ATAS DO SIMPÓSIO
SÔBRE A
BIOTA AMAZÔNICA
vol. 7: Conservação da Natureza
e Recursos Naturais
Na Capa: Búffalo (Bubalus bubalus Linnaeus,
1758), espécie exótica introduzida na
Amazônia (Marajó) no fim do século
XIX, onde constitui atualmente va-
lioso recurso natural.
ATAS DO SIMPOSIO
SOBRE A
BIOTA AMAZÔNICA
Vol. 7: Conservação da Natureza
e Recursos Naturais
<■ A V. U \-
&
Belém, Pará, Brasil, Junho 6-11, 1966
EDITOR: HERMAN LENT
Publicado pelo
CONSELHO NACIONAL DE PESQUISAS
RIO DE JANEIRO, GB
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APRESENTACAO
De 6 a 11 de junho de 1966, na cidade de Belém, Estado do Pará,
Brasil, foi realizado o Simpósio sôbre a Biota Amazônica, organizado
pela Associação de Biologia Tropical, com a colaboração do Conselho
Nacional de Pesquisas do Brasil, tendo José Cândido de Melo Carvalho
como Presidente Executivo.
O Simpósio homenageava especialmente o Museu Paraense “Emilio
Goeldi” que comemorava seu 100.° aniversário.
Ao se iniciarem os trabalhos, achavam-se inscritos no Simpósio 16
países representados por 97 instituições, 256 pesquisadores inscritos para
apresentação de trabalhos que perfaziam um total de 22 conferências
e 198 contribuições originais. Associaram-se como observadores, até êsse
dia, 103 pessoas. Nos dias que se seguiram, até o encerramento , o total
geral de frequência dos inscritos foi a 611 pessoas. As contribuições
originais também aumentaram para 227.
Resolvemos editar estas Atas em 7 volumes, cada qual correspon-
dendo a uma das seções do Simpósio: Geociências, Antropologia, Limno-
logia, Botânica, Zoologia, Patologia e Conservação da Natureza e Recur-
sos Naturais; serão todos publicados pelo Conselho Nacional de Pesquisas
do Brasil, que assumiu a responsabilidade global da edição, da mesma
forma como promoveu a realização e apoiou a execução do Simpósio.
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ÍNDICE DO VOLUME 7: CONSERVAÇÃO DA
NATUREZA E RECURSOS NATURAIS
Págs.
Carvalho, José Cândido de Melo
A conservação da natureza e recursos naturais na Amazônia bra-
sileira (Conferência)
Richards, P. W.
The future of the tropical rain forest (Conferência)
Araújo, Vivaldo Campbell de
A reserva florestal Ducke (Manaus) : Características e prin-
cipais elementos florísticos e faunísticos protegidos
Bertoni, José
A conservação do solo na Amazônia
Buchinger, Maria
Problems of nomenclature and their influence on conservation
policies in Latin America
Coimbra Filho, A. F.
Ninhais de aves no baixo Amazonas e medidas para sua proteção
Dorney, Robert S.
Present status of existing and proposed National Parks and
National Reserves in the Amazon basin
Dubois, Jean
A floresta amazônica e sua utilização face aos princípios moder-
nos de Conservação da Natureza
Flor, Hildebrando de Miranda
Levantamento florestal de uma área de 500 hectares destinada
a parcelados cortes rasos para futuro aproveitamento agrícola no
município de Monção, Estado do Maranhão
Hegen, Edmund E.
Man and the tropical environment: problems of resource use
and conservation
Lowe, Rosemary H. (Mc Connell)
Some factors affecting fish populations in Amazonian waters.
Menezes, Rui Simões de
Utilização econômica dos peixes amazônicos
Newling, Jr., Lorin I.
Comprehensive collecting and taxa of uncertain position
Ojasti, Juhani
Consideraciones sobre la ecologia y conservación de la tortuga
Podocnemis expansa (Chelonia, Pelomedusidae)
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 1-47 — 1967
A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E RECURSOS NATURAIS
° NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
JOSÉ CÂNDIDO DE MELO CARVALHO
Museu Nacional, Rio de Janeiro, Guanabara
1. DEFINIÇÃO
E CON CEITU AÇÃO
Entende-se por Conservação da
Natureza e Recursos Naturais, a
preservação do mundo vivo, am-
biente natural do homem, e dos
recursos naturais renováveis da ter-
ra, fator primordial da civilização
humana. As belezas naturais, por
outro lado, constituem fonte de
inspiração da vida espiritual e de
satisfação indispensável das neces-
sidades recreativas do homem, ne-
cessidades essas cada dia mais
intensificadas devido à mecaniza-
ção crescente da vida moderna.
O grande desenvolvimento da
civilização atual deve-se à desco-
berta e à aplicação de métodos
cada vez mais eficientes de explorar
os recursos naturais. Nessas con-
dições, a conservação do solo, da
água, da flora, da fauna, de áreas
naturais virgens e de paisagens
características é de importância
capital do ponto de vista econô-
mico, social, educacional e cul-
tural.
1 — 37.153
O empobrecimento gradual dos
recursos naturais resultará inevi-
tavelmente numa baixa dos pa-
drões de vida humana. Êste empo-
brecimento, todavia, não é irrever-
sível e poderá ser controlado, se o
povo fôr claramente alertado da
sua estreita dependência em rela-
ção aos recursos naturais e reco-
nhecer a necessidade de sua
conservação e de sua exploração
mediante métodos apropriados, de
modo a garantir a prosperidade do
mundo e sua paz futura. (Do
preâmbulo dos Estatutos da União
Internacional para Conservação
da Natureza e Recursos Naturais,
1962 .)
A atitude original e limitada,
expressa no têrmo proteção, tende
atualmente a ser substituída, de
uma maneira geral, por outra mais
ampla em seu objetivo e mais dinâ-
mica, a de conservação da natu-
reza. Essa concepção foi oficial-
mente reconhecida pela mudança
de nome da União Internacional
para Proteção da Natureza, criada
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
em Fontainebleau (1948) para o
de União Internacional para Con-
servação da Natureza e Recursos
Naturais (Assembléia Geral de
Edimburgo, 1956). O têrmo con-
servação passou então a significar
uma combinação de proteção ab-
soluta de comunidades bióticas
estáveis com a administração ou
controle de áreas de sucessão flo-
rística ou faunística (Bourlière,
1964).
Além da importância da Conser-
vação da Natureza e Recursos
Naturais, dentro da perspectiva
mencionada acima, cabe-nos adi-
cionar aqui a sua importância
científica, hoje reconhecida por
todos os países progressistas. Áreas
naturais, para citar apenas um
exemplo, constituem um reserva-
tório de futuras descobertas cien-
tíficas com as quais o homem
poderá continuar o seu progresso
cultural. No estudo da Ecologia,
essas áreas são utilizadas como
verdadeiros laboratórios naturais
indispensáveis a numerosos tipos
de importantes pesquisas, tais
como: produtividade e perenici-
dade de comunidades naturais
comparadas às artificiais e sua
evolução comparativa, estudo qua-
litativo e quantitativo dessas
comunidades, complexidade e esta-
bilidade dos eco-sistemas.
Outro ponto ao qual se dá real
importância atualmente é a reser-
va do patrimônio genético de
determinadas comunidades. Gra-
ças a isso será possível efetuar
cruzamentos de variedades selva-
gens com outras cultivadas,
obtendo-se variações úteis sobre-
tudo de resistência ao meio.
Sob o ponto de vista da impor-
tância econômica da Conservação
da Natureza e Recursos Naturais,
especialmente na promoção do
turismo citaremos o exemplo do
Estado da Califórnia. Nessa impor-
tante região dos Estados Unidos
da América do Norte, a visitação
aos Parques Nacionais atingiu, em
1961, a cifra de 40 milhões de
pessoas. O gasto anual dos turis-
tas para êsse fim foi de US$ 320
milhões. Tôdas as despesas do
Govêrno Federal e Estadual com
parques na Califórnia, de 1951-
-1961, não foram além de USS 210
milhões.
Com referência à proteção de
espécies raras ou ameaçadas de
extinção, lembra-nos Lee M. Tal-
bot, que o mundo já perdeu, desde
o aparecimento de Cristo, 107
espécies de mamíferos, 70% delas
nos últimos 100 anos.
A Conservação da Natureza e
Recursos Naturais contribui tam-
bém para unir os povos. O uso dos
recursos naturais que a Terra nos
dá, é hoje accessível a todo o
mundo, graças às facilidades de
comunicações e ao comércio inter-
nacional. Acordos internacionais
para proteção de espécies migrató-
rias (U.S.A., México, Canadá) ou
de espécies em vias de extinção
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais)
(v. g. focas das Ilhas Pribilof,
Rússia, U.S.A., Canadá, 1911)
tornam-se cada vez mais fre-
qüentes.
A Conservação da Natureza e
Recursos Naturais tornou-se em
nossos dias uma doutrina nacional
e internacional. Ela nos dá exem-
plos de coexistência, tolerância,
amor e afeição, permitindo que a
homem e os demais sêres vivos
possam usufruir, na superfície da
Terra, o destino que lhes foi reser-
vado, procurando ainda de tôdas
as formas, graças ao trabalho e à
inteligência, a preservação e reno-
vação dos recursos naturais para
as futuras gerações.
2. A CONSERVAÇÃO DA
NATUREZA E RECURSOS
NATURAIS NO MUNDO
Desde os tempos mais remotos
o homem tem vivido em contato
permanente com a natureza. O
pequeno número de sêres humanos
e o estado precário de desenvolvi-
mento da civilização fizeram com
que o homem, integrado na comu-
nidade biótica, pouco interferisse
com a natureza, vivendo em equilí-
brio com os demais sêres vivos,
plantas e animais, na superfície
da Terra.
Com o despertar da civilização
já se notam os primeiros indícios
de relação do homem com o meio
natural. Os livros sagrados, de
maneira geral, mencionam as
plantas, os animais e o homem
como partes integrantes do mundo.
Noé, sob o comando de Deus,
construiu a Arca e deu proteção a
todos os animais, aos casais. Sur-
gem, então, as primeiras demons-
trações de amor à natureza, de
proteção a outros sêres vivos e de
Conservação da Natureza. David
(1050 A. C.), em um de seus famo-
sos salmos, manifestou o desejo de
“voar para longe, vagar em regiões
distantes e permanecer na nature-
za”. Gautama Buddha (500 A. C.)
no seu evangelho de Ahimsa, no
Parque dos Cervos de Sarnath,
próximo de Benaras, aconselhava
a evitar tirar a vida de outros. O
Imperador Asoka, da índia (240
A. C.), mandou gravar num pilar
a sua quinta lei: “as florestas não
devem ser queimadas, seja inútil-
mente, seja para destruir o sêres
vivos”. A civilização grega muito
se preocupou em estudar a natu-
reza e meditar sôbre os resultados
de suas observações. Na Idade
Média, com o período escolástico,
o homem passou a estudar apenas
nos livros, deixando de lado com-
pletamente a observação direta da
natureza.
Na Idade Moderna, voltou nova-
mente o interêsse pela observação
e estudo da natureza e fenômenos
naturais, intensificados pela curio-
sidade suscitada pelas grandes
descobertas e conseqüente expan-
são em terras exóticas e diferentes.
As primeiras demonstrações pe-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
renes e de vulto, relativas à Con-
servação da Natureza, surgiram no
fim do século XIX. O primeiro
passo nesse terreno, em sentido
moderno, concretizou-se com a
doação pelo Congresso Norte-ame-
ricano (1864) ao Estado da Cali-
fórnia, do Vale do Yosemite, “pos-
tulando que será para uso público,
refúgio e recreação . . . e que será
inalienável para sempre”. Em 1872,
surge naquele país o primeiro
grande Parque Nacional (Yellow-
stone) , “de agora em diante reser-
vado e impedida sua ocupação ou
venda sob as leis dos Estados
Unidos, dedicado e colocado, como
parque público ou área recreativa
para benefício e prazer do povo”.
(“. . . is hereby reserved and with-
drawn, from settlement, occupan-
cy or sale under the laws of the
United States and dedicated and
set apart as a public park or
pleasuring ground for the benefit
and enjoyment of the people”).
Estava aberta a porta para a cria-
ção de outros Parques Nacionais e
lançada a semente segura da Con-
servação da Natureza e Recursos
Naturais, dentro do mais sadio e
moderno espírito conservacionista.
Também no Japão, desde 1868, na
Era Meiji, o Parque das Três Vistas
— Matsushima, Amanohasidate e
Miyajima, era considerado como
tal, embora as leis sôbre Parques
Nacionais nesse país só viessem a
surgir em 1931. Êsse país possui
atualmente 12 Parques, alguns
dêles dentre os mais belos do
mundo.
Antes de 1945 não havia Parques
Nacionais na Inglaterra. Hoje êles
são em número superior a 10. A
Alemanha, que por muitos anos só
manteve o Parque Nacional de
Luneburger Heide, possui atual-
mente 8 dêles só na Alemanha
Ocidental, estando outros em fase
de planejamento.
No Continente Africano, que já
possuía os famosos Parques Nacio-
nais de Krüger, iniciados em 1892
(África do Sul), como Reserva de
Caça e o Santuário dos Gorilas
(1925), hoje chamado Parque Na-
cional Albert, em Kivu (Congo),
surgiram, depois de 1933, os gran-
des Parques Nacionais ou Reservas,
destacando-se a Reserva de Caça
de Gorongoza (1935), e os Parques
Nacionais de Kagera (1934), Ga-
ramba (1938), Upemba (1939),
Tsavo (1948), Wankie e Kafue
(1950), Serengeti (1951) e Rainha
Elizabeth (1952).
Na América Latina coube ao
México iniciar essa atividade com
o estabelecimento do Parque “El
Chico” (1898). Até 1935 êsse país
só tinha 2 Parques; atualmente já
possui 48. Na América do Sul, foi
a República Argentina a pioneira,
graças ao naturalista Francisco
P. Moreno que doou à Nação, em
1907, 75 km- de terras, para dar
início ao Parque Nacional de
Nahuel Huapi, criado por lei em
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais)
1934 e considerado um dos mais
belos do mundo.
Data mais ou menos da época da
criação do Yosemite e do Yellow-
stone nos Estados Unidos da Amé-
rica do Norte, fim do século XIX,
o movimento internacional visan-
do à proteção de espécies úteis à
agricultura ou a determinados
grupos de animais, ao mesmo
tempo em que se dava início às
grandes reuniões internacionais
para debates de assuntos científi-
cos, intercâmbio de informações e
conhecimento mútuo entre pesqui-
sadores. Em Viena (1884), reuniu-
-se o I.° Congresso Internacional
de Ornitologia. Quatro anos depois,
em Berlim (1888), debateu-se a
criação de leis para proteção às
aves, surgindo com a Reunião de
Paris (1895), a Comissão Interna-
cional para Proteção às Aves Úteis
à Agricultura. A preocupação não
apenas com espécies úteis, mas
também silvestres foi demonstrada
logo a seguir com a Conferência
Internacional para a Proteção dos
Animais Selvagens Africanos
(Londres, 1900). A proteção num
sentido mais amplo, estendendo-se
à natureza de um modo geral, foi
discutida em Liége (1905) durante
o II. 0 Congresso Internacional de
Arte Pública, reunido ao Congres-
so da Associação Literária e Artís-
tica Internacional. Em Paris
(1923, o primeiro e, em 1931, o
segundo), reuniram-se Congressos
Internacionais para a Proteção da
Natureza, Flora, Fauna, Áreas
Naturais e Monumentos.
O movimento para a criação de
uma Comissão Internacional Per-
manente e um Escritório ou Agên-
cia Internacional para Proteção da
Natureza surgiu durante o 8.° Con-
gresso Internacional de Zoologia
(Gratz, 1910), por iniciativa de
Paul Sarasin. Na ocasião foi soli-
citada aos países a nomeação de
delegados. Atendida essa solicita-
ção, reuniram-se em Berna (1913)
17 representantes de nações, la-
vrando-se então a “Acte de Fonda-
tion d’une Commission Consultive
pour la Protection Internationale
de la Nature” com sede em Bâle.
A primeira Assembléia Geral con-
vocada para 1914, não chegou a se
realizar por causa da Primeira
Grande Guerra.
Em 1922, por sugestão e ini-
ciativa do naturalista P. Gilbert
Pearson fundou-se a Comissão
Internacional para Proteção às
Aves.
Nova tentativa para reavivar a
Comissão Internacional de Prote-
ção à Natureza, foi feita por Paul
Sarasin (1923) no Congresso de
Paris. Com a morte dêsse emi-
nente naturalista suíço (1929),
coube ao Dr. P. G. van Tienhoven
assumir a liderança do movimento.
Fundador da Comissão Holandesa
de Proteção da Natureza (1925),
da Comissão Francesa para Prote-
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
çãc da Fauna Colonial (1925) e da
Comissão Belga para Proteção In-
ternacional da Natureza (1926),
conseguiu, em Londres (1927),
organizar uma Federação Inter-
nacional de Associações Protecio-
nistas com as três mencionadas
acima e mais a Inglêsa.
Um passo a mais para consoli-
dação dêsse movimento foi dado
durante a reunião da União Inter-
nacional de Ciências Biológicas,
Bruxelas (1928) , tendo sido criada
por propostas do naturalista polo-
nês Siedlecki, o “Office Interna-
tionale de la Nature”, e eleito o
Dr. P. G. van Tienhoven seu Pre-
sidente. Finalmente foi instalado,
em caráter definitivo o “Office
Internationale pour la Protection
de la Nature” em Bruxelas (1930),
sob a presidência do naturalista
J. M. Derscheid. Iniciando-se na
rue d’Egmont 9, transferiu-se
depois para rue Montoyer 21
(1932). Sua existência oficial e
legal surgiu em 1934, época em que
recebeu a aprovação de 7 governos
e publicou seus estatutos. Final-
mente, em 1935, a antiga organi-
zação foi substituída por outra, de
mesmo nome, sob a Presidência de
G. P. van Tienhoven. A segunda
Grande Guerra Mundial encarre-
gou-se de destruir todos os esforços
feitos por êsses pioneiros, ficando
os mesmos sem recursos e meios
de ação.
Coube à Suíça, mais uma vez,
retomar a ação, reunindo em Bâle
(1946), uma Conferência Interna-
cional para Proteção da Natureza,
na qual foi solicitada a restauração
da “Comission Consultive pour la
Protection Internationale de La
Nature”, estabelecida em Berna
(1913), com sede em Bâle.
Finalmente, as iniciativas de
Sarasin ) Tienhoven e outros, fo-
ram concretizadas definitivamente
com a criação, sob os auspícios da
UNESCO, em Fontainebleau (1948)
e participação de 33 nações, entre
as quais o Brasil, da União Inter-
nacional para Proteção da Natu-
reza (UIPN), hoje denominada
União Internacional para Conser-
vação da Natureza e Recursos
Naturais (IUCN). Ela representa
atualmente 20 Governos, mais de
300 organizações governamentais
de 60 países e numerosas institui-
ções privadas. É órgão consultivo
da UNESCO, FAO, ECOSOC, etc.
Sua sede, estabelecida em Bruxelas
(1948), foi transferida para Mor-
ges, Suíça (1961).
Graças à IUCN novas iniciativas
de vulto vieram tornar mais sólido
o trabalho mundial de Conserva-
ção. Uma delas foi a promoção de
Reuniões Técnicas para debater
pesquisas realizadas sôbre conser-
vação em todos os aspectos. Após
a Conferência Técnica Interna-
cional para a Proteção da Natureza
de Lake Success (1949), outras
tiveram prosseguimento, com ex-
celentes resultados, a saber: Bru-
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais)
xelas (1950), Haia (1951), Cara-
cas (1952), Salzburgo (1953), Co-
penhague ( 19 5 4) , Edimburgo
(1956), Atenas (1958), Varsóvia
(1960) e Nairobi (1963). A pró-
xima realizar-se-á dentro de mais
alguns dias em Lucerne, Suíça
(1966).
De grande valor foram também
as Reuniões Internacionais sôbre
Conservação da Natureza e Recur-
sos Naturais nos Modernos Estados
Africanos, em Arusha, Tanganika
(1961), e a Primeira Conferência
Mundial sôbre Parques Nacionais
em Seattle (1962).
No âmbito da iniciativa parti-
cular, surgiram também organiza-
ções que muito têm contribuído
para a Conservação da Natureza
de um modo geral. Citaremos aqui
o “World Wildlife Fund” (WWF),
iniciado em 1961, que se dedica
especialmente a recolher e distri-
buir fundos para a Conservação
da Natureza em todo o mundo. A
“Nature Conservancy” estabeleci-
da na Inglaterra (1949), a “Na-
ture Conservation”, iniciada em
1917 nos Estados Unidos por um
grupo de ecologistas, recebendo a
denominação atual em 1951, a
“The Izaak Walton League of
America” (1922), a “The American
Nature Study Society (1907), a
“The Conservation Foundation”
(1947), a “The National Audubon
Society” (1905), a “The Nature
Conservancy” (1952), a “Associa-
ção de Biologia Tropical” (1962) e
numerosas outras.
Nos últimos 66 anos, primeira
metade dêste século, numerosos
Congressos, Reuniões, Simpósios,
Assembléias, etc. foram promovi-
dos em todo o mundo visando a
alertar e educar os povos a pesqui-
sar, legislar, criar ou aperfeiçoar
Parques Nacionais e proteger espé-
cies raras ou ameaçadas de extin-
ção, dinamizando de uma forma
ou de outra a Conservação da Na-
tureza e dos Recursos Naturais no
mundo.
3.0 A CONSERVAÇÃO DA
NATUREZA E RECURSOS
NATURAIS NO BRASIL
E NA AMAZÔNIA
No período colonial e durante o
Império (1500-1889), a legislação
aplicada ao Brasil pela Côrte Por-
tuguêsa e pela Monarquia não teve
a preocupação da conservação, pois
as cartas régias, alvarás e atos
similares visavam a defender ape-
nas os interêsses econômicos do
Govêrno, como foi o caso do pau-
-brasil. Nenhuma referência, a não
ser a famosa Carta Régia de 13 de
março de 1797 ( . . . “sendo neces-
sário tomar todas as precauções
para a conservação das mattas no
Estado do Brazil, e evitar que ellas
se arruinem e destruam” . . . ) , se
destaca em defesa da fauna, das
águas e do solo, embora vozes
proeminentes como as de José Bo-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
nifácio de Andrada e Silva, Aze-
vedo Coutinho e outros já alertas-
sem os dirigentes no sentido da
necessidade de defender os recursos
naturais.
A proteção da cerâmica e dos
artefatos indígenas mereceu aten-
ção do Govêrno Imperial e das
autoridades da Província do Pará
(1883, 1888), estabelecendo legis-
lação especial através de avisos,
circulares e ofícios, fruto do traba-
lho comum de Ladislau Neto,
então Diretor do Museu Imperial
e Domingos S. Ferreira Pena, Di-
retor do Museu Paraense.
Durante a República, de 1889 a
1930, êste aspecto não foi cuidado
em razão das múltiplas tarefas de
implantação do regime, mesmo
porque c movimento internacional
em prol da conservação, data do
início dêste século, conforme já
vimos, através das várias iniciati-
vas que culminaram com a criação
do “Office Internationale pour la
Protection de la Nature” (1930).
Como exemplo de esforço isola-
do nesse terreno citaremos aqui a
Lei Municipal n.° 68, de 16 de
novembro de 1893, na cidade de
São Paulo, proibindo a caça em
terrenos alheios sem permissão do
dono, vedando a caça da perdiz e
de seus ovos entre 10 de setembro
e 10 de abril, bem como a venda
de pássaros no mercado, no perío
do de 10 de outubro a 10 de abril.
A primeira ação de caráter inter-
nacional que viria afetar de manei-
ra profunda a Conservação da
Natureza no Brasil foi o Convênio
das Egretes, celebrado em Paris
(1895). Graças a êste Convênio
foram salvas do extermínio milha
res de garças que povoavam os
rios e lagos da Amazônia. Segundo
parecer da Câmara do Estado do
Pará, com data de 27 de maio
dêsse ano, foi enviado ao Governa-
dor Lauro Sodré, representação do
Doutor Emilio Goeldi contra a
destruição das garças e guarás na
Ilha de Marajó. No mesmo ano os
Presidentes e Membros dos Conse-
lhos Municipais de Chaves, Ponta
das Pedras, Soure, Aguá, Cachoei-
ra, Miraná, e Monsarás, foram
notificados. Sabe-se que em 8 de
julho de 1895 pelo menos o Pre-
feito de Ponta das Pedras estabe-
leceu Postura nesse sentido.
Em 1902 estabeleceu-se nôvo
convênio, destinado à proteção das
aves úteis à agricultura, do qual o
Brasil é signatário. Novamente o
Estado do Pará (Decreto n.° 794,
de 9-VIII-1932) voltou a estabe-
lecer legislação sôbre a aquisição
e exportação de artigos de cerâ-
mica aborígenes de tribos extintas.
Todavia, coincidindo com a
consolidação legal do “Office In-
ternational pour la Protection de
la Nature” (1934), o Brasil inicia-
va uma série de medidas visando
à proteção da natureza, aureola-
das com a realização no Rio de
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais)
9
Janeiro, da I Conferência Brasi-
leira para Proteção da Natureza
(1934), promovida pela Sociedade
dos Amigos das Árvores, por ini-
ciativa de Alberto José de Sampaio
e Leôncio Corrêa.
Como fruto dêsse esforço cole-
tivo, surgiram, logo após, leis e
decretos procurando disciplinar
vários aspectos da Conservação da
Natureza no Brasil.
A primeira entidade governa-
mental que cuidou do assunto de
maneira significativa foi o Servi-
ço Florestal (1921), hoje transfor-
mado em Departamento de Recur-
sos Naturais Renováveis do Minis-
tério da Agricultura (1962). O
Conselho de Expedições Artísticas
e Científicas, criado em 1933, regu-
lamentado em 1934, teve seu Regi-
mento aprovado em 1941. Surgem,
então, o Código de Caça e Pesca
(1934), o Código de Minas (1934),
o Código de Águas (1934) e o Có-
digo Florestal (1934), o Serviço de
Defesa Sanitária Animal (1934), o
Serviço de Defesa Sanitária Vege-
tal (1934), a Inspetoria de Obras
Contra as Sêcas (1909), o Serviço
de Irrigação, Reflorestamento e
Colonização (1934), atualmente
transformado em Instituto Brasi-
leiro de Reforma Agrária (1964),
o Instituto Nacional de Desenvol-
vimento Agrário (1964), a Comis-
são para o Desenvolvimento da
Pesca, CODEPE (1961), atual-
mente transformada em Superin-
tendência para o Desenvolvimento
da Pesca, SUDEPE (1962), e o
Estatuto da Terra (1964).
Tôdas essas organizações estão
diretamente relacionadas com a
Conservação da Natureza e Recur-
sos Naturais no Brasil, no âmbito
federal ou nacional. Um esforço
coletivo e coordenado entre as
mesmas para uma meta comum
seria altamente desejável.
Papel relevante no movimento
brasileiro para a conservação
coube também a determinadas
pessoas e organizações privadas. A
Companhia Paulista de Estradas
de Ferro sob a orientação de Ed-
mundo Navarro de Andrade reali-
zou grandes plantios florestais a
partir de 1903, possuindo atual-
mente 18 fazendas para êsse fim,
com área aproximada de 465.000
ha, no Estado de São Paulo. A Coe-
lho Neto e Augusto de Lima muito
devemos pela criação do Serviço
Florestal; a Leôncio Corrêa e Pedro
Bruno, pela defesa da natureza na
Ilha de Paquetá; a Euclydes da
Cunha, Affonso Arinos, Roquette
Pinto, Alberto Torres, Gustavo
Barroso e Alberto José de Sampaio
pelos livros ou escritos em defesa
da natureza do Brasil. Não pode-
mos deixar de lembrar o refloresta-
mento da Tijuca pelo Major Archer
e a festa das andorinhas em Cam-
pinas iniciada por Cesar Bierren-
bach.
Das sociedades privadas que
tiveram ou ainda têm atuação
destacada na Conservação da Na-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tureza no Brasil, citaremos a So-
ciedade dos Amigos das Árvores
(1931), patrocinadora da I Confe-
rência Brasileira para Proteção da
Natureza (1934), a Sociedade para
Defesa da Flora e Fauna do Estado
de São Paulo, a Sociedade dos
Amigos de Alberto Torres (1927),
a Fundação Brasileira para Con-
servação da Natureza (1958), ora
em fase de reativação.
O Brasil possui aproximadamen-
te 42% (cêrca de 3.500.000 km 2 )
de sua superfície coberta de matas,
em sua maioria na Região Norte.
Alguns Estados, como Minas Ge-
rais e São Paulo, possuem menos
de 10% de sua área em florestas,
e o Nordeste, devido às sêcas perió-
dicas, é reconhecidamente pobre
em cobertura florestal. É sabido
que a fauna, de um modo geral,
acha-se estreitamente relacionada
em qualidade (número de espécies)
e quantidade (número de indiví-
duos), com as áreas florestais vir-
gens ou ainda não devastadas.
Atualmente, a conservação
dêsse patrimônio, os Recursos Na-
turais Renováveis do Brasil, está
a cargo do Departamento de Re-
cursos Naturais Renováveis do Mi-
nistério da Agricultura. A êle
compete fazer cumprir a legislaçãr
existente e administrar os Parques
‘ Nacionais, Florestas Nacionais e
Reservas Florestais. O Serviço de
Defesa e Fauna administra 17
Parques Nacionais com aproxima-
damente 2.788.000 ha e 27 reser-
vas biológicas com 1.900.000 ha. A
Divisão de Silvicultura cuida das
florestas, reflorestamento, indús-
trias de madeiras. A ela compete
cuidar das Florestas Nacionais em
número de 3 com cêrca de 500.000
hectares e das Reservas Florestais
em número e área muito maiores.
Papel relevante exercem, além
do Conselho Florestal Federal, os
Conselhos Florestais Estaduais e
Municipais. Em São Paulo já se
acham criados 174 Conselhos Mu-
nicipais. O seu Serviço Florestal,
iniciado em 1896, cuida da Biologia
Florestal, Defesa, Introdução de
Espécies, Parques, Jardins e Arbo-
rização, Patologia e Museu Flores-
tal. Atualmente existem 31 Flores-
tas Estaduais, 4 Parques Florestais,
4 Reservas Florestais e 2 Viveiros.
Outro órgão atuante é o Ins-
tituto do Pinho*, com 10 Parques
Florestais, abrangendo uma área
de 18.000 ha.
Na esfera estritamente privada,
certas companhias madeireiras, de
celulose, compensados ou interes-
sadas em combustível, começam a
cuidar do reflorestamento e explo-
ração racional de suas reservas,
tais como as firmas Klabin, Ace-
sita, Companhia Melhoramentos
de São Paulo, Cahampion Celulose
S. A., Duratex, Eucatex e Compa-
nhia Siderúrgica Belgo-Mineira.
* Anexado ao Instituto Brasileiro
de Desenvolvimento Florestal pelo De-
creto-Lei n.° 289 de 28-11-1967.
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 11
A atuação do Brasil na conserva-
ção é de grande importância para
a América Latina, já que a flora e
a fauna neotrópicas têm em seu
território elevado número de espe-
cies endêmicas. Com área equiva-
lente a 20 milhões de km 2 , 16%
da superfície total da Terra a
América Latina possui, ainda,
apenas 7% da população mundial.
Nos últimos anos, todavia, a sua
taxa de crescimento demográfico,
da ordem de 2,7% ao ano, ultra-
passa a das demais regiões do glo-
bo. Dentro de 35 anos a população
triplicará, devendo atingir no fim
do século, 600 milhões de habitan-
tes. Outros pontos que trazem
sérias implicações à conservação é
que a renda per capita, com raras
exceções, é de nível inferior a 400
dólares, a taxa de analfabetismo
é da ordem de 40% e a população
rural, por vêzes, atinge a cêrca de
60%.
Na Amazônia brasileira, de um
modo geral, a Conservação da Na-
tureza ainda continua na fase de
gestação, exceto medidas isoladas,
a exemplo da proibição de viração
de tartarugas, no Rio Branco, pelo
Governador do Rio Negro, Joaquim
Tinoco Valente, em 19 de setembro
de 1769. Depois de 1930 foram
instalados Serviços Oficiais ou
Postos de Defesa da Caça e Pesca
em Belém e Manaus. A atuação
dêstes serviços restringiu-se quase
exclusivamente à fiscalização nas
capitais e ao fornecimento de guias
de exportação de animais silvestres.
Com a recente ratificação pelo
Brasil da convenção para a Prote-
ção da Flora, da Fauna e das Be-
lezas Cênicas Naturais dos Países
da América, nôvo e importante
passo foi dado para a conservação
da natureza, sobretudo na Ama-
zônia.
Esta Convenção foi aprovada em
12 de outubro de 1940, com a par-
ticipação de 12 governos (Bolívia,
Cuba, El Salvador, Nicarágua,
Peru, República Dominicana, Es-
tados Unidos da América do Norte,
Venezuela e Equador). Entrou em
vigor em maio de 1942. Foi apro-
vada pelo Brasil em 1948 (Decreto
Legislativo n.° 3, Senado Federal)
e a ratificação depositada na OEA
em 26 de agosto de 1965.
Nela estão definidos: Parques
Nacionais, Reservas Nacionais,
Monumentos Naturais e Reservas
de Regiões Virgens. Refere-se à
proteção de aves migratórias e de
espécies ameaçadas de extinção
bem como à importação, exporta-
ção e trânsito de espécies protegi-
das, da fauna e flora. Em anexo
apresenta uma “Relação dos ani-
mais que merecem proteção par-
cial ou total e que devem figurar
na Convenção para Proteção da
Flora, da Fauna e das Belezas
Cênicas Naturais dos Países da
América”.
Entre os animais amazônicos
mencionados na categoria de pro-
teção total encontram-se: Hapalí-
12
Atas áo Simpósio sôbre a Biota Amazônica
deos ou micos em geral, coatás do
gênero Ateies, cão de orelhas cur-
tas (Atelocynus microtis), lontra,
ariranha, anta, veado bororó ou
roxo (Mazama rufina), taman-
duás, preguiças e tatus. Para o
peixe-boi pede-se uma proteção de
dez anos. Das aves menciona-se a
garça-real, garça branca grande,
garça branca pequena, socó ver-
melho, tuiuiú, cauauan, guará,
colhereiro, flamingo, anhuma, uru-
bu-rei, gavião tesoura, gavião ca-
ramujeiro, jacamins, ipequi, pa-
vãozinho do Pará, jaçanãs, chara-
driídeos, escolopacídeos, cuculi-
formes, araras, caprimulgiformes,
trogoniformes, momotídeos, gal-
bulídeos, ranfastídeos, passerifor-
mes. Entre os répteis pediu-se pro-
teção total para a mussurana,
proteção de 10 anos para o Jacu-
ruxi e de 5 anos para a tartaruga
e o tracajá. Todos os períodos de
salvaguarda mencionados acham-
-se atualmente caducos.
Mais recentemente, durante a
II Reunião da Comissão Latino
Americana de Parques Nacionais
(Ann Arbor, Michigan, maio 1965) ,
houve preocupação com o comér-
cio progressivo de animais vivos da
fauna autóctone da região Amazô-
nica, surgindo uma recomendação
para que medidas legislativas fôs-
"sem propostas para proteger “tão
ricas como variadas espécies de
vida silvestre” (sic).
As medidas postas em prática,
presentemente, pelo Govêmo bra-
sileiro, com referência à Conserva-
ção da Natureza e Recursos Natu-
rais, especialmente àquelas ligadas
diretamente à região amazônica,
serão mencionadas no item refe-
rente à legislação e cumprimento
da lei.
3.1 ENSINO E EDUCAÇÃO
POPULAR
A Conservação inicia-se com a
educação e torna-se impossível
sem ela (Udall, 1962).
A meta de um movimento na-
cional ou internacional para Con-
servação e uso inteligente dos Re-
cursos Naturais só poderá ser
alcançada dando-se o máximo
desenvolvimento à educação con-
servacionista, em todos os níveis,
treinamento adequado de especia-
listas nesse campo e divulgação
das idéias conservacionistas entre
o maior número possível de pes-
soas da população (Shaposnikov,
1962).
Considerando que no ano 2000 a
população da Terra chegará à casa
dos 6 bilhões de habitantes, dos
quais 600 milhões serão latino-
-americanos, com a população do-
brando cada 35 anos, bem podemos
avaliar o importantíssimo papel
que caberá à educação nesse pro-
blema de interêsse tão vital para
a humanidade. Outro fator que se
está tornando relevante no mundo
moderno, do ponto de vista da
necessidade de educação das mas-
sas é o turismo. É preciso que se
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 13
procure atenuar os seus efeitos
prejudiciais, alertando as cons-
ciências para os problemas da con-
servação da natureza e dos recur-
sos naturais renováveis.
Na América do Sul, sobretudo
no Brasil, para que a Conservação
seja realmente efetiva, em prazo
de tempo não muito longo, a edu-
cação para a conservação terá que
ser cuidada não apenas pelas en-
tidades governamentais federais,
estaduais e municipais, mas tam-
bém pelas associações civis, cultu-
rais, científicas, esportivas e de
outras modalidades, serviços de
extensão ou fomento, pela igreja,
no lar e, especialmente, na escola.
Esta última, como elemento básico
e primordial da sociedade, para
preservação e melhoramento de
nossa herança social, deverá to-
mar a si a maior parcela de traba-
lho com essa finalidade.
A educação para a conservação
nas escolas deverá abranger os
níveis elementar, secundário, nor-
mal e superior, com etapa de pós-
-graduação.
A nosso ver, sendo a escola pri-
mária a fonte na qual se abaste-
cem tôdas as modalidades ulterio-
res de ensino, conduzindo aos mais
variados tipos de formação profes-
sional, e considerando que, sobre-
tudo no Brasil, ela constitui o fim
da vida escolar para um grande
número de pessoas, é de vital im-
portância que nela se administre
o ensino da conservação da natu-
reza e o uso racional dos recursos
naturais.
De um modo geral a criança é
curiosa pelas coisas da natureza e
a educação para conservação deve
iniciar-se logo que ela comece a
observar. Freqüentemente, milha-
res de pessoas são conduzidas da
escola primária à universidade,
escrevendo, lendo ou fazendo con-
tas, sem receber nenhum ensina-
mento racional sôbre o tema cen-
tral de sua existência — a nature-
za e os elementos que nos man-
têm: ar, água, solo, plantas e
animais.
No estudo da conservação deve-
rão ser encaradas tôdas as coisas
da natureza que afetam ou são
afetadas pelas atividades huma-
nas. Pelo fato do uso racional ou
irracional dos recursos naturais
afetar tôdas as atividades huma-
nas, o ensino da conservação da
natureza e dos recursos naturais
deverá ser extensivo a todos os
setores do sistema educativo: so-
cial, arte, música, línguas, mate-
mática, ciência, agricultura, co-
mércio, carreiras militares, etc.
As escolas em ambiente rural,
naturalmente, as instituições mais
adequadas para estudos da Con-
servação, não apenas através de
trabalho direto, como também pela
sua integração com outros como
alimentação, vestuário, mobiliário
etc. As escolas em ambiente urba-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
no, com estudantes, em regra
geral, vivendo longe da natureza
e que, certamente, não irão viver
no campo, deverão cuidar sobre-
tudo dos aspectos referentes à
alimentação, saúde e interdepen-
dência entre a cidade e o campo.
Nas escolas normais e nas se-
cundárias, a conservação deverá
ser integrada à geografia, história,
biologia, línguas, etc. Os futuros
professores primários e secundá-
rios deverão ter pelo menos uma
unidade ou curso ministrado sôbre
Conservação da Natureza e Recur-
sos Naturais. No México há curso
obrigatório de conservação para
professores secundários, em ciên-
cias biológicas, física, química e
geografia (Belteán, 1949). Um
modêlo de currículos para cursos
superiores nos é apresentado por
Shaposhnikov (1962).
No Brasil e na Amazônia, pode-
-se dizer que o nível primário e
secundário possuem currículos
muito reduzidos em ciências natu-
rais, sendo o ensino bastante defi-
ciente. O ensino sôbre conservação
propriamente dito é pràticamente
nulo. Embora já se comece a cui-
dar do ensino de Conservação em
nível superior no Brasil (Escolas
Nacionais de Florestas, Escolas de
Agronomia, Faculdades de Filoso-
fia), na Amazônia nenhuma esco-
la ou universidade possui cadeira
ou cursos destinados ao assunto.
Seria altamente desejável que
as Diretorias de Ensino Esta-
duais e Municipais fôssem alerta-
das sôbre a necessidade de se in-
troduzirem, nos programas, conhe-
cimentos práticos relacionados
com a Conservação da Natureza,
em nível primário e médio.
A educação popular em larga
escala deverá ser estimulada, mos-
trando as interrelações entre o ho-
mem, a terra, os animais e os ve-
getais. O povo deve ser informado
de como proteger o que é útil e da
importância da Conservação da
Natureza e uso racional dos recur-
sos naturais, não apenas para si
próprio como também, para as
futuras gerações.
3.2 PESQUISA CIENTÍFICA
A pesquisa científica é indispen-
sável para o êxito dos programas
de Conservação. A administração
de áreas naturais virgens, áreas
em sucessão faunística ou florís-
tica, legislação e, sobretudo, pro-
teção de espécies raras ou ameaça-
das de extinção, têm como alicerce
a pesquisa científica, sobretudo no
campo da Ecologia.
No Brasil e na Amazônia neces-
sita-se da formação de pessoal
especializado em conservação, em
diversos níveis. Pesquisas ecológi-
cas sôbre a produtividade do eco-
sistema, seu equilíbrio em condi-
ções naturais, mudanças causadas
pela ação do homem e da tecnolo-
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 15
gia moderna, patologia de espécies
silvestres, cadeias alimentares, só
poderão ser realizadas com êxito
mediante trabalho cooperativo de
técnicos de diversos níveis.
Na proteção de espécies raras ou
ameaçadas de extinção o conheci-
mento completo do ciclo reprodu-
tivo e alimentar torna-se indispen-
sável e básico.
Em sua maioria, as espécies
animais ou vegetais da Amazônia
são conhecidas apenas sob o ponto
de vista taxonômico. Os ciclos re-
produtivos e alimentares do peixe-
-boi, do pirarucu, das tartarugas,
dos jacarés, apenas para meneio*
nar algumas espécies largamente
utilizadas pelo homem, são pràti-
camente desconhecidos.
A introdução de espécies exóti-
cas em região tão extensa e uni-
forme, sem cuidadosa pesquisa
prévia, poderá trazer sérias conse-
qüências para a flora e fauna re-
gional.
Atualmente, a pesquisa na área
amazônica brasileira é feita atra-
vés de instituições federais, como
Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia (Manaus), o Museu
Paraense “Emilio Goeldi” (Belém),
o Instituto de Pesquisa e Experi-
mentação Agropecuárias do Nor-
te (Belém) e o Instituto Evandro
Chagas (Belém). Não existem, to-
davia, em nenhuma dessas insti-
tuições, departamentos ou setores
especializados em Conservação da
Natureza ou com a função de co-
ordenar pesquisas para êsse fim.
Os trabalhos esporádicos que têm
aparecido são, ou foram, realiza-
dos por pessoas ou instituições do
Brasil ou do Exterior, sem plano
prévio.
3 . 3 PARQUES NACIONAIS
E RESERVAS
EQUIVALENTES
Os Parques Nacionais são áreas
destinadas à proteção e preserva-
ção de belezas naturais, flora e
fauna de significação nacional,
objetos de valor estético, geológico,
pré-histórico, histórico, arqueoló-
gico ou científico, colocados sob o
domínio público, para benefício e
prazer do povo. Nêles serão criadas
facilidades para recreação e edu-
cação popular; seus recursos na-
turais não poderão ser explorados
para fins comerciais; a área não
poderá ser alterada, salvo median-
te lei. A caça, a captura de ani-
mais, a destruição ou coleta de
plantas são proibidas, exceto sob
direção das autoridades adminis-
trativas ou devidamente autoriza-
das, para fins científicos (Defini-
ção adotada na Conferência Inter-
nacional para Proteção da Flora e
da Fauna da África, Londres
(1933) e na Conservação para
Proteção da Flora, da Fauna e das
Belezas Cênicas Naturais dos Paí-
ses da América, Washington D.C.
(1942)
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Segundo os princípios atuais de
conservação, nos Parques Nacio-
nais devem ser evitados monopó-
lios (hotéis, restaurantes, etc.)
que venham a tornar impossível
o acesso aos pobres. Nêles não de-
vem ser permitidas residências
permanentes, animais domésticos,
plantas introduzidas. A sua admi-
nistração e demais facilidades de-
verão, tanto quanto possível, ser pe-
riféricas. Para os já estabelecidos, a
solução ideal é a zonação em áreas
de descanso e recreação, hotéis,
restaurantes etc.; áreas abertas à
visitação geral, porém sem estradas
de automóveis e as comodidades
citadas na anterior; áreas restritas,
exclusivamente, para estudo e pes-
quisa, com visitação permitida a
indivíduos ou grupos mediante
autorização prévia. O tamanho
adequado é fundamental para um
Parque Nacional; os pequenos par-
ques só servem para recreação
popular.
Com o aumento intenso da tec-
nologia e da população, que dobra-
rá cada 35 anos, os Parques Na-
cionais e Reservas Equivalentes
serão, dentro de pouco tempo, as
únicas áreas naturais preservadas
no mundo. Êles constituem o
melhor meio de expressar a dou-
trina conservacionista. Mostrarão,
no futuro, o ambiente em que vive-
ram as gerações passadas e perpe-
tuarão os valores naturais e histó-
ricos da terra. Êles simbolizam a
democracia, pois são criados pelo
povo e para uso do povo.
Relacionamos a seguir os Par-
ques Nacionais brasileiros, com sua
localização por Estados, área e
decreto de criação.
1. ITATIAIA — Estados do Rio
de Janeiro e Minas Gerais —
12.000 ha. — Decreto-lei
n.o 1.713, de 14-VI-1937. D.O.
18- VI: 13.141.
2. IGUAÇU — Estado do Para-
ná — 205.000 ha. — Decreto-
-lei n.° 1.035, de 10-1-1939.
D.O. 11-1: 267.
3 . SERRA DOS ÓRGÃOS — Es-
tado do Rio de Janeiro —
10.000 ha. — Decreto-lei n.°
1.822, de 20-XI-1939. D.O.
2-XII: 27.736.
4. PAULO AFONSO — Estados
da Bahia, Alagoas e Pernam-
buco — 16.000 ha. — Decreto
n.° 25.865, de 24-XI-1948.
D.O. 26-XI: 16.887-8.
5. UBAJARA — Estado do Cea-
rá — 4.000 ha. — Decreto
n.° 45.954, de 30-IV-1959.
D.O. 17-XII: 26.273.
6. APARADOS DA SERRA —
Estado do Rio Grande do Sul
— 13.000 ha. — Decreto
n.o 47.466, de 17-XII-1959.
D.O. 17-XII: 26.273.
7. ARAGUAIA — Estado de
Goiás — 20.000 ha. — Decre-
to n.o 47.570, de 31-XII-1959.
D.O. 6-1: 190.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 17
8 . EMAS — Estado de Goiás —
88.000 ha. — Decreto n.°
49.874, de 11-1-61. D.O. 12-1:
345-6.
9. TOCANTINS — Estado de
Goiás — 200.000 ha. — De-
creto n.° 49.875, de 11-1-1961.
D.O. 12-1: 346.
10. XINGU — Estado de Mato
Grosso — 2.000.000 ha. —
Decreto n.° 50.455, de 14-IV-
-1961. D.O. 14-IV : 3.492.
1 1 . CAPARAÓ — Estados de Mi-
nas Gerais e Espírito Santo
— 10.000 ha. — Decreto n.°
50 646, de 24-V-1961. D.O.
24-V: 4.725.
12 . SETE CIDADES — Estado do
Piauí — 6.000 ha. — Decreto
n.° 50.744, de 8-VI-1961. D.O.
8-VI: 5.188.
13 . SETE QUEDAS — Estados de
Mato Grosso e Paraná —
10.000 ha. — Decreto n.°
50.565, de 30-V-1961. D.O
30-V: 4.884.
14 . SÃO JOAQUIM — Estado de
Santa Catarina — 45.000 ha.
— Decreto n.° 50.922, de
6-VII-1961. D.O. 6-7: 6.132.
15. RIO DE JANEIRO — Estado
da Guanabara — 12.000 ha.
— Decreto n.° 50.923, de
6-VII-1961. D.O. 6-7: 6.132.
16. BRASÍLIA — Distrito Fe-
deral — 30.000 ha. — Decreto
n.o 241, de 29-XI-1961. D.O.
30-XI: 10.552.
17 . MONTE PASCOAL — Estado
da Bahia — 22.500 ha. — De-
creto n.o 242, de 29-XI-1961.
D.O. 30-XI: 10.552-3.
Na Amazônia brasileira propria-
mente dita (Hiléia) , até o presente,
não foi criado nenhum Parque
Nacional. O Parque Xingu, regula-
mentado pelo Decreto n.° 51.084,
de 31-VII-1961, D.O. 1-viii: 6.969,
é diretamente subordinado à Pre-
sidência da República e adminis-
trado em convênio com a Funda-
ção Brasil Central e o Serviço
Nacional de Proteção aos índios.
Possui numerosas tribos indígenas
e áreas de flora e fauna amazô-
nicas.
A amazônia brasileira conta,
também, com uma Floresta Nacio-
nal, a de Caxiuaná, Estado do Pará
(Decreto n.° 239, de 23-XI-1961,
D.O. 30-xi: 10.552), num total de
200.000 ha.
No ano de 1961, foram criadas
para a região 9 Reservas Florestais,
cuja denominação, área e decreto
de fundação acham-se relaciona-
dos a seguir:
1 . JARU — Território Federal
de Rondônia — 1.085.000 ha.
— Decreto n.° 51.024, de
25-VII-1961. D.O. 25-7: 6.716.
2 . PEDRAS NEGRAS — Territó-
rio Federal de Rondônia —
1.761.000 ha. — Decreto n.°
51.025, de 25-VII-1961. D.O.
25.7: 6.717.
2 — 37.153
18
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
3. GURUPI — Estado do Mara-
nhão — 1.674.000 ha. — De-
creto n.° 51.026, de 25-VII-61.
D.O. 25-7: 6.717.
4. JURUENA — Estado de Mato
Grosso — 1.808.000 ha. Decre-
to n.o 51.027, de 25-VII-1961.
D.O. 25-7: 6.717.
5. RIO NEGRO — Estado do
Amazonas — 3.790.000 ha. —
Decreto n.o 51.028, de 25-VII-
-1961. D.O. 25-VII: 6.717-8.
6 . GOROTIRE — Estado do Pará
— 1.843.000 ha. Decreto n.°
51.029, de 25-VII-1961. D.O.
25-VII: 6.718.
7. MUNDURUCAINA — Estado
do Pará — 1.377.000 ha. —
Decreto n.o 51.030, de 2 5- VII-
-1961. D.O. 25-VII: 6.718.
8. PARIMA — Território do Ro-
raima — 1.756.000 ha. — De-
creto n.o 51.043, de 25-VII-61.
D.O. 25-VII: 6.719.
Duas Reservas para estudos
científicos podem também ser
mencionadas :
1. RESERVA DUCKE: Criada
pelo Instituto Nacional de Pes-
quisas da Amazônia, próxima a
Manaus (Lei n.° 41, de 28 de no-
vembro de 1962), com um períme-
tro de 40.000 m e área de 100 Km 2 ,
e motivo de um trabalho especial
mo presente Simpósio.
2 . ÁREAS DE PESQUISAS
ECOLÓGICAS DO GUAMÁ: Criada
pelo Instituto de Pesquisa e Expe-
rimentação Agropecuárias do Nor-
te, mediante Portaria n.° 23, de 17
de janeiro de 1966; destina-se a
estudos ecológicos de uma maneira
geral, já iniciados em forma de
Convênio com outras instituições
Um estudo com base científica
para o estabelecimento de Parques
Nacionais, Reservas Florísticas e
Faunísticas e outras equivalentes
na região amazônica, ainda não foi
realizado. Seria oportuno que não
apenas o Govêrno Federal, como,
também, os Governos Estaduais e
dos Territórios, iniciassem traba-
lho nesse sentido.
3.4 LEGISLAÇÃO E
CUMPRIMENTO
DA LEI
Pràticamente, a legislação bási-
ca relacionada com a Conservação
da Natureza e Recursos Naturais,
no Brasil, iniciou-se depois de 1930.
O ano de 1934 marca, realmente,
o maior surto de leis nesse sentido,
em sua maioria já revistas e atua-
lizadas em sucessivas etapas.
Com exceção do Serviço Flores-
tal, iniciado em 1921, também as
demais organizações federais ou
estaduais, que atuam diretamente
no campo da Conservação da Na-
tureza e Recursos Naturais, surgi-
ram depois de 1930.
Mencionaremos a seguir as prin-
cipais organizações de âmbito fe-
deral, incluindo leis, decretos-leis,
decretos, portarias e outros atos
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 19
legais, relacionados com a Conser-
vação da Natureza no Brasil e na
Amazônia.
Departamento de Recursos
Naturais Renováveis *
É o principal órgão governa-
mental diretamente ligado aos re-
cursos naturais, iniciado com a
criação do Serviço Florestal do
Brasil (Decreto n.° 4.421, de
28- XII-1921, D.O. 12-1-1922: 737);
foi regulamentado quatro anos de-
pois (Decreto n.° 17.042, de
16-IX-1925, D.O. 15-X: 19.535).
Passou por sucessivas reformas até
a fase atual. Pertence à Diretoria
Geral da Agricultura (Decreto n.°
22.338, de 11-1-1933, D.O. 13-1:
785) ; reorganizado em 1938 (De-
creto-lei n.o 982, de 23-XII, D.O.
29- XII: 26.685), recebeu a incum-
bência de proteção e guarda das
florestas da União, até então sob
a guarda do Ministério da Educa-
ção e Saúde (Decreto-lei n.° 3.889,
de 5-XII-1941. D.O. 8-XII: 22.828),
sendo novamente reestruturado
(Decreto-lei n.° 6.912, de 29-XI-44,
D.O. 2-X: 17.001), até atingir sua
presente organização (Lei delega-
da n.o 9, de 11-11-1962, D.O. 12-X:
10 . 686 ).
Ao Departamento de Recursos
Naturais Renováveis compete con-
servar e explorar os recursos flo-
* As atribuições dêsse Departamen-
to são exercidas atualmente pelo Insti-
tuto Brasileiro de Desenvolvimento
Florestal (Decreto-Lei n.° 289 de
28-11-1967).
restais e da fauna. Como já men-
cionamos, compreende uma Divi-
são de Silvicultura, o Serviço de
Defesa da Flora e da Fauna e o
Jardim Botânico (Rio de Janeiro).
A sua atuação na Amazônia faz-
-se sentir, especialmente, através
do Código de Caça (Decreto-lei
n.o 5.894, de 20-X-1943, D.O. 23-X:
15.745) e do Código Florestal (Lei
n.o 4.771, de IX-1965, D.O. 16-IX:
9.529, retificado D.O. 28-IX: 9.914).
Êste último, além de várias ino-
vações na legislação florestal, pos-
sui artigos que dizem respeito, de
maneira mais direta, à Amazônia,
como o artigo 2.°; que considera
de preservação permanente as flo-
restas e demais formas de vegeta-
ção natural ao longo dos rios, lagos
e reservatório d’água; o artigo 15
proibe a exploração, sob forma em-
pírica das florestas primitivas da
bacia amazônica, e o artigo 44 de-
clara que, enquanto não fôr regu-
lamentada a exploração empírica
das matas amazônicas, a explora-
ção a curto prazo só é permissível
desde que permaneça com cober-
tura arbórea de, pelo menos, 50%
da área de cada propriedade .
O Código de Caça, ora em vigor,
não exclui a legislação estadual
supletiva prevista na Constituição.
O seu cumprimento na Amazônia
é feito de maneira precária. Mesmo
assim já modificou alguns aspec-
tos regionais, como a proibição do
comércio ambulante de animais
silvestres. Em 1965 foi estabelecido
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Atas do Simpósio sôibre a Biota Amazônica
o período de defesa ou proibição
da caça entre l.° de maio e 31 de
agosto em todo o Território Nacio-
nal, determinando-se especialmen-
te para o mussuan, o período entre
l.° de maio e 31 de julho. Declara
que só poderão ser colhidos, captu-
rados ou abatidos, mediante licen-
ça especial, as seguintes espécies
amazônicas: tatu canastra, anta,
pacarana, peixe-boi, tamanduá,
preguiças, lontra, ariranha, vea-
dos, araras, colhereiros, galo-da-
-serra, garças, pavão do Pará,
tucanos, urubu-rei, harpis, jaburu
moleque, jacuruxi, jacarerana, ja-
curaru, tartaruga e tracajá, bem
como a apanha dos ovos.
Cogita-se de substitui-lo por
uma Lei de Proteção à Fauna*, já
em estudo pelo Congresso Nacio-
nal. Nela será abolida a caça pro-
fissional: a fauna é declarada bem
de interêsse comum a todos os
habitantes do País e são previstos
meios para facilitar o cumpri-
mento da lei.
Espera-se que o Departamento
de Recursos Naturais Renováveis
cuide, no que couber, da aplicação,
em todo o território brasileiro, das
normas e obrigações impostas pela
Convenção para Proteção da Amé-
rica, ratificada pelo Brasil em
1965. Como já foi mencionado,
nela encontram-se citados vários
* Lei n.° 5.197 de 3-1-1967, atual-
mente em vigor.
** Extinto pelo Decreto-Lei N.° 289
de 28-11-1967 que criou o Instituto Bra-
sileiro do Desenvolvimento Florestal.
animais da Amazônia, necessitan-
do de proteção total.
Conselho Florestal Federal **
Criado há 32 anos (Decreto n.°
23.793, de 23-1-1934, D.O. 9-II:
2.882) tem como objetivo principal
estabelecer a política florestal do
País, agir perante as autoridades
florestais, reclamando contra defi-
ciências ou reclamos de interêsse
público, e promover a coordenação
dos órgãos florestais. Recentemen-
te agiu de maneira decisiva na
elaboração do nôvo Código Flores-
tal, incluindo artigos especiais re-
ferentes à região amazônica.
Superintendência do Desenvolvi-
mento da Pesca
(Lei delegada n.° 10, de ll-X-1962,
D.O. 12-X: 10.690)
Autarquia federal destinada a
elaborar o Plano de Desenvolvi-
mento da Pesca e promover sua
execução, realizar estudos que
visem à elaboração e atualização
das leis de pesca, prestar assistên-
cia técnica e financeira aos empre-
endimentos de pesca, coordenar
programas e superintender, de mo-
do geral, os problemas ligados à
pesca no Brasil e aplicar, no que
couber, o Código de Pesca (Decre-
to-lei n.° 749, de 19-X-1938, D.O.
21-X: 21.172).*
Essa Superintendência substitui
o setor de pesca da antiga Divisão
* Decreto-Lei n.° 221 de 28-11-1967,
atualmente em vigor.
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 21
de Caça e Pesca do Departamento
Nacional da Produção Animal do
Ministério da Agricultura e, de
certa forma, o Conselho para De-
senvolvimento da Pesca (Decreto
n.° 20, de 9-X-1961, D.O. 13-X:
9.091), extinto recentemente.
A sua atuação na Amazônia tem
sido pequena devido aos múltiplos
encargos com a pesca marítima, de
importância econômica muito
maior, e também pela grande ex-
tensão de nossa costa. Torna-se
necessário o estabelecimento de um
Departamento ou Divisão de pesca
interior que venha a cuidar do as-
sunto com maior ênfase em algu-
mas áreas do Brasil e da Ama-
zônia.
Conselho de Expedições Artísticas
e Científicas
Criado com a finalidade de disci-
plinar as Expedições Artísticas e
Científicas nacionais, de iniciativa
particular e estrangeira, oficiais
ou não. A êsse Conselho cabe, tam-
bém, decidir sôbre a exportação de
material científico, artístico ou
histórico.
Iniciado em 1933 (Decreto n.°
23.311, de 31-X. D.O. 16-XII-1933:
23.511), foi regulamentado em 1941
(Decreto n.o 6.734, de 23-1, D.O.
23-1: 1.232), sendo o regimento
aprovado logo a seguir (Decreto
n.o 6.735, de 23-1, D.O. 23-1: 1.233).
Com pequena atuação na região
amazônica, não só devido à distân-
cia, como também pela reduzida
capacidade operacional, êsse Con-
selho é muito pouco conhecido pelo
público em geral e pelas autori-
dades fiscais federais e estaduais.
A delegação de poderes a institui-
ções federais, na região, seria o
meio de ativar sua ação que, fre-
qüentemente, se faz necessária.
Conselho Nacional de Proteção
aos índios
Destina-se a fomentar o interêsse
da nacionalidade pela solução do
problema indígena, visando à pre-
servação da vida, da propriedade e
da liberdade do aborígene, e dar
ao Serviço de Proteção aos índios,
sempre que necessário, inteira co-
operação na realização de sua
finalidade.
Criado em 1939 (Decreto-lei n.°
1.794, de 22-XI, D.O. 24-XI-39:
27.203-04) teve seu regimento apro-
vado em 1943 (Decreto n.° 12.317,
de 27-IV, D.O. 29-IV-43: 6.564-5).
Serviço Nacional de Proteção
aos índios
Destinado a prestar ao índio
proteção e assistência, amparando-
-lhe a vida, a liberdade e a pro-
priedade, defendendo-o do exter-
mínio, resguardando-o da opressão
e da espoliação, bem como abri-
gando-o da miséria, educando-o e
instruindo-o, quer viva em aldeia,
tribo ou com civilizados.
Criado em 1910 (Decreto n.°
8.072, de 20-VI, Leis do Brasil,
1910) teve seu regimento aprovado
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
em 1942 (Decreto n.° 1.065, de
16-X, D. O. 20-X-42 : 15.604). Foi
subordinado ao Ministério da Agri-
cultura em 1939 (Decreto-lei n.°
1.736, de 3-XI, D.O. 6-XI-39:
26.051).
Quatro Inspetorias Regionais
encontram-se na área amazônica:
Manaus (Amazonas, Acre, Rorai-
ma); Belém (Amapá, Pará, Mara-
nhão) ; São Luiz (Maranhão) ;
Pôr to Velho (Rondônia).
O Serviço poderá prestar rele-
vante ajuda à causa da conserva-
ção, sobretudo através da educação
das populações indígenas, freqüen-
temente levadas à depredação da
natureza pela promessa de lucros
fáceis feita por comerciantes ines-
crupulosos — procura de peles de
animais silvestres, captura de ani-
mais vivos para cativeiro. Certas
espécies, como o famoso galo-da-
-serra ( Rupicola rupicola Linna-
eus), ararajuba { Guarouba gua-
rouba Gmelin) 3 o mico-leão
( Cebuella pygniaea Spix, 1823)
são fornecidos ao mercado de ani-
mais vivos exclusivamente através
de tribos indígenas. Os chefes de
Postos Indígenas devem receber
instruções especializadas, embora
mesmo elementares, de como pro-
ceder, face ao problema nacional
de Conservação da Natureza.
- Diretoria do Serviço do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional
Iniciada como uma Inspetoria
de Monumentos Nacionais (Decre-
to n.° 24.735, de 14-VII-1934, D.O.
25-VII: 15.234), passou a ter a de-
nominação atual com a reforma do
Ministério da Educação e Saúde
(Lei n.° 378, de 13-1-1937, D.O.
15-1: 1.210).
Essa Diretoria cuida, em todo o
País, de maneira permanente, da
conservação, enriquecimento e co-
nhecimento do Patrimônio Histó-
rico e Artístico Nacional, ou seja
bens móveis e imóveis existentes
no País, cuja conservação seja de
interêsse público, ligados a fatos
memoráveis da História dc Brasil,
ou pelo excepcional valor arqueo-
lógico, bibliográfico ou artístico. A
ela compete cumprir a Lei n.° 3.924
de 26-VII-1961, que dispõe sôbre os
monumentos arqueológicos e pré-
históricos brasileiros.
Sua ação tem se estendido, últi-
mamente. às áreas paisagísticas de
importância nacional, bastando
citar os exemplos do tombamento
da Gruta e Maciço de Cêrca Gran-
de, em Minas Gerais, do Pico do
Itabirito, do Parque Lage no sopé
do Corcovado. Como os demais ór-
gãos que agem no campo da con-
servação, a Diretoria poderia ser
muito mais eficiente se a educação,
primária e secundária, cuidasse de
alertar os estudantes para as ver-
dadeiras finalidades do trabalho
dessa Diretoria. Na Amazônia, até
o presente, tem atuado apenas em
questões históricas ou artísticas.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 23
Departamento Nacional
da Produção Mineral
Destinado a promover o fomento
da produção mineral no País e o
estudo da Geologia do território
nacional, cuida, também, do apro-
veitamento de águas superficiais
ou subterrâneas, objetivando o seu
aproveitamento para abastecimen-
to público. Criado depois de 1930,
tem a seu cargo a elaboração e
aplicação, no que couber, do Códi-
go de Minas (Decreto-lei n.° 1.985,
de 29-1-1940, D.O. 30-1: 1.771) e da
proteção de depósitos fossilíferos
(Decreto-lei n.° 4.146, de 4-III-42,
D.O. 6-III : 3.533.
Embora atue sobretudo em re-
cursos naturais não renováveis, o
Departamento poderá contribuir,
sobremodo, para a conservação da
natureza, seja no tocante ao pai-
sagismo em regiões de mineração,
ou na poluição de cursos d’água
em áreas industrializadas .
Departamento Nacional
de Águas e Energia
Criado recentemente (Lei n.°
4.904, de 17-XII-1965, D.O. 20-XII:
13.077), destina-se ao estudo dos
regimes dos cursos d’água, avalia-
ção do potencial hidráulico, postos
pluviométricos e fluviométricos e
estações hidrométricas. É respon-
sável pela elaboração e aplicação,
no que couber, do Código de Águas
(Decreto n.° 24.643, de 10-VTI-1934,
D.O. 20-VII : 14.738). A sua organi-
zação é de molde a atuar também
na Conservação da Natureza no
Brasil.
A fim de atender ao problema
da poluição das águas no Brasil foi
elaborado um decreto dispondo so-
bre o lançamento de resíduos tóxi-
cos ou oleosos nas águas interiores
ou litorâneas (Decreto n.° 50.877
de 29-VI-1961, D.O. n.° 145 de
29-VI-p-5.903).
Departamento Nacional de Obras
Contra as Sêcas
Êste Departamento, cuja ação é
muito importante no campo da
Conservação da Natureza, foi cria-
do como Inspetoria em 1909. (De-
creto-lei n.° 1.998, de 2-II-1940,
D.O. 7-II: 2.167, delega competên-
cia ao Departamento para aplica-
ção do Código de Pesca nas águas
represadas da zona sêca, foi trans-
formado em Departamento — De-
creto-lei n.° 8.486, de 28-XII-1945,
D.O. 2-1-946: 4). A êle cabe realizar
tôdas as obras destinadas a preve-
nir e atenuar os efeitos das sêcas
no chamado Polígono das Sêcas
(Nordeste). Êle não atua na região
amazônica.
Departamento Nacional de Obras
e Saneamento
Criado em 1940 (Decreto-lei n.°
2.367, de 4- VII, D.O. 6- VII: 12.895)
foi reorganizado em 1946 (Decreto-
-lei n.° 8.847, de 24-1, D.O. 28-1:
1.387). A êle cabe orientar, supe-
rintender, estudar, projetar, exe-
24
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
cutar, contratar, fiscalizar e ins-
truir todos os empreendimentos ou
assuntos relativos à construção,
melhoramento, conservação, modi-
ficação e exploração de obras de
saneamento e de defesa contra
inundações.
O seu trabalho na região ama-
zônica tem sido de pequena monta.
Departamento de Defesa
e Investigação Agropecuária
Com a reorganização do Minis-
tério da Agricultura (Lei delegada
n.° 9, de 11-11-1962, D.O. 12-X:
10.686), fundiram-se neste Depar-
tamento os antigos Departamento
Nacional de Produção Animal e de
Produção Vegetal. Foram, no en-
tanto, mantidos o Serviço de De-
fesa Sanitária Animal (Decreto
n.° 24.548, de 3-VII-1934, D.O.
14- VII: 14.250) e o Serviço de De-
fesa Sanitária Vegetal (Decreto
n.o 24.114, de 12-IV-1934, D.O. 4-V:
8.514). Ambos possuem agências
na Amazônia, atuando de maneira
ativa na exportação e importação
de espécies animais ou vegetais.
Estatuto da Terra
Criado (Lei n.° 4.504, de
30-XI-1964, D.O. 30-XI : 49) para
regular os direitos e obrigações
concernentes aos bens imóveis ru-
rais para fins de execução da Re-
forma Agrária e promoção da Po-
lítica Agrícola. Tratando da pro-
priedade da terra, menciona, tex-
tualmente, que ela desempenha
integralmente a sua função social
quando, simultâneamente, além de
outros itens, “assegura a conser-
vação dos recursos naturais”. Com
o Estatuto da Terra, surgiram,
também, duas instituições que
poderão ser de grande importância
para o setor de atividade de con-
servação da natureza.
Instituto Brasileiro
de Reforma Agrária
Tendo por objetivo primordial
promover, coordenar e controlar as
atividades que visam a corrigir a
estrutura agrária do País e a exe-
cutar os planos de reforma agrária,
foi regulamentado em 1965 (De-
creto n.° 55.889, de 31-III, D.O.
8-IV: 3.554).
Instituto Nacional
de Desenvolvimento Agrário
Vinculado ao Ministério da Agri-
cultura, tem como objetivo pri-
mordial promover o desenvolvi-
mento rural, essencialmente atra-
vés das atividades de colonização,
extensão rural e cooperativismo.
Uma política bem planejada de
conservação da natureza e recursos
naturais poderá receber, mediante
atividade dêsses dois órgãos, gran-
de impulso e ampla repercussão
nacional.
Centrais Elétricas Brasileiras S.A.
(Eletrobrás)
Criada pela Lei n.° 3.890-A, de
25-IV-1961, destina-se à realização
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 25
de estudos, projetos, construção e
operação de usinas produtoras e
linhas de transmissão e distribui-
ção de energia elétrica.
Petróleo Brasileiro S.A.
(Petrobrás)
Tendo por objetivo a pesquisa, a
lavra, a refinação, o comércio e o
transporte do petróleo e de seus
derivados, foi fundada em 1953
(Lei n.° 2.004, de 3-X-1953).
Essas duas grandes emprêsas
nacionais atuam de modo relevan-
te no problema da Conservação da
Natureza, seja na construção de
grandes reprêsas, seja na lavra e
refinação do petróleo.
3.5 ESPÉCIES RARAS OU
AMEAÇADAS DE
EXTINÇÃO
Atualmente, em todo o mundo,
cuida-se da proteção das espécies
raras e das espécies ameaçadas de
extinção. A União Internacional
para Conservação da Natureza e
Recursos Naturais tem uma Co-
missão especial, a “Survival Service
Commission”, criada precipua-
mente para êsse mister.
De acôi'do com o critério esta-
belecido por ela, uma espécie pode
ser rara sem estar ameaçada de
extinção, ou pode estar ameaçada
de extinção sem ser rara, ou ainda
ser rara e ameaçada de extinção.
Espécie rara é aquela que possui
pequeno número de indivíduos,
que podem estar reunidos numa
área restrita ou dispersos numa
grande área.
Espécie ameaçada de extinção é
aquela que, embora não necessà-
riamente rara, seus representantes
diminuíram ou estão diminuindo
em número, a ponto de ameaçar a
sobrevivência da mesma, seja por
ação de predadores, competição
com outras espécies, alimentação
especializada, baixo potencial re-
produtivo etc. ou, então, aquela
cujo habitat, total ou parcialmen-
te, se encontra em processo de
modificação ou destruição de ma-
neira tal a não ser mais capaz de
manter uma densidade de popula-
ção capaz de garantir a continui-
dade de sua sobrevivência.
Na Amazônia brasileira não
conhecemos, presentemente, ne-
nhuma espécie vegetal que se en-
quadre nessas categorias. Entre os
animais, a única espécie que pode-
rá ser considerada como sèriamen-
te ameaçada, é o Trichecus inun-
guis (Pelzeln, 1883), conhecido
pelo nome vulgar de peixe-boi, de-
vido à intensa caça que vem so-
frendo desde o descobrimento. Essa
espécie necessita, urgentemente,
de um ou dois santuários para
sua sobrevivência.
Uma pesquisa para verificar
quais são as espécies realmente ra-
ras deverá ser estimulada. Estudos
deveriam também ser prontamente
iniciados sôbre a quantidade atual
do Jacaré-Una ou jacaré-açu,
Melanosuchus niger (Spix, 1825)
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26
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
e do mussuã, Kinosternon scor-
pioides (Linnaeus, 1766), cr.ja uti-
lização vem se processando de ma-
neira desregrada e bastante in-
tensa.
Em recente reunião da “Survival
Service Commission”, IUCN, reali-
zada em Morges, 10-11 de março,
1966, 8 espécies de Primatas bra-
sileiros foram colocados na lista
n.° 1 (Animais Act, 1964), signi-
ficando que necessitam de prote-
ção de natureza internacional,
como restrição de importação etc.
Dêles, 5 são da Amazônia: Uaca-
ri branco ( Cacajao calvus I.
Geoffroy, 1847), Uacari verme-
lho ( Cacajao rubicundas (I. Geof-
froy, 1848), Uacari de cabeça
preta ( Cacajao melanocephalus
(Humboldt, 1812), Cuxiu do na-
riz branco ( Chiropotes albina-
sus (I. Geoffroy & Deville, 1848) e
Calimico (Callimico goeldii (Tho-
mas, 1904).
O Tatu canastra ( Priodontes
giganteus (Geoffroy, 1803) e a
Ariranha {Pteronura brasiliensis
(Gmelin, 1788), embora não sejam
exclusivamente amazônicos encon-
tram-se no território brasileiro
entre os animais que necessitam
de proteção total.
4.0 ESTADO ATUAL DE UTILI-
ZAÇÃO PELO HOMEM DA
FAUNA E DA FLORA
AMAZÔNICA
De modo geral, salvo nas proxi-
midades dos rios, especialmente os
navegáveis, e na periferia dos cen-
tros populosos como Belém e Ma-
naus, Região Bragantina e Careiro,
a utilização dos recursos naturais
da Amazônia se faz de maneira
empírica, seguindo métodos indí-
genas, sobretudo na caça, na pesca
e na obtenção de produtos extra-
tivos.
4 . 1 ANIMAIS MAIS
UTILIZADOS
Dentre as espécies da fauna
amazônica mais utilizadas pelo ho-
mem, podemos citar:
4.1.1 Alimentação
Peixe-boi ( Trichechus inun-
guis Pelzeln, 1883) . Êsse animal
foi relativamente comum na época
colonial, da foz do Amazonas à
fronteira do Peru. Segundo Verís-
simo (1895), sofreu desde o início
caça devastadora e constante. Por
muitos anos foi o principal ali-
mento dos índios e portuguêses.
Rodrigues Ferreira (1787) já las-
timava a sua diminuição. Só no
Pesqueiro de Villa-Franca, em 2
anos, foram obtidos 58 toneladas
de peixe-boi sêco e 1683 potes de
azeite, sendo abatidos para isso
8.500 animais. No período das en-
chentes costuma entrar e sair dos
rios para os lagos, sobretudo nas
vasantes, de agosto a outubro,
quando são pescados de arpão ou
com rêdes. Normalmente, um
exemplar fornece de 40 a 60 quilos
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 27
de carne, fora a gordura, ou 176
quilos de gordura e carne mistu-
rados (mixira). A produção média
entrada no mercado de Belém de
1885 a 1893 foi de 34 toneladas,
anualmente.
O custo atual de sua carne no
mercado de Belém é de CrS 650 o
quilo. A espécie necessita, urgen-
temente, de proteção e santuários
onde possa procriar e subsistir.
Tartaruga ( Podocnemis ex-
pansa (Schweigger, 1812). Muito
mais comum e mais numerosa que
o peixe-boi, sofreu e sofre, também,
tenaz perseguição. Sua pesca é fei-
ta com flechas (sararaca, itapuá),
com jaticá ou caniço (nas enchen-
tes) ; raramente se processa atra-
vés de arrastão (nos lagos). Anti-
gamente era capturada à mão, de
setembro a outubro, no período da
desova, por um processo que se
denominou viração, praticado até
nossos dias, embora ilegal. Um
exemplar fornece em média de 100
a 130 ovos, que são também reco-
lhidos para fabricação de manteiga
ou gordura. Segundo Veríssimo
(1895), entrou no mercado de Be-
lém, entre 1885 e 1893, um total
de 111 toneladas de gordura, numa
média de 12 toneladas anuais.
Rodrigues Ferreira (Viagem Phi-
losophica) nos informa que, de
1780 a 1785, entraram no curral
da Fazenda Real da Vila de Barce-
los, vindas do Pesqueiro de Pura-
quecuara, Rio Branco e Araçá,
25.256 tartarugas, das quais 11.400
morreram. No outro curral da Ca-
pitania entraram, no mesmo perío-
do, 16.812 tartarugas, das quais
morreram 6.061. Bates (1864) viu
pegarem em Teffé, em poucos dias,
2.000 tartarugas. Segundo Keller
(1874) no Madeira faziam, anual-
mente, 2 mil potes de manteiga
dêsse animal, cada pote exigindo
2.000 ovos, calculando-se um total
de 4 milhões de ovos destruídos só
naquele rio.
É ainda Rodrigues Ferreira que
nos relata serem necessárias 11 ni-
nhadas de tartaruga para produzir
um pote de gordura. Informa-nos
também Bates (1864), que 6.000
potes são importados anualmente
do Alto Amazonas e do Madeira
para o Pará e cêrca de 2.000 potes
são consumidos pelos habitantes
regionais. Cada pote exige 12 pa-
neiros de ovos ou cêrca de 6.000
ovos. O total destruído anualmente
atingiria a impressionante soma de
48 milhões. Cada tartaruga desova,
em média, 120 ovos, sendo assim
aniquilada a produção anual de
400.000 fêmeas. Wallace (1853)
também se impressionou com o
problema, mencionando textual-
mente: “algumas praias produzem
2.000 potes de óleo anualmente,
cada pote contendo 5 galões (22 li-
tros) e exigindo 2.500 ovos, o que
eleva a 5 milhões os ovos destruí-
dos em uma só localidade”.
Atualmente, embora haja muito
maior compreensão para o proble-
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
28
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ma, proibição da coleta dos ovos
e da caputra pslo sistema de vira-
ção, ainda se processam abusos, em
certas áreas da região amazônica.
Com o aparecimento de gorduras
mais baratas e fáceis de fabricar, e
a sensível diminuição da população
indígena, peritos caçadores dêsse
animal, o uso da tartaruga tornou-
-se restrito quase exclusivamente à
alimentação. Um exemplar de
grande porte custa, atualmente, no
mercado de Belém, aproximada-
mente CrS 200.000. São vendidas
pelo pescador por CrS 75.000 e pe-
los marreteiros a CrS 100.000.
Estudos ecológicos que visem a
esclarecer bem o processo de deso-
va, a incubação e fases jovens do
animal, são muito necessários. Na
Venezuela o problema vem sendo
cuidado há bastante tempo, e no
Brasil já foi iniciado. Dois impor-
tantes trabalhos a serem comuni-
cados neste Simpósio tratam espe-
cialmente do assunto.
Mussuã ( Kinosternum scor-
pioides Linnaeus, 1758). Êsse pe-
queno quelônio vem sendo utilizado
aos milhares, anualmente, para
alimentação, no Baixo Amazonas.
Freqüente na Ilha de Marajó, onde
prefere lugares alagados, é caçado
ao fugir do fogo ateado aos capin-
zais no verão. Reunidos em cam-
buias, são vendidos no mercado de
Belém, no período de agosto a ja-
neiro, custando atualmente
CrS 4.000 a dúzia. A sua biologia é
mal conhecida, necessitando-se de
estudos urgentes para garantir a
renovação da espécie. O seu uso é
tão difundido, que o prato regional
denominado “casquinha de mus-
suã” é já reconhecido internacio-
nalmente. Já no ano de 1890,
Veríssimo encontrou um batelão
de 3 toneladas vindo de Marajó,
cheio de mussuãs.
Tracajá ( Podocnemis unifilis
Troschel, 1848) . Muito menos utili-
zado que a tartaruga, é também
bastante comum nos mercados re-
gionais. A postura dessa espécie é
apenas de 30 a 40 ovos, mais gos-
tosos e mais procurados para ali-
mento que os da tartaruga. O
custo atual de um exemplar no
mercado de Belém é de CrS 8.000,
sendo vendido a CrS 3.000 pelos
pescadores.
Entre os répteis merecem ainda
destaque os Jabotis ( Geochelone
denticulata (Linnaeus, 1758) e
Geochelone carbonaria (Spix,
1824), cujo preço unitário atual é
de CrS 10 a 15.000, no mercado de
Belém. A Iguana ( Iguana iguana
Linnaeus, 1758) é bastante pro-
curada para alimento no Baixo
Amazonas, não apenas a carne co-
mo os ovos. Os Jacarés ( Caiman
crocodilus Linnaeus, 1758) e Pa-
leosuchus trigonotus Schneider,
1801) são usados na alimentação,
sobretudo no rio Tapajós e de Al-
meirim para o Baixo Amazonas. A
carne dêsses animais custa atual-
mente no mercado de Belém
CrS 500 o quilo.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 29
Dos mamíferos deverão ser
mencionados : Veado vermelho
(Mazama americana (Erxleben,
1777), Anta ( Tapirus terrestris
Linnaeus, 1758), Paca ( Cuniculus
paca Linnaeus, 1758), Cotia
(Dasyprocta croconota Wagler,
1831 e outras espécies), Capivara
( Hydrochoerus hydrochaeris Lin-
naeus, 1766) e algumas espécies de
macacos, como o Coatá ( Ateies
paniscus (Linnaeus, 1758) e Gua-
riba vermelho ( Alouatta se-
niculus Linnaeus, 1758) e outros
menos procurados. Em 1863, Bates
calculou em 1.200 o número de
barrigudos ( Lagothrix sp.) mortos
e comidos pelos índios Tucunas, de
Tabatinga.
As aves, com exceção das mar-
recas, na época de muda das penas,
e de algumas pernaltas, no período
dos ninhais, não são utilizadas em
grande escala na alimentação
regional. Mesmo assim, os gali-
formes (Mutuns, Jacamins, Cuju-
bins. Jacutingas) e os criptu-
riformes (Inhambus, Jaós, Ma-
cucos) são caçados com freqüên-
cia. Uma legislação especial deverá
ser estabelecida para proteger os
ninhais de aves aquáticas, assunto
de comunicação especial no Simpó-
sio. A proteção governamental tor-
na-se necessária para as marrecas,
especialmente no período de feve-
reiro a abril em Marajó, Amapá e
Villa Franca, bem como de agosto
a setembro no Lago Grande, Óbi-
dos, onde são destruídos milhares
de ovos.
Um dos peixes mais procurados
para alimentação é o Pirarucu
( Arapaima gigas Cuvier, 1829).
Segundo Veríssimo (1895) o pira-
rucu só veio a concorrer com o
peixe-boi e a tartaruga no meado
do século dezoito (1750). A mais
antiga estatística é de 1830. Nesse
ano foram exportados da Comarca
de São José do Rio Negro para o
Pará, 201 toneladas, quantidade
considerável para a época. A sua
pesca se processa de setembro a
outubro, época da salga, através de
arpão ( gapuiando (fisga), batendo
os lagos, anzol, sararacão e espi-
nhei (na época da enchente) com
isca de jeju ou tamboatá. Um
exemplar grande pode fornecer até
45 quilos (30 quilos salgado e 15
fresco) de carne. O custo atual em
Belém de um quilo de carne sêca, é
de CrS 1.800.
Volume da produção de Pirarucu Salgado e/ou sêco
(Tonelada)
1950
1951
1952
1953
1954
1955
1956
1957
1958
1960
1 524
3 447
2 803
2 386
2 971
3 451
2 735
2 896
2 604
4 748
NOTA: Dados fornecidos pelo Serviço de Estatística da Produção. Ministério da Agricultura.
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
30
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Dados que nos foram fornecidos
pelo Departamento Estadual de
Estatística do Estado do Amazo-
nas, demonstram que naquele Es-
tado apenas, no período 1950-65,
foram registrados os seguintes
números para a produção de pira-
rucu:
A XO
Quilos
V: lor em
Cr? 1 000
1950
2 867 639
18 346
1951..
2 593 338
22 153
1952..
2 489 326
23 205
1953.
2 039 023
27 012
1954
1 453 135
22 132
1 955
1956 .
3 071 353
58 611
1957 .
2 192 353
71 819
’ 58
251 264
10 856
1959...
2 114 486
89 617
1960 .
1 571 400
97 900
1961. ..
2 040 429
153 244
1962
410 330
69 442
1963 ...
1 667 o;o
337 905
1964
619 000
249 859
1965
759 969
636 303
TOTAL
26 140 095
2 293 410
Outras espécies muito pescadas
na Amazônia são: a Gurijuba
( Selenaspis luniscutis (Valencien-
nes, 1840), bagre do mar, cuja
pesca se faz no verão, de setembro
a outubro, para obtenção de carne
e cola. Utilizando embarcações, co-
nhecidas no Pará pelo nome de
vigilengas, e o sistema de espi-
nhéis, pescadores regionais conse-
guem anualmente boa produção
dessa espécie.
O grude de gurijuba de 1889-
1893 (5 anos) atingiu no Pará a
cifra de exportação correspondente
a 347 toneladas, ocupando o 4.° lu-
gar no Estado (Apud José Ve-
ríssimo) .
A Tainha ( Mugil platanus
Günther e outras espécies) é tam-
bém largamente pescada na orla
marítima (contra costa, salgado,
costa de Vigia, Soure e Cabo Ma-
goari), com auxílio de vigilengas
e uso de rêdes, de junho a agosto,
ou por meio de currais e camboas,
em setembro e outubro.
Poderão ser ainda mencionados
o Tambaqui ( Colossoma bidens
Agassiz, 1829), muito usado fresco,
moqueado ou salgado. É apanhado
com anzóis, após a enchente, de
julho a agosto no Alto Amazonas
e de agosto a setembro no Baixo
Amazonas; o Tucunaré ( Cichla
ocellaris Bloch & Schneider, 1801),
o Jaraqui ( Prochilodus brama
Valenciennes, 1849) e vários outros
como Acarás, Pirabitinga, Pacus,
CURIMATAS, ARACUS, DORADA, PlRA-
mutaba e Filhote, cujo preço atual
nos mercados oscila entre CrS 300
e CrS 500 o quilo.
Para que se possa julgar da im-
portância de algumas espécies aqui
mencionadas, no fim do século
passado, no abastecimento do mer-
cado de Belém, transcrevemos a
informação estatística que segue,
legada por Veríssimo (1895) :
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 31
Quantidade de produtos de pesca entrados em Belém, Pará
de 1885-1894 (10 anos)
(Tonelada)
Manteiga de tartaruga 123
Mixira (peixe-boi) 228
Peixe sêco e salgado . 2.776
Pirarucu 12.822
Alg uns dados estatísticos referentes à pesca na Amazônia são
apresentados a seguir:
Número de pescadores profissionais
Região Norte — 1963
UNIDADES DA
FEDERAÇÃO
Total
GERAL
SEGUNDO
A IDADE
NACIONALIDADE
Colonizados
Não
colonizados
Menores
18 anos
Adultos
Brasil
Outros
Rondônia
215
189
26
215
209
6
Acre
275
275
51
224
273
2
Amazonas
25 672
2 133
23 539
4 492
21 180
25 576
96
Roraima
1 255
1 255
125
1 130
1 255
Pará..
27 072
H 180
12 892
1 501
25 571
27 066
6
Amapá
733
733
148
585
733
Maranhão
42 212
7 951
39 261
9 707
37 505
47 212
TOTAL
102 434
24 453
77 981
16 024
86 410
102 324
110
Anuário Estatístico do Brasil — IBGE — 1964.
Material utilizado pelos pescadores — Aparelhos e utensílios de pesca
Região Norte — Total geral — 1959
UNIDADES DA FEDERAÇÃO
RÊDES
ARMADILHAS FIXAS
Espinhéis
Cr$ 1 000*
Arrasto j Espera
Currais
Viveircs
Acre
18
3
529
3 131
Amapá
75
705
4 079
Amazonas
481
57
36
50 744
32 666
Pará
2 715
596
3 297
110
10 912
73 589
Rondônia. .
43
8
55
1 757
Roraima
105
90
200
2 552
Maranhão
2 489
1 870
3 453
30
11 757
65 895
TOTAL
5 926 !
2 616
6 794
140
74 902
183 369
Anuário Estitístico do Brasil — IBGE — 1960; * Incluindo o valor de outros aparelhos de pesca.
4.1.2 Couros e peles
As espécies de mamíferos mais procuradas na Amazônia para ob-
tenção de couros e peles são:
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
32
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Custo atual
Mamíferos ^a pele ou
Couro (Belém)
Cr$
QUEIXADA (Tayassu pecari (Link, 1795) 1-200
CAITETU ( Pecari tajacu (Linnaeus, 1758) 2.400
VEADO VERMELHO ( Mazama americana (Erxleben, 1777) 800
ONÇA (Leo onca (Linnaeus, 1758) 200.000
JAGUATIRICA ou MARACAJÁ- AÇU ( Felis pardalis (Linnaeus, 1758) 90.000
MARACAJÁ-PELUDO (Felis Geoffroyi D'Orbigny et Gervais, 1844) .. 25.000
ARIRANHA (Pteronura brasiliensis (Gmelin, 1788) 150.000
LONTRA (Lutra enudris F. Cuvier, 1823) 35.000
CAPIVARA (Hydrochoerus hydrochaeris (Linnaeus, 1766) 800
Répteis Cr$
JACARÉ- AÇU (Melanosuchus niger Spix, 1825) 5.000
JACURUXI ( Dracaena guianensis Daudin, 1802) 3.000
JACURARU ( Tupinambis nigropunctatus Spix, 1825) 500
IGUANA (Iguana iguana Linnaeus, 1758) 500
JIBOIA ( Constrictor constrictor Linnaeus, 1766) 1.300
De uma maneira geral o comér-
cio de peles é feito de modo muito
primitivo, peles extraídas sendo
salgadas ou sêcas sem qualquer
técnica apropriada. Mesmo assim,
as estatísticas nos mostram que
grande quantidade delas são expor-
tadas anualmente para o exterior.
Produção de peles e couros de alguns animais silvestres — Amazônia
1960/1964 — (5 anos) — Unidades
UNIDADES DA
FEDERAÇAO
MAMÍFEROS
RÉPTEIS
Ariranha
Capivara
Gato-do-m-t
Porco-do-matr
Veado
Jacaré
Lagarto
R ndônia
149
683
92 936
28 66-8
24 512
24
Acre
1 729
460
24 271
426 920
295 362
6 361
Amazonas
1 874
297 131
3 839
407 510
165 919
231 038
710
R raima
43?
250
1 218
11 228
7 345
7 181
Pará
3 544
65 119
28 968
230 310
181 282
176 094
412
Amapá •
1 718
3 431
1 433
16 254
5 138
16 016
2 465
Maranhão
2 084
16 240
74 202
326 914
304 090
1 470
99 311
TOTAL
11 530
382 631
134 614
1 512 072
987 797
462 702
102 952
Anuário Estatístico do Brasil — IBGE — 1960 65.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 33
Com exceção do jacuruxi, da
ariranha e das lontras, cuja caça e
comércio de peles são proibidos
atualmente, nas demais espécies
êles se processam livremente na
Amazônia.
Produção extrativa animal — Couros e Peles —
Estado do Amazonas
ANIMAIS
1950
1951
1952
1953
1954
1955
Jacaré
4 926 908
262 020
362 051
430 774
407 341
957
518
250
337
108
(Lpivara
156 660
79 527
72 266
88 386
79 910
Camaleão
720
421
Caitetu
77 051
30 749
24 962
31 731
25 662
Ariranha
3 059
1 612
707
1 192
318
Onça
2 947
1 190
437
952
608
Cobra
Maracajá
4 185
1 342
701
1 066
278
Peixe-boi
38 013
45 060
13 143
20 000
5 509
Queixada
57 880
20 678
20 939
23 876
43 867
Veado
51 210
31 269
27 093
41 103
44 746
TOTAL
5 319 590
474 386
522 549
639 417
608 347
ANIMAIS
1956
1957
1958
1959
1960
1961
Jacaré
1 039 923
13 884
6 450
1 773
490
600
Lontra
8
79
Capivara
21 495
128
416
Caitetu
9 589
9 752
2 131
Ariranha. ...
68
Onça
25
15
110
Cobra
Maracajá
46
Peixe-bói
Queixada
12 755
3 820
2 676
Veado
20 969
14
709
100
TOTAL
1 104 878
27 613
12 392
1 773
590
789
ANIMAIS
1962
1963
1964
1965
Total
Valor em
CrS 1 000
1 983
327
29 044
33 658
7 517 226
2 266 649
93
1 360
3 710
92 379
Capivara
80
498 868
12 268
519
1 660
7 139
570
43
6 028
2 179
220 447
25 411
77
477
7 510
61 02S
4 734
11 0’8
439 455
140
1 563
1 703
13 743
Maracajá
;;
186
108
7 912
121 725
27 501
714
502
2 116
880
189 989
10 479
Veado
1 006
22
1 718
2900
222 859
12 605
TOTAL
4 141
392
39 402
43 378
8 804 637
2 969 371
Departamento Estadual de Estatística — Manaus.
4.1.3 Animais para Jardins Zoológicos
Os animais amazônicos capturados e vendidos em maior número
para jardins zoológicos, do Brasil e do exterior são:
3 — 37.153
1, | SciELO
34
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Custo unitário
atual (.Belém.)
Cr$
25.000
8.000
6.000
3.000 a 4.000
80.000
COATÁ (Ateies paniscus (Linnaeus, 1758
CAIARARA (Cebus nigrivittatus Wagner, 1848)
MACACO-PREGO (Cebus apella (Linnaeus, 1758)
MICO-DE-CHEIRO (Saimiri sciureus (Linnaeus, 1758)
BARRIGUDO ( Lagothrix lagotricha (Humboldt, 1812)
MICO DE SANTARÉM (Callithrix Santaremensis Matschie,
1893)
COATI-PURU (Sciurus aestuans paraensis Goeldi, 1904)
CAPIVARA (Hydrochoerus hydrochaeris (Linnaeus, 1758) . . .
COTIA (Dasyprocta spp.)
PACA ( Cuniculus paca Linnaeus, 1758)
MACACO DA NOITE (Aotus trivirgatus (Humboldt, 1811)
TAMANDUAí (Cyclopes didactylus (Linnaeus, 1758)
PREGUIÇA REAL (Choloepus didactylus Linnaeus, 1758)
PREGUIÇA COMUM (Bradypus tridactylus Linnaeus, 1758) . . .
QUATI (Nasua nasua Linnaeus, 1758)
ANTA (Tapirus terrestris Linnaeus, 1758)
CAITETU (Pecari tajacus Linnaeus, 1758)
ARARAS (Ara spp.)
PERIQUITOS ( Forpus , Tirica, Brotogeris spp.)
PAPAGAIOS (Amazona spp.)
JIBÓIA (Constrictor constrictor (Linnaeus, 1766)
Atualmente, a obrigatoriedade
de certificado de sanidade animal
e guia de trânsito do Departamen-
to de Recursos Naturais Renová-
veis, faz com que a exportação de
animais silvestres da Amazônia
seja mais controlada. Dessa manei-
ra as espécies protegidas terão sua
captura para jardins zoológicos,
limitada pelas autoridades gover-
namentais. No âmbito estadual, o
Decreto n.° 1.114, de 11 de dezem-
bro de 1933, dispõe sôbre a expor-
tação de animais da fauna para-
ense.
4.1.4 Peixes de Aquá'io
O comércio de peixes de aquário
tem sido bastante intenso na Ama-
10.000
3.000
15.000
3.000 a 6.000
5.000 a 20.000
10.000
1.000
10.000
3.000
5.000 a 10.000
50.000 a 100.000
10.000 a 20.000
20.000 a 30.000
2.000 a 5.000
6.000 a 15.000
1 . 500 a 3 . 000
zônia. Em sua maioria, êle é feito
a revelia das instituições oficiais
ou, quando tramita através destas,
as relações apresentadas de núme-
ro e espécies são falsas. Já se torna
oportuno um estudo do problema,
especialmente com relação ao aca-
rá-disco, pescado na região de
Abaeté (Santarém) e do neon-te-
tra do Alto Amazonas.
As espécies mais procuradas são
as seguintes:
Acará-bandeira — Pterophyllum
scalare (Lichtenstein) — Cichi-
lidae
Acará-bararuá — Cichlasoma
psittacus Heckel — Cichlidae
36
Ateis do Simpósio sobre a Biota Amazônica
de 3 de julho de 1933. O Museu
Paraense “Emilio Goeldi” foi en-
carregado da fiscalização dêsse co-
mércio até a celebração do Convê-
nio de administração, pelo Govêrno
Federal (1955).
4.1.5 Caça e Pesca Esportiva
Na Amazônia, dadas as dificulda-
des de transporte, condições sociais
e condições climáticas, essa moda-
lidade de destruição da fauna é de
importância mínima.
4.2 PLANTAS MAIS
UTILIZADAS
A contribuição do reino vegetal
para fixação e subsistência do ho-
mem na região amazônica, é deci-
siva. A flora amazônica propor-
ciona à economia regional, uma
longa série de produtos em maciça
maioria de caráter extrativo, al-
guns poucos cultivados. Entre as
fornecedoras de produtos extrati-
vos salientam-se a borracha (tam-
bém cultivada, em pequena escala,
na Amazônia), o caucho, a balata,
a sôrva, entre as gumíferas, a cas-
tanha, a pupunha e o açaí entre as
alimentares, o tucum, o muru-
muru, a piaçava entre as fibrosas,
um grande contingente de oleagi-
nosas como a andiroba, a copaíba
e a ucuúba. Nessa enumeração não
pode faltar referência a um sem
número de madeiras de alto valor
pela sua durabilidade, beleza, resis-
tência ou outra propriedade espe-
cífica. Entre as madeiras amazôni-
cas mais apreciadas estão o mogno,
o cedro, a itaúba, a maçaranduba
e o cumaru. Medicinais são a ipeca
e a salsaparrilha, entre outras. Há
um aspecto da flora amazônica que
tem sido pouco aproveitado, não
obstante a sua enorme importân-
cia, o das plantas ornamentais, es-
pecialmente árvores e arbustos.
Entre êsses as espécies do gênero
Parkia, de Eperua, de Pterocarpus,
de Hymenolobim, de Vochysia etc.,
constituem um tesouro paisagístico
à espera de utilização.
Plantas de importância indus-
trial em cultivo são principalmente
o guaraná, o cacau, o timbó, a
malva, a guaxiuma, juta e a pi-
menta do reino.
Vemos assim que o extrativismo
florestal permanece como o alicerce
tradicional da economia. Por ser do
tipo destrutivo êsse extrativismo
mina as próprias bases da subsis-
tência do homem na região ama-
zônica, contribuindo para a forma-
ção de um tipo singular de deserto,
o deserto úmido, cujo prenúncio
são as capoeiras resultantes do uso
irracional dos recursos naturais.
Algumas espécies valiosas como o
mogno e o pau-rosa estão em perigo
de esgotamento.
Considerações como essas não
podem vir desacompanhadas de
alguma sugestão positiva no tocan-
te ao desenvolvimento da Amazô-
nia, conservando a natureza. Aliás,
essa parece ser a única maneira
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 37
viável de desenvolver a região. As-
sim, caberia aos órgãos locais de
fomento, estudar a criação de “fa-
zendas” em que a mão de obra lo-
cal, livre do marasmo do latifúndio
e devidamente orientada por téc-
nicos (biólogos, agrônomos, enge-
nheiros florestais, etc.) pudesse
adquirir a capacitação necessária,
em tempo útil, para usar os imen-
sos recursos naturais renováveis da
região, evitando a sua transforma-
ção em recursos naturais pere-
cíveis.
Daremos a seguir, relação das
plantas mais utilizadas na região
amazônica, com pequena indicação
dos seus usos e características:
4.2.1 Madeira
Acapu — Vouacapoua americana
Aubl. Leguminosae — Madeira
castanho-escura a prêta parda-
centa com o tempo, excelente
qualidade, inalterável, dura, usa-
da para construção civil e naval,
tanoaria, marcenaria, estacas,
dormentes. No Pará é muito usa-
da com o pau-amarelo para as-
soalhos.
Aguano ou Mogno — Swietenia
macrophylla King — Meliaceae.
Madeira de valor. Alto Amazo-
nas.
Cedro — Cedrella odorata L. e
outras espécies — Meliaceae.
Madeira resinosa, aromática,
inatacável pelos cupins, tenra.
Usada para marcenaria, caixas
de charutos, móveis, embarca-
ções, etc.
Itauba — Mezilaurus itauba
(Meissn.) Taub. ex-Mez (Laura-
ceae) . Madeira amarelo-parda ao
castanho-escuro, dura, de muito
valor.
Macacaúba — Platymiscium
duckei Hub. — Leguminosae.
Madeira muito dura e pesada,
castanho-escura com veias pre-
tas, parecida com o jacarandá,
ótima para marcenaria e ebanis-
teria.
Pau-amarelo — Zollernia para-
ensis Hub. — Leguminosae. Ma-
deira de côr amarelo-vivo, homo-
gênea, dureza média, muito usa-
da para assoalhos, ebanisteria,
segeria. Ocorre entre o rio To-
cantins e o Atlântico.
4 . 2 . 1 . 1 Madeira e Oleaginosa
Andiroba Carapa guianensis
Aubl. — Meliaceae. Madeira de
ótima qualidade, inatacável pelo
cupim, resistente ao fogo. Fruto
com amêndoas oleaginosas, óleo
(63%) espêsso, amargo, excelen-
te para saboaria e iluminação,
repelente aos insetos.
Cumaru Coumarouna odorata
Aubl. — Leguminosae. Madeira
muito dura, imputrescível, usada
em construção naval, ebaniste-
ria, moitões, dormentes, carroça-
rias e eixos de moinhos: As
amêndoas (favas) dos frutos
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
38
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
possuem aroma agradável
(cumarina), utilizados em per-
fumaria.
Jacareúba — Calophyllum bra-
siliense Camb. — Guttiferae.
Madeira amarelo-avermelhada,
imitando o cedro, mais dura e
menos flexível, usada para mar-
cenaria. Casca com bálsamo re-
sinoso, líquido, amarelo, aromá-
tico, conhecido por “Bálsamo de
Landim”.
Louro-inhamuí — Ocotea bar-
cellensis Mez. — Lauraceae. Por
perfuração do tronco extrai-se
líquido abundante, de cheiro de
terebintina (mistura de pineno
alfa e beta). Utilizado para subs-
tituir querosene. Madeira de va-
lor. Ocorre na região do Rio
Negro.
4 . 2 . 1 . 2 Madeira e Gumífera
Maçaranduba — M anilk ar a
huberi (Ducke) Standley — Sa-
potaceae. Madeira própria para
dormentes, cêrcas e estacas com-
pletamente cobertas d’água, ver-
melha, dura, rachando-se fàcil-
mente com regularidade. Latex
resinoso, alimentício, não forne-
cendo “balata”.
4.2.2 Gumífera
Balata — Manilkara bidentata
(A. DC.) Chev. (Sapotaceae)
Madeira e combustível de primei-
ra qualidade, é explorada sobre-
tudo para obtenção do latex ou
balata, sucedâneo da “gutta-
-percha”. Freqüente na região da
fronteira norte, do Paru ao Ter-
ritório Federal de Roraima.
Balata Rosadinha — Sidero-
xylon resiniforum Ducke — Sa-
potaceae. Produz uma balata
próxima da ucuquirana, pouco
abundante, de qualidade infe-
rior.
Sôrva — Couma macrocarpa
Barb. Rodr. (Apocynacea) . La-
tex abundante, usado para ali-
mento. Ocorre do Tapajós ao
Alto Amazonas.
Ucuquirana — Ecclinusa balata
Ducke — Sapotaceae. Ocorre ao
norte do rio Amazonas. Latex
fornece uma pseudo-balata de
qualidade regular, contendo cêr-
ca de 40% de gutta.
4 . 2 . 2 . 1 Gumífera e Oleaginosa
Seringueira — Hevea brasili-
ensis Muell. Arg. — Euphorbia-
ceae e outras espécies do gênero
Hevea. Ocorre do Alto Xingu ao
Alto Juruá e Javari, Tocantins e
estuário do Amazonas, faltando
na margem esquerda do Paru
para cima. Latex dá por coagu-
lação a borracha natural, de óti-
ma qualidade. Sementes com
óleo grosso, amarelo (45%)
cheiro análogo ao da linhaça, se-
cativo, próprio para fabricação
de tintas e vernizes. As demais
espécies dão latex de tipo infe-
rior.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 39
4.2.3 Indústria
Cipó Titica — Heteropsis jen-
mani Oliver (Araceae). Raízes
aéreas flexíveis e resistentes, usa-
das para confecção de paneiros,
tipitis, laços, chapéus, cestas,
armações de garrafas, etc.
Pau-rosa — Aniba duckei Kos-
termann. A. roseodora Ducke —
Lauraceae. Madeira de cheiro
agradável, fornecendo óleo ex-
traído por distilação, conhecido
por essência de pau-rosa (lina-
lol), cujo rendimento é de 8-14
quilos de essência por tonelada
de madeira, com 70% de linalol.
Comum na Bacia de Oiapoque
até Manaus.
Piaçava — Leopoldina piassába
Wallace — Palmaceae. Região
do rio Negro e afluentes. Base do
pecíolo da fôlha com fibras gros-
sas, trançadas, formando bainha
em volta do tronco. Fibra de 0,50
a 1 m de comprimento e 1
a 2 cm de diâmetro, côr casta-
nho-escuro, consistência córnea,
muito resistente, flexível, utiliza-
da para confecção de vassouras,
escovas, amarras de embarca-
ções, etc.
4.2.4 Alimentar
Açaí — Euterpe oleracea Mart.
(Palmaceae). Terrenos pantano-
sos e úmidos do Baixo Amazonas.
Dos frutos maduros, violáceos,
quase negros, prepara-se bebida
ou vinho de açaí, muito usado
no Baixo Amazonas. A bebida é
obtida por emulsão da polpa dos
frutos com água e açúcar. For-
nece também ótimo palmito,
pouco usado na região.
Guaraná — Paullinia cupana
H.B.K. — Sapindaceae. Cultiva-
do em Maués e Baixo Amazonas.
Sementes maceradas n’água para
retirada do arilo polposo, lava-
das, dessecadas, torradas, tritu-
radas em pilão e reduzidas a pó,
misturadas ou não com cacau ou
com mandioca, e com água,
constituem os bastões de guara-
ná encontrados no comércio. O
guaraná é bebida refrigerante e
estimulante eficaz. Contém 4,8%
de cafeína. Para uso doméstico,
os bastões são reduzidos a pó
que se mistura com água e açú-
car, na proporção de 5 gramas
de pó por copo d’água. Semeado,
começa a produzir no terceiro
ano, atingindo no quinto ano,
3 quilos de fruto por pé. Frutos
maduros em novembro-dezem-
bro, floração em agôsto-setem-
bro.
4.2.4. 1 Alimentar e Oleaginosa
Castanha-do-pará — Berthol-
letia excelsa H.B.K. — Lecythi-
daceae. Árvore atingindo até
4 m diâmetro e 60 m altura. Se-
mentes ou castanhas comestí-
veis, alto valor alimentício, sabo-
rosas. Um hectolitro de casta-
nhas com casca pesa em média
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
40
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
50 quilos, correspondente a 11
quilos de castanha descascada.
A semente produz 67% óleo cla-
ro, inodoro, ótimo para saboaria.
4.2.5 Oleaginosa
Copaiba Copaifera multijuga
Hayne (Amazonas) , C. reticulata
Ducke (Pará) — Leguminosae.
Óleo abundante, líquido e claro,
cheiro agradável na espécie do
Amazonas: óleo grosso, resinoso,
castanho-amarelado, cheiro de-
sagradável na espécie do Pará.
Copaiba- jacaré — Eperua oleifera
Ducke — Leguminosae. óleo
resinoso espêsso, côr negro-
-esverdeada, cheiro forte e desa-
gradável, utilizado para prepa-
rar tintas e vernizes e para cala-
feto de embarcações.
Ucuuba — Virola surinamensis
Warb — Myristicaceae. Madeira
branca, fácil de trabalhar, para
marcenaria. Sementes muito
oleaginosas, produzindo 60% de
gordura amarelo-claro, de con-
sistência e cheiro de cêra.
4.2.6 Medicina
Ipeca — Cephaelis ipecacuanha
Rich. — Rubiaceae. Raiz conten-
. do 3 alcalóides emetina (1,45%),
cephaelina (0,52%) e psychotri-
na (0,4%). Muito usada em me-
dicina.
Puchuri — Acrodiclidium puchury
(Nees. & Art.) Mez. — Laura-
ceae — Favas aromáticas, usa-
das em medicina como tônico e
estimulante, antidiarréico, etc.
Atualmente os dois únicos cen-
tros que cuidam do problema flo-
restal na Amazônia, são:
Santarém — Com um programa
conjunto SPVEA-FAO, criou-se
um centro de treinamento e de
pesquisas em silvicultura amazô-
nica. Cuida-se especialmente do
estudo e preparação de madeiras
e da exploração racional da flo-
resta do Curuá.
Manaus — O Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia, atra-
vés de trabalhos experimentais
na Reserva Ducke, vem traba-
lhando sôbre o enriquecimento
da mata, sua regeneração natu-
ral em área descoberta, regene-
ração artificial, germinação de
sementes de madeiras, adubação,
micronutrientes, estudos fenoló-
gicos de essências florestais da
região, conservação de sementes,
estudos tecnológicos e inventá-
rios florestais. Estão sendo dados
os primeiros passos para estudos
de celulose.
Além dêsses dois centros o Ins-
tituto de Pesquisa e Experimenta-
ção Agrícola do Norte (IPEAN)
têm se dedicado ao estudo da serin-
gueira, da castanha e outras espé-
cies cultivadas ou silvestres, de
maior interêsse econômico.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 41
5.0 O USO DA TERRA E O
ATUAL SISTEMA AGRÁRIO
É fato já bastante conhecido que
a economia da região amazônica
até 1910 era baseada quase exclu-
sivamente na exploração dos serin-
gais nativos, onde são encontradas
espécies de Hevea. Com a queda
dos preços da borracha, motivada
pela concorrência das índias Ho-
landesas e, posteriormente, pelo
produto sintético, foram intensifi-
cados os trabalhos extrativos visan-
do ao comércio de outros produtos
da floresta. A castanha do Pará,
que já era motivo de exploração no
período do inverno, passou a rece-
ber maior atenção. O guaraná
também assumiu importância co-
mercial. Embora continuasse a ex-
ploração dos seringais, os habitan-
tes da região viram-se na contin-
gência de recolher produtos subsi-
diários em maior intensidade,
desenvolvendo, assim, o comércio
das plantas oleaginosas, sobretudo
do óleo de pau-rosa, de outras go-
mas como a balata, a sôrva, maça-
randuba, madeira de um modo
geral e, numa fase mais recente, a
piaçava, juta e outras fibras nati-
vas similares, a pimenta do reino e
produtos agrícolas. O extrativismo
é ainda a base da estrutura econô-
mica da Amazônia.
A agricultura, quase exclusiva-
mente de subsistência, consiste em
plantações de pequeno ciclo, tais
como o arroz, feijão, mandioca, mi-
lho e batata-doce. Outras culturas
como banana, laranja, cana-de-
-açúcar, são cuidadas em menor
escala.
A propriedade da terra, restrita
aos grandes latifundiários, não
estimula a fixação do homem. O
seu uso, por outro lado, tratando-se
de propriedade alheia, é feito de
qualquer maneira, sem a menor
preocupação de conservar para o
futuro.
A pecuária na Amazônia ainda
ensaia seus primeiros passos. Com
exceção de Marajó, Roraima e pe-
quenas áreas em tôrno de Manaus
e Belém, as criações de animais são
de pequena monta e concentradas
em áreas sujeitas às enchentes
anuais. O abastecimento de proteí-
na ainda é quase exclusivamente
feito através do pescado e da caça
de animais silvestres.
Até o presente, o homem que
cuida da terra na Amazônia, a fim
de ser bem sucedido, terá invarià-
velmente de usar métodos empíri-
cos, quase idênticos ao sistema de
coivaras dos indígenas. Assim, a
primeira etapa de seu trabalho é
o desmatamento puro e simples,
sem sequer cogitar do aproveita-
mento da madeira. A segunda eta-
pa é o uso do fogo, sem o que
nunca conseguirá dominar a enor-
me massa vegetal abatida com
muito sacrifício através do macha-
do. A terceira etapa do cultivo das
plantações, geralmente, é feita
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
42
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
também sem nenhuma técnica,
deixando a terra nua, sem cober-
tura protetora, o menor controle
da erosão ou a utilização de ferti-
lizantes.
Após 3 a 5 anos de trabalho, o
solo já se tornou improdutivo, a
fauna e a flora destruídas, o equi-
líbrio hidrológico afetado. Inicia-se
então a fase das capoeiras, cujo
crescimento natural, dependendo
das espécies vegetais da área, pode
durar vários anos antes de atingir
novamente a fase de floresta ou
mata.
Nesse sistema, dentro de poucos
anos, a fauna torna-se sensivel-
mente reduzida. Com a destruição
da mata primitiva, grande número
de animais é, concomitantemente,
destruído. Não possuímos estudos
precisos nesse terreno, mas pode-se
calcular que pelo menos 70% da
fauna local não aparecerá mais nas
capoeiras. Embora persistam flo-
restas próximas, um repovoamento
só se fará se elas forem de consi-
derável extensão. Pequenas áreas
ou lotes de mata primitiva, espar-
sos entre terrenos cultivados, não
favorecem a sobrevivência da fau-
na. Nessas áreas os animais são
fàcilmente caçados ou não encon-
tram condições para manterem o
ciclo biológico durante todo o ano.
Os animais silvestres não podem
viver sem ambiente próprio.
Outro ponto digno de considera-
ção na Amazônia é o desmatamen-
to das margens dos rios e reserva-
tórios de água. Geralmente, é
justamente nesses locais que êle se
inicia. Com a ausência de estradas,
a conquista da terra é feita através
dos rios e, de suas margens, ini-
ciadas as derrubadas. Essa prática,
além de facilitar a erosão das bar-
rancas, diminui de muito as pos-
sibilidades biológicas dos rios, im-
pedindo que êles recebam apreciá-
vel massa de alimentos ou matéria
orgânica em geral, o que contri-
buiria para manter a produção de
plâncton e, logicamente, solidificar
o comêço da cadeia alimentar dos
animais aquáticos.
Nota-se presentemente a ten-
dência para a introdução de espé-
cies exóticas, tais como tilápias,
sem nenhum estudo prévio de suas
implicações locais. Tal medida po-
derá acarretar sérias consequên-
cias ao equilíbrio biológico local,
em região tão extensa e uniforme.
O problema da poluição das
águas ainda não atingiu na região
amazônica importância a ponto de
causar preocupação. Em quase tô-
da a Hiléia êle é pràticamente ine-
xistente.
Quanto ao solo, motivo de tra-
balho especial neste Simpósio, mui-
to terá que ser feito para difundir
entre as populações regionais, o
seu aproveitamento racional e sua
conservação para as futuras gera-
ções. Protegê-lo contra a erosão e
conservar sua fertilidade, eis o bi-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 43
nômio que terá que ser repetido
constantemente em todos os recan-
tos da Amazônia. As condições lo-
cais, com chuva e sol abundantes,
calor e deficiência de minerais,
tornam o problema muito mais im-
portante que nas regiões tempera-
das da terra. Dêle dependerão as
gerações de amanhã para sua
alimentação, abrigo e vestuário.
Finalmente, cabe-nos mencionar
o homem, em si próprio, como fator
de primacial importância. Tôdas as
suas habilidades são consideradas
recursos humanos. As atitudes físi-
cas, mentais, espirituais e sociais
constituem o fulcro da civilização.
A êle terá que ser ensinado que,
somente mantendo-se o meio natu-
ral no seu mais alto nível de pro-
dutividade, suas necessidades bio-
lógicas e sociais serão satisfeitas.
No mundo moderno, o problema da
Conservação da Natureza e dos Re-
cursos Naturais acha-se intima-
rnente ligado ao homem.
Ao encerrar estas considerações
sôbre a Conservação da Natureza
no Brasil e, especialmente, na
Amazônia, repito, mais uma vez,
aquilo que nos afirmou Udall
(1962): “A conservação inicia-se
com a educação e torna-se impos-
sível sem ela”.
6 . CONCLUSÕES
Dada a grande extensão da área
territorial da Amazônia brasileira,
com cêrca de 5 milhões de quilô-
metros quadrados, e uma popula-
ção de 3,5 milhões de habitantes
ou seja, aproximadamente uma
média de 0,7 habitante por quilô-
metro quadrado, salvo em casos
reduzidos, a Conservação da Natu-
reza e de Recursos Naturais ainda
se encontra em boas condições,
quando comparada a outras áreas
da superfície da Terra.
Dada a natureza tropical (equa-
torial) da região, o rápido desen-
volvimento da população e da
tecnologia, o ensino e a educação
popular, bem como a pesquisa cien-
tífica devem ser cuidados desde já,
com especial atenção.
O estabelecimento de Parques
Nacionais ou reservas equivalen-
tes que possam dar continuidade à
rica e característica flora e fauna
regionais, deve ser motivo de consi-
deração e estudo por parte do Go-
vêrno Federal, Governos Estaduais
e Prefeituras Municipais.
Uma legislação baseada em estu-
dos ecológicos e o provimento de
meios para sua execução de ma-
neira eficiente e prática devem
merecer também a atenção das au-
toridades governamentais.
O uso racional da terra e as
conseqüências do desmatamento e
do fogo, o empobrecimento do solo
e a poluição das águas devem ser
divulgados o mais possível entre as
populações regionais.
Finalmente, tôdas as habilidades
humanas, atitudes físicas, mentais.
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
44
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
espirituais e sociais, devem ser
conduzidas no sentido de manter
o meio natural no seu mais alto
nível de produtividade, a fim de
satisfazer às necessidades biológi-
cas e sociais, não só da presente,
como também das futuras gera-
ções.
ANEXO N.° 1
Ofício de 14 de junho de 1888 — Ao
Chefe de Polícia — Tendo chegado ao
conhecimento do Govêrno Imperial
que viajantes estrangeiros, em excur-
sões por esta província e pela do
Amazonas, têm exumado dos antigos
necrotérios existentes na ilha de
Marajó e em outros pontos do vale do
Amazonas, bem como em Óbidos,
Santarém e Macapá, tesouros de ines-
timável valor para a história pré-
-colombiana dêste continente, as quais
constituem relíquias da maior anti-
guidade e do mais alto valor arqueo-
lógico, visto como representam civili-
zação bastante adiantada senão supe-
rior à cerâmica de outros antigos
povos, sirva-se V. S. de providenciar
em obediência à ordem do Ministério
dos Negócios da Agricultura, Comércio
e Obras Públicas constante do Aviso
de 30 de abril último, para que con-
sideradas aquelas relíquias objetos
equivalentes às riquezas minerais de
propriedade do Estado, as autoridades
policiais, no que respeita a esta
Província, proibam terminantemente
a violação dos referidos necrotérios a
todo e qualquer indivíduo que para
exumar o conteúdo dêles, não tenha a
competente autorização do mesmo
Governo Imperial.
Dr. Miguel José de Almeida,
Pernambuco — Presidente da Pro-
víncia do Pará.
SUMÁRIO
O autor inicia o presente traba-
lho pela definição e conceituação
atual de Conservação da Natureza
e Recursos Naturais. A seguir faz
um breve sumário do desenvolvi-
mento dêsse campo da atividade
humana no mundo, no Brasil e na
Amazônia Brasileira.
Com ênfase à Amazônia Brasilei-
ra, o assunto é abordado sob o
ponto de vista do ensino e educa-
ção popular, da pesquisa científica,
dos Parques Nacionais e Reservas
Equivalentes, da legislação e cum-
primento da lei e das espécies raras
ou ameaçadas de extinção.
Considerações sôbre o estado
atual de utilização, pelo homem,
da flora e da fauna amazônicas,
são incluídas, mencionando-se os
animais mais utilizados para ali-
mentação, fornecimento de couros
e peles, para jardins zoológicos,
aquários e caça e pesca esportivas.
As plantas mais utilizadas para
madeiras, usos medicinais, orna-
mentais, alimentação, perfumaria
e indústria são também discutidas.
Ao finalizar o autor faz comen-
tários sôbre o uso da terra e o
atual sistema agrário.
SUMMARY
The author begins the present
work with a definition and the
current concept of Conservation of
Natural Resources. T h e n the
Volume 7 (Conservação ãa Natureza e Recursos Naturais) 45
development of this field of human
activity is briefly summarized for
the World, for Brazil and for
Brazilian Amazónia.
With emphasis on Brazilian
Amazónia, the field is discussed
from the viewpoints of teaching
and public education, scientific
research, n a t i o n a 1 parks and
equivalent reserves, legislation and
law enforcement, and species
which are rare or threatened with
extinction.
Considerations are included of
the current state of human utiliza-
tion of the Amazon flora and
fauna, mentioning the principal
animais used for food, leather and
skins, zoos, aquaria, and sport and
fishing. The principal plants used
for wood, medicines, ornament,
food, perfume, and industry are
also discussed.
Some comments are offered on
land use and the present agricul-
tural system.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 49-5G — 1967
THE FUTURE OF THE TROPICAL RAIN FOREST
P. W. RICHARDS
University College, North Wales, Bangor, Great Britain
In this paper I wish to direct
attention to one of the most
impor tant problems in conserva-
tion today — the future of the
tropical rain forest. This is a
general problem which concerns
both the New World and the Old
World tropics, but it is particularly
appropriate to discuss it here at
Belém because the Amazonian rain
forest, the ‘hylaea’ of Humboldt, is
the world’s largest reserve of rain
forest, the greatest single area
remaining in anything resembling
its primitive state. I have however
no qualifications for speaking
about the special problems of
Amazônia, because my own experi-
ence of tropical American forests
is limited to British Guiana*, Costa
Rica and some glimpses of Panama
and the West Indian islands. My
purpose is to ask questions rather
than to answer them.
* Now independent Guyana.
4 — 37.153
THE HISTORY OF THE
TROPICAL RAIN
FOREST
Before considering the future we
must look briefly at the past. In
1492, the year in which Columbus
discovered America, the Humid
Tropics, which for the purposes of
this paper I shall define as the
tropical lowlands with a rainfall
of 2.000 mm or more and no
effective dry season, was covered
with evergreen forest, tropical rain
forest in the broad sense of the
term, similar to the forest which
can still be seen over large areas in
tropical America, in parts of West
África and the Congo basin and
in southeast Asia in Malaya,
Borneo and elsewhere. We can only
guess at what the human popula-
tion of this vast area was, but it
must have been very small. Much
of it possibly had no human
inhabitants, while other parts, e.g.
in tropical America, probably had
small scattered populations, large-
ly limited to the forest fringe and
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
to sites accessible by river. These
people lived mainly by primitive
shifting agriculture supplemented
by fishing and hunting, some
perhaps only by the latter. In a
very few places — perhaps here
and there in Central America and
in the Malayan region — were
there human populations tech-
nically advanced enough and of
sufficient size to make large
permanent clearings in the forest.
Carl Sauer (1958) has taken me
to task for saying (Richards, 1952 :
404) “Until the most recent period
in its history man has had little
effect on the tropical rain forest;
large areas of it have been alto-
gether uninhabited or inhabited
by food-gathering peoples with no
more influence on the vegetation
than any of the other animal
inhabitants”. This statement may
be too sweeping and may require
some modification as far as the
American tropics are concerned,
but I believe it is still true to say
that 500 years ago man was a
relatively unimportant component
of the ecosystem in the Humid
Tropics and in 1492 most of the
tropical rain forest would have
looked much as it did in the early
Tertiary (though to an eye able to
recognize plant species there would
of course have been differences).
Only in Java, Ceylon and a few
other countries was there anything
approaching a ‘man-made land-
scape’.
During the next five centuries
man has made an ever-increasing
impact on the tropical rain forest
and its biota. Until about 100 years
ago the rate of change was still
comparatively slow, but it was
much accelerated by the technical
advances of the 19th century,
especially the improvements in
Communications and tropical hy-
giene which made it possible for
Europeans to live, work and travei
in the tropics for long periods. This
led in many areas to a sudden
rapid increase in the native
populations and this in turn to an
enormously accelerated destruction
of the tropical forests. It would be
difficult to give accurate figures,
but it is certain that today the area
of tropical rain forest (meaning
by this mature or ‘primary’ forest
which is ‘Virgin’ or only slightly
modified by man) is now small,
except in the least developed and
mostly thinly populated areas such
as parts of the Amazon basin,
Borneo and New Guinea. The
remaining areas are shrinking so
fast that if serious efforts are not
made to conserve them, the tropic-
al forest as we now know it will
disappear within our own life time.
The history of the tropical rain
forest is in many respects parallel
to that of the broad-leaved temper-
ate forest which at one time cover-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 51
ed almost the whole of Britain and
western Europe and the similar
forest which extended over most
of North America south of the
St Lawrence and east of the
Mississipi. In Europe the des-
truction of the forest began very
much earlier than in the tropics
and was spread over a longer
pariod, but the beginnings of the
process seem to have been similar.
From the work of Iversen and
other pollen analysts we get a
picture of European forests in the
Mesolithic period which is quite
like the present state of the rain
forest in the few remote areas of
the tropics where there are still
populations in a pre-agricultural
stage of culture. In Europe at that
time there were then small human
communities on river banks living
mainly by hunting and fishing.
Later on the Neolithic peoples
introduced shifting agriculture
and used fire to supplement the
results of hand labour with
primitive tools : the European
forests in the Neolithic must have
looked much like many tropical
forest areas of today.
Already by the Middle Ages the
destruction of the forest in western
Europe had led to the replacement
of a large part of the natural
climax vegetation by a man-made
landscape in which most of the
surviving forests were restricted to
small isolated relics managed in
the interests of timber production
or game preservation.
In eastern North America the
story is similar, but the widespread
destruction of the forests did not
t a k e place until much later
(16th-17th centuries). For reasons
which need not concern us now,
there has been a re-invasion by
forest of large areas in eastern
North America during the last
100 years.
In temperate Europe, North
America and in the tropics we can
recognize three stages in the hu-
man impact on the ecosystem :
(1) the primitive forest in which
there is a predominance of ‘climax’
types of vegetation, (2) the stage
of primitive cultivation coming
under the general heading of
‘shifting’ or ‘swidden’ agriculture,
in which climax vegetation is
interspersed with secondary seral
stages, and (3) the stage of
permanent cultivation and the
man-made landscape. As in the
primitive forest the impact of man
is relatively small and we need not
further discuss it, but I would like
to consider the two subsequent
stages.
In primitive tropical agriculture
the forest is cleared for the cultiva-
tion of crops such as cassava,
maize, unirrigated rice etc., most
of the timber being burned: The
crops are grown without fertilisers
(other than wood ash) and any
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
but the simplest methods of
cultivation. As has often been
pointed out ‘shifting cultivation’ is
a general name which covers a
great variety of systems, for
instance in Nigéria the Ekoi people
practice a very primitive kind of
agriculture in which many of the
forest trees are left standing while
the Yoruba have a much more
advanced system which is usually
described as ‘bush fallowing’ in
which the forest is much more
thoroughly cleared. The effect of
these different systems on the
natural vegetation varies however
only in degree. In all cases after
the ‘field’ or ‘farm’ ceases to be
productive it is abandoned and a
secondary succession takes place.
Early seral stages in tropical
rain forest areas have been describ-
ed by Lebrun (1936) and others
from the Congo, by Ross from
Nigéria (1954), but Budowski
(1964) from Central America and
by many others. The accompany-
ing soil changes have been studied
by Nye & Greenland (1960) and
others. There is however still a
great need for more study of
nearly all aspects of the changes
in the ecosystem during these
successions, above all for of the
changes in the fauna and the soil.
Such studies would be made easier
if facilities were available for long
term studies of tropical vegetation
in areas free from disturbance and
if some means could be found for
determining the age of tropical
trees (which of course do not
normally show annual growth
rings) .
it is clear that there are many
different types of secondary
succession in the Tropical Rain
forest, depending on many differ-
ent factors such as local climatic
and soil conditions, the amount
of destruction of the previous
vegetation, the availability of seed
parents and the extent to which
the soil has been depleted of
organic matter and nutrients as
well as exposed to erosion. Though
we have very little knowledge of
the effects of many of these
factors, an important distinction
must be made, first pointed out
by Vermoesen and Lebrun in their
studies of secondary succession in
the Congo, between Progressive
and regressive successions. The
former lead to the re-establishment
of forest, the latter to the develop-
ment of Imperata and other grass-
land types. These become liable to
burning and tend to become more
or less permanent, e.g. the so-
-called ‘Derived Savannas’ of
tropical África.
One of the fullest accounts of a
Progressive succession is that of
Ross (l.c.) who studied plots of
land cultivated respectively 5, 14
and 17 years previously in a forest
reserve in Nigéria. After a
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 53
brief early phase of colonization
by herbaceous plants, these
abandoned cultivated areas were
invaded by woody species of two
types, some like Musanga cecro-
pioides, Vernonia spp. and others,
which are fast growing and light
demanding, and others such as
Neonauclea diderrichii, Diospyros
spp. and Lophira procera which
are slower growing and more shade
tolerant. The former group attain-
ed dominance within a few years
but were short-lived and began to
die in less than 20 years: because
of their intolerance of shade they
could not regenerate and were
replaced when they died by the
slower growing more shade
tolerand species. The picture given
by Ross of the first 20 years of the
secondary succession for the area
he studied in Nigéria probably
applies, with various modifications,
to most of the humid tropical areas
of África.
The succession in Central
America according to Budowski
(1964) is similar in many respects
to that in West África though the
species taking part are of course
different. Budowski recognizes
four stages in forest development,
Pioneer, early secondary, late
secondary and climax. In the
Pioneer stage species of Cecropia,
which in their biology are similar
to the African Musanga, play a
prominent part. In Asia the
succession again has similar
features, but we find species of
Macaranga and other Euphorbia-
ceae among the most important
pioneer species: there seems to be
a greater variety of species and
less tendency for any single species
to become dominant in the early
stages of the secondary successions
as compared with África and
America.
The usual distinction between
primary and secondary rain forest
is an over-simplification : both are
stages in long and complicated
successional processes and any di-
vision of the succession into defin-
ite stages, such as Budowski’s,
though useful for purposes of
description, is necessarily arbi-
trary. There seems some value
perhaps in Cousens (1965) clas-
sification of rain forest tree species
into early, middle and late ‘seral
components’.
‘Early seral components’ are
species such as the African Mu-
sanga and the American Cecropia
and Ochroma species : they tend to
have certain biological character-
istics in common, for instance they
tend to be fast-growing, soft-wood-
ed, light-demanding and to have
efficient seed or fruit dispersai
mechanisms (usually by wind, bats
or birds). According to Budowski,
though this does not seem to be
always applicable, they have seeds
which are viable for long periods
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
in contrast to those of the climax
forests which usually lose their
viability very quickly. These early
seral components belong to van
Steenis’ group of ‘biological
nomads’, for they are adapted to
temporary habitats such as forest
gaps, whether natural or man-
made, sand banks in rivers etc.
They are tolerant of a wide range
of moisture conditions and are
light- rather than moisture-requir-
ing. They owe their common
characteristics to natural selection
and have been favoured by the
development of primitive agricul-
ture which has provided them with
large areas which they can readily
invade.
In Malaya, according to Cousens
middle and late seral components
establish themselves early in the
succession and usually outlive
the early seral components, much
as Ross found in the shade-
tolerant species surviving the
short-lived light-demanders such
as Musanga in Nigéria. Not all
early seral components are short-
lived however: Cousens states that
Shorea leprosula which is an early
seral component in Malaya lives
for about 300 years which though
probably less long than some late
seral species is much longer than
Musanga and similar pioneer trees.
It is important to realise that
what we know about secondary
successions in the rain forest is
almost entirely about the early
stages. We know hardly anything
about what happens later: one
reason for this is the difficulty,
already mentioned, of determining
the age of tropical trees.
It is clear that after the early
successional stages changes must
continue for a long period of years
before any kind of ‘steady state’ is
reached. Mature rain forest often
contains what seem to be even-
-aged stands of old trees. Are these
relics of old clearings where secon-
dary succession has taken place?
Are they always due to past
interference by man? Is in fact
a stable condition ever reached?
This raises a further question
asked by Cousens in the paper
already quoted: is there in fact
such a thing as a stable climax in
the tropical rain forest? Even in
forests where there has been the
minimum of human interference
or none at all, large natural gaps
and windfalls are common. Such
areas are colonized by ‘early seral
components’ and thus the distinc-
tion between climax forest and
‘secondary forest’ becomes even
less clear. Cousens suggests that
‘natural forest’ always consists of
a mosaic or patchwork of seral
stages of different ages in which
early, middle and late seral com-
ponents occur in varying propor-
tions.
56
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Secondly, what is to be the
future of the tropical rain forest?
Must it entirely disappear? If
nothing is done, one of the world‘s
most interesting ecosystems, which
has existed more or less as it now
is since the early Tertiary will be
lost for ever. To a scientific
audience it is unnecessary to
explain why this would be an
irretrievable disaster. But if at
least some part of the tropical rain
forest is to be saved for posterity
to study and admire very determ-
ined and carefully thought out
plans will have to be made to
conserve some of the surviving
areas of natural forest. These
areas will have to be carefully
chosen and large enough to be
viable. Though some tropical coun-
tries have made promising begin-
nings in this task, few of them
have either the technical or the
financial resources for conserva-
tion on the scale which is required.
Nothing short of a well organized
International effort will be suffi-
cient. Could the International Bio-
logical Programme perhaps be the
beginning of this?
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Tropical American rain forest
species in the light of Successional
Processes. Paper read at the Tenth
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 57-68 — 1967
A RESERVA FLORESTAL DUCKE (MANAUS):
CARACTERÍSTICAS E PRINCIPAIS ELEMENTOS
FLORÍSTICOS E FAUNÍSTICOS PROTEGIDOS
VIVALDO CAMBELL DE ARAÚJO *
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, Amazonas
HISTÓRICO
A idéia de reservar áreas de flo-
restas na Amazônia, até alguns
tempos atrás, era considerada co-
mo absurda, porque se pensava
sempre nas riquezas inesgotáveis
de nossas imensas florestas.
Uma minoria de homens, no en-
tanto, que durante longos anos de
viagens e estudos por tôda a hin-
terlândia, chegou a conhecer me-
lhor a região no seu valor real, seja
analisando a exploração desorde-
nada das espécies de valor econô-
mico, que se encontram distribuí-
das por tôda a área, seja a grande
heterogeneidade de sua flora, e,
concluiu que de imediato tornava-
-se necessária a separação de áreas
a preservar, resguardando dêsse
modo amostras para o futuro da
tão decantada e exaltada Hiléia
Amazônica.
Liderando essa minoria esclare-
cida, encontramos o eminente bo-
tânico Adolfo Ducke, que em uma
de suas excursões pela Amazônia,
escolheu, nas proximidades de
Manaus, uma área com aquela fi-
nalidade.
Com o natural desenvolvimento
da cidade de Manaus, a área apro-
ximou-se desta, e os colonos loca-
lizaram-se nos seus limites, che-
gando mesmo a iniciar o extrati-
vismo, numa grande ameaça, de
vez que a área não foi demarcada e
ninguém ficou com a responsabili-
dade de defendê-la.
Em maio de 1957, o Engenheiro
Agrônomo Roberto Onety Soares,
então pesquisador do Centro de
Pesquisas Florestais do Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazô-
nia, apresentava relatório de um
levantamento feito na área que
futuramente viria constituir-se na
Reserva Florestal Ducke.
Desde aquela época, assinala
Onety Soares que difícil foi a
localização da área pela indicação
do mapa, em virtude da mesma já
* Bolsista do Conselho Nacional de
Pesquisas.
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58
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
haver sido parcialmente invadida
e destruída; por êste motivo so-
mente numa segunda penetração
mais para Leste, foi possível locali-
zar a área e realizar o inventário
florestal de uma parte dela, que
seria um quarto e que hoje repre-
senta metade da mesma.
Pelos resultados obtidos, con-
cluiu Onety Soahes:
“As suas matas sofreram a ação do
extrativismo, principalmente as espé-
cies como Copaiba, Copaifera multiju-
ga, Balata, Ecclinusa balata, e Pau-
-rosa, Aniba Duckei, tendo inclusive
estradas construídas no setor norte,
com a finalidade exclusiva de retirar
Pau-rosa que ainda foi encontrado em
pequenos montes já quase deteriorados.
As balateiras derrubadas em quanti-
dade para extração do látex.
As copaibeiras, na sua maioria bro-
cadas, apresentavam tampões para
evitar a perda do óleo que por ventura
venha a se formar.
Enfim, o valor da floresta ficou pre-
judicado com tais explorações. As
espécies mais importantes foram des-
truídas, restando-nos espécies sem
valor econômico conhecido, com uma
ou outra espécie mais valorizada.
Cabe-nos agora, recuperar tal área
com a silvicultura, introduzindo espé-
cies de valor econômico comprovado,
para que a mesma sirva de exemplo
para outros empreendimentos da mes-
ma natureza, quer do Governo como
de particulares”.
Após o levantamento citado, a
área ficou ao abandono, quando
em 1960 o Engenheiro Agrônomo
Rubem Carvalho do Valle, reini-
ciou os trabalhos, procedendo der-
rubadas em três áreas distintas,
planalto, encostas e baixio, prece-
didas de inventário, para em segui-
da abandonar todo trabalho inicia-
do ao retirar-se dos quadros do
INPA.
Em 1962, convidado pelo INPA,
assumiu a responsabilidade do se-
tor de Silvicultura o Engenheiro
Agrônomo Vivaldo Campbell de
Araújo, chefiando o mesmo até os
dias atuais.
FUNDAÇÃO
Com a criação do Instituto Na-
cional de Pesquisas da Amazônia e,
neste, posteriormente, do Centro
de Pesquisas Florestais, voltou à
cena a idéia antiga de se preser-
varem áreas de florestas, e o campo
de atividades dêste nôvo setor,
seria a área determinada pelo bo-
tânico Ducke, a qual em sua ho-
menagem passou a chamar-se Re-
serva Florestal Ducke.
Assim, em 8 de fevereiro de 1955,
o primeiro diretor do INPA, Pro-
fessor Olímpio da Fonseca, pedia
ao Govêrno do Estado do Amazo-
nas o estudo da possibilidade de
cessão daquela área ao INPA.
Em 2 de junho de 1957, o Pro-
fessor Arthur Cezar Ferreira Reis,
então diretor do INPA, reiterava o
pedido do Prof. Olímpio da Fon-
seca, e, em 22 de abril de 1958 expe-
dia ordem de serviço para demar-
cação da área.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 59
Somente a 28 de novembro de
1962, já sob a administração do
Dr. Djalma da Cunha Batista,
através da Lei n.° 41 publicada no
Diário Oficial de 16 de fevereiro de
1963, foram doadas as terras do Es-
tado, que constituem a Reserva
Florestal Ducke.
LOCALIZAÇÃO
A área está localizada ao norte
do município de Manaus, distando
26 km desta cidade pela rodovia
Torquato Tapajós, e a 1 km desta,
por uma pequena estrada de acesso
à linha de limite norte.
ÁREA
Sua área que de início estava
prevista para um retângulo de
20.000 ha, ficou com seus limites
reduzidos para apenas 10.000 ha,
porém sempre com orientação no
sentido Norte-Sul, Leste-Oeste. As
doações de terras, segundo a Cons-
tituição Federal, não podem exce-
der esta área.
CLIMA
Quente e úmido o ano inteiro,
tem os 6 primeiros meses com gran-
de precipitação pluviométrica, oca-
sionando os chamados meses de
“inverno”, para um segundo se-
mestre de verão muito forte, onde
as precipitações aparecem com
chuvas esparsas e a insolação mui-
to grande, causando temperaturas
que vão de 20° à noite para 36°
durante o dia, às vêzes até 38° nos
meses mais quentes de agosto, se-
tembro e outubro, como bem po-
dem demonstrar os quadros de da-
dos da estação meteorológica si-
tuada na Reserva Florestal Ducke.
SOLOS
Os solos são pobres, ácidos, com
pH em tôrno de 4,5, apresentando
dois tipos característicos: o argi-
loso, nos terrenos altos, e o silicoso,
nos terrenos baixos das proximida-
des dos igarapés.
TOPOGRAFIA
Fmbora se fale sempre de planí-
cie amazônica, dando logo a idéia
de verdadeira mesa, a topografia
da área é no entanto muito irre-
gular, apresentando depressões e
morros na base dos quais sempre
existe um pequeno coletor de
águas; tais depressões não ultra-
passam geralmente uma medida de
100 metros e os morros não seguem
uma orientação de sentido cardial.
HIDROLOGIA
O sistema hidrográfico da área
apresenta-se formando duas bacias
distintas, ambas de águas negras.
Na parte Oeste a bacia é consti-
tuída por uma rêde de pequenos
e inúmeros igarapés bem distribuí-
dos que se estendem por cêrca de
5 km, reunindo-se para formar o
Riacho Grande, que, por sua vez,
já fora da área, cai no igarapé
Tarumãzinho e êste no Tarumã
Grande, afluente do Rio Negro.
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
A bacia de Leste é igualmente
formada por numerosos igarapés
que caem no Rio Puraquequara,
que por sua vez deságua no Rio
Amazonas.
Há portanto um divisor de águas
mais ou menos numa faixa centra]
da área.
Os igarapés da parte Oeste, no
período invernoso têm muitas vê-
zes transbordamentos de suas
águas, por ocasião das fortes chu-
vas, invadindo os terrenos baixos
de suas margens, permitindo a
formação de terrenos semi-panta-
nosos.
FLORA
Condicionados pelos fatores solo,
topografia, hidrografia, podemos
dividir as florestas da área em três
tipos distintos:
1. °) Florestas dos solos altos
argilosos.
2. °) Florestas dos solos silicosos
ou “carrascos”.
3. °) Florestas dos baixios.
As florestas dos solos altos argi-
losos são as mais exuberantes e
abundantes; nela encontramos as
melhores espécies de área, com
possibilidade de aproveitamento
industrial, das quais podemos citar
-algumas :
1 — Angelim rajado — Pitheco-
lobium racemosum
2 — Angelim pedra — Dinisia
excelsa
3 — Acariquara roxa — Min-
quartia guianensis
4 — Amapá — Brosimum pari-
narioide
5 — Acapu — Vouacapoua palli-
dior
6 — Ananí — Moronobea pul-
chra
7 — Cumaru Dipteryx odo-
rata
8 — Copaíba — Copaifera mui-
tijuga
9 — Castanha sapucaia — Lecy-
this usitata
10 — Cedrorana — Cedrelinga
cataeneformis
11 — Cardeiro — Scleronema mi-
cranthum
12 — Cupiúba — Goupia glábra
13 — Cajuí — Anacardium spru-
ceanum
14 — Faveira — Parkia spp.
15 — Guariúba — Clarisia race-
mosa
16 — Itaúba — Mezilaurus itauba
17 — Jacareúba — Calophyllum
angulare
18 — Louro preto — Ocotea spp.
19 — Louro gamela — Ocotea
rubra
20 — Louro aritu — Licaria aritu
21 — Mandioqueira — Qualea spp.
22 — Marupá — Simaruba amara
23 — Pau rosa — Aniba duckei
24 — Pau d’arco amarelo — Ta-
bebuia spp.
25 — Piquiá — Caryocar villosum
26 — Preciosa — Aniba canellilla
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 61
27 — Piquiàrana — Caryocar gla-
brum
28 — Plquiá marfim — Aspido
perma obscurinervium
29 — Sucupiras — Leguminosae
spp.
30 — Seringa itauba — Hevea
benthamiana
Entre estas de alto valor vamos
encontrar um volume destacado,
formando o maior contingente das
espécies de baixo valor madeireiro,
as famílias :
a) Sapotáceas com as Abiura-
ranas;
b) Burseráceas com os Breus;
c) Lecitidáceas com os Mata-
matás, Ripeiros e Castanhei-
ras.
Para o tipo de vegetação acima
citado, ainda poderíamos acrescen-
tar a grande variedade de palmei-
ras que aparece compondo o soto-
bosque, entre as quais podemos
citar:
Murumuru — Astrocaryum muru-
muru
Côco de palha — Palmae sp.
Pupunha brava — Guüielma sp.
Açaí da mata — Euterpe cf. pre-
catória
Racaba — Oenocarpus bacaba
Entre estas destacam-se as duas
últimas por seu uso local como ali-
mento humano.
As florestas dos solos silicosos, ou
“carrascos”, nada mais são que
tipos especiais de vegetação de
baixo porte, pobres, compostas em
sua maioria por espécies conheci-
das vulgarmente por Casca dôce,
Macucús, algumas Bromeliáceas e
vários arbustos. Às vêzes esta vege-
tação apresenta-se enriquecida com
grandes quantidades de Massaran-
dubas, formando as conhecidas
“reboladas”. O sotobosque às vêzes
também apresenta manchas for-
madas por palmeiras do tipo “Pa-
lha vermelha”, cuja fôlha nova é
usada para cobertura do “tapiri”
do nosso homem do campo.
O tipo de florestas dos baixios é
aquêle que acompanha sempre as
margens dos igarapés, apresentan-
do a característica de resistir a so-
los sempre úmidos e muito ácidos,
às vêzes inundados por ocasião de
fortes chuvas. É sempre uma vege-
tação de grande porte, onde apa-
recem como mais comuns as espé-
cies:
Sapota Chromolucuma rubiflora
Gitó — Guarea sp.
Andirobarana — Carapa cf. guia-
nensis
Compondo esta vegetação vamos
encontrar em grande quantidade
dois tipos de palmeiras, o Patauá
Oenocarpus batauá, e o Buriti
Mauritia Flexuosa, ambas de
importância por fazer parte na ali-
mentação do homem. Os frutos
destas palmeiras são usados para
a fabricação de um vinho muito
semelhante ao vinho preparado
com o Açaí.
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
FAUNA
Para a região de Manaus, como
melhor poderíamos nos expressar
ao fazer referência aos animais en-
dêmicos de ocorrência na Reserva
Florestal Ducke, enumeraremos
entre os mais comuns os seguintes :
MAMÍFEROS
Marsupiais
Mucura — Didelphis marsupialis
Mucura chichica — Monodelphis
brevicauãa
Quirópteros
Várias espécies
Desdentados
Tatu Canastra Priodontes gi-
ganteus
Tatu Peludo — Euphactus sex-
cinctus
Tatu Verdadeiro — Dasypus no-
vemcinctus
Tatu Rabo de couro — Cabassous
unicinctus
Tamanduá Bandeira — Myrmeco-
phaga tudactyla
Tamanduá Mirim ou Mambira —
Tamanduá tetradactyla
Tamanduaí — Ciclopes didactylus
Preguiça Real — Choloepus didac-
tylus
- Bentinha — Bradypus tridactylus
Roedores
Paca Agouti paca
Cutias — Dasyprocta fuliginosa
Cutiara — Myoprocta acouchy
Quandu — Coendu prehensilis
Coati-puru — Sciurus aestuans
Ratos — várias spp.
Carnívoros
Cachorro do mato — Cerdocyon
thous
Coati Nasua nasua
Macaco da noite — Potos flavus
Irara — Eira barbara
Furão — Galictis vittata
Ariranha — Pteronura brasiliensis
Lontra Lutra enudris
Onça Pintada Leo onça
Sussuarana — Felis concolor
Gato Maracajá-açu — Felis par-
dalis
Gato Maracajá-mirim — Felis
wiedi
Gato do mato ou morisco — Felis
Geoffroyi
Ungulados
Anta — Tapirus terrestris
Porco Queixada — Tayassu albi-
rostris
Porco Caetetu — Tayassu tajacu
Veado Capoeira — Mazama ameri-
cana
Veado Roxo ou Garapu — Mazama
rufina
Primatas
Prego — Cebus apella apella
Cuxiú — Pithecia satanas
Coatá — Ateies paniscus paniscus
Parauaca — Pithecia monacha
Guariba — Alauata seniculus se-
niculus
Sauim — Saimiri sciureus
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 63
AVES
Galináceos
Mutum do bico amarelo — Crax
fasciolata
Jacu — Penelope superciliaris
Uru — Odontophorus capueira
Jacamim — Psophia creptans
Aracuã — Ortalis guttata
Inambu galinha — Tinamus gut-
tatus
Inambu relógio — Crypturus stri-
gulosus
Inambu sururina — Crypturus
pileatus
Saracura — Aramides chiricote
Pombas
Pomba galega — Columba rufina
Juruti — Leptoptila rufaxilla
Aves de rapina
Gavião Real ou Harpia — Thra-
syaetus harpyia
Gavião Pluma — Morphnun guia-
nensis
Gavião Cauré — Falco albigularis
Gavião Tesoureiro — Elanoides
forficatus
Gavião Cancã — Ibycter ameri-
canus
Gavião Rapina — Harpagus biden-
tatus
Urubu rei — Gypagus papa
Urubu Camiranga — Cathartes
aura
Curujão — Pulsatrix perspicillata
Caburé — Glaucidium pumilum
Mocho urelhudo — Bubu magel -
Inicus
Gavião Acauã — Herpetotheres
cachinnans
Aves trepadoras
Tucanos Pacova — Rhamphastos
erythrorhynchus
Tucano do Bico preto — Rham-
phastos vitellinus
Araçari preto — Sclenidera gouldii
Araçari amarelo — Pteroglossus
viridis
Arara canindé — Ara araraúna
Arara vermelha — Ara chloroptera
Arara vermelha — Ara macao
Papagaio — Amazonas sp.
Papagaio de coleira — Deroptyv x
occipitrinus
Maitaca — Pionus menstmus
Periquito — Psittacula sp.
Pica-pau — Coeophloens lineatus
Pica-pau — Melemerpes cruenta-
tus
Anu preto — Crotophaga ani
Beija-flor — Várias spp.
Hudu — Monotus monota
Ariramba da mata — Galbula
viridis
Alma de gato — Piaya cayana
Surucuá — Trogon viridis
Surucuá — Trogon melanurus
Surucuá pequeno — Microtrogon
ramonianus
Tanguru-pará — Manasa nigra
Japiim — Cassicus persicus
japu — Ostinops viridis
Uirapuru — Pipra sp.
Bacuraus — Nyctiãromus albicollis
64
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
RÉPTEIS
Jacaretinga Jacaretinga trigo-
natus
Teiu — Tupinambis teguixin
Papa-vento — Anolis punctatus
Camaleão — Iguana tuberculata
Calango — Iguana sp.
Jaboti — Testudo tábulata
Perema —
Coral verdadeira — Mizrurus lem-
niscatus
Surucucu pico de jaca — Lachesis
mutus
Jararaca — Bothrops atrox
Jibóia — Boa constrictor cons-
trictor
Caninana — Spilotes pullatus pul-
latus
Papa-ôvo — Phrynonax sulphurus
Papagaio — Corallus caninus
Cobra cipó — Oxybelis sp.
Falsa coral — Anilius scytale
Cobra verde — Oxybelis acumi-
natus
PESQUISAS
Para a área de 1/4 da Reserva
Florestal Ducke, que compreende
2.500 ha, tomados a partir de 1962
para os trabalhos de Silvicultura,
foi elaborado um programa visan-
do principalmente as seguintes
investigações:
1) Estudos ecológicos, biológi-
cos e sociológicos das formações
florestais, a fim de determinar as
características silviculturais das
espécies, de modo a assegurar um
manejo racional na criação de
bosques domesticados em ambiente
propício, com fins de produção e
proteção aos solos, águas, fauna
e flora.
2) Estudos das exigências, com-
portamento, ciclo de vida e rege-
neração de cada espécie florestal,
determinando as espécies aptas
para homogenizar em um grau
possível a composição florística dos
bosques, bem como aquelas para
plantações nas mais diferentes
condições ambientais, nos terrenos
a reflorestar.
3) Estudos sôbre armazena-
mento e tratamento das sementes
florestais tropicais, determinando
os métodos e técnicas adequadas
para o plantio e transplantio, além
dos cultivos nas sementeiras e
viveiros florestais.
Dentro dêste programa, já rea-
lizamos pesquisas sôbre:
1) Estudos fenológicos — Com-
preendendo observações mensais
da floração, frutificação e mudan-
ça foliar das principais espécies
locais, a fim de conhecer a flora
no que tange às suas característi-
cas de relação com o meio ambien-
te, podendo assim chegar a deter-
minar os meses e os anos em que
tais fases são repetidas, fornecen-
do-nos, com isto, dados para cole-
tas de materiais, quer sejam
botânicos para herbário, de se-
mentes e frutos para carpotecas e
estudos tecnológicos, ou com fins
silviculturais, quanto à possibili-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 65
dade de preservação, estudos expe-
rimentais de germinação em vivei-
ros ou em plantios diretos, bem
como para remessa a outros cen-
tros de estudos. Relacionando êste
estudo à nossa estação meteoroló-
gica poderemos perfeitamente,
dentro de alguns anos, estabelecer
conceitos ou dar informações cli-
matológicas, relacionadas com tais
observações, na ecologia de nossa
flora.
2) Estudos de regeneração na-
tural — a) Regeneração natural
em clareira artificial não queima-
da, a fim de se determinar a possi-
bilidade de recomposição da área
de mata, relacionando as espécies
e o tempo, b) Regeneração natu-
ral com abertura sob copagem de
árvore matriz, prèviamente escolhi-
da, onde se analisa a capacidade
da espécie de propagar-se, toman-
do-se por base o fator luz, servindo
tal propagação como possibilidade
de panta mãe, servir de viveiro
natural à propagação artificial,
uma vez que há espécies com gran-
de produção de sementes, c) Re-
generação natural em diferentes
graus de luminosidade, usando-se
neste método o processo de elimi-
nação gradativa das espécies de
baixo valor, até o grau de luz de-
sejado, por meio de anelamento ou
andamento com envenenamento.
3) Estudo de regeneração arti-
ficial — a) Plantios em linhas de
enriquecimento da floresta com
diferentes condições de luminosi-
dade, 25%, 50% e 75% para co-
nhecimento do poder de propaga-
ção e desenvolvimento de cada
espécie, b) Plantios em graus ex-
tremos de luz comparativamente,
3% e 100%. c) Plantios de espé-
cies florestais de alto valor econô-
mico em área queimada, associada
à regeneração natural de algumas
espécies de capoeira, que tenham
fácil remoção posterior, seja por
método natural ou artificial.
Êste método experimental de
trabalho, nos propõe conhecer as
melhores espécies ao refloresta-
mento das terras abandonadas
após o curto período de cultivo e
transformadas nas conhecidas
“matas de capoeira”, como saber
quais as espécies de capoeira aptas
a tal método, quando analisamos
a sua capacidade de propagação
pela regeneração natural, brotação
e crescimento rápido.
As vantagens do método associa-
tivo são:
1 —
2 —
fazer apenas um desbaste da
capoeira, não voltando pois à
transformação de área nua;
com a preservação de algu-
mas espécies protegermos o
solo contra a erosão;
que o desbaste como as plan-
tas preservadas, incorporarão
muita matéria orgânica ao
solo, formando a manta pro-
tetora e dando condições à
recomposição da microfauna;
5 — 37.153
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA
66 Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
SciELO
Adaptado ao INPA ™ T ° Hugo Menezes Santos
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 67
4 — a preservação dará proteção
às espécies introduzidas, con-
tra o vento e possivelmente
contra pragas, pelo modo
mascarado do tipo de plan-
tio;
5 — impedimento ao aparecimen-
to ou reaparecimento de es-
pécies de capoeira indesejá-
veis;
6 — pelo desenvolvimento das es-
pécies introduzidas umas he-
liófilas e outras ciadófilas, as
mesmas terão sombra parcial,
promovendo o crescimento
mais rápido daquelas e pro-
tegendo estas da insolação;
7 — quando o objetivo fôr alcan-
çado, e, as espécies introdu-
zidas puderem ser considera-
das estabelecidas, as espécies
de capoeira poderão ser cor-
tadas sem maiores perigos e
aproveitadas ou não, confor-
me o seu material.
Uma observação importante no
método associativo, foi realizar
sempre a introdução não de uma
espécie, mas sim de várias de alto
valor na mesma área, evitando-se
dêste modo, na eliminação das es-
pécies de capoeira a formação de
bosques puros, que podem ser de-
sastrosos em futuro próximo.
4) Método de propagação:
a) plantio direto da semente;
b) plantios com mudas de raiz
nua:
1 — do viveiro artificial
2 — de regeneração natural
c) plantios com raiz protegida :
1 — com torrão paulista
2 — com vasos de laminado
d) plantios de mudas de dife-
rentes idades para estudo
do sistema radicular;
5) Estudo do grau de poder
germinativo das essências flores-
tais de maior importância da
região.
SUMÁRIO
Ao iniciar o trabalho, o autor
apresenta um histórico da área
da Reserva Florestal Ducke, onde
fenologia, plantios e desenvolvi-
transcreve um trecho de relatório,
mostrando que na Amazônia o sis-
tema do extrativismo ainda é do-
minante, sob o prejuízo de que os
seus recursos são inesgotáveis.
Em seguida faz uma apreciação
geral das condições da Reserva
partindo da localização, área, cli-
ma, solos, topografia, hidrografia,
para situar os elementos da fauna
e flora endêmicos a preservar.
Foram relatadas sucintamente
as atividades de pesquisas silvicul-
turais, compreendendo estudos de
regeneração natural e artificial,
mento de espécies de alto valor
econômico, manejo racional dos
bosques a domesticar, transfor-
mando matas heterogêneas de bai-
xo valor em matas também hete-
68
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
rogêneas de alto valor, realizadas
em um trecho da mesma área, sem
ultrapassar os limites de um quar-
to da área total, preservadas a
fauna e a flora das três quartas
partes restantes.
Por fim, ressalta a necessidade
crescente de pesquisas básicas em
matéria da biologia e da botânica
para o desenvolvimento da região
Amazônica.
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Ihering, R., 1940, Dicionário de Ani-
mais do Brasil, 898 pp., figs., São
Paulo.
Ihering, R., 1963, Da vida dos nossos
animais, 4. a ed., 320 pp. figs., Rio
Grande do Sul, Editora Rotermund.
Loureiro, A. A. & Silva, M. F., Catálogo
de Madeiras da Amazônia — I,
Manaus. (Inédito) .
Onety Soares, R., Relatório do levan-
tamento da área da Reserva Flo-
restal Ducke, Manaus (inédito)
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
VoL 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 69-77 — 1967
A CONSERVAÇÃO DO SOLO NA AMAZÔNIA
JOSÉ BERTONI *
Instituto Agronômico, Campinas, São Paulo
O objetivo dêste estudo é apre-
sentar diretrizes de um programa
de conservação do solo na Ama-
zônia.
A Amazônia, situada ao longo
do equador, destaca-se pela ampli-
tude e grandiosidade do seu quadro
natural. É uma imensa planície
mantendo-se quase ao nível do
mar na maioria de sua extensão.
O grande rio drena uma vastíssi-
ma área que recebe forte precipita-
ção em uma bacia hidrográfica
larga que se estreita nas vizinhan-
ças do Oceano, ocupando uma
enorme planície cenozoica de fraca
altitude e diminuta declividade.
Neste estudo-programa são apre-
sentados os levantamentos neces-
sários, os estudos básicos, as pes-
quisas e a extensão, para execução
de trabalho visando a obtenção de
dados básicos na adoção generali-
zada de métodos de conservação
dos recursos naturais.
DESCRIÇÃO
No território brasileiro a Ama-
zônia representa mais de três mi-
lhões e meio de quilômetros qua-
drados, ou seja, quase dois terços
da área do país.
Os geógrafos nacionais dividem a
Amazônia em três zonas: a boreal
serrana, a central e a das gran-
des matas do sudoeste. Na primei-
ra, num relêvo granítico acentua-
do localiza-se o sistema guiano
com três bacias hidrográficas: a do
Amazonas, pelas águas dos rios
Branco e Negro, a do Orenoco e a
do Esequibo-Rupununi. Na segun-
da, as ondulações do terreno são
apagadas, com pequenos tabulei-
ros entre o Paru e o Parintins. Na
terceira zona, os rios tomam dire-
ção da cordilheira andina ou vão
para os chapadões matogrossenses,
é onde os campos são raros e aí
se localizam as florestas e as se-
ringueiras (7).
De um modo geral o clima da
Amazônia caracteriza-se pela cons-
tância da temperatura elevada e
abundância de chuvas. À noite,
* Eng.° Agr.°, M. S., Dr. Agr., Chefe
da Seção de Conservação do Solo, do
Instituto Agronómico de Campinas.
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SciELO
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
VoL 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 69-77 — 1967
A CONSERVAÇÃO DO SOLO NA AMAZÔNIA
JOSÉ BERTONI *
Instituto Agronômico, Campinas, São Paulo
O objetivo dêste estudo é apre-
sentar diretrizes de um programa
de conservação do solo na Ama-
zônia.
A Amazônia, situada ao longo
do equador, destaca-se pela ampli-
tude e grandiosidade do seu quadro
natural. É uma imensa planície
mantendo-se quase ao nível do
mar na maioria de sua extensão.
O grande rio drena uma vastíssi-
ma área que recebe forte precipita-
ção em uma bacia hidrográfica
larga que se estreita nas vizinhan-
ças do Oceano, ocupando uma
enorme planície cenozoica de fraca
altitude e diminuta declividade.
Neste estudo-programa são apre-
sentados os levantamentos neces-
sários, os estudos básicos, as pes-
quisas e a extensão, para execução
de trabalho visando a obtenção de
dados básicos na adoção generali-
zada de métodos de conservação
dos recursos naturais.
DESCRIÇÃO
No território brasileiro a Ama-
zônia representa mais de três mi-
lhões e meio de quilômetros qua-
drados, ou seja, quase dois terços
da área do país.
Os geógrafos nacionais dividem a
Amazônia em três zonas: a boreal
serrana, a central e a das gran-
des matas do sudoeste. Na primei-
ra, num relêvo granítico acentua-
do localiza-se o sistema guiano
com três bacias hidrográficas: a do
Amazonas, pelas águas dos rios
Branco e Negro, a do Orenoco e a
do Esequibo-Rupununi. Na segun-
da, as ondulações do terreno são
apagadas, com pequenos tabulei-
ros entre o Paru e o Parintins. Na
terceira zona, os rios tomam dire-
ção da cordilheira andina ou vão
para os chapadões matogrossenses,
é onde os campos são raros e aí
se localizam as florestas e as se-
ringueiras (7).
De um modo geral o clima da
Amazônia caracteriza-se pela cons-
tância da temperatura elevada e
abundância de chuvas. À noite,
* Eng.° Agr.o, M. S„ Dr. Agr., Chefe
da Seção de Conservação do Solo, do
Instituto Agronômico de Campinas.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
rogêneas de alto valor, realizadas
em um trecho da mesma área, sem
ultrapassar os limites de um quar-
to da área total, preservadas a
fauna e a flora das três quartas
partes restantes.
Por fim, ressalta a necessidade
crescente de pesquisas básicas em
matéria da biologia e da botânica
para o desenvolvimento da região
Amazônica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Carvalho, A. L., 1955, Os Jacarés do
Brasil. Arq. Mus. Nac., Rio de Ja-
neiro, 42 (1): 127-150.
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Iherxng, R., 1940, Dicionário de Ani-
mais do Brasil, 898 pp., figs., São
Paulo.
Iherxng, R., 1963, Da vida dos nossos
animais, 4. a ed., 320 pp. figs., Rio
Grande do Sul, Editora Rotermund.
Loureiro, A. A. & Silva, M. F., Catálogo
de Madeiras da Amazônia — I,
Manaus. (Inédito) .
Onety Soares, R., Relatório do levan-
tamento da área da Reserva Flo-
restal Ducke, Manaus (inédito)
70
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
quando sopram os ventos alísios
que penetram no continente, há
uma relativa queda na tempera-
tura. Nas regiões das savanas, que
circundam a planície amazônica,
as condições climáticas são melho-
res em razão da altitude, do re-
gime de chuvas e da boa ventila-
ção (9).
O clima da Amazônia é do tipo
Equatorial e corresponde ao gru-
po A da classificação de Kõppen,
isto é, “aos climas quentes e úmi-
dos cuja preponderância no país é
explicada: a) pela exposição nor-
mal, da longa costa norte, aos
fluxos da massa Equatorial atlân-
tica; b) pela escancarada planície
amazônica, que lhes admite gran-
de penetração no continente; c)
principalmente pelo alargamento
considerável do território nas bai-
xas latitudes, onde os valores da
umidade relativa sôbre a Hiléia se
exaltam em virtude dos modestos
efeitos térmicos da continentali-
dade” (1).
Os climas quentes e úmidos não
têm estação fria, as médias térmi-
cas mensais são superiores a 18°C
e a temperatura anual é uniforme.
O clima Af, equatorial sempre úmi-
do, sem estação sêca definida, é
encontrado em parte limitada da
' região, onde a chuva é superior a
2.000 mm anuais e a paisagem é
representada pela presença de flo-
restas de folhas perenes. O clima
Am, quente e úmido de monções
ocorre na maior área da região,
onde a precipitação é muito eleva-
da compensando a existência de
uma estação sêca, dando desenvol-
vimento a florestas densas. O
clima Aw, tropical úmido, com ní-
tida estação sêca no inverno,
abrange grande área do extremo
meridional, com chuvas superiores
a 1.500 mm anuais e corresponde
à área dos cerrados.
Não há problemas de econo-
mia de água durante a maior parte
do ano. As precipitações abundan-
tes quase que diárias repõem a
água retirada pela evaporação e
transpiração abundante e a dre-
nada para a profundidade. Du-
rante o curto período de estiagem,
de um a dois meses do ano, podem
ocorrer sintomas de falta de água
resultantes do esgotamento das
reservas contidas nas camadas ao
alcance das raízes.
Os solos da Amazônia são ainda
quase desconhecidos. Os estudos
pedológicos que foram realizados
até agora dão apenas uma infor-
mação geral das suas necessidades
e disponibilidades (10).
A região tem experimentado
um longo período de relativa tran-
qüilidade geológica, a qual lhe tem
proporcionado uma feição essen-
cialmente inalterada em clima e
vegetação desde o início do Meso-
zoico (3).
De um modo geral os solos da
Amazônia pertencem ao terciário
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 71
e quaternário. Os aluviões recen-
tes constituem a menor parte. Os
solos têm sido classificados em
duas categorias, as terras firmes e
as terras de várzea. As terras fir-
mes são as que escapam aos efei-
tos das enchentes dos rios e as
terras baixas são as que se cobrem
com água nos períodos das en-
chentes. Nas terras firmes estão os
grandes revestimentos florestais,
constituindo a Hiléia Amazônica.
“As terras firmes deram, durante
muito tempo, a idéia de que os solos,
que aquêle revestimento escondia aos
olhares do homem, eram de uberdade
manifesta, que assegurariam êxito a
qualquer tarefa de natureza agrária
que se tentasse. Cediam todos ante a
exuberância das árvores copadas de
uma floresta tropical fechada, que era
preciso destruir para abrir as clareiras
necessárias à instalação humana...
A experiência obtida em terras tropi-
cais do tipo das amazonas, levam a
uma mudança. Assim, estão caindo em
descrédito, para os efeitos da emprêsa
agrícola, ordenada, aquele mundo ver-
de, espêsso, que levou à exaltação dos
cronistas e a uma literatura ufanista
sem precedentes, literatura que preju-
dicou em profundidade a identificação
severa e exata do que representava
para os empreendimentos econômi-
cos’’ (7).
De acordo com o trabalho de
Camargo & Carvalho *, citado por
Reis (7), as terras firmes, forma-
* Camargo, F. & Carvalho, D.,
1951, Aproveitamento das várzeas da
Amazônia para produção de alimentos.
Rio.
das em sua maioria de sedimen-
tos milenários, são pobres, desti-
tuídas dos elementos minerais in-
dispensáveis para sustentar cultu-
ras intensivas. A terra em si é
extremamente pobre e se esgota
em menos de quatro anos. As ter-
ras de várzea, embora não tenham
a riqueza das formações do Nilo,
ou de outras regiões do mundo,
constituem a grande reserva de
terras amazônicas destinadas à
produção intensiva de gêneros ali-
mentícios. Essas várzeas são mais
partes do leito do rio Amazonas
do que terra propriamente dita, e
durante alguns meses do ano elas
se incorporam ao leito do grande
Rio. No máximo da enchente o
Amazonas transborda e se estende
sôbre as margens ficando com a
largura de 60 a 100 quilômetros.
O solo das várzeas é enriquecido
constantemente pelo aluviona-
mento dos sedimentos carregados
pelas águas das enchentes e marés.
Tais solos são mais apropriados
para as práticas agrícolas que os
de terra firme, onde sempre há o
perigo de esgotamento sem possível
reposição (6).
A maior parte dos solos sedimen-
tares são profundos, de acordo
com a sua gênese, realizada pelo
acúmulo de material fino trans-
portado de outros locais. Na área
sedimentar da bacia amazônica, as
concreções ocorrem a alguns me-
tros de profundidade, ficando reco-
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72
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
bertas por camadas de solo argilo-
-arenoso de espessura variável.
Afirma Egler (4) que a existência
dessa laterita não é tão nociva
porque constitui uma camada pou-
co permeável que impede de certa
maneira a lixiviação para a profun-
didade dos elementos solubiliza-
dos na superfície, deixando-os ao
alcance das raízes; o grande perigo
está na derrubada da cobertura
florestal, desencadeando uma ero-
são acelerada, que acaba expondo
a crosta estéril à superfície.
Day (2) em seu estudo de
classificação dos solos conclui que
a maior parte das terras da Ama-
zônia são no mínimo bem adap-
tadas à produção agrícola e pe-
cuária. Devendo, porém, através
da pesquisa, ser determinado
o seu potencial, especialmente
em experimentos de resposta a fer-
tilizantes e a práticas de manejo
do solo. Conclui, também, que os
solos da região são profundos, sen-
do a presença da laterita, uma
ocorrência comum. A fertilidade é
baixa, mas tem, porém, uma boa
estrutura e absorve bem a água.
A enxurrada é rara, mesmo com
chuvas intensas, quando o solo
coberto com vegetação natural.
Em algumas regiões as terras
firmes são constituídas de terrenos
do quaternário inferior, pobres em
sais minerais, às vêzes, intensa-
mente meteorizadas, empobrecidas
pelas queimas anuais. Concreções
ferralíticas, pobreza em matéria
orgânica, vegetação muito esparsa
e formação de casas de cupins, são
característicos (5).
A vegetação típica é a floresta
latifoliada equatorial, constituída
pela Hiléia, recobrindo cêrca de
40 % do território brasileiro. Repre-
senta uma das maiores áreas flo-
restais do mundo, podendo-se dis-
tinguir três aspectos bastante ca-
racterísticos e que se acham liga-
dos às condições topográficas:
a) nas margens dos rios, as ár-
vores são baixas, apresentando-se o
solo permanentemente alagado,
constituindo a chamada mata de
igapó;
b) à medida que se caminha
em sentido perpendicular ao rio,
a vegetação, embora numerosa, é
menos intrincada, as inundações
só existem por ocasião das cheias
e essa floresta, periodicamente ala-
gada, é denominada de várzea;
c) finalmente, a mata de terra
firme, recobrindo a maior parte da
área da Hiléia, é constituída de
árvores de maior porte, não sendo
normalmente atingida pelas en-
chentes. Os campos da planície
amazônica apresentam-se, no ge-
ral, como campos de várzea, alagá-
veis nas épocas de cheia (8). À
medida que se aproximam da água
as matas de várzea apresentam de-
graus de decrescentes alturas, sen-
do, nesses locais, difícil a indicação
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 73
de um vegetal como pertencente
ao campo ou à mata (6).
Na Amazônia, a flora é de uma
riqueza particular, variando de
acordo com a natureza do solo; é
frondosa ou rasteira, não apresen-
tando homogeneidade. Há prepon-
derância de leguminosas e palmá-
ceas e são inúmeras as plantas
úteis tanto as de uso industrial,
como as de uso medicinal, de con-
dimentação, resinas, ornamentais
e as de fruta de uso diário (7).
Com relação à fauna, afirma
Reis que, sem querer concluir que
seja pobre, é desconcertante na
paisagem amazônica. As espécies
são variadas e concorrem para a
manutenção alimentar da região.
Porém, a fauna ictiológica é a que
oferece maiores possibilidades sen-
do a que garante a presença do
homem amazônico pela subsistên-
cia que lhe vem assegurando atra-
vés dos tempos (7).
DIRETRIZES PARA
UM PROGRAMA
Como medida fundamental es-
sencial de um programa de con-
servação do solo, para a região
amazônica, terá que ser elaborado
um plano de pesquisas e levanta-
mentos básicos, visando inventariar
as características ecológicas, eco-
nômicas e sociais da agricultura
que condicionam a conservação do
solo.
EXPERIMENTAÇÃO E PESQUISAS
I — Estações experimentais
Sendo as condições de clima e
solo muito variadas é essencial a
existência de estações experimen-
tais onde possam ser realizados es-
tudos visando orientar a agricul-
tura não só no seu aspecto geral
como, e principalmente, no que se
refere à conservação do solo. A
imensa região amazônica necessita
de conhecimentos técnicos que de-
vem ser adotados nos distintos
pontos de sua área.
II — Pesquisas básicas
As pesquisas deverão ser condu-
zidas visando os seguintes objeti-
vos básicos:
a) Estudar a natureza, as
causas, a extensão e os efeitos da
erosão nos vários sistemas de uso
do solo;
b) Estudar os efeitos das inun-
dações periódicas nas propriedades
físicas e químicas do solo e na sua
utilização;
c) Determinar e experimentar
as medidas fundamentais e as prá-
ticas econômicas de conservação,
restauração e conquista do solo,
inclusive a drenagem e a pesquisa
de plantas e métodos para utiliza-
ção econômica de terrenos natu-
ralmente improdutivos;
d) Interrelacionar os diversos
ramos da ciência e da prática en-
volvidos nos problemas de conser-
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74
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
vação do solo, desenvolvendo uma
estreita colaboração com entidades
correlatas;
e) Experimentar medidas fun-
damentais, práticas e econômicas,
de conservar o solo, restaurando
as condições imprescindíveis para
um uso compensador da terra;
f) Colaborar no estudo da con-
servação do solo e dos seus efeitos,
no que diz respeito às terras de
cultura, aos cursos d’água, às re-
servas da flora e fauna silvestres,
sôbre a estabilidade e prosperida-
de das populações, sôbre os siste-
mas de exploração do solo e sôbre
o equilíbrio econômico 3 social da
coletividade.
III — Estudos meteorológicos
e hidrológicos
Como base para o cálculo de de-
terminadas práticas conservacio-
nistas e de estruturas, são indis-
pensáveis certos dados meteoroló-
gicos e hidrológicos, notadamente
aquêles que dizem respeito à in-
tensidade de chuvas e aos coefi-
cientes de drenagem de bacias
hidrográficas sob diferentes condi-
ções de solo, topografia, confor-
mação e cobertura.
Estudos básicos são necessários,
também, no que se refere à deter-
minação da velocidade de infiltra-
ção da água no solo, à evaporação
e transpiração, e à percolação.
IV — Estudo das práticas
conservacionistas
Visando estudar 0 efeito sôbre a
produção das principais práticas
conservacionistas, como base para
0 julgamento de sua praticabili-
dade e vantagem econômica, deve-
rão ser programados vários ensaios
tendo por finalidade estudar:
a) Práticas de preparo do solo;
b) Cobertura morta (“mulch”) ;
c) Vegetações de propriedades
forrageiras com finalidade de re-
cuperação do solo;
d) Combinação de leguminosas,
gramíneas e essências com a fina-
lidade de restaurar a matéria or-
gânica;
e) Adubação e corretivos;
í) Rotação de culturas;
g) Práticas mecânicas e vege-
tativas para 0 controle da erosão;
LEVANTAMENTOS
Com a finalidade de obter infor-
mações mais seguras da região
será necessário proceder a diversos
levantamentos para conhecer:
a) As características físicas e
quimicas dos solos sob o ponto de
vista do desenvolvimento das plan-
tas;
b) Caracterização e mapea-
mento da erosão existente;
c) As condições atuais de uso
do solo na região. Tal levantamen-
to deverá mostrar, em tempo 0
mais curto possível, a situação
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 75
atual das terras da região sob o
ponto de vista da erosão existente
e das possibilidades reais de pro-
dução, permitindo assim a elabo-
ração imediata de um plano que
atenda prontamente as áreas que
se mostrarem mais necessitadas.
EXTENSÃO
Um plano de divulgação e en-
sino da conservação do solo deverá
ser pôsto em execução, tendo em
vista:
a) Divulgar por todos os meios
usuais os argumentos em favor da
conservação do solo e das práticas
conservacionistas que estejam com-
provadas pela experimentação;
b) Executar práticas conserva-
cionistas;
c) Fornecer orientação a todos
agricultores por meio de boletins,
impressos, comunicados, projeções
cinematográficas, cursos rápidos,
assistência técnica, etc .
d) Organizar um sistema de
concessão de prêmios e financia-
mentos a fim de estimular a apli-
cação de práticas conservacionis-
tas.
UNIDADES DE TRABALHO
A unidade de trabalho deverá
ser a bacia hidrográfica. Bacia hi-
drográfica é a unidade natural
onde a interação solo, geologia,
água e vegetação é representada
pela quantidade e qualidade da
enxurrada.
Os trabalhos de conservação do
solo em fazendas isoladas sem dú-
vida beneficiam aquelas proprie-
dades, entretanto no sentido do
bem geral da comunidade o tra-
balho em bacia hidrográfica deve-
rá ser a meta.
A proteção de uma bacia hidro-
gráfica consiste na aplicação das
necessárias práticas de conserva-
ção do solo dentro de um programa
cooperativo incluindo bases educa-
tivas, sociais e financeiras
Agradecimentos — O autor agradece
ao Conselho Nacional de Pesquisas e
ao Instituto Agronômico de Campinas
as facilidades recebidas para a apre-
sentação dêsse estudo ao Simpósio so-
bre a Biota Amazônica.
SUMÁRIO
O autor apresenta as caracterís-
ticas da região amazônica com
relação ao clima, ao solo, à flora
e à fauna. Com base nesse estudo
apresenta as diretrizes para um
programa de conservação do solo
daquela região.
Para a execução do programa é
essencial a localização de estações
experimentais onde possam ser
realizados os estudos visando ori-
entar a agricultura.
As pesquisas básicas deverão ser
conduzidas com a finalidade de
estudar a natureza, as causas, a
extensão e os efeitos da erosão; os
efeitos da inundação na utilização
do solo; as medidas fundamentais
e as práticas econômicas de con-
76
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
servação do solo; seus efeitos sô-
bre o equilíbrio econômico e social
da coletividade.
Os estudos meteorológicos e hi-
drológicos são indispensáveis nota-
damente os que dizem respeito à
intensidade de chuvas e coeficien-
tes de drenagem.
São apresentadas algumas das
práticas conservacionistas que de-
verão ser estudadas com relação
ao seu efeito na produção.
Alguns levantamentos deverão
ser executados, com a finalidade dê
determinar as características físi-
cas e químicas dos solos, do ma-
peamento da erosão existente e
das condições atuais do uso do
solo.
Um plano de divulgação e fo-
mento da conservação do solo de-
verá ser executado a fim de pro-
porcionar assistência técnica aos
lavradores.
A unidade de trabalho deverá
ser a bacia hidrográfica onde a in-
teração do solo, geologia e vege-
tação é representada pela quanti-
dade e qualidade da enxurrada. '
SUMMARY
In this paper, the author pre-
sents the main characters of the
Amazon Region related to climate,
soil and wildlife. Based upon this
study, the basic points for a soil
conservation program are set
forth.
In order to carry out such a
program, the appropriate locations
of the experimental stations are
essential.
The basic research works must
be aimed at the studies of the
nature, the causes, the extent and
the effects of soil erosion; flooding
and its effects on land use; the
economical and elementary soil
conservation practices; and their
effects on the social and economic-
al balance of the community.
Meteorological and hydrological
studies are regarded essential;
mainly those related to rainfall
intensity and drainage coefficients.
Some soil conservation practices
that must be studied concerning
crop yields, are presented.
Some land surveys must be
carried out to determine the
physical and Chemical character-
istics of the soils, the mapping of
the actual erosion, and the present
type of land use.
Some kind of a soil conservation
extention Service plan, must be
outlined so, in the future, the
farmers can have the needed tech-
nical assistance.
The work unit to be considered,
must be the watershed, where the
interaction of the soil, the geology,
the water, and the vegetation are
represented by the amount and
quality of the runoff occurring.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 77
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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In Brasil — A Terra e o homem,
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recuperação dos solos empobreci-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 79-96 — 1967
PROBLEMS OF NOMENCLATURE AND THEIR INFLUENCE
ON CONSERVATION POLICIES IN LATIN AMERICA
MARIA BUCHINGER
Nature Conservancy, Washington, D. C., U. S. A.
In the past several years the
term “National Park” or equiva-
lent reserve was írequently used
in recommendations of socio-econ-
omic meetings and scientific
congresses. Because of the in-
creased public use of parks the
recreational aspects were stressed
and man’s rapid modification of
the landscape motivated scientists
to save remnant samples of natural
areas. The natives’ interest in the
establishment of parks was be-
cause they sought to maintain a
vestige of their mode of life from
the encroachment by modern colo-
nizai ion.
The governments of the western
hemisphere responded positively
to the conservation movement.
They began to update the relevant
legislation, or where it was neces-
sary, new bilis were enacted, na-
tional parks, equivalent reserves
or wildlife refuges were established,
administration and or advisory
councils were or are being formed.
During the process variations and
mconsistencies appeared as the
park policies in most countries
were and are based on precedents
and usage rather than on well-
defined universally acknowledged
concepts. Frequently, the respon-
sibilities of governmental agencies
overlap. The forest Service, park
Service, fish and wildlife Service,
tourist organizations and bureaus
of Indian affairs share in several
countries interest spheres. Some-
times the agencies depend on
different ministeries or depart-
ments and therefore their aims
and efforts are not always identical
or coordinated. The issue becomes
íurther complicated when the
vigilance of parks or equivalent
reserves is entrusted to military
personnel whose way of interpret-
ing conservation and preservation
concepts might also be reflected
on the legislation.
The development of renewable
natural resources and the planning
of park systems can be initiated
by a presidential decree, national
80
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
planning boards, the directors oí
the agrarian reform, the depart-
ments of interior, agriculture
and/or commerce. State and
federal agencies get involved in
the procedures. As interest groups
with different backgrounds begin
to appreciate the natural values,
scientific and popular articles are
written on the subject and private
organizations are formed to pro-
mote conservation ideais. The same
words are used in different ways
and mean different things to
different users. Thus, communi-
cation and coordination is greatly
handicapped.
Such inconsistencies became
specially evident when interna-
tional agencies began to gather
conservation information and dis-
tribute it to facilitate communi-
cation. The international aspect
of astute conservation planning
and management is obvious, as
ecosystems and renewable natural
resources are often shared by
neighboring countries. A close
cooperation among all those who
are involved in natural resource
policies has to be based on
meaningful terms.
According to Bridgman a
meaningful term must be relatable
to some concrete process, event or
object, so that verification can be
forthcoming. Few words and
concepts which are constantly used
have meanings originally ascribed
to them. Nevertheless the accep-
table error surrounding their usage
in everyday life is generally so
wide that it is tolerated. Only in
times of criticai debates and when
evident ambiguity occurs, is
attention focused on the vagueness
of the concept and the problems
of nomenclature as such. Such
criticai times have come now in
the field of conservation and it is
hoped that in the not too distant
future a unified nomenclature can
be achieved. The present paper,
however, is not an attempt to
elaborate such a proposal. The
author merely wishes to point out
some divergencies in the use of
terms and explain, as far as this
is possible, why and how these
terms have received their present
concept.
THE EVOLUTION OF
CONSERVATION CONCEPTS
AND TERMIN OLOG Y
Even though the conservation
movement as such has only recent-
ly received national and interna-
tional attention, the history of
conservation and preservation can
be traced back to mythological
times. According to legends, the
ancient god Silvanus was most
indignant when somebody dam-
aged the forests and its inhabit-
ants. He marked the limits of his
domain with boulders and protect-
ed them fiercely. The Roman poet
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 81
Livius described in 507 A.D. this
robust, quarrelsome god, who con-
sidered the human beings the
worst enemies of the forest; he
was the personified protectionist.
All over the world, plants and
animais greatly influenced the
religious practices and resource
protection often took a religious
or mystical significance. Since
culture is reflected in the
language, the presence of a word
meaning conservation or protec-
tion in Sanscrit demonstrates the
early evolution of conservation
concepts.
Conservation, preservation and
protection are terms often used as
though synonymous and even a
current definition of conservation,
Webster, 1963, reads, “a careful
preservation and protection of
something”. In professional circles
conservation is more readily
defined as “the wise use without
Waste of the natural resources”;
preservation is the maintenance of
the present state of an area or
category of living things; the term
protection means to shield an area
or some organisms against modi-
fying influences. Notwithstanding
such definition, the expressions
are often used without discrimi-
nation.
The frequently used word “park”
is also somewhat ambiguous. The
yus of the Chinese, paradise of
the Persians, the nemoras of the
Romans and Carthaginians can all
be considered as forerunners of
the modern park systems. Some
parks were areas maintained in
their natural state as public
property. In other cases the park
was used as a game preserve or
recreation area and its value could
be enhanced by the introduction
of exotic plants and animais.
These different interpretations
of the word “park” have led inev-
itably to conceptual difficulties
within particular religious, biolo-
gical, anthropologic, political or
legal contexts.
Lack of communication among
countries prevented an even dis-
tribution of the available informa-
tion. In Latin America the conser-
vation movement was strongly
influenced by scientists or legis-
lators who returned from visits
abroad, or by guest scientists. This
accounts for the isolation and
divergence in the use of certain
terms. Those coming from the
United States brought the original
national park and wilderness
concepts. Luxurious parks with
exotic plants and wildlife, on the
other hand, show European and
Oriental influence. Some of these
parks were given by their owners
or acquired by the governments
“for the enjoyment and benefit of
future generations”. Such legally
6 — 37.153
82
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
established state and national
parks seldom include natural
areas.
TERMIN OLOGY OF DOCUMENTS
WHICH INFLUENCED LATIN
AMERICAN CON SERVATION
LEGISLATION
A. rNTEENATIONAL DOCUMENTS
I. Convention Relative to the
Preservation of Fauna and
Flora in Their Natural State
( London 1933)
1. The expression “national
park” shall denote an area (a)
placed under public control, the
boundaries of which shall not be
altered or any portion be capable
of alienation except by the compet-
ent legislative authority, (b) set
aside for the propagation, protec-
tion and preservation of wild
animal life and wild vegetation,
and for the preservation of objects
of aesthetic, geological prehistoric,
historical, archeological, or other
scientific interest for the benefit,
advantage, and enjoyment of the
general public, (c) in which the
hunting, killing or capturing of
fauna and the destruction or
collection of flora is prohibited
.except by or under the direction
or control of the park authorities.
In accordance with the above
provisions facilities shall, so far
as possible, be given to the general
public for observing the fauna and
flora in national parks.
2. The term “strict natural
reserve” shall denote an area
placed under public control,
throughout which any form of
hunting or fishing, any underta-
kings connected with forestry,
agriculture, or mining, any exca-
vations or prospecting, drilling,
levelling of the ground, or con-
struction, any work involving the
alteration or the configuration of
the soil or the character of the
vegetation, any act likely to harm
or disturb the fauna or flora, and
the introduction of any species of
fauna and flora, whether indigen-
cus or imported, wild or domestic-
ated, shall be strictly forbidden;
which it shall be forbidden to
enter, traverse, or camp in without
a special written permit from the
competent authorities; and ir
which scientific investigations may
only be undertaken by permission
of those authorities.
II. Convention on Nature Pro-
tection and Wildlife Preser-
vation in the Western
Hemisphere (1940)
1. The expression national
parks shall denote:
Areas established for the pro-
tection and preservation of super-
lative scenery, flora and fauna of
national significance which the
general public may enjoy and from
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 83
which it may benefit wlien placed
under public control.
2. The expression national
reserve shall denote:
Regions established for conser-
vation and utilization of natural
resources under government con-
trol, on which protection oí animal
and plant life will be afforded
insofar as this may be consistent
with the primary purpose of such
reserves.
3. The expression natur e
monuments shall denote:
Regions, objects, or living species
of flora or fauna of aesthetic,
historie or scientific interest to
which strict protection is given.
The purpose of nature monuments
is the protection of a specific
object, or a single species, as an
inviolate nature monument, except
for duly authorized scientific
investigations o r government
inspection.
4. The expression strict wilder-
ness reserves shall denote:
A region under public control
characterized by primitive con-
ditions of flora, fauna transporta-
tion and habitation wherein there
is no provision for the passage of
motorized transportation and all
commercial developments are
excluded.
III. Bourdelle (1947) presented
for the Commission of Nomen-
clature of the International Con-
ference for Nature Protection, an
essay to unify the nomenclature
of nature protection (see Annex 1).
His definitions of “Integral Na-
tural Reserves”, “Managed Natural
Reserves” and “National Parks”
were used in several Latin Amer-
ican countries as a basis for
conservation legislation as well as
the criticism of governmental
actions.
IV. The UN List of National
Parks and Equivalent Re-
serves (1962) defines the
term “equivalent reserves”
as follows:
“The term ‘equivalent re-
serves’ would apply to those
areas which, although not
specifically designated as na-
tional parks, qualified for
inclusion in the international
list as significant areas which
were given equal protection
and which corresponded to
the definition given in the
London Convention. The list
would not include, on the
other hand, many reserves
such as those set aside for
such purposes as the pro-
tection of forests, historie
monuments or special game
species”.
V. The Fifth Inter- American
Congress of Indigenes
(1964) recommends:
“ . . . that the governments of
the member countries should
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
84
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
create, maintain and amplify
the forest reserves or national
parks in wilderness areas
which are inhabited by
indigenous forest dwellers,
with the double purpose to
assure for these groups the
traditional lands and to
safeguard the preservation of
the original flora and fauna,
which are in our days sub-
mitted to inadequate and
destructive exploitation”.
B. NATIONAL DOCUMENTS
I. The United States of Amer-
ica, being the pioner in the
establishment of national parks
was always considered a leader in
the field and its influence on park
legislation as well as on policy
making and the interpretation of
the law is widely copied. The
definitions in Annex 2 are excerpts
from the National Park Service
Glossary (1960).
The Forest Service of the United
States of America has long recog-
nized the value of natural areas.
Within the policies of multiple use
in the national forests it is
established that some tracts can
serve the greatest good as wilder-
ness or wild areas (Annex 3).
The Outdoor Recreation Re-
sources Review Commission of the
United States of America presented
a report in 1962 which gives the
following definition of a wilderness
tract (For complete copy, see
Annex 4).
A wilderness tract for inventory
and concept analysis in this report
is a tract of land, including interior
bodies of water, open to overnight
public use and entry by foot,
horseback, or hand-propelled
vessel; primar ily in public owner-
ship, in the continental United
States:
1. Not less than 100,000 acres
in extent;
2. Containing no roads
a. constructed for passenger
car traffic, in mountain-
ous terrain;
b. suitable for passenger car
traffic in deserts of plains;
3. Existing as a single unit
with boundaries reasonably
free of indentation;
4. With its succession or major
ecological stages not inter-
rupted by on-site human,
influence, except that
a. effects of domestic live-
stock are acceptable,
b. effects of selective logging
before 1920 are acceptable
east of the 98th meridian,
c. ecological effects of fire
suppression are accept-
able in all areas.
n. “In Great Britain the term
‘National Park’ is confined to areas
in England and Wales (but not in
Scotland) which are designated as
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 85
such on account of their natural
beauty and the opportunities they
afford for open air recreation.
Such areas are not owned or
managed by the National Parks
Commission and are under the
supervision of local planning
authorities”, according to the UN
List of National Parks (1962).
III. In Germany, a Nature Park
Program has been in operation for
many years. A nature park is a
vast extension of land with pleas-
ing scenery of national signifi-
cance which is appropriate for
recreation and therefore has to be
protected and managed so as not
to disturb the beauty of the
landscape (Offner, 1962). Because
of the strong cultural ties the
German influence on conservation
is felt in many parts of Latin
America.
EVALUATION OF PROBLEMS IN
CONSERVATION TERMIN OLOGY
AND CONCEPTS
At the suggestion and with the
assistance of our colleague Bruce
Bandurski, we set up a table
(Table 1) to demonstrate to what
extent legally defined reserved
areas differ in the kind of manage-
ínent practices permitted in them.
The relevant items are checked by
a single cross; a double cross
stands for emphasis. For example,
in the western hemisphere most
national parks are set up primarily
to preserve an ecosystem which is
unmodified by man and therefore
are checked with a double cross.
In other cases a previously man-
modified environment is protected
or an unstable ecosystem main-
tained by adequate management,
e.g. national parks which include
wetlands. The restoration of past
ecosystems is beautifully illustrat-
ed in parts of the Rio de Janeiro
National Park. Some facilities such
as nature trails and camping sites
are introduced into most parks.
The maintenance of one or a
category of organisms permits
changes which improve their living
conditions. Altering the vegetation
in Wildlife Refuges and controlled
burnings in forests are common
practice.
From the table it becomes
evident that certain terms have
several definitions which might
include contradictory concepts of
land use practices. According to
the Pan American Convention,
National Parks exclude sustained
yield management; in the National
Parks of Great Britain the sustain-
ed yield management of indigenous
features is permitted and in the
National Parks for Indigenes it is
an essential feature.
In regard to indigenes it is
generally considered that they
form part of the natural landscape
since their use of plants and
animais for food and other
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 87
necessities does not interfere with
the stability of the ecosystem. Thus
they would fit into the National
Park concept of the Pan American
Convention. Habits and practices
acquired through contact with
different cultures, as well as
encroachment into their original
habitat, however, results in the
tendency to modify their environ-
ment. Anthropological Reserves
and National Forests and Park
Reserves according to the CII
presupposes the sustained yield
Management of the indigenous
features and also allows for the
introduction of organisms such as
domestic animais and cultivated
plants. The reserves are set up
primarily for the protection of the
people who live in them and not
for enjoyment and benefit (scien-
tific or touristic) of visitors.
That such areas eventually
attract scientists and tourists is a
fringe benefit. However, as already
stated, the impact of the civiliza-
tion of the visitors inevitably
changes the original life form of
the native communities and conse-
quently also their habitat. For the
tourists’ sake old traditions may
be maintained and revived but
this is obviously only a show.
In this respect it has to be
remembered that while the in-
digenous delegations at the Quito
Congress urged the establishment
of national parks for their own
protection, several Latin American
countries made policy statements
against using the terms ‘natives’
and ‘indigenes’ or setting up
reserves for them. It is maintained
that they are citizens with equal
rights who should be given land
which they can use at their own
discretion.
As already mentioned in the
introduction, frequently even
within the same country, national
parks are established and adminis-
tered by different agencies. Dorney
(1966) has already referred to the
decrees and laws on which the
administration of national parks
and equivalent reserves of the
Amazon Basin are based. The
Xingu National Park depends, for
example, directly on the president
of the Republic of Brazil, while
the other parks in the Brazilian
part of the Amazon Basin are
managed according to policies of
the Forest Service of the Ministry
of Agriculture.
It is unfortunate that in the
vast majority of Latin American
countries provisions for the
establishment and maintenance of
national parks and wild life
refuges are included in the forest
legislation. This leads to the
paradoxical situation that an
agency whose major aims should
be the appropriate preservation
and/or management of the exist-
ing forests, and the promotion of
88
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
afforestation and reforestation,
becomes involved in the preserva-
tion of treeless ecosystems and the
management of their flora and
fauna.
The recognized need for con-
tinued evaluation of the national
park policy and the promotion of
the national park idea has led to
the creation of advisory boards.
Peru has recently established a
‘Patronato de Parques Nacionales’.
Such a board has many ad-
vantages. When, however, the
interest of the board includes the
establishment of botanical and
zoological gardens as well as
recreation areas for the amuse-
ment of children, and all these
areas are called ‘national parks’ it
is certainly confusing.
Once an area is legally establish-
ed as a National Park or Forest
Reserve, its status can only be
changed by legal proceedings.
These areas cannot be ignored,
even though definition, size or
actual management (or lack of it)
might be objected to by some
conservationists. Unfortunately
scientists and other critics often
do not know how to help to mold
the legislative process, or how to
help legislators to pass a bill or
remedy an existing problem.
Pointing out the existence of
these problems may pave the way
towards the unification of nomen-
clature and consistent, com-
prehensive legislation. It would be
a step in the right direction if
those countries which share the
responsibilities of conservation
planning in the Amazon Basin
would also agree to use a common
terminology both in their scien-
tific and legal language. Hopefully
such a codification can be achieved
in the next few years.
SUMMARY
Few words and concepts which
are constantly used have the
meanings originally ascribed to
them. Nevertheless the acceptable
error surrounding their usage in
everyday life is generally so wide
that it is tolerated. Only in times
of criticai debates and when
e v i d e n t ambiguity occurs, is
attention focused on the vagueness
of the concept and the problems
of nomenclature as such.
Recently the appreciation for
natural values and enthusiasm
for their preservation and conser-
vation are vigorously growing in
Latin America. Consequently many
articles are written on the subjects
and private organizations are
found to promote the ideais. The
existing legislation is reviewed and
legislative bodies have passed or
are dealing with law projects
concerning the legislation, ad-
ministration and the establish-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 89
rnent of National Parks or equival-
ent reserves and wildlife refuges.
Conservation information is
gathered and distributed by inter-
national agencies, who also re-
commend a close cooperation
among all those who are involved
in natural resource politics.
Communication and cooperation
are practically impossible where
the same words are used in
different ways and mean different
things to different users. Accord-
ing to Bridgman a meaningful
term must be relatable to some
concrete process, event or object,
so that verification can be forth-
coming. It is hoped that in the
not too distant future a unified
nomenclature can be achieved in
the field of conservation. The
present paper however, is no
attempt to elaborate such a pro-
posal. The author merely wishes to
point out some divergencies in the
use of terms and explain, as far
as this is possible, why and how
these terms have received their
present concept.
Since mythological times over
thousands of years, but especially
in the last century, conservation
minded individuais and organiza-
tions were coining words, establish-
ing and modifying concepts often
within particular religions, biolo-
gical, anthropologic, political or
le gal contexts. Sometimes the
same term was used for frankly
contradictory purposes.
Lack of communication among
countries prevented an even
distribution of all available in-
formation. In Latin America the
conservation movement was
strongly influenced by scientists
or legislators who returned from
visits abroad or by guest scientists.
This accounts for the isolation and
divergence in the use of certain
terms as illustrated with examples.
The historie background and
current usage of key words such
as “National Park” are given.
Glossaries of terms used by
schools, meetings, legislation and
papers which had a strong in-
fluence on Latin America, comple-
'ment the study. (European and
U.S. Forest Legislation, National
Park Legislation, London Con-
vention, German School, Pan
American Convention, Interna-
tional Conference for the Pro-
tection of Nature, I.U.C.N.,
O.R.R.R.C. Study Reports etc.)
Pointing out the e x i s t i n g
problems paves the way towards
the unification of nomenclature.
It would be a step in the right
direction if those countries which
share the responsibility of con-
servation planning in the Amazon
Basin would also agree to use a
common terminology, both in their
scientific and legal language.
90
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 91
Annex 1
Excerpts from Essay to Unify the
Nomenclature of Nature
Protection by E. Bourdalle, 1947
A. Natural Reserves.
1. General Natural Reserves.
a) Integral natural reserves.
b) Managed (directed) na-
tural reserves.
c) National parks.
2. Natural Reserves with De-
finite Objectives.
a) Partial reserves.
1. Geological reserves.
2. Botanical reserves.
3. Zoological reserves.
4. Anthropological re-
serves.
b) Special reserves.
1 .
Reserves
sites.
of
natural
2.
Reserves
of
natural
monuments.
3. Forest reserves.
4. Hunting reserves.
5. Fishing reserves.
a) Integral natural reserves are
established for the purpose of
absolute nature protection and
scientific research. All actions
which could interfere with the free
evolution of the natural environ-
ment are completely forbidden,
save such which are specially
authorized by the administration
of the reserve.
b) Managed natural reserves
are established for the purpose of
scientific surveillance and guided
management of the evolution of
nature. The access to such areas
is limited to certain qualified
persons.
c) National parks are such
attractive general natural reserves
which were established for the
double purpose of nature pro-
tection and the education and
enjoyment of the people; they are
open to all persons within the
limits set by the appropriate
authorities. In the national parks
the evolution of the environment
can be subject to such modifica-
tion which tends to increase the
scenic or scientific interest and
favours tourism.
Annex 2
Excerpts from the U.S. National
Park Service Glossary (1960)
National Park Service. The Fed-
eral Government agency which
administers the National Park
System, the National Recreation
Areas, and other Federal areas or
projects related to parks, re-
creation, and conservation of
recreation resources as may be
assigned. It was created for this
purpose, as a bureau of the United
States Department of Interior, by
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
92
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Act of Congress approved on
August 25, 1916.
National Park System. The sum
total of all federally owned areas
administered by the National Park
Service (excepting the reservoir
recreation areas administered
under cooperative agreements with
other agencies) , constituting an
organized and mutually comple-
menting system.
Natural area. A unit of wildland
containing one or more recognized
forest cover types that will be
preserved in an essentially natural,
undisturbed condition indefinitely
and have been so recognized and
identified by the Natural Area
Committee of the Society of Amer-
ican Foresters. Natural areas are
generally 20 to 1,000 acres in size
and are established to perpetuate
these forest types for research and
study. Natural areas have been
established in several national
parks and monuments.
Primitive area. Any of a number
of tracts within the National
Forests, set aside for preservation
in natural condition; no alteration
or development, beyond measures
for fire prevention, being per-
mitted.
Recreation. A broad term which
may refer to enjoyment of park
values or to sports and other
activities having nothing to do
with park values. Generally, in
relation to the parks, the term
“recreation” refers to enjoyment
of park features and values, since
unrelated recreational develop-
ment and use result in encroach-
ment, crowding, and diminution of
park values, and thus are not
valid National Park use.
Recreation area. One of the
reservoir recreation areas ad-
ministered by the National Park
Service through cooperative agree-
ment with the Bureau of Reclama-
tion; or any area that may be ad-
ministered by the Service for the
purpose of providing general
recreation opportunities, and is
not governed by the strict
preservation mandates applicable
to units of the National Park
system.
Research area. An area set aside
in park and protection from
encroachment because of its
special value for scientific research.
Wilderness area. A tract of Na-
tional Forest land set aside by the
Government to preserve natural
conditions for scientific or recrea-
tional purposes. The National
Parks and many National
Monuments are essentially wilder-
ness areas in that natural con-
ditions are preserved so far as
consistent with public use and
enjoyment of them as National
Parks, but no unit of the National
Park System or part thereof is
legally set up under the designa-
tion “wilderness area”.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 93
Annex 3
Excerpts from the Natural Area
PrOGRAM OF THE U.S. FOREST
Service by D. W. Lynch
(1962)
The first formal regulation
developed by the Department of
Agriculture for the preservation
of special areas known as Regula-
tion L-20, became effective in 1929;
in 1930 the first of the Primitive
Areas, under this regulation, were
established. In 1939, the
Secretary’s “U” Regulations be-
came effective and greatly expand-
ed the authority for establishing
special areas on the National
Forests. Since that time, under
the authority of Regulation U-l
and U-2, the Forest Service has
established nearly 15 million acres
of wilderness and wild areas. By
definition, wilderness areas are
single tracts of land of 100,000
acres or more, while wild areas are
tracts between 5,000 and 100,000
acres in size. Except for size, there
is no differences in the objectives
for managing these two types. In
neither wilderness nor wild areas
can there be roads or other pro-
vision for motorized transporta-
tion, no commercial timber cut-
ting, and no occupancy under
special use permit. Wilderness and
wüd areas will not be modified or
eliminated except by order of the
Secretary of Agriculture.
Another phase of the Forest
Service’s preservation program
comes under Regulation U-3. Areas
designated under this regulation,
just as are U-l and U-2 areas, are
considered to be recreational in
nature. However, this, I’m sure,
often causes confusion in the
minds of many citizens who
picture forest recreation areas as
being busy public campgrounds or
resorts. Recreation is a broad term,
and when applied to U-l, U-2, and
U-3 established tracts, it is greatly
qualified to insure a continuation
of natural or near-natural con-
ditions.
Types of areas preserved under
the U-3 regulation are:
Roadless areas
Virgin areas
Scenic areas
Geological areas
Archeological areas
Historical areas
Botanical areas
I think it is evident, in reviewing
the many types of tracts that are
included under U-l, U-2, and U-3
Regulations, that the concept of
recreation areas is very broad and
means different things in different
places.
Now, we come to the final type
of preserved area that I wish to
talk about and which is of
particular interest to us, today.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
These, of course, are natural
areas, set aside by the Forest Service
under Regulation U-4. I sometimes
feel that the name, natural areas,
chosen for these tracts, is unfor-
tunate, because you can see that
many of the types of special areas
discussed above, might be called
natural areas by the general
public.
However, the Forest Service’s
definition of natural areas, as is
also that of the Society of Amer-
ican Foresters, is a major, natural
vegetational type in an unmo-
dified condition, preserved for
purposes of Science and research.
All use, except research and
study is prohibited, and no im-
provements of any kind are built.
Annex 4
Excerpts from Wilderness and
Recreation — A Report on Re-
sources, Values and Problems.
A Report to the Outdoor Recrea-
tion Resources Review Commis-
sion, Washington, D.C., 1962
Wilderness Concepts
(p. 26)
Definition for analysis
A Wilderness Tract for inventory
and concept analysis in this report
is a tract of land, including
interior bodies of water, open to
overnight public use and entry by
foot, horseback, or hand-propelled
vessel; primar ily 23 in public
ownership, in the continental
United States 24 :
1. Not less than 100,000 acres
in extent.
2. Containing no roads 25 :
a. constructed for passenger
car traffic, in mount-
ainous terrain,
b. suitable for passenger car
traffic in deserts or
plains;
3. Existing as a single unit
with boundaries reasonably
free of indentation 20 ;
23 Many wilderness areas contain
parcels of non-federal land, some of
which are developed and used for
private purposes while others are
comparable in character to surround-
ing land.
u Limitation of time and funds
required that the scope of this report
exclude Alaska and Hawaii. It should
be noted, however, that Alaska
contains abundant opportunity for
identifying wilderness resources. Fur-
ther, there is perhaps an opportunity
to identify a Wilderness Tract in
Hawaii National Park.
* In much of the mountain country,
there are roads which do not
significantly detract from wilderness
values, either because they are closed
to public entry and are of low stand-
ards or because they result from
persistent use by all-wheel-drive
vehicles but involve no construction.
In the southwestem deserts and plains,
because of the region’s openness and
hard ground, primitive roads and car
trails are nearly everywhere.
* The criterion with respect to
boundary coníiguration is very difficult
to define in objective terms. A tract
meeting the minimum size in aggre-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 95
4. With its succession or major
ecological stages not in-
terrupted by on-site human
influence, 27 except that :
a. effects of domestic live-
stock are acceptable,
b. effects of selective logging
before 1920 are accept-
able east of the 98th
meridian,
c. ecological effects of fire
suppression are accept-
able in all areas.
gate acreage may be seriously modified
by roads which do not traverse it, but
which require deep indentation of the
boundary to be excluded. Deciding
whether indentation are deep enough
to keep an area from satisfying the
definition requires judgement of their
effects based on size of the whole
tract related to the number and depth
of indentations.
37 The 98th meridian separates two
very different climatic and geologic
regimes, reflected ín different biolo-
gical conditions and, consequently,
different technological development.
All of these factors are pertinent to
present land conditions. It must be
recognized that there is no significant
area of land within the continental
United States which has not at some
time been put to a utilitarian use by
°ien of European stock. Except in a
ve ry few places in the Northern
Rockies, all western lands have been
heavily grazed by sheep and cattle;
ruining and prospecting have been
widespread. As these uses withdraw,
some of the land is gradually revert-
ing to a natural appearance. The
definition accepts early logging in the
East for the same reason that it
accepts grazing in the West — because
logging has occurred nearly everywhere
in the region. But also, early forms
of eastern logging took place in
win ter; the logs were skidded on ice
and usually transported by rail or
water, resulting in less damage to
forest sites than occurs in western
summer logging with heavy machinery.
Thirdly, eastern forest species regene-
rate more rapidly and with greater
stand density than western species.
Fire from natural and aboriginal
causes is widely recognized as an
integral part of certain ecosystems,
though its effects are often indirect
and hard to identify. Suppression of
fire has had an important on-site
effect on natural conditions, but if its
effects were not acceptable in the
definition, there would be no wilder-
ness tracts to inventory.
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Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 97-103 — 1967
NINHAIS DE AVES NO BAIXO AMAZONAS
E MEDIDAS PARA SUA PROTEÇÃO
A. F. COIMBRA FILHO
Jardim Zoológico, Rio de Janeiro, Guanabara
Infelizmente êstes apontamentos
foram feitos apressadamente. Res-
sentem-se da exigüidade de prazo
e recursos. É um primeiro contato;
servem de breve informação e
possivelmente de estímulo para
novas pesquisas e observações, in-
dispensáveis para um estudo mais
completo do assunto.
Grande já é o número de países
onde os técnicos especializados na
preservação dos recursos naturais
já não necessitam de longas expli-
cações, para convencer as altas
autoridades governamentais da
necessidade de implantação de re-
servas da flora e da fauna. Todo
o mundo civilizado já as possui
em maior ou menor número, se-
gundo especialmente o grau de
cultura do povo. É de se lamentar
a sorte da fauna brasileira que,
desaparecendo cèleremente, não
deixará remanescentes para quan-
do tivermos educação e nível eco-
nômico suficientes para entender e
concretizar a sua proteção. Nada
7 — 37.153
se fêz de objetivo, até agora, para
evitar essa perda irreparável.
Tempos atrás, Goeldi (1898-28)
já denunciava a matança irrefle-
tida nos ninhais das regiões da foz
do Amazonas. A destruição anual,
estúpida e sistemática, acabou por
levar ao pânico os sobreviventes,
fazendo com que êles se transfe-
rissem para plagas inferiores àque-
las onde instalados secularmente.
As aves que se agrupam em ni-
nhais, ao serem perturbadas, aca-
bam por abandonar seus retiros,
ainda que em condições ótimas,
deixando lá, ninhos, ovos e filho-
tes.
Naquela época o citado autor
(l.c.:31) dizia que a diminuição
das garças naqueles últimos decê-
nios era um fato notado não só em
Marajó, como também, em muitos
outros pontos do território para-
ense antes ricamente habitados; e
recomendava:
1 — Proibir totalmente as ca-
ças de garças e guarás durante o
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
período de junho até fins de ja-
neiro.
2 — Recomendar os ninhais em
terras particulares à especial pro-
teção dos proprietários e os em
terras do Estado torná-los inviolá-
veis.
3 — Sobrecarregar de impostos
proibitivos o comércio de penas de
garças e guarás, tanto para as de
proveniência paraense, como as em
trânsito.
A nosso ver, além das medidas
legislativas drásticas e aplicáveis
com relação à obediência ao códi-
go de caça, deveríamos sem mais
delongas instalar em áreas apro-
priadas, refúgios ou reservas para
a avifauna paludícola dos ninhais,
e educar o povo dando-lhe menta-
lidade conservacionista.
As terras onde se localizam os
ninhais, são justamente as menos
valorizadas para qualquer outra
atividade, principalmente os bre-
jais e manguezais da costa para-
ense e amapaense. Em sendo áreas
estatais, bastaria o decreto gover-
namental correspondente, tornan-
do-as invioláveis; no caso de se-
rem particulares, proceder-se-ia à
sua desapropriação, de preferência
na base de troca por outras.
As tarefas administrativas ini-
ciais em tais refúgios consistiriam
em torná-los realmente invioláveis.
Seu pessoal seria constituído de
guardas-trabalhadores supervisio-
nados por um elemento especiali-
zado, de nível, que orientaria os
trabalhos. Para o futuro, com o
melhor padrão econômico do País,
o govêrno ampliaria as verbas para
implantação definitiva dos refú-
gios.
Exemplos múltiplos de êxitos ob-
tidos com reservas e refúgios pode-
ríamos citar, mas vamos falar so-
bre o caso do colhereiro (Ajaia
ajaja ) nos ninhais das ilhas Ving-
tune, baía de Galveston, cêrca de
40 milhas de Houston, no sul dos
Estados Unidos (Zahl, 1949). Nes-
tas ilhas patenteou-se a reabilita-
ção da espécie, evitando-se o exter-
minio daquelas aves na região do
Golfo. O óleo lançado pelos navios,
a descarga dos resíduos petrolífe-
ros, e a caça irracional, fizeram
com que ela se tornasse raridade
na costa sul dos Estados Unidos
onde, do Texas à Flórida, até 1919,
nada se sabia sôbre a espécie. Mas,
em 1931 foram criados “santuá-
rios” pela Sociedade Nacional
Audubon, patrulhados regular-
mente na época da reprodução (de
março a agosto) . Apenas com essas
medidas, já em 1941 a população
do colhereiro subia para alguns
milhares. Daí para cá a espécie
tem aumentado numèricamente e
se dispersado para outras regiões,
inclusive, provavelmente, para a
Amazônia.
Esforços educativos diretos nas
companhias petrolíferas e do povo
de uma maneira geral, fizeram-nos
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais)
99
entender o valor da conservação
sob o ponto de vista cultural,
estético e econômico.
As atividades de proteção à
fauna, importantes para a vivên-
cia cultural dos povos, ainda não
receberam o destaque que deviam
merecer dos nossos governos. Os
recursos solicitados para tais em-
preendimentos são sistematica-
mente cortados por questões de
ordem financeira. Mas é preciso
frisar que o pouco capital despen-
dido nessa luta para tornar perene
o nosso patrimônio natural, sem-
pre rende altos juros, se bem pla-
nejado e aplicado. Tenha-se em
vista, apenas, o lucro que usufrui
a economia dos Estados Unidos
com o turismo em seus inúmeros
e bem administrados parques e re-
fúgios.
Ao nosso precário estado eco-
nômico, acrescem as dificuldades
úa falta de pessoal especializado
e a nossa vasta extensão territo-
rial, fazendo onerar sobremaneira
êsses trabalhos.
Inicialmente é necessário o uso
úe um método rápido, eficiente e
econômico de prospecção, e o único
aconselhável, no momento, é rela-
tivamente dispendioso. A técnica
úe levantamentos e recenseamen-
tos aéreos de grandes áreas é rá-
Pida e precisa e, por isso, embora
custosa, é econômica. Há muito já
e utilizada nos países mais adian-
tados.
No caso brasileiro de proteção
aos ninhais do Baixo Amazonas é
o único recomendado, principal-
mente para os primeiros contatos.
Outrossim, serve também para
fiscalização e pesquisas, como por
exemplo, acompanhar rapidamente
certos pequenos deslocamentos e
dispersões motivados pela procura
de alimento ou por ocasião dos
acasalamentos. A quantidade de
indivíduos, ou mesmo de espécies,
em um ninhal altera-se constante-
mente, aumentando ou diminuin-
do. Uma estimativa acurada das
populações das aves que formam a
comunidade protegida deve estar
sempre em dia, e é requisito básico
para um manejo racional e inteli-
gente do refúgio. Isto é muito im-
portante para o caso do controle
de predadores, ou para evitar-se
um possível super-povoamento. O
cálculo das populações dos ninhais
não pode ser feito de outra ma-
neira.
As fotografias aéreas, principal-
mente quando coloridas podem nos
dar, de imediato, e com grande
cobertura, a identificação de mui-
tas espécies e o número de seus
indivíduos. Se de um helicóptero
fotografarmos uma determinada
comunidade paludícola teremos a
informação segura sôbre os seus
elementos mais visíveis, melhor do
que muitos dias de observação em
lugares alagados e de difícil des-
locamento. É óbvio que os traba-
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100
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
lhos terrestres são indispensáveis,
e constituem a maior parte dos
procedimentos de tôdas as tarefas
conservacionistas. Êles vão, desde
as coletas de material para pesqui-
sas biológicas ou de sistemática,
até aos complexos mapeamentos
ecológicos.
O significado real dos levanta-
mentos e recenseamentos é sempre
resultar algo para os estudos que
posteriormente ditarão as normas
e técnicas para o manejo da biota
a ser protegida.
* * *
Ao desaguar no Atlântico, o Rio
Amazonas o faz por duas frentes.
Entre elas localizam-se a Ilha de
Marajó e demais porções deltaicas.
Tôdas, bem como as terras margi-
nais do continente, sofrem acen-
tuada influência marinha, sendo
invadidas na desembocadura de
seus cursos d’água pelas marés.
Daí, nas costas voltadas para o
oceano e por isso banhadas por
águas de maior gradiente salino,
encontramos muitas vêzes os man-
guezais, localizados em terras bai-
xas e formadas de vasas de depó-
sitos recentes. Nessa característica
comunidade vegetal é que geral-
mente a maior parte dos Ciconi-
iformes (notadamente as espécies
de Ardea, Casmerodius, Leaco-
phoyx, Florida, Gaara, Nycticorax,
Mycteria, etc.) se agregam por
ocasião da procriação, construindo
ali os respectivos ninhos. Êstes
agrupamentos de ninhos, dinâmi-
camente falando, são os ninhais.
A comunidade dos ninhais, bem
como as espécies das famílias “sa-
télites” ( Rallidae , Anatidae, Eury-
pygidae, Jacanidae, Hematopodi-
dae, Charadriidae, Scolopacidae,
etc.), vivem tôdas próximas à água.
Nos brejais e manguezais de todo
o Baixo Amazonas e costa ama-
paense sempre as encontramos
dando vida e colorido ao ambiente.
Essa ornis vive quase exclusiva-
mente de pequenos sêres aquáticos,
principalmente peixes. Dentre o
reduzido número de publicações
concernentes à alimentação de nos-
sas aves, sobressai a coletânea de
Schubart et alii (1965) referindo-
-se especificamente à alimentação
da avifauna em questão. As pes-
quisas sôbre o conteúdo estomacal
são indispensáveis para os projetos
de demarcação das áreas a serem
reservadas. Elas fornecerão os
subsídios básicos, concretos, para
conhecermos os substratos alimen-
tares das espécies protegidas. Sa-
be-se que a maior parte delas não
se alimentam nos mesmos lugares
onde nidificam ou pernoitam. Têm
grande amplitude de vôo e por isso
é necessário saber-se onde vão se
alimentar.
Daí conclui-se que, ou se protege
uma área enorme onde as aves
possam nidificar e alimentar-se,
102
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Ordem Ciconiiformes
Sub-ordem Ardeae
Família Ardeidae
Sub-família Ardeinae
1 — Ardea cocoi Linné
2 — Pilherodius pileatus (Bod-
daert)
4 — Florida caerulea (Linné)
4 — Florida caerulea (Linné)
5 — Casmerodius albus egretta
(Gmelin)
6 — Leucophoyx t. thula (Mo-
lina)
7 — Hidranassa t. tricolor (P. L.
S. Müller)
8 — Agamia agami (Gmelin)
9 — Syrigma sibilatrix (Tem-
minck)
10 — Nycticorax nycticorax hoac-
tli Gmelin
11 — Nyctanassa violacea cayen-
nensis (Gmelin)
12 — Tigrisoma l. lineatum (Bod-
daert)
Sub-família Botaurinae
1 — Zebrilus undulatus (Gme-
lin)
2 — Ixobrychus involucris (Vieil-
lot)
3 — Ixobrychus exilis erythro-
melas (Vieillot)
4 — Botaurus pinnatus (Wagler)
Família Cochleariidae
1 — Cochlearius c. cochlearius
Sub-ordem Ciconiae
Super-família Ciconioidea
Família Ciconiidae
Sub-família Mycteriinae
1 — Mycteria americana Linné
Sub-família Ciconiinae
1 — Euxenura maguari (Gme-
lin)
2 — Jabiru mycteria (Lichtens-
tein)
Super-família
Threskiornitoidea
Família
Threskiornithidae
Sub-família
Threskioknithinae
1 — Theristicus c. c audatus
(Boddaert)
2 — Cercibis oxycerca (Spix)
3 — Mesembrinis cayennensis
(Gmelin)
4 — Phimosus injuscatus nudi-
frons (Spix)
5 — P.i. berlepschi Hellmayr
6 — Guara rubra (Linné)
V — Plegadis falcinellus chihi
(Vieillot)
Sub-família Plataleinae
1 — Ajaia ajaja (Linné)
Ordem
Phoenicopteriformes
Família
Phoenicopteredae
1 — Phoenicopterus r. ruber
Linné
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 103
SUMÁRIO
Desde os primórdios de nossa
história, destrói-se a natureza bra-
sileira sem que sejam cumpridas
objetivamente as poucas leis elabo-
radas para preservá-la.
Da Amazônia, notadamente da
região do Baixo Amazonas, expor-
tam-se por causa de uma inepta e
imediatista política comercial, ou
contrabandeiam-se por falta de fis-
calização, milhares de animais sil-
vestres.
Com o propósito de colacorar pa-
ra que se aplique a política sadia
de tornar perenes os nossos recur-
sos naturais, para ajudar a resol-
ver o problema de preservação dos
ninhais de aves do Baixo Amazo-
nas é que planejamos o presente
trabalho.
Os dados divulgados sôbre a pro-
teção aos ninhais dessa região
estão apenas esboçados, e servem
de estímulo para pesquisas ulte-
riores, indispensáveis para o anda-
mento de estudos melhores sôbre o
assunto.
Goeldi é citado como batalhador
incansável pela defesa do nosso
patrimônio faunístico, tendo mes-
mo, já naquela época (1894), esbo-
çado um ante-projeto de lei para a
proteção dos ninhais amazônicos.
Fornecemos alguns subsídios,
para uma metodologia aplicável
no início dos trabalhos de prote-
ção, isto é, na escolha de área para
instalação de refúgios, bem como
para outras tarefas de grande im-
portância. O recenseamento aéreo
é citado como o único método com-
patível com a imensidão amazô-
nica, tanto para os primeiros con-
tatos como para, posteriormente,
organizar-se o cadastro das espé-
cies e a contagem dos indivíduos.
Sugerimos que a escolha de
determinados tipos de áreas apro-
priadas à proteção dos ninhais se
faça com senso prático.
Falamos também sôbre a ocor-
rência das principais espécies que
se agrupam em ninhais, divul-
gando, inclusive, algumas observa-
ções realizadas “in loco”.
Concluindo, exaramos os nossos
pontos-de-vista, resumidos, sôbre
0 problema:
1 — A indispensável implantação
de refúgios.
2 — Legislar especificamente pa-
ra a Amazônia.
3 — Iniciar um processo educati-
vo, tanto para jovens, quanto
para adultos.
referências bibliográficas
Goeldi, E., 1898 — Destruição das
Garças e Guarás. Boi. Mus. Para-
ense Hist. Nat. Etn., 2(1): 27-40.
Griscon, L. & Greenway Jr„ J. C.,
1941, Birds of lower Amazónia.
Buli. Mus. Comp. Zool., 88(3) :
81-344.
Zahl, P. A., 1949 — The pink birds of
Texas. Nat. Geog. Mag., 96(5) :
641-654.
Atas do Simppósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 105-114 — 1967
PRESENT STATUS OF EXISTING AND PROPOSED
NATIONAL PARKS AND NATIONAL RESERVES
IN THE AMAZON BASIN
ROBERT S. DORNEY
Pan American Union, Department of Scientific Affairs,
Washington, D.C., U. S. A.
(With one text-figure)
The increasing economic and
scientific interest in the natural
renewable resources of the coun-
tries comprising the Amazon Basin
makes it useful at this time to
define the present status of exist-
ing national parks, proposed na-
tional parks, and national reserves
in this area. This is timely because
the large number of national parks
and reserves legally established
since 1960 are areas on which
limited published documentation
exists.
METHODS AND SOURCES
OF MATERIAL
For compilation of information
on national parks and national
reserves I have used as a primary
source official government
documents published by the
Organization of American States
for the 1965 ministerial conference
on renewable natural resources (1) .
These documents did not cover
state, provincial, or municipal
parks. Members of the Latin Amer-
ican Committee on National Parks,
through the auspices of their
executive secretary Dr. Maria
Buchinger, provided additional
information from Bolivia, Brazil,
Colombia, Peru and Venezuela. The
information on Bolivian parks and
reserves was further /erified by
personal discussion witb Ing. René
Prieto Chacon, Director General
of the Servicio Forestal de Caza y
Pesca de Bolivia. Dr. José Cândido
de Melo Carvalho, Museu Nacional
in Rio de Janeiro, kindly provided
national park information from
previously published Brazilian
sources. Drs. Wolfram Drewes,
John Milton, José Sáiz dei Rio and
Jesse D. Perkinson provided help-
ful suggestions.
For purposes of this paper I have
defined the Amazon Basin as those
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106
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
land areas whose waters drain into
the Amazon River; including limit-
ed areas along the continental
divide whose waters may flow to
the Caribbean when these areas
are continuous with adjacent park
and reserve areas on the Amazon
side of the divide.
The terms National Park and
National Reserve follow the
definitions given in the Pan Amer-
ican Union “Convention on Nature
Protection and Wild Life Preserva-
tion in the Western Hemisphere”.
Under this convention National
Parks (Parques Nacionales) are
defined as areas of natural beauty
where flora and fauna are given
complete protection, while Na-
tional Reserves (Reservas Naciona-
les) are areas where controlled
harvesting of natural products is
permissible. Under this latter
category the terms Reservas Fis-
cales (Bolivia) , Reservas Florestais
(Brazil), Bosques Productores and
Bosques Protectores (Ecuador) ,
and Bosques Nacionales (Peru)
would seem to be synonymous
with (synonyms for) National
Reserves. For a complete analysis
of nomenclature usage relating to
parks and reserves in Latin
America see Buchinger (4) .
RESULTS
The existing and proposed Na-
tional Parks and National Reserves
in the Amazon Basin are presented
by country in Fig. 1. Pertinent
data on their size, date established,
legal status, administration, and
reason(s) for establishment are
shown in Table 1. At present, 14
National Parks, 7 Proposed Na-
tional Parks, and 28 National Re-
serves exist in the Amazon Basin
or adjacent watersheds; those areas
presently mapped (33/49 = 67%)
cover 57,969,663 hectares. The
majority of the areas have been
legally established since 1960. In
terms of personnel present on the
areas to implement and supervise
resource management procedures,
at least 22% (11/49) of the areas
are so supervised.
The criteria utilized for the
establishment of parks and re-
serves are varied. Principally na-
tional parks have been established
to preserve unique scenic beauty
and the native ecosystem; other
stated purposes included recrea-
tion, preservation of watersheds
and municipal water supplies, and
protection of the indigenous hu-
man populations. In general the
national reserves have been creat-
ed either for the prevention of
resource exploitation until ade-
quate inventories can be made, or
for protection of the indigenous
peoples located on the areas, or for
the controlled harvest of forest
products.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 107
VENEZUELA
C0L0MBI
DIA
<§>
■N'
BCtJAx
| DOS
BRAZIL
©
BOLÍVIA
^ National Parks
/\ Proposed National Parks
O National Reserves
Fig. 1 — Map of northern South America showing the location of national
parks proposed national parks, and national reserves (forest reserves, national
forests) in the Amazon basin and its headwaters, numbered separately for each
country.
Bolivia: 1-Pasos Condori Yungas, 2-Tunari, 3-Isiboro y Sécure, 4-Cerros
Mirquiri y Sajama, 5-Lagunas Beni y Pando, 6-Mallasa, 7-Serranía
de Bella Vista.
1-Xingú, 2-Araguaia, 3-Tocantins, 4-Brasília, 5-Neblina, 6-Adolfo
Ducke, 7-Walter Egler, 8-Munduracânia, 9-Tumucumaque, 10-Pedras
Negras, 11-Rio Jarú, 12-Juruena, 13-Parima, 14-Gorotire, 15-Rio
Negro.
1-Cueva de los Guácharos, 2-Sierra de la Macarena, 3-Patascoy,
4-Puracé.
1-Cotopaxi, 2-Equatorial Park, 3-Various unnamed areas along
Eastern limits of Ecuador.
Perú: 1-Tingo Maria, 2-Iparía, 3-Nanay, 4-Tahuayo, 5-Pastaza-Morona-
Maranon, 6-Biabo-Cordillera-Azul, 7-Mariscal Cáceres, 8-Semuya,
9-Oxapampa, 10-Bosque Nacional Apurimac and Parque Proposito
Cutibireni, 11-Manu, 12-Coshipata, 13-San Gaban, 14-Alto Mayo,
c . 15-Mesapata, 16-Alexander Von Humboldt, 17-Huambramayo.
T ~“ n nam: l-Unnamed.
venezuela: 1-Neblina.
Brazil:
Colombia:
Ecuador:
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
108
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
DISCUSSION
Although over 57,000,000 ha
are now legally set aside as
national parks and national re-
serves in the Amazon Basin, the
low percentage (22%) which are
supervised at the field levei
suggests that often governmental
priorlty is lacking for their active
management. To achieve a higher
priority the following questions
will first have to be answered:
1) Can present and future
recreation and tourism in parks
justify additional maintenance
costs (protection from settlers,
colonization efforts, fires) as well
as justify the research needed to
prevent fundamental degradation
of park ecosystems?
2) Can the harvesting of native
forest products (plant and animal)
on national reserves economically
justify sustained-yield manage-
ment and also finance ecological
research needed to understand and
manipulate productivity of these
tropical forest ecosystems?
3) Can a sufficient trained
cadre of professional foresters and
semi-professional forest guards,
rangers, and wardens be trained to
manage existing and proposed
areas?
How best to answer these 3
fundamental questions cannot be
explored in depth in this short
paper. Drawing on past experience
from a host of other countries
which have faced similar problems
in the past century, it would seem
clear that natural renewable re-
source policy must not only be
based on present economic, social,
technological and political situa-
tions but also must consider
future demands. By the year 2,000
a combination of more people with
more free time having available
low-cost jet-airline transportation
will sharply increase demands not
only for recreational open space
but also for food and fiber.
With the underlying expectation
of future increased natural re-
source demands, I believe increased
justification for management of
parks and reserves can be obtained
by biologists and land managers
concentrating their present efforts
onto translating the esthetic
attraction of parks, and the plant
and animal yields (production) of
reserves into economic terms
understandable to governmental
planning boards, agrarian reform
agencies, and private investors.
Admittedly the intangible esthetic
values of parks in the strict sense
cannot be measured in monetary
terms either on a short-term or
long-term basis. Statistics on the
number of park visitors, their
length of stay, their use of hotels,
restaurants, and public transporta-
tion are tangible values, however,
which can be quantified and used
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 109
to justify the salaries of manage-
ment personnel and the research
and capital improvements needed
to prevent future ecosystem
degradation. Similarly, actual or
potential productivity of natural
resources or reserves in terms of
meat, fur, live animais, fruit,
alkaloids, and timber yields are
important statistical parameters
generally unavailable, a hiatus
previously discussed by Tosí &
Voertman (6). The recent animal
productivity study in the Iparía
National Forest in Peru (7) is a
notable exception where yield has
been translated into monetary
terms usable in justifying wildlife
management costs on this national
forest area.
With such economic justifica-
tion, increased employment de-
mand will exist for professional
foresters, wildlife managers, ecolo-
gists, and land economists who
can use their special skills to
sustain and increase biological
productivity on these lands. Uni-
versities, if properly stimulated
and given sufficient lead-time, will
allocate more effort to training
professional manpower. However,
training of scientists without rela-
tion to their future employment
often results in costly emigration
of talent, the type of emigration
recently documented for Chile (5).
Such emigration of technical
personnel emphasizes the necessity
of having sound economic justifi-
cation for employment if educa-
tional investments in professional
training are to be wisely spent.
Training for forest guards, game
wardens, and park managers at
the semi-professional levei began
in 1965 in Latin America; judging
by the interest shown in this
subject at the 1965 Ministerial
Conference held in Mar dei Plata
(3), demand for this type of
training will increase.
To the ecologist and conserva-
tionist, the great progress in park
and reserve establishment in the
last 6 years in the Amazon Basin
(Table 1) is a heartening devei op-
ment. Hopefully, additional areas
of major scientific interest and
esthetic beauty can be identified
and added to this land bank, along
with the necessary justification
and governmental priority for
continued and augmented manage-
ment of the existing areas.
SYNOPSIS
By using official government
sources, the published literature,
and personal communication, I
have prepared a list of National
Parks, Proposed National Parks,
and National Reserves in the
Amazon Basin comprising the
countries of Bolivia, Brazil. Colôm-
bia, Ecuador, Perú, Surinam, and
Venezuela. Data on location, size,
date of establishment, legal status
SciELO ^
2
3
5
6
11
12
13
14
15
L.
cm
TABLE 1 (continuation)
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 111
1, | SciELO
TABLE 1 (continuation)
112
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
®Sco reícrcnce No. 2 for detailed dcacription of thia arca.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 113
for creation, administration, and
purpose for establishment of the
area were assembled on each site.
A total of 14 national parks,
7 proposed national parks, and 28
national reserves are now in
existence in the Amazon Basin and
its contiguous watersheds covering
over 57,000,000 hectares.
If ecological research on the
tropical ecosystem can be oriented
to provide productivity information
which can be translated into
economic terms, it is likely that in-
creased governmental priority can
be found for the management and
research on these land reserves, as
well as for the addition of new
areas. Such economic rationale will
stimulate production of competent
professional and technical per-
sonnel.
SINOPSE
Com base em fontes oficiais, em
literatura publicada sôbre o assun-
to e em informações de caráter
pessoal, foi preparada uma lista
dos parques nacionais existentes e
projetados e das reservas nacionais
n a Bacia Amazônica da Bolívia,
Brasil, Colômbia, Equador, Peru,
Surinam e Venezuela. Os dados
referentes a localização, tamanho,
data da criação, normas legais sô-
bre a criação, administração e oo-
jetivos da criação dos mesmos fo-
ram coletados nos próprios locais.
Daí resulta um total geral, para
8 ~ 37.153
a Bacia Amazônica, de 14 parques
nacionais já existentes, 7 parques
nacionais em projeto e de 28 reser-
vas nacionais de mais de 57.000.000
hectares.
Se a pesquisa ecológica sôbre o
sistema ecológico tropical puder
ser orientada para prover informa-
ção produtiva que possa ser tradu-
zida em têrmos econômicos, é
provável que uma prioridade gover-
namental aumentada poderá ser
encontrada para a pesquisa e ad-
ministração necessárias para êstes
parques nacionais, da mesma for-
ma que para o acréscimo de novas
áreas. Raciocínio econômico como
êste estimulará a produção de com-
petente pessoal técnico e profissio-
nal.
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3. Conferencia Especializada Intera-
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Relacionados con la Conservación
de Recursos Naturales Renovables
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em 1
SciELO
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Atas do Simppósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 115-146 — 1967
A FLORESTA AMAZÔNICA E SUA UTILIZAÇÃO FACE
AOS PRINCÍPIOS MODERNOS DE CONSERVAÇÃO
DA NATUREZA
JEAN DUBOIS
Centro de Pesquisas Florestais, SPVEA — FAO, Santarém
A Hiléia de Humboldt e Bon-
pland, formada pelas matas den-
sas da imensa Bacia dos Rios
Amazonas e Alto Orinoco, consti-
tui a mais extensa área de flores-
tas tropicais do mundo.
A parte brasileira dêste maciço
abrange uns 350 milhões de hec-
tares, que na sua maioria apre-
sentam uma topografia plana ou
um pouco ondulada, altamente
favorável à sua valorização.
A Bacia Amazônica é também
servida por uma rêde considerável
de rios navegáveis : navios tran-
satlânticos podem percorrer 8.000
km desta rêde no próprio Brasil,
enquanto que navios de menor
calado têm a oportunidade de ser-
vir uma hinterlândia ainda maior.
A êsse respeito, podemos dizer
que seria difícil encontrar melho-
res condições em qualquer outra
parte do mundo tropical.
Considerando, por outro lado, os
índices um tanto alarmantes do
crescimento demográfico das po-
pulações humanas e o consumo
crescente de produtos madeireiros
por capita, é quase inelutável que
os potenciais produtivos da Hiléia
não poderão deixar de participar
cada vez mais da economia flores-
tal, tanto nacional como mundial.
Daí a necessidade de desenvolver
métodos que assegurem uma valo-
rização econômica do patrimônio
florestal e que obedeçam aos prin-
cípios de conservação e da reno-
vação dêstes recursos naturais.
Êste último ponto será o obje-
tivo do presente estudo.
§ 1. Tipologia florestal
Três tipos principais de matas
ocorrem na Amazônia brasileira:
as matas de várzea (formação edá-
fica), as matas paraclimax sôbre
solos arenosos pobres (vide as
matas de flanco do Baixo Amazo-
nas) e as matas densas climax
Projeto 52 do Fundo Especial, Nações
Unidas.
116
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
sôbre solos de adequada fertilidade
(p.e., matas do Planalto da Região
de Santarém).
1 . 1 . .As matas de várzea da Região
do Delta, do litoral amapaense fi-
cam inundadas a cada maré alta.
Chamá-las-emos de “várzeas atlân-
ticas” para distingui-las das vár-
zeas nitidamente estacionais, si-
tuadas mais no interior do conti-
nente, onde o efeito das marés é
muito atenuado e pràticamente
sem significação ecológica (Baixo-
Xingu, Baixo-Tapajós) ou inexis-
tente (Médio e Alto-Amazonas) .
Estas várzeas são alagadas durante
o período das enchentes anuais,
durante 4 a 6 meses por ano.
As várzeas atlânticas constituem
uma unidade natural essencial no
que tange à produção madeireira:
uns 80% das exportações de ma-
deiras amazônicas provêm delas.
O potencial econômico das ma-
tas de várzea estacionai é, de fato,
variável: a qualidade e a quanti-
dade dos aluviões que aí se depo-
sitam, exercem uma influência
significativa sôbre a sua compo-
sição e sua produtividade, ao ponto
de se poderem distinguir, a grosso
modo, as várzeas estacionais situa-
das ao longo dos rios brancos que
têm um índice de aluvionamento
* elevado (tipo rico) das que mar-
ginam os rios pretos, nitidamente
mais pobres.
A floresta de várzea estacionai
sôbre sedimentos ricos é claramen-
te mais rica em Ceiba pentandra
e as árvores atingem aí maiores
dimensões em altura e diâmetro.
Êste “tipo rico” é bem represen-
tado entre o Rio Trombetas e Ma-
naus. Por outro lado, no seu con-
junto, os afluentes do Amazonas,
entre o Xingu e o Trombetas, são
rios pretos: as florestas de várzea
daqui são do tipo pobre, ou no
máximo medianamente ricas, no
caso de condições locais favoráveis.
Não obstante as diferenças no
regime de inundação e as varia-
ções de fertilidade dos sedimentos,
a composição das matas de várzea
oferece uma certa constância flo-
rística. As espécies lá encontradas
de maior valor comercial são prin-
cipalmente:
Virola surinamensis (Ucuúba
branca da Várzea). Esta madeira,
de crescimento rápido, começou
a ser valorizada em 1945, em Su-
riname, e somente em 1958 na
Amazônia brasileira. A ampliação
das explorações da Ucuúba branca
seguiu um ritmo muito rápido. Em
1963, as exportações de Ucuúba
serrada e desenrolada do Brasil
atingiram 22.000 m 3 , e esta expan-
são continua num ritmo sempre
crescente (14).
Carapa guianensis (Andiroba).
Hura crepitans (Açacu).
Calophyllum brasiliense (Jaca-
reúba), Ceiba pentandra (Sumaú-
ma) seguidas de: Lecointea ama-
zônica (Pracuúba da Várzea),
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 117
Platymiscium ulei (Macacaúba da
Várzea) , Calycophyllum sprucea-
num (o Pau mulato, localmente
muito abundante) , Cruãia sp. (Ipê
da Várzea, que fornece uma ma-
deira pouco conhecida mas de alto
valor estético para móveis de
luxo), etc.
A Ceiba pentandra merece rece-
ber maior atenção da parte dos
industrialistas florestais do Brasil.
Esta madeira foi intensivamente
explorada na África tropical e em
várias Repúblicas latino-america-
nas, visando a produção de lâminas
médias para compensados.
Floristicamente, as matas de
várzeas são muito menos hetero-
gêneas que as matas de terra-fir-
me - Daí uma explotabilidade ime-
diata mais rendosa.
Do ponto de vista silvicultural,
esta característica florística, com-
binada com o fato de que as espé-
Cle s madeireiras comerciais da
varzea são de fácil regeneração,
tanto natural como artificial, faz
com que a uniformização e a reno-
vação dos povoamentos possam ser
realizados por meio de técnicas
relativamente simples.
Quando se compara a composi-
ção florística global das matas de
varzea com a das matas de terra-
-firme, surge um contraste fla-
grante: em percentagem dos res-
pectivos volumes totais de madeira
Por hectare, as matas de várzea são
nitidamente mais ricas em madei-
ras leves, em geral de crescimento
rápido. Ora, na escala mundial, as
espécies de madeira leve e cresci-
mento rápido têm conquistado as
primeira colocações entre as espé-
cies arbóreas comerciais, pelo me-
nos em têrmos de produção em
grande escala. Daí o significado
todo especial das matas de várzea
para a futura economia florestal
da Região. O potencial produtivo
destas matas é ainda acrescido
pelas possibilidades de lá desen-
volver uma silvicultura de tipo in-
dustrial para o abastecimento de
indústrias de celulose e papel: as
Virola surinamensis, Pachira insig-
nis, Triplaris surinamensis (Tachi
da Várzea) , Symphonia globulifera
(Anani), Calycophyllum sprucea-
num, Macrolobium acaciaefolium
(Arapari da Várzea) e Spondias
mombim (Taperebá) já foram tes-
tados com êxito quanto às suas
qualidades papeleiras. Outras espé-
cies de crescimento rápido da
várzea deveriam ser estudadas com
objetivo similar, especialmente:
Ceiba pentandra (Sumaúma) ,
Bômbax munguba (Munguba) e
Simaba guianensis (Cajurana).
Umas espécies de ocorrência
normal nas matas de várzea encon-
tram-se também de modo espontâ-
neo nas matas de terra-firme (Ca-
rapa guianensis, Ceiba pentandra,
Spondias mombin, Calophyllum
brasiliensis ) , enquanto que outras
espécies da várzea, uma vez trans-
118
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
plantadas em forma de mudas em
terra-firme argilosa ou limonosa,
desenvolvem-se bem: assim se en-
contram na margem do Planalto
de Santarém uns grupos magnífi-
cos de Hara crepitam, aparente-
mente plantadas pelos índios.
Vatairea guianemis (Fava bolacha
da várzea), plantada em 1960 no
Planalto de Curuá, tem-se adapta-
do imediatamente às condições das
terras argilosas altas.
Êste caráter de convertibilidade
indica que pelo menos certas espé-
cies arborescentes da várzea não
são obrigatoriamente varzinas. O
fato de encontrá-las nas terras
baixas inundáveis, pode muitas vê-
zes ser elucidado por razões de
concorrência interespecífica e dos
hábitos de disseminação das suas
sementes e frutos, independente-
mente de razões históricas.
Visto esta convertibilidade ecoló-
gica, é necessário prever que, se
necessário, várias espécies de vár-
zeas próprias para a fabricação de
celulose e papel poderiam ajudar a
constituição de povoamentos in-
dustriais nas terras altas argilo-
limonosas.
1.2. As matas de terra- firme são
profundamente afetadas pela qua-
lidade e a macroestrutura dos solos
que as suportam, mas também pelo
índice pluviométrico e a ocorrên-
cia ou ausência de uma estação
sêca.
As florestas de terra-firme da
região de Belém, do Baixo-Tocan-
tins e do Alto-Amazonas gozam de
um regime climático equatorial,
com boa distribuição de abundan-
tes chuvas no decurso do ano, ao
passo que as de entre o Xingu e
o Tapajós têm de se desenvolver
sob clima tropical caracterizado
por uma estação sêca e índices
pluviométricos mais modestos.
As florestas amazônicas equato-
riais são, sem dúvida, mais exube-
rantes, mas isto não significa ne-
cessàriamente que sejam suscetí-
veis de produzir madeiras de mais
alto valor comercial que as matas
tropicais. Com efeito, Sioietenia
macrophylla (= Mogno, Aguano)
que se mantém como a madeira
mais cara de tôda a Amazônia, não
se encontra no estado natural, se-
não em florestas tropicais relati-
vamente sêca s.
Do ponto de vista pedológico, se
distinguem: a) as matas para-
climax de terra-firme sôbre solos
arenosos pobres; e b) as matas
clímax de terra-firme sôbre solos
argilo-limonosos.
1.2.a. As matas paraclimax de
terra-firme ocupam áreas extensi-
vas de solos pobres. Por exemplo,
entre o Xingu e o Tapajós, elas
constituem o tipo original e exclu-
sivo de vegetação sôbre solos are-
nosos, que se estendem das terras
baixas de várzea ao pé do penhasco
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 119
abrupto que delineia as terras altas
do Planalto.
A sua composição florística,
afora umas espécies tipicamente
restritas aos solos arenosos pobres,
é semelhante à das matas altas de
terra-firme argilo-limonosa.
Mas o potencial de produção
imediata é baixo: as árvores ma-
duras não ultrapassam uma altura
relativamente modesta e os indiví-
duos de diâmetro comercial são
poucos por hectare. Na realidade
estas matas não são submetidas a
explorações madeireiras de ordem
comercial. Mas os camponeses re-
tiram delas muitas varas e toras
pequenas para construções rurais.
As matas paraclimax fornecem de
fato muitas madeiras de boa resis-
tência ( Caesalpinia paraensis =
= Muirapixuna; Peltogyne pani-
culata = Coataquiçaua; Manilkara
amazônica = Maparajuba; Mezi-
laurus itauba = Itaúba; Swartzia
spp. = Gombeira).
Por outro lado, o equilíbrio na-
tural destas matas é frágil: a agri-
cultura nômade, cada vez que não
respeita um adequado período de
repouso entre duas rotações, des-
trói a mata original e as roçadas
abandonadas são recolonizadas por
urna capoeira retrógrada que o
togo transforma em vegetação ar-
bustiva, rala e descontínua de ca-
ráter nitidamente xerotérmico.
Do ponto de vista florestal, a
valorização desta unidade natural,
depende da ampliação das pesqui-
sas silvicul curais e dos resultados
que poderiam ser alcançados com
o plantio de pinheiros tropicais
(p.e., Pinus caribaea var. hondu-
rensis) e outras espécies exóticas
e nativas frugais, de crescimento
rápido.
1.2.b. As matas climax de terra-
-firme, restringidas aos solos rela-
tivamente férteis, representam ao
contrário um potencial interessan-
te de produção madeireira. As ár-
vores dominantes atingem alturas
de 40 m e mais e as “emergentes”
alcançam até 60 m de altura total.
Os indivíduos de diâmetro grosso
são presentes em proporção ade-
quada.
Após a destruição para fins agrí-
colas, as espécies pioneiras, que
tomam posse das roçadas abando-
nadas, têm um desenvolvimento
rápido, conduzindo à formação
de matas secundárias fechadas.
A composição das matas climax
é altamente heterogênea, tanto do
ponto de vista florístico como do
estrutural: um sem-fim de espé-
cies e tôdas as idades e grossuras
associam-se intimamente.
No quadro dêste estudo, é prà-
ticamente impossível citar tôdas
as essências arborescentes que per-
tencem às matas altas de terra-
-firme. Aliás, elevam-se a centenas
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
120
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
de espécies, muitas das quais são
endêmicas.
Num parágrafo posterior, dare-
mos uma lista dessas espécies que,
no estado de nosso conhecimento,
apresentam real importância aos
futuros programas silviculturais.
Um aspecto marcante destas ma-
tas reside no fato de que os povoa-
mentos virgens compõem-se essen-
cialmente de madeiras duras pesa-
das, com, em geral, baixos ritmos
de crescimento.
As madeiras leves, de crescimen-
to rápido, somam bem poucas
espécies, a maioria de ocorrência
rara.
O pêso específico das madeiras
das 160 espécies mais conhecidas,
que ocorrem nas matas de terra-
-firme do Baixo Amazonas, está
distribuído como segue:
CLASSES DE PÊSO ESPECÍFICO
0.40
0.40-0.59
0 60-0.69
0 70-0 79
0.80
X úmero de espécies expressado em %
(160 = 100%)
3.7%
7.0%
22,5%
8.1%
58,7%
Não somente as madeiras leves
são muito poucas (apenas 17 espé-
cies de 160 possuem um pêso espe-
cífico inferior a 0.6) como também,
não obstante o fato de que muitas
delas estão produzindo grandes
quantidades de sementes, elas são
afetadas por índices de freqüência
muito baixos em áreas de mata
virgem.
Nas matas de terra-firme inven-
tariadas pelo Dr. Dammis Heins-
dijk (16), qualquer uma destas
espécies raramente está represen-
tada por hectare por mais de uma
'árvore de classe de diâmetro 5
(45-54 cm) e mais, ou por mais
de 3 árvores pertencentes às clas-
ses de diâmetros 3 (25 a 34 cm)
e mais.
Isto é devido principalmente ao
fato de que estas espécies de ma-
deira leve, na sua maioria, são he-
liófilas obrigatórias.
Em áreas virgens, elas somente
podem germinar e crescer em cla-
reiras naturais suficientemente
grandes, abertas no povoamento
quando árvores gigantescas caem
durante uma tempestade.
As madeiras pesadas (SP^0.80)
não são chamadas a desempenhar
o papel principal em silvicultura
moderna. Devemos, assim, convir
que a composição dos futuros po-
voamentos domesticados em terra-
-firme seja completamente diferen-
te das formações virgens originais:
o silvicultor deverá favorecer as
espécies de crescimento rápido,
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 121
que, em sua maioria, produzam
madeira de pêso leve a médio.
Outro aspecto importante das
matas de terra-firme é a abundân-
cia relativa de espécies arbóreas
pertencentes às Leguminosas, que
é a família representada pelo maior
número de espécies e de indivíduos
nestas florestas (15). Esta caracte-
rística é importante do ponto de
vista da Conservação. O papel das
Leguminosas, no que respeita à
fixação de nitrogênio, é bem co-
nhecido.
Poderíamos dizer que se as ma-
tas domesticadas ou artificiais do
futuro fôssem desprivadas de uma
porcentagem de Leguminosas, e
fertilidade seria, a longo prazo,
profundamente afetada. No qua-
dro das pesquisas básicas, conse-
qüentemente, seria conveniente es-
tudar-se os hábitos de fixação do
nitrogênio de nossas espécies arbó-
reas leguminosas. Do ponto de
vista prático, achamos que em
povoamentos mistos sob manejo,
as Leguminosas arbóreas deveriam
ser retidas numa média de uns
20% do número total das árvores
componentes.
Em povoamentos mono — ou
pauciespecíficos artificiais, cada
vez que não se justifica associar
Leguminosas arborescentes, o be-
nefício da introdução de Legumi-
nosas de cobertura deveria ser ex-
perimentalmente testado.
Na Ásia tropical, Leucena glauca
tem sido freqüentemente associa-
da a monoculturas de Tectona
grandis. Êste legume, com outras
como Stylosanthes spp., Tephrosia
candida (já estudada pelo Prof. Le-
doux) , deverão receber devida
atenção em nossos programas de
pesquisas. Seu interêsse também é
supremo em projetos de reabilita-
ção do solo.
§ 2. Ás terras, suas vocações e
unidades de utilização
Em média, os solos amazônicos,
mesmo os que suportam mata alta
exuberante, são de baixa fertili-
dade e não favoráveis a culturas
agrícolas anuais contínuas. Tècni-
camente, é possível o regime per-
manente de culturas agrícolas
anuais, mas, devido às enormes
inversões de capital que o mesmo
envolve, somente poderia ser apli-
cado, na atual conjuntura ama-
zônica, em restritas terras selecio-
nadas, e, mesmo assim, apenas
em culturas lucrativas, como juta.
É a opinião de muitos que, até
que a educação agrícola não me-
lhore as habilidades técnicas da
população rural, não se pode evi-
tar que o grosso principal de víve-
res oriundos de culturas anuais
continue a ser produzido através
de agricultura nômade.
O estado da agricultura nômade
à luz da conservação do solo está
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122
Atas do Simpósio sôóre a Biota Amazônica
analisado em outra secção dêste
estudo.
A fertilidade relativamente pobre
dos solos amazônicos requer uma
utilização mais ampla das cultu-
ras permanentes: pastos melhora-
dos, palmeiras, borracha, cacau,
frutas tropicais e madeira.
Grandes áreas na Amazônia são
convertíveis em terra pastoril arti-
ficial lucrativa e culturas alimen-
tícias e industriais permanentes,
que, ao preço de técnicas simples
bem conhecidas, podem ser man-
tidas sem efeitos prejudiciais à
fertilidade do solo. Com respeito à
criação de gado, é essencialmente
uma questão de escolher as gramí-
neas e leguminosas apropriadas
para o pasto e limitar o número de
animais por hectare em conformi-
dade com o equilíbrio biológico da
terra, o que implica que sejam
levados em consideração os princí-
pios da graduação do apascenta-
mento. A proteção do solo, em cul-
turas alimentícias e industriais
permanentes, como borracha, ca-
cau, palmeiras oleaginosas, etc.,
requer um judicioso espaçamento
das plantas e, onde quer que seja
possível, a introdução de legumi-
nosas de cobertura.
A conversão de áreas florestais
ao longo destas linhas está ainda
em sua fase inicial de desenvolvi-
mento, mas o processo está cha-
mado a se ampliar nos anos fu-
turos.
Considerando a extensão de
terra virgem disponível ou impro-
priamente valorizada, a evolução
aludida não entrará em competi-
ção aguda com o desenvolvimento
normal de uma economia florestal
expansionista, pelo menos se espe-
cialistas em capacidade de uso
das terras puderem orientar os
programas de valorização.
As unidades de capacidade de
uso das terras estão sintetizadas
no Quadro I, com referência aos
tipos vegetacionais principais da
Região.
Entre estas unidades naturais,
as matas de várzea e terra-firme
sôbre solos argilosos ou limonosos
oferecem melhor capacidade ime-
diata e futura de produção madei-
reira.
Elas correspondem também à
maior parte da Hiléia.
As matas e savanas de terra-
-firme arenosa pobre, através de
uma silvicultura intensiva baseada
em pinhos tropicais e outras espé-
cies frugais de crescimento rápido,
poderão ocupar uma posição chave
igualmente importante na econo-
mia florestal regional, haja visto
que tais solos não são favoráveis
ao desenvolvimento da agricultura
ou da criação de gado.
Muitas espécies arbóreas amazô-
nicas deviam ser consideradas co-
mo as fornecedoras de mais de um
produto específico: Bertholettia
excelsa (Castanheira do Pará),
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 123
QUADRO I
Classificação da capacidade-de-uso das terras da Amazônia
Tipo
Subtipo
Fácies
Capacidade-de-uso presente e potencial das terras
MANGAIS
-
(diversas fácies topo-
gráficas)
Produção madeireira, taninos.
Por maré (Distrito
Atlântico)
Jovens (palmeiras)
Promover a produção industrial de óleo vegetal
dos povoamentos naturais de Mauritia
flexuosa.
Localmente, borracha e cacau.
VÁRZEA (margeDS de
fies, periòdicamente
inundadas)
Maduros (povoamentos
madeireiros)
Área essencial para produção madeireira,
para exploração imediata e futura (princi-
palmente Virela surinamensis, Carapa pre-
cera, Hura crepitans e outras madeiras de
pêso leve).
Localmente, borracha e cacau em terraços altos.
Estacionai (Distritos
continentais)
Matas de várzea
Produção madeireira. De facil conversão
em povoamento de madeiras leves.
Localmente, pastagens artificiais, cacau e
borracha.
Campos de várzea
Pastos naturais ou melhorados; culturas des-
contínuas de juta e víveres em terraços altos.
IGAPÓ (áreas permanen-
temente inundadas)
Produção madeireira ocasional.
florestas de
terra-firme
Solos arenosos pobres
p.e. Matas de flanco, (para-
climax + fácies regres-
sivos causados pelos in-
cêndios e agricultura nô-
mada)
Matas de, presentemente, baixa explotabili-
dade madeireira; possível valorização atra-
vés de plantios de pinhos troj içais e enri-
quecimento com outras espécies frugais exó-
ticas e locais de crescimento rápido. Cul-
turas de subsistência de baixo rendimento.
Promover a cultura de amendoim e castanha
de caju.
Solos argilo limonosos
Matas altas climax (p.e.
Matas do Planalto). Vá-
rios fácies dinâmicos “em
mosaicos” e numerosas
variantes geográficas
quanto à composição flo-
rística
Em média, boa capacidade de produção madei-
reira. Composição atual dominada por espé-
cies de pêso específico médio ou alto. Agri-
cultura nômade (culturas anuais).
Localmente, boas perspectivas para pastagens
artificiais, culturas permanentes alimentícias
e industriais (Elaois guianensis, castanha,
borracha. . .).
SAVANAS DE TERRA-
-firme
Tipologia pouco conhecida
Entre savanas naturais, algumas unidades
ecológicas extensivas deveriam ser estu-
dadas quanto a sua possível conversão em
terra pastoril artificial ou melhorada.
Reflorestamento (modalidades a experimentar).
Localmente produção agrícola.
Lecythis usitata et paraensis (Sa-
pucaias), Platonia insignis (Ba-
curi), Spondias mombin (Tapere-
bá) e Dipteryx odorata (Cumaru)
poderiam ser plantadas para suas
sucessivas produções frutíferas e
uma exploração madeireira no fim
da rotação.
Os plantios de espaçamento lar-
go de Bertholettia excelsa, próximo
de Manaus, têm mostrado um cres-
cimento adequadamente rápido.
As mensurações tomadas da dita
espécie na África, onde foi intro-
duzida em jardins botânicos (Ki-
santu, República do Congo —
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124
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Leopoldville) , e a determinação das
larguras dos anéis de crescimento
confirmam que a Bertholettia ex-
celsa poderia produzir madeira pa-
ra serração dentro de rotações de
extensa média (talvez 45-60 anos) .
A madeira é de utilidade geral,
de boa qualidade para construções
interiores, mas é pouco utilizada,
pois as castanhas são consideradas
como seu valor principal, o que é
verdade. A explotação de sua
madeira é de fato proibida por lei.
Não obstante, seu corte comer-
cial deveria ser autorizado (1) em
Reservas Florestais sob ordena-
mento (2), em povoamentos arti-
ficiais, logo que a produção de
castanha comece a declinar.
Povoamentos artificiais, que
combinem lucros de produções
sucessivas de frutos e conversão
madeireira, proporcionarão retor-
nos elevados.
Platonia insignis, cujos frutos
são atualmente vendidos em latas
como doce, e que fornece uma exce-
lente madeira para móveis e cons-
trução geral, poderá também ser
plantada para êste fim duplo.
Pesquisas tecnológicas (chapas
de partículas, papel e celulose)
deveriam também ser realizadas
com respeito à madeira de Hevea
brasiliensis a fim de determinar os
retornos globais dos seringais.
No quadro do desenvolvimento
agro-silvo-pastoril, não se deve es-
quecer que a população humana da
Amazônia é de densidade muito
baixa: 90,6% da área têm menos
de um habitante por quilômetro
quadrado. Isto e a falta de capital
estão impedindo o desenvolvimento
na Amazônia de uma economia in-
tegral.
A ampliação da mecanização e
da imigração, assim como o me-
lhoramento da política de saúde
pública e educação profissional po-
deriam ajudar a superar esta defi-
ciência.
§ 3. A explotação das matas es-
pontâneas: os seus graus de
intensidade.
Até hoje quase tôdas as explo-
rações florestais realizadas na
Amazônia foram e ainda são de
caráter essencialmente extrati-
vista: os cortes comerciais são
restringidos a bem poucas espécies,
e raramente a mais de uma ou
duas árvores por hectare.
As espécies madeireiras mais
exportadas da Amazônia são helió-
filas ( Virola surinamensis, Cedrela
odorata, Swietenia macrophylla,
Cordia goeldiana).
As explorações extrativistas, por
retirarem apenas 0,3 a 5 m 3 de
madeira por ha, abrem muito
pouco o teto da mata, deixando o
povoamento na impossibilidade de
regenerar as espécies heliófilas de
alto valor. Quando umas poucas
árvores desta categoria são corta-
das de um modo espalhado numa
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 125
grande área, elas são substituídas
por espécies tolerantes de valor
comercial em geral muito menor.
O extrativismo impõe um flagrante
empobrecimento dos recursos flo-
restais.
Por outro lado, o corte de tôdas
as árvores adultas de uma deter-
minada espécie, representada so-
mente por indivíduos largamente
dispersos, pode conduzir localmen-
te a um desaparecimento mais ou
menos total da espécie.
Esse é o caso especialmente do
Pau rosa ( Aníba rosaeodora), fa-
moso pelo perfume que se extrai
da madeira. Essa espécie tem sido
cortada em quase tôdas as áreas
acessíveis da Amazônia, sem se
cuidar de sua regeneração e as
indústrias que trabalham com ela
enfrentam dificuldades crescentes
Para sobreviver, em virtude da
progressiva falta de suprimento.
A explotação extrativista tem
outros aspectos negativos:
(a) Ela não se torna bastante
lucrativa por hectare para justifi-
car a revalorização do conjunto das
áreas esgotadas.
Se a Amazônia não puder li-
bertar-se, a curto prazo, da prepon-
derância do extrativismo florestal,
0 único corretivo que podemos
sugerir, é reservar tôdas as taxas
percebidas pelas exportações ma-
deireiras, decorrentes do extrati-
vismo, para a criacão, pelo Serviço
Florestal, de povoamentos compen-
sadores de alto rendimento.
(b) O corte de apenas umas
poucas espécies, nas matas espon-
tâneas, significa também que vá-
rias outras espécies valiosas são
deixadas sem serem valorizadas.
Tais espécies ( Hymenaea courbarü,
Clarisia racemosa, etc...) crescem,
atingindo dimensões sobremadu-
ras, morrem e caem, sem nenhum
proveito para o País.
A exploração madeireira extrati-
vista não tem efeitos prejudiciais
no que tange à proteção do solo:
o teto da mata fica fechado, as
raras clareiras abertas pela explo-
tação são ràpidamente obliteradas
graças ao desenvolvimento das
coroas das árvores na sua periferia
e das varas do sotobosque.
O extrativismo madeireiro não
pode assegurar senão exportações
insignificantes em relação com os
potenciais existentes na Hiléia: a
exportação total do Estado do Pará
não ultrapassou 60.000 m 3 de ma-
deira por ano, o que é muito pouco.
E as exportações nunca atingi-
rão verdadeira importância econô-
mica se perdurar a confiança nos
métodos tradicionais de explora-
ção, que dependem de povoamen-
tos fàcilmente acessíveis ao longo
de rios e estradas existentes.
Através de uma intensificação
exploratória, poder-se-ia colocar a
Amazônia na primeira fila dos
produtores de madeira tropical.
126
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Se uma intensificação dessa
natureza fôr baseada numa polí-
tica florestal de produção sempre
renovada, isto é, permanente, a
Região encontrará na gestão e ex-
ploração racional de suas florestas
uma fonte estável de renda, tanto
mais interessante que as amplia-
das exportações assim possibilita-
das fornecerão divisas fortes, indis-
pensáveis ao desenvolvimento das
infra-estruturas industriais.
Considerações econômicas e o
fato de que operações silvícolas
modernas só podem ser iniciadas
em povoamentos fortemente aber-
tos, exigem explotações intensivas,
isto é, o corte de um volume má-
ximo de madeira por hectare.
Neste respeito, o Quadro II com-
para o rendimento de madeira por
hectare em função dos graus de
intensidade explotativa. Os valores,
calculados por Hallewas, estão ex-
traídos de um estudo recente (14)
e se referem ao maciço florestal de
Caxuana
O custo dos investimentos foi
tirado do estudo de Westoby, pu-
blicado em 1962 pela FAO (25).
Não foi possível determinar o
investimento de capital referente
ao tipo de exploração extrativista:
é o mais baixo possível.
A produção de celulose e papel
a partir das matas naturais hetero-
gêneas enquanto tècnicamente exe-
quível, não encontra condições eco-
nômicas favoráveis: devido à ocor-
rência dispersa das espécies ade-
quadas (14).
Contudo, considerando que a
situação mudará radicalmente com
a criação de povoamentos indus-
triais artificiais, a inversão de ca-
pital envolvida na implantação de
usinas papeleiras está mencionada.
Êste quadro mostra de modo
claro que um aumento combinado
de tecnicidade e intensidade explo-
tativa produz retornos significan-
temenfce mais altos por hectare de
floresta e por unidade de matéria-
-prima.
Tais tendências correspondem
aos princípios da economia mo-
derna.
Quanto mais complexa a indús-
tria madeireira a ser implantada,
maior a inversão de capital, assim
como o grau de habilidade técnica
da parte de sua mão-de-obra.
Em compensação, as indústrias
de valorização intensiva podem
proporcionar salários mais eleva-
dos, fato de real significação em
têrmos de promoção social.
Com relação à Conservação da
Natureza, enfrentaremos agora o
paradoxo que emerge da compara-
ção dos efeitos dos cortes intensi-
vos e não intensivos de matas
selvagens.
Como já frisado, as explorações
extr ativistas não têm efeitos preju-
diciais quanto à preservação das
qualidades nativas do sítio: as
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 127
QUADRO II
Volume de madeiras valorizáveis por ha em função do nível
de intensidarlp PVlllnfaínzo /ATnpinn Vlnvncfol , 1 ~ ri \
\ olume total/ha, árvcres ^ 25cm 0 AJ*.
V.T.
m 3
% do V.T.
318,8
100%
Volume total/ha, árvores ^ 45cm 0 A P
155,4
74%
(1) Madeira serrada com lâminas sem tratamento especial
45,0
21%
00 Madeira serrada com lâminas esDecialmente tratadas (p.e.r stelitagem)
135,3
64%
(3) Desenrolados e faqueados
28,3
13%
(4) Chapas parti culadas
63,9
38,5%
(5) Eiplotaçâo extrativista (Veuacapeua americana, Carapa guianensis, Pithece-
o mm racemosum, Cedrela odorata, Cordia goeldiana, Holopyxidium jarana)
9.8
4,6%
Conversões integradas:
(« + (3)..... .
54,3
32,5%
(2) + (3)
135,3
64%
(2) + (3) + (4)
171.1
81%
Inversão de capital e renda bruta
(Ano de referência: 1960)
TIPO DE INDUSTRIA
Inversão por unidade
de matéria prima
(US$ por m 3 )
Re turnos em
US$ por m 3
Serraria
15
27
Deaenroladoa/faqueados
45
40
Fábrica de Chapas Reconstituídas
74
57
Celulose e papel
151
57
características ecológicas do meio
Permanecem pràticamente intatas.
O extrativismo florestal na sua
forma tradicional e primitiva não
r °mpe o equilíbrio natural: êle
apenas provoca uma rarefação, ou
ocalmente até o desaparecimento,
as es Pécies chamadas de luxo.
Mas, do ponto de vista do desen-
v °lvimento econômico, êste tipo de
ex Plotação é incapaz de desempe-
nhar um papel realmente signifi-
cativo.
Pelo contrário, as explotações
intensivas e o aproveitamento inte-
grado dos seus produtos podem
melhorar radicalmente a economia
regional, mas também alterar ra-
dicalmente o equilíbrio natural.
Êste paradoxo merece tôda aten-
ção, mas deveria ser analisado sem
parcialidade.
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128
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
O aspecto dinâmico de meta
clímax de terra-firme é bem conhe-
cido, pelo menos em seu contorno
geral. Um corte raso seguido de
queima e cultura repetida de rota-
ções anuais e períodos de repouso
curtos induzirão uma regressão do
tipo vegetacional e uma prejudi-
cial degradação do solo e do meso-
clima. Contudo, se localmente a
mata clímax fôr submetida a um
corte único, a área queimada e
utilizada para uma só rotação agrí-
cola e em seguida abandonada
sem nova interferência humana, os
efeitos prejudiciais serão reduzi-
dos e progressivamente corrigidos
pelo próprio processo de refloresta-
mento natural.
Assim, neste caso, o refloresta-
mento natural é desde o início exu-
berante e através de fases dinâ-
micas sucessivas a mata atinge
uma composição e uma estrutura
equivalentes ou quase equivalentes
àquelas da mata original.
Pode-se também dizer que, du-
rante as fases pioneiras, muitas es-
pécies se estabelecem ( Goupia
glabra — Cupiúba; Bagassa guia-
nensis = Tatajuba; Vochysia ma-
xima — Quaruba verdadeira; etc...)
e tais capoeiras jovens, submetidas
a tratamentos silviculturais judi-
ciosos, na maioria das vêzes origi-
nam povoamentos relativamente
uniformes de valor comercial muito
mais elevado do que o da mata
original.
Num experimento, no Planalto
de Curuá, obteve-se um povoa-
mento quase puro de Goupia gla-
bra por semeadura lateral, numa
área submetida a explotação in-
tensiva seguida de corte raso e
queima das árvores residuais.
As capoeiras jovens também
constituem um bom ambiente para
plantios artificiais (p.e., com espa-
çamento 4 x 4 m, 5 x 5 m ou mais)
de espécies valiosas de crescimento
rápido.
Além disso, com o fim de melhor
aquiescer com o.s princípios de
Conservação, normas silviculturais
muito simples poderão ser aplica-
das onde cortes intensivos foram
efetuados :
(1) A área correspondente ao
corte anual será em forma de um
retângulo alongado com largura
que não deveria, na maioria dos
casos, ultrapassar 200 m. O maior
comprimento do retângulo será
orientado perpendicularmente à
direção dos ventos dominantes.
Esta regra tem por fim restrin-
gir os efeitos dos cortes intensivos
sôbre o mesoclima e favorecer a
regeneração por semeaduras late-
rais.
(2) Quer sejam adotados méto-
dos de regeneração natural ou arti-
ficial, as limpezas devem ser redu-
zidas ao mínimo de modo a manter
uma boa cobertura do solo.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 129
Foi comprovado em Curuá que
limpezas intensivas, especialmente
quando a rebrotação natural é
periodicamente recortada rés ao
nível do chão, favorecem de certo
modo a savanização do sítio.
(3) No caso de áreas subme-
tidas a corte raso e incineração, e
convertidas em povoamentos mo-
noespecíficos, leguminosas de co-
bertura deveriam, sempre que
possível, ser introduzidas com a
finalidade de cobrir o solo e man-
ter sua fertilidade.
(4) No caso de regeneração
natural ou replantios misturados,
deveria ser retida uma adequada
proporção de Leguminosas arbores-
centes na composição do povoa-
mento.
§ 4. A agricultura nômade e semi-
-permanente.
A cultura nômade foi uma das
primeiras formas agrícolas prati-
cadas pelo homem.
Nas áreas florestadas, ela con-
siste em derrubar a mata, queimar
o material lenhoso e implantar
uma rotação agrícola de duração
variável.
O padrão original ou primitivo
da agricultura nômade caracteri-
za-se por derrubas relativamente
pequenas e após o abandono da
roçada, o colonizador se transfere
Para um outro local, deixando a
mata se reconstituir onde foi des-
truída. Esta forma primitiva é
9 — 37.153
ainda praticada em muitas partes
do mundo tropical, sempre que a
densidade da população humana é
muito baixa e onde as tribos ou
famílias não vivem em aldeamen-
tos permanentes .
Nestas condições, o nomadismo
não tem efeitos prejudiciais do
ponto de vista da conservação do
equilíbrio natural.
Tal regime deu, localmente,
origem a extensas matas secundá-
rias de alto valor comercial, tal
como as matas de Tectona grandis
da Ásia tropical, ou as de Termina-
lia superba, Triplochyton sclero-
xylon, da África.
Mas o homem tem a tendência
de voltar para as áreas prèviamen-
te cultivadas.
É tentado a agir assim por ra-
zões de facilidade: é mais cômodo
e rápido rebaixar um rebrotamento
natural ou uma capoeira do que
derrubar a mata grossa.
Sob a pressão do aumento da
população e sua fixação em aldeias
permanentes, o período de repouso
entre dois ciclos agrícolas é cada
vez mais encurtado e o nomadismo
é substituído por uma agricultura
semi-permanente.
Esta quando não baseada em
técnicas conservacionistas, não
deixa de causar prejuízos cuja am-
plitude é proporcional ao encurta-
mento dos períodos de repouso e
depende do tipo de solo, sua fer-
tilidade e sua topografia.
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130
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
O sistema de agricultura semi-
-permanente irracional já arruinou
muitas terras florestais: um exem-
plo típico é o da região bragantina.
Um drama similar ameaça as mar-
gens da rodovia Belém-Brasília.
Ao longo desta estrada, o autor
teve a oportunidade de comparar
capoeiras surgidas após um e dois
ciclos agrícolas.
A mata original é uma forma-
ção alta caracterizada por fre-
qüências relativamente altas de
Goupia glabra, Holopixidium jara-
na, Manilkara huberi, Copaifera
spp., Peltogyne lecointea e a pre-
sença de Euxylophora paraensis.
Às proximidades de Paragomi-
nas, uma faixa que atinge cêrca
de 3 km de largura, em ambos os
lados da rodovia, foi destruída pe-
los colonizadores.
Quando os produtos agrícolas
são colhidos e as roçadas abando-
nadas após o primeiro ciclo, uma
vigorosa vegetação secundária se
desenvolve e ocupa a área.
Esta capoeira compreende até
25 varas de Bagassa guianensis
por ha que poderiam fàcilmente
ser reservadas como elementos du-
ma futura safra madeireira.
A mesma capoeira, quando al-
-cança 4 a 5 metros de altura,
constitui um excelente ambiente
para enriquecimentos silvicultu-
rais através de plantio de espécies
desejáveis.
Mas ali se observou também, em
tipos equivalentes de solo, que a
capoeira que toma lugar após dois
ciclos agrícolas sucessivos, reflete
uma degradação significativa da
produtividade do sítio, especial-
mente quando os dois ciclos são
separados por apenas um curto
período de repouso.
É pràticamente impossível proi-
bir a agricultura nômade no pre-
sente estado do desenvolvimento
da Amazônia. Uma parte substan-
cial das populações locais e imi-
gradas está fazendo meio de vida
da mesma.
Medidas de controle deveriam ser
aplicadas para evitar os efeitos
prejudiciais que surgem logo que
a forma primitiva de agricultura
nômade é substituída por coloni-
zação de caráter relativamente
sedentário.
Tal controle deveria consistir em
impor rotações agrícolas curtas,
seguidas de períodos de repouso
adequadamente longos, de forma a
permitir o desenvolvimento da ve-
getação secundária capaz de resta-
belecer a fertilidade do solo.
Onde a colonização permanente
faz parte da política local, é acon-
selhável implantar pastos artifi-
ciais racionalmente controlados ao
término do primeiro ciclo agrícola.
Localmente, no quadro de Reser-
vas Florestais de Colonização e
Produção Madeireira, os coloniza-
dores temporários poderiam ser
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 131
incorporados nos programas de
reflorestamento baseados em méto-
dos silvo-agrícolas.
Os métodos silvo-agrícolas con-
sistem em usar as florestas para
fins agrícolas temporários: a flo-
resta é derrubada (geralmente
após uma explotação comercial) e
queimada. A terra é plantada com
culturas agrícolas de curta rotação.
A explotação madeireira em ge-
ral vem sendo efetuada por em-
prêsas particulares mediante o pa-
gamento de impostos adequados,
roas a destruição da floresta resi-
dual e a cultura agrícola ficam
a cargo dos colonizadores tempo-
rários.
Espécies arbóreas valiosas devem
ser plantadas no começo da rota-
ção agrícola.
Tais espécies devem ser de cres-
cimento rápido, capazes de desen-
volver fustes de boa forma mesmo
se plantadas em espaçamento
largo, e devem ser adaptadas a
condições de abertura total.
Com respeito à aplicabilidade
dêste método em florestas amazo-
nas, as espécies a seguir mere-
cem estudo prioritário: Cor dia
Qoeldiana, Caryocar villosum, Ber-
tholettia excelsa, Platonia insignis,
Centrolobium paraensis, Ceiba
Pentandra, Hura crepitans, diver-
sas espécies para papel e celulose
e exóticas como Tectona grandis,
Nauclea diderrichi, Chlorophora
excelsa, Terminalia ivorensis, Ter-
minalia superba.
É altamente aconselhável que o
Serviço Florestal realize o plantio
das espécies madeireiras.
Do ponto de vista econômico, a
principal vantagem do método
reside no fato de que a operação
mais dispendiosa (a destruição da
floresta original) não é paga pelo
Serviço Florestal.
A objeção que poderia ser ale-
gada é a de que os métodos silvo-
-agrícolas somente foram aplica-
dos até hoje em regiões trópico-
-equatoriais, onde a densidade
populacional é alta, e provoca uma
demanda tensa e competitiva de
solos aráveis.
Êste não é o caso na Amazônia.
Mesmo na hinterlândia rural das
cidades amazônicas, a população
ainda não atinge uma densidade
crítica.
Por conseguinte, a opinião do
autor é que, para atrair coloniza-
dores temporários em programas
silvo-agrícolas, certas vantagens e
facilidades lhes deveriam ser ofe-
recidas.
As mesmas poderiam ser mate-
rializadas na forma de cooperati-
vas, fornecendo sementes selecio-
nadas e auxílio técnico-educacional
aos colonizadores, e organizando a
venda dos produtos agrícolas com
o máximo de vantagem para os
mesmos.
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Métodos silvo-agrícolas, tais co-
mo o “Taungya”, pelo qual povoa-
mentos extensivos de Tectona
grandis foram criados na Ásia
Tropical, e o método silvo-bana-
neiro que possibilitou a conversão
de florestas selvagens africanas
em povoamentos uniformes de
Terminalia superba, permitiriam
às populações locais continuarem
a prática da agricultura nômade.
§ 5. A silvicultura tropical na
renovação e conservação dos
recursos florestais da Ama-
zônia.
A finalidade da silvicultura tro-
pical aplicada não é a simples
renovação dos recursos florestais,
mas a substituição de florestas
heterogêneas selvagens de baixo
valor comercial por povoamentos
domesticados relativamente uni-
formes de produtividade alta e
sustida.
Tal conversão, não obstante a
mudança radical que ela impõe
quanto à composição e estrutura
da floresta, não afeta significati-
vamente o equilíbrio natural desde
que o silvicultor encarregado te-
nha um conhecimento sólido de
biologia florestal e a capacidade de
trazer em harmonia os fatores
-econômicos e os princípios de con-
servação. Esta harmonia é uma
necessidade absoluta para as ativi-
dades florestais, que só poderão
sobreviver se baseadas em técnicas
que assegurem um rendimento
permanente e contínuo.
Os princípios conservacionistas
essenciais no quadro da silvicul-
tura tropical moderna podem ser
resumidos como a seguir:
(1) Na medida do possível, os
povoamentos domesticados deve-
riam ser constituídos de uma
mistura de espécies que incluam
uma porcentagem adequada de
Leguminosas e árvores sempre
verdes.
(2) No caso de monocultura
industrial de uma essência arbó-
rea decídua, a proteção do solo
deveria ser assegurada por meio
de leguminosas perenes de cober-
tura de hábito herbáceo, semi-le-
nhoso ou arbustivo.
(3) Rejeitar a plantação mono-
específica de espécies produtoras
de húmus altamente ácido. Êste é
por exemplo o caso da Dinizzia
excelsa.
Muitos estudos se fazem ainda
necessários nestes campos, espe-
cialmente com respeito à ocorrên-
cia de período de desfolha, à qua-
lidade do humo acumulado pelas
espécies individuais, e à fixação do
nitrogênio nos solos florestais ama-
zônicos.
Os problemas vitais para o êxito
da silvicultura são os da escolha
de espécies básicas e dos métodos
para estabelecimento e tratamento
dos povoamentos.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 133
Êstes dois aspectos fundamen-
tais merecem alguma consideração.
5.1. A escolha de espécies básicas.
Entre um total de aproximada-
mente 620 espécies arbóreas que
ocorrem no Baixo-Amas onas, me-
nos de 5%, no estado a + ual do
nosso conhecimento, pode ser con-
siderado de valor fundamental
para o futuro.
Uma lista provisória de espécies
fundamentais é dada a seguir:
QUADRO III
ESPÉCIES
Classe
de cres-
cimento
Madeira
serrada
Desen-
rolados e
faqueados
Celulose
e
papel
Sítio
Virola surinamenris
1
X
XX
XX
V
Swietenia macrophylla
1
X
XX
p; (Fi?)
Cedrela odor ata
1
X
XX
Pl, Fl
Cedrela cfr. fissilis
1
X
(VI?)
Pl, Fl
Carapa guianensis
1
X
XX
V, Pl
Cordia goeldiana
1 ?2?
X
XX
Pl
Hura crepitam
1
X
XX
?
V, Pl
t ochyna maxima
1
X
X
?
Pl
Pertholettia excelsa
1
X
X
Pl
Goupia glabra
1-2
XX
(I)
XX
Pl (Fl)
Didymopanax morototoni
1
X
X
XX
Pl (Fl)
Jacaranda copaia
1
X
X
XX
Pl (Fl)
Simarouba amara
1
XX
X
?
Pl
Pachira intignis
1
?
?
XX
V (Pl?)
Caryocar nllosum
1
XX
Pl
Pagassa guianensis
2
XX
X
Pl
Pl atonia insigni*
1-2
XX
X
Pl
Couma macrocarpa
í?
XX
?
Pl
Cedrelinga catenaejormis
1
XX
X
7
Pl
Pachtgalia myrmecophila
2
XX
Pl
Tachiçalia alba
2
XX
Pl
Pcltrolobxum micropetalum
2
XX
Pl
Galophyllum bramlitnte
2-3
XX
X
V, (Pl?)
Qutilea homosepala
2
XX
X
Pl
Atpidosperma spp
(3 espécies principais)
2-3
XX
Pl
V = várzea - PI: Planalto e terra^finnes argilosas ou limonosas; Fl: Flanco ou terras arenosas.
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
134
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Esta lista é suscetível de incluir
mais espécies no futuro, especial-
mente com a promoção de um
maior número de essências de cres-
cimento rápido para papel e celu-
lose e produção de chapas de par-
tículas, bem como a adoção em
maior escala de espécies exóticas
(pinheiros tropicais, espécies de
crescimento rápido introduzidas
ou a serem introduzidas de outras
zonas tropicais), e de espécies
amazônicas endêmicas ainda não
estudadas, entre as quais umas
poderiam revelar interêsse proe-
minente.
As espécies fundamentais ideais
deveriam possuir as seguintes
características :
(1) alto valor comercial ou va-
lor potencial em têrmos de produ-
ção em grande escala;
(2) rápido acréscimo volumé-
trico e habilidade de desenvolver
fustes de boa forma, com podação
natural satisfatória;
(3) forte produção de semen-
tes, cada ano, ou, pelo menos, de
dois em dois anos (indispensável
para plantios artificiais em grande
escala) ;
(4) não serem sujeitas a ata-
ques de insetos ou doenças de
incidência altamente prejudicial à
produção madeireira;
(5) se possível, serem de fácil
e profusa regeneração natural.
Na realidade, tais “espécies
ideais” quase nunca são encon-
tradas.
Os brotos terminais e galhos da
maioria das Meliáceas valiosas
(gêneros Swietenia, Cedrela, Cara-
pa) são atacados por Hypsipyla
grandella, especialmente sob condi-
ções de abertura total.
Isto restringe atualmente a
silvicultura das Meliáceas a plan-
tios a espaçamento largo sob a
proteção de sombra lateral (plan-
tios de enriquecimento em linha
em capoeiras jovens; plantios
complementares em talhões sob
regeneração natural).
No viveiro e nas plantações jo-
vens estas Meliáceas podem preci-
sar de tratamentos fitosanitários
(pulverizações foliares com produ-
tos sistêmicos).
Didymopanax morototoni, Ja-
caranda copata e Bagassa guia-
nensis também têm seu problema
de “lagarta do brôto terminal”.
Canteiros inteires de Jacaranda
copaia podem ser completamente
destruídos pelo inseto ( Lecanio -
diapsis rngosa Hempel). Jacaranda
copaia, quando livre de ataques de
lagartas, produz volumes de ma-
deira por hectare e por ano iguais
àqueles de Eucalipto de crescimen-
to rápido. Sua madeira é valiosa
para papel e celulose. Mas, devido
à eventual acuidade dos ataques
de lagarta, ninguém aconselharia
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 135
a criação de plantações industriais
extensivas desta espécie.
As saúvas são outro grande
problema. Estas formigas cortam
quaisquer espécies de folhas ver-
des, mas seus ataques são mais
acentuados em áreas recentemente
cortadas rés ao chão ou em povoa-
mentos artificiais jovens submeti-
dos a limpezas intensivas deixando
o solo descoberto. Grupos de rege-
neração natural de Vochysia ma-
xima, estabelecidos em áreas sub-
metidas a corte raso de incinera-
ção, foram às vêzes eliminados
pelas saúvas, enquanto a regene-
ração natural da mesma espécie
permanece livre de ataques simi-
lares quando obtida através de
uma abertura progressiva da flo-
resta clímax. As saúvas também
revelam uma preferência por cer-
tas espécies: Eucalyptus spp.,
Pinus spp., e outras exóticas, jun-
tamente com diversas espécies
locais ( Vochysia maxima, Sclero-
lobius spp., etc...) são alvos co-
muns da saúva. Muitas espécies,
a pós defoliação sucessiva, morrem.
O controle químico da saúva é
tècnicamente possível, mas no
campo da silvicultura, as despesas
envolvidas podem ameaçar a ren-
tabilidade financeira do povoa-
mento florestal assim tratado.
A solução parcial para o proble-
®a da saúva seria encontrado
através do manejo correto dos fa-
tores ecológicos de controle (som-
bra seletiva, manutenção de uma
cobertura densa do chão...).
Como as saúvas são também
prejudiciais ao desenvolvimento
agrícola, seria altamente justifi-
cado financiar um estudo detalha-
do visando ao controle biológico
destas formigas.
Muitos outros fatores limitativos
estão afetando espécies valiosas.
Simaruba amara, de sementes
apanhadas na Região do Curuá,
tem crescimento rápido, mas a
podação natural é defeituosa. Por
conseguinte, seria interessante,
antes dos plantios em grande es-
cala serem realizados, que se des-
cobrisse, através de testes de ori-
gem, melhor raça ao que tange a
podação natural.
Com Bertholettia excelsa, a
dificuldade reside no poder germi-
nativo muito pobre das sementes.
Além das espécies fundamentais,
a silvicultura futura envolverá
ainda um número relativamente
grande de espécies madeireiras
secundárias.
As essências madeireiras secun-
dárias incluem espécies de cresci-
mento rápido de limitada signifi-
cação nos mercados (p.e., Vatairea
erythrocarpa, Dipteryx odorata) e
um grande número de espécies de
crescimento lento de valor comer-
cial estabelecido, entre as quais
estão muitas Leguminosas ( Diniz -
136
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
zia excelsa, Peltogyne lecointei,
Pithecelobium recemosum, Hyme-
naea courbaril) e espécies valiosas
pertencentes a outras famílias
(Roupala sp., Ocotea cfr. canali-
culata, Ocotea rubra, Euxylophora
paraensis, Manilkara huberi, Gly-
cydendron amazonicum, Mezilau-
rus itauba, Vouacapoua america-
na, etc.).
As espécies comerciais de cresci-
mento lento ou relativamente
lento não se adaptam economica-
mente a plantios sistemáticos,
mas podem ser retidas na com-
posição de floresta ordenada desde
que se permita sua regeneração
natural desenvolver-se e formar
andares subordinados no coberto
das espécies de crescimento rápido
mais fundamentais.
Com relação à escolha das espé-
cies, deve-se salientar que as ex-
plorações estrativistas descontro-
ladas e a destruição extensiva da
floresta pela agricultura nômade
comprometem a sobrevivência de
espécies valiosas de distribuição li-
mitada e podem induzir desapare-
cimento das árvores-matrizes de
excepcional genótipo ou raças de
alta qualidade.
O Dr. Augusto Ruschi chamou
a atenção sôbre êste perigo (23)
e a necessidade de os governos
criarem Reservas Biológicas para
que seja possível em qualquer oca-
sião utilizá-las para investigações
básicas e como fonte de sementes
que poderiam tornar-se indispensá-
veis para futuros desenvolvimentos
da silvicultura.
Neste sentido, não é demais
voltar a lembrar que já é difícil
obter-se sementes de tais espécies
valiosas, como Aniba rosaeodora,
Cordia goeldiana, Swietenia ma-
crophylla. As colheitas das semen-
tes deveriam ser organizadas em
áreas ainda intocadas onde tais
espécies ocorrem, juntamente com
reconhecimentos detalhados a fim
de delimitar Reservas Biológicas
onde espécies ameaçadas estejam
bem representadas.
Não é necessário que tais reser-
vas, visando à preservação do pa-
trimônio genético de espécies flo-
restais, cubram grandes áreas. O
que é indispensável é ter à mão
os fundos necessários para pagar
a materialização de seus limites
e os salários dos guardas.
5.2. A escolha dos métodos e tra-
tamentos silviculturais.
Dentro do limite dêste estudo
não há lugar para uma informa-
ção minuciosa sôbre os métodos e
tratamentos silviculturais aplicá-
veis às florestas amazônicas. Os
métodos de regeneração natural e
artificial e suas técnicas correlatas,
inclusive os de envenenamento das
árvores, são parte essencial do
programa de pesquisas em Curuá.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 137
Em suma, os métodos que pode-
rão prevalecer na silvicultura ama-
zônica são principalmente:
(1) Plantações uniformes mono
e pluriespecíficas em condi-
ções totalmente abertas.
Com exceção de povoamentos
industriais para papel e celulose,
as plantações uniformes não deve-
rão ser plantadas em espaçamento
curto entre plantas e logo submeti-
das a limpezas intensivas.
As árvores deverão ser dispostas
desde o início a espaçamento assaz
iargo, para evitar desbastes preco-
ces destituídos de valor comercial
e para favorecer o desenvolvimento
da capoeira que participará na
educação do povoamento e na
rnanutenção das qualidades origi-
n ais do sítio.
Mesmo que seja plantada uma só
espécie, o fato de favorecer a rebro-
tação de uma capoeira e associá-la
ao povoamento principal, não
deixará de assegurar os benefícios
*3ue de um modo geral derivam da
uiescla de espécies (melhoramento
qualitativo da podação e educação
uatural dos fustes, do húmus e da
cobertura do chãol.
(2) Plantios de enriquecimento
em linha ou em grupos den-
sos espaçados em áreas in-
tensivamente explotadas ou
em capoeiras.
(3) Métodos silvo-agrícolas (vide
§ 4 ).
Os programas de reflorestamento
associados a uma agricultura nô-
made de tipo primitivo não têm
aspectos prejudiciais quanto à
conservação da fertilidade do solo
desde que sejam observadas as re-
gras seguintes:
(a) impor um único ciclo agrí-
cola de rotação curta;
(b) as mudas das espécies flo-
restais, sob a forma de tocos vigo-
rosos, serão plantadas em geral no
início do ciclo agrícola;
(c) os efeitos combinados de
uma rotação agrícola curta com
plantios florestais a espaçamento
assaz largo, favorecem o rebrota-
mento natural de uma capoeira
poliespecífica após a colheita final
dos produtos agrícolas;
d) sôbre declives fortes, no
caso de solos suscetíveis a erosão,
a mata original não poderá ser
derrubada para fins agrícolas
mesmo transitórios, pelo menos
quando não houver possibilidade
de impor medidas agronômicas de
prevenção (cultivo em faixas se-
gundo curvas-de-nível, terracea-
mento . . . ) .
(4) Métodos de regeneração na-
tural.
As várias experiências iniciadas
no Planalto de Curuá põem em
evidência três métodos de regene-
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
138
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ração natural bem adaptados às
condições locais:
(a) Regeneração natural por
semeadura lateral, depois da
explotação comercial segui-
da de derruba e queima das
árvores residuais.
Depois da queima, o solo fica nu.
Mas através do rebrotamento de
tocos e do desenvolvimento de
mudas oriundas de semeadura la-
teral ou de sementes estocadas no
horizonte superficial ou ainda
trazidos por animais, a terra se
torna completamente coberta den-
tro de uns meses. Tal vegetação
inclui milhares de mudas de espé-
cies madeireiras de valor.
No canteiro onde se experimen-
tou êste método, surgiu pouco
depois da queima, uma regenera-
ção densa de Cecropia spp., Laetia
procera, Goupia glabra, e, em me-
nor freqüência, Didymopanax mo -
rototoni, Vochysia maxima, Diniz -
zia excelsa, etc.
O trabalho do silvicultor consiste
em assistir a regeneração natural
das espécies de maior valor: no
caso que analisamos, o rebaixa-
mento das Cecropia e Laetia pro-
cera, seguido de desbastes, originou
a constituição de um povoamento
'quase puro de Goupia glabra.
Hoje, o canteiro, com a idade
de 7 anos, tem a aparência dum
plantio artificial de Goupia glabra,
atingindo 8-12 m de altura total.
Êste método deve proceder por
faixas alongadas e estreitas per-
pendiculares à direção aos ventos
dominantes.
(b) Regeneração natural indu-
zida sob abrigo temporário
antes da explotação comer-
cial ( Pre-exploitation Shel-
terwood System).
Depois dum corte de cipós, du-
ma abertura parcial do coberto por
derruba ou envenenamento de ár-
vores dominantes sem valor, e o
rebaixamento seletivo do sub-bos-
que, estabelece-se uma regeneração
natural de numerosas espécies em
mistura e das quais as mais valio-
sas serão promovidas pela inter-
venção do silvicultor.
A explotação comercial é reali-
zada após a indução da regenera-
ção natural. As toras comerciais
são retiradas por meio de tratores
pesados equipados com guincho e
cabo: os tratores movimentam-se
exclusivamente ao longo de eixos
de extração predeterminados.
No decurso destas operações, o
solo dos talhões nunca fica nu:
não há perigo de erosão e o meso-
clima não se modifica senão de
modo muito atenuado e por um
período fugaz. Depois de explota-
ção e da regeneração natural atin-
gir um certo grau de desenvolvi-
mento (fase qualificativa de “rege-
neração estabelecida”), as árvores
residuais da mata original são en-
venenadas.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 139
Êste método foi aplicado nas
matas de Planalto de Curuá numa
escala experimental (6,25 ha) com
êxito: a exuberância da regenera-
ção natural no grau de desenvol-
vimento em que se encontra, seis
anos depois da primeira abertura
do teto, é mostrada a seguir:
QUADRO IV
ESPÉCIES DESEJÁVEIS
Densidade de regeneração
natural (indivíduos por ha)
Classe de
crescimento
(vide
Quadro III)
“Estabelecidas”
>2 mde altura
e <5cm de 0 AP
“Varas”
>2 m de altura
e >5cm de 0 AP
Vochyría maxima
422
15
1
1 ochysia cjr. reroluta
57
a?)
Didymopanax morototoni
25
3
1
Simaruba amara
18
8
1
Goupia glabra. . .
53
4
1
Tachxgalia myrmecophila
111
5
2
Ocotea cfr. canalicnlata
103
13
3
Pithecelobium racemosum
79
12
3
Clansia racemosa
47
3
Qualea homosepala
34
2
Manilkara huberi
34
6
3
TOTAL (11 espécies)
983
66
1049
(c) Regeneração natural indu-
zida sob abrigo temporário
após a explotação comercial
(Post-exploitation Shelter-
wood System).
A única intervenção eventual-
niente realizada antes da explota-
Çao é o corte dos cipós que sobre-
carregam o teto da mata, intercep-
tando uma parte apreciável de
luz. Um ou dois anos depois ocorre
a derruba e retirada das árvores
comerciais. A explotação deve ser
mtensiva, valorizando pelo menos
35 m :í de toras por hectare, e orga-
nizada em faixas de 100-200 m de
largura, perpendicularmente aos
ventos dominantes.
Depois da explotação, rebaixa-
mento das coroas das árvores ex-
ploradas e derruba de certas espé-
cies residuais conhecidas como
resistentes a envenenamento, o ta-
lhão é abandonado durante um
período de 15-20 meses.
A área recebe então uma primei-
ra limpeza visando a liberar as
mudas e varas desejáveis da vege-
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
140
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tação arbustiva concorrente. Esta
intervenção é completada pela
anelação e envenenamento das
árvores residuais do povoamento
original.
Quarenta meses depois da explo-
ração, ou seja, 25 meses depois da
primeira limpeza, a regeneração
natural neste canteiro (10 ha) era
caracterizada pelas freqüências se-
guintes em espécies desejáveis (in-
ventário-abril 1965).
QUADRO V
ESPÉCIES DESEJÁVEIS
Densidade de regeneração
natural (indivíduos por ha)
Classe de
crescimento
(vide
Quadro III)
“Estabelecidas”
<2 m de altura
e <5cm de 0 AP
“Varas”
>2 m de altura
e > 5cm de <t> AP
Vochyria maxima
13
2
1
Vochysía cfr. reroluta
20
1
Didymopanax morototoni
12
5
1
Simaruba amara
5
3
1
Goupia glabra -
195
1
Tachigalia myrmecophila
87
10
2
Ocotea cfr. canalicidata
87
8
3
Pithecelobium raccmosum
47
5
3
Clarísia racemosa
-
3
Qual e a homosepala -
15
-
2
Manilkara huberi
87
5
3
TOTAL (11 spp.)
568
38
Caryocar rillosum
2
1
Dipteryx odorata
25
1-2
Glycydendron amazonicum
2
2
Virola cfr. melinonii
325
12
2
Trichilia lecointei
20
3
TOTAL (16 spp.)
942
50
-
992
Do ponto de vista da proteção quanto o método de regeneração
do solo e do equilíbrio da biota, natural induzida sob abrigo tem-
êste método é tão conservacionista porário antes da explotação.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 141
(5) Métodos combinando rege-
neração natural e regenera-
ção artificial.
Muitas espécies das mais valio-
sas do ponto de vista comercial têm
uma distribuição tão espalhada no
seio das matas selvagens que não
podem participar substancialmen-
te de programas extensivos de
regeneração natural. É o caso de
Cedrela odorata, Swietenia macro-
phylla, Carapa guianensis, Cordia
goeldiana, etc.
As regenerações naturais con-
troladas são na realidade um tanto
pobres em “espécies de luxo”.
Esta situação salienta a neces-
sidade de se valorizar os talhões
sob regeneração natural por meio
de plantios a espaçamento largo
das chamadas espécies de luxo.
Tais enriquecimentos vêm sendo
objeto de pesquisas em Curuá.
(6) Métodos de Uniformização.
Êste método se aplica em mata
destituída de potencial suficiente
para explotação comercial imedia-
ta mas onde boas espécies madei-
reiras estejam bem representadas
e m classes diametrais médias (ár-
vores de 10 a 30 cm de 0 A.P.).
A técnica envolvida consiste na
eliminação mais ou menos pro-
gressiva de árvores sem valor de
forma a favorecer um melhor e
haais rápido fomento das espécies
desejáveis.
Em geral, as árvores maiores
(dominantes e emergentes) das
espécies sem valor e tôdas as árvo-
res de fuste reclinado ou mal con-
formado são as primeiras a serem
eliminadas (por derruba, anela-
mento ou envenenamento).
As intervenções subseqüentes são
procedidas de cima (andar domi-
nante) para baixo (andares subor-
dinados) .
A progressiva eliminação dos
elementos indesejáveis dá maior
espaço vital às árvores de valor, de
modo que estas atingem a matu-
ridade comercial dentro dum prazo
menor do que se a mata original
fôsse deixada intocada.
A aplicabilidade do método de
Uniformização está sendo estuda-
da no Centro de Curuá num fácies
jovem de mata de várzea visando
a promoção dum povoamento pau-
ciespecífico com dominância de
Virola surinamensis e Calophyllum
brasiliensis.
§ 6. Política florestal e estrutu-
ração dos dispositivos con-
servacionistas.
Devido à imensidade territorial
da Amazônia Brasileira, os esfor-
ços dos encarregados da Política
Florestal deveriam focalizar-se em
áreas restritas, mas de extensão
que possibilite o desenvolvimento
de uma economia madeireira ex-
pansionista.
142
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Quanto a esta necessidade, a Re-
gião precisa com urgência da im-
plantação de um Serviço Florestal
e dum Corpo de Polícia Florestal
bem alicerçados e dotados de um
pessoal qualitativa e numèrica-
mente à altura de suas tarefas.
Urge também a criação de Reser-
vas Florestais de produção madei-
reira.
Por prioridade, as Reservas Flo-
restais de Produção deveriam ser
estabelecidas dentro do raio ope-
racional de indústrias madeireiras
existentes, na região de reprêsas
hidroelétricas e noutras áreas que,
por sua própria localização,
ocupem posições chaves em têr-
mos de fomento industrial futuro.
Um sistema de taxação sôbre a
explotação madeireira em áreas
florestais de domínio público e sô-
bre as vendas de madeiras e a
exportação deveria ser estabelecido
de forma que parte de seus retor-
nos pudesse ser empregado pelo
Serviço Florestal, ou sob sua fisca-
lização, em programas de reflores-
tamento e operações de manejo
florestal necessários dentro dos
limites das Reservas Florestais de
Produção.
Grandes perspectivas são espe-
radas da aplicação do nôvo Código
Florestal (Lei 4.771, de 15 de se-
tembro de 1965).
A tarefa ainda a ser feita neste
campo é enorme, e não há dúvida
de que resultados tangíveis somen-
te serão obtidos se os meios práti-
cos e financeiros estiverem à mão.
O Serviço Florestal, as autori-
dades científicas e políticas deve-
rão favorecer, como salientado
anteriormente, a criação de Reser-
vas Biológicas e Parques Nacionais.
As práticas prejudiciais em ma-
téria de uso-das-terras “sensu-lato”
só poderão ser julgadas através de
uma ação conjunta dos Serviços
Agrícola e Florestal e de uma edu-
cação das populações e dos pró-
prios proprietários rurais.
Umas medidas visando à conser-
vação do equilíbrio natural e pro-
teção do solo já foram aludidas em
vários parágrafos dêste texto.
Muitas outras são conhecidas,
das quais umas são interêsse espe-
cial para a Amazônia:
(a) as medidas de caráter con-
servacionista previstas no nôvo
Código Florestal;
(b) nesse mesmo Código, o ar-
tigo 27 (*) constitui uma arma
poderosa para o controle do uso-
-das-terras cada vez que as opera-
ções envolvidas incluem o emprêgo
do fogo.
* Art. 27 — É proibido o uso do
fogo nas florestas e demais formas de
vegetação.
Parágrafo único — Se peculiaridades
locais ou regionais justificarem o em-
prêgo do fogo em práticas agropastoris
ou florestas, a permissão será estabe-
lecida em ato do Poder Público, cir-
cunscrevendo as áreas e estabelecendo
normas de precaução.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 143
Êste artigo autoriza o Poder Pú-
blico a circunscrever as áreas onde
o fogo pode ser utilizado em prá-
ticas agropastoris ou florestais, o
que, entre conseqüências, possibili-
ta o controle “espacial” da agricul-
tura nômade. O Poder Público está
habilitado através do mesmo ar-
tigo a estabelecer normas de pre-
caução que, na nossa opinião, de-
veriam abranger, nas regiões em
processo de colonização intensiva,
as prescrições seguintes:
— 'precauções diretamente rela-
cionadas ao emprêgo do fogo
(aceiros. . .)
— dispositivos visando a prote-
ção a longo prazo das áreas
“de mata queimada” princi-
palmente a obrigação de
manter faixas intactas de
mata dispostas perpendi-
cularmente ao ventos domi-
nantes. Tais faixas, cuja lar-
gura e espaçamento ainda
devem ser objeto de estudo,
teriam efeitos mesoclimáticos
benéficos e se oporiam aos
incêndios extensivos e a qual-
quer momento poderiam par-
ticipar do reflorestamento da
área, pois tais faixas consti-
tuem fontes de sementes, que
tanto os ventos como os
passáros e outros animais
silvícolas não deixarão de di-
fundir nos arredores.
A aplicação destas normas
conservacionistas dependem
da importância orgânica e
dos meios orçamentários que
forem dados ao Serviço Flo-
restal e ao Corpo de Polícia
Florestal a êle subordinado.
(c) vários dispositivos da Lei
n.° 4.504, de 30 de novembro de
1964, sôbre o Estatuto da Terra, e
especialmente seu artigo 20 alí-
nea III que possibilita a desapro-
priação das “áreas cujos proprie-
tários desenvolverem atividades
predatórias, recusando-se a pôr em
prática, normas de conservação
dos recursos naturais”.
Fiscalizar tôda a Hiléia é de fato
conjuntural mente uma utopia;
portanto “regiões-pilotos” teriam
de ser escolhidas para nelas atua-
rem os Serviços Agrícola e Flores-
tal no sentido duma valorização
racionalizada dos recursos natu-
rais.
Do ponto de vista do financia-
mento das operações de fiscaliza-
ção nas Reservas Florestais e Bio-
lógicas, nos Parques Nacionais e
no campo do uso-das-terras, uma
das despesas de maior volume de-
corre indubitàvelmente do paga-
mento de salários aos engenheiros
e guardas florestais.
A êste respeito seria altamente
conveniente que se estudasse a
possibilidade de selecionar e trei-
nar membros das Forças Armadas
com a finalidade de constituir uni-
dades especializadas de guardas
florestais.
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
144
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
§ 7. Ampliação das pesquisas rela-
cionadas à Biota Amazônica.
A Hiléia é um campo de trabalho
ideal para pesquisadores de dis-
ciplinas tão diversas como geologia,
medicina, farmacologia, botânica,
e tôdas as seções das ciências bio-
lógicas teóricas e aplicadas.
Com relação aos recursos natu-
rais renováveis, os assuntos que
ainda hoje justificam pesquisas
pormenorizadas ultrapassam em
número e complexidade as nossas
possibilidades em recursos huma-
nos e financeiros, ainda que se
considere a participação estrangei-
ra ou o apoio de Instituições Inter-
nacionais.
Daí a dupla necessidade de se
definir em matéria de pesquisa
quais as prioridades que respon-
dem às mais urgentes necessidades
do desenvolvimento regional, e de
se estruturar as pesquisas dentro
de um programa racionalmente
sincronizado.
No que tange à economia flores-
tal, uns exemplos típicos demons-
trarão a amplitude das pesquisas
básicas que ainda devem ser reali-
zadas, bem como a necessidade de
se constituir para tal fim turmas
que agrupem especialistas de vá-
_rios ramos:
(1) A elaboração de uma flora
amazônica se faz sentir com uma
acuidade sempre crescente. Tal
trabalho mobilizará dezenas de
anos de esforços conjugados.
A região precisa então de um
grupo de especialistas em botânica
sistemática que se devote ao in-
ventário da flora hileiana e ao
preparo de chaves dicotômicas de
diagnose das espécies.
Os pesquisadores de outras dis-
ciplinas, especialmente de silvicul-
tura e utilização da madeira,
deveriam contar com êstes botâ-
nicos para obterem a identidade
exata de qualquer espécie arbores-
cente.
(2) A prevenção e a erradica-
ção de pragas ( Hypsipyla gran-
della, saúvas . . . ) que afetam a
produção madeireira requerem
investigações paralelas da parte de
ecologistas, entomologistas e silvi-
cultores.
(3) Em matéria de silvicultura
amazônica, os nossos conhecimen-
tos básicos ainda são nitidamente
inadequados. Basta dizer que até
hoje, não sabemos nada de seguro
no tocante às “rotações” das nos-
sas espécies fundamentais, e a
“rotação”, sendo o lapso de tempo
que decorre entre a germinação de
uma muda e a sua maduridade
comercial, é o conceito essencial
com que se baseia o rendimento
financeiro das operações e dos
tratamentos silviculturais.
No quadro de uma boa organi-
zação, o fomento de pesquisas é
um dos melhores investimentos de
capital que se pode fazer na Ama-
zônia.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 145
SUMÁRIO
Ao iniciar êste estudo, o autor
apresenta os tipos principais de
matas espontâneas da Amazônia,
salientando os seus potenciais pro-
dutivos não somente em têrmos da
economia madeireira mas também
no que tange às vocações agrícolas
e pastoris das terras. Condenando
do ponto de vista econômico e
conservativo a exploração de tipo
extrativista, o autor analisa diver-
sos níveis de intensidade explota-
tiva madeireira das matas natu-
rais. Cada um dêstes níveis é carac-
terizado quanto à importância das
inversões capitalistas iniciais, as
suas incidências sôbre o desenvol-
vimento econômico-social, a con-
servação do equilíbrio natural e os
métodos de exploração e de rege-
neração. A delimitação de Reservas
Florestais de Produção e o controle
da agricultura nômade são de su-
ma importância no quadro do uso
das terras e o seu planejamento
regional: umas medidas básicas a
serem tomadas neste respeito estão
propostas à atenção das Autori-
dades.
A finalidade dos tratamentos
silviculturais, dos programas de
reflorestamento e manejo das ma-
tas domesticadas sendo a consti-
tuição de povoamentos de alta
rentabilidade, o autor fornece uma
lista das espécies arborescentes
que podem ser consideradas como
prioritárias. A escolha destas es-
pécies de maior valor para o futuro
desenvolvimento da economia flo-
restal amazônica é analisada tanto
do ponto de vista da rentabilidade
(crescimento e valor comercial e
industrial) como das característi-
cas biológicas.
Ao terminar, através de exem-
plos específicos, o autor ressalta a
necessidade de uma ampliação ra-
cionalmente planejada das pesqui-
sas básicas em matéria da biologia
e da botânica aplicada na região
amazônica.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 147-163 — 1967
LEVANTAMENTO FLORESTAL DE UMA ÁREA DE 500
HECTARES DESTINADA A PARCELADOS CORTES RASOS
PARA FUTURO APROVEITAMENTO AGRÍCOLA
NO MUNICÍPIO DE MONÇÃO, ESTADO DO MARANHÃO
HILDEBRANDO DE MIRANDA FLOR
Grupo Interdepartamental de Povoamento do Maranhão,
São Luís, Maranhão
(Com uma figura no texto)
Apresentação — Um dos objeti-
vos do Grupo Interdepartamental
de Povoamento do Maranhão, no
que concerne à Engenharia Flores-
tal, é colher inicialmente informa-
ções que possibilitem estudar e
estimar com segurança e capaci-
dade do potencial madeireiro e
localizar os trechos com esta capa-
cidade nas florestas tropicais do
Estado do Maranhão. Para isto, a
primeira tarefa a executar seria a
elaboração de um inventário flores-
tal exploratório, o que ainda é
impossível, por falta de certos re-
cursos indispensáveis à execução
de inventário, cobrindo grandes
extensões.
Após a execução de um inven-
tário exploratório, ou mesmo piloto,
é que se parte para a sistemati-
zação, o que será possível através
de inventários detalhados.
O presente trabalho é um resu-
mo do que seria um inventário
florestal detalhado, que nos dá
unicamente a distribuição do vo-
lume por espécie e total por hec-
tare e o número de espécies em
cada hectare correspondente às
classes de alturas e de diâmetros.
No momento, os dados que êste
trabalho fornecerá são suficientes,
em virtude do tipo de operação que
se está realizando no local inven-
tariado; referimo-nos à área resi-
dencial do nôvo núcleo de quadrá-
tica.
Êste local possui cêrca de 500
hectares, destinados a cortes rasos
sucessivos, não com o objetivo prin-
cipal de explotação florestal, mas
com propósitos de aproveitamento
agrícola e colonização através de
nucleamento.
Neste trécho da floresta, a tarefa
da Seção de Engenharia Florestal
148
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
é somente a demarcação de núcleos
agrícolas, levantamento e utiliza-
ção florestal.
Para realizar êste trabalho, o
autor aproveitou no período de
desmatamento (de agosto de 1965
a janeiro de 1966) o mês de de-
zembro, devido ao tempo ser favo-
rável aos trabalhos de campo, ha-
ver acampamento e quantidade de
operários trabalhando no desma-
tamento, o que possibilitou a esco-
lha de 5 dêles para as tarefas de
campo do inventário.
BREVE DESCRIÇÃO DO TRECHO
INVENTARIADO
Com altura acima de 30,5 me-
tros foram encontradas, na amos-
tragem, nove árvores apenas, es-
tando a maioria delas entre as
alturas de 10,5 — 20 metros. Com
relação ao diâmetro, a grande
maioria das árvores está entre as
classes de 25 a 44 centímetros, me-
didas à altura do peito (DAP).
Há ainda árvores de grande
porte, como cajuaçu, cajueiro bra-
vo, copaiba, jatobá e piquirana;
algumas destas árvores de grande
porte e diversas de pequeno pos-
suem sapopema que não dificultam
-as derrubadas, por apresentarem-
-na em tamanhos moderados.
De um modo geral, as raízes,
mesmo das árvores mais altas,
aprofundam-se muito pouco no
solo, razão pela qual muitas árvo-
res, como grandes cedros, são der-
rubadas inteiras pelo vento.
O solo é fôfo e arenoso. Em
certos trechos cobertos com fina
camada de areia, nas áreas sem
ou com pouca cobertura vegetal,
ou humos nos trechos de mata,
quando constroem-se estradas, elas
tornam-se lamacentas e com bu-
racos profundos, durante a época
de chuvas intermitentes, impedin-
do o tráfego de veículos no período,
mais ou menos, de janeiro a maio.
O terreno é ligeiramente ondulado.
A maioria das árvores é pesada
e de cerne duro, dificultando assim,
o transporte das toras. Como se
pode observar pelo mapa da fig. 1,
não há rios nas proximidades que
possam evacuar as madeiras, pos-
sibilitando retiradas somente atra-
vés de estradas.
Nos oito hectares que compõem,
a amostragem foram encontradas
100 espécies de árvores diferentes,
demonstrando a heterogeneidade
da composição vegetal local.
Não fizemos estudos locais de
solo, mas nas proximidades foram
colhidas amostras de solo e plan-
tas pela equipe do Instituto de
Micologia da Universidade Federal
de Pernambuco — IMUFP — e é
possível que em futuro próximo
tenhamos dados de valor florestal.
MÉTODOS DO LEVANTAMENTO
Em face da falta de fotografias
aéreas, não nos foi possível estudar
SciELO^o
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L.
cm
150
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
o trecho onde as unidades de amos-
tras foram distribuídas.
Como se sabe, as fotografias
aéreas ajudam muito a divisar e
delimitar os diferentes tipos flores-
tais de um local a inventariar, des-
de que haja experiência e equipa-
mento técnico adequado.
Como havia maior necessidade
de se saber apenas a estimativa
volumétrica de 500 hectares desti-
nados a nucleamento agrícola, as
unidades-amostras foram distri-
buídas com o fito de estimar uni-
camente o volume de madeira des-
ta área.
Para se distribuir as unidades
de amostragem, fizemos primeira-
mente uma picada-base de 2 quilô-
metros de comprimento, orientada
com teodolito, uma vez que não
tínhamos em mãos um aparelho
mais simples de se lidar na mata,
como: esquadro de agrimensor,
bússolas, trânsito ou algum outro.
Partindo perpendicularmente
desta picada-base, abrimos as ou-
tras picadas, distando entre 200 e
400 metros uma da outra, onde fo-
ram dispostas as unidades-amos-
tras, com as dimensões de 500 x 20
metros, para a tomada dos dados
biométricos das árvores enumera-
das.
Foram medidas somente árvores
com circunferência igual ou acima
de 80 cm à altura do peito (1,30)
ou acima das sapopemas. As medi-
ções destas foram feitas com fita
métrica, havendo posterior conver-
são de circunferência à altura do
peito (CAP) para diâmetro à al-
tura do peito (D AP).
As alturas dos troncos comerciá-
veis das árvores foram medidas
com “blume leiss”.
VIAGENS DE LEVANTAMENTO
Para execução dos trabalhos de
campo foram necessárias diversas
viagens, cujos detalhes apresenta-
mos no quadro 1, abaixo:
QUADRO 1
PARA
PICADA-BASE
ORIENTAÇÃO
Data
Alinhamento
em metros
Instrumentos usados
Pessoal
15-12-65
680
Teodolito (Vasconcelos)
16-12-65
460
Duas Balisas
56-SE
17-12-65
660
Facões e machado
2 Engenheiros Florestais e
Cadeia do agrimensor
3 operários
Blume Leiss (Para dados biométriccs)
Fita Métrica
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 151
QUADRO I (Continuação)
PARA TOMADA
DE DADOS BIOMÉTRICOS
orientação
Data
Hora
Annstra
Alinhamento
Observação
número
em metr-s
34°NE
21-12-65
12,00-18,00
1
500
Nesta semana trabúharam 1 enge-
22-12-65
8,30-12,00
8
500
nheiro florestal e 4 operárics
14,00-16,00
23-12-65
9,00-12,00
6
500
14,30-15,50
23-12-65
16,15-18,00
5
320
24-12-65
8,50-11,45
5
180
27-12-65
15,30-18,00
2
200
Nesta semana trabalharam: 1 enge-
28-12-65
8,45-12,30
10
500
nheiro florestal e 5 operárics; um
28-12-65
14,30-17,45
9
340
adoeceu e foi substituído por 2
34-NE
29-12-65
9,00-10,30
9
160
outros operárics
29-12-65
13,15-16,20
3
500
29-12-65
16,30-18,40
2
300
DISTRIBUIÇÃO NUMÉRICA DAS ESPÉCIES POR HECTARE
Apresentaremos, no quadro 2, a distribuição numérica das espécies
de árvores enumeradas em cada hectare-amostra.
QUADRO 2
ESPÉCIE
HECTARE — N.°
1
2
3
5
6
8
9
10
Açoita cavalo
2
2
2
2
2
1
1
Almora
1
1
1
Algodão brabo
2
Ameiju = Ata brava
2
2
2
1
Amescla
5
1
2
1
1
Andiroba
3
5
5
1
2
3
12
4
Angelim branco
1
Angelim de côco
1
1
Angelim d’água
1
Angelim
3
Angico branco
1
Angico preto
1
Axixá
1
1
1
2
1
2
1
Bacuri
1
1
1
1
Bacuri pari
2
1
1
1
Barriguda
1
1
1
Barrote branco
13
8
11
11
7
7
7
5
Barrete vermelho
7
14
8
8
14
1
12
12
Birabu = envira vermelha
1
Breu preto
2
Brcqueiro
1
1
1
1
2
3
Buraninha
1
Burangi
2
1
1
Burdão brabo
1
1
Cabelo de cutia
1
1
Cacauzinho
1
1
1
Cijuaçu
1
2
3
3
1
5
1
1
Cjueiro bravo
2
1
1
Caju!
2
1
1
2
2
2
4
Capoeiro vermelho
1
Citingueira
1
3
1
1
1
2
Catuaba branca
1
Cedro bravo
1
cm
152
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
QUADRO 2 (continuação)
ESPECIE
HECTARE — N.»
1
2
3
5
6
8
9
10
Cedro rosa
_
2
_
_
Conduru branco
1
Copaiba
1
Cravo preto -
1
Cupiuba
1
1
2
Cupuaçu
1
1
1
3
Costela de anta
2
1
Cutiuba-cupiuba vermelha
1
1
Embireira
2
2
1
1
Embiriba
1
1
1
Emburaninha
1
4
1
1
Estopeiro
2
2
1
1
2
Faia = falia = falha
4
3
5
3
5
Fava
1
Fava de anta
1
Faveira = favaca
2
1
1
Favela
1
1
5
3
2
Feijão bravo
1
Feijó
1
2
Gameleira
1
1
2
Genipapinho
2
1
1
1
1
2
1
Goiabinha
1
1
Gonçalo alves
2
1
1
2
Imbaúba
2
1
2
1
Ingá branco.
1
Ingá bravo
2
1
2
2
4
2
1
3
Inharé
1
1
1
1
Janaguba . .. .
1
Jatobá
4
Jatobá-Mirim
1
2
1
1
1
1
Juruparana
4
1
1
Leiteira
1
1
1
Limãozinho
1
Louro
1
1
Maçaranduba
1
2
Maçarandubinha
1
Mama cachorro
1
1
Mamuí
1
1
Mangue branco..
10
2
1
1
1
1
1
Mangue vermelho . .
1
6
1
2
4
2
1
Maria preta
1
1
2
1
Mirindiba
1
1
1
1
Murici brabo
1
1
Mururé
1
1
1
2
1
2
Mutamba branca
1
1
Mutamba preta
1
1
1
1
1
1
1
Paparaúba amarela
1
3
3
4
3
3
1
Paparaúba de rato
2
1
4
2
2
Pau amarelo
1
1
1
4
Pau d’arco amarelo
1
Pau d’arco sapucaia
1
2
Pau negro
1
-Pau pombo
1
2
1
3
2
3
10
Paururu
4
3
4
2
1
2
3
Pente de macaco
1
2
1
1
1
1
Piqui
1
Piquirana .....
1
1
1
1
Pitomba de leite
1
2
1
1
Sacupembinha
2
1
Sapucaia
1
1
2
1
2
Sacupira branca
1
1
2
Sacupira preta
2
1
1
2
íl
p
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 153
QUADRO 2 (continuação)
ESPÉCIE
HECTARE — N.»
1
2
3
5
6
8
9
10
Tamarina braba
_
1
1
Tatajuba
1
Tauari branco
21
11
18
4
10
17
11
17
Tauari preto
4
19
17
3
8
11
8
13
Taturubá
1
2
1
2
2
TOTAIS
114
125
121
66
103
108
108
123
FATOR FORMA
O fator forma foi determinado
através de cálculo dos dados colhi-
dos no campo pelo engenheiro flo-
restal José Gomes de Moura.
Foram aproveitadas para medi-
ção as árvores derrubadas pelas
máquinas que ora efetuam desma-
tamento.
Calculou-se o fator forma F, pela
fórmula:
Volume real da árvore
F =
Na Amazônia o fator forma mé-
dio para tôdas as espécies de
árvores é 0,712. Mas êste fator foi
obtido através de pesquisa muito
detalhada, pois os dados que o
Dr. Dammis Heinsdijk colheu fo-
ram enviados para a Holanda e lá
computados com alta precisão.
Futuramente faremos um estudo
com o propósito de calcular o fator
forma médio para tôdas as espécies
de árvores das florestas do Estado
do Maranhão.
Volume do cilindro de mesma
área basal e altura
Obteve-se um valor relativamen-
te alto, 0,76; mesmo assim operou-
-se com êste valor.
VOLUME POR ESPÉCIE
No quadro 3 damos os volumes,
em metros cúbicos, por espécie de
árvore, com casca, estimados em
cada hectare enumerado.
QUADRO 3
NOME COMUM
HECTARE — N.°
1
2
3
5
6
8
9
10
Açoita cavalo
7,33
1,61
1,90
3,95
1,53
1,54
0,28
_
AÍmora
1,83
0,37
0,66
Algodão bravo
6,08
- —
Ameiju-Ata brava
2,55
1,98
1,89
0,52
Ame sela
4,26
1,42
1,12
0,58
1,10
Andiroba
1,88
9,42
4,79
2,19
2,38
2,57
19,88
6,31
Angelim branco
8,08
Angelim de coco
0,70
7,81
Angelim d’água
1,40
Angelim
8,84
Angico branco
2,62
Angico preto
4,40
Axixá (charco)
0,95
1,16
2,25
1,66
2,66
5,67
0,84
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
154 Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
QUADRO 3 (continuação)
NOME COMUM
HECTARE — X.°
1
2
3
5
6
8
9
10
Bacuri
1,10
3,44
4,40
0,67
Bacuripari
3,69
1,43
0,54
0,83
Barriguda
38,12
41,24
Barrete branco
16,72
11,87
18,06
10,30
3,96
7,08
4.44
2,87
Barrote vermelho
4,85
22,65
12,09
10,20
12,02
0,95
8,68
11,71
Birabu = envira vermelha
0,88
Breu preto
1,56
Broqueiro
0,41
0,65
0,58
1,10
1,46
1,70
Buraninha
0,58
— •
Burangi
12,04
7,03
6,10
Burdão bravo
2,34
0,64
Cabelo de cutia = marfim bravo
0,62
0,75
Cacauzinho
0,72
0,54
1,17
Cajuaçu
18,10
23,86
21,12
14,42
1,38
35,72
3,86
3,59
Cajueiro bravo
38,19
3.21
0,49
Cajuí
4,66
9,35
0,80
16,95
1,34
9,99
5,96
Capoeiro vermelho
0,63
Citinguciro
1,16
2,25
0,77
0,33
8,04
1,85
Catuaba branca
0,70
Cedro bravo
5,25
Cedro rosa
2,29
Conduru branco
0,95
Copaiba
11,04
Cravo preto
0,37
Cupiuba
2,82
1,14
3,64
Capuaçu
0,54
1,51
0,82
1,36
1,99
Costela de anta
2,00
Cutiuba
1,63
2,11
Embireira
1,11
1,94
0,41
0,95
Embiribr.
1,17
1,20
0,99
Emburaninha
0,58
5,54
1,62
0,50
Estopeiro
2,91
10,74
42,00
4,94
4,15
Faia = falia = falha
5,79
4,34
6,36
2,94
7,39
Fava
0,41
Fava de anta
0,60
Faveira = favaca
6,41
1,39
3,22
— -
Favela
1,86
0,86
29,55
7,26
5,86
Feijão bravo
0,55
Freijó
0,65
— ■
2,22
Gameleira
0,37
3,39
4,11
Genipapinho
0,73
0,40
0,62
0,61
0,69
1,64
0,56
Goiabinha
0,49
1,55
Gonçalo alves
4,69
0,47
0,68
T~
0,96
Imbaúba
1,85
1,39
1,40
1,81
Ingá branco
0,48
Ingá bravo
1.21
1,03
1,80
0,95
1,87
0,91
0,81
5,63
Inharé
3,33
0,65
1,03
0,92
Janaguba
2,48
Jatobá
36,30
Jatobá mirim
1,33
31,05
4,97
1,67
9,85
0,89
Juruparana
1,62
0,28
0,26
Leiteira
3,23
_
1,96
0,93
'Limãozinho
0,70
Louro
10,04
0,70
Maçaranduba
1,66
1,72
Maçarandubinha
0,92
Mama cachorro
0,68
0,63
Mamuí
1.21
3,68
1,23
Mangue branco
11,56
Ul
0,54
0,22
0,43
1,45
0,78
Mangue vermelho
1,49
3,63
0,64
2,33
3,80
1,45
0,65
Maria preta
0,38
0,72
1,75
1,71
Mirindiba
0,52
0,73
1,25
0,46
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais)
155
QUADRO 3 (continuação)
NOME COMUM
HECTARE — N.°
1
2
3
5
6
8
9
10
Murici bravo
0,90
0,73
Mururé
1,10
0,45
0,95
3,18
0,64
0,99
Mutamba branca
0,54
0,70
Mutamba preta
0,52
0,72
0,77
0,38
0,39
0,54
0,80
P^-paraúba amarela
2,25
8,35
11,64
8,04
5,45
4,85
0,89
Paparaúba de rato
10,62
2,09
7,83
2,77
10,71
Pau amarelo
12,12
0,50
2,90
16,79
Pau d’arco amarelo
1,01
0,97
Pau d’arco sapucaia
0,69
3,33
Pau negro = coração de negro...
1,28
Pau pombo
0,37
3,88
6,84
14,92
11,93
2,76
42,53
Paruru
6,87
8,81
6,63
1,28
1,58
1,44
2,60
Pente de macaco = fruta de macaco
0,52
6,eo
4,15
4,53
2,35
3,20
Piqui
2,42
Piquirana
34,21
6,99
0,75
0,78
Pitomba de leite
0,95
3,03
0,64
3,55
Sacupembinha
5,06
0,82
Sapucaia
3,54
8,89
7,91
15,83
Sucupira branca
6,52
0,68
2,08
Sucupira preta
0,98
0,55
1,41
1,84
0,98
Tamarina brava
1,82
2,08
Tatajuba
2.48
Tauari branco
37,79
18,92
17,96
4,33
8.76
24,91
11,78
28,23
Tauari preto
3,73
54,90
61,93
6,05
8,93
19,26
12,55
44,79
Tuturubá
1,01
1,55
0,58
1.47
1,61
TOTAIS
282,07
343,61
325,92
127,35
135,89
216,37
166,45
245,29
INTERVALOS DAS CLASSES DE ALTURAS E DE DIÂMETROS
Damos abaixo os intervalos em classe, usados para altura em me-
tros e diâmetro em centímetros:
QUADRO 4
CLASSES DE ALTURAS
Alturas
em metros
CLASSES DE DIÂMETROS
Diâmetros
em centímetros
1
6—10
1
25 — 34
2
10,5 — 15
2
35 — 44
3
15,5 — 20
3
45 — 54
4
20,5 — 25
4
55 — 64
5
25,5 — 30
5
65 — 74
6
30 5 — 35
6
75 — 84
7
35,5 — 40
85—94
8
40,5 — 45
8
95 — 104
9
45,5
9
105 — 114
10
115 — 124
11
125 — 134
12
135 — 144
1, | SciELO
156
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
CLASSE DE ALTURA
Por classes de alturas tivemos a distribuição, das 868 árvores enu-
meradas, da seguinte maneira:
QUADRO 5
CLASSES DE
ALTURAS
HECTARE N.«
Números
totais de
1
2
3
5
6
8
9
10
árvores
1
2
3
4
5
6
7
8
9
6
52
45
4
2
5
16
58
42
6
1
1
1
9
73
31
5
3
13
34
14
4
1
25
48
30
16
51
36
3
1
1
18
59
24
4
3
7
61
51
4
110
436
273
30
10
7
1
1
NÚMEROS
TOTAIS DE
ÁRVORES
114
125
121
66
103
108
108
123
868
CLASSES DE DIÂMETROS
Por classes de diâmetro, a distribuição teve a apresentação seguinte:
QUADRO 6
CLASSES DE
DIÂMETROS
HECTARE N.°
Números
totais de
árvores
1
2
3
5
6
8
9
10
1 .
58
42
49
23
53
46
56
50
377
2.
22
35
31
18
30
34
28
35
233
3.
15
11
10
12
10
11
10
17
96
4
09
19
16
06
04
08
08
10
80
5.
03
08
07
04
02
04
02
03
33
6
01
05
01
02
02
01
02
05
19
7.
01
01
02
02
01
7
8.
02
01
02
02
01
8
-9.
02
01
01
01
01
6
10
01
01
01
01
4
11.
01
01
2
12.
02
01
3
NÚMEROS
ÁRVORES
TOTAIS DE
114
125
121
66
103
108
108
123
868
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 157
NÚMEROS MÉDIOS DE ÁRVORES POR CLASSE
Quanto ao número médio de ár- alturas e diâmetros, respectiva-
vores por hectare, por classes de mente, tivemos a apresentação se-
guinte :
QUADRO 7
CLASSES DE ALTURAS
Número médio
de árvores
por hectare
CLASSES DE DIÂMETROS
Núméro médio
de árvores
por hecatre
1
13,8
1
47,1
2
54,5
2
29,1
3
34,1
3
12,0
4
3,8
4
10,0
5
1,3
5
4,1
6 . .
0,8
6
2,3
7
0,1
7
0,8
8
0,1
8
1,0
9
9
0,8
10
0,5
11
0,3
12
0.3
OCORRÊNCIA DAS ESPÉCIES
ENUMERADAS NA
AMOSTRAGEM
A percentagem de presença foi
calculada pela fórmula:
x — y. 12,5 onde xéa percentagem
de presença a obter e y a variável.
O valor de x, foi calculado consi-
derando-se y, — 8; para x 2 , y 2 = 7;
e assim por diante, até x s .
Nos cálculos de ocorrência fize-
mos uso da tabela seguinte:
% PRESENQA
NA PRESENÇA
100 — 90%
8
90 — 80%
7
80 — 70%
6
70 - 60%
5
60 — 50%
4
40 — 30%
3
30 — 20%
2
20 — 10%
1
Abaixo damos as espécies encon-
tradas e enumeradas na amostra-
gem, onde tivemos um volume
médio de 230,37 m :i por hectare e
um número médio de 109 árvores
por hectare:
PRESENÇA
NOME COMUM
Número de
árvores
Volume
em m 3
Ocorrência
100 - 90%
Andiroba
35
49,42
8
Barrote branco
69
75,20
8
Barrote vermelho
76
83,15
8
Cajuaçu
17
122,05
8
Ingá bravo
17
14,28
8
Tauari branco
109
152,68
8
Tauari preto
83
212,14
8
total
406
709,02
Por hectare
51
88,62
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
158
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
PRESENÇA
%
NOME COMUM
Nqmero de
árvcres
Volume
em m°
Ocorrênoia
90 — 80%
Açoita cavalo
12
18,14
7
Axixá
9
15,19
7
Cajuí
14
49,05
7
Genipapinho
9
5.25
7
Mangue branco
17
16,09
7
Mangue vermelho
17
13,99
7
Mutamba preta
7
4,12
7
Paparauba amarela
18
41,47
7
Pau pombo
2?
83,23
7
TOTAL
125
246,53
Por hectare
16
30,81
80 — 70%
Brcqueiro
9
5,90
6
Catingueira
9
14,40
6
Jatobá mirim
7
49,76
6
Mururé
8
7,31
6
Paururu
19
29,21
6
Pente de macaco
7
21,35
6
TOTAL
59
127,93
Por hectare
7
15,99
70 — 60%
Amescla
10
8,48
5
Estopeiro
8
64,74
5
20
26,82
5
Favela
12
45,39
5
Paparauba
11
34,02
5
Sucupira preta
7
5,76
5
Tuturubá
8
6,22
5
TOTAL
76
191,43
Por hectare
10
23,93
60 — 50%
Ameiju '•
7
6,94
4
B_curi
4
9,61
4
Bacuri pari
5
6,49
4
Cupuaçu
7
6,22
4
Embireira
6
4,41
4
Gonçalo Alves
6
6,80
4
Imbauba
6
6,45
4
Inharé
4
5,93
4
Maria preta
5
4,56
4
N^irindiba
4
2,96
4
Pau amarelo
32,31
4
Piquirana
4
42,73
4
Sapucaia
6
36,17
4
TOTAL
71
171,58
Por hectare
9
21,44
40 — 30%
Almora
3
2,86
3
Barriguda
3
92,36
3
Burangi
4
25,17
3
Cacauzinho
3
2,43
3
Cajueiro brabo
4
41,89
3
Cupiuba
4
7,60
3
Embiriba
3
3.36
3
Emburaninha
7
8,24
2
F.oveira
4
11,02
3
Gameleira
4
7,87
3
-
Jurup arama
6
2,16
3
Leiteira
3
6,12
3
Mamuí
3
6,12
3
Pitomba de leite
5
8,17
3
Sucupira branca
4
9,28
3
TOTAL
60
234,65
Por hectare
8
29,33
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 159
PRESENÇA
NOME COMUM
Número de
árvores
Volume
em m°
Ocorrência
30 — 20%
Angelim de côco
2
8,51
2
Burdão brabo
2
2,98
2
C-belo de cutia
2
1,37
2
Cutiuba
2
3,74
2
Freijó
3
2,87
2
Goiabinha
2
2,04
2
Louro
2
10,74
2
Maçaranduba
3
3,38
2
Mama cachorro
2
1,31
2
Mutamba branca
2
1,24
2
Murici brabo
2
1,63
2
Pau d’arco amarelo
o
1,98
2
Pau d’arco sapucaia
3
4,02
2
Sacupembinha
3
5,88
2
Tamarina braba . .
3
3,90
2
TOTAL
34
55,59
Per hectare
4
6,94
20 — 10%
Algodão brabo
2
6,08
1
Angelim d’água
1
8,08
1
Angelim branco
1
1,40
1
Angelim
3
8,84
1
Angico branco
1
2,62
1
Angico prêto
1
4,40
1
Birabu = envira vermelha
1
0,81
1
Breu nrêto
2
1,56
1
Buraninha
1
0,58
1
Capoeira vermelha
1
0,63
1
Catuaba branca
1
0,70
1
Cedro bravo
1
5,25
1
Cedro rosa
2
2,29
1
Conduru branco
1
0,95
1
Cravo prêto
1
0,37
1
Copai ba
1
11,04
1
C stela da anta
2
2,00
1
Fava
1
0,41
1
Fava de anta
1
0,60
1
Feijão bravo
1
0,55
1
Ingá branco
1
0,48
1
Janaguba
1
2,48
1
Jatobá
4
36,30
1
Limãozinho
1
0,70
1
Maçarandubinha
1
0,92
1
Pau negro
1
1,29
1
Piauí
1
2,42
1
Tatajuba
1
2,48
1
TOTAL
37
106,29
Por hectare
5
13,28
Damos abaixo os desvios padrões
e os coeficientes de variação do
número de árvores por hectare e
do volume por hectare, médio. O
primeiro possibilita constatar a
variação da floresta sob levanta-
mento. Já o coeficiente de variação
dá a possibilidade de comparação
da distribuição de freqüência, que
tem grande diferença entre sua
média, dando possibilidade de com-
paração com os dados de futuros
levantamentos.
Como se pode ver abaixo, a
dispersão relativa é maior no
coeficiente de variação do volume
médio por hectare, que no número
médio de árvores por hectare.
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
160
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
N.-° médio
Volume
de árvores / ha
médio 1 ha
109
230,37
Desvio padrão
18,9
83,40
Coef. de variação
17.3%
36,20%
CONCLUSÃO
Não fôsse a forçada urgência
que obrigou a rápida coleta dos
dados biométricos e a falta de cer-
tos aparelhos de extrema necessi-
dade, embora a necessidade mais
premente fôsse acêrca do volume,
teríamos possibilidade de apresen-
tar um trabalho mais completo.
Coletamos dêste trecho 8 amos-
tras de 1 hectare cada e o volume
médio, de madeira, estimado foi de
230,37 m 3 por hectare.
O êrro padrão do volume esti-
mado, em relação com sua média,
é de 29,20%.
Não fizemos os cálculos para as
probabilidades devido ao número
de amostras distribuída para re-
presentar uma pequena área flo-
restal.
Estudos mais detalhados terão
de ser feitos em inventários flores-
tais futuros, para que se possa
calcular as distribuições das espé-
cies de árvores, do tipo florestal ao
qual pertence êste trecho de
500 ha, de acôrdo com as distri-
buições Normal e de Poisson.
Neste trabalho não nos foi possí-
vel fazer semelhantes cálculos de-
vido ao número de amostras distri-
buído para representar pequena
área.
Na tabela abaixo damos os vo-
lumes totais (mínimo, médio e
máximo) de madeira, incluindo
tôdas as classes de diâmetro.
Área
Volume
Êrro
Volume
Volume
Volume
total
médio
estimado
mínimo
médio
máximo
em ha
em m 3 /ha
em %
em m 3
em m 3
em m 3
500
230,37
29,20
100,585
115 185
129,780
Apêndice 1
FÓRMULAS EMPREGADAS NOS
CÁLCULOS MATEMÁTICOS
E ESTATÍSTICOS
Foram as seguintes as bibliogra-
fias consultadas:
Gomes, A. M. A., 1957, Medição dos
alvoredos. Livr. Sá da Costa, Lisboa
1961.
Spiegel, M. R., 1961, Theory anã
Problems of Statistics. Schaum
Publ. Co., N.Y.
Snedecor, G. M., 1948, Statistical
Methods. Iowa State College Press,
Ames, Iowa.
FATOR FORMA
Para o cálculo do fator de for-
ma F, usamos a seguinte relação:
F = A onde V! = -^1±A x h
’ 2 2
sendo: V 2 = — ir d 2 1,30 X h.
4
Vi e V; = volumes de árvores e
do cilindro, da referida árvore, res-
pectivamente.
Sn e Si, = áreas basais maior e
menor do tronco
h = altura da árvore
p
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 161
VOLUME
Apêndice 2
Para o volume específico fizemos
uso da fórmula:
V = S B X h X F
CÁLCULOS ESTATÍSTICOS
LISTA DAS ARVORES ENUME-
RADAS, NO LEVANTAMENTO
FEITO NA ÁREA FLORESTAL
DE 500 HECTARES, EM
DEZEMBRO DE 1965
Daremos as respectivas equa-
ções de acordo com o parâmetro
calculado.
Média aritmética:
Desvio 'padrão:
X =
X
A denominação científica, dos
nomes comuns das árvores medi-
das, foi feita consultando-se os
seguintes boletins:
S =
í
sx 2
(2 X) 2
Sudene, Boletim de Recursos Naturais
— Pág. 129-147.
Boletim N.° 3 do Serviço Florestal —
M.A. — Brasil.
n - 1
C deficiente de variação:
Fao N.° 1.483 — Report to the Govern-
ment of Brazil — 1962.
S
c % = y x > 1() ' :
Para calcular o êrro padrão fêz-
-se uso da seguinte fórmula:
S
Sx = 7=
V n y N
1-JL.
Observação: A interrogação sig-
nifica dúvida sôbre nome científico
exato das árvores constantes da
lista. Só com o devido estudo sis-
temático será possível sanar seme-
lhante dúvida.
RELAÇÃO DAS ÁRVORES ENUMERADAS NA AMOSTRAGEM
DO INVENTARIO FLORESTAL DETALHADO
NOME COMUM
Nome Cientifico
Família
Piso especifico
Açoita cavalo
Luehea speciosa Willd.
Tiliaceae
0 , 5 — 0 , 7
Almora.
?
Algodão brabo
?
Ameiju=Ata brava
Duguetia ?
Anonaceae
Amescla
7
Andiroba
Carapa guianensis Aubl.
Meliaceae
0, 6—0, 8
Angelim branco
7
Angelim de côco
Hymenelobium sp.
Papilionaceae
Angelim d’água
7
Angelim
Hymenelobium sp.
Papilionaceae
p
■vj
i
o
Angico branco
Piptadenia sp.
Leguminosae
Mimosoideae
1,0
Angico preto
Piptadenia sp.
L. Mimosoideae
1.0
Axixá (Charco)
Sterculia sp.
Sterculiaceae
Bacuri
Moronobea coccinea Aubl.
Guttiferae
0,82
Bacuripari
7
Barriguda = Sumaúma
Ceiba pentandra Gaertn.
Bombacaceae
0,18
Barrote branco
7
Barrote vermelho
*>
Birabu = envira vermelha
o
11 — 37.153
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
162 Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
NOME COMUM
Nome Científico
Família
Peso específico
Breu preto
Protium opacum Swart
Burseraceae
0,45
Broqueiro
Buraninha
Burangi
Eschiceilera sp.
Lec 3 'thidaceae
Burdão brabo
?
Cabelo de cutia = marfim bravo . . .
?
Cacauzinho
?
Cajuaçu
Anacardium giganteum (Ilanc.)
Engl.
Anacardiaceae
0, 5
Cajueiro bravo
?
Cajuí
Anacardium giganteum (Hanc.)
Engl.
Anacardiaceae
Capoeiro vermelho
Catingueira
Caesalpinia paraensis.
Leguminosae
Caesalpinioideae
Catuaba branca
?
Cedro brabo
9
Cedro rosa
Cedrela odorata L.
Meliaceae
Conduru branco = gonçal o alves..
Astronium jraxinijolium.
0, 8 — 1, 3
Copaiba
Copai fera reticulata.
Leguminosae
0. f> — 0, 8
Caesalpinioideae
Cravo preto
Dicypellium caryophyllatum.
Lauraceae
0,88
Cupiuba
Goupia glabra Aubl.
Celastraceae
Cupuaçu
Theobroma grandiflorum (Spreng).
Sterculiaceae
Costela de Anta
9
Cutiuba
Quàlea paraensis.
Embireira
?
Embiriba
9
Emburaninha
9
Estopeiro
Anona ?
Anonaceae
Faia = falia = falha
Anfripetalum sp.
Proteaceae
F ava
?
Fava de Anta
o
Faveira = favaca
Enlerolobium sp.
Mimosaceae
Favela
9
Feijão bravo
9
Freijó = Frejó
Cordia goéldiana Hub.
Borraginaceae
0, 4 — 0, 7
Gaineleira
?
Genipapinho
9
Goiabinha
Myrtaceae sp.
Mj-rtaceae
Gonçalo Alves
Astronium jraxinijolium.
0 8 — 1. 3
Imbaúba
Cecropia spp.
Moraceae
0, 4 — 0, 5
Ingá branco
9
Ingá bravo
?
Inharé
9
Janaguba
?
Jatobá
Hymenea courbaril L.
I^eguminosac
Jatobá mirim
9
Juruparana
Leiteira
?
Limãozinho
Fagara rhoifolia Lam.
Rutaceae
0,01 — 0,65
Louro
9
Maçaranduba
Manilkara huberi Ducke
Sapotaceae
0,90— 1,00
Maçarandubinha
9
Mama cachorro
?
Mamui
Mangue branco
Mangue vermelho
?
Maria preta
Zizyphus sp.
Rhamaceae
Mirindiba
9
Murici brabo
9
Mururé
Nucleopsis sp.
Moraceae
Mutamba preta
Paparauba amarela
Simaba sp.
Simarubaceae
P^parauba de rato
J acaranda copaia (Aubl.) Don.
Bignoniaceae
Pau amarelo
Euxylophora paraensis Hub.
Rutaceae
Pau d’arco amarelo
Tecoma serrati folia D. Don.
Bignoniaceae
1,10
Pau d 'arco sapucaia
Tecoma sp.
Bignoniaceae
Pau negro = coração de negro. . . .
Pau pombo
Sclerolobium sp.
Caesalpiniaceae
Paururu
Sacoglottis guianensis Benth.
Humiriaceae
Pente de macaco = fruta de macaco
Apexba albijlora Ducke.
Tiliaceae
Xylopia ?
Anonaceae
Piqui (á)
Caryocar rillosum (Aubl.) Pers.
Carj-ocaraceae
0,80 — 0,90
Piquirana
Caryr caosp.
Caryocaraceae
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 163
NOME COMUM
Nome Cientijico
F^mÜii
Pêso esperíjico
Pitomba de leite
?
Sacupembinha
?
Sapucaia
Lecythis usilata Mie rs
Lecythidaceae
1,02
Sacupira branca
•f
Sacupira preta
9
Tamarina braba
?
Tatajuba
Bagassa guianensis Aubl.
Moraceae
0,70
Tanari branco
Eschiceilera sp.
Lecytliidaceae
Tanari preto
?
Taturubá
9
cm 1
2 3 4 5
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 165-175 — 1967
MAN AND THE TROPICAL ENVIRONMENT :
PROBLEMS OF RESOURCE USE AND CONSERVATION
EDMUND E. HEGEN
Departament of Geography, University of Florida,
Gainesville, Florida, U.S.A.
Amazônia: Two million square
miles, the largest rain forest region
of the world, which collects and
discharges one-fifth of the world’s
river water. A fluvial, pluvial, and
selvatic world of its own, in which
“the river rules life” (Tocantins,
1961). A region known for its
proverbial population density of
half a person per square mile.
There are only three large cities
and a handful of towns. The last
bridge across the Marahón/ Ama-
zonas is found on the other side
of the continent in the Peruvian
Andes. There are no large indus-
tries to pollute water and air.
Rubber still comes from the Punis
and Juruá, Pará nuts from the
Coari and Madeira, lumber from
the Negro and Tocantins, gold
from the Tapajós and from Ro-
raima (Guerra, 1959).
Why, then, talk all about
problems of resource use and
conservation? Why concern one-
self at all with a region which is
alternately called “the burden of
that virtually useless Amazon
Basin” (Paddock, 1964) , or the last
Eden, hardly touched by civiliza-
tion, in which untamed Indians,
missionaries, and orchid hunters,
may still have their field day?
Of course, the scientist does not
need “Problems” which represent
difficulties, or disaster, in order to
justify his inqi.iry. Here is Ama-
zônia with its heterogeneity and
complexity of soil, water, plant
man, insect, fish, bird, bacterium,
and virus. This is the scientisfs
domain. Here, perhaps, Science has
a last chance to establish perspec-
tive, before applying itself merely
to competitive and exploitive ends
(Sears, 1959).
CHANGING AMAZÔNIA
But today this Eden shrinks into
widely spaced stretches along the
major rivers, recedes to the head-
waters of tributaries and into the
isolated interfluves of Amazônia.
The “useless Amazon Basin” is
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
166
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
today the objective of the last
great conquista in this continent.
Great are the changes which
take place. Along the main rivers
the forest is pushed back and is
replaced by permanently open land
in ever deeper and longer bands.
Sedentary, intensive agriculture
and animal husbandry replace
shifting subsistence agriculture.
Mineral wealth is now tapped,
manganese in Amapá, and oil at
the foot of the Andes.
Significant also are the inroads
— in a literal sense — made by
highways of penetration: In the
West, permanent roads from the
highlands of Bolivia, Perú,
Ecuador, and Colombia, reach deep
into the selva. The Belém-Brasilia
Highway, the road from Mato
Grosso to Acre, the 170 mile long
road from Manaus to Itacoatiara,
and even the 15 miles of perma-
nent road between Leguízamo on
the Putumayo/Içá, and La Tagua
on the Caquetá/ Japurá; all these
highways open up large areas of
the Amazon Basin. The rivers, too,
see increased traffic; especially in
the Upper Amazon Basin outboard
motors are now in wide use,
increasing drastically the mobility
of man and the utility of the
riverine lines of Communications.
By road and river people and goods
can already reach the Atlantic
from the Pacific on two routes:
either from Tumaco to Pasto and
Pto. Asís on the Putumayo in
Southern Colombia, and from there
to the Solimões and Amazonas; or
from Callao/Lima to Pucalpa on
the Ucayali, and eastward again to
Iquitos, Manaus, and Belém.
Before too long, a third trans-
continental route will be added
with the cooperative effort of
Brasil and Ecuador, when a high-
way originating in San Lorenzo in
northern Ecuador will link Pacific
and Atlantic, with its terminal
near the confluence of the Rios
San Miguel and Putumayo in the
Ecuadorian Oriente.
But perhaps the most dramatic
changes occur with the population
of Amazônia (see Table 1). The
combination of census data and
official estimates until 1960, and
projected increases until the year
2000 — based solely upon the rate
of natural increase, and not
accounting for immigration —
should illustrate well that man is
already no more, and will rapidly
be less and less, an incidental
factor in the Amazonian environ-
ment.
Of course, even the 11,000,000
people who will live in Amazônia
in the year 2000, will produce a
density figure of only 5 persons
per square mile, and that seems
to be of little concern. However,
it is suggested that density figures
derived from a statistical distribu-
tion of population are unrealistic
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 167
TABLE 1
AMAZÓNIA: POPULATION CHANGES AND PROJECTIONS,
1940-2000
Country a
Annual
Increase b
Per Cent
1940 c
1950
1960
1985
2000
Bolívia
1.4
— d
— d
181,700
257,219
316,863
Brazil
3.1
488,000
1,807,720
2,530,736
5,428,919
8,600,655
Colombia
2.2
50.783
85,843
135,230
233,000
322,927
Ecuador
3.1
— d
46,471
78,039
167,410
264,124
Perú
2.2
333,514
421,892
632,186
1,089,262
1,509,664
Venezuela
3.4
3,728
10,582
11,175
27,124
44,742
TOTAL
1,876.025
2,372,508
3,569,066
7,202,934
11,058,975
a The foUowing divisions are included: Bolivia — Pando, Beni; Brazil — Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rio Branco; Colombia
— Caquetá, Amazonas, Putumayo, Vaupes; Ecuador — Napo, Pastaza, Santiago, Zamora; Perú — Amazonas, Loreto, Madre de Dios,
San Martin; Venezuela — Amazonas.
b Degree of annual increase as listed in United Nations, Demographic Yearbook, 1964, Sixteenth Issue, New York, 1965.
o AU figures from census sources and statistical yearbooks of the respective countries.
d Not avaible.
and meaningless (Hegen, 1966).
The actual distribution of the
population along routes of access,
rivers, highways, and trails, must
be used as a framework for any
consideration of population den-
sities.
The example of Acre is used to
illustrate this point (see Table 2).
It may safely be assumed that only
about 10% of the total state
territory is permanently and
effectively occupied. This means
that the occupied area of the State
of Acre today has a population
density of about 30 persons per
square mile. In light of the present
trend of population distribution
throughout Amazónia, namely
concentration along main rivers,
along and fanning out from high-
ways, and in and around the urban
centers, one may assume that the
effectively and permanently
occupied territory of Acre will not
increase too rapidly over the next
decades. But in the year 2000 there
should exist a density of more
than 30 persons per square mile,
even if the effectively used
territory should have doubled in
size.
RESULTING PROBLEMS
This encounter between man
and the tropical environment,
intensifying through time and
spreading in space, results in
problems, some of which affect
natural and human resources so
deeply, that concern for con-
servation, and in some cases for
preservation, is justified.
Many of the problems associated
with increasing population pres-
sure, in Amazónia result simply
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
168
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
TABLE 2
ACRE: VARYING ASPECTS OF POPULATION DENSITY
1940
1950
1960
1970
1980
1990
2000
Total P pulation a
79,768
114,755
160,208
200,000
240,000
280,000
320,000
Density f . r t t J territory b
1.4
2.0
2.7
3.4
4.1
4.8
5.4
Density for 25% of territory c
5.4
7.8
10.8
13.6
16.3
19.0
21.7
Density f r 10% cfterritcryd
13.5
19.4
27.2
34.0
40.8
47.5
54.3
a Totais for 1940, 1950, and 1960 from: Brasil, Serviço Nacional de Recenseamento, VII. Recenseamento Geral do Brasil — 1960.
Sinopse preliminar do censo demográfico, Rio de Janeiro, 1962.
The prjjections are b^sed upon tke r*.te cf natural increase of Brasil, 3.1%.
d Tctil State territory: 58,900 square miles.
c 25% of total State territory: 14,725 square miles.
d 10% of total state territory: effectively used, 5,890 square miles.
from the presence of large numbers
of people in a technology-deficient
ecumene (Ackermann, 1959) . Only
five of many such “congenital”
problems are presented.
Water pollution — River water,
widely used for human con-
sumption, laundry and bathing,
will become increasingly con-
taminated for longer and longer
stretches of most main rivers.
Infectious hepatitis is already a
common disease in the western
part of the Amazon Basin.
Transmission of contagious and
vertor-born diseases — Con-
centrated populations, lacking
medicai care and knowledge of
rnodern hygiene, are highly sus-
ceptible to such diseases. Malaria
occurs still, or again, in epidemic
form.
Depletion of forest resources —
Thousands of miles of riverbanks
have been completely cut over for
all lumber presently in use.
Sawmills in Manaus are now
supplied from the lower Içá,
800 miles to the west. The Iquitos-
based rosewood distillery on the
Rio Campuya, a right tributary
of the middle Putumayo, will soon
have to change location due to
lack of raw material.
Ineffective use of the land
resource — Two paradoxical con-
ditions exist: first, intensive, shift-
ing agriculture is practiced mostly
on the terra firme, while the same
intensive effort in floodpiain culti-
vation could produce surplusses
not only for the growing urban
population of Amazônia, but as a
contribution to the food store of
the continent. And secondly, even
when surplusses are produced —
frequently by so-called subsistence
agriculturists — lack of storage,
Processing, and transportation
facilities results in large-scale
waste.
Increasing pressure upon the
indigenous Forest Indian popula-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 169
tion — While the non-Indian
Amazonian population itself is
technology-deficient, it is rapidly
encroaching upon the resource
base of most Forest Indians.
Notwithstanding the fact that all
nations sharing Amazônia, have
laws dealing with the protection
of the indigenous population, one
is tempted to paraphrase an old
Russian saying: “Amazônia is big,
and the presidents are far away”.
THE ECOSYSTEM
Clearly, these are problems aris-
ing from change caused by the
presence of man. The natural
environment in its specific complex
of the climate, the soils, the biota,
the hydrography and topography
of Amazônia in turn poses
problems of its own. The processes
of this complex are at work in an
ageless, conservative fashion. But
the human quest for the space and
the utilization of Amazônia pitches
man against this “conservatism
of the forest”. This violent en-
counter takes place regardless if
man enters this region as a laissez-
faire exploiter, or if he attempts
to gain the ever-elusive equilibrium
between himself and nature. Only
complete exclusion from inviolate
areas could prevent the clash
between man, who “both de-
liberately and in ignorance, is the
perpetrator of change” (Harris,
1965) and the natural environ-
ment.
The presence of man in the
tropical environment, although
originating in different times
from various causes, has created
a certain patern of reactions and
responses. The manifestations of
man’s reactions and responses,
regardless of time, varying in
degree of intensity, and condition-
ed only by the environment, are
results of man’s varying cultural
intent. Man’s cultural expressions
become here all-important.
In Table 3, an attempt is made
to present the effects of man and
his cultural intent upon his
environment. As is usually the
case with schemata, they are rigid
in their divisions, while in reality
the change from one stage to
another is intricately meshed.
Amazônia may be considered to be
changing in this century from the
third to the fourth stage. The mere
utilization of the environment as
a resource base for the exploitation
of raw materiais, is beginning to
be combined with the concern for
the survival of man. But as long
as the vast majority of the Ama-
zonian population itself is consider-
ed as an exploitable resource, and
at best as no more than a producer
of resources, no future change to
the better is possible.
To reach the fifth stage of a
new indigenous culture, in which
man is capable and willing to add,
beyond the burden of survival and
170
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
TABLE 3
MAN, CULTURAL INTENT, AND ENVIRONMENT
Stage
Man
Cultural Intent
Culture
Natural Environment
Cultural Landscape
I
None
Xone
Xone
Unchanged
Xone
II
Sm .11 numbers
Survival
Indigenous culture
Barely changed ia spots
Extremely limitcd and
blendine with natu-
ral environment
III
Temporiry large in-
creases and decreases,
with increasing net
residue
Utilization. Predomi-
nantly exploitation
Outside culture
Greatly disturbed in
parts, rapidly chang-
ing in spots
Temporary exclaves
and/or ribons of
penetratirn
IV
Rapidly growing num-
bers large natural
increase and large
immigration
Survival and Util-
ization. Decreasing
Exploitstion
Adjusting culture
Rapidly decreasing
and in parts perma-
nently destroyed
Growth of contiguous
arecs and increas-
ing inroads
V
Large permanent num-
bers with natural
increase levei ing off.
Increasing temporary
numbers (tourists)
Survival, Utilization
and Conservaticn
Xew indigenous cul-
ture
Preservation of
remnants, restor-
ation of lost parts
Pknned expansicn to
definite limits of
preserved and re-
stored natural en-
vironment
the utilization of the resource base,
a new dimension to his cultural
intent will require a still more
drastic change: Amazonian man
must become a consumer and
manager of natural resources as
well. His economic, social, political,
and even his psychological frame-
work has to be balanced in a new
indigenous culture, before he can
successfully encounter, use, and
become a partner of this primeval
region.
Environment, man, and his
culture, standing in intimate func-
tional relationship to each other,
are the three basic elements of any
ecosystem. The principie of this
functional relationship has been
recognized for a long time (Zim-
meeman, 1933; Sears, 1958), while
its interpretation varies widely
(Meggers, 1957; Dawkins, 1964).
The following model of the eco-
system interprets the functional
relationship of the elements in
their position to three keystones,
none of which alone can hold the
ecosystem in balance. Unilateral
increase or reduction, too, will
unbalance the whole system.
R represents the environment or
total resource base; P, the popula-
tion, group, or the individual;
C, the material and non-material
culture, the latter understood as
political framework, economic
organization, and social institu-
tions. Completing the system are
the three keystones; d, which
stands for economic demands,
human wants, and standards of
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 171
living (as opposed to leveis of
living) ; s for supply, or obtainable
resources; and t for technology.
The following example may serve
as an illustration of the unbalanc-
ing of a small, but well defined
ecosystem. Sixteen years ago, Don
Curado U. came from the moun-
tains in Nariho to Mocoa at the
foot of the Andes, where he worked
in the cane fields. After ten years
he moved farther south towards
the Rio Putumayo, where he
settled in the forest. In 1965, his
family numbered eleven persons.
Don Curado claimed 40 hectares,
but only one was planted in yuca
and plátanos, the only cash crops
which were sold 20 kilometers
away in a village on the Pasto-Pto.
Asís highway. There were also
8 hectares of rough pasture, on
which 10 head of cattle were kept.
Milk and cheese were consumed
entirely by the family. Don Curado
assessed the value of his finca at
Pesos 5 — 5,000.
The finca is located on a con-
cession of the Texas Petroleum
Company. In November, 1964,
drilling began in a huge 20
hectares clearing, which had been
cut out of the forest by heavy
equipment. The whole clearing
was located on the land claimed
by Don Curado. For the lease of
the land, he received Pesos 4,000.
By the end of the year, the drill
site was abandoned after the dry
hole had reached almost 1,000 m.
depth. Left behind were 20 hec-
tares of cleared, but deeply torn-up
land. By March of 1965, Don
Curado had hired two carpenters
who constructed a new house at a
cost of Pesos 8,000, double the
amount paid by the oil company for
the use of the land. Barbed wire
fences were strung in some parts
of the clearing, which was to
become the beginning of a large
ranch.
Seeing it with the eyes of Don
Curado, all made good sense :
Never before had he seen or held
in his hands as much cash; there
was no better use for it than for
a new home for his family. Never
again would he be able, not even
with his large family, to have so
much cleared land in so short a
time. Technology from the outside,
it seemed to him, had enlarged his
resource base tremendously.
One keystone, technology had
been increased, but even that only
temporarily. Would it be possible
for the same number of people to
keep 30 hectares of pasture land
free from weeds and bush? Would
the other keystone, supply, in-
crease accordingly, that is, would
the torn-up drilling site yield
pasture, and when, and for how
long? What other inputs would
become necessary, such as credit
for seeds, fertilizer, improved breed-
ing stock, inputs which would
172
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
require support from economic
organizations which were either
lacking, or if existing, unknown to
Don Curado?
While one must admire this
settler for his aspiration to become
a rancher instead of staying barely
above the levei of a subsistence
agriculturist, the author admits
that he was deeply saddened by
the impending failure, which was
caused by the unilateral increase
of one keystone, technology,
without commensurate increases
of the other keystones and ele-
ments in the whole ecosystem.
FAILURES AND PROMISES
This is the tragedy of Ama-
zonian man, and from this
instability of the ecosystem stem
all his failures. No new stage in
the cultural advancement will be
securely and permanently reached,
unless this advancement affects
the human as well as the natural
resources of tropical r e g i o n s
(Gourou, 1959; Guhl, no date). In
most cases, however, failures are
caused by lack of advancement.
Ignorance of the soil chemistry
caused failure for sugar cane
growers who wanted to produce
panela, when they cultivated lands
too far east of the Andean foothills.
Lack of storage and transportation
facilities still renders useless any
attempt to commercially raise
cattle, or grow rice, or fruits,
along most rivers in the Amazon
Basin. Absence of education, tech-
nical training, legal advice, or
credit, retards in most cases the
establishment of profitable enter-
prises.
It is disturbing that the promise
lies with the land, the forest, and
the rivers, while the failures lie
with man. The cattle industry of
Marajó Island; the planting of
rubber trees by colonos in Acre;
the cultivation of jute, pepper, and
vegetables; the introduction of
sheep and goats into all parts of
Amazônia; even the survival of
citrus, naranjilla, coca, and roses,
certainly none of which are
tropical lowland plants; all these
are promises of the land.
RESEARCH AND EXPERIMENTS
If the intent of the Amazonian
nations is to create a new
indigenous culture for the millions
of people now living in the rain
forest, they will have to do two
things: first, they have to expand
all their cultural framework into
their respective territories, and
each colono and campesino in the
selva must become of as much
concern to the governments and
organizations as are the urban
dwellers of their capitais; second,
the basic and applied Sciences
must open a frontal attack upon
Amazônia, and experimentation
must be expanded far beyond what
has been undertaken thus far.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 173
As daring as floodplain reclama-
tion must have appeared 20 years
ago (Camargo, 1949), so should
research and experimentation
appear today: Why not try the
pumping of silt upon the soils of
the terra firme? Why not
experiment with volcanic material
brought down from the Andes in
a pipeline to the piedmont of the
Upper Amazon Basin? Why not
irrigate pasture lands in the drier
rnonths? Why not establish a
Chemical laboratory which pursues
only one goal, the utilization of
softwoods as Chemical raw ma-
terial?
The quest for Amazónia, which
in the past was marked too often
by suffering, sacrifices, and
íailures of uncounted men, must
become a search for scientific
Solutions. It is very well possible
that “the conservatism of the
íorest” will force the separate
Sciences as well as the separate,
and at times even opposing na-
tional aspirations, into close
cooperation. The great rain íorest
does not permit laissez-faire for-
ever. That being the case, the
Amazonian nations should seek the
mastery, utilization, and conserva-
tion of the heart of their continent
through a lasting Pax Amazônica.
Acknowledgements — The author
wishes to thank The Association for
Tropical Biology, Inc., Bronx, New
York, and the Center for Latin Amer-
ican Studies at the University of
Florida, Gainesville, Florida, for their
financial support.
Special thanks is given to Dr. José
Cândido M. Carvalho, President of the
Symposium on the Amazon, for his
kind invitation to participate.
SUMMARY
A brief survey is made of man
and the tropical environment of
the Amazon Basin. The increasing
pressure from an ever-growing
population upon the pluvial, flu-
vial, and selvatic landscape is
illustrated, and r e c e n t man-
induced c h a n g e s within the
heterogeneous Amazon environ-
ment are noted. An attempt is
made to project these changes of
population in the Amazon Basin
to the years 1985 and 2000.
The human quest for utilization
of the Amazon Basin pitches man
against the “conservatism of the
forest”. This violent encounter
takes place regardless if man
enters this region as a laissez-faire
exploiter, or if he attemps to gain
the ever-elusive equilibrium be-
tween man and nature. Man’s
cultural expressions become here
all-important: Amazonian man’s
economic, social, political, and
even psychological framework, has
to be balanced befo r e man can
successfully encounter, use, and
become a partner of, this primeval
region.
A model of the functional
relationship between the environ-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ment as resource base, man, and
his culture, is presented, and the
interaction between these three
elements is analyzed.
On some examples of exploitative
and rational encounters of man
and his environment, failures and
promises are assessed. The need
for scientific investigation and
experimentation is pointed out.
Finally, it is recommended that
the use and conservation of this
great rain forest r e g i o n be
attempted in the spirit of a
Pax Amazônica.
SUMÁRIO
Um breve trabalho de levanta-
mento do homem e do meio tropi-
cal da Bacia Amazônica, demons-
trando a crescente pressão de um
contínuo aumento de população
em meio a pluvial, fluvial e selvá-
tica paisagem, bem assim as
recentes mudanças introduzidas
pelo homem dentro do heterogêneo
meio Amazônico. Por fim, uma
tentativa de projetar estas mudan-
ças de população e de meio na
Bacia Amazônica até os anos de
1985 e 2000.
A busca humana pela utilização
da bacia Amazônica lança o ho-
mem contra o “conservatismo da
floresta”. Êste encontro violento
ocorre independentemente, seja o
homem que entra na região um
explorador tipo “laissez-faire” ou
seja êle o que tenta obter o equi-
líbrio sempre ilusório entre o ho-
mem e a natureza. Tornam-se
importantes aqui tôdas as expres-
sões culturais do homem; a estru-
tura econômica, social, política e
mesmo psicológica do homem
Amazônico tem que ser balançada
antes que o homem possa, com
êxito, encontrar-se, e conservar-se
como sócio desta região primeva.
Um modêlo de relação funcio-
nal entre o meio, fonte de recursos,
o homem e sua cultura é apresen-
tado, analisando a interação dêstes
três elementos.
Uns exemplos dos impactos do
homem e o seu meio são avaliados
em têrmos de insucessos e promes-
sas de sucesso. A necessidade de
investigação e experimentação ci-
entíficas é apontada.
Finalmente, recomenda-se que a
utilização e a conservação desta
grande região florestal seja condu-
zida sob o espírito tíe uma Pax
Amazônica.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 177-186 — 1967
SOME FACTORS AFFECTING FISH POPULATIONS
IN AMAZONIAN WATERS
ROSEMARY H. LOWE (Mc CONNELL)
Fisheries Division, Department of Agriculture, Georgetown
British Guiana *
The complexity of the fish fauna
in the tropical waters of eastern
South America is well-known from
the works of Eigenmann (1912,
1917), Myers (1947) and others.
This complexity raises the ques-
tion as to how so many fish species
manage to co-exist in one area. The
fish fauna within about 20 km of
Manaus is said by Myers (1960)
to embrace over 700 species, half
of them small characids of
generally similar form and appear-
ance, though the physical variety
of habitats (biotopes) available to
them does not appear to be much
greater than in a temperate zone
river, as the Mississippi, which
carries far fewer species. Myers
(1960) pointed out that no one had
yet made a detailed study of the
exact ecological relationships of
the fishes inhabiting the same area
of any one of the river streams
of South America; all we have are
the rough beginnings of ecological
classification (Eigenmann, 1912;
12 — 37.153
Myers, 1947; Ladiges, 1951) and
a few studies of the habits of
individual species. The fact that
species are caught together (even
swimming in the same shoal) does
not necessarily mean that they
inhabit identical ecological niches;
we as yet know little about this
as the biotopes have never been
adequately studied or defined.
Field studies made between
1957-62 on fishes in the Rupununi
District of British Guiana (Lowe,
1964) revealed some of the factors
contributing to the ability of many
fish species to share a habitat.
This savanna area is drained part-
ly by waters flowing via the Rio
Branco and Rio Negro to the
Amazon, and partly by the
Rupununi River to the Essequibo.
It is often easier to work in the
headwaters of great rivers, where
the fish are easier to observe and to
* Present address: Streatwick
Street, Hassocks, Sussex, England.
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catch; also, in this area the single
annual flood (in contrast with the
double flood in some parts of
Amazônia) simplifies the picture,
so the findings are discussed here
as they may help similar research
in other Amazonian waters.
PHYSICAL AND CLIMATIC
CONDITIONS IN THE AREA
STUDIED
Although so nearly equatorial
(lying from 2 to 4 o N) the 5.000
isquare miles (8.000 km) of Ru-
pununi savannas, in the South-
west of Guyana, have only one
rainy season a year, from May to
August (average annual rainfall
178 cm, 70 in., but with much
variation from year to year). This
markedly seasonal regime has
profound effects on the ecology of
the fish. During the rains the
savannas flood extensively, there
is abundant plant growth and the
fish disperse widely. At the end of
the rains many of the fish run
down the small streams draining
the water back to the main rivers,
huge numbers being stranded in
small pools where they fali prey to
the numerous fish-eating birds
and other creatures. Individuais
of some species remain behind in
the savanna ponds, where they are
trapped, until the next season’s
rains, when the shrinking ponds
become isolated. As the country
dries the rivers gradually become
broken into pools. The deeper,
larger, river pools, where the
streams run through gallery forest,
carry fishes which depend very
much on food dropped in from the
overhanging trees; the smaller
shallower pools, open to the sun-
light, have a rich algal flora grow-
ing on the stony and rocky bottom.
The soil is very poor in mineral
salts ( cf . Sioli, 1964: 1056), so
the waters in many of the pools
are remarkably clear, allowing the
penetration of sunlight and the
fish to be watched.
Species which can live in
savanna ponds are found both
sides of the drainage divide, but
some of the clearwater river pool
species found in the Amazon
drainage streams were never seen
across the divide (for example
Cichla temensis Humboldt, Pete-
nia spectàbile Steindachner, Rha-
phiodon vulpinus Agassiz, Ilisha
near altamazonica (Cope) and
others — see Lowe, 1964).
EFFECTS OF THE SEASONAL
REGIME ON THE ECOLOGY
OF THE FISH
The seasonal fluctuations in
ecological conditions in this area
are very extreme. Fish such as the
armoured catfish Lithoxus li-
thoides Eigenmann, beautifully
flattened enabling it to withstand
fast-flowing water over rocks, has
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 179
also to withstand life in stagnant
pools at the height of the dry
season. Other fishes migrate into
and out of the area from down-
stream, living here only during
the wet season.
The seasonal regime has pro-
found effects on all aspects of the
ecology, on breeding, feeding,
oxygen requirements, growth and
numbers etc.
a) Effects on breeding
The spawning runs of many
characoid fishes up streams and
out into the flooded savanna to
spawn at the start of the rains
are well-known in Amazonian
waters. In the Rupununi, some
species, such as the Pacu, Myleus
pacu (Schomburgk) , run upstream
against the current to reach their
spawning grounds; others, such as
Prochilodus spp. move out with
the flood onto the savannas. As
the water may fali again tem-
porarily after an initial rise, there
is strong selection pressure for
fast development of the eggs.
The wet season is the main
breeding season, which means
that the young fish have the
benefit of cover from the lush
plant growth at this time. This is
very necessary as predators are
very numerous in these waters.
However, those species in which
the parents brood or guard their
eggs or young often start to spawn
at the end of the dry season when
the water lc-vels are low; this
includes cichlids such as Cichla
ocellaris Schneider and Cichlaso-
ma festivum (Heckel), both of
which continue to spawn, having
batches of young in succession,
through the rains, and also some
of the armoured catfish (such as
Loricarichthys ) in which the
parent guards the eggs.
b) Effects on feeding
The dry season appears to be a
physiological winter for many
species, when they feed little and
live on their fat stores. Crowded
into the restricted pools, where
there is little food available,
numerous species may be found
sharing what little food there is
(chiefly bottom debris or food of
terrestrial origin dropping onto the
water surface in shaded pools, and
algae in sunny pools) . The develop-
ment of fat stores in the fish
shows that the wet season is the
main feeding season. The environ-
ment is then greatly expanded
and diversified, with a lush and
very varied flora and rich inver-
tebrate fauna. Adaptations to
use different foods probably come
into play at this time — species
which are caught together at
other times perhaps then separate
and move into different ecological
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niches. However, this is just the
time of year for which we have
least information about foods
eaten, for the fish are much harder
to catch when they are widely
dispersed. The study of gut
contents from dry-season caught
fish (the time when they are most
easily caught) may give a very
misleading picture of overlap in
food habits between different
species.
Many of the small characids
caught together appear to be
relatively unspecialised in food
habits, but until ecological
relationships have been studied
throughout the year (and the
effects of variations from year to
year assessed) it is impossible to
say how much overlap there really
is in food habits.
At the end of the dry season
many of the fish, especially
characoids, are so swollen with
ripening roe that there would be
little room in the body cavity for
an alimentary canal distended
with food.
Many species contain little or
no food at the height of the dry
season, and in these South Amer-
ican fish some part of the
alimentary canal is often modified
to act as an accessory respiratory
organ. Cárter & Beadle (1931)
showed that the stomach is so
used in catfish such as Ancistrus,
and the intestine (rectum) in the
armoured catfish Hoplosternum,
and personal observations suggest-
ed that the stomach is also used
in many cichlids (such as Cichla-
soma bimaculatum (Linn.) and
that the use of some part of the
alimentary canal is quite general
among catfish in these waters.
These accessory respiratory organs
are most needed in the dry season,
when the pools become very
stagnant, and this function may
be assisted if the alimentary canal
is not blocked with food.
c) Effects on oxygen
requirements
The pools become very deoxygen-
ated in the dry season (Cárter,
1934) . A wide variety of species
(a much more varied assortment
than in comparable waters in
África) have accessory respiratory
organs, or modified behaviour, to
withstand these conditions. In
addition to the modifications of
the alimentary canal already
mentioned, the swim bladder may
be used (as in Hoplerythrinus
unitaeniatus (Spix) as Cárter
showed, and in Arapaima gigas
(Cuvier) (personal observation) ,
or the modified gill chamber as
in the gymnotoid Hypopomus, or
papillated mouth folds as in
Electrophorus electricus (Cárter,
1935) .
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d) Effects on growth
Scale rings indicate growth
checks in many species in the dry
seãsõn. Predator pressure is intense
in these waters and the numbers
of small íish rapidly diminish as
the country dries; hardly any are
to be seen (except in a few small
pools) well before the end of the
dry season. It seems that there is
very strong selection pressure for
rapid growth to achieve a size too
large to be swallowed before the
plant cover is lost at the end of
the rains. Many species mature in
time to spawn at the next wet
season, so life cycles are short.
e) Effects on numbers of fish
The rapid growth and short life
cycles mean that fluctuations in
numbers of any one species (due
to factors such as spawning
success etc.) are manifested very
rapidly. As the rains vary very
much from year to year, some
years some of the isolated ponds
do not get refilled, other years
they may not even become isolated.
Such environmental effects must
have profound influences on the
delicate balances between the
numbers of different species
present. Years of great abundance
of particular species were noted,
for example the Red Piranha
Serrasalmus nattereri Kner was
exceptionally common over a wide
area one year, and another year
Prochilodus were very abundant,
then noticeably scarce in sub-
sequent years. Such variations in
ecological conditions from year to
year (for example with the extent
and duration of the rains) may be
very important in allowing many
species of very similar, or partly
overlapping, ecological require-
ments to co-exist in a dynamic
balance (in a manner analogous
with balanced polymorphism) —
some species becoming more
abundant in certain areas some
years, then their ecological
counterparts increasing in num-
bers again in other years or in
slightly different areas.
The fish fauna in a certain area
often appears to be limited by the
size of the pools which act as
dry-season refuges. There will be
a great variation from year to year
depending on which fish happen
to get trapped in particular pools;
the different kinds of pool do tend
to have the same types of fish
year after year, but the relative
numbers of different species pre-
sent differ very much from year
to year.
The possible evolutionary effects
of the greatly expanding and
contracting environment have yet
to be worked out. Watching the
fish in the clear waters of some of
these pools shows that there is an
enormous field for study here on
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the behaviour and social interfer-
ence of one species with another.
FACTORS CONDUSIVE TO
DENSE FISH POPULATIONS
IN DRY SEASON POOLS
It is in the dry-season pools that
the greatest number of fish species
are crowded into a very small area.
Ecologically it is advantageous for
these dry season refuges to carry
as rich and varied a fish fauna
as possible, to allow the greatly
expanded environment to be fully
used in the wet season.
The reduction in feeding in the
dry season, already mentioned,
must help these pools to support
high fish populations.
Another striking feature noticed
in these clear pools is that there
is an abrupt change-over at dawn
and dusk between a diurnal fish
fauna, consisting of cichlids and
most of the characoids, and a
nocturnal fauna, of gymnotoids
and nematograth catfishes. This
enables two fish faunas to share
one habitat.
A rich fauna of nocturnal fish
can only develop if hiding places
exist for them during their inactive
daytime periods, for many pools
are clear and shallow in the dry
season, and predators (both fish
and other creatures — reptiles,
birds, and mammals) are
numerous. Hiding places are
provided in rock crevices and under
stones in the higher reaches of
these streams. In the forested
waters crevices in the litter of
submerged fallen trees are used.
These latter are of great impor-
tance, for so many of these tropical
South American streams flow
through forest, the bottom is often
of sandy-mud offering little cover,
and bottom waters tend to be
de-oxygenated. Dead trees, often
sloping into creeks from the banks,
provide hiding places above the
de-oxygenated bottom waters.
These trees are hard woods, slow
to rot, with holes and crevices
started during aerial life and
continued when submerged by
agents such as boring Ephemerop-
tera nymphs (Polymitarcidae) .
During the present study logs
hacked open with a cutlass at the
height of the dry season revealed
many species crowded together
into such crevices, the numbers
and sizes of fish depending on the
size of the crevice. For example,
two hours spent opening logs along
some 50 meters of shallow
streambed yielded over 200 fish of
17 species (15 of them catfish
species). Many of these fish
(including species of Tatia, Tra-
chycorystes, Pseuiopimelodus, Mi-
croglanis, Acanthodoras, Hypostch
mus, Hoplosternum) have stout
dorsal and pectoral spines which
they erect and jam themselves into
the crevices when any attempt is
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 183
made to remove them. Among
them pygidiid catfish snaked their
way along the cre vices; certain
pygidiid catfish parasitise these
other catfish.
The diurnal fish on the other
hand, hide away during their
inactive periods by night by
flattening themselves against the
bank or some submerged object,
among tree roots or vegetation, or
below a floating leaf, generally
fairly near the surface. Here they
stay completely motionless,
seemingly asleep. They can be
dipnetted from the water, only
moving with a sudden spurt at the
last moment. T h i s complete
immobility may help them to
avoid being found by nocturnal
predators sensitive to water vibra-
tions.
The numbers of fish species from
such pools was almost doubled by
the presence of the nocturnal fish.
These emerged at nigth to graze
on algae, or feed on other sources
of food cropped by diurnal species
in the daytime. The large numbers
of species present, and observations
on feeding behaviour, suggested
that many species shared the same
sources of food at this time of year,
whether they feed by day or night,
but competition may be lessened
as feeding leveis are reduced at
the height of the dry season. In
some species competition for
crevice space may limit the popu-
lation and keep it below the levei
of competition for food; some of
the crevice species, such as the
gymnotoid Sternarchus albifrons
(Linn.), were very pugnatious
and are probably very territorial
in behaviour.
COMMUNICATIONS BETWEEN
SPECIES
Communications between mem-
bers of a species present problems
when so many species live together.
The rôle of colours for this diurnal
species has been touched on by
Gery (1960) and Lowe (1964).
The distinctive species recognition
colours, bold spots or stripes, often
black and yellow, or red, colours
which show up well in this water,
are often on the tail. In the
cichlids in which the parents guard
the young, a brilliant eye spot,
often black and yellow (as in
Cichla ocellaris and Cichlasoma
festivum), appears to have a rôle
in orientating the young, enabling
them to follow the parent (Lowe,
1964).
A feature of the rich faunas of
these waters is the evolution of
pairs, or several, extremely similar
species, often of different genera,
which may shoal together. This
appears to be some form of mimic-
ry (as discussed by Gery, 1960;
Myers, 1960; Lowe, 1964), but not
enough is yet known of the ecology
of any of these to say what ad-
em i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
184
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
vantages they gain from their
association.
A large number of the species
produce sounds. Not only do most
of the nocturnally-active catfishes
produce noises characteristic of
the species, but many of the
diurnal fishes also produce
distinctive sounds — even some of
the cichlids (such as Geophagus
surinamensis (Bloch) in which the
pharyngeal teeth are grated
together audibly) . Some species
produce sounds throughout life,
as do most of the catfish and the
characoid Serrasalmus species
(each species producing a different
noise) . In some other species noises
are heard only when they are on
their spawning runs, as in the
characoid Prochilodus, which
spawn at the start of the rains
when the water becomes opaque
with swirling debris.
In the other nocturnal group,
the gymnotoids, Lissmann (1958,
1961) has shown that each species
produces a distinctive electrical
frequency which enables them to
survive in conditions of poor
visability and in the presence of
predators which are mostly visual
feeders.
SUMMARY
1. The fish faunas of tropical
South America are very complex.
This paper discusses some factors
contributing to the ability of many
fish species to share one habitat.
2. The area studied, the Ru-
pununi savanna country in South-
west Guyana, drains partly to the
Amazon System. The one annual
rainy season leads to extensive
flooding, and the marked seasonal
regime has profound effects on the
ecology of the fish, on breeding,
feeding, growth, oxygen require-
ments, numbers etc.
3. The greatly expanding and
contracting aquatic environment
means that those species which do
not migrate into and out of the
area from downstream, have to
withstand great seasonal changes
in ecological conditions, from rush-
ing streams in the rains to
stagnant pools in the dry season.
4. It is in the dry season that
most species are crowded together
into pools, and the sizes and
conditions in these dry season
retreats may limit fish populations
over a large area.
5. The holding capacity of these
pools in increased by (a) the
ability of the fish to fast, living on
their fat stores (and in many
species allowing some part of the
alimentary canal to be used as an
accessory respiratory organ at this
time), and (b) two faunas, one
diurnal and another nocturna],
sharing the habitat.
6. Fish are easiest to catch in
the dry season; this is when
stomachs are empty or many
species are sharing the same few
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 185
food resources. Information is
needed on what the different
species feed on in the greatly
expanded wet season environment,
when diversified foods are avail-
able. This is probably the time
when specialisations to use differ-
ent foods come into play, but
when least information is avail-
able, as the fish are then hardest
to catch.
7. Factors other than food
supply (for example crevice space)
may limit the relative numbers of
some species.
8. Crevices in submerged forest
litter have probably been of great
significance for the evolution of
the nocturnal fish fauna. At night
the diurnal fish remain completely
motionless.
9. Breeding occurs mainly in
the rains, when there is plant
cover for the young fish, though
species which guard their young
(cichlids and some catfishes) start
to breed in the dry season.
10. Predator pressure is intense.
There appears to have been strong
selection for rapid growth, and life
cycles are short. This results in
rapid fluctuations in numbers
(with variations in spawning
success etc). Local variations in
ecological conditions from year
to year (for example with the
rains) may be important in allow-
ing species with partly overlapping
ecological requirements to co-exist.
11. Communications between
species present interesting pro-
blems. Species recognition marks
are often on the tails. In cichlids
which guard their young, a caudal
spot appears to help the young
to follow the parent. Specific
sounds are produced by many
species, both nocturnal catfishes
and diurnal species such as
Serrasalmus and Prochilodus.
12. There is a huge, almost
untouched, field for study on the
ecological and social relationships
of the many species of fish living
together, which should illuminate
the evolutionary processes in-
volved.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
VoL 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 187-194 — 1967
UTILIZAÇÃO ECONÔMICA DOS PEIXES AMAZÔNICOS
RUI SIMÕES DE MENEZES
Grupo Desenvolvimento da Pesca, Fortaleza, Ceará
A produção de pescado na
Região Norte do Brasil (Estados do
Acre, Amazonas e Pará, e Territó-
rios do Amapá, Rondônia e Rorai-
ma), em 1964, foi de 45.366 tone-
ladas métricas (Acre, 125; Ama-
zonas, 14.193; Pará, 30.180; Amapá,
634; Rondônia, 184; Roraima, 50).
Naquele ano, foram preservadas
5.148 toneladas de pescados (Ta-
bela 1), mediante salga e secagem,
congelação ou frigorificação (da-
dos do Serviço de Estatística da
Produção, Ministério da Agricul-
tura). Ainda em 1964, a Região
Norte, por cabotagem, exportou
284.865 kg de pescado e importou
632.391 kg (dados do Serviço de
Estatística Econômica e Financei-
ra, Ministério da Fazenda).
As espécies mais importantes de
pescado, em 1962, foram: dourada,
surubim, curumatã, piracanjuba,
pacu (tambaqui), tartaruga (de
água doce), tracajá, bagre (mandi
de água doce), lambari, mapará,
surubim, pirarucu, piáu, sardinha
(de água doce), peixe-boi, tainha,
bagre (de mar) , dourado (de mar) ,
tamoatá, traíra (jeju), caranguejo
(de mar), camarão (de mar), ca-
marão (pitu), siri, caranguejo (de
água doce), ostra, marisco, acará
e piranha (conforme Serv. Estat.
Prod., M. Agric.).
No respeitante à exportação para
o exterior, possui a Região espécies
aquáticas de ponderável valor, tais
como as seguintes, compradas pe-
los Estados Unidos no México,
América Central e Caribe: “cat-
fish” (bagres de água doce) (em
5 e 6 de janeiro de 1966, o pôrto de
Mobile, Alabama, USA, recebeu, do
Brasil, 764 caixas de “catfish”,
pesando 34.400 libras), “croaker”
( Micropogon undulatus) , “drum
black” (Pogonias cr o mis),
“groupers” ou “sea bass” ( Epine -
phelus, Mycteroperca) , “mullet”
( Mugil ), “pompano” ( Trachino -
tus) , “sea catfish” {Bagre) , “sheep-
shead” (Archosargus) , “snapper”
(Lutjanus) , “snapper, vermilion”
(Rhomboplites) , “snapper, yellow-
tail” ( Ocyurus chrysurus) , “snook”,
“robalo”, “sergeant fish” ou “pike”
(' Centropomus undecimalis) , “mac-
188
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
TABELA 1
PRESERVAÇÃO DE PESCADO, POR ESPÉCIE, NA REGIÃO
NORTE DO BRASIL, EM 1964 — UNIDADE: TONELADA MÉTRICA
ESPÉCIES DE PESCADO
Acre
Amazonas
Pará
Amapá
Total
Bagre
6
13
341
94
454
Cação
8
8
Camarão
202
202
Camurupim
5
7
12
Corvina
3
105
1
109
Curumatã
3
10
180
193
Dourado
226
126
352
Enchova
26
26
Lambari
11
11
Pacu
248
248
Peixe-boi
40
40
Pescada
66
66
Piáu
6
6
Pirarucu
5
2 959
27
15
3 006
Robalo
25
25
Roncador
2
2
Sardinha
1
5
6
Serra
30
30
Surubim
3
22
10
35
Tainha
2
163
16
181
Traíra
1
1
110
10
122
Tucunaré
9
5
14
TOTAL
30
3 539
•1 431
148
5 148
NOTA — A preservação do pescado compreende: pescado salgado e sêco: e pescado congelado ou frigorificado.
FONTE — Serviço de Estatística da Produção, Ministério da Agricultura.
kerel” (Scomberomorus ) , etc. Os
peixes ornamentais poderão pro-
duzir um volume de divisas muito
mais significativo do que em 1956
(USS 15,937) e 1957 (US$ 10,832).
Há mais de mil espécies ictioló-
gicas nas águas doces da Amazô-
nia, sendo provável que a cifra
exceda de 1.800 e talvez 2.000,
quando o rio estiver completamente
investigado (Myers, 1947). No
mar, há algumas centenas de
espécies. Todos êstes peixes — bem
como moluscos e crustáceos — for-
necem importante contribuição à
dieta alimentar da população ama-
zônica. Segundo Britto, Vianna &
Salles (1966), verificou a Comis-
são Nacional de Alimentação, em
1954-56, que 2,3% da população de
quatro localidades do Estado do
Pará (Acará, Castanhal, Colônia
do Piriá-Moju e Itaituba) consu-
miam 71 gramas de carne de boi,
16 de xarque, 33 de peixe fresco,
10 de pirarucu sêco, etc.
Mostram estudos, divulgados em
1965, que a região entre Trinidad
e a foz do Rio Amazonas poderá
produzir, anualmente, 100 milhões
de libras-pêso de camarão. Duran-
te o ano de 1965, quatro países
dessa região — Venezuela, Guiana
Inglesa, Guiana Holandesa ou
Surinam e Guiana Francesa —
exportaram, para os Estados Uni-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 189
dos, 26 milhões e 62 mil libras-
-pêso de camarão (17 milhões e
690 mil no ano de 1964). Durante
o referido ano de 1965, o Brasil
vendeu apenas 474 mil libras de
camarão aos Estados Unidos (35
mil em 1964). A partir do comêço
de junho de 1966, está determinado
que o navio oceanográfico brasi-
leiro “Almirante Saldanha” entra-
rá a pesquisar a região atlântica
que banha a costa do Pará e do
Amapá, com vistas à existência de
vastos bancos de camarão, sua
acomodação biológica, delimitação
da área em que a espécie pode ser
encontrada, caracterização de suas
migrações, relações com o meio
ambiente e outras pesquisas corre-
latas.
Em 10-3-1956, havia 158 emprê-
sas produtoras de peixe salgado e
sêco na Região Norte. A Missão
da FAO (Organização das Nações
Unidas para Alimentação e Agri-
cultura) na Amazônia brasileira
manteve, ali, dois especialistas, os
Drs. Antonio Torres Botelho (pre-
servação do pescado, maio 195S-
-fim 1956) e Arno Meschkat (mé-
todos de pesca, abril 1956-dezembro
1959), cujos relatórios são básicos
para a utilização econômica do
pescado. Em março de 1964, pu-
blicava o Banco de Crédito da Ama-
zônia S.A. nota na imprensa,
salientando as possibilidades de
implantação de indústrias pesquei-
ras, ao lado de outras.
Uma revisão bastante circuns-
tanciada da literatura sôbre a pes-
ca e o pescado na Amazônia foi
apresentada por Menezes (1958-
-1961).
SITUAÇÃO EM 1966
Pessoal — Indicou o autor à
FAO, em 1956-58, um engenheiro-
-agrônomo e um veterinário bra-
sileiros, os quais vieram à Amazô-
nia a fim de trabalhar, respectiva-
mente, como assistentes dos Drs.
Botelho e Meschkat, técnicos da-
quela entidade. O engenheiro-agró-
nomo demorou poucos meses junto
ao Dr. Botelho; o veterinário, José
Machado Mutti Pedreira, perma-
nece na Amazônia desde 1958, na
qualidade de técnico da Superin-
tendência do Plano de Valorização
Econômica da Amazônia (SPVEA) .
O aludido veterinário efetuou um
estágio de capacitação na Estação
Experimental de Biologia e Pisci-
cultura de Pirassununga (subor-
dinada à Superintendência do De-
senvolvimento da Pesca, SUDEPE,
antiga Divisão de Caça e Pesca do
Ministério da Agricultura), no Es-
tado de São Paulo, sob orientação
dos Drs. Otto Schubart e Manuel
Pereira de Godoy.
Tanto quanto sabemos, o vete-
rinário Pedreira é o único especia-
lista em pesca e piscicultura, exis-
tente na Amazônia; e, por uma
série de fatores — nomeadamente
a falta de articulação entre as
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
190
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
entidades oficiais vinculadas a es-
tas atividades — , não conseguiu
formar outros especialistas. Esta
deficiência de pessoal é um dos
mais sérios entraves à utilização
econômica dos peixes amazônicos.
Atuação do Governo do Estado
do Pará — O Govêrno do Estado
do Pará, pelo Decreto n.° 4.721, de
5 de abril de 1965, criou o Grupo
Executivo da Pesca (GREPE), su-
bordinado ao Setor de Estudos e
Projetos (SEP) do então Conselho
de Desenvolvimento Econômico do
Pará (CONDEPA), hoje Instituto
de Desenvolvimento Econômico e
Social do Pará (IDESP). O GREPE,
“com a finalidade de coordenar,
orientar, fiscalizar, assistir e pro-
mover as atividades da pesca em
todo o território do Estado (Pará) ,
visando o seu desenvolvimento”,
ficou constituído pelos represen-
tantes das seguintes entidades :
(z) IDESP; (zz) Superintendência
do Desenvolvimento da Pesca
(SUDEPE); (iii) SPVEA; (iz?) Uni-
versidade do Pará; ( v ) Banco do
Estado do Pará; (vi) Banco de
Crédito da Amazônia; (vii) Prefei-
tura Municipal de Belém.
É louvável a iniciativa do Go-
vêrno do Pará, visando sanar a
deficiência assinalada acima —
falta de articulação entre as enti-
dades oficiais vinculadas à pesca.
Todavia, a estruturação do GREPE
criou dificuldades às suas condi-
ções reais de operação. Por isto, o
órgão ficou sem funcionar, até sur-
girem condições para tal; a orien-
tação do Setor de Estudos e Proje-
tos (SEP) do IDESP consistiu em
reconhecer as dificuldades apre-
sentadas no tocante às condições
reais de operação do GREPE e em
promover a formação de um Grupo
de Estudos de Pesca (GEP), desti-
nado a executar a alínea “b” do
Programa Preliminar do GREPE :
— “medidas de treinamento de
pessoal e de obtenção dos conheci-
mentos mínimos, necessários ao
funcionamento do GREPE”. A alí-
nea “b”, daquele Programa, consis-
te em “medidas para elaboração
do projeto do Entreposto de Pesca
do Pará”; foi executada, havendo
o autor examinado êsse projeto,
na sede do IDESP, em abril de
1966.
O GEP, através de cinco assis-
tentes sociais (Áuria Luzia Bentes
Brasil, Maria Amélia Ferreira Tor-
res, Maria Dolores Bahia, Nazaré
Arias de Souza e Rosian Caldas
Brito), efetuou uma pesquisa de
campo no município da Vigia,
Pará. Colheu essa pesquisa ele-
mentos detalhados sôbre a pesca
artesanal e a Cooperativa dos Pes-
cadores da Vigia Ltda.
Pesca artesanal — O Departa-
mento de Cooperativismo do
Banco de Crédito da Amazônia
S.A. (BCA), dirigido pelo Dr. Fer-
nando Gama de Miranda, promo-
veu a criação das seguintes coope-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 191
rativas de pescadores artesãos, às
quais proporciona orientação e aju-
da creditícia: — Cooperativa dos
Pescadores da Vigia Ltda., Coope-
rativa Mista dos Pescadores de
Curuçá, Cooperativa Mista dos
Pescadores de Marapanim, Coope-
rativa Mista dos Pescadores de
Maracanã e Cooperativa Mista dos
Pescadores Odivelenses.
Necessitam estas cooperativas de
instalações próprias de fabrico de
gêlo e preservação do pescado
(salga, refrigeração, congelação) ; e
de uma rêde própria de distribui-
ção do pescado, em Belém e em
outros centros de maior consumo
do produto. Em Fortaleza (Estado
do Ceará), o Grupo de Desenvolvi-
mento das Pescas (Secretaria de
Agricultura do Govêrno Estadual)
tem proporcionado tais instalações
e rêde de distribuição às Coopera-
tivas Mistas de Pescadores, do Pi-
rambu e do Mucuripe, com reais
benefícios para êstes organismos.
Pesca industrial — Através da
SPVEA, foram implantadas, no
Estado do Pará, duas emprêsas de
pesca industrial, sendo uma em
Belém (Pesca Amazônica Ltda.) e
outra em Maracanã (Provimi da
Amazônia). Em abril de 1966, a
primeira destas emprêsas apresen-
tava, ao que nos informaram, vá-
rias instalações defeituosas e pas-
sara à posse de um terceiro grupo
de proprietários; a segunda, igual-
mente à base de informações, de-
pois de ter deixado de pertencer
ao grupo inicial (Maurício Tam-
bourine) , deveria ser utilizada para
industrialização de carnes de ma-
míferos terrestres, e não de pes-
cado.
Cumpre realizar uma análise
aprofundada dos fatores responsá-
veis pelos insucessos das emprêsas
em questão; e, se possível, colocá-
-las em condições de atuar inten-
sivamente no setor da pesca
industrial, fornecendo, com regu-
laridade, o pescado ao consumo
interno e à exportação para o
exterior.
É indispensável implantar uma
Estação de Biologia Marinha, por
iniciativa do Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (INPA)
(subordinado ao Conselho Nacional
de Pesquisas, em cujo Departa-
mento Técnico-Científico funciona
uma Comissão Consultiva de Ocea-
nografia) e da Universidade do
Pará. O diretor do INPA, Dr. Dj al-
ma Batista, em trabalho citado
por Britto, Vianna & Salles
(1966), focando as riquezas da
Amazônia, declara que a primeira
providência — face ao desconheci-
mento da região — deverá ser a
intensificação de pesquisas, de
caráter pragmático, destinadas a
inventariar os recursos da floresta,
subsolo e águas (exemplo dos óleos
vegetais, guaraná, reservas ictio-
lógicas, minérios, etc.) (não está
acentuado, no original) . A Estação
cm l
SciELO
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192
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
de Biologia Marinha da Amazônia
teria — para o atendimento do
inventário e da fixação das normas
de exploração racional de peixes,
moluscos, crustáceos, algas, etc.,
como objetivos, aquêles estabeleci-
dos pela Estação de Biologia Ma-
rinha da Universidade Federal do
Ceará, a saber: “a) levantar da-
dos oceanográficos ao longo da
costa; b) inventariar a flora e
fauna marinhas; c) investigar a
biologia das espécies marinhas,
dando especial atenção àquelas
exploradas comercialmente ao lon-
go da costa; d) conduzir estudos
sôbre a tecnologia da pesca e do
pescado marinhos; e) realizar
cursos de extensão universitária e
pós-graduação, sôbre assuntos
ligados à biologia de organismos
marinhos e tecnologia da pesca e
do pescado”.
Pesca continental e piscicultura
— Há, no Museu Paraense “Emílio
Goeldi”, várias instalações destina-
das à piscicultura, implantadas
nas décadas de 1930 e 1940 pelo
então diretor daquela instituição,
Dr. Carlos Estevão de Oliveira. Tais
instalações estão pouco utilizadas,
há bastante tempo, pela falta de
pessoa capacitada para orientar o
seu funcionamento. Em 1960, o
veterinário Pedreira apresentou ao
engenheiro-agrónomo Walter Al-
berto Egler, então diretor do Mu-
seu, um “Programa de Trabalho
sôbre Piscicultura e Biologia Aquá-
tica”, tendo em mente o aprovei-
tamento dos tanques de criação de
peixes da instituição. O “Progra-
ma” não chegou a ser executado,
embora, já em 1955, a Comissão de
Planejamento da SPVEA acen-
tuasse: — “. . . as experiências no
Museu Goeldi não alcançaram as
conclusões necessárias para que a
criação de peixes se torne uma
atividade atrativa e rendosa na
região. Será preciso retomá-los (os
estudos), agora, para determinar
as condições de reprodução, os
hábitos alimentares, resolver os
problemas de ambientes, que na
Amazônia têm aspectos especialís-
simos, e a escolha das espécies
economicamente úteis. Feitos êsses
estudos, o que restará a fazer será
a criação de estações piscícolas que
demonstrem experimentalmente a
viabilidade do empreendimento e
seu sucesso financeiro. Só então os
particulares poderão sentir-se inte-
ressados na utilização dêsses resul-
tados”.
Cumpre efetuar experiências de
piscicultura intensiva, como as rea-
lizadas em estações de piscicultura
de outras zonas tropicais úmidas
do mundo (ver Hickling, 1961,
1962). O veterinário Pedreira, atra-
vés da SPVEA, tem elaborado pa-
receres e projetos relativos à pesca
continental e à piscicultura. O
médico Camillo M. Vianna e o
eng.-agrônomo Agostinho de Cas-
tro Ribeiro têm efetuado experi-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 193
mentações de piscicultura com o
peixe Tilapia melanopleura, haven-
do o primeiro elaborado um traba-
lho sôbre modificação, no Estado
do Pará, do método de cultivo
dêste peixe (conhecido vulgar-
mente por “tilápia”) (Britto,
Vianna & Salles, 1966).
Gêlo, refrigeração e congelação
do pescado no Estado do Pará —
Revelava inquérito do GEP (SEP,
Inst. Desenv. Econ. Social Pará),
em maio de 1965, a existência de
cinco emprêsas de fabricação de
gêlo em Belém, com a capacidade
de 210 t/dia e a produção de
115 t/dia, devido à falta de con-
sumo. Em Abaetetuba, na mesma
época, uma fábrica, com capaci-
dade de 10 t de gêlo/dia, produzia
apenas 5 t/dia. Em abril de 1966,
na cidade da Vigia, ultimava-se a
construção de uma fábrica de gêlo,
com capacidade de 8 t/dia do pro-
duto.
No tocante à preservação do
pescado, mediante refrigeração e
congelação, a situação em Belém,
em maio de 1965, era a seguinte:
três emprêsas, com capacidade de
armazenar 380 t de peixe refrige-
rado; e duas outras, com capaci-
dade de armazenar 80 t de peixe
congelado. A emprêsa da Vigia
tieverá armazenar 20 t de peixe
congelado. Uma das fábricas, em
maio de 1965, tinha capacidade
para armazenar 50 t de pescado
congelado e 250 t de peixe refrige-
rado; estas câmaras estavam sem
utilização, por falta de pescado.
CONCLUSÕES
E RECOMENDAÇÕES
Depois das considerações acima,
podemos apresentar, como conclu-
sões e recomendações, as seguintes
medidas, objetivando a utilização
econômica dos peixes amazônicos
(e outros recursos aquáticos reno-
váveis) :
1 — Estudo, por parte da Supe-
rintendência do Plano de Valori-
zação Econômica da Amazônia
(SPVEA) , da possibilidade da cria-
ção de um Grupo Coordenador do
Desenvolvimento da Pesca, à seme-
lhança do que funciona na Supe-
rintendência do Desenvolvimento
do Nordeste (SUDENE).
2 — Implantação de uma Esta-
ção de Biologia Marinha.
3 — Aproveitamento das insta-
lações do Museu Paraense “Emilio
Goeldi”, no setor da piscicultura.
4 — Análise dos fatores respon-
sáveis pelos insucessos de duas
emprêsas de pesca, instaladas no
Estado do Pará.
5 — Análise da situação das
cooperativas de pescadores do Es-
tado do Pará, visando o seu forta-
lecimento e a conveniência de am-
pliação do número dessas entida-
des, tanto naquela como em outras
Unidades territoriais da Amazônia.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
6 — Utilização, como base de
discussão para adoção de uma
política geral de administração
pesqueira, das conclusões da mono-
grafia “Notícia sôbre a Economia
Pesqueira da Amazônia”, de Orlan-
do de Almeida e Albuquerque
(1961, Serv. Inform. Agric., M.
Agric., Rio de Janeiro — Série
Estudos Brasileiros, n.° 17).
7 — Capacitação urgente de
biologistas, economistas e tecnolo-
gistas pesqueiros, e sua fixação na
Amazônia, mediante salários ade-
quados e condições satisfatórias de
trabalho.
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preparação de peixes salgados na
região amazônica. Relat. FAO
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Paulo 1 (5) : 36-38; 2. a Parte.
Conserv. Peixe 13 (153) : 13-14;
Rev. Nac. Pesca 1 (5) : 38-40; 3. a
Parte, Conserv. Peixe 13 (154) :
21-22; Rev. Nac. Pesca 1 (5) : 40-
-43; 4 a , 5 a , 6. a , 7 a , 8 a e 9 a Partes,
Conserv. Peixe 13 (156) : 23-24; 14
(160) : 23-24; 14 (162) : 25-26; 14
(164): 17, 30; 15 (177): 23-24; 15
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Its Fishes, Parts 1-4. Aquarium J.,
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 195-199 — 1967
COMPREHENSI VE COLLECTING AND TAXA
OF UNCERTAIN POSITION — A MEANS OF CONSERVATION
LORIN I. NEVLING, JR.
Harvard University, Cambridge, Mass., U .S. A.
The most persistent and
recurring theme found running
throughout this symposium is the
great concern over the rapid
destruction of natural areas by
man. This process has been
accelerated throughout the tropics
as the result of technological
progress and the demands of an
ever increasing population. The
biologist finds this a vexing
problem for several reasons: for
example, there is a genuine
concern to preserve a significant
portion of our natural heritage for
future generations; another and
perhaps of more pressing concern,
is that we, as biologists, realize the
great lack of very basic knowledge
concerning nature in general. We
have been fighting a losing battle
against the element of time for
several decades and have only
recently realized how badly we are
losing. Our concern in this
instance stems from what may
appear at first glance to be a
purely selfish point of view. In
tropical areas the problem of con-
servation is great because we do
not know the environment, the
biota inhabiting the environment,
or their interaction well enough
to be able to act in the most
efficient manner. What and where
does one conserve? This question
would be easier to answer if we
did not have a knowledge of some
of the mechanics of evolution.
Should any of the material belong-
ing to the “gene pool” of a group
of organisms be allowed to
disappear? I think not for we are
unable to foresee our future needs.
Many of you have either had the
personal experience or at least
seen how a pure biological problem
has suddenly become a matter of
practical concern. This phen-
omenon has occurred most
spectacularly in the fields of
agriculture and medicine.
How then do we go about
preserving a biotic matrix which
may be inadequately known? Two
techniques are being applied today.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
The first and more recent approach
is to attempt, by means of intensive
collections, to preserve the fauna
and flora of an area which is
believed to be lost to the press of
civilization. This last chance
“salvage” approach is an extremely
important technique which is not
fully appreciated by most
biologists. In simple terms it is not
considered as challenging a task as
collecting in some geographically
remote part of the world. The time
has come to consider not only
geographic remotenes but also
genetic remoteness. This latter
category is most difficult for the
average biologists to assess for it
is generally only the specialist who
has this knowledge for individual
species, genera or families. Too
often this knowledge is not
expressed in revisions or mono-
graphs so that it is not readily
available to the biological com-
munity. I believe that this is one
area which we could remedy quick-
ly if we all realized the importance
of pointing out such valuable data.
It would be of immense benefit to
the local biologist who might find
that t h e r e are extraordinary
organisms at his back door worthy
of his consideration.
To the best of my knowledge
there has never been a large scale
biological salvage operation mount-
ed although there have been
notable successes in other fields
such as archaeology. We are at the
point where a pilot project of this
type must be undertaken if for no
other purpose except to demons-
trate the relative effectiveness of
the method. We may find ourselves
in the position of needing such a
technique without fully appreciat-
ing the mechanics involved. Now
is the time to find out.
The second and traditional form
of conservation is to set aside a
piece of property and to “protect”
the biota from undue “damage”.
This method is most successful in
the conservation of the peculiar
area or region. I imagine that the
reason for this is that it is easier
to convince the authorities of the
need for conservation when the
area is marked by bizarre or
unusual forms (it might be
mentioned that areas of this type
are often geologically peculiar and
can be more easily seen and
understood by the layman). As a
result of great effort, the subtleties
of which most of you are more
familiar with than I, a piece of
land or water may become
“protected” by local or national
law.
Protection, I submit, is not
sufficient. Protection buys time
only and it does not, in itself,
assure the continuity of an entire
biotic complex. All too often we
do not fully understand what we
are attempting to protect and how
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 197
to do it. For example, protection
from fire could prove a disaster
over a period of time to plants
which have a fire requirement for
the survival of individual species.
The disturbance of a habitat by
negative or protective means may
be nearly as deadly, to individual
species, as direct intervention.
In many instances the biologist
is aware of some but not all of
the unique features at the time of
the establishment of a protected
area. Conservation has bought the
biologist time but that is all. Ex-
perience has shown that over a
long period there will be some
erosion of the protected area by
gradually opening it to the public
for recreational purposes. In some
instances the recreational aspects
have actually overshadowed the
original intent of preservation.
Pressures in this direction are
unavoidable in a free society.
I suggest that the establishment
of an area should be followed
immediately by an extensive
biological investigation of the area
so that informed advice as to the
best methods of administration
may be applied at the practical
levei. An important part of the
investigation should be the pre-
paration of biological specimens.
The latter function may well prove
to be the most significant con-
tribution which we can make to
future generations of biologists.
The collections should be com-
prehensive, well prepared, and in
sufficient duplication to allow wide
distribution to scientific institu-
tions.
To answer the question of what
constitutes a comprehensive collec-
tion I would like to restrict myself
to the botanical field. In addition,
the answer would be expected to
vary somewhat depending on the
state of our knowledge of a partic-
ular species, genus etc. The most
desperate need is present in those
genera in which the placement at
the family levei is uncertain or
questionable. At times the des-
cription of such genera is based
on inadequate or sufficient
material to allow a fully informed
judgement to be made. The
problem is to call attention to
these genera (or species) so that
additional collections can be made.
One suggestion was to establish a
family which included these
problem genera. The intention
was to focus attention upon them
and encourage further study.
Another device, which I suspect is
being used, is to raise these genera
to the family levei (we are in the
midst of a family explosion in the
higher plants) .
A quick survey in any major
herbarium will uncover numerous
examples (at the generic levei
alone) in which the representation
is inadequate and family place-
198
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ment questionable or at least open
to question. The following
abbreviated list may serve as an
example. I have listed the generic
name, authority, and a necessarily
incomplete geographic distribution
in South America.
Ancistrothyrsus Harms Peru.
Anthóbryum Phil. Argentina, Boli-
via, Chile.
Aptandra Miers Brazil (Amazon) .
Archytaea Mart. British Guiana,
Venezuela.
Castela Turp. Argentina, Chile,
Ecuador (Galapagos Isl.), Para-
guay, Uruguay.
Desfontainea R. & P. Argentina,
Bolivia, Chile, Colombia,
Ecuador.
Dialypetalanthus Kuhlm. Brazil
(Amazon) .
Diclidanthera Mart. Brazil, Colom-
bia, Peru, Venezuela.
Donatia Forst. Chile.
Gomortega R. & P. Chile.
Heteranthia Nees & Mart. Brazil.
Krameria Loefl. Brazil (Amazon),
Argentina, Bolivia, Chile, Colom-
bia, Paraguay, Peru, Venezuela.
Lactoris Phil. Chile (Juan Fernan-
dez Isl.).
Lavradia Vell. Brazil.
Lissocarpa Benth. Brazil (Ama-
. zon), Bolivia, British Guiana,
Venezuela.
Meliosma Blume Colombia,
Ecuador.
'Muntingia L. Colombia, Peru.
Ochthocosmus Benth. Brazil
(Amazon), British Guiana, Ve-
nezuela.
Ophiocaryon Schomb. Brazil
(Amazon), Peru.
Pelliciera Pl. & Tr. Colombia.
Peridiscus Benth. Brazil (Amazon) .
Rhdbdodendron Gilg & Pilger Bra-
zil (Amazon) , British Guiana.
Rhynchotheca R. & P. Ecuador.
Tribeles Phil. Chile .
One of the most surprising ele-
ments in the list is the preponder-
ance of classical authorities which
generally indicates that these
genera have been in a State of
taxonomic upset for some con-
siderable time. It should be obvious
that collections made of plants of
these genera should be more
complete than we would prepare
during the course routine collect-
ing. Hopefully, the following ma-
teriais would be collected:
photographs
seeds
seedling plants
mature plants or significant parts
thereof such as root system or
portions of roots — dry and in
alcohol
inflorescences or portions in flower
— dry and in alcohol
extra flowers — dry and in
alcohol
flower buds in fixative
wood specimens — dry and in
fixative
Admittedly this is a fairly
stringent regime and constitutes
Volume 7 ( Conservação da Natureza e Recursos Naturais ) 199
only an ideal situation: it will be
necessary to modify it as locai
conditions require. Special handl-
ing techniques are necessary to
obtain the maximum information
(i. e., bud fixation, seed handling)
and in all instances, therefore, the
advice of a specialist must be
followed scrupulously.
Biological institutions have an
obligation, it seems to me, to see
that its collections are n o t
restrained within its walls. There
is an unfortunate attitude, in some
circles, to withold specimens (which
may be duplicated many times
over) from the scientific commun-
ity. This short-sighted view will,
in the long run, injure the institu-
tion and slow down the scientific
knowledge of the community
which it serves. It costs money to
prepare any biological specimen
for insertion into a collection. Most
of us realize that a museum
represents an enormous invest-
ment but how many have thought
of the cost of maintaining multiple
duplicates in storage? From
strictly a financial point of view
it is important to get duplicates
out on an exchange program. The
scientific reasons for making
specimens available should be self
evident. One of the objects of a
museum should be to see to it that
its collections are studied (either
through duplicate exchange or
loan) because the worth of a
collection rises according to its
usefulness.
One of the real dangers, from
the point of conservation, is that
one of these peculiar genera will
be lost to Science prior to the time
when we can fully appreciate its
significance. Good comprehensive
collecting provides us with a
technique to help avoid this
disaster and may serve to com-
plement the more traditional
means of conservation.
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Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 201-206 1967
CON SIDERACIONE S SOBRE LA ECOLOGIA Y
CONSERVACIÓN DE LA TORTUGA “PODOCNEMIS
EXPANSA” (Chelonia, Pelomedusidse)
JUHANI OJASTI
Instituto de Zoologia Tropical, Universidad Central de Venezuela,
Caracas, Venezuela
(Con dos figuras en el texto)
Los quelonios constituyen a veces
un renglón importante en las
dietas locales, especialmente en el
trópico. La especie más cotizada es
tal vez la tortuga verde ( Chelonia
•mydas) de mares cálidos (Carr,
1952; Caldwell, 1963). En las
aguas continentales de Suramérica
hay varias especies comestibles, de
las cuales Podocnemis expansa
(Schweigger) ocupa el primer lu-
gar en importância económica. La
especie es típica para la biota ama-
zônica y habita las cuencas de los
rios Amazonas, Orinoco y Esequibo.
Se alimenta principalmente de
frutas y semillas de árboles en las
selvas inundadas y es uno de los
pocos animales que puede convertir
estos productos vegetales en ali-
mento proteínico disponible para
el hombre. El peso de las hembras
adultas varia entre 15,7 a 33,0 kg
en el material examinado por noso-
tros. Aproximadamente una cuarta
parte dei peso total es de carne de
buena calidad y también los huevos
son muy alimentícios. La utiliza-
ción de la especie como alimento
es muy antigua; ya los habitantes
autóctonos dei continente la em-
pleaban con esta finalidad. En la
actualidad el aumento dei consu-
mo y el mejoramiento de los médios
de transporte han creado un grave
problema de conservación ya que
la cantidad de tortugas está
disminuyendo en escala alarmante
tanto en el Amazonas (Pereira,
1958) como también en el Orinoco
(Ramirez, 1956; Ojasti & Rutkis,
1965).
La explotación de huevos de esta
tortuga, está prohibida en Venezue-
la desde el ano 1946 y también se
estableció un reglamento para
racionar la captura de los adultos.
No obstante, la cantidad iba dismi-
nuyendo. En 1961, un grupo de
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202
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
biólogos de la Escuela de Biologia
de la Universidad Central de Ve-
nezuela, en colaboración con el
Ministério de Agricultura y Cria,
iniciaron un estúdio fundamental
sobre la ecologia y el manejo de
esta especie, conocida en Vene-
zuela como “tortuga Arrau”. Las
playas de postura principales están
vedadas desde 1962. La investiga-
ción todavia continúa, pero ya se
han obtenido algunos resultados y
experiencias que estimamos útiles
para plantear el manejo de la
especie en la cuenca dei Orinoco
y tal vez, en menor grado, en el
Amazonas, donde las condiciones
ecológicas son parecidas.
LA PESCA DE TORTUGAS
EN EL ORINOCO
La información obtenida sobre
la pesca y abundancia de P. expan-
sa luego de haber realizado viajes
extensos en la cuencia dei Orinoco,
nos indica que la especie presenta
Fig. 1 — Distribución y áreas de pesca de Podocnemis expansa en la cuenca dei
Rio Orinoco, según niLestros conocimientos actuales.
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 203
todavia una abundancia local en
algunas partes dei Rio Orinoco en
su curso central desde Puerto
Ayacucho hasta el oeste de Mapire
y también en los rios Capanaparo,
Cinaruco y Meta (Fig. 1) . La espe-
cie puede constituir un alimento
casi diário de los riberenos y a
menudo hay montones de carapa-
chos de tortugas sacrificadas de-
trás de cada vivienda. Hacia el
norte dei área de mayor abundan-
cia, en los llanos de Apure y en el
sur de Barinas y Guárico, la pesca
de tortugas dió antes buen rendi-
miento según las indicaciones de
los habitantes locales. En la actua-
lidad su pesca no da resultados por
la escasez de la presa en la peri-
feria dei área de distribución.
Poseemos informaciones de segun-
da mano sobre la presencia de
P. expansa en el Delta dei Orinoco
y en el Alto Orinoco, pero hasta
ahora no hemos visitado aquellas
regiones.
Cuando comienza a aumentar el
nivel dei agua en el Rio Orinoco,
generalmente en los meses de mayo
y junio, se pescan tortugas con
anzuelos, usando como camada
frutas cultivadas o silvestres.
Durante la máxima inundación
la pesca con arpón da buenos
resultados en las lagunas y selvas
inundadas. Cuando las aguas se
reducen, se pesca más con anzue-
los. Pocas personas usan todavia
el arco y la flecha para capturar
tortugas. Los métodos de pesca
mencionados proporcionam ali-
mento solamente para el consumo
local. El uso de redes de arrastre,
que se practica en forma clandes-
tina, puede producir tortugas en
escala comercial. Los habitantes
de los Llanos apurehos opinan que
el uso indiscriminado de este arte
de pesca (que indudablemente eli-
mina también las tortugas jóvenes
y subadultas) , ha causado la
escasez actual.
P. expansa desova ano tras ano
en las mismas playas y forma
agregaciones grandes y fáciles de
explotar en escala comercial. Según
las estadísticas de Ramirez (1956)
se capturaron en las playas tortu-
gueras dei Orinoco de 1950 a 1956,
entre 7.400 y 15.800 ejemplares
cada ano. Es posible que la explo-
tación haya sobrepasado frecuen-
temente la rata de reclutamiento.
Esto habrá causado una disminu-
ción acumulativa de la población
o sea precisamente el fenómeno
que se ha observado y que se debe-
ria combatir.
MIGRACIONES ESTACIONALES
Para el manejo de una población
natural es necesario conocer su
dispersión dinâmica. Hemos mar-
cado 2.576 tortugas adultas en las
playas de desove con una placa de
metal numerada. Hasta ahora te-
nemos informes sobre la recaptura
de 316 ejemplares. El mapa de
204
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
recapturas en la estación lluviosa
(Flg. 2) demuestra que las tortu-
gas marcadas en la Playa dei Medio
emigran ampliamente rio abajo y
por los numerosos tributários
llaneros. Por otra parte, hemos
recapturado en la Playa de Medio
102 tortugas marcadas en el
mismo lugar en anos anteriores.
Podemos concluir, que las tortugas
parecen dispersarse ampliamente
en la estación lluviosa para volver
a concentrarse de nuevo en las
playas tradicionales en la estación
seca. Como consecuencia, la expio-
tación y también los médios de
protección realizados en las playas
de desove deben reflejarse en la
condición de la población total dei
Rio Orinoco.
CONSECUENCIAS DE LA VEDA
La veda declarada en 1962 para
proteger las tortugas en las playas
principales de desove ha reducido
notablemente la mortalidad, y se
esperaban câmbios favorables en
la población. Observamos un au-
mento en el tamaho medio de las
tortugas (midiendo la longitud dei
carapacho, según su curvatura
natural), desde 63,13 cm en 1962
hasta 64,09 en 1964, aumento que
es estadísticamente significativo
(P < 0.01) y se mantiene también
en 1966 (63,99 cm). Esto indica
Fig. 2 — Lugares de recaptura de tortugas marcadas en Playa dei Medio. Estos
exemplares fueron capturados por los pescadores locales desde mayo hasta
febrero, meses que corresponden con el período de alimentación.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 205
una mayor supervivencia de los
adultos. Por otra parte, es sorpren-
dente que el número de nidos en
la playa principal (Playa dei
Medio), haya disminuído desde
34.300 en 1963 hasta 13.800 en 1965
y que no se hayan observado tam-
poco aumentos notables de este
mismo número en otras playas que
conocemos. Esto puede interpre-
tarse como una falta de recluta-
miento que procede de los anos
anteriores a la veda y que no basta
para equilibrar la mortalidad cau-
sada por el hombre que es aproxi-
madamente dei orden dei 9 %
anual, según los datos de las
recapturas de tortugas marcadas.
NATALIDAD Y SUPERVIVENCIA
DE LOS RECIEN NACIDOS
El número promedio de huevos
por nidada varia entre 77,8 (1963)
y 83,8 (1964) en P. expansa. El
5,1% de los huevos no se desar-
rollan o continen embriones muer-
tos por causas internas (315 nida-
das estudiadas). Aunque la mayo-
ría de los nidos están situados en
los bancos de arena más altos, la
crecida dei rio inunda durante el
mes de mayo entre el 25 y el 80%
de las nidadas antes de que los
tortuguillos hayan salido. Las aves
depredadoras como Jabiru mycte-
ria, Euxenura maguari, Mycteria
americana y Caracara plancus
eliminaron en mayo de 1964 alre-
dedor dei 5,9% de los recién na-
cidos que alcanzaron la superfície
de la arena. Además, algunos peces
como Phractocephalus hemiliopte-
rus, Brachyplatystoma sp. y Colos -
soma sp., se concentran en las
cercanias de la playa y se alimen-
tan de las tortugas recién nacidas.
Como consecuencia, los recién
nacidos sufren una mortalidad
muy elevada en la misma playa o
en sus alrededores.
POSIBILIDADES DE LA
CONSERVACION ACTIVA
La veda de las playas de desove
puede estabilizar temporalmente
la población de P. expansa; no
obstante, para mejorar su rendi-
miento se debería fomentar el
reclutamiento. Una de las maneras
para hacerlo pudiera ser el rescate
de los recién nacidos (Ojasti &
Rutkis, 1965). Según algunos da-
tos, no plenamente confirmados
aún, el desarrollo hasta la madurez
sexual dura unos 7 anos. Esto sig-
nifica que los resultados de la pro-
tección de los tortuguillos no
pueden verse de inmediato sino
después de largo tiempo.
En mayo de 1965, realizamos una
campana experimental de rescate
en Playa dei Medio, en colabora-
ción con los habitantes locales. Se
abrieron los nidos amenazados por
la crecida dei rio, se colectaron los
tortuguillos vivos en sacos y se
transportaron embarcados hasta
los canos adyacentes donde las
cm l
SciELO
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206
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
condiciones parecían favorables
para la supervivencia de los recién
nacidos. En 6 dias se recogieron y
transportaron alrededor de 80.000
ejemplares. Ese número podría
incrementarse mej orando la orga-
nización dei trabajo.
Si se hiciera una campana de
este tipo en ima forma contínua
se podría quizás alterar el equili-
brio normal de la dinâmica de la
población. En vez de una población
caracterizada por una mortalidad
juvenil elevada, poco reclutamiento
y una edad adulta larga, se obtem
dría otra con mayor reclutamiento
que permitiría una mayor cosecha
aprovechable para el hombre sin
poner en peligro el rendimiento
futuro de la población.
RESUMEN
1. En la cuenca dei Orinoco se
pesca Podocnemis expansa con
anzuelos y arpón para consumo
local y a veces con redes de arras-
tre para el comercio. En las playas
de desove se practicaba la explo-
tación comercial de las tortugas
2. El número de las tortugas
está disminuyendo probablemente
a consecuencia de su captura
excesiva.
3. Se comprueba la dispersión
amplia de tortugas marcadas en
la estación lluviosa y su concen-
tración en playas de postura en la
estación seca.
4. Como consecuencia de la
protección de las playas de postura
desde 1962, el tamano promedio de
hembras ponedoras ha aumentado,
pero el número de los nidos dis-
minuyó en la playa principal,
evidentemente por falta de reclu-
tamiento.
5. Las tortugas recién nacidas
sufren una mortalidad severa en
las playas donde nacen, por la
inundación de los nidos y por la
depredación de aves y peces.
6. Se propone el rescate de los
recién nacidos como una medida
para aumentar el reclutamiento
de la población.
BIBLIOGRAFIA
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fishery of Baja Califórnia, México.
Calif. Fish & Game, 49: 140-151.
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York.
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Tortuguillo: Un planteamiento
para la conservación de la tortuga
dei Orinoco, Agricultor Venezolano,
228: 32-37.
Pereira, N., 1958, A tartaruga verda-
deira do Amazonas, Ministério da
Agricultura, Rio de Janeiro, 17 p.
Ramirez N. M. V., 1956, Estúdio bioló-
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noco. Agricultor Venezolano, 190:
44-63.
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 207-221 — 1967
APROVEITAMENTO DOS RECURSOS VEGETAIS
DA FLORESTA AMAZÔNICA
CLARA PANDOLFO
Superintendência do Plano de Valorização Econômica
da Amazônia, Belém, Pará
A vasta floresta tropical amazô-
nica, que representa mais de 4/5
das florestas brasileiras, é consi-
derada a maior reserva de floresta
natural do mundo, ocupando uma
área aproximada de 3.500.000 km-.
Encerra um potencial imenso de
recursos de inestimável valor eco-
nômico, cujo aproveitamento, desde
que empreendido em bases corretas
e racionais, permitirá, sem dúvida,
criar grandes fontes de riquezas.
Contribuem como fatores favorá-
veis para êsse aproveitamento a
magnífica rêde fluvial de que é
dotada a região, a facilidade geral
da topografia e a natureza pene-
trável da floresta que, segundo
afirmam os técnicos da FAO, apre-
senta menos dificuldades para ser
trabalhada do que qualquer outra
grande floresta tropical do mundo.
Dentre os recursos vegetais for-
necidos pela floresta amazônica
citam-se como os de maior signi-
ficado econômico: as madeiras, a
borracha, as oleaginosas e as espé-
cies aromáticas, sôbre os quais
passamos a tecer algumas consi-
derações concernentes às possibili-
dades de aproveitamento que
apresentam.
QUADRO I
ÁREA FLORESTAL BRASILEIRA
(em hectares)
REGIÃO
Area
territorial
absoluta
% em
relação
ao Brasil
Áreas florestais
remanescentes
totais
% em
relação
ao Brasil
Norte
357 400 000
41,98
273 100 000
32,08
Nordeste
97 000 000
11,39
13 100 000
1,54
Leste
126 100 000
14,81
13 400 000
1,57
Sul...
82 500 000
9,69
14 300 000
1,68
Centro-oeste
188 400 000
22,13
38 400 000
4,49
total
851 400 000
100,00
352 300 000
41,36
FONTE: FAO
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
208
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
MADEIRAS
Constituem, indiscutivelmente, o
mais importante recurso florestal
da região. A quantidade de ma-
deira disponível é verdadeiramente
fabulosa e a capacidade produtiva
das matas amazônicas é de molde
a propiciar uma industrialização
do mais alto porte.
A exploração dêsses recursos ma-
deireiros vinha sendo feita, ao
longo de mais de três séculos, em
têrmos de puro extrativismo, sem
organização e sem técnica, por
processos rudimentares e primiti-
vos, visando pura especulação co-
mercial, sem criar condições para
uma estrutura industrial sólida.
Até bem pouco tempo a única for-
ma de industrialização de madeiras
praticada na região era o benefi-
ciamento em serrarias trabalhando
à base de tecnologia rudimentar e
baixa produtividade e por isso mes-
mo com altos custos operacionais,
restritas à produção de pranchões,
tábuas serradas e caixas.
A conseqüência natural dêsse es-
tado de coisas é terem as madeiras,
no cômputo da produção regional,
uma participação inexpressiva, em
flagrante contraste com a poten-
cialidade do meio.
. Pretende-se agora que a indús-
tria madeireira regional evolua
para outras linhas mais modernas,
mais nobres e mais rentáveis, ca-
pazes de propiciar um melhor
aproveitamento do potencial flo-
restal, com repercussão benéfica
sôbre a economia regional. E com
efeito, sob o estímulo dos bene-
fícios fiscais instituídos pelo Go-
vêrno da União a favor das indús-
trias sediadas na Amazônia, come-
çam a surgir iniciativas mais
arrojadas, visando as modernas
linhas tecnológicas madeireiras,
sobretudo de fabricação de lamina-
dos e compensados, indústrias para
as quais as madeiras amazônicas
apresentam excelentes possibili-
dades.
POSSIBILIDADES DE MELHORIA
DAS CONDIÇÕES OPERACIONAIS
DA INDÚSTRIA MADEIREIRA
As necessidades consideradas
básicas e fundamentais para o
êxito de uma exploração madei-
reira são as seguintes:
1) disponibilidade de área flo-
restal para suprimento de
matéria-prima em condições
econômicas;
2) conhecimento prévio do con-
teúdo florestal e da utilida-
de das espécies ocorrentes;
3) facilidades de transporte pa-
ra os mercados consumi-
dores;
4) disponibilidade de tecnolo-
gia moderna e mão-de-obra
especializada;
5) uso de equipamento meca-
nizado para as operações
florestais;
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 209
6) práticas silviculturais;
7) diversificação da produção
até alcançar o aproveita-
mento integral da floresta.
Vejamos quais as possibilidades
existentes presentemente na região
para o desenvolvimento de um
programa desta envergadura.
1) Disponibilidade de área flo-
restal — Um dado importante para
a produção a preços competitivos
é o suprimento regulai de matéria-
-prima, dentro de um raio de ação
econômico em relação à usina de
beneficiamento.
Situando-se na região amazônica
uma das mais notáveis reservas
florestais do mundo, terá a indús-
tria, desde que localizada adequa-
damente, assegurado o seu supri-
mento em quantidades prática-
mente inesgotáveis, sobretudo se
essas indústrias tiverem a cautela
de promover um eficiente progra-
ma de preservação e ampliação das
reservas florestais naturais, através
de práticas silviculturais que per-
mitam dar maior homogeneidade
as matas, enriquecendo-as em re-
lação às espécies mais desejadas.
2) Conhecimento prévio do con-
teúdo florestal — Até à época da
implantação da SPVEA na Amazô-
nia pouco se conhecia sôbre a
composição da floresta amazônica.
Apenas alguns estudos haviam sido
feitos no campo da botânica siste-
mática e muitas espécies descritas
e identificadas, mas faltavam in-
formações básicas quanto às espé-
cies ocorrentes, sua respectiva
íreqüência, volume de madeira que
podem produzir, utilização indus-
trial que podem ter e outros infor-
mes essenciais para um aproveita-
mento planejado.
Partindo da premissa de que a
fase inicial para uma utilização
correta dos recursos está no conhe-
cimento prévio da composição da
floresta, a SPVEA dedicou atenção
especial ao programa de inventá-
rios florestais. Êstes foram executa-
dos por equipes de especialistas da
Missão FAO/UNESCO, em convê-
nios com a SPVEA, com base
em coberturas aerofotogramétricas
(trimetrogon) complementadas por
trabalhos de campo, para inter-
pretação das fotografias.
Presentemente já se conhece a
composição estrutural de largos
trechos florestais, através de um
balanço geral da floresta, com
base no qual é possível uma ante-
visão tecnológica e econômica de
seu aproveitamento.
Sabe-se assim que, apesar do
grande número de espécies ocor-
rente em um hectare, a floresta
amazônica apresenta uma certa
uniformidade na heterogeneidade
de sua composição.
Citam-se entre os trechos inven-
tariados:
— Faixa ao longo da margem
sul do rio Amazonas, desde o Ma-
14 — 37.153
210
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
deira até à zona de transição da
floresta típica amazônica, no Ma-
ranhão, cobrindo uma área de
aproximadamente 2.000 km de ex-
tensão por 100 km, em média, de
profundidade, representando
200.000 km 2 ou 20 milhões de hec-
tares, considerada a mais extensa
faixa florestal contínua já inven-
tariada no globo.
Nesses 20 milhões de hectares
de florestas foram identificadas
perto de 400 espécies de árvores
de 25 cm de diâmetro para cima,
tendo sido a área total distribuída
em 7 blocos, compreendendo 24 ti-
pos florestais diferentes, caracteri-
zados pelo volume de madeira que
podem produzir e pela freqüência
de determinadas espécies.
— Área no Território Federal do
Amapá, na região servida pelos
rios Amaparí, Matapí e Cupixí, de
aproximadamente 50.000 hectares;
— Área no município de Santa-
rém, no Estado do Pará, no local
onde funciona o Centro de Treina-
mento em Indústria Madeireira,
com aproximadamente 1.000 km 2 ,
visando sobretudo esclarecer a
disponibilidade, nas florestas de
planalto, de madeiras próprias
para fabrico de dormentes, aliás
com solução satisfatória;
— Eixo da rodovia Belém-Aná-
polis, com levantamento florestal e
pedológico, cobrindo a floresta
numa profundidade de 10 km em
cada lado da estrada.
3) Facilidades de transporte
para os mercados consumidores —
Formado pelo Rio Mar e seus
numerosos e imensos tributários,
dispõe a Amazônia de um vasto
sistema hidrográfico que oferece
acesso fácil aos grandes navios
transoceânicos tendo, nos portos
de Belém, no Estado do Pará, e
Santana, no Território do Amapá,
os seus principais elos de conexão
com todos os portos do Brasil e do
estrangeiro.
Por outro lado, as rodovias Be-
lém-Brasília e Brasília-Acre esta-
belecem a ligação terrestre da
grande planície com os principais
centros do mercado nacional.
4) Disponibilidade de tecnolo-
gia moderna e mão-de-obra espe-
cializada — A fim de dar forma
mais correta ao aproveitamento
das madeiras da região, até então
trabalhadas de forma inadequada
e anti-econômica, providenciou a
SPVEA a instalação de dois Cen-
tros de Treinamento em Indústria
Madeireira na região do Baixo
Amazonas, no Estado do Pará, am-
bos sob a orientação dos técnicos
da Missão FAO.
Destinam-se êsses Centros não
só a formar operários especializa-
dos, como também a desenvolver
pesquisas que permitam conduzir
à introdução de novas técnicas de
trabalho. Já existe por isso, na re-
gião, uma certa disponibilidade de
mão-de-obra especializada, de nível
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 211
médio, o que é de suma importân-
cia para o funcionamento das in-
dústrias que se venham a instalar.
5) Uso de equipamento meca-
nizado para as operações florestais
— A extração racional por moder-
nos processos mecanizados consti-
tui parte essencial na composição
dos custos operacionais, permitindo
deduzi-los substancialmente. Tra-
ta-se de técnicas padronizadas e
desenvolvidas em outras partes do
mundo e perfeitamente aplicáveis,
com ligeiras adaptações, às madei-
ras duras da Amazônia.
A SPVEA instalou e mantém em
funcionamento em Curuá Una, no
Baixo Amazonas, um Centro de
Treinamento destinado ao estudo
das técnicas mecanizadas para
derrubada de árvores e transporte
de toros, com a finalidade de pre-
parar operários familiarizados com
êsses métodos de trabalho e aptos
a conduzir essas operações no
próprio ambiente amazônico, fren-
te às características e peculiarida-
des das espécies locais.
Já há, pois, um acêrvo de conhe-
cimentos que possibilitam a subs-
tituição, por modernas técnicas
mecanizadas, dos empíricos proces-
sos manuais de extração, ainda
hoje usados e responsáveis, em
grande parte, pelos altos custos de
produção das madeiras amazôni-
cas.
6) Práticas silviculturais —
Constituem, sem dúvida, parte in-
tegrante e indispensável de um
programa bem dirigido de explora-
ção florestal, visando a disciplinar
a floresta, corrigindo a sua exces-
siva heterogeneidade e enrique-
cendo-a naquelas espécies mais
úteis e proveitosas.
No Centro de Curuá Una, man-
tido pela SPVEA, estão se proces-
sando estudos relativos à regene-
ração da floresta, achando-se em
ensaios, nas estações e hortos
experimentais, não só espécies
amazônicas, como também espécies
exóticas para aclimatação, entre as
quais diversas variedades de Coní-
feras, visando às futuras operações
de reflorestamento.
7) Diversificação da produção
— Como tôda floresta tropical, a
floresta amazônica é muito hete-
rogênea, apresentando mais de
uma centena de espécies botânicas
diferentes por hectare e daí a ne-
cessidade de se estimular a im-
plantação de emprêsas capacitadas
a operar em caráter integrado,
com o aproveitamento, tanto quan-
to possível global, de tôdas as espé-
cies vegetais, para isso desenvol-
vendo simultâneamente diferentes
linhas de produção, de acordo com
as possibilidades tecnológicas apre-
sentadas pelas diversas espécies.
Assim, ao lado da produção de
tábuas serradas, nas suas diversas
especificações, a produção de lami-
nados e compensados é indicada
com absoluta prioridade num pro-
212
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
QUADRO II
REGIÃO AMAZÔNICA
INDÚSTRIA MADEIREIRA
Produção estimada de madeira serrada — 1962
PARA E AMAZONAS
LOCALIZAÇÃO DAS SERRARIAS
Volumes
estimados
(m*)
Valor da
produção
(Cr* 1 000)
Valor unitário calculado
(m3)
Crí 1
DS»
PARÁ
Belém
Outras
75 669 { 118 625
225 463
428 015
5 248
5 656
15.40
16.50
AMAZONAS
Manaus
Outras
48 000 { 91859
558 816
611 903
12 741
12 747
37.40
37.40
TOTAL
210 484
1 824 197
FONTE: SPVEA/FAO
grama de industrialização madei-
reira, tendo em vista que a região
dispõe de madeiras lindíssimas, de
alto efeito ornamental.
Outras modernas utilizações no
campo econômico devem também
ser consideradas, tais como a in-
dústria de movelaria, de casas
pré-cortadas e pré-fabricadas, o
aproveitamento das madeiras duras
e pesadas no preparo de dormentes
ferroviários e na construção naval,
e finalmente, a produção de pasta
de celulose, integrada ou não com
fábrica de papel.
Em tais condições, o caráter de
- heterogeneidade da floresta amazô-
nica, que tantas vêzes é invocado
como fator negativo para uma ex-
ploração econômica, passa a cons-
tituir-se fator de riqueza, com
seguras garantias de êxito.
PRODUÇÃO DE PAPEL
E CELULOSE A PARTIR
DAS MADEIRAS AMAZÔNICAS
Numa exploração florestal, o fa-
brico de celulose e papel representa
a etapa mais evoluída, aquela que
requer maiores investimentos de
capital e mais alto grau de espe-
cialização técnica.
Na Amazônia, êste estágio da
indústria é considerado como de
primordial importância e tôdas as
atenções voltam-se para o equacio-
namento dêste problema que, uma
vez solucionado, permitirá à região
liderar, no país, a produção de
papel e celulose e inclusive fazer
com que o Brasil passe de grande
importador a exportador dêstes
artigos.
A heterogeneidade da floresta
amazônica torna-se neste caso de
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 213
nenhuma significação, já que a
tecnologia moderna permite usar,
em mistura, tôdas as espécies cujas
densidades se situem dentro de
determinados limites, mesmo que
essas espécies apresentem grandes
diferenças botânicas sem prejudi-
car a constância dos resultados,
visto que, em relação à fabricação
da pôlpa, essas espécies têm carac-
terísticas similares.
Combinando a manufatura de
papel e celulose com outras ativi-
dades madeireiras de significativo
valor econômico, será possível
compensar as grandes inversões de
capital que acarreta a instalação
de um empreendimento dessa espé-
cie em regiões de pequeno desen-
volvimento industrial, como é o
caso da Amazônia.
O relatório FAO/CEPAL, refe-
rente ao Congresso Latino-ameri-
cano, realizado em Buenos Aires,
Argentina, em Outubro/Novembro
de 1954, que estuda, com abundân-
cia de detalhes, os recursos de cada
um dos países da América Latina,
relativamente ao problema da pro-
dução de papel, ao examinar a
posição da Amazônia e de suas
possibilidades, diz que:
“A exploração das florestas hetero-
gêneas próximas aos grandes potenciais
de energia elétrica é indubitavelmente
a melhor solução, sempre que se consi-
dere a fabricação de papel e celulose
como parte de um conjunto de indús-
trias florestais integradas, entre as
quais se contariam a extração de ma-
deiras de lei para exportação, fabri-
cação de laminados e compensados e
provavelmente os aproveitamentos de
tipo químico”.
Admite-se que, selecionadas as
madeiras que encontram utilização
comercial sob outras formas, cêrca
de 75% do volume total florestal
pode ser destinado a fins papeleiros
(Gachot, R. & Bastos, A. M. —
Nota fornecida à Secretaria da
Reunião FAO/CEPAL, Buenos Ai-
res, 1954).
Sob o ponto de vista técnico, não
há dúvidas quanto à possibilidade
de fabricar papel e celulose à base
do lenho de madeiras tropicais,
restando apenas solucionar os pro-
blemas de ordem econômica e am-
biental, no sentido de determinar
em que condições essas operações
permitirão oferecer produtos capa-
zes de competir no mercado mun-
dial.
Sabe-se que uma condição con-
siderada fundamental para a im-
plantação de uma indústria dêsse
gênero é a existência de energia
elétrica a baixo preço. De modo
geral, os afluentes do Amazonas
dispõem de farto potencial hidrelé-
trico, sobretudo nas zonas do To-
cantins, Xingú e Tapajós que são
também áreas ricas não só em
madeiras de lei, mas também em
madeiras brancas apropriadas ao
preparo da pasta de celulose. Por
outro lado, os rios, abaixo das
cachoeiras, oferecem navegação
franca.
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
214
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
QUADRO III
REGIÃO AMAZÔNICA
INDÚSTRIA MADEIREIRA
Distribuição das indústrias florestais por unidades administrativas
Período 1949/59
UNIDADE
TOTAL DOS
ESTABELECIMENTOS
INDUSTRIAIS
Serrarias
DISTRIBUIÇÃO —
1959
Móveis
Papel
e
celulose
Todas
as
outras
1949
1959
Rondônia
21
55
4
_
51
Acre
48
150
47
21
82
Amazonas
231
305
27
19
1
258
Roraima
8
7
7
Pará
884
1 211
102
47
6
1 056
Amapá
25
67
9
11
47
TOTAL
1 217
1 795
189
98
7
1 501
NOTA: Os estabelecimentos de Papel e Celulose trabalham à base de recuperação de papel Telho, como matéria prima para
produção da pôlpa
FONTE: SPVEA/FAO
No aproveitamento das madeiras
amazônicas, como fonte de mate-
rial celulósico, há que considerar
separadamente a floresta de várzea
e a floresta de terra firme.
Constituem a chamada floresta
de várzea as matas dos terrenos de
aluvião marginais aos rios e as
espécies vegetais que aí medram
fornecem, em geral, madeiras mo-
les, de pequena densidade, leve-
mente coloridas (daí serem chama-
das madeiras brancas) , com carac-
terísticas muito semelhantes e
baixa cotação comercial. São espé-
cies de crescimento rápido, cujo
Teplantio poderá ser feito visando
selecionar as mais desejáveis. Por
serem de fácil desfibramento,
prestam-se otimamente para o fa-
brico de pasta mecânica ou meca-
no-química e estão naturalmente
indicadas para a produção de pa-
pel de jornal, de que o país tem
grande demanda e cuja produção
é prioritária, para diminuir impor-
tações estrangeiras.
As áreas de várzea, por serem
marginais aos rios, são de fácil
acesso e apresentam razoável den-
sidade demográfica, recomendan-
do-se por isso para investimentos
modestos, a curto prazo.
Entre os principais representan-
tes das madeiras brancas das
várzeas, citam-se, entre outras, a
Imbaúba ( Cecropia ), o Morototó
(Didymopanax) , o Marupá ( Sima -
ruba) , Caroba ( Jacarandá ) , Envira
(Tecona), Paxiúba ( Iriartea ) e
Ucuúba ( Virola ).
A floresta chamada de terra
firme é a que se eleva acima da
planície de aluvião e se bem que
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 215
não seja muito diferente das ma-
tas que cobrem as várzeas, é certo
que a variação de composição do
solo, à proporção que se vai afas-
tando do eixo do vale, passando
sucessivamente dos terrenos de
formação terciária aos das cama-
das de formação mais antiga, sofre
modificações correspondentes no
aspecto da vegetação, determinan-
do diversas zonas florestais. Nela
predominam as chamadas madei-
ras de lei e madeiras semiduras,
coloridas, de crescimento mais
lento, e por isso apresentando
maiores dificuldades sob o ponto
de vista silvicultural.
A exploração madeireira da re-
gião se tem circunscrito às áreas
de várzea, em vista das facilidades
de utilização, para transporte, das
estradas líquidas naturais que são
os rios. Em conseqüência, essa
floresta já apresenta sintomas de
empobrecimento em essências de
alto valor comercial, decorrentes
de um continuado trabalho de
extração seletiva, ao longo dos
tempos.
A floresta de terra firme, nas
terras altas do interior, distante
dos grandes cursos d’água, consti-
tui a verdadeira floresta amazô-
nica, ainda pràticamente virgem e
intocada, onde o desenvolvimento
das espécies atinge o seu máximo,
tanto em qualidade, como em
quantidade.
Evidentemente, um programa de
tal magnitude só poderá ser
levado a efeito por entidades em-
presariais de grande porte, que
disponham de organização técnica
apropriada e capacidade financeira
suficiente para arcar com os vul-
tosos investimentos necessários à
abertura de estradas permanentes
que permitam o trabalho em tôdas
as épocas do ano, à aquisição do
maquinário pesado e de todo um
'sistema de infra-estrutura indis-
pensável ao funcionamento do
complexo operacional. Essa imobi-
lização inicial de recursos será
QUADRO IV
REGIÃO AMAZÔNICA
INDÚSTRIA MADEIREIRA
Distribuição geral das serrarias pelos Estados e Territórios
UNIDADE ADMINISTRATIVA
1952
1959
1962
Acre
2
47
Amapá
1
9
Amazonas... .
20
27
23
Pará
60
102
102
Rondônia. ...... .
4
4
4
Roraima
2
TOTAL
89
189
129
PONTE: SPVEA/FAO
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
216
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
fartamente compensada por resul-
tados financeiros seguros, tendo em
vista que as possibilidades de pro-
dução são, por assim dizer, ilimi-
tadas.
Além disso, um empreendimento
desta natureza contribuirá para
formar núcleos de colonização que
permitirão fixar o homem à terra.
INCENTIVOS FISCAIS E FACILI-
DADES FINANCEIRAS COMO
ESTÍMULO À ORGANIZAÇÃO
DE GRANDES EMPRÊSAS
MADEIREIRAS
Presentemente um grande es-
forço conjunto vem sendo desen-
volvido pelos órgãos regionais de
valorização e entidades governa-
mentais no sentido de estimular a
iniciativa privada, coadjuvando-a
através de dispositivos legais.
Os benefícios fiscais instituídos
em favor das indústrias sediadas
na Amazônia, principalmente os
oriundos do emprêgo de 50% do
Imposto de Renda devido à União
(Lei 4.216, de 6-05-1963) e os fa-
vores de câmbio e isenção dos im-
postos aduaneiros na importação
de equipamentos, além do amparo
dos podêres públicos através de
'participação no capital das emprê-
sas, ou da concessão de financia-
mentos a longo prazo e juros mó-
dicos, são algumas das medidas
que estão sendo adotadas para
propiciar a evolução da indústria
madeireira regional, fortalecendo-a
e criando condições à implantação
de empreendimentos de alto porte
que possam realmente dav utiliza-
ção correta ao grande patrimônio
natural existente na Amazônia.
BORRACHA
A exploração da borracha silves-
tre, que durante largo tempo ab-
sorveu tôdas as atividades de
trabalho e recursos financeiros da
região está hoje em declínio pela
concorrência da borracha de plan-
tação importada do Oriente e, mais
recentemente, da borracha sinté-
tica que vem sendo produzida no
país, com índices cada vez mais
expressivos.
Sabe-se que foi a borracha da
Amazônia que contribuiu decisiva-
mente para a implantação do
grande parque industrial do sul do
Brasil e, ainda hoje, os seringais
silvestres da Amazônia fornecem
mais de 50% da borracha natural
consumida pela indústria nacional.
Todavia, as condições extrema-
mente penosas em que se faz a
extração dêsse produto nos serin-
gais nativos não permitiram que a
produção acompanhasse a deman-
da nacional, mantendo-se essa
produção pràticamente estagnada
em tôrno das 30.000 toneladas
anuais, o que representa menos de
1/4 da demanda global do país.
Entretanto, atendendo ao co-
lapso que representaria, para a
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais)
QUADRO V
217
REGIÃO AMAZÔNICA
BORRACHAS
PRODUÇÃO
ANOS
Quantidade
Valor
(Toneladas)
(CrJ I 000)
1960
28 833
2 457 772
1961
29 671
3 437 498
1962
26 840
4 235 348
1963
29 951
9 332 248
1964
32 821
19 126 324
FONTE: Anuário Estatístico do IBGE.
economia regional, a supressão
brusca dessa atividade extrativa
que é ainda um de seus principais
sustentáculos, além dos desastro-
sos efeitos sociais que daí adviriam,
levando ao desamparo os milhares
de trabalhadores que, nos longín-
quos seringais amazônicos, se dedi-
cam à extração da borracha nativa,
prepara-se a Amazônia para bene-
ficiar a sua produção e começam a
surgir as primeiras unidades indus-
triais de artefatos, que permitirão
substituir importações atualmente
feitas do sul do país, dêsse modo
evitando a drenagem de recursos
na aquisição dessas utilidades que
aqui chegam fortemente oneradas
com os custos de transferência.
Há, entretanto, uma forte ten-
dência para substituir gradual-
mente essa economia primitiva de
coleta por um amplo Plano da
Heveicultura, já em início de
execução, aos cuidados de um
Projeto específico, o ETA-54, inte-
grado pelo Ministério da Agricul-
tura, SPVEA, Banco de Crédito da
Amazônia e Govêrno americano,
através do Ponto IV.
Espera-se assim, a par de apro-
veitar as excelentes condições eco-
lógicas da região para essa espécie
de cultura, devolver à Amazônia
sua condição de liderança no supri-
mento das necessidades nacionais
de borracha, tendo em vista a de-
manda progressivamente crescente
dessa matéria-prima, indispensável
às civilizações industriais moder-
nas.
OLEAGINOSAS
As oleaginosas constituem um
outro grande e importante recurso
florestal da região. Com efeito, as
espécies vegetais produtoras de
frutos oleaginosos têm na Amazô-
nia uma enorme área de distribui-
ção, desenvolvendo-se, espontânea
e exuberantemente, por tôda exten-
são do vale.
No quadro de oleaginosas flores-
tais destaca-se, em primeiro plano,
cm l
SciELO
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218
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
o babaçu ( Orbygnia ), palmeira
que forma imensas concentra-
ções nativas no Estado do Mara-
nhão, onde cobre uma área de
aproximadamente 80.000 km 2 e
também na parte norte dos Esta-
dos de Goiás e Mato Grosso. No
Estado do Pará, a ocorrência do
babaçu é menor, provindo sobre-
tudo das regiões de Itacaiunas,
Tocantins, Baixo Amazonas e Re-
gião Bragantina.
O babaçu ocupa o primeiro lugar
nos quadros estatísticos da produ-
ção extrativa florestal da área
amazônica, atingindo presente-
mente a produção anual, só no Es-
tado do Maranhão, a mais de
100.000 toneladas de amêndoas,
com um potencial de óleo de
60-65%.
Outras oleaginosas amazônicas
têm também cotação nos merca-
dos, como a Ucuúba, o Murumurú,
o Patauá, etc., além de muitas
outras que nunca foram comercia-
lizadas e cujas safras, de vários
milhares de toneladas, perdem-se
QUADRO VI
REGIÃO AMAZÔNICA
BABAÇU
ANOS
PRODUÇÃO
Quantidade
Valor
(Toneladas)
(Cr$ 1 000)
1960
89 554
2 523 741
1961
105 724
3 015 838
1962
123 890
4 908 820
1963
128 372
9 317 611
1964
141 719
22 632 398
QUADRO VII
REGIÃO AMAZÔNICA
CASTANHA-DO-PARÁ
ANOS
PRODUÇÃO
(Toneladas)
EXPORTAÇÃO
Quantidade
(Toneladas)
% da
produção
Valor
(ÜSI 1 000)
1960
39 382
26 394
67
14 286
1961
51 713
36 252
70
15 621
1962
45 432
23 029
51
9 910
1963
40 420
25 194
62
8 882
1964
44 210
24 185
55
10 421
FOXTE: Anuário Estatístico do IBGE.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 219
anualmente nas matas, sem utili-
zação.
Dentre as espécies oleaginosas
regionais merece menção desta-
cada a Castanheira do Pará
(Bertholletia excelsa, família das
Lecitidáceas) .
Trata-se de uma árvore majes-
tosa, com larga área de distribui-
ção em tôda a bacia amazônica,
desde as fronteiras do Peru e Bo-
lívia, até à região do Guamá, no
Estado do Pará, já nas proximida-
des do litoral atlântico.
Árvore dos terrenos altos, produz
um fruto, o ouriço, em cujo interior
se encontram as amêndoas oleagi-
nosas, consumidas como alimento
grandemente apreciado, não só
pelo excelente sabor, como também
pelas notáveis qualidades nutriti-
vas, sendo um dos poucos produtos
vegetais portadores de uma proteí-
na completa.
Constitui-se a amêndoa da cas-
tanha-do-pará num dos principais
sustentáculos da economia regio-
nal, disputando, com a borracha,
o segundo lugar nos quadros da
produção extrativa vegetal da área,
cabendo ao babaçu o primeiro
lugar. É produto de franca aceita-
ção nos mercados internacionais,
principalmente os Estados Unidos,
Inglaterra, e Alemanha Ocidental.
Pelo elevado valor comercial
desta amêndoa está ela excluída
de um programa de produção
oleífera, aproveitando-se para ex-
tração do óleo apenas as amêndoas
que não preenchem as condições
exigidas para exportação.
A amêndoa de castanha-do-pará
contém 70 a 72% de um óleo de
baixo ponto de solidificação com-
preendido entre 0 o e 4 o C.
O produto exportado sofre um
processo de beneficiamento que
consiste no seu descascamento,
desidratação em estufas e ooli-
mento.
Todavia, muito acima do poten-
cial de oleaginosas disponível na
floresta, merecem atenção sobre-
tudo as condições ecológicas alta-
mente favoráveis ao estabeleci-
mento de grandes plantações siste-
máticas de espécies oleíferas de
alta produtividade que possam
tornar a Amazônia em um dos
grandes centros mundiais produ-
tores de óleos e gorduras.
A Amazônia tem tudo ao seu
alcance para um programa oleífero
do mais alto porte: além das con-
dições climáticas excepcionais para
o estabelecimento de culturas per-
manentes de alta produtividade,
como por exemplo, a do Dende-
zeiro, que aqui encontra ambiente
dos mais propícios para se desen-
volver, desfruta de uma privile-
giada situação geográfica, de fáceis
condições de navegabilidade de
seus rios, tem grandes disponibili-
dades de terras devolutas, além do
cm l
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220
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
preço da terra e da mão-de-obra
inferior aos de outros centros do
país.
A SPVEA tem em mira efetivar
uma nova política oleífera que
inclui:
1) o aproveitamento do poten-
cial silvestre, pela disseminação de
pequenas usinas extratoras em ci-
dades do interior, próximas aos
grandes centros produtores;
2) estabelecimento de grandes
culturas organizadas de oleagino-
sas perenes de alta produtividade,
a começar pelo Dendê.
O Brasil apresenta um déficit
acentuado de lipídios na alimenta-
ção da população, visto que o con-
sumo médio normal é de 20 kg por
habitante e, no Brasil, êsse consu-
mo é inferior a 8 kg per capita.
Poderá assim a Amazônia, organi-
zando a sua produção, concorrer
substancialmente para suprir êsse
déficit e mesmo fomentar a expor-
tação, economizando divisas para o
Brasil.
ESPÉCIES AROMÁTICAS
A flora amazônica é rica em
espécies aromáticas que podem ter
largo emprêgo em indústria de
perfumaria.
Atualmente, a única espécie
industrializada é o Pau Rosa, uma
Laurácea nativa que produz um
óleo essencial, de grande cotação
comercial.
A zona produtora situa-se de
ambos os lados do rio Amazonas,
entre Santarém, no Estado do Pará
e Manaus, no Estado do Amazonas
e a espécie, que já foi abundante,
começa a escassear em virtude de
uma exploração desordenada, sem
a preocupação do replantio, de
modo que a indústria está fadada
a desaparecer caso não se adotem
medidas que assegurem a sobrevi-
vência do vegetal.
A extração do óleo essencial é
feita em cêrca de meia centena de
destilarias rústicas trabalhando
por processos muito primitivos, que
acarretam grandes perdas.
QUADRO VIII
REGIÃO AMAZÔNICA
ÓLEO ESSENCIAL DE PAU-ROSA
ANOS
PRODUÇÃO
EXPORTAÇÃO
Quantidade
(Toneladas)
Valor
(CrS 1 000)
Quantidade
(ToneladcS)
% da
produção
1960
289
103 245
157
54,3
1961
221
93 852
174
78,7
1962
157
86 116
95
60.5
1963
134
160 806
61
45,5
1964
205
725 449
102
49.8
FONTE: Anuário Estatístico do IBGE.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 221
O óleo de Pau Rosa é, em sua
quase totalidade, exportado para o
estrangeiro, sobretudo Estados
Unidos, alguns países da Europa e,
em menor escala, para a Argentina.
Outras espécies aromáticas exis-
tem que nunca foram industriali-
zadas, sobretudo uma grande va-
riedade de Louros.
A Associação Brasileira de Pes-
quisas sôbre Plantas Aromáticas
vem desenvolvendo um Plano Na-
cional de pesquisas sôbre Plantas
Aromáticas e óleos Essenciais, que
inclui importantes estudos sôbre o
Pau Rosa, concernentes ao seu
cultivo, tecnologia, química e eco-
nomia, visando a uma utilização
mais correta desta Laurácea.
BIBLIOGRAFIA
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uma Economia Florestal na Ama-
zônia, SPVEA.
FAO, 1953, Forest Development in the
Amazon Valley. Report 171.
FAO, 1962, Tendências e Perspectivas
dos Produtos Florestais na América
Latina.
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Valley. Reports 601, 949, 969, 992,
1250 e 1483.
FAO/CEPAL, 1954, Estúdio de Fábricas
Hipotéticas de Papel y Celulosa a
Base de Maderas Tropicales Mez-
cladas, Argentina.
FAO/CEPAL, 1964, Informaciones y
Critérios para la Programación de
la Industria dei Papel y Celulosa,
Chile.
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Kissin, I., 1952, A Situação Madeireira
da Amazônia, Belém.
Le Cointe, P., 1922, L’Amazonie Brési-
liènne, Paris.
Le Cointe, P., 1934, Amazônia Brasi-
leira — Árvores e Plantas Úteis,
Belém.
Le Cointe, P„ 1945, O Estado do Pará
— A Terra, a Água e o Ar, S. Paulo.
Pandolfo, C. 1964, A Amazônia e sua
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SPVEA.
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Agricultura, 1963, Inventários Flo-
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Rio.
Soares, L. C. 1963, Amazônia, Rio.
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 223-243 — 1967
CON SERVATION OF RENEWABLE NATURAL RESOURCES
OF THE TROPICAL FOREST AND SWAMP REGIONS
OF SOUTH AMERICA
N. O. POONAI
Natural Resources Conservation, Georgetown, Guyana
THE NATURE OF RENEWABLE
RESOURCES
Natural Resources and Popula-
tion — It is not in man’s interest
that renewable natural resources
remain idle; there is an annual
harvest that must be taken and if
this is not done, there is waste and
the process of regeneration is
obstructed. In no other part of the
world is nature more prolific than
in the tropical swamp and forest
regions of the world, yet here
development has lagged behind
markedly. In South America they
constitute the less populated and
productive areas; they are the
largest undeveloped area of the
world and by far the larger part
of this continent is made up of
swamp and forest. The reason for
this is partly historical but it is
also true that not enough attention
has been paid in the past to con-
servation problems in these
regions. With the application of
wise measures as to the exploita-
tion of these resources, much more
can be produced to satisfy the
needs of many more people than
at present, at a higher standard
of living. With the world’s popula-
tion increasing at the rate of over
50 million per year, the demands
on renewable natural resources
and living space will step up
progressively. The Amazon basin
will have to accommodate more
people and produce more. This can
be achieved by an understanding
of its peculiar conservation
problems.
The Nature of Natural Resources
— Soil, water, forests, fish and
wildlife constitute renewable na-
tural resources and the aim of the
conservationist is to achieve the
greatest value to man from their
use; he must also make certain
that the returns from these
resources is a maximum possible
sustained yield. The nature conser-
vationist must also see to it that
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224
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
sufficient natural areas are left for
man’s study, pleasure and for the
benefit of coming generations;
refuge and habitat areas must be
left to ensure the perpetuation of
existing species and for study and
recreation. The natural resources
of the South American tropics are
abundant; yet, the returns from
them in terms of an annual
harvest has not been and is not
commensurate with the size of the
area involved. The conservationist
must look for many answers. Most
important of all, he must find a
way of satisfying and reconciling
apparently conflicting needs and
values without endangering the
resources themselves. The tropical
forests and swamps of South
America present nature in its
richest variety and greatest lavish-
ness; ironically these are two
features, which more than any of
the others, have been the greatest
obstacles to man. Some of the
conservationisf s greatest problems
are caused by the lavishness of
nature and the almost infinite
variety of plant and animal life.
The Tropical Environment —
The dense impenetrable nature of
the tropical forests, a tangle of
vines, creepers and undergrowths
often interspersed with defensibly
armed species, extensive swamp-
lands, deeply flooded for the better
part of the year, with heavy
deposits of detritus several feet
thick; sandy and upland
savannahs with extremes of wet
and dry season; rapid plant
regrowth in cleared areas
representing a constant struggle
between man and nature; torren-
tial r a i n s concentrated into
seasons or spread all through the
year; a wild abundance of insects
and other undersirable organisms
destructive to plant and animal
life and dangerous to man; these
have stood in the way of develop-
ment. Yet the same conditions
have produced a dazzling array of
birds and insects, orchids and
other flowering plants worth
preserving. And when it is recalled
that because of its geographical
isolation for certain periods of its
geologic history, so much that is
strange, unique and scientifically
important has been preserved in
the New World tropics, it can
readily be appreciated why as
demand for more and new
resources increases, the conserva-
tionisfs task is urgent and
momentous.
This fact about the animal life
of the continent was early noted
by Darwin (1962).
The region of the tropics is
characterised by one of great
numbers in species rather than of
individuais (Kendeigh, 1961). The
species of trees in the Amazon
forests is particularly numerous
(Polunin, 1960). This stands in
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 225
the way of commercial exhibita-
tion, which favours in the case of
forests, large stands individual
species in high commercial
demand. This is clearly seen in the
case of wild rubber, the trees which
yield it being spread loosely in the
heterogenious forests. Only an
intense demand can keep the
industry at a high levei and the
wild product cannot compete with
plantation supply. The same would
apply to many other resources of
the region. The conservationist
must therefore find some way to
make the varied forests and other
such resources of some real value;
he should not merely sit by and
wait until increasing demand puts
a premium on otherwise undesir-
able resources. In the case of some
resources that are abundant at
some season and in short supply
at others, better and more efficient
utilization must be sought. Should
the rich variety of nature be turn-
ed to the benefit of man or be
permitted to stand in the way of
development?
Aim of Management — Climax
environments are not as productive
of desired species of wildlife and
often other resources as earlier
succession stages (Leopold, 1933).
In the tropics, the rate of
succession is speeded up; the rate
of forest growth is faster and
siltation of swamps and lakes and
the growth of aquatic vegetation
are very rapid. The climax forest
as we know it has too many
undesirable species and secondary
growth is nothing but useless bush.
The rapid choking up of swamps
by weeds which render the unsuit-
able habitat for waterfoul has
been pointed out by Glover &
Chamberlain (unpublished re-
port). The aims of the conserva-
tionist should include the follow-
ing:
a) Increasing the net pro-
ductivity of certain resources by
habitat manipulation and regulat-
ing the annual harvest.
b) Habitat management to
ensure a maximum sustained yield.
c) Finding ways and means of
putting to use resources now
allowed to waste.
d) Setting aside sufficient areas
for study and recreation in repre-
sentative zones.
e) Carrying out ecological
studies to formulate a scientific
basis for conservation. These and
other aims are amplified later.
GEOGRAPHY
Distribution of Forests — The
basin of the Amazon is the world’s
greatest unexplored forest. By far
the better part of South America
is in the tropics and hot wet
forests predominate. The swamps
and tropical forests occupy the
basins of the Amazon and Orinoco.
The nature of a tropical forest is
15 — 37.153
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
too well known to merit further
description here; suffice it to say
that the Amazon basin, the banks
of most of the rivers of tropical
South America and some of the
lowland regions of Guiana are
covered with dense forest consist-
ing of several leveis on canopies
of dense undergrowth. Spots of
light accelerate lower plants to
florish on the forest floor and
clearings are covered with a lush
growth of brush and palms. These
forested regions are mainly low
lying and seasonally flooded and
heavily covered with detritus
(Richards, 1952 and Shanahan,
1963). The drainage is slow, the
rivers are of low gradient and
obstructed by many falis and
rapids. As a consequence flood
waters spread out into the forests
and adjoining low areas leaving
shallow lakes when the waters
spread out into the forests and
adjoining low areas leaving
shallow lakes when the waters
recede; the water of these lakes
evaporate rapidly under the cons-
tant high temperature. These
areas are very important as we
shall see for fish.
The slopes of the Guiana high-
lands are also forest clad and the
-deltas and shore lines are wooded
with species of mangrove some of
which reach a remarkable height
and are very valuable economic-
ally. The drier upland areas are
covered with Xerophytic scrub
forest of little or no commercial
value at present. It must not be
imagined that the tropical rain
forest is uniform; different micro
climates and local conditions of
soil and other factors produce a
variety of climax types (Richakds,
1952). There is such an abundance
of the scrub forest type that it is
üeserving of intensive study as to
its economic possibilities.
The Swamplands — The man-
grove referred to above as forests
may properly be referred to as
swamps. The forest is amphibious
and stretches to sea; the growth
towards the sea is often very rapid.
Trees tolerate m u c h salt, a
compact muddy soil, hot damp
atmosphere but do not necessarily
require heavy rains. Into these
swamps large number of eggs and
young fish are washed during the
high tides, there to grow and
remain until they migrate back to
the river estuaries and the ocean.
These swamps are important
waterfowl habitat and many
migrants from North America
spend their winter there. The
Mangrove forest assists in extend-
ing the coast line (De La Rue et
alii, 1957).
Several types of inland marshes
occupy flat areas in tropical South
America. Nearer the coast are wet
savannahs of sedges and bulrushes
interspersed with forests of aquatic
palms, and other water loving
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 227
plants. The matted growths of
these plants are impassable. In
more open water, floating plants
are the principal vegetation. Else-
where in the high savannahs,
depressions filled with sediment
form shallow seasonal lakes over-
grown with palms and reeds.
Mountain bogs are common on the
uplands. Bodies of water cut off
along the banks of forest rivers
produce much fish. Some rivers are
nothing but broad bodies of water
flowing over illdefined channels
often having wide bays. It must
also be mentioned that much of
the forest lands are subject to
regular seasonal flooding; indeed
the true rain forest is a swamp
forest.
Tropical Savannahs — In
tropical South America, savannahs
are extensive enough to be of some
importance. The savannahs of the
Orinoco are of great expanse and
there are similarly large areas in
parts of Brazil; the basin of the
Rio Branco in ty picai of the
upland type of coarse grass grow-
ing in tuffs. A sandy savannah, at
present of little economic value
extends across the Guianas. These
tropical savannahs are all at an
elevation of at least 100 feet and
range from sparse grass to park-
lands of species of short heavily
branched trees with coarse lea-
thery leaves and thick corky barks.
The soil is thin and with sand
or laterite. Depressions are poorly
drained and covered with clumps
of low bush and palm. There is
no clean cut line between forest
and savannah, the transition being
mixed forest and open greenlands.
On most of these savannahs the
grass is coarse; the land is subject
to recurrent flooding and fires.
Much of it now put to cattle
grazing but the capacity is very
low. Before Europeans carne these
savannahs supported but little
animal life; now the better areas
are subject to heavy grazing and
in danger of deterioration. The
sandy savannahs are so extensive
in the Guianas that much more
research is necessary to put them
into production and conserve the
thin soil.
WILDLIFE
Distribution of Species and
Migrants — The tropic zone is
noted for the richness and variety
of its fauna. Nature express itself
in its greatest extravagance in
form and colour (De La Rue et alii,
1957). As to tropical South
America, Darwin (1962) stressed
the fact that its fauna was distinct
from that of North America,
having developed in isolation for
millions of years. The New World
monkey, sloths, and armodillos are
peculiar and many species of birds
are unique. The fauna of the
tropical swamps and forests of
cm l
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228
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
South America are so distinct and
at the same time so vulnerable to
competition and human interfer-
ence as to deserve special protec-
tion. This is necessary in the
interest of keeping some of this
rare fauna intact for the benefit
of future generations and for
scientific study in their natural
habitat.
This raises the necessity for the
preservation of typical habitats in
the interest of species that are
highly adapted to them. In the
swamp and forest lands, where
there are an abundance of micro-
habitats and in consequence a rich
diversity of animal life, specializa-
tion is of a high order. Some
creatures, like the sloths are so
highly adapted to their forest
home, that it is difficult to keep
them alive elsewhere. The same is
true of many birds. Also, because
these areas have been relatively
stable for a geologically long
period, many ancient f o r m s
survive, alongside modern forms.
Their preservation for study is
imperative and this can only be
properly achieved by setting aside
sufficient habitat areas.
Of the remaining wildlife, the
-first group that comes to mind are
the migrant waterfowl and game
birds. Many species of ducks
winter each year in the swamps
of the north coast. (Glower &
Chamberlain, unpublished report).
This type of habitat is much
deteriorated and in need of atten-
tion. This resource is of great
economic value to several nations.
Many species of ducks and geese
whose range do not extend beyond
South America are confined to
the swamps, lakes and rivers of the
north. Here again, preservation of
sufficient breeding and feeding
areas are necessary. By proper
conservation measures, the value
of this resource can be greatly
increased and by regulation of
hunting the annual harvest can
be increased, spread around more
equitably and a sustained yield
guaranteed. For this to the achiev-
ed, uniform conservation measures,
based on sound ecological
principies must be applied. This
resource suffers at present from
our harvesting habitat destruction,
market hunting and ineffective
regulation. Several States authorise
the destruction of waterfowl in the
vicinity of crops, overlooking the
fact that these concentrations are
brought about by monocultures of
crops like grain and mass des-
truction in these conditions is
possible.
Wetmore (1939) and others have
recorded the vast numbers of
northern waders that pass through
the swamps each year on the way
to their winter quarters. These
flocks need protection. There are
several species of important game
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 229
birds in the swamps and forests;
pigeons, tinamous, quails, guans,
and partridges are quite abundant.
Clearings, patches of secondary
growth and mixed savannahs are
more productive and the present
population of these game species
can be greatly increased by habitat
manipulation. Shifting slash and
burn cultivation is particularly
favourable to species like tinamous
and fruit trees, grain fields and
mixed plantations favour pigeons.
The climax forest is itself relatively
sterile; many species of trees and
shrubs in the forest are of no value
except that they protect soils from
erosion. This otherwise valueless
habitat can be managed to produce
more game birds. At the present
time the amount of game taken
from the climax forest is far too
small. Otherwise unless forest can
at least be managed to produce
more game.
Many game animais inhabit the
swamps and forests. Some of these
are important as sources of food
and have been heavily hunted even
before western man arrived; others
are hunted for pleasure or trophies
and yet others are of commercial
importance for one reason or
another. Several species of deer,
the tapir, armadillos, antbears,
monkeys and some rodents still
serve as food. Cayman, cats and
some of the longer and more
colourful snakes are hunted for
their skins and for pleasure. At
first glance, the great swamps and
forests seem to be formidable
strongholds of these animais; this
is not entirely so; constant
pressure on suitable habitat forces
more and more of these a nim ais
in to smaller swamps and forests
where they still maintain a hold.
Moreover, numbers are not as
great as the luxuriance of the
tropical environment would make
one believe. The greater accent is
on the number of species.
Man in these parts views these
wild animais either to be in direct
conflict with his interests or as fair
game at all times. They are part of
a hostile environment that must
be subdued for progress to the
achieved and all wild animais are
shot at sight, no matter how
innocent or inconsequential. It is
true that there is some conflict of
interest, but this is magnified
beyond realities and the damage
done is out of proportion, often
extending to harmless species or
harmless members of some species.
Another source of danger is over-
hunting and poorly regulated and
controlled hunting w h i c h is
indulged in for market or trophies
and hunting of certain species for
the foreign market is particularly
destructive; butterflies, snakes and
alligators have been under this
kind of hunting pressure for a long
time.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
The main point in dealing with
conservation of wild animais in
these regions is that the present
capacity of the available habitats
can be greatly increased by
management. There are not here,
as in other regions, such a great
conflict between the interests of
man and wild animais. There is
such an abundance of natural
areas which are useless otherwise
and which can be made to produce
more game. Management of other
resources can be so conducted as
to favour game. Here we may not
sit helplessly by and see the world
of the wild animais disappear or
wild animais reduced to a State of
semi-domestication. The situation
is far from hopeless.
FORESTS
The Tropical Forest Types —
Tropical forests are not uniform;
yet certain broad types may be
distinguished in South America.
These develop mainly as a result
of differences in soil, topography
and other local conditions. The
Coastal mangrove is one such type
and contains several related
species; even here micro-habitats
are occupied by other trees and
-changes, biotic and otherwise,
result in invasion. The inland
swamps are occupied by palms,
some of which like the mauritia
are of some economic value, low
woods and aquatics. As mentioned
before, dry sandy areas and belts
of transition are occupied by
thick-leaved xerophytic broken
forest. Some sandy ridges are
covered with useful species such
as wallaba. The wet forests and
mountain slopes are, like most of
the river banks, heavily wooded,
some of the trees being quite
impressive. Many very valuable
species are found but dispersed
unevenly among a wide assort-
ment of species.
Conservation of the tropical
forests presents many great
problems. Cutting of the man-
groves usually results in invasion
of the area by other plants and
encroachment by the sea. Man-
grove seedlings drift aimlessly
until they find suitable sites; after
the forest has developed, regenera-
tion is difficult. Erosion by the sea
quickly creates new conditions.
In the wet forests, cutting of the
valuable trees create conditions
that made reproduction difficult
also. Soil er ision and rapid growth
of low bush and secondary forest
pre/ent replacement by useful
species quickly and easily.
Valuable species are so widely
distributed that exploitation is
difficult on a large scale. The great
green wall of the forest is made
up of too much useless bush. The
conservationist must find some use
for these species to make the
forest truly valuable. Of the many
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 231
species found in the American
tropics, only a few are known
commercially. There are many
that are quite good but exist in
limited quantity. A generalised use
for tropical hardwoods would
create a demand for species little
known now. What is needed is
planned exploitation.
Large scale exploitation of
tropical forests is very wasteful
and destructive if foreign export
market, are only considered. Clear-
ing of plantations and settlements
and shifting cultivation are carried
on at great waste of useful timber
that is allowed to rot in the forest.
Tropical forestry needs some in-
tensive study to avoid the large
scale wastage now taking place.
Other forest resources, nuts and
latex for instance, must also be
considered.
FISHERY
Fish Hdbitats — Among the
indigenous peoples, fish h a s
constituted a very important
article of diet; fish has been much
more important than game was
the chief source of protein; some
of the tribes may well be described
as fish eaters; remains of fish and
molluscs have been found in
considerable quantities in their
middens and great amounts are
still consumed.
Rivers and estuaries of the
tropics yield much fish; many salt
water species spend part of their
lives in brackish swamps along
the coast and in inlets, creeks,
lagoons and estuaries; where these
are cut off from the sea, the high
tides provide access. The flat shore
line of the Guianas is ideal spawn-
ing ground for many ocean species.
Draining, empoldering and sea
defences have deprived many
species of valuable habitat;
changes in the nature of the
coastline and off shore deposits
also affect fish populations.
Remote Coastal swampt and
s e a s o n a 1 lakes on the high
savannahs are very productive.
Many species belong entirely to
these swamps and many more
come there from the rivers to
spawn, returning later to the
largcr stream. Gradual siltation,
ageing or empoldering of these
swamps is taking place. This
process is not helpful to fish
populations. An important problem
is concerned with utilization;
during the dry season, the waters
shrink to small stagnant pools
and the fish are concentrated into
a limited space. Some are harvest-
ed, some eaten by birds and wild
animais but the greater quantity
is allowed to go to waste. Indian
tribes consume great quantities
and use primitive methods of pre-
servation for food. This does not
last long. The conservationist must
find some way of preventing this
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
great harvest of swamp fish from
being wasted.
The forest rivers overflow their
banks during the heavy rains and
large bodies of water lie on the
land for some time. Many fishes
are adapted to this. In the rivers
themselves are many valuable
species like the Arapaima. Other
species, some quite abundant and
acceptable, are not used because
of local prejudice. The valuable
species on the rivers suffer from
over-harvesting and valueless ones
are at an advantage. This creates
a population of undesirable com-
position and a fali in yield. The
large bodies of water in the
Amazon and other rivers of
tropical South America can yield
much more fish with proper
regulation.
Fishery Management — Some
methods used by the Indian tribes
are on face value very destructive
The use of fish poisons, destroys
much small fish. Yet early settlers
found an abundance of fish in the
rivers. Apparently here again, the
rate of reproduction is very high
and the mortality of young fish
entering the rivers is great. Fish
poisoning is usually done to small
-fish in the smaller tributaries and
hardly affects the population in
the rivers. The methods used
in the rivers were less destructive.
Modern methods used in the
rivers could have disastrous effects.
Pollution and siltation are modern
problems. Loss of habitat, especial-
ly spawning grounds could also bs
serious. These all call for con-
servation measures, but before any
effective measures are introduced
there must be adequate study of
the ecology of valuable species.
Some of these species are little
understood; even some important
game species like the tucunare
receive little attention and game
fishing in inland waters could be
expanded. Size and bag limits and
restrictions in breeding grounds
and at certain times of the year
are desirable measures. In some
cases large populations of cayman
and other predators consume far
too much fish. In these instances
predator control is necessary.
SOILS
Some Tropical Soils — The
luxuriant vegetation of the tropics
conveys a false impression of the
fertility of the soils. The dense wall
of greenery quickly replaces itself
with dense secondary growth but
at great cost. Tropical soils are in
effect very thin in humus. The rate
of decay of organic matter is very
great and leaching is severe. The
leached zone is often very deep and
trees procure nutrient material in
a very thin layer near the surface.
Under the dense forest cover, the
soil is much deteriorated and
laterization is extensive. The
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 233
íertility of the forest soil is in
consequence very low indeed.
Laterite soils are of doubtful value
for permanent cultivation.
On the mountain, slopes and in
the valleys the soil may be very
rich. In the swamps there are large
areas of peaty soils which are of
little value at present; often the
deposits are very deep, the de-
pressions so great and rains so
heavy that cultivation is nearly
impossible. A considerable outlay
of money is necessary before these
lands could be properly drained
and empoldered for crop produc-
tion. These peaty soils are very
acid and in the dry season are in
danger of damage by fires. It would
be a great risk to plant valuable
permanent crops on peat soils.
Conservation Problem — Rain
and Fire — The conservationist is
faced with two major hazards —
rain and fire. Owing to the heavy
rains being concentrated into
periods of heavy downpour, the
soil is quickly washed away, once
the vegetation cover is removed.
Problems of erosion quickly set in
and in a few years, there is a great
reduction in productivity and
uncontrollable gullies. Forest soils
in the tropics are particularly
subject to washing away of
íertility and to rapid erosion. The
thin fertile layer is quickly remov-
ed by the rains. This factor is
magnified by the very nature of
tropical plantation agriculture.
Heavy equipment used to
develop areas of highly erodible
soil in the interest of production
of crops for the export market
creates magnified dangers. Large
areas are cleared by mechanical
means with no corresponding
conservation measures but rather
an accent in quick production has
been the pattern in some forest
areas; also rapidly clearing of bush
by immigrants to create new
plantations. In a few years
production is too low to continue
cultivation. On the other hand, the
traditional pattern of shifting
cultivation, gave the soil a resting
period to regain its íertility. Large
scale immigration and cultivation
will have to find some way of
conserving the soil íertility.
Fires can be disastrous, especial-
ly where the litter is deep. Forest
fires and in dry swamps and
savannahs are very destructive to
soil and crop. Burning removes
the organic cover of the soil and
exposes it to destruction by wind
and rain. Fire must be used as a
controlled instrument. It can
release íertility and destroy useless
dry matter which is not decaying
fast enough and preventing germi-
nation of seeds.
It can be seen from the above
that conservation of tropical soils
is a much more difficult problem
234
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
than in temperate lands and this
has been aggravated by the myth
of inexhaustible fertility that has
spread about these soils in the
tropics. The luxuriance of tropical
vegetation is deceiving.
Land Utüization — Land utiliza-
tion in the tropical forests and
swamps must be based not only
on capability but on the relative
erodibility and o t h e r factors
mentioned abo ve. As pointed out,
shifting cultivation was ideally
suited to tropical front soils but
is not a method of agriculture
applicable to high production or
dense populations. Conservation
measures must be worked out that
would ensure continued produc-
tivity and avoid deterioration.
Crops must be zoned in such a
way as not to expose valuable crops
to hazards. A thourough study and
classification of tropical soils as to
use must be carried out, on which
land use policies could be built.
At the present, failure to adopt
this approach, results in much
damage in some rapidly developing
countries. Large amounts of heavy
equipment are acquired and put
to work, creating ideal conditions
for erosion, leaching and siltation.
.This is achieved in the name of
progress.
WATER
Rainfall and Storage — In the
tropical forests and swamp regions
of South America, there are severe
water problem; some areas are
ílooded most of the year, others
suffer from acute shortages at
some seasons, despite the fact that
rainfall is very heavy. The
problems are to get the flood water
off the land quickly to alleviate
damage and store water for times
when there is no rain. Were it not
for the fact that many rivers are
impeded with rapids, drainage
would be so swift as to make
matters more difficult. Near the
sea coast, in low areas where the
muddy salt water of the ocean
enters rivers, inlets and creeks in
times of drought, only the presence
of artesian water makes the land
habitable. When the severe dry
season comes on in the swamp
areas with deep peaty soils, fires
burn for weeks doing damage
worth millions of dollars. River
leveis fluctuate greatly from one
part of the year to another and
storage is difficult. The rate of
siltation is high and tropical
reservoirs are quickly choked with
aquatic plants. Even from floating
plants the residue of organic
matter is sufficient to make
storage basins useless within a
short time. In addition the water
becomes dark and acid.
Water Power and Reservoir
Problems — The shortage of coai
in the region adds importance to
water power. There is an abund-
ance of rivers and the physical
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 235
features f a v o u r development.
There is also a great demand for
cheap power to work aluminium,
iron and manganese and assist in
the development of forest re-
sources. Already hydro projects in
Venezuela and Suriname show
that difficulties are not by any
m e a n s insurmountable. Well
designed multi-purpose projects
can assist in providing water for
industry, irrigation domestic use
and for recreation. Rapid siltation
and invasion of reservoirs by weeds
and submerged aquatic vegetation
are problems to be faced. Very
careful watershed management is
necessary to avoid the highly
erodible tropical forest soils
washing away into reservoirs.
Invasion from the banks by weeds
and submerged aquatics would
greatly reduce capacity, lower the
quality of water and assist silta-
tion. In swamp areas, where there
is a heavy deposit of vegetable
matter in the form of peat,
embankments are difficult to
maintain; fires can do extensive
damage and heavy floods wash
away embankments.
Water for Recreation and Crops
— Here as elsewhere, the aim of
water management is to store
water when abundant for use in
times of shortage. Swamp storage
resulta in reduction of quality and
great loss by evaporation and
plants Similar losses are occasion-
ed by cransportation along canais
for long distances. The type of
crops most suited to these tropical
areas like rice and sugar cane,
require very large quantities of
water and Chemicals used as
sprays or applied directly to the
soil eventually find their .vay into
storage areas resulting in forms
of ageing and pollutio i. Shallow
reservoirs can and in many
instances do yield a considerable
quantity of fish, although of rather
poor quality; this yield can be
increased both in quality and
quantity by sound conservation
methods. Water for boating; fish-
ing and swimming is available in
abundance. It can be increased by
improving access, impoundments
and other forms of management.
Forest and swamp rivers provide
good scope both for fishing and
boating; many scenic views
enhance their value and other
attractions compensate for time
and effort. This resource, especially
the recreational aspect of water,
namely boating, fishing, swim-
ming, nature study in wild areas
and sightseeing is little developed;
its value is not sufficiently appre-
ciated and the great potentialities
of swamp and forest for recreation
lies idle. The pressure on such
areas in other parts of the world
would increase their importance
here, hopefully not before it is too
late. For the development of this
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
resource must be integrated with
preservation of nature: plant, fish
and wild animal and bird life
which provide an added incentive
to outdoor recreation.
RECREATIONAL
Parks, Refuges and Nature
Camps — It has already been
pointed out how hunting, fishing
and boating opportunities can be
increased and improved by good
conversation; some of the game
fishes, birds and animais provide
good recreation and are good
eating. There is also the attraction
provided by other forms of life and
natural features; swamp scenery,
birds and animais, stupendous
falis, rapids and rivers, magnifi-
cent mountain and coastal scenery,
colourful birds, orchids and butter-
flies, and so many other interest-
ing forms of life make the swamp
and forests of tropical America a
very rewarding place to visit. Parks
set aside and developed for human
enjoyment of these pleasures are
sadly lacking; few real refuges
exist for the preservation of forms
of wild-life, where they could be
seen in their natural state; nature
camps are needed in representative
- areas to teach people the value of
nature, which is necessary if
conservation is to succeed. Cheap
and easy access is necessary and
comfortable and safe transporta-
tion must be provided. With the
pressure on such areas in other
parts of the world and easy
transportation, the need for con-
servation of nature study areas in
the tropics increases.
Wilderness Areas and Rar e
S peei es — Tropical America,
particularly the region of the
Amazon, is one of the last areas of
the world where there are still
large true wilderness areas; as if
by a coincidence this same region
has a great many rare and unique
species and Indian tribes little
influenced by western civilization.
The fluetuating demand for
c e r t a i n forest produets and
especially the inducements offered
by traders and the greed showed
by the latter are threats both to
rare species and wilderness areas.
Some forest produets a^e extracted
with little regard for the future or
the resource involved; these are
intended mainly for the foreign
market. Exploitation is heavy and
supervision loose and ineffective.
Such large scale extraction for an
export market and plantation
agriculture are both hazardous.
Areas which may best be set aside
as wilderness are diminishing with
the innovation of modern equip-
ment; land is used for a short
period and abandoned to the
jungle again. Their value as
wilderness areas is destroyed.
Useless secondary forest replaces
the old. Places of great scenic
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 237
beauty, typical natural areas and
settlements of native Indians are
ideal for preservation as wilder-
ness.
Rare species are often hunted
for trophies. T h i s results in
greater hunting pressure than the
species can endure. Little atten-
tion is paid to the ecology of the
species involved. Many species
have endured so long only because
of the abundant cover afforded by
swamp and forest. These condi-
tions are now changing and other
protective measures are necessary.
Some slow reproducing species are
over hunted for export market.
Over hunting of cayman, otters,
snakes, butterflies and some birds
has decimated existing stocks.
Orchids can also be overharvested.
If sufficient numbers and quanti-
ties of rare species are to be
preserved intact in their natural
habitat, there must be wilderness
areas and control over access and
harvest. Already there is an alarm-
ing number of rare and threatened
species.
It is true that some species are
facing biological eclipse. Condi-
tions are changing and species
distribution must change. Changes
are often rapid and species have
little time and opportunity to
adapt. It is man’s duty, as initiat-
ing new changes, to slow down the
pace so that more species can
adapt to new conditions and
survive. Or to remove endangered
species to new areas that are suit-
able. Where breeding storks are
low, extreme protective measures
are necessary to ensure survival.
Rare and threatened species are of
international concern and a world-
wide challenge.
GRASSLANDS
Types of Grasslands — Grass-
lands of tropical South America
fali into three main types : the wet
savannahs of the Coastal plain,
the sandy savannahs and upland
savannahs of the remote hinter-
land. Wet savannahs are flooded
for the better part of the year,
being low lying, heavily covered
with detrital matter and with poor
drainage; tall reed-like grass is
characteristic, along with sedges
and bulrush. Some peat deposits
are too deep to permit utilization.
The sandy savannahs are compos-
ed of coarse quartzite sand and
laterite, covered with coarse grass
in clumps, giving way to hardy
drought resistant low forest; this
grass is unacceptable to cattle and
deficient in vital nutrients. The
upland savannahs and caatinga of
the tropical region and basins of
some of the major rivers like the
Rio Branco are composed of tall
grass, giving way to stunted trees
and xerophytic shrubs; extreme
climatic conditions produce plant
and animal life of a highly
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
specialized character; seasonal
flooding and periods of extreme
drought are characteristic, and
where erosion has been continuous
for a long period, the soil is poor
and g r a v e 1 1 y . This type of
savannah is the most extensive,
there being open areas in forested
country. Depressions are numerous
and very valuable for species of
waterfowl. In pre-columbian times
the grass may have been taller but
fires are nothing new. Cattle and
horses are new.
Problems of Utüization — A
survey of the present utüization
of tropical grasslands discloses
that in many cases they are
over-grazed and in other cases
inadequately utilized. These
savannahs existed for centuries
with a very thin population and
animais; the ungulates that now
occupy the better grasslands are
a recent introduction and the
grazing before the introduction of
these was very slight; there were
no large flocks of cattle, goats,
sheep and horses as exist today. As
a consequence many of the grasses
were not selected for heavy grazing
pressures; the situation has been
aggravated in some cases by the
. introduction or increase of rodents.
Having regard to these, the nature
of the soils and climate, these
grasslands can be easily over-
grazed and reduced by fire and
erosion.
Particular problems arise in
respect of each type of grassland.
In some areas, lands cleared oi
heavy forest is now occupied by
grass and on such grasslands the
tropical forest soil under heavy
rains and exposed by fire quickly
eroses to deep g u 1 1 e y s with
disastrous effect; these sub climax
grasslands are, as a consequence,
difficult to manage. The wet
savannahs along the coast are
difficult to drain and have water
shortage problems; in the dry
season water supply is a criticai
factor. Much water collects during
the rainy season for long periods
and in the d^y season the peaty
soils are subject to wind erosion.
On the sandy savannahs the
grass is too coarse for cattle and
it is difficult to initiate improve-
ments as leaching is very rapid
and competition by coarse native
grass quickly forces desirable
species out of existence. On the
upland savannahs extreme
climatic conditions demand a high
degree of tolerance and the sparse
grass can maintain only thin
herds. On all these savannahs
annual fires, set habitually by
native I n d i a n s , progressively
lowers fertility and recurrently
exposes the land to erosion. These
upland savannahs form a large
percentage of the area of tropical
South America, are an important
source of meat and thus need more
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 239
study. Large ranches with thin
herds of low quality cattle are
characteristic and studies must be
conducted to enable improvement
of quality and numbers of cattle
and to accommodate more people.
Overgrazing and Fire — Over-
grazing and fire are two of the
grave hazards of tropical grass-
lands; it must however be admitted
that occasional fires remove much
dry vegetable manner and assist
in the germination of seeds; on
some savannahs where fires have
been a recurrent feature for many
centuries, many fire resistant
species have established them-
selves, which quickly sprout after
a fire has passed; nevertheless,
where there is heavy accumulation
of dry matter fires can do much
harm. The importance of avoiding
overgrazing cannot be over-stress-
ed in r e 1 a t i o n to tropical
savannahs. Erosion sets in both by
wind and water, developing gulleys
and reducing carrying capacity.
Cattle and horses have produced
new conditions and new problems
which must be studied and solved.
RARE AND THREATENED
SPECIES
Documentary material published
by the Pan American Union (1940)
shows many species as threatened.
This applies to the entire continent
and results from market hunting,
destructions of habitat and com-
petition; in many cases lack of
information and inadequate en-
forcement of laws or absence of
regulations are contributing
factors. In the tropical forests and
wet savannahs various reptiles,
birds and butterflies in endanger-
ed; in other areas the introduction
of firearms and more destructive
hunting methods than those used
by native Indians also take a great
toll. It must not be overlooked also
that some species have not been
able to adapt themselves to the
changed conditions that have
resulted from colonization. Com-
petition from new species that
have been introduced has also done
some damage and there are grow-
ing signs of pollution of habitat
and disastrous results of the use
of Chemical sprays; for instance in
the entire region there is a marked
reduction in the number of birds
of prey which feed on insects, small
birds and rodents affected by
Chemical sprays. Cultivation of
large fields of grain and other food
crops attract considerable flocks of
birds which are hunted. Normally
these birds would be dispersed
over wide areas and not be so
vulnerable as when they are
concentrating on feeding, or nest-
ing grounds.
Even in this area of abundant
cover and adequate food some
species have become extinct. The
proliferation of species as led to
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
extreme specialization and low
tolerance in food requirements and
nesting conditions; populations
have been low and the rate of
reproduction not high. With small
populations, destruction of relative-
ly few individuais and breeding
grounds can reduce populations
to criticai leveis. Large scale
empolderings can change condi-
tions over extensive areas. The use
of Chemicals on the large scale
demanded by plantation agri-
culture can be very harmful. This
is a subject that is in need of more
intensive study and evaluation.
THE WAY TO ABUNDANCE
In planning the utilization of
the renewable natural resources oí
tropical South America, three goals
must be kept in mind: adequate
regeneration, a sustained yield and
increasing the annual harvest;
there must also be a more equitable
distribution of the harvest but
this is a consideration for the
politician rather than the con-
servationist. Care must be taken
to see that there is adequate
regeneration and this includes the
substitution of more acceptable
species and the use of many species
now rejected. Forest must not be
exploited at a faster rate than it
regenerates and a sufficient breed-
ing stork must be kept in the case
of fish and game; in the exploita-
tion of one resource, others must
not be endangered. In grasslands,
stork must be kept to carrying
capacity to conserve the soil. If
the region is to support a stable
population at a sufficiently high
standard of living, which is the
aim of conservation, there must
be a steady harvest at an optimum
levei. This can be achieved by,
among other things, regulating
the harvest and can only be arriv-
ed at after careful ecological
studies and planning.
As stressed before, tropical
forests and swamp areas can be
made to produce much more both
of natural produce and crops.
Some of the evils of the past and
errors of the present have been
pointed out. Large plantations and
slash and barn both carry certain
dangers. The climax of swamp and
forest support a low game popula-
tion; by proper habitat manipula-
tion the carrying capacity of both
these habitats can be increased.
It is a well known fact that
secondary forest and clearings can
yield a greater harvest of game
(Dasman, 1964). This is equally
true of the tropical regions.
Tropical waters have an abund-
ance and rich variety of fish.
Improved methods of preservation,
harvesting and water levei regula-
tion can prove useful. As a general
rule a study of habitats and species
and habitat manipulation could
make these tropical lands produce
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 241
much more. Methods and tech-
niques useful in temperate land
must not be applied blindly here
but varied as ecological studies and
peculiar local conditions dictate.
MEETING THE FUTURE
What steps are necessary if
these aims are to be achieved?
Firstly, there is a lack of ecological
studies on the spot, done by
nationals, sufficiently in contact
with the realities of the situation
and associated with the local
people and the national guvern-
ments. This results from a lack of
interest and activity, shortage of
trained personnel and research
institutions. There is need there-
fore for a central research institute
based in the region, with smaller
nationally b e n d field u n i t s
associated with it, working in
cooperation with worldwide organ-
izations. Thus contact could be
maintained with researchers over-
seas and these could be a steady
and useful interchange of ideas,
technical information and per-
sonnel. This organization could
stimulate research, education and
national and International effort.
The necessary research on which
sould conservation programmes
must be based would take many
years during which time a
sufficient number of persons would
acquire the experience and skills
necessary. There is still too much
reliance on borrowed technology
and foreign experts. Problems of
conservation here must be solved
by local effort, and if necessary
with foreign guidance and advice.
The mistakes of other lands must
not be repeated.
SUMMARY
Conservation of renewable na-
tural resources must aim at a
maximum sustained yield and the
use of such resources to provide
the highest quality of living for
mankind. The conservation of
renewable natural resources of
Tropical South America are
peculiar and the value of its
wilderness areas will increase as
world population continues to
explode. The ConservationisFs task
includes the preservation of rare
and threatened species, utilization
of existing resources, increasing
and sustaining yield and marshall-
ing the resources to provide a
higher living standard for man.
Tropical South America has a
range of swamp and forest types:
coastal mangrove and b o g g y
swamps; semi-arid upland
savannahs with seasonal lakes and
swamps; scrub forest, and a variety
of tropical rain forest types;
tropical lakes and rivers can
provide more fish with adequate
conservation measures. The renew-
able natural resources of the above
include fishery, soil, forest, recrea-
is — 37.153
242
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tion, wildlife and water resources.
With habitat manipulation the
carrying capacity of swamp and
íorest can be increased. The
waterfowl resources of the swamps
is very great and includes resident
and migratory species but this
type of habitat and fresh water
reservoirs, because of heavy
seasonal rains, are subject to
rapid deterioration, succession and
Chemical pollution. Here and in
the forest, growth of vegetation
and the modifying effects of
natural agencies are so rapid that
intensive management is
necessary. The forests lack uni-
formity and species are mostly
widely distributed; more use must
be found for species of trees now
not preferred, and the ecology of
useful species studied. Species in
high demand are being used up
too rapidly. The climax rain forest
does not support wildlife in pro-
por tion to its area; secondary
forest has a greater carrying
capacity for wildlife. Swamp and
forest soils are subject to rapid
erosion by water and destruction
by fire; the value of slash and
burn is doubtful and controversial.
Renewable resources planning
needs more ecological study and
nature conservation suffers from
lack of appreciation of the value
o f this resource, inadequate
education, poor enforcement of
existing laws and over exploitation.
There is need for a well equipped
and adequately staffed research
centre in the region, which would
become increasingly important as
the pressures of civilization and
population and demands on the
world’s resources increases. The
resources of tropical swamp and
forest are far from fully utilized
and their potential not realised.
A scientific approach to these
resources is necessary and this can
only succeed if it is based on
cooperation and sound ecological
studies. This will speed up develop-
ment of these regions.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 245-255 — 1967
ENGENHARIA FLORESTAL,
UMA PROFISSÃO NOVA PARA SERVIR A AMAZÔNIA
ROBERTO RAMALHO
Escola Superior de Florestas, Universidade Rural, Minas Gerais
A ESCOLA SUPERIOR
DE FLORESTAS
No Brasil, existem atualmente,
duas Escolas especializadas, que se
destinam a formar Engenheiros-
Florestais. Uma, com sede em
Curitiba, capital do Estado do Pa-
raná, a Escola Nacional de Flores-
tas. A outra, a Escola Superior de
Florestas (ESF) que temos a honra
de representar, neste importantís-
simo conclave, uma das unidades
da Universidade Rural do Estado
de Minas Gerais (UREMG), em
Viçosa, Minas Gerais.
A Escola Superior de Florestas,
dentro da trilogia da Universidade
de Ensino, Pesquisa e Extensão,
ministra um curso superior de
4 anos, dirigido no sentido de dar
um treinamento suficiente aos
futuros Engenheiros-Florestais,
para que possam tentar resolver
todos os problemas florestais do
País.
A ESF foi fundada em 1964 e,
neste mesmo ano, formou 5 dos
19 primeiros Engenheiros desta
especialização, no Brasil. Até o ano
de 1963, funcionava também em
Viçosa a Escola Nacional de Flo-
restas, ocasião em que foi transfe-
rida para Curitiba, por motivos não
muito bem esclarecidos.
Imediatamente à criação da Es-
cola Superior de Florestas, o
Magnífico Reitor da Universidade
Rural de Minas Gerais, Dr. Edson
Potsch Magalhães assinou ato,
colocando tôdas as áreas floresta-
das e por florestar da Universidade,
sob a administração direta desta
Escola. Aproximadamente 300 ha.
As áreas de florestas foram
aumentadas recentemente, em vir-
tude de convênio assinado entre a
Universidade e a Prefeitura local.
Tal entendimento destina uma
área de 194 ha, em um período
inicial de 30 anos, para estudos
relativos a florestas, visando o uso
múltiplo. A UREMG se propôs um
plano de manejo desta área, que é
uma bacia hidrográfica de capta-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ção de água, em sua quase totali-
dade coberta de mata secundária.
Estas áreas possibilitarão maio-
res oportunidades para o estudante
ter um entrosamento prático,
através de levantamentos, estudos
biológicos e silviculturais.
A ESF eficientemente dirigida
pelo Dr. Arlindo de Paula Gon-
çalves, possui os seguintes departa-
mentos: Administração Florestal,
Tecnologia de Produtos Florestais,
Conservação Florestal, Silvicultura
e Dendrologia.
Os Departamentos de Silvicul-
tura e Dendrologia são os que já
possuem sede própria e área de
trabalho. Os demais, têm sedes já
planejadas.
1. ° — O Departamento de Admi-
nistração Florestal tem como obje-
tivos principais, os estudos econô-
micos e as avaliações, incluindo
levantamentos aero-fotogramétri-
cos e foto-interpretação.
2. ° — O Departamento de Con-
servação Florestal é responsável
pelo controle de pragas e doenças,
pela proteção da natureza, paisa-
gismo e preservação dos produtos
florestais.
3. ° — No Departamento de Den-
drologia, possuímos coleções das
. diferentes partes botânicas de uma
árvore e sob a sua direção, alguns
arboretos. O mais jovem dêles, ini-
ciado em setembro de 1965, terá
ainda êste ano um número supe-
rior a 300 espécies. As doações se
sucedem, quase diariamente, ha-
vendo, em conseqüência, um au-
mento contínuo das coleções. Tam-
bém está sendo modernamente
aparelhado para os estudos anatô-
micos das madeiras.
4. ° — O Departamento de Silvi-
cultura, tem à sua disposição, para
os seus estudos, matas secundárias
e artificiais, sendo que algumas
partes destas têm idade superior
a 30 anos. É responsável principal-
mente pela introdução de espécies,
multiplicação das essências e ma-
nejo dos recursos florestais.
5. ° — O Departamento de Tecno-
logia dos Produtos Florestais visa,
em têrmos gerais, a transformação
dos produtos de origem florestal,
em subprodutos. Estuda as pro-
priedades físico-químicas das ma-
deiras e põe em realce o setor de
celulose e papel.
Além dos Departamentos acima
enumerados, existe na Universi-
dade uma Estação de Pesquisas
Silviculturais, tendo pessoal admi-
nistrativo e também sede própria e
área de trabalho. Sob a orientação
da Diretoria Geral de Experimen-
tação e Pesquisa da UREMG e em
regime de convênio com o Depar-
tamento Nacional de Recursos Na-
turais Renováveis, está a Estação
de Pesquisas Silviculturais promo-
vendo uma série muito grande de
trabalhos de grande importância
para os meios florestais do País.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 247
Relativamente à Extensão, basta
dizer que êste setor tem conseguido
grandes vitórias, na tentativa da
implantação da idéia de que preci-
samos proteger e saber criar, quan-
do necessários, os recursos flores-
tais.
Sendo a Engenharia-Florestal
uma das mais novas profissões no
Brasil, e considerando que os pro-
blemas florestais neste País são
inúmeros e que necessitam de uma
grande quantidade de técnicos
para tentar resolvê-los, afirmamos
que a Escola Superior de Florestas
está na melhor localização do País,
para uma instituição dêste gênero.
Esta nossa afirmativa é baseada
em dois pontos principais:
1. Sendo o Brasil carente de
profissionais no campo da Daso-
nomia, a ESF, deverá orientar os
seus técnicos, de modo que possam
satisfazer a qualquer exigência do
País. Não poderá ater-se aos aspec-
tos de uma única regiãc e sim, agir
em têrmos nacionais. Assim, pode-
remos considerar Viçosa como
sendo um centro de irradiação.
Não receamos em dizer, que guar-
dando as devidas proporções, cons-
titui as condições médias do Brasil.
A título de ilustração, afirmamos
que existe nas coleções da Escola
Superior de Florestas, vegetando
com certo vigor; do Norte, entre
outras, a Andiroba ( Carapa guia-
nensis Aubl.) e a Seringueira
(Hevea sp.). Do Sul, a Imbuia
( Phoebe -porosa (Nees & Mart.)
Mez. e a Bracatinga ( Mimosa bra-
catinga Hoehne).
Então, o futuro técnico, deverá
ter pelo menos noções gerais, para
dar a sua contribuição, na tenta-
tiva de resolução dos problemas de
proteção do solo no Norte, da ex-
ploração irracional do Pinheiro
( Ar au caria angustifolia (Bert.) O.
Ktze.) no Sul, da caça desenfreada
em Mato Grosso e das dunas do
litoral; que constituem, por vêzes,
um verdadeiro desafio à capacidade
do homem.
Logicamente, quando existir
uma mentalidade florestal no País
e têm sido boas as perspectivas, nos
últimos meses, cada região deverá
possuir, pelo menos, uma Escola
de Florestas. Por enquanto, as que
existem devem atender a tôdas as
necessidades e os técnicos por elas
formados devem ser instruídos pelo
menos com conhecimentos gerais,
para que possam atender em qual-
quer região brasileira.
2. O Município de Viçosa, está
localizado na Zona da Mata do
Estado de Minas, justamente onde
se verifica o início da transição
de matas pluviais para o cerrado;
apresentando aspectos ecológicos
muito interessantes da fauna e da
flora.
Por outro lado, é uma região de
topografia muito acidentada, com
poucas áreas que permitam uma
agricultura e uma pecuária racio-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
nais, e por isso acreditamos que
terá um futuro florestal muitíssi-
mo promissor.
A FLORESTA AMAZÔNICA
Sabemos que a Amazônia repre-
senta cêrca de 1/3 da área do
Brasil e em sua quase totalidade
coberta de floresta. Sendo verda-
deiramente um tesouro fabuloso,
muito contribuirá para nos tornar
uma grande potência, em um fu-
turo que acreditamos próximo.
É a mais heterogênea do mundo,
esta enorme floresta sempre-verde,
situada nesta imensa região de
índices pluviométricos notáveis.
Podemos dizer que é a Hiléia
Amazônica uma das partes menos
conhecidas do mundo e deve ter,
portanto, em seu âmago, um
número imensurável de segredos
que podem e devem ser desven-
dados.
A Engenharia-Florestal encontra
aqui um campo vastíssimo de ope-
rações, e deverá ser, dentro em bre-
ve, um laboratório natural de
imensas proporções, para uso des-
tes profissionais.
O Engenheiro-Florestal não só
poderá ser muito útil à Amazônia,
e ela dará valiosa contribuição
-para o desenvolvimento e consoli-
dação desta profissão que começa
a desabrochar.
A Amazônia, com sua floresta
exuberante, está no “clímax”,
assim permanecerá, até o momen-
to em que o homem a venha mo-
dificar. As espécies neste estado,
têm o solo apenas como ponto de
apoio, e estão à espera de uma
exploração racional e não aquela
que arrasa, levando ao extermínio
as florestas do Leste e do Sul.
Foi construída a Belém-Brasília,
rodovias outras estão sendo dis-
cutidas e planejadas. Cada vez
mais crescente está se tornando a
facilidade de contacto do homem
civilizado com a Amazônia. Aqui
reside uma nossa apreensão; não
está o povo brasileiro suficiente-
mente preparado ainda, para êste
contacto, a não ser que sejam to-
madas medidas sérias para restrin-
gir certos abusos. Parece-nos que
antes de tudo deveriam ser feitos
planejamentos de valorização, ma-
nejo, exploração e industrialização
dêstes tão grandes recursos que a
natureza nos legou.
Com a abertura das estradas,
teve acesso a ela a nossa população
mais humilde, que infelizmente,
constituindo mais de 60%, não
possui uma educação suficiente
para explorá-la. Todavia, por for-
ça das circunstâncias, são os indi-
víduos dês te nível, os primeiros que
lá se fixam, principalmente ao
longo da estrada (no caso a Belém-
Brasília), e promovem uma impie-
dosa destruição.
Resumindo o nosso comentário
com relação à Floresta Amazônica,
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 249
podemos considerar os têrmos ge-
rais de Jean Dubois, ou seja:
a) Florestas das Terras Baixas
Inundadas ou Inundáveis: Em um
simpósio como êste, onde as maio-
res autoridades de todo o mundo
sôbre a região estão presentes, con-
sideramos contra-producente tecer
maiores comentários a respeito.
Afirmamos apenas que a “várzea”
merece uma especial atenção dos
técnicos em florestas, por achar-
mos que devem receber maiores
cuidados, quando da exploração,
principalmente no tocante ao solo.
Como nos mostram os mapas geo-
lógicos, em sua quase totalidade,
é do período quaternário, e, portan-
to, a exemplo de outras regiões,
com poucas condições físicas para
suportar explorações intensivas,
principalmente aquelas que há
muito vêm sendo generalizadas,
nos países subdesenvolvidos. Deixa-
mos claro que não estamos à
altura, no presente, de indicar so-
luções, mas apenas queremos mos-
trar o nosso interêsse em colaborar
para ver a Amazônia racionalmen-
te utilizada.
b) Matas de Terra Firme: Pro-
vàvelmente, aqui se encontra o
maior número das espécies de inte-
rêsse econômico. Pelo que temos
notícias até o momento, constituem
estas áreas as menos conhecidas,
principalmente pela dificuldade de
acesso. Em vista dêste desconheci-
mento, e vislumbrando, pelas pers-
pectivas, uma riqueza muito signi-
ficante nestas terras, os Engenhei-
ros-Florestais, quando inspirarem
confiança, voltarão suas vistas
para as “Matas do Planalto”, onde
acreditamos estar presente um
volume extraordinário de madeira
de alto valor econômico.
PROBLEMAS DA AMAZÔNIA
BRASILEIRA
Consideraremos apenas os aspec-
tos que, de um modo direto ou indi-
reto, possam ter ligação com o
setor florestal. Por outro lado,
apontaremos alguns problemas,
enumerados com base na palavra
abalizada de cientistas que estu-
dam a região hileiana ou apenas
por ouvir comentários de pessoas
da região ou que a visitaram.
São os seguintes, mais impor-
tantes :
1. Falta de conhecimento do
real volume de madeira existente
na área.
2. O conhecimento das espécies
de árvores é restrito a um pequeno
número delas. São poucas as de que
se conhecem, relativamente às
suas reais propriedades, pois são
uma pequena parcela de um com-
plexo heterogêneo dos mais com-
plicados.
3. A colonização da região é
feita nas mais precárias condições
possíveis, sendo rara a considera-
ção dos aspectos sócio-econômicos.
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4. O transporte dos produtos
florestais são feitos, pràticamente,
por via fluvial, mas estudos neste
sentido não foram realizados ainda.
5. Ainda não se têm notícias de
um manejo, exploração e utiliza-
ção adequados nesta importante
região.
6. As condições do solo são tais
que, em muitos casos, é desaconse-
lhável o desflorestamento para a
intensificação de culturas.
7. Nada se fêz até o presente,
pelo que temos notícias, em prol
da fauna. Somos partidários da
criação de um maior número de
áreas de refúgio e também para
reservas. Deveria já existir um
maior número de reservas, nos
moldes, se possível, da “Reserva
Ducke”.
8. Podemos considerar a quase
total inexistência de indústrias flo-
restais. Muitos sonham em ver na
Amazônia cópias de uma Melhora-
mentos, Cimo, Olinkraft ou Klabin.
Outros, menos sonhadores, sabem
que êste futuro não está próximo.
Fábricas de móveis e de contrapla-
cados têm oportunidade de desen-
volvimento, porém nas de papel
não acreditamos, em virtude do
quase total desconhecimento das
- espécies para êste uso.
9. Os estudos silviculturais es-
tão em seu início, e por isso pouco
se conhece sôbre a implantação,
regeneração e desenvolvimento das
espécies amazônicas.
Além dêstes, poderíamos men-
cionar vários outros, mas acredi-
tamos que conseguimos dar uma
ligeira e modesta contribuição, em
apontar campos de ação que exi-
gem maiores estudos.
ESTUDOS QUE ESTÃO SENDO
REALIZADOS NA REGIÃO
Distinguimos aqui as Institui-
ções que estão contribuindo eficaz-
mente para tornar a Amazônia
mais conhecida, e que principal-
mente já vislumbram o valor das
Escolas de Florestas, como uma
fonte de material humano indis-
pensável nesta imensa floresta
brasileira.
Assim, iniciaremos pelo Museu
Emílio Goeldi, onde uma equipe
conceituada de cientistas muito
contribuem para a ciência, colhen-
do valiosos dados ecológicos, iden-
tificando elementos da fauna e
flora e de suas relações bio-socio-
lógicas.
Os dirigentes da Superintendên-
cia do Plano de Valorização Eco-
nômica da Amazônia já entende-
ram a necessidade de Engenheiros-
Florestais em sua área de ação e
criaram facilidades para que jo-
vens interessados tenham oportu-
nidade de cursar faculdades dêste
gênero; a fim de que possam, uma
vez formados, colaborar na im-
plantação de seus planos de ação.
Em Curuá-Una, Estado do Pará,
existe um centro florestal que
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 251
realiza inúmeros trabalhos interes-
santes e necessários. Ali, observa-
ções sôbre regeneração natural têm
sido constantes, bem como sôbre
o comportamento das espécies na-
tivas e implantação de exóticas,
Pelo que sabemos, tem sido dada,
no referido local, uma especial
atenção aos aspectos dendrológicos.
A flora está sendo entendida com
precisão, e já conhecemos chaves
para identificação de espécies re-
gionais, e dados fenológicos infor-
mativos estão se acumulando.
O Instituto Nacional de Pesqui-
sas da Amazônia, através da efi-
ciente direção do Dr. Djalma Ba-
tista, tem promovido valiosas pes-
quisas no campo da Silvicultura.
Fornece informações de cunha
científico muito interessantes, sô-
bre identificação, implantação, de-
senvolvimento e regeneração de
espécies, em sua área de ação. O
INPA também já reconhece o valor
de nossa profissão e encoraja os
estudantes, através de bolsas, fa-
zendo com que dêem a sua con-
tribuição para o desenvolvimento
do Instituto após a sua formatura.
PROFISSÃO NECESSÁRIA
Sem falsa modéstia, asseguramos
que é o Engenheiro-Florestal um
técnico necessário e indispensável
na Amazônia. O Brasil, reconheci-
damente um país subdesenvolvido,
é de uma carência extrema de téc-
nicos, em qualquer assunto. Para
sermos desenvolvidos, precisamos
em parte copiar os países auto-su-
ficientes, aproveitando-nos de sua
experiência. Os Estados Unidos, por
exemplo, forma, por ano, um
número médio de 1.500 Engenhei-
ros-Florettais, há alguns anos. O
interessante é que todos êles, sem
muito esforço, conseguem uma co-
locação. Formados aqui no Brasil
somos apenas 36 até o momento,
o que constitui uma singularidade
sem precedentes, em têrmos de
comparações.
Vemos com freqüência Agrôno-
mos, Médicos, Advogados e outros
não menos conceituados, desdo-
brando-se, dando sua contribuição
em prol do setor florestal. Espera-
mos que, em um futuro próximo,
exista um maior número de Esco-
las de Florestas, formando Enge-
nheiros-Florestais suficientes para
atenderem às necessidades do País,
ficando cada um com sua especia-
lização.
Asseguramos ser esta profissão
necessária, baseando apenas em
uma vista de olhos rápida pelas
diferentes regiões de nossa Pátria.
O desafio das caatingas no Nor-
deste e do cerrado no Centro é
atual. A irregularidade topográ-
fica, ao longo de tôda a costa Leste,
representada pelas Serras da Man-
tiqueira e do Mar, dispensam uma
agx-icultura e uma pecuária racio-
nais. Todavia, o que é ainda mais
importante, é a imensidão virgem
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
do Norte, representada por uma
área superior a 2 milhões de km 2 .
Apesar dêstes relevantes argumen-
tos, são poucos os brasileiros que
entendem e consideram esta nova
profissão.
Principalmente no Leste e no
Sul, as explorações não cessam,
dizimando nossos recursos natu-
rais; o Engenheiro-Florestal deve-
ria estar presente para uma racio-
nalização; infelizmente, isto não se
verifica e em conseqüência o Pi-
nheiro ( Araucaria angustifolia
(Bert.) O. Ktze.) tem seus dias
contados e é ainda mais desanima-
dor o futuro do Jacarandá ( Dal -
bergia nigra (Fr. All.) Benth.) . No
Norte, começa a ficar obscuro o fu-
turo do Mogno ( Swietenia macro-
phylla King.) e do Pau Rosa (Ani-
ba rosaeodora Ducke). Precisamos
tomar medidas sérias, porque acre-
ditamos que ainda está em tempo.
Êste mesmo aspecto pode e deve
ser observado, em relação à fauna,
que está sendo impiedosamente
sacrificada.
Não estaremos mentindo, se dis-
sermos que o Engenheiro-Florestal,
com um pequeno treinamento,
estará apto para tentar solucionar
os problemas por nós enumerados,
em linhas anteriores .
Numa tentativa de exemplifi-
cação, e considerando os aspectos
acima, podemos dizer que os inven-
tários florestais, inclusive a foto-
-interpretação não constituem se-
gredos para o técnico desta especia-
lização. O técnico em Florestas
dará grande valor ao conhecimento
das espécies brasileiras, pois consi-
deramos que nenhuma delas é sufi-
cientemente conhecida.
Além disto, podemos mostrar
nossa presença, no caso da Região
Amazônica, nos seguintes aspectos :
a) O transporte dos produtos
florestais constitui problema até
nos locais mais civilizados, onde
existem os teleféricos ou é permi-
tida a construção de redes de estra-
das para diminuir as distâncias de
baldeação. No caso específico da
Amazônia, acreditamos, teorica-
mente, que um estudo sôbre densi-
dade das madeiras; uma combina-
ção de engates e arranjo de carre-
gamento, poderão resolver o pro-
blema.
b) Êstes técnicos, estudando a
região e com condições de respon-
derem a um questionário sôbre
manejo, exploração, utilização e
aspectos económico-florestais, são
os mais indicados para fornecer
dados, ou mesmo planejar indús-
trias florestais.
c) Sendo uma carreira que
mais contacto mantém com a na-
tureza, os técnicos desta especiali-
dade, possuem um alto nível para
os estudos biológicos, em geral.
Somos forçados a dizer encarando
em primeiro lugar a Lógica, que,
para ser um biólogo não é necessá-
rio apenas o contacto com a natu-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 253
reza, mas, antes de tudo, de
perseverança, inteligência e senso
de observação. Ser um Adolpho
Ducke é verdadeiramente privilégio
de poucos.
d) Na colonização, principal-
mente em áreas virgens, deverão
ser levados em conta os fatores
florestais, principalmente no refe-
rente à exploração. Assim, em uma
comissão para estudos de fixação
do homem, achamos de bom alvi-
tre, que esteja presente um espe-
cialista do assunto. Em virtude da
grande visão de um dos Coordena-
dores da SUDENE, foram contrata-
dos 6 dos primeiros Engenheiros-
Florestais formados no Brasil, e
5 dêles trabalham em um impor-
tantíssimo plano de colonização no
Estado do Maranhão e, pelo que se
sabe, estão obtendo resultados
muito animadores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acreditamos que não fomos
pretensiosos em nossas pondera-
ções e esperamos que, de uma
forma ou de outra, tenhamos con-
tribuído com algo de útil nesta
reunião de proporções dificilmente
igualáveis.
Manifestando a nossa satisfação
de participar dêste importantíssi-
mo Simpósio e ainda, por estar
convivendo com inúmeros nomes
internacionais, aproveitamos a
oportunidade para fazer umas mo-
dificações destas proposições:
a) Nós, da Escola Superior de
Florestas da Universidade Rural
de Minas Gerais, gostaríamos de
receber orientação dêstes concei-
tuados técnicos que aqui compare-
ceram, no sentido de nos indicar
os melhores caminhos a seguir,
para aperfeiçoarmos melhor os
futuros profissionais.
b) Sugerimos que encami-
nhem, através dos canais compe-
tentes, pedidos para a criação de
maiores áreas de refúgio e de con-
servação da natureza, aqui na
Amazônia, embora saibamos que
muitos consideram um pouco cedo
pensar nisto, porque supõem que
a fauna e a flora aqui são inesgo-
táveis.
c) Solicitamos a tôdas as Ins-
tituições aqui representadas e aos
técnicos, que promovam estágios
para os nossos professor ss e estu-
dantes, além de incentivar jovens
a cursarem nossa Faculdade. Preci-
samos de muitos e bons alunos.
d) Pedimos aos biologistas, em
geral, sempre que possível, nos
enviem informações sôbre a fauna
e a flora, suas condições bio-socio-
lógicas e seus aspectos sócio-eco-
nômicos.
e) Queremos estabelecer um
contacto permanente com os cien-
tistas aqui presentes, e esperamos
obter as mais diferentes colabora-
ções, para que possamos fornecer
ao Brasil técnicos realmente capa-
zes. Convidamo-los para visitar a
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254
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
UREMG e, em particular, a Escola
Superior de Florestas, em Viçosa,
Minas Gerais, onde serão sempre
bem recebidos.
f) Esperamos que haja um
reconhecimento dos responsáveis
pelas “Terras Amazônicas”, a res-
peito das necessidades e utilidade
da profissão de Engenharia Flores-
tal e que proporcionem as condi-
ções básicas, necessárias, para que
os Engenheiros-Florestais possam
agir eficientemente nesta região.
SUMMARY
FORESTRY A NEW PROFESSION
TO SERVE THE AMAZON
In December, 1964, the first
group of Brazil-trained professional
foresters was graduated. Five of
them received their diplomas on
December 18, from the Escola
Superior de Florestas in Viçosa,
Minas Gerais. Fourteen were
graduated a few days later from
the recently-moved Escola Nacional
de Florestas in Curitiba, Paraná.
Although trained far away from
the Amazon region, six of these
young men are now working on
colonization and other forest-
related projects in Maranhão. It is
to be hoped that in the future
there will be many new oppor-
tunities for foresters to find
professionally-satisfying employ-
ment and business opportunities
throughout the Amazon region.
The basic attribute of the
forester is his training to ad-
minister, on an economic basis,
large tracts of forest land, as well
as related industries. Those inter-
ested in the economic and social
development of the Amazon will
find the forestry profession to be
one of the keys to growth of the
region, on a rational and continu-
ing basis. In contrast to the
exploiter and high-grader, the
forester seeks to perpetuate and
improve the value of the forest,
through management programs
based on sustained yield of raw
materiais for permanent, expand-
ing industry.
The Amazonian forest presents
numerous challenges to the ability
and ingenuity of the professional
forester. In order to train students
to meet these challenges the school
needs detailed information on the
ecology, botany, inventory, silvi-
culture, wood technology, in-
dustries, and economy of the
region.
To practice his profession, the
forester needs a number of basic
elements : land, administrative
authority over it, funds for long
term investments in improvements,
effective and enlightened forest
p o 1 i c y and professional-level
salaries and perquisites. To justify
forest management for timber
Products, forest-related industries
Volume 7 (Conservação ãa Natureza e Recursos Naturais) 255
arc necessary. In order that in-
dustries be attracted to the
Amazon, foresters and industrial
technicians will have to work on
methods of industrialization of the
mixture of species and on the most
economical means of marketing
locally-produced products. For-
esters can offer a great deal tc the
process of regional planning and
administration of the plans. Their
knowledge of the basic forest re-
source from technical and
economic points of view should be
used to the advantage of the
growing Amazonian civilization.
The following recommendations
seem to be most important.
(1) Amazonian scientists should
maintain regular, permanent
contact with the Escola Superior
de Florestas, UREMG, Viçosa,
Minas Gerais, and other forestry
schools, in order that these schools
have the latest and best informa-
tion possible for their teaching and
research programs. (2) Local
officials should recognize the need
for and utility of the forestry
profession and supply the basic
conditions necessary for its mem-
bers to effectively operate in this
region.
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 257-267 — 1967
INVENTÁRIO FLORESTAL PILÔTO AO LONGO
DA ESTRADA MANAUS— ITACOATIARA, ESTADO
DO AMAZONAS: DADOS PRELIMINARES
WILLIAM A. RODRIGUES *
Centro de Pesquisas Florestais, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia,
Manaus, Amazonas
Segundo o plano pré-estabele-
cido, o inventário florestal plane-
jado por nós compreendia o estudo
de uma faixa de mata de 10 km
de largura ao longo da estrada
Manaus-Itacoatiara (Estrada Tor-
quato Tapajós), começando no
Km 64 e terminando na 2. a tra-
vessia do rio Urubu, no Km 260.
Infelizmente, a mata depois da
l. a travessia do Urubu não mais
oferecia condições para o levanta-
mento florestal, por já ter sido
bastante mexida e ocupada por co-
lonos, tornando-se impraticável o
prosseguimento do inventário, ra-
zão por que o trabalho foi inter-
rompido no Km 200, abrangendo
ao todo cêrca de 137 km 2 (137.000
hectares) de mata virgem estu-
dada.
A idéia da execução dêsse levan-
tamento já era pensamento antigo
nosso, necessitando, no entanto,
que a ligação da estrada entre os
2 municípios amazônicos se con-
— 37.153
cretizasse, o que foi feito o ano
passado.
O trabalho de campo começou
no dia 24 de agosto de 1965 e ter-
minou a 27 de outubro do mesmo
ano. Foram abertas 136,5 km de
picada na mata virgem; 4 acam-
pamentos foram estabelecidos à
margem da estrada em locais pré-
viamente escolhidos a saber:
Km 74; Km 105; Km 134 (Acam-
pamento do Departamento de Es-
trada de Rodagem do Amazonas,
na futura cidade Tavares Bastos)
e Km 182 (margem do igarapé
Peréua, no local da futura cidade
Visconde de Mauá).
Um jipe fazia o serviço de liga-
ção entre o acampamento e a
bôca da picada, transportando-nos.
Uma picada de 5 km por 2 m de
largura era feita geralmente em
2 dias.
* Trabalho do Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia. Bolsista do
CNPq.
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258
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
A equipe de trabalho era consti-
tuída de uma turma de inventário
e outra de abertura de picada.
A turma de picada era constituí-
da dos seguintes trabalhadores :
1 capataz e ao mesmo tempo porta-
-bússola; 1 picador de vanguarda
que abria um pequeno caminho
dando a direção que o porta-bús-
sola indicava; 2 correnteiros para
medição e piquetagem; 5 trabalha-
dores para limpeza completa da
picada.
Formava a turma de inventário
os seguintes elementos : 1 chefe
de inventário e ao mesmo tempo
encarregado da contagem e ano-
tação dos dados de medição;
1 mateiro; 1 auxiliar de mateiro e
porta-vara; 1 balateiro e coletor
de material botânico; 1 auxiliar de
coletor.
As árvores inventariadas eram
numeradas com lápis de cêra para
identificação das mesmas e coleta
de material botânico em caso de
necessidade. O balateiro era utili-
zado apenas para coleta de mate-
rial fértil para herbário e conferir
a altura das árvores. Material
estéril era colhido geralmente a
tiro de espingarda e a amostra da
madeira, tirada a machado. Quan-
do a coleta se tornava difícil, por-
que a copa estava desfolhada ou
porque o tiro não cortava o galho,
colhíamos folhas do chão e uma
amostra de madeira para identifi-
cação no laboratório.
Felizmente, durante todo o tem-
po do trabalho de campo nenhum
acidente de importância ocorreu,
com exceção de 2 queimaduras em
2 auxiliares de cozinha. O estado
sanitário do pessoal foi o melhor
possível.
A alimentação utilizada era â
base de conserva. Quando havia
possibilidade, adquiríamos legumes
e frutas em Manaus. Caça, só
quando esporàdicamente ocorria.
CARACTERÍSTICAS GERAIS
DA REGIÃO ESTUDADA
Vegetação — A mata estudada
se enquadra no grupo das florestas
equatoriais úmidas, com variações
ecológicas locais de vegetação mo-
tivadas por mudanças de relêvo
e solo.
A altura média da mata é de
22 m. Árvores emergentes se inter-
põem entre as de porte mais baixo,
podendo atingir até a altura de
35-40 m.
De modo geral os tipos de vege-
tação encontrados foram os se-
guintes: a) mata de terra firme,
num platô baixo, argiloso onde
geralmente as inundações nunca
ocorrem; b) mata de carrasco, em
solo silicoso e baixo, geralmente
próxima de rios e igarapés; c) cam-
pina, de vegetação muito baixa em
solo silicoso, tipo de vegetação que
apresenta variações, ora apare-
cendo com árvores esparsas e
muito esgalhadas (geralmente
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 259
“macucu de paca” ( Aldina hete-
rophylla) dominando a vegetação
menor, ora com uma vegetação
densa e baixa, uniforme; d) mata
de baixio, que sofre inundação pe-
riódica e cujo solo geralmente nun-
ca seca totalmente. As árvores mais
características dêsses terrenos po-
<lem ser aí encontradas como a
''ucuuba branca” ( Virola surina-
viensis ) a “andirobarana” ( Carapa
cf. guianensis), Peridiscus lucidus,
“sapota brava” ( Chromolucuma
rubiflora), “sapota brava” ( Cespe -
desia spathulata), “cedrorana”
( Cedrelinga catenaeforims) , etc.
Clima — O único dado de que
dispomos para definir o clima da
área de estudo é o de Manaus. O
clima pertence ao tipo climático
“Am” de Koeppen. De julho a se-
tembro a precipitação é mínima,
enquanto a máxima vai de março
a abril. A queda pluviométrica é
em tôrno de 2.000 mm. A umidade
relativa é de 80,9%. A temperatura
média no mês mais frio chega a
26,2°C e no mais quente, 27,91°.
Solo — Geologicamente, o terre-
no em que assenta a mata de terra
firme é terciário.
Terrenos mais baixos de solo
sedimentar, silicoso, sustentando
uma vegetação pobre e baixa de
campina e carrasco, são muito fre-
qüentes em tôda a área pesqui-
sada, especialmente depois do
Km 170 até o rio Urubu.
Topogràficamente, tôda a região
é fortemente ondulada e cortada
de inúmeros igarapés, afluentes do
rio Prêto e Urubu.
Levantamento de solos dessa re-
gião está sendo feito presentemen-
te por uma equipe do Instituto de
Pesquisas e Experimentação Agro-
pecuária do Norte (IPEAN), que
completará o presente estudo.
MÉTODOS DE TRABALHO
E EXECUÇÃO
27 picadas de 5 km de extensão
e 1 de 1,5 km foram abertas na
mata virgem perpendiculares à es-
trada em intervalos de 5 km e
dispostas alternadamente em for-
ma de “espinha de peixe”, tendo
como base de abertura das mesmas
a própria estrada.
Em cada picada foram tiradas
10 amostras de vegetação de 0,2 ha
cada uma de 500 em 500 metros,
sendo 5 de árvores de 25 cm e mais
de diâmetro de fuste à altura do
peito ou acima da sapopema (in-
ventário total) e 5 de mais de
45 cm de diâmetro (inventário
parcial), de forma que de cada
picada inventariada tínhamos o to-
tal de 1 hectare para cada grupo.
Assim, o total de amostragens
100% inventariadas foi respectiva-
mente de 27 e 27,2 hectares.
Medíamos o diâmetro e altura
do fuste e copa. As medidas de
altura do fuste às vêzes eram afe-
ridas, fazendo subir o balateiro
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260
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
com uma fita métrica. Do fuste,
tomávamos o seu diâmetro na base
e ápice, logo abaixo do primeiro
galho. Uma vara de 5 m era uti-
lizada para os cálculos de altura.
Material botânico sempre que
possível era obtido para identifi-
cação no laboratório.
De modo geral, tanto a vegeta-
ção de terra firme como o carrasco
e mata baixa foram inventariados
desde que a vegetação apresentasse
possibilidades de aproveitamento
econômico.
A escolha dos diâmetros mínimos
de 25 cm e 45 cm para o inventário
foi motivada por razões práticas,
tendendo não só a um primeiro
conhecimento de suas principais
essências de diâmetro comercial
como à facilidade de execução do
trabalho.
Na elaboração dos mapas de in-
ventário, não calculamos o volume
das árvores, cujo tronco fôsse
normalmente defeituoso ou lame-
lado.
RESULTADOS GERAIS
De modo geral os resultados do
inventário estão contidos nos
Quadros I e II e são comparáveis.
Nesses quadros apenas as espécies,
cujo total de indivíduos atingia
50% do número de árvores encon-
tradas, foram relacionadas, visto
que de forma geral são as espécies
que mais caracterizam a mata de
uma região.
A árvore que apresentou um
volume médio maior foi o “ange-
lim pedra” ( Dinizia excelsa) com
8,14 m 3 de madeira por exemplar,
embora não fôsse uma espécie de
grande freqüência na região.
O “pau-rosa” ( Aníba duckei
Kost.), embora frequente na re-
gião, não chegou a entrar no levan-
tamento, porque ocorre geralmen-
te em colônias.
As árvores de maior diâmetro
não ultrapassaram 1,55 cm. Dentre
estas convém destacar a “ucuuba
Chico de Assis” ( Osteophloeum
platyspermum (D.C.) Warb.) com
1,55 cm, uma outra árvore desco-
nhecida também com 1,55 cm, e o
“angelim pedra” com 1,30 cm.
O volume médio por árvore
maior que 25 cm e 45 cm de diâ-
metro foi respectivamente 1,01 m 3
e 2,42 m 3 .
46 famílias botânicas foram
assinaladas. As famílias mais im-
portantes pelo número de espécies
e indivíduos foram incontestàvel-
mente as Leguminosas, Rosáceas,
Lauráceas, Sapotáceas e Lecitidá-
ceas.
CONCLUSÕES
A mata da estrada Manaus-Ita-
coatiara não é em absoluto uma
das melhores que se conhece na
Amazônia. A cubagem média de
madeira por hectare está bem
abaixo dos valores médios que já
se conhece para outras regiões da
Hiléia.
262
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 263
RELAÇÃO DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES ASSINALADAS
NO QUADRO I
A ordem seguida é a mesma enumerada no quadro citado
x. d
orden
I . NOME VULGAR
NOME CIENTÍFICO
FAMÍLIA
1
Matam&tá
Eschiceilera odora (Poepp.) Miers e espécies afins
Lecitidáceas
2
Cardeiro
Scleronema micranthum Ducke
Bombacáceas
3
Ripeiro vermelho
Corythophora alta Knuth
Lecitidáceas
4
Cuquirana brava
Ragala spuria (Ducke) Aubr.
Sapotáceas
5
Macucu murici
Vantanea parti jl ora Lam.
Humiriáceas
6
Breu vermelho
Protium spp.
Burseráceas
7
Rosada brava
Micropholis guianensis Aubl.
Sapotáceas
8
Abiurana fedorenta
Pouleria sp.
Sapotáceas
9
Uchi de cotia
Parinari excelsa Sabine
Rosáceas
10
Acariquara roxa
Minquartia guianensis Aubl.
Olacáceas
11
Muirapiranga. .
Eperua bijuga Mart. ex Bth.
Leguminosas
12
Abiurana abiu ...
Pouleria guianensis Aubl.
Sapotáceas
13
Louro preto
Ocolea spp.
Lauráceas
14
Abiurana vermelha
Micropholis sp.
Sapotáceas
15
Macucu de sangue. .
Licania heteromorpha Bth.
Rosáceas
16
Pajuràzinho
Licania cf. hostmanii Fritsch
Rosáceas
17
Maçaranduba jacaré
Manilkara amazônica (Aub.) Standl.
Sapotáceas
18
Ucuuba Chico de Assis
Osteophloeum platyspermum (DC.) Warb.
Miristicáceas
19
Seringa itaúba
Hetea guianensis Aubl.
Euforbiáceas
20
Cupiúba
Goupia glabra Aubl.
Celastráceas
21
Batinga .
Pouleria sp.
Sapotáceas
22
Abiurana maçaranduba
Ecclinusa cyanogena (Ducke) Aubr.
Sapotáceas
23
Macucu chiador
Licania oblongi folia Standl.
Rosáceas
24
Micrandra sp
Micrandra sp.
Euforbiáceas
25
Matamatá preto fôlha amarela..
Eschiceilera sp.
Lecitidáceas
20
Ripeiro preto
Eschiceilera sp.
Lecitidáceas
27
Abiurana roxa
Micropholis sp.
Sapotáceas
28
Piquiàrana. . .
Cargocar glabrum (Aubl.) Pers.
Cariocaráceas
29
J ara na
Holopyxidium lalijolium (A.C. Sm.) R. Kn.
Lecitidáceas
30
Angelim rajado .
Pithecolobium racemosum Ducke
Leguminosas
31
Abiurana ôlho de veado . .
Micropholis cf. r enulosa (Mart. ex Eichl.) Piérre
Sapotáceas
32
Arabá roxo
Sicartia reticulala Ducke
Sapotáceas
33
Abiurana. . .
Sapotaceae spp.
Sapotáceas
34
Pajuràxinho
Couepia canomensis (Mart.) Bth. ex Hook. f.
Rosáceas
35
Amapá roxo
Brosimum parinarioides Ducke
Moráceas
36
Muiragibóia amarela
Sicartia recurva Poepp. et Endl.
Leguminosas
37
Sucupira chorona
Andira unijoliolata Ducke
Leguminosas
38
Jaraí
Glycoxylon surinamense (Eyma).
Sapotáceas
39
Jarana fôlha miúda
Eschiceilera sp.
Lecitidáceas
40
Uchi amarelo
Endopleura uchi (Ilub.) Cuatr.
Humiriáceas
«
Carrapatinho
Sicartia ingaejolia Ducke
Leguminosas
42
ínharé fôlha áspera
Helicostylis aeperi folia Ducke
Moráceas
43
Castanha jacaré. .
Corythophora prov. sp. n.
Lecitidáceas
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266 Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
RELAÇÃO DAS ESPÉCIES PRINCIPAIS ASSINALADAS
NO QUADRO II
A ordem seguida é a mesma enumerada no quadro citado
N> de
ordem
NOME VULGAR
NOME CIENTÍFICO
FAMÍLIA
1
Cupiúba
Goupia glabra Aubl.
Celastráceas
2
Cardeiro
Sclcronema micranthum Ducke
Bombacáceas
3
Ripeiro vermelho
Corythophora alta R. Knuth.
Lecitidáceas
4
Matamatá
Eschiceilera odora (Poepp.) Miers.
Lecitidáceas
5
Louro preto ...
Ocotea spp.
Lauráceas
6
Ucuuba Chico de Assis
Osteophloeum plalyzpermum (DC.) Warb.
Miristicúceas
7
Abiurana roxa
MicropholU sp.
Sai*>táceas
8
Louro gamela
Ocotea rubra Mez.
Lauráceas
9
Acariquara roxa
Minquartia guianensis Aubl.
Olacáceas
10
Macucu de paca.
Aldina heterophyüa Bth.
Leguminosas
11
Mnndioqueira
Qual ca paraemis Ducke
Voquisiáceas
12
Abiurana maçaranduba
Ecclinusa cyanogena (Ducke) Aubr.
Sapo tá ceas
13
Tachi vermelho
Sclcrolobium melanocarpum Ducke
Leguminosas
14
Piquiàrana
Caryocar glabrum (Aubl.) Pers.
Cariocaráceas
15
Macucu murici
Vantanea parvi flora Lam.
Humiriáceas
n;
Cumaru roxo.
Dipteryx odorata (Aubl.) Willd.
Leguminosas
17
Ripeiro preto. .
Etchireilera sp.
Lecitidáceas
18
Leiteira
Brotimum potabüe Ducke
Moráccas
19
Abiurana abiu
Pouteria guianensis Aubl.
Sapo tá ceas
20
Jarana da fôlha miúda
Etchxctilera sp.
Lecitidáceas
21
Cajuí da fôlha miúda
Anacardium panijolium Ducke
Anacardiáceaa
22
Angelim pedra
Dinizia excelsa Ducke
Leguminosas
23
Faveira - .
Pithecolobium pedicellare (DC.) Bth.
Leguminosas
24
Castanha jacaré
Corythophora n. sp. ?
Lecitidáceas
25
Arabá roxo
Stcartia rtticulata Poepp. et Endl.
Leguminosas
26
Castanha sapucaia ...
Lecythis paracnsis Hub.
Lecitidáceas
07
Macucu chiador. .
Licania oblongijolia Stand.
Rosáceas
28
Breu vermelho. . .
Protium spp.
Burseráceas
29
Tauarí. .
Cariniana integrijolia Ducke
Lecitidáceas
30
Jarana
Ilolopyzidium latijolium (A.C. Sm.) R. Kn.
Lecitidáceas
31
Pajuràzinho
Licania cf. hoetmanii Fritsch
Rosáceas
32
Sucupira pepino
Alexa grandijlora Ducke
Leguminosas
Muito poucas são as madeiras
encontradas que de um certo modo
são conhecidas comercialmente,
entra elas os louros, as sucupiras,
o angelim rajado, as ucuubas e
a cupiúba.
Uma essência bastante freqüente
na região é o “cardeiro”, espécie
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Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 267
esta de grandes possibilidades co-
merciais até hoje não devidamente
utilizada. Sua madeira é tida como
resistente, pêso médio e fácil de
trabalhar. A atenção das indús-
trias madeireiras deve voltar-se
para ela como de grande futuro
regional.
Para dormentes, as madeiras não
aproveitadas para outros fins de-
viam ser experimentadas, convindo
tomar em consideração entre estas
os matamatás, ripeiros, louros pre-
tos, macucus, ripeiros, rosáceas de
modo geral, e outras.
Para papel e pasta de celulose
infelizmente, nas condições atuais,
a mata é pobre, especialmente em
madeiras brancas.
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Atas do gimpósio sôbre a Biota Amazônica
' ol - " (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 269-277 — 1967
WILDLANDS OF THE AMAZON BASIN PRE SERVATION,
CONSERVATION AND ABUSE
DWANE J. SYKES
Purdue — Brazil Project at the Rural University of Minas Gerais, Viçosa
In the development of any land
area there are in effect three
possible results from the planning
and management or the lack of
management in the area — pre-
servation for esthetic and recrea-
tional enjoyment, conservation by
nianagement for the sustained
agricultural and industrial pro-
duction, or destructive abuse.
Historically, in the early develop-
ment of nearly all nations the
only alternative has been that of
abuse.
In the broad sense a nation’s
land resources must be, not
preserved, but conserved, for they
are the foundation and basic
resources of the agricultural and
much of the industrial economy of
the nation. By the word con-
servation I am referring to the
concept of wise and sustained use
hi contrast to the concept of non-
Use and preservation. I wish to
m ake this conceptual distinction
Quite clear. Herein conservation
implies the wisest, most efficient
use of an area. On public owned
land this is often interpreted as
the management which will pro-
vide the greatest good to the
greatest number of people over the
long run of time. This is a most
widespread need simply because of
the tremendous scope of land area
involved. That is, all the land
areas of the developing frontier
need to be managed under proper
'conservation practices. Conserva-
tion then is nothing more than
proper land management, and
needs to be applied on both public
and on private land areas.
In contrast to the extensive
conservation practices of the vast
area in its entirety is the pre-
servation of specific reserves to be
retained in their pristine or in
semi-natural conditions. On these
specific reserves the objectives
would be essentially one of non-use
in the agricultural and industrial
production sense, but rather that
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
of scientific study and research
and for esthetic values and recrea-
tional enjoyment. Though this is
indeed a type of use, it is not a
consumptive one of direct utiliza-
tion as such.
The preservation in its natural
forxn as national or state reserves
is essential for scientific and
especially for ecological purposes,
as continuing examples of the
major types of original land and
vegetation. In all the o 1 d e r
countries of the world, much
scientific effort is devoted to the
rediscovery and reconstruction of
a knowledge of the pristine vegeta-
tion, both for purposes of pure
Science as well as for the practical
application to proper land and
resource management. The process
has usually been one of trying to
reconstruct in reverse the steps
o f ecological succession and
regression in relation to pristine
conditions. However, in the
Amazon region where much of this
huge area is still in essentially
natural conditions, if proper
inventory and action were now to
be taken and sufficient selected
reserves were now established we
could avoid this backward search
toward the pristine conditions. It
could still be here as a living
example.
Preservation simply for natural
or esthetic values is sure to become
increasingly popular in Brazil with
time. Camping, vacationing and
recreation in the natural environ-
ment per se are just in the
beginning stages in Brazil. This
use is sure to increase in the
future, though currently it is not
nearly as popular here as it is,
for example, in the United States,
where millions and millions of
persons annually visit the na-
tional parks and national forests
purely for their esthetic and
recreational value. Because of the
remoteness of most of the
Amazonian lands it will be a long
time before the value of this
recreational use will be appreciat-
ed. However if the areas are not
set aside soon there will be no
possibility of preservation in their
semi-natural form for use and
enjoyment of the future genera-
tions.
Brazil currently has 108
designated reserves and national
parks, located mostly in populous
areas of the Coastal States.* The
State of São Paulo alone has 50
such reserves. However very few
reserves have been set aside in the
Amazon basin to date. The state
of Pará has had only one, the
Mundurucània Forest Reserve but
the Guamá Ecological Research
area was established this year. In
Amazonas there is only the Ducke
* As listed by Dr. Henrique Pimenta
Veloso, Instituto Oswaldo Cruz, Rio de
Janeiro.
272
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
nation’s use of its untapped re-
sources would not be so imperative
and it could continue to hold more
of them in reserve.
The Brazilian government is
most anxious to bring its interior
into production by the utilization
of these lands, and properly so.
The United States Agency for
International Developmenfs agri-
cultural mission to Brazil has a
specific section to encourage and
advise on frontier development.
Just how is this development
taking place in Brazil? The govern-
ment provides significant encour-
agement for both individuais and
for large promotional companies
to settle and colonize the wildlands
of the interior. Several of these
colonies, or “glebas” as they are
referred to in Portuguese, are
sponsored and administered by the
state or federal government. Other
colonies are sponsored and to a
certain extent administered by
private land companies which buy
the land with the encouragement
of the government. On profit
initiative they c o n d u c t the
necessary promotional campaign
to attract pioneers and colonists,
who purchase part of these
company owned holdings and move
their families to settle in the new
colony. Finally the colonization
may be, as much of it usually is,
a purely haphazard individual
process of isolated families and
groups, settling frequently on
untittled areas.
Take for example the current
colonization activity in the area of
northern Mato Grosso and the
Territory of Rondônia in the
Southern Amazon. This area is
similar in several respects to the
western part of the United States
a century ago. The tempo of
colonization is rapidly increasing
due to the construction of Brazil
highway 29 which is planned to
eventually connect to the Pan
American Highway and provide an
eastern Brazil branch. This branch
would thus serve as a main arterial
transportation route effectively
connecting Brazil and the eastern
coast of South America with
the countries of the western
coast by a surface route and, of
course, via the Isthmus connection,
with Central and North America.
It is interesting to note that in the
Western United States 100 years
ago, though preliminary coloniza-
tion had been under way for a few
years, 1866 was just three years
before the completion of the trans-
continental railroad system. The
completion of the transcontinental
railroad suddenly and drastically
opened up the Western States for
its rapid settlement and develop-
ment and is considered to be the
greatest single factor in bringing
about the development of the
West.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 273
In Brazil the railroad has never
been such a popular means of
transportation, neither personal
nor for cargo. Instead Brazil has
relied on its roads and highways
for its transportational system.
Sturdy cargo trucks conduct this
transportation over the rugged
dirt roads which penetrate most
parts of eastern litoral Brazil.
Thus in Brazil the road and the
cargo truck represent what the
railroad represented in the States
a century ago. With the completion
of the Brazil branch of the Pan
American Highway and other
trans-Amazonian routes the
development of the Amazon Basin
will probably proceed at an un-
controlable rate.
Let us look at the current colon-
ization activity in this region of
the Southern Amazon. In Mato
Grosso there are several dozen
colonies sponsored by private
companies and perhaps a dozen or
so sponsored and administered by
the state government. There are
federally administered colonies as
well. Since public lands belong to
the individual states rather than
to the federal government, they
have been distributed by the states,
although now there is serious con-
sideration of transferring this to
a federal distribution system. In
the state of Mato Grosso the price
for purchasing these state owned
lands is currently CrS 160 per
hectar, which is about USS .03 per
acre. Technically each individual
is limited to 2000 hectares or about
4,800 acres. However in practice,
by one means or another the
effective individual holdings are
frequently many times this
amount.
The buyer makes a request to
the Department of Lands, indicat-
mg the area desired and a
proíessional surveyor who is to do
the boundary measurements, and
makes a payment to the state of
two-thirds of the total amount due.
The state then recognizes the sale
and issues a provisional land title.
The buyer then has one year to
accomplish the survey which will
cost him anywhere from CrS 50 per
hectare in the readilly accessible
regions to CrS 800 per hectare for
the survey of remote, inaccessible
lands in large blocks. After the
survey is completed and approved
by the state and the remaining
one-third payment made the state
issues a definite land title to the
owner. The surveying of areas in
extremely remote regions is
difficult and expensive. In practice,
these surveys are frequently “dry
labbed” in a ficticious but official-
appearing manner in order to
obtain the deeds.
There are several large land
holding concerns and families
which hold vast acreages in the
undeveloped regions. These hold-
18 — 37.153
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ings are perhaps being currently
purchased or perhaps have long
been held in family estates. The
government strongly encourages
such land holding concerns to
promote t h e settlement and
development of their lands. At
current prices state lands can be
acquired for about CrS 500/ha
total. However the common selling
price by the development com-
panies is in the order of CrS 25,000
to 35,000/ha. This is a mark up
of 50 or more times for their
promotional activities in attract-
ing colonists and encouraging
them to settle in these remote
colonies. The companies may
construct an access road into the
colony area, however in practice
the company itself. The organizers
frequently assist in making some
transportation facilities available,
but usually at the colonisfs
collective expense. Arranging for
supplies, foodstuffs, equipment,
any possible education for the
children, etc. is still the respon-
sibility of the colonists.
With profits incentives of this
magnitude it is clearly understand-
able that companies would provide
a very glowing picture of the
colony situation in their promotion
of its settlement. In both private
and government endeavors men-
tion of the hardships and
difficulties is minimized and the
rewards would naturally be
exagerated. The organizers usually
provide little technical agriculture
assistance or advice in what crops
would be best, proper management
of the soil, proper clearing of the
forest, proper conservation tech-
niques, or the like. These are left
to the capabilities of the settler
himself, just as they always have
been.
There are government organ-
izations, especially in, northeastern
Brazil, that are making a serious
effort toward coordinated approach
to the colonization effort. There
have been many organizational
and technical problems.
In February of this year I had
occasion to spend two days riding
atop a cargo truck from Vilhena,
Territory of Rondônia, to Cuiabá,
Mato Grosso, with about two dozen
potential colonists. These men were
retuming from a visit to the
colony site, the objective of which
was to decide whether or not to
purchase land and settle there
The trip had been organized by
the land company although the
individual settlers were standing
the cost. They were very interested
and enthused about the coloniza-
tion possibilities. They felt that the
soil was one of the richest on earth
and that it would p r o d u c e
abundant crops of anything that
was planted, as evidenced by the
lush forest growth. They were
excited by yields of crops already
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 275
being grown by the first settlers.
However they had not seen a crop
more than two years old, although
they felt sure that the production
would continue almost indefinitely.
Almost to a man they were going
back Éast to pick up their families
and then to spend their life savings
or life borrowings on fifty to
several hundred acres and return
to the colony.
In route this truckload of
settlers returning for their families
met a truck from the same
company which was bringing
a n o t h e r load of prospective
colonists in to look at the area.
It was most interesting to observe
the enthusiasm, the hope, and
the promising aspirations of the
newly converted but inexperienced
pioneers as they discussed the
colony’s merits with the potential
newcomers.
I subsequently compared these
attitudes and aspirations with
those in other colonies already
established and ongoing for several
years. There, the attitudes were
entirely different. Land had been
poorly surveyed resulting in gross
errors of acreage on individual
properties. Promises had not been
k e p t . The colonists were
disillusioned with the disorganiza-
tion and the rudimentary pioneer-
ing conditions.
The colonist arrives to complete-
ly raw conditions as has been the
case throughout history on the
frontier. In the jungle areas he
immediately attacks the forest
with slash and burn techniques. He
plants crops without technical
orientation, and during the first
two to four years may indeed
produce a reasonable crop, but
then production begins to fali off
rapidly. Perplexed at how the land
could produce such a dense jungle,
yet not support a crop of corn he
moves over, clearing more land
and letting his worn-out land
erode and return to brush. This
burn, deplete, and move on type
of agriculture continues today as
it has historically in frontier
development throughout the world.
As the agricultural production
falis and the economic pressures
worsen the colonists are tempted
to abandon their agricultural
endeavors for prospecting for the
abundant mineral and plant re-
source of Brazilian interior.
Immediate cash can be obtained,
for example, from prospecting for
precious s t o n e s and mineral
deposits, and for obtaining rubber,
roots of ipecacuana, and the like.
However the colonist frequently
finds himself working for wages
for another organization. He has
less time to raise his own food-
stuffs and therefore must purchase
supplies at the exhorbitant prices
of the frontier. He may earn four
times as much a day as he did
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
before coming to the colony, but
his expense may be five or six times
as much. As the economic situation
worsens he continues yet further
with destructive abuse of the land
and its resources. Settlers soon
become discouraged and many
move on to new colonies and to
new land in the hope of better
luck and a better arrangement.
The point is that such a system,
even though less haphazard than
in the past, does not allow for
conservation of the land. It does
not allow for preservation of the
land. It still provides for waste and
abuse of renewable ánd non-
renewable resources.
In past centuries it might be
said that people did not know
better. But this is no longer the
case. Now, in the latter part of
the 20th century we do know
better. We do have a technical
understanding of some of the
physical and biological processes
mvolved and to a certain extent
of the management and conserva-
tion practices that should be
followed. True, research and tech-
nical information on the com-
plexity of biological relations in
the tropics is seriously lacking.
But we do have the technical
where-with-all to conduct gross
surveys and land-use evaluations
and to orient, at least at a mini-
mum, the practices in such
frontier development. Such work.
however, takes much time at great
expense. With economic problems
and the population increase, a
developing country may feel that
it cannot afford to wait.
The problem essentially boils
down to a complex economic
question. Can a developing nation
afford to conserve its natural re-
sources? Conservationists and
naturalists would usually reply
that it cannot afford not to do
so. However in practice it may be
that this is not completely the
case. Perhaps this initial depletion
and abuse of the land and its flora
and fauna is indeed an un-
fortunate but practical necessity
in the course of development of a
frontier, just as has been taking
place throughout history. Should
this be the case it would certainly
affect our practical attitudes
toward the necessity of initial
conservation of the vast areas.
However I trust that by further
research and by utilization of our
present technical, social, and
economic knowledge that coloniza-
tion and effective conservation and
selected preservation can all be
simultaneously accomplished.
SUMMARY
To date there has been little
effort exerted toward preservation
and conservation in the Amazon
Basin. Now, with the ever increas-
ing tempo of colonization since
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 277
Brasília, a criticai time of action
is approaching. The c u r r e n t
progress on road penetration and
trans-continental highways is like-
ly to have a similar effect on the
development of the Amazon Basin
as did the railroad in the opening
of the Western United States
100 years ago. For future scientific,
esthetic, and recreational purposes,
selected reserves and national
parks must now be set aside, not
just legislatively but effectively.
Conservation, used in this paper
as wise use rather than non-use,
and sustained agricultural
practices are seriously needed in
the government and privately
sponsored colonization projects.
T h o u g h research on tropical
agriculture is seriously lacking, the
technological advances over the
past few decades should provide
that the historical abuse and
destruction of land, flora, and
fauna be at least considerably
diminished as Virgin lands are
opened during the latter part of
the twentieth century.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais): 279-287 — 1967
LANDSCAPE EVOLUTION IN THE BRAZILIAN
HUffiD TROPICS
KEMPTON E. WEBB
Columbia University, New York City, U. S. A.
(With 2 text-figures)
This paper presents a conceptual
foundation of landscape inter-
pretation which may be useful to
the social scientist in general as
w e 1 1 as to the professional
geographer. It incorporates ideas
from several schools of thought
and, based upon field studies in
Northeast Brazil, also introduces
elements of qualification and
d y n a m i c relationships which
enhance a comprehensive reading
of the earth’s surface and its
variously defined regions.
The main contribution of this
study is a concept of landscape
evolution which can be stated as
follows: the cultural and physical
processes shaping any landscape
interact continuously, in varying
degrees of dominance, with each
other and also with the earth’s
surface which becomes altered,
thereby presenting a continuously
changing base upon which sub-
sequent interactions occur. One
implication of this concept is that
it embraces a comprehensive yet
dynamic view of geographic reality
by considering orders of priority
and dominance within the
bewildering complexity of area
content and processes rather than
seeking simple explanations.
Because the stimulus of this
idea carne directly from recent
field experience in Northeast
Brazil, it may be helpful to present
it against that regional setting in
which it was conceived before we
consider the concept in relation to
the lower Arnazon region. North-
east Brazil is portrayed, then, not
as a unique situation but rather as
simply one “laboratory” of cultural
and physical change in which the
concept of landscape evolution
may be applied. The Northeasfs
relatively well-defined physical
processes and patterns, as well as
280
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
its clearly distinguishable cultural
processes and patterns, are noted
before presenting a schematic
representation of landscape evolu-
tion of the area.
My initial proposal was the
formulation of physical and cul-
tural definitions which distinguish
the warm, humid Zona da Mata
(Forest Zone) from the low, dry
Sertão of the interior, including
the Agreste transition zone. A
second initial objective was to
find ou if and how each of these
zones had shifted geographically in
time. The original proposal under-
went several changes as a cesult
of the first five months of
reconnaisance and background
study. The most drastic reorienta-
tion, however, stemmed from the
nature of my primary research
materiais. These consisted of about
400 air photographs of the eastem
halves of Pernambuco and Paraiba
taken in 1942-43, plus 430 recent
photographs of the same areas.
This indelible document of areal
change through almost twenty
years was supplemented by 150
detailed interviews with local
residents in the same areas and a
limited amount of archival 18th
' century materiais. With the collec-
tion of these varied kinds of data,
one could become familiar with
the functional processes which had
produced the images recorded on
both sets of photos, and to even
become conversant regarding the
earlier geography of the study
area.
Such rich primary source
materiais impressed me more and
more with the processes of land-
scape change within each zone,
however defined, than with any
supposed areal shifts of the zones.
The theme, borne out by field
study on a topographic or detailed
scale, became a recurrent one:
landscape characteristics differed
from place to place in different
periods for different reasons. These
reasons were invariably founded in
a unique mix of cultural and
physical factors and processes in
any given place. Time and time
again, the amazingly analytical
mind of the rural Brazilian infor-
mant identified for me the inter-
woven threads of a complex fabric
of areally-expressed facts, pro-
cesses, and institutions which
made sense out of the earlier
photos as well as the present land-
scape.
Strange and unfamiliar patterns
began to emerge. For example,
rainfall amounts and slope varia-
tions s e e m e d to assume less
importance as explainers of land
use; on the other hand, inheritance
laws and rural land tax structures
(or their lack of enforcement)
appeared to have a very direct
relevance to land use patterns.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 281
The actual observable land use
could be only partly explained by
correlating it with cut and dried
rational assessments of the
physical resource base. Frequently,
the fundamental decision-making
with regard to land use had its
origins and motivations more
deeply rooted in traditional uses
of land, in folk beliefs about
certain qualities or attributes of
areas or activities, in the policies
and decisions of the banking
sectors, or in a rigid feudal system
of sharecropping, just to name a
íew examples. In short, the
experience of doing a field study
dealing with man-land relations
in a small area over a period of
several decades proved to be most
enlightening. The experience was
valuable for the knowledge gained
about the study area itself, but
even more valuable were the
insights which it provided into
man-land relations in generah
The historical perspectives which
illuminate the principal regional
divisions of the Northeast (Zona
da Mata, Agreste, and Sertão) and
the concept of landscape evolution
are brought together and present-
ed in a time-space model, showing
the Culture-Habitat interactions
for the landscapes as they existed
in 1700, 1910, and 1964. The
diagram tries to show how the
landscape evolution concept can
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282
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
be applied in a particular area, in
this instance, the areas of Paraíba
and Pernambuco lying east of
■37 degrees West Longitude. The
letters S, A, and M refer respective-
ly to Sertão, Agreste, and Zona
da Mata.
In Figure 1, three ondulating
surfaces represent, from top to
bottom, three successive landscapes
of the same area as they have
evolved through time. I am using
the word evolution to mean a
process of cumulative change
where the aspect of relative per-
sistence is quite as importa nt as
that of change. The earliest land-
scape is at the top; the most recent
at the bottom. Two vertical lines
separate the area into three
distinct regions: S, A, and M,
thereby introducing the element of
areal diversity into the model.
We start with landscape S 1 as
the given situation. Two sets of
processes interact with o n e
another: H sl referring to the total
physical properties and processes
as they are expressed in the
habitat, H, as for example in the
year 1700. C S1 refers to the total
cultural properties and processes
as they are expressed in that same
area at the same time. Habitat and
culture (H and C) interact with
one another within the landscape
context of S l , thereby transform-
ing S 1 into S-', which is the
observable landscape at a later
date, say 1910.
The cultural state of 1910, C s -\
is the recipient of holdover
cumulative influences from that
of 1700 (C S1 ), as indicated by the
upward curving arrows. Similarly,
the habitat of 1910, H s2 , bears
many marks of the one existing
in 1700 (H S1 ). Nevertheless, the
distinctive culture of 1910, C 32 ,
interacts with the transformed
habitat of that same era, H S2 , in
the context of the 1910 landscape,
S 2 , and eventually produces the
new landscape of 1964, S 3 .
It must be emphasized that
there is a two-fold interaction:
1) the processes operating within
the natural setting or habitat
(vegetation, soils, water regimes,
landforms, and to a lesser extent,
climate) interact with the pro-
cesses operating within the cul-
tural complex (land use, popula-
tion density, land tenure Systems,
levei of technology, attitudes
toward the land, etc.) and at the
same time 2) each of these sum
processes of habitat and culture
(H and C) interact with the
existing landscape. The existing
landscape is naturally the visible
manifestation of both natural and
cultural processes, in variable
degrees of dominance, as they are
frozen at a given moment in time
in a particular place. The land-
scape at any given time represents
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 283
the starting base from which
contemporary habita t-culture
interactions must begin their
transformation of that landscape.
In similar fashion the landscape
in region A is transformed
successively from A 1 to A- and
finally to A 3 , as is the landscape
in region M. The mechanics of
change mentioned thus far refer
only to intr a-regional influences.
There must also be allowances for
inter-regional influences. The two-
way arrow linking landscape A 1 in
region A with landscape M 1 in
region M is meant to indicate the
influence which, for example, a
growing market for food supplies
in region M in 1700 had upon land
use in region A. Other combina-
tions of inter-regional influences
in either direction can be imagin-
ed, such as S 1 with A 1 , or S 3 with
M 3 . Not all of the possible com-
binations of inter-regional in-
fluences are shown in the model,
nor are the details of Culture-
Habitat-Landscape interactions for
regions A and M for the practical
reason of not crowding the
diagram.
The model and the de°cription
of how it works attempt to spell
out in abbreviated form how the
concept of landscape evolution can
be applied to an actual area,
in this case, those portions of
Paraíba and Pernambuco east of
37 degrees West Longitude. I have
selected the earliest time section
at around 1700 in order to portray
this part of the Northeast as the
high point of the characteristic
colonial culture, when sugar cane
cycle was still in its heyday and
the Sertão was already occupied,
though very sparsely settled. The
second period, taken around 1910,
represents a kind of historical
threshold regarding areal diver-
sification within the Agreste and,
to a lesser extent, in the other two
zones. It is also a date for which
I have extensive source material
from interviews with local in-
habitants in all three zones. The
present day situation is supported
by air photographs spanning the
last twenty years, more interviews,
ani personal observation and
documentary evidence. The choice
of just where the time cross-
sections should be placed is meant
to convey some sense of the
tremendous rate of acceleration of
m a n y processes o f landscape
alteration since the beginning of
this century, and particularly
during the last thirty years.
Thus having introduced the
concept of landscape evolution in
some detail by way of Northeast
Brazil, the area in which the idea
was conceived, let us turn to a very
different kind of test area, the
lower Amazon region, and see how
one might construct a tentative
schematic model for the study of
cm l
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
284
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
processes of landscape evnintion
there.
First of all, the lower Amazon
does not exhibit a neat “labora-
tory” aspect, as exists in the North-
east, because of the great distances
involved and also because the gra-
dients of transition are not as sharp
as in Northeast Brazil. Secondly,
because of the east-west orienta-
tion of the whole Amazon region,
a transverse section would have to
run North-South, or, more precise-
ly, Northwest-Southeast. The
section can be imagined on the
following very generalized section
as passing NW to SE through
Santarém or Belém.
NW
SE
GENERALIZED SUBSISTEÍCE AGRICULTURE
1700
Londsco
Amazon River
7 777mwm,
1910
Landscape
LF2
Itl
AND COLLETING ACTIVITIES
7 Belem or
Santarém RF1 , rnTi
( cattle) V2
(rubber) RF2
Icattle and iute) V3
West Central
trubber, black pepper) RF3 B rotil link
Left 8onk
_Terro Firme
"LF*
. Vorzea
iFloodpioin) V"
Right Bank
_Terra Firme .
•RF-
Fig. 2 — Lower Amazon — Landscape evolution.
The profile represents a broad
sedimentary depression of very
gentle slope which lies between the
crystalline Guiana Massif to the
north, and the Brazilian Planalto
to the south. Actually, the
peneplained crystalline surface lies
at the same levei as the broad
Amazon plain which can be more
accurately regarded as a very low
Tertiary age plateau. For our
purposes, however, the principal
distinction in human and
economic terms is between the
varzea (floodplain) and the terra
firme (unflooded Tertiary pia-
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 285
teau). The broad center valley in
the d i a g r a m represents the
Amazon floodplain.
The designations in the top or
earliest profile refer to left (terra)
firme 1 , varzea 1 , and right
(terra) firme 1. Left and right
refer to the left and right banks
of the Amazon River. Numbers 1,
2, and 3 refer respectively to the
landscape sections as of 1700, 1910,
and 1964.
In dealing with such a large
area as the Amazon Basin, or even
a portion of it such as the Lower
Amazon region, one may tend to
over-generalize or to over-parti-
cularize. I have chosen to include
both right and left bank slopes
because there are significant
differences in terms of population,
accessability, and land use on the
respective sides of the river.
We may hypothesize the out-
standing characteristics of the
physical and cultural processes
which formed each successive land-
scape as follows. First, we may
regard the physical processes
affecting the habitat as essentialy
constant e x c e p t for the soil
impoverishment and slow recovery
of forest which has appeared in
this century in the Bragantine
Zone as a result of a relatively
dense rural population practicing
wasteful f a r m i n g methods.
Another way of s t a t i n g the
situation is that man is the major
differentiating force w i t h i n
historical time in the Amazon
landscape, but, as yet, he is not a
very dominant or impressive one.
The first time horizon is placed
at 1700 in order to represent the
long period of sporadic economic
activity in which the few Por-
tuguese and their caboclo descen-
dents in this part of Brazil carried
on rudimentary subsistence agri-
culture, using Indian methods,
and collected the drogas do sertão
( b a c k 1 a n d drugs) such as
cinnamon, cloves, indogo, cacao,
aromatic roots, sasparilla, ole-
aginous seeds, and valuable woods.
Both activities involved a few tens
of thousands of people and were
carried out on both the terra firme
and the varzeas.
The first major turning point
carne in 1752 when the Portuguese
crown embarked on a regional
aevelopment program to encourage
colonization and the establishment
of a strong spice trade to replace
the Portuguese spice trade which
at that time was in the process
of being lost in the East Indies to
the Dutch and other European
powers. The Overseas Council
promoted agriculture and the rais-
ing of cattle.
Our next horizon is placed at
1910, which is the zenith of the
rubber boom which representeà
the extreme extent of the
extractive gathering e c o n o m y
286
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
which had accelerated from 1752
to 1912-13 when the rubber boom
collapsed. The years from 1870 to
1910 also witnessed the massive
migrations of almost 200,000
Northeasterners into the Amazon
area as they fled the searing
droughts of the sertão to seek the
riches of “black gold” (rubber) , or
at least to achieve physical survival
in the dank, dripping selva of the
Amazon. On the profile, the left
bank terra firme experienced less
rubber extraction than the right
bank. In fact, the rubber tree
exploitation has been concentrated
mainly on the south side, or right
bank, tributary areas of the
Amazon River. Cattle raising was
carried on in the succulent
pastures of the varzea and in some
of the more remote savanna
campos of Rio Branco and Amapá
territories.
The years which followed 1874
also marked the important colon-
ization of the Belém-Bragança
Zone which was and is the
principal agricultural region of
any size or importance in the
entire Amazon area. The rural
population densities there are con-
siderably higher than those of any
. other part of the Amazon Basin.
The year 1964 is a contemporary
date which punctuates the fast-
moving events of the few decades
preceding it. Since the 1930’s,
Japanese immigrants brcught in
the rational cultivation of black
pepper, and establisheu it with
great success on the right bank
terra firme near Belém. They also
launched today’s most successful
commercial crop of the Amazon
area, Indian jute, which is grown
in the varzea over much of the
lower Amazon region. The gather-
ing and collecting activities
continue, but as a background
against which there more recent
and very different kinds of
activities are occurring. The
discovery and exploitation o f
Petroleum, manganese, and other
resources of the region will have
new and different kinds of
impacts upon the landscape.
A final mention must be made
with regard to the influence of the
recent Belém-Brasilia highway and
the projected highway link to the
Amazon River from Cuiaba along
the Tapajós River. These overland
routes will exert very strong and
different influences because they
represent a different mode of
transport and they come from an
entirely different direction: the
south. It may just be that both
of the traditional barriers to
development of the Amazon Basin,
that is, isolation from the rest of
the country and sparseness of
population, may be substantially
eliminated by this form of overland
integration with the economic and
demographic heartland of Brazil.
Volume 7 (Conservação da Natureza e Recursos Naturais) 287
In conclusion, it would be
interesting to know whether the
same kinds of source materiais, air
photographs, archival documents,
and interviews for the lower
Amazon region would reveal
similar or different kinds of
conclusions as those reached by
landscape evolution studies m
Northeast Brazil. It is only by
these comparative approaches that
we may test our conceptual tools
and their suitability to different
areas and problems. In this pre-
sentation, we have directed our
attention not so much to unique
regions, but rather to the earth’s
surface as an intermediary of
multiple processes of cultural and
physical change, and as a refractor
of those processes in time and in
space.
PARTIAL BIBLIOGRAPHY
Carneiro, E. 1956, A Conquista da Ama-
zônia, Ministério da Viação e Obras
Públicas.
Conselho Nacional de Geografia, 1959,
Grande Região Norte (in Geogra-
fia do Brasil). Biblioteca Geográ-
fica Brasileira, Vol. 1, Publ. n.° 15.
Rio de Janeiro.
Conselho Nacional de Geografia, 1960,
Atlas do Brasil (Geral e Regional) ,
IBGE.
Soares, L. C., 1956, Amazónia, Excur-
sion Guidebook no. 8 . 18th Inter-
national Geographical Congress,
Brazil.
cm l
SciELO
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 1 (Geociências)
ERRATA
Pág. 187, 2. a coluna, entre a 10. a linha e a 11 a incluir:
OBSERVAÇÕES GERAIS
Numa visão panorâmica da área
em foco, podemos destacar como
dominantes na paisagem, a flores-
ta, o rio Tocantins e a chamada
serra do Trucurá.
A floresta, do tipo latifoliada
equatorial, faz parte da Hiléia
Amazônica. Nas partes mais baixas
apresenta espêsso entrelaçamento
de cipós e lianas (mata de igapó) .
Os terrenos que não são perma-
nentemente cobertos pelas águas
dão lugar a mata de várzea, menos
intrincada que a anterior. Final-
mente, cobrindo a maior parte da
área, encontramos a mata de ter-
ra firme, mais aberta e com árvo-
res de maior porte.
Como pequenas “ilhas” no meio
da floresta encontramos alguns
campos de vegetação rala, pouco
desenvolvida, onde os terrenos são
de areias recentes ou lateríticos.
Um outro dominante na paisa-
gem local, a serra do Trucurá,
apresenta-se à margem esquerda
do rio Tocantins. É um conjunto
de elevações suavemente ondula-
das, com zonas mais ou menos pla-
nas onde se localizam os campos.
Sua altitude máxima oscila em
tôrno dos 100 metros. Morfologi-
camente parece tratar-se de um
testemunho de erosão resultando
dos processos de peneplanização e
laterização do período terciário.
O rio Tocantins é a grande via
de acesso a tôda a região. Suas
águas são rápidas, mas até Tu-
curuí não há cachoeiras e sim o
perigoso travessão dos Patos.
cm l
SciELO
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