessa de
material egypcio colhido pelo Prof. Bruno Lobo,
chega a conclusão de que ha collisão e assim só
ha uma Pyroderces que, de accordo com as leis
da prioridade, deve ser mleyz.
Arronso DE. TAUNAY.
LOBO (Bruno). A Lagarta rosea da Geie-
chia Gossyprella ; relatorio apresentado ao Exmo.
Sor. Dr. J. G. Pereira Lima, M. D.. Ministro ‘da
Agricultura, Industria e Commercio. Rio de Janei-
so, 1918; Imprensa Nacional, pp. 192; in 8.
Ante a imminercia da propagação do terrivel
flagello em que se constituiu a lagarta rosada deci-
diu o governo brazileiro combatel-a de todos os mo-
dos e assim mandou aos differentes pontos da terra
— 811 —
onde tem o seu reducto especialistas a estudal-o. Pa-
ra o Egypto foi commissionado o Dr. Bruno Lobo,
D. ee do Museu Nacional, que, com a sua
bella e plastica intelligencia polyfaciada, à commis-
säo ae cabal desempenho. O seu relatorio é claro,
synthetico e aos especialistas e leigos dá a impres-
são nitida de quanto estudou e apprendeu as condi-
ções em que se apresenta e resolve o problema. Ex-
plicando-os fins da missão e condições em que rea-
lisou a sua viagem ao Egypto passa o Dr. Bruno
Lobo a expôr o que se sabe da distribuição geogra-
phica da lagarta rosada que assola o Sul dos Es-
tados Unidos, o Mexico e meia America Central. o
nordeste brazileiro, o valle do Nilo a Nubia e o Su-
dio egypcio, o antigo Zanguebar, Serra Leda e a
Nigeria, todo o Hindos:ão e Ceylão, a peninsula de
Malacea, as Philippinas, Hawai e a ilha de Nippon
no Japão. Tão longiquas as in'ormações da presen-
ca da Gelechia no Brazil que Gosta Lima julga que
ha muito vive nos nossos algodoaes.
Expondo os estragos causados nos do Egypto diz
o Dr. Bruno Lobo que se não fossem os preços ex-
cepclonaes de guerra não se pensaria neste paiz em
plantar a malvacea tal a impotencia em luctar con-
tra a praga. Na India as condicções climatericas fa-
zen com que o flagello seja uma praga secundaria ;
mas no Brazil pode tomar formidavel incremento.
Na descripção dos meios empregados no Egypto pa-
ra combater a lagarta rosada diz o A. que antes de
tudo é necessario educar o povo e assim o enten-
deram as autoridades britannicas, pôr em pratica me-
didas internacionaes concernentes à defesa agricola
evita importações suspeitas; destruir os capulhos in.
testados e as plantas hospedadoras como o quiabei-
ro. a althéa etc. destruir a lagarta nas sementes com
o maior rigor empregando até as multas pesadas e
a cadeia contra os desobedientes e contraventores
- O sulfureto de carbono parece ser o grande
fea de expurgo e não prejudica a germinação; o
gaz cyanhydrico é perigosissimo pela sua extrema
toxidez, acção demorada e inefficaz; o processo ele-
LR
ctrico de Willians parece pouco pratico. O frio age
sobre a germinação prejudicando-a e não tem acção
sobre a gelechia. O calor secco a 60 mata-a. O hu-
mido parece menos eficaz. De todos os methodos diz
o Dr. Bruno Lobo o processo thermico é o que se
apresenta conveniente. Descrevem-se depois os nu-
merosos apparelhos em uso no Egypto, nos varios
processos physicos e chimicos, tudo com grande abun-
dancia de dados.
Estuda ainda o A. os parasitas da Lagarta ro-
sada sobretudo os brazileiros. Conseguiu Costa Lima
encontrar quatro especies que parasitam o maldito
insecto; um bethylideo, um chalcidideo e dous bra-
conideos. As aves, dada a biologia da Gelechza, não
podem prestar grande auxilio mas este não deve
ser desprezado.
A tal proposito insere o A. uma excellente car-
ta do nosso eminente zoologo Miranda Ribeiro lem-
brando quaes os passaros que poderiam combater a pra-
ga, quer indigenas quer similares aos que 40 publico
são apontadas por lei do governo egypcio. Acha
que temos 619 especies ‘inuito recommendaveis e
le nbra quanto entre nds esta descurado o problema
capital de protecção às aves. Basta recordar em con-
traposição a medida nefasta da intruducçäo do par-
dal.
Batrachios, formigas e aranhas tambem sao de-
predadores da Gelechia mas de acção limitada. O
amadurecimento precoce dos capulhos é recommen-
davel pela pratica da irrigação. Convem tambem a
maior vigilancia na veriticação dos resultados obti-
dos com o combate à lagarta não podendo de todo
della se desinteressar 0 governo.
Numerosos documentos em annexo completam
o relatorio, summamente interessantes e instructivos,
actos officiaes egypcios cartas de autoridades no as-
sumpto etc.
Termina o excellente memorial a extensa biblio-
graph'a de que se servin o A. e as Instrucções so-
bre o servico de combate à lagarta rosea em que
se inscrevem as “bases para a instituição do servi-
— 813 —
ço de combate e consecutiva protecção à cultura do
algodão”.
Dentre as obras julgadas para tal fim indispen-
saveis citaremos a construcção de extensa rede de es-
tradas de rodazem e outras que se assemelham às
que já apontämos, como empregadas pelo governo
egypcio. ;
Arronso DE. Taunay.
1
SILVA ( Bexepicro Raymundo ) Noticia so-
bre ulyum lepidopteros serigenos do Brazil. Rio
de Janeiro, 1919 ; pag 72 in 8º
Declara o A. qne não o preoccupa a sericicul-
tura nem o cotejo deste ou aquelle fio produzido
por esta ou aquella borboleta serigena. Apenas
enumera especies seguidas de breves informações
sem cogitar nem da qualidade ne» da quantidade
de seda produzida pelas lagartas. Os exemplos com
que documenta as asserções the são geralmente for-
necidos pela fauna dos arredores do Rio de Janeiro.
De Rhopalocera poncos ha serigenos, diz o A., ao
apontar quatro destes lepidopteros em taes condi-
ções entre os quaes Morpho laertes, o lindo mor-
phideo da região guanabarina. Entre Helerocera
cita o A., especialmente, mais de trinta generos e
especies serigenas. As especies do genero Attacus
são no Brazil as mais notaveis productoras de seda.
Sobre A. aurota (a Borboleta espelho ) da synony-
mia vulgar largamente se estende descrevendo-lhe
a imago, a lagarta, a chrysalida e o casulo. Mi-
cratlacus nanus Walk, tambem lhe merece a atten-
ção especial assim como Antomeris melanops, Walk.
Termina o volume uma taboa da synonymia das
especies citadas. Vinte e sete estampas intercalam-
se ds paginas da interessante memoria.
Arronso DE. Taunay
— 814 —
SIPHONA PTEROS
ALMEIDA CUNHA ( RosertTo DE). Contri-
bucão para o conhecimento dos siphonapteros
brazileiros. Memorias do instituto Oswaldo Cruz.
Tomo VI, pag. 124.
Começa o A. assignalando quão pouco se co-
nhece da systematica das pulgas do Brazil. O Dr.
C. I’. Baker descreveu 3 novas especies de S. Paulo ;
quando até então só quasi se conhecia o Derimato-
philus penetrans. E só. Os mais como os Drs.
Simond e Diniz nada contribuiram para o assumpio
ao tratarem de taes sugadores de sangue. Do ma-
terial estudado entende o A. poder formar o gene-
ro nova Stencpsylla cujo typo è S cruzi, uma
pulga apanhada sobre cuicas em Manguinhos e de
que da pormenorisada descripção. Do genero Ro-
thschildella de Enderlein 1912 descobriu uma
novo especie R. occidentalis de uma pulga do tatu
e no genero Pulex descobriu uma especie nova,
uma pulga do canganba apanhada por Neiva no
Piauhy Pulex conepati.
Examinando pulgas humanas apanhadas na ba-
hia, à margem do S. Francisco nellas notou o Dr.
A. Cunha caracteres differerciaas da Pulex drri-
tans residindo principalmente no appareiho genital
do macho. A femea não lhe veio às mãos. Assim
creou Pulex irritans var. bahrensis.
De ambas as especies vem minuciosa déscri-
pção. Dnas excellentes estampas desenhadas por
Castro Silva illustram perfeitamente o artigo.
Arronso DE. TAUNAY.
ALMEIDA CUNHA ( RcBerto DE ). Contribus-
cão para o estudo sifonapteros do Brazil. Rio de
Janeiro, 1914, pp. 219 in 8º; com 2; estampas e
12 figuras.
Começa esta bella memoria original, trabalho
do Instituto Oswaldo Cruz em que o A. declara
haver sido guiado pelo Sor. Dr. Arthur Neiva pela
Re 1 10 ES
« introlucção ao estudo da ordem dos siphonapteros »
em que se frisa quanto taes insectos ponco tem cha-
mado a attenção dos naturalistas. Foi Simond quem
denunciando a sua importancia maxima como vehi-
culadores da peste bubonica sobre elles attrahin a
attenção dos sabios. Linneu só estabeleceu um ge-
nero Pulex: com duas especies a pulga enropéa. P.
irritans e o bicho do pé P. penetrans. Do Patriar-
cha para cd só alguns entomologos trataram das
pulgas. Dentre os contemporaneos são universal-
mente conhecidos Jordan e Lord Rothschild entre
ontros. No entanto tem pulga tanta disseminação
quanto a mosca domestica; é encontrada até sobre
auimaes polares. A bibliographia sul americana so-
bre o assumpto é insignificante ainda, por assim dizer.
Expôe depois o Dr. Cunha quaes os insectos
que constituem a orde n dos siphonapteros e a sua po-
sição na escala zo.logica. Linneu pôz .as pulgas
entre os apteros; passaram ellas por diversas posi-
ções no conjuncto dos insectos. O grande Lamarck
considerava-as Dipteros ; para Latreille eram Sucto-
rua; foi elle quem lhes chamou siphonapteros. As
autoridades modernas para ellas acceitam uma or-
dem distincta o que os antigos não queriam. De
Comstock e Comstock reproduzo A. a classificação
moderna de 1913, o quadro geral para os Arthro-
polos e o quadro das 19 ordens de Hexapoda. Em
capitulos successivos expõe lhes as noções de bio-
logia geral dos siphonapteros, e a sua morphologia ;
a technica de captura, de creação, de estudo, mon-
tagem e conservação dos insectos, passando depois
ao estudo da systematica geral dos siphonapteros.
intende Rothschlid que são prematuras por en-
quanto as tentativas de estabelecimento de class!fi-
cações geraes. Acha o A. excessivo tal modo de
ver. Assim transcreve a de Oudemans de 19014, a
que faz o justo reparo de haver tomado este entomo-
logo, como ponto de aferição caracteres que foi o
primeiro a descrever. D'ahi enorme embaraço para
os estudiosos pois raramente às descripções acom-
panham desenhos suficientemente elucidativos.
— 816 —
Ao quadro de Oudemans completa o doutor
Almeida Cunha com alguns generos não estabele-
cidos ainda no conjuncto do entomologo citado.
F'ez-lhe em alguns pontos ligeira Ravdificação na in-
indicação de caracteres, tendendo sempre à simpli-
ficação e sem lhe alterar a systematisação. A
seguir vem a lista dos 61 generos conhecidos até
Janeiro de 1914 e o estudo especial dos dez generos
em que existem especies brazileiras ; um delles Ste-
nopsylla. Creou o A. como typo S. Cruzi para
uma pulga do gambá e cujo typo está em Man-
guiñhos. Delle vem longa diagnose, minunciosissiina.
No genero Pulex assignala o A. uma outra especie
sua, P. conepati, pulga do cagambä colleccionada
por Neiva, no Pianby, e uma sub-especie Pulex or-
ritans var. « Bahvensis» de uma pulga humana do
valle do São Francisco, na Bahia, coilecionada pelo
dr. Figueiredo Vasconcellos. Do genero Pothschal-
della Enderlein !912 teve o A. tambem a boa for-
tuna de descobrir uma especie nova a R. occiden-
talis, pulga do tatü apanhada por Lutz.
De todas as pulgas brazileiras traz o À. exhaus-
tiva descripção e litteratura completa quanto possivel.
Em nota interessante sobre o bicho de pé rebate o A.
varias das mil e uma fabulas dos viajantes sobre o
asqueroso pulicideo e escreve interessantes conside-
rações sobre a historia, os usos e o habitat, o tra-
tamento e prophylaxia do Dermatophilus penetrans.
Um dos seus capitulos é consagrado aos sipho-
napteros como vehiculadores morbidos e o seu papel
na transmissão comprovada da peste, do typho exan-
thematico, da filariose e provavel da leishmaniose,
da gotta militar etc. Achao A. que é muito possivel
serem as pulgas agentes tambem do mal de Chagas
As experiencias a que procedeu não o levaram po-
rém a resultados apreciaveis. Varias epizootias são
certamente tambem vehiculadas pelas pulgas.
No capitulo immediato trata o A. dos parasitos
das pulgas e da destruição de taes Insectos nefastos.
Corhecem-se hoje varios flagellados parasitando
siphonapteros. Na segunda parte deste capitulo
— SIT —
expõe o A. uumerosas receitas sobre o caso de que
trata, apregoadas por autoridades. Compde-se o ul-
timo capitulo da lista geral das 21 especies cuja
presença tem sido assignalada no Brazil, uma sy-
nopse para a rapida identificação das especies assi-
onaladas no nosso paiz até março de 1914 e outra
dos hospedeiros.
Na Brbliographia a que recorreu o A. citam-
se perto de 400 obras, memorias e artigos, prova
de quanto conscienciosamente estudou o assumpto
até a exhaustão.
AFFONSO DE. TAUNAY.
CRUSTACEOS
MOREIRA (Cartos ) Crustaceos. Cominissao
de Linhas Telegrapheas Æstrategicas de Matto
Grosso ao Amazonas. Rio de Janeiro, 1913.
Os crustaceos examinados nesta memoria pelo
douto Professor Carlos Moreira säo os que colleccio-
nou em Matto Grosso o nosso eminente collaborador
Prof. Alipio de Miranda Ribeiro, quando zoologo
da Comissão Rondon.
A fauna carcinologica do Brazil central está
longe de ser rica. Os principaes resultados do exa-
me do material da Commissão foram a confirmação
do habitat que, para diversas especies havia sido
assignalado. Assim mesmo póde o A. assignalar
duas especies novas e uma de genero tambem novo.
Na parte relativa aos copepodos branchiuros refere-
se o sr. Prof. Carlos Moreira às especies da collec-
cao Miranda Ribeiro completando a lista com a
citação de todas que tem sido encontradas no Bra-
zil de forma a dar uma idéa do numero de espe-
cies brazileiras conhecidas de taes crustaceos para-
sitas. O novo copepodo branchiuro assignalado é o
T'alaus riberoi, G. Mor. encontrado sobre uma pira-
-nha em Cáceres. A segunda especie encontra-se en-
tre os decapodos branchiuros; baptisou-a o A. Tri-
— 818 —
chodactylus (Trichodactylus) parvus. Do sub-gene-
ro Trychodactilus dá o A. a chave das especies.
O novo crustaceo foi apanhado no Jauri. Excel-
lentes estampas. sete, acompanham a bella memoria
do Prof. Carlos Moreira que aliás já desde 1912
publicára os seus achados nos Mémoires de la Société
Zoologique de France.
AFFONSO DE. Taunay.
VERMES
FARIA. (J. Gomes DE) Nota sobre Agchy-
lostoma brasiiiense G. de Faria, 1910. Memorias
do Instituto Oswaldo Cruz. Tomo VII, Fasciculo
2, pgs. 71-73, Rio de Janeiro, 1916.
Este verme, descripto em 191C€, foi por alguns.
autores tido como identico com a Agchylostoma
ceylanicum Looss, um parasita do homem.
Pelo estudo do material de Agchylostoma bra-
siliense pelo Prof. Looss, e o de Agchylostoma
ceylanicum pelo autor, ficou plenamente estabeleci-
do que as duas especies são distinctas, tanto pelos
seus caracteres como em seus habitos pois, até
agora, Agchylostoma brasiliense nunca foi encon-
trada como parasita no homem.
ADOLPHO HEMPEL.
MAGALHÃES. ( PepRo SEVERIANO DE) Notes
d Helminthologr Brésilienne. Annaes da Policlinica
Geral do Rio de Janeiro. Anno III, n. 2, 1918.
O Autor publica aqui a continuação dos seus
estudos sobre os Helminthos brazileiros, e havendo
sido o manuscripto remettido para os « Archives de
Parasitologie», devendo ser publicado no volume XVI,
N. 4, 1914 desta revista, devido ás condições anor-
— 819 —
maes causadas pela Grande Guerra, não se sabe
quando a referida revista pode apparecer novamen-
te, julgou pois o auctor conveniente fazer esta publi -
cação preliminar sobre o assumpto.
A presente nota encerra estudos biologicos fei-
tos sobre a tenia da gallinha domestica, Davainea
bothrioplitis ( Piana), e alem da discussão critica
sobre a classificação e a kiologia do qarasita, ha
duas estampas que esclarecem o textoe uma biblio-
graphia do assumpto.
O auctor conclue que o material examinado
era realmente do Davarnea bothrioplitis ( Piana ),
e de mais uma ou duas outras formas, talvez espe-
cies ou variedades novas; e que as lesões pseudo-
tuberculosas observadas nos intestinos da gallinha,
são produzidas pelas formas immaturas das teuias.
ADOLPHO HEMPEL.
TRAVASSOS ( Lauro). Sobre as especies
brazileiras do genero « Capillaria zeder » 1800.
« Brazil Medico », n. 47, Rio de Janeiro, 15 de De-
zembro de 1914.
O Auctor propõe os seguintes nomes novos para
outros occupados, deste genero de helminthes :
Capillaria lenstowi n. nom. para Trychosona
capilla:e v. Linstow, 1882.
Capillaria blome: n. nom. para Triychosoma
papillosum Blome, 1909.
Capillarca leidyi n. nom. para Trychosoma
tenwissimum Leidyi, 1891.
Caprllaria frutschi n. nom., para Tr ychosona
papillosum Fritsch, 1886.
Capillaria dujardini n. nom., para Callodiuim
tenue Dujardini, 1845, e descreve como novas as
seguintes 3 especies :
Capillaria pusilla n. sp. encontrada em Stur-
neva lilium Geoff.
— 820 —
Capillaria murine n. sp., encontrada no es-
tomago de Hunetos murina.
Capillaria aurilæ n. sp., encontrada no in-
testino delgado de Didelpluis aurita Wied.
ADOLPHO HEMPEL.
TRAVASSOS, (Lauro ). Revisão dos Aca-
ntocephalos brazsleiros. « Brazil Medico», n. 14.
Rio de Janeiro, 3 de Abril de 1915.
Tendo o auctor verificado que a maicria das
especies brasileiras da familia unigenero Grganto”
rhynchus se afastava muito da especie typica, pro”
põe o estabelecimento de mais dois generos, Ha
mania n. g., especie typica, Hamania microce-
phala | Rudolphi 1819) e Prostenorchas g. es”
pecie typica Prostenorchis elegans ( Ofors, 1819 )
os quaes com o Gigantorhynchus Hamann, 1892,
abrangem todas as especies brasileiras até hoje
conhecidas. : 7
ApoLpHo HEMPEL,
TRAVASSOS ( Lauro). Trichostrongylinae
brazileiras. «Brazil Medico ». N. 17, Rio de Ja-
neiro, 1 de Mcio de 1914.
Uma nota prévia na qual o auctor caracterisa
um genero novo, Ornithostrongylus n. g., com Or-
nithostrongylus fariai n. sp. como especie typica,
e as duas seguintes especies novas :
Cooperia brazilensis n. sp. do estomago de
Bos taurus, Manguinhos.
Ornithostrongylus faria: n. sp, da pomba Le-
toptila rufaxdla (Rich. e Bern.) Estado do Rio
de Janeiro.
ADOLPHO HEMPEL.
— 821 —
TRAVASSOS (Lauro). Trichostrongylideos
brasileiros, 1914. «Brazil Medico». N. 34, Rio
de Janeiro, 8 de Setembro de 1914.
Nesta terceira nota prévia o auctor propõe a
elevação da subfanilia Trichostrongylinæ à posi-
ção de familia, e a sua divisão nas duas subfamilias.
Trichostrongylinae e Hel:gosomme n. subfa-
milia, caracteriza as diversas familias e sub-familias
e dá uma lista dos generos e especies, das quaes
as seguintes são descriptas como novas:
Trichostrongylus callis n. sp. em Didelphis
aurita Wied., Rio ds Janeiro.
Haemonchus lunatus n. sp. em Bos taurus, Rio
de Janeiro.
Nematodirus ( Mecistocirrus) didelphis n. sp.
em Didelphis aurita Wied., Rio de Janeiro.
Hel.gosomum brazihense n sp, em Mus de-
cumanus Pall. Rio de Janeiro.
Viannaia n. gen.
Viannaia viannar n. sp. em Didelphis aurita
Wied., Rio de Janeiro.
Viannaia conspicua n. sp., em Didelph's (Me-
tachirus) opossum Seba (?), Rio de Janeiro.
Vannaia pussilla n. sp., em Didelphis aurita
Wied., Rio de Janeiro.
Viannna a hamata n. sp., em Didelphis aurita
Wied., Rio de Janeiro.
Vannaa hydrocheri n. sp., em Hydrochoerus
capybara Exl. Angra dos Reis.
ADOLPHO HEMPEL.
TRAVASSOS (Lauro) » PARREIRAS HOR-
TA (Pauro DE F.). Acheilastoma paranecator n.
sp. Novo nematode parasito de equus asinus. «Bra-
zil Medico». N. 49. Rio de Janeiro, 25 de De-
zembro de 1915.
Os auctores descrevem como novo o verme
Archelostoma paranecator n. sp. encontrado no
— 822 —
intestino de um burro. Equus asinus, no Estado de
S. Paulo, pelo Dr. Paulo Maugé.
ADoLPHO HEMPEL.
TRAVASSOS ( Lauro). Uncinaria carinii n..
sp. « Brazil Medico ». N. 10, Rio de Janeiro, 8 th
Marco de 1915.
Uma nota prévia ua qual o auctor dá a dia-
enose do verme Uncinaria carimi n. sp., encon-
trado em Cans azarae (?). pelo Snr. Dr. A. Ca-
rini, no Instituto Pasteur de S. Paulo.
ApoLpHO HEMPEL.
TRAVASSOS (Lauro) Informações sobre a
fauna helinntholog:ca sul-fluminense. «Brazil Me-
dico». Anno XXX. N. 1. Rio de Janeiro, 1 de
Janeiro de 1916.
O auctor dá a connecer o resultado dos estu-
dos feitos em 91 exemplares de verteorados, no mu-
nicipio de Angra dos Reis. Apenas 32 exemplares
estavam parasitados por uematodes e trematodes,
sendo agora apenas os ultimos considerados. Destes
foram encontradas cinco especies, inclusive o Acco-
cotyle angrense n. Sp. uma: especie nova do intes
tino delgado do socé Butorides streata.
ADOLPHO HEMPEL.
‘
l'RAVASSOS (Lauro) Sobre as especies bra-
zileiras de genero « Tetrameres Cliplin », 1846.
« Brazil Medico ». N. 38. Rio de En 9 de
Outubro de 1915.
Para os animaes referidos a este genero, o
auctor achou caracteres que o autoriza a estabeler
dois sub-generos, um com o nome Tetrameres do
— 823 —
genero, sendo Tetrameres ( Tretameres) paradoxa
( Diesing. 1251 ). como especie typica; e o segundo
com a designação de Microtetrameres sendo Te-
trameres ( Microtetrameres ) cruzi ( Travassos,
1914. ) indicado como especie typica. Sete especies
do genero, por um outro motivo, ainda não podem
ser definitivamente classificados nestes sub-generos.
O auctor ainda dá diagnoses das seguintes duas
especies novas :
Tetrameres ( Tetrameres ) micropenis n. Sp.
encontrada nas aves Nycl corax violaceus e Can-
croma cochlearia, e provenientes do Rio de Ja-
neiro e Angra dos Reis; e Tetrameres ( Microte-
trameres ) pussilla n. sp.. encontrada nas aves
Turdus rufiventris e Platycichla flavipes, provenien-
tes de Angra dos Reis, Estado do Rio.
O auctor ainda dá at aves hospedeiras de
Tetrameres (Tetrameres) fissispina (Diesing, 1851).
Cygnus inelanocoryphus, Columba liv a domestica
e Meleagris gallopavo.
ADOLPHO HEMPEL.
TRAVASSOS (Lauro). Zrichostrongylideos
brasileiros. « Brasil Medico ». N. 49. Rio de Ja-
neiro, 20 de Dezembro de 1915
Tres especies novas são descriptas pelo auctor
nesta quarta nota prévia, uma da sub-familia 7ro-
chostrongylinæ e duas da sub-familia Heligmoso-
mince, denominadas :
Trichostrongylus macieli n. sp., em Zatüs no-
vemcinctus L., de São Paulo.
Vrannaia fariai n. sp, em Lepus brasiliensis
Viannaia minuscula n. sp, em Tamanduá
fetradactyla L., de Angra dos Reis
ADOLPHO HEMPEL.
ere
TRAVASSOS (Lauro ). Revisão dos Acanto-
cephalos brazileiros, 11 familia Echinorhynchidæ
Hamann, 1892. « Brazil Medico », N. 48. Rio de
Janeiro 13 de Dezembro de 1919.
Nesta nota prévia o auctor considera o genero
Polymorphus no qual elle colloca cinco especies,
uma das quaes a Polymorphus carynosoma n. sp.,
encontrada em Niyctanassa violacea L., descreve
como novo.
ADOLPHO HEMPEL.
TRAVASSOS, (Lauro). Zrichostrongylinæ
brazileiros. « Hemonchus similis », n. sp. « Brazil
Medico », N. 19. Rio de Janeiro, 15 de Maio de
1914.
Como nova especie é caracterizado o Homon-
chus similis n. sp., encontrado no estomago de
Bos aurus.
ADOLPHO [lEMPEL.
TRAVASSOS (Lauro). Informações sobre a
fauna helmnthologica sul fluminense. «Brazil Me-
dico», n. 40. Rio de Janeiro, 30 de Setembro de
1916.
Neste trabalho o ‘auctor da o resultado dos es-
tudos em 201 animaes apanhados em Angra dos
Reis.
Caracterisa um novo genero Pulchrosoma mn.
g., com Pulchrosoma pulchrosoma, mn. sp., como
especie typo e dá as diagnoses das seguintes espe-
cies novas :
Pulchrosoma pulchrosoma n. sp. da cavidade
abdominal do martim pescador, Ceryle torquata.
Capiliaria (Thominx) hydrochæri n. sp. do
estomago e intestino delgado de hydrochwrus ca-
p bara L.
ADOLPHO HEMPEL.
— 825 —
TRAVASSOS (Lauro). Trematodes novos.
«Brazil Medico», n. 33, Rio de Janeiro, 12 de
Agosto de 1916.
O auctor caracterisa um genero novo e dá as
diagnuses de tres especies novas, conforme a rela-
ção que se segue °
Infiduin, n. g., sub-familia D.croceeline. Es-
pecie typo Infidum infum (Faria, 1910), Infidwin
semilis n. sp., da vesicala e canaliculo biliar de
Drymobius bifossatus, Rio de Janeiro, Æurilreina
parvum n. sp., da vesicula biliar de Tejos tequearm
Rio de Janeiro. Platmosomum microchis u. sp, da
vesicula biliar de Porzana alb'colls, Angra dos
Reis.
ADOLPHO HEMPEL.
TRAVASSOS (Lauro). Helmintes parasitos de
animaes domesticos 1. Revista de veterinaria e Zoo-
technia. Vol. VIII. N. 7, fes. 3-15, Rio de Janeiro
1918.
E’ este o primeiro artigo sobre helminthes para-
sitos de animaes comesticcs, de uma serie que 0
autor vae fazer. e trata especialmente de membros
da sub-familia Dicrocelince. Traz uma chave ana-
lytica para separar os generos e figuras de cinco
especies. Uma especie nova, Platynosomum arietus
n. sp. foi encontrada infestando o intestino delgado
do carneiro.
A. HEMPEL.
TRAVASSOS (Lauro). Informações subre os
helm ntes parasitos do homem encontrados no Bra-
zil, pgs. 1-33, Rio de Janeiro, 1915.
Um importante trabalho no qual o auctor reune
em um só fasciculo todas as formas destes parasitos
humanos até agora observados no Brazil, elevando-se
este numero a 27 especies.
— 826 —
Alem de uma discussão sobre a posiçäo syste-
matica destes parasitas, o auctor tambem dá uma
bibliographia extensa sobre o assumpto.
A. HEMPEL.
TRAVASSOS ( Lauro). Contribuição para o
conhecimento da fauna helminthologica brazileira
HL). Novo genero da familia « Heterakide »
Railliet e Henry. Memorias do Instituto Oswaldo
Cruz, tomo VI. |
Como os dous helminthologos Railliet e Henry
hajam, em 1917, subdividido a familia Ascaridae em
diversas sub familias entre as quaes Heterakinae, e
mais tarde proposto a elevação desta sub-familia a
familia entende o Dr. Travassos que se faça o mesmo
às demais sub-familias reunindo-as numa grande
super-familia Ascaridae Contestando o modo de
ver das autoridades citadas sobre a inclusão, em He-
terakidae, dos generos Sisssophylus e Dacnitis, que
talvez devam ser approximados de Cucullanis tam-
bem impugna o A. a introducção de dous sub-ge-
neros pelos mesmos AA. introduzidos nesta famila e
que a seu ver devem figurar cimo generos in-
dependentes. Assim propõe a creação de duas
novas sub-familias Heterakinae e Subulurinae de
que dá uma chave. A primeira, pertencerão Hete-
rakis, Ascaridia, Strongyluris e Aspidodera ; à
outra Subulura, Oxynema e o genero novo por
elle creado. Paraspidodera cujo typo será P. un-
conata, Rudolphi. 1819, descripto de um verme en-
contrado no grosso intestino e no coeco de Cava
(cava) aperea, Erch; Cavia (cabra ) porcellus,
L. e Agout: paca, L.
Uma explendida estampa de Fischer com tres
figuras documentam o artigo do Sr. Dr. Travassos
de cuja collaboração tanto se honra a nossa Revista.
Arronso DE TAUNAY.
— 827 —
TRAVASSOS (Lauro) Contribuições para o
conhecimento da fauna brazileira (II). Sobre as
especies brasileiras do genero Tetrameres Crepl
1846. Memorias do Instituto Oswaldo Cruz, tomo, VI.
Deste genero: cujo dimorphismo sexual é tão
notavel deu o autor a descripção detalhada do macho
e da femea. Impugna a opinião de alguns escripto-
res que querem incluir o genero na familia Fila-
ridae e acha que para elle deve ser creada a fami-
lia isolada Tetrameridae. Tal o dimorphismo sexual
que muitos helminthologos chegaram a classificar
como especies differentes os machos e as femeas
das inesmas especies. Segue-se a lista das especies
do genero com as synonymias e hospedeiros. qua-
torze conhecidas no Brazil e duas agora reveladas
pelo A.: Tetrameres cruzi e T. minima, achadas
em nossas aves e de que dá longa descripção.
Sete magnificas pranchas com 21 figuras, illus-
tram esta valiosa contribuição do joven helmintho-
logo e nosso prezadissimo collaborador.
Arronso DE. TAUNAY.
TRAVASSOS (Lauro). Contribuições da fauna
helminthologica brazlera (V). Sobre as especies
brazileiras do genero Cap'llaria, Zeder, 1800.
Memorias do Instituto Oswaldo Cruz, Tomo, VII.
Pertence o genero Capillaria às Tricotrache-
lidae nome que o Dr. Travassos acha improprio
devendo ser Trichuridae, familia em que ha cinco
generos. Enceta-se o artigo por uma chave de de-
terminações dos generos. Já desde muito se tem pro-
posto sudividir Capillar.a, o que o A. acha neces-
sario e evidente. Assim contestando as primeiras
tentativas propõe dous subgeneros Capillaria e Tho-
minx. Do material revistado ainda mencionou espe-
cies cujo subgenero não pôde fixar, especies de ou-
tros grupos descriptos como Caup'llar.a e especies
a desapparecer.
— 828 —
Segue-se a lista das especies do genero, com
volumosa synonimia e as indicações dos hospedei-
ros; das quarenta do primeiro sub-genero cinco já
haviam sido tratadas pelo A. que agora menciona
uma nova forma Capillar a ( Cap. ) drcummond: de
um parasito do Cygnus melanocoryphus. Acompa-
nha a esta resenha outra de vinte e duas especies
do segundo subgenero (hom x) nelle incluindo o
A. numerosas especies alhures collocadas pelos au-
tores sobretudo em yr.chosoma e reduzindo a sy-
nonymia
Na lista das especies cuja descripção não per-
mitte determinar o subgenero surgem vinte e duas
duas das quaes especies descobertas pelo A. Segue-
“se a dos nomes que devem desapparecer por serem
nomes de nematodos de outros grupos descriptos como
Capillara e a lista das especies encontradas no
Brazil. A ella se anvexam minuciosissimas descrip- .
ções, inclusive da nova especie C. (capillaria )
droummondi e a lista dos hospedeiros das especies
de Capillaria. Enorme bibliographia demonstra
quanto concensciosamente fez o A. a sua bella me-
moria, que quatro excellentes estampas de Castro e
Silva illustram.
Arronso DE. TAUNAY.
TRAVASSOS ( Lauro ). Contribuições para o
conhecimento da fauna helininthologica brasileira.
Revisão dos acanthocephalos brasileiros. Parte 1
Fam. Gigantorynchidae Hamann, 1892. Memorias
do Instituto Oswaldo Cruz Tomo IX, pag. 5.
Lembra o incansavel trabalhadcr que é o Dr.
Travassos que a fauna. de acanthocephalos brazileira
é uma das mais ricas do globo. Basta dizer que do
total de 40 especies, 16 são encontradas no Brazil.
Nos Æchinorhynchidae o numero de especies estu-
dadas é muito menor que a realidade, o que não se
da com os Gigantorhynchidae, cuja ecologia obs-
cura não pôde por emqvanto o À. esclarecer muito
— 829 —
pelo facto de trabalhar fora dos fócos geographicos
destes parasitos. Lembra o Dr. Travassos o papel
de Hamann e sobre tudo o de Liihe na historia da
helminthologia ; a Porta increpa aão haver ligado a
importancia devida ao estudo dos ganchos, chegan-
do Léon de Marval ao extremo opposto. Assim en-
tende o Dr. Travassos que os mestres a seguir-se
são sobretrudo Lühe e Kaiser.
Descreve depois e com extrema minucia a or-
ganisação geral dos acanthocephalos, explica-lhes o
desenvolvimento desde os ovos até a ingressão e vi-
da nos hospedeiros definitivos e expõe-lhes a posi-
ção systematica. Dividem-se nas tres familias de
Hamann: Neoechinorhynchidae, Echinorhynchidae
Gigantorhynchidae ; os primeiros destes vermes,
mais rudimentares, parasitam peixes; os segundos
mais complexus, vivem em peixes e sobretudo em
aves, raramente nos mammiferos ; os terceiros, pa-
rasitam sobretudo os mammiferos, as aves frequen-
temente, e nunca os peixes. Depois de dada a cha-
ve para a distincção das familias dos acanthocepha-
los passa a tratar dos Gegantorhynchidae, Hamann,
1892 que elle proprio dividiu em 1915 em duas sub-
familias: Gigantorhynchinae e Prosthenorchinae.
Comprehende a primeira cinco generos e a segunda
quatro.
Em Gigantorhynchinae o genero Empodios é
do A, ( 1916) assim como Moniliformis, Oligantho-
rhynchus Hammaniella segundo a revisão frita dos
generos, respectivamente de M'echer, 1841, Brem-
ser, 1811 Rudolphi, 1802 e 1819.
Na sub-familia Prosthenorchinae os quatro ge-
neros Prostenorchis, Maeracanthorhynchus, Onci-
cola e Pardalis säo tambem do A. que reviu res-
pectivamente os de Olfers (1819) Pallas (1781)
Ihering (1902) e Westrub ( 1821). Menciona o Dr.
Travassos uma serie de oito especies da sub-familia
Prosthenorchinae de que não se pode estabelecer o
genero com segurança, outra de especies de familia
Gigantor hynchidae de que se näo pôde estabeler a
sub-familia e outra ainda de especies dubias prova-
— 830 —
velmente da familia Giganthorhynchidae e uma ul-
tima das especies desta familia encontradas no Bra-
zil, das quaes quatro por elle descobertas. Quin:e são
ao todo e grande parte da memoria do A é oceu-
pada pela sua descripção minnciosissima.
As especies novas do Dr. Travassos chamam-se
em Ohgantorhynchis : O iheringi ; em Hamanniel-
la; H. Carine; na sub-familia Prosthenorchinae e
em Prosthenorchis ; P. luchei e P. avicola. Uma
grande lista de hospedeiros completa a memoria do
Dr. Travassos a que illustram 25 esplendidas pran-
chas. Ao seu artigo acrescentou o Dr. Travassos
uma nota final explicativa das aiterações que preci-
sa introduzir no seu texto, dada a enorme demora
da entrega dos originaes e de sua impressäo, atra-
zo devido ao estado de cousas creado pela guerra.
Estas alterações provem do exame do material
do Museu Paulista das descobertas de Kostylew, re-
putado scientista russo.
Assim o Dr. Travassos explica não poder acei-
tar a denominação de Heteroplus do helminthologo
russo para o seu genero Hmpodius, apecar de mais
antigo, visto como collide com a synonymia de um
genero de coleopteros. Assim tambem verificando
Kostylew que o E. micracanthus, Rudolphi, 1819
é um Giganthorhynchidae este facto o levou a exa
minar exemplares de Æ. exiberizae do material do
Museu Paulista, especie muito pr.xima de Micra-
canthus ; verificando então que o parasito deve oc-
cupar um genero a parte a que denominou Micra-
canthorhynchus e cujo typo será M. emberizae, Ru-
dolphi, 1819.
Das numerosas e sempre tão apreciadas contri-
buições do nosso prezado collaborador a presente é
uma das mais valiosas.
A. DE. TAUNAY
TRAVASSOS (Lauro ). Informações sobre um
parasito dos gatos: chlamydonema preputialis. Ar-
ch vos da Escola Super.or de Agricultura e Me-
dcina Veterinaria. N. 2 Rio.
— 831 —
Abre este segundo volume da nova e valiosa
revista um artigo do nosso illustre collaborador so-
bre um parasito bastante commum no nosso paiz.
Estuda-lhe o joven helminthologo as affinidades
com o chlamydonema fel neum, novo genero e no-
va especie segundo escreveu N. Hegt em 1910. Não
chega porém a affirmar-lhe a identidade com Ph.
preput.al s por não ter conseguido consultar o tra-
balho original.
Acha porem incontestavel que Ph. preputiales
V. Linstow deve ser incluido no genero Chlaïi,-
donema Hegt este na sub familia Physalopterinae
e não em uma familia a parte como quer Hegt.
AUD BC PATNAY
TRAVASSOS ( Lauro ) — Especies brazileiras
do genero Liperosomum Loos, 1899. Buenos Aires
TO ppa de ano.
Revistando a fauna brazileira adstricta a este
genero proposta por Loos, para Dicrocelidee, para-
sitas de aves muito alongadas, de testiculos situados
longitudinalmente e de vitelogenos lateraes. muito
proximos ao genero Athesmia que se caracterisa
pela situação unilateral dos vitelogenos, faz ver o
nosso presado e illustrado collaborador que do ge-
nero se conhecem hoje 14 especies, entre as quaes
L. redectum, Braun, 1901 a primeira encontrada
no Brazil e mais L. obliguum, L. transversus,
L. rarum, L. lari e L. sinnosum todas as cinco
por elle descobertas. De todas as especies brazileiras
dá o dr. Travassas uma descripção. Encontrou estes
vermes ora na vesicula biliar ora no pancreas de
varias aves fluminenses.
A’ memoria acompanham: duas estampas em
seis figuras que completam e illustram o texto do
jovem helminthologo que alla a sua competencia
comprovada a uma capacidade productiva digna de
elogios.
AD BET AN AY:
SEBO ES
TRAVASSOS (Lauro) — Novo typo de Pha-
lophtalinidæ ; Pesquisas sobre as Gygantorrhinchi-
de; Informações sobre a familia Nathlanide ;
Sobre um exemplar imacho de oxyurus; Obser-
»ações sobre os Heterakidæ. Revista da Sociedade
Brazileira de Sciencias n. 2 — 1918.
O trabalhador infatigavel que é o dr. Travassos
contribuiu para o segundo tomo do excellente orgão.
da Sociedade Brasileira de Sciencias com cince notas
valiosas sobre assumptos de sua especialidade.
Na primeira lembra que a sub-fauilia Phelo-
phtaliminc creada por Loos. em 1899, para os ge-
neros Philophtalmus e Pygoschis, foi por elle in-
cluida na grande familia Æascrolidæ hoje elevada
por Stiles a superfamilia sendo portanto creada a
familia Phelophtaliude.
Da lhe o A. os caracteristicos annunciando-lhe
um novo genero além dos antigos: Proctobium,
cujo typo é P. Proctobium, de evolução por em-
quanto desconhecida, e cujo habitat é a cloaca de
aves. Ao artigo annexa o A. uma chave para os
tres generos Ph lophtalinus, Pygorch's e Proctob um.
Versa a segunda contribuição do dr. Travassos sobre
os Giguntorrhynchide e & uma nota acerca de uma
descoberta de Kostvlew collidindo com um genero
seu. Della tratâmos na analyse do artigo sobre o
mesmo assumpto, inser:o no tomo IX das Memor as
do Instituto Oswaldo Crus.
Nas suas Informações sobre a fama Ka-
thlanede declara o A. que o seu genero Pseudo-
heterakis, AMT é synonymo de Xathlania, Lane,
1914. Neste genero o helminthologo inglez colleca
duas especies A. Xathlena e K. tonaudia ambas
novas. A primeira de 1914 é a P. Lepturis de
Travassos, 1917; acha o dr. Travassos que se está
em face de Ascaris leptura Rudolphi, 191% e de
Oxysoma lepturwm Schneider, 1866. Existe o hel-
mintho no Brazil e redescreve-o com grande abun-
dancia de pormenores. Quanto a A. tonaudia en-
tende o dr. Travassos que deve ser o typo do novo
genero Tonandia; a Kattlandia Kathlena, Lane
não é senão o helmintho de Rudolphi; diz o A. que
o seu genero deve ser incluido numa familia a parte
que propõe se chame ÆXathlenidæ e não numa sub-
familia de Heterakide como propôz Lane.
No seu quarto artigo descreve o dr. Travassos
com a maior minucia, o macho de Oxyuwis equ’,
pelo facto de a tal respeito não baver na litteratura
helminthologica senão uma unica restricta descripção
de tal animal, descoberto por Skrank em 1788 e
descripto por A. Raillet em 1883.
Nas observações sobre os Heterakide defende-se
o À. das asseverações de Lane que contesta sejam
exactas duas identificações suas. Reconhece o dr.
Travassos que realmente a sua identificação de He-
terakis vesicularis deve ser modificada havendo elle
tratado de H. brevispiculum, mas sustenta o que
disse sobre a segunda especie: Ascarid:a truncata.
Isto o leva a expôr uma série de argumentos e ‘de
factos e a fazer correcções e acrescimos na lista de
especies de Heterak's e Ascoridia, de um seu tra-
balho de 1913. Hall impugnou o genero Gángu-
leterakis de Lane; acha o A. que elle não póde
deixar de ser tido em consideração ao menos como
subgenero ; annexando-lhe quatro especies. De He-
terakis dai o dr. Travassos nova lista e outra em
que enuncia diversas especies que delle devem des-
apparecer o mesmo quanto a Ascaridia.
Quanto à Heterakis anomala, v. Lintow 1904
entende que deve formar novo genero. Termina a
memoria do dr. Travassos pela descripçäo de He-
terak s brazilana, v. Linstow, 1898 e de Ascaridia
pterophora de accordo com o material recente e a
proposito da qual desenvolve com a acuratez e mi-
nucia habituaes o resultado de suas observações.
AFFONSO DE. TAUNAY.
M: que
PROTOZOARIOS
ARAGÃO ( Henrique DE BEAUREPAIRE ) Sobre
a « Entamoeba brasilhiensis » Memorias do Institu-
to Oswaldo Cruz Tomo VI, 1914.
Esta nova entameba descoberta pelo A. e nosso
eminente collaborador elle já a apontara no Brazil
Medico em dezembro de 1912. O proseguimento
de observações levou-o a descrevela com muito maior
abundancia de pormenores no artigo que nos oceupa.
Com estes documentos novos acredita ier provado
a sua perfeita distincção em relação a E. coli.
Não esta o A. de accordo com os protozoolo-
gistas que querem considerar todas as amebas com
oito ou mais nucleos encontrados no intestino huma-
no como Entamoeba coli. EK’ o caso das amebas
limas que a principio ninguem pensava em separar
e no emtanto sabe-se que constituem muitas espe-
cies. Acha o A. que o mesmo succederä a col pois
lhe custa «aceitar que as differenças morphologicas
assignaladas para certo numero de protozoarios desse
grupo possam ser consideradas como simples va-
riações individuges tal fixidez dos seus caracteres ».
Arronso DE. TAUNAY
ARAGÃO ( Henrique DE BEAUREPAIRE ) Pes-
quizas sobre o « Copromastix prowazechi», n, g.
n. sp. Memorias do Instituto Oswaldo Cruz, Tomo
VII pag. 64.
Refere-se este artigo à descripção que o nosso
prezado e eminente collaborador faz de um flagel-
lado que por duas vezes observou em culturas de
fezes de ra e humanas. E” raro na natureza e não
parece diz o À. ser um parasita intestinal. Acredi-
ta antes se trate de uma forma rara de vida livre
que, enkystado houvesse atravessado todo o tubo
intestinal, em condições de perfeita vitalidade e
prompta a proliferar desde que encontrasse meio
— 855 —
propicio para tanto. Estuda-lhe o A. com extrema
pormenorisação a morphologia e classifica-a na fa-
milia Tetramitide, da ordem dos Protomonandina:
para ella creando o novo genero Coproinastix, da-
lhe o nome especifico de prowazecht em honra ao
illustre mestre cuja sciencia notavel em Manguinhos
deixou tão funda impressäo.
AFFONSO DE. TAUNAY.
ARAGÃO ( Henrique DE BEAUREPAIRE ). Con-
sideraçôes sobre as Endamebas parasitas do intes-
tino humano. S. Paulo, 1818.
Foi esta publicação do nosso illustre collabo-
rador e tão justamente reputado protozoologista feita
pelo Instituto Bacteriologico de S. Paulo, em ho-
menagem ao autor. Depois de referir que desde
1891 Lutz confirmou a presença da dysenteria ame-
bica ou tropical em S. Pauio e que o numero dos
casos comprovados tem ido em assustador crescendo
acha o A. que a sua existencia em S. Paulo deve
ser posta fôra de duvida. Agora não só se multi-
plicam os documentos da fórma classica de ame-
biasis intestinal como as das suas multiplas e gra-
ves complicações, as. manifestações appendiculares
typicas as perfurações intestinaes, os abcessos de fi-
gado etc. Não ha motivos para chamal-a tropica!
lembra o A. Já foi intensa na Europa onde agora
recrudesceu com a chegada de africanos e asiaticos
aos campos de batalha e portadores de germens.
O diagnostico das endamebas não é infelizmente
facil tarefa. Schaudin assignalou as duas endamebas
do intestino humano, a pathogenica ou histolytica
e a não pathogenica ou coli. Quantas novas espe-
cies de protozoarios pathogenicos daquelle scientista
para cá! a E. tetragenos, Viereck, 1807 a E. afri-
cana Hartmann; E. minuta, Elmassian, 1900 a
E. nipponica, Kidzurni 1910. Estudos mais acu-
rados porém de muitos protozoologistas entre os
quaes varios brazileiros como Pestana e o A. de-
monstram que só há uma endameba pathogenica no
— 836 —
intestino humano: a Endameba dysenteriae. Ja as
especies acima citadas se haviam demonstrado não
serem autonomas e Walker liquidara a questão mos-
trando que a Æ. histolyticu e a E. tetragena são
um e unico parasita de aspectos morphologicos
diversos. Além da endaneba dysenteriae e coli ha
nas fezes, frequentemente outros amebineos como
as amebas limas, as formas ameboides de chlamy-
dophrys stercorea, Giene. e a Endameba nana de
Wenyon e O’ Connor, que o A. reputa não ser uma
verdadeira endameba e sim uma das formas ami-
boides de Chlahmydophrys. O parasitismo de limas:
é innocuo e se as vezes o protozoario é encontrado
no pús dos abcessos do figado é que acompanha a
endameba pathogenica. Assim no intestino humano
sé ha duas formas de endamebas: a pathogenica E.
dysenteriae e a innocua E. coli. Passa depois o A.
a expôr os processos de pesquizas das endamebas
nas fezes o diagnostico differencial entre as E. du-
senteriae e H. coi ea diagnose de Æ. dysenteriae
e de E. coli com extrema minucia de pormenores
e a segurança que lhe dá a posse completa do as-
sumpto tratado. Duas estampas com 22 figuras il-
lustram o artigo do nosso eminente collaborador.
Arronso DE. TAUNAY.
ARAGÃO ( HENRIQUE DE BEAUREPAIRE). Al-
quinas observações relativas as endamebas dysen-
tericas. « Revista da Sociedade Brazileira de Sci-
encias », n. 1, 1917, pgs. 99.
Neste artigo estuda o A. as alterações nuclea-
res e protoplasmicas nas endamebas, examina a
questão do pseudo kyste da cndameba_ histolytica e
expõe a da nomenclatura das endamebas parasitas
do homem, opinando para que se dê à E. dysente-
ryæ o nome de E. coli, para cbedecer à régra da
prioridade e 4 actual Æ. coli a de E. intestint vul-
garis de Quincke e Roos, 1893.
Arronso DE. TAUNAY.
— 837 —
CUNHA, ( AristiDes MARQUES DA). Sobre os
cliados do estomago dos ruminantes do Brazil.
Memorias do Instituto Oswaldo Crus. Tomo VI.
Depois de um historico sobre a descoberta
destes protozoarios desde Gruby e Delafond, em
1843, lembra o A. que o material por elle mani-
pulado provinha dos bois e carneiros dos matadou-
ros do Rio. onde encontrou 14 especies das quaes
tres novas. Não achou differença entre as do car-
neiro e as do boi. A fauna parasitologica dos ru-
minantes domesticos do Brazil é muito analoga à
que foi observada em outros paizes. Descreve o A.
as diversas especies e aborda questões de synony-
mia que discute com abundancia de argumentos e
afinal aponta as tres novas formas que achou: Di-
plodinium anisacanthuin, Entodin win furca e En-
todinium bicarinatuim, todas do boi. Desenhou-as
e mais duas outras formas numa excellente prancha
que illustra o artigo.
Arronso DE. TAUNAY.
CUNHA ( AristiDES MARQUES DA ), Sobre os
ciliados intestiuaes dos anaminiferos Memorias do
snstituto Oswaldo Cruz, tomo VI.
Em collaboração com os Drs. Neiva e Travas-
sos determinou o A. duas novas especies de ciliados
encontrados no coecum da prea e pertencentes aos:
generos Entodiniwn e Balantid.win. O presente
artigo refere-se a. mais cinco especies tambem
achadas sobre o pequeno roedor e para os quaes 0
A. creia o genero novo Ciathodinwn com a es-
pecie typo C. concu: e as duas outras C. pirifor-
me e ©. vesiculosum. As demais ficam para dar
ulterior descripção. Como porém não acha o A.
onde bem, em que familia enquadrar o novo gene-
ro, evidentemente incluido na ordem Holotricha,
propõe a formação de uma nova famitia Ciathodi-
nidae de que da os caracteristicos basicos.
Arronso DE. TAUNAY.
— 838 —
CUNHA, ( Arisrinks MARQUES DA). Contri-
bu'cão para o conhecunento da fauna de Prota-
soarios do Brazil. 11 Memorias do Instituto Oswaldo
Cruz, VI, Fasciculo 3, pgs. 169-179. Rio de Janei-
TO, PA ;
O presente trabalho representa os resultados de
estudos feitos sobre os protozoarios, tanto da agua
doce como da agua do mar e salôbra, e encerra a
descripção de especies novas, faz algumas alterações
nos nomes, e da informações sobre especies até
agora mal conhecidas.
Como novas são descriptas as seguintes especies:
Crumenula truncata n. sp., da agua doce per-
to de Manguinhos.
Cruinenula caudata n. sp., da agua doce perto
de Manguinhos.
Trachelomonas aspera u. sp. da agua doce
perto de Manguinhos.
Trachelomonas hurta n sp, da agua dees per -
to de Manguinhos.
Trachelomonas megalacantha mn. sp., da agua
doce perto de Manguinhos.
Encomptocerea longa n. sp., da agua salobra
de Penha, suburbio do Rio de Janeiro.
Ainda caracterisa e descreve o genero novo
Encamptocerca n. g.. di uma descripção de ÆXn-
trept ella marna Cunha e discute a posição sys-
tematica de Æuchelys gigas Stein, concluindo que
esta especie deve ser classificada como Spathidium
gigas ( Stein ).
Uma estampa colorida figura nitidamente todas
as especies discutidas, e uma ampla bibliographia
realça o trabalho em maior gräu.
ADOLPHO HEMPEL.
CUNHA ( Arisrines MARQUES DA) — Contri-
buicio para o conhecimento da fauna dos proto-
zoarios do Brazil; Memorias do Instituto Oswaldo
Cruz, Tomo VIII, fasciculo 1, pgs. 66-73, Rio de
Janeiro, 1916.
— 839 —
E' esta a quarta contribuição que o autor nos
dá para o conhecimento dos protozoarfos do Brazil
e enumera aperas as especies encontradas em agua
doce e salobra.
Os estudos feitos no material co'ligido nos ar-
redores de Manguinhos augmentou a lista já co-
nhecida com mais 22 especies, das quaes 4 são des-
criptas como novas. Em uma excursão feita na
vizinhança de Angra dos Reis foram examinadas
muitas amostras de agua doce revelando a preserça
de 64 especies. Material colleccionado pelo dr. A.
Neiva em Peixe, Bahia ( Municipio de Remanso )
fez conhecer 3 especies, e outro material da Lagôa
de Parnaguá, Piauhy (Municipio de Parnagua ),
deu mais 8 especies. Com estas pesquizas e as de
Wailes em 1913, ficam registradas 320 especies de
protozoarios conhecidos no Brazil presentemente.
Além de descrever e de delinear em uma es-
tampa admiravel, quatro especies: Tropidomonas
rotuns, Metopus caudalus, Metopus nasutus e Spr-
rorhynchus verrucosus como novas, o autor ainda
estabelece e dá a diagnose do novo genero Sprr'or-
hynchus; todas estas já caracterizadas em notas
previas no « Brazil-Medico » de 1915.
“ ApotpHo HEMPEL.
CUNHA ( Arisrines MARQUES DA ) — Sobre os
ciliados intestinaes dos mammferos (WW). Me-
morias do Instituto Oswaldo Cruz. Tomo VIA.
Neste artigo se descrevem com grande porme-
norisação e bibliographia cinco especies de proto-
zoarios descobertos pelo A. no caecuin da capivara.
Tres do genero Cyclopostium Bundle, 1895 e dous
do genero Paraizoiricha a seber respectivamente
C. hydrocheri, C. incurvum, C. compressum, P.
hydrochoer's e P. accuminata. Excellente estampa
de Castro e Silva illustra o artigo.
AFFONSO D'E. TAUNAY.
— 840 —
CUNHA ( AristiDEs MARQUES DA) — Contri-
buição para o conhecrinento da fauna dos proto-
zoar osdo Braz !. Memorias do Instituto Oswaldo
Cruz. Domo Ro Pasc 2 mos OZ OS o ame
Janeiro, 1918.
Neste trabalho 9 A. dá publicidade aos resul-
tados do estudo do material colhido na agua doce
estagnada dos arredores de Porto Alegre, Rio Grande
do Sul, e do plancton colhido nos principaes rios
daque Estado, enumerando 108 especies de Proto-
voarios, algumas das quaes sac assignaladas pela
primeira vez no Brazil.
AvoLrpHo IlEmPEL.
CUNHA ( Aristides MARQUES pa) E FON-
SECA. ( OLympio DA). Sobre a Entainoeba sepen-
tis. Memorias do Instituto Oswaldo Cruz, Tomo X.
Fasc. 2, pgs. 95-98. Rio de Janeiro, 1918.
Neste trabalho os anctores dão a conhecer o
complemento dos seus estudcs, anteriores já publi-
cados sobre esta Hntamoeba, que foi encontrada no
tubo digestivo de uma cobra Dee Drymob us
bifossatus.
São registradas especialmente as variações mor-
phologica da Entamoeba, a qual, em um aspecto
apparece com dimensões menores. O nucleo tambem
tem as suas variações e. modificações. simulares às
da Entamoeba testudns Hartmann, devido, con-
forme a opinião dos auctores, a « variação cyclica
do cariosoma ».
A Entamoeba serpentis, Cunha e Fonseca dis-
tingue-se da Entamoeba testudins Harb., pelo facto
de não mostrar esta ultima dimorphismo; e da En-
tamoeba lacertae Harb. e Prav. pelo pequeno ta-
manho desta'e pela « existencia de um estadio par-
ticular de divisão nuclear ».
Em uma estampa nitida são illustradas as di-
versas formas e modificações discutidas no texto.
ADOLPHO HEMPEL.
CUNHA (Aristipgs MARQUES DA) E FON-
SECA. (Otympio DA). U micropiancton do Atlun-
tico nas immedacoes de Mar del Plata. Memorias
do Instituto Oswaldo Cruz, asc. 7, pgs. 140-142.
Rio de Janeiro, 1917.
Mais uma valiosa contribuição para o conheci-
cimento do microplancton da região sul-atlantica,
baseada no estudo de material enviado pelo Proí.
Dr. Angel Gallardo, director do Museu Nacional de
Historia Natural de Buenos Aires, e colhido a
bordo do navio « Patria» perto de Mar del Plata.
São registradas um total de 52 especies, sendo
descripta como nova Tintinnopsiss n. sp., cuja ca-
rapaça tambem é figurada no texto.
ADOLPHO HEMPEL.
DIAS ( Ezxkquiez CAETANO ) E ARAGÃO (HEx-
RIQUE DE BEAUREPAIRE ). Pesquizas sobre a natu-
reza dos anaplasinas. Memorias do Instituto Os-
waldo Cruz, tomo VI.
A. Theiler, bacteriologista do departamento de
agricultura do Transvaal juigon haver descoberto
como origem de certa epizootia do sul da Africa
que baptizara anaplasmose, a existencia de um pa-
rasito sob duas formas a que deu o nome de Ana-
plasma marginale e A. marginale, var. centrale,
ambos transmittidos aos vertebrados pela picada dos
carrapatos. Varios protozoologistas confirmaram as
longas pesquizas de Theiler, outros porém como
Schilling Torgau insurgiram-se contra a natureza
parasitaria do anaplasma, que se apresentava des-
provido do protoplasma, o que constituia uma ex-
cepção aos seres de seu grupo. Os dous À. A. re-
tomaram a questão em Manguinhos, longa e pa-
cientemente levando de frente as suas experiencias
com crescente successo.
Afinal convenceram-se da natureza hematica do
anaplasma, sendo seus resultados comprovados ainda
pelo Dr. Parreiras Horta, chefe do Serviço de Ve-
terinaria do Ministerio da Agricultura. Afirmam,
pois, os A. A. que o anaplasma nao é um proto-
zoario 2 sim um corpusculo de natureza hematica
producto da degeneração dos globulos vermelhos,
decorrentes de certas anemias determinadas por ve-
nenos ones de natureza diversa Não existe
a molestia anaplasmose bovina: os casos de Theiler
são uma forma clinica de piroplasmose. As expe-
riencias de Laveran e Levadito levaram estas duas
autoridades às mesmas conclusões que os dous ex-
perimentadores de Manguinhos cujos resultados novo
e brilhante triumpho trouxeram para a sciencia bra-
zileira. Optimas estampas completam o trabalho
profusamente illustrado.
AFFONSO DE. TAUNAY.
FARIA (J. Gomes DE) E CUNHA ( ARISTI-
pes Marques DA). Æstudos sobre o Microplancton
da bacia do Rio de Janeiro e suas 1mmed'acôes.
Memorias do Instituto Oswaldo Cruz, IX. Fase. I,
pags. 68-93. Rio de Janeiro de 1917.
Neste importante artigo os auctores registram
os resultados das suas pesquizas, iniciadas em 1913,
sobre o microplancton das immediações. Rio de Ja-
neiro, material este apanhado em pescas verticaes e
horizontaes.
Säo ennumeradas 23 especies de zooplancton, das
quaes Tintinnopsis prowasek e Cytarocylis (Cox-
biella) helcoidea são descriptas como novas, e do
phytoplancton são enumeradas 115 especies.
Um liquido conservador preparado pelo Dr. Fa-
ria, e composto de partes equaes de uma solução
de formol a 5 ’/, em agua do mar e de glycerina
Price, deu melhor resultado do que a gelatina gly-
cerinada de Kayser.
Em uma nitida estampa são figuradas cinco for-
mas diversas. Uma bibliographia “completa encerra
9 trabalho.
ADOLPHO HEMPEL.
— 843 —
FARIA (José Gomes DE), CUNHA ( ARISTIDES
Marques DA) & FONSECA ( OLympio DA). Pro-
tozoarios parasitos da «Polydora Socialis », com
uma estampa. Memorias do Instituto « Oswaldo
Cruz», tomo X. fasciculo I, Anno 1918.
Levados a examinar os casos de parasitagem
das conchas de molluscos por vermes marinhos, ve-
rificaram os A. A. com frequencia sobre, a Ostrea
parasitica das aguas guanabarinas, vermes polyche-
tas, identificados como Polydora socialis e que so-
bre a casca das ostras perfura tunneis.
Sobre as polydoras a parasitalas observaram os
A A., cujos trabalhos de protozoologia são bem conheci-
dos, a existencia de dous protozoarios novos que neste
artigo descrevem e a que deram os nomes de Ano-
plophyrae polydorae e Selenidium cruzi, ambos
descobertos em 1917. O primeiro é um ciliado da
subordem Astomata e deve ser incluido no geuero
Anoplophyra Stein; o segundo uma gregarina a
incluir se na subordem Schizogregarina e no ge-
nero Selenidiuwin Giard. Vivem ambos no tubo di-
gestivo do helmintEo.
Declaram os A. A. que ainda verificaram- a
existencia de outra gregarina do genero Doliocys-
tis, e pertencente a uma especie que ainda não
poude ser exactamente determinada.
Arronso DE. TAUNAY.
FONSECA ( OLympro OLiveIRA RIBEIRO DA ) —
Estudos sobre flagelados parasitos dos inainnuferos
do Brazil. Memorias do Instituto Oswaldo Cruz.
Tomo VIII, fasciculo 1, pgs. 5-40. Rio de Janeiro
1916.
Este importanto estudo que, além do historico
e da lista dos mammiferos examinados, contém uma
bibliographia completa ineluindo 177 titulos e duas
estampas delineando 19 especies, está baseado em
292 autopsias de diversos mammiferos ou observa-
ções no homem, e muitas autopsias de aves, reptis,
batrachios e insectos.
Na lista dos mammiferos são registradas as es-
pecies de protomonadinas encontradas em cada uma.
E’ discutida a classificação das protomadinas,
baseada no systema de Hartmann e Chagas, ficando
o grupo dividido em: duas sub-ordens Monozoa na
qual foram incluidas oito familias, mas que agora
fica augmentada pela criação de mais uma familia
( Callimastigidae ) feita em 1915 pelo autor, e Di-
plozoa, que «corresponde ao antigo grupo dos Di-
plozourios de Daugeard e às Distomatidae de
KzeBs», e que inclue uma unica familia Destomatedac,
mas para qual o autor propõe que seja adoptado o
nome de Hexamitide Kent.
São descriptas as seguintes especies e generos
e sub-generos: Sphaeroimonas, Liebetanz, 1910.
Sphaeromonas, coininunis, Liebetanz, 1910.
Sphaeromonas, liebetanzi, Fonseca, 1915.
Callimastix frontalis, Braune, 19:4.
Chilomastix, Aleixeieff, 1910.
Tetrachilomastia bittencourti, Fonseca, 1915.
Chilomastia bitlencurti, Fonseca, 1915.
Chilomastix caprae, Fonseca, 1915.
Chilomastix cuniculi, Fonseca, 1915.
Chilomastix intestinalis Kuezynski, 1914.
Chilomastia mesnili ( Wenyon, 1910).
Trichomonas, Donnée, 1837.
Trichomonas caviae Davaine, 1879.
Trichomonas hoïmainis ( Davaine. 1854 ).
Trichomonas muris Galli-Valerio, 1907.
Trichomonas tatust Fonseca, 1915.
Trichomonas vaginalis Donne, 1837.
Trichoinonas, Blochmann, 1884.
Enteromonas, Fonseca, 1915.
Enteromonas hominis Fonseca, 1915.
Chilomitus caviae Fonseca, 1915.
Octomitus muris ( Grassi, 1882)
Giardia, Kunstler, 1882.
Giardia cuniculi ( Beusen, 1918 ).
PATES
— Sãy —
Grardia intestinalis ( Lambl, 1859).
Giardia muris ( Beusen, 1908),
Selenomonas, Prowazek, 1913.
Estas diagnoses claras e completas facilitam
muito o estudo destes grupos de parasitos.
AporpHo HempEL.
NEIVA ( ARTHUR), GUNHA AristiDES MAR-
ques DA) E TRAVASSOS ( Lavro). Contribuições
parasitologicas. Memorias do Instituto Oswaldo Cruz,
Tomo VI.
Constituem o presente artigo a synthese da
observação de 65 necropsias de animaes mammife-
ros e aves, sobretudo designando-se os hospedeiros
graças ao trabalho de Brabourne e Chubb e o ca-
talogo de aves de Jhering editado pelo Museu Pau-
lista. Entendem os A. A. que esta obra é « lacunosa
quanto ao que concerne à synonymia, indicação bi-
bliographica, data das publicações dos autores re-
feridos, impedisdo portanto a consulta à fonte ori-
ginal e não facilitando o reconhecimento das espe-
cies designadas antigamente por outras designações
caso que se repete frequentemente ».
No material revistado descobriram-se diversas
especies novas de protozoarios e helminthos, assim
dentre os primeiros Treponema tropiduri achado
no sangue de um lacertilio insectivoro e que os A. À.
julgam poder vir vehiculados de algum insecto Ba-
lantidium caviae Entodiniuin mammillatwm, cilia-
dos achado no grosso intestino da préa. Dentre os
helminthos Heligmosomum agouti: da cutia.
Seguem-se informações. sobre alguns Æchyno-
rhynchus de aves como Chentror ynchus tunudulus
que na phase larvar tambem foi encontrado em abun-
dancia nos lagartos, Æ. micracanthus achado agora
no intestino delgado de Molothrus bonariensis assim
como do Physocephalus gracilis na preguiça.
Arronso DE. TAUNAY.
ere ae
PINTO, ( Cesar FERREIRA |. Contribuição
para o conhecimento dos ciltados parazitos. Me-
morias do Instituto Oswaldo Cruz. Tomo X Fasc. 2,
pgs. 194-199.
O auctor dá uma descripção detalhada de Opa-
lina brasiliensis Pinto um parasito ciliado novo
por elie encontrado no intestino de Leptodactylus
ocellatus provenientes de Manguinhos e de outros
lugares do Rio de Janeiro, sendo os diversos cara-
cteres descriptos e discutidos tambem, claramente
ilustrados em uma estampa.
ADOLPHO i/EMPEL.
SILVA, ( Oscar D UrrA ) E ARANTES (J. 3.)
Sobre uma hemogregarina da gamba. Haemogre-
garina didelphyais n. sp. Memorias do Instituto
Oswaldo Cruz. Tomo VIII, fasciculo 2, pgs. 61-63,
Rio de Janeiro, 1916.
Os auctores encontraram esta nova hemogre-
garina infestando os globulos vermelhos no sangue
de um macho adulto de gamba commum ( Didel-
phys didelphys aurita) procedente de Merety,
perto de Rio de Janeiro.
Cerca de cincoenta gambis foram examinadas
mas um unico exemplar foi encontrado infestado.
O parasita, que ficou designado como Haemo-
gregarina didelphydis, não foi encontrado nos
lencocytos mas unicamente nos globulos vermelhos
e não mais do que um individuo no mesmo globo.
Uma nitida estampa esclarece o texto e mostra
phases interessantes da evolução do parasito.
ADOLPHG HEMPEL.
CUNHA, ( Arisrines MARQUES DA ) E FONSE-
CA, (OLympio DA). O Microplancton das Costas
meridionaes do Brasil. Memorias do Instituto
Oswaldo Cruz. Tomo X. Fasc. 2, pgs. 99-103. Rio
de Janeiro, 1918.
EE Rs
O presente trabalho é uma publicação prelimi-
nar dos resultados de estudos e pesquisas feitas no
material de microplancton provenientes das Costas
de Santa Catharina e Rio Grande do Sul e da
bahia de Paranaguá, em tres viagens successivas.
Nesta contribuição valiosa ao assumpto os
auctores dão uma lista de 75 especies estudadas,
todas já conhecidas à sciencia.
ADOLPHO HEMPEL.
NOTA DA REDACÇÃO
Tal extensão tomou a nossa resenha bibliographica.
atrazada como se achava de diversos annos, que, para nào
avolumar mais o presente tomo já muito encorpado com as
suas novecentas paginas, decidimos tranferir para o tomo
XII da Revista, a sahir dentro de poucos mezes, a parte da
bibliographia relativa aos auctores não brazileiros que escre-
veram sobre assumptos attinentes a questões de historia
natural em nosso paiz.
à
à
fe A CE LR
Aye es
CN TR US
APPENDICE
OF an Nea ee ea
PU
PIRES DO RIO (Josi) O combustivel na
economia universal. Rio de Janeiro, 1916, pp. 228,
Ins Ge.
Ha entre nós, ainda, tão defeituosa organ‘sacao
no commercio da livraria, tal dispersão, que largo
tempo decorreu depois que os jornaes fluminenses
noticiassem a sahida do livro de que nos vamos
occupar e afinal pudessemos tel-o à mão.
E assim - mesmo, devemos o facto à gentileza
do autor que, a pedido nosso, o remettea à Bibliotheca
do Museu Paulista.
Da obra do sr. dr. Pires do Rio falaram lar-
gamente os orgams da imprensa diaria, os periodi-
cos especialistas no Rio de Janeiro. mas quer-nos pa-
recer que entre nós raras e summarias apreciações
a seu respeito surgiram, motivo pelo qual, embora
atrazados, passamos a resumil-o e analysal-o para
os nossos benevolos leitores.
A impressão primeira que nos ficou, finda a
sua leitura, é que para esta obra, fructo da assimi-
lação de innumeros elementos, feita com aqueila in -
teira boa fé que Montaigne apregoava para os seus
Ensaios e é a unica compativel com a feição
que ao dr. Pires do Rio conhecemos, para que tal
obra se realizasse, diziamos, teve o seu autor um
destes trabelhos cuja rememoração como nos dá
um principio de anemia cerebral com o simples
pensar no que exigiu de quem a fez. Ccmo é pe-
noso este trabalho do mosaista de elementos mil,
espalhados em mil direcções! Mas como é ainda
mais penoso fazer a selecção dos elementos anga-
riados, aproveitar os escolhidos, saber fazel-os re-
alçar numa série de tons de intensidade diversa,
como devem ter, e por ultimo coroar todo este la-
bor colossal com as expressões da synthese que se
impõe em trabalhos desta natureza. Só a um cffi-
Mir ue
cial do officio é dado calcular o que terá exigido
do A. em materia de dispendio de energia cerebral
um livro como este, nascido de enorme leitura e
dilatada meditação, de largo tempo. Abre-o° excel-
lente prefacio do dr. Arrojado Lisboa em que este
proficiente engenheiro lembra, em algumas phrases
syntheticas, o papel primacial do combustivel no
conjunto da civilisação hodieraa. Subordinada a
obra a cinco grandes divisões, antes de entrar em
materia, escraveu o A. uma introducção em que
expõe o plano que delineou para o seu livro, fri-
sando o formidavel papel representado no mundo
moderno e cada vez mais para o futuro — pelo com-
bustivel.
No seu ver nada ha mais phantasioso e inexa-
cto do que se pretender estabelecer a superioridade
ethnica dos povos do mesmo ramo ; nada mais cbscu-
ro do que a pretensa decadencia racial. Combate
as idéas de Murtinho relativas ao Brasil, a tal res-
peito e lembra que da detenção de hulheiras, e da
primazia na electro siderurgia, a ella sequente, veio
a dominação ingleza, allemã, norte-Americana.
Sem combustivel não ha metallurgia do ferro
e sem esta vem a decadencia ou pelo menos a in-
ferioridade.
E" o primeiro capitulo do Livro do dr. Pires
do Rio, O Combustivel e a civilização, uma
esplendida synthese da historia da civilisação onde
a importancia crescente da hulha, e congeneres,
desde que se entrou na phase de progressäo geome-
trica trazida pela machina a vapor — se põe em ver-
dadeiro destaque.
A machina que exige o carvão só pôde desen-
volver-se pelo ferro. Dahi a felicissima expressão
do A: « Antes do seculo XIX, era o ferro o metal
do utensilio, depois passou a ser o da machina». E
isto caracteriza admiravelmente o enorme salto que
Watt fez dar à civilização.
Nenhum outro povo, na historia da Humanidade,
adquiriu a proeminencia conquistada pelos inglezes
ST AR ma
no seculo XIX. Foram os principaes causadores do
formidavel surto do progresso moderno.
A era victoriana é a do apogeou britanico. Mas
não é só na Grã-Bretanha que o ferro e c carvão
se manipulam. Dois terriveis concorrentes apparecem,
sobretudo de 1880 para cá, a Allemanha e os Es-
tados Unidos. Dahi a causa remota desta terrivel
conflagração, que no fundo não é sinão a lucta entre
a siderurgia allemã e ingleza.
Dahi o distanciamente dos povos que não tem
a industria de férro no pé em que a possuem estes
tres «leaders» do mundo moderno. Dahi a tola
concepção de decadencia latina toda apparente quando
ha nos nossos dias o formidavel resurgimento ita-
liano e o despontar dos neo-latinos sul americanos.
Si não é maior, é porque lhes falta ao territorio o
o que sobra à Pensylvania, ao Paiz de Galles, à West-
phalia.
/ No capitulo seguinte Generalidades sobre
os combustiveis examina o dr. Pires do Rio os
combustiveis solidos, liquidos e gazosos, lenha, hulha,
petroleo, gazes naturaes, etc. ; expõe-lhes os carac-
teristicos differenciadores, como capacidade de rendi-
mento calorifico, reservas mundiaes, producção e con-
sumo universal, e reforçando a sua these lembra ao
leitor, entre muitos factos, que as causas, por exemplo,
da perda de terreno commercial pela França, antes da
guerra, provisha exclusivamente da deficiencia car-
bonifera de seu territorio, nunca de differenças eth-
nicas. Ao carvão, só a elle, devem a Allemanha,
Inglaterra e Estados Unidos a sua prodigioca pre-
ponderancia. A explicação, insophismavel, tem-se a na
superioridade dos recursos da terra.
Accumula-se neste capitulo uma infinidade de
noções scientificas, condensadas com notavel poder
de synthese, tendo em vista o A. poupar aos seus
leitores a consulta a manuaes estrangeiros quando
a compararem o carvão brasileiro aos de fora.
Classificando as diversas qualidades de hulha,
lembra o A. que, infelizmente, tem o nosso carvão
tres maus elementos: grande residuo de cinzas, en-
xofre e notavel riqueza em oxygenio o que diminue
o combustivel volatil por se combinar com c hydro-
genio dando vapor dagua.
Interessantiss mas as noventas paginas consa-
gradas à Geographia do carvão de pedra,
esplendido resumo de acurada leitura de extensa bi-
bliographia.
Começando pcr pequeno introito historico, ex-
põe o dr. Pires do Rio as possibilidades carboniferas
dos grandes paizes productores, começando peles
Estados Unidos, Inglaterra, Allemanha, e, a tal pro-
posito, reune numerosissimos dados da maior rele-
vancia para a exposição do assuinpto em materia de
característicos physicos-chimicos dos combustivéis,
papel das machinas, producção e consumo interno,
correlação com a siderurgia, legislação mineira etc.
Examina depois as occurrencias da França, dos
paizes do antigo imperio austro-hungaro, Russia,
Belgica, Japão — onde alguns geologos querem en-
contrar muitas similitudes com o caso carbonifero
do Brasil, e acerca do qual traz o A. por este mo-
tivo, grande numero de dados variados — Australia,
Nova Zelandia, India, Africa do Sul (o continente
africano atê agora revela pequenas occurrencias, ver-
dade é que muito pouco se o conhece ainda, como se
sabe), Mexico, Chile (do carvão deste ultimo ha
extensas informações ) e Argentina, onde até agora
não ha propriamente hulheiras desvendadas. Lembra
o A. aos seus leitores que nós, brasileiros, devemo-
nos inspirar muito nos exemplos autraliano e neo-
zelandez. Nestes paizes do imperio britanico occor-
rem, lado a lado, ou quasi, carvão e ferro, e, no
entanto ainda, alli não raiou o dia da metallurgia.
Dois grandes territorios imperfeitamente explo-
rados, sobretudo um. contêm reservas formidaveis
de hulha; a China e o Canadá. A esta hora ha
mais de um bilhão de toneladas de carvão de pedra
conhecidas para o ex-celeste imperio, nas suas di-
versas bacias carhoniferas !
Tem a China ferro em abundancia. Preve-se-
lhe enorme surto dentro em pouco.
— 899 —
No Canadá as reservas são tambem colossaes,
só as já conhecidas ascendem a mais de 800 milhões
de toneladas! A hulha é, porém, muito inferior à
americana; os grandes depositos do Oëste da Co-
lumbia britanica não podem, porém, deixar de dar,
em futuro não remoto, a esta região, enorme im-
portancia, sobretudo pela sua proximidade do mar e
situação geographica relativa ao Canal de Panama.
As cincoenta paginas do capitulo «a hulha
no Brasil» são da mais instructiva leitura. Co-
piosissimo o accumulo de dados que ahi faz o A.
Começa pelo interessante historico da questão, desde
as primeiras revelaçües do carväo no Rio Grande do
Sul, em 1808, por Antcnio Xavier de Azambuja, em
Santa Catharinae no Parana. Da o verdadeiro valor
ao patriarcha da mineração hulheira no nosso paiz.
James Johnson, expõe as vicissitudes da nossa mais
antiga e, durante muitas decadas, unica e verdadeira
mineração, a do Arroio dos Ratos e acaba com a
resenha de todos os trabalhos de valia, executados
sob o mesmo ponto de vista, do visconde de Bar-
bacena e do ar. Parigot, passando por Hartt, Gon-
zaga de Campos, Pederneiras, John e Nathanael
Plant, e afinal Calogeras que n As minas do
Brasil» escreveu um capitulo que por si só é um
livro e onde se condensaram todos os conhecimentos
relativos ao carvão de pedra no Brasil até 1904, e
afinal, o relatorio do eminente J. C. White.
Passa o A. a estudar as conclusões do sabio
geolygo norte-americano, cita-ihe e estuda-lhe as
explorações e sondagens. Compara depois a com-
posição chimica da hulha brasileira e estrangeira
e, apresentado todo este complexo de dados. geolo-
gicos e chimicos, faz ver que o nosso carvão, pelas
suas condições de exploração e exigencia de trata-
mento, pela sua mã qualidade nativa, exige mani-
pulação afim de poder prestar-se a mais largo uso
do que se faz actualmente. Dá-lhe isto o ensejo de
estudar, exhaustivamente, a questão da briquetagem
e da lavagem. o uso do carvão pulverizado e o em-
prego da hulha nos gazogeneos onde o combustivel
— 896 —
brasileiro póde ser empregado com vantagem sobre
as machinas a vapor.
Expostas as diversas faces da questão do com-
bustivel nos longos capitulos a que nos referimos,
apresenta o A. as suas conclusões. Em synthese,
a quesião hulheira do Brasil resume-se muito menos
em baratear o carvão do que lhe melhorar as qua-
lidades, quer pela briquetagem do carvão lavado quer
pela queima do carvão pulverizado ou pelo emprego
nos gazogeneos. Deve haver intensa propaganda no
sentilo de se divulgarem os processos modernos de
utilisação dos maus combustiveis.
Construcção de estradas ds ferro tambem a pre-
conisa o A., moderadamente, podendo igualmente
pensar-se na abertura das de rodagem.
Emfim o que no pensar do dr. Pires do Rio
requer efficiente patronato official é a necessidade de
se estudarem, nos paizes da machina, os ultimos pro-
cessos de trabalho, para depois se propagarem sob
a forma da instrucção technica, nos campos de acti-
vidade nacional.
A este proposito lembra a posição formidavel da
Inglaterra no apogeo da éra victoriana quando per
assim dizer, dominvu a civilisação occidental. Pro-
duzia tres milhões de toneladas de ferro em 1856
e o resto do mundo outro tanto!
67.500.000 toneladas de carvão e o resto do
mundo 57 milhões! Da sua proximidade da Ingla-
terra, veio à França a possibilidade de obter carvão
barato, compensação para os seus reduzidos recursos
naturaes. Dahi o facto de ter tido o reflexo da pu-
jança ingleza. Fez-se a trasformação natural da mer-
ry England de antanho, pastoril e agricultural na
Inglaterra manufactureira do seculo XIX.
Dahi a enorme chamada de materias primas,
produzindo esta extraordinaria extensão do trafico
maritimo que.todos conhecemos. As 23.000 toneladas
de algodão produzidas em, 1801, passaram a ser
3.150.00) em 1901. Assim aconteceu com as de-
mais materias primas e conquistou a Inglaterra esta
primazia nos artigos de tecelagem que lhe deu rios
— 897 —
de dinheiro; em 1889, importava 75 °/, da lã pro-
duzida no globo. O mesmo se deu com a juta, ca-
nhamo, etc. A procura de fibras texts caracterisou
a primeira metade do seculo XIX, a dos cereaes e
das carnes a segunda. Graças à sua navegação, re-
flexo da sua riqueza carponifera, em 1900 concen-
trou a Inglaterra em suas mãos 314 milhões de es-
terlinos comprados em trigo, sobre o t tal de 54
milhões! E a seguir revista o A. a posição sempre
proeminente do commercio britannico em relação
aos demais cereaes.
Estuda então a situação do Brasil como pro-
ducior de materias primas, constitutivas do be-
neficio do desenvolvimento industrial dos grandes
paizes.
Assignala a decadencia relativa da nossa in
dustria assucareira, a diminuição da exportação do
fumo, a ascenção do cacau, o boom da borracha,
de 89 a 1913, e sobretudo este estupendo surto do
café em S. Paulo. Besta isto, diz eloquentemente
o dr. Pires do Rio, para acreditar a energia de
um povo.
Nada mais injusto do que esta continua depre-
ciação da nossa herança lusitana. O surto cafeeiro
que fez plantar 600 milhões de arvores, em alguns
annos, é digno de se comparar, como padrão de
desvanecimento, aos da construcção dos fornos altos
nas grandes regiões metallurgicas.
Quanto à capacidade do estabelecimento de
novas industrias e aproveitamento de novas possibi-
lidadés ahi se citam brilhantes factos a desmentir
a nossa incriminada inercia, como no caso da mo-
nazita e do manganez.
Expõe depois o A. as condições dos diversos
paizes do Universo, segundo os seus recursos de
combustivel e mostra a progressão do commercio
no globo. Ao passo que o numero de habitantes
da terra triplicou, talvez, de 1800 a 1905, o com-
mercio mundial passou de 302 milhões de libras a
9440 !
ds EN
Milagres da industria de transporte devidos à
atilisaçäo “da hulha! Nosso paiz soffreu o reflexo
fatal das condições mundiaes. « Não seria de admi-
rar, diz o A., que o Brasil houvesse feito em um
quarto de seculo de Republica tanto quanto em meio
seculo de monarchia ».
Nao! não ha de que nós outros brasileiros nos
envergonhemos, avança o sr. dr. Pires do Rio. Não
desmerecemos da actividade dos nossos conteinpo-
raneos.
O que nas condições actuaes da civilisação não
se pode fazer é prosperar nas condições expressas
pela energica expressão popular «tirando caldo de
pedra ». Quem não tem sub-sólo carbonifero explo-
ravel, quem não tem ferro perto do carvão, que
esta longe dos centros hulheiros, fatalmente não con-
seguirá emparelhar com os grandes depositarios de
riquezas do sub-sólo.
« Nas terras pobres, aridas, accidentadas e gas-
tas de Portugal, em cujo sub-sólo não ha reaes va-
lores para o surto economico, observa o A., com 2
maior propriedade, as condições da vida actual, não
permittem a eclosão de uma Belgica, pr exemplo »,
tanto mais quanto ainda lhes peiora à situação a ex-
centricidade geographica.
Nada valerá a tal paiz procurar concertar a
situação com mudanças de fórma de governo; só
conseguirá progredir esforçando por incrementar
aquillo que lhe fôr possivel, na coucurrencia
mundial, Continuando a sua demonstração exempli-
fica a A. com numerosos factos eloquentes, quanto
no quadro da riqueza dos paizes modernos ha abso-
luta independencia entre a população e a superficie
de um paiz e sua exportação. O desenvolvimento
economico de um povo depende muito mais das con-
dições physicas do que de sua raça ou constituição
politica.
No Brasil, de d. João VI, para ca, a solicitude
dos governos tem sido continua e esclarecida para
a marcha da civilisação. Não estejamos a e nittir
conceitos levianos e paradoxalmente maldosos sobre
— 859 —
nossa terra e nossa gente. O Brasil caminha como
terra pouco povoada e sem combustivel e marcha
acceleradamente.
. Ainda mostra o A. quantos phenomenos econo-
micos e modernus se prendem à questão combusti-
vel, Proteccionismo e livre cambismo são os refle-
xos iramediatos de estados dalma de quem produz
caro por causa da importação da hulha e de quem
produz barato, por ter grandes recursos hulheiros.
Geraram-se dahi o officialismo francez e o indivi-
dualismo inglez. No Brasil, paiz importador da ma-
china, preciso se torna que os nossos compatriotas
della saibam tirar o maior numero de vantagens.
Depois de criticar os exaggeros da corrente tola-
mente patriotica que vive embalada na utopia de
um eldoradismo brasileiro, verbera o A. a tenden-
cia opposta daquelles que se deixam arrastar pelo
veso que tornou celebre o typo litterario do visconde
teynaldo, de creacäo eceana: o detractor eterno
da nação a que pertence e vive a berrar que o
Brasil é «um paiz perdido ». Com justiça «sem
prevenções e desanimos diz osr. dr. Pires do Rio,
podemos reconhecer que o Brasil, com os seus na-
turaes e humanissimos defeitos, tem seguido o pro-
gramma dos paizes civilisados. »
Podemos ler a nossa historia sem corar, pelo
que temos feito. «Sobresahe a acção de d. Pedro
II, honesto e laborioso, progressista e patriota », até
aos dias de hoje, sempre imitado, ora melhor, ora
peor, pelos chefes da Nação. Nunca faltou inicia-
tiva e boa vontade do Estado na protecção ao tra-
balho dos brasileiros. »
Precisamos de instrucção e sobretudo de esfor-
ços para o desvendamento de nossas riquezas. Nin-
guem póde avaliar o que poderão ser neste territorio
immenso e quasi ignoto do Brazil as possibilidades
que de repente surjam do sub sélo.
Terminando o seu bello livro de meditação e
consciencia, assimilação e descortino, encerra-o O
sr. dr. Pires do Rio com estas phrases, em que se
repassar as vozes do patriolismo criterioso e inspi-
— 860 —
rado, nobre e cheio de confiança singela, mas inder-
rocavel, nas energias da nação e na grandeza fu-
tura do paiz:
« Numa longa meditação, amparada por aquelles
estudos, encontraremos os factos em que basear um
nobre patriotismo, sentimento de gratidão aos nossos
antepassados, de solidariedade com todos os nossos
irmãos de patria, convencidos de que, no passado
e no presente, temos cumprido o nosso dever de
povo trabalhador, muito embora outros povos heja
mais ricos e mais poderosos do que nós ».
Arronso DE. TauNAY.
FAJARDO (Rocmrio). O carvão de pedra
do Rio do Peixe; S. Paulo 1919, pgs. 37 in 8.º.
Não ha, em nosso meio, quem desconheça o
alto valor do illustre professor da nossa Polytechnica,
signatario da pequena e valiosa memoria que acaba
de nos chegar às mãos. Com o ser o homem da
consciencia e da lealdade integral ainda se revestem
de ma or antoridade as affirmações que nos dá das
condições das jazidas do Imbahú no Paraná. de que
faz o estudo completo, sob todas as faces possiveis.
Situadas a 643 kilometros de Paranaguá e 738
de S. Paulo avalia-se a tonelagem das jazidas do
Rio do Peixe em dezeseis e meio milhões de tone-
ladas metricas, calculo feito soba maior prudencia.
Os exames e analyses, chimicas e caloriferas, de
amostras feitas por homens da competencia elevada
dos Prof. Ferreira Ramos, Magalhães Gomes e
Fonseca Telles da nossa Polytechnica, da Escola
Technica Superior Federal de Zurich, dos abalisados
Drs. Potel e F.. H. Lee, da Repartição de Aguas e
Esgotos de. S. Paulo ¢ do Serviço Geologico do
Brasil dão apenas cerca de 6°/, de cinzas e uma
potencia calorifera em media vizinha de TOLO cal. p. g.
As experiencias relatadas pelo A. do ensaio do
carvão na Ingleza, Leopoldina e Sorocabana foram
— 861 —
tambem mais que satisfactorias, 1783 kilos de car-
vão do Rio do Peixe substituem uma tonelada Cardiff.
Ficou comprovado que o carvão póde ser em-
pregado com bons resultados em queima direeta e,
tanto melhor, em queima indirecta.
Estudando a questão do transporte diz o A.
que o carvão fica a 738 kilometros de =. Paulo,
1226 do Rio e 643 de Paranaguá desde que tra-
fegue a linha ferrea que partindo do kilometro 70
do ramal do Paranaparema (na S. Paulo Rio Gran-
de) attinja as jazidas.
Computando em 84000 o preço da tonelada do
combustivel à bocca da mina mostra o A. qne se
venderá a 344990 em S. Paulo e rs. 294520 em Pa-
ranaguá. Tomando 1400 para cifra de equivalencia
entre o carvão paranaense e o Cardiff demonstra
ainda que a tonelada virá a ficar em S. Paulo a
484400, Estudando depois as condições mundiaes da
industria do carvão de pedra prova o Dr. Fajardo
como são favoraveis as perspectivas e risonhos os
horizontes, quer pela diminuição dos carvões de
alto valor calorifico, que raream, quer pelas per-
turbações causadas pela grande guerra, quer ainda
pelo consumo crescente da hulha. «Ncs proximos
vinte annos, prophetisa um auctor inglez, teremos
que extrahir tanto carväo quanto extrahimos nos
ultimos 112.» |
Emfim com notavel descortino de vistas, abun-
dancia de documentos, e profundo conhecimento do
assumpto aponta-nos o douto Prof. de nossa Poly
technica quão grande é o futuro que se reserva a
industria carbonifera brasileira e quão notavel o pa-
pel que no conjuncto das explorações ha de caber
à hulha do Rio do Peixe.
AFFONSO DE. TAUNAY
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SOLA
Indice dos autores dos artigos bibhographicos
Paginas da Revista
AFFONSO D’E. TAUNAY — 609, 615, 618, 620, 620, 621,
624, 625, 629, 644, 645, 647, 668, 669,
674, 679, 681, 682, 687, 688, 691, 694,
695, 698, 701, 704, 705, 706, 707, 713,
720, 725, TT, 798, 734, 785, 737, 798,
741, 742, 742, 745, 745, 746, 748, 748,
749, 751, 752, 758, 753, 754, 754, 756,
757, 757, 757, 759, 761, 762, .765, 766,
767, 768, 769, TTI, 778; 782 785, 786,
787, 789, 790, 792, 799, 80!, 803, 804,
808, 810, 813, 813, 814, 817, 818, 896,
827, 828, 830, 881, 831, 833, 834, 835,
886, 836, 837, 837, 839, 842, 843, 845,
860, 861
ADOLPHO HEMPEL — 772, 8. 773, 774, 775, 776, 779,
780, 781, 783, 783, 805, 806, 810, 818. 819,
820, 820, 820, 821, 822, 822, 822, 823, 823,
824, 824, 824, 825, 825, 826. 838, 839, 840,
840, 841, 812, 845, 846, 847.
FREDERICO CARLOS HOEHNE — 633, 633, 634, 655,
636, 636, 648, 649, 650, 651, 651. 652,
653, 653, 653, 654, 655, 656, 657, 658,
660, 660, 661, 662, 663, 664.
HERMANN LUEDERWALDT — 641, 642, 643, 647.
Paginas da separata
AFFONSO D'E. TAUNAY —5, 11, 14, 16. 16, 17, 20.
25, 40, 41, 43, 64, 65, 70, 75, T1, 78, Bs
84. 87, 90, 91, 94, 97, 100, 101, 102, 103,
109, 116, 121, 123, 124, 130, 13%, 133,
134, 137, 138, 138, 141, 14%, 142, 144
144, 145, 147, 145, 149, 149, ERO, 150,
152, 153, 153, 153 155, 157, 158, 168,
162, 163, 164, 165, 167, 174, 18, 179,
ADOLPHO HEMPEL — 168, 169, 169, 170, 171,
176, 177, 179, 179,
215, 216, 216, 216,
219, 220, 220, 220,
235, 236, 236, 237,
FREDERICO CARLOS HOEHNE — 29, 29, 30, 3
$2, 44, 45, 46, 47, 47, 48, 49,
51, 52, 53, 54, 56, 56, 57, 58, 59, 60.
HERMANN LUEDERWALDT — 37,
188, 195, 197,
209. 210, 213,
297, 227, 229,
235, 238, 239,
172,
201, 202, 206,
217, 218, 218,
291, 222, 223,
238, 241, 242,
ail
49, 49,
38, 39, 43.
RELAÇÃO SUMMARIA DOS DOCUMENTOS
OFFERECIDOS
Ao Museu Paulista
ee RT A
Exa Svea. D. LYDIA pe Souza REZENDE
BU
NOTA DA REDACCAO
A escassez do tempo, a multiplicidade dos encargos que
incumbem à Directoria do Museu não lhe permittiram dar
senão uma relação muito summaria dos documentos constan-
tes da valiosa offerta da Exma. Sur. D. Lydia de Souza
Rezende ao Museu: parte do archivo do seu illustre Avô, o
Marquez de Valença. As mesmas causas impediram que se fi-
zesse uma catalogação systematisada dos papeis da collecçäo,
limitada por emquanto ao simples arrolamento dos documentos.
Autographos rinperiaes : documentos relativos
a grandes actos officiaes do Primeiro linperio, etc.
Cartas de D. Pedro I ao Marquez de Valença :.
Je 2a PWIA S23 A DS ee as Sm E
AS rs uma não. datada re 6.7) 2 sas
Bilhete do Marquez de Nazareth ao Marquez de
Valença com uma nota confidencial sobre certo in-
trujäo que o Imperador mandava vigiar.
Carta d+ D. Pedro | ao Marquez de Queluz,
2/3/1829.
Nove convites ao Marquez de Valença ( dous a
jantar com D. Pedro Il; para as exequias de D.
Joäo VI; para o segundo casamento de D. Pedro
l; para una recepção da primeira Imperatriz;
para um baile em honra de D. Maria 11; a jantar
nas legações da Irança e Inglaterra; a tomar
parte numa grande manifestação a D. Pedro 1, 1825.)
Cinco convites ao Conde de Valença para gran.
des solemnidades ofhciaes ( Coroação de Pedro I,
Convite a jantar no paço etc. ).
Rascunho do projecto da primeira distribuição
de titulos e mercés por D. Pedro J, a 12 de Outu-
bro de 1825.
Uma lista eleitoral não datada e assignada pelo
Marquez de Valença.
Circular, assignada por José Borifacio, relativa
à grande subscripção nacional, 1822.
Jonvite para a coroação de D. Pedro I, assi-
gnado por José Bonifacio.
Cerimonial para a sagração e co oação de D.
Pedro 1.
Relação dos agraciados a 12 de Outubro de 1825.
Convite para o segundo casamento de D. Pe-
dro 1.
Cabellos da terceira imperatriz e de suas filhas.
Perfil de D. Pedro I cortado em metal dourado.
— 875 -—
Colleccäo de documentos relativos ao Mar-
ques de Valença.
Cumprimentos a elle dirigidos por occasião
de suas nomeações: pelos: futuro Marquez de
Baependy, 1810, José Ignacio Nogueira da Ga-
ma, 1817, Boaventura de Rezende, 1818, João
Correia Machado, 1822, Bispo Frei José da Kan-
tissima Trindade (2), 1822, Brigadeiro Raphael
Tobias de Aguiar, 1823, Frei Pedro da Sacra Ka-
milia, 1824, Marcellino Pinto Ribeiro, Antonio Fe-
lisberto da Costa, Marquez de Sapucaky, Luiz Ma-
ria da Silva Pinto, Antonio Leite Pereira da Gama
Lobo, José Fernandes Pessoa, Luiz Dias Custodio,
Manoel Roiz Martins, José Joaquim de Almeida,
Joäo José Lopes Mendes Ribeiro, Francisco de Pau-
la Macedo, [Francisco Baptista da Silva, Luiz José
de Figueiredo, Placido Martins Ribeiro, Manoel
Joaquin Gongalves de Andrade, Antonio de Cer-
queira Lima, Antonio Vicente da Fonseca, Joao da
Motta Ribeiro, Antonio de Carvalho Chaves (1824),
Francisco de Paula Athayde Seixas, Bispo Frei
José da Santissima Trindade, Trajano Gonçalves de
Medeiros, Manoel Joaquim de Ornellas, Marechal
Josè Arouche de Toledo Rendon, Augusto Xavier
de Carvalho (1825). Francisco de Paula Vi-ira.
Cartas particulares (sem interesse puttico ).
Vicente Ferreira Frôes, D. Theotonia Caetana
de Mascarenhas, Gomes l'reire de Andrade (3),
Anonymas (3), Marquez da Palma, Manoel José de
Souza França, João Nepomuceno de Sanches Bar-
reto, Frei Paulo da Vonceição Moura, Visconde de
Caeté (4). Manoel Ribeiro Vianna, Anastacio José
Pedroso, José Paulo Barbosa, Luiz José de Figuei-
redo, Francisco José Azevedo (4), Jayme da Silva
Telles, Luiz Antonio Barbosa de Oliveira, Gaspar
Posses (4), Antonio Candido Ferreira, Pedro Aie-
xandre Cavrcé (2), João da Motta Teixeira (2), Ra-
phael Tobias de Aguiar (2), Marquez de-Baependy
(2), Luiz Antonio de “Souza Barros (2), Jacintho
Lo iB
H. Guion, Paulo Branco (2), Rodrigo de Figueire-
do Moreira, J. Carvalho de Miranda, Padre Joaquim
Vianna das Chagas, José Ribeiro de Rezende, Theo-
philo de Rezende, Henrique Kopke (2), Barão de
Souza Queiroz, José de Rezende Monteiro, Marquez
de Baependy, Joaquim A. Guimaräes, Antonio Mu-
niz Mello, Cons. Pedro de Alcantara Bellegarde, R.
Durval, Conselheiros: Manoel Joaquim do Amaral
Gurgel, José Maria de Avelar Brotero, João Gosta
Lima e Francisco Antonio de Assis, 1826 - Frei
Luiz da Encarnação Rangel, 1327 -- Francisco An-
tonio de Assis, Salvador Pereira da Gosta.
Cartas sobre numerosos assumptos e sobretu-
do referentes a questões particulares do Marquez,
sem grande interesse politico em geral.
Manoel Joaquim de Ornellas (2), S. Paulo, —
Janeiro de 1816 e 22: Manoel Vieira Couto, Ti-
juco, Maio de 1817; Luiz José de Figueiredo, Ti-
juco, Julbo de 1X17; cartas assignadas Evangelista
( Marquez de Sabari?), Outubro de 1817 (2);
Anastacio José Pedroso, Lisbca, 1317; Ouvidor D.
Nuno de Lossio, S. Paulo, 1819; Manoel Ignacio
de Mello Souza, S. João, 1819; Francisco agnacio.
de Souza Queiroz, S. Paulo, 1819 ; José de Miran-
da Ramos, Luiz José Fernandes He Oliveira, Tijuco,
1822; Visconde de Caeté, Sabara, 1822; A)
Bispo Frei José da Santissima Trindade, 1824; Pi-
tanguy, 1822: Visconde de Congonhas do Campo,
Recife, 1822 (3) e S. Paulo, 1825 e 1823; Agos-
tinho Correia da Silva Groulão, senador D. Nuno de:
Losso, Alagoas, 1824; Conselheiro José Antonio.
da Silva Maia, Sabará, 1824; Ignacio da Costa
Monteiro, Recife, 1824 (2); senador D. Nuno de
Lossio, 1825 (2). Representação de lord Cochrane
contra o governo brasileiro. Antonio Joaquim da
Costa Gavião, 1825; José de Araujo Roso, Pará,
1825; José Joaquim de Almeida, 1825; sir Char-
les Stuart, 1825, 1 bilhete; Barão de Parnahyba
Souza Martins, 3); Oeiras, 1825; Antonio de Sal-
ies Nunes Berford, Visconde de Itabayana, Londres,
1825 (2); Marquez de Baependy, 1825; José Tho-
maz da Silva Quintanilha ? Maranhão, 1825; Ber-
nardo José Pinto Gavião Peixoto, S. Paulo, 1825;
Manoel do Nascimento Castro Silva, Natal, 1825;
Conselheiro Paulo Barboza da Silva, Paris, 1825 —
1537 (2); Visconde de Caeté, 1825 (2); Monse-
nhor Miranda, 1825; Senador Pedro José da Gosta
Barros (2), Maranhão, 1826 (com motas humoris-
ticas sobre a «fartura de Maranhão »;; José Felix
Pereira de Burgos, Pará, 1826 (3); Manoel José
da Costa Vianna, Rio de Janeiro, 1826; Vicente
de Figueiredo Camargo, Pernambuco, 1827; Ma-
noel Ribeiro Vianna, Santa Luzia, 1828; Joaquim
Antonio Vieira Berford, Maranhão, 182%; Barroso
? Julho, 1832; Marquez de Monte Alegre, Regente
(3) 1832; Marquez de Barbacena 1837; José de
Rezende Costa. 1836; José Carlos Mayrinck da
Silva Ferrão, Rio de Janeiro, 1836 ; Bernardo Be-
lisario Soares de Souza, 1857; Rodrigo de Fi-
gueiredo Mcreira, 1838, Porto Alegre; Barão de
Lorena, Cuyabá, Goyaz, 1838; Visconde Rio
Vermelho. Bahia, 1838; D. José (de Assis Mas-
carenhas ? }, Goyaz, 1840: Barão de Santa Luzia,
1841; Jusé Joaqum de Sant'Anna, Santa Cruz,
1842; D. Maria Alexandrina de Almeida Franco,
Santa Luzia, 1845 ( Baroneza de Santa Luzia ); Con-
selheiro Paulo Barboza, não assignadas, tres.
Cartas &irigidas ao Marquez de Valença ;
por vultos do 1.º Imperio e pessoas de destaque.
Do Pe. Luiz Gonçalves dos Santos, Marquez de
Inharubupe (sem data), Marquez de Queluz — 1825
(duas sem data), Marquez de Barbacena — 1837, José
Clemente Pereira (sem data), José Antonio da Silva
Maia — 124, Bispo Capellao mor — 1825, Bispo
Capelläo-môr — 1830, Marquez de Lages — 1832,
Marquez de Barbacena (sem data), Marquez de
Monte Alegre — 1832. Visconde S. Leopoldo, Mar-
quez de Queluz — 1832, Marquez de Baependy —
1833, Regente Francisco de Lima e Silva — 18:32.
— 818 —
Diversos: Dr. André Augusto Joanes, uma re-
ceita do dr. Joanes, Alexandre Reide — 1841; Vis-
conde de Macahé 1844; Conde de Palmella, 1821 ;
Paulo Barboza, ifrancisco José de Azevedo (2),
1831 ;
Papeis de famitia; elementos diversos para
o estudo da biographia do Marquez de Valença.
Cadernos Escolares do Marquez de Valença.
Serviços de Severino Ribeiro Rezende, pae do
Marquez de Valença.
Quatro alvarás de foro de moços fidalgos dos
filhos do Marquez de Valença.
Apontamentos ditados pelo Marquez de Valença
sobre a sua vida e anotados por seu filho Barão de
Rezende.
Attestado dos serviços de Geraldo Ribeiro de
Rezende.
Apontamentos ditados pelo Marquez de Valença
sobre a sua vida, anotados e completados segundo os
papeis de seu archivo por seu filho Barão de Re-
zende.
Bicgraphia do Marquez de Valença - Copia.
SER po do Marquez de Valença até 1809 ( col-
lecção de doze documentos diversos ).
Regimento fiscal da extracção dos diamantes,
142:
Plano de reforma apresentado à Junta da Ad-
ministração Geral dos Diamantes pelo Desembarga-
dor fiscal Estevam Ribeiro de Rezende — 1817.
Memoria historica sobre diamantes pelo Mar-
quez de Valença.
Documentos varios copiados pelo Barão de Re-
zende e relativos à biographia de seu pae, Marquez
de Valença. .
Copias de noticias e artigos necrologicos sobre
0 Marquez de Valenca. Pedido de Livros do Mar-
quez de Valença ao Visconde da Pedra Branca. Dous
memoriaes enviados ao Marquez de Valença quando
Juiz de Féra em S. Paulo.
NAT a
Dez documentos, correspondencia de autoridades
civis e militares com. o Marquez de Valença, quando
Juiz em Palmela.
Cinco documentos correspondencia official por
occasião da estada do Marquez de Valença como
Juiz de Fora, em Palmella.
Parecer juridico dado peio Marquez de Valença
em 1846.
Requerimento do Marquez de Valença justifi-
cando servicos.
Projecto anosymo de reforma policial ( frag-
mento )
Cartas do Marquez de Valença a Francisco Xa-
vier dos Santos, de negocios ( sete ).
Diploma de membro da Sociedade dos amigos da
Polonia e da Sociedade Auxiliadcra da Inaustria Na-
cional. Copia moderna de documentos sobre a via-
gem do principe regente à Minas, 1822.
Relação dos escravos que o Marquez tinha no
Rio de Janeiro.
Copia de artigos da Aurora Fluminense, 1831.
Sobre a proposta de monarchia absoluta offere-
cida a D. Pedro I em 1825.
Copia da carta do Visconde de Itabayana ao
Marquez de Valença em 1825 (Carta de Lon-
dres ).
I — Pcesia sobre a morte do Marquez de Va-
lença, por Ignacio Ferreira Maranhense, epistola ao
. Conde de Valença, Caetano Werraz Pinto a D. Pedro
I, tres poesias anonymas, sermão manuscripto do
Padre Manoel Moreira da Costa, capellao’ militar.
Poesia anonyma sobre a morte do Marquez de
Valença — cinco poesias manuscriptas de Pedro Ale-
xandre Cavroé, a D. Maria II, sobre a morte de D.
Pedro I, a D. Pedro II etc.
Poesia dedicada ao Marquez de Valença, por
Vicente da Costa Taques Goes e Aranha, 1812.
Duas poesias anony nas offerecidas ao Marquez
e uma terceira de Antonio Alves Branco Muniz
Barreto.
LPS
Recibos de monte pio, irmandades, diversos do-
nativos do Marquez de Valença.
Uma acção da Comp. do Ipanema. Uma acção do
Theatro provisorio, Rio de Janeiro.
Um agradecimento da Camara de Santos ao
Marquez de Valença, 1844.
Um opusculo impresso, Biographia do Marquez
de Valença.
Uma procuração de proprio punho do Marquez
de Valença, 1810.
Convite do Imperador ao Marquez de Valença
para que acompanhe uma procissão ( 1823, 19, 20 ).
Documentos sobre a fundação de Casa Branca.
Certidões em abono do Marquez de Valença,
Juiz de Fora, de S. Paulo.
Apontamentos do Marquez de Valença sobre a
viagem do Principe Regente D. Pedro 1, a Minas
em 1322.
Memoria sobre os Conselhos de procuradores
geraes das provincias.
Eleição parochial da freguezia de Sant Anna,
( Rio, 1825 ).
Quatorze recibos relativos a diversas socieda-
des de que fazia parte o Marquez de Valença.
Collecção de sete documentos relativos ao Mar-
quez de Valença; petições por elle enviadas à Corte
1804-1808-1821.
Poesia de um anonymo ao Marquez de Valença,
quando juiz de direito em S. Paulo.
Quatro portarias assignadas pelo Marquez de
Valença sobre o Jardim: Hotanico do Rio de Ja-
neiro, sobre a Estrada de Guarapuava a Missões,
sobre o recenseamento de S. Paulo e sobre um pro-
jecto de confederação das províncias.
Declaração de vencimentos do Marquez de Va-
lença em 1825.:
Convite a que collabore na reorganisação do
Banco do Brasil.
Trinta e tres documentos colleccionados relati-
vos à correspondencia do Marquez de Valença então
Juiz de Fôra em Palmella-Portugal, em 18 97-1808
— 881 —
“com autoridades civis e militares portuguezas, hespa-
nholas e francezas. Entre estes, autographos do Ma-
rechal Kellermann, Duque de Valmy, de Gomes
Freire de Andrada, Visconde de Asseca, etc.
“Carta do Conde de Iguassti ao Barão de Rezende-
1880, enaltecendo a personalidade do Marquez de
Valença.
Dezesete recibos diversos, sobretudo de jornaes
( 1820-1840. )
Apontamentos dictados pelo Marquez de Valença
à sua filha Condessa de Camboläs.
Anedoctas diversas, reminiscencias, pequena
auto-biographia ( diversas folhas truncadas, tudo da
letra da Condessa de Camboläs. )
Papeis officiaes diversos, consultas do Conselho
de Estado.
“Balanço da receita e despesa de Minas Geraes
1820. |
Caleulo da população da Capitania do Rio de
Janeiro. 1796.
Calculo da população da Ilha de Santa Catha-
ina, 1796.
Receita e despesa do Rio Grande do Sul, 1816.
Gopia de u na consulta do desembargo do passo,
1810 sobre as pretenções de 15 desembargadores.
Copia da provisão de 20 de Julho de 1750
sobre emancipações.
Papeis sobre reformas policiaes e sobre ques-
tões forenses ( sem valor historico ).
Relação dos officiaes da Contadoria geral da
Capitania do Rio de Jan-iro, 1807.
Nomeação de um consul na Ilha de S. Miguel.
Documento sobre as eleições de deputados e
senadores de Pernambuco à primeira Assembléa
Legislativa.
Projecto anonymo da reorganisação dos cor-
reios, 1827.
Copia de um documento relativo a uma ques-
tão do Marquez de Baependy, no Espirito Santo.
RR de
Rascunho de um projecto anonymo de acçäo
de graças, no tempo da regencia.
Projecto de lei ( anonymo ) sobre estrangeiros,
1803.
Calculo da população do Brasil -- sendo inten-
dente geral de Policia o M. de Valença, 1820.
Exposição da regencia à Nação, 1831.
Memorial da Camara de S. José, sobre a mi-
neração do Rio das Mortes, 1837.
Projecto sobre modificações no Mangue, 1224.
Rascunhos de projectos sobre estradas de ro-
dagem, pelo então Barão de Valença, 1826.
Prospecto para a fundação de uma companhia
ligando o Rio de Janeiro a Lorena, 1840.
Piano de uma estrada de ferro ligando a Corte
a Rezende e Lorena, 1839.
Representação de tropeiros e boiadeiros, 1823.
Projecto sobre estradas, 1824.
Copia de algumas actas das sessões das Cortes
de Lisboa.
Copia de um rejatorio do Marechal de Arouche
sobre bens dos indios.
Representação de Francisco José Coelho sobre
a Villa de Macahé, a D. João VI.
Tres documentos sobre a colonia suissa de Nova
Friburgo, 1821.
Visconde da Cachoeira, 1820 ( questão policial).
Duas cartas de Clemente Ferreira França (uma
ordenando a entrega da correspondencia dos An-
dradas ).
Requerimento de um soldado.
Projecto de Eusebio de Mattos Giron. sobre
extincção de incendios.
Questiunculas policiaes (3 documentos ).
Duas denuncias anonymas.
Denuncia do ouvidor de Cuyabä, contra pertur-
badores da ordem, 1824.
Memorial do consul Sardo, do Rio de Janeiro
a Thomaz Antonio Villa-Nova Portugal, 1820.
telação dos primeiros titulares do Imperio.
— 883 —
Uma informaçäo sobre Candido José de Araujo
Vianna (futuro Marquez de Sapucahy ).
Papel assignado por Thomaz Antonio de Villa-
nova Portugal ( 10-5-1820 ).
Relatorio sobre o exercicio financeiro de 1803.
Copia de uma representação do Conde da Barca
a D. João VI.
Lista dos bens do Morgado de Santarem, do
punho do Marquez de Valença.
Informação sobre os successos de Goyaz em 1827.
Informaçäo secreta sobre os deputados provin-
ciaes de Matto-Grosso, 1815.
Documento reservado sobre a revolução mineira
em 1842, do chefe de policia de Minas.
Queixas do Conde da Barca contra o Conde de
Linhares ao principe Regente.
Memoria anonyma sobre o melhoramento do
Reino Unido de Portugal, Brazil e Algarve.
Memoria anonyma sobre a navegação do Rio
de Jequetinhonha.
Memoria de Felippe Patroni sobre os estudos
menores no Pará, 1827.
Projectos sobre a reorganisação da policia, do
Major Jacyntho Guion, 1824.
“(Original francez e traducção portugueza ;.
| Demonstração do livro mestre da contadoria
Geral do Real Mrario 2.º semestre de 1818.
Orçamento da receita e despesa do Erario de
Portugai, 1804 por Henrique Pedro da Gosta.
Representação ao Marquez de Valença apon-
tando factos na Ilha de Cuba para serem applicados
ao Brasil ( anonymo ).
Projectos sobre lavouras da canna, por G.
Constant.
Relatorio do Chefe de Matto-Grosso ( reser-
vado ) 1847.
Notas sobre as llhas de Cabo Verde.
Uma representação de Lord Cochrane ao Se-
nado brasileiro, 1856.
Uma carta de Clemente Ferreira França de Va-
lença, 2 de Outubro de 1824.
— 884 —
Rascunho de projecto para a sala da Assem-
blea Constituinte.
Rascunho do projecto de instituição da insigne
ordem de D. Pedro 1.
Rascunho de projecto para o reconhecimento
da independencia do Brasil por Portugal.
Rascunho de projecto com os nomes dos que
deviam constituir o Senado do Imperio, 1825.
Copia de uma carta do Marquez de Queluz ao
Marquez de Valença, 1825.
Correspondencia do Badqueiro Jorge Robertson
e proposta do emprestimo ao Brasil em 1824 com
uma exposição de motivos do Marquez de Bae-
pendy.
Noticia historica a respeito da herva ursella e
administraçäo de seu rendimento por conta da Real
F'azenda, pelo Conde do Redondo.
Plano de um anonymo, sobre a estatistica do
Brazil, offerecida a D. João VI. j
Rascunhos de projectos legislativos.
Leis sobre testamentos.
Impostos de transito na Parahyba do Norte, 1831.
Pessoal da Alfandega da Bahia, 1825; docu-
mento anonyme sobre a divisão do Rio Doce.
Carta do sargento-mór Caetano Ferreira de Bar-
ros sobre um corsario argentino em Santos, 1826.
Seis documentos esparsos ancnymos sobre cal-
culos orçamentarios.
Eleição para a Camara Municipal de Santa Cruz,
1841.
Casa da Moeda da Bahia (1).
Copias de tres cartas regias do seculo 1&, sobre
questões forenses.
Projecto de reforma judiciaria em Minas —
tempo Brasil-reino.
Calculo da producçäo dos fornos de Ipanema.
Prospecto sobre uma companhia de colonisação
no Rio Doce, Jequetinhonha ( 1825). |
Um documento sobre a producçäo de ferro no
Ipanema, 1825 ?
— 885 —
Copias de duas cartas regias sobre o recensea-
mento civil e militar, 1766.
Representação da Camara de Valença.
Representação dos accionistas do primeiro Banco
do Brasil, 1822.
Copia de documentos, informações anonymas
sobre a fabrica de Ipanema.
Papeis assignados : pelo visconde da (Cachoeira
— reclamação ao Desembargador Monteiro de Bar-
ros, por José Bonifacio, sobre um caso de contra-
bando ( 13-1-1822), por José Bonifacio, sobre um
caso de contrabando (6-11-1822). Idem, idem
(15-2-1822), por Silvestre Pinheiro Ferreira, sobre
um caso de contrabando, 21-38-1821.
Pelo Conde de Palmella, sobre um caso de con-
trabando, 17-2-1821.
Pelo Conde de Gestas, idem, 1-VI-1822.
Por Braz Martins da Costa Passos, idem, 9-2-
1822.
Pelo Visconde da Cachoeira sobre questäo al-
fandegaria, 4-5-1820.
Per Narciso Alves Pereira, entrada livre da
bagagem do Marechal Beresford, 4-5-1820.
Pelo Bardo de Moreschal — sobre uma questao
do sequestro de mercadorias, 12-9-1820.
Relação dos despachos de 12 de Outubro de
1825.
Tres documentos com notas sobre eleições de
Pernambuco e Minas pare a 1º e 2.º legislaturas.
Projecto de :ma estrada de ferro do Rio a Re-
zende, 1839.
Idem do Rio a Lorena, 1841.
Quesitos a debater em conselho de Estado sobre
a anarchia reinante na segunda regencia trina.
Representação dos campanhenses.
Seis quadros estatisticos sobre a Nha de Cabo
Verde, 1800.
Regulamento dos salarios dos offiviaes de jus-
tiça; 1790;
— 886 —
Informação do Distribuidor sobre o foro de S.
Paulo, 3/3/1811.
Trabalhos das Commissôes do Senado, Marinha
e Guerra, 4/10/36. |
Documentos relativos à familia Sousa Queiros
Sentença de formal de partilha da herança de
D. Genebra de Barros Leite, viuva do Brigadeiro
Luiz Antonio de Souza.
Formal de sobre partilha no inventario do Bri-
gadeiro Luiz Antonio de Souza a pedido do Conde
de Valence.
__ Pagamento ao Conde de Valença de uma sobre
partilha dos bens do Brigadeiro Luiz Antonio de
Souza. |
Uma relação de parte dos bens do Brigadeiro
Luiz Antonio de Souza.
Traslado do testamento do Brigadeiro Luiz An-
tonio de Souza,
Documento ennunciando a lista dos herdeiros
do Brigadeiro Luiz Antonio de Souza.
Pagamento por herança ao Marquez de Valen-
Ça, 184!.
Formal de partilha do inventario do Coronel
Francisco Ignacio de Souza Queiroz.
Cartas ao Conde de Valença do seu procurador
em S. Paulo, 1831 sobre partilha dos bens do Bri-
gadeiro Luiz Antonio de Souza.
Copia do testamento do Brigadeiro Luiz Antonio
de Souza, 24 de Maio de 1819.
Codicilio a 26 de Maio de 1819.
Cinco cartas ao Conde de Valença sobre a
herança de seu sogro, o Brigadeiro.
Calculo de sobre partilha da herança do Bri-
gadeiro Luiz Antonio de Souza.
Relatorio sobre a administração do espolio do
Brigadeiro Luiz Antonio de Souza, 1819 a 1830:
tequerimento . dos filhos do Brigadeiro Luiz
Antonio de Souza à Assembléa Legislativa, solici-
tando licença para subsistirem os vinculos instituídos
em seu favor 1826.
Me Cu
Certidäo de approvaçäo do testamento do Bri-
gadeiro Luiz Antonio de Souza. |
Uma carta do Coronel Francisco Ignacio de
Souza Queiroz ao Marquez de Valença sobre o in-
ventario do Brigadeiro Luiz Antonio de Souza.
Documentos relativos aos serviços do Briga-
deiro Luiz Antonio de Scuza.
Vinte e sete documentos — Patente de Briga-
deiro passado a Luiz Antonio de Souza, por D.
João VI.
Documentos sobre o Coronel Francisco Ignacio
de Souza Queiroz.
Copias de cartas do Coronel Francisco Ignacio
de Souza Queiroz ao M. de Valença ( oito de 1822)
—seis de 1823—uma de 1824 e uma sem data
( letra desconhecida )
Avisos do Governo Provisorio de S. Paulo ao
Coronel Irancisco Ignacio, 10 de 1821 e um de
1822.
Tres documentos sobre a reforma do Coronel
Francisco Ignacio.
Um documento relativo a sesmária de Mogy-
mirim.
Uin requerimento de Francisco lenacio pedindo
anullação do decreto que lhe cassara o posto de
alferes, 1803.
Patente de alferes, 1811.
Patente de Tenente-coronel. 1829).
Patente de sargento-mór, 1819.
Patente de coronel, 1821.
Uma attestação de fé de officio passada em
1816.
Acções do 1.º Banco do Brasil — pertencentes
ao Brigadeiro Luiz Antonio de S aza (10).
Uma acção do 2.º Banco do Brasil — perten-
cente ao mesmo.
Documentos relativos à invasão de Portugal
em 1407.
Proclamações de Junot: 4/12/1807, 8/12/1807,
14/12/1807, 18/12/1807, 19/12/1807 (2 exem.),
— 888 —
21/12/1807 : (,4 exem. ),. 1/2/1808 (2º .exem,)s
27/2/4808 (2 exem.) cinco alvarás, 26/6/1808 ;
14/7/1508; 1/7/180R.
Proclamação do Cardeal Patriarcha de Lisbôa,
8/12/1807.
Proclamação do general Tinébault 9/X1/1807
(2 exemplares ).
Edital do Desembargador Dr. José Teixeira de
Souza 12/12/1807.
Proclamação do general D. Francisco de Ta-
ranco, 13/12/1807, 15/12 1807.
Proclamação de Don. José Maria de Mello, In-
quisidor Geral, 22/12/1807.
Idem dos Governadores do Reino, 29/12/180%.
Idem de Lucas de Seabra da Silva, 2/1/1808
(2 exemplares ).
Idem de D. Francisco de Rosas, 25/1/08.
Proclamação da Junta de Cadiz, 13,6,08.
Numeros da « Gazeta de Lisboa», 17 e 25 de
Junho 08, 2/7,08, 4, 5, 8, 24, 20 e 23 de Julho
de 1808, 2/8/1808, 15/8/1808, 17/8/1808, 24/8/1808.
Boletim do exercito de Portugal, 7 e 13 de
Julho de 1808, 2/8 08, 15,8/08 € 6/8/J808 (3 exem-
plares ).
Proclamação da Junta de Córdoba sobre a ca-
pitulação do General Dapont em Baylen, 21/7/1808.
Proclamação do Conde de Ega, 1 de Agosto
de 1808.
Idem da Junta de Cadiz.
Diversos :
Oração sacra offerecida ao Marquez a 2% de
Novembro de 1823 na Egreja dos Terceiros do
Carmo, de São Paulo, por Frei Antonio de Santa
Gertrudes, Pricr, commemorando a volta dos pau-
listas recolhidos à Patria pela portaria de 16 de
Julho de 1323.
Cantico sobre o ansiversario de D. João VI,
1810.
Impressos: Hymno a e constitucional,
bymno à acclamação de D. João VI.
— 8890 —
Poesias manuscriptas: José Paulo Dias Jorge
— anniversario de Pedro I, sobre a morte da Im-
peratriz Leopoldina, oce a D. Pedro I.
Hymno de acclamação a D. João VI.
Theses de theologia de dous carmelitas do se-
culo XVIII. |
Hymno nacional e censtitucional.
Cantico em acções de graças pelo natalicio de
D. João VI — 1810.
These de theologia defendida na aula de Mont
Alverne, em S. Paulo, em principios do seculo XIX.
Relação das festas celebradas em S. Paulo em
1793 em commemoração do nascimento de uma
infanta.
Papeis de José de Rezende e Gosta: titulo de
Conselho.
Requerimento pedindo certidão deste titulo.
Diploma de deputado ds Cortes de Lisboa.
Concessão do Habito de Christo, de Cavalheiro
do Cruzeiro (4 docs ).
Diploma de socio da Sociedade Auxiliadora da
Industria Nacional.
Numero 2 da Revista Mensal Ænsaio Philoso-
phico Paulistano ( 1860 ).
Uma acção da ilustração Brasileira e outra da
Comp. União e Industria. — Dons exemplares dos
estatutos da Sociedade Auxiliadora da Industria Na-
“cional (1824). Idem da Sociedade Promotora de
Colonisação 1836.
Um documento assignado por Antonio Marian-
no de Azevedo Marques.
Documentos relativos a diversas pessoas sem
grande notoredade ; papers forenses.
Documentos sobre D. Maria Ignez ae - Souza
Barroso.
Copia de cartas particulares do Geará, 1817, e
de Pernambuco de 1824.
Documento relativo a Antonio José da Cruz.
Sean
Documentos avulsos relativos ao Alferes Silverio
de Mendonça (2).
Viuva de Hercules Muzzi; Antonio Maria Quar-
tim; Nicolau Soares do Couto, Valentim José dos
Santos, João Antonio da Silva Rezende.
Documento forense relativo ao espolio do Vi-
gario Francisco de Godoy Coelho.
Representação contra Manoel Dias de Lima,
administrador do contracto da pesca das baleias.
Attestado passado pela Camara de São João
Del Rey a favor do Sargento Môr Fernando de
Vasconcellos Parada e Souza.
Documertos relativos a Gervasio Pereira do
Carmo Alvim, Josê Pedro Galvão de Moura La-
cerda, a José Pereira Alvim, titulo do Barão de
Paty do Alferes e do Barão de Cantagallo.
Documentos relativos a empregados do senado
ao official de secretaria Cyro Martins de Brito.
Papeis relativos a Vicente Ferreira Sampaio.
Sentença civel a tavor de Quiteria Joanna da
Silva.
Um documento sobre questões forenses de S.
João Del Rey.
Documentos relativos a José da Silva Loureiro.
Um documento relativo a Francisco Caetano
da Costa e Pedro José da Veiga.
Relação dos officiaes da lapidação dos diaman-
tes, 1830.
Documento relativo a Joaquim Coelho de Oli-
veira.
Attestado em abono do Pe. Francisco de Go-
doy Coelho, como vigario de Cuyabä, 1793.
Requisição de serviços do P.e Ignacio Correia
Pamplona.
RELATORIO
referente ao anno de 1918, apre
sentado, a 15 de Janeiro de 1919,
ao Excellentissimo Senhor Se-
cretario do Interior, Dr. Oscar
Rodrigues Alves, pelo Director,
em Commissão, do Museu Pau-
lista, AFFONSO D' ESCRAGNOLLE TAUNAY.
bar
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FOR
EXO, SAR, DR, OSCAR RODRIGUES ALVES,
DLGNISSIMO SECRETARIO DOS NEGÓCIOS DO INTERIOR,
A V. Exe. tenho a honra de apresentar o re-
latorio das occurrencias principaes do Museu Pau-
lista, referentes ao anno de 1918 em que o Tustituto
teve os seus serviços funccionando com toda a re-
gularidade, até meiados de Outubro, em que irrom-
peu na nossa Capital a terrivel epidemia de grippe
que tantas vidas veio roubar-nos. A 18 determinou
V. Exc. como inedida de defesa que se suspendes-
sem as visitas do publico às nossas salas, prohibi-
cão mantida, até que a pandemia desapparecesse.
A 22 de Dezembro reabriu-se o Museu ao publico.
Durante este periodo pagou o pessoal do Instituto
pesado tributo ao flagello. Assim, excepção feita de
tres, todos os seus funccicnarios enfermaram, va-
rios gravemente. Não houve, felizmente, obito al-
gum a lamentar, entre os quinze atacados pela
grippe. E' do meu dever apontar a V. Exc. a de-
dicação com que se mantiveram sempre a postos
os srs. Henrique Pinto Cardoso, amanuense, José
Domingues dos Santos, desenhista, Ricardo Lopes,
porteiro, e José Barroso, continuo, exemplarimente
assiduos ao serviço naquelles dias luctuosos que a
nossa cidade atravessou. Cabe-me tambem louvar o
cuidado e zelo com que no Parque exerceu guarda
o jardineiro Angelo Amadio. A medida que se res-
abeleciam voltavam ao serviço os nossos funccio-
narios auxiliando com a maior boa vontade os au-
sentes temporarios, afastados pela molestia. Incum-
bindo-se do expediente como lhe pedira, na minha
tausencia, gravemente attingido como eu fora, man-
— 894 —
teve-se o Sr. Dr. Frederico Hoehne à testa do Mu-
seu com uma solicitude que folgo em apontar a
V. Exc.. No meio dos sinistros dias, em que a
epidemia grippal tanto raivava, surgirem-nos as no-
ticias da victoria dos Alliados, da queda do cruel
militarismo hohenzollernieno. Taes noticias não po-
diam deixar de nos commover fundamente, e &
alegria dellas decorrente veio mitigar um pouco
do pezar e da dôr occasionados pelas occurren-
cias da terrivel pandemia. Desassombrados, livres
dos despotas que lançaram milhões de humanos a
chacina, podem os povos encarar corfiantes o fu-
turo, certos de que do Congresso da Paz, dos no-
bres projectos da Liga das Nações melhores dias
nascerão para o globo,. durante mais de cincoen-
ta mezes agitado pela tão horrenda convulsão de
1914 — 3918.
Visitantes do Museu
Aberto sómente durante dez mezes, assim mes-
mo teve o Museu uma frequencia de 67.773 visi-
tantes ou sejam mais 1.926 do que em 1916. Era
de esperar que a cifra correspondente a 1918 su-
perasse de muito a de 1917. Basta lembrar que
até 18 de Outubro, data do fechamento devido a
grippe, attingira esse numero a 66.160 cu sejam
mais 9.387 do que em 1917 Nada fez a Light
para melhorar o serviço da linha do Ypiranga, nem
augmentou o numero de bondes, duplicou a via ou
a irrigou sequer aos domingos. Seimpre a mesma
poeira, a mesma demóra, a mesma marcha vaga-
rosa dos bondes! Apezar de tudo cresce a fre-
quencia ao Museu, cresce a attenção do pubiico pelo
nosso estabelecimento, como que acom panhando
o desenvolvimento do Instituto.
Directoria
Mantive-me sempre à testa do Museu no de-
correr do anno, salvo quanto ao periodo de ferias
— 895 —
regulamentares gosadas em Junho. Enfermando
gravemente de grippe pneumonica vi-me forçado a
afastar-me durante algumas semanas do Museu, de
cujo expediente, com a acquiescencia de V. Exc., se
encarregou o Dr. Frederico CG. Hoehne que .já me
substituira no periodo de ferias. Apenas me per-
mittiu o estado de saúde retomei o exercicio do
cargo em que vinha prestando dedicados serviços
ao estabelecimento o meu substituto interino.
Pessoal
Não houve alteração alguma no quadro dos
funccionarios do Museu nem se registou pedido al-
gum de licença durante o anno, sendo a assiduida-
de dos funccionarios optima. Demittindo-se o jar-
dineiro auxiliar José Paradella, nomeei para o seu
logar o jornaleiro Antonio Pedro, como a V. Exe.
communiquei.
secretaria e Archivo
O encarregado destes serviços, da Secretaria e
Archivo, sr. Henrique Pinto Cardoso, desempenhou-
se cabalmente de seus encargos, achando-se ambos
em perfeita ordem.
Bibliotheca
Continuaram os serviços de catalogação, moro-
samente, pelo facto de ser escasso o tempo e muito
subdivididas as occupações do traductor--bibliothe-
cario, Sr. Andréa Do e ainda exigir o systema
decimal uma grande quantidade de indicações. Como
houvesse muita falta de espaço mandei, na sala A-1,
installar um grande armario de parede com nota-
vel capacidade, o que veiu facilitar a arrumação de
muit:s centenas de livros. Diminuiu enormemente
o numero de entradas de impressos, sendo disto a
causa o estado de guerra dus principaes paizes do
mundo. Entraram em 1918, 1.410 livros em per-
— 896 —
muta, fasciculos, etc. Do Brazil, 354; dos Estados
Unidos da America do Norte, 945; da França, 206;
da Hespanha, 95; da Allemanha, 133 ( dadivas);
do Japão, 49; da Argentina, 39; da Inglaterra,
32; do Mexico, 27; de Portugal, 21; da Austra-
lia, 49: do Peru, 25; da Africa do Sul, 5;° da
Italia, 7; da Venezuela, 6; das Phitippinas, 4; de
Guatemala, 5; do Uruguay, 3; da Suecia, 3; da
Noruega, 4; do Paraguay, 2; da Suissa, 1. Fo-
ram offertados 98 volumes diversos, fora os men-
clonados no capitulo especial das Dadivas. Foi esta
a distribuição dos nove tomos da Revista e mais
publicações do Museu : para o Brazil, 239 volumes;
Estados Unidcs da America do Norte, 32 volumes ;
Argentina, 16 volumes; Peru, 2 volumes; Austra-
lia, 1 volume e Japão, 1 volume; total, 291. A’
encadernação foram enviados 304 volumes, a saber:
20 Diario Official 308 volumes, a officinas parti-
culares 46 volumes. O numero de consultantes da
bibliotheca fui de 346 e o de visitantes distin-
ctos, 30.
Serviços de traducção. Além de numerosas
traducções craes, foram lavradas 59 traducções es-
criptas, algumas de extensão bastante relevante.
O total de cento e duas correspondencias remetti-
das pelo traductor-bibliothecario distribue-se como
segue: para o Brazil, 117; Estados Unidos da
America do Norte, 3: ; Argentina, 6; Canadá, 6;
Africa do Sul, 5; espanha, 5; França, £; Peru,
4; Japão, 4; Portugal, 3 ; Inglaterra, 3.
Durante o anno as compras feitas pela biblio-
theca foram por assim dizer insignificantes; um ou
outro livro comprado na Europa ou em S. Paulo,
na importancia de cento e poucos mil réis. Da Bi-
bliotheca Eduardo Prado, adquiriu-se por 2008000
o grande [uccionario de Larousse, havendo-se tam-
bem comprado mais dous livros antigos, na impor-
tancia de 100$000, tudo. Assigna o Museu: Science,
La Nature e The Zoological Record.
— 897 —
Antigas salas de exposição
Lentamente, mas sem solução de continnidade,
mandei proceder à reparação dos moveis das salas
antigas de exposição que como já fiz notar a V.
Exc. estavam vo mais deplcravel estado de desa-
ceio e má conservação direi mesmo, alguns delles
nada decentes. Continuou-se pois com a pintura in-
terna e externa dos armarios após a tomada das
juntas e frestas das taboas desconjuntadas, com massa
de vidraceiros. O preço collossal do material de pin-
tura, triplicado senão quadruplicado, com a guerra,
fez com que me fosse preciso resignar-me à reparação
de uma sala por mez Chegämos a Janeiro de 1919
sem poder concluir a reforma total dos conimodos
do andar superior do edificio. As salas dos mam-
miferos ainda demonstram o descaso absoluto com
que as exposições publicas eram tratadas no Museu,
embora já se tenham tomado. a massa, as frestas
enormes dos armarios desconjuntados e não pintados
ha mais de vinte annos. Sobrandu-nos tres vitrinas
que estavam na sala de autographos foi uma dellas
utilisada para occupar o centro da sala n. 10, dos
crustaceos e molluscos, enchendo-a o Snr. Lueder-
waldt com numerosas conchas recentes e fosseis.
Espero poder, dentro de tres mezes, haver por com-
pleto reformado o antigo mobiliario do pavimento
superior. Aos armarios fiz retirar os horrendos e
pesados frontões de madeira que eram do maior mau
gosto e tinham como que a apparencia de appen-
dices cornecs teratologicos.
Ha enorme falta de mobilia para as salas de
zoologia. Material possuimos em enorme abundancia,
podendo permittir grande reforço das exposições
publicas. Espero, em 1919, obter, do interesse de
V. Excia. pelo Museu o mesmo auxilio que nos
prestou nos annos anteriores, fazendo com que o
Almoxarifado da Secretaria do Interior nos forneça
o mobil ario.
Comportam as salas de passaros, ophidios, pei-
xes, amphibios, insectos, mammiferos, etc., enorme
— 898 —
augmento das collecções se o Museu obtiver arma-
rios e vitrinas em numero suficiente, Assim outra
seria a impressão dos visitantes a quem hoje cala
desagradavelmente o aspecto nit de taes salas.
Os Snrs. Garbe, Luederwaldt e Lima continua-
ram a cuidar da conservação das collecções. O ta-
xidermista avolu ou o numero de exemplares de
aves e mammiferos expostos, notavelmente, substi-
tuindo muitas peças velhas ou estragadas. O Snr.
Garbe tambem augmentou muito as collecçôes ex-
postas de peixes, fazendo o Snr. Luederwaldt o mesmo
cum Os insectos.
-
Remodelação de exposições
Autorisado por V. Excia. convidei o Professor :
Edgard Roquette Pinto, do Museu Nacional, a vir
reorgan'sar as nossas exposições ethnographicas cujo
aspecto vetustamente inesthetico, causava mä im-
pressão, sobretudo quanto a disposição do material em
prateleiras, o que nada realçava as collecções. Um
mez passou o Dr. Roquette Pinto no Museu, onde
deixou da sua estada a mais brilhante demonstração.
Removendo as prateleiras dos armarios, dando a
cada objecto o realce que lhe competia outro foi o
aspecto que abi resultou para o conjuncto das ex-
posições. Nada mais frisante do que contrasta das
photographias de nossa sala B 12, antes e depois da
reforma. Ethnographo de consummada reputação, o
autor da Rondonia com o conhecimento profundo
que das questões relativas aos nossos indigenas
possue, distribuiu os nossos variados e valiosos ele-
mentos collecciorados, segundo o mais moderno e
seguro criterio. Ficou a sala B 12 uma das mais
bellas e attrahentes do Museu. O serviço da rotu-
lagem profusa e minuciosa, exacta, da aos visitantes
seguro guia e tem sido sobremaneira louvado. Em
duas das grandes vitrinas no centro do commodo
installou o Prof. Roquette Pinto numerosos objectos .
outíora menos em destaque ou inaproveitados ainda
— 899 —
entre as nossas duplicatas. Ao Museu prestou pois,
relevantes serviços o Professor Roquette Pinto que
com verdadeiro prazer a V. Excia. relembro.
Novas salas de exposição
Nas novas saias de exposição A 7 e A 10 con-
tinuou-se a reforçar o material exposto. Foi o mo-
biliario da A 10 substituido por tres elegantes vi-
trinas fornecidas, a mandado de V. Excia., pelo
Almoxarifado da Secretaria do Interior. Maior des-
envolvimento dei à exposição de documentos a que
annexei muitas peças preciosas, mormente da dadiva
de D. Lydia de Souza Rezende e referentes ao pe-
riodo da Independencia.
A’s exposições botanicas reforçaram os nossos
especialistas Snrs. Dr. I’. Hoehne e H. Lnederwaldt.
Recebi novos mappas para a nossa exposição de
cartographia paulista antiga, ainda muito longe de
ter o desenvolvimento que merece e precisa ter.
Com grande prazer pude notar quanto agradou ao
illustre chefe da missão universitaria argentina Dr.
José Leon Suarez e seus companheircs esta secção
do Museu, o grande interesse por ella manifestada
e sobre o qual se pronunciaram os jornalistas que
os acompanhavam. Desejando ardentemente conti-
nuar a estender a parte do Museu aberta ao vu-
blico resolvi utilisar-me para este fim das salas do
pavimento terreo À 11 e A 12, occupadas pelas col-
lecções em serie, de aves, ninhos, biologia de inse-
ctos, pequenos mammiferos, material em alcool etc.
Assim fiz desmontar as galerias alli existentes re-
movendo o material ornithologico e de mammiferos
para A 13, até então quarto de despejo, a entomo-
logica para A 6 onde havia muito espaço, concen-
trando-se todo o material entomologico em um só
compartimento, e o material em alcool para A8 e
A 9 e commodos annexos onde havia espaço de sobra.
Custou este serviço algumas centenas de mil réis,
havendo eu ordenado que se pintassem os commodos
recentemente dosoccupados. Como os nossos recursos
do inet
orçamentarios quando muito permittissem a abertura
de uma sala, pude,a 12 de Outubro de 1918, inau-
gural-a. A respeito do que vem a ser esta nova
exposição fiz na imprensa inserir uma noticia que
aqui reproduzo :
A’ visita publica, abre-se a 12 do corrente uma
nova sala de exposição do Museu Paulista, consa-
grada ao passado da nossa Capital. Constam as
collecções expostas, sobretudo, de documentos histo-
ricos, plantas topographicas e quadros reproduzindo
antigos aspectos de S. Paulo. A colleeção de do-
cumentos, pelo Archivo Municipal emprestada ao
Museu, praças à generosa benevolencia do Prefeito
e dos Vereadores da cidade, representa uma serie
de alto valor evocativo, absolutamente insubstituivel.
Acha-se exposta em elegantes vitrinas, fornecidas
pelo Sr. Prof. Miguel Carneiro Junior, director do
Almoxarifado da Secretaria do Interior, por encom- .
menda do Sr. Dr. Oscar Rodrigues Alves. São 4%
codices relembradores dos grandes factos da histo-
ria de S. Paulo, desde 1502 até meiados do seculo
XVII. Assim verão os visitantes desfilar ante os
seus olhos os termos de vereação e os registos de
actos que se prendem ao assalto da nascente Pira-
tininga, pelos tamoycs confederados, em 1562; às
luctas com os indios do planalto no seculo X VI, aos
primeiros passos para a devassa dos sertões sob D.
Francisco de Souza, às contendas com os Jesuitas,
à sua expulsão e reintegração no seculo XVII, à
destruição das reducções hispano-jesuiticas do Guay-
rá, ds exped ções de escravisação dos indios, às dis-
senções dos Pires e Camargos, às primeiras grandes
entradas do Cyclo do Ouro, com Fernão Dias Paes
e seus emulos, aos motins seiscentistas, contra a pre-
potencia dos delegados reaes, às luctas com os em-
boabas, à elevação de S. Paulo à categoria de cida-
_de, à descoserta de Matto-Grosso e Goyaz, etc. Um
documento curioso, este infelizmente em « fac-stmi-
le», ë a reprodução do trecho da carta pela qual
“Anchieta communica a seu Provincial a fundação
do collegio e missão de Piratininga, no proprio
— 901 —
anno de 1554. Pela serie das plantas topographi-
cas pode se avaliar a transformação da minuscula
cidade de 1810 — de escassos dez mil habitantes —
na grande metropole hodierna, a abrigar quinhentas
mil almas. Assim estão expostos os mais antigos
mappas conhecidos, da autoria do capitão de enge-
nheiros Rufino J. Felizardo e Costa, de 1810; as
plantas de Bresser em 1841, a de Jacques Ourique
em 1842, mandada levantar pelo duque então barão
de Caxias; a monumental de Jules Martin em 1877,
a de Joyner em 1881, Gomes Cardim em 1897, e
varias outras, obsequiosamente obtidas dos Srs, Drs.
Victor Freire, Adelmar de Mello Franco, VW.
Sheldon, Affonso de Freitas, e sobretudo do Sr.
Julio de Azevedo Gouveia, digno director do Patri-
monio Municipal, a quem deve a Directoria do Mu-
seu as maiores provas de amizade e serviçalismo.
A’ exposiçäo completam numerosos quadros a
oleo, aquarella, penna, etc. num total de vinte e
seis, representando antigos aspectos de 8. Paulo,
da lavra de Benedicto Calixto, J. Wasth Rodrigues,
A Norfini, Augusto L. de Freitas etc. A grande
téla de Calixto, com uma superficie de mais deoito
metros quadrados, « A grande inundação das Var-
zeas em 1892», traduz um aspecto hoje irrealisa-
vel e é precioso documento da epoca. Em dous
grandes quadros reconstituin Wasth Rodrigues os
largos do Palacio e o da Sê, em 1840; as demais
télas representam trechos muitos dos quaes hoje
absolutamente irreconneciveis pela transformação ar-
chitectonica porque passaram.
Assim se notam vistas das principaes ruas do
centro, entre 1840 e 1860, com o seu ar colonial.
Como não foi ainda possivel reunir todos os ele-
mentos que devem figurar nesta collecção, os quaes
se hao de angariar paulatinamente, fignram na nova
sala, provisoriamente, varias reproducções da pre-
ciosa série de desenhos devidos a Hercules Floren-
ce, O illustre naturalista francez, membro da expe-
dição chefiada pelo Barão de Langsdorff e custeada
pelo governo russo, que com Luiz Riedel, Rubzoff,
Tage
Adriano Taunay e outros naturalistas desceram o
Tietê em 1826, em demanda das solidões de Matto-
Grosso e da Amazonia.
Estes desenhos de Hercules Florence são talvez
os mais velhos documentos iconographicos do inte-
rior de S. Paulo e reproduzem aspectos summamente
curiosos dos engenhos de canna em (Campinas, sce-
nas de monções em Porto-Feliz, etc.. Deve o Museu
a communicacäo de tão valiosos e interessantes de-
poimentos sobre os nossos antigos costumes «os
dignos filhos do e ninente viajante francez, os Srs.
Dr. Guilherme Florence e maestro Paulo Flcrence.
Rs :
Dado o genero das collecções reunidas, ficou
muito mais cara a montagem da nova sala, que as
do anno anterior cujo custo não ascendeu a tres
contos de rèis por sala. [Elementos anterior nente
existentes no Museu apenas havia um grande quadro
de Calixto e dous pequenos de Jonas de Barros. O
mobiliario da sala, esse forneceu-o o Almoxarifado
da Secretaria do Interior a mandado de V. Exe.
e é summamente elegante. ,
As despesas da montagem assim estão des-
criminadas :
Preparação do commodo, pela desmontagem de
armarios e galerias, pintura, ete. . . 1004000
Ao pintor Benedicto Calixto, seis quadros a oleo 1:2308000
Ao pintor J. Wasth Rodrigues, tres grandes
quadros a oleo Mar NR SR ARR le MESA 1:600$000
Ao pintor J. Wasth Rodrigue:, dous quadros
A SOLON PTT AR PRE ROSE EA ND TURN TT 420$000
Ao mesmo; Oito desenhos, a quarellas etc. . , 1:250$000 ~
A I. Sampaio Mathiesen, um quadro a olec . 200$000
A Alipio Dutra, dous quadros a oleo . . . 5008000
Reprodueção e augmento de doze desenhos de
Hercules Florence por J. Santos. : 1:000$000
Aequisição de um quadro de Augusto Freitas 3008000
» » » » » Alfredo Norfini 2508000
Molduras "diversos do pn E tees Ra ar alee 4006000
LRC MR OR O em 7:250$000
— 903 —
A sala A-12 espero poder, no decurso de 1919,
abril-a izualmente a visita publica. No estado em
que se acha o Museu é este o ultimo commodo apro -
veitavel. Espaço não haverá mais no Monumento
se não se puder transferir para outro edifício, os
depositos, administração, etc.
Escrevendo sobre o quanto ha no nosso paiz
a fazer em materia de cartogranhia exprimiu o Prof.
Roquette Pinto, no seu estylo sempre corrente e
elegante, algumas impressões da visita às novas ex-
posições do Museu :
« Não sejamos mais pessimistas do que as con-
dições nol-o impõem; esperemos a grande carta que
o Club de Engenharia nos promette para 1922, tra-
cada de accordo com as resoluções do Congresso
Internacional de 1913, reunido para estabelecer as
bases do « Mappa do Mundo ».
E emquanto se espera o que o futuro trará,
vejamos rapidamente algo de curioso, em materia
de cartographia, que o passado nos legou. Foi pen-
sando assim que o sr. Affonso dE. Taunay, pro-
tesser da Escola Polytechnica de São Paulo e actual
Director do Museu do Ypiranga organizou uma in-
teressante exposição cartographica que inaugurou
conjunctamente com algumas salas nvas de botanica
e zoologia. Quando o publico estiver convencido
de que geographia sem mappa é um tecido de ex-
pressões verbaes, começará a exigir, para seu goso,
e para o ensino das crianças a vulgarisação da car-
tographia.
Despertar-lhe o gosto por ella é fazer obra cla-
rividente. A esposição conta alguns mappas retira-
dos de obras impressas e outros copiados directa-
mente em Londres, em Lisboa, em Sevilha e no
Rio de Janeiro, na secção cartographica do Inst:-
tuto Historico. La estão as reproducções dos cele-
bres cartographos dos séculos XVI e XVII Juan
de la Cosa, Mercator, Diogo Homem, Vaz Dourado...
A comparação daquelles ingenuos desenhos, re-
cheiados de Jegendas temerosas e monstros apoca-
lypticos, com os documentos de cartographia recente
3) q qe
é operação curiosa e divertida. Como si as esbo-
cassem crianças! Um geographo de 1703, para justi-
ficar a má fama dos seus patricios, o francez G. de:
Lisle fazia o Tietê nascer em Cabo Frio.
A cartographia antiga de São Paulo, esta re-
presentada por um interessantissimo mappa de Don
Luiz de Céspedes, copiado no Archivo das Indias,
em Sevilha. E' o mais antigo documento carto-
graphico da penetração do Brazil; reproduz o ca-
minho daquelle capitão-general bespanhol de São
Paulo ao Paraguay, em 1628, pelo Tietê e pelo Pa
rani. Além de outros mappas hespanhoes da capi-
tania de São Paulo, cujos originaes se acham no:
Museu Britanico, vale a pena citar o mappa de
Montesinhos, que forneceu ao barão do Rio Branco.
alguns dos elementos decisivos no «caso Missões ».
Aos olhos de quem a visita, a linda exposição vae:
evocando o lento plasmar do continente, o evoluir
das fórmas e dos limites do Brazil Em poucos.
minutos desfilam seculos. . .
Para completar a collecçäo acham-se ao lado,.
velhos autographos ; contas do ouro extrahido das
minas do sertão bruto, roteiros de jazidas, etc.
Existe 14, o original do primeiro decreto assignado.
por Pedro 1, após a Independencia. Uentre as muitas
cartas commerciaes e particulares dos seculos pas-
sados, encontro uma que tem, a um só tempo muita:
ingenuidade e muita philosophia : é a carta escripta a
Diogo de Toledo Lara, então nas minas de Cuyabá,.
por seu primo padre José de Almeida Lara, datada:
de São Paulo, em 24 de Maio de 1734.
Pedia o Padre Lara, que o garimpeiro lhe
mandasse: «todas as coisas inuteis de nenhum valor,
pernas de passaros e tudo o mais que fusse de ga-
lanteza para hum curioso de bom gosto em Lisboa.
«Já sei que v. m. terá nesta minha petição
alguma molestia e que antes me poderia v. m. ser-
vir con ouro ou diamantes pello valor q. os homens
lhe deram. .» continuava o missivista. :
E deante da assignatura autographa de Martin
Affonso de Souza, posta numa sesmaria datada de:
— 905 —
1552, que visitante brazileiro passará indifferente ?
Em geral, o nosso povo se esquece de seus grandes
homens, porque os documentos do seu viver, suas
reliquias, tudo quanto guarda o reflexo de sua vida
ou é destruido e disperso, ou é recluso a sete chaves
O povo acceita a existencia de Martim Affonso, at-
tendendo ao que lhe disseram na escola; vendo
agora as linhas que a mão veneravel do donatario
traçou, para entregar um pedaço de terra brazi-
leira a um dos seus primeiros povoadores, o povo
ingenuo acabará firmemente cenvencido da realidade
de sua existencia. E’ o primeiro passo para a ve-
neração.»
Colleccôes em série; duplicatas,
reservas
Notando a necessidade da substituição do alcool,
em volumoso material das collecções em série, de-
terminei que se procedesse a tal troca que foi rea-
lisada para os peixes, cheiropteros e roedores, pelos
srs. Garbe e Luederwaldt. Fcrneceu o Serviço Sa-
nitario a mandado do sr. dr. Neiva, mil litros de
alcool, e do liquido velho obtive por meio da disti-
lação, efectuada, por accordo, com a firma L. Queiroz
mais trezentos litros. Assim mesmo no fim do anno
verificou-se insufficiente o alcoo!, solicitando eu do
sr. dr. Neiva a remessa de mais mil litros que
promptamente forneceu o Almoxarifado do Serviço
Sanitario, de modo que breve será encetado o ser-
viço da substituição do liquido em que se conservam
os ophidios, de necessidade urgente como o era para
os peixes etc., em que, nos bocaes, estava o material
frequentemente immerso, desde mais de dez, doze e
mesmo quinze annos, em alcool não substituido, A
collecçäo de morcegos, por exemplo, encostada a um
canto da officina, achava-se muito maltratada. Com
o aproveitamento das salas A-12 para exposições
publicas concentrei todo o material das collecções
em série nas salas A-8 e A-9 e passagens annexas.
Havendo a Secretaria da Justiça acabade com
o seu archivo particular, pedi ao sr. dr. Eloy Chaves
— 906 —
concedesse ao Museu algumas das numerosas estantes
alli existentes. Graciosamente attendido o meu pe-
dido, pude fazer entrar no Museu um material de
taboas e cavalletes que representa, pelos preços ele-
vadissimos de hoje, mais de um conto de réis. Graças
a tal cessão pude mandar fazer estantes nos novos
commodos, onde o material em série está com-
modamente espalhado, sem os inconvenientes de
outr'ór: em que os frascos accamulados tornavam
muito difficil o trabalho da procura. Assim, a man-
dado mu, o continuo José Barroso armou grandes
armarios para os batrachios, outro maior para os
peixes e tres menores para os vermes, arachnideos,
e um setimo, para onde se removeu hoa partida da
vidraria, conservada na torre da esquerita, o que era
muito incommodo para o serviviço. A todos estes
serviços attenderam os srs. E. Garbe e H. Lueder-
waldt com a maior dedicação, arrumando metkodi-
camente ao mesmo tempo, nos grandes armarios, Os
peixes já determinados pelo dr. Aripio de Miranda
Ribeiro. © sr. Lina, taxiderimista, cuidou das col-
lecções de couros e pelles de aves e mammiferos,
con zelo. Infelizmente muitos numeros de taes
collecções se deterioram p-lo facto de as atacarem
as substancias graxeas naturaes. Os nossos proces-
sos de desengorduramento são falhos ; precisariamos
adaüiririr uma machina especial para o caso. Pensei
em realizal-o, no decorrer de 1918, desisti de o fazer
porém, à vista do orgamen:o que me apresentaram.
Com a maior generosidade attendeu sempre o Ser-
viço Sanitario aos mens pedidos de productos chi-
micos, por determinação do sr. dr. Neiva, sempre
solicito pelas cousas da sciencia. Assim nos suppriu
além do alcool, com ether, benzina, naphtal na, for:
mol, acidos, amimoniaco, sulfureto de carbono, ete.
Aqui mais uma vez lhe consigno os agradecimentos
desta Directoria.
A Revista do Museu Paulista
Em fins de Dezembro ficou prompta a impres-
são do nosso orgão, após um lapso de vinte mezes.
ee Oey Te
Verdade é que sahe o tomo X com 1025 paginas e
que a superveniencia da epidemia o atrazou de dous
mezes pelo menos. E' o mais volumoso tomo da
nossa serie, e traz a mais prestigiosa collaboração,
trinta memorias e artigos assignados por scientistas
de nome feito e estudiosos de valor. Pela primeira
vez insere a Revista artigos sobre’ botanica e geo-
ogia. Assim se distribue a sua materia: cinco
artigos sobre botanica, quatro sobre antropologia,
um sobre geologia, dezeseis sobre zoologia, um sobre
pre-historia, um sobre archeologia paulista, tres
sobre assumptos diversos.
As dificuldades decorrentes do momento actual
impediram que a ilustração do tomo X não fosse a
que eu desejava. Quarenta e sete estampas fóra do
texto, lithographias e photogravuras e cincoenta e
cinco figuras intercaladas ao texto, em zincographia,
constituem a parte illustrativa do volúme.
Além dos artigos mencionados no men relatorio
de 1Y17, tenho a ajuntar os seguintes : Catalogo e
revisão das. leguminosas do herbario do Museu,
pelo Dr. F. C. Hoehne; Ensaio de grammatica
Kainjgang e uma critica ao rocabulario Kainjgang
do Visconde de Taunay por Frei Mansueto Bar-
catta de Val Floriana; Notas sobre uma visita a
acampamentos Kainjgangs pelo Prof. Dr. Geraldo
de Paula Sousa. Observações sobre a preguica
Bradypus tridactylus, pelo Sur. H. Luederwaldt ;
lres generos e dezesete especies novas de perxes
brazileiros determinados nas colleccoes do Museu
Paulista; Dous generos e tres especies novas de
peixes determinados nas colleccoes do Museu Paulista .
( Primeira Parte); Lista dos pe xes brazileiros do
Museu Paulista ( Terceira Purte ) pelo Dr. Alipio de
Miranda Ribeiro. Notas de Archeologia Paulista pele
Snr. Benedicto Calixto. O facto de residirem muitos
dos collaboradores da Rev sta, fôra de São Paulo, fez
tambem con que se atrszasse a publicação da Revista.
O total despendido por conta da verba do Museu
para a illustração do tomo X foi pouco mais de tres
contos e quinhentos mil reis. Servindo-me da auto-
— 908 —
risação de V. Æxc. ataquei a impressão do tomo
XI para o qual já ajuntei excellente material. Assim
os dous volumosos diccionarios Mamigang portugues
e Portuguez Kainjgang de Frei Mansueto Barcatta
de Val Floriana, o abnegado missionario dos nossos
ultimos vestígios da grande nação cor. ada, que apre-
veitou a sua larga permanencia entre os derradeiros
selvagens paulistas para lhes fixar a lingua, condem-
nada a rapido desapparecimento. Con:ribuem tam-
bem para o tomo XI, o Sur. Julio Melzer, o repu-
tado e estudioso coleopter ologo com exellente trabalho
sobre a renisio dos prionideos br.zileiros; o Snr.
H. Luederwaldt com um catalogo dos crustaceos
superiores do Estado de São P aulo, um estudo acerca
da influencia da grande geada de 1918 sobre a flora
dos arredores de São Paulo, outro sobre filzce-
neas, além talvez do grande trabalho que sobre as
nossas formigas tem em elaboração. Annuncia-me
alem de tudo o Prof. Miranda Ribeiro a sua memoria
sobre o veado « Boróro» em que discute a situação
deste animal no conjuncto dos cervideos brazileiros,
trabalho destinado a larga repercussão nos circulos
zoologicos. Outros artigos me estão promeitidos,
valiosos, que hão de completar o tomo XI já muito
auspiciosamente começado. Cabe-me a proposito da
Revista apontar a V. Excia. quando fui durante a
impressão do tomo X, constantemente tratado com
toda a gentileza, interesse e serviçalismo pelo pes-
soal do Diario Official. Devo especiaes agradeci-
mentos ao Srs. Horacio de Carvalho, Dr. Bento Lucas
Cardoso e Ruben Leal, respectivamente Director,
Gerente e Chefe das officinas daquella maior casa
de trabalho, havendo tambem com grande empenho
para a boa execução dos serviços de impressão do
tomo X, contribuido os Snrs. Paschoal Gonzalez, Al-
bino Collazzi e Antonio Correia Netto.
Trabalhos scientificos realisados no
Museu
Os principaes trabalhos scientificos realisados no
Museu em 191% foram os do Snr. Prof. Alipio de Mi-
— 909 —
randa Ribeiro que durante dous mezes, manipulou o
nosso grande material ichtyologico com a maior ancia,
num labor exaustivo como raros, pois 0 occupava
oito e mais horas diarias, sem solução de continui-
dade. Tambem conseguiu os mais bellos e proficuos
resultados, basta lembrar a sua descoberta de cinco
generos e vinte especies novas de peixes brazileiros
dentre as nossas collecções. Em 1919 pretende hon-
rar-nos o Prof Miranda Ribeiro com a sua visita
novamente dedicando-se ao estudo do nosso opulento
material de batrachios. O Sr. II. Luederwaldt, pro-
seguiu no seu estudo acurado das formigas de São
Pauls, fez observações acuradas sobre a biologia das
preguiças, estudou os filicineos da flora paulista e
continuou a estudar tambem os crustaceos de São
Paulo, tendo em vista artigos que pretendo publicar
na Revista. O Dr. Frederico itoehne estudou o
nosso material de asclepradaceas e orchidaceas. O
Sr. João Leonardo de Lima realisou observações
sobre ratos sylvestres cv sobre a biologia de diversas
aves; o Dr. João Florencio Gomes, continuou a sua
revisão do nosso material de ophidios; o Sr. Julio
Melzer, os seus estudos sobre coleopteros, sobretudo
prionideos e o Prof. Roquette Pinto realisou nume-
rosas observações valiosas sobre o nosso material
ethnographico e antropologico. durante o mez em que
entre nós se manteve. O Padre Fr. Thomaz Bor-
emer, mirmycologo, de Petropolis, durante a estada
aqui realisada, examinou acuradamente o nosso mate-
rial de formigas. O Dr. A. Usteri continuou as
suas investigações botanicas e o Dr. Oscar Freire de
Carvalho as suas sobre insectos necrophagos. O Dr.
Moreira da Reeha, da Escola de Medicina, procurou
elementos de estudos osteologicos para o seu curso
naquella Facuidade. Continuei os meus trabalhos sobre
a cartographia e historia paulista, antiga e moderna.
Permutas
Insignificante foi o serviço de permutas durante
o anno de 1918. Afinal, passado tres mezes, havendo
sido removidas todas as dificuldades, entrou no Mueu
— 910 —
a remessa do Museu de Historia Natural de Nova
Vork, um caixäo com aves sul americanas, envia-
das pelo Dr. Frank Chapman, excellente material
enviado às nossas collecções em troca do nosso, an-
teriormente remettido para os Estados Unidos. Es-
colhidas especialmente entre o material colectado
por um dos naturalistas daquelle grande Museu nas
regiões columbianas, limitrophes da nossa Amazonia,
pertencem as aves em questão à avifauna brazileira :
e tem reai valor para as nossas collecções. Chegou
todo o material norte americano em excellente es-
tado de conservação, contra a minha espectativa
alias, e avalio-o em mais de dous contos de reis. A
este proposito assignalo quanto as delongas burocrati:
cas poderiam ter prejudicado as collecções. Mezes e
mezesdecorreram sem que se desse andamento ao nos-
so pedido de insenção de direitos aduaneiros, taxados
em 8004000. Quando, após mil d'fficuldade, soppostas
pela Alfandega Ge Santos tratei de retirar os volu-
mes, devia o Museu perto de um conto de reis de
armazenagem à Companhia Docas de Santos. Re-
queri relevação de tal cobrança ao Presidente da
Companhia, Snr. Candido Gafreë, e este, immediata-
mente, deferiu o meu pedido. Além do material
norte americano do Dr. Chapman fizemos uma pe-
guena permuta de peixes com o Museu Nacional, e
a trosa de uns arcos e varias flechas de indios de
São Paulo com o Dr. Affonso de Freitas quê, em
volta, nos deu objectos de couro lavrado setecentistas
dos out'rora usados na ornamentação das igrejas
paulistas.
Material scientifico determinado
Além do muito avultado material determinado
e revisto pelo prof. Miranda Ribeiro, durante a sua
estada aqui, tivemos mais material determinado em
Manguinhos pelas autoridades que são os Drs. Hen-
rique de Beaurepaire Aragão (xodidas) e Lauro
Travassos { helminthos ). no Museu Nacional pelos
professores Carlos Moreira (crustaceos) e Costa Lima
— 911 —
(onsectos). O snr. Juan Brethes do Museu Nacional de
Buenos Ayres devolveu-nos o material de pompili-
das que ha tres annos tinha em mãos De Miss. Ma-
ry Rathbun tambem recebemos material determina-
do (crustaceos ). Enviou-nos o Dr. Florentino Felip-
pone, de Montevidéo, determinada, a pequena remes-
sa de conchas e caramujos de Matto-Grosso que lhe
fora mandada. Ao prof. Miranda Ribeiro, no Museu
Nacional, foi enviado volumoso material ichtyologi-
co que vae determinando. Já delle tem-nos feito
duas remessas pequenas.
Preparações do taxidermista, forneci-
mento de material
Attendendo aos pedidos de varios institutos, en-
tre outros o do Instituto Agronomico de Campinas,
preparou o nosso taxidermista diversas peças, aves
e mammiferos. Foram pelo Museu feitas remessas
de material ao Grupo Escolar de Lorena, 4 Escola
Normal Primaria de Campinas, ao Gymnasio do Car-
mo e aos Institutos Christovão Colombo e D. Anna
Rosa. Continuando o taxidermista a fazer o renova-
mento das salas de aves e mammiferos temos bas-
tante material disponivel; assim a remessa feita à
Escola Normal de Campinas pode ser bastante avul-
tada.
Alargamento do Museu
Se o Estado não adquirir algum predio ou não
construir algum edificio especial para os depositos e
collecções em serie, será impossivel o alargamento
das secções publicas do Museu por absoluta falta de
espaço. Como já lembrei a V. Excia. esta mudança
tornaria disponiveis, ainda, doze cormmodos do andar
terreo do Monumento. perfeitamente adaptaveis, ca-
so por completo delles se transferissem a bibliothe-
ca, administração, officinas, depositos etc
Visitantes eminentes
Teve o Museu a honra de ser visitado por di-
versos membros da missão ingleza, chefiada por Sir
— 912 —
Maurice de Bunsen, pelas missões italiana sob a che-
fia do embaixador extraordinario Vito Luciani e ar-
gentina, esta sob a direcção do eminente internacio-
nalista Dr. José Leon Suarez. Destes diversos visi-
tantes recebemos amaveis palavras de indulgente en-.
comio. O Dr. Suarez e seus companheiros sobremo-
do se interessaram pelas duas salas consagradas ao
passado de S. Paulo, como já tive o ensejo de o re-
ferir. chamando-lhes a attenção, vivamenie, sobretudo
a nossa cartographia antiga. Procuraram-nos tambem:
o Dr. Myajima, eminente bacteriologista japonez, ac-
tualmente em estudos de parasitologia no Instituto
de Butantan, o Dr. Darling, da missão Rockfeller,
lente coniractado da nossa Faculdade de Medicida e
reputado hygienisia, cujos trabalhos em Panama
e na Malasia tiveram tanto destaque; o Dr. Aze-
vedo Villela, distincto di-ector do Instituto Os-
waldo Cruz de Bello Horizonte, o Dr. Clarence Ha-
ring, Professor na Universidade de Yale, joven e
ja reputado historiador norte americano, cujas obras
sobre os flibusteiros tanto tornaram conhecido vindo
ao Brazil em missão politica do seu governo; o Dr.
Olympio da Fonseca, do Instituto Oswaldo Cruz, de
passagem por Säo Paulo e em direcçäo à zona do
Guayrä por conta do estabelecimento de que é um
dos mais reputados membros; o Dr. Guilherme Alme-
nara, scientista peruano, etc. A crise murdial, tor-
nando perigosas as viagens, fez com que, ainda em
1918, raros personagens estrangeiros de destaque vies-
sem ter ao nosso Museu.
Consultas scientificas
O numero de «consultas scientificas respondidas
pelo Museu manteve-se na media da dos annos do
decennio, a 1918 anterior.
Entre as principaes citemos as do Snr. Dr. Dio-
go de Faria sobre um “weroleprdoptero (uma ti-
neida ) devastador de pelles e pelligas e um co/eopte-
ro xylophago e papyrophago, muito abundantes no
Desinfectorio Central. O coleoptero submetti-o ao
exame de competentissima autoridade no assumpto
— 913 —
o Prof. Dr. Pedro Severiano de Magalhães, que o
determinou como sendo o dorcatoma bibliophaguin,
escasseando-uos por completo a litteratura sobre o
caso, ra nossa bibliotheca. Do Prof. Dr. A. Carini,
duas consultas sobre ratos sylvestres ( acodon ser-
rensis). Dr. Lauro Travassos sobre numerosas aves
e alguns pequenos mammiferos; D. Amaro Van
Emelen, determinação de numerosos vegetaes da flora
paulistana,; sobre plantas nectariferas da nossa flora
sylvestre e ainda sobre uma formiga (camponotus
abdomeinalis) G. Amadeu Barbiellini, sobre uma gran-
de aranha (eurypelma rubropilosa }; sobre formi-
gas (acromyrmex sublerranea brunea ); Dr. Os-
car Freire de Carvalho, sobre coleopteros necropha-
gos. Pio Pinto de Almeida subre um columbino a
Columbigallina minuta, Bp.; Manoel Soares de Frei-
tas sobre um formicarides ( Thamnophilus unduli-
ger, Pelz); Antonio J. de Faria, de Rezende, so-
bre um tyrannideo a pombinha da salinas (taeniop-
tera nengeta ): Mario Carvalhaes, sobre um troglo-
dytideo, a «nara é dia», Tryophilus albipectus ru-
fiventris; Antonio Payão de Souza, do Rio de Ja-
neiro, sobre moedas coloniaes do Brazil; Manoel Os-
car de Andrade Bastos (Santos) sobre moedas cu-
nhadas no Brazil; Luigi Cantalamessa, sobre uma
rooeda tyroleza. Sobre taxidermia consultaram-nos
os Snrs. José Pinto da Fonseca, de Marianna, Mi-
nas, Artonio Mercatello, de S. Paulo, J. J. Hermann
de S. Paulo e Antonio de Azevedo Pinho de Cam-
pinas.
Visitas collectivas ao Museu
Em Agosto e Setembro foi o Musen detidada-
mente percorrido por duas turmas de professores pu-
blicos, directores de grupos escolares e inspectores
escolares, dos que por determinação de V. Excia. se
achavam em S. Paulo, a seguir um curso de hygie-
ne publica professada no Instituto de Butantan, se-
gundo o programma alli organisado pelos Snrs. Drs.
Vital Brazil e Arthur Neiva. Estas visitas duraram
longas horas tendo os visitantes o ensejo de conhe-
ag
cer com todo o vagar todas as secções do Museu.
Acompanhei-os sempre. tambem o fazendo o Dr. Hoeh-
ne, e mais naturalistas: Servindo-lhes de guia veio:
do Butantan o nosso distincto collaborador o Snr.
Dr. João Florencio Gomes. No decorrer do anno foi
o Museu frequentadissimo por grandes grupos de
alumnos de escolas publicas e particulares, eymna-
sics e mais estabelecimentos para ambos os sexos.
Excursões scientificas e outras
Devido ao estado de guerra, nenhuma grande
excursão do naturalista viajante se effectuou, depois
da que terminou em Dezembro de 1917. Tomo a li-
berdade de lembrar a V. Excia. quanto seria con-
veniente ,reencetarmos estas viagens imprencidiveis
para o desenvolvimento de nossas collecções em serie.
Herborisaram comtudo durante o anno numerosas
vezes, nos arredores de S. Paulo. os botanicos de
Museu Snrs. Dr. Hoehne e Luederwaldt.
Horto Botanico
Infelizmente soffreu immenso o nosso Horto Bo-
tanico com as geadas de Junho. Morreram nos nu-
merosissimas plantas exoticas, chegando o frio a ma-
tar até arvores de grande porte e à victimar a pe-
quena colonia de preguiças que nellas vivia para ob-
servações biologicas. Tomou o nosso Horto desola-
dor aspecto e difficimente voltará a ser o que era.
Trabalha activamente na sua restauração o conserva-
dor Snr. Luederwaldt que promove a replanta e o
transporte de novos especimens vegetaes. Continuou -
se a. plantação da sebe viva de bambis desunada a
cercar o Horto.
O Parque
Tambem é mau o aspecto do parque em fren-
te ao Monumento, cujos grammados estão tão falha-
dos quanto enfraquecidos pela falta de adubo. Como.
seria muito caro estereal-os e brevemente deverão
desapparecer com os trabalhos da Avenida nada se
Ss OI am
fez para que melhorassem. As ruas, sargetas, ter-
raços, etc. do jardim estão escrupulosamente con-
servados.
O edificio do Museu
Está perfeitamente conservado o Monumento,
onde quasi nada houve a fazer durante o anno;
apenas um ou outro serviço insignificante. Precisei
mandar concertsr os grandes mastros alçados nos
dias festivos que se achavam muito deteriorados e
actualmente estão inteiramente renovados.
Dadivas
Numerosas, e valiosas muitas dellas, foram as
dadivas feitas ao Museu no decorrer de 1918. Kn-
tre ellas merece o mais especial destaque a que
effectuou a” Exceilentissima Senhora Dona Lydia de
Sousa Rezende, cuja cultura e philantropia esclare-
cidissimas são tão conhecidas. Basta que lhe lem-
bremos a fundação do Sanatorio São Luiz para tu-
berculosos em Piracicaba. Neta de notavel estadis-
ta do primeiro Imperio e um dos pró homens da
nossa Independencia, o Marquez de Valença, herdá-
ra de seu Pae o Barão de Rezende o valioso ar-
chivo do Marquez. Com o maior desinteresse, e
visando impedir a dispersão do precioso acervo, re-
solveu a Exma. Sra. D. Lydia entregal-o integral à
guarda do: Museu. Assim possa tão nobre exemplo
fructificar entre aquelles que se acham como deten-
tores de archivo dos nossos grandes homens. Para
a Exma. Sra. D. Lydia de Rezende, culta como é
e versada na historia do Brasil, a separação destes
documentos veneraveis constituiu muito penoso sa-
crificio inspirado pelo mais real e bem entendido pa-
triotismo. À este respeito fiz inserir na imprensa
a noticia seguinte :
« Da Exma. Sra. D. Lydia de Souza Rezende, a
tão esclarecida e philontropica senhora a quem deve
Piracicaba o « Sanatorio de São Luiz», para os tu-
berculosos indigentes, acaba o Museu Paulista de
So OURS IS
receber a mais preciosa e patriotica dadiva —a do
archivo de seu illustre avô, o Marquez de Valença,
o Ministro e homem de confiança de Pedro | que,
sob este Imperador e D. Pedro Il, representou os
mais altos papeis na nossa scena politica. como Se-
cretario de Estado e Senador do Imperio. Em tem-
pos coloniaes servira o Marquez de Valença como
magistrado em Portugal, durante a invasão france-
za, e no Brasil onde chegou a ser Desembargador
Intendente dos Diamantes. Proporcionaram-lhe os di-
versos passos de sua tão dilatada e bem preenchida
vida publica. é as altas posições que occupcu.o en-
sejo de colleccionar enorme copia de documentos,
muitos dos quaes valiosissimos. Assim é que no seu
espolio figuram centenas de autographos de Pedro
I, dos Andradas, de quasi todas as nossas grandes
individualidades politicas contemporaneas da Inpe-
pendencia e do Primeiro Mud militares como
Cochrane, Laguna, Barbacena, etc.; homens de es-
tado como Huck Vergueiro, ne Francisco de
Lima e Silva, Monte Alegre, Maricá etc. ; diploma-
tas como Mareschal, Sir Bios Stuart, Gande de
Gestas, etc. Além destes autographos ha a citar
uma avultada -collecção de documentos. manuscri-
ptos e impressos relativos à invasão napoleonica em
Portugal, onde figuram assignaturas de alguns gran-
des cabos de guerra como Junot, Kellermann, Lan-
nes, Massena. KE’ digna de nota ainda uma serie
de opusculos, hoje muito raros, dos primeiros vu-
blicados na Imprensa Regia do Rio de Janeiro.
Casado em S. Paulo com D. Illydia de Souza Queiroz,
mantinha o Marquez de Valença estreitas relações
com as mais salientes personalidades paulistas da
época da Independencia e este facto explica a pre-
sença de numerosos documentos do seu Archivo
firmados por correspondentes de grande destaque.
Algumas memorias ineditas deste estadista tambem
se acham incluidas na dadiva, assim como a sua
biographia por seu filho o Barão de Rezende, a
quem se deve e organisação carinhosa do preaiose
espolio paterno.
— 917 —
Entregando-o ao Museu Paulista ainda lhe ad-
dicionou a Exma. Snra. D. Lydia de Rezende ar-
mas que acompanhavam antigos uniformes e con-
decorações que foram de membros de sua familia.
Grata a uma doação de tanto vulto, resolveu
a Directoria do Museu, impor-lhe o titulo de « Col-
leção Lydia de Souza Rezende ».
Segundo o que V. Excia. me recommendou en-
derecei à generosa doadora os agradecimentos do
Governo do Estado por tão bello gesto e valioso
presente feito ao Museu.
Além aa collecçäo « Lydia de Souza Rezende »
chegaram-nos numerosas offertas muitas das quaes
como já o disse, de subida valia.
A’ secção de historia: as dos Snrs. : Dr. Altino
Arantes, Presidente do Estado — que offereceu um
curioso e pittoresco especimen da nossa indumentaria
colonial : um guarda-sol desde muito conservado numa
das mais Salhas familias de Gananéa, e a S. Excia.
offerecido pelo promotor publico daquella localidade
Dr. Paulino de Almeida.—Dr. Oscar RodriguesAly es,
Secretario do Interior, artistica placa de bronze, re-
memoradora da manifestaçäo patriotica de 7 de Se-
tembro ultimo. levada a effeito ao Presidente do
Estado pelos polacos de S. Paulo e um bello cartäo
de ouro em que se inscreveu a mensagem redigida
pelo Snr. Ruy Barbosa e enviada pela Associaçäo
Brazileira de KEscoteiros a todas as sociedades de
escoteiros das nações amigas em 7 de Setembro de
1918, documento este commemorativo das home-
nagens prestadas pela Associação Brazileiras de Es-
coteiros à colonia syria, em gratidão à sua solida-
riedade com a nação brazileira nos transes dificeis
porque passamos. Exma. Snra. Baroneza de Souza
Queiroz Barros uma joia colonial do seculo XVIII.
Exma. Snra. D. Antonia Barbosa de Souza, um
grande e bello retrato de D. Pedro II, adolescente.
Dr. Alfredo Rodrigues Jordão, uma cadeira antiga,
de estado, pertencente a seu antepassado Brigadeiro
Manoel Rodrigues Jordão. D. Duarte Leopoldo e
Silva, arcebispo metropolitano, uma forma setecen-
ao
tista para a confecção de imagens de santos. D.
Bonifacio Jansen, O. S. B.. tres bilhetes de loteria
dos primeiros tempos do Imperio e um habito dos
benedictinos da primeira Congregação Brazileira.
Francisco Salles Collet e Silva, um beilo espeiho de
couro ornamental, de altar, objecto typicamente pau-
lista dos seculos coloniaes. Dr. Bento de Souza e
Castro, uma capa, um chapéu e um revolver do uso
de seu pae, o eminente abolicionista Dr. Antonio
Bento; H. Schwebel, uma estampa panoramica de
S. Paulo em 1892. D. Catharina Taques Bittencourt,
um exemplar da hoje rarissima planta de Rufino
Felizardo e Costa. da cidade de S. Paulo, em 1841
e um documento antigo.
A’ bibliotheca do Museu off-receram : o Exmo.
Snr. Conselheiro Rodrigues Alves, Presidente da
Republica, uma collecçäo completa, em 17 volumes
ricamente encadernados, dos documentos e mappas
apresentados ao arbitro do litigio anglo brazileiro
de Pirera, pelo embaixador Joaquim Nabuco. Dr.
Nilo Peçanha, ex ministro das Relações Exteriores,
documentos e mappas relativos às nossas questões de
limites; André Dó, uma raridade bibliographica a
Helminthologia de frei Velloso. Berto Moser, uma
colleeção de numerosos numeros um de jornaes
brazileiros diversos.
A’ secção de ethnographia offertaratn : O sr.
Professor Bruno Lobo, em nome do Museu Nacio-
nal, uma colecção de quarenta e cinco objectos
diversos, representativos da industria dos indios
« Nambikuaras » selvicolas matto-grossenses, que
habitam o norte do Estado na zona fronteiriça bo-
liviana e amazonense e cuja civilisagio é a da
edade da pedra, o que torna sobre modo interes-
sante os seus artefactos. Compõe-se a collecçäo de
collares, ligas, pulseiras, pingentes, cavilhas para o
septo nasal, brincos, fibras preparadas, cuias, fléchas,
arcos, cestas, machados, objectos reunidos pelo co-
ronel Rondon e seus auxiliares. Alguns destes ar-
tefactos de uma arte tão rude e primitiva, são real-
mente estheticos, como os coliares, as pulseiras
— 919 —
feitas com aneis da cauda do tatú-canastra, ete.
Constituem valiosos presentes, a que se deu logar
de destaque na sala do Museu consagrada à ethno-
graphia
Dr. Leopoldo Ferreira, uma bella réde de fibra
de tucum tecida por indios da Amazonia. O Sr.
Andréa Dó, um machado de pedra; Ignacio Tantico,
de Jtapecerica, um grande e bello cachimbo de
barro, indigena, encontrado numa escavação.
A’ secção de mineralogia e geologia enviaram :
Os Srs. José Pinto da Fonseca, de Minas; uma
collecçäo de mineraes ; Sr. Boaventura Vidal, folhas
e blocos de malacacheta de Itapecerica; Sr. Manuel
Lima, especimezs dos schistos de Porto Martins e
oleo delles actualmente destillado; Coronel Luiz
Americano, um mineral do Spitzberg.
A’ secção de zoologia offereceram : os Snrs.
João Xavier Melchert de Carvalho, um magnifico
exemplar de urubú-rei; Sur. Julio Melzer, um dip-
tero raro e varios coleopteros; A. Barbiellini e D.
Amaro van Emelen, formigas para as colleções em
serie; João T. Diniz is ra, de Orlandia. um ra-
to sylvestre, muito raro; Moysés dos Santos, de Ba-
nanal, exemplares de thallophytos sobre lavras de
coleopteros ; Dr. Francisco Vaz Porto, um grande
cerambycido ; A. Barbiellini, um grande archnideo ;
Alcindo Pitta mosquitos do genero Sabetes, do ser-
tão da Noroeste; Dr. Florencio Gomes uma mutile-
da; Dr. Florentino Felippone, uma pequena collecçäo
de conchas do Uruguay; Pharmaceutico Candido
Cruz, de Villa Americana, interessante caso terato-
logico, um bezerro de duas cabeças perfeitamente
distinctas; Snr. Americo Martins, de Santos, um
grande exemplar de Philabosoina phyllinum ; C.
Lazzarini e Sylvio de Barros, grande cerambycidas;
H. Schwebel formigas da Serra Maritima; Prof.
Carini, um rato sylvestre ( acodon serrensis ).
A’ secção de botanica offertaram : os Sars. Dr.
I’, GC. Hoehne, varios especimens vegetaes para o
herbario do Museau; Dr. Meissner, grande quantida-
de de sementes de diversas arvores do Chile ; Revmo.
— 920 —
Pe. Rick, numerosos thallophytos do Rio (Grande
do Sul; Snr. Etzel. director do Jardim da Luz uma
colleção de fructos e sementes.
A’ secção de nuinismatica enviaram : Os Snrs.
Dr. Lecncio Correia, uma medalha do Centro Re-
publicano Portuguez de Curytiba ; Berto Moser, nu-
merosos catalogos de numismatica ; José Jordão Mer-
cadante, um bilhete antigo de loteria; Dr. Ernesto
Saboya, uma nota de 304000 da primeira serie do
Banco Commercial e Agricola; Ismaél Tavares, no-
ve moedas de cobre. do Imperio.
Construcções annexas ao Museu
Tambem não careceram de reparos as cons-
trucções anneyas ao Museu. Como notasse que a
casa alugada ao Estado e da propriedade da Snra.
von lhering, estava soffrendo pela humidade, com o
facto de se manter fechada, determine: que nella re-
sidisse o servente Hygino Romano com a obrigação
de lhe abrir as janellas diariamente.
Sao estas Exmo. Snr. Dr. as ponderações que
me occorrem fazer sobre os principaes incidentes da
vida do Museu no exercicio de 1918.
Tenho a honra de apresentar a V. Excia. a ex-
pressão de minha mais alta consideração.
São Paulo, 10 de Janeiro de 1919.
Affonso d'E Taunay
Director, em Commissão, do Museu Paulista.
ANNEXOS
Reclamações do ex-director dr. Ihering
Em principios do anno recebi uma carta do ex-
director dr. Ihering redigida em termos asperos.
Vinha endereçada ao director hypothetico do Mnseu,
que o remettente ignorava quem fosse, muito em-
bora, seja dito de passagem, já lhe houvessem es-
tado em mãos documentos por mim assignados. como
Director do Museu, em commissão, a proposito do
aluguel de seu predio, pelo Estado.
Escrevendo ao anonymo Director do Museu,
fazia-lhe o dr. Ihering reclamações e protestos, exi-
gencias e ameaças.
Eram ellas :
a) Reclimações e protestos: Achava-se so-
negada, accusava o Dr. Ihering, na Bibliotheca
do Ypiranga, volumosa correspondencia sua, onde
avultava grande numero de valiosos impressos
enviados a elle, de presente, por institutos scien-
tificos do exterior, e scientistas. Indebitamente
se apropriära tambem o Museu de uma grande
colleeção de madeiras que lhe fôra offerecida
pelo Lyceu de Artes e Officios de S. Paulo e
confiscada, por ordem da commissão, que lhe exa-
minára os actos administrativos, tudo por insti-
gação do Dr. Antonio de Barros Barreto, autor
responsavel tambem da suggestão da sonegação
da correspondencia.
b) Exigencias: Era o Director do Museu
convidado, senão intimado, a lhe mandar entre-
gar madeiras e livros à casa dos despachantes
Snrs. Americo Martins & Bassila, de Santos,
para que estes tudo remetessem, a elle proprietario,
tudo, tambem, à custa do Museu.
c) Ameaças: Numas linhas gryphadas di-
zia o Dr. Ihering que a piz geral allemä se as-
signaria antes do fim do anno de 1918 e que
então haveria o Governo do Estado de precisar
dos seus serviços como auxiliar da promoção do
congraçamento do Brazil e da Allemanha. E ao
lado destas e outras ameaças vinham asperos
conceitos scbre a falta de garantias, justiça e
moralidade administrativa no Brazil.
Terminando declarava o dr. lhering que embora
não pretendesse mover processo ao governo e fa-
zenda do Estado de São Paulo, seria forçado, se o
Museu não mudasse de normas de proceder, a agir
por meios extraordinarios. Se nos emendassemos,
comtudo, e lhe pedissemos desculpas, «seram evi-
tudas, opportunamente, reclamações de caracter
internacional ».
Respondendo ao Dr. Ihering contei-lhe que, com
effeito, havia ainda no Museu diversos impressos com 0
duplo endereço : Dr. Hermann von Lhering — Museu
Paulista. As cartas todas lhe haviam sido recam-
biadas para Blumenau, onde residia. Quanto às ma
deiras obtivesse elle uma declaração da Directoria
do Lyceu de Artes e Officios de S. Paulo de que
era sua a collecção que ella lhe seria restituida imme-
diatamente. — O Museu, comtudo, absolutamente nada
pagaria pelo transporte do que quer que fosse.. Os
impressos ficariam retidos até que, respondendo as
nossas consultas, se pronunciassem os remettentes
sobre o destino que lhes devia ser dado. De tudo:
seria elle, Dr. lhering, informado religiosamente.
E para mostrar a lisura de nosso procedimento
immediatanrente lhe enviei a lista dos impressos re-
tidos e fiz expedir cartas acs seus remettentes, a al-
guns pela segunda vez. |
Ao me passar a administração do Museu onde,
numa curta permanencia de cinco mezes, deixava tão
bellas provas de sua intelligencia culta — chamara me
o Snr. Dr. Armando Prado muito especial attenção
para o extranho caso da ambiguidade dos endereços
— 925 —
introduzida na correspondencia remettida à nossa
Bibliotheca pelo seu predecessor, Dr. Ibering. Não
havia livro ou folheto, vindo do exterior ou do Bra-
zil, que não trouxesse no sobrescripto o duplo ende-
reco, indicado aos nossos correspondentes, pelo antigo
director e constante dos titulos: Dr. Hermann von
Ihering — Museu Paulista. Já o caso causára es-
pecie à Go nmissão de Inquerito, que não conseguira
comprehender a vantagem ou mesmo a. necessidade
das duas indicações simultaneas.
Graças a esta confusão, disse-me então, muitas
vezes, o digno biblicthecario Snr. Andréa Dó, acha-
va-se a nossa bibliotneca desfalcada de milhares de
volumes. Isto quando provavelmente a intenção dos
remettentes era que.elles figurassem, nas nossas collec -
ções, havendo porém o Dr. Ihering entendido, que
lhe eram destinados pessoalmente. Calära de tal modo
o facto no animo do Dr. Armando Prado que um
dos seus primeiros actos fora distribuir talvez mais
de um milheiro de circulares a todos os Institutos
e scientistas, que comnosco mantinham relações para
que, quanto antes, cessasse tão extranha e prejudicial
situação.
Fora a circular redigida nos termos abaixo
citados, della se havendo feito quatro edições, em
portuguez, francez, allemão e inglez.
Museu PAULISTA
\ S. PauLo S. Paulo, 3 de Agosto de 1916
Caixa do Correio g
CELA AS MUS ER Shs DATES AE SP) o eee ad
Pedimos a V. S. o especial obsequio de
- não dirigir mais ao Sur. Hermann von [hering
a correspondencia destinada ao Museu Paulista,
cujo endereço passa a ser exclusivamente 0 se-
gulnte :
MUSEU PAULISTA
Estado DE S. PauLo. — BRASIL
Communicamos tambem que o Museu Pau-
. Jista continua a manter o serviço de permuta
com todos os seus correspondentes.
one
Apresentando a V. S. os protestos de nossa
alta consideração, subscrevemo-nos de
NES.
Att.» Vendo
(a) Dr. ArManDO Prapo
Director do Museu do Estado
( Museu Paulista )
Immediatamente surtira effeito o expediente, ces-
sando os livros que chegavam ao Museu de trazer
o duplo endereço de outr'ora.
As irregularidades postaes provocadas pala guerra
fizeram com que coimtudo, de vez em quando, chegasse
um ou outro impresso sobrescriptado segundo as
normas desde vinte e tres annos introduzidas pelo
Dr. Ihering.
A mais elementar noção de tino administrativo
impunha-me a continuação das providencias, tão acer-
tadas, determinadas pelo Sor. Ur. Armando Prado.
Foi o que fiz. Timbrando porém em querer proceder
com a mais rigorosa justiça fiz averiguar certos
topicos relativos à denuncia da existencia, na Bi-
bliotheca, de alguns dos livros que o Dr. Ihering
reclamara como de sua propriedade e alli afflrmära
existirem. Verifiquei que, com effeito, estavam nas
nossas estantes umas quatro ou cinco duplicatas
de obras recentemente enviadas ao Museu como
a A review of the primates do illustre Daniel
Giraud Elliot, outra de Edward W. Berry, etc.
Foram estes livros, a mardado meu, immediata-
mente remettidos ao Dr. Jhering parecendo-me iiqui-
do o direito do ex-director sobre elles. Uma outra
obra de valor. tambem por elle reclamada, a Lehr-
buch der Botanik, de Wetistein trazia realmente,
como allegára, a dedicatoria do autor mas havendo
o Snr. Dó declarado que o Estado pagára o exem-
plar decidi retel-a até que o conselheiro Wettstein
se pronunciasse sobre o caso.
— 925 —
Levei sempre estes factos ao conhecimento de
V. Exc. de quem tive a mais ampla e honrosa ap-
provação. Em cartas successivas, ae mesmo tempo,
noticier ao dr. Ihering o notne dos institutos e scien-
tistas, nossos correspondentes, que, attendendo à cir-
cular “do Dr. Armando Prado, haviam simplesmente
escripto, como endereço para as suas novas remes-
sas: Museu Paulista.
Dentro em breve pude apontar-lhe perto de
cem nomes, senão mais.
Respondendo, desculpou-se o Dr. Ihering, em
carta de 30 de março explicando as razões que o
haviam levado a adoptar o duplo endereço: a
maior precisão para a entrega da correspondencia
em vista de numerosos extravios, continuos e irre-
gularidades da distriouiçäo postal. Concordava al às
em que era desnecessaria, por ser redundante, a li-
gação dos seus appellidos aos do Museu. Contiuua-
va — apezar de sua longa permanencia no Brazil —
o correio a extraviar objectos que lhe eram desti-
rados. Objectei lhe que si tal se dava não havia em-
pregado postal, por mais ignorante, que podesse ser,
que precisasse do quer que fosse para comprehen-
der e esclarecer o endereço constante das duas pa-
lavras portuguezas: Museu Paulista.
Apezar dos effeitos da circular do Dr. Ar-
mando Prado continuaram, uma-vez ou outra, a ap-
parecer na nossa bibliotheca impressos com o en-
dereço ambiguo, acima citado, Occorreu até esta
circumstancia em relação à remessa da grande col-
lecção das publicagdes da Commissäo Rondon. Es-
crevendo eu immediatamente ao Dr. Amilcar Botelho
de Magalhães, chefe do Escriptorio da Commissão,
no Rio de Janeiro, informou elle que tal se dêra
unicamente devido à força do habito. As remessas
eram para o Museu e não para o Dr. Ihering a
quem scientifiquei do occorrido, por carta de 15 de
Julho de 1918.
Revendo as colleeções de periodicos scientificos
existentes na Bibliotheca do Museu verificimos, o
Ao sie
Sr. Andréa Dó e eu, que muitos dellas estavam no-
tavelmente truncadas. Fez-se então a lista das la-
cunas que foram imimediatamente pedidas aos esta-
belecimentos de que provinham as series incompletas.
Não tardaram a chegar as respostas dos esta-
belecimentos consultados. Em regra geral, ou an-
tes na quasi totalidade, os impressos retidos para
averiguações eram para o Museu, em mais de nove
decimos dos casos. Um ou outro, quasi sempre
destes de que se faz larga distribuição, se destinava
realmente ao Dr. Ihering. Foram-lhe todos cuida-
dosamente enviados.
Alguns dos Institutos e pessoas consultadas
mostraram-se surpresos com a consulta; outros
não haviam recebido a circular do Dr. Armando
Prado, outros ainda haviam feito como a Commis-
são Rondon: obedecido à força do habito. Recebi
então, por vezes, numerosos e delicados pedidos de
desculpas destes enganos e promessas de attenção
para a não reincidencia, como dos Museus de Leyde,
de Bergen, do prof. von Schulte, etc. etc. À surpreza
dos consultados, revelada pelos termos de suas res-
postas, poderia haver redundado, para elles, na sus-
peita da ingenuidade por parte da Directoria do
Museu Paulista.
E realmente, em qualquer paiz do mundo, sob
todas as latitudes, se subentende que a correpon-
dencia enviada ao director de uma repartição pu-
blica, em sua repartição, pertence a esta e nao a
elle.
Preferi, comtudo, assim agir para accumular
elementos em defesa dos direitos do Estado sobre
os livros exigidos pelo Dr. Ihering e creio haver
conseguido o meu intento.
Em relação às lacunas reclamadas as respos-
tas foram sempre pouco satisfactorias e até desa-
gradaveis, como no caso da Universidade de Cali-
fornia, cujo secretario, em data de 11 de Fevereiro
de 1918 me escreveu declarando não poder remet-
— 927 —
ter os volumes pedidos porque no archivo da Uni-
versidade existiam or recibos do Museu Paulista
accusando a chegada a S Paulo dos livros agora
reclamados. Como de costume foi tudo communi-
cado ao Dr. lhering a quem forneci copia de to-
das as respostas.
Respondendo, allegou o Dr. Ihering em suas
cartas de 2 de Maio e 5 de Junho que não se res-
ponsabilisava pela desordem havida na Bibliotheca,
desde a entrada da commissão de inquerito « sub-
mersa na enorme confusão da nova ordem ». |
ureio que afinal se convenceu o Dr. Ihering
da lealdade do nosso procedimento relativamente aos
livros a que pretende ter direito.
A 18 de Outubro de 1918 escrevia-me pela
ultima vez as seguintes linhas: «Ilmo. Sr. Agra-
deço a remessa das publicações de Nordenskjold e
Julio Tello e as respectivas cartas de aviso. Atten-
ciosas saudações. (a) H. von lhering ».
Da correspondencia entre esta Directora e-o
Dr. Ibering decidiu VY. Exc. que se fizessem copias
de todas as cartas e officios formando autos de no-
vos documentos relativos aor prejuizos causados à-
Bibliotheca do Museu pela administração do Dr.
Ihering. Opportunamente poderão ser publicados
caso se effective a ameaça da exigencia de repara-
ção pecuniaria por parte do Estado a que por ve-
zes tem alludido o ex-director.
II
Trabalhos realisados pelo Dr. Roquette
Pinto no Museu, em Marco e Abril
“de 1918.
a) Separação do material.
b) Revisão da classificação.
c) Arrumação de accérdo com a distribuição
geographica.
— 928 —
d) Exposição de duas collecões valiosas, do
material dos Indios Guaiakis e Chamococos, que
se achavam em deporito.
e) Exposição de uma collecçäo ethnographica
de Indios da Rondonia, offerta do Musea Naciodal
do Rio.
f) Organisação do «Guia > em collecções.
une
CEE ENTER 9
Appontamentos addiccionaes e Corrigendas ao trabalho “0s
= Manguesaes de Santos” de Luederwaldl =
Apontamentos
Pagina 50, penultimo trecho: Talvez o rapazito tivesse ra
zão, na sua observação, visto como aqui no
Brasil existem de facto morcegos, que se ae-
dicam à pesca, segundo a autoridade do Sr.
Dr. Alipio de Miranda Ribeiro.
Lista de Palæmonideos ete.: Palæemon ihe-
ringi Ortm. encontra-se de facto em agua’sa-
lobra, pelo menos nas marés, perto do Gua-
rujá ( Santos ).
» 81, Primeiro trecho: O bicho de conta N.º 194
chama-se Cassidinidea lila Boone.
» 81, Segundo: O bicho de conta N.º 489 chama.se
Sphaeroma tenebrans Bat.
» 81, Terceiro: A especie, determinada como Ligia
sp., chama-se Ligyda exotica Roux.
> 81, Quarto: O gammarideo N.º 307 é Melita pal-
mat Montg.
» 82, Primeiro trecho: O pequeno crustaceo N.º 518
chama-se Hoplopoda elfina Boone.
» 89, Primeiro trecho: A estrella do mar N.º 4 cha-
ma-se Astropecten marginatus Gray.
» 89, Ultimo trecho e pag. 90, no primeiro: O ne-
reideo N.º 546 e 545 chama-se Nereis brevi-
cirrata Treadw.
Pagina 6
»
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RARA!
Cyathea
Melastomaceas azaleaeformes ( Tibou-
china )
Euterpe
fastuosa
O mangue
Avicennia tomentosa
Compsopogon
Dipteros
cetaceo, não peixe
Emquanto se aguarda a sua volta an-
ciosamente mms para frente, ouve-se de
repente o bufo violento que, elle produz
ao resurgir, ora talvez atraz da canôa
.. de S. Sebastião, proveniente prova-
velmente deste cetaceo
torquata
e C. americana
nymphalideos
pierideos E
Tupinambis
Oncocephalus
Ostrea parasitica Gm, = rhizophorae
Grild. = arborea Ch, = brasiliana Lm.
cephalothoraz:
Sesarma
Callinectes
danai Sm.
herbstii
leptodactyla Rathb., tira n. 6
Herbst,
Cram.
Dytiscideos
Gyrinideos
Mesolecanium
luederwaldti
Wg SNS ABS.
11)
ay
i
pa
E ata
ga PP ate
=
Faia een
PATES
Fane inte OS eer a a
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